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Numero do processo: 10707.000858/2008-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
LEGITIMIDADE PASSIVA.
Comprovado nos autos que o contribuinte é o real beneficiário dos rendimentos considerados omitidos no lançamento, não há que se falar em ilegitimidade passiva.
MULTA QUALIFICADA.
Cabível a aplicação da multa qualificada quando restar caracterizado o intento doloso do contribuinte de se eximir do imposto devido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-002.982
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 19/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. LEGITIMIDADE PASSIVA. Comprovado nos autos que o contribuinte é o real beneficiário dos rendimentos considerados omitidos no lançamento, não há que se falar em ilegitimidade passiva. MULTA QUALIFICADA. Cabível a aplicação da multa qualificada quando restar caracterizado o intento doloso do contribuinte de se eximir do imposto devido. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 70 7. 00 08 58 /2 00 8- 36 Fl. 463DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10707.000858/200836 Acórdão n.º 2102002.982 S2C1T2 Fl. 329 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 19/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra BIANCA CRISTINA BONATES DIEKE foi lavrado Auto de Infração, fls. 02/11, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 2004 a 2006, exercícios 2005 a 2007, no valor total de R$ 865.502,56, incluindo multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora, estes últimos calculados até 30/06/2008. As infrações apuradas pela autoridade fiscal, detalhadas no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, fls. 14/33, foram omissão de rendimentos recebidos do Ministério da Fazenda, mediante precatório (processo n 97.00123774 da 29 Vara Federal), dedução indevida de dependente, dedução indevida de despesas médicas, dedução indevida de despesas com instrução e dedução indevida de previdência privada/FAPI. Do Termo de Verificação Fiscal extraise os seguintes trechos, que ilustram o contexto em que as infrações foram apuradas e a motivação para a qualificação da multa de ofício: Foram apresentadas pela contribuinte as declarações anuais de rendimentos, contendo, a princípio, afirmações falsas a respeito das DEDUÇÕES E OMISSÃO DE RENDIMENTOS, com a finalidade de reduzir o imposto devido, objetivando, a princípio, reaver o imposto retido na fonte, restando consumada, em tese, a fraude fiscal. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10707.000858/200836 Acórdão n.º 2102002.982 S2C1T2 Fl. 330 3 No Termo de Esclarecimento/Depoimento da procuradora da contribuinte a mesma declara que "Perguntada sobre a pessoa responsável pelo preenchimento das declarações apresentadas em nome de sua filha, declarou que quem fez as últimas declarações foi o contador Sr. Paulo Alberto Frizzera, recebendo pelo trabalho R$ 500,00 acrescido de 20% sobre o valor a ser restituído, caso houvesse restituição. Na oportunidade, a declarante apresentou quatro guias de depósitos na contacorrente nº 030375, agência 6159, mantido pelo Sr. Paulo Alberto no Banco Itaú. Os valores foram depositados em 19/09/2007 (três depósitos de R$ 2.000,00) e em 03/12/2007 (depósito de R$ 2.300,00). Declarou que o Sr. Paulo foi indicado por uma pessoa que não recorda o nome. Declarou que toda a documentação era entregue ao Sr. Paulo para o preenchimento das declarações, todavia esses documentos não foram devolvidos pelo contador. Declarou que a renda recebida pela sua filha referiase à pensão paga pelo Ministério da Fazenda, apresentando cópias de peças do Processo Judicial. Declarou que sua filha atualmente tem vinte anos, não possuindo quaisquer dependentes, cursando a Universidade Estácio de Sá. Declarou que não reconhece os dependentes relacionados nas declarações retificadoras entregues em nome de sua filha, bem como não reconhece as deduções pleiteadas naquelas declarações. Todavia, esclarece que as deduções a que sua filha teria direito não foram relacionadas nas declarações. Declarou que sua filha recebeu a título de precatório em 2005 o valor R$ 1.308.805,59, deduzido o valor do advogado dá líquido R$ 1.094.044,47, ficando de apresentar o comprovante de recolhimento do IR Fonte. Declarou que após sua filha receber a intimação, a declarante contatou o Sr. Paulo Alberto, e este a recomendou que não deveria atender ao Fisco, que tudo cairia no esquecimento". (...) Verificase, pela descrição de todos os fatos anteriormente expostos que: 1) A procuradora e mãe da contribuinte declarou "Que quem fez as últimas declarações foi o contador Sr. Paulo Alberto Frizzera, recebendo pelo trabalho R$ 500,00 acrescido de 20% sobre o valor a ser restituído, caso houvesse restituição"; 2) Na declaração original, anocalendário de 2005, não declarou o valor do precatório, mas, retificou essa declaração e inclui o valor do precatório, mas não pagou o imposto a que estava obrigada, porém, tornou a retificar a declaração, para retirar o valor do precatório. 3) Retificou a declaração de Ajuste Anual, do anocalendário de 2005, em 27/04/2006, incluindo o valor expressivo de R$ 1.094.044,47, valor incorreto, obtendo IR a pagar no valor de R$ 260.105,63, que não foi recolhido aos cofres públicos. 4) Retificou novamente a declaração de Ajuste Anual, do ano calendário de 2005, em 03/01/2007, excluindo o valor expressivo Fl. 465DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10707.000858/200836 Acórdão n.º 2102002.982 S2C1T2 Fl. 331 4 de R$ 1.094.044,47, incorreto, obtendo restituição no valor de R$ 18.606,65. 5) O valor correto do precatório recebido é R$ 1.099.071,54, diferente do informado na declaração. 6) A contribuinte esqueceu a obrigação principal de pagar o Imposto de Renda de R$ 260.105,63, mas não esqueceu de aumentar a restituição para R$ 18.606,65. 7) Será que o contador não foi questionado sobre os motivos de tanta mudança, isto é, havia uma obrigação de pagar o imposto que logo deixou de existir? 8) A procuradora e mãe da contribuinte declarou que "após sua filha receber a intimação, a declarante contatou o Sr. Paulo Alberto, e este a recomendou que não deveria atender ao Fisco, que tudo cairia no esquecimento". 9) A procuradora e mãe da contribuinte "Declarou que não reconhece os dependentes relacionados nas declarações retificadoras entregues em nome de sua filha, bem como não reconhece as deduções pleiteadas naquelas declarações". 10) Não foram confirmadas todas as deduções pleiteadas em duas Declarações de Ajuste Anual. 11) Importante esclarecer que a contribuinte Bianca Cristina, universitária, absolutamente capaz, também não lembrou de pagar a dívida de R$ 260.105,63, em seu nome. 12) Em tese, observase que houve um ajuste doloso entre essas pessoas, para reduzir o montante do imposto devido, deixando tudo no esquecimento e se preocupando com o aumento das restituições. Além dos fatos acima provados podese comprovar, em tese, o CONLUIO, pois as contribuintes, mãe e filha, também pagaram 20% do valor de cada restituição obtida, para o contador, conforme termo de depoimento da contribuinte de Maria de Jesus. Outro fato agravante para a aplicação da multa qualificada, além da prática reiterada pela contribuinte da inclusão de deduções indevidas nos 3(três) anoscalendário consecutivos, em 2004, 2005 e 2006, foi verificarmos que procedimento idêntico foi adotado por vários outros contribuintes. Destaquese que o fato de a contribuinte autorizar outrem a apresentar a declaração de ajuste anual do imposto de renda ou declarações retificadoras em seu nome não afasta sua responsabilidade pelas respectivas informações. Todavia, há que se frisar que o sujeito passivo da obrigação principal dizse contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador, Fl. 466DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10707.000858/200836 Acórdão n.º 2102002.982 S2C1T2 Fl. 332 5 conforme inciso I, parágrafo único, art. 121, do Código Tributário Nacional CTN. Assim, a responsabilidade pelas informações incluídas nas declarações de ajuste anual pertencem a contribuinte, não havendo espaço para se alegar o desconhecimento da legislação ou para se tentar transferir a um terceiro a obrigação que diz respeito ao sujeito passivo. Deve ser observado que salvo disposição de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes, de acordo com o art. 123 do CTN. Dessa forma, o valor da multa de ofício incidente sobre o valor do respectivo imposto restituído indevidamente/pago a menor é de 150%, nos termos da legislação vigente. Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, fls. 183/184 e 226/251, e a autoridade julgadora de primeira instância julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/RJOII n 1324.169, de 09/04/2009, fls. 261/271. Cientificada da decisão de primeira instância em 21/05/2009, fls. 272, a contribuinte apresentou, em 22/06/2009, recurso voluntário, fls. 279/300, trazendo as alegações a seguir resumidas: Da ilegalidade da sujeição passiva – A recorrente, por ser menor de idade e considerada incapaz para fins legais, nomeou sua mãe, a Sra. Maria de Jesus Pinto Bonates como sua representante legal, bem como sua procuradora. A legitimidade para figurar como sujeito passivo da presente é questionada, uma vez que, quem recebeu e administrou a importância de R$ 1.094.044,47, recebida a título de precatório decorrente do processo judicial n° 97.001.23774, em trâmite na 29° Vara Federal, fora sua mãe Maria de Jesus Pinto Bonates, sendo esta considerada a real beneficiária de fato, não o contrário, conforme aduz a decisão recorrida. No tocante ao Darf, que comprova a retenção na fonte, fica evidente que de fato foi retido a alíquota correta sobre o montante pago em cumprimento de decisão judicial, uma vez que o art. 1° da Instrução Normativa SRF n° 392, de 30/01/2004, assim determina. Portanto, imputar uma penalidade devido a ausência de Darf comprovando a tal retenção é no mínimo injusta, uma vez que esse procedimento é fielmente exercido pela instituição financeira responsável. Da penalidade aplicada A qualificação da multa de ofício não se aplica ao caso, posto que a autoridade fiscal baseouse em conjecturas e não restou evidenciado nos autos o intuito de fraude. Caso seja mantida a qualificação da multa, pedese a aplicação da retroatividade benigna para reduzir o percentual da multa para 50%, considerando a alteração da redação do inciso II do art. 44 da Lei n 9.430, de 1996. Do cerceamento do direito de defesa – Nulidade do lançamento – A recorrente vem manifestar o seu completo inconformismo com a dificuldade em se manifestar a Fl. 467DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10707.000858/200836 Acórdão n.º 2102002.982 S2C1T2 Fl. 333 6 respeito da forma de apuração do montante referente a despesas médicas e de despesas com instrução, acarretando, o completo cerceamento de seu direito de defesa. No Termo de Verificação Fiscal não se consegue entender o que a autoridade fiscal pretendia dizer com a expressão “em Informações Complementares”. Princípio da razoabilidade e da proporcionalidade – Ofensa aos princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade, no que concerne ao percentual da multa de ofício. Conforme Resolução nº 2102000.105, de 20/11/2012, fls. 325/327, o julgamento do recurso voluntário apresentado pela contribuinte foi sobrestado em razão do disposto no art. 62A, caput e parágrafo 1 , do Anexo II, do RICARF. Todavia, o referido parágrafo 1º foi revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, de sorte que retomase o julgamento do recurso voluntário. É o Relatório. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10707.000858/200836 Acórdão n.º 2102002.982 S2C1T2 Fl. 334 7 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. De imediato, devese apreciar a alegação da contribuinte de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa. Nesse sentido, a contribuinte afirma que enfrentou dificuldades para a compreensão do Termo de Verificação Fiscal, no que concerne a expressão Em Informações Complementares utilizada quando da descrição das infrações de deduções indevidas de despesas médicas e de despesas com instrução. Para a análise da questão retratase a seguir trecho do Termo de Verificação Fiscal, fls. 24/26: Fl. 469DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10707.000858/200836 Acórdão n.º 2102002.982 S2C1T2 Fl. 335 8 Ora, da leitura completa da descrição dos fatos resta cristalino que o procedimento adotado pela autoridade fiscal foi de não admitir as deduções fictícias e não comprovadas e acatar as deduções, que embora não tivessem sido pleiteadas pela contribuinte, em suas Declarações de Ajuste Anual (DAA), foram devidamente comprovadas durante o procedimento fiscal. O uso da expressão Em Informações Complementares, embora inapropriada, em nada prejudica o entendimento das infrações imputadas à contribuinte. E mais, o presente lançamento foi levado a efeito por autoridade competente e dado à contribuinte o direito de defesa, no momento da apresentação da impugnação e do recurso voluntário, que ora se analisa. Temse, ainda, que na lavratura do Auto de Infração foram cumpridas todas as formalidades estabelecidas no artigo 142 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), sendo certo que o lançamento está em perfeito acordo com as exigências previstas no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativo fiscal. Assim, não pode prosperar a argüição de nulidade do lançamento suscitada pela recorrente. Fl. 470DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10707.000858/200836 Acórdão n.º 2102002.982 S2C1T2 Fl. 336 9 Ainda, preliminarmente, a contribuinte suscita erro na identificação do sujeito passivo, no que concerne à infração de omissão de rendimentos recebidos do Ministério da Fazenda, mediante precatório (processo n 97.00123774 da 29 Vara Federal). Diz a recorrente que, por ser menor de idade, foi representada por sua mãe, a Sra. Maria de Jesus Pinto Bonates, na ação judicial e que sua representante recebeu e administrou a importância de R$ 1.094.044,47. Logo, entende que Maria de Jesus Pinto Bonates é que deve ser considerada a real beneficiária dos rendimentos decorrentes do precatório. Ora, o fato de a contribuinte ser menor de idade quando do recebimento dos rendimentos, não tem o condão de deslocar o sujeito passivo para sua representante legal. Como bem afirmou a decisão recorrida, os documentos juntados aos autos, demonstram claramente que a recorrente é a real beneficiária dos rendimentos recebidos em decorrência do processo judicial n°97.00123774, da 29ª Vara Federal, conforme se infere do Protocolo de Alvará e Levantamento, fls. 93, do contrato de serviços advocatícios, fls. 103, dos alvarás de levantamento, fls. 121/123, e do extrato do sítio da Justiça Federal, fls. 127, tudo a indicar que a contribuinte é a autora da ação judicial e, portanto, beneficiária dos rendimentos recebidos em decorrência da mencionada ação judicial. Nestes termos, também não pode prosperar a argüição da contribuinte de erro na identificação do sujeito passivo. Ainda no que concerne à infração de omissão de rendimentos recebidos do Ministério da Fazenda, mediante precatório, a contribuinte afirma que foi retido o imposto de renda, na alíquota correta, conforme determina o art. 1° da Instrução Normativa SRF n° 392, de 30/01/2004 e que imputar uma penalidade devido a ausência de Darf comprovando a tal retenção é no mínimo injusta, uma vez que esse procedimento é fielmente exercido pela instituição financeira responsável. Tais alegações não são pertinentes, posto que o imposto de renda retido na fonte foi devidamente compensado quando da apuração do imposto devido exigido no lançamento, sendo certo que nenhuma penalidade foi aplicada à contribuinte em razão da falta de apresentação do corresponde Darf, o qual foi obtido pela autoridade fiscal, mediante diligência, realizada durante o procedimento fiscal, junto à Caixa Econômica Federal. Por fim, devese apreciar a alegação da defesa de que a qualificação da multa de ofício não se aplica ao caso, posto que a autoridade fiscal baseouse em conjecturas e não restou evidenciado nos autos o intuito de fraude. Nesse ponto, adoto integralmente os fundamentos da decisão recorrida para a manutenção da qualificação da multa de ofício, os quais peço vênia para aqui transcrever: É bem verdade que a falsidade material deixa exposto o evidente intuito de fraude, porém, o dolo, elemento subjetivo do tipo qualificado tributário ou do tipo penal, também está presente quando a consciência e a vontade do agente para prática da conduta (positiva ou omissiva) exsurge da reiteração de atos que tenham por escopo a redução do imposto devido. No caso, a interessada retificou em 26/07/2007 a sua DIRPF do ano calendário 2004, modificando o resultado de imposto a restituir de R$ 7.783,76 para imposto a restituir de R$ 17.167,04, e em 03/01/2007 retificou sua DIRPF do ano Fl. 471DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10707.000858/200836 Acórdão n.º 2102002.982 S2C1T2 Fl. 337 10 calendário 2005, modificando o resultado de imposto a pagar de R$ 324.373,46 para imposto a restituir de R$ 18.606,65. Na DIRPF retificadora do ano calendário 2004 incluiu diversos dependentes falsos: Cícero, Pedro, Juliano, Rachel, Lucas, Mauricio, Antonio e Marise. Na DIRPF retificadora do ano calendário 2005 informou novos dependentes, também inexistentes: Fabio, Pedro, Sandra, Anderson, Alfredo e Ana Maria. O mesmo procedimento foi adotado na DIRPF original do ano calendário 2006: Henrique, Natasha, Nathalia, Victor, Rodrigo, Eduardo, Bruna e Diego. Em relação a todos esses "dependentes" incluiu informações falsas referentes a despesas com instrução. Também informou despesas médicas e contribuições a entidades de previdência privada em valores muito superiores aos efetivamente comprovados. No ano calendário 2005, excluiu ainda dos rendimentos tributáveis o montante recebido em decorrência de ação judicial, no valor de R$ 1.099.071,54, modificando o resultado de imposto a pagar apurado pela fiscalização de R$ 330.008,73, para imposto a restituir. À vista de tudo que consta dos autos fica claro não se tratar, como quer fazer crer a impugnante, de simples falta de recolhimento de tributo, de entendimento equivocado ou de simples erro no preenchimento da declaração. Resta cabalmente demonstrado, para qualquer pessoa de senso comum, que a interessada omitiu conscientemente rendimentos e informou dependentes e despesas médicas, despesas de instrução e contribuições à previdência privada falsas em suas Declarações de Imposto de Renda, visando eximirse de suas obrigações tributárias. Quanto às demais alegações da interessada, deve ser destacado que a responsabilidade pelo conteúdo e veracidade das informações constantes das declarações de ajuste anual pertence exclusivamente à contribuinte, mesmo que esta tenha delegado a um terceiro a tarefa de elaborar suas declarações. O fato de a interessada não ter tomado maiores cautelas na escolha de profissional para confeccionar suas declarações, deixando de examinar com a devida atenção as modificações efetuadas, não tem o condão de afastar a sua responsabilidade pelas infrações capituladas nos presentes autos. É incabível qualquer exclusão ou transferência da responsabilidade pelas infrações decorrentes da inclusão indevida de deduções em suas declarações de ajuste anual. A forma escolhida pelo contribuinte para elaborar suas declarações de rendimentos, as pessoas físicas às quais confiou essa tarefa ou as circunstâncias que provocaram tais escolhas são questões de cunho particular que não podem ser opostas ao Fisco. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10707.000858/200836 Acórdão n.º 2102002.982 S2C1T2 Fl. 338 11 A responsabilidade do autuado é pessoal e intransferível, sendo irrelevante para o caso se as declarações foram elaboradas e transmitidas por um terceiro contratado pela interessada para esse fim, ou se esse terceiro porventura agiu de boa ou máfé. Concluise que deve ser mantida a multa aplicada. Acrescentese que a contribuinte completou 18 anos no dia 30/04/2005. Logo, na data da apresentação das DAA examinadas no procedimento fiscal, a contribuinte já não mais era menor de idade, sendo responsável por seus atos, nos termos do art. 5° da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, que institui o Código Civil: Art. 5oA menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil. Do acima exposto, resta evidente que a contribuinte incorreu nas hipóteses definidas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, sujeitandose, pois, à multa de ofício na sua forma qualificada, nos termos do disposto no art. 44, inciso I, §1º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Quanto ao pedido da defesa de aplicação da retroatividade benigna para reduzir o percentual da multa de ofício para 50%, cumpre dizer que a multa de ofício imposta ao contribuinte foi aquela prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, de modo que não há que se falar em retroatividade benigna, posto que a alteração da legislação a que se refere a defesa ocorreu no inciso I do referido artigo 44. Melhor explicando, somente a multa de ofício exigida isoladamente teve seu percentual reduzido de 75% para 50%, já a multa de ofício proporcional, prevista no inciso I e exigida no lançamento, teve seu percentual mantido em 75%. Já no que tange à alegação de ofensa aos princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade, vale dizer que o exame da obediência das leis tributárias aos princípios constitucionais é matéria que não deve ser abordada na esfera administrativa, conforme inferese da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Como se vê, os julgamentos administrativos não contemplam o exame de constitucionalidade de leis tributárias, de sorte que não será neste voto apreciada a alegação da recorrente de ofensa aos princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade. Nessa conformidade, devese manter a qualificação da multa de ofício. Ante o exposto, voto por afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 473DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10707.000858/200836 Acórdão n.º 2102002.982 S2C1T2 Fl. 339 12 Fl. 474DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 15983.000964/2009-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
AFERIÇÃO INDIRETA
Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA
Em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 somente será conhecida a matéria expressamente impugnada.
PRECLUSÃO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. INOVAÇÃO EM RECURSO. MATÉRIA NÃO CONHECIDA.
Conforme expressamente previsto no art. 17 do Decreto n º 70.235 na redação conferida pela Lei n º 9.532 de 1997, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
De acordo com o previsto no inciso III do art. 16 do Decreto n º 70.235, a impugnação deve conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A matéria trazida apenas em sede recursal não será conhecida.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.071
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e na parte conhecida, por voto de qualidade, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos na votação os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96).
