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Numero do processo: 10840.002713/2004-10
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA.
Deve ser aplicado o regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, no que se referem aos rendimentos recebidos acumuladamente, diante exercício do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, conforme decidido em sede de recurso repetitivo pelo Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 9202-007.008
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. Deve ser aplicado o regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, no que se referem aos rendimentos recebidos acumuladamente, diante exercício do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, conforme decidido em sede de recurso repetitivo pelo Supremo Tribunal Federal.
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REGIME DE COMPETÊNCIA. Deve ser aplicado o regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, no que se referem aos rendimentos recebidos acumuladamente, diante exercício do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, conforme decidido em sede de recurso repetitivo pelo Supremo Tribunal Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 27 13 /2 00 4- 10 Fl. 521DF CARF MF 2 Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2202003.978 proferido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 08 de julho de 2017, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 459: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a exigência do imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido O Recurso Especial referido anteriormente, fls. 465 a 476, foi admitido, por meio do Despacho de fls. 479 a 482, para rediscutir a decisão recorrida, no tocante ao regime de cálculo dos rendimentos recebidos acumuladamente. Destacase que, para a decisão a quo, deve ser cancelada a exigência tributária, enquanto, para o acórdão paradigma, devem ser aplicadas as tabelas vigentes à época em que os rendimentos foram auferidos pelo contribuinte. Aduz a Fazenda, em síntese, que: a) considerando a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal em 23 de outubro de 2014 nos autos do RE 614.406/RS, restou sedimentado o entendimento quanto à aplicação do regime de competência à matéria objeto dos autos; b) quanto ao lançamento ora analisado, a União (Fazenda Nacional) requer que a autuação seja mantida, determinando o colegiado o retorno dos autos à DRF apenas para a retificação contábil relativa à alíquota incidente sobre os rendimentos recebidos a destempo. Intimado, o Contribuinte apresentou Contrarrazões, fls. 505 a 515, nas quais sustenta, em síntese: a) a impossibilidade de revisão do lançamento; Fl. 522DF CARF MF Processo nº 10840.002713/200410 Acórdão n.º 9202007.008 CSRFT2 Fl. 3 3 b) não se trata de mera adequação quantitativa, ou seja, mero erro no cálculo do montante supostamente devido, mas sim novo lançamento, haja vista a necessidade, imprescindível, de alteração do critério material e quantitativo, com vistas à constatação do valor real do suposto crédito tributário; c) não se trata de mero erro de fato, mas sim de evidente erro de direito, pois decorre de inadequação legal do lançamento com a conseqüente inadequação do critério quantitativo; d) deve ser negado provimento ao recurso especial interposto pela Procuradoria, mantendose o acórdão recorrido É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os requisitos de admissibilidade. Consoante narrado, a controvérsia suscitada tem como objeto a discussão acerca da manutenção do lançamento referente à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, em decorrência do regime contábil aplicado ao lançamento, que teve reconhecida sua inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, o qual foi submetido à sistemática da repercussão geral prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil. Muito se discute, neste Colegiado, sobre os efeitos da decisão proferida no mencionado RE, que tratou da aplicação do regime de cobrança do imposto de renda incidente "sobre as verbas recebidas, de forma acumulada, em ação judicial", se regime de caixa, previsto no art. 12 da Lei 7.713/88 ou de competência (posteriormente positivado pelo art. 12 A do mesmo diploma legal). Com o reconhecimento da inconstitucionalidade parcial sem redução de texto do art. 12 da Lei 7.713/88, o que determinou a orientação para aplicação do regime de competência, para alguns Conselheiros, os lançamentos relativos aos períodos anteriores à MP 497/2010, que alterou a redação do art. 12A da Lei 7.713/88, devem ser desconstituídos em sua integralidade, pois eivado de vício material, em razão da utilização de critério jurídico equivocado (regime de caixa, quando deveria ser regime de competência). Por outro lado, há entendimento diverso no sentido da manutenção parcial do lançamento com a adequação do lançamento ao regime de competência, pois não há que se falar em vício, mas sim em procedência parcial do lançamento. Compulsandose o RE 614.406, temse que a inconstitucionalidade reconhecida foi parcial e sem redução de texto, ou seja, em uma interpretação conforme a constituição, como se extrai do trecho abaixo da ementa do Acórdão do TRF4: Fl. 523DF CARF MF 4 3. Afastado o regime de caixa, no caso concreto, situação excepcional a justificar a adoção da técnica de declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto ou interpretação conforme a constituição, diante da presunção de legitimidade e constitucionalidade dos atos emanados do Poder Legislativo e porque casos símeis a este não possuem espectro de abrangência universal. (...). Segundo ensina Pedro Lenza, o STF pode determinar que a mácula da inconstitucionalidade reside em determinada aplicação da lei, ou em dado sentido interpretativo. Neste último caso, o STF indica qual seria a interpretação conforme, pela qual não se configura a inconstitucionalidade. Cabe destacar que não foi declarada a inconstitucionalidade do artigo de lei, razão pela qual não se poderia considerar a nulidade do dispositivo, mas sim a aplicação de uma interpretação conforme, o que afasta a existência de tal nulidade. Corroborando o exposto, cabe mencionar o art. 97 da CF que estabelece a cláusula de reserva de plenário, de modo que "somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público". Destacase a existência de mitigação da mencionada cláusula, dentre outras, quando o Tribunal utilizar a técnica de interpretação conforme a Constituição, pois não haverá declaração de inconstitucionalidade propriamente dita. Portanto, restou decidida, na ocasião do julgamento do RE em comento, a aplicação do regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, diante exercício do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, sendo mantida a exação, naquele caso, em razão da interpretação atribuída. Ademais, não se vislumbra a existência de prejuízo ao contribuinte, tendo em vista que o recálculo a ser aplicado se mostra mais benéfico que o originário, motivo deve ser reformada a decisão recorrida. Assim, entendo inexistente vício insanável apto a macular o lançamento, sendo imperiosa apenas a aplicação do regime de competência, a fim de atender a interpretação conforme a constituição decorrente da análise do RE 614.406. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para no mérito DARLHE PROVIMENTO para afastar a nulidade declarada, determinando o retorno dos autos à turma a quo para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 524DF CARF MF Processo nº 10840.002713/200410 Acórdão n.º 9202007.008 CSRFT2 Fl. 4 5 Fl. 525DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.722758/2009-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE APURAÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. INSUMOS. GASTOS COM TRANSPORTE. CUSTO DE AQUISIÇÃO. AGREGAÇÃO. POSSIBILIDADE. INSUMO TRIBUTADO À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA.
Conforme Termo de Aprovação do Pronunciamento Técnico nº 16 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), de 08 de maio de 2009, assim como legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, o custo de aquisição dos estoques compreende os gastos com o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis junto ao fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros.
Há vedação expressa na legislação que regulamenta o sistema não cumulativo de apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins de apropriação de créditos calculados sobre o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições.
SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE APURAÇÃO. ARMAZENAGEM E TRANSPORTE. GASTOS GENÉRICOS ASSOCIADOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE.
No sistema de apuração não cumulativo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, não será admitida a apropriação de créditos vinculados a gastos genéricos associados com o transporte e a armazenagem de produtos diversos (matéria-prima, produto em elaboração e produto acabado), sob a alegação de que a continuidade das atividades da empresa depende dos serviços correspondentes.
É do contribuinte o ônus de provar que os gastos enquadram-se em uma duas hipóteses contempladas pelo inciso IX do art. 3º das Leis 10.833/03 e 10.637/02, identificadas no texto legal como armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, ou, então, que tratam-se de gastos com o transporte do insumo empregado no processo produtivo da empresa e foram contabilizados como custo de aquisição de estoques.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL.
Há expressa vedação legal de incidência de juros moratórios e de correção monetária sobre o valor do crédito apurado pelo contribuinte no sistema não cumulativo de apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, ex vi art. 13 e 15 da Lei 10.833/03.
