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Numero do processo: 12585.000519/2010-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE PIS/PASEP E COFINS INCIDENTES SOBRE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE REVENDEDOR. INDEFERIMENTO.
No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetiva-se uma única vez, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente.
Após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre a venda de automóveis e autopeças para o comerciante atacadista ou varejista.
PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE.
Nos casos de PER/DCOMP transmitidas visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º do art. 74 da Lei n. 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição.
PRAZO DECISÃO ADMINISTRATIVA. ART. 24, 5º DA LEI Nº 11.457/2007. 360 (TREZENTOS E SESSENTA) DIAS. INAPLICABILIDADE NOS PEDIDOS DE RESSARCIMENTO.
O prazo previsto no art. 24, § 5º da Lei nº 11.457/2007 é aplicado aos julgamentos de processos administrativos instaurados, que não se assemelha ao pedido de ressarcimento apresentado pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.140
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède votou pelas conclusões em relação à matéria concernente à aplicação do artigo 24 da Lei nº 11.457/2007.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. Recorrente SORANA COMERCIAL E IMPORTADORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE PIS/PASEP E COFINS INCIDENTES SOBRE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE REVENDEDOR. INDEFERIMENTO. No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetivase uma única vez, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente. Após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre a venda de automóveis e autopeças para o comerciante atacadista ou varejista. PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Nos casos de PER/DCOMP transmitidas visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º do art. 74 da Lei n. 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. PRAZO DECISÃO ADMINISTRATIVA. ART. 24, 5º DA LEI Nº 11.457/2007. 360 (TREZENTOS E SESSENTA) DIAS. INAPLICABILIDADE NOS PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. O prazo previsto no art. 24, § 5º da Lei nº 11.457/2007 é aplicado aos julgamentos de processos administrativos instaurados, que não se assemelha ao pedido de ressarcimento apresentado pelo contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 05 19 /2 01 0- 23 Fl. 261DF CARF MF Processo nº 12585.000519/201023 Acórdão n.º 3302005.140 S3C3T2 Fl. 3 2 Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède votou pelas conclusões em relação à matéria concernente à aplicação do artigo 24 da Lei nº 11.457/2007. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela DRJ/FOR, que manteve a decisão que indeferiu o pedido de ressarcimento formulado pela contribuinte recorrente, relativo a crédito de COFINS nãocumulativa/mercado interno, vinculado a receitas tributadas à alíquota 0(zero) no mercado interno. O despacho decisório estava assim ementado: AQUISIÇÃO PARA REVENDA. MÁQUINAS, VEÍCULOS E AUTOPEÇAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DE CRÉDITO. Não geram créditos as aquisições para revenda de máquinas, veículos e autopeças sujeitos à incidência monofásica ainda que a pessoa jurídica adquirente esteja sujeita à nãocumulatividade e que a sua respectiva receita de venda seja sujeita à alíquota zero. (art. 3º, I, b, c/c o art. 2º, §1º, III e IV, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003) Cientificado do decisório o contribuinte manifestou inconformidade na qual pede o crédito de ressarcimento, com base nas seguintes razões: · Como se passaram mais de cinco anos entre a apresentação do PER e a ciência do Despacho Decisório, não caberia mais à Administração Tributária denegar o crédito pleiteado, devendo ser ele reconhecido tacitamente, por força do §5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 (art. 37, §5º, da Constituição Federal); Fl. 262DF CARF MF Processo nº 12585.000519/201023 Acórdão n.º 3302005.140 S3C3T2 Fl. 4 3 · O art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, possibilita o creditamento que gera a existência do crédito pleiteado. A 4ª Turma da DRJ/FOR, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação contida na manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 08033.403. Valendose do direito que lhe é facultado pelo art. 33 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, a contribuinte manejou Recurso Voluntário, onde repisou os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.113, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 12585.000491/201024, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.113): "O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Como dito anteriormente, estamos diante de Recurso Voluntário que insurgise contra a decisão da DRJ de Fortaleza, que manteve o indeferimento de suposto crédito em favor da contribuinte recorrente, relacionados a crédito de COFINS nãocumulativa/mercado interno, vinculado a receita tributadas com alíquota 0 (zero), referente ao 3º trimestre de 2004, bem como a inexistência da figura da homologação tácita de pedido de restituição/ressarcimento realizado por contribuintes. I Pedido de Ressarcimento. Homologação Tácita Sustenta a contribuinte que teria ocorrido a homologação tácita do crédito objeto do pedido de ressarcimento, tendo em vista ter transcorrido o prazo quinquenal, previsto no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Pois bem. A Lei n. 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei n. 9.430/1996, teve por objetivo unificar o regime de compensação, extinguindo a compensação realizada na DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), na escrituração contábil ou condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Todas essas modalidades foram substituídas pelo regime de autocompensação, que é aplicável aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 12585.000519/201023 Acórdão n.º 3302005.140 S3C3T2 Fl. 5 4 No regime acima referido, a extinção do crédito tributário se dá de forma tácita após o decurso do prazo de 5 anos, nos exatos termos do § 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, conforme podemos observar abaixo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administradas por aquele órgão. (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação (Redação dada pela Medida Provisória n. 135, de 2003, depois convertida na Lei n. 10.833/2003). Conforme podemos observar, o prazo de 5 anos para a homologação tácita não diz respeito aos pedidos de ressarcimento ou restituição. O fato de os pedidos de ressarcimento/restituição serem transmitidos pelo mesmo sistema em que é feita a transmissão dos pedidos de compensação não autorizam a necessidade de se obedecer tal prazo pelo Fisco. Vale dizer, nos pedidos de ressarcimento/restituição não existe a extinção de uma dívida tributária, o que se visa com tal procedimento é o reconhecimento de um direito do contribuinte. Para que o pedido de ressarcimento/restituição seja deferido, fazse necessária a comprovação de sua existência por parte do contribuinte, não havendo a comprovação não ha que se falar em homologação, muito menos em homologação tácita. Desta forma, pela necessidade de haver a contribuição direta do contribuinte em sua comprovação, não existe prazo legal para que o fisco reconheça ou não a existência dos créditos sobre os quais recaia o pedido de ressarcimento/restituição. Nesse sentido, peço vênia para transcrever parte do voto do I. Conselheiro Jorge Olmiro Loch Freire, no Acórdão nº 3402004.569, que tratou da mesma matéria, vejamos: " (...) Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, Fl. 264DF CARF MF Processo nº 12585.000519/201023 Acórdão n.º 3302005.140 S3C3T2 Fl. 6 5 ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação (...)". A contribuinte recorrente alega que a autoridade fiscal deveria obedecer os prazos previstos no Decreto nº 70.235, e no § 5º do art. 24 da Lei n. 11.457/2007 para apreciar o seu pedido de ressarcimento. É o texto do mencionado artigo: Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos). Da simples leitura do dispositivo transcrito, seja por sua redação, seja por estar inserido no Capítulo II da Lei n. 11.457/2007 que trata sobre as regras as serem observadas pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional quando esta for parte em litígios tributários, concluise que o prazo reclamado pela contribuinte não é pertinente, já que o prazo previsto se aplica para os julgamentos de processos administrativos instaurados, que não se assemelha ao pedido de ressarcimento apresentado pela contribuinte. E tal conclusão parte da premissa que o legislador não economiza e também não apresenta em opulência os termos contidos na lei e, portanto, quando estipula o prazo de 360 dias, o fez a contar da apresentação de petições, defesas e recursos administrativos, e não incluiu os pedidos de ressarcimento/ restituição. Desta forma, não se acolhe o pleito da contribuinte recorrente quanto a possibilidade de existência de suposta homologação tácita do pedido de ressarcimento/restituição. Fl. 265DF CARF MF Processo nº 12585.000519/201023 Acórdão n.º 3302005.140 S3C3T2 Fl. 7 6 II Tributação Monofásica e a Impossibilidade de Apuração de Crédito de PIS/COFINS A Lei 10.485/02, com a redação dada pela Lei nº 10.865/04, instituiu regime de tributação monofásico da contribuição supracitada. O modelo foi implementado com a fixação de alíquota majorada para fabricantes e importadores de máquinas e veículos nas classificações indicadas e aplicação da alíquota de 0% (zero por cento) quando da ocorrência da venda desses produtos por parte dos revendedores, ou seja, dos comerciantes atacadistas ou varejistas. As Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 trouxeram situações que devem ser observadas a tributação nãocumulativa em relação à contribuição para o PIS e COFINS, respectivamente. Entretanto, no caso dos produtos sujeitos ao recolhimento na sistemática monofásica, quando adquiridos para revenda, não há direito a crédito, por expressa vedação legal, nos exatos termos do art. 3o , inciso I, alínea "b” das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, com a redação dada pela Lei n° 10.865/04, que estabelece expressamente que não darão direito a crédito, as mercadorias e produtos referidos no § 1º, do artigo 2º, das mencionadas leis, quando adquiridas para revenda. Desta forma, adquirindo a contribuinte para revenda máquinas e veículos nas classificações destacadas, não poderá se creditar, para fins de apuração do PIS e da COFINS nãocumulativa, dos custos de aquisição dos referidos produtos. Para melhor compreensão transcrevemos os artigos pertinentes das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, com a redação dada pela Lei nº 10.865/04: Lei nº 10.637/02 Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). § 1º Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (...) III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, de autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 266DF CARF MF Processo nº 12585.000519/201023 Acórdão n.º 3302005.140 S3C3T2 Fl. 8 7 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º desta Lei; Lei nº 10.833/03 Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (...) III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (...) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos:[...] b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º desta Lei;[...] Segundo as alegações da contribuinte recorrente o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, quando determina que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações, este teria autorizado o creditamento pretendido. No entanto, quando nos debruçamos para analisar o artigo acima citado, é fácil perceber que não é possível sustentar a conclusão utilizada pela contribuinte, vejamos: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O referido artigo, como se observa, é uma regra geral, que coexiste, sem qualquer incompatibilidade, com as vedações de creditamento constantes de regras específicas, referentes a situações específicas (tais como a “tributação Fl. 267DF CARF MF Processo nº 12585.000519/201023 Acórdão n.º 3302005.140 S3C3T2 Fl. 9 8 monofásica” e as aquisições de bens não tributados); notese que o art. 17 fala em “manutenção” de créditos, no entanto, por força da referida vedação legal, esses créditos sequer existem. Salientese que também é essa a posição sustentada pelo STJ, conforme observase do julgado colacionado a seguir: AgInt no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 1.109.354 SP (2017/01242898) RELATOR : MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES AGRAVANTE : RIZATTI & CIA LTDA ADVOGADOS : JOSÉ LUIZ MATTHES SP076544 FABIO PALLARETTI CALCINI E OUTRO(S) SP197072 LUÍS ARTUR FERREIRA PANTANO SP250319 AGRAVADO : FAZENDA NACIONAL EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO Nº 3 DO STJ. PIS E COFINS. ART. 17 A LEI Nº 11.033/2004. REGIME MONOFÁSICO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA Nº 568 DO STJ. 1. Nos termos da jurisprudência esta Corte, o disposto no art. 17 da Lei 11.033/2004 não possui aplicação restrita ao Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária REPORTO (STJ, AgRg no REsp 1.433.246/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 02/04/2014; REsp 1.267.003/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 04/10/2013). Contudo, a incompatibilidade entre a apuração de crédito e a tributação monofásica já constitui fundamento suficiente para o indeferimento da pretensão do recorrente. Nesse sentido: STJ, AgRg no REsp 1.239.794/SC, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 23/10/2013. 2. É que a incidência monofásica do PIS e da COFINS não se compatibiliza com a técnica do creditamento. Precedentes: AgRg no REsp 1.221.142/PR, Rel. Ministro Ari Pargendler. Primeira Turma, julgado em 18/12/2012. DJe 04/02/2013; AgRg no REsp 1.227.544/PR. Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 17/12/2012: AgRg no REsp 1.256.107/PR, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 10/05/2012; AgRg no REsp 1.241.354/RS, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 10/05/2012. 3. Agravo interno não provido. ACÓRDÃO Fl. 268DF CARF MF Processo nº 12585.000519/201023 Acórdão n.º 3302005.140 S3C3T2 Fl. 10 9 Vistos, relatados e discutidos esses autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas, o seguinte resultado de julgamento: "A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo interno, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)Relator(a)." A Sra. Ministra Assusete Magalhães (Presidente), os Srs. Ministros Herman Benjamin e Og Fernandes votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Francisco Falcão. Brasília (DF), 05 de setembro de 2017. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, Relator Desta forma, com base em todos os ensinamentos e julgado acima relacionados, entendo que não há como garantir o ressarcimento/restituição pretendido pela contribuinte recorrente. II Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Voluntário interposto pela contribuinte, no entanto, negarlhe provimento, mantendose em sua totalidade a decisão de piso. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, ressalvada a minha posição pessoal pelas conclusões em relação à matéria concernente à aplicação do artigo 24 da Lei nº 11.457/2007, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 269DF CARF MF
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Numero do processo: 10665.907545/2009-25
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
DECADÊNCIA. PEDIDO DE RESSARCIMENTO.
O prazo para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento.
IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTO NÃO TRIBUTÁVEL.
Uma vez que a mercadoria elaborada pela recorrente está fora do campo de incidência do imposto, não há que se falar em sistema de crédito e débito do imposto, e via de consequência, de direito a ressarcimento de IPI.
Numero da decisão: 3001-000.279
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 DECADÊNCIA. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. O prazo para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento. IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTO NÃO TRIBUTÁVEL. Uma vez que a mercadoria elaborada pela recorrente está fora do campo de incidência do imposto, não há que se falar em sistema de crédito e débito do imposto, e via de consequência, de direito a ressarcimento de IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 75 45 /2 00 9- 25 Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10665.907545/200925 Acórdão n.º 3001000.279 S3C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/JFA, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos O Contribuinte, na data de 19/12/2006, transmitiu PER/DCOMP nº 24204.19449.191206.1.1.015278 referente pedido de ressarcimento de crédito de IPI acumulado do 1º Trimestre de 2005, no valor de R$ 3.169,57 vinculando três pedidos de compensação de débitos PER/DCOMP 35001.47028.150408.1.3.010068, 12160.42323.200508.1.3.017785 e 15359.90677.270509.1.7.015820 Do Despacho Decisório A DRF de Divinópolis, em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório (efls.5), pela homologação parcial do crédito, considerando parte do crédito indevido, por se tratar de aquisição de empresa do Simples e de empresa com o CNPJ cancelado. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.2), justificando que: a) a parte do crédito glosado relacionado a aquisição de produtos de empresa optante do Simples, foi incluído em processo de parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009; b) e a parte do crédito correspondente a Notas Fiscais de aquisição de empresa com o CNPJ cancelado é válido, porque essa empresa foi sucedida e a empresa sucessora obteve junto a SEF/MG autorização para uso de notas fiscais da empresa sucedida, cujo IPI destacado foi registrado nos livros fiscais da empresa sucessora. Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 3ª Turma da DRJ/JFA, esta colocou sob suspeita o direito ao crédito pleiteado, em função das saídas (pedra britada) enquadraremse na tabela do IPI como N/T. Determinou, então, o retorno dos autos à DRF de origem para que verifique a legitimidade dos créditos alegados pelo Contribuinte: “Comprovada a legalidade de tais créditos, o processo deverá retornar à DRJ/JFA/MG para prosseguimento. Se comprovada a ilegalidade da petição, a DRF/DIV/MG deverá avaliar a possibilidade de revisar o despacho decisório e promover todos os ajustes necessários para consecução de tal objetivo. Nesse caso, se revisado o despacho decisório, os autos só retornarão à DRJ/JFA/MG diante de eventual contestação do contribuinte em face da emissão de novo despacho decisório”. Retornando os autos à unidade de origem foi lavrado Termo de Início do Procedimento Fiscal (Efls.205), foi intimado o contribuinte a apresentar relação de produtos de sua fabricação no período relacionado e o Livro de Apuração do IPI. Às Fls. 207 foi feita a junta das informações e documentos solicitados pela autoridade fiscal, sendo que a empresa produz apenas “Pedra Britada”, imune ao IPI e possui classificação fiscal 25171000. Às fls.227 foi apresentado o Termo de Verificação Fiscal – TVF elaborado pelo Auditor Fiscal responsável pela averiguação dos créditos de IPI identificados no PER/DCOMP, concluindo pela improcedência em face de não haver tributação nas saídas do Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10665.907545/200925 Acórdão n.º 3001000.279 S3C0T1 Fl. 4 3 produto fabricado pela contribuinte interessada, conforme previsto no Regulamento do IPI (Decreto 4.544/2002). A DRF de origem (fls.237), com base no TVF decidiu pelo cancelamento do Despacho Decisório eletrônico anteriormente emitido, revisando de ofício, desconsiderando a totalidade do crédito pleiteado. Emitiu novo Despacho Decisório com a seguinte conclusão: “A compensação requer segurança quanto aos créditos envolvidos. No caso em tela, o valor apurado pelo contribuinte a título de saldo credor de IPI no 1º trimestre de 2005 não lhe confere certeza (quanto à existência) nem liquidez (quanto ao valor), elementos essenciais ao crédito que se pretende seja compensado, razão pela qual proponho que não sejam homologadas as declarações de compensação objeto dos PER/Dcomps acima discriminados, prosseguindose com a cobrança dos débitos não compensados”. O sujeito passivo da obrigação tributária foi cientificado do novo Despacho Decisório e apresentou nova manifestação de inconformidade (fls.247). Aborda em primeiro plano a decadência, pela inercia do Ente Público, devendo ser decretada a decadência e a homologação tácita do crédito apresentado, em benefício dos princípios da segurança jurídica e da paz social (CTN art.156 e 150, § 4º e art. 74 da Lei 9.430/96); que o prazo para a RFB analisar o pedido de crédito é de 05 (cinco) anos contado da data da entrega dos PER/DCOMP’s, 19 de dezembro de 2006, a intimação do despacho decisório ocorreu em 01/08/2012, quando a decadência se efetivou na data de 19/12/2011; No mérito defende o direito ao crédito de IPI pela característica própria atinente ao seu processo de produção, de onde se retira que o minério denominado “pedra britada” é produto industrializado (beneficiado), nos termos do RIPI/02; Que tratandose de produto mineral está imune à incidência do IPI por previsão Constitucional (art.155) e que a TIPI/02 aprovada pelo Decreto 4.542/02 não utiliza o termo imunidade para descrever o produto desonerado do imposto, mas tão somente à alíquota zero ou N/T (não tributado); Que a partir da vigência da Lei nº 9.779/99 ficou assegurado a recuperação e manutenção dos créditos de IPI, mesmo que o produto saído fosse isento ou tributado à alíquota zero desse imposto, desde que mantidas três características, quais sejam: que as aquisições sejam matériaprima, produto intermediário e material de embalagem; que esses produtos sejam utilizados no processo de industrialização; e que o produto industrializado seja isento ou tributado à alíquota zero de IPI; Quanto ao Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 5/2006, entende a manifestante que essa norma não alcança os créditos escriturados de IPI, por ser de data posterior ao aproveitamento; Que exigir o crédito da forma como pretendido pela RFB é interferir na livre concorrência entre empresas do mesmo ramo de atividade, pois várias empresas mineradoras obtiveram solução de consulta favorável ao aproveitamento do crédito de IPI na aquisição de MP, PI e ME adquiridos para serem empregados na industrialização de minério; Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10665.907545/200925 Acórdão n.º 3001000.279 S3C0T1 Fl. 5 4 Por fim, elenca vasta jurisprudência de tribunais superiores, julgando de forma favorável ao aproveitamento do crédito de IPI, na forma como procedido pela Manifestante e pugna pela homologação das compensações requeridas. Voltando os autos à DRJ/JFA – 3ª Turma, foi julgado improcedente a Manifestação de Inconformidade e não reconhecido o direito creditório, com fundamentos sintetizados na ementa assim elaborada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 DECADÊNCIA/HOMOLOGAÇÃO TÁCITA/PEDIDO DE RESSARCIMENTO Não há disposição legal que estabeleça prazo de decadência ou de homologação tácita para Pedidos de Ressarcimento, existindo tal instituto apenas em relação à declaração de compensação, nos termos do art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 IPI. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. PRODUTOS NT O direito ao crédito do IPI condicionase a que os produtos a que a pessoa jurídica dá saída estejam dentro do campo de incidência do imposto, o que não ocorre quando os mesmos são nãotributados (NT), na forma do parágrafo único, do artigo 2º do RIPI/98 (Decreto nº 2.637, de 1998) ou do RIPI/2002 (Decreto nº 4.544, de 2002). IN SRF nº 33/99. Art. 5º do DecretoLei nº 491, de 1969. IMUNIDADE. ALCANCE A imunidade prevista no art. 4º da Instrução Normativa nº 33/99, bem como o benefício instituído pelo art. 5º do Decreto nº 491, de 1969, regulam apenas as saídas de produtos insertos no campo de incidência do IPI que, por estarem destinados à exportação, se submetem à imunidade tributária indicada no inciso III, §3º, do art.153 da Constituição Federal. Destacase do voto: “No caso em tela, o interessado exerce a atividade de extração e comercialização de pedras (pedra britada), classificada no Código 25171000, da Tabela de Incidência do IPI – TIPI/2002, aprovada pelo Decreto nº 4.070, de 28/12/2001, com notação NT. Esse fato ratifica que em sendo produto imune pela própria natureza, como é o caso da energia elétrica, dos derivados de petróleo, dos combustíveis e minerais do país, nos termos do art. 155, §3º, da Constituição da República (CR), independentemente da operação a que se submetam (se exportados para o exterior ou destinados ao mercado interno), jamais se sujeitam à tributação do IPI. Assim, os estabelecimentos que os processam ou elaboram não se configuram como industriais. Situamse, pois, tais produtos como “imunes”, fora do campo de incidência do IPI, sendo justamente por isso que todos eles são classificados na TIPI como nãotributados (NT). É este o caso da pedra britada”. Do Recurso Voluntário Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10665.907545/200925 Acórdão n.º 3001000.279 S3C0T1 Fl. 6 5 Em grau de recurso voluntário a recorrente limitase a repisar literalmente todos os argumentos e teses de sua Manifestação de Inconformidade, com o qual espera ver reformada a decisão recorrida em prol da homologação do crédito pretendido. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Discutese no presente processo preliminar de decadência por inércia do Ente Público de não se manifestar no prazo estabelecido por lei, nos casos de pedidos de compensação. De acordo com o entendimento da Recorrente teria ultrapassado o prazo de 05 (cinco) anos da data de transmissão da PER/DCOMP (19/12/2006) e a data de cientificação do despacho decisório (01/08/2012). Primeiramente cabe aqui destacar que o presente processo reúne uma PER/DCOMP nº 24204.19449.191206.1.1.015278 referente pedido de ressarcimento de crédito de IPI, vinculando três pedidos de compensação de débitos PER/DCOMP 35001.47028.150408.1.3.010068, 12160.42323.200508.1.3.017785 e 15359.90677.270509.1.7.015820. Vêse que os pedidos de compensação são de data distinta do pedido de ressarcimento. Nesse sentido convém reproduzir excertos da decisão de piso, pela clareza de exposição do tema: O contribuinte apresenta argumento preliminar acusando a decadência do Pedido de Ressarcimento. A interpretação é de que há um paralelo entre o exame do lançamento por homologação e o exame de Pedido de Ressarcimento. Para ambos, foi estipulado o prazo de cinco anos. Para o lançamento por homologação, no art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional, CTN. Para o pedido de Ressarcimento, no art. 74, §5º, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. O ato foi redigido com o seguinte teor: § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Da leitura do §5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, é fácil deduzir a confusão feita pelo contribuinte. O prazo de que trata o referido dispositivo é para a homologação da compensação, a Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10665.907545/200925 Acórdão n.º 3001000.279 S3C0T1 Fl. 7 6 que se dá o nome de homologação tácita, isto é, homologação pelo decurso do prazo de cinco anos da apresentação da declaração de compensação, sem que sobre ela tenha havido a oportuna manifestação da autoridade competente. Não trata o dispositivo legal de prazo para o exame do Pedido de Ressarcimento, que obviamente é objetivo distinto da compensação, não obstante a declaração de compensação ser precedida de análise de crédito, no caso presente, saldo credor de IPI. Só se dispensará o exame de Pedido de Ressarcimento, ou melhor, do saldo credor, se coincidirem em seus montantes crédito requerido e débitos a compensar. Contrário senso, o pedido de ressarcimento sempre será examinado, independentemente do momento em que o faça a autoridade competente, o que não ocorre com a declaração de compensação que poderá ser homologada tacitamente. Se o interesse do contribuinte é de que seja declarada a homologação tácita, há de se verificar a ocorrência do instituto previsto na Lei nº 9.430, de 1996, ainda mais porque é questão de ordem pública e deve sempre ser apreciada pela autoridade administrativa, ainda que não mencionada pelo contribuinte. No caso presente, estão em litígio todas as compensações declaradas, vinculadas ao saldo credor do 1º trimestre de 2005, tendo em vista que o Despacho Decisório de fls. 05 foi anulado e o substituiu, no tocante às compensações declaradas, o Despacho Decisório de fls. 240/241. Assim as Declarações de Compensação em litígio são: DCOMP EM LITÍGIO ATIVA DCOMP RETIFICADA TOTAL DÉBITO/ VALOR PER DATA DA TRANSMISSÃO 35001.47028.150408.1.3.01 0068 2.039,63 15/04/2008 15359.90677.270509.1.7.01 5820 41980.47097.090508.1.3.01 2750 238,04 27/05/2009 12160.42323.200508.1.3.01 7785 891,90 20/05/2008 No quadro acima é possível verificar que as DCOMP em litígio foram transmitidas pelo contribuinte, respectivamente, em 20/12/2007, 18/01/2008, 25/05/2009, 28/05/2009 e 28/05/2009. Já o Despacho Decisório foi entregue ao contribuinte em 01/08/2012, conforme Aviso de RecebimentoAR, à fl. 245. Confrontandose as datas de transmissão das DCOMP ativas e do recebimento do Despacho Decisório, é patente que não ocorreu homologação tácita em relação a nenhuma das declarações de compensação. Ainda que o contribuinte viesse a questionar a homologação tácita das declarações em razão daquela que foi retificada, o que seria afastado prontamente no Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10665.907545/200925 Acórdão n.º 3001000.279 S3C0T1 Fl. 8 7 presente voto, é bom esclarecer que foi originalmente apresentada já em 2008. Assim sendo, se não há previsão legal para a homologação tácita de pedidos de ressarcimento e provado que não houve homologação tácita em relação a nenhuma das compensações declaradas, válido é o Despacho Decisório que, em tempo hábil, não as homologou. DO RESSARCIMENTO DE CRÉDITO DE IPI Em questão de mérito, a discussão gira em torno do direito a manutenção do crédito de IPI incidente nas aquisições de matérias primas (MP), produtos intermediários (PI) e materiais de embalagens (ME), utilizados na produção (beneficiamento) de produtos que possui anotação N/T na TIPI, no caso dos autos “pedra britada” classificada na posição 2517.10.00.00 da TIPI. A recorrente apurou crédito de IPI sobre aquisições de MP, PI e ME ocorridas no 1º trimestre de 2005 e buscou a compensação com fundamento no art. 11 da Lei nº 9.779/99, cuja redação assim se apresenta: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal – SRF, do Ministério da Fazenda. Importante destacar que o Ato Declaratório Interpretativo nº 5/2006 veio consignar que: Art. 1° Os produtos a que se refere o art. 4° da Instrução Normativa SRF n° 33, de 4 de março de 1999, são aqueles aos quais a legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) garante o direito à manutenção e utilização dos créditos. Art. 2º O disposto no art. 11 da Lei n° 9. 779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5° do Decretolei n° 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4° da Instrução Normativa SRF n° 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação "NT" (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto n° 4.542, de 26 de dezembro de 2002; II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5° do Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI). Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10665.907545/200925 Acórdão n.º 3001000.279 S3C0T1 Fl. 9 8 Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na Tipi que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior." A muito que o entendimento firmado em nível de CARF é no sentido contrário ao interesse do contribuinte, tanto que a matéria veio a ser simulada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, pelo não reconhecimento do crédito pleiteado na PER/DCOMP (ressarcimento) e por consequência a não homologação das PER/DCOMP’s (compensação) a ela atreladas. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 359DF CARF MF
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Numero do processo: 10070.001787/2007-31
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2006
DCTF. ALTERAÇÃO DE PERIODICIDADE NOS SISTEMAS DA RFB. VEDAÇÃO À ÉPOCA. MULTA. PERÍODO DE INCIDÊNCIA .
Havendo, à época, impedimento normativo para retificação automática de DCTF semestral em mensal nos sistemas informatizados da RFB, sendo necessário procedimento administrativo para tal, não pode ser cobrada do contribuinte a multa por atraso na entrega da declaração no período entre o protocolo do pedido de cancelamento e a ciência daquela decisão.
