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Numero do processo: 11020.002654/2010-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2007, 2008, 2009
DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS. RENDIMENTOS EXCLUSIVOS DA ATIVIDADE RURAL.
Comprovado que o contribuinte somente tem rendimentos provenientes da atividade rural, deve-se tributar a quinta parte, a base tributável decorrente da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Na espécie, o fisco tem o ônus de provar a fonte dos
rendimentos para desclassificá-la, se for o caso, para a tributação normal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2102-001.858
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR
PARCIAL provimento ao recurso, para excluir 80% da base de cálculo remanescente do acórdão recorrido. Vencidas as Conselheiras Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti que davam parcial provimento em menor extensão para excluir da base de cálculo o valor de R$ 167.598,00 (somatório dos 04 depósitos que o contribuinte logrou comprovar a origem).
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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RENDIMENTOS EXCLUSIVOS DA ATIVIDADE RURAL. Comprovado que o contribuinte somente tem rendimentos provenientes da atividade rural, devese tributar a quinta parte, a base tributável decorrente da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Na espécie, o fisco tem o ônus de provar a fonte dos rendimentos para desclassificála, se for o caso, para a tributação normal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso, para excluir 80% da base de cálculo remanescente do acórdão recorrido. Vencidas as Conselheiras Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti que davam parcial provimento em menor extensão para excluir da base de cálculo o valor de R$ 167.598,00 (somatório dos 04 depósitos que o contribuinte logrou comprovar a origem). Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 10/05/2012 Fl. 425DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11020.002654/201036 Acórdão n.º 210201.858 S2C1T2 Fl. 426 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 381 a 392: Mediante Auto de Infração, de fls. 291/305 e anexo de fls. 306/316, exigese do contribuinte acima qualificada o recolhimento do imposto de renda pessoa física, acrescido de multa proporcional e juros de mora no valor total de R$ 547.256,74, calculados até 27/08/2007, em virtude da constatação de irregularidades na declaração de ajuste anual referente aos exercícios de 2007, 2008 e 2009, anos calendário de 2006, 2007 e 2008. A fiscalização informa às fls. 10/12, que constatou “omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada” e “omissão de receita da atividade rural”. O contribuinte apresentou impugnação, conforme fls. 322/350, alegando, em resumo, ausência do necessário nexo entre o depósito bancário tributado e o fato caracterizador do rendimento omitido. Há evidência de que o fisco tributou única e exclusivamente créditos bancários. Não há indicação de qualquer fato que caracterize sinal exterior de riqueza, circunstância indispensável como prova material para efeito de se converter créditos bancários em rendimentos. Considerado que o impugnante exerce atividade rural, cumpre ao fisco, no mínimo, cotejar os valores alegados como omissos, com os recebimentos originados de sua atividade, conforme notas fiscais de produtor emitidas ao logo do período objeto da exigência fiscal. Alegou que não foram observados os princípios da capacidade contributiva e não confisco. Fez citações doutrinárias e citações jurisprudenciais. Relacionou documentos para comprovar a movimentação bancária. Reconheceu parte da exigência apresentada através do “demonstrativo exigência reconhecida a parcelar” Solicitou a acolhida do pedido e a declaração de insubsistência do crédito tributário pretendido pelos fundamentos que expôs. Anexou documentos conforme fls. 351/376. É o relatório. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente em parte o lançamento, retirando da base de cálculo os depósitos que conclui serem justificados, mantendo parcialmente do crédito tributário lançado o valor de R$ 172.252,01, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Fl. 426DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11020.002654/201036 Acórdão n.º 210201.858 S2C1T2 Fl. 427 3 Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 413 a 421, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, cujo conteúdo se resume nos seguintes excertos: I. Atentese que o Recorrente é pessoa física, não está obrigado a escriturar suas operações e a data do crédito, na maioria dos casos, não corresponde à data de emissão da Nota Fiscal de Produtor, haja vista que os recebimentos podem ocorrer antecipadamente, na forma de adiantamento, ou posteriormente. Aliás, o Frigorífico, conforme notas relacionadas (fl. 155, do processo), pode atestar a data do pagamento de cada Nota Fiscal de Produtor e, por conseguinte, comprovar os valores depositados nas contas bancárias do Recorrente. II. Quanto aos depósitos bancários, de conformidade com o que foi exposto na Impugnação, as decisões dos órgãos colegiados são no sentido de que não basta a simples indicação dos depósitos ou créditos bancários (presunção simples) para constituir a prova material da infração. É necessário que a fiscalização apresente, no mínimo, conjunto de indícios que corroborem a acusação de omissão de rendimento. Todavia, nada disso está demonstrado no presente processo. Ao contrário, valeuse a Nobre Autuante do poder discricionário para efeito de tributar exclusivamente movimentação bancária, sem indicar, ainda que por mera referência, qualquer fato, operação ou circunstância que pudesse caracterizar a efetiva percepção de rendimento tributável não declarado pelo Recorrente. III. Requer que sejam cancelados os seguintes depósitos pela prova da sua origem: Transferência on line: R$ 64.000,00 em 28.01.2008: Conforme se verifica pelo documento anexado à impugnação (Doc. n.° 01), o valor acima originase de transferência da conta corrente da empresa Frigorífico e Distribuidora de Carnes Boa Vista Ltda., como forma de pagamento de compra de gado efetuada junto ao Recorrente, conforme Nota Fiscal de Produtor relacionada no processo (fl. 155). Transferência on line: RS 61.690.00 em 16.04.2008: Através do documento anexado à Impugnação (Doc. n.° 02), comprovase que o valor acima originase de transferência da conta corrente da empresa Frigorífico e Distribuidora de Carnes Boa Vista Ltda., como forma de pagamento de compra de gado efetuada junto ao Recorrente, conforme Notas Fiscais de Produtor relacionadas no processo (fl. 155). Transferência on line: R$ 20.000.00 em 05.05.2008: De forma idêntica às duas transferências anteriores, o documento anexado à Impugnação (Doc. n.° 03), comprova que o valor acima originase de transferência da conta corrente da empresa Frigorífico e Distribuidora de Carnes Boa Vista Ltda., como forma de pagamento de compra de gado efetuada junto ao Recorrente, conforme Notas Fiscais de Produtor relacionadas no processo (fl. 155). Depósito em cheque: R$ 21.908,00 (fl. 88, do processo) efetuado por Santa Úrsula Comércio e Repr. Ltda., para pagamento, por se tratar de feira (Expointer), equivalente a 80% da transação que, no caso, foi documentado pela Nota Fiscal de Produtor n.° 765821 (fl. 187, do processo) e respectiva contra Nota de Venda n.° 07548 (fl. 186, do processo), conforme comprova a cópia do cheque n.° 000698, ora anexada (Doc. n.° 07). Observese, a propósito, que o restante 20% é pago diretamente, e posteriormente, pelo comprador, o qual por ocasião da feira foi representado pela empresa depositante acima referida. Considerando as comprovações apresentadas, afastase a acusação, segundo a Nobre Autuante, de omissão de rendimentos, eis que ausente a condição de demonstrar a Fl. 427DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11020.002654/201036 Acórdão n.º 210201.858 S2C1T2 Fl. 428 4 efetividade do rendimento auferido e só então cogitar de considerálo omitido. Assim, desde que comprovada a maioria dos créditos nas contas bancárias do Recorrente, não há que prosperar a presunção de rendimento auferido e omitido, nos termos em que se manifesta a Nobre Autuante. Por outro lado, os valores imputados como omissão de receita, inclusive depósitos e créditos bancários, na remota hipótese de que a exigência prosperasse, a base de cálculo para tributação fica limitada a 20% do somatório de seus valores, haja vista que no mesmo período os rendimentos da atividade rural foram tributados mediante opção pelo arbitramento sobre a receita bruta, conforme se verifica à fl. 304, do processo. A aplicação do regime impõese na medida em que todos os rendimentos do Recorrente procedem unicamente da atividade rural, não logrando o Fisco demonstrar procedência diversa. Nesse sentido, conforme dispõe o RIR/99, art.60, § 2.°, a tributação dos depósitos apurados deve se dar na razão de 20% da receita bruta, como indicado em jurisprudência desse Conselho. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. OBJETO DO RECURSO Trata o presente Recurso exclusivamente de Depósitos Bancários remanescentes do acórdão recorrido nos seguintes valores como mostram as tabelas de fls. 390 a 391, que resumo a seguir: Anocalendário 2006 Anocalendário 2007 Anocalendário 2008 FATO GERADOR NOVO VALOR TRIBUTÁVEL FATO GERADOR NOVO VALOR TRIBUTÁVEL FATO GERADOR NOVO VALOR TRIBUTÁVEL 31/1/2006 13.000,00 30/4/2007 19.000,00 31/1/2008 64.000,00 31/3/2006 35.700,00 30/6/2007 83.745,00 29/2/2008 68.030,00 31/8/2006 25.000,00 30/11/2007 25.100 30/4/2008 91.690,00 31/12/2006 48.265,00 Totais 127.845,00 31/5/2008 42.550,00 Totais 121.965,00 30/6/2008 90.000,00 31/10/2008 20.291,00 Totais 376.561,00 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11020.002654/201036 Acórdão n.º 210201.858 S2C1T2 Fl. 429 5 Auditados os extratos bancários, a autoridade compilou todos os créditos bancários cuja origem não foi comprovada e intimou o contribuinte a indicar as suas respectivas fontes. Por sua vez, o contribuinte poderia ter demonstrado as respectivas origens dos recursos até no curso desse contencioso fiscal, contudo, não o fez demonstrando apenas que alguns valores guardam liame com a sua atividade de produtor agropecuário. Importante observar que dos depósitos remanescentes o contribuinte não atacou as omissões de forma individual, demonstrando de forma inequívoca, quaisquer valores que tenham sido transportados equivocadamente ou erros de cálculo. Ressalto que o art. 42 da Lei nº 9.430/96 obriga o contribuinte a comprovar a origem dos depósitos bancários, de forma individualizada, sob pena deles serem presumidos como rendimentos omitidos. Ainda, acerca do ataque da presunção fiscal de renda, cumpre observar que essa questão já foi superada em Súmula deste Conselho, in verbis: SÚMULA CARF Nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Logo, as teses defendidas pelo contribuinte, no que diz respeito às matérias já sumuladas, não podem prosperar. VALORES DESTACADOS NO RECURSO O Recorrente destaca alguns valores que deveriam ser retirados da base de cálculo pela prova da sua origem: Transferências on line: R$ 64.000,00, RS 61.690.00 e R$ 20.000.00: Em relação aos documentos referido de fls.351 a 353, fica registrado a origem que é o Frigorífico e Distribuidora de Carnes Boa Vista, contudo, nada prova que estas receitas teriam sido oferecidas a tributação de tal forma que devam ser retiradas da base de cálculo. Depósito em cheque: R$ 21.908,00. Conforme alegado pelo contribuinte entendo que resta comprovado pelos documentos de fls. 186/187 e 363 que se trata de um valor decorrente de leilão de novilhas na XXIX Expointer, contudo, da mesma forma que indicado no item acima, nada prova que esta receita teria sido oferecida a tributação de tal forma que deva ser retirada da base de cálculo. De outro lado, está patente que a atividade do contribuinte é a de Produtor na exploração agropecuária, como indicado à fl. 02, DIRPF, exercício 2007. Além disso, a vasta documentação constante nos autos e pelo que consta no Termo de Verificação Fiscal, fls. 306 a 316, não deixa dúvidas que esta é a única atividade comercial exercida pelo recorrente. Nesse sentido, entendo que as receitas objeto desse recurso lançadas como omissão decorrente de depósitos bancários não identificados, estão sim identificados como decorrentes da atividade rural do interessado e assim deveriam ter sido lançados, na razão de Fl. 429DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11020.002654/201036 Acórdão n.º 210201.858 S2C1T2 Fl. 430 6 20% da receita bruta, RIR/99, art.60, § 2.°, juntamente com a infração 001 – Omissão da Atividade Rural, fl. 301, Infração essa reconhecida e não impugnada pelo autuado. Contrario sensu, deveria ter a fiscalização comprovado que não se tratava de Receitas decorrente da atividade agropecuária, quando na verdade, isso está patente pela origem dos depósitos e demais documentos acostados aos autos. Da mesma forma entendeu o i.julgador Giovanni Christian Nunes Campos, no Acórdão 10616.716, de 22 de janeiro de 2008: (...) Assim, como anteriormente informado, todas as provas dos autos indicam que as fontes de rendimentos do recorrente provêm da atividade rural. Vejamse as declarações de rendimentos, as cédulas rurais comprobatórias de empréstimos rurais, o resumo de notas fiscais emitido pelo fisco estadual tendo o recorrente como emitente, levantamentos da fiscalização na mensuração do APD do anocalendário de 2003, bem como o levantamento de receitas e despesas do anocalendário 2002 igualmente feito pela fiscalização. Tudo a indicar que o recorrente tem suas rendas provenientes exclusivamente da atividade rural. Por tudo, em uma abordagem que formalmente difere da propugnada pelos Acórdãos antes transcritos, porém que se iguala nos valores do imposto a serem exigidos, entendo que quando o contribuinte somente tem rendimentos provenientes da atividade rural, devese excluir da base de cálculo dos depósitos bancários de origem não comprovada um percentual de 80% das receitas omitidas. Assim, permanece hígida a autuação, em sua fundamentação legal, com a mera exclusão na base de cálculo do auto de infração de 80% dos valores originados dos depósitos bancários. No tocante ao valor da liquidação das CPR nºs 11.051, R$ 102.900,00 (conta do Banco do Brasil, em 10/11/2000), 1001044, R$ 65.598,00 (conta do Banco do Brasil, em 29/01/2001), e 1001930, R$ 107.460,00 (conta do Banco do Brasil, em 12/02/2001), estas devem ser consideradas no rol dos rendimentos omitidos, com a exclusão de 80% de seu valor, já que se tratam de receitas da atividade rural. Devemse, pois, excluir 80% da base de cálculo do imposto de renda lançado com base nos valores oriundos de depósitos bancários de origem não comprovada nos anoscalendário 2000 e 2001, independentemente de o recorrente ter revelado a origem de alguns dos depósitos originalmente não comprovados, pois, como amplamente demonstrado, o contribuinte nada tinha ofertado à tributação nos anos calendário 2000 e 2001. CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO, para excluir 80% da base de cálculo remanescente do acórdão recorrido. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11020.002654/201036 Acórdão n.º 210201.858 S2C1T2 Fl. 431 7 Fl. 431DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 19515.004212/2003-45
Turma: Oitava Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IRPJ — EXS.: 1999,2000 A 2002
Decadência – Tratando-se de valores diferidos, controlados no Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR, não pode a autoridade impugnar sua constituição, quando o período já foi alcançado pela decadência. Todavia, cabe exigilo, em período posterior, se verificado que constou do LALUR mas não foi considerado no ajuste do lucro no período referente à declaração. GRATIFICAÇÕES A ADMINISTRADORES – Natureza jurídica As participações nos lucros atribuídas aos administradores não tem característica salarial. Portanto, não representam custos ou despesas operacionais, por expressa vedação legal.
DECISÃO JUDICIAL – LIMITE OBJETIVO DA COISA JULGADA – Observa- se, na íntegra, os termos da sentença concessiva do direito de compensar os prejuízos fiscais e bases de cálculo negativa da CSLL havidos até 1994, nos termos do artigo 12 da Lei n° 8.541/92.
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL – REFLEXOS EM PERÍODOS POSTERIORES. – Havendo ajustes no prejuízo fiscal e bases de cálculo negativa , por lançamento de ofício em determinado período, ajustam-se seus valores nos períodos subseqüentes.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS – MATÉRIA SUMULADA – SÚMULA CARF Nº.2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS SELIC Súmula CARF Nº4 – A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial.
