Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,275)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,598)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,091)
- Primeira Turma Ordinária (16,013)
- Primeira Turma Ordinária (15,954)
- Primeira Turma Ordinária (15,925)
- Segunda Turma Ordinária d (15,763)
- Segunda Turma Ordinária d (14,358)
- Primeira Turma Ordinária (12,992)
- Primeira Turma Ordinária (12,358)
- Segunda Turma Ordinária d (12,326)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,397)
- Quarta Câmara (84,499)
- Terceira Câmara (66,899)
- Segunda Câmara (55,190)
- Primeira Câmara (19,766)
- 3ª SEÇÃO (16,091)
- 2ª SEÇÃO (11,258)
- 1ª SEÇÃO (6,816)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (123,685)
- Segunda Seção de Julgamen (113,914)
- Primeira Seção de Julgame (76,113)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,956)
- Câmara Superior de Recurs (37,761)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,019)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,619)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,361)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,712)
- HELCIO LAFETA REIS (3,569)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,209)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,921)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,661)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,087)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,045)
- 2024 (25,916)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,470)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,442)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10218.900038/2010-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3302-000.220
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO - Relator.
EDITADO EM: 26/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201205
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10218.900038/2010-72
anomes_publicacao_s : 201501
conteudo_id_s : 5420568
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3302-000.220
nome_arquivo_s : Decisao_10218900038201072.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 10218900038201072_5420568.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO - Relator. EDITADO EM: 26/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
dt_sessao_tdt : Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
id : 5793966
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:35:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047478246309888
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1330; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10218.900038/201072 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3302000.220 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 24 de maio de 2012 Assunto Realizar Diligência Recorrente FLORA FLORESTA DO ARAGUAIA CONSERVAS ALIMENTÍCIAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator. EDITADO EM: 26/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 18 .9 00 03 8/ 20 10 -7 2 Fl. 571DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10218.900038/201072 Resolução nº 3302000.220 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Adotase o relatório da decisão recorrida. Tratase de pedido de ressarcimento transmitido em 14/01/2009 e declaração de compensação transmitida em 31/07/2009 (fls. 26/109), em que foi indicado crédito total de R$ 87.620,36, resultante de ressarcimento de IPI relativo ao 1º Trimestre de 2004. A Delegacia de origem, em análise datada de 19.05.2010, expediu o despacho decisório de fl. 12, do qual consta que: "Analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP e período de apuração acima identificados, constatouse o seguinte: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$ 87.620,36 Valor do crédito reconhecido: R$ 0,00 O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. Diante do Exposto: NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP:(...); INDEFIRO o pedido de restituição/ressarcimento apresentado no(s) PER/DCOMP (...)."Cientificada em 16.08.2010, a interessada apresentou, em 15/09/2010, a manifestação de inconformidade de fls. 01/05, na qual alega: "Considerando que as informações apresentadas são exíguas para a perfeita identificação dos motivos que levaram à consideração de insuficiência de crédito, coube à Manifestante analisar as informações complementares que constam no sítio da Receita Federal do Brasil, mais especificamente o item 'PER/DCOMP Despacho Decisório — Análise do Crédito'. Ao efetuar a análise das informações contidas em referido tópico auxiliar, a Manifestante conseguiu identificar, de forma precisa, o motivo que levou a fiscalização a considerar como insuficientes os créditos utilizados: ela se equivocou na identificação do 'Saldo Credor do Período Anterior' para a 1ª quinzena de abril de 2004, constante do 'Demonstrativo da Apuração Após o Período do Ressarcimento" (...), o que fez, por conseqüência, com que todos os saldos posteriores fossem contaminados. Vejase, com efeito, que o valor identificado no citado demonstrativo é de R$ 352.952,28, quando, na realidade, o valor informado pela Manifestante (...) é absolutamente diverso, na importância de R$ 744.303,18!! (...) Considerandose corretamente o saldo informado pela Manifestante em seus PER/DCOMPs, o crédito será absolutamente suficiente para amparar as compensações realizadas, sendo, por isso, improcedentes as glosas realizadas. Para tornar mais claro o que se alega, a Manifestante anexa, ainda, uma planilha comparativa dos saldos disponíveis para compensação, sendo uma a cópia fiel do demonstrativo (equivocado'.'.!) da Fiscalização, e outra, nos mesmos moldes, com o crédito correto identificado nos PER/DCOMPs transmitidos. Vêse, por referida planilha, a indiscutível validade e suficiência dos créditos informados e utilizados. Fl. 572DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10218.900038/201072 Resolução nº 3302000.220 S3C3T2 Fl. 4 3 Registrese, por fim, que se o saldo informado pela Manifestante fosse mesmo aquele informado no 'Demonstrativo da Apuração Após o Período do Ressarcimento' apresentado pela fiscalização, o próprio programa do PER/DCOMP teria informado quanto seria passível de ressarcimento, limitando, portanto, as futuras compensações. (...) desde já requer, caso se mostre necessário, a realização de diligência para atestar regularidade da compensação realizada e das informações prestadas nos respectivos PER/DCOMPs. Para tanto, indica como Perito (...). Os Membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em BelémPA, por unanimidade de votos, decidiram julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Intimada em 24/08/2011, irresignada a Recorrente, interpôs Recurso Voluntário em 21/09/2011. É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator Tratase de pedido de ressarcimento, resultante de créditos presumidos de IPI relativo ao 1º o Trimestre de 2004. O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Normas da Administração Tributária Do processo administrativo contencioso tributário. Da Verdade Material. Há muito se sabe que no processo fiscal predomina o princípio da verdade material, onde o Fisco busca descobrir se ocorreu, ou não o fato gerador do tributo. Por esse motivo, no processo administrativo fiscal, as provas da ocorrência, ou não do fato gerador do tributo podem ser juntadas aos autos a qualquer momento. O princípio da verdade material exprime que a Administração deve tomar as decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos. No presente caso, a questão acerca do reconhecimento de Crédito Presumido de IPI merece uma análise mais detalhada, em respeito ao princípio da verdade material. Na condução do processo há que se ter em conta o processo de fixação formal da prova, no qual o julgador se atém à análise dos meios de prova definidos em lei, à valoração e admissibilidade das provas apresentadas, para formar o seu livre convencimento para decidir. Fl. 573DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10218.900038/201072 Resolução nº 3302000.220 S3C3T2 Fl. 5 4 Verifico no entanto que apesar de não homologar a compensação do recorrente e inverter o ônus da prova, a fiscalização não intimou a contribuinte para demonstrar o porquê d divergência entre seu banco de dados e a própria obrigação acessória do contribuinte, particularmente às fls.190, em que consta declarado o valor. A divergência verificada entre a Autoridade Fazendária, qual seja o "Saldo Credor do Período Anterior" para a 1ª quinzena de abril de 2004 no valor de R$ 352.952,28 (Fls. 13/15), e o Contribuinte, no importe de R$ 744.303,18, conforme página 03 da PER/DCOMP n ° 31088.36759.140110.1.5.012237 persiste. Nesse particular voto no sentido de encaminhar a presente lide à diligência, para que seja intimada a contribuinte a demonstrar o seu direito ao credito presumido de IPI, referente ao 1º Trimestre de 2004, no importe de R$ 744.303,18, declarado à RFB, e para que a fiscalização confirme à este E. Conselho se o direito pleiteado à restituição/compensação pela Recorrente é legítimo, devendo prevalecer. Sala das Sessões, em 24 de maio de 2012 (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10945.000948/2008-14
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000
PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica na renúncia à instância administrativa.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3801-004.634
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges , Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica na renúncia à instância administrativa. Recurso Voluntário Não Conhecido.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10945.000948/2008-14
anomes_publicacao_s : 201412
conteudo_id_s : 5403536
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-004.634
nome_arquivo_s : Decisao_10945000948200814.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : FLAVIO DE CASTRO PONTES
nome_arquivo_pdf_s : 10945000948200814_5403536.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges , Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
id : 5744456
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:33:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047478255747072
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1608; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 11 1 10 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10945.000948/200814 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801004.634 – 1ª Turma Especial Sessão de 12 de novembro de 2014 Matéria IPI RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO Recorrente LAJES PATAGÔNIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica na renúncia à instância administrativa. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges , Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 09 48 /2 00 8- 14 Fl. 397DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.000948/200814 Acórdão n.º 3801004.634 S3TE01 Fl. 12 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, uma vez que narra bem os fatos: Trata o presente de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que indeferiu o pedido de ressarcimento do saldo credor do IPI apurado no período em epígrafe e, conseqüentemente, não homologou a compensação declarada. Isso se deu porque a fiscalização ao intimar o contribuinte para apresentar os elementos probantes de seu direito creditório, este, apesar de reintimado deixou de apresentar o arquivo magnético contendo as notas fiscais de entrada e saída. Além disso, deixou de apresentar os Livros Registro de Apuração do IPI de 2001 a 2004 da Matriz e de 1999 a 2004 da Filial, assim impossibilitando verificar se o crédito pleiteado foi devidamente estornado, quando da transmissão da PERDCOMP. Tempestivamente, o interessado se manifestou alegando, em síntese, que tendo se passado nove anos do período relativo ao crédito até o presente, não conseguiu recuperar os arquivos solicitados pela fiscalização, porém, afirma possuir todos os livros impressos, os quais não foram requeridos. Aduz que o procedimento fiscal não seguiu o princípio da eficiência, portanto, novo prazo deveria ser concedido para apresentação da documentação impressa que possui e realização da devida auditoria. Além disso, não poderia apresentar os livros pedidos, na medida em que nos anos de 2001 a 2003 foi optante do SIMPLES. Por fim, tece uma série de considerações sobre a suspensão da exigibilidade dos débitos declarados, em função do contencioso fiscal. A DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito, sendo que a aceitação destas, quando intempestivamente apresentadas, submetese às hipóteses legais. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. A obrigação acessória decorre da legislação tributária (leis, tratados e convenções internacionais, decretos e normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. ) e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.000948/200814 Acórdão n.º 3801004.634 S3TE01 Fl. 13 3 Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Em breve arrazoado apresenta um relato dos fatos destacando que possui todos os livros impressos, porém os mesmos não foram aceitos pela Receita Federal. Esclarece que as notas fiscais de entrada e saída também estão a disposição da fiscalização federal. Em preliminar, sustenta que ajuizou ação anulatória de débitos sob. o nº 2009.70.02.0027454/PR, em trâmite na Primeira Vara Federal de Foz do Iguaçu, requerendo em síntese que fossem declaradas regulares as compensações objeto deste processo administrativo fiscal. Esclarece que em sede de tutela antecipada a recorrente requereu o depósito judicial do valor integral, a fim de possibilitar a emissão de Certidão Positiva de Débitos com efeito de Negativa, a qual foi deferida e suspensão dos processos administrativos pendentes, tal como o presente. No mérito, sustenta a inobservância do princípio da eficiência. Argumenta que tentou entregar todos os documentos comprobatórios de seu direito de modo impresso, contudo em virtude do volume, a própria Receita Federal, não autorizou seu protocolo, aduzindo que os documentos deveriam ser digitais. Com relação ao princípio da eficiência, faz referência ao artigo 37 da Constituição Federal. Destaca que o formalismo não poderia ter impedido a recorrente de juntar os documentos impressos e ainda ter julgado improcedente seu pedido com a alegação de que restavam ausentes os documentos comprobatórios. Ressalta que a recorrente estava enquadrada no SIMPLES no período de 2001 a 2003, desta forma não possui livros de apuração de IPI referente a este período. Postula a juntada de documentos de forma impressa no prazo de 180 dias. Reitera a tese de que os débitos estão com a exigibilidade suspensa em razão de depósito judicial, nos termos do artigo 151 do Código Tributário Nacional. Colaciona doutrina e jurisprudência acerca desta matéria. Por fim, requer preliminarmente a suspensão deste processo administrativo, vez que o objeto do presente encontrase sub judice na Vara Federal de Foz do Iguaçu. No mérito, requer a juntada de documentos impresso em poder da recorrente com o intuito de comprovar a legalidade dos créditos. Sucessivamente postula prazo para reconstituir a escrituração para que seja apresenta de forma eletrônica. Tendo em vista que em preliminar, a recorrente informou que ajuizou uma ação anulatória de débitos, processo nº 2009.70.02.0027454/PR, junto a Primeira Vara Federal de Foz do Iguaçu, requerendo em síntese que fossem declaradas regulares as compensações objeto deste processo administrativo fiscal, o processo foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem informasse o andamento processual do processo nº 2009.70.02.0027454, com a juntada da petição inicial e das principais decisões judiciais e eventual suspensão da exigibilidade do crédito tributário em discussão em razão de depósitos judiciais. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.000948/200814 Acórdão n.º 3801004.634 S3TE01 Fl. 14 4 Em atendimento à diligência, a Delegacia de origem após juntar cópia da petição inicial argumentou que os créditos tributários em discussão na Ação Ordinária nº 2009.70.02.0027454/PR referemse àqueles oriundos tãosomente das Declarações de Compensação nº 31712.38227.220405.1.3.013639 e nº 40181.76436.120505.1.3.016656, vinculadas ao Pedido de Ressarcimento nº 03659.70301.140105.1.1.010288, cujo crédito não foi reconhecido no montante apurado pelo interessado. Em razão disso, foi emitido o Despacho Decisório nº 808243504, o qual é o objeto da Ação Ordinária nº 2009.70.02.0027454/PR. Alegou, ainda, que os créditos tributários em cobrança administrativa pelos Processos Administrativos Fiscais (PAF) nº 10945.000941/200801, nº 10945.000944/200836, nº 10945.000946/200825, nº 10945.000948/200814, nº 10945.000949/200869, nº 10945.000950/200893, nº 10945.000951/200838, nº 10945.000952/200882 e nº 10945.000953/200827, os quais se encontram no CARF para julgamento, não se vinculam à Ação Ordinária nº 2009.70.02.0027454/PR, a qual está vinculada tãosomente ao PAF nº 10945.901516/200822. A contribuinte foi devidamente cientificada do teor da diligência, tendo se manifestado após o prazo que lhe foi concedido. A recorrente apresentou cópia da petição inicial, dos depósitos judiciais e do andamento processual. Em relação à referida ação judicial, esclareceu que não há decisões relevantes a serem apresentadas. Assim, os autos administrativos retornaram a esse colegiado para julgamento. É o relatório. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.000948/200814 Acórdão n.º 3801004.634 S3TE01 Fl. 15 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes Embora o recurso seja tempestivo e atenda aos demais pressupostos recursais, dele não se toma conhecimento pelas razões a seguir expostas. De início em preliminar, a recorrente noticia que ajuizou uma ação anulatória de débitos, processo nº 2009.70.02.0027454/PR, junto a Primeira Vara Federal de Foz do Iguaçu, requerendo em síntese que fossem declaradas regulares as compensações objeto deste processo administrativo fiscal. Esta matéria foi objeto de diligência fiscal. Em que pese o entendimento divergente da Delegacia de origem, concordase com a tese da interessada de que esta matéria está sub judice, uma vez que este processo administrativo tem o mesmo objeto da ação judicial em referência, homologação de compensação em face de pedido de ressarcimento de IPI. Do exame da petição inicial, constatase que a interessada em seu pedido requer que sejam declaradas regulares as compensações objeto deste processo administrativo, inclusive, discriminou os PER/DCOMP e respectivos períodos de apuração. Assim sendo, as compensações objeto deste litígio administrativo foram contestadas judicialmente. Pertinente é a colocação de Luiz Rodrigues Wambier, Flávio Renato Correia de Almeida e Eduardo Talamini sobre o pedido na petição inicial in Curso Avançado de Processo Civil V. I. 8 ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006, p. 271: É o pedido que demonstra o objeto litigioso. É o elemento central da petição inicial, pois expressa o provimento jurisdicional que o autor espera ter. Vale dizer, o pedido é a solução que o autor pretende seja dada à situação reclamada. É para alcançar o que consta do pedido que o autor vem a juízo. Já se disse que o pedido é o modelo de sentença que se aguarda, pois representa o desejo de ver atuar a lei sobre a situação jurídica reclamada.(grifouse) Deste modo, é indubitável que o direito creditório objeto dessa ação judicial é o mesmo deste processo administrativo, ressarcimento e posterior compensação dos valores relativos aos créditos de IPI. Destarte, incide no caso vertente o parágrafo único do art. 38, da Lei nº. 6.830/80, que dispõe: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do Fl. 401DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.000948/200814 Acórdão n.º 3801004.634 S3TE01 Fl. 16 6 indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto.(grifouse) O excelso Supremo Tribunal Federal já manifestou acerca da constitucionalidade desse dispositivo, conforme decidido no recurso extraordinário nº 233.582: EMENTA: CONSTITUCIONAL. PROCESSUAL TRIBUTÁRIO. RECURSO ADMINISTRATIVO DESTINADO À DISCUSSÃO DA VALIDADE DE DÍVIDA ATIVA DA FAZENDA PÚBLICA. PREJUDICIALIDADE EM RAZÃO DO AJUIZAMENTO DE AÇÃO QUE TAMBÉM TENHA POR OBJETIVO DISCUTIR A VALIDADE DO MESMO CRÉDITO. ART. 38, PAR. ÚN., DA LEI 6.830/1980.(...). É constitucional o art. 38, par. ún., da Lei 6.830/1980 (Lei da Execução Fiscal LEF), que dispõe que "a propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo [ações destinadas à discussão judicial da validade de crédito inscrito em dívida ativa] importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto". Recurso extraordinário conhecido, mas ao qual se nega provimento.(STF, RE 233582, DJe088 de 1605 2008).(grifouse) Em relação ao conteúdo desse dispositivo legal, Leandro Paulsen, René Bergmann e Ingrid Schroder explicam: O parágrafo em questão tem como pressuposto o princípio da jurisdição una, ou seja, que o ato administrativo pode ser controlado pelo Judiciário e que apenas a decisão deste é que se torna definitiva, com o trânsito em julgado, prevalecendo sobre eventual decisão administrativa que tenha sido tomada ou pudesse vir a ser tomada. Considerando que o contribuinte tem direito a se defender na esfera administrativa mas que a esfera judicial prevalece sobre a administrativa, não faz sentido a sobreposição dos processos administrativo e judicial. A opção pela discussão judicial, antes do exaurimento da esfera administrativa, demonstra que o contribuinte desta abdicou, levando o seu caso diretamente ao Poder ao qual cabe dar a última palavra quanto à interpretação e à aplicação do Direito, o Judiciário. Entretanto, tal pressupõe a identidade de objeto nas discussões administrativa e judicial". (Leandro Paulsen, René Bergmann Ávila e Ingrid Schroder Sliwka. Direito Processual Tributário: processo administrativo fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010, p. 447 e 448). De fato, se o sujeito passivo recorre ao Poder Judiciário, por uma questão de lógica, ele está desistindo tacitamente da esfera administrativa, visto que a decisão do Poder Judiciário é soberana. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.000948/200814 Acórdão n.º 3801004.634 S3TE01 Fl. 17 7 Eventuais decisões antagônicas, nas esferas administrativa e judicial, teriam uma única solução, qual seja, prevaleceria a da esfera judicial, em razão do princípio constitucional da jurisdição única, art. 5º, XXXV, da Constituição Federal. Destarte, não faz sentido a continuação da discussão no âmbito administrativo, pois o mérito da questão será decidido pelo Poder Judiciário com efeito de coisa julgada. Corroborando esta teoria, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do recurso especial nº 840.556, assim se pronunciou: TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA.AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA DE RECORRER NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IDENTIDADE DO OBJETO. ART. 38, PARÁGRAFO ÚNICO DA LEI Nº 6.830/80. 1. Incide o parágrafo único do art. 38, da Lei nº 6.830/80, quando a demanda administrativa versar sobre objeto menor ou idêntico ao da ação judicial. 2.(...) 3. In casu, os mandados de segurança preventivos, impetrados com a finalidade de recolher o imposto a menor, e evitar que o fisco efetue o lançamento a maior, comporta o objeto da ação anulatória do lançamento na via administrativa, guardando relação de excludência.4. Destarte, há nítido reflexo entre o objeto do mandamus – tutelar o direito da contribuinte de recolher o tributo a menor (pedido imediato) e evitar que o fisco efetue o lançamento sem o devido desconto (pedido mediato) com aquele apresentado na esfera administrativa, qual seja, anular o lançamento efetuado a maior(pedido imediato) e reconhecer o direito da contribuinte em recolher o tributo a menor (pedido mediato).5. Originárias de uma mesma relação jurídica de direito material, despicienda a defesa na via administrativa quando seu objeto subjugase ao versado na via judicial, face a preponderância do mérito pronunciado na instância jurisdicional. (...) (STJ, REsp 840556/AM, DJ 20/11/2006) (grifouse) Assim sendo, a existência de uma ação judicial, por parte da requerente, com o mesmo objeto desse processo administrativo fiscal importa na renúncia à esfera administrativa. Em relação a essa discussão, aplicase a Súmula nº 01 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que uniformizou o seguinte entendimento: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.(grifouse) Além disso, os Conselheiros têm o dever de observar as súmulas, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009: Fl. 403DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.000948/200814 Acórdão n.º 3801004.634 S3TE01 Fl. 18 8 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Em face do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário, visto que a recorrente submeteu à apreciação do Poder Judiciário a matéria objeto desse processo. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 404DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10380.000416/2002-24
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO.
O crédito presumido de IPI destina-se a ressarcir a contribuição para o PIS e a Cofins incidentes nas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados no processo produtivo de bens destinados à exportação, ainda que as últimas aquisições da cadeia produtiva não tenham sido tributadas.
Numero da decisão: 3803-006.838
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito ao Crédito Presumido de IPI, na parte relativa às aquisições de matérias-primas junto a empresários individuais.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Carolina Gladyer Rabelo, Paulo Renato Mothes de Moraes e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. O crédito presumido de IPI destina-se a ressarcir a contribuição para o PIS e a Cofins incidentes nas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados no processo produtivo de bens destinados à exportação, ainda que as últimas aquisições da cadeia produtiva não tenham sido tributadas.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10380.000416/2002-24
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5428130
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3803-006.838
nome_arquivo_s : Decisao_10380000416200224.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : HELCIO LAFETA REIS
nome_arquivo_pdf_s : 10380000416200224_5428130.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito ao Crédito Presumido de IPI, na parte relativa às aquisições de matérias-primas junto a empresários individuais. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Carolina Gladyer Rabelo, Paulo Renato Mothes de Moraes e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
id : 5821246
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047478266232832
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1933; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 514 1 513 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.000416/200224 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803006.838 – 3ª Turma Especial Sessão de 27 de janeiro de 2014 Matéria CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO Recorrente CV COUROS E PELES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. O crédito presumido de IPI destinase a ressarcir a contribuição para o PIS e a Cofins incidentes nas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados no processo produtivo de bens destinados à exportação, ainda que as últimas aquisições da cadeia produtiva não tenham sido tributadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito ao Crédito Presumido de IPI, na parte relativa às aquisições de matériasprimas junto a empresários individuais. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Carolina Gladyer Rabelo, Paulo Renato Mothes de Moraes e Samuel Luiz Manzotti Riemma. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 04 16 /2 00 2- 24 Fl. 514DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 16/02/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10380.000416/200224 Acórdão n.º 3803006.838 S3TE03 Fl. 515 2 Tratase de retorno dos autos de diligência à repartição de origem. O presente processo originouse de Pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido de IPI (fl. 01) cumulado com Declaração de Compensação transmitida em 07/12/2005 (fls. 301 a 304). A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza/CE, após a realização de auditoria fiscal, decidiu por indeferir o pedido de ressarcimento e por considerar não declarada a compensação pleiteada pelo contribuinte por se fundar em crédito pendente de decisão judicial. O Termo de Verificação Fiscal presente às fls. 199 a 202 informa que foram detectadas divergências entre os valores dos insumos (matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem) declarados pelo contribuinte em relação aos constantes de sua escrituração fiscal, tendo sido efetuadas glosas de aquisições de matériasprimas junto a pessoas físicas, bem como relativas a devoluções de compras e a insumos aplicados em produtos não acabados e em produtos acabados mas não vendidos. Posteriormente, emitiuse despacho decisório (fls. 306 a 312) em que se consignou que decisão em Agravo de Instrumento do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, não transitada em julgado, havia assegurado ao interessado, liminarmente, o direito à escrituração e a utilização, mediante compensação, do crédito presumido do IPI como ressarcimento das Contribuições para o PIS e da Cofins, conforme dispõe a Lei n° 9.363/1996, sem as restrições impostas pelas Instruções Normativas SRF nº 23 e nº103/1997, e edições posteriores — ou seja, considerandose as aquisições, no mercado interno, de insumos comercializados por pessoas físicas. Registrouse, ainda, que inexistia reconhecimento judicial quanto ao direito à utilização dos créditos presumidos de IPI mediante ressarcimento e compensação, mas apenas o direito à escrituração desses créditos para fins de dedução na apuração do IPI, e somente após o trânsito em julgado. Por fim, decidiu a autoridade administrativa de origem por indeferir o pedido de ressarcimento e por considerar não declarada a compensação pleiteada, sendo determinado o lançamento de ofício da multa isolada de que trata o art. 18, § 4º, da Lei nº 10.833/2003. Inconformado, o contribuinte protocolizou Manifestação de Inconformidade (fls. 322 a 324) e requereu o deferimento do montante dos créditos, ignorandose a Ação Judicial em andamento, uma vez que o resultado final dessa ação não diminuiria o crédito utilizado, bem como a revisão do procedimento de verificação da utilização de créditos oriundos de aquisições de pessoas físicas, nos termos apontados pela fiscalização, dado que não correspondia à verdade material. Informou o então Manifestante que a ação Judicial em curso, efetivamente, visava à garantia dos créditos nas aquisições de matériasprimas junto a pessoas físicas, mas que, nos anos de 2000 e 2001, essas aquisições não foram utilizadas para compor o montante dos créditos a serem compensados, em razão do quê eventual decisão final favorável a ele lhe asseguraria um montante maior de crédito, a ser ou não utilizado, a depender de sua discricionariedade. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 16/02/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10380.000416/200224 Acórdão n.º 3803006.838 S3TE03 Fl. 516 3 Afirmou, ainda, que utilizara no cálculo do montante dos créditos presumidos de IPI dos anos de 2000 e 2001 apenas as aquisições de insumos de pessoas jurídicas, conforme planilha anexada, e que a Fiscalização incorrera em erro pelo fato de o fornecedor da matéria prima ter nome de pessoa física, mas se tratar, em verdade, de uma firma individual, com CNPJ e sujeita aos tributos conforme o regime de tributação adotado, como, exemplificativamente, o fornecedor de nome José Ribeiro Carnaúba, cujo CNPJ seria 02.579.249/000129. A DRJ Belém/PA decidiu por reconhecer em parte o direito creditório (fls. 332 a 335), cujo acórdão restou ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 RESSARCIMENTO. DISCUSSÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. Quando o valor constante de pedido de ressarcimento não sofre a influência do resultado, qualquer que seja ele, de processo judicial em que seja parte a pessoa jurídica, inexistem razões para que incidam as disposições constantes dos arts. 25 e 70 da IN RFB no 900/2008. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. COMPROVAÇÃO PARCIAL. Demonstrada, em sede de diligência fiscal, a existência de parcela do direito creditório invocado pelo sujeito passivo, impõese o ressarcimento do valor assim apurado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 PAF. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. PAF. ÔNUS DA PROVA. Os argumentos erigidos pelo impugnante devemse acompanhar de meios de prova hábeis e idôneos, sendo que a ausência de tais elementos, nos autos, impõe negativa à pretensão, que se vê embargada em sua certeza e liquidez necessárias. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Registrou a autoridade julgadora de primeira instância que apenas subira à apreciação da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA a matéria relativa ao indeferimento integral do pedido de ressarcimento, tendo em vista que, nos termos da Lei n° 11.051, de 29/12/2004, que promovera a inclusão dos §§ 12 e 13 no art. 74 da Lei n° Fl. 516DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 16/02/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10380.000416/200224 Acórdão n.º 3803006.838 S3TE03 Fl. 517 4 9.430/1996, os débitos objeto de compensação considerados não declarados não poderiam ser objeto de manifestação de inconformidade contra a decisão da autoridade administrativa que os indeferisse. Consignouse, ainda, que o sujeito passivo apresentara junto ao pedido de ressarcimento, dentre outros, o demonstrativo em que se informava que as compras de pessoas físicas não estariam sendo computadas no cálculo do crédito presumido do IPI, em razão do quê se concluiu pela inexistência de concomitância de discussão da matéria nas esferas administrativa e judicial. Não obstante ter concluído nesses termos, a autoridade julgadora de piso não acatou as alegações do contribuinte de que todas as aquisições teriam se originado de transações comerciais com pessoas jurídicas pelo fato de não terem sido apresentadas provas nesse sentido, mas meras indicações de que se tratava de firmas individuais Além disso, registrouse que as glosas efetuadas pela Fiscalização abarcaram outros fatos, como devolução de mercadorias e estorno de insumos aplicados na produção em estoque, sendo que o contribuinte se insurgira apenas em relação às aquisições de pessoas físicas, tendo, ocorrido, por conseguinte, o trânsito em julgado na esfera administrativa dessas outras glosas por ausência de contestação. Por fim, no que diz respeito à compensação pleiteada pelo contribuinte, salientou o relator a quo que incumbiria à unidade de origem, como decorrência do julgado de primeira instância, e em assim indicando o seu livre convencimento motivado, adotar as providências necessárias à revisão de oficio do despacho decisório na parcela que não fora objeto de conhecimento e de decisão. Irresignado, o contribuinte recorreu a este Conselho (fls. 348 a 351) e reiterou seu pedido de deferimento do montante dos créditos legalmente aproveitados, revendose a questão relativa à utilização de créditos oriundos de aquisições junto a pessoas físicas, nos termos apontados pela fiscalização, dado não corresponder à verdade material. Junto ao recurso voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópias de notas fiscais e de sua escrituração contábilfiscal, sendo salientado que as notas fiscais faltantes haviam sido extraviadas durante fiscalização do Fisco Estadual (anexou carta protocolizada na SEFAZ solicitando a devolução das referidas notas fiscais e ressaltou que por meio do Livro Registro de Entradas e de outras notas do mesmo fornecedor seria possível comprovar sua personalidade jurídica.) Por meio da Resolução nº 3803000.100, de 5 de maio de 2011, esta 3ª Turma Especial, a par dos dados constantes da documentação apresentada em sede de recurso, decidiu por converter o julgamento em diligência à repartição de origem para que se procedesse ao batimento dos demonstrativos apresentados pelo Recorrente, bem como das notas fiscais a que se reportavam, com os dados levantados pela Fiscalização e a escrituração da pessoa jurídica, confirmandose ou não o erro de identificação da origem das aquisições de determinados insumos no 3º trimestre de 2001. Por meio de Relatório de Diligência Fiscal, a autoridade de origem informa que, a partir da auditoria realizada, constatouse que o crédito presumido efetivamente apurado no período é de R$ 55.327,58, e não de R$ 20.772,13, conforme havia sido originariamente Fl. 517DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 16/02/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10380.000416/200224 Acórdão n.º 3803006.838 S3TE03 Fl. 518 5 calculado pela Fiscalização, dada a comprovação das aquisições de matériasprimas junto a empresários individuais e não junto a pessoas físicas. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Diante dos dados apurados pela Fiscalização na realização da diligência determinada por este Colegiado, constatase que, diante da confirmação de que as matérias primas glosadas haviam sido adquiridas junto a empresários individuais e não junto a pessoas físicas, o crédito presumido apurado passou a ser de R$ 55.327,58, valor esse inferior ao montante originalmente pleiteado de R$ 57.937,11, dada a manutenção das demais glosas realizadas pela Fiscalização que restaram não controvertidas nestes autos em razão da ausência de impugnação. Salientese que inexistem dúvidas quanto à qualidade de matériaprima dos produtos adquiridos pelo Recorrente, este produtor de couros, peles e seus manufaturados, controvertendose nos autos somente quanto à sua origem, se adquiridos junto a pessoas físicas ou jurídicas. Destaquese que, ainda que as referidas matériasprimas tivessem sido adquiridas de pessoas físicas, o crédito presumido correspondente deveria ser reconhecido, dada a decisão definitiva proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), na sistemática dos recursos repetitivos, no julgamento do Recurso Especial nº 993.164, em que se reconheceu o direito ao crédito nas aquisições de insumos não tributadas pelo PIS e pela Cofins, decisão essa de reprodução obrigatória por parte deste Colegiado por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF1. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso, para reconhecer o direito ao Crédito Presumido de IPI na parte relativa às aquisições de matérias primas junto a empresários individuais. É como voto. (assinado digitalmente) 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 16/02/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10380.000416/200224 Acórdão n.º 3803006.838 S3TE03 Fl. 519 6 Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 519DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 16/02/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10865.900856/2008-26
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO JÁ EXAMINADO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO QUE FOI OBJETO DE OUTRO PROCESSO. RESTITUIÇÃO JÁ PROCESSADA.
Se em outros autos havia pedido de restituição que tratava integralmente do crédito cuja fração amparava a declaração de compensação objeto deste processo, e se esse pedido já produziu seus normais efeitos no contexto daqueles outros autos, inclusive com restituição de crédito em conta bancária da Contribuinte, resta prejudicada a compensação objeto deste processo, por ausência de crédito que possa ser nele aproveitado.
Numero da decisão: 1802-002.432
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO JÁ EXAMINADO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO QUE FOI OBJETO DE OUTRO PROCESSO. RESTITUIÇÃO JÁ PROCESSADA. Se em outros autos havia pedido de restituição que tratava integralmente do crédito cuja fração amparava a declaração de compensação objeto deste processo, e se esse pedido já produziu seus normais efeitos no contexto daqueles outros autos, inclusive com restituição de crédito em conta bancária da Contribuinte, resta prejudicada a compensação objeto deste processo, por ausência de crédito que possa ser nele aproveitado.