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 AFERIÇÃO INDIRETA Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 somente será conhecida a matéria expressamente impugnada. PRECLUSÃO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. INOVAÇÃO EM RECURSO. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. Conforme expressamente previsto no art. 17 do Decreto n º 70.235 na redação conferida pela Lei n º 9.532 de 1997, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. De acordo com o previsto no inciso III do art. 16 do Decreto n º 70.235, a impugnação deve conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A matéria trazida apenas em sede recursal não será conhecida. Recurso Voluntário Negado
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 somente será conhecida a matéria expressamente impugnada. PRECLUSÃO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. INOVAÇÃO EM RECURSO. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. Conforme expressamente previsto no art. 17 do Decreto n º 70.235 na redação conferida pela Lei n º 9.532 de 1997, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. De acordo com o previsto no inciso III do art. 16 do Decreto n º 70.235, a impugnação deve conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A matéria trazida apenas em sede recursal não será conhecida. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e na parte conhecida, por voto de qualidade, negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos na votação os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 09 64 /2 00 9- 55 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96). Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15983.000964/200955 Acórdão n.º 2302003.071 S2C3T2 Fl. 121 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado em 05/11/2009 e cientificado ao sujeito passivo em 18/11/2009, referese às contribuições previdenciárias relativas à cota dos segurados empregados e contribuintes individuais, que prestaram serviço à autuada no período de 01/2005 a 12/2005. Conforme o relatório fiscal de fls.32/51, o débito foi arbitrado, já que os valores declarados pelo contribuinte em GFIP divergiam dos valores constantes das folhas de pagamento, da contabilidade, dos valores informados nas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF, nas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica e na RAIS. Constam desta autuação os seguintes levantamentos: DRG , Diferenças de RAIS e GFIP DCF, Diferença Contabilidade da Folha PAR, ProLabore Arbitrado, AAR, Autônomos Arbitrado, Na impugnação a autuada se insurge contra o lançamento dizendo: a) que o auto de infração é nulo porque o procedimento fiscal foi omisso quanto aos meios utilizados para a quantificação dos supostos pagamentos efetuados e supostamente não registrados; b) que a fiscalização levou em consideração o saldo final das contas contábeis sem observar que valores foram estornados; c) que é comum existir divergências entre bases contábeis e tributárias, pois as verbas indenizatórias não são passíveis de incidência; d) que a comparação efetuada pelo fisco se restringiu aos salários a pagar e os valores declarados em GFIP; e) que foram desconsiderados os valores já recolhidos; f) que a multa aplicada é ilegal porque está em desacordo com a legislação vigente; g) que a multa é aplicada por decreto, não estando cominada na lei; Fl. 122DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 h) que é absurdo deixar ao critério da fiscalização a identificação de condutas dolosas para graduar a multa; i) a autuação é improcedente e a multa é ilegal e inconstitucional; j) que o auto de infração não contempla a fundamentação legal da aferição indireta. Por fim, requer que seja declarada a nulidade do procedimento fiscal e afastada a multa sob a suposta ausência de escrituração contábil em decorrência da ausência de critério utilizada pela fiscalização, e o cancelamento integral da autuação. Após a impugnação, Acórdão de fls. 84/95, julgou o lançamento procedente em parte para excluir os lançamentos arbitrados com base na RAIS e na DIRF, por falta de motivação do procedimento, já que não restou demonstrado porque o Fisco teria optado por essas fontes em detrimento da contabilidade. Aduz a decisão que a nulidade que motivou a exclusão seria de natureza formal. Foram excluídos os seguintes lançamentos: DRG , Diferenças de RAIS e GFIP DCF, Diferenças da Contabilidade e Folha PAR, ProLabore Arbitrado, AAR, Autônomos Arbitrado, Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: a) que a autuação se refere as contribuições devidas e incidentes sobre a remuneração dos empregados, 8% e contribuintes individuais, 11%, mas que a alegação é improcedente porque descontou e recolheu tais contribuições, inexistindo o crime de sonegação fiscal; b) que a fiscalização não examinou os registros contábeis demonstram o recolhimento das exações; c) que não pode ser cobrada contribuição previdenciária sobre repasse a cooperado a título de prolabore, eis que os contribuintes individuais é que são responsáveis pelo recolhimento; d) que não pode incidir contribuição previdenciária a titulo de retenção entre a cooperativa e o cooperado, porque a cooperativa não remunera seus sócios, médicos cooperados, tampouco figura como tomadora de seus serviços; Fl. 123DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15983.000964/200955 Acórdão n.º 2302003.071 S2C3T2 Fl. 122 5 e) que as “sobras” são valores típicos de produção que não foram repassados aos cooperados no curso de um exercício; f) que a UNIMED somente será contribuinte quando empregadora , nunca na relação com os cooperados; g) que foram desconsiderados os valores já recolhidos; h) que não foram considerados estornos nas contas “salários a pagar” i) requer a produção de prova pericial; Requer o cancelamento integral da autuação pelos motivos expendidos e que os autos sejam baixados em diligência para a realização de perícia contábil, onde traz quesitos e nomeia seu perito. Protesta, ainda, pela apresentação de quesitos suplementares e documentos. É o relatório. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, devendo ser conhecido e examinado. O auto de infração em questão referese, exclusivamente, às contribuições relativas à parte dos segurados empregados e contribuintes individuais, nas competências de 01/2205 a 12/2005. O presente levantamento se deu por aferição indireta, porquanto o Fisco ao examinar os documentos que lhe foram disponibilizados, pela própria recorrente, vislumbrou diferenças havidas nas bases de cálculo da contribuição previdenciária informada em GFIP em confronto com as demais fontes analisadas, como as folhas de pagamento, os registros contábeis e declarações de imposto de renda retido na fonte. A contribuição previdenciária é espécie tributária cuja modalidade de lançamento é denominada por homologação ou autolançamento, com previsão legal no art. 150 do Código Tributário Nacional. Nessa modalidade, a lei atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, competindo a esta, posteriormente, conferir o procedimento e homologálo. No âmbito da Receita Federal do Brasil, o AuditorFiscal examina diretamente documentos, livros contábeis e fiscais, bem como outros elementos subsidiários, e, com estes elementos postos a sua disposição, verifica se o lançamento foi corretamente efetuado pelo contribuinte, homologandoo. Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, o auditor deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. A prerrogativa de arrecadar e fiscalizar as contribuições previdenciárias, bem como, aferir indiretamente a contribuição previdenciária devida e lançála de ofício, encontra embasamento legal no art. 148 do CTN, do qual o art. 33, §§ 3º, 4º e 6º da Lei n 8.212/91 são corolários: CTN "Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou em consideração, o valor ou preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial." Lei 8.212/91 "Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das Fl. 125DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15983.000964/200955 Acórdão n.º 2302003.071 S2C3T2 Fl. 123 7 contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação alterada pela Lei nº 10.256/01) (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. § 4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. (...) §6 Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, o faturamento e o lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário." O lançamento é fundamentado nos dispositivos legais e regulamentares acima transcritos, que autorizam a fiscalização a proceder ao arbitramento da base de cálculo e lançamento de ofício dos valores devidos em caso de recusa ou sonegação de documentos por parte do contribuinte, ou sua apresentação deficiente, atendendo o lançamento constitutivo do crédito previdenciário ao contido no artigo 142 da Lei n° 5.172/66 Código Tributário Nacional e aos pressupostos estabelecidos nos artigo 33 e 37 da Lei n° 8.212/91. O artigo 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/99, explicita o que é documento deficiente: Art.233 (...) Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da Fl. 126DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. A fundamentação legal para a utilização da aferição indireta constou do auto de infração no Discriminativo Fundamentos Legais do Débito – FLD, às fls. 15/16, bem como do Relatório Fiscal de fls. 32/51. Entretanto, é de se atentar que a decisão recorrida retificou o valor lançado, excluindo do lançamento os levantamentos arbitrados com base na RAIS e na DIRF, por entender que não restaram motivados em detrimento da utilização da contabilidade. Ou seja, entendeu a decisão que o Fisco não motivou a eleição de outras fontes, que não a contabilidade, para proceder ao arbitramento e por isso excluiu os lançamentos arbitrados com suporte na RAIS e na DIRF, por vício formal. O contribuinte não se insurgiu contra o fato, tampouco mencionou a exclusão dos lançamentos em sua peça recursal. Desta forma, temse como aceita a matéria, fazendo coisa julgada. Do exame dos autos se vê que os levantamentos excluídos pelo Acórdão recorrido foram: DRG , Diferenças de RAIS e GFIP; PAR, ProLabore Arbitrado e AAR, Autônomos Arbitrado, permanecendo no lançamento apenas as contribuições aferidas relativamente à cota do segurado empregado e apuradas através dos registros contábeis da autuada que contém valores contabilizados como remuneração divergentes daqueles constantes em folha de pagamento. Com relação às argüições de que os valores lançados na contabilidade não poderiam ter sido tomados como base da contribuição previdenciária por se tratar, à vezes de estornos, ou outras vezes de valores que não compõem o salário de contribuição, informo à recorrente que as alegações sem provas são tidas como inócuas, não se prestando a formar convencimento quanto à matéria em exame. O Fisco explicitou no relatório fiscal, porque foram tomados como base para o levantamento os valores constantes dos registros contábeis da recorrente, que não trouxe qualquer prova de que os mesmos estariam incorretos. Portanto, o levantamento deve ser mantido no que se refere aos valores lançados com suporte na contabilidade da recorrente. Quanto às demais razões trazidas na peça recursal, é de se ver que o recorrente inovou as alegações em recurso. Assim, as matérias que não foram expressamente impugnadas em primeira instância, não serão conhecidas por este Colegiado. De acordo com o previsto no inciso III do art. 16 do Decreto n º 70.235/72, a impugnação deve conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Conforme expressamente previsto no art. 17 do Decreto n º 70.235/72 na redação conferida pela Lei n º 9.532/97, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante: Fl. 127DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15983.000964/200955 Acórdão n.º 2302003.071 S2C3T2 Fl. 124 9 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) A redação do art. 17 do Decreto n º 70.235 retrata o disposto no art. 302 do Código de Processo Civil, nestas palavras: Art. 302. Cabe também ao réu manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. Presumemse verdadeiros os fatos não impugnados, salvo: I se não for admissível, a seu respeito, a confissão; II se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público que a lei considerar da substância do ato; III se estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. Parágrafo único. Esta regra, quanto ao ônus da impugnação especificada dos fatos, não se aplica ao advogado dativo, ao curador especial e ao órgão do Ministério Público. Desse modo, analisando em conjunto o Decreto n º 70.235/72 e o Código de Processo Civil, vêse que o sujeito passivo tem o ônus da impugnação específica, e caso esta não seja efetuada, considerarseão verdadeiros os fatos apontados pelo Fisco. Em função da exigência prevista no art. 16, inciso III do Decreto n º 70.235/72, não poderão ser alegadas em grau de recurso as matérias não impugnadas. No mesmo sentido é o disposto no art. 473 do Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, em que se proíbe à parte discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito se operou a preclusão. Assim, todas as alegações devem ser concentradas na impugnação, que é a primeira oportunidade que o sujeito passivo possui para se manifestar nos autos do processo administrativo. Até porque, o recurso visa a rediscussão das matérias já apreciadas pela decisão recorrida, de forma que não há como apreciar em fase de julgamento de recurso, matéria que não foi objeto da decisão de primeira instância,. À exceção são aquelas matérias que independentemente de argüição pelo sujeito passivo na impugnação podem ser conhecidas de ofício pelo órgão julgador, como às relativas a direito superveniente, surgida somente após a impugnação, ou no corpo da decisão de primeiro grau; ou as relativas às questões que o julgador pode conhecer de ofício como a decadência e os pressupostos processuais; ou às questões que envolvam nulidade absoluta, que são aquelas não passíveis de convalidação. No caso presente, o recurso inovou quanto à matéria de direito, que pela preclusão já exposta não será conhecida. Ademais, toda a argumentação acerca dos contribuintes individuais perdeu o sentido nesta autuação, onde após a retificação do crédito lançado, permaneceram apenas as contribuições relativas aos segurados empregados. Também, quanto à solicitação de perícia constante apenas da peça recursal, faço referência à preclusão temporal , já que o Decreto n.º 70.235/72, artigos 16 e 18 e a Portaria RFB n.º 10.875/2007, artigos 7º e 11, assim explicitam: Fl. 128DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante;. III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito (...) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) (grifei) PORTARIA RFB Nº 10.875, DE 16 DE AGOSTO DE 2007 Art. 7º A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, bem como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; e (...) Art. 11. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 15(.grifei) Por todo o exposto, Voto por conhecer parcialmente do recurso e na parte conhecida, negarlhe provimento. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15983.000964/200955 Acórdão n.º 2302003.071 S2C3T2 Fl. 125 11 Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 130DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10283.720718/2012-92
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/11/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Os embargos de declaração se prestam ao questionamento de omissão em acórdão proferido pelo CARF. Não identificada omissão, incabíveis os embargos.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. INCORREÇÃO NO VOTO.
Havendo incorreção (erro de digitação) no voto condutor que poderia ensejar dúvida na liquidação do acórdão, por estar o teor do voto em aparente contradição com o resultado do julgamento, cabíveis os embargos de declaração, para sanar a incorreção no voto.
Numero da decisão: 3403-002.952
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos sem efeito modificativo para sanar o erro material apontado pela recorrente.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 30/11/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Os embargos de declaração se prestam ao questionamento de omissão em acórdão proferido pelo CARF. Não identificada omissão, incabíveis os embargos. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. INCORREÇÃO NO VOTO. Havendo incorreção (erro de digitação) no voto condutor que poderia ensejar dúvida na liquidação do acórdão, por estar o teor do voto em aparente contradição com o resultado do julgamento, cabíveis os embargos de declaração, para sanar a incorreção no voto.
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OMISSÃO. Os embargos de declaração se prestam ao questionamento de omissão em acórdão proferido pelo CARF. Não identificada omissão, incabíveis os embargos. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. INCORREÇÃO NO VOTO. Havendo incorreção (erro de digitação) no voto condutor que poderia ensejar dúvida na liquidação do acórdão, por estar o teor do voto em aparente contradição com o resultado do julgamento, cabíveis os embargos de declaração, para sanar a incorreção no voto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos sem efeito modificativo para sanar o erro material apontado pela recorrente. Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 07 18 /2 01 2- 92 Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela empresa Plastipak Packaging da Amazônia LTDA ao Acórdão nº 3403002.587, de 26/11/2013, em face de “omissão e contradição”. A ciência do julgamento ocorreu em 14/01/2014 (cf. doc. de fl. 1099), tendo os embargos sido interpostos em 17/01/2014 (fl. 1101). Argumenta a embargante que a decisão adotada por este tribunal apresentou “vícios em relação a dois dos fundamentos apresentados em sede de recurso voluntário”: “um relacionado aos créditos referentes às importações realizadas até 30/03/2005 e outro relacionado ao erro de cálculo”. Em relação às importações de insumos realizadas até 30/03/2005, o acórdão foi omisso pois “deixou de trazer fundamentos jurídicos que justifiquem o afastamento da isenção e da consequente possibilidade de creditamento de PIS/COFINS”, vício este que impede a embargante de efetuar o “devido confronto analítico do tema para fins de interposição de Recurso Especial”. Afirma a embargante que a questão deveria ter sido apreciada à luz dos arts. 14 e 14A da Lei no 10.865/2004. A contradição identificada pela embargante se refere a erro de cálculo. Se o acórdão “afastou a autuação dos valores apurados em junho de 2007, logo, estaria mantida a exigência dos valores de crédito de PIS/COFINS apurados no mês de julho de 2007, quais sejam: R$ 4.276.825,70 a título de COFINS e R$ 932.211,44 a título de PIS”. “Contudo, na tabela constante do v. acórdão, há a indicação de outro valor a título de PIS (R$ 988.819,19)”. Por fim, destaca a embargante que o julgamento não foi unânime, razão pela qual merece o voto vencido ser integrado ao acórdão, permitindo pleno conhecimento de seus fundamentos, e sanando a omissão. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Os embargos de declaração foram interpostos com respeito ao prazo previsto no § 1o do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno deste CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF no 256/2009, passando a ser analisados quanto aos demais requisitos de admissibilidade. A ementa do Acórdão embargado dispõe (em relação às matérias aqui discutidas): “LANÇAMENTO. PERÍODO DE APURAÇÃO NÃO INDICADO NA AUTUAÇÃO. Deve ser afastado o lançamento de montante correspondente a período de apuração não indicado na autuação. (...) Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10283.720718/201292 Acórdão n.º 3403002.952 S3C4T3 Fl. 1.114 3 PIS. CREDITAMENTO. IMPORTAÇÃO. ZFM. HIPÓTESES. O direito ao crédito em relação à Contribuição para o PIS/PASEPimportação e à COFINSimportação aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços. PIS. CREDITAMENTO. AQUISIÇÕES. ZFM. VEDAÇÃO. ALÍQUOTA ZERO. É vedado o direito ao crédito em relação à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS nas aquisições de insumos por empresas situadas na Zona Franca de Manaus, por ser tal aquisição tributada à alíquota zero, ainda que o fornecedor seja de outros pontos do território nacional.” A embargante identifica no acórdão duas omissões e uma contradição. A primeira omissão se deve à ausência de fundamento para o afastamento da isenção e da consequente possibilidade de creditamento. O tópico 2.3.1 do voto do acórdão é claro ao analisar não somente os arts. arts. 14 e 14A da Lei no 10.865/2004, e a impossibilidade de alteração de suas disposições sob pretexto de inconstitucionalidade (ou leitura diversa de seu conteúdo, à luz da Constituição), mas também ao afirmar que é indevido o creditamento se não houve efetivo pagamento das contribuições. E que a suspensão é instituto diverso da isenção. Não há, assim, a omissão apontada, não podendo ser confundida omissão com discordância da embargante em relação aos argumentos utilizados no acórdão. A segunda omissão apontada (ausência de declaração de voto em relação à discordância manifestada pelo Conselheiro Ivan Allegretti) também é infundada, seja porque não é interna ao acórdão, seja porque não há obrigatoriedade em apresentação de declaração de voto por parte do conselheiro discordante do voto vencedor, ou ainda porque a ata da sessão (reproduzida no interior do acórdão embargado) consignou a motivação básica do posicionamento divergente: “Vencido o Conselheiro Ivan Allegretti que votou no sentido de reconhecer também o direito ao crédito no regime da suspensão, por não haver previsão legal expressa vedando o crédito nesta hipótese”. Não identificada nenhuma das omissões apontadas para o acórdão embargado, passase a analisar a argumentação da embargante de que houve contradição em relação ao cálculo. A turma acordou unanimemente com a argumentação da recorrente de que os valores indicados para o mês de julho de 2007 (R$ 8.068.088,44 a título de COFINS e R$ 1.753.214,51, a título de Contribuição para o PIS/Pasep) não constam em nenhum documento fiscal. A partir da argumentação expressa no recurso voluntário, percebeuse que, diferentemente dos demais meses constantes nas planilhas de fls. 40/41 (referente à Contribuição para o PIS/PASEP de 2007) e de fls. 44/45 (correspondente à COFINS de 2007), Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 partes integrantes da autuação, os dados de junho e julho encontramse totalizados para efeito de lançamento na coluna referente ao mês de julho: Junho/2007 Julho/2007 23. Bens utilizados como insumos (ficha 6B/linha2‐DACON)‐ PIS R$ 49.757.761,82 R$ 56.497.663,04 44. Créditos descontados no mês referentes a importações (ficha 13A)‐PIS R$ 821.003,07 R$ 988.819,19 55. Valor lançado de ofício‐PIS ‐ R$ 1.753.214,51 23. Bens utilizados como insumos (ficha 6B/linha2‐DACON)‐ COFINS R$ 49.885.036,05 R$ 56.274.022,33 44. Créditos descontados no mês referentes a importações (ficha 13A)‐PIS R$ 3.791.262,74 R$ 4.276.825,70 55. Valor lançado de ofício‐COFINS ‐ R$ 8.068.088,44 Conforme destacado no voto condutor do acórdão, checandose as DACON dos períodos correspondentes (fls. 650/651, 654/655, 659/660 e 663/664), percebese que os valores das linhas 23 e 44 da tabela aqui reproduzida estão totalmente de acordo com o informado pela recorrente em suas declarações. A discrepância devese exclusivamente ao fato de o valor ter sido lançado todo em julho de 2007, somandose o apurado (e informado em DACON) tanto em junho quanto em julho de 2007 (sem motivação explícita na autuação). Daí ter acordado este colegiado unanimemente em afastar da autuação os valores apurados em junho de 2007 (período não indicado na autuação), e lançados como se fossem referentes a julho de 2007 (R$ 821.003,07 a título de Contribuição para o PIS/PASEP e R$ 3.791.262,74 a título de COFINS). Nos embargos, a empresa afirma que houve erro de cálculo em relação à Contribuição para o PIS/PASEP, porque os R$ 1.753.214,51 subtraídos de R$ 821.003,07 resultam em R$ 932.211,44, e não em R$ 988.819,19 (cf. destacado na tabela acima). De fato, os R$ 1.753.214,51 lançados na autuação em relação à Contribuição para o PIS/PASEP para julho de 2007, subtraídos da quantia afastada pelo julgamento desta turma, R$ 821.003,07, resultam em R$ 932.211,44, e não em R$ 988.819,19. E é este o valor constante da linha 44 da tabela acima, que pode ser encontrada na íntegra na fl. 40 dos autos, e na DACON de fls. 659/660. Flagrante, assim, o erro de digitação na confecção da tabela (o dado foi equivocadamente retirado da linha 07, e não da linha 41 da planilha de fl. 40). O valor correto para a Contribuição para o PIS/PASEP referente a julho/2007 é R$ 932.211,44, e não R$ 988.819,19. É de se acolher, assim, os embargos em relação a este tópico. Contudo, a acolhida não afeta o julgamento, que foi no seguinte sentido: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, afastando da autuação os valores apurados em junho de 2007 (período não indicado na autuação), e lançados como se fossem referentes a julho de 2007 (R$ 821.003,07 a título de Contribuição para o PIS/PASEP e R$ 3.791.262,74 a título de COFINS).” Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10283.720718/201292 Acórdão n.º 3403002.952 S3C4T3 Fl. 1.115 5 Vejase que o acórdão embargado afasta da autuação o montante de R$ 821.003,07, nela equivocadamente indicado como referente a julho de 2007, do total de R$ 1.753.214,51 lançados para o período, restando exatamente os aventados R$ 932.211,44. Assim, acolhemse os embargos tão somente corrigir erro de digitação no acórdão, que, contudo, não afeta o resultado do julgamento. Continuam a ser afastados da autuação por este colegiado os valores apurados em junho de 2007 (período não indicado na autuação), e lançados como se fossem referentes a julho de 2007 (R$ 821.003,07 a título de Contribuição para o PIS/PASEP e R$ 3.791.262,74 a título de COFINS). Temse, destarte, que a contradição (em verdade, erro de digitação) evidenciado não provoca modificação de rumo na decisão, devendo ser acolhidos os embargos sem efeito modificativo, apenas para corrigir a tabela constante do voto condutor, na forma aqui detalhada. Rosaldo Trevisan Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 11030.904096/2012-98
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.
Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
Numero da decisão: 3803-005.533
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado- Presidente.
(assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues (Relator).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Incluise na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues (Relator). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 40 96 /2 01 2- 98 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904096/201298 Acórdão n.º 3803005.533 S3TE03 Fl. 64 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada por Indústria de Plásticos Marau Ltda., esta manejada em decorrência da emissão de despacho decisório em que a repartição de origem denegara o Pedido de Restituição formulado, pelo fato de que o pagamento declarado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegara que o indébito decorreria de pagamento a maior da contribuição, em razão do cálculo efetuado com base na totalidade da receita bruta auferida no período, sem a exclusão da parcela referente ao ICMS, que, no seu entender, por se revestir da qualidade de ingresso, não integraria o conceito de faturamento. A DRJ Belo Horizonte/MG não reconheceu o direito creditório por considerar que inexistiria previsão legal que autorizasse a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Registrese que, em sua decisão, a Delegacia de Julgamento não fez qualquer juízo de valor ou mesmo qualquer referência ao conjunto probatório trazido aos autos pelo contribuinte, restringindo sua análise à matéria de direito. Cientificado da decisão de primeira instância em 27 de setembro de 2013, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 22 de outubro do mesmo ano e reiterou seu pedido de restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. A matéria devolvida ao Tribunal ad quem se circunscreve à inclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins. Acerca desta matéria há o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por meio de acórdão publicado no DJE de 16/05/2008, ex vi da Ata nº 11 de 12/05/2008, DJE nº 88, divulgado em 15/05/2008. Em 27/08/2013 restaram os autos conclusos à Min. Rel. Cármen Lúcia (RE 574.706, leading case). Para os fatos acima narrados o RICARF/2009 orientava ao colegiado quais os procedimentos a serem adotados, ex vi do disposto nos §§ 1º e 2º do seu artigo 62A, ou seja pelo sobrestamento do julgamento do recurso até que seja proferida a decisão nos termos do Fl. 64DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904096/201298 Acórdão n.º 3803005.533 S3TE03 Fl. 65 3 art. 543B, da Lei nº 5.869/73 (CPC). Tudo isto encontrase consubstanciado no RE 574706 RG / PR, cuja ementa transcrevese adiante: REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA Julgamento: 24/04/2008. Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Gilmar Mendes e Ellen Gracie. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora Publicação: DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008. EMENT VOL0231910 PP02174. Tema 69 Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Veja RE 240785. Por fim foi editada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, que estabelecia os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que trata o § 1º do art. 62A do RICARF/09, por meio do caput e parágrafo único do seu artigo 1º. Como visto há a decisão pelo STF de reconhecimento da repercussão geral nos termos do artigo 543B, da Lei nº 5.869/73, como também há a orientação expressa para o sobrestamento do julgamento que verse sobre a mesma matéria sob a égide desse mandamus, ou seja, as orientações emanadas dos respectivos Regimentos Internos se coadunam. Destarte, recentemente, veio a Portaria MF nº 545/2013, DOU de 20/11/13, para alterar o RICARF/09, notadamente no que atine aos §§ 1º e 2º do artigo 62A, senão vejamos os dispositivos contidos no artigo 1º desta Portaria. Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. De sorte que não há a controvérsia atinente ao sobrestamento, resta o pronunciamento acerca da questão da legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das referidas contribuições, por conseguinte da cobrança do tributo nessa condição. Confirase: A Constituição Federal criou o tributo e traça a moldura para que o legislador ordinário (respeitados limites) institua a exação tributária cuja competência lhe foi outorgada. Para a instituição válida da exação, como regra, a lei ordinária deverá contemplar alguns critérios, quais sejam: a) material, temporal e espacial, localizados no antecedente da estrutura da norma jurídica; b) critérios pessoal e quantitativo no conseqüente Fl. 65DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904096/201298 Acórdão n.º 3803005.533 S3TE03 Fl. 66 4 dessa norma, também de nominados de Regra Matriz de Incidência Tributária RMIT. Tudo o que se refere a tributo e a exação tributária passa por esta regra. Feitas tais considerações passo à construção da norma jurídica em sentido estrito (regra matriz de incidência tributária) das contribuições sociais instituídas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03,respectivamente. (a) Regramatriz de incidência do PIS NãoCumulativo: De acordo com o disposto na Lei nº. 10.637/02, a regramatriz de incidência tributária do PIS NãoCumulativo pode ser construída da seguinte forma, in verbis: Lei nº. 10.637/02. “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput) Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 1,65% (Art. 2º). Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presumível de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o PIS Não Cumulativo foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. (b) Regramatriz de incidência da COFINS NãoCumulativa: Assim estabelece o caput e o § 2o do artigo 1o da Lei nº 10.833/03, in verbis: Lei nº. 10.833/03. “Art. 1º. A contribuição para a COFINS tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Fl. 66DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904096/201298 Acórdão n.º 3803005.533 S3TE03 Fl. 67 5 Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput); Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 7,6% (Art. 2º) Igualmente ao PIS, observase do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo que a riqueza eleita pelo legislador ordinário para instituir a COFINS Não Cumulativa foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Pela dicção legal dos artigos 1º das Leis ordinárias vertentes não há qualquer dissonância entre a hipótese de incidência e a base de cálculo. A base de cálculo, em seu desiderato nuclear, tem por escopo dimensionar economicamente o valor do fato que ensejou a tributação e, por isso, precisa, necessariamente, guardar estreita relação com o critério material consignado na hipótese de incidência. Além da função mensuradora, a base de cálculo também tem o papel de confirmar, afirmar ou infirmar a hipótese de incidência, sendo certo que nesse último caso, ou seja, quando a base de cálculo tiver o condão de infirmála, deverá prevalecer o disposto no critério quantitativo, por servir como discrímen na averiguação da espécie tributária de que se cuida. Na espécie, o critério quantitativo afirma a hipótese de incidência que é o faturamento. Assim, devem as contribuições sociais relativas ao PIS e à COFINS Não Cumulativas incidir sobre as receitas advindas tãosomente da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, ou seja, o faturamento.(Grifei). A definição de faturamento pelo STF, sem maiores delongas, encontrase no julgamento da inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. No que tange à base de cálculo eleita para a incidência do PIS e da COFINS, decidiram os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, em fixar do conteúdo semântico de faturamento, como sendo o das entradas decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços. Nesse passo, para explicitar o conteúdo semântico do signo “faturamento” transcrevemos abaixo trecho do voto vista proferido pelo Ministro Cesar Peluzo: “[...] Ainda no universo semântico normativo, faturamento não pode soar o mesmo que receita, nem confundidas ou identificadas as operações (fatos) ‘por cujas realizações se manifestam essas grandezas numéricas’. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904096/201298 Acórdão n.º 3803005.533 S3TE03 Fl. 68 6 [...] Como se vê sem grande esforço, o substantivo receita designa aí o gênero, compreensivo das características ou propriedades de certa classe, abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial. Todo valor percebido pela pessoa jurídica, a qualquer título, será, nos termos da norma, receita (gênero). Mas nem toda receita será operacional, porque poderá havêla não operacional. [...] Não precisa recorrer às noções elementares da Lógica Formal sobre as distinções de gênero e espécie, para reavivar que, nesta, sempre há um excesso de conotação e um déficit de denotação em relação àquele. Nem para atinar logo em que, como já visto, faturamento também significa percepção de valores e, como tal, pertence ao gênero ou classe receita, mas com a diferença específica de que compreende apenas os valores oriundos do exercício da ‘atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços’ (venda de mercadorias e de serviços). [...] Donde, a conclusão imediata de que, no juízo da lei contemporânea ao início da vigência da atual Constituição da República, embora todo faturamento seja receita, nem toda receita é faturamento.12” (grifamos). No caso do PIS e da COFINS NãoCumulativos o que se observa é que o legislador ordinário, apesar de possuir a competência tributária para tributar a receita, novamente contemplou, através de lei, que tais contribuições incidissem sobre o faturamento, adotandoo como critério material da hipótese e afirmandoo na base de cálculo. Todavia, ao definir faturamento, recaiu no mesmo equívoco deflagrado em relação à Lei 9.718/98, senão vejamos: Lei nº. 10.637/02 “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil; § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Lei nº. 10.833/03 “Art. 1º. A contribuição para a COFINS faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor dofaturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Fl. 68DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904096/201298 Acórdão n.º 3803005.533 S3TE03 Fl. 69 7 Notese que a definição legal apresentada pelo legislador ordinário ao faturamento nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03 é exatamente a mesma veiculada na Lei nº. 9.718/98, que foi repelida, brilhantemente, pelo Supremo Tribunal Federal. Todavia, conforme se verifica da redação dos dispositivos legais que instituíram tais exações, bem como das regrasmatrizes engendradas outrora, a receita não foi contemplada como critério material da hipótese muito menos como aspecto quantitativo dessas contribuições. Por isso, em obediência ao magno princípio da Legalidade e, primordialmente, o sobre princípio da Segurança Jurídica, as exações vertentes deverão incidir tãosomente sobre o faturamento, sob pena de inconstitucionalidade e de ilegalidade. Admitirse o contrário implica na violação dos princípios constitucionais da Legalidade, Estrita Legalidade Tributária, Segurança Jurídica e Razoabilidade e, além disso, tem o condão de infringir entendimento já assentado pela Suprema Corte acerca da distinção entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita que, por sua vez, resulta na violação ao disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, cuja afronta passamos a ponderar. Insta frisar que a definição legal adotada pelo legislador ordinário no caput dos artigos 1º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/01 é simplesmente a mesma que a revista no § 1º, do artigo 3º, da Lei nº. 9.718/98, sobre a qual recaiu o peso da incompatibilidade com o sistema jurídico, consoante decisum da Suprema Corte que, pontificou, claramente, a distinção existente entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita. Sendo assim, uma vez que novamente a intenção do legislador ordinário foi a de equiparar a abrangência dos fatos signos presuntivos de riqueza – faturamento e receita – como se albergassem a mesma qualidade de ingressos (entendase receita), então, é indubitável que recaiu em ilegalidade, na medida em que violou o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, que alude: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Tanto há discrepância entre os conteúdos semânticos dos signos faturamento e receita, que o legislador constituinte inseriu o disjuntivo “ou” no artigo 195, inciso I, “b”, da Constituição Federal, ipsis litteris: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: Fl. 69DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904096/201298 Acórdão n.º 3803005.533 S3TE03 Fl. 70 8 I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na formada lei, incidentes sobre:... b) a receita OU o faturamento.(Grifei) A distinção entre esses substantivos foi aventada pelo Ministro Marco Aurélio, no julgamento do RE 380.840/MG, nos seguintes termos: “A disjuntiva ‘ou’ bem revela que não se tem a confusão entre o gênero ‘receita’ e a espécie ‘faturamento”. Sobre a imprescindibilidade de se obedecer ao limite semântico do signo tratado pelo direito privado, segue a maciça jurisprudência excelsa: “...TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A normapedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários.” (STF, RE 380.9405/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, por maioria, j. 09/11/2005, DJ 15/08/2006) – Destacamos. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL.AMPLIAÇÃO DA BASE DECÁLCULO DO PIS E DA COFINS REALIZADA PELO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. ART. 110 DO CTN. ALTERAÇÃO DA DEFINIÇÃO DE DIREITO PRIVADO. EQUIPARAÇÃO DOS CONCEITOS DE FATURAMENTO E RECEITA BRUTA. PRECEDENTES DO STJ E DO STF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO PRETÓRIO EXCELSO. PRINCÍPIO DA UTILIDADE. PROCESSUAL. RESERVA DE PLENÁRIO. INAPLICABILIDADE. ...2. A Lei nº 9.718/98, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da COFINS e criar novo conceito para o termo “faturamento”, para fins de incidência da COFINS, com o objetivo de abranger todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, invadiu a esfera da definição do direito privado, violando frontalmente o art. 110 do CTN....” (AgRg no Ag 954.490/SP, 1ª T., Rel. Min. José Delgado, v.u., j. 24/03/2008, DJ 24/08/2008)É imperiosa para a harmonia do sistema jurídico que a atividade legislativa se amolde aos limites traçados pelo ordenamento, principalmente quando se está diante do poder de tributar que implica, sem dúvida alguma, na expropriação de parte do patrimônio dos contribuintes. Por isso, não pode o ente tributante agir de forma abusiva, alterando os conteúdos semânticos dos signos presuntivos de riqueza e, desse modo, gerar absoluta insegurança das relações jurídicas, posto que tal conduta fere o princípio da razoabilidade, como Fl. 70DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904096/201298 Acórdão n.º 3803005.533 S3TE03 Fl. 71 9 bem explicitou o Ministro Celso de Mello, na ADIMCQO 2551 / MG, in verbis: “TRIBUTAÇÃO E OFENSA AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. O Poder Público, especialmente em sede de tributação, não pode agir imoderadamente, pois a atividade estatal achase essencialmente condicionada pelo princípio da razoabilidade, que traduz limitaçãomaterial à ação normativa do Poder Legislativo. O Estado não pode legislar abusivamente. A atividade legislativa está necessariamente sujeita à rígida observância de diretriz fundamental, que, encontrando suporte teórico no princípio da proporcionalidade, veda os excessos normativos e as prescrições irrazoáveis do Poder Público. O princípio da proporcionalidade, nesse contexto, achase vocacionado a inibir e a neutralizar os abusos do Poder Público no exercício de suas funções, qualificandose como parâmetro de aferição da própria constitucionalidade material dos atos estatais. A prerrogativa institucional de tributar, que o ordenamento positivo reconhece ao Estado, não lhe outorga o poder de suprimir (ou de inviabilizar) direitos de caráter fundamental constitucionalmente assegurados ao contribuinte. É que este dispõe, nos termos da própria Carta Política, de um sistema de proteção destinado aamparálo contra eventuais excessos cometidos pelo poder tributante ou, ainda, contra exigências irrazoáveis veiculadas em diplomas normativos editados pelo Estado.” (ADIMCQO 2551 / MG MINAS GERAIS, Relator Min. CELSO DE MELLO, Julgamento: 02/04/2003, Órgão Julgador: Tribunal Pleno, Publicação DJ 20042006 PP00005 – (grifei.) (c) Já a Regramatriz de incidência do ICMS: De acordo com o disposto na CF/88, a regramatriz de incidência tributária do ICMS pode ser construída nos moldes do art. 155, c/c a LC nº 87/96, in verbis: CF/88. “Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993). Art. 12. Considerase ocorrido o fato gerador do imposto no momento: I da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular; Fl. 71DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904096/201298 Acórdão n.º 3803005.533 S3TE03 Fl. 72 10 II do fornecimento de alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; III da transmissão a terceiro de mercadoria depositada em armazém geral ou em depósito fechado, no Estado do transmitente; IV da transmissão de propriedade de mercadoria, ou de título que a represente, quando a mercadoria não tiver transitado pelo estabelecimento transmitente; V do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, de qualquer natureza; VI do ato final do transporte iniciado no exterior; VII das prestações onerosas de serviços de comunicação, feita por qualquer meio, inclusive a geração, a emissão, a recepção, a transmissão, a retransmissão, a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza; VIII do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços: a) não compreendidos na competência tributária dos Municípios; b) compreendidos na competência tributária dos Municípios e com indicação expressa de incidência do imposto de competência estadual, como definido na lei complementar aplicável; IX – do desembaraço aduaneiro de mercadorias ou bens importados do exterior; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) X do recebimento, pelo destinatário, de serviço prestado no exterior; XI – da aquisição em licitação pública de mercadorias ou bens importados do exterior e apreendidos ou abandonados; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) XII – da entrada no território do Estado de lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado, quando não destinados à comercialização ou à industrialização; (Redação dada pela LCP nº 102, de 11.7.2000) XIII da utilização, por contribuinte, de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. § 1º Na hipótese do inciso VII, quando o serviço for prestado mediante pagamento em ficha, cartão ou assemelhados, considerase ocorrido o fato gerador do imposto quando do fornecimento desses instrumentos ao usuário. § 2º Na hipótese do inciso IX, após o desembaraço aduaneiro, a entrega, pelo depositário, de mercadoria ou bem importados do exterior deverá ser autorizada pelo órgão responsável pelo seu Fl. 72DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904096/201298 Acórdão n.º 3803005.533 S3TE03 Fl. 73 11 desembaraço, que somente se fará mediante a exibição do comprovante de pagamento do imposto incidente no ato do despacho aduaneiro, salvo disposição em contrário. § 3o Na hipótese de entrega de mercadoria ou bem importados do exterior antes do desembaraço aduaneiro, considerase ocorrido o fato gerador neste momento, devendo a autoridade responsável, salvo disposição em contrário, exigir a comprovação do pagamento do imposto. (Incluído pela Lcp 114, de 16.12.2002) Art. 13. A base de cálculo do imposto é: I na saída de mercadoria prevista nos incisos I, III e IV do art. 12, o valor da operação; II na hipótese do inciso II do art. 12, o valor da operação, compreendendo mercadoria e serviço; III na prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, o preço do serviço; IV no fornecimento de que trata o inciso VIII do art. 12; a) o valor da operação, na hipótese da alínea a; b) o preço corrente da mercadoria fornecida ou empregada, na hipótese da alínea b; V na hipótese do inciso IX do art. 12, a soma das seguintes parcelas: a) o valor da mercadoria ou bem constante dos documentos de importação, observado o disposto no art. 14; b) imposto de importação; c) imposto sobre produtos industrializados; d) imposto sobre operações de câmbio; e)quaisquer outros impostos, taxas, contribuições e despesas aduaneiras; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) VI na hipótese do inciso X do art. 12, o valor da prestação do serviço, acrescido, se for o caso, de todos os encargos relacionados com a sua utilização; VII no caso do inciso XI do art. 12, o valor da operação acrescido do valor dos impostos de importação e sobre produtos industrializados e de todas as despesas cobradas ou debitadas ao adquirente; VIII na hipótese do inciso XII do art. 12, o valor da operação de que decorrer a entrada; IX na hipótese do inciso XIII do art. 12, o valor da prestação no Estado de origem. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904096/201298 Acórdão n.º 3803005.533 S3TE03 Fl. 74 12 § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; II o valor correspondente a: a) seguros, juros e demais importâncias pagas, recebidas ou debitadas, bem como descontos concedidos sob condição; b) frete, caso o transporte seja efetuado pelo próprio remetente ou por sua conta e ordem e seja cobrado em separado. § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. § 3º No caso do inciso IX, o imposto a pagar será o valor resultante da aplicação do percentual equivalente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual, sobre o valor ali previsto. § 4º Na saída de mercadoria para estabelecimento localizado em outro Estado, pertencente ao mesmo titular, a base de cálculo do imposto é: I o valor correspondente à entrada mais recente da mercadoria; II o custo da mercadoria produzida, assim entendida a soma do custo da matériaprima, material secundário, mãodeobra e acondicionamento; III tratandose de mercadorias não industrializadas, o seu preço corrente no mercado atacadista do estabelecimento remetente. § 5º Nas operações e prestações interestaduais entre estabelecimentos de contribuintes diferentes, caso haja reajuste do valor depois da remessa ou da prestação, a diferença fica sujeita ao imposto no estabelecimento do remetente ou do prestador. Complementarmente ao artigo 13 os artigos 8º e 15 também tratam de base de cálculo. Como dito na lei, temse: Critério material: Sair mercadoria do estabelecimento de contribuinte; fornecer alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; a transmissão, dentre outros estabelecidos no artigo 12 da LC nº 87/96. Critério temporal: é o momento da saída, do fornecimento, da transmissão, do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, etc, (Art. 12, LC 87/96); Critério espacial: no âmbito estadual; Fl. 74DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904096/201298 Acórdão n.º 3803005.533 S3TE03 Fl. 75 13 Critério pessoal: Estado/DF (sujeito ativo) e pessoa jurídica que promove a saída de mercadorias do estabelecimento (sujeito passivo) (Art. 12); Critério quantitativo: Base de cálculo – O valor da operação (vide art. 12, I, III e IV); Alíquota – fixada pelo Senado Federal as alíquotas mínimas e máximas (CF/88, art. 155, § 1º, IV e § 2º, IV e VI); Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o ICMS, em tese, foi o VALOR DA OPERAÇÃO, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Os elementos informadores da incidência e da base de cálculo da norma tributária ensejadora do PIS e da Cofins, bem assim da constituição da relação jurídico tributária não guarda nenhuma relação com aqueles elementos orientadores para incidência do ICMS, ou seja, as regras matrizes do PIS e da Cofins em nada se assemelha àquela do ICMS, razão o bastante para que o ICMS seja afastado da base de cálculo do PIS e da Cofins. Por outro enfoque: A lei infraconstitucional deve identificar, pormenorizadamente, todos os elementos essenciais da norma tributária, principalmente no tocante à hipótese de incidência, sob pena de não poder ser exigida pelo fisco. Nas palavras de XAVIER apud CARRAZZA descreve o mesmo que “a tipicidade pressupõe (...) uma descrição rigorosa dos seus elementos constitutivos, cuja integral verificação é indispensável para produção de efeitos” (p. 386, 2003). Vale dizer que o princípio da Tipicidade Tributária não dá margem para o intérprete ou ao aplicador da lei para o exercício de entendimentos contraditórios, mais abrangentes ou restritivos ao descrito pela norma constitucional. Dito isto e, considerando que o ICMS passou a integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins em razão da interpretação do contido no art. 2º da Lei nº 9.718/98, de que o faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade que ela exerça e a classificação contábil adotada para essas receitas (art. 13, § 1º, I, da LC 87/96, ex vi "cálculo por dentro" fator aplicado ao cálculo deste tributo de competência estadual, inadequado á questão posta em discussão), é certo que esse conceito é totalmente distinto daquele fixado na LC 7/70 e na LC 70/91. Por relevante cabe aqui o registro acerca da distinção entre os termos “receita” e “ingresso”, eis que a primeira é a quantia recebida/apurada/arrecadada, que acresce o patrimônio da pessoa física/jurídica, em decorrência direta ou indireta da atividade econômica por ela exercida. Já o ingresso pressupõe tanto as receitas como os valores pertencentes a terceiros (que integram o patrimônio de outrem), pois não importam em modificação do patrimônio de quem os recebe e implica em posterior entrega para quem pertence efetivamente. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904096/201298 Acórdão n.º 3803005.533 S3TE03 Fl. 76 14 É que o ICMS para a empresa é mero ingresso, para posterior destinação ao Fisco, entendido este como o titular de tais valores. Este é o entendimento da Terceira Turma do TRF da 3ª Região, que decidiu que o ICMS não deve integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins, reconhecendo outrossim o direito à compensação dos valores pagos indevidamente nos últimos dez anos. Ainda que não concluído o julgamento da ADC 18 e do RE 240785/MG, o STF já sinalizou acerca do entendimento sobre a impossibilidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, cujo relator, o Exmº. Min. Marco Aurélio, assim ressaltou: "Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrálo. A conclusão a que chegou a Corte de origem, a partir de premissa errônea, importa na incidência do tributo que é a Cofins, não sobre o faturamento, mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Federação. (...) Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem, ainda que mediata, para o contribuinte, o que se dirá quanto a um ônus, como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. Não pode, então, servir à incidência da Cofins, pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea "b" do incido I do artigo 195 da Constituição Federal. O fundamento da tese reside no fato de que o ICMS constitui receita do ente tributante, ou seja, do Estado, não podendo integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins a cargo da empresa sob pena de exigirse tributo sem o devido lastro constitucional previsto no art. 195, inciso I, alínea "b" da Constituição Federal. Assim, a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins fere os princípios da capacidade contributiva, razoabilidade, proporcionalidade, equidade de participação no custeio da seguridade social, imunidade recíproca e confisco à Constituição. Filiaramse ao voto do Relator os Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Sepúlveda Pertence e Carmem Lúcia; o Ministro Eros Grau negou provimento ao recurso, faltando votar os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Ellen Gracie e Celso Mello. Diante de todo o exposto a Administração Pública somente poderá impor ao contribuinte o ônus da exação quando houver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal de incidência do tributo, ou seja, sua descrição típica. É condição sine qua non para a exigibilidade de um tributo. Neste contexto, nas palavras de Alberto Xavier (in Os Princípios da Legalidade e da Tipicidade da Tributação, São Paulo, RT. 1978, pág. 37/38) “a lei deve conter, em seu bojo, todos os elementos de decisão no caso concreto, de forma que a decisão concreta seja Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904096/201298 Acórdão n.º 3803005.533 S3TE03 Fl. 77 15 imediatamente dedutível da lei, sem valoração pessoal do órgão de aplicação da lei, o que decorre do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988.” Assim, toda a atividade da Administração Tributária e os critérios objetivos na identificação do sujeito passivo, do valor do montante apurado e das penalidades cabíveis devem ser tipificados de forma fechada na lei. É a norma jurídica, consubstanciada, em regra geral, na lei ordinária que deverá descrever as hipóteses de incidência, não deixando brechas ao aplicador da lei, especialmente à Administração Pública, para uma interpretação extensiva, e mais, para o uso da analogia, ao seu bel prazer. Portanto, sendo a definição de fato gerador a situação definida em lei como necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária principal, àquela de pagar tributo e, no caso do PIS e da Cofins, é auferir faturamento, não há se falar em inclusão do ICMS na base de cálculo desses tributos, eis que tanto o fato gerador, quanto a base de cálculo é totalmente diversa, não se coadunam. O Ministro Cesar Peluzo, no votovista proferido no julgamento do RE nº. 350.950, foi peremptório ao atestar que: “A base de cálculo é tão importante na identificação do tributo, que prevalece em relação ao fato gerador no caso em conflito.” Na hipótese sob exame não há qualquer discrepância entre o critério material e a base de cálculo preceituados em lei, posto que ambas contemplam o faturamento como fato signo presuntivo de riqueza para que as contribuições vertentes pudessem ser exigidas. Contudo, mesmo que houvesse divergência entre aquele (critério material) e esse (critério quantitativo) – ad argumentandum tantum – é a base de cálculo que deverá prevalecer porter o condão, inclusive, de desnaturalizar o tributo, conforme decisão pretoriana. Nestesentido, uma vez que a base de cálculo eleita pelo legislador ordinário foi o faturamento – eisso não há dúvidas – então, essa há que preponderar.Assim, é inconteste que sobre o PIS e COFINS NãoCumulativos devem incidir sobre ofaturamento, cujo aspecto semântico difere de receita, conforme já assentou a SupremaCorte. Não há se falar em valor da operação. Há uma tendência, tanto nos Tribunais Regionais Federais como nos Superiores, notadamente no STF, de enxugar a base de cálculo dos tributos, de valores que não representam faturamento dos Contribuintes. A decisão Plenária do STF excluindo o ICMS da base de cálculo da COFINS e do PIS nas operações envolvendo importações confirma esta tendência. Confirase: Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. DESNECESSIDADE DE PROVA PERICIAL. 1. O ICMS não deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904096/201298 Acórdão n.º 3803005.533 S3TE03 Fl. 78 16 COFINS. 3. O ISS que como o ICMS não se consubstancia em faturamento, mas sim em ônus fiscal não deve, também, integrar a base de cálculo das aludidas contribuições. 4. A parte que pretende a compensação tributária deve demonstrar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. 5. Na ausência de documento indispensável à propositura da demanda, deve ser julgado improcedente o pedido, com relação ao período cujo recolhimento não restou comprovado nos autos. 6. Deve ser resguardado ao contribuinte o direito de efetuar a compensação do crédito aqui reconhecido na via administrativa (REsp n. 1137738/SP). 7. A não inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é matéria de direito que não demanda dilação probatória. O pedido de compensação solucionase com a apresentação das guias de recolhimento (DARF), que prescinde de exame por perito. 8. Precedentes. 9. Apelo parcialmente provido. TRF3 APELAÇÃO CÍVEL AC 23169 SP 0023169 44.2011.4.03.6100 (TRF3) Data de publicação: 07/02/2013. Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. 1. O ICMS e, por idênticos motivos, o ISS não devem ser incluídos na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. No referido julgamento, o Ministro Março Aurélio, relator, deu provimento ao recurso, no que foi acompanhado pelos Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Britto, Cezar Peluso, Carmen Lúcia e Sepúlveda Pertence. Entendeu o Ministro relator estar configurada a violação ao artigo 195 , I , da Constituição Federal , ao fundamento de que a base de cálculo do PIS e da COFINS somente pode incidir sobre a soma dos valores obtidos nas operações de venda ou de prestação de serviços, ou seja, sobre a riqueza obtida com a realização da operação, e não sobre o ICMS, que constitui ônus fiscal e não faturamento. Após, a sessão foi suspensa em virtude do pedido de vista do Ministro Gilmar Mendes (Informativo do STF n. 437, de 24/8/2006). 3. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS e, consequentemente, o ISS, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. 4. A impetrante tem direito, na espécie, a compensar os valores indevidamente recolhidos. No entanto, ela não comprovou ter pago as contribuições que pretende compensar, mediante a juntada das guias de recolhimento. 5. A via especial do mandado de segurança, em que não há dilação probatória, impõe que o autor comprove de plano o direito que alega ser líquido e certo. E, para isso, deve trazer à baila todos os documentos hábeis à comprovação do que requer. Sem esses elementos de prova, tornase carecedora da ação. Precedente do C. STJ. 6. Dessarte, quanto à compensação dos créditos, cujos pagamentos não restaram comprovados nos autos, a parte deve ser considerada carecedora da ação. 7. Apelação, parcialmente, provida.. TRF3 APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904096/201298 Acórdão n.º 3803005.533 S3TE03 Fl. 79 17 AMS 6072 SP 2007.61.11.0060722 (TRF3). Data de publicação: 16/06/2011. Finalmente vencida a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, restou a questão de prova acerca da certeza e liquidez da existência do crédito alegado pela Recorrente, em quantidade o bastante para solver o débito existente na data da transmissão do Per/DComp, haja vista que o ônus probante cabe ao transmitente do referido documento, o que deve ser efetivado juntamente com a apresentação da manifestação de inconformidade, eis que preclui o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. No caso vertente o contribuinte não logrou demonstrar cabalmente a existência de crédito suficiente à satisfação da compensação, pois os documentos acostados se referem tão somente à existência de crédito, o que não é o bastante. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado em valores superiores ao débito informado na DComp. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Ex positis oriento o meu voto pelo provimento parcial do recurso interposto. É como voto. Jorge Victor Rodrigues Relator. Voto Vencedor Conselheiro Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Tendo sido designado pelo Presidente da 3ª Turma Especial para redigir o voto vencedor, passo a expor os fundamentos de fato e de direito em que ele se baseia. Com base no relatório supra, contatase que a controvérsia nos autos se restringe à existência ou não do direito de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904096/201298 Acórdão n.º 3803005.533 S3TE03 Fl. 80 18 De início, ressaltese que permanece pendente, pelo prisma constitucional, a discussão acerca da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins. A matéria encontrase sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) que já reconheceu a sua repercussão geral, estando pendente de julgamento o mérito do Recurso Extraordinário nº 574.706, cuja ementa tem o seguinte teor: Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Encontrase pendente de julgamento, também, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 1, cuja ementa da medida cautelar assim dispõe: EMENTA Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal Por não se ter ainda uma decisão definitiva de mérito no STF, não há que se invocar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), em que se prevê a obrigatoriedade de os conselheiros reproduzirem o teor de decisão transitada em julgado em processos submetidos à regra da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC). Além do mais, tendo a Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogado os parágrafos primeiro e segundo do mesmo art. 62A do Anexo II do RICARF, desde então, não se perscruta mais acerca de possível sobrestamento de julgamentos no âmbito deste Colegiado enquanto pendente decisão definitiva no regime do art. 543B do CPC. Para a análise do mérito da presente controvérsia, não se pode perder de vista que o ICMS é imposto cujo cálculo se processa pelo método denominado “por dentro”, ou seja, o montante do imposto integra a sua própria base de cálculo; logo, pretender excluir o valor do imposto para cálculo do PIS e da Cofins é pretender reduzir o próprio faturamento. Em conformidade com esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) editou a súmula n° 68 com o seguinte teor: a parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. 1 ADC n° 18/DF Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904096/201298 Acórdão n.º 3803005.533 S3TE03 Fl. 81 19 Essa mesma conclusão tem sido exarada em outros julgados, como por exemplo na decisão contida no Recurso Especial n° 501.626/RS e no AMS 2004.71.01.0050408/PR do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, in verbis: REsp 501626 / RS TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. (grifei) 3. Recurso especial improvido. AMS APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Processo: 2004.70.01.0050408 Ementa: PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. Incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS a parcela relativa ao ICMS devido pela empresa na condição de contribuinte (Súmula 258, TFR e Súmula 68, STJ), eis que tudo o que entra na empresa a título de preço pela venda de mercadorias corresponde à receita faturamento , independente da parcela destinada a pagamento de tributos. (grifei) Nesse sentido, temse que a receita de vendas de mercadorias configura o faturamento da pessoa jurídica, base de cálculo da contribuição, sendo irrelevante haver ou não tributo nela incluso, pois a Constituição Federal, ao atribuir competência à União para instituir a contribuição, não disseca os elementos constituintes do termo linguístico “faturamento”, prevendose a incidência sobre todo o montante assim constituído. Além do mais, nos termos do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), “[a] lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias”. Nos termos do art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, a contribuição para o PIS não cumulativa tem como fato gerador o faturamento, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, encontrandose previstas no § 3º do mesmo artigo as exclusões autorizadas, havendo a previsão de exclusão de créditos de ICMS transferidos onerosamente a outros contribuintes do imposto, nos casos de operações de exportação (inciso VII do § 3º do art. 1º da Lei nº 10.637, de 2003), mas somente nessa hipótese. Dessa forma, concluise pela impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904096/201298 Acórdão n.º 3803005.533 S3TE03 Fl. 82 20 Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10120.002993/2010-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2007 LUCRO ARBITRADO. NÃO APRESENTAÇÃO DE ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. É cabível o arbitramento na hipótese de não apresentação de qualquer escrituração contábil ou livro fiscal, bem como documentação que os suporte, quando a contribuinte foi regularmente intimada para tanto. LUCRO ARBITRADO. RECEITA BRUTA. Os registros de operações e apurações do ICMS apresentados pela contribuinte ao fisco estadual, na forma de sua legislação em vigência, podem ser tomados como base para o arbitramento do lucro. MULTA QUALIFICADA. A prática reiterada de não oferecer à tributação, no curso de todo ano- calendário, a receita bruta constante de registro e apurações enviados ao fisco estadual, constitui ilícito que justifica a qualificação da multa de oficio. LANÇAMENTO DA CSLL DECORRENTE DO MESMO FATO. Mantida a exigência matriz do IRPJ, idêntica decisão estende-se à tributação da CSLL devido à estreita relação de causa e efeito existente.