Numero da decisão: 1102-000.613
Decisão: ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA do PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro
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Turma da DRJ São Paulo/SPI IRPJ — EXS.: 1999,2000 A 2002 Decadência – Tratandose de valores diferidos, controlados no Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR, não pode a autoridade impugnar sua constituição, quando o período já foi alcançado pela decadência. Todavia, cabe exigilo, em período posterior, se verificado que constou do LALUR mas não foi considerado no ajuste do lucro no período referente à declaração. GRATIFICAÇÕES A ADMINISTRADORES – Natureza jurídica As participações nos lucros atribuídas aos administradores não tem característica salarial. Portanto, não representam custos ou despesas operacionais, por expressa vedação legal. DECISÃO JUDICIAL – LIMITE OBJETIVO DA COISA JULGADA – Observase, na íntegra, os termos da sentença concessiva do direito de compensar os prejuízos fiscais e bases de cálculo negativa da CSLL havidos até 1994, nos termos do artigo 12 da Lei n° 8.541/92. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL – REFLEXOS EM PERÍODOS POSTERIORES. – Havendo ajustes no prejuízo fiscal e bases de cálculo negativa , por lançamento de ofício em determinado período, ajustamse seus valores nos períodos subseqüentes. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS – MATÉRIA SUMULADA – SÚMULA CARF No.2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS SELIC Súmula CARF No 4 – A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial Fl. 3507DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 19515.004212/200345 Acórdão n.º 110200.613 S1C1T2 Fl. 3.509 2 ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA do PRIMEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso,nos termos do voto da relatora. Assinado digitalmente IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO – Presidente e Relatora EDITADO EM:20/01/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, João Otavio Opperman Thomé, Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, Leonardo de Andrade Couto , Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado) e João Carlos Lima Junior(Vice Presidente) Relatório Fl. 3508DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 19515.004212/200345 Acórdão n.º 110200.613 S1C1T2 Fl. 3.510 3 Tratase de retorno da Resolução 10800.462 de 12/09/2007, fls.3444;3454 , a qual converteu o julgamento em diligência para esclarecer se os argumentos oferecidos pela Recorrente comprovavam a efetividade do direito pretendido Decorreu a exigência do lançamento realizado em 13/11/2003 para o IRPJ (fls.175/178),referente aos anoscalendário de 1999, 2000 e 2001, por "Diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago (Verificações obrigatórias)", em virtude de compensações de prejuízos, que conforme sentença no MS n. 96.00336555 da 21° VF de SP, já se encontravam extintos. O procedimento é descrito no TVF de fls.164/170. Em síntese, o lançamento glosou despesas tidas como desnecessárias e glosou as compensações de prejuízos realizadas sem observar o limite de 30%, instituída através do artigo 42 da Lei 8981/1995. Também há cobrança para a Contribuição Social Sobre o Lucro, por decorrência, nos anos de 2000 e 2001, que foram exigidas em procedimento apartado PTA n° 1915.004213/200390, anexado ao presente, conforme despacho de fls.1671, atendendo ao disposto na Portaria SRF n°6.129 de 02/12/2005. Os lançamentos foram integralmente mantidos, pela 2ª Turma da DRJ/São Paulo I, nos termos do acórdão 169.816 de 28/07/2006. No recurso voluntário aduziu a Recorrente que as despesas referentes às gratificações pagas aos diretores a título de "participação nos lucros e resultados" eram necessárias e estavam de acordo com o art.299 do RIR/1999. A Correção Monetária Plano verão, reconhecida em 1994, estaria alcançada pela decadência, nos termos do art. 150 § 4o. do Código Tributário Nacional. O termo final seria abril de 2000, posto que a DIRPJ fora entregue em abril de 1995. Afirma ocorrida a homologação tácita, cita decisões e jurisprudências em relação à matéria. Informa que, em 04 de janeiro de 1996, entregou declaração retificadora relativa ao ano base de 1994, alterando o valor do ajuste do plano verão. Mesmo com esta retificadora estaria decaído o direito do fisco rever aquele valor, porque já se instalara a decadência desde 04 de janeiro de 2001.Além do mais, o Plano Verão não influenciou os resultados apurados nos exercícios seguintes, pois errou na escrituração da parte B da Lalur, sem causar impactos na parte A (apuração dos resultados). Os ajustes realizados pelo fisco não prosperariam, porque se respaldam em períodos já alcançados pela decadência, (anoscalendário de 1999, 2000 e 2001). Ainda, o valor correspondente à correção monetária do plano verão não deve ser adicionado ao lucro líquido do anobase de 1998. Equivocado,também, o entendimento de que os prejuízos fiscais e saldo negativo da CSLL acumulados até 1994 só poderiam ser aproveitados até 1999, o que provocou os ajustes fiscais relativos a 1999, 2000 e 2001. Errada fora a conclusão de que “ a partir de 1999 só poderiam ser aproveitados os prejuízos fiscais e a base de cálculo negativa da CSLL verificadas a partir do AC de 1995 já com o limite de 30%.", porque desrespeita decisão judicial que autorizou à compensação integral dos prejuízos acumulados até 31.12.94, sem limitação temporal (MS. 96.00336555 fls. 159/163). Fl. 3509DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 19515.004212/200345 Acórdão n.º 110200.613 S1C1T2 Fl. 3.511 4 Discorre sobre os comandos normativos , na seguinte ordem: a) a Lei n° 8.383/91, em seu artigo. 38 § 7°, autorizou a compensação dos prejuízos mês a mês; b) a Lei n° 8.541/92, no art. 12 estabeleceu o direito à compensação de prejuízos a partir de janeiro de 1993, corrigidos monetariamente, com o lucro real apurado até quatro anoscalendário subseqüentes ao ano de apuração; c) a Lei n° 8.981/95, em seu artigo 42, parágrafo único, permitiu a compensação dos prejuízos acumulados até 31.12.94, quando superasse o percentual de 30% previsto no caput do artigo, nos anoscalendário subseqüentes, revogando em seu art. 117, expressamente, o art. 12 da Lei n° 8.541/92; d) a lei n° 9.065/95 introduziu, no art. 15, a limitação de 30% para a compensação dos prejuízos fiscais acumulados até 31.12.94, motivo que a levou à busca da tutela jurisdicional visando afastar a limitação dos 30% imposta à compensação dos prejuízos fiscais acumulados até 31.12.94, posto que o art. 12 da Lei n° 8.541/92 estava revogado pelo art. 117, I da Lei n° 8.981/95. Reclama da permanência da limitação de 30% para compensação de prejuízos e de bases de cálculo negativas, por desvirtuar o conceito de renda insculpido no artigo 43 do CTN; da multa por conter características confiscatórias e da taxa SELIC, (esta específica dos mercados financeiros). No tocante a CSLL oferece argumentos comuns (quanto a decadência do direito do fisco realizar o lançamento). Diz improcedentes os ajustes relativos aos anos de 1999, 2000 e 2001, posto que o art. 12 da Lei n° 8.541/92 não se aplicava à base de cálculo negativa da CSLL, mas somente ao Imposto sobre a Renda, pois as disposições quanto a CSLL estão no art. 38 e seguintes do referido diploma. Igualmente, a limitação temporal das compensações não cabem no caso da CSLL, nos termos do Mandado de Segurança, porque a Lei n°. 9.065/95 alcançou a CSLL, nos termos do art.16. No julgamento do recurso o i.exConselheiro e Relator, Margil Mourão Gil Nunes, resolveu converter o julgamento em diligência para as seguintes providências: 1) Anexação do Controle do Prejuízo Fiscal e do Lucro Inflacionário Acumulado (SAPLI), segundo arquivos da Secretaria Receita Federal abrangendo todo o período objeto do litígio; 2) Determinação do valor inicial e original, ou seja, em 01/01/1999 para apuração das bases de cálculos do IRPJ e da CSLL nos termos legais, com suas respectivas compensações e ajustes por fatos geradores dos anos 1999, 2000 e 2001; Fl. 3510DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 19515.004212/200345 Acórdão n.º 110200.613 S1C1T2 Fl. 3.512 5 3) Demonstração, segundo LALUR parte A e B, se foi ou não baixada a correção monetária do Plano Verão em 31/12/1998, conforme consta no documento de fls.146; 4) Apurar se o valor constante do LALUR, parte A, fls.132, "CM do Plano Verão" R$43.410.442,19 reduziu o Lucro Real (ou aumentou o Prejuízo Fiscal) no ano calendário 1995, já que há divergências entre a assertiva fiscal e as contestações da contribuinte (fls.3312/3313). Interferindo na apuração, objeto do presente processo, nos anos calendários de 1999, 2000 e 2001. A par das respectivas apurações e nova base de cálculo imponível, dêse ciência a contribuinte nos termos da legislação, com retomo dos autos a este Conselho para a decisão final. Relatório de diligência às fls.3460/3462, Anexos fls.3463/3490, com o seguinte arrazoado: a) quanto ao valor de R$ 27.942.473,04, adicionado em dezembro/98, referese A baixa da parcela de Correção Monetária Plano Verão efetuada pelo contribuinte em 31/12/1998, conforme parte B de seu Lalur (doc. fls. 146) e não a estorno efetuado pelo contribuinte em 31/12/1996 como constou; b) o contribuinte procedeu a baixa de outra parcela referente a CM — Plano Verão, no valor de R$ 25.218.759,96, está sim em 31/12/1996 (doc. fls. 138), a qual não foi autuada por já se encontrar decaído esse direito a época da lavratura do auto de infração (17/11/2003); c) em relação aos pedidos da diligência informou: (...) Item 1) Anexamos as fls. os Demonstrativos da Compensação de Prejuízos Fiscais e da Base de Cálculo Negativa da CSLL — SAPLI arquivados nesta Secretaria; Item 3) Conforme Lalur n. 6, parte B, página 0119 (doc. fls. 146) o contribuinte baixou em 31/12/1998 o saldo, ainda existente, de CM — Plano Verão, no valor de R$ 27.942.473,04 e, conforme a parte A do mesmo Lalur as páginas 0077 e 0078 (doc. fls. 144 e 145), deixou de adicionálo para efeito de apuração do Lucro Real do exercício; Item 4) 0 valor de R$ 43.410.442,19, excluído na apuração do Lucro Real em dezembro de 1994, elevou o prejuízo, nesse Item, de R$ 768.762,46 para R$ 44.179.204,65, acarretando um aumento do prejuízo real do contribuinte no AC 1994 de R$ 20.556.768,46 para R$ 63.967.211,00 (conforme SAPLI); Item 2) Em resumo, por todo o exposto no TVF, foram apuradas infrações referentes, exclusivamente, ao AC 1998 (ano que se encontrava sob fiscalização) no valor total de R$ 27.942.473,04 que somadas ao Lucro Real e a BC da CSLL apuradas pelo Fl. 3511DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 19515.004212/200345 Acórdão n.º 110200.613 S1C1T2 Fl. 3.513 6 contribuinte, resultaram em um Lucro Real e em uma BC da CSLL nos valores de R$ 27.887.459,88 e R$ 25.402.338,58 (fls.166). Valores estes que, após a compensação de 30% (arts. 15 e 16 da Lei n.9.065/95), seriam tributados por esta fiscalização. Entretanto, em obediência a sentença de 28/07/1997, exarada no MS n. 96.00336555 da 21 a. VF. deixamos de fazêlo, uma vez que a totalidade desses valores poderiam ser compensados pelo contribuinte. E, em obediência à. mesma decisão judicial, lançamos, para os AC de 1999 a 2001, no caso do IRPJ, e AC 2000 e 2001, para a CSLL, os valores indevidamente compensados pelo contribuinte. Na expectativa de que os esclarecimentos prestados supram o requisitado pelo egrégio conselho, propomos, salvo entendimento distinto, o encaminhamento de cópia deste relatório à autuada, para, no caso de interesse, manifestarse no prazo de dez dias (em atendimento ao art. 44 da Lei 9.784/99) e posterior retorno a Oitava Câmara do 1 ° . Conselho de Contribuintes para prosseguimento. Ciente deste termo, em 04/10/2008, a Contribuinte interpõe em 14/10/2008, as razões de fls.3492/3502, com os seguintes argumentos; Primeiramente é imperioso pontuar que a manifestação ora apresentada pelo DD. Fiscal Autuante andou bem no sentido de espancar quaisquer dúvidas acerca da classificação do valor do saldo devedor de correção monetária. Afastou, a mencionada manifestação, a despropositada assertiva consignada na r. decisão "a quo" no sentido de que o montante em questão traduziase em "lucro inflacionário". E a referida manifestação vem ao encontro do preconizado no Termo de Encerramento de Ação Fiscal, no qual, em momento algum, restou configurado que o montante em questão era qualificado como "lucro inflacionário". Assim, dúvidas não restam no sentido de que se tratava, verdadeiramente, de saldo devedor de correção monetária. No entanto, as demais assertivas consignadas, no sentido de que as supostas "infrações" foram apuradas no ano de 1998 e que o montante meramente reclassificado pela ora Recorrente deveria ter sido adicionado ao lucro real e oferecido à tributação não deverão prevalecer, como abaixo elucidado. 0 saldo devedor da correção monetária referente ao Plano Verão constou, de modo inequívoco, da declaração original referente ao exercício de 1994. Portanto, já em 1994 o fisco tinha pleno conhecimento da existência dos prejuízos fiscais acumulados. Em 04 de janeiro de 1996, a Recorrente promoveu a retificação da declaração referente ao anobase de 1994 e consignou, na linha 37 do Anexo 2, o valor de R$ 43.912.832,00, valor este reconhecido na própria decisão recorrida, à fls. 3277 dos autos e na manifestação ora apresentada. É dizer: a exclusão do saldo devedor da correção monetária foi devidamente informada ao fisco, por intermédio da declaração Fl. 3512DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 19515.004212/200345 Acórdão n.º 110200.613 S1C1T2 Fl. 3.514 7 retificadora, em 04 de janeiro de 1996. Assim, tal exclusão foi cabalmente homologada em 04 de janeiro de 2001, em consonância com o preceito veiculado pelo artigo 150, § 4o. do Código Tributário Nacional. Desta forma, o fisco não adotou nenhuma providência com relação a tal saldo devedor da correção monetária no prazo que lhe era cabível. Não efetuou a glosa e tampouco ajustou a base negativa do IRPJ e da CSLL, como poderia têlo feito. Destaque se, no entanto, que qualquer glosa ou ajuste de base de cálculo não poderiam ter ocorrido, sob nenhuma hipótese, uma vez que a Recorrente agiu de modo escorreito. No entanto, tendo em vista que a Autoridade Administrativa fez o lançamento tributário quando o prazo decadencial já havia fluido, tentou agarrarse, na manifestação apresentada após a conversão do julgamento em diligência, na única tábua de salvação que visualizou: a alegação de que a suposta "infração" que, como foi cabalmente demonstrado no curso do presente processo administrativo, jamais ocorreu deuse no ano de 1998. Nada mais despropositado!!! O fisco sempre quando apura que foram efetuadas exclusões indevidas no lucro liquido ocasionando um alargamento da base de cálculo negativa do IRPJ e da CSLL efetua o ajuste de tal base, ainda que não se verifique a presença, naquele exercício, de imposto a pagar. Mas, no presente caso, assim não agiu. Deixou transcorrer, in albis, o prazo decadencial para que pudesse fazer tal ajuste se o mesmo fosse cabível. Prova cabal e inequívoca deste fato encontramos no próprio procedimento adotado pelo fisco, o qual restou plenamente evidenciado da decisão ora recorrida, às fls. 3278, ao preceituar que: “Em 31 de dezembro de 1994, conforme vimos, a contribuinte reduziu do lucro liquido R$ 43.410.442,19 a titulo de correção monetária do plano verão. Desse valor atualizado (R$ 53.161.273,00), em 31/12/1996, foi deduzido R$ 25.218.799,96, restando saldo de R$ 27.942.473,04 (fl. 138). Observese que o valor deduzido também não foi excluído do lucro liquido na apuração do lucro real do período 12/1996 (fl. 137). Esse fato também estaria sujeito a autuação pela autoridade fiscal, não tendo sido lavrado, s.m.j., porque estava decaído o direito de constituir o crédito nesse período.”(grifamos) Pois bem. Os dois valores (R$ 25.218.799,96 e R$ 27.942.473,04) são originários do mesmo fato (saldo devedor de correção monetária de balanço). Então, indagase: por que um dos valores não foi objeto de autuação em virtude do expresso reconhecimento da decadência do direito do fisco em efetuar o lançamento e o outro, referente ao mesmo período, originário do mesmo fato, foi autuado pelo fisco? A resposta é uma: o fisco efetuou a atuação fora do prazo que lhe cabia. Fl. 3513DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 19515.004212/200345 Acórdão n.º 110200.613 S1C1T2 Fl. 3.515 8 É dizer, efetuou a autuação quando já havia transcorrido o prazo decadencial.E, por ocasião da manifestação após a conversão do julgamento em diligencia, o DD. Fiscal, em contradição com o preceituado no Termo de Encerramento de Diligência, assevera que: Em resumo, por todo o exposto no TVF, foram apuradas infrações referentes, exclusivamente, ao AC 1998 (ano que se encontrava sob fiscalização) no valor total de R$ 27.942.473,04 que somadas ao Lucro Real e a BC da CSLL apuradas pelo contribuinte, resultaram em um lucro real nos valores de R$ 27.887.459,88 e R$ 25.402.338,58 (fls. 166). notório que o fato denominado equivocadamente de "infração" que é o saldo devedor de correção monetária de balanço ocorreu em 1994 e jamais em 1998 como consigna o DD. Fiscal na manifestação ora apresentada. Portanto, se verifica a consumação da decadência do direito do Fisco de impugnar tal valor, já que se manteve inerte até 31 de dezembro de 1999. Ainda que se admitisse a possibilidade de a declaração retificadora ter reaberto o prazo decadencial, o prazo para que o fisco se manifestasse expirou em 04 de janeiro de 2001. Mas a lavratura do auto de infração ocorreu apenas em 17 de novembro de 2003. É dizer, o auto de infração foi lavrado após o transcurso de quase 7 (sete) anos da entrega da declaração retificadora e de quase 8 (oito) anos de o fisco ter sido informado, por intermédio da declaração de rendimentos referente ao anobase de 1994, da existência do indigitado saldo devedor de correção monetária de balanço. de salientar ainda que, o DD. Fiscal, na manifestação ora apresentada, insiste no equivoco que permeou o auto de infração desde sua lavratura, consistente no ajuste do lucro real e da base de cálculo da CSLL do anocalendário de 1998, adicionando ao lucro liquido o valor de R$ 27.942.473,04, correspondente à correção monetária do plano verão reconhecida pela Recorrente na parte B do Lalur, sob a alegação de que tal rubrica teria sido baixada neste período. Ocorre que absolutamente equivocado está o d.fiscal. A correção monetária do plano verão não foi baixada até o momento. 0 valor a ela relativo permanece registrado na escrita fiscal da empresa, na parte B do Lalur. O cotejo entre os registros das partes A e B do Lalur nos anos calendários de 1994 a 2002 (doc. 05 acostado impugnação) evidencia que a correção monetária do plano verão sempre esteve – e assim continua – registrada na parte B. 0 saldo registrado sob tal rubrica jamais influenciou os resultados lançados na parte A do Lalur. Fl. 3514DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 19515.004212/200345 Acórdão n.º 110200.613 S1C1T2 Fl. 3.516 9 Tal fato está, inclusive, cabalmente demonstrado nas planilhas ora apresentadas pelo DD. Fiscal Autuante, por ocasião da conversão do julgamento em diligencia. No ano de 1998, antes da adição – equivocada – do valor do saldo devedor de correção monetária a Recorrente possuía, de acordo com os próprios registros fiscais consubstanciados nas planilhas acostadas à manifestação apresentada, o montante de R$ 134.812.723,00 a titulo de prejuízo fiscal. Depois da adição – efetuada de oficio pelo fisco – permaneceu ainda a Recorrente, de acordo com o próprio fisco, com R$ 106.925.263,12 a titulo de prejuízo. Acompanhandose a evolução do prejuízo fiscal apresentado pela Recorrente – tudo em consonância com os próprios registros do fisco, constantes das planilhas acostadas à manifestação apresentada – temse a seguinte evolução dos valores dos prejuízos em questão, após 1998: em 1999: R$ 96.842.814,39; em 2000: R$ 96.619.500,90; em 2001: R$ 90.432.279,72; em 2002: R$ 84.835.115,78;em 2003: R$ 82.803.320,52; em 2004: R$ 78.094.886,10; em 2005: R$ 61.912.762,52 e em 2006: R$ 50.034.435,12. Sendo assim, em consonância com as próprias planilhas apresentadas pelo DD. Fiscal Autuante por ocasião da realização da diligência, até o ano de 2006, a Recorrente permanecia com R$ 50.034.435,12 de prejuízo fiscal. Se não tivesse ocorrido a baixa do montante de R$ 27.942.473,04, a Recorrente teria, em 2006, a titulo de prejuízo fiscal acumulado, R$ 77.977.908,16. Destaquese que até os dias atuais a Recorrente permanece com prejuízo fiscal acumulado, em montante superior a R$ 30.000.000,00. Portanto, a presença de prejuízo fiscal acumulado prevalece até os dias atuais. Desta forma, qualquer que seja o entendimento acerca do efeito da baixa do saldo de correção monetária, é inafastável o reconhecimento, com base no próprio resultado da diligência de que a Recorrente teve, em todos os exercícios considerados, importante saldo a titulo de prejuízo fiscal acumulado. Não bastasse a comprovação da existência de significativo saldo de prejuízos fiscais acumulados, até os dias atuais, a Recorrente não utilizou o mencionado montante de R$ 27.942.473,08, mantendo saldo de prejuízo fiscal a compensar superior a tal montante Desta forma, não há qualquer impacto, qualquer influência no resultado da Recorrente. E tal fato vem corroborado pelas próprias planilhas ora acostadas pela fiscalização. No Termo de Verificação Fiscal e na manifestação ora apresentada pela fiscalização, por ocasião da conversão do julgamento em diligência, afirma a d. autoridade administrativa que, no anocalendário de 1998, houve a baixa integral do saldo de correção monetária do plano verão sem, entretanto, de adicionála ao seu lucro liquido do exercício para fins de Fl. 3515DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 19515.004212/200345 Acórdão n.º 110200.613 S1C1T2 Fl. 3.517 10 apuração de seu Lucro Real". No entanto, esta assertiva não correspondente à realidade dos fatos. 0 que houve, no anocalendário de 1998, foi um equivoco, por ocasião do registro, na parte B do Lalur, da correção monetária do plano verão. E é sabido que este ajuste na parte B do LALUR jamais ocasionou qualquer impacto na parte A do Lalur. A aparente baixa não influenciou os resultados do exercício. Deveras, o saldo registrado sob tal rubrica remanesce controlado na parte B do Lalur Registrese ainda, por oportuno que a Recorrente, em 1998 possuía prejuízo fiscal muito superior ao montante do saldo devedor da correção monetária e, mesmo após 10 anos, a Recorrente registra prejuízo fiscal em sua escrita em montante superior ao de R$ 27.942.437,04. Em síntese, a Recorrente jamais utilizou tal valor. O que pretendia, de fato, o d. fiscal era glosar o valor registrado pela Recorrente a titulo de correção monetária do plano verão. Nada obstante, reconhecendo a impossibilidade de fazêlo, dada a decadência do seu direito, quer o d. fiscal exigir tributo que não é devido, sob a alegação de que tal valor teria sido baixado. Basta analisarse o Lalur da Recorrente, partes A e B, para se concluir que os valores registrados na parte B jamais geraram qualquer efeito na parte A. Desta forma, não procede o ajuste realizado pelo d. fiscal nos anocalendário de 1998. Não há se falar em redução da base de cálculo do Imposto sobre a Renda pela Recorrente, como pretende o d.fiscal, à medida em que a correção monetária do plano verão reconhecida pela Recorrente não influenciou o seu resultado. Tal rubrica legitima, repisese, já que o Fisco decaiu do seu direito de impugnála integra a parte B do Lalur da Recorrente, tão somente. Em nenhum exercício fiscal verificase a efetiva baixa da correção monetária do plano verão. Por conseguinte, também não pode prevalecer o ajuste realizado pelo d. fiscal nos resultados dos anoscalendários de 1999, 2000 e 2001, visto que o valor correspondente A. correção monetária do plano verão não deve ser adicionada ao lucro liquido do ano base de 1998. Por outro lado, o ajuste relativo a 1999, 2000 e 2001, realizado sob a alegação de que os prejuízos acumulados até 1994 deveriam ser compensados somente até os quatro anos calendários subseqüentes, não deve subsistir. Isto porque a Recorrente está sob o amparo de decisão judicial que lhe autorizou a compensação integral dos prejuízos fiscais acumulados até 31.12.1994. 0 mandado de segurança impetrado pela Recorrente visa a afastar a limitação dos 30%, previsto na Lei n° 9.065/95. A limitação dos quatro anoscalendários subsequentes já não mais vigorava A. época, uma vez que o art. Fl. 3516DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 19515.004212/200345 Acórdão n.