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10865.900856/2008-26
anomes_publicacao_s : 201412
conteudo_id_s : 5403089
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1802-002.432
nome_arquivo_s : Decisao_10865900856200826.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
nome_arquivo_pdf_s : 10865900856200826_5403089.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
id : 5742357
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:32:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047478269378560
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1916; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.900856/200826 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 1802002.432 – 2ª Turma Especial Sessão de 26 de novembro de 2014 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente DIMENSIONAL EQUIPAMENTOS ELÉTRICOS SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO JÁ EXAMINADO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO QUE FOI OBJETO DE OUTRO PROCESSO. RESTITUIÇÃO JÁ PROCESSADA. Se em outros autos havia pedido de restituição que tratava integralmente do crédito cuja fração amparava a declaração de compensação objeto deste processo, e se esse pedido já produziu seus normais efeitos no contexto daqueles outros autos, inclusive com restituição de crédito em conta bancária da Contribuinte, resta prejudicada a compensação objeto deste processo, por ausência de crédito que possa ser nele aproveitado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 08 56 /2 00 8- 26 Fl. 403DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900856/200826 Acórdão n.º 1802002.432 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1429.152, às fls. 113 a 121: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLLestimativa, código de arrecadação 2484), concernente ao período de apuração 06/2003. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que no anocalendário de 2003 teria apurado saldo negativo de IRPJ e CSLL, no valor de R$ 556.671,88 e R$ 218.360,83, respectivamente, bem como retenções de IRRF sobre aplicações financeiras no valor de R$ 2.452,11, que teriam sido informadas em DIPJ/2004. Os saldos negativos assim apurados teriam sido utilizados para compensação de débitos próprios, mediante transmissão de diversos PER/DCOMP; que teria incorrido em equívoco “quanto ao preenchimento relativo ao campo 'Tipo do Crédito', selecionou 'Pagamento Indevido ou a Maior' ao invés de 'Saldo Negativo de IRPJ', bem como relacionou os DARF's relativos ao pagamento por estimativa mensal, como o presente”. Em que pese o erro, a requerente teria direito ao crédito declarado, como estaria a comprovar a documentação anexa à manifestação de inconformidade; que “desconsiderar os valores recolhidos a maior pela Requerente (apuração de saldo negativo de IRPJ e CSLL ano calendário/2003), seria o mesmo que tributar parcela não Fl. 404DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900856/200826 Acórdão n.º 1802002.432 S1TE02 Fl. 4 3 correspondente ao conceito de renda e de lucro líquido, hipótese, por óbvio, manifestamente inconstitucional”; que os alegados créditos não teriam sido utilizados em qualquer outra compensação ou restituição, além daquelas informadas; Ao final, requer reconhecimento do direito creditório pleiteado e homologação integral das compensações efetuadas, bem como sejam as intimações dirigidas a seus procuradores (advogados). Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 05/08/2010, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 03/09/2010, onde reitera os mesmos argumentos de sua manifestação de inconformidade, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Além disso, no intuito de afastar qualquer dúvida acerca do crédito pleiteado saldos negativos de IRPJ e CSLL, informa que está apresentando cópia de toda a documentação contábil mencionada pela decisão de primeira instância administrativa, que os originais destes documentos se encontram à inteira disposição para exame, e que se coloca à inteira disposição acerca de quaisquer outros documentos que venham a ser considerados como necessários. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900856/200826 Acórdão n.º 1802002.432 S1TE02 Fl. 5 4 Na sessão realizada em 06/08/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF proferiu a Resolução nº 1802000.293 (fls. 348 a 356), solicitando realização de diligência à DRF Limeira/SP, para onde os autos foram encaminhados. O Processo foi devolvido ao CARF com a Informação Fiscal de fls. 365 a 366. Na sessão realizada em 05/11/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF proferiu a Resolução nº 1802000.379 (fls. 368 a 379), solicitando novamente a realização de diligência à DRF Limeira/SP. O Processo retornou ao CARF com a Informação Fiscal de fls. 387 a 388, e também com nova manifestação da Contribuinte, às fls. 391 a 401. Este é o Relatório. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900856/200826 Acórdão n.º 1802002.432 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme mencionado, o julgamento do presente recurso voluntário foi iniciado na sessão de 06/08/2013, ocasião em que esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção do CARF proferiu a Resolução nº 1802000.293 (fls. 348 a 356), solicitando realização de diligência à DRF Limeira/SP. No presente processo, a Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação por ela apresentada em 26/07/2004, na qual utilizou um alegado crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior referente à estimativa de CSLL do mês de junho/2003, no valor de R$ 16.469,48. A Delegacia de origem não homologou a compensação, porque o referido pagamento havia sido integralmente utilizado para a quitação de débito da Contribuinte (quitação da própria estimativa declarada), não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que o tipo de crédito da compensação deveria ser “Saldo Negativo” em vez de “pagamento indevido ou a maior” de estimativa. Informou ter apurado no anocalendário de 2003 saldos negativos de IRPJ e CSLL, nos valores de R$ 556.671,88 e R$ 218.360,83, respectivamente, bem como retenções de IRRF sobre aplicações financeiras no valor de R$ 2.452,11, conforme a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ apresentada à Receita Federal. Registrou também que havia vários outros processos e outros PER/DCOMP pendentes de análise, os quais relacionou, consignando que todos eles possuiriam origem no mesmo direito creditório (saldos negativos de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2003), e que seria oportuno que todos fossem analisados conjuntamente como saldo negativo. Na seqüência, a Delegacia de Julgamento (DRJ) manteve a negativa em relação à compensação. Em sua decisão, a DRJ fez uma série de considerações e enumerou requisitos para a caracterização de saldo negativo a ser restituído/compensado, concluindo que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório. Na presente fase de recurso voluntário, a Contribuinte reiterou os mesmos argumentos de sua manifestação de inconformidade, e juntou documentos contábeis e fiscais, no intuito de ver homologada a pretendida compensação. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900856/200826 Acórdão n.º 1802002.432 S1TE02 Fl. 7 6 Ao proferir a referida Resolução nº 1802000.293, em 06/08/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF esclareceu as razões pelas quais normalmente desconsidera o erro formal de a Contribuinte indicar nos PER/DCOMP (como crédito) os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado a partir do conjunto destas mesmas estimativas. Além disso, registrou que esse passo já tinha sido dado pela DRJ; que a decisão de primeira instância já havia admitido o exame do crédito sob a ótica de saldo negativo; e que o indeferimento da compensação fora mantido por falta de elementos comprobatórios do saldo negativo (e não mais porque o pagamento da estimativa estava alocado ao próprio débito de estimativa declarado em DCTF). Nesse contexto, e após tecer comentários sobre a dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, esta Turma julgadora elaborou a referida resolução, com o conteúdo final transcrito abaixo: [...] Na linha, então, do que apontou a Delegacia de Julgamento, a Contribuinte juntou ao recurso voluntário cópias dos seguintes documentos: DARF´s recolhidos ao longo de 2003; Demonstrativo de Rendimentos Financeiros e de Retenções de IR em 2003; Livro Razão contendo lançamentos nas contas “IRPJ pago por Estimativa”, “Contr. Soc. s/ Lucro pg. Estimat.” e “IRRF s/ Aplicação Financeira”; Livro Diário contendo lançamentos referentes aos pagamentos das estimativas de IRPJ e CSLL; Balanço de Suspensão de Novembro/2003; Balancetes de Verificação para cada um dos meses de 2003 (janeiro a dezembro); Balanço Anual de 2003; Demonstração de Resultado do Exercício; e Livro LALUR com registros em novembro e dezembro/2003. Pela DIPJ do anocalendário de 2003 (Ficha 17), às fls. 83, a Contribuinte apurou CSLL anual no valor de R$ 36.839,63 e realizou deduções a título de CSLL mensal paga por estimativa no montante de R$ 255.200,46, o que resultou em saldo negativo de CSLL no valor de R$ 218.360,83. Nos meses de janeiro a outubro de 2003, a Contribuinte realizou recolhimentos de estimativa com base na Receita Bruta e acréscimos. Já nos meses de novembro e dezembro, ela suspendeu o pagamento das estimativas mediante balancetes de suspensão. O quadro abaixo indica os valores das estimativas mensais constantes da DIPJ (Ficha 16) e os valores dos DARF´s apresentados: PA Estimativas de CSLL em 2003 DIPJ DARF jan/03 36.032,06 36.012,82 Fl. 408DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900856/200826 Acórdão n.º 1802002.432 S1TE02 Fl. 8 7 fev/03 28.466,83 25.613,77 mar/03 25.369,49 25.208,27 abr/03 21.814,26 21.662,03 mai/03 26.174,28 26.141,76 jun/03 16.482,89 16.469,48 jul/03 27.325,85 27.327,01 ago/03 23.516,59 23.517,42 set/03 25.499,72 23.977,77 out/03 26.825,37 28.945,73 Total 257.507,34 254.876,06 Como mencionado, para a apuração do saldo negativo, foram deduzidos R$ 255.200,46 a título de estimativas mensais na Ficha 17 da DIPJ. A solução deste processo demanda uma instrução processual complementar. Embora a indicação seja de existência de saldo negativo, ainda não é possível apurar o seu exato valor, porque há divergências entre as estimativas constantes da Ficha 16 da DIPJ, os DARF´s correspondentes e o montante deduzido a esse título na Ficha 17 da DIPJ. Estas questões não foram dirimidas porque o despacho decisório não tratou do reivindicado crédito sob a ótica de saldo negativo, o que deverá ser feito agora. A condução do exame do PER/DCOMP fez com que a documentação contábil e fiscal só fosse apresentada nessa fase processual. É necessário, portanto, que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Limeira/SP, para que aquela unidade à luz dos documentos contábeis e fiscais apresentados pela Recorrente, e de outros que se entenda necessários: 1) verifique e informe: a base de cálculo e a respectiva CSLL no anocalendário de 2003; o valor a ser considerado como dedução a título de estimativas mensais; 2) apresente relatório circunstanciado esclarecendo se há saldo negativo de CSLL a ser restituído/compensado, e qual o seu valor; 3) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900856/200826 Acórdão n.º 1802002.432 S1TE02 Fl. 9 8 Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Limeira/SP atenda ao acima solicitado. Em resposta à diligência que lhe foi demandada pelo CARF, a DRF/Limeira/SP prestou a Informação Fiscal de fls. 365/366, nos seguintes termos: Trata este processo da declaração de compensação n.º 39866.43075.260704.1.3.04 5007 em que o contribuinte utilizou o pagamento da estimativa de CSLL do mês de junho de 2003, no valor de R$ 16.469,48 para compensação de débito próprio. A compensação não foi homologada, porque o pagamento encontrase totalmente vinculada ao débito correspondente e esta decisão foi mantida pela Delegacia de Julgamento. O contribuinte entrou com recurso alegando que havia se equivocada e que seu crédito era saldo negativo de CSLL e não pagamento indevido. O argumento foi acatado pela 2ª Turma Especial do CARF que baixou o processo para diligência. Em consulta aos sistemas da RFB, foi verificado que o contribuinte entregou em 23.06.2009, pedido de restituição do saldo negativo de CSLL do anocalendário 2003/exercício 2004, cuja via completa está sendo anexada a este processo. [...] O contribuinte induziu o nobre julgador a erro e provavelmente utilizou de máfé ao manter a alegação de que se tratava de saldo negativo quando já havia solicitado este mesmo crédito em outro procedimento. Não há dúvida de que a conversão do pedido feita pelo CARF implica a concomitância de pedidos do mesmo crédito, o que é extremamente temerário, principalmente porque entendimento semelhante foi proferido em outros processos do mesmo contribuinte ou seja, há o risco iminente de se multiplicar indevidamente o crédito reconhecido para o contribuinte, ressaltando que há mais processos com esta mesma matéria a ser apreciado pelo CARF. Assim, proponho o retorno deste processo àquela instância de julgamento para que se manifeste sobre a manutenção deste entendimento e a necessidade de realização da diligência, sugerindose que a declaração de compensação n.º 31344.03323.230609.1.3.036500 seja examinada para que se confirme que o próprio contribuinte incluiu o pagamento da estimativa de CSLL do mês de junho de 2003, no valor de R$ 16.469,48 no rol dos pagamentos que geraram o saldo negativo de CSLL desse mesmo período, o que só vem confirmar que o pagamento não era não é e nunca foi indevido e este processo não pode ser convertido em saldo negativo. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900856/200826 Acórdão n.º 1802002.432 S1TE02 Fl. 10 9 Em síntese, a DRF/Limeira/SP registrou: que a Contribuinte apresentou em 23/06/2009 um pedido de restituição do saldo negativo de CSLL do anocalendário 2003 (PER/DCOMP nº 31344.03323.230609.1.6.036500, juntado aos autos); que a decisão do CARF implicava na concomitância de pedidos do mesmo crédito; que a decisão do CARF em converter a compensação de estimativa em compensação de saldo negativo era temerária; e que o pagamento de estimativa não poderia ser convertido em saldo negativo. Com estas considerações, a DRF/Limeira devolveu o processo ao CARF, para que este órgão se manifestasse sobre a manutenção de seu entendimento e sobre a necessidade da realização da diligência. Na sessão realizada em 05/11/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF se manifestou sobre a necessidade da diligência que havia demandado, proferindo outra Resolução, de nº 1802000.379 (fls. 368 a 379), nos seguintes termos: A resolução proferida por esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF apresenta motivação adequada e suficiente. Quanto à solicitação de diligência, é oportuno relembrar que “na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias”, e que quando “determinada, de ofício ou a pedido do impugnante, diligência ou perícia, é vedado à autoridade incumbida de sua realização escusarse de cumpri las”, conforme artigos 29 e 37 do Decreto 70.235/1972 (PAF), e artigo 36, § 3º, do Decreto 7.574/2011. Ao proferir a referida Resolução nº 1802000.293, em 06/08/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF esclareceu as razões pelas quais normalmente desconsidera o erro formal de a Contribuinte indicar nos PER/DCOMP (como crédito) os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado a partir do conjunto destas mesmas estimativas. Não bastasse isso, esta Turma Julgadora também registrou que esse passo já tinha sido dado pela DRJ; que a decisão de primeira instância já havia admitido o exame do crédito sob a ótica de saldo negativo; e que o indeferimento da compensação fora mantido por falta de elementos comprobatórios do saldo negativo (e não mais porque o pagamento da estimativa estava alocado ao próprio débito de estimativa declarado em DCTF). Não que esse entendimento seja imutável, mas há meios formais para revertêlo, a exemplo dos embargos de declaração da Fl. 411DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900856/200826 Acórdão n.º 1802002.432 S1TE02 Fl. 11 10 Procuradoria da Fazenda Nacional, ou dos Recursos Especiais apresentados por aquele mesmo órgão. O fato é que ao servidor designado para o cumprimento de diligência não é dada a livre vontade para cumprir ou não as decisões do CARF. De qualquer modo, a resposta dada pela Delegacia de origem, embora não atendendo ao que lhe foi solicitado, trouxe aos autos uma informação adicional relevante, que merece ser analisada no contexto dos fatos que envolvem o presente processo. A Contribuinte ingressou em 2004 com vários PER/DCOMP referentes a pagamentos indevidos ou a maior de IRPJ e CSLL em 2003, entre eles o que configura objeto destes autos. Ela indicou que o crédito utilizado nestes PER/DCOMP decorreria de pagamentos individuais a título de estimativas mensais, em vez de indicar o saldo negativo do período anual (que é formado a partir do conjunto destas mesmas estimativas). Em meados de 2008 foram proferidos os despachos decisórios negando a compensação, porque cada um destes pagamentos já havia sido utilizado para a quitação de débito da Contribuinte (quitação da própria estimativa declarada em DCTF). A Contribuinte apresentou manifestações de inconformidade, pleiteando que seu crédito fosse apreciado como saldo negativo, e não como pagamento indevido ou a maior de estimativa, e os processos vieram caminhando até a presente instância recursal. Nesse interregno, em 22/12/2008, a Contribuinte apresentou o pedido de restituição PER/DCOMP nº 07372.76811.221208.1.2.030666, retificado pelo PER/DCOMP nº 31344.03323.230609.1.6.036500, que foi mencionado na informação fiscal da Delegacia de origem. O fato de a Contribuinte ter apresentado o pedido de restituição acima referido, e continuar alegando que o crédito debatido nestes autos era mesmo referente a saldo negativo (o que implicava na concomitância de pedidos do mesmo crédito), foi entendido como uma provável máfé de sua parte. Mas é preciso considerar que caso não houvesse, nas instâncias de julgamento, a reversão da posição manifestada pela Delegacia de origem, uma nova solicitação do indébito (saldo negativo) somente após a conclusão dos processos de compensação certamente estaria prejudicada pelo prazo prescricional do art. 168, I, do Código Tributário Nacional, ainda que houvesse saldo negativo a ser restituído/compensado. Cabe registrar também que o PER/DCOMP mencionado na informação fiscal é referente a pedido de restituição. A Contribuinte não buscou a compensação de novos débitos com o mesmo crédito. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900856/200826 Acórdão n.º 1802002.432 S1TE02 Fl. 12 11 Vêse que no contexto da decisão da Delegacia de origem, não havia outra maneira de a Contribuinte se resguardar da prescrição de seu alegado direito creditório (a não ser mediante a apresentação de um novo PER/DCOMP), principalmente porque depois de proferidos os despachos decisórios, os PER/DCOMP originais não podiam mais ser retificados (IN SRF 600/2005, art. 57). No recurso voluntário, a Contribuinte ainda destacou que havia vários outros processos envolvendo o mesmo crédito (saldo negativo em 2003), e que todos eles deveriam ser analisados em conjunto, sob a ótica de saldo negativo. Não vislumbro a alegada máfé da Contribuinte, e nem óbice de natureza procedimental ao seu pleito. Nesse sentido, cabe ainda mencionar que sempre existe a possibilidade de os contribuintes apresentarem vários PER/DCOMP a partir do mesmo direito creditório, ainda que se trate de saldo negativo. E nos casos em que os contribuintes vão utilizando em partes um único crédito, há sempre o risco de este crédito não ser suficiente para a quitação de todos os débitos, seja em razão de um simples erro matemático na evolução do crédito, ou por um inadequado cômputo dos acréscimos moratórios no encontro de contas, etc. Esta é uma das razões pelas quais a declaração de compensação “extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação”, conforme o § 2º do art. 74 da Lei 9.430/1996. Realmente, o ideal é que os PER/DCOMP que utilizam o mesmo crédito sejam examinados em conjunto. De todo modo, na medida em que o crédito vai sendo consumido em várias compensações, o resultado final dos PER/DCOMP posteriores (seja para fins de compensação ou de restituição) está sempre condicionado ao montante do crédito que remanesce dos PER/DCOMP anteriores, após a dedução das parcelas já restituídas ou compensadas. Isso é uma situação comum para o caso de vários PERDCOMP fundados no mesmo crédito. No caso, a DRF Limeira/SP informou que a Contribuinte ingressou com pedido de restituição do saldo negativo de 2003 (apresentado em 22/12/2008, e retificado em 23/06/2009), mas não esclareceu se houve algum exame sobre esse saldo negativo, se ele já foi restituído à Contribuinte, se a DRF está aguardando o desenrolar dos processos referentes às compensações, etc. Havendo algum saldo negativo a ser restituído/compensado, não entendo que a melhor decisão seja a de reconhecer o direito à restituição desse indébito e, por outro lado, insistir na exigência Fl. 413DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900856/200826 Acórdão n.º 1802002.432 S1TE02 Fl. 13 12 dos débitos que a Contribuinte pretende quitar por compensação com este mesmo direito creditório. Também não seria adequado condicionar a restituição do direito creditório (caso ele seja confirmado) ao pagamento dos débitos que poderiam ser com ele quitados por compensações declaradas pela própria Contribuinte. Por tudo o que já se disse sobre a relação entre as estimativas mensais e o saldo negativo que delas decorre, havendo confirmação de algum saldo negativo em 2003, a melhor solução é promover os encontros de contas pretendidos pela Contribuinte em seus PER/DCOMP, no limite do crédito reconhecido. Diante de todo esse contexto, é necessário que os autos novamente retornem à DRF Limeira/SP, para que aquela unidade: atenda ao já demandado na Resolução nº 1802000.293, proferida por esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF em 06/08/2013; informe se houve algum exame sobre o valor e a disponibilidade do saldo negativo de CSLL em 2003, no contexto do PER/DCOMP nº 31344.03323.230609.1.6.036500; informe se houve restituição do crédito indicado no PER/DCOMP acima referido, relativo ao saldo negativo de CSLL em 2003. No caso de a DRF estar aguardando o resultado final do PER/COMP objeto destes autos (bem como dos demais relacionados à mesma apuração do anocalendário de 2003), para dar encaminhamento ao PER/DCOMP nº 31344.03323.230609.1.6.036500 (que é posterior aos demais), é importante que fique consignada esta informação. Deste modo, voto no sentido de novamente converter o julgamento em diligência para que a DRF Limeira/SP atenda ao acima solicitado. Dando encaminhamento a essa segunda resolução, a DRF/Limeira/SP levantou novas informações, às fls. 387/388, que subsidiaram o despacho de devolução do processo ao CARF: [...] Verificado que a Resolução n.° 1802000.293 requeria a apuração da base de cálculo da CSLL do anocalendário de 2003 bem como o valor a ser considerado como dedução a título de estimativas mensais, o processo foi encaminhado ao Serviço de Fiscalização para cumprimento da diligência. Porém, tivemos conhecimento de que o SCC processou o pedido de restituição do saldo negativo de CSLL do contribuinte e Fl. 414DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900856/200826 Acórdão n.º 1802002.432 S1TE02 Fl. 14 13 depositou em sua conta corrente o valor de R$474.901,37, no dia 20/05/2014. Diante deste fato e verificado que a diligência ainda não havia sido iniciada por motivo de férias do auditor fiscal designado, foi solicitado o retorno deste processo ao Seort. Respondendo à parte dos quesitos, o crédito foi examinado e a restituição foi paga. O pedido de restituição n.° 31344.03323.230609.1.6.036500 bem como a declaração de compensação n.° 39866.43075.260704.1.3.045007 em que o contribuinte utilizou como crédito para compensação o pagamento da estimativa da CSLL do mês de junho de 2003, no valor de R$ 16.469,48, objeto deste processo, tiveram sua análise automática pelos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, de forma que não houve sobrestamento do pedido de restituição, pois a regra geral é que todos os documentos sejam processados automaticamente e não há funcionalidade no sistema que permita à DRF/Limeira interromper o ciclo automático para depois retomálo. Quanto aos itens requeridos pela Resolução n.° 1802000.293, o sistema que analisa automaticamente o saldo negativo de CSLL não gera um relatório das verificações feitas por ele para que se possa atendêla, sendo necessária a repetição manual do quanto já realizado por ele, para atender completamente as resoluções do CARF. Considerando a relevância do fato de o contribuinte já ter recebido a restituição e o entendimento do CARF de que “ao servidor designado para o cumprimento de diligência não é dada a livre vontade para cumprir ou não as decisões do CARF”, proponho o encaminhamento deste processo ao Gabinete da DRF/Limeira para que autorize o envio deste processo àquele órgão de julgamento para ciência dos fatos, retornando o processo, caso entendam imprescindível o cumprimento da Resolução n.° 1802000.293. Na seqüência, a Contribuinte ingressou com a petição de fls. 391 a 401, informando: que enquanto aguardava a realização da diligência requerida, em 20/05/2014 teve creditado em sua conta corrente o valor de R$ 474.901,37; que dado o fato de que o aludido saldo negativo já fora utilizado em diversas compensações anteriormente ao pedido de restituição, conforme já constante em suas razões de defesa, a Recorrente no dia seguinte ao crédito realizado em sua conta corrente, diligenciou à Receita Federal para verificar o ocorrido, bem como o procedimento para devolução do valor, tendo sido orientada a requerer a expedição de guia para tal; que tal providência foi adotada já no dia seguinte (22/05/2014), conforme se comprova com a petição anexa; Fl. 415DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900856/200826 Acórdão n.º 1802002.432 S1TE02 Fl. 15 14 que desde o início pode ser constatada a boafé da empresa em adotar todas as providências que se encontravam ao seu alcance para devolver o dinheiro indevidamente creditado em sua conta; que em 17/06/2014, recebeu Despacho Decisório (doc. anexo) no sentido de que a guia para devolução do dinheiro não seria expedida, sendo o processo suspenso até a decisão final dos processos administrativos de compensação; que a presente petição serve para cientificar e esclarecer os fatos ocorridos neste e em todos os outros processos em que se discute o legítimo direito do contribuinte em ter seu crédito processado como “Saldo Negativo”, afastando qualquer dúvida acerca de sua boafé, consignando expressamente que em nenhum momento pretendeu se aproveitar do crédito em duplicidade, tendo os pedidos de restituição sido efetuados posteriormente às compensações e apenas para resguardar seu direito; que ratifica seu pedido de homologação das compensações efetuadas, e que o valor indevidamente creditado em sua conta corrente será devolvido imediatamente quando da expedição da guia competente por parte da DRF/Limeira. Ao proferir a segunda resolução que reiterou a diligência demandada à Delegacia de origem, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF não compartilhou do entendimento de que a apresentação do pedido de restituição do saldo negativo, posteriormente às declarações de compensação, poderia configurar máfé da Contribuinte, com tentativa de aproveitamento em duplicidade do mesmo crédito, ou algo semelhante. Mas também é importante registrar que o referido pedido de restituição, embora servindo para evitar uma eventual prescrição do crédito, não tinha seus efeitos limitados a essa finalidade. Desde a sua apresentação, o pedido de restituição poderia produzir seus normais efeitos, especialmente porque indicava corretamente a espécie do crédito reivindicado (saldo negativo), sem incorrer no mesmo erro de preenchimento das declarações de compensação. Nesse passo, cabe destacar que as informações prestadas tanto pela Delegacia de origem, quanto pela própria Contribuinte, noticiam que o pedido de restituição foi processado e que o crédito relativo ao saldo negativo de CSLL de 2003 já foi restituído/ depositado na conta corrente bancária da interessada. Se em outros autos havia pedido de restituição que tratava integralmente do crédito cuja fração amparava a declaração de compensação objeto deste processo, e se esse pedido já produziu seus normais efeitos no contexto daqueles outros autos, inclusive com restituição de crédito em conta bancária da Contribuinte, resta prejudicada a compensação objeto deste processo, por ausência de crédito que possa ser nele aproveitado. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 416DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900856/200826 Acórdão n.º 1802002.432 S1TE02 Fl. 16 15 Fl. 417DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.914804/2012-11
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-003.804
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11080.914804/2012-11
anomes_publicacao_s : 201412
conteudo_id_s : 5404801
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3802-003.804
nome_arquivo_s : Decisao_11080914804201211.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : SOLON SEHN
nome_arquivo_pdf_s : 11080914804201211_5404801.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
id : 5751365
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:33:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047478273572864
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1845; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 116 1 115 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.914804/201211 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802003.804 – 2ª Turma Especial Sessão de 15 de outubro de 2014 Matéria COFINSCOMPENSAÇÃO Recorrente VERDE ADMINISTRADORA DE CARTOES DE CREDITO S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 48 04 /2 01 2- 11 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 4° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 PROVAS. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 DCTF. RETIFICAÇÃO. DECISÓRIO. ESPONTANEIDADE. REDUÇÃO DE TRIBUTO. CONFIGURAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. É legítima a declaração retificadora que reduzir ou excluir tributo se apresentada por contribuinte em espontaneidade legal. No entanto, para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que suportam a caracterização do pagamento a maior ou indevido de tributo, é mister que a retificadora tenha sido entregue antes do decisório. Se entregue depois, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante a juntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da declaração retificadora, mas também de documentos contábeis e fiscais que fundamentam a retificação. DACON. CARÁTER INFORMATIVO. O DACON configura declaração de caráter informativo e não instrumento de confissão de dívidas tributárias nem veículo de inscrição desses débitos em Dívida Ativa da União. A informação prestada no DACON, desacompanhada de documentos que a justifiquem, não é suficiente para provar a existência de direito creditório pleiteado em declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), retificando exclusivamente a Dacon, sem, portanto, retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), Fl. 117DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.914804/201211 Acórdão n.º 3802003.804 S3TE02 Fl. 117 3 o que só veio a ocorrer após o despacho decisório. Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. A DRJ manteve a não homologação, porque, apesar da retificação da Dctf após o despacho decisório, não houve comprovação, por meio de documentação hábil, idônea e suficiente, do erro no preenchimento da declaração. A Recorrente, nas razões de fls. 61 e ss., alega a falta de retificação da Dctf seria um mero equívoco, que poderia ser constatado pela análise da Dacon, já retificada quando da apresentação do pedido de PER/Dcomp. Afirma que, pelo princípio da verdade material, deveria o órgão julgador verificar quais dos dois documentos (Dctf ou Dacon) continha os valores corretos, bem como que a Dacon e a Darf são os únicos meios de provas capazes de demonstrar o valor efetivamente devido à título de Cofins, bem como a existência de pagamento a maior. Pleiteia, assim, o recebimento do recurso e o seu integral provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 08/01/2014 (fls. 59), interpondo recurso tempestivo em 04/02/2014 (fls. 61). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. A compensação, consoante destacado, não foi homologada porque o Recorrente transmitiu o PER/Dcomp sem a retificação da Dctf. Em circunstâncias dessa natureza, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.914804/201211 Acórdão n.º 3802003.804 S3TE02 Fl. 118 5 PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 (CARF. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, entretanto, entendese que a documentação apresentada é insuficiente para a demonstração da certeza e da liquidez do direito de crédito. A Dipj e o Dacon, diversamente do que sustenta o Recorrente, somente têm valor probatório quando acompanhados da escrituração fiscal, ainda que parcial, notadamente em face das divergências encontradas no curso do processo. Além disso, também deveria ter sido apresentada a documentação que lastreia a escrituração, porquanto esta, de acordo com o art. 9.º, § 1.º, do DecretoLei n.º 1.598/1977, apenas “faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais”. Portanto, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque cabe ao interessado o ônus da prova nos pedidos de compensação e de restituição. Votase pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 121DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 11020.720887/2012-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/05/2008, 01/01/2009 a 31/12/2010
PRELIMINAR. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO.
Não há que se falar em nulidade do auto de infração quando lavrado por autoridade competente, sendo que estão claramente discriminadas as infrações que motivaram a autuação, bem como os seus montantes.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Considera-se não impugnada a matéria não expressamente contestada pela Recorrente.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. PARA-BRISAS.
Vidros de segurança formados de folhas contracoladas, utilizados como para-brisas em automóveis, lanchas ou outros veículos classificam-se no código 7021.21.00 da TIPI. Não se enquadram no Ex 01 do referido código os para-brisas para ônibus e caminhões cujas dimensões variem para mais ou para menos de 5% daquelas nele estabelecidas.
VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Não prevalece a suspensão de IPI para as mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação quando não comprovado documentalmente que estas foram efetivamente exportadas.
