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Numero do processo: 10980.011712/2008-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Recibos emitidos por profissionais da área de saúde são documentos hábeis para comprovar a dedução de despesas médicas. Contudo, não se admite a dedução de despesas médicas, quando presente a existência de indícios de que os serviços a que se referem os recibos não foram de fato executados e o contribuinte intimado deixa de carrear aos autos a prova do pagamento e da efetividade da prestação dos serviços.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-002.167
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde são documentos hábeis para comprovar a dedução de despesas médicas. Contudo, não se admite a dedução de despesas médicas, quando presente a existência de indícios de que os serviços a que se referem os recibos não foram de fato executados e o contribuinte intimado deixa de carrear aos autos a prova do pagamento e da efetividade da prestação dos serviços. Recurso Voluntário Negado
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COMPROVAÇÃO. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde são documentos hábeis para comprovar a dedução de despesas médicas. Contudo, não se admite a dedução de despesas médicas, quando presente a existência de indícios de que os serviços a que se referem os recibos não foram de fato executados e o contribuinte intimado deixa de carrear aos autos a prova do pagamento e da efetividade da prestação dos serviços. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 02/08/2012 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/08/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10980.011712/200887 Acórdão n.º 210202.167 S2C1T2 Fl. 2 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra JUVENAL TISSI foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 12/14, relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), anocalendário 2004, exercício 2005, para reduzir o saldo de imposto a restituir de R$ 4.949,15 para R$ 408,37. A infração apurada foi dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 16.511,94, e está assim descrita na Notificação: COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS O contribuinte intimado a apresentar documentação que comprovasse o efetivo pagamento das despesas declaradas com o profissional Marcelo Meda Siloto, no total de R$ 15.180,00, justificou que todos os pagamentos foram feitos em dinheiro. Não tendo sido atendido o solicitado, procedemos à glosa dessa dedução. Glosa das mensalidades do plano de saúde UNIMED/Curitiba da beneficiária Darci T. Preuss Tissi, esposa do contribuinte, pois essa apresentou declaração de ajuste em separado no modelo simplificado, no qual o desconto padrão (20%) abrange todas as deduções aceitas pela legislação vigente. Assim, foram acatadas as mensalidades ao plano de saúde do próprio contribuinte e de seu filho Raphael nos totais de R$ 1.939,65 e R$ 1.029,47. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 01/06, e a autoridade julgadora de primeira instância considerou não impugnada a glosa da despesa com a Unimed e, na parte litigiosa, julgou procedente o lançamento (Acórdão DRJ/CTA nº 0632.140, de 07/06/2011, fls. 32/34). Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 14/07/2011, Aviso de Recebimento (AR), fls. 41, o contribuinte apresentou, em 15/08/2011, recurso voluntário, fls. 42/56, onde afirma, em apertada síntese, que os recibos apresentados durante o procedimento fiscal são documentos aptos a comprovar as deduções e que é absolutamente incabível e sem respaldo legal exigir que o contribuinte apresente “documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores com os recibos, que comprove o efetivo pagamento, juntando cópias de cheques, ordens de pagamento, transferências bancárias ou outros documentos probatórios dos pagamentos”. É o Relatório. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/08/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10980.011712/200887 Acórdão n.º 210202.167 S2C1T2 Fl. 3 3 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Cuidase de glosa de dedução de despesas médicas, no valor de R$ 15.180,00, por falta de comprovação do efetivo pagamento das quantias referidas nos recibos emitidos pelo dentista Marcelo Meda Siloto, fls. 23/26. Insta observar que durante o procedimento fiscal o contribuinte foi intimado, mediante Termo de Intimação Fiscal, fls. 18, a comprovar o efetivo pagamento das despesas em questão, entretanto, apresentou resposta, fls. 19, onde informa que os pagamentos foram realizados em dinheiro. No recurso, assim como na impugnação, o contribuinte insiste na tese do pagamento em dinheiro, afirmando que os recibos são documentos aptos a comprovar as deduções e que é absolutamente incabível e sem respaldo legal exigir que o contribuinte apresente comprovação do efetivo pagamento. Nesse passo, devese observar o disposto na legislação tributária que regula a matéria: Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 Art.8º – A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, Fl. 60DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/08/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10980.011712/200887 Acórdão n.º 210202.167 S2C1T2 Fl. 4 4 poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Conforme se depreende dos dispositivos acima transcritos, cabe ao contribuinte que pleiteou a dedução provar que realmente efetuou os pagamentos nos valores e nas datas constantes nos comprovantes, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução. É bem verdade que, em princípio, admitese como prova idônea de pagamentos, os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado. Entretanto, existindo, por parte do Fisco, dúvida quanto ao efetivo pagamento das quantias consignadas nos recibos de tratamento médico, outras provas podem ser solicitadas. E este é caso dos autos. Veja que o contribuinte, em sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), anocalendário 2004, exercício 2005, pleiteou dedução de despesas médicas, no valor total de R$ 21.346,36, que corresponde a 34% dos rendimentos tributáveis líquidos (rendimentos tributáveis menos previdência e imposto na fonte), que foram de R$ 57.321,00. Ainda que se considere os rendimentos tributáveis acrescidos dos rendimentos isentos e dos rendimentos com tributação exclusiva temse que os gastos com despesas médicas foram de 21%. Ou seja, os gastos com despesas médicas foram exagerados, fato que justifica a exigência da comprovação do efetivo pagamento. O contribuinte afirma, ainda, que em sua DAA foi informada a existência de dinheiro em caixa, no valor de R$ 5.000,00, em 31/12/2003, e que esta quantia foi utilizada para a quitação de parte do tratamento. Ainda que prevaleça tal alegação, temse que as despesas médicas glosadas foram de R$ 15.180,00, de modo que haveria a necessidade de fazer saques bancários para proceder aos pagamentos das quantias consignadas nos recibos. Logo, bastaria ao contribuinte trazer seus extratos bancários e demonstrar os saques efetivados para fazer frente aos pagamentos em questão. Na relação processual tributária, compete ao sujeito passivo oferecer os elementos que possam elidir a imputação da irregularidade e, se a comprovação é possível e este não a faz porque não pode ou porque não quer é lícito concluir que tais operações não ocorreram de fato, tendo sido registradas unicamente com o fito de reduzir indevidamente a base de cálculo tributável. E mais, não pode o contribuinte pleitear a aceitação de simples recibos, como comprovação de despesas médicas, se o fenômeno econômico não ficar provado. Assim, pelas razões acima, devese manter a glosa da dedução de despesas médicas, tendo em vista que o contribuinte não logrou comprovar, durante o procedimento fiscal, tampouco nas fases de impugnação e recursal, a efetividade dos pagamentos apontados nos recibos de despesas médicas. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 61DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/08/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10980.011712/200887 Acórdão n.º 210202.167 S2C1T2 Fl. 5 5 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/08/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 16327.919586/2009-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 10/06/2006 CPMF. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, sendo consequência de sua apresentação, após a não homologação de compensação por ausência de saldo de créditos na DCTF original, a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-001.728
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, sendo consequência de sua apresentação, após a não homologação de compensação por ausência de saldo de créditos na DCTF original, a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Fl. 73DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/07/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.919586/200981 Acórdão n.º 330201.728 S3C3T2 Fl. 74 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Amauri Amora Câmara Júnior, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 50 a 56) apresentado em 13 de abril de 2011 contra o Acórdão n. 0532.399, de 07 de fevereiro de 2011 que, relativamente a declaração de CPMF de 10 de julho de 2006, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Interessada, nos termos da seguinte ementa: DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. DIREITO DE CRÉDITO. REGIME DE RETENÇÃO. ÔNUS FINANCEIRO. COMPROVAÇÃO. Tratandose de crédito envolvendo tributo retido pela instituição financeira na qualidade de responsável, cabe a esta a comprovação de que alegado pagamento a maior foi por ela suportado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A declaração foi inicialmente não homologada pelo despacho decisório de fl. 14 e o acórdão de primeira instância resumiu o processo conforme a seguir: Tratase de Declarações de Compensação (DCOMP) com aproveitamento de suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despachos Decisórios Eletrônicos de não homologação das compensações, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Cientificada dos despachos decisórios, a contribuinte, em peças dirigidas especificamente contra cada um dos despachos decisórios, alegou que o direito ao crédito decorrente do pagamento a maior não pode ser contestado por argumentos de Fl. 74DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/07/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.919586/200981 Acórdão n.º 330201.728 S3C3T2 Fl. 75 3 índole formal, visto que o despacho decisório baseouse em informações desencontradas, erroneamente prestadas pela contribuinte. Entende que a não homologação das compensações teve como motivo a entrega a DCTF original com informações equivocadas. Informa que apresentou DCTF retificadora que já apresentaria o crédito em disputa. Uma vez corrigido o lapso que levou os sistemas de cruzamento da Administração Tributária a não admitir o aproveitamento do direito de crédito argumenta que devem ser homologadas as compensações. Pleiteia a conjugação entre a realidade material e a realidade formal vertida na declaração de compensação, invoca direito constitucional ao aproveitamento do valor pago indevidamente e conclui, ao fim, pela necessidade de reforma dos despachos decisórios. No recurso, alegou que a não homologação teria decorrido de um erro seu, uma vez que deveria ter retificado a DCTF. Entretanto, a retificação já teria sido providenciada, nos termos e pelas razões que passou a expor. Por fim, requereu o reconhecimento da suspensão da exigibilidade dos débitos em discussão, a declaração de nulidade do acórdão de primeira instância e, sucessivamente, a sua improcedência. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. O acórdão de primeira instância indeferiu o pedido, considerando que, embora houvesse efetuado a retificação da DCTF, à época da transmissão da DCOMP os créditos estariam todos alocados na quitação de débitos confessados e que seria necessário apresentar prova do recolhimento indevido. Ademais, teria faltado prova de que o ônus financeiro foi suportado pela Interessada. Em relação à DCTF, a sua retificação tem efeitos desconsiderados pelo acórdão de primeira instância. É certo que, anteriormente à atual sistemática, a DCTF retificadora somente se prestava a reduzir o montante do tributo declarado, sujeitandose a um processo tributário de análise de mérito por parte da autoridade fiscal, de forma que o valor inicialmente declarado somente seria alterado para o menor se houvesse prova antecipada do erro. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/07/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.919586/200981 Acórdão n.º 330201.728 S3C3T2 Fl. 76 4 Atualmente, entretanto, desde as alterações introduzidas pela Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001, art. 18, a DCTF retificadora, quando admitida, tem os mesmos efeitos da original (art. 9º, I, da IN RFB no 1.110, de 2010). De acordo com a IN citada acima, que é a mais recente, somente não seriam admitidas para reduzir o tributo declarado as DCTF retificadoras relativas a tributos cuja cobrança tenha sido enviada à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ou que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. Obviamente, não foi o que ocorreu nos presentes autos, uma vez que o procedimento eletrônico referiuse à declaração de compensação e não à DCTF. Portanto, o despacho que não homologou a compensação não impedia a DCTF retificadora, que, por sua vez, substituiu completamente a original. Para que não houvesse tal situação, a Receita Federal teria que prever que o despacho de não homologação da declaração de compensação, baseado na inexistência de saldo de crédito pela sua alocação a débito declarado em DCTF, fosse causa de não admissão da DCTF. Como não é, a DCTF retificadora apresentada alterou a situação jurídica anteriormente constatada pelo despacho decisório, de que inexistiria indébito pela ausência de saldo de crédito. Diante do quadro acima exposto, concluise que, primeiramente, as compensações foram não homologadas corretamente, de acordo com os fatos existentes à época do despacho decisório. O acórdão de primeira instância considerou não demonstrado o direito de crédito, no que tem razão, mas, com a retificadora, o ônus de prova não era mais do sujeito passivo. Dessa forma, tal indébito tem que ser devidamente apurado pela autoridade fiscal, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que eventualmente poderá ser denegada a compensação. Por fim, esclareçase que a consideração de que a interessada também deveria ter provado ter suportado o ônus financeiro não poderia terlhe sido oposta no âmbito de julgamento do processo, uma vez que tal matéria não foi objeto do despacho decisório. De toda forma, a DRF poderá apurar todos os elementos que julgar necessários para reconhecer ou não o direito de crédito, além dos já constantes dos presentes autos. Assim, os autos devem retornar à delegacia de origem, para que o fisco apure os indébitos, mediante procedimento de diligência, para, então, o parecer ser submetido ao exame da seção competente da delegacia de origem, que deve novamente apreciar o mérito da compensação. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/07/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.919586/200981 Acórdão n.º 330201.728 S3C3T2 Fl. 77 5 À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para determinar a apuração da liquidez e certeza do crédito da Interessada pela autoridade fiscal, submetendose a homologação das compensações a novo despacho decisório. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 77DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/07/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10283.720873/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
MATÉRIA NÃO CONTESTADA. MULTA ISOLADA.
Tem-se como definitivamente constituído na esfera administrativa, o crédito tributário decorrente de matéria não contestada em sede recursal.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS.