º 110200.613 S1C1T2 Fl. 3.518 11 12 da Lei n° 8.541/92 foi expressamente revogado pelo art. 117, I da Lei n° 8.981/95. Por todo o exposto, as assertivas fiscais consubstanciadas na manifestação por ocasião da conversão do julgamento em diligência, espancam, de um lado, quaisquer questionamentos acerca da natureza jurídica do montante de R$ 27.942.473,08, que é saldo devedor de correção monetária e não lucro inflacionário. Também comprovam que a Recorrente tinha prejuízo fiscal acumulado em 1998 no montante de R$ 134.812.723,00 e mesmo após a errônea e indigitada adição do saldo devedor de correção monetária, permaneceu a Recorrente com prejuízo fiscal, naquele ano, de R$ 106.925.263,12. Evoluindo com o próprio histórico apresentado pelo DD. Fiscal na manifestação e planilhas a ela acostadas, vêse que em 2006 a Recorrente permanecia com prejuízo fiscal no montante de. R$ 50.034.435,12 (considerandose que neste montante foi excluído o valor de R$ 27.942.473,08), sendo que até o ano de 2008, há prevalência de prejuízo fiscal em montante superior àquele correspondente ao saldo devedor de correção monetária. Portanto, não há qualquer impacto, de natureza financeira e fiscal, no procedimento adotado pela Recorrente. Agreguese a isto o fato de que o referido valor de R$ 27.942.473,08 não transitou pelo resultado. Diante do exposto, comprovado que a Recorrente agiu de forma correta, reitera todas as razões do recurso apresentado, requerendo, por fim, seja julgado procedente o mencionado recurso, extinguindose o crédito tributário consolidado no auto de infração que deu origem ao presente processo administrativo, como medida de Justiça. Cumprida a diligência os autos retornam para julgamento, conforme despacho de fls.3505. Este o Relatório. Fl. 3517DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 19515.004212/200345 Acórdão n.º 110200.613 S1C1T2 Fl. 3.519 12 Voto O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e dele conheço. Tratase do retorno da diligencia solicitada através da Resolução 10800462, de 12 de setembro de 2007, conforme anteriormente relatado. Originouse a exigência para o IRPJ e CSLL, conforme “termos de verificação fiscal” (fls. 164 a 170, do IRPJ; e fls. 1767 a 1773, da CSLL),por irregularidades ocorridas no ano de 1998, referente ao item despesas ditas “indedutíveis”, o que implicou em falta de adição de valores que compunham o resultado do período , reflexos desses ajustes nos prejuízos acumulados nos anos seguintes e bases negativas da CSLL. A Recorrente compensou seus prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, em descompasso com decisão judicial que lhe permitia apenas compensar os prejuízos e bases negativas havidos até 31/12/1994, nos quatro exercícios subseqüentes. Passo a análise de cada item, de acordo com os fatos, ante os argumentos expendidos pela Recorrente: a) remuneração paga a administradores, em descompasso com o artigo 246 do RIR/1994 ( contas contábeis ns. 6.1.1.01.01.01 e 7.1.1.01.01.01 rubricas de número 104 "gratificação de diretoria").Os valores apurados foram adicionados ao Lucro Líquido para a determinação do valor correto do lucro real. Aqui a Recorrente afirma que a despesa era necessária à percepção do rendimento e, portanto, era dedutível. Para tanto apresentou a relação dos diretores que no ano sob fiscalização receberam a gratificação bem como seus contratos de trabalho, que comprovariam a natureza daquela remuneração. A análise desse contrato aponta para o fato de que a gratificação não era comum a todos os funcionários, destacando a característica de liberalidade do pagamento, matéria contida no comando do artigo 246 do RIR/1994, cuja redação é a seguinte: Fl. 3518DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 19515.004212/200345 Acórdão n.º 110200.613 S1C1T2 Fl. 3.520 13 Art. 246. Não serão dedutíveis, como custos ou despesas operacionais, as gratificações ou participações no resultado, atribuídas aos dirigentes ou administradores da pessoa jurídica (Lei nº 4.506/64, art. 45, § 3º, e Decretolei nº 1.598/77, art. 58, parágrafo único). Por isto correta a adição realizada pela autoridade autuante, em sintonia com o inciso 1o. do artigo 195 do RIR/1994, cuja redação reproduzo: Art. 195. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do períodobase (Decretolei nº 1.598/77, art. 6º, § 2º): I os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Regulamento, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real. Portanto, sem base legal para acolher a pretensão da Recorrente neste item de autuação. b)baixa de R$ 27.942.473,04 da conta “Correção Monetária Plano Verão” sem a respectiva adição ao Lucro Líquido para fins de apuração do Lucro Real, resultando, também,na redução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Esse valor foi adicionado ao Lucro Líquido para a determinação do valor correto do lucro real no período. Neste item invoca a Recorrente a decadência do direito do fisco realizar o lançamento por se tratar de fato gerador ocorrido em 1994 e, portanto, quando da lavratura da exigência, não mais detinha o fisco o direito de realizála. Todavia, a decadência dos valores diferidos controlados no LALUR não se faz a partir do exercício em que se deu o diferimento, mas a partir de cada exercício em que deve ser tributada sua realização. Pretendem as razões oferecidas interpretar, de forma equivocada,o instituto do diferimento frente à decadência. O diferimento, segundo volume 25 da Enciclopédia Saraiva de Direito, assim versa: (...) Através das leis e decretos e de toda hierarquia legislativa competente, definemse os fatos imponíveis , fatos geradores de tributos , determinandose assim os momentos exatos em que ocorreram os fatos geradores respectivos e em que situações devem ser recolhidos pelos contribuintes , aos cofres públicos , os montantes respectivos de tributos , ou atendidas as obrigações acessórias peculiares respectivas. (...) Fl. 3519DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 19515.004212/200345 Acórdão n.º 110200.613 S1C1T2 Fl. 3.521 14 Ocorre que, em relação a determinadas situações , operações ou atividades, o legislador ou o poder competente para decretar o tributo entendem por diferir o momento do fato gerador ... O diferimento portanto não se confunde com imunidade, isenção ou não incidência , estrita e definitiva , mas pode refletir uma suspensão de incidência tributária temporária, ou sujeita à ocorrência de condições posteriores específicas. De acordo com o artigo 97 do CTN , somente a lei pode estabelecer a definição de fato gerador da obrigação tributária principal e segundo entendemos , a lei também deve preceder e definir claramente as hipótese de diferimento de tributos em conseqüência.” No caso dos autos dáse os efeitos jurídicos, no tempo, do diferimento do resultado do plano verão, valor apontado no LALUR. Tanto é fato que em obediência ao estrito princípio da legalidade, o julgador singular não lançou a parte deste valor referente ao exercício de 1996, este sim já alcançado pela decadência. Neste item aduz também a recorrente que o valor sob questão não interferiu no resultado do exercício. Contudo, do exame da parte B do Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) n. 6 observase, em sua página 0119, que o contribuinte procedeu a baixa do valor de R$ 27.942.473,04 referente ao saldo da conta 030001 "Correção Monetária Plano Verão" sem a respectiva adição ao Lucro Líquido para fins de apuração do Lucro Real do exercício, reduzindo dessa forma a base de cálculo tanto do IR como da CSLL do período. Quanto aos pedidos de esclarecimentos realizados pela autoridade autuante (intimação de 13/09/2002 e reintimaçào de 03/09/2003 e 18/10/2003) obtiveram a resposta de que as baixas "estornos" desses valores efetuados em 1996 e em 1998, bem como sua constituição, não provocaram qualquer efeito fiscal. Todavia, conforme se observa da fl. 05 da parte A de seu LALUR n. 3, o contribuinte excluiu de seu lucro líquido de dezembro de 1994 o valor de R$ 43.410.442,19 a título de "CM do Plano Verão". E este, diferentemente do que afirmou o Recorrente, influenciou o seu resultado fiscal elevando o prejuízo fiscal naquele mês de R$ 768.762,46 para R$ 44.179.204,65, conforme se pode verificar de sua DIRPJ do período. Contudo, o valor dessa exclusão foi corretamente transcrito à fl. 58, parte B do mesmo livro, onde são controlados os valores que constituirão ajuste do lucro líquido de exercícios futuros, tendo sido corrigido monetariamente em 31/12/1995 em RS 9.750.830,81 resultando em R$ 53.161.273,00. Em 1996 houve baixa parcial no valor de R$ 25.218.799,96, conforme se observa da fl. 58 da parte B do Lalur n.03 (informação repetida à página 177, parte B de seu Lalur n. 4), restando como valor a ser adicionado ao lucro líquido de exercícios futuros a quantia de R$27.942.473,04. Valor transferido para a página 187, parte B do Lalur n. 5 e finalmente para a página 119, parte B de seu Lalur n. 6. Aqui foi promovida baixa integral do saldo deixando, entretanto, de adicioná la ao seu lucro líquido do exercício para fins de apuração de seu Lucro Real, conforme se observa das páginas 77 e 78, parte A do mesmo livro. Fl. 3520DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 19515.004212/200345 Acórdão n.º 110200.613 S1C1T2 Fl. 3.522 15 Isto mostra que houve redução da base de cálculo tanto do IR como da CSLL do exercício sob fiscalização, motivo que levou a autoridade a adicionar, de ofício, a fim de corrigir os valores das bases de cálculo tanto do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica como o da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, nos termos do artigo 193, parágrafos, 195, II e art.208,III do RIR/1994, cujos textos reproduzo para melhor compreensão. Art. 193. Lucro real é o lucro líquido do períodobase ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Regulamento (Decretolei nº 1.598/77, art. 6º). § 1º A determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido de cada períodobase com observância das disposições das leis comerciais, inclusive no que se refere ao cálculo da correção monetária das demonstrações financeiras e à constituição da provisão para o imposto de renda (Lei nº 7.450/85, art. 18). § 2º Os valores que, por competirem a outro períodobase, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do períodobase em apuração, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do períodobase competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente, corrigidos monetariamente (Decretolei nº 1.598/77, art. 6º, § 4º). (...) Art. 195. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do períodobase (Decretolei nº 1.598/77, art. 6º, § 2º): (...) II os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Regulamento, devam ser computados na determinação do lucro real. (..) Art. 208. No Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, a pessoa jurídica deverá (Decretolei nº 1.598/77, art. 8º, I): III manter os registros de controle de prejuízos fiscais a compensar em períodosbase subseqüentes, do lucro inflacionário a realizar, da depreciação acelerada incentivada, da exaustão mineral com base na receita bruta, bem como dos demais valores que devam influenciar a determinação do lucro real de períodosbase futuros e não constem da escrituração comercial; No tocante ao mérito dos efeitos fiscais da Correção monetária do plano verão, transcrevo as razões de decidir por bem definirem a matéria de fato: (...) Fl. 3521DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 19515.004212/200345 Acórdão n.º 110200.613 S1C1T2 Fl. 3.523 16 47.Na declaração retificadora entregue pela contribuinte relativa ao anocalendário de 1994 (fls. 3260 a 3262, conforme sistema IRPJ CONSULTA DECLARAÇÕES IRPJ), no Anexo 2, quadro 4, linha 37 (Outras Exclusões conforme Livro de Apuração do Lucro Real), encontramos os valores abaixo transcritos. LinhaDISCRIMINAÇÃOMÊS 32Saldo Devedor da Diferença de Correção Monetária Complementar – IPC/BTNF310.443 33 Tributos e Contribuições Pagos (Arts. 7° e 8°, Lei n° 8.541/92) 2.746.413 35Depreciação e Amortização Acelerada Incentivada189.148 37Outras Exclusões conforme Livro de Apuração do Lucro Real43.912.832 38TOTAL DAS EXCLUSÕES47.158.836 39LUCRO REAL ANTES DA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS 44.179.205 48.Os valores acima conferem com os escriturados pela contribuinte no LALUR (fl. 132): HISTÓRICOADIÇÕESEXCLUSÕES Deprec. Acel. Incentivada189.148,09 Reserva Especial – IPC/90310.443,48 Reversão Impostos e Contr.2.746.412,98 C. M. do Plano Verão43.410.442,19 Outras Exclusões – conf LALUR 502.388,9447.158.835,68 SUB – TOTAL(44.179.204,65) 49.As células sombreadas somam o valor: 43.410.442,19 502.388,94 43.912.831,13 50.A soma acima – R$ 43.912.831,13 – é o valor (desprezados os centavos) utilizado na linha 37 do quadro 4 do anexo 2 da declaração retificadora entregue pela contribuinte e acima reproduzida. Frisese que esse valor foi excluído do lucro líquido na apuração do lucro real, elevandose o prejuízo do períodobase e influenciando os resultados de exercícios futuros. Assim, os efeitos do Plano Verão, em razão da exclusão da correção monetária do lucro líquido, não foram oferecidos à tributação no ano de 1994 e, portanto, postergados. No futuro, esse valor deveria ser adicionado ao lucro líquido na apuração do lucro real. Essa adição não foi praticada pela contribuinte no ano de 1998, quando da baixa do saldo restante, levandoa a ser corretamente autuada pela Fiscalização da Receita Federal. 51.Dessa forma, não resta dúvida de que a contabilização da correção monetária do plano verão produziu efeitos fiscais, no caso aumentando o prejuízo, conforme atesta a declaração de rendimentos entregue pela própria contribuinte. 52.A Impugnante também argumentou que a correção monetária do plano verão não foi baixada até o momento da impugnação, permanecendo registrada na escrita fiscal da empresa. Analisemos essa afirmação. 53.Em 31 de dezembro de 1994, conforme vimos, a contribuinte reduziu do lucro líquido R$ 43.410.442,19 a título de correção monetária do plano verão. Desse valor atualizado (R$ 53.161.273,00), em 31/12/96, foi deduzido R$ 25.218.799,96, restando saldo de 27.942.473,04 (fl. 138). Observese que o Fl. 3522DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 19515.004212/200345 Acórdão n.º 110200.613 S1C1T2 Fl. 3.524 17 valor deduzido também não foi excluído do lucro líquido na apuração do lucro real no período 12/1996 (fl. 137). Esse fato também estaria sujeito à autuação pela autoridade fiscal, não tendo sido lavrado, s. m. j., porque estava decaído o direito de constituir o crédito nesse período. Em 31/12/98, “zera” a conta, sem adicionar, novamente, o valor ao lucro líquido na apuração do lucro real. 54.Dos fatos acima, decorre que houve a baixa da correção monetária do plano verão em dois momentos: 1996 (parcial) e 1998 (total). A adição ao lucro líquido não foi feita em qualquer dos dois períodos. Curiosamente, verificamos que apenas o saldo restante da baixa parcial praticada em 1996 permaneceu na escrita fiscal da empresa e não o saldo total, justamente o valor autuado. Dizer, depois de autuada, que não houve a baixa não é argumento que possa ser aceito, ainda mais que a baixa parcial de 1996 foi definitivamente retirada da escrita. 55.Conforme se vê, a contribuinte procedeu à baixa parcial da correção monetária do plano verão em dezembro de 1996 e procedeu a sua baixa integral em dezembro de 1998, sendo legítima a pretensão do Fisco, pela não adição ao lucro líquido já comentada. 56.Neste momento, devemos lembrar que não houve lançamento no ano de 1998, que seja do IRPJ quer da CSLL. Os efeitos da baixa da correção monetária do plano verão influenciaram os lançamento referentes aos períodos subseqüentes, ou seja, 1999, 2000 e 2001. Isso pode ser facilmente verificado às fls. 171 a 178 e fls. 1774 a 1779 dos autos (IRPJ e CSLL). Assim, também não prosperam os argumentos expendidos nas razões oferecidas quanto a este item. c)Limitação da compensação do prejuízo fiscal a 30% do lucro líquido nos períodos de 1999/2000/2001. A contribuinte, embora possuísse, à época da lavratura do auto de infração, decisão judicial favorável a dedução plena de seu prejuízo fiscal apurado até 31/12/1994 (mandado de segurança n° 96.00336555), como da base de cálculo negativa da CSLL, deixou de respeitar as disposições contidas no art. 12 da Lei 8.541/92, conforme parte dispositiva da sentença. Aqui, pede a Recorrente que se observe o comando da Lei 8981/1996, para aproveitamento dos saldos dos prejuízos e das bases negativas que excederam às compensações realizadas no período posterior a 1998, sem respeitar o limite imposto pelo artigo 12 da lei 8541/92, cuja redação é a seguinte: Art. 12. Os prejuízos fiscais apurados a partir de 1º de janeiro de 1993 poderão ser compensados, corrigidos monetariamente, com o lucro real apurado em até quatro anoscalendário, subseqüentes ao ano da apuração." Fl. 3523DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 19515.004212/200345 Acórdão n.º 110200.613 S1C1T2 Fl. 3.525 18 Em obediência a parte dispositiva da sentença, o autuante ajustou os valores do Lucro Real e Base de Cálculo da CSLL do anocalendário de 1998, que fora originalmente apresentado com Lucro Real de: R$ 249.941,69. (Com ajuste relativo ao item a e b resultou no Lucro Real corrigido:27.887.459,88. E para base de cálculo da CSLL apurada de R$2.735.062,99, com os ajustes resultou no valor de R$25.402.338,58. Aqui também transcrevo parte da decisão combatida, por bem esclarecer os fatos: (....) 59.Sobre a limitação estabelecida no dispositivo da sentença proferida nos autos do mandado de segurança n° 96.00336555 – “respeitadas as disposições do art. 12, da Lei 8541/91”, entendemos não ser este o foro adequado para discutila. Se o dispositivo da sentença ultrapassou ou não o pedido formulado na inicial pelo contribuinte, do que decorreria ser ela decretada nula, entendemos haver instrumentos adequados previstos no Código de Processo Civil de forma a corrigir o problema, se for o caso. De qualquer modo, não cabe à Contribuinte ou a este Julgador considerála nula, mas tão somente ao Poder Judiciário. À época da lavratura do auto de infração, a sentença estava em vigor. E uma sentença vale como lei entre as partes litigantes, portanto foi legal a exigência feita pela autoridade fiscal. Em sede de diligência foram juntados todos os documentos que já existiam nos autos, quando da autuação, sem nada de novo acrescentar à instrução processual. Por seu turno a Recorrente vem aduzir que os SAPLIS juntados provariam a existência de prejuízos acumulados, suficientes para absorver a exigência. Todavia esse argumento não prospera, porque os saplis são os mesmos utilizados para o lançamento e, portanto, ainda não corrigidos até o trânsito final do litígio. Quanto a irresignação da Recorrente no tocante à exigência de juros e multa, se opõe as sumulas do CARF, a saber: CARF No 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF No 4 – A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nessa ordem de juízos, NEGO provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. Fl. 3524DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 19515.004212/200345 Acórdão n.º 110200.613 S1C1T2 Fl. 3.526 19 Fl. 3525DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
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Numero do processo: 13971.900768/2008-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano calendário: 2003
COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO.
O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser
objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-01.486
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 2003 COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/06/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de compensação, cujos créditos teriam origem em pagamento a maior da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS. A unidade de origem decidiu não homologar o pedido de compensação, em razão de estarem os pagamentos supostamente realizados a maior, alocados a débitos do PIS, conforme declarado em DCTF. Inconformada, a Recorrente impugnou o despacho alegando que houve um erro no preenchimento da DCTF, sendo o valor correto declarado em DIPJ e DACON. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve o despacho, exarado pela unidade de origem. Decidindo que os débitos a serem considerados são os declarados em DCTF e não os valores declarados em DIPJ e na DACON, que seriam meramente informativos. A ementa do Acórdão da DRJ foi a seguinte: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ANOCALENDÁRIO: 2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido.” Cientificada da decisão, a empresa apresentou recurso voluntário, repisando as alegações apresentadas na impugnação, reafirmando o equívoco no preenchimento da DCTF, informando a apresentação de DCTFRetificadora, apresentado cópia da DACON e da DIPJ para comprovar as suas alegações. Ao analisar o Recurso, a Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara resolveu determinar a baixa dos autos em diligência para que a Unidade Preparadora verificasse se os valores informados na DACON e na DIPJ estariam de acordo com os registros contábeis da Recorrente, confirmando o erro no preenchimento da DCTF. A Unidade de origem intimou a Recorrente a apresentar os documentos contábeis que comprovassem os erros no preenchimento da DCTF. Atendendo a intimação, a Recorrente apresentou os livros e lançamento contábeis referentes ao período. De posse dos documentos, a Unidade de Origem verificou os lançamento contábeis e não comprovou os erros alegados. A contabilidade registra como valor devido da contribuição o valor constante da DCTF original, ou seja, aquela que o contribuinte afirmou estar com erro de preenchimento. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/06/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13971.900768/200813 Acórdão n.º 310201.486 S3C1T2 Fl. 2 3 Portanto, o valor da DCTF original corresponde aos registros contábeis, não existindo recolhimento a maior da contribuição. Cientificada do resultado da diligência, a Recorrente se manifestou nos autos, reafirmando o seu direito creditório. Informando que procedeu ao lançamento da diferença na contabilidade. Entretanto, não trouxe nenhuma documento ou alegação que confronte a posição relatada pelo fisco na diligência. Os autos retornaram ao CARF para prosseguimento. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A Recorrente alega o direito à restituição sob o argumento que ocorreu um erro no preenchimento da DCTF, sendo lançado um valor da contribuição para o PIS maior do que o realmente devido, apesar do pedido de retificação de DCTF complementar, a época do indeferimento do pedido, a DCTF original registrava a utilização integral do pagamento, não existindo nenhum direito creditório. O Fisco decidiu utilizando as informações apresentadas pela própria Recorrente. Caso exista algum erro nestas informações, conforme alegado na impugnação e posteriormente no Recurso Voluntário, caberia a comprovação do fato. Para melhor enfrentar a questão, vejamos o enunciado do artigo 170, do Código Tributário Nacional – CTN, que ao disciplinar o instituto da compensação, exige certeza e liquidez dos créditos alegados. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento.” Fl. 436DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/06/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 A exigência de liquidez e certeza dos créditos sempre foi condição sine qua non, para a compensação. Autorizar a compensação com créditos pendentes de certeza e liquidez não encontra amparo na legislação. A alteração dos débitos lançados em DCTF necessita de prova clara e inconteste. No caso em tela, o contribuinte argumente a ocorrência de equívoco no preenchimento da DCTF, informando que teria um crédito referente ao PIS do período de abril de 2003, no valor de R$ 912,94, decorrente da diferença entre o valor recolhido de R$ 18.182,19 e o que seria devido no valor de R$ 17.269,25. Diante deste fato, resolveu a Terceira Turma da Quarta Câmara baixar os autos em diligência para que fossem verificado o suposto equivoco no preenchimento da DCTF. Realizada a diligência, a Unidade de Origem, cotejando os documentos fiscais da Recorrente e as informações prestadas nas declarações, não confirmou o suposto equívoco, visto que os valores constantes dos assentamentos contábeis e fiscais, apresentam um valor devido da contribuição de R$ 17.943,52 e o pagamento de R$ 18.182,19. A diferença foi lançada a título de "PIS a Recuperar", entretanto não fica evidente que este valor a recuperar diga respeito ao Período de Apuração de abril de 2003. As conclusões da diligência foram assim detalhadas no termo de diligência fiscal. " Os registros disponibilizados, porém, NÃO evidenciam o direito creditório da forma como postulado, senão vejamos: o contribuinte alega possuir crédito no valor de R$ 912,94, decorrente da diferença entre o valor recolhido a título de PIS (cód. 8109 – PA 04/2003), R$ 18.182,19, e o efetivamente devido, R$ 17.269,25. ... da obrigação, em 2003, no valor de R$ 17.943,67, e o pagamento de R$ 18.182,19. A diferença, ou seja, R$ 238,52, foi lançada a título de “PIS a Recuperar” (conta contábil 1.1.4.06.02). tais registros, de outra via, não se prestam a comprovar o alegado montante de crédito. Isto porque os lançamentos contábeis efetuados no Livro 76 (fls. 94 e 95) não deixam claro que a importância de R$ 1.684,02, lançada em 30/11/2003 a débito na conta “PIS a Recuperar” (conta contábil 1.1.4.06.02) diga respeito ao PA 04/2003. Em tais condições, é de se concluir que os registros contábeis apresentados não confirmam integralmente a existência do crédito pleiteado através do PER/DCOMP nº 31606.40117.120404.1.3.040758. Com base nos documentos ofertados, somente o valor de R$ 238,52 compreenderia crédito oriundo do pagamento de PIS do PA 04/2003." Diante do exposto, por ausência do indébito tributário, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/06/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13971.900768/200813 Acórdão n.º 310201.486 S3C1T2 Fl. 3 5 Winderley Morais Pereira Fl. 438DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/06/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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Numero do processo: 15586.000267/2008-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2007
VALE TRANSPORTE PARCELA NÃO INTEGRANTE DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
SUMULA AGU N 60 DE 2011.