Numero da decisão: 1002-000.003
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
JULIO LIMA SOUZA MARTINS - Presidente.
(assinado digitalmente)
AÍLTON NEVES DA SILVA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente), Aílton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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ATRASO NA ENTREGA DA DCTF Recorrente WEBB NEGÓCIOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006 DCTF. ALTERAÇÃO DE PERIODICIDADE NOS SISTEMAS DA RFB. VEDAÇÃO À ÉPOCA. MULTA. PERÍODO DE INCIDÊNCIA . Havendo, à época, impedimento normativo para retificação automática de DCTF semestral em mensal nos sistemas informatizados da RFB, sendo necessário procedimento administrativo para tal, não pode ser cobrada do contribuinte a multa por atraso na entrega da declaração no período entre o protocolo do pedido de cancelamento e a ciência daquela decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) JULIO LIMA SOUZA MARTINS Presidente. (assinado digitalmente) AÍLTON NEVES DA SILVA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente), Aílton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 0. 00 17 87 /2 00 7- 31 Fl. 83DF CARF MF 2 Relatório O contribuinte, ora recorrente, foi autuado para a exigência de multa pela entrega fora do prazo legal da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, relativa ao mês de maio de 2006. Alega que apresentou a DCTF semestral tempestivamente por erro, já que reconhece que deveria ter apresentado a declaração mensalmente, mas aponta que estaria impedido de apresentar a declaração correta enquanto a Receita Federal do Brasil não homologasse o seu pedido de cancelamento da DCTF anteriormente apresentado, por tratarse de caso de mudança de periodicidade, na forma do §8° do art. 12 da IN/SRF n° 583/05. Ademais, argumenta que o termo final para a aplicação da referida multa deveria ser afastada posto que o atraso “decorre somente, e tãosomente, da morosidade do serviço público.” Requer ainda a aplicação retroativa do disposto na parte final do art. 13 da IN/SRF n° 695, de 14 de dezembro de 2006, que trata das DCTF’s apresentadas com periodicidade semestral quando o contribuinte estivesse obrigado a apresentar mensalmente tal declaração. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2006 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. Deve ser mantida a utilização do termo final de incidência contido no § 1° do art. 7° da Lei n° 10.426/2002, por inexistente qualquer previsão legal ou normativa que permita a utilização de outro termo. Lançamento Procedente O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados à primeira Seção do CARF e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental. É o Relatório. Voto Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10070.001787/200731 Acórdão n.º 1002000.003 S1C0T2 Fl. 3 3 Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Discutese nos autos o lançamento de multa por atraso na entrega de DCTF. A Recorrente entregou erradamente, em 12/09/06, DCTF semestral, quando deveria ter entregue a mensal, a qual estava normativamente obrigada. Quando percebeu o erro a Recorrente tentou retificar sua declaração, porém, o sistema de controle da RFB não permitia retificação da DCTF semestral para mensal (mudança de periodicidade), devendo, à época, necessariamente, haver o cancelamento administrativo da primeira declaração para que a segunda pudesse ser recepcionada no sistema, eis que não era permitida na base da dados a existência de duas declarações de um mesmo contribuinte num mesmo anocalendário com periodicidades distintas. Diante deste quadro, o Recorrente ingressou com pedido de cancelamento da DCTF semestral (fls. 50) e teve de aguardar o deferimento de seu pleito pela autoridade administrativa para, só a partir daí, poder apresentar a DCTF do mês de 05/2006 na forma da legislação vigente. Ocorre que, durante o período compreendido entre a data do protocolo de seu pedido e o deferimento do cancelamento da DCTF semestral pela unidade de origem, a contagem do número de meses de atraso da entrega da DCTF mensal não foi interrompida até fevereiro de 2007, momento em que o contribuinte teve ciência de seu requerimento (fls. 49) e pôde, em 28/02/07 (fls. 45), entregar a declaração mensal de 05/2006, de modo a suprir a obrigação acessória faltante. Por isso, o período de atraso da entrega da DCTF do mês de 05/2006 considerado no cálculo da multa atingiu 8 meses, eis que a data do vencimento da DCTF mensal correspondente ao mês de maio/2006 era 07/07/06, mas a referida declaração só foi efetivamente entregue em 28/02/07 (fls. 45). Cumpre observar que o Recorrente não contesta o atraso na apresentação da DCTF, mas apenas o período que serviu de base ao cálculo do valor da multa exigida, porque entendeu que a DCTF semestral continha todas as informações da DCTF mensal a qual estava normativamente obrigada e que, por isso, poderia perfeitamente ser aceita para suprir a entrega da DCTF de 05/2006. Assim, a discussão ora em debate é se o Recorrente pode ser penalizado com o aumento do numero de meses em atraso da entrega da DCTF mensal em decorrência de um ato administrativo cuja decisão estava alheia a sua vontade, porque a análise acerca de seu requerimento apresentado em 09/11/06 dependia exclusivamente do pronunciamento de um agente público (fls. 50). Com base nesse entendimento, o Recorrente postula que o termo final da contagem dos meses de atraso da DCTF não seria o dia 28/02/07, mas sim o dia 12/09/06 (fls. 51), data que em que entregou a DCTF semestral do ano de 2006, que, segundo diz, continha todas as informações que seriam declaradas na DCTF mensal, de modo a suprir a obrigação acessória correspondente a este períodobase. Fl. 85DF CARF MF 4 Em outras palavras, ou se consideraria como termo final da multa por atraso na entrega da DCTF o dia 28/02/07 data de efetiva entrega da DCTF mensal do mês de 05/2006 ou o dia seguinte ao da ciência do requerimento de cancelamento da DCTF semestral do 1º semestre de 2006; na primeira situação teríamos 8 meses de atraso no cálculo da multa por atraso na entrega da DCTF e, na segunda, apenas 5. À época dos fatos, o parágrafo 8º do artigo 12 da IN SRF 583/2005 vedava expressamente a retificação da DCTF na situação ora analisada: Art. 12. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. (...) § 8º A retificação de DCTF não será admitida quando resultar em alteração da periodicidade, mensal ou semestral, de declaração anteriormente apresentada.(grifei) (...) Além disso, o artigo 13 da mesma Instrução normativa declarava taxativamente que a DCTF apresentada com periodicidade diversa da primeira declaração entregue relativa a um mesmo anocalendário não produziria quaisquer efeitos: Art. 13. A DCTF apresentada com periodicidade diversa da primeira declaração entregue relativa ao mesmo anocalendário não produzirá efeitos. Por outro lado, a IN SRF 695/2006, no parágrafo único do seu artigo 13, passou a permitir que a DCTF semestral entregue com erro de periodicidade gerasse efeitos em relação às pessoas jurídicas que se enquadrassem nas hipóteses de obrigatoriedade de entrega da DCTF mensal: Art. 13. A DCTF apresentada com periodicidade diversa da primeira declaração entregue relativa ao mesmo anocalendário não produzirá efeitos, salvo nos casos de entrega indevida da DCTF Semestral por pessoas jurídicas que se enquadrem nas hipóteses de obrigatoriedade de entrega da DCTF Mensal. Parágrafo único. Em se tratando de entrega indevida da DCTF Semestral por pessoas jurídicas que se enquadrem nas hipóteses de obrigatoriedade de entrega da DCTF Mensal, será devida a multa pelo atraso na entrega das DCTF Mensais relativas ao período considerado.(grifei) Ora, considerando que o parágrafo único da IN SRF 695/96 flexibilizou os efeitos da entrega da DCTF semestral entregue com erro, estabelecendo regra de contagem de prazo mais branda em relação à situação idêntica à do Recorrente, admitindo como termo ad quem de contagem dos meses de atraso da multa por falta de entrega de DCTF mensal a data da entrega da DCTF semestral, considero licito estender a aplicação dessa mesma regra para a entrega das DCTF em atraso do anocalendário 2006 que encontravamse pendentes de análise, eis que a IN SRF 593 não admitia a produção de quaisquer efeitos da DCTF semestral apresentada com erro nesse período. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10070.001787/200731 Acórdão n.º 1002000.003 S1C0T2 Fl. 4 5 Entendo assim por conta da aplicação do princípio da retroatividade benigna em matéria de multa, que considero aplicável ao caso em análise, eis que o requerimento do Recorrente acerca do cancelamento da DCTF semestral ainda não havia sido analisado no momento da edição da IN SRF 695/2006. Considerando que o art. 13 supra não explicita como se dará a cobrança da multa nesses casos, somente registrando a expressão “período considerado”, entendo que a referida norma deve ser interpretada em conjunto com o artigo 2o da Lei n.° 9.784/99, que regula o Processo Administrativo Federal e assim preceitua: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; II atendimento a fins de interesse geral, vedada a renúncia total ou parcial de poderes ou competências, salvo autorização em lei; III objetividade no atendimento do interesse público, vedada a promoção pessoal de agentes ou autoridades; IV atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boa fé; V divulgação oficial dos atos administrativos, ressalvadas as hipóteses de sigilo previstas na Constituição; VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; XI proibição de cobrança de despesas processuais, ressalvadas as previstas em lei; XII impulsão, de ofício, do processo administrativo, sem prejuízo da atuação dos interessados; Fl. 87DF CARF MF 6 XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. Por todo o exposto e com base no princípio da proporcionalidade entendo que a melhor solução para o caso é o afastamento da multa por atraso na entrega da DCTF somente para o período entre o protocolo do pedido de cancelamento da DCTF semestral e o primeiro dia útil seguinte ao da ciência da decisão, eis que o procedimento administrativo era necessário para que o contribuinte pudesse sanar sua falha e dependia exclusivamente da atuação do agente público. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso interposto para afastar a multa por atraso na entrega da DCTF do mês de 05/2006 no período entre o protocolo do pedido de cancelamento da DCTF semestral e o primeiro dia útil seguinte ao da ciência da decisão administrativa, de modo que o crédito constituído por força do descumprimento instrumental será equivalente ao calculado conforme quadro abaixo: Quadro indicativo do cálculo da multa por atraso na entrega da DCTF do mês de 05/2006: Prazo final de entrega Data da entrada do Requerimento de cancelamento da DCTF semestral Data de ciência da decisão de cancelamento da DCTF semestral Data de entrega da DCTF mensal do mês de 05/2006 Nº Meses em atraso (desconsiderado o período em que o requerimento administrativo estava pendente de análise) Cálculo da multa Valor devido (passível de redução) 07/07/2006 12/09/2006 02/2007 28/02/2007 05 10% X R$ 260.920,35 R$ 26.092,03 Ante o exposto voto por dar provimento integral ao recurso interposto. É como voto. (assinado digitalmente) Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.005248/2005-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS GERAIS DO DIREITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. DECISÃO JUDICIAL REFORMADA POR INSTÂNCIA SUPERIOR. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. MANUTENÇÃO DA INEXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A decisão judicial que suspende a exigibilidade de determinado tributo surte efeito até que eventual decisão em sentido contrário seja devidamente notificada/publicada, ficando, ainda, em caso de embargos de declaração, suspensos os seus efeitos até a decisão destes embargos. LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DE DECADÊNCIA. Cabe a lavratura do Auto de Infração para a formalização do lançamento do tributo, sem multa de ofício, na hipótese de reforma de decisão judicial que suspendia a exigibilidade do correspondente crédito tributário, se contra ela forem opostos embargos de declaração. Os juros de mora são devidos qualquer que seja a causa determinante do não recolhimento do tributo no prazo de vencimento legal, regra aplicável também aos casos de suspensão da exigibilidade por decisão judicial, exceto na hipótese de depósito do montante. CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. A submissão de uma matéria à tutela autônoma e superior do Poder Judiciário, prévia ou posteriormente ao lançamento, inibe o pronunciamento da autoridade administrativa, pois que a solução dada ao litígio pela via judicial há de prevalecer. (Acórdão n° 10806.522
de 23.05.2001, DOU 8.8.2001, 8ª C. do 1º CC).
Numero da decisão: 1402-000.756
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - glosa de compensação de prejuízos fiscais
Nome do relator: Carlos Pelá
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NORMAS GERAIS DO DIREITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. DECISÃO JUDICIAL REFORMADA POR INSTÂNCIA SUPERIOR. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. MANUTENÇÃO DA INEXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A decisão judicial que suspende a exigibilidade de determinado tributo surte efeito até que eventual decisão em sentido contrário seja devidamente notificada/publicada, ficando, ainda, em caso de embargos de declaração, suspensos os seus efeitos até a decisão destes embargos. LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DE DECADÊNCIA. Cabe a lavratura do Auto de Infração para a formalização do lançamento do tributo, sem multa de ofício, na hipótese de reforma de decisão judicial que suspendia a exigibilidade do correspondente crédito tributário, se contra ela forem opostos embargos de declaração. 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(Acórdão n° 10806.522 de 23.05.2001, DOU 8.8.2001, 8ª C. do 1º CC). Recurso voluntário provido parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva dos Santos Lima Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima.. Relatório Tratase de auto de infração de IRPJ (fls. 2/13), relativo aos quatro trimestres dos anoscalendários de 2000 e 2001 e encargos legais. Adoto o relatório da DRJ/FOR: (...) O lançamento decorreu de revisão sumária das declarações de informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica apresentadas pela Contribuinte para os exercícios financeiros de 2001 e 2002 (DIPJ), tendo sido constatado a compensação indevida de prejuízo fiscal de períodos anteriores, em montante superior a 30% do lucro liquido ajustado, com infração ao disposto nos artigos 247, 250, inciso III, 251, parágrafo único, e 510, todos do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26/03/1999 (RIR199). Esclarece a autoridade fiscal que a Autuada se achava amparada por medida liminar prolatada no Processo n° 98.35982, a qual foi revertida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que deu provimento ao Recurso Especial n° 639.939/CE, impetrado pela Fazenda Nacional, em acórdão publicado no DJ de 03/12/2004, conforme cópia em anexo. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10380.005248/200514 Acórdão n.º 140200.756 S1C4T2 Fl. 3 3 Cientificada da exigência em, 30/06/2005 (fls. 02), a Autuada apresentou em 28/07/2005, a impugnação de fls. 69/75, instruída com os documentos de fls. 76 a 83, onde historia a ação judicial por ela impetrada contra a denominada "trava" na compensação de prejuízos fiscais, e contesta a afirmação do Autuante no sentido de que a decisão judicial que a ampara foi revertida pelo STJ, uma vez que foram apresentados embargos de declaração junto àquela Corte, acerca do mencionado recurso especial, de acordo com Certidão que acosta defesa. Assim, a decisão que lhe assegura o direito à compensação integral dos prejuízos acumulados limitada pelo artigo 58, da Lei n° 8.981, de 1995 permanece em vigor, não podendo o Fisco desconhecer a sua validade, em homenagem aos princípios da efetividade das decisões judiciais, da legalidade, do livre acesso à jurisdição, da ampla defesa e da segurança jurídica. Arrimandose na doutrina especializada, acrescenta, que, ao preencher as DIPJ objeto da revisão, não praticou qualquer ilícito administrativo sujeito à penalidade, pois se achava devidamente autorizada por ato judicial a não observar a limitação de que se cuida; sendo esse procedimento plenamente válido, a conclusão que se impõe é que não deve prosperar o AI lavrado, incluindo os acréscimos de multa e juros moratórios, o que o torna passível de nulidade, desde logo requerida. Em seguida, passa a contestar o mérito da exigência, consubstanciado na discussão acerca dos conceitos de renda e lucro contidos no Código Tributário Nacional (CTN), que restariam contrariados pela limitação à compensação de prejuízos determinada pela Lei n° 8.981, de 1995, em flagrante violação ao disposto no artigo 110, do aludido código, passando a tributação a incidir sobre o patrimônio da pessoa jurídica, o que é inadmissível para a Impugnante. Invoca, nesse sentido, ensinamentos doutrinários e jurisprudências. Por fim, fundamentandose no disposto no artigo 5°, XXXIV, "b", da Constituição Federal (CF/88), a Contribuinte afirma que a autoridade fiscal não pode, desconhecendo a sentença judicial a ela favorável, negar a expedição de certidão negativa, "(..) enquanto não ocorrer a modificação do fato", como constou do julgado. Pede, ao final, que seja cancelado o débito fiscal reclamado. A decisão recorrida entendeu correta a formalização da exigência fiscal com a aplicação das penalidades, já que a mesma acontecera após a decisão do STJ que revogou a medida liminar que socorria a contribuinte. Nesse passo, também consignou que embargos declaratórios não tem efeito suspensivo e que é legítimo o lançamento que pretende afastar a decadência, conforme disposto no artigo 63, caput, da Lei n°. 9.430/96. No mérito, a decisão não conheceu da impugnação apresentada, haja vista haver discussão judicial correndo paralelamente sobre o mesmo tema. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10380.005248/200514 Acórdão n.º 140200.756 S1C4T2 Fl. 4 4 Diante disso, a contribuinte apresentou recurso voluntário defendendo a possibilidade de análise do mérito da questão na esfera administrativa em concomitância com a esfera judicial e, por assim entender, repisou os argumentos contra o limite de compensação de 30% do lucro líquido e contra o acréscimo de juros de mora e multa ao valor apurado pela fiscalização. Ademais, ressaltese, apenas, que a contribuinte informa, em sua peça recursal, sobre a propositura de recurso extraordinário nos autos do processo judicial em comento. É o Relatório. Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator Conheço do Recurso Voluntário por ser tempestivo, por atender aos requisitos de admissibilidade e por conter matéria de competência deste Conselho. A contribuinte foi favorecida por decisão liminar que impede a União de exigir dela IRPJ recolhido a menor, tendo em vista a utilização de saldo de prejuízo fiscal superior ao limite permitido em lei (30%). Ocorre que esta decisão liminar foi derrubada pela decisão do Egrégio STJ, de modo que a abstenção do Fisco em cobrar dito imposto já não era mais aplicável aos fatos ocorridos nos anoscalendários que foram alvejados no lançamento. Contudo, conforme defende a contribuinte, nada obstante o teor do aludida decisão, a mesma estaria inapta a produzir seus efeitos, face à oposição de Embargos de Declaração. Assim, inicialmente, é de se pronunciar sobre a possibilidade de serem lançados débitos tributários com multa e juros de mora, durante a análise de embargos declaratórios opostos contra decisão que derrubou a medida liminar que permitia a contribuinte compensar prejuízos fiscais sem observar o limite de 30% do lucro líquido. Em que pesem as opiniões contrárias, entendo que a eficácia de toda e qualquer decisão sujeita ao recurso de embargos de declaração fica obstada até o término do prazo de cinco dias para oposição de embargos. E, caso sejam opostos embargos declaratórios, a eficácia da decisão embargada continua obstada, permanecendo o status quo ante; ou seja, situação em que se encontrava o contribuinte antes de proferida aquela decisão. Noutras palavras, os débitos tributários ainda encontravamse com sua exigibilidade suspensa, visto que o Acórdão que derrubou a medida liminar só produzirá os efeitos esperados após sua publicação, sendo que, em razão da oposição de Embargos de Declaração, os efeitos foram postergados para depois de julgados tais Embargos. Até lá, vige a sentença proferida em primeira instância. Nesse sentido, citese jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes: Fl. 151DF CARF MF Impresso em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10380.005248/200514 Acórdão n.º 140200.756 S1C4T2 Fl. 5 5 SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DECISÃO JUDICIAL A decisão judicial que suspende a exigibilidade de determinado tributo surte efeito até que eventual decisão em sentido contrário seja devidamente notificada/publicada, ficando, ainda, em caso de embargos de declaração, suspensos os seus efeitos até a decisão destes embargos. Recurso provido. Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. (1º CC / 8ª. Câmara / Acórdão 10807.798 / Relatora Karem Jureidini Dias de Mello Peixoto / Decisão em 12/05/2004 / DOU em 19/07/2004) Entretanto, ainda que a contribuinte estivesse amparada por decisão judicial suspendendo a exigibilidade do crédito tributário, a Administração Tributária poderia formalizar o lançamento para prevenir a decadência, a teor do que dispõe o artigo 63 da Lei nº. 9.430/1996: Lei 9430/96 Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Com efeito, pareceme plenamente cabível a constituição do crédito, com a finalidade exclusiva de prevenir a decadência, uma vez que não traria prejuízos à própria Fazenda, nem à contribuinte, que não se veria compelida a recolher a exação, senão antes de dirimida de vez a lide. Por outro lado, conforme claramente disposto no caput do artigo supracitado, a Fazenda não pode exigir da contribuinte que arque com as penalidades pela falta de recolhimento do tributo, uma vez que a ele a contribuinte ainda não estava obrigada. Pelo contrário, uma vez obstada a eficácia da decisão embargada, a contribuinte tinha a seu favor uma decisão liminar que a dispensava de observar a trava de 30%. Noutras palavras, na ausência de um ato ilícito (que seria: não recolher tributo a que estava obrigada) a penalidade não poderia ser aplicada. A situação assim, parece bem resolvida: julgada improcedente a ação, a União poderá exigir o tributo não recolhido durante a vigência da decisão liminar por fim anulada e a contribuinte, que não recolheu o tributo, protegida por decisão liminar até então válida, não arcará com as penalidades previstas para as hipótese de comportamento omissivo injustificado. Com efeito, penso que o lançamento feito durante a vigência de uma decisão judicial liminar é válido, desde que tenha por finalidade prevenir a decadência, sem a Fl. 152DF CARF MF Impresso em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10380.005248/200514 Acórdão n.º 140200.756 S1C4T2 Fl. 6 6 imposição de multa de ofício, já que não se trata de lançamento de ofício efetuado em face da inadimplência do contribuinte, e tampouco de multa de mora, já que não há mora. Finalmente, entendo que incidem juros de mora no lançamento efetuado, pois que os juros de mora são devidos qualquer que seja a causa determinante do não recolhimento do tributo no prazo de vencimento legal, regra aplicável também aos casos de suspensão da exigibilidade por medida judicial, exceto na hipótese de depósito do montante. No mérito, compartilho do entendimento manifestado na decisão recorrida. Este órgão de julgamento administrativo tem entendimento pacífico no sentido de que o questionamento judicial de determinada questão implica renúncia à esfera administrativa. É o que expõe o parágrafo único do artigo 38 da Lei nº. 6830/80, in verbis: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Citese também, conhecida decisão deste Conselho sobre o tema: NORMAS PROCESSUAIS. CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE A submissão de uma matéria à tutela autônoma e superior do Poder Judiciário, prévia ou posteriormente ao lançamento, inibe o pronunciamento da autoridade administrativa, pois que a solução dada ao litígio pela via judicial há de prevalecer. (Acórdão n° 10806.522 de 23.05.2001, DOU 8.8.2001, 8ª C. do 1º CC). Assim, não há que se falar em inobservância ao devido processo legal administrativo, já que tal posicionamento visa, tão somente, preservar a decisão proferida pelo Poder Judiciário a quem compete, por excelência, julgar, bem assim como evitar decisões divergentes e contraditórias para uma mesma questão. Posto isso, voto dar provimento PARCIAL AO RECURSO voluntário para afastar a multa sobre o lançamento que visou prevenir a decadência do crédito. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 153DF CARF MF Impresso em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10380.005248/200514 Acórdão n.º 140200.756 S1C4T2 Fl. 7 7 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 11051.720277/2014-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 23/09/2011 a 28/02/2014
OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR. EXPORTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS.
Apesar de devidamente intimada, a interessada não logrou comprovar a realização de operações de exportação para empresa no exterior (Uruguai), havendo sido coletados pela fiscalização inúmeros elementos que demonstram a prática de exportações simuladas (fictícias), em que os reais compradores permaneceram ocultos aos olhos da fiscalização, resta caracterizada a interposição fraudulenta de terceiros.
DANO AO ERÁRIO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA EXPORTAÇÃO. NÃO LOCALIZAÇÃO DAS MERCADORIAS. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA.
Considera-se dano ao Erário a ocultação do real adquirente da mercadoria, sujeito passivo na operação de exportação, infrações puníveis com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. RESPONSABILIDADE. EFEITOS.
No casos dos autos, tanto a exportadora como as demais pessoas físicas e jurídicas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas em relação ao crédito tributário. A pessoa, física ou jurídica, que concorra, de alguma forma, para a prática de atos fraudulentos ou deles se beneficie, responde solidariamente pelo crédito tributário decorrente.
Recursos Voluntários Negados.
