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Numero do processo: 13005.720502/2013-85
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2014
TERMO DE INDEFERIMENTO DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. INOVAÇÃO NOS FUNDAMENTOS PELA DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE.
Anula-se a decisão recorrida que, na apreciação de manifestação de inconformidade contra Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, inova nos fundamentos desse indeferimento.
Numero da decisão: 1803-002.582
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente a Conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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INOVAÇÃO NOS FUNDAMENTOS PELA DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. Anulase a decisão recorrida que, na apreciação de manifestação de inconformidade contra Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, inova nos fundamentos desse indeferimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 72 05 02 /2 01 3- 85 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13005.720502/201385 Acórdão n.º 1803002.582 S1TE03 Fl. 58 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente a Conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler e Arthur José André Neto. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13005.720502/201385 Acórdão n.º 1803002.582 S1TE03 Fl. 59 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 37): A contribuinte acima qualificada teve o seu pedido de inclusão no Simples Nacional indeferido, tendo em vista a existência de 19 (dezenove) débitos previdenciários, cuja exigibilidade não está suspensa, nos termos da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V, conforme Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional com data de registro em 25/02/2013 (fls. 08). Apresentou manifestação de inconformidade em 25/02/2013 (fls. 0203) alegando, em síntese, que, ao constatar as pendências na esfera da Receita Federal e Procuradoria da Fazenda Nacional, providenciou o pagamento e parcelamento dos débitos até 31/01/2013. Afirma que houve regularização das pendências e o sistema da RFB não deu baixa em tempo hábil, o que gerou o indeferimento. Por fim, requer a inclusão no Simples Nacional. Juntou cópias de documentos de fls. 04 e seguintes. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 36): ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2013 TERMO DE INDEFERIMENTO DA OPÇÃO AO SIMPLES NACIONAL. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS COM A FAZENDA PÚBLICA FEDERAL COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. A empresa que possui débitos previdenciários e não comprova que sua exigibilidade está suspensa, não pode ingressar no Simples Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio 3. Cientificada da referida decisão em 27/12/2013 (fls. 39), a tempo, em 22/01/2014, apresenta a interessada Recurso de fls. 40 e 41, instruído com os documentos de fls. 42 a 55, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e aduzindo mais os seguintes: a) que o fato a ser apreciado é se, na data de 31/01/2013, a Recorrente tinha ou não débitos que não estivessem sob efeito suspensivo, ou seja, se a Recorrente, na data de 31/01/2013, estava apta para a opção pelo Simples Nacional; b) que, em face das pendências terem sido quitadas tempestivamente, e os parcelamentos concedidos terem efeito suspensivo dentro do prazo regulamentar, e, em virtude de os Fl. 59DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13005.720502/201385 Acórdão n.º 1803002.582 S1TE03 Fl. 60 4 fatos alegados serem facilmente verificados no sistema da RFB, não deve prosperar a decisão recorrida, que fundamenta sua negativa na falta de juntada de certidão negativa ou positiva de débitos. Em mesa para julgamento. Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. A decisão recorrida considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada sob o seguinte fundamento (fls. 37, grifouse): A interessada argumentou que os débitos ensejadores de sua exclusão do Simples haviam sido parcelados, conforme os documentos juntados às fls. 0925. Mas não trouxe certidão negativa ou positiva com efeitos de negativa relativa às contribuições previdenciárias e às de terceiros, o que comprovaria sua regularidade fiscal. A tentativa de obtêla via internet não surtiu efeito, vez que ali foi certificado que a empresa possui pendências nos sistemas da Receita Federal. 5. Sucede que, como bem exposto pela Recorrente, o fato a ser apreciado é se, na data de 31/01/2013, a Recorrente tinha ou não débitos que não estivessem sob efeito suspensivo, ou seja, se a Recorrente, na data de 31/01/2013, estava apta para a opção pelo Simples Nacional. 6. Esse fato, como ela mesma afirma, é facilmente verificável nos sistemas da RFB, não podendo a mera falta de juntada de certidão negativa ou positiva de débitos servir de novo fundamento do indeferimento da opção pelo Simples Nacional. 7. Nesse sentido, é o contido no art. 37 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que “Regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal”: Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. 8. Este relator, apenas com base nos documentos juntados ao presente processo pela Recorrente, em sua manifestação de inconformidade, e sem qualquer consulta a sistemas da RFB, pôde elaborar o seguinte quadro demonstrativo: Nº DÉBITOS SITUAÇÃO DATA FLS. 1 391167103 Requerimento de parcelamento 30/1/2013 24 e 25 2 393908020 Consulta processos parcelamento especial 14/7/2011 27 3 393908038 Consulta processos parcelamento especial 14/7/2011 27 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13005.720502/201385 Acórdão n.º 1803002.582 S1TE03 Fl. 61 5 4 397232349 Requerimento de parcelamento 27/1/2012 12 e 16 5 397551061 Requerimento de parcelamento 27/1/2012 12 e 16 6 398624046 Requerimento de parcelamento 27/1/2012 12 e 16 7 400426544 Requerimento de parcelamento 30/1/2013 24 e 25 8 400426552 Requerimento de parcelamento 30/1/2013 24 e 25 9 400603713 Pedido de Parcelamento de Débitos PEPAR 17/1/2013 09, 10 e 28 10 400603721 Requerimento de parcelamento 30/1/2013 24 e 25 11 400603837 Pedido de Parcelamento de Débitos PEPAR 17/1/2013 09, 10 e 28 12 400603845 Requerimento de parcelamento 30/1/2013 24 e 25 13 400603888 Requerimento de parcelamento 30/1/2013 24 e 25 14 400603896 Requerimento de parcelamento 30/1/2013 24 e 25 15 403434807 Requerimento de parcelamento 30/1/2013 24 e 25 16 403434815 Requerimento de parcelamento 30/1/2013 24 e 25 17 409528838 Pedido de Parcelamento de Débitos PEPAR 17/1/2013 09, 10 e 28 18 409528846 Pedido de Parcelamento de Débitos PEPAR 17/1/2013 09, 10 e 28 19 411389211 9. Por esse quadro demonstrativo, observase que apenas o débito de nº 411389211 consta como não tendo sido, aparentemente, objeto de parcelamento. 10. Dessa forma, o indeferimento da manifestação de inconformidade, pela decisão recorrida, somente pode se fundar na inexistência de quitação ou de parcelamento de débitos, em 31/01/2013, após necessária pesquisa nos sistemas da RFB que comprove cabalmente esse fato. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO para ANULAR O ACÓRDÃO RECORRIDO, por inovação nos fundamentos do indeferimento da opção pelo Simples Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 61DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 18108.000978/2007-13
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2403-000.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim. RELATÓRIO Tratase de embargos apresentado pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional contra Decisão desta turma, Acórdão nº 2403001.241 apontando que o acórdão revela obscuridade, pois anula o lançamento por vício na caracterização do vinculo empregatício com os carreteiros, sem fazer nenhuma ressalva quanto aos outros levantamentos que compõem a NLFD. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 81 08 .0 00 97 8/ 20 07 -1 3 Fl. 463DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18108.000978/200713 Resolução nº 2403000.135 S2C4T3 Fl. 3 2 Abaixo reproduzo o Despacho 2403105 que conclui pelo acatamento dos embargos. Com fulcro no art. 65 do Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, interpõe embargos de declaração contra o Acórdão nº 2403 001.241 de lavra da Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF. A decisão do julgamento foi por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, anulando o lançamento por vício material, sob o entendimento de que fisco não teria demonstrado o vínculo empregatício da contribuinte com os carreteiros. Aponta a Procuradoria que, ante a leitura da NFLD, constatase que o lançamento se fundamenta em outros levantamentos, além do salário de contribuição dos carreteiros e o acórdão revela obscuridade, pois anula o lançamento por vício na caracterização do vinculo empregatício com os carreteiros, sem fazer nenhuma ressalva quanto aos outros levantamentos que compõem a NLFD. Concordo com o apontamento. O erro deste relator foi se basear num Relatório Fiscal (folhas 34 a 38) que especificou que as contribuições lançadas incidiam somente sobre as remunerações de trabalhadores considerados indevidamente como autônomos (carreteiros) pela empresa. O Relatório Fiscal Complementar (folhas 254 a 256), que supriu as omissões do Relatório Fiscal original, não foi observado. CONCLUSÃO: Acato os embargos propostos e restituo o processo à Secretaria da Quarta Câmara da 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para inclusão da pauta de sessão de janeiro de 2013. Carlos Alberto Mees Stringari – Relator/Presidente de Turma O lançamento, a impugnação e a diligência foram assim resumido no relatório da Decisão Notificação N.° 21.401.4/ 529 /2.006: Do Lançamento 1. Tratase de NFLD — Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, lançada contra o. contribuinte acima identificado, correspondente às contribuições devidas pela empresa para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa e as destinadas a terceiros. 1.1. Nela, estão incluídas as restituições indevidas, período de 03/1999 a 09/1999, contribuições de segurados, considerados contribuintes individuais (autônomos) pela notificada e caracterizados com empregados pela auditoria fiscal, de 01/1999 a 03/1999, 05/1999 a 09/1999, 11/2000 e 12/2000, contribuições sobre as folhas de Fl. 464DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18108.000978/200713 Resolução nº 2403000.135 S2C4T3 Fl. 4 3 pagamento dos empregados administrativos e sobre o prolabore dos sócios, identificados no DAD — Discriminativo Analítico de Débito, como levantamento GLO, SCI e SCG respectivamente. 2. Importa o presente débito no montante de R$ 48.093,13 (Quarenta e oito mil, noventa e três reais e treze centavos), consolidado em 29/0812001 Da Impugnação 3. Dentro do prazo regulamentar a notificada contestou o lançamento, através das peças de fls. 221/232 e 261/318, alegando em síntese : 3.1. O cerceamento de defesa, uma vez que não foram demonstrados os critérios utilizados na apuração do montante devido. Argumenta que a NFLD é ilegal e nula por preterição aos direitos de defesa e em razão da imprecisão e erros de capitulação da infração e da multa. De forma que, a NFLD desprovida das indicações precisas da disposição legal infringido, da penalidade efetivamente aplicada e das provas em se baseia a acusação fiscal, não é somente um ato administrativo ilegal, é também um ato administrativo inconstitucional e nulo de pleno direito, porque atentatório aos direitos de ampla defesa, ao devido processo legal, ao contraditório e à legalidade dos atos administrativos. 3.2. Alega ainda, que a melhor doutrina administrativa define os cinco requisitos indispensáveis à gênese do ato administrativo, que são: competência, finalidade, forma, motivo e objeto . A ausência de um deles invalida o ato administrativo. Afirma que a NFLD em questão não preenche o requisito "motivo", impondose a declaração de sua nulidade. 3.3. No mérito, citando vasta jurisprudência, argumenta sobre a inconstitucionalidade da cobrança de contribuições destinadas aos terceiros: INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE. 3.4. Protesta contra a cobrança da alíquota de 20% (vinte por cento) sobre empregados, trabalhadores temporários, autônomos e avulsos de que trata a lei 8.212/91, que alterou a alíquota de 15% prevista na Lei Complementar n.° 84/96, alegando a inconstitucionalidade desta alteração, visto que a lei ordinária não pode alterar uma lei Complementar em virtude do princípio hierárquico das leis. 3.5. Citando o art. 3° da CLT, alega que para a caracterização dos trabalhadores como empregados, devese observar os pressupostos que definem a relação empregatícia: pessoalidade, subordinação e não eventualidade. 3.6. Argumenta que os carreteiros, os quais o lançamento fiscal intenta classificar como empregados, ficam de posse de suas carretas por 24 horas. A impugnante não fixa e nem controla seus horários, tão pouco adverte, pune ou obriga comparecer diariamente na empresa e não tem o domínio sobre o ferramental utilizado. No caso os carreteiros trabalham por conta e risco próprios, podendo até utilizarse de terceiros, de maneira que a análise tática e jurídica do problema leva à plena convicção de que inexiste vinculo empregatício entre as partes. Fl. 465DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18108.000978/200713 Resolução nº 2403000.135 S2C4T3 Fl. 5 4 3.6.1. Como autônomos que são, não recebem salários, férias , décimo terceiro e não recebem depósitos fundiários, pois não estão subordinados ao comando da impugnante. 3.6.2. Reportandose ao art. 225 do Regulamento da Previdência Social, afirma que os profissionais em questão não figuram, nem estão relacionados nas folhas de pagamento da impugnante. Assim, o levantamento fiscal, com base no elemento vontade própria e na discricionariedade do sr. Fiscal é nulo e insubsistente de pleno direito, pois contraria o princípio constitucional da estrita legalidade. 3.7. Quanto aos juros, alega inconstitucionalidade na cobrança com base na taxa SELIC. 4. Pelo exposto, requer a anulação da notificação por cerceamento de defesa, julgandoa improcedente a acusação, cancelando o lançamento das contribuições manifestadamente ilegais e inconstitucionais. Da Diligência 5. Em análise realizada por este Serviço do Contencioso Administrativo, foram identificados lançamentos decorrentes de glosas (GLO) e valores declarados em GFIP — Guias de Recolhimento do fundo de Garantia porTempo de Serviço e Informações à Previdência Social (SCG), omitidos no relatório fiscal. Destarte, foram os autos encaminhados ao Serviço de Fiscalização, para pronunciamento. 5.1. Ato contínuo, a fiscalização emitiu o relatório complementar de fls. 254/256 e, em observância ao princípio do contraditório — que rege o processo administrativo, foilhe concedido novo prazo para apresentação de aditivo à defesa. Dentro do prazo regulamentar apresentou nova impugnação (fls. 261/317). 6. Constatada divergências na apropriação dos recolhimentos efetuados pela empresa, os valores originalmente lançados foram retificados após o pronunciamento do auditor fiscal notificante. 6.1. No despacho de folhas 325/326, esclareceu que na apropriação dos recolhimentos discriminados no anexo relatório de guias (fls. 17/26), ocorreram erros que resultaram em deduções à menor dos recolhimentos efetuados à Previdência Social e à maior, em relação a terceiros. Razão pela qual, apurou as diferenças de terceiros deduzidas indevidamente nesta rubrica (NFLD n.° 35.872.7871) e procedeu a retificação nas comp. 03/1999, 05/1999 a 09/1999, deduzindo os créditos do levantamento identificado como GLO no Discriminativo Analítico do Débito, conforme demonstrado a seguir: Fl. 466DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18108.000978/200713 Resolução nº 2403000.135 S2C4T3 Fl. 6 5 6.2. Face ao exposto, o debito apurado no valor de R$ 48.093,13 (Quarenta e oito mil, noventa e três reais e treze centavos), consolidado em 29/08/2001, foi retificado para R$ 44.633,62 (Quarenta e quatro mil, seiscentos e trinta e três reais e sessenta e dois centavos), conforme DADR — Discriminativo Analítico de Débito Retificado, em anexo. A decisão de primeira instância, posteriormente homologada pela Delegada da SRP São Paulo Centro, foi pelo provimento parcial retificando o debito para R$ R$ 44.633,62. CONCLUSÃO Isto posto, e Considerando tudo o mais que dos autos consta; JULGO PROCEDENTE EM PARTE o presente lançamento fiscal, e DECIDO: a) DETERMINAR a retificação do debito para R$ R$ 44.633,62 (Quarenta e quatro mil, seiscentos e trinta e três reais e ?sessenta e dois centavos); b) ENCAMINHAR o presente Decisão à Sra. Chefe da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária de São Paulo — Centro, para o reexame necessário. São Paulo, 08 de setembro de 2.006 No recurso voluntário volta a apresentar alegações sobre vícios no lançamento que deveriam levar à nulidade, inconstitucionalidades, questiona o enquadramento dos freteiros como empregados e questiona os juros com base na SELIC. É o relatório Fl. 467DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18108.000978/200713 Resolução nº 2403000.135 S2C4T3 Fl. 7 6 VOTO Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator. No Acórdão nº 2403001.241 analisouse apenas a questão do vínculo empregatício com os carreteiros, no que se deu provimento ao recurso. Restaram 2 levantamentos: GLO – Glosa de compensação SCG – Salário de contribuição GFIP Surgiu uma dúvida em relação ao levantamento GLO. O Relatório Complementar da NFLD 35.070.9157, folhas 254 a 256, informa que no cálculo das glosas foram utilizadas as contribuições dos carreteiros autônomos. 1. As glosas consignadas na NFLD supracitada, referemse a valores pagos pelo INSS à empresa em referência, através de processos de restituição de onze por cento do valor bruto das NFFS de prestação de serviços, mencionados abaixo. O resultado proveniente da contribuição dos autônomos (carreteiros) caracterizados como empregados, somandose a contribuição oriunda do saláriodecontribuição normal dos demais empregados, mais a do pro labore dos administradores, resultou num valor mensal maior do que os valores retidos nas respectivas competências. O levantamento SC1 – Salário de contribuição – CARRET, referese também à contribuição desses segurados autônomos. Solicito verificar se não há duplicidade na tributação da remuneração dos freteiros autônomos. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18108.000978/200713 Resolução nº 2403000.135 S2C4T3 Fl. 8 7 CONCLUSÃO Voto por baixar este processo em diligência para verificar se não há duplicidade na tributação da remuneração dos freteiros autônomos. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 469DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10283.909706/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005
DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM.
Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.565
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 97 06 /2 00 9- 18 Fl. 348DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de compensação de débitos próprios com crédito oriundo de pagamento a maior de Imposto de Importação – II e de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, com origem no período de 08/05/2001 a 12/12/2005. A compensação não foi homologada, ao fundamento de que o DARF a indicado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Alegado pela contribuinte o cometimento de um equívoco no preenchimento do DARF, os autos foram baixados em diligência pela DRJ, quando se constatou que o presente processo é conexo ao de nº 10283.007613/200604, por meio do qual se requereu a restituição do crédito que se pretende compensar. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o argumento de inexistência do direito creditório objeto do processo nº 10283.007613/200604. No prazo legal, a contribuinte apresentou recurso voluntário, cujas razões de defesa não serão relatadas em vista do que se passa a expor no voto. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP objetivando a compensação de débito próprio com crédito oriundo de pagamento indevido de II e de IPI vinculado que são objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604. Como o direito à restituição foi negado, também aqui negouse o direito à compensação. Contudo, nesta mesma sessão de julgamento consideraramse indevidas as razões adotadas pela DRF de origem, e mantidas pela instância de piso, para denegar o pedido de restituição, motivo pelo qual determinouse que os autos do processo administrativo n.º 10283.007613/200604 devem retornar à DRF para que, ultrapassada a questão decidida no julgamento, estime os valores a serem restituídos. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a DRF de origem, após a análise do direito creditório objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604, profira nova decisão quanto ao pedido de compensação. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.909706/200918 Acórdão n.º 3202001.565 S3C2T2 Fl. 349 3 É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 350DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 10320.002689/2006-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO DA SOCIEDADE. ALEGAÇÕES DE MÉRITO CONTRA O LANÇAMENTO.
Não havendo nos autos provas de benefício financeiro direto, nem tampouco da prática de atos ilícitos por parte de pessoa identificada pelo fisco como sendo sócio de fato da fiscalizada, não há que se falar em responsabilidade pelo crédito tributário lançado. A responsabilidade não decorre da mera condição de sócio, seja de fato ou de direito. Não se conhece das alegações de mérito contra o lançamento por parte de pessoa que não se identifica como sócio da fiscalizada, não possui poderes para representá-la, e teve sua responsabilidade tributária afastada pelo julgado.
Numero da decisão: 1102-001.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (i) conhecer do recurso apresentado pela pessoa jurídica BEMAR DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA, para negar-lhe provimento; (ii) conhecer parcialmente das razões de recurso apresentadas pelo Sr. Édison Lobão Filho, para, na parte conhecida, afastar a sua responsabilidade pelo crédito tributário lançado; e (iii) não conhecer do recurso apresentado pelo Sr. Neuton Barjona Lobão Filho, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (i) conhecer do recurso apresentado pela pessoa jurídica BEMAR DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA, para negar-lhe provimento; (ii) conhecer parcialmente das razões de recurso apresentadas pelo Sr. Édison Lobão Filho, para, na parte conhecida, afastar a sua responsabilidade pelo crédito tributário lançado; e (iii) não conhecer do recurso apresentado pelo Sr. Neuton Barjona Lobão Filho, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho.
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INÉPCIA. É inepto o recurso voluntário que não ataca o fundamento adotado pelo acórdão recorrido para não conhecer da impugnação apresentada pelo sujeito passivo. A discussão relativa ao mérito dos lançamentos pressupõe a instauração do contencioso administrativo, o que se dá mediante impugnação válida que atenda aos pressupostos de admissibilidade previstos na legislação de regência. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO DA SOCIEDADE. ALEGAÇÕES DE MÉRITO CONTRA O LANÇAMENTO. Não havendo nos autos provas de benefício financeiro direto, nem tampouco da prática de atos ilícitos por parte de pessoa identificada pelo fisco como sendo sócio de fato da fiscalizada, não há que se falar em responsabilidade pelo crédito tributário lançado. A responsabilidade não decorre da mera condição de sócio, seja de fato ou de direito. Não se conhece das alegações de mérito contra o lançamento por parte de pessoa que não se identifica como sócio da fiscalizada, não possui poderes para representála, e teve sua responsabilidade tributária afastada pelo julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (i) conhecer do recurso apresentado pela pessoa jurídica BEMAR – DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA, para negarlhe provimento; (ii) conhecer parcialmente das razões de recurso apresentadas pelo Sr. Édison Lobão Filho, para, na parte conhecida, afastar a sua AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 26 89 /2 00 6- 41 Fl. 3100DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10320.002689/200641 Acórdão n.º 1102001.333 S1C1T2 Fl. 3 2 responsabilidade pelo crédito tributário lançado; e (iii) não conhecer do recurso apresentado pelo Sr. Neuton Barjona Lobão Filho, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Tratase de recursos voluntários contra o lançamento de ofício e contra a imputação de responsabilidade pelos créditos tributários lançados contra a empresa BEMAR DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA relativos aos anoscalendário de 2001 a 2004. O caso foi assim relatado pela autoridade julgadora a quo: “Segundo a descrição dos fatos contida na peça vestibular e o detalhamento das circunstâncias que motivaram a presente autuação, constante do Termo de Constatação Fiscal (TCF) de fls. 75/84 que leio em Sessão para um perfeito conhecimento do litígio por parte do Colegiado a exigência decorreu do arbitramento dos lucros da Contribuinte, relativamente aos anoscalendário de 2001 a 2004, motivado pela falta de apresentação dos livros e documentos de sua escrituração comercial, para o que a Fiscalizada foi regularmente intimada em diversas oportunidades, nas pessoas de seus representantes legais. Foi adotado como parâmetro para o arbitramento, a receita omitida caracterizada pelos depósitos e créditos bancários de origem não comprovada, efetuados em contascorrentes mantidas pela Fiscalizada em diversas instituições financeiras, com fundamento no artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996, considerando a inexistência de receita escriturada e/ou declarada no período. Não obstante a constatação dessa movimentação financeira, a empresa apresentou as DIPJ para os períodos de apuração relativos aos anoscalendário de 2001, 2003 e 2004 na condição de inativa, não tendo entregue nenhuma DCTF para o período coberto pelo procedimento fiscal. A exigência foi fundamentada nos artigos 27, inciso I, e 42, da Lei nº 9.430, de 1996, combinados com os artigos 530, inciso I, 532 e 537, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 (RIR/99); e no artigo 150, § 4º da Lei nº 5.172, de 1966. De acordo com os Autos de Infração de fls. 29/43, 44/58 e 59/74, foram também exigidas, como lançamentos reflexos, as Contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), além da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), nos quais se constituiu Fl. 3101DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10320.002689/200641 Acórdão n.º 1102001.333 S1C1T2 Fl. 4 3 o crédito tributário nos valores totais de R$ 452.025,14, R$ 2.086.273,55 e R$ 747.165,79, respectivamente. Por entender que o fato descrito se caracteriza como infração qualificada, o Fisco impôs a multa de lançamento de ofício prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n° 9.430, de 1996, sobre as correspondentes bases tributáveis, tendo sido formalizado o competente processo de Representação Fiscal para Fins Penais (de nº 10320.002690/200676), o qual foi apensado aos presentes autos. Em função das irregularidades apontadas na peça vestibular, relacionadas à composição societária da Contribuinte (inclusive, restando demonstrada a falsificação de assinaturas em alteração contratual da sociedade e em instrumentos de procuração), a Fiscalização nomeou como responsáveis solidários pelo crédito tributário ora constituído, as pessoas físicas a seguir relacionadas, as quais foram cientificadas pelos respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária constantes das fls. 85 a 117, conforme AR de fls. 818 a 820: Marco Aurélio Pires Costa, CPF nº 940.215.54815; Marco Antônio Pires Costa, CPF nº 787.025.77887; Neuton Barjona Lobão Filho, CPF nº 002.057.61100. (Os contribuintes listados eram responsáveis pela movimentação financeira da empresa, já que constam como seus mandatários, com poderes para movimentar as contas bancárias arroladas na autuação, emitindo cheques e contraindo empréstimos e financiamentos em nome de Autuada, conforme vasta documentação acostada aos autos). Foram juntadas aos autos as petições* de fls. 823 a 886, nas quais o Advogado Antônio César de Araújo Freitas, inscrito na OAB/MA sob o nº 4.695, contesta as exigências em nome da Autuada e se insurge contra a nomeação das pessoas físicas acima listadas como responsáveis solidários pelo crédito tributário, afirmando, ao final, que já consta do processo procuração a ele outorgada e que, “(…) independentemente disto requer prazo de 15 (quinze) dias para juntada de novos instrumento (sic) de procuração.” *[nota deste relator: foram apresentadas distintas impugnações para os tributos lançados] Não tendo localizado qualquer instrumento que conferisse poderes para que aquele profissional pudesse representar a Autuada, e/ou os responsáveis tributários nomeados pelas autoridades fiscais autuantes, que tivesse sido apresentado anteriormente à formalização das exigências nem, muito menos, as procurações que o alegado patrono se comprometeu a juntar posteriormente, dentro do prazo requerido, propus o retorno dos autos à repartição de origem, para que a empresa, na pessoa da sócia Maria Luíza Thiago de Almeida (responsável pela pessoa jurídica perante o Ministério da Fazenda), assim como, os responsáveis nomeados pela Fiscalização, fossem intimados a apresentar os respectivos mandatos, conferindo poderes àquele causídico para representálos no presente processo, sob pena de não restar caracterizada a impugnação das exigências por parte da Autuada, bem como, a inconformidade das pessoas físicas listadas com a imputação de responsabilidade pelo crédito tributário formalizado, conforme Despacho de fls. 889/890. A referida medida foi implementada, conforme noticiam os documentos de fls. 891 a 905, tendo a sócia Maria Luíza Thiago de Almeida negado haver conferido poderes ao aludido advogado, conforme correspondência de fls. 902. Já o Sr. Édison Lobão Filho também considerado pelo Fisco como sócio da Autuada, pelos motivos descritos no TCF apresentou o instrumento de procuração de fls. 904, datado de 13/02/2007, no qual nomeia aquele profissional como seu mandatário, Fl. 3102DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10320.002689/200641 Acórdão n.º 1102001.333 S1C1T2 Fl. 5 4 com a finalidade de atuar nos processos de que se cuida. As demais pessoas nomeadas como responsáveis solidários pelo crédito tributário não atenderam às intimações recebidas. Nas aludidas petições, falando em nome da Autuada e dos responsáveis solidários pelo crédito aqui tratado, argúi o Advogado que: As pessoas notificadas, consoante Termos de Sujeição Passiva, ou não mais integravam a sociedade autuada, ou exerciam apenas cargos de confiança de função executiva. O notificado Édison Lobão Filho já não faz parte do quadro societário da BEMAR desde 30/10/1998, quando transferiu as suas quotas de capital, não tendo qualquer conhecimento e/ou participação das operações comerciais, financeiras e fiscais por ela praticadas a partir daí; em conseqüência, a sua responsabilidade para com os atos da empresa cessou a partir daquela data. Ressaltese que, mesmo quando ocupava os quadros societários da BEMAR, o Sr. Édison Lobão Filho não exercia a sua administração nem figurava como responsável pela empresa perante os órgãos fazendários. Já os senhores Marco Aurélio Pires Costa, Marco Antônio Pires Costa e Neuton Barjona Lobão Filho nunca fizeram parte da composição societária da Autuada, tendo apenas exercido funções executivas em alguns casos. Por essas razões, os notificados não concordam com o procedimento realizado pela ação (fiscal), nem com a conclusão por ela apontada de que o ato de alteração contratual não produziu os efeitos jurídicos a ele inerentes. Ademais, embora o legislador preveja o rol de sujeitos submetidos ao adimplemento da obrigação tributária, não há, dentre as hipóteses de responsabilidades subjetivas, situações em que pessoas sem vinculo pessoal e direto com a hipótese de incidência tributária possam ser demandadas a responder em nome da empresa pelo recolhimento do tributo. Assim, não cabe ao Fisco alargar a responsabilidade de sócios, quando esses não mais integram efetivamente a pessoa jurídica autuada, sem que ocorra qualquer prática de atos violadores do contrato social ou da lei, “(…) especificamente por parte do notificado, da comprovação, por exemplo de que tenha agido com dolo ou culpa”. Quanto ao mérito da autuação, o argumento de sua improcedência é a de que entre os valores arrolados no AI, uma parte não corresponde a operações financeiras que caracterizam depósitos ou investimentos, consoante prevê o artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996, por se referirem a transferências bancárias entre contas e agências, liquidação de cobrança com débito em conta e pagamentos mediante autorização de débitos automáticos. Referidas parcelas não constituem ingressos de recursos a caracterizarem depósitos, posto que já foram computados anteriormente para efeito de arbitramento, restando arrolados, na autuação, valores em duplicidade. Assim, por não configurarem receita omitida ou rendimentos de valores creditados em contacorrente, tais parcelas devem ser excluídas da base de cálculo, o que por certo reduzirá o valor ora exigido. Fl. 3103DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10320.002689/200641 Acórdão n.º 1102001.333 S1C1T2 Fl. 6 5 A multa de lançamento de ofício no percentual de 150% mostrase excessiva, sendo indevida em razão de não haver sido apresentada motivação justificadora para a sua imposição nesse patamar. (...) Por fim, contesta a aplicação da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora exigidos no procedimento fiscal, por se tratar aquele índice de taxa remuneratória, não podendo ser utilizada em matéria tributária, além de não se conformar com o disposto no artigo 161, § 1º, do Código Tributário Nacional (CTN). Ilustra a sua tese com a reprodução de excertos de julgados da lavra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) tratando do tema. Aduz, ainda, que o Agente Fiscal aplicou juros cumulativos, conforme descrição contida no AI. No pedido final, requer: 1. a nulidade da notificação imposta à Autuada em nome de Édison Lobão Filho, encaminhandose outra ao seu atual sócio; 2. a improcedência da autuação, por contemplar termo de sujeição passiva e levantamentos de valor tributário, multa e juros de mora indevidos.” A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE, de início, ressaltou que, por falta de apresentação de instrumento de mandato que conferisse poderes ao advogado subscritor das impugnações apresentadas, não se instaurou o litígio quanto à responsabilidade pelo crédito tributário com relação aos sócios da autuada que compunham o seu quadro societário em data anterior a 30/10/1998, à exceção do Sr. Édison Lobão Filho, e nem tampouco com relação aos responsáveis apontados nos Termos de Sujeição Passiva Solidária de fls. 85 a 117 (Marco Aurélio Pires Costa, Marco Antônio Pires Costa, e Neuton Barjona Lobão Filho). Especificamente com relação à responsabilidade pelo crédito tributário do Sr. Édison Lobão Filho, observou a DRJ que, em que pese a procuração apresentada seja da sua pessoa física nomeando o citado profissional como seu mandatário para atuar neste processo, devem também ser reconhecidos pela autoridade julgadora os poderes para representar a pessoa jurídica autuada nos presentes autos, e isto porque a sua condição de sócio na composição do quadro societário da empresa, após a alteração contratual de 30/10/1998, pela qual formalmente dela alega terse desligado, é decorrente da própria acusação fiscal, e tal condição foi por ele negada desde a fase procedimental. Conclui a DRJ, portanto, que não seria lógico exigir, nessa oportunidade, que o mandato fosse por ele outorgado em nome da sociedade à qual alega não mais pertencer. Ao analisar os fatos e as alegações feitas, concluiu a DRJ pela manutenção da responsabilidade atribuída às pessoas físicas notificadas do crédito tributário constituído, a saber: o Sr. Édison Lobão Filho e a Sra. Maria Luíza Thiago de Almeida, na qualidade de sócios da pessoa jurídica autuada constantes das alterações contratuais anteriores à alteração datada de 30/10/1998, por meio da qual ambos supostamente teriamse retirado da sociedade, e os Srs. Marco Aurélio Pires Costa, Marco Antônio Pires Costa, e Neuton Barjona Lobão Filho, contra os quais foram lavrados os Termos de Sujeição Passiva Solidária constantes das fls. 85 a 117. Fl. 3104DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10320.002689/200641 Acórdão n.º 1102001.333 S1C1T2 Fl. 7 6 No mérito, observou que no procedimento fiscal já haviam sido expurgados os valores que não configuravam efetivo ingresso de novos recursos nas contas bancárias, afastou as arguições de inconstitucionalidade, e manteve integralmente o crédito tributário lançado e a multa qualificada. O Acórdão no 0810.876, fls. 906918, possui a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE DE SÓCIOS DA PESSOA JURÍDICA. ALTERAÇÃO CONTRATUAL VICIADA. NULIDADE. EFEITOS. ARBITRAMENTO DOS LUCROS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ERRO NA QUANTIFICAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL ACRÉSCIMOS LEGAIS. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INFRAÇÃO QUALIFICADA. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. É nula de pleno direito a alteração contratual de sociedade efetuada com base em documento eivado de vícios de falsidade. Anulado o negócio jurídico, restituir seão as partes ao estado em que antes dele se achavam. Desconsiderada a alteração no quadro societário da pessoa jurídica, restabelecese a responsabilidade tributária dos sócios que a compunham antes da operação viciada. Não restando comprovados os alegados erros na quantificação da matéria tributável, é de se manter a exigência como formalizada no procedimento fiscal. Aplicase, no lançamento de ofício, a multa prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/1996, sobre os fatos descritos no auto de infração que se ajustam à hipótese nele preconizada. Os órgãos julgadores da Administração Fazendária afastarão a aplicação de lei, tratado ou ato normativo federal, somente na hipótese de sua declaração de inconstitucionalidade, por decisão do Supremo Tribunal Federal. Tributação Reflexa. Contribuição para o PIS/Pasep, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Tratandose de lançamentos reflexos, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.” Contra esta decisão, foram inicialmente interpostos os recursos voluntários de fls. 11971205 e 12101233, o primeiro em nome de Neuton Barjona Lobão Filho, para requerer sua exclusão da condição de devedor solidário dos créditos lançados, por ser ele simples mandatário de poderes outorgados por instrumento para movimentar as contas correntes da autuada, e o segundo em nome de “BEMAR – DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA (Edson Lobão Filho)”, visando à reforma da decisão recorrida, para julgar improcedentes os lançamentos efetuados, pelos mesmos fundamentos já discorridos na defesa inicial, ou ao menos para, alternativamente, excluir da condição de devedor solidário dos créditos lançados o Sr. Édison Lobão Filho. Argúi ainda (o segundo recurso) a nulidade da decisão recorrida, em face da ofensa ao principio da proibição da reformatio in pejus, que restou caracterizada quando a referida decisão agravou a situação imposta ao Sr. Édison Lobão Filho, ao considerálo responsável solidário pelo crédito tributário constituído em desfavor da BEMAR, sendo que a Fl. 3105DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10320.002689/200641 Acórdão n.º 1102001.333 S1C1T2 Fl. 8 7 autuação lavrada não lhe atribuíra tal condição de coresponsável pela apontada divida. Contesta também o entendimento esposado pela DRJ, destacando a necessidade de prévia decisão judicial para que se tome por nulo o ato existente, e reitera que o Sr. Édison Lobão Filho agiu com a mais absoluta boafé, transferindo suas quotas de participação na referida sociedade para as pessoas indicadas pelos Srs. Marco Aurélio Pires Costa e Marco Antônio Pires Costa, os sócios de fato. E, por amor ao debate, prosseguindo “na defesa dos interesses da autuada, nos limites de suas possibilidades”, reprisa os mesmos argumentos de mérito aduzidos na defesa inicial. Posteriormente, trouxe o segundo recorrente aos autos o documento de fls. 12421244, citado na peça recursal, e intitulado “Termo de Declaração e Confissão”, por meio do qual os Srs. Marco Aurélio Pires Costa e Marco Antônio Pires Costa assumem total responsabilidade pela administração e gerência da empresa BEMAR – DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA desde a sua constituição, e declaram e confessam que o Sr. Édison Lobão Filho, embora tenha figurado como sócio, jamais esteve à frente dos negócios e, assim, não tem como prestar quaisquer esclarecimentos em relação à ação fiscal em comento, bem como ainda isentam o Sr. Édison Lobão Filho de qualquer responsabilidade com relação aos resultados do procedimento de fiscalização bem como com relação às conclusões do laudo pericial da Polícia Federal que atestou a falsidade das assinaturas de Ana Maria dos Santos e Ana Lúcia Martins, apostas no instrumento de alteração contratual de 30/10/1998. Na sessão de 7 de maio de 2013, o julgamento foi convertido em diligência pela Resolução 1102000.151, ante a constatação de que inexistia nos autos a comprovação da ciência da decisão recorrida, quer por parte da própria pessoa jurídica autuada, quer por parte das pessoas físicas afetadas pela decisão recorrida, na parte em que esta decisão manteve a imputação de responsabilidade pelo crédito tributário lançado (a saber: Édison Lobão Filho, Maria Luíza Thiago de Almeida, Marco Aurélio Pires Costa, Marco Antônio Pires Costa, e Neuton Barjona Lobão Filho). Determinouse, portanto, a conversão em diligência “para que a autoridade administrativa junte aos autos os documentos de intimação e ciência do resultado do julgamento de primeira instância, relativos a todas as pessoas físicas e jurídica acima mencionadas, se houver, ou então que providencie a ciência e intimação dessas mesmas pessoas para que se lhes oportunize o prazo legal para a interposição de recurso voluntário.” A unidade de origem, então, intimou todas as pessoas físicas e jurídica acima mencionadas, dandolhes ciência do acórdão recorrido (comunicações e avisos de recebimento às fls. 1257 e seguintes), após o que vieram, então, aos autos, os seguintes elementos: (i) Recurso em nome da pessoa jurídica BEMAR – DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA, assinado por Marco Antônio Pires Costa (fls. 12711287); (ii) Recurso em nome de Neuton Barjona Lobão Filho, assinado pelo advogado Antônio César de Araújo Freitas (fls. 13491357); (iii) Recurso em nome de Édison Lobão Filho, assinado pelo advogado Antônio César de Araújo Freitas (fls. 13601384); (iv) diversas peças processuais relativas ao processo n.