Cabe o lançamento da infração de omissão de rendimentos quando restar perfeitamente demonstrado nos autos que o contribuinte recebeu os honorários advocatícios e deixou de oferecê-lo à tributação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-002.507
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Giovanni Christian Nunes Campos Presidente
Assinado digitalmente
Núbia Matos Moura Relatora
EDITADO EM: 18/03/2013
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora EDITADO EM: 18/03/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
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MULTA ISOLADA. Temse como definitivamente constituído na esfera administrativa, o crédito tributário decorrente de matéria não contestada em sede recursal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Cabe o lançamento da infração de omissão de rendimentos quando restar perfeitamente demonstrado nos autos que o contribuinte recebeu os honorários advocatícios e deixou de oferecêlo à tributação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 18/03/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 08 73 /2 00 9- 11 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10283.720873/200911 Acórdão n.º 2102002.507 S2C1T2 Fl. 105 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra ANTONIO POLICARPO RIOS ROBERTO foi lavrado Auto de Infração, fls. 41/50, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2005, exercício 2006, no valor total de R$ 98.339,49, incluindo multa de ofício majorada, no percentual de 112,50%, e juros de mora, estes últimos calculados até 30/04/2009. As infrações apuradas pela autoridade fiscal, detalhadas no Auto de Infração, foram: (i) omissão de rendimentos, no valor de R$ 119.479,99, recebidos de Helder Cabral Lira, a título de honorários advocatícios decorrentes dos serviços prestados no processo trabalhista movido contra Telecomunicações da Amazonas S/A; e falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão (multa isolada). A multa de ofício foi aplicada na sua forma agravada em razão de o contribuinte ter deixado de atender aos Termos de Início de Procedimento Fiscal e aos Termos de Intimação Fiscal. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 57/60, que se encontra assim resumida no Acórdão DRJ/BEL nº 0121.161, de 23/03/2011, fls. 72/78: a) Que de fato prestou serviços de advocacia ao Sr. Heyder Cabral Lyra, sem que este nunca lhe tenha pago qualquer importância de honorários, em face da amizade que mantinha com o mesmo e na promessa de que um dia se justariam; b) Que na realidade, apesar de ter recebido o valor correspondente ao Acordo firmado, tudo foi acompanhado par e passo pelo Sr. Heyder, que concordou com os termos do acordo, com a assinatura do mesmo e por fim com o recebimento na boca do caixa do Banco do Brasil, vez que se negou a fornecer número de conta bancária, para que lhe fossem depositados tais valores; c) Que na descrição dos fatos e enquadramento legal do auto infracional, que o sr. Auditor manuseou devidamente a Reclamação Trabalhista, entretanto, não constatou a atuação e procuração passada a mais 2 (dois) advogados pelo Sr. Heyder no mesmo processo, deduzindo e imputando apenas ao impugnante o pagamento de honorários; d) Que em 15.02.2007, a DRF Manaus, enviou ao impugnante Declaração, de próprio punho do Sr. Heyder, onde se lê que o Fl. 105DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10283.720873/200911 Acórdão n.º 2102002.507 S2C1T2 Fl. 106 3 mesmo teria pago R$ 55.000,00 ao impugnante e R$ 44.000,00 a outro advogado, perfazendo o valor de R$ 100.000,00, entretanto, não se vislumbra na descrição dos fatos no respectivo auto, qualquer referência a tal declaração, que ora se junta cópia; e) Que o acordo firmado nos autos do processo trabalhista, não são de R$ 600.000,00 brutos, mas líquidos, uma vez que o valor total do Acordo foi de R$ 726.255,57, com desconto para o Imposto de Renda no valor de R$ 111.063,48, devidamente retidos e pagos à Receita Federal, em 22.06.2005, conforme cópia do DARF anexa; f) Que a filigrana jurídica realizada pelo Sr. Auditor para imputar o auto infracional ao impugnante é incondizente com a competência da Receita Federal, Órgão Público que deve estar submetido à Lei, assim como os seus Agentes; g) Que o valor recebido pelo impugnante em dinheiro na boca do caixa, e repassado de imediato ao Sr. Heyder, o qual administrou e determinou como queria sair do Banco com a importância que lhe foi paga, está isento de qualquer infração, vez que é produto de verba legalmente auferida e estava devidamente tributada, nos precisos termos do art. 46 da Lei n° 8.541/92; h) Que cumpre ainda esclarecer que textualmente no acordo está que a reclamada seria responsável pelas contribuições previdenciárias e imposto de renda que couberem às partes, e que cumpriu normalmente; i) Que deduzir que os honorários pagos pelo contribuinte declarante ao impugnante foi de R$ 119.000,00 quando o próprio declarante informa perante à Receita que pagou R$ 55.000,00, não tem consistência jurídica; j) Que há exarcebação na sua competência o auditor fiscal, pois apesar de ter em suas mãos, informações processuais, declaração do contribuinte, passa a utilizar a máquina federal, para resolver problema particular do contribuinte declarante, que não se desincumbiu de provar as suas declarações; k) Finalmente requereu a anulação do auto infracional, por falta de elementos jurídicos aos fatos nele relatados e conclusão incondizente com as declarações do denunciante. A DRJ Belém manteve integralmente o lançamento, considerando improcedente a impugnação. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 27/06/2011, Aviso de Recebimento (AR), fls. 79, o contribuinte apresentou, em 13/07/2011, recurso voluntário, fls. 84/89, no qual traz as alegações a seguir resumidas: que a declaração firmada pelo Sr, Heyder é o único indício de que o recorrente teria recebido algum numerário, porém sem valor de prova, posto que produzido unilateralmente por quem estava tentando se explicar em face da malha fina; Fl. 106DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10283.720873/200911 Acórdão n.º 2102002.507 S2C1T2 Fl. 107 4 que afirmar que a Dra. Rosemary e o outro advogado não receberam honorários, porque os mesmos, não fizeram menção em suas declarações e não adotar o mesmo procedimento com o recorrente é, no mínimo falta de equidade nos procedimentos fiscais, já que não existe qualquer prova do pagamento a nenhum dos advogados. que é incoerente que a autoridade fiscal desconsidere um documento, mas com base nele, inicie investigação e ao constatar que nada de concreto encontrou, pois inexiste qualquer comprovante do pagamento do Sr. Heyder para o recorrente, escorese em pagamento realizado pela Telemar ao Sr. Heyder, para afirmar que o Sr. Heyder pagou os honorários de todos os atuantes no processo, ao recorrente. É o Relatório. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10283.720873/200911 Acórdão n.º 2102002.507 S2C1T2 Fl. 108 5 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. No lançamento foram imputadas ao contribuinte duas infrações, a saber: omissão de rendimentos e multa isolada, decorrente da falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão. No recurso, o contribuinte limita suas alegações à infração de omissão de rendimentos, silenciando quanto à multa isolada. Nesse sentido, devese observar o disposto no parágrafo único do art. 42 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 19721 e, assim, considerar definitiva a decisão de primeira instância, relativamente à infração falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão. Assim, neste voto se restringirá à apreciação das alegações da defesa no que tange à infração de omissão de rendimentos, no valor de R$ 119.479,99, recebidos de Heyder Cabral Lira, a título de honorários advocatícios, decorrentes dos serviços prestados no processo trabalhista movido contra Telecomunicações da Amazonas S/A. Da leitura da peça recursal, verificase que o recorrente alicerça sua defesa, afirmando que não existe nos autos provas de que tenha efetivamente recebidos honorários advocatícios. A lide que se impõe, portanto, gira em torno de se saber se existem nos autos documentos que comprovem de forma inequívoca que o contribuinte recebeu honorários advocatícios, conforme discriminado no Auto de Infração. Para o estudo que se propõe vale destacar que o art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo transcrito, estabelece que a autoridade fiscal deve instruir o Auto de Infração com todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito imputado ao contribuinte. Art. 9.º. A exigência do crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova 1 Art. 42. São definitivas as decisões: (...) Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10283.720873/200911 Acórdão n.º 2102002.507 S2C1T2 Fl. 109 6 indispensáveis à comprovação do ilícito.(Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) Devese, ainda observar que o direito probatório brasileiro consagra a possibilidade de uso da prova indiciária. Entretanto, no caso do uso das provas indiciárias (indiretas), é ônus do agente fiscal contextualizar os elementos de prova juntados, tratando de articulálos de forma tal a demonstrar a inequívoca conduta ilícita do contribuinte (se do cruzamento dos elementos de prova coletados não resultar como possível apenas aquele resultado afirmado pelo agente fiscal, sem vigor restará o cenário construído, o que, via de regra, demanda aprofundamento da investigação). No presente caso, consta dos autos cópia de procuração adjuditia, fls. 10, de Heyder Cabral Lira para o contribuinte e copia da petição inicial da ação de reclamação trabalhista, fls. 11/18, que culminou, em razão de acordo promovido entre as partes, fls. 24/26, em pagamento ao reclamante da quantia de R$ 600.000,00. Consta, ainda, Ofício da Caixa Econômica Federal, fls. 34, onde foram prestados os seguintes esclarecimentos: Em atenção a solicitação de V.Sa., encaminhamos cópias dos documentos abaixo relacionados que deram origem a retirada da conta judicial 2686.042.15046763 de titularidade do Sr. Heyder Cabral: . Alvará de Levantamento emitido pelo juízo da 4a vara do Trabalho de Manaus no valor de R$ 600.000,00 (Seiscentos Mil Reais), foi pago devidamente corrigido no valor de R$ 600.477,00 (Seiscentos Mil, Quatrocentos e Setenta e Sete Reais), ao Dr. Antônio Policarpo Rios Roberto, sendo emitido no ato do levantamento quatro cheques administrativos números 064, 065, 067 e 068 no valor de R$ 119.528,80 (Cento e Quinhentos e Vinte e Oito Reais e Oitenta Centavos), cada cheque, totalizando R$ 478.115,20 (Quatrocentos e Setenta e Oito Mil, Cento e Quinze Reais e Vinte Centavos), em nome de Heyder Cabral Lira. . Guia de Retenção de CPMF no valor de R$ 2.881,81 (Dois Mil, Oitocentos e Oitenta e Hum Reais e Oitenta e Hum Centavos); A somatória dos Cheques Administrativos e a CPMF somam R$ 480.997,01 (Quatrocentos e Oitenta Mil, Novecentos e Noventa e Sete Reais e Hum Centavos),e a diferença de R$ 119.479,99 (Cento e Dezenove Mil, Quatrocentos e Setenta e Nove Reais e Noventa e Nove Centavos), foram resgatados em espécie quando do pagamento do Alvará nesta Unidade ao citado advogado. Dos documentos acima mencionados resta de forma inequívoca que o contribuinte atuou como advogado de Heyder Cabral Lira na reclamação trabalhista e que recebeu de honorários advocatícios a quantia de R$ 119.479,99. Frisese que do acordo homologado judicialmente restou assentado que o reclamante receberia o valor de R$ 600.000,00, sendo certo que a referida quantia foi Fl. 109DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10283.720873/200911 Acórdão n.º 2102002.507 S2C1T2 Fl. 110 7 integralmente paga ao contribuinte e que este somente repassou ao seu cliente a quantia de R$ 478.115,20. Logo, ficou em poder do recorrente a quantia de R$ 119.479,99. Nestes termos, os documentos colacionados aos autos pela autoridade fiscal demonstram de forma inequívoca que o recorrente recebeu a título de honorários advocatícios a quantia de R$ 119.479,99. Já no que concerne à alegação da defesa de que os honorários teriam sido divididos entre o recorrente e outra advogada, nos termos em que consta de declaração firmada pelo reclamante, fls. 61, temse que a despeito do ali afirmado, fato é que não restou evidenciado que o contribuinte tenha repassado parte dos honorários para outra advogada. Acrescentese que, durante o procedimento fiscal o contribuinte foi por três vezes intimado a apresentar documentos e esclarecimentos sobre rendimentos recebidos de pessoas físicas, mediante Termo de Início do Procedimento Fiscal, fls. 05/06, Termo de Reintimação Fiscal nº 001, fls. 08, e Termo de Intimação Fiscal nº 001, fls. 31, sendo certo que não consta dos autos que o contribuinte tenha feito à autoridade fiscal qualquer esclarecimento acerca dos honorários advocatícios em questão. Assim, deve ser mantido o lançamento, nos termos em que consubstanciado nos autos, tendo em vista que está perfeitamente demonstrado nos autos que o contribuinte incorreu na infração de omissão de rendimentos. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 110DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 37311.003511/2002-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 10/09/2002
RESULTADO DE DILIGÊNCIA FISCAL SEM A CIÊNCIA DA RECORRENTE. VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA.
O recorrente possui direito de participação no processo administrativo em relação a qualquer ato praticado ou documento juntado.
Diligência sem a comunicação de seu resultado à parte viola o princípio do contraditório. Transgressão ao art. 59, inciso II do Decreto n º 70.235 de 1972.
Decisão Notificação emitida sem observância dos princípios que regem o processo administrativo merece ser anulada.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2302-000.821
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. O recorrente possui direito de participação no processo administrativo em relação a qualquer ato praticado ou documento juntado. Diligência sem a comunicação de seu resultado à parte viola o princípio do contraditório. Transgressão ao art. 59, inciso II do Decreto n º 70.235 de 1972. DecisãoNotificação emitida sem observância dos princípios que regem o processo administrativo merece ser anulada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Fl. 1DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/02/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Thiago D Avila Melo Fernandes, Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriana Sato. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/02/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37311.003511/200250 Acórdão n.º 230200.821 S2C3T2 Fl. 2.227 3 Relatório Trata o presente de pedido de restituição para as competências novembro de 1999 a junho de 2002, fls. 01 a 20, tendo a requerente juntado cópias às fls. 21 a 1.053. Foi comandada diligência para a fiscalização verificar a procedência ou não do pedido, fls. 1.425. A fiscalização elaborou Parecer às fls. 1.578 a 1.580, informando que há falta de comprovação da mãodeobra utilizada para executar os serviços. A unidade da Receita Previdenciária indeferiu o pleito da requerente, fls. 1.585, com fundamento nos argumentos colacionados pela fiscalização. Inconformada, a requerente interpôs recurso, fls. 1.588 a 1.614. Não foram apresentadas contrarazões. É o relato suficiente. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/02/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme fls. 1.587 e 1.588; pressuposto superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO: Tendo em vista a discussão acerca da nulidade ou não da Decisão de primeira instância pela ausência da intimação de informações juntadas às fls. 1.578 a 1.580, há que ser analisada tal preliminar por este Colegiado. Analisando os autos verifiquei uma irregularidade. A Receita Previdenciária antes da emissão da primeira decisão, solicitou informação à fiscalização, fl. 1.425. Como resultado dessa diligência, a fiscalização prestou informações, fls. 1.578 a 1.580, bem como juntou planilhas e documentos. A documentação juntada foi utilizada na fundamentação da decisão de primeira instância (fl. 1.585). Não há provas de que o recorrente foi cientificado da juntada das fls. 1.578 a 1.580, sendo emitida a Decisão sem a possibilidade do contraditório em relação ao resultado da diligência. A impossibilidade de conhecimento dos fatos elencados pela fiscalização ocasionou a supressão de instância. O recorrente possui o direito de apresentar suas contra razões aos fatos apontados pela fiscalização ou aos documentos juntados ainda na primeira instância administrativa. Da forma como foi realizado, o direito do contribuinte ao contraditório foi conferido somente em grau de recurso. De acordo com o previsto no art. 32 da Portaria MPS n ° 520/2004, que regia o contencioso administrativo na época, as decisões proferidas com preterição do direito de defesa são nulas. . No mesmo sentido é o disposto no art. 59, inciso II do Decreto n º 70.235 de 1972. Assim, deve ser anulada a Decisão de primeira instância, reabrindose o prazo para manifestação, conferindo ciência ao recorrente do resultado da diligência às fls. 1.578 a 1.580. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por ANULAR a DECISÃO de primeira instância. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 4DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/02/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37311.003511/200250 Acórdão n.º 230200.821 S2C3T2 Fl. 2.228 5 Fl. 5DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/02/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 19647.019802/2008-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2003
LANÇAMENTO. NULIDADE.
É válido o procedimento administrativo fiscal desenvolvido em conformidade com os ditames legais.
DILIGÊNCIA. PERÍCIA. Reconhecida pelo julgador ser prescindível ao deslinde do litígio, rejeita-se o pedido de diligência para realização de perícia contábil.
CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2003
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO.
A base de cálculo da Cofins com incidência cumulativa é o faturamento mensal da pessoa jurídica, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, excluídas outras receitas, inclusive, financeiras. DIFERENÇAS. VALORES DECLARADOS/ESCRITURADOS.
As diferenças apuradas entre os valores da contribuição declarados nas respectivas DCTFs e os efetivamente devidos com base na escrituração contábil estão sujeitos a lançamento de ofício, acrescidas das cominações legais.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2003
JUROS DE MORA À TAXA SELIC.
