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Numero do processo: 10480.731547/2013-81
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. DESCUMPRIMENTO. NÃO CONHECIMENTO.
Inexiste divergência jurisprudencial entre uma decisão que cancela parcialmente a exigência de multa isolada por entender incabível sua cobrança em concomitância com a multa de ofício e outra, que cancela integralmente multas de ofício e isolada como decorrência lógica da exoneração dos créditos tributários principais.
Assim, por descumprimento de pressuposto regimental de admissibilidade, não deve ser conhecido o recurso especial da contribuinte.
Numero da decisão: 9101-002.945
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurelio Pereira Valadão Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ADRIANA GOMES REGO, CRISTIANE SILVA COSTA, ANDRÉ MENDES DE MOURA, LUIS FLAVIO NETO, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, GERSON MACEDO GUERRA, MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Recorrente MOURA DUBEUX ENGENHARIA S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. DESCUMPRIMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Inexiste divergência jurisprudencial entre uma decisão que cancela parcialmente a exigência de multa isolada por entender incabível sua cobrança em concomitância com a multa de ofício e outra, que cancela integralmente multas de ofício e isolada como decorrência lógica da exoneração dos créditos tributários principais. Assim, por descumprimento de pressuposto regimental de admissibilidade, não deve ser conhecido o recurso especial da contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Marcos Aurelio Pereira Valadão – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ADRIANA GOMES REGO, CRISTIANE SILVA COSTA, ANDRÉ MENDES DE MOURA, LUIS FLAVIO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 73 15 47 /2 01 3- 81 Fl. 2299DF CARF MF Processo nº 10480.731547/201381 Acórdão n.º 9101002.945 CSRFT1 Fl. 2.300 2 NETO, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, GERSON MACEDO GUERRA, MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte MOURA DUBEUX ENGENHARIA S.A. em 19/07/2016, com fundamento no art. 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015 (RICARF/2015), em que se alega a existência de divergências jurisprudenciais acerca de matéria relacionada à lide. A recorrente insurgese contra o Acórdão nº 1302001.863, por meio do qual os membros da 2a Turma Ordinária da 3a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF decidiram: 1) por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário relativamente às multas isoladas de janeiro e fevereiro de 2010; e 2) relativamente às demais exigências, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário para afastar a ocorrência de simulação imputada pela Fiscalização. A decisão recorrida cancelou os principais lançamentos constantes dos autos de infração lavrados pela Fiscalização. As autuações se fundamentaram no entendimento de que a contribuinte teria dissimulado uma operação de venda de imóvel (evitando o pagamento de tributos incidentes sobre o consequente ganho de capital) por meio da utilização do bem para integralizar aumento de capital em uma investida (tributada com base no lucro presumido), que assumiu a posição de alienante na venda. Foram mantidas apenas as multas isoladas referentes a janeiro e fevereiro de 2010, lançadas por conta do não recolhimento das antecipações de IRPJ e CSLL calculadas sobre as bases estimadas nos referidos meses. Tais multas não tinham relação com o crédito principal exonerado. O acórdão recorrido foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 SIMULAÇÃO FISCAL. NÃO DEMONSTRADA. A simulação no campo cível exige três elementos: divergência entre a vontade interna e a vontade manifestada; um acordo; e o objetivo de enganar terceiros estranhos a esse ato simulado. Todavia, quando tratamos especificamente de simulação fiscal, há um quarto elemento indispensável, qual seja, que o ato dissimulado seja tributariamente mais oneroso do que o ato simulado, pois, se assim não for, o ato pode até ser simulado, mas não terá qualquer efeito no campo tributário. Não resta provado que a operação, como feita, tenha gerado vantagem indevida, se a operação dita dissimulada (venda direta do bem da MDE para CONE) poderia ter sido substituída por Fl. 2300DF CARF MF Processo nº 10480.731547/201381 Acórdão n.º 9101002.945 CSRFT1 Fl. 2.301 3 uma dação do bem em integralização de capital sem gerar qualquer base tributável, já que as pessoas jurídicas envolvidas na operação estavam sob o controle das mesmas pessoas físicas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. MULTA ISOLADA. Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, aos lançamentos da CSLL, Cofins, Contribuição para o PIS e Multa Isolada por falta de recolhimento do IRPJ e CSSL sobre a base estimada de abril de 2010. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2010, 28/02/2010 MULTA ISOLADA. FALTA DE PAGAMENTO. LANÇAMENTO PROCEDENTE A multa isolada pune o contribuinte que não observa a obrigação legal de antecipar o tributo sobre a base estimada ou levantar o balanço de suspensão, logo, conduta diferente daquela punível com a multa de ofício proporcional, a qual é devida pela ofensa ao direito subjetivo de crédito da Fazenda Nacional. Ademais, no presente caso, as multas isoladas devidas sobre as bases estimadas de IRPJ e CSLL de janeiro e fevereiro de 2010 decorrem de falta de pagamento e as multas de ofício lançadas se referem a omissões de receitas detectadas em outro mês do anocalendário. Os autos foram encaminhados eletronicamente à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) em 13/05/2016, dandose a intimação pessoal presumida do Procurador em 14/06/2016, nos termos do § 3º do art. 7º da Portaria MF nº 527/2010 e do art. 79 do RICARF/2015. Em 15/06/2016, a Fazenda Nacional se manifestou expressamente afirmando que não recorreria da decisão. Na sequência, deuse ciência da decisão à contribuinte, por meio de mensagem eletrônica enviada à sua Caixa Postal (Domicílio Tributário Eletrônico). A contribuinte foi cientificada em 05/07/2016 e interpôs, em 19/07/2016, recurso especial tempestivo insurgindose contra a parte do Acórdão nº 1302001.863 que admitiu a possibilidade de cobrança concomitante das multas de ofício e isolada. Em atendimento aos requisitos de admissibilidade do recurso especial previstos nos arts. 67 e seguintes do Anexo II do RICARF/2015, a recorrente apontou acórdão de turma de câmara do CARF que teria dado ao tema debatido interpretação diversa daquela esposada pela decisão recorrida. Defende a recorrente que o acórdão recorrido, ao concluir pela possibilidade da cobrança concomitante da multa de ofício e da multa isolada, inclusive para períodos posteriores à vigência da Medida Provisória nº 351/2007 e da Lei nº 11.488/2007, teria entrado em divergência com o Acórdão nº 1402002.180, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento. Fl. 2301DF CARF MF Processo nº 10480.731547/201381 Acórdão n.º 9101002.945 CSRFT1 Fl. 2.302 4 O acórdão apontado como paradigma, nas mesmas condições, teria construído entendimento diverso daquele adotado pelo acórdão recorrido, por defender que, mesmo após a vigência da nova redação do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 (dada pela Lei nº 11.488/2007), é inaplicável a multa isolada por falta de recolhimento das estimativas no que for concomitante com a multa de ofício proporcional sobre o tributo devido no ajuste anual. Além de defender a existência de divergência jurisprudencial entre os acórdãos recorrido e paradigma, a recorrente apresenta uma série de alegações que deveriam, sob seu ponto de vista, provocar a reforma da decisão recorrida no que diz respeito à cobrança concomitante das multas. Em suma, argumentase que: A mais recente e consolidada jurisprudência do CARF considera incabível a concomitância da multa de ofício com a penalidade isolada, uma vez que não é possível penalizar duplamente o contribuinte pelo mesmo fato; Tal cobrança concomitante caracteriza evidente e aviltante incoerência lógica, teleológica e axiológica, à vista do bem jurídico tutelado; O inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 tem como objetivo obrigar o sujeito passivo da obrigação tributária ao recolhimento mensal de antecipações de IRPJ e CSLL que poderão ou não ser devidos ao final do anocalendário. Assim, a multa isolada só pode ser exigida durante aquele anocalendário pois, com a apuração do IRPJ e da CSLL efetivamente devidos ao fim do ano, desaparece a base imponível daquela penalidade, pois ausente a necessária ofensa a bem tutelado que a justifique; A partir da apuração ao fim do ano, surge, se for o caso, uma nova base imponível, consistente no IRPJ e na CSLL efetivamente devidos, dando azo somente à aplicação da multa de ofício prevista no inciso I do mesmo art. 44 da Lei nº 9.430/1996. A contribuinte encerra seu recurso especial com o pedido de que este seja julgado procedente para que se reconheça a impossibilidade da concomitância da multa isolada e da multa de ofício, pretendida pela Fiscalização. A irresignação da contribuinte foi submetida a juízo de admissibilidade, a fim de se verificar o atendimento aos requisitos regimentalmente exigidos dos recursos especiais. As conclusões foram expostas em despacho de 16/09/2016. O aludido despacho concluiu que restara plenamente configurada a divergência jurisprudencial entre os acórdãos recorrido (nº 1302001.863) e paradigma (nº 1402002.180). Assim, a Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento deu seguimento ao recurso especial interposto pela contribuinte. Em 19/09/2015, os autos foram eletronicamente remetidos à PGFN, para fins de ciência da interposição de recurso especial pela contribuinte, assim como de sua admissão, nos termos dos art. 70 do Anexo II do RICARF/2015. Em resposta, foram apresentadas, em 26/09/2016, contrarrazões às alegações da recorrente. Assim podem ser resumidas as alegações perfiladas pela Fazenda Nacional: As infrações apenadas com a multa de ofício (prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996) e com a multa isolada (fundada no art. 44, inciso II, alínea "b", da Lei Fl. 2302DF CARF MF Processo nº 10480.731547/201381 Acórdão n.º 9101002.945 CSRFT1 Fl. 2.303 5 nº 9.430/1996) são diferentes. A primeira resulta de infrações às regras de determinação do lucro real (falta de recolhimento do tributo e/ou declaração inexata) enquanto a segunda decorre do descumprimento do modo de pagamento de IRPJ e CSLL sobre bases de cálculo estimadas; A multa de ofício só é devida se existir imposto a pagar por ocasião do ajuste anual, enquanto a multa isolada é devida ainda que, no final do anocalendário, não reste imposto a recolher, já que a infração da qual decorre consiste simplesmente no descumprimento da sistemática de pagamento por estimativa de IRPJ e CSLL; A multa de ofício e a multa isolada possuem bases de cálculo distintas: a primeira incide sobre o tributo efetivamente devido pelo sujeito passivo, apurado no momento do ajuste anual; a segunda, sobre as bases de cálculo estimadas. Nem sempre o conjunto das antecipações equivalerá ao tributo efetivamente devido ao fim do ano; As multas de ofício e isolada não decorrem da mesma infração e não incidem sobre a mesma base de cálculo. Não se configura bis in idem na cobrança concomitante de ambas, que é cabível quando o sujeito passivo comete dois atos ilícitos, previstos legalmente, e a lei determina uma pena para cada um deles; Ao defender a impossibilidade de cobrança da multa isolada quando houver a exigência de multa de ofício, a contribuinte recorrente pretende a criação de nova modalidade de dispensa de penalidade não prevista em lei, o que ofende o art. 97 do CTN; A cobrança concomitante das multas isolada e de ofício sempre foi cabível. Entretanto, com a alteração da redação do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 (pela Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007), sequer sobrou espaço para discussão do assunto, em face da clareza do novo texto legal; Com a nova redação, ficou mais clara a diferença entre as multas, tanto em relação às bases de cálculo quanto no que diz respeito aos percentuais aplicáveis. A base de cálculo da multa isolada pela falta de recolhimento de estimativa consiste no valor do pagamento mensal, no percentual de 50%, enquanto a multa pelo lançamento de ofício incide sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, no percentual de 75%. Por conta de tudo que expôs, a PGFN pede, ao final, que seja negado seguimento ao recurso especial da contribuinte. Ou, caso lhe seja dado seguimento, que se lhe negue provimento, mantendose o acórdão recorrido na parte guerreada. Os autos seguiram então para a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) para o julgamento do recurso especial. É o relatório. Fl. 2303DF CARF MF Processo nº 10480.731547/201381 Acórdão n.º 9101002.945 CSRFT1 Fl. 2.304 6 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator Conforme foi relatado, a contribuinte questiona uma única matéria em seu recurso especial: a possibilidade ou não de cobrança concomitante das multas isolada e de ofício. Analisando o histórico do presente processo, verifico que foram lançados pela Fiscalização créditos tributários relativos a: IRPJ incidente sobre receita omitida em abril de 2010 (ganho de capital auferido com venda dissimulada de imóvel), acompanhado de multa de ofício proporcional de 75% e de juros de mora; multa isolada de 50% incidente sobre o IRPJ que deixou de ser recolhido por estimativa em abril de 2010 (diferença oriunda da omissão de receita verificada naquele mês); CSLL incidente sobre receita omitida em abril de 2010 (ganho de capital auferido com venda dissimulada de imóvel), acompanhada de multa de ofício proporcional de 75% e de juros de mora; multa isolada de 50% incidente sobre a CSLL que deixou de ser recolhida por estimativa em abril de 2010 (diferença oriunda da omissão de receita verificada naquele mês); multa isolada de 50% incidente sobre o IRPJ que deixou de ser recolhido por estimativa em janeiro e fevereiro de 2010 (sem relação com a omissão de receita verificada em abril de 2010); multa isolada de 50% incidente sobre a CSLL que deixou de ser recolhida por estimativa em janeiro e fevereiro de 2010 (sem relação com a omissão de receita verificada em abril de 2010); PIS incidente sobre receita omitida em abril de 2010 (ganho de capital auferido com venda dissimulada de imóvel), acompanhado de multa de ofício proporcional de 75% e de juros de mora; COFINS incidente sobre receita omitida em abril de 2010 (ganho de capital auferido com venda dissimulada de imóvel), acompanhado de multa de ofício proporcional de 75% e de juros de mora. O Acórdão nº 1302001.863, decisão ora recorrida, decidiu pela inocorrência de simulação fiscal na operação que a Fiscalização classificara como uma venda dissimulada de imóvel. Assim, foram exoneradas todas as verbas que se relacionavam com a omissão de receita considerada inexistente pela Turma a quo. É o que se depreende do seguinte trecho retirado do voto que conduziu aquele decisum: "Nesse sentido, entendo frágil a alegação de simulação, mormente quando a recorrente traz uma sequência de fatos e razões para que as operações tivessem ocorrido do jeito que Fl. 2304DF CARF MF Processo nº 10480.731547/201381 Acórdão n.º 9101002.945 CSRFT1 Fl. 2.305 7 ocorreram e a Fiscalização não as refuta com argumentos sólidos, apenas a D. PFN coloca questiona em razão de datas nas quais os eventos teriam ocorridos, o que é pouco diante do que acima verificamos. Em face do exposto, voto por: I CANCELAR: a) o item 0001 do auto de infração do IRPJ a fls 6; b) a multa isolada por falta de recolhimento do IR sobre a base estimada do fato gerador de 30/04/2010, no valor de R$ 11.597.442,15 (constante do item 002 do auto de infração do IRPJ a fls. 6); c) o item 0001 do auto de infração CSLL; d) a multa isolada por falta de recolhimento CSLL sobre a base estimada do fato gerador de 30/04/2010, no valor de R$ 4.175.799,18 (constante do item 002 do auto de infração da CSLL a fls. 15); e) o auto de infração da COFINS a fls. 23 a 29; f) o auto de infração da PIS a fls. 30 a 36. II MANTER: a) a Multa Isolada por falta de recolhimento do IRPJ sobre a base estimada dos Fatos Geradores de 31/01/2010 e 28/02/2010 (constante do item 002 do auto de infração do IRPJ a fls. 6); b) a Multa Isolada por falta de recolhimento da CSSL sobre a base estimada dos Fatos Geradores de 31/01/2010 e 28/02/2010 (constante do item 002 do auto de infração da CSLL a fls. 15)." O "item 0001 do auto de infração do IRPJ a fls. 6" e o "item 0001 do auto de infração CSLL", mencionados no voto, referemse ao IRPJ e à CSLL incidentes sobre a receita que, no entendimento da Fiscalização, teria sido omitida pela contribuinte. Com a exoneração destes créditos principais, as multas de ofício que os acompanhavam foram igualmente canceladas, assim como as multas isoladas relativas ao mês de abril de 2010. Assim, os únicos lançamentos mantidos foram aqueles relacionados às multas isoladas por falta de recolhimento de IRPJ e de CSLL sobre as bases estimadas dos meses de janeiro e fevereiro de 2010. Tais multas não guardavam relação alguma com os créditos principais exonerados, como bem declarou o i. Conselheiro Relator do acórdão recorrido em seu voto: "Já o lançamento da Multa Isolada por falta de recolhimento do IRPJ e CSSL sobre a base estimada de janeiro e fevereiro de 2010 resultam apenas da falta de pagamento, ou seja, tratase de matéria que não depende da sorte dos demais lançamentos. (...) Fl. 2305DF CARF MF Processo nº 10480.731547/201381 Acórdão n.º 9101002.945 CSRFT1 Fl. 2.306 8 Além de tudo exposto, cabe salientar que a multa de ofício lançada, ainda que se aceite a tese da recorrente, não poderia ser considerada concomitante com esta, já que, aqui estamos tratando de falta de pagamento e o lançamento de ofício versa sobre omissão de receitas." Podese concluir, portanto, que o acórdão recorrido cancelou as multas de ofício de 75% (proporcionais ao IRPJ e à CSLL lançados) e as multas isoladas referentes a abril de 2010 como consequência lógica da exoneração dos lançamentos principais, atinentes ao IRPJ e à CSLL incidentes sobre a omissão de receita apontada pela Fiscalização. Sendo assim, qualquer análise que o acórdão recorrido possa ter desenvolvido acerca da matéria "cobrança concomitante de multas isolada e de ofício" configura mero obiter dictum, uma vez que não foi utilizada como fundamento da decisão de exonerar as multas de ofício e isoladas relacionadas à operação dissimulada (na ótica da Fiscalização) em abril de 2010. As únicas multas isoladas mantidas referemse à simples falta de recolhimento das estimativas de IRPJ e CSLL nos meses de janeiro e fevereiro de 2010, não guardando relação alguma com os tributos principais ou com as multas de ofício exoneradas. Registrese que, em relação aos dois primeiros meses de 2010, em momento algum coexistiram as exigências de multas isoladas e de ofício. Situação bem distinta é a encontrada no Acórdão nº 1402002.180, apontado pela contribuinte como paradigma representativo da controvérsia jurisprudencial arguida. Da ementa e dispositivo daquele julgado, já se pode constatar que o cancelamento parcial da multa isolada sob discussão decorreu do entendimento de que é inaplicável a cobrança concomitante das multas isolada e de ofício: "INCORPORAÇÃO. ÁGIO INTERNO. ÁGIO INEXISTENTE E DECORRENTE DE ATOS ARTIFICIAIS. GLOSA. É indedutível a amortização de despesa a título de ágio, gerado internamente e apurado mediante atos artificiais desprovidos de propósitos negociais que não sejam a própria economia tributária fraudulenta buscada pelo contribuinte. (...) MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. CONCOMITÂNCIA. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a multa isolada por falta de recolhimento das estimativas no que for concomitante com a multa de oficio proporcional sobre o tributo devido no ajuste anual, mesmo após a vigência da nova redação do art. 44 da Lei 9.430/1996 dada pela Lei 11.488/2007. Precedentes do STJ: AgRg no REsp 1499389/PB e REsp 1496354/PR. (...) Acordam os membros do colegiado (...) iii) Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a multa isolada até o limite da concomitância com a multa Fl. 2306DF CARF MF Processo nº 10480.731547/201381 Acórdão n.º 9101002.945 CSRFT1 Fl. 2.307 9 proporcional. Vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Gilberto Baptista e Demetrius Nichele Macei, que votaram por cancelar integralmente essa penalidade." Na ementa reproduzida também é possível identificar que o lançamento principal (de onde decorreram as multas de ofício e isolada), relacionado à indedutibilidade de despesas oriundas da amortização de ágio gerado internamente, foi mantido pela decisão. Portanto, podese concluir com certeza que não decorreu da exoneração do lançamento principal o cancelamento de parte das multas isoladas tratadas naquele processo administrativo fiscal. Diante do exposto, verificase que inexiste a divergência jurisprudencial requerida pelo art. 67 do Anexo II do Regimento, aprovada pela MF nº 343, de 09/06/2015 (RICARF/2015), para fins de admissibilidade do recurso especial: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 6º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até 2 (duas) decisões divergentes por matéria. (...) § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. (...) O acórdão paradigma indicado pela recorrente efetivamente trata da matéria "cobrança concomitante das multas isolada e de ofício", concluindo pela sua impossibilidade e determinando, como consequência, o cancelamento parcial das multas isoladas. Já o acórdão recorrido determinou a exoneração integral das multas de ofício e das multas isoladas referentes a abril de 2010, não por entender que a cobrança simultânea destas multas seria indevida, mas simplesmente por ter cancelado os créditos tributários principais que a Fiscalização lançara com base no entendimento de que a contribuinte teria omitido receita em uma operação dissimulada de venda de imóvel. Assim, verificase que não existe a divergência jurisprudencial arguida pela contribuinte, razão pela qual voto por NÃO CONHECER de seu recurso especial. Registrese ainda que as únicas verbas que continuam sendo exigidas da contribuinte, após a formalização do acórdão recorrido e o não oferecimento de recurso pela Fazenda Nacional, são as multas isoladas devidas pelo não recolhimento integral de IRPJ e CSLL sobre as estimativas mensais de janeiro e fevereiro de 2010. Fl. 2307DF CARF MF Processo nº 10480.731547/201381 Acórdão n.º 9101002.945 CSRFT1 Fl. 2.308 10 Se a contribuinte pretendia contestar a cobrança destas multas isoladas pela via do recurso especial, deveria ter prequestionado a matéria, como exige o § 5º do já parcialmente transcrito art. 67 do Anexo II do RICARF/2015: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 5º O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. (...) Examinando as petições apresentadas pela contribuinte durante o trâmite do presente processo, constatase que em momento algum questionouse a cobrança das multas isoladas "avulsas", relativas aos meses de janeiro e fevereiro de 2010. Portanto, ainda que a contribuinte tivesse apresentado recurso especial questionando esta matéria, ainda assim sua insurgência não poderia ser conhecida. Diante de todo o exposto, descumpridos pressupostos regimentais de admissibilidade do recurso especial interposto pela contribuinte, voto por dele NÃO CONHECER. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Fl. 2308DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.724592/2011-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2008
PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DA DITR. DENUNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. APÓS AÇÃO FISCAL.
Nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional, o instituto da denúncia espontânea somente é passível de aplicabilidade se o ato corretivo do contribuinte, com o respectivo recolhimento do tributo devido e acréscimos legais, ocorrer antes de iniciada a ação fiscal, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo seja decretada a procedência do feito.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA. DATA POSTERIOR AO FATO GERADOR.
O ato de averbação tempestivo é requisito formal constitutivo da existência da área de reserva legal. Mantém-se a glosa da área de reserva legal quando averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel em data posterior à ocorrência do fato gerador do imposto.
VTN. LAUDO TÉCNICO. PREVALÊNCIA.
O Laudo Técnico de avaliação de imóvel rural revestido das formalidades exigidas pela legislação, elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, prevalece sobre o valor arbitrado para o Valor da Terra Nua - VTN.
Numero da decisão: 2401-004.977
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. No mérito, por maioria, dar provimento parcial ao recurso para determinar a adoção do VTN (valor da terra nua) no valor de R$ 1.175,00 por hectare. Vencidos o relator e as conselheiras Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão para restabelecer a área de reserva legal de 1.932,02 ha, para fins de isenção. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Ausente o Conselheiro Carlos Alexandre Tortato.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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DENUNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. APÓS AÇÃO FISCAL. Nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional, o instituto da denúncia espontânea somente é passível de aplicabilidade se o ato corretivo do contribuinte, com o respectivo recolhimento do tributo devido e acréscimos legais, ocorrer antes de iniciada a ação fiscal, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo seja decretada a procedência do feito. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA. DATA POSTERIOR AO FATO GERADOR. O ato de averbação tempestivo é requisito formal constitutivo da existência da área de reserva legal. Mantémse a glosa da área de reserva legal quando averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel em data posterior à ocorrência do fato gerador do imposto. VTN. LAUDO TÉCNICO. PREVALÊNCIA. O Laudo Técnico de avaliação de imóvel rural revestido das formalidades exigidas pela legislação, elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, prevalece sobre o valor arbitrado para o Valor da Terra Nua VTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 45 92 /2 01 1- 08 Fl. 790DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. No mérito, por maioria, dar provimento parcial ao recurso para determinar a adoção do VTN (valor da terra nua) no valor de R$ 1.175,00 por hectare. Vencidos o relator e as conselheiras Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão para restabelecer a área de reserva legal de 1.932,02 ha, para fins de isenção. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Ausente o Conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Fl. 791DF CARF MF Processo nº 10660.724592/201108 Acórdão n.º 2401004.977 S2C4T1 Fl. 791 3 Relatório COMPANHIA MELHORAMENTOS DE SÃO PAULO, contribuinte, pessoa jurídica de direito público, já qualificada nos auto do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 1a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 0352.572/2013, às efls. 668/687, que julgou procedente o lançamento fiscal, referente ao Imposto sobre a Propriedade Rural ITR, em relação ao exercício 2008, conforme Auto de Infração, às fls. 02/09, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 12/12/2011 (AR. fl. 258), nos moldes da legislação de regência, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente do seguinte fato gerador: Fl. 792DF CARF MF 4 No procedimento de análise e verificação da documentação apresentada e das informações constantes da DITR/2008, a fiscalização resolveu glosar integralmente a área de reserva legal declarada de 1.923,0 ha, além de rejeitar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado de R$276.321,77 (R$32,42/ha), arbitrando o valor de R$2l.305.500,00 (R$2.500,00/ha), com base no Sistema de Preço de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal, com consequentes aumentos da área tributável/área aproveitável, do VTN tributável e da alíquota aplicada, e disto resultando o imposto suplementar de R$2.542.966,82, conforme demonstrado às fls. 06 e 09. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às efls. 694/736, procurando demonstrar a total improcedência do Auto de Infração, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, reitera as razões da impugnação, suscitando a improcedência do lançamento posto que faz jus à isenção do ITR/2008 de acordo com documentação comprobatória. Considera que o fato de não ter declarado as áreas de preservação permanente e cobertas por florestas nativas não pode ensejar na exigência, uma vez que são áreas efetivamente existentes, conforme comprovadas pelos laudos técnicos, e que mero erro na declaração não pode ser motivo para manter a cobrança, sob pena de desrespeito ao princípio da verdade matéria. Explica ter comprovada, de maneira inequívoca, por meio de laudo técnico devidamente documentado, que as áreas alegadas como sendo de reserva legal, preservação permanente e cobertas com vegetação nativa efetivamente existem e, que apenas não havia apresentado o ADA porque, embora requerido dentro do prazo legal junto ao IBAMA, os trabalhos em parte ainda não puderam ser concluídos por dificuldades práticas de adequação e de levantamento de georeferenciamento. Afirma que, diante da obtenção do ADA, ainda que este somente tenha sido obtido a partir do ano calendário de 2011, o fato é que este comprova mais uma vez que, apesar do erro da Recorrente em não declarar parte das áreas ambientais, o fato é que elas existem, estão devidamente comprovadas e sobre elas não pode haver a incidência do referido tributo, como pretende a decisão recorrida, sob pena de afronta ao princípio da verdade material, que rege o processo administrativo fiscal, colacionando jurisprudência administrativa a respeito. Considera existir no imóvel áreas inaproveitáveis, as quais devem ser excluídas da incidência do ITR, tais como as áreas de preservação permanente, reserva legal e cobertas por floresta nativa, que não podem ser tributadas, tendo em vista o que estabelece o art. 10, §l°, da Lei n° 9.393/96 e o art. 104 da Lei n° 8.171/91, que dispõe sobre a Política Agrícola Nacional. Fl. 793DF CARF MF Processo nº 10660.724592/201108 Acórdão n.º 2401004.977 S2C4T1 Fl. 792 5 Salienta não restar dúvida quanto à isenção das referidas áreas, inclusive porque a própria fiscalização a reconhece, entretanto não a considera em razão da ausência do ADA e de que as datas das averbações das áreas de reserva legal terem sido intempestivas para o exercício de 2008. Ilustra que as áreas de preservação permanente são aquelas definidas no art. 2° da Lei n° 4.771/65 e que de acordo com a legislação do ITR são áreas não tributáveis e que apresentou Laudo Técnico, emitido por engenheiro agrônomo/florestal, da sociedade empresária ITAITI, a fim de comproválas. Afirma que as áreas de preservação permanente totalizam l.659,4 ha do imóvel e representam 19,35% da área total da propriedade que é de 8.573,82 ha, sendo que 340,72 ha são áreas com nascentes e 1.318,72 ha de curso d´água e que a fiscalização desconsiderou essas áreas, não se manifestando a esse respeito no auto de infração. Esclarece que as áreas de preservação permanente estão devidamente contidas no Ato Declaratório obtido pela empresa junto ao IBAMA no ano de 2011. Ou seja, mesmo que o ADA em questão tenha sido obtida pela empresa após o fato gerador do ITR em questão, o fato é que este documento demonstra a veracidade das informações contidas pela empresa em sua impugnação e ora constantes do presente recurso, bem como das áreas contidas no laudo técnico. Salienta ter apresentado Laudo Técnico comprovando a área de reserva legal e averbou nas matrículas 7.130 e 7.697, em 20.02.2008, a área de reserva legal, por regime de compensação do imóvel. Informa que as citadas matrículas se referem às áreas das Fazendas Levantina e Nova do Selado, em que foram averbadas as áreas de reserva legal de 1.923,0203 ha e 396,223 ha, respectivamente, para obter um mínimo de 20% estabelecido pela Lei n° 4.771/65; Aduz, ainda, além da averbação, houve a ratificação feita pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF), conforme Termo de Responsabilidade de Preservação de Florestas, em anexo, cumprindo, assim, a exigência da Lei n° 4.771/65. Insurgese, mesmo com a averbação e a ratificação do IEF, ter a fiscalização desconsiderado a existência dessas áreas pela alegação de que a averbação deveria ser feita até a data do fato gerador e que essa formalidade não pode prevalecer sobre a comprovação de sua existência, por respeito ao citado princípio da verdade material e cita jurisprudência Judicial e Administrativa para referendar seus argumentos. Destaca a sua atividade contida no Estatuto Social, que é a atividade de indústria de papel, celulose e pasta de madeira, bem como a silvicultura à base de florestas e reflorestamento, indagando se as áreas de reserva legal e preservação permanente não existissem seria até melhor, pois nelas poderia fazer o reflorestamento tão útil a sua atividade. Entende ser imprescindível que se considere, além das áreas de preservação permanente e de reserva legal, as áreas cobertas por florestas nativas, com previsão no art. 10, § 1°, II, “e”, da Lei n° 9.393/96, conforme consta do Laudo Técnico. Fl. 794DF CARF MF 6 Esclarece constar no Laudo Técnico uma área de 1.376,14 ha, relativa a vegetação nativa ou em estágio de regeneração avançada e que, portanto, essas áreas devem ser excluídas da área tributável para fins de ITR. Explicita que houve mais um equívoco por parte da fiscalização no que tange à fixação do grau de utilização do imóvel, por ter glosado as áreas de reserva legal, preservação permanente e floresta nativa, reduzindo o GU e, por consequência, aumentando a alíquota aplicada para 12%. Assim deve ser considerado o VTN apresentado no Laudo, bem como as áreas isentas (preservação permanente, reserva legal e floresta nativa) comprovadas pelo Laudo, aplicando a alíquota de 0,45%, posto que o GU é de quase 100%. Aduz ter a fiscalização equivocadose com a avaliação do hectare adotada com base no SIPT de R$2.500,00, desconsiderando aquele constante do Laudo apresentado de R$1.575,00/ha, que deve ser o considerado pela DRJ. Informar que o Laudo atende as normas da NBR 14.653 da ABNT, posto que foi elaborado com base em dados de preços de terras publicados anualmente pela Revista Agrianual, especializada na área, observando que o que valoriza o imóvel em tela são as plantações feitas nele. Assevera não haver a comprovação pela fiscalização de que não existem as áreas de preservação permanente, reserva legal e florestas nativas, nem a comprovação de que a área não foi utilizada na proporção declarada, bem como que o VTN, nas condições específicas da terra em questão, é superior ao constante do laudo. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 795DF CARF MF Processo nº 10660.724592/201108 Acórdão n.º 2401004.977 S2C4T1 Fl. 793 7 Voto Vencido Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. No procedimento de análise e verificação da documentação apresentada e das informações constantes da DITR/2008, a fiscalização resolveu glosar integralmente a área de reserva legal declarada de 1.923,0 ha, além de rejeitar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado de R$276.321,77 (R$32,42/ha), arbitrando o valor de R$2l.305.500,00 (R$2.500,00/ha), com base no Sistema de Preço de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal, com conseqüentes aumentos da área tributável/área aproveitável, do VTN tributável e da alíquota aplicada, e disto resultando o imposto suplementar de R$2.542.966,82, conforme demonstrado às fls. 06 e 09. Em outro viés, a contribuinte considera que o fato de não ter declarado as áreas de preservação permanente e cobertas por florestas nativas não pode ensejar na exigência, uma vez que são áreas efetivamente existentes, conforme comprovadas pelos laudos técnicos, e que mero erro na declaração não pode ser motivo para manter a cobrança, sob pena de desrespeito ao princípio da verdade matéria. Explica ter comprovada, de maneira inequívoca, por meio de laudo técnico devidamente documentado, que as áreas alegadas como sendo de reserva legal, preservação permanente e cobertas com vegetação nativa efetivamente existem e, que apenas não havia apresentado o ADA porque, embora requerido dentro do prazo legal junto ao IBAMA, os trabalhos em parte ainda não puderam ser concluídos por dificuldades práticas de adequação e de levantamento de georeferenciamento. Afirma que, diante da obtenção do ADA, ainda que este somente tenha sido obtido a partir do ano calendário de 2011, o fato é que este comprova mais uma vez que, apesar do erro da Recorrente em não declarar parte das áreas ambientais, o fato é que elas existem, estão devidamente comprovadas e sobre elas não pode haver a incidência do referido tributo, como pretende a decisão recorrida, sob pena de afronta ao princípio da verdade material, que rege o processo administrativo fiscal, colacionando jurisprudência administrativa a respeito. Considera existir no imóvel áreas inaproveitáveis, as quais devem ser excluídas da incidência do ITR, tais como as áreas de preservação permanente, reserva legal e cobertas por floresta nativa, que não podem ser tributadas, tendo em vista o que estabelece o art. 10, §l°, da Lei n° 9.393/96 e o art. 104 da Lei n° 8.171/91, que dispõe sobre a Política Agrícola Nacional. Salienta não restar dúvida quanto à isenção das referidas áreas, inclusive porque a própria fiscalização a reconhece, entretanto não a considera em razão da ausência do ADA e de que as datas das averbações das áreas de reserva legal terem sido intempestivas para o exercício de 2008. Fl. 796DF CARF MF 8 Ilustra que as áreas de preservação permanente são aquelas definidas no art. 2° da Lei n° 4.771/65 e que de acordo com a legislação do ITR são áreas não tributáveis e que apresentou Laudo Técnico, emitido por engenheiro agrônomo/florestal, da sociedade empresária ITAITI, a fim de comproválas. Afirma que as áreas de preservação permanente totalizam l.659,4 ha do imóvel e representam 19,35% da área total da propriedade que é de 8.573,82 ha, sendo que 340,72 ha são áreas com nascentes e 1.318,72 ha de curso d´água e que a fiscalização desconsiderou essas áreas, não se manifestando a esse respeito no auto de infração. Esclarece que as áreas de preservação permanente estão devidamente contidas no Ato Declaratório obtido pela empresa junto ao IBAMA no ano de 2011. Ou seja, mesmo que o ADA em questão tenha sido obtida pela empresa após o fato gerador do ITR em questão, o fato é que este documento demonstra a veracidade das informações contidas pela empresa em sua impugnação e ora constantes do presente recurso, bem como das áreas contidas no laudo técnico. Salienta ter apresentado Laudo Técnico comprovando a área de reserva legal e averbou nas matrículas 7.130 e 7.697, em 20.02.2008, a área de reserva legal, por regime de compensação do imóvel. Informa que as citadas matrículas se referem às áreas das Fazendas Levantina e Nova do Selado, em que foram averbadas as áreas de reserva legal de 1.923,0203 ha e 396,223 ha, respectivamente, para obter um mínimo de 20% estabelecido pela Lei n° 4.771/65; Aduz, ainda, além da averbação, houve a ratificação feita pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF), conforme Termo de Responsabilidade de Preservação de Florestas, em anexo, cumprindo, assim, a exigência da Lei n° 4.771/65. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a propósito da necessidade de averbação tempestiva da reserva legal junto à matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador do tributo, bem como a exigência do requerimento do Ato Declaratório Ambiental – ADA dentro do prazo legal, quanto às áreas de preservação permanente e reserva legal, para fins de não incidência do Imposto Territorial Rural ITR. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da Contribuinte merece acolhimento, por espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, de acordo a farta e mansa jurisprudência administrativa. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que o Acórdão recorrido merece reforma, como passaremos a demonstrar. Antes mesmo de se adentrar ao mérito, cumpre trazer à baila a legislação tributária específica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, nos seguintes termos: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: Fl. 797DF CARF MF Processo nº 10660.724592/201108 Acórdão n.º 2401004.977 S2C4T1 Fl. 794 9 a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; [...] § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (grifamos) Conforme se extrai dos dispositivos legais encimados, a questão remonta a um só ponto, qual seja: a exigência de requerimento tempestivo do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA ou mesmo a averbação procedida antes do fato gerador, não são, em si, exclusivas condições eleitas pela Lei para que o proprietário rural goze do direito de isenção do ITR relativo às glebas de terra destinadas à preservação permanente e reserva legal/utilização limitada. Somente a título elucidativo, não sendo a requisição atempada do ADA, anteriormente ao exercício 2000, condição legal para obtenção do beneficio isentivo que ora cuidamos, e na linha do que fora exposto no julgado recorrido, nos parece coerente reconhecer que a ausência de tais elementos apenas confere a auditoria fiscal à possibilidade de presumir a inexistência da parcela de proteção ambiental e assim considerála como sendo área passível de aproveitamento, e, portanto, tributável. Contudo, ainda que a legislação exigisse a comprovação por parte do contribuinte, ad argumentandum tantum, o reconhecimento da inexistência das áreas de reserva legal e preservação permanente decorrente de um raciocínio presuntivo, não torna essa condição absoluta, sendo perfeitamente possível que outros elementos probatórios demonstrem a efetiva destinação de gleba de terra para fins de proteção ambiental. Em outras palavras, a mera inscrição em Cartório ou ainda o requerimento do ADA, não se perfazem nos únicos meios de se comprovar a existência ou não de reserva legal. Assim, realizado o lançamento de ITR decorrente da glosa das áreas de reserva legal e preservação permanente, a partir de um enfoque meramente formal, ou seja, Fl. 798DF CARF MF 10 pelo não assentamento prévio em cartório ou requisição do ADA, e demonstrada, por outros meios de prova, a existência da destinação de área para fins de proteção ambiental, deverá ser restabelecida a declaração do contribuinte, e lhe ser assegurado o direito de excluir do cálculo do ITR à parte da sua propriedade rural correspondente à reserva legal. Aliás, a jurisprudência Judicial que se ocupou do tema, notadamente após a edição da Lei n° 10.165/2000, corrobora o entendimento encimado, ressaltando, inclusive, que a MP n° 2.166/2001, por ser posterior ao primeiro Diploma Legal, o revogou, fazendo prevalecer, assim, a verdade material. Ou seja, ainda que não apresentado e/ou requerido o ADA no prazo legal ou procedida a averbação tempestiva, conquanto que o contribuinte comprove a existência das áreas declaradas como de preservação permanente e/ou reserva legal, mediante documentação hábil e idônea, quando intimado para tanto ou mesmo autuado, devese admitilas para fins de apuração do ITR, consoante se extrai dos julgados assim ementados: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR. LEI N. 9.393/96 E CÓDIGO FLORESTAL (LEI N. 4.771/65). ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. MP. 2.16667/2001. APLICAÇÃO DO ART. 106 DO CTN. 1. "Ilegítima a exigência prevista na Instrução Normativa SRF 73/2000 quanto à apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA comprovando as áreas de preservação permanente e reserva legal na área total como condição para dedução da base de cálculo do Imposto Territorial Rural ITR, tendo em vista que a previsão legal não a exige para todas as áreas em questão, mas, tãosomente, para aquelas relacionadas no art. 3º, do Código Florestal" (AMS 2005.35.000112067/GO, Rel. Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso, DJ de 10.05.2007). 2. A Lei n. 10.165/00 inseriu o art. 17O na Lei n. 6.938/81, exigindo para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da área tributável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). 3. Consoante a jurisprudência do STJ, a MP 2.16667/2001, que dispôs sobre a exclusão do ITR incidente sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal, consoante o § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96, veicula regra mais benéfica ao contribuinte, devendo retroagir, a teor disposto nos incisos do art. 106 do CTN, porquanto referido diploma autoriza a retro operância da lex mitior, dispensando a apresentação prévia do Ato Declaratório Ambiental no termos do art. 17O da Lei n. 6.938/81, com a redação dada pela Lei n. 10.165/00. 4. Apelação provida.” (8ª Turma do TRF da 1ª Região AMS 2005.36.00.0087250/MT eDJF1 p.334 de 20/11/2009) “EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREAS DE RESERVA LEGAL. APRESENTAÇÃO ADA. AVERBAÇÃO MATRÍCULA. DESNECESSIDADE. ÁREAS DE PASTAGENS. DIAT DOCUMENTO DE INFORMAÇÃO E APURAÇÃO. DEMOSTRAÇÃO DE EQUÍVICO. ÔNUS DO FISCO. 1. Não se faz mais necessária a apresentação do ADA para a configuração de áreas de reserva legal e consequente exclusão Fl. 799DF CARF MF Processo nº 10660.724592/201108 Acórdão n.º 2401004.977 S2C4T1 Fl. 795 11 do ITR incidente sobre tais áreas, a teor do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393/96 (redação da MP 2.16667/01). Tal regra, por ter cunho interpretativo (art. 106, I, CTN), retroage para beneficiar os contribuintes. 2. A isenção decorrente do reconhecimento da área não tributável pelo ITR não fica condicionada à averbação, a qual possui tão somente o condão de declarar uma situação jurídica já existente, não possuindo caráter constitutivo. 3. A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita alguns meses após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo art. 16 da Lei nº 4.771/65. 4. Cabe ao Fisco demonstrar que houve equívoco no DIAT Documento de Informação e Apuração do ITR, passível de fundamentar o lançamento do débito de ofício, de conformidade com o art. 14, caput, da Lei nº 9.393/96, o que não restou evidenciado na hipótese dos autos. 5. Apelação e remessa oficial desprovidas. (2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região APELAÇÃO CÍVEL Nº 2008.70.00.0062742/PR 28 de junho de 2011) Como se observa, em face da legislação posterior (MP n° 2.166/2001) mais benéfica, dispensando o contribuinte de comprovação prévia das áreas declaradas em sua DITR, não se pode exigir a apresentação e/ou requisição do ADA ou mesmo a averbação tempestiva à margem da matrícula do imóvel para fins do benefício fiscal em epígrafe, mormente em homenagem ao princípio da retroatividade benigna da referida norma, em detrimento a alteração introduzida anteriormente pela Lei n° 10.165/2000. Mais a mais, com arrimo no princípio da verdade material, o formalismo não deve sobrepor à verdade real, notadamente quando a lei disciplinadora da isenção assim não estabelece. É preciso deixar registrado que neste processo a lide diz respeito exclusivamente à glosa da área de reserva legal de 1.923,0 ha e da rejeição do VTN declarado e arbitramento de novo VTN, com base em valor apontado no SIPT, conforme consta da “Descrição dos Fatos”, às fls. O4/05. Quanto a área de preservação permanente e coberta por floresta nativa, a recorrente não declarou em sua DITR, não podendo retificála após início do procedimento fiscal, conforme muito bem fundamentado pela decisão de piso. RETIFICAÇÃO DA DITR Considera existir no imóvel áreas inaproveitáveis, as quais devem ser excluídas da incidência do ITR, tais como as áreas de preservação permanente, reserva legal e cobertas por floresta nativa, que não podem ser tributadas, tendo em vista o que estabelece o art. 10, §l°, da Lei n° 9.393/96 e o art. 104 da Lei n° 8.171/91, que dispõe sobre a Política Agrícola Nacional. Assevera não haver a comprovação pela fiscalização de que não existem as áreas de preservação permanente, reserva legal e florestas nativas, nem a comprovação de que a área não foi utilizada na proporção declarada, bem como que o VTN, nas condições específicas da terra em questão, é superior ao constante do laudo. Fl. 800DF CARF MF 12 Aliás, a própria contribuinte confirma ter incorrido em erro, pleiteando simplesmente a possibilidade de retificar sua declaração, de maneira a inserir a presença das áreas de reserva legal, floresta nativa, entre outras, ressaltando sua boafé e verdade material. Ocorre que, a boafé ou máfé da contribuinte costuma ser apenada com a qualificação da multa, o que não se observou no caso dos autos e, a sua intenção, quanto ao recolhimento do tributo em sim, não tem o condão de rechaçar a exigência fiscal. Com mais especificidade, a legislação de regência estabelece que a responsabilidade por infrações, independe dos efeitos do ato praticado pelo contribuinte. É o que se extrai do artigo 136 do Códex Tributário, nos seguintes termos: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Por sua vez, relativamente a possibilidade de retificar a declaração após iniciada a ação fiscal, ou mesmo procedido o lançamento, o artigo 138 do Código Tributário Nacional é por demais enfático ao vedar tal procedimento, in verbis: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. (grifamos) Na hipótese dos autos, a contribuinte, após iniciada a ação fiscal, vem procurando retificar a declaração objeto da autuação, o que é vedado pelo dispositivo legal em comento, impossibilitando o acolhimento de seu pleito. ÁREA RESERVA LEGAL In casu, relativamente à Área de Reserva Legal, o que torna ainda mais digno de realce, e que fora determinante ao deslinde da controvérsia, em vista deste evidente conflito entre as normas que regulamentam a matéria, impõese privilegiar a verdade real, ou seja, a comprovação material da área declarada pela contribuinte como de reserva legal, o que se constata na hipótese dos autos, como se verifica nas matrículas da Averbação procedida à margem da matrícula do imóvel, datada de 20/02/2008, posteriormente à ocorrência do fato gerador, mas antes do início da ação fiscal, às fls. 12, afastando qualquer dúvida quanto à regularidade do procedimento eleito pela autuada. Nesta mesma lógica, melhor sorte não está reservada à fiscalização e decisão de primeira instância quanto à exigência tempestiva do ADA. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, acima explicitado, impende esclarecer que este Egrégio Tribunal já sedimentou o entendimento de que inexiste previsão legal, anteriormente à vigência da Lei no 10.165, de 28/12/2000, contemplando a exigência do ADA para efeito de não incidência de ITR sobre as áreas de preservação permanente e reserva legal. Fl. 801DF CARF MF Processo nº 10660.724592/201108 Acórdão n.º 2401004.977 S2C4T1 Fl. 796 13 Aliás, o Pleno da CSRF, em 08/12/2009, aprovou a Súmula n° 41, contemplando o tema e rechaçando de uma vez por todas a pretensão da Fazenda nos presentes autos, senão vejamos: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. No entanto, a jurisprudência deste Colegiado vem firmando o entendimento de que, após a alteração introduzida pela Lei n° 10.165/2000, em que pese à legislação de regência impor a existência do ADA, para fins de fruição do benefício fiscal em comento, em momento algum se reportou ao prazo para tanto. Neste sentido, vários são os julgados que vem acolhendo a pretensão do contribuinte, reconhecendo a isenção de tais áreas, ainda que apresentado ADA referente a exercício posterior, como é o caso dos autos. A corroborar este entendimento, ressaltase que a Instrução Normativa SRF n° 659, de 11/07/2006, não faz qualquer referência a prazo para requisição do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA, somente exigindo a apresentação de referido documento, ao contrário do estipulado nas Instruções Normativas SRF nºs 43/1997 e 67/1997, as quais prescreviam o prazo de 06 (Seis) meses, contados da data da entrega da DITR, para protocolização do requerimento do ADA. O TRF da 4° Região editou em setembro de 2016 Súmula a respeito da matéria que assim dispõe, in verbis: Súmula nº 86 É desnecessária a apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA para o reconhecimento do direito à isenção de Imposto Territorial Rural ITR. Todavia, para o gozo da isenção do ITR no caso de área de "reserva legal", é imprescindível a averbação da referida área na matrícula do imóvel. Nesse sentido, o certo é que a Averbação da Área de Reserva Legal/Utilização Limitada e mesmo a apresentação de ADA de período posterior, apresentados pela contribuinte se prestam a comprovar a existência de aludida área, rechaçando de uma vez por todas a pretensão da Fazenda Nacional, mormente em homenagem ao princípio da verdade material. Para corroborar ainda mais seus argumentos, a contribuinte anexou aos autos Laudo Técnico, comprovando a existência de área de reserva legal, às efls. 579/633. Se não bastasse todo o exposto, a 1° Turma da 1° Câmara deste Tribunal, em julgamento em face da mesma contribuinte, referente ao exercício 2006, entendeu válida a averbação antes de iniciada a ação fiscal, reconhecendo a isenção da área de reserva legal, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2006 Fl. 802DF CARF MF 14 APP. ADA TEMPESTIVO. Por disposição legal, a isenção de ITR para áreas de preservação permanente depende da apresentação de ADA tempestivo, conforme art. 17O da Lei nº 6.938/81. ARL. AVERBAÇÃO. Reconhecida exoneração de ITR para área de reserva legal cuja averbação na matrícula do imóvel ocorreu antes do início da ação fiscal. Caso dos autos. VTN. REVISÃO. A revisão do VTN pela autoridade administrativa está condicionada à apresentação de laudo conforme a NBR 14653/2004. No caso dos autos o contribuinte não apresentou laudo técnico que possibilitasse a revisão do valor da terra nua arbitrado com base no SIPT. Recurso Voluntário Provido em Parte. Partindo dessas premissas, tratandose de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea trazida à colação pela contribuinte (laudo técnico), ainda que procedida à averbação intempestivamente (antes da ação fiscal), impõese o restabelecimento de referida área (1.923,00 ha), glosada pela fiscalização, para efeito da fruição da isenção em comento, sob pena se fazer prevalecer o formalismo em detrimento do princípio da verdade material. Vale salientar que apesar do laudo técnico indicar uma área de 1.932,02 ha (diferenças de terras), só pode ser restabelecido o efetivamente glosado, ou seja, 1.923,00 ha. DO VTN A contribuinte aduz ter a fiscalização equivocadose com a avaliação do hectare adotada com base no SIPT de R$2.500,00, desconsiderando aquele constante do Laudo apresentado de R$1.175,00/ha, que deve ser o considerado pela DRJ. Informar que o Laudo atende as normas da NBR 14.653 da ABNT, posto que foi elaborado com base em dados de preços de terras publicados anualmente pela Revista Agrianual, especializada na área, observando que o que valoriza o imóvel em tela são as plantações feitas nele. Assevera não haver a comprovação pela fiscalização de que não existem as áreas de preservação permanente, reserva legal e florestas nativas, nem a comprovação de que a área não foi utilizada na proporção declarada, bem como que o VTN, nas condições específicas da terra em questão, é superior ao constante do laudo. Muito embora a recorrente tenha contestado o VTN arbitrado pela autoridade fiscal e mantido pela decisão a quo, não apresentou laudo técnico conforme a NBR 14.653 da ABNT, que possibilitasse à autoridade administrativa rever o valor lançado. Pois bem, da análise do laudo técnico de avaliação, efls. 359/390, penso que o mesmo fornece elementos que devem ser considerados para a finalidade a que se propõe, pois individualiza as áreas do imóvel, quantificandoas e classificandoas, bem como demonstrando as benfeitorias existentes no imóvel, além de fazer referência, também, ao processo avaliatório empregado métodos e critérios utilizados e nível de precisão, tendo apurado para o imóvel um VTN de R$ 1.175,00 por hectare. Portanto, o documento de prova além de ter sido emitido por profissional habilitado (Engº Agrônomo), devidamente acompanhado de ART’s, anotadas no CREA – MG, Fl. 803DF CARF MF Processo nº 10660.724592/201108 Acórdão n.º 2401004.977 S2C4T1 Fl. 797 15 atende aos principais requisitos da norma da ABNT, a NBR 14.6533 e NBR 14.6531, em vigência desde 30/06/2004, indicando o método e apresentando os tratamentos estatísticos pertinentes. Observase que o laudo adotou a publicação da "renomada" revista Agrianual, por esta fazer uma média/levantamento sobre o Valor da Terra Nua de cada região do território nacional. Saliento que a publicação não se dá por contra prestação específica, tornandose documento hábil e idôneo. Assim sendo, devese adotar para o imóvel denominado “Fazenda Levantina" o VTN de R$ 1.175,00 por hectare, em substituição ao VTN arbitrado pela fiscalização. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância, especialmente no que diz respeito ao pacto federativo. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em dissonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, e, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, a, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 804DF CARF MF 16 Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço vênia ao I. Relator para discordar do seu ponto de vista quanto ao restabelecimento da área de reserva legal. Tratase de Imposto sobre a Propriedade Rural (ITR), em relação ao exercício 2008. O fato gerador, portanto, deuse em 1º/01/2008. De acordo com os elementos que instruem os autos, a fiscalização glosou integralmente a área de reserva legal declarada de 1.923,0 ha. A área de reserva legal foi averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel rural em 20/02/2008. Para fins de apuração do ITR, o art. 10 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, afasta a tributação sobre a área de reserva legal. Reproduzo a redação do dispositivo de lei na redação vigente no ano de 2008: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...) Porém, a alínea "a" do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, reportase expressamente às disposições da Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, à época o Código Florestal brasileiro. Por sua vez, o art. 16 do Código Florestal disciplinava características da área de reserva legal. Transcrevo o § 8º desse artigo: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (...) Fl. 805DF CARF MF Processo nº 10660.724592/201108 Acórdão n.º 2401004.977 S2C4T1 Fl. 798 17 § 8º A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (...) (GRIFEI) Como se observa, a legislação traz a obrigatoriedade da averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, a fim de comprovar a área preservada destinada à reserva legal. O ato de averbação é dotado de eficácia constitutiva. Para escapar à incidência tributária é indispensável a prévia averbação da área de reserva legal à margem da inscrição da matrícula do imóvel. Exigese, portanto, a averbação anterior à data de ocorrência do fato gerador do imposto como prova da existência da área de reserva legal (art. 10, § 3º, inciso II, do Decreto nº 4.382, de 19 de setembro de 2002, que regulamenta o ITR). Nesse passo, divergindo do I. Relator, a averbação posteriormente à ocorrência do fato gerador, mas antes do início da ação fiscal, ou mesmo a elaboração de Laudo Técnico, não têm o condão de suprir o requisito legal constitutivo da referida área, para fins de apuração do ITR. Conclusão Ante o exposto, relativamente à área de reserva legal, mantenho a glosa efetuada pela fiscalização, negando provimento ao recurso voluntário. Acompanho o I. Relator nos demais pontos do seu voto. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 806DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000333/2008-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1989 a 28/02/1996
PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA.
Não compete o Conselho Administrativo de Recursos afastar previsão constante do Código Tributário Nacional de que a prescrição e a decadência são causas extintivas do crédito tributário e do direito de repetição do indébito.
CORRETA APURAÇÃO DOS CÁLCULOS EM DILIGÊNCIA.
Realizada a correta apuração dos créditos do contribuinte relativo ao o PIS em diligência solicitada pelo CARF, acolhem-se os novos valores e determina-se sua homologação.
Numero da decisão: 3301-003.927
Decisão: Recurso Voluntário Provido em Parte
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Liziane Angelotti Meira- Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antônio da Costa Cavalcanti Filho, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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decisao_txt : Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente. Liziane Angelotti Meira- Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antônio da Costa Cavalcanti Filho, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
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Não compete o Conselho Administrativo de Recursos afastar previsão constante do Código Tributário Nacional de que a prescrição e a decadência são causas extintivas do crédito tributário e do direito de repetição do indébito. CORRETA APURAÇÃO DOS CÁLCULOS EM DILIGÊNCIA. Realizada a correta apuração dos créditos do contribuinte relativo ao o PIS em diligência solicitada pelo CARF, acolhemse os novos valores e determinase sua homologação. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Liziane Angelotti Meira Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antônio da Costa Cavalcanti Filho, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 03 33 /2 00 8- 01 Fl. 2077DF CARF MF Processo nº 16349.000333/200801 Acórdão n.º 3301003.927 S3C3T1 Fl. 2.078 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório constante da Resolução nº 3803000.258, deste Conselho (fls. 2041/2046), abaixo transcrito: Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Curitiba/PR que reconheceu apenas em parte o direito creditório pleiteado. O contribuinte havia apresentado Pedidos de Restituição e Declarações de Compensação – PER/DCOMPs (fls. 1 a 148), em que requerera a compensação de débitos de sua titularidade com créditos decorrentes de ação judicial transitada em julgado em 18/11/2004, em que lhe foi assegurado o direito de repetir o indébito relativo aos pagamentos da contribuição para o PIS efetuados com base nos Decretoslei nº 2.445 e 2449, ambos de 1988, considerados inconstitucionais. A repartição de origem, valendose de informações e documentos fornecidos pelo sujeito passivo (fls. 153 a 1523), exarou o despacho decisório nº 676/2010 (fls. 1525 a 1526), fundado nas conclusões da Informação Fiscal de fl. 1524, em que se decidiu por homologar em parte as compensações declaradas, até o valor de R$ 2.666.944,51, atualizado até maio de 2005, restando não deferido o saldo credor de R$ 47.596,55. Segundo a autoridade administrativa, em conformidade com a decisão judicial, “prevaleceram as regras estabelecidas pela LC 07/70, ou seja, a base de cálculo verificarseia seis meses antes da ocorrência do fato gerador, sendo a periodicidade para o recolhimento mensal” e, quanto à decadência, “firmouse na sentença o entendimento de que ela se daria apenas 5 anos após a homologação das DCOMPs, ou seja, em caso de homologação tácita, 5 + 5 anos”, em razão do que, considerando o ajuizamento da ação em 16/11/1998, terseia por decaídos “os pagamentos realizados antes de novembro de 1988” (fl. 1524). Concluiu a autoridade administrativa por considerar, para efeito de base cálculo da contribuição, a competência de fevereiro de 1989 (base de cálculo faturamento de agosto de 1988) até a competência de fevereiro de 1995 (base de cálculo faturamento de agosto de 1995).(fl. 1524) Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 1595 a 1608) e requereu a reformulação dos cálculos realizados na repartição de origem, bem como a homologação integral das compensações pleiteadas, alegando o seguinte: a) em face do trânsito em julgado da decisão proferida no bojo do processo judicial n° 1999.71.00.0224704/RS, apresentara "Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado", indicando o valor de R$ 2.879.382,33 (corrigido até novembro/2004) como indébito decorrente dos pagamentos da contribuição para o PIS efetuados a maior, com base nos decretoslei considerados inconstitucionais; b) quando da análise do pedido de habilitação, a repartição de origem reduziu o valor originalmente pleiteado em R$ 242.738,65, em face da decadência do direito de repetição dos pagamentos realizados antes de dez anos contados da data do ajuizamento da ação; Fl. 2078DF CARF MF Processo nº 16349.000333/200801 Acórdão n.º 3301003.927 S3C3T1 Fl. 2.079 3 c) em decorrência do reconhecimento de apenas R$ 2.636.643,68, efetuou a correção deste valor desde novembro de 2004 até maio de 2005, chegando a R$ 2.714.541,06,vindo a Receita Federal a reconhecer apenas o montante de R$ 2.666.944,51 em maio de 2005, e que, por esse motivo, faltaria o acatamento de R$ 47.596,55; d) ao rever as bases de cálculo utilizadas pelo fisco, constatou que, para os períodos de apuração de 7/1989 a 12/1993, teriam sido incluídos valores relativos às receitas financeiras, conforme demonstraria a planilha anexa. A DRJ Curitiba/PR julgou procedente em parte a Manifestação de Inconformidade (fls. 1669 a 1671), tendo sido o acórdão ementados nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Período de apuração: 01/09/1989 a 28/02/1996 BASES DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO. REVISÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. Se os documentos apresentados pela contribuinte permitem a correta apuração das bases de cálculo do PIS, acolhemse os respectivos valores e, consequentemente, revisase o despacho decisório. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Ressaltou o julgador a quo que, considerando o teor do parecer da repartição e origem proferido no momento da habilitação do crédito, adotarase o entendimento de que todos os pagamentos relativos aos fatos geradores havidos antes dos dez anos da protocolização da ação judicial estariam decaídos, em razão do que, encontrarse iam nessa situação todos os pagamentos efetuados relativamente aos fatos geradores ocorridos antes de 1º de setembro de 1989. Ainda segundo o julgador, no mesmo sentido caminhou a decisão judicial (fl. 203), dado que nesta restou decidido que, “quanto aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial de 5 anos contados da extinção do crédito tributário (CTN, art. 168, I), não tem como termo inicial a data do recolhimento, mas, sim, da expiração do prazo que o Fisco possui para homologar o pagamento efetuado, que é de 5 anos a contar do fato gerador (art. 150, ,§ 4°)”. Dessa forma, considerando que o prazo para repetição do indébito é de dez anos contados da data da ocorrência do fato gerador, temse que alguns pagamentos efetuados após 1º de setembro de 1989 foram desconsiderados pelo fato de se referirem a fatos geradores ocorridos antes dessa data. Ressaltou, ainda, o relator de piso que o contribuinte se insurgira apenas em relação à diferença de R$ 47.596,55 decorrente da diferença entre o valor por ele apurado para maio de 2005 e o valor que acabou sendo efetivamente reconhecido. Para dar suporte a sua reclamação, demonstrou que, na apuração das bases de cálculo de 7/1989 a 12/1993, o fisco teria, indevidamente, considerado receitas financeiras auferidas no período. Em razão disso, ainda segundo o relator, o litígio estaria restrito à base de cálculo utilizada e ao montante de R$ 47.596,55, ainda não reconhecido. Quanto às bases de cálculo consideradas no levantamento fiscal, salientou o relator de piso que elas não teriam sido apuradas unilateralmente pela Receita Federal, mas fornecidas pelo próprio contribuinte, conforme demonstrariam os dados presentes às fls. 171 a 173. Porém, segundo ele, cotejando as referidas bases (por amostragem) com as extraídas dos livros contábeis, era possível constatar que assistia razão ao contribuinte, pois, uma vez que os decretoslei foram considerados Fl. 2079DF CARF MF Processo nº 16349.000333/200801 Acórdão n.º 3301003.927 S3C3T1 Fl. 2.080 4 inconstitucionais, a base de cálculo a ser considerada não poderia levar em conta as receitas financeiras auferidas, em razão do que foram acolhidas as bases de cálculo informadas na Manifestação de Inconformidade, relativas aos períodos de apuração havidos até 31/12/1993. Alertou o julgador de primeira instância que a correção do equívoco na composição das bases de cálculo relativas aos períodos de apuração 7/1989 a 8/1989 não produziria qualquer efeito relevante nos cálculos, tendo em vista que qualquer crédito que decorresse dos pagamentos respectivos não poderia mais ser repetido nem compensado. Portanto, refazendose os cálculos das bases de cálculo de 9/1989 a 12/1993, remanesceu um crédito atualizado para maio de 2005 de R$ 2.910.188,78 (fl. 1668), no qual encontrarseia incluído o valor de R$ 242.035,46, este decorrente de pagamentos relativos a fatos geradores anteriores a 9/1989, já fulminados pela decadência. Como já havia sido reconhecido um total (em maio de 2005) equivalente a R$ 2.666.944,51, restaria, segundo o relator de piso, o direito ao crédito de maio de 2005 de R$ 1.208,81, sendo considerado que uma das explicações para ainda persistir uma diferença de R$ 46.387,74 entre o apurado e o pleiteado parecia estar, justamente, nos pagamentos feitos para os períodos de apuração 7/1989 e 8/1989, considerados pelo contribuinte mas não incluídos nos cálculos refletidos no resultado, em razão da decadência operada. Cientificado da decisão em 1º de novembro de 2011 (fl. 1993), o contribuinte apresentou Recurso Voluntário no dia 30 do mesmo mês (fls. 2014 a 2025), protestou por seu direito assegurado por lei, assim como pela supremacia da lei sobre o formalismo administrativo e a vedação ao enriquecimento sem causa, e requereu a homologação integral das compensações declaradas, alegando a necessidade de “reparação do cálculo apresentado e recomposição pela Receita Federal do Brasil nas páginas 1.665 a 1.668, incluindo as competências de setembro, outubro e novembro de 1989 e outras não constatadas pela requerente” (fl. 2025). Segundo o Recorrente, “o aumento do saldo de pagamentos (direito creditório) não teve o efeito esperado, pois, estranhamente, os valores referentes às competências de setembro, outubro e novembro de 1989, não constaram neste cálculo, diferentemente do cálculo apresentado pela própria Receita Federal do Brasil, nas folhas 1.520 a 1523” (fl. 2018). Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio da 3803000.258 – 3ª Turma Especial (fls. 2041/2044), determinou a realização de diligências, solicitando à DRJ Curitiba/PR os esclarecimentos necessários às questões trazidos aos Autos em sede de Recurso Voluntário. A DRJ Curitiba/PR, por meio do Despacho 5 3ª Turma da DRJ/CTA, prestou alguns esclarecimentos iniciais, realizou a revisão dos cálculos e apresentou o correto valor de créditos do contribuinte a serem reconhecidos no presente processo (fls. 2065/2070), nos seguintes termos: Pois bem, após efetuar a revisão solicitada, chegouse a um novo saldo de pagamentos em 27/05/2005 (data adotada nos autos), um pouco superior ao que havia sido obtido por ocasião da elaboração do acórdão da DRJ. O novo valor obtido foi de R$ 2.938.252,59, ou seja, s.m.j., é esse o valor que deve passar a ser adotado nos autos. Contudo, como nesse montante também estão incluídos valores cujo direito de repetir/compensar não pode mais ser exercido (conforme decisão judicial e Fl. 2080DF CARF MF Processo nº 16349.000333/200801 Acórdão n.º 3301003.927 S3C3T1 Fl. 2.081 5 informação contida no acórdão da DRJ), entendese, s.m.j., que o valor total passível de reconhecimento deve ser de R$ 2.696.217,09 (em 27/05/2005): Valor Total dos Saldos em 27/05/2005 2.938.252,59 Fl. 2064 Crédito decaído referente período 08/1988 (32.936,18) Fl. 2064 Crédito decaído referente período 08/1988 (9.891,62) Fl. 2064 Crédito decaído referente período 09/1988 (34.340,57) Fl. 2058 Crédito decaído referente período 01/1989 (33.771,22) Fl. 2058 Crédito decaído referente período 02/1989 (15.737,23) Fl. 2058 Crédito decaído referente período 03/1989 (25.104,17) Fl. 2058 Crédito decaído referente período 04/1989 (12.921,04) Fl. 2058 Crédito decaído referente período 05/1989 (8.307,36) Fl. 2058 Crédito decaído referente período 06/1989 (9.990,66) Fl. 2058 Crédito decaído referente período 07/1989 (21.117,86) Fl. 2058 Crédito decaído referente período 08/1989 (37.917,59) Fl. 2058 Crédito disponível em 27/05/2005 (R$) 2.696.217,09 No presente caso, como já havia sido reconhecido um montante de R$ 2.666.944,51 no despacho decisório e um montante de R$ 1.208,81 no Acórdão da DRJ, entendese, s.m.j, que à contribuinte ainda pode ser reconhecido um saldo de crédito de R$ 28.063,77 (vinte e oito mil, sessenta e três reais e setenta e sete centavos), perfazendose, assim, o novo montante apurado para 27/05/2005, ou seja, R$ 2.696.217,09 (com isso, devese alterar o valor total da compensação passível de homologação). Importante considerar que as planilhas relativas aos novos cálculos efetuados em face da revisão implementada encontramse juntadas às fls. 2049/2064 dos presentes autos (nessas planilhas também é possível constatar que, assim como anteriormente, os saldos dos pagamentos apurados em relação aos períodos de setembro, outubro e novembro de 1989 acabaram sendo utilizados para a extinção, por compensação, de saldos devedores apurados em relação a outros períodos de apuração, no caso, 04/1995 a 01/1996). Nesse contexto, proponho o encaminhamento do presente processo à Secat da DRF em Ponta Grossa para que a contribuinte seja cientificada tanto da Resolução do CARF (fls. 2041/2046) quanto das planilhas de fls. 2049/2064 e do presente despacho (fls. 2065/2070) para que, se entender pertinente, apresente razões adicionais no prazo de 30 dias. O Despacho 5 3ª Turma da DRJ/CTA foi cientificado à Recorrente (fl. 2072), mas esta não se manifestou. É o relatório. Fl. 2081DF CARF MF Processo nº 16349.000333/200801 Acórdão n.º 3301003.927 S3C3T1 Fl. 2.082 6 Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Em seu Recurso Voluntário, a recorrente requer a homologação integral das compensações declaradas, alegando a necessidade de “reparação do cálculo apresentado e recomposição pela Receita Federal do Brasil nas páginas 1.665 a 1.668, incluindo as competências de setembro, outubro e novembro de 1989 e outras não constatadas pela requerente”. Assim, pleiteia as diferenças a seu favor, inclusive, com supedâneo na proibição de enriquecimento (do Estado) sem causa, pleiteia os seus créditos decaídos. Em relação aos créditos decaídos, o Código Tributário Nacional determina, em seus artigos 155, V, 168 e 173, que a decadência é causa de extinção do crédito tributário e do direito de restituição, não sendo outro o entendimento deste CARF. Portanto, indefiro o pleito no que concerne aos créditos relativos aos fatos geradores anteriores a 9/1989, já fulminados pela decadência. No Despacho 5 3ª Turma da DRJ/CTA e nas planilhas juntadas às fls. 2049/2064, a DRJ, demonstrou haver um saldo de crédito de R$ 28.063,77 (vinte e oito mil, sessenta e três reais e setenta e sete centavos) em favor da Recorrente, perfazendose, assim, o novo montante apurado, para 27/05/2005, de R$ 2.696.217,09. Voto no sentido de reconhecer o valor apontado pela DRJ no mencionado Despacho e determinar sua homologação. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 2082DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15563.720015/2014-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2009, 2010
Ementa:
NULIDADE DO LANÇAMENTO POR FALTA DE MOTIVAÇÃO
Não restou comprovada nos autos a ausência de fundamentação ou motivação cometida pela Autoridade Tributária que possa ter causado cerceamento do direito de defesa da Recorrente.