Numero da decisão: 1202-000.806
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Nereida de Miranda Finamore Horta
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NÃO APRESENTAÇÃO DE ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. É cabível o arbitramento na hipótese de não apresentação de qualquer escrituração contábil ou livro fiscal, bem como documentação que os suporte, quando a contribuinte foi regularmente intimada para tanto. LUCRO ARBITRADO. RECEITA BRUTA. Os registros de operações e apurações do ICMS apresentados pela contribuinte ao fisco estadual, na forma de sua legislação em vigência, podem ser tomados como base para o arbitramento do lucro. MULTA QUALIFICADA. A prática reiterada de não oferecer à tributação, no curso de todo ano calendário, a receita bruta constante de registro e apurações enviados ao fisco estadual, constitui ilícito que justifica a qualificação da multa de oficio. LANÇAMENTO DA CSLL DECORRENTE DO MESMO FATO. Mantida a exigência matriz do IRPJ, idêntica decisão estendese à tributação da CSLL devido à estreita relação de causa e efeito existente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 29 93 /2 01 0- 21 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA 2 (documento assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno e Viviane Vidal Wagner. Relatório Cuidase de processo administrativo fiscal proposto em face da contribuinte J RABELO INDUSTRIA E COMÉRCIO DE EMBALAGENS LTDA. (CNPJ 08.221.146/0001 79). No início do procedimento fiscal, em 29 de janeiro de 2010, a contribuinte foi intimada a apresentar livros e documentos fiscais e contábeis referentes ao período de 1º de janeiro 2007 a 31 de dezembro de 2007, tendo posteriormente, em 10.02.10, requerido prorrogação de prazo para atender às solicitações, no que foi acordado pela autoridade fiscalizadora. Porém, vencido o prazo suplementar concedido, não foram apresentados a totalidade dos documentos, inclusive os referentes à escrituração contábil (Livro Diário e Razão ou Caixa). Novamente, foi emitido Termo de Reintimação Fiscal, com a solicitação dos mesmos documentos referidos, sem que houvesse o atendimento por parte da contribuinte. A autoridade fiscalizadora manteve também contato telefônico com o contador da empresa, Sr. Jesus Monteiro, quem teria descartado a possibilidade de apresentação dos aludidos documentos. Tais fatos culminaram com a lavratura dos Autos de Infração (fl. 49/62). Cumpre informar, como destacado nos aludidos Autos que: “A falta de apresentação dos livros da escrituração contábil e fiscal exigidos pela legislação tributária é fato determinante que obriga a autoridade a efetuar o lançamento do crédito tributário, baseandose nas regras do lucro arbitrado, neste caso, referente ao período de apuração do anocalendário de 2007. A fiscalização está utilizando como Base de Cálculo, neste lançamento, os valores das receitas brutas mensais constantes do Livro Registro de Apuração do ICMS, fls. 15 a 28, valores declarados para A Secretaria de Fazenda do Estado de Goiás (SEFAZ/GO). Tendo a empresa declarado valores zerados para a Receita Federal, através das Declarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ anocalendário 2007), fls. 31 a 42, e ao mesmo tempo escriturava o Livro Registro de Apuração do ICMS, fls. 15 a 28 , declarando valores sempre acima de um milhão de reais para a Secretária da Fazenda do Estado de Goias, configurando esta conduta o modus operandis do contribuinte em relação aos tributos federais, caracterizando Fl. 163DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA Processo nº 10120.002993/201021 Acórdão n.º 1202000.806 S1C2T2 Fl. 163 3 assim, em tese, a prática de Crime contra a Ordem Tributária, nos termos dos art. 1° e 2º da Lei 8.137/90. Assim a multa deste lançamento de oficio está qualificada nos termos do art. 44, inc. II da Lei 9.430/96. A empresa não recolheu IRPJ, CSLL, PIS e COFINS referentes aos valores de receita do anocalendário de 2007 e não entregou DCTF e DACON.” (fl. 52) O Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo indica os seguintes valores apurados, já incluídos juros de mora e multa: IRPJ: R$ 1.414.531,93 CSLL: R$ 666.395,38 A contribuinte foi intimada do conteúdo do auto em 26 de abril de 2010 (fl. 48) e apresentou sua impugnação (fls. 71/80) em 17 de maio de 2010. Preliminarmente, invoca a ausência dos pressupostos para validar a cobrança dos créditos apurados, aduzindo que a verdade material deve ser objeto de prova a ser obtida pela autoridade administrativa. Alega que apresentou parte dos documentos solicitados, o que seria suficiente para a apuração do tributo com base no Lucro Real, forma utilizada pela empresa para apurar seus tributos. Informa que a adoção do lucro arbitrado para apurar a CSLL a deixou em desvantagem em relação aos demais contribuintes, eis que sofreu o adicional referente ao Imposto de Renda sobre a base de cálculo apurada para a CSLL, o que seria ofensa ao princípio constitucional da isonomia. Ainda, expõe que não era possível à fiscalização ter se baseado somente nas notas fiscais de venda dos produtos, onde há a declaração das GIAS de ICMS à Secretaria da Fazenda do Estado de Goiás, já que parte destas notas eram referentes a vendas canceladas e de remessas para estabelecimento do emitente (a contribuinte), não representando geração de receita para compor a base de cálculo para apurar o tributo, conforme determina o artigo 214 do RIR/99. No mais, aduz que a apuração dos tributos pelo lucro arbitrado somente é possível na hipótese em que a pessoa jurídica deixa de cumprir as obrigações acessórias relativas à determinação do lucro real ou presumido, o que não ocorreu, vez que “ ... no próprio AIIM é confirmado pela fiscalização que a empresa deu cumprimento as obrigações tendo declarado valores zerados para a Receita Federal, vejamos: "Tendo a empresa declarado valores zerados para a Receita Federal, através das Declarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ anocalendário 2007), fls.31 a 42..." ” (grifos do original, fl. 74) No que tange à multa, opõese à aplicação da multa de ofício qualificada no patamar de 150% sobre os tributos lançados, informando que a redação do dispositivo que regula a matéria – art. 44 da Lei nº 9430/96 – foi alterado pelo artigo 14 da Lei nº 11.488/2007, que excluiu o elemento “evidente intuito de fraude” qualificador da conduta ilícita, que exigia punição mais grave. Assim, embora tenha havido a omissão de prestação de informações na Fl. 164DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA 4 DIPJ, informa que a circunstância qualificadora exigida pela lei e que causou a multa em patamar maior, não restou evidenciada pelo autuante. Nesse ponto, entende que a constatação da conduta omissiva não é suficiente para a aplicação da multa qualificada, que depende de inconteste intenção de fraudar, o que não é o caso da contribuinte. Invoca a Súmula nº 14 do Primeiro Conselho de Contribuintes. Entende que a multa a ser aplicada no caso é a prevista no artigo 44, I, da Lei nº 9430/96, no montante de 75%. Transcreve jurisprudência administrativa que entende amparar seu entendimento. Acresce que, em relação à autuação de PIS e COFINS, ocorrida na mesma ocasião, a autoridade aplicou multa no importe de 75%, revelando desproporção. Assim, requer a procedência da impugnação, com a declaração de insubsistência do Auto de Infração e respectiva multa, bem como se abstenha o fisco de criar óbice à expedição de certidões e demais documentos necessários ao desenvolvimento das atividades da contribuinte e também de inscrição no CADIN e outros cadastros similares, afastando a exigência dos tributos lançados no aludido auto. A DRJ/BSB proferiu sua decisão no Acórdão 0338.052 (fls. 128/138), decidindo pela manutenção do crédito tributário. Indica que a alegação da contribuinte de que os documentos que esta teria apresentado seriam suficientes para apuração da base de cálculo (fato que obstaria a utilização do lucro arbitrado), não merece prosperar, já que segundo consta dos Termos de Início do Procedimento Fiscal e Reintimação Fiscal (respectivamente, fls. 02/03 e fls. 28), fora solicitado a impugnante a apresentação dos Livros Caixa ou Diário e Razão (lucro presumido), dentre outros documentos e a contribuinte não os apresentou, entregando apenas os livros Registro de Entradas, Livro Registro de Saídas e Livro de Apuração do ICMS do anocalendário 2007. Assim, seguindo determinação contida no artigo 530, I, do RIR/1999, determinou o imposto com base nos critérios do lucro arbitrado, o que ocorre na hipótese da contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. Destaca que formalizado o lançamento de ofício pelo motivo mencionado, não existe previsão legal para o desfazimento daquele, ainda que haja posterior apresentação dos livros e documentos. Cita precedente deste Conselho, Acórdão 1º CC nº 10318947, assim ementado: "FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS É cabível o arbitramento do lucro se a pessoa jurídica, durante a ação fiscal, deixar de exibir a escrituração que a ampararia na tributação com base no lucro real. Inexistindo o arbitramento condicional, o auto de infração não se modifica pela posterior apresentação desta documentação". Ainda, informa que os valores das receitas brutas mensais apuradas foram os mesmos declarados à Secretaria da Fazenda de Goiás (como constava do Livro de Registro de Apuração do ICMS), esclarecendo que a contribuinte não declarou nenhuma receita na DIPJ – Fl. 165DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA Processo nº 10120.002993/201021 Acórdão n.º 1202000.806 S1C2T2 Fl. 164 5 Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica de 2008, o que torna patente a omissão de receitas, autorizador da tributação nos termos do artigos 288 e 537 do RIR/99. Salienta que, no caso dos autos, o lucro arbitrado será resultado da aplicação de percentuais específicos sobre o valor da receita bruta trimestral conhecida, como corretamente apontado no auto de infração, como requer o artigo 532 do RIR/99. Ante estes fatos, informa que o procedimento fiscal foi pautado de acordo com as normas legais e regulamentares, nos termos do artigo 142 do CTN, observandose também os requisitos previstos no artigo 10 do Decreto nº 70.235/72, não havendo menção à falha quando destes procedimentos. Dessa feita, comprovada está a busca pela verdade material por parte da fiscalização, bem como a comprovação do fato alegado, essencial para efetivação deste princípio, destacando que não há elementos nos autos (nem mesmo entre os trazidos pela contribuinte) que sejam formadores de convicção quanto às alegações da impugnante. Ainda rebatendo as alegações da contribuinte, não há de se falar que esta tenha ficado em desvantagem em relação aos outros contribuintes em alegada ofensa ao princípio da isonomia, já que os artigos 288 e 537 do RIR/99 estabelecem que verificada a omissão de receitas, fica a cargo da autoridade determinar o valor do imposto e respectivo adicional conforme o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica. Prossegue afastando o argumento de que a fiscalização não poderia ter se baseado nas notas fiscais de venda dos produtos, em virtude do fato destas representarem vendas canceladas ou referentes a remessas para estabelecimentos do próprio emitente, não implicando em receita, como quer a contribuinte. Para o acórdão, esta alegação não procede, já que os valores utilizados como base de cálculo foram os valores das receitas brutas mensais constantes do Livro de Registro de Apuração do ICMS. Em relação a este fato, informa a ocorrência de alguns códigos, referentes ao CFPO – Código Fiscal de Operações e Prestações. Cabe aqui transcrever as conclusões do acórdão no que tange ao tema: “ Verificase que no Livro de Registro de Apuração do ICMS apresentado a fiscalização constam alguns códigos, quais sejam: 2102, 2551, 2910, 2949 e 6102 e 6202 tais códigos estão relacionados ao Código Fiscal de Operações e Prestações — CFOP. O Código Fiscal de Operações e Prestações — CFOP foi criado para permitir o conhecimento e a descrição da natureza dos mais variados tipos de operações e prestações praticadas pelos contribuintes (venda, devolução, transferência, etc.), tratandose de valiosa ferramenta para a administração tributária. Serve ainda como instrumento que permite mensurar e conhecer o comércio interestadual de mercadorias O CFOP é em sua maioria composto por quatro dígitos, onde o primeiro, no caso o prefixo, determina a natureza da operação, ou seja, se é entrada ou saída de mercadorias, quais sejam: I Entrada de Mercadoria ou Aquisição de Serviços de dentro do Estado. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA 6 2 Entrada de Mercadoria ou Aquisição de Serviços de fora do Estado. 3 Entrada de Mercadoria ou Aquisição de Serviços do Exterior. 5 Saída de Mercadoria ou Prestação de Serviços para dentro do Estado. 6 Saída de Mercadoria ou Prestação de Serviços para fora do Estado. 7 Saída de Mercadoria ou Prestação de Serviços para o Exterior. As operações praticadas pelos contribuintes do ICMS e/ou IPI estão relacionadas e codificadas através dos Códigos Fiscais de Operações e Prestações (CFOP). Estes códigos devem ser indicados quando da emissão de notas fiscais, escrituração de livros e no preenchimento de guias e declarações. Os valores utilizados pela fiscalização foram as receitas brutas mensais constantes do Livro de Registro de Apuração do ICMS, como o código CFOP 6102, sendo que tal código é utilizado nas vendas de mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros para industrialização ou comercialização, que não tenham sido objeto de qualquer processo industrial no estabelecimento. Vejamos, então, os significados dos demais códigos constantes no Livro de Registro de Apuração do ICMS apresentado pela empresa: • 2102 — (Compra interestadual para comercialização): Classificam se neste código as compras de mercadorias a serem comercializadas. Também serão classificadas neste código as entradas de mercadorias em estabelecimento comercial de cooperativa recebidas de seus cooperados ou de estabelecimento de outra cooperativa; • 2551 — (Compra de bem para o Ativo Imobilizado interestadual): Classificamse neste código as compras de bens destinados ao ativo imobilizado do estabelecimento; • 2910 — (Entrada de bonificação, doação ou brinde interestadual): Classificamse neste código as entradas de mercadorias recebidas a titulo de bonificação, doação ou brinde. • 2949 — (Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificado): Classificamse neste código as outras entradas de mercadorias ou prestações de serviços que não tenham sido especificados nos códigos anteriores. • 6202 — (Devolução de Compras): Classificamse neste código as devoluções de mercadorias adquiridas para serem comercializadas, cujas entradas tenham sido classificadas como Compra para comercialização. Nos cálculos efetuados pela fiscalização, observase que a base de cálculo utilizada pela fiscalização na competência 06/2007 foi Fl. 167DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA Processo nº 10120.002993/201021 Acórdão n.º 1202000.806 S1C2T2 Fl. 165 7 de R$ 781.784,50 (código CFOP 6102), tendo a fiscalização tomado o devido cuidado de não acrescentar a base de cálculo o valor de R$ 16.816,60 (código CFOP 6102 — devolução de compras). Cabe esclarecer que para possíveis vendas canceladas existe um código CFOP especifico a ser informado no Livro de Registro de Apuração do ICMS, qual seja 2.202 (Classificamse neste código as devoluções de vendas de mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros, que não tenham sido objeto de industrialização no estabelecimento, cujas saídas tenham sido classificadas como venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros, código 6102). No que se refere ao argumento de que parte dos valores utilizada pela fiscalização é referente a mercadorias remetidas para estabelecimentos do próprio emitente, para tal ocorrência existe o código CFOP especifico, qual seja: • 6152 (Transferência de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros): Mercadoria adquirida ou recebida de terceiros para industrialização, comercialização ou utilização na prestação de serviço e que não tenha sido objeto de qualquer processo industrial no estabelecimento, transferida para outro estabelecimento da mesma empresa. Portanto, concluise que os valores considerados pela fiscalização como receitas brutas mensais foram aqueles declarados no código CFOP 6102, os quais são utilizados para vendas de mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros para industrialização ou comercialização, não se tratando portanto de transferência de mercadoria, nem de devolução de vendas.” (fls. 134/136). Em relação à multa aplicada, o entendimento da DRJ é no sentido de que as discrepâncias apuradas pelo fisco não podem ser interpretadas como mero erro escusável, dado sua constância e magnitude (fl. 136), já que a prática de onde se originou a multa foi verificada durante todo o anocalendário, e que, embora a contribuinte tenha apresentado valores sempre superiores a um milhão de reais para a Fazenda do Estado de Goiás, nenhum valor referente à receita bruta foi declarado na DIPJ – Declaração EconômicoFiscal da Pessoa Jurídica de 2008. Acresce que a empresa não recolheu IRPJ e CSLL, não entregou DCTF e DACON, o que afasta erros pontuais ou diferenças de pouca relevância, o que justifica a aplicação da penalidade no patamar previsto no artigo 44, II, da Lei nº 9430/96, ante a visível intenção de burlar a Fazenda Nacional por parte do sujeito passivo. Transcreve jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes, a saber: IRPJ — DIFERENÇAS APURADAS ENTRE 0 DECLARADO E 0 ESCRITURADO — PRÁTICA REITERADA — INFRAÇÃO QUALIFICADA – Uma vez levantado pelo trabalho da fiscalização diferença de receita declarada e receita apurada em livros fiscais constantes da escrituração do próprio contribuinte, sem qualquer justificativa plausível e comprovada de erro, é de se manter o lançamento de oficio, com a multa qualcada, vez que a prática reiterada por períodos sucessivos da mesma situação Fl. 168DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA 8 declarada e omitida a informação sobre o escriturado, conduz a caracterização de evidente intuito de fraude. (1° CC, 1° Câmara, Acórdão 10195292, em 07/12/2005). MULTA QUALIFICADA Demonstrada a conduta reiterada do contribuinte no sentido de evitar o conhecimento pelo fisco de sua real receita, deve ser mantida a multa qualificada aplicada pela fiscalização. (1° CC, 5° Câmara, Acórdão 105 17304, em 12/11/2008). Termina por explanar que não houve a aplicação da multa no aludido patamar de 75% referentes às contribuições ao PIS e COFINS, eis que ao verificar o conteúdo do Processo Administrativo nº 10120.002992/201087 (onde foram exigidos os tributos mencionados), a multa aplicada foi no percentual de 150%. No que tange às decisões administrativas colacionadas, estas não constituem normas complementares da legislação tributária, conforme o disposto no artigo 100, II, do CTN, nem vinculam a administração, ante a ausência de amparo legal a lhes conferir caráter normativo. Analisando o pleito de abstenção, por parte da administração, de inscrição no CADIN e de óbices à expedição de certidões, informa que este não é o escopo do processo tributário na esfera administrativa, restrito a verificar a ocorrência ou não do fato gerador do tributo e, em caso positivo, verificar a legalidade do lançamento. Destaca que os julgadores administrativos restringemse a verificar se os elementos trazidos no processo são legítimos e se, neste caso concreto, são capazes de demonstrar a ocorrência do fato gerador do IRPJ e reflexos, o que leva a autoridade a não se manifestar em relação a tais argumentos, aduzindo porém que, enquanto houver a discussão administrativa do lançamento a que se refere este processo, a exigibilidade deste está suspensa, nos termos do artigo 151, III, do CTN. Por fim, a decisão do acórdão é pela improcedência da impugnação e consequente manutenção do crédito tributário exigido. A contribuinte foi intimada da decisão em 30 de agosto de 2010 (fl. 144) e apresentou Recurso Voluntário (fls. 146/157) em 21 de setembro do mesmo ano. Em suas razões recursais, a contribuinte reitera as alegações trazidas com sua impugnação, acrescendo que não fora analisado pela fiscalização ou pelo acórdão recorrido que, de acordo com as disposições existentes no artigo 214, parágrafo único, do RIR/99, o seguinte: “... exclui da receita bruta os descontos incondicionais concedidos, e principalmente a circulação de mercadorias em nada tem haver com o recebimento de renda pela venda das mercadorias da Recorrente, para fins de caracterizar qualquer receita, posto que muitas compras realizadas pelos clientes não foram pagas.” (fl.151). Com o recurso, vieram os autos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta Fl. 169DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA Processo nº 10120.002993/201021 Acórdão n.º 1202000.806 S1C2T2 Fl. 166 9 O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A recorrente teve contra si lavrado Auto de Infração referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica e seu reflexo na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, referente ao anocalendário de 2007, motivado pelas divergências verificadas entre as receitas declaradas à Receita Federal do Brasil e os registros e declarações informadas ao Fisco estadual. A recorrente, inicialmente, alega que os valores declarados nos Livros de Registro de Entradas e Saídas de mercadorias não constituem a base de cálculo do IRPJ nos termos dos artigos 43 e 44 do CTN. Com isso, entende que o lançamento não foi feito de forma correta, contrariando o artigo 142 do CTN. Entendimento esse que não procede uma vez que a autoridade lançadora, ao verificar que não havia escrituração contábil para embasar o cálculo com base no lucro real, valeuse das informações entregues a ele registradas no Livro de Apuração do ICMS. Como já relatado, a autoridade fiscalizadora considerou na composição da receita bruta, apenas os valores referentes às saídas por vendas de mercadorias, que, até prova em contrário (o que não foi apresentado pela recorrente mesmo em sede de Recurso Voluntário) representam receita bruta de vendas. As deduções a título de vendas canceladas ou devolução de vendas, foi obtido pela autoridade lançadora através de CFOP. Não foram comprovados, em momento algum, os descontos concedidos. A contribuinte não comprovou qualquer prova sobre esse item. Pelos dados acima, há sim elementos suficientes para que se faça o lançamento com base no lucro arbitrado, a recorrente foi questionada a apresentar justificativa para suas divergências o que não foi feito a contento. Fez suas alegações, todavia, não trouxe nenhuma comprovação. Com isso, a autoridade lançadora, com base no artigo 537 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), caracterizou a omissão de receitas na escrituração da contribuinte, pelas divergências obtidas na escrituração do Livro de Registro de Entradas e Saídas de mercadorias. Assim sendo, computou o montante omitido na determinação da base de cálculo do imposto devido e do adicional, e da CSLL, o que está correto e de acordo com a legislação. Segundo o artigo 530, II, do RIR/99, apurase o imposto devido com base no lucro arbitrado ao identificar vícios, erros ou deficiências que impossibilita a identificação da escrituração contábil para apurar o lucro real, in verbis: “Art.530.O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): ........ Fl. 170DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA 10 IIa escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a)identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b)determinar o lucro real;” Esse tem sido o entendimento desse colegiado, consoante Acórdãos nºs 10196500 (Processo 10540001504200263); 10807287 (Processo nº 10120002122200206); 10807134 (Processo 10120003017200103); 10515914 (Processo 13603002153200486) e 10514860 (Processo 10120002508200391). Quanto à reclamação da multa de 150%, diferentemente do que afirma a recorrente, os fatos apurados demonstram que houve omissão de receitas de forma reiterada durante todo o anocalendário. As informações enviadas ao fisco federal foram zeradas, enquanto que as enviadas para o fisco estadual apresentavam receitas. Aliás, é mister reforçar que a omissão não foi refutada pela contribuinte, mas apenas a forma de apuração da base de cálculos. Frisese que a recorrente apenas refutou a forma que foram apurados os valores. Esses fatos evidenciam a deliberada intenção de ocultar essas receitas, aplicandose, assim, corretamente o artigo 44, II, da Lei nº 9430/1996. A conduta que fundamenta a aplicação da multa de 150% foi muito bem explicada por este colegiado no Acórdão n° 10707747, cuja ementa é a seguinte: "O dolo, elemento imprescindível à caracterizarão das figuras que justificam a exasperação da penalidade, resta comprovado pela conduta reiterada e sistemática, consistente em calcular os tributos e contribuições e informála nas Declarações prestadas à administração tributária, tomando como base para apuração uma parcela ínfima da receita bruta efetivamente auferida e escriturada em livros fiscais." Como restou caracterizado o dolo previsto no art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996 e artigos 71 a 73 da Lei nº 4502/64, mantenho a multa de 150%. Mantenho também os lançamentos reflexos da CSLL pela íntima relação de sua base de cálculo com a do IRPJ. Diante de todo o exposto, o voto é no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo o lançamento. (documento assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta – Relatora Fl. 171DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA Processo nº 10120.002993/201021 Acórdão n.º 1202000.806 S1C2T2 Fl. 167 11 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA
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Numero do processo: 10945.902250/2012-11
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 24/07/2009
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO COFINS
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.134
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 22 50 /2 01 2- 11 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902250/201211 Acórdão n.º 3801003.134 S3TE01 Fl. 10 2 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902250/201211 Acórdão n.º 3801003.134 S3TE01 Fl. 11 3 Relatório Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba (DRJ/CTA), referente ao processo administrativo nem que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/CTA, que assim relatou os autos: Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp, devido à inexistência de crédito pleiteado, uma vez que o pagamento de COFINS (Código 6912), estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal –STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Assim, entendeu a DRJ/CTA por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/CPS por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 73DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902250/201211 Acórdão n.º 3801003.134 S3TE01 Fl. 12 4 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parteintegrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do COFINS, se mostra legítimo, comportando a compensação desses créditos com débitos de tributos federais. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852, onde este conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. É o relatório. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902250/201211 Acórdão n.º 3801003.134 S3TE01 Fl. 13 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro Jose Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar Fl. 75DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902250/201211 Acórdão n.º 3801003.134 S3TE01 Fl. 14 6 provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, Fl. 76DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902250/201211 Acórdão n.º 3801003.134 S3TE01 Fl. 15 7 quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). Contudo, em que pese as considerações acima trazidas, necessário igualmente analisar o mérito do recurso, que vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 94 22/02/1994 DJ 28.02.1994 ICMS Base de Cálculo FINSOCIAL A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo deixar de ser incluídos no cálculo do COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902250/201211 Acórdão n.º 3801003.134 S3TE01 Fl. 16 8 Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10280.901973/2009-69
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
O art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor de estimativa, pago a maior ou indevidamente, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando-se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit n° 19, de 2011).