Numero da decisão: 9303-006.868
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento e o conselheiro Demes Brito, que lhe deu provimento parcial apenas quanto a Taxa SELIC.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE APURAÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. INSUMOS. GASTOS COM TRANSPORTE. CUSTO DE AQUISIÇÃO. AGREGAÇÃO. POSSIBILIDADE. INSUMO TRIBUTADO À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. Conforme Termo de Aprovação do Pronunciamento Técnico nº 16 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), de 08 de maio de 2009, assim como legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, o custo de aquisição dos estoques compreende os gastos com o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis junto ao fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros. Há vedação expressa na legislação que regulamenta o sistema não cumulativo de apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins de apropriação de créditos calculados sobre o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE APURAÇÃO. ARMAZENAGEM E TRANSPORTE. GASTOS GENÉRICOS ASSOCIADOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. No sistema de apuração não cumulativo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, não será admitida a apropriação de créditos vinculados a gastos genéricos associados com o transporte e a armazenagem de produtos diversos (matéria-prima, produto em elaboração e produto acabado), sob a alegação de que a continuidade das atividades da empresa depende dos serviços correspondentes. É do contribuinte o ônus de provar que os gastos enquadram-se em uma duas hipóteses contempladas pelo inciso IX do art. 3º das Leis 10.833/03 e 10.637/02, identificadas no texto legal como armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, ou, então, que tratam-se de gastos com o transporte do insumo empregado no processo produtivo da empresa e foram contabilizados como custo de aquisição de estoques. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL. Há expressa vedação legal de incidência de juros moratórios e de correção monetária sobre o valor do crédito apurado pelo contribuinte no sistema não cumulativo de apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, ex vi art. 13 e 15 da Lei 10.833/03.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento e o conselheiro Demes Brito, que lhe deu provimento parcial apenas quanto a Taxa SELIC. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2153; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11080.722758/200912 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303006.868 – 3ª Turma Sessão de 12 de junho de 2018 Matéria PER COFINS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado TIMAC AGRO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE FERTILIZANTES LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE APURAÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. INSUMOS. GASTOS COM TRANSPORTE. CUSTO DE AQUISIÇÃO. AGREGAÇÃO. POSSIBILIDADE. INSUMO TRIBUTADO À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. Conforme Termo de Aprovação do Pronunciamento Técnico nº 16 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), de 08 de maio de 2009, assim como legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, o custo de aquisição dos estoques compreende os gastos com o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis junto ao fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros. Há vedação expressa na legislação que regulamenta o sistema não cumulativo de apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins de apropriação de créditos calculados sobre o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE APURAÇÃO. ARMAZENAGEM E TRANSPORTE. GASTOS GENÉRICOS ASSOCIADOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. No sistema de apuração não cumulativo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, não será admitida a apropriação de créditos vinculados a gastos genéricos associados com o transporte e a armazenagem de produtos diversos (matériaprima, produto em elaboração e produto acabado), sob a alegação de que a continuidade das atividades da empresa depende dos serviços correspondentes. É do contribuinte o ônus de provar que os gastos enquadramse em uma duas hipóteses contempladas pelo inciso IX do art. 3º das Leis 10.833/03 e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 27 58 /2 00 9- 12 Fl. 303DF CARF MF Processo nº 11080.722758/200912 Acórdão n.º 9303006.868 CSRFT3 Fl. 3 2 10.637/02, identificadas no texto legal como armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, ou, então, que tratamse de gastos com o transporte do insumo empregado no processo produtivo da empresa e foram contabilizados como custo de aquisição de estoques. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL. Há expressa vedação legal de incidência de juros moratórios e de correção monetária sobre o valor do crédito apurado pelo contribuinte no sistema não cumulativo de apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, ex vi art. 13 e 15 da Lei 10.833/03. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento e o conselheiro Demes Brito, que lhe deu provimento parcial apenas quanto a Taxa SELIC. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra decisão tomada no Acórdão nº 3402002.436, de 15 de outubro 2014 (efolhas 234 e segs), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 304DF CARF MF Processo nº 11080.722758/200912 Acórdão n.º 9303006.868 CSRFT3 Fl. 4 3 Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA A simples contrariedade do recorrente com a motivação esposada na decisão de primeira instância não constitui vício capaz de incorrer em sua desconsideração, mormente quando o julgado a quo abordou todos os argumentos da impugnação e expôs seus motivos para acatar ou não as alegações da defesa. CRÉDITO SOBRE DISPÊNDIOS PREVISTOS NO ART. 3º, II, DA LEI 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMOS. RELAÇÃO DE PERTINÊNCIA E DEPENDÊNCIA COM O PROCESSO DE PRODUÇÃO E FABRICAÇÃO DE BENS OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. No regime de apuração não cumulativa das contribuições ao PIS e à COFINS, o desconto de créditos das aquisições de bens e direitos utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens destinados a venda (art. 3°, II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03), está condicionado a relação de pertinência e dependência do insumo ao processo produtivo ou de fabricação do bem ou prestação de serviços pelo contribuinte, analisada em cada caso em concreto, não sendo aplicável o conceito restrito das IN’s 247/02 e 404/04, que equiparou o insumo aos produtos intermediários no âmbito do IPI e nem o conceito mais elástico de despesa necessária previsto para o IRPJ. PIS E COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO SOBRE SERVIÇOS DE ARMAZENAGEM. SERVIÇOS PORTUÁRIOS. ABRANGÊNCIA E LIMITES. Concedem o crédito das contribuições ao PIS e à COFINS os serviços de armazenagem, sendo a esta inerentes os serviços portuários que compreendem dispêndios com serviços de carregamento, armazenagem na venda, emissão notas fiscais de armazenamento/importação e serviços de medição de equipamentos portuários. Fl. 305DF CARF MF Processo nº 11080.722758/200912 Acórdão n.º 9303006.868 CSRFT3 Fl. 5 4 COFINS. SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA A TAXA SELIC. ÓBICE CRIADO PELA ADMINISTRAÇÃO. INCIDÊNCIA. O art. 13 da Lei n° 10.833/2003, que veda a atualização monetária e a incidência dos juros, não se aplica quando a mora no ressarcimento decorre de óbice criado pela própria Administração, caso em que incide a correção ela SELIC. Recurso parcialmente provido. A divergência suscitada no recurso especial (efolhas 273 segs) diz respeito ao conceito válido do vernáculo insumo empregado pelo legislador nas normas que regulamentam o sistema não cumulativo de apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins e à incidência de correção monetária e/ou juros moratórios sobre o valor dos créditos apurados. Requer a manutenção das glosas revertidas pela decisão recorrida em relação (i) às despesas com o descarregamento de mercadorias no porto e seu transporte até a fábrica; (ii) às despesas com fretes e armazenagem. Também, (iii) que seja afastada a aplicação da Taxa SELIC sobre os créditos a serem ressarcidos. O Recurso especial foi admitido conforme despacho de admissibilidade de e folhas 292 segs. O contribuinte não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. Conhecimento do Recurso Especial Antes de mais nada, no caso do presente litígio, pareceme prudente identificar com clareza qual a matéria recorrida. Fl. 306DF CARF MF Processo nº 11080.722758/200912 Acórdão n.º 9303006.868 CSRFT3 Fl. 6 5 O excerto que segue, extraído do voto condutor da decisão a quo, esclarece quais glosas foram revertidas em relação aos dispêndios com o transporte da mercadoria até a empresa. Os demais serviços arrolados foram empregados em reparos e manutenções das próprias “tubovias”, o que, a meu sentir, até poderiam gerar o direito ao desconto de créditos, mas através de depreciação, mas, para tanto, deverseia comprovar se seria o caso de serem levados ao ativo permanente e posteriormente depreciados, o que, a toda evidência, prescindiria de prova relativa ao tempo de vida útil que referidos dispêndios agregariam ao ativo sobre os quais foram empregados. Tratandose de pedido de ressarcimento, referida prova assistiria à Recorrente, e, a míngua do cumprimento de tal ônus, não é possível aferir o direito ao crédito em questão. Desta forma, merece ser parcialmente afastada a glosa, apenas sobre os dispêndios com a rubrica produto descarregado no porto e transportado até a fábrica por TUBOVIA. Em relação ao tópico Armazenagem e Fretes na Operação de Venda do acórdão recorrido, decidiuse, conforme ementa correspondente, que Concedem o crédito das contribuições ao PIS e à COFINS os serviços de armazenagem, sendo a estes inerentes os serviços portuários que compreendem dispêndios com serviços de carregamento, armazenagem na venda, emissão notas fiscais de armazenamento/importação e serviços de medição de equipamentos portuários. Além desses, o recorrido admitiu a aplicação da Taxa Selic/correção monetária sobre o valor do ressarcimento pleiteado. Mérito Como já tive a oportunidade de expressar em outras ocasiões, entendo que a legislação que estabeleceu a sistemática de apuração não cumulativa das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins trouxe uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços Fl. 307DF CARF MF Processo nº 11080.722758/200912 Acórdão n.