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre a verba paga a título de auxílio transporte, de acordo com o Enunciado de Súmula n 60 da AGU
Numero da decisão: 2302-001.578
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade, em conceder provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. Foi reconhecida a não incidência sobre auxilio transporte em virtude da Sumula AGU n 60 de 2011.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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Recorrente MAPLAN AEROLEVANTAMENTOS SA Recorrida DRJ RIO DE JANEIRO RJ ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2007 VALETRANSPORTE PARCELA NÃO INTEGRANTE DO SALÁRIO DECONTRIBUIÇÃO. SUMULA AGU N 60 DE 2011. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre a verba paga a título de auxílio transporte, de acordo com o Enunciado de Súmula n 60 da AGU. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade, em conceder provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. Foi reconhecida a não incidência sobre auxiliotransporte em virtude da Sumula AGU n 60 de 2011. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Vera Kempers de Moraes Abreu e Manoel Coelho Arruda Júnior. Ausente momentaneamente o Conselheiro Eduardo Augusto Marcondes de Freitas. Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados e da empresa, incluindo a relativa ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa em virtude dos riscos ambientais do trabalho, e a relativa a Terceiros. O fato gerador corresponde ao pagamento a título de valetransporte em desacordo com a legislação, abrangendo o período de janeiro de 2001 a março de 2007; conforme relatório fiscal às fls. 50 a 60. Não conformado com a notificação, foi apresentada defesa pela sociedade empresária, fls. 228 a 260. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro confirmou a procedência, em parte, do lançamento, fls. 875 a 882. Foi reconhecida a extinção parcial do crédito pela aplicação do art. 150, parágrafo 4º do CTN. Não concordando com a decisão do órgão fazendário, foi interposto recurso, conforme fls. 902 a 919. Em síntese, a recorrente alega o seguinte: a) Não há descrição clara e precisa dos fatos geradores, devendo ser anulado o lançamento; b) A lei autoriza o desconto do valetransporte; c) O TIAF não traz termo final para conclusão do procedimento; d) Os valores pagos não possuem natureza salarial; e) O não desconto não descaracteriza a natureza da verba; f) A verba foi paga para o trabalho; g) requerendo provimento ao recurso. Não foram apresentadas contrarrazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15586.000267/200804 Acórdão n.º 230201.578 S2C3T2 Fl. 934 3 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 932. Pressuposto superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. Quanto ao argumento de que a NFLD deve ser declarada nula; não lhe confiro razão. O lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente, conforme relatório fiscal às fls. 50 a 60; o relatório indicou os motivos do lançamento; os fatos geradores estão devidamente descritos às fls. 28 a 37; a forma para se apurar o quantum devido, por competência, encontrase às fls. 04 a 19. Todos os segurados com as respectivas bases de cálculo constam na planilha às fls. 61 a 168. Os relatórios juntados pela fiscalização favorecem a ampla defesa e o contraditório, possibilitando ao notificado o pleno conhecimento acerca dos motivos que ensejaram o lançamento. Desse modo, não assiste razão à recorrente de que houve omissão na motivação do lançamento. A motivação é simples, e restou cabalmente demonstrada no relatório fiscal às fls. 50 a 60: a sociedade empresária pagou valores a título de valetransporte em desacordo com a legislação previdenciária, e não recolheu o tributo devido sobre tais valores. Desse modo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração dos documentos caberia à notificada a demonstração da fundamentação de seu erro. A notificada teve oportunidade de demonstrar que os valores apurados pela fiscalização não condizem com a realidade na fase de impugnação e agora na fase recursal, mas não o fez. Assim, a presente NFLD não foi lavrada apenas com base em presunções, a fiscalização demonstrou, por meio de documentos elaborados pela própria recorrente, a veracidade do argumento da existência dos fatos geradores. Ao contrário do que afirma a recorrente, o TIAF não tem que conter prazo para conclusão do procedimento. O prazo para conclusão do procedimento consta do MPF, cujo número e código de acesso foram fornecidos à autuada, conforme fls. 45. A questão controversa residia no ponto de as verbas pagas a título de vale transporte integrarem ou não a remuneração dos segurados empregados, para fins de incidência de contribuições previdenciárias. Digo residia, pois a própria AGU passou a reconhecer que sobre tal rubrica não há incidência de contribuição previdenciária. Nesse sentido é o teor do verbete de Súmula n 60 de 8 de dezembro de 2011, nestas palavras: SÚMULA Nº 60, DE 8 DE DEZEMBRO DE 2011 O ADVOGADOGERAL DA UNIÃO, no uso das atribuições que lhe conferem o art. 4º, inc. XII, e tendo em vista o disposto nos arts. 28, inc. II, e 43, caput, § 1º, da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, no art. 38, § 1°, inc. II, da Medida Provisória n° 2.22943, de 6 de setembro de 2001, no art. 17A, inciso II, da Lei n° 9.650, de 27 de maio de 1998, e nos arts. 2º e Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 3º, do Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997, bem como o contido no Ato Regimental/AGU nº 1, de 02 de julho de 2008, resolve: "Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba". Legislação Pertinente: CF, artigos 5º, II, 7º, IV, XXVI, 150, I, 195, I, "a", 201, § 11; Lei nº 7.418/85, artigo 2º; Lei nº 8.212/91, artigo 28, I e 9º, "f"; Decreto nº 95.247/87, artigos 5º e 6º; Decreto nº 3.048/99, artigo 214, § 10. Precedentes: Tribunal Superior do Trabalho 1ª Turma: TSTAIRR234140 44.2004.5.01.0241, Rel. Min. Vieira de Mello Filho, j. 26.05.10; 2ª Turma : TSTRR9584079.2007.5.03.0035, Rel. Min. Renato de Lacerda Paiva, j. 23.03.11; 3ª Turma: TSTAIRR76040 07.2006.5.15.0087, Rel. Min. Alberto Luiz Bersciani de Fontan Pereira, j. 15.04.09; 4ª Turma: TSTRR89300 12.2006.5.15.0004, Rel. Min. Maria de Assis Calsing, j. 22.04.09; 5ª Turma 3534021.2008.5.03.0097, Rel. Min. João Batista Brito Pereira, j. 24.11.10; 6ª Turma: TSTRR16100 63.2006.5.15.0006, Rel. Min. Augusto César Leite de Carvalho, j. 23.03.11; 7ª Turma: TSTRR13120026.2004.5.15.0042, Rel. Min. Pedro Paulo Manus, j. 02.03.11; 8ª Turma: TSTRR4300 57.2008.5.04.0561, Rel. Min. Carlos Alberto Reis de Paula, j. 30.03.11; e SESBDI1: TSTERR1302/20033830200.7, Rel. Min. Vieira de Mello Filho, j. 17.12.07. Superior Tribunal de Justiça 2ª Turma: REsp 1180562/RJ, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, julgado em 17/08/2010, DJe 26/08/2010); 1ª Seção: EREsp 816.829/RJ, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, julgado em 14/03/2011, DJe 25/03/2011. Supremo Tribunal Federal Plenário: RE 478410/SP, Rel. Min. Eros Grau, DJ de 14.05.10. Conforme expressamente previsto no art. 26A do Decreto n 70.235 de 1972, este Colegiado deve observar as Súmulas da AGU na forma do art. 43 da Lei Complementar n 73: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15586.000267/200804 Acórdão n.º 230201.578 S2C3T2 Fl. 935 5 I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário, para no mérito CONCEDERLHE PROVIMENTO, reconhecendo a não incidência de contribuição previdenciária sobre o auxílio transporte pago em pecúnia. É o voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 16682.720053/2010-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Exercício: 2009
PRECLUSÃO.
À luz do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerar-se-á
não impugnada. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para delas tomar conhecimento em sede de recurso voluntário.
CSLL. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM A EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEDUTIBILIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
Amoldam-se a verdadeiras provisões os valores registrados contabilmente como decorrentes de obrigações tributárias cujas respectivas exigibilidades encontram-se suspensas, não se admitindo, assim, a dedutibilidade dos correspondentes montantes na determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).
Numero da decisão: 1302-000.827
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2009 PRECLUSÃO. À luz do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerar-se-á não impugnada. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para delas tomar conhecimento em sede de recurso voluntário. CSLL. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM A EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEDUTIBILIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Amoldam-se a verdadeiras provisões os valores registrados contabilmente como decorrentes de obrigações tributárias cujas respectivas exigibilidades encontram-se suspensas, não se admitindo, assim, a dedutibilidade dos correspondentes montantes na determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).
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À luz do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerarseá não impugnada. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para delas tomar conhecimento em sede de recurso voluntário. CSLL. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM A EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEDUTIBILIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Amoldamse a verdadeiras provisões os valores registrados contabilmente como decorrentes de obrigações tributárias cujas respectivas exigibilidades encontramse suspensas, não se admitindo, assim, a dedutibilidade dos correspondentes montantes na determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Fl. 341DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16682.720053/201039 Acórdão n.º 130200.827 S1C3T2 Fl. 342 2 Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Eduardo de Andrade. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16682.720053/201039 Acórdão n.º 130200.827 S1C3T2 Fl. 343 3 Relatório BRASILCAP CAPITALIZAÇÃO S/A, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, que manteve, na íntegra, o lançamento tributário efetivado, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigências de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e Multa Isolada, relativas ao anocalendário de 2008, formalizada a partir da imputação de falta de adição ao lucro líquido, na determinação da base de cálculo da exação, de valores correspondentes a tributos que se encontravam com a exigibilidade suspensa e falta de recolhimento das antecipações obrigatórias (estimativas). Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação ao feito fiscal (fls. 156/167), por meio da qual ofereceu, em síntese, os seguintes argumentos: que a redução da base de cálculo da CSLL não decorreu da dedução de despesas com a constituição de provisões, conforme equivocadamente entendeu a Fiscalização, mas, sim, da dedução de despesas com passivos efetivos, decorrentes de uma obrigação legal com prazo certo e valor determinado; que lançou como despesas segundo o regime de competência a obrigação legal do pagamento do PIS e COFINS nos termos da Lei nº 9.718/98, tendo em vista estar amparada no entendimento da Comissão de Valores Imobiliários – CVM contida na Deliberação 489/05, e o fato de o crédito tributário ter sua exigibilidade suspensa em nada interfere na natureza da obrigação; que no auto de infração não foi mencionado o enquadramento legal pertinente ao fato ocorrido, uma vez que o lançamento foi realizado com base no entendimento de que teria ocorrido dedução de despesas com provisões, quando se trata, na verdade, de dedução de despesas com a constituição de obrigações legais, nos termos da Deliberação CVM nº 489/05; que teria havido incongruência entre o fato efetivamente ocorrido e o enquadramento legal da infração, fazendo com que o lançamento esteja em desacordo com o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, devendo, por isso, ser julgado improcedente. A já citada 5a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, analisando o feito fiscal e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 12 34.021, de 28 de outubro de 2010, pela procedência do lançamento. O referido julgado foi assim ementado: MULTA ISOLADA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16682.720053/201039 Acórdão n.º 130200.827 S1C3T2 Fl. 344 4 TRIBUTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. INDEDUTIBILIDADE. FALTA DE ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO. Os tributos e contribuições que estejam com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do CTN, constituem provisões e não despesas incorridas, estando vedada sua dedução para apuração da base de cálculo da CSLL, conforme regra do art. 13, inciso I, da Lei 9.249/95. Irresignada, a contribuinte interpões recurso voluntário, por meio do qual alega: que, relativamente à multa isolada, não há que se falar em matéria incontroversa quando do julgamento de primeira instância, pois, ao contribuinte, é assegurado o direito de trazer questão apta a anular a exigência das obrigações imputadas tanto na impugnação quanto no recurso administrativo; que o inciso I do art. 42 do Decreto 70.235/72 prevê que somente se tornam definitivas as decisões de primeira instância quando esgotado o prazo para recurso voluntário, sem que esse tenha sido interposto; que o processo administrativo é regido pelo princípio da verdade real e, desse modo, se o contribuinte trouxe somente em seu recurso administrativo matéria que demonstra a impossibilidade de exigência de parte do auto de infração, tal matéria deve ser apreciada pelo órgão superior; que não pode o Fisco transformar uma conta de passivo real em conta de provisão, cujo conceito contábil não se amolda às obrigações decorrentes de lei, caso dos tributos, somente pelo fato de, momentaneamente, estar a exação com exigibilidade suspensa; que, nos termos da Deliberação CVM nº 489/05, por ser uma obrigação legal, o registro das obrigações com tributos e contribuições não pode ser considerada como provisão; que é possível concluir que no auto de infração não foi mencionado pelo Auditor Fiscal o enquadramento legal pertinente ao fato ocorrido, ou seja, a autuação em questão não está em conformidade com o Decreto nº 70.235/72 e afronta os princípios da estrita legalidade e da tipicidade tributária; que, ainda que não sejam acatados os argumentos acima descritos, verifica se que a contribuição para o PIS deve ser tratada como despesa efetivamente incorrida no encerramento do anocalendário de 2008, vez que, em 13 de dezembro de 2006, foi publicado acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, revogandose integralmente a sentença que vigia a seu favor (esclarece a Recorrente que interpôs recurso especial ao Superior Tribunal de Justiça, que proferiu decisão monocrática, não transitada em julgado, negando seguimento ao citado recurso); Adiante, a contribuinte traz razões de defesa contra a exigência da MULTA ISOLADA. É o Relatório. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16682.720053/201039 Acórdão n.º 130200.827 S1C3T2 Fl. 345 5 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. O presente processo versa sobre exigências de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e Multa Isolada, relativas ao anocalendário de 2008, formalizada a partir da imputação de falta de adição ao lucro líquido, na determinação da base de cálculo da exação, de valores correspondentes a tributos que se encontravam com a exigibilidade suspensa e falta de recolhimento das antecipações obrigatórias (estimativas). Esclarece a Turma Julgadora de primeira instância que a contribuinte não impugnou a exigência relativa à multa isolada decorrente da falta de recolhimento das estimativas. Em sede de recurso a contribuinte sustenta que não há que se falar em matéria incontroversa quando do julgamento de primeira instância, pois, ao contribuinte, é assegurado o direito de trazer questão apta a anular a exigência das obrigações imputadas tanto na impugnação quanto no recurso administrativo. Diz que o inciso I do art. 42 do Decreto 70.235/72 prevê que somente se tornam definitivas as decisões de primeira instância quando esgotado o prazo para recurso voluntário, sem que esse tenha sido interposto. Alega que o processo administrativo é regido pelo princípio da verdade real e, desse modo, se o contribuinte trouxe somente em seu recurso administrativo matéria que demonstra a impossibilidade de exigência de parte do auto de infração, tal matéria deve ser apreciada pelo órgão superior. Não merecem acolhimento os argumentos da Recorrente. Com efeito, a teor do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, abaixo transcrito, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerarseá não impugnada. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Inaplicáveis, no caso, o disposto no inciso I do art. 42 da norma processual em vigor e os preceitos decorrentes do princípio da verdade real. À evidência, o fato de a norma processual considerar definitiva a decisão administrativa de primeira instância na ausência de interposição de recurso voluntário, não autoriza a conclusão de que, por meio deste, toda e qualquer matéria ou exigência que não tenha sido objeto de impugnação possa ser trazida à apreciação do órgão julgador de segunda instância, pois, nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235/72, o litígio é instaurado a partir da impugnação, decorrendo daí que, não existindo esta (impugnação) inexiste lide, sendo impróprio, assim, reportarse à decisão definitiva. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16682.720053/201039 Acórdão n.º 130200.827 S1C3T2 Fl. 346 6 No âmbito administrativo, a efetivação do princípio da verdade real se dá, em regra, pelo conhecimento, em instância superior, de provas não submetidas ao crivo da autoridade julgadora de primeiro grau, observadas, contudo, as disposições das alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Esta, contudo, não é a situação retratada nos autos. Imprópria, da mesma forma, a tentativa de aplicação de normas estampadas na Lei nº 9.784, de 1999, vez que em consonância com o disposto do art. 69 do citado diploma legal os processos administrativos específicos, regemse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos ali estabelecidos. O processo administrativo fiscal, como é cediço, representa exemplo de feito administrativo específico, regido por lei própria (Decreto nº 70.235/72), cabendo destacar que, relativamente à matéria sob apreciação, o disciplinamento é exaurido pela norma processual referenciada, não havendo espaço, assim, para aplicação subsidiária de preceitos trazido pela Lei nº 9.784, de 1999. Relativamente à glosa da dedução de valores correspondentes a tributos que se encontravam com a exigibilidade suspensa, argumenta a Recorrente que não pode o Fisco transformar uma conta de passivo real em conta de provisão, cujo conceito contábil não se amolda às obrigações decorrentes de lei, caso dos tributos, somente pelo fato de, momentaneamente, estar a exação com exigibilidade suspensa. Sustenta que, nos termos da Deliberação CVM nº 489/05, por ser uma obrigação legal, o registro das obrigações com tributos e contribuições não pode ser considerado como provisão. Diz que é possível concluir que no auto de infração não foi mencionado pelo Auditor Fiscal o enquadramento legal pertinente ao fato ocorrido, ou seja, a autuação em questão não está em conformidade com o Decreto nº 70.235/72 e afronta os princípios da estrita legalidade e da tipicidade tributária. Adita que, ainda que não sejam acatados os argumentos antes descritos, verificase que a contribuição para o PIS deve ser tratada como despesa efetivamente incorrida no encerramento do anocalendário de 2008, vez que, em 13 de dezembro de 2006, foi publicado acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, revogandose integralmente a sentença que vigia a seu favor. Esclarece, ainda, que interpôs recurso especial ao Superior Tribunal de Justiça, que proferiu decisão monocrática, não transitada em julgado, negando seguimento ao citado recurso. Observo que a autoridade fiscal assinalou no Termo de Verificação Fiscal (fls. 145/152), parte integrante do auto de infração lavrado, que os lançamentos contábeis relativos a tributos e contribuições com exigibilidade suspensa caracterizamse como provisões, vez que não refletem obrigações fiscais efetivamente constituídas, sujeitas a exigência certa futura, mas, sim, um provisionamento contra eventuais riscos de a ação impetrada ter resultado desfavorável, precavendose o contribuinte contra possíveis impactos negativos que tal resultado traria a seu patrimônio. Com o devido respeito às posições em sentido contrário, não encontro reparo a ser feito na fundamentação reproduzida no citado Termo de Verificação Fiscal. Ali, encontra se transcrito pronunciamento da Superintendência Regional da Receita Federal (8ª Região Fiscal), do qual releva destacar as seguintes conclusões: 1. não obstante o disposto nos arts. 57 da Lei nº 8.981, de 1995, e 28 da Lei nº 9.430, de 1996, que estenderam à CSLL as normas de apuração e de cálculo do IRPJ, a base Fl. 346DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16682.720053/201039 Acórdão n.º 130200.827 S1C3T2 Fl. 347 7 de cálculo da contribuição em referência continua regida pelo art. 2º da Lei nº 7.689, de 1988, e legislação posterior; 2. não se pode aplicar à CSLL, de forma automática, as adições e exclusões previstas para o imposto de renda pessoa jurídica; 3. a restrição prevista no parágrafo 1º do art. 41 da Lei nº 8.981, de 1995, que impede a dedução, na determinação do lucro real, dos tributos que se encontram com a exigibilidade suspensa, não pode servir de único fundamento para a não aceitação dessa mesma dedução na apuração da base de cálculo da contribuição; 4. não obstante, a letra “c” do parágrafo 1º do art. 2º da Lei nº 7.689/88, na redação que lhe foi dada pelo art. 2º da Lei nº 8.034, de 1990, dispõe que, na determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, o resultado do períodobase será ajustado pela adição do valor das provisões não dedutíveis na determinação do lucro real; 5. o art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995, ressalvando as que expressamente nomina, veda, para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, a dedução de qualquer provisão; 6. os tributos e contribuições que se encontram com a sua exigibilidade suspensa têm natureza de provisão, eis que revelam obrigação incerta, dependente de evento futuro; e 7. os valores deduzidos na apuração do resultado do exercício a título de tributos ou contribuições com exigibilidade suspensa, observado o regime de competência, devem ser adicionados na determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido. Afasto, pois, a alegação de que no auto de infração não foi mencionado o enquadramento legal pertinente ao fato ocorrido. A questão, como se vê, diz respeito a natureza da obrigação revelada pelos tributos e contribuições que se encontram com a exigibilidade suspensa, se provisão, eis que incerta e dependente de manifestação futura acerca da sua própria existência, ou despesa incorrida. Penso que a única razão capaz de impedir a dedução dos tributos que se encontram com a exigibilidade suspensa reside exatamente no fato de a lei ter concebido que, nesse caso, os valores registrados contabilmente refletem verdadeiras provisões. É certo que a obrigação ex lege desfruta, por presunção, de constitucionalidade e legitimidade, contudo, suspensa a sua exigibilidade por força de mandamento legal, ela perde o atributo de certeza, ficando dependente de pronunciamento futuro, seja judicial, seja da própria Administração. Destaco que o lançamento tributário contestado tomou por base as disposições do art. 2º da Lei nº 7.689/88 e do art. 13 da Lei nº 9.249/95, conforme expressamente assinalado às fls. 140, revelandose imprópria a afirmação de ocorrência de incongruência entre o fato efetivamente ocorrido e o referido enquadramento legal. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16682.720053/201039 Acórdão n.º 130200.827 S1C3T2 Fl. 348 8 Obviamente que a linha de argumentação da Recorrente só tem sustentação a partir da premissa ali considerada, qual seja, a de que tributos que se encontram com a exigibilidade suspensa representam despesas incorridas. Ocorre, porém, que é exatamente em relação a esta questão que o Fisco fundamentou a autuação, isto é, por entender que, no caso, não estamos diante de despesas incorridas, mas, sim, de provisões. A partir de tal entendimento, para o qual não identifico reparo, a glosa perpetrada revelase adequadamente fundamentada. Quanto à alegação de que, relativamente ao PIS, em razão do desaparecimento da medida suspensiva da exigibilidade em 13 de dezembro de 2006, os valores correspondentes devem ser tratados como despesas efetivamente incorridas no encerramento do anocalendário de 2008, deixo de acolher a argumentação vez que não foram aportados aos autos a respectiva documentação de suporte, bem como não restou explicado o motivo pelo qual, em 2008, os valores foram registrados com a exigibilidade suspensa na Declaração de Informações. A Recorrente não explica também a razão de, em março de 2010, ao apresentar resposta à intimação formalizada pela Fiscalização, não apresentou tal argumentos. Assim, considerado todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Sala das Sessões, em 01 de fevereiro de 2012 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 348DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO
score : 1.0
Numero do processo: 35415.000025/2006-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/1997 a 31/12/1997
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada
Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN).
PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO.
Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
RECURSO DE OFÍCIO NEGADO.
Numero da decisão: 2401-001.105
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio por reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1997 a 31/12/1997 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN). PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO. Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-05-03T12:34:30Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-05-03T12:34:29Z; Last-Modified: 2010-05-03T12:34:30Z; dcterms:modified: 2010-05-03T12:34:30Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-05-03T12:34:30Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-05-03T12:34:30Z; meta:save-date: 2010-05-03T12:34:30Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-05-03T12:34:30Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-05-03T12:34:29Z; created: 2010-05-03T12:34:29Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2010-05-03T12:34:29Z; pdf:charsPerPage: 1633; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-05-03T12:34:29Z | Conteúdo => S2-C4T/ Fl. 245 ikit?' rt MINISTÉRIO DA FAZENDA • 41, Aiír*At CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 35415.000025/2006-10 Recurso n° 165.656 De Oficio Acórdão n° 2401-01.105 — 4' Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2010 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente DRJ-CAMPINAS-SP Interessado MC DONALDS COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA- ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1997 a 31/12/1997 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's ir's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN). PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO. Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4' Câmara / P Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio por reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas. (11)P\-r ELIAS SAMPAIO FREIRE - Presidente ELAINE CRISTINA MON 1. EIKO E SILVA VIEIRA — Relatora Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Cosia e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo n° 35415.000025/2006-10 52-C4T1 Acórdão 2401-01.105 Fl. 246 Relatório Trata-se de recurso repetitivo a ser julgado com a adoção do procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos moldes em que disciplina a Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009. No julgamento do Recurso-Padrão, o Recurso: n° 267248 (167248), Processo: n° 36802.000296/2005-93, Recorrente: COMÉRCIO MATERIAIS CONSTRUÇÃO LORENZETTI, a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n°2401-01.096, assim ementado: Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCL4. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE 's n's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 40 ou 173, do CTN). É o relatório. Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora Inicialmente há de se esclarecer que o presente acórdão supre o despacho previsto no art. 2°, § 2° Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009. No Recurso-Padrão, o Recurso: n° 267248 (167248), Processo: n° 36802.000296/2005-93, Recorrente: COMÉRCIO MATERIAIS CONSTRUÇÃO LORENZETTI, a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n°2401-01.096. Portanto, decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão. Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO DE OFICIO, para no mérito NEGAR-LHE PROVIMENTO, declarando que a integralidade do crédito encontra-se alcançado pela decadência qüinqüenal. É como voto. Sala das Sessões, em 24 de fevereiro de 2010 EL INE GRISTINA-M~RO ESILVA VIEIRA - Relatora 4 0, MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 35415.000025/2006-10 Recurso n°: 165.656 TERMO DE INTIMAÇÃO Em- cumprimento ao disposto no -parágrafo 3° do artigo 81 -do -Regimento - -- Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-01.105 Brasília, O de abril de 2010 4 ELIAS S ' PAIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 12269.004576/2009-21
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/08/2010 a 31/08/2010
CONSTRUÇÃO CIVIL. OBRA. MATRÍCULA. INFRAÇÃO.
Constitui infração o contribuinte deixar de matricular as obras de construção
civil dentro do prazo legal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-001.485
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/08/2010 a 31/08/2010 CONSTRUÇÃO CIVIL. OBRA. MATRÍCULA. INFRAÇÃO. Constitui infração o contribuinte deixar de matricular as obras de construção civil dentro do prazo legal. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrente MUNICÍPIO DE ANDRADAS PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/08/2010 a 31/08/2010 CONSTRUÇÃO CIVIL. OBRA. MATRÍCULA. INFRAÇÃO. Constitui infração o contribuinte deixar de matricular as obras de construção civil dentro do prazo legal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Leoncio Nobre de Medeiros, Wilson Antonio de Souza Correa. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/ 04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12963.000794/201092 Acórdão n.º 280301.485 S2TE03 Fl. 92 2 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de Auto de Infração n° 37.273.2399/2010, código de fundamentação legal 33, lavrado contra o contribuinte acima identificado, conforme Relatório Fiscal de folha 4, com os seguintes fatos: A autuada deixou de matricular as obras de construção civil relativas à construção de 50 casas populares no bairro Jardim Giaretta e Caracol, bem como na Escola Municipal no Bairro dos Gonçalves, ambas localizadas no município de Andradas, conforme ofício n°058/2010 de 29.06.10 da Secretaria de Planejamento Urbano e Meio Ambiente (Anexo I). Em relação às matrículas das obras realizadas tia Escola Municipal Caracolzinho e Escola Municipal Floriza Maniassi Trevisan as mesmas foram identificadas nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A constatação da execução das obras se deu durante a análise das Ordens de Pagamento relativas às Notas de Emprenho do período fiscalizado. As referidas obras foram então matriculadas "ex ofício" recebendo identificação 70.004.25182/75 e 70.004.2520470. Em razão da infração cometida foi aplicada uma multa, nos termos do art. 92 e art. 102 da Lei 8.212/1991 c/c art. 283, I, "d" e art. 373 do Regulamento da Previdência Social, atualizada pela Portaria Interministerial MPS/MF 333/2010, por duas ocorrências, conforme descrito no Relatório Fiscal de Aplicação da Multa, à folha 5. DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO O contribuinte foi cientificado do lançamento em 16/9/2010 (folha 01), apresentando defesa. A decisão de primeira instância administrativa fiscal julgou procedente o lançamento, fls. 69 a 70. O contribuinte foi cientificado da decisão em 09/05/2011, apresentando recurso voluntário em 07/06/2011, alegando em síntese: a nulidade da decisão de primeira instância administrativa em razão da inafastabilidade da análise de todos os pontos aventados junto à defesa, quanto à impossibilidade da análise na esfera administrativa, de questões de cunho constitucional, em deferência ao disposto no art. 26A do Decreto 70.235/72, retornando o caso para novo julgamento de primeira instância; a inexistência de amparo legal para imposição de penalidade. A tipificação da conduta junto ao art. 49 e §§ da Lei 8.212/1991, não serve de socorro para salvar da Fl. 92DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/ 04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12963.000794/201092 Acórdão n.º 280301.485 S2TE03 Fl. 93 3 ilegalidade a penalidade imposta, visto que, a tipificação da conduta há que ser entendida em sentido estrito, ou seja, não pode ter sua abrangência ampliada pelo aplicador; o art. 49 e §§ da Lei 8.212/1991 prevê obrigação à "EMPRESA", entidade esta que em muito se distancia da Administração Pública, cujos fins, aliás, divergem diametralmente uma da outra; a inconstitucionalidade da multa aplicada; por fim, requer a cassação do acórdão n. 0934.454, proferido pela 5a Turma da DRJ/JFA nos autos do processo n. 12963.000794/201092, à vista de sua flagrante contrariedade ao disposto no art. 5o, LV, da CF, ou, caso inacolhida tal pretensão, pela sua total reforma com amparo nas teses aduzidas. É o relatório. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/ 04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12963.000794/201092 Acórdão n.º 280301.485 S2TE03 Fl. 94 4 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso voluntário é tempestivo, pressuposto de admissibilidade cumprido, passo ao exame das questões suscitadas. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA A declaração de inconstitucionalidade de lei é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. Assim, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, nos termos do art. 26A e parágrafo único, do Decreto n. 70.235/72, bem como, art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria GMF n º 256, de 22 de junho de 2009. No mesmo sentido é o que discorre a Súmula n ° 2 do CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. INFRAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO D OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA O contribuinte deixou de matricular as obras de construção civil relativas à construção de 50 casas populares. As referidas obras foram então matriculadas "exofício" pela fiscalização recebendo identificação 70.004.25182/75 e 70.004.2520470. Pelo exposto, o contribuinte infringiu a Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 49, §§1° e 3°, na redação dada pela Lei 11.941, de 27/05/2009, combinados com o art. 256, §1°, II, e §3o, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n°3. 048, de 06/05/1999: Lei 8.212/91 Art. 49. A matrícula da empresa será efetuada nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o No caso de obra de construção civil, a matrícula deverá ser efetuada mediante comunicação obrigatória do responsável por sua execução, no prazo de 30 (trinta) dias, contado do início de suas atividades, quando obterá número cadastral básico, de caráter permanente.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o O não cumprimento do disposto no § 1o deste artigo sujeita o responsável a multa na forma estabelecida no art. 92 desta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 94DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/ 04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12963.000794/201092 Acórdão n.º 280301.485 S2TE03 Fl. 95 5 O valor da multa aplicada tem por base o art. 92 e 102 da Lei 8.212/91 c/c art. 283, inciso I, alínea “d” e art. 373, do RPS (Dec. 3.048/99), atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF 333/2010. Lei 8.212/91 Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. (...) Art.102.Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social.(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). Decreto 3.048/99 Art.283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos8.212e8.213, ambas de 1991, e10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores:(Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) nas seguintes infrações: d) deixar a empresa de matricular no Instituto Nacional do Seguro Social obra de construção civil de sua propriedade ou executada sob sua responsabilidade no prazo de trinta dias do início das respectivas atividades; (...) Art.373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Portaria Interministerial MPS/MF 333/2010 Dispõe sobre o salário mínimo e o reajuste dos benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS e dos demais valores constantes do Regulamento da Previdência Social RPS. Art. 1º Os benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS serão reajustados, a partir de 1º de janeiro de Fl. 95DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/ 04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12963.000794/201092 Acórdão n.º 280301.485 S2TE03 Fl. 96 6 2010, em 7,72% (sete inteiros e setenta e dois centésimos por cento). Art. 8º A partir de 1º de janeiro de 2010: V o valor da multa pela infração a qualquer dispositivo do RPS, para a qual não haja penalidade expressamente cominada (art. 283), varia, conforme a gravidade da infração, de R$ 1.431,79 (um mil quatrocentos e trinta e um reais e setenta e nove centavos) a R$ 143.178,02 (cento e quarenta e três mil cento e setenta e oito reais e dois centavos); O valor da multa aplicada foi de R$2.863,58 (2 obras x valor unitário da multa 1.431,79 = 2.863,58); conforme dispositivos legais mencionados no lançamento fiscal. Não há que se falar em inconstitucionalidade da multa aplicada. Tais dispositivos encontramse em vigor, não havendo manifestação de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal – STF. O auto de infração em tela encontra fundamento de validade na Lei nº 8.212/91. A Portaria Ministerial se limita a atualizar o valor da multa já anteriormente prevista em diploma legal. O valor estabelecido como pena pecuniária não é abusivo e nem confiscatório porque o cálculo desta está previsto na Lei nº 8.212/91, sendo o valor da multa, como visto na fundamentação mencionada, não é relativo, mas sim absoluto. Este é o entendimento do Tribunal Federal – TRF2 quanto ao assunto, cujos transcritos seguem: Processo AC 200150010069641AC APELAÇÃO CIVEL – 375867 , Relator(a) Desembargadora Federal SANDRA CHALU BARBOSA , Sigla do órgão TRF2 , Órgão julgador TERCEIRA TURMA ESPECIALIZADA , Fonte EDJF2R Data::12/11/2010 Página::279/280 Ementa ; TRIBUTÁRIO. APELAÇÃO EM AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL. INADIMPLEMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA COM BASE NA LEI 8.212/91. NÃO VIOLAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E IRRETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA. AUSÊNCIA DE CONFISCO. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. 1. Tratase de apelação contra a sentença que julgou improcedente o pedido de desconstituição do auto de infração nº 35.135.1272, a fim de que seja anulado o decorrente débito fiscal. 2. Inicialmente, é de se dizer que o próprio INSS já reconheceu que o depósito judicial realizado pela autora é suficiente para garantir o crédito tributário em questão, de modo que se mostra desnecessário novo esclarecimento acerca do pagamento integral da dívida em debate. 3. No mérito, cabe consignar que, como bem observou a sentença, “existe fundamento legal para a autuação imposta à autora. Com efeito, encontrase no artigo 32 da Lei 8.212/91, com as alterações empreendidas pela Lei 9.528/97, a obrigação de as empresas apresentarem mensalmente informações relativas às contribuições exigidas pelo INSS, por meio da chamada GFIP”. Por outro lado, também aduziu corretamente a sentença que a Portaria 6.211/00, do Ministério da Saúde e Previdência Social, não criou “embasamento infralegal para a obrigação acessória em tela”, Fl. 96DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/ 04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12963.000794/201092 Acórdão n.º 280301.485 S2TE03 Fl. 97 7 mas sim atualizou “o valor da multa por seu descumprimento”, e que não houve violação ao “princípio da irretroatividade da lei tributária”, eis que a Portaria em questão “foi utilizada pelo agente fiscal para fins de fixação do valor da multa,uma vez que já se aplicava no momento da autuação, nos moldes do § 8º do mesmo artigo 32, Lei 8.212/91”. Outrossim, preciso foi o entendimento do juízo a quo no sentido de que “em relação ao valor da multa aplicada, temos que o que fez o agente administrativo foi apenas aplicar os dispositivos legais transcritos nesta decisão, mediante atividade plenamente vinculada”; de que “o seu valor não é relativo, tomado com base em percentual do montante da obrigação principal, mas absoluto, levando em conta o porte da empresa, com base na quantidade de segurados”; e de que a autora se limitou a pedir a anulação do débito fiscal, não tendo formulado pedido para “a atenuação da multa aplicada”. 4. Oportuno reforçar que o entendimento contido no parecer do Ministério Público Federal é análogo ao da sentença supra especificada, ou seja, que o auto de infração em tela encontra fundamento de validade na Lei nº 8.212/91, e não naPortarianº 6.211/00; que a referida portaria se limitou a “atualizar o valor da multa já anteriormente prevista naquele diploma legal”; que o valor estabelecido como pena pecuniária não é confiscatório porque o cálculo desta está previsto no artigo 32, inciso IV, e §§ 4º e 7º da Lei nº 8.212/91; e que o valor da multa,como visto na sentença, não é relativo, mas sim absoluto. 5. Não obstante os fortes argumentos supra defendidos tanto na sentença quanto no parecer ministerial,vale colacionar os seguintes julgados do Egrégio Superior Tribunal de Justiça acerca do tema: STJ, REsp 1182354/PE, Rel. Min. Herman Benjamin, 2ª T., DJe 30/06/2010; REsp 899.895/SP, Rel. Min. Luiz Fux, 1ª T., DJe 05/08/2009. 6. Recurso conhecido e desprovido. Data da Decisão 26/10/2010 , Data da Publicação 12/11/2010 Assim sendo, a multa aplicada está de acordo com a Lei 8.212/1991. Não há que se falar em inexistência de amparo legal para imposição de penalidade. A tipificação da infração encontra respaldo legal no art. 49, §§1° e 3°, na redação dada pela Lei 11.941/2009, e demais dispositivos mencionados na autuação fiscal. O art. 15 da Lei 8.212/91 considera empresa para efeito do cumprimento das obrigações sociais os órgãos e entidades da administração pública direta e indireta: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional. O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 115, todos do CTN, com a descrição da infração e dispositivo legal infringido, o valor da multa aplicada e sua fundamentação legal, período apurado, relatório fiscal da infração e da aplicação da multa, Instrução para o Contribuinte – IPC; identificação do Fl. 97DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/ 04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12963.000794/201092 Acórdão n.º 280301.485 S2TE03 Fl. 98 8 contribuinte, identificação do Auditor Fiscal notificante, e demais informações constantes das folhas 01 a 51, bem como, lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante o artigo 33 da Lei n° 8.212/91. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 98DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/ 04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 11041.000392/2007-21
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano calendário:2006
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ DO ANO CALENDÁRIO 2006.
A insuficiência de recursos financeiros e/ou a impossibilidade não comprovada da entrega, por si só, não exclui a responsabilidade do
contribuinte em relação ao cumprimento das obrigações acessórias, devendo-se manter a exigência relativa a multa pelo atraso na entrega das obrigações acessórias.
Numero da decisão: 1802-001.077
Decisão: Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos negar
provimento ao Recurso.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano calendário:2006 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ DO ANO CALENDÁRIO 2006. A insuficiência de recursos financeiros e/ou a impossibilidade não comprovada da entrega, por si só, não exclui a responsabilidade do contribuinte em relação ao cumprimento das obrigações acessórias, devendo-se manter a exigência relativa a multa pelo atraso na entrega das obrigações acessórias.