Numero da decisão: 1803-002.040
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Walter Adolfo Maresch Presidente
Neudson Cavalcante Albuquerque - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Sergio Luiz Bezerra Presta e Neudson Cavalcante Albuquerque.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005 ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor de estimativa, pago a maior ou indevidamente, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando-se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit n° 19, de 2011).
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COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor de estimativa, pago a maior ou indevidamente, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit n° 19, de 2011). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Walter Adolfo Maresch – Presidente Neudson Cavalcante Albuquerque Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Sergio Luiz Bezerra Presta e Neudson Cavalcante Albuquerque. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 19 73 /2 00 9- 69 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Relatório COMPANHIA REFINADORA DA AMAZÔNIA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, apresentou à Receita Federal do Brasil declaração de compensação que não foi homologada por aquele órgão, nos termos do despacho decisório de fl. 5: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Ciente dessa decisão em 02/04/2009 (fl. 7), o interessado apresentou, em 29/04/2009, a manifestação de inconformidade de fls. 9/17. Em sua peça de defesa, alega, em síntese: a) o indébito apontado na DCOMP não corresponde a uma antecipação, mas recolhimento indevido ou a maior, efetuado com código incorreto, fato que evidencia a improcedência do enquadramento legal apontado, que utilizou até mesmo dispositivo inexistente na época da compensação; b) ainda que se tratasse de antecipação, a vedação trazida pela Medida Provisória nº 449, de 2008, não pode atingir fatos pretéritos para limitar seu direito à compensação. A DRJ Belém (PA) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por meio do Acórdão nº 0121.915, de 6 de junho de 2011 (fls. 32/39), ementando assim a sua decisão: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável, bem como sua oponibilidade à Receita Federal do Brasil. Cientificado dessa decisão em 19/09/2011, por meio de remessa postal (fl. 61), o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário (fls. 47/58), em 18/10/2011, em que reforça os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade e acrescenta: a) a Instrução Normativa (IN) SRF nº 600, de 2005, que fundamentou a decisão recorrida, limita a compensação de indébitos de estimativa apenas dentro do período em que o indébito foi gerado; Fl. 65DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10280.901973/200969 Acórdão n.º 1803002.040 S1TE03 Fl. 65 3 b) a decisão recorrida inovou a fundamentação legal da não homologação, em relação ao despacho decisória, na tentativa de suprir a insuficiência daquele ato. É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. O contribuinte apresentou DCOMP pela qual extinguiu débito de estimativa de IRPJ do mês de julho de 2005, apontando indébito oriundo de pagamento a maior de estimativa de CSLL referente a março do mesmo ano. Ao apreciar a referida declaração, a Receita Federal do Brasil não homologou a compensação, sobre o fundamento de que a compensação com crédito de estimativa não era permitida pela legislação. A decisão da DRJ Belém (PA), ao apreciar a correspondente manifestação de inconformidade, seguiu o mesmo raciocínio para confirmar a combatida não homologação. Embora a ementa da decisão recorrida faça menção a uma “ausência de comprovação” do crédito pleiteado, a leitura do voto evidencia que o único fundamento utilizado foi o impedimento legal de se realizar compensação com crédito de estimativa. Destarte, em nenhum momento o mérito da compensação foi analisado, ou seja, a liquidez e a certeza do indébito. Todavia, a IN RFB nº 900, de 2008, retirou a referida proibição do ordenamento tributário e é pacífico na jurisprudência administrativa o entendimento de que seus efeitos devem retroagir para alcançar as compensações pendentes de decisão administrativa. Esse entendimento é adotado pela própria Administração Tributária, exteriorizado por meio da Solução de Consulta Interna Cosit n° 19, de 5/12/2011, assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa” Fl. 66DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 Considerando a aplicação retroativa da IN RFB nº 900, de 2008, entendo que a decisão recorrida deve ser reformada, para que seja superada a questão legal preliminar que a fundamentou. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de compensação de indébitos de estimativa por meio de DCOMP, devendo a unidade de origem apreciar a liquidez e a certeza do indébito declarado. Neudson Cavalcante Albuquerque (documento assinado digitalmente) Fl. 67DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 10840.720719/2011-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
Ementa: NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Descabe a arguição de nulidade por cerceamento do direito de defesa quando o Termo de Encerramento Fiscal apresenta descrição detalhada do procedimento com devido respaldo e vinculação ao enquadramento legal mencionado.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.(Súmula CARF nº 2) TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ART. 135, DO CTN. O artigo 135 só encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. Caso não o seja, a responsabilidade tributária será da pessoa jurídica. Isto porque, se o ato do administrador não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, quem está praticando o ato será a sociedade, e não o sócio, devendo a pessoa jurídica responder pelo pagamento do tributo. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006
Ementa: PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA.
O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados.
EXTRATOS BANCÁRIOS. UTILIZAÇÃO NO PROCEDIMENTO FISCAL. CABIMENTO.
A utilização de informações bancárias no procedimento fiscal, com vistas à apuração do crédito tributário relativo a tributos e contribuições, tem respaldo no artigo 1º da Lei nº 10.174, de 9 de janeiro de 2001, que deu nova redação ao § 3º, do artigo 11 da Lei nº 9.611, de 24 de outubro de 1996.
AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. ALTERAÇÃO NA LEGISLAÇÃO. CABIMENTO.
As alterações trazidas pela Lei nº 11.488/2007 ao art. 44, da Lei nº 9.430/96 não impactaram a qualificação da multa de ofício, aplicável as mesmas hipóteses previstas no texto modificado.
Numero da decisão: 1402-001.556
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário da pessoa jurídica e, por maioria de votos, dar provimento ao recurso do coobrigado para excluí-lo do pólo passivo; nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votou por manter a responsabilização do coobrigado.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 Ementa: NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Descabe a arguição de nulidade por cerceamento do direito de defesa quando o Termo de Encerramento Fiscal apresenta descrição detalhada do procedimento com devido respaldo e vinculação ao enquadramento legal mencionado. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.(Súmula CARF nº 2) TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ART. 135, DO CTN. O artigo 135 só encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. Caso não o seja, a responsabilidade tributária será da pessoa jurídica. Isto porque, se o ato do administrador não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, quem está praticando o ato será a sociedade, e não o sócio, devendo a pessoa jurídica responder pelo pagamento do tributo. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 Ementa: PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. EXTRATOS BANCÁRIOS. UTILIZAÇÃO NO PROCEDIMENTO FISCAL. CABIMENTO. A utilização de informações bancárias no procedimento fiscal, com vistas à apuração do crédito tributário relativo a tributos e contribuições, tem respaldo no artigo 1º da Lei nº 10.174, de 9 de janeiro de 2001, que deu nova redação ao § 3º, do artigo 11 da Lei nº 9.611, de 24 de outubro de 1996. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. ALTERAÇÃO NA LEGISLAÇÃO. CABIMENTO. As alterações trazidas pela Lei nº 11.488/2007 ao art. 44, da Lei nº 9.430/96 não impactaram a qualificação da multa de ofício, aplicável as mesmas hipóteses previstas no texto modificado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário da pessoa jurídica e, por maioria de votos, dar provimento ao recurso do coobrigado para excluí-lo do pólo passivo; nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votou por manter a responsabilização do coobrigado.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Descabe a arguição de nulidade por cerceamento do direito de defesa quando o Termo de Encerramento Fiscal apresenta descrição detalhada do procedimento com devido respaldo e vinculação ao enquadramento legal mencionado. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.(Súmula CARF nº 2) TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ART. 135, DO CTN. O artigo 135 só encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. Caso não o seja, a responsabilidade tributária será da pessoa jurídica. Isto porque, se o ato do administrador não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, quem está praticando o ato será a sociedade, e não o sócio, devendo a pessoa jurídica responder pelo pagamento do tributo. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006 Ementa: PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da Fl. 1294DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/02 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. EXTRATOS BANCÁRIOS. UTILIZAÇÃO NO PROCEDIMENTO FISCAL. CABIMENTO. A utilização de informações bancárias no procedimento fiscal, com vistas à apuração do crédito tributário relativo a tributos e contribuições, tem respaldo no artigo 1º da Lei nº 10.174, de 9 de janeiro de 2001, que deu nova redação ao § 3º, do artigo 11 da Lei nº 9.611, de 24 de outubro de 1996. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. ALTERAÇÃO NA LEGISLAÇÃO. CABIMENTO. As alterações trazidas pela Lei nº 11.488/2007 ao art. 44, da Lei nº 9.430/96 não impactaram a qualificação da multa de ofício, aplicável as mesmas hipóteses previstas no texto modificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário da pessoa jurídica e, por maioria de votos, dar provimento ao recurso do coobrigado para excluílo do pólo passivo; nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votou por manter a responsabilização do coobrigado. Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 1295DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/02 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10840.720719/201193 Acórdão n.º 1402001.556 S1C4T2 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente de auto de infração para cobrança dos tributos integrantes do Simples referente ao anocalendário de 2006, no montante de R$ 1.634.893,77, aí incluídos multa da ofício e juros de mora, decorrente parte de omissão de receitas não escrituradas e parte de depósitos bancários de origem não comprovada. Intimada e reintimada a demonstrar a origem dos valores creditados/depositados em contas correntes de sua titularidade o sujeito passivo apresentou documentos que os justificaram em parte. Quanto ao restante, considerou a fiscalização que a diferença entre o valor total dos recebimentos decorrentes de operações de cobrança (R$ 4.686.365,40) e o valor de receita bruta declarado na PJSI 2007 (R$ 886.954,68), ou seja, o montante de R$ 3.799.410,72, constituiria omissão de receitas e assim foi levado à tributação dentro da rubrica "Omissão de Receitas", na infração "Receitas não Escrituradas". Entendeu a fiscalização que as operações de cobranças constituem um expediente utilizado pelas empresas para receber o valor vendido a seus clientes utilizandose o serviço de cobrança da instituição financeira e, portanto, só poderia levar à conclusão de que a empresa auferiu receitas de vendas perfeitamente identificadas a partir de suas operações de cobranças, no montante mencionado. Os demais valores de depósitos/créditos, no montante de R$ 928.984,63, para os quais não foi possível comprovar/identificar a origem a fiscalização, foram levados à tributação com fulcro no § 1º do art. 42 e inciso I do art. 44, ambos da Lei n° 9.430/96, dentro da rubrica "Omissão de Receitas" por presunção legal na infração "Depósitos bancários não escriturados.” Foi aplicada multa de ofício no percentual de 75% para a infração referente a depósitos bancários não comprovados e 150% em relação à omissão de receita não escriturada. Lavrouse Termo de Sujeição Passiva Solidária em nome de José Costa Junior, sócio administrador da fiscalizada e ADEs para exclusão da pessoa jurídica do Simples. Cientificada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade contra a exclusão do Simples, com razões de defesa reiteradas em impugnação, alegando, em síntese: Nulidade do feito pela ilegal quebra do sigilo bancário sem autorização judicial, Ocorreu a decadência para os fatos geradores anteriores a 23/03/2006; O simples lançamento de crédito consignado em extrato bancário seria insuficiente para ensejar a tributação, devendo ser aplicada analogicamente a Súmula 182 do TFR. Os depósitos poderiam ser oriundos de receitas não operacionais ou de receitas já tributadas. Fl. 1296DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/02 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 A multa de 150% seria indevida pois a base legal teria sido revogada pela Lei nº 11.488/2007 Subsidiariamente, requereu a redução da muita para 75%; O coobrigado apresentou impugnação repisando argumentos de mérito da impugnação e acrescentando não ter sido demonstrada a prática de qualquer ato que o enquadrasse no art. 135, do CTN, para justificar a responsabilização. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento prolatou o Acórdão 14036316 (sessão de 18/01/2012) dando provimento parcial à impugnação da pessoa jurídica exclusivamente para acolher a decadência em relação ao mês de janeiro e fevereiro de 2006, para a infração concernente aos depósitos bancários não comprovados. Além disso, rejeitou a manifestação de inconformidade e a impugnação apresentada pelo coobrigado. Devidamente cientificado, o sujeito passivo e o coobrigado recorrem a este Colegiado ratificando, em essência as razões expedidas nas peças impugnatórias. Preliminarmente, o julgamento foi sobrestado sob a égide do § 1º, do art. 62 A, do Anexo II, da Portaria MF 259/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF; tendo em vista envolver matéria sob apreciação do STF sob o regime de Repercussão Geral. Entretanto, considerando que o dispositivo em questão foi revogado pela Portaria MF nº 545, de 18/11/2013, não mais se justifica o sobrestamento. É o Relatório. Fl. 1297DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/02 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10840.720719/201193 Acórdão n.º 1402001.556 S1C4T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO Os recursos voluntários da pessoa jurídica e do coobrigado foram tempestivos e interpostos por agente devidamente habilitado, motivo pelo qual deles conheço. Ainda que a pessoa jurídica tenha apresentado recursos distintos contra a autuação e a exclusão do SIMPLES, esta é decorrente daquela e os argumentos de defesa se repetem, motivo pelo qual este voto analisará a defesa contra o auto de infração. A argüição de nulidade em função do procedimento fiscal estar embasado no que seria a inconstitucional quebra de sigilo bancário não merece prosperar. O fornecimento de informações bancárias pelas instituições financeiras à autoridade fiscalizadora não constitui quebra de sigilo, nos termos do inciso III, do § 3º, do artigo 1º da Lei Complementar nº 105/01, observadas as disposições do artigo 6º dessa mesma norma. Com previsão expressa, não há ilegalidade na obtenção dessas informações: Art. 1o As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (......) § 3o Não constitui violação do dever de sigilo: (.......) III – o fornecimento das informações de que trata o § 2o do art. 11 da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996; (......) (grifo acrescido) Por sua vez, a Lei nº 10.174/01 deu nova redação ao art. 11 da Lei nº 9.311/96 de forma a permitir que as informações bancárias fossem utilizadas na constituição de crédito tributário relativo a outros tributos administrados pela Receita Federal, além da CPMF: Art. 1o O art. 11 da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 11................................................................. ............................................................................" "§ 3o A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei no Fl. 1298DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/02 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores." (NR) (grifo acrescido) A argüição de inconstitucionalidade das normas supra transcritas não pode ser aqui analisada por incompetência dessa Corte. A Súmula CARF nº 2 é cristalina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto ao mérito da autuação, a recorrente sustenta a impossibilidade de tributação com base exclusivamente em extratos bancários. Tal entendimento já foi superado desde o advento da Lei nº 9.430/96, supra mencionada, que estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. No que se refere à multa qualificada, não contesta as razões apresentadas pela Fiscalização para imputação da exasperadora. Suscita apenas que a Lei nº 11.488/2007 deu nova redação ao art. 44, da Lei nº 9.430/96, eliminando a previsão da multa qualificada. Ao transcrever o novo texto, o sujeito passivo simplesmente omitiu a parte do dispositivo que continua estabelecendo a multa de 150% exatamente nas mesmas situações anteriormente previstas: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); Fl. 1299DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/02 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10840.720719/201193 Acórdão n.º 1402001.556 S1C4T2 Fl. 4 7 Na verdade, a alteração no texto legal dirigiuse fundamentalmente à multa isolada, numa tentativa de dirimir a controvérsia quanto à aplicabilidade. Nas demais questões, incluindo a previsão da multa qualificada, houve apenas uma rearrumação dos parágrafos. Do exposto, deve ser mantida a multa nos moldes aplicados, o que implica também em rejeitar a arguição de decadência pois, em casos de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo segue as regras do inciso I, do art. 173, do CTN; nos termos da Súmula CARF nº 72. O termo inicial da contagem do prazo seria 02/01/2007 e o termo final 02/01/2012, posterior à lavratura da autuação (28/03/2011). No que se refere à responsabilização do coobrigado, a autoridade lançadora baseouse fundamentalmente nas declarações do contador da empresa no sentido de que a escrituração foi elaborada com base na documentação fornecida pelo sócio administrador da empresa. Assim, entendeu o Fisco que as omissões deveriam ser a ele imputadas. O artigo 135 só encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. Caso não o seja, a responsabilidade tributária será da pessoa jurídica. Isto porque, se o ato do administrador não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, quem está praticando o ato será a sociedade, e não o sócio, devendo a pessoa jurídica responder pelo pagamento do tributo. Importante destacar que a infração à lei capaz de gerar a responsabilidade do administrador é aquela de natureza societária. Afinal, o que objetiva este artigo é justamente responsabilizar o administrador que age à revelia dos interesses da sociedade, e a forma com a qual ele age de tal modo é descumprindo as normas societárias que prescrevem que a sua atuação deve observar os interesses da empresa, dentro de determinados limites. 1 Sob essa ótica, com todo respeito à autoridade lançadora entendo que não houve a precisa identificação da prática de atos pelo sócio administrador que justificasse a responsabilização nos termos efetuados. Mesmo que, por hipótese, as declarações do contador fossem tomadas como verdadeiras em sua literalidade, não há como afirmar que a entrega parcial de documentos tivesse o escopo de prejudicar ou lesar a empresa. Daí porque a inadimplência tributária decorrente só pode ser imputada à sociedade. Sendo assim, de todo o exposto meu voto é no sentido de negar provimento aos recursos da pessoa jurídica e dar provimento ao recurso do coobrigado para excluílo do polo passivo. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator 1 BARCELOS, Soraya Marina. A responsabilidade dos administradores prevista no art. 135, III do CTN: hipótese de responsabilidade solidária, subsidiária ou exclusiva?. Jus Navigandi, Teresina, ano 16, n. 3089, 16 dez. 2011 . Disponível em: <http://jus.com.br/artigos/20662>. Acesso em: 23 dez. 2013. Fl. 1300DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/02 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 8 Fl. 1301DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/02 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10950.003034/2005-93
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
DESMEMBRAMENTO DE COOPERATIVA. TRIBUTAÇÃO DE RESERVA DE REAVALIAÇÃO.
A contrapartida do aumento do valor de bens do ativo em virtude de reavaliação no desmembramento de cooperativa não será computada para determinar o lucro real enquanto mantida em reserva de reavaliação na sociedade desmembrada ou nas sociedades resultantes do desmembramento.