Preliminar suscitada não acolhida. No mérito, recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.405
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não acolher a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
Luis Eduardo Garrossino Barbieri Presidente Substituto
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Paulo Roberto Stocco Portes e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: Rodrigo Cardozo Miranda
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/07/2007 a 31/05/2008, 01/01/2009 a 31/12/2010 PRELIMINAR. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não há que se falar em nulidade do auto de infração quando lavrado por autoridade competente, sendo que estão claramente discriminadas as infrações que motivaram a autuação, bem como os seus montantes. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera-se não impugnada a matéria não expressamente contestada pela Recorrente. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. PARA-BRISAS. Vidros de segurança formados de folhas contracoladas, utilizados como para-brisas em automóveis, lanchas ou outros veículos classificam-se no código 7021.21.00 da TIPI. Não se enquadram no Ex 01 do referido código os para-brisas para ônibus e caminhões cujas dimensões variem para mais ou para menos de 5% daquelas nele estabelecidas. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Não prevalece a suspensão de IPI para as mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação quando não comprovado documentalmente que estas foram efetivamente exportadas. Preliminar suscitada não acolhida. No mérito, recurso voluntário negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 15 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 11020.720887/2012-86
anomes_publicacao_s : 201501
conteudo_id_s : 5416232
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 15 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3202-001.405
nome_arquivo_s : Decisao_11020720887201286.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : Rodrigo Cardozo Miranda
nome_arquivo_pdf_s : 11020720887201286_5416232.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não acolher a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Luis Eduardo Garrossino Barbieri Presidente Substituto Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Paulo Roberto Stocco Portes e Tatiana Midori Migiyama.
dt_sessao_tdt : Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
id : 5781107
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:34:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047478275670016
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2281; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 2.577 1 2.576 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.720887/201286 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202001.405 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de outubro de 2014 Matéria IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente VIDROFORTE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE VIDROS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2007 a 31/05/2008, 01/01/2009 a 31/12/2010 PRELIMINAR. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não há que se falar em nulidade do auto de infração quando lavrado por autoridade competente, sendo que estão claramente discriminadas as infrações que motivaram a autuação, bem como os seus montantes. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria não expressamente contestada pela Recorrente. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. PARABRISAS. Vidros de segurança formados de folhas contracoladas, utilizados como para brisas em automóveis, lanchas ou outros veículos classificamse no código 7021.21.00 da TIPI. Não se enquadram no Ex 01 do referido código os para brisas para ônibus e caminhões cujas dimensões variem para mais ou para menos de 5% daquelas nele estabelecidas. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Não prevalece a suspensão de IPI para as mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação quando não comprovado documentalmente que estas foram efetivamente exportadas. Preliminar suscitada não acolhida. No mérito, recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não acolher a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Luis Eduardo Garrossino Barbieri – Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 08 87 /2 01 2- 86 Fl. 2592DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11020.720887/201286 Acórdão n.º 3202001.405 S3C2T2 Fl. 2.578 2 Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Paulo Roberto Stocco Portes e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto pela Recorrente contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre que, por unanimidade de votos, manteve a exigência consubstanciada no Auto de Infração das fls. 815/822. Para melhor elucidação dos fatos, transcrevo o relatório do acórdão proferido pela DRJ/Porto Alegre: Contra o contribuinte antes qualificado foi lavrado o Auto de Infração, das fls. 815/822, para formalizar a exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, acrescido de juros de mora e multa de ofício, totalizando em R$ 8.118.984,51 o crédito tributário exigido à época da autuação. Conforme o Relatório de Auditoria Fiscal das fls. 2312/2327 o contribuinte cometeu as seguintes infrações das quais decorre a exigência: a) vendas com erro de classificação fiscal e alíquota a.1) o contribuinte industrializou e deu saída a um kit de alumínio e elemento bloqueador da passagem de água, de vidro temperado, marca IDROFORTE, com denominação vulgar, comercial, científica e técnica de “Box para Banheiro”. O kit para instalação e o elemento para bloquear a passagem da água, de vidro temperado, são partes integrantes do mesmo produto mas eram comercializados separadamente. A partir do mês de agosto de 2010 o contribuinte deixou de industrializar e comercializar o kit para instalação do box para banheiro, passando a comercializar somente o elemento bloqueador de passagem da água, o vidro temperado. Analisando as notas fiscais de saída (arquivos magnéticos) foi constatado que o contribuinte adotou as seguintes classificações fiscais: a) 7616.99.00, para o elemento bloqueador de passagem de água (vidro temperado) com 8mm de espessura, com alíquota de IPI de 5,0%; b) 7610.10.00, para o Kit de instalação do box para banheiro com alíquota de IPI de 0,0% e c) 7007.19.00, para o elemento bloqueador (vidro temperado) com 10mm de espessura e alíquota de IPI de Fl. 2593DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11020.720887/201286 Acórdão n.º 3202001.405 S3C2T2 Fl. 2.579 3 15% até 14/05/2008 e reduzida para 10% a partir de 15/05/2008, código este utilizado para todos os vidros temperados destinados a box para banheiro a partir de agosto de 2010. Entende a fiscalização que o box para banheiro não pode ser classificado nas posições 7610 e 7616 as quais são próprias para os produtos de alumínio e suas obras em razão de que a característica essencial do produto completo e acabado do “Box para banheiro” é o vidro temperado que representa 90,0% do produto acabado, sendo o kit um elemento secundário utilizado apenas como forma de fixação dos vidros temperados. Por isso entende que, em conformidade com as Regras Gerais para Interpretação (RGI), Regras Gerais Complementares (RGC) e Notas Complementares (NC), todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM), integrantes do seu texto e segundo as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado à Posição 7020, a correta classificação fiscal do produto é no código 7020.00.90, com alíquota de 15,0%. Diz o fiscal autuante que a RFB manifestouse nesta mesma linha no parecer Coana nº 003, de 27/12/2004 e na Solução de Consulta /SRRF/7ªRF/DIANA nº 457, de 07/11/2005 (fls. 801/808). a.2) O estabelecimento fiscalizado industrializa e comercializa vidros de segurança formados de folhas contracoladas para serem utilizados como parabrisas em automóveis, lanchas ou outros veículos, classificandoos nos códigos 8708.2999 e 8433.90.90 da TIPI. Entende a fiscalização que os mesmos devem classificarse no código 7007.21.00, fundamentandose nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) que em seus comentários à posição 7007, fazem uma descrição minuciosa do produto em análise e também pela aplicação da alínea "a" da 3ª Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado que estabelece: “Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a) A posição mais especifica prevalece sobre as mais genéricas.(...)". Nesse sentido afirma o agente fiscal que: Assim, para resolução da nomenclatura de parabrisa, necessário estabelecer o grau de especificidade dos textos da posição 8708.29.99 e da posição 7007.21.00. A posição 8708.29.99, utilizada pela empresa, é altamente residual. Uma grande quantidade de produtos é passível de ser classificada nessa posição. Ao contrário, a posição 7007.21.00 limita o enquadramento a vidros formados de folhas contracoladas e de dimensões e formatos que permitam a sua aplicação em automóveis, veículos aéreos, barcos ou outros veículos. Acrescenta o autuante que: Ainda, a Nota Explicativa do Sistema Harmonizado N° 8, página 1715, da Seção XVII Material de Transporte, que compreende o capitulo 87, exclui a possibilidade de enquadramento na posição 8708.29.99: "C) Critério da posição mais especifica. As partes e acessórios, mesmo reconhecíveis como destinados ao material de transporte, são excluídos da presente Seção, quando se classificam mais especificamente em outras posições da Nomenclatura, por exemplo o caso de: (...) Fl. 2594DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11020.720887/201286 Acórdão n.º 3202001.405 S3C2T2 Fl. 2.580 4 8) Vidros de segurança, não emoldurados, incluídos os que tenham forma própria para serem utilizados como parabrisas e outros vidros, para veículos (posição 70.07)." Analisando a referida Nota Explicativa, afirma a fiscalização que percebese que o vidro de segurança exerce a função de parabrisa, bastando que lhe seja dado formato apropriado para encaixe na moldura do veiculo. Assim, parabrisa, é uma destinação do vidro de segurança. Nenhuma transformação ou aperfeiçoamento, além da formatação já contemplada no texto da posição 7007.21.00, é necessária ao vidro de segurança para exercer a função essencial do parabrisa, ou seja, tratase da mesma mercadoria. Portanto, conclui o fisco que o produto deve ser classificado no código 7007.21.00 da TIPI, com base nas RGIs 1ª e 6ª (textos da posição 7007 e da subposição 7007.21) e na alínea "a" da 3ª RGI, todas da TIPI, com os esclarecimentos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado da referida posição (Decreto n° 435/92). Diz que corrobora a conclusão a Decisão SRRF/8ª RF/DIANA n.° 155, de 24/04/1998, cuja ementa transcreve. Ademais, foi verificado que o sujeito passivo classificou vidros de segurança formados de folhas contracoladas, para serem utilizados como parabrisas em ônibus ou caminhões, no Ex. 01 do código 7007.21.00 da TIPI, cuja aliquota do IPI é 3% . No entanto, para utilizar o Ex. 01 do código 7007.2100 da TIPI, os vidros de segurança industrializados pelo contribuinte teriam que se enquadrar nas seguintes dimensões nele previstas: 2.075 x 787 x 6,76 mm; 1950 x 800 x 6mm; 1800 x 800 x 6mm; 1693 x 575 x 6.75mm; e 1.300 x 1.235x 6mm (admitida a tolerância de até 5%, para mais ou para menos). O contribuinte foi intimado a apresentar demonstrativo com as dimensões dos parabrisas formados de folhas contracoladas aplicados em ônibus ou caminhões, classificados no Ex.01 do código 7007.21.00 (alíquota de 3%), tendo sido constatado que em grande parte não atendem às medidas nele especificadas, mesmo sendo admitida a tolerância de até 5% (para mais ou para menos), devendo serem tributados a alíquota de 15%. b) vendas para empresas comerciais exportadoras com descumprimento das condições da suspensão pelo remetente do produto. Continuando a análise dos documentos e informações apresentados pelo contribuinte durante o procedimento fiscal, foi verificado que o estabelecimento industrial fiscalizado promoveu saídas de produtos de sua industrialização, sem o destaque do imposto sobre produtos industrializados, utilizandose do instituto da suspensão, capitulado no art. 42, inciso V, alínea “a” , do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI 2002) , atualizado pelo Decreto nº. 7.212, de 15/06/2010, art. 43, inciso V, alíneas “a” a ‘c”. No entanto, para fazer uso de tal benefício, o contribuinte teria que comprovar a comercialização de tais produtos com o fim específico de exportação às empresas comerciais exportadoras, nos termos do § 1º do artigo 42 do RIPI, .... Com o intuito de verificar se o estabelecimento sob investigação teria atendido ao requisito a que estaria condicionada a suspensão do imposto, Fl. 2595DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11020.720887/201286 Acórdão n.º 3202001.405 S3C2T2 Fl. 2.581 5 nos termos do § 1º do art. 42 do Decreto nº 4.544/2002, o contribuinte foi intimado, mediante o "Termo de Intimação Fiscal nº 1 (fls. 158/162), a informar se os produtos que saíram do seu estabelecimento industrial foram remetidos diretamente para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Em resposta à intimação fiscal (doc. fl. 91), o contribuinte declarou que as mercadorias foram remetidas para o estabelecimento de cada cliente (empresa comercial exportadora), tornando evidente, assim, o descumprimento do requisito para a utilização da suspensão do IPI nas operações com CFOP 5.501 e 6.501. Em decorrência das infrações praticadas pelo sujeito passivo, foi formalizada a exigência do IPI, conforme valores apurados nos seguintes anexos: a) Anexo I “Saídas do Produto Box Para Banheiro do Estabelecimento com Classificação Fiscal Incorreta e com Erro na Aplicação da Alíquota do IPI” (fls. 844/1596); b) Anexo II “ Demonstrativo de Produtos com Erro de Classificação Fiscal e Alíquota” – Parabrisa para automóveis e outros veículos (fls. 1597/2278) e; c) Anexo III “ Relação de Produtos Remetidos a Empresas Comerciais Exportadoras Sem Comprovação da Remessa Com Fim Específico De Exportação”2279/2291). A fundamentação legal das infrações encontrase nas folhas de continuação do Auto de Infração às fls. 816/822. Considerando as infrações apuradas, foi efetuada a reconstituição da escrita fiscal do contribuinte (fls. 827/831 e 835/843), para incluir, na apuração dos saldos de cada período, os lançamentos referentes ao imposto apurado pela fiscalização. As bases legais da multa de ofício, no percentual de 75%, sobre o valor do IPI que deixou de ser lançado, e dos juros de mora estão no respectivo demonstrativo a fl. 834. Inconformado, o autuado, pelo arrazoado de folhas 2337/2358, instruído com os documentos das fls. 2359/2376, vem impugnar o lançamento, alegando, em síntese o que segue. Postula a nulidade do Auto de Infração em razão do mesmo não ser claro e preciso quanto ao crédito tributário lançado em decorrência de cada uma das supostas infrações apontadas e que não há qualquer justificativa técnica para amparar a nova classificação fiscal que o Fisco pretende impor. Em relação ao primeiro fundamento, aduz que assiste ao contribuinte autuado o direito de saber o montante a que se refere o crédito tributário em cada uma das parcelas lançadas, trazendo, por exemplo, o fato de o Auto de Infração sequer identificar as notas fiscais que deram origem ao crédito nas operações com empresas comercial exportadoras dificultando o direito de defesa do impugnante. Aduz, ainda, estarse diante de nulidade no que se refere aos fundamentos para determinar a nova classificação de mercadorias vez que essa se deu sem qualquer justificativa técnica. Afirma que “Sendo assim, o direito de defesa da lmpugnante resta prejudicado, por cerceamento do direito de defesa, vez que existem argumentos objetivos no Auto de Infração para serem combatidos.” Acrescenta que para corroborar com o alegado, e que será objeto de análise pormenorizada em tópico Fl. 2596DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11020.720887/201286 Acórdão n.º 3202001.405 S3C2T2 Fl. 2.582 6 próprio, todas as empresas concorrentes da impugnante classificam as mesmas mercadorias na subposição 8708.29.99, concluindo que o combatido Auto de Infração está dissociado da realidade fática e legal. No mérito, após discorrer sobre o Sistema Harmonizado e suas regras de interpretação, diz que a regra adotada pela TIPI estabelece que a posição mais específica prevalece sobre a mais genérica e os produtos que possam ser enquadrados em mais de uma posição específica devam ser classificados pela sua característica essencial e finalidade. Alega que a fiscalização laborou em equívoco ao classificar os parabrisas no código 7007.21.00, pois partiu da equivocada premissa de que parabrisa se trata de vidro de segurança nos termos da Decisão SRRF/8ªRF/DIANA n° 155, de 24 de abril de 1998, sendo, ao seu ver, fundamento absurdo, por ser baseado em legislação já revogada, mas também, pelo fato de que a decisão citada não é fonte do direito tributário. Invoca o principio da legalidade tributária, insculpido na Constituição Federal, que estabelece, em resumo, que somente a lei pode determinar as bases da tributação nacional, trazendo excertos doutrinários nesse sentido. Afirma que “Além disso, sendo vidro de segurança ou não, o certo é que o parabrisa não perde a sua característica essencial de partes e acessórios dos veículos automóveis das posições 81.01 a 87.08 (sic), como determinado pela TIPI.”. Aduz, ainda que um párabrisa não é feito somente de vidro, pois, obrigatoriamente, deve ser utilizado o PVB Polivinil Butiral , classificado no código 39.20.9100, que no custo total dos materiais que compõem um parabrisa pode ser superior ao vidro. Além do custo, dependendo da característica do parabrisas, o PVB compõem mais de 50% da estrutura física do produto final. Afirma, outrossim, que um parabrisa pode conter tinta, antena para rádio e pastilha para espelho retrovisor, dizendo que isso revela, que o real critério para determinar a nova classificação é puramente arrecadatório, vez que os fundamentos para determinar a nova classificação não seguem os critérios estabelecidos pela legislação vigente. Aduz que não são esses os critérios estabelecidos para classificar mercadorias pois o parabrisa indiscutivelmente é uma parte indispensável ao veiculo sem a qual, inclusive, é proibido trafegar. Sendo assim a sua classificação está afeta ao capitulo que trata dos veículos e suas partes e acessórios e não no capitulo do vidro e suas obras como erroneamente restou classificado no combatido Auto de Infração. Segue alegando que grande parte das atividades desenvolvidas pela impugnante são voltadas para o fornecimento de peças para fabricantes de veículos, atividade essa praticada por centenas de empresas do mesmo ramo e todas classificam o parabrisa como partes e peças de veículos e não como vidros de segurança. Relata que em consulta ao site da Tecwin que, muito embora o seu caráter não oficial, presta subsídios para a classificação de produtos, verificase que o mesmo orienta a classificação do parabrisas na subposição 8708.29.99 "Ex" — Parabrisas. Diz que “A própria Secretaria da Receita Federal admite que a classificação dos párabrisas é na posição 8708. Conforme constatase da análise do site da Receita Federal (http://www.receita.fazenda.gov.br/Aduana/ImportProdSensiveis.htm), inúmeras importações de parabrisas foram feitas no ano de 2007 na Fl. 2597DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11020.720887/201286 Acórdão n.º 3202001.405 S3C2T2 Fl. 2.583 7 posição 8708.”, colacionando a título de amostra, relação de algumas operações de importação de parabrisas realizadas no mês de janeiro de 2007. Na seqüência, transcreve trecho das NESH da posição 7007, aprovadas pela Instrução Normativa SRF nº 157, de 10 de maio de 2002, onde destaca que “(...) por outro lado, os vidros de segurança onde são incorporados outros elementos e transformados assim em órgãos de máquinas, aparelhos ou veículos, seguem o regime destes últimos; (...)”, reforçando que a própria a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil determina que os vidros de segurança quando aplicados a veículos seguem a classificação dos mesmos. Conclui que o parabrisas pode ser um vidro de segurança, ou melhor, é formado por vidros de segurança, mas antes ser um vidro de segurança é uma parte e peça de veículos e essa é a sua característica essencial. A seguir transcreve jurisprudência administrativa e judicial no sentido de que a posição mais específica prevalece sobre a mais genérica. Diz que o Auto de Infração se mostra ilegal por determinar a nova classificação com base numa decisão administrativa enquanto as regras de interpretação foram estabelecidas por Decreto, norma de maior hierarquia. Na seqüência discorre sobre os fundamentos constitucionais da livre concorrência e que “considerando que OUTRAS EMPRESAS comercializam o parabrisa na mesma subposição da adotada pela Impugnante, ao que se sabe, não foram autuadas pela Receita Federal do Brasil, estáse diante de uma concorrência desleal patrocinada pelo Fisco.”, razão pela qual o Auto de Infração é totalmente improcedente. Quanto às vendas para empresas comerciais exportadoras diz que melhor sorte não assiste à peça fiscal, “Isso porque, conforme comprovantes em anexo, as mercadorias em questão foram efetivamente exportadas. Pouco importa o fato de as mercadorias em questão não terem sido remetidas para exportação ou recinto alfandegados.” E acrescenta que “O fato é que, mesmo se não considerada a suspensão do IPI nas operações em questão, as exportações são imunes em relação ao Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, conforme determina o artigo 153 da Constituição Federal: (...)”, concluindo que nada é devido a titulo de IPI naquelas operações. Contesta a aplicação da multa de ofício, alegando que “Considerando que não houve a alegada infringência aos artigos suscitados pela Auditoria Fiscal não há como subsistir a multa aplicada pela fiscalização federal.” Pede a produção de prova pericial, formulando os quesitos que quer ver respondidos. Encerra requerendo que seja recebida a impugnação e julgada totalmente procedente, determinando o integral cancelamento do lançamento. É o relatório. A ementa do acórdão da DRJ/Porto Alegre é a seguinte: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Somente são nulos os atos lavrados por pessoa incompetente e as decisões e despachos proferidos por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 2598DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11020.720887/201286 Acórdão n.º 3202001.405 S3C2T2 Fl. 2.584 8 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria não expressamente contestada pelo impugnante. PEDIDO DE PERÍCIA. Considerase não formulado o pedido de perícia que não atenda os requisitos previstos na legislação que regula o processo administrativo fiscal. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. Vidros de segurança formados de folhas contracoladas, utilizados como Parabrisas em automóveis, lanchas ou outros veículos classificamse No código 7021.21.00 da TIPI, com alíquota de 15%. Não se enquadram no Ex 01 do referido código os parabrisas para ônibus e caminhões cujas dimensões variem para mais ou para menos de 5% daquelas nele estabelecidas. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DO IPI. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Produtos que tenham sido remetidos do estabelecimento industrial para o estabelecimento do próprio adquirente não podem ser considerados adquiridos com o fim específico de exportação, para fins de suspensão do IPI, benefício que exige a remessa direta do estabelecimento fabricante para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente. Impugnação Improcedente Inconformada com tal decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde repisa os argumentos anteriormente apresentados. Através da Resolução 3202000.178, esta Turma converteu o julgamento em diligência para que “a Recorrente apresente provas da ocorrência efetiva das exportações, através da apresentação de memorandos de exportação, cópias do conhecimento de embarque e de comprovantes de exportação, dos extratos completos dos Registros de Exportação – RE e de Declarações de Exportação, que deverão ser posteriormente verificados e ratificados pela DRF competente para a efetiva comprovação das exportações em comento”. O processo retornou com o devido relatório de diligência fiscal (fls. 2542 a 2545) para reanálise deste Colegiado. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator Fl. 2599DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11020.720887/201286 Acórdão n.º 3202001.405 S3C2T2 Fl. 2.585 9 O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Preliminar de nulidade do auto de infração Entendo inexistir qualquer nulidade do auto de infração porque a auto de infração foi lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, sendo que estão claramente discriminadas as infrações que motivaram a autuação, bem como os montantes relativos a cada uma delas, motivo pelo qual rejeito esta preliminar. Considerase não impugnada a matéria não expressamente contestada pela Recorrente. Em relação á classificação fiscal de “Box para Banheiro”, a Recorrente em sua defesa não refutou expressamente a classificação fiscal adotada pela fiscalização para os produtos em epígrafe, razão pela qual a parcela da exigência a eles relativa deve ser considerada como não impugnada. Classificação fiscal de mercadorias Quanto à classificação fiscal dos parabrisas, a Decisão SRRF/8ª RF/DIANA Nº 155/1998 citada na decisão recorrida muito bem endereça a questão para a correta classificação na posição 7007.21.00 adotada pela fiscalização, senão vejamos: A análise dos elementos apresentados evidencia tratarse de vidro de segurança formado por folhas contracoladas, nas dimensões 1890 mm X 763 mm X 6,76 mm, conforme descrição minuciosa das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado nos seus comentários à posição 7007: B) Vidros de segurança formados de folhas contracoladas. Os vidros de segurança deste tipo, normalmente chamados "vidros folheados", "vidrossanduíche" ou "vidros compósitos", resultam essencialmente da intercalação de uma ou várias folhas de plástico entre duas ou mais lâminas de vidro. A alma de plástico é formada geralmente por folhas de acetato de celulose ou de produtos vinílicos ou acrílicos, que se faz aderir às chapas de vidro, a maior parte das vezes, por ação de calor e de pressão consideráveis depois de se ter pulverizado com cola especial a superfície interna das folhas. Também se pode aplicar diretamente a película de plástico sobre o próprio vidro. As chapas de vidro assim preparadas colamse em seguida umas às outras por ação de calor e de pressão. Uma das características do vidro temperado é a de se quebrar em pequenos Fl. 2600DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11020.720887/201286 Acórdão n.º 3202001.405 S3C2T2 Fl. 2.586 10 fragmentos não cortantes, ou até se desintegrar pela ação do choque, o que reduz o perigo resultante da projeção de estilhaços. O vidro de segurança formado por duas ou mais folhas rachase sem estilhaçar e, se o choque é tão violento que o faz partir (e não se limita a rachálo), os estilhaços não têm tamanho suficiente para provocar ferimentos graves. Em alguns vidros desta natureza, destinados a usos especiais, podem incorporarse redes metálicas ou folhas de plástico colorido. Estas qualidades permitem utilizar estes vidros para fabricação de para brisas ou janelas de automóveis, portas de estabelecimentos comerciais, vigias de navios, óculos de proteção para operários, vidros para máscaras antigás e vidros para capacetes de escafandristas. É fabricado um tipo especial de vidro, constituído por duas ou mais folhas, que é conhecido como sendo "à prova de balas". Tendo por base a destinação do produto (parabrisa para automóveis), depreendese ser o mesmo parte de veículo, dos constantes do capítulo 87. No entanto, as Notas Gerais da Seção XVII, que compreende o capítulo 87, esclarecem: III.PARTES E ACESSÓRIOS Deve notarse que o Capítulo 89 não prevê disposições relativas às partes (exceto cascos) e acessórios de embarcações ou estruturas flutuantes. Estas partes e acessórios, mesmo que sejam reconhecíveis como tais, classificam se, conseqüentemente, em outros Capítulos, conforme seu próprio regime. Todos os outros Capítulos da presente Seção permitem a classificação das partes e acessórios dos veículos ou artefatos que compreendam. Convém notarse a este respeito que só se classificam nas posições referentes às partes e acessórios, os que satisfaçam as três condições seguintes: a) Não serem excluídos por aplicação da Nota 2 da presente Seção (ver parágrafo A, abaixo). b) Serem reconhecíveis como exclusiva ou principalmente concebidos para os artefatos dos Capítulos 86 a 88 (ver parágrafo B, abaixo). c) Não serem incluídos mais especificamente em outros Capítulos da Nomenclatura (ver parágrafo C, abaixo). E quanto ao citado parágrafo C: C) Critério da posição mais específica. As partes e acessórios, mesmo reconhecíveis como destinados ao material de transporte, excluemse da presente Seção, quando se classificam mais especificamente em outras posições da Nomenclatura. É por exemplo o caso dos: ... 8) Vidros de segurança não emoldurados, incluídos os que tenham forma própria para serem utilizados como parabrisas e outros vidros, para veículos (posição 70.07). Isto posto, depreendese estar o produto incluído na posição 7007, devendo ser classificado no código 7007.21.00, onde está textualmente descrito. Quanto ao Ex. 01 do código 7007.21.00, verificase não estar o produto em questão nele incluído, uma vez que a lista ali descrita é exaustiva e as dimensões do produto não atendem às suas especificações, mesmo sendo admitida a tolerância de + 5%, prevista, senão vejamos: Fl. 2601DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11020.720887/201286 Acórdão n.º 3202001.405 S3C2T2 Fl. 2.587 11 O produto, admitida a tolerância, poderseia enquadrar nas seguintes dimensões do Ex. 01: 1800 mm X 800 mm X 6,00 mm ou 1970 mm X 800 mm X 6,00 mm, onde não se enquadra pois a tolerância máxima na espessura é 6,30 mm. Ou mesmo nas dimensões 2075 mm X 787 mm X 6,76 mm, onde, também, não se enquadra, pois a tolerância máxima no comprimento é 1890 mm. Ainda, em comparação com as demais dimensões, vemos que o presente nelas não se enquadra, pois suas dimensões não respeitam as medidas, com ou sem tolerância, no comprimento, nem na altura. 3. Portanto, o produto deve ser classificado, com base nas RGIs 1.ª e 6.ª (textos da posição 7007 e da subposição 7007.21), todas da TIPI, com os esclarecimentos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado da referida posição (Decreto n° 435/92), no código 7007.21.00 da mesma TIPI (Decreto n° 2.092/96). Vendas com fim específico de exportação Analisando o relatório de diligência fiscal é possível verificar que a Recorrente não apresentou cópias dos conhecimentos de embarque e dos comprovantes de exportação, bem como dos extratos, Registro de Exportação e declarações de Exportação. Além disso, a diligência confirmou que determinados Memorandos de Exportação não se referem a exportações de mercadorias industrializadas da empresa diligenciada. Intimada a se manifestar sobre a diligência, a Recorrente não trouxe documentos e argumentos que contrariassem as conclusões do relatório de diligência fiscal. Em razão disso, entendo serem corretas as conclusões apontadas pela instância de piso. Por fim, a multa de 75% é devida por força do artigo 80, caput, da Lei n° 4.502, de 1964, com a redação dada pelo art. 13 da Medida Provisória n° 351/2007, e pelo artigo 13 da Lei n° 11.488/2007, no caso da falta de lançamento e de recolhimento do IPI, inclusive quando não há exigência do imposto em razão da existência de saldos credores na escrita fiscal. Diante do exposto, não acolho a preliminar suscitada e, no mérito, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fl. 2602DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11020.720887/201286 Acórdão n.º 3202001.405 S3C2T2 Fl. 2.588 12 Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 2603DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI
score : 1.0
Numero do processo: 10140.720433/2013-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA EMPRESTADA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não gera nulidade do Processo Administrativo Fiscal a utilização de prova emprestada, devidamente autorizada pelo Juiz Competente, obtida em razão de medida de busca e apreensão e não resultante de procedimento de quebra de sigilo fiscal no processo de origem.
DESCONSIDERAÇÃO DA CONTABILIDADE. AFERIÇÃO INDIRETA. CABIMENTO.
A constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, é motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO DO FATO GERADOR. NULIDADE MATERIAL.
No presente caso a nulidade foi declarada em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, em virtude de o lançamento realizado não permitir ao contribuinte identificar a qual competência se referem os acréscimos legais, o que caracteriza violação ao art. 142 do CTN e, especificamente, ao art. 37 da Lei nº 8.212/91 e ao art. 229, § 2º do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/1999. É o lançamento, por vício material, quando ausentes a descrição do fato gerador e a determinação da matéria tributável, em especial quando o crédito é constituído com base na caracterização de segurado empregado e deixam de ser demonstrados os elementos caracterizadores do vínculo empregatício.
Quando nos deparamos com um vício de natureza formal o princípio princípio pas de nullité sans grief ou princípio do prejuízo deve ser amplamente aplicado, isto porque, a adoção de sistema rígido de invalidação processual impede a eficiente atuação da Administração Pública. Cabe a autoridade lançadora o ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, conforme descrito no art. 142 do CTN.
A declaração de nulidade ante a ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, decorre do fato de a autoridade fiscal não ter se desincubido do ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação, o que faz com que o prejuízo ao contribuinte seja intrínseco à declaração de nulidade por vício material.
LEVANTAMENTO SEGURADO EMPREGADO. NECESSIDADE DE CARACTERIZAÇÃO.
Para que se caracterize a formação de um vínculo de emprego, faz-se necessária a constatação dos requisitos do contrato de trabalho descritos no art. 3º da CLT: continuidade (não eventualidade), subordinação, onerosidade e pessoalidade. No relatório de Lançamentos - RL nominou-se as pessoas físicas, porém o relatório fiscal não descreveu de forma minuciosa como a atividade se desenvolveu ao longo do tempo em que permaneceram prestando serviços na empresa notificada.
NORMAS PROCEDIMENTAIS. DESCONSIDERAÇÃO DA RELAÇÃO JURÍDICA E CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. AUSÊNCIA DEMONSTRAÇÃO REQUISITOS. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO.
De acordo com o artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência SocialRPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, restando devidamente constatada e comprovada a efetiva existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto tomador de serviços e os prestadores de serviços, poderá o Auditor Fiscal caracterizar o contribuinte individual como segurado empregado, ou mesmo promover a desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, considerando seus sócios e/ou funcionários como empregados da tomadora.
No caso dos autos, da análise das razões da fiscalização, conjugada com a documentação trazida à colação, não restou comprovada/demonstrada a existência dos requisitos da relação laboral entre a autuada e os sócios e/ou funcionários das empresas prestadoras de serviços, que tiveram a personalidade jurídica desconsiderada, ou seja, não ocorrendo a perfeita subsunção do fato à norma, de maneira a amparar o lançamento.
Deve ser declarado improcedente o lançamento decorrente de caracterização de segurado empregado, quando o fisco não consegue se desincumbir do ônus de comprovar a ocorrência cumulativa da pessoalidade, onerosidade, subordinação e não eventualidade.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE.
O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DO ELEMENTO SUBJETIVO.
Sobre o imposto apurado em procedimento fiscal, incide multa de ofício qualificada (150%) somente se restar demonstrado que o contribuinte, mediante uma das condutas dolosas previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, busque defraudar o fisco. Art. 44, § 1°, da Lei n° 9.430/1996.
Numero da decisão: 2301-004.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão da aferição, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento aos demais argumentos da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de que sejam excluídos os valores oriundos de caracterização do vínculo como segurado empregado, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Bezerra, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; b) em dar provimento ao recurso, a fim de que seja excluída a multa isolada, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Andréa Brose Adolfo, que votaram em negar provimento ao recurso nesta questão. Sustentação oral: João Henrique Gonçalves Domingos. OAB: 189.262/SP.
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR -Relator.
EDITADO EM: 18/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10140.720433/2013-67
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5424117
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2301-004.269
nome_arquivo_s : Decisao_10140720433201367.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10140720433201367_5424117.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão da aferição, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento aos demais argumentos da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de que sejam excluídos os valores oriundos de caracterização do vínculo como segurado empregado, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Bezerra, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; b) em dar provimento ao recurso, a fim de que seja excluída a multa isolada, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Andréa Brose Adolfo, que votaram em negar provimento ao recurso nesta questão. Sustentação oral: João Henrique Gonçalves Domingos. OAB: 189.262/SP. MARCELO OLIVEIRA - Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR -Relator. EDITADO EM: 18/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
id : 5806367
ano_sessao_s : 2014
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA EMPRESTADA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não gera nulidade do Processo Administrativo Fiscal a utilização de prova emprestada, devidamente autorizada pelo Juiz Competente, obtida em razão de medida de busca e apreensão e não resultante de procedimento de quebra de sigilo fiscal no processo de origem. DESCONSIDERAÇÃO DA CONTABILIDADE. AFERIÇÃO INDIRETA. CABIMENTO. A constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, é motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO DO FATO GERADOR. NULIDADE MATERIAL. No presente caso a nulidade foi declarada em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, em virtude de o lançamento realizado não permitir ao contribuinte identificar a qual competência se referem os acréscimos legais, o que caracteriza violação ao art. 142 do CTN e, especificamente, ao art. 37 da Lei nº 8.212/91 e ao art. 229, § 2º do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/1999. É o lançamento, por vício material, quando ausentes a descrição do fato gerador e a determinação da matéria tributável, em especial quando o crédito é constituído com base na caracterização de segurado empregado e deixam de ser demonstrados os elementos caracterizadores do vínculo empregatício. Quando nos deparamos com um vício de natureza formal o princípio princípio pas de nullité sans grief ou princípio do prejuízo deve ser amplamente aplicado, isto porque, a adoção de sistema rígido de invalidação processual impede a eficiente atuação da Administração Pública. Cabe a autoridade lançadora o ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, conforme descrito no art. 142 do CTN. A declaração de nulidade ante a ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, decorre do fato de a autoridade fiscal não ter se desincubido do ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação, o que faz com que o prejuízo ao contribuinte seja intrínseco à declaração de nulidade por vício material. LEVANTAMENTO SEGURADO EMPREGADO. NECESSIDADE DE CARACTERIZAÇÃO. Para que se caracterize a formação de um vínculo de emprego, faz-se necessária a constatação dos requisitos do contrato de trabalho descritos no art. 3º da CLT: continuidade (não eventualidade), subordinação, onerosidade e pessoalidade. No relatório de Lançamentos - RL nominou-se as pessoas físicas, porém o relatório fiscal não descreveu de forma minuciosa como a atividade se desenvolveu ao longo do tempo em que permaneceram prestando serviços na empresa notificada. NORMAS PROCEDIMENTAIS. DESCONSIDERAÇÃO DA RELAÇÃO JURÍDICA E CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. AUSÊNCIA DEMONSTRAÇÃO REQUISITOS. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. De acordo com o artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência SocialRPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, restando devidamente constatada e comprovada a efetiva existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto tomador de serviços e os prestadores de serviços, poderá o Auditor Fiscal caracterizar o contribuinte individual como segurado empregado, ou mesmo promover a desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, considerando seus sócios e/ou funcionários como empregados da tomadora. No caso dos autos, da análise das razões da fiscalização, conjugada com a documentação trazida à colação, não restou comprovada/demonstrada a existência dos requisitos da relação laboral entre a autuada e os sócios e/ou funcionários das empresas prestadoras de serviços, que tiveram a personalidade jurídica desconsiderada, ou seja, não ocorrendo a perfeita subsunção do fato à norma, de maneira a amparar o lançamento. Deve ser declarado improcedente o lançamento decorrente de caracterização de segurado empregado, quando o fisco não consegue se desincumbir do ônus de comprovar a ocorrência cumulativa da pessoalidade, onerosidade, subordinação e não eventualidade. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DO ELEMENTO SUBJETIVO. Sobre o imposto apurado em procedimento fiscal, incide multa de ofício qualificada (150%) somente se restar demonstrado que o contribuinte, mediante uma das condutas dolosas previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, busque defraudar o fisco. Art. 44, § 1°, da Lei n° 9.430/1996.