Súmula CARF nº 4:
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
O agravamento do percentual da multa de ofício de 75,0% para 150,0% está condicionado à demonstração e prova nos autos de que a recorrente cometeu fraude no pagamento do tributo. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 3301-001.211
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2003 LANÇAMENTO. NULIDADE. É válido o procedimento administrativo fiscal desenvolvido em conformidade com os ditames legais. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. Reconhecida pelo julgador ser prescindível ao deslinde do litígio, rejeita-se o pedido de diligência para realização de perícia contábil. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2003 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. A base de cálculo da Cofins com incidência cumulativa é o faturamento mensal da pessoa jurídica, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, excluídas outras receitas, inclusive, financeiras. DIFERENÇAS. VALORES DECLARADOS/ESCRITURADOS. As diferenças apuradas entre os valores da contribuição declarados nas respectivas DCTFs e os efetivamente devidos com base na escrituração contábil estão sujeitos a lançamento de ofício, acrescidas das cominações legais. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2003 JUROS DE MORA À TAXA SELIC. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O agravamento do percentual da multa de ofício de 75,0% para 150,0% está condicionado à demonstração e prova nos autos de que a recorrente cometeu fraude no pagamento do tributo. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2003 LANÇAMENTO. NULIDADE. É válido o procedimento administrativo fiscal desenvolvido em conformidade com os ditames legais. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. Reconhecida pelo julgador ser prescindível ao deslinde do litígio, rejeitase o pedido de diligência para realização de perícia contábil. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2003 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. A base de cálculo da Cofins com incidência cumulativa é o faturamento mensal da pessoa jurídica, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, excluídas outras receitas, inclusive, financeiras. DIFERENÇAS. VALORES DECLARADOS/ESCRITURADOS. As diferenças apuradas entre os valores da contribuição declarados nas respectivas DCTFs e os efetivamente devidos com base na escrituração contábil estão sujeitos a lançamento de ofício, acrescidas das cominações legais. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2003 JUROS DE MORA À TAXA SELIC. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25 /11/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 20/01/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O agravamento do percentual da multa de ofício de 75,0% para 150,0% está condicionado à demonstração e prova nos autos de que a recorrente cometeu fraude no pagamento do tributo. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Fábio Luiz Nogueira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela DRJ Recife que julgou procedente o lançamento da contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) com incidência cumulativa referente ao período de competência de janeiro de 1999 a junho de 2003. O lançamento decorreu de diferenças entre os valores da contribuição, declarados nas respectivas DCTFs e/ ou pagos e os efetivamente devidos apurados com base na escrita fiscal e contábil, conforme consta da descrição dos fatos e enquadramento legal às fls. 10/12. Inconformada com a exigência do crédito tributário, a recorrente impugnou o lançamento, alegando razões que foram assim resumidas por aquela DRJ: “ o cerne da questão consiste no fato de que o Auditor Fiscal baseouse em erros de preenchimentos em informações, ou seja, meros Erros de Fato, partindo, assim, de uma premissa irreal que o induziu ao erro quando do procedimento fiscal; a aplicabilidade da multa no percentual de 150% possui caráter de confisco, acima do permissivo legal e a incidência da Taxa SELIC não traduz em incidência de juros legais, além da sua característica nitidamente remuneratória e sua previsão no art. 161 do CTN, constituindose ilegalidade e inconstitucionalidade; Fl. 183DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25 /11/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 20/01/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19647.019802/200881 Acórdão n.º 330101.211 S3C3T1 Fl. 183 3 é cediço, na doutrina e jurisprudência, que compete aos órgãos Administrativos deixar de aplicar lei ou ato normativo flagrantemente inconstitucional e ilegal, podendo e devendo a autoridade administrativa, como julgadora no processo administrativo fiscal, implicar a lei por considerála inconstitucional. Conclui protestando pela juntada posterior de outros documentos, a fim de que fique completamente provada a improcedência do presente Auto de Infração e do seu valor, bem corno a realização de perícias e diligências com igual fito, como possibilita o Decreto n° 70.235/72.” Analisada a impugnação, aquela DRJ julgou o lançamento procedente, conforme acórdão nº 7809, datado de 08/04/2004, às fls. 126/133, sob as seguintes ementas: “FISCAL. PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando os atos administrativos, consubstanciadores do lançamento, revestidos de suas formalidades essenciais, não se há que falar em nulidade do procedimento fiscal. ÔNUS DA PROVA. Cabível é o lançamento de ofício do tributo, lançado com base nas receitas registradas nos Livros Fiscais, e não recolhido no prazo previsto na legislação. A prova do erro de fato nos registros é ônus do sujeito passivo. ACRÉSCIMOS LEGAIS NO LANÇAMENTO DE OFICIO. Sendo a atividade administrativa de lançamento vinculada e obrigatória, tem o administrador o dever de aplicar a lei em vigor e suas normas complementares, com a cobrança de juros e da multa decorrentes do lançamento de ofício. JUROS DE MORA / TAXA SUPERIOR A UM POR CENTO AO MÊS. POSSIBILIDADE. É válida a imposição de juros de mora à taxa superior a 1% (um por cento) ao mês, quando há previsão legal nesse sentido. INCONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS. Não se encontra abrangida pela competência da autoridade tributária administrativa a apreciação da inconstitucionalidade das leis, vez que neste juízo os dispositivos legais se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese negarlhe execução. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. Apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de solicitar a realização de diligências ou perícias, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS. As provas devem ser apresentadas na forma e no tempo previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal.” Fl. 184DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25 /11/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 20/01/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Cientificada dessa decisão, inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 142/170), requerendo, em preliminar, a nulidade do auto de infração (lançamento) e, no mérito, a improcedência do crédito tributário exigido, requerendo, inclusive, a realização de perícia contábil. Para fundamentar seu recurso, expendeu extenso arrazoado sobre: i) da exposição dos fatos; ii) Das Razões Meritórias: ii.1) Da Inexistência da Omissão de Receitas Financeiras. Das Jurisprudências Administrativas e o óbice do Lançamento Tributário Apurado Consistir em Erro de Fato; ii.2) Base de Cálculo Apurada – Medida Incerta e Presumida para o Quantum do Tributo Apurado – Vedação no Direito Tributário; ii.3) Do Caráter Confiscatório da Multa Moratória; ii.4) Da Ilegalidade dos Juros de Mora em Percentual equivalente à Taxa SELIC; e, ii.5) Do Dever da Autoridade Administrativa em Não Aplicar Normas Inconstitucionais, concluindo, ao final, que o autuante baseou o lançamento em erros de preenchimento e informações, ou seja, meros erros de fato, e, ainda, que a multa aplicada possui caráter confiscatório, assim como a exigência de juros de mora à taxa Selic é ilegal. Suscitou também a inexistência de omissão de receitas em que teria sido fundamentada a exigência da contribuição, citando e transcrevendo ementas de diversos julgados, bem como a obrigatoriedade de órgãos administrativos de não aplicar normas inconstitucionais. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. I – Preliminares I.1 – Nulidade do lançamento (auto de infração) O auto de infração e, conseqüentemente, o lançamento somente seriam nulos se tivessem sido lavrados por pessoa incompetente ou sem fundamentação legal, conforme dispõe o Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, art. 59, inciso I: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; (...).” O auto de infração em discussão foi lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal, servidor competente para exercer fiscalizações externas de pessoas jurídicas e, se constatadas faltas na apuração do cumprimento de obrigações tributárias, por parte da fiscalizada, tem competência legal para a sua lavratura, com o objetivo de constituir o crédito tributário por meio do lançamento de ofício. Possíveis incorreções e/ ou deficiências não o tornam nulo nem anulável e sim defeituoso ou ineficaz até a sua retificação. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25 /11/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 20/01/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19647.019802/200881 Acórdão n.º 330101.211 S3C3T1 Fl. 184 5 Em seu recurso voluntário, a recorrente se limitou a pedir a nulidade do lançamento, sob a alegação de que o autuante se baseou em meros erros de fato. Contudo, não apontou nem demonstrou os alegados erros. I.2 – Diligência A solicitação de diligência para realização de perícia contábil com o objetivo de verificar a procedência ou não do lançamento e de seu valor, para o presente caso, tornase prescindível. Conforme demonstrado nos autos e na decisão recorrida, o lançamento decorreu de diferenças entre os valores da contribuição declarados/pagos e os efetivamente devidos, apurados a partir das receitas escrituradas nos livros Registro de Saídas de Mercadorias, cópias às fls. 148/153, e de Apuração do ICMS, cópias às fls. 70/94, 96/112, 114/147, por meio das planilhas denominadas “Composição da Base de Cálculo da Cofins às fls. 220/226. Dessa forma, não há necessidade da perícia solicitada. Além do mais, o Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, art. 16, assim dispõe quanto à diligência: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...); IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) (...).” No presente caso, a recorrente não atendeu a este dispositivo legal. II – Mérito II.1 – Base de cálculo da contribuição Embora a recorrente não tenha contestado de forma expressa a composição da base de cálculo da contribuição, levandose em conta a referência vaga contida em seu recurso voluntário, mais especificamente às fls. 148, no item “II – Das Razões Meritórias”, subitem “1 – Da Inexistência da Omissão de Receitas Financeiras, e, ainda, a possibilidade de o autuante ter apurado e exigido contribuição sobre tais receitas, manifestaremos sobre a incidência ou não de contribuição sobre tais receitas. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25 /11/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 20/01/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Especificamente quanto a outras receitas comporem a base de cálculo da Cofins, nos termos da Lei nº 9.718, de 27/11/1998, art. 3º, como no presente caso, no julgamento dos Recursos Extraordinários nºs 357.950 e 358.273, com decisões transitadas em julgado em 5 de setembro de 2006, o Pleno do Supremo Tribunal Federal (STF) considerou inconstitucionais as alterações das bases de cálculo do PIS e da Cofins, promovidas por aquela lei, ou seja, o § 1º daquele artigo foi julgado inconstitucional. Também, o próprio Poder Executivo, levandose em conta aquelas decisões do STF, revogou, por meio da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 79, inciso XII (MP nº 449, de 03/12/2008), aquele parágrafo primeiro que determinava a ampliação da base de cálculo dessas contribuições. Dessa forma, deve ser afastada a exigência da Cofins sobre outras receitas, inclusive, sobre receitas financeiras, mantendoa somente sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. II.2 – Juros de mora à taxa Selic Tratase de matéria já sumulada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) nos termos da súmula nº 3 que assim dispõe: “Súmula nº 3. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais.” Dessa forma, em relação a esta matéria aplicase esta súmula. ii) agravamento da multa de ofício A exigência da multa de ofício tem como objetivo penalizar o sujeito passivo por infração à legislação tributária. No presente caso, por declaração e pagamento a menor da Cofins devida nos termos da Lei nº 9.718, de 27/11/1995. A multa no lançamento de ofício por infração a legislação tributária esta prevista na Lei nº 9.430, de 27/12/1996, que assim dispõe: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...).” No presente caso, o autuante agravou o seu percentual para 150,0 % das parcelas lançadas e exigidas com amparo no inciso II do art. 44 dessa mesma lei. Contudo, tal agravamento está condicionado à demonstração e comprovação de fraude no pagamento do tributo, nos termos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30/11/1964. No presente caso, conforme se verifica do procedimento administrativo fiscal, o autuante, em momento algum, demonstrou e provou que a recorrente cometeu fraude Fl. 187DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25 /11/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 20/01/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19647.019802/200881 Acórdão n.º 330101.211 S3C3T1 Fl. 185 7 no pagamento da Cofins, nos termos definidos naqueles dispositivos legais. Na descrição dos fatos e enquadramento legal, consta que o lançamento decorreu de diferenças entre os valores declarados/pagos e os devidos e apurados com base nos livros fiscais. Esta infração por si só não configura fraude nos termos dos referidos dispositivos legais. Assim, não se justifica o agravamento da penalidade para 150,0% das parcelas lançadas e exigidas. Em face do exposto e de tudo o mais que consta dos autos, rejeito as preliminares de nulidade do lançamento e de diligência para realização de perícia contábil e, no mérito, dou provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir o percentual da multa de ofício de 150,0% para 75,0% e, ainda, para que se excluam das parcelas lançadas e exigidas os valores da Cofins apuradas sobre receitas nãooperacionais, inclusive, financeiras, mantendose a exigência dos valores calculados apenas sobre a receita bruta operacional decorrente de vendas de mercadorias e de prestação de serviços, acrescidos das cominações legais, multa de ofício, no percentual de 75,0%, e juros de mora, calculados à taxa Selic. (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 188DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25 /11/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 20/01/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 17546.000595/2007-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/1997 a 31/01/1999
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO RETENÇÃO DE 11% SERVIÇOS PRESTADO MEDIANTE CESSÃO DE MÃO DE OBRA PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL SÚMULA VINCULANTE STF.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a “Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””.
O lançamento foi efetuado em 27/04/2006, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 28/04/2006. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 11/1997 a 01/1999, o que fulmina em sua totalidade o direito do fisco de constituir o lançamento, independente de se tratar de lançamento por homologação ou de ofício.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-002.582
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a decadência do lançamento.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a “Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””. O lançamento foi efetuado em 27/04/2006, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 28/04/2006. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 11/1997 a 01/1999, o que fulmina em sua totalidade o direito do fisco de constituir o lançamento, independente de se tratar de lançamento por homologação ou de ofício. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a decadência do lançamento. Elias Sampaio Freire Presidente Fl. 223DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 06/09/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 2 Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 06/09/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 17546.000595/200713 Acórdão n.º 2401002.582 S2C4T1 Fl. 2 3 Relatório A presente NFLD, lavrada sob o n. DEBCAD 35.35.865.7423, em desfavor da recorrente, decorrente da falta da retenção e recolhimento previdenciários de 11% incidente sobre as remunerações pagas aos segurados empregados das empresas cedentes de mãode obra, conforme notas fiscais de prestação de serviços, na forma prevista no art. 31 da Lei ri° 8.212/91. O lançamento compreende competências entre o período de 11/1997 a 01/1999. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 27/04/2006, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 28/04/2006. Inconformado com o lançamento a empresa apresentou impugnação, fls. 78 a 94. Foi exarada Decisão, fls. 159 a 180, julgando procedente em parte o lançamento fiscal. Inconformado o recorrente apresentou recurso à fl. 173 a 196 É o Relatório. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 06/09/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 4 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 201. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Antes de avaliar os argumentos apresentados pelo contribuinte quanto ao mérito do lançamento, entendo necessário tecer comentários acerca do instituto da decadência. Quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido, à decisão do STF. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, razão assiste ao contribuinte nos termos abaixo expostos. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Citese o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1a Seção no Recurso Especial de n º 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO LEI Nº 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 06/09/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 17546.000595/200713 Acórdão n.º 2401002.582 S2C4T1 Fl. 3 5 INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.º DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decretolei n.º 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindose, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fáticoprobatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.º 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4º, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso Fl. 227DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 06/09/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 6 extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, Fl. 228DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 06/09/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 17546.000595/200713 Acórdão n.º 2401002.582 S2C4T1 Fl. 4 7 desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto Fl. 229DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 06/09/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 8 substitutivo, deuse em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contandose o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido.(GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante nº 8 do STF: Conforme descrito no recurso acima: “A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Fl. 230DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 06/09/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 17546.000595/200713 Acórdão n.º 2401002.582 S2C4T1 Fl. 5 9 Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. Ocorre que no caso em questão, o lançamento foi efetuado em 27/04/2006, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 28/04/2006. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 11/1997 a 01/1999, sendo assim, irrelevante a apreciação de qual dispositivo legal deve ser aplicado, haja vista que a decadência há de ser declarada por qualquer das teorias existentes. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito DARLHE PROVIMENTO, face a aplicação da decadência qüinqüenal. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 231DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 06/09/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10580.722970/2009-86
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005
DECISÃO A QUO. REJEIÇÃO DO PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA/PÉRICIA TÉCNICO-CONTÁBIL. NULIDADE SUSCITADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. PRELIMINAR REJEITADA.
Presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução do litígio deduzido nos autos, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
O indeferimento fundamentado do pedido de realização de diligência ou de perícia técnica não acarreta a nulidade da decisão, pois tais meios de prova somente devem ser autorizados quando forem imprescindíveis para a resolução da lide.
O pedido de diligência ou perícia técnica, para análise de dados que integram a escrituração contábil e já presentes nos autos, demonstra intenção protelatória e não caracteriza cerceamento do direito de defesa quando indeferido. A autoridade julgadora é livre para formar sua convicção devidamente motivada, podendo deferir perícias quando entendêlas necessárias, ou indeferir as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, sem que isto configure preterição do direito de defesa. Por se tratar de prova especial, subordinada a requisitos específicos, a perícia só pode ser admitida, pelo Julgador, quando a apuração da prova do fato litigioso não se puder fazer pelos meios ordinários de convencimento.
Não constitui cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de diligência ou perícia considerado desnecessário, prescindível e formulado sem atendimento aos requisitos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/72.
SIMPLES FEDERAL. DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO
A apuração de diferença de receita tributável, entre a receita bruta escriturada e a declarada na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, enseja o lançamento de ofício da diferença dos respectivos tributos, com acréscimos legais.
SIMPLES FEDERAL. OPÇÃO EXISTENTE. MUDANÇA DO REGIME DE TRIBUTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
A legislação tributária impede a retificação de declaração que tenha por objetivo mudar o regime de tributação no curso do ano-calendário ou com efeito retroativo, para ano-calendário já encerrado.
Não é admitida declaração retificadora que tenha por objeto mudança do regime de tributação, salvo nos casos determinados pela legislação para fins de adoção do lucro arbitrado, por exempo, quando a receita bruta não é conhecida.
A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. (Súmula CARF nº 33).
MULTA DE OFÍCIO APLICADA. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.(Súmula CARF nº 2).
JUROS DE MORA.TAXA SELIC. MATÉRIA SUMULADA.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4).
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Súmula CARF nº 5).
TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL-SIMPLES, PIS-SIMPLES, COFINS-SIMPLES E CONTRIB. SEGURIDADE SOCIAL - INSS - SIMPLES.
Inexistindo razão fática ou jurídica para decidir diversamente, aplica-se ao lançamento decorrente, no que couber, o mesmo tratamento dispensado ao lançamento principal, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1802-001.307
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2005 DECISÃO A QUO. REJEIÇÃO DO PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA/PÉRICIA TÉCNICO-CONTÁBIL. NULIDADE SUSCITADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. PRELIMINAR REJEITADA. Presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução do litígio deduzido nos autos, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. O indeferimento fundamentado do pedido de realização de diligência ou de perícia técnica não acarreta a nulidade da decisão, pois tais meios de prova somente devem ser autorizados quando forem imprescindíveis para a resolução da lide. O pedido de diligência ou perícia técnica, para análise de dados que integram a escrituração contábil e já presentes nos autos, demonstra intenção protelatória e não caracteriza cerceamento do direito de defesa quando indeferido. A autoridade julgadora é livre para formar sua convicção devidamente motivada, podendo deferir perícias quando entendêlas necessárias, ou indeferir as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, sem que isto configure preterição do direito de defesa. Por se tratar de prova especial, subordinada a requisitos específicos, a perícia só pode ser admitida, pelo Julgador, quando a apuração da prova do fato litigioso não se puder fazer pelos meios ordinários de convencimento. Não constitui cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de diligência ou perícia considerado desnecessário, prescindível e formulado sem atendimento aos requisitos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/72. SIMPLES FEDERAL. DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO A apuração de diferença de receita tributável, entre a receita bruta escriturada e a declarada na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, enseja o lançamento de ofício da diferença dos respectivos tributos, com acréscimos legais. SIMPLES FEDERAL. OPÇÃO EXISTENTE. MUDANÇA DO REGIME DE TRIBUTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A legislação tributária impede a retificação de declaração que tenha por objetivo mudar o regime de tributação no curso do ano-calendário ou com efeito retroativo, para ano-calendário já encerrado. Não é admitida declaração retificadora que tenha por objeto mudança do regime de tributação, salvo nos casos determinados pela legislação para fins de adoção do lucro arbitrado, por exempo, quando a receita bruta não é conhecida. A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. (Súmula CARF nº 33). MULTA DE OFÍCIO APLICADA. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.(Súmula CARF nº 2). JUROS DE MORA.TAXA SELIC. MATÉRIA SUMULADA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Súmula CARF nº 5). TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL-SIMPLES, PIS-SIMPLES, COFINS-SIMPLES E CONTRIB. SEGURIDADE SOCIAL - INSS - SIMPLES. Inexistindo razão fática ou jurídica para decidir diversamente, aplica-se ao lançamento decorrente, no que couber, o mesmo tratamento dispensado ao lançamento principal, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão
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REJEIÇÃO DO PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA/PÉRICIA TÉCNICOCONTÁBIL. NULIDADE SUSCITADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. PRELIMINAR REJEITADA. Presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução do litígio deduzido nos autos, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. O indeferimento fundamentado do pedido de realização de diligência ou de perícia técnica não acarreta a nulidade da decisão, pois tais meios de prova somente devem ser autorizados quando forem imprescindíveis para a resolução da lide. O pedido de diligência ou perícia técnica, para análise de dados que integram a escrituração contábil e já presentes nos autos, demonstra intenção protelatória e não caracteriza cerceamento do direito de defesa quando indeferido. A autoridade julgadora é livre para formar sua convicção devidamente motivada, podendo deferir perícias quando entendêlas necessárias, ou indeferir as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, sem que isto configure preterição do direito de defesa. Por se tratar de prova especial, subordinada a requisitos específicos, a perícia só pode ser admitida, pelo Julgador, quando a apuração da prova do fato litigioso não se puder fazer pelos meios ordinários de convencimento. Não constitui cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de diligência ou perícia considerado desnecessário, prescindível e formulado sem atendimento aos requisitos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/72. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 29 70 /2 00 9- 86 Fl. 272DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.722970/200986 Acórdão n.º 1802001.307 S1TE02 Fl. 273 2 SIMPLES FEDERAL. DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO A apuração de diferença de receita tributável, entre a receita bruta escriturada e a declarada na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, enseja o lançamento de ofício da diferença dos respectivos tributos, com acréscimos legais. SIMPLES FEDERAL. OPÇÃO EXISTENTE. MUDANÇA DO REGIME DE TRIBUTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A legislação tributária impede a retificação de declaração que tenha por objetivo mudar o regime de tributação no curso do anocalendário ou com efeito retroativo, para anocalendário já encerrado. Não é admitida declaração retificadora que tenha por objeto mudança do regime de tributação, salvo nos casos determinados pela legislação para fins de adoção do lucro arbitrado, por exempo, quando a receita bruta não é conhecida. A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. (Súmula CARF nº 33). MULTA DE OFÍCIO APLICADA. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.(Súmula CARF nº 2). JUROS DE MORA.TAXA SELIC. MATÉRIA SUMULADA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Súmula CARF nº 5). TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLLSIMPLES, PISSIMPLES, COFINS SIMPLES E CONTRIB. SEGURIDADE SOCIAL INSS SIMPLES. Inexistindo razão fática ou jurídica para decidir diversamente, aplicase ao lançamento decorrente, no que couber, o mesmo tratamento dispensado ao lançamento principal, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.722970/200986 Acórdão n.º 1802001.307 S1TE02 Fl. 274 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 274DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.722970/200986 Acórdão n.º 1802001.307 S1TE02 Fl. 275 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 208/250 contra decisão da 4ª Turma da DRJ/Salvador (fls. 185/193) que julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário do Simples Federal, relativo aos autos de infração do IRPJSimples e reflexos (CSLL, Cofins, PIS e Seguridade Social INSS), anocalendário 2005, assim especificados: Auto de Infração (R$) Principal Juros de Mora (calculados até 30/04/2009 ) Multa de Ofício de 75% Total IRPJ – Simples 39.367,23 18.207,43 29.535,36 87.100,02 PIS – Simples 39.367,23 18.207,43 29.535,36 87.100,02 CSLL – Simples 63.387,03 29.579,35 47.540,21 140.506,59 Cofins – Simples 126.774,07 59.158,81 95.080,49 281.013,37 Contrib. INSS – Simples 259.522,99 120.030,82 194.642,20 574.196,01 Total 1.169.916,00 Quanto aos fatos, infrações imputadas e razões da impugnação apresentada na primeira instância de julgamento, transcrevo o relatório da decisão a quo, por conter resumo pertinente das principais questões do litígio objeto dos autos , até então (fls.186/187), in verbis: (...) Tratase de autos de infração (AI) na forma do Simples Federal (fls.31/97), exigindo o crédito tributário no valor consolidado de R$ 1.169.916,00, composto por tributos, multa de oficio (75%) e juros de mora, conforme demonstrativo à fl. 31. A autuação foi por divergência entre receita de vendas escriturada no Livro Razão e a declarada na DSPJSimples (diferença de base de cálculo) relativamente ao anocalendário de 2005, exercício de 2006, conforme Demonstrativo de Valores Escriturados e Não Declarados (fl. 98), no qual constam valores de receita contabilizada de R$ 5.562.900,43 e declarada de R$ 184.939,55, proporcionando a diferença tributável de R$ 5.374.992,63. Como reflexo da inclusão desta diferença, os percentuais incidentes sobre os valores pagos foram elevados, ensejando o lançamento por insuficiência de recolhimento. O procedimento fiscal teve o seu início em 18/12/2008, conforme termo às fls. 02/07, intimando a contribuinte a apresentar os elementos necessários à auditoria, que foi concluída em 20/05/2009, data de lavratura dos autos de infração acima referidos. Em 10/06/2009 a contribuinte tomou ciência do feito, conforme assinatura do seu procurador à fl. 33. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.722970/200986 Acórdão n.º 1802001.307 S1TE02 Fl. 276 5 Em 06/07/2009, tempestivamente, a contribuinte enviou pelos correios (fl.181) a impugnação de fls. 133/172, alegando, em síntese, que: (i) As diferenças encontradas pelo Fisco são provenientes de vendas de mercadorias isentas de ICMS que o Contador, à época, não levou à tributação na seara federal por presumir equivocadamente que também estariam isentas de tributos federais. (ii) A autuada é uma empresa de cidadão que logrou êxito através de árduo trabalho e porque não dizer, com um dom natural para o comércio, que não se aprende nos bancos de escola e faculdade. Começou com venda de cafezinho e conseguiu crescer com a venda de hortifruti e constituir uma PJ. Tratase de uma pessoa simples, sem escolaridade, que desconhece a sistemática de tributação, confiando nas opções do Contador, pois não detinha e não detém conhecimento para questionar os lançamentos contábeis feitos pelo dito profissional. (iii) As peculiaridades do caso não permitem crer que a autuada detivesse condições de avaliar qual o melhor regime de apuração dos tributos federais: se o SIMPLES, Lucro Presumido ou Lucro Real. Aqui, estáse penalizando o contribuinte pelo fato dele não ter escolaridade e conhecimento suficiente de legislação tributária. E a pena será máxima, porque foi gerada uma cobrança de mais de um milhão de reais, o que implicará na inviabilidade da continuidade das suas atividades, retirando a dignidade do titular da PJ. Embora todos os valores estejam lançados no livro contábil, a apuração foi feita pelo Contador, de forma equivocada, eis que toda a exigência fiscal seria muito menor se fosse adotado outro regime de tributação que não o Simples. Daí que a adoção do Lucro Real seria a ideal (fls. 179/180). (iv) Não é admissível que se mantenha uma cobrança calcada em regime de apuração mais gravoso, por erro do Contador, que venha a inviabilizar o exercício e a atividade laboral dos sócios da autuada, retirandolhes a dignidade e o meio de sustento, bem como a condenação de trabalhar quase que eternamente para pagamento de um crédito tributário. Aqui, o princípio da dignidade humana deve servir de diretriz tanto para o legislador, como para a Administração, na prática de atos administrativos, inclusive, quanto ao aspecto tributário, devendo o Poder Judiciário atuar visando inibir qualquer violação daquele princípio. (v) Por outro lado, a exigência de multa de ofício no percentual de 75% é ilegal, desproporcional e confiscatória, violando o princípio constitucional do nãoconfisco (art. 150, inciso IV, da CEF/88), bem como os princípios da legalidade e da razoabilidade. (vi) Outrossim, a utilização da taxa Selic como juros de mora de tributos federais pagos com atraso é ilegal e manifestamente inconstitucional, já que se trata de um índice calculado pelo Fl. 276DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.722970/200986 Acórdão n.º 1802001.307 S1TE02 Fl. 277 6 Banco Central, não criado por lei e sim definido por portaria. Por isso a taxa SELIC somente deve ser utilizada como juros destinados à remuneração de títulos federais. (vii) Além da inconstitucionalidade por ofensa ao princípio da legalidade e contrariar mandamento inserido em Lei Complementar, a referida taxa fere também o princípio da anterioridade (art. 150, III, "b") e o da anterioridade nonagésimal (art. 195, § 6º da Carta Política de 1988), ao deixar o Banco Central (BACEN) fixála de forma variável mensalmente o que acarreta o aumento do tributo sem previsão de lei, uma vez que esta prevê o vigor do aumento no exercício seguinte ou prevê o prazo para aplicação de noventa dias a partir data da publicação da norma que definiu o aumento. Como a SELIC sofre variação mensal fixada de forma autônoma e sem previsão legal pelo BACEN, só poderia ter aplicação no exercício seguinte ou noventa dias depois de promulgada a lei que determine cada percentual mensal. (viii) Assim, deve ser reconhecida a inaplicabilidade da taxa Selic como juros de mora, por falta de previsão legal, aplicandose à espécie os juros previstos no art. 161, § 1º, do CTN, à taxa máxima de 1% ao mês, sob pena de afronta ao referido artigo do CTN e aos artigos 150 e 192, § 3º, da CF/1988. (ix) Diante de todo o exposto, requer que sejam acolhidas as razões acima expostas, deferida a diligência fiscal, por preposto estranho ao feito, para que seja julgada improcedente a ação fiscal, haja vista a jurisprudência consolidada em nossos tribunais e a vasta doutrina referida na defesa. Tudo por ser de direito e da mais lídima justiça. (...) A DRJ/Salvador, à luz dos fatos e enfrentando as questões suscitadas pela contribuinte, julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário dos autos de infração objeto dos autos, conforme Acórdão de fls.185/193, cuja ementa transcrevo, in verbis: (...) ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 SIMPLES. LANÇAMENTO. DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO. A apuração de diferenças entre a receita bruta escriturada e a declarada na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica enseja o lançamento de ofício, com os respectivos acréscimos legais. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.722970/200986 Acórdão n.