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A insuficiência de recursos financeiros e/ou a impossibilidade não comprovada da entrega, por si só, não exclui a responsabilidade do contribuinte em relação ao cumprimento das obrigações acessórias, devendo se manter a exigência relativa a multa pelo atraso na entrega das obrigações acessórias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos negar provimento ao Recurso. ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Presidente. MARCIEL EDER COSTA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), Marciel Eder Costa, Marco Antonio Nunes Castilho, Nelso Kichel, Jose de Oliveira Ferraz Correa e Gustavo Junqueira Carneiro Leao. Fl. 32DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Relatório Requer a Recorrente o perdão da multa no valor de R$ 500,00 por ter entregue em atraso a declaração DIPJ do anocalendário de 2006, alegando problemas na geração da mesma e requerendo por deficiência de recursos financeiros o perdão da mesma. Pela clareza na descrição dos fatos, reproduzo o relatório constante da decisão de primeira instância, Acórdão n° 1019.889 da 1a Turma da DRJ/POÁ, fls. 22/24: Da autuação. Em 2/7/07 a Administração Tributária emitiu Notificação de Lançamento (fl. 2), referente à multa por atraso na entrega da Declaração de Informações da pessoa Jurídica DIPJ, exercício 2007, no valor de R$ 500,00. A referida declaração tinha como prazo final de entrega a data de 29/6/07, mas foi entregue tãosomente em 2/7/07. Tal é o fundamento para a autuação. Da impugnação. 0 contribuinte apresentou impugnação em 12/8/07 (fl.1), tempestiva, alegando que a pessoa jurídica autuada é entidade pequena e pobre e que não dispõe de recursos para quitar as multas. Por este motivo requer o cancelamento da multa. É o breve e essencial relato. Voto Conselheiro Marciel Eder Costa As Associações possuem regime diferenciado de apuração de impostos, com diversos benefícios fiscais, sendo porém, exigido a estrita observância às obrigações tributárias, em especial, às obrigações acessórias. A DIPJ, declaração anual sujeita às Associações e demais contribuintes que apuram seus impostos e contribuições pelo regime normal (Real, Presumido ou Arbitrado) foi disciplinada pela Instrução Normativa n° 696/06, que estabeleceu em seu artigo 2° o período em que a obrigação deveria ser cumprida: Art. 2 A DIPJ 2007, relativa ao anocalendário de 2006, deverá ser entregue no período de 2 de maio a 29 de junho de 2007. Fl. 33DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11041.000392/200721 Acórdão n.º 180201.077 S1TE02 Fl. 30 3 A não entrega da referida declaração no prazo supra, transgride a obrigação acessória, nascendo assim o direito da Fazenda Pública em transformar a infração em multa pecuniária, conforme disciplinado pelo art. 113 § 3°do CTN (Código Tributário Nacional): Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória [...] § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Sendo a aplicação da multa em tela exigível em face da infração, não pode ainda o servidor em atividade plenamente vinculada dela se desvencilhar, sob pena de responsabilidade funcional – art. 142 do Código Tributário Nacional. Sobretudo, o perdão ou anistia da multa ora requerido não é possível pela via de julgamento, tendo abrigo somente pela disposição legal, conforme determina o art. 150 § 6° da Constituição: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] §6.° Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155 §2.°, XIII, g. Ressaltese ainda, que a alegação de problemas no envio do arquivo da Declaração não restou comprovado como tendo sido feito tempestivamente, pois o documento de fls. 03 comprovou ter sido enviado somente depois do prazo estabelecido para entrega, em 02/07/2007, não servindo desta forma de salvaguarda à essa alegação. Desta forma, não há como aplicar o perdão da multa em favor da Recorrente pelos motivos supra expostos. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso e manter o lançamento. É como voto. Marciel Eder Costa Relator Fl. 34DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Fl. 35DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 11516.004335/2010-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Ano calendário: 2005,2006
Ementa:
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. VALORES CREDITADOS EM NOME PRÓPRIO. NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. IMPOSSIBILIDADE DE PRESUNÇÃO DE EXISTÊNCIA DE DOLO.
Nos termos do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, presume como omissão de receita os valores creditados em conta bancária em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove a origem dos mesmos.
Contudo, desta presunção que decorre da lei não se pode extrair outra presunção de que o titular dos recursos estava agindo com o intuito de sonegar, ocultar ou retardar a ocorrência do fato gerador. A omissão de receita se presume, mas a existência de dolo somente pode ser caracterizado mediante provas concretas.
IPI. EMPRESA COMERCIAL. INEXISTÊNCIA DE FATO GERADOR. EXIGÊNCIA CANCELADA.
Nos casos em que a empresa que se dedica somente ao comércio e é optante pelo SIMPLES, inexiste obrigação de pagar valor correspondente ao IPI. A exigência do percentual correspondente ao IPI, previsto em norma específica, importaria em exigir o respectivo tributo sem que tivesse ocorrido o fato gerador correspondente. Quando se está diante de empresa comercial, que
não industrializa produtos, não há aplicação do disposto no artigo 5º, § 2º, da Lei nº 9.137, de 1996, vigente à época dos fatos de que trata este processo.
SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. DISTINÇÕES FÁTICAS E JURÍDICAS ENTRE SITUAÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 124, I, E 135, I e II, DO CTN.
Nas situações previstas no artigo 124, I, do CTN, há uma norma que incide em relação ao contribuinte que participa na situação que constitua o fato gerador que obriga o contribuinte direto. No artigo 135, II e III, além da norma que incide na situação que constitua o fato gerador, há outra norma, de natureza sancionatória, que incide sobre a conduta de terceiro que, não
participando na situação que constitua o fato gerador, se torna responsável por praticar ato ou conjunto de atos que extrapolam seus poderes de comando frente à empresa ou resultam, por ação própria, em violação de normas legais vinculadas à obrigação de pagar tributos devidos pela empresa.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ANÁLISE INDIVIDUAL DOS FATOS E DAS PROVAS.
Nos casos do artigo 135 do CTN, em que a responsabilidade é atribuída a terceiros, que não participam na relação jurídica que constitua o fato gerador, por inexistir responsabilidade desvinculada da conduta pessoal, cabe à autoridade lançadora descrever os fatos que caracterizam a responsabilidade
descrevendo, de preferência, quando ocorreram, onde ocorreram e como ocorreram. Não é possível fazer considerações genéricas sem correlacionálas aos fatos.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 1402-001.042
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, rejeitar a
preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir a responsabilidade tributária dos sócios pessoas físicas, cancelar a exigência do IPI e reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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Alberton Madeiras Ltda, interessada. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: Anocalendário: 2005,2006 Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. VALORES CREDITADOS EM NOME PRÓPRIO. NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. IMPOSSIBILIDADE DE PRESUNÇÃO DE EXISTÊNCIA DE DOLO. Nos termos do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, presume como omissão de receita os valores creditados em conta bancária em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove a origem dos mesmos. Contudo, desta presunção que decorre da lei não se pode extrair outra presunção de que o titular dos recursos estava agindo com o intuito de sonegar, ocultar ou retardar a ocorrência do fato gerador. A omissão de receita se presume, mas a existência de dolo somente pode ser caracterizado mediante provas concretas. IPI. EMPRESA COMERCIAL. INEXISTÊNCIA DE FATO GERADOR. EXIGÊNCIA CANCELADA. Nos casos em que a empresa que se dedica somente ao comércio e é optante pelo SIMPLES, inexiste obrigação de pagar valor correspondente ao IPI. A exigência do percentual correspondente ao IPI, previsto em norma específica, importaria em exigir o respectivo tributo sem que tivesse ocorrido o fato gerador correspondente. Quando se está diante de empresa comercial, que não industrializa produtos, não há aplicação do disposto no artigo 5º, § 2º, da Lei nº 9.137, de 1996, vigente à época dos fatos de que trata este processo. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. DISTINÇÕES FÁTICAS E JURÍDICAS ENTRE SITUAÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 124, I, E 135, I e II, DO CTN. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.004335/201093 Acórdão n.º 1402001.042 S1C4T2 Fl. 0 2 Nas situações previstas no artigo 124, I, do CTN, há uma norma que incide em relação ao contribuinte que participa na situação que constitua o fato gerador que obriga o contribuinte direto. No artigo 135, II e III, além da norma que incide na situação que constitua o fato gerador, há outra norma, de natureza sancionatória, que incide sobre a conduta de terceiro que, não participando na situação que constitua o fato gerador, se torna responsável por praticar ato ou conjunto de atos que extrapolam seus poderes de comando frente à empresa ou resultam, por ação própria, em violação de normas legais vinculadas à obrigação de pagar tributos devidos pela empresa. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ANÁLISE INDIVIDUAL DOS FATOS E DAS PROVAS. Nos casos do artigo 135 do CTN, em que a responsabilidade é atribuída a terceiros, que não participam na relação jurídica que constitua o fato gerador, por inexistir responsabilidade desvinculada da conduta pessoal, cabe à autoridade lançadora descrever os fatos que caracterizam a responsabilidade descrevendo, de preferência, quando ocorreram, onde ocorreram e como ocorreram. Não é possível fazer considerações genéricas sem correlacionálas aos fatos. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir a responsabilidade tributária dos sócios pessoas físicas, cancelar a exigência do IPI e reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.004335/201093 Acórdão n.º 1402001.042 S1C4T2 Fl. 0 3 Relatório Adoto em parte o relatório da DRJ registrando que o presente processo trata de lançamento de crédito tributário (fls. 224/326), com ciência da pessoa jurídica em 15/12/2010 (fl. 334); do sujeito passivo Evair Alberton em 13/04/2011 (fl. 383) e do sujeito passivo Otaviano Zomer Alberton em 20/12/2010 (fl. 330); decorrentes do SIMPLES (AC 2005 e 2006) de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, IPI, PIS, CSLL, Cofins e Contribuição para a Seguridade Social, no montante de R$ 770.866,90, já acrescidos de multa de ofício de 150% e juros de mora calculados até 30/11/2010. 2. Segundo Termo de Verificação Fiscal (fls. 224/229), a infração foi Omissão de Receitas – Depósitos Bancários de Origem não Comprovada e a multa foi agravada (150%), conforme § 1° do art. 44 da Lei n.º 9.430, de 1996. Do termo de verificação fiscal transcrevo a seguinte passagem: “(...) Durante os procedimentos de fiscalização de um importante grupo industrial domiciliado em Santa Catarina (Moldurarte), observouse que um dos principais fornecedores de madeira, a Alberton Madeiras Ltda, acima descrita, parecia não declarar, nem tributar, boa parte do fornecimento de madeiras que aquele grupo industrial catarinense contabilizara como custos de produção. Tais inconsistências, entre os valores contabilizados em um contribuinte e os valores declarados pelo seu fornecedor (Alberton), obrigaram a fiscalização a efetuar o procedimento fiscal que ora se consubstancia, o que revelou que a Alberton não só omitia receitas de fornecimento de madeira para o grupo situado em Santa Catarina, mas sim grande parte de todos os seus recebimentos bancários (fls. 37 a 108 – fornecidos pela instituição financeira consoante o artigo 6o da Lei complementar 105/2001), conforme detalhado abaixo. (...) Salientese também que, em se tratando de irregularidades reiteradas e contínuas (meses a fio), portanto intencionais e dolosas, além do fato que a contribuinte deixou de atender às intimações, deliberadamente, aplicase a multa agravada de 150%, nos termos do artigo 44 da Lei 9.430/96.... (...) Nestas condições tornase evidente que os contribuintes EVAIR ALBERTON, CPF 576.257.35915 E OTAVIANO ZOMER ALBERTON, CPF 102.800.73968, precisam figurar como pólo passivo na responsabilidade fiscal pelos atos de comércio realizados pela ALBERTON MADEIRAS LTDA, conforme previsto nos artigos 124 e 135 da Lei 5.172/66... Fl. 479DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.004335/201093 Acórdão n.º 1402001.042 S1C4T2 Fl. 0 4 (...) 3. Protocolouse documento de impugnação (fls. 340/342), em 04/01/2011, em nome da pessoa jurídica, mas assinado pelo contribuinte solidário Otaviano Zomer Alberton. Anexouse procuração do contribuinte solidário Evair Alberton (fls. 345/346), em que este outorga poderes relacionados ao processo administrativo fiscal 11516.004335/201093 e MPF 02101002009.001044 ao contribuinte solidário Otaviano Zomer Alberton. Anexouse também cópia da Quarta Alteração Contratual da Sociedade Limitada Alberton Madeiras Ltda ME, fls.346/349, de 15/10/2008, em que se constata a retirada (formal), da sociedade, dos sócios EVAIR ALBERTON, CPF 576.257.35915 e OTAVIANO ZOMER ALBERTON, CPF 102.800.73968. Segundo o mesmo documento a sociedade seria representada pelo (novo) sócio Paulo Francisco Belo. 3.1. Destacamos, ainda, daquela impugnação (fls. 340/342): “Os valores informados na declaração do Simples Federal nos anos calendários 2005, 2006 e 2007 são verdadeiros e não podem serem vistos como meros números fictícios criados pela autuada, são resultados da venda de madeiras comercializadas junto a empresa Moldurart de Santa Catarina, enquanto os valores movimentados em conta corrente da pessoa jurídica, são resultado de financiamentos e outras transações bancárias junto ao Banco do Brasil – Ag. Moju/Pará, e principalmente de valores repassados pela empresa supracitada, sua principal cliente, que mandava valores em dinheiro para a compra de matéria prima e outras despesas acessórias....” (...) “A fiscalização partiu de Florianópolis (Santa Catarina) e não da jurisdição a qual pertence, dificultando ainda mais, o comparecimento e acesso aos altos e á defesa....” (...) “...não cabe incidência de IPI A decisão recorrida está assim ementada: EMENTA São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da aludida decisão, o(s) interessado(s) apresentaram recurso voluntário repisando os argumentos articulados quando da impugnação e, ao final, requerendo o provimento do recurso para cancelar o lançamento, ao menos em parte. É o relatório. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.004335/201093 Acórdão n.º 1402001.042 S1C4T2 Fl. 0 5 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. Inicio a análise verificando a regularidade processual e o preenchimento dos pressupostos recursais, em especial no que diz respeito à legitimidade. À fl. 189 consta procuração outorgada em 17122010, por Evanir Alberton em favor de Otaviano Zomer Alberton para acompanhar o presente processo. À fl. 346 consta a quarta alteração datada de 15 de outubro de 2008, em que se admite na sociedade os sócios Paulo Francisco Belo e José Roberto Pereira da Silva e retiramse os sócios Evanir Alberton e Otaviano Zomer Alberton. À fl. 352 consta o contrato social indicando que a empresa foi constituída em 1997 com o objeto social de desdobramento e comercialização de madeiras em geral. O termo de fl. 407 demonstra que Marcilene Dias Oliveira, apresentando a procuração de fls. 408, outorgada pela empresa autuada deuse por intimada, em 14092011, do acórdão de fls. 396 a 404. Apesar da procuração conter poderes apenas para parcelamento de débitos, no mesmo dia em que se deu por intimada, a empresa protocolizou a petição de fls. 410, requerendo a desistência do recurso para efeito de parcelamento. Na verdade, entendo eu, que a empresa renunciou ao prazo recursal. Em 14102011 foi protocolizado o recurso de fls. 413 e seguintes, em nome da empresa Alberton Madeiras Ltda. Não há intimação dos responsáveis solidários, exsócios da empresa. Contudo, como está dito no cabeçalho do referido recurso, a parte interessada destacou estar recorrendo por seus exsócios e, ao final, são estes quem assinam o recurso. Idêntico procedimento também se verifica quando da impugnação de fls. 185 a 187. Assim, tenho por convalidada a intimação de todos e admito o recurso de fls. 413 e seguintes como sendo interposto apenas pelos terceiros responsáveis, já que a empresa, em data anterior, praticou ato incompatível com a vontade de recorrer, qual seja, apresentou pedido de desistência. Não localizei nos autos pedido de desistência por parte dos responsáveis solidários. A controvérsia, pelo que se depreende da impugnação e do recurso voluntário diz respeito aos seguintes pontos: a) que a empresa Moldurart, de Santa Catarina, mandava valores em dinheiro para compra de matéria prima e outras despesas acessórias, enquanto os valores informados nas declarações foram resultantes de vendas de madeiras comercializadas junto à Moldurart; b) que a fiscalização foi levada a termo na cidade de Florianópolis, onde foi lavrado o auto de infração, conforme consta da fl. 112 e do termo de encerramento à fl. 169, fato que impossibilitou qualquer esclarecimento por parte dos recorrentes e, por consequência, do direito de defesa; Fl. 481DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.004335/201093 Acórdão n.º 1402001.042 S1C4T2 Fl. 0 6 c) que não há situação que caracteriza a multa qualificada e tampouco a responsabilidade tributária dos exsócios da empresa. Quanto às demais questões dignas de destaque, observo que apesar da planilha de fls. 113 e seguintes e do quadro de fl. 225 que integra o Termo de Verificação Fiscal relacionar depósitos a partir do mês outubro de 2005, até dezembro de 2007, o lançamento, conforme demonstrativo de fl. 281, não contempla de exigência de crédito tributário do anocalendário de 2007. Por oportuno, ainda, destaco que o presente processo não trata de questões referentes à exclusão do SIMPLES. O confronto entre os depósitos bancários e os valores declarados, a partir do mês de dezembro de 2005 até junho de 2007, consta da fl. 225, de onde extraio a planilha que segue: Inicio a análise do processo a partir das declarações simplificadas nos anos calendário de 2005 e 2006. Vejo que a autuada, em 2005 e 2006, declarou receitas nos valores de R$ 662.154,00 e R$ 691.431,53, respectivamente. (fls. 25 e 43). Contudo, para que tenha noção da diferença entre as receitas declaradas e os depósitos bancários, mês a mês, segue transcrito o seguinte quadro: Fl. 482DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.004335/201093 Acórdão n.º 1402001.042 S1C4T2 Fl. 0 7 Do exame dos documentos de fls. 38 a 47, que analisei por amostragem, identifiquei que quase todos os valores creditados são realizados em cheques ou TED, com a origem 0738, em montantes exatos de R$ 10.000,00, R$ 6.000,00 e R$ 4.000,00. Os débitos na conta bancária ocorreram de forma fracionada. Normalmente há um valor creditado e inúmeros débitos de importância menor. Não há nos autos notícia de que nenhum destes valores tenha sido utilizado em benefício particular dos então sócios arrolados como devedores solidários. Na fl. 48 identifiquei um depósito no valor de R$ 20.000,00. Posteriormente, conforme relação existente a partir da fl. 114 dos autos, verificamse dezenas de depósitos em valores exatos de R$ 7.500,00, realizados quase que diariamente. O maior valor depositado na conta bancária, no período autuado, foi de R$ 25.000,00 (fl. 115). A sujeição passiva solidária, conforme consta do termo de verificação fiscal, deuse com base em considerações genéricas. Não há um único fato ou descrição de conduta específica dos então sócios. Atribuiuse a estes a responsabilidade tributária com base no fundamento de que, ao não declararem os valores correspondentes aos depósitos bancários restou caracterizado o desvio de finalidade da sociedade, conforme disposto no artigo 50 e 1.016 do Código Civil. Argumenta a autoridade lançadora que, tendo as omissões se caracterizado por meses a fio, restou caracterizada a responsabilidade solidária. Neste sentido, descreveu a autuação: Fl. 483DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.004335/201093 Acórdão n.º 1402001.042 S1C4T2 Fl. 0 8 Por fim, observo, que a autoridade fiscal efetuou o lançamento de IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e IPI. Contudo, não descreveu qual o produto industrializado, em tese, comercializado pela recorrente. Recolocado os fatos, tenho que deve se adentrar ao exame do mérito do recurso interposto pelos terceiros responsáveis para analisar os seguintes pontos a) da questão relacionada à nulidade por cerceamento do direito de defesa; a) inexigibilidade de IPI; b) inexigibilidade da multa qualificada; c) inexistência de situação que os caracterize com devedor solidário. Da questão relacionada à alegação de nulidade por cerceamento do direito de defesa. Reconheço que a fiscalização levada a efeito no Estado de Santa Catarina, local extremamente distante do domicilio fiscal dos acusados, na prática corresponde à situação que pode resultar em grandes obstáculos ao exercício do direito de defesa e, inclusive, para prestar esclarecimentos ao próprio fisco. Ninguém sai de Manaus e vai ou interior de Santa Catarina, por exemplo, para protocolizar um documento ou obter cópias de processo. O procedimento mais indicado, no caso concreto, seria remeter o expediente para a Delegacia da Receita Federal do domicilio dos fiscalizados. Esta, por estar mais próxima, poderia inclusive realizar melhores diligências com a finalidade de identificar a situação concreta para colher elementos objetivos que pudessem caracterizar determinadas infrações, em especial nas que dizem respeito à responsabilidade de terceiros. Contudo, apesar dos obstáculos, os recorrentes, certamente com mais sacrifício, conseguiram apresentar defesa demonstrando, conforme se Fl. 484DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.004335/201093 Acórdão n.º 1402001.042 S1C4T2 Fl. 0 9 verá a seguir que, no caso dos autos, inexiste elementos suficientes s para caracterizar a responsabilidade deles pela obrigação de pagar o crédito tributário. Constatado o regular exercício da defesa, rejeito a preliminar de nulidade alicerçada na alegação de cerceamento do direito de defesa. Da questão relacionada ao IPI Tratase de empresa enquadrada no SIMPLES. Na época dos fatos encontravase em vigor a Lei nº 9.317, de 1996, cujos artigos 3º e 5º, § 2º, continham o seguinte teor: Art. 3º A pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e de empresa de pequeno porte, na forma do art. 2º, poderá optar pela inscrição no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. § 1º A inscrição no SIMPLES implica pagamento mensal unificado dos seguintes impostos e contribuições: a) Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ; b) Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP; c) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL; d) Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS; e) Imposto sobre Produtos Industrializados IPI; f) Contribuições para a Seguridade Social, a cargo da pessoa jurídica, de que tratam o art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, e a Lei Complementar nº 84, de 18 de janeiro de 1996. ... Art. 5º O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: I para a microempresa, em relação à receita bruta acumulada dentro do anocalendário: a) até R$ 60.000,00 (sessenta mil reais): 3% (três por cento); b) de R$ 60.000,01 (sessenta mil reais e um centavo) a R$90.000,00 (noventa mil reais): 4% (quatro por cento); c) de R$ 90.000,01 (noventa mil reais e um centavo) a R$120.000,00 (cento e vinte mil reais): 5% (cinco por cento); II para a empresa de pequeno porte, em relação à receita bruta acumulada dentro do anocalendário: a) até R$ 240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais): 5,4% (cinco inteiros e quatro décimos por cento); Fl. 485DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.004335/201093 Acórdão n.