MÉRITO. AUTO DE INFRAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DA FISCALIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. INSUBSISTÊNCIA DA EXIGÊNCIA FISCAL.
A iniciativa do processo administrativo é que determina o correlato ônus probatório, nos termos do que prevê o art. 373 Código de Processo Civil. Assim, em se tratando de auto de infração, compete ao fisco fazer prova da sua pretensão, o que não se resume, como ocorrido no caso em tela, a simples juntada de uma planilha de 5.000.000 linhas para pretensamente demonstrar que os valores ali destacados apresentariam suposta natureza de descontos sujeitos à incidência de PIS e COFINS.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2009, 2010
Ementa:
NULIDADE DO LANÇAMENTO POR FALTA DE MOTIVAÇÃO
Não restou comprovada nos autos a ausência de fundamentação ou motivação cometida pela Autoridade Tributária que possa ter causado cerceamento do direito de defesa da Recorrente.
MÉRITO. AUTO DE INFRAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DA FISCALIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. INSUBSISTÊNCIA DA EXIGÊNCIA FISCAL.
A iniciativa do processo administrativo é que determina o correlato ônus probatório, nos termos do que prevê o art. 373 Código de Processo Civil. Assim, em se tratando de auto de infração, compete ao fisco fazer prova da sua pretensão, o que não se resume, como ocorrido no caso em tela, a simples juntada de uma planilha de 5.000.000 linhas para pretensamente demonstrar que os valores ali destacados apresentariam suposta natureza de descontos sujeitos à incidência de PIS e COFINS.
Recurso voluntário provido no mérito. Crédito tributário exonerado.
Numero da decisão: 3402-004.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de decretação de nulidade do auto de infração. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz (Relator), Thais De Laurentiis, Maysa Deligne e Carlos Daniel. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Pedro Sousa Bispo; por maioria de votos, em rejeitar a conversão do julgamento em diligência proposta pela Conselheira Maria Aparecida para o fim de segregar a natureza dos descontos, sendo acompanhada pelo Conselheiro Waldir Navarro, no que restaram vencidos; e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro, Pedro Bispo e Jorge Freire. O Conselheiro Pedro Bispo apresentou declaração de voto. Julgamento iniciado na sessão de 26 de julho de 2017, em que foi votada a preliminar de decretação de nulidade do auto de infração, e concluído na sessão de 29 de agosto de 2017.
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Pedro de Souza Bispo - Conselheiro designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Pedro Sousa Bispo, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: Relator Diego Diniz Ribeiro
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2009, 2010 Ementa: NULIDADE DO LANÇAMENTO POR FALTA DE MOTIVAÇÃO Não restou comprovada nos autos a ausência de fundamentação ou motivação cometida pela Autoridade Tributária que possa ter causado cerceamento do direito de defesa da Recorrente. MÉRITO. AUTO DE INFRAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DA FISCALIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. INSUBSISTÊNCIA DA EXIGÊNCIA FISCAL. A iniciativa do processo administrativo é que determina o correlato ônus probatório, nos termos do que prevê o art. 373 Código de Processo Civil. Assim, em se tratando de auto de infração, compete ao fisco fazer prova da sua pretensão, o que não se resume, como ocorrido no caso em tela, a simples juntada de uma planilha de 5.000.000 linhas para pretensamente demonstrar que os valores ali destacados apresentariam suposta natureza de descontos sujeitos à incidência de PIS e COFINS. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2009, 2010 Ementa: NULIDADE DO LANÇAMENTO POR FALTA DE MOTIVAÇÃO Não restou comprovada nos autos a ausência de fundamentação ou motivação cometida pela Autoridade Tributária que possa ter causado cerceamento do direito de defesa da Recorrente. MÉRITO. AUTO DE INFRAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DA FISCALIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. INSUBSISTÊNCIA DA EXIGÊNCIA FISCAL. A iniciativa do processo administrativo é que determina o correlato ônus probatório, nos termos do que prevê o art. 373 Código de Processo Civil. Assim, em se tratando de auto de infração, compete ao fisco fazer prova da sua pretensão, o que não se resume, como ocorrido no caso em tela, a simples juntada de uma planilha de 5.000.000 linhas para pretensamente demonstrar que os valores ali destacados apresentariam suposta natureza de descontos sujeitos à incidência de PIS e COFINS. Recurso voluntário provido no mérito. Crédito tributário exonerado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009, 2010 Ementa: NULIDADE DO LANÇAMENTO POR FALTA DE MOTIVAÇÃO Não restou comprovada nos autos a ausência de fundamentação ou motivação cometida pela Autoridade Tributária que possa ter causado cerceamento do direito de defesa da Recorrente. MÉRITO. AUTO DE INFRAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DA FISCALIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. INSUBSISTÊNCIA DA EXIGÊNCIA FISCAL. A iniciativa do processo administrativo é que determina o correlato ônus probatório, nos termos do que prevê o art. 373 Código de Processo Civil. Assim, em se tratando de auto de infração, compete ao fisco fazer prova da sua pretensão, o que não se resume, como ocorrido no caso em tela, a simples juntada de uma planilha de 5.000.000 linhas para pretensamente demonstrar que os valores ali destacados apresentariam suposta natureza de descontos sujeitos à incidência de PIS e COFINS. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009, 2010 Ementa: NULIDADE DO LANÇAMENTO POR FALTA DE MOTIVAÇÃO Não restou comprovada nos autos a ausência de fundamentação ou motivação cometida pela Autoridade Tributária que possa ter causado cerceamento do direito de defesa da Recorrente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 72 00 15 /2 01 4- 01 Fl. 29693DF CARF MF 2 MÉRITO. AUTO DE INFRAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DA FISCALIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. INSUBSISTÊNCIA DA EXIGÊNCIA FISCAL. A iniciativa do processo administrativo é que determina o correlato ônus probatório, nos termos do que prevê o art. 373 Código de Processo Civil. Assim, em se tratando de auto de infração, compete ao fisco fazer prova da sua pretensão, o que não se resume, como ocorrido no caso em tela, a simples juntada de uma planilha de 5.000.000 linhas para pretensamente demonstrar que os valores ali destacados apresentariam suposta natureza de descontos sujeitos à incidência de PIS e COFINS. Recurso voluntário provido no mérito. Crédito tributário exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de decretação de nulidade do auto de infração. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz (Relator), Thais De Laurentiis, Maysa Deligne e Carlos Daniel. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Pedro Sousa Bispo; por maioria de votos, em rejeitar a conversão do julgamento em diligência proposta pela Conselheira Maria Aparecida para o fim de segregar a natureza dos descontos, sendo acompanhada pelo Conselheiro Waldir Navarro, no que restaram vencidos; e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro, Pedro Bispo e Jorge Freire. O Conselheiro Pedro Bispo apresentou declaração de voto. Julgamento iniciado na sessão de 26 de julho de 2017, em que foi votada a preliminar de decretação de nulidade do auto de infração, e concluído na sessão de 29 de agosto de 2017. Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. Diego Diniz Ribeiro Relator. Pedro de Souza Bispo Conselheiro designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Pedro Sousa Bispo, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. O presente processo administrativo contempla auto de infração de Cofins, no valor total de R$ 44.513.802,10, bem como auto de infração de PIS/Pasep, no importe de R$ 9.664.180,71, em função das supostas irregularidades que se encontram pretensamente descritas no Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 23.881/23.886. 2. Uma vez notificado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 29.380/29.427, oportunidade em que, em síntese, alegou o que segue: Preliminarmente: Fl. 29694DF CARF MF Processo nº 15563.720015/201401 Acórdão n.º 3402004.348 S3C4T2 Fl. 29.663 3 (i) a nulidade do lançamento por falta de investigação, auditoria, identificação da infração cometida e indicação do correto fundamento legal da autuação; e (ii) a impossibilidade de aplicação de presunção sem previsão legal; No mérito: (iii) que a natureza das operações objeto da autuação é uma só: ajustes de preço; (iv) não há incidência de PIS e COFINS sobre os descontos recebidos de fornecedores; (v) partindo do conceito de receita trabalhado na peça impugnatória, bem como da contabilização dos descontos concedidos pelos fornecedores, a recuperação de custo não implicaria a realização de receita; (vi) subsidiariamente, a suposta "receita" auferida pelo contribuinte com o desconto dos seus fornecedores configuraria receita financeira, a qual estaria sujeita à alíquota zero; e, por fim (vii) também de forma subsidiária, a impossibilidade de cobrança de juros moratório sobre a multa de ofício. 3. Devidamente processada, a DRJ de Juiz de Fora julgou a citada impugnação improcedente (acórdão n. 0958226 fls. 29.549/29.557), conforme se observa da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2009, 2010 BASE DE CÁLCULO. TOTAL DAS RECEITAS. Para fins de apuração do valor tributável, computase o total das receitas, que compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. DESCONTOS CONCEDIDOS PARA FINANCIAMENTO DAS ATIVIDADES DO ADQUIRENTE, AINDA QUE IMPLIQUEM CONTRAPRESTAÇÕES. RECEITAS TRIBUTÁVEIS. Compõem a base de cálculo da contribuição, por representarem receitas do adquirente, os descontos obtidos em negociações com fornecedores para financiamento da sua atividade operacional, ainda que haja alguma contrapartida, como prestações de serviços (de transporte, de propaganda, de venda), aluguel de espaços privilegiados nas lojas ou promoção de eventos. RECEITA FINANCEIRA. CONCEITO. Receita financeira é aquela decorrente de uma aplicação (lato sensu) financeira, que pode também ser na forma de empréstimo Fl. 29695DF CARF MF 4 (mútuo) ou de pagamento antecipado. Não se enquadram nesta categoria os descontos comerciais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. 4. Uma vez intimado, o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 29.569/29.619, oportunidade em que repisou as alegações desenvolvidas em sede de impugnação. 5. Por sua vez, a União apresentou as contrarrazões de fls. 29.639/29.660, momento em que repisou apenas as questões de mérito da presente demanda, alegando, em suma: (i) que os valores "cobrados" pela autuada dos seus fornecedores integram a base de cálculo da COFINS e do PIS, na sistemática nãocumulativa, pois redundam em auferimento de receita, embora não fisicamente, ou seja, não em espécie, mas sim por meio de “compensação”, já que a base de cálculo no regime não cumulativo é a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica; e, ainda (ii) que são devidos os juros moratórios sobre a multa de ofício. 6. É o relatório. Voto Vencido Voto vencido apenas em relação à preliminar de mérito Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 7. O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. Da exigência fiscal e sua ausência de motivação 8. Uma das celeumas fundamentais que gravitam em torno da presente autuação diz respeito a sua ausência de motivação, ao ponto do contribuinte afirmar em seu recurso voluntário que a presente exigência fiscal teria sido pautada em uma indevida presunção. 9. Antes, todavia, de analisar tal fundamento para o presente caso, mister se faz tecer algumas considerações acerca da motivação dos atos administrativos, tal qual o lançamento em análise. (i) A motivação dos atos administrativos 10. Não é preciso muito esforço para concluir que o lançamento tributário é ato administrativo, ao ponto, inclusive, do art. 142 do CTN prescrever que a constituição do crédito tributário por intermédio do lançamento é atividade privativa da autoridade Fl. 29696DF CARF MF Processo nº 15563.720015/201401 Acórdão n.º 3402004.348 S3C4T2 Fl. 29.664 5 administrativa, competindo ao agente público realizála sob pena, inclusive, de responsabilidade funcional1. 11. Por outro giro verbal, o lançamento tributário, na qualidade de ato administrativo, apresentase como manifestação de vontade do Estado, enquanto poder público, individual, concreta, pessoal, na consecução do seu fim, de criação da utilidade pública, de modo direto e imediato, para produzir efeitos de direito2. E, por óbvio, em se tratando de ato administrativo deve seguir com rigor todos os vetores valorativos que orientam tal conduta, com especial ênfase à motivação, esta última garantida constitucionalmente como desdobramento da ideia de moralidade pública3 (art. 37 da CF), bem como expressamente prescrita no art. 50 da lei n. 9.784/904. 12. Assim, quando se fala em motivação do ato administrativo, o que se tem é uma garantia do administrado e, em contrapartida, um dever do agente público, dever esse que consiste em (i) delimitar a circunstância fática para o qual o ato administrativo se dirige, (ii) identificar, com precisão, os fundamentos jurídicos que fundamentam o ato administrativo, e, ainda, (iii) concatenar, de forma explícita, clara e congruente a relação existente entre o fato e o fundamento jurídico que subsidia o ato administrativo. Neste mesmo diapasão são as lições do professor Celso Antônio Bandeira de Mello: Dito princípio implica para a Administração o dever de justificar seus atos, apontandolhes os fundamentos de direito e de fato, assim como a correlação lógica entre os eventos e situações que deu por existentes e a providência tomada, nos casos em que este 1 "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional." 2 MELLO, Oswaldo Aranha Bandeira. "Princípios gerais do direito administrativo (vol. I)". Rio de Janeiro: Forense, 1968. p. 413. 3 Apenas um ato motivado é passível de controle, seja ele interno (do ato em si considerado), seja ele externo (por órgãos de controle e fiscalização). 4 "Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V decidam recursos administrativos; VI decorram de reexame de ofício; VII deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo. § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. § 2o Na solução de vários assuntos da mesma natureza, pode ser utilizado meio mecânico que reproduza os fundamentos das decisões, desde que não prejudique direito ou garantia dos interessados. § 3o A motivação das decisões de órgãos colegiados e comissões ou de decisões orais constará da respectiva ata ou de termo escrito." Fl. 29697DF CARF MF 6 último aclaramento seja necessário para aferirse a consonância da conduta administrativa com a lei que lhe serviu de arrimo5. 13. Dar este tipo de tratamento à motivação dos atos administrativos, em última análise, significa promover uma identificação das ações da Administração Pública sob o prisma de que o Direito Público precisa ser, antes de tudo, o Direito nãoautoritário, dialógico e, concomitantemente, promotor da concretização (mais homogênea possível) do núcleo essencial dos direitos fundamentais, acima e além de interpretativismos estritos6. 14. Ademais, a motivação dos atos administrativos é essencial em um Estado Democrático de Direito, na medida em que permite seu controle tanto sob uma perspectiva macroscópica, como também sob um prisma microscópico. Sob uma perspectiva macroscópica, a motivação do ato administrativo permite o exercício do seu controle externo, impedindo, pois, que o Estado, diante da sua posição qualificada pelo poder que possui em face do Administrado, abuse deste poder. Já sob uma perspectiva microscópica, a motivação do ato administrativo permite que o Administrado possa combater, individualmente, os efeitos negativos do ato praticado e que possam lhe estar prejudicando indevidamente. Aqui a motivação está atrelada a uma ideia de "recorribilidade", termo aqui empregado em sentido lato. 15. Pois bem. Feitas essas considerações preambulares acerca da motivação do ato administrativo, é possível seguir adiante na análise do presente lançamento para verificar se o mesmo apresenta o status de ato administrativo motivado. (ii) A suposta motivação do lançamento questionado 16. Conforme se observa dos autos, a fase procedimental da presente exigência fiscal, i.e., a sua fase fiscalizatória, teve início em 28/05/2012, com a notificação do contribuinte acerca do Termo de Início de Procedimento Fiscal TIF de fls. 204/205. Referida fiscalização, por sua vez, foi encerrada apenas em fevereiro de 2014, ou seja, mais de um ano e meio após o seu início. 17. Durante o período fiscalizatório, o contribuinte foi intimado em diferentes oportunidades para apresentar diferentes documentos, o que foi realizado a contento, conforme se observa dos autos. 18. Encerrada a autuação, foram lavrados os autos de PIS e COFINS aqui mencionados, cuja motivação é pretensamente extraída do Termo de Verificação Fiscal de fls. 23.881/23.886. É neste documento que a fiscalização autuante deveria promover a precisa descrição dos fatos apurados e sus adequada concatenação com os fundamentos legais a embasar a exigência fiscal. 19. Pois bem. Ao se analisar as 06 (seis) páginas do sobredito Termo de Verificação Fiscal é possível verificar que da página 23.881 a página 23.884 a fiscalização limitase a relatar, resumidamente, a fase procedimental do lançamento. Em suma, limitase a descrever o teor dos termos de intimação fiscal apresentados ao longo da fiscalização, bem como as respostas ofertadas pelo contribuinte. 20. No último parágrafo da página 23.884 do Termo de Verificação Fiscal a fiscalização supostamente "motiva" o lançamento fiscal nos seguintes termos: 5 "in" "Curso de direito administrativo". p. 69. 6 FREITAS, Juarez, "O controle dos atos administrativos e os princípios fundamentais". 3a. ed. São Paulo: Malheiros, 2004. p. 263. Fl. 29698DF CARF MF Processo nº 15563.720015/201401 Acórdão n.º 3402004.348 S3C4T2 Fl. 29.665 7 21. Este é o único trecho do Termo de Verificação Fiscal em que se extrai um arremedo de motivação, já que as duas páginas seguintes limitamse a apresentar uma tabela com os períodos autuados e as bases de cálculo não tributadas (fl. 23.885) e, ainda, as considerações de praxe de encerramento de Termos de Verificação Fiscal com a assinatura dos agentes competentes (fl. 23.886). 22. Voltandose novamente o trecho alhures transcrito e que, em tese, delimita os fatos fiscalizados e faz sua vinculação com os fundamentos a sustentar as presentes exigências fiscais é possível extrair as seguintes conclusões: (i) que com base em uma planilha de 5.000 linhas apresentada pelo contribuinte em sede fiscalizatória, o fiscal apurou que todos os "fatos" ali contemplados (mesmo sem precisar a natureza jurídica de tais fatos, ainda que por grupos ou amostragem) estariam sujeitos à incidência de PIS e de COFINS. Importante desde já registrar que em tais planilhas é possível observar os seguintes dados: números; nome de fornecedores; mais números em diferentes colunas; colunas com datas díspares; mais números; valores em reais; mais uma coluna com números; e, por fim, uma coluna ora com a informação "Descontos" seguida de um numeral variável ora com a informação "Compras de Mercadorias Nacionais () Bo.". (ii) que, apesar de mais de um ano e meio de etapa fiscalizatória, a fiscalização não teve tempo hábil para a aferição de cada uma das informações detalhadas na citada planilha (ainda que por grupos ou amostragem). Segundo a fiscalização, seria impossível para os nossos pargos (sic) recursos a aferição de cada uma destas informações, inclusive à delimitação de tempo agora existente, beirando inclusive a decadência das contribuições. (grifos nosso); e, por fim (iii) que esta sofrível "apuração" dos fatos fiscalizados só foi possível graças a cooperação do contribuinte com a fiscalização, o que, inclusive, suscitou no mínimo inusitado agradecimento da fiscalização, in verbis: faço questão de agradecer à contadora, Sra. Ivone, pela gentileza e prestatividade durante toda Fiscalização, pois devido a logística de atendimento, contabilidade em São Paulo, atendimento feito por São Paulo e, principalmente, pela magnitude da empresa, uma fiscalização neste níveis (sic) seria impossível de ser executada com um mínimo de confiabilidade. (g.n.). Fl. 29699DF CARF MF 8 23. Diante de tais considerações do Termo de Verificação Fiscal, ainda que analisado em conjunto com as citadas planilhas, perguntase: é possível precisar, ainda que por grupos ou por amostragem, qual a natureza jurídica das operações descritas nas 5.000 linhas de planilha e realizadas pelo contribuinte? Tratarseiam de que tipo de descontos? Condicionados ou incondicionados? Se incondicionados com ou sem destaque em nota fiscal? Data venia, é impossível realizar, com "confiabilidade", qualquer assertiva conclusiva acerca de tais questionamentos, o que se deve, por óbvio, a falta de precisão dos fatos apurados, bem como a ausência de concatenação de tais "fatos" com os fundamentos legais que embasam a exigência fiscal. 24. Ora, se é impossível precisar a natureza jurídica dos fatos jurídicos aqui tratados, como seria possível acomodálos ou não no conceito de receita para fins de incidência de PIS e COFINS? 25. Como visto em tópico anteriormente formulado no presente voto, um ato administrativo para que seja considerado fundamentado deve apresentar no mínimo três elementos essenciais, quais sejam: (i) delimitar a circunstância fática para o qual o ato administrativo se dirige, (ii) identificar, com precisão, os fundamentos jurídicos que fundamentam o ato administrativo, e, ainda, (iii) concatenar, de forma explícita, clara e congruente a relação existente entre o fato e o fundamento jurídico que subsidia o ato administrativo. Não é o que ocorre no lançamento em testilha, já que o mesmo se limita a empregar conceitos jurídicos vagos (receitas e descontos) sem, todavia, precisar tais conceitos à luz do caso concreto, limitandose, pois, à indicação de prescritivos legais sem explicitar qual a sua relação com o caso decidendo. 26. Aliás, foi exatamente para coibir esse tipo de falácia que o CPC/2015, ao tratar da motivação das decisões judiciais, assim prescreveu: Art. 489. São elementos essenciais da sentença: (...). § 1o Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: I se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; II empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua incidência no caso; (...). (g.n.). 27. O ato administrativo, assim como a decisão judicial, não existe por si só. Ele (ato administrativo) só existe em razão de fatos que culminaram no seu advento, sob pena, inclusive, de transformarse a manifestação administrativa veiculada no ato em uma expressão quase que doutrinal. Ora, o ato administrativo está intimamente ligado a um fato social, motivo pelo qual deve precisálo de forma racional e clara, de modo a, inclusive, permitir o controle (macro e microscópico) do ato administrativo lavrado vis a vis do fato social que ele pretende afetar. Nesse sentido, compete à Administração precisar as circunstâncias fáticojurídicas que permeiam o ato administrativo, de modo que o Administrado saiba, com precisão, de qual acusação deve se defender. Não é isso, todavia, o que ocorre no presente caso. Fl. 29700DF CARF MF Processo nº 15563.720015/201401 Acórdão n.º 3402004.348 S3C4T2 Fl. 29.666 9 28. A motivação dos atos administrativos, em especial daqueles atos de natureza vinculada, deve ser precisa, sob pena, inclusive, de desnaturar o caráter vinculativo do ato para tornálo discricionário ou, o que é pior, transformálo em um ato arbitrário. "Fundamentar", pois, o ato administrativo sem precisar o fato social apurado e, ainda, sem concatenar tal fato com o fundamento legal que subsidia o ato administrativo, implica a carência da motivação do ato administrativo, o que torna indevida a exigência fiscal. 29. Ao assim agir, além de atentar contra a já desenvolvida ideia de motivação, o que a fiscalização faz é, também de forma indevida, desonerarse do seu ônus probatório de comprovar os fatos constitutivos da pretensão fiscal. Neste diapasão não se pode perder de vista que o se analisa aqui é um auto de infração, o que é relevante para a resolução da presente demanda, à medida que é justamente a iniciativa do processo administrativo que determina o ônus probatório, nos termos do que prevê o art. 373 Código de Processo Civil7. Assim já decidiu este colegiado, conforme se observa do seguinte trecho do acórdão n. 3402 002.881, da lavra do então Conselheiro Antonio Carlos Atulim: É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. 30. Assim, era ônus da fiscalização provar a natureza jurídica das operações perpetradas pela recorrente para, ato contínuo, enquadrálas no conceito de receita para fins de incidência de PIS e COFINS. 