Numero da decisão: 3402-004.964
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento aos Recursos Voluntários interpostos. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Rodolfo Tsuboi e Carlos Augusto Daniel Neto que deram provimento parcial para excluir a responsabilidade solidária dos sócios Paulo, Patrícia e Sonia.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado). Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 23/09/2011 a 28/02/2014 OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR. EXPORTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. Apesar de devidamente intimada, a interessada não logrou comprovar a realização de operações de exportação para empresa no exterior (Uruguai), havendo sido coletados pela fiscalização inúmeros elementos que demonstram a prática de exportações simuladas (fictícias), em que os reais compradores permaneceram ocultos aos olhos da fiscalização, resta caracterizada a interposição fraudulenta de terceiros. DANO AO ERÁRIO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA EXPORTAÇÃO. NÃO LOCALIZAÇÃO DAS MERCADORIAS. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. Considera-se dano ao Erário a ocultação do real adquirente da mercadoria, sujeito passivo na operação de exportação, infrações puníveis com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. RESPONSABILIDADE. EFEITOS. No casos dos autos, tanto a exportadora como as demais pessoas físicas e jurídicas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas em relação ao crédito tributário. A pessoa, física ou jurídica, que concorra, de alguma forma, para a prática de atos fraudulentos ou deles se beneficie, responde solidariamente pelo crédito tributário decorrente. Recursos Voluntários Negados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento aos Recursos Voluntários interpostos. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Rodolfo Tsuboi e Carlos Augusto Daniel Neto que deram provimento parcial para excluir a responsabilidade solidária dos sócios Paulo, Patrícia e Sonia. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado). Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 43; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2010; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 9.505 1 9.504 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11051.720277/201487 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.964 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de março de 2018 Matéria MULTA ADUANEIRA Recorrente ESTRELLA EXPORTAÇÃO LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 23/09/2011 a 28/02/2014 OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR. EXPORTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. Apesar de devidamente intimada, a interessada não logrou comprovar a realização de operações de exportação para empresa no exterior (Uruguai), havendo sido coletados pela fiscalização inúmeros elementos que demonstram a prática de exportações simuladas (fictícias), em que os reais compradores permaneceram ocultos aos olhos da fiscalização, resta caracterizada a interposição fraudulenta de terceiros. DANO AO ERÁRIO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA EXPORTAÇÃO. NÃO LOCALIZAÇÃO DAS MERCADORIAS. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real adquirente da mercadoria, sujeito passivo na operação de exportação, infrações puníveis com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. RESPONSABILIDADE. EFEITOS. No casos dos autos, tanto a exportadora como as demais pessoas físicas e jurídicas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas em relação ao crédito tributário. A pessoa, física ou jurídica, que concorra, de alguma forma, para a prática de atos fraudulentos ou deles se beneficie, responde solidariamente pelo crédito tributário decorrente. Recursos Voluntários Negados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 1. 72 02 77 /2 01 4- 87 Fl. 9505DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento aos Recursos Voluntários interpostos. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Rodolfo Tsuboi e Carlos Augusto Daniel Neto que deram provimento parcial para excluir a responsabilidade solidária dos sócios Paulo, Patrícia e Sonia. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado). Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. Relatório Tratase o processo de Auto de Infração (fl. 7.975/7.989), lavrado contra a empresa ESTRELLA EXPORTAÇÃO LTDA EPP (doravante denominada de ESTRELLA), através do qual a fiscalização, conforme consta no Termo de Verificação e de Encerramento da Ação Fiscal (Relatório Fiscal de fls. 5.636/5.739), o lançamento fiscal teve origem em decorrência da caracterização da prática da interposição fraudulenta de terceiros na Exportação de mercadorias. Segundo consta dos autos, a ESTRELLA, a partir de 23/09/2011, realizou diversas operações de exportação para a empresa uruguaia ALCEBA S/A. (doravante denominada ALCEBA), sem a correspondente prova de internalização das mercadorias naquele país. Os elementos de prova colecionados demonstram, no entender do fisco, a prática de exportação fictícia, tratandose as operações, na prática, de vendas no mercado interno. A fiscalização entendeu estar demonstrada a prática de interposição fraudulenta, com a ocultação do real adquirente das mercadorias, comprador e principais interessados nas operações de exportação em questão, infração considerada Dano ao Erário, cabendo a proposição da pena de perdimento das mercadorias, com base no art. 689, inciso XXII, do Decreto n° 6.759, de 2009. Por terem todos os bens sido remetidos a consumo, foi aplicada a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, conforme disposto no art. 23, §3º, do Decreto lei nº 1.455/1976, com redação dada pela Lei nº 12.350/2010, perfazendo o valor do crédito tributário exigido de R$ 4.633.836,93. Nos autos também foi considerando que as empresas TOQUINHO COMÉRCIO DE MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO LTDA ME (doravante denominada TOQUINHO) e ROJU COMERCIAL DE MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO LTDA ME (doravante denominada ROJU), por atuarem em conjunto com a empresa ESTRELLA (entre outros, possuir o mesmo endereço, contador, atividade e sócio em comum). o que demonstra a inobservância do Princípio da Entidade, foram arroladas como responsáveis solidárias. Fl. 9506DF CARF MF Processo nº 11051.720277/201487 Acórdão n.º 3402004.964 S3C4T2 Fl. 9.506 3 Por terem igualmente concorrido para a prática do ilícito e/ou dele se beneficiado, os seguintes sócios também foram responsabilizados: PAULO ESTRELLA AMBROSSI (doravante denominado PAULO), PATRÍCIA ANDRÉA PAIS (doravante denominada PATRÍCIA) e SONIA SILVERA ESTRELLA (doravante denominada SONIA). Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, nº 1673.572, prolatada pela 20ª Turma da DRJ em São Paulo (SP), com seus principais trechos a seguir transcrito (fls. 9.280/9.315): "(...) Considerando que as empresas TOQUINHO COMÉRCIO DE MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO LTDA – ME (doravante denominada TOQUINHO) e ROJU – COMERCIAL DE MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO LTDA – ME (doravante denominada ROJU), por apresentarem em conjunto com ESTRELLA, entre outros, o mesmo endereço, contador, atividade e sócio em comum, o que demonstra a inobservância do Princípio da Entidade, foram autuadas como responsáveis solidárias. Por terem igualmente concorrido para a prática do ilícito e/ou dele se beneficiado, os seguintes sócios também foram responsabilizados: PAULO ESTRELLA AMBROSSI (doravante denominado PAULO), PATRÍCIA ANDRÉA PAIS (doravante denominada PATRÍCIA) e SONIA SILVERA ESTRELLA (doravante denominada SONIA). Segundo a fiscalização, a caracterização da interposição fraudulenta de terceiros nas operações realizadas por ESTRELLA restou comprovada com base nos seguintes elementos, que a seguir resumimos: 1) ESTRELLA tem atualmente como sócios PAULO e PATRÍCIA, sendo seu capital social de R$ 20.000,00, divididos em quotas iguais entre ambos. A administração da sociedade é exclusividade do sócio PAULO, sendo suas atividades o comércio varejista de materiais de construção, móveis, eletrodomésticos e equipamentos de áudio e vídeo; 2) conforme consta do processo 11051.720052/201421, no dia 07/02/2014, registrou a Declaração para Despacho de Exportação DDE nº 2140124325/8 em nome da empresa. A mercadoria, que consistia de 17 volumes de pisos, deveria ter como destino imediato a aduana uruguaia. A Equipe de Repressão fez o acompanhamento da referida carreta, e constatou que essa ingressou no Uruguai sem se dirigir à aduana e, logo depois, retornou para o Brasil e ingressou no pátio da empresa fiscalizada, onde a mercadoria foi descarregada e depositada. De acordo com a nota fiscal de venda, o destino daquela mercadoria deveria ser a empresa uruguaia ALCEBA, localizada a cerca de 100 metros da empresa exportadora (ou seja, do outro lado da rua), conforme fotos anexadas aos autos; 3) a motivação do procedimento acima decorreu do fato de que, como consta do respectivo processo administrativo, a exportadora registrou várias DDE tendo como importador sempre a ALCEBA, sem a correspondente importação registrada Fl. 9507DF CARF MF 4 no Uruguai, consoante pesquisas no sistema informatizado de controle do comércio exterior, denominado sistema Mercosul Indira; 4) na tentativa de entender o que estava acontecendo, a Equipe de Repressão começou a observar o deslocamento das carretas que saiam da IRF Chuí após os regulares despachos aduaneiros de exportação. Identificouse que, salvo quando a carreta se dirigia regularmente para a aduana uruguaia, o que ocorria num pequeno número de exportações, o trajeto realizado era o de retornar ao pátio da ESTRELLA, porém passando antes pelo Uruguai. Conseguiuse fazer registros de imagens em duas oportunidades, a saber, em 12 e 22 de novembro de 2013; 5) concomitantemente à operação de repressão, deuse início a três procedimentos fiscais que culminaram na autuação em tela, junto às empresas ESTRELLA, ROJU e TOQUINHO, pelo fato de: (i) apresentarem o mesmo endereço, diferenciados apenas pelo número do galpão ou sala, sendo que o local é identificado apenas pelos letreiros CASA TOQUINHO; (ii) apresentam sócio em comum, mesmo contador e mesmas atividades econômicas; (iii) os funcionários, computadores, fichários e arquivos de documentos eram comuns para todas as empresas; (iv) o salão de mostruário das mercadorias é utilizado pelas três empresas, sem que se possa identificar a qual empresa pertence determinada mercadoria, havendo apenas uma caixa registradora; (v) os galpões se comunicam internamente, alguns sem qualquer tipo de separação; 6) as sócias da TOQUINHO são SONIA e PATRÍCIA, enquanto que as sócias de ROJU são PATRÍCIA e ROSANA MARIA CORREA SILVEIRA; 7) as constatações acima constituem indícios de que as pessoas jurídicas em questão não observam o Princípio da Entidade, sendo que as circunstâncias acima não são mera casualidade, mas tem o propósito de facilitarem a prática de ilícitos tributários; 8) apurouse também, em 07/02/2014, que o controle de estoque da empresa é ineficaz, sendo que ela não escritura Livros de Registro de Inventário; 9) pesquisa realizada no sistema Mercosul Indira revelou que, a partir de 23/09/2011, foram encontradas apenas 34 DUA uruguaias (Documento Único Aduaneiro), sendo que foram registradas 225 DDE pela exportadora. Intimada a se manifestar acerca das outras 191 DUA, a fiscalizada esquivouse por diversas vezes e terminou por declarar a impossibilidade de apresentar documentos de origem estrangeira. Segundo o fisco, esse fato significa que para a grande maioria das exportações brasileiras não foi registrada a correspondente importação uruguaia, forte indício de que essas exportações brasileiras são fictícias; 10) observa o fisco que a data de 23/09/2011 não foi selecionada ao azar, mas sim porque nessa data encerraramse as exportações ditas de balcão para pessoas físicas (em face de decisão judicial transitada em julgado que manteve decisão Fl. 9508DF CARF MF Processo nº 11051.720277/201487 Acórdão n.º 3402004.964 S3C4T2 Fl. 9.507 5 administrativa que cassou a habilitação da empresa no procedimento simplificado de exportação). A partir dessa data, a empresa passou quase que exclusivamente a exportar para a pessoa jurídica ALCEBA; 11) como a prova acima fundase numa presunção relativa simples (a falta do registro da DUA uruguaia indica que não houve exportação), seu efeito consiste em inverter o ônus da prova, ou seja, caberia à interessada fazer prova em contrário, o que não foi feito; 12) a fiscalização apurou ainda que a empresa estrangeira que realizou todos os transportes para a fiscalizada, PAIS MARICHAL TRANSPORTES LTDA., tem como representante no território nacional a empresa TRANSPORTES TRANSONPA LTDA – ME, cuja sócia administradora é SONIA, que também é sócia administradora da TOQUINHO; 13) em 10/02/2014, a fiscalização realizou regularmente procedimento de cópia de arquivos digitais que se encontravam em quatro computadores das empresas fiscalizadas. O arquivo de nome “cartaMariflor.xls” no diretório “Mis documentos” do computador utilizado pelo contador das empresas, tratase de um documento, a ser assinado pelo Sr. Raul Silva na condição de gerente, e destinado à FÁBRICA DE CAMAS E BELICHES MARIFLOR LTDA. O documento não possui data, mas o arquivo foi modificado em 06/09/2007. Seu texto trata do pedido de mercadoria da TOQUINHO, mas, prossegue dizendo: “[...] desejaríamos apresentar a opção” (à MARIFLOR) “de faturar a nome da firma de exportação ESTRELLA EXPORTAÇÃO, que por intermédio desta receberíamos a nota fiscal isenta de ICMS, já que a mercadoria se negociaria por Balcão de exportação, assim a vossa firma não pagaria ICMS. O código para este tipo de venda é 6501. (fim específico para exportação)”; 14) referido documento revela a intenção de fazer com que o fornecedor fature a venda para pessoa diversa daquela que fez o pedido, objetivando o não pagamento do ICMS e, por tabela, também do IPI (mediante a indevida falta de destaque), baseandose na suposição errônea de que uma venda para ESTRELLA se equipara a uma exportação, operação essa que somente se caracterizaria se feita perante uma empresa comercial exportadora (trading), situação na qual ESTRELLA não se enquadra; 15) em que pese a empresa declare desconhecer essa mensagem eletrônica, bem como que o Sr. Raul Silva nunca laborou nas empresas ESTRELLA e TOQUINHO, fato é que apresentou Livro em que consta o registro do funcionário, Sr. Raul César Silva Ferro, fazendo prova de que ele laborou na TOQUINHO. Inclusive, o endereço de domicílio deste senhor informado no CPF coincide com aquele do endereço das fiscalizadas: Av. Uruguai nº 2261, CEP 96230000 VL do Chuí, Santa Vitória do Palmar; Fl. 9509DF CARF MF 6 16) de qualquer forma, a materialidade da orientação fornecida pelo gerente pode ser duplamente verificada pelas Notas Fiscais Eletrônicas NFe (DANFE) nº 747, 2896, 3588, 4413 e 5295, emitidas nos anos de 2010 a 2012 pela FÁBRICA DE CAMAS E BELICHES MARIFLOR LTDA EPP, onde consta indevidamente o CFOP 6501; 17) embora ESTRELLA reconheça não ser uma trading, foram encontrados inúmeros arquivos em seus computadores identificados como “Memorandos de Exportação”, expediente instituído pelo Convênio ICMS nº 107/2001, que tem a finalidade de vincular a nota fiscal de entrada da mercadoria, emitida pelo fornecedor da empresa comercial exportadora, à nota fiscal de saída da comercial exportadora, a qual instrui o correspondente despacho de exportação. Vêse, assim, que ESTRELLA procura atuar como uma empresa comercial exportadora, empenhando se em atender algumas das exigências no que tange à comprovação de que realiza exportações, mas não em efetivamente exportar as mercadorias. Devido ao entrelaçamento dos controles propostos, ora se aplicando ao fornecedor da comercial exportadora, ora se aplicando à suposta comercial exportadora, o fornecimento do Memorando Exportação pela ESTRELLA, atestando sua condição de comercial exportadora, caracteriza fraude. Evidente que a condição de comercial exportadora, que é inaplicável à ESTRELLA, só pode ter sido anunciada e divulgada por ela própria; 18) análise realizada nas NFe, extraídas pelo fisco junto ao SPED (Sistema Público de Escrituração Digital), revelou que: a) apenas 10% das NFe emitidas para a fiscalizada por seus fornecedores durante os anos de 2011, 2012 e 2013 foram emitidas com os CFOP corretos; b) dentre as NFe que deveriam destacar o IPI, menos de um quarto (23%) o fizeram. O IPI que assim deixou de ser recolhido totaliza cerca de R$ 130.000,00; c) as remessas de mercadorias sob análise além de não estarem sujeitas à imunidade do IPI, também não estão sujeitas a nenhum dispositivo de suspensão do IPI, contrariamente ao pleiteado em várias das NFe sob análise, conforme legislação citada; 19) a fiscalização demonstrou ainda que, mesmo na época em que a fiscalizada efetuava exportação de balcão (período anterior ao da autuação), não atendia aos critérios legais correspondentes a vendas a estrangeiros, sendo improvável que um comprador estrangeiro solicitasse que a compra fosse feita nessa modalidade, posto que não lhe traria qualquer benefício. Conclui, assim, que desde longa data a fiscalizada se empenha em produzir em massa exportações incompatíveis com a legislação federal; 20) a fiscalizada ESTRELLA, apesar de seis vezes intimada a apresentar seus Livros Registro de Inventário de 2011 a 2013 e sua escrituração contábil, não os apresentou sem qualquer manifestação por escrito, embora estivesse legalmente obrigada à sua escrituração. O Livro Diário 2011 foi o único obtido através da Escrituração Contábil Digital (ECD), via SPED; Fl. 9510DF CARF MF Processo nº 11051.720277/201487 Acórdão n.º 3402004.964 S3C4T2 Fl. 9.508 7 21) os documentos apreendidos denominados “Estoque de Mercadorias Destinadas a Exportação em Moeda Nacional” eram apresentados mensalmente na Aduana pela ESTRELLA, em atendimento ao artigo 14 da Portaria IRF/CHU nº 38/2008 (exportação de balcão), mas o estoque físico de mercadorias, em 07/02/2014, não corroborava a relação da mesma data que foi apresentada; 22) quanto à empresa TOQUINHO, apesar de seis vezes intimada a apresentar sua escrituração contábil, não a apresentou sem qualquer manifestação por escrito, embora estivesse legalmente obrigada à sua escrituração; 23) a empresa ROJU é optante do Simples Nacional, e também não apresentou quaisquer dos livros fiscais a cuja escrituração estava obrigada, o que autoriza sua exclusão do regime. Somente através do SPED, módulo consulta NFe pelo emitente, foi possível identificar as compras da ROJU; 24) análise realizada com base em pesquisa no SPED e nos Livros Registro de Entradas e Saídas de ESTRELLA e TOQUINHO (pois ROJU é a única empresa que não apresenta qualquer tipo de escrituração), revelou que: (i) ROJU e a TOQUINHO não são emitentes de NFe; (ii) dentre as três empresas, ESTRELLA é quem realiza a maior parte das compras e das vendas; (iii) enquanto ROJU e TOQUINHO comercializam apenas no mercado interno, ESTRELLA realiza exportações; (iv) ROJU, depois da ESTRELLA e à frente da TOQUINHO, é a empresa com o maior volume de aquisições de mercadorias; 25) segundo o fisco, a análise da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM das mercadorias que as três empresas comercializam revela o quão artificial é este arranjo, pois, mesmo na hipótese de um brasileiro querer comprar mercadoria comercializada exclusivamente pela ESTRELLA, todas as provas e os indícios são de que a venda seria feita como se uma exportação fosse, para depois a mercadoria retornar fraudulentamente para o Brasil. Conclui o fisco, com base em sua análise, que tanto as vendas da ESTRELLA para brasileiros quanto as vendas da ROJU e da TOQUINHO para pessoa física estrangeira fora das condições das Instruções Normativas SRF nº 118/92 e 104/84, todas passíveis de ocorrer na prática, são candidatas a serem convertidas em exportações fictícias da ESTRELLA para a ALCEBA; 26) rápida análise das mercadorias descritas nas DUA, verificou que um pequeno número delas se repete com maior frequência, como cal e pisos; enquanto que outras mercadorias, como móveis, correspondem a DDE que nunca foram objeto de DUA, em que pese sua maior incidência considerando o universo das NFe. Análise estatística realizada pelo fisco concluiu ser praticamente nula a probabilidade de nenhuma das 82 DDE que declaram móveis possuir a correspondente DUA; 27) concluiu o fisco, assim, que ALCEBA definitivamente não importava tais móveis e que, portanto, as exportações de móveis Fl. 9511DF CARF MF 8 não se destinavam a ALCEBA, conforme pesquisa realizada em sítios da internet relacionados nos autos, onde consta a informação de que ALCEBA somente começou a importar móveis a partir de julho de 2014. A confirmação oficial destes dados foi obtida através do sistema Mercosul Indira, que confirmou que a única importação de móveis pela ALCEBA somente ocorreu em 11/07/2014. Evidente, assim, que as frequentes DDE com móveis para a ALCEBA apresentadas pela ESTRELLA não condizem com a realidade das operações; 28) a fiscalização passa a fazer um relato dos processos administrativos e judiciais que levaram a fiscalizada a sua atual condição de exportadora não autorizada a realizar o procedimento de que trata a Portaria de Exportação de Balcão, com o fim de demonstrar o interesse da mesma nessa prática bem como a falta de transparência na administração contábil, fiscal e comercial destas mesmas transações, pois que por meio dessa sistemática ela conseguia converter uma venda no mercado interno numa operação de comércio exterior. Relata dois casos envolvendo a chamada exportação de balcão; 29) analisando por período as operações realizadas por ESTRELLA, a fiscalização observou que a empresa realizou exportações de balcão para pessoas físicas até 21/09/2011, a partir de quando suas exportações deixaram de ser nessa modalidade (a posteriori), e passaram a ser exclusivamente para pessoa jurídica, em sua grande maioria para a ALCEBA. Os padrões observados indicam que as exportações para pessoas físicas sempre foram fictícias, e que, a partir de 23/09/2011, quando a fiscalizada se encontrava impedida de realizar exportações de balcão, optou por aumentar as exportações para pessoa jurídica sem a DUA correspondente. E, após o início da fiscalização, o número médio de exportações caiu de 7,85 exportações/mês para 1,95 exportação/mês. Em valor, as exportações caíram seis vezes. O fisco observa, porém, que não se trata de uma queda nas exportações reais, pois todos os indícios apurados apontam para vendas no mercado interno; 30) do ponto de vista patrimonial, as três empresas não demonstram autonomia, pois ROJU e TOQUINHO não possuem contas bancárias, enquanto que PATRÍCIA (sócia comum das três) movimenta valores superiores até ao da ESTRELLA. O sócio PAULO também apresenta movimentação financeira relevante, incompatível com os rendimentos declarados. Configurase, assim, a utilização das contas bancárias dos sócios para transações financeiras das pessoas jurídicas ESTRELLA, ROJU e TOQUINHO; 31) a inobservância do princípio da entidade da empresa em relação aos seus sócios demonstra o interesse comum de ambos nas situações relatadas no auto de infração, tornandoos sujeitos passivos solidários em relação ao crédito tributário resultante da presente ação fiscal, nos termos do artigo 124 do CTN; 32) a utilização de imóveis de propriedade de SONIA pelas três empresas– ESTRELLA, ROJU e TOQUINHO, sem contratos de locação, corrobora a conclusão anterior de que SONIA (sócia administradora da TOQUINHO) possui interesse comum nas Fl. 9512DF CARF MF Processo nº 11051.720277/201487 Acórdão n.º 3402004.964 S3C4T2 Fl. 9.509 9 situações relatadas no auto de infração, caracterizandoa como sujeito passivo solidário em relação ao crédito tributário resultante da presente ação fiscal. Observa o fisco, ainda, que SONIA compareceu em 2001 para prestar depoimento como representante legal da ESTRELLA, ocasião em que demonstrou perfeito conhecimento acerca das atividades de ESTRELLA e TOQUINHO. Há também arquivos copiados onde SONIA promete emprego na TOQUINHO, no ano de 2005, ocasião em que ainda não era formalmente sócia/proprietária, embora assim se identifique; 33) o conteúdo do documento “Toquinho canzani.doc” conduz à conclusão de que TOQUINHO realizou uma venda a estrangeiro, o que é lícito, embora, como sempre se pretende, a suposta exportação devesse sempre ser feita por ESTRELLA. A compra acima relaciona bolsas de cal. Conforme NFe de entrada da ESTRELLA, da ROJU e da TOQUINHO, desde 2009 a cal é comercializada somente pela ESTRELLA. Dentre as DDE registradas pela ESTRELLA desde 01/01/2008, não consta qualquer exportação para o Sr. Canzani Rocha. O indício é de mercadorias da ESTRELLA sendo comercializadas em nome da TOQUINHO, e não ao real comprador, em contradição com o Princípio da Entidade, além da ocultação do real comprador; 34) dentre os arquivos copiados, a fiscalização localizou diversas fotos mostrando jaquetas com os nomes da CASA TOQUINHO e FORMIGRES, além do painel da CASA TOQUINHO com a logomarca da FORMIGRES. Em razão dessas fotos, a fiscalização verificou que o destinatário das NFe emitidas pela FORMIGRES, desde 2009, não era TOQUINHO ou ROJU, mas apenas ESTRELLA; 35) os fatos relatados no processo revelam: a) exportações fictícias da ESTRELLA; b) diversas mercadorias (78 NCM) são comercializadas exclusivamente pela ESTRELLA, que realiza apenas exportações, sendo que o estabelecimento localizase no Brasil numa fronteira binacional, tornando completamente improvável que não ocorram vendas no mercado interno nacional; c) a ALCEBA não importou móveis nos anos de 2011, 2012 e 2013, embora as DDE da ESTRELLA declarem o contrário; d) predominância das entradas e saídas de mercadorias da ESTRELLA em comparação com as entradas e saídas da TOQUINHO e da ROJU; e) não destaque do IPI devido nas NFe de entrada da ESTRELLA; f) mesmo contador, sócio em comum, mesma atividade econômica, mesmas dependências localizadas na Av. Uruguai nº 2240, em relação às três empresas; g) existência de sócio de fato; h) TOQUINHO e ROJU não possuem contas bancárias, enquanto sua sócia em comum com a ESTRELLA possui movimentação bancária incompatível com a sua renda declarada; i) ausência de contabilidade e livros registro de inventário; j) arquivos digitais encontrados em computadores da empresa (CartaMariflor.xls, Toquinho canzani.doc, Toquinho.docx, etc) permitem concluir ainda que aquelas saídas da ESTRELLA que não configuraram exportações para a ALCEBA constituíram venda no mercado Fl. 9513DF CARF MF 10 interno pela TOQUINHO e pela ROJU, caracterizando a ESTRELLA como interposta pessoa destas empresas; 36) conclui o fisco que as condutas acima listadas ensejam a intenção de causar dano à Fazenda Pública, haja vista ser completamente improvável que a maioria das exportações após 22/09/2011 tenham sido efetivadas se não possuem as DUA uruguaias correspondentes, dadas as constatações realizadas, consubstanciadas em indícios documentais e procedimentais, bem como em provas materiais; 37) as mercadorias relacionadas ou indicadas no ANEXO 11 foram revendidas e, portanto, não foram localizadas. Neste caso, aplicase a multa equivalente ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação; 38) no tocante à base de cálculo, o período a ser lançado neste auto de infração corresponde às exportações realizadas após 22/09/2011, para a ALCEBA, sem a correspondente DUA uruguaia que ateste sua internalização naquele pais, conforme demonstrativo no ANEXO 12, indicando as DDE e as NFe que as instruem, cujos valores foram consolidados por data de desembaraço no Anexo 13; 39) ocorreu ainda que 39 NFe não canceladas, com CFOP 7501 caracterizando exportação de mercadorias recebidas com fim específico de exportação, tendo a ALCEBA como destinatária, não instruíram qualquer DDE (inclusive aquelas DDE com DUA vinculadas a elas). Tratase de mercadorias declaradas como exportadas, mas para as quais sequer houve registro de DDE. Caracteriza declaração falsa. Seus valores constam consolidados no ANEXO 14. Cientificada do auto de infração em 14/04/2015 (fls. 9.141/9.142), a contribuinte ESTRELLA apresentou impugnação, em 14/05/2015, juntada às fls. 9.262 e seguintes, alegando em síntese que: 1) levando em consideração as 9.205 folhas do processo, sua complexidade, a pluralidade de pessoas envolvidas, a falta de indicação das páginas onde estão os documentos que motivaram a convicção da fiscalização, além de os fatos narrados remontarem a mais de 14 anos atrás e envolverem outro país (Uruguai), entende que o prazo legal de 30 dias para impugnar não se mostra razoável. Requer, com fulcro nas alíneas "a" e "c", do §4, do art. 16, do Dec. Lei n° 70.235/72, a concessão de prazo para apresentar emenda à impugnação, com a juntada de documentos, sob pena de malferir os princípios da ampla defesa e contraditório; 2) ainda em preliminar, entende que a autuação deve ser considerada improcedente, pois a própria fiscalização relatou sobre a falta de provas dos fatos que alega, afirmandoos ser apenas indiciários. O auto de infração baseiase em meros elementos probabilísticos, dados estatísticos e, em momento algum, refere acerca de provas efetivas; 3) com relação aos fatos ocorridos em 07/02/2014, os quais deram suporte fático à conclusão da autoridade fiscal de que a Fl. 9514DF CARF MF Processo nº 11051.720277/201487 Acórdão n.