º 9303006.868 CSRFT3 Fl. 7 6 considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de apropriação de créditos, pelo reconhecimento de que as demais mercadorias também se enquadram no conceito de insumo. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita, não necessitaria a lei ter sido elaborada com tanto detalhamento, bastava um único artigo ou inciso. Feito o necessário intróito acerca da matéria controvertida nos autos, releva destacar que, no vertente litígio, ainda que a divergência a respeito do conceito válido de insumos permeie toda a discussão travada nos autos e seja o principal fundamento da decisão ora contraditada, pareceme que a questão nuclear que se apresenta pouco tem a ver com esse assunto. Tal como espero, isso ficará claro na análise de cada um dos dois tópicos nos quais são identificadas as glosas revertidas em segunda instância de julgamento. Passo a eles. 1 Dispêndios com o transporte do insumo até a fábrica por Tubovia As notas fiscais carreadas aos autos (efolhas 65 segs) identificam a mercadoria importada pela empresa para fabricação de adubos e fertilizantes como ácido sulfúrico e ácido fosfórico. A efetiva aplicação dessas mercadorias no processo produtivo da recorrente para obtenção do produto final é matéria incontroversa nos autos. Com efeito, o que se discute, desde o início, é a agregação de determinados gastos ao custo de aquisição desses insumos, assunto que, concessa venia, como já antecipei, passa ao largo da discussão acerca da abrangência do conceito de insumos na aplicação da legislação das contribuições1. O gasto que a empresa considerou passível de ser agregado ao custo do insumo empregado em seu processo produtivo está identificado na decisão recorrida, tal como já foi explicitado no preâmbulo do vertente acórdão, como transporte, por “tubovias”, do porto até a fábrica. Na Informação Fiscal, efolhas 04 e segs, a Fiscalização Federal fundamenta a decisão de glosar os créditos correspondentes a esses gastos. II.2 Cálculo indevido de crédito com Bens e Serviços Utilizados como insumos 1 Releva destacar que, embora isso, o recurso deve ser admitido, pois, a despeito da precisão na abordagem feita pelo recorrido, a amplitude do conceito de insumo foi, inegavelmente, fundamento da decisão tomada, como demonstra a exaustiva abordagem do assunto encontrada no voto condutor da decisão recorrida. Fl. 308DF CARF MF Processo nº 11080.722758/200912 Acórdão n.º 9303006.868 CSRFT3 Fl. 8 7 6. O contribuinte foi intimado (fls.72/73) a apresentar alguns documentos classificados como código CFOP 1.949 e 2.949 que foram incluídos na base de cálculo dos créditos apresentados em meio magnético. Na análise desses documentos restou comprovado que o contribuinte incluiu despesas com bens e serviços a título de Insumos que não são assim considerados. Para serem considerados como insumos os serviços consumidos tem que ser utilizados na elaboração de produtos ou na prestação de serviços que serão vendidos, conforme artigo 3 o da Lei 10.833/2003 e IN 404/2004. (...) Os serviços não aceitos estão no quadro abaixo, bem como uma descrição sumária dos serviços prestados fornecida pelo contribuinte. Cópias dos documentos entregues encontramse às fls. 176/195. Ainda na Informação, o dispêndio que deu origem à glosa revertida pela instância a quo, está descrito na tabela à efolhas 7 (no texto acima, "quadro abaixo"), nos seguintes termos. Fornecedor: Macra Adm E Serviços Sc Ltda Aplicação dos serviços: Produto descarregado no porto transportado até a fábrica por TUBOVIA. Tratase, portanto, de um gasto com serviços realizados pela empresa Macra Adm e Serviços Ltda vinculados ao transporte, por Tubovia, da matériaprima importada até as dependências da empresa. O Termo de Aprovação do Pronunciamento Técnico nº 16 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), de 08 de maio de 2009, especifica quais gastos estão compreendidos no custo de aquisição de estoques. Segue o texto. O custo de aquisição dos estoques compreende o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis junto ao fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros diretamente atribuíveis à aquisição de Fl. 309DF CARF MF Processo nº 11080.722758/200912 Acórdão n.º 9303006.868 CSRFT3 Fl. 9 8 produtos acabados, materiais e serviços. Descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes devem ser deduzidos na determinação do custo de aquisição. A regra não destoa da legislação do Imposto de Renda. Observese (Decreto 3.000/99 Regulamento do Imposto). Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matérias primas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). § 1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). § 2º Os gastos com desembaraço aduaneiro integram o custo de aquisição. § 3º Não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal. Ou seja, não é difícil perceber que o custo com o transporte dos insumos até o estabelecimento do contribuinte está, sem dúvida, compreendido no custo de aquisição desses insumos. Levandose em conta os critérios contábeis aceitos e a própria legislação tributária aplicável, tomando por base as informações disponíveis nos autos, não vejo razão para que esse dispêndio, com o pagamento de serviços prestados por terceiros para o transporte até a fábrica, por Tubovia, de insumos importados e efetivamente empregados no processo produtivo da indústria, seja desconsiderado para efeito de apuração do custo de aquisição desses insumos. Assim, uma vez que essa instância recursal tenha por competência dirimir dúvidas acerca da correta interpretação da legislação tributária, entendo que a decisão deve ser Fl. 310DF CARF MF Processo nº 11080.722758/200912 Acórdão n.º 9303006.868 CSRFT3 Fl. 10 9 pelo reconhecimento do direito à agregação de gastos da natureza dos que aqui se trata ao custo final de aquisição dos insumos empregados no processo produtivo da empresa. Isto posto, necessário, contudo, destacar uma questão que parece ter passado à margem da decisão recorrida. Conforme a própria recorrente já afirmava em sede de manifestação de inconformidade (efolhas 41 e segs), o produto importado é contemplado por benefício fiscal que reduziu a zero a alíquota das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Observese. Na qualidade de empresa produtora, importadora, comercializadora e exportadora de adubos e fertilizantes, a Requerente usufrui o benefício fiscal da alíquota zero das citadas contribuições na importação e também, sobre a receita bruta decorrente da venda no mercado interno dos citados produtos, conforme estabelece o art. 1º o da Lei n. 10.925/2004, in verbis1: Observe que esta foi uma das razões do indeferimento da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, conforme excerto abaixo transcrito do voto da DRJ: (...) Além disso, como os insumos são adquiridos à alíquota zero (art.l" da Lei 10.925/2004), mesmo que fossem adquiridos no mercado interno, não poderiam ter direito de crédito sobre bens e serviços agregados ao custo de aquisição ao custo da matériaprima. Isto porque se não há tributação sobre os insumos, não gerando direito de desconto de crédito da contribuição, também não pode haver sobre bens e insumos que se agregam a matériaprima, como o frete ou seguro, pois a natureza da tributação incidente sobre o principal (insumos) não pode ser descaracterizada por elementos secundários que se agregam ao principal. (...) Ora, como é de sabença, os insumos que não são onerados pelas Contribuições não dão direito ao crédito no sistema de apuração não cumulativo instituído pelas Leis 10.833/03 e 10.637/022. 2 Art.3º § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 311DF CARF MF Processo nº 11080.722758/200912 Acórdão n.º 9303006.868 CSRFT3 Fl. 11 10 Como pretendo ter deixado claro até aqui, o que se debate nos autos não é se os gastos com transporte, por Tubovia, da matériaprima importada até as dependências da empresa tratase ou não de um insumo aplicado no processo produtivo de fabricação de adubos e fertilizantes, mas se esses dispêndios podem ser agregados ao custo de aquisição do ácido sulfúrico e do ácido fosfórico (e outros quaisquer que sejam pelo mesmo meio de transporte conduzidos), esses, sim, insumos utilizados na fabricação do produto final. Como se viu, a priori, com base nas informações disponíveis, podem, contudo, no caso concreto, essa decisão, de cunho eminentemente jurídico, não tem qualquer repercussão na solução da lide, pois os valores correspondentes terminam por ser acrescidos ao custo de um insumo que não dá direito ao crédito. 