º 1402001.042 S1C4T2 Fl. 0 10 b) de R$ 240.000,01 (duzentos e quarenta mil reais e um centavo) a R$360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais): 5,8% (cinco inteiros e oito décimos por cento); c) de R$ 360.000,01 (trezentos e sessenta mil reais e um centavo) a R$480.000,00 (quatrocentos e oitenta mil reais): 6,2% (seis inteiros e dois décimos por cento); d) de R$ 480.000,01 (quatrocentos e oitenta mil reais e um centavo) a R$600.000,00 (seiscentos mil reais): 6,6% (seis inteiros e seis décimos por cento); e) de R$ 600.000,01 (seiscentos mil reais e um centavo) a R$720.000,00 (setecentos e vinte mil reais): 7% (sete por cento). § 1º O percentual a ser aplicado em cada mês, na forma deste artigo, será o correspondente à receita bruta acumulada até o próprio mês. § 2º No caso de pessoa jurídica contribuinte do IPI, os percentuais referidos neste artigo serão acrescidos de 0,5 (meio) ponto percentual. Ao dispor o artigo 3º que o enquadramento no SIMPLES importa em pagamento unificado do IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e IPI, entendo que o IPI somente é devido nos casos em que caracterizado fato gerador da respectiva exigência. Ao meu sentir, quando se está diante de empresa comercial, que não industrializa produtos, não há aplicação do disposto no artigo 5º, § 2º, da Lei nº 9.137, de 1996, vigente à época, sob pena de se exigir IPI sem o respectivo fato gerador. No caso dos autos, pelo que descrito no contrato social, a empresa autuada limitavase ao comércio e desdobramento de madeiras. Examinando as Declarações entregues, a partir da fl. 11 dos autos, verificase que está informado de que não se trata de empresa contribuinte do IPI. A autoridade fiscal, a partir da presunção de omissão de receita formada a partir dos depósitos bancários, sem descrever qualquer atividade que pudesse caracterizar fato gerador do IPI, efetuou lançamento relativo ao IPI, o que deve ser cancelado. Da presunção de omissão de receita O artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, presume como omissão de receita os valores creditados em conta bancária em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovar a origem dos mesmos. No caso concreto, a autuada alega que a empresa Moldurart, de Santa Catarina, mandava valores em dinheiro para compra de matéria prima e outras despesas acessórias, enquanto os valores informados nas declarações foram resultantes de vendas de madeiras comercializadas junto à Moldurart. Pela tese da recorrente, ela vendia madeira de sua propriedade para a recorrente, cuja receita fora escriturada e, também, adquiria matéria prima para a citada empresa. Os depósitos bancários não contabilizados, na tese da recorrente, referemse a estas transações entre a citada empresa e seus fornecedores. Da análise da prova, há indicativo de que quase todos os depósitos bancários, se não todos, são oriundos de depósitos ou transferência, ao que tudo indica de agência bancária situada em Santa Catarina. As alegações da recorrente possuem lógica quando afirmam que os valores são oriundos da empresa Moldurart, fato este constatado pela própria Fl. 486DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.004335/201093 Acórdão n.º 1402001.042 S1C4T2 Fl. 0 11 fiscalização. Contudo, apesar desta situação, não há nos autos prova de que os valores não contabilizados como receitas se destinavam a adquirir matérias primas para a Moldurart. Tal alegação, desprovida de prova, não é suficiente para afastar a presunção legal de que trata o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Da qualificação da multa Tratase de autuação com base em presunção de omissão de receita a partir de depósito bancário de origem não comprovada. Pelo fato da contribuinte não ter provado que os depósitos bancários não escriturados eram oriundos da empresa Moldurat, de Santa Catarina, e que correspondiam a valores enviados por esta para compra de matéria prima e outras despesas acessórias, nos termos do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, presumese que se trata de receita omitida. Contudo, desta presunção, que decorre da lei, não se pode extrair outra presunção de que a recorrente estava agindo com o intuito de sonegar, ocultar ou retardar a ocorrência do fato gerador. A omissão de receita se presume, mas a existência de dolo somente pode ser caracterizado mediante provas concretas. Ademais, na exigência de crédito tributário constituído a partir de depósitos bancários de origem não comprovada não se pode falar em omissão qualificada do contribuinte com a finalidade de sonegar, ocultar ou retardar o conhecimento do fato gerador, pois ao efetuar transação financeira dáse o oposto, isto é, possibilita, conforme artigo 5° da Lei Complementar n° 105, de 2001, e arts. 1°, 2°, §§ 2° e 3°, do Decreto n° 4.545, de 2002, que seja encaminhado à Fiscalização informações acerca de todos os recursos que movimentou. Em relação à movimentação financeira é preciso que se tenha presente as normas contidas nos dispositivos legais anteriormente citados, os quais seguem transcritos: Lei Complementar n° 105, de 2001. .... Art. 5º O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. Decreto nº 4.545, de 2002. Art. 1º As instituições financeiras, assim consideradas ou equiparadas nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 1º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, devem prestar à Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda informações sobre as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços, sem prejuízo do disposto no art. 6º da referida Lei Complementar. Art. 2º As informações de que trata este Decreto, referentes às operações financeiras descritas no § 1º do art. 5º da Lei Complementar nº 105, de 2001, serão prestadas, continuamente, em arquivos digitais, de acordo com as especificações definidas pela Secretaria da Receita Federal, e restringirseão a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e com os montantes globais mensalmente movimentados, relativos Fl. 487DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.004335/201093 Acórdão n.º 1402001.042 S1C4T2 Fl. 0 12 a cada usuário, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos efetuados. .... § 2º As instituições financeiras deverão conservar todos os documentos contábeis e fiscais, relacionados com as operações informadas, enquanto perdurar o direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários delas decorrentes. § 3º A identificação dos titulares das operações ou dos usuários dos serviços será efetuada pelo número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e pelo número ou qualquer outro elemento de identificação existente na instituição financeira. No caso dos autos não se trata de recursos depositados em conta de terceiros. Assim, dos fundamentos acima expostos decorre a conclusão de que não há elementos nos autos para caracterizar a existência de dolo como elemento necessário à qualificação da multa. Da solidariedade Sem embargo, a análise da solidariedade, ou melhor, das consequências jurídicas decorrentes da distinção entre devedor solidário e terceiro responsável requer estudo acerca das seguintes situações: I) hipóteses previstas no artigo no artigo 124, I, do CTN, que trata da solidariedade de quem tem qualidade para ser contribuinte direto ou sujeito passivo da obrigação tributária (devedor originário art. 121, parágrafo único, I)1; II) hipóteses previstas no artigo 124, II, que trata da possibilidade da lei eleger, como responsável pelo crédito tributário, terceiro que não reveste a condição de contribuinte (art. 121, parágrafo único, II); III) hipóteses previstas no artigo 128 em que a lei, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo a este em caráter supletivo, atribui a responsabilidade do crédito a terceira pessoa (art. 121, parágrafo único, II); IV) responsabilidade pessoal dos sucessores ou de terceiros que não fazem parte da relação jurídicotributária, mas que podem vir a ser chamados a responder pelo crédito (art. 130 a 133); V) responsabilidade subsidiária das pessoas elencadas no artigo 134, I a VII (pais, tutores, curadores, administradores, inventariante, síndico, 1 Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.004335/201093 Acórdão n.º 1402001.042 S1C4T2 Fl. 0 13 tabeliães, escrivães e sócios, no caso de liquidação de sociedades de pessoas). VI) responsabilidade pessoal dos pais, tutores, curadores, administradores, síndico de massa falida, tabeliães, sócios, mandatários, prepostos, empregados, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas quando agem com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos (art. 135); VII) responsabilidade pessoal por infrações conceituadas como crimes ou cuja definição o dolo específico do agente é elementar (137); VIII) responsabilidade de quem não é procurador e nem aparece no quadro social da empresa, mas faz desta instrumento para exercer suas atividades. 2.I. Da solidariedade tributária decorrente do interesse comum Ao tratar da solidariedade tributária o artigo 124, I, do CTN, prevê que são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Inicialmente cabe esclarecer que a expressão “interesse comum” não pode ser confundida com interesse econômico. Interesse comum diz respeito à posição ocupada pelo sujeito passivo na relação jurídica tributária. Neste sentido, a seguinte lição extraída da jurisprudência do STJ: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ISS. EXECUÇÃO FISCAL. LEGITIMIDADE PASSIVA. EMPRESAS PERTENCENTES AO MESMO CONGLOMERADO FINANCEIRO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 124, I, DO CTN. NÃOOCORRÊNCIA. DESPROVIMENTO. 1. "Na responsabilidade solidária de que cuida o art. 124, I, do CTN, não basta o fato de as empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico, o que por si só, não tem o condão de provocar a solidariedade no pagamento de tributo devido por uma das empresas" (HARADA, Kiyoshi."Responsabilidade tributária solidária por interesse comum na situação que constitua o fato gerador"). 2. Para se caracterizar responsabilidade solidária em matéria tributária entre duas empresas pertencentes ao mesmo conglomerado financeiro, é imprescindível que ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, sendo irrelevante a mera participação no resultado dos eventuais lucros auferidos pela outra empresa coligada ou do mesmo grupo econômico. 3. Recurso especial desprovido. (REsp 834.044 / RS, 1ª Turma, Rel. Min. Denise Arruda, DJ de 15.12.2008) Fl. 489DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.004335/201093 Acórdão n.º 1402001.042 S1C4T2 Fl. 0 14 O interesse comum de que trata o artigo 124, I, deve ser compreendido como o interesse “na situação que constitua o fato gerador”. Não se pode ler a expressão “interesse comum” sem o complemento que o segue, isto é, sem sua vinculação à participação do sujeito passivo na situação que constitua o fato gerador. Se o sujeito passivo não integrar a relação que constitua o fato gerador não se pode falar em interesse comum2. O interesse comum de que trata o artigo 124, I, é o interesse ligado ao direito material que mais de uma pessoa possui em relação a determinado bem ou situação jurídica. Se estivéssemos no campo do direito processual diríamos que são os atributos que legitimam o titular de um direito para, em nome próprio, reclamálo em juízo. (art. 6º do CPC). Se A e B são proprietários de determinado imóvel entre eles há interesse comum e o Município pode fazer o lançamento do IPTU em relação a qualquer dos coproprietários. No exemplo aqui citado temse uma única norma jurídica de responsabilidade tributária, qual seja, a norma aplicável em relação a quem é contribuinte direto e, por consequência, participa da relação jurídica de direito tributário. A situação prevista no artigo 124, I, conforme se demonstrará mais adiante, não pode ser confundida com as situações de que trata o artigo 135 do CTN, onde vamos encontrar duas normas autônomas, uma aplicável em relação ao contribuinte (art. 121, parágrafo único, I) e outra em relação ao terceiro que não participa da relação jurídica tributária, mas que, por violação de determinados deveres, pode vir a ser chamado a responder pela obrigação (art. 135). Em situações onde um contribuinte fornece serviços ou produtos a outro, os menos atentos costumam arrolar o vendedor, o adquirente, o fornecedor ou tomador dos serviços, conforme o caso, como responsável solidário, sob o argumento de que estes têm interesse comum e citam para tal o artigo 124, I. Tal procedimento é equivocado. Além de confundirem interesse econômico com interesse jurídico, comprador e vendedor não têm interesse comum, mas sim interesses contrapostos. Neste sentido a doutrina de Hugo de Brito Machado e Hugo de Brito Machado Segundo: “Não podemos confundir interesse comum com interesse contraposto. ..... o interesse do comprador e o vendedor, em contrato de compra e venda, não são interesses comuns, mas interesses contrapostos. Neste sentido, aliás, é a lição autorizada de Silvio Rodrigues, para quem ´na compra e venda, na locação, no depósito etc., os interesses das partes são antagônicos e o contrato surge exatamente para reduzir as oposições e compor ad divergências3” 2 Não se pode confundir interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária com interesse econômico que terceiros, não contribuintes, tenham em face de determinados negócios jurídicos. Por exemplo, no imposto de renda, pessoa física ou jurídica, o acréscimo patrimonial, quantificado por meio do ganho de capital ou lucro, pode interessar de forma comum a vasto conjunto de pessoas (compradores, vendedores, fornecedores, sócios, administradores, trabalhadores, investidores etc), mas nem por isto estas pessoas possuem interesse na situação que constitua o fato gerador. 3 Revista Dialética de Direito Tributário nº 191. Agosto de 2011, pág. 124. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.004335/201093 Acórdão n.º 1402001.042 S1C4T2 Fl. 0 15 2.II. Das hipóteses previstas no artigo 124, II, que trata da possibilidade da lei eleger, como responsável pelo crédito tributário, terceiro que não reveste a condição de contribuinte (art. 121, parágrafo único, II) O artigo 124, II4, contempla situação em que a lei pode atribuir responsabilidade solidária a pessoas que não revestem a condição de contribuintes, mas por estarem vinculadas ao fato gerador5, praticado pelo contribuinte, podem vir a ser chamadas a responderem pelo crédito tributário, como ocorre, por exemplo, na importação por conta e ordem de terceiros e nas demais situações elencadas no artigo 32, parágrafo único, do Decreto lei nº 37, de 1966, com a redação atribuída pelo artigo 77 da MP nº 2.15835, de 20016, onde a lei atribui, de forma expressa, responsabilidade tributária a quem não reveste a condição de contribuinte. 4 Art. 121. .... Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I .... II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. 5 Conforme observa Sacha Calmon Navarro Coelho, a vinculação ao fato gerador, no que tange ao responsável, é para garantirlhe o ressarcimento do ônus tributário. Assim, de um lado, assegurase ao Fisco, o jus tributandi do Estado, condições de eficácia e funcionalidade. De outro, garantese ao cidadãocontribuinte o direito de ressarcimento, de modo a evitar o desfalque em seu patrimônio jurídico. (In. Comentários ao Código Tributário Nacional, Coord. Carlos Valter do Nascimento, Forense, Rio de Janeiro, 1977, p. 256295). 6 Artigo 32 do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação atribuída pelo artigo 77 da MP nº 2.15835, de 2001, “in verbis”: Art. 32. É responsável pelo imposto: I o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; II o depositário, assim considerada qualquer pessoa incumbida da custódia de mercadoria sob controle aduaneiro. Parágrafo único. É responsável solidário: I o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; (Inciso acrescentado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 24.08.2001, DOU 27.08.2001, em vigor conforme o art. 2º da EC nº 32/2001) II o representante, no País, do transportador estrangeiro; (Inciso acrescentado pela Medida Provisória nº 2.158 35, de 24.08.2001, DOU 27.08.2001, em vigor conforme o art. 2º da EC nº 32/2001). III o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (NR) (Inciso acrescentado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 24.08.2001, DOU 27.08.2001, em vigor conforme o art. 2º da EC nº 32/2001) a) (Suprimida) b) (Suprimida) c) o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora; (Alínea acrescentada pela Lei nº 11.281, de 20.02.2006, DOU 21.02.2006). d) o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Alínea acrescentada pela Lei nº 11.281, de 20.02.2006, DOU 21.02.2006) Fl. 491DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.004335/201093 Acórdão n.º 1402001.042 S1C4T2 Fl. 0 16 Não se pode atribuir responsabilidade solidária com base no artigo 124, II, do CTN, sem indicar a norma legal que atribui tal condição às pessoas que não revestem a condição de contribuintes. Convém observar que a solidariedade de que trata o artigo 124, II, não está relacionada a ato ilícito e se aplica a quem, nos termos do artigo 121, parágrafo único, II, do CTN, tem qualidade para ser sujeito passivo da obrigação tributária, ainda que por responsabilidade decorrente de expressa disposição legal, como é o caso das situações previstas no artigo 32 do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação atribuída pela MP nº 2.11535, de 2001 e Lei nº 11.281, de 2006. Antes de iniciar as questões que dizem respeito à responsabilidade tributária, especial atenção deve ser dispensada ao 125, III, do CTN. Este dispositivo é norma inserida na seção que trata da solidariedade, dispondo que a interrupção da prescrição em favor ou contra um dos obrigados favorece ou prejudica os demais. Neste contexto, oportuno observar que o artigo 124, do CTN, assegura ao sujeito ativo a prerrogativa de efetuar o lançamento contra um, alguns ou todos os obrigados solidários. De sorte que, se escolher apenas um ou alguns dos obrigados não poderá, após o decurso do prazo decadencial, voltarse contra os demais. Devemos nos ater que o que se interrompe é a prescrição e não o prazo decadencial. Enquanto a prescrição é passível de interrupção, o mesmo não ocorre com a decadência. Quanto a esta, a decadência, o Código Civil é expresso: “Art. 207. Salvo disposição legal em contrário, não se aplicam à decadência as normas que impedem, suspendem ou interrompem a prescrição.” A única hipótese de interrupção da decadência é a que consta no artigo 173, II, do CTN, que prevê o reinício do prazo nos casos de decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente realizado. O prazo decadencial não se suspende e nem se interrompe nem mesmo nas hipóteses em que o Poder Judiciário concede liminar em mandado de segurança, ou antecipação de tutela em outras espécies de ação, suspendendo a exigibilidade do crédito tributário. Se o crédito tributário ainda não estiver constituído e não houver depósito judicial do valor, deve ser lavrado auto de infração para constituição, sem a multa de ofício, sob pena do mesmo ser atingido pela decadência. 2.III. Da responsabilidade tributária nas hipóteses previstas no artigo 128 em que a lei, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo a este em caráter supletivo, atribui a responsabilidade do crédito a terceira pessoa Em se tratando de responsabilidade de terceiros, essencial à compreensão do instituto da responsabilidade tributária é a noção de que a obrigação do terceiro de responder por dívida originalmente do contribuinte jamais decorre direta e automaticamente da pura e simples ocorrência do fato gerador do tributo. Do fato gerador só surge a obrigação direta do contribuinte. A relação contributiva dáse exclusivamente entre o Estado e o Contribuinte em face da revelação da capacidade contributiva deste. O terceiro que não integra a relação Fl. 492DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.004335/201093 Acórdão n.º 1402001.042 S1C4T2 Fl. 0 17 jurídica que constitui o fato gerador só pode vir a ser responsável nas hipóteses expressamente previstas em lei (art. 124, II) e nos casos em que por ação ou omissão cometer infração própria cujo nexo pode resultar no não pagamento do tributo (art. 135). Ultrapassada a questão da solidariedade tributária de que trata o artigo 124, I, do CTN, em que o sujeito passivo ostenta a qualidade de contribuinte direto, prossigo na análise da matéria fazendo referência ao artigo 128 do CTN, que prevê que a “a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação.” Considerando que na responsabilidade tributária o terceiro pode vir a ser chamado por atos lícitos ou ilícitos, registrase que a norma contida no artigo 128 só trata da responsabilidade em casos de atos lícitos, ou melhor, de responsabilidade atribuída, de modo expresso em lei. Exemplo das situações aqui previstas são os casos de substituição tributária, retenção e recolhimento de contribuições previdenciárias e recolhimento do imposto de renda para os casos de beneficiário nãoresidente no país. Em tais exemplos a responsabilidade do contribuinte direto é excluída, respondendo pela obrigação o terceiro, não contribuinte. Notese que o artigo 128 é norma de aplicação autônoma para situações expressamente previstas em lei (arts. 121, parágrafo único, II e 124, II), sem aplicação ou incidência conjunta para os casos elencados nos artigos 131 a 137, que regulam situações diversas daquelas contempladas no artigo 128. 2.IV. Da responsabilidade pessoal dos sucessores Na responsabilidade dos sucessores (arts. 131 a 133 do CTN) a obrigação se transfere para outrem em virtude da extinção do devedor original. Pode ser por causa mortis do primeiro devedor (nesse caso a transmissão é feita para os herdeiros) ou por ato inter vivos em quatro situações: transmissão de imóveis; transmissão de bens móveis; transmissão de estabelecimento comercial, industrial ou profissional e; transmissão decorrente de fusão, incorporação, transformação ou cisão. Enquanto na situação prevista no artigo 124, I, temse uma única norma de incidência, aplicável a quem tem interesse jurídico em relação ao fato típico descrito na lei, nos artigos 131 a 133 há duas normas, quais sejam: a) a primeira norma é a que incide sobre a conduta do alienante, do sucedido ou do que “de cujos”, contribuintes diretos que participam da relação jurídicotributária (art. 121, parágrafo único, I); b) a segunda norma é aquela que caracteriza determinada situação fática ou jurídica passível de qualificar alguém como adquirente, sucessor, espólio, incorporador etc. (arts. 131 a 133). A responsabilidade por sucessão, assim como nos casos de substituição tributária, de que trata do artigo 128, não decorre de ato ilícito, mas sim de situação prevista em Fl. 493DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.004335/201093 Acórdão n.º 1402001.042 S1C4T2 Fl. 0 18 lei. É por esta razão que o artigo 131, I, II, e III, do CTN, fala em responsabilidade “pelo tributo”, não contemplando multas em face de ações ou omissões praticadas pelo sucedido7. Dito de outra forma, nos casos previstos no artigo 131, o adquirente, o sucessor, o espólio e o cônjuge meeiro, ao se tornarem titulares de bem ou conjunto de bens e obrigações não cometem ilícito. É por esta razão que em todas as hipóteses previstas nos incisos do artigo 131, assim como nos casos previstos nos artigos 132 e 133, a obrigação fica limitada aos tributos, não incluindo as multas. Enquanto na responsabilidade de terceiros o artigo 134, parágrafo único, diz que o disposto em tal norma, em matéria de penalidade, só se aplica as de caráter moratório; em relação aos artigos 131; 132 e 133, a norma está limitada “aos tributos”, não contemplando nem mesmo as penalidades de caráter moratório. 