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Numero do processo: 10314.005814/2003-10
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002
MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO DA MERCADORIA.
A reclassificação fiscal de mercadoria importada, por si só, não enseja a aplicação da multa por importação sem guia de importação ou documento equivalente (a licença de importação, no caso dos autos). Na hipótese de ambas as classificações, tanto aquela adotada pelo Contribuinte quanto a indicada pela Fiscalização, por sua vez, submeterem-se ao mesmo procedimento (estando ambas não sujeitas ao licenciamento ou, de outro lado, encontrando-se as duas obrigadas ao mesmo tratamento administrativo para importação), não há de se falar em ausência de guia de importação ou documento equivalente - licença de importação - decorrente de erro na classificação fiscal.
Numero da decisão: 9303-007.036
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO DA MERCADORIA. A reclassificação fiscal de mercadoria importada, por si só, não enseja a aplicação da multa por importação sem guia de importação ou documento equivalente (a licença de importação, no caso dos autos). Na hipótese de ambas as classificações, tanto aquela adotada pelo Contribuinte quanto a indicada pela Fiscalização, por sua vez, submeteremse ao mesmo procedimento (estando ambas não sujeitas ao licenciamento ou, de outro lado, encontrandose as duas obrigadas ao mesmo tratamento administrativo para importação), não há de se falar em ausência de guia de importação ou documento equivalente licença de importação decorrente de erro na classificação fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 58 14 /2 00 3- 10 Fl. 3139DF CARF MF Processo nº 10314.005814/200310 Acórdão n.º 9303007.036 CSRFT3 Fl. 3.140 2 (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (fls. 2.825 a 2.833), com fulcro no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 3102001.542 (fls. 2.754 a 2.787) proferido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 17 de julho de 2012, no sentido de dar provimento parcial ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002 NULIDADE. HIPÓTESES. A nulidade do procedimento é medida excepcional, que só se justifica quando se está diante da incompetência do agente ou cerceamento do direito de defesa. Se não demonstrada pelo menos uma dessas hipóteses, não há como decretar a nulidade. ÔNUS DA PROVA. EXIGÊNCIA FISCAL. A exigência fiscal deve estar respaldada pelos elementos de fato capazes de dar suporte à acusação. Se não constam do processo elementos capazes de dar a conhecer as características do produto importado, forçoso é considerar as informações prestadas pelo sujeito passivo. Fl. 3140DF CARF MF Processo nº 10314.005814/200310 Acórdão n.º 9303007.036 CSRFT3 Fl. 3.141 3 ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002 CHAVEADORES (SWITCHES) PARA REDES DE COMPUTADORES. Produtos identificados como switches ou chaveadores possuem funcionalidades que os distinguem dos equipamentos denominados Hubs. Consequentemente, o código tarifário que classifica corretamente os primeiros (8471.80.19) não é o mesmo que se destina ao enquadramento dos segundos (8471.80.14). ROTEADORES Roteadores digitais não identificados como do tipo "Crossconect” e que não atinjam velocidade de conexão igual ou superior a 4 Mbits/s devem ser classificados no subitem 8517.30.69. MÓDULOS INTERCAMBIÁVEIS Os módulos capazes de funcionar acoplados a produtos classificáveis nas posições 8471 e 8517 devem ser classificados na posição 8473. Por outro lado, partes de produtos da posição 8517 que não se enquadrem em outro item ou subitem mais específico devem ser classificadas no subitem 8517.90.99. MULTA DE OFÍCIO DE 75% EM RAZÃO DE INEXATIDÃO NA DECLARAÇÃO DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CABIMENTO. A inexatidão da classificação fiscal, principalmente quando acompanhada da descrição equivocada e insuficiente da mercadoria, inserese no universo das condutas puníveis com a multa de 75% sobre os impostos que deixaram de ser recolhidos. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002 Erro de Classificação. Licenciamento. Efeitos. O exclusivo erro na indicação da classificação fiscal, ainda que acompanhado de falha na descrição da mercadoria não é suficiente para imposição da multa por falta de licença de importação. É indispensável que a falha na indicação da classificação caracterize prejuízo ao controle administrativo das importações. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 3141DF CARF MF Processo nº 10314.005814/200310 Acórdão n.º 9303007.036 CSRFT3 Fl. 3.142 4 Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002 MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA A correção de ofício da classificação fiscal fornecida pelo sujeito passivo, levada a efeito em sede de Revisão Aduaneira, realizada nos contornos do art. 54 do Decretolei nº 37, de 1966, segundo a redação que lhe foi fornecida pelo Decretolei nº 2.472, de 1988, não representa retificação do lançamento em razão de erro de direito ou de mudança de critério jurídico, não afrontando, consequentemente o art. 146 do Código Tributário Nacional. Tratandose de correção de informação prestada pelo sujeito passivo, tal procedimento encontra pleno respaldo no art. 149, IV do mesmo Código Tributário Nacional. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Aplicação da Súmula CARF nº 4. Recurso de Ofício Provido em Parte e Recurso Voluntário Provido em Parte. Nessa oportunidade, insurgese a Fazenda Nacional por meio do recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto ao cancelamento da multa por falta de licença de importação, devido ao erro na descrição e inexatidão na indicação da classificação fiscal da mercadoria importada. Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou como paradigma o acórdão nº 320200.093. Nas razões recursais, sustenta, em síntese, que a mera insuficiência na descrição da mercadoria na licença de importação, configura a infração prevista no art. 633, inciso II, "a", do Regulamento Aduaneiro/2002, ensejando a aplicação da respectiva multa nas importações. Requer o provimento do recurso especial com o restabelecimento da multa. Por meio do despacho nº 3100138, de 20 de maio de 2014 (fls. 2.842 a 2.844), foi dado seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, pois comprovada a divergência jurisprudencial, nos termos do que consignado pelo Ilustre Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento em exercício à época. Apresentados embargos de declaração pela Unidade Preparadora (fls. 2.849 a 2.850) suscitando dúvidas quanto à execução do julgado, os mesmos foram inadmitidos (fls. 2.853 a 2.855). A Contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 2.987 a 3.002) requerendo a improcedência do recurso especial da Fazenda Nacional. Fl. 3142DF CARF MF Processo nº 10314.005814/200310 Acórdão n.º 9303007.036 CSRFT3 Fl. 3.143 5 Na mesma oportunidade, o Sujeito Passivo interpôs recurso especial (fls. 3.005 a 3.035), no entanto, o mesmo não teve seguimento por ausência de preenchimento dos requisitos regimentais, consoante despacho s/nº, de 25/09/2015 (fls. 3.038 a 3.047). O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito No mérito, cingese a controvérsia à possibilidade de cancelamento da exigência da multa por falta de licença de importação, em razão de erro na descrição e inexatidão na indicação da classificação fiscal da mercadoria importada. Há de ser mantido o afastamento da multa por falta de licença de importação pois, embora tenha sido autuada, a Contribuinte atendeu a todos os requisitos para a licença nãoautomática da importação, exigida quando há mudança de classificação fiscal que dê ensejo a um novo procedimento de licenciamento. Assim, há de ser mantido o resultado da decisão recorrida no sentido de afastar a penalidade, pois a reclassificação fiscal da mercadoria não ocasionou prejuízo ao controle das importações, uma vez cumpridos os requisitos pela importadora. Nesse sentido, decidiu esta 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais conforme argumentos lançados no Acórdão nº 9303005.873, e que passam a integrar o presente julgado, in verbis: Fl. 3143DF CARF MF Processo nº 10314.005814/200310 Acórdão n.º 9303007.036 CSRFT3 Fl. 3.144 6 [...] Em decorrência da reclassificação fiscal dos equipamentos importados, foi considerada a mercadoria como importada sem licenciamento, motivando a cominação da multa do art. 169, inciso II do Decreto nº 37/66, com redação da Lei nº 6562/78, e regulamentado pelo art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro de 1985 (Decreto nº 91.030/85), cujo fato típico é a falta de guia de importação ou documento equivalente. O acórdão recorrido deu provimento ao recurso voluntário para afastar a penalidade cominada, sob o fundamento de que a guia e a licença de importação têm naturezas diversas, sendo equivocada a aplicação da penalidade em referência no caso concreto, pois a conduta de importação de mercadoria desamparada da licença de importação não se subsume ao comando normativo que estabelece a multa. Delimitada a discussão de mérito a ser enfrentada no presente recurso especial, a fundamentação a ser explicitada demonstrará não assistir razão à Recorrente, devendo ser mantida a decisão proferida pelo Colegiado a quo ainda que por fundamentos diversos que houve por bem afastar a multa do art. 169, inciso I, alínea "b" do Decreto nº 37/66, regulamentado à época pelo art. 526, inciso II do Regulamento Aduaneiro de 1985 (Decreto nº 91.030/85), cuja redação é a seguinte: Decretolei n.º 37/66 Art.169 Constituem infrações administrativas ao controle das importações: (Redação dada pela Lei nº 6.562, de 1978) I importar mercadorias do exterior: (Redação dada pela Lei nº 6.562, de 1978) [...] b) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: (Incluída pela Lei nº 6.562, de 1978) Pena: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria. Regulamento Aduaneiro de 1985 Art. 526 Constituem infrações administrativas ao controle das importações, sujeitas às seguintes penas (Decretolei nº 37/66, art. 169, alterado pela Lei nº 6.562/78, art. 2º): [...] II importar mercadoria do exterior sem guia de importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: multa de trinta por cento (30%) do valor da mercadoria; Fl. 3144DF CARF MF Processo nº 10314.005814/200310 Acórdão n.º 9303007.036 CSRFT3 Fl. 3.145 7 [...] Importa registrar o entendimento majoritário desta 3ª Turma da CSRF no sentido de que a guia e a licença de importação são documentos equivalentes, razão pela qual se mantém a decisão recorrida, no entanto, por fundamento diverso. No caso em apreço, a reclassificação fiscal da mercadoria não implicou em mudança na forma de licenciamento da mercadoria importada, não se caracterizando a ocorrência de infração administrativa. Isso porque a Fiscalização não demonstrou ser necessária, sob o novo código de classificação fiscal, a apresentação de licença/guia de importação ou documento equivalente, razão pela qual não se pode punir o Contribuinte por uma exigência inexistente. Nessa esteira, por meio da classificação fiscal da mercadoria determinase a necessidade ou não de licenciamento de importação e, caso positivo, os procedimentos a serem adotados visando a sua obtenção. Ocorrendo erro na classificação tarifária originalmente indicada e se aquela apontada como correta estiver sujeito à controle administrativo não previsto para a anterior, não há dúvidas de que a mercadoria não passou pelos controles próprios do licenciamento, violando o bem jurídico pretendido tutelar pelo Regulamento Aduaneiro: o controle administrativo das importações. Na hipótese de ambas as classificações, tanto aquela adotada pelo Contribuinte quanto a indicada pela Fiscalização, por sua vez, submeterem se ao mesmo procedimento (estando ambas não sujeitas ao licenciamento ou, de outro lado, encontrandose as duas obrigadas ao mesmo tratamento administrativo para importação), não há de se falar em ausência de licença de importação decorrente de erro na classificação fiscal. Esta segunda assertiva é que reflete perfeitamente o caso ora em exame. Nos presentes autos, portanto, incabível a aplicação da multa administrativa prevista no art. 526, inciso II, do RA/85, por infração ao controle das importações, pois embora tenha sido adotada classificação fiscal pela Autoridade Fiscal diversa da originalmente indicada pela Recorrida, os produtos foram importados ao amparo de guia de importação ou documento equivalente, estando corretamente descritos nos documentos de importação. Pela inaplicabilidade da penalidade em tela, também é a manifestação da própria Administração Tributária no Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12, de 21 de janeiro de 1997, in verbis: ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT Nº 12, DE 21 DE JANEIRO DE 1997. "Declara que o embarque de mercadoria antes da obtenção do licenciamento não automático no SISCOMEX não constitui infração administrativa ao controle das importações." O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa nº 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 5 de março de 1985, e no art. 112, inciso IV, do Código Tributário Nacional Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, declara, em Fl. 3145DF CARF MF Processo nº 10314.005814/200310 Acórdão n.º 9303007.036 CSRFT3 Fl. 3.146 8 caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. PAULO BALTAZAR CARNEIRO Assim, não restou demonstrado nos autos o prejuízo ao controle administrativo produzido pelo erro de classificação fiscal, e por isso é afastada a tipicidade da conduta apta a ensejar a aplicação da multa administrativa do art. 526, inciso II do RA/85. [...] Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 3146DF CARF MF
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Numero do processo: 14041.000594/2005-08
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. NÃO PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS REGIMENTAIS.
Os requisitos regimentais exigidos para conhecimento do Recurso Especial que visa a Uniformização de Jurisprudência devem ser cumpridos de modo objetivo, pois somente podemos verificar a possibilidade de divergência quando for possível afirmar que com os dados do caso concreto (similitude fática) e a divergência na tese/argumentação jurídica (interpretação da lei), podia ser obtido resultado diverso, caso julgado pelo colegiado do paradigma.
Na hipótese tais requisitos não restaram comprovados, motivo pelo qual não se conhece do recurso manejado pela parte.
Numero da decisão: 9202-006.907
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. NÃO PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS REGIMENTAIS. Os requisitos regimentais exigidos para conhecimento do Recurso Especial que visa a Uniformização de Jurisprudência devem ser cumpridos de modo objetivo, pois somente podemos verificar a possibilidade de divergência quando for possível afirmar que com os dados do caso concreto (similitude fática) e a divergência na tese/argumentação jurídica (interpretação da lei), podia ser obtido resultado diverso, caso julgado pelo colegiado do paradigma. Na hipótese tais requisitos não restaram comprovados, motivo pelo qual não se conhece do recurso manejado pela parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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NÃO PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS REGIMENTAIS. Os requisitos regimentais exigidos para conhecimento do Recurso Especial que visa a Uniformização de Jurisprudência devem ser cumpridos de modo objetivo, pois somente podemos verificar a possibilidade de divergência quando for possível afirmar que com os dados do caso concreto (similitude fática) e a divergência na tese/argumentação jurídica (interpretação da lei), podia ser obtido resultado diverso, caso julgado pelo colegiado do paradigma. Na hipótese tais requisitos não restaram comprovados, motivo pelo qual não se conhece do recurso manejado pela parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 05 94 /2 00 5- 08 Fl. 381DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 340100.111, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase o presente processo de Auto de Infração referente ao imposto sobre a renda da pessoa física – IRPF, anocalendário 2003, decorrente da omissão de rendimentos do trabalho, recebidos de fontes no exterior, e multa exigida isoladamente pela falta de Recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, apurando um crédito tributário no valor de R$ 63.978,29, sendo R$ 21.911,67 a título de imposto, acrescido de multa de ofício equivalente a 75% do valor do tributo apurado, além de juros de mora, e multa isolada, por falta de recolhimento do carnêleão. O Contribuinte apresentou a impugnação, de fls. 138/164. A DRJ, fls. 259/272, julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, apresentando o arrolamento de bens constantes no processo administrativo nº 11853.000687/200662, exigido pelo art. 32 da Lei 10.522/2002. A 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, para excluir a multa de isolada exigida em concomitância com a multa de ofício. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 IRPF. ORGANISMO INTERNACIONAL DA ONU ISENÇÃO. A isenção de imposto sobre rendimentos pagos por Organismo Internacional da ONU é restrita aos salários e emolumentos recebidos pelos funcionários internacionais, assim considerados aqueles que possuem vínculo estatutários com a Organização e foram incluídos nas categorias determinadas pelo seu SecretárioGeral, aprovadas pela Assembléia Geral. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço da Organização, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente. (Precedente da CSRF/MF) MULTA ISOLADA – MULTA DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA. É inaplicável a multa isolada concomitantemente com a multa de ofício, tendo ambas a mesma base de cálculo. Fl. 382DF CARF MF Processo nº 14041.000594/200508 Acórdão n.º 9202006.907 CSRFT2 Fl. 10 3 Preliminar de ilegalidade passiva rejeitada. Recurso parcialmente provido. Às fls. 328/337, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial acerca da seguinte matéria: multa isolada do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício. O acórdão recorrido determinou a exclusão da multa isolada prevista no art. 44, § 1º, inc. III da Lei 9.430/96, por considerar ilegítima a aplicação concomitante da mesma com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44, inc. I da mesma Lei. Já o acórdão paradigma considerou ser legítima a aplicação cumulativa de duas multas de ofício, que eram previstas no art. 44, inc. I e no § 1º, inc. IV do art. 44 da Lei 9.430/96, uma vez que, mesmo que incidam sobre bases de cálculos idênticas, as mesmas decorrem de infrações diversas, razão por que não há que se falar em bis in iden. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 339/344, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação à seguinte matéria: multa isolada do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício. O contribuinte tomou ciência do acórdão nº 340100.111 e da interposição de recurso especial em 23/12/2011 (fl. 371), mantendose inerte. Assim, conforme fl. 373, a Delegacia informou que, com relação à parcela do lançamento mantida pela decisão do CARF, não foi verificado nos sistemas da Receita Federal do Brasil o recolhimento do crédito tributário exigido, restando desmembrados os valores do processo 14041.000594/200508 e transferido o débito, sobre o qual não havia mais litígio, para o processo 10218.720335/201206 para prosseguimento da cobrança amigável. Contudo, em 09/10/2017, às fls. 377/378, a Delegacia apresentou a seguinte informação: Conforme se depreende do despacho exarado pela PFN, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) estabeleceu que estão isentos do imposto de renda os rendimentos recebidos por técnicos a serviço da Organização das Nações Unidas (ONU) contratados no Brasil para atuarem no Programa Nacional das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). A referida isenção se aplica tanto aos funcionários do PNUD quanto aos que a ela prestam serviço na condição de peritos de assistência técnica e, em razão do disposto no art. 19 da Lei nº 10.522, de 2002, na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1, de 2014, e na Nota PGFN/CRJ nº 1.549, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) encontrase vinculada ao referido entendimento. (...) Em resumo, dada a decisão do Superior Tribunal de Justiça que entendeu não ser tributável o rendimento omitido, devendo ser, conforme art. 19, §7º, da Lei n° 10.522, de 2002, revistos de ofício os lançamento efetuados. Da documentação acostada nos autos dos citados processos, os referidos réditos tributários objetos das inscrições 60 1 13 00352423 e 60 1 14 Fl. 383DF CARF MF 4 02969012 e são oriundos de lançamentos relativos a omissão de rendimentos recebidos do exterior relativos aos exercícios de 2003 e 2005. O lançamento referente ao exercício de 2003 foi tratado no processo 14041.000594/200508 que, após ter sido confirmado pela Delegacia de Julgamento, foi revisto parcialmente nos termos do acórdão nº 340100.111, de 02 de junho de 2009. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais excluiu a multa isolada, mantendo todo o restante. A Procuradoria da Fazenda Nacional, em seguida, impetrou recurso especial em face do citado Acórdão, o qual se encontra aguardando distribuição para julgamento. A parcela incontroversa foi transferida para o processo 10218.720335/201206 que seguiu para inscrição em DAU (inscrição nº 60 1 13 00352423). Conforme telas de fl. 487, foi efetuada de forma automática, através do sistema Malha Débito, a compensação do valor inscrito com a restituição de IRPF dos exercícios 2008 a 2013. Diante do exposto, face ao novo entendimento à que a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) encontrase vinculada, concluo que assiste razão ao contribuinte, devendo ser, cancelados os lançamentos em tela, bem como as inscrições números 60 1 13 00352423 e 60 1 14 02969012. Dado terem sido efetuadas com débitos inscritos, após cancelamento das inscrições, retornese o presente processo para revisão das compensações efetuadas pelo sistema Malha Débito. Entendo como prejudicado o recurso especial apresentado pela PFN no processo nº 14041.000594/200508. Na sequência, vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora DO CONHECIMENTO O Recurso Especial interposto pela Fazenda nacional é tempestivo, contudo não atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Fl. 384DF CARF MF Processo nº 14041.000594/200508 Acórdão n.º 9202006.907 CSRFT2 Fl. 11 5 Os requisitos regimentais exigidos para conhecimento do Recurso que visa Uniformização devem ser cumpridos de modo objetivo, pois somente podemos verificar a possibilidade de divergência quando for possível afirmar que com os dados do caso concreto (similitude fática) e a divergência na tese/argumentação jurídica (interpretação da lei), podia ser obtido resultado diverso, caso julgado pelo colegiado do paradigma. O paradigma utilizado para viabilizar análise da divergência jurisprudencial é anacrônico, tem problemas de similitude fáticas, pois trata de pessoa jurídica, enquanto o acórdão recorrido trata de pessoa física e ainda por fim restou reformado pelo acórdão n. 910100259 de 28.07.2009. No caso em tela, em razão dos motivos citados acima o acórdão paradigma não serve para instrumentalizar a uniformização, motivo pelo qual não deve ser conhecido. Em razão do não conhecimento do Recurso, matérias de mérito ou informações da Delegacia anexas as fls. 377/378, serão analisadas pela Unidade preparadora. Pelo exposto, voto no sentido de não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 385DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.000030/2009-13
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2003
SERVIÇOS DE MONTAGEM E MANUTENÇÃO INDUSTRIAL. PERMANÊNCIA NO REGIME SIMPLIFICADO DE TRIBUTAÇÃO. POSSIBILIDADE. MATÉRIA SUMULADA.
Súmula CARF nº 57 A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal.