2 Armazenagem e Fretes na Operação de Venda A teor da decisão recorrida, a glosa diz respeito aos créditos decorrentes de gastos com (i) serviços de emissão de notas fiscais de armazenagem e de importação; (ii) serviço de medição de equipamentos armazéns portuários; (iii) serviços de transporte de produto a granel de inflável – diárias e (iv) serviços de carregamento no Porto de Rio Grande. Inicialmente, cumpre destacar que os gastos de que ora se trata, acima descritos tal qual descrevera a própria empresa em sua contabilidade, representam uma gama de serviços que não parecem estar relacionados única e exclusivamente com as operações de venda, como sugere o título utilizado no acórdão recorrido para este tópico. Conforme Informação Fiscal, a razão pela qual a Fiscalização Federal não reconheceu o direito de crédito para esses gastos foi a seguinte. Na análise dos valores apurados pelo contribuinte a título de Fretes e Armazenagem nas Operações de Vendas em conjunto com explicações apresentadas (fls.68/71, 127/128), que correspondem aos valores da linha 7 dos Dacon, foi constatado que alguns não são efetivamente de frete ou armazenagem nas operações de venda, conforme o disposto no art.3° da Lei 10.833/2003. II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 312DF CARF MF Processo nº 11080.722758/200912 Acórdão n.º 9303006.868 CSRFT3 Fl. 12 11 (...) 5. Os valores não aceitos são os das rubricas contábeis 1.1.06.04.0002 Armazenagem Exterior e 3.1.04.46.4602 Gastos c/Exportação relativos a movimentações em armazéns portuários, serviços de emissão de notas fiscais e serviços de transporte dentro das dependências da empresa ou de armazenagem temporária de matérias primas, conforme quadro demonstrativo abaixo e as cópias dos documentos entregues pelo contribuinte a fls.129/175. Por seu turno, o acórdão recorrido decidiu pela reversão da glosa, em síntese, sob o seguinte fundamento. Analisando referida descrição, temse que a glosa não procede com relação aos itens “b”, “c” e “d”, acima listados, [ (ii), (iii) e iv neste voto] pois que efetivamente tratam de transportes de produtos acabados destinados a exportação (ou de transporte destinado a produção, o que redundaria no crédito por força do conceito de insumo), ou ainda, pertinentes aos serviços de armazenagem como no caso de medição dos equipamentos dentro dos armazéns o que é inerente a própria armazenagem, e, finalmente, a parte final do transporte e armazenagem, que é o carregamento do produto para embarque de exportação. Visivelmente, duas razões bem distintas motivaram a reversão da glosa. A primeira, diz respeito, agora sim, ao conceito de insumos na legislação das Contribuições. A segunda, referese à possibilidade de apropriação de créditos nos gastos com o transporte do produto acabado ou gastos pertinentes à armazenagem e transporte desse. Como se vê, tratamse de matérias bem distintas. Quanto a elas, de plano, cabe esclarecer que inexiste qualquer previsão legal que conceda direito à apropriação de créditos para gastos genéricos com a armazenagem e o transporte do produto acabado, apenas para os gastos com frete e armazenagem na operação de venda e quando o ônus for suportado pelo vendedor. Fl. 313DF CARF MF Processo nº 11080.722758/200912 Acórdão n.º 9303006.868 CSRFT3 Fl. 13 12 Já em relação aos gastos associados ao "transporte destinado a produção, o que redundaria no crédito por força do conceito de insumo", o que se percebe a mais absoluta falta de clareza sobre a natureza desses gastos e a ausência de qualquer evidência de sua necessária segregação contábil. Muito pelo contrário, ao que parece, todos os dispêndios foram misturados uns com os outros, tanto que terminaram por ser reunidos em um único tópico, como se fossem todos iguais ou muito semelhantes. Como se viu, não são. São gastos distintos, cujas alegações destinadas ao reconhecimento do direito ao crédito estão fundamentadas em pressupostos igualmente distintos. É verdade que, de lado a lado, há parcas informações na identificação desses gastos; contudo, uma vez que nos processos de reconhecimento de direito de crédito o ônus da prova recaia sobre quem o alega, ou seja, sobre o administrado, os fundamentos e provas que justificariam a reversão da glosa determinada pelo Fisco haveriam de ser encontradas no contraditório. À luz desse pressuposto, buscase no recurso voluntário apresentado pela então recorrente a defesa e a comprovação de seu direito à apropriação de créditos em relação a esses gastos. O excerto que segue retrata com inteireza os fundamentos nos quais baseouse o pedido (efolhas 174 e segs). Visando apresentar uma melhor compreensão sobre a importância desses serviços na atividade produtiva da Recorrente, imperioso esclarecer que tais custos são indispensáveis à sua atividade produtiva, vale dizer: sem a utilização de tais serviços, não seria possível à Recorrente produzir os bens comercializados que geram as receitas tributadas para o fins do PIS e da COFINS. A toda evidência, essa não é uma motivação que possa ser acolhida por este Colegiado. A jurisprudência predominante deste Conselho, à qual esse Relator se filia, consagra o entendimento de que somente os insumos empregados no processo produtivo e os demais gastos relacionados no art 3º das Leis 10.833/03 e 10.637/02 dão direito ao crédito. Uma vez que o contribuinte não tenha demonstrado que os gastos que deram origem aos créditos glosados pelo Fisco enquadramse em quaisquer das duas hipóteses Fl. 314DF CARF MF Processo nº 11080.722758/200912 Acórdão n.º 9303006.868 CSRFT3 Fl. 14 13 previstas no inciso IX do art. 3º3 e tampouco que foram gastos com o transporte da mercadoria até a fábrica, a glosa deve ser mantida. 3 Correção Monetária e Incidência de Juros de Mora Finalmente, a empresa não tem melhor sorte em relação à possibilidade de que o valor objeto do pedido de ressarcimento sofra qualquer tipo de correção monetária ou que sobre ele incida a Taxa de Juros Selic. Há vedação expressa em Lei que obsta a atualização dos créditos do contribuinte apurados no sistema não cumulativo. Observese. Lei 10.833/03 Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) VI no art. 13 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) E não será demais lembrar que as decisões tomadas no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, em regime de recursos repetitivos, não alcançam a matéria ora litigada. Como é cediço, em se tratando de matéria sumulada ou decidida em regime de repercussão geral ou de recursos repetitivos, a norma abstrata que nasce da jurisprudência consolidada nesse rito processual é de aplicação restrita. Assenta entendimento válido para as circunstâncias específicas narradas no leading case de que decorre e, por conseguinte, não comporta extensão de efeitos. 3 IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 11080.722758/200912 Acórdão n.º 9303006.868 CSRFT3 Fl. 15 14 As decisões que autorizaram a correção dos créditos escriturais do IPI e do crédito presumido das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins são aplicáveis exclusivamente às lides nas quais algum desses assuntos esteja sendo controvertido, o que, por óbvio, não é o caso dos autos. Voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Fl. 316DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.928614/2009-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS DE ESTIMATIVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS POR ESTIMATIVA. VALORES RECOLHIDOS COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO.
Contatando-se que o período de apuração referente aos créditos solicitados foi objeto de desclassificação da escrita e arbitramento, não mais existem débitos devidos a título de estimativa.
Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão de todos os pagamentos terem sido utilizados, durante a autuação, no abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado.
Numero da decisão: 1401-002.587
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS DE ESTIMATIVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS POR ESTIMATIVA. VALORES RECOLHIDOS COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO. Contatando-se que o período de apuração referente aos créditos solicitados foi objeto de desclassificação da escrita e arbitramento, não mais existem débitos devidos a título de estimativa. Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão de todos os pagamentos terem sido utilizados, durante a autuação, no abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
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PAGAMENTOS INDEVIDOS DE ESTIMATIVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS POR ESTIMATIVA. VALORES RECOLHIDOS COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO. Contatandose que o período de apuração referente aos créditos solicitados foi objeto de desclassificação da escrita e arbitramento, não mais existem débitos devidos a título de estimativa. Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão de todos os pagamentos terem sido utilizados, durante a autuação, no abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 86 14 /2 00 9- 78 Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11080.928614/200978 Acórdão n.º 1401002.587 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP apresentado pela empresa no qual solicita a compensação de pretensos créditos relativos a pagamento a maior de CSLL devida por estimativa. A origem dos créditos, consoante informado pelo recorrente desde sua impugnação, baseiase na retificação dos valores de apuração que, após a retificação das DIPJ e DCTF da empresa, resultaram como pagos a maior. Com base nestes créditos a empresa, por meio do PER/DCOMP objeto deste processo, a empresa realizou a compensação com débito da mesma contribuição de períodos subseqüentes. Quando da análise do PER/DCOMP o sistema informatizado reconheceu a existência do crédito mas, no entanto, considerou improcedente a utilização do crédito posto que o art. 10 da IN RFB nº 600/2005, veda a possibilidade de utilização de créditos relativos a pagamentos a maior de estimativa para a quitação dos valores devidos por estimativa de meses subseqüentes. O contribuinte, irresignado apresentou manifestação de inconformidade alegando a existência do crédito. A Delegacia de Julgamento, na análise da manifestação, a considerou improcedente. Ainda inconformado o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual entende que não é cabível o indeferimento do crédito com base no art. 10, da IN 600/2005, haja vista que, quando da prolação do despacho decisório de nãohomologação referida norma não mais estava em vigor. É o breve relatório. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 11080.928614/200978 Acórdão n.º 1401002.587 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.578, de 17/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 11080.928620/2009 25, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou a possibilidade de utilização de crédito relativo a pagamento a maior de CSLL devido por estimativa, relativo ao período de apuração de 30/09/2006, com débitos de mesma natureza de período subsequente. O presente processo tratase de pedido de compensação de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL, do período de apuração de 31/01/2006, com débito de mesma natureza de período subsequente. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.578): A análise do presente processo prendese, em síntese, à verificação da possibilidade de utilização de créditos relativos a pagamentos a maior da CSLL com débitos da mesma contribuição de períodos subseqüentes e, ainda, a força impeditiva do art. 10, da IN RFB nº 600/2005. A norma questionada impedia a utilização, por parte do contribuinte, dos valores pagos a maior durante o ano calendário com outros débitos com base na justificativa de que os valores pagos a maior por estimativa deveriam ser levados ao ajuste do exercício, como se pagamentos por estimativas fossem, no sentido de que estes pagamentos a maior compusessem o saldo credor a vir ser apurado no exercício. Ocorre, no entanto, que referida norma impeditiva não encontra respaldo nos ditames da Lei nº 9.430/96, no que trata de restituição/compensação. Assim, se um pagamento foi realizado a maior em um determinado período. A existência do crédito relativo a este pagamento a maior exsurge desde a data do referido recolhimento, na forma do art, 170, do CTN, matriz legal de todas as normas de compensação. A limitação realizada pelo art. 10, da IN 600/2005 desborda dos limites impostos pela normas a ela superiores e, por isso, não pode produzir eficácia contra os direitos nestas inseridos. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 11080.928614/200978 Acórdão n.º 1401002.587 S1C4T1 Fl. 5 4 Em conformidade com este entendimento é que o CARF já se posicionou de forma consolidada, emitindo a Súmula nº 84, conforme abaixo transcrita e consoante os acórdão paradigmas precedentes que a justificaram. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Acórdão nº 120100.404, de 23/2/2011 Acórdão nº 120200.458, de 24/1/2011 Acórdão nº 110100.330, de 09/7/2010 Acórdão nº 910100.406, de 02/10/2009 Acórdão nº 10515.943, de 17/8/2006. Verificado o teor da Súmula acima apresentada, há de se rever as decisões atacadas pelo recorrente. Assim decorreria este voto, quando da época de sua elaboração. Ocorre, no entanto, que iniciada a sessão de julgamento a representante do contribuinte informou acerca da existência de auto de infração lavrado por meio do processo nº 11080.732426/201161, pela sistemática do lucro arbitrado, no qual os pagamentos a maior de IRPJ e CSLL por estimativa realizados no ano e solicitados pela empresa em PER/DCOMP, para a compensação das estimativas devidas do mês de dezembro/2006. Verificase, pela consulta ao processo de auto de infração que para o ano de 2006 foi desconsiderada a escrituração fiscal da empresa e foi realizado o lançamento pelo lucro arbitrado trimestral. Da realização do lançamento foram utilizados os pagamentos por estimativa que não compuseram os saldos negativos já utilizados pela empresa (fls. 8831/8835 do processo nº 11080.732426/201161). Mais ainda, verificase que, sendo arbitrado o lucro, deixam de ser existentes os débitos por estimativa do ano de 2006, dada a modificação da sistemática de apuração do lucro. Ainda em consulta ao referido auto de infração constatamos que o mesmo já foi julgado em última instância por este CARF e mantido em definitivo os valores lavrados, já estando em fase de execução judicial (fls. 93232/93241 do processo nº 11080.732426/201161). À vista do exposto temos então que o PER/DCOMP objeto do presente processo, no qual são utilizados os pagamentos a maior de estimativas do ano de 2006 para a compensação com débitos de estimativa do mesmo ano, perdeu totalmente seu objeto, tanto pelo desaparecimento dos créditos, quanto dos débitos, em face Fl. 117DF CARF MF Processo nº 11080.928614/200978 Acórdão n.º 1401002.587 S1C4T1 Fl. 6 5 da lavratura de auto de infração pelo lucro arbitrado já julgado em definitivo na esfera administrativa. Por estas razões, deixo de analisar o presente recurso apenas em relação às limitações que levaram ao indeferimento do pedido e, analisando o caso em vista da verdade material, verificandose que deixaram de existir os débitos declarados no PER/DCOMP objeto deste processo, havemos de julgar no sentido de deixar de reconhecer os créditos em face de sua atual inexistência e determinar o cancelamento dos débitos declarados no PER/DCOMP em razão de igualmente não mais existirem, tudo em razão da lavratura do auto de infração pelo lucro arbitrado que modificou integralmente a situação dos débitos e créditos objeto do presente processo. Neste sentido voto por dar provimento ao recurso para: 1) Deixar de analisar os créditos solicitados, relativos aos pagamentos a maior de estimativa em razão de os créditos terem deixado de existir em face da lavratura do auto de infração do mesmo ano, no qual os referidos pagamentos foram utilizados; 2) Determinar o cancelamento dos débitos compensados no presente processo, tendo em vista trataremse de débitos de estimativa do ano de 2006, em face, também, da lavratura de auto de infração que apurou o IRPJ pelo lucro arbitrado e por consequência desfaz qualquer obrigação de recolhimento por estimativa." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16624.001313/2010-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. COMPROVAÇÃO. EFETIVO PAGAMENTO.
As despesas médicas havidas pelo contribuinte, em seu favor ou de seus dependentes, são dedutíveis da base de cálculo do Imposto de Renda, desde que devidamente comprovadas mediante prova hábil e idônea, podendo a autoridade fiscal exigir a comprovação do efetivo pagamento (desembolso) das despesas.
DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. COMPROVAÇÃO. GLOSA. CANCELAMENTO.
A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário.
Restando comprovado que os valores pagos a título de pensão alimentícia decorrem de acordo homologado judicialmente, impõe-se o cancelamento da glosa realizada pela fiscalização.
Numero da decisão: 2402-006.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a dedução das despesas havidas com pensão alimentícia. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior (relator) que deram provimento em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. COMPROVAÇÃO. EFETIVO PAGAMENTO. As despesas médicas havidas pelo contribuinte, em seu favor ou de seus dependentes, são dedutíveis da base de cálculo do Imposto de Renda, desde que devidamente comprovadas mediante prova hábil e idônea, podendo a autoridade fiscal exigir a comprovação do efetivo pagamento (desembolso) das despesas. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. COMPROVAÇÃO. GLOSA. CANCELAMENTO. A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. Restando comprovado que os valores pagos a título de pensão alimentícia decorrem de acordo homologado judicialmente, impõe-se o cancelamento da glosa realizada pela fiscalização.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a dedução das despesas havidas com pensão alimentícia. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior (relator) que deram provimento em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior - Relator. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
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DESPESAS MÉDICAS. PENSÃO ALIMENTÍCIA Recorrente ANTONIO ARTUR DA CRUZ FORTE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. COMPROVAÇÃO. EFETIVO PAGAMENTO. As despesas médicas havidas pelo contribuinte, em seu favor ou de seus dependentes, são dedutíveis da base de cálculo do Imposto de Renda, desde que devidamente comprovadas mediante prova hábil e idônea, podendo a autoridade fiscal exigir a comprovação do efetivo pagamento (desembolso) das despesas. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. COMPROVAÇÃO. GLOSA. CANCELAMENTO. A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. Restando comprovado que os valores pagos a título de pensão alimentícia decorrem de acordo homologado judicialmente, impõese o cancelamento da glosa realizada pela fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a dedução das despesas havidas com pensão alimentícia. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior (relator) que deram AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 62 4. 00 13 13 /2 01 0- 68 Fl. 355DF CARF MF Processo nº 16624.001313/201068 Acórdão n.º 2402006.217 S2C4T2 Fl. 356 2 provimento em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 7ª Tuma da DRJ/BSB, consubstanciada no Acórdão nº 0361.261, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Por bem descrever os fatos, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Contra o (a) contribuinte em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF (fls. 48/53), na qual cobrase o total do crédito tributário no valor de R$ 52.925,25 atualizado até 30/06/2010. O lançamento acima foi decorrente da(s) seguinte(s) infração(ões): Dedução Indevida a Título de Despesas Médicas – glosa de dedução de despesas médicas, pleiteadas indevidamente pelo(a) contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física. Valor: R$ 70.000,00. Motivo da glosa: Não comprovou o efetivo pagamentos das despesas médicas com Jose Néri Cortes Marinho ( R$ 50.000,00) e Casa de Saúde Guarulhos (R$ 20.000,00). Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial – glosa de dedução de pensão alimentícia judicial, pleiteada indevidamente pelo contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física. Valor: R$ 22.500,00. Motivo da glosa: não apresentou acordo homologado judicialmente, nem provou o efetivo pagamento da pensão. Fl. 356DF CARF MF Processo nº 16624.001313/201068 Acórdão n.º 2402006.217 S2C4T2 Fl. 357 3 O (A) contribuinte, cientificado(a) apresentou defesa (fls. 02/11) tempestiva, alegando em breve síntese que: os recibos médicos apresentados comprovam as despesas médicas efetuadas, é de conhecimento notório de todos que um contribuinte possa efetuar seus pagamento por meio de moeda corrente; o impugnante comprovou os pagamentos das despesas médicas por meio de recibos médicos, conforme estabelece a legislação tributária, logo o administrador público está vinculado a lei; devido a apresentação dos recibos médicos solicitados que se mostra desnecessária a apresentação dos comprovantes de pagamentos, uma vez que, repitase, a legislação tributária só faz menção a esse tipo de comprovação na falta dos documentos anteriormente mencionados; anexa ainda declaração do profissional médico emitente; o impugnante é divorciado, fato que ocorreu no ano de 2006, conforme se comprova por meio da Certidão de Casamento emitida em maio de 2010, onde costa a averbação do acordo homologado entre as partes, do qual se estipulou a título de pensão alimentícia o pagamento semanal de R$ 625,00, mediante depósito na conta corrente de Rosane Marinho de Almeida Forte; para que não reste dúvida quanto à idoneidade dos pagamentos declarados pelo impugnante, junta aos autos declaração emitida pela Sra. Rosane quanto ao recebimento do valor de R$ 22.500,00 a título de pensão alimentícia no ano de 2006, na qual se verifica as datas de pagamento mediante transferências bancárias; colaciona decisões administrativas para embasar suas alegações. A DRJ julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo, tendo concluído, em síntese, que: · Fundamentado o lançamento na falta de comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas deduzidas na declaração, para ter direito às respectivas deduções, não basta à contribuinte apresentar simples recibos e/ou declarações dos profissionais, cabendo sim, quando questionado pela autoridade administrativa, comprovar, de forma objetiva, a vinculação da prestação do serviço médico com o pagamento (desembolso) efetivamente realizado. · Cabe, portanto, ao beneficiário dos recibos provar que realmente efetuou os pagamentos nos valores constantes nos comprovantes, bem assim a época em que os serviços foram prestados, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução, no período assinalado. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 16624.001313/201068 Acórdão n.º 2402006.217 S2C4T2 Fl. 358 4 · A pensão alimentícia somente é dedutível na declaração do imposto de renda se o interessado comprova o seu pagamento e que tal pagamento decorre de decisão judicial. · O contribuinte junta aos autos Certidão de Casamento dele com a Sra. Rosane Marinho Almeida, sendo que consta nessa Certidão a averbação, em 23 de outubro de 2006, em cumprimento ao mandado assinado pela Doutora Lilianna Siepierski de Araujo Vilela (Processo n. 3.484/2005), onde por sentença proferida por ela, foi homologado o divórcio do casal e a sentença transitou em julgado em 11/09/2006. · Anexa ainda fls. 31/39, o suposto acordo celebrado entre o impugnante e a Sra. Rosane Marinho de Almeida Forte, requerendo a homologação judicial, datado de 10 de maio de 2006. · Contudo, o impugnante não junta aos autos cópia do processo judicial, onde fosse possível verificar qual seria o acordo que foi homologado pela Justiça. Portanto, não há como afirmar que o documento de fls. 31/39, foi ele homologado judicialmente. Cientificado, o contribuinte interpôs o competente recurso voluntário (fls. 76 / 87), por meio do qual reitera os termos da impugnação apresentada. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. A Notificação de Lançamento guerreada foi motivada em decorrência da glosa de deduções de despesas médicas e de pensão alimentícia, conforme excertos abaixo reproduzidos: Dedução Indevida a Título de Despesas Médicas – glosa de dedução de despesas médicas, pleiteadas indevidamente pelo(a) contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física. Valor: R$ 70.000,00. Motivo da glosa: Não comprovou o efetivo pagamentos das despesas médicas com Jose Néri Cortes Marinho (R$ 50.000,00) e Casa de Saúde Guarulhos (R$ 20.000,00). Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial – glosa de dedução de pensão alimentícia judicial, pleiteada indevidamente pelo contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física. Valor: R$ 22.500,00. Motivo da glosa: não apresentou acordo homologado judicialmente, nem provou o efetivo pagamento da pensão. Fl. 358DF CARF MF Processo nº 16624.001313/201068 Acórdão n.º 2402006.217 S2C4T2 Fl. 359 5 Das Despesas Médicas A dedução de despesas médicas e de saúde na declaração de ajuste anual tem como supedâneo legal os seguintes dispositivos do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcritos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Sobre a matéria, assim dispõe o art. 80 do Decreto nº 3.000/1999, in verbis: Seção I Despesas Médicas Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas Fl. 359DF CARF MF Processo nº 16624.001313/201068 Acórdão n.º 2402006.217 S2C4T2 Fl. 360 6 ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas FísicasCPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa JurídicaCNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. § 2º Na hipótese de pagamentos realizados no exterior, a conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento. § 3º Consideramse despesas médicas os pagamentos relativos à instrução de deficiente físico ou mental, desde que a deficiência seja atestada em laudo médico e o pagamento efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. § 4º As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. § 5º As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). Na espécie, foram glosadas as seguintes despesas médicas: · Casa de Saúde Guarulhos (R$ 20.000,00) Fl. 360DF CARF MF Processo nº 16624.001313/201068 Acórdão n.º 2402006.217 S2C4T2 Fl. 361 7 * O contribuinte apresentou recibos (fls. 17 e 18), contendo: carimbo da instituição com CNPJ e endereço, data (maio e setembro de 2006) e assinatura do seu representante com CPF do mesmo. · Jose Néri Cortes Marinho (R$ 50.000,00) * O contribuinte apresentou recibos (fls. 20 a 28), contendo: nome, CRM e CFP do prestador de serviço, carimbo e assinatura do mesmo, endereço, telefone e email do prestador de serviço, data (fevereiro, março, abril, maio, junho, julho, setembro, outubro e novembro). A DRJ, conforme noticiado no relatório supra, manteve a glosa em análise, tendo concluído, no presente caso, que não basta à contribuinte apresentar simples recibos e/ou declarações dos profissionais, cabendolhe comprovar, de forma objetiva, a vinculação da prestação do serviço médico com o pagamento (desembolso) efetivamente realizado. Não comungo, contudo, das conclusões a que a instância a quo chegou, em decorrência do indigitado levantamento de provas. É fato, conforme a ciência processual já há muito firmou, que recibos são instrumentos particulares que comprovam a quitação do negócio jurídico, não se consubstanciando em prova inequívoca da realização de um pagamento. Apesar disso, devese reconhecer que a própria legislação tributária conferiu a esse tipo de documento o valor de prova do pagamento, consoante disposto no inciso III do § 2º do art. 8º da Lei nº 9.250/95 anotese que um documento de transferência bancária, por exemplo, não possui todos os elementos discriminados na legislação, tais como o endereço do profissional prestador do serviço, ao contrário do recibo, que possui campos de preenchimento adequados para esses fins. Desta sorte, a regra geral é a aceitação de recibos, caso atendidos os seus requisitos formais, motivo pelo qual a exigência de elementos adicionais para a comprovação das despesas médicas deve ser devidamente fundamentada, sob pena de violação do princípio da proteção da boafé e da legítima confiança que norteiam a relação fiscocontribuinte. O acórdão atacado não vislumbrou vícios de forma nos recibos trazidos. Assim, entendo que não restaram suficientemente claras as razões para infirmar o valor probatório dos recibos apresentados, motivo pelo qual deve ser reformada a decisão de primeira instância de modo a restabelecer a dedução de despesas médicas efetivamente comprovadas por meio dos respectivos recibos. Da Pensão Alimentícia No que tange à dedução de pensão alimentícia, importante destacar inicialmente que o Direito de Família estabelece, como modalidade de obrigação alimentar, aquela proveniente da relação de parentesco, devida aos parentes que não possuem condições de prover a sua própria subsistência (CC, Arts. 1.694, 1.695 e 1.701). Conforme os princípios informadores do Direito Tributário, em situações desse tipo, uma solução plausível pode ser verificada pela interpretação sistemática das normas do Direito Civil c/c os artigos 4º, II e 8º, ambos da Lei 9.250/1995, abaixo descritos: Fl. 361DF CARF MF Processo nº 16624.001313/201068 Acórdão n.º 2402006.217 S2C4T2 Fl. 362 8 Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II – as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei n 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; ... Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...) II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei n 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; Dessa forma, da interpretação conjunta dos dispositivos transcritos com as normas do Direito de Família, temse que são requisitos para a dedutibilidade da pensão alimentícia, que os pagamentos: a) tenham a natureza de alimentos; b) sejam fixados em decorrência das normas do Direito de Família; e c) decorram do cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou de escritura pública, inclusive os alimentos provisórios. No presente caso, a DRJ manteve a glosa perpetrada pela fiscalização, tendo concluído que o impugnante não junta aos autos cópia do processo judicial, onde fosse possível verificar qual seria o acordo que foi homologado pela Justiça. Portanto, não há como afirmar que o documento de fls. 31/39, foi ele homologado judicialmente. O sujeito passivo, com vistas a afastar a premissa na qual se embasou o órgão julgador de piso para manter a glosa em análise, trouxe aos auto cópia integral da Ação de Separação Judicial (fls. 102 a 352), tendo sinalizado, no seu recurso voluntário, que não obstante seja suficiente a prova ¡á ¡untada aos autos, para espancar quaisquer dúvidas acerca da licitude da dedução em tela, o Recorrente requer a juntada de cópias integrais do processo judicial n° 003888608.2005.8.26.0224 (doc. 2), que tramitou perante a 6 Vara de Família e Sucessões do Foro de Guarulhos, de cujas fis. 197 a 205 consta acordo que foi homologado por sentença de fl. 208. Conforme a cláusula sexta do acordo homologado, o valor da pensão é de R$ 625,00 (seiscentos e vinte e cinco reais) por semana, conforme havia sido anteriormente informado e consta da averbação à certidão de casamento. Fl. 362DF CARF MF Processo nº 16624.001313/201068 Acórdão n.º 2402006.217 S2C4T2 Fl. 363 9 Analisandose a cópia da ação judicial trazida aos autos pelo recorrente, tem se: * às fls. 207 da ação judicial (325 do eprocesso), despacho do MM Juízo designando audiência para retificação do acordo celebrado: * às fls. 208 da ação judicial (326 do eprocesso), Ata da Audiência de Ratificação, Instrução e Julgamento, com a seguinte decisão: Fl. 363DF CARF MF Processo nº 16624.001313/201068 Acórdão n.º 2402006.217 S2C4T2 Fl. 364 10 Analisandose as fls. 40 e 41 da ação judicial mencionadas na decisão supra como sendo as folhas com as cláusulas e condições do divórcio consensual, verificase que estas não correspondem ao acordo firmado entre as partes naquele processo judicial (a fl. 40 se trata da última página de um boletim de ocorrência e a fl. 41 à uma certidão de nascimento). O acordo celebrado entre o Recorrente e a sua ex esposa, que deu origem à pensão judicial em análise, encontrase às fls. 197 e seguintes da ação judicial (fl. 312 do e processo), nos seguintes termos, naquilo que interessa no presente caso: Fl. 364DF CARF MF Processo nº 16624.001313/201068 Acórdão n.º 2402006.217 S2C4T2 Fl. 365 11 Logo após a susodita petição de fls. 197 e seguintes do processo judicial (petição por meio da qual os signatários informam que celebraram acordo para por fim à lide, nos termos e condições ali estabelecidos), consto despacho do MM Juízo designando a audiência de retificação do acordo e a ata da referida audiência com a decisão daquele Juízo, já mencionado linhas acima. Verificase, pois, que a pensão alimentícia em análise decorre de acordo homologado judicialmente, devendo ser reformado o recorrido acórdão neste particular. Fl. 365DF CARF MF Processo nº 16624.001313/201068 Acórdão n.º 2402006.217 S2C4T2 Fl. 366 12 Conclusão Ante o exposto, concluo o voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para fins de restabelecer a dedução das despesas médicas e da pensão alimentícia glosadas pela fiscalização. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Voto Vencedor Conselheiro Denny Medeiros da Silveira – Redator Designado Acompanho o Relator quanto à pensão alimentícia, porém, com a maxima venia, divirjo quanto ao cancelamento da glosa referente às despesas médicas. Segundo se depreende da Notificação de Lançamento, fls. 48 a 53, os recibos apresentados para comprovar as despesas médicas, fls. 17 a 28, não teriam sido suficientes ao convencimento da autoridade fiscal, razão pela qual foi exigida a complementação probatória, mediante a comprovação do “efetivo pagamento”, porém, tal comprovação não foi realizada. Cabe observar, inclusive, que em relação à Casa de Saúde Guarulhos Ltda., apesar de ser uma pessoa jurídica, não foram apresentadas as notas fiscais, mas apenas simples recibos, que sequer foram impressos em papel timbrado. A decisão de primeira instância, por sua vez, fls. 54 a 60, em que pese reconhecer a importância dos recibos como elemento de prova, manteve a glosa das despesas médicas, pois o contribuinte não apresentou, com sua impugnação, documentos capazes de comprovar o efetivo pagamento das despesas. Vide o seguinte excerto da decisão: Comumente é aceito, para comprovar o pagamento das despesas médicas, o recibo firmado pelo profissional da área médica, quando o serviço for prestado por pessoa física, ou a Nota Fiscal, se por pessoa jurídica. No entanto, é licito à Autoridade exigir, a seu critério, outros elementos de provas adicionais, caso não fique convencido da efetividade da prestação dos serviços ou do respectivo pagamento. [...] No caso, a contribuinte poderia ter feito a comprovação do pagamento das despesas mediante apresentação de documentos tais como cheques, saques, transferências e/ou extratos bancários, etc, que fossem capazes de vincular os recibos apresentados aos dispêndios efetuados com os respectivos pagamentos pelos serviços prestados, mas não o fez. [...] Fl. 366DF CARF MF Processo nº 16624.001313/201068 Acórdão n.º 2402006.217 S2C4T2 Fl. 367 13 Logo, concluo que não estão comprovadas as despesas médicas glosadas. Pois bem, em nosso entendimento, a decisão a quo não merece reparo. A autoridade lançadora pode exigir, a seu juízo, a comprovação ou justificação das deduções informadas na Declaração de Ajuste Anual, sobretudo quando tais deduções se apresentam em montante expressivo. Essa é a inteligência que se extrai do art. 73, § único, do Decreto 3.000, de 26/3/99: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). No caso em tela, o Recorrente declarou ter pago, em 2006, R$ 50.000,00 ao médico José Néri Cortes Marinho e R$ 20.000,00 à Casa de Saúde Guarulhos. Portanto, perfeitamente cabível a exigência de outros meios de prova, que foi o fez a fiscalização ao intimar o Recorrente a comprovar o efetivo pagamento (desembolso) dessas despesas. Todavia, nenhuma prova nesse sentido foi carreada aos autos, em que pese ser uma prova relativamente fácil de ser produzida. Ponderese que o lançamento, devidamente motivado, é ato administrativo que goza do atributo de presunção relativa de legalidade e veracidade e, portanto, cumpria ao Recorrente o ônus de afastar, mediante prova robusta e inequívoca em contrário, essa presunção (vide art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972), o que não aconteceu. Conclusão Isso posto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar apenas a glosa da dedução referente à pensão alimentícia. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 367DF CARF MF
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Numero do processo: 14098.720116/2014-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2010, 2011
CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIAS. AÇÃO JUDICIAL E PLEITO ADMINISTRATIVO. SUMULA CARF Nº 01.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
CONTRIBUIÇÕES AO SENAR. NATUREZA JURÍDICA. IMUNIDADE.
A natureza jurídica das contribuições destinadas ao SENAR, com base de cálculo prevista pelo art. 22A, da Lei n.º 8.212, de 1991 é de contribuição de interesse de categorias econômicas. Assim, inaplicável a imunidade a que se refere o inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NOTA FISCAL COMPROVADAMENTE CANCELADA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
Tendo o contribuinte comprovado o cancelamento de nota fiscal perante a administração tributária estadual do seu domicílio, mediante o cumprimento dos requisitos estabelecidos pela autoridade fazendária, deve ser afastada a tributação das contribuições previdenciárias sobre tais notas, sob pena de se tributar valores que sequer ingressaram como receita do contribuinte.
Numero da decisão: 2201-004.627
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer parte do recurso voluntário, em razão da concomitância de instâncias judicial e administrativa. Na parte conhecida, também por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o lançamento incidente sobre os valores das notas fiscais canceladas, em especial os da Nota Fiscal nº 243, e das vendas devolvidas, para os quais não tenha havido desistência do litigioso administrativo.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ano-calendário: 2010, 2011 CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIAS. AÇÃO JUDICIAL E PLEITO ADMINISTRATIVO. SUMULA CARF Nº 01. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. CONTRIBUIÇÕES AO SENAR. NATUREZA JURÍDICA. IMUNIDADE. A natureza jurídica das contribuições destinadas ao SENAR, com base de cálculo prevista pelo art. 22A, da Lei n.º 8.212, de 1991 é de contribuição de interesse de categorias econômicas. Assim, inaplicável a imunidade a que se refere o inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NOTA FISCAL COMPROVADAMENTE CANCELADA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Tendo o contribuinte comprovado o cancelamento de nota fiscal perante a administração tributária estadual do seu domicílio, mediante o cumprimento dos requisitos estabelecidos pela autoridade fazendária, deve ser afastada a tributação das contribuições previdenciárias sobre tais notas, sob pena de se tributar valores que sequer ingressaram como receita do contribuinte.