º 3402004.964 S3C4T2 Fl. 9.510 11 impugnante realiza exportações fictícias, observa que a apreensão da respectiva mercadoria originou o EProcesso nº 11051.720052/201421, o qual ainda se encontra pendente de julgamento. Logo, sem uma decisão definitiva sobre a questão, apenas baseandose na presunção da ocorrência de irregularidade, não pode a fiscalização lançar juízo 'condenatório' sobre a impugnante, razão pela qual referido suporte fático deve ser considerado insubsistente; 4) quanto à alegada falta de comprovação de 191 exportações, em face da ausência de registro da respectiva DUA, relata haver oportunamente informado à fiscalização (fls. 5.410/5.412) que o regular procedimento de internalização das mercadorias exportadas para a empresa uruguaia ALCEBA compete, exclusivamente, à empresa importadora. Logo, além do fato de a consulta ao sistema Indira não ser prova da ausência da internalização da mercadoria pela empresa estrangeira, a resposta da autoridade estrangeira ao pedido de informações objeto do Memorando n° 134/2014RFB/Suarin/Corin (fl. 1977), informa que: (i) empresa ALCEBA está habilitada para o comércio exterior (fl. 1979); (ii) o restante da informação não se encontra à disposição da aduana uruguaia. Tal informação não significa, em absoluto, que inexistiu a importação das mercadorias pela ALCEBA, mas que tão somente a informação não se encontra disponível para a aduana do Estado requerido; 5) registra, ainda, que segundo o próprio convênio internacional MERCOSUL/CMC/DEC. No 26/06, artigo 4o, o Estado requerido deverá tomar as medidas necessárias para obter as informações solicitadas. Não se verifica, porém, da resposta ao pedido de informações, nenhum esforço por parte do Estado requerido em obter informações sobre as demais DUA, tal como a notificação da empresa importadora para apresentar tais documentos. Observa, ainda, que referida resposta não se fez acompanhar de nenhum documento comprobatório do cumprimento do requisito do art. 23 do mesmo diploma legal, e que o disposto no parágrafo segundo do art. 24 também não foi cumprido a fim de poder aferir a legitimidade das informações. Conclui, assim, que as informações prestadas pelo Estado estrangeiro não podem ser consideradas idôneas, sequer como meio indiciário da falta de internalização das mercadorias por parte da empresa ALCEBA; 6) ainda que fosse admitida, em tese, a força indiciária das informações, cumpre ressaltar que as mesmas somente demonstrariam que a empresa importadora não cumpriu com o dever de informar a aduana uruguaia sobre as importações. De outro lado, as exportações da impugnante estão legitimamente provadas pelas DDE apresentadas, juntamente com o pagamento dos respectivos tributos; 7) há incongruência entre a conduta atribuída à fiscalizada e o enquadramento legal que lhe foi imputado, pois embora a fiscalização tenha afirmado que o ilícito ocorre no território brasileiro, o enquadramento legal da infração é o inciso XXII do Fl. 9515DF CARF MF 12 art. 689 do RA e a exportação, definida no inciso II do art. 153 da CF, tem como fato gerador a saída da mercadoria do território nacional; 8) refuta a tese do fisco de que a ausência de DUA caracteriza presunção simples de que as mercadorias não foram exportadas para ALCEBA, cabendo à interessada fazer prova em contrário. Observa que a lei é expressa em definir os documentos necessários que devem acompanhar a exportação, e dela fazer prova, sendo que todos eles foram apresentados pela impugnante. Aduz que, em lei alguma é exigida a apresentação das DUA do Estado estrangeiro como documento de exportação. Destarte, a presunção de legitimidade milita em seu favor; 9) quanto aos documentos obtidos em arquivos digitais (fl. 5.660/5.672), pelos quais se demonstra que a fiscalizada teria feito recomendações para outra empresa não pagar ICMS de forma indevida, alega que: (i) não há nada nos autos que indique que a empresa 'recomendada' deixou de efetuar o pagamento do ICMS; (ii) referida 'recomendação' não constitui nenhum ilícito, já que não existe ilícito tributário por "intenção" ou na modalidade de tentativa; (iii) a própria fiscalização reconheceu que a recomendação oferecida era desprovida de sentido ao referir, à fl. 5662, que "...a própria incoerência da orientação...". Portanto, descabe pretender que tal incoerência se transforme e seja causa para o dolo na supressão de IPI, segundo a tese imaginativa da fiscalização. Ademais, tais documentos datam de 2007, período abrangido pela prescrição fiscal; 10) os indícios trazidos pela fiscalização para demonstrar que a impugnante praticou vendas no mercado interno sob a roupagem de exportação, na época em que realizava exportação de balcão, são supérfluos e não se mostram pertinentes à autuação, posto que esta se deu somente pelas exportações mediante DDE e após o período em relevo; 11) a fiscalização também apresentou cálculos probabilísticos, em que concluiu que, no universo de 225 DDE registradas no período, é praticamente nula a probabilidade de que nenhuma das 82 DDE que declaram móveis das NCM especificadas possuírem uma DUA correspondente, dentre as 34 DUA conhecidas. Lembra que inexiste norma legal que tribute ou aplique pena a sujeito por ser "provável" ter praticado o fato gerador ou a conduta ilícita. Ressalta que a prática de conduta ilícita não pode ser presumida. Aduz que a fiscalização equivocase ao afirmar que houve uma confirmação oficial dos dados apontados extraídos do sistema Mercosul Indira. A conclusão que a fiscalização chegou, através de todos os cálculos probabilísticos mencionados, não foi nada além de apenas repetir, em outras palavras, a afirmação de que não encontrou as respectivas DUA da empresa ALCEBA; 12) apesar de o auto afirmar que as empresa ESTRELLA, ROJU e TOQUINHO praticam a mesma atividade, aponta de forma contraditória que todas as NFe de saída emitidas pela ESTRELLA indicam operação de exportação, enquanto ROJU e TOQUINHO comercializam apenas no mercado interno. Fl. 9516DF CARF MF Processo nº 11051.720277/201487 Acórdão n.º 3402004.964 S3C4T2 Fl. 9.511 13 Confunde o fisco o que notadamente é um empreendimento comercial que utiliza seus fatores de produção com sinergia eficiente e grande planejamento fiscal, com um arranjo artificial ilícito. Referida tese, todavia, não se sustenta em face de uma análise superficial; 13) o auto de infração relaciona, às fls. 5701/5703, uma série de produtos comercializados pelas empresas referidas concluindo, ao final, que existe a manipulação da oferta de determinados produtos a fim de direcionar venda dos mesmos, por cada empresa, a determinados consumidores finais. Nesse sentido, produtos como cal, fogão e telhas seriam vendidos por ESTRELLA como se uma exportação fosse, para depois a mercadoria retornar fraudulentamente ao Brasil. Ocorre que essa manipulação, em tese, somente poderia dar margem a irregularidades contra a economia popular, jamais teria o alcance pretendido pela fiscalização. As mercadorias que a empresa ESTRELLA comercializa somente são destinadas à exportação. Além disso, boa parte das mercadorias descritas nas DDE sem DUA são justamente cal, telhas, fogões e pisos. Portanto, os documentos somente corroboram os fatos e se contrapõem à hipotética e ilusória tese da fiscalização de que toda a conduta da fiscalizada é fraudulenta. Logo, revelase infundada e pueril a conclusão de que tanto as vendas da ESTRELLA para brasileiros quanto as vendas da ROJU e da TOQUINHO para pessoa física estrangeira, fora das condições das IN SRF n ° 118/92 e 104/84, são candidatas a serem convertidas em exportações fictícias da ESTRELLA para a ALCEBA; 14) a fiscalização utilizou como prova da inidoneidade da sócia SONIA (5711/5716), processos administrativos que datam do ano de 2001 e 2005, sem considerar que, através daqueles expedientes (processos administrativos), por seu cunho repressivo e educativo, a empresa possa ter readequado sua conduta, em tese, irregular. Isso sem considerar que tais fatos ocorreram em período prescrito. A fiscalização, assim, parece buscar punir a empresa por quem acredita ela ser e não por aquilo que ela fez, autuando a empresa por seus antecedentes, e não por fatos presentes, concretos e objetivos; 15) quanto à desconfiança revelada pela fiscalização à fl. 5717, sobre o fato de que, durante o período de 01/01/2008 e 21/09/2011, a fiscalizada exportou, prioritariamente, para pessoa física e que, quando foi impedida de exportar por meio da modalidade da exportação de balcão, optou por incrementar suas exportações para pessoa jurídica, esclarece que apenas redirecionou suas atividades para nova clientela, buscando sobreviver no mercado, não havendo nisso nada de ilegal. Ressalta que a fiscalização não apontou nenhuma exportação sem a correspondente DDE ou sem o pagamento de tributo correspondente; 16) ainda que não formalizem contrato, as empresas ESTRELLA, ROJU e TOQUINHO desenvolvem sua atividade comercial Fl. 9517DF CARF MF 14 unindo forças para enfrentar o mercado, fato que é plenamente permitido por lei. Nessa senda, não procede a referência de fl. 5732, em que a fiscalização comenta sobre diversas fotos mostrando jaquetas com os nomes da CASA TOQUINHO e FORMIGRES, além do painel da CASA TOQUINHO com a logomarca da FORMIGRES, sendo que a empresa FORMIGRES é fornecedora da ESTRELLA, Esclarece que as "jaquetas promocionais" foram confeccionadas há longa data, assim como o painel do estabelecimento comercial. O fato de TOQUINHO deixar de comercializar tais produtos à razão do interesse, por parte da FORMIGRES, de exportar seus produtos, não é indício de irregularidade, e sim, de readequação comercial; 17) em que pese a autoridade fiscal afirme ao final que ESTRELLA pratica exportações fictícias, permanece afirmando, categoricamente, que a mesma realiza exportações e que é completamente improvável que não ocorram no mercado interno. É dizer, ainda que louvável o grau de justeza e adequabilidade das expressões utilizadas pelo agente fiscal, não se pode perder de vista que, de fato, o Auto de Infração apenas aponta indícios de probabilidades, algo que não pode sustentar um juízo de procedência de lançamento fiscal, máxime uma aplicação de pena de perdimento pela prática de fraude e outros dolos; 18) a conclusão fiscal de que aquelas saídas da ESTRELLA que não configuraram exportações para a ALCEBA constituíram venda no mercado interno pela TOQUINHO e pela ROJU, caracterizando a ESTRELLA como interposta pessoa destas empresas, padece de impossibilidade lógica, física e jurídica, pois que considera ESTRELLA como sujeito ativo principal, ou seja, aquele que pratica o ato ilícito e, ao mesmo tempo, consideraa como interposta pessoa, o que torna a prática de interposição fraudulenta de terceiros inconcebível no caso vertente; 19) ainda que a impugnante tenha compreendido todas as acusações que lhe foram imputadas, não restou apontado no auto de infração qual, ou quais, condutas se consubstanciaram na aocultação do real vendedor, b do real comprador, c responsável pela operação, seja mediante d fraude, e sonegação, f conluio e g simulação. Apenas houve referência à h interposição fraudulenta de terceiros no item 6. Sobre o restante, nada foi esclarecido. A incompatibilidade da ocorrência dos diversos tipos de condutas relacionadas no enquadramento legal demanda a individualização das mesmas, sob pena de incorrer em condenação genérica, mormente se considerarmos que são seis pessoas autuadas, físicas e jurídicas e, por uma decorrência fática e jurídica, a elas não lhes podem ser imputadas a prática de atos iguais; 20) por derradeiro, a impugnante afirma que não praticou nenhuma das condutas que lhe são imputadas no auto de infração, protestando pela juntada dos documentos comprovantes da regularidade das exportações DDE e outros que se verifiquem necessários; Fl. 9518DF CARF MF Processo nº 11051.720277/201487 Acórdão n.º 3402004.964 S3C4T2 Fl. 9.512 15 21) requer, ao final, que preliminarmente lhe seja concedido prazo razoável para apresentação de emenda à impugnação e, no mérito, que seja declarado nulo o auto de infração, protestando por todos os meios de prova admitidos em direito. Cientificada do auto de infração em 15/04/2015 (fls. 9.145/9.146), a responsável solidária TOQUINHO apresentou impugnação, em 14/05/2015, juntada às fls.9.223 e seguintes, alegando em síntese que: 1) a tese fiscal não alcança nada mais que o mundo das probabilidades, dos meros indícios, inexistindo prova concreta do cometimento de ilícito algum; 2) levando em consideração as 9.205 folhas do processo, sua complexidade, a pluralidade de pessoas envolvidas, a falta de indicação das páginas onde estão os documentos que motivaram a convicção da fiscalização, além de os fatos narrados remontarem a mais de 14 anos atrás e envolverem outro país (Uruguai), entende que o prazo legal de 30 dias para impugnar não se mostra razoável. Requer, com fulcro nas alíneas "a" e "c", do §4, do art. 16, do Dec. Lei n° 70.235/72, a concessão de prazo para apresentar emenda à impugnação, com a juntada de documentos, sob pena de malferir os princípios da ampla defesa e contraditório; 3) não há nada na legislação que corrobore a conclusão da fiscalização de que as empresa ESTRELLA, ROJU e TOQUINHO praticaram em conjunto atividades irregulares e que devem responder solidariamente por força do Princípio da Entidade. Além de demonstrar que as empresas são, no máximo, desorganizadas ou que possuem seu mostruário de produtos de forma confusa, a fiscalização não logrou demonstrar qualquer indício de confusão contábil ou patrimonial entre elas. Os fatos levantados apenas revelam uma sinergia das mesmas, que unem forças para atuarem no mercado; 4) sobre a contabilidade da impugnante, o auto de infração apenas refere, à fl. 5.695, que a mesma não apresentou a documentação que lhe foi requerida, não apontando nenhuma irregularidade na sua escrituração; 5) apesar de o auto afirmar, às fls. 5.700 e seguintes, que as empresa ESTRELLA, ROJU e TOQUINHO praticam a mesma atividade, aponta de forma contraditória que todas as NFe de saída emitidas pela ESTRELLA indicam operação de exportação, enquanto ROJU e TOQUINHO comercializam apenas no mercado interno. Confunde o fisco o que notadamente é um empreendimento comercial que utiliza seus fatores de produção com sinergia eficiente e grande planejamento fiscal, com um arranjo artificial ilícito. Referida tese, todavia, não se sustenta em face de uma análise superficial; 6) o auto de infração relaciona, às fls. 5701/5703, uma série de produtos comercializados pelas empresas referidas concluindo, ao final, que existe a manipulação da oferta de determinados Fl. 9519DF CARF MF 16 produtos a fim de direcionar venda dos mesmos, por cada empresa, a determinados consumidores finais. Nesse sentido, produtos como cal, fogão e telhas seriam vendidos por ESTRELLA como se uma exportação fosse, para depois a mercadoria retornar fraudulentamente ao Brasil. Ocorre que essa manipulação, em tese, somente poderia dar margem a irregularidades contra a economia popular, jamais teria o alcance pretendido pela fiscalização. As mercadorias que a empresa ESTRELLA comercializa somente são destinadas à exportação. Além disso, boa parte das mercadorias descritas nas DDE sem DUA são justamente cal, telhas, fogões e pisos. Portanto, os documentos somente corroboram os fatos e se contrapõem à hipotética e ilusória tese da fiscalização de que toda a conduta da fiscalizada é fraudulenta. Logo, revelase infundada e pueril a conclusão de que tanto as vendas da ESTRELLA para brasileiros quanto as vendas da ROJU e da TOQUINHO para pessoa física estrangeira, fora das condições das IN SRF n ° 118/92 e 104/84, são candidatas a serem convertidas em exportações fictícias da ESTRELLA para a ALCEBA; 7) quanto aos documentos obtidos em arquivos digitais (fl. 5.660/5.672),pelos quais se demonstra que a fiscalizada teria feito recomendações para outra empresa não pagar ICMS de forma indevida, alega que: (i) não há nada nos autos que indique que a empresa 'recomendada' deixou de efetuar o pagamento do ICMS; (ii) referida 'recomendação' não constitui nenhum ilícito, já que não existe ilícito tributário por "intenção" ou na modalidade de tentativa; (iii) a própria fiscalização reconheceu que a recomendação oferecida era desprovida de sentido ao referir, à fl. 5662, que "...a própria incoerência da orientação...". Portanto, descabe pretender que tal incoerência se transforme e seja causa para o dolo na supressão de IPI, segundo a tese imaginativa da fiscalização. Ademais, tais documentos datam de 2007, período abrangido pela prescrição fiscal; 9) no tocante aos documentos (emails) relacionados às fls. 5.727 e 5.728, apresentados em língua estrangeira, é imperioso o acompanhamento de tradução oficial para fins de prova do conteúdo dos mesmos, devendo assim ser considerados apócrifos; 10) ainda que não formalizem contrato, as empresas ESTRELLA, ROJU e TOQUINHO desenvolvem sua atividade comercial unindo forças para enfrentar o mercado, fato que é plenamente permitido por lei. Nessa senda, não procede a referência de fl. 5732, em que a fiscalização comenta sobre diversas fotos mostrando jaquetas com os nomes da CASA TOQUINHO e FORMIGRES, além do painel da CASA TOQUINHO com a logomarca da FORMIGRES, sendo que a empresa FORMIGRES é fornecedora da ESTRELLA, Esclarece que as "jaquetas promocionais" foram confeccionadas há longa data, assim como o painel do estabelecimento comercial. O fato de TOQUINHO deixar de comercializar tais produtos à razão do interesse, por parte da FORMIGRES, de exportar seus produtos, não é indício de irregularidade, e sim, de readequação comercial; Fl. 9520DF CARF MF Processo nº 11051.720277/201487 Acórdão n.º 3402004.964 S3C4T2 Fl. 9.513 17 11) em que pese a autoridade fiscal afirme ao final que ESTRELLA pratica exportações fictícias, permanece afirmando, categoricamente, que a mesma realiza exportações e que é completamente improvável que não ocorram no mercado interno. É dizer, ainda que louvável o grau de justeza e adequabilidade das expressões utilizadas pelo agente fiscal, não se pode perder de vista que, de fato, o Auto de Infração apenas aponta indícios de probabilidades, algo que não pode sustentar um juízo de procedência de lançamento fiscal, máxime uma aplicação de pena de perdimento pela prática de fraude e outros dolos; 12) a conclusão fiscal de que aquelas saídas da ESTRELLA que não configuraram exportações para a ALCEBA constituíram venda no mercado interno pela TOQUINHO e pela ROJU, caracterizando a ESTRELLA como interposta pessoa destas empresas, padece de impossibilidade lógica e jurídica. Isto porque é incoerente e contraditória a imputação à empresa TOQUINHO da prática da infração relacionada no "enquadramento legal" como sujeito ativo principal, ou seja, aquele quem pratica a ação comissiva, e considerar a ESTRELLA como interposta pessoa; 13) ainda que a impugnante tenha compreendido todas as acusações que lhe foram imputadas, não restou apontado no auto de infração qual, ou quais, condutas se consubstanciaram na aocultação do real vendedor, b do real comprador, c responsável pela operação, seja mediante d fraude, e sonegação, f conluio e g simulação. Apenas houve referência à h interposição fraudulenta de terceiros no item 6. Sobre o restante, nada foi esclarecido. A incompatibilidade da ocorrência dos diversos tipos de condutas relacionadas no enquadramento legal demanda a individualização das mesmas, sob pena de incorrer em condenação genérica, mormente se considerarmos que são seis pessoas autuadas, físicas e jurídicas e, por uma decorrência fática e jurídica, a elas não lhes podem ser imputadas a prática de atos iguais; 14) por derradeiro, a impugnante afirma que não praticou nenhuma das condutas que lhe são imputadas no auto de infração, protestando pela juntada dos documentos comprovantes da regularidade das exportações DDE e outros que se verifiquem necessários; 15) requer, ao final, que preliminarmente lhe seja concedido prazo razoável para apresentação de emenda à impugnação e, no mérito, que seja declarado nulo o auto de infração, protestando por todos os meios de prova admitidos em direito. Cientificada do auto de infração em 14/04/2015 (fls. 9.143/9.144), a responsável solidária ROJU apresentou impugnação, em 14/05/2015, juntada às fls. 9.246 e seguintes, alegando em síntese que: Fl. 9521DF CARF MF 18 1) a tese fiscal não alcança nada mais que o mundo das probabilidades, dos meros indícios, inexistindo prova concreta do cometimento de ilícito algum; 2) levando em consideração as 9.205 folhas do processo, sua complexidade, a pluralidade de pessoas envolvidas, a falta de indicação das páginas onde estão os documentos que motivaram a convicção da fiscalização, além de os fatos narrados remontarem a mais de 14 anos atrás e envolverem outro país (Uruguai), entende que o prazo legal de 30 dias para impugnar não se mostra razoável. Requer, com fulcro nas alíneas "a" e "c", do §4, do art. 16, do Dec. Lei n° 70.235/72, a concessão de prazo para apresentar emenda à impugnação, com a juntada de documentos, sob pena de malferir os princípios da ampla defesa e contraditório; 3) não há nada na legislação que corrobore a conclusão da fiscalização de que as empresa ESTRELLA, ROJU e TOQUINHO praticaram em conjunto atividades irregulares e que devem responder solidariamente por força do Princípio da Entidade. Além de demonstrar que as empresas são, no máximo, desorganizadas ou que possuem seu mostruário de produtos de forma confusa, a fiscalização não logrou demonstrar qualquer indício de confusão contábil ou patrimonial entre elas. Os fatos levantados apenas revelam uma sinergia das mesmas, que unem forças para atuarem no mercado; 4) sobre a contabilidade da impugnante, o auto de infração apenas refere, à fl. 5.696, que a mesma não apresentou a documentação que lhe foi requerida, sequer escrituração. Entretanto, tal fato não caracteriza elemento indiciário dos ilícitos apontados; 5) apesar de o auto afirmar, às fls. 5.700 e seguintes, que as empresa ESTRELLA, ROJU e TOQUINHO praticam a mesma atividade, aponta de forma contraditória que todas as NFe de saída emitidas pela ESTRELLA indicam operação de exportação, enquanto ROJU e TOQUINHO comercializam apenas no mercado interno. Confunde o fisco o que notadamente é um empreendimento comercial que utiliza seus fatores de produção com sinergia eficiente e grande planejamento fiscal, com um arranjo artificial ilícito. Referida tese, todavia, não se sustenta em face de uma análise superficial; 6) o auto de infração relaciona, às fls. 5701/5703, uma série de produtos comercializados pelas empresas referidas concluindo, ao final, que existe a manipulação da oferta de determinados produtos a fim de direcionar venda dos mesmos, por cada empresa, a determinados consumidores finais. Nesse sentido, produtos como cal, fogão e telhas seriam vendidos por ESTRELLA como se uma exportação fosse, para depois a mercadoria retornar fraudulentamente ao Brasil. Ocorre que essa manipulação, em tese, somente poderia dar margem a irregularidades contra a economia popular, jamais teria o alcance pretendido pela fiscalização. As mercadorias que a empresa ESTRELLA comercializa somente são destinadas à exportação. Além disso, boa parte das mercadorias descritas nas DDE sem DUA são justamente cal, telhas, fogões e pisos. Fl. 9522DF CARF MF Processo nº 11051.720277/201487 Acórdão n.º 3402004.964 S3C4T2 Fl. 9.514 19 Portanto, os documentos somente corroboram os fatos e se contrapõem à hipotética e ilusória tese da fiscalização de que toda a conduta da fiscalizada é fraudulenta. Logo, revelase infundada e pueril a conclusão de que tanto as vendas da ESTRELLA para brasileiros quanto as vendas da ROJU e da TOQUINHO para pessoa física estrangeira, fora das condições das IN SRF n ° 118/92 e 104/84, são candidatas a serem convertidas em exportações fictícias da ESTRELLA para a ALCEBA; 7) quanto aos documentos obtidos em arquivos digitais (fl. 5.660/5.672), pelos quais se demonstra que a fiscalizada teria feito recomendações para outra empresa não pagar ICMS de forma indevida, alega que: (i) não há nada nos autos que indique que a empresa 'recomendada' deixou de efetuar o pagamento do ICMS; (ii) referida 'recomendação' não constitui nenhum ilícito, já que não existe ilícito tributário por "intenção" ou na modalidade de tentativa; (iii) a própria fiscalização reconheceu que a recomendação oferecida era desprovida de sentido ao referir, à fl. 5662, que "...a própria incoerência da orientação...". Portanto, descabe pretender que tal incoerência se transforme e seja causa para o dolo na supressão de IPI, segundo a tese imaginativa da fiscalização. Ademais, tais documentos datam de 2007, período abrangido pela prescrição fiscal; 8) ainda que não formalizem contrato, as empresas ESTRELLA, ROJU e TOQUINHO desenvolvem sua atividade comercial unindo forças para enfrentar o mercado, fato que é plenamente permitido por lei. Nessa senda, não procede a referência de fl. 5732, em que a fiscalização comenta sobre diversas fotos mostrando jaquetas com os nomes da CASA TOQUINHO e FORMIGRES, além do painel da CASA TOQUINHO com a logomarca da FORMIGRES, sendo que a empresa FORMIGRES é fornecedora da ESTRELLA, Esclarece que as "jaquetas promocionais" foram confeccionadas há longa data, assim como o painel do estabelecimento comercial. O fato de TOQUINHO deixar de comercializar tais produtos à razão do interesse, por parte da FORMIGRES, de exportar seus produtos, não é indício de irregularidade, e sim, de readequação comercial; 9) em que pese a autoridade fiscal afirme ao final que ESTRELLA pratica exportações fictícias, permanece afirmando, categoricamente, que a mesma realiza exportações e que é completamente improvável que não ocorram no mercado interno. É dizer, ainda que louvável o grau de justeza e adequabilidade das expressões utilizadas pelo agente fiscal, não se pode perder de vista que, de fato, o Auto de Infração apenas aponta indícios de probabilidades, algo que não pode sustentar um juízo de procedência de lançamento fiscal, máxime uma aplicação de pena de perdimento pela prática de fraude e outros dolos; 10) a conclusão fiscal de que aquelas saídas da ESTRELLA que não configuraram exportações para a ALCEBA constituíram Fl. 9523DF CARF MF 20 venda no mercado interno pela TOQUINHO e pela ROJU, caracterizando a ESTRELLA como interposta pessoa destas empresas, padece de impossibilidade lógica e jurídica. Isto porque é incoerente e contraditória a imputação à empresa ROJU da prática da infração relacionada no "enquadramento legal" como sujeito ativo principal, ou seja, aquele quem pratica a ação comissiva, e considerar a ESTRELLA como interposta pessoa; 11) ainda que a impugnante tenha compreendido todas as acusações que lhe foram imputadas, não restou apontado no auto de infração qual, ou quais, condutas se consubstanciaram na aocultação do real vendedor, b do real comprador, c responsável pela operação, seja mediante d fraude, e sonegação, f conluio e g simulação. Apenas houve referência à h interposição fraudulenta de terceiros no item 6. Sobre o restante, nada foi esclarecido. A incompatibilidade da ocorrência dos diversos tipos de condutas relacionadas no enquadramento legal demanda a individualização das mesmas, sob pena de incorrer em condenação genérica, mormente se considerarmos que são seis pessoas autuadas, físicas e jurídicas e, por uma decorrência fática e jurídica, a elas não lhes podem ser imputadas a prática de atos iguais; 12) por derradeiro, a impugnante afirma que não praticou nenhuma das condutas que lhe são imputadas no auto de infração, protestando pela juntada dos documentos comprovantes da regularidade das exportações DDE e outros que se verifiquem necessários; 13) requer, ao final, que preliminarmente lhe seja concedido prazo razoável para apresentação de emenda à impugnação e, no mérito, que seja declarado nulo o auto de infração, protestando por todos os meios de prova admitidos em direito. Cientificado do auto de infração em 14/04/2015 (fls. 9.149/9.150), o responsável solidário PAULO apresentou impugnação, em 14/05/2015, juntada às fls. 9.232 e seguintes, alegando em síntese que: 1) a tese fiscal não alcança nada mais que o mundo das probabilidades, dos meros indícios, inexistindo prova concreta do cometimento de ilícito algum; 2) levando em consideração as 9.205 folhas do processo, sua complexidade, a pluralidade de pessoas envolvidas, a falta de indicação das páginas onde estão os documentos que motivaram a convicção da fiscalização, além de os fatos narrados remontarem a mais de 14 anos atrás e envolverem outro país (Uruguai), entende que o prazo legal de 30 dias para impugnar não se mostra razoável. Requer, com fulcro nas alíneas "a" e "c", do §4, do art. 16, do Dec. Lei n° 70.235/72, a concessão de prazo para apresentar emenda à impugnação, com a juntada de documentos, sob pena de malferir os princípios da ampla defesa e contraditório; 3) não há nada na legislação que corrobore a conclusão da fiscalização de que as empresa ESTRELLA, ROJU e TOQUINHO praticaram em conjunto atividades irregulares e Fl. 9524DF CARF MF Processo nº 11051.720277/201487 Acórdão n.º 3402004.964 S3C4T2 Fl. 9.515 21 que devem responder solidariamente por força do Princípio da Entidade. Além de demonstrar que as empresas são, no máximo, desorganizadas ou que possuem seu mostruário de produtos de forma confusa, a fiscalização não logrou demonstrar qualquer indício de confusão contábil ou patrimonial entre elas. Os fatos levantados apenas revelam uma sinergia das mesmas, que unem forças para atuarem no mercado; 4) o sócio impugnante foi responsabilizado solidariamente, com base no art. 124 do CTN, por apresentar elevada movimentação financeira e deter poder de gerência em uma das empresas autuadas. Ocorre que o dispositivo citado não é aplicável em relação ao sócio da pessoa jurídica autuada, somente se admitindo sua responsabilização nas hipóteses do art. 135 do CTN. No caso, como a utilização das contas bancárias pessoais não caracteriza ato de infração à lei, improcede a responsabilização do sócio; 5) ainda que o impugnante tenha compreendido todas as acusações que lhe foram imputadas, não restou apontado no auto de infração qual, ou quais, condutas se consubstanciaram na aocultação do real vendedor, b do real comprador, c responsável pela operação, seja mediante d fraude, e sonegação, f conluio e g simulação. Apenas houve referência à h interposição fraudulenta de terceiros no item 6. Sobre o restante, nada foi esclarecido. A incompatibilidade da ocorrência dos diversos tipos de condutas relacionadas no enquadramento legal demanda a individualização das mesmas, sob pena de incorrer em condenação genérica, mormente se considerarmos que são seis pessoas autuadas, físicas e jurídicas e, por uma decorrência fática e jurídica, a elas não lhes podem ser imputadas a prática de atos iguais; 6) por derradeiro, o impugnante afirma que não praticou nenhuma das condutas que lhe são imputadas no auto de infração, protestando pela juntada dos documentos comprovantes da regularidade das exportações DDE e outros que se verifiquem necessários; 7) requer, ao final, que preliminarmente lhe seja concedido prazo razoável para apresentação de emenda à impugnação e, no mérito, que seja declarado nulo o auto de infração, protestando por todos os meios de prova admitidos em direito. Cientificada do auto de infração em 14/04/2015 (fls. 9.147/9.148), a responsável solidária PATRÍCIA apresentou impugnação, em 14/05/2015, juntada às fls. 9.239 e seguintes, alegando em síntese que: 1) a tese fiscal não alcança nada mais que o mundo das probabilidades, dos meros indícios, inexistindo prova concreta do cometimento de ilícito algum; 2) levando em consideração as 9.205 folhas do processo, sua complexidade, a pluralidade de pessoas envolvidas, a falta de indicação das páginas onde estão os documentos que motivaram Fl. 9525DF CARF MF 22 a convicção da fiscalização, além de os fatos narrados remontarem a mais de 14 anos atrás e envolverem outro país (Uruguai), entende que o prazo legal de 30 dias para impugnar não se mostra razoável. Requer, com fulcro nas alíneas "a" e "c", do §4, do art. 16, do Dec. Lei n° 70.235/72, a concessão de prazo para apresentar emenda à impugnação, com a juntada de documentos, sob pena de malferir os princípios da ampla defesa e contraditório; 3) não há nada na legislação que corrobore a conclusão da fiscalização de que as empresa ESTRELLA, ROJU e TOQUINHO praticaram em conjunto atividades irregulares e que devem responder solidariamente por força do Princípio da Entidade. Além de demonstrar que as empresas são, no máximo, desorganizadas ou que possuem seu mostruário de produtos de forma confusa, a fiscalização não logrou demonstrar qualquer indício de confusão contábil ou patrimonial entre elas. Os fatos levantados apenas revelam uma sinergia das mesmas, que unem forças para atuarem no mercado; 4) a sócia impugnante foi responsabilizada solidariamente, com base no art. 124 do CTN, por utilizar contas bancárias suas para movimentar valores das empresas das quais é sócia. Entretanto, além da prática ser bastante comum e não ter vedação legal, verificase que a fiscalização levou a extremo o conceito de “interesse comum” previsto pela norma. Ocorre que o dispositivo citado não é aplicável em relação à sócia da pessoa jurídica autuada, somente se admitindo sua responsabilização nas hipóteses do art. 135 do CTN. No caso, como a utilização das contas bancárias pessoais não caracteriza ato de infração à lei, improcede a responsabilização da sócia; 5) ainda que a impugnante tenha compreendido todas as acusações que lhe foram imputadas, não restou apontado no auto de infração qual, ou quais, condutas se consubstanciaram na aocultação do real vendedor, b do real comprador, c responsável pela operação, seja mediante d fraude, e sonegação, f conluio e g simulação. Apenas houve referência à h interposição fraudulenta de terceiros no item 6. Sobre o restante, nada foi esclarecido. A incompatibilidade da ocorrência dos diversos tipos de condutas relacionadas no enquadramento legal demanda a individualização das mesmas, sob pena de incorrer em condenação genérica, mormente se considerarmos que são seis pessoas autuadas, físicas e jurídicas e, por uma decorrência fática e jurídica, a elas não lhes podem ser imputadas a prática de atos iguais; 6) por derradeiro, a impugnante afirma que não praticou nenhuma das condutas que lhe são imputadas no auto de infração, protestando pela juntada dos documentos comprovantes da regularidade das exportações DDE e outros que se verifiquem necessários; 7) requer, ao final, que preliminarmente lhe seja concedido prazo razoável para apresentação de emenda à impugnação e, no mérito, que seja declarado nulo o auto de infração, protestando por todos os meios de prova admitidos em direito. Fl. 9526DF CARF MF Processo nº 11051.720277/201487 Acórdão n.