Numero da decisão: 1001-000.754
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2003 SERVIÇOS DE MONTAGEM E MANUTENÇÃO INDUSTRIAL. PERMANÊNCIA NO REGIME SIMPLIFICADO DE TRIBUTAÇÃO. POSSIBILIDADE. MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF nº 57 A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
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PERMANÊNCIA NO REGIME SIMPLIFICADO DE TRIBUTAÇÃO. POSSIBILIDADE. MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF nº 57 “A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal.” Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 00 00 30 /2 00 9- 13 Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10850.000030/200913 Acórdão n.º 1001000.754 S1C0T1 Fl. 271 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 13ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), mediante o Acórdão nº 1430.479, de 10/08/2010 (efls. 164/167), objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito: (grifos não constam do original) Trata o presente processo de exclusão da contribuinte acima identificada do Sistema Integrado de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES (Federal), com efeitos a partir de 01/04/2003, conforme Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/São José do Rio Preto/SP n° 015/2009 (fl. 40), e Despacho Decisório DRF/Sacat n° 240/2009 (fl. 38/39), tendo em vista o exercício de atividade vedada, conforme o disposto na Lei n° 9.317, de 1996, art. 9°, XIII. De acordo com o referido despacho, a contribuinte prestou serviços cuja atividade é vedada pela legislação tributária, tendo em vista que realiza operações relativas a “serviços de manutenção e montagens industriais”, com mão de obra especializada, serviço profissional de engenheiro, ou de profissão que depende de habilitação profissional legalmente exigida. Ciente de sua exclusão do sistema em 07/04/2009, a contribuinte ingressou em 29/04/2009 com manifestação de inconformidade (fls. 42) na qual refuta o ADE, em suma, sob as seguintes alegações: · Não presta mão de obra especializada em montagem industrial. Apenas vende e entrega os produtos, fazendo a conferência destes na entrega e observa a instalação dos produtos feitos por conta do próprio adquirente, para verificar se a instalação ocorreu de forma correta em razão da garantia que legalmente se incumbe sobre o produto vendido. · A empresa não tem em seu quadro pessoal nenhum profissional tecnicamente habilitado a prestar mão de obra especializa em montagem industrial, nem engenheiros, alegação que pode ser facilmente constatadas ao verificar o registro previdenciário de seus empregados junto ao órgão próprio. A DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade, cujo voto condutor transcrevo a seguir, in verbis: (...) Diante dos documentos acostados ao processo, e da legislação que rege a matéria, cumpre analisar se a atividade da contribuinte a impede ou não de permanecer no Simples. Dispõe a norma na qual foi baseado o ato de exclusão: Lei n° 9.317, de 1996. Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10850.000030/200913 Acórdão n.º 1001000.754 S1C0T1 Fl. 272 3 () Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica: XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; (grifei) A Resolução nº 218, de 29 de junho de 1973, resolve: "O Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, usando das atribuições que lhe conferem as letras "d" e "f", parágrafo único do artigo 27 da Lei nº 5.194, de 24 Dez 1966, CONSIDERANDO que o Art. 7º da Lei nº 5.194/66 referese às atividades profissionais do engenheiro, do arquiteto e do engenheiro agrônomo, em termos genéricos; (...) RESOLVE: Art. 1º Para efeito de fiscalização do exercício profissional correspondente às diferentes modalidades da Engenharia, Arquitetura e Agronomia em nível superior e em nível médio, ficam designadas as seguintes atividades: (...) Atividade 15 Condução de equipe de instalação, montagem, operação, reparo ou manutenção; Atividade 16 Execução de instalação, montagem e reparo; (...) Art. 9º Compete ao ENGENHEIRO ELETRÔNICO ou ao ENGENHEIRO ELETRICISTA, MODALIDADE ELETRÔNICA ou ao ENGENHEIRO DE COMUNICAÇÃO: I o desempenho das atividades 01 a 18 do artigo 1º desta Resolução, referentes a materiais elétricos e eletrônicos; equipamentos eletrônicos em geral; sistemas de comunicação e telecomunicações; sistemas de medição e controle elétrico e eletrônico; seus serviços afins e correlatos. (...) Art. 23 Compete ao TÉCNICO DE NíVEL SUPERIOR ou TECNÓLOGO: Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10850.000030/200913 Acórdão n.º 1001000.754 S1C0T1 Fl. 273 4 I o desempenho das atividades 09 a 18 do artigo 1º desta Resolução, circunscritas ao âmbito das respectivas modalidades profissionais; (...) Art. 24 Compete ao TÉCNICO DE GRAU MÉDIO: (posteriormente revogado pela Resolução 1.057, de 31 de julho de 2014 I o desempenho das atividades 14 a 18 do artigo 1º desta Resolução, circunscritas ao âmbito das respectivas modalidades profissionais; (...) Sobre a expressão assemelhados. a CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação COSIT. órgão central da Secretaria da Receita Federal do Brasil, responsável pela interpretação da legislação já manifestou o entendimento de que. no contexto do artigo em comento. 0 vocábulo assemelhado deve ser entendido como qualquer atividade de prestação de serviço que tenha similaridade ou semelhança com as atividades enumeradas no respectivo dispositivo legal. Destarte vale dizer. que a lista das atividades impeditivas ali relacionadas não é exaustiva. conforme se vê na publicação “Perguntas e Respostas do SIMPLES”. pergunta n° 147. a seguir transcrita: 147 Qual o alcance da expressão "assemelhados" constante no inciso XIII do art. 9º da Lei 9.317 de 1996? O referido inciso impede a opção pelo simples por parte das seguintes pessoas jurídicas: a) que prestem serviços relativos às profissões expressamente listadas no citado inciso; b) que prestem ou vendam serviços que sejam assemelhados aos referidos no item "a", tendo em vista que naquele contexto, o termo "assemelhado" deve ser entendido como qualquer atividade de prestação de serviço que tem similaridade ou semelhança com as atividades enumeradas no referido dispositivo legal, vale dizer, a lista das atividades ali elencadas não é exaustiva. Observadas as normas acima citadas, não obstante conste do CNPJ o CNAE 47.440/0 comercio varejista de ferragens e ferramentas que não encontraria obstáculo para manterse no sistema. Depreendese dos contratos sociais acostados aos autos (fls.08/21). a empresa tem por objetivo social a prestação de “serviços de manutenção e montagem industrial”. As notas fiscais de emissão da manifestante, juntadas às fls. 24/32, descrevem a prestação de serviços de mãodeobra especializada, dentre outros, na montagem e desmontagem de tubulações para painel de controle em fábrica de açúcar; instalação de eletrodutos de secador de açúcar; mãodeobra especializada para montagem de tubulação de ar; interligações de painéis, que caracterizam serviços de engenheiros ou técnicos ou assemelhados. Assim sendo. reputo que não há como acatar a pretensão da contribuinte. Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10850.000030/200913 Acórdão n.º 1001000.754 S1C0T1 Fl. 274 5 O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 EXCLUSÃO DO REGIME. ATIVIDADE VEDADA. SERVIÇO ASSEMELHADO AO DE ENGENHEIRO. É impedida de manterse no Simples, por expressa vedação contida na lei instituidora do regime, a pessoa jurídica que exerce as atividades de manutenção e montagens industriais, típicas de engenheiro ou assemelhado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio. Ciente da decisão de primeira instância em 24/09/2010, conforme Aviso de Recebimento à efl. 171, a recorrente apresentou recurso voluntário em 22/10/2010 (efls. 172/175), conforme carimbo à efl. 172. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. No recurso voluntário, a recorrente apresenta as seguintes alegações: que na cláusula segunda do contrato social, datado de 18/0l /1999 (que anexa), "erroneamente fora digitalizado dentre as atividades elencadas a de “MONTAGEM INDUSTRIAL", sendo que na realidade, jamais ousaram ou sequer pretenderam contratar serviços de tamanha complexidade, haja vista que em duas ou três ocasiões somente forneceram materiais elétricos..." que "Após ter sido verificada a incoerência entre a atividade desempenhada pela Apelante em face ao texto contratual teve por bem promoverem a alteração do mesmo em 20/08/1999 (c. anexa), para sanarem indigitado erro de forma ... , no entanto, verificouse agora que fora levado a registro 20/05/2004,..., cuja redação da cláusula terceira trouxe ERRONEAMENTE a mesmo texto do contrato original, ou seja, 'COMERCIO VAREJISTA DE FERRAGENS, FERRAMENTAS, PRODUTOS METALÚRGICOS E MONTAGEM INDUSTRIAL'". Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10850.000030/200913 Acórdão n.º 1001000.754 S1C0T1 Fl. 275 6 O cerne da questão referese à possibilidade de optar pelo SIMPLES a contribuinte que exerce, conforme objeto descrito em seu contrato social: "serviços de manutenção e montagem industrial". O relator do acórdão recorrido argumenta que "as notas fiscais de emissão da manifestante, juntadas às fls. 24/32, descrevem a prestação de serviços de mãodeobra especializada" e conclui "que caracterizam serviços de engenheiros ou técnicos ou assemelhados" a atividade exercida pela recorrente. Data vênia, discordo da conclusão do relator. Apenas a descrição de serviços de mãodeobra especializada não pode caracterizar serviço de engenharia, cuja disposição legal veda a permanência no simples. As atividades descritas nas notas fiscais não são de competência privativa da área de engenharia, nem tampouco dependentes dos serviços profissionais de engenheiro ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida, nos termos do inciso XIII, artigo 9º da Lei nº 9.317/96. Ou melhor, tais atividades não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. É o que se depreende da Súmula CARF nº 57, verbis: "Súmula CARF nº 57: A instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal." Sendo de adoção obrigatória pelos membros do CARF, a Súmula acima mencionada se aplica perfeitamente à questão em discussão, desta forma, entendo que a decisão recorrida merece ser reformada quanto ao ponto alegado pela recorrente. Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário cancelandose a exclusão da empresa do Simples. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 232DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.900421/2014-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.701
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 00 42 1/ 20 14 -9 9 Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10850.900421/201499 Resolução nº 1402000.701 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, mantendo o r. Despacho Decisório que expressamente deixou de reconhecer, integralmente, o suposto crédito de IRPJ, utilizado em DCOMP, por não ter sido constatada qualquer monta de recolhimento a maior ou indevido. Em sua Manifestação de Inconformidade, em suma, alegou a ora Recorrente que houve preenchimento equivocado de suas DIPJ e DCTF. Desse modo, inicialmente, não seria detectável tal direito creditório em face desse erro escusável, tendo, então, prontamente promovido a retificação eficaz das declarações, denotando o total de IRRF percebido no ano calendário de 2010, bem como o recolhimento de IRPJ, procedido já no anocalendário de 2011, que configurouse indevido fatos estes que, conjuntamente, dariam margem ao crédito pleiteado. Também relata que o suposto crédito fora utilizado em 17 pedidos de compensação diferentes, requerendo a reunião dos feitos em que tramitam. Acrescenta, ao final, que diante da procedência de seu direto, não haveria prejuízo ao Erário na homologação das compensações. Acosta documentos que supostamente registrariam a origem e a apuração do crédito pretendido. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento integral à defesa, entendendo que, pelo sistema DIRF, consta saldo de IRRF sofrido muito menor do que o alegado pela ora Recorrente, confirmados tais valores na própria documentação trazida aos autos em sede de Manifestação de Inconformidade, a qual aponta que o montante de IRRF excedente, que permitiria a existência do crédito nos termos alegados, teria sido efetuado sob razão e CNPJ de terceiro. Este foi o fundamento da denegação do crédito pela C. Instância anterior. Diante de tal revés, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, agora sob análise, primeiramente esclarecendo que os valores de IRRF retidos em nome de terceiros, na verdade, são de titularidade de Consórcio de empresas do qual fazia parte na época dos fatos, tendo direito ao seu aproveitamento. No mais, reitera suas demais alegações acerca da retificação de declarações e histórico da origem do crédito. Traz novos documentos em relação à existência do mencionado Consórcio. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10850.900421/201499 Resolução nº 1402000.701 S1C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1402000.698, de 16/08/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10850.900418/201475, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1402000.698): "O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Conforme relatado, em r. Despacho Decisório eletrônico, o crédito pretendido foi rejeitado, posto que não houve a comprovação da sua existência, constando em observação que o valor do IRRF do anocalendário de 2010 informado pelas Fontes Pagadoras foi deveras menor do que aquele declarado pela Contribuinte, de modo que o recolhimento efetuado já em 2011 não configurou a existência de nenhum direito creditório, mas apenas saldou débito apurado no período, sem ultrapassar a monta apurada e devida. Por sua vez, mesmo tendo a Recorrente esclarecido em Manifestação de Inconformidade a origem do crédito, apontando para erro escusável em suas declarações do exercício de 2011 e a devida retificação posteriormente promovida, a DRJ a quo entendeu que não houve a demonstração ou comprovação da existência do crédito, constatando inclusive que a precisa monta controversa dos recolhimentos de IRRF valor que observouse no r. despacho decisório que não constava das informações fornecidas pelas Fontes Pagadoras deramse em nome de outra Pessoa Jurídica beneficiária, no caso Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore CNPJ nº 08.727.318/00018: Assim, temos que o fundamento do v. Acórdão recorrido foi de reconhecer que as retenções de IRRF que formariam o suposto crédito pretendido são de terceiro. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10850.900421/201499 Resolução nº 1402000.701 S1C4T2 Fl. 5 4 Em sede de Recurso Voluntário, em razão de tal nova constatação da DRJ, a Recorrente informa que fazia parte de tal Consórcio, o qual não possui personalidade jurídica, sendo ela a titular, na proporção de sua participação, de parte dos valores de IRRF retidos. Provando o alegado, traz cópia de 1º Alteração do Contrato de Constituição de Consórcio, onde efetivamente consta como parte e consorciada. Pois bem, primeiro, no que tange aos aspectos processuais da demanda, cabe aqui registrar a aceitação de tal nova demonstração e documentação, vez que ausentes na Manifestação de Inconformidade. Devese ter em vista que o r. Despacho Decisório, contra o qual fora oposta a Manifestação de Inconformidade fundamentou a negativa do crédito na ausência de comprovação da existência de pagamento indevido ou a maior e, observou, que nas informações das Fontes Pagadoras, a monta dos recolhimentos era inferior àquela declarada pela Contribuinte. Apenas isso. Não se mencionou terceiros ou Consórcio nessa primeira decisão denegatória. Ao seu turno, a DRJ a quo corretamente aprofundou a investigação dos fatos e constatou que essa diferença de retenções de IRRF correspondia a valores retidos em nome de outra Pessoa Jurídica beneficiária, no caso Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore inclusive espontaneamente consultando sistemas da Receita Federal do Brasil. Fica, então, claro que o fundamento de que as retenções ainda controversas foram efetuadas em nome de terceiro é motivação nova e incidental na demanda, sendo objetivamente trazida apenas em sede de julgamento da Manifestação de Inconformidade. Antes disso, não se falava em outra pessoa jurídica, e muito menos em Consórcio, para denegar as compensações declaradas. Desse modo, entendese que os documentos trazidos, principalmente a cópia da 1ª Alteração do Contrato de Consórcio, devem ser aceitos e deles deve se conhecer, considerando a previsão da alínea "c" do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/721, a qual deve ser interpretada sistematicamente com as demais normas de regência do processo administrativo fiscal, especialmente o art. 18 daquele mesmo Decreto, o Código de Processo Civil vigente e à luz do princípio da busca pela verdade material. Dito isso, primeiramente temos que a Recorrente combateu com eficácia a fundamentação da DRJ a quo para denegar o crédito. Nesse sentido, a constatação e correspondente afirmação dos I. Julgadores a quo de que os comprovantes de rendimentos em 1 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (...) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10850.900421/201499 Resolução nº 1402000.701 S1C4T2 Fl. 6 5 nome de outra Pessoa Jurídica beneficiária, no caso Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore tornamse ineficazes para afastar totalmente a pretensão da Parte pugnante, vez que demonstrado que a Contribuinte participava desse mesmo Consórcio, sendo, comprovadamente, titular de parte das retenções de IRRF. É certo que os Consórcios de empresas não possuem personalidade jurídica. Logo, a própria designação outra Pessoa Jurídica beneficiária utilizada pela DRJ revelase data maxima venia equivocada. Ainda que passível/obrigado a possuir de registro no CNPJ, assim como hoje em dia também ocorre com as Sociedades em Conta de Participação, tal comando, de forma alguma, é capaz de, per si, atribuir personalidade jurídica aos Consórcios. Seguramente, os Consórcios podem ser descritos como uma reunião por meio contratual de empresas, que visa propiciar a divisão das receitas, custos e despesas de uma determinada atividade ou empreita a ser desenvolvida, proporcionalmente ao avençado entre as partes celebrantes. Tal figura de Direito Comercial é até hoje regulada pelos arts. 278 e 279 da Lei das S/A2, sendo alterado este último dispositivo pela Lei nº 11.941/2009. Ainda que uma maior e mais detalhada regulamentação na esfera tributária tenha apenas ocorrido com o advento da Lei nº 12.402/2011 e da correspondente IN nº 1.119/2011, tal figura contratual e interempresarial há muito já guardava relevância fiscal, com regulação presente em pontuais normativos que reconheciam e atribuíam efeito tributário a tal contrato, assim como às suas estipulações, encaixandose na exceção inicial do art. 123 do CTN. 2 Art. 278. As companhias e quaisquer outras sociedades, sob o mesmo controle ou não, podem constituir consórcio para executar determinado empreendimento, observado o disposto neste Capítulo. Art. 279. O consórcio será constituído mediante contrato aprovado pelo órgão da sociedade competente para autorizar a alienação de bens do ativo não circulante, do qual constarão: I a designação do consórcio se houver; II o empreendimento que constitua o objeto do consórcio; III a duração, endereço e foro; IV a definição das obrigações e responsabilidade de cada sociedade consorciada, e das prestações específicas; V normas sobre recebimento de receitas e partilha de resultados; VI normas sobre administração do consórcio, contabilização, representação das sociedades consorciadas e taxa de administração, se houver; VII forma de deliberação sobre assuntos de interesse comum, com o número de votos que cabe a cada consorciado; VIII contribuição de cada consorciado para as despesas comuns, se houver. Parágrafo único. O contrato de consórcio e suas alterações serão arquivados no registro do comércio do lugar da sua sede, devendo a certidão do arquivamento ser publicada. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10850.900421/201499 Resolução nº 1402000.701 S1C4T2 Fl. 7 6 Por exemplo, IN nº 105/84 já obrigava a inscrição dos Consórcios no CNPJ se estes pagassem, individualmente, rendimentos sujeitos à retenção na fonte ou auferisse rendimentos em decorrência de suas atividades. Confirmando o afirmado e complementando a demonstração acima expedida, confirase o comentário de Hiromi Higuchi3, ainda sobre a regulamentação tributária dos Consórcios, antes de 2011 (as retenções referentes à presente lide são referentes a 2010): O ADN nº 21, de 081184, esclareceu que o fato de aplicar se aos consórcios o mesmo regime tributário a que estão sujeitas as pessoas jurídicas, não os obriga, nem autoriza, a apresentar declaração de rendimentos. Esclarece ainda que para efeito de aplicação do referido regime tributário, os rendimentos decorrentes das atividades desses consórcios devem ser computadas nos resultados das empresas consorciadas, proporcionalmente à participação de cada uma no empreendimento. O seu item 3 dispõe que o valor do imposto retido na fonte sobre rendimentos auferidos pelos consórcios será compensado na declaração de rendimentos das pessoas jurídicas consorciadas, no exercício financeiro competente, proporcionalmente à participação contratada. (destacamos) Oportunamente digase aqui que a previsão expressa e específica de retenção de tributos na fonte, sobre recebimentos dos Consórcios, em nome individual das empresas consorciadas, somente surge com o advento da IN nº 1.199/20114. A única exceção na legislação infralegal anterior a 2011, que determinava retenção em nome das empresas participantes, era o art. 16 da IN nº 480/2004, que regulava apenas pagamentos advindos do Poder Público que não é, aqui, o caso. Diante disso, temos cenário em que certamente não estáse diante de retenções efetuadas em favor de outra pessoa jurídica, vez que as empresas participantes de Consórcio são as titulares da retenções efetuadas em seu nome, devendo ser, desde já, afastada a fundamentação do V. Acórdão recorrido. As cópias da 1ª Alteração de Contrato de Consórcio juntadas, que possuem todos os sinais de registro cartorial, já fazem prova da existência do dito Consórcio e da participação da Recorrente em tal pacto. Desse modo, tendo em vista o tratamento tributário de tais valores à época dos pagamentos e retenções, resta certo que a Contribuinte faz jus a parte desses valores de IRRF, compensável com 3 Imposto de Renda das Empresas. 41ª Ed. São Paulo : IR Publicações, 2016. p. 216. 4 Art. 7º Nos recebimentos de receitas decorrentes do faturamento das operações do consórcio sujeitas à retenção do imposto sobre a renda, da CSLL, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, na forma da legislação em vigor, a retenção deve ser efetuada em nome de cada pessoa jurídica consorciada, proporcionalmente à sua participação no empreendimento. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10850.900421/201499 Resolução nº 1402000.701 S1C4T2 Fl. 8 7 o IRPJ devido no anocalendário de 2010, proporcionalmente à sua participação no Consórcio. Ocorre que, o conjunto probatório que se apresenta é incompleto, não podendo da Alteração Contratual se verificar a precisa proporção da Recorrente em tal reunião contratual pactuada. Tampouco está clara a contabilização específica, individual e proporcional das receitas auferidas por meio do referido Consórcio, correspondente ao IRRF em questão. Mesmo sendo ônus do contribuinte a prova do seu direito creditório, temos que no presente caso já foi demonstrada, com eficácia, a improcedência do fundamento adotado pelo v. Acórdão recorrido, não podendo prevalecer tal decisão. Considerando a necessidade de reforma de tal posição jurisdicional anterior e a existência de provas idôneas e fortes indícios de procedência, ainda que parcial, do pleito original da Contribuinte, entendese ser, aqui, cabível a determinação de diligência. Diante do exposto, resolvese por encaminhar os autos à D. Unidade Local de fiscalização, para que: 1) seja intimada a Recorrente a apresentar: 1.a) Cópia do Contrato de Consórcio original, pelo qual fora constituído o Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore (CNPJ nº 08.727.318/00018), apontando em arrazoado a ser apresentado junto de tal documentação a percentagem de sua participação nas receitas referentes ao IRRF retido; 1.b) Cópias das todas as eventuais alterações contratuais do Consórcio, procedidas até ao final do anocalendário de 2010; 1.c) Demonstração, por meio de documentos idôneos e arrazoado explicativo, da contabilização das receitas correspondentes ao IRRF retido pelo Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore, bem como a sua oferta à tributação, na proporção de sua participação no referido Consórcio, mencionada no Item 1.a; 2) Após, a D. Unidade Local, à luz do Parecer COSIT nº 02/2018, deverá analisar a documentação trazida, os arrazoados apresentados, as declarações fiscais e as demonstrações presentes nos autos, elaborando Relatório, claro, fundamentado e conclusivo, no qual seja atestado se houve ou não a comprovação satisfatória de que o crédito pretendido pela Contribuinte é procedente, considerando em tal análise as retenções efetuadas pelas Fontes Pagadoras em nome do Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore, na proporção de sua participação em tal contrato. 3) Deverá ser dada ciência ao Contribuinte do Relatório elaborado, com a abertura do devido prazo legal para manifestação formal, antes do retorno dos autos para julgamento." Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10850.900421/201499 Resolução nº 1402000.701 S1C4T2 Fl. 9 8 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 155DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11330.000084/2007-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INÍCIO. TÉRMINO. REINÍCIO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO.
O contencioso administrativo se inicia com a impugnação e termina com a última decisão administrativa em relação a qual não cabe mais recurso, não havendo qualquer previsão de reinício.
LANÇAMENTO FISCAL. TEMPO LEGAL. NÃO ANULADO POR VÍCIO MATERIAL. PRAZO DECADENCIAL. NÃO SUJEIÇÃO.
O lançamento fiscal realizado no tempo legalmente permitido e não anulado por vício material, não está mais sujeito a prazo decadencial.
MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. DECISÃO. FUNDAMENTO JURÍDICO. LANÇAMENTO.
Incorre em mudança de critério jurídico a decisão que mantém o lançamento fiscal adotando fundamento jurídico distinto daquele empregado pela fiscalização.
CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. SEGURIDADE SOCIAL. OBRIGAÇÕES. BENEFÍCIO DE ORDEM. AUSÊNCIA.
O proprietário de obra de construção civil responde solidariamente com o construtor pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, sem benefício de ordem.
RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. RELAÇÃO DE VÍNCULOS. RESPONSABILIDADE. AUSÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 88.
A Relação de Co-Responsáveis, o Relatório de Representantes Legais e a Relação de Vínculos que acompanham o lançamento fiscal não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa. Sendo nessa linha a Súmula CARF nº 88.
Numero da decisão: 2402-006.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, pelo voto de qualidade, afastar a prejudicial de mérito e a decadência, vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator), Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior; e, no mérito, por maioria de votos, negar-lhe provimento, vencido o Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator). Votaram pelas conclusões, com o relator, em relação às prejudiciais de mérito, e, com a divergência, quanto impossibilidade de revisão de lançamento, os Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci e Gregorio Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INÍCIO. TÉRMINO. REINÍCIO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO. O contencioso administrativo se inicia com a impugnação e termina com a última decisão administrativa em relação a qual não cabe mais recurso, não havendo qualquer previsão de reinício. LANÇAMENTO FISCAL. TEMPO LEGAL. NÃO ANULADO POR VÍCIO MATERIAL. PRAZO DECADENCIAL. NÃO SUJEIÇÃO. O lançamento fiscal realizado no tempo legalmente permitido e não anulado por vício material, não está mais sujeito a prazo decadencial. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. DECISÃO. FUNDAMENTO JURÍDICO. LANÇAMENTO. Incorre em mudança de critério jurídico a decisão que mantém o lançamento fiscal adotando fundamento jurídico distinto daquele empregado pela fiscalização. CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. SEGURIDADE SOCIAL. OBRIGAÇÕES. BENEFÍCIO DE ORDEM. AUSÊNCIA. O proprietário de obra de construção civil responde solidariamente com o construtor pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, sem benefício de ordem. RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. RELAÇÃO DE VÍNCULOS. RESPONSABILIDADE. AUSÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 88. A Relação de Co-Responsáveis, o Relatório de Representantes Legais e a Relação de Vínculos que acompanham o lançamento fiscal não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa. Sendo nessa linha a Súmula CARF nº 88.