31. Em verdade, o que se vê aqui é um auto de infração que, depois de mais de um ano e meio de fase fiscalizatória, chegou em um estágio derradeiro sem uma materialidade definida, pressionado, ainda, pelo prazo decadencial, o que suscitou no desespero (decorrente do despreparo) da fiscalização em solicitar ao contribuinte uma planilha com a pretensa indicação das operações aparentemente fiscalizadas para, ato contínuo, sem qualquer análise racional e motivação hábil, tratálas como descontos e, por conseguinte, acomodálas ao conceito (geral e abstrato) de receita, sujeitandoas à incidência de PIS e COFINS. II. Mérito 32. Caso, todavia, este colegiado venha superar a fundamentação preliminarmente desenvolvida, mister se faz analisar o mérito da presente demanda, o que passo a fazer no presente tópico. 7 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 29701DF CARF MF 10 II.a Da ausência de prova 33. Conforme já mencionado neste voto, o que se tem aqui é um auto de infração, fato este de extrema relevância para a resolução da presente demanda, à medida que é justamente a iniciativa do processo administrativo que determina o ônus probatório, nos termos do que prevê o art. 373 Código de Processo Civil8. Assim já decidiu este colegiado, conforme se observa do seguinte trecho do acórdão n. 3402002.881, da lavra do Conselheiro Antonio Carlos Atulim: É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. 34. Dito isso, insta destacar que a presente autuação fiscal tem por escopo exigir PIS e COFINS sobre descontos concedidos pela recorrente aos seus fornecedores. É o que se presume do paupérrimo e surreal Termo de Verificação Fiscal, in verbis: 35. Assim, com base neste único parágrafo do TVF e com base em uma planilha de 5.000.000 de linhas apresentada pelo contribuinte em sede fiscalizatória às vésperas do decurso do prazo decadencial, o fiscal pretensamente apurou que todos os "fatos" ali contemplados (mesmo sem precisar a natureza jurídica de tais fatos, ainda que por 8 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 29702DF CARF MF Processo nº 15563.720015/201401 Acórdão n.º 3402004.348 S3C4T2 Fl. 29.667 11 grupos ou amostragem) estariam sujeitos à incidência de PIS e de COFINS. Da referida planilha são extraídas as seguintes informações: · números; nome de fornecedores; mais números em diferentes colunas; colunas com datas díspares; mais números; valores em reais; mais uma coluna com números; e, por fim, uma coluna ora com a informação "Descontos" seguida de um numeral variável ora com a informação "Compras de Mercadorias Nacionais () Bo.". 36. O que a fiscalização aduz é que com base neste trabalho precário, demonstrou que as 5.000.000 linhas apresentariam natureza de descontos sujeitos à incidência das contribuições aqui analisadas. Antes, todavia, de seguir adiante na presente análise, mister se faz, nesse momento, destacar a posição jurisprudencial consolidada deste Tribunal Administrativo para esta questão, a qual está exemplarmente retratada no julgado abaixo transcrito: Ementa (...). DESCONTOS RECEBIDOS. CONTRAPARTIDA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. TRIBUTAÇÃO. Mesmo antes da Lei n° 9.718/98, e consoante a LC n° 70/91, caracterizavamse como faturamento, base de cálculo da COFINS, os descontos recebidos de fornecedores em contrapartida a serviços de transporte e distribuição. OUTRAS RECEITAS. DESCONTOS CONDICIONAIS RECEBIDOS. REDUÇÃO DO PASSIVO SEM CONTRAPARTIDA NO ATIVO. PERÍODO A PARTIR DE FEV/99. LEI N° 9.718/98. TRIBUTAÇÃO. Nos termos da Lei n° 9.718/98, a receita bruta, base de cálculo da COFINS a partir de fevereiro de 1999, inclui os descontos condicionais recebidos de fornecedores e não informados nas notas fiscais, por implicarem em redução do passivo sem contrapartida no ativo. BONIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. NÃOINC1DÊNCIA. Não se subsumem ao conceito de faturamento, nem no conceito de receita, a obtenção de descontos mediante a bonificação de mercadorias, eis que tais vantagens não se originam da venda de mercadorias nem da prestação de serviços, mas estão ligados essencialmente a operações que ensejam custos e não receitas. Recurso provido em parte. (Acórdão n. 20310.152; Processo Administrativo n. 11080.013954/200226; Rel. Emanuel Carlos Dantas de Assis). 37. Apesar de pessoalmente ter um posicionamento diferente deste que foi consolidado pelo CARF9, é possível afirmar que para este Tribunal Administrativo a apuração 9 Conforme retratado no Acórdão n. 3402003.147. Fl. 29703DF CARF MF 12 quanto à incidência de PIS e COFINS na hipótese de bonificação e descontos depende de apurar se tais descontos são condicionados ou incondicionados e, nos casos destes últimos, se apresentam ou não destaque em nota. Em outros termos, não é qualquer desconto que redunda na automática exigência de PIS e COFINS. 38. Diante de tais considerações e mais uma vez voltandose ao precário trabalho fiscal, com especial ênfase para a planilha acostada aos autos, perguntase: é possível precisar, ainda que por grupos ou por amostragem, qual a natureza jurídica das operações realizadas pelo contribuinte e descritas nas 5.000.000 de linhas do referido documento? Tal planilha é capaz de provar a natureza dos descontos concedidos pela recorrente? São eles comprovadamente condicionados ou incondicionados? Se incondicionados apresentam ou não destaque em nota fiscal? As perguntas são aqui apresentadas retoricamente, uma vez que são impossíveis de serem respondidas. 39. É impossível realizar, com base em provas, qualquer assertiva conclusiva acerca de tais questionamentos, o que se deve, por óbvio, pela carência de prova quanto do insólito "trabalho" realizado pela fiscalização. A já apontada precariedade da fiscalização também decorre da inexistência de provas para sustentar sua conclusão: de que os descontos concedidos pela recorrente se enquadram naquelas modalidades passíveis de exigência de PIS e COFINS. 40. Nem se alegue, ainda, que seria o caso de converter o presente julgamento em diligência para segregar os tipos de desconto concedidos pelo recorrente. Primeiramente porque se a fiscalização foi relapsa e não cumpriu seu mister, i.e., deixou de fazer esta segregação na fase fiscalizatória e autuante, não compete a este tribunal, em fase recursal, assim proceder, sob pena de alterar os fundamentos jurídicos do presente lançamento (para a fiscalização todos os descontos concedidos pela recorrente apresentam natureza de condicionado e estão sujeitos à incidência de tributos), o que é vedado pelo ordenamento jurídico tributário, seja por conflitar com a ideia de segurança jurídica seja porque, na hipótese de processo administrativo já instaurado, tal alteração implicaria notória supressão de instância recursal e notório cerceamento de defesa. 41. Ademais, admitir a suposta diligência neste caso em concreto seria, em última análise, vaticinar uma fiscalização sofrível que, depois de mais de um ano e meio de fase fiscalizatória, chegou em um estágio derradeiro (semanas antes do encerramento do prazo decadencial) sem uma materialidade definida, o que suscitou no desespero (decorrente do despreparo) desta mesma fiscalização em solicitar ao contribuinte uma planilha com a pretensa indicação das operações aparentemente fiscalizadas para, ato contínuo, sem qualquer análise racional e um mínimo de acervo probatório, tratálas como descontos condicionados e, por conseguinte, acomodálas ao conceito (geral e abstrato) de receita, sujeitandoas à incidência de PIS e COFINS. 42. Em outros termos, converter o presente caso em diligência implicará, por vias transversas, no indevido diferimento do prazo decadencial para o presente lançamento, prazo este que só foi alcançado repitase e com grifos por absoluta incompetência e desleixo por parte da fiscalização! Não há dúvida que este hipotético "diferimento" judicativo conflita, de forma gritante, com o princípio da moralidade pública, ao qual a Administração Pública deve obrigação, nos exatos termos do que prevê o art. 37 da Magna Lex. Dispositivo 42. Diante de tudo o que fora exposto, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer a nulidade do presente lançamento fiscal, haja vista sua patente Fl. 29704DF CARF MF Processo nº 15563.720015/201401 Acórdão n.º 3402004.348 S3C4T2 Fl. 29.668 13 carência motivacional, o que enseja no cancelamento integral da presente autuação. Caso, todavia, tal fundamento preliminar seja superado, também dou provimento ao recurso voluntário no mérito, haja vista a carência de prova no presente caso. 43. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator. Voto Vencedor Voto vencedor apenas em relação à preliminar de mérito Em relação à preliminar de mérito ousei divergir do relator do caso, no que fui acompanhado parte do colegiado (voto de qualidade), saindo vencedor e com a incumbência de redigir este exclusivo tópico do voto. Assim, consigno que a Recorrente arguiu em seu recurso pela nulidade por falta de investigação, identificação da infração cometida e correto fundamento legal da autuação, bem como a impossibilidade de aplicação de presunção sem previsão legal. O ilustre Relator agrupou todas essas questões, suscitadas pelo contribuinte nas preliminares, como falta de motivação do lançamento fiscal. Fez bem fundamentada exposição sobre a motivação dos atos administrativos e concluiu que, em suma, caberia ao Auditor responsável pelo lançamento precisar as circunstâncias fáticojurídicas que permearam o Auto de Infração lavrado, de modo que o Autuado soubesse, com precisão, de qual acusação devia se defender. Complementou afirmando que não foi isso, todavia, o que ocorreu no presente caso. Pelo que se extrai do entendimento do Relator e da Recorrente, o cerceamento do direito de defesa da Autuada foi a consequência natural da falta de motivação do lançamento fiscal, o que levaria a sua nulidade, conforme previsto nos Arts. 59 e 60 do PAF (Decreto nº70.235/72) que regulam a matéria, a seguir transcritos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1.º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2.º. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3.º. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Acrescido pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) Fl. 29705DF CARF MF 14 Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (grifo nosso) Com a devida vênia, ouso discordar do eminente Conselheiro Relator e Recorrente quanto a nulidade do Auto de Infração por falta de motivação e cerceamento do direito de defesa da Recorrente, pelas razões a seguir expostas. Inicialmente, refuto a alegação de não realização de auditoria ou auditoria insuficiente, pois cabe a avaliação da medida/intensidade da auditoria a ser realizada ao próprio Auditor Fiscal responsável pelo procedimento até a formação da sua livre convicção e não a autuada alegar que não foi auditada adequadamente. Na atividade fiscal existem infrações que exigem inúmeras verificações e intimações até que a Autoridade Tributária forme a sua convicção sobre a matéria, levando ao lançamento ou não, enquanto outras, tais como as chamadas no jargão da fiscalização de fratura exposta, são identificadas sem maiores verificações junto ao contribuinte, ou até mesmo sem nenhuma, já sendo suficientes os dados que a própria Receita Federal dispõe. Assim, não existe medida exata de tempo de fiscalização, quantidade de intimações ou tipos verificações para um Auditor decidir sobre o lançamento, cabendo unicamente a ele avaliar o que deve ser feito até formar a sua convicção, evidentemente, sempre vinculado as determinações da lei. Não identifiquei também a utilização de presunção em qualquer das suas modalidades pela Autoridade Tributária, uma vez que a autuação de omissão de receitas sujeitas ao PIS e COFINS foi embasada em documentação e valores informados pela própria recorrente. Quanto ao cerceamento do direito de defesa decorrente da ocorrência de uma suposta ausência de motivação, a Recorrente, ao longo do seu recurso, demonstra claramente e detalhadamente que sabe sobre qual matéria foi autuada: Descontos obtidos de seus fornecedores que foram considerados como receita tributável para o cálculo do PIS e da COFINS. As informações constantes na planilha de quase 5.000.000 de linhas juntadas aos autos pelo Auditor, e que serviram de base para os montantes lançados apresentados mensalmente no “ Relatório de Descontos Obtidos”, tiveram como origem uma conta contábil de Receita da empresa constante no SPED que registrou as operações de descontos obtidos de fornecedores, fato confirmado pela própria Recorrente em sua defesa. Argumentase, ainda, uma suposta falta de fiscalização, uma vez que o Auditor Fiscal afirmou em seu Termo de Verificação Fiscal que não aferiu individualmente cada informação constante da planilha. De fato, houve tal afirmação, mas nenhum prejuízo ao lançamento foi identificado pela não aferição, pois não havia necessidade de conferência individual de cada operação já que, conforme afirmado anteriormente, as informações foram extraídas de conta contábil da empresa no SPED que registraram as operações com as mesmas características de descontos obtidos de fornecedores, o que constitui prova válida e confiável do lançamento efetuado. Além disso, seria missão impossível conferir individualmente esses quase 5.000.000 de documentos. Portanto, desnecessária a afirmação do Auditor, mas que não gerou qualquer mácula ao seu lançamento. Fl. 29706DF CARF MF Processo nº 15563.720015/201401 Acórdão n.º 3402004.348 S3C4T2 Fl. 29.669 15 Também não identifiquei no recurso qualquer questionamento da empresa sobre a natureza dos dados constantes na referida planilha, ao contrário, confirma em diversas passagens que se tratam de descontos obtidos de fornecedores que são concedidos anteriormente a revenda da mercadoria pela recorrente, e que tais abatimentos são negociados com vistas a incrementar todo o negócio de compra e venda. A questão que se coloca é se os tais descontos obtidos podem ser considerados receitas de acordo com a natureza do ingresso, ou não desembolso, e independentemente da sua denominação. O Auditor entendeu que os referidos descontos têm natureza de receitas sujeitas ao PIS e a COFINS, compondo a totalidade das receitas auferidas, nos termos das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 (fls.23.889 a 23891 e 23.899 a 23901), que disciplinam, respectivamente, a cobrança nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, a seguir transcrito o conceito de receita presente nessas leis: Lei nº 10.637/2002: Art. 1º. A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1° Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais. § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. (grifo nosso) Lei nº 10.833/2003: Art. 1º. A Contribuição para o Financiamento da Seguridade SocialCofins, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1° Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais. § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. (grifo nosso) A autuada diverge desse entendimento, afirmando que não houve o efetivo ingresso de recursos nas operações, o que descaracterizaria o auferimento de receita. Informa, ainda, que os valores referentes ao ajuste de preço (desconto), correspondentes à diferença entre o valor constante das Notas Fiscais e o valor efetivamente pago, eram registrados no resultado do exercício, segundo o regime de competência, contrapartida a crédito do estoque e/ou do custo das mercadorias vendidas, constituindose, desta forma, em um redutor de Fl. 29707DF CARF MF 16 custos. Para comprovar as suas alegações, juntou aos autos inúmeros exemplos de descontos que foram concedidos em notas fiscais de compras de fornecedores. Estando delineado o motivo da lide nos autos, que é a natureza de receita que a fiscalização atribuiu aos descontos/abatimentos de preços recebidos pela empresa de seus fornecedores, bem como a recorrente trouxe em seu recurso vasta argumentação visando essa descaracterização, entendo que o processo se encontra apto para apreciação do mérito. Assim, diante do exposto, rejeito a preliminar de nulidade arguida. É como voto. Pedro Sousa Bispo Conselheiro designado. Declaração de Voto Com a devida vênia, ouso divergir do voto do Ilustre Relator quanto ao mérito, nos seguintes termos: O principal objeto da lide envolve o conceito de receita para a legislação do PIS/Pasep e da Cofins, sendo que a recorrente defendeu que os valores contabilizados relativos aos descontos recebidos de seus fornecedores não possuem a natureza de receita uma vez que não houve ingresso de recursos, o que descaracterizaria o auferimento de receita. Informa, ainda, que os valores referentes ao ajuste de preço (desconto), correspondentes à diferença entre o valor constante das Notas Fiscais e o valor efetivamente pago, eram registrados no resultado do exercício, segundo o regime de competência, contrapartida a crédito do estoque e/ou do custo das mercadorias vendidas, constituindose, desta forma, em um redutor de custos. Salientase que a recorrente é sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições e aos comandos do artigo 1º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, cujas redações são as abaixo transcritas: Lei nº 10.637/2002: Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; II (VETADO) Fl. 29708DF CARF MF Processo nº 15563.720015/201401 Acórdão n.º 3402004.348 S3C4T2 Fl. 29.670 17 III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita. VI – não operacionais, decorrentes da venda de ativo imobilizado. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (a Lei nº 10.833/2003 ampliou a exclusão para "não operacionais, decorrentes da venda do ativo permanente", aplicandose ao PIS/Pasep, de acordo com o artigo 15 da referida lei) Lei nº 10.833/2003: Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; Fl. 29709DF CARF MF 18 b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.945, de 2009). De modo geral, o artigo 1º inclui todas as receitas na base de cálculo das contribuições e elenca as exclusões desta base. Assim, os descontos obtidos de fornecedores pela Recorrente não estão expressamente mencionados nas exclusões do art.1º. Assim, resta verificar se estes valores se amoldam ao conceito de receita. Em seu recurso, insistiu a empresa na tese da necessidade de ingresso positivo de recurso que implique repercussão patrimonial positiva para que o evento seja caracterizado como receita para quem aufere. Discordo deste entendimento, uma vez que não apenas o ingresso de recursos na entidade com aumento do seu ativo (sem contrapartida no passivo) representa receita, mas também aqueles benefícios econômicos decorrentes de diminuição de passivo (sem contrapartida no ativo) também têm efeito positivo patrimônio líquido da entidade, da mesma forma se caracterizando como receita. O Pronunciamento Técnico CPC 30 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis confirma esse entendimento na sua definição de receita: Objetivo A receita é definida no Pronunciamento Conceitual Básico Estrutura Conceitual para a Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis como aumento nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de entrada de recursos ou aumento de ativos ou diminuição de passivos que resultam em aumentos do patrimônio líquido da entidade e que não sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade. As receitas englobam tanto as receitas propriamente ditas como os ganhos. A receita surge no curso das atividades ordinárias da entidade e é designada por uma variedade de nomes, tais como vendas, honorários, juros, dividendos e royalties. Fl. 29710DF CARF MF Processo nº 15563.720015/201401 Acórdão n.º 3402004.348 S3C4T2 Fl. 29.671 19 O objetivo deste Pronunciamento é estabelecer o tratamento contábil de receitas provenientes de certos tipos de transações e eventos. A questão primordial na contabilização da receita é determinar quando reconhecêla. A receita é reconhecida quando for provável que benefícios econômicos futuros fluam para a entidade e esses benefícios possam ser confiavelmente mensurados. Este Pronunciamento identifica as circunstâncias em que esses critérios são satisfeitos e, por isso, a receita deve ser reconhecida. Ele também fornece orientação prática sobre a aplicação desses critérios. Em suma, receita é o ingresso econômico representado por um aumento de ativo ou diminuição de passivo que resultam em aumentos de patrimônio líquido e que não sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade. Os artigos 1º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 determinam que a incidência independe da denominação ou classificação contábil, dispondo em seu §3º sobre as receitas que não integram a base de cálculo, mencionando expressamente as reversões de provisões e as recuperações de crédito baixados como perda (que é uma recuperação de despesa), indicando a abrangência da definição de receita e a necessidade de a lei definir expressamente as exclusões. Desta feita, entendo que as recuperações de custos ou despesas são conceitualmente receitas e sua exclusão da base de cálculo deve ser veiculada em lei. Confirmando esta natureza, transcrevese o artigo 44 da Lei nº 4.506/1964: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. Destarte, as reduções de custo da compra impactam de modo positivo no resultado. No caso ora analisado, a recorrente aduz que os descontos recebidos de seus fornecedores têm natureza de redução de custos, o que não afasta a sua natureza de receita, conforme expressamente dispõe o inciso IV do artigo 44 da Lei nº 4.506/1964. Nesse mesmo sentido, há decisão deste colegiado caracterizando como receita a recuperação de despesas/custo, a teor do Acórdão nº 3302003.653, cuja ementa transcrevo a seguir: BASE DE CÁLCULO. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. Fl. 29711DF CARF MF 20 As receitas decorrentes de recuperação de despesas não podem ser excluídas da base de cálculo das contribuições PIS/Cofins, por falta de previsão legal. (Acórdão nº 3302003.653 de 22 de fevereiro de 2017 da Terceira Câmara, Segunda Turma, da Terceira Seção) O julgador de primeira instância administrativa ainda discorre sobre a não caracterização desses descontos como as modalidades tradicionais dos incondicionais e nem dos condicionais. Os descontos incondicionais são dados dentro da nota fiscal e não podem depender de evento posterior à emissão do documento. No caso da lide, como mostrado pelo contribuinte em sua defesa, o desconto é dado fora da nota fiscal e posterior a sua emissão, mas antes da sua quitação. Também o desconto não teria a natureza de condicional já que este depende de um evento futuro e incerto, normalmente pelo pagamento antecipado da dívida. Como já afirmado pela recorrente, o estabelecimento desse desconto se dá previamente a quitação, estabelecido de forma negocial e unilateral pelo fornecedor e é posterior à venda. Características que afastam a possibilidade de enquadramento desse desconto como condicional. Independentemente da dificuldade de enquadramento desses descontos nas categorias existentes, o que fica patente é que de fato no evento ocorre uma vantagem econômica que representou um acréscimo no patrimônio da Recorrente. Reproduzo a seguir a exemplificação da DRJ que bem explica a vantagem obtida e que foi objeto do lançamento: Exemplificando, a empresa compra uma mercadoria pelo preço de R$ 10.000,00. A Nota Fiscal do fornecedor é emitida pelo valor “cheio”, de R$ 10.000,00, A adquirente paga somente R$ 8.000,00. A diferença de R$ 2.000,00 é contabilizada em uma ou mais contas, ou seja, realmente houve uma vantagem na transação comercial, que não consta explicitamente na Nota Fiscal, mas que é registrada na contabilidade em contas que são justamente aquelas que deram margem ao lançamento de ofício. ... Para o fornecedor seria mais vantajoso emitir a Nota Fiscal pelo valor líquido, pois aí o desconto de R$ 2.000,00 não comporia as bases de cálculo de seus tributos. Por outro lado, o custo resulta menor para o adquirente quando o desconto não consta da Nota Fiscal, visto que o creditamento em relação às contribuições nãocumulativas se dá pelo valor cheio (R$ 10.000,00). O Acórdão da DRJ também suscita a possibilidade desses descontos serem decorrentes de contraprestação da Recorrente. Diz que é prática desse ramo de atividade as “parceiras” (fornecedores) das grandes redes de supermercados concederem descontos em troca da contraprestação de serviços de propaganda que são visíveis nas inserções comerciais na televisão e nos folhetos, a exposição dos produtos em locais privilegiados, bem como o chamado “enxoval de novas lojas”, que consiste em bonificações para o financiamento de abertura de novos pontos de venda. Com estes descontos, o grande varejista, dentre outros Fl. 29712DF CARF MF Processo nº 15563.720015/201401 Acórdão n.º 3402004.348 S3C4T2 Fl. 29.672 21 ganhos, pode financiar custos logísticos (como o de manutenção de um centro de distribuição), campanhas publicitárias e eventos dos mais diversos. De qualquer forma, seja como prestação de serviço, seja como recuperação de custo, tais valores possuem a natureza de receita e devem ser tributados. Por fim, a Recorrente aduz alternativamente, caso não seja acolhida a sua tese dos descontos serem considerados redução de custos, que os mesmos sejam considerados receitas financeiras. Equivocase a Recorrente, uma vez que os descontos considerados como receitas financeiras são, normalmente, aqueles decorrentes da antecipação do pagamento de duplicatas, o que não é o caso da empresa, conforme já mostrado anteriormente. É como voto. Pedro Sousa BispoConselheiro. Fl. 29713DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.900996/2011-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, o conceito de receita bruta.