º 3402004.964 S3C4T2 Fl. 9.516 23 Cientificada do auto de infração em 15/04/2015 (fls. 9.151/9.152), a responsável solidária SONIA apresentou impugnação, em 14/05/2015, juntada às fls. 9.254 e seguintes, alegando em síntese que: 1) a tese fiscal não alcança nada mais que o mundo das probabilidades, dos meros indícios, inexistindo prova concreta do cometimento de ilícito algum; 2) levando em consideração as 9.205 folhas do processo, sua complexidade, a pluralidade de pessoas envolvidas, a falta de indicação das páginas onde estão os documentos que motivaram a convicção da fiscalização, além de os fatos narrados remontarem a mais de 14 anos atrás e envolverem outro país (Uruguai), entende que o prazo legal de 30 dias para impugnar não se mostra razoável. Requer, com fulcro nas alíneas "a" e "c", do §4, do art. 16, do Dec. Lei n° 70.235/72, a concessão de prazo para apresentar emenda à impugnação, com a juntada de documentos, sob pena de malferir os princípios da ampla defesa e contraditório; 3) não há nada na legislação que corrobore a conclusão da fiscalização de que as empresa ESTRELLA, ROJU e TOQUINHO praticaram em conjunto atividades irregulares e que devem responder solidariamente por força do Princípio da Entidade. Além de demonstrar que as empresas são, no máximo, desorganizadas ou que possuem seu mostruário de produtos de forma confusa, a fiscalização não logrou demonstrar qualquer indício de confusão contábil ou patrimonial entre elas. Os fatos levantados apenas revelam uma sinergia das mesmas, que unem forças para atuarem no mercado; 4) a sócia impugnante foi responsabilizada solidariamente, com base no art. 124 do CTN, por simplisticamente ser sócia com poder de gestão da TOQUINHO. Verificase que a fiscalização levou a extremo o conceito de “interesse comum” previsto pela norma. Ocorre que o dispositivo citado não é aplicável em relação à sócia da pessoa jurídica autuada, somente se admitindo sua responsabilização nas hipóteses do art. 135 do CTN. No caso, como a utilização das contas bancárias pessoais não caracteriza ato de infração à lei, improcede a responsabilização da sócia; 5) o agente fiscal questionou a ausência de contratos de locação "atuais" entre a impugnante e a ROJU, e não a ausência de contrato, entendendo absurdamente que tal ausência caracteriza o interesse comum nas situações relatadas; 6) o auto de infração destaca, à fl. 5.725, um depoimento prestado peia impugnante, em 2001, no qual a mesma logrou prestar esclarecimentos notoriamente detalhados sobre as atividades das empresas ESTRELLA e TOQUINHO, o que apenas demonstra seu conhecimento sobre as empresas e que colaborou com a fiscalização. Há referências também a fatos prescritos que remontam a 10 anos atrás, bem como Fl. 9527DF CARF MF 24 interpretações tendenciosas de emails, que de nada servem para demonstrar fato jurídico relevante; 7) ainda que a impugnante tenha compreendido todas as acusações que lhe foram imputadas, não restou apontado no auto de infração qual, ou quais, condutas se consubstanciaram na aocultação do real vendedor, b do real comprador, c responsável pela operação, seja mediante d fraude, e sonegação, f conluio e g simulação. Apenas houve referência à h interposição fraudulenta de terceiros no item 6. Sobre o restante, nada foi esclarecido. A incompatibilidade da ocorrência dos diversos tipos de condutas relacionadas no enquadramento legal demanda a individualização das mesmas, sob pena de incorrer em condenação genérica, mormente se considerarmos que são seis pessoas autuadas, físicas e jurídicas e, por uma decorrência fática e jurídica, a elas não lhes podem ser imputadas a prática de atos iguais; 8) por derradeiro, a impugnante afirma que não praticou nenhuma das condutas que lhe são imputadas no auto de infração, protestando pela juntada dos documentos comprovantes da regularidade das exportações DDE e outros que se verifiquem necessários; 9) requer, ao final, que preliminarmente lhe seja concedido prazo razoável para apresentação de emenda à impugnação e, no mérito, que seja declarado nulo o auto de infração, protestando por todos os meios de prova admitidos em direito. É o relatório. Os argumentos aduzidos pelos sujeitos passivos, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito (fl. 9.280): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A EXPORTAÇÃO IE Período de apuração: 23/09/2011 a 28/02/2014 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA EXPORTAÇÃO. SUJEIÇÃO PASSIVA. Considerando que, apesar de devidamente intimada, a interessada não logrou comprovar a realização de operações de exportação para empresa uruguaia, havendo sido coletados pela fiscalização inúmeros elementos que demonstram a prática de exportações simuladas, em que os reais compradores permaneceram ocultos aos olhos da fiscalização, resta caracterizada a interposição fraudulenta de terceiros. Nesses casos, tanto a exportadora como as demais pessoas físicas e jurídicas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas em relação ao crédito tributário. A pessoa, física ou jurídica, que concorra, de alguma forma, para a prática de atos fraudulentos ou deles se beneficie responde solidariamente pelo crédito tributário decorrente. Impugnação Improcedente Fl. 9528DF CARF MF Processo nº 11051.720277/201487 Acórdão n.º 3402004.964 S3C4T2 Fl. 9.517 25 Crédito Tributário Mantido Em 28/06/2016 (fl. 9.318) a empresa tomou ciência da decisão e não concordando protocolou em 25/07/2016 (fl. 9.321) o seu Recurso Voluntário (fls. 9.321/9.336), requerendo a reforma da decisão recorrida e a legitimidade dos créditos, tendo em vista as razões, resumidamente, abaixo descritas: que ao final dos trabalhos, a fiscalização não logrou demonstrar seu convencimento nas provas produzidas, admitindo que a exposição dos fatos constante das 104 folhas do Relatório Fiscal não conduz a nenhuma prova concreta do cometimento de ilícito algum, senão apenas, em tese, elementos indiciários dos mesmos: I.A Da Materialidade do ilícito A Interposta Pessoa Conceito que, para admitir que no caso concreto tenha havido a interposição fraudulenta de terceiros, o comparecimento da empresa ALCEBA (UY) no negócio jurídico em nome próprio seria elemento essencial. Contudo, a todo momento a fiscalização, assim como a decisão recorrida, afirmam que não houve nenhuma participação da ALCEBA nas operações de exportação por parte da ESTRELLA; destacase que o acórdão recorrido, expressamente afirma que a ALCEBA apenas figura como adquirente das mercadorias quando, na realidade, os compradores são pessoas domiciliadas no país. Tendo em vista os conceitos trazidos pela Turma julgadora, perguntase qual ato foi realizado pela ALCEBA em nome próprio e em substituição à ESTRELLA? A resposta é clara: nenhum!; alega que de fato, não se sabe ao certo qual fato jurídico ilícito está sendo imputado á Recorrente. Simulação de negócio jurídico? ocultação do real comprador? interposição fraudulenta de terceiro? I.A. 1 Da Impossibilidade Lógica da Existência dos Ilícitos Apontados Ausência de Manifestação da Turma Afronta ao Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa esse emaranhado fático/jurídico engendrado pela fiscalização e agravado pelo acórdão recorrido, cumpre destacar que em momento algum a fiscalização apontou que a autuada utilizou, ou beneficiouse, da ALCEBA, como interposta pessoa. destacase, in verbis: Fl. 5733 "Permitem concluir ainda que aquelas saídas da ESTRELA que não configuram exportações para a ALCEBA, constituíram venda no mercado interno pela TOQUINHO e pela ROJU, caracterizando a ESTRELLA como interposta pessoa destas empresas." (grifo nosso) que o Termo de Encerramento da Ação Fiscal apontou a empresa ESTRELLA como sendo a interposta pessoa das empresas ROJU e TOQUINHO, em ampla e total dissonância com a nova tese levantada no acórdão ora recorrido. A afronta ao Princípio da Ampla defesa, ao Contraditório e ao duplo grau de jurisdição administrativo é evidente, eis que a recorrente não logrou defenderse dessa acusação nos moldes redefinidos pelo acórdão; ao fim e ao cabo, o autoridade fiscal, ainda que afirme que a ESTRELLA pratica exportações fictícias, permanece afirmando, categoricamente, que a mesma realiza "apenas exportações" e que é "completamente improvável" que não ocorram no mercado interno; Fl. 9529DF CARF MF 26 I.A.2 Do Enquadramento Legal ainda que a Recorrente tenha compreendido todas as acusações que lhe foram imputadas na ação fiscal, não logrou compreender, por força do enquadramento legal revelado e aplicado às fls. 5.733/5.736, quais condutas típicas lhe foram imputadas, eis que, no mesmo sentido de toda a ação fiscal, a acusação é ampla e genérica, não sendo determinada qual conduta foi praticada, em tese, pela autuada; à toda evidência que não restou apontado na ação fiscal qual, ou quais, condutas imputadas à impugnante se consubstanciaram na a) ocultação do real vendedor, b) do real comprador, c) responsável pela operação, seja mediante d) fraude, e) sonegação, f) conluio e g) simulação. Apenas houve referência à h) interposição fraudulenta de terceiros no item 6. Sobre o restante, nada foi esclarecido! I.B Da Territorialidade Lugar da Infração o acórdão recorrido tenha manifestado, à fl. 9302, que o enquadramento legal tenha sido "interposição fraudulenta", o enquadramento legal da infração atribuída à recorrente pela Ação Fiscal é a do inciso XXII, do art. 689 do RA, mediante interposição fraudulenta de terceiros (§6°), e a exportação, definida no inciso II, do art. 153, da Constituição Federal, tem como fato gerador a saída da mercadoria do território nacional; de outra banda, consoante se verifica da fl. 5655, a autoridade fiscal asseverou que "A função dos acompanhamentos realizados... foi a de comprovar que as mercadorias retornam para o Brasil, ou não saem do Brasil. Dessa maneira, o ilícito ocorre no território brasileiro" (grifo nosso). Essa assertiva coloca por terra a tese levantada no acórdão recorrido e contradiz, mais uma vez, a tese da Turma julgadora que definiu, à fl. 9306 que "(ii) diversos flagrantes de retorno irregular das mercadorias formalmente exportadas para o pátio da exportadora". I.C Dos Fatos Ocorridos em 07/02/2014 e Suporte Fático da Decisão Recorrida segundo o relatório fiscal, indica que a recorrente realiza exportações fictícias e que deu suporte fático às conclusões da autoridade fiscal (Item 2.2; fls. 5640/5646 do PAF), importante registrar que, segundo a própria fiscalização faz notar, a apreensão da mercadoria constante do registro da DDE n° 2140124325/8, em nome da Estrella Exportação Ltda, encontrase no PAF n° 11051.720052/201421. ainda que considerando que os caminhões se dirigiram à empresa ESTRELLA, esses dois fatos, aliado ao terceiro em que a empresa foi autuada por estar descarregando mercadorias exportadas, não pode fazer presumir que todas as outras exportações, legitimamente documentadas, fossem ilícitas. I.D Das DUA's Uruguaias (Declaração de Importação) no Item 2.4 do Termo de Verificação e de Encerramento de Ação Fiscal, de fls. 5651/5656, a fiscalização aponta para a falta de comprovação de 191 DUA's (Documento Único Aduaneiro; nomenclatura do Estado de destino (UY) para a Declaração de Importação), cuja prova da existência incumbia à fiscalizada; a fiscalização informou que obteve, através do Sistema de Intercâmbio de Registros Aduaneiros do Mercosul Indira, informação de que somente 34 DUA's foram registradas pela empresa estrangeira, enquanto que a impugnante havia registrado, no mesmo Fl. 9530DF CARF MF Processo nº 11051.720277/201487 Acórdão n.º 3402004.964 S3C4T2 Fl. 9.518 27 período, um total de 225 DDE's (Declaração de Despacho de Exportação) para a mesma. Informou, ainda, que procedeu ao pedido, em 19/02/2014, ao Estado estrangeiro, das informações pertinentes, por meio do intercâmbio de informações aduaneiras previsto na MERCOSUL/CMC/DEC. nº 26/06; em resposta à intimação, e ora reitera, que o regular procedimento de internalização das mercadorias exportadas para a empresa uruguaia ALCEBA S.A. compete, exclusivamente, à empresa importadora, não competindo à empresa exportadora nenhuma ingerência em tal processo. Não tem, portanto, acesso a nenhuma prova ou elemento indiciário de tal processo. I.E Da Presunção Simples e Elementos Indiciários Das Provas que a lei é expressa em definir os documentos necessários que devem acompanhar a exportação, e dela fazer prova, e a fiscalizada apresentou TODOS esses documentos: fatura comercial, conhecimento de embarque em especial, registro de exportação, notas fiscais e todos os demais exigidos no SISCOMEX, em especial, os DDE's. Em lei alguma é exigida a apresentação das DUA's do Estado estrangeiro como documento de exportação. a presunção de legitimidade, ao contrário do que pretende fazer crer a fiscalização, milita absolutamente em favor da impugnante, permanecendo o ônus da prova em contrário, como acontece em toda e qualquer autuação pelo cometimento de infração. I.F Do Princípio da Entidade além de demonstrar que as empresas são, no máximo, desorganizadas ou que possuem seu mostruário de produtos de forma confusa, a fiscalização não logrou, assim como o acórdão recorrido, em momento algum, demonstrar qualquer indício sequer, de confusão contábil ou patrimonial entre as empresas, nos termos legais. Dos Arquivos Digitais no item 2.5, de fls. 5660/5672 a fiscalização apontou documentos, onde a fiscalizada demonstraria, recomendações para outra empresa não pagar ICMS de forma indevida. Ora, em que pese o fato da fiscalizada estar, em tese, aconselhando outra empresa a suprimir tributo, não há nada nos autos que indique que a empresa 'recomendada' deixou de efetuar o pagamento do ICMS. Não bastasse a 'recomendação' não constituir nenhum ilícito, algo que provavelmente teria sido um erro de direito de avaliação da fiscalizada, não existe ilícito tributário por "intenção", ou na modalidade de tentativa. Das Atividades da Fiscalizada Mercadorias Exportadas apresar da fiscalização afirmar, que todas as empresas praticam a mesma atividade, também aponta, de forma contraditória, que "...todas as NFe de saída emitidas pela ESTRELLA,... indicam operação com CFOP 7501 (Exportação de mercadorias recebidas com fim específico de exportação), enquanto a ROJU e a TOQUINHO comercializam apenas no mercado interno." Assevera, ainda, "perceber o quão artificial é este arranjo...". Ora, o que notadamente é um empreendimento comercial que utiliza seus fatores de produção com sinergia eficiente e grande planejamento fiscal viuse transformado, pela visão da fiscalização, em algo ilícito. Entretanto, a tese da autoridade fiscal não pode sobreviver a uma análise, sequer superficial, dos fatos em face do ordenamento jurídico vigente. Fl. 9531DF CARF MF 28 II. Considerações Finais por todo o exposto, não resta dúvida alguma que o acórdão recorrido não mantém congruência alguma com o Termo de Encerramento de Ação Fiscal que fora impugnado. Também sequer logra sustentarse 'em si mesmo', eis que revelase amplamente confuso e contraditório; por vezes afirmando a ocorrência de determinadas situações e posteriormente sustentando a ocorrência de fatos incompatíveis com as mesmas; Ao longo da ação fiscal e do acórdão recorrido revelouse grande esforço em imputar à recorrente condutas ilícitas, seja através de elementos probabilísticos, seja por meio de presunções. Entretanto, em momento algum logrouse demonstrado que a recorrida praticou os fatos pelos quais foi legalmente enquadrado na ação fiscal. III. PEDIDO Com base nos dispositivos aludidos, pede o acolhimento integral deste RECURSO VOLUNTÁRIO, reformando a sentença de fls. 9280/9315, resultando em tornar sem efeito o guerreado Auto de Infração. Os autos, então, foram remetidos a este CARF, que ao analisar o recurso tempestivo, definiu pela conversão do processo em Diligência, conforme a Resolução nº 3402 001.013, de 25/05/2017, com o seguinte teor (fls. 9339/9.363), uma vez que verificouse nos autos que faltava o comprovante de intimação dos responsáveis solidários. Vejase: "(...) Posto isto, antes do prosseguimento do julgamento, objetivando o saneamento do processo, voto pela conversão do julgamento em Diligência, para que a Unidade de origem (IRF/ChuiRS), junte aos autos os comprovantes (AR dos Correios) ou os Editais afixados, em relação aos responsáveis solidários (conforme decidido no Acórdão nº 1673.572 20ª Turma DRJ/SPO) e, no caso de inexistir a intimação deles, que seja efetuada as intimações devidas, com abertura de prazo de 30 (trinta) dias para interposição de recurso voluntário". Em 05/06/2017, a unidade de origem (IRF/ChuiRS), cumprindo o contido na Resolução, efetuou as Intimações aos respectivos solidários, conforme decorre dos Termos de Intimação SARAC de fls. 9.365/9.369. Todos tomaram ciência das Intimações, conforme comprovantes (AR) de fls. 9.371/9.375. Irresignados, os 5 (cinco) Responsáveis solidários abaixo nominados apresentaram seus Recursos Voluntários em 28/06/2017: (i) TOQUINHO Comércio de Materiais de Construção Ltda ME, documento de fls. 9.376/9.389; (ii) ROJU Comercial de Materiais de Construção Ltda ME, documento de fls. 9.420/9.432; (iii) Sr. PAULO ESTRELLA AMBROSSI, documento fls. 9.390/9.404; (iv) Sra. PATRÍCIA ANDRÉA PAIS, documentos de fls. 9.405/9.419, e (v) Sra. SONIA SILVERA ESTRELLA, documento fls. 9.433/9.447. Em suas razões finais, concluem da seguinte forma: por todo o exposto, não resta dúvida alguma que o acórdão recorrido não mantém congruência alguma com o Termo de Encerramento de Ação Fiscal que fora Fl. 9532DF CARF MF Processo nº 11051.720277/201487 Acórdão n.º 3402004.964 S3C4T2 Fl. 9.519 29 impugnado. Também sequer logra sustentarse 'em si mesmo', eis que revelase amplamente confuso e contraditório; por vezes afirmando a ocorrência de determinadas situações e posteriormente sustentando a ocorrência de fatos incompatíveis com as mesmas; Ao longo da ação fiscal e do acórdão recorrido revelouse grande esforço em imputar à recorrente condutas ilícitas, seja através de elementos probabilísticos, seja por meio de presunções. Entretanto, em momento algum logrouse demonstrado que a recorrida praticou os fatos pelos quais foi legalmente enquadrado na ação fiscal. Com base nos dispositivos aludidos, pede o acolhimento integral deste RECURSO VOLUNTÁRIO, reformando a sentença de fls. 9.280/9.315, resultando em tornar sem efeito o guerreado Auto de Infração. Os autos, então, retornou a este CARF e distribuído a este Conselheiro para prosseguimento do julgamento do recurso. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator 1. Da admissibilidade dos Recursos interpostos Quanto aos Recursos Voluntários apresentados (Recorrente e Responsáveis Solidários), os mesmos se encontram tempestivos e adequados aos demais requisitos de admissibilidade, devendo serem conhecidos. Dada a hipótese de solidariedade na responsabilidade por infração à legislação aduaneira apontada na autuação fiscal, as razões de contestação apresentadas por um dos acusados em princípio aproveitam ao outro autuado, com exceção de eventuais alegações de caráter pessoal que possam importar na caracterização de dolo específico. 2. Da preliminar afronta aos princípios da ampla defesa e do contraditório Alega a Recorrente em seu recurso que "(...) Contudo, ainda que não fosse, caso admitido, em tese, a força indiciaria das informações, cumpre ressaltar que as mesmas somente demonstrariam, em tese, que a empresa importadora não cumpriu com o dever de informar a aduana uruguaia sobre as importações. As exportações pela empresa Estrella Comércio de Exportação Ltda são legitimamente provadas pelas DDE's apresentadas perante a fiscalização brasileira, inclusive, com o pagamento de todos os tributos inerentes ao respectivo processo, algo que a fiscalização olvidouse de mencionar no Termo de Encerramento de Ação Fiscal! e sobre estas alegações o acórdão ora recorrido mantevese absolutamente silente, afrontando os princípios da ampla defesa, contraditório e do duplo grau de jurisdição". Não assiste razão a Recorrente. Vejase abaixo o trecho abaixo reproduzido em que a DRJ aborda esse tema: Fl. 9533DF CARF MF 30 "(...) Ora, se é certo que a simples ausência de registro das DUA uruguaias, bem como que as informações prestadas pela aduana uruguaia, não provam que não houve exportação; não menos certo é que o mero registro das DDE por parte da impugnante, juntamente com o pagamento de tributos, também não prova por si só que houve a exportação, mormente em face das suspeitas suscitadas pela ausência do respectivo registro no estrangeiro, confirmadas pelos flagrantes devidamente documentados pela Equipe de Repressão". (Grifei) Desta forma, em havendo dúvidas acerca da efetividade das exportações declaradas, competia à Recorrente apresentar documentação hábil a comproválas, conforme o Termo de Intimação Fiscal e Solicitação de Esclarecimentos lavrada em 11/02/2014 à fl. 1.932. Vejase um dos itens solicitados: Como a ESTRELLA omitiuse em fornecer documentos que deveriam estar em seu poder (contratos de câmbio, comprovantes de recebimento dos pagamentos recebidos de ALCEBA, etc), deixando de comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos relacionados às operações de comércio exterior objeto de autuação, entendese que não há como deixar de reconhecer a ocorrência do ilícito por força de presunção expressamente prevista em lei. Portanto, a Recorrente foi cientificada da exigência fiscal e apresentou impugnação que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância. Irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, protocolou recurso voluntário, rebatendo as posições adotadas no acórdão recorrido, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, portanto, as motivações para o lançamento, bem como, as do julgamento na primeira instância foram claramente identificadas. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância, todo o procedimento previsto no Decreto 70.235/72 foi observado, tanto o lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo fiscal. Deste modo, não merece guarida a alegação de afronta os princípios da ampla defesa, contraditório e do duplo grau de jurisdição. Por isso, rejeito esta preliminar. 3. Da ocorrência da interposição fraudulenta por parte da ESTRELLA Conforme se depreende do Termo de Verificação e de Encerramento da Ação Fiscal, a fiscalização aplicou à empresa ESTRELLA, a pena de perdimento da mercadoria com fulcro no inciso XXII, do art. 689 do Regulamento Aduaneiro (RA/09), sobre as suas exportações realizadas a partir de 23/09/2011, na forma do §1° do mesmo artigo, mediante a prática das condutas de interposição fraudulenta de terceiros, fraude, sonegação, conluio e simulação, tudo nos termos do enquadramento legal de fls. 5.734/5.736 do Relatório Fiscal anexo ao Auto de Infração. Vejase trechos abaixo reproduzidos: "(...) Como resultado dos trabalhos realizados, a Fiscalizada incorre no inciso XXII do artigo 689 do RA em relação às suas exportações realizadas a partir de 23/09/2011 e que não possuem a correspondente DUA uruguaia vinculadas a elas: Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 105; e Decreto Lei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1º, este com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002, art. 59): Fl. 9534DF CARF MF Processo nº 11051.720277/201487 Acórdão n.º 3402004.964 S3C4T2 Fl. 9.520 31 XXII estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (...)". "(...) Nos termos do art. 23, § 2º, do Decretolei nº 1.455/76, com a redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637/2002, presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados: (...). "(...) O art. 19 da Medida Provisória n° 497, de 2010 dispõe:" (...). "(...)Em matéria tributária, os conceitos de fraude, sonegação e conluio estão definidos (nos art. 71 e 72) na Lei nº 4.502/64:"(...)." A infração aduaneira de interposição fraudulenta está tipificada no art. 23 do DecretoLei nº 1.455/76, com redação dada pela lei nº 10.637/2002, verbis: Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. § 3º A pena prevista no § 1º convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. Primeiramente, ao se analisar o caput, verificase que o objeto da infração é a ocorrência do “Dano ao Erário”, o que não significa apenas não pagamento dos tributos (ou perda efetiva de arrecadação à Fazenda), mas também a "burla/escape do controle aduaneiro" (vantagens aduaneiras, como evitar controles aduaneiros de natureza administrativa, parametrização com base nas características do contribuinte, etc), como vem sendo reconhecido pela jurisprudência do CARF em diversas oportunidades, ainda que sob argumentos diversos. Nesse sentido, tem redação de especial clareza no Acórdão 3403 002.842, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan. Vejase: “A aplicação das penalidades previstas no art. 23 do Decreto Lei nº 1.455/1976, não demanda demonstração de qual tenha sido o dano ao Erário. Uma leitura sistemática do referido art. 23 (aqui já transcrito) afasta o equívoco, pois é cristalino que o texto (essencialmente no caput e no § 1º) não está a dizer que só quando ocasionarem dano ao Erário as infrações ali referidas serão punidas com o perdimento. Ele está, sim, trazendo claramente duas afirmações: (a) as infrações ali relacionadas consideramse dano ao Erário; e (b) o dano ao Erário é punido com o perdimento. Disso, silogisticamente se pode afirmar que Fl. 9535DF CARF MF 32 as infrações ali relacionadas são punidas com o perdimento. Não há margem para discussão se houve ou não dano ao Erário.” Também é cediço que o art. 23 do Decreto lei nº 1.455/76, traz duas espécies distintas de interposição fraudulenta de terceiros: (i) a denominada comprovada, diante da existência de provas inequívocas de que uma empresa acobertou outro sujeito mediante fraude ou simulação (devese atentar que a norma não pune qualquer espécie de ocultação de pessoas, pois é necessário não apenas o resultado final, mas também a adoção de um meio específico, qual seja, a utilização de fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta de terceiros.); e (ii) a modalidade presumida, bastando para tanto que não haja comprovação, por parte do importador, da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. Tratase, pois, de hipóteses normativas distintas (ocultação de pessoas e não comprovação da origem de recursos) para as quais se aplicam a mesma sanção, qual seja, a pena de perdimento dos bens importados, conversível em multa. Quanto à definição de fraude, é usual na prática tributária e aduaneira que essa definição seja colhida no art.72 da lei nº 4.502/64: Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Verificase nos autos que as operações objeto da autuação referemse a exportações de mercadorias nacionais realizadas pela empresa ESTRELLA, que tinham como destinatária a empresa uruguaia ALCEBA S.A (UY), e para as quais não foi identificado o correspondente comprovante de internalização no País de destino, o Uruguai, conforme informações requeridas à Aduana uruguaia (DUA's, que veremos tópico adiante). Segundo o Fisco, essas exportações são fictícias, uma vez que as mercadorias retornam para o Brasil ou nem saem do País. 3.1. Processo Administrativo EXPORTAÇÃO FICTÍCIA Consta do Relatório Fiscal que no dia 07/02/2014 o Sr. PAULO ESTRELLA AMBROSSI, registrou a DDE nº 2140124325/8 em nome da ESTRELLA Exportação Ltda. (que selecionado para o canal Laranja de conferência aduaneira extrato fl. 5.641). A referida DDE foi apresentada para despacho instruída com os seguintes documentos: a) do Conhecimento Rodoviário de Transporte (CRT) nº BR853009436, emitido em 07/02/2014 pela transportadora uruguaia PAIS MARICHAL TRANSPORTES LTDA e indicando como nome e domicílio do destinatário e do consignatário a empresa uruguaia ALCEBA S.A., Rio Olimar 120 – Chuy, Uruguai RUC nº 214887400011; b) do Manifesto Internacional de Carga por Rodoviária / Declaração de Trânsito Aduaneiro (MIC/DTA) nº BR853012889 emitido pela PAIS MARICHAL TRANSPORTES LTDA e indicando ser o veículo transportador um caminhão VOLVO NL12 360 EDC de placa B801790 e placa do semireboque B82127; e c) DANFEs nº 1.253, 1.254 e 1.255 emitidas pela ESTRELLA EXPORTAÇÃO LTDA em 07/02/2014 e tendo a ALCEBA S.A. (UY), como destinatária da mercadoria. Fl. 9536DF CARF MF Processo nº 11051.720277/201487 Acórdão n.º 3402004.964 S3C4T2 Fl. 9.521 33 Consta que a correspondente mercadoria, que consistia de 17 volumes de pisos classificados na NCM 6908.90.00, pesando 31.017,60 kg, deveria ter como destino imediato a Aduana uruguaia, localizada a cerca de 2,5 km da aduana brasileira, para os procedimentos de internalização (importação) da mercadoria naquele país. Efetuada a liberação da carreta com a mercadoria do pátio da IRFChuí (RS), quando a Equipe de Repressão da RFB, iniciou o acompanhamento da referida carreta, que ingressou no Uruguai sem se dirigir à Aduana daquele país. Naquele mesmo dia a fiscalização constatou o retorno da carreta com o semireboque para o Brasil e o seu ingresso no pátio interno da empresa ESTRELLA. A descrição detalhada dos procedimentos de apreensão da mercadoria encontrase no Auto de Infração, cientificado ao exportador, e que gerou o PAF nº 11051.720052/201421, além de integrar o presente processo, com fotos e demonstrativos de localização dos locais, endereços, etc. (fls. 5.643/5.646). Na decisão recorrida, consta a informação que "em consulta realizada por esta julgadora ao sistema eProcesso, verificouse que o processo acima referido não foi objeto de impugnação, havendo sido aplicada a pena de perdimento às mercadorias, em face de revelia". Como se vê, no caso acima, comprovada a tese defendida pela fiscalização, o fato de a empresa uruguaia ALCEBA S.A, figurar como adquirente das mercadorias nacionais exportadas por ESTRELLA, quando os reais compradores são pessoas domiciliadas no país (uma vez que a carga retornou ao Brasil), resta caracterizado inequivocamente a hipótese de interposição fraudulenta, uma vez que a presença de ALCEBA nos negócios jurídicos praticados implicaria necessariamente a ocultação dos reais compradores. 