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INÍCIO. TÉRMINO. REINÍCIO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO. O contencioso administrativo se inicia com a impugnação e termina com a última decisão administrativa em relação a qual não cabe mais recurso, não havendo qualquer previsão de reinício. LANÇAMENTO FISCAL. TEMPO LEGAL. NÃO ANULADO POR VÍCIO MATERIAL. PRAZO DECADENCIAL. NÃO SUJEIÇÃO. O lançamento fiscal realizado no tempo legalmente permitido e não anulado por vício material, não está mais sujeito a prazo decadencial. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. DECISÃO. FUNDAMENTO JURÍDICO. LANÇAMENTO. Incorre em mudança de critério jurídico a decisão que mantém o lançamento fiscal adotando fundamento jurídico distinto daquele empregado pela fiscalização. CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. SEGURIDADE SOCIAL. OBRIGAÇÕES. BENEFÍCIO DE ORDEM. AUSÊNCIA. O proprietário de obra de construção civil responde solidariamente com o construtor pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, sem benefício de ordem. RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. RELAÇÃO DE VÍNCULOS. RESPONSABILIDADE. AUSÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 88. A Relação de CoResponsáveis, o Relatório de Representantes Legais e a Relação de Vínculos que acompanham o lançamento fiscal não atribuem AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 00 84 /2 00 7- 41 Fl. 901DF CARF MF Processo nº 11330.000084/200741 Acórdão n.º 2402006.237 S2C4T2 Fl. 3 2 responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa. Sendo nessa linha a Súmula CARF nº 88. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, pelo voto de qualidade, afastar a prejudicial de mérito e a decadência, vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator), Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior; e, no mérito, por maioria de votos, negarlhe provimento, vencido o Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator). Votaram pelas conclusões, com o relator, em relação às prejudiciais de mérito, e, com a divergência, quanto impossibilidade de revisão de lançamento, os Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci e Gregorio Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Nessa prumada, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.236 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 06 de junho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 18471.001856/200887, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.236 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso Voluntário em Processo nº 18471.001856/200887, caracterizado como o mais representativo da controvérsia contida em multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito tendo como Recorrente a PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. e Recorrida a FAZENDA NACIONAL. Em conformidade com os dispositivos contidos no Art. 47, Anexo II do RICARF vigente (com redação dada pela Redação dada pela Portaria MF nº 153, de 2018), o resultado do mesmo será paradigma para aplicação em lote repetitivo composto pelos processos de número 11330.000085/200795; 11330.000087/200784; 11330.000937/200744; 11330.001348/200783; 18471.000127/200811; Fl. 902DF CARF MF Processo nº 11330.000084/200741 Acórdão n.º 2402006.237 S2C4T2 Fl. 4 3 18471.000315/200831; 18471.001456/200871; 18471.001506/200811; 18471.001580/200837; 18471.001586/200812 e 18471.001592/200861. Por bem registrar o andamento do processo até a fase recursal, adotaremos o relatório da Decisão recorrida de folhas 265 a 274: "DO LANÇAMENTO Tratase de crédito lançado pela fiscalização (NFLD DEBCAD 35.496.3643 consolidado em 01/09/2002), no valor de R$ 34.258,57, acrescidos de juros e multa, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 32/35), referese às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, dos segurados, e às destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa dos riscos ambientais do trabalho, referentes às competências 12/1999 a 12/2000. 2. As contribuições foram apuradas com base no instituto da responsabilidade solidária, decorrente da execução de serviços de construção civil, de acordo com o artigo 30, VI, da Lei no 8.212/1991, com redação vigente à época dos fatos geradores, pela empresa IMIGRANTES PINTURA INDUSTRIAL S/C LTDA, CNPJ: 65.045.619/000168, em cumprimento ao contrato 270.2.044.998. 2.1. A descrição dos serviços prestados, de acordo com o objeto do contrato encontrase no item 5 do Relatório Fiscal. 2.2. A empresa contratante deixou de apresentar a Discriminação da Redução da Base de Cálculo do Valor Retido nas Faturas de 12/1999 a 12/2000. 2.3. Os dados para o levantamento foram obtidos pela análise dos seguintes elementos: Contrato de Prestação de Serviços, Relação de Faturas e Boletins de Medições, GPS de Retenção de 07/1999 a 11/1999, que foram aproveitadas (não gerando débito nestas competências), GPS de retenção de 11/1999 a 01/2000 e 03/2000 a 12/2000, que foram devidamente aproveitadas, conforme DAD – Discriminativo Analítico de Débito. DA IMPUGNAÇÃO DA PETROBRAS 3. A PETROBRAS, notificada do lançamento em 25/09/2002 apresentou impugnação em 10/10/2002, através do instrumento de fls. 40/43, alegando, em síntese: 3.1. afirma o contribuinte que é inegável a previsão da solidariedade passiva na Lei, contudo, essa solidariedade pressupõe sempre a configuração da dívida ou da obrigação, a fim de que o credor possa imputála a um dos devedores solidários. Para que o devedor solidário seja cobrado, fazse necessário a declaração de existência da obrigação do devedor originário, e a constituição de sua liquidez; Fl. 903DF CARF MF Processo nº 11330.000084/200741 Acórdão n.º 2402006.237 S2C4T2 Fl. 5 4 3.2. devese proceder ao lançamento primeiro contra o contribuinte e, somente após, constituído o crédito contra o devedor principal é que, também o devedor solidário poderá ser cobrado; 3.3. inexistindo o lançamento contra a empresa devedora originária, capaz de conferir exigibilidade ao crédito tributário, não pode o INSS cobrar da Recorrente, pelo simples motivo de que a existência da obrigação dos devedores não se configurou; 3.4. certo é que o lançamento declara a obrigação, mas deve declarála em face de todos os devedores reputados solidários; 3.5. a Autarquia não apurou e não lançou o tributo contra os devedores principais, mas está louvandose do direito de constituir o crédito apenas contra a impugnante, tomando uma atitude totalmente injurídica; 3.6. em relação à base de cálculo, cumpre destacar que a notificação considerou o valor bruto das notas fiscais para a incidência da exação. Assim, a base de cálculo da contribuição não se restringiu apenas à base de cálculo e ao fato gerador da contribuição social incidente sobre salários, uma vez que, embutidos no valor das notas fiscais ou da fatura, encontramse diversos outros valores, que não se referem à folha de salários da empresa prestadora de serviços; 3.7. a atitude tomada pelo INSS contamina o lançamento, pois este não revela a exata medida da responsabilidade solidária, além de ofender o princípio da legalidade, ante o alargamento da base de cálculo, sem considerar que esta deve guardar absoluta correspondência com o desempenho da atividade desenvolvida pelo contribuinte; 3.8. o INSS transfere para a recorrente, sem lei que o autorize, toda a fiscalização tributária sobre o contribuinte, ofendendo diretamente o princípio da legalidade e não pode prevalecer; 3.9. invoca a sua qualidade de ente integrante da administração pública indireta para concluir que, na presente exação, o governo postula o recebimento de crédito do próprio governo; 3.10. por fim, requer o cancelamento da notificação e protesta pela juntada de documentação superveniente. Do aditamento à impugnação 4. A PETROBRAS ainda apresentou aditamento à impugnação em 23/12/2002, fls. 49, com a juntada de documentos (fls. 50/111), para comprovar suas alegações. DA IMPUGNAÇÃO DA PRESTADORA DE SERVIÇOS 5. A IMIGRANTES, notificada do lançamento por edital, publicado em 09/05/2003 O DIA (fls. 118) não apresentou impugnação. DA DILIGÊNCIA 6. Diante da documentação apresentada, através do aditamento à impugnação, os autos foram Fl. 904DF CARF MF Processo nº 11330.000084/200741 Acórdão n.º 2402006.237 S2C4T2 Fl. 6 5 encaminhados ao Serviço de Fiscalização em 27/06/2003, fls. 119. Após análise dos documentos, de fls. 50/111, a fiscalização elaborou Informação Fiscal em 11/07/2003, fls. 120, na qual concluiu pela manutenção do débito, afirmando que os documentos apresentados em nada alteram o lançamento. DO JULGAMENTO E RECURSO 7. O Lançamento foi julgado PROCEDENTE através da Decisão Notificação nº 17.401.4/0788/2003, de 29/08/2003, fls. 122/129. Devidamente notificada a PETROBRAS em 04/09/2003, (fls. 130) e a IMIGRANTES, através de edital, publicado em 17/10/2003 (fls. 131). 8. Apenas a PETROBRAS apresentou Recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, em 30/09/2003 (fls. 134/137). 9. Após a elaboração das ContraRazões, em 27/02/2004 o processo foi encaminhado ao CRPS. 10. A 2ª Câmara de Julgamento do CRPS, através do Acórdão nº 0001134, de 28/06/2004 (fls. 142/149), decidiu anular, por maioria, a Decisão Notificação – DN, determinando que o INSS apresentasse elementos, com base na contabilidade do contribuinte, que justificasse o procedimento adotado, e ainda utilizasse outros meios para localizar o contribuinte (prestador de serviços) tais como diligência junto à Receita Federal, Junta Comercial, Secretaria da Fazenda Estadual, Cadastro do ISS, etc, inclusive utilizandose edital na praça de localização do mesmo, pois entendeu que o INSS não se esforçou para localizá lo, já que publicou edital de citação em praça diversa do contribuinte. DO PEDIDO DE REVISÃO DO ACÓRDÃO 11. Inconformada com a Decisão, considerando que não houve vício insanável que acarretasse a nulidade da DN, o INSS interpôs Pedido de Revisão do Acórdão (fls. 150/154). 12. As empresas interessadas foram devidamente comunicadas do Acórdão nº 0001134, assim como do Pedido de Revisão, Petrobrás em 19/10/2004 (fls. 155) e IMIGRANTES através de edital publicado no Jornal do Comércio em 14/01/2005 (fls. 163). Foi concedido às mesmas, prazo para manifestação, o que acarretou o pronunciamento da PETROBRAS (fls. 158/161). 13. O Pedido de Revisão NÃO FOI CONHECIDO pela 2ª Câmara de Julgamento, conforme o Acórdão nº 0000631, de 27/05/2005, sob a alegação de que divergência de entendimento não é causa para revisão de julgados deste conselho (fls. 166/169). Fl. 905DF CARF MF Processo nº 11330.000084/200741 Acórdão n.º 2402006.237 S2C4T2 Fl. 7 6 DO REINÍCIO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO 14. Primeiramente cumpre esclarecer que, no interregno do julgamento do pedido de revisão ao reinício do Contencioso Administrativo, o entendimento exarado pelo CRPS, à época, quanto à necessidade de exame da contabilidade do prestador do serviço a fim de constatar a existência ou não do crédito tributário, foi alterado pelo Conselho Pleno do CRPS, o qual exarou o Enunciado nº 30, editado pela Resolução nº 1, de 31/01/2007, publicada no DOU de 05/02/2007, passando a dispensar tal exigência: Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços. 15. De acordo com a Resolução mencionada é necessária apenas a verificação acerca do prestador ter sido alvo de procedimento fiscal com exame da contabilidade no período de interesse. Caso positivo, incabível a lavratura do crédito, caso contrário, permanece a lavratura do mesmo. 16. Em atendimento ao determinado no Acórdão do CRPS, em 16/01/2008, fls. 202/203, o AuditorFiscal afirma inicialmente que o INSS tentou dar ciência da NFLD à empresa prestadora, sem êxito, fazendoo em seguida através de edital e, que efetuou pesquisas nos sistemas informatizados da SRFB CNAF/CFE, fls. 199, sendo analisadas as informações disponíveis relativas à empresa contratada, constatandose que não houve ação fiscal com exame de contabilidade, englobando o período referente ao lançamento em pauta, e que a empresa aderiu ao parcelamento especial da Lei nº 9964/2000 –REFIS em 21/03/2000 (fls. 200), mas foi excluída em 01/01/2002 por inadimplência, assim como aderiu ao parcelamento da Lei nº 10684/2003 – PAES (fls. 201), mas encontrase inadimplente desde 20/11/2005. 17. Assim sendo, a Petrobrás foi notificada do Resultado da Diligência de 16/01/2008, dos Acórdãos nº 1134 e nº 631 assim como da reabertura do prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, através da INTIMAÇÃO nº 644/2011 (Petrobrás – fls. 208) em 01/04/2011 (fls. 213) e a IMIGRANTES PINTURA INDUSTRIAL S/C LTDA através de edital publicado no Diário Oficial da União em 10/08/2011 (fls. 221), entretanto não se manifestaram." O Recurso Voluntário apresentado após o reinício do contencioso aborda questões relacionadas a falhas ocorridas no processo. Inicia suas questões preliminares sustentando ser a Nulidade da NFLD por ausência de requisitos mínimos relacionados a fundamentação e identificação do fato gerador, afirmando que a "indicação genérica pode apenas compreender o motivo, porém Fl. 906DF CARF MF Processo nº 11330.000084/200741 Acórdão n.º 2402006.237 S2C4T2 Fl. 8 7 não o faz em face da motivação para embasar o ato jurídico administrativo." Argumenta haver ilegalidade quanto ao "reinício do contencioso administrativo" frente a coisa julgada administrativa. Ainda que se admita a possibilidade de reinício do contencioso, sustenta ter ocorrido novo lançamento em momento onde o crédito já havia decaído. Articula pela impossibilidade de revisão do lançamento indicando ter ocorrido violação ao disposto no Art. 149 do CTN e sustenta ainda haver impossibilidade de retroatividade da aplicação do Enunciado 30 do CRPS. Entende ter ocorrido o descumprimento da Decisão do CRPS quanto a anulação da DN e realização de diligencia fiscal suplementar. Trata ainda de apresentar tese quanto a impossibilidade de estabelecimento da solidariedade sem a preexistência do crédito constituído contra o devedor principal e discorre a respeito da adoção de base de calculo inadequada. Por derradeiro, trata da exclusão de responsabilidade dos representantes legais e pugna pela realização de diligência suplementar. É o Relatório." Voto Mario Pereira de Pinho Filho Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.236 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 06 de junho de 2018, proferido no julgamento do processo n° 18471.001856/200887, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, nos termos regimentais, o inteiro teor dos votos vencido e vencedor proferidos, respectivamente, pelos Conselheiros Jamed Abdul Nasser Feitoza e Denny Medeiros da Silveira, dignos Relator e Redator designado da decisão paradigma suso citada, reprisese, Acórdão nº 2402006.236 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 06 de junho de 2018: Acórdão nº 2402006.236 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Voto Vencido " Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator. 1. Admissibilidade. Fl. 907DF CARF MF Processo nº 11330.000084/200741 Acórdão n.º 2402006.237 S2C4T2 Fl. 9 8 O presente processo é marcado por uma forte atipicidade ritualística, impondo uma cuidadosa análise de admissibilidade. Para além do fato de tratarse de paradigma de recursos em matéria de direito repetitivas, o processo padece de falhas procedimentais com grande impacto quanto aos pontos do Recurso Voluntário que devem ser conhecidos e aqueles que representam inovação na lide. A Recorrente apresentou impugnação total da NFLD nº 35.496.3643 e aditamento da mesma para juntar documentos e em tais manifestações limitouse a tratar de questões de mérito relacionadas a solidariedade e base de calculo adotada, nada tratando a respeito de outros pontos. Em julgamento da impugnação o lançamento foi mantido nos termos da Decisão Notificação n° 17.401.4/0788/2003, em razão disso a Recorrente apresentou seu primeiro Recurso Voluntário, este contraarrazoado pelo INSS. Em julgamento de tais peças, foi proferido o Acórdão n° 1134 de 28/06/2004 onde os membros da 2ª Câmara de Julgamento do CRPS, decidiram anular a decisão recorrida. A Secretara da Receita Previdenciária SRP emitiu Pedido de Revisão do Acórdão. Em resposta, a Recorrente apresentou manifestação no sentido de manutenção da decisão e não conhecimento do pedido de revisão, sendo emitido o Acórdão n° 631 de 27/05/2005 em que os membros da 2ª Câmara de Julgamento do CRPS decidiram não conhecer do Pedido de Revisão. Em decorrência do julgamento e de outras discussões foi providenciada a devolução do depósito recursal referente à NFLD n° 35.496.3643. Os contribuintes principal e solidário foram cientificados dos Acórdãos n° 1134 e 631 da 2ª Câmara de Julgamento do CRPS e do Resultado de Diligência de 16/01/2008, conforme intimação de fls. 210 e Edital de fls. 222, no entanto não apresentaram manifestações. Por meio de mero despacho da Superintendência Regional 7ª Região Fiscal DEMAC foi determinado o reinício do contencioso administrativo. O Recurso Voluntário em julgamento é interposto contra nova decisão de primeira instância emitida em razão do reinício do contencioso e tomando por base a impugnação original. Portanto, é um corolário lógico que o Recurso trate de temas não articulados na Impugnação. Entretanto, há limites para tal. As questões relacionadas a ordem processual devem ser conhecidas ainda que representem inovação, pois, decorrem de atos processuais posteriores a apresentação da impugnação. Fl. 908DF CARF MF Processo nº 11330.000084/200741 Acórdão n.º 2402006.237 S2C4T2 Fl. 10 9 Contudo, outros temas constantes do Recurso Voluntário em julgamento, mas que não decorrem de atos posteriores a impugnação, não merecem ser conhecidos. Nesse sentido, por representar inovação na lide, voto por não conhecer a preliminar de nulidade, eis que poderia ter sido apresentada desde a impugnação, assim como voto por não conhecer das alegações de relacionadas a exclusão de responsabilidade dos representantes legais. Quanto aos demais pontos do recurso, voto por conhecêlos integralmente eis que, dadas as circunstâncias processuais, preenchem os requisitos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade. 2. Das questões prejudiciais ao mérito. Embora não tenham sido articuladas como preliminares, devem ser conhecidas e votadas de modo prioritário as matérias recursais com potencial prejudicialidade à análise dos demais pontos. Sob tal pressuposto técnico há de se conhecer de modo prioritário os argumentos de ilegalidade do denominado "reinício do contencioso e Decadência". Em análise do andamento processual, nos parece claro que o objeto da lide foi resolvido de modo inequívoco e definitivo por meio dos Acórdão n° 1134 de 28/06/2004 e confirmado por meio do Acórdão n° 631 de 27/05/2005 emitidos pela 2ª Câmara de Julgamento do CRPS. O Acórdão nº 0001134, proferido pela 2ª CAJ em 28/06/2004 recebeu a seguinte ementa: PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO Solidariedade. E necessário que o INSS constate a j . existência do crédito previdenciário junto ao contribuinte (prestador dos serviços). Somente diante da não apresentação ou apresentação deficiente (pelo prestador dos serviços) da documentação contábil e trabalhista necessária a comprovar a extinção da obrigação previdenciária, poderia o INSS arbitrar, junto ao responsável solidário, as contribuições que entender devidas. Anular a DN. O referido Acórdão apresentou o seguinte resultado: Vistos e relatados os presentes autos, em sessão realizada hoje, ACORDAM os membros da Segunda Câmara de Julgamento do CRPS, por Maioria em ANULAR A DECISÃO NOTIFICAÇÃO (DN), de acordo com o voto do(a) Relator(a) e sua fundamentação. Apresentou voto divergente, sendo vencido, o Representante do Governo, Marco André Ramos Vieira. Apresentou Declaração de Voto, acompanhando o voto do Relator, o Representante do Governo, Mário Humberto Cabus Moreira. Fl. 909DF CARF MF Processo nº 11330.000084/200741 Acórdão n.º 2402006.237 S2C4T2 Fl. 11 10 Quanto aos termos fundamentais do Acórdão é relevante observar que o decisório contém o voto do Relator, um voto vencido e uma declaração de voto que apresentam ligeira divergência quanto as razões, mas todas as manifestações votaram por anular a decisão notificação. Em todas as manifestações restou claro haver dúvidas quanto a própria materialidade da obrigação tributária, uma vez que nenhum procedimento para verificação do inadimplemento tributário por parte do devedor original foi realizado. O lançamento se deu por mera presunção, não se adotando nenhum tipo de cautela fiscal com vistas a averiguar se, por exemplo, não haveria duplicidade de pagamentos. As divergências se estabeleceram quanto a necessidade de realização de diligência fiscal suplementar e outros aspectos teóricos relacionados ao estabelecimento da solidariedade. Mas, mesmo diante das divergências, restou uníssono o entendimento quanto a necessária indicação do fato gerador e seus elementos caracterizadores, sendo este o fundamento dado para declaração de nulidade da decisão de primeira instância. Por consequência, anulada a decisão restou anulado o próprio lançamento, eis que os fundamentos que conduziram a tal resultado fazem referência a elementos materiais e formais do lançamento e não a erros procedimentais na atividade julgadora. A anulação não tomou por base a decisão recorrida e seus elementos formais ou processuais, mas o lançamento, sendo inegável a sua desconstituição. Seguindo no contencioso, verificamos a existência de um pedido de reconsideração apresentado pelo próprio INSS obtendo decisão com a seguinte ementa: CUSTEIO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Lançamento fiscal é o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, nos termos do I art. 142, do Código Tributário Nacional. A apuração do crédito tributário Junto ao prestador é necessária. Caso ocorra a não apresentação ou apresentação, deficiente pelo prestador, da documentação contábil ou trabalhista necessária a comprovar a extinção previdenciária, poderia o INSS arbitrar, junto ao responsável solidário, as contribuições que entender devidas. Nos ditames do parecer 2.376/2000, o INSS deve evitar os lançamentos em duplicidade, ou ainda, a exigência de contribuições já recolhidas. A interpretação Fl. 910DF CARF MF Processo nº 11330.000084/200741 Acórdão n.º 2402006.237 S2C4T2 Fl. 12 11 divergente por si só não enseja não gera a revisão de acórdão. Pedido de Revisão Não Conhecido. O Denominado "Pedido de Revisão" equivale ao Recurso Especial e, por consequência, sua admissibilidade está condicionada à demonstração efetiva de existência de julgados semelhantes com interpretação divergente, o que não se demonstrou no presente caso, levando o referido pedido ao não conhecimento. Com efeito, este processo seguiu seu rito e se esgotou em definitivo na data de 31/05/2005. Importante observar que consta dos autos despacho confirmando a definitividade da decisão e encerramento do processo (Fls. 170), tendo o Recorrente intimado da decisão em 12/07/2005. Portanto, restou conformada a situação jurídica de que trata o inciso II do Art. 42 combinado com o disposto no Art. 45, ambos do Decreto 70.235/71: "Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. [...] Art. 45. No caso de decisão definitiva favorável ao sujeito passivo, cumpre à autoridade preparadora exonerálo, de ofício, dos gravames decorrentes do litígio." Entretanto, em afronta aos princípios da legalidade, segurança jurídica, ampla defesa e contraditório, sem qualquer razão ou fundamento legal, por mero despacho de integrantes da fiscalização, determinouse o reinício do contencioso. (Fl. 261) Em que pese haver indicação quanto a necessidade de realização de diligência suplementar no voto vencedor do Acórdão que decidiu pela nulidade do lançamento, não há como confundir o decisório como mera resolução ou mesmo aceitar tratase de anulação por vicio meramente formal, o que viabilizaria a reemissão do lançamento nos termos do Art. 173, II do CTN. Não seria uma Resolução por ter conteúdo decisório extintivo, tão pouco poderia ser atribuído ao fisco o direito de reemitir o lançamento, nos termos dispostos no Art. 173, II do CTN, por absoluta ausência de fundamentação neste sentido ou compatibilidade dos elementos decisórios às previsões do referido dispositivo, eis que a nulidade declarada tem natureza material. Fl. 911DF CARF MF Processo nº 11330.000084/200741 Acórdão n.º 2402006.237 S2C4T2 Fl. 13 12 Se considerarmos que o Acórdão nº 1134 foi proferido em 28/06/2004 e fazia referência a fatos geradores ocorridos entre 12/1999 e 12/2000, tal indicação tinha por pressuposto o fato de que, naquele momento, o direito de realizar novo lançamento ainda não havia decaído, sendo mera indicação. De modo que tal determinação, tomada pelo próprio órgão lançador, sem qualquer fundamentação, fere diversos direitos e garantias fundamentais dos contribuintes e a ordem pública, em especial o direito ao devido processo legal, legalidade, segurança jurídica e ampla defesa e contraditório. Além de afrontar qualquer lógica processual, o chamado "reinício do contencioso" tem como ato seguinte não um novo lançamento, notificação do lançamento ou qualquer ato inequívoco que permita aos contribuintes exercerem o seu direito a ampla defesa e contraditório de modo amplo e adequado, mas, parte, ato contínuo, para o julgamento de lançamento já anulado por decisão definitiva, sem dar a oportunidade dos contribuintes apresentarem nova impugnação. Ainda que tal oportunidade fosse conferida aos contribuintes solidário e principal, à que elementos deveriam resistir? O lançamento fora anulado, novo lançamento não foi emitido e ainda que fosse, como a anulação não se deu por elementos meramente formais, os créditos em foco já estariam sob decadência, eis que o processo alcançou sua definitividade em 12/07/2005 e nenhum novo lançamento foi realizado até a presente data. Por todo exposto, voto por dar provimento ao recurso quanto a impossibilidade de reinício, uma vez que decisão definitiva fora proferida, voto ainda por reconhecer a extinção do direito de constituição do crédito ante a decadência, bem como a nulidade da decisão também por afronta ao direito de ampla defesa e contraditório do Recorrente, ao devido processo legal e a segurança jurídica. 