Numero da decisão: 1103-000.944
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo relativa ao ano-calendário de 2004 o valor de R$ 9.669.794,03 tributado como ganho de capital. Os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e André Mendes de Moura acompanharam o Relator pelas conclusões.
Aloysio José Percínio da Silva Presidente e Relator
(assinatura digital)
Participaram do julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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TRIBUTAÇÃO DE RESERVA DE REAVALIAÇÃO. A contrapartida do aumento do valor de bens do ativo em virtude de reavaliação no desmembramento de cooperativa não será computada para determinar o lucro real enquanto mantida em reserva de reavaliação na sociedade desmembrada ou nas sociedades resultantes do desmembramento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo relativa ao anocalendário de 2004 o valor de R$ 9.669.794,03 tributado como ganho de capital. Os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e André Mendes de Moura acompanharam o Relator pelas conclusões. Aloysio José Percínio da Silva – Presidente e Relator (assinatura digital) Participaram do julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 30 34 /2 00 5- 93 Fl. 1378DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/04/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10950.003034/200593 Acórdão n.º 1103000.944 S1C1T3 Fl. 3 2 Relatório O processo trata de autos de infração de imposto de renda pessoa jurídica (IRPJ) e, como tributação reflexa, de contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) lavrados com multa de ofício de 75% prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/1996 (fls. 129 e 642)1. O contexto do lançamento foi assim descrito no relatório da decisão de primeira instância: "3. O lançamento fiscal decorre das seguintes infrações: 3.1. adição a menor, na apuração do lucro real, do valor correspondente ao resultado negativo apurado com a prática de atos cooperativos, conforme descrito nos itens 1, 2 e 3.1.1 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 09/12), citado na peça básica, com infração ao disposto nos arts. 182, 183, 249 e 250 do RIR de 1999 (aprovado pelo Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999): anocalendário de 2000 ..........R$ 588.386,43 3.2. exclusão a maior, na apuração do lucro real, do valor correspondente ao resultado positivo auferido com a prática de atos cooperativos, conforme descrito nos itens 1, 2 e 3.1.2 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 09/12), citado na peça básica, com infração ao disposto nos arts. 182, 183, 249 e 250 do RIR de 1999: anocalendário de 2001..........R$ 2.381.220,44 anocalendário de 2002..........R$ 718.629,04 anocalendário de 2003..........R$ 1.576.441,21 anocalendário de 2004..........R$ 10.237.463,42 3.3. compensação indevida de prejuízos fiscais na apuração do lucro real, em face de insuficiência de saldos a compensar, conforme descrito no item 3.2 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 09/12), citado na peça básica, com infração ao disposto nos arts. 247, 250, III, 251, parágrafo único, 509 e 510 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999: anocalendário de 2001..........R$ 209.723,48 anocalendário de 2002..........R$ 378.188,76 anocalendário de 2003..........R$ 1.832.166,20 anocalendário de 2004..........R$ 3.655.376,87 1 As folhas dos autos estão indicadas conforme a numeração atribuída pelo sistema "eprocesso". Fl. 1379DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/04/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10950.003034/200593 Acórdão n.º 1103000.944 S1C1T3 Fl. 4 3 4. Consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 09/12) que a contribuinte assumiu, sem a participação efetiva de associados, a produção própria de cana de açúcar e soja ao celebrar 51 contratos de arrendamento de áreas rurais e 69 contratos de parceria, o que extrapolou o conceito de ato cooperativo contido no art. 79 da Lei nº 5.764, de 1971; que, apesar da denominação diferenciada, todos os contratos, sem exceção, apresentam características próprias do arrendamento rural, especialmente quando asseguraram aos proprietários da terra uma retribuição prefixada em quantidade de produtos agrícolas (soja ou cana), independentemente de haver ou não produção, ou seja, sem qualquer risco inerente à exploração da atividade rural; que, na maioria dos casos, o pagamento da remuneração iniciase no ato da assinatura do contrato (ou logo após) e sem qualquer vinculação com a colheita ou com o produto agrícola plantado (plantase cana e a remuneração pelo uso da terra por ser fixada em quantidade de soja). 5. Em conseqüência, após recalcular o percentual de participação de associados e de terceiros no resultado da destilaria (em cuja conta foi registrado o resultado da produção própria de cana de açúcar) nos anoscalendário de 2000 a 2004, a fiscalização apurou a diferença de resultado negativo apurado com a prática de atos cooperativos adicionado a menor no anocalendário de 2000, assim como a dos resultados positivos dos atos cooperativos excluídos a maior nos anoscalendário de 2001 a 2004, conforme planilhas de fls. 91/100. 6. De igual forma, foi integralmente tributado como resultado de operações com terceiros o ganho de capital apurado na alienação de bens do ativo permanente nos anoscalendário de 2000 a 2004, porquanto, sendo tais operações desnecessárias para a consecução dos objetivos sociais da cooperativa, não caberia parcela alguma do rateio para os atos cooperativos (isento de imposto de renda)." Em face de tempestiva impugnação (fls. 140), a exigência foi submetida ao exame da 2ª Turma da DRJ/CuritibaPR, que, nos termos do Acórdão nº 10.621/2006 (fls. 1.056), julgou o lançamento procedente, por unanimidade, assim resumindo a decisão: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: NULIDADE. Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, é incabível falar em nulidade do lançamento quando não houve transgressão alguma ao devido processo legal. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: ATOS NÃOCOOPERADOS. REGIME INSTITUÍDO PARA AS PESSOAS JURÍDICAS EM GERAL. A nãoincidência do imposto de renda aplicase apenas para os atos cooperativos, enquanto para os demais atos praticados que extrapolem aquela delimitação conceitual é Fl. 1380DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/04/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10950.003034/200593 Acórdão n.º 1103000.944 S1C1T3 Fl. 5 4 aplicável o regime instituído para as pessoas jurídicas em geral. GANHO DE CAPITAL. BENS DESMEMBRADOS DO ATIVO PERMANENTE. VALORAÇÃO A PREÇO DE MERCADO. Constitui resultado de atos nãocooperados o ganho de capital apurado na valoração, a preço de mercado, de bens desmembrados do ativo permanente da contribuinte e entregues a excooperados que dela se desligaram para integrarem nova cooperativa. PREJUÍZOS FISCAIS. PARCELA UTILIZADA NO REFIS. COMPENSAÇÃO INDEVIDA NA DIPJ. Tendo a interessada utilizado no âmbito do Refis, no ano calendário de 1999, quase a totalidade do saldo acumulado de prejuízos fiscais a compensar, é inadmissível a nova compensação do mesmo valor com o imposto devido declarado em DIPJ de períodos posteriores. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: DECORRÊNCIA. CSLL. Tratandose de tributação reflexa de irregularidades descritas e analisadas no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplica se o mesmo entendimento à CSLL." Cientificada da decisão por via postal em 08/05/2006 (fls. 1.077), a contribuinte interpôs o recurso no primeiro dia do mês seguinte (fls. 1.106). Os autos foram devolvidos por duas vezes à unidade de origem, nos termos do Despacho 11030312/2009 (fls. 1.317) e da Resolução 110300.056/2012 (fls. 1.328), para especificação dos valores remanescentes em litígio, tendo em vista as sucessivas ocorrências relativas a desmembramentos da exigência e formalização de outros processos, juntada de outros processos, transferência de crédito tributário, anulação de transferência de crédito tributário, inscrição em dívida ativa, cancelamento de inscrição em dívida ativa, desistência parcial de contestação em razão de adesão a parcelamento, exclusão de multa isolada, mudança de sistema informatizado de controle de valores, etc. Com as informações contidas nos relatórios de fls. 1.310 e 1.360, no dossiê nº 10010.003914/031290, no demonstrativo de fls. 1.308 e na petição de desistência parcial da recorrente (fls. 1.321), constatase a permanência da discussão apenas da parcela do crédito tributário relativa ao ganho de capital do anocalendário 2004 no valor de R$ 9.669.794,03. É o relatório. Fl. 1381DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/04/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10950.003034/200593 Acórdão n.º 1103000.944 S1C1T3 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva – Relator. O recurso foi tempestivamente apresentado por parte legítima e reúne os demais pressupostos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. A parte da exigência objeto deste julgamento se encontra descrita no termo de verificação fiscal (TVF) de fls. 14 como exclusão indevida na determinação do lucro real auferido na alienação de bens do ativo permanente cujos valores constituem operações alheias ao objeto social da cooperativa, não sendo ato cooperativo. Citados no enquadramento legal os art. 182, 183, 249 e 250 do RIR/1999. O valor tributado no auto de infração como ganho de capital é originário de reavaliação de bens desmembrados do patrimônio da recorrente e transferidos por decisão judicial para a Cooperativa Agropecuária do Cerrado Ltda (Coacer), formada por associados seus (Cocari), agricultores de Cristalina e Campo Alegre de Goiás, que propuseram o desmembramento e dela se desligaram. Coacer e outros impetraram a Ação Ordinária nº 9701209869 para obter (i) decreto de anulação da deliberação social autorizadora da venda das unidades de Cristalina e Campo Alegre de Goiás e de todos os bens móveis e imóveis no Estado de Goiás bem como, por via de conseqüência, do instrumento particular de compra e venda firmado, e (ii) a determinação para realizar desmembramento segundo o art. 62 da Lei 5.764/71 no prazo de 90 dias. A decisão de 1ª instância foi desfavorável aos impetrantes (fls. 246), sendo reformada pelo Tribunal de Tribunal de Justiça do Estado do Goiás na Apelação Cível nº 603703/188 (fls. 250) para determinar à Cocari que desse andamento ao desmembramento para concluílo em 90 (noventa) dias, sob pena de multa diária de R$ 10.000,00, cumprindo as disposições do artigo 62 da Lei 5.764/1971. Eis a ementa do acórdão (fls. 269): "AÇÃO ORDINÁRIA. NULIDADE DE ASSEMBLÉIA GERAL DE COOPERATIVA. NULIDADE DE CONTRATO PARTICULAR ENTRE COOPERATIVAS. DESMEMBRAMENTO. PRETERIÇÃO DOS PROCEDIMENTOS LEGAIS. Fl. 1382DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/04/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10950.003034/200593 Acórdão n.º 1103000.944 S1C1T3 Fl. 7 6 I Não se pode cogitar de alienação de bens de uma cooperativa a seus próprios cooperados sob a justificativa de se promover o desmembramento desta com a formação pelos compradores de uma nova cooperativa incorporadora dos bens 'adquiridos' da sociedade desmembrada. Se desmembrar é o que se deseja, 'para atender aos interesses dos associados' (cf. art. 60 da Lei n° 5.764/71), insofismavelmente, não é a simples compra e venda o procedimento legalmente previsto, de forma que eventual deliberação nesse sentido é contrária à lei de regência. II Deverá, conforme os arts. 61 e 62 da Lei n° 5.764/71, ser observada a elaboração, pela Comissão de Desmembramento, de um relatório submetido a nova Assembléia especialmente convocada para esse fim, elaborado um plano de desmembramento com previsão de rateio entre as novas cooperativas do ativo e passivo da sociedade desmembrada, atribuindose a cada nova cooperativa parte do capital social da sociedade desmembrada em quota correspondente à participação dos associados que passam a integrála, tudo culminando com as transferências contábeis e patrimoniais necessárias à concretização. III Hipótese em que, além da violação legal, detectase vicio de ordem estatutária, pois não houve subscrição de cotas pelos associados interessados no investimento de aquisição dos complexos e bens descritos, colocando em risco o empreendimento diante da assunção de vultosa obrigação financeira, nem tampouco houve autorização do Conselho de Administração para que as pessoas que assinaram o contrato de compra e venda o fizessem, de acordo com diretriz assemblear. Nesse prisma, o ato praticado sem a manifestação formal da vontade da pessoa jurídica, produzida pelos seus 'representantes' estatutariamente designados, é um ato desprezível no inundo jurídico, sendo, pois, inexistente." A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) não conheceu do Recurso Especial nº 617.530GO (fls. 272) interposto pela Cocari. A turma recorrida (DRJ) assim analisou a questão: "Como esses bens serviam de garantia das dívidas securitizadas junto ao Banco do Brasil S/A, gestor dos créditos transferidos ao Tesouro Nacional, representados por Cédulas Rurais Hipotecárias, cujo valor atualizado até 31/07/2004 era R$ 19.433.761,12, a COACER assumiu a obrigação correspondente às parcelas com vencimento até do ano de 2020, no montante de R$ 14.060.113,56 (72,348906% dessa dívida), enquanto a interessada assumiu o pagamento das parcelas da securitização com vencimento nos anos de 2021 a 2025. O capital social dos associados que se desligaram da fiscalizada correspondia a R$ 810.167,92, cujo pagamento se deu mediante assunção, pela impugnante, da parcela securitizada vincenda em 31/10/2004 que caberia à COACER. (...) Portanto, considerando que o valor do ganho de capital apurado no desmembramento corresponde à reavaliação com tributação diferida dos bens transferidos à COACER, cabe verificar se caberia a tributação ou não desse valor em decorrência do desmembramento realizado em outubro/2004. Fl. 1383DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/04/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10950.003034/200593 Acórdão n.º 1103000.944 S1C1T3 Fl. 8 7 Tendo em vista que, com exceção da parcela de R$ 1.154.974,10 – correspondente à diferença entre o valor contábil dos bens do imobilizado e o constante da nota fiscal de desmembramento –, a fiscalização não demonstrou que a reavaliação tivesse sido efetuada em desacordo com as normas previstas no art. 8º da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976 (determina que a avaliação deverá ser promovida com base em laudo de avaliação fundamentado, elaborado por três peritos ou por empresa especializada, com indicação dos critérios de avaliação e dos elementos de comparação adotados e instruído com os documentos relativos aos bens avaliados), considerase que essa exigência tenha sido atendida. Como o desmembramento tratado nos autos equiparase à cisão de empresas, podese afirmar que a tributação da reavaliação poderia ser diferida enquanto mantida em conta de reserva de reavaliação na sociedade que ficasse com os bens reavaliados, seja ela a cindida ou a resultante da cisão. Logo, se os bens tiverem sido reavaliados numa sociedade e depois transferidos para a empresa resultante da cisão, esta deve tratar a reserva de reavaliação que lhe foi transferida da mesma forma que aquela o faria, conforme previsto no art. 441 do RIR de 1999, isto é, oferecendoa à tributação na hipóteses de realização previstas no art. 435 do RIR de 1999. (...) No caso em litígio verificase que a interessada teve desmembrado bens do seu ativo imobilizado no montante de R$ 14.060.113,56, mas não transferiu para a COACER parcela alguma da reserva de reavaliação correspondente, haja vista as obrigações junto ao Banco do Brasil assumidas pela nova cooperativa corresponderem integralmente ao valor dos bens do ativo transferidos, ou seja, a interessada foi a única beneficiada pela valorização dos bens desmembrados, que foram entregues já reavaliados à COACER em contrapartida das dívidas securitizadas por esta assumidas. Acrescentese que, como a reavaliação estava com sua tributação diferida, enquanto mantida em conta de reserva de reavaliação, e não tendo a interessada mantido vínculo algum com a COACER, não há razão alguma e nem condições para aquela (a contribuinte) acompanhar a realização desses bens por parte desta para computar o valor realizado na determinação do seu lucro real. Por conseguinte, a tributação sobre o ganho de capital apurado na valoração a preço de mercado dos bens desmembrados do ativo permanente da interessada e entregues a exassociados que dela se desligaram para integrar nova cooperativa, deve ser integralmente mantida." Segundo a recorrente, os "falsos" ganhos de capital não representariam aquisição de riqueza nova e, portanto, não estariam sujeitos à tributação. Não seriam "renda ou lucro e sim reservas não tributadas das quais nada restou de resultado". Informou que, a partir de 28 de janeiro de 2000, data da entrada em vigor do art. 4º da Lei 9.959/2000, a tributação da reserva de reavaliação somente ocorre por ocasião da efetiva realização do bem reavaliado. Assegurou: "... como se trata de divisão de patrimônio comum de associados que se desligaram da recorrente formando outra cooperativa, norteados por decisão judicial transitada em julgado e obedecendo a prescrição legal típica das cooperativas, tais atos jamais podem ensejar o aparecimento de lucro. Fl. 1384DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/04/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10950.003034/200593 Acórdão n.º 1103000.944 S1C1T3 Fl. 9 8 Do todo exposto, também em razão de tal fato se caracterizar, to típico das cooperativas, regulado pela lei que lhe é própria, resta demonstrada a ausência de lucros tributáveis, mesmo supondose que em desmembramento de patrimônio pudesse existir lucros. (...) a) os atos praticados pela recorrente com seus associados o foram para a consecução dos seus objetivos sociais e como tal são efetivamente atos cooperativos não podendo ser desclassificados pelo fisco; e, b) o desmembramento ocorrido com a transferência de parte de seu patrimônio correspondente à parte de capital de seus exassociados para a formação do capital da Coacer não está sujeito à tributação por ser ato típico da cooperativa nos termos dos artigos 60 a 62 da Lei 5.764/71 e não gerar qualquer lucro tributável." Como regra geral de tributação das cooperativas pelo IRPJ, fixadas nos art. 182 e 183 do RIR/1999, tais sociedades não sofrem incidência do imposto sobre suas atividades econômicas, de proveito comum, sem objetivo de lucro. Entretanto, pagam o imposto calculado sobre os resultados positivos das operações e atividades estranhas à sua finalidade. A Lei 5.764/1971 definiu a Política Nacional de Cooperativismo, instituiu o regime jurídico das sociedades cooperativas e deu "outras providências". Na definição dada pelos art. 3º e 4º, as cooperativas são sociedades de pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, constituídas para prestar serviços aos associados, sem objetivo de lucro. Segundo disposições dos art. 60 a 62, elas podem se desmembrar em "tantas quantas forem necessárias para atender aos interesses dos seus associados", elaborandose rateio do ativo e passivo da sociedade desmembrada. No rateio, será atribuído "a cada nova cooperativa parte do capital social da sociedade desmembrada em quota correspondente à participação dos associados que passam a integrála." O desmembramento é previsto na lei geral das cooperativas no mesmo capítulo onde também são tratadas fusão e incorporação. Tal evento corresponde à cisão das sociedades anônimas disciplinadas pela Lei Societária (Lei 6.404/1976). Não é o desmembramento evento exclusivo ou típico das sociedades cooperativas, sendo a cisão, sua correspondente, aplicável às sociedades em geral. O art. 79 estabelece o conceito legal de ato cooperativo: "Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Fl. 1385DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/04/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10950.003034/200593 Acórdão n.º 1103000.944 S1C1T3 Fl. 10 9 Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria." Também a reavaliação de bens do ativo permanente não pode ser considerado ato cooperativo típico como definido no art. 79, sujeitandose à legislação própria reguladora dessa operação para fins tributários. Segundo as disposições dos art. 434, 435, 440 e 441 do RIR/1999, a contrapartida do aumento do valor de bens do ativo em virtude de reavaliação na cisão não será computada para determinar o lucro real enquanto mantida em reserva de reavaliação na sociedade cindida ou em uma ou mais das sociedades resultantes da cisão (ou desmembramento no caso das cooperativas), sendo tributada na medida do aumento do valor dos bens reavaliados que tenha sido realizado em cada período de apuração, garantindose às reservas transferidas por ocasião da cisão o mesmo tratamento tributário na sucessora que teriam na sucedida. No mesmo sentido, determina a Lei a 9.959/2000: "Art.4º. A contrapartida da reavaliação de quaisquer bens da pessoa jurídica somente poderá ser computada em conta de resultado ou na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido quando ocorrer a efetiva realização do bem reavaliado." Vêse, no caso concreto, que mesmo não sendo o desemembramento da cooperativa e a reavaliação atos típicos cooperados, a reserva constituída como contrapartida do aumento do valor dos bens do ativo não deve ser submetida à tributação por ocasião do desmembramento ou cisão. Dessa forma, é descabido falarse em ganho de capital tributável em 2004. Conclusão Pelo exposto, dou provimento parcial ao recurso para excluir das bases de cálculo de IRPJ e CSLL relativas ao anocalendário de 2004 o valor de R$ 9.669.794,03 tributado como ganho de capital. Aloysio José Percínio da Silva (assinatura digital) Fl. 1386DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/04/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10950.003034/200593 Acórdão n.º 1103000.944 S1C1T3 Fl. 11 10 Fl. 1387DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/04/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 16004.001068/2010-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2008
OMISSÃO DE RECEITAS. ART. 42 DA LEI N. 9.430/96. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem respectiva. Precedentes.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 1102-001.040
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar o pedido de apensamento de processos e a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