3.2 Do enquadramento como Interposição Fraudulenta de Terceiros A Recorrente alega que de fato, não se sabe ao certo qual fato jurídico ilícito está sendo imputado: "Simulação de negócio jurídico? ocultação do real comprador? interposição fraudulenta de terceiro?" E continua afirmando que "(...) para admitir que no caso concreto tenha havido a interposição fraudulenta de terceiros, o comparecimento da empresa ALCEBA (UY) no negócio jurídico em nome próprio seria elemento essencial. Contudo, a todo momento a fiscalização, assim como a decisão recorrida, afirmam que não houve nenhuma participação da ALCEBA nas operações de exportação por parte da ESTRELLA". Observa o fisco que, a data de 23/09/2011 não foi selecionada ao azar, mas sim porque nessa data encerraramse as exportações ditas "de balcão" para pessoas físicas (em face de decisão judicial transitada em julgado que manteve decisão administrativa que cassou a habilitação da empresa no procedimento simplificado de exportação). A partir dessa data, a empresa passou quase que exclusivamente a exportar para a pessoa jurídica ALCEBA S.A. No acórdão recorrido consigna expressamente que a ALCEBA apenas figura como adquirente das mercadorias (uma vez que para ela foram emitidas as NF e os DDEs) quando, na realidade, os compradores são pessoas domiciliadas no país (pelo comprovado retorno da mercadoria, como no caso da carreta, exportação fictícia item 3.1). Fl. 9537DF CARF MF 34 Como esclarecido anteriormente, a interposição fraudulenta pressupõe a presença de um terceiro que oculta o verdadeiro interessado no negócio jurídico praticado. Ora, se o fisco entendeu que as exportações realizadas por ESTRELA tendo como destinatária ALCEBA S.A (UY) eram fictícias, pois que visavam apenas ocultar sua destinação ao mercado interno, então é lógico que a caracterização da interposição fraudulenta deuse via a realização de exportações simuladas em que houve a ocultação do real comprador. Ressaltase que mesmo numa eventual hipótese de as mercadorias formalmente exportadas para ALCEBA haverem sido revendidas para pessoas físicas estrangeiras, ainda assim subsiste o ilícito de interposição fraudulenta, em face da inequívoca ocultação dos seus reais compradores. A empresa ESTRELLA argumenta em seu recurso que, "(...) Ora, ainda que o acórdão recorrido tenha manifestado, à fl. 9.302, que o enquadramento legal tenha sido "interposição fraudulenta", o enquadramento legal da infração atribuída à recorrente pela Ação Fiscal é a do inciso XXII, do art. 689 do RA, mediante interposição fraudulenta de terceiros (§6°), e a exportação, definida no inciso II, do art. 153, da Constituição Federal, tem como fato gerador a saída da mercadoria do território nacional". E prossegue afirmando que é inaplicável o art. 689, inciso XXII do RA, pois este é expresso em afirmar que a pena de perdimento é aplicada "na importação ou na exportação", e não, como pretende fazer valer a tese do acórdão recorrido, com utilização de "operações de comércio exterior", conceito mais abrangente. A interpretação, além de ser extensiva, o que é vedado para a aplicação de penalidade, desvirtua o conceito do dispositivo em comento. "Por certo que, se alguma prática ilícita houve, algo que se admite apenas a título de argumento, não tem subsunção ao dispositivo legal em que a recorrente fora enquadrada". Neste caso, também não posso concordar com as alegações da Recorrente, uma vez que as operações objeto da autuação encontramse documentadas como exportações e, em sendo comprovada a interposição fraudulenta, é fato que esta somente se viabilizou pela utilização simulada das práticas de comércio exterior na exportação. Logo, ainda que ao final se demonstre que as declaradas exportações tinham como destino o próprio mercado interno, não se pode negar que a fraude foi cometida utilizandose de operações de comércio exterior (em operações de exportações). Por esse motivo, não vislumbro qualquer incongruência entre a conduta atribuída à fiscalizada e o enquadramento legal que lhe foi imputado pelo Fisco. Ao contrário, entendo pela sua perfeita subsunção. A Recorrente alega também que "(...) à toda evidência que não restou apontado na ação fiscal qual, ou quais, condutas imputadas à impugnante se consubstanciaram na a) ocultação do real vendedor, b) do real comprador, c) responsável pela operação, seja mediante d) fraude, e) sonegação, f) conluio e g) simulação. Apenas houve referência à h) interposição fraudulenta de terceiros no item 6. Sobre o restante, nada foi esclarecido!" Já esclarecemos que a interposição fraudulenta pressupõe a presença de um terceiro que oculta o verdadeiro interessado no negócio praticado. Se o fisco entendeu que as exportações realizadas por ESTRELA tendo como destinatária ALCEBA eram fictícias, pois que visavam apenas ocultar sua destinação ao mercado interno, então é lógico que a caracterização da interposição fraudulenta deuse via a realização de exportações simuladas em que houve a ocultação do real comprador. Fl. 9538DF CARF MF Processo nº 11051.720277/201487 Acórdão n.º 3402004.964 S3C4T2 Fl. 9.522 35 Portanto, não há que se falar em "condenação genérica" nos autos, pois o relato dos fatos procedido pela fiscalização no seu Relatório Fiscal, individualiza perfeitamente a conduta ora objeto de autuação, qual seja, interposição fraudulenta de terceiros. E com relação a cada um dos responsáveis solidários, teremos ocasião de examinar mais detidamente as razões que levaram o Fisco à sua autuação, em tópico específico. 3.3. Da participação das Empresas TOQUINHO e ROJU Alega a Recorrente que, (...) esse emaranhado fático/jurídico engendrado pela fiscalização e agravado pelo acórdão recorrido, cumpre destacar que em momento algum a fiscalização apontou que a autuada utilizou, ou beneficiouse, da ALCEBA, como interposta pessoa" (...). Ora, conforme relatado pelo fisco, pesquisas no sistema da RFB Mercosul "INDIRA", revelaram a existência de várias exportações realizadas por ESTRELLA, cujo destino era sempre a empresa uruguaia ALCEBA S.A, sem o correspondente registro de internalização das mercadorias no Uruguai. Esse fato motivou a realização de monitoramentos por parte da Fiscalização da IRF/Chuí. Observase nos autos que a sede da ALCEBA fica distante 100 metros da sede de ESTRELLA, ou seja, a importadora uruguaia localizase simplesmente “do outro lado da rua”, mas já no país vizinho (UY) fotos fl. 9.305. Verificase que em 07/02/2014, a Fiscalização fez a apreensão das mercadorias que deveriam ter como destino a ALCEBA S.A, quando já estavam sendo descarregadas no pátio da ESTRELLA, após terem sido objeto do devido despacho de exportação na Aduana de Chui/RS, que gerou o PAF nº 11051.720052/201421, perdimento de mercadorias. O acompanhamento das carretas que saíam da aduana brasileira após os regulares despachos de exportação promovidos por ESTRELLA, identificou que, salvo quando a carreta se dirigia regularmente para a aduana uruguaia, o que ocorria num pequeno número de exportações, o trajeto realizado era o de retornar ao pátio da ESTRELLA, passando antes pelo Uruguai. Notase que a Fiscalização registrou imagens em duas oportunidades, nas datas de 12 e 22 de novembro de 2013, conforme documentos de fl. 5.646. Acrescenta a Recorrente que "(...) o Relatório Fiscal apontou a empresa ESTRELLA como sendo a interposta pessoa das empresas ROJU e TOQUINHO, em ampla e total dissonância com a nova tese levantada no acórdão ora recorrido. A afronta ao Princípio da Ampla defesa, ao Contraditório e ao duplo grau de jurisdição administrativo é evidente, eis que a recorrente não logrou defenderse dessa acusação nos moldes redefinidos pelo acórdão". É importante ressaltar que as três empresas autuadas argumentam que padece de impossibilidade lógica a conclusão fiscal de que aquelas saídas da ESTRELLA que não configuraram exportações para a ALCEBA S.A constituíram venda no mercado interno pela TOQUINHO e pela ROJU, caracterizando a ESTRELLA como interposta pessoa destas empresas. Fl. 9539DF CARF MF 36 Pois bem. Consta dos autos que em decorrência de procedimentos fiscais realizados nas três empresas (ESTRELLA, TOQUINHO e REJU), restou apurado pela fiscalização que (fls. 5.647/5.651): (i) apresentam o mesmo endereço, diferenciados apenas pelo número do galpão ou sala, sendo que o local é identificado apenas pelos letreiros "CASA TOQUINHO"; (ii) apresentam sócio em comum, tem o mesmo contador e realizam as mesmas atividades econômicas; (iii) os funcionários, computadores, fichários e arquivos de documentos são comuns para todas as empresas; (iv) o salão de mostruário das mercadorias é utilizado pelas três empresas, sem que se possa identificar a qual empresa pertence determinada mercadoria (Registro de Inventário), havendo apenas uma única caixa registradora; e (v) os galpões se comunicam internamente, alguns sem qualquer tipo de separação. E mais. As três empresas, apesar de diversas vezes intimadas pela fiscalização a apresentar seus Livros Registro de Inventário de 2011 a 2013 e sua escrituração contábil, não os apresentaram, sem qualquer manifestação por escrito, embora estivessem legalmente obrigadas à sua escrituração. O Livro Diário de 2011 de ESTRELLA foi o único obtido através da Escrituração Contábil Digital (ECD), via SPED (Sistema Público de Escrituração Digital). Consta do Relatório Fiscal, que o fisco apurou que ROJU e TOQUINHO não possuem contas bancárias, enquanto que PATRÍCIA (sócia comum das três empresas) movimenta valores superiores ao da empresa ESTRELLA. O sócio PAULO também apresenta movimentação financeira relevante, incompatível com os rendimentos declarados. Restou comprovado, portanto, que as três empresas utilizamse de contas bancárias dos sócios para transações financeiras das pessoas jurídicas (fls. 5.721/5.723). Verificase que a ESTRELLA e a ROJU exercem as mesmas atividades comerciais, qual seja, comercio varejista de materiais de construção, móveis e eletrodomésticos. Já a TOQUINHO possui o mesmo CNAE principal das outras duas empresas, indicando apenas comércio varejista de materiais de construção, embora também comercialize móveis. Por sua vez, todas as NFe de saída emitidas pela ESTRELLA, e seu livro registro de saídas, indicam operação com CFOP 7501 (Exportação de mercadorias recebidas com fim específico de exportação), enquanto que a ROJU e a TOQUINHO comercializam apenas no mercado interno. É certo que em face de todo o conjunto probatório apresentado nos autos e apresentados no Relatório Fiscal (fls. 5.636/5.739), não resta dúvida que as três empresas envolvidas, ESTRELLA, TOQUINHO e a ROJU, juntamente com os sócios arrolados como solidários pela fiscalização, atuavam conjuntamente no sentido de viabilizar a realização de exportações simuladas supostamente destinadas à empresa uruguaia ALCEBA S.A, de forma a reduzir de forma ilegal a carga tributária incidente na comercialização dessas mercadorias no mercado interno. Fl. 9540DF CARF MF Processo nº 11051.720277/201487 Acórdão n.º 3402004.964 S3C4T2 Fl. 9.523 37 Portanto, o argumento de que a fiscalização ter apontado a ESTRELLA como sendo a interposta pessoa das empresas ROJU e TOQUINHO e que houve a alegada afronta ao Princípio da Ampla defesa, ao Contraditório e ao duplo grau de jurisdição administrativo, não logrado à Recorrente defenderse dessa acusação nos moldes redefinidos pelo acórdão, não procede. Pela leitura do Auto de infração (e anexo), constatase que o Fisco não só descreveu de forma suficientemente objetiva e cristalina os fatos o enquadramento legal e normativos, como teceu importantes lições sobre o próprio controle aduaneiro e ainda sobre o comércio internacional e as partes eventualmente envolvidas, o que contribuiu, decisivamente, para a exata compreensão da autuação. Ou seja, não verifico uma dúvida sequer relativa aos fatos narrados pela fiscalização, e tampouco sobre o enquadramento legal e/ou normativo adotado neste procedimento. O Auto de infração teve origem em auditoria realizada pela Fiscalização da RFB, fartamente detalhada no Relatório Fiscal, onde consta a motivação para o lançamento e as provas que conduziram a autoridade fazendária a sua lavratura. A Recorrente foi cientificada da exigência fiscal e apresentou impugnação que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância. Irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, protocolou recurso voluntário (juntamente com os solidários), rebatendo as posições adotadas no acórdão recorrido, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, portanto, as motivações para o lançamento, bem como, as do julgamento na primeira instância foram claramente identificadas. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância, pois todo o procedimento previsto no Decreto 70.235/72 foi observado, tanto o lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo fiscal. 3.4. Das DUA's Uruguaios (Documentos Únicos Aduaneiro) Aduz a Recorrente em seu recurso que "(...) no Item 2.4 do Termo de Verificação e de Encerramento de Ação Fiscal, de fls. 5.651/5.656, a fiscalização aponta para a falta de comprovação de 191 DUA's (Documento Único Aduaneiro; nomenclatura do Estado de destino (UY) para a Declaração de Importação), cuja prova da existência incumbia à fiscalizada". Consta dos autos que a Recorrente foi sete vezes intimada (em 07/02/2014, 11/02/2014 à fl. 1.932, 06/03/2014, 28/05/2014, 17/06/2014, 30/06/2014, 21/07/2014 e 09/12/2014) a, de algum modo, comprovar a internalização das suas exportações no Uruguai. E nunca o fez, e em 23/12/2014, manifestouse acerca da solicitação da seguinte forma (Grifei): “(...) não há como exigir da solicitada que tenha consigo, nos próprios controles, e possa apresentar, documentos de origem estrangeira, próprios do outro figurante da relação que se formou, os quais, inclusive, devem ser consularizados, [...]. "(...) Tal importa dizer, com absoluta certeza [...], que a solicitação posta no Termo é inexigível, considerando que não prevista em nenhum ordenamento jurídico nacional, ficando justificada desta forma a impossibilidade da solicitada de dar atendimento à mesma”. Fl. 9541DF CARF MF 38 De fato, o ordenamento jurídico não prevê, o que, no universo documental, em cada caso, é exigível como prova. Cabe à autoridade administrativa competente determinar qual a documentação que julga hábil e idônea para o esclarecimento dos fatos. A solicitação apresentada a ESTRELLA é rotineira nos casos em que há dúvida quanto à efetividade das operações de comércio exterior, não extrapolando de nenhuma forma os limites do razoável e do exeqüível. E, o contato regular entre exportador e importador possibilita, sim, que o importador uruguaio (ALCEBA S.A) forneça a documentação solicitada a ESTRELLA e que naturalmente apenas o importador uruguaio possui. A prova acima fundase numa presunção relativamente simples (a falta do registro da DUA uruguaia indica que não houve exportação), seu efeito consiste em inverter o ônus da prova, ou seja, caberia à interessada fazer prova em contrário, o que não foi feito. Por outro giro a fiscalização informou que obteve, através do sistema da RFB INDIRA (Sistema de Intercâmbio de Registros Aduaneiros do Mercosul), informação de que somente 34 DUA (Documentos Únicos Aduaneiro) foram registradas pela empresa ALCEBA S.A, enquanto que a ESTRELLA havia registrado, no mesmo período, um total de 225 DDE (Declaração de Despacho de Exportação) para a empresa estrangeira. Informou, ainda, que pro cedeu ao pedido, em 19/02/2014, a Aduana do Uruguai, das informações pertinentes, por meio do intercâmbio de informações aduaneiras previsto no Acordo MERCOSUL/CMC/DECRETO nº 26, de 2006. O sistema Mercosul "INDIRA" possibilita diversos tipos de consulta (por CNPJ) aos dados do Estado Parte que se deseja obter a informação, no caso o Uruguai. Os artigos 21 e 22 do Decreto MERCOSUL/CMC nº 37/05, que Regulamenta a Decisão CMC Nº 54/04, tratam do Intercâmbio de Informação entre Aduanas e determinam que o sistema INDIRA disponibilize para os funcionários autorizados pelas Administrações de Aduanas dos Estados Partes, informações on line e em tempo real acerca de: (i) Importações realizadas por um Estado Parte de bens procedentes de quaisquer dos demais Estados Partes; e (ii) Exportações realizadas por um Estado Parte de bens destinados a quaisquer dos demais Estados Partes. O Memorando nº 134/2014RFB/Suari/Corin, recebido em 03/06/2014, encaminha resposta da Aduana uruguaia informando que: "a) O domicílio fiscal da ALCEBA S.A. que consta declarado na Dirección Nacional de Aduanas é o mesmo endereço questionado acima; e b) Uma relação contendo 34 DUA desembaraçadas pela ALCEBA S.A. no período questionado e que coincide inteiramente com as 34 DUA anteriormente identificadas pela Fiscalização através do sistema Mercosul Indira". Nesse contexto, a finalidade dos acompanhamentos e monitoramentos realizados pela fiscalização em 12/11/2013, 22/11/2013, entre outros, e o flagrante de 07/02/2014, que culminou com o Auto de Apreensão PAF nº 11051.720052/201421, (perdimento de mercadorias), foi a de comprovar que as mercadorias retornam para o Brasil, ou não saem do território brasileiro. Dessa maneira, portanto, o ilícito ocorreu no território brasileiro. Com base nas informações acima, a fiscalização entende que restou confirmado que as demais 193 exportações brasileiras questionadas mediante termo não foram internalizadas no Uruguai através de trâmites aduaneiros regulares, isto é, através do registro da correspondente importação (DUA's) pela Aduana uruguaia. Fl. 9542DF CARF MF Processo nº 11051.720277/201487 Acórdão n.º 3402004.964 S3C4T2 Fl. 9.524 39 4. Do resultado das coletas de provas e da penalidade aplicada Consta do Relatório Fiscal que os produtos adquiridos pela ESTRELLA eram adquiridos de fornecedores nacionais sem o pagamento de impostos, a pretexto de serem destinados à exportação por empresa comercial exportadora. Ocorre que as exportações não se realizavam de fato, haja vista que: (i) cerificações efetuadas pela fiscalização demonstram que na sede da empresa uruguaia adquirente ALCEBA (distante a 100m da fronteira) não funcionava empresa alguma; (ii) a maior parte dos DDE's registrados no SISCOMEX pela ESTRELLA (de um total de 225) 191 inexistem registros dessas exportações nos sistemas institucional da Aduana uruguaia INDIRA (DUA's); (iii) diversos flagrantes (registrados nos autos pela fiscalização da IRF/Chui) noticiam o reingresso irregular no País das mercadorias formalmente exportadas; (iv) apesar de devidamente intimada, a exportadora não logrou comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nessas operações (vide Termo à fl. 1.932); (v) as três empresas fiscalizadas atuam como se uma única entidade fossem, uma vez que seus endereços são todos a Av. Uruguai, nº 2261, diferenciados apenas pelo número do galpão ou da sala. Considerando, assim, demonstrado o caráter simulado das operações de comércio internacional praticadas por ESTRELLA, cuja destinatária formal era a empresa uruguaia ALCEBA S.A, o ilícito de interposição fraudulenta de terceiros resta plenamente caracterizado, em face da inequívoca ocultação dos reais compradores das mercadorias. Devese reconhecer, portanto, a correção do procedimento fiscal que culminou com a aplicação da pena de perdimento às mercadorias, convertida em multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro, haja vista sua revenda. As mercadorias relacionadas no ANEXO 11 foram revendidas e, portanto, não foram localizadas. Neste caso, aplicase a multa equivalente ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação (fls. 7.640/7.791). No tocante à base de cálculo, o período lançado neste Auto de Infração corresponde às exportações realizadas após 22/09/2011, para a ALCEBA S.A, sem a correspondente DUA da Aduana uruguaia que ateste sua internalização naquele pais, conforme demonstrativo no ANEXO 12, indicando as DDE e as NFe que as instruem, cujos valores foram consolidados por data de desembaraço no Anexo 13 (fls. 7.792/7.952). Observou o Fisco ainda que 39 NFe não canceladas, com CFOP 7501 caracterizando exportação de mercadorias recebidas com fim específico de exportação, tendo a ALCEBA S.A como destinatária, não instruíram qualquer DDE (inclusive aquelas DDE com DUA vinculadas a elas). Tratase de mercadorias declaradas como exportadas, mas para as quais sequer houve registro de DDE. Caracteriza declaração falsa. Seus valores constam consolidados no ANEXO 14 (7.953/7.957). 5. Da sujeição passiva solidária A fiscalização consignou no Auto de Infração a responsabilidade solidária as três empresas: ESTRELLA, TOQUINHO e ROJU, bem como dos sócios: PAULO, PATRÍCIA e SONIA. No entender do Fisco, a utilização das contas bancárias dos sócios para transações financeiras das pessoas jurídicas demonstra a inobservância do princípio da entidade e, por Fl. 9543DF CARF MF 40 consequência, o interesse comum dos sócios nas situações relatadas na peça impositiva, nos termos do artigo 124 do CTN. Consta do Relatório Fiscal que o sócio com poder de gerência da ESTRELLA, Sr. PAULO ESTRELLA AMBROSSI, encontrase cadastrado como representante legal da empresa também perante o SISCOMEX, e ele é quem realiza as seguintes etapas no Sistema, que são todas as etapas anteriores à intervenção da Aduana: Registra as DDEs; Realiza a inclusão da presença de carga; Registra os dados de embarque; e • Envia as declarações (DDEs) para despacho aduaneiro. Demonstra extratos das DDE, informando o CPF do usuário responsável (fls. 5.657/5.658). A Srª PATRÍCIA ANDRÉA PAIS, é sócia em comum da ESTRELLA, da ROJU e da TOQUINHO, e ficou demonstrado nos autos que movimenta valores até superiores aos movimentados pela empresa ESTRELLA. A Srª. SONIA SILVERA ESTRELLA, sócia administradora da TOQUINHO, é sócia ostensiva, com poderes de administração, de duas outras empresas, ambas localizadas nos mesmos endereços: TRANSPORTES TRANSONPA LTDA – ME, e SIMOGRAF – IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO DE EQUIPAMENTOS E MÁQUINAS LTDA – ME, ambas em Chui/RS. Assevera o Fisco que em consulta no sistema Trânsito Aduaneiro (extrato telas anexadas fls. 5659/5.660) revela que a empresa TRANSPORTES TRANSONPA LTDA ME é a representante nacional do transportador estrangeiro de trânsito internacional (TETI) PAIS MARICHAL TRANSPORTES LTDA, a qual realizou TODOS os transportes de exportação da ESTRELLA, tanto das mercadorias apreendidas no dia 07/02/2014 quanto das demais exportações objeto da intimação de 11/02/2014, conforme se vê pelos Conhecimentos de Transporte Internacional por Rodovia (CRT) que instruem os respectivos despachos de exportação, parte integrante do presente processo. Restou configurado nos autos que, enquanto a ROJU e a TOQUINHO não possuem contas bancárias de sua titularidade, a utilização das contas bancárias dos sócios (pessoas físicas) para transações financeiras das pessoas jurídicas: ESTRELLA, ROJU e TOQUINHO (fl. 5.722). Após análises das DIPJ e movimentação financeira das empresas, a Fiscalização conclui da seguinte forma: "(...) Sendo a Srª Patrícia Andréa Pais sócia das três empresas ESTRELLA, ROJU e TOQUINHO, os indícios acima permitem considerar a solidariedade entre as três empresas, incluindo a ROJU e a TOQUINHO. Ademais, o sócio com poder de gerência na ESTRELLA, na ROJU e na TOQUINHO não é a Srª Patrícia Andréa Pais, mas sim o sócio: Sr. Paulo Estrella Ambrossi; Srª. Rosana Maria Correa Silvera e Srª. Sônia Silvera Estrella. Nesse contexto, seria ilógico considerar a solidariedade passiva solidária apenas da Srª Patrícia Andréa Pais, ou exigir que, para caracterizar tal solidariedade de cada um dos demais sócios, fosse necessário que cada um deles também utilizasse sua respectiva conta bancária da mesma forma como o fez a Srª Patrícia Andréa Pais. Ora, se a única sócia sem poder de gerência movimenta em sua conta bancária valores das empresas sem contas bancárias, então, como não deduzir que os sócios com poder de gerência destas empresas também possuem interesse em tal situação? Desse modo, a Fiscalização entende poder considerar a solidariedade passiva tributária da Srª Sônia Silvera Estrella e da Srª Rosana Maria Correa Silvera". Em 19/12/2014, a fiscalização compareceu no endereço da ESTRELLA, a fim de cumprir Diligência em nome dos sócios, solicitando que apresentassem os contratos de Fl. 9544DF CARF MF Processo nº 11051.720277/201487 Acórdão n.º 3402004.964 S3C4T2 Fl. 9.525 41 locação ou informassem o(s) proprietário(s) do(s) imóveis onde se localizam as três empresas. Na presença dos sócios PATRÍCIA ANDREA PAIS e PAULO ESTRELLA AMBROSSI, a Srª SONIA SILVERA ESTRELLA declarou que: • Ser a única proprietária de todos os imóveis localizados na Avenida Uruguai nº 2.261 e 2.240, onde se localizam as três empresas: ESTRELLA, ROJU e TOQUINHO; • Não haver contratos de locação para os imóveis utilizados pelas três empresas (...); A fiscalização avalia que a utilização de imóveis de propriedade da Srª SONIA SILVERA ESTRELLA pelas três empresas ESTRELLA, ROJU e TOQUINHO, sem contratos de locação, corrobora que a Srª SONIA possui interesse comum nas situações relatadas no presente Termo, caracterizandoa como sujeito passivo solidário em relação ao crédito tributário resultante da presente ação fiscal. Observa o Fisco, ainda, que SONIA compareceu à repartição fiscal, para prestar depoimento como representante legal da ESTRELLA, ocasião em que demonstrou perfeito conhecimento acerca das atividades da empresa ESTRELLA e da TOQUINHO. Todos os sócios arrolados pela fiscalização como responsáveis solidários pelo ilícito praticado (Sr. PAULO, Srtas. SONIA e PATRÍCIA) argumentam, em linhas gerais, que o art. 124 do CTN não lhes é aplicável, somente se admitindo a responsabilização do sócio da pessoa jurídica nas hipóteses do art. 135 do CTN e que a utilização das contas bancárias pessoais não caracteriza ato de infração à lei, pelo que improcede sua responsabilização. Asseveram ainda que, "(...) O elemento de conexão utilizado no acórdão para aplicar a responsabilidade solidária do sócio PAULO, foi o fato do mesmo ser, simplesmente, sócio de uma das empresas; nada mais. Concluiuse, assim pelo seu interesse comum na situação que configura o fato gerador da obrigação principal. Utilizouse a fiscalização, para tanto, o disposto no art. 124, inciso I do CTN. Antes de mais nada, cumpre referir que o dispositivo em comento não é aplicável em relação ao sócio da própria pessoa que constitua o fato gerador da obrigação principal. "As pessoas" mencionadas nos dispositivo legal, à toda evidência, são terceiros que possuem interesse comum na situação". Argumentam também que a responsabilidade é pessoal e exclusiva do diretor, gerente,ou representante de pessoas jurídicas de direito privado. Ocorrida a hipótese prevista neste artigo, a sociedade não responderá nem subsidiariamente nem subsidiariamente, ficando a responsabilidade toda a cargo do agente que praticou atos com excesso de poderes ou infração de lei ou contrato social, salvo quando o agente que praticou tais atos tenha pouco ou nenhum patrimônio e este tenha sido colocado na administração da sociedade exatamente para cometimento das infrações. Neste caso, a sociedade responderá de forma solidária. "Temse, portanto, que, não sendo a utilização das contas bancárias pessoais ato de infração à lei, improcede a responsabilização do sócio". Que a mera alegação de ausência de autonomia patrimonial das empresas em relação aos sócios sem a individualização de qualquer conduta destes concorrendo para a prática dos ilícitos, em tese cometidos, revelase insuficiente para a configuração da solidariedade pelo art. 124 do CTN e do art. 95 do DecLei n° 37/66. Fl. 9545DF CARF MF 42 Concluem da seguinte forma, (...) Vejase que ao referir que as empresas atuavam conjuntamente na prática das exportações simuladas, assevera que os sócios apenas detinham interesse comum e direto na prática do ilícito. É dizer, não o praticavam. Pois bem. Sobre a sujeição passiva tributária, vejamos o que dispõe o Código Tributário Nacional, in verbis: “Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei.” “Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem.” Ou seja, a pessoa obrigada ao pagamento de penalidade pecuniária é considerado sujeito passivo de obrigação principal. Chamase “contribuinte” aquele que possua “relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador”. A leitura do artigo 121 implica a conclusão de que para o CTN o “infrator” é também “contribuinte”, se possuir “relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador”. Além disso, sendo diversos os coautores da infração sujeita a pena pecuniária, são todos responsáveis solidários, por possuírem interesse jurídico comum no ilícito que dá azo à penalidade pecuniária (obrigação principal), nos termos do artigo 124, inciso I, do CTN. Em complemento às disposições do Código Tributário Nacional, o Decreto Lei nº 37/1966 definiu especificamente a responsabilidade pelas infrações aduaneiras: “Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie;” (Negritei) Segundo tais normas, portanto, a infração consubstanciada na "ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros" é imputável a quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie. Do exame das provas constantes dos autos, restou evidente que não só as empresas ESTRELLA, TOQUINHO e ROJU atuavam conjuntamente na prática das Fl. 9546DF CARF MF Processo nº 11051.720277/201487 Acórdão n.º 3402004.964 S3C4T2 Fl. 9.526 43 exportações simuladas objeto de autuação, como também que os sócios PAULO, PATRÍCIA e SONIA detinham interesse comum e direto na prática do ilícito, posto que: i) exerciam função de administração nas empresas autuadas; ii) utilizavam suas contas bancárias pessoais para movimentações financeiras das empresas; iii) disponibilizaram patrimônio próprio, como no caso de SONIA, para a realização das atividades empresariais. Como bem observado pelo fisco, a falta de autonomia patrimonial das empresas em relação a seus sócios, implica que os mesmos sejam responsabilizados solidariamente, mormente se considerarmos que, dentro do contexto em que as exportações simuladas foram realizadas, não há como deixar de reconhecer aos sócios o papel de verdadeiros artífices do esquema ilícito praticado. Nesse sentido, perfeito o enquadramento legal procedido pelo Fisco no art. 124 do CTN, uma vez que o art. 135 apenas prevê a responsabilidade pessoal dos sócios administradores quando agem à revelia das disposições societárias. No caso, dada a confusão entre as empresas e seus sócios, não há como cindir essa responsabilidade, como pretendem os Recorrentes. Desta forma, a responsabilização solidária dos arrolados foi corretamente procedida pela fiscalização. 6. Dispositivo Ante o exposto, voto por: (i) negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pela empresa ESTRELLA, para mantêla no pólo passivo; e (ii) manter a responsabilidade solidária passiva das empresas TOQUINHO e ROJU, bem como dos sócios (pessoas físicas), Sr. PAULO ESTRELLA AMBROSSI, Sra. PATRÍCIA ANDRÉA PAIS e Sra. SONIA SILVERA ESTRELLA. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 9547DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19679.009460/2005-71
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE.
Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49.
A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso.
Numero da decisão: 1002-000.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
Julio Lima Souza Martins - Presidente.
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira (vice-presidente), Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso.
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Recorrente NEW LYNE INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicarse o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. Julio Lima Souza Martins Presidente. Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 94 60 /2 00 5- 71 Fl. 61DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira (vicepresidente), Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 44 à 55) interposto contra o Acórdão n° 1613.117, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP (fls. 35 à 38), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2000 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. O cumprimento da obrigação acessória apresentação de declarações (DCTF) fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator A aplicação das penalidades legais. Denúncia Espontânea. A prática da entrega, com atraso, da declaração, não caracteriza a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. Lançamento procedente. Os argumentos apresentados na Impugnação são reiterados em sede de Recurso Voluntário, de modo que pretende a Contribuinte o afastamento da multa por descumprimento de obrigação acessória (decorrente do atraso na entrega da DCTF), por vislumbrar seu enquadramento nas circunstâncias autorizativas da denúncia espontânea (art. 138 do CTN), verbis: Em face do acima exposto, requer a Recorrente que Vossas Senhorias se dignem a julgar procedente o presente Recurso com a reforma do r. acórdão, para o fim de declarar a insubsistência da multa aplicada pela entrega em atraso da Declaração e Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF— 2000), tendo em vista a ocorrência de denúncia espontânea. É o relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira Relator .O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passo à análise dos pontos suscitados no Recurso. Quanto ao mérito, observo inicialmente que não há discussão quanto ao atraso ter efetivamente ocorrido. Os argumentos da Recorrente, a exemplo do que ocorreu em primeira instância, se baseiam na denúncia espontânea, haja vista ter entregue a declaração antes de qualquer procedimento fiscal. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 19679.009460/200571 Acórdão n.º 1002000.041 S1C0T2 Fl. 3 3 Contudo, não vejo como acolher os pleitos da Recorrente, pois a decisão da DRJ apresenta estreita sintonia com a jurisprudência do CARF. Os indigitados argumentos foram fundamentadamente afastados no juízo administrativo a quo, pelo que peço vênia para transcrever abaixo os principais trechos do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoos desde já como razões de decidir, em cumprimento aos ditames do §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999 e em atenção ao disposto no §3º do art. 57, do RICARF: Versam os autos sobre a aplicação de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF. De inicio, é de se registrar que o atraso na entrega da declaração é ostensivo, evidente por si s6 e, enquanto tal, desnecessário qualquer procedimento fiscal prévio. Ademais, tratase de procedimento sumário de revisão interna da declaração, permitido pela legislação. Ponderase, ainda, que, consoante o parágrafo único do artigo 142 do CTN, a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. E, por ser o lançamento ato privativo da autoridade administrativa é que a lei atribui Administração o poder de impor, por meio da legislação tributária, ônus e deveres aos particulares, denominados, genericamente, "obrigações acessórias", que tem por objeto as prestações, positivas ou negativas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (art. 113, § 2° do CTN). Quando a obrigação acessória não é cumprida, fica subordinada multa especifica (art. 113, § 3°, do CTN). Assim é que a Administração exige do particular diversos procedimentos. No caso, a obrigação acessória implicou não só o cumprimento do ato de entregar a declaração, como também, o dever de fazê lo no prazo previamente determinado, independentemente de qualquer procedimento fiscal. Portanto, havêla entregue e ter recolhido todos os impostos declarados nos prazos previstos em lei, não exime o contribuinte da penalidade, posto que esta está claramente definida, tanto para a hipótese da não entrega, quanto para o caso de seu implemento fora do tempo determinado. Qualquer entendimento em contrário implicaria tornar letra morta os dispositivos legais em apreço, o que viria, inclusive, a desestimular o cumprimento da obrigação acessória no prazo legal. Em relação A figura da denúncia espontânea, contemplada no art.138 do CTN, frisese a sua inaplicabilidade ao fato, porque, juridicamente, só é possível haver denúncia espontânea de fato desconhecido pela autoridade, o que não é o caso do atraso na entrega da declaração, que se torna ostensivo com o decurso do prazo fixado para a sua entrega tempestiva. Destaco, ainda, que a própria natureza da obrigação acessória representa um viés autônomo do tributo cobrado. Nessa trilha, quando se descumpre a indigitada obrigação, Fl. 63DF CARF MF 4 nasce um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância, converte se em principal, relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3°, do CTN). De arremate, em relação ao instituto da denúncia espontânea suscitado no Recurso Voluntário, fazse mister ressaltar que tal matéria também é respaldada por entendimento sumulado do CARF: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Por fim, como se sabe, o caráter punitivo da reprimenda possui natureza objetiva. Ou seja, quedase alheia à vontade do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais. Eis que a responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do Código Tributário Nacional. Conclusão Com tudo o que foi exposto nos tópicos anteriores, resta claro que os argumentos esposados pela Recorrente não merecem ser acolhidos. Portanto, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. Breno do Carmo Moreira Vieira Relator Fl. 64DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.916356/2008-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2003
DCTF. DACON. RETIFICADORA. AUSÊNCIA. PROVA INEQUÍVOCA.
Ainda que a contribuinte retifique DACON e DCTF, é necessário fazer inequívoca da existência do crédito.
Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-005.093
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2003 DCTF. DACON. RETIFICADORA. AUSÊNCIA. PROVA INEQUÍVOCA. Ainda que a contribuinte retifique DACON e DCTF, é necessário fazer inequívoca da existência do crédito. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Walker Araujo.
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DACON. RETIFICADORA. AUSÊNCIA. PROVA INEQUÍVOCA. Ainda que a contribuinte retifique DACON e DCTF, é necessário fazer inequívoca da existência do crédito. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Walker Araujo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 63 56 /2 00 8- 51 Fl. 570DF CARF MF 2 Por bem transcrever os fatos e ser sintético, adotase o relatório da DRJ/Rio de Janeiro I, fls. 351: Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica – não homologada de débito de Cofins (cód. 21721), no valor de R$2.910,00 (principal), do período de apuração de 01/02, com crédito oriundo de pagamento considerado indevido, a título de PIS (cód. 6912), do período de 04/03, no valor de R$30.648,72; recepcionada pela RFB em 07/10/2004, tudo conforme se verifica na cópia da PerdComp constante dos autos. A autoridade fiscal decidiu não homologar a compensação efetuada, pois entendeu inexistir o direito creditório declarado (fl. 10). Cientificada da decisão em 22/08/08 (fls. 8/9), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 12/13), alegando em resumo que: 1. Quando da apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, a interessada incorreu em erro, pois apresentou débito apurado junto ao PIS no período em análise, no valor de R$30.648,72, no entanto, no referido mês o valor correto de débito de PIS é R$26.476,85. 2. Assim, através da DCTF Retificadora a interessada corrigiu o erro; 3. assim, resta evidente a existência de crédito; 4. não há que se falar que o DARF apresentado pela interessada está sob código errado, eis que a interessada verificando o erro que cometeu no preenchimento do DARF; promoveu sua correção através de REDARF. A contribuinte requer homologação da compensação formalizada através da PER/DCOMP em exame. Sobreveio, então, decisão da DRJ/Rio de Janeiro I, cuja ementa é transcrita abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/05/2003 Prova. Momento. Preclusão. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário, alega a matéria, apresentada na manifestação de inconformidade. O feito, então, foi convertido em diligência, sob a Resolução de nº 3803 000.280 , relatoria de João Alfredo Eduão Ferreira , nos seguintes termos: 1 Todas as páginas, referenciadas voto, correspondem ao eprocesso. Fl. 571DF CARF MF Processo nº 15374.916356/200851 Acórdão n.º 3302005.093 S3C3T2 Fl. 3 3 Compulsando os referidos documentos constatamos que os mesmos trazem parte do material probatório para se provar a base de cálculo do tributo, calculado sob a forma não cumulativa, com as reduções previstas em lei e que aponta para saldo credor no período. Há indícios do direito pleiteado, porem, faltam provas para se ter a liquides e certeza do credito almejado. Em vista do exposto, nos termos do art. 18, I, do Anexo I, do Regimento Interno do CARF, veiculado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, voto por converter o julgamento em diligência. Foi realizado o relatório da diligência, fls. 547/550, posteriormente, foi intimada, fls. 561, manifestandose posteriormente, fls. 565. É o relatório. Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo. Tratase de matéria da competência deste colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. 2. Da retificação do DACON, da DCTF e da existência de prova A Recorrente alega, em seu recurso voluntário, a certeza e liquidez do crédito no valor de R$ 4.171,87, recolhido aos cofres públicos em 15/05/2003, através do Darf no valor integral de R$ 30.648,72 (sendo o valor de R$ 26.476,85 utilizado para pagamento do débito apurado no mês de ABRIL/2003 e R$ 4.171,87 na per/dcomp mencionada). Esclarece que, conforme consta na DACON, retificadora do 2º trimestre de 2003, transmitida em 14 de julho de 2003, os créditos foram superiores aos débitos apurados. Diante da dúvida sobre a existência do crédito ou não, os autos foram convertidos em diligência, onde a fiscalização solicitou os seguintes documentos, fls. 547/548: 1. Livros Diários, devidamente autenticados em órgão competente, e Livro Razão, referente ao ano de 2003; 2. Livro de Registro de Inventário do anocalendário de 2003; 3. Livro de Registro de Entradas do anocalendário de 2003; 4. Livro de Registro de Saídas do anocalendário de 2003; 5. Livro de Registro de Notas Fiscais de Serviços Prestados do anocalendário de 2003; Fl. 572DF CARF MF 4 6. Livro de Apuração do PIS/PASEP (ou planilhas de cada mês, contendo todos os cálculos de apuração da base de cálculo e do crédito obtido) dos meses de janeiro/2003; fevereiro/2003; março/2003; abril/2003; junho/2003; julho/2003 e setembro/2003, com toda a documentação de suporte; 7. Notas Fiscais originais e os conhecimentos de fretes de cada operação realizada; 8. Contratos de empréstimos que originaram o crédito de PIS/PASEP; 9. Contratos de alugueis que originaram o crédito de PIS/PASEP; 10. demais documentos que o contribuinte achar necessário para comprovação do seu direito ao crédito tributário de PIS/PASEP. Ocorre que, conforme relatório da diligência fiscal, a Recorrente informou que havia transcorrido um lapso temporal de mais de 10 (dez) anos entre as operações e que não possuí os referidos documentos, sendo que os havia descartado, fls. 549/550. A mesma informação foi fornecida pela empresa, quando respondeu ao relatório da diligência, afirmando que o ônus da prova caberia à fiscalização em decorrência do lapso temporal, fls. 565/566. Não assiste razão à Recorrente, uma vez que o ônus de provar que faz jus ao crédito é do contribuinte, nos termos do artigo 373, do Código de Processo Civil: Código de Processo Civil Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (grifos não constam no original) Não há como atribuir à fiscalização uma obrigação que seria da contribuinte, por mais, que a legislação obrigue a manter a documentação durante o prazo decadencial, nos termos do artigo 37, da Lei nº 9.430, de 1996; tal disposição deve ser aplicada quando a Fazenda Pública solicita documentos em fiscalização para lançamento e já ultrapassado o prazo, sendo o crédito extinto pelos efeitos da decadência. No caso em análise, o interesse do crédito é da contribuinte, então, à ela incumbiria o zelo de guardar e manter a documentação contábil em relação ao crédito, que pleiteava fazer jus. Nesse sentido, não há como reconhecer o direito creditório, ainda que haja retificação, tendo em vista que a retificação da DCTF ocorreu após o despacho decisório, o que traz a necessidade de demonstrar mediante prova inequívoca a existência do crédito. Nesse sentido, não há como reconhecer o direito à liquidez e certeza do crédito, nos exatos termos do resultado da diligência. 3. Conclusão Fl. 573DF CARF MF Processo nº 15374.916356/200851 Acórdão n.º 3302005.093 S3C3T2 Fl. 4 5 Diante do exposto, conheço o recurso voluntário e nego provimento. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Fl. 574DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.727831/2012-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Data do fato gerador: 12/07/2007, 12/07/2008
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
A Fiscalização pode exigir do contribuinte que apresente documentação comprobatória dos fatos escriturados em sua contabilidade e dos fatos que possam repercutir com efeitos em exercícios futuros, não cabendo a alegação de decadência.
PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. CUSTO DE AQUISIÇÃO. CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS.
O custo de aquisição é considerado igual a zero no caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas apurados até 31 de dezembro de 1988, assim como nos anos de 1994 e 1995.
Numero da decisão: 2401-005.223
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e rejeitar a preliminar. No mérito, por maioria, negar-lhe provimento, vencida a Relatora. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(Assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Presidente em exercício e Redator Designado
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Virgilio Cansino Gil. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Data do fato gerador: 12/07/2007, 12/07/2008 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. A Fiscalização pode exigir do contribuinte que apresente documentação comprobatória dos fatos escriturados em sua contabilidade e dos fatos que possam repercutir com efeitos em exercícios futuros, não cabendo a alegação de decadência. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. CUSTO DE AQUISIÇÃO. CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS. O custo de aquisição é considerado igual a zero no caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas apurados até 31 de dezembro de 1988, assim como nos anos de 1994 e 1995.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e rejeitar a preliminar. No mérito, por maioria, negar-lhe provimento, vencida a Relatora. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (Assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Presidente em exercício e Redator Designado (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Virgilio Cansino Gil. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
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INOCORRÊNCIA. A Fiscalização pode exigir do contribuinte que apresente documentação comprobatória dos fatos escriturados em sua contabilidade e dos fatos que possam repercutir com efeitos em exercícios futuros, não cabendo a alegação de decadência. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. CUSTO DE AQUISIÇÃO. CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS. O custo de aquisição é considerado igual a zero no caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas apurados até 31 de dezembro de 1988, assim como nos anos de 1994 e 1995. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 78 31 /2 01 2- 48 Fl. 1458DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e rejeitar a preliminar. No mérito, por maioria, negarlhe provimento, vencida a Relatora. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (Assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em exercício e Redator Designado (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Virgilio Cansino Gil. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Fl. 1459DF CARF MF Processo nº 11080.727831/201248 Acórdão n.º 2401005.223 S2C4T1 Fl. 1.459 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DF (DRJ/BSB), que, por unanimidade de votos, REJEITOU as preliminares suscitadas e, no mérito, julgou IMPROCEDENTE a Impugnação, conforme ementa do Acórdão nº 0371.019 (fls. 1.359/1.378): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007, 2008 PRELIMINAR DE NULIDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. O contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador, assume, por expressa disposição legal, a posição de sujeito passivo da obrigação tributária. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. CUSTO DE AQUISIÇÃO. ISENÇÃO. PRAZO DE GUARDA DE DOCUMENTOS. Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos. As vendas de ações efetuadas por pessoas físicas após 1º de janeiro de 1989 estão sujeitas ao imposto de renda sobre o lucro auferido. O custo de aquisição é considerado igual a zero no caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas apurados até 31 de dezembro de 1988, e nos anos de 1994 e 1995. A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, nos termos do art. 178 do Código Tributário Nacional, pode ser revogada ou modificada a qualquer tempo, sem que gere direito adquirido ao contribuinte. A prova documental deve ser mantida pelo adquirente enquanto for proprietário dos bens e direitos adquiridos, porquanto a operação de venda não tem por determinação legal que se realizar dentro do prazo decadencial de cinco anos previstos no artigo 173 do Código Tributário Nacional, o que limitaria o exercício do direito de propriedade no tempo. Não há prazo decadencial previsto para averiguação da veracidade de registros, principalmente em relação ao custo de Fl. 1460DF CARF MF 4 aquisição de bens envolvidos em operações que acarretem modificação no patrimônio do contribuinte. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A multa de ofício de 75% é devida nos lançamentos de ofício, nos casos de declaração inexata, incluindo equívocos cometidos pelos contribuintes, independentemente da intenção de fraudar o Fisco. A redução legal da multa de ofício é prevista pela legislação tributária quando ocorrer o pagamento ou o parcelamento do crédito tributário, observados os prazos estabelecidos. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. As decisões judiciais e administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo trata do Auto de Infração – Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 1.217/1.250), lavrado contra a Contribuinte em 19/06/2012, onde foi apurado Imposto de Renda Pessoa Física, relativo aos anoscalendário 2007 e 2008, no valor de R$ 585.689,98, Juros de Mora, calculados até junho de 2012, no valor de R$ 265.746,75 e Multa Proporcional, passível de redução, no valor de R$ 439.267,49, perfazendo no total Crédito Tributário no montante de R$ 1.290.704,22. Conforme consta no RELATÓRIO FISCAL RAF (fls. 1.226/1.250) a Fiscalização apurou omissão de ganho de capital em razão de erro cometido pela Contribuinte na apuração do custo de aquisição das ações que possuía na sociedade Pilar Empreendimentos Imobiliários S/A, vendidas à sociedade Vulcabrás do Nordeste S/A, hoje denominada Vulcabrás Azaleia – CE Calçados e Artigos Esportivos S/A. Os Auditores Fiscais descrevem, no tópico IV – DOS ERROS NA AVALIAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO do RAF (fls. 1.231/1.242), os erros e as irregularidades encontradas nos demonstrativos trazidos pela Contribuinte para justificar o custo de aquisição das ações da PILAR S/A, vendidas à Vulcabrás do Nordeste S/A, que resultaram em majoração indevida deste custo, em desacordo com a legislação vigente. Já no tópico V DO CÁLCULO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO PARA FINS DE APURAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL (fls. 1.242/1.250), os Auditores Fiscais apresentaram dois demonstrativos, denominados (1) "Demonstrativo de Cálculo do Custo de Aquisição das Quotas Pilar Nestor de Paula" e (2) "Demonstrativo de Cálculo do Custo de Aquisição das Ações Pilar – Paula Camila de Paula", elaborados para apurar as diferenças no cálculo do custo de aquisição. Os demonstrativos elaborados trazem na primeira coluna todas as informações prestadas pela Contribuinte, referidas no tópico III do RAF (fl. 1.230), que representam a apuração do custo de aquisição levada ao "Demonstrativo de Apuração do Ganho de Capital" anexo à DIRPF do exercício de 2008, e, na segunda coluna, a evolução do custo de aquisição das cotas/ações na visão da fiscalização, seguindo a mesma forma adotada pela Contribuinte. Fl. 1461DF CARF MF Processo nº 11080.727831/201248 Acórdão n.º 2401005.223 S2C4T1 Fl. 1.460 5 Ao final chegam ao seguinte resultado: · Custo apurado pela Contribuinte na DIRPF R$ 20.420.611,56 · Custo apurado pela fiscalização R$ 16.516.011,77 · Diferença passível de tributação R$ 3.904.599,79 A diferença apurada, considerada passível de tributação, foi dividida em duas partes, de acordo com a proporção de cada parcela recebida nos anoscalendário 2007 e 2008, conforme quando a seguir: Fato Gerador Valor (R$) Multa (%) 12/07/2007 R$ 2.215.356,34 75 % 12/07/2008 R$ 1.689.243,56 75 % A Contribuinte tomou ciência da lavratura do Auto de Infração em 23/06/2012, via Correio (AR fl. 1.251). Em 23/07/2012, interpôs impugnação (fls. 1.253/1.293), na qual, em síntese, traz as seguintes alegações: 1. Não incidência/isenção do IR, desde 1970, na incorporação de lucros para aumento de capital; 2. Licitude da utilização dos lucros para aumento de capital social como custo de aquisição; 3. Decadência do direito de lançar sobre operações contábeis declaradas, publicizadas e ocorridas há mais de 10 anos; 4. Aplicação da Lei Tributária vigente no momento da ocorrência do Fato Gerador; 5. A reavaliação da correção monetária aplicada em 1996 não pode ser revista em 2012 face à incidência da decadência do direito de lançar; 6. Ilegitimidade da cessionária para responder sobre qualquer discordância acerca do valor, pois recebeu em 1997 a participação societária exatamente pelo valor declarado pelo cedente (Nestor) em sua declaração de renda; 7. Que o mesmo raciocínio exposto no tópico anterior vale para a aquisição de cotas de capital mediante herança, em razão de sucessão. Salienta que neste caso há participação da Receita Estadual e chancela do Poder Judiciário quanto à valoração efetuada e sua rediscussão em momento futuro caracterizaria a anulação da partilha. Finaliza sua impugnação requerendo que seja desconstituído o lançamento, tornando insubsistente a autuação. Subsidiariamente, caso não seja acolhido seu pedido, pugna Fl. 1462DF CARF MF 6 pelo acolhimento parcial do pedido, “afastando o cálculo apresentado por qualquer dos argumentos apresentados”, bem como reduzindo a multa aplicada para o patamar de 20%. Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/BSB para julgamento, que, através do Acórdão nº 0371.019, decidiu REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, julgar IMPROCEDENTE a Impugnação, resultando na manutenção do imposto a pagar apurado, mais multa de ofício de 75% e juros de mora. Cientificada do Acórdão da DRJ/BSB, via Correio, em 09/06/2016 (AR – fl. 1.389), tempestivamente, em 08/07/2016, a apresenta seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 1.391/1.442, onde faz uma síntese do Processo Administrativo e alega que: 1. Não houve equívoco algum a ser corrigido nas declarações prestadas pela contribuinte por ocasião da venda de das suas Ações da Pilar à Vulcabrás do Nordeste S.A.; 2. Ocorreu a decadência do direito de lançar sobre operações contábeis declaradas, publicizadas e ocorridas a mais de 10 anos; 3. A lei aplicável aos diversos atos e fatos ocorridos ao longo de mais de 30 anos deve ser aquela vigente no momento da ocorrência do fato gerador; 4. Os registros contábeis feitos pela pessoa jurídica, suas respectivas declarações, bem como as declarações de renda da Recorrente foram apresentados em exercícios anteriores e já estão protegidos pela imutabilidade estabelecida pela decadência do direito de lançar; 5. Passados mais de 15 anos da aquisição da participação societária por sucessão causa mortis, não há que se falar em glosa do fisco, seja porque o valor refletia o montante declarado pelo autor da herança, seja porque a reavaliação a valor presente já teria escoado o prazo para autuação sobre o ganho de capital, face à decadência; 6. A reavaliação da correção monetária aplicada em 1996 não pode ser revista em 2012 face à incidência da decadência do direito de lançar; 7. Desde 1970 que o lucro utilizado para aumento de capital é considerado como não tributável/isento, por força do art. 3º do DecretoLei nº 1.109/70; 8. Em 2001, ano da capitalização do lucro acumulado, a hipótese legal em vigor é o art. 10, parágrafo único, da Lei nº 9.249/95; 9. Desde 1996, as reservas constituídas com lucros acumulados, quando utilizadas para aumento de capital tinham o condão de agregar valor ao custo de aquisição; 10. É lícita a utilização dos lucros para aumento de capital social como custo de aquisição. Finaliza seu Recurso Voluntário requerendo seu provimento a fim de desconstituir o Auto de Lançamento, tornando insubsistente a autuação realizada. Subsidiariamente requer o acolhimento parcial do recurso, afastandose a exigência fiscal por Fl. 1463DF CARF MF Processo nº 11080.727831/201248 Acórdão n.º 2401005.223 S2C4T1 Fl. 1.461 7 qualquer dos argumentos expostos, bem como a redução da multa aplicada no percentual de 75% para o patamar de 20%. É o relatório. Fl. 1464DF CARF MF 8 Voto Vencido Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Decadência A Recorrente assevera que ocorreu a decadência do direito de lançar com relação às operações contábeis declaradas e publicizadas há mais de dez anos. Afirma que não se discute se o lançamento exarado pelos auditores observou o lapso temporal com relação aos fatos ocorridos em 2007. Sua irresignação consiste na glosa de operações contábeis realizadas no período anterior a cinco anos da ocorrência do fato gerador configurado em julho de 2007 e julho de 2008, não sendo mais permitido ao Fisco o questionamento dessas operações. Pois bem. É certo que a obrigação principal surge com a efetivação do fato gerador que consiste na situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência, sendo o dever do agente fiscal proceder ao lançamento com o cálculo do montante do tributo devido, conforme determinado pelo Código Tributário Nacional: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 1465DF CARF MF Processo nº 11080.727831/201248 Acórdão n.º 2401005.223 S2C4T1 Fl. 1.462 9 Nesse diapasão, constatase que o termo inicial para a contagem do prazo decadencial se inicia da ocorrência do fato gerador, consoante normas positivadas no Código Tributário Nacional: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Dessa forma, o lançamento somente poderá ser realizado após a ocorrência do fato gerador, sendo, por conseguinte, obrigação do agente fiscal averiguar todas as circunstâncias que envolvam a obrigação tributária dele correspondente, inclusive com a análise de documentos relacionados a fatos societários e registros contábeis que trazem os respectivos reflexos tributários. No caso concreto, tratase de alienação de ações ocorridas em julho de 2007 e julho de 2008, sendo este (julho/2007 e julho/2008) o marco inicial para contagem do prazo decadencial. Isso porque, com relação ao imposto sobre a renda (inclusive o ganho de capital) devido pela pessoa física é aplicável o regime de caixa e o imposto é devido na medida em que os rendimentos e ganhos são efetivamente percebidos. Nesse sentido são claras as disposições dos artigos 2º e 21 da Lei 7.713/1988: Art. 2º. O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 21. Nas alienações a prazo, o ganho de capital será tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver. O prazo decadencial não se inicia com as operações contábeis declaradas se referidas operações não representavam fato gerador do tributo em questão. A simples averiguação da veracidade, legitimidade e idoneidade dos fatos contábeis e societários relacionados ao custo de aquisição das ações adquiridas pela Recorrente ocorreu por força da competência administrativa do fiscal decorrente do dever na constituição do crédito tributário. Fl. 1466DF CARF MF 10 Constatada a ocorrência do fato gerador e encontrandose dentro do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário, poderá a fiscalização exigir da contribuinte documentos que comprovem se a obrigação tributária foi cumprida em consonância com a legislação tributária, caso referidos documentos repercutam na apuração do tributo devido (artigo 37 da Lei nº 9.430/96). Ora, no presente caso, a contribuinte utilizou no cálculo de apuração do ganho de capital, informações de anos anteriores que repercutiram no valor do custo de aquisição das ações alienadas em 2007. Referidas informações devem ser analisadas pelo fisco a fim de que possa proceder a correta apuração do Imposto de Renda sobre o ganho de capital. Ou seja, as regras do prazo decadencial previstas no Código Tributário Nacional referemse ao prazo para lançamento a contar da ocorrência do fato gerador e não à verificação dos documentos comprobatórios do resultado apurado. Assim, entendo que a Fiscalização pode exigir da contribuinte que apresente documentação comprobatória dos fatos escriturados em sua contabilidade e dos fatos que possam repercutir com efeitos em exercícios futuros, não cabendo, nesse passo, a alegação de decadência. Portanto, rejeito a preliminar alegada. Custo de aquisição A Recorrente se insurge contra a exigência do Imposto de Renda sobre ganho de capital oriundo de alienação de participação societária da empresa Pilar Empreendimentos Imobiliários S.A. para a empresa Vulcabrás do Nordeste S.A, ocorrida em 12 de julho de 2007. Afirma ser indevida a apuração do valor do custo de aquisição. Segundo a fiscalização, no aumento de capital ocorrido em 2001 a contribuinte majorou indevidamente o custo de aquisição ao incluir a incorporação de lucros de R$ 19.872.969,43 na capitalização, acrescendo em R$ 3.974.593,89 ao custo de aquisição de suas quotas, equivalente ao percentual de participação de 20% aplicado sobre o total de lucros capitalizados. Conforme se observa no Relatório de Ação Fiscal, a fiscalização apurou equívocos na identificação do custo de aquisição quando da apuração do ganho de capital. Dissertou sobre a evolução do valor das quotas na participação societária e constatou a seguinte diferença: Segundo a acusação fiscal, com relação ao aumento de capital ocorrido em 2001, deveria ter sido atribuído custo zero à participação decorrente de capitalização desses lucros, de acordo com o histórico da legislação citada. Por outro lado, a contribuinte afirma que a fiscalização segregou todo o período em que o lucro foi apurado sem considerar a rubrica contábil registrada relativa ao Fl. 1467DF CARF MF Processo nº 11080.727831/201248 Acórdão n.