3. Mérito. Em atenção ao princípio da eventualidade, dada a possibilidade de não ser acompanhando pelo colegiado nos pontos anteriores, analiso os demais argumentos recursais passíveis de conhecimento. 3.1. Impossibilidade de Revisão do Lançamento. Um dos fundamentos trazidos aos autos para tentar dar ares de legalidade ao reinício do contencioso com revisão do lançamento, foi introduzido pelo Relator do Acórdão nº 12 60.032 da 10ª Turma da DRJ/RJ1, de 25/09/2013, nos seguintes termos: "14. Primeiramente cumpre esclarecer que, no interregno do julgamento do pedido de revisão ao reinício do Contencioso Fl. 912DF CARF MF Processo nº 11330.000084/200741 Acórdão n.º 2402006.237 S2C4T2 Fl. 14 13 Administrativo, o entendimento exarado pelo CRPS, à época, quanto à necessidade de exame da contabilidade do prestador do serviço a fim de constatar a existência ou não do crédito tributário, foi alterado pelo Conselho Pleno do CRPS, o qual exarou o Enunciado nº 30, editado pela Resolução nº 1, de 31/01/2007, publicada no DOU de 05/02/2007, passando a dispensar tal exigência: Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços" O reinício do contencioso tomou por base uma mudança dos critérios jurídicos da autoridade administrativa sobre o tema ocorrida posteriormente ao momento em que a decisão que anulou o lançamento se tornou definitiva. O relatório da decisão recorrida indica que a reabertura do contencioso já encerrado teve por fundamento a alteração do "entendimento exarado pelo CRPS, à época, quanto à necessidade de exame da contabilidade do prestador do serviço a fim de constatar a existência ou não do crédito tributário, foi alterado pelo Conselho Pleno do CRPS, o qual exarou o Enunciado nº 30, editado pela Resolução nº 1, de 31/01/2007". Contudo, conforme já abordado anteriormente, a decisão que anulou o lançamento, tornouse definitiva em 12/07/2005 conforme despacho de [Fls. 170]. O Código Tributário Nacional nos revela, em diversas passagens, uma forte preocupação do legislador com a manutenção da segurança jurídica, dentre tais passagens, na solução do presente caso, destacase o Art. 146 do referenciado Código que assim vincula a autoridade fiscal e julgadora: "Art. 146 A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução." O sujeito passivo não pode ficar exposto às variações interpretativas que as normas jurídicas podem suscitar nas autoridades fiscais ou julgadoras, menos ainda, pode o processo administrativo ser um elemento de propagação das incertezas jurídicas sobre situações jurídicas anteriores e já resolvidas por meio de decisão definitiva. Portanto, ainda que se entenda pela possibilidade de reinício do contencioso por mero despacho de agente fiscal sem qualquer fundamentação legal, não pode o julgador, tentando dar ares de legalidade ao reinício do contencioso, introduzir nova fundamentação e ainda, tal fundamentação estar baseada na alteração dos critérios jurídicos trazidos por meio do Enunciado Fl. 913DF CARF MF Processo nº 11330.000084/200741 Acórdão n.º 2402006.237 S2C4T2 Fl. 15 14 nº 30 exarado dois anos depois que a decisão de nulidade do lançamento tornouse definitiva. Admitir uma aplicação retroativa do Enunciado em questão de modo a permitir a reinício do contencioso e, mais do que isso, a alteração do resultado do julgamento com base em tal entendimento inovador fere a segurança jurídica e contraria o disposto no Art. 2º, Parágrafo único XIII da Lei 9.784/99: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: [...] VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; [...] XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. Isso posto, voto por dar provimento ao recurso neste ponto declarando nula a decisão recorrida e por conseqüência o crédito a que se refere. 3.2. Da Solidariedade, Descumprimento da decisão do CRPS. Ainda em atenção ao princípio da eventualidade, eis que outro Conselheiro pode apresentar melhor juízo sobre os fatos e fundamentos relativos ao caso e contidos no presente voto, seguiremos na análise do Recurso. Outrossim, o Código Tributário Nacional, em seu art. 142 define, como um dos requisitos do lançamento de oficio, a perfeita identificação do sujeito passivo como essencial, não sendo possível exigir tributo de quem não tem relação com o fato gerador. Já o Art. 121 define como sujeito passivo da obrigação principal a pessoa obrigada ao pagamento de tributos contra ou penalidade e, seguindo em suas definições, o referido artigo divide tal sujeito da obrigação em: I Contribuinte, promovedor do fato gerador, e II Responsável, sem ação na promoção do fato gerador, mas assim definido por imposição legal. Por derradeiro o Art. 124 do mesmo Código trata da responsabilidade solidária a dividindo em: I decorrente de interesse comum e II a que tem origem através de imposição legal, ambas não comportando beneficio de ordem. Fl. 914DF CARF MF Processo nº 11330.000084/200741 Acórdão n.º 2402006.237 S2C4T2 Fl. 16 15 As obrigações para com a seguridade social incidentes sobre fatos geradores relacionados à obras de construção civil, o art. 30, VI, da Lei 8212/91, com redação dada pela Lei nº 9.528/97, impõe a responsabilidade solidária e sem beneficio de ordem ao incorporador, proprietário ou empreiteiro: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas:(Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) [...] VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem;(Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Assim, não resta dúvida quanto a possibilidade de atribuição de responsabilidade solidária ao "proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo" Como estamos diante de uma espécie de responsabilidade solidária decorrente de Lei, sua imposição ao caso concreto deve ser vinculada aos seus dispositivos e termos e devendo ser comprovada a natureza da relação jurídica entre contratante e contratado. E recorrendo às lições de Leandro Pausen1: Devese destacar, neste particular que a lei, em vez de simplesmente se referir às atividades inerentes à construção civil e de deixar ao intérprete descortinar sua amplitude, referiuse expressamente à "construção, reforma ou acréscimo", delimitando seu âmbito de incidência. São relevantes, pois, tais definições. "Construção" implica e edificação de prédio novo, abrangendo todas as suas fases, desde as fundações até o acabamento. "Reforma" implica alteração em características do prédio, mediante modificações nas divisórias ou aberturas ou substituição de materiais com vistas à melhoria na aparência ou na funcionalidade. "Acréscimo" envolve a ampliação, com aumento de área. As obrigações atinentes a construções, 1 Pausen, Leandro Contribuições:custeio da seguridade social / Leandro Pausen. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, 2007, pags 76/77 Fl. 915DF CARF MF Processo nº 11330.000084/200741 Acórdão n.º 2402006.237 S2C4T2 Fl. 17 16 reformas e acréscimos estão submetidas ao regime de responsabilidade solidária. Outra é a situação de serviços que possam ser enquadrados como de simples manutenção, não alcançados pela norma. A pintura, por exemplo, embora seja inerente à construção civil, pois, o prédio construído é pintado, ao menos internamente, de maneira que a pintura faz parte do acabamento da construção, porque lhe é inerente, de maneira que a pintura faz parte do acabamento da construção, não pode ser considerada, separadamente, como construção. De fato a pintura, como parte de um empreendimento maior, não desborda da construção, porque lhe é inerente, de outro lado, tomada separadamente, não pode ser considerada como obra de construção. Pintar um prédio, considerada esta atividade separadamente, não é construílo. Assim considerada, a pintura enquadrase num quarto conceito, o de conservação ou manutenção, não apanhado pelo dispositivo legal em discussão. Restando claro os limites normativos geradores da responsabilidade solidária na construção civil, cabe, de modo prévio, verificar se as operações tomadas por geradoras de tal responsabilidade por parte do i. Agente Fiscal enquadramse no conceito de construção, reforma ou acréscimo, eis que não sendo estes os objetos contratuais e fatos identificados pelo i. Agente Fiscal para viabilizar o lançamento, não restaria configurada hipótese legal de incidência da referida norma. O próprio relatório fiscal nos dá tal informação com clareza cristalina ao descrever a situação fática tomada por base para realizar o lançamento, tendo o contratante como Responsável Solidário com fundamento no art. 30, Vi da Lei 8.212/91: 3 Foi verificado durante o desenvolvimento da ação fiscal que a empresa contratou com empresa construtora, identificada no item 1 deste, a construção em cumprimento ao(s) contrato(s) nº 270.2.044.998 cujo(s) objeto(s) era(m): A EXECUÇÃO SOB REGIME DE EMPREITADA POR PREÇOS UNITÁRIOS, DE SERVIÇOS DE LIMPEZA INDUSTRIAL INCLUINDO MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E MOVIMENTAÇÃO DE CARGAS. Ocorre que a empresa não comprovou o cumprimento das obrigações da construtora para com a Seguridade Social, ou seja, não houve a devida comprovação, através de guias de recolhimento especificas para obra contratada,nem apresentação de folhas de pagamentos especificas dos segurados empregados alocados na obra contratada. Ora, não estamos nos referindo a uma empresa qualquer, trata se de uma sociedade de economia mista que teve sua criação autorizada pela Lei 2.004/53 e que dentre suas especificidades está sujeita a procedimentos próprios de contração por meio de processo especifico de licitação. Fl. 916DF CARF MF Processo nº 11330.000084/200741 Acórdão n.º 2402006.237 S2C4T2 Fl. 18 17 Desse modo, além do relatório fiscal, nada indica nesse sentido, não há como admitir hipótese do objeto do referido contrato estar em desacordo com a realidade. Assim, no presente caso, não há subsunção da operação indicada pelo i. Agente fiscal a hipótese de incidência da responsabilidade solidária atribuída ao recorrente. Não estamos diante de um contrato cujo objeto indique a construção, reforma ou ampliação, nem mesmo a classificação como conservação e manutenção relacionadas a construção civil é possível ser identificada com clareza, eis que o objeto da contratação está relacionado a limpeza industrial e manutenção de máquinas. Em adição a impugnação o Recorrente juntou notas fiscais que deixam clara a realização do referido objeto, portanto, a situação fática não, a verdade que se ignorou desde o lançamento, não permite a conformação da responsabilidade solidária por absoluta falta de previsão e enquadramento da operação ao referido normativo. Ainda que, analisando as provas contidas nos autos, os demais conselheiros apreendam a situação fática de modo diverso da leitura ora exposta, não há como negar que o lançamento padece de nulidade, eis que nenhum procedimento tendente a verificar a materialidade do descumprimento das obrigações foi realizada pelo i. Agente fiscal de modo claro e seguro. Ainda com apoio nas valiosas lições de Leandro Paulsen, temos que2: [...] quanto aos efeitos da solidariedade estabelecida, cabe esclarecer que não autoriza o Fisco a efetuar lançamento contra o responsável pelo simples fato de não apresentar à fiscalização, quando solicitado, as guias comprobatórias do pagamento, pelo construtor, das contribuições relativas à obra. Impõese que o Fisco verifique se o construtor efetuou ou não os recolhimentos. De fato, não há que se confundir a causa que atrai a responsabilidade solidária do dono da obra (ausência de documentação exigida comprobatória do pagamento pelo contribuinte) com a pendência da obrigação tributária em si. A responsabilidade solidária recai sobre obrigações que precisam ser apuradas adequadamente, junto aos empreiteiros/construtores, de modo a se verificar a efetiva base de calculo e a existência de pagamentos já realizados, até porque, na solidariedade, o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais, nos termos do art. 125, I, do CTN. A análise da documentação do construtor é, assim, indispensável ao lançamento. Em existindo dívida, terseá a possibilidade de exigila de um ou de outro, forte na solidariedade, sem benefício de ordem, conforme se infere do art. 124, parágrafo único do CTN. 2 ob.cit. pags 77/78 Fl. 917DF CARF MF Processo nº 11330.000084/200741 Acórdão n.º 2402006.237 S2C4T2 Fl. 19 18 Alinhados a tal fundamento é que os julgadores quer nos precederam antes do malfadado "reinício do contencioso" votaram por anular o lançamento. Portanto, não há como deixar de entender nulo o referido ato decisório que votou pela manutenção do lançamento, eis que o procedimento de fiscalização não realizou diligências mínimas no sentido de demonstrar a ocorrência do fato gerador e seu inadimplemento. A Lei nº 8.212/91 não criou nova hipótese de incidência das referidas contribuições, não há base constitucional ou legal para admitir um lançamento cujo o fato gerador seja a não comprovação de que um terceiro relacionado deixou adimplir obrigação tributária. Apurar o tributo, realizar procedimentos fiscalizatórios mínimos aptos a comprovar o inadimplemento das obrigações indicando seus aspectos quantitativos de modo objetivo, claro e alinhando a realidade fática é ato prévio a identificação de situação jurídica apta a trair ao pólo passivo da obrigação um responsável solidário, o que se faz somente se as condições de tal atribuição de responsabilidade estiverem claramente alinhadas as hipóteses legais. Ainda que se possa admitir que ausência de comprovação do atendimento as obrigações fiscais previdenciárias por parte dos empreiteiros gere a presunção de ocorrência do fato gerador e, por consequência, atribuição de responsabilidade solidária ao contratante, isto não implica em autorização do fisco para cobrar tributos já recolhidos ou realizar o lançamento apenas contra o responsável solidário. No presente caso o lançamento foi realizado sem qualquer cuidado quanto a tais elementos essenciais e vinculantes, eis que nenhum ato tendente a demonstrar que o contribuinte principal efetivamente deixou de adimplir as obrigações em lide não foi realizado até o momento do lançamento. Observem que apenas em retorno de diligência alguns procedimentos foram realizados com o objetivo de demonstrar que, de fato, as obrigações em lide deixaram de ser adimplidas e, mesmo neste caso, restou demonstrado que o contribuinte principal aderiu ao REFIS e ao PAEX indicando os fatos geradores em questão para composição dos referidos parcelamentos. Ora, uma condição de todos esses parcelamentos é justamente o pagamento de uma parcela das obrigações, portanto, ainda que tais parcelamentos não tenham seguido seu curso de modo pleno, parte das obrigações tidas por inadimplidas, em realidade foram pagas, não havendo nos autos qualquer demonstração quanto a exclusão de valores duplicados. Assim, independente do posicionamento dos demais membros do colegiado resta claro que não há segurança quanto a inadimplência das referidas obrigações. Outro ponto relevante é que o lançamento foi realizado apenas contra o Responsável Fl. 918DF CARF MF Processo nº 11330.000084/200741 Acórdão n.º 2402006.237 S2C4T2 Fl. 20 19 Solidário, eis que, nos autos não constam qualquer indicativos de ter havido o lançamento e notificação original contra o contribuinte principal, o que ocorreu apenas na fase contenciosa do processo. Quanto a alteração dos critérios jurídicos adotados pela administração tributária ao exarar o Enunciado 30/2007, conforme já exposto, não há como admitir sua retroatividade de modo a possibilitar que situações já resolvidas em favor do contribuinte ou responsável retornem a litigiosidade e com base em tal mudança alterem o resultado original do julgamento, o que fere a segurança jurídica e legalidade em clara afronta o art. 149 do CTN. De outro lado, ainda que o Recorrente não tenha suscitado tal questão, considerando que o fundamento do reinício do contencioso tomou por motivador uma alteração dos critérios jurídicos quanto aos requisitos necessários para atribuição de responsabilidade solidária e ainda, em atenção ao disposto no Anexo II, art. 45, inciso VI e art. 62 ambos do RICARF, é necessário analisar a aplicabilidade da Súmula CARF nº 66 ao presente caso. Súmula CARF nº 66: Os Órgãos da Administração Pública não respondem solidariamente por créditos previdenciários das empresas contratadas para prestação de serviços de construção civil, reforma e acréscimo, desde que a empresa construtora tenha assumido a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. Para definir o alcance do termo "órgão da administração pública" podemos recorrer ao que dispõe o DecretoLei nº 200, de 25 de fevereiro de 1967 que dispõe sobre a organização da Administração Federal que em seu art. 4º define a estrutura da administração. Art. 4° A Administração Federal compreende: I A Administração Direta, que se constitui dos serviços integrados na estrutura administrativa da Presidência da República e dos Ministérios. II A Administração Indireta, que compreende as seguintes categorias de entidades, dotadas de personalidade jurídica própria: a) Autarquias; b) Empresas Públicas; c) Sociedades de Economia Mista. d) fundações públicas. Portanto, considerando que a Recorrente é Sociedade de Economia Mista, integra a administração pública, entendimento Fl. 919DF CARF MF Processo nº 11330.000084/200741 Acórdão n.º 2402006.237 S2C4T2 Fl. 21 20 esse compartilhado pela doutrina e jurisprudência de modo majoritário3. De modo a afastar eventuais dúvidas quanto compatibilidade da referida Súmula ao presente caso, em atenção ao disposto no art. 926, §2º do CPC, realizamos uma analise dos precedentes que deram azo a referida súmula e identificamos que dentre os paradigmas adotados na sua edição o Acórdão n.º 206.00.611, que nega provimento a Recurso de Ofício em razão da inexistência de responsabilidade solidária na construção civil tinha por interessado uma fundação pública estadual integrante da administração indireta, tem por interessado a Fundação Clóvis Salgado e Outros, vejamos sua ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/1997 a 31/07/1998 Ementa: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA — CONSTRUÇÃO CIVIL — ÓRGÃO PÚBLICO — FUNDAMENTO LEGAL ART. 30, INCISO VI LEI 8.212/1991 — INEXISTÊNCIA. Diante do que prevê o artigo 71, §2°da Lei n° 8.666/93, com a redação dada pela Lei n° 9.032/95,somente nas situações previstas no art.31 da Lei n° 8.212/1991, a Administração passou a responder solidariamente com o contratado pelas contribuições previdenciárias por ele devidas. Recurso de Oficio Negado Assim como a Recorrente, a Fundação Estadual a que se refere o precedente, integra a administração pública indireta, esta na condição de fundação pública e aquela na condição de sociedade de economia mista, portanto, para este relator não há 3 STJ MANDADO DE SEGURANÇA MS 18574 DF 2012/01080270 (STJ) Data de publicação: 07/05/2013 Ementa: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. MANDADO DE SEGURANÇA. PRETENSÃO DE DESCONSTITUIR O CARÁTER SIGILOSO ATRIBUÍDO ÀS INFORMAÇÕES RELATIVAS À EXECUÇÃO ORÇAMENTÁRIA DA PETROBRAS. ILEGITIMIDADE PASSIVA AD CAUSAM DO SR. MINISTRO DE ESTADO DE MINAS E ENERGIA. 1. A PETROBRAS ostenta natureza jurídica de sociedade de economia mista e integra a Administração Pública Indireta, estando, apenas, vinculada ao Ministério de Minas de Energia (art. 4º , II , c , do DecretoLei n. 200 /67). Logo, ainda que tal empresa tenha a União como sua sócia majoritária, não se sujeita ao Poder Público Central, mas apenas à tutela administrativa, máxime porque goza de autonomia administrativa e financeira. 2. A autoridade impetrada não foi a responsável para atribuição de caráter reservado às informações prestadas, razão pela qual exsurge a sua ilegitimidade passiva ad causam. 3. Segurança denegada (art. 6º , § 5º , da Lei n. 12.016 /2009 combinado com art. 267 , VI, do CPC ). STJ RECURSO ESPECIAL REsp 1096552 RJ 2008/02341791 (STJ) Data de publicação: 14/09/2009 Ementa: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO – HABEAS DATA – SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA – ADMINISTRAÇÃO INDIRETA – ENTIDADE GOVERNAMENTAL – CABIMENTO – REGISTRO PESSOAL – DOCUMENTO PARA INSTRUIR PROCESSO DE REINTEGRAÇÃO DE PERSEGUIDO POLÍTICO. 1. Hipótese em que o particular impetrou habeas data contra a Petrobrás, para que essa apresentasse documento interno com informações pessoais, que comprovariam as razões eminentemente políticas para seu afastamento do quadro de funcionários da sociedade de economia mista ocorrida durante o Regime Militar. 2. As sociedades de economia mista integram a Administração Pública Indireta como 'entidade governamental', para fins do disposto no art. 7º , inc. I , da Lei 9.507 /1997. 3. A informação pleiteada pelo impetrante não é mera comunicação interna da empresa, mas se refere a registro pessoal, inegavelmente, do seu interesse. 4. Recurso especial não provido. Fl. 920DF CARF MF Processo nº 11330.000084/200741 Acórdão n.º 2402006.237 S2C4T2 Fl. 22 21 dúvida quanto a possibilidade de aplicação do referido entendimento sumulado ao sociedades de economia mista como a Petrobrás, desde que a empresa construtora tenha assumido a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. Considerando que o instrumento de lançamento nada tratou quanto a assunção de responsabilidade direta e total pela obra e nos autos não consta cópia do contrato, é relevante observar que a Recorrente, no período dos fatos geradores, estava obrigada a observar o que dispõe o Decreto nº 2745 de 24 de agosto de 1998 que aprova o Regulamento do Procedimento Licitatório Simplificado da Petróleo Brasileiro S.A. PETROBRÁS previsto no art . 67 da Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997. Neste regulamento consta do item 7.1.3, alínea "j", que a definição da responsabilidade pelo recolhimento dos tributos era definida a época nos próprios instrumentos contratuais: 7.1.3Os contratos deverão estabelecer, com clareza e precisão, os direitos, obrigações e responsabilidades das partes e conterão cláusulas específicas sobre: [...] i) as condições referentes ao recebimento do material, obra ou serviço; j) as responsabilidades por tributos ou contribuições; Assim, em que pese a possibilidade de aplicação do Enunciado em operações simulares, ante a ausência de provas quanto a assunção de responsabilidade total direita e total pela obra pelo contribuinte principal, não é possível verificar, com segurança, a Súmula CARF nº 66 ao presente caso. A inaplicabilidade da Sumula nº 66 não altera o entendimento já manifestado quanto a nulidade da decisão recorrida, eis que há ausência de subsunção da operação aos preceitos autorizadores do estabelecimento da responsabilidade solidária na construção civil, seja pelo fato de não estamos tratando de construção, reforma ou ampliação, seja em razão da ilegalidade de estabelecer tal responsabilidade sem segurança quanto a certeza e liquidez do crédito conforme já demonstrado. 3.3. Da mensuração de base de cálculo. Considerando a possibilidade de restar vencido quanto aos pontos anteriores, em que o colegiado teria emitido entendimento no sentido da existência de responsabilidade solidária da Recorrente, há de se avaliar a questão da base de calculo sob a premissa de conformação de tal responsabilidade, eis que, em sendo vencedor, não haveria razão para proceder a tal discussão. Fl. 921DF CARF MF Processo nº 11330.000084/200741 Acórdão n.º 2402006.237 S2C4T2 Fl. 23 22 E uma vez decidido pela existência de solidariedade, não há outro posicionamento a ser tomado que não a rejeição da tese da Recorrente neste ponto. O questionamento da Recorrente quanto a mensuração da base de calculo é equivocado, pois, tendo em vista a não apresentação dos documentos solicitados, a legislação aplicável é aquela vigente por ocasião do lançamento fiscal, em respeito ao caput do art. 144 do CTN, conforme já manifestado pela decisão Recorrida: Apenas no que diz respeito à forma de apuração da base imponível das contribuições, foi utilizada a Ordem de Serviço INSS/DAF nº 165 de 11/07/1997 e a Instrução Normativa INSS/DC nº 18, de 11/05/2000, que fundamentou os critérios de apuração do crédito tributário. No caso de aferição indireta, prevista no art. 33 § 3º da Lei 8.212/1991, o ato normativo definiu o percentual da nota fiscal a ser considerado como saláriodecontribuição por ocasião da ação fiscal. 