º 1802001.307 S1TE02 Fl. 278 7 MUDANÇA DO REGIME DE TRIBUTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A legislação tributária impede a retificação de declaração que tenha por objetivo mudar o regime tributação, salvo, nos casos definidos pela lei, para fins de adoção do lucro arbitrado. Impossível a apuração pelo Lucro Real, após concluída a ação fiscal, pois o sujeito passivo entregou declaração e efetivou pagamentos pelo regime do Simples no período fiscalizado. MULTA DE OFÍCIO. INEXISTÊNCIA DE CONFISCO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador e se refere ao tributo, cabendo à autoridade fiscal apenas aplicar a multa de ofício nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Verificado atraso no recolhimento de tributos federais, a legislação impõe a cobrança de juros de mora em percentual equivalente à taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, a partir de 01/01/1995. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Constatandose nos autos elementos suficientes para o julgamento da lide, indeferese o pedido de diligência. INCONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal é vedado aos órgãos de julgamento apreciar alegações de inconstitucionalidade de atos legais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Não se conformando com esse decisum do qual tomou ciência em 02/03/2012 (fl. 207), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 208/250) em 12/03/2012, por via postal, conforme comprova o envelope com data de postagem na Agência dos Correios (fls. 269/270), cujas razões, em síntese, são as seguintes: nulidade da decisão recorrida, por cerceamento do direito de defesa, em face de rejeição do pedido de diligência/perícia, que as diferenças encontradas pelo fisco são provenientes de vendas de mercadorias isentas de ICMS que o Contador, à época, não levou à tributação na seara federal por presumir equivocadamente que também estariam isentas de tributos federais; que as peculiaridades do caso não permitem crer que a autuada detivesse condições de avaliar qual o melhor regime de apuração dos tributos federais: se o SIMPLES, Lucro Presumido ou Lucro Real; que embora todos os valores estejam lançados no livro contábil, a apuração foi feita pelo Contador de forma equivocada; que toda a exigência fiscal seria muito menor se fosse adotado Fl. 278DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.722970/200986 Acórdão n.º 1802001.307 S1TE02 Fl. 279 8 outro regime de tributação que não o Simples; que, no caso, seria ideal a adoção do Lucro Real; que não é admissível que se mantenha uma cobrança calcada em regime de apuração mais gravoso, por erro do Contador, e que venha a inviabilizar o exercício e a atividade laboral dos sócios da autuada, retirandolhes a dignidade; que a multa de ofício de 75% é confiscatória; que os juros de mora com base na taxa SELIC são inconstitucionais. Por fim, a recorrente pediu provimento ao recurso, para que sejam julgados improcedentes os autos de infração. É o relatório. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.722970/200986 Acórdão n.º 1802001.307 S1TE02 Fl. 280 9 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, o litígio versa acerca da exigência de crédito tribuário no âmbito da legislação do Simples Federal, anocalendário 2005, no montante de R$ 1.169.916,00 atinente aos autos de infração do IRPJSimples, CSLL – Simples, PISSimples, CofinsSimples e Contribuição Prevididenciária – INSS Simples, conforme demonstrativo já transcrito no relatório, em face das seguintes infrações imputadas:. Diferença de base de cálculo: divergência entre receita de vendas escriturada no Livro Razão e a declarada na DSPJSimples (diferença tributável) relativamente ao anocalendário de 2005, exercício de 2006, conforme Demonstrativo de Valores Escriturados e Não Declarados – Anexo do Auto de Infração (fl. 98), no qual constam valores de receita contabilizada de R$ 5.562.900,43 e declarada de R$ 184.939,55, proporcionando a diferença tributável de R$ 5.374.992,63; Insuficiência de recolhimentos das exações fiscais em relação à receita declarada na DSPJ – Simples (diferença de alíquota, pela mudança de faixa de alíquota, em face da recomposição da receita bruta mensal, pela adição da diferença de receita registrada na escrituração contábil e não declarada ao fisco). NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. REJEIÇÃO DO PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA TÉCNICOCONTÁBIL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. PRELIMINAR REJEITADA. Nas razões do recurso, a recorrente suscitou preliminar de nulidade da decisão recorrida que rejeitara o pedido de realização de diligência fiscal/perícia técnico contábil, alegando cerceamento do direito de defesa. Naquela instância de julgamento, a contribuinte, nas razões da impugnação, havia pedido a realização de diligência/perícia técnicocontábil para que fosse respondida a seguinte indagação: (...) Considerando os dados quais seriam os valores devidos adotandose a sistemática da apuração pelo lucro real para o exercício fiscalizado? (...) A decisão a quo denegou o pedido de realização de diligência/perícia técnico contábil, por desnecesário para a solução da lide, pois a contribuinte, quanto ao anocalendário Fl. 280DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.722970/200986 Acórdão n.º 1802001.307 S1TE02 Fl. 281 10 2005, estava validamente enquadrada no regime de apuração do Simples Federal, tendo inclusive apresentado tempestivamente a respectiva declaração simplificada do Simples em 29/06/2006, conforme recibo de entrega (fls. 09/26), sendo incabível, por conseguinte, a cogitação de mudança de regime de tributação, com efeito pretérito ou retroativo. A propósito, transcrevo a fundamentação do voto condutor do acórdão recorrido que rejeitou, acertadamente, o pedido de diligência/perícia técnica(fl. 256) , in verbis: (...) II DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA A realização de diligência é deferida a partir da livre convicção do julgador da sua necessidade, nos termos dos arts. 18 e 29 do PAF, abaixo citados: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícia, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis, ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 12 da Lei n"8.748/1993)". Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Da análise das peças processuais, constatase que há elementos suficientes para o julgamento da lide, isto é, as cópias da DSPJ Simples se encontram às fls. 09/26 e do Livro Razão às fls. 99/128, de cujo confronto a fiscalização encontrou as diferenças de base de cálculo utilizadas nos lançamentos em questão (ver demonstrativo à fl. 98). Consequentemente, não vejo necessidade de realização de diligência, razão pela qual indefiro o pedido. (...) No caso, data venia o pedido de realização de diligência fiscal/perícia técnica tem caráter protelatório ou procrastinatório, por ser despiciendo, descessário para a resolução da lide; os elementos de prova, os elementos de convicção, já constam dos autos (cópia da DSPJSimples 2006, anocalendário 2005, e a cópia do livro Razão). No caso, a rejeição da realização da diligência fiscal/perícia técnica, por ser dispensável à solução do litígio, coadunase com os precedentes jurisprudenciais deste Egrégio Conselho Administrativo. Nesse sentido, transcrevo ementas de Acórdãos, in verbis: NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR.. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. De conformidade com o artigo 29 do Decreto n° 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.722970/200986 Acórdão n.º 1802001.307 S1TE02 Fl. 282 11 A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatoria, com arrimo no § 2°, do artigo 38, da Lei n° 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72. (Acórdão nº 20601.462, sessão de 09/10/2008). PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Não constitui cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de diligência considerada desnecessária, prescindível e formulado sem atendimento aos requisitos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/72.(Acórdão nº 10249.407, sessão de 06/11/2008). PEDIDO DE PERÍCIA INDEFERIMENTO. A admissibilidade de diligência ou perícia, por não se constituir em direito do autuado, depende do livre convencimento da autoridade julgadora como meio de melhor apurar os fatos, podendo como tal dispensar quando entender desnecessárias ao deslinde da questão. Ademais, temse como não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos do inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235/72, principalmente quando este se revela prescindível. (Acordão nº 19300.018, sessão de 13/10/2008). PEDIDO DE PERÍCIA PRESCINDIBILIDADE INDEFERIMENTO. Presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.(Acórdão nº 10515.978, sessão de 20/07/2006). DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. Indeferese o pedido de diligência ou perícia, cujo objetivo é instruir o processo com as provas que o recorrente deveria produzir em sua defesa, juntamente com a peça impugnatória ou recursal, quando restar evidenciado que o mesmo poderia trazêlas aos autos, se de fato existissem.(Acórdão nº 10248.141, de 25/01/2007). PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Deve ser indeferido pedido de diligencia quando prescindível, a teor do art. 18 do Decreto nº 70.235/72. (Acórdão nº 20180.294, sessão de 23/05/2007). PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Deve ser indeferido o pedido de perícia, quando o exame de um técnico é desnecessário à solução da controvérsia, apenas circunscrita à matéria contábil e aos argumentos jurídicos ordinariamente compreendidos na esfera do saber do julgador.(Acórdão nº 10222.937, sessão de 28/03/2007). DILIGÊNCIA E PERÍCIA. NEGATIVA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.É incabível a realização de diligência ou perícia para responder a quesitos de natureza legal, cujo conhecimento seja elementar ou que se refiram a prova passível de produção unilateral pelo contribuinte.(Ac. 330201.280, sessão de 09/11/2011, Relator José Antonio Franciso). Fl. 282DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.722970/200986 Acórdão n.º 1802001.307 S1TE02 Fl. 283 12 PEDIDO DE PERÍCIA TÉCNICA CONTÁBIL. MEIO DE PROVA DESNECESSÁRIO. INDEFERIMENTO. O pedido de perícia técnica, para análise de dados que integram a escrituração contábil e já presentes nos autos, demonstra intenção protelatória e não caracteriza cerceamento do direito de defesa quando indeferido. A autoridade julgadora é livre para formar sua convicção devidamente motivada, podendo deferir perícias quando entendêlas necessárias, ou indeferir as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, sem que isto configure preterição do direito de defesa. Por se tratar de prova especial, subordinada a requisitos específicos, a perícia só pode ser admitida, pelo Julgador, quando a apuração do fato litigioso não se puder fazer pelos meios ordinários de convencimento.(Ac. nº 1802001.006, sessão de 17/10/2011). Por tudo que foi exposto, rejeito a preliminar suscitada. IRPJSIMPLES. DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO TRIBUTÁVEL. ANOCALENDÁRIO 2005. O fisco constatou, apurou, divergência entre receitas de vendas escrituradas no livro Razão e as receitas declaradas na DSPJSimples (diferença de base de cálculo) relativamente ao anocalendário de 2005, exercício de 2006, conforme Demonstrativo de Valores Escriturados e Não Declarados – Anexo dos Autos de Infração (fl. 98), no qual constam valores de receitas contabilizadas de R$ 5.562.900,43 e declarada de R$ 184.939,55, proporcionando a diferença tributável de R$ 5.374.992,63. A propósito, transcrevo o demonstrativo de receitas apuradas diferença de base de cálculo tributável constante do Anexo que integra o lançamento fiscal (fl.98): DEMONSTRATIVO DE VALORES ESCRITURADOS E NÃO DECLARADOS Mês Vendas Devoluções Valor PJSI 2006 Diferença Apurada Jan/95 296.745,22 4.916,00 291.829,22 Fev/95 299.577,99 8.861,00 290.716,99 Mar/95 412.434,90 9.226,80 403.208,10 Abril/95 419.205,58 15.220,00 403.985,58 Maio/95 528.179,72 16.136,80 512.042,92 Jun/95 527.398,47 2.968,25 15.455,20 508.975,02 Jul/95 519.689,11 13.126,45 506.562,66 Ago/95 511.544,42 16.881,00 494.673,42 Set/95 543.403,25 18.221,00 525.182,25 Out/95 536.485,13 19.336,45 517.148,68 Nov/95 483.033,06 22.116,95 460.916,11 Dez/95 495.193,58 25.441,90 459.751,68 Total 5.562.900,43 184.939,55 5.374.992,63 A recorrente não questiona os valores de receitas apurados pelo fisco, seja a receita escriturada no livro Razão, seja a diferença de receita não declarada – diferença de base de cálculo tributável do IRPJSimples, objeto do lançamento fiscal (infração imputada pelo fisco). Fl. 283DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.722970/200986 Acórdão n.º 1802001.307 S1TE02 Fl. 284 13 Pelo contrário, a recorrente reconhece que houve erro, equívoco do profissional responsável pela sua contabilidade, o qual deixou de oferecer à tributação essa diferença de base de cálculo apurada pelo fisco. Porém, a contribuinte busca, nas razões do recurso, que seja adotado outro regime de tributação que não o Simples, menos oneroso, mormente o lucro real, para o ano objeto do lançamento fiscal. Nesse sentido, transcrevo os termos constantes das razões do recurso da recorrente (fls. 211/213), in verbis: (...) O primeiro ponto a se esclarecer diz respeito à questão das diferenças encontradas pelo nobre Auditor Fiscal, esses valores tratavam de vendas de mercadorias isentas de ICMS que o contador, à época, não levou à tributação na seara federal por presumir equivocadamente que também estariam isentas dos tributos federais quando da venda! (...) Outro ponto importante é que todas essas parcelas exigidas na ação fiscal deveriam, seriam muito menores se fosse adotado outro regime de tributação que não o SIMPLES! Se o regime de apuração fosse adotado o Lucro Real este seria o melhor para o contribuinte! É certo que o primeiro pagamento definiria o regime adotado, mas a questão é que as peculiaridades do caso não permitem levar a crer que o Autuado detivesse condições de avaliar qual o melhor regime de apuração dos tributos federais: se o SIMPLES, Lucro Presumido ou Lucro Real. Aqui, estáse penalizando o contribuinte pelo fato dele não ter escolaridade e conhecimento suficiente de legislação tributária! (...) Percebase até que todos os valores estavam lançados no livro contábil, mas a apuração foi feita pelo contador de forma que pode inviabilizar a atividade ao Autuado. E aproveitarse o Fisco desta situação para retirar a existência digna dos sócios do Autuado, inviabilizando o exercício da atividade laboral e seu sustento.(sic) (...) É, portanto, a forma de cobrança do tributo calcado em equívoco do contador que inviabiliza a atividade laboral dos envolvidos um atentado à dignidade da pessoa humana, devendo ser verificado se a apuração pelo lucro real seja mais benéfico, bem como a exclusão de multa que acaba sendo confiscatória e agravante para a violação da dignidade já exposta. (...) Fl. 284DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.722970/200986 Acórdão n.º 1802001.307 S1TE02 Fl. 285 14 A alegação de erro ou equívoco praticado pelo responsável pela escrituração contábil e fiscal da empresa, que culminou no oferecimento à tributação de receitas ínfimas, não tem o condão de afastar ou excluir a responsabilidade pela infração tributária imputada. A propósito, transcrevo o disposto no art. 136 do CTN, in verbis: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Logo, no caso o fisco aplicou a lei tributária ao caso concreto. A exclusão da responsabilidade tributária só é possível pela denúncia espontânea nos termos do art. 138 do CTN, que não é o caso, pois antes da ciência do início do procedimento de fiscalização, a contribuinte mantevese inerte em relação às diferenças de receitas não oferecidas à tributação (não declaradas ao fisco). Nesse sentido, trago à baila o diposto no art. 138 do CTN: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A pretensão da recorrente, de mudança de regime tributário de apuração do IRPJ, relativo a período pretérito (efeito retroativo), não tem respaldo legal na legislação tributária federal. Não é possível mudar o regime de apuração do imposto sequer durante o ano calendário; com mais razão tal pretensão é repudiada, no caso, pois busca mudança de regime tributário de apuração para período pretérito, com efeito retroativo (anocalendário já encerrado!). Além disso, como demonstrado, a contribuinte já havia perdido a espontaneidade fiscal para apresentação de declaração retificadora do Simples, a partir da ciência do termo de início de fiscalização. A decisão recorrida já enfrentou, no mérito, essas questões cuja fundamentação adoto, também como razão de decidir. Por ser oportuno, transcrevo, nessa parte, a fundamentação do voto condutor do acórdão recorrido (fls. 256/258), in verbis: (...) III DA RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO Alegase na impugnação que as diferenças apuradas pela Fiscalização seriam provenientes de vendas de mercadorias Fl. 285DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.722970/200986 Acórdão n.