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:35:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047478293495808
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 31; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2558; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 10.513 1 10.512 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10140.720433/201367 Recurso nº 99.999 Voluntário Acórdão nº 2301004.269 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de dezembro de 2014 Matéria Caracterização segurado empregado Recorrente SERVAN ANESTESIOLOGIA DE CAMPO GRANDE S/S Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA EMPRESTADA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não gera nulidade do Processo Administrativo Fiscal a utilização de prova emprestada, devidamente autorizada pelo Juiz Competente, obtida em razão de medida de busca e apreensão e não resultante de procedimento de quebra de sigilo fiscal no processo de origem. DESCONSIDERAÇÃO DA CONTABILIDADE. AFERIÇÃO INDIRETA. CABIMENTO. A constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, é motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO DO FATO GERADOR. NULIDADE MATERIAL. No presente caso a nulidade foi declarada em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, em virtude de o lançamento realizado não permitir ao contribuinte identificar a qual competência se referem os acréscimos legais, o que caracteriza violação ao art. 142 do CTN e, especificamente, ao art. 37 da Lei nº 8.212/91 e ao art. 229, § 2º do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/1999. É o lançamento, por vício material, quando ausentes a descrição do fato gerador e a determinação da matéria tributável, em especial quando o crédito é constituído com base na caracterização de segurado empregado e deixam de ser demonstrados os elementos caracterizadores do vínculo empregatício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 04 33 /2 01 3- 67 Fl. 10513DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 Quando nos deparamos com um vício de natureza formal o princípio princípio pas de nullité sans grief ou princípio do prejuízo deve ser amplamente aplicado, isto porque, a adoção de sistema rígido de invalidação processual impede a eficiente atuação da Administração Pública. Cabe a autoridade lançadora o ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, conforme descrito no art. 142 do CTN. A declaração de nulidade ante a ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, decorre do fato de a autoridade fiscal não ter se desincubido do ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação, o que faz com que o prejuízo ao contribuinte seja intrínseco à declaração de nulidade por vício material. LEVANTAMENTO SEGURADO EMPREGADO. NECESSIDADE DE CARACTERIZAÇÃO. Para que se caracterize a formação de um vínculo de emprego, fazse necessária a constatação dos requisitos do contrato de trabalho descritos no art. 3º da CLT: continuidade (não eventualidade), subordinação, onerosidade e pessoalidade. No relatório de Lançamentos RL nominouse as pessoas físicas, porém o relatório fiscal não descreveu de forma minuciosa como a atividade se desenvolveu ao longo do tempo em que permaneceram prestando serviços na empresa notificada. NORMAS PROCEDIMENTAIS. DESCONSIDERAÇÃO DA RELAÇÃO JURÍDICA E CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. AUSÊNCIA DEMONSTRAÇÃO REQUISITOS. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. De acordo com o artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência SocialRPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, restando devidamente constatada e comprovada a efetiva existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto “tomador de serviços” e os “prestadores de serviços”, poderá o Auditor Fiscal caracterizar o contribuinte individual como segurado empregado, ou mesmo promover a desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, considerando seus sócios e/ou funcionários como empregados da tomadora. No caso dos autos, da análise das razões da fiscalização, conjugada com a documentação trazida à colação, não restou comprovada/demonstrada a existência dos requisitos da relação laboral entre a autuada e os sócios e/ou funcionários das empresas prestadoras de serviços, que tiveram a personalidade jurídica desconsiderada, ou seja, não ocorrendo a perfeita subsunção do fato à norma, de maneira a amparar o lançamento. Deve ser declarado improcedente o lançamento decorrente de caracterização de segurado empregado, quando o fisco não consegue se desincumbir do ônus de comprovar a ocorrência cumulativa da pessoalidade, onerosidade, subordinação e não eventualidade. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa Fl. 10514DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720433/201367 Acórdão n.º 2301004.269 S2C3T1 Fl. 10.514 3 referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DO ELEMENTO SUBJETIVO. Sobre o imposto apurado em procedimento fiscal, incide multa de ofício qualificada (150%) somente se restar demonstrado que o contribuinte, mediante uma das condutas dolosas previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, busque defraudar o fisco. Art. 44, § 1°, da Lei n° 9.430/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão da aferição, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento aos demais argumentos da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de que sejam excluídos os valores oriundos de caracterização do vínculo como segurado empregado, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Bezerra, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; b) em dar provimento ao recurso, a fim de que seja excluída a multa isolada, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Andréa Brose Adolfo, que votaram em negar provimento ao recurso nesta questão. Sustentação oral: João Henrique Gonçalves Domingos. OAB: 189.262/SP. MARCELO OLIVEIRA Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator. EDITADO EM: 18/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA. Relatório Tratamse dos Autos de Infração abaixo relacionados, em face do sujeito passivo acima identificado: Fl. 10515DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD N° 51.008.9526 referente às contribuições devidas à Seguridade Social não recolhidas correspondentes à rubrica "Empresa" e "SAT/RAT" (Financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho), incidentes sobre os valores pagos aos médicos anestesiologistas a título de distribuição antecipada de lucros, conforme as planilhas de distribuição de lucros, anexo 03, e os recibos de pagamento de lucros, anexo 04, apresentados pelo contribuinte. Valores estes apuradas por arbitramento; não declarados em GFIP. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD N° 51.038.5613 referente às contribuições devidas à Seguridade Social não recolhidas correspondentes à rubrica "Segurados" e "Contrib Indiv", incidentes sobre os valores pagos aos médicos anestesiologistas a título de distribuição antecipada de lucros, conforme as planilhas de distribuição de lucros, anexo 03, e os recibos de pagamento de lucros, anexo 04, apresentados pelo contribuinte. Valores estes apuradas por arbitramento; não declarados em GFIP. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD N° 51.038.5605 referente às contribuições devidas a outras entidades e fundos, correspondentes à rubrica "Terceiros", contribuições estas destinadas ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE, ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA, ao Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial SENAC, ao Serviço Social do Comércio SESC e ao Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE, incidentes sobre os valores pagos aos médicos anestesiologistas a título de distribuição antecipada de lucros, conforme as planilhas de distribuição de lucros, anexo 03, e os recibos de pagamento de lucros, anexo 04, apresentados pelo contribuinte. Valores estes apuradas por arbitramento; não declarados em GFIP. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD N° 51.038.5575 referente às contribuições devidas à Seguridade Social não recolhidas correspondentes à rubrica "Empresa" e "SAT/RAT" (Financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho), incidentes sobre os valores pagos aos médicos anestesiologistas Luiz Cesar Anzoategui, Gleber Eduardo Machareth, Sirlei Paulo Queiroz, Edson Tognini, José Tadachi Sugai, Ana Laura Janaina Borges, Beatriz Maciel Maegawa, Cynthia Duailibi, Larissa Falcão Gomes e Luis Felipe Ximenes Nogueira. Valores estes apuradas por arbitramento com base na média mensal da remuneração paga aos demais médicos anestesiologistas a título de distribuição antecipada de lucros, conforme as planilhas de distribuição de lucros, anexo 03, e os recibos de pagamento de lucros, anexo 04, apresentados pelo contribuinte; não declarados em GFIP. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD N° 51.038.5591 referente às contribuições devidas à Seguridade Social não recolhidas correspondentes à rubrica "Segurados", incidentes sobre os valores pagos aos médicos anestesiologistas Luiz Cesar Anzoategui, Gleber Eduardo Machareth, Sirlei Paulo Queiroz, Edson Tognini, José Tadachi Sugai, Ana Laura Janaina Borges, Beatriz Maciel Maegawa, Cynthia Duailibi, Larissa Falcão Gomes e Luis Felipe Ximenes Nogueira. Valores estes apuradas por arbitramento com base na média mensal da remuneração paga aos demais médicos anestesiologistas a título de distribuição antecipada de lucros, conforme as planilhas de distribuição de lucros, anexo 03, e os recibos de pagamento de lucros, anexo 04, apresentados pelo contribuinte; não declarados em GFIP. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD N° 51.038.5583 referente às contribuições devidas a outras entidades e fundos, correspondentes à rubrica "Terceiros", contribuições estas destinadas ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE, Fl. 10516DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720433/201367 Acórdão n.º 2301004.269 S2C3T1 Fl. 10.515 5 ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA, ao Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial SENAC, ao Serviço Social do Comércio SESC e ao Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE, incidentes sobre os valores pagos aos médicos anestesiologistas Luiz Cesar Anzoategui, Gleber Eduardo Machareth, Sirlei Paulo Queiroz, Edson Tognini, José Tadachi Sugai, Ana Laura Janaina Borges, Beatriz Maciel Maegawa, Cynthia Duailibi, Larissa Falcão Gomes e Luis Felipe Ximenes Nogueira. Valores estes apuradas por arbitramento com base na média mensal da remuneração paga aos demais médicos anestesiologistas a título de distribuição antecipada de lucros, conforme as planilhas de distribuição de lucros, anexo 03, e os recibos de pagamento de lucros, anexo 04, apresentados pelo contribuinte; não declarados em GFIP. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD N° 51.038.5621 – referese a multa aplicada por ter o contribuinte incorrido na infração prevista no § 2° do artigo 33 da Lei 8.212/91, deixando de apresentar à fiscalização os recibos de pagamento de distribuição antecipada de lucros dos médicos anestesiologistas Fábio Vinicius Benvenuto Feltrim, João Roberto de Menezes, Priscila B. S. Suleiman, Washington C. J. Pedroso referentes aos anos de 2010 e 2011, conforme solicitado no Termo de Intimação Fiscal n° 07, de 08/01/2013. Deixou, ainda, de apresentar os extratos bancários dos meses de 12/2010 e 12/2011 referentes aos registros contábeis das contas "112010 1102010000 BANCO CONTA MOVIMENTO Ter.: 010133 UNICRED" e "112010 1102010000 BANCO CONTA MOVIMENTO Ter.: 010601 UNIBANCO AG 0392", conforme solicitado no TIF n° 06, de 21/12/2012. Segundo consta, a empresa é constituída como sociedade simples e presta serviços profissionais relativos ao exercício de profissão regulamentada, mais especificamente, serviços médicos hospitalares na área de anestesiologia. Esse serviço é prestado pessoalmente pelos profissionais médicos. Devidamente intimado em 21/03/2013, o Sujeito Passivo apresentou impugnação que alega, em síntese: 1 As provas documentais e testemunhais tomadas pela Fiscalização junto aos autos do Inquérito Policial n° 0720/2009 para fundamentar os presentes lançamentos devem ser consideradas ilícitas porque não observaram o princípio do contraditório e da ampla defesa, tendo ferido o princípio do devido processo legal, foram obtidas por meio ilícito, sem qualquer autorização judicial e se tratam de documentos apreendidos e analisados com objetivo único e exclusivo de se apurar eventual crime de formação de cartel, sem qualquer relação com questões tributárias; 2 A Impugnante é sociedade simples, constituída nos termos dos artigos 997 e 1.038 do Código Civil, cujo objetivo social é a prestação, na pessoa de seus sócios, de serviços médico hospitalares na área de anestesiologia; 3 o faturamento da Impugnante decorre do recebimento da prestação dos serviços, através do esforço pessoal de seus 72 sócios, complementado pelos atendimentos direto a pessoas físicas, tudo devidamente registrado em Notas Fiscais de Serviço; Fl. 10517DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 6 4 após a apuração do custo operacional, incluídos os tributos, o qual é subtraído do resultado, o lucro é distribuído aos sócios, nos exatos moldes perpetrados pelo contrato social da Impugnante, respeitadas as peculiaridades e conceitos intrínsecos à sociedade simples; 5 os percentuais de lucro da sociedade variam em torno dos 70%, o que é plenamente justificável numa sociedade simples, com baixo custo operacional; 6 – conforme comprovado pela própria Fiscalização, os lucros correspondem à remuneração da mãodeobra dos sócios médicos anestesiologistas, o que não poderia ser diferente, ante a natureza jurídica sociedade simples da Impugnante; 7 a fiscalização confundiu a natureza e peculiaridades da sociedade simples com as das sociedades mercantis, tentando justificar a presunção de distribuição indevida de lucros no fato de esta não guardar relação razoável com o capital social investido por cada um dos sócios na Impugnante; 8 em se tratando de sociedade simples, a distribuição de lucro não guarda relação com o capital social, mas sim com a produção de cada um dos sócios, conforme se abstrai dos artigos 997 e seguintes do Código Civil, os quais definem tal tipo societário como sendo de natureza personificada, ou seja, sem cunho mercantil, onde os sócios exercem, por seu próprio esforço, profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística; 9 a restrição que se impõe à Sociedade Simples resumese ao dever de sempre se limitar à atividade específica para a qual foi criada, qual seja, a prestação de serviços vinculados à habilidade técnica e/ou intelectual de seus sócios, sendo defeso conter outros serviços estranhos, sob pena de se configurar tipo societário empresarial; 10 tratase de um tipo totalmente excepcional de sociedade, o qual buscase, através da reunião de profissionais que exerçam a mesma atividade, facilitar e tornar economicamente mais viável a prestação dos serviços executados pelos próprios sócios como se autônomos fossem; 11 a sociedade simples nada mais é do que os próprios sócios atuando em nome próprio, de forma conjunta, por meio de uma pessoa jurídica, a fim de tornar a prestação dos serviços técnica, econômica e logisticamente mais viável, logo, fomentando a economia nacional e o acesso da população a tais serviços; 12 a constituição da sociedade simples, nos termos do artigo 997 do Código Civil, se dá mediante contrato escrito (contrato social), o qual deverá ser registrado, dentro de trinta dias contados de sua assinatura, no Registro Civil das Pessoas Jurídicas do local de sua sede; 13 a base de cálculo da contribuição da Sociedade Simples, destinada à Seguridade Social, está prevista no artigo 201, §5°, II, do Decreto 3.048/99, do que se depreende que na hipótese de a Sociedade Simples distribuir lucros ou dividendos a sócios por Fl. 10518DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720433/201367 Acórdão n.º 2301004.269 S2C3T1 Fl. 10.516 7 conta de lucros futuros, a sociedade deve manter escrituração contábil e levantar balancetes mensais em que consta o resultado apurado, caso em que referida distribuição não será base de cálculo da contribuição previdenciária, por não se confundir com remuneração, hipótese do inciso I, do §5°, do artigo 201; 14 – o Carf reconheceu a legalidade da distribuição de lucros, quando do provimento de recurso voluntário em Auto de Infração lavrado em face da Impugnante sob o mesmo fundamento do presente, exigindo contribuições previdenciárias de períodos anteriores; 15 ainda que com lançamentos realizados de forma diferente daquela pretendida pela Fiscalização, a escrita fiscal do Impugnante não pode ser considerada imprestável, pois apresenta elementos bastantes para o controle do lançamento pela Fiscalização; 16 em momento algum, a Fiscalização apurou omissão de rendimentos pela Impugnante, tendo reconhecido a integralidade das entradas, as quais estão lastreadas por notas fiscais; 17 a Recorrente é empresa sujeita à sistemática do Lucro Presumido, o qual não exige contabilidade apurada, como no caso do Lucro Real, podendo esta respaldarse em controle paralelo; 18 como a distribuição de lucros era feita por meio de depósitos bancários, a Impugnante enviava ordem de pagamento para o banco, o qual, então, providenciava os depósitos nas contas de cada um dos sócios, segundo os valores apurados pela Impugnante através de seus controles paralelos; 19 o lançamento de toda a movimentação financeira dos exercícios de 2008 a 2011 na conta Caixa não representou a entrada e distribuição de lucros em espécie. Prova disso é a própria informação prestada pela Impugnante, comprovada com diversos extratos bancários acostados ao Relatório Fiscal, de que praticamente a totalidade de sua movimentação financeira se dava através do sistema bancário; 20 a Fiscalização aponta com precisão todos os valores recebidos pela Impugnante de seus clientes (planos de saúde, hospitais e pessoas físicas), bem como os lucros distribuídos a seus sócios a título de lucro, de forma que, ainda que incorretamente alocados na conta Caixa, poderiam, já que conhecidos, ter sido devidamente corrigidos pela Fiscalização; 21 a existência de eventuais erros e deficiências na escrita fiscal não podem, de forma absoluta, levar a conclusão de sua completa inutilidade, logo, sua desclassificação total; 22 no entendimento da Fiscalização, os valores cobrados pelos serviços prestados pelos sócios da Impugnada são tabelados, ou seja, o valor dos serviços são medidos pela sua natureza, e não Fl. 10519DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 8 pela qualidade técnica de quem os prestas. No entanto, tratase de uma sociedade simples, caracterizada pela prestação de serviços na pessoa de seus sócios, sendo natural o preço dos serviços prestados pela Impugnante variar de acordo com o sócio que os prestas. Médicos mais experientes e estudados, titulados como mestres, doutores e/ou pós doutores cobrarem honorários superiores àqueles decorrentes da prestação de serviço por médicos recém formados; 23 não há como se aceitar lícito a presunção ou, ainda, fixação de preço dos serviços praticados pelos sócios da Impugnante pela Fiscalização, na medida em que o único órgão capaz de parametrizar tais valores ser o Conselho Federal de Medicina, o que, de fato, nada mais é do que um simples parâmetro; 24 o fato de os médicos mais antigos perceberem participação superior aos mais novos é questão de pura lógica e razão, na medida em que sua produção é proporcionalmente mais valiosa do que a dos médicos mais novos; 25 a jurisprudência do STJ, o qual reconhece explicitamente a possibilidade de distribuição de lucros segundo critérios outros que não a participação no capital social, tais quais a capacidade intelectual, experiência profissional, entre outros; 26 ao não aceitar a contabilidade da empresa, a Fiscalização deveria ter tributado os valores distribuídos a título de lucro como se prólabore fossem e não desconstituir ilegal e inconstitucionalmente a personalidade jurídica da Impugnante, a fim de tributar tais valores como pagamento de empregados; 27 não existe no presente caso qualquer dos requisitos legais para caracterização de vínculo empregatício; 28 a própria Fiscalização questiona nos presentes autos a distribuição de lucros com base em supostos adiantamentos e recebimentos de honorários médicos diretamente prestados pela Impugnante nas contas dos sócios que efetivamente prestaram tais serviços, os quais não poderiam nunca ser considerados salários; 29 não houve, juntamente com o auto de infração e no termo de verificação fiscal, a descrição exata e detalhada, mediante provas, das condutas praticadas por cada um dos sócios e respectivos empregados de referidas pessoas jurídicas a ponto de justificar e demonstrar cabalmente o equivocado vinculo empregatício. 30 o que simplesmente existe nos autos é uma descrição totalmente genérica sem demonstrar a relação de vinculo empregatício e todos os seus requisitos de cada um dos sócios; 31 sem a explicitação de todos os elementos relacionados ao vinculo empregatício de cada um dos supostos empregados (sócios), bem como as provas existentes, há impedimento à plena defesa da Impugnante, principalmente, quando se inverte o ônus da prova em seu desfavor. Fl. 10520DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720433/201367 Acórdão n.º 2301004.269 S2C3T1 Fl. 10.517 9 Requereu, ao final, seja convertido o presente julgamento em diligência, a fim de ser colhida prova pericial; e após, seja acolhida a impugnação e julgado improcedente o lançamento tributário. Em 25 de julho 2013, a 4ª Turma da DRJ/CGE julgou procedente a autuação: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 PROVA. UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS APREENDIDOS PARA INSTRUÇÃO DE PROCESSO PENAL O artigo 195 do CTN autoriza a fiscalização da Receita Federal do Brasil a examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes, industriais ou produtores, não tendo aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do seu direito. Documentos, sendo objeto da medida de busca e apreensão realizada na empresa, para instrução de inquérito policial, não sendo sigilosos, podem ser utilizados pela fiscalização. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA Não ocorre cerceamento de defesa quando o impugnante demonstra pleno conhecimento das razões do lançamento, podendo exercer o seu direito de defesa. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. CARACTERIZAÇÃO Têm caracteríscas de empregado, assim devendo ser considerados, os sócios sem autonomia, sujeitos a cumprimento de horário de trabalho, pontualidade, produtividade, assiduidade e penalidades por faltas, ainda, submetidos a critérios que fixam suas férias de acordo com as necessidades da empresa e ao respeito a hierarquia. CONTABILIDADE. DESCONSIDERAÇÃO Livros contábeis sem os registros de todos fatos e atos administrativos praticados, realizados com base em documentos comprobatórios do movimento real, não representam a realidade, não sendo, assim, merecedores de fé. Comprovado o descumprimento das Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC), deve ser a escrituração contábil desconsiderada. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE É aplicada a multa duplicada quando há fraude evidente. INCONSTITUCIONALIDADE Impossibilidade de análise, por parte de órgãos administrativos de julgamento, acerca da inconstitucionalidade e da ilegalidade de dispositivos legais em vigor no ordenamento jurídico pátrio, por ser esta competência exclusiva do Poder Judiciário. PEDIDO DE PERÍCIA Havendo nos autos elementos suficientes para formação de convencimento, o resultado de uma perícia contábil não altera a convicção firmada. Por conseguinte, o pedido de perícia é indeferido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 10521DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 10 O Sujeito Passivo foi cientificado do decisum em 06/09/2013, tendo interposto o Recurso Voluntário em 03/10/2013. Em resumo, reitera os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo e acode as demais exigências processuais, razão pela qual dele conheço. Passo análise das suas razões. QUANTO A UTILIZAÇÃO DE PROVAS EMPRESTADAS ‘Ab initio’ a Recorrente alega nulidade do lançamento em razão de a fiscalização ter se utilizado de diversas provas relevantes que foram obtidas por meio ilícito. Neste sentido, caso as provas fossem angariadas de forma ilícita elas não poderiam embasar o presente lançamento, eis que há remansosa jurisprudência no ordenamento jurídico pátrio inadmitindo tal prática, o que levaria a vedação à fiscalização da Receita Federal do Brasil para se utilizar de provas emprestadas por outro órgão, no caso a Polícia Federal, se o mandado de busca e apreensão somente permitisse o acesso ao sujeito passivo daqueles autos judiciais. Assim, neste diapasão, desaguaria em reconhecimento da ilicitude do ato e ou mesmo ilegitimidade das provas utilizadas, que serviram para o lançamento. Todavia, no presente caso, como se pode observar na decisão de piso, houve autorização para que a Receita Federal extraísse cópias dos documentos relativos ao processo de busca e apreensão. A título de informação urge trazer à baila que a ação da Polícia Federal junto a Recorrente foi para verificar a formação de cartel em Mato Grosso do Sul na área de anestesiologia, já que nela (Recorrente) trabalhavam 72 médicos ‘expert’ em anestesia, cujos quais são os sócios. Sem razão a Recorrente. CERCEAMENTO DE DEFESA Outra alegação da Recorrente é que houve o cerceamento do seu direito de produzir defesa nos autos da ação fiscal, cuja qual não vejo como prosperar, já que, em primeiro lugar há de ser reconhecida a fase cognitiva desta ação e, em segundo lugar, houve o momento pórpiro de sua manifestação e defesa. Sem razão. Fl. 10522DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720433/201367 Acórdão n.º 2301004.269 S2C3T1 Fl. 10.518 11 DA DISTRIBUIÇÃO DOS LUCROS. ARBITRAMENTO. De início, mister se diga que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em regra tem reconhecido a licitude na distribuição de lucros e resultados, mesmo que de forma desproporcional ao capital social, não se tributando como remuneração ou salário, confirmando a ausência de tributação a título de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, conforme se vê da jurisprudência abaixo transcrita: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 DISTRIBUIÇÃO DE LUCRO. SOCIEDADE SIMPLES Quando não houver discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social, a base de cálculo das contribuições relativas aos sócios da sociedade simples corresponde aos valores totais pagos ou creditados. O rateio dos lucros auferidos é de livre disposição pelos sócios da pessoa jurídica. Uma vez previsto no estatuto ou contrato social e comprovado na escrituração contábil, somente se procede a desconsideração dos métodos eleitos em caso de comprovada simulação ou fraude. Recurso Voluntário Provido” (CARF, 2ª Seção, AC. 2402003821) Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS E DIVIDENDOS. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide contribuição social a título de distribuição de lucros e dividendos aos sócios da sociedade. Não existe norma que obrigue a percepção pelos sócios de verba mínima representativa de prólabore, podendo a remuneração decorrer apenas de distribuição nos lucros, não podendo esse fato ser tido como ausência de discriminação das verbas na contabilidade. Recurso Voluntário Provido” (CARF, 2ª Seção, Ac. 2403 001.958). Contribuições Previdenciárias Período de Apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. REMUNERAÇÃO DOS SÓCIOS. PRÓLABORE E DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. NECESSIDADE DISCRIMINAÇÃO. As remunerações por prólabore e participação nos resultados devem restar cabalmente discriminadas, de maneira a evitar a evitar a incidência da contribuição previdenciária sobre o total dos valores pagos aos sócios à luz do disposto no inciso II do §5º do artigo 201 do Regulamento da Previdência Social. No caso, a discriminação ocorreu, não havendo que se falara em incidência de contribuição previdenciária sobre a parcela referente a lucros. ALEGAÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO DE MULTA. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. EXACERBAÇÃO DE COMPETÊNCIA. SÚMULA 02 DO CARF. A tentativa do contribuinte de afastar a aplicação da multa no caso em comento encontra seu fundamento no caráter confiscatório da multa, o que seria vedado pela Constituição Federal. Reconhecer a existência de confisco é o mesmo que reconhecer a inconstitucionalidade da sua incidência. A apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua Fl. 10523DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 12 competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. Incidência da Súmula 02 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível à comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Recurso Voluntário Provido.” (CARF, 2ª Seção, AC. 2301 002.905). Desta forma, neste sentido, há de ser observado que uma das condições para se reconhecer a impossibilidade de tributação, em atenção à jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é a existência de uma contabilidade regular e que possua controles adequados e razoáveis no sentido de segregar e comprovar a existência da distribuição de lucros. Assim, inexistindo contabilidade ou sendo ela defectível por possuírem demonstrações irregulares, haverá a fiscalização de forma excepcional realizar o arbitramento (art. 33, RPS). No caso em tela, embora não se possa afirmar que a Recorrente não possuía contabilidade e controles, esta não atendeu adequadamente as regras contábeis e fiscais de modo suficiente para se permitir a conclusão no sentido de que os pagamentos efetivados em favor dos sócios da pessoa jurídica, ora Recorrente, eram distribuição de lucros ou resultados. Do Relatório Fiscal se extrai e dos documentos acostados aos autos que corroboraram o lançamento, existem diversas irregularidades que, apesar de possuir uma contabilidade, não nos permite concluir pela configuração de distribuição de lucros, e, por conseguinte, a ausência de tributação. No caso em exame, o item “5. Análise da Escrituração Contábil” do Relatório Fiscal, a fls. 47/85, elenca uma variedade de irregularidades na escrituração contábil da empresa que evidenciam a não fidedignidade dos registros contábeis nela assentados. Fl. 10524DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720433/201367 Acórdão n.º 2301004.269 S2C3T1 Fl. 10.519 13 ∙ A conta contábil Caixa é específica para o registro dos ativos financeiros dotados de liquidez imediata, ou seja, numerário ou dinheiro em espécie. É a conta contábil que registra o dinheiro existente em tesouraria, sendo seu saldo correspondente ao valor em moeda mantido na tesouraria da empresa. Os fatos contábeis registrados nesta conta apresentam um movimentação volumosa e anormal de dinheiro, que nos anos de 2008, 2009, 2010 e 2011 ultrapassou a casa de 75,5 milhões de reais em espécie– cash. O contribuinte foi intimado a apresentar os documentos que comprovassem os registros contábeis das massivas transferências de dinheiro das contas bancárias para a conta Caixa ocorridas em 2008. Entretanto, os documentos apresentados não comprovaram efetivamente estas transações. Diversamente, restou evidenciado que os lançamentos ocorridos na conta Caixa são fictícios. Conforme as declarações prestadas pelo contribuinte, tais transações ocorreram de fato apenas nas contas bancárias. ∙ Os lançamentos que registram o recebimento de receitas em dinheiro também são inverossímeis. No ano de 2008 está registrado na conta Caixa o recebimento em cash de R$ 6.195.479,07, em 2009 de R$ 5.642.097,64, em 2010 de R$ 4.852.348,36 e 2011 de R$ 11.068.239,41. O contribuinte presta serviços para hospitais, em sua maioria públicos, e para grandes planos de saúde. Por óbvio que estas instituições não realizam tão vultosos pagamentos em espécie como está a demonstrar os registros contábeis do contribuinte. ∙ De acordo com a escrituração contábil, as saídas dos recursos financeiros da conta Caixa são preponderantemente para o pagamento de distribuição de lucros aos sócios. Os registros contábeis da conta Caixa testemunham o pagamento de distribuição de lucros no montante de R$ 10.396.727,12 em 2008, de R$ 6.445.253,06 em 2009, de R$ 13.088.638,63 em 2010 e de R$ 19.184.882,54 em 2011, os quais foram pagos em "cash", conforme lançamentos nas contas "110101000011101 – CAIXA", “110101010011102 – CAIXA GERAL” e "240604010024671 –DISTRIBUIÇÃO ANTECIPADA DE LUCROS". Não se nos afigura verossímil que uma empresa, nos dias atuais, mantenha em suas dependências e/ou transacione tão volumosa quantia em dinheiro, como assim evidencia a contabilidade apresentada pelo contribuinte. Por óbvio que estes lançamentos na conta Caixa não são minimamente críveis e são manifestos indicativos de graves anormalidades que comprometem a credibilidade e a fidedignidade da escrituração contábil. ∙ A Fiscalização apurou nos exercícios de 2008 e 2010 uma persistente anomalia na escrituração da conta Caixa, consistente na existência de significativo saldo credor, que em 27/03/2008, a título ilustrativo, somava R$ 595.470,65 e em 30/12/2010, de R$ 920.934,45, demonstrando que saia mais dinheiro do caixa do que o dinheiro que no caixa existia. Esta grave irregularidade Fl. 10525DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 14 atesta que o contribuinte efetuava pagamentos com recursos não contabilizados, pois o saldo credor na conta Caixa demonstra que não havia dinheiro suficiente para fazer frente aos pagamentos escriturados nesta conta contábil. A planilha "Lançamentos Consolidados por Dia", anexo 15, demonstra os saldos credores observados na conta Caixa no decorrer de 2008 e 2010. Tal deslize contábil torna ainda mais insustentável a veracidade dos vultosos pagamentos efetuados sob o rótulo de distribuição de lucros e escriturados na conta Caixa. ∙ Toda receita operacional da empresa transita pela conta contábil “110401000011401 CLIENTES DIVERSOS”, tendo como contrapartida a conta “Contas a Receber”, que apresenta uma movimentação atípica, na medida em que, no ano de 2008, do montante de recebimentos de R$ 19.692.437,93 nela escriturados, R$ 12.655.761,72 foram registrados como ingressos na conta "110201000011201 BANCO CTA MOVIMENTO" e o expressivo valor de R$ 6.201.767,19 (31,5%) foi registrado como ingressos na conta "110101000011101 CAIXA", ou seja, valores recebidos em espécie. Em 2009, o registro de ingressos na conta CAIXA foi de R$ 5.642.097,64 (24,7%); R$ 4.852.348,36 (18,4%) em 2010, e R$ 11.068.239,41 (35,7%) em 2011. ∙ A verossimilhança de tais registros é remota em virtude de os clientes da empresa serem grandes hospitais públicos e planos de saúde, sendo improvável que estes não tenham se utilizado do sistema bancário para quitar suas faturas de prestação de serviços. ∙ O contribuinte registra na Conta "240604010024671 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS" a distribuição mensal antecipada de lucros aos médicos anestesiologistas que compõem seu quadro societário. Esta conta registra a distribuição de R$ 13.997.389,81 em 2008, de R$ 16.406.108,52 em 2009, de R$ 18.258.234,89 em 2010 e de R$ 22.525.960,59 em 2011. Os registros mostram ainda que dos lucros distribuídos R$ 10.396.727,12 (2008), R$ 6.445.253,06 (2009), R$ 13.088.638,63 (2010) e R$ 19.184.882,54 (2011) tiveram como contrapartida a conta Caixa, ou seja, foram pagos em "cash", corroborando a anormalidade na via eleita para tais pagamentos, tendo em vista o volume expressivo de numerário. Porque não utilizar o sistema bancário, muito mais seguro ? Intimado mediante termo próprio, o Sujeito Passivo apresentou os recibos mensais referentes aos pagamentos antecipados de lucros, os quais, quando confrontados com os lançamentos contábeis na conta "240604010024671 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS", descortinou uma série de inconsistências. No registro contábil de 04/03/2008, há o pagamento de R$ 175.000,00 a titulo de distribuição de lucros ao sócio Orlando Toshihiro Yamauchi. Fl. 10526DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720433/201367 Acórdão n.º 2301004.269 S2C3T1 Fl. 10.520 15 No mês de março/2008, os pagamentos efetuados a título de distribuição de lucros totalizaram R$ 1.039.782,86, incluindo o valor de R$ 175.000,00 pagos a Orlando Toshihiro, contudo, o "Recibo de Pagamento de Distribuição de Lucro" registra, apenas, o pagamento de R$ 16.844,00. Intimado a apresentar o recibo referente ao pagamento registrado na contabilidade, o Contribuinte justificouse alegando que o pagamento em questão referiase a um contrato de mútuo entre a empresa e o sócio Orlando Toshihiro Yamauchi, tendo por objeto o empréstimo de R$ 175.000,00, que deveriam ser pagos em 36 parcelas, sem aplicação de juros e sem qualquer atualização monetária. O artigo 3º deste contrato estabelece que as parcelas "serão descontadas do adiantamento mensal na distribuição de lucros a que tem direito junto a Mutuante, de acordo com sua produção mensal". Se de fato tal valor referirse a empréstimo ao sócio Orlando e não a distribuição de lucros, o registro contábil está completamente equivocado. Segundo o inciso II do art. 179 da Lei nº 6.404/76, classificamse no Ativo Realizável a Longo Prazo os empréstimos a diretores, acionistas ou participantes no lucro da companhia que não constituírem negócios usuais na exploração do objeto da empresa. Por conseguinte, o lançamento escorreito e consagrado pela boa prática contábil deveria ser em contas próprias do ativo não circulante, mais especificamente no Ativo Realizável a Longo Prazo. No caso do plano de contas da empresa ora Autuada, o lançamento contábil do mútuo e dos subsequentes pagamentos das parcelas deveriam ser registrados na conta "12010100001210 EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS". Entretanto, não há quaisquer lançamentos na contabilidade de 2008, 2009, 2010 e 2011 que registrem o referido empréstimo, a sua amortização ou o seu saldo. Ademais, ao se analisar o comportamento da série de pagamentos de lucros ao sócio Orlando frente aos demais sócios, é forçoso concluir que não houve qualquer desconto de parcelas decorrentes do suposto contrato de mútuo. Observase nas planilhas das figuras 30 e 31, a fl. 63, que Orlando Toshihiro recebeu pagamentos de lucros idênticos a diversos outros sócios no decorrer de 2008 e 2009. De outro giro, a se admitir que o valor de R$ 175.000,00 diz respeito a um eventual contrato de mútuo, a totalização dos recibos de pagamentos de distribuição de lucros será superior àquele registrado na contabilidade, na medida em que, ao se deduzir o valor de R$ 175.000,00 do montante registrado na conta "240604010024671 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS", restaria R$ 864.782,86 como o valor efetivamente distribuído a título de lucros em março de 2008 registrado na contabilidade. Fl. 10527DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 16 Entrementes, os recibos apresentados pelo contribuinte neste mês totalizam R$ 1.039.782,86. Destarte, concluise por óbvio que houve a distribuição de lucros no valor de R$ 175.000,00 não registrados na contabilidade. ∙ Em diversos meses dos anos de 2009 e 2010, os valores pagos ao Diretor Werner Alfred Gemperli a título de lucros distribuídos registrados na contabilidade apresentam montantes superiores àqueles exibidos nos recibos de pagamento de distribuição de lucros, conforme ilustrado nas figuras 32, 33, 34, 35, 36, 37, 38, 39 e 40 a fls. 64/66. Enquanto os lançamentos contábeis registram pagamentos que atingem a cifra de R$ 399.004,00, os recibos de pagamento de distribuição de lucro somam, tão somente, R$ 202.178,38 , ou seja, praticamente a metade. ∙ A escrituração contábil da distribuição de lucros ocorridos em 31/12/2010 registra valores muito superiores àqueles mostrados nos recibos para os anestesiologistas Fábio Benevenuto, Marcelo Pedra Tognini, Sandra Maria Velasco e Adriana Marques. A figura 42 mostra os lançamentos registrados na conta "240604010024671DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS" no período de 20/12/2010 a 31/12/2010. O valor mostrado em “Soma” refere Os lançamentos contábeis registrados em 31/12/2010 apontam que se pagou em espécie (a contrapartida é a conta Caixa) a título de distribuição de lucros R$ 118.279,67 a Sandra Maria Velasco, R$ 216.101,76 a Adriana Marques, R$ 224.576,29 a Fábio Benevenuto, R$ 228.423,52 a Marcelo Pedra Tognini e R$ 253.932,41 a Maruan Omais, totalizando R$ 1.041.313,65. Entrementes, os recibos apresentados pelo contribuinte mostram valores bem menores, quais sejam, R$ 26.809,00 a Sandra Maria Velasco, R$ 25.557,00 a Adriana M. da Costa, R$ 21.983,00 a Fábio Vinicius Benevenuto Feltrim, R$ 29.847,00 a Marcelo Pedra Tognini e R$ 28.953,00 a Maruam Omais, totalizando R$ 133.149,00. Intimado a justificar as discrepâncias relativas ao pagamentos efetuados aos sócios Fábio Benevenuto, Marcelo Pedra Tognini, Sandra Maria Velasco e Adriana Marques, o Sujeito Passivo alegou que “... nos lançamentos apresentados existe um erro formal no momento de descrever o histórico do lançamento, pois o valor referese ao pagamento de lucros distribuídos a mais de um sócio ...”