32. Portanto, o critério de aferição utilizado não fere o princípio da legalidade, eis que: a) O Código Tributário Nacional prevê esta normatização em seu art. 100, inc. I; b) O art. 229 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, vigente no período do lançamento, também legitimava este procedimento; Ressaltese que os atos normativos não estabelecem alíquota, mas sim parâmetros de aferição nos casos autorizados pela Lei e pelo Decreto pertinente, conforme devidamente exposto no item 13 do Relatório Fiscal. Isto posto, apenas se vencido quanto aos demais pontos, no que se refere as alegações recursais quanto a base de calculo, voto por não acolher a tese da Recorrente. 3.4. Da exclusão de responsabilidade tributária dos responsáveis legais. A Recorrente argumenta haver atribuição de responsabilidade dos representantes, sócios e diretores com fundamento no Art. 13 da lei 8212/93, argumentando ser ilegal tal atribuição eis que tal situação jurídica seria decorrência da prática de atos que constituam excesso de poder, infração à lei ou a instrumentos societários, podendo os administradores da pessoa jurídica recorrente figurar no pólo passivo apenas em casos excepcionais. Em tais caso se aplicaria o disposto no artigo 135 do Código Tributário Nacional: "Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos Fl. 922DF CARF MF Processo nº 11330.000084/200741 Acórdão n.º 2402006.237 S2C4T2 Fl. 24 23 praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. (...) VII os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicos direito privado." (g.n.) Tal argumento, nos parece advir do malogrado nome adotado pelo Relatório de Fls. 5/6 CORESP Relação de Co Responsáveis, eis que não há maiores fundamentações sobe o caso no Relatório fiscal. Com relação a CORESP, apesar de adotar denominação fora de qualquer critério técnico, o CORESP não se presta a definir responsabilidade pessoal dos administradores, mas apenas indicar os representantes legais da pessoa jurídica. O Relator da decisão recorrida, sobre esse tema, lembrou que 'a Instrução Normativa SRP n° 20, de 11.01.2007, alterou a denominação do referido relatório para "Relatório de Representantes Legais", adequandoo definitivamente à sua verdadeira natureza e encerrando qualquer controvérsia sobre o tema. Tal tema foi objeto da Súmula CARF nº 88 e, no caso concreto, não vislumbramos qualquer nuance que imponha a não aplicação da referida súmula. "Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa." Assim sendo, no caso em tela, despicienda maior argumentação, tal ponto não merece prosperar. 3.5. Da Necessidade de Diligencias Suplementares. A realização de Diligência suplementar é desnecessária, eis que, pela conformação dos autos, foi possível conhecer a matéria de forma plena e favoravelmente as pretensões da Recorrente. Considerando que nos termos do Art. 18 do Decreto 70.235/71 as diligencias e sua necessidade ingressam no âmbito de discricionariedade do julgador que, entendendo por sua desnecessidade, pode dispensála. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou Fl. 923DF CARF MF Processo nº 11330.000084/200741 Acórdão n.º 2402006.237 S2C4T2 Fl. 25 24 impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício, sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º Os prazos para realização de diligência ou perícia poderão ser prorrogados, a juízo da autoridade.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) De modo que voto por rejeitar tal pedido, eis que a matéria está devidamente instruída tendo viabilizado a emissão de voto favorável a Recorrente. Conclusão Por todo exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, de modo preliminar, acolher as alegações de nulidade da decisão recorrida e decadência do lançamento e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator " Voto Vencedor "Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Redator Designado. Acompanho o Relator nas demais questões, porém, com a maxima venia, divirjo quanto ao reinício do processo, quanto à mudança de critério jurídico e quanto à discussão acerca da natureza dos serviços contratados. Do alegado reinício do processo Segundo o Relator, ao anular a decisão de primeira instância, o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) teria anulado o próprio lançamento, pois os fundamentos que conduziram a tal resultado teriam feito “referência a elementos materiais e formais do lançamento e não a erros procedimentais na atividade julgadora”. Fl. 924DF CARF MF Processo nº 11330.000084/200741 Acórdão n.º 2402006.237 S2C4T2 Fl. 26 25 O Relator também faz referência ao despacho da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes (DEMAC), no qual é dito que "deverá ter reinício o contencioso administrativo". Em face a essa situação, o Relator conclui pela impossibilidade de reinício do processo e que teria se extinguido “o direito de constituição [de um novo] crédito ante a decadência”, bem como que seria nula a decisão recorrida “por afronta ao direito de ampla defesa e contraditório do Recorrente, ao devido processo legal e a segurança jurídica”. Pois bem, em que pese toda a argumentação feita pelo CRPS, no julgamento do recurso interposto pela ora Recorrente, o acórdão proferido por aquele Conselho foi claro ao anular, expressamente, a decisão de primeira instância e ao determinar a realização de diligência, nos seguintes termos: Entendo ainda que o INSS não se esforçou em localizar o contribuinte (prestador dos serviços), fazendo publicar edital de citação em praça diversa do contribuinte. Assim deverão ser adotados outros meios para idealizar seu paradeiro (exemplo: diligência junto à Receita Federal, Junta Comercial, Secretaria da Fazenda Estadual, cadastro do ISS, etc., utilizandose inclusive edital na praça de localização do contribuinte). Assim entendo que o INSS deve apresentar elementos, com base na contabilidade do contribuinte, que justifique o procedimento adotado. CONCLUSÃO Face ao exposto voto no sentido de ANULAR A DECISÃO NOTIFICAÇÃO N° 17.401.4/0788/2003, fls. 121/'28, determinando que seja observado o que foi exposto no voto acima. Conforme se observa na transcrição acima, apesar do texto não ter seguido a melhor técnica de redação, o CRPS foi inequívoco ao anular, unicamente, a Decisão Notificação e determinar a realização de diligência para que o prestador fosse intimado e para que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) apresentasse elementos capazes de justificar o procedimento adotado. Diante desse quadro, a Delegacia da Receita Previdenciária do Rio de Janeiro (Centro) encaminhou os autos ao Serviço de Fiscalização para que fosse providenciada a diligência solicitada. Em resposta ao pedido de diligência, a Secretaria da Receita Federal do Brasil4, por meio de sua delegacia correspondente, informou que o INSS não logrou êxito em notificar a empresa 4 A Secretaria da Receita Federal do Brasil foi criada em 2/5/07, como resultado da fusão da Secretaria da Receita Federal com a Secretaria da Receita Previdenciária, nos termos da Lei 11.457, de 16/3/07. Fl. 925DF CARF MF Processo nº 11330.000084/200741 Acórdão n.º 2402006.237 S2C4T2 Fl. 27 26 prestadora, nem mesmo por edital. Também informou que não houve ação fiscal na prestadora, com exame de contabilidade, no período referente ao lançamento em pauta. Na sequência, a DEMAC intimou a ora Recorrente e a empresa prestadora da decisão proferida pelo CRPS e do resultado da diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, no entanto, nenhuma das duas se manifestou. Sendo assim, os autos foram encaminhados à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, no Rio de Janeiro, para que fosse proferida nova decisão de primeira instância. Portanto, apesar da palavra “reinício” ter sido mencionada no citado despacho da DEMAC, tomandose por base a sequência de procedimentos descritos acima, notase, de forma cristalina, que em nenhum momento o contencioso administrativo foi concluído (ou finalizado) e reiniciado, mas sim que está em trâmite desde a sua instauração. Até porque, nenhuma mácula restou evidenciada na base de cálculo apurada pela fiscalização. Ademais, o contencioso administrativo se inicia com a impugnação e termina com a última decisão administrativa em relação a qual não cabe mais recurso, não havendo qualquer previsão de reinício. Dessa forma, como o crédito lançado ainda está em discussão, não há que se falar em decadência e nem mesmo em afronta ao devido processo legal e à segurança jurídica, uma vez que todos os procedimentos adotados pela Administração Tributária estiveram devidamente amparados na legislação de regência, tendo sido concedido à Recorrente e à empresa prestadora o direito de se defenderem de todas as decisões proferidas. Da alegada revisão do lançamento com mudança de critério jurídico Segundo alegação ventilada no recurso voluntário e acolhida pelo Relator, a decisão de primeira instância teria promovido uma revisão do lançamento ao manter o crédito lançado com base em novo entendimento do CRPS acerca da responsabilidade solidária, constante do Enunciado nº 30, de 31/1/07, o que representaria uma mudança de critério jurídico, porém, não comungamos desse entendimento. Primeiramente, devemos observar que a decisão recorrida utilizou os mesmos fundamentos adotados pela fiscalização, quais sejam, o art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, o art. 124 do CTN5, a Ordem de Serviço INSS/DAF nº 165 de 11/7/1997 e a Instrução Normativa INSS/DC nº 18, de 11/5/2000, dentre outros, e que a menção ao Enunciado nº 30 serviu apenas como um reforço à tese defendida, uma vez que diz exatamente o que a fiscalização fez. Lembrando que tal enunciado sequer chegou a ser mencionado no voto condutor do acórdão recorrido. 5 Còdigo Tributário Nacional (Lei 5.172, de 25/10/66). Fl. 926DF CARF MF Processo nº 11330.000084/200741 Acórdão n.º 2402006.237 S2C4T2 Fl. 28 27 Também não vemos qualquer óbice quanto à citação a esse enunciado, pois, nos termos do art. 63, § 1º, do Regimento Interno do CRPS6, a interpretação dada pelo enunciado se aplica a casos não definitivamente julgados e, como visto, este processo ainda não foi concluído em definitivo. Portanto, temse por afastada a alegação de que a decisão de primeira instância teria revisado o lançamento e com mudança de critério jurídico. Na natureza do serviço contratado No item 3.2 do seu voto, o Relator questiona a natureza dos serviços contratados, apontando que, no caso em análise, não estaríamos “diante de um contrato cujo objeto indique a construção, reforma ou ampliação, nem mesmo a classificação como conservação e manutenção relacionadas a construção civil [...], eis que o objeto da contratação está relacionado a limpeza industrial e manutenção de máquinas”. Todavia, a natureza dos serviços prestados não chegou a ser questionada na impugnação, a qual, inclusive, em dois momentos, fez menção expressa a obra de construção, nos seguintes termos: DOS FATOS. Através da NFLD acima identificada, o INSS realizou a constituição de créditos previdenciários, os quais decorreriam de contrato de construção civil, formalizado entre a Recorrente e a empresa mencionada na referida notificação. [...] NO MÉRITO. Da solidariedade. [...] Não tem qualquer cabimento fazer incidir as contribuições sobre uma base de cálculo presumida, aplicandose a alíquota sobre um percentual das notas fiscais, eis que tal norma foi criada por mera normatização interna do INSS. Além disso, em uma nota fiscal, o valor dos materiais empregados em uma construção de grande porte é bem superior ao valor referente à mãodeobra, não chegando ao percentual consignado. Portanto, como a natureza dos serviços não chegou a ser prequestionada em sede de impugnação e nem, obviamente, foi objeto de análise pela decisão recorrida, não cabe a este colegiado dispor a respeito. 6 Portaria MPS nº 548, de 13/9/11. Fl. 927DF CARF MF Processo nº 11330.000084/200741 Acórdão n.º 2402006.237 S2C4T2 Fl. 29 28 Conclusão Isso posto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Redator designado" Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Conselheiro Mario Pereira de Pinho Filho Relator. Fl. 928DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35564.005832/2006-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-006.419
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 56 4. 00 58 32 /2 00 6- 15 Fl. 92DF CARF MF Processo nº 35564.005832/200615 Acórdão n.º 2402006.419 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava a época o valor de alçada estipulado no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento apenas o Recurso de Oficio. É o relatório." Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018: Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária “Antes de adentrar a análise do caso concreto, importa observar que o presente julgamento terá efeitos sobre lote repetitivo, eis que o caso em foco foi eleito como paradigma e terá seu resultado aplicado ao lote a que esta relacionado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 35564.005832/200615 Acórdão n.º 2402006.419 S2C4T2 Fl. 4 3 Admissibilidade. Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tendo em vista que, à época em que foi proferida a decisão de primeira instância administrativa, o crédito exonerado superava o valor de alçada estipulado estabelecido em ato próprio. De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. (Grifouse) O colegiado a quo proferiu decisão em que julgou parcialmente procedente a impugnação, exonerando créditos relativos ao principal e encargos de multas em valor inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil de reais) Cabe ao colegiado julgar a admissibilidade do Recurso de Oficio e, constatandose que o crédito exonerado é inferior àquele que levaria o caso a um reexame necessário na atualidade, não conhecer de referido recurso. O limite referido está posto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 35564.005832/200615 Acórdão n.º 2402006.419 S2C4T2 Fl. 5 4 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Ainda que à época do julgamento de primeira instância tal valor permitisse a interposição do Recurso de Oficio ora julgado, ao caso deve ser aplicado o limite de dispensa atualmente vigente, conforme entendimento consolidado neste Conselho, nos termos da Súmula CARF 103: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conclusão Ante ao exposto voto por não conhecer do Recurso de Oficio em razão de o crédito exonerado ser inferior ao limite estabelecido no art. 1º a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF 103. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza” Conclusão Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 95DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10670.002341/2007-65
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS SUPOSTAMENTE DE INIDÔNEOS. INTIMAÇÃO ESPECÍFICA PARA APRESENTAÇÃO DE NOVOS DOCUMENTOS. AUSÊNCIA DE ATENDIMENTO.
Os recibos, quando supostamente inidôneos, estiverem desacompanhados de documentos especificamente solicitados pelo fisco para o esclarecimento dos fatos, não demonstram, por si, o direito à dedução pleiteada, considerando o dever de colaboração do Contribuinte para com a autoridade fiscal, bem como em decorrência do ônus da prova de demonstrar o fato extintivo do direito da fazenda de constituir o crédito, quando o documento apresentado é considerado inapto e, intimado, o Contribuinte queda inerte.
Numero da decisão: 9202-007.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS SUPOSTAMENTE DE INIDÔNEOS. INTIMAÇÃO ESPECÍFICA PARA APRESENTAÇÃO DE NOVOS DOCUMENTOS. AUSÊNCIA DE ATENDIMENTO. Os recibos, quando supostamente inidôneos, estiverem desacompanhados de documentos especificamente solicitados pelo fisco para o esclarecimento dos fatos, não demonstram, por si, o direito à dedução pleiteada, considerando o dever de colaboração do Contribuinte para com a autoridade fiscal, bem como em decorrência do ônus da prova de demonstrar o fato extintivo do direito da fazenda de constituir o crédito, quando o documento apresentado é considerado inapto e, intimado, o Contribuinte queda inerte.
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DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS SUPOSTAMENTE DE INIDÔNEOS. INTIMAÇÃO ESPECÍFICA PARA APRESENTAÇÃO DE NOVOS DOCUMENTOS. AUSÊNCIA DE ATENDIMENTO. Os recibos, quando supostamente inidôneos, estiverem desacompanhados de documentos especificamente solicitados pelo fisco para o esclarecimento dos fatos, não demonstram, por si, o direito à dedução pleiteada, considerando o dever de colaboração do Contribuinte para com a autoridade fiscal, bem como em decorrência do ônus da prova de demonstrar o fato extintivo do direito da fazenda de constituir o crédito, quando o documento apresentado é considerado inapto e, intimado, o Contribuinte queda inerte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 23 41 /2 00 7- 65 Fl. 157DF CARF MF 2 Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2202002.107 proferido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 21 de novembro de 2012, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 85: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. REQUISITOS PARA DEDUÇÃO. As despesas médicas, assim como todas as demais deduções, dizem respeito à base de cálculo do imposto que, à luz do disposto no art. 97, IV, do Código Tributário Nacional, está sob reserva de lei em sentido formal. Assim, a intenção do legislador foi permitir a dedução de despesas com a manutenção da saúde humana, podendo a autoridade fiscal perquirir se os serviços efetivamente foram prestados ao declarante ou a seus dependentes, rejeitando de pronto àqueles que não identificam o pagador, os serviços prestados ou não identificam na forma da lei os prestadores de serviços ou quando esses não sejam habilitados. Desta forma, a apresentação de recibos, emitidos de acordo com a legislação de regência faz prova efetiva a favor do contribuinte, e para desqualificálos é necessário que a autoridade fiscal indique a existência de algum vicio. Recurso provido. Interposto o Recurso Especial anteriormente referido, fls. 98 a 114, admitido, por meio do Despacho de fls. 135 a 138, para rediscutir a questão atinente aos requisitos para dedução de despesas médicas. Aduz a Fazenda, em síntese, que: a) diante de dúvidas ou suspeição quanto à idoneidade da documentação apresentada, o que põe em questionamento a própria existência das despesas médicas, o Fisco pode e deve perquirir se os serviços foram efetivamente prestados ao declarante ou a seus dependentes (efetividade dos serviços) e se houve o efetivo dispêndio de recursos pelo declarante para pagamento dessas despesas (efetivo pagamento); b) para fins tributários em termos de Imposto de Renda, a despesa médica somente pode ser acolhida como dedução quando comprovado o efetivo pagamento, isto quando haja um documento que comprove a efetiva entrega do dinheiro ao Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10670.002341/200765 Acórdão n.º 9202007.183 CSRFT2 Fl. 3 3 prestador do serviço, e o próprio texto legal contém indicação de que atende esse requisito um cheque nominativo; c) quando o pagamento é efetuado em moeda corrente, para fins tributários, o recibo não constitui prova suficiente para no sentido de que seu objeto tenha sido concretizado, justamente porque pode ser emitido em qualquer momento do presente com referência a um fato passado; d) no caso, o interessado foi intimado a apresentar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados e correspondentes pagamentos, não logrando fazêlo; e) documentos particulares, caso de recibos e declarações, que contêm ciência de determinado fato, provam a declaração, mas não o fato declarado, cabendo ao(à) interessado(a) na sua veracidade o ônus de provar o fato; f) cumpre registrar que a jurisprudência administrativa consagra a tese de que, para amparar a dedução pleiteada, não basta a mera apresentação de “recibos”, “declarações” ou “informes” pelo contribuinte, devendo restar devidamente comprovado o efetivo dispêndio direcionado a um fim específico (prestação concreta, efetiva dos serviços discriminados). g) não há elementos nos autos que dê segurança para declarar as deduções como válidas, razão pela qual devem ser mantidas as glosas e acatadas as razões aduzidas pelo julgador de primeira instância. Intimado, o Contribuinte apresentou petição a qual recebo contrarrazões, fls 143, reiterando as alegações de fls. 87 a 91 dos autos, bem como declarando que não teve o propósito de lesar a Receita federal, já que, além do imposto pago, retido na fonte, já pagou um complemento. Além disso, em outra petição, o Contribuinte alega o direito à isenção do imposto de renda, devido ao acometimento de moléstia grave, fls 148. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os requisitos de admissibilidade. Consoante narrado, a matéria controvertida referese aos requisitos para a dedução de despesas médicas. Fl. 159DF CARF MF 4 Como se extrai da Notificação de Lançamento, os fatos foram descritos da seguinte forma: Conforme disposto no art. 73 do Decreto n. ° 3.000/99 RIR/99, todas as deduções pleiteadas na Declaração de Ajuste Anual estão sujeitas A comprovação ou justificação. Regularmente intimado, o contribuinte não atendeu A Intimação até a presente data. Em decorrência do não atendimento a Intimação, foi glosado o valor de R$ 34.150,03, deduzido indevidamente a titulo de Despesas Médicas, por falta de comprovação. Foi realizada intimação específica pelo Relator da Delegacia de Origem, fls. 53 a 54, essencialmente, sob os seguintes fundamentos: Os documentos apresentados para comprovação dos pagamentos de despesas médicas relativas aos profissionais Mânia Patricia Lopes (dentista), no total de R$ 10.000,00, Victor Hugo Rodrigues (dentista), no total de R$ 7.220,00, Lilian Carla A. Souto (fisioterapeuta), no total de R$ 4.300,00, Juliano Braga de Abreu (fisioterapeuta), no total de R$ 4.090,00 e Aldenise de Freitas Athayde (psicólogo), no total de R$ 3.100,00, não foram suficientes para constituir juizo inconteste sobre a efetividade do direito alegado. Em face do exposto e com base no art. 73 do RIR11999, há a necessidade de elementos adicionais que demonstrem de modo absoluto a veracidade do pleito declarado, por serem as despesas médicas informadas exageradas em relação aos rendimentos declarados. Em resposta à intimação,, fls. 58, o Contribuinte dispôs que não teve condições de reunir todos os dados, com a riqueza de detalhes exigidos, pois supunha que os recibos das despesas teriam sido aceitos, levando em conta o tempo decorrido desde a impugnação. Não obstante o meu entendimento sobre utilidade dos recibos como documentos comprobatórios para o fim de dedução de despesas médicas, no presente caso, houve suspeita de inidoneidade dos documentos, considerando o valor das despesas em relação aos rendimentos declarados. Nesse contexto, foi realizada intimação específica ao Recorrido para que houvesse a demonstração das despesas incorridas, por meio de outros documentos que pudessem corroborar o disposto nos recibos. Contudo, não houve a apresentação de um arcabouço probatório mínimo por parte do interessado na demonstração do direito à dedução. Assim, tendo em vista o dever de colaboração do Contribuinte para com a autoridade fiscal, entendo que assiste razão à Fazenda quanto à necessidade de reforma do julgado, diante da ausência de provas suficientes ao reconhecimento do direito à restituição pleiteada, em decorrência do ônus da prova de demonstrar o fato extintivo do direito da fazenda de constituir o crédito, quando o documento apresentado é considerado inapto e, intimado, o Contribuinte queda inerte. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10670.002341/200765 Acórdão n.º 9202007.183 CSRFT2 Fl. 4 5 Portanto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 161DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11686.000357/2008-16
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 30/04/2006 a 30/06/2006
NÃO CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL.
Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assenta-se em dois fundamentos autônomos e a parte traz divergência jurisprudencial somente com relação a um deles. Assim, o recurso especial não pode ser conhecido quanto à possibilidade de apresentação de provas posteriormente à impugnação.
INSUMOS. FRETES PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS.
Os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática não-cumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo, ainda, no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda".
Numero da decisão: 9303-007.100
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto ao direito de crédito das contribuições sobre fretes contratados na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Demes Brito e Rodrigo da Costa Pôssas.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 30/04/2006 a 30/06/2006 NÃO CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assenta-se em dois fundamentos autônomos e a parte traz divergência jurisprudencial somente com relação a um deles. Assim, o recurso especial não pode ser conhecido quanto à possibilidade de apresentação de provas posteriormente à impugnação. INSUMOS. FRETES PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. Os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática não-cumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo, ainda, no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda".