º 1802001.307 S1TE02 Fl. 286 15 isentas de ICMS que o Contador, à época, não oferecera à tributação na esfera federal por presumir equivocadamente que também estariam isentas dos tributos federais. Assim, os sócios da empresa estariam isentos de culpa, uma vez que são pessoas de pouca escolaridade e que nada entendem de tributação. Mas a alegação de erro por parte do sujeito passivo ou terceiros, por si só, não inviabiliza o lançamento de ofício, pois a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, nos termos do art. 136 do Código Tributário Nacional CTN: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Ora, o simples argumento de que as diferenças de receitas escrituradas e não declaradas ao Fisco Federal seriam fruto de equívoco do Contador, que presumiu que mercadorias isentas do ICMS também seriam isentas dos tributos federais, não tem o poder de elidir os autos de infração ora litigados. IV DA PROVA. ESCRITA FISCAL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. A própria contribuinte fez a opção pelo Simples desde o ano de 1997 (vide fl. 184), sem coação por parte da Receita Federal, e só depois de tanto tempo e após ter sido autuada vem a queixa de que o sistema simplificado seria mais oneroso. A esta altura, tal argumento é absolutamente ineficaz e não interfere na presente decisão. Repisese, a exigência fiscal é resultante da apuração de diferença de base de cálculo, pelo cotejo entre receita escriturada no Livro Razão e receita declarada (a menor) na DSPJSimples, isto é, os elementos de prova estão registrados na contabilidade da empresa. Com efeito, a escrita fiscal tem presunção de veracidade e faz prova contra ou a favor do titular, a teor do art. 923 do RIR/1999 (Decreto nº 3.000, de 1999), verbis: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei n" 1.598, de 1977, art. 9°,§1°). E, ainda, os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra ou a favor das pessoas a que pertencem, conforme art. 226 do Código Civil (Lei nº 10.406, de 2002): Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, Fl. 286DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.722970/200986 Acórdão n.º 1802001.307 S1TE02 Fl. 287 16 quando, escriturados sem vicio extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Por exemplo, o entendimento do então 1º Conselho de Contribuintes/MF segue a mesma linha, conforme resumido na ementa abaixo: Ementa: FATO GERADOR PROVA INFORMAÇÕES EM LIVROS FISCAIS E RECEITA DECLARADA AO FISCO ESTADUAL. A receita informada em livros fiscais e declarada ao Fisco Estadual, na forma de sua legislação de regência, pode ser utilizada como base de cálculo para o lançamento do IRPJ devido, tendo em vista a presunção de veracidade da escrituração fiscal. Para sua desconstituição caberia ao sujeito passivo a prova, por documentos hábeis e idôneos, de seu equívoco. 1º CC/1º Câmara/Acórdão 10196831, em 27/06/2008 Publicado no DOU em: 24.03.1999. (Grifo do Relator) Pois bem, a base de cálculo utilizada nos lançamentos se fundamentou nos valores das diferenças mensais de receita bruta escriturada no Livro Razão (fls. 99/128) e declarada a menor na DSPJSimples do AC/2005 (fls. 09/26), conforme demonstrativo à fl. 98, de sorte que o fato gerador da exigência está claramente definido. Vêse, então, que a Fiscalização não cometeu nenhuma das ilegalidades indicadas na impugnação, já que se amparou na diferença positiva entre valores escriturados e declarados pela própria autuada, inexistindo, assim, motivação para cancelamento do feito. Quanto à insinuação de que o regime de apuração pelo Lucro Real seria mais vantajoso (fls. 179/180), ainda que fosse o caso, a esta altura, a legislação não admitiria declaração retificadora que visasse mudança do regime de tributação antes adotado, conforme dispõe a Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999, in verbis: Art. 1º A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...]. §2°A declaração retificadora referida neste artigo: I – terá a mesma natureza da declaração originalmente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para os efeitos da revisão sistemátivca de que trata a Instrução Normativa SRF nº 094, de 24 de dezembro de 1997: Art. 4º No caso de DIPJ ou DIRPJ, não será admitida retificação que tenha por objetivo mudança do regime de Fl. 287DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.722970/200986 Acórdão n.º 1802001.307 S1TE02 Fl. 288 17 tributação, salvo, nos casos determinados pela legislação, para fins de adoção do lucro arbitrado. (grifo do Relator) Além disso, eventual retificação de declaração após iniciada a ação fiscal não exime o contribuinte da incidência de penalidade art. 833 do RIR/1999. Tal entendimento é reforçado pela Súmula CARF nº 33, de 29/11/2010 (DOU de 09/12/2010), in verbis: Súmula CARF n 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Deste modo, é impossível a mudança do regime de tributação simplificado para o do Lucro Real do anocalendário fiscalizado. (...) Portanto, deve ser mantida a infração do IRPJSimples – Diferença de Receitas tributáveis (diferença de base cálculo) bem como a infração reflexa IRPJ/Simples – insuficiência de recolhimentos quanto à receita declarada – PJSimples (diferença de alíquota). ANOCALENDÁRIO 2005. MULTA DE OFÍCIO APLICADA. PERCENTUAL DE 75%. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. A contribuinte, nas razões do recurso, alegou que a multa aplicada de 75% (art. 44, I, da Lei nº 9.430/96), para a diferença de tributos lançada de ofício do Simples Federal (anocalendário 2005), seria desproporcional e, por isso, confiscatória. Não cabe aos órgãos de julgamento administrativo conhecer, no mérito, da arguição de inconstitucionalidade para afastar a aplicação de lei que, enquanto vigente no ordenamento jurídico, tem presunção de legalidade e constitucionalidade, pois editada pelo Poder Público, ou seja, pelo Poder Legislativo conforme processo legislativo estatuído na Constituição Federal, sob pena de responsabilidade funcional. Nesse sentido, no âmbito deste Egrégio Conselho Administrativo a matéria está sumulada, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária A apreciação, no mérito, da arguição de inconstitucionalidade de lei é matéria de competência do Poder Judicário. Apenas para argumentar, na esfera administrativa, no âmbito do processo administrativo tributário, não há controle de legalidade da lei, mas sim controle de legalidade do ato administrativo de lançamento, se ele foi, ou não, produzido de acordo com a legislação de regência. No caso, o lançamento foi efetuado em estrita observância a legislação de regência. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.722970/200986 Acórdão n.º 1802001.307 S1TE02 Fl. 289 18 O princípio do nãoconfisco (CF, art. 150, IV), ademais, tem aplicação restrita a tributos e se dirige apenas ao legislador infraconstitucional. Multa não é tributo. O princípio do nãoconfisco não se aplica para multa (penalidade), pois, multa não é tributo e para a graduação do seu percentual é inaplicável, ou seja, não cabe objetar, o princípio da capacidade contributiva. Ou seja: o princípio da capacidade contributiva não se aplica para penalidade pecuniária, a qual deve ser graduada, cominada em lei (pena em abstrato), em patamar suficiente para causar temor, receio ou medo no contribuinte, no sentido de afastálo da prática de infração tributária. Na legislação tributária federal, a multa de ofício cominada, no caso de imputação de infração em procedimento de fiscalização (atividade repressiva) varia de 75% a 225%. No caso, foi aplicada a multa mínima de 75%. Incide na pena em concreto da lei tributária apenas quem quer ou quem assume o risco de praticar a infração tributária. Não obstante, há contribuintes, ainda assim, que persistem na prática de infração tributária, sopesando a relação custo x benefício de tal conduta, acreditando no baixo risco, em tese, de serem flagrados ou fiscalizados. Porém, quando flagrados pelo fisco não há escapatória, a não ser a submissão ao rigor da lei, ou seja, aos efeitos da aplicação da penalidade em concreto. No caso, como visto, seja qual for a razão que culminou na ínfima receita declarada ao fisco pela contribuinte no anocalendário 2005, a penalidade pecuniária cominada na lei não foi suficiente para evitar que a contribuinte praticasse a infração imputada, então da sua aplicação da penalidade em concreto, ou seja, o rigor da lei ao caso concreto. Por tudo que foi exposto, deve ser mantida a penalidade aplicada. ANOCALENDÁRIO 2005. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. MATÉRIA SUMULADA. A recorrente alegou que a legislação que impõe a aplicação dos juros de mora taxa SELIC na cobrança de tributos seria inconstitucional, por violação do princípio da legalidade tributária. Como já dito alhures, não cabe ao órgão de julgamento administrativo conhecer, no mérito, da arguição de inconstitucionalidade que é matéria de competência do Poder Judiciário. Apenas, para argumentar, os tribunais, desde longa data, têm julgado constitucional a aplicação da taxa Selic na cobrança de tributos pagos serodiamente. A propósito, transcrevo os seguintes precedentes jurisprudenciais do STJ: Fl. 289DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.722970/200986 Acórdão n.º 1802001.307 S1TE02 Fl. 290 19 Ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EXECUÇÃO FISCAL TAXA SELIC OBSCURIDADE E OMISSÃO. 1. Acórdão embargado que não examinou adequadamente a tese em torno do art.161,§ 1º, doCTN, restando obscuro e omisso. 2. Sanando os vícios e prequestionada a tese em torno do art.161,§ 1º, doCTN, afastase a alegação de contrariedade porque esta Corte considera legítima a aplicação da taxa SELIC na cobrança dos créditos tributários, afastando a regra do referido dispositivo legal porque lei especial tratou de forma diversa os juros moratórios. 3. Embargos de declaração acolhidos, sem efeitos modificativos. (Processo EDcl no REsp 968675 RS 2007/01451683; Relator(a): Ministra ELIANA CALMON Julgamento: 19/08/2008 Órgão Julgador: T2 SEGUNDA TURMA Publicação:DJe 22.09.2008). Ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. INDEFERIMENTO DE PROVA PERICIAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. SÚMULA7/STJ. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA211/STJ. PEDIDO DE PARCELAMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INEXISTÊNCIA. SELIC. CRÉDITOS DE NATUREZA TRIBUTÁRIA. LEGALIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REVISÃO. SÚMULA7/STJ. 1. A verificação da necessidade da realização de prova pericial, em contrariedade à convicção do juízo de origem a esse respeito, esbarra no óbice da Súmula 7/STJ. Precedentes do STJ. 2. É inadmissível Recurso Especial quanto a questão que, a despeito da oposição de Embargos Declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo. Incidência da Súmula 211/STJ. 3. A confissão de débito para fins de obtenção de parcelamento não caracteriza a denúncia espontânea. 4. Orientação reafirmada no REsp 1.102.577/DF, julgado no rito dos recursos repetitivos . 5. É legítima a utilização da Selic na cobrança dos créditos tributários titularizados pela Fazenda Nacional. Precedentes do STJ. (...) (Processo: AgRg no Ag 1287384 RS 2010/00484567 Relator(a): Ministro HERMAN BENJAMIN Julgamento: 08/06/2010 Órgão Julgador: T2 SEGUNDA TURMA Publicação: DJe 01/07/2010). Ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. REQUISITOS DA CDA. NULIDADE. SÚMULA7/STJ. INCIDÊNCIA DA TAXA Fl. 290DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.722970/200986 Acórdão n.º 1802001.307 S1TE02 Fl. 291 20 SELIC. LEGALIDADE. MATÉRIA PACIFICADA EMJULGAMENTO DE RECURSO REPETITIVO. APLICAÇÃO DE MULTA (ART.557,§ 2º, DOCPC). 1. A verificação do preenchimento dos requisitos da CDA demanda, emregra, incursão no acervo fáticoprobatório, o que é vedado nostermos da Súmula 7/STJ. Precedentes do STJ. 2. É legítima a utilização da Selic na cobrança do crédito tributário. 3. Orientação firmada noRESP 1.073.846/SP, julgado sob o rito doart. 543C do CPC. (...) (Processo: AgRg no AREsp 23394 RS 2011/01564811 Relator(a): Ministro HERMAN BENJAMIN Julgamento: 15/03/2012 Órgão Julgador: T2 SEGUNDA TURMA Publicação: DJe 13/04/2012) Ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. TAXA SELIC. LEI 9.065/95. INCIDÊNCIA. 1. Os créditos tributários recolhidos extemporaneamente, cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1º de janeiro de 1995, a teor do disposto na Lei 9.065/95, são acrescidos dos juros da taxa SELIC, operação que atende ao princípio da legalidade. Precedentes: Eresp nº 265.005 PR, Primeira Seção, Relator Ministro Luiz Fux, DJ de12.09.2005, p. 196; Eresp nº 398.182 PR, Primeira Seção, Relato rMinistro Teori Albino Zavascki, DJ de 03.11.2004, p. 122 e RSTJ vol.186, p. 93; Eresp nº 418.940 MG, Primeira Seção, Relator Ministro Humberto Gomes de Barros, DJ de 09.12.2003, p. 204. Precedente em sede de recurso representativo da controvérsia: REsp. n. 879.844 MG, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2. No caso das contribuições sociais regidas pela Lei n.8.212/91, a aplicação da taxa SELIC na cobrança de tais tributos teve início coma publicação em 28.06.1997, da Medida Provisória n. 1.52310, de27.06.1997.3. Recurso especial não provido. (Processo: REsp 1252745 ES 2011/00626857 Relator(a): Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES Julgamento: 07/08/2012 Órgão Julgador: T2 SEGUNDA TURMA Publicação: DJe 14/08/2012). Ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. TAXA SELIC. APLICABILIDADE AOS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS EM ATRASO. RESP 1073846/SP. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. VERBA HONORÁRIA COMPREENDIDA NO ENCARGO DE 20% PREVISTO NO DECRETOLEI N.1.025/69. RESP 1143320/RS. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. 1. Restou pacificado nesta Corte Superior, com o julgamento do Resp n. 1073846/SP, pela sistemática do art.543C do CPC e da Fl. 291DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.722970/200986 Acórdão n.º 1802001.307 S1TE02 Fl. 292 21 Resolução STJ n. 8/08, o entendimento no sentido de que "a Taxa SELIC é legítima como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos débitos tributários pagos em atraso, ex vi do disposto no artigo 13, da Lei 9.065/95". (...) (Processo: AgRg nos EDcl no Ag 1396304 RS 2011/00173692 Relator(a): Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES Julgamento: 21/06/2011 Órgão Julgador: T2 SEGUNDA TURMA Publicação: DJe 29/06/2011). Os tribunais se convenceram que não é possível ter duas medidas e dois pesos. Se a União Federal, para realizar o seu mister constitucional, recorre ao mercado financeiro captar recursos para financiar, realizar ou implementar suas políticas públicas, pagando a taxa SELIC; logo, nada mais justo e legal que o contribuinte moroso (que não pagou tributo no seu vencimento), que está na posse indevida de recursos da União Federal (Fazenda Nacional), também, submetase ao pagamento dos juros SELIC (remuneração dos créditos da União). Tratamento isonômico. Princípio da isonomia. É um um peso e uma medida. Senão a conta não fecha! Ou seja: se os débitos da União são pagos com aplicação dos juros SELIC; logo, os créditos da União (tributos não pagos tempestivamente pelos contribuintes), também, devem submeterse aos juros SELIC. Por fim, no âmbito de Egrégio Conselho Administrativo, é entendimento pacífico a incidência dos juros SELIC na cobrança de tributos pagos a destempo, sendo, inclusive, matéria sumulada: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral Poranto, devem ser mantidos os juros de mora aplicados – Juros SELIC. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL – Simples, PISSimples, Cofins Simples e Contrib. Segur. Social – INSS – Simples: O lançamento decorrente segue a sorte do lançamento principal (IRPJ Simples), em face da conexão dos fatos e das provas. Ou seja: inexistindo razão fática ou jurídica para decidir diversamente, aplicase aos lançamentos decorrentes, no que couber, o mesmo tratamento dispensado ao Fl. 292DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.722970/200986 Acórdão n.º 1802001.307 S1TE02 Fl. 293 22 lançamento principal (IRPJSimples), em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Por tudo que foi exposto, voto para REJEITAR a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 293DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 13955.000815/2008-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2006
Ementa:
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Podem ser deduzidos como despesas médicas os valores pagos pelo
contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos.