° 011316/2009, ajuizado perante o Poder Judiciário do Estado do Maranhão (Ação Ordinária Declaratória, com pedido de antecipação de tutela, ajuizada por Edison Lobão Filho em desfavor de Marco Antônio Pires Costa), Fl. 3106DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10320.002689/200641 Acórdão n.º 1102001.333 S1C1T2 Fl. 9 8 trazidas tanto pela recorrente BEMAR, representada por Marco Antônio Pires Costa, quanto pelo recorrente Edison Lobão Filho. Sintetizamse abaixo as principais razões aduzidas na peça de defesa apresentada em nome da pessoa jurídica BEMAR (fls. 12711287): a citação dos envolvidos quanto ao Acórdão no 0810.876, proferido em 31 de maio de 2007, veio a acontecer somente em 10 de outubro de 2013, ou seja, após um período de silêncio, promovido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil, de mais de 06 (seis) anos; neste período de silencio, ocorreram inúmeros fatos novos e de grande relevância, a seguir referidos; “é claro e nítido que Delegacia da Receita Federal do Brasil, claramente feriu e quebrou completamente os Princípios e Fundamento do DEVIDO PROCESSO LEGAL, quando abusivamente retirou do Contribuinte, a oportunidade legal, ainda dentro da Esfera Administrativa, de se defender, antes de exigir e efetuar as Cobrança dos referidos Autos de Infração, postergando tal oportunidade para a Litigante, de forma ilegal, oportunizado somente agora após a citação dos envolvidos, depois que parte destes débitos já terem sido pagos, motivada pelas Efetivas Cobranças irregulares, e com a citação posterior a 06 (seis) anos, após o julgado, causando assim muitos Danos para Autuada (...)” “Em 2009, o Excelentíssimo Juiz de Direito, Dr. Luiz Gonzaga Almeida Filho, da 8a. Vara Cível da Comarca de São Luis, foi Julgado uma ação na justiça Comum processo de n. 1131642.2009.8.10.0001(113162009), com despacho, em matéria de mérito, no qual ficou determinado para quem caberia, a responsabilidade Social e Fiscal da Empresa BEMAR DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA, (...) ficando decidido pelo Exmo Dr. Juiz de Direito em sentença julgada com a responsabilidade fiscal e administrativa, para a única pessoa do Sr. Marco Antonio Pires Costa, CPF n. 787.025.77887, pelo qual foi julgado e determinado ainda, que fosse procedida e feita, a alteração contratual na Junta Comercial do Estado do Maranhão, da empresa BEMAR, e consequentemente aos demais órgão federais, estaduais e municipais, colocando como pessoa única e responsável na empresa acima mencionada, a pessoa física já acima também identificada, e que assim foi feita e cumprido, conforme determinação judicial, aqui demonstrado nos doc.(02 Anexo)” “Desta forma, após preencher todos os requisitos legais, o Contribuinte procedeu de forma espontânea, requerendo o parcelamento de todos os seus débitos apropriados na época do pedido de parcelamento, que contemplavam em sua Conta Corrente, mesmo sendo conhecedor da forma arbitraria procedida pela DRFB, conforme já contestado neste Recurso Voluntário, (...) o que veio a ser concordado e aceito também, pela própria Delegacia da Receita Federal do Brasil, ao conceder o parcelamento, (...) conforme apresentamos para comprovação neste Recurso Voluntário, o espelho do parcelamento chancelado pelo órgão fazendário da união, e com o seu devido representante legal.” num tópico intitulado “prescrição e decadência”, aduz que “somente em 24 de janeiro de 2013, efetivouse a Inscrição na Divida Ativa com processo de N. 10320.003461/200598, de agrupamento para ajuizamento conforme sua inscrição n. 310013901258, gerando um único processo judicial de n. 00023014420134013703 datado de 07 de Junho de 2013, como devedor solidário o representante Sr. Marco Antonio Pires Costa (...) É nítida a Prescrição e Decadência para tal cobrança, uma vez que houve um lapso Fl. 3107DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10320.002689/200641 Acórdão n.º 1102001.333 S1C1T2 Fl. 10 9 temporal de mais de 06 (seis) anos entre o Julgado, e a devida inscrição do debito em Divida Ativa (..)” pugna pela observância dos princípios da tipicidade, proporcionalidade e razoabilidade, e do direito de equidade, tendo em conta que a Autuada “não mantém receita ou atividades nos dias atuais, sendo uma empresa que não possui qualquer poder econômico e financeiro, sendo mantida apenas para cumprir as obrigações imposta pela DRFB”. ao final, “requer, a Empresa Recorrente, que este dignese em admitir o recebimento da presente impugnação "RECURSO VOLUNTÁRIO", com a acolhida dos argumentos ora apresentados e mediante do que proposto, no sentido de que as referidas cobranças seja suspensas, até apreciação dos elementos apresentados, para que no mérito lhe seja dado provimento (...)” O recurso apresentado em nome de Neuton Barjona Lobão Filho é a reprodução do mesmo recurso por ele anteriormente apresentado, por meio do qual requer a sua exclusão da condição de devedor solidário dos créditos lançados, por ser simples mandatário de poderes outorgados por instrumento para movimentar as contas correntes da autuada. O recurso apresentado em nome de Édison Lobão Filho igualmente reproduz, em síntese, as mesmas razões aduzidas no recurso por ele anteriormente apresentado, a saber, em síntese: (i) necessidade de prévia decisão judicial que declarasse nula a alteração contratual por meio da qual retirouse da sociedade; (ii) ausência de responsabilidade tributária do Recorrente; (iii) ilegalidade do critério de arbitramento utilizado para fixação da base de cálculo; (iv) indevida aplicação da multa de 150%, por inexistência de fraude; (v) impossibilidade de utilização da taxa Selic como taxa de juros. De novidade, traz aos autos cópias das peças processuais da já referida Ação Declaratória por ele ajuizada contra Marco Antônio Pires Costa, por meio da qual, enfatiza, o próprio judiciário já reconheceu a ausência de responsabilidade do Recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé Os recursos apresentados são tempestivos. Contudo, à vista dos diversos incidentes que a seguir se exporá em detalhes, há que se examinar os limites do conhecimento das respectivas razões, em cada caso. Antes, apenas uma breve reprise de algumas circunstâncias para melhor compreender o que a seguir se exporá. Antes da questionada alteração contratual de 30/10/1998, os sócios da pessoa jurídica, de acordo com o contrato social, eram: Édison Lobão Filho, Maria Luiza Thiago de Fl. 3108DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10320.002689/200641 Acórdão n.º 1102001.333 S1C1T2 Fl. 11 10 Almeida (esposa de Marco Antônio Pires Costa), e Ana Maria dos Santos (sogra de Marco Aurelio Pires Costa). Na alteração contratual de 30/10/1998, registrouse a saída da sociedade de Édison Lobão Filho, sendo suas quotas transferidas metade para Ana Maria dos Santos (sogra de Marco Aurelio Pires Costa) e a outra metade para Maria Lúcia Martins (“secretária doméstica” da senhora Maria Luiza Thiago de Almeida, esposa de Marco Antônio Pires Costa). Na mesma alteração contratual, a senhora Maria Luiza Thiago de Almeida transferiu as suas quotas para a sua “secretária doméstica” Maria Lúcia Martins, de sorte que, a partir desta data, para os efeitos legais, os sócios da pessoa jurídica seriam Ana Maria dos Santos (sogra de Marco Aurelio Pires Costa) e Maria Lúcia Martins (“secretária doméstica” da esposa de Marco Antônio Pires Costa). À vista das diversas evidências de falsidade naquela alteração contratual (a suposta sócia Maria Lúcia Martins sequer conhecia a outra suposta sócia Ana Maria dos Santos, bem como sequer sabia de sua condição de sócia da Bemar; perícia grafotécnica da Polícia Federal concluiu serem falsas as assinaturas das duas sócias, bem como das duas testemunhas, na referida alteração contratual, contudo, concluiu serem verdadeiras as assinaturas, no mesmo documento, de Édison Lobão Filho e de Maria Luiza Thiago de Almeida), concluiu afinal a fiscalização (e a decisão recorrida) que essas pessoas seriam ainda os verdadeiros sócios de fato da pessoa jurídica. E, em vista da existência de procurações conferidas pelos sócios de direito da fiscalizada para movimentação de contas bancárias nas instituições financeiras, bem como do fato de constarem como beneficiários em diversos dos cheques por ela emitidos, concluiu a fiscalização (e a decisão recorrida) pela responsabilização solidária das pessoas físicas Marco Aurélio Pires Costa, Marco Antônio Pires Costa, e Neuton Barjona Lobão Filho, pelo crédito tributário lançado. Todas as pessoas físicas citadas, além da própria pessoa jurídica, foram cientificados dos autos de infração lavrados, bem como, após a providência tomada por este colegiado na Resolução 1102000.151, da decisão da autoridade julgadora a quo. Conforme relatado ao norte, somente um conjunto de impugnações (impugnações individualizadas por tributo) foi recebido, aquele que foi apresentado pelo advogado Antônio César de Araújo Freitas, no qual consta, em seu preâmbulo, que a impugnação estaria sendo apresentada em nome da pessoa jurídica BEMAR DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA. Nestas, contestavase o mérito da autuação contra a pessoa jurídica, bem como a responsabilidade fiscal “das pessoas notificadas”, muito embora, neste aspecto, a contestação centrasse os seus argumentos especialmente na ausência de responsabilidade do Sr. Édison Lobão Filho. Como nos autos havia apenas uma procuração outorgada pela pessoa física Édison Lobão Filho conferindo poderes ao referido advogado para representálo, baixou a DRJ os autos em diligência para regularização da representação processual relativa à pessoa jurídica e demais pessoas físicas. Contudo, a despeito de pessoalmente intimados a respeito desta ausência de representação processual e da necessidade de sua regularização, sob pena de revelia, bem como Fl. 3109DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10320.002689/200641 Acórdão n.º 1102001.333 S1C1T2 Fl. 12 11 da afirmativa feita pelo referido advogado, contida nas impugnações apresentadas, de que juntaria novos instrumentos de procuração, o fato é que nenhuma nova procuração foi trazida aos autos. Antes pelo contrário, no caso da Sra. Maria Luiza Thiago de Almeida, esta expressamente declarou que em nenhum momento teria conferido quaisquer poderes ao referido advogado. Foi por conta das circunstâncias acima relatadas que concluiu a DRJ não ter se instaurado o litígio com relação a todas as pessoas físicas apontadas, à exceção do Sr. Édison Lobão Filho. E, a despeito da inexistência de procuração outorgada pela pessoa jurídica ao advogado subscritor das petições apresentadas, superou este vício processual, admitindoas como se impugnações dela fossem, uma vez que a condição do Sr. Édison Lobão Filho como sócio de fato da pessoa jurídica era decorrente da própria acusação fiscal. Isto posto, passase a analisar os recursos apresentados. Recurso de BEMAR DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA O recurso apresentado em nome da pessoa jurídica BEMAR – DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA foi assinado por Marco Antônio Pires Costa. Conforme se verifica das peças acostadas aos autos, relativas ao processo judicial 001131642.2009.8.10.0001, trazidas tanto pelo Sr. Marco Antônio Pires Costa, quanto pelo Sr. Édison Lobão Filho, foi confirmado pelo Poder Judiciário do Estado do Maranhão, que os verdadeiros sócios de fato da empresa, com efeitos retroativos à data de 30 de outubro de 1998, eram o Sr. Marco Antônio Pires Costa, com 75% de participação, e a Sra. Ana Maria dos Santos (sogra de Marco Aurélio Pires Costa), com 25% de participação. Esta decisão transitou em julgado. De se destacar que, na citada ação, movida pelo Sr. Édison Lobão Filho contra a sua pessoa, manifestouse o Sr. Marco Antônio Pires Costa pela procedência da ação, concordando em declararse sócio da empresa BEMAR desde 30 de outubro de 1998, e assumindo a responsabilidade por todas as obrigações decorrentes do seu ingresso no quadro societário desde aquela data, muito embora seu nome não constasse de nenhuma alteração contratual daquela empresa, nem antes e nem após aquela data. Na contestação judicial apresentada, lamenta ainda o Sr. Marco Antônio Pires Costa pelos transtornos causados pelos problemas gerados ao Sr. Édison Lobão Filho. A argumentação apresentada na contestação judicial acima referida vai aproximadamente na mesma linha do Termo de Declaração e Confissão assinado por Marco Antônio Pires Costa e Marco Aurélio Pires Costa (fls. 12421244), no qual estes assumem total responsabilidade pela administração e gerência da empresa BEMAR desde a sua constituição. Digo aproximadamente, porque, enquanto na ação judicial a responsabilidade assumida foi somente a partir da citada alteração contratual de 30 de outubro de 1998, na referida confissão a responsabilidade é assumida desde a constituição da empresa, em 21/06/1996. Além disto, na ação judicial reconheceuse que a sociedade pertenceria a Marco Antônio Pires Costa e Ana Maria dos Santos, no entanto, na referida confissão, eram os irmãos que declaravam estar à frente dos negócios. Pois bem. Fl. 3110DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10320.002689/200641 Acórdão n.º 1102001.333 S1C1T2 Fl. 13 12 A despeito de todas as contradições acima apontadas, não há como escapar ao fato de que, de acordo com a decisão transitada em julgado, o signatário do recurso Marco Antônio Pires Costa detém legitimidade para interpor recurso em nome da autuada. Ademais, consideradas todas as peculiaridades do processo em questão, e especialmente levandose em conta o fato de a autoridade recorrida ter admitido a existência de uma impugnação em nome da autuada, superando os vícios de representação existentes naquela oportunidade, concluo não haver óbices, neste momento, a que o recurso seja conhecido. Contudo, a bem da verdade, verifico que praticamente não há argumentos de mérito contra a autuação na peça recursal apresentada, a despeito de um pedido genérico de aplicação de razoabilidade, proporcionalidade e equidade no julgamento. Do quanto foi possível extrair da defesa apresentada, alega a recorrente a existência da alguma suposta irregularidade, conducente à ocorrência de prescrição, decadência, ou nulidade do feito ou da cobrança efetuada, por afronta aos princípios e fundamentos do devido processo legal, ou alguma espécie de cerceamento ao seu direito de defesa. Assim, na medida em as questões suscitadas poderiam ser até mesmo conhecidas de ofício, acaso entendido que de fato ocorrentes no caso concreto, passase a analisálas. Ocorre que todas estas alegações giram em torno do fato de que a citação dos envolvidos a respeito do teor do Acórdão no 0810.876 somente se deu depois de transcorridos mais de seis anos da prolação daquela decisão. Sendo este o caso, refutase tais alegações pela aplicação da Súmula CARF nº 11, cujo teor é o seguinte: “Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.” Ademais, resta evidente, pelo relato efetuado, que nenhum cerceamento de direito de defesa ocorreu no presente caso. Antes ao contrário, todas as oportunidades possíveis de defesa aos acusados foram oferecidas, o que ocorreu foi apenas e tão somente que alguns deles sequer demonstraram interesse em exercer o seu direito. Por fim, e embora confusa a peça recursal neste aspecto, constam alegações de que a empresa teria requerido e obtido o parcelamento “de todos os seus débitos apropriados na época do pedido de parcelamento, que contemplavam em sua Conta Corrente”, sem que se saiba ao certo se tal pedido incluiria os débitos relativos ao presente processo, mesmo porque sequer citado este processo na defesa, nem tampouco trazido aos autos quaisquer provas do pedido ou mesmo do deferimento do parcelamento em questão. Ora, se acaso de fato tivesse sido requerido tal parcelamento, então nesta hipótese seria mesmo o caso de não se conhecer do eventual recurso apresentado, pois o parcelamento caracteriza confissão de dívida, e necessariamente implica renúncia ao direito de recorrer. Pelo exposto, nego provimento ao recurso apresentado pela pessoa jurídica BEMAR – DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA. Fl. 3111DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10320.002689/200641 Acórdão n.º 1102001.333 S1C1T2 Fl. 14 13 Recurso de Édison Lobão Filho O recurso apresentado por Édison Lobão Filho traz razões de defesa tanto contra a condição de responsável tributário que lhe foi imputada, quanto contra aspectos do lançamento efetuado (ilegalidade do critério de arbitramento, multa de 150%, utilização da taxa Selic). Deve ser afastada, no caso, a responsabilidade tributária do recorrente pelo crédito lançado. Revendo todas as peças processuais, verificase que, de fato, assiste razão ao recorrente quando afirma que foi a DRJ quem atribuiu a ele tal condição de responsável solidário pelo crédito tributário lançado, uma vez que a autuação lavrada em nenhum momento lhe atribuíra tal condição. De fato, devese registrar que, a rigor, não há, nos autos, qualquer prova da atuação do Sr. Édison Lobão Filho na prática de qualquer ato da empresa fiscalizada após a data de 30 de outubro de 1998, seja na condição de diretor, gerente, representante, mandatário, preposto ou empregado daquela, e nem tampouco há qualquer prova do seu benefício financeiro a partir de qualquer operação da empresa que tenha sido praticada após aquela data. Ademais, não consta no Termo de Verificação Fiscal uma única referência ao Sr. Édison Lobão Filho na qualidade de responsável pelo crédito tributário, tampouco há qualquer Termos de Sujeição Passiva Solidária contra ele lavrado. Em sentido completamente oposto, o fisco deixou claro, no parágrafo a seguir transcrito do Termo de Constatação Fiscal, quem seriam os verdadeiros responsáveis pelos atos praticados em nome da empresa, bem como beneficiários dos seus negócios (fls. 84): “Devido a todos os fatos relatados, há de se convir que os principais responsáveis pelos atos praticados em nome de BEMAR — Distribuidora de Bebidas Ltda, como também os principais beneficiários dos negócios praticados em seu nome são os senhores NEUTON BARJONA LOBAO FILHO, MARCO ANTONIO PIRES COSTA e MARCO AURÉLIO PIRES COSTA.” E, de fato, foi apenas contra as três pessoas acima citadas que o fisco lavrou Termos de Sujeição Passiva Solidária. O que se conclui, portanto, é que o único motivo pelo qual o fisco deu ciência dos autos de infração ao Sr. Édison Lobão Filho decorre do fato de ele ter sido identificado como sócio (de fato) da fiscalizada, em face da falsidade da alteração contratual datada de 30 de outubro de 1998. Contudo, é assente o entendimento nesta casa que a mera condição de sócio não enseja a responsabilização deste pelo crédito tributário lançado, sendo necessário demonstrar a prática de atos ilícitos por parte da pessoa a ser responsabilizada. Neste sentido é inclusive o entendimento manifestado pela douta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional no Parecer/PGFN/CRJ/CAT nº 55/2009, conforme excerto abaixo transcrito: Fl. 3112DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10320.002689/200641 Acórdão n.º 1102001.333 S1C1T2 Fl. 15 14 “Se o elemento relevante para a caracterização da responsabilidade tributária do art. 135, III, do CTN fosse a condição de sócio, faria sentido a tese da responsabilidade subsidiária. Deveras, se o terceiro respondesse por ser sócio, seria plenamente razoável que demandasse o esgotamento do patrimônio da sociedade para que só então viesse a ser chamado a pagar o crédito tributário. Como, porém, não responde por ser sócio, mas porque, na condição de administrador, pratica ato ilícito, não faz o menor sentido que seja facultado a ele esquivarse da responsabilidade exigindo que, primeiro, responda a sociedade para, só em caso de sua insolvabilidade, seja a ele imposta a sanção pela ilicitude. Portanto, de fato temse que foi somente a DRJ quem buscou atribuir ao recorrente a responsabilidade tributária solidária. Tendo realmente sido apenas a autoridade julgadora a quo quem buscou atribuir ao recorrente a responsabilidade tributária solidária (e não sendo competente para tal mister), este fato poderia ensejar até mesmo a nulidade do acórdão recorrido, contudo, à vista do quanto exposto nos parágrafos acima, devese buscar a solução no § 3º do art. 59 do PAF, verbis: “Art. 59. (...) § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.” Resta insubsistente, portanto, a tentativa de atribuição de responsabilidade tributária ao Sr. Édison Lobão Filho. No tocante às questões de mérito argüidas contra o lançamento em si, com a devida vênia, entendo que sequer podem ser conhecidas. Isto porque: (i) o Sr. Édison Lobão Filho não é mais sócio da fiscalizada desde a data de 30 de outubro de 1998 (esta afirmativa decorre tanto de sua própria defesa, bem como da própria ação judicial transitada em julgado já referida) e não possui, portanto, poderes para agir em nome da fiscalizada; (ii) o Sr. Édison Lobão Filho não é responsável tributário, portanto não possui sequer interesse pessoal para recorrer de um crédito que não lhe diz respeito. Portanto, nestes termos, conheço parcialmente das razões de recurso apresentadas pelo Sr. Édison Lobão Filho, para, na parte conhecida, dar provimento ao recurso para excluílo do pólo passivo. Recurso de Neuton Barjona Lobão Filho O recurso apresentado em nome de Neuton Barjona Lobão Filho foi assinado pelo advogado Antônio César de Araújo Freitas, ora devidamente constituído por procuração acostada aos autos. Fl. 3113DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10320.002689/200641 Acórdão n.º 1102001.333 S1C1T2 Fl. 16 15 Neste, aduz o recorrente que, “não sendo sócioproprietário e muito menos administrador da autuada, não pode, por ter apenas sido municiado com instrumento de mandato de outorga de poderes para fins de representação, ser compelido a suportar o ônus tributário, na condição de coobrigado.” Apesar de apresentado tempestivamente e por representante legal regularmente constituído, seu recurso, contudo, não pode ser conhecido pelo colegiado. A conversão do julgamento em diligência pelo colegiado, na sessão de maio de 2013, para a regularização da intimação de todos os envolvidos (pessoa jurídica e pessoas físicas) acerca da decisão de piso, foi providência cujo propósito foi assegurar a todos os acusados o exercício do legítimo direito de defesa, na medida em que não se sabia se eles haviam ou não sido intimados daquela decisão. Entretanto, é princípio basilar que o recurso deve atacar os fundamentos adotados na decisão que se pretende ver reformada. No caso, o fundamento da decisão recorrida, com relação ao Sr. Neuton Barjona Lobão Filho, é um só: o acusado simplesmente não contestou o feito, e o litígio não se iniciou com relação a ele. Isto consta de modo claro e expresso no voto proferido pela autoridade julgadora a quo, tanto é que não há uma linha sequer tratando de qualquer questão fática ou de mérito tratando da responsabilidade tributária atribuída ao Sr. Neuton Barjona Lobão Filho. O acórdão, neste ponto, limitase a considerar a matéria como não impugnada, e, assim, ao final do voto, proclama a manutenção da sua responsabilidade por aquela instância. E nem se alegue ter havido qualquer excesso de rigor por parte do órgão julgador a quo. Pelo contrário, foi dada ao recorrente a oportunidade de regularizar sua representação processual naquela oportunidade, e ele não o fez. Não tendo o recorrente apresentado qualquer alegação ou prova no sentido de desconstituir o fundamento central da decisão recorrida que determinou a manutenção da sua condição de devedor solidário do crédito tributário, ou seja, de que não teria apresentado impugnação, não há como se conhecer de recurso em que apresenta tão somente diversas razões de mérito pelas quais entende não ser cabível a sua responsabilização, razões estas que em nenhum momento foram levadas à autoridade julgadora a quo, a despeito das sucessivas oportunidades que teve para isto. Neste sentido é o teor do art. 13, inciso II, do Código de Processo Civil (CPC), subsidiariamente aplicável ao processo administrativo tributário: “Art. 13. Verificando a incapacidade processual ou a irregularidade da representação das partes, o juiz, suspendendo o processo, marcará prazo razoável para ser sanado o defeito. Não sendo cumprido o despacho dentro do prazo, se a providência couber: (...) II ao réu, reputarseá revel;” Fl. 3114DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10320.002689/200641 Acórdão n.º 1102001.333 S1C1T2 Fl. 17 16 Neste sentido, também, os seguintes precedentes do CARF: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO — IMPUGNAÇÃO — CAPACIDADE POSTULATÓRIA — PROCURAÇÃO — Não se toma conhecimento de recurso voluntário quando a impugnação ao lançamento, firmada por pessoa sem capacidade postulatória, apesar de reiteradas intimações para a apresentação da necessária procuração, deixa de ser atendida pela interessada. (Acórdão 10194.528, relator Paulo Roberto Cortez, sessão de 18 de março de 2004) FALTA DE QUESTIONAMENTO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. RECURSO NÃO CONHECIDO. Não se conhece de recurso que não contesta diretamente os fundamentos da decisão recorrida. Hipótese em que a decisão de 1a instância não conheceu da impugnação por sua intempestividade, e, no voluntário, o contribuinte não defende a tempestividade do apelo, mas apenas o mérito. (Acórdão 1102000.886, relator José Evande Carvalho Araujo, sessão de 9 de julho de 2013) Pelo exposto, não conheço do recurso apresentado pelo Sr. Neuton Barjona Lobão Filho. Conclusão Pelo exposto, oriento este voto no sentido de: (i) conhecer do recurso apresentado pela pessoa jurídica BEMAR – DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA, para negarlhe provimento; (ii) conhecer parcialmente das razões de recurso apresentadas pelo Sr. Édison Lobão Filho, para, na parte conhecida, afastar a sua responsabilidade pelo crédito tributário lançado; (iii) não conhecer do recurso apresentado pelo Sr. Neuton Barjona Lobão Filho. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 3115DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
score : 1.0
Numero do processo: 10880.984592/2009-48
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2005
POSSIBILIDADE DE COMPENSAR ANTECIPAÇÃO EM TESE. AFASTADO O ÓBICE.
Julgamentos anteriores do CARF. Anulação da decisão para nova ser proferida.
Numero da decisão: 1802-002.517
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Correa- Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa (Presidente), Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano (Suplente Convocado), Luis Roberto Bueloni dos Santos Ferreira).
Nome do relator: LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa- Presidente. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa (Presidente), Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano (Suplente Convocado), Luis Roberto Bueloni dos Santos Ferreira).
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AFASTADO O ÓBICE. Julgamentos anteriores do CARF. Anulação da decisão para nova ser proferida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa (Presidente), Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano (Suplente Convocado), Luis Roberto Bueloni dos Santos Ferreira). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 98 45 92 /2 00 9- 48 Fl. 213DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10880.984592/200948 Acórdão n.º 1802002.517 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório A ora Recorrente apresentou, em 9/4/2008, a Per/Dcomp nº 37321.30584.090408.1.7.049894, corrigindo DCOMP anterior, por meio do qual solicita compensação de parte do débito de estimativa do IRPJ do mês de janeiro/2005, com o crédito, no valor de R$ 416.099,42, referente a pagamento a maior de estimativa do IRPJ de junho de 2005. A DERAT, através do Despacho Decisório exarado em 21/09/2009, não homologou a compensação declarada, sob o fundamento de que não é passível de ser compensado o crédito de estimativa. Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, em 28/10/2009, alegando, em suma que: Em janeiro de 2005, um de seus clientes rescindiu um contrato em que a Impugnante fornecia energia e, em razão disso, ela tornouse credora da multa contratual devida pelo cliente "Solvay". De início, entendeu que os valores recebidos da multa, um doze avos, deveriam ser reconhecidos como receita em regime de caixa. Depois, percebeu que essa receita deveria ser reconhecida pelo regime de competência, ou seja, deveria ser incluída na apuração do resultado do período em que ocorreu o fato jurídico, em janeiro de 2005. Com isso, foram realizados os devidos ajustes em sua contabilidade e procedido nova apuração dos tributos nesse período. De outro lado, os valores dos tributos que já haviam sido recolhidos ao longo do anocalendário de 2005, tornaramse indevidos, originando um saldo credor a seu favor. 0 despacho decisório indeferiu a compensação realizada pela contribuinte por entender que o valor recolhido a maior a titulo de estimativa mensal do IRPJ de fevereiro de 2005, somente poderia ser compensado ao final do período de apuração do lucro, com base no teor do disposto no artigo 10 da IN n° 600/2005. Não se justifica exigir determinado valor que foi recolhido indevidamente por mero erro de fato, por violação ao principio constitucional da estrita legalidade. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10880.984592/200948 Acórdão n.º 1802002.517 S1TE02 Fl. 4 3 Não se aplica a vedação constante do artigo 10 da IN no 600/2005 ao caso concreto. As estimativas recolhidas são meros adiantamentos dos valores devidos ao final do ano Calendário e poderão não retratar a realidade subjacente. No presente caso, o direito a compensação do valor indevidamente recolhido é imediato, pois o erro de fato cometido pela contribuinte não trouxe qualquer prejuízo ao Erário. Ainda que os valores ora cobrados fossem exigíveis, eles não poderiam ser lançados, pois, a doutrina e jurisprudência são unânimes ao proclamarem a impossibilidade de lançamento de crédito tributário apurado por estimativa após o encerramento do períodobase. Constatandose eventual insuficiência da estimativa do imposto, as autoridades fazendárias apenas poderiam apurar o tributo devido após o encerramento do períodobase e constituir eventual diferença do crédito tributário. Por fim, ainda que se entendesse pela manutenção da exigência em tela, a aplicação da multa deveria ser afastada porque procedeu a quitação do tributo em relação ao fato gerador de janeiro de 2005 de forma espontânea. Em 20 de dezembro de 2010, a 4ª Turma da DRJ/SP1 proferiu o Acórdão nº 1628.701, julgando improcedente a manifestação de inconformidade e mantendo o despacho da DRF de São Paulo, sob o seguinte fundamento: "Voto (...) 6.Conforme acima relatado, o despacho decisório não homologou a compensação, pois o crédito pleiteado se referia a pagamento a maior de estimativa de fevereiro de 2005 e somente poderia ser compensado na apuração do valor devido do IRPJ, no final do anocalendário de 2005. 7. A não aceitação da compensação foi decidida com base no que vem estabelecido na Instrução Normativa SRF n° 600, de 28/12/2005 (publicada no DOU de 30/12/2005), em seus artigos 10 e 77, que repete o que já era previsto na Instrução Normativa SRF n°460, de 18/10/2004. "Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do MAI ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou Fl. 215DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10880.984592/200948 Acórdão n.º 1802002.517 S1TE02 Fl. 5 4 pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRRI ou de CSLL do período. Art. 77. Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. 8. Logo, está claro que na hipótese de ter sido efetuado pagamento indevido ou maior que o devido de IRPJ calculado por estimativa — como no presente caso , este valor somente poderia ter sido utilizado na dedução do IRPJ apurado ao final daquele período de apuração, ou para compor o saldo negativo de IRPJ. 9. Deste modo, não era possível à Impugnante à época da transmissão da DCOMP sob análise — pleitear restituição/compensação de IRPJ calculado por estimativa eventualmente pago a maior que o devido. 10. Nesse ponto, é de se notar que os AFRFB, inclusive julgadores, devem aterse aos limites impostos pelas normas legais. 11. Nesse sentido, vejase a lição de Luiz Henrique de Barros Arruda, em "Processo Administrativo Fiscal”, 2a ed., Ed. Atlas, 1994, pág. 85: "Como órgãos de jurisdição administrativa, sua função, no contexto do sistema de autocontrole da legalidade dos atos administrativos, consiste em examinar a consentaneidade dos procedimentos fiscais ou decisões das autoridades a quo com as normas legais vigentes." 12. Esse também é o entendimento da jurisprudência administrativa: "LEGALIDADE DAS NORMAS FISCAIS Não compete ao Conselho de Contribuintes, como Tribunal Administrativo que é, e, tampoirtco, ao juizo de primeira instancia, o exame da legalidade das leis e normas administrativas." (Ac. 106 07 .303/1996). LEGALIDADE/CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS Compete exclusivamente ao Judiciário o exame da legalidade/4.nstitucionalidade das leis. Recurso negado." (2° CC — 2° Cam. Acórdão n° 20210665. Data da sessão: 10/11/98.) 13. Norma especifica a este respeito foi estabelecida no art. 70 da Portaria MF n° 58/2006, a ser respeitada no âmbito das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, transcrito abaixo: "Art. 7° 0 julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei n° 8.112 ' de 1990, bem assim o entendimento da SRF expresso em atos normativos." 14. Assim dispõe, o art. 116, III, da Lei n°8.112/1990, retrocitado: "Art.116. Sao deveres do servidor: III observar as normas legais e regulamentares;" 15. Com referencia ao argumento da Impugnante da impossibilidade da cobrança da estimativa, ern que a compensação não foi homologada, por ter se encerrado o períodobase, cabe analisar o previsto no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996 (alterado pelos artigos 49 da MP n° 66, de 30/08/2002, convertida na Lei n° 10.637, de 30/12/2002, e 17 da MP 135, de 31/10/2003, convertida na Lei n° 10.833, de 30/12/2003), assim dispõe, em seus §§ 1° e 6°: Fl. 216DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10880.984592/200948 Acórdão n.º 1802002.517 S1TE02 Fl. 6 5 "Art. 74. 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível d restituição ou de ressarcimento, poderá na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002). §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (..) § 6° A declaração de compensação constitui confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dosdébitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei n°10.833, de 2003)" (g.m). 16. Portanto, a Declaração de Compensação (DCOMP) entregue constitui confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados (indevidamente compensados) e com a aplicação da multa de mora, pois, ao contrário da afirmação da Impugnante, não houve a quitação do débito. 17. Em face do exposto, não comprovado direito creditório, VOTO no sentido de INDEFERIR a manifestação de inconformidade, mantendo a decisão recorrida.” Irresignada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 24/02/2011, ressaltando, primeiramente, a tempestividade do recurso sub examine. Após, reiterou os argumentos invocados na manifestação de inconformidade, bem como atacou o acórdão proferido pela autoridade fiscal, requerendo a sua reforma, destacando, em suma, a inaplicabilidade do art. 10 da IN nº 600/2005 para o presente caso, bem como requerendo a compensação dos valores declarados na Per/Dcomp nº 33677.92947.281205.1.3.046310. Esse o Relatório. Segue meu Voto. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10880.984592/200948 Acórdão n.º 1802002.517 S1TE02 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Relator. Da Tempestividade A ciência do Acórdão deuse em 27/01/2011 e o Recurso Voluntário foi interposto em 24/02/2011. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Do Mérito A ora recorrente alega que um de seus cliente rescindiu contrato de fornecimento de energia, e em razão disso, a mesma tornouse credora da multa contratual estipulada em contrato, no caso de rescisão por uma das partes. Alega ainda que erroneamente achou que os valores recebidos a título de multa deveriam ser reconhecidos como receita em regime de caixa, porém, depois em melhor análise entendeu que essa receita deveria ser reconhecida pelo regime de competência, incluída na apuração do resultado do período em que ocorreu o fato jurídico, ou seja, em janeiro de 2005. Para acerto dos valores, foram realizados ajustes em sua contabilidade e procedida nova apuração dos tributos, entretanto, os valores que já haviam sido recolhidos ao longo do anocalendário de 2005, tornaramse indevidos, originando um saldo credor a seu favor. A autoridade julgadora indeferiu a compensação por entender que o valor recolhido a maior a titulo de estimativa mensal do IRPJ de fevereiro de 2005, somente poderia ser compensado ao final do período de apuração do lucro, com base no teor do disposto no artigo 10 da IN n° 600/2005. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10880.984592/200948 Acórdão n.º 1802002.517 S1TE02 Fl. 8 7 Entretanto, nos moldes da Súmula CARF 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Desta forma, voto pelo parcial provimento do recurso para afastar o óbice de não se considerar crédito à antecipação, anulo a decisão anterior e devolvo os autos a Delegacia de origem para nova decisão. É o meu VOTO. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Fl. 219DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
score : 1.0
Numero do processo: 12571.720004/2013-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA. PROVAS OBTIDAS POR MEIO ILÍCITO.
Não há se falar em nulidade do auto de infração quando os elementos de prova que embasaram o lançamento não foram obtidos por meio ilícito, e respeitaram o devido processo legal.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO RELATIVA.
No tocante à omissão de receitas com base em depósitos bancários com origem não comprovadas, encontra-se em vigência o art. 42 da Lei nº 9.430/96. Portanto, não tendo sido afastada a presunção relativa à omissão de receitas, mantem-se o auto de infração, em conformidade com a jurisprudência deste Conselho.
MULTA QUALIFICADA. DEVIDA
Configurada a conduta proativa da Recorrente, bem como o confessado uso de pessoa jurídica para a prática da omissão de receitas, entendo correta a aplicação da multa qualificada de 150% sobre os tributos apurados em decorrência da infração à lei.
DECADÊNCIA - INOCORRÊNCIA.
Em se tratando de omissão de receitas em que haja conduta proativa do contribuinte na não declaração ou oferta de receitas à tributação, considera-se como termo a quo da decadência o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, a teor do disposto do Art. 173, I.
Numero da decisão: 1401-001.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITARAM as preliminares e, no mérito, NEGARAM provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente acórdão.
(assinado digitalmente)
Antônio Bezerra Neto - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente Em Exercício), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Mauricio Pereira Faro e Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA. PROVAS OBTIDAS POR MEIO ILÍCITO. Não há se falar em nulidade do auto de infração quando os elementos de prova que embasaram o lançamento não foram obtidos por meio ilícito, e respeitaram o devido processo legal. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO RELATIVA. No tocante à omissão de receitas com base em depósitos bancários com origem não comprovadas, encontra-se em vigência o art. 42 da Lei nº 9.430/96. Portanto, não tendo sido afastada a presunção relativa à omissão de receitas, mantem-se o auto de infração, em conformidade com a jurisprudência deste Conselho. MULTA QUALIFICADA. DEVIDA Configurada a conduta proativa da Recorrente, bem como o confessado uso de pessoa jurídica para a prática da omissão de receitas, entendo correta a aplicação da multa qualificada de 150% sobre os tributos apurados em decorrência da infração à lei. DECADÊNCIA - INOCORRÊNCIA. Em se tratando de omissão de receitas em que haja conduta proativa do contribuinte na não declaração ou oferta de receitas à tributação, considera-se como termo a quo da decadência o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, a teor do disposto do Art. 173, I.