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PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA Recorrente O TELHAR AGROPECUÁRIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Anocalendário: 2010, 2011 CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIAS. AÇÃO JUDICIAL E PLEITO ADMINISTRATIVO. SUMULA CARF Nº 01. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. CONTRIBUIÇÕES AO SENAR. NATUREZA JURÍDICA. IMUNIDADE. A natureza jurídica das contribuições destinadas ao SENAR, com base de cálculo prevista pelo art. 22A, da Lei n.º 8.212, de 1991 é de contribuição de interesse de categorias econômicas. Assim, inaplicável a imunidade a que se refere o inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NOTA FISCAL COMPROVADAMENTE CANCELADA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Tendo o contribuinte comprovado o cancelamento de nota fiscal perante a administração tributária estadual do seu domicílio, mediante o cumprimento dos requisitos estabelecidos pela autoridade fazendária, deve ser afastada a tributação das contribuições previdenciárias sobre tais notas, sob pena de se tributar valores que sequer ingressaram como receita do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer parte do recurso voluntário, em razão da concomitância de instâncias judicial e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 8. 72 01 16 /2 01 4- 45 Fl. 10015DF CARF MF Processo nº 14098.720116/201445 Acórdão n.º 2201004.627 S2C2T1 Fl. 10.016 2 administrativa. Na parte conhecida, também por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o lançamento incidente sobre os valores das notas fiscais canceladas, em especial os da Nota Fiscal nº 243, e das vendas devolvidas, para os quais não tenha havido desistência do litigioso administrativo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 9765/9861, interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, de fls. 9696/9738, que julgou parcialmente procedente a impugnação, exonerando parcialmente os créditos previdenciários e de terceiros (SENAR) consubstanciados no lançamento de Contribuições Previdenciárias de fls. 2/969 (DEBCAD 51.046.0828) e fls. 970/1961 (DEBCAD 51.046.083 6), lavrados em 17/9/2014, relativo às competências de 01/2010 a 12/2011, com ciência da RECORRENTE 29/09/2014, conforme AR de .4.838. Foram lavrados dois autos de infração (ambos objeto do presente processo), quais sejam: (i) DEBCAD 51.046.0828, relativo à contribuição previdenciária incidente sobre a comercialização da produção rural do empregador pessoa jurídica, prevista no artigo 25, I e II da Lei 8.870/1994, incidente na alíquota de 2,5% bem como a alíquota RAT de 0,1%, objeto dos Levantamentos CE – COMERC COMERCIAL EXPORTADORA e MI – COMERC MERCADO INTERNO; no valor global histórico de R$ 137.252.361,16, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75%.; e (ii) DEBCAD 51.046.0836 (Terceiros), relativo à contribuição ao SENAR, na alíquota de 0,25%, conforme art. 25, §1º da Lei 8.870/1994, incidente sobre os mesmos fatos geradores objeto dos Levantamentos CE – COMERC COMERCIAL EXPORTADORA e MI – COMERC MERCADO INTERNO no DEBCAD 51.046.0828, além do Levantamento RE – RECEITA EXPORTAÇÃO SENAR (receita com exportação direta); no valor total de R$ 13.923.700,14, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e a correspondente multa de ofício no percentual de 75% . Fl. 10016DF CARF MF Processo nº 14098.720116/201445 Acórdão n.º 2201004.627 S2C2T1 Fl. 10.017 3 Conforme o Relatório Fiscal (fls. 2614/2630), “a fiscalizada não logrou êxito em comprovar o exercício de atividade econômica autônoma da rural, mediante a existência de uma estrutura operacional definida, portanto, as contribuições previdenciárias e as contribuições devidas ao SENAR serão substitutivas às previstas nos incisos I e II do art. 22 da Lei nº 8.212/1991 e no Inciso I do art. 3º da Lei nº 8.315/1991, respectivamente, devendo incidir sobre o total da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, nos termos do disposto no incisos I e II, caput, e §1º do art. 25 da Lei nº 8.870/1994.”. Assim, as contribuições lançadas são referentes às contribuições previdenciárias e de Terceiros incidentes sobre a comercialização da produção rural, nos seguintes termos: Assim, sobre os valores das receitas da contribuinte nas operações de comercialização no mercado interno (levantamento MI) e para trading companies (Levantamento CE), incidem as contribuições da empresa de 2,5%, o SAT/RAT de 0,1% e a contribuição ao SENAR de 0,25%. Fl. 10017DF CARF MF Processo nº 14098.720116/201445 Acórdão n.º 2201004.627 S2C2T1 Fl. 10.018 4 Por fim, sobre os valores das receitas auferidas nas operações de exportações diretamente realizadas pela empresa da produção rural (levantamento RE), incidem as contribuições da empresa devidas ao SENAR na alíquota de 0,25%. Os valores que serviram de suporte para o lançamento do crédito tributário foram apurados por meios dos Anexos I a III (fls. 2631/4834). Da Impugnação Intimada pessoalmente dos lançamentos em 29/9/2014 (fls. 4.838/4.839), a RECORRENTE apresentou Impugnação de 4841/4921 em 29/10/2014. Ante a clareza e precisão didática do resumo da Impugnação elaborada pela DRJ em Porto Alegre/RS, adotase, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: Da Impugnação Em 29/09/2014, fl. 4.838, a empresa teve ciência dos Autos de Infração. Tempestivamente, em 29/10/2014, apresentou impugnação tempestiva, fls. 4.841/4.923, nos seguintes termos. 1. Nulidade Da Autuação Por Falta De Apuração Da Base De Cálculo A fiscalização ignorou a exigência legal de apurar a receita da Impugnante (base de cálculo da contribuição) e simplesmente somou as notas fiscais emitidas e lavrou os autos de infração. A falta de observância das exigências legais contaminou de tal forma o trabalho fiscal que foi considerado como base de cálculo aproximadamente 03 (três) vezes o faturamento da Impugnante, o qual inclui ainda exportações diretas, abarcadas pela imunidade constitucional das contribuições lançadas. Destaca que a fiscalização possuía a receita bruta da Impugnante tanto declarada na DIPJ, como nos arquivos eletrônicos transmitidas no ambiente do Sistema Público e Escrituração Digital (SPED). Não se trata de mero ajuste aritmético possível de ser feito dentro dos próprios autos, é caso de nulidade do lançamento. 1.1. Inclusão Indevida Das Vendas Canceladas A única base de cálculo possível para as contribuições exigidas é a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção (inciso I e parágrafo 1º do artigo 25, da Lei n° 8.870/94). O conceito de Receita Bruta é determinado pelo artigo 12 do DecretoLei n° 1.598/77, segundo o qual: Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. (Vide Medida Provisória n° 627, de 2013) (Vigência) Fl. 10018DF CARF MF Processo nº 14098.720116/201445 Acórdão n.º 2201004.627 S2C2T1 Fl. 10.019 5 §1°A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. § 2o O fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa ou a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas, autoriza presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. §3° Provada, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a omissão de receita, a autoridade tributária poderá arbitrála com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas.(Redação dada pelo Decretolei n° 1.648, de 1978) A Receita Federal do Brasil – RFB trata da matéria da seguinte forma: A receita bruta compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia, excluídas as vendas canceladas, as devoluções de vendas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente do comprador ou contratante, e dos quais o vendedor dos bens ou prestador dos serviços seja mero depositário. A matéria também já foi apreciada pela RFB em sede de Solução de Consulta nº 01/2012, sendo exatamente o mesmo conceito para as contribuições previdenciárias, conforme teor das Soluções de Consulta nº 121/2012 e nº 212/2012. A definição de receita, enquanto termo contábil, é trazida pelo Conselho Federal de Contabilidade, por meio da Norma Brasileira de Contabilidade (NBCTG) n° 30, que assim a define: A receita é definida na NBC TG ESTRUTURA CONCEITUAI – Estrutura Conceitual para Elaboração e Divulgação de Relatório Contábil – Financeiro como aumento nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de entrada de recursos ou aumento de ativos ou diminuição de passivos que resultam em aumentos do patrimônio líquido da entidade e que não sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade. ... A receita deve ser reconhecida quando for provável que benefícios econômicos futuros fluam para a entidade e esses benefícios possam ser confiavelmente mensurados. (com grifos no original) Fl. 10019DF CARF MF Processo nº 14098.720116/201445 Acórdão n.º 2201004.627 S2C2T1 Fl. 10.020 6 É lição básica de direito que as vendas canceladas, por não estarem incluídas no conceito de receita, não podem ser incluídas na base de cálculo das contribuições em tela. No caso específico da Impugnante, essas operações decorreram essencialmente de erros no preenchimento dos documentos fiscais, os quais foram substituídos por uma nota fiscal posterior que efetivamente representou o ingresso de receita. Assim, incluir na base de cálculo as Notas Fiscais decorrentes de vendas canceladas seria admitir a tributação em duplicidade dessas operações. A análise dos relatórios anexados aos Autos de Infração possibilitou identificar a inclusão indevida de pelo menos R$ 23.461.442,71 (vinte e três milhões, quatrocentos e sessenta e um mil, quatrocentos e quarenta e dois reais e setenta e um centavos), sem computar a Nota Fiscal de n° 243 que sozinha representa a inclusão absurda de R$ 1.712.304.400,00 (um bilhão, setecentos e doze milhões, trezentos e quatro mil e quatrocentos reais). Como comprovantes de que tais vendas foram canceladas e não representam receitas, a Impugnante anexou à impugnação os seguintes documentos: i) 175 (cento e setenta e cinco) Requerimentos de cancelamento de Notas Fiscais eletrônicas (NFe) protocolados junto à SEFAZ/MT (Anexo II); ii