Na hipótese, o contribuinte não logrou comprovar as despesas médicas deduzidas.
Numero da decisão: 2101-001.772
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos como despesas médicas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos. Na hipótese, o contribuinte não logrou comprovar as despesas médicas deduzidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) ________________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Ausente, justificadamente, o conselheiro Gonçalo Bonet Allage. Fl. 38DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento contra o contribuinte em epígrafe, na qual foi apurado Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, correspondente ao anocalendário de 2005, exercício 2006 (fls. 2 a 5). Segundo relato da Fiscalização (fls. 3), foi glosado, por dedução indevida ou falta de previsão legal para sua dedução, o valor de R$ 4.967,72, a título de despesas médicas. Em 6.10.2008, o contribuinte impugnou o lançamento (fls. 1), argumentando, em síntese, que os documentos solicitados foram apresentados e protocolados em 22.8.2008, e que não entende o motivo pelo qual a Receita Federal não aceitou os recibos emitidos pela psicóloga Sandra Raquel Morais Freixo, já que a declaração de renda da profissional pode ser acessada e, por conseguinte, pode ser constatado que o imposto referente aos pagamentos correspondentes ao tratamento foi recolhido. Sustenta ainda que as despesas declaradas com Unimed e não aceitas porque já teriam sido deduzidas por sua esposa não foram deduzidas por ela, configurando bitributação. A 7.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) julgou a impugnação improcedente, por meio do Acórdão n.º 0630.324, de 11 de fevereiro de 2011, mediante a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. É mantida a glosa de despesas médicas quando os recibos apresentados forem considerados insuficientes e o contribuinte não deixar evidenciado nos autos a efetividade dos pagamentos, bem como a prestação dos serviços correspondentes. PLANO DE SAÚDE. CÔNJUGE BENEFICIÁRIO. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO EM SEPARADO NO MODELO SIMPLIFICADO. DEDUÇÃO VEDADA. Não se deduzem da base de cálculo do Imposto de Renda as despesas com plano de saúde, referentes ao cônjuge do declarante, quando este tenha feito declaração simplificada em separado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. 27, no qual reitera as razões de impugnação. Esclarece que as despesas médicas apresentadas são pertinentes à sua filha, que, na data do recolhimento das mensalidades do plano de saúde Unimed era estudante e não tinha renda própria, sendo sua dependente. Fl. 39DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13955.000815/200817 Acórdão n.º 2101001.772 S2C1T1 Fl. 2 3 Pede que sua impugnação seja novamente analisada e sejam acatados os argumentos nela expostos, cancelandose o débito. É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. O lançamento constante deste processo originouse de procedimento de revisão de declaração, previsto no artigo 835 do Decreto n.° 3.000, de 1999. Tal dispositivo assim prevê, verbis: Art. 835. As declarações de rendimentos estarão sujeitas a revisão das repartições lançadoras, que exigirão os comprovantes necessários (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 74). § 1° A revisão poderá ser feita em caráter preliminar, mediante a conferência sumária do respectivo cálculo correspondente à declaração de rendimentos, ou em caráter definitivo, com observância das disposições dos parágrafos seguintes. § 2° A revisão será feita com elementos de que dispuser a repartição, esclarecimentos verbais ou escritos solicitados aos contribuintes, ou por outros meios facultados neste Decreto (DecretoLei n°5.844, de 1943, art. 74, § 1°). § 3° Os pedidos de esclarecimentos deverão ser respondidos, dentro do prazo de vinte dias, contados da data em que tiverem sido recebidos (Lei n° 3.470, de 1958, art. 19). § 4° O contribuinte que deixar de atender ao pedido de esclarecimentos ficará sujeito ao lançamento de oficio de que trata o art. 841 (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 74, §3°, e Lei n° 5.172, de 1966, art. 149, inciso III)." O artigo 73 do Decreto n.º 3.000, de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda, cuja matriz legal é o artigo 11 do DecretoLei n.º 5.844, de 1943, estipula que todas as deduções feitas pelo contribuinte sujeitamse a comprovação. Vejamos: Art.73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, Fl. 40DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, §4º). (...) (grifouse) Sobre a forma de comprovação das deduções utilizadas, na declaração de imposto sobre a renda de pessoa física, com despesas médicas e odontológicas, vejamos o que diz o artigo 8.º da Lei n.º 9.250, de 1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. [...]. Depreendese, dos dispositivos acima transcritos, que os comprovantes de despesas médicas, para fins de dedução do imposto sobre a renda, devem referirse a despesas com tratamento do próprio contribuinte e de seus dependentes, e devem demonstrar tanto o recebimento do valor correspondente ao serviço prestado, pelo profissional da área de saúde, quanto o pagamento, feito pelo contribuinte, pela referida prestação. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13955.000815/200817 Acórdão n.º 2101001.772 S2C1T1 Fl. 3 5 A comprovação das despesas médicas pode ser feita por meio de quaisquer documentos hábeis e idôneos, desde que, em seu conjunto, demonstrem, de forma inequívoca, que a despesa foi feita, nas condições admitidas na lei. Na sua impugnação, o contribuinte alega ter entregue à Secretaria da Receita Federal do Brasil, em 22.8.2008, “os documentos solicitados”. Todavia, não foram anexados documentos comprobatórios das despesas médicas nos autos nesse momento processual. Em 21.10.2008, a Agência da Receita Federal em Paranavaí (PR) emitiu a Intimação ARF/PVI/071/2008 (fls. 6), instando o contribuinte a apresentar os documentos comprobatórios das alegações contidas em sua impugnação. Referida Intimação foi recebida no endereço do contribuinte no dia 30.10.2008 (fls. 25). Todavia, em atendimento, o interessado não apresentou qualquer comprovação das despesas médicas glosadas. Em 3.11.2008, fez anexar aos autos apenas cópia de seu documento de identidade (fls. 7 e 10). Em seu recurso voluntário, o contribuinte repisa os argumentos de impugnação, não mais alega ter entregue documentos e, mais uma vez, nada traz aos autos que comprove ter incorrido nas despesas médicas glosadas. Conforme dito anteriormente, as despesas com tratamento de saúde do contribuinte e de seus dependentes podem ser comprovadas por meio de quaisquer documentos hábeis e idôneos. O ônus da prova do fato declarado compete ao contribuinte, interessado na prova da sua veracidade. No caso em análise, verificase, do exame dos autos, que, em momento algum, o interessado apresentou documentos que pudessem dar suporte às suas alegações. E meras alegações não se prestam a fazer prova no processo administrativo fiscal. A fim de comprovar seus argumentos, que contestaram a glosa feita pela Fiscalização, o contribuinte deveria ter trazido aos autos alguma prova documental que indicasse que, no ano calendário em questão, efetuou as despesas médicas declaradas com seu próprio tratamento ou de seus dependentes no valor de R$ 4.967,72. Poderia têlo feito no momento da impugnação, no atendimento à Intimação ARF/PVI/071/2008 e na interposição do recurso voluntário. No entanto, em nenhum desses momentos apresentou qualquer documento que comprovasse o alegado. Sendo assim, tendo em vista que o interessado não logrou comprovar as despesas médicas glosadas, as referidas deduções não podem ser restabelecidas. Não há, portanto, qualquer reparo a ser feito na decisão a quo. Conclusão Ante todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 42DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 Fl. 43DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 19515.001159/2009-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
LANÇAMENTO IMPROCEDENTE
É improcedente o lançamento cuja infração é ilidida por meio de provas hábeis e idôneas apresentadas pelo sujeito passivo e reconhecidas pela própria fiscalização.
DESCONSIDERAÇÃO DOS ELEMENTOS APRESENTADOS PELO SUJEITO PASSIVO. NECESSIDADE DE PROVAS ROBUSTAS.
As razões apresentadas no ato fiscalizatório para a desconsideração de elementos apresentados pelo sujeito passivo, devem sempre ser confrontadas com os fatos concretos, sopesada a gravidade da eventual irregularidade, e sempre acompanhada das provas robustas. O agente do fisco deve evitar desconsiderar os elementos apresentados de modo genérico, devendo procurar sempre elementos adicionais que possam motivar o lançamento, e evidenciar a base de cálculo do tributo.
Recurso de Ofício Negado
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-002.117
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, QUANTO AO RECURSO DE OFÍCIO: Por unanimidade de votos, negar provimento. QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO: Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odmir Fernandes.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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DESCONSIDERAÇÃO DOS ELEMENTOS APRESENTADOS PELO SUJEITO PASSIVO. NECESSIDADE DE PROVAS ROBUSTAS. As razões apresentadas no ato fiscalizatório para a desconsideração de elementos apresentados pelo sujeito passivo, devem sempre ser confrontadas com os fatos concretos, sopesada a gravidade da eventual irregularidade, e sempre acompanhada das provas robustas. O agente do fisco deve evitar desconsiderar os elementos apresentados de modo genérico, devendo procurar sempre elementos adicionais que possam motivar o lançamento, e evidenciar a base de cálculo do tributo. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 11 59 /2 00 9- 16 Fl. 26632DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.001159/200916 Acórdão n.º 2202002.117 S2C2T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, QUANTO AO RECURSO DE OFÍCIO: Por unanimidade de votos, negar provimento. QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO: Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odmir Fernandes. Fl. 26633DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.001159/200916 Acórdão n.º 2202002.117 S2C2T2 Fl. 4 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, LIBBS FARMACÊUTICA LTDA., foi lavrado o Auto de Infração de IRRF, em 08/04/2009, por recolhimento insuficiente do IRRF referente aos fatos geradores dos anoscalendário de 2003 a 2007, insuficiência apurada por meio de cotejo entre as DCTF's, a escrituração contábil e os DARF's recolhidos, tendo sido exigido o crédito tributário total de RS RS 57.126.563,17, incluindo imposto, multas de 75% e juros de mora calculados até 31/03/2009 (fls. 1 a 172). O Termo de Verificação Fiscal (TVF), de fls. 136 e 137, dá conta de que, por ocasião das verificações preliminares: 1 foram cotejadas as informações dos disquetes do contribuinte com as do dossiê eletrônico dos sistemas da Receita Federal do Brasil, tendo sido apuradas diferenças de IRRF; 2 o contribuinte foi intimado, em 26/03/2009, a justificar tais diferenças, não tendo feito até a presente data; 3 portanto, o contribuinte efetuou recolhimento insuficiente do IRRF, para os fatos geradores ocorridos no período em tela, de acordo com planilha anexa, parte integrante do TVF; 4 o enquadramento legal se deu com base nos arts. 841 e 889 do RIR199, art. 77, inciso III, do Decretolei n.° 5.844/43 e art. 149 do CTN (fl. 168); 5 as diferenças apuradas são referentes ao IRRF de aluguéis, de salários e de pagamentos a terceiros, conforme as planilhas de fls. 138 a 143, derivadas do "Cotejo das Informações ContábilFiscais", as fls. 118 a 133. O auto de infração consta as fls. 144 a 172. Cientificado em 08/04/2009, o interessado apresentou impugnação, em 08/05/2009 (fls. 174 a 185), por meio de seu sócio (fls. 185 a 197), acompanhada de documentos e quadros demonstrativos (fls. 198 a 2.565), alegando, em resumo, que: 1 há nulidade causada por cerceamento de defesa, visto que recebeu como anexo do Auto de Infração apenas planilhas com dados inconsistentes cotejados com os do dossiê eletrônico da RFB, ao qual a impugnante não tem acesso, o que dificultou a defesa, impossibilitando o entendimento dos valores apontados como devidos, em total afronta ao principio da ampla defesa; as inconsistências estão relacionadas às planilhas da fiscalização, os únicos documentos que embasaram o Auto de Infração; além da falta de documentos de suporte das planilhas apresentadas, seus montantes informados como devidos não são pertinentes, Fl. 26634DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.001159/200916 Acórdão n.º 2202002.117 S2C2T2 Fl. 5 4 vez que foi considerada a contabilidade como meio hábil para determinação do IRRF, e como se não bastasse, foram utilizados valores não condizentes com a contabilidade, conforme demonstrado no Anexo I; o trabalho carece de um dos elementos essenciais à constituição do crédito tributário, qual seja, a descrição do fato de forma clara, precisa e corroborada por documentos que efetivamente comprovem o débito; juntase 9 (nove) pastas de documentos, contendo DARF'S, DCTF'S e Razões Contábeis dos anoscalendário de 2003 a 2007, que comprovam a inexistência do crédito tributário exigido; 2 em vista do absurdo valor exigido, invoca o principio da capacidade contributiva, pois a empresa apresentou entre 2003 a 2007 um faturamento médio de R$ 265.987.629,00, enquanto a soma dos lançamentos desta ação fiscal (PIS, COFINS, IRPJ, IRRF e CSLL) alcançou R$ 228.077.172,00; 3 ocorreu a decadência em relação aos créditos tributários dos períodos de competência anteriores a 08 de abril de 2004, conforme argumentos de praxe; 4 a planilha anexa ao Auto de Infração que daria suporte ao lançamento confrontou valores extraídos da contabilidade de forma totalmente desconexa, como por exemplo, considerando créditos contabilizados de outro período de competência e o lançamento se deu "como se a contabilidade fosse o único fato gerador do IRRF"; 5 além disso, foram cotejados saldos contábeis do Razão com valores declarados em DCTF's, sendo óbvio que tais valores não vão coincidir, pois o IRRF é recolhido em período distinto do da contabilização, de forma que há duas situações: a) na primeira, o pagamento do IRRF ocorre antes do crédito contábil, sendo que o fato gerador é o crédito contábil ou o pagamento, aquele que ocorrer primeiro; nesse pagamento (DCTF's) porém não há crédito contábil, pois este será realizado em nome subseqüente; e b) na segunda, há o lançamento contábil a crédito realizado ern um ales em que o pagamento se dá na semana ou mês subseqüente, dependendo do anocalendário e em consonância com as datas de vencimento de cada código de receita; 6 assim, confrontar DCTF/DARF com o Razão não produz qualquer resultado, no caso do IRRF, embora a contabilidade possa ser fonte auxiliar para a apuração de insuficiências de recolhimentos, mas jamais ser a única fonte, pois não hi lógica no procedimento e tampouco amparo legal; 7 vejase que após os registros contábeis apurados segundo os critérios legais, surgem estornos e outras retificações, de forma que a contabilidade foi considerada de forma errônea e desconexa, havendo vicio insanável no lançamento, o que torna o trabalho fiscal totalmente inócuo e desprovido de qualquer base legal para sua sustentação; Fl. 26635DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.001159/200916 Acórdão n.