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Recorrente AUTO POSTO GAGO LTDA. Interessados: VAIPETRO COMÉRCIO E REVENDA DE COMBUSTÍVEIS LTDA. e GUSTAVO MAURO HESSEL LOPES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA. PROVAS OBTIDAS POR MEIO ILÍCITO. Não há se falar em nulidade do auto de infração quando os elementos de prova que embasaram o lançamento não foram obtidos por meio ilícito, e respeitaram o devido processo legal. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO RELATIVA. No tocante à omissão de receitas com base em depósitos bancários com origem não comprovadas, encontrase em vigência o art. 42 da Lei nº 9.430/96. Portanto, não tendo sido afastada a presunção relativa à omissão de receitas, mantemse o auto de infração, em conformidade com a jurisprudência deste Conselho. MULTA QUALIFICADA. DEVIDA Configurada a conduta proativa da Recorrente, bem como o confessado uso de pessoa jurídica para a prática da omissão de receitas, entendo correta a aplicação da multa qualificada de 150% sobre os tributos apurados em decorrência da infração à lei. DECADÊNCIA INOCORRÊNCIA. Em se tratando de omissão de receitas em que haja conduta proativa do contribuinte na não declaração ou oferta de receitas à tributação, considerase como termo a quo da decadência o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, a teor do disposto do Art. 173, I. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 72 00 04 /2 01 3- 45 Fl. 7607DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITARAM as preliminares e, no mérito, NEGARAM provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente acórdão. (assinado digitalmente) Antônio Bezerra Neto Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente Em Exercício), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Mauricio Pereira Faro e Karem Jureidini Dias. Fl. 7608DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 12571.720004/201345 Acórdão n.º 1401001.384 S1C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo AUTO POSTO GAGO LTDA contra o Acórdão proferido pela 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil, em CuritibaPR – DRJ/CTA, que julgou improcedentes as impugnações apresentadas pela contribuinte e responsáveis tributários. Por bem descrever os fatos, adotase parcialmente o Relatório que integra o Acórdão recorrido: Este processo trata dos autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 7.3387.348) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 7.3497.359) mediante os quais se exige da autuada o crédito tributário total de R$ 2.336.727,67, incluindo juros moratórios calculados até o mês de janeiro de 2013, conforme Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo de fls. 02. As circunstâncias e fatos relevantes para o lançamento se encontram registrados no Termo de Verificação Fiscal de fls. 7.3617.407, cuja síntese, no essencial, é a seguinte: Que a autuada foi selecionada para fiscalização em face de robustos indicativos de omissão de receita no ano calendário 2008, evidenciados pela análise de farta documentação comprobatória apreendida pela Polícia Federal no curso da denominada Operação Hidra, deflagrada em 21/03/2012, e que foi motivada por investigação realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) de Guarapuava(PR); Que aludida operação foi autorizada judicialmente, tendo os documentos sido apreendidos na sede da autuada e na sede da empresa Auto Posto Frete Ltda e foram formalmente repassados mediante ofício; Que os documentos comprobatórios da omissão de receitas são: a) planilhas gerenciais diárias, documentos comprobatórios da efetiva entrada diária de recursos no caixa da empresa, decorrentes de vendas; b) comprovantes de efetivo recebimento de vendas por meio de cartões de crédito e débitos; e c) livros de movimentação de combustíveis relativos ao 2º semestre do anocalendário 2008; Que o cotejo dos valores registrados nesses elementos com os valores declarados na DIPJ da autuada apontou discrepância reveladora de possível omissão de receitas, nos montantes apurados na tabela reproduzida às fls. 7.365; Fl. 7609DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 4 Que o mesmo endereço da autuada também figura nas bases de dados da RFB como domicílio tributário de outras duas empresas declaradas como ativas, a VAI PETRO Comércio e Revenda de Combustíveis Ltda e PETROPONTA Comércio de Combustíveis Ltda; Que administrador da autuada apresentou declaração informando que deixou de apresentar livros de movimentação de combustíveis relativos ao período de 01/01/2008 a 31/07/2008 porque nesse lapso não teria havido comercialização de combustíveis em nome da autuada, devido à falta de seu registro na Agência Nacional de Petróleo, mas que tal informação discrepa de evidências colhidas pela Polícia Federal, conforme reproduções estampadas no próprio TVF; que, por força da 3ª Alteração do Contrato Social, de 16/11/2007, o Sr. Gustavo Mauro Hessel Lopes ingressou no quadro social da autuada, na condição de detentor de 80% de suas quotas; que a autuada somente apresentou extratos bancários relativos à sua conta no Banco do Brasil S/A, omitindo os extratos das contas mantidas na Caixa Econômica Federal, HSBC Bank Brasil S/A, Unibanco e Bradesco, mas que as informações repassadas pelas instituições financeiras, em sede de Declarações sobre Informações de Movimentação Financeira (DIMOF), evidenciaram que a autuada teve lançamentos a débito e a crédito em diversos bancos, no período fiscalizado, conforme tabela estampada às fls. 7.377; que restou apurado que a autuada não contabilizou qualquer valor referente a receita de vendas relativas ao 1º semestre do anocalendário 2008 e havia contabilizado receita de vendas a menor no 2º semestre daquele ano calendário, razão pela qual apurou prejuízos nos quatro trimestres, nos quais também não apurou IRPJ ou CSLL a pagar; que foi concedida à autuada a oportunidade de elaborar novas planilhas especificativas trimestrais, acompanhadas dos respectivos documentos probatórios, alusivas ao efetivo custo das mercadorias vendidas e das despesas do período. Também foi solicitada a apresentação de novos demonstrativos do resultado dos quatro trimestres do AC 2008, e da planilha especificativa de eventuais ajustes ao lucro líquido contábil. Em resposta, foi protocolada solicitação de prazo adicional, que foi deferida; que foram apresentados os documentos relacionados às fls. 7.3827.383; que, analisando a volumosa documentação apresentada, foi constatado que a fiscalizada não se manifestou a respeito da omissão de receitas, e informou os mesmos valores que já constavam de sua contabilidade, e que, por meio da declaração de fls. 5.990, o administrador da autuada Fl. 7610DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 12571.720004/201345 Acórdão n.º 1401001.384 S1C4T1 Fl. 4 5 persiste na tese de que as operações do 1º semestre do AC 2008 seria de responsabilidade de outra empresa; que, em decorrência do entendimento resultante da robusta documentação existente, a autuada foi novamente intimada a elaborar declaração identificando quem foi o responsável pelo pagamento das compras das mercadorias e a maneira como os pagamentos foram efetuados, ocasião em que o Sr. Gustavo Mauro Hessel Lopes apresentou documentos e assinou a declaração de fls. 7.097, reconhecendo que foi ele, representando a autuada, quem realizou as compras relativas ao 1º semestre do anocalendário 2008, em nome da empresa VAIPETRO, e apresentando as planilhas especificativas dos pagamentos das compras; que restou comprovado que a empresa Auto Posto Gago Ltda, conduzida pelo seu sócioadministrador, foi quem, de fato, realizou e pagou pelas compras de combustíveis e demais itens comercializados durante todo o anocalendário 2008; que o crédito tributário lançado se encontra demonstrado nas tabelas estampadas às fls. 7.3977.400; que a empresa VAIPETRO Comércio e Revenda de Combustíveis Ltda teve interesse comum na situação que constituiu os fatos geradores da obrigações tributária principal, razão pela qual lhe foi atribuída responsabilidade solidária, conforme Termo de fls. 7.4087.409, juntamente com o administrador Gustavo Mauro Hessel Lopes, conforme Termo de fls. 7.4107.411; que o lançamento já leva em consideração o valor do custo das mercadorias vendidas, das despesas operacionais, não operacionais e demais despesas, conforme demonstrativo de fls. 7.398; que foi elaborada representação fiscal para fins penais; Os fundamentos legais do lançamento se encontram consignados no campo próprio de cada auto de infração. Os interessados foram cientificados do lançamento em 25/01/2013, conforme Avisos de Recebimento acostados às fls. 7.4147.418. No dia 26/02/2013, a autuada apresentou a impugnação de fls. 7.4237.456, e o responsável solidário Gustavo Mauro Hessel Lopes apresentou a impugnação de fls. 7.4737.508, instruídas com os documentos de fls. 7.4577.472 e 7.509. As alegações comuns às duas impugnações, no essencial, são as seguintes: 1. PRELIMINARES 1.1. NULIDADE FORMAL DO AUTO DE INFRAÇÃO 1.1.1 LOCAL DA LAVRATURA Fl. 7611DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 6 Argumenta que a lavratura em lugar diverso do local onde se constatou a suposta infração gera a nulidade do auto de infração. Acrescenta que, tendo o auto de infração sido lavrado fora de seu domicílio, é nulo, pois não cumpre requisito obrigatório para sua validade; 1.1.2 PRINCÍPIO DA VERDADE REAL Discorre sobre o princípio da verdade real e diz que o mesmo deve ser aplicado, pois restou comprovada a troca do contador, o que gerou o extravio dos documentos referentes às despesas médicas e com relação às de instrução, ficou evidente o equívoco cometido pelo auditor fiscal, diante da existência dos comprovantes de pagamento de todos os meses do ano de 2002(?) 1.1.3 PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA Discorre sobre o princípio do contraditório e da ampla defesa e argumenta que o auto de infração engloba diversas situações e números que somente o autuante será capaz de compreender e decifrar. Aduz que, da forma como elaborado, não possibilita que qualquer pessoa consiga entender e elaborar sua defesa. Acrescenta que não recebeu todos os documentos referentes ao auto de infração, o que violaria o princípio do contraditório e ampla defesa. 2. MÉRITO 2.1. IMPROPRIEDADE DA INFRAÇÃO CAPITULADA Argumenta que outro requisito formal indispensável no auto de infração trata da adequação da norma ao fato concreto através da perfeita capitulação do dispositivo legal infringido. 2.2 A OMISSÃO DE RECEITAS E RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS UTILIZADAS PARA APURAR A BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL Argumenta que as supostas infrações apuradas não estão previstas nos dispositivos legais que fundamentam o lançamento. 2.3 A OMISSÃO DE RECEITA. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Aduz que a alegada relação entre empresas estabelecida pelo autuante está equivocada, na medida em que se trata de empresas distintas, ligadas apenas no plano comercial, visando os quesitos de marca e mercado, o que não descaracteriza sua constituição regular, muito menos eventuais operações que tenham realizado no varejo. Afirma que a autuação norteiase no posicionamento de que a autuada teria sonegado informações acerca de seus rendimentos, uma vez que comprou e vendeu produtos em seu nome no período descrito, sem demonstrar toda sua Fl. 7612DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 12571.720004/201345 Acórdão n.º 1401001.384 S1C4T1 Fl. 5 7 movimentação econômica e financeira do período. Argumenta que, ao contrário do aduzido, não cabe falar em omissão de receita, na medida em que toda a sua evolução está consignada nos livros e documentos franqueados ao Fisco. Adiciona que omissão de receita somente ocorrerá quando não houver emissão de nota fiscal de saída de mercadoria, ou ainda, se não houver faturado a saída, sugerindo a permanência do produto em estoque, a ponto de dar a entender que não houve sua alienação. Afirma que, como se verifica da documentação fornecida, toda a movimentação realizada no anocalendário objeto da fiscalização foi devidamente acompanhada da respectiva nota fiscal de venda ao consumidor, sendo a circulação da mercadoria devidamente anotada nos respectivos livros. Afirma que, no caso presente, resta descaracterizada a omissão da receita, porque as informações de entrada e de saída estavam devidamente escrituradas nos livros contábeis da empresa, tanto que o autuante lançou o imposto com base nos dados por ela fornecidos, tendo aberto mão do arbitramento para a aferição da obrigação tributária. Argumenta que, não tendo havido saída sem notas ou compra desprovida de origem ou qualquer outra movimentação desacompanhada dos documentos necessários, não restam caracterizados os elementos caracterizadores da omissão sugerida; 2.4 O LANÇAMENTO PROPRIAMENTE DITO. O ARCABOUÇO LEGAL. AUSÊNCIA DE OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA DO IRPJ E DA CSLL Argumenta que a caracterização da omissão de receitas ou rendimentos não constitui, por si só, o fato gerador do imposto de renda, o qual é descrito no art. 43 do CTN. Afirma que, no caso das disposições contidas na Lei nº 9.430, de 1996, combinadas com os artigos do RIR/99, a presunção que se aperfeiçoa diz respeito à percepção da receita ou renda, e que se o contribuinte não comprovou a origem dos recursos, ou que efetivamente saíram do seu caixa, presumese que recebeu os respectivos valores e que tem disponibilidade jurídica e econômica sobre eles. Adiciona que, não obstante, a presunção não caracteriza as receitas como provenientes do capital ou do trabalho, nem tampouco como próprias, além de não evidenciar que tais rendas sejam novas, e não mera circulação de receita. Diz que, para que se concretize a hipótese de incidência do IRPJ, é necessário que o Fisco verifique a existência de acréscimo patrimonial, de modo a demonstrar que as receitas supostamente omitidas e que transitaram pelo caixa da empresa são rendimentos novos e pertencentes ao sujeito passivo. Propondose a apontar erros no levantamento fiscal, afirma que o autuante não considerou em seus cálculos os valores relativos ao aumento de custo das mercadorias vendidas, Fl. 7613DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 8 que é o preço pago pela aquisição das mercadorias adquiridas. Pondera que, se aumentou os valores de receita, certamente aumentará o CMV. Afirma que em nenhum trimestre o autuante considerou o respectivo aumento de custo. 2.5 ARBITRAMENTO. PRESUNÇÕES. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE Afirma que quando o autuante se baseou na presunção de existência de receitas, não respeitou o princípio da verdade real. 2.6 PRESUNÇÕES. IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO Argumenta que a autuação por omissão de receita via arbitramento de valores extrapola os critérios previstos na legislação para proceder ao lançamento. Afirma não existir dúvidas de que o autuante pautou seu trabalho no seu exclusivo senso imaginativo, não tendo mergulhado com afinco na busca por fatos concretos suficientes a aparelhar o lançamento. 2.7 DA PRESUNÇÃO DO AGENTE Afirma que o autuante, ao descrever a suposta infração, confessa ter agido por presunção. 2.8 PRESUNÇÕES. CONCEITO E MODALIDADE E SUA APLICAÇÃO; e 2.9 A PRESUNÇÃO E OS PRINCÍPIOS DA SEGURANÇA JURÍDICA E DA CERTEZA DO DIREITO Discorre sobre presunções 2.10 DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. DO FATO GERADOR. DA SUBSUNÇÃO DO FATO À NORMA; e 2.11 CONCEITO DE RENDA. DO VERDADEIRO ACRÉSCIMO PATRIMONIAL PASSÍVEL DE TRIBUTAÇÃO. Discorre a respeito dos dois temas, grafados como título do tópico respectivo. 2.12 SIGILO DE INFORMAÇÕES. NULIDADE. AUTUAÇÃO Relata que o autuante anota em linhas grandes o fato de que, sem qualquer ordem judicial específica e direta para si, se valeu de informações bancárias para a consecução de seu ofício, que resultou no lançamento tributário. Aponta que o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional o acesso direto do Fisco às informações sobre movimentação bancária, sem prévia autorização judicial, para fins de apuração fiscal. Requer a anulação do lançamento. 2.13. MULTA ISOLADA. CUMULAÇÃO DE MULTAS PUNITIVAS INDEVIDAMENTE Fl. 7614DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 12571.720004/201345 Acórdão n.º 1401001.384 S1C4T1 Fl. 6 9 Afirma que foram aplicadas cumulativamente multas punitivas sobre supostas diferenças de recolhimento do tributo, não obstante a multa punitiva não possa ser utilizada como expediente ou técnica de arrecadação, como verdadeiro tributo disfarçado. Argumenta que devem ser excluídas as multas punitivas cumuladas (multa punitiva + multa punitiva isolada), por serem descabidas e por constituírem dupla penalidade sobre o mesmo fato gerador. 2.14 O CARÁTER DE CONFISCO DA MULTA Afirma que o percentual utilizado na multa extrapola em muito os parâmetros razoáveis admitidos pelo ordenamento jurídico brasileiro. Atribui à multa feição confiscatória e também por esse fundamento requer o reconhecimento da nulidade do lançamento. 2.15. IMPOSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DA MULTA Afirma não ser admissível a incidência de multa no caso em tela, pela inexistência de intenção de burlar o Fisco. Assegura que, de boafé, entregou toda a documentação constando as receitas e as despesas que teve no ano de 2008 e, passado um longo período, a fiscalização solicita documentos daquela época. 2.16 DA TAXA SELIC e 2.17 DA CUMULAÇÃO DE CORREÇÃO MONETÁRIA COM JUROS CALCULADOS PELA TAXA SELIC Afirma que a utilização da taxa SELIC contraria ditames constitucionais e legais. Verte copiosa argumentação tendente a desqualificar seu emprego no cálculo dos juros moratórios. Afirma que a taxa SELIC, além de ter embutida em seu corpo os juros, incorpora também a correção monetária do período e por essa razão não deve ser utilizada no cômputo dos juros. IMPUGNAÇÃO DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO A impugnação apresentada por Gustavo Mauro Hessel Lopes veicula apenas uma alegação não reproduzida integralmente na impugnação da autuada. Nela, sob o título “Sujeição Passiva. Inocorrência”, afirma que a análise dos autos, conjugada com a melhor doutrina e jurisprudência, demonstra que sua inclusão no polo passivo da exigência não encontra razão de ser. Afirma que a responsabilidade solidária nasce juntamente com a própria obrigação tributária, fazendo com que os sujeitos passivos, desde o início, sejam responsáveis pelo seu adimplemento total, sem a necessidade nem influência do surgimento de qualquer situação nova, como a impossibilidade de um deles adimplir o crédito tributário. Aponta que, após estabelecidas as premissas básicas da solidariedade, a locução inicial dos artigos 134 e 135 do Fl. 7615DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 10 CTN estabelece que os terceiros citados em seus incisos responderão pela obrigação principal exigível do contribuinte originário ‘nos casos de impossibilidade’ de que tal exigência seja feita diretamente a este, ou seja, apenas quando e se for impossível que o contribuinte originário cumpra com a obrigação principal que lhe diz respeito é que os terceiros serão chamados para responder pelo respectivo crédito tributário e, ainda, quando demonstrado cabalmente o excesso ou abuso de poderes no comando da pessoa jurídica. Afirma que a sistemática prevista em tais artigos diferem substancialmente daquela relativa à solidariedade, enquadrandose de forma mais juridicamente adequada ao instituto da subsidiariedade, pelo qual uma pessoa de alguma forma ligada a uma relação obrigacional responde pela obrigação, no caso de a mesma não ser oponível ao devedor originário, consoante entendimentos de doutrinadores transcritos às fls. 7.843. Conclui afirmando não se poder falar em solidariedade com base no art. 124 que não poderia ser interpretado de forma isolada, devendo o agente comprovar, por meios robustos, a ocorrência dos elementos previstos nos incisos constantes dos art. 134 e 135 do CTN. É o relatório. A 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil, em CuritibaPR – DRJ/CTA, por unanimidade de votos, julgou improcedentes as impugnações apresentadas sob a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 LOCAL DE LAVRATURA DO AUTO. IRRELEVÂNCIA. É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte.” PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O Processo Administrativo Fiscal é regido pelo princípio da verdade real, devendo a exação corresponder exatamente aos verdadeiros montantes das operações praticadas inclusive aquelas escamoteadas e a responsabilidade deve ser atribuída não apenas à pessoa jurídica em cujo estabelecimento as operações foram praticadas, como também ao sócio administrador responsável pela prática das omissões de receitas e seu beneficiário. OBTENÇÃO, PELO FISCO, DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. LEGALIDADE. Cumpridos os requisitos estabelecidos no art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, é legítima a obtenção e Fl. 7616DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 12571.720004/201345 Acórdão n.º 1401001.384 S1C4T1 Fl. 7 11 exame de informações bancárias pelo Fisco, descabendo ao julgador administrativo apreciar alegações voltadas contra a legislação de regência. ALEGAÇÕES CONTRA A LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA DA MULTA E JUROS MORATÓRIOS. Estando os consectários lançados em absoluta conformidade com a legislação de regência, falece ao julgador administrativo competência para analisar alegações que questionam esses dispositivos legais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada do Acórdão, a contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 7539 a 7558, no qual arguiu i) a decadência do direito de o Fisco efetuar o lançamento, ii) a nulidade das provas analisadas; iii) inexistência de Omissão de Receitas; iv) Cerceamento de Defesa devido à não oportunidade de refazimento da escrita contábil durante o Procedimento Fiscal; v) a impossibilidade de Arbitramento; e, por fim, o vi) Caráter Confiscatório da Multa Nestes termos, a contribuinte requereu a reforma do acórdão recorrido, e o cancelamento da autuação em sua totalidade. É o relatório. Fl. 7617DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 12 Voto Conselheiro ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA – Relator. Conheço do presente Recurso Voluntário, visto que este atende aos pressupostos de admissibilidade. Em que pese a decadência se trate de matéria prejudicial ao mérito, deixo para apreciála ao final, em virtude de a verificação do termo a quo de sua ocorrência estar atrelada à verificação de infração à lei na omissão de receitas, bem como da aplicação, ou não, de multa qualificada. 1) Nulidade – Prova Ilícita No que tange à alegada nulidade das provas nas quais se baseou o lançamento, porquanto teriam sido obtidas de modo ilícito. No entanto, não é próspera tal argumentação, visto que os elementos probatórios utilizados pelo Fisco para realização do lançamento foram legítimos e em consonância com a ordem jurídica vigente. Com efeito, os documentos fiscais apreendidos da Recorrente, nos quais o lançamento se baseia, foram objetos de mandados judiciais de busca e apreensão (fl. 56/57), no curso da “Operação Hidra” da Polícia Federal, e outros fornecidos espontaneamente pelo responsável legal da Recorrente, e assim listados no Termo de Verificação Fiscal de fls. 7.351 a 7.407: a) documentos comprobatórios da efetiva entrada diária de recursos no caixa da empresa AUTO POSTO GAGO LTDA de 01/01/2008 até 31/12/2008 oriundos do recebimento de vendas, especificamente, planilhas gerenciais diárias, nas quais constam os registros dos valores vendidos por tipo de combustíveis, lubrificantes e demais itens comercializados, assim como, o volume, em litros de combustíveis, do estoque de abertura e do fechamento diário de cada bomba, complementadas por controles de aferição das bombas realizados pelos funcionários do posto e por controles administrativos analíticos das vendas realizadas (fls. 73/4028); b) comprovantes do efetivo recebimento de vendas por meio de cartões de crédito/débito diversos no período que se estendeu de 01/01/2008 até 31/12/2008, todos em nome do AUTO POSTO GAGO LTDA (nome fantasia POSTO PARANÁ), confirmando os valores diários de recebimentos de vendas estampados nas planilhas gerenciais citadas na alínea anterior, fls. 4029/4297; e c) Livros de Movimentação de Combustíveis em nome do AUTO POSTO GAGO LTDA, referentes ao 2° semestre do AC 20 08, que confirmaram os valores os valores diários de recebimentos de vendas de combustíveis estampados nas Fl. 7618DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 12571.720004/201345 Acórdão n.º 1401001.384 S1C4T1 Fl. 8 13 planilhas gerenciais citadas na alínea ‘a’ supra, fls. 4298/4637. (...) No último dia do prazo concedido, o Sr. GUSTAVO MAURO HESSEL LOPES compareceu a sede da RFB em Ponta Grossa/PR e apresentou os seguintes documentos: a) Termo de entrega de documentos (fls. 5045); b) Cópia do Contrato Social e alterações (fls. 5046/5056); c) Cópia do RG e CPF dos sócios (fls. 5057/5058); d) Livros Diário e Razão (AC 2008); e) Balancetes de verificação, balanços patrimoniais, demonstração do resultado do exercício (referentes aos quatro trimestres do AC 2008. fls. 5059/5081); f) Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR (AC 2008, fls. 5082/5087); g) Livro Registro de Entrada e Saída de Mercadorias e Apuração do ICMS (AC 2008); h) Extratos bancários do Banco do Brasil (de 01/01/2008 até 31/12/2008, fls. 5088/5173); e i) Comprovante de endereço do sócioadministrador (fls. 5174). Na sequência, no dia 23/08/2012, o Livro Registro de Inventário referente ao AC 2008 foi entregue a fiscalização (termo de entrega, fls. 5175). Por fim, os extratos bancários obtidos por meio de requisição às instituições financeiras se deram de maneira regular, após inércia da Recorrente, e precedidas do devido processo legal. Tal é o que se extrai da interpretação do Art. 1°, §3º, inciso VI da Lei Complementar 105, de 10 de janeiro de 2001, senão vejase: “Art. 1º ... (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I – a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; Fl. 7619DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 14 III – o fornecimento das informações de que trata o § 2o do art. 11 da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV – a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V – a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2o, 3o, 4o, 5o, 6o, 7o e 9 desta Lei Complementar.” Com efeito, as informações obtidas pelo Fisco encontram amparo no interesse público de se verificar o cumprimento das obrigações tributárias do sujeito passivo, razão pela qual a autuação em análise não resultou em violação a direito do contribuinte. Demais disso, não há se falar em afronta ao devido processo legal no que tange à requisição de informações de movimentações bancárias da Recorrente, visto que tal requisição foi promovida no curso de procedimento fiscal, e somente após a inércia da Recorrente em apresentar a devida documentação requisitada pela autoridade fiscal, e possibilitada a este a ampla defesa e o contraditório. Ademais, o devido processo legal e a defesa dos Recorrentes foram amplamente conferidos, tanto pela intimação da Recorrente para comprovar a origem dos depósitos bancários, quanto após a lavratura do auto de infração, com direito à impugnação. Desta feita, a formalização do lançamento decorreu de ação fiscal regular, nos termos do art. 142 do CTN. Não fosse isso o bastante, nos termos do Art. 6º da Lei Complementar 105/2001, resta claro que é possível o exame de documentos e registros de instituições financeiras pelo Fisco, quando a autoridade fiscal considere indispensável sua análise no curso de procedimento fiscal: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Deveras, no caso em comento não houve outra alternativa ao Fisco senão a requisição de informações às instituições financeiras mantenedoras de contas bancárias da Recorrente, visto que esta, intimada em duas ocasiões, não apresentou extratos bancários requeridos pela autoridade fiscal, tampouco Livro de Caixa devidamente escriturado, ou o Livro de Registro de Saídas e Resumo do ICMS, cujo procedimento fiscal encontra embasamento na Lei Complementar 105/2001, na Lei n° 9.430/1996, e Decreto n° 3.724/2001. Fl. 7620DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 12571.720004/201345 Acórdão n.º 1401001.384 S1C4T1 Fl. 9 15 Aliás, o Superior Tribunal de Justiça possui entendimento pacífico no sentido de ser possível a quebra do sigilo bancário com fulcro na Lei Complementar n.º 105/01 e na Lei n.º 10.174/01, e também o Supremo Tribunal Federal também assim se posicionou quando do julgamento do RE 389808, Relator Min. MARCO AURÉLIO, DJe086 de 10052011. Assim, não há qualquer ilegalidade na conduta do Fisco destinada à apuração de ilícito fiscal. 2) Omissão de Receitas Afirma a Recorrente que não houve no período fiscalizado omissão de receitas, visto que, no primeiro semestre do anocalendário de 2008, a empresa funcionou como mera recebedora “formal” de receitas de vendas de produtos realizados pela pessoa jurídica VAIPetro Comércio e Revenda de Combustíveis LTDA. Além disso, aduz que todos os livros e documentos comprobatórios da não omissão de receitas foram franqueados ao Fisco, que toda a movimentação financeira do ano calendário de 2008 foi acompanhada de documento fiscal respectivo. In casu, aplicase especificamente a hipótese de presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, in verbis: Art.42. Caracterizam se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. (...) Com a edição da referida lei, a existência de depósitos bancários não identificados, e cuja origem não seja comprovada pelo contribuinte, adquiriu status de presunção legal juris tantum de omissão de receita, e, por tal razão, transferiuse ao contribuinte o ônus da prova da inexistência de correspondência entre os depósitos bancários e a receita alegadamente omitida. No caso concreto, após procedimento fiscal instaurado, e cumprido o devido procedimento fiscal, a autoridade fiscal requereu a apresentação de extratos bancários às instituições financeiras às quais a Recorrente estava vinculada (fls. 5177/5405). Aliás, verifiquese que tanto o Poder Judiciário, quanto este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), admitem a possibilidade de lançamento no caso de ausentes elementos probatórios que afastem a presunção legal de omissão de receitas, com base em extratos bancários, senão vejase: Fl. 7621DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 16 CONSTITUCIONAL, TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL AGRAVO REGIMENTAL AGRAVO DE INSTRUMENTO TUTELA ANTECIPADA INDEFERIDA PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL AUTO DE INFRAÇÃO SUPOSTA OMISSÃO DE RECEITAS PROVENIENTES DE VALORES DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS E DE ORIGEM NÃO COMPROVADA, E DE NOTAS FISCAIS NÃO ESCRITURADAS ACESSO DE DADOS BANCÁRIOS DOS CONTRIBUINTES PELO FISCO CONTROVÉRSIA JURISPRUDENCIAL REQUISITOS DA TUTELA ANTECIPADA AUSENTES. 1. Na hipótese vertente, a autoridade administrativa deflagrou procedimento administrativo fiscal n 10580722.273/200844 para apuração de atos atribuídos à parte autora (omissão de receitas provenientes de valores de depósitos bancários não contabilizados e de origem não comprovada, e de notas fiscais não escrituradas, relativamente ao anocalendário de 2005, assim como por ter ultrapassado o limite de receita bruta previsto para empresas de pequeno porte neste mesmo ano) e concluiu pela prática das infrações capituladas no art. 24, da Lei n. 9.249/95, no art. 2, § 22, art. 3, § l, "a", art. 52, art. 42, da Lei n. 9.430/96, dispositivos da Lei n. 9.317/96, art. 3, da Lei n. 9.732/98, arts. 186, 188 e 199, do RIR/99, tendolhe aplicado multa punível com sanção pecuniária prevista em lei. 2. Os atos administrativos praticados por autoridade competente gozam de presunção de validade e somente se justifica a intervenção do Poder Judiciário para afastarlhes os efeitos quando constatados vícios capazes de deflagrar o reconhecimento de sua nulidade. Ao menos neste primeiro exame de vista, não há nada que desautorize a atuação administrativa, eis que não se fazem presentes elementos de prova contundentes que conduzam ao convencimento acerca da verossimilhança da nulidade alegada. Precedentes. 3. O Superior Tribunal de Justiça possui entendimento pacífico no sentido de ser possível a quebra do sigilo bancário com fulcro na Lei Complementar n.º 105/01 e na Lei n.º 10.174/01, sem necessidade de prévia autorização judicial e com aplicação imediata, ainda que recaiam sobre fatos geradores ocorridos em data anterior à vigência das referidas normas. Assim, sendo constatado que a requisição de informações à instituição bancária foi devidamente precedida do respectivo procedimento fiscal exigido pelo art. 6º, da LC n.º 105/01, não há que se falar, em princípio, em qualquer ilegalidade na conduta do Fisco destinada à apuração de ilícito fiscal. 4. Ainda que existam precedentes dando pela inconstitucionalidade da quebra de sigilo pelo Fisco, sem autorização judicial (RE 389808, Relator Min. MARCO AURÉLIO, DJe086 de 10052011, a matéria ainda não se encontra pacificada no Judiciário e o RE nº 601314 /SP (repercussão geral) ainda está pendente de julgamento, circunstâncias que não autorizam a liminar na linha do bom senso. Precedentes deste Tribunal. 5. O exame das condições concretas da manutenção da empresa no Simples é matéria que exige dilação probatória. 6. Agravo regimental não provido. Decisão mantida. Fl. 7622DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 12571.720004/201345 Acórdão n.º 1401001.384 S1C4T1 Fl. 10 17 (TRF1. AGA 002332497.2013.4.01.0000 / BA, Rel. DESEMBARGADOR FEDERAL REYNALDO FONSECA, SÉTIMA TURMA, eDJF1 p.550 de 04/10/2013) Neste sentido, no tocante à omissão de receitas com base em depósitos bancários com origem não comprovadas, encontrase em vigência o art. 42 da Lei nº 9.430/96. Portanto, não tendo sido afastada a presunção relativa à omissão de receitas, mantenho o auto de infração, em conformidade com a jurisprudência deste Conselho. 3) Cerceamento de Defesa – Refazimento da Escrita Contábil durante o Procedimento Fiscal Não há se falar em alegado cerceamento de defesa em face da não concessão de oportunidade para a Recorrente confeccionar nova escrita contábil. Isto porque, conforme consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 7.361 e seguintes), foi oportunizado o refazimento da escrita contábil à Recorrente, a qual não logrou Através da Intimação em tela, tendo como base o valor da efetiva receita de vendas detectada pela fiscalização, o contribuinte foi demandado a confeccionar novas planilhas especificativas trimestrais, acompanhadas de todos os documentos comprobatórios, referentes ao efetivo custo das mercadorias vendidas, ao efetivo valor das despesas operacionais, não operacionais e das demais despesas incorridas no período em tela. Também tendo como base o valor da efetiva receita de vendas foi solicitada a apresentação de novos demonstrativos do resultado do exercício relativos aos quatro trimestres do AC 2008, assim como, planilha especificativa dos eventuais ajustes ao lucro líquido contábil. Ou seja, foi concedida oportunidade formal para a empresa apresentar os comprovantes dos custos e das despesas realmente incorridas e que foram necessárias para gerar a receita de vendas efetiva detectada pela fiscalização; (...) Analisandose detidamente a volumosa documentação apresentada, constatouse que a fiscalizada não se manifestou a respeito da relevante omissão de receita detectada pelo Fisco e informou os mesmos valores já constantes em sua contabilidade a título de custo das mercadorias vendidas, de despesas operacionais, não operacionais e demais despesas incorridas no período em tela. Além disso, novamente informou não ter efetuado qualquer ajuste ao resultado contábil do interregno sob análise, restando prevalentes os valores abaixo. Fl. 7623DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 18 Por fim, as alegações da Recorrente não infirmam o procedimento levado a efeito pelo Fisco, porquanto sejam genéricas no sentido de avaliar o cerceamento de defesa decorrente da suposta falha procedimental da autoridade fiscal. 4) Impossibilidade de Arbitramento Preclusão Aduz a Recorrente a impossibilidade de arbitramento do valor devido do tributo com base em meras planilhas, e sem analisar a tributação retida na fonte e os custos da pessoa jurídica, a qual não deve ser esta conhecida, em virtude de ser objeto de preclusão, tendose em vista a ausência de alegação anterior. Assim, na esteira das decisões reiteradas deste Conselho, “NÃO SE TOMA CONHECIMENTO DAS RAZÕES RECURSAIS QUE NÃO FORAM SUBMETIDAS À AUTORIDADE DE PRIMEIRA INSTÂNCIA, VEZ QUE SE TRATA DE MATÉRIA PRECLUSA. (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 1ª Seção de Julgamento. 4ª Câmara. 1ª Turma Ordinária.Acórdão nº 140100282 do Processo 18471000272200622. 09/07/2010). 5) Caráter Confiscatório da Multa Defende a Recorrente ser inaplicável ao caso concreto a multa aplicada porquanto esta tenha caráter supostamente confiscatório. No entanto, não há razão em suas alegações. Isto porque, ao fundamentar a aplicação da multa de ofício, na sua modalidade qualificada (150%), a fiscalização ponderou que a contribuinte teve a intenção de ocultar do Fisco o conhecimento da ocorrência do fato gerador dos tributos e contribuições, mediante a utilização de pessoa jurídica interposta, o que caracterizou a sonegação, e justificou a exigência da penalidade mais gravosa, nos termos do art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96. Portanto, os valores omitidos, a confissão quanto à utilização de pessoa jurídica diversa da Recorrente para a ocultação de receitas, e a quantidade de operações financeiras não refletidas na escrituração deixam claro que a Recorrente ocultou dolosamente tais informações com intenção de não pagar tributo. Assim, configurado está o animus, isto é, a vontade de querer o resultado, ou assumir o risco de produzilo. Tal conduta justifica a aplicação da multa qualificada de 150% prevista no art. 44, II, da Lei nº 9.430 de 1996. No meu entendimento, a multa por infração somente deve ser qualificada, nos termos do art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, quando ficar efetivamente comprovada a existência de uma das condutas especificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, isto é, fraude, dolo ou simulação, condutas estas que exigem provas diretas e objetivas, não admitindo presunção. É dizer: para que seja tolerada a qualificação da multa de ofício, é preciso que haja a efetiva comprovação da autoria da prática do fato delituoso. Isso porque, em matéria de delito não é admissível a presunção: ou existe prova concreta da autoria quanto à prática do fato delituoso ou, na dúvida, aplicamse as disposições do artigo 112, III, do CTN que determina que quando a lei tributária define infrações ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado em caso de dúvida quanto à autoria, imputabilidade, ou punibilidade. Referido entendimento vem corroborado por julgamentos deste Conselho de Contribuintes, quando entende que “a mera omissão de rendimento não justifica o agravamento da multa, de 75% para 150%, haja vista que o primeiro percentual já é Fl. 7624DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 12571.720004/201345 Acórdão n.º 1401001.384 S1C4T1 Fl. 11 19 estabelecido para os casos em que o contribuinte não oferece rendimentos à tributação” (aceitação da 6ª Câmara do 1º CC, relatora Conselheira Thaísa Jansen Pereira, no recurso nº 134.875, acórdão nº 10613722). Assim, “deve ser afastada a qualificação da multa quando ausente a comprovação de fraude. Incabível a aplicação de penalidade por presunção de fraude, em face de mera omissão de rendimentos apurada no lançamento” (aceitação unânime da 2ª Câmara do 1º CC, relator Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, no recurso 143.280, acórdão 10247397). Ainda, reforça este posicionamento a constatação de que “a majoração da multa de ofício deve estar suficientemente justificada e comprovada nos autos, já que decorre de casos de evidente máfé” (aceitação da 6ª Câmara do 1º CC, relator Conselheiro Wilfrido Augusto Marques, no recurso 147842, acórdão 10615545). De fato, tenho que a Recorrente incorreu em prática dolosa ao omitir da base da tributação quase a totalidade de suas receitas; ao deixar de declarar à Receita Federal do Brasil receitas auferidas durante um trimestre para fins de apuração de IRPJ – lucro real trimestral e CSLL; deixar de proceder à escrituração de suas receitas e de emitir notas fiscais relativas às operações tributadas, e fazêlo por meio da utilização de pessoa jurídica interposta, como Relatado pela DRJ: Que o mesmo endereço da autuada também figura nas bases de dados da RFB como domicílio tributário de outras duas empresas declaradas como ativas, a VAI PETRO Comércio e Revenda de Combustíveis Ltda e PETROPONTA Comércio de Combustíveis Ltda; (...) que, em decorrência do entendimento resultante da robusta documentação existente, a autuada foi novamente intimada a elaborar declaração identificando quem foi o responsável pelo pagamento das compras das mercadorias e a maneira como os pagamentos foram efetuados, ocasião em que o Sr. Gustavo Mauro Hessel Lopes apresentou documentos e assinou a declaração de fls. 7.097, reconhecendo que foi ele, representando a autuada, quem realizou as compras relativas ao 1º semestre do anocalendário 2008, em nome da empresa VAIPETRO, e apresentando as planilhas especificativas dos pagamentos das compras; (...) Assim, configurada a conduta proativa da Recorrente, entendo correta a aplicação da multa qualificada de 150% sobre os tributos apurados em decorrência da omissão de receita. 6) Decadência No que tange à alegação de decadência do direito de o Fisco efetuar o lançamento ora impugnado pelo Recurso Voluntário em análise, em que pese à ausência de Fl. 7625DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 20 alegação anterior, conheço de ofício do pedido, para apreciar a existência, ou não, na hipótese, de decadência. Alega o Recorrente que o débito exigido pelo Fisco é objeto de decadência. Porém, não há razão no argumento do contribuinte, visto o que se passará a discorrer. Devemse identificar, de início, os termos ad quem e a quo para fins de análise da decadência do crédito tributário, bem como verificar a disciplina legal dada ao instituto da decadência na sistemática do SIMPLES Nacional. Com efeito, segundo o disposto no Art. 142 do CTN, considerase efetuado o lançamento quando se dão, cumulativamente: i) a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente; ii) a determinação da matéria tributável; iii) o cálculo do montante do tributo devido; e iv) a identificação – e intimação – do sujeito passivo. No presente caso, o lançamento do crédito tributário devido ocorreu quando do término da ação fiscal levada a efeito em face do Recorrente, na qual se constatou a omissão de receitas dolosa, cujo fim se formalizou por meio do Termo de Encerramento Fiscal (Fls. 7.412 7.413) em 21/01/2013, do qual o Recorrente foi devidamente notificado, sendo este o termo ad quem da decadência do direito de lançar. Via de regra, no caso do SIMPLES Nacional, adotase o lançamento que é efetuado com base em declaração mensal do sujeito passivo, por meio da qual o contribuinte presta à autoridade administrativa informações sobre os fatos imponíveis ocorridos no período, e, feito isto, gera a guia de pagamento e recolhe o crédito tributário devido (lançamento por homologação). A Lei Complementar n° 123, a qual instituiu o regime de tributação do SIMPLES, previu como dever do contribuinte a declaração de todas as receitas apuradas em determinado mês, a qual serve de base para o cálculo do tributo devido. O Art. 149 do CTN, por sua vez, descreve que é cabível o lançamento de ofício quando: (...) III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; Diante do que prevê o dispositivo legal supracitado, é evidente que o lançamento levado a efeito pela autoridade fiscal, quanto ao montante não declarado pelo Recorrente, em virtude de omissão de receitas em declarações do SIMPLES, possui natureza de lançamento de ofício. Demais disso, Como bem relatou a DRJ, em sede de Termo de Verificação Fiscal de fls. 7.3617.407, restou demonstrado que o representante legal da Recorrente, de Fl. 7626DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 12571.720004/201345 Acórdão n.º 1401001.384 S1C4T1 Fl. 12 21 maneira deliberada e confessada, utilizouse de pessoa jurídica interposta para omitir receitas da Recorrente, senão verifiquemse trechos do Relatório que fazem referência àquele Termo: Que o mesmo endereço da autuada também figura nas bases de dados da RFB como domicílio tributário de outras duas empresas declaradas como ativas, a VAI PETRO Comércio e Revenda de Combustíveis Ltda e PETROPONTA Comércio de Combustíveis Ltda; (...) que, em decorrência do entendimento resultante da robusta documentação existente, a autuada foi novamente intimada a elaborar declaração identificando quem foi o responsável pelo pagamento das compras das mercadorias e a maneira como os pagamentos foram efetuados, ocasião em que o Sr. Gustavo Mauro Hessel Lopes apresentou documentos e assinou a declaração de fls. 7.097, reconhecendo que foi ele, representando a autuada, quem realizou as compras relativas ao 1º semestre do anocalendário 2008, em nome da empresa VAIPETRO, e apresentando as planilhas especificativas dos pagamentos das compras; (...) que a empresa VAIPETRO Comércio e Revenda de Combustíveis Ltda teve interesse comum na situação que constituiu os fatos geradores da obrigações tributária principal, razão pela qual lhe foi atribuída responsabilidade solidária, conforme Termo de fls. 7.4087.409, juntamente com o administrador Gustavo Mauro Hessel Lopes, conforme Termo de fls. 7.4107.411; Verificase que a conduta deliberada e confessada da contribuinte, no sentido de omitir receitas utilizandose de pessoa jurídica interposta, configura infração à lei suficiente ao lançamento de ofício das receitas omitidas, ainda que tenha havido recolhimento parcial no SIMPLES. Assim, não tendo havido o prévio pagamento de tributos sobre a receita omitida, contase o prazo decadencial de lançamento a partir do primeiro dia do exercício seguinte. Tal é o entendimento esposado pelo STJ no que tange ao reconhecimento do prazo decadencial em casos similares ao presente, em sede de Recurso Especial sujeito ao rito do Art. 543C do CPC: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 7627DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 22 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose Documento: 6162167 EMENTA / ACORDÃO Site certificado DJe: 18/09/2009 Página 1 de 2Superior Tribunal de Justiça inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (RECURSO ESPECIAL Nº 973.733 Fl. 7628DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 12571.720004/201345 Acórdão n.º 1401001.384 S1C4T1 Fl. 13 23 SC (2007/01769940) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX. 12 de agosto de 2009(Data do Julgamento) Também este Conselho firmou jurisprudência no sentido de que nos lançamentos por homologação – caso do SIMPLES, a contagem do prazo decadencial, de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, não se aplica aos casos de dolo, fraude ou simulação, senão vejase: Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário Ano calendário: 1999, 2000 IRPJ. DECADÊNCIA.. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Nos lançamentos por homologação, a contagem do prazo decadencial, de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, não se aplica aos casos de dolo, fraude ou simulação; nesses casos, a contagem do prazo decadencial segue a regra geral, prevista no art. 173, I, do CTN. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. DECADÊNCIA. FRAUDE. ART. 173, I, DO CTN. INAPLICABILIDADE DA LEI Nº 8212/91. Em matéria de decadência, inclusive nos casos das contribuições sociais, a norma aplicável é o Código Tributário Nacional. Não pode a lei 8212/91, lei ordinária, veicular norma de decadência, afastando a regra expressa do CTN, formalmente lei complementar. MULTA POR INFRAÇÃO QUALIFICADA. A falta de escrituração de parte expressiva das receitas, reiteradamente, em todos os meses de dois anoscalendário consecutivos, demonstra ter a autuada agido com dolo, caracterizando o evidente intuito de fraude, que dá ensejo à aplicação da multa por infração qualificada, no percentual de 150%. (...) (Primeiro Conselho de Contribuintes. 7ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 10709311 do Processo 15586000464200572. 05/03/2008) Deveras, conforme redação do Art.173, I do CTN, adotado no caso em comento, considerase extinto o direito de o Fisco lançar o crédito tributário em cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao qual poderia ter lançado. No caso, a omissão de receitas do Recorrente ocorreu no anocalendário de 2008, razão pela qual se inicia a contagem do prazo decadencial a partir de 01/01/2009 (termo a quo). Considerandose, ainda, a data do Termo de Encerramento de Ação Fiscal, em que foi formalizado o lançamento (21/01/2013), temse que decorreram 4 (quatro) anos e 20 (vinte) dias entre os termos a quo e ad quem da decadência. Assim, não há se falar em decadência no direito de lançar, razão pela qual deve ser mantido o lançamento de ofício realizado. Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 7629DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 24 Fl. 7630DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA
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Numero do processo: 13896.911266/2009-31
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3801-000.865
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pondes (Presidente).