. Acontece que, mesmo considerando as retificações propostas pelo contribuinte, ao se apurar os valores escriturados em 12/2010 nesta conta contábil referentes aos pagamentos de distribuição de lucros efetuado a estas pessoas, deparase com uma grande divergência entre os valores lançados na contabilidade e os recibos apresentados. As planilhas 45 a 48, a fls. 68/70, revelam que os lucros pagos conforme escrituração contábil somam R$ 1.266.921,65 enquanto que os lucros pagos conforme recibos de pagamentos não ultrapassam o montante de Fl. 10528DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720433/201367 Acórdão n.º 2301004.269 S2C3T1 Fl. 10.521 17 R$ 1.041.169,28, havendo uma diferença não esclarecida de R$ 225.752,37. ∙ A conta contábil "240604010024671 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS" registra ainda o pagamentos de lucros aos anestesiologistas Luis Cesar Anzoategui, José Tadachi Sugai e Sirlei Paulo Queiroz. Contudo, estes médicos não fazem parte formalmente do quadro societário da empresa. Luis Cesar Anzoategui passou a constar do quadro societário somente a partir de 11/07/2011, com a alteração contratual nº. 05. Os demais nunca constaram do quadro societário da empresa. Intimado a apresentar os recibos referentes a todos os pagamentos realizados para os médicos Luis Cesar Anzoategui, José Tadachi Sugai e Sirlei Paulo Queiroz nos anos de 2010 e 2011, o contribuinte declarou que “Ainda esclarecemos que as pessoas ..., Sirlei Paulo Queiroz, José Tadasi DF CARF MF Fl. 7683 Sugai, ..., durante o período verificado, não participam do quadro societário da Empresa Servan, que esta empresa não efetuou pagamentos de qualquer natureza ou repasses de valores a estas pessoas, razão pela qual não existem recibos a serem apresentados, bem como não há registros contábeis devido a ausência do fato a ser registrado.” Para o médico Luis Cesar Anzoategui, a empresa apresentou recibos de pagamento de lucros somente a partir de 09/2011. Que confiabilidade pode ter uma contabilidade cujo próprio Contribuinte desconhece e nega seus registros contábeis, circunstância que revela a falta de exatidão e de integridade dos registros contábeis escriturados na conta "240604010024671 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS". Resta evidente que tais registros não são a representação fiel da verdade material, como assim exige o Princípio Contábil da Oportunidade. ∙ A Fiscalização constatou que em 2011 houve diversos registros contábeis de pagamentos lançados na conta "240604010024671 DISTR. ANTECIP. DE LUCROS" de valores elevados e que tinham como contrapartida do lançamento a conta "110101010011102 CAIXA GERAL". Ou seja, contabilmente, tais valores foram pagos em espécie. Intimado a apresentar os comprovantes do efetivo pagamento destes montantes, o contribuinte afirmou que "... a Servan para os pagamentos em questão, bem como para todos os demais pagamentos dos lucros distribuídos aos sócios, não utiliza cheque, porém o faz através de débito em sua conta corrente sendo que o banco se encarrega de distribuir os valores aos sócios, ...". Avulta de tal pronunciamento que os lançamentos contábeis em questão não representam adequadamente estes fatos, pois estes registram pagamentos realizados pela conta contábil "Caixa" e não pela conta contábil "Banco Conta Movimento". Fl. 10529DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 18 Tal informação, todavia, contradiz os inúmeros lançamentos contábeis de pagamento de lucros através da conta "Caixa", no montante de R$ 10.396.727,12 em 2008, de R$ 6.445.253,06 em 2009, de R$ 13.088.638,63 em 2010 e de R$ 19.184.882,52 em 2011. Como visto, o próprio contribuinte demonstra, uma vez mais, que a sua escrituração contábil não representa a realidade dos fatos. ∙ A Fiscalização apurou a ocorrência de uma multiplicidade de lançamentos que evidenciam transferências de receitas operacionais diretamente para os sócios sob a denominação de distribuição de lucros. Os lançamentos demonstram que a receita operacional recebida é imediatamente repassada, em sua integralidade, para os sócios na forma de lucros, conforme exposto nas planilhas do anexo 21, bem como, exemplificativamente, nas planilhas nº 54, 55, 56 e 57, a fls. 73/75. A título ilustrativo, o primeiro lançamento da figura 54, a fl. 73, efetuado em 03/06/2008, registra o recebimento na conta Caixa de uma receita operacional de R$ 45.000,00 referente a serviços prestados para a Santa Casa. O segundo lançamento registra o repasse deste montante aos sócios sob a forma de lucros distribuídos. Ou seja, estas transações ocorrem simultaneamente. Os recursos são recebidos pela empresa e imediatamente repassados em sua integralidade aos sócios. Fica manifesto que não se trata de lucros, pois se está remunerando os sócios com 100% do valor dos serviços prestados. [...] Então, para este Julgador, tenho que acertada a Fiscalização ao desconsiderar a escrituração contábil da Recorrente neste período e, assim, não reconhecer os valores como distribuição de lucros, promovendo o arbitramento. Neste diapasão vejo necessidade de manter o lançamento e nego provimento ao presente Recurso Voluntário quanto à exigência de contribuições previdenciárias descritas nos DEBCADs n. 51.008.9526 (empresa e RAT), 51.038.5613 (segurados e contribuintes individuais) e 51.038.5605 (Terceiros), quanto aos valores desconsiderados como distribuição de lucros e qualificados como remuneração, exclusivamente com relação aos diretores Wemer Alfred Gamperli, Paulo Kiyotaka Oshiro, Walter Dualibi e Francisco Otaviano Wilgenfritz. Vejo a escorreita ação da Fiscalização que procedeu dentro da legalidade ao desconsiderar a contabilidade para fins de distribuição de lucros, reconhecendo tais valores como remuneração a título de prólabore para os sócios da Recorrente. INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICA DE SEGURADO EMPREGADO Entretanto, vejo que a Fiscalização não poderia assim proceder somente com relação aos diretores Wemer Alfred Gamperli, Paulo Kiyotaka Oshiro, Walter Dualibi e Francisco Otaviano Wilgenfritz, isto porque estarseá utilizando dois peso e uma medida, Fl. 10530DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720433/201367 Acórdão n.º 2301004.269 S2C3T1 Fl. 10.522 19 considerando que os demais sócios foram considerados como segurados empregados, desconsiderando as peças dos autos, sobretudo o contrato social e as regras estatutárias da empresa Recorrente. Neste diapasão, vejo que a Fiscalização houve por bem desconsiderar a relação jurídica, parcialmente, ou seja, considerou os sócios gerentes e desconsiderou os demais sócios para se entender que estes últimos sócios (os que não estavam na administração) que constavam do contrato social da pessoa jurídica, ora Recorrente, seriam segurados empregados. E, neste sentido, ouso a não concordar com a Fiscalização e tão pouco com o decisum recorrido, merecendo reforma, dando provimento ao recurso para que os demais sócios também sejam considerados como tais e não como segurados empregados, como os considerou a Fiscalização e o decisum recorrido. Isto porque, os fatos geradores são de 2009 a 2011, quando já vigorava o art. 129 da Lei n. 11.196/2005, que enuncia expressamente, ‘in verbis’: Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil Vislumbro que o dispositivo legal acima coaduna plenamente ao presente caso, uma vez que a fiscalização desconsiderou a personalidade jurídica da Recorrente (parcialmente), de modo a separar os entes (pessoa jurídica e sócios – pessoas físicas), e, por conseguinte, sustentar que não seriam sócios daquele, mas, em verdade, empregados, existindo uma relação empregatícia. A partir da Lei n. 11.196/2005, conforme art. 129, este tipo de procedimento somente é possível, inclusive, para fins fiscais e previdenciários, em consonância com o art. 50 do Código Civil, o qual impõe a necessidade de autorização judicial, o que não ocorreu no presente caso. Aliás, para se evitar equívocos, não estamos diante de casos de “terceirização”, onde uma pessoa jurídica, de maneira simulada, contrata outra pessoa jurídica, que, na verdade, é meramente formal, constituindose de empregados daquela. Ora, aqui temos um caso onde se pretende desconsiderar a natureza de sócio cotista da própria Recorrente para se sustentar o vinculo empregatício. Tratase de situação onde se aplica claramente o art. 129 da Lei n. 11.196/2005, inexistindo possibilidade de afastá la. O art. 5°, LV, estabelece que “aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”. Tratamse, portanto, de princípios que não se aplicam exclusivamente ao processo judicial, mas também ao administrativo e, em particular, ao Processo Administrativo Tributário. Fl. 10531DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 20 O Processo Administrativo Tributário é um instrumento de que se vale o Estado para aperfeiçoar as exigências fiscais. As exações devem ser perfeitas, ou seja, devese exigir do sujeito passivo exatamente o que é devido, nada mais nem menos, em observância aos princípios da legalidade tributária e da responsabilidade fiscal. Partese da premissa de que os atos administrativos podem conter defeitos e que, portanto, deve haver um mecanismo de correção. Neste contexto, se entende que o interessado deve ser chamado a contribuir, assegurandoselhe o direito da manifestar sua inconformidade, caso disponha de informações capazes de compor uma antítese à tese da Administração. Daí porque, nos despachos decisórios que nãohomologam compensações e nos lançamentos de ofício – apenas para citar dois exemplos – o sujeito passivo não é simplesmente intimado a pagar, mas a pagar ou impugnar a exigência. Assegurar o contraditório consiste, portanto, em conduzir o processo de forma dialética, de tal sorte que o interessado tenha o direito de se manifestar sobre todas as teses e provas que a Administração trouxer aos autos. Dizer que o interessado tem direito à ampla defesa significa que ele pode defenderse livremente, sem qualquer limitação, salvo as que o próprio Direito impõe. A fixação de restrições ao direito de defesa justificase porque todo princípio está associado a um valor, e, como não existe valor absoluto, os princípios podem sofrer limitações em face de outros princípios e valores. Como é cediço, o processo não é um fim em si mesmo, mas um método, ou instrumento, para se alcançar determinado fim. Em abstrato, os requisitos formais estabelecidos para a prática dos atos existem como garantia de que o fim será atingido, embora, em concreto, tais exigências possam ter efeito justamente contrário, quando se perde de vista a instrumentalidade do processo, e as formas se degeneram em formalismo excessivo, deixando de ser garantia, para transformaremse em obstáculo à realização do direito material. Para evitar que se perca a visão do processo como instrumento e das formas como garantia, a LPA, no art. 2°, parágrafo único, incisos VIII e IX, prescreve que, no processo administrativo, serão observadas formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; e adotadas formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados. Quando o interessado opta por discutir a mesma questão pela via judicial, o interesse de agir na esfera administrativa desaparece, posto que a decisão administrativa perderá toda a utilidade que poderia ter para o interessado. A decisão administrativa, na parte em que for coincidente com a decisão judicial, será inútil, posto que desnecessária; e, na parte na que for conflitante, também não terá utilidade, uma vez que a decisão judicial, que julgar total ou parcialmente a lide, tem força de lei nos limites da lide e das questões decididas1. Segundo o art. 301, § 3°, do CPC, com redação dada pela Lei n° 5.925/1973, há coisa julgada, quando se repete ação que já foi decidida por sentença, de que não caiba recurso. 1 CPC, art. 468. Fl. 10532DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720433/201367 Acórdão n.º 2301004.269 S2C3T1 Fl. 10.523 21 Para Fredie Didier Jr., o entendimento majoritário da doutrina tradicional brasileira é o de que a coisa julgada representa a imutabilidade dos efeitos da decisão judicial. Integram esta corrente, entre outros, Liebman, Dinamarco e Ada Pellegrini 2. A obrigação tributária nasce com o fato gerador, 3logo, desde o momento em que um fato amoldase à hipótese de incidência, já existe também um credor (sujeito ativo), um devedor (sujeito passivo) e uma prestação (de pagar). Ocorre que esta obrigação, por ser prevista em lei de forma geral e abstrata, depende de uma apuração para que se determinem os seus elementos, possibilitandose, assim, o pagamento ou, em caso de inadimplência, o ajuizamento de uma execução fiscal. O lançamento, apesar do que sugere a interpretação literal do texto normativo, não constitui o crédito tributário porque este surge com o próprio fato gerador, visto que não há obrigação de pagar sem crédito. Assim, o lançamento tem como finalidade imediata fixar os elementos da obrigação, identificando o sujeito passivo e apurando, ou liquidando, o crédito tributário. A legislação que rege o Processo Administrativo Tributário prevê a sanção de nulidade apenas para atos inquinados por vício de competência (falta de requisito subjetivo) ou lavrados com preterição do direito de defesa. O vício subjetivo (incompetência) e o cerceamento do direito de defesa ensejam a decretação de nulidades, conforme art. 59 do PAT, in verbis: CAPÍTULO III Das Nulidades Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. As nulidades estabelecidas pelo art. 59 são absolutas, ou seja, os atos maculados por vício subjetivo ou proferidos com preterição do direito de defesa devem necessariamente ser invalidados, uma vez que seus defeitos são considerados insanáveis. O rigor da sanção se justifica, pois a competência do agente e a influência do autuado são as principais garantias para que o lançamento chegue à sua finalidade. Além disso, os direitos ao contraditório e à ampla defesa no processo administrativo são constitucionalmente garantidos. Em conformidade com o disposto no art. 142 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN) o auto de infração lavrado de acordo com o artigo anterior conterá, obrigatoriamente: I – a identificação do sujeito passivo; II – a matéria tributável, assim entendida a descrição dos fatos e a base de cálculo; 2 DIDIER JR, Fredie; BRAGA, Paula Sarno; OLIVEIRA, Rafael. Curso de Direito Processual Civil: Teoria da prova, direito probatório, teoria do precedente, decisão judicial, coisa julgada e antecipação dos efeitos da tutela. 4. ed. rev., ampl. e atual. Salvador: JusPODIVM, 2009, vol. 2, p. 413415. 3 CTN, art. 113, § 1o: “A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Fl. 10533DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 22 III – a norma legal infringida; IV – o montante do tributo ou contribuição; V – a penalidade aplicável; VI – o nome, o cargo, o número de matrícula e a assinatura do AFTN autuante; VII – o local, a data e a hora da lavratura; VIII – a intimação para o sujeito passivo pagar ou impugnar a exigência no prazo de trinta dias contado a partir da data da ciência do lançamento. Assim, quando o lançamento for lavrado em desconformidade com o estabelecido no art. 142 do CTN ou art. 10 do PAT, que dispõem sobre o conteúdo e a forma do ato, a decretação da nulidade é dever do julgador administrativo. Feita estas considerações, neste aspecto, vejo que há de ser reformar o lançamento e dando provimento ao Recurso Voluntário para reformar a decisão ora hostilizada e considerar insubsistente o lançamento quanto à exigência de contribuições previdenciárias descritas nos DEBCADs n. 51.008.9526 (empresa e RAT), 51.038.5613 (segurados e contribuintes individuais) e 51.038.5605 (Terceiros) com relação ao arbitramento dos lucros realizados a todos os sócios que constavam do contrato social à época dos fatos geradores. Juntamente à impossibilidade de desconsiderar a pessoa jurídica de maneira a tributar os sócios como se empregados fossem, diante do art. 129 da Lei n. 11.196/2005, também não constatamos a caracterização de vinculo empregatício entre a Recorrente e todos os seus sócios. Além disso, entendo que a Fiscalização não demonstrou a existência da relação jurídica de empresa e segurados empregados. Para melhor fundamentar o presente voto, peço licença para utilizar como razões de decidir os fundamentos apresentados pelo i. Presidente constante do Acórdão 2301004.222. Realmente, conforme informa e fundamenta o lançamento, no Relatório Fiscal (RF), a legislação permite e determina que o Fisco descaracterize vínculos previdenciários e os caracterize como segurado empregado, desde que as premissas que o configurem como tal estejam presentes e sejam demonstradas e provadas pela acusação da fiscalização. Decreto 3.048/1999: Art. 229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: ... § 2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. Fl. 10534DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720433/201367 Acórdão n.º 2301004.269 S2C3T1 Fl. 10.524 23 ... Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; Portanto e para tanto, o Fisco deve verificar, demonstrar e provar que o serviço era: 1. Prestado de forma pessoal; 2. Prestado por pessoa física; 3. Prestado na área urbana ou rural; 4. Prestado para empresa (conforme definição que consta na legislação previdenciária); 5. De natureza não eventual, em relação à atividade da empresa; 6. Prestado em regime de subordinação, ressaltese que a subordinação citada é a jurídica, pois até um contribuinte individual deve subordinação de data, local, horário, etc; 7. Oneroso, mediante remuneração; e 8. Prestado inclusive como diretor empregado. Assim, como demonstrado de forma sintética, acima, o trabalho de desconsiderar a relação jurídica pactuada é extremamente complexa, difícil, pois a acusação é obrigada a comprovar de forma individual, por segurado, ou por grupo de segurados que prestam serviço em idênticas condições – extensa lista de características. Em nosso entender, o Fisco não necessita comprovar os requisitos de segurado empregado, listados acima, a fim de desconsiderar o vínculo, quando o trabalhador presta serviço em período integral, oito horas, como empregado, com registro de emprego devidamente formalizado, em períodos idênticos. Esses requisitos já estão presentes no vínculo formalizado. Entendo o fundamento dos demais integrantes do colegiado, que divergiram do meu voto, de que as relações de serviço, principalmente na área de sistemas de informação, são distintas e que podem ocorrer, sim, tais situações, mas, por ora, não verifico como um segurado empregado, com registro devidamente formalizado, trabalhando em período idêntico e integral, oito horas, ocupando cargo de gerência e/ou direção, possa, ao mesmo tempo, prestar serviços por empresas em que é o único sócio e não ser considerado como segurado empregado. Fl. 10535DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 24 MÉDICOS QUE NÃO ESTÃO NA SOCIEDADE DA RECORRENTE Verificase nos autos que além de todos dos sócios/médicos há algumas pessoas físicas/médicos anestesiologistas que foram considerados como se empregados fossem da Recorrente por não se encontrarem inseridos no contrato social desta. Com fulcro no caput do art. 142 do Código Tributário Nacional, não olvidemos, compete ao Fisco o ônus da prova da relação jurídicatributária. ‘In verbis’: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.(GN) Deste modo, é dever a comprovação e descrição de todos os elementos essenciais à confirmação de que houve a ocorrência do fato gerador. Para este Julgador, vejo que a Fiscalização reconhece que os sócios da Recorrente, mais do que não receber distribuição de lucros, eram empregados desta. E, nesta linha de raciocínio e dentro desta perspectiva, dado o fato de que estamos diante de uma pessoa jurídica devidamente constituída e regular, demonstrar como isto de fato e de direito seria possível não é tarefa simples. Para analisar a questão dos médicos fora do estatuo, vejo, de inicio, que há uma grande dificuldade que a ação fiscal, da forma que foi realizada nos trouxe, pois, não existe qualquer demonstração nos autos, muito menos prova, de que a pessoa jurídica constituída é meramente formal. Ao contrário, pelo próprio relatório fiscal e documentação, é possível notar que esta foi regularmente constituída, exercendo de fato e de direito suas atividades, ou seja, não e trata de pessoa jurídica de papel. Então, diante da celeuma acima vem a primeira conclusão: se a pessoa jurídica resta devidamente constituída e sem qualquer indício que sua existência é simulada, não se pode ignorar o fato de que as pessoas físicas que constam do contrato social são sócios e não empregados. Embora já entenda que não seria possível, diante da evidente existência da pessoa jurídica, sem qualquer prova que a desabone, tributar sócios como empregados sem antes demonstrar a fragilidade da existência da própria pessoa jurídica (Recorrente), também não se identifica a comprovação dos requisitos para a configuração de vinculo empregatício dos sócios. E isto se faz necessário na dinâmica legislativa existente, eis que caberia ao Fisco descrever e comprovar a prestação de serviço de natureza urbana à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado (art.12, I, Lei n. 8.212/91), ‘in verbis’: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: Fl. 10536DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720433/201367 Acórdão n.º 2301004.269 S2C3T1 Fl. 10.525 25 a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; b) aquele que, contratado por empresa de trabalho temporário, definida em legislação específica, presta serviço para atender a necessidade transitória de substituição de pessoal regular e permanente ou a acréscimo extraordinário de serviços de outras empresas; c) o brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em sucursal ou agência de empresa nacional no exterior; d) aquele que presta serviço no Brasil a missão diplomática ou a repartição consular de carreira estrangeira e a órgãos a ela subordinados, ou a membros dessas missões e repartições, excluídos o não brasileiro sem residência permanente no Brasil e o brasileiro amparado pela legislação previdenciária do país da respectiva missão diplomática ou repartição consular; e) o brasileiro civil que trabalha para a União, no exterior, em organismos oficiais brasileiros ou internacionais dos quais o Brasil seja membro efetivo, ainda que lá domiciliado e contratado, salvo se segurado na forma da legislação vigente do país do domicílio; f) o brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em empresa domiciliada no exterior, cuja maioria do capital votante pertença a empresa brasileira de capital nacional; g) o servidor público ocupante de cargo em comissão, sem vínculo efetivo com a União, Autarquias, inclusive em regime especial, e Fundações Públicas Federais; (Incluída pela Lei nº 8.647, de 13 de Abril de 1993) h) (Execução suspensa pela Resolução SF nº 26, de 21 de Junho de 2005) i) o empregado de organismo oficial internacional ou estrangeiro em funcionamento no Brasil, salvo quando coberto por regime próprio de previdência social; (Incluída pela Lei nº 9.846, de 26 de Novembro de 1999) j) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social; (Incluído pela Lei nº 10.887, de 18 de Junho de 2004) A improcedência do lançamento quanto ao vinculo empregatício se dá pelo fato de que, como consta do próprio Relatório Fiscal, temse 72 sócios na Recorrente, não se constatando uma descrição exata e mediante provas a existência de vínculo empregatício da Recorrente com referidas pessoas físicas, devidamente constituídas como sócias. Fl. 10537DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 26 De mais a mais, lendo e relendo o Relatório Fiscal e os autos, não se identifica qualquer descrição pormenorizada de condutas e provas no sentido de quais seriam os sócios que, em verdade, teriam uma relação de vinculo empregatício com a Recorrente. Não existe qualquer descrição no sentido de comprovar a relação empregatícia de tais pessoas físicas, fato de fundamental importância e cujo ônus é totalmente do Fisco, conforme alhures dito. Ou seja, da forma que se encontra o Relatório Fiscal, por sua superficialidade, não se pode têlo como arrimo para configurar a relação de emprego. Mas, não é só, eis que o Estatuto que é mencionado no Relatório Fiscal, onde alega que a Recorrente estipula regras para os sócios quanto aos plantões, prêmios, licenças, férias, entre outros assuntos, ao contrário do que aduz a Fiscalização, ele não comprova nenhum vínculo empregatício, mas sim a gerência administrativa dos sócios, regulando a regras e normas da empresa. (Destaque que há assinatura dos sócios) Vejo que não é possível dizer que este estatuto leva à configuração de subordinação, pois ele foi aprovado para disciplinar a conduta de todos os sócios da Recorrente. Equivale dizer: todos estão sujeitos às regras estatutárias, não constando qualquer exceção deste ou daquele médico sócio. Tal regulamentação de regras, para adequar o ambiente de trabalho com relação aos plantões, consultas, disciplinares, administração e recebimento de uma forma geral se faz necessário, pois, não olvidemos, estamos tratando de uma sociedade com mais de 70 médicos e, para que seja possível a racional e adequada gestão da pessoa jurídica, é de fundamental importância que estabeleçam regras entre si. Uma sociedade, quando constituída, necessita que seus sócios visem um objetivo comum e isto somente será possível se existirem regras de convivência entre eles, permitindo atingir a finalidade da associação realizada. E foi desta forma que este julgador visualizou, ao contrário da Fiscalização, não vendo nenhuma subordinação. Destarte, entendemos que o estatuto descrito, mais do que essencial à sociedade, revela que todos estavam sujeitos a tais regras. Não há como se sustentar que o respeito ao estatuto elaborado e acordado pelos próprios sócios, aos quais se sujeitam por vontade própria e por serem cotistas da sociedade caracterizaria subordinação fática e jurídica a permitir o vinculo empregatício. Vale lembrar que todos os sócios possuem a mesma quantidade de cotas, tendo voto com peso igual na sociedade (v. contrato social), de tal modo que não se torna possível dizer que existiria até mesmo uma imposição unilateral do empregador para cumprimento de tais regras. Ao contrário, como já dito, são regras aprovadas pelos próprios sócios, cabendo a todos respeitálas. Se não houver concordância, basta a maioria alterar pelo voto tais regras, ou ainda se retirar da sociedade. E não é só isto. Na ação fiscal, ainda com relação à subordinação, é preciso ressaltar que não consta dos autos qualquer prova concreta de subordinação, sobretudo, a fim de se identificar quem, de fato, exercia a função de empregador e de empregado. Muito menos existe uma descrição pormenorizada quanto a cada um dos sócios a fim de se comprovar esta relação de subordinação. Fl. 10538DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720433/201367 Acórdão n.º 2301004.269 S2C3T1 Fl. 10.526 27 Em conjunto à ausência de subordinação, notamos que neste peculiar caso concreto todos os sócios prestam serviços em nome da recorrente para terceiros, inexistindo nos autos comprovação e descrição da conduta destes no sentido de que eram empregados e, por conseguinte, tinham uma prestação pessoal, vinculada e subordinada à Recorrente (pessoa jurídica empregadora). Não se identificam tais provas, muito menos se nota uma descrição a fim de se permitir a compreensão como era esta relação de vinculo empregatício entre os sócios (e quais deles) e a pessoa jurídica. Por outro lado, quanto ao caráter remuneratório, também não se revela claramente nos autos a descrição e comprovação de dependência remuneratória, eis que a prova exclusiva que a fiscalização se utiliza para sustentar o caráter remuneratório são as planilhas da própria Recorrente quanto à distribuição de lucros (já afastado e configurado como prólabore). E mais, no Relatório Fiscal aduz a Fiscalização que a contabilidade e os controles da Recorrente não são confiáveis, o que torna impossível utilizar tais planilhas como prova suficiente para se demonstrar o caráter oneroso e ou remuneratório. Com a ‘permissa venia’ necessária e imperiosa, vejo que na Recorrente houve um tamanho descontrole contábil e esvaecido conhecimento jurídico para administrála, eis que as planilhas demonstram claramente que os sócios queriam realizar distribuição de lucros, tendo em vista que os valores mensais eram totalmente variáveis, inexistindo nos autos qualquer elemento que nos leve a reconhecer a existência de salário. Portanto, não se nota no presente caso concreto uma descrição adequada e prova suficiente a fim de se comprovar uma relação de vinculo empregatício em relação aos sócios da Recorrente, não só aqueles que estavam no Estatuto, mas todos os médicos que receberam de uma só maneira. Trilhando pelo mesmo raciocínio, não identificamos uma descrição exata e provas no sentido de que as pessoas físicas dos Srs. Luiz Cesar Anzoategui Gleber Eduardo Machareth, Sirlei Paulo Queiroz, Edoson Tognini, José Tadachi Sugai, Ana Laura Janaina Borges, Beatriz Maciel Maegawa, Cunthia Dualibi, Larissa Falcão Gomes e Luis Felipe Ximenes Nogueira seriam empregados. Também improcede o lançamento em relação a tais pessoas físicas, pois, não sendo sócios devidamente registrados no contrato social, caberia a exigência de contribuições previdenciárias como autônomos e não empregados, dada a inexistência de vinculo. Em tais condições, face a peculiaridade do caso concreto e ausência de descrição, demonstração e provas suficientes do vinculo empregatício, improcede o lançamento por violação ao art. 142 do Código Tributário Nacional. Aliás, neste sentido decisão da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1991 a 30/04/1998 NORMAS PROCEDIMENTAIS. DESCONSIDERAÇÃO PERSONALIDADE JURÍDICA E CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. PRESSUPOSTOS BÁSICOS. Somente nas hipóteses em que restar constatada a efetiva existência dos elementos constituintes Fl. 10539DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 28 da relação empregatícia entre o suposto "tomador de serviços" e os "prestadores de serviços", poderá o Auditor Fiscal caracterizar o contribuinte individual (autônomo) como segurado empregado, ou mesmo promover a desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, com fulcro no artigo 229, § 2°, do Regulamento da Previdência SocialRPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES E/OU INCORREÇÕES NA DESCRIÇÃO DO FATO GERADOR DO TRIBUTO. VÍCIO DE NATUREZA MATERIAL. NÃO APLICABILIDADE TESE DA AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar de forma clara e precisa todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, indicando precisamente o fato gerador do tributo, o sujeito passivo, a base de cálculo e a matéria tributável, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório. Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios de apuração do crédito tributário levados a efeito por ocasião do lançamento fiscal, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a nulidade material da autuação/notificação, mormente tratandose de desconsideração de personalidade jurídica e caracterização de segurados empregados, onde os requisitos do vínculo empregatício devem restar circunstanciadamente comprovados. O vício de natureza material constatado no lançamento enseja de pronto a nulidade do feito, não atraindo para si a tese da inexistência de prejuízo, tendo em vista que a ausência da descrição do fato gerador ou qualquer elemento necessário à validade do ato administrativo prescrito no artigo 142 do CTN, representa, por si só, evidente cerceamento à ampla defesa e contraditório do contribuinte, por impossibilitar a compreensão do lhe está sendo imputado. Recurso especial negado.” (CARF, CSRF, Ac. 9202002.966). Desta forma, assiste razão a Recorrente, devendo ser excluídos do lançamentos existentes com relação aos médicos que na apareceram no estatuto, eis que os tenho como sócios, pois ao que indica, tinham o mesmo tratamento dos demais, sobretudo quanto a forma de receber, ou seja, variável. TERCEIROS Com relação aos terceiros, ou seja, aqueles que não se enquadram no perfil de sócios, ou seja, com relação aos terceiros como reflexo da exigência de contribuições previdenciárias pelo arbitramento como remuneração dos diretores, já que não configurariam distribuição de lucros e ou prólabore, fica mantido o lançamento, já que as alegações do recorrente são exclusivamente de natureza constitucional. JUROS Do mesmo modo, nego provimento ao recurso em relação aos juros, diante da alegação ligada à inconstitucionalidade, eis que nesta Corte não há competência para tratar de constitucionalidade e ou ilegalidade, conforme Súmula CARF n° 2: Fl. 10540DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720433/201367 Acórdão n.º 2301004.269 S2C3T1 Fl. 10.527 29 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA QUALIFICADA No que tange à majoração da multa de ofício para 150%, depreendese do Relatório Fiscal que houve majoração pelo simples fato de ter havido o indeferimento da liminar pleiteada no Mandado de Segurança impetrado pela recorrente. Vejamos o dispositivo legal que trata da multa aplicada: Artigo 44 da Lei nº 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) Este artigo trata, portanto, da imputação de penalidades pelo lançamento de ofício, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo, ou contribuições. Destacouse a denominada multa de ofício (75% ou 150%). Essas multas são aplicáveis em procedimento de fiscalização, quando se apure a insuficiência, ou o não recolhimento, de tributos e contribuições por parte do sujeito passivo da obrigação tributária. Portanto, correta a postura adotada pela autoridade fiscal no sentido de que o lançamento estava sujeito à multa de ofício (75% ou 150%). Especificamente quanto à qualificação da multa em 150%, cumpre ressaltar que há necessidade da demonstração da presença do elemento subjetivo. Fl. 10541DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 30 Observase que a aplicação da multa isolada é condicionada a comprovação de falsidade na declaração prestada pelo contribuinte. Na situação sob análise, a fiscalização fundamenta a aplicação da seguinte forma: 24.2 APLICAÇÃO DE MULTA QUALIFICADA 24.2.1 Como restou caracterizado e demonstrado pelo farto conjunto de documentos probatórios exposto ao longo deste relatório, houve evidente intuito do contribuinte em sonegar as contribuições ora lançadas e em fraudar a Administração Tributária Federal com o fito específico de reduzir os custos tributários. 24.2.2 Assim, restou configurada a hipótese prevista no §1º do artigo 44 da Lei 9.430/96, acarretando aplicação de multa qualificada de 150%, incidente sobre as contribuições ora lançadas. Para que restasse caracterizada a falsidade/sonegação mencionada no § 10 do art. 89, entendo que deveria ser comprovada o dolo, conceituada no art. 72 da Lei n.º 4.502/1964, verbis: Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Há muito tempo o CARF já possui entendimento de que a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Diante do exposto, entendo que deva ser afastada a multa isolada, por falta de caracterização de conduta fraudulenta. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, CONHEÇO DO RECURSO VOLUNTÁRIO interposto, para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para: (i) manter os DEBCADs n. 51.008.9526 (empresa e RAT), 51.038.5613 (segurados e contribuintes individuais) e 51.038.5605 (Terceiros), quanto aos valores desconsiderados como distribuição de lucros e qualificados como remuneração, exclusivamente com Fl. 10542DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720433/201367 Acórdão n.º 2301004.269 S2C3T1 Fl. 10.528 31 relação aos diretores Wemer Alfred Gamperli, Paulo Kiyotaka Oshiro, Walter Dualibi e Francisco Otaviano Wilgenfritz; devendo ser excluídos dos demais sócios, tidos por segurados empregados; (ii) afastar o DEBCAD n. 51.038.5591, haja vista a ausência de elementos para desconsiderar a relação jurídica da Recorrente e tributar os sócios, inclusive aqueles fora do contrato social, como segurado empregado; (iii) afastar o DEBCAD n. 51.038.5575; e (iv) excluir a multa isolada, por não ter sido demonstrado o elemento subjetivo do tipo. É como Voto. (assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Relator Fl. 10543DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10730.909680/2011-07
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 12/11/2004
LUCRO PRESUMIDO. REGIME CUMULATIVO. ALÍQUOTA DE 3%.
As pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido sujeitam-se à tributação da Cofins no regime cumulativo, por força do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, à alíquota básica de 3%, prevista no art. 8º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PROVA. MOMENTO.
No julgamento de segunda instância administrativa, devem ser apreciados e aceitos como prova do direito de crédito utilizado em declaração de compensação não homologada, documentos fiscais e contábeis apresentados no recurso voluntário, quando apenas na decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o despacho decisório eletrônico, fica claro que a não-apresentação destes documentos é a razão para o indeferimento do pedido de crédito e a não-homologação da declaração de compensação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-004.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201409
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 12/11/2004 LUCRO PRESUMIDO. REGIME CUMULATIVO. ALÍQUOTA DE 3%. As pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido sujeitam-se à tributação da Cofins no regime cumulativo, por força do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, à alíquota básica de 3%, prevista no art. 8º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PROVA. MOMENTO. No julgamento de segunda instância administrativa, devem ser apreciados e aceitos como prova do direito de crédito utilizado em declaração de compensação não homologada, documentos fiscais e contábeis apresentados no recurso voluntário, quando apenas na decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o despacho decisório eletrônico, fica claro que a não-apresentação destes documentos é a razão para o indeferimento do pedido de crédito e a não-homologação da declaração de compensação. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10730.909680/2011-07
anomes_publicacao_s : 201501
conteudo_id_s : 5414466
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 13 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3801-004.349
nome_arquivo_s : Decisao_10730909680201107.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : PAULO SERGIO CELANI
nome_arquivo_pdf_s : 10730909680201107_5414466.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
id : 5778779
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:34:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047478303981568
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2067; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10730.909680/201107 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801004.349 – 1ª Turma Especial Sessão de 18 de setembro de 2014 Matéria DCOMP ELETRONICO PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO Recorrente SUCESI REPRESENTACOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 12/11/2004 LUCRO PRESUMIDO. REGIME CUMULATIVO. ALÍQUOTA DE 3%. As pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido sujeitamse à tributação da Cofins no regime cumulativo, por força do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, à alíquota básica de 3%, prevista no art. 8º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PROVA. MOMENTO. No julgamento de segunda instância administrativa, devem ser apreciados e aceitos como prova do direito de crédito utilizado em declaração de compensação não homologada, documentos fiscais e contábeis apresentados no recurso voluntário, quando apenas na decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o despacho decisório eletrônico, fica claro que a nãoapresentação destes documentos é a razão para o indeferimento do pedido de crédito e a nãohomologação da declaração de compensação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 90 96 80 /2 01 1- 07 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.909680/201107 Acórdão n.º 3801004.349 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Conforme relatório do acórdão recorrido, tratase o presente processo de apreciação de compensação declarada em PER/DCOMP, de crédito referente a valor da Cofins que teria sido recolhido a maior com débito trituário da contribuinte. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem, por meio de despacho decisório eletrônico, não reconheceu ou reconhecer parcialmente o direito de crédito pleiteado, sob o fundamento de que o pagamento foi total ou parcialmente utilizado para quitar débito declarado em DCTF. Cientificada do despacho eletrônico, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega que, no exercício de 2004 e parte de 2005, a empresa pagou indevidamente a COFINS com base na alíquota de 7,4% quando deveria ser de 3%, porque enquadravase no regime cumulativo. Demonstrou, para o período de apuração que ensejou o pagamento indevido ou a maior, o erro no cálculo, como apurou o valor a que teria direito e como apropriou este valor na compensação de débito para com a Fazenda Nacional. Afirma que a Secretaria da Receita Federal do Brasil –RFB estaria cometendo um equívoco, ao alegar que o crédito já foi utilizado em quitação de débitos da empresa. A Delegacia da Receita Federal do Julgamento em Ribeirão PretoDRJ/RPO julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme ementa a seguir: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: (...) MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os Fl. 55DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.909680/201107 Acórdão n.º 3801004.349 S3TE01 Fl. 4 3 dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega.” Após, foi apresentado recurso voluntário, no qual a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para ser julgado por esta turma especial. A recorrente afirma que apesar de estar submetida à tributação do IRPJ com base no lucro presumido, o que implicaria ter que recolher a Cofins à alíquota de 3% sob o regime cumulativo, equivocadamente calculou a contribuição aplicando alíquota maior. Após ter verificado o erro, procedeu à compensação dos valores que entendeu ter recolhido a maior com débitos perante a Fazenda Nacional de Cofins, contribuição para o PIS/Pasep, IRPJ e CSLL. São vários os processos em julgamento nesta Turma Especial. Nos processos em que a recorrente compensou os supostos créditos com IRPJ e CSLL, as Declarações de Compensação evidenciam que a recorrente se enquadrava no lucro presumido, o que ensejaria a tributação da Cofins no regime cumulativo, por força do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, à alíquota básica de 3%, prevista no art. 8º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998. Cito: “Art. 10 . Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: ( Vide Medida Provisória nº 252, de 15/06/2005 ). I as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6º, 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, e na Lei nº 7.102, de 20 de junho de 1983; II as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; III as pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES; IV as pessoas jurídicas imunes a impostos; V os órgãos públicos, as autarquias e fundações públicas federais, estaduais e municipais, e as fundações cuja criação tenha sido autorizada por lei, referidas no art. 61 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição; (...)” Fl. 56DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.909680/201107 Acórdão n.º 3801004.349 S3TE01 Fl. 5 4 A decisão da Delegacia da Receita Federal de origem, por meio de despacho eletrônico, pela nãohomologação da compensação declarada baseouse na nãocomprovação da existência de crédito disponível. A decisão da Delegacia da Receita Federal do Julgamento que manteve o despacho decisório fundamentouse na nãoapresentação de comprovantes fiscais e contábeis, em especial notas fiscais e livros fiscais e contábeis, relativos ao crédito pleiteado por meio de despacho eletrônico, constando do voto do acórdão recorrido que a contribuinte limitouse a afirmar que efetuou pagamento indevido, sem demonstrar contabilmente como teria apurado o novo valor do tributo devido. Compulsando os autos, constato que a empresa apresentou, antes do julgamento de primeira instância administrativa, planilha com demonstrativo de pagamentos a maior, informando para o período de apuração o faturamento, o valor pago, o valor devido e o valor pago a maior; cópia de nota fiscal de serviços; e cópia de comprovante de recolhimento. Em julgamentos anteriores de casos semelhantes, votei por negar provimento ao recurso voluntário, na falta de comprovação plena da certeza e liquidez do crédito pleiteado, porém, após ficar vencido sozinho em todos eles, considerando o princípio do colegiado, adoto a posição majoritária da turma, nos casos de despacho eletrônico em que a contribuinte apresenta na fase recursal documentos e demonstrativos que indiquem possuir bom direito, para aplicar o princípio da verdade material e da vedação ao enriquecimento sem causa para mitigar em parte a exigência de plena comprovação na manifestação de inconformidade ou mesmo no recurso voluntário da liquidez do crédito, limitandome a tratar da existência do direito de crédito e ressalvando à Secretaria da Receita Federal do Brasil o poder/dever de verificar na escrita fiscal e contábil da interessada sua liquidez. Esclareço que esta postura leva em consideração que a retificação da DCTF não é condição para o deferimento do pedido de crédito ou para a homologação da compensação declarada e que a ausência nos autos dos livros contábeis e fiscais, quando apresentados os documentos fiscais e demonstrativos dos cálculos do tributo recolhido a maior ou indevidamente e do tributo devido, pode ser suprida, no momento da execução da decisão administrativa, por meio de diligência fiscal ou intimação fiscal para apresentação dos livros pela contribuinte. No presente caso, em que a decisão administrativa se concretizou por meio de despacho eletrônico sem qualquer intimação para que a interessada prestasse informações ou apresentasse provas necessárias à análise do pleito, a Lei nº 9.784, de 29/01/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, ampara o entendimento segundo o qual a administração tributária poderia. Cito: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. (...) Fl. 57DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.909680/201107 Acórdão n.º 3801004.349 S3TE01 Fl. 6 5 Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. A mesma lei estabelece que nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer, com base nas notas fiscais e demonstrativos acostados aos autos, o direito de crédito referente à diferença entre a Cofins efetivamente paga e a devida pela tributação cumulativa à alíquota de 3%, e homologar a compensação declarada até o limite do crédito disponível, ressalvando que a Delegacia da Receita Federal do Brasil deverá apurar a liquidez do crédito com base nos livros fiscais e contábeis da contribuinte. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10280.721982/2009-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
INTEMPESTIVIDADE.
Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1401-001.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, em face da intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Maurício Pereira Faro e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10280.721982/2009-78
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5427074
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1401-001.348
nome_arquivo_s : Decisao_10280721982200978.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ANTONIO BEZERRA NETO
nome_arquivo_pdf_s : 10280721982200978_5427074.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, em face da intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Maurício Pereira Faro e Jorge Celso Freire da Silva.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
id : 5817320
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047478378430464
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1665; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 1.306 1 1.305 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.721982/200978 Recurso nº 99.999 Voluntário Acórdão nº 1401001.348 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de novembro de 2014 Matéria IRPJ/CSLL/IRRF Recorrente ELITE SERVIÇOS DE SEGURANÇA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, em face da intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Maurício Pereira Faro e Jorge Celso Freire da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 19 82 /2 00 9- 78 Fl. 1306DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10280.721982/200978 Acórdão n.º 1401001.348 S1C4T1 Fl. 1.307 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 0126.397, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em BelémPA. Relatório I DO LANÇAMENTO Tratase de auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, e da Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido, referente ao anocalendário de 2004, com os lançamentos discriminados no quadro 1 a seguir (principal, multa e juros, calculados até 05.2009) TRIBUTO IMPOSTO RS JUROS DE MORA RS MULTA RS TOTAL RS IRPJ 412.693,70 238.825,84 464.280,41 1.115.799,95 CSLL 157.209,73 90.977,27 176.860,94 425.047,94 TOTAL 1.540.847,89 A impugnante tomou ciência do auto de Infração em 03/07/09(fls. 877). II DAS INFRAÇÕES LANÇADAS 2. A Empresa foi autuada pelas seguintes infrações à legislação tributária, a saber: 001 CUSTOS E DESPESAS NÃO COMPROVADAS GLOSA DE DESPESAS 1.1 PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS Os valores que constam na planilha anexada ao termo de início e para os quais a empresa não comprovou documentalmente os destinatários das importâncias são considerados fatos geradores do tributo fiscalizado, configurandose, nos termos da legislação vigente, montantes pagos, devidos ou creditados a beneficiários não identificados, de acordo com art. 674 do RIR99. . a empresa não justifica de forma alguma as despesas para as quais foi intimada, sendo inadmissível aceitar como comprovados os destinatários dos registros verificados na contabilidade. Dessa forma, os valores elencados e para os quais não houve justificativa que elida a presunção de valores pagos a beneficiário não identificados, são fatos geradores dos tributos fiscalizados, ao mesmo tempo as despesas são glosadas na apuração do lucro líquido do exercício, haja vista tratarse de empresa tributada sobre o lucro real e esses valores são artifícios utilizados para reduzir o lucro do exercício a que se refere este auto de infração, ano calendário 2004. Os valores que constam na planilha anexada a este auto de infração são considerados não dedutíveis, a luz do Art 304 do RIR99. Fl. 1307DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10280.721982/200978 Acórdão n.º 1401001.348 S1C4T1 Fl. 1.308 3 1.3 DO AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO A penalidade aplicada foi agravada pela falta de apresentação de documentos solicitados pela fiscalização, nos termo de Lei 9430/96, resultando em multa de ofício de 112,5%. III DA IMPUGNAÇÃO 3 Em 31/07/2009, a Empresa apresentou impugnação ao Auto de infração (fls. 1.218), e alega em síntese: 1 DAS PRELIMINARES 1.1 NULIDADE CERCEAMENTO DE DEFESA DEVIDO PROCESSO LEGAL Inicialmente a Impugnada alega ser frágil a presunção, para se chegar a ilação no sentido de que existiram omissões de receitas. Posteriormente, tece um estudo doutrinário acerca dos princípios constitucionais do devido processo legal, e da ampla defesa, citando grandes autores renomados da área. E conclui: No presente caso, há cerceamento de defesa da impugnante, com conseqüente violação ao devido processo legal administrativo, uma vez que o auto de infração foi lavrado com fundamento em depósitos bancários. Ocorre, no entanto, que não houve juntamente com ò auto de infração e termo de verificação fiscal, a apresentação de uma planilha com as contas correntes e os depósitos bancários um a um que foram utilizados como omissão de receitas e aplicada a presunção. Não houve o encaminhamento desta descrição, razão pela qual há cerceamento ao pleno exercício do direito de defesa da impugnante. Sem a explicitação de todos os elementos que serviram de fundamento, em especial, a demonstração, um a um, do porquê glosou as despesas e, principalmente, a ausência de comprovação, impossível se torna a efetiva defesa.(grifamos). 1.2 DA DECADÊNCIA Com fundamento no § 4° do art. 150 do CTN a impugnante alega: No caso em tela, o período entre janeiro e junho de 2004 foi atingido pela decadência, vez que a autuação somente foi deflagrada em 03 de julho de 2009; ou seja, após ter fluído mais de cinco anos da ocorrência dos fatos geradores, sendo certo ainda que as contribuições previdenciárias estão sujeitas a modalidade de lançamento por homologação. Fl. 1308DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10280.721982/200978 Acórdão n.º 1401001.348 S1C4T1 Fl. 1.309 4 2 DO MÉRITO ELEMENTOS DE PROVA Nulidade do arbitramento das bases de cálculo Além de não ter observado o devido processo legal e o princípio da razoabilidade, é certo também que a autuação e, principalmente, o relatório fiscal padece de evidente contradição, o que provoca a nulidade do auto de infração. Observe, Emérito Julgador, que a prova colhida dos autos é emprestada da lavratura de autos de infração para apuração de contribuições previdenciárias, sendo que consta da conclusão do Sr. Auditor Fiscal naqueles a autos. Analisandose esse trecho, a contradição mencionada resta evidente, pois , utilizamse os valores escriturados pela Impugnante para aferição, indireta das bases de cálculo das contribuições previdenciárias, mas logo após afirmase que a contabilidade não possui credibilidade e deve ser desconsiderada. Desse modo, a nulidade do presente auto de infração é notória, de forma que merece ser reconhecida, mesmo porque, a presunção, em matéria tributária não é um campo aberto sem qualquer tipo de limitação. Devem existir critérios legais, válidos e coerentes para estipulação da base de cálculo, sob pena de violação ao princípio da estrita legalidade e da tipicidade cerrada. No caso em tela, a aferição indireta que serviu de suporte para a presente autuação não está pautada em critério válido, vez que, como já afirmado, a fiscalização desconsiderou 'a contabilidade da empresa, e, ao mesmo tempo, utilizou dos dados escriturados nos Livros Diário e Razão para arbitrar as bases de cálculo. (grifamos). Nulidade do arbitramento das despesas Conforme exaustivamente debatido nos autos, inclusive quando, da fiscalização, a impugnante procurou demonstrar de todas as formas que os valores identificados às fls. do auto de infração, são despesas justificáveis, sendo, via de conseqüência, inaplicáveis as glosas efetuadas. Isto porque, basta uma análise perfunctória dos documentos anexados às fls, 0378 e seguintes que acompanham o auto de infração (novamente anexadas) para se confirmar que grande parte dos valores apontados pela fiscalização foram perfeitamente identificados ou são identificáveis. Somase a isso o fato de que a impugnante forneceu inclusive o número e a identificação dos cheques para que a autoridade administrativa (agente fiscal) pudesse fazer o seu trabalho, nos exatos limites do artigo 142 do CTN. Aliás, em momento algum o D. Agente Fiscal questiona a efetiva existência das despesas, limitandose a questionar a forma como as mesmas foram comprovadas. O que se quer dizer com isso é que, uma vez analisada a contabilidade da empresa (livros diário e razão) e identificados os pagamentos a beneficiários diversos, com os respectivos comprovantes de pagamentos, frisase novamente anexados aos autos (fls. 378 e seguintes), caberia ao agente fiscal diligenciar, mediante a expedição de ofício ao BACEN, acesso à movimentação bancária, etc, Fl. 1309DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10280.721982/200978 Acórdão n.º 1401001.348 S1C4T1 Fl. 1.310 5 para fins de comprovar que todos os lançamentos contáveis são imprestáveis. (grifamos) Já assertiva possui maior valor se considerarmos que a"postura do agente fiscal foi feita através da contabilidade da própria empresa, ou seja, a contabilidade serviu de parâmetro para malsinada autuação, não sendo a mesma desconsiderada. Finalmente, para sepultar a pretensão fiscal, a exigência contida [no auto de infração somente teria validade se: i) houvesse a comprovação da efetiva entrega dós recursos aos citados beneficiários não identificados e; ii) a efetiva comprovação de que hão houve a operação que motivou o pagamento. PRIMEIRO: AS NOTAS FISCAIS, RECIBOS, NÚMEROS. DE CHEQUES, E DEMAIS DOCUMENTOS COMPROVAM A LEGITIMIDADE DAS OPERAÇÕES REALIZADAS PELA EMPRESA E, EM DECORRÊNCIA DESSE FATO D. AGENTE FISCAL QUEDOUSE INERTE EM COMPROVAR A ENTREGA DOS RECURSOS AOS SUPOSTOS BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. Mais que isso, quando do lançamento tributário, era ônus da fiscalização elencar todos os elementos de prova aptos a demonstrar a ocorrência do fato gerador, nos exatos termos do artigo 142 do CTN. Conceito constitucional de renda e lucro. A glosa de despesas Portanto, somente ocorrerá o fato gerador do Imposto sobre a renda quando houver um plus ao patrimônio daquele que está a receber a renda ou os proventos de qualquer natureza. 'Assim, toda a despesa deve ser abatida para cômputo da renda e do lucro, sob pena desacordo com o disposto no artigo 153, inciso III, da Constituição Federal, bem como com o disposto rio artigo 43 do Código Tributário Nacional. Em tais condições, forçosa a insubsistência do auto de infração lavrado, sendo, de conseguinte, nula a autuação, por ofensa ao artigo 153, inciso III, 195,1, "c", da Constituição Federal, bem como ao artigo 43 do Código Tributário Nacional. Da Presunção de Omissão de Receitas, ônus da prova. O auto de infração impugnado, em verdade, encontra fundamento em mera, presunção, eis que, utilizase de indício de que inexistem comprovações, quando em verdade tudo foi devidamente escriturado pela legislação vigente, tendose, ainda, respaldo em documentação idônea, apresentada na presente fiscalização, bem como naquela de contribuições previdenciárias, amplamente citada no relatório fiscal. Ocorre, porém, que, no presente caso, a autoridade administrativa lavrou auto de infração tendo, exclusivamente, por supedáneo, a mera presunção, sem demonstrar, cabalmente, como era de sua competência, os elementos que compõem o fato jurídico tributário. Destarte, não basta a simples presunção levantada pela autoridade administrativa de que houve omissão de receitas, com base em análise perfunctória de extratos bancários. (grifamos) Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10280.721982/200978 Acórdão n.º 1401001.348 S1C4T1 Fl. 1.311 6 É preciso que a fiscalização apresente ELEMENTOS COMPROBATÓRIOS SEGUROS da suposta omissão de receitas, o que não foi feito. Estamos, indubitavelmente, diante de um caso em que as autoridades fiscalizadoras buscaram recurso na presunção para fundamentar a autuação imposta à Impugnante, que é arbitrário, inadmissível e ilegal. (grifamos) Comprovação das despesas Ao contrário, do exposto no relatório fiscal, desde a fiscalização de contribuições previdenciárias, eis que os valores foram devidamente escriturados e comprovados. Sem embargo disso, para demonstrar que o equivoco na glosa das despesas dedutíveis de IRPJ e CSII, a Impugnante junta à presente impugnação vários documentos, a saber: a) contratos firmados com clientes e notas fiscais emitidas, para acobertar as respectivas prestações de serviço; b) notas fiscais e recibos demonstrando a realização de despesas para o _ exercício das atividades empresariais. De fato, esses documentos comprovem amplamente que a alegada ausência de demonstração de despesas realizada pelo Fisco não procede. Isso porque a escrituração lançada na contabilidade está amparada em documentos fiscais idôneos (notas e recibos), de forma que, se não fosse concedido uni prazo muito exíguo para apresentação dos mesmos, é certo que a autuação nem teria sido levada a efeito. Como ficou demonstrada a origem das despesas lançadas na contabilidade mediante a juntada dos inclusos documentos, fica afastada a presunção iurís tantum do Fisco de que inexistem comprovações, cabendo a este o ônus de afastar uma a uma as documentações apresentadas e escrituradas, sob pena de se reconhecer a improcedência do lançamento. Em tais condições, è de se cancelar o Auto de Infração porque os inclusos documentos demonstram as despesas indicadas pelo Fisco (total ou parcialmente), impondo, assim, o afastamento da glosa realizada. 3 DOS JUROS SELIC APLICADOS os juros moratórios constantes do auto de infração também possuem caráter de indenização, tendo por pressuposto amora, ou seja, agem como complemento indenizatório da obrigação principal, destinandose a apenar a mora. a sua adoção como supostos juros "moratórios" (sic) é expediente ilegal e inconstitucional, pois desnatura por completo o pressuposto e à finalidade desta espécie de juros; a TAXA SELIC, da forma como existente e calculada hoje, não guarda qualquer correlação lógica com a recomposição do patrimônio lesado, pela falta do tributo não pago, como se busca nos juros moratórios.(grifamos) 4 DAS MULTAS APLICADAS DA RAZOABILIDADE DA PROPORCIONALIDADE DO CONFISCO. Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10280.721982/200978 Acórdão n.º 1401001.348 S1C4T1 Fl. 1.312 7 Por outra banda, as multas aplicadas, no auto de infração, ofendem aos princípios da razoabilidade ou proporcionalidade (art. 5°, inciso LIV) e da proibição do confisco (àrt. 150, inciso IV), previstos na Constituição Federal.(grifamos). Isto porque, o valor da multa de 112% é de evidente irrazoabilidade e confisco. Ao menos, há de se reduzir a multa de 112,5% para 75%, uma vez que não se justifica a aplicação de multa qualificada por força de eventual glosa das despesas contabilizadas. Em momento algum há de se entender que o simples fato de não se conseguir comprovar parte das despesas é fraude capaz de conduzir a multa superior ao percentual de 75%. Por outro lado, não houve qualquer descrição no relatório fiscal do imposto sobre a renda e da contribuição social sobre o lucro da conduta realizada pela impugnante que seria dolosa e tipificaria alguns dos tipos previstos na Lei n. 4.502/62. bem como no Art 44 da Lei n. 9.430/96. O relatório fiscal somente cita o trecho dá lei, sem justificar claramente o comportamento causador da majoração da multa. (grifamos) 5 DO PEDIDO Em face do exposto, requer seja acolhida a presente Impugnação, especialmente, julgando improcedente o lançamento tributário, tendo em vista qual insubsistência, como medida de legalidade. Acaso não se acolha o entendimento pela impossibilidade de presunção, pelo princípio da verdade material, requer a baixa dos autos para diligência. Informa, finalmente que o instrumento procuratório já fora juntado quando do procedimento fiscalizatório. 6 DAS DECISÕES ADMINITRATIVAS E JUDICIÁRIAS MENCIONADAS Para consubstanciar as suas argumentações a Impugnante mencionou julgados administrativos e judiciais. 7 DAS DOCUMENTAÇÕES ANEXADAS À IMPUGNAÇÃO Cópias de cheques; Recibos de aluguel; Notas de restaurantes; Cupons Fiscais; Notas Fiscais de supermercados; Notas Fiscais de prestação de serviços Hotel; Notas Fiscais de Auto peças; Recibos diversos; Tikets de passagens; Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10280.721982/200978 Acórdão n.º 1401001.348 S1C4T1 Fl. 1.313 8 Conhecimentos de fretes; Recibos de Recisão de Contratos; Recibos de pagamentos de custas judiciais; Recibos de pagamentos de patrocínios à atleta; Notas fiscais de Materiais elétricos; Alterações Contratuais. É o relatório. É o relatório. A DRJ MANTEVE os lançamentos, nos termos das ementas abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais, com efeito inter partes, não podem ser aplicadas a outros casos. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos lançamentos por homologação, havendo pagamento antecipado do imposto, ou da contribuição, e ausentes o dolo, fraude ou simulação, realizase a contagem do prazo decadencial pelo disposto no §4° do art. 150 do CTN. De outra forma, aplicase a regra ordinária da decadência estampada no art. 173, inciso I, do CTN. ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. Apresentada a pretensão fiscal munida de provas, cumpre ao contribuinte indicar fatos que desconstitua o lançamento mediante elementos que militem em seu favor. Deve o interessado contestar a autuação com meios de prova eficazes, apresentando fatos impeditivos, modificativos ou extintivos em relação ao crédito tributário. AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10280.721982/200978 Acórdão n.º 1401001.348 S1C4T1 Fl. 1.314 9 Na cabe a marajora da multa de ofício, quando a Auditoria não comprova os pressupostos do § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430/96, para sua efetivação. JUROS. TAXA SELIC. Tendo a cobrança dos juros de mora com base na Taxa SELIC previsão legal, não compete aos órgãos julgadores administrativos apreciar arguição de sua ilegalidade/inconstitucionalidade. DILIGÊNCIA. NÃO COMPROVAÇÃO DA NECESSIDADE. INDEFERIMENTO. A diligência pleiteada pela defendente deve ser indeferida quando a análise das matérias controvertidas prescinde de produção de provas além das constantes dos autos. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Aplicase às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF de fls. 1.252 a 1.300. É o relatório. Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10280.721982/200978 Acórdão n.º 1401001.348 S1C4T1 Fl. 1.315 10 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Verifico, preliminarmente, que o Recurso foi interposto fora do prazo de trintas dias, contados a partir da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. É de se ver. Conforme atesta o Aviso de Recebimento de fl. 1.250 referente à Intimação de fls.1.227 como consignado expressamente nele , a ciência ocorreu em 01/07/2013 e o Recurso somente foi protocolizado em 08/08/2013, conforme o carimbo de protocolo às fls. 1552, superando em oito dias o prazo regulamentar de 30(trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Outrossim, a recorrente não traz em seu recurso nenhum argumento para infirmar a conclusão acima. Pelo exposto, voto no sentido NÃO CONHECER do recurso, face à intempestividade. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 35301.001201/2007-07
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2000 a 31/08/2005
DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DE DISPOSITIVO LEGAL JULGADO INCONSTITUCIONAL E OBJETO DE SÚMULA DO STF. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. RECURSO POR CONTRARIEDADE À LEI.
Em sede de Recurso Especial por Contrariedade à Lei, é cabível o reconhecimento de decadência, ainda que tal matéria não seja objeto do apelo, desde que não se opere reformatio in pejus. Constatado o pagamento antecipado, nos termos da Súmula CARF nº 99, de 09/12/2013, aplica-se o art. 150, § 4º, do CTN.
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (SC). PARTICIPAÇÃO DOS TRABALHADORES NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA (PLR). REGRAS CLARAS E OBJETIVAS, EXISTÊNCIA. NÃO INCIDÊNCIA.
Segundo determinação da Lei 8.212/1991, j, § 9º, Art. 28, não integrará o SC a PLR, quando paga ou creditada de acordo com lei específica, que é a Lei 10.101/2000.
Conforme determina a Lei 10.101/2000, em seu art. 2º, a PLR será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados e dos instrumentos decorrentes dessa negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I - índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e II - programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente.
No presente caso, com a acusação fiscal, as provas e argumentos do sujeito passivo e as determinações legais, verificamos a existência de regras claras e objetivas, motivo da manutenção da decisão a quo e da, conseqüente, negativa de provimento do recurso de contrariedade da nobre PGFN.
Numero da decisão: 9202-003.258
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência de janeiro/2000 a junho/2001. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Relatora) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira. Fez sustentação oral o Dr. Marcos Cezar Najjorian Batista, OAB/SP nº 127.352, advogado do contribuinte. Defendeu a Fazenda Nacional a Procuradora Drª. Patrícia de Amorim Gomes Macedo.