Numero da decisão: 3302-004.500
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus. Designado o Conselheiro Walker Araújo para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: LENISA RODRIGUES PRADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, o conceito de receita bruta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus. Designado o Conselheiro Walker Araújo para redigir o voto vencedor. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinatura digital) Lenisa Prado - Relator (assinatura digital) Walker Araújo - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Nunes e Lenisa Prado. A C Ó R D Ã O G E R A D O N O P G D -C A R F PR O C E SS O 1 09 80 .9 00 99 6/ 20 11 -8 3 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária julho de 2017 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins VS SUPRIMENTOS PARA COMUNICAÇÃO VISUAL LTDA. VS SUPRIMENTOS PARA COMUNICAÇÃO VISUAL LTDA. FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL AA Fl. 66DF CARF MF 2 Relatório A questão tem início em Declaração de Compensação1 em que se objetivava quitar débitos tributários utilizando-se de créditos de COFINS2. A justificativa apresentada pela autoridade fiscal para não homologar a compensação foi que o DARF discriminado na DCOMP havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos de COFINS devido pelo período de apuração de novembro/2002. Cientificada sobre o teor do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, oportunidade na qual defende a inconstitucionalidade da inclusão do valor do ICMS na base de cálculo da contribuição e esclarece que é exatamente esse o crédito que se pretende utilizar na compensação descrita na indigitada DCOMP. Sustenta que o ICMS não integra o conceito de faturamento e que os precedentes que resultaram na edição do enunciado n. 94 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça não abordaram qualquer discussão sobre os efeitos da incidência do ICMS na composição do valor da mercadoria. Informa que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal caminha para o reconhecimento da indispensável exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela instância de origem, em acórdão assim sumariado: Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 INCONSTITUCIONALIDADE Não compete à autoridade administrativa apreciar argüições de inconstitucionalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado no PER/DCOMP é de se considerar não-homologada a compensação declarada. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. Incabível a exclusão do valor devido a título do ICMS da base de cálculo da contribuição, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador do serviço na condição de substituto tributário. 1 DCOMP n. 03055.60426.120710.1.7.04-1964. 2 O crédito apresentado pela contribuinte corresponde ao DARF de COFINS (código de receita n. 2172) recolhido em 13/12/2002, no valor de R$ 20. 431.97. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10980.900996/2011-83 Acórdão n.º 3302-004.500 S3-C3T2 Fl. 116 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada a contribuinte interpôs recurso voluntário, o que motivou a subida dos autos a este Conselho. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Lenisa Rodrigues Prado A contribuinte foi intimada sobre o acórdão proferido no julgamento da manifestação de inconformidade em 23/09/2014 (Aviso de Recebimento postal acostado à folha 43 dos autos eletrônicos) e interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário sob julgamento em 16/10/2014 (Termo de Análise de Solicitação de Juntada de fl. 64). Presentes os requisitos extrínsecos do apelo, é de rigor a sua apreciação. A contribuinte ora recorrente esclarece que o "crédito objeto da compensação realizada decorre da inconstitucionalidade do valor do ICMS na composição da base de cálculo do PIS/COFINS". Informa que os precedentes que resultaram na edição do verbete n. 94 da Súmula/STJ não desenvolveram qualquer debate mais elaborado sobre tema, sendo todos arrimados em julgados do extinto Tribunal Federal de Recursos, colegiado que majoritariamente reconhecia a inclusão da parcela relativa ao ICM na base de cálculo da COFINS, estendendo-se, por analogia, a inclusão deste tributo ao Finsocial. Argumenta que o inciso I do art. 195 da Constituição Federal - antes da edição da Emenda Constitucional n. 20/1998 - autorizava a instituição de uma contribuição social sobre o "faturamento". Para o recorrente, a definição de faturamento corresponde ao "somatório dos produtos de venda ou de atividades concluídas num dado período e deve representar o total das receitas decorrentes da atividade econômica geral da empresa". Noticia que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário n. 240.7853, declarou a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS (e, por extensão de raciocínio, também do PIS). E, com base nesse recente precedente, a recorrente requer a confirmação de seu direito creditório. De modo a confirmar a liquidez do crédito que alega possuir, a recorrente esclarece que indicou como parcela creditória aquela que estritamente corresponde a inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS. Para tanto "atualizou dito valor pela SELIC, o que fez com que o mesmo perfizesse, na data da compensação" o valor indicado na DCOMP. E conclui que "é líquido e certo o montante do crédito apurado, sendo legítimo o direito da Recorrente proceder à sua compensação, conforme ocorrido, no presente processo". 3 Julgamento finalizado em 08/10/2014. Fl. 68DF CARF MF 4 No recurso voluntário em tela não há argumentos a respeito da multa imposta. Inicialmente é importante registrar que o contribuinte apresenta de forma satisfatória os elementos que comprovam a existência do crédito reclamado, já que este corresponde, estritamente, ao montante devido pelo ICMS e incluído na base de cálculo da COFINS. O mencionado Recurso Extraordinário n. 240.785, julgado em 08/10/2014 pelo Tribunal Pleno da Suprema Corte4, está alinhado com os argumentos defendidos pelo contribuinte. Segue a ementa de citado acórdão: TRIBUTO - BASE DE INCIDÊNCIA - CUMULAÇÃO - IMPROPRIEDADE. Não bastasse a ordem natural das coisas, o arcabouço jurídico constitucional inviabiliza a tomada de valor alusivo a certo tributo como base de incidência de outro. COFINS - BASE DE INCIDÊNCIA - FATURAMENTO - ICMS. O que relativo a título de Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços não compõe a base de incidência da Cofins, porque estranho ao conceito de faturamento. A decisão colegiada proferida no Recurso Extraordinário n. 240.785, indicado pelo contribuinte como paradigma da discussão, não foi submetida à sistemática da repercussão geral, sendo que o tema foi afetado à Colenda Corte através da submissão do Recurso Extraordinário n. 574.706 como estalão do tema que aqui se discute. Este apelo foi julgado pelo Tribunal Pleno da Suprema Corte em 15/03/20175, oportunidade na qual foi fixada a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da COFINS". Constata-se, pois, que a tese acima transcrita foi patenteada tanto no julgamento realizado pelo Plenário do Supremo Tribunal quanto na decisão proferida nos autos de recurso submetido à sistemática da repercussão geral. Não se desconhece o fato que o Superior Tribunal de Justiça, ao apreciar o mesmo assunto (convertido naquela Corte no Tema 313), consignou conclusão oposta ao pronunciamento do Supremo Tribunal. O acórdão proferido nos autos do Recurso Especial n. 1.144.469/PR, este paradigma da controvérsia, resultou na seguinte ementa: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543-C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este 4 A indigitada decisão colegiada foi publicada em 16/12/2014, tendo sido certificado o seu trânsito em julgado em 02/03/2015. Os autos do processo foram baixados a origem em 18/03/2015. 5 Ata de Julgamento publicada no DJe de 17/03/2017. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10980.900996/2011-83 Acórdão n.º 3302-004.500 S3-C3T2 Fl. 117 5 tributo: "XI - não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n.582.461/SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 - RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 - AM, STJ, Primeira Seção, Rel.Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 - PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 - PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 - SC, STJ, Segunda Turma, Rel.Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 - SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do Decreto-Lei n.1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQN-ST e ICMS- ST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são Fl. 70DF CARF MF 6 meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não-cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firma-se para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo-se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos - TFR e por este Superior Tribunal de Justiça - STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Inclui-se na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM inclui-se na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS inclui- se na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 - SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543-C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10980.900996/2011-83 Acórdão n.º 3302-004.500 S3-C3T2 Fl. 118 7 COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO-APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158- 35, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 /SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Rel. p/ Acórdão Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/08/2016, DJe 02/12/2016) E essa mudança de entendimento é coerente com o importante papel a que se prestam os Tribunais Superiores, que é o de uniformizar a jurisprudência nacional. As decisões emanadas por esses órgãos detêm capacidade de generalização e irradiação que outras decisões não possuem, sinalizando padrões de conduta para uma grande quantidade de casos similares. Nas palavras de Antonio do Passo Cabral, "é um relevante aspecto da segurança jurídica, qual seja, a calculabilidade do resultado normativa de uma conduta humana, que fornece aos indivíduos segurança de orientação na adoção de um comportamento"6. 6 Estabilidade e Alteração da Jurisprudência Consolidada, páginas 31 a 54. In O Papel da Jurisprudência no STJ, obra coordenada por Isabel Gallotti, Bruno Dantas, Alexandre Freire, Fernando da Fonseca Gajardoni, José Miguel Garcia Medina, publicada em 2014 pela Revista dos Tribunais. Fl. 72DF CARF MF 8 E a lógica traçada pelo citado autor deve aqui ser replicada, já que extremamente adequada para a solução da lide: "Aliás, a constância da jurisprudência é saudada modernamente como relevante fator não só de segurança jurídica, mas também de igualdade. De fato, como o ordenamento jurídico admite diversos centros de decisão - pulverizados pelo território e em variadas instâncias de poder, muitas delas com independência - é sistemicamente natural que haja alguma medida de inconsistência que poderia levar a decisões desiguais para casos substancialmente idênticos. Porém, apesar da possibilidade de divergência, é inconcebível que não haja mecanismos para uniformização que reduzem as possibilidades de os indivíduos serem tratados de maneira anti-isonômica. Por outro lado, a segurança jurídica contém elementos que exigem estabilidade, certeza e duração da jurisprudência solidificada. Neste sentido, não basta que o entendimento seja uniforme; faz-se necessário também que o entendimento consolidado perdure e as mudanças de jurisprudência sejam operadas de maneira responsável, controlável e com considerações a respeito da segurança jurídica no tempo". Diante da cronologia dos fatos acima narrados, onde há a confirmação de trânsito em julgado da decisão proferida nos autos do Recurso Extraordinário n. 240.785 pelo STF, o acórdão proferido pelo STJ em sentido contrário em 2016, e o recentíssimo precedente insculpido na sistemática da repercussão geral pelo Plenário da STF em 15/3/2017, entendo que é de rigor prestigiar a jurisprudência estabilizada na Suprema Corte. Até mesmo recentemente porque foram proferidas algumas decisões por Turmas do STJ que, ao reconhecer a superveniência do precedente firmado pela Suprema Corte, declinam do paradigma lavrado em sede de repetitivo, para adotar a tese firmada em repercussão geral (a saber, AgInt no ARESP n. 380.698/SP, EDcl no AgRg no ARESP n. 310.507/SP, EDcl no AgInt no Ag 1.421.447/BA, dentre outros). O Regimento Interno deste Conselho prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação de precedente exarado pelo Supremo Tribunal Federal, quando este não for proferido em recurso submetido ao regime de repercussão geral. É a interpretação que se extrai da leitura do seguinte dispositivo: RICARF Anexo II Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob o fundamento de inconstitucionalidade. § 1º. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal (Redação dada pela Portaria MF n. 39, de 2016); Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10980.900996/2011-83 Acórdão n.º 3302-004.500 S3-C3T2 Fl. 119 9 II - que fundamente crédito tributário objeto de: b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei n. 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n. 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária (Redação dada pela Portaria MF n. 152, de 2016). Considerando a previsão regimental acima transcrita, e que a decisão tomada pela Suprema Corte em sede de repercussão geral (Recurso Extraordinário n. 574.706) é exatamente no mesmo sentido que aquela definida nos autos do Recurso Extraordinário n. 240.785 - tendo esta última transitado em julgado - , entendo que merece ser provida a pretensão do contribuinte, o que é possível diante do texto inserto no inciso I do § 1º do art. 62, Anexo II do RICARF. Diante do exposto, voto por dar integral provimento ao recurso voluntário. Lenisa Rodrigues Prado - Relatora Voto Vencedor Em que pese as razões arroladas pela ilustre Relatora, peço licença para divergir dos fundamentos e do resultado dado ao presente o processo administrativo. Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente que os créditos são decorrentes de pagamentos a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação dos RE´s 240.785-2/MS e 574.706. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e, afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto e adoto como fundamento as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/2012-35 (acórdão 3302-004.158): A controvérsia cinge-se sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543-C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI - não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, Fl. 74DF CARF MF 10 realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 - RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 - AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 - PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 - PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 - SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 - SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do Decreto-Lei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQN-ST e ICMS-ST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não-cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10980.900996/2011-83 Acórdão n.º 3302-004.500 S3-C3T2 Fl. 120 11 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firma-se para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo-se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos - TFR e por este Superior Tribunal de Justiça - STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Inclui-se na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM inclui-se na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS inclui-se na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 - SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543-C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO-APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158-35, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. Fl. 76DF CARF MF 12 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706-RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II - que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706-RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, deve-se observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10980.900996/2011-83 Acórdão n.º 3302-004.500 S3-C3T2 Fl. 121 13 Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontram-se fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo-se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo - Redator Designado Fl. 78DF CARF MF
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Numero do processo: 13982.000619/2009-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008
COOPERATIVA DE TRANSPORTE. INCIDÊNCIA.
As ingressos auferidos por sociedades cooperativas de transporte, ainda que decorrentes de atos cooperativos sujeitam-se à incidência da Cofins. Até a entrada em vigor da lei nº 11.196, de 2005, que só produziu efeitos a partir de 1º de dezembro de 2005, não havia previsão legal para que as sociedades cooperativas de transporte rodoviário de cargas deduzissem, quando da apuração dos valores devidos a título de Cofins, os ingressos decorrentes do ato cooperativo.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008
COOPERATIVA DE TRANSPORTE. INCIDÊNCIA.
As ingressos auferidos por sociedades cooperativas de transporte, ainda que decorrentes de atos cooperativos sujeitam-se à incidência da Cofins Até a entrada em vigor da lei nº 11.196, de 2005, que só produziu efeitos a partir de 1º de dezembro de 2005, não havia previsão legal para que as sociedades cooperativas de transporte rodoviário de cargas deduzissem, quando da apuração dos valores devidos a título de Cofins, os ingressos decorrentes do ato cooperativo.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados.
MULTA AGRAVADA.
O fato da empresa não ter entregue suas declarações, no caso do Dacon, ou entregá-las com valores zerados, no caso da DCTF, impede a administração fazendária de tomar conhecimento quanto à ocorrência dos fatos geradores dos tributos devidos em função das receitas auferidas em sua atividade.