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pondes (Presidente). Relatório Tratase de Pedido de Compensação em decorrência de suposto pagamento a RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 11 26 6/ 20 09 -3 1 Fl. 293DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.911266/200931 Resolução nº 3801000.865 S3TE01 Fl. 12 2 maior de COFINS, o qual não foi homologado sob fundamento de o crédito ser ilegítimo. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ Campinas/SP, abaixo transcrito: A Declaração de Compensação apresentada pela contribuinte não foi homologada, conforme Despacho Decisório Eletrônico. Como razão da não homologação, a decisão aponta a integral utilização do pagamento indicado como origem do direito de crédito em outros débitos confessados pela contribuinte. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação assim fundamentado: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão do PER/DCOMP: 79.629,51 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (..) Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Notificada do teor do despacho, a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade, alegando em síntese que em 2005, A época dos fatos geradores os mesmos foram informados em DCTF e DACON, entretanto a Impugnante procedeu a revisão dos valores de modo que concluiu que os valores recolhidos eram efetivamente maiores do que os devidos, assim procedeu a retificação da DCTF sem contudo retificar a DACON, o que ocasionou a inconsistência e a não homologação da compensação. Demonstrada a legitimidade do crédito utilizado requer a procedência da manifestação de inconformidade e a homologação da compensação. Junta aos autos a DCTF e DACON original e retificadora, DARF e Per/Dcomp. Analisando o litígio, a DRJ de Campinas/SP considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade da ora Recorrente e manteve a decisão pela não homologação da compensação efetivada, sob o argumento de que não houve comprovação com elementos hábeis para desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF. A ementa do acórdão foi assim transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. NÃO HOMOLOGAÇÃO COMPENSAÇÃO Não elidido o fato de que o pagamento foi alocado a débito confessado, mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.911266/200931 Resolução nº 3801000.865 S3TE01 Fl. 13 3 DÉBITO CONFESSADO. DCTF. REDUÇÃO . A redução do débito confessado em DCTF, após o procedimento de oficio, somente pode ser desconstituído com base em elementos e documentos hábeis e suficientes que comprovem a incorreção apontada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente, não concordando com a decisão exarada, apresentou Recurso Voluntário, no qual, repisando os argumentos anteriormente apresentados, alega que (i) tributou em duplicidade determinadas receitas; (ii) deixou de tomar créditos de COFINS relativamente a despesas de armazenagem e depreciação do ativo imobilizado; (iii) desconsiderou no cálculo da referida contribuição a pagar retenções realizadas diretamente na fonte; e (iv) retificou a DCTF e a DACON e que, por tais razões, não pode lhe ser retirado o direito creditório, uma vez que pelos documentos contábeis anexados aos autos, é possível identificar o pagamento indevido e o crédito levado à compensação. É o relatório. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.911266/200931 Resolução nº 3801000.865 S3TE01 Fl. 14 4 VOTO Conheço do Recurso Voluntário, uma vez que apresenta os requisitos de admissibilidade e foi apresentado dentro do prazo de 30 dias fixado pela legislação. Como se depreende da leitura dos autos, a matéria devolvida a este Conselho referese, tãosomente, à desconsideração, pela fiscalização, de supostos créditos tributários decorrentes de pagamento a maior de COFINS, na competência de fevereiro de 2005. Tais créditos são oriundos, segundo a ora Recorrente, de tributação em duplicidade de determinadas receitas, não utilização de créditos de COFINS relativamente a despesas de armazenagem e depreciação do ativo imobilizado e desconsideração, no cálculo da referida contribuição a pagar, de retenções realizadas diretamente na fonte. Na decisão recorrida, a douta Delegacia de Julgamento não acatou os argumentos da Recorrente, sob a argumentação de que “no momento da transmissão da DCTF retificadora, a recorrente não gozava mais de espontaneidade para efetuar a alteração pretendida, conforme dispõe o art. § 10 do art. 70 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972 e alterações, combinado com o inciso III do § 2° do art. 11 da IN RFB n° 786, de 19 de novembro de 2007”. E, ainda, que “quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF, ou seja, na data da transmissão do PER/ DCOMP, a interessada não era detentora de crédito liquido e certo, condição sem a qual não há que se falar em direito à compensação (art. 170 do CTN)”. A conclusão dos Julgadores foi no sentido de negar a existência do crédito pleiteado, sob o argumento de que o interessado não apresentou elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, não existindo razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. Ocorre que a própria Delegacia da Receita Federal poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir a autenticidade dos créditos declarados pela Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento Fl. 296DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.911266/200931 Resolução nº 3801000.865 S3TE01 Fl. 15 5 constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse).(MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) Pelo princípio da verdade material, o próprio administrador pode buscar as provas para chegar à sua conclusão. Atua, assim, como norte para que o processo administrativo sirva realmente para alcançar a verdade incontestável, e não apenas a que ressai de um procedimento meramente formal. Devese lembrar de que, nos processos administrativos, diversamente do que ocorre nos processos judiciais, não há propriamente partes, mas sim interessados, e entre estes se coloca a própria Administração. Por conseguinte, o interesse da Administração em alcançar o objeto do processo e, assim, satisfazer o interesse público pela conclusão calcada na verdade real, tem prevalência sobre o interesse do particular. (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 21. ed. rev. ampl. atual. Rio de Janeiro: Editora Lúmen Juris, 2009. p. 933 e 934) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita; não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está Fl. 297DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.911266/200931 Resolução nº 3801000.865 S3TE01 Fl. 16 6 em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/0099, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda)PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 10318789 3 ª. Câmara 1 º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo:13877.000442/200269– Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo: 10768.100409/200368– Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devem ser considerados, in casu, todos os documentos apresentados pela Recorrente. Contudo, só através de diligência, que deverá ser realizada pela DRF de origem, é que se poderá ter certeza de que houve a retenção e se os valores retidos são os mesmos que deixaram de ser declarados pela Recorrente, de que foram tributadas receitas em duplicidade e de que não foram utilizados créditos da referida contribuição relativamente a despesas de armazenagem e depreciação do ativo imobilizado. Desta forma, na diligência que será realizada, a DRF de origem deve, com base na documentação apresentada pela Recorrente referente ao período de apuração supra mencionado: Fl. 298DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.911266/200931 Resolução nº 3801000.865 S3TE01 Fl. 17 7 (i) verificar se houve tributação em duplicidade nas receitas mencionadas pela Recorrente, recompondo, dessa forma, a base de cálculo da contribuição para o COFINS na competência de fevereiro/2005; (ii) verificar a existência de créditos de COFINS relativamente a despesas de armazenagem e depreciação do ativo imobilizado e se estes foram utilizados; (iii) verificar se os valores não declarados são, de fato, aqueles retidos na fonte; (iv) apurar se os valores dos créditos acima mencionados são os mesmos que o contribuinte deixou de declarar. Intimar a Recorrente a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de 30 (trinta) dias de sua ciência; Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 299DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11624.720210/2012-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2007 a 31/12/2008
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade oriunda de uma suposta falta de fundamentação dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais.
PLANO DE OPÇÃO PARA COMPRA DE AÇÕES (STOCK OPTIONS PLAN). NATUREZA SALARIAL. DESVIRTUAMENTO DA OPERAÇÃO MERCANTIL. CARACTERÍSTICAS PLANOS AFASTAM O RISCO.
Na concepção conceitual, a opção para compra de ações (stock options) é mera expectativa de direito do trabalhador, consistindo em um regime de compra de ações por preço pré-fixado, concedida pela empresa aos segurados contribuintes individuais ou empregados, garantindo-lhe a possibilidade de participação no crescimento do empreendimento - na medida que o sucesso da empresa implica também valorização das ações no mercado -, não tendo inicialmente caráter salarial e possuindo natureza de contrato mercantil, sendo apenas um incentivo ao trabalhador após um período pré-determinado ao longo do curso do contrato de trabalho.
Ocorrendo o desvirtuamento do stock options em sua concepção de mero contrato mercantil, seja pela correlação com o desempenho para manutenção de talentos no quadro funcional, seja pela intenção de afastar (ou minimizar) os riscos atribuídos ao próprio negócio, ficará configurada uma remuneração indireta na forma de salário-utilidade.
Está em conformidade com a legislação tributária e previdenciária o procedimento fiscal que efetivou o lançamento do ganho real, obtido pela diferença entre o preço de exercício e o preço de mercado no momento da compra das ações.
PLANO DE OPÇÃO PELA COMPRA DE AÇÕES (STOCK OPTIONS PLAN). PARA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR INDEPENDE SE AS AÇÕES FORAM VENDIDAS A TERCEIROS.
No momento em que houve a outorga da opção de ações aos beneficiários, ocorreu a transferência da titularidade das ações e o fato gerador da contribuição previdenciária, ainda que não tenha havido a efetiva venda a terceiros, pois naquela oportunidade o mesmo integralizou a efetiva opção das ações sobre o preço de exercício com o valor inferior ao preço de mercado, representando um ganho direto para os segurados empregados e contribuintes individuais.
ARBITRAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário.
A escrituração contábil da Recorrente não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço.
MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR.
O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitando-se ao percentual máximo de 75%.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial para que seja aplicada a multa nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91, limitando-se ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei n° 9.430/96, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou pela manutenção da multa aplicada e os conselheiros Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues que davam provimento parcial também para redução da base de cálculo. O conselheiro Thiago Taborda Simões apresentará declaração de voto.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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PLANO DE OPÇÃO DE AÇÕES Recorrente GLOBAL VILLAGE TELECOM LTDA (GVT LTDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2007 a 31/12/2008 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade oriunda de uma suposta falta de fundamentação dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais. PLANO DE OPÇÃO PARA COMPRA DE AÇÕES (STOCK OPTIONS PLAN). NATUREZA SALARIAL. DESVIRTUAMENTO DA OPERAÇÃO MERCANTIL. CARACTERÍSTICAS PLANOS AFASTAM O RISCO. Na concepção conceitual, a opção para compra de ações (“stock options”) é mera expectativa de direito do trabalhador, consistindo em um regime de compra de ações por preço préfixado, concedida pela empresa aos segurados contribuintes individuais ou empregados, garantindolhe a possibilidade de participação no crescimento do empreendimento na medida que o sucesso da empresa implica também valorização das ações no mercado , não tendo inicialmente caráter salarial e possuindo natureza de contrato mercantil, sendo apenas um incentivo ao trabalhador após um período prédeterminado ao longo do curso do contrato de trabalho. Ocorrendo o desvirtuamento do “stock options” em sua concepção de mero contrato mercantil, seja pela correlação com o desempenho para manutenção de talentos no quadro funcional, seja pela intenção de afastar (ou minimizar) os riscos atribuídos ao próprio negócio, ficará configurada uma remuneração indireta na forma de salárioutilidade. Está em conformidade com a legislação tributária e previdenciária o procedimento fiscal que efetivou o lançamento do ganho real, obtido pela diferença entre o preço de exercício e o preço de mercado no momento da compra das ações. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 62 4. 72 02 10 /2 01 2- 49 Fl. 756DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES 2 PLANO DE OPÇÃO PELA COMPRA DE AÇÕES (STOCK OPTIONS PLAN). PARA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR INDEPENDE SE AS AÇÕES FORAM VENDIDAS A TERCEIROS. No momento em que houve a outorga da opção de ações aos beneficiários, ocorreu a transferência da titularidade das ações e o fato gerador da contribuição previdenciária, ainda que não tenha havido a efetiva venda a terceiros, pois naquela oportunidade o mesmo integralizou a efetiva opção das ações sobre o preço de exercício com o valor inferior ao preço de mercado, representando um ganho direto para os segurados empregados e contribuintes individuais. ARBITRAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. A escrituração contábil da Recorrente não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitandose ao percentual máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 757DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 11624.720210/201249 Acórdão n.º 2402004.480 S2C4T2 Fl. 3 3 ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial para que seja aplicada a multa nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei n° 9.430/96, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou pela manutenção da multa aplicada e os conselheiros Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues que davam provimento parcial também para redução da base de cálculo. O conselheiro Thiago Taborda Simões apresentará declaração de voto. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 758DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES 4 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, concernente à parcela patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT). O período de lançamento dos créditos previdenciários é de 08/2007 a 12/2008. O Relatório Fiscal (fls. 83/106) informa os seguintes fatos acerca do lançamento: “[...] FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS 8. A presente exação referese às contribuições sociais decorrentes das remunerações pagas a empregados, conforme fundamentação legal anexa ao auto de infração. 10. O auto de infração foi composto pelo levantamento denominado Stock Options, abreviado como "SO”. STOCK OPTIONS PLAN. NATUREZA JURÍDICA 11. Stock Options Plan (ou Plano de Opções de Ações) é uma expressão que designa o benefício concedido pelas empresas a seus empregados, administradores e colaboradores, pelo qual estes trabalhadores obtêm direito a adquirir certa quantidade de ações da empresa ou do grupo em que trabalham, mediante preço preestabelecido (por vezes muito abaixo de seu valor de mercado), desde que cumpridos certos requisitos ou condições como, por exemplo, ter vencido um determinado período de tempo após a sua concessão (carência ou tempo de maturação das opções). As condições para a concessão (vesting conditions) e o tempo de maturação variam bastante conforme disposto nos contratos de Opções de Ações de cada empresa cedente, podendo também vir atreladas a metas globais, individuais, e até mesmo a desempenho proporcional em relação aos principais concorrentes do segmento em que a empresa atua. (...) 20. No Brasil as legislações trabalhista e previdenciária não são explícitas a respeito das Stock Options, face à incipiência do assunto. No direito positivo brasileiro, apenas a Lei n° 6.404/1976 (Lei das S/A), no art. 168, §3o, trata da autorização para a outorga das opções de ações: (...) 21. Sob o aspecto contábil, o Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) emitiu recentemente o pronunciamento Técnico "CPC 10 Pagamento Baseado em Ação”, visando convergência às Normas Internacionais de Contabilidade IFRS 2 (IASB BV 2010) que estabelecem procedimentos para reconhecimento e divulgação, nas demonstrações contábeis, das transações com pagamentos baseados em ações. Fl. 759DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 11624.720210/201249 Acórdão n.º 2402004.480 S2C4T2 Fl. 4 5 22. Esta regulamentação, aprovada pela Deliberação n° 562/08 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e pela Resolução n° 1.149/09 do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), por ter foco nas demonstrações destinadas a acionistas e investidores e refletir normas internacionais de contabilidade, somente tangencia os aspectos legais trabalhistas e tributários. Contudo, das diretrizes estabelecidas, notadamente nos itens 10 a 15 do referido pronunciamento (cópia no anexo II), é possível inferir o caráter sinalagmático de contraprestação pelos serviços prestados que constitui a essência deste pagamento. (...) PLANO DE OPÇÕES DE AÇÕES NO GRUPO GVT 33. O “Contrato de Concessão de Opções de Compra de Ações da GVT (Holding) S/A” traz, dentre outras, as seguintes informações relevantes: 33.1. Estabelece condições de preço e formas de pagamento, bem como declara que o Plano é uma forma de investimento oneroso, sujeito aos riscos do mercado de capitais e que as opções somente podem ser exercidas mediante pagamento ou compensação do Preço de Exercício. 33.2. Acrescenta que o Plano é de natureza exclusivamente societária e não cria qualquer obrigação trabalhista ou previdenciária entre a companhia, suas subsidiárias e seus participantes. 33.3. Restringe o público participante aos empregados, administradores e diretores admitidos antes de 31 de dezembro de 2003, bem como aqueles admitidos após esta data, que ocupem posições chave na companhia. 33.4. Determina o período de maturação de 4 anos para que o participante possa exercer as opções, sendo que a cada data de aniversário da concessão, 25% das opções estarão disponíveis, condicionadas também ao anúncio de encerramento de Oferta Pública Inicial na Bovespa ou de um evento extraordinário (havendo Oferta Pública Inicial, o exercício fica suspenso por 180 dias da data do anúncio de seu encerramento). 33.5. A cláusula 6.5 prevê duas formas para o Exercício das Opções. O participante deverá: “a) autorizar a compensação do Preço de Exercício com o preço de venda da ação; ou b) efetuar o Pagamento do Preço do Exercício.” 33.6. A cláusula 7 versa sobre os efeitos do desligamento do participante, estabelecendo prazos para o exercício das opções disponíveis e tornando extintas as opções ainda indisponíveis. Em caso de licença do participante, a maturação das ações fica suspensa. 36. A GVT HOLDING S/A apresentou à fiscalização, em 24/10/2012, as Notas Explicativas dos anos de 2007 e 2008 Fl. 760DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES 6 (cópias no anexo V). Elas informam, no item 23 de ambas, o número de opções concedidas, os preços de exercício máximo e mínimo das opções e confirmam as demais condições já apresentadas no contrato do Plano de Opções de Ações, além de indicarem o método de aferição utilizado para o reconhecimento contábil das despesas decorrentes da disponibilização das opções. 37. O registro contábil das despesas de 2008 com o plano de opções de ações foi feito na GVT HOLDING S/A mediante lançamento único de R$ 21.956.658,56, em 31/12/2008, a débito da conta 31310017 Stock Options e a crédito da conta de Patrimônio Líquido, 25210102 Stock Options. Segundo a GVT HOLDING S/A, sua avaliação foi efetuada pelo método de Black & Scholes para as opções concedidas na vigência da norma IFRS 2 e segundo seus valores intrínsecos na data da oferta pública, para aquelas opções concedidas anteriormente à norma contábil internacional. A despesa referente aos exercícios anteriores também foi lançada no dia 31/12/2008, nas mesmas contas, no valor de R$ 59.245.892,47. AFERIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO 39. Tendo em vista a característica especial da remuneração utilidade ora analisada é necessário que se faça a aferição do valor da base de cálculo do tributo por meio de arbitramento previsto no art. 148 do CTN e §6o do art. 33 da Lei 8.212/91 (a fundamentação legal da aferição indireta encontrase discriminada no anexo FLD Fundamentos Legais do Débito). A base de cálculo do tributo deve corresponder ao valor real da utilidade fornecida ao trabalhador. 40. O Relatório dos Peritos da Comissão Européia (anexo I) constatou que "(...) na maioria dos países, os planos de opções de ações para empregados são tributados quando a opção é exercida, ou seja, quando o preço de exercício é pago e se obtêm as ações. Habitualmente, não há qualquer problema de avaliação, pelo menos para as ações cotadas. O montante tributado é igual à diferença entre o valor de mercado, mais alto, das ações obtidas e o custo da sua obtenção (...)” (grifou se) 41. Nesta ação fiscal foi utilizado um critério de aferição semelhante, contudo mais benéfico ao contribuinte, ou seja, considerouse a remuneração como a diferença entre o valor médio de mercado no dia do exercício da opção pelo trabalhador e o valor pago pela opção. 42. A GVT HOLDING S/A apresentou à fiscalização, em 09/04/2012, planilha demonstrativa (anexo VI) das opções disponibilizadas e também exercidas pelos funcionários do GRUPO GVT no período fiscalizado, identificando os vínculos destes trabalhadores com a holding, suas controladas, preço de exercício da opção, tendo informado, ainda, o preço médio de mercado no respectivo dia do exercício. De acordo com a planilha fornecida, na GVT LTDA cerca de 600 trabalhadores exerceram suas opções. Efetuouse a tabela do anexo X, que indica os nomes, CPF, PIS/NIT dos trabalhadores, datas de Fl. 761DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 11624.720210/201249 Acórdão n.º 2402004.480 S2C4T2 Fl. 5 7 exercício, quantidades de opções exercidas, valores de mercado e de exercício das opções, bem como o cálculo da remuneração individual de cada trabalhador. Conforme demonstrado na referida tabela, o valor da remuneração aferido (D) correspondeu à quantidade de opções exercidas (A), multiplicada pela diferença entre o valor médio de mercado no dia do exercício e o valor de exercício da opção (BC). 43. As somas mensais das remunerações obtidas estão discriminadas no Relatório de Lançamentos (RL), parte integrante deste Processo. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR 45. Alinhase o presente lançamento a esta última corrente, sendo considerado o momento da ocorrência do fato gerador aquele em que a propriedade do bem (ação) passa à esfera patrimonial do trabalhador, ou seja, as competências em que foram efetivamente exercidas as opções. Esta forma de aferição é mais benéfica ao contribuinte, na medida em que considera o fato gerador ocorrido apenas no momento do pagamento e não na concessão do plano ou no implemento gradual da condição de serviço, resultando em menores acréscimos moratórios ao valor original do crédito. DOCUMENTO DE DECLARAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS 46 A Guia de recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) é o documento de declaração ao Fisco Federal das contribuições previdenciárias devidas pela empresa em cada competência (mês). Nas competências lançadas, a GVT LTDA entregou as seguintes GFIP que se encontravam válidas ao tempo do início desta ação fiscal: 47. Estas GFIP não incluem as remunerações concedidas aos funcionários por meio do benefício do Plano de Opções de Ações, motivo pelo qual é efetuado o presente lançamento fiscal. SOLIDARIEDADE PASSIVA 49.1. A GVT HOLDING S/A e a GVT LTDA possuem interesse comum na situação que constitui os fatos geradores de contribuições previdenciárias lançadas no presente auto de infração, pois há prestação de serviços dos trabalhadores à GVT LTDA e sua contraprestação custeada pela controladora do grupo. São assim, solidariamente obrigadas à satisfação do presente crédito tributário. 49.2. A Lei n° 8.212, de 24/07/1991, no inciso IX do art. 30, dispõe: "as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei”. Sendo assim, também pelo fato de a GVT LTDA ser empresa controlada da GVT HOLDING S/A e pertencerem a um grupo econômico, situação prevista na Fl. 762DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES 8 Lei 8.212/91, tornamse solidariamente responsáveis pela satisfação de seus créditos tributários. 50. Por este motivo, é enviada cópia deste Processo Administrativo Fiscal (PAF) à solidária GVT HOLDING S/A, acompanhada do Termo de Sujeição Passiva Solidária (TSPS). Não há solidariedade em relação às contribuições parafiscais destinadas às outras entidades e fundos, denominados "terceiros”, sendo portanto lançadas apartadas, por meio do PAF n° 11624.720.211/201293. [...]” A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 26/11/2012 (fls. 02 e 421). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 427/457), alegando, em síntese, que: 1. Preliminarmente, seja declarada a nulidade do Auto de Infração epigrafado, ante: (i) a inexistência de legislação brasileira que autorize a tributação dos valores referentes ao plano de “Stock Options”; (ii) a ilegalidade do método de apuração da base de cálculo pela fiscalização, sem fundamentação legal, redundando na impossibilidade de arbitramento, haja vista a inexistência de omissões ou de recusa de atendimento à fiscalização ou de apresentação de informações que não mereçam fé; (iii) a carência de fundamentação legal para a determinação do aspecto temporal do fato gerador criado pela fiscalização; (iv) o descabimento de representação para fins penais, a demandar a existência de omissão de informação e declaração falsa pelo contribuinte, o que não houve no caso; 2. No mérito, seja julgada improcedente a exigência fiscal consubstanciada no Auto de Infração epigrafado, com a extinção do crédito tributário lançado e o arquivamento do processo fiscal instaurado, pois: (i) o conceito e o objeto da opção de ações (“Stock Options’) não se confunde com salário de contribuição, amoldandose ao disposto no artigo 28, §9°, item 7 da Lei n° 8.212/91 (ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário); (ii) o TST, os TRTs, bem como a doutrina já se posicionaram no sentido de que os valores referentes às “Stock Options” não configuram salário; (iii) o plano de “Stock Plans” não é contraprestação por serviços prestados ou pagamento pelo trabalho, pois não há relação de causalidade ou sinalagmacidade com o trabalho; (iv) o “Stock Options Plans” tem como característica inequívoca a álea/risco; (v) os ganhos decorrentes do plano de “Stock Options” são inequivocamente eventuais e não habituais; (vi) o Plano de “Stock Options” é concedido por mera liberalidade da empresa; 3. Sucessivamente, ainda que se entenda devido algum valor pelas Impugnantes, a multa aplicada pela RFB deve ser afastada, em observância ao artigo 100 do CTN. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Campo Grande/MS – por meio do Acórdão n° 0433.784 da 3a Turma da DRJ/CGE (fls. 551/578) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele encontrase revestido Fl. 763DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 11624.720210/201249 Acórdão n.º 2402004.480 S2C4T2 Fl. 6 9 das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação, registrando os seguintes termos: 1. Preliminarmente, seja declarada a nulidade do Auto de Infração que deu origem ao presente processo, ante (1) a inexistência de legislação brasileira que autorize a tributação dos valores referentes ao plano de "Stock Options"; (2) a ilegalidade do método de apuração da base de cálculo pela fiscalização, sem fundamentação legal, redundando na impossibilidade de arbitramento, haja vista a inexistência de omissões ou de recusa de atendimento à fiscalização ou de apresentação de informações que não mereçam fé; (3) a carência de fundamentação legal para a determinação do aspecto temporal do fato gerador criado pela fiscalização; 2. No mérito, seja julgada improcedente a exigência fiscal consubstanciada no Auto de Infração, com a extinção do crédito tributário lançado e o arquivamento do processo fiscal instaurado, pois (1) o conceito e o objeto da opção de ações ("Stock Options') não se confunde com salário de contribuição, amoldandose ao disposto no artigo 28, §9°, item 7 da Lei n° 8.212/91 (ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário); (2) o TST, os TRTs, bem como a doutrina já se posicionaram no sentido de que os valores referentes às "Stock Options" não configuram salário; (3) o plano de "Stock Options" não é contraprestação por serviços prestados ou pagamento pelo trabalho, pois não há relação de causalidade ou sinalagmacidade com o trabalho; (4) o "Stock Options Plan" tem como característica inequívoca a álea/risco; (5) os ganhos decorrentes do plano de "Stock Options" são inequivocamente eventuais e não habituais; (6) o Plano de "Stock Options" é concedido por mera liberalidade da empresa; 3. Sucessivamente, ainda que se entenda devido algum valor pelas Recorrentes in casu, ad argumentandum tantum, a multa aplicada pela RFB deve ser afastada, em observância ao artigo 100 do CTN. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Maringá/PR informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao CARF para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 764DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES 10 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO: A Recorrente alega nulidade do lançamento fiscal em decorrência da ausência de previsão legal do fato gerador e da carência de fundamentação legal para a determinação do aspecto temporal do fato gerador, essa alegação não será catada pelas razões a seguir delineadas. O lançamento fiscal considerou como base de cálculo as remunerações concedidas aos funcionários por meio do benefício do Plano de Opções de Ações (“stock options Plan”), plano de compra de ações, caracterizandoo como um ganho habitual em forma de utilidades (salárioutilidade). De acordo com o art. 28, incisos I e III, da Lei 8.212/1991, em conformidade com os dispositivos constitucionais (artigo 201, §11), o salário de contribuição deverá incluir no ganho do trabalhador, para efeito de incidência da contribuição previdenciária, não só a remuneração efetivamente recebida ou creditada a qualquer título durante o mês, mas também os ganhos habituais em forma de utilidades. Assim, a remuneração do trabalhador também abarca a concessão de benefícios ou ganhos habituais em forma de utilidades, ganhos indiretos, que suportaram a incidência da contribuição previdenciária, desde que tenham natureza de rendimento do trabalho. Impende destacar que não é o nomen iuris conferido a uma parcela que irá definir a sua natureza, mas é relevante aferir se o pagamento segue as regras previstas em lei para neutralizar o efeito remuneratório. Na espécie, ao analisar o Relatório Fiscal, observase que este descreve não apenas o que entendeu ser o “ganho” ou “pagamento” feito pela Recorrente aos segurados empregados, diretores e administradores admitidos antes de 31/12/2003, bem como àqueles admitidos após esta data que ocupavam posiçõeschave na Companhia e nas subsidiárias, como detalha a constituição do plano de opção por ações, e, em que momento, passou a constituir salário de contribuição (base de cálculo da contribuição social previdenciária). Nesse caminhar, cumpre esclarecer que a controvérsia da Recorrente, quanto ao mérito da incidência de contribuições sobre o “stock options”, não implica, de forma automática, considerar a nulidade do lançamento pela ausência de configuração do fato gerador ou do salário de contribuição. Em outras palavras, neste momento, não vislumbramos qualquer nulidade do lançamento fiscal, capitaneada pela Recorrente, em decorrência de uma suposta ausência de previsão legal do fato gerador ou de uma suposta carência de fundamentação legal para a determinação do aspecto temporal do fato gerador. Fl. 765DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 11624.720210/201249 Acórdão n.º 2402004.480 S2C4T2 Fl. 7 11 O Relatório Fiscal delineou o fato gerador das contribuições sociais lançadas, registrou a legislação aplicada, estabeleceu tanto a regra matriz do plano de opções de ações no grupo GVT (Global Village Telecom) como o momento da ocorrência do fato gerador. Além disso, foram delineados os seguintes fatos: 1. o que entendeu ser o “pagamento” ou benefício concedido aos segurados, sendo que o mesmo configuraria um salário utilidade e não se encontraria no rol de exclusão do salário de contribuição; 2. quando o pagamento ocorreu por meio dos ganhos habituais, descrevendo as competências e os beneficiários (Anexos VI e X); 3. qual o dispositivo legal que fundamenta o lançamento fiscal, bem como os motivos que o levaram a inclusão do “stock options” no conceito de salário de contribuição. Destacase que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa, ausência de fundamentação, nem tampouco existe qualquer nulidade na decisão de primeira instância. A Recorrente foi devidamente intimada a apresentar os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária, tendo o débito sido lavrado, com base nesses próprios documentos, por entender o Fisco possuir caráter remuneratório a opção pela compra de ações quando verificada a intenção de remunerar indiretamente o trabalhador, cognominada de salário utilidade. Com outras palavras, verificase que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, contendo de forma clara os elementos necessários para a sua configuração e caracterização. Com isso, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, eis que estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01/457) todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da contribuição previdenciária devida; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. ......................................................................................................... Decreto 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: Fl. 766DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES 12 I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão acatadas. DO MÉRITO: Da definição do stock options e sua natureza de contrato mercantil ou de remuneração (salárioutilidade) O Plano de Opção de Compra de Ações (Stock Option Plan) é definido como um programa de longo prazo que faculta aos trabalhadores adquirirem ações da empresa, tornandose, assim, acionistas da própria empresa na qual eles exercem suas atividades laborais. Essa opção por ações irá proporcionar ao beneficiário o direito de compra de ações por uma valor prédeterminado, após um período de carência previamente determinado (permanência na empresa), e a possibilidade de vendêlas no mercado de capitais auferindo lucro, assim como, se a empresa efetivamente obtiver resultados financeiros positivos, poderão ser atribuídos os dividendos (lucros) ao beneficiário. No ordenamento jurídico brasileiro, a opção de compra de ações esta prevista no § 3º do artigo 168 da Lei 6.404/1976, in verbis: Art. 168. O estatuto pode conter autorização para aumento do capital social, independente de reforma estatutária. (...) § 3º. O estatuto pode prever que a companhia, dentro do limite do capital autorizado, e de acordo com o plano aprovado pela assembléia geral, outorgue opção de compra de ações a seus administradores ou empregados, ou a pessoas naturais que prestem serviços à companhia ou à sociedade sob seu controle. Na toada da controvérsia instaurada, o ponto principal a ser definido cingese a natureza jurídica do plano de opções de compra de ações e seus reflexos na remuneração dos trabalhadores beneficiados pela sua concessão. E, para elucidar a definição do plano de opção de compra de ações, citaremos o texto da lavra de CALVO, Adriana Carrera1, que assim aborda a matéria: “[...] 1. Introdução Nas últimas décadas, o sistema de remuneração adotado pelas empresas brasileiras modificouse drasticamente, devido à transferência de investimentos de empresas estrangeiras para o 1 A natureza jurídica dos planos de opções de compra de ações no direito do trabalho – “employee stock option plans”. Clubjus, BrasíliaDF: 25 ago. 2007. Fl. 767DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 11624.720210/201249 Acórdão n.º 2402004.480 S2C4T2 Fl. 8 13 Brasil, principalmente da área de tecnologia. Tal fato alterou o nosso cenário empresarial e influenciou diretamente a nossa política de recursos humanos. A nova política de remuneração abandonou como modelo único o sistema de salário fixo e introduziu o sistema remuneração variável. A mais importante estratégia de remuneração variável passou a ser a promessa da distribuição agressiva de planos de opções de compra de ações por preço prefixado (“employee stock options”). No início, estes programas foram implementados no Brasil com o intuito de manter os benefícios que os expatriados possuíam quando eram empregados da matriz da empresa no exterior. Posteriormente, passou a ser comum a oferta destes benefícios não somente aos empregados estrangeiros, como também aos novos gerentes contratados no Brasil. Mais tarde, passou a ser estendido também aos demais empregados brasileiros da empresa. Segundo o dicionário Barron’s Dictionary of Legal Terms, o termo “stock option” significa; “a outorga a um individuo do direito de comprar, em uma data futura, ações de uma sociedade por um preço especificado ao tempo em que a opção lhe é conferida, e não ao tempo em que as ações são adquiridas”. O plano de opção de compra de ações permite que o empregado tenha uma participação na valorização futura da empresa. O intervalo de tempo entre a atribuição das opções e a compra de ações transforma o plano em típico sistema de remuneração diferida, na medida em que quem recebe as opções de ações não pode dispor imediatamente do valor dessa remuneração. Esta prática permite alcançar 2 (dois) grandes objetivos primordiais para o sucesso de qualquer empresa: retenção dos empregados considerados “talentos” da empresa e o atingimento de resultados por meio de uma parceria entre os acionistas e empregados da empresa. É à busca da verdadeira relação do tipo “ganhaganha” no ambiente de trabalho. 2. O plano de opção de compra de ações O sistema de “stock options” consiste no direito de comprar lotes de ações por um preço fixo dentro de um prazo determinado. A empresa confere ao seu titular o direito de, num determinado prazo, subscrever ações da empresa para o qual trabalha ou na grande maioria da sua controladora no exterior, a um preço determinado ou determinável, segundo critérios estabelecidos por ocasião da outorga, através de um plano previamente aprovado pela assembléia geral da empresa. Em geral, o plano de “stock options” contém os seguintes elementos: (1) preço de exercício – preço pelo qual o empregado tem o direito de exercer sua opção (“exercise price”); (2) prazo de carência – regras ou condições para o exercício das opções (“vesting”) e; (3) termo de opção – prazo máximo para o Fl. 768DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES 14 exercício da opção de compra da ação (“expiration date”). O preço de exercício é o preço de mercado da ação na data da concessão da opção, sendo comum estabelecerse um desconto ou um prêmio sobre o valor de mercado. (g.n.) Neste aspecto, vale destacar que o referido valor do desconto ou prêmio não pode ser tão significativo que elimine o risco da operação futura, pois implicaria em gratuidade na concessão do plano, critério típico do salárioutilidade. (g.n.) Quanto ao prazo de carência é definido como um número mínimo de tempo de serviço na empresa, que costuma variar de 3 (três) a 5 (cinco) anos. A prática de mercado é de um prazo máximo de termo de opção que varia de 5 (cinco) a 10 (dez) anos da data da concessão da opção de compra. [...] (este texto foi extraído e capitaneado no voto proferido pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira; Acórdão 2401003.044 da 4a Câmara da 1a Turma da 2a Seção deste Conselho; julgado em 2013; processo 10980.724030/201133) Diante desse texto de ADRIANA CARREIRA CALVO e baseado exclusivamente no aspecto doutrinário do termo “stock options” (análise conceitual do termo), percebese que a mera opção de subscrição de ações da empresa (“stock options”) para o qual o titular trabalha, no meu entender, configuraria uma venda de ações, guardando características de um contrato mercantil (natureza mercantil) e não tendo caráter salarial, desde que a compra de ações seja acompanhada tanto do seu efetivo custo como da assunção dos seus riscos operacionais, estes evidenciados pelo risco de mercado2, pelo risco de liquidez3. Além desses riscos tipicamente operacionais, a compra de ações nos moldes de um contrato mercantil também deverá suportar o risco envolvendo operações em derivativos dos contratos futuros4, este risco é constatado com frequência nos planos de opções de compra de ações, e o risco envolvendo operações a termo5. 