(Assinado digitalmente)
Otacilio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
(Assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira Redator-Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2000 a 31/08/2005 DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DE DISPOSITIVO LEGAL JULGADO INCONSTITUCIONAL E OBJETO DE SÚMULA DO STF. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. RECURSO POR CONTRARIEDADE À LEI. Em sede de Recurso Especial por Contrariedade à Lei, é cabível o reconhecimento de decadência, ainda que tal matéria não seja objeto do apelo, desde que não se opere reformatio in pejus. Constatado o pagamento antecipado, nos termos da Súmula CARF nº 99, de 09/12/2013, aplica-se o art. 150, § 4º, do CTN. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (SC). PARTICIPAÇÃO DOS TRABALHADORES NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA (PLR). REGRAS CLARAS E OBJETIVAS, EXISTÊNCIA. NÃO INCIDÊNCIA. Segundo determinação da Lei 8.212/1991, j, § 9º, Art. 28, não integrará o SC a PLR, quando paga ou creditada de acordo com lei específica, que é a Lei 10.101/2000. Conforme determina a Lei 10.101/2000, em seu art. 2º, a PLR será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados e dos instrumentos decorrentes dessa negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I - índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e II - programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. No presente caso, com a acusação fiscal, as provas e argumentos do sujeito passivo e as determinações legais, verificamos a existência de regras claras e objetivas, motivo da manutenção da decisão a quo e da, conseqüente, negativa de provimento do recurso de contrariedade da nobre PGFN.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 35301.001201/2007-07
anomes_publicacao_s : 201412
conteudo_id_s : 5404923
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 9202-003.258
nome_arquivo_s : Decisao_35301001201200707.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARIA HELENA COTTA CARDOZO
nome_arquivo_pdf_s : 35301001201200707_5404923.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência de janeiro/2000 a junho/2001. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Relatora) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira. Fez sustentação oral o Dr. Marcos Cezar Najjorian Batista, OAB/SP nº 127.352, advogado do contribuinte. Defendeu a Fazenda Nacional a Procuradora Drª. Patrícia de Amorim Gomes Macedo. (Assinado digitalmente) Otacilio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Redator-Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
id : 5752048
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:33:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047478464413696
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 34; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2481; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 35301.001201/200707 Recurso nº 999.999 Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.258 – 2ª Turma Sessão de 29 de julho de 2014 Matéria Constribuições Sociais Previdenciárias Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CONSTRUTORA QUEIROZ GALVÃO S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2000 a 31/08/2005 DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DE DISPOSITIVO LEGAL JULGADO INCONSTITUCIONAL E OBJETO DE SÚMULA DO STF. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. RECURSO POR CONTRARIEDADE À LEI. Em sede de Recurso Especial por Contrariedade à Lei, é cabível o reconhecimento de decadência, ainda que tal matéria não seja objeto do apelo, desde que não se opere reformatio in pejus. Constatado o pagamento antecipado, nos termos da Súmula CARF nº 99, de 09/12/2013, aplicase o art. 150, § 4º, do CTN. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (SC). PARTICIPAÇÃO DOS TRABALHADORES NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA (PLR). REGRAS CLARAS E OBJETIVAS, EXISTÊNCIA. NÃO INCIDÊNCIA. Segundo determinação da Lei 8.212/1991, “j”, § 9º, Art. 28, não integrará o SC a PLR, quando paga ou creditada de acordo com lei específica, que é a Lei 10.101/2000. Conforme determina a Lei 10.101/2000, em seu art. 2º, a PLR será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados e dos instrumentos decorrentes dessa negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 30 1. 00 12 01 /2 00 7- 07 Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 No presente caso, com a acusação fiscal, as provas e argumentos do sujeito passivo e as determinações legais, verificamos a existência de regras claras e objetivas, motivo da manutenção da decisão a quo e da, conseqüente, negativa de provimento do recurso de contrariedade da nobre PGFN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência de janeiro/2000 a junho/2001. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Relatora) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira. Fez sustentação oral o Dr. Marcos Cezar Najjorian Batista, OAB/SP nº 127.352, advogado do contribuinte. Defendeu a Fazenda Nacional a Procuradora Drª. Patrícia de Amorim Gomes Macedo. (Assinado digitalmente) Otacilio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – RedatorDesignado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 35301.001201/200707 Acórdão n.º 9202003.258 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de autuação, sob o fundamento de que os valores concedidos aos funcionários da empresa, a título de PLR – Participação nos Lucros e Resultados, constituiriam parcelas remuneratórias, fornecidas em desacordo com a Lei nº 10.101, de 2000, devendo, portanto, integrar o Salário de Contribuição. A Fiscalização, analisando o “Sistema de Remuneração Variável – Bases do Plano de Participação na Superação de Resultados” (fls. 144 a 153), considerou não atendido o art. 2º da Lei nº 10.101, conforme os seguintes argumentos: 2.6. Assim, ao analisar o “plano de participação na superação de resultados remuneração variável” (DOC. 1 fotocópia), especialmente ao confrontálo com o relatório “sistema de participação nos lucros cálculo da participação” (DOC. 2 fotocópia) e outros documentos, esta AuditoriaFiscal constatou que o programa não contempla regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos dos funcionários à participação nos resultados, bem como em relação aos percentuais a que cada trabalhador teria direito. Igualmente, os mecanismos de aferição das metas não se mostram claros. 2.7. A Fim de ilustrar a constatação acima relatada, tomemos como exemplo o caso do contrato referente à obra do “RODOANEL CEI 3494000029/78”, em que, tendo apresentado resultado positivo, ensejou a participação de funcionários no referido resultado, conforme se verifica, por amostragem, no “sistema de participação nos lucros – conta corrente do funcionário Alfredo de Hollanda Lima Neto” (DOC. 3 fotocópia). Tal documento nos informa que o trabalhador recebeu, sob este título e relativamente ao contrato do "RODOANEL", valores nos meses de 02/2001 (ref. exercício de 2000), 08/2001 (ref. exercício 2001) e 02/2002 (ref. exercício 2001). Já, o funcionário Raimundo Mauro Gomes, servente, embora houvesse trabalhado no "RODOANEL" no mesmo período de apuração dos resultados dos quais participou o funcionário Alfredo de Hollanda, engenheiro (de 05/2000 a 08/2002), não teve, por sua vez, qualquer participação no resultado (vide ficha financeira dos funcionários DOC. 4). O mesmo ocorrendo para os seguintes funcionários: Gilmar Martins Ferreira, carpinteiro (03/2001 a 02/2002); Francisco A. do Livramento, auxiliar de topógrafo (03/2001 a 06/2002); e Washington L. D. de Oliveira, pedreiro (03/2001 a 07/2002). Em situação idêntica ao Sr. Raimundo Mauro Gomes, este pessoal prestou serviços no período de apuração dos resultados sem que deles, contudo, houvesse também participado, conforme demonstrados em suas fichas financeiras. 2.8. O contrato do "RODOANEL" vigorou de 09/1999 a 08/2002. Neste período, inúmeros empregados da Construtora Queiroz Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Galvão S/A lá estiveram prestando serviços, conforme se verifica por meio do “sistema gestão de pessoal – obra: 70370002 RODOANEL" (DOC. 5). Tal documento nos informa que, em todo o período de vigência do contrato, 1.229 empregados colaboraram com a sua execução. Porém, apenas uma pequena parcela deste pessoal participou dos seus resultados, ou, mais precisamente, 68 funcionários, conforme nos demonstra a folha de pagamentos da empresa. 2.9. Retomando a análise do “plano de participação na superação de resultados remuneração variável” (DOC. 1 fotocópia), é possível identificar os seguintes aspectos relevantes em suas bases: 2.9.1. PRESSUPOSTOS BÁSICOS: “... a ocorrência de resultados empresariais econômicofinanceiros positivos, em nível do Grupo, constitui prérequisito básico e eliminatório à participação, de todas as equipes não diretamente vinculadas a um contrato específico. Na situação eventual de ocorrência de resultado econômicofinanceiro positivo de uma Unidade Regional e/ou Área de Negócios, quando de resultado empresarial negativo do Grupo, o direito à participação será garantido, desde que atendidas as demais premissas. Esta garantia se dará através de crédito em contacorrente dos profissionais beneficiários, a ser quitado quando da reversão do resultado negativo do Grupo, em níveis suficientes para saldar tais direitos adquiridos.”; “... a perspectivas de participação deve condicionarse à extrapolação dos indispensáveis resultados financeiros, abrangendo, também, metas de Imagem Institucional, Desenvolvimento Tecnológico, Patrimônio Humano e Dimensão Econômica. O foco almejado para a concessão da participação deve ser a superação dos resultados normais desejados, reconhecendose, dessa forma, um esforço que justifique uma remuneração complementar ao saláriobase mensal. O saláriobase mensal remunera a experiência acumulada e o potencial de contribuição que o colaborador coloca à disposição do Grupo Queiroz Galvão... na dimensão específica de cada colaborador é definido a partir da classificação profissional e conseqüente enquadramento no plano salarial em vigor. “...Considerando serem os contratos o núcleo principal de resultado empresarial do grupo, o plano de participação deve criar perspectivas privilegiadas de reconhecimento dos esforços de superação de resultados, ocorridos em nível de cada Contrato..." 2.9.2. DEFINIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO PERCENTUAL : "... Conquistado o Contrato, o Diretor da Área de Negócios responsável, envolvendo os profissionais/áreas que julgar pertinente, analisa as condições específicas aplicáveis, e propõe o percentual a ser considerado para efeito de Participação. Consensado o percentual, o Diretor da Área de Negócios o submeterá à apreciação da Diretoria Corporativa Colegiada que o homologará... A determinação do percentual deverá ser feita a partir da avaliação e formalização das conclusões, com base nos Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 35301.001201/200707 Acórdão n.º 9202003.258 CSRFT2 Fl. 4 5 seguintes quesitos: complexidade negocial, complexidade operacional e resultado econômicofinanceiro desejado..." 2.9.3. APURAÇÃO: "... o resultado para efeito de participação, será calculado com base no critério financeiro, ou seja, os recebimentos das faturas dos serviços executados menos os pagamentos de despesas e custos..." 2.9.4. PERÍODO DE APURAÇÃO: "... a apuração dos resultados ocorrerá nos meses de junho e dezembro, referente aos períodos de janeiro a junho e julho e dezembro respectivamente. O pagamento ocorrerá nos meses de agosto e fevereiro..." 2.9.5. DO DIREITO: "... todos os colaboradores participarão dos resultados apurados, desde que estejam na empresa há mais de 12 meses consecutivos, e tenham participado do período de seis meses de apuração..." 2.10. Do ‘plano de participação na superação de resultados – remuneração variável’ (DOC. 1 fotocópia), cujas bases foram acima parcialmente transcritas, revelamse como aspectos relevantes o fato de a participação assentarse fundamentalmente nos contratos firmados, utilizando o critério financeiro para sua apuração e a fixação dos direitos dos funcionários à participação nos resultados submeterse a condições nada claras, cujas metas e definição dos participantes impõem avaliações de caráter subjetivo. 2.11. Como conseqüência, observase, a exemplo do "RODOANEL", contratos cujos resultados ficaram adstritos somente a uma parcela dos funcionários envolvidos, não restando evidenciados os critérios, ou melhor, quaisquer justificativas para tal situação. 2.12. Intimada, então, por meio do termo lavrado em 28/04/2006 (DOC. 6), a manifestarse sobre os critérios adotados para fixação dos direitos à participação dos funcionários, a empresa limitouse a informar que os mesmos estariam “estabelecidos nas bases do plano de participação na superação de resultados remuneração variável (item III critérios)” (DOC. 6A). 2.13. Ao que se expõe, esta AuditoriaFiscal concluiu que os valores concedidos aos funcionários sob o título de “participação nos resultados” constituem parcelas remuneratórias fornecidas em desacordo com a Lei nº. 10.101/2000, devendo, por esta razão,(...), submeteremse à incidência das contribuições previdenciárias e integrar o salário decontribuição de cada segurado beneficiado.” (destaques no original) Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Em face da autuação, a Contribuinte apresentou a Defesa Administrativa de fls. 555 a 578, contendo os seguintes argumentos, assim resumidos na DN – Decisão Notificação, às fls. 973: “4. A empresa foi cientificada pessoalmente do lançamento, em 14/07/2006, tendo protocolado sua impugnação em 31/07/2006, portanto, tempestivamente. Nessa oportunidade, apresentou os seguintes argumentos: 4.1. inicialmente, argúi a cobrança em excesso da contribuição de segurados, eis que os valores ora exigidos ultrapassam o limite máximo mensal relativamente a alguns segurados cuja cobrança já ocorrera na NFLD n° 37.013.0502, fato que impõe a apreciação de ambas em conjunto, para fins de retificação; 4.2. afirma que o direito do INSS de constituir o crédito em comento, relativamente às competências anteriores a julho de 2001, foi alcançado pela decadência, face ao disposto no art. 150 § 4º do Código Tributário Nacional; 4.3. afirma, ainda, a existência de vício na fundamentação legal envolvendo as competências anteriores ao advento da Lei 10.101/00; 4.4. defende a incompetência da autoridade fiscal para perquirir acerca da regularidade dos critérios intrínsecos do pacto ajustado entre as partes para a implementação do programa de participação nos lucros e resultados. Neste sentido, cita pareceres da Consultoria Jurídica do MPS.” Os argumentos acima, contidos na Defesa Administrativa, foram assim enfrentados pela DN – Decisão Notificação (fls. 973 a 975): quanto ao erro apontado pela Contribuinte: “6. Inicialmente, cumpre esclarecer que, para efeito de cobrança da contribuição de segurados empregados, observase que a minuta de cálculo utilizada para fins de adequação da exação ao limite máximo mensal por segurado levou em consideração, exclusivamente, os valores já descontados na folha de salários, deixando de lado aqueles já exigidos, dos mesmos segurados, na NFLD n° 37.013.0502. 7. Tal fato acarretou, para alguns segurados, a cobrança da referida contribuição acima do limite máximo mensal, tal como oportunamente arguido pela impugnante. 8. Para fins de adequação do quantum debeatur aos limites legais, retificase o presente lançamento nos termos da informação fiscal de fls. 968 a 970, e planilhas de fls. 607 a 927, cujas cópias seguem em anexo à presente decisão. quanto à argüição de decadência: 9. Com relação à alegação de decadência, temos que, com o advento da Lei 8.212/91, a decadência das contribuições Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 35301.001201/200707 Acórdão n.º 9202003.258 CSRFT2 Fl. 5 7 previdenciárias ficou estipulada em 10 anos, conforme disposto no art. 45 do referido diploma legal, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Portanto, não se operou a decadência em relação a nenhuma competência do crédito. quanto ao alegado vício na fundamentação legal da autuação, relativamente a fatos geradores anteriores à Lei nº 10.101, de 2000: 10. No que se refere ao suposto vício de fundamentação legal suscitado pela defendente, não procedem os argumentos aduzidos. 11. Em primeiro lugar, o próprio texto da Lei 10.101/2000 expressamente identifica a Medida Provisória (n° 1.98277) adotada para fins de conversão no referido diploma. Como as competências anteriores à vigência da lei n° 10.101/2000 estão abrangidas por edições anteriores da medida provisória convertida, não há que se falar em ausência de fundamentação legal, eis que a lei 10.101/2000 foi devidamente citada no relatório fiscal. 12. Em segundo lugar, cumpre esclarecer que inexiste nulidade sem prejuízo, e no caso concreto o próprio sujeito passivo, em sua impugnação, desenvolve com bastante lucidez todo o processo de regulamentação do direto dos trabalhadores à participação nos lucros e resultados da empresa, demonstrando conhecimento ímpar de todas as medidas provisórias anteriores à lei 10.101/2000, assim como de pareceres normativos sobre a matéria, no âmbito da Previdência Social. quanto à alegação de incompetência da autoridade fiscal para perquirir acerca dos critérios intrínsecos do pacto referente à PLR: 13. Ao contrário do entendimento da impugnante, o art. 7º, inciso XI da Constituição da República de 1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos resultados desvinculado da remuneração é de eficácia limitada. O Pretório Excelso, ao julgar o Mandado de Injunção n.° 426, estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória n° 794, de 24 de dezembro de 1994, passou a ser lícito o pagamento da participação nos lucros na forma do texto constitucional. A parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo com essa norma, integra o conceito de remuneração e, consequentemente de salário de contribuição, para os fins de incidência da exação previdenciária. (...) 15. Portanto, é necessário lei ordinária para estabelecer as regras gerais que determinem a aplicação do inciso XI, do art. 7º, da CF. Até a edição da lei, a empresa que distribuir os lucros aos seus empregados, com habitualidade, deverá obedecer o Enunciado 251 do TST. Isto significa que, enquanto não havia lei Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 específica sobre a participação nos lucros e esta foi paga com habitualidade, ocorria a incidência da contribuição previdenciária, pois a desvinculação da remuneração somente se deu com a regulamentação legal realizada pela Medida Provisória 794/94. 16. Após 29/12/94, data da Medida Provisória 794, a participação nos lucros não tem mais natureza jurídica salarial, desde que paga em conformidade com a mesma e suas reedições. 17. A Medida Provisória n° 794/94 foi reeditada até ser convertida na Lei no 10.101, de 19 de dezembro de 2000, mantendo em todas as suas edições a exigência do artigo 2º de que a participação nos lucros ou resultados seja objeto de negociação entre a empresa e seus empregados. Reza ainda o §1º do art. 2º que “dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo ( ... )". 18. Nesse contexto, os documentos que perfazem o ‘Sistema de Remuneração Variável – Bases do Plano de Participação na Superação de Resultados’ (fls. 144 a 153) não contemplam regras claras e objetivas. Não há definição prévia do percentual a que fazem jus coletivamente os empregados, bem como inexiste qualquer critério objetivo para determinar a participação individual de cada um. Além disso, a aferição da metas igualmente peca pela obscuridade. 19. O subjetivismo que envolve os critérios adotados de pelo sujeito passivo resulta, inevitavelmente, em distorções e privilégios como a exclusão, sem nenhuma explicação pela impugnante, da participação nos resultados de vários funcionários , tal como evidenciado nos subitens 2.7 e 2.8 do relatório fiscal. Aliás, é marcante o fato de que, para a obra do RODOANEL — 70370002, 1.229 empregados colaboraram com a sua execução, porém apenas 68 funcionários auferiram o direito a participação nos resultados. 20. Ao estipular a obrigatoriedade de regras claras e objetivas para a participação nos resultados, a lei não abre exceções. E certamente é possível estabelecer parâmetros claros para a participação nos resultados sem, necessariamente, expor as estratégias de mercado ou dados sigilosos da empresa. O que não é possível é contrariar o interesse público subjacente ao regramento constitucional em função de interesses particulares. 21. Inaceitável é o primarismo do raciocínio desenvolvido pela impugnaste, que tenta a todo custo legitimar o seu comportamento, defendendo a incompetência da fiscalização para avaliar o cumprimento do parâmetro em exame, olvidando, por outro lado, as graves inconsistências, distorções e obscuridades de seu programa de participação nos resultados. 22. O fato é que tal situação enseja, senão a supressão de salários, o escamoteamento das remunerações pagas, subtraindoas à tributação. Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 35301.001201/200707 Acórdão n.º 9202003.258 CSRFT2 Fl. 6 9 23. Em resumo, temse que a empresa não cumpriu os requisitos estabelecidos na norma regulamentadora, sendo base de cálculo da contribuição previdenciária os valores pagos a título de participação nos resultados, uma vez que a Lei 8.212/91, no art. 28, § 9º, alínea condicionou a exclusão da parcela à estrita observância da lei específica.” Em face da decisão de Primeira Instância, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário às fls. 1.014 a 1.037, contestando genericamente seus fundamentos e reiterando as razões de defesa (fls. 1.014/1.015): “I da precariedade da DN — da impugnação total aos termos decisórios firmados em primeira instância A DN ora recorrida não abordou, adequadamente, a plenitude dos argumentos desenvolvidos pelo contribuinte quando de sua originária defesa administrativa. E, no curso do processamento da pretensão recursal ora formalizada, bem demonstrará o contribuinte a total precariedade do ato decisório de índole administrativa ora combatido, inclusive, por meio da formalização de peça aditivas à presente. De qualquer forma, reportase o contribuinte à plenitude dos argumentos suscitados quando de sua defesa administrativa, que passam a fazer parte integrante deste manifesto recursal, inclusive, por ser de direito que a superior instância administrativa de julgamentos aprecieos, com vistas à constatação que a recorrida DN não enfrentou, conforme específicas exigências legais e normativas a respeito, tal defensiva linha argumentativa. Fica, pois, impugnada a recorrida DN na sua plenitude, merecendo ser considerada como um ato administrativo desprovido de prosperidade, circunstância esta a colaborar com o reconhecimento de que a própria NFLD, como um todo, deve ser cancelada in totum, sendo esta, aliás, a efetiva pretensão recursal almejada pelo contribuinte in casu.” Após esse preâmbulo, a Contribuinte aborda diversas matérias em seu Recurso Voluntário, a saber: ofensa aos princípios norteadores do processo administrativo fiscal; exações tidas como inconstitucionais (SAT – Seguro Acidente de Trabalho, SEBRAE, INCRA, contribuições devidas a terceiros); consectários legais; e obrigatoriedade de julgamento da inconstitucionalidade da legislação pela administração pública. Em sessão plenária de 07/10/2008, foi julgado o Recurso Voluntário nº 149.639, prolatandose o Acórdão nº 20501.178 (fls. 1.121 a 1.133), assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/02/2000 a 31/08/2005 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 Não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias os valores pagos a título de participação nos lucros em conformidade com os requisitos legais. Recurso Voluntário Provido.” A decisão foi assim registrada: “ACORDAM os membros da quinta câmara do segundo conselho de contribuintes, Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Marco André Ramos Vieira. Presença da Sr Advogado Marcos Cezar Najjarian Batista, OAB/SP 127352 que realizou sustentação oral.” Cientificada do acórdão em 13/03/2009 (fls. 1.134), a Fazenda Nacional interpôs, em 24/03/2009 (fls. 1.136), o Recurso Especial de fls. 1.137 a 1.147, com fundamento no artigo 7ª, inciso I, e 15, do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, vigente à época, alegando contrariedade ao art. 2º, caput e §1º, da Lei 10.101, de 2000. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 245, sem data (fls. 1.149). No apelo, a Fazenda Nacional argumenta, em síntese: a autoridade fiscalizadora entendeu que o programa de participação nos lucros da fiscalizada não contemplava regras claras e objetivas o suficiente para atender aos requisitos da Lei 10.101/2000; não determina o percentual a que cada trabalhador teria direito e os mecanismos de aferição de metas não se mostram claros; exemplifica citando que entre trabalhadores que atuaram em uma mesma obra, apenas 68 receberam a participação nos lucros enquanto mais de 1000 não receberam, injustificada mente (item 27, fls. 138); a decisão de primeira instância manteve os principais fundamentos do lançamento, entretanto o colegiado a quo entendeu que o programa instituído pela empresa atendia a todos os requisitos previstos na Lei 10.101/2000, de modo quesuas parcelas não integram o salário de contribuição dos empregados; aduz a relatora que a lei não impõe o pagamento da PLR a todos os empregados, nem que a participação a ser percebida pelos trabalhadores seja predeterminada; todavia, a decisão não merece prosperar, pelos fundamentos de fato e de direito que se passa a expor; decorre de expressa determinação legal (art. 28, §9º, alínea “j”, da Lei 8.212/91) a necessidade de que a participação nos lucros seja paga ou creditada de acordo com lei específica para que não integre o saláriodecontribuição dos trabalhadores; esta norma específica sobreveio em 1994, consubstanciada na MP 794, que após sucessivas reedições culminou com a Lei 10.101/2000; a partir de então, existem parâmetros a serem observados pelos empregadores para que não incidam encargos previdenciários sobre as verbas distribuídas a título de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR); Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 35301.001201/200707 Acórdão n.º 9202003.258 CSRFT2 Fl. 7 11 a extrema rigidez na observância de tais parâmetros se justifica na medida em que, em face da não incidência de qualquer verba trabalhista ou previdenciária sobre a renda percebida a título de participação em lucros, tal expediente tende a ser utilizado como subterfúgio para mascarar parcela da remuneração paga pelas empresas; os principais requisitos da Lei para esta não incidência sobre a PLR são: • a PLR será objeto de negociação entre empresa e empregados, na forma do caput e incisos do artigo 2º da Lei 10.101/2000; • dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo; • o instrumento de acordo deve ser arquivado na entidade sindical dos trabalhadores; • é vedado o pagamento em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil; dentre os requisitos legais, está a imperiosidade de que dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas (art. 2º, § 1º); este requisito é o que mais causa controvérsia na apreciação da compatibilidade de determinado programa de participação nos lucros com o ordenamento jurídico; primeiro, por causa da maleabilidade dos conceitos envolvidos (clareza, objetividade, direitos substantivos, regras adjetivas); e segundo, porque é justamente o estrito cumprimento deste requisito que impede o uso da PLR para simplesmente mascarar parte da remuneração paga pelas empresas aos seus empregados, esquivandose do recolhimento de verbas previdenciárias e trabalhistas; assim, antes de qualquer análise, cumpre destrinchar o que quis dizer o legislador com “regras claras quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas” relativas ao PLR; por direitos substantivos da participação devese entender os direitos materiais dos empregados advindos da instituição do PLR; assim, sua fixação, para ser clara e objetiva, há necessariamente que definir quem tem o direito abstrato de participar do lucro; em que hipóteses a empresa pagará a PLR, e em que hipóteses a empresa se reserva o direito de não fazêlo; como será definida a parcela do lucro a ser destinada aos trabalhadores; encontrase entre os direitos substantivos da participação, também, e principalmente, a forma como será mensurado, quantitativamente, o benefício a ser distribuído a cada empregado e/ou equipe que lhe fizer jus; Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 sem a fixação destes parâmetros mínimos, data venia, não há como qualificar como claras e objetivas as regras quanto aos direitos substantivos decorrentes do programa de participação nos lucros e resultados; já as regras adjetivas consistem naquilo que viabiliza a efetivação das relações definidas no direito substantivo, isto é, compreendem basicamente os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, definem os instrumentos e parâmetros de qualificação do desempenho do empregado, da equipe ou da empresa, com vistas à realização do direito material de perceber a PLR; com efeito, os trabalhadores precisam saber sob quais critérios serão avaliados, quais os objetivos que o empregado, equipe e/ou empresa devem alcançar para fazer jus ao benefício pecuniário (metas, resultados, produtividade, lucratividade, etc.), e qual o sistema de aferição do cumprimento de tais objetivos; estas regras e critérios, da mesma forma que os direitos substantivos, devem ser claros e objetivos, compreensíveis e predeterminados, constando do acordo celebrado, não podem ser definidas de modo extremamente genérico no acordo, sendo depois especificadas ao arbítrio do empregador; conduta deste jaez retira a previsibilidade e o aspecto consensual das regras adjetivas do programa, malferindo o art. 2º, § 1º, II, da Lei 10.101/2000. firmadas tais compreensões preliminares, passase agora ao exame da situação dos autos em epígrafe; no entender do Auditor Fiscal, o programa de participação nos lucros da autuada “não contempla regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos dos funcionários à participação nos resultados, bem como em relação aos percentuais a que cada trabalhador teria direito”; igualmente, os mecanismos de aferição das metas não se mostram claros; exemplifica citando que, entre trabalhadores que atuaram em uma mesma obra, apenas 68 receberam a PLR, enquanto que mais de 1000 não receberam, injustificada mente (item 27, fls. 138); de fato, analisando os documentos acostados aos autos, se vê que o programa de participação nos lucros da autuada não apresenta regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos, principalmente no que diz respeito à forma como será mensurado, quantitativamente, o benefício a ser percebido pelos empregados dentro de determinada equipe; do acordo coletivo acostado às fls. 144/153, se depreende que o plano de participação se baseia nos esforços de superação de resultados ocorridos em nível de contrato (fl. 146, alínea f); assim, a participação dos trabalhadores nos lucros está atrelada, precipuamente, ao sucesso do empreendimento de que participam; não necessariamente nos resultados globais da empresa; estes têm incidência apenas indireta no cálculo do lucro a ser distribuído. Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 35301.001201/200707 Acórdão n.º 9202003.258 CSRFT2 Fl. 8 13 com efeito, se vê da fl. 147, in fine, que, conquistado um contrato, imediatamente é definido o percentual do resultado econômicofinanceiro a ser considerado para efeito de participação nos lucros, valendose dos critérios relacionados à fl. 148; todavia, não há definição da forma como o valor da participação relativa a determinado contrato será distribuído aos empregados que colaboraram com sua execução, o acordo remete a Plano de Ação, a ser elaborado pelo RECON, responsável pelo contrato; o acordo coletivo não prevê parâmetros pelos quais tal Plano de Ação deva se orientar, nem princípios ou diretrizes que deva respeitar; conforme item 2.12 do Relatório Fiscal (fl. 140), a autuada foi intimada a manifestarse sobre os critérios adotados para fixação dos direitos à participação dos funcionários, mas não forneceu quaisquer elementos novos; uma vez que não ficaram assentadas, no acordo coletivo, sequer diretrizes básicas sobre a forma como o lucro de determinado contrato será distribuído entre aqueles que colaboraram para sua execução, decorre que o método de mensuração quantitativa da distribuição da participação nos lucros não foi previamente estabelecido e que falece ao instrumento coletivo clareza e objetividade na fixação de direito substantivo decorrente da participação, em flagrante inobservância ao § 1º do art. 24 da Lei 10.10112000; de fato, como a participação nos lucros estimularia o empregado a se empenhar para superar os resultados esperados, se do instrumento que a instituiu não consta sequer pista do que ele poderá perceber pelo esforço extra? aliás, evidenciando a falta de clareza e a subjetividade vazadas no acordo, o trabalhador sequer sabe a priori se vai receber algo, ainda que o contrato ao qual se vincula obtenha sucesso na superação dos resultados previstos; é o que ocorreu na situação mencionada pelo agente fiscalizador no item 2.7 do Relatório Fiscal (RF): in casu, apurou se que no contrato do RODOANEL – que foi “superavitário” nos períodos examinados, com metas e resultados não só atingidos, mas também superados – a distribuição dos lucros entre os membros da equipe foi nebulosa, tendo apenas alguns empregados recebido parcela correspondente à participação nos resultados, enquanto a maior parte nada recebeu; como explicar este fato, diante do exposto no item III.3 do acordo coletivo, expresso no sentido de que “todos os colaboradores participarão dos resultados apurados, desde que, estejam na empresa há mais de 12 meses consecutivos, e tenham participado do período de seis meses de apuração”? tal incongruência e decorrência direta da falta de clareza e objetividade na fixação dos direitos substantivos da participação que se verifica no instrumento de acordo, sendo dela evidência marcante; em contraposição a tais fatos levantados no relatório fiscal, a relatora aduz que a fiscalização não teria se pronunciado sobre as condições objetivas impostas para que os empregados tivessem direito à PLR: mais de doze meses na empresa e participação do período de 6 meses de apuração; Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 14 entretanto, da análise da prova dos autos verificase que o auditor cuidou, sim, de verificar o cumprimento dessas condições pelos empregados constantes de sua amostra; vejase o caso do trabalhador Raimundo Mauro Gomes (fls. 172/181): lá está consignado que sua data de admissão foi em 02/05/2000 e que permaneceu na empresa até 21/08/2002, sempre vinculado à obra do Rodoanel; situação semelhante ocorre com os demais empregados considerados no levantamento, evidenciando, portanto, que todos permaneceram mais de 12 meses na empresa; e mais de 6 meses vinculados ao contrato do Rodoanel, no entanto, conforme suas fichas financeiras, nunca fizeram jus à PLR; quanto aos demais argumentos da fiscalização, a decisão vergastada traz o seguinte arrazoado: i) “o pagamento para todos os segurados ( ... ) não é condição imposta pela legislação para a não incidência”; ii) “não há, na legislação, a determinação de percentuais ou valores prévios”. é bem verdade que a legislação não exige o pagamento da PLR a todos os empregados, entretanto não foi essa a premissa que ensejou o lançamento, mas sim a falta de justificativas para o discrímen adotado; diz o RF: “2.11. Como conseqüência, observase, a exemplo do RODOANEL, contratos cujos resultados ficaram adstritos somente a uma parcela dos funcionários envolvidos, não restando evidenciados os critérios, ou melhor, quaisquer justificativas para tal situação”; esta discriminação injustificada na distribuição dos lucros só pode ser vista como fruto da falta de clareza e objetividade do acordo coletivo, além de afrontar o item III.3 do próprio acordo coletivo; quanto ao argumento trazido pela decisão a quo, de que a legislação não exige a fixação prévia de percentuais ou valores a serem distribuídos a título de PLR para cada trabalhador, este fato também não se está a combater; há que se observar, contudo, que a legislação expressamente exige clareza e objetividade na fixação dos direitos substantivos da participação, e o principal direito substantivo que decorre da PLR é justamente o abono financeiro que se pode vir a perceber em virtude do atendimento de metas, objetivos, índices de produtividade e lucratividade, etc; concordase que não se mostra razoável exigir a fixação individual prévia, seja de valores, seja de percentuais do lucro, dadas as imprevisibilidades a que os agentes econômicos estão expostos, mas, para um mínimo de clareza e objetividade, há que se propor, no bojo do acordo coletivo, uma forma, um método, critérios, que guiarão a distribuição do lucro entre os empregados que a ele fizerem jus conforme apurado com base nas regras adjetivas estabelecidas, e tal definição não pode ficar a exclusivo juízo da empresa; a definição de critérios predeterminados e imparciais pa ra a repartição do montante entre os empregados está no cerne de uma fixação clara e objetiva dos direitos substantivos da participação; no caso dos autos, em que a participação nos lucros é definida por contrato, o problema aparece mais acentuadamente na completa ausência de definição acerca da forma como a PLR apurada para determinado contrato será distribuída entre os empregados que nele atuaram; Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 35301.001201/200707 Acórdão n.º 9202003.258 CSRFT2 Fl. 9 15 tal omissão inquina o acordo de obscuridade e subjetividade em níveis incompatíveis com a mais razoável interpretação do alcance do art. 2º, § 1º, da Lei 10.101/2000; o alicerce da autuação, portanto, não é o fato de que não foram estipulados os percentuais a que cada trabalhador terá direito, mas o fato de que não há quaisquer critérios para se chegar ao valor que cada um receberá ao final do período de apuração; por mais que a lei não exija a fixação prévia de quanto cada funcionário receberá, uma vez definida a parcela do lucro a ser distribuída, esta conta terá que ser feita, e os critérios ou métodos pelos quais se chegará ao valor final devido a cada trabalhador, estes sim devem necessariamente ser claros e prévios, sob pena de ofensa à Lei 10.101/2000; da mesma forma, não são claras, no acordo coletivo, as regras adjetivas relativas ao programa da autuada; com efeito, se demonstrou que a obra do Rodoanel superou os índices estipulados pela empresa, o que ensejou a distribuição de parte do resultado obtido entre alguns trabalhadores, no entanto outros trabalhadores que também atuaram no contrato nada receberam; conforme ilustrado no RF, o trabalhador Raimundo Mauro Gomes não fez jus ao benefício, apesar de atender aos requisitos previstos no item III.3 do acordo; mas, o que ele deveria ter feito para estar no rol dos que fizeram jus ao abono? Que metas deixou de cumprir? Em que documento estariam previstas tais metas? Quais os mecanismos objetivos de aferição da contribuição do trabalhador para o sucesso do contrato? Nada disso é elucidado no acordo coletivo, pelo que não se pode considerálo claro ou objetivo quanto à fixação das regras adjetivas. da PLR; a todo o exposto, somamse os bem lançados argumentos do Conselheiro Marco André Ramos Vieira, na declaração de voto consignada no acórdão. por todo o exposto, revelase contrária à legislação a decisão do colegiado a quo, qualificandose da mesma forma em relação à prova dos autos; com efeito, afronta o artigo 2º, § 1º, da Lei 10.101/2000 ao conferir validade, nos termos dessa lei, ao programa de participação nos lucros da autuada, quando resta evidente que do instrumento negociado não constam regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e bem como das regras adjetivas; pelo contrário, o instrumento é omisso e obscuro em diversos aspectos fundamentais à compreensão do conteúdo destes direitos e regras; ademais, além não de atender aos requisitos da lei, a atuação da empresa violou também o próprio acordo coletivo assinado, tendo em vista que este era expresso em determinar que todos os colaboradores participariam do resultado apurado, satisfeitos os requisitos mínimos (item III.3 do acordo); restou demonstrado, no entanto, que mesmo trabalhadores que atendiam tais requisitos foram alijados do benefício, caracterizandose a ofensa ao caput do artigo 24 da Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 16 mesma lei, do qual se infere que a PLR deve ser paga em conformidade com o negociado entre as partes; por fim, considerase também a decisão a quo contrária às provas dos autos, eis que, conforme sobejamente demonstrado neste arrazoado, os documentos, minuciosamente analisados, apontam para conclusão diversa, no sentido de que sobram lacunas no acordo de participação nos lucros da autuada, que não condizem com a clareza e objetividade mínimas exigidas na lei. Ao final, a Fazenda Nacional pede seja dado provimento ao Recurso Especial, para reformar a decisão recorrida, restabelecendo o quanto decidido pela Delegacia Regional de Julgamento em Primeira Instância. A contribuinte tomou ciência do acórdão e do Despacho de Admissibilidade em 15/03/2010 (fls. 1.154) e ofereceu, em 28/03/2010 (envelope de postagem de fls. 1.158), as ContraRazões de fls.1.155 a 1.157, alegando não haver recebido o inteiro teor do despacho. Assim, conforme o despacho de fls. 1.160, foi acatado o argumento do Contribuinte, encaminhandose cópia das folhas que faltavam, estabelecendose novo prazo para apresentar ContraRazões, o que foi feitos às fls.1.168 a 1.170 e 1.173 a 1.175. Nas ContraRazões, a Contribuinte apresenta os seguintes argumentos, em síntese: estas contrarazões são elaboradas sob uma ótica jurídicoprocessual revestida de plena objetividade, inexistindo quaisquer razões para que se estenda em sua linha argumentativa, diante da evidente impossibilidade jurídica de se dar guarida à pretensão recursal firmada pela zelosa PFN nestes autos; afinal, a mera tentativa de retomar as discussões de aspectos jurídicos já enfrentados pelo e. Colegiado Julgador, não permite, sequer, que seja admitido o vinculado recurso; conforme as próprias palavras inseridas no preâmbulo da peça recursal, já materializam esta propalada causa de inadmissibilidade; seguem transcritas tais evidenciadas palavras: “o colegiado a quo entendeu que o programa instituído pela empresa atendia a todos os requisitos previstos na Lei 10.101/2000, de modo que suas parcelas não integram o saláriodecontribuição dos empregados”; não há a necessidade de ser completada esta frase, ou seja, é nítido que a pretensão recursal busca uma nova análise do contexto fáticojurídico já julgado, sem que argumentos novos, além daqueles já debelados, sejam trazidos ao contexto dos autos; aliás, a propalada contrariedade a dispositivo legal não passa de retórica teorizada, desprovida de qualquer objetividade diante do que restou processado no curso deste procedimento; ora, se reporta a PFN ao que foi suscitado pela autoridade fiscal, bem como ao voto vencido por sete outros votos em sentido contrário, para validar o seu raciocínio, que, é de se reconhecer, foi juridicamente enfrentado pelo conteúdo voto vencedor; Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 35301.001201/200707 Acórdão n.