º 2202002.117 S2C2T2 Fl. 6 5 8 caso o julgador não forme sua convicção com os documentos relacionados e juntados, pleiteia a realização de diligência. O processo foi baixado em diligência, em 30/07/2009 (fls. 2.573 a 2.579), procurando sanar o conjunto probatório, em face das observações do impugnante. A diligência foi realizada (fls. 2.597 a 15.412), constando seu relatório de encerramento As fls. 15.413 a 15.416, com ciência ao interessado em 25/02/2010, cuja conclusão é que os lançamentos devem ser mantidos, pois apesar de o contribuinte ter apresentado planilhas demonstrativas, não vinculou as diferenças que correspondem As Provisões dos pagamentos de IRRF antes e depois do período de apuração, apontando como exemplo a la diferença apurada (5' linha da fl. 138). A impugnante manifestouse As fls. 15.417 a 15.420, em 07/03/2010, por meio de seus advogados (fls. 15.421 e 15.422), acostando resposta apresentada no curso da diligência (fls. 2.602 a 2.606 e 15.423 a 15.427), bem como "Parecer Técnico de Natureza Contábil" (fls. 2.619 a 2.640 e 15.428 a 15.449). O processo foi novamente baixado em diligência, em 05/05/2010 (fls. 15.451 a 15.455), tendo em vista a ampla documentação apresentada pelo recorrente com Parecer e 146 anexos de provas. A 2a diligência foi realizada (fls. 15.456 a 25.446), constando seu 1° relatório de encerramento As fls. 25.447 a 25.450, com planilha anexa de fls. 25. 451 a 25.475, a respeito dos quais o contribuinte manifestouse As fls. 25.458 a 25.461, constando em seguida o 2° relatório de encerramento de diligência (fls. 25.462 a 25.466, frente e verso), com elementos de fls. 25.467 a 26.255. As planilhas anexas ao 1o relatório de encerramento (fls. 25.451 a 25.457) mostram, em resumo, que para o anocalendário de: 1 2003: tudo foi comprovado; 2 2004: há um total de R$ 156.676,10 de IRRF cujo recolhimento não foi comprovado, embora a exclusão de IRRF de períodos de apuração que não haviam sido originalmente lançados resulte em um total de R$ 137.595,41 a este titulo; 3 2005: há um total de R$ 149.667,36 de IRRF cujo recolhimento não foi comprovado, embora a exclusão de IRRF de períodos de apuração que não haviam sido originalmente lançados resulte em um total de R$ 149.104,82 a este titulo; 4 2006: há um total de R$ 4.322,99 de IRRF cujo recolhimento não foi comprovado, 5 2007: há um total de R$ 10.980,66 de IRRF cujo recolhimento não foi comprovado. A manifestação do contribuinte foi no sentido de concordar com a redução da autuação de R$ 27.845.124,57 para R$ 321.647,11, mas discordar quanto a todos os lançamentos mantidos, pois: Fl. 26636DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.001159/200916 Acórdão n.º 2202002.117 S2C2T2 Fl. 7 6 1 teria apresentado todos os esclarecimentos solicitados, especialmente a composição de cada diferença apontada, acompanhada de toda a documentação comprobat6ria dos valor lançados e pagamentos efetuados; 2 parte dos lançamentos que compõe o total de R$ 321.647,11 foram apontados nas planilhas que acompanham o Termo de Encerramento de Fiscalização que acompanham o Termo de Encerramento da Diligência, ou seja, não teve oportunidade, ate então, de se manifestar acerca de tais valores, o que fará neste momento; 3 apresenta planilhas com a composição de cada diferença remanescente e toda a respectiva documentação comprobatória (fls. 25.467 a 26.255). O 2° relatório de encerramento da diligência não traz qualquer alteração no entendimento da fiscalização, pelos mesmos motivos já apontados por ocasião do relatório anterior. A DRJ ao apreciar as razões do contribuinte, julgou o lançamento procedente em parte, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCRIÇÃO DO FATO E FORMA DE APURAÇÃO. Não há despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, de forma que não há nulidade por cerceamento do direito de defesa. A impugnação demonstra que as imputações foram compreendidas, não prejudicando a defesa. A descrição do fato imputado é muito clara: insuficiência de recolhimento de IRRF. Preliminar indeferida. CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. Ê principio constitucional destinado aos legisladores, cuja aplicação se dá por meio da legislação tributária, que vincula a todos os AFRFB, inclusive julgadores. Preliminar indeferida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 IRRF. DECADÊNCIA. Tratandose de recolhimento insuficiente, aplicase o art. 150, § 4, do CTN, de forma que a contagem do prazo decadencial se Fl. 26637DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.001159/200916 Acórdão n.º 2202002.117 S2C2T2 Fl. 8 7 inicia a partir das datas dos fatos geradores. 0 lançamento se deu em 08/04/2009, o que significa que os fatos geradores anteriores a 08/04/2004 foram alcançados pelo decurso do prazo decadencial. Preliminar deferida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 DIFERENÇAS DE RECOLHIMENTO. COTEJO DA ESCRITURAÇÃO COM DCTF E DARE Devem ser mantidos os lançamentos para os quais o respectivo recolhimento não foi comprovado. Impugnação procedente em parte Credito tributário mantido em part A autoridade julgadora entendeu que estariam decadentes o lançamento relativos a fatos geradores anteriores da 08/04/2004, bem como no mérito acolheu o que a fiscalização deu por comprovado. Assim após a exoneração restou comprovado os valores de 23 períodos de apuração mantidos pela fiscalização e contestados pela impugnante, no total de R$ 226.785,43. Tendo em vista o crédito exonerado, a autoidade julgadora recorre de ofício. Insatisfeita com o resultado a recorrente interpõe recurso voluntário, indicando que no que alude ao credito residual remanescente e objeto do apelo voluntário manejado pela recorrida, Libbs Farmeceutica ltda, entende estar demonstradas as impropriedades cometidas pela autoridade autuante quanto a sistemática utilizada na apuração. É o relatório. Fl. 26638DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.001159/200916 Acórdão n.º 2202002.117 S2C2T2 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso de ofício está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A autoridade recorrida entendeu por bem afastar parte do lançamento por decadência, tendo em vista que a ciência ocorreu em 08/04/2009, de forma que os fatos geradores anteriores a 08/04/2004 foram alcançados pelo decurso do prazo decadencial. Oportuna a decisão da autoridade recorrida ao reconhecer a decadência, tendo em vista que o lançamento está consubstanciado em imposto de renda retido na fonte a menor do que deveria ter sido realizado. Urge registrar que nos autos há prova de pagamento antecipado. Ora, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o escoamento do prazo do art. 150, § 4º, sem manifestação do Fisco, significa a aquiescência implícita aos valores declarados pelo contribuinte, porque o silêncio, neste caso, é qualificado pela lei, trazendo efeitos. A única diferença de regime está consubstanciada na hipótese em que não há pagamento antecipado, que não é o caso do s autos. No que toca ao mérito, a autoridade recorrida tão somente reconheceu aquilo que a própria fiscalização já havia excluído por entender estar demonstrado. Haja vista o reconhecimento de que os valores já se encontram consignados não há como reparar a decisão da autoridade julgadora de primeira instância. Ante ao exposto voto por negar provimento ao recurso de ofício. No que toca ao recurso voluntário. a discussão do processo, com a devida vênia, para este relator, consubstanciase num procedimento fiscalizatório comprovadamente equivocado e baseado em premissas errôneas. Da análise do prova documental, respaldamse com firmeza os argumentos do recorrente. Deste modo não se acolhe a argumentação da autoridade recorrida de a que as planilhas de conciliação não são aptas a demonstrar com clareza a conciliação que se pretende fazer. Inoportuna também, smj, o simples argumento de que não há indicações no livro razão que auxiliem as explicações da planilhas. Caso dúvidas eventualmente existam, caberia ao julgador mediante diligência esclarecer as mesmas. Isso se reforça, especialmente em face, de que a autoridade fiscal que realizou a diligência em nada acrescentou em seus relatórios da diligência fiscal, sobre aqueles lançamento que tinham sido excluídos. Não há qualquer explicação , por que os valores não foram acolhidos. Acrescentese por pertinente, que para a parte restante do auto de infração, a autoridade fiscalizadora não apontou as falhas ou incongruências dos argumentos do Fl. 26639DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.001159/200916 Acórdão n.º 2202002.117 S2C2T2 Fl. 10 9 recorrente. Não justificou com clareza e de modo a não restar dúvidas o porque não estaria aceitando os argumentos expostos pelo recorrente. Reitero que no contexto dos autos era imprescindível um esforço da fiscalização em explicar detalhadamente o que mantinha das infrações apontadas originalmente, especialmente após reconhecer que a quase totalidade do auto originariamente lançado não tinha fundamento. Entendo, que cabe a fiscalização nesse contexto, provar com mais robustez o que aspira manter no lançamento. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício e no que toca ao recurso voluntário dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 26640DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10830.005343/2005-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. DECISÃO RESUMIDA DO ACÓRDÃO EMBARGADO EM CONTRADIÇÃO COM A EMENTA E COM O VOTO. EMBARGOS CONHECIDOS E ACOLHIDOS PARA AFASTAR A CONTRADIÇÃO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. Embargos acolhidos para sanar a contradição entre a decisão resumida e a ementa/voto.
Numero da decisão: 2102-002.190
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher a irresignação da PGFN para esclarecer a obscuridade que constou na decisão resumida, que deve ter a seguinte redação: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso para cancelar a glosa do IRRF de R$ 3.650,00".
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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EXISTÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. DECISÃO RESUMIDA DO ACÓRDÃO EMBARGADO EM CONTRADIÇÃO COM A EMENTA E COM O VOTO. EMBARGOS CONHECIDOS E ACOLHIDOS PARA AFASTAR A CONTRADIÇÃO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Embargos acolhidos para sanar a contradição entre a decisão resumida e a ementa/voto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher a irresignação da PGFN para esclarecer a obscuridade que constou na decisão resumida, que deve ter a seguinte redação: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso para cancelar a glosa do IRRF de R$ 3.650,00". Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 19/07/2012 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em sessão plenária de 14 de março de 2012, esta Turma de julgamento julgou o recurso voluntário acostado a estes autos, proferindo decisão consubstanciada no Acórdão nº 210201.904, que restou assim ementado: COMPROVAÇÃO DO IRRF. OMISSÃO DA FONTE PAGADORA. IMPOSSIBILIDADE DE IMPUTAR A RESPONSABILIDADE PROBATÓRIA AO BENEFICIÁRIO DOS RENDIMENTOS. NECESSIDADE DE INVESTIGAÇÃO JUNTO À FONTE PAGADORA. Demonstrando o beneficiário dos rendimentos que não tem como comprovar o IRRF oriundo de salários recebidos, competentemente declarado junto aos rendimentos tributáveis na declaração de ajuste anual respectiva, tudo por omissão da fonte pagadora, deve a autoridade fiscal investigar tal informação, não podendo simplesmente presumir que o beneficiário recebeu os rendimentos brutos, sem retenção do IR, notadamente quando o vínculo de emprego é inconteste, o beneficiário dos rendimentos não tem relação societária com a fonte pagadora e o valor do IRRF glosado está em linha com o calculado a partir das despesas passíveis de dedução que constam da declaração de ajuste anual auditada. Recurso provido. A decisão foi assim resumida: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso para restabelecer a glosa do IRRF de R$ 3.650,00”. A Procuradoria da Fazenda Nacional foi notificada da decisão acima e, no prazo regimental, opôs embargos de declaração, com a seguinte fundamentação, verbis: (...) Embora a leitura da ementa supra, assim como do voto condutor, conduza a conclusão de que o colegiado afastou a glosa do IRRF declarado pelo contribuinte, a parte dispositiva do julgado se encontra redigida no sentido de restabelecer a referida glosa, nos seguintes termos: “ Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso para restabelecer a glosa do IRRF de R$ 3.650,00.” Verificase, portanto, contradição entre a decisão e sua fundamentação. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10830.005343/200564 Acórdão n.º 210202.190 S2C1T2 Fl. 2 3 Enquanto nas razões de decidir, o relator se manifesta pelo provimento do recurso para acatar o IRRF declarado, o acórdão apresenta conclusão pelo restabelecimento de sua glosa. É importante esclarecer o real alcance da decisão, para que se possa aferir o interesse recursal sobre a matéria. Portanto, requer a União (Fazenda Nacional) sejam conhecidos e providos os presentes embargos para sanar o vício acima apontado. (grifos constantes nos embargos) É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Embargos tempestivos e que devem ser conhecidos, pois a fórmula da decisão embargada está redigida de forma obscura a indicar um possível restabelecimento do IRRF glosado, quando na verdade esta Turma decidiuse pelo cancelamento da glosa perpetrada pela fiscalização. A leitura do voto e da ementa deixa claro que esta Turma de Julgamento resolveu restabelecer o valor do IRRF que foi glosado pela fiscalização, pois se considerou comprovado o vínculo empregatício entre o autuado e o 5º Cartório de Notas de Campinas (fonte pagadora), pela folha de pagamento de ano anterior, pelos cheques de pagamento de meses do período autuado e pelo rendimento ofertado à tributação na DIRPF, tudo aliado à compatibilidade entre o valor do IRRF declarado e aquele que deveria ter sido retido pela fonte pagadora. Ademais, a autoridade autuante não se desincumbiu do ônus de provar que o contribuinte tinha recebido os pagamentos pelo valor bruto. Devese anotar que este Colegiado jamais poderia restabelecer uma glosa, pois não tem poderes de autoridade lançadora para agravar a situação do contribuinte. Indo mais além, o que havia em debate nesta instância era apenas a manutenção, ou não, da glosa do IRRF, no importe de R$ 3.650,00, mantida pela decisão da Turma da DRJ, ou seja, esta Turma não poderia restabelecer uma glosa de IRRF que em nenhum momento anterior tinha sido afastada. Com as considerações acima, conhecese e acolhese a irresignação da PGFN para esclarecer a obscuridade que constou na decisão resumida, que deve ter a seguinte redação: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso para cancelar a glosa do IRRF de R$ 3.650,00. Assinado digitalmente Fl. 74DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 75DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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