2 Risco de Mercado é associado à flutuação dos preços de um ativo (título público ou ação, por exemplo), devido às alterações políticas, econômicas, internacionais, entre outras. É a possibilidade de ocorrerem mudanças no valor do seu investimento associadas à notícia ou acontecimento que diz respeito direta ou indiretamente à aplicação que você escolheu. O risco de mercado é associado às oscilações dos preços dos ativos e esta oscilação é conhecida no mercado financeiro como volatilidade, ou seja, a oscilação de preço de um ativo em relação à sua média. 3 O risco de liquidez surge da dificuldade em se conseguir encontrar compradores potenciais de um determinado ativo no momento e no preço desejado. Ocorre quando um ativo está com baixo volume de negócios e apresenta grandes diferenças entre o preço que o comprador está disposto a pagar (oferta de compra) e aquele pelo qual o vendedor gostaria de vender (oferta de venda). Quando é necessário vender algum ativo num mercado ilíquido, tende a ser difícil conseguir realizar a venda sem sacrificar o preço do ativo transacionado. 4 Para os contratos futuros, de opções sobre disponível e de opções sobre futuro, destacamse os seguintes riscos atrelados aos respectivos negócios: (i) valor das posições em aberto é atualizado diariamente, de acordo com os preços de ajuste do dia estabelecidos conforme as regras da BM&F e atuando como comprador no mercado futuro, o cliente corre o risco de, se houver uma queda de preços, ter alterado negativamente o valor atualizado da sua posição; (ii) a manutenção de posições travadas ou opostas numa mesma corretora, tanto no mercado de opções como no mercado futuro, sob certas circunstâncias, não elimina os riscos de mercado de seu carregamento e atuando como titular no mercado de opções, o cliente corre de riscos de como titular de uma opção de compra: perder o valor do prêmio pago ou parte dele, caso o preço de mercado do ativo objeto da opção não supere seu preço de exercício durante a vigência do contrato, em como titular de uma opção de venda: perder o valor do prêmio pago, ou parte dele, caso o preço de mercado do ativo objeto da opção supere seu preço de exercício durante a vigência do contrato. 5 Por se tratar de uma operação financeira de alavancagem, os clientes que efetuam operações a termo estão sujeitos a perdas superiores às garantias depositadas para a operação, ficando o cliente responsável por novos aportes de capital para o cumprimento das obrigações. Fl. 769DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 11624.720210/201249 Acórdão n.º 2402004.480 S2C4T2 Fl. 9 15 Esse entendimento também foi capitaneado no voto proferido pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (Acórdão 2401003.044 da 4a Câmara da 1a Turma da 2a Seção deste Conselho; julgado em 2013; processo 10980.724030/201133), nos seguintes termos: “[..] Ou seja, em termo conceituais, no entender desta relatora, a stock option é mera expectativa de direito do trabalhador (seja empregado, autônomo ou administrador), consistindo em um regime opção de compra de ações por preço préfixado, concedida pela empresa aos contribuintes individuais ou mesmo empregados, garantindolhe a possibilidade de participação no crescimento do empreendimento (na medida que o sucesso da empresa implica, valorização das ações no mercado), não tendo caráter salarial, sendo apenas um incentivo ao trabalhador após um período prédeterminado ao longo do curso da prestação de serviços (seja no contrato de trabalho, seja em contrato autônomo). [...]” No mesmo sentido, temse encaminhado os renomados doutrinadores trabalhistas brasileiros, dentre eles citese a professora Alice Monteiro de Barros (in Curso de Direito do Trabalho, 6.ª ed., São Paulo: LTR, 2010, p. 783): "As stock option constituem um regime de compra ou de subscrição de ações e foram introduzidas na França em 1970, cujas novas regras encontramse na Lei n. 420, de 2001. Não se identificam com a poupança salarial. O regime das stock option permite que os empregados comprem ações da empresa em um determinado período e por preço ajustado previamente. (g.n.) É no mesmo sentido, que discordo de um dos argumentos trazidos pelo auditor, citando uma reclamatória trabalhista, a qual encaminhou o magistrado o julgamento no sentido de que toda a forma de stock options, tende a remunerar, premiar o trabalhador pela prestação de serviços. Embora, a concessão da opção por ações tenha decorrido da prestação de serviços, tratase, em regra, de típico contrato mercantil, envolvendo riscos, podendo o trabalhador, auferir lucros ou não com a outorga de ações, tudo a depender da situação do mercado. (g.n.) Também expressa a ilustre professora Vólia Bomfim Cassar, sua visão acerca dos Stock Options ((in Direito do Trabalho, 5.ª ed., Rio de Janeiro: Ed. Impetus, 2011, p. 888): “Alguns empregadores oferecem aos seus empregados o direito de adquirir ações da companhia por um custo abaixo do mercado (stock option). Uma vez adquiridas voluntariamente pelo trabalhador, será possível a venda quando da valorização de seu valor econômico. Esse exercício de opção de compra de ações da empresa empregadora envolve riscos, pois o empregado poderá ganhar ou perder com a operação. Por isso entendemos que “ganho” eventualmente obtido pelo trabalhador com a venda das ações de sua empregadora não tem natureza Fl. 770DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES 16 salarial, pois é espécie de operação financeira no mercado de ações. Ademais, pago em razão do negócio, e não da prestação de serviços.” [...]” Ocorre que, na espécie constante dos autos, a forma de concessão de opção de subscrição de ações da Recorrente, cognominada de “stock options”, não se encontra em perfeita consonância com a concepção conceitual ou doutrinária descrita acima, pelas seguintes razões fáticas: 1. na busca de manter os “ditos empregados talentosos” em seu quadro funcional, a opção de compra somente era concedida para os segurados que prestavam serviços à Recorrente, sendo que tal opção impossibilitava a sua transferência a terceiros (cláusula 8 do contrato de concessão de opções de compra de ações da GVT – HOLDING S/A). Assim, essa opção de compra de ações somente era concedida aos segurados empregados, diretores e administradores admitidos antes de 31/12/2003, bem como àqueles admitidos após esta data que ocupavam posiçõeschave na Companhia e nas subsidiárias (alínea “E” do contrato). Isso permitiu que a empresa somente ofertasse o plano aos que entende ter interesse em manter no seu quadro funcional, bem como isso viabilizou a contraprestação por serviços prestados à Recorrente no momento que se estabeleceu uma relação de causalidade entre a concessão de opções de compra de ações e a permanência do trabalhador no seu corpo funcional; 2. no plano ofertado pela Recorrente havia elementos de fidelização do prestador do serviços com as suas atividades desenvolvidas, já que fora estabelecido a indicação de prazo para o exercício do direito à compra, ou seja, era necessário estar com um vínculo em determinada data, para poder exercer o direito de compra, relacionando diretamente a opção como contrapartida pela prestação de serviços. Isso também configura a relação de causalidade (sinalagmacidade) com o trabalho; 3. no plano de opção de compra da ações, havia condições e limitações estabelecidas de forma unilateral pela Recorrente, sem a participação dos segurados, nos seguintes termos: “3.1. Sujeitos aos termos e às limitações do Plano, e ao exclusivo critério de Companhia, novas Opções poderão ser outorgadas mediante a emissão de um termo de Oferta de Opções ao Participante, no qual constará o número de Opções, Período de Maturação e Preço de Exercício das Opções”; “4.2. Ao aderir ao Plano e ao assinar este Contrato os Participante declara estar ciente e concordar com todas as condições de preço e as formas de pagamento disponíveis para exercício das Opções (...)”; “8.1. As Opções concedidas ao PARTICIPANTE, não poderão ser vendidas, trocadas, transferidas ou cedidas ou de qualquer outra maneira alienadas a qualquer tempo pelo PARTICIPANTE, que não nas hipóteses específicas previstas no Plano por força de sucessão hereditária. 8.2. Da mesma forma, fica vedada a constituição de quaisquer gravames sobre as Opções Concedidas ao PARTICIPANTE, não podendo ser penhoradas, empenhadas, hipotecadas ou oneradas de qualquer forma”. Essas cláusulas Fl. 771DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 11624.720210/201249 Acórdão n.º 2402004.480 S2C4T2 Fl. 10 17 descaracterizam a suposta liberalidade, alegada na peça recursal, da compra e venda das ações concedidas pela Recorrente; 4. a ausência de risco para o trabalhador, o que afasta a concepção conceitual de contrato mercantil, eis que a Recorrente (empresa) estabeleceu a opção de compra das ações por valores abaixo do valor de mercado. Isso permitiu a compra de quase a totalidade das ações por R$6,15 e o restante por R$18,00 tendo o valor de mercado na data da compra oscilado entre R$23,51 a R$40,50; conforme tabela abaixo. Competência Valor mercado na data compra (R$) Valor de compra (R$) 08/2007 32,85 6,15 09/2007 39,00 6,15 10/2007 37,60 6,15 11/2007 37,70 6,15 12/2007 35,75 6,15 01/2008 36,80 6,15 02/2008 36,99 6,15 03/2008 33,10 6,15 04/2008 40,50 6,15 05/2008 38,83 6,15 06/2008 39,00 6,15 07/2008 39,50 6,15 08/2008 37,30 6,15 09/2008 28,79 6,15 e 18,00 10/2008 23,51 6,15 e 18,00 (3 segurados) 11/2008 26,63 6,15 e 18,00 (1 segurado) 12/2008 25,37 6,15 e 18,00 (1 segurado) Informações extraídas do Anexo X GVT Ltda Planilha Remuneração Esse quadro fático, delineado nos itens 1 a 4 acima, acompanhado da sua tabela, permite identificar a ausência de riscos inerentes ao negócio mobiliário na compra de ações – consubstanciado pelo risco de mercado, pelo risco de liquidez e pelo risco envolvendo operações em derivativos dos contratos futuros –, já que a opção pela compra sempre beneficiará o trabalhador pelo exercício de suas atividades laborais na empresa, e, por Fl. 772DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES 18 consectário lógico, isso irá constituir uma simples forma de remunerar indiretamente os empregados na forma de salárioutilidade. De mais a mais, entendese que a definição do termo “stock options” (opção de compra de ações), configurado pelo contrato de concessão de opções de compra de ações da GVT – HOLDING S/A, não pode ser confundida com os seus efeitos ocorridos na relação laboral estabelecida entre a Recorrente e os seus trabalhadores, até porque o conceito é o que está dentro e efeito é aquilo que se projeta para fora desse contrato, de maneira que é impossível confundir um com o outro. Sendo o salário de contribuição, na espécie, uma questão de fato gerada pelos ganhos habituais destinados a retribuir o trabalho – ganhos estes ocorridos no momento da subscrição das ações –, não guarda maior interesse, na configuração do fato gerador da contribuição social previdenciária, apenas o conceito doutrinário de “stock options”, sendo muito mais relevante o estudo de seus efeitos na concessão de opção de compra de ações pela Recorrente para os trabalhadores. Como já afirmado, é plenamente possível a existência de um plano de opção de compra de ações (“stock option plan”) que não gere nenhum efeito direto dentro da relação laboral, mas isso irá acontecer quando a subscrição e a transferência de titularidade das ações possuem natureza exclusivamente de contrato mercantil nos moldes do § 3º do artigo 168 da Lei 6.404/1976, fato este não evidenciado nos autos. Esse entendimento ganha relevo no fato de que as relações estabelecidas pela Companhia (Recorrente) na alienação de suas ações, sobretudo em sociedade aberta, deverão possuir natureza de sociedade de capital, em que o importante é tão somente o capital investido pelos sócios na empresa. No caso dos autos, não se está presumindo o ganho habitual concedido pela Recorrente aos seus trabalhadores, haja vista que somente ocorreu o lançamento no momento da efetiva subscrição e transferência de titularidade das ações da empresa para os seus trabalhadores, sendo que isso ocasionou um ganho oriundo da aquisição de um bem por valor simbólico, este determinado exclusivamente pela Recorrente e não pelo valor de mercado mobiliário nem pelo valor de custo. A Recorrente tenta descaracterizar a natureza salarial dos benefícios concedidos por meio da opção de compra de ações (“stock options”) alegando que são pagos por mera liberalidade da empresa e sem habitualidade (ganhos eventuais), uma vez que a concessão à compra de ações era desvinculada da prestação de serviço e da remuneração dos segurados. Ocorre que tal entendimento não pode prevalecer. A meu ver, a habitualidade (não eventualidade) não fica caracterizada apenas pelo pagamento em tempo certo, de forma mensal, bimestral, semestral, ou anual, mas pela garantia do recebimento a cada implemento de condição por parte do trabalhador. Tanto ficou configurada a habitualidade que a Recorrente disponibilizou a opção de compra das ações com um período completo de maturação de 4 (quatro) anos, sendo que 25% das opções estarão disponíveis a cada aniversário da data de concessão (cláusula 5.2 do Contrato de Concessão de Opções de Compra de Ações). E, após o término do respectivo período de maturação indicado na oferta de opções, essas opções de compra de ações (“stock options”) estariam disponíveis e poderiam ser exercidas, total ou parcialmente, pelos segurados empregados, diretores e administradores admitidos antes de 31/12/2003, bem como àqueles admitidos após esta data que ocupem posiçõeschave na Companhia e nas subsidiárias, e a outras pessoas físicas ou jurídicas expressamente indicadas pelo Conselho de Administração (cláusula 5.3). Portanto, a habitualidade, no presente caso, resta caracterizada em decorrência da própria política de concessão e do período de maturação engendrado pela Recorrente, materializandose na disponibilidade da compra de ações pelos segurados por valor inferior ao valor de mercado, e, Fl. 773DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 11624.720210/201249 Acórdão n.º 2402004.480 S2C4T2 Fl. 11 19 por consectário lógico, gerando um ganho no momento do exercício da opção de compra, viabilizado pelo ato de subscrição e integralização das ações. Dessa forma, a opção de compra de ações (“stock options”), da forma como foi concedida pela Recorrente, é instrumento de incentivo para a permanência dos segurados nos quadros funcionais da Recorrente, bem como afastou (ou minimizou) os riscos atribuídos ao próprio negócio mobiliário, e, por consectário lógico, isso gerou um ganho habitual sob a forma de utilidade, o que flagrantemente constitui uma remuneração vinculada ao salário, nos termos do art. 28, incisos I e III, da Lei 8.212/1991. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5°; (Redação dada pela Lei n° 9.876, de 1999). A remuneração paga ou creditada por meio de folha de pagamento, ou qualquer outro documento contábil, é apenas uma das formas de salário de contribuição (base de cálculo) para incidência da contribuição social previdenciária, mas não é única maneira de se constatar a totalidade dos rendimentos auferidos pelos segurados empregados e contribuintes individuais. Conforme se infere da redação do art. 28, incisos I e III, da Lei 8.212/1991, o salário de contribuição estabelecido no bojo desse artigo prevê outras formas de configurar os rendimentos destinados a retribuir o trabalho, abarcando inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades (salárioutilidade). Esse raciocínio tem aplicação à hipótese em que se apura os ganhos habituais destinados a retribuir os trabalhadores, oriundos do desvirtuamento da mera opção de compra de ações, pois onde houver o mesmo fundamento fático haverá a incidência da mesma regra jurídica, conforme a máxima: onde houver o mesmo fundamento haverá o mesmo direito (ubi eadem ratio, ibi idem jus). O entendimento delineado acima está em conformidade ao art. 201, § 11, da CF/1988, já que os ganhos habituais dos empregados, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de incidência da contribuição social previdenciária. Com isso – no que diz respeito ao argumento de que a subscrição das ações concedidas aos trabalhadores não seria salário de contribuição e deveria enquadrarse como ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário –, essa alegação da Fl. 774DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES 20 Recorrente não será acatada, eis que o Fisco configurou o fato gerador da contribuição previdenciária, a teor do art. 28, incisos I e III, da Lei 8.212/1991 c/c o art. 201, §116, da Constituição Federal de 1988. É importante esclarecer que as cláusulas firmadas no contrato de concessão de opções de compra de ações da GVT – HOLDING S/A não têm o condão de afastar a incidência da lei, pois pouco importa que neste contrato esteja previsto expressamente que o plano é de natureza exclusivamente societária e não cria qualquer obrigação trabalhista ou previdenciária entre a Companhia, suas subsidiárias e os Participantes, se o contrário resulta da legislação previdenciária (Lei 8.212/1991). Isso está em consonância com o art. 126 do Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966 –, in verbis: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas a responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Do momento da ocorrência do Fato Gerador A Recorrente argumenta que não houve pagamento ou mesmo ganho, e, portanto, a opção de compra de ações (“stock options”) não poderia constituir salário de contribuição, sendo indevido o lançamento fiscal. Tal alegação não será acatada, eis que o tipo tributário delineado pelo legislador para a configuração do salário de contribuição, base de cálculo da incidência da contribuição previdenciária, comporta uma remuneração com tipo misto cumulativo7 – bastando a presença de uma forma de rendimentos para que se legitime a incidência da contribuição previdenciária –, incluindo os ganhos habituais sob a forma de utilidades (salárioutilidade) destinados a retribuir o trabalho, a teor do art. 28, inciso I, da Lei 8.212/1991 c/c o art. 201, §11, da Constituição Federal de 1988. Nesse caminhar, no momento em que houve o direito de opção (com a efetiva outorga) pela ações, materializandose pelo ato de subscrição e de integralização das ações, ocorreu, sim, o fato gerador – ainda que não tenha havido a efetiva venda a terceiros –, pois, naquela oportunidade, os segurados empregados e contribuintes individuais integralizaram a efetiva compra das ações sobre o preço de exercício – com o valor inferior ao preço de mercado da compra das ações –, e, por consequência, isso representou um ganho direto ao trabalhador na forma de salárioutilidade. Esse ato de subscrição e de integralização das ações delineia uma situação jurídica nos moldes do art. 116, inciso II, combinado com o art. 117, ambos do Código Tributário Nacional (CTN). Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; 6 Artigo 201, §11, CF/1988: Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. 7 Tipo misto cumulativo: o legislador descreve mais de uma forma de se averiguar a base de cálculo do tributo, no caso em tela o salário de contribuição. Se o sujeito passivo incorrer em mais de uma forma de rendimentos, dentro do mesmo contexto fático, irá incidir a tributação para cada fato ou núcleo praticado. Fl. 775DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 11624.720210/201249 Acórdão n.º 2402004.480 S2C4T2 Fl. 12 21 II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Art. 117. Para os efeitos do inciso II do artigo anterior e salvo disposição de lei em contrário, os atos ou negócios jurídicos condicionais reputamse perfeitos e acabados: I sendo suspensiva a condição, desde o momento de seu implemento; II sendo resolutória a condição, desde o momento da prática do ato ou da celebração do negócio. Conforme demonstrado no item anterior – consubstanciado pela diferença entre o contrato mercantil e a remuneração –, houve o desvirtuamento do “stock options” em sua natureza inicial (conceitual), qual seja, mera operação mercantil, razão pela qual o Fisco procedeu ao lançamento do rendimento real dos trabalhadores (diferença entre o preço de exercício e o preço de mercado no momento da opção pela compra das ações). Se não tivesse ocorrido o desvirtuamento da concepção conceitual da “stock options”, não se poderia materializar a ocorrência do fato gerador em todos os seus aspectos (material, temporal, espacial, pessoal e quantitativo), posto que não restaria configurada a remuneração indireta (salárioutilidade). Cumpre esclarecer, novamente, que o simples ganho conceitual pela outorga de ações não constitui salário de contribuição, vez tratarse de operação mercantil. Contudo, na forma como foi materializada pela Recorrente, afastando os riscos inerentes ao negócio jurídico, comuns nas compras de ações, isso representou, na realidade, um ganho na forma de salárioutilidade (remuneração indireta). Ademais, também afasto o argumento de que o fato gerador (se existisse) só se daria no momento da venda a terceiros. O momento da ocorrência do fato gerador deuse com a concretização da opção, transferência da titularidade da ação (aspecto temporal e material do fato gerador), auferindo um ganho indireto (o direito de compra). Não podemos dizer que se dará apenas com a venda, pois poderemos nos deparar com situações em que o empregado nunca realizasse essa venda. Mas, possua o “bem” (direito à ação), direito esse concedido, como no presente caso, pela contraprestação do serviços. A Recorrente alega revisão ou cancelamento do lançamento fiscal, pois apresentou todas informações possíveis, não incorrendo em negativa de cumprir qualquer determinação feita pelo Fisco, não sendo cabível o arbitramento efetuado. Tal alegação é infundada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício, com a utilização da base de cálculo decorrente de aferição indireta. Esta decorre de um ato necessário e devidamente motivado, conforme registro no Relatório Fiscal – itens “33, 34, 37 e 39 a 43” (fls. 83/106) –, visto que a auditoria fiscal demonstrou que a escrituração contábil da Recorrente não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, ou seja ela deixou de realizar a escrituração contábil de uma parte da remuneração dos segurados, esta concedida por meio de benefícios oriundos do Plano de Opções de Ações (“stock options plan”) que ocasionou uma diferença entre o valor pago pelos segurados e o valor do bem concedido pela Recorrente. Fl. 776DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES 22 Essa demonstração de que não houve o registro contábil do movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço ficou assentada no Relatório Fiscal nos seguintes termos (fls. 83/106): “[...] 34. Passase à análise do Contrato: 34.1. Conforme alínea “a” da cláusula 6.5, o participante autorizaria a venda da ação e receberia diretamente a diferença entre o preço de venda e o preço de exercício da ação. Segundo a GVT, somente a forma de exercício prevista em “b” foi utilizada, tendo em vista a nãoonerosidade da forma prevista na alínea “a” (o trabalhador não precisaria dispender numerário para a compra da ação), o que caracterizaria a remuneração. 34.2. É necessário fazer considerações sobre esta interpretação incorreta. Como já analisado no item 29.2.3 deste relatório, a onerosidade por si não é fator impeditivo para a configuração salarial. Tratase de onerosidade parcial, pois não é pago pelo trabalhador o valor integral do bem, mas apenas parte dele. A outra parte, que se configura salário, é subsidiada pela empresa. No exemplo citado anteriormente, uma ação vale R$ 36 e o trabalhador paga apenas R$ 6. Onde está a onerosidade? Apenas nos R$ 6. Os restantes R$ 30 são arcados pela empresa, pelo seu custo de oportunidade. Consequentemente, não há diferença ontológica entre as duas formas de exercício, apenas procedimental. Tanto o Exercício da Opção procedido na forma da alínea “a” como da “b” configuramse remuneração, pela diferença entre o valor pago e o valor do bem. (g.n.) (...) AFERIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO 39. Tendo em vista a característica especial da remuneração utilidade ora analisada é necessário que se faça a aferição do valor da base de cálculo do tributo por meio de arbitramento previsto no art. 148 do CTN e §6o, art. 33, da Lei 8.212/91 (a fundamentação legal da aferição indireta encontrase discriminada no anexo FLD Fundamentos Legais do Débito). A base de cálculo do tributo deve corresponder ao valor real da utilidade fornecida ao trabalhador. (g.n.) (...) 40. O Relatório dos Peritos da Comissão Européia 8 (anexo I) constatou que “(...) na maioria dos países, os planos de opções de ações para empregados são tributados quando a opção é exercida, ou seja, quando o preço de exercício é pago e se obtêm as ações. Habitualmente, não há qualquer problema de avaliação, pelo menos para as ações cotadas. O montante tributado é igual à diferença entre o valor de mercado, mais alto, das ações obtidas e o custo da sua obtenção (...)” (grifou se) 41. Nesta ação fiscal foi utilizado um critério de aferição semelhante, contudo mais benéfico ao contribuinte, ou seja, considerouse a remuneração como a diferença entre o valor médio de mercado no dia do exercício da opção pelo trabalhador e o valor pago pela opção. (g.n.) Fl. 777DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 11624.720210/201249 Acórdão n.º 2402004.480 S2C4T2 Fl. 13 23 42. A GVT HOLDING S/A apresentou à fiscalização, em 09/04/2012, planilha demonstrativa (anexo VI) das opções disponibilizadas e também exercidas pelos funcionários do GRUPO GVT no período fiscalizado, identificando os vínculos destes trabalhadores com a holding, suas controladas, preço de exercício da opção, tendo informado, ainda, o preço médio de mercado no respectivo dia do exercício. De acordo com a planilha fornecida, na GVT LTDA cerca de 600 trabalhadores exerceram suas opções. Efetuouse a tabela do anexo X, que indica os nomes, CPF, PIS/NIT dos trabalhadores, datas de exercício, quantidades de opções exercidas, valores de mercado e de exercício das opções, bem como o cálculo da remuneração individual de cada trabalhador. Conforme demonstrado na referida tabela, o valor da remuneração aferido (D) correspondeu à quantidade de opções exercidas (A), multiplicada pela diferença entre o valor médio de mercado no dia do exercício e o valor de exercício da opção (BC). 43. As somas mensais das remunerações obtidas estão discriminadas no Relatório de Lançamentos (RL), parte integrante deste Processo. [...]” (Relatório Fiscal) Nesses itens “33, 34, 37 e 39 a 43”, constatase que é incontroverso que a contabilidade da Recorrente não registrou o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, bem como a totalidade de suas despesas, já que o Fisco demonstrou que ocorreu a escrituração contábil em conta de despesa (conta 31310017 – Stock Options) e não ocorreu a devida escrituração em conta de remuneração, nos seguintes termos: “[...] 37. O registro contábil das despesas de 2008 com o plano de opções de ações foi feito na GVT HOLDING S/A mediante lançamento único de R$ 21.956.658,56, em 31/12/2008, a débito da conta 31310017 – Stock Options e a crédito da conta de Patrimônio Líquido, 25210102 – Stock Options. Segundo a GVT HOLDING S/A, sua avaliação foi efetuada pelo método de Black & Scholes para as opções concedidas na vigência da norma IFRS 2 e segundo seus valores intrínsecos na data da oferta pública, para aquelas opções concedidas anteriormente à norma contábil internacional. A despesa referente aos exercícios anteriores também foi lançada no dia 31/12/2008, nas mesmas contas, no valor de R$ 59.245.892,47. [...]” Com efeito, vêse que a eficácia probatória dos livros e documentos contábeis, analisados pela auditoria fiscal, operase contra a Recorrente, eis que esses documentos cotejados entre a folha de pagamento e as declarações prestadas pela própria empresa evidenciaram que a sua contabilidade não registrou o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço e, por consectário lógico, isso permitiu a utilização do procedimento de aferição indireta, a teor das regras previstas nos §§ 1°, 3° e 6° do art. 33 da Lei 8.212/1991 combinadas com a regra do art. 148 do CTN. Logo, a contribuição social previdenciária apurada pela técnica de aferição indireta é adequada, razoável e proporcional, não merecendo ser reformada. Assim, o lançamento fiscal ora analisado está amparado no art. 33, §§ 3° e 6°, da Lei 8.212/1991 e no art. 148 do CTN, encontrandose lavrado dentro da legalidade. Fl. 778DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES 24 Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. ......................................................................................................... Lei 8.212/1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o. É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o. A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (g.n.) Sobre as alíquotas aplicadas pelo Fisco, foram feitas dentro dos liames legais e estão devidamente discriminadas no item 07 do Relatório fiscal e a base de cálculo das contribuições previdenciárias foi apurada por meio da técnica de aferição indireta Fl. 779DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 11624.720210/201249 Acórdão n.º 2402004.480 S2C4T2 Fl. 14 25 (arbitramento), o qual não previu a incidência de contribuições sociais sobre verbas de natureza indenizatória, mas tão somente sobre a diferença entre o valor pago pelos segurados e o valor do bem concedido pela Recorrente, conforme o Discriminativo do Débito (DD) e o Relatório de Lançamento (RL). Assim, não cabe razão à Recorrente, quando afirma que as contribuições incidiram sobre rubricas de natureza indenizatórias e eventuais (não habituais). Portanto, o procedimento de aferição indireta utilizado pela auditoria fiscal, para a apuração da contribuição previdenciária, foi corretamente aplicado, pois a auditoria fiscal demonstrou que a escrituração contábil da Recorrente não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, podendo o Fisco inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. Em decorrência dos princípios da autotutela e da legalidade objetiva, no que tange à multa aplicada de 75% sobre as contribuições devidas até a competência 11/2008, entendo que deverá ser aplicada a legislação vigente à época do fato gerador. A questão a ser enfrentada é a retroatividade benéfica para redução ou mesmo exclusão das multas aplicadas através de lançamentos fiscais de contribuições previdenciárias na vigência da Medida Provisória (MP) 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mas nos casos em que os fatos geradores ocorreram antes de sua edição. É que a medida provisória revogou o art. 35 da Lei 8.212/1991 que trazia as regras de aplicação das multas de mora, inclusive no caso de lançamento fiscal, e em substituição adotou a regra que já existia para os demais tributos federais, que é a multa de ofício de, no mínimo, 75% do valor devido. Para tanto, devese examinar cada um dos dispositivos legais que tenham relação com a matéria. Prefiro começar com a regra vigente à época dos fatos geradores (art. 35 da Lei 8.212/19918). De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, 8 Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 780DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES 26 independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo portanto necessária a constituição do crédito tributário por meio de lançamento, ainda assim a multa era de mora. A redação do dispositivo legal, em especial os trechos por mim destacados, é muito claro nesse sentido. Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora. Contemporâneo à essa regra especial aplicável apenas às contribuições previdenciárias já vigia, desde 27/12/1996, o art. 44 da Lei 9.430/1996, aplicável a todos os demais tributos federais: Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. É certo que esse possível conflito de normas é apenas aparente, pois como se sabe a norma especial prevalece sobre a geral, sendo isso um dos critérios para a solução dessa controvérsia. Para os fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até a MP no 449 aplicavase exclusivamente o art. 35 da Lei 8.212/1991. Portanto, a sistemática dos artigos 44 e 61 da Lei 9.430/1996, para a qual multas de ofício e de mora são excludentes entre si, não se aplica às contribuições previdenciárias. Quando a destempo mas espontâneo o pagamento aplicase a multa de mora e, caso contrário, seja necessário um procedimento de ofício para apuração do valor devido e cobrança através de lançamento então a multa é de ofício. Enquanto na primeira se pune o atraso no pagamento, na segunda multa, a falta de espontaneidade. Logo, repetese: no caso das contribuições previdenciárias somente o atraso era punido e nenhuma dessas regras se aplicava; portanto, não vejo como se aplicar, sem observância da regra especial que era prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991, a multa de ofício aos lançamentos de fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória (MP) 449. Embora os fatos geradores tenham ocorridos antes, o lançamento foi realizado na vigência da MP 449. Por sua vez, o Código Tributário Nacional (CTN) estabelece que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Fl. 781DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 11624.720210/201249 Acórdão n.º 2402004.480 S2C4T2 Fl. 15 27 Ainda dentro desse contexto, pela legislação da época da ocorrência do fato gerador, seriam duas multas distintas a serem aplicadas pela AuditoriaFiscal: 1. uma relativa ao descumprimento da obrigação acessória – capitulada no Código de Fundamento Legal (CFL) 68 –, com base o art. 32, IV e § 5o, da Lei 8.212/1991, no total de 100% do valor devido, relativo às contribuições não declaradas, limitada em função do número de segurados; 2. outra pelo descumprimento da obrigação principal, correspondente, inicialmente, à multa de mora de 24% prevista no art. 35, II, alínea “a”, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.876/1999. Tal artigo traz expresso os percentuais da multa moratória a serem aplicados aos débitos previdenciários. Essa sistemática de aplicação da multa decorrente de obrigação principal sofreu alteração por meio do disposto nos arts. 35 e 35A, ambos da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 11.941/2009. Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (g,n,) ......................................................................................................... Lei 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Em decorrência da disposição acima, percebese que a multa prevista no art. 61 da Lei 9.430/96, se aplica aos casos de contribuições que, embora tenham sido espontaneamente declaradas pelo sujeito passivo, deixaram de ser recolhidas no prazo previsto na legislação. Esta multa, portanto, se aplica aos casos de recolhimento em atraso, que não é o caso do presente processo. Por outro lado, a regra do art. 35A da Lei 8.212/1991 (acrescentado pela Lei 11.941/2009) aplicase aos lançamentos de ofício, que é o caso do presente processo, em que o sujeito passivo deixou de declarar fatos geradores das contribuições previdenciárias e Fl. 782DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES 28 consequentemente de recolhêlos, com o percentual 75%, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/1996. Lei 8.212/1991: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. (g.n.) Assim, não havendo o recolhimento da obrigação principal não declarada em GFIP, passou a ser devida a incidência da multa de ofício de 75% sobre o valor não recolhido, como segue: Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Entretanto, não há espaço jurídico para aplicação do art. 35A da Lei 8.212/1991 em sua integralidade, eis que o critério jurídico a ser adotado é do art. 144 do CTN (tempus regit actum: o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada). Dessa forma, entendo que, para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II, da Lei 8.212/1991), limitando a multa ao patamar de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996. Embora a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) seja mais benéfica na atual situação em que se encontra a presente autuação, caso esta venha a ser executada judicialmente, poderá ser reajustada para o patamar de até 100% do valor principal. Neste caso, considerando que a multa prevista pelo art. 44 da Lei 9.430/1996 limitase ao percentual de 75% do valor principal e adotando a regra interpretativa constante do art. 106 do CTN, deve ser aplicado o percentual de 75% caso a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) supere o seu patamar. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso voluntário e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer que, com relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 783DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 11624.720210/201249 Acórdão n.º 2402004.480 S2C4T2 Fl. 16 29 Declaração de Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões Relator Inicio com meus cumprimentos ao relator pelo forte e consistente voto, como é habitual de sua lavra. Peço vênia para dele divergir em parte, com a certeza de contribuirmos juntos para a convicção da Turma em tão relevante matéria. Para tanto, entendo necessário revisitar o conjunto normativo que positiva a sistemática de incidência das contribuições sociais previdenciárias, delimitando sua hipótese. Em seguida analisaremos a natureza jurídica do plano de opção de compra de ações (ou no inglês SOP – stock options plan)9. Ao final, serão avaliadas as particularidades do caso concreto, buscando a verificação da subsunção e consequente avaliação da sustentabilidade do crédito lançado. DOS LIMITES CONSTITUCIONAIS PARA A REGRAMATRIZ DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Na forma prescrita pelos artigos 14910 e 195, I, “a” da Constituição Federal11 a União é a pessoa jurídica competente para instituir as contribuições sociais, concedendolhe a faculdade de tributar o empregador, a empresa ou a entidade a ela equiparada. Para tanto, o legislador constituinte, firmou como limite constitucional para a base de cálculo a folha de salários e demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Estas são normas de estrutura, autorizadoras para que a União tribute dentro de tais limites. Sua finalidade é a garantia dos direitos fundamentais do contribuinte. Não cabe confundilas com a regramatriz de incidência tributária mesma. Nesse sentido ensina Roque Antonio Carrazza: 9 Pedimos licença para adotar determinadas nomenclaturas na língua inglesa, vez que a origem e grande parte dos conceitos vinculados ao tema derivam do direito norteamericano, introdutor do instituto. 10 “Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo.” 11 “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (...) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;” Fl. 784DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES 30 “Noutro falar, a competência tributária é a habilitação ou, se preferirmos, a faculdade potencial que a Constituição confere a determinadas pessoas (as pessoas jurídicas de direito público interno) para que, por meio de lei, tributem12.” ARQUÉTIPO CONSTITUCIONAL X RMIT Por arquétipo constitucional entendese a regramatriz de incidência possível dos tributos, contida de moda expressa ou indireta na Carta Política. Tratase, portanto, da delegação de competência tributária aos entes tributantes para instituição dos tipos, de forma geral e abstrata. A sobreposição do arquétipo constitucional da contribuição patronal com sua regramatriz de incidência legal aponta materialidades residuais, presentes na primeira, mas não exercida na segunda. Nada obsta essa prática, pois como exposto a facultatividade é característica inerente à competência. Assim no exercício dessa competência delegada, o legislador ordinário houve por bem não esgotar todo o campo da materialidade tributária possível para instituição da contribuição social sobre a folha salarial. As materialidades deixadas de lado são aquelas referentes às remunerações pagas aos empregados que não em contraprestação pelo trabalho (art. 22, I, Lei nº 8.212/1991), bem como aquelas pagas de maneira eventual (art. 28, § 9º, “e”, “7”, Lei nº 8.212/1991). Podemos dizer que o arquétipo constitucional alberga as materialidades potenciais colocadas pelo constituinte à disposição do legislador ordinário para instituição dos tributos. Essas materialidades potenciais podem ser ou não exercidas, no todo ou em parte. No caso em análise, este exercício restringiuse à tributação das remunerações pagas em contraprestação pelo trabalho dos empregados da pessoa jurídica, de maneia habitual. Configurase neste ponto a competência tributária exercida. No confronto da competência potencial com a competência exercida, identificamos as materialidades residuais, correspondentes ao comportamento do contribuinte de pagar remuneração, que não constitui fato gerador da contribuição social patronal. Pela necessária relação de inerência existente entre a materialidade normativa e seu critério quantitativo, identificamos os valores pagos aos empregados do contribuinte que não se incluem na base de cálculo do tipo em análise: ARQUÉTIPO CONSTITUCIONAL 12Curso de direito constitucional tributário. 