º 2401005.223 S2C4T1 Fl. 1.463 11 aumento de capital ocorrida em 2001. Assevera que a sociedade privou seus sócios da distribuição do lucro para aumentar o capital, o que deve ser levado em consideração na composição do chamado “custo de aquisição”. Se estes valores já vinham sendo informados nas declarações de renda das pessoas físicas, não se pode alegar agora que houve manobra com o propósito evasivo apenas em 2001 em que os sócios utilizaram esses lucros, tendo como consequência o aumento do custo de aquisição. Destarte, inobstante o entendimento firmado no item anterior de que, diante da constatação da ocorrência do fato gerador, tem o agente fiscal o poder/dever de averiguar os lançamentos contábeis que repercutam na apuração do tributo devido, não se verificando a decadência, cabe nesse ponto destacar que de acordo com o artigo 923 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), a escrituração contábil faz prova a favor da contribuinte quando esteja lastreada em documentos hábeis e idôneos: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). Ressaltese que a fiscalização verificou o custo de aquisição estipulado pela contribuinte a partir da análise dos lançamentos contábeis, devidamente respaldados nos documentos de alterações societárias. A contribuinte apresentou toda a documentação de suporte destacada nos lançamentos contábeis. Não houve desconsideração da contabilidade da Recorrente e nem mesmo qualquer indício de fraude ou simulação, conforme assentado em Relatório Fiscal. O ganho de capital foi apurado pela contribuinte e o Imposto de Renda devidamente recolhido. Compulsando os autos, constatase que os fatos apresentados foram efetivamente lançados na contabilidade e encontramse respaldados por documentos hígidos atestados pelo agente fiscal que em nenhum momento os desconsiderou. O conjunto probatório ora analisado carreia à conclusão da idoneidade dos lançamentos contábeis efetuados e documentos apresentados. A partir de tal constatação da veracidade dos dados apresentados e que não ocorreu fraude ou simulação por parte da contribuinte, necessário a análise do ponto fulcral do lançamento que se consubstancia na glosa do acréscimo ao custo de aquisição do montante relativo ao aumento de capital respectivo. As afirmações constantes na decisão de piso concernentes à impossibilidade de se computar, como custo de aquisição de participação societária, a capitalização de lucros anteriores a 31/12/1988 e aos anos de 1994 e 1995, não influenciaram no lançamento efetuado, conforme corroborado no próprio Fiscal no Relatório de Autuação. A solução de tal conflito está na interpretação correta do parágrafo único do art. 10 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro 1995, base legal do art. 135 do Decreto n° 3.000, de 1999, tendo em vista que, de forma taxativa, o Auditor Fiscal afirma que em relação ao aumento de capital ocorrido em 2001, deveria ter sido atribuído custo zero à participação decorrente da capitalização desses lucros, o que não se coaduna com a determinação legal. Vejamos os preceitos legais abaixo transcritos: Fl. 1468DF CARF MF 12 Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Conforme se constata do dispositivo legal, a partir de 1996, o aumento de capital realizado por uma pessoa jurídica por incorporação de lucros ou de reservas constituídas, implica o aumento proporcional do custo de aquisição da participação societária de seus proprietários. Isso porque os lucros acumulados e as reservas de lucros são parcelas dos lucros ainda não realizados. Quando se tornam lucros disponíveis, a sua utilização para o aumento de capital tem como contrapartida a bonificação de quotas aos sócios. Conforme esclarecido no próprio Relatório de Fiscalização, as reservas de lucros foram capitalizadas em 2001, o que possibilitou o aumento do custo de aquisição da participação societária, em valor equivalente à parcela capitalizada dos lucros ou das reservas que corresponder à participação do sócio, em face de autorização legal. O assunto é tratado no dispositivo do artigo 41 do Decreto 3.000/99 que afasta a incidência do imposto de renda sobre os valores decorrentes de aumento de capital mediante a incorporação de reservas ou lucros: Art. 41. Não estão sujeitos à incidência do imposto os valores decorrentes de aumento de capital mediante a incorporação de reservas ou lucros apurados: I de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1992, que tenham sido tributados na forma do art. 35 da Lei nº 7.713, de 1988 (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XVII, alínea "a"); II no anocalendário de 1993, por pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real (Lei nº 8.383, de 1991, art. 75); III de 1º de janeiro de 1994 a 31 de dezembro de 1995, observado o disposto no art. 3º da Lei nº 8.849, de 1994, com as modificações da Lei nº 9.064, de 20 de junho de 1995; IV a partir de 1º de janeiro de 1996, por pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado (Lei nº 9.249, de 1995, art. 10). Parágrafo único. No caso do inciso IV, o lucro a ser incorporado pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado deverá ser apurado em balanço. De acordo com a Solução de Consulta nº 4.016 SRRF04/Disit, de 26 de agosto de 2016, o aumento de capital mediante a incorporação de lucros ou de reservas constituídas com lucros possibilita o incremento no custo de aquisição da participação Fl. 1469DF CARF MF Processo nº 11080.727831/201248 Acórdão n.º 2401005.223 S2C4T1 Fl. 1.464 13 societária, em valor equivalente à parcela capitalizada dos lucros ou das reservas constituídas com esses lucros que corresponder à participação do sócio ou acionista na investida. Vejamos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF REFORMA DA SOLUÇÃO DE CONSULTA SRRF04/DISIT Nº 43, DE 5 DE JUNHO DE 2013, PARA ALINHAMENTO À ORIENTAÇÃO DA COORDENAÇÃO GERAL DE TRIBUTAÇÃO (COSIT) REFERENTE À MATÉRIA. CUSTO DE AQUISIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. CAPITALIZAÇÃO DE RESERVAS E LUCROS. EFEITOS. Conforme entendimento da Cosit, somente o aumento de capital mediante a incorporação de lucros ou de reservas constituídas com lucros possibilita o incremento no custo de aquisição da participação societária, em valor equivalente à parcela capitalizada dos lucros ou das reservas constituídas com esses lucros que corresponder à participação do sócio ou acionista na investida. Portanto, concluise que, na espécie, a incorporação ao capital social de reservas de capital não implica, para o acionista, o benefício do aumento do custo fiscal de aquisição do investimento. Dispositivos Legais: Lei nº 7.713, de 1988, art. 16; Lei nº 9.249, de 1995, art. 10. VINCULAÇÃO À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 10, DE 3 DE FEVEREIRO DE 2016. O custo de aquisição da participação societária informado pela contribuinte levou em consideração a norma positivada no art. 135 do RIR/99, com a apuração do ganho de capital e o pagamento do Imposto de Renda devido, conforme documento adunado aos autos às fls. 23. No entanto, a Fiscalização não considerou o incremento no custo de aquisição decorrente da incorporação de lucros, conforme disposição legal já mencionada, o que levou a equivocada conclusão de que ocorreu insuficiência de pagamento de ganho de capital. Vêse, portanto, que no lançamento efetuado não foi aplicada a sistemática correta para a apuração do ganho de capital em face do equívoco na mensuração da base de cálculo apurada, no tocante ao custo de aquisição. Dessa forma, entendo que assiste razão à Recorrente, devendo ser cancelado o lançamento. Em face do entendimento supra, tenho por prejudicado o pleito recursal pertinente à redução da multa de ofício. Fl. 1470DF CARF MF 14 Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, afastando a exigência contida no lançamento. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 1471DF CARF MF Processo nº 11080.727831/201248 Acórdão n.º 2401005.223 S2C4T1 Fl. 1.465 15 Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço vênia para divergir do voto da I. Relatora no que tange à utilização de lucros e reservas de lucros acumulados para fins de cômputo no custo de aquisição das participações societárias alienadas. Antes da análise da matéria de mérito, deixo consignado que acompanhei a rejeição da preliminar em que a recorrente alegou o impedimento de revisão por parte do Fisco das operações contábeis e capitalizações que resultaram ao longo do tempo em acréscimo do custo de aquisição da participação societária, porque protegidas pela imutabilidade do término do prazo decadencial. O ganho de capital equivale à diferença positiva entre o valor da alienação e o respectivo custo de aquisição. No caso dos autos, o marco temporal do fato gerador referente ao ganho de capital ocorre no momento da alienação da participação societária, que se deu em 2007 e 2008. Enquanto não decaído o direito de a Fazenda lançar o crédito tributário, o agente fiscal poderá exigir os documentos comprobatórios do cumprimento da obrigação tributária, inclusive procedendo à reavaliação do custo de aquisição atribuído à operação pelo contribuinte, quando for o caso. Quanto à questão de fundo, a fiscalização detectou no curso do procedimento a majoração indevida do custo das quotas detidas pela contribuinte na empresa RALIA Participações Societárias Ltda, por ocasião do aumento de capital ocorrido em 01/07/2001. Segundo o Relatório Fiscal, os lucros incorporados ao capital social nessa data tinham a seguinte composição (fls. 1.240): No cômputo do custo de aquisição, a contribuinte utilizou indevidamente reserva de lucros cuja incorporação ao capital não pode refletir aumento de custo para o acionista/quotista, especificamente quanto aos lucros apurados até o ano de 1988 e nos anos calendário de 1994 e 1995. A capitalização de lucros de 1989 a 1993 foi aceita pelo agente fazendário. Fl. 1472DF CARF MF 16 De maneira didática, o Relatório Fiscal faz um histórico detalhado a respeito da evolução da legislação aplicável ao incremento do custo de aquisição na hipótese de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reserva de lucros. Ao final, o agente lançador consolida a sua exposição por meio de um resumo, que copio na sequência (fls. 1.239): A interpretação fiscal não merece reparos, estando devidamente justificada em face da legislação atinente aos fatos ocorridos. Advoga a recorrente, entretanto, que no momento do aumento do capital efetivado no ano de 2001, pela utilização dos lucros acumulados para efeitos de capitalização, incidia no caso concreto o art. 10 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995: 1 Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. (SUBLINHEI) 1 A Lei nº 12.973, de 13 de maio de 2014, acrescentou novos parágrafos ao art. 10 da Lei nº 9.249, de 1995, passando o parágrafo único para o § 1º, porém sem alteração de conteúdo. Fl. 1473DF CARF MF Processo nº 11080.727831/201248 Acórdão n.º 2401005.223 S2C4T1 Fl. 1.466 17 Qualquer interpretação do texto legal deve guardar compatibilidade com a norma jurídica abarcada pela "cabeça" do artigo, que trata de resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, dada a íntima conexão com os respectivos parágrafos do dispositivo de lei. Conforme a redação do então parágrafo único do art. 10 da Lei nº 9.249, de 1995, permitiuse, com relação às pessoas físicas e jurídicas, a atualização do custo da aquisição de participação societária decorrente de aumento de capital social mediante incorporação de lucros ou de reservas constituídas com esses lucros. Nada obstante, é requisito inafastável, segundo o preceptivo de lei, que tanto os lucros apurados, ou as reservas constituídas com os lucros, digam respeito a resultados ocorridos a partir do ano de 1996, o que afasta, a toda a evidência, a sua aplicação para as capitalizações com lucros apurados até o ano de 1995 (ou, dito de outra forma, antes de 01/01/1996). No que tange às capitalizações com lucros apurados em exercícios anteriores ao ano de 1996, como foi detalhado pelo agente fazendário, a possibilidade ou não de agregação de custo à participação societária mantém relação com a legislação pertinente ao regime de tributação da distribuição/capitalização de lucros estabelecida à época da apuração dos resultados, o que contribui, sem dúvida, para a segurança jurídica na aplicação da lei tributária. Inclusive, o procedimento fiscal que atribuiu o custo zero para as capitalizações de lucros apurados até o ano de 1988 e nos anos de 1994 e 1995 está amparado expressamente no inciso I do § 2º do art. 130 do Regulamento do Imposto sobre a Renda, veiculado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), com matriz legal no § 4º do art. 16 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988: Art. 130. O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital e de bens fungíveis será a média ponderada dos custos unitários, por espécie, desses bens (Lei nº 7.713, de 1988, art. 16, § 2º). § 1º No caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas de lucros, que tenham sido tributados na forma do art. 35 da Lei nº 7.713, de 1988, ou apurados no ano de 1993, o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário (Lei nº 7.713, de 1988, art. 16, § 3º, e Lei nº 8.383, de 1991, art. 75). § 2º O custo é considerado igual a zero (Lei nº 7.713, de 1988, art. 16, § 4º): I no caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas apurados até 31 de dezembro de 1988, e nos anos de 1994 e 1995; (...) (SUBLINHEI) Fl. 1474DF CARF MF 18 Prosseguindo com a análise dos argumentos de defesa trazidos pelo recurso voluntário, complemento com as seguintes considerações. O art. 3º do DecretoLei nº 1.109, de 26 de junho de 1970, bem como o art. 63 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, referemse à não incidência do imposto sobre a renda, extensível aos sócios beneficiários das quotas, quando do aumento de capital das pessoas jurídicas mediante incorporação de lucros ou reservas. Semelhante dispositivo integra o art. 3º da Lei nº 8.849, de 28 de janeiro de 1994, concebido para os lucros apurados nos anos de 1994 e 1995. Em um e outro caso, porém, não cuidam de custo de aquisição de participação detida pelo sócio, com repercussão em eventual apuração de ganho de capital na alienação da participação societária, mas sim de isenção na operação de capitalização de lucros ou reservas de lucros. A declaração parcial pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da inconstitucionalidade do chamado Imposto sobre o Lucro Líquido (ILL), previsto no art. 35 da Lei nº 7.713, de 1988, não tem relevância para o deslinde do processo administrativo em apreço. Com efeito, a tributação na fonte sobre o lucro líquido, de que trata o art. 35 da Lei nº 7.713, de 1988, vigorou apenas no período compreendido entre os anos de 1989 a 1992, tendo sido revogada, a partir de 1993, pelo art. 75 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, que determinou a não incidência do imposto sobre os lucros apurados naquele ano calendário. Como ressaltado linhas acima, a autoridade fiscal responsável pelo lançamento manteve intacta a parcela capitalizada correspondente ao sócio quanto aos lucros apurados nos anos de 1989 a 1993. No que diz respeito ao valor inicial do custo atribuído pela contribuinte, a autoridade fazendária detalhou os motivos pelos quais a reavaliação de 1994 para 1995 consistiu em procedimento desprovido de amparo legal (fls. 1.231). O art. 17 da Lei nº 9.249, de 1995, autorizou a correção monetária até 31 de dezembro de 1995, com base no valor da Unidade Fiscal de Referência (UFIR), para as participações societárias cuja aquisição tenha ocorrido até o final de 1995. A legislação infraconstitucional não ultrapassou os limites estabelecidos pela lei. Com efeito, a variação da UFIR durante o ano 1995 alcançou a cifra de 22,46% (Jan/1995: 0,6767 e Jan/1996: 0,8287), exatamente o mesmo valor indicado, na forma de multiplicador, pelo art. 20 da Instrução Normativa (IN) SRF nº 31, de 22 de maio de 1996: Art. 20. Para as participações societárias adquiridas até 1994, o custo de cada aquisição será o valor em Reais constante da declaração relativa ao exercício de 1996, anocalendário 1995, atualizado até 1º de janeiro de 1996, mediante sua multiplicação por 1,2246. (...) Fl. 1475DF CARF MF Processo nº 11080.727831/201248 Acórdão n.º 2401005.223 S2C4T1 Fl. 1.467 19 Por sua vez, segundo o 6º da IN SRF nº 69, de 28 de dezembro de 1995, o valor das participações societárias adquiridas até 1994 constante da declaração relativa ao exercício de 1996, anocalendário de 1995, deveria corresponder à conversão para Reais mediante a multiplicação da quantidade de UFIR por R$ 0,6767: Art. 6º A pessoa física sujeita à apresentação da Declaração de Ajuste Anual fica obrigada a apresentar relação pormenorizada dos bens e direitos que, no País ou no exterior, constituam, em 31 de dezembro de 1995, seu patrimônio e o de seus dependentes. § 1º Os bens e direitos serão expressos em Reais. § 2º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, os valores dos bens e direitos adquiridos até 31 de dezembro de 1994, declarados em UFIR, serão convertidos para Reais mediante a multiplicação da quantidade de UFIR por R$ 0,6767. (...) A sistemática estabelecida significava que o valor dos bens em 31/12/1995 deveria ser igual ao valor de 31/12/1994, corrigindose o custo das participações societárias, até 1º de janeiro de 1996, no montante da variação da UFIR em 1995 (22,46%). Dessa feita, equivocouse a contribuinte quando utilizou o índice de 1,2246 sobre o valor reavaliado pela correção monetária de 1994 para 1995. Por derradeiro, no tocante ao custo de aquisição de participação societária por ocasião da doação de quotas efetuada pelo pai da recorrente, a fiscalização não criou óbice ao valor atribuído na doação/cessão com base na declaração de bens do doador (fls. 1.232). Além do mais, cabe assinalar que a doação efetivouse em 01/08/1997, portanto antes do advento do art. 23 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 1476DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12268.000573/2008-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
OMISSÃO. INEXISTÊNCIA.
Não se reconhece a existência de omissão em Acórdão, quando a matéria reputada omissa não teria o condão de alterar o resultado do julgamento.
Numero da decisão: 2201-004.280
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os embargos interpostos.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 22/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Não se reconhece a existência de omissão em Acórdão, quando a matéria reputada omissa não teria o condão de alterar o resultado do julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os embargos interpostos. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. EDITADO EM: 22/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 05 73 /2 00 8- 47 Fl. 399DF CARF MF 2 Relatório Tratase de embargos de declaração apresentados pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (fls. 388/390) em face do Acórdão nº 2803004.220, da 3ª Turma Especial desta 2ª Seção (fls. 371/386), que restou assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 13/11/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INCABÍVEL. Constituise em obrigação tributária acessória apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV e parágrafo 3., acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV e parágrafo 5., também acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4., do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. A despeito da redação da ementa, que identifica a matéria em litígio mas não oferece qualquer conclusão, foi dado provimento ao recurso voluntário do contribuinte para fins de cancelamento da exigência fiscal relativa à multa por descumprimento de obrigação acessória consistente na entrega da GFIP com informações incompletas. Segundo a embargante, ao dar provimento ao recurso voluntário, o acórdão teria aplicado "decisão não definitiva proferida nos autos do processo nº 12268.000576/2008 81, acabando por excluir a multa imputada à contribuinte". Prossegue afirmando que a decisão proferida no processo em que discutido o principal não é definitiva, já que teria sido objeto de recurso especial. Neste caso, o acórdão embargado deveria ter esclarecido sobre a definitividade ou não da decisão proferida naquele processo. Por outro lado, caso se entenda que a decisão proferida no aresto vergastado não aplicou a decisão do processo principal, o julgado estaria eivado de vício, uma vez que não poderia adentrar no mérito da discussão relativa à obrigação principal. Os embargos foram admitidos por despacho do Sr. Presidente desta 2ª Seção (fls. 395/397), de onde se transcreve, in verbis: Ocorre que, no voto condutor, não há qualquer manifestação sobre a decisão proferida nos autos do processo de nº 12268.000576/200881, que é determinante na deliberação final sobre a aplicabilidade de tal decisão ao presente processo administrativo fiscal. Fl. 400DF CARF MF Processo nº 12268.000573/200847 Acórdão n.º 2201004.280 S2C2T1 Fl. 400 3 Portanto, é necessário suprir tal omissão, mediante a prolação de novo Acórdão. Tendo em vista a extinção do colegiado que proferiu a decisão embargada, o processo foi encaminhado para novo sorteio, em consequência do que, compôs lote distribuído a esta conselheira em sessão pública. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora Conforme evidencia o relatório, os embargos foram admitidos para suprir omissão quanto aos efeitos neste processo da decisão proferida no processo nº 12268.000576/200881, onde está se discutindo o crédito tributário principal. Entendo, entretanto, que não há qualquer interesse processual na supressão dessa omissão, já que ela não teria o condão de alterar o resultado do julgamento. Explico. É verdade que a decisão embargada analisou o mérito do lançamento efetuado no processo principal, discutindo se seriam devidas ou não as contribuições incidentes sobre auxílio educação (item III), PLR (item IV) e diferenças de folha de pagamento (item V), concluindo pela manutenção parcial do lançamento. No item VI, analisou as correções efetuadas na GFIP, concluindo pela necessidade de relevação parcial da multa aplicada de forma proporcional às correções realizadas no prazo de impugnação. Portanto, até a análise do item VI, o voto foi conduzido de forma a dar parcial provimento ao recurso voluntário, sem fazer qualquer vinculação com o que seria decidido no processo principal. Ocorre, porém, que, no item VII (fls. 380), o voto analisa os efeitos da Lei nº 13.097, de 2005, sobre as multas aplicadas, para concluir que o art. 49 dessa lei estabeleceu uma remissão, extinguindo o crédito tributário referente à obrigação acessória. Este ponto é concluído nos seguintes termos: Dessa forma, como fundamento autônomo, aos anteriores, leva se a conclusão pelo cancelamento do crédito tributário em questão. Assim, resta claro que o aresto vergastado concluiu pela insubsistência do lançamento pela adoção de um argumento que independe da análise do crédito tributário principal. Nesse contexto, tornase irrelevante a sorte do processo em que discutido o principal, não havendo que se falar em omissão. Fl. 401DF CARF MF 4 Por outro lado, a correção ou não da conclusão a que chegou o Acórdão embargado em relação à suposta remissão legal não é matéria submetida à análise nesta sede recursal, não cabendo a esta turma ordinária pronunciarse sobre ela. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer e rejeitar os embargos de declaração. Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 402DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.674239/2011-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/10/2001
BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS
A parcela do faturamento relativa ao Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) compõe a base de cálculo do PIS/Cofins, conforme julgamento do STJ no Resp 114.469/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos que permanece vigente e eficaz.
Numero da decisão: 3201-003.377
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente em exercício), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/10/2001 BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS A parcela do faturamento relativa ao Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) compõe a base de cálculo do PIS/Cofins, conforme julgamento do STJ no Resp 114.469/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos que permanece vigente e eficaz. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente em exercício), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório RHODIA POLIAMIDA E ESPECIALIDADES LTDA. requereu restituição de pagamento indevido da Cofins. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 42 39 /2 01 1- 77 Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10880.674239/201177 Acórdão n.º 3201003.377 S3C2T1 Fl. 3 2 A repartição de origem emitiu Despacho Decisório indeferindo a restituição devido à inexistência do crédito pleiteado, uma vez que o pagamento tido como origem do crédito encontravase integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente informou ser contribuinte do ICMS que incide sobre o valor da operação de saída das mercadorias do seu estabelecimento, figurando na relação jurídicotributária apenas e tão somente como agente arrecadador de uma receita do Estado, em razão do quê tem direito à restituição do valor pago a maior a título de Cofins, em decorrência da indevida inclusão em sua base de cálculo dos valores recolhidos a título de ICMS no período. Na sequência, teceu comentários acerca da legislação de regência do PIS e da Cofins e sobre o conceito de receita, faturamento e renda, apoiandose em decisões judiciais e ensinamentos de doutrinadores, alegando que o ICMS não consubstancia receita própria, razão pela qual se trata de valor alheio aos limites constitucionais da incidência da contribuição ao PIS e à Cofins, que apenas transita por seus cofres em direção aos cofres públicos, ressaltando que o Supremo Tribunal Federal (STF) tem sinalizado exatamente nesse sentido, conforme se verifica no julgamento do RE 240.7852/MG. Por fim, solicitou a realização de perícia capaz de atestar que os valores por ele devidos a título de ICMS compuseram indevidamente a base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, bem como a exatidão do montante a ser restituído. Nos termos do Acórdão nº 06051.809, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento decidido ser incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição, por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, excetuandose a hipótese em que referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.375, de 01/02/2018, proferido no julgamento do processo 10880.674245/201124, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.375) 1: 1 O voto da relatora originária restou vencido, sendo ora reproduzido tão somente o voto vencedor. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10880.674239/201177 Acórdão n.º 3201003.377 S3C2T1 Fl. 4 3 A recorrente postula o provimento de seu recurso diante da impossibilidade de inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS. No voto vencido, a nobre relatora entende pela aplicação da decisão proferida pelo STF no RE 574.706/PR, julgado na sistemática de Repercussão Geral sob o fundamento de que o próprio STJ, em recente decisão, acompanhou a Corte Superior. Ocorre que, aos julgadores do CARF impõese a aplicação do que restar decidido pelo STJ e STF na sistemática do arts. 543B e 543C, do antigo CPC, a teor do que prescreve o disposto no caput do art. 62 da Portaria MF nº 343/2015 RICARF2. No tema 313 do STJ "legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins" temse decisão definitiva na sistemática de recursos repetitivos, no REsp nº 1.144.469 /PR, com trânsito em julgado em 13/03/2017, no sentido de que o ICMS integra as bases de cálculo do Pis e da Cofins, firmada a seguinte tese:" ii) O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido de forma favorável à tese da ora recorrente no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, § 2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de sua reprodução no presente julgamento. Deveras, é possível que o STF module os efeitos da decisão. Ademais, a decisão definitiva na sistemática de recursos repetitivos proferida no REsp nº 1.144.469 /PR continua vigente e eficaz conquanto não reformada pelo Órgão. Conclusão Firmado nos fundamentos expostos, voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. 2 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10880.674239/201177 Acórdão n.º 3201003.377 S3C2T1 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 134DF CARF MF
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