2.V. Da responsabilidade subsidiária de terceiros, por atos lícitos Ao prever que na impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, esta transferese, nos atos que intervirem, ao pais, tutores, curadores, administradores, inventariante, síndico, tabeliães e sócios, a norma contida no artigo 134, do CTN, indica que as pessoas ali mencionadas não participam na situação que constitui o fato gerador. Não são contribuintes direto. Não praticam atividade ilícita com a finalidade de omitir, ocultar ou retardar o conhecimento do fato gerador pelas autoridades competentes, mas podem ser chamadas nos casos em que por sua ação ou omissão reste inadimplida a obrigação tributária. Assim, se o tabelião ou escrivão deixar de recolher determinadas taxas ou emolumentos em relação a atos em que intervirem, se tais obrigações não forem satisfeitas pelo contribuinte direto, em que pese não terem praticado nenhuma atividade ilícita, responderão de forma subsidiária. Aqui a responsabilidade decorre da não contribuição para com a Administração Tributária que, em tais casos, exige que as pessoas elencadas no artigo 134 do CTN, ao intervirem em determinados atos, verifiquem a regularidade em relação ao recolhimento dos tributos devidos. O que foi dito no parágrafo anterior também se aplica aos pais pelos tributos devidos pelos filhos menores. Apurado ganho de capital em alienação de bem pertencente a filho menor, se não recolhido o tributo, os pais respondem subsidiariamente. As situações elencadas no artigo 134 não contemplam atos ilícitos daqueles que intervém. Suas responsabilidades, limitada aos atos em que intervirem, decorre do simples fato do tributo não ter sido adimplido pelo contribuinte direto. Por não estar relacionado a fato ilícito o terceiro indicado no artigo 134 não responde pela multa de ofício. O intuito do legislador não é punir o responsável, mas fazêlo garante do crédito tributário. Nos casos de lançamento, para as situações previstas no artigo 134, com relação à multa de ofício, a responsabilidade é do contribuinte, não obrigando o terceiro. Quanto aos tributos e juros de mora, a responsabilidade do terceiro é subsidiária. Em outras palavras, nos casos previstos no artigo 134 o terceiro não responde pela multa de ofício, 7 Neste ponto a advertência sutil diferença entre o artigo 131 que fala em responsabilidade pelo tributo e o artigo 135, que fala em responsabilidade pelos créditos tributárias”. Nos casos dos artigos 135 e 137, por se tratarem de situações ligadas a atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei, a responsabilidade do terceiro também se estende em relação às penalidades. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.004335/201093 Acórdão n.º 1402001.042 S1C4T2 Fl. 0 19 excluída pelo parágrafo único que diz que o disposto neste artigo só se aplica, em matéria de penalidade, às de caráter moratório. 2.VI. Da responsabilidade de terceiros por infração à lei, sem que o dolo específico do agente seja elementar Conforme afirmado anteriormente, para as situações previstas no artigo 135 têmse duas normas. Uma correspondente à relação jurídicotributária na situação que constitua o fato gerador e a outra ligada à conduta do agente que caracteriza o excesso de poder ou a infração à lei. Por existirem duas normas, cada uma incidindo sobre suporte fático específico, não pode a autoridade fiscal limitarse a descrever a situação fática e jurídica correspondente à relação jurídicotributária que constitua o fato gerador da exigência do crédito tributário em relação ao contribuinte direto e negligenciar na descrição da situação que caracteriza a responsabilidade tributária do terceiro. Dito de outra forma, verificase que são fatos diferentes, agentes diferentes e normas de incidências distintas. Uma é a norma que incide sobre o fato gerador da obrigação tributária e outra é a norma que incide sobre a conduta praticada pelo terceiro, que lhe torna responsável tributário. Igualmente, há que se observar o prazo decadencial tanto em relação ao fato gerador, quanto à conduta do terceiro que o torna responsável tributário. Se até nos crimes contra a vida o tempo produz efeitos capaz de extinguir a punibilidade, o mesmo se dá em relação às infrações tributárias, sejam estas decorrentes de atos lícitos ou ilícitos. Como o ilícito não pode se desligar da pessoa de seu agente, nos casos em que o contrato social contenha cláusula genérica prevendo a gestão da empresa a todos os sócios, havendo conduta típica descrita na norma sancionatória, aplicável ao terceiro, seja ele sócio ou não, fazse necessário identificar o agente e os atos em que atuou. Dito de outra forma, a responsabilidade decorrente de norma sancionatória não pode se desprender e nem extrapolar os limites da conduta do agente infrator. A contrário senso seria punir todos, de forma objetiva, pela conduta de um ou de alguns. Não é por outra razão que o STF, no julgado acima referido, diz que apenas o pessoalmente responsável pelo ilícito é que deve sofrer as sanções. Aqui vale repetir o que já foi dito anteriormente: O sócio é responsável não por ser sócio ou por constar do contrato social que exerce a gerência, mas por praticar ato que caracteriza infração descrita em lei. Ademais, em se tratando de contrato que tenha vários sócios com poder de gerência, ou de situações onde se verifica a participação de mais de uma pessoa, indispensável que a autuação, em relação à responsabilidade de terceiros, descreva a conduta delituosa de cada participante indicando a ação ou omissão em relação a cada fato imputado, quando ocorreu, como ocorreu e onde ocorreu, de modo a possibilitar o exercício do direito de defesa e a apreciação da conduta, de forma individualizada, por quem julga. Em havendo a participação com excesso de poderes ou atos ilícitos de apenas um ou alguns dos sócios, gerentes ou prepostos, somente a estes há de se estender os efeitos da responsabilidade tributária e, para cada um, limitada aos autos de que forem responsáveis. Em outras palavras, os requisitos relacionados à infração por responsabilidade de terceiros devem estar descritos com os mesmos rigores contidos no artigo 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. Isto é, identificar o agente infrator, descrever a conduta Fl. 495DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.004335/201093 Acórdão n.º 1402001.042 S1C4T2 Fl. 0 20 deste, especificar quando esta ocorreu, sobre quais fatos se deu8 e quais as disposições legais infringidas. Isto é necessário em função da estrutura da norma sancionatória que ostenta a mesma estrutura lógica da regramatriz de incidência. Daí a necessidade de descrição e delimitação da conduta típica praticada pelo terceiro. Neste sentido, oportuna a lição de Paulo de Barros Carvalho: “...as normas sancionatórias são regras de conduta e ostentam a mesma estrutura lógica da regramatriz de incidência: um antecedente, descritor de classe de fatos do mundo real, e uma consequência prescritora de vínculo jurídico que há de formar se entre dois sujeitos de direito.” .... Tudo o que dissemos sobre os critérios da hipótese tributária vale para o antecedente da norma tributária, que tem o seu critério material – uma conduta infringente do dever jurídico , um critério espacial a conduta há de ocorrer em algum lugar – e um critério temporal – o instante em que se considera acontecido o ilícito. Na consequência, deparemonos com um critério pessoal – o sujeito ativo que será aquele investido do direito subjetivo de exigir a multa e um sujeito passivo o que deve pagála – e um critério quantitativo – a base de cálculo da sanção pecuniária e a porcentagh4rem sobre ela aplicada9. A inclusão de terceiro, como responsável tributário, seja ele sócio ou não da empresa contribuinte, requer que se demonstre em que este agiu com excesso de poderes, infração à lei ou estatuto. E mais, esta responsabilidade não é irrestrita, mas limitada aos atos em que cada agente agiu com infração. Neste sentido a lição de Francisco Prehn Zavaski: “Embora qualquer das pessoas arroladas nos incisos do artigo 135 do CTN possa ter praticado algum ato com ‘excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos’, isto não significa que ela poderá ser responsável por todos os débitos tributários do devedor originário, sob pena de se criar hipótese de responsabilidade universal, o que, evidentemente não é a intenção da norma. Ao contrário, com fundamento no artigo 135 do CTN, só haverá responsabilidade de terceiros com relação aos créditos tributários que tiverem origem no próprio ato ilícito praticado.” 10 2.VII. Da responsabilidade de terceiros quanto às infrações conceituadas como crimes ou aquelas em cujo dolo específico do agente seja elementar 8 Destaco aspecto relacionado à proporção por entender que o terceiro, não contribuinte, que fez uma ou duas operações com determinado contribuinte não pode ter sua responsabilidade estendida a todas as operações. Aqui adoto como parâmetro algo semelhante aos que importam mediante empresas que atuam neste segmento. Se estas não recolhem o tributo, quem realizou a importação (importador) só responde pelos tributos devidos em relação às suas mercadorias. 9 Paulo de Barros Carvalho. Curso de Direito Tributário. 22a. Edição. 2010, pág. 578 e 584. 10 ZAVASKI, Francisco Prehn. A Responsabilidade Tributária Prevista no Art. 135 do CTN e o Processo de Execução Fiscal. In. Revista Dialética de Direito Tributário, nº 193, outubro 2011, pág. 5253. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.004335/201093 Acórdão n.º 1402001.042 S1C4T2 Fl. 0 21 Nas hipóteses indicadas no artigo 137 do CTN, que dispõe que a responsabilidade é pessoal do agente quanto às infrações conceituadas por lei como crimes e aquelas cujo dolo específico do agente seja elementar, cabe notar que não se pode confundir as situações em que o agente pratica infrações conceituadas como crime agindo no exercício regular de administração, mandato, função, cargo ou emprego, situações em que a responsabilidade tributária será da empresa e do agente infrator, dos casos em que o agente, sem o consentimento do contribuinte, pratica ato ilícito em proveito próprio. Neste segundo caso a responsabilidade pela infração é do agente e tem por finalidade evitar que a empresa, mesmo sendo vítima de conduta ilícita, tenha que suportar as penalidades correspondentes. Neste sentido a lição de Fabrizio Candia dos Santos: “O art. 137 trata de casos derivados de crimes, contravenções e do dolo específico cometidos contra determinadas pessoas. Há dois regimes aplicados: um de solidariedade, no que se refere aos seus dois primeiros incisos e outro de exclusividade, previsto no seu inciso III, pois, neste caso, o agente age contra a pessoa para quem presta serviço, não havendo comunhão de interesses.” .... “O contador de uma casa de câmbio falsifica documentos da empresa, abre uma conta CC5 e processa a remessas ilegais de divisas, sem comprovação de origem, fazendo se passar como uma operação social, vindo a incidir na presunção de renda do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Neste caso, o crime é cometido contra a empresa, aplicase o art. 137, III, b. A responsabilidade é pessoal do agente, não subsistindo responsabilidade à sociedade, visto neste o crime se dá contra a pessoa jurídica mediante ardil. A ausência de solidariedade decorre da inexistência de interesse comum (o interesse é contraposto), exigida no inciso I do art. 124 do CTN.11.” Ao tratar do tema, Hugo de Brito Machado destaca que o artigo 137 do CTN diz respeito somente às penalidades. A responsabilidade pelos tributos eventualmente não pagos em razão de atos que configurem aquelas infrações é de natureza civil e, assim, atribuível à pessoa jurídica em virtude da denominada culpa in eligendo 12. Para nós, provado que o fato típico tributário não foi praticado pela empresa, mas sim por terceiro que se valeu desta, tributase o terceiro, sem responsabilidade solidária ou subsidiária da empresa. E aqui não há responsabilidade solidária porque a empresa não participa na relação jurídica que constitui o fato gerador. Igualmente, nestas circunstâncias, não há responsabilidade subsidiária porque a pessoa jurídica não pratica a conduta típica descrita na norma de responsabilidade subsidiária. A situação é semelhante às hipóteses descritas no artigo 134, VI e 135, do CTN, em que as pessoas lá mencionadas só respondem em face aos atos em que intervirem. 11 SANTOS, Fabrizio Candida dos Santos. A responsabilidade tributária de todos os sócios na dissolução irregular de sociedades limitadas. In. I Prêmio Carf de Monografias em Direito Tributário. BrasíliaDF, 2011, pág. 233. 12 Hugo de Brito Machado. Comentários ao Código Tributário Nacional. Editora Atlas. São Paulo. 2004. pág. 637. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.004335/201093 Acórdão n.º 1402001.042 S1C4T2 Fl. 0 22 2.VIII. Da responsabilidade do terceiro que não é procurador, preposto, mandatário e nem aparece no quadro social, mas usa a empresa para exercer atividades comerciais A atividade econômica, de natureza civil ou comercial, pode ser exercida por pessoa jurídica ou por pessoas físicas. O artigo 150, § 1º, II, do Regulamento do Imposto de Renda, consolidado no Decreto nº 3000, de 1999, prevê que devem ser tributadas como empresas individuais “as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços (Lei nº 4.506, de 1964, artigo 41, § 1º, alínea "b"). Nos casos em que a pessoa física compra e vende produtos, situação que se verifica com mais frequência, por exemplo, entre pequenos comerciantes, vendedores ambulantes, comércio de veículos usados ou de produtos agrícolas, a tributação deve se dar como se pessoa jurídica fosse. Situação diversa é quando as pessoas físicas realizam atividades de natureza comercial, usando para tal pessoa jurídica constituída em nome de outrem. Neste caso é preciso distinguir se a pessoa jurídica que está sendo utilizada para o exercício desta atividade caracterizase por existência apenas formal ou se efetivamente se constitui em ente jurídico dotado de estrutura com prática de atos voltados ao comércio. Nos casos em que a empresa não pratica as atividades constantes de seu objeto social, constituindose apenas de ente com personalidade formal que serve somente para emissão de documento fiscal relativo à atividade que não é praticada por ela, mas por outrem, que pode ser pessoa física ou jurídica, a tributação deve recair em relação àquele que efetivamente praticou o ato jurídicotributário. Não é o registro formal, mas sim a efetiva existência no mundo real que identifica a ocorrência de situação sobre a qual incide a norma tributária. Quando uma empresa dotada de estrutura necessária para exercer as atividades a que se propõe, as exerce em conjunto com outra pessoa física ou jurídica, temse a situação descrita no artigo 124, I, do CTN, isto é, a solidariedade. Neste caso tanto a empresa, quanto à pessoa física, que deve ser considerada firma individual, ou outra pessoa jurídica já existente, praticam ato comum com interesse “na situação que constitua o fato gerador”. Nos casos em que se têm mais de uma pessoa jurídica envolvida é necessário que se verifique quais os atos que estão vinculados à situação que constitua o fato gerador. Por exemplo, se dois prestadores de serviços vencerem uma licitação para desenvolverem determinados programas de informática ou para, mediante parceria, construírem uma ponte, por evidente que a solidariedade entre estes há de ficar limitada aos tributos relacionados à receita decorrente dos serviços advindos do desenvolvimento dos programas de informática ou da construção da ponte. Não é possível estender a responsabilidade a outros atos que não estejam vinculados àqueles efetivamente praticados em conjunto pelas partes. Em relação ao comércio aplicase a mesma regra. Isto é, aquele que se associou, por exemplo, para importar ou comercializar um automóvel ou um caminhão de grãos não pode vir a ser chamado a responder pelos tributos em relação a outras transações que dito contribuinte venha a realizar com terceiros. Pensar de forma diversa seria atribuir responsabilidade objetiva em relação a fato jurídico ou conduta não praticada por aquele a quem se imputa a responsabilidade. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.004335/201093 Acórdão n.º 1402001.042 S1C4T2 Fl. 0 23 3. Da análise fática do caso concreto No caso dos autos não se tem notícia de um único ato praticado pelos responsáveis tributários em proveito próprio. Igualmente, não se tem notícias de que fora usado recursos da empresa para pagamento de obrigações particulares dos sócios ou de pessoas vinculadas aos sócios. Em momento algum a autoridade fiscal apontou a existência de eventual recurso pertencente à empresa creditado em conta dos sócios ou desviados em poder destes. Também não descreveu conduta destes agindo com excesso de poderem em detrimento da empresa ou em proveito próprio. O argumento de que por serem administradores os sócios contribuíram nas irregularidades que levaram às declarações fraudulentas mostrase genérico e não vinculado à conduta específica. Se a empresa, representada por seus sócios, tivesse depositado os recursos em conta particular dos sócios terseia situação passível de caracterização da responsabilidade solidária desates. Além dos artigos 124 e 135, do CTN, a autoridade fiscal, como fundamento jurídico da solidariedade, aponta os artigos 50, 1.016 e 1.036, do Código Civil, a seguir transcritos, Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. Art. 1016. Os administradores respondem solidariamente perante a sociedade e os terceiros prejudicados, por culpa no desempenho de suas funções. Art. 1032. A retirada, exclusão ou morte do sócio, não o exime, ou a seus herdeiros, da responsabilidade pelas obrigações sociais anteriores, até dois anos após averbada a resolução da sociedade; nem nos dois primeiros casos, pelas posteriores e em igual prazo, enquanto não se requerer a averbação. No caso dos autos não há abuso da personalidade jurídica. A autuada não está sendo utilizada em desvio de finalidade, isto é, para propósitos estranhos aos seus fins sociais. Também não se pode alegar confusão patrimonial. Como destacado anteriormente, não foi citado no procedimento fiscal um único valor da sociedade que fosse destinado à pessoa física dos sócios, situação que pudesse caracterizar confusão patrimonial. ISSO POSTO, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir a responsabilidade tributária dos sócios pessoas físicas, cancelar a exigência do IPI e reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 499DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.004335/201093 Acórdão n.º 1402001.042 S1C4T2 Fl. 0 24 Fl. 500DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA
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Numero do processo: 13837.000685/2007-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2007
MULTA POR ATRASO NA DIRF. ERRO DE PREENCHIMENTO.
Comprovada que a DIRF entregue em atraso foi transmitida com erro de ano-calendário, restando desobrigado o contribuinte da respectiva entrega, afasta-se o lançamento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-001.922
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRF- penalidades (isoladas), inclusive multa por atraso DIRF
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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ERRO DE PREENCHIMENTO. Comprovada que a DIRF entregue em atraso foi transmitida com erro de ano calendário, restando desobrigado o contribuinte da respectiva entrega, afasta se o lançamento. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 07/05/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Fl. 50DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13837.000685/200788 Acórdão n.º 210201.922 S2C1T2 Fl. 51 2 Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 13 a 15: Tratase de Auto de Infração eletrônico relativo à multa por atraso na entrega da DIRF do anocalendário 2006, lavrado para exigência do crédito tributário no valor de R$200,00, face a entrega da declaração em 11/09/2007, portanto, com 08 meses/fração de atraso, haja vista o encerramento do prazo legal em 16/02/2007. A infração foi enquadrada nos seguintes dispositivos legais: art. 7º da Lei nº 10.426/2002 com as alterações dadas pelo art. 19 da Lei nº 11.051/2004; arts. 9º, caput, 11 e 23, caput, III e § 2º, III, do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações dadas pelos arts. 1º da Lei nº 8.748/1993, art. 67 da Lei nº 9.532/1997 e art. 113 da Lei nº 11.196/2005, art. 4º, inciso II, § 3º, e art. 6º, inciso II, da Portaria SRF nº 259/2006. A interessada foi cientificada por via postal. Inconformada com a exigência fiscal, a contribuinte, por intermédio de seu representante legal, apresentou, em 21/11/2007, impugnação de fls. 01/02, acompanhada de documentos de fls. 03/07, dizendo ter entregue indevidamente a DIRF, pois não estava obrigada ao cumprimento de tal prestação. Esclarece que, conforme orientação do órgão local, fez um pedido de cancelamento da declaração, em 14/09/2007, cópia anexo. E que ao pedir Certidão Negativa de Débitos foi informada de que a multa encontravase em aberto, sendo necessário o pedido de cancelamento da mesma. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que não restou comprado erro no preenchimento da DIRF, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2006 RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRF O cumprimento da obrigação acessória apresentação de DIRF fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator às penalidades legais. Estando ausente da defesa apresentada a documentação hábil e idônea a comprovar o erro no preenchimento da declaração alegado, mantémse a multa pelo atraso na entrega. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 21/22, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, alegando que na verdade os valores constantes na DIRF anocalendário 2006 objeto da multa impugnada, era na verdade do ano calendário 2005, conforme documentos apensados ao recurso. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13837.000685/200788 Acórdão n.º 210201.922 S2C1T2 Fl. 52 3 Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Alega o recorrente que a DIRF exercício 2007 que deu origem ao lançamento foi transmitida equivocadamente, pois, foi enviada com erro do exercício, seria 2006 e não 2007, e estando o contribuinte desobrigado a entrega dessa declaração no ano autuado, 2007, a multa lançada dever ser cancelada. Para atestar suas alegações o contribuinte apensou o seguinte: 1) As DIRF dos exercícios 2006 e 2007, fls. 24 a 27; 2) DARF de fl. 42 atestando os valores constantes nas DIRF acima e 3) Documentos judiciais que originaram os recolhimentos constantes nas DIRF, fls. 28 a 41. Da análise dos documentos acima, resta inequívoco, especialmente pelos DARF de fl. 2, que assiste razão ao recorrente. Ou seja, os únicos recolhimento constantes na DIRF que originou a multa por atraso se referem a um exercício anterior que foi transmitida com diferença de alguns minutos apenas. Assim sendo, pelo erro de fato comprovado nestes autos, voto pelo cancelamento da DIRF do exercício 2007 e consequentemente da respectiva multa objeto do presente processo. CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO DO RECURSO. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13837.000685/200788 Acórdão n.º 210201.922 S2C1T2 Fl. 53 4 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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