Aplicável a multa de 150% no caso em que ficar caracterizada a intenção de ocultar do fisco a ocorrência dos fatos tributáveis.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-003.621
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Marcos Roberto da Silva, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 COOPERATIVA DE TRANSPORTE. INCIDÊNCIA. As ingressos auferidos por sociedades cooperativas de transporte, ainda que decorrentes de atos cooperativos sujeitam-se à incidência da Cofins. Até a entrada em vigor da lei nº 11.196, de 2005, que só produziu efeitos a partir de 1º de dezembro de 2005, não havia previsão legal para que as sociedades cooperativas de transporte rodoviário de cargas deduzissem, quando da apuração dos valores devidos a título de Cofins, os ingressos decorrentes do ato cooperativo. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 COOPERATIVA DE TRANSPORTE. INCIDÊNCIA. As ingressos auferidos por sociedades cooperativas de transporte, ainda que decorrentes de atos cooperativos sujeitam-se à incidência da Cofins Até a entrada em vigor da lei nº 11.196, de 2005, que só produziu efeitos a partir de 1º de dezembro de 2005, não havia previsão legal para que as sociedades cooperativas de transporte rodoviário de cargas deduzissem, quando da apuração dos valores devidos a título de Cofins, os ingressos decorrentes do ato cooperativo. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. MULTA AGRAVADA. O fato da empresa não ter entregue suas declarações, no caso do Dacon, ou entregá-las com valores zerados, no caso da DCTF, impede a administração fazendária de tomar conhecimento quanto à ocorrência dos fatos geradores dos tributos devidos em função das receitas auferidas em sua atividade. Aplicável a multa de 150% no caso em que ficar caracterizada a intenção de ocultar do fisco a ocorrência dos fatos tributáveis. Recurso Voluntário Negado
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Voluntário Acórdão nº 3301003.621 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de maio de 2017 Matéria COFINS E PIS COOPERATIVAS Recorrente COOPERATIVA DOS TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS DO EXTREMO OESTE DE SANTA CATARINA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 COOPERATIVA DE TRANSPORTE. INCIDÊNCIA. As ingressos auferidos por sociedades cooperativas de transporte, ainda que decorrentes de atos cooperativos sujeitamse à incidência da Cofins. Até a entrada em vigor da lei nº 11.196, de 2005, que só produziu efeitos a partir de 1º de dezembro de 2005, não havia previsão legal para que as sociedades cooperativas de transporte rodoviário de cargas deduzissem, quando da apuração dos valores devidos a título de Cofins, os ingressos decorrentes do ato cooperativo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 COOPERATIVA DE TRANSPORTE. INCIDÊNCIA. As ingressos auferidos por sociedades cooperativas de transporte, ainda que decorrentes de atos cooperativos sujeitamse à incidência da Cofins Até a entrada em vigor da lei nº 11.196, de 2005, que só produziu efeitos a partir de 1º de dezembro de 2005, não havia previsão legal para que as sociedades cooperativas de transporte rodoviário de cargas deduzissem, quando da apuração dos valores devidos a título de Cofins, os ingressos decorrentes do ato cooperativo. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. MULTA AGRAVADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 06 19 /2 00 9- 04 Fl. 638DF CARF MF Processo nº 13982.000619/200904 Acórdão n.º 3301003.621 S3C3T1 Fl. 639 2 O fato da empresa não ter entregue suas declarações, no caso do Dacon, ou entregálas com valores zerados, no caso da DCTF, impede a administração fazendária de tomar conhecimento quanto à ocorrência dos fatos geradores dos tributos devidos em função das receitas auferidas em sua atividade. Aplicável a multa de 150% no caso em que ficar caracterizada a intenção de ocultar do fisco a ocorrência dos fatos tributáveis. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Marcos Roberto da Silva, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fl. 639DF CARF MF Processo nº 13982.000619/200904 Acórdão n.º 3301003.621 S3C3T1 Fl. 640 3 Relatório Tratase de Auto de Infração relativo a falta de recolhimento para a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e para o Programa de integração Social (PIS) e de formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), no valor de R$ 760.450,00 e R$ 164.757,87, respectivamente, acrescidos de juros de mora e multa proporcional, referente ao período 01/2005 a 12/2008. A empresa em epígrafe tratase de uma cooperativa de transporte rodoviário de carga. Em procedimento fiscal relativo ao período em questão foram verificadas as DCTF, onde se apurou não ter havido qualquer declaração ou apuração de valores devidos a titulo de PIS/Pasep e de Cofins. A base de cálculo considerada pela fiscalização foi o faturamento, correspondente à receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pelas sociedades cooperativas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas. No período de 01/01/2005 a 30/11/2005, foram excluídos do cálculo as deduções das sobras liquidas apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social (Fates). Consta que, conforme o art. 28 da Lei n°. 5.764/71, estas reservas são constituídas por 10% e 5%, respectivamente, das sobras liquidas a serem deduzidas. Não tendo sido identificada a contabilização dos valores nas contas destes fundos, a autoridade fiscalizadora concluiu que não existiriam sobras liquidas no período em questão. Além disso, salienta que o valor informado referese ao resultado contábil total da empresa — atos cooperados e nãocooperados — e que o art. 87 da Lei n°. 5.764/71 exige que o contribuinte apure em separado o resultado dos atos cooperados. Em relação às deduções efetuadas a partir de 01/12/2005, foram admitidas as deduções especificas para as cooperativas de transporte rodoviário de cargas, considerandose a exclusão dos ingressos decorrentes de ato cooperativo, conforme a legislação então vigente, cujos valores estão discriminados na planilha de fls. 58/59 de linha "Repasse aos Associados". A COFINS e o PIS/Pasep foram apurados nas planilhas de fls. 75/76 e informados nos autos de infração de fls. 002 /022 (Cofins) e fls. 23/43 (PIS). A juízo da autoridade fiscal, a autuada adotou conduta que teve por fim impedir o conhecimento por parte da administração tributária do total das exações devidas pela mesma durante o período de 2005 a 2008, em razão de não ter informado em DCTF qualquer valor devido a titulo de PIS e de Cofins. Acrescenta que o contribuinte não entregou os Demonstrativos das Contribuições (Dacon) do período em questão, tendo sido intimado para tanto. Devido à inércia e à omissão do contribuinte, bem como o fato de que a conduta adotada abrangeu todo o período fiscalizado, o fisco entendeu que não houve um erro de fato, mas sim que o autuado incorreu no disposto nos artigos 71 e 72 da Lei n°. 4.502 de 30 de novembro de 1964, os quais definem a conduta de sonegação e fraude. Por este motivo, Fl. 640DF CARF MF Processo nº 13982.000619/200904 Acórdão n.º 3301003.621 S3C3T1 Fl. 641 4 aplicou a multa prevista no § 1º do artigo 44 da Lei n°. 9.430/96, com a redação dada pela Lei n°. 11.488/2007. Nas razões da impugnação, sob o titulo "2.1.Do repasse para os associados" a contribuinte referese ao repasse para os associados, relativo ao período de janeiro a novembro de 2005, período o qual foram lançadas as contribuições sobre todas as operações de prestação de serviços de fretes, insurgindose pelo fato de que a autoridade fiscal desconsiderou a Lei 5.764/71, art. 79, § único, o qual enuncia que os atos cooperados não são receitas e, portanto, o que existe é uma não incidência. Segundo seus argumentos, quando um frete é prestado por um associado, está configurado o ato cooperativo e não haverá incidência de PIS/Pasep e Cofins. Cita o art. 87 da mesma Lei, que define o diferenciado tratamento tributário a ser dado às operações com terceiros. Remete, ainda, ao disposto no art. 146, inciso III, letra "a" da Constituição Federal, para alegar que a legislação tributária ordinária federal ou medidas provisórias não podem incluir o ato cooperativo na base de incidência do PIS/Pasep e Cofins. No tópico "2.2. Da exclusão das sobras liquidas", alega que a autoridade fiscal "deduziu" que não havia sobras liquidas, pelo simples fato de não terem sido contabilizadas a Reserva Legal e o FATES, conforme determina o artigo 28 da Lei n°. 5.764/71; que a ausência destes fundos não significa a inexistência de sobras, pois estas podem ser encontradas na contabilidade através das demonstrações contábeis; e que não existe nenhuma norma determinando que a falta de constituição do Fates e Reserva Legal signifique que não há sobras. Alega, ainda, que não há qualquer comprovação das presunções alegadas no auto do processo administrativo. Remete ao art. 333 do Código de Processo Civil, para alegar que é dever do fisco provar que não houve as sobras liquidas que a impugnante goza já que há presunção legal da veracidade, e que as sobras liquidas podem ser verificadas por demonstrativos anexos. No item "2.3. Das Multas", inicialmente, a abordagem da contribuinte é no sentido de insurgirse quanto à inaplicabilidade da multa de 150% por entender ser esta confiscatória, alegando, por variadas razões, que a multa não pode ultrapassar, em hipótese alguma, o limite de 30% dos valores supostamente devidos. Como segundo argumento, aborda a inaplicabilidade da multa de 150%, remetendo ao auto de infração e aos termos da representação fiscal para finas penais. Alega que a multa foi aplicada sobre todo o auto de infração; que foi dado tratamento idêntico a fatos diferentes; que a lei 5.764 de 1971 define inequivocadamente que não há incidência sobre o ato cooperativo; que não se trata de uma prática para impedir o conhecimento por parte da administração tributária. Por fim, requer que seja julgado nulo o auto de infração; que sejam excluídas da base de cálculo as contribuições incidentes sobre os atos cooperados, que sejam consideradas as sobras liquidas demonstradas em anexo; que a multa seja adequada a patamares que não superem 30% dos tributos devidos; e que, caso persista o entendimento sobre a aplicabilidade da multa, que ao menos não seja considerada sobre o ato cooperativo, pois o procedimento foi aplicado com base na lei que rege as cooperativas. Requer, ainda, a mais ampla produção de provas. Fl. 641DF CARF MF Processo nº 13982.000619/200904 Acórdão n.º 3301003.621 S3C3T1 Fl. 642 5 A DRJ considerou improcedente a impugnação sob a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. COOPERATIVAS DE TRABALHO. A Cofins cumulativa devida pelas sociedades cooperativas de trabalho será calculada com base no seu faturamento mensal, assim entendido como a receita bruta definida no art. 3° da Lei n.° 9.718, de 1998, da qual podem ser excluídos somente os valores autorizados pela legislação de regência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. COOPERATIVAS DE TRABALHO. A contribuição para o PIS/Pasep devida pelas sociedades cooperativas de trabalho será calculada com base no seu faturamento mensal, assim entendido como a receita bruta definida no art. 3° da Lei n.° 9.718, de 1998, da qual podem ser excluídos somente os valores autorizados pela legislação de regência. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. MULTA AGRAVADA. Aplicável a multa de 150% no caso em que ficar caracterizada a intenção de ocultar do fisco a ocorrência dos fatos tributáveis Impugnação Improcedente Crédito tributário Mantido A contribuinte repetiu no recurso voluntário os argumentos da impugnação. Fl. 642DF CARF MF Processo nº 13982.000619/200904 Acórdão n.º 3301003.621 S3C3T1 Fl. 643 6 Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Preliminarmente, cumpre informar que a recorrente entregou suas DCTFs com o valor das contribuições em tela zerados e não recolheu os tributos devidos, tendo cabido à fiscalização recompor a base de cálculo das contribuições e lançar o PIS e a COFINS devidos. O auto de infração em julgamento trata de dois períodos de apuração distintos: de 01/01/2005 a 30/11/2005 e de 01/12/2005 a 31/12/2008. No período de 01/01/2005 a 30/11/2005, a fiscalização considerou como sendo a única dedução especifica admitida para as cooperativas de transporte rodoviário de cargas a dedução da base de cálculo do valor das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, destinadas à constituição do Fundo de Reserva (Reserva Legal) e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social (Fates), previstos no art. 28 da Lei 5.764/71, de acordo com o disposto na Lei 10.676/03, art. 1º, § 2º, com efeitos retroativos a 1º/11/99, e IN SRF 635/06, art. 10. A fiscalização também informou que o artigo 87 da Lei no 5.764/71 exige que o contribuinte apure em separado o resultado dos atos cooperados e os resultados dos atos não cooperados. Já a partir de 01/12/2005, foram admitidas as mesmas deduções acima descritas e mais a exclusão dos ingressos decorrentes de ato cooperativo, conforme prevê a Lei 11.051/04, art. 30, com a redação dada pela Lei 11.196/05, art. 46, Medida Provisória 2.158 35/01, art. 15, e IN SRF 635/06, art. 16, I. Por sua vez, a recorrente entendeu como ingresso decorrente de ato cooperativo a parcela da receita repassada ao associado, quando decorrente de serviços de transporte rodoviário de cargas por este prestado à cooperativa (IN SRF 635/06, art. 14, § 242). 1) Atos Cooperados: A contribuinte insurgese contra o lançamento das contribuições no período de janeiro a novembro de 2005, em relação aos atos cooperados, remetendose a diversos dispositivos legais. Assim, cumpre trazer um histórico da legislação que se refere as referidas contribuições, no que tange às cooperativas de transporte de cargas. Como já exposto, sustenta a recorrente, com base no art. 79, caput e § único da Lei nº 5.764, de 1971, que esses serviços não se sujeitam à incidência das contribuições em questão, na medida em que não representariam uma operação mercantil, consequentemente, Fl. 643DF CARF MF Processo nº 13982.000619/200904 Acórdão n.º 3301003.621 S3C3T1 Fl. 644 7 não haveria que se falar em receita bruta ou faturamento, sabidamente a base de cálculo da Cofins. Dizem os dispositivos: Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Por outro lado, a incidência da Cofins é regulada, regra geral, pelos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998, assim redigidos: Art.2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art.3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Em uma primeira análise, poderseia até concluir que a Lei nº 5.674, específica para as sociedades cooperativas, prevaleceria sobre a regra geral, de modo a, na esteira do que foi defendido pelo sujeito passivo, excluir as receitas litigiosas do campo de incidência da Cofins. Ocorre, a meu ver, que tal dúvida é dirimida quando se leva em consideração os demais dispositivos legais que regem a matéria. A isenção da Cofins sobre os atos cooperativos próprios de suas finalidades, outrora disposta no art. 6º, I, da Lei Complementar nº 70, de 1991 , foi revogada pelo art. 23, II, da Medida Provisória nº 1858, de junho de 1999, que, após seguidas reedições e renumerações, atingiu sua versão final quando da edição da Medida Provisória nº 2.158, em cujo art. 93, II, onde se lê: Art.93.Ficam revogados: (...) II a partir de 30 de junho de 1999: a) os incisos I e III do art. 6º da Lei Complementar no 70, de 30 de dezembro de 1991; Evidentemente, só se isenta o que se insere no campo de incidência. Por outro lado, igualmente relevante é o tratamento diferenciado outorgado ao ato cooperativo pelo art. 15 da mesma Medida Provisória 1.858 de 1999, atualmente reproduzido no art. 15 da Medida Provisória nº 2.158: Art.15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2º e 3º da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: Fl. 644DF CARF MF Processo nº 13982.000619/200904 Acórdão n.º 3301003.621 S3C3T1 Fl. 645 8 I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. Ora, se o Ordenamento não previsse a incidência da contribuição sobre a totalidade das receitas auferidas pelas sociedades cooperativas, ainda que parcialmente repassadas a seus associados, não haveria razão para que se previsse quais são as hipóteses em que esses repasses podem ser deduzidos e, por via indireta, quais seriam as hipóteses em que não se permite tal dedução. Só se pode falar em dedução se a base de cálculo estiver sujeita a incidência. Ademais, para que não haja dúvidas, é imperioso que se analise a mensagem de veto nº 1.243, mais especificamente no que se refere aos artigos 9º e 33 do projeto de lei de conversão da Medida Provisória nº 66, de 2002, na Lei nº 10.637, de 2002, por meio dos quais o Congresso Nacional pretendeu restabelecer tratamento diferenciado em termos análogos aos pleiteados pelo Recorrente. Confirase: Art. 9º As sociedades cooperativas pagam a contribuição para o PIS/Pasep à alíquota de 1% (um por cento) sobre a folha de pagamento mensal, relativamente às operações praticadas com associados, e à alíquota de 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento), sobre o faturamento do mês, em relação às receitas decorrentes de operações praticadas com não associados, conforme dispõe o § 1º do art. 2º da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998. (...) Art. 33. São isentas da Cofins as sociedades cooperativas, quanto aos atos cooperativos próprios de suas finalidades, de acordo com o disposto no art. 6o , inciso I, da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991. (...) Razões do veto "Os arts. 9º e 33 restabelecem normas de incidência, respectivamente, da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins aplicáveis às sociedades cooperativas, vigentes até meados de 1999, as quais foram alteradas por darem ensejo a graves distorções concorrenciais, principalmente por alcançar todas as atividades tidas como cooperativas, inclusive consumo e crédito. Ressaltese que as alterações objetivaram construir um modelo de tributação onde apenas às cooperativas de produção passou a ser dado justo privilégio. Fl. 645DF CARF MF Processo nº 13982.000619/200904 Acórdão n.º 3301003.621 S3C3T1 Fl. 646 9 Assim, tais dispositivos, que retroagiriam aos fatos geradores ocorridos a partir de junho de 1999 (art. 67), produziriam uma perda de arrecadação, em 2003, da ordem de R$ 1,2 bilhão, sendo que, destes, R$ 445 milhões se referem a arrecadação corrente, que se reproduziria nos anos subseqüentes. A iniciativa do legislador buscava exatamente conferir ao ato cooperado o tratamento diferenciado almejado pelo recorrente e o Presidente da República, como é possível perceber, usou seu poder de veto para delimitar as cooperativas que se sujeitariam a tratamento diferenciado e quais, em nome do equilíbrio da concorrência, não receberiam tal tratamento. Finalmente, penso que o comando do § 2º, do art. 174 da Constituição Federal de 1988 não teria o efeito almejado pelo Recorrente, na medida em que tal dispositivo só pode ser aplicado em conjunto com o art. 146, III, “c” da mesma Constituição. De fato, como é possível perceber, o tratamento diferenciado almejado, genericamente previsto na Constituição, depende de lei para sua implementação. Cabe aqui destacar a manifestação do Supremo Tribunal Federal nos autos do Mandado de Injunção nº 701/DF: "MANDADO DE INJUNÇÃO OBJETO. O mandado de injunção pressupõe a inexistência de normas regulamentadoras de direito assegurado na Carta da República. Isso não ocorre relativamente às sociedades cooperativas e ao adequado tratamento tributário previsto na alínea 'c' do inciso III do artigo 146 da Constituição Federal." No intuito de dar mais clareza aos fundamentos que orientaram o aresto, registro as anotações consignadas no Informativo Semanal do Pretório Excelso nº 363. O Tribunal não conheceu de mandado de injunção impetrado pela Unimed Paulistana Cooperativa de Trabalho Médico em que se alegava omissão legislativa caracterizada pela não edição de lei complementar estabelecendo "adequado tratamento tributário dos atos cooperativos", nos termos do art. 146, III, c, da CF, e se requeria a concessão da ordem para afastar a "exigibilidade da retenção das contribuições alcançadas pela Lei nº 10.833/83 COFINS, PIS e CSLL" (CF: "Art. 146. Cabe à lei complementar:... III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre:... c) adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas."). Entendeuse, com base na jurisprudência do STF, inadequado o manejo do writ injuncional, em face da inexistência de situação configuradora de lacuna técnica que inviabilizasse o exercício de direitos e liberdades constitucionais (CF, art. 5º, LXXI), tendo em vista haver, no cenário jurídico, diversas leis ordinárias disciplinando sobre tributação das cooperativas (Lei 10.684/2003, art. 17; Lei 10.833/2003, art. 10, VI; Lei 10.865/2004, arts. 39 e 48; MP 9.718/98, art. 3º, §9º e art. 15). Ressaltouse que, apesar dessas normas não terem a envergadura complementar a que alude o art. 146, III, c, da CF, a discussão em torno da constitucionalidade das mesmas haveria de ser formulada em ação direta de inconstitucionalidade, sob pena de se conferir ao Fl. 646DF CARF MF Processo nº 13982.000619/200904 Acórdão n.º 3301003.621 S3C3T1 Fl. 647 10 mandado de injunção contornos próprios de processo objetivo. MI 701/DF, rel. Min. Marco Aurélio, 29.9.2004. (MI701) A transcrição do excerto demonstra que o STF partiu do pressuposto de que há, no ordenamento jurídico, dispositivos legais que disciplinam o tratamento diferenciado ao ato cooperativo. Assim, a ausência de previsão legal que contemple o tratamento almejado não configura omissão, mas de silêncio eloquente do legislador. Em outras palavras, o tratamento diferenciado previsto na Constituição é aquele que o legislador previu. Se não o fez, há que se aplicar o tratamento geral, dispensado a qualquer outra pessoa jurídica. No caso concreto, observase que o disposto na legislação acima descrita foi observado pela fiscalização e embasa o lançamento. Primeiramente, foi verificado o faturamento da recorrente, com a totalidade das receitas auferidas e, em seguida, foram excluídos do cálculo as deduções permitidas em lei, conforme o período. No caso dos ingressos decorrentes de atos cooperativos, a exclusão do cálculo se deu apenas a partir de 01/12/2005, conforme expressa a previsão legal em vigor. No período de 01/01/2005 a 30/11/2005, não houve a exclusão dos atos cooperativos da base de cálculo das contribuições, o que está correto. Desta forma, são infundadas as alegações da contribuinte em sua pretensão de que se considerem dedutíveis as receitas decorrentes dos atos cooperativos ou os repasses feitos aos seus associados. Portanto, não assiste razão à recorrente. 2) Exclusão das Sobras Liquidas: A recorrente alega que a fiscalização desconsiderou a exclusão das sobras líquidas da base de cálculo das contribuições em tela, que a Lei 10.676/03 permite que as cooperativas façam. Não concordo com a recorrente. Nessa matéria, o acórdão recorrido não merece nenhuma ressalva, portanto o transcrevo: (...) Neste tópico de sua defesa, a contribuinte alega que a Lei 10.676/03 permite as cooperativas promoverem a exclusão das sobras liquidas da base de calculo; que o fisco desconsiderou a existência de sobras liquidas apenas por mera presunção; que estas podem ser verificadas através dos demonstrativos; que goza da presunção legal da veracidade; e que é dever do fisco provar que não houve sobras liquidas. Verificouse que o fisco não considerou no cálculo as deduções das sobras líquidas apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício porque não identificou a contabilização de valores nas contas Reserva Legal e Fates. Além disso, relatou o fisco que o valor informado pela contribuinte a titulo de sobras liquidas referese ao resultado contábil total da empresa — atos cooperados e não Fl. 647DF CARF MF Processo nº 13982.000619/200904 Acórdão n.º 3301003.621 S3C3T1 Fl. 648 11 cooperados , o que iria contra o exigido no art. 87 da Lei n°. 5.764/71, dai porque não foi considerada procedente a informação prestada pela contribuinte. Observese que, de fato, as cooperativas são obrigadas a constituir um Fundo de Reserva destinado a reparar perdas e atender ao desenvolvimento de suas atividades, bem como um Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, constituídos em 10% (dez por cento) e 5% (cinco por cento), pelo menos, das sobras liquidas do exercício (Lei n°. 5.764/71, art. 28, incisos I e II). Conforme o fisco, a contribuinte não procedeu desta forma, conforme os demonstrativos contábeis anexados aos autos. A contribuinte, por seu turno, não contesta este fato, mas sim o pressuposto fiscal de que, em não tendo havido a constituição dos referidos fundos, também não teriam existido as sobras liquidas a serem deduzidas da base de cálculo. Compulsandose os balancetes fiscais, entretanto, verificase que o procedimento fiscal tem fundamento. Para dirimir a questão, é preciso explicitar primeiramente o significado das referidas "sobras liquidas" no âmbito das cooperativas de trabalho. A expressão "sobras liquidas", do ponto de vista das ciências contábeis, representa o resultado positivo apurado ao final do exercício social decorrente da prática de atos cooperativos. No tocante ao conteúdo e à forma de apresentação das demonstrações das sociedades cooperativas, existem aspectos contábeis específicos (Resolução CFC n°. 920/2001) pelas quais devese evidenciar, separadamente, a composição do resultado de determinado período, considerando os ingressos diminuídos dos dispêndios do ato cooperativo, e das receitas, custos e despesas do ato nãocooperativo. Assim, o resultado apurado pela sociedade cooperativa no Demonstrativo do Resultado do Exercício deve ser segregado a fim de evidenciar o decorrente do ato cooperativo, denominado de "sobras ou perdas liquidas" e do ato não cooperativo, denominado de "lucro ou prejuízo". No caso sob análise, o fisco verificou que nos balancetes contábeis não existia a segregação da conta "sobras ou perdas liquidas" decorrentes de atos cooperativos, mas sim uma conta em que eram lançadas as "sobras ou prejuízos" de todas as atividades da cooperativa, tanto com cooperados como com nãocooperados. A conclusão do fisco, isoladamente, poderia ser questionada como o fez a contribuinte, mas apenas no que se refere ao fato de que, em não havendo conta de Reserva Legal e Fates, também não teria havido sobras liquidas, pois embora tenha relevância o fato de que os mesmos atos cooperativos que geram as sobras passíveis de dedução geram, obrigatoriamente, os recursos para os fundos de Reserva Legal e Fates, este fato não é determinante para que se exclua a hipótese de terem havido sobras liquidas. No entanto, ganha extremo relevo para o deslinde do caso em questão o fato de que a contribuinte não apurou em separado o resultado dos atos cooperados (sobras liquidas) e os resultados dos nãocooperados, conforme está disposto na Lei n°. 5.764/71: Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados em conta do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social e serão contabilizados em separado, de modo a permitir cálculo para incidência de tributos. Fl. 648DF CARF MF Processo nº 13982.000619/200904 Acórdão n.º 3301003.621 S3C3T1 Fl. 649 12 Isso posto, resta cristalino que as "sobras liquidas" dizem respeito apenas aos atos cooperativos, e são apenas estes valores que ensejam as deduções pleiteadas. Pelo que consta nos autos, a contribuinte não declarou as receitas de seus atos, sejam cooperativos ou nãocooperativos. Sendo assim, por óbvio, também não houve a exclusão dos valores de sobras liquidas de sua base de cálculo. A fiscalização, por seu turno, uma vez que lançou toda a base de cálculo das contribuições no presente, tratou de se adiantar na questão em relação às possíveis indagações sobre as receitas relativas às sobras liquidas, uma vez que estas estão previstas em lei como passíveis de serem excluídas da base de cálculo. Não houve a presunção de que um determinado valor declarado pela contribuinte não existiria, conforme aduz a contribuinte, mas apenas a constatação de que não havia dados contábeis disponíveis, satisfatórios e confiáveis para que pudesse o fisco, de oficio, vir a considerar estas exclusões. Finalmente, a conclusão a que se chega é que, não tratando a empresa de segregar os valores que seriam passíveis de dedução da base de cálculo das contribuições nos seus demonstrativos contábeis, não caberia à fiscalização, e tampouco agora em sede de contencioso administrativo, considerar como dedutíveis da base de cálculo os valores não devidamente comprovados pelos documentos apresentados. Portanto, com base no que consta do auto de infração, das provas carreadas aos autos e na precisa explicação do acórdão recorrido, entendo que não assiste razão à recorrente nesta matéria. 3) Multa de Ofício: A recorrente traz o art 140, IV, da Constituição Federal, para alegar que a multa imposta, por seu montante excessivo ou despropositado em razão da natureza do delito ou infração tributária, configura verdadeiro confisco. Por esta razão, aduz ser inconstitucional a sua exigência. A multa pela infração configurada nos autos se encontra legalmente prevista no § 4º. do art. 18 da Lei n°. 10.833/2003, e foi regularmente aplicada pela autoridade fiscalizadora, o que faz com que a única forma de se afastar a imposição da penalidade na situação posta pela contribuinte seja a da via da declaração da ilegalidade ou inconstitucionalidade daquele dispositivo legal, coisa que, à evidência, não pode este colegiado administrativo fazer. Ademais a matéria é sumulada pelo CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, não assiste razão ao contribuinte nessa matéria. 4) Multa Agravada de 150%: Verificase no relatório fiscal que a prática da recorrente de impedir o conhecimento dos valores devidos esteve presente em todo o período autuado, e não somente naquele em que o contribuinte julgava ter direito as exclusões da base de cálculo dos ingressos Fl. 649DF CARF MF Processo nº 13982.000619/200904 Acórdão n.º 3301003.621 S3C3T1 Fl. 650 13 decorrentes de atos cooperativos repassados aos cooperados, mas também nos períodos em que poderia exercer esse direito, isto é a partir de 12/2005. O contribuinte obteve receitas de atos cooperativos e nãocooperativos em todo o período, mas não informou e não recolheu à administração tributária qualquer valor devido a titulo de PIS e de Cofins. Portanto, não é possível acreditar que houve um erro causado por entender que em relação a uma parte da sua receita haveria não incidência. Caso essa tese fosse aceita o que justificaria a entrega de DCTFs zeradas para as receitas advindas de atos nãocooperativos? A inércia e a omissão do contribuinte, bem como o fato de que a conduta adotada abrangeu todo o período fiscalizado, caracteriza que não houve um erro de fato, mas sim que a recorrente incorreu no disposto nos artigos 71 e 72 da Lei n°. 4.502 de 30 de novembro de 1964, os quais definem a conduta de sonegação e fraude. Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Pelos fatos descritos acima, fica caracterizada a intenção e o dolo do contribuinte, estando presentes os elementos necessários para justificar a aplicação do agravamento previsto no inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito defraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Compulsando as DCTFs relativas ao anos calendários abrangidos pela autuação verificase que a recorrente não informou e nem recolheu qualquer valor devido a titulo de PIS e de COFINS e também não entregou as DACONs do período em questão. Importa ressaltar também, que a administração tributária se utiliza de tais declarações a fim de cobrar os tributos devidos. Portanto, entendo que a multa de 150% deve ser mantida. Assim, tendo em vista tudo o acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 650DF CARF MF Processo nº 13982.000619/200904 Acórdão n.º 3301003.621 S3C3T1 Fl. 651 14 Fl. 651DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.900451/2008-34
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004
DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS.