22ª Ed, Malheiros, São Paulo, 2006. Fl. 785DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 11624.720210/201249 Acórdão n.º 2402004.480 S2C4T2 Fl. 17 31 REGRAMATRIZ DE INCIDÊNCIA LEGAL VISUALIZAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA O exercício de tal faculdade potencial se deu com a vigência na norma insculpida no artigo 22, I, da Lei nº 8.212/1991: “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: Antecedente Conseqüente Critériomaterial Pagar dinheiro a empregado Critério quantitativo Base de cálculo Valor pago Alíquota 20% Critério espacial Território nacional Critério pessoal Sujeito ativo União Critério temporal Momento do pagamento Sujeito passivo Empregador Antecedente Conseqüente Critériomaterial Pagar remuneração a segurado em contra‐ prestação pelo trabalho, de maneira habitual Critério quantitativo Base de cálculo Remuneração paga Alíquota 20% Critério espacial Território nacional Critério pessoal Sujeito ativo União Critério temporal Momento do pagamento Sujeito passivo Empregador Contra‐prestação pelo trabalho habitual 70% Paga a não segurado 10% Eventual 10%Sem contra‐prestação 10% Remuneração Fl. 786DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES 32 I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa.” É dizer que a União, apesar de ter competência para instituir contribuições sociais sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício, optou por discriminar algumas parcelas dessa base de cálculo potencial. Vejamos: § Não se refere a todos os trabalhadores, mas sim aos segurados empregados e trabalhadores avulsos. § Não se refere a todos os rendimentos, mas sim aos rendimentos destinados a retribuir o trabalho. § E, por fim, não se refere a todos os rendimentos destinados a retribuir o trabalho, mas sim àqueles que são percebidos de forma habitual. Sobre os pontos, importante se faz melhor análise do critério habitualidade. DO CONTEÚDO DO ART. 28, § 9º, DA LEI Nº 8.212/91 Demonstrada a hipótese de incidência das contribuições sociais sobre a folha de salários, a análise do caso concreto também demanda estudo das hipóteses de isenção previstas pela Lei nº 8.212/91. O art. 22, § 2º, da Lei nº 8.212/9113 exclui da basedecálculo da contribuição previdenciária patronal as importâncias arroladas no § 9º do artigo 28 dessa lei. O item 7 da alínea “e” desse parágrafo isenta de tributação previdenciária as importâncias recebidas como ganhos eventuais: “§ 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...)7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário;” O enunciado não especifica a natureza jurídica da importância; identifica a isenção tãosomente pela eventualidade. Todas as importâncias pagas de forma eventual são isentas de contribuição previdenciária, independentemente da sua natureza jurídica. Não 13 “§ 2º Não integram a remuneração as parcelas de que trata o § 9º do art. 28.” Fl. 787DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 11624.720210/201249 Acórdão n.º 2402004.480 S2C4T2 Fl. 18 33 interessa, pois, à verificação da isenção a natureza da importância paga, mas, tão somente, se fora paga sem periodicidade e expectativa de reiteração. A isenção não age sobre as importâncias nãoremuneratórias. Esses valores são desonerados pela nãoincidência, na medida em que a obrigação tributária pressupõe o pagamento ou crédito de remuneração. A isenção se interessa pelas importâncias que impõe a incidência, mas que, por escolha legislativa, são excluídas da basedecálculo do tributo. O ato de pagar ou creditar remuneração enseja a incidência, mas nem todas as remunerações pagas ou creditadas, contudo, integram a basedecálculo da contribuição. Essa condição, observadas as outras hipóteses de isenção previstas no § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, é reservada apenas às remunerações habituais, ou seja, periódicas e expectadas. Outra interpretação esvaziaria o sentido e eficácia do item 7 da alínea “e” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, porque é impossível a aplicação de regra de isenção sobre importância nãoincidente. As importâncias isentas são, em dado momento, incidentes; a desoneração atua sobre a basedecálculo destruindo parcialmente a regramatriz de incidência tributárias: “Por esse motivo, a título exemplificativo e levando em conta que a contribuição ao PIS e à COFINS apresentam como critério material da hipótese normativa o fato de auferir receitas”, tendo como base de cálculo exatamente o montante destas, qualquer supressão acaba por mutilar a regramatriz de incidência tributária. É o que fazem, por exemplo, o art. 1º, § 3º, IV, da Lei nº 10.637/02, e o art. 1º, § 3º, II, da Lei nº 10.833/03: atacam o critério quantitativo da norma que determina a tributação, atingindo, mais especificamente, a base de cálculo. Essas mesmas leis, entretanto, prescrevem que as receitas nãooperacionais, decorrentes da venda do ativo imobilizado e permanente, não integram a base de cálculo dos gravames examinados (art. 1º, § 3º, IV, da Lei nº 10.637/02, e o art. 1º, § 3º, II, da Lei nº 10.833/03, respectivamente). Ao relacionar as espécies de receitas que são excluídas da base de cálculo tributária, referidas leis acabaram por instituir verdadeira isenção, mediante mutilação parcial do critério quantitativo da regra matriz de incidência.” 14 Igual sentido, outrossim, são as lições de José Souto Maior Borges15 e Alfredo Augusto Becker16, que, utilizandose de outros métodos, descrevem a isenção como a exclusão de parcela incidente da basedecálculo do tributo constituído. Dessa investigação, podemos extrair algumas conclusões que serão úteis na definição do caso concreto: 14 CARVALHO, Paulo de Barros. Direito Tributário, Linguagem e Método. 3ª Ed. São Paulo: Noeses. 2009, p. 594. 15 BORGES, José Souto Maior. Isenções Tributárias. São Paulo: Sugestões Literárias. 1969, p. 190. 16 BECKER, Alfredo Augusto. Teoria Geral do Direito Tributário. São Paulo: Saraiva. 1972, p. 277. Fl. 788DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES 34 § O item 07 da alínea e do § 9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/91 é norma de isenção; § A isenção enunciada atinge todas as importâncias pagas ou creditadas de forma eventual, incluindose as remunerações. Não obstante se utilizar da eventualidade para identificar a importância isenta, o legislador se omitiu na definição do seu sentido, transferindo à doutrina e à jurisprudência essa tarefa. Para Mannrich17, o fato é eventual quando não é expectado (previsível), e/ou quando expectado não se reitera de forma periódica. Enquanto o hábito pressupõe a previsibilidade e a periodicidade, o evento (eventual) exige a imprevisibilidade e/ou a aleatoriedade do fato. A importância paga sem expectativa (previsibilidade) ou sem reiteração determinada (periodicidade) se caracteriza, portanto, como eventual, não integrando a basedecálculo da contribuição previdenciária, inobstante a natureza jurídica remuneratória. Exigese para a aplicação do item 07 da alínea e do § 9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/91, portanto, que a remuneração não seja expectada pelo remunerado (segurado), e/ou que não seja paga ou creditada com periodicidade. O Tribunal Superior do Trabalho – TST modelou esses critérios através da Súmula nº 291, que julgou habitual a remuneração recebida ininterruptamente pelo período mínimo de um ano. Para o TST, portanto, a habitualidade se caracteriza pela periodicidade mínima de doze vezes ao ano: “A supressão, pelo empregador, do serviço suplementar prestado com habitualidade, durante pelo menos um ano, assegura ao empregado o direito à indenização correspondente ao valor de um mês das horas suprimidas para cada ano ou fração igual ou superior a 6 (seis) meses de prestação de serviço acima da jornada normal. O cálculo observará a média das horas suplementares efetivamente trabalhadas nos últimos 12 (doze) meses, multiplicada pelo valor da hora extra do dia da supressão.” Ou seja, para aquele Tribunal, as remunerações pagas ou creditadas sem previsibilidade e/ou reiteração, ou seja, em periodicidade inferior a doze vezes ao ano (Súmula nº 291 do TST) são isentas de contribuição previdenciária, porque, na condição de eventuais, se amoldam à desoneração prevista no item 07 da alínea e do § 9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/91, posição que acompanho. Stock Options – natureza jurídica 17 MANNRICH, Nelson. Marketing de Incentivo: A questão da natureza jurídica do prêmio. In: SCHOUERI, Luís Eduardo. (Org.). Direito Tributário Homenagem a Paulo Barros de Carvalho. São Paulo: QuarterLatin, 2008, p. 519. Fl. 789DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 11624.720210/201249 Acórdão n.º 2402004.480 S2C4T2 Fl. 19 35 O Stock Options Plan SOP é instituto jurídico inicialmente criado nos Estados Unidos na década de 6018. No Brasil, a utilização do instrumento adquire relevância na última década, sobretudo pela ação de companhias multinacionais. No mercado de capitais, as opções de compra de ações apresentamse de duas maneiras: a) opções de venda (put options); ou b) opções de compra (call options). A essas se identificam as employee stock options ESO, ou opções de compra de ações para empregados, objeto ora analisado19. O objetivo do SOP é entregar ao colaborador da companhia, empregado ou não, um direito, consistente na faculdade de adquirir, a título oneroso, ações da mesma sob um valor préfixado (preço de exercício – strike price), ao fim de determinado lapso temporal (lockup ou vesting). Essa curta definição contém inúmeros elementos de relevância. Analisemos: § Entregar algo: notase que empregamos o verbo entregar ao invés de dar ou vender. O discrímem entre as duas categorias é naturalmente a onerosidade, que só está presente na segunda. As opções de compra por ações são negociadas de maneira onerosa no ambiente de bolsa. Nada obsta, entretanto, que o empregador opte por concedêlas a título gratuito, com as consequentes implicações jurídicas dessa opção. § Um direito: As opções de compra de ações são um direito, do qual o beneficiário passa a ser titular. A contraparte dessa relação jurídica é o próprio empregador, que se obriga a vender o bem pelo valor contratualmente préfixado. Esse direito é mensurável conforme padrões praticados pelo mercado a que se refere. § Facultatividade: o beneficiário, colaborador titular do direito de opção de compra de ações, detém a faculdade de exercela. Em não desejando, quedase inerte, e transcorrido o prazo contratual de exercício, o direito morre. Evidenciase aspecto relevante: o direito subjetivo objeto do contrato pode nunca materializarse em seu conteúdo econômico, permanecendo latente até sua extinção. Por essa razão, entendemos imperativo condicionar o fato gerador em concreto da obrigação tributária ao substrato econômico do contexto, qual seja, o ganho de capital auferido pelo beneficiário. Entender o contrário é admitir a incidência sobre um ganho potencial, o que vai de encontro ao princípio da Equidade na participação do Custeio, informador da espécie tributária em análise. 18 TAKATA, Marcos Shigueo. A Nova Contabilidade Relativa às Stock Options – Sua Relação e Reflexo ou não no Direito Tributário. In Controvérsias JurídicoContábeis (Aproximações e Distanciamentos). 2º Volume. São Paulo: Dialética, 2011. p. 153. 19 A doutrina não é uniforme em relação à categorização das ESP como call options, vez que seus contornos não são taxativamente standarizados, havendo maior margem para flexibilização dos preços, prazos e condições. Fl. 790DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES 36 § Onerosidade: é característica da SOP a onerosidade, elemento essencial para configuração da natureza mercantil do negócio jurídico. Alertamos para o seguinte ponto: não se confunde a onerosidade referente ao preço pago pela opção (se existente, que é facultativa à discricionariedade do empregador), com a onerosidade do conteúdo da opção, que é o próprio direito à participação acionária. Esta última é vinculada ao arquétipo do SOP, sem a qual deixa de ser um contrato mercantil para transformase em remuneração decorrente da relação laboral. § Preço de exercício (strike price): é o valor a ser pago pelo colaborador pela aquisição das ações, após o período de lockup. Tem como referência a cotação oficial da ação no dia da outorga da opção. Regra geral, o preço de exercício é menor que a cotação oficial. Por exemplo, ações negociadas na bolsa de valores a R$10,00 que são optadas por R$8,00 no SOP. Nada obsta que o valor fosse idêntico, ou até superior, o que não é impossível, porém improvável em função da inutilidade dessa hipótese para os fins pretendidos pelas partes. Essa diferença monetária é juridicamente relevante, pois que pode representar uma vantagem concedida pela empresa ao colaborador. Em nosso entender essa vantagem, uma vez materializada financeiramente, não se conforma com o arquétipo do contrato mercantil, vez que não haveria propósito negocial para o desconto que não decorrente do contrato de trabalho20. Ao lado da PLR, o instituto da SOP é provavelmente o mais eficaz meio de integração capital/trabalho de que dispõem as companhias. Representa, de parte do acionista, a disposição voluntária de parcela do seu patrimônio para entregála aos colaboradores; e nestes, o cultivo do sentimento de participação, de persecução conjunta do objetivo empresarial final, o lucro e a valorização da companhia. O reflexo imediato da implementação bem sucedida do programa é o alinhamento dos interesses e expectativas no meio ambiente de trabalho. De fato, se antes o simples exercício individual da função era suficiente para o percebimento da remuneração, a introdução de uma nova perspectiva de ganho (decorrente da valorização do valor da companhia) promove a gênese de dois elementos de enorme potencial produtivo: o engajamento e a cooperação. Nesse sentido tivemos a oportunidade de pontuar: Isso permite o nascimento no ambiente laboral do que os franceses chamam de morale. Morale (ou esprit de corps) é o sentimento comum de companheirismo, entusiasmo e devoção de um grupo a uma causa comum, independente das adversidades opostas: An American general defined morale as "when a soldier thinks his army is the best in the world, his regiment the best in the army, his company the best in the regiment, his squad the best in the company, and that he himself is the best blanketyblank soldier man in the outfit.21 20 CARF, PAF 15889.000245/201046, Acórdão 2301003.597, 3ª Câmara/1ªTO, Declaração de Voto do Conselheiro Mauro José Silva. 21 Knickerbocker, H.R. (1941). Is Tomorrow Hitler's? 200 Questions On the Battle of Mankind. Reynal & Hitchcock. p. 96. Fl. 791DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 11624.720210/201249 Acórdão n.º 2402004.480 S2C4T2 Fl. 20 37 Morale is the capacity of a group of people to pull together persistently and consistently in pursuit of a common purpose".22 Tratase de rompimento do paradigma anterior, minando a bipolarização orgânica capital/trabalho, e tornando a atitude individualista inconveniente não só para o todo, mas para o próprio indivíduo. Não nos enganemos também em pensar que o acionista entrega parcela do fruto do capital por altruísmo. Pelo contrário, essa disposição voluntária do patrimônio visa unicamente aumentar o tamanho da sua parcela, gerada pelo esforço extra dos colaboradores que dela participam. Tratase de um gesto altruísta, tendo por trás uma vontade egoísta, e como consequência prática um resultado duplamente positivo. Constróise assim com a PLR o que GIBBONS chamou de ganhaganha (winwin game)23 relação na qual todas as partes envolvidas saem satisfeitas, e onde a adesão emocional (satisfação) garante o comprometimento. O resultado é o fomento do sprit de corps e o ganho financeiro recíproco. São evidentes no contexto da PLR as notas que colorem o capitalismo humanista24, teoria analítica do modelo capitalista conjugado com os direitos sociais. Sua proposta é a compreensão das forças e relações produtivas considerando, além da mera expectativa de lucro, a fraternidade entre os homens. O direito, como sistema normativo direcionador de conduta, assume a função de introduzir mecanismos capazes de facilitar esse processo25. A citação comparativa revela pertinência. Tanto a PLR quanto o SOP baseiamse nos mesmos princípios, visando promover o alinhamento e o engajamento dos atores laborais por meio de um sistema meritocrático, além de ser um instrumento de retenção de talentos pelo prazo de lockup. A opção por essa técnica de gestão foi tão largamente utilizada nos Estados Unidos que hoje o pagamento de stock options representa a maior parte do pacote de “remuneração” dos executivos no mercado americano. Sistemática A lógica do SOP é simples. Parte do “pacote de remuneração”26 do colaborador é composta por SO, que então passa a deter, além dos vencimentos regulares, um potencial ganho variável. O pacote financeiro do colaborador passa a ser vinculado ao desempenho da companhia no mercado de capitais, criando motivação para que todos persigam o melhor resultado. Desse modo, os efeitos da celebração desse negócio jurídico são: 22Alexander H. Leighton, Human Relations in a Changing World: Observations on the Uses of the Social Sciences (1949). 23 GIBBONS, R. Game theory for applied economists. Princeton University Press. 1992. 24 BALERA, Wagner e SAYEG, Ricardo. O capitalismo humanista. Editora KBR. 25 BALERA, Wagner. SIMÕES, Thiago Taborda. Participação nos Lucros e nos Resultados – Natureza Jurídica e incidência previdenciária. Ed. Revista dos Tribunais, São Paulo, 2014, p. 85. 26 O jargão “pacote de remuneração” é impróprio para definir o conteúdo semântico do enunciado, já que nem tudo que se paga aos colaboradores é remuneração, nos termos da legislação brasileira, tais como as ajudas de custo, os prêmios por liberaridade e outras verbas de natureza não contraprestatória. Fl. 792DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES 38 i. aumento de produtividade em função da expectativa de ganho. ii. retenção dos empregados em função da desvantagem financeira motivada pela perda do direito às opções. Vemos que o pagamento é vinculado a uma condição suspensiva de ocorrência aleatória. Não existe segurança quanto à materialização financeira do conteúdo do ativo, que é, até o momento do exercício e da apuração do ganho de capital, apenas potencial. Assim é forçoso concluir que: i. é ganho absolutamente incerto. ii. é ganho absolutamente latente, até o momento da alienação das opções compradas. Risco É evidente que a relação jurídica instaurada entre as partes apresenta risco aos colaboradores. A resultante da equação entabulada depende de variáveis externas que não apenas o desempenho individual ou coletivo, ou da condução eficiente do negócio. Essas variáveis são diversas, tais como: a flutuação do mercado de capitais, a especulação, o câmbio, a balança comercial, a gestão do poder executivo, a concorrência, a política fiscal do governo, entre inúmeras. Essas incontroláveis forças externas evidenciam a álea como elemento informador da relação, conferindolhe a natureza de relação não linear27. “Aplicase a esse cenário o que Edward Lorenz chamou de Teoria do Caos28. O caos instaurase quando as operações de um sistema são não lineares. Diferente das operações lineares, que admitem um e apenas um resultado (2+2=4), nas operações não lineares as possibilidades de resultado das operações são inúmeras.” Qualquer colaborador que opte firmar esse negócio jurídico deve considerar esse fator antes da decisão. Mas qual é a efetiva contingência em jogo? O que de fato está em risco? A resposta é: pode existir RISCO DE PERDA ou RISCO DE NÃO GANHAR: § O RISCO DE PERDA ocorre quando o colaborador efetivamente perde, desembolsa dinheiro, que se esvai do seu patrimônio, em decorrência do contrato mercantil celebrado. Essa hipótese não levanta maiores discussões quanto à presença da álea. § O RISCO DE NÃO GANHAR é aquele na hipótese de não haver desembolso financeiro por parte do colaborador. Neste contexto, a pior hipótese possível é não haver ganho. A variável diferencial entre as hipóteses depende do modelo de formatação do plano, relativamente ao que de fato gera a onerosidade do contrato. Nesse contexto, RISCO 27 SIMÕES, Thiago Taborda. Contribuições Sociais – Aspectos Tributários e Previdenciários. São Paulo: Noeses, 2013. p. 76. 28 LORENZ, Edward N. A Essência do Caos. Tradução de Cláudia Bentes David. Brasília: Editora UNB, 1996. Fl. 793DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 11624.720210/201249 Acórdão n.º 2402004.480 S2C4T2 Fl. 21 39 e ONEROSIDADE estão geneticamente ligados, pois a segunda é justamente a causa do primeiro. Existem dois momentos de onerosidade potencial em um SOP: i. o primeiro é no momento da outorga das opções. ii. o segundo é momento do exercício, transcorrido o lockup. Ocorre que nos processos até então julgados neste Conselho, nas duas Câmaras especializadas em contribuições previdenciárias, todos os processos referiamse a planos que não optaram pela primeira hipótese de onerosidade. Isso porque, no contexto dos SOP, não é prática do mercado VENDER a opção, mas sim DOÁLA. Opções de compra de ações são figuras jurídicas regularmente comercializadas no mercado de capitais. Como qualquer ativo, elas tem preço. Em uma situação regular de mercado, o negócio jurídico de option trading é uma relação sinalagmática, que envolve direitos e prestações recíprocas. Ao comprador, o direito de exercer a opção e comprar as ações nas condições préfixadas. Ao vendedor, a obrigação de honrar o direito facultativo de exercício e entregar as ações pelo preço préfixado. Obviamente nessa relação a companhia não suporta o encargo por benevolência ou solidariedade, mas mediante o pagamento de um preço. As opções de ações são ativos que passam a ser incorporados ao patrimônio do comprador, que deve por elas pagar dinheiro à companhia concedente. Quero com isso dizer que mesmo as employee stock options são ou deveriam ser valoradas no momento da outorga, de modo que a concessão a título gratuito pela companhia enquadrase na categoria de concessão de utilidade, com os consequentes reflexos tributários. Nesse sentido, ensina a melhor doutrina: “O salárioutilidade é uma prestação fornecida gratuitamente ao empregado. A utilidade não deixa de ter um aspecto de compensação econômica pelo trabalho prestado, ainda que seja fornecida gratuitamente. [...]29 "[...] nem toda utilidade é salário. Utilidade é todo bem do qual o empregado possa servirse; [...]"30 Contextualizando essas proposições no tema do risco, a onerosidade no momento “i” está sempre presente, seja pecuniária, seja por via de concessão de utilidade. Assim, se o market price no momento do exercício for menor que o strike price, o preço de exercício, obviamente a opção não será exercida, e nenhum ganho será 29 MARTINS, Sergio Pinto. Direito do Trabalho. 28° Edição. São Paulo: Atlas, 2012. 30 NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Curso de Direito do trabalho: história e teoria geral do direito do trabalho: relações individuais e coletivas. 24ª Edição Ver. e Ampl. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 1063. Fl. 794DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES 40 realizado. Nesse caso, o colaborador sofreu uma indireta PERDA, seja do preço pago pela opção, seja da utilidade concedida. Com isso quero dizer que mesmo na hipótese do RISCO DE NAO GANHAR, existe risco indireto de perda para o colaborador. Com relação ao segundo momento de onerosidade pontecial, o momento do exercício, findo o prazo de lockup, a situação é mais simples. Se o market price for maior que o strike price, a opção é exercida, configurando a onerosidade, de modo que o colaborador auferirá ganho de capital com a venda das ações no mercado de capitais. Caso o market price seja menor que o strike price, logicamente a opção não será exercida, e o prejuízo fica mensurado pelo preço pago pela opção, ou, na sua ausência, o valor da utilidade concedida. Atualmente o mercado dá várias demonstrações que o risco de perda das SO é uma realidade: Exemplo 131 Exemplo 232: Petrobrás S/A 31 Fictício. 32 Dados da empresa Petrobrás S/A. Valores de mercado extraídos da página da “Exame.com”: Expectativa de direito Disponibilidade Jurídica Disponibilidade Econômica Outorga Exercício Venda Préfixação do valor a ser pago no momento do exercício com base no valor atual, sendo possível a concessão de desconto sobre tal valor Momento da opção. Aquisição (ou não) pelo empregado no valor préfixado no momento da outorga, sem levar em conta o valor de mercado, que pode ser maior ou menor em comparação ao valor da opção Realização. Momento em que o empregado que optou pelo exercício vende a ação adquirida. Expectativa de direito Disponibilidade Jurídica Disponibilidade Econômica Outorga 05/01/2012 Exercício 05/01/2015 Venda Valor de mercado: R$ 10,00 Valor de opção fixado: R$ 9,00 Diferença verificada: R$ 1,00 Valor de mercado: R$ 20,00 Valor de opção exercido: R$ 9,00 Diferença: + R$ 11,00 (lockup) (lockup) Fl. 795DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 11624.720210/201249 Acórdão n.º 2402004.480 S2C4T2 Fl. 22 41 Exemplo 333: OGX S/A Risco relativo ao custo de oportunidade Existe um outro risco a que o colaborador se expõe quando participa de um SOP. Referese ao que se deixa de ganhar em função da escolha realizada, que representa o custo de oportunidade. O custo de oportunidade é um termo usado em economia para indicar o custo de algo em termos de uma oportunidade renunciada, ou seja, o custo, até mesmo social, causado pela renúncia do ente econômico, bem como os benefícios que poderiam ser obtidos a partir desta oportunidade renunciada ou, ainda, a mais alta renda gerada em alguma aplicação alternativa. O custo de oportunidade foi definido como uma expressão "da relação básica entre escassez e escolha". São custos implícitos, relativos aos insumos que pertencem à empresa e que não envolvem desembolso monetário. Esses custos são estimados a partir do que poderia ser ganho no melhor uso alternativo (por isso são também chamados custos alternativos ou custos implícitos). Os custos econômicos incluem, para além do custo monetário http://exame.abril.com.br/mercados/cotacoesbovespa/acoes/PETR4/historico?start_date=201501 02&end_date=20150106 Consultado em 06/01/2014. 33 Dados da empresa OGX S/A. Valores de mercado extraídos da página da “Exame.com”: http://exame.abril.com.br/mercados/cotacoesbovespa/acoes/OGXP3/historico?start_date=201201 05&end_date=20120106 Consultado em 06/01/2014. Expectativa de direito Disponibilidade Jurídica Disponibilidade Econômica Venda Outorga 05/01/2012 Exercício 05/01/2015 Valor de mercado: R$ 21,11 Valor de opção fixado: R$ 9,00 Diferença verificada: R$ 12,11 Valor de mercado: R$ 8,61 Valor de opção exercido: R$ 9,00 Diferença: R$ 0,39 (Vesting) Expectativa de direito Disponibilidade Jurídica Disponibilidade Econômica Venda Outorga 05/01/2012 Exercício 05/01/2015 Valor de mercado: R$ 13,60 Valor de opção fixado: R$ 9,00 Diferença verificada: R$ 4,60 Valor de mercado: R$ 0,08 Valor de opção exercido: R$ 9,00 Diferença: R$ 8,92 (Vesting) Fl. 796DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES 42 explicito, os custos de oportunidade que ocorrem pelo facto dos recursos poderem ser usados de formas alternativas. Em outras palavras: O custo de oportunidade representa o valor associado a melhor alternativa não escolhida. Ao se tomar determinada escolha, deixase de lado as demais possibilidades, pois são excludentes, (escolher uma é recusar outras). À alternativa escolhida, associase como "custo de oportunidade" o maior benefício NÃO obtido das possibilidades NÃO escolhidas, isto é, "a escolha de determinada opção impede o usufruto dos benefícios que as outras opções poderiam proporcionar". O mais alto valor associado aos benefícios não escolhidos, pode ser entendido como um custo da opção escolhida, custo chamado "de oportunidade"34. A opção do executivo (a maior parte dos SOP são destinados a eles) por fazer parte de uma companhia importa a renúncia a outras oportunidades disponíveis no mercado. Regra geral o principal fator considerado na escolha é o “pacote de remuneração”. No caso das companhias que adotam o modelo de “remuneração” por SO, esse ganho potencial é obviamente considerado35. Com efeito o pacote de remuneração de um CEO de uma multinacional no Brasil pode apresentar até 60% de remuneração variável. Se isso não é for considerado risco, desconheço o que é. É necessário entender que o núcleo de todo o conceito de SO é dividir com o colaborador o risco empresarial, oferecendolhe uma abnegação financeira direta em troca de um potencial ganho extraordinário condicionado ao resultado positivo da companhia. Fato gerador e base de cálculo Compreendido o conceito e alcance do SOP, passo a delimitar o espectro de incidência das contribuições sociais sobre os valores pagos aos colaboradores. Resumindo meu entendimento sobre a hipótese de incidência das contribuições sociais prevista no art. 22, a subsunção pressupõe a presença das seguintes notas no fato imponível: § pagamento de remuneração pelo empregador; § em contraprestação pelo trabalho (e não para o trabalho); § com habitualidade (regra de isenção). A omissão de um de qualquer dos três requisitos indigitados importa na não incidência. 34 http://pt.wikipedia.org/wiki/Custo_de_oportunidade 35 Desde 2006, um grupo de 200 gerentes e diretores ganhou a chance de trocar parte de seus bônus anuais por opções de ações a um preço prefixado. Para cada real investido por eles, a AmBev colocou outros 2. Aos executivos, cabia apenas a escolha: receber uma pequena fortuna anual ou esperar cinco anos para receber um montante muito maior — caso os papéis se valorizassem, é claro. A espera termina no início de 2011 e as chances de ganho parecem promissoras — as ações da companhia passaram de 80 reais, em abril de 2006, para 180 reais, em agosto deste ano, numa valorização de 120%. Quem preferir poderá aguardar até 2016 e, quem sabe, ganhar ainda mais. "Nosso histórico mostra que vale a pena esperar", diz Carolina Guerra, gerente de remuneração da AmBev. http://exame.abril.com.br/revistaexame/edicoes/975/noticias/obonusestalanafrente Fl. 797DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 11624.720210/201249 Acórdão n.º 2402004.480 S2C4T2 Fl. 23 43 Para aplicar essas premissas no contexto do SOP, é necessário visualizar as diversas naturezas valorativas que a dinâmica do plano oferece: R$20 33420 R$10 11110 R$ 8 R$ 5 R$ 2 MP2 MP1 SP (MP1) – (SP) Legenda: MP1 Market Price – Momento da Compra pelo Empregado MP2 Market Price – Momento da Venda pelo Empregado ao Mercado SP Strike Price – Valor pago pelo Empregado com desconto Base de Cálculo da contribuição patronal Valor da opção (R$) Fl. 798DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES 44 § MP1: tratase do valor de mercado da ação no momento da concessão da opção. Não é fato gerador da contribuição social, pois dentro dele estão valores que não são pagos ao colaborador, mas comprados por ele. § SP: é o preço de exercício, o valor que é pago pelo colaborador na compra da ação. Não é fato gerador de contribuição social. Não representa remuneração, nem qualquer outro tipo de entrada de valores no seu patrimônio, mas saída. § MP2: valor de mercado da ação no momento do exercício. Não é fato gerador de contribuição social, pois a) parte do seu valor é paga pelo colaborador; e b) parte do valor é paga pelo mercado. § [(MP1) – (SP)]: diferença entre o valor mercado da ação no momento da concessão e o preço de exercício. É fato gerador de contribuição social. Nenhuma companhia distribui gratuitamente descontos aos compradores das ações. Trata‐se de uma UTILIDADE recebida PELO TRABALHO, que pode ser facilmente valorada por operação aritmética. Esse fato gerador, é, entretanto, diferido até o momento da realização do ganho de capital, momento até quando é apenas EXPECTATIVA DE DIREITO. § Valor da opção: é o valor de mercado da opção, no momento da concessão. Se não for cobrada, é fato gerador de contribuição social. Também é um ganho na forma de UTILIDADE recebida PELO TRABALHO, pois é um ativo entregue pelo empregador no contexto de um contrato de trabalho. Deve ser valorada pela metodologia da aferição indireta com base em parâmetros de valoração utilizados pelo mercado36. 36 Valuation models Main article: Valuation of options The value of an option can be estimated using a variety of quantitative techniques based on the concept of risk neutral pricing and using stochastic calculus. The most basic model is the Black–Scholes model. More sophisticated models are used to model the volatility smile. These models are implemented using a variety of numerical techniques. In general, standard option valuation models depend on the following factors: · The current market price of the underlying security, · the strike price of the option, particularly in relation to the current market price of the underlying (in the money vs. out of the money), · the cost of holding a position in the underlying security, including interest and dividends, · the time to expiration together with any restrictions on when exercise may occur, and · an estimate of the future volatility of the underlying security's price over the life of the option. More advanced models can require additional factors, such as an estimate of how volatility changes over time and for various underlying price levels, or the dynamics of stochastic interest rates. The following are some of the principal valuation techniques used in practice to evaluate option contracts. Black–Scholes Main article: Black–Scholes Following early work by Louis Bachelier and later work by Robert C. Merton, Fischer Black and Myron Scholes made a major breakthrough by deriving a differential equation that must be satisfied by the price of any derivative dependent on a nondividendpaying stock. By employing the technique of constructing a risk neutral portfolio that replicates the returns of holding an option, Black and Scholes produced a closedform solution for a European option's theoretical price. At the same time, the model generates hedge parametersnecessary for Fl. 799DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 11624.720210/201249 Acórdão n.º 2402004.480 S2C4T2 Fl. 24 45 Momento do fato gerador Inobstante a evidência dos inúmeros momentos economicamente relevantes existentes na dinâmica do SOP, apenas um importa à incidência. É imperativo para fins de coerência com os pressupostos de direito colocados neste voto a determinação exata desse momento, pois o conteúdo econômico da relação jurídica é condicionado pelo tempo. O regime tributário impõe obediência ao princípio da legalidade estrita, tipicidade cerrada ou numerus clausus37, de modo que a subsunção ocorre apenas quando o fato imponível reflete todas as notas previstas na hipótese. A teoria da regramatriz de incidência38 determina a instauração da relação jurídica tributária apenas quando demonstrado o preenchimento dos critérios previstos no antecedente e consequente normativo (material, espacial, temporal, pessoal e quantitativo). O critério quantitativo, composto pela base de cálculo e alíquota, é o que se impõe com maior força. A base de cálculo afirma, confirma ou infirma a materialidade do suposto39. Confirma quando concorda; afirma quando o elucida; e infirma quando com ele concorre e contra ele prevalece. A base de cálculo é o núcleo do tipo tributário. Analisando novamente o esquema trazido acima, concluo que o momento da ocorrência do fato imponível é o da apuração do ganho de capital decorrente da venda das ações adquiridas pelo exercício da opção. effective risk management of option holdings. While the ideas behind the Black–Scholes model were ground breaking and eventually led to Scholes and Mertonreceiving the Swedish Central Bank's associated Prize for Achievement in Economics (a.k.a., the Nobel Prize in Economics), the application of the model in actual options trading is clumsy because of the assumptions of continuous trading, constant volatility, and a constant interest rate. Nevertheless, the Black–Scholes model is still one of the most important methods and foundations for the existing financial market in which the result is within the reasonable range. Stochastic volatility models Main article: Heston model Since the market crash of 1987, it has been observed that market implied volatility for options of lower strike prices are typically higher than for higher strike prices, suggesting that volatility is stochastic, varying both for time and for the price level of the underlying security. Stochastic volatility models have been developed including one developed by S.L. Heston. One principal advantage of the Heston model is that it can be solved in closed form, while other stochastic volatility models require complex numerical methods. https://en.wikipedia.org/wiki/Option_(finance)#Valuation_models 37 Citação Roque 38 referencia ao livro do PBC. Nao é necessário citar trecho. 39 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de direito tributário. 22. ed. São Paulo: Saraiva. 2010. p. 395: “Temos para nós que a base de cálculo é a grandeza instituída na consequência da regramatriz tributária, e que se destina, primordialmente, a dimensionar a intensidade do comportamento inserto no núcleo do fato jurídico, para que, combinandose à alíquota, seja determinado o valor da prestação pecuniária. Paralelamente, tem a virtude de confirmar, infirmar ou afirmar o critério material expresso na composição do suposto normativo”. BECKER, Alfredo Augusto. Teoria geral do direito tributário. 3. ed. 2.ª tiragem. São Paulo: Lejus, 2002. p. 330: “Núcleo – Na composição da hipótese de incidência o elemento mais importante é o núcleo. É a natureza do núcleo que permite distinguir as distintas naturezas jurídicas dos negócios jurídicos. Também é o núcleo que confere gênero jurídico ao tributo. Nas regras jurídicas de tributação, o núcleo da hipótese de incidência é sempre a base de cálculo”. Outorga 05/01/2012 Exercício 05/01/2015 Venda Fl. 800DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES 46 Essa conclusão baseia nas seguintes premissas: i. No período de lockup, ladeado pela outorga e exercício, tratase de mera expectativa de direito. ii. Após o exercício da opção e antes da venda das ações, existe apenas a disponibilidade jurídica do recurso, que é intributável por via de contribuições sociais. Assim, apenas com a venda ocorre a disponibilidade econômica do ativo ao contribuinte, momento em que está materializada a base de cálculo. Entender o contrário é admitir um fato gerador potencial, o que não encontra amparo no ordenamento. Caso concreto No caso em julgamento, detalhadamente exposto pelo Ilustre Relator, verifico presentes pressupostos de incidência e de não incidência, parte na qual, com toda a vênia, divirjo. Diferente dos precedentes julgados por este Conselho, o plano questionado não se apresenta “poluído” com excessivas interferências por parte do empregador suficientes para descaracterizar sua natureza jurídica, considerando que: i. Não houve vinculação a metas ou desempenho do colaborador; ii. O valor das ações objeto da outorga não foi insignificante; iii. Não ocorreram alterações dos contratos firmados para diluir o risco do colaborador; iv. Não houve empréstimos aos colaboradores para viabilizar a aquisição das ações. Não me estenderei repisando desnecessárias questões factuais já muito bem colocadas pelo voto do Relator, pelo que, em linha com as premissas ora colocadas, concluo: i. O fato imponível gerador de contribuições sociais ocorreu no momento da venda, no mercado de capitais, das ações adquiridas por meio do exercício das opções; Expectativa de direito Disponibilidade Jurídica Disponibilidade Econômica (lockup) Fl. 801DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 11624.720210/201249 Acórdão n.º 2402004.480 S2C4T2 Fl. 25 47 ii. A base de cálculo não é o valor de mercado no dia do exercício, mas a diferença entre o valor de mercado no dia da outorga das opções e o preço de exercício40. Conclusão Isto posto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário e a ele dar PARCIAL PROVIMENTO para cancelar o crédito tributário aferido em função do valor de mercado das ações na data do exercício das opções, mantendo o crédito tributário referente à diferença entre o valor de mercado no dia da outorga das opções e o preço de exercício. É como voto. Thiago Taborda Simões. 40 Comporia também a base de cálculo o valor das opções concedidas, a ser aferido pelo agente fiscal pelos métodos valorativos de mercado. Isso não ocorreu. Fl. 802DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001504/2005-17
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2002
PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE INCENTIVOS FISCAIS. EXIGÊNCIA
DE REGULARIDADE FISCAL. INDEFERIMENTO DIANTE DA EXISTÊNCIA
DE DÉBITOS DO CONTRIBUINTE. PROVA
DE REGULARIDADE FISCAL.
A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal fica condicionada à comprovação da quitação de tributos e contribuições federais (Lei n°. 9.069/95, art. 60).
A apresentação de certidões de regularidade fiscal supre a exigência legal, nos termos do que prescreve o art. 206 do Código Tributário Nacional.
Sendo as divergências apontadas referentes a débitos havidos pela Recorrente em relação à Procuradoria da Fazenda Nacional, certidão positiva com efeitos de negativa comprova a regularidade fiscal.
Aplicação do Enunciado n°. 37 da Súmula do CARF.
Recurso provido.
Numero da decisão: 1103-000.642
Decisão: Acordam os membros do colegiado, dar provimento por unanimidade.