º 9202003.258 CSRFT2 Fl. 10 17 não há, pois, razão jurídica sequer para a admissibilidade da debelada peça recursal, fundamento este necessário a balizar a presente argumentação em sede de contra razões. Ao final, a Contribuinte reitera os fundamentos já expendidos e requer que se desacolha a pretensão recursal da Fazenda Nacional. Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 18 Voto Vencido Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora O Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional na modalidade de Contrariedade à Lei e à Evidência de Prova, é tempestivo, restando perquirir acerca dos demais pressupostos de admissibilidade. Em sede de ContraRazões, a Contribuinte contesta a admissibilidade do apelo, porém foram cumpridos todos os requisitos, a saber: tanto a decisão recorrida como o recurso foram proferidos na vigência do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais; a decisão não foi unânime; e a Fazenda Nacional alegou adequadamente a contrariedade à lei e à evidência de prova. Por oportuno, esclareçase que o dispositivo regimental que previa a modalidade recursal ora tratada assim estabelecia: “Art. 7º Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: I decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova; e” Assim, tratase de recurso cujo pressuposto de admissibilidade – contrariedade à lei ou à evidência de prova – confundese com o próprio mérito do apelo, a ser julgado pela CSRF. Entretanto, não cabe ao examinador da admissibilidade adentrar ao mérito do caso tratado no acórdão, a ver se este teria ou não contrariado a lei ou a evidência da prova, para finalmente concluir se daria ou não seguimento ao apelo. Obviamente que assim ele extrapolaria a sua competência, para usurpar a da CSRF. Nesse passo, esclareçase que a problemática ora tratada há muito já foi resolvida no âmbito do CARF, entendendose que, nesses casos, basta que a Fazenda Nacional alegue adequadamente a contrariedade à lei ou à evidência de prova, cabendo à Instância Especial decidir sobre o mérito do recurso. A problemática aqui retratada também foi vivida pelo STJ, relativamente ao Recurso Especial por contrariedade à lei, e pelo STF, no que tange ao Recurso Extraordinário contra decisão contrária à Constituição (permissivo contido na alínea “a”, do inciso III, do art. 102, da Constituição Federal). Neste último caso, a solução adotada, a exemplo do posicionamento que já era esposado pelos antigos Conselhos de Contribuintes, ocorreu por meio do Recurso Extraordinário n° 298.694, publicado em 23/04/2004, assim ementado: “II. Recurso extraordinário: letra 'a': alteração da tradicional orientação jurisprudencial do STF, segundo a qual só se conhece do RE, 'a', se for para darlhe provimento: distinção necessária entre o juízo de admissibilidade do RE, 'a' para o qual é suficiente que o recorrente alegue adequadamente a contrariedade pelo acórdão recorrido de dispositivos da Constituição nele prequestionados e o juízo de mérito, que envolve a verificação da compatibilidade ou não entre a decisão recorrida e a Constituição, ainda que sob prisma diverso Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 35301.001201/200707 Acórdão n.º 9202003.258 CSRFT2 Fl. 11 19 daquele em que se hajam baseado o Tribunal a quo e o recurso extraordinário.” (grifei) Destarte, uma vez alegada adequadamente a contrariedade à lei e à evidência de prova por parte da Fazenda Nacional, correta a remessa do recurso à CSRF, a quem compete a verificação da compatibilidade ou não entre a decisão recorrida e a lei/evidência de prova, qualquer que tenha sido o fundamento do julgado guerreado. Adentrando ao mérito do Recurso Especial, tratase de autuação sob o fundamento de que os valores concedidos aos funcionários da empresa, a título de PLR – Participação nos Lucros e Resultados, constituiriam parcelas remuneratórias, fornecidas em desacordo com a Lei nº 10.101, de 2000, devendo, portanto, integrar o Salário de Contribuição. O art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000, base da autuação, assim estabelece, verbis: “Art.2º. A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. §1º. Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2º. O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores.” No presente caso, a Fiscalização, analisando o “Sistema de Remuneração Variável – Bases do Plano de Participação na Superação de Resultados” (fls. 144 a 153), constatou que dito programa não contemplava regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos dos funcionários à participação nos resultados, bem como em relação aos percentuais a que cada trabalhador teria direito. Entendeu também que os mecanismos de aferição das metas Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 20 não se mostravam claros. Para demonstrar sua alegação, apresentou a seguinte situação, tomando como exemplo o projeto Rodoanel: “2.7. A Fim de ilustrar a constatação acima relatada, tomemos como exemplo o caso do contrato referente à obra do “RODOANEL CEI 3494000029/78”, em que, tendo apresentado resultado positivo, ensejou a participação de funcionários no referido resultado, conforme se verifica, por amostragem, no “sistema de participação nos lucros – conta corrente do funcionário Alfredo de Hollanda Lima Neto” (DOC. 3 fotocópia). Tal documento nos informa que o trabalhador recebeu, sob este título e relativamente ao contrato do "RODOANEL", valores nos meses de 02/2001 (ref. exercício de 2000), 08/2001 (ref. exercício 2001) e 02/2002 (ref. exercício 2001). Já, o funcionário Raimundo Mauro Gomes, servente, embora houvesse trabalhado no "RODOANEL" no mesmo período de apuração dos resultados dos quais participou o funcionário Alfredo de Hollanda, engenheiro (de 05/2000 a 08/2002), não teve, por sua vez, qualquer participação no resultado (vide ficha financeira dos funcionários DOC. 4). O mesmo ocorrendo para os seguintes funcionários: Gilmar Martins Ferreira, carpinteiro (03/2001 a 02/2002); Francisco A. do Livramento, auxiliar de topógrafo (03/2001 a 06/2002); e Washington L. D. de Oliveira, pedreiro (03/2001 a 07/2002). Em situação idêntica ao Sr. Raimundo Mauro Gomes, este pessoal prestou serviços no período de apuração dos resultados sem que deles, contudo, houvesse também participado, conforme demonstrados em suas fichas financeiras. 2.8. O contrato do "RODOANEL" vigorou de 09/1999 a 08/2002. Neste período, inúmeros empregados da Construtora Queiroz Galvão S/A lá estiveram prestando serviços, conforme se verifica por meio do “sistema gestão de pessoal – obra: 70370002 RODOANEL" (DOC. 5). Tal documento nos informa que, em todo o período de vigência do contrato, 1.229 empregados colaboraram com a sua execução. Porém, apenas uma pequena parcela deste pessoal participou dos seus resultados, ou, mais precisamente, 68 funcionários, conforme nos demonstra a folha de pagamentos da empresa.” Em face de tal discrepância, a Contribuinte apresentou a Defesa Administrativa de fls. 555 a 578, limitandose a alegar, quanto ao PLR, a preliminar no sentido de que a Fiscalização não teria competência para adentrar aos critérios intrínsecos do acordo, devendo restringirse às verificações formais. Confirase trecho às fls. 566: “Ora, se a própria Justiça Obreira, por meio de sua mais alta Corte, reconhece ser incompetente para perquirir acerca da regularidade dos critérios intrínsecos do pacto firmado livremente e com respaldo constitucional entre as partes, acerca do PLR, há que se reconhecer não caber ao fisco previdenciário, da mesma forma, intrometerse em tais critérios, como o fez no âmbito desta NFLD. Uma questão é o aspecto formal e legal do pacto/PLR, e, a outra questão, envolve os critérios intrínsecos contemplados entre as partes.” Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 35301.001201/200707 Acórdão n.º 9202003.258 CSRFT2 Fl. 12 21 Como se pode constatar da leitura da Defesa Administrativa, não houve qualquer esclarecimento, por parte da Contribuinte, relativamente às questões específicas da PLR, apontadas na autuação, limitandose a defesa a arguir, repitase, a impossibilidade de a Fiscalização imiscuirse no conteúdo do acordo, devendo limitar a sua atuação ao aspecto formal do pacto. A DN – Decisão Notificação (fls. 973 a 975), relativamente à PLR, enfrentou a preliminar e ultrapassoua, adentrando às questões levantadas na autuação, concluindo: “13. Ao contrário do entendimento da impugnante, o art. 7º, inciso XI da Constituição da República de 1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos resultados desvinculado da remuneração é de eficácia limitada. O Pretório Excelso, ao julgar o Mandado de Injunção n.° 426, estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória n° 794, de 24 de dezembro de 1994, passou a ser lícito o pagamento da participação nos lucros na forma do texto constitucional. A parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo com essa norma, integra o conceito de remuneração e, consequentemente de salário de contribuição, para os fins de incidência da exação previdenciária. (...) 18. Nesse contexto, os documentos que perfazem o ‘Sistema de Remuneração Variável – Bases do Plano de Participação na Superação de Resultados’ (fls. 144 a 153) não contemplam regras claras e objetivas. Não há definição prévia do percentual a que fazem jus coletivamente os empregados, bem como inexiste qualquer qualquer critério objetivo para determinar a participação individual de cada um. Além disso, a aferição da metas igualmente peca pela obscuridade. 19. O subjetivismo que envolve os critérios adotados de pelo sujeito passivo resulta, inevitavelmente, em distorções e privilégios como a exclusão, sem nenhuma explicação pela impugnante, da participação nos resultados de vários funcionários , tal como evidenciado nos subitens 2.7 e 2.8 do relatório fiscal. Aliás, é marcante o fato de que, para a obra do RODOANEL — 70370002, 1.229 empregados colaboraram com a sua execução, porém apenas 68 funcionários auferiram o direito a participação nos resultados. 20. Ao estipular a obrigatoriedade de regras claras e objetivas para a participação nos resultados, a lei não abre exceções. E certamente é possível estabelecer parâmetros claros para a participação nos resultados sem, necessariamente, expor as estratégias de mercado ou dados sigilosos da empresa. O que não é possível é contrariar o interesse público subjacente ao regramento constitucional em função de interesses particulares. Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 22 21. Inaceitável é o primarismo do raciocínio desenvolvido pela impugnaste, que tenta a todo custo legitimar o seu comportamento, defendendo a incompetência da fiscalização para avaliar o cumprimento do parâmetro em exame, olvidando, por outro lado, as graves inconsistências, distorções e obscuridades de seu programa de participação nos resultados. 22. O fato é que tal situação enseja, senão a supressão de salários, o escamoteamento das remunerações pagas, subtraindoas à tributação. 23. Em resumo, temse que a empresa não cumpriu os requisitos estabelecidos na norma regulamentadora, sendo base de cálculo da contribuição previdenciária os valores pagos a título de participação nos resultados, uma vez que a Lei 8.212/91, no art. 28, § 9º, alínea condicionou a exclusão da parcela à estrita observância da lei específica.” Assim, a decisão de Primeira Instância vazou o entendimento no sentido de que, ao contrário do que arguira a Contribuinte, a Fiscalização teria competência para verificar aspectos intrínsecos dos acordos para pagamento de PLR. Nesse passo, reiterou os argumentos da autuação, registrando que a Contribuinte nada esclarecera acerca das inconsistências nela apontadas. Em face da decisão de Primeira Instância, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário às fls. 1.014 a 1.037, limitandose, no que tange à PLR, a reiterar os argumentos da defesa, sem ao menos transcrevêlos (fls. 1.014/1.015). Assim, em mais uma oportunidade de apresentação de defesa, a Contribuinte nada esclareceu sobre as inconsistências apontadas na autuação, acerca da PLR. Em sede de Recurso Voluntário, foi proferido o acórdão ora recorrido, cujo voto vencedor trata unicamente do mérito da PLR, o que leva a concluir que também teria rejeitado a preliminar de incompetência do Fisco para tratar dos aspectos intrínsecos do acordo. Registrese que dito acórdão, embora legitime o acordo que trata da PLR, não logrou esclarecer as discrepâncias desde o início apontadas pela Fiscalização, conforme será demonstrado. Importa registrar que, admitido o Recurso Especial da Fazenda Nacional, nem mesmo em sede de ContraRazões foi a Contribuinte capaz de trazer qualquer esclarecimento acerca das questões suscitadas na autuação, limitandose a questionar a admissibilidade do apelo da Fazenda Nacional. Assim, nada mais resta a esta Conselheira, senão enfrentar as razões que, embora tenham balizado a decisão recorrida, não integraram o conteúdo de nenhuma das peças de defesa apresentadas pela Contribuinte que, repitase, limitouse a suscitar questões preliminares. De plano, esclareçase que a Fiscalização nunca defendeu a necessidade de que todos os empregados fossem agraciados pela PLR, eis que a lei de regência efetivamente não contém tal exigência. O que restou claramente questionado na autuação foi a ausência de regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos dos empregados à participação nos resultados, bem como em relação aos percentuais a que cada trabalhador teria direito, e também a falta de clareza quanto aos mecanismos de aferição do cumprimento das metas. Nesse passo, o que a Fiscalização questionou foi a ausência de justificativa, extraída das regras Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 35301.001201/200707 Acórdão n.º 9202003.258 CSRFT2 Fl. 13 23 do acordo, que pudesse explicar o fato de que, atendidas as condições objetivas, alguns empregados foram contemplados no PLR, e a maioria deles não. Quanto à suposta falta de pronunciamento, por parte da Fiscalização, acerca do atendimento às condições objetivas impostas para que os empregados tivessem direito à PLR – mais de doze meses na empresa e participação no período de 6 meses de apuração – constatase que a amostra analisada na autuação levou em conta estas duas variáveis. Com efeito, é citado o exemplo do empregado Raimundo Mauro Gomes (fls. 172/181), admitido em 02/05/2000, tendo permanecido na empresa até 21/08/2002, sempre vinculado à obra do Rodoanel. Na mesma situação estão os demais empregados relacionados no levantamento, o que evidencia que permaneceram mais de 12 meses na empresa; e mais de 6 meses vinculados ao contrato do Rodoanel, no entanto, conforme suas fichas financeiras, nunca fizeram jus à PLR. Confirase o Auto de Infração: 2.7. A Fim de ilustrar a constatação acima relatada, tomemos como exemplo o caso do contrato referente à obra do “RODOANEL CEI 3494000029/78”, em que, tendo apresentado resultado positivo, ensejou a participação de funcionários no referido resultado, conforme se verifica, por amostragem, no “sistema de participação nos lucros – conta corrente do funcionário Alfredo de Hollanda Lima Neto” (DOC. 3 fotocópia). Tal documento nos informa que o trabalhador recebeu, sob este título e relativamente ao contrato do "RODOANEL", valores nos meses de 02/2001 (ref. exercício de 2000), 08/2001 (ref. exercício 2001) e 02/2002 (ref. exercício 2001). Já, o funcionário Raimundo Mauro Gomes, servente, embora houvesse trabalhado no "RODOANEL" no mesmo período de apuração dos resultados dos quais participou o funcionário Alfredo de Hollanda, engenheiro (de 05/2000 a 08/2002), não teve, por sua vez, qualquer participação no resultado (vide ficha financeira dos funcionários DOC. 4). O mesmo ocorrendo para os seguintes funcionários: Gilmar Martins Ferreira, carpinteiro (03/2001 a 02/2002); Francisco A. do Livramento, auxiliar de topógrafo (03/2001 a 06/2002); e Washington L. D. de Oliveira, pedreiro (03/2001 a 07/2002). Em situação idêntica ao Sr. Raimundo Mauro Gomes, este pessoal prestou serviços no período de apuração dos resultados sem que deles, contudo, houvesse também participado, conforme demonstrados em suas fichas financeiras. 2.8. O contrato do "RODOANEL" vigorou de 09/1999 a 08/2002. Neste período, inúmeros empregados da Construtora Queiroz Galvão S/A lá estiveram prestando serviços, conforme se verifica por meio do “sistema gestão de pessoal – obra: 70370002 RODOANEL" (DOC. 5). Tal documento nos informa que, em todo o período de vigência do contrato, 1.229 empregados colaboraram com a sua execução. Porém, apenas uma pequena parcela deste pessoal participou dos seus resultados, ou, mais precisamente, 68 funcionários, conforme nos demonstra a folha de pagamentos da empresa.” Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 24 Nesse ponto, reiterase que a Contribuinte teve várias oportunidades de esclarecer tal contradição, porém não o fez, ou seja, tais afirmações por parte da Fiscalização nunca foram contraditadas pela Contribuinte. A decisão recorrida, por sua vez, questiona genericamente a verificação do cumprimento dos dois requisitos objetivos, porém em momento algum contradiz a Fiscalização, concretamente, mediante a demonstração de que a autuação estaria equivocada. Relativamente ao argumento constante da decisão recorrida, no sentido de que a legislação não exige a fixação prévia de percentuais ou valores a serem distribuídos a título de PLR para cada trabalhador, ressaltese que nem a Fiscalização, tampouco o Recurso Especial, defenderam tal exigência. Entretanto, a legislação exige clareza e objetividade na fixação dos direitos substantivos da participação, e o principal direito substantivo que decorre da PLR, sem qualquer dúvida, é o abono financeiro que pode advir, quando do atendimento de metas, objetivos, índices de produtividade e lucratividade, etc. Com efeito, não seria razoável a exigência de fixação individual prévia (de valores ou de percentuais), porém em nome da clareza e objetividade, o acordo coletivo deve estabelecer os critérios norteadores da distribuição dos resultados, com base nas regras adjetivas estabelecidas, e tal definição não pode ficar a exclusivo juízo da empresa. No presente caso, em que a participação nos resultados é definida por contrato, o problema aparece mais acentuadamente na ausência de definição sobre a forma como a PLR apurada para determinado contrato será distribuída entre os empregados que nele atuaram, e tal omissão é incompatível com a exigência de clareza e objetividade do art. 2º, § 1º, da Lei nº 10.101, de 2000. Assim, ainda que não se fixe previamente quanto cada funcionário receberá, uma vez definida a parcela a ser distribuída, os critérios pelos quais se chegará ao valor final devido a cada trabalhador, devem ser claros e prévios, sob pena de ofensa à lei de regência. Quanto à ausência de clareza das regras adjetivas, o projeto do Rodoanel bem ilustra essa questão, já que foram superados os índices estipulados pela empresa, o que ensejou a distribuição de parte do resultado obtido entre alguns empregados, sendo que outros trabalhadores que também atuaram no projeto nada receberam a título de PLR. Assim, resta patente a ofensa ao artigo 2º, § 1º, da Lei nº 10.101, de 2000, perpetrada no programa de participação nos lucros da autuada, evidenciandose que do instrumento negociado não constam regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação, tampouco quanto às regras adjetivas. Ademais, como bem registra a Fazenda Nacional em seu recurso, a atuação da empresa violou também o próprio acordo coletivo assinado, tendo em vista que este era expresso em determinar que todos os colaboradores participariam do resultado apurado, satisfeitos os requisitos mínimos (item III.3 do acordo). Entretanto, como restou demonstrado – e não contraditado pela Contribuinte – tal premissa não foi respeitada. Cabe registrar também que as regras adjetivas não dizem respeito unicamente à existência de comissão paritária, ou possibilidade de reclamação por parte do empregado, no caso de dúvidas ou divergências relativas ao cumprimento do acordo, mormente no caso em apreço, em que os representantes dos empregados são indicados pela própria empresa, além do que o Acordo não prevê garantia de emprego para os membros da Comissão. Confirase a cláusula III.4 (fls. 151): Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 35301.001201/200707 Acórdão n.º 9202003.258 CSRFT2 Fl. 14 25 “(...) Tanto os representantes da empresa, quanto os dos empregados não terão direito à estabilidade de emprego. Os representantes da Empresa serão indicados pela Diretoria Executiva e os representantes dos Empregados serão indicados pelos líderes de cada Contrato, Diretoria Regional e Matriz.” Claro está que não há restrição a que os membros da comissão, representantes dos empregados, sejam indicados pela empresa (e não pelo sindicato), tampouco se exige que tenham garantia de emprego, porém não se pode negar que tais circunstâncias restringem a atuação desses empregados, mormente na atividade de construção civil, marcada pela rotatividade. Assim, como bem esclareceu o voto vencido, as regras adjetivas devem garantir os mecanismos de aferição, prevendo inclusive formulários internos de avaliação, sobretudo do desempenho do empregado, esclarecendo como este será avaliado. Com efeito, o objetivo da lei foi possibilitar ao empregado o conhecimento prévio do que precisa fazer e do quanto receberá de participação nos resultados, até mesmo para que possa vir a reclamar, caso os valores eventualmente recebidos não atendam aos critérios fixados. Finalmente, cabe trazer à discussão, para avaliação do Colegiado, questão não tratada no acórdão recorrido, por isso mesmo não abordada no Recurso Especial, tampouco arguida pelo Contribuinte em sede de Contrarrazões. Tal questão diz respeito à decadência, que no presente caso adquire os seguintes contornos: tratase de exigência relativa aos períodos de apuração de 02/2000 a 08/2005 e a Contribuinte foi intimada da NFLD em 14/07/2006 (fls. 1), portanto a decadência já se teria operado, no que tange às competências de 02/2000 a 06/2001, considerandose aplicável o art. 150. § 4º, do CTN, tendo em vista a existência de pagamento (TEAF de fls. 128); a questão é objeto da Súmula CARF nº 99, aprovada em 09/12/2013, com o seguinte texto: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. a Contribuinte apresentou este pleito na Impugnação, o que foi rechaçado pela decisão de Primeira Instância, que considerou aplicável o art. 45 da Lei nº 8.212, de 1990; ainda que de forma genérica e sem transcrição, os argumentos da Impugnação foram reiterados no Recurso Voluntário, porém o acórdão recorrido não tratou da Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 26 decadência, não foram opostos Embargos de Declaração pela Contribuinte, tampouco foi feita qualquer menção ao tema, em sede de Contrarrazões. Assim, tratase de decisão de Primeira Instância, transitada em julgado, mantendo a aplicação de dispositivo legal julgado inconstitucional e objeto de Súmula do STF. O presente Recurso Especial foi recebido na modalidade “contrariedade à lei ou à evidência de prova”, o que no entender desta Conselheira comporta cognição plena, podendo o efeito translativo alcançar matéria diversa, de ordem pública, como é o caso da decadência, desde que não se opere reformatio in pejus. Ressaltese que tal conclusão não é válida para Recurso Especial de Divergência, remédio de cognição restrita aos pressupostos regimentais, que devem ser observados em relação a cada uma das matérias eventualmente suscitadas. Assim, na tarefa de rever a eventual contrariedade à lei, salta aos olhos a não aplicação da decadência parcial, no presente caso. Diante do exposto, reconheço a decadência, relativamente às competências de janeiro de 2000 a junho de 2001 e, no mérito, dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 35301.001201/200707 Acórdão n.º 9202003.258 CSRFT2 Fl. 15 27 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, Designado Com todo respeito à nobre R, concordo com seu voto em relação à regra decadencial aplicada, mas discordo em relação ao mérito, motivo de negar provimento ao recurso da excelsa Procuradoria, nos termos abaixo. Primeiramente – só para constar, já que a parte, PGFN, poderia e não apresentou embargos sobre esse ponto – discordo que o mérito da questão (incidência ou não, de contribuição sobre os pagamentos feitos a título de Participação nos Lucros e Resultados (PLR)) não foram objeto de impugnação e recurso. Em sua impugnação, fls. 0555, o sujeito passivo ataca os fundamentos contidos no Relatório Fiscal, fls. 0565, item II.b, da defesa. “II.b do reconhecimento administrativo acerca da não caracterização de fatos geradores de obrigações previdenciárias, pelos subjetivos motivos relacionados no RF/NFLD, decorrentes de pagamentos efetuados aos empregados a título de PLR” Com a decisão administrativa de primeira instância, que lhe deu razão em parte e analisou a questão sobre a incidência ou não no pagamento de PLR, o sujeito passivo, novamente, em seu recurso, ataca os fundamentos da autuação, fls. 01015. Portanto – só para constar, já que a parte, PGFN, poderia e não apresentou embargos sobre esse ponto – discordo, com todo respeito, da informação quanto à suposta ausência de alegação sobre o mérito da questão, na defesa e no recurso. Quanto ao mérito da questão, em seu recurso especial, a nobre PGFN, como determina a legislação, apontou os dispositivos que teriam, em tese, sido contrariados na decisão, em que foi dado provimento por maioria, com um voto contrário, de oito integrantes no colegiado de então: artigo 2º, § 1º, da Lei 10.101/2000. Lei 10.101/2000: “Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: ... § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 28 mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. A recorrente define seu pleito em sua conclusão: “Com efeito, afronta o artigo 2º, § 4º, da Lei 10.101/2000 ao conferir validade, nos termos dessa Lei, ao programa de participação nos lucros da autuada, quando resta evidente que do instrumento negociado não constam regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e bem como das regras adjetivas. Pelo contrário, o instrumento é omisso e obscuro em diversos aspectos fundamentais à compreensão do conteúdo destes direitos e regras. Pois bem, cabe agora verificar se há, no acordo firmado entre o Sindicato e o sujeito passivo, regras claras e objetivas quanto: 1. Fixação dos direitos substantivos (valor do prêmio isento pela obtenção de um lucro ou resultado); e 2. Fixação das regras adjetivas (o que fazer para a obtenção desse prêmio isento, chamado de PLR). Antes de analisarmos a questão, cabe esclarecer que a PLR em questão analisa e busca resultados por contrato, forma não vedada na legislação, mas diferente de todos processos que já analisei. Outro ponto interessante e relevante é que o pagamento ocorre por resultados e não por lucro, o que, também, não é vedado pela legislação, existindo no acordo, inclusive, previsão de pagamentos em caso de “redução do prejuízo previsto”. Na análise dos autos, encontramos o regramento para a obtenção dos benefícios, pois as empresas são beneficiadas (alcance de resultados e pagamento sem tributação), segurados são beneficiados (aumento de sua remuneração) e o Estado é beneficiado (melhoria dos índices sociais pela melhoria de renda dos cidadãos vinculados ao trabalho e melhoria da produtividade das empresas que atuam no país). Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 35301.001201/200707 Acórdão n.º 9202003.258 CSRFT2 Fl. 16 29 Nesse regramento há: 1. Pressupostos básicos; 2. Premissas para definições; 3. Critérios para apuração; 4. Período de apuração; 5. Do Direito (de receber); 6. Comissão paritária (criação e composição de comissão para acompanhar a implantação, execução, pagamentos da PLR); Quanto à fixação dos direitos substantivos, encontramos regra para sua definição: “II. PREMISSAS a) PARA A DEFINIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO POTENCIAL • Conquistado o Contrato, o Diretor da Área de Negócios responsável, envolvendo os profissionais/áreas que julgar pertinente (DIREG/SUCON/RECON/etc.) analisa as condições específicas aplicáveis, e propõe o percentual a ser considerado para efeito de participação. • Consensado o percentual, o Diretor da Área de Negócios o submeterá à apreciação da Diretoria Corporativa Colegiada que o homologará, sob coordenação da DIGEX. • A determinação do percentual deverá ser feita a partir da avaliação e formalização das conclusões, com base nos seguintes quesitos: COMPLEXIDADE NEGOCIAL COMPLEXIDADE OPERACIONAL RESULTADO ECONÔMICOFINANCEIRO DESEJADO Como Complexidade Negocial entendese o grau de dificuldade a ser enfrentado na gestão do Contrato , em razão de fatores tais como: Quem é o Cliente e qual o nível de relacionamento com o GQG, Envolvimento de parceiros; Variáveis legais específicas ao tipo de Contrato; Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 30 Situação econômicofinanceira do Cliente; Perspectiva de problemas de garantia de recursos e pagamentos; Bases contratadas; Perspectiva de ampliação dos resultados do Contrato Etc.... • A Complexidade Operacional abrange a análise do potencial de dificuldades inerentes à realização do trabalho quando da execução dos serviços contratados , o que engloba, entre outros fatores: Porte; Desafios vinculados a prazo contrátual; Localização e logística; Grau de domínio da tecnologia pelo GQG; Deficiências de projetos; Custos e margens operacionais; CuItura local de relações trabalhistas; Cronograma de Obras; Etc.... * A definição do Resultado Econômico Financeiro Desejado, envolve a análise dos desafios potenciais previstos quanto a: Margem operacional assegurada na conquista do Negócio (Preço x Custos Orçados); Riscos assumidos pelo Grupo em termos de estratégia empresarial; Possibilidades de melhoria dos resultados (redução de custos via mudança de projetos, melhoria de produtividade/ampliação da receita via melhoria de condições contratuais ou ampliação de serviços dentro do Contrato); Etc.... O percentual definido passa a ser, a partir daí, o referencial básico a ser aplicado sobre o resultado econômico financeiro efetivamente alcançado pela equipe do Contrato, independente se positivo ou negativo , podendo, no entanto, ser reduzido caso os resultados qualitativos estabelecidos no Plano de Ação não sejam atingidos. • Esse referencial básico , de principio, deve permanecer válido para toda a extensão do Contrato. Considerando, no entanto, as peculiaridades inerentes ao nosso segmento de atuação, alterações imprevistas que interfiram significativamente nas premissas estabelecidas , dentro dos Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 35301.001201/200707 Acórdão n.º 9202003.258 CSRFT2 Fl. 17 31 mesmos passos de consenso e homologação utilizados inicialmente , o que pode, inclusive, acarretar mudanças no percentual definido. • A distribuição do percentual relativo ao Contrato será feita a partir da avaliação do Plano de Ação, conforme bases acordados pelo RECON com sua equipe. • No caso de Contratos para os quais o Grupo tenha , a priori, assumido a possibilidade de resultado econômicofinanceiro negativo , o percentual será fixado com base no desafio de REDUÇÃO DO PREJUIZO PREVISTO. Nessa situação, será determinado um patamar de RESULTADO NEGATIVO ESPERADO, a partir do qual será fixado um percentual a ser aplicado sobre a melhoria efetivamente obtida. Aqui também a ocorrência de resultados aquém do desejado (aumento do prejuízo previsto ), gerará débito em conta corrente para a equipe, na mesma proporção. ... CRITÉRIOS II.1 APURAÇÃO a) Do Resultado da Empresa O resultado para efeito de participação, será calculado com base no critério financeiro, ou seja, os recebimentos das faturas dos serviços executados menos os pagamentos de despesas e custos. Portanto, para apuração do resultado da empresa deve ser considerado: al O recebimento das faturas provenientes de medições de serviços realizados nos contratos a2 A remessa de numerários feita aos contratos para pagamento de despesas e custos a3 A depreciação dos equipamentos lotados nos contratos a4 As despesas ou custos transferidos de outros contratos ou Matriz a5 As despesas dos Escritórios Regionais a6 As despesas da Matriz, exceto as despesas tributárias. Observações: 1. Para apuração dos Escritórios Regionais não serão consideradas as despesas da Matriz. Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 32 2. Para a apuração dos contratos, além das despesas da Matriz, também não serão consideradas as despesas dos Escritórios Regionais. 3. A emissão de fatura sem o respectivo recebimento não caracterizará expectativa de direitos para o empregado. Da leitura acima, encontramos: 1. Fixação dos direitos substantivos: “Conquistado o Contrato, o Diretor da Área de Negócios responsável, envolvendo os profissionais/áreas que julgar pertinente (DIREG/SUCON/RECON/etc.) analisa as condições específicas aplicáveis, e propõe o percentual a ser considerado para efeito de participação. Consensado o percentual, o Diretor da Área de Negócios submeterá à apreciação da Diretoria Corporativa Colegiada, que o homologará, sob coordenação da DIGEX.; 2. Fixação dos direitos substantivos: “O resultado para efeito de participação, será calculado com base no critério financeiro, ou seja, os recebimentos das faturas dos serviços executados menos os pagamentos de despesas e custos.”; 3. Fixação dos direitos substantivos: A distribuição do percentual de cada contrato será feita a partir da avaliação do Plano de Ação, conforme bases acordadas pelo RECON (responsável pelo contrato) com sua equipe; 4. Fixação das regras adjetivas: as metas a serem alcançadas estão dispostas, nos componentes que definem os cálculo do critério financeiro, pois a definição de que o valor a receber depende da relação entre recebimentos, despesas e custos traz, em seu cerne, a busca de esforços dos segurados para elevação de itens e redução de outros itens. Importante ressaltar que no acordo há a previsão/determinação de criação de comissão permanente, paritária, de representantes da empresa e dos segurados, com doze integrantes, com o objetivo de aprovar as regras, , acompanhar a apuração dos resultados, , verificar os pagamentos realizados, , fazer as ajustagens e melhoramentos no sistema de remuneração que forem necessárias. Portanto, havia um órgão/centro, com representantes dos segurados, para fiscalização, acompanhamento de metas e pagamentos, proposição de melhorias. Somase a esse fato que o Sindicato de categoria, Construção Ciivil, participou, concordou e chancelou as regras dispostas. Estes dois organismos (Comissão Permanente e Sindicato) servem para, principalmente, resguardar os direitos dos segurados. Eles possuem a missão de fiscalizar e defender os segurados, por isso a participação e chancela dos sindicatos é de fundamental importância. Fl. 1224DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 35301.001201/200707 Acórdão n.º 9202003.258 CSRFT2 Fl. 18 33 Por fim, a fiscalização acusa os acordos de possuírem privilégios, pois engenheiro recebeu em obra do RODOANEL (não há informação se é por contrato, já que em uma obra como essa devem existir vários contratos) e servente de pedreiro não recebeu. Quanto à possibilidade de ocorrência de privilégios, na análise de cálculo do valor lançado, encontramos cerca de 13.500 pagamentos, por segurado, fls. 0263. Nesses pagamentos encontramos valores pagos a diretores, engenheiros, auditores, funções com poder de direção na empresa, mas também, encontramos valores pagos a Operadores de Máquina Copiadora, Varredor de rua, Auxiliar de serviços Gerais, Mestres de Obras, etc. Portanto, não há como descaracterizar o acordo sobre a pecha, mesmo que feita de forma indireta, de que ele era ferramenta de privilégios para segurados com poder no sujeito passivo. O Fisco informa que a empresa não respondeu questionamento sobre os motivos que alguns segurados não receberam os valores, apesar de que o regramento para pagamento de PLR determinava que todos deveriam receber, nos seguintes termos: “2.11. Como conseqüência, observase, a exemplo do "RODOANEL", contratos cujos resultados ficaram adstritos somente a uma parcela dos funcionários envolvidos, não restando evidenciados os critérios, ou melhor, quaisquer justificativas para tal situação. 2.12. Intimada, então, por meio do termo lavrado em 28/04/2006 (DOC. 6), a manifestarse sobre os critérios adotados para fixação dos direitos à participação dos funcionários, a empresa limitouse a informar que os mesmos estariam "estabelecidos nas bases do plano de participação na superação de resultados remuneração variável (item III critérios)" (DOC. 6A).” Ora, o Fisco não fez esse questionamento. O questionamento feito pelo Fisco, anexado por ele, consta dos autos, anexados na autuação, fls. 0257: “Tendo em vista a participação de trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa, esta Auditoria Fiscal solicita, por impresso, esclarecimentos quanto aos seguintes questionamentos: 1) Quais os critérios adotados para fixação dos direitos à participação nos lucros, apontandose, inclusive, os mecanismos de aferição, tais como: índices de produtividade, programas de metas, resultados e prazos pactuados, etc...? 2) As regras e condições acordadas encontramse definidas em convenção, acordo coletivo ou decorreram de deliberações de comissões constituídas para tal finalidade? Qual o período de vigência e prazos para revisão do acordo?’ Fl. 1225DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 34 A empresa respondeu aos questionamentos, fls. 0258, informando, em síntese, que havia acordo e que os critérios constam do item III. Portanto não há razão nessa alegação, mesmo que indireta, de existência de privilégios, pois diretores receberam, varredores de rua receberam e o Fisco deveria ter investigado os motivos de que certo segurado não recebeu, inclusive informandoo, para que buscasse seu direito, caso tenha sido prejudicado. Depois de vários anos analisando a matéria de pagamento de PLR, e sua conseqüente isenção, chegamos à conclusão, em síntese, que um regramento para estar de acordo com a legislação deve possuir alguns requisitos básicos, que são: 1. Participação e chancela de Sindicato (a fim de defender, fiscalizar, exigir os direitos dos segurados, seus filiados); 2. Integração entre capital e trabalho (melhoria de resultados empresariais atrelados a ganhos de remuneração dos segurados); 3. Celebração do acordo em data anterior a obtenção do resultado a ser atingido, por lógica, não há como alcançar algo que já se realizou; 4. Previsibilidade de regras sobre metas a serem alcançadas; 5. Previsibilidade de regras sobre ganho na remuneração se metas forem atingidas. Nesse sentido, em meu entender, todos esses requisitos estão presentes no regramento para pagamento de PLR em questão. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, acompanho o voto vencido quanto à decadências, e, no m´perito, voto em negar provimento ao recurso da nobre PGFN, nos termos do voto. (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 1226DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