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2144; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11686.000357/200816 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303007.100 – 3ª Turma Sessão de 11 de julho de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CRÉDITO. FRETE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. Recorrente YARA BRASIL FERTILIZANTES S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 30/04/2006 a 30/06/2006 NÃO CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assentase em dois fundamentos autônomos e a parte traz divergência jurisprudencial somente com relação a um deles. Assim, o recurso especial não pode ser conhecido quanto à possibilidade de apresentação de provas posteriormente à impugnação. INSUMOS. FRETES PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. Os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo, ainda, no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda". Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto ao direito de crédito das contribuições sobre fretes contratados na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Demes Brito e Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 6. 00 03 57 /2 00 8- 16 Fl. 657DF CARF MF Processo nº 11686.000357/200816 Acórdão n.º 9303007.100 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte YARA BRASIL FERTILIZANTES S.A. com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, buscando a reforma do Acórdão nº 340301.562, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF. Na parte de interesse ao presente julgamento, o colegiado a quo não reconheceu o direito de aproveitamento de créditos da contribuição sobre despesas com fretes para transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. A Contribuinte interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto a três matérias: (a) aproveitamento de créditos de PIS e COFINS não cumulativos sobre fretes entre unidades da própria empresa de produtos acabados; (b) aplicação do entendimento mais favorável ao Contribuinte, nos termos do art. 112 do Código Tributário Nacional CTN; e (c) realização de diligência e possibilidade de juntada de novos documentos e elaboração de laudo técnico após a apresentação do recurso em primeira instância. Para comprovar o dissenso, colacionou como paradigmas os seguintes acórdãos, respectivamente: (a) 3401002.075 e 340203.148; (b) 3302002.930; e (c) 3402002.906. No primeiro exame de admissibilidade foi dado seguimento parcial ao recurso, tão somente quanto à possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS e COFINS sobre fretes de produtos acabados entre unidades da empresa, consoante despacho de admissibilidade do então Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento. Com a interposição de agravo pelo Sujeito Passivo, também foi dado seguimento ao tema relativo à possibilidade de apresentação de provas após o recurso à primeira instância, tudo nos termos do despacho do Presidente da Terceira Turma da CSRF, que acolheu o agravo nessa parte. Portanto, as matérias suscitadas no recurso especial da Contribuinte, que foram admitidas e serão objeto de análise por este Colegiado, referemse à possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS e COFINS decorrentes de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa e à apresentação de provas após o recurso à primeira instância. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o Relatório. Fl. 658DF CARF MF Processo nº 11686.000357/200816 Acórdão n.º 9303007.100 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.070, de 11/07/2018, proferido no julgamento do processo 11080.002375/200924, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.070): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela contribuinte YARA BRASIL FERTILIZANTES S.A. é tempestivo, restando analisarse o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. As matérias enfrentadas pela Recorrente em sede de apelo especial são referentes à: (a) possibilidade de apresentação de provas após o recurso na primeira instância; e (b) o reconhecimento do direito aos créditos de PIS e COFINS nãocumulativos oriundos de fretes entre estabelecimentos da mesma empresa, tendo sido admitida a discussão apenas em relação aos produtos acabados. 1. Apresentação de provas Para análise da admissibilidade do recurso especial quanto ao pleito de apresentação de provas após o recurso na primeira instância, importa trazer breve retrospecto da lide. A contenda administrativa originouse de pedido de ressarcimento de saldo credor acumulado da contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativo, do segundo e terceiro trimestres de 2007, em razão da sua atividade exportadora. Em procedimento fiscal efetuado para confirmação da existência dos referidos créditos, a Autoridade Fiscal concluiu ser parcialmente procedente o pleito, pois (a) teria havido a transferência onerosa a terceiros de créditos de ICMS acumulados na escrita fiscal, sem oferecimento dos valores recebidos à tributação; e (b) a Contribuinte apropriouse de créditos sobre os dispêndios da contratação de frete entre estabelecimentos da própria empresa, com inobservância do art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03, que concede o direito ao crédito somente com relação ao frete pago na operação de venda. A conclusão da Fiscalização pela glosa parcial do pedido de restituição restou formalizada por meio de despacho decisório (fl. 26), contra o qual se insurgiu a empresa por meio de manifestação de inconformidade (fls. 36 a 55), esclarecendo que: não houve transferência onerosa de créditos de ICMS a terceiros, mas sim é beneficiária de contrato celebrado com a Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul, tendo incentivo fiscal estadual consistente no crédito presumido equivalente a 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto incidente sobre as operações interestaduais envolvendo fertilizantes de fabricação Fl. 659DF CARF MF Processo nº 11686.000357/200816 Acórdão n.º 9303007.100 CSRFT3 Fl. 5 4 própria; além disso, colacionando aos autos planilha demonstrativa, sustentou serem as remessas realizadas entre seus diversos estabelecimentos do País, em sua imensa maioria, de produtos semielaborados, com processo industrial concluído na unidade de destino, sendo que há apenas uma pequena parcela de transferência de produtos acabados. Defende a existência ao crédito nas duas hipóteses de frete. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 1025.008 2ª Turma da DRJ/POA, de 30 de abril de 2010 (fls. 72 a 75), ensejando a interposição de recurso voluntário (fls. 78 a 101). Na sessão de 03 de junho de 2011, o julgamento do recurso foi convertido em solicitação de diligência ao órgão de origem, consoante Resolução nº 3403000.208 (fls. 199 a 202), solicitando que: (a) trouxesse aos autos elementos documentais, dentre aqueles já colhidos no momento do procedimento fiscal, para comprovar a existência e os montantes das supostas operações de cessão de créditos de ICMS a terceiros; e (b) informasse sobre a possibilidade de segregar, dentre os fretes contratados pela Recorrente para transporte de itens entre suas próprias unidades, aqueles que tinham por objeto a remessa de produtos acabados e aqueles que envolveram itens em fabricação. Após a determinação da diligência, o processo assim se desenrolou: [...] Em resposta à diligência, o órgão de origem elaborou “Termo de Comunicação e Ciência”, por meio do qual (i) diz não ser possível segregar os fretes contratados pela recorrente conforme solicitado pelo CARF e (ii) afirma que, em verdade, não houve cessão de créditos de ICMS a terceiros, mas sim – como reclamara a recorrente – apropriação de crédito presumido deste imposto. Intimado deste despacho, o recorrente manifestase, trazendo aos autos planilhas demonstrativas dos fretes de matériasprimas e de produtos acabados. Por sua vez, o órgão de origem elabora o “Termo de Comunicação e Ciência 2”, através do qual, em síntese, reitera que as planilhas inicialmente fornecidas pelo recorrente não eram capazes de segregar os fretes, porém aquelas trazidas aos autos apenas após a diligência o fazem. Conclui, por fim, que a contratação de frete para transporte de itens entre unidades do próprio sujeito passivo (seja de matériasprimas, embalagens ou produtos acabados) não gera direito ao crédito do tributo, por ausência de previsão legal. Intimado deste segundo Termo de Comunicação, a recorrente novamente manifesta se para argumentar que a eventual manutenção do despacho decisório com fundamento em suposta sujeição da subvenção recebida à tributação importaria inadmissível modificação da acusação fiscal – construída sob a premissa de que a recorrente cedera créditos de ICMS – com prejuízo ao direito de defesa e ao contraditório. [...] (grifouse) Retornados os autos ao CARF para análise do recurso voluntário, foi proferido o Acórdão nº 3403001.994 (fls. 289 a 297) proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 21 de março de 2013, ora recorrido, que lhe deu parcial provimento apenas para afastar a glosa dos créditos de PIS nãocumulativo sobre os valores decorrentes das transferências onerosas de créditos de ICMS a terceiros. Por outro lado, indeferiu os pedidos da Recorrente quanto à pretensão de créditos decorrentes da contratação de frete para transporte de itens entre unidades do próprio Sujeito Passivo, seja de matériasprimas e de materiais de embalagem, seja de produtos acabados, sob dois fundamentos: (a) com as provas constantes nos autos quando determinada a realização de diligência não era possível desmembrar do total de fretes, aqueles que tivessem por objeto o Fl. 660DF CARF MF Processo nº 11686.000357/200816 Acórdão n.º 9303007.100 CSRFT3 Fl. 6 5 transporte de itens em fabricação; e (b) as planilhas unilateralmente formuladas pelos contribuintes não são meios aptos a demonstrar a invalidade de glosas efetuadas. Para clareza da assertiva, extraise trecho do acórdão recorrido que trata da matéria: [...] Dito isso, remanesce pendente a análise do direito à apropriação de créditos da contribuição ao PIS, na hipótese de fretes realizados entre estabelecimentos da própria pessoa jurídica recorrente para transporte seja de matériasprimas e de materiais de embalagem, seja de produtos acabados. Quando da conversão do julgamento em diligência, esta Turma expressamente consignou que a medida não se prestaria “a corrigir a incompetência da parte a quem a lei atribui o ônus da prova”, determinando que o órgão de origem se limitasse a juntar aos autos “via impressa dos elementos documentais, dentre aqueles já obtidos junto à recorrente no curso da fiscalização”, capazes de segregar do total de fretes em questão, aqueles que tivessem por objeto o transporte de itens ainda em fabricação. Pois em resposta à diligência, o órgão de origem foi assertivo em afirmar que as provas até então coligidas aos autos não lhe permitiam proceder ao desmembramento. E a separação, a meu ver, seria fundamental à melhor aplicação ao caso do disposto nas Leis nº. 10.637/02 e 10.833/03. E por que? Porque na sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de frete pode se situar em três diferentes posições: (a) se na operação de venda, constituirá hipótese específica de creditamento, referida pelo art. 3º, inciso IX; (b) se associado à compra de matériasprimas, materiais de embalagem ou produtos intermediários, integrará o custo de aquisição e, por este motivo, dará direito de crédito em razão do previsto no artigo 3o, inciso I; e (c) finalmente, se respeitar ao trânsito de produtos inacabados entre unidades fabris do próprio contribuinte, será catalogável como custo de produção (RIR, art. 290) e, portanto, como insumo para os fins do inciso II do mesmo artigo 3º. De seu turno, o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte somente do ponto de vista logístico ou geográfico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda. Juridicamente falando não o é e, a meu ver, não se enquadra dentre as hipóteses legais em que o creditamento é concedido. Afirma a origem que, dos documentos constantes dos autos até a interposição do voluntário não lhe é possível fazer a segregação em comento. E mesmo que admitíssemos aqui o exame do material extemporaneamente trazido pela recorrente, já na oportunidade em que se manifestou sobre o relatório da diligência, a ele não se pode atribuir valor probatório. Tratase, com efeito, de uma planilha gerencial, unilateralmente confeccionada e sem comprovação de respaldarse em documentos ou na escrita contábil da pessoa jurídica. Portanto, dois fundamentos alicerçam a conclusão de que deve ser mantida a glosa sobre os créditos de PIS referentes aos fretes contratados entre os estabelecimentos do recorrente: (i) havia expressa vedação à formalização de novas provas, cabendo o contribuinte têlas trazido desde a manifestação de inconformidade, o que – frisese – não foi feito e (ii) planilhas unilateralmente formuladas pelos contribuintes não são meios aptos a demonstrar a invalidade de glosas efetuadas. Por todo o exposto, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário para reconhecer a insubsistência das glosas efetuadas na origem com fundamento na não sujeição ao tributo de valores supostamente auferidos em razão da cessão de saldos de ICMS a terceiros e, nesta parte, deferir o ressarcimento pretendido. Fl. 661DF CARF MF Processo nº 11686.000357/200816 Acórdão n.º 9303007.100 CSRFT3 Fl. 7 6 [...] Da fundamentação do acórdão recorrido, depreendese que foram dois os argumentos utilizados para o indeferimento do pedido de juntada de provas após o recurso em primeira instância: (a) a impossibilidade de juntada de novas provas; e (b) ainda que fossem admitidas, as planilhas produzidas unilateralmente pela Contribuinte e juntadas aos autos não têm valor probatório. Tratase de dois argumentos autônomos e cada um deles suficiente, por si só, para manutenção da decisão proferida pelo Colegiado a quo. A Recorrente, por sua vez, ao se insurgir quanto à juntada de provas, enfrentou e comprovou a divergência jurisprudencial tão somente com relação ao primeiro argumento: a (im)possibilidade de juntada de provas após o recurso em primeira instância. No acórdão paradigma nº 3402002.906 a discussão centrase nesse argumento, tanto que naquele caso houve a determinação de realização de diligência semelhante ao caso dos autos que culminou com a elaboração de um Laudo Técnico. Havendo dois fundamentos autônomos e não sendo atacados os dois, não deve ter prosseguimento o recurso especial com relação a essa matéria. Nesse sentido, é a Súmula nº 283 do Supremo Tribunal Federal: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles". Portanto, não se conhece do recurso especial da Contribuinte com relação a essa matéria. 2 Do Direito ao Crédito de PIS e COFINS nãocumulativos de Produtos Acabados Com relação ao direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, temse que a divergência foi devidamente comprovada, devendo ter prosseguimento o apelo especial. A priori, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] Fl. 662DF CARF MF Processo nº 11686.000357/200816 Acórdão n.º 9303007.100 CSRFT3 Fl. 8 7 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotarse o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 663DF CARF MF Processo nº 11686.000357/200816 Acórdão n.º 9303007.100 CSRFT3 Fl. 9 8 As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de Fl. 664DF CARF MF Processo nº 11686.000357/200816 Acórdão n.º 9303007.100 CSRFT3 Fl. 10 9 produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial Fl. 665DF CARF MF Processo nº 11686.000357/200816 Acórdão n.º 9303007.100 CSRFT3 Fl. 11 10 e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Ainda, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi recentemente julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 PR, no sentido de reconhecer a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime nãocumulativo. Até a presente data da sessão de julgamento desse processo não houve o trânsito em julgado do acórdão do recurso especial nº 1.221.170PR pela sistemática dos recursos repetitivos, pois pendente de julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Fazse a ressalva do entendimento desta Conselheira, que não é o da maioria do Colegiado, que conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão. Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda". No caso dos autos, conforme afirmado pela Contribuinte e não contestado pela Fiscalização, está consolidado que os fretes entre os estabelecimentos da empresa são de matériaprima e uma pequena parte de produtos acabados, defendendo serem ambos passíveis de créditos, em consonância com o acórdão colacionado como paradigma (nºs 3401002.075 e 340203.148). A partir da descrição da atividade da Recorrente na peça do apelo especial, é possível chegarse a melhor compreensão quanto à essencialidade/pertinência do frete entre estabelecimentos, tanto de matériasprimas quanto de produtos acabados, para o seu processo produtivo. Reproduzemse os argumentos constantes às fls. 385 a 387, in verbis: [...] Vejase que no caso em comento os fretes praticados durante o processo produtivo são os seguintes: 1.Frete com a aquisição de matériaprima para fabricar fertilizantes (exemplo nitrogênio, fósforo e potássio); Fl. 666DF CARF MF Processo nº 11686.000357/200816 Acórdão n.º 9303007.100 CSRFT3 Fl. 12 11 2. Remessa para industrialização da matériaprima; 3. Frete do produto até outro estabelecimento da Recorrente para armazenagem e venda final. Ou seja, os produtos da Recorrente como condição para bem desempenharem sua função, são higroscópicos e, portanto, com absorção de umidade apresentam perda de suas plenas qualidades em período relativamente curto (cerca de 18 a 24 meses), não sendo adequado armazenálos por longo tempo. Por isso, é possível afirmar que, tal como ocorre no acórdão paradigma, o caso da Recorrente possui peculiaridades que fazem com que o seu processo produtivo não termine na fábrica, mas somente quando o produto industrializado acabado é entregue ao produtor rural, destinatário final, em condições aptas para uso na lavoura. Para minimizar a deterioração na qualidade e para evitar problemas de segurança no transporte, devese prestar atenção tanto às propriedades iniciais do fertilizante quanto aos procedimentos corretos de manuseio do fertilizante. O manuseio e o transporte correto do fertilizante devem ser baseados nas condições climáticas, no tipo de fertilizante e na forma como é expedido (granel ou sacos): [...] No caso em tela, a Recorrente possui sede em Porto Alegre e unidades em vários Estados da federação, existindo em determinados casos (embora muito menos usual do que a remessa de matéria prima) a remessa de produtos acabados destinados à venda. Isso é fácil de compreender: a unidade de Porto Alegre, por exemplo, pode ter em estoque determinado produto vendido pela unidade de Imperatriz, no interior do Maranhão. A fim de atender à demanda que lhe foi encaminhada, não se deve exigir que a empresa produza, no Maranhão, o fertilizante de que já dispõe estocado no Rio Grande do Sul, já que, como narrado linhas acima, o fertilizante se deteriora rapidamente com o passar do tempo, devendo sempre ser comercializado o produto que se encontra há mais tempo em estoque. Mas ao transportar a mercadoria até suas unidades pelo país, a contribuinte gasta um considerável montante em frete. Porém, se os bens transportados já estão destinados à venda, esse frete também deve estar sujeito aos créditos de PIS e de COFINS previstos nos artigos 3º, IX e 15, II da Lei nº 10.833/03, pois há apenas um deslocamento do trajeto que seria realizado originalmente, caso o produto saísse do estabelecimento industrial de Porto Alegre e fosse transferido diretamente ao comprador. [...] Nesse sentido, esse 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu os Acórdãos nºs 9303004.673, de 16 de fevereiro de 2017, de relatoria da nobre Conselheira Érika Costa Camargos Autran; e 9303005.156, de 17 de maio de 2017, cuja relatoria foi da ilustre Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Os julgados foram assim ementados: Acórdão n.º 9303004.673 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 28/02/2005 DECADÊNCIA. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação, ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. Fl. 667DF CARF MF Processo nº 11686.000357/200816 Acórdão n.º 9303007.100 CSRFT3 Fl. 13 12 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2005 CREDITAMENTO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. POSSIBILIDADE, INDEPENDENTEMENTE DO RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PELOS FORNECEDORES, MAS DESDE QUE COMPROVADO O PAGAMENTO DAS TRANSAÇÕES E A CORRESPONDENTE ENTREGA DAS MERCADORIAS. Realidade em que as aquisições do sujeito passivo estão sujeitas à apuração de crédito básico pela aquisição de insumos previsto no artigo 3°, inciso II, da Lei n° 10.637/02. Direito o qual deverá ser reconhecido uma vez evidenciado nos autos, independentemente do recolhimento da contribuição por parte dos fornecedores, a anotação, no corpo das notas fiscais de entrada, de que as correspondentes operações estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS. associado à comprovação do pagamento das transações e da entrega das mercadorias, o que afasta as conseqüências decorrentes da eventual inidoneidade dos fornecedores. nos termos do artigo 82 da Lei n° 9.430/96. CRÉDITOS BÁSICOS. DESPESAS COM FRETES. As despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de PIS, passiveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2005 CREDITAMENTO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. POSSIBILIDADE, INDEPENDENTEMENTE DO RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PELOS FORNECEDORES, MAS DESDE QUE COMPROVADO O PAGAMENTO DAS TRANSAÇÕES E A CORRESPONDENTE ENTREGA DAS MERCADORIAS. Realidade em que as aquisições do sujeito passivo estão sujeitas à apuração de crédito básico pela aquisição de insumos previsto no artigo 3°, inciso II, da Lei n° 10.637/02. Direito o qual deverá ser reconhecido uma vez evidenciado nos autos, independentemente do recolhimento da contribuição por parte dos fornecedores, a anotação, no corpo das notas fiscais de entrada, de que as correspondentes operações estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS. associado à comprovação do pagamento das transações e da entrega das mercadorias, o que afasta as conseqüências decorrentes da eventual inidoneidade dos fornecedores. nos termos do artigo 82 da Lei n° 9.430/96. CRÉDITOS BÁSICOS. DESPESAS COM FRETES. As despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de Cofins, a partir da competência de fevereiro de 2004, passiveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Recurso Especial do Procurador negado Recurso Especial do Contribuinte negado Fl. 668DF CARF MF Processo nº 11686.000357/200816 Acórdão n.º 9303007.100 CSRFT3 Fl. 14 13 Acórdão n.º 9303005.156 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIASPRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matériasprimas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matériaprima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto. PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins. (grifouse) Pela argumentação exposta, há de ser reformado o acórdão recorrido e reconhecido o direito ao crédito com relação às despesas de frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. 3 Dispositivo Diante do exposto, o Recurso Especial da Contribuinte é conhecido somente em parte quanto à possibilidade de creditamento de PIS nãocumulativo na contratação de frete de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, e, no mérito, dáse provimento ao recurso para ser reconhecido o direito ao crédito de PIS nãocumulativo das despesas de frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi Fl. 669DF CARF MF Processo nº 11686.000357/200816 Acórdão n.º 9303007.100 CSRFT3 Fl. 15 14 conhecido em parte e, na parte conhecida, o colegiado deulhe provimento para reconhecer o direito ao crédito da contribuição sobre as despesas com frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 670DF CARF MF
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Numero do processo: 11075.000519/2008-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 23/09/2005 a 02/01/2007
COMBUSTÍVEIS. IMPORTAÇÃO IRREGULAR. DEPÓSITO. DANO AO ERÁRIO. MERCADORIA CONSUMIDA PELO IMPORTADOR. PERDIMENTO CONVERTIDO EM MULTA.
Provado, ainda que de forma indiciária, o depósito e a circulação comercial no País de mercadoria importada irregularmente, resta caracterizado o dano ao Erário, sujeitando- se o importador, que consumiu a mercadoria, ao pagamento da multa substitutiva da pena de perdimento.
Tipificação legal adotada de forma genérica não é erro na subsunção do fato ao critério pessoal da regra matriz de incidência, o que afasta o Vício Material.
Ainda que se alegue dúvidas sobre a ação de depositar, o que é impraticável e inverossímil, não é desarrazoado entender que o combustível trazido irregularmente também estava em circulação comercial no País.
Numero da decisão: 3302-005.818
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède Presidente.
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 23/09/2005 a 02/01/2007 COMBUSTÍVEIS. IMPORTAÇÃO IRREGULAR. DEPÓSITO. DANO AO ERÁRIO. MERCADORIA CONSUMIDA PELO IMPORTADOR. PERDIMENTO CONVERTIDO EM MULTA. Provado, ainda que de forma indiciária, o depósito e a circulação comercial no País de mercadoria importada irregularmente, resta caracterizado o dano ao Erário, sujeitando- se o importador, que consumiu a mercadoria, ao pagamento da multa substitutiva da pena de perdimento. Tipificação legal adotada de forma genérica não é erro na subsunção do fato ao critério pessoal da regra matriz de incidência, o que afasta o Vício Material. Ainda que se alegue dúvidas sobre a ação de depositar, o que é impraticável e inverossímil, não é desarrazoado entender que o combustível trazido irregularmente também estava em circulação comercial no País.