Declarou-se impedido o Conselheiro Marcos Shigueo Takata
Nome do relator: Hugo Correia Sotero
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE INCENTIVOS FISCAIS. EXIGÊNCIA DE REGULARIDADE FISCAL. INDEFERIMENTO DIANTE DA EXISTÊNCIA DE DÉBITOS DO CONTRIBUINTE. PROVA DE REGULARIDADE FISCAL. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal fica condicionada à comprovação da quitação de tributos e contribuições federais (Lei n°. 9.069/95, art. 60). A apresentação de certidões de regularidade fiscal supre a exigência legal, nos termos do que prescreve o art. 206 do Código Tributário Nacional. Sendo as divergências apontadas referentes a débitos havidos pela Recorrente em relação à Procuradoria da Fazenda Nacional, certidão positiva com efeitos de negativa comprova a regularidade fiscal. Aplicação do Enunciado n°. 37 da Súmula do CARF. Recurso provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE INCENTIVOS FISCAIS. EXIGÊNCIA DE REGULARIDADE FISCAL. INDEFERIMENTO DIANTE DA EXISTÊNCIA DE DÉBITOS DO CONTRIBUINTE. PROVA DE REGULARIDADE FISCAL. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal fica condicionada à comprovação da quitação de tributos e contribuições federais (Lei n°. 9.069/95, art. 60). A apresentação de certidões de regularidade fiscal supre a exigência legal, nos termos do que prescreve o art. 206 do Código Tributário Nacional. Sendo as divergências apontadas referentes a débitos havidos pela Recorrente em relação à Procuradoria da Fazenda Nacional, certidão positiva com efeitos de negativa comprova a regularidade fiscal. Aplicação do Enunciado n°. 37 da Súmula do CARF. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, dar provimento por unanimidade. Declarou-se impedido o Conselheiro Marcos Shigueo Takata. 1 Aloysi ri o JiiséPercin,i Da St Iva- Presidente. I ‘/: Fl. 266DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE ANTONIO DA SILVA Processo n° 16327.001504/2005-17 S1-C1T3 Acórdão n.° 1103-000.642 Fl. 3 Hug. - -11-e?ator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percinio da Silva, Mário Sergio Fernandes Barroso, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro, Marcos Shigueo Takata e Silva e Hugo Correia Sotero. Relatório Trata-se de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Benefícios Fiscais (PERC) formalizado pela Recorrente em face da não recepção do extrato de Aplicações em Incentivos Fiscais do exercício 2003, ano-calendário 2002. Por meio do Despacho Decisório de fls. 146 a 149, proferido em abril/2006, a autoridade administrativa competente indeferiu o pedido, tendo em vista o resultado de consulta ao sistema da Receita Federal, apontando a existência de débitos tributários imputados Recorrente no Cadastro da Procuradoria da Fazenda Nacional (PGFN), na situação "ATIVA - AJUIZADA", estando motivado o indeferimento com base no artigo 60 da Lei n° 9.069/1995. Em face da decisão apresentou a Recorrente manifestação de inconformidade submetida à apreciação da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo (SP 1), que, com base nas informações contidas no Processo Administrativo, rechaçou as razões de inconformidade apresentadas e manteve o indeferimento do pedido. A decisão pronunciada pela Delegacia de Julgamento tem a seguinte ementa: "PERC - QUITAÇÃO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS - PROVA. Nos termos do art. 60 da Lei 9.069/95, a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo fiscal flea condicionada ã comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais. Diante da ausência desta prova o PERC não pode ser deferido. Solicitação Indeferida." Contra a decisão interpôs o contribuinte o recurso voluntário de fls. 229-233, reproduzindo as alegações expendidas na manifestação de inconformidade, que são: (a) sua situação cadastral varia de regular a irregular constantemente, devido à necessidade de comprovação de pagamentos e restrições quanto a compensações realizadas, o por deficiência do sistema da Receita Federal; (b) impropriedade dos critérios utilizados para análise do pedido, visto que "se o julgador tivesse analisado este processo na fase de situação cadastral 1 Fl. 267DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE ANTONIO DA SILVA Processo n° 16327.001504/2005-17 SI-C1T3 Acórdão n.° 1103-000.642 11. 4 regular teria deferido o incentivo, no entanto, poucos dias depois, em face de mudança da situação cadastral para irregular, indeferiu-o". Finaliza afirmando que sua regularidade fiscal em relação ao período analisado é comprovada pela certidão de regularidade (positiva com efeitos de negativa) que acosta - documento de fl. 255. o relatório. Voto Conselheiro Hugo Correia Sotero Recurso tempestivo. Preenchidos os requisitos de admissibilidade. Como se depreende do teor da decisão impugnada, a questão submetida à apreciação deste Conselho se resume à possibilidade de concessão de Revisão de Incentivos Fiscais na hipótese de ter o contribuinte débitos em relação à Procuradoria da Fazenda Nacional com exigibilidade plena, questão tratada pela decisão nos seguintes termos: "7. No âmbito da PGFN constam 4 inscrições em cobrança — ativas ajuizadas - processos administrativos de números 10680- 270.022/98-09 (inscrição 6069800357728); 16327-10680- 270.023/98-63 (inscrição 6069800357809); 16327.000452/2004- 81 (inscrição 8060605170000); e 10875-504.054/2006-16 (inscrição 802060105176)- fls. 132 e 135. Sendo que nos dois primeiros processos está informada a situação "ATIVA AJUIZADA — GARANTIA ", não estando especificacla a garantia apresentada e nem se tal garantia estaria a suspender a exigibilidade do crédito nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional." Assim dispõe o art. 60 da Lei n°. 9.069/95, verbis: "Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa fisica ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais". A outorga de benefícios e incentivos fiscais pressupõe, nos termos do citado preceito normativo, a regularidade do contribuinte no que tange ao pagamento de tributos e contribuições federais. Ao contrário do que afirma a Delegacia da Receita Federal de São Paulo, não se exige a inexistência de 'pendências' do contribuinte no sistema de controle de débitos da 3 Fl. 268DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE ANTONIO DA SILVA Processo n° 16327.001504/2005-17 SI-C I T3 Acórdão n.° 1103-000.642 Fl. 5 Secretaria da Receita Federal - critério assaz fluido, mormente diante da acentuada burocracia e das incorreções normais na administração do sistema. A prova de regularidade de pagamento de tributos e contribuições é feita pela apresentação de certidões de regularidade fiscal emitidas pelos órgãos arrecadadores das exações, na esteira do que dispõe o art. 205 do Código Tributário Nacional, nestes termos: "Art. 205. A lei poderá exigir que a prova da quitação de determinado tributo, quando exigível, seja feita por certidão negativa, expedida vista de requerimento do interessado, que contenha todas as informações necessárias à identificação de sua pessoa, domicílio fiscal e ramo de negócio ou atividade e indique o período a que se refere o pedido." Como é cediço, a prova de regularidade deverá ser expedida ainda que existam em nome do contribuinte débitos impagos, desde que configuradas as hipóteses descritas no art. 206 do CTN - penhora em ação de execução e suspensão de exigibilidade. A regularidade fiscal - requisito estabelecido pelo art. 60 da Lei n°. 9.069/95 - foi devidamente comprovada pela Recorrente mediante apresentação de certidão positiva com efeito de negativa expedida pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Prescreve o art. 206 do CTN que esse tipo de certidão tem os mesmos efeitos da certidão negativa, comprovando a regularidade fiscal do contribuinte. Este Conselho, analisando a questão da prova da regularidade fiscal para fins de deferimento de pedidos de revisão de ordem de emissão de incentivos fiscais editou o Enunciado n°. 37 da sua Súmula, nestes termos: "Súmula CARF n° 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto n° 70.235/72. SUMULAS VINCULANTES Portaria AIF n.° 383 DOU de 14/07/2010". A aplicação do entendimento sumulado impõe o provimento do recurso voluntário, face à apresentação de certidão de regularidade fiscal pela Recorrente quando da interposição do recurso. Com estas considerações, conheço do recurso para dar-lhe provimento. 4 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE ANTONIO DA SILVA
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Numero do processo: 10925.000013/2009-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
FALTA DE RECOLHIMENTO. EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL.
PEDIDO JUDICIAL DE SUSPENSÃO DOS EFEITOS DA EXCLUSÃO E DE ANULAÇÃO DAS INTIMAÇÕES DECORRENTES. CONCOMITÂNCIA. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA EM PRELIMINAR. O fato de o sujeito passivo submeter à apreciação do Poder Judiciário a validade das intimações das quais resultam o lançamento, defendendo a suspensão dos efeitos da exclusão em razão do litígio administrativo, não impede que, em preliminar, seja declarada improcedente a exigência, em razão do cancelamento do ato de exclusão por falta de provas. Interpretação da Súmula CARF nº 1.
Numero da decisão: 1101-001.247
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 FALTA DE RECOLHIMENTO. EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. PEDIDO JUDICIAL DE SUSPENSÃO DOS EFEITOS DA EXCLUSÃO E DE ANULAÇÃO DAS INTIMAÇÕES DECORRENTES. CONCOMITÂNCIA. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA EM PRELIMINAR. O fato de o sujeito passivo submeter à apreciação do Poder Judiciário a validade das intimações das quais resultam o lançamento, defendendo a suspensão dos efeitos da exclusão em razão do litígio administrativo, não impede que, em preliminar, seja declarada improcedente a exigência, em razão do cancelamento do ato de exclusão por falta de provas. Interpretação da Súmula CARF nº 1.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso.
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S. MÁQUINAS LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 FALTA DE RECOLHIMENTO. EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. PEDIDO JUDICIAL DE SUSPENSÃO DOS EFEITOS DA EXCLUSÃO E DE ANULAÇÃO DAS INTIMAÇÕES DECORRENTES. CONCOMITÂNCIA. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA EM PRELIMINAR. O fato de o sujeito passivo submeter à apreciação do Poder Judiciário a validade das intimações das quais resultam o lançamento, defendendo a suspensão dos efeitos da exclusão em razão do litígio administrativo, não impede que, em preliminar, seja declarada improcedente a exigência, em razão do cancelamento do ato de exclusão por falta de provas. Interpretação da Súmula CARF nº 1. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 00 13 /2 00 9- 57 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 3 2 Relatório J. S. MÁQUINAS LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto/SP que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 28/01/2009, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 26.267,30. Consoante relatório fiscal de fls. 21/36, em razão de procedimento do qual resultou a exigência de débitos de contribuições previdenciárias formalizados no processo administrativo nº 10925.000023/200992, constatouse que o contribuinte compõe um grupo de empresas, denominado "GRUPO IDUGEL", integrado também pelas empresas "KF MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA" e "IDUGEL INDUSTRIAL LTDA.". Embora as empresas possuam aparentemente sócios distintos, todas são administradas diretamente pelo Sr. José Schazmann e Sra. Silvana Marques Schazmann, conforme cópia das procurações e documentos anexos (fls. 91 a 112 do AI DEBCAD 37.129.2280/COMPROT 10925.0000231200992). As demais pessoas, que contratualmente participam da gerência, são familiares próximos (mãe, irmã, filhos). Depois de discorrer sobre a composição societária de cada empresa do grupo, a autoridade lançadora registra que no mesmo imóvel situado na BR 282, km 385, Trevo Oeste, Acesso Adolfo Ziguelli, Joaçaba/SC, funcionam as empresas IDUGEL INDUSTRIAL LTDA e J.S. MAQUINAS LTDA ME. Embora a empresa KF MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA ME, indique em seu contrato social e alterações ter como endereço a Rua Almirante Barroso, 592, Bairro Tobias, Joaçaba/SC, tratase na verdade do endereço residencial das Sras Elita Schimidtz Schazmann e Claúdia Schazmann Perottoni, sócias da empresa J.S. As empresas IDUGEL, J.S. e KF, funcionam na verdade, no mesmo endereço e estabelecimento, com empregados formalmente vinculados a cada uma delas, mas com uniforme contendo a descrição "GRUPO IDUGEL", trabalhando sob a administração de um mesmo empregador. A supremacia dos fatos revelase tratar de uma só empresa. O exame da contabilidade das pessoas jurídicas mencionadas revelou que a empresa IDUGEL INDUSTRIAL LTDA é responsável por praticamente toda a atividade industrial, compreendendo a aquisição de insumos, matériaprima, materiais de embalagem, energia, etc. As empresas J.S. MAQUINAS LTDA ME e KF MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA ME, são meras fornecedoras de mãodeobra. Da mesma forma, praticamente todo o faturamento com vendas é através da empresa IDUGEL, ficando a prestação de serviço de instalação das máquinas a cargo da empresa KF. Os auditores fiscais também relatam a existência de diversos “pagamentos cruzados” entre as empresas pertencentes ao “GRUPO”, de pagamentos efetuados pela empresa em nome dos sócios administradores e seus familiares referentes a compromissos assumidos com terceiros, de pagamentos “extrafolha” aos seus empregados, de pagamentos registrados a vista, embora realizados a prazo. Conclui, assim, que o "GRUPO" é administrado como se fosse uma única empresa, entendimento equivocado por parte de seus administradores e que contraria a legislação comercial em vigor, comprometendo de forma irremediável sua escrituração contábil. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 4 3 A partir da receita bruta mensal informada no âmbito do Simples, a autoridade fiscal calculou a contribuição devida ao PIS de novembro/2003 a junho/2007 mediante a aplicação da alíquota de 0,65%. Da contribuição apurada foram deduzidos os recolhimentos promovidos. Sobre o valor remanescente foi aplicada multa qualificada de 150%, dado que o relato dos fatos deixa caracterizado de forma clara o intuito de fraude por parte da fiscalizada, especialmente tendo em conta o que consignado no item 15 do relatório: A fiscalização, conclui que de fato, ocorreu simulação de constituição de empresas com o objetivo de segmentar parte das atividades e faturamento, e se beneficiar do tratamento diferenciado, simplificado e favorecido, aplicável às microempresas e empresas de pequeno porte SIMPLES e SIMPLES NACIONAL. A exigência fiscal foi precedida da edição do Ato Declaratório Executivo DRF/JOA nº 018/2008, que excluiu a contribuinte do Simples Federal a partir de 01/01/2003 em razão da constatação da prática de simulação de existência de empresa autônoma, por meio de interpostas pessoas, para segmentação artificial de atividades, do faturamento e do emprego da mãodeobra, para obtenção de benefícios do Simples. A matéria é objeto do processo administrativo nº 10925.002073/200823. Impugnando a exigência, a contribuinte questionou as intimações que lhe foram dirigidas para prestar declaração ao fisco pelo regime comum de tributação, apesar da discussão administrativa acerca da exclusão, e deduziu os mesmos argumentos de defesa opostos contra a exclusão do Simples Federal. Juntou à defesa cópia da petição inicial do Mandado de Segurança nº 2008.72.03.0028261, impetrado com vistas a obstar qualquer lançamento ou aplicação de penalidade por falta de atendimento a intimação até o julgamento final das defesas apresentadas contra as exclusões do Simples Federal e Nacional, bem como restabelecer sua condição de optante nos sistemas de controle da Receita Federal e vedar impedimento a nova opção em períodos subseqüentes, impedindo a exigência de qualquer recolhimento em outro regime que não o simplificado. A Turma Julgadora rejeitou aqueles argumentos em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Demonstrado o evidente intuito de fraude, mantémse a multa por infração qualificada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 NULIDADE. EXCLUSÃO SIMPLES. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. A manifestação de inconformidade da exclusão do Simples não impede que a Administração Tributária lance os créditos tributários apurados nos termos das normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL. ENDEREÇAMENTO. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 5 4 Dada a existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo no domicílio fiscal eleito por ele. PROVA TESTEMUNHAL. No rito do processo administrativo fiscal inexiste previsão legal para audiência de instrução, na qual seriam ouvidas testemunhas; devendo, se tidas a seu favor, ser apresentadas sob forma de declaração escrita, já com a impugnação. IMPUGNAÇÃO. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. Tendo em vista a superveniência da preclusão temporal, é rejeitado o pedido de apresentação posterior de documentos, pois a prova documental será apresentada na impugnação. Cientificada da decisão de primeira instância em 25/05/2010 (fl. 120), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 08/06/2010 (fls. 121/162), no qual inicialmente reproduz a defesa apresentada contra a exclusão do Simples Federal. Principia com a seguinte epígrafe: "SIMULAÇÃO – INEXISTÊNCIA – Não é simulação a instalação de duas empresas na mesma área geográfica com o desmembramento das atividades antes exercidas por uma delas, objetivando racionalizar as operações e diminuir a carga tributária (3o C. 1° Conselho de Contribuintes, ac. 103.23.357/08, proc. 11516.002462/2004 18, Rel Paulo Jacinto do Nascimento, publ. DOU n° 57, de 25/03/2008) No preâmbulo da peça consigna, dentre outros aspectos, que: Concomitante à exclusão do regime simplificado e, a despeito da interposição de recursos administrativos e do efeito suspensivo garantido a estes, o agente fiscal expediu intimações com a finalidade de exigir a prestar declaração ao fisco pelo regime comum de tributação, para as quais foram apresentadas manifestações no sentido da incompatibilidade com o efeito suspensivo atribuído aos recursos pendentes. Reintimada, foram reiterados os termos da manifestação anterior. E, por fim, foi surpreendida com a emissão dos autos de infrações constantes no rol anexo. Aduz que o grupo familiar de Elita Schazmann, formado por si e seus filhos e netos exploram o ramo industrial e comercial de fabricação de máquinas e equipamentos industriais, e que com a evolução do negócio e por interesse dos entes familiares para evitar desentendimentos, optaram pela separação das atividades, com o fracionamento da cadeia produtiva, considerando o envolvimento de cada um nesse processo, o conhecimento técnico e a capacidade financeira de cada familiar, para chegar à disposição empresarial hoje existente. Neste sentido, em virtude dos conhecimentos técnicos e por já atuar no ramo de projetos, fabricação e comércio desse tipo de produção de maquinários, José Schazmann e sua esposa integraram a empresa IDUGEL, a qual é responsável pelos projetos dos maquinários, comercialização e coordenação da execução dos mesmos (knowhow), que conta com a participação de diversas outras empresas delegadas (não apenas KF Montagens e JS Máquinas). Por sua vez, mediante participação financeira e visando o sustento familiar dentro do mesmo ramo negocial, formaram, a mãe e irmã de José Schazmann, a empresa recorrente, para participarem da cadeia produtiva de máquinas industriais comercializadas pela empresa Fl. 227DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 6 5 IDUGEL. Já KF Montagens, formada por Karine e Felipe, filhos de José Schazmann, dedica se exclusivamente à montagem dos equipamentos fabricados pela empresa IDUGEL (por si ou através de terceiros), diretamente nos locais definitivos. Desta forma, a recorrente é responsável pela fabricação dos acessórios e complementos das máquinas produzidas pela empresa lDUGEL (direta ou indiretamente), e KF Montagens é responsável pela montagem e instalação das máquinas e acessórios fabricados pela IDUGEL, sendo que outras empresas, além da recorrente, participam da cadeia produtiva. Defende que nenhum ilícito existe na formação de empresas por grupo de familiares, bem como a terceirização no caso em tela não se traduz em cessão de mão de obra como interpretou o agente fiscal, em que pese tenha assim concluído por análise equivocada dos fatos. Reportase ao art. 116 do CTN e diz que, no mundo negocial, há um momento anterior à sua efetivação, no qual é permitido ao participante do negócio optar por um ou outro caminho a alcançar um único objetivo, no caso, fato gerador. E cita doutrina acerca da permissão, presente na legislação tributário, em favor do desenvolvimento de ações (ou omissões) tendentes a evitar a ocorrência da hipótese de incidência (fato gerador), através da chamada Elisão Fiscal, qual seja, “direito à economia de impostos". No caso, não houve qualquer concretização de hipótese normativa de incidência anterior ao fato gerador dos tributos. Desta forma a ação é legítima ao passo que é perfeitamente lícita a formação de empresas que mantêm contratação entre si, ainda que constituídas por grupo de familiares. Não há como exigir que se funde apenas uma empresa. Variando percentuais proporcionais à participação financeira ou de trabalho de cada um, se há como separar perfeitamente as atividades em diversos setores. Ademais, as práticas foram revestidas de formalidades perfeitamente válidas, atendidos todos os pressupostos contábeis idôneos a registrar as operações. Conclui, assim, que nenhuma mácula existe na constituição e operacionalização da empresa requerente, suficiente a afastarlhe o direito a opção pelo regime simplificado de tributação. Prossegue afirmando ilegal o ato praticado, porque não especificado o termo final dos efeitos da exclusão. Observa que na fundamentação do ato de exclusão está expresso que o ato disciplina apenas as situações abrangidas pelo Simples Federal, a evidenciar a ilegalidade da extensão daqueles efeitos para além de 30/06/2007. Argumenta, ainda, que a fundamentação exposta para exclusão demonstra a total insegurança da decisão, em razão da adoção de motivos totalmente incompatíveis entre si. Entende que ao promover o enquadramento da recorrente como sendo a atividade desempenhada “locação de mão de obra", está se respaldando a relação jurídica havida entre as empresas Idugel e J.S. Deste modo, se há relação jurídica entre referidas empresas, logo, existem; e devem ser reconhecidas como duas personalidades distintas, autônomas. E, se assim o são, é incompatível com a decisão de anular a existência da empresa JS, considerandoa como parte integrante da própria empresa Idugel, como leva a crer na fundamentação em apreço. Entende que, ao optar por se cercar de todos os fundamentos possíveis e impossíveis a prejudicar a requerente, a autoridade fiscal praticou ato nulo por defeito de fundamentação, com prejuízo à defesa da requerente, na forma do artigo 59, do Decreto 70.235/72, e nos termos de doutrina que cita. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 7 6 Defende a aplicação do prazo previsto no art. 45, parágrafo único, do Código Civil para anulação da constituição da pessoa jurídica, observando que sua constituição pelas sócias Elita e Cláudia Schazmann está informada no CNPJ desde 20/02/98, sem qualquer questionamento por parte da Receita Federal. Acrescenta que mesmo considerando a regra do art. 2028 do Código Civil, estaria fulminada pela decadência a possibilidade de anulação da empresa requerente, como pretende a autoridade fiscal. Aduz, também, que a apuração de fatos no exercício de 2008 somente se presta como prova da alegada simulação neste período, revelandose absurda a exclusão com efeitos desde 01/01/2003. Observa que a cada exercício é feita a opção pelo regime simplificado, com validade única e exclusiva para aquele. Reportase aos arts. 105 e 106 do CTN, e ao art. 15 da Lei nº 9.317/96 para defender que em se tratando que a situação excludente foi atestada (equivocadamente) durante o exercício de 2008, deveria ser aplicada a regra de exclusão a partir da constatação da mesma pois e quando se dá a ocorrência, pois que resultante de situação fática, cuja situação na data da verificação não pode ser estendida ao período pretérito. Cita manifestações dos Tribunais Regionais Federais TRF da 1a e da 3a Região, neste sentido e conclui pela inexistência de qualquer base jurídica para fixar a data de exclusão em 01.01.2003, devendo o ato de exclusão operar efeitos a partir de outubro/2008. Cita doutrina para argumentar que a cobrança com efeito retroativo dos tributos, tem efeitos confiscatórios, sob o aspecto da capacidade contributiva, malferida pelo Poder Executivo, até porque os contribuintes não deram causa à exclusão da condição de microempresa ou empresa de pequeno porte. Reportase ao art. 97 do CTN e destaca que a exclusão de um regime tributário cujo tratamento favorecido está constitucionalmente positivado e a conseqüente migração para outro mais oneroso, implica em majorar, indiretamente, a base de cálculo dos tributos. Acrescenta que tal circunstância impede um planejamento para a incidência dos tributos majorados, e que a exclusão afasta benefícios previstos na Lei nº 9.841/99, desvirtuando sua finalidade expressa já em seu art. 1o, como corolários dos arts. 170 e 179 da Constituição Federal, penalizando as microempresas e empresas de pequeno própria com indevida restrição ao direito de exercer a atividade econômica, que independe da autorização de órgãos públicos, além de configurar uma exigência sem o devido processo legal, com grave violação ao direito de defesa do contribuinte, posto que a autoridade que impõe a restrição não é competente para apreciar se a exigência do tributo ou se a condição da empresa é de enquadramento ou não, ou se e legítima ou ilegítima. Observa que a cobrança retroativa de tributos será realizada com incidência de juros e correção monetária, e diz que nos termos do art. 15 da Lei nº 9.317/96, a sanção tributária esta a ser aplicada por força da exclusão de ofício, a critério exclusivo da autoridade fiscal, passando esta a impor a tributação aplicável as demais pessoas jurídicas, a partir da data dos efeitos da exclusão. Cita doutrina acerca da necessidade de ato ilícito praticado pelo contribuinte para imposição de sanção, reportase ao art. 112 do CTN, e questiona se existe algum ilícito administrativo, a ensejar a aplicação da penalidade de pagamento retroativo dos tributos. Acrescenta que, quando da edição da Lei Federal n.° 9.317/96, vários contribuintes passaram a desenvolver atividades comerciais sob a égide da tributação simplificada, com o acolhimento do pedido de adesão por parte do Órgão competente do Poder Executivo, e com o advento da Lei Federal n.° 9.841/99, houve uma consolidação em massa da abertura de microempresas e empresas de pequeno porte, sendo que somente em 2004 passaram a ser emitidos atos declaratórios, fundados na vedação da continuidade da tributação simplificada sob o argumento de que a "atividade é vedada", sem Fl. 229DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 8 7 qualquer diretriz legal para os atos, ficando a critério subjetivo da autoridade fiscal de atribuir vedação ou não à atividade, sem apresentar sequer o fundamento legal do fato da exclusão, e não da exclusão em si mesma. Argumenta, ainda, que a legitimação da interpretação aleatória das regras juridicotributárias e fundada em meros indícios das atividades desenvolvidas pelos contribuintes foi inserida no Código Tributário na forma do Parágrafo Único do artigo 116. A atuação fiscal aqui questionada estaria fundada naquele autorização legal, ainda dependente de procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária, sem a qual permitese interpretações elásticas e, às vezes até fantasiosa. A ausência de limites seguros para atuação fiscal, portanto, evidencia que a atuação fiscal não tem amparo legal. Reportase à diferença entre locação/cessão de mão de obra e empreitada, citando a Instrução Normativa INSS/DC nº 100/2003, e enfatizando que na cessão de mão de obra é o tomador quem gerencia a realização do serviço, sendo que no caso presente, tratase de Empreitada, pois há delegação de tarefa da contratante à contratada, mediante retribuição pecuniária por execução do serviço, cabendo ã contratada a gerência do serviço, bem como a responsabilidade por seus empregados, e, ainda, o emprego de meios mecânicos necessários à execução da tarefa. Entende, assim, que não há que se falar na vedação do artigo 9o, XII, “f” da Lei 9317/96. Aduz que a Fiscalização não demonstrou não serem, as sócias Elita e Cláudia, as verdadeiras titulares da sociedade, sendo que o fato de terem outorgado procurações para representálas em situações especificas, visando a facilitação das práticas empresariais e desburocratização, não desconstitui a sociedade, nem configura a existência de interpostas pessoas na sua formação, mormente tendo em conta o disposto no art. 1018 do Código Civil. Observa que as sócias proprietárias recebem pro labore mensal e distribuição de lucros/dividendos, reportase à definição de interpostas pessoas, destaca que as sócias que integram a empresa requerente têm legítimo interesse nas atividades desenvolvidas pela mesma, objetivando e obtendo para si lucro e renda suficiente a mantêlas, e arremata que não há qualquer motivo ilícito para que os sócios integrantes da empresa Idugel figurem no quadre societário, nada existindo a acobertar. Conclui que falta amparo legal à exclusão do Simples, mas ainda cita provas inservíveis juntadas pela Fiscalização, porque referentes a datas posteriores a outubro/2007, e enfatiza que há uma divisão física que separa o imóvel e, por conseqüência, as empresas em tela, observando que esta ocorrência deveria ter sido atestada pela Fiscalização, e reportandose a cópia da planta do imóvel para demonstrar sua alegação, à instalação de sistemas de alarmes e à certificação municipal neste sentido. Discorre sobre a atividade da empresa Idugel, citando doutrina acerca dos resultados obtidos por quem detém knowhow em alguma atividade, e enfatizando que aquela empresa detém capacidade técnica para desenvolver projetos e possibilidade de angariar contratos e obras em razão da tradição de mercado e capacidade técnica de José Schazmann e outros engenheiros contratados, observando que parte desta atividade é delegada para empresas terceirizadas, como a recorrente, por empreitada, razão pela qual o valor agregado de cada produto produzido pelas empresas contratadas é muito inferior àquele cobrado pela empresa IDUGEL quando da comercialização do conjunto todo. Cita exemplo prático para demonstrar que o faturamento das empresas contratadas, em que pese com número de empregados muito superior à contratante, apresente faturamento inversamente proporcional. Reportase a Fl. 230DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 9 8 documentos que evidenciam outro tipo de atuação em parceria das empresas referidas e conclui que a simples análise de desproporção do faturamento entre as empresas lDUGEL e JS não se presta a comprovar ilegalidade nas suas constituições ou no relacionamento entre elas, assim como não é possível, diante das peculiaridades do caso, considerar proporcionalidade de faturamento com número de empregados. Afirma a regularidade de sua escrituração contábil, reconhecendo que houve empréstimo entre ela e a empresa Idugel, mas que tais transferências não desqualificam a individualidade de ambas, porque sempre na proporção dos créditos existentes da ora requerente perante a empresa IDUGEL. Diz que quando existente crédito e, ao mesmo tempo, devido algum pagamento, ocorreram situações que a devedora IDUGEL pagou pelos serviços através da quitação de débitos específicos. E invoca a aplicação do princípio da proporcionalidade, eis que a partir do momento que o agente fiscal firmou entendimento (equivocado) sobre a ilegalidade da ora requerente, passou a buscar elementos, por mais insignificantes fossem, para sustentar referido convencimento. Reportase a jurisprudência do TRF/4a Região e pede o afastamento a ilegalidade apontada, até porque insuficiente a formar convencimento sobre a inidoneidade da empresa requerente. Complementa sua defesa apresentada contra a exclusão do Simples Federal opondose à acusa de registro de pagamentos cruzados em sua contabilidade, reafirmando a existência de empréstimos entre IDUGEL e JS, e a regularidade de sua escrituração, bem como frisando que a Fiscalização somente se reportou a 6 (seis) lançamentos no período fiscalizado, motivo pelo qual invoca a aplicação do princípio da proporcionalidade. Ademais, a idoneidade de sua escrituração permitiu que a Fiscalização identificasse valores esporadicamente pagos a empregados, apesar de não lançados em GFIP, o que, inclusive, afasta a aferição indireta, limitando a aplicação da verba previdenciária às parcelas pagas (maio/2006 e setembro/2007), sem estendêlas a outras competências. Questiona, também, exigências correspondentes a prolabore, sem qualquer fundamentação, para além da irregularidade de sua escrituração. Diz que houve apenas cinco pagamentos no período fiscalizado em favor do sócio José Schazmann, o que impede a aferição indireta. Transcreve a ementa citada na epígrafe e excerto do voto condutor do acórdão para afirmar perfeitamente legal, legítima a constituição e relacionamento da empresa requerente para com a IDUGEL. E finaliza a abordagem de mérito fazendo considerações acerca da inviabilização de suas atividades caso mantida a interpretação dada pela Fiscalização. Na seqüência, aponta vício formal do ato administrativo, citando o art. 142 do CTN, o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, o art. 293 do Decreto nº 3.048/99, e questionando a lavratura de auto de infração, e não de notificação fiscal de lançamento, sem a indicação da penalidade aplicada e sua gradação, nem a disposição legal infringida, para o que não se presta a indicação dos fundamentos legais das rubricas. Acrescenta que há que ser considerado que o montante constante no auto de infração corresponde à pena aplicada, equivalente ao valor do tributo corrigido. Razão pela qual deixa a impugnante de manifestarse quanto ao mérito das rubricas lançadas no auto em epígrafe. E na seqüência discorda da penalidade no percentual de 200% prevista no art. 284, II do Decreto nº 3.048/99, porque não verificada a hipótese do inciso IV do art. 225 do mesmo decreto, e também porque não observada a limitação para a penalidade. Cita jurisprudência em favor de seu entendimento. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 10 9 Argúi, ainda, cerceamento ao seu direito de defesa, porque pendentes intimações fiscais objeto de impugnações administrativas não decididas, observando que no relatório fiscal há referência a diversas intimações para apresentação de documentos, as quais não esclarece quanto ao atendimento ou não por parte do contribuinte, bem como se foram as mesmas tomadas como base na emissão do auto de infração em epígrafe, com aplicação de penalidade equivalente ao valor do tributo mais encargos. Diz que o descumprimento das intimações não é verdadeiro, porque comprovados os questionamentos administrativos antes mencionados. Afirma, também, a nulidade do processo administrativo, porque o auto de infração não foi submetido a qualquer revisão de ofício pela autoridade tributária superior ao autuante, na forma do art. 149, VII do CTN. Mais à frente, diz que o lançamento também seria nulo porque a penalidade não poderia ter recaído sobre os valores apurados pela Fiscalização, dado que apesar da unificação dos impostos e contribuições houve recolhimento do tributo, que não foi identificado como crédito na apuração fiscal. Por fim, argúi a decadência do direito de o Fisco constituir as contribuições previdenciárias devidas de janeiro a dezembro/2003, na forma do art. 173, I do CTN, conforme jurisprudência que cita, dado que houve pagamento antecipado. E nega a ocorrência de fraude, que só pode ser aferida no momento da ocorrência do fato gerador, e deve ser provada pelo Fisco. Ademais, na forma do art. 112 do CTN, na dúvida em face do planejamento tributário adotado pela recorrente, a decisão deve lhe ser favorável, consoante jurisprudência que cita. Em acréscimo à defesa apresentada no âmbito do Simples Federal, também consigna que não há como aplicar multa qualificada, eis que ausente qualquer demonstração de má fé ou fraude no caso em tela, como já fundamentado anteriormente. Arremata requerendo a produção de prova oral, cujo rol de testemunhas será apresentado oportunamente, quando da designação de data para sua oitiva. O recurso voluntário foi distribuído, inicialmente, para relatoria do Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, integrante da 1a Turma Ordinária da 3a Câmara da 3a Seção deste Conselho, que por meio da Resolução nº 3301000.182 declinou competência em favor desta 1a Seção de Julgamento. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 11 10 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Como relatado, o lançamento aqui formalizado decorre da exclusão da contribuinte do Simples Federal, objeto do processo administrativo nº 10925.002073/200823. Naqueles autos, há notícia de que a contribuinte impetrou o Mandado de Segurança nº 2008.72.03.0028261/SC, questionando os atos praticados em razão daquela exclusão. Em consulta ao sítio da Justiça Federal da 4a Região na Internet, constatase que o mandado de segurança foi impetrado em 09/12/2008, e a sentença posteriormente proferida traz o seguinte relato do pedido de liminar: Pleiteou, ademais, a concessão de liminar no sentido de: "(a) obstar qualquer exigência à impetrante para optar pelo regime tributário diverso daquele simplificado (SIMPLES) no período impugnado, e, consequentemente, vedação à exigência de documentos relativos a regime tributário divergente do SIMPLES até julgamento final dos processos administrativos n.s. 10925.002252/200861 e 10925.002073/200823; (b) ordenar o restabelecimento da impetrante no regime simplificado perante todo o sistema da Receita Federal do Brasil, inclusive no sítio da internet até julgamento final dos processos administrativos n.s 10925.002252/200861 e 10925.002073/200823; (c) ordenar a vedação de qualquer impedimento a nova opção pelo regime simplificado de tributação até julgamento final dos processos administrativos n.s 10925.002252/200861 e 10925.002073/200823; (d) obstar qualquer penalidade decorrente do não atendimento aos termos de intimações n.s. 001, 002 e 003, por se tratarem de documentos relativos ao regime tributário "lucro real"; (e) afastar a possibilidade de aplicação, pela autoridade coatora, de qualquer ato tendente a exigir o recolhimento dos tributos por outro regime com penalidades administrativas, assim como o fornecimento de certidões negativas, até julgamento final dos processos administrativos n.s 10925.002252/200861 e 10925.002073/200823". A liminar foi indeferida em decisão publicada em 06/02/2009, nos seguintes termos: A impetrante pretende, inclusive em provimento liminar, seja assegurada sua reinclusão junto ao Simples Nacional, vedada qualquer exigência ou aplicação de penalidade decorrente de regime tributário diverso do simplificado, até julgamento final dos processos administrativos nº 10925.002252/200861 e 10925.002073/200823. Alega, em síntese, que apresentou tempestivo recurso administrativo contra os atos de exclusão, o qual possui efeito suspensivo. Notificada, a Autoridade apresentou informações alegando, preliminarmente, a perda de objeto da presente lide, tendo em vista a suspensão da exclusão até decisão administrativa definitiva. O impetrante apresentou manifestação. Vieram os autos conclusos. Decido. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 12 11 Considerando a informação e documentos apresentados pela impetrada, noticiando a suspensão da exclusão e dos efeitos dos Atos Declaratórios Executivos nº 18/2008 e 21/208, até decisão administrativa definitiva, com a consequente reinclusão da impetrante no Simples Nacional, ausente o periculum in mora, o que impede o deferimento do provimento liminar requerido. Ante o exposto, INDEFIRO o pedido de liminar. Em 28/01/2009 foi formalizada a presente exigência, consta da sentença proferida no mandado de segurança que a contribuinte peticionou nos autos para informar que em razão do não atendimento das intimações encaminhadas pelo Fisco e, sobretudo, pela desconsideração do efeito suspensivo dos recursos administrativos protocolizados, a autoridade fiscal emitiu diversos autos de infração em seu desfavor, todos no sentido de exigir a tributação pelo lucro real. Acrescentouse que naquela peça a contribuinte pugnou pelo reconhecimento de nulidade daqueles expedientes. Na seqüência, verificase nos autos da ação judicial a designação de diligência nos seguintes termos: Converto o julgamento em diligência. A impetrante pretende seja assegurada a sua permanência junto ao Simples Nacional, vedada qualquer exigência ou aplicação de penalidade decorrente de regime tributário diverso do simplificado, até julgamento final dos processos administrativos nº 10925.002252/200861 e nº 10925.002073/200823. Alega, em síntese, que apresentou tempestivo recurso administrativo contra os atos de exclusão, o qual possui efeito suspensivo. Notificada, a Autoridade apresentou informações alegando, preliminarmente, a perda de objeto da presente lide, tendo em vista a suspensão da exclusão e dos efeitos dos Atos Declaratórios Executivos nº 18/2008 e 21/2008, até decisão administrativa definitiva. Muito embora a Impetrada tenha apresentado informações (fls. 19/22), nas quais noticiou a suspensão dos efeitos dos Atos Declaratórios Executivos n.s 18/2008 e 21/2008, com a consequente reinclusão da Impetrante no Simples Nacional, a documentação acostada pela empresa às fls. 42/43 indica ter havido a lavratura de diversos autos de infração em desfavor daquela pessoa jurídica, cujo Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal TEPF foi datado em 23.01.2009, momento posterior às informações apresentadas. Dessarte, reputo necessária nova notificação da Impetrada para que apresente, no prazo de 10 (dez) dias, informações complementares, a fim de esclarecer as razões que justificaram a autuação da Impetrante nos autos do MPF n. 0920300.2008.00200, já que a suspensão noticiada pela Autoridade Impetrada decorreu das disposições contidas no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. CÓPIA DA PRESENTE DECISÃO SERVIRÁ COMO OFÍCIO Nº 3277427, a ser encaminhado com cópias da petição e documentos das fls. 41/43. Apresentadas as informações, retornem conclusos. Também da sentença extraise que a autoridade prestou informações complementares (fls. 68/72) no sentido de que "os créditos tributários lançados em nome da impetrante encontramse com a exigibilidade suspensa em virtude da impugnação do ato de exclusão do Simples Nacional apresentada (conforme documentos anexos), e que os lançamentos dos débitos tiveram como objetivo prevenir possível decadência do direito de fazêlo". Fl. 234DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 13 12 Frente a tais circunstâncias, o MM. Juiz Federal Substituto Ivan Arantes Junqueira Dantas Filho assim decidiu: II FUNDAMENTAÇÃO Mérito 1. Reconhecimento parcial do pedido A fls. 19/22 a autoridade impetrada apresentou informações dando conta de que "a DRF efetivou a suspensão das exclusões feitas, suspendendo assim os efeitos dos Atos Declaratórios Executivos n.s 18/2008 e 21/2008, até decisão administrativa definitiva". Na mesma ocasião, coligiu aos autos comprovantes da reinclusão da impetrante no Simples Nacional e no Simples Federal (a partir de 01/01/2003) e de que a impetrante encontrase, atualmente, e a partir de 01/07/2007, na situação de optante pelo Simples Nacional (fls. 23/26). Destarte, a autoridade impetrada reconheceu a procedência do pedido formulado pela impetrante nos itens "b" e "c" de fls. 07 de sua exordial, bem como daquele descrito a fls. 08, consistente em "assegurar o direito líquido e certo da impetrante em permanecer no regime tributário instituído pela Lei Complementar n. 123/2006 (SIMPLES), para recolhimento dos tributos na forma do artigo 18, § 5º, VII da referida Lei Complementar (...) até julgamento final dos processos administrativos n.s 10925.002252/200861 e 10925.002073/200823". Assim, restam controversos apenas os pedidos arrolados nos itens "a", "d" e "e" de fls. 07 da inicial. 