A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde.
Recurso Especial do Contribuinte negado.
Numero da decisão: 9303-005.521
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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COMPENSAÇÃO Recorrente TECONVI S/A TERMINAL DE CONTÊINERES DO VALE DO ITAJAÍ Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 90 04 51 /2 00 8- 34 Fl. 133DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3803000.675, de 24/08/2010, proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. REQUISITO DE VALIDADE A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. Irresignada, a Recorrente se insurgiu contra o entendimento esposado no acórdão recorrido de que ela não conseguiu demonstrar, no momento da compensação, a existência de créditos líquidos e certos que autorizassem a homologação da DCOMP. Acrescentou ainda que o recorrente não apresentou os motivos que o fizeram realizar nova apuração da contribuição devida no período objeto do processo e, portanto, retificar a DACON e a DCTF, informando os novos valores. Decidiu, portanto, o Colegiado não considerar na análise da compensação as retificadoras efetuadas. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3403002.294 e nº 1101000.848. O exame de admissibilidade do recurso especial encontrase às fls. 119/122. Intimada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso (fls. 124/130). É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela contribuinte deve ser conhecido. Conforme assentado no exame de sua admissibilidade, o acórdão recorrido entendeu que a apresentação de DCOMP e DCTF retificadoras não tem o condão de alterar a decisão proferida, competindo ao contribuinte o ônus de provar o erro de preenchimento da declaração, mediante a apresentação de escrita contábil e fiscal. É o que consignou o relator ao final do acórdão recorrido: Ademais, sem prejuízo do acima exposto, a Defendente não argumenta acerca da origem do seu crédito, que bases deixou de tributar quando da nova apuração e não se ocupou, nas duas instâncias, em demonstrar essa origem colacionando os Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10909.900451/200834 Acórdão n.º 9303005.521 CSRFT3 Fl. 134 3 elementos da sua apuração e comproválo com anexação da escrita contábilfiscal pertinente. Registrese que a DACON retificadora foi apresentada em 29/10/2004, antes, portanto, de proferido o Despacho Decisório (o que ocorreu em 24/04/2008), mas a DCTF retificadora somente depois, em 23/05/2008. Já no segundo paradigma, a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ também foi apresentada antes de proferido o Despacho Decisório, mas não a DCTF, que, portanto, tal como sucedeu no caso objeto dos presentes autos, somente foi retificada depois. Logo, entendemos comprovada a divergência. No mérito, como já registramos noutros processos envolvendo matéria idêntica, esta Corte Administrativa vem entendendo que a retificação posterior ao Despacho Decisório não impediria o deferimento do pedido quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, conforme preconiza o § 1º do art. 147 do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. No caso em exame, a contribuinte não trouxe aos autos, nas duas oportunidades em que neles compareceu, qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que cometera no preenchimento da DCTF (escrita contábil e fiscal). Para nós, portanto, correta a Câmara baixa, ao afirmar que a DCTF retificadora apresentada após a ciência do Despacho Decisório não seria óbice, mas também não seria suficiente para a demonstração do crédito vindicado, sendo indispensável, nos termos do § 1º do art. 147 do CTN, supra, a comprovação do erro em que se fundou a retificação, o que a Recorrente, conforme já ressaltamos, não logrou realizar. Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 135DF CARF MF 4 Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10909.900451/200834 Acórdão n.º 9303005.521 CSRFT3 Fl. 135 5 Fl. 137DF CARF MF
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Numero do processo: 10530.903810/2011-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 04 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-001.007
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
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(assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado no Pedido de Restituição já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí o indeferimento do presente pleito. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte protestou por não ter sido intimado para prestar esclarecimentos acerca da higidez do crédito e requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .9 03 81 0/ 20 11 -4 6 Fl. 1057DF CARF MF Processo nº 10530.903810/201146 Resolução nº 3201001.007 S3C2T1 Fl. 3 2 A decisão da DRJ Belo Horizonte/MG, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse, a partir do confronto das informações declaradas e prestadas pelo contribuinte, na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, alegando o seguinte: a) a DCTF não é único meio de prova da existência do crédito passível de restituição, sendo descabida a exigência de retificação de declarações como condição à restituição do indébito tributário; b) o acórdão recorrido está em desconformidade com o princípio da verdade material, encontrandose a contabilidade lastreada em documentação idônea; c) o valor informado no campo "Receita da Revenda de Mercadorias" da Ficha 06A "Demonstração do Resultado" da DIPJ está considerando o valor da faturamento com vendas de veículos usados, ao passo que o valor informado no campo "Faturamento/Receita Bruta" das Fichas que demonstram o cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS considera somente o valor do lucro na venda de veículos usados, conforme determina o art. 5° da Lei nº 9.716/1998, fato esse que se comprova pela planilha de cálculo juntada ao recurso, a qual esclarece a apuração da contribuição, bem como o valor do crédito devido; d) o Supremo Tribunal Federal já declarou a inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei nº 9.718/1998, em sede de repercussão geral, devendose observar o teor do art. 26A do Decreto 70.235/72 e o art. 62A do RICARF; e) a Lei nº 11.941/2009 revogou o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/1998. Ao final, pugna o Recorrente pelo provimento do recurso voluntário para que seja reconhecido o seu direito à plena restituição da contribuição calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei 9718/1998. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201001.004, de 25/07/2017, proferido no julgamento do processo 10530.903807/201122, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.004): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: Fl. 1058DF CARF MF Processo nº 10530.903810/201146 Resolução nº 3201001.007 S3C2T1 Fl. 4 3 "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/02/1999 a 31/03/2000 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. Inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS e do aumento deste de 2% para 3%, instituídos pela Lei 9.718/98. Acolhimento do resultado da diligência e reconhecimento da atualização dos valores com fundamento no artigo 39, § 4° da Lei 9.430/96 (Taxa Selic). Aplicação desde a data da protocolização do pedido." (Processo 13839.001097/200580; Acórdão 3401003.778; Relator Conselheiro ANDRÉ HENRIQUE LEMOS, Sessão de 23/05/2017) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Fl. 1059DF CARF MF Processo nº 10530.903810/201146 Resolução nº 3201001.007 S3C2T1 Fl. 5 4 Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Fl. 1060DF CARF MF Processo nº 10530.903810/201146 Resolução nº 3201001.007 S3C2T1 Fl. 6 5 Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801 000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Fl. 1061DF CARF MF Processo nº 10530.903810/201146 Resolução nº 3201001.007 S3C2T1 Fl. 7 6 Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, Balancete e livro Razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, consignando os resultados apurados em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1062DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.900305/2013-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/09/2012
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.729
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/09/2012 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 03 05 /2 01 3- 27 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10830.900305/201327 Acórdão n.º 3301003.729 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.763, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10830.900305/201327 Acórdão n.º 3301003.729 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10830.900305/201327 Acórdão n.º 3301003.729 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10830.900305/201327 Acórdão n.º 3301003.729 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10830.900305/201327 Acórdão n.º 3301003.729 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10830.900305/201327 Acórdão n.º 3301003.729 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10830.900305/201327 Acórdão n.º 3301003.729 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10830.900305/201327 Acórdão n.º 3301003.729 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 178DF CARF MF
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Numero do processo: 13204.000042/00-98
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000
CREDITO PRESUMIDO DE IPI- ENERGIA ELÉTRICA.
Para fim de crédito presumido do IPI, a energia elétrica consumida diretamente na fabricação do produto exportado, com incidência direta nas matérias-primas e indispensável à obtenção do produto final, embora não se integrando a este, classifica-se como produto intermediário, e como tal, pode ser incluída na base de cálculo do crédito presumido.
Numero da decisão: 9303-005.166
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (relator e suplente convocado), que lhe deu provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Érika Costa Camargos Autran.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran- Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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CRÉDITO PRESUMIDO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ALBRÁS ALUMÍNIO BRASILEIRO S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 CREDITO PRESUMIDO DE IPI ENERGIA ELÉTRICA. Para fim de crédito presumido do IPI, a energia elétrica consumida diretamente na fabricação do produto exportado, com incidência direta nas matériasprimas e indispensável à obtenção do produto final, embora não se integrando a este, classificase como produto intermediário, e como tal, pode ser incluída na base de cálculo do crédito presumido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (relator e suplente convocado), que lhe deu provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Érika Costa Camargos Autran. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 20 4. 00 00 42 /0 0- 98 Fl. 907DF CARF MF 2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procurador contra o Acórdão nº 3402002.264, de 27/11/2013, proferido pela 2ª Turma da 4ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 (sic) FABRICAÇÃO DO ALUMÍNIO. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. Nos termos do Parecer Normativo CST n° 65/79, incluemse entre os insumos para fins de crédito do IPI os produtos não compreendidos entre os bens do ativo permanente que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos, desgastados ou alterados no processo de industrialização, em função de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre aquele. ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. SUMULA CARF CONSOLIDADA N° 19. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. ENERGIA ELÉTRICA UTILIZADA NA ELETRÓLISE. A energia elétrica consumida diretamente na fabricação do produto exportado, com incidência direta nas matériasprimas para obtenção do produto final, embora não se integrando a este, classificase como produto intermediário, e como tal pode ser incluída na base de cálculo do crédito presumido. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente suscita divergência quanto à inclusão, no cálculo do crédito presumido, Fl. 908DF CARF MF Processo nº 13204.000042/0098 Acórdão n.º 9303005.166 CSRFT3 Fl. 908 3 dos valores de energia elétrica gastos no processo de eletrólise. Alega divergência de entendimento em relação ao que decidido no Acórdão nº 20179.790. O exame de admissibilidade do Recurso Especial encontrase às fls. 866/868. Cientificada, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial (fls. 870/902). É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial deve ser conhecido. Consoante se demonstrou no seu exame, o recurso comprovou o dissídio jurisprudencial, uma vez que, enquanto o acórdão recorrido entendeu que os gastos de energia elétrica deveriam compor a base de cálculo do crédito presumido de IPI estabelecido na Lei nº 9.363, de 1996, porque se enquadrariam, no entendimento adotado, como matériaprima na produção de alumínio (seria utilizada na separação do alumínio da molécula de dióxido de alumínio – alumina), o acórdão paradigma concluiu justamente o contrário, em processo administrativo em que a mesma contribuinte consta como interessada. A divergência, portanto, é manifesta. E deve ser dirimida em favor da Recorrente. Para demonstrar, passamos a reproduzir os seguintes parágrafos do acórdão recorrido: Sobre a energia elétrica e combustíveis, cumpre lembrar a Súmula Consolidada n° 19, divulgada por meio da Portaria n° 52, de 21 de dezembro de 2010, deste CARF, cujo teor transcrevese: Fl. 909DF CARF MF 4 “Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário.” Ocorre que, no caso em exame, a energia elétrica incide diretamente sobre as matériasprimas que integram o produto final, na separação do alumínio da molécula de dióxido de alumínio (alumina), como restou comprovado nos autos do processo n° 13204000013/9631, cujo recurso voluntário n° 125.088 foi julgado na Terceira Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, em 16 de março de 2005, ocasião em que, como conselheira daquela Câmara, acompanhei o voto do relator, Leonardo de Andrade Couto, do qual reproduzo o trecho a seguir: (...) A produção industrial do alumínio tem como característica fundamental o processo de redução eletrolítica do óxido de alumínio dissolvido em um banho composto fundamentalmente de criolita, sintetizado na seguinte equação: [2Al203 (dissolvido) 3C (sólido)] + energia elétrica = 4A1 (líquido) + 3 CO2 Em outras palavras, a redução consiste na separação do alumínio da molécula de dióxido de alumínio (alumina), apartandoo pela quebra, do oxigênio contido na referida molécula, obtendo o alumínio e gás. A função da energia elétrica consiste em fornecer calor à reação química. Percebese que a energia elétrica incide diretamente sobre as matériasprimas componentes do produto final e desempenha função essencial na obtenção deste, ainda que não o integre. Assim, devese reconhecer que nas situações em que a obtenção do produto dáse por meio de reações químicas derivadas da eletrólise, a energia elétrica funciona como um produto intermediário e, como tal, deve compor a base de cálculo do crédito presumido. Salientese que tal entendimento não se aplica à energia elétrica utilizada como força motriz (ativação e movimentação de máquinas e equipamentos de qualquer natureza) ou na produção Fl. 910DF CARF MF Processo nº 13204.000042/0098 Acórdão n.º 9303005.166 CSRFT3 Fl. 909 5 de luminosidade. Entendo que nesses casos não haveria o direito ao crédito presumido. (...) Ora, não obstante tenha citado a Súmula nº CARF nº 19, a relatora findou por adotar entendimento a ela flagrantemente contrário, uma vez que concordou incluir, na base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de energia elétrica, considerando as particularidades que envolvem a produção de alumínio. Esse fato já seria suficiente para dar provimento ao recurso. Nós vamos além. Para os casos como o ora em exame, nos quais os gastos com energia elétrica e combustíveis são substanciais, o legislador previu, na Lei nº 10.276, de 2001 – mas de forma alternativa à Lei nº 9.363, de 1996 –, que a base de cálculo do crédito presumido de IPI seja o somatório da aquisição de insumos (matériasprimas, a produtos intermediários e materiais de embalagem), dos gastos com energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo, e do valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. Portanto, ou bem se calcula o crédito presumido com base numa lei, ou se o faz com base na outra. O que não se pode conceber é criar uma terceira lei, fruto da combinação de ambas. Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, doulhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Voto Vencedor Fl. 911DF CARF MF 6 Conselheira Érika Costa Camargos Autran Redatora designada Com todo o respeito ao excelente voto do Conselheiro Relator, mas penso diferente a respeito da matéria em discussão. Inicialmente cumpre esclarecer que o CARF em vários julgados adota uma concepção restritiva do objetivo visado pelo legislador ao criar tal crédito presumido, e firmou o entendimento no sentido de que energia elétrica e combustíveis não se enquadravam no conceito legal de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem previsto na legislação do IPI e, por conseguinte, não poderiam ser utilizados como custo para fins de apuração do crédito presumido do IPI. Diante disso, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou a Súmula Carf n.º 19 com a seguinte redação: “Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário.” É importante advertir que os precedentes que lastreiam a mencionada súmula somente analisaram casos e consideraram o regime jurídico vigente até a Lei 9.363/1996, portanto, anterior à edição da Lei 10.276/2001. No caso do presente autos, o colegiado entendeu que há possibilidade de inclusão das despesas relativas energia elétrica, por ser um insumo imprescindível à industrialização do produto do Contribuinte. Pois, a energia elétrica utilizada incide diretamente sobre as matériasprimas que integram o produto final, quando da separação do alumínio da molécula de dióxido de alumínio (alumina). Aqui, a produção industrial do alumínio tem como característica fundamental o processo de redução eletrolítica do óxido de alumínio dissolvido em um banho composto Fl. 912DF CARF MF Processo nº 13204.000042/0098 Acórdão n.º 9303005.166 CSRFT3 Fl. 910 7 fundamentalmente de criolita, sintetizado na seguinte equação: [2Al203 (dissolvido) 3C (sólido)] + energia elétrica = 4A1 (líquido) + 3 CO2 Ou seja, a redução consiste na separação do alumínio da molécula de dióxido de alumínio (alumina), apartandoo pela quebra, do oxigênio contido na referida molécula, obtendo o alumínio e gás. A função da energia elétrica consiste em fornecer calor à reação química. Percebese que no caso da produção do Contribuinte, a energia elétrica incide diretamente sobre as matériasprimas componentes do produto final e desempenha função essencial na obtenção deste, ainda que não o integre. Assim, a obtenção do produto da Contribuinte dáse por meio de reações químicas derivadas da eletrólise, e a energia elétrica funciona como um produto intermediário e, como tal, deve compor a base de cálculo do crédito presumido. Vale ressaltar, que o objetivo da Lei n.º 9.363/1996, inicialmente foi desonerar o produto brasileiro para enfrentar a concorrência do mercado internacional, senão vejamos: Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. A partir da criação desse regime, todavia, os direitos dos exportadores foram sendo mitigados por meio de um conceito restritivo de insumo e muitos contribuintes passaram a questionar tal interpretação, pleiteando a inclusão da energia elétrica e dos combustíveis na base de cálculo do crédito. No caso do Contribuinte, pela própria lógica de produção industrial por ele feita, conforme demostrado acima, efetivamente não se pode negar que a energia elétrica, gasta Fl. 913DF CARF MF 8 ou aplicada, se agregam ao produto ou são imprescindíveis para que este seja produzido e cujo consumo nesta fase não se pode dele afastar. Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Especial da Fazenda, mantendo a decisão Recorrida. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 914DF CARF MF
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