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IMPORTAÇÃO IRREGULAR. Recorrente CONQUISTADORA TRANSPORTE COLETIVO DE URUGUAINA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 23/09/2005 a 02/01/2007 COMBUSTÍVEIS. IMPORTAÇÃO IRREGULAR. DEPÓSITO. DANO AO ERÁRIO. MERCADORIA CONSUMIDA PELO IMPORTADOR. PERDIMENTO CONVERTIDO EM MULTA. Provado, ainda que de forma indiciária, o depósito e a circulação comercial no País de mercadoria importada irregularmente, resta caracterizado o dano ao Erário, sujeitando se o importador, que consumiu a mercadoria, ao pagamento da multa substitutiva da pena de perdimento. Tipificação legal adotada de forma genérica não é erro na subsunção do fato ao critério pessoal da regra matriz de incidência, o que afasta o Vício Material. Ainda que se alegue dúvidas sobre a ação de depositar, o que é impraticável e inverossímil, não é desarrazoado entender que o combustível trazido irregularmente também estava em circulação comercial no País. ü Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède – Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 5. 00 05 19 /2 00 8- 04 Fl. 306DF CARF MF 2 Jorge Lima Abud Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede Relatório Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 03/03/2008, formalizando a exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro (100%), no valor de R$ 156.834,99. Em 29/12/2006 foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) 10.1.09.002006001305, de folhas 09 , relativo à Diligência na empresa Conquistadora Transporte Coletivo de Uruguaiana Ltda, CNPJ 00.705.010/000122. Em 03/01/2007 a Auxiliar Financeira da empresa Conquistadora Transporte Coletivo de Uruguaiana Ltda, Clair Perini, CPF 529.857.84034, informou sobre aquisição de combustível, por parte do estabelecimento, na cidade de Paso de Los Libres/Argentina e declarou que 50% do combustível utilizado pela frota da companhia é de origem estrangeira, conforme Termo de Declaração, de folhas 12 a 13. Considerando as informações prestadas pela Auxiliar Financeira, foi iniciado procedimento de retenção de documentos, conforme Termo de Lacração n° 01, de folhas 14 a 15. Em 08/01/2007 o representante legal da empresa, Joacir Perini, CPF 667,397.56015 tomou ciência do MPF. Nessa data, na presença do representante legal da empresa Joacir Perini e da Auxiliar Financeira Clair Perini, foi emitido o Termo de Abertura de Lacres n° 001, de folhas 16 a 17. Os Cupons Fiscais originais apreendidos, emitidos por empresas argentinas, referentes a aquisições irregulares de combustível, totalizando 138.476,45 litros, no valor total de 218.505,88 pesos argentinos, com Valor Aduaneiro de R$ 156.834,99, adquirido para consumo da frota de veículos da pessoa jurídica, estão detalhados na planilha de folhas 19 a 44. Considerando que não existem despachos de importação para esses combustíveis, visto que a empresa não está habilitada, conforme disposto na IN SRF 650/2006, para operar no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), em 04/06/2007 o interessado foi cientificado, através da Intimação Geana n° 0366/2007, da necessidade de entregar à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Uruguaiana as mercadorias (combustíveis) estrangeiras de que tratam os Cupons Fiscais apreendidos, emitidos por empresas argentinas revendedoras de combustíveis, visto que NÃO FORAM IMPORTADAS REGULARMENTE. Os combustíveis adquirido na Argentina, importados irregularmente, estão sujeitos a aplicação da pena de perdimento, com base no Decreto n° 4.543/2002, artigo 618, inciso X, cujo inciso transcrevo abaixo, visto que a empresa Conquistadora Transporte Coletivo de Uruguaiana nâo procedeu ao despacho de importação desses combustíveis. Fl. 307DF CARF MF Processo nº 11075.000519/200804 Acórdão n.º 3302005.818 S3C3T2 Fl. 3 3 Em 11/06/2007, o representante legal da empresa informou que não possui os combustíveis de que tratam os cupons fiscais, pois já foram consumidos. Considerando a impossibilidade de apreensão das mercadorias sujeitas a pena de perdimento, em razão de seu consumo, fica prejudicada a apuração da infração capitulada como dano ao Erário, sendo assim, é exigida a multa prevista no art. 618, § 1° do Decreto 4.543/02 (DecretoLei n° 1.455/76, art. 23, § 3°, com redação dada pela Lei n° 10.637/02, art. 59 e pelo Decreto 4.765/03). Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento, em 12/03/2008 (fls. 265), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 11/04/2008, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574/2011, de fls. 267 à 271, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. O impugnante em sua defesa alegou os seguintes pontos: ü Cumpre salientar que a ora impugnante foi autuada, em processo administrativo n° 11075.001826/200713, apresentou defesa a qual foi julgado nulo o lançamento tributário e surpreendentemente é novamente autuada pelos mesmos fatos; ü Em sede de PRELIMINAR cabe destacar a impossibilidade da " Administração Pública efetuar novo lançamento pelos mesmos fatos quando o primeiro foi anulado por vício material, conforme preceitua a interpretação da ADE n.° 2, de 03/02/99; ü Assim, portanto, por absoluta falta de previsão legal é vedado à Administração Tributária efetuar novo lançamento tributário após ter havido a anulação de lançamento anterior; ü Resta induvidoso o fato de que o vício que resultou na anulação do auto de infração supracitado é de natureza material, pois diz respeito diretamente com a falta de enquadramento da conduta tida como ilícito tributário. Por essa razão o Auto de Infração, que ora se impugna, deverá ser declarado nulo eis que objetiva uma “revisão” de ato eivado de vício material, para o qual há norma impeditiva; ü O enquadramento legal utilizado pelo fisco federal para embasar o Auto de Infração não se verificou taticamente. A análise detalhada do preceito legal prevê de forma clara e objetiva que a pena de perdimento deverá ser aplicada para mercadorias: “exposta à venda, depositada ou em circulação comercial no País”; analisandose o Auto de Infração aqui impugnado o fisco não imputa ao contribuinte quaisquer das condutas elencadas no dispositivo legal, ou seja, a suposta mercadoria não se encontrava exposta, depositada, tampouco em circulação comercial. ü Verificase, claramente, que a norma deverá ser aplicada quando à mercadoria estrangeira for dada finalidade comercial; no caso em análise, o combustível oriundo da vizinha cidade de Paso de Los Fl. 308DF CARF MF 4 Libres, ingressou no País de forma legal e foi integralmente utilizado no consumo próprio, JAMAIS a impugnante desenvolveu as condutas referidas no enquadramento atribuído pela fiscalização. ü Pois o simples fato de adquirir combustível para uso próprio na vizinha cidade não constitui infração, pois como é notório na cidade de Uruguaiana, todos os transportistas de cargas abastecem seus caminhões na Argentina, momentos antes de atravessar a fronteira, os taxistas também abastecem seus veículos no vizinho País, pois tais condutas não constituem^ nenhum tipo de infração, ao contrário são permitidas. ü A impugnante não desenvolveu os atos previstos no inc. X, do art.618 do RA, quais sejam, não expôs à venda, não manteve em depósito e tampouco comercializou, ademais caberia a Administração Tributária a comprovação de conduta ilícita da impugnante. Diante do Exposto requer: A vista da demonstrada insubsistência do auto de infração requer a declaração de sua NULIDADE diante da impossibilidade legal de efetuar novo lançamento tributário após ter havido a anulação de lançamento anterior e na remota hipótese de superada a preliminar suscitada seja no mérito julgado procedente a presente impugnação, com a consequente desconstituição do auto de infração, afastandose de imediato os seus efeitos. Em 10 de setembro de 2010, através do Acórdão n° 0721.112, a 2a Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis/SC por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Entendeu a Turma que no caso vertente, de plano, verificase que, realmente, os mesmos fatos que ensejaram a presente autuação já haviam ensejado lançamento anterior, e que foi declarado nulo pela Primeira Turma de Julgamento desta DRJ/FNS, em decisão prolatada através do Acórdão n.° 0711.998, de 15/02/2008. O lançamento anterior não foi anulado por vício material, caso em que haveria de ser julgado improcedente, em razão de algum vício eventualmente verificado durante o exame relacionado à matéria (mérito) tratada no lançamento. O lançamento anterior foi, sim, declarado nulo por vício formal, porquanto o vício apontado dizia respeito à inexatidão na observância da norma procedimental, qual seja, deixar de informar claramente o dispositivo legal referente à infração capitulada como dano ao Erário. Ora, no caso dos autos, o impugnante não nega que adquiriu na Argentina o combustível apontado pela fiscalização e tampouco contesta a declaração prestada pela Sra. Clair Perini (CPF n.° 529.857,84034), auxiliar financeira da empresa autuada, que, reduzida a termo consoante o documento de fm 12 e 13, informa que um motorista da empresa em comento fazia de dezesseis a dezessete viagens, por semana, até a cidade argentina de Paso de Los Libres, com uma camionete modelo D20 (placa IEE 2986), também pertencente à empresa, para comprar e trazer o combustível que, por sua vez, era consumido pela frota de doze ônibus da companhia de transporte coletivo. Fl. 309DF CARF MF Processo nº 11075.000519/200804 Acórdão n.º 3302005.818 S3C3T2 Fl. 4 5 Com efeito, sendo incontroverso, na espécie, esses fatos, ainda que não se vislumbre que o contribuinte em causa tenha praticado as condutas típicas de expor à venda ou de por em circulação comercial a mercadoria importada, considerouse irrefutável a prática do depósito da mercadoria estrangeira importada irregularmente, ilicitude esta igualmente prevista na norma penal, eis que, confessadamente, o combustível foi comprado para ser consumido por outros veículos de propriedade da empresa autuada, no caso os ônibus de transporte coletivo. Neste mesmo quadro, é bem de ver que a importação de óleo diesel e gasolina, embora permitida, deve seguir os procedimentos regulares, visto que se encontra sujeita à prévia e expressa autorização da ANP, sendo, ademais disso, vedada a importação de gasolina para consumo próprio, nos termos dos artigos 1° das Portarias ANP n.° 313 e 314, ambas do ano de 2001. No caso dos autos, sem que tenha se submetido às normas que disciplinam a importação de combustíveis, resta clara a irregularidade da operação engendrada pelo contribuinte, em nada lhe favorecendo a alegativa de que outras companhias de transporte e taxistas, pretensamente, teriam se valido, de forma costumeira, do mesmo artifício para burlar a fiscalização aduaneira. A impugnante foi cientificada da Decisão da Delegacia Regional de Julgamento, em 13/10/2010, via Aviso de Recebimento, às folhas 293 do processo digital. Em 12/11/2010, ingressou com RECURSO VOLUNTÁRIO junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, apresentando suas razões, de folhas 294 a 302. Em síntese, foi alegado que: ü Ao contrário do entendimento dos Julgadores que compõe a 2a Turma da DRJ/FNS, resta claro que a declaração de NULIDADE do Auto de Infração n.° 11075.000519/200804, se deu por VÍCIO MATERIAL; ü O VICIO FORMAL, é caracterizado por defeitos no processo, no procedimento, como por exemplo, incompetência da Autoridade, preenchimento com pequena inexatidão ou pouca clareza, ou seja um erro de procedimento, no caso em tela a nulidade foi declarada por VÍCIO MATERIAL, que é caracterizado por erro no objeto do lançamento, ou seja, a falta do pressuposto objetivo, que no caso em tela seria IMPORTAR IRREGULARMENTE, fato que não existe, pois a compra de gasolina ou diesel por Brasileiros na cidade de Passo de Los Libres na Argentina é legal, desde que transportada no próprio tanque do veículo; ü Ainda, a r. Decisão ora atacada justificando seu entendimento a fl. 284, (fl. 4 da Decisão), afirma ou dá a entender que se o resultado do julgamento do recurso anterior foi de declaração de nulidade, sendo “nulo” significa por vício formal e a expressão “improcedente” seria de ocorrência de vicio material. Tal diferenciação não existe, pode ser entendimento pessoal do Douto Relator, mas digase totalmente equivocado; Fl. 310DF CARF MF 6 ü Resta claro que é incabível efetuar novamente o lançamento tributário após ter havido a anulação de lançamento anterior como amplamente demonstrado ter sido por VÍCIO MATERIAL, pois a Legislação Pátria estabeleceu para a revisão do lançamento limites temporais, que não é o caso, e limite objetivo que é o caso em tela, ou seja, é ilegal a Administração Pública efetuar novo lançamento pelos mesmos fatos quando o primeiro foi anulado por vício material, conforme preceitua a interpretação da ADE n.° 2, de 03/02/99, sob pena de ferir os princípios da Legalidade e da Segurança Jurídica evitando que o contribuinte fique e mercê do reexercício ilimitado do poder da Administração Pública de lançar; ü Quanto ao mérito, na remota hipótese de superada a preliminar" deve ser dado provimento ao presente recurso, pois, não ocorreu importação irregular, depósito do combustível ou sequer dano ao erário, pois vejamos: ü O Auto de Infração, relata, que o impugnante realizou aquisição de combustível na cidade vizinha de Paso de Los Libres (Argentina), no período compreendido entre setembro de 2005 a janeiro de 2007, que consumiu o produto passível de perdimento, sendo que foi aplicado a multa. ü O enquadramento legal utilizado pelo fisco federal para embasar o Auto de Infração não se verificou faticamente. A análise detalhada do preceito legal prevê de forma clara e objetiva que a pena de perdimento deverá ser aplicada para mercadorias: “exposta à venda, depositada ou em circulação comercial no País”; analisandose o Auto de Infração aqui impugnado o fisco não imputa ao contribuinte quaisquer das condutas elencadas no dispositivo legal, ou seja, a suposta mercadoria não se encontrava exposta, depositada, tampouco em circulação comercial. ü Venncase, claramente, que a norma deverá ser aplicada quando à mercadoria estrangeira for dada finalidade comercial; no caso em análise o combustível oriundo da vizinha cidade de Paso de Los Libres, ingressou no1" País de forma legal e foi integralmente utilizado no consumo próprio, JAMAIS a impugnante desenvolveu as condutas referidas no enquadramento atribuído pela fiscalização; ü O simples fato de adquirir combustível para uso próprio na vizinha cidade não constitui infração, pois como é notório, na cidade de Uruguaiana, todos os transportistas de cargas abastecem seus caminhões na Argentina, momentos antes de atravessar a fronteira, as empresas de transporte coletivo internacionais também fazem a mesma prática, digase legal, os taxistas também abastecem seus veículos no vizinho País, pois tais condutas não constituem nenhum tipo de infração, ao contrário são permitidas e fomentadas pelos dois Governos, ou seja, há incentivo ao comércio entre Uruguaiana e Passo de Los Libres; ü Assim, ao contrário dos fundamentos da r. Decisão ora atacada a Recorrente não desenvolveu os atos previstos no inc. X, do art.618 do Fl. 311DF CARF MF Processo nº 11075.000519/200804 Acórdão n.º 3302005.818 S3C3T2 Fl. 5 7 RA, quais sejam, não expôs à venda, não manteve em depósito e tampouco comercializou, ademais cabería a Administração Tributária a comprovação de conduta ilícita da impugnante. Diante do Exposto requer: À vista da demonstrada insubsistência do auto de infração requer a declaração de sua NULIDADE ou IMPROCEDÊNCIA diante da impossibilidade legal de efetuar novo lançamento tributário após ter havido a anulação de lançamento anterior por vício material e na remota hipótese de superada a preliminar suscitada seja no mérito totalmente provido o presente, com a conseqüente desconstituição do auto de infração, afastandose de imediato os seus efeitos. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a empresa CONQUISTADORA TRANSPORTE COLETIVO DE URUGUAINA foi cientificada do Acórdão n° 0721.112, em 13/10/2010, via Aviso de Recebimento, às folhas 293 do processo digital. A empresa CONQUISTADORA TRANSPORTE COLETIVO DE URUGUAINA apresentou o seu Recurso Voluntário em 12/11/2010, às folhas 294 do processo digital. O recurso é tempestivo. Da controvérsia. ü A declaração de NULIDADE do Auto de Infração n.° 11075.000519/200804, se deu por VÍCIO MATERIAL; ü É incabível efetuar novamente o lançamento tributário após ter havido a anulação de lançamento anterior como amplamente demonstrado ter sido por VÍCIO MATERIAL; ü A não ocorrência de importação irregular, depósito do combustível ou sequer dano ao erário; ü O enquadramento legal utilizado pelo fisco federal para embasar o Auto de Infração não se verificou faticamente. Das preliminares. Fl. 312DF CARF MF 8 A declaração de NULIDADE do Auto de Infração n.° 11075.000519/200804 Antes de examinar a questão, é mister delinear os conceitos em testilha. Fabiana Del Padre Tomé vem esclarecer: Os vícios formais dizem respeito ao procedimento de elaboração do administrativo, acarretando defeito na enunciação, isto é, na proposição que relata aspectos inerentes ao sujeito produtor, tempo, local e modo de emissão da norma individual e concreta. Os erros materiais, por sua vez, são verificados no próprio enunciaado introduzido no ordenamento, sendo internos às normas individual e concreta. No primeiro caso, sendo o problema decorrente da aplicação do direito formal, pode ele ser objeto de saneamento, no modo e tempo em que a legislação estabelecer. Na segunda hipótese, porém, os efeitos do vício são diversos, pois, tratatandose de erro que atinge um dos elementos intrínsecos à norma individual e concreta, como é o caso da motivação, o ato será nulo e insusceptível de convalidação. ( in ‘ A prova no Direito Tributário’, pág. 288, Ed. Noeses, 2006.) A 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF do CARF diferenciou vício formal de vício material no acórdão 9101002.146: NULIDADE DE LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. VÍCIO FORMAL. ASPECTOS QUE ULTRAPASSAM O ÂMBITO DO VÍCIO FORMAL. Vício formal é aquele verificado de plano no próprio instrumento de formalização do crédito, e que não está relacionado à realidade representada (declarada) por meio do ato administrativo de lançamento. Espécie de vício que não diz respeito aos elementos constitutivos da obrigação tributária, ou seja, ao fato gerador, à base de cálculo, ao sujeito passivo, etc. A indicação defeituosa ou insuficiente da infração cometida, da data em que ela ocorreu, do montante correspondente à infração (base imponível); e dos documentos caracterizadores da infração cometida (materialidade), não configura vício formal. É de se d4estacar o seguinte trecho do voto do relator demonstrando que o não cumprimento das disposições do artigo 142 do CTN implicam na ocorrência de vício material no lançamento tributário: O vício formal a que se refere o artigo 173, II, do CTN abrange, por exemplo, a ausência de indicação de local, data e hora da lavratura do lançamento, a falta de assinatura do autuante, ou a falta da indicação de seu cargo ou função, ou ainda de seu número de matrícula, todos eles configurando elementos formais para a lavratura de auto de infração, conforme art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, mas que não se confundem com a essência/ conteúdo da relação jurídicotributária, apresentada como resultado das atividades inerentes ao lançamento (verificação da ocorrência do fato gerador, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, etc. CTN, art. 142). Em 15 de fevereiro de 2008, o Acórdão n° 0711.998 da 1a Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópilis/SC por MAIORIA de votos anulou o lançamento. Fl. 313DF CARF MF Processo nº 11075.000519/200804 Acórdão n.º 3302005.818 S3C3T2 Fl. 6 9 Para tanto, assim decidiu a Turma ( trecho extraído às folhas 275 e 276 do processo digital): Em sede de impugnação a interessada alega, preliminarmente, que a apuração da infração capitulada como dano ao Erário é vital para que esta possa saber exatamente qual foi a conduta tida pela autoridade fiscal como danosa ao Erário e ainda o respectivo enquadramento legal que especifique tal conduta. De fato, observandose os autos, podese claramente constatar que a autoridade fiscal, na descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração (fl,02) informou que a apuração da infração capitulada como dano ao Erário ficou prejudica, considerando para tal a impossibilidade de apreensão das mercadorias sujeitas a pena de perdimento, em razão de seu consumo. Como se viu anteriormente, a tipificação legal adotada pela autoridade fiscal foi genérica, enquadrando apenas a infração no § 1°, do artigo 618, do Decreto n° 4.543/2002 e também no §§ 1° e 2°, do artigo 73, da Lei n° 10.833/03, sem contudo especificar em qual inciso de tais artigos, que tipificam efetivamente as condutas como danosas ao Erário, a autuada estaria enquadrada. A transmutação da cominação da penalidade de perdimento por dano ao Erário é perfeitamente possível, porém é preciso que a conduta do autuado esteja perfeitamente enquadrada num dos incisos previstos como danosos ao Erário, é premissa básica, o § 1 °, do artigo 618, do Decreto n° 4.543/2002 claramente diz que a pena de que trata este artigo convertese em multa, logo é condição indispensável que os fatos apurados possam estar enquadrados num dos incisos tipificadores de conduta passível com tal punição. Da mesma forma o § 3° do art. 23 do DecretoLei n° 1.455, de 7 de abril de 1976, remete a conversão ao disposto no § 1° do mesmo artigo, que por sua vez diz que o dano ao Erário decorrente das infrações previstas no caput do citado artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias, restando novamente claro que a conversão deve ser feita quando a conduta for passível de punição por pena de perdimento em virtude de fato tido por danoso ao Erário nos termos do caput do artigo, cuja tipificação está disposta nos seus respectivos incisos. A conversão da multa é consequência e, só deve ocorrer se: após a tipificação legal da conduta danosa ao Erário a mercadoria em questão não for localizada ou consumida, ou seja, a conversão tem por objetivo transmutar a pena de perdimento por dano ao Erário em prestação pecuniária, em face da impossibilidade do Estado apreender efetivamente a mercadoria. Não é o consumo em si motivo suficiente para o enquadramento legal como mercadoria Fl. 314DF CARF MF 10 sujeita a pena de perdimento por dano ao Erário, mas sim motivo para eventual conveasão da pena de perdimento por dano ao Erário. Para que reste configurada a disposição legal infringida é de se concluir que a perfeita tipificação na lei da conduta que cause dano ao Erário e o respectivo enquadramento do dispositivo legal precisam estar relacionados com o ilícito correspondente. Ademais, a plena descrição do dispositivo legal infringido e a sua relação com as irregularidades atribuídas à autuada devem estar contidas no auto de infração, sob pena da ausência precisa da tipificação legal macular o contraditório e a ampla defesa. É preciso informar claramente o dispositivo legal referente à infração capitulada como dano ao Erário, pois esta é a premissa básica da possibilidade de conversão da pena de perdimento por dano ao Erário em multa. Em virtude de todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, voto no sentido de JULGAR NULO O LANÇAMENTO. Pelo que foi exposto, o motivo de se JULGAR NULO O LANÇAMENTO foi a não precisão da tipificação legal da conduta que causou o dano ao Erário. Na toada exposta pelo Acórdão n° 9101002.146, da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais vício formal é aquele verificado de plano no próprio instrumento de formalização do crédito, e que não está relacionado à realidade representada (declarada) por meio do ato administrativo de lançamento. Para tanto, há a lapidar contribuição da Solução de Consulta Interna Cosit Nº 8/2013. A Cocaj encaminhou a Consulta Interna nº 1, de 2012, questionando sobre a existência ou não de nulidade do lançamento pelo erro na identificação do sujeito passivo. E ocorrendo a nulidade, questiona se é um vício formal ou material. Explorando o assunto, a Solução de Consulta Interna burilou conceitos que nos interessa. (...) 8.4. Em suma, há vício formal quando tenha ocorrido erro de fato na identificação do sujeito passivo, o qual decorre de erro quanto à análise de fatos ou documentos, mas cuja interpretação legal esteja correta. Como no último exemplo, se comprovado que o administrador de determinada sociedade deve ser responsabilizado por determinada infração, mas houve erro de quem era o administrador naquela época, houve erro de fato. Situação distinta seria se houvesse erro em identificar que o administrador (independentemente de quem fosse) deveria ou Fl. 315DF CARF MF Processo nº 11075.000519/200804 Acórdão n.º 3302005.818 S3C3T2 Fl. 7 11 não ser o responsável, situação em que haveria um erro de direito. 8.5. Quando há erro de fato o vício na identificação do sujeito passivo é formal, o lançamento é anulável e portanto convalidável (ao menos teoricamente). A questão é: necessitase de um novo lançamento? 8.5.1. Se o sujeito passivo correto impugnou o mérito do ato, qualificandose adequadamente e exercendo na totalidade o direito de defesa, não há por que se proceder a um novo lançamento. Basta consignar no processo a correta identificação do sujeito passivo e dar andamento a ele, em prol da instrumentalidade das formas. O ato está convalidado. 8.5.2. Se houver manifestação também do sujeito passivo correto apenas pelo erro na identificação do sujeito passivo quando da impugnação (sem adentrar no seu mérito), o ato não mais é possível de convalidação. Ele poderia ter sido convalidado somente até o momento dessa impugnação. Se ela já ocorreu, é necessário que a autoridade fiscal lançadora efetue novo lançamento com a correta identificação do sujeito passivo, encaminhando a ele novamente o lançamento, reiniciandose o prazo para impugnação. Nessa situação o prazo decadencial para assim proceder contase de acordo com o art. 173, inciso II, do CTN, ou seja, a Fazenda Pública possui cinco anos a partir da decisão definitiva que anulou o auto de infração. 8.5.3. Caso não tenha ocorrido a impugnação administrativa, mas de algum modo houve a anulação do auto de infração por vício formal (erro de fato), mesmo que de ofício ou judicialmente, o prazo decadencial para o novo lançamento é o do art. 173, inciso II, do CTN, a partir de tal decisão. 9. O importante para a análise é que sempre há a possibilidade de convalidação (pelo menos em abstrato) quando o erro da identificação do sujeito passivo é um vício formal, decorrente de erro de fato. Contudo, se houver impugnação, é necessária a anulação do lançamento e a feitura de um novo, consoante disposto no item 8.5.2, tendose o prazo decadencial do art. 173, II, do CTN. 10. Falta analisar a situação em que o erro na identificação do sujeito passivo é um vício material. Se o vício formal decorre do erro de fato, o material decorre do erro de direito. No conceito de Paulo de Barros de Carvalho: Já o erro de direito é também um problema de ordem semântica, mas envolvendo enunciados de normas jurídicas diferentes, caracterizandose como um descompasso de feição externa, internormativa. (...) Fl. 316DF CARF MF 12 Quer os elementos do fato jurídico tributário, no antecedente, quer os elementos da relação obrigacional, no consequente, quer ambos, podem, perfeitamente, estar em desalinho com os enunciados da hipótese ou da consequência da regramatriz do tributo, acrescendose, naturalmente, a possibilidade de inadequação com outras normas gerais e abstratas, que não a regra padrão de incidência. (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 22ª ed. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 486). 10.1. No erro de direito há incorreção no cotejo entre a norma tributária (hipótese de incidência) com o fato jurídico tributário em um dos elementos do consequente da regra matriz de incidência, qual seja, o pessoal. Há erro no ato norma. É vício material e, portanto, impossível de ser convalidado. 10.2. Desse modo, o erro na interpretação da regra matriz de incidência no que concerne ao sujeito passivo da obrigação tributária (o que inclui tanto o contribuinte como o responsável tributário) gera um lançamento nulo por vício material, não se aplicando a regra especial de contagem do prazo decadencial do art. 173, II, do CTN. Conclusão 11. Em decorrência do exposto, concluise que: a) Mera irregularidade na identificação do sujeito passivo que não prejudique o exercício do contraditório não gera nulidade do ato de lançamento. b) A ocorrência de defeito no instrumento do lançamento que configure erro de fato é convalidável e, por isso, anulável por vício formal. c) Apenas o erro na subsunção do fato ao critério pessoal da regra matriz de incidência que configura erro de direito é vício material. No Acórdão n° 0711.998 da 1a Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópilis/SC a tipificação legal adotada pela autoridade fiscal foi genérica; portanto, não se pode falar em erro na subsunção do fato ao critério pessoal da regra matriz de incidência, o que afasta o Vício Material. Nesse sentido, adequado o entendimento da autoridade fiscal em proceder um novo lançamento, ora analisado. Do Mérito. A ocorrência de importação irregular Inaugurase a análise DO MÉRITO com a transcrição do artigo em que foi capitulada a conduta infracional. Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002: Art. 618. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguinte/mpóteses, por configurarem dano ao Erário (Decretolei Fl. 317DF CARF MF Processo nº 11075.000519/200804 Acórdão n.º 3302005.818 S3C3T2 Fl. 8 13 rí1 37, de 1966, art. 105, e Decretolei rí1 1.455, de 1976, art. 23 e § 1~, com a redação dada pela Lei ri1 10.637, de 2002, art. 59): (...) X estrangeira, exposta à venda, depositada ou em circulação comercial no País, se não for feita prova de sua importação regular; Pinçamse da ação fiscal os seguintes fatos: 1. Em 03/01/2007 a Auxiliar Financeira da empresa Conquistadora Transporte Coletivo de Uruguaiana Ltda, Clair Perini, CPF 529.857.84034, informou sobre aquisição de combustível, por parte do estabelecimento, na cidade de Paso de Los Libres/Argentina e declarou que 50% do combustível utilizado pela frota da companhia é de origem estrangeira, conforme Termo de Declaração, de folhas 12 a 13; 2. Motorista da empresa CONQUISTADORA TRANSPORTE fazia de dezesseis a dezessete viagens, por semana, até a cidade argentina de Paso de Los Libres, com uma camionete modelo D20 (placa IEE 2986), também pertencente à empresa, para comprar e trazer o combustível que, por sua vez, era consumido pela frota de doze ônibus da companhia de transporte coletivo; 3. Os Cupons Fiscais originais apreendidos, emitidos por empresas argentinas, referentes a aquisições irregulares de combustível, totalizando 138.476,45 litros, no valor total de 218.505,88 pesos argentinos, com Valor Aduaneiro de R$ 156.834,99, adquirido para consumo da frota de veículos da pessoa jurídica, estão detalhados na planilha de folhas 19 a 44; 4. Não existem despachos de importação para esses combustíveis, visto que a empresa não está habilitada, conforme disposto na IN SRF 650/2006, para operar no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex). É alegado no RECURSO VOLUNTÁRIO: O enquadramento legal utilizado pelo fisco federal para embasar o Auto de Infração não se verificou faticamente. A análise detalhada do preceito legal prevê de forma clara e objetiva que a pena de perdimento deverá ser aplicada para mercadorias: “exposta à venda, depositada ou em circulação comercial no País”; analisandose o Auto de Infração aqui impugnado o fisco não imputa ao contribuinte quaisquer das condutas elencadas no dispositivo legal, ou seja, a suposta mercadoria não se encontrava exposta, depositada, tampouco em circulação comercial. Verificase, claramente, que a norma deverá ser aplicada quando à mercadoria estrangeira for dada finalidade comercial: Fl. 318DF CARF MF 14 no caso em análise o combustível oriundo da vizinha cidade de Paso de Los Libres, ingressou no Pais de forma legal e foi integralmente utilizado no consumo próprio, JAMAIS a impugnante desenvolveu as condutas referidas no enquadramento atribuído pela fiscalização. Como sabemos em matéria tributária, principalmente quando da imposição de penalidades, a interpretação deverá ser restritiva, a conduta realizada pelo contribuinte deverá enquadrarse em uma das hipóteses legais, tais como a prevista no inciso X, do art. 618 do RA, no caso em tela não há suporte fático, pois a impugnante não desenvolveu as condutas descritas na norma. Pois o simples fato de adquirir combustível para uso próprio na vizinha cidade não constitui infração, pois como é notório, na cidade de Uruguaiana, todos os transportistas de cargas abastecem seus caminhões na Argentina, momentos antes de atravessar a fronteira, as empresas de transporte coletivo internacionais também fazem a mesma prática, digase legal, os taxistas também abastecem seus veículos no vizinho País, pois tais condutas não constituem nenhum tipo de infração, ao contrário são permitidas e fomentadas pelos dois Governos, ou seja, há incentivo ao comércio entre Uruguaiana e Passo de Los Libres. Assim, ao contrário dos fundamentos da r. Decisão ora atacada a Recorrente não desenvolveu os atos previstos no inc. X, do art.618 do RA, quais sejam, não expôs à venda, não manteve em depósito e tampouco comercializou, ademais caberia a Administração Tributária a comprovação de conduta ilícita da impugnante. (Grifo e negrito próprios do original) É imprescindível estabelecer um critério de distinção. Adequada a afirmação de que em localidades limítrofes transeuntes abastecem seu veículo do outro lado da fronteira e usufruam desse combustível em uso próprio. O legislador conhece e permite tal prática, por isso o ato de consumir não integra a conduta infracional descrita no inciso X, do artigo 618, do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002. E justamente é essa interpretação dos fatos que o Recorrente se alicerça para reclamar a improcedência do lançamento. Contudo, não se está a analisar uma relação de consumo. Consoante os fatos que embasam a presente ação fiscal e pela própria personalidade jurídica da autuada, empresa CONQUISTADORA TRANSPORTE, os veículos abastecidos na cidade de Paso de Los Libres/Argentina tinham por finalidade o exercício das atividades inerentes ao objeto social da empresa, o que implica em prestação de serviços. A infração tipificada elenca três condutas em relação à mercadoria estrangeira com entrada irregular no território nacional: 1. exposta à venda; Fl. 319DF CARF MF Processo nº 11075.000519/200804 Acórdão n.º 3302005.818 S3C3T2 Fl. 9 15 2. depositada; ou 3. em circulação comercial no País. Fato não contestado é a informação de que motorista da empresa CONQUISTADORA TRANSPORTE fazia de dezesseis a dezessete viagens, por semana, até a cidade argentina de Paso de Los Libres, com uma camionete modelo D20 (placa IEE 2986), também pertencente à empresa, para comprar e trazer o combustível que, por sua vez, era consumido pela frota de doze ônibus da companhia de transporte coletivo. Ainda que se alegue dúvidas sobre a ação de depositar, o que é impraticável e, portanto, inverossímil, já que o combustível deveria permanecer estocado para o abastecimento da frota de veículos na medida de sua necessidade; não é desarrazoado entender que o combustível trazido irregularmente também estava em circulação comercial no País, pois ele era elemento essencial para o abastecimento da frota que consequentemente auferia faturamento para a empresa CONQUISTADORA TRANSPORTE. Diante de tudo que foi exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso da Contribuinte. É como voto. Jorge Lima Abud. Fl. 320DF CARF MF 16 Fl. 321DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.000586/2004-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: APELAÇÃO – EFEITO SUSPENSIVO – EXIGIBILIDADE – A apelação
recebida com duplo efeito nos termos do artigo 520 do CPC tem o condão de suspender a eficácia da decisão judicial e mantém em vigência a tutela antecipada, portanto, suspende a exigibilidade do crédito tributário nos termos do artigo 151 do CTN, para fins de afastar a multa de ofício como trata o artigo 63 da Lei 9.430/96.