2. Pedidos constantes dos itens "a", "d" e "e" de fls. 07 da inicial Verificase dos autos que ato contínuo à exclusão do SIMPLES, a Receita Federal intimou e reintimou a contribuinte impetrante para que apresentasse escrituração fiscal ordinária, visando a apurar lucro real, IPI etc (fls. 30/32). Porque não apresentada tal documentação, autuou a contribuinte e promoveu lançamentos de ofício (fls. 71). A autoridade fiscal ignorou, assim, a eficácia suspensiva de que dotado o recurso interposto contra o ato de exclusão. Uma vez legalmente reconhecido efeito suspensivo à impugnação administrativa, a vida fiscal da contribuinte permanece regida pelas normas que disciplinam o sistema de tributação simplificada. Reconhecer que a decisão que excluiu a impetrante do SIMPLES teve sua eficácia suspensa é dizer que todas as suas obrigações, principais ou acessórias, permanecem sendo aquelas impostas por tal regime especial. Não há qualquer amparo jurídico em reconhecer a permanência ainda que provisória do contribuinte em certo regime de tributação e ao mesmo tempo exigirlhe escrituração fiscal de outro. Configurase, nesta exigência, burla à regra legal que castra de eficácia o ato administrativo recorrido. Se para a lei, interposta a impugnação, o contribuinte permanece no SIMPLES, não pode o Fisco imporlhe deveres e ônus que não sejam aqueles próprios deste mesmo SIMPLES. Vejase que a alegação da Fazenda de que efetuou os lançamentos para prevenir decadência (fls. 68) não se sustenta. Esta figura jurídica (lançamento para prevenir decadência), prevista no art. 63 da Lei 9.430/96, visa a compatibilizar as funções jurisdicional e administrativa, quando exercidas em sobreposição temporal. Desta forma, ao mesmo tempo em que a decisão judicial impede qualquer investida fiscal contra o patrimônio do contribuinte, possibilitase à Administração cumprir seu dever legal de verificar a ocorrência de fatos geradores e constituir os respectivos créditos tributários. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 14 13 Esta situação não se verifica no caso em tela, em que não há exercício concomitante de função judicial e administrativa sobre um mesmo fato. O que se verifica na hipótese dos autos é a existência de um processo administrativo em fase recursal, sendo que a eficácia suspensiva da exclusão decorre de ato da própria Administração, que recebeu e processou a impugnação apresentada pelo contribuinte. Desta forma, não se verifica o cabimento de lançamento para prevenção de decadência. O contexto concreto é diverso da fattispecie legal. Ademais, percebase que não se está a discutir a ocorrência de um fato gerador ou a incidência de determinado tributo, mas a exclusão de um regime tributário simplificado. Se a exclusão não produz efeito, fica prejudicado todo e qualquer ato constitutivo de crédito que guarde como fundamento remoto esta exclusão, já que não haverá incidência das normas ordinárias de tributação. Assim, se a Fazenda exige prestação, principal ou acessória, com base em norma cuja incidência está obstada pela interposição de recurso, pratica ato destituído de base legal, e portanto nulo. Devo observar, por outro lado, que se o Fisco não se vê munido de poder legal para constituir o crédito, contra ele não fluirá prazo decadencial. Somente a partir do momento em que estivesse juridicamente dotado de condições legais para lançar (o que, no caso, darseia com eventual decisão final confirmadora da exclusão do SIMPLES) é que teria o ônus de fazêlo. Portanto, não existe decadência a ser prevenida, pois sequer há fluência de prazo decadencial. Feita essa observação, o que se conclui da situação concreta é que, enquanto não julgada a impugnação da impetrante contra sua exclusão do SIMPLES, não lhe poderão ser exigidas obrigações de regime diverso, e tampouco efetuadas autuações e lançamentos com base em normas estranhas ao regime simplificado, sendo nulas as que desta maneira já realizadas. III DISPOSITIVO Ante o exposto, CONCEDO A SEGURANÇA, com resolução do mérito, para: i) nos termos do art. 269, II, do CPC, diante do reconhecimento da impetrada, declarar o direito líquido e certo da impetrante de permanecer no regime tributário simplificado (SIMPLES FEDERAL de 01/01/2003 a 30/06/2007 e SIMPLES NACIONAL a partir de 01/07/2007) até o julgamento final dos processos administrativos 10925.002252/200861 e 10925.002073/200823; ii) nos termos do art. 269, I, do CPC, declarar nulas as intimações e reintimações fiscais feitas à impetrante com base em normas estranhas ao SIMPLES (fls. 30/32), bem como as autuações e lançamentos delas decorrentes (fls. 70/71), reconhecendo seu direito à obtenção de certidão de regularidade fiscal se por outro motivo não estiver impedida sua expedição; iii) nos termos do art. 269, I, do CPC, ordenar à autoridade impetrada que se abstenha de impor à impetrante qualquer obrigação estranha ao SIMPLES, principal ou acessória, até o julgamento final dos processos administrativos 10925.002252/200861 e 10925.002073/200823. [...] Referida decisão foi submetida a reexame necessário e mantida por seus próprios fundamentos, consoante ementa do acórdão datado de 28/08/2012: TRIBUTÁRIO. SIMPLES. EXCLUSÃO. IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA. EFICÁCIA SUSPENSIVA. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 15 14 1. Uma vez legalmente reconhecido efeito suspensivo à impugnação administrativa, a vida fiscal da contribuinte permanece regida pelas normas que disciplinam o sistema de tributação simplificada. 2. No caso, não se verifica o cabimento de lançamento para prevenção de decadência, pois não há exercício concomitante de função judicial e administrativa sobre um mesmo fato, mas apenas a existência de um processo administrativo em fase recursal, com eficácia suspensiva decorrente de ato da própria Administração. A União Federal interpôs recurso especial, que foi admitido em 13/02/2014, mas não foi identificado o processo correspondente no Superior Tribunal de Justiça. Há neste relato manifestações judiciais acerca da (in)validade das intimações das quais resultaram a presente exigência, bem como do próprio lançamento, se destinado a prevenir a decadência. Além disso, foi dirigida ao Delegado da Receita Federal em Joaçaba a ordem para que se abstenha de impor à impetrante qualquer obrigação estranha ao SIMPLES, principal ou acessória, até o julgamento final dos processos administrativos 10925.002252/200861 e 10925.002073/200823, mas isto depois de formalizado o lançamento aqui sob análise. De outro lado, este Conselho já pacificou o entendimento de que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). Observase, porém, que o objeto deste processo administrativo é mais amplo que o submetido à apreciação judicial. Isto porque, antes de questionar as exigências feitas no sentido da adequação de sua escrituração em razão de sua exclusão do Simples, a contribuinte repete, aqui, os argumentos veiculados em sua manifestação de inconformidade contra a exclusão, os quais, apreciados nos autos do processo administrativo nº 10925.002073/200823, ensejaram o cancelamento do ato de exclusão por ausência de provas, nos termos do voto condutor do Acórdão nº 1101001.243, a seguir reproduzido: Este Colegiado apreciou, recentemente, atos simulados praticados com vistas a assegurar que uma atividade econômica, apesar de sua expansão, continuasse a usufruir dos benefícios do regime simplificado de recolhimentos. Os atos de exclusão e os lançamentos decorrentes foram mantidos por unanimidade de votos, nos termos das ementas a seguir transcritas: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2005, 2006, 2007 EXCLUSÃO DO SIMPLES O excesso de receita bruta e a prática reiterada de infração à legislação tributária são causas de exclusão da pessoa jurídica do Simples. Assunto: Simples Nacional Anocalendário: 2007, 2008, 2009 EXCLUSÃO DO SIMPLES O excesso de receita bruta, a prática reiterada de infração à legislação tributária e a omissão na folha de pagamento de empregado são causas de exclusão da pessoa jurídica do Simples Nacional. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Fl. 237DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 16 15 Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 NULIDADE DOS LANÇAMENTOS. É válido o lançamento resultante de procedimento fiscal desenvolvido com observância das normas legais. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. A ocorrência de fraude impõe a contagem do prazo decadencial a partir do primeiro dia exercício seguinte àquele em que lançamento poderia ter sido efetuado. UNICIDADE EMPRESARIAL. CONFUSÃO ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. Demonstrada a simulação em razão da confusão operacional, comercial, financeira e trabalhista entre as pessoas jurídicas fiscalizadas, correto o lançamento que reúne, na pessoa jurídica que primeiro foi constituída, o faturamento partilhado entre as demais pessoas jurídicas com vistas a manter a atividade empresária beneficiada pela sistemática simplificada de recolhimento. EXCLUSÃO DO SIMPLES. Caracterizada a simulação e a fraude, o lançamento tributário depende, apenas, da formalização da exclusão da pessoa jurídica autuada do SIMPLES. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NA SITUAÇÃO QUE CONSTITUI O FATO GERADOR. A confusão entre pessoas jurídicas formalmente constituídas para que entre elas fosse partilhado o faturamento decorrente da atividade empresária impõe a responsabilidade solidária de todas pelo crédito tributário. ARBITRAMENTO DO LUCRO. PESSOA JURÍDICA EXCLUÍDA DO SIMPLES. A contabilidade da pessoa jurídica, quando escriturada fracionada e com vícios, erros e falhas não é hábil para que se proceda a tributação com base no lucro real ou pelo lucro presumido. EMPRÉSTIMOS E ADIANTAMENTOS PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL NÃO COMPROVADOS. INDÍCIOS EXTRAÍDO DE ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL. Se os vícios que ensejam a imprestabilidade da escrituração afetam significativamente os registros de disponibilidades não é possível tomar como indícios de presunção de omissão de receitas os empréstimos e adiantamentos que, segundo a acusação fiscal, teriam se prestado a evitar a configuração de saldo credor de caixa. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Válida a aplicação de multa qualificada nos casos de fraude e simulação. (Acórdão nº 1101001.093, sessão de julgamento de 09 de abril de 2014) Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007 EXCLUSÃO. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. CONSTITUIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA POR INTERPOSTA PESSOA. EXCESSO DE RECEITA BRUTA. Confirmadas as irregularidades na escrituração da movimentação financeiras, consistente na manutenção de conta corrente e de depósitos à margem da escrituração, seguindose a constituição de pessoa jurídica sem qualquer autonomia em relação à optante e com interpostas pessoas no quadro social, de modo a evitar que a receita bruta auferida pela atividade ultrapasse o limite fixado para permanência no Simples, é válida a exclusão com efeitos no próprio ano fiscalizado e no subseqüente. Assunto: Simples Nacional Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2009 EXCLUSÃO. EXCESSO DE RECEITA BRUTA. CONSTITUIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA POR INTERPOSTA PESSOA. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS DE TRIBUTOS FEDERAIS. ESCRITURAÇÃO QUE NÃO IDENTIFICA A MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. O excesso de receita bruta verificado no anocalendário anterior, ocultado pela simulação de constituição de pessoa jurídica para fracionamento do faturamento, agravada pelo uso de interpostas pessoas no quadro social, além da constatação de débitos do Simples Federal não recolhidos e ocultados mediante retificação das declarações originalmente apresentadas, e da manutenção de contas correntes à margem Fl. 238DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 17 16 da escrituração, autorizam a exclusão com efeitos retroativos à data de opção pelo Simples Nacional. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 ARBITRAMENTO. O lucro tributável deve ser arbitrado se a escrituração dos sujeito passivo mostrase imprestável para identificação da efetiva movimentação financeira, vez que constatada a manutenção de contas correntes (e de depósitos) à margem da contabilidade, mormente se o sujeito passivo não questiona as receitas presumidas em razão destas omissões, bem como não responde à intimação formulada no curso do procedimento fiscal para opção pelo lucro presumido ou real, em razão da exclusão da pessoa jurídica do regime simplificado de recolhimentos. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Verificada a omissão de receita, o valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. ALÍQUOTA ZERO. PIS/COFINS. Para que fosse possível admitir que as receitas omitidas seriam correspondentes a vendas tributadas à alíquota zero, necessário que fossem apresentadas as notas fiscais de venda a corroborar a alegação, não escrituradas na contabilidade. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERESSE COMUM. Comprovado que a empresa designada responsável solidária foi constituída por pessoas físicas ligadas aos reais sócios e administradores do empreendimento, única e exclusivamente para fracionar o faturamento da contribuinte autuada, de modo a permitir a sua permanência no SIMPLES FEDERAL e, posteriormente, no SIMPLES NACIONAL, o que se tem é apenas uma pessoa jurídica, um único faturamento, uma única atividade e um único patrimônio, que deve ser chamado a responder pelo crédito tributário devido pela atividade desempenhada pelas empresas em conjunto, inclusive com a utilização indistinta de recursos humanos e patrimoniais. (Acórdão nº 1101001.158, sessão de julgamento de 31 de julho de 2014). Traço comum dos litígios em referência é a prova produzida pela Fiscalização em favor da confusão patrimonial e da ausência de autonomia entre as pessoas jurídicas, evidenciando um único empreendimento formalmente dividido com vistas, apenas, a usufruir das isenções conferidas aos beneficiários do sistema simplificado de recolhimentos. No presente caso, a representação fiscal para exclusão da contribuinte do SIMPLES também se reporta a simulação para segmentação de atividades/faturamento. Inicialmente aponta a existência de documentação anexa, onde se observa a designação de “GRUPO IDUGEL”, possivelmente reportandose ao papel timbrado usado por Idugel Industrial Ltda, que ao lado da designação desta pessoa jurídica traz o logotipo do grupo (fl. 11), o mesmo se verificando no demonstrativo consolidado de salários dos empregados de pessoas jurídicas do grupo à fl. 81. A autoridade fiscal indica as pessoas jurídicas integrantes do grupo (Idugel Industrial Ltda, J.S. Máquinas Ltda ME e KF Montagens Industriais Ltda ME), descrevendo seu endereço, objeto social, data de opção pelo SIMPLES e informações sobre o número de empregados. Na seqüência, discorre sobre as características da composição societária do grupo, enfatizando a administração das três pessoas jurídicas, por procuração, pelo casal José Schazmann e Silvana Marques Schazmann (que também são sócios e administradores de Idugel Industrial Ltda), e relatando a atuação dos demais familiares: Elita Schimidtz Schazmann (mãe de José Schazmann, sócia administradora da fiscalizada e antiga sócia administradora de KF Montagens Industriais Ltda ME); Claudia Schazmann Perottoni (irmã de José Schazmann e sócia administradora da autuada); Felipe Marques Schazmann (filho de José Schazmann e sócio administrador de KF Fl. 239DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 18 17 Montagens Industriais Ltda ME); e Karinne Marques Schazmann (filha de José Schazmann e sócia cotista de KF Montagens Industriais Ltda ME). Os quadros abaixo demonstram as alterações da composição societária das pessoas jurídicas do grupo empresarial: Para afirmar que as três pessoas jurídicas constituem uma única empresa, a autoridade lançadora consigna que: · As três pessoas jurídicas ocupariam o mesmo imóvel, situado na BR 282, km 385, Trevo Oeste, Acesso Adolfo Ziguelli, Joaçaba/SC, pois este é o endereço declarado por Idugel Industrial Ltda e JS Máquinas Ltda ME, enquanto o endereço declarado por KF Montagens Industriais Ltda ME é o endereço residencial das sócias da fiscalizada. Todavia, a autoridade fiscal nada menciona acerca das instalações físicas deste imóvel, e não infirma a possibilidade de naquele mesmo espaço físico Idugel Industrial Ltda estar encarregada de projetos, comércio, montagem e manutenção das máquinas Fl. 240DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 19 18 e equipamentos, restando à J.S. Máquinas Ltda ME a fabricação propriamente dita dos equipamentos, ou de partes deles, e à KF Montagens Industrias Ltda ME a prestação de serviços a Idugel Industrial Ltda para instalação dos equipamentos fora do estabelecimento industrial; · A fiscalizada atuaria basicamente como empresa de cessão de mãodeobra para Idugel Industrial Ltda, pois embora o objeto social de JS Máquinas Ltda ME seja fabricação e comercialização de máquinas e equipamentos e acessórios para moinhos, silos e cerealistas, as duas pessoas jurídicas ocupam o mesmo espaço físico de trabalho e tem seu pessoal subordinado ao comando das mesmas pessoas. Como dito, a ocupação do mesmo espaço físico é afirmada pela Fiscalização apenas em razão da identidade de endereço. Não há qualquer descrição de diligência no estabelecimento em referência, ou termo lavrado neste sentido, para investigação acerca das atividades exercidas pela mãodeobra contratada ou da logística dos materiais, com vistas a afirmar que José Schazmann e Silvana Marques Schazmann estariam administrando uma atividade empresarial única em razão da confusão operacional entre elas; · A tomadora de mãodeobra – IDUGEL , que não é optante pelo SIMPLES, teve, por exemplo, em 2007, dois empregados registrados em seu nome, e concentrou praticamente todo o faturamento de vendas. Porém, nada impediria que Idugel Industrial Ltda se responsabilizasse apenas pelo projeto e comércio dos equipamentos, desde que seus empregados e suas instalações físicas estivessem efetivamente destinadas a estas atividades, e houvesse contratação formal e material de JS Máquinas Ltda ME para a produção dos equipamentos projetados e vendidos, atividade a ser realizada em instalações específicas do imóvel compartilhado pelas duas pessoas jurídicas, com seus próprios empregados, mormente tendo em conta que a fiscalizada teria como sócias pessoas distintas dos sócios de Idugel Industrial Ltda. Necessário seria que houvesse simulação na composição do quadro social da fiscalizada, distribuição informal de receitas contratadas com clientes por apenas uma das pessoas jurídicas, ou descompasso na distribuição entre as pessoas jurídicas da remuneração contratualmente fixada, tendo em conta a natureza dos serviços que cada ente prestaria; · Os setores administrativos (financeiro, pessoal, etc...) atendem as duas empresas. Ocorre que para demonstrar esta prática, a Fiscalização se reportou a demonstrativos de pagamento de folha de salário, juntados às fls. 75/81, nos quais apenas se observa a utilização da mesma máscara para o relatório, com substituição da marca de cada pessoa jurídica, além de um relatório consolidando os resultados das três pessoas jurídicas. Não há sequer a individualização dos empregados destes setores administrativos, subsistindo a possibilidade de os relatórios terem sido produzidos de forma padronizada por uma mesma pessoa jurídica em favor da qual foram terceirizadas estas atividades; · Além das pessoas jurídicas funcionarem num mesmo estabelecimento, os empregados usam uniforme contendo a descrição “GRUPO IDUGEL”, trabalhando sob a administração de um mesmo empregador. A indicação do logotipo do grupo empresarial no uniforme, entretanto, é apenas um indício de eventual confusão operacional entre as pessoas jurídicas. Como dito, nenhum elemento foi trazido aos autos demonstrando a impossibilidade de Idugel Industrial Ltda ter operado com apenas dois ou três empregados para executar o projeto e o comércio dos equipamentos, ou a atuação dos empregados de JS Máquinas Ltda em favor de outra pessoa jurídica ou em suas instalações. A localização das duas pessoas jurídicas no mesmo imóvel Fl. 241DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 20 19 e a administração das três sociedades pelas mesmas pessoas físicas são aspectos formais que podem indicar irregularidades, mas estas devem ser materializadas com provas, ou ao menos indícios consistentes e convergentes, colhidos das instalações físicas, da atividade operacional e da gerência efetiva da atividade empresária; · A escrituração contábil das pessoas jurídicas revela vários pagamentos “cruzados” ferindo o princípio contábil da “Entidade”, ou seja, quando não havia recursos financeiros para pagar os compromissos assumidos por uma das empresas, simplesmente utilizavam os recurso da outra, como se na verdade fosse uma única empresa com diversas contas bancárias. Ademais, os pagamentos foram autorizados por Silvana Marques Schazmann. Porém, os elementos juntados à acusação fiscal, com datas do ano de 2007, apenas refletem as operações em si, e não ensejaram qualquer questionamento às empresas do grupo acerca da solução adotada para adequação dos saldos bancários das pessoas jurídicas, sendo certo que os registros contábeis, na parte em que evidenciados, apontavam a baixa de disponibilidades pela pessoa jurídica que implementou o pagamento, e nada foi esclarecido acerca da forma contábil adotada para registro da despesa ou do ativo vinculado a tais pagamentos, que deveria se dar na pessoa jurídica que promoveu sua aquisição/contratação ou incorreu no tributo devido. Vejase: o Relação de lançamentos a crédito da conta Caixa de JS Máquinas Ltda ME em razão de pagamentos de “INSS a Recolher” promovidos com a débito de conta bancária mantida por Idugel Industrial Ltda e autorizados por Silvana M. Schazmann (fls. 82/87); o Relação de lançamentos a crédito da conta Caixa de KF Montagens Industriais Ltda ME em razão de pagamentos de “INSS a Recolher” e “FGTS a Recolher” promovidos com a débito de conta bancária mantida por Idugel Industrial Ltda e autorizados por Silvana M. Schazmann (fls. 82/92 e 98/99); o Relação de lançamentos a débito da conta Caixa de KF Montagens Industriais Ltda ME em razão de pagamentos de boletos bancários tendo Idugel Industrial Ltda como sacado, e debitados em conta bancária de KF Montagens Ltda ME, com autorização de Silvana M. Schazmann (fls. 82 e 93/97); o Relação de valestransporte e valesrefeição de empregados vinculados a J.S. Máquinas Ltda ME e K.F. Montagens Ltda ME, pagos com cheque emitido por Idugel Industrial Ltda (fls. 101/106); o Aquisição de material por Idugel Industrial Ltda debitada em conta bancária de J.S. Máquinas Ltda ME, com autorização de Silvana M. Schazmann (fls. 107/109); o Pagamento de boleto bancário tendo como sacado J.S. Máquinas Ltda ME, debitado em conta bancária de Idugel Industrial Ltda com autorização de Silvana M. Schazmann (fls. 110/111); e o Pagamento de nota fiscal de aquisição de uniformes e correspondente boleto bancário tendo como sacado Idugel Industrial Ltda, debitado em conta bancária de KF Montagens Industriais Ltda (fls. 112/114). · Não há preocupação de justificar contabilmente, de forma correta, tais registros, ou seja, a empresa que faz os pagamentos contabiliza as saídas na Fl. 242DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 21 20 conta “Bancos” e as entradas na conta “Caixa”. A empresa que tem suas contas pagas simplesmente contabiliza esses valores como saídas da conta “Caixa”. Contudo, estas ocorrências apenas revelam o uso do “Caixa Flutuante”, prática por meio da qual todos os valores movimentados em Bancos transitam por conta Caixa. Inexistiria qualquer irregularidade se, depois de contabilizar um pagamento de outra empresa do grupo mediante débito de “Caixa” e crédito de “Bancos”, a pessoa jurídica registrasse outro lançamento creditando “Caixa” e debitando “Créditos com pessoas ligadas”, representativo do direito que passou a deter ao destinar suas disponibilidades ao pagamento de dívida de outra pessoa jurídica. Logo, os registros apontados pela Fiscalização não se prestam a comprometer de forma irremediável a escrituração contábil apresentada; · Idugel Industrial Ltda é a responsável por praticamente toda a atividade gerencial/industrial do “grupo”, compreendendo as aquisições de insumos, matériaprima, material de embalagem, energia, etc. As empresa J.S. e K.F. são meras fornecedoras de mãodeobra, e todo o faturamento com vendas é através da empresa IDUGEL, ficando a prestação de serviço de instalação de máquinas a cargo da empresa KF. O único elemento que aparenta ter correlação com esta acusação é a nota fiscal emitida por KF Montagens Industriais Ltda por prestação de serviços a Idugel Industrial Ltda, no valor de R$ 48.000,00, em 30/04/2008, juntada à fl. 115. Para além disso, a autoridade fiscal se limita a elaborar quadros com a relação custo x receita e receita por empregado, de 2003 a 2007, para demonstrar a concentração de receitas e custos em Idugel Industrial Ltda, e de empregados em J.S. Máquinas Ltda ME e K.F. Montagens Ltda ME. Como já dito, não houve qualquer investigação acerca da logística destes materiais, das relações contratuais entre as pessoas jurídicas do grupo, e da forma de prestação de serviço pelos empregados, para materializar as suspeitas advindas do objeto social das pessoas jurídicas, do endereço por elas adotados, da designação de seus administradores, e dos quantitativos de receitas, custos e número de empregados. A conclusão fiscal, diante destes fatos, é de que houve simulação para fracionamento da atividade e o faturamento, hábil a ensejar a exclusão da fiscalizada do Simples para que os resultados por ela declarados não fossem beneficiados com o tratamento diferenciado conferido por aquela sistemática de recolhimento. Em paralelo, afirmase também que a atividade de cessão ou locação de mãodeobra também impediria a permanência da contribuinte no Simples Federal. O ato de exclusão faz referência às constatações consolidadas no Parecer SACAT nº 316/2008. Neste documento algumas acusações recebem nova abordagem: o O Grupo Idugel constituiria uma única empresa, com faturamento global superior aos limites permitidos para ingresso e permanência no Simples Federal, sendo que Idugel Industrial Ltda beneficiouse indevidamente por acometer artificialmente à pessoa jurídica J.S. Máquinas Ltda ME, no regime diferenciado, a responsabilidade por significativa parcela dos tributos com os quais normalmente teria que arcar, especialmente contribuições previdenciárias, uma vez que o faturamento da única empresa de fato (Idugel), do pretenso “grupo empresarial, ultrapassa sistematicamente os limites para ingresso e permanência no Simples Federal. Contudo, em momento algum a autoridade fiscal demonstrou que o faturamento do grupo superaria o limite para permanência no Simples Federal. Os quadros comparativos de receitas, custos e empregados apresentam totais anuais, mas não são correlacionados com os limites de Fl. 243DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 22 21 faturamento estipulados para cada anocalendário, dado que sua elaboração não tinha este objetivo. Demais disso há ao menos uma evidência de nota fiscal de prestação de serviços emitida por KF Montagens Ltda ME em favor de Idugel Industrial Ltda, a exigir a exclusão destas operações recíprocas para se aferir o volume real de receita do grupo. o J.S. Máquinas Ltda, a partir de determinado momento teria perdido, se é que possuía, sua autonomia como entidade empresarial, passando a ter suas atividades incorporadas pela empresa Idugel Industrial Ltda, assumindo existência apenas no campo formal, uma ficção, sob os aspectos econômico, contábil, administrativo, operacional e societário, desde então constituída por interpostas pessoas, de inteira confiança dos proprietários da Idugel Industrial Ltda. Mas, além de a representação fiscal para exclusão não ter sido acompanhada de provas desta alegada existência meramente formal da fiscalizada, não houve investigação para demonstrar que as sócias administradoras de JS Máquinas Ltda ME seriam interpostas pessoas, sem qualquer participação na sociedade, a evidenciar que os administradores da pessoa jurídica por procuração (José Schazmann e Silvana Marques Schazmann) seriam, em verdade, seus sócios de fato ou, nas palavras do mencionado Parecer, seus sócios verdadeiros; o As alterações societárias se prestaram a submeter o controle administrativo da fiscalizada ao casal José Schazmann e Silvana Marques Schazmann, bem como a alterar o endereço de J.S. Máquinas Ltda ME, que deixou de ter sede própria em 22/09/97 para adotar o mesmo endereço de Idugel Industrial Ltda, com indicação em blocos diferentes do mesmo imóvel, sendo esta uma pequena diferença, apenas formal. Como já demonstrado, além de a Fiscalização não ter infirmado a divisão em blocos do imóvel ocupado pelas pessoas jurídicas, também não houve qualquer prova de que o mencionado controle administrativo por José Schazmann e Silvana Marques Schazmann seria absoluto, sem prestação de contas às sócias administradoras da fiscalizada, que lhes outorgaram procuração para gerir a J.S. Máquinas Ltda; o Ainda que exercesse atividade econômica autônoma a fiscalizada apenas forneceria mãodeobra a Idugel Industrial Ltda, dado que os gastos de JS Máquinas Ltda ME com insumos não justificam – por serem irrisórios comparados aos da Idugel – o faturamento consignado em sua contabilidade, mostrandose os gastos contábeis com mãodeobra, por outro lado, exagerados e incompatíveis com este mesmo faturamento, também quando comparados aos números da Idugel Industrial Ltda. Ocorre que não há, nos autos, qualquer intimação dirigida à fiscalizada exigindo esclarecimentos acerca das atividades por ela exercidas, ou de suas relações comerciais com Idugel Industrial Ltda, de modo que as incompatibilidades aventadas são apenas inferências a partir dos valores escriturados, motivadas em razão da administração das sociedades pelas mesmas pessoas. Não é possível declarar gastos com mãodeobra incompatíveis com o faturamento, nem afirmar que houve locação ou cessão de mãodeobra sem avaliar, documentalmente ou no plano fático, qual a atividade exercida pelas pessoas jurídicas e a forma como ela se processou; e o A exclusão deveria operar efeitos desde janeiro/2003, dado que as vedações tratadas no art. 14, inciso IV, da Lei nº 9.317/96 (interposição de pessoas no quadro social) e no art. 9o, inciso XII, alínea “f”, da mesma lei (locação ou cessão de mãodeobra) estariam demonstradas nos autos, em especial nos quadros comparativos de receita, custos e gastos com mãodeobra. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 23 22 Contudo, por tudo antes exposto, as evidências reunidas não são suficientes para caracterizar a interposição de pessoas no quadro social, ou mesmo que as atividades da fiscalizada pudessem caracterizar locação ou cessão de mãodeobra, verificandose idêntica situação em todos os períodos investigados, desde 2003. Acrescentese que ao prosseguir na análise do litígio formado a partir desta exclusão, examinando as exigências tributárias daí decorrentes, constatouse a referência ao procedimento fiscal descrito nos autos do processo administrativo nº 10925.000023/200992, no qual foram formalizadas exigências de contribuições previdenciárias já apreciadas pela 3a Turma Especial da 2a Seção de Julgamento. No Relatório Fiscal lavrado naqueles autos foram identificadas algumas diligências aqui não relatadas, anteriores à representação fiscal para exclusão. Vejase: No dia 04 de março de 2008, em cumprimento ao Mandato de Procedimento Fiscal — MPF n° 0920300.2008.00160, na presença da Sra. Silvana Marques Schazmann e através da ciência do Sr. José Schazmann no Termo de Início da Ação Fiscal — TIAF (fls.75, 76) iniciouse a ação fiscal no contribuinte IDUGEL INDUSTRIAL LTDA. Durante essa visita inicial ao estabelecimento do contribuinte, foi constatada a existência de uma quantidade de segurados empregados muito superior à declarada a Previdência Social através da Guia de Recolhimento do FGTS e Informação a Previdência Social — GFIP, informação essa decorrente do procedimento de pré análise feita pela fiscalização com base nas informações dos sistemas internos (GFIPWEB). Pôdese verificar que tais segurados trabalhavam usando uniforme com identificação visual contendo ?' descrição "GRUPO IDUGEL". Foram observados também na recepção do estabelecimento ,, do fiscalizado, "banners", quadros . com foto do estabelecimento e documentos com a mesma identificação visual. Questionado o Sr. José Schazmann sobre a existência de outras empresas de sua propriedade, foi informado à fiscalização que havia, além da IDUGEL INDUSTRIAL LTDA, as empresas J.S. MÁQUINAS LTDA ME e KF MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA ME. Foi solicitado o nome completo das empresas e o número do CNPJ e informado ao Sr. José Schazmann que ambas seriam fiscalizadas. [...] Em atendimento ao TIAF, o fiscalizado apresentou parcialmente os documentos discriminados, com destaque para os arquivos magnéticos conforme Recibo de Entrega de Arquivos Digitais (fls. 77 a 81). Os documentos solicitados foram apresentados pelo escritório de contabilidade CONTASSESC CONTABILIDADE E ASSESSORIA, com sede a Rua Getúlio Vargas 835, Centro Joaçaba/SC, contratado pelo contribuinte para a execução de sua escrita fiscal. A fiscalização foi atendida pelo Sr. Tiago, sendo este o contato para esclarecimento de todas as questões relativas à fiscalização. Foi informado à fiscalização que todas a empresas pertencentes ao "GRUPO IDUGEL" haviam sido recém incorporadas a carteira de clientes do escritório, sendo que até a competência de agosto de 2007 elas eram atendidas pelo escritório de contabilidade GABARITO ASSESSORIA CONTÁBIL, com sede a Rua 13 de Maio, 11, sala 19, Centro, Joaçaba/SC. Em razão disso, alguns documentos não puderam ser disponibilizados de imediato, pois ainda encontravamse de posse do antigo escritório de contabilidade. Posteriormente a fiscalização iniciou a análise dos documentos que deram origem à escrita contábil dos contribuintes (IDUGEL INDUSTRIAL LTDA, KF MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA ME e J.S. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LTDA ME), sendo disponibilizados na sede do fiscalizado. 4.2 TERMO DE INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS — TIAD DE 27/06/2008 Por meio do TIAD de 2710612008 (fis. 82) intimamos o contribuinte a fornecer cópia da procuração com cessão de poderes para José Schazmann e Silvana Marques Schazmann. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 24 23 Tal solicitação teve como objetivo comprovar de forma clara e objetiva que a empresa fiscalizada na verdade é administrada de forma direta pelos proprietários da empresa IDUGEL INDUSTRIAL LTDA., constatação já evidenciada pela análise da documentação contábil apresentada pelo contribuinte. Constatase do assim exposto que a autoridade fiscal promoveu diligências ao estabelecimento da fiscalizada, e lá colheu as impressões acerca do uniforme usado pelos empregados (aqui citada), além da identificação comum das empresas, que não foi ressaltada na acusação aqui produzida. Observase, também, que nenhuma contestação foi objetivamente apresentada acerca da divisão do imóvel em blocos, para complementar a afirmação posterior de que ela seria apenas formal. Ou seja, não foram descritas as atividades exercidas no imóvel, os empregados nelas alocados e seus vínculos empregatícios, a forma de supervisão de seu trabalho, etc. Quanto às atividades administrativas, surgem as referências à terceirização antes cogitada. E, no que tange à administração das pessoas jurídicas por José Schazmann e Silvana Marques Schazmann, confirmase que a investigação resumiu se à outorga de poderes pelas sócias da fiscalizada, sem qualquer questionamento acerca da efetiva atuação destas como sócias, para suportar a acusação de que elas seriam interpostas pessoas. A ausência das provas referidas neste voto impede que, neste julgamento, sejam refutadas as justificativas apresentadas na defesa, especialmente que: o O interesse do grupo familiar em termos societários e operacional em fracionar a cadeia produtiva, aproveitando o conhecimento técnico e a capacidade financeira de cada familiar, para chegar à disposição empresarial hoje existente: não houve qualquer questionamento dirigido aos administradores ou aos sócios das pessoas jurídicas envolvidas perquirindo as razões comerciais para o fracionamento das atividades, e a Fiscalização não as infirmou para prevalência da motivação tributária; o A experiência profissional de José Schazmann e sua esposa para administrar em Idugel Industrial Ltda os projetos dos maquinários, comercialização e coordenação da execução dos mesmos (knowhow), bem como as atividades delegadas à diversas outras empresas (não apenas KF Montagens e JS Máquinas): não foram investigadas as relações comerciais entre as pessoas jurídicas do grupo e entre elas, seus fornecedores, clientes e parceiros, para assim reunir evidências de confusão operacional; o A participação financeira, visando o sustento familiar dentro do mesmo ramo negocial, em favor daqueles que são sócios de JS Máquinas Ltda ME e KF Montagens Ltda ME: não foi questionado a formação do capital social das pessoas jurídicas que teriam sido supostamente constituídas por interpostas pessoas, nem eventual desproporção entre sua participação nos lucros e a remuneração dos administradores; o A recorrente seria responsável pela fabricação dos acessórios e complementos das máquinas produzidas pela empresa lDUGEL (direta ou indiretamente), e KF Montagens é responsável pela montagem e instalação das máquinas e acessórios fabricados pela IDUGEL, sendo que outras empresas, além da recorrente, participam da cadeia produtiva: não há, nos autos, registros da atividade operacional da fiscalizada, dos insumos por ela adquiridos, das receitas por ela registradas, dos contratos por ela firmados, das funções exercidas por seus empregados; o Seria perfeitamente lícita a formação de empresas que mantêm contratação entre si, ainda que constituídas por grupo de familiares. Não há como exigir que se funde apenas uma empresa. Variando percentuais proporcionais à participação financeira ou de trabalho de cada um, se há como separar Fl. 246DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 25 24 perfeitamente as atividades em diversos setores: sem a demonstração de como se processaram as atividades e as relações comerciais entre as pessoas jurídicas do grupo empresarial, não há como dizer que as atividades não estavam separadas, e que seu resultado era partilhado na proporção da participação financeira e do trabalho dos sócios e administradores; o As sócias proprietárias recebem pro labore mensal e distribuição de lucros/dividendos, tendo legítimo interesse nas atividades desenvolvidas pela mesma, objetivando e obtendo para si lucro e renda suficiente a mantê las: a outorga de procuração para que outrem administre a sociedade não permite que se classifique os integrantes do quadro social como interpostas pessoas. A condição de sócio pressupõe capacidade financeira para formação do capital social da pessoa jurídica, da qual resultará a pretensão de auferir lucros, que podem ser acompanhados de pro labore mensal, caso os sócios também exerçam atividades em favor da pessoa jurídica, isto para além de demandar a prestação de contas por parte daqueles a quem conferiu poderes para administrar a pessoa jurídica. Nenhuma destas circunstâncias foi infirmada durante o procedimento fiscal; o ...há uma divisão física que separa o imóvel e, por conseqüência, as empresas em tela, consoante atesta a cópia da planta do imóvel, a instalação de sistemas de alarmes e a certificação municipal neste sentido: a autoridade fiscal apenas afirma que a divisão do imóvel é meramente formal e nada traz aos autos para fundamentar sua constatação; o A empresa Idugel detém capacidade técnica para desenvolver projetos e possibilidade de angariar contratos e obras em razão da tradição de mercado e capacidade técnica de José Schazmann e outros engenheiros contratados, observando que parte desta atividade é delegada para empresas terceirizadas, como a recorrente, por empreitada, razão pela qual o valor agregado de cada produto produzido pelas empresas contratadas é muito inferior àquele cobrado pela empresa IDUGEL quando da comercialização do conjunto todo: como o comparativo entre receitas, custos e mãodeobra teve em conta apenas os totais anuais registrados por cada pessoa jurídica, não há como afastar a possibilidade de as anormalidades aventadas pela Fiscalização decorrerem, apenas, da natureza das atividades exercidas por cada uma das pessoas jurídicas; e o Houve empréstimo entre ela e a empresa Idugel: como antes demonstrado, sem a investigação acerca da forma de escrituração da despesa ou dos ativos pagos por outra empresa do grupo, não há como afastar a possibilidade de que este registro tenha sido feito em contrapartida a empréstimos. Relevante frisar que não se admite, aqui, a ampla liberdade para a formação de empresas por grupo de familiares, bem como para a alegada terceirização que teria ocorrido no caso em tela. A sistemática simplificada de recolhimentos confere isenções significativas para as empresas de baixo faturamento, e para todas as beneficiárias no âmbito previdenciário. Por esta razão, há limites de faturamento para opção, e esta é vedada à pessoa jurídica que resulte de qualquer desmembramento de outra pessoa jurídica, bem como a pessoas jurídicas em cujo quadro societário conste titular de participação em outra pessoa jurídica também optante, além de restrições a atividades que apresentam alta incidência previdenciária. Assim, a formação de empresas por grupos familiares e a terceirização de operações pode se prestar como meio para auferir as vantagens que a lei não conferiu a determinadas atividades, e a prova da simulação em tais Fl. 247DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 26 25 circunstâncias é suficiente para a prática dos atos administrativos de exclusão e lançamento, independentemente do disposto no parágrafo único do art. 116 do CTN. A atuação das três pessoas jurídicas no mesmo ramo de atividades, operando sob a mesma administração, no mesmo local e no mesmo ramo de negócio são indícios sérios de que vantagens tributárias ilícitas poderiam ser auferidas pelo grupo, porém a acusação de simulação não pode estar suportada, apenas, por inferências que sequer constituem presunções simples. Assim, uma vez demonstrado que não há, nos autos, provas que suportem a acusação de ilicitude da estruturação societária, operacional e comercial adotada pelo grupo familiar, não pode subsistir o ato de exclusão do Simples Federal. Irrelevante, assim, se a argumentação subsidiária acerca da prática de locação de mãodeobra pela fiscalizada seria incompatível com a acusação principal que pretendeu anular a existência da empresa JS, ou se outro conceito deve ser atribuído às atividades de locação de mãodeobra, vez que nenhuma das irregularidades aventadas no ato de exclusão podem sustentálo. Desnecessário, também, apreciar a argüição de decadência do direito de o Fisco questionar a constituição da pessoa jurídica fiscalizada, ou a postergação dos efeitos da exclusão em razão da constatação, apenas em 2008, das irregularidades aqui abordadas. Impróprio, ainda, discutir o efeito confiscatório da exigência retroativa dos créditos tributários, na medida em o litígio, aqui, limitase à exclusão da contribuinte do Simples Federal. O mesmo se diga acerca da extensa abordagem em favor da existência de vício formal no ato administrativo de lançamento, e de cerceamento ao direito de defesa em razão das intimações que lhe foram dirigidas quando ainda pendentes de apreciação as impugnações interpostas contra os atos de exclusão, bem como de nulidade por ausência de prévia revisão de ofício do lançamento e de decadência de parte da exigência de contribuições previdenciárias. Por todo o exposto, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para cancelar o ato de exclusão do Simples Federal. Assim, sem adentrar aos aspectos submetidos ao Poder Judiciário, é possível solucionar o presente litígio já em preliminar, e cancelar a presente exigência, na medida em que a contribuinte subsiste optante pelo Simples Federal no período autuado, o que a dispensa da apuração individualizada do tributo aqui lançado. Ademais, em virtude da presente decisão não será exigido do Delegado da Receita Federal a prática de ato vedado na ordem judicial expedida na sentença do Mandado de Segurança nº 2008.72.03.0028261/SC. Por tais razões, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 248DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 27 26 Fl. 249DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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