João Otavio Oppermann Thomé - Presidente.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Guidoni Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008 OMISSÃO DE RECEITAS. ART. 42 DA LEI N. 9.430/96. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem respectiva. Precedentes. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar o pedido de apensamento de processos e a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) João Otavio Oppermann Thomé Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 10 68 /2 01 0- 96 Fl. 2389DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16004.001068/201096 Acórdão n.º 1102001.040 S1C1T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela Contribuinte contra acórdão proferido pela Terceira Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto – SP (DRJ/RPO) assim ementado, verbis: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Evidencia omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para a contribuinte, que pode refutála mediante oferecimento de provas hábeis e idôneas. LUCRO ARBITRADO. O arbitramento de ofício do lucro é cabível em havendo a subsunção dos fatos concretos às hipóteses legais dessa forma excepcional de tributação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Descabe falar em nulidade do lançamento que respeitou os requisitos legais para sua constituição e proporcionou amplo direito de defesa. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem ser acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo, em observância à legislação do processo administrativo fiscal. Fl. 2390DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16004.001068/201096 Acórdão n.º 1102001.040 S1C1T2 Fl. 4 3 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “Versa o presente Processo Administrativo Fiscal (PAF) sobre impugnação à exigência de crédito tributário no valor total de R$ 12.771.594,00 – inclusos os consectários legais (juros de mora calculados até “05/2012”; multa de ofício no percentual de 150%) – ante a constatação de omissão de receitas decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada –, e constituído por autos de infração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ; R$ 7.567.085,25; fls. 2.123 2.139), de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL; R$ 2.291.654,67; fls. 2.1462.157), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins; R$ 2.394.126,61; fls. 2.1402.145), Contribuição para o PIS/PASEP (PIS; R$ 518.727,47; fls. 2.1582.165). O quadro abaixo (excerto do Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo; fl. 2.121 do PAF digital) ilustra a síntese da composição do referido crédito tributário, relativo a períodos de apuração compreendidos no ano de 2007: (...) Cabe esclarecer que o presente processo (PAF) foi constituído originalmente em papel, sendo posteriormente convertido em processo digital. Destarte, as numerações (de folhas) citadas por este julgador referemse ao processo digitalizado buscando facilitar a consulta (no sistema eProcesso) dos elementos referidos. A discriminação analítica da exigência consta de cada Auto de Infração (fls. 2.1232.165), bem como em seus elementos integrantes (especialmente no Termo de Constatação e Conclusão Fiscal – TCCF, fls. 2.1672.277) – inclusive a descrição dos fatos e do enquadramento legal, bases de cálculo, regime adotado na apuração do lucro (arbitramento de ofício), períodos de apuração, alíquotas, juros de mora, percentual das multas aplicadas etc. Termo de Constatação e Conclusão Fiscal TCCF: “1) Motivação e abertura da fiscalização 2) Infrações à legislação fiscal 2.1) O contribuinte declarou como tendo tido receita bruta no ano fiscalizado no valor de R$ 8.998,10 (Simples Federal até (30.06.2007) e R$ 9.059,11 (Simples Nacional após 30.06.2007), tendo movimentado a crédito nas contas da PJ mais de 33 milhões de reais, portanto, oferecendo a tributação apenas 0,0006% (seis centésimos) do valor movimentado. 2.1.1) Grupo econômico fraudador (...) Ficará evidenciado ainda que a empresa fiscalizada faz parte de um grupo econômico engendrado pelo irmão de Antonio Felipe Caram Junior, Sr. Paulo Bassinello Caram , CPF n° 714.727.628/00, doravante descrito como Bassinello. As outras empresas foram fiscalizadas anteriormente3, e em nenhuma das auditorias, os fiscalizados ou seus Fl. 2391DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16004.001068/201096 Acórdão n.º 1102001.040 S1C1T2 Fl. 5 4 representantes legais trouxeram aos autos informações a respeito dos efetivos fatos jurídicos originadores das movimentações financeiras nas contas da empresa e do próprio Bassinello 4 (...) Os indícios de irregularidades foram detectados através do Inquérito Policial n° 312/07 do Departamento de Polícia Federal, a partir dos dossiês produzidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), relativos a movimentações financeiras suspeitas, que incluiu as seguintes empresas: Dinâmica Serviços Empresariais S/C Ltda, CNPJ n° 54.010.889/000117, AF Caram Júnior ME CNPJ n° 07.179.357/0001 28, JR Cobranças e Informações Cadastrais Ltda CNPJ n° 08.600.658/000146 e Dilifac Fomento Mercantil Ltda CNPJ n° 07.468.677/000106. (...) 2.1.2) Início da fiscalização (...) Com relação à PJ: JR Cobranças e Informações Cadastrais Ltda CNPJ n° 08.600.658/0001 46 , alvo do presente trabalho , foi intimado o representante legal da PJ para apresentar cópia dos extratos bancários e livros contábeis5, não os apresenta alegando quanto aos extratos, não possuir recursos financeiros, provavelmente para arcar com os custos cobrados pelos bancos. Quanto às escriturações, alega não possuir , porque o Contador declarou que não havia documentos para escriturar, informando que não os recebeu do Representante legal , pois este tem problemas de saúde (Fls 12/13 e 27/30). Após obtermos os extratos remetidos pelos bancos (Decreto 3724/2001), folhas de n° 100/552, houve intimação fiscal (folhas 1074/1114 ) para que a fiscalizada justificasse a origem dos créditos, responde em síntese que: ‘(...) f) Em conclusão, e respondendo especificamente os elementos da intimação, tenho a dizer o seguinte: Quanto à origem dos créditos bancários: os extratos informam em sua grande maioria a origem dos depósitos. Informações complementares poderão, e deverão, ser solicitadas às instituições financeira que aceitaram as minhas contas, autorizaram os depósitos e a transferência e têm como saber com absoluta exatidão a origem e destinos dos créditos e débitos, pois deve conhecer seus clientes, como exige a legislação bancária; Identificação dos depositantes: idem resposta acima; Identificação dos destinatários: idem resposta acima e Cálculos determinando as receitas mensais que obtive: deverá ser apurado por Vossa Senhoria. Com a base na minha informação de 0,12% de rendimento sobre os depósitos ou mediante apuração da diferença entre a entrada e a saída de dinheiro das minhas contas bancárias, considerando a variação do meu patrimônio pessoal (Art.37doRIR)´. Tendo em vista que a fiscalizada nada trouxe de material, apenas alegações sem o carreamento de documentação comprobatória para a Fl. 2392DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16004.001068/201096 Acórdão n.º 1102001.040 S1C1T2 Fl. 6 5 justificação das origens, emitimos nova intimação fiscal , folhas de n°1115/1169: Na resposta, Antonio Caram praticamente repete a informação prestada anteriormente, cfe. Fls. 1170/1172. (...)” (realces no original; g.n.) A autoridade fiscal (que elaborou o TCCF, e concluiu a fiscalização), aduziu, nesse ponto, ser importante destacar a resposta à intimação lavrada “pelo Auditor designado anteriormente (...) folhas de n° 1199/1202”, uma vez que (o representante legal da fiscalizada): “Confessa a atividade exercida pelas empresas bem como a estratégia para fugir da efetiva tributação sobre os valores a crédito das contas. Felippe Caram informa que : ‘Prezados Senhores: Considerando o termo de intimação fiscal n° 0001, bem como, o termo de reintimação fiscal lavrados respectivamente em 07/07/2008 e 18/08/2008, esclarecemos que realmente as empresas A.F. Caram Júnior ME, inscrita no CNPJ sob n° 07.179.357/000128, Dilifac Fomento Mercantil lida, inscrita no CNPJ sob n° 07.468.677/000106 e JR Cobranças e Informações Cadastrais Ltda, inscrita no CNPJ sob n° 08.600.658/0001 46, foram abertas seqüencialmente para regularizar seguindo conselhos de gerentes de bancos e contadores, as reais atividades destas. As atividades das empresas sempre foi apenas a distribuição de valores depositados de forma totalizada em suas contas bancárias, para contas correntes e contas de poupança de brasileiros residentes no exterior, e referemse a valores remetidos por estes. Portanto as receitas das empresas são apenas uma parcela diminuta dos valores depositados em suas contas bancarias. Quanto aos levantamentos dos valores destas receitas, não me encontro em condições de saúde para realizalos, e ainda em dificuldades financeiras, impedindome de contratar um profissional para cuidar dos seus interesses, e atender vossas solicitações.’” (destaques no original) Em seguida, o AuditorFiscal responsável pela autuação manifesta sua conclusão acerca das alegações do representante legal da fiscalizada (à fl. 1.202 do PAF), nos seguintes termos: “ Evidente que tais argumentações não podem prevalecer sobre os mandamentos legais que exigem que todos os lançamentos bancários devem ser escriturados, sob pena de arbitramento. Assim como a presunção legal descrita no art. 42 da Lei 9430/96, de que os créditos tidos nas contas bancárias , cujos beneficiários regularmente notificados não justifiquem a verdadeira origem de tais ingressos, os mesmos serão lançados a título de omissão de receita.” (g.n.) Prosseguese na reprodução de trechos do aludido termo fiscal: “2.1.3) Conseqüências da exclusão do simples (Federal e Nacional) e necessidade reconstituição das escritas contábeis da empresa Fl. 2393DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16004.001068/201096 Acórdão n.º 1102001.040 S1C1T2 Fl. 7 6 Os valores dos créditos bancários não contabilizados totalizam R$ 26.714.988,876 (Vinte e seis milhões ,setecentos e catorze mil, novecentos e oitenta e oito reais, oitenta e sete centavos), sendo que tais omissões de créditos bancários correspondem a 1457 vezes o total da receita bruta declarada durante o ano fiscalizado, que foi de R$ 18.057,21. A Senhora Chefe da Seção de Controle e Acompanhamento Tributário da Receita Federal em São José do Rio Preto, assegurada por Delegação de Competência, excluiu do sistema Simples Federal (Sistema Integrado de Imposto e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte) esta empresa a partir de 01.01.2007 (conforme AD n° 167 de 21/10/2010). Procedeu ainda a exclusão do Simples Nacional a partir de 01/07/2007 (Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte) , conforme AD n° 168 de 21/10/2010. Cópias dos Atos Declaratórios foram encaminhadas a empresa, recebida em 01/11/2010 . Considerando que devidamente intimada a empresa não apresentou escrituração contábil e fiscal da empresa conforme declarado em 10/11/2009, pelo sócio majoritário e representante legal da empresa Sr. Antonio Felippe Caram Junior , que afirma ‘... No que se refere a escrituração contábil e fiscal não restou possível a sua elaboração, ante a inexistência de documentos necessários ...’ (...) Na data de 11/02/2012 chegou às mãos do representante legal da PJ, Intimação Fiscal n. 05 (folhas n. 1191/1198) para efetuar a opção pelo regime de tributação em oposição ao declarado pela empresa (tendo em vista os AD de exclusão do simples (Federal e Nacional), nos seguintes termos: ‘Apresentar a escrituração contábil elaborada de acordo com as Leis Comerciais e Fiscais, referentes aos períodos fiscalizados. Na hipótese de opção por forma que exija escrituração contábil, fica a pessoa jurídica intimada a constituir a contabilidade da empresa, períodos de 01/2007 a 12/2007, (escriturados de acordo com as leis comerciais e fiscais) escriturando todos os fatos contábeis gerados pelas atividades sociais da mesma. Apresentar Livros Diário, Razão e Lalur (impressos em papel, escriturados e registrados de acordo com as leis comerciais e fiscais) além de outros exigidos pela legislação, balanços patrimoniais , demonstrações financeiras, demonstrações de resultado do exercício, de acordo com os art. 251 a 272 do RIR/99 Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000/99, ano calendário de 2007, gerados após a constituição da contabilidade aludida no item acima. (...) No caso de opção pela forma do lucro presumido, deverá obedecer as exigências do art. 527 do decreto 3.000/99 (...) Advertimos ainda os representantes legais que o não atendimento à presente intimação , no prazo marcado, especialmente quanto aos itens 3 Fl. 2394DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16004.001068/201096 Acórdão n.º 1102001.040 S1C1T2 Fl. 8 7 a 4 e seus subitens acima, provocará deste órgão a constituição do crédito tributário, em relação à apuração dos tributos e contribuições devidos , na forma de arbitramento dos lucros, de acordo com os Arts. 529 a 540, subtítulo V do RIR99 Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000/99. Mais uma vez a empresa não se manifesta, nada traz aos autos, a fim de atender aos comandos legais. Conseqüentemente , não há outro modo de constituir o crédito, a não ser pela via do lucro arbitrado de oficio, em vista das omissões constatados, com base nos artigos descritos no parágrafo anterior. (...) Necessário destacar que o percentual aplicável as receitas obtidas foi de 38,4%8, em virtude do objeto social da empresa descrito da cláusula 35 do Contrato social, anexo às folhas de n° 1749, descrita abaixo, bem como das atividades constatadas durante a circularização dos remetentes de destinatários dos recursos. (...)” (negrito e realce no original; g.n.). Após a discriminação de lançamentos bancários individualizados nas tabelas constantes do item 2.1.4 (Levantamento do valor omitido – Movimentação bancária não contabilizada; e nas tabelas inclusas em seus subitens (2.1.4.1.1 Cheques depositados devolvidos; 2.1.4.1.2Estornos; 2.1.4.1.3Transferências de valores entre contas do mesmo correntista...), a autoridade fiscal compendiou os efetivos créditos – considerados como receitas omitidas, com fundamento no artigo 42 da Lei nº 9.430/1996 – na coluna ‘E’ da tabela do subitem 2.1.4.2Base de cálculo ‘líquida’, cujo excerto é reproduzido a seguir: “No item corrente, trouxemos os valores totais mensais lançados à crédito nas contas, os quais foram objeto de intimação, folhas de n° 1074/1114, 1115/1169, e demonstradas no item 2.1.4, num total de três contas , deduziremos da base de cálculo para a apuração do imposto: "B") Cheques depositados devolvidos; "C") Estornos... "D") Ted "D" e transferências (mesmo correntista) Conseqüentemente os valores descritos da 6a coluna ‘E’ abaixo, são os valores creditados nas contas correntes da Pessoa Jurídica, que correspondem efetivamente a ingressos de valores, aos quais não foram contabilizados, ficando à margem da escrita e consequentemente omitidos. Assim sendo, os valores creditados (efetivos créditos) nas referidas contas bancárias, mencionados na coluna "E" "Total de créditos em instituições financeiras não justificados", são considerados como receitas omitidas, com fundamento no artigo 42 da Lei n° 9.430/1996. (comentário do relator: tabela descrevendo valores lançados, num total de R$ 26.714.988,87) A Comprovação material da prática de omissão de receitas de forma reiterada e freqüente, é a obtida na verificação dos lançamentos à crédito, provenientes das cobranças bancárias. São milhares de lançamentos, creditados nas contas do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banco ABNReal, conforme relação no item 2.1.4 acima. Ressaltese que Fl. 2395DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16004.001068/201096 Acórdão n.º 1102001.040 S1C1T2 Fl. 9 8 os valores creditados pelas cobranças bancárias montam a importância de R$ 26.714.988,87, e representam mais de 1479 vezes do valor das receitas oferecidas à tributação. Tal omissão é corroborada pelas informações individualizadas das respostas à nossa circularização , às folhas de n. 1201/1688.” (realces no original; g.n.) O citado termo fiscal (TCCF) também contém a descrição de diligências efetuadas (pelo AFRFB responsável pelo lançamento de ofício – Jacinto Donizete Longhini), no título 3, denominado “Diligências efetuadas aos destinatários e remetentes de recursos nas contas fiscalizadas (Documentos às folhas de nº 1203/1688)”. Os motivos pelos quais o Auditor Fiscal considerou o Sr. Paulo Bassinelo Caram (CPF 714.727.62800) “sócio oculto” da impugnante, e responsável tributário (art. 124, I, e art. 135, III, do CTN; Termo de Sujeição Passiva Solidária às fls. 22802281) pelo crédito tributário versado neste processo, estão descritos em várias partes do TCCF, entre as quais nos itens 3.1, 3.2 e título 4. A seguir, excerto do item 3.1: Ainda no item 3.1, consta quadro que, segundo a autoridade autuante, corrobora as atividades exercidas pelo “grupo fraudador”: Fl. 2396DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16004.001068/201096 Acórdão n.º 1102001.040 S1C1T2 Fl. 10 9 (...)” Por sua vez, a sujeição passiva solidária em relação ao sóciogerente (Sr. Antônio Felippe Caram Júnior CPF 610.238.84887), fundamentada no art. 135, inciso III, do CTN (Termo de Sujeição Passiva Solidária às fls. 22782279), é tratada mais especificamente no item 3.2 (Responsabilidade dos gerentes pelos atos praticados por infração de lei e responsabilidade solidária)”. Abaixo, trecho: (...) As razões para a qualificação das multas de ofício constam do título 4 do TCCF: Fl. 2397DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16004.001068/201096 Acórdão n.º 1102001.040 S1C1T2 Fl. 11 10 (...) Por fim, constou, no título 5 do referido Termo de Constatação e Conclusão Fiscal, que foi efetuada Representação Fiscal para Fins Penais “em face do representante legal da empresa Antonio Felippe Caram Júnior e do sócio oculto Paulo Bassinello Caram ...”. Os A.R. (Avisos de Recebimento) relativos às correspondências por meio das quais deuse ciência (em 22/05/2012) à contribuinte e ao sujeito passivo solidário Antônio Felippe Caram Júnior, da exigência e da responsabilidade tributária, e foram encaminhados os elementos pertinentes (“Auto Infração e anexos, T.Suj.Pas.Solid.de Paulo B.Caram e Antonio F.Caram” etc.) encontramse às folhas nº 2.282 (JR Cobranças), nº 2.283 (Sr. Antônio Felippe). Por sua vez, a ciência do sujeito passivo solidário Paulo Bassinello Caram ocorreu (em 12/06/2012) mediante o edital acostado à fl. 2.287 do PAF – considerando a não localização do contribuinte1 (pelos Correios; fls. 2.2912.292) no domicílio declarado à Secretaria da Receita Federal do Brasil. Impugnação (da contribuinte JR Cobranças e Inf. Cadastrais Ltda.): Cientificada da exigência (como acima anotado), a contribuinte/fiscalizada apresentou (em 19/06/2012) impugnação (de fls. 2.294 a 2.307; subscrita por procurador com poderes outorgados pelo instrumento de mandato à fl. 2.308, assim como subscrita pelo representante legal – Sr. Antônio Felippe Caram Júnior), manifestando sua inconformidade contra a autuação, mediante as alegações sumariadas a seguir: · Inicialmente, porém, requereu o “apensamento deste processo aos demais processos em andamento onde foram autuadas, pelas mesmas atividades, ou sejam, depósitos bancários em contas correntes, ‘as empresas A.F.CARAM JUNIOR – ME (PROC Nº 16004.000115/201084); DILIFAC FOMENTO MERCANTIL LTDA. (PROC Nº 16004.000115/201084) e a pessoa física ANTONIO FELIPPE CARAM JUNIOR, CPF ... (MPF º 08.1.07.002009013400)” (negrito no original); · Apontou três motivos importantes para o apensamento requerido: “(a) trata se do mesmo negócio iniciado pelo Sr. Antonio Felippe Caram Júnior, seqüencialmente praticados por cada uma das suas empresas durante determinados períodos; (b) os três procedimentos fiscais acima mencionados foram conduzidos pelo auditor fiscal Sr. Cícero de Oliveira Júnior, autor de Fl. 2398DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16004.001068/201096 Acórdão n.º 1102001.040 S1C1T2 Fl. 12 11 diversos documentos utilizados neste e nos demais processos; (c) o dedicado trabalho do auditor fiscal Sr. Jacinto Donizete Longhini definitivamente comprovou que os recursos que transitaram pelas contas bancárias da reqte, demais empresas e nas contas de Antonio Felippe Caram Júnior realmente não lhes pertenciam, não havendo a possibilidade da Receita Federal arbitrar o lucro das atividades de qualquer destas pessoas com base na presunção legal de que os depósitos bancários constituíam recurso que lhes pertenciam e, portanto, estariam a autorizar a base de cálculo para os lançamentos de ofício.” (negrito no original); · (“I – PROVAS INCONTESTÁVEIS DE QUE OS RECURSOS BANCÁRIOS NÃO PERTENCIAM À REQTE E NÃO CONSTITUÍRAM RENDA OU RECEITA”) 1) “A reqte desde o princípio, através do Sr. Antonio Felippe, afirmou que os recursos depositados nas contas bancárias das fiscalizadas não lhes pertenciam, nem constituíam renda ou receitas, e que as movimentações financeiras se justificavam em razão das suas atividades de cobranças e pagamentos, demonstradas nos próprios extratos bancários que contêm todos os elementos necessários para orientar a fiscalização, inclusive os nomes e números das contas dos depositantes e destinatários” (negrito no original); 2) O Sr. Antonio também, desde o princípio, informou ao auditor Sr. Cícero que, em razão de sua enfermidade, as empresas se recusavam a empregálo, quando, então, soube, por um gerente de banco da cidade, que “várias instituições financeiras (Bancos comerciais e Corretora de Valores) terceirizavam serviços de cobrança e pagamentos e que esta era uma atividade ao qual poderia se dedicar, uma vez que o trabalho se restringia a receber e efetuar pagamentos aos clientes das referidas instituições. Com a ajuda deste gerente (...) o reqte iniciou as operações de recebimentos e pagamentos, primeiro com uma conta bancária em seu próprio nome e, depois, por exigência das próprias instituições financeiras, em nome das pessoas jurídicas que constituiu. Por estes serviços o reqte recebia uma remuneração mensal corresponde a 0,12% ( doze centésimos por cento ) do valor dos depósitos que faziam em suas contas, sendo isto também informado ao Sr. auditor fiscal ” (grifo no original); 3) Ocorre que nos três procedimentos acima mencionados, os autos de infração foram elaborados com base no lucro arbitrado, que levou em consideração os depósitos feitos nas contas bancarias (...), mesmo encontrandose os extratos bancários em poder do auditor Sr. Cícero, onde constavam a imensa maioria dos nomes e números das contas dos depositantes e destinatários dos recursos; 4) O “auditor fiscal Sr. Jacinto (...) deixou claro que os ‘Auto de Infração’ anteriores não têm qualquer valor e deverão ser anulados, uma vez que pode confirmar a afirmação do Sr. Antonio (...) de que os recursos que transitaram por todas as contas bancárias não lhes pertenciam e, portanto, não poderiam ser utilizados como base de cálculo para fins de arbitramento de lucro. As dezenas de diligências que promoveu trouxeram a verdade dos fatos quanto à origem e propriedade dos depósitos que passaram pelas contas bancárias (negrito no original); 5) No entanto, no lançamento, paradoxalmente, o auditor Sr. Jacinto, também arbitrou o lucro com base nos depósitos, partindo da presunção de que os mesmos constituíram receitas das empresas. Este comportamento somente se justifica se considerarmos que assim foi feito, exclusivamente, PARA FACILITAR O Fl. 2399DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16004.001068/201096 Acórdão n.º 1102001.040 S1C1T2 Fl. 13 12 TRABALHO DA RECEITA FEDERAL. A conclusão da fiscalização contém claras contradições e não correspondem com a realidade apurada pelo próprio auditor fiscal, conforme passa a demonstrar; · “PRELIMINARMENTE, pedese a nulidade do ‘Auto de Infração’ contra a reqte, inclusive dos demais procedimentos (...) contra a pessoa física e outras duas pessoas jurídicas, tudo em razão das contradições e incompatibilidades dos critérios e presunções aqui aplicados, conforme se verifica da justificação constante do ‘ Termo de Constatação e Conclusão Fiscal’, que arbitrou o lucro com base nos depósitos. 6 Com efeito, constam do mencionado Termo: Antonio Felippe Caram Júnior e sua esposa ‘não possuem capacidade econômica tampouco empresarial, conforme ficará demonstrado no decorrer do relatório’ ‘As contas bancárias das quatro pessoas jurídicas acima mencionadas, bem como a conta da pessoa física de Bassinello foram utilizadas para receber e remeter recursos à margem das escriturações.’ (destaquei) ‘Inicialmente descreveremos as informações trazidas aos autos pelos destinatários de recurso, isto é, lançamentos a débito nas contas da JR e crédito em conta correntes de pessoas no Brasil, (destaquei) Conforme se comprova nos autos às folhas 1318/1347, Arlindo Torres comprova que os pagamentos a seu favor vieram dos EUA, remetidos por "EasyCashEasy", no montante de US$267,100.00, os quais foram depositados na conta de Arlindo Torres, via TED, Caixa Estadual, tendo como débito a conta de JR, Banco do Brasil. Da mesma forma que no parágrafo anterior, Gaspar Fontinelli Dantas Júnior declara, Fls. 1301/1307, que quando viveu em Kissimmee, na Flórida, também utilizou a empresa EasyCashEasy" para remeter U$35,426.00. Os Recursos entraram em sua conta no Banco do Brasil, via transferência online. Vanilda Rodrigues, às folhas de n. 1353/1365, informa que recebeu em sua conta corrente U$26,403.00 remetidos por seu filho Gyrlei Rodrigues de Freitas e de Keila Rosa Bazoni, trazendo também os recibos de "EasyCashEasy".’ ‘Aldair Fongher trouxe informações preciosas a respeito do esquema de envio de recurso dos EUA, abaixo segue a sua resposta literal (1293/1300): Curitiba, 02 de agosto de 2001 (sic; 2011) Caro Senhor Jacinto, Venho por essa carta esclarecer o destino do dinheiro no qual, fui notificado. Neste ano, 2007, morava e trabalhava nos ESTADOS UNIDOS, então sempre que podia passava dinheiro para o Brasil, através de pessoas, também brasileiros, que tinham um pequeno escritório. Na época pensava eu que esse dinheiro vinha realmente para a minha conta no Brasil, mas depois que vim embora e conversando com algumas pessoas descobri que esse dinheiro na verdade nunca saiu do EUA. Assim Fl. 2400DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16004.001068/201096 Acórdão n.º 1102001.040 S1C1T2 Fl. 14 13 descobri que na verdade esse dinheiro era usado por doleiros, afim de ser lavados. Alguém (brasileiro) tinha conta lá nos EUA, ficava com o dinheiro(em dollares) la, e depositava o valor em Real aqui na minha conta. Agora, não sei como esse dinheiro veio parar na conta dessa empresa dai. Os comprovantes que esse dinheiro foi depositado lá, eu não tenho, mas aqui segue alguns documentos que podem comprovar que eu estava lá. Qualquer coisa entre em contato com o meu contador ou comigo mesmo. ALDAIR (41)32480484 ou (41)98506666 ou por email ( )ATT. ALDAIR FONGHER Complementou com a mensagem abaixo: Bom dia, eu enviei um email para saber que mais detalhes você precisava e se podia ser respondido por email ou não mas vou enviar mais alguns detalhes por aqui, se você quiser por carta me avise que eu envio. Bom o que eu tenho eh que o nome do Senhor que passava o dinheiro para o Brasil era ADELSO, ele é baixo, moreno, meio calvo, tinha um pequeno escritório em Orlando, se não me engano o nome da rua eh International Drive, perto de uns comércios brasileiros. Como já tinha dito, ele dizia que passava o dinheiro para a nossa conta aqui no Brasil, mas só depois que retornamos de lá ficamos sabendo que na verdade esse dinheiro nunca saiu do EUA, ele trabalhava como agiota, ou seja, nosso dinheiro ficava lá, e alguém ou alguma empresa aqui no Brasil fazia esse deposito. Então se precisar de mais alguma coisa, por favor me avise....’ ‘Matheus Comércio de Materiais esportivos, representada por Nivaldo Edson Vieira, declara às fls de n° 230/243, que efetuou venda de um imóvel seu ao Sr. Francisco de Fátima Rebouças, este por sua vez, na época, vendeu um imóvel a Antonio Carlos Dias. Francisco autorizou Antonio Carlos Dias a efetuar como parte do pagamento, depósito diretamente na conta de Pessoa Jurídica. Os R$18.300,00 foram remetidos pela empresa "Money Express Financial Corporation."’ ‘Listamos acima algumas declarações acima, entretanto ao verificar a relação de intimações e respostas dos intimados verificamos muitas outras informando que brasileiros entregavam recursos para pessoas, certamente a trabalho de Bassinello, a fim de que seus parentes no Brasil recebessem tais recurso, conforme resposta às folhas n° 1306, 1307, 1326/1333, 1363, 1495, 1524, 1556/1578, 1630, 1668/1670 etc...’ ‘Verificase também indícios de remessas de recursos para o exterior, pois ao verificar a relação de empresas que depositaram recurso nas contas da JR, várias delas tem como objeto social a importação de produtos, conforme se verifica nas linhas 131, 91a 93, 169’ (...)” (conclusão do título 6) da impugnação, ainda no âmbito de preliminares) “ENFIM, OS VERDADEIROS DEVEDORES TRIBUTÁRIOS, SÓ FALTARAM PEDIR AO SR. AUDITOR: ‘POR FAVOR, NÃO ME AUTUEM PELO NÃO PAGAMENTO DOS IMPOSTOS DE RENDAS QUE SONEGAMOS!’”; “7 – Agora transcreveremos algumas conclusões que o outro auditor fiscal Sr. Cícero, responsável pelos três primeiros procedimentos fiscais já mencionados, também chegou: Fl. 2401DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16004.001068/201096 Acórdão n.º 1102001.040 S1C1T2 Fl. 15 14 a) o ‘funcionamento das empresas devese apenas e exclusivamente às atividades exercidas pelo Sr. Antonio Felippe Caram Júnior, de distribuição de valores remetidos por pessoas física residentes no exterior’; b) ‘os depósitos efetuados de forma concentrada, ou seja, em valores elevados, destinavamse a posterior distribuição mediante diversos depósitos e transferências para contas correntes e de poupança de terceiros residentes no exterior’; c) ‘a ausência de sinais exteriores de riqueza, ao contrário, verificamos uma situação econômica modesta do Sr. Antonio Felippe Caram Júnior, sugere a verdade das suas alegações’; d) ‘no limite das diligências efetuadas, concluímos que mesmo funcionando em endereços residenciais as empresas embora não existam de fato, há de se reconhecer a existência de direito, visto que seu funcionamento devese apenas e exclusivamente às atividades exercidas pelo Sr. Antonio Felippe Caram Júnior, de distribuição de valores remetidos por pessoas físicas residentes no exterior’(destaquei)” ; “8 – É o quanto basta para que as autuações contra a reqte, demais empresas e pessoa físicas no início mencionadas, sejam anuladas e os verdadeiros devedores sejam cobrados.” (negrito no original); “8.1 “Ora, sem embargo de haver muitas informação incorretas, pois a reqte nunca teve qualquer relacionamento com ‘residentes no exterior’, nunca recebeu qualquer valor proveniente de quaisquer pessoas não residentes no Brasil e nunca fez qualquer pagamento por ordem de clientes estrangeiros, essa afirmação desde logo, se verdadeira fosse, o que se admite só para argumentar, já levaria à conclusão de nulidade dos Autos de Infração, pois, se a reqte simplesmente ‘recebia depósitos de forma concentrada’ para ‘posterior distribuição mediante diversos depósitos e transferências para contas correntes e de poupança de terceiros residentes no exteior’ ( afirmação do auditor Sr. Cícero em outros relatórios) os valores que passaram por suas contas bancárias não lhe pertenciam e não poderiam ser caracterizados como ‘renda’, para efeito de tributação, como aliás FICOU PROVADO PELO AUDITOR FISCAL SR. JACINTO.”; (nos itens seguintes, 8.2 a 8.16, apresentou considerações, compendiadas (todas as considerações) no item 8.17, a seguir reproduzido; “8.17 Feitas essas considerações, todas no sentido de que se conseguiu provar, graças ao trabalho do auditor Sr. Jacinto, que os recursos movimentados pertenciam a terceiros e não à reqte, restando comprovado que esses valores não foram apropriados e nem integrados ao patrimônio da empresa ou de seu sócio, mas foram transferidos a terceiros, a conclusão final no sentido de classificar a totalidade dos depósitos como receita omitida é contraditória, não se harmoniza com as premissas expostas no próprio Termo do Sr. Jacinto, e invalida a autuação, o que se pede seja desde logo reconhecido, anulandose o Auto de Infração.” (g.n.); · “II – QUANTO AO MÉRITO” “9 Inicialmente a reqte. reitera a preliminar, em todos os seus termos, quanto ao fato de que a própria fiscalização, levada a efeito pelo auditor fiscal Sr. Fl. 2402DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16004.001068/201096 Acórdão n.º 1102001.040 S1C1T2 Fl. 16 15 Jacinto, comprovou e reconheceu expressamente que os valores que passaram pelas contas bancárias da reqte, demais empresas e pessoa física do Sr. Antonio Felippe Caram Júnior não lhes pertenciam e foram repassados aos seus legítimos titulares. 10 Como questão de mérito, para que não fique qualquer dúvida de que a apuração do crédito tributário imputado à reqte; e da mesma forma nos demais procedimentos de fiscalização, deuse exclusivamente em razão da movimentação financeira nas contas bancárias e não por ausência de escrituração, vamos analisar a questão considerando o caso concreto aqui discutido, a doutrina e uma lei muito apropriada à situação. 11 Qualquer pessoa com razoável conhecimento de contabilidade que tome conhecimento das questões aqui tratadas; diante das particularidades do caso e da especificidade das atividades de cobrança e pagamentos exercidas pela reqte, sabe que os únicos lançamentos que poderiam ter sido escriturados seriam os créditos e débitos constantes dos extratos bancários e a receita de 0,12% sobre o total dos depósitos efetuado. 12 Como dos extratos já constam os valores e a maioria da origem dos depósitos e destinatários dos recursos, estamos falando de um ato de repetição de um documento já completo, que já existe, não sendo demais esclarecer que a contabilidade das empresas só não foram feitas após o início da fiscalização, em razão da frágil saúde do Sr. Antonio Felippe Caram Júnior e da impossibilidade de se obter os extratos bancários por conta própria, devido ao volume e os custos implicados. Por estas e outras razões a inexistência de contabilização de fatos que já constam dos extratos bancários, não autorizam ou justificam o arbitramento do lucro das empresas e das pessoa física, embora seja notável o esforço do auditor Sr. Jacinto em sustentar que a presunção de rendimentos e o arbitramento do lucro se deram em razão da falta de colaboração da reqte — o que não é verdade — e ausência de escrituração, MESMO DIANTE DA VERDADE, QUE O PRÓPRIO AUDITOR APUROU, QUANTO A ORIGEM E DESTINO DOS DEPÓSITOS. 13 – (doutrina no sentido de que) o arbitramento “não pode ser realizado unicamente com o objetivo de facilitar a apuração do crédito tributário.”. Deve se buscar um equilíbrio que “simultaneamente não torne impraticável o arbitramento do lucro e garanta o constribuinte contra arbitrariedades: e esta avaliação dependerá das características apresentadas pelo caso concreto."; negrito no original); 14 No caso, o ponto de equilíbrio foi encontrado pelo próprio auditor que demonstrou a efetiva possibilidade da Receita cobrar e receber (o que é mais importante) os verdadeiros devedores tributários, através de simples diligências com base em informações que poderão ser extraídas dos extratos bancários. 15 A doutrina de outros bons juristas esclarece bem esta questão da ausência de escrituração como justificativa de uso da presunção de renda e arbitramento de lucro, e os comentários são sempre favoravelmente ao contribuinte, e não poderiam ser diferentes. Fl. 2403DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16004.001068/201096 Acórdão n.º 1102001.040 S1C1T2 Fl. 17 16 15 (sic) Esta problematização fica mais simples diante do art. 58 da Lei 10.637 de 30 de dezembro de 2002, que acrescentou ao Art 42 da Lei 9.430/96 o § 5o, "verbis": "Art. 42... §5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. 16 E é evidente que tal regra, mais do que em qualquer outro caso, aplicase às contas bancárias mantidas por quem exerce as atividades de cobrança e pagamento, pois estes são meros depositários dos valores pertencentes a interpostas pessoas, ou seja os depositantes e destinatários dos recursos. 17 É certo que alguma autuações justificam o lançamento sob a afirmação de que não se trata simplesmente de autuação com base em depósitos bancários, e sim com base na falta de comprovação da origem dos valores depositados. Entretanto, não é essa a hipótese dos autos, pois neste caso, a própria fiscalização se incumbiu de comprovar a origem e o destino dos valores que transitaram pelas contas bancárias da reqte. 18 Com efeito, no atendimento das notificações que foram enviadas, a reqte demonstrou que cada um dos lançamentos constantes das contas bancárias, está devidamente justificado. Está comprovada a origem do dinheiro (pertencente a terceiros, pessoas físicas ou jurídicas, como constou do Termo), e o destino, que é o pagamento através de depósitos bancários, ou transferências. Cada um dos depósitos está documentado através de TED's e as transferência para as contas de terceiros, em sua grande maioria, mais de 80%, foram feitas eletronicamente, através de TED's ou Doe. 19 Os "documentos" que a fiscalização exigiu e que o reqte não conseguiu fornecer, na verdade são detalhes que o sócio não pôde apresentar em razão do seu estado de saúde. Entretanto, realmente a reqte não teria forma de comprovar como os clientes que forneceram o dinheiro obtiveram esse dinheiro. Trata se de investigação que só a própria Receita pode fazer, e certamente deverá ocorrer. 20 Não se pode afirmar, portanto, que a requerente "não comprovou" o fato que a própria Receita conseguiu provar, qual seja, tratarse de pagamentos efetuados a terceiros, por ordem de seus clientes, ou seja, uma operação típica de sociedades que exercem a atividade de cobrança. 21 Resumindo alguns pontos importantes: a) está comprovado e reconhecido que o valor da movimentação bancária não integrou o patrimônio da reqte nem de seu sócio. b) não há a necessária correlação entre a existência da movimentação bancária com o "enriquecimento" da reqte. Não há acréscimo patrimonial injustificado. Não houve integração desse valor ao patrimônio da empresa ou de seu sócio. Consequentemente, por reconhecimento da própria Receita, não houve "renda" no sentido caracterizador do fato gerador para a incidência do imposto. Fl. 2404DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16004.001068/201096 Acórdão n.º 1102001.040 S1C1T2 Fl. 18 17 c) a afirmação no sentido de que a empresa "não comprovou" a origem ou o destino da movimentação bancária não corresponde com o relato da própria fiscalização, a qual reconhece que esses valores pertenciam a terceiro e somente transitaram pelas contas bancárias não integrando seu patrimônio e portanto não constituem renda no sentido tributário da expressão. d) finalmente, a comprovação da origem e destino dos valores foi efetivamente feita pelo auditor Sr. Jacinto, que identificou através dos extratos VÁRIOS SONEGADORES TRIBUTÁRIOS fornecedores e recebedores dos numerários. Quanto aos clientes que forneceram o dinheiro, cabe à fiscalização obter, diretamente deles, a explicação e a comprovação da origem, pois os autuados não têm condições nem obrigação de fazer essa verificação JUNTO AS INSITITUIÇÕES FINANCEIRAS SUAS CLIENTES e muito menos fiscalizar o exercício de suas atividades. Quanto aos destinatários, todos estão identificados nas transferências bancárias arquivadas nos banco de dados dos sistemas das instituições financeiras. Maiores detalhes, as instituições bancárias poderão fornecer, pois a contribuinte não têm como quebrar os sigilos destas instituições "blindadas"pelo próprio sistema, para explicar o motivo de terem eles intermediados esses negócios. 22. Uma última consideração: as demais considerações e acusações feitas pelo Sr.Jacinto a respeito da existência de um "grupo fraudador" mencionando nomes de pessoas e empresa de quem, de fato, ele nada sabe, é no mínimo um ato de irresponsabilidade e que partiu da sua imaginação delirante. Podemos antecipar que estas pessoas são devidamente autorizadas pelas autoridades federais financeiras dos Estados Unidos a fazerem o trabalho que fazem, mantendo, inclusive, estreita correspondência legal com instituições financeiras no Brasil, segundo normas do Banco Central. Se aqui neste país as coisas não funcionam e a corda estoura sempre do lado mais fraco, isto é um outro problema. 23 Nesses termos e concluindo, entende a reqte que a autuação é absolutamente improcedente, pois não houve auferição de "receita" cujo recebimento tenha sido omitido. Conforme explicado, a reqte atuou no exercício de sua atividade que é perfeitamente lícita, de efetuar recebimentos e cobranças, sem que isso caracterize a prática de qualquer atividade ilícita, e muito menos o exercício próprio de entidades integrantes do sistema financeiro ou operação cambial. EM VISTA DE TODO O EXPOSTO, pede a reqte o cancelamento do Auto de Infração, como medida de justiça” (destaques no original)” O acórdão recorrido rejeitou a impugnação apresentada pela Contribuinte pelos fundamentos sintetizados na ementa acima transcrita. Os responsáveis tributários não se insurgiram contra os lançamentos. Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte reproduz suas alegações de impugnação, especialmente, (a) quanto à necessidade de apensamento desses autos a outros processos administrativos de interesse de empresas citadas no Termo de Verificação Fiscal; (b) quanto à nulidade dos lançamentos, ante as “inconsistências e “divergências” verificadas no próprio Termo de Verificação Fiscal quanto à origem dos recursos tributados; e (c) quanto à improcedência dos autos de infração, a teor do art. 42, § 5o da Lei n. 9.430/96, em decorrência de “provas incontestáveis”, colhidas pela própria Fiscalização, de que os recursos bancários submetidos à tributação não pertenciam à Contribuinte e não constituíram a ela renda ou Fl. 2405DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16004.001068/201096 Acórdão n.º 1102001.040 S1C1T2 Fl. 19 18 receita. Segundo a Contribuinte, suas receitas restringiamse a 0,12% do montante movimento em suas contas correntes pela intermediação em procedimentos de cobrança de clientes de instituições financeiras. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho O recurso voluntário é tempestivo e interposto por parte legítima, pelo que dele se toma conhecimento. Conforme salientado em sede de Relatório, a Contribuinte formula pedido de que esses autos sejam apensados aos autos de “processos em andamento onde foram autuadas, pelas mesmas atividades, ou sejam, depósitos bancários em contas correntes, as empresas ªF. Caram Júnior – ME (Proc. N. 16004.000115/201084). Dilifac Fomento Mercantil Ltda. (Proc. N. 16327.000227/200878) e a pessoa física Antonio Felippe Caram Júnior, CPF n. 610.238.84887 (MPF n. 08.1.07.002009013400). O pedido deve ser rejeitado pela inexistência de relação de “prejudicialidade” entre os citados processos. Eventual decisão favorável ou contrária aos contribuintes naqueles casos não conduzirá, obrigatoriamente, ao mesmo resultado à Contribuinte nesse processo. Além disso, como bem notou o acórdão recorrido, os processos em referência sequer versam todos sobre a mesma questão ou os mesmos tributos lançados. Ademais, não há sequer prejuízo à defesa da Contribuinte, pois esta poderia trazer ou, ao menos, requerer à Autoridade Administrativa a juntada de eventuais provas produzidas naqueles autos que pudessem aproveitar à sua defesa, o que não ocorreu no caso. A preliminar de nulidade dos lançamentos confundese com o mérito e será nele apreciada. O recurso não merece provimento. Após a edição da Lei n. 9.430/96 (art. 42), não se contesta em seara administrativa a legitimidade do procedimento fiscal de presumir a omissão de receitas ou rendimentos tributáveis quanto a valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida perante instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem respectiva. Nesse sentido, é a remansosa jurisprudência dessa Corte, verbis: Número do Recurso: 139536 Câmara: OITAVA CÂMARA Número do Processo: 13808.005672/200157 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: IRPJ Recorrente: PLAYCENTER S.A. Fl. 2406DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16004.001068/201096 Acórdão n.º 1102001.040 S1C1T2 Fl. 20 19 Recorrida/Interessado: 10ª TURMA/DRJSÃO PAULO/SP I Data da Sessão: 10/08/2005 00:00:00 Relator: José Carlos Teixeira da Fonseca Decisão: Acórdão 10808430 Resultado: DPU DAR PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Ementa: IRPJ – OMISSÃO DE RECEITAS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA – OCORRÊNCIAS ANTERIORES A 1997 – A presunção legal de omissão de receitas nos casos de depósitos bancários de origem não comprovada, prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, só produz efeitos a partir de 1º de janeiro de 1997, conforme disposto no artigo 87 deste mesmo diploma legal. No mesmo sentido: Número do Recurso: 144253 Câmara: QUINTA CÂMARA Número do Processo: 10875.000137/200461 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: IRPJ E OUTROS Recorrente: HIKARI INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Recorrida/Interessado: 2ª TURMA/DRJCAMPINAS/SP Data da Sessão: 22/02/2006 01:00:00 Relator: José Carlos Passuello Decisão: Acórdão 10515528 Resultado: DPPU DAR PROVIMENTO PARCIAL POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso. Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA PRELIMINAR DE NULIDADE Não é nulo o lançamento apoiado em valores de depósitos bancários cuja intimação para comprovação foi devidamente formalizada e que constam de anexo ao termo de constatação, somente por não ter havido ciência individual na planilha que os demonstra, mas tendo firmada a expressa ciência, tanto nas intimações quanto no termo de constatação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS O artigo 42 da Lei n° 9.430/96 erigiu em legal a antiga presunção simples de que a falta de comprovação da origem de recursos depositados em conta bancária do contribuinte, objeto de expressa intimação para sua comprovação, o que não logrou fazer ou mesmo tentar, reflete omissão de receitas. (...) Conforme se constata do Termo de Verificação Fiscal que acompanha os autos de infração, a Fiscalização encaminhou à Contribuinte intimação específica para que esta prestasse esclarecimentos e apresentasse documentos relativos à matéria tributada, na qual detalhou as operações (depósitos/créditos bancários) que estavam sendo consideradas para fins de incidência tributária e cuja origem deveria ser comprovada pela Contribuinte para ilidir os lançamentos. Fl. 2407DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16004.001068/201096 Acórdão n.º 1102001.040 S1C1T2 Fl. 21 20 Em resposta a tal intimação, a Contribuinte não logrou comprovar a origem dos valores depositados/creditados em contas bancárias de sua titularidade. Ante a falta de tal comprovação, legítima a imposição fiscal. É improcedente a alegação de que a Fiscalização teria feito a prova da origem dos recursos em favor da Contribuinte. A par do fato de a Contribuinte contestar a própria versão dada aos fatos pela Fiscalização (pois, enquanto a Contribuinte alega exercer atividade de cobrança de clientes nacionais de instituições financeiras e não teria qualquer relacionamento com pessoas no exterior), notese que a origem dos recursos cuja demonstração se requer referese a depósitos realizados em território e em moeda nacional, perante instituição financeira nacional (e não de operações que teriam sido realizadas no exterior, com clientes no exterior, aos quais a Contribuinte sequer reconhece a existência). Não há contradição, divergência ou contrariedade na acusação fiscal como alegado em preliminar de nulidade pela Contribuinte: sustentase ter havido omissão de receitas tributáveis, baseada em expresso texto de lei, pelo fato de demonstrada existência de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pela Contribuinte, nada obstante sucessivas intimações da Fiscalização para tal fim. Para que fosse afastada a presunção legal de omissão de receita acima referida, seria de rigor que a Contribuinte fizesse a comprovação da realização efetiva da atividade de cobrança que alega ter realizado, demonstrando, operação a operação, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos ingressos, os pagamentos aos seus clientes e a comissão correspondente em um intervalo de tempo razoável para essa espécie de negócio. A par dos argumentos acima aduzidos, em vista da reprodução, em recurso, dos argumentos aduzidos em impugnação, pedese vênia para transcrever trecho do voto condutor do acórdão recorrido e adotálo como razão de decidir no caso, verbis: “Importa registrar, de outra parte, a inexistência de controvérsia quanto a diversos fatos relevantes para o deslinde dessa questão, descritos no Termo de Constatação e Conclusão Fiscal (TCCF; fls. 2.1672.277), entre os quais, podese citar as assertivas fiscais de que a interessada (regularmente intimada) não apresentou: a) os extratos bancários requeridos, e pertinentes ao objeto da ação fiscal (sob a alegação de dificuldades financeiras para a sua obtenção); b) de livros de sua escrituração (alegando não os possuir, uma vez que o “Contador declarou que não havia documentos para escriturar, informando que não os recebeu do Representante legal”); c) de qualquer documentação (ou qualquer outro elemento material) a fim de (atender a intimação e reintimação, levadas a efeito após a obtenção dos extratos diretamente das instituições financeiras, com base no Decreto nº 3.724/2001) comprovar a origem dos recursos creditados em suas contas correntes bancárias (limitandose a responder, na oportunidade (conforme item 2.1.2 do TCCF) que: “f) Em conclusão, e respondendo especificamente os elementos da intimação, tenho a dizer o seguinte: Quanto à origem dos créditos bancários: os extratos informam em sua grande maioria a origem dos depósitos. Informações complementares poderão, e deverão ser solicitados às instituições financeiras que aceitaram as minhas contas, autorizaram os depósitos e a transferência e têm como saber com absoluta exatidão a origem e destinos dos créditos e débitos, pois deve conhecer seus clientes, como exige a legislação bancária; Identificação dos depositantes: idem resposta acima; Identificação dos destinatários: idem resposta acima (...)”). (...) Fl. 2408DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16004.001068/201096 Acórdão n.º 1102001.040 S1C1T2 Fl. 22 21 Independente das incompatibilidades das alegações, ao sabor da conveniência, é inquestionável que a contribuinte não se desincumbiu de seu ônus de comprovar a origem dos recursos creditados em suas contas bancárias. Corrobora essa afirmação, a sua tentativa de atribuir à própria fiscalização (talvez por entender ausente recurso mais eficaz), suposta evidência de comprovação da origem, bem como de que os recursos seriam de terceiros – não representando receitas de sua atividade (senão a alegada – e também incomprovada – “remuneração mensal” correspondente a “0,12%” do valor dos “depósitos que faziam” (g.n.; sujeitos indeterminados...) “em suas contas”). Na realidade, no caso dos autos, não há se falar de que houve comprovação da origem dos recursos creditados nas contas bancárias de titularidade da fiscalizada (ora impugnante) – seja pela fiscalização, seja pela fiscalizada (ou seu represenante legal) – quer na fase investigativa (durante a ação fiscal), quer na fase impugnatória. Se, expressamente, afirma (item 8.1) “haver muita informação incorreta, pois a reqte nunca teve qualquer relacionamento com ‘residentes no exterior’, nunca recebeu qualquer valor proveniente de quaisquer pessoas não residentes no Brasil e nunca fez qualquer pagamento por ordem de clientes estrangeiros”, como pretender sustentar – contraditoriamente – baseandose em interpretação desarrazoada de determinadas respostas (transcritas na impugnação) de diligenciados (“destinatários de recurso”, conforme “lançamentos a débito nas contas da JR”) – que está provada a origem dos recursos (do exterior? por qual meio? etc.). O que se verifica de comum nas respostas transcritas (dos destinatários de recurso) é que as respectivas pessoas diligenciadas confirmam que houve crédito em contas de sua titularidade, de acordo com os dados informados e constantes nos próprios termos de diligência fiscal. A maioria supunha que decorrente de envio de remessa do exterior, uma vez que terceiros (parentes) ou o próprio (no caso de Gaspar Fontinelli) teriam procurado determinada empresa na Flórida (Estados Unidos) com esse objetivo. Alguns diligenciados chegaram a apresentar certos “recibos” – entendendo representar comprovante de transferência/envio para as contas cujos “dados” foram transcritos nesses elementos. Importante destacar, contudo, as manifestações de Aldair Fongher (transcritas na impugnação), especialmente os seguintes trechos: (...) Sabese que o crédito em contas bancárias no Brasil referente a transferências de recursos de instituições congêneres sediadas no exterior passa, necessariamente, pela intervenção e controle do Banco Central do Brasil, e é operacionalizada por procedimentos e registros bancários específicos. Os créditos nas contas dos (diligenciados) destinatários dos recursos (oriundos de débitos nas contas bancárias da contribuinte; frisese, e disso não há qualquer controvérsia) são próprios de transferências/depósitos entre contas mantidas em instituições participantes do sistema financeiro nacional (e não de contas mantidas no exterior...). Assim, demonstrado (ao contrário do que defende a impugnante) que não houve a comprovação da origem dos recursos depositados em suas contas bancárias, importa prosseguir, abordando o que prevê a doutrina e a legislação acerca da pertinente presunção legal de omissão de receitas e o ônus da prova nesse caso.” Fl. 2409DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16004.001068/201096 Acórdão n.º 1102001.040 S1C1T2 Fl. 23 22 Por tais fundamentos, orientase voto no sentido de conhecer do recurso voluntário interposto para rejeitar o pedido de apensamento de processos e a preliminar de nulidade nele suscitada e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Fl. 2410DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME
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