LANÇAMENTO VÁLIDO – EXIGIBILIDADE SUSPENSA É plenamente válido o lançamento que atende aos pressupostos do artigo 10 do Decreto
70.235/72 não havendo nulidade, porém, ele deve ser recebido como
lançamento de tributo com exigibilidade suspensa, no regime do citado artigo 63.
Numero da decisão: 1302-000.387
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária, da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer que no momento do lançamento o tributo estava com exigibilidade suspensa e exonerar a multa de ofício, nos termos do relatório e do voto vencedor que deste formam parte integrante.
Nome do relator: LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA
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Recorrente LIDERANÇA CAPITALIZAÇÃO S/A Recorrida Fazenda Nacional APELAÇÃO – EFEITO SUSPENSIVO – EXIGIBILIDADE – A apelação recebida com duplo efeito nos termos do artigo 520 do CPC tem o condão de suspender a eficácia da decisão judicial e mantém em vigência a tutela antecipada, portanto, suspende a exigibilidade do crédito tributário nos termos do artigo 151 do CTN, para fins de afastar a multa de ofício como trata o artigo 63 da Lei 9.430/96. LANÇAMENTO VÁLIDO – EXIGIBILIDADE SUSPENSA É plenamente válido o lançamento que atende aos pressupostos do artigo 10 do Decreto 70.235/72 não havendo nulidade, porém, ele deve ser recebido como lançamento de tributo com exigibilidade suspensa, no regime do citado artigo 63. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária, da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer que no momento do lançamento o tributo estava com exigibilidade suspensa e exonerar a multa de ofício, nos termos do relatório e do voto vencedor que deste formam parte integrante. “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira Relatora Fl. 1DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI Processo nº 16327.000586/200400 Acórdão n.º 1302000.387 S1C3T2 Fl. 294 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente), Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira (vicepresidente), Wilson Fernandes Guimarães, Guilherme Polastri Gomes da Silva, Edjalmo Antônio da Cruz, Daniel Salgueiro da Silva. Relatório Contra a Liderança Capitalização foi lavrado Auto de Infração em 30/04/2004 (fls. 170 a 172) para exigir Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) do ano calendário de 2000 com juros de mora e multa de ofício, em decorrência da glosa da dedução da despesa de CSLL na apuração do lucro real. O contribuinte entrara com medida judicial para discutir referida dedução, tendo recebido tutela antecipada, porém, em 23/9/2003 sobreveio sentença desfavorável. Irresignado, o fiscalizado interpôs recurso junto ao Tribunal, pleiteando a reforma da sentença. Como não havia informações sobre o efeito em que foi recebido esse recurso, o contribuinte foi intimado. Em resposta, afirmou que o recurso estava aguardando o despacho judicial de sua admissão e sustentou que, com base no que dispõe o artigo 520 do CPC, a apelação teria efeitos devolutivo e suspensivo. A autoridade fiscal entendeu que o débito não estava mais suspenso, que o contribuinte não logrou comprovar a suspensão da exigibilidade e efetuou o lançamento com multa de ofício. Em sua impugnação (fls. 174 e seguintes), o interessado alegou em síntese que a autoridade não pode lavrar lançamento com base na mera suposição subjetiva de que o débito não estava com exigibilidade suspensa. O efeito suspensivo e devolutivo da apelação é decorrente de Lei, artigo 520 do Código de Processo Civil (CPC). "Art. 520. A apelação será recebida em seu efeito devolutivo e suspensivo." A apelação em questão é protegida por essa regra e tem efeito suspensivo. A situação não se enquadra em nenhuma das exceções dispostas nos incisos I a VI do artigo 520 do CPC, sendo elas únicas: "Será, no entanto, recebida só no efeito devolutivo, quando interposta de sentença que: I homologar a divisão ou a demarcação; II condenar à prestação de alimentos; III julgar a liquidação de sentença; (Revogado pela Lei n°11.232, de 2005) IV decidir o processo cautelar; V rejeitar liminarmente embargos á execução ou julgálos improcedentes; VI julgar procedente o pedido de instituição de arbitragem Fl. 2DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI Processo nº 16327.000586/200400 Acórdão n.º 1302000.387 S1C3T2 Fl. 295 3 VII confirmar a antecipação dos efeitos da tutela.” No caso em questão, havia antecipação de tutela (favorável à contribuinte) que não foi confirmada pela sentença (desfavorável), então, não se aplica o inciso VII do artigo 520 do CPC. Não se enquadrando a situação em nenhuma outra exceção, a apelação tem efeito suspensivo e devolutivo. Por essa razão, a exigibilidade do débito está suspensa e estão atendidas as condições do artigo 63, da Lei n° 9.430/96. Em 29/08/2007, a Delegacia da Receita de Federal de Julgamento de São Paulo (DRJ) julgou integralmente procedente o lançamento por maioria de votos (fls. 228 e seguintes). A autoridade entendeu que, no momento do lançamento, a exigibilidade do crédito tributário não estava suspensa, nos termos do artigo 63 da Lei 9.430/96 e artigo 151 do Código Tributário Nacional (CTN). Ficou vencido o relator, que considerou suspensa a exigibilidade do crédito tributário e votou por cancelar a multa de ofício, agregando a seguinte observação: “Às fls. 227 juntei espelho da informação existente no site da Justiça Federal, 1ª. Instância, onde consta a informação de que a apelação foi recebida em seus dois efeitos.” Em apertada síntese, a DRJ explicou, para este caso prático, que só suspende a exigibilidade do crédito tributário a liminar ou a tutela antecipada. Essa tutela antecipada é cassada por decisão desfavorável. A apelação, recebida com efeito suspensivo, não reestabelece a tutela antecipada cassada, apenas impede a execução provisória da sentença. Ciente da decisão em 15/10/2007, o contribuinte apresentou seu Recurso em 09/11/2007 (fls.145 em diante). Reforçou os elementos de sua impugnação. (i) O auditor fiscal, ciente de que a apelação tem efeito suspensivo e devolutivo pelo artigo 520 do CPC, afirmou que não foi possível obter informações sobre esse efeito e supôs que a exigibilidade do crédito não estava suspensa, lavrando o auto de infração com multa. O auditor fiscal não poderia lavrar auto com base em suposição subjetiva ao arrepio da Lei, doutrina e jurisprudência (Lei n°9784/99. art. 2°, parágrafo único, inciso 1). (ii) O Relator vencido da DRJ efetivamente apurou que a primeira instância da justiça federal recebeu a apelação com efeito suspensivo e devolutivo. Nesse sentido, o fundamento do lançamento fiscal ficou prejudicado, devendo ele ser cancelado, ao menos quanto à exigência de multa de ofício. (iii) A DRJ inovou, face ao fundamento do lançamento fiscal, o que não pode prosperar. (iv) Por outro lado, a restrição dos efeitos suspensivos da apelação, como apregoada por alguns dos membros da Turma Julgadora de primeira instancia administrativa, não tem respaldo legal, pois o artigo 520 do CPC não prevê tal hipótese. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI Processo nº 16327.000586/200400 Acórdão n.º 1302000.387 S1C3T2 Fl. 296 4 (v) Ao contrário, dispõe ele que a apelação produz o efeito suspensivo da sentença apelada. À sentença cabe um único recurso de apelação, que diz respeito à integralidade da sentença, não apenas a uma ou outra parte. Se a sentença está suspensa, assim está em sua integralidade, também no tocante à revogação da tutela. Isso implica que essa revogação está suspensa e ainda é válida a tutela antecipada. (vi) A doutrina processualista demonstra que o efeito suspensivo é aplicável à totalidade da sentença e não produz efeitos apenas para evitar a execução provisória, mas sim e antes de mais nada para adiar os efeitos da sentença até julgamento em próxima instância, nas palavras de Hugo de Brito Machado, Barbosa Moreira, Luiz Guilherme Marinoni, Rodrigo Cavalcanti Pessoa de Moraes, Alcides Mendonça Lima, Cassio Scarpinella Bueno, Edson Alvisi Neves, Ovídio Baptista da Silva, dentre outros, Hely Lopes Meirelles. (vii) Tudo bem resumido por Mendonça Lima: "o recurso dirigido contra a sentença denegatória do mandado de segurança deve ser recebido em seu efeito suspensivo, sendo certo que esse efeito suspensivo representa a suspensão, inclusive, da decisão revogatória da liminar". Protesta o contribuinte que a exigência fiscal em comento, agravada pela multa de ofício, é ilegal e ofende o artigo 63 da Lei 9.430/96. É o relatório. Voto Conselheira Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Relatora O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. O contribuinte teve tutela antecipada para deduzir a CSLL na apuração do lucro real no ano de 2000. Sobreveio decisão desfavorável a respeito da qual foi interposta apelação. Não há dúvida que a apelação goza de efeito suspensivo e devolutivo conforme artigo 520 do novo CPC, tanto que a DRJ assim reconheceu e a justiça assim declarou. O fiscal autuou a empresa com multa de ofício porque teve dúvida quanto a esse efeito, assunto que resta esclarecido, sendo insubsistente o lançamento da multa de ofício. A vasta doutrina processual corrobora o entendimento de que cabe efeito suspensivo, conforme artigo 520 do CPC, para a apelação em mandado de segurança quando a decisão cassa liminar anteriormente concedida, citemse: Hugo de Brito Machado, Barbosa Moreira, Luiz Guilherme Marinoni, Rodrigo Cavalcanti Pessoa de Moraes, Alcides Mendonça Lima, Cassio Scarpinella Bueno, Edson Alvisi Neves, Ovídio Baptista da Silva, dentre outros, Hely Lopes Meirelles Fl. 4DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI Processo nº 16327.000586/200400 Acórdão n.º 1302000.387 S1C3T2 Fl. 297 5 A DRJ, por outro lado, houve por bem inovar no argumento e manter o lançamento fiscal com a multa de ofício por entender que o efeito suspensivo da apelação não tem o condão de devolver eficácia à tutela antecipada outrora concedida. Não se trata de devolver eficácia, pois essa eficácia continua válida para todos os fins. Isso porque a decisão que cassou a tutela antecipada está suspensa, ou seja, não produz efeitos jurídicos até que confirmada, ou não, pela instância superior. Ocorre que, para cada decisão, cabe apenas um recurso, que versa sobre todas as matérias nele combatidas. A apelação, portanto, vale tanto para o mérito da questão decidida quanto para a parte em que a decisão revoga a tutela antecipada. Quando o CPC diz que a apelação suspende a sentença, isso vale para todos os efeitos. Luiz Guilherme Marinoni explica: "é inócua a revogação da liminar quando do proferimento da sentença, eis que a mesma (salvo os casos excepcionais do art. 520 do CPC) está sujeita a recurso a ser recebido e processado com efeito suspensivo." MARINONI, Luiz Guilherme. A antecipação da tutela na reforma do código de processo civil. 2. ed. São Paulo: Malheiros, 1996, p. 74. As novas normas processuais superam, portanto, e revogam as regras anteriormente vigentes (Súmula STF 405). A nova sistemática recursal do CPC é clara: a apelação em mandado de segurança suspende integralmente a eficácia da decisão que foi contra a decisão liminar anteriormente dada, só nessa hipótese, conforme escreve também, Alcides Mendonça Lima: "(...) o recurso dirigido contra a sentença denegatória do mandado de segurança deve ser recebido em seu efeito suspensivo, sendo certo que esse efeito suspensivo representa a suspensão, inclusive, da decisão revogatória da liminar." LIMA, Alcides Mendonça. Efeitos do agravo de petição no despacho concessivo de medida liminar em mandado de segurança. Revista Forense 178/464. A suspensão integral dos efeitos da decisão que sobreveio desfavorável ao contribuinte fica evidente inclusive pela leitura do artigo 520 do CPC e de suas exceções. O efeito suspensivo não existe para o recurso da Fazenda, se a decisão (favorável ao contribuinte) confirma a liminar (favorável ao contribuinte), mas existe no caso do recurso do Contribuinte em que a decisão (desfavorável) infirma a liminar (favorável). O efeito suspensivo expresso e claro no CPC visa proteger alguma coisa, o que será? Como no mandado de segurança não há que se falar em execução provisória, a garantia que se visa proteger é justamente a tutela jurisdicional, face ao perigo de mora e ao duplo grau de jurisdição. Da decisão denegatória, cabe apelação em busca do segundo grau de jurisdição e, até que ele sobrevenha, os efeitos da decisão a quo ficam integralmente suspensos, adiados para todos os fins de direito, mantendo se válida a tutela conforme ensina Cassio Scarpinella Bueno: “(...)O que sustentamos, inversamente, é que, com a interposição do recurso de apelação ou recurso ordinário nos tribunais (desde que admitida a concessão de efeito suspensivo na hipótese), os efeitos desta revogação estarão suspensos, prevalecendo, destarte, a anterior decisão até julgamento do recurso e até o transito em julgado. Assim, os efeitos passiveis de serem mantidos com a denegação da ordem correspondem, precisamente, à conservação da decisão concessiva da liminar.” BUENO, Cassio Scarpinella. Liminar em mandado de segurança. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 1997, p. 258259. A eficácia da sentença fica então adiada. No mundo jurídico, é como dizer que a sentença não produz efeitos até que confirmada pela instância seguinte. Se a sentença não produz efeitos, permanece eficaz a tutela antecipada que ela pretendeu cassar observada a jurisprudência cível nesse sentido: Fl. 5DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI Processo nº 16327.000586/200400 Acórdão n.º 1302000.387 S1C3T2 Fl. 298 6 EMENTA Sentença que julga simultaneamente lides principais e cautelar, reunidas pela conexão, revogando liminar que fora concedida na última delas, pela qual o agravante entrara na posse de um veículo, alvo das demandas apelação por ele interposta recebida no duplo efeito posterior decisão que, acolhendo pedido da agravada, determinou que se expedisse mandado para a entrega à mesma do aludido veículo inadmissibilidade determinação judicial descabida, de vez que o duplo efeito atribuído ao recurso obsta que tal sentença produza os seus normais efeitos, entre os quais aquele alusivo à revogação da liminar validade do recebimento do apelo nos efeitos devolutivo e suspensivo, por estar em conformidade com a orientação emanada de ponto de vista da jurisprudência, inclusive deste colegiado – decisório reformado agravo de instrumento provido. (TAPR Quinta C.Cível (TA) AI 01604822 São Mateus do Sul Rel.: Des. Duarte Medeiros Unânime J. 30.08.2000) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. LIMINAR SENTENÇA DENEGATÓRIA DE MANDADO DE SEGURANÇA EFEITO SUSPENSIVO DA APELAÇÃO. I A hipótese vertente é de sentença denegatória de mandado de segurança, tendo sido deferida liminar in initio litis obstando desconto de imposto de renda na fonte sobre contratos de hedge firmados através de operações de swap; II A sentença proferida em mandado de segurança tem caráter autoexecutório quando é concessiva da ordem, conforme estabelecido no parágrafo único do art. 12 da Lei nº 1.533/51; III É de se admitir possibilidade de reforma da sentença, quando aferida liminarmente presença do fumus boni iuris ao fundamento de não decorrer das operações em tela qualquer tipo de renda ou outro acréscimo patrimonial, e do periculum in mora por já ter ocorrido o vencimento dos contratos estando do Banco Pactual na iminência de efetuar a retenção do IRF. Tornase ainda mais iminente o risco de dano com o recebimento da apelação apenas no feito devolutivo; IV Embora o Juiz não tenha cassado expressamente a liminar, com a denegação da segurança a mesma não pode operar seus efeitos, a menos que a apelação seja recebida no efeito suspensivo; Fl. 6DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI Processo nº 16327.000586/200400 Acórdão n.º 1302000.387 S1C3T2 Fl. 299 7 V De se considerar que sendo confirmada a sentença denegatória pelo Tribunal, seus efeitos serão ex tunc, retroagindo à data inicial da exigibilidade do tributo em questão, não resultando prejuízo à impetrada. Ao revés, se a sentença for reformada sem que se empreste efeito suspensivo ao recurso e permitido cessarem os efeitos da liminar a empresa impetrante sofrerá o prejuízo de ser descontada do questionado IRF, tendo que se socorrer da morosa via da repetição do indébito e do procedimento de precatório; VI Ademais, a regra geral consagra o duplo efeito da apelação (art. 520, do CPC), sendo regra de hermenêutica jurídica que as exceções devem ser expressamente previstas, o que não sucede na hipótese de ser denegatória a sentença, ao contrário, a execução é da auto executoriedade da sentença concessiva, resultando no efeito meramente devolutivo do respectivo recurso; VII Desarte, em caso de sentença denegatória, é aplicável a regra geral do CPC que consagra o duplo efeito da apelação; VIII Agravo de instrumento provido TRF2 APELAÇÃO CIVEL: AC 64823 2000.02.01.052988 0 Relator (a): Desembargador Federal NEY FONSECA Julgamento: 09/04/2001 Órgão Julgador: PRIMEIRA TURMA Publicação: DJU Data: 12/06/2001 Assim, quando do lançamento fiscal, a pretensão de exigir o IRPJ sobre a dedução da CSLL no ano de 2000 estava suspensa, sendo improcedente a aplicação da multa de ofício nos termos do artigo 151 do CTN e artigo 63 da Lei 9.430/96. Assim também segue jurisprudência deste Conselho. CSL CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA RECEBIDA NO DUPLO EFEITO SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO ARTIGO 63 DA LEI 9.430/96 Tendo sido exarado despacho pelo Desembargador relator da apelação no mandado de segurança, decidindo inaplicável a penalidade de ofício, em razão de ter sido o recurso recebido no duplo efeito e da conseqüente permanência dos efeitos de liminar anterior Fl. 7DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI Processo nº 16327.000586/200400 Acórdão n.º 1302000.387 S1C3T2 Fl. 300 8 concedida, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário restou configurada, sendo, portanto, inaplicável a penalidade de ofício, a teor do disposto no artigo 63 da Lei 9.430/96. Recurso negado. Por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de admissibilidade, e no mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. EDISON PEREIRA RODRIGUES PRESIDENTE CLAUDIA DOLORES ROSA Chefe da Câmara Relator: MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF Primeira Turma / ACÓRDÃO CSRF/0104.588 em 10.06.2003, publicado no DOU em: 13.08.2003 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador 20/12/1995, 20/06/1996, 19/12/1996, 19/06/1997, 17/12/1997 IRF Ano(s): 1996 e 1997 LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. Não cabe a aplicação de multa de ofício em lançamento para evitar a decadência se o crédito tributário está suspenso por liminar em mandado de segurança, restabelecida por efeito suspensivo conferido a Apelação interposta contra a denegação da segurança. De outro lado, a aplicação dos juros de mora somente é afastada na hipótese de suspensão da exigibilidade decorrente de depósito integral do crédito tributário. Recurso parcialmente provido Por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência o valor referente a multa de ofício, porque o lançamento se deu na vigência de medida cautelar. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro Presidente. Relator: Vanessa Pereira Rodrigues 1º Conselho de Contribuintes / 2a. Câmara / ACÓRDÃO 102 49.122 em 24.06.2008 IPI Assunto: MULTA DE OFÍCIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. DESCABIMENTO. RECURSO DE APELAÇÃO PENDENTE DE JULGAMENTO (EFEITOS SUSPENSIVO E DEVOLUTIVO). Na constituição de crédito tributário, destinada a prevenir a decadência, cuja exigibilidade estiver suspensa pela concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, ou por sentença proferida em mandado de segurança, ainda que não transitada em julgado, ou pela apelação recebida em seu efeito suspensivo/devolutivo, descabe o lançamento de multa de ofício, Fl. 8DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI Processo nº 16327.000586/200400 Acórdão n.º 1302000.387 S1C3T2 Fl. 301 9 consoante disposto no art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996. Resultado: Por unanimidade de votos, deuse provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício. Esteve presente ao julgamento a Dra. Ana Paola Zonari, OAB/DF nº 1.928/A, advogada da recorrente. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente da Câmara. Publicado no DOU em: 22.10.2008 Relator: MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ 2º Conselho de Contribuintes / 2a. Câmara / ACÓRDÃO 202 19.093 em 04.06.2008, publicado no DOU em: 27.11.2008 Além do cancelamento da multa, a contribuinte pede que seja integralmente cancelado o lançamento fiscal, posto que baseado em mera suposição do fiscal. Não concordo que o lançamento tenha sido feito por suposição, mas sim porque o auditor fiscal não restou convencido da suspensão da exigibilidade, tendo no mais explicado adequadamente o enquadramento legal. O lançamento é válido na medida em que atende aos requisitos do Decreto 70.235/72, não havendo razão para ser integralmente cancelado. Por fim, a contribuinte pede que se reconheça a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Conforme já afirmado, à época da autuação, o crédito tributário gozava de suspensão da exigibilidade por tutela antecipada em Mandado de Segurança logo, o valor objeto do lançamento feito para evitar a decadência não podia ocasionar cobrança administrativa ou judicial nos termos do artigo 151 do CTN e a multa não podia ser aplicada nos termos do artigo 63 da Lei 9.430/96. Esse é o acompanhamento e encaminhamento que deve ser dado pela autoridade preparadora para o lançamento objeto deste processo. Por outro lado, a atual suspensão ou não da exigibilidade do crédito tributário, para fins de cobrança e execução, deve ser acompanhada em razão do andamento do processo judicial, a saber, o tributo passa a ser exigível no momento em que tenha havido ou sobrevenha eventual decisão desfavorável do Tribunal Regional Federal. Nesse sentido, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para (1) cancelar a exigência da multa de ofício e (2) reconhecer que à época o lançamento ele deveria ter sido feito com exigibilidade suspensa nos termos dos artigos 151 do CTN e artigo 63 da Lei 9.430/96, devendo (3) ser promovida a alteração do status do lançamento para “exigibilidade suspensa” para fins de acompanhamento do processo judicial ligado à discussão da dedução da CSLL na base do IRPJ e do prazo prescricional para cobrança do crédito tributário. No mais, mantenho o lançamento fiscal do valor principal em comento, nos termos do artigo 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235/72. Sala das Sessões, em 10 de novembro de 2010. “documento assinado digitalmente” Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira Fl. 9DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI Processo nº 16327.000586/200400 Acórdão n.º 1302000.387 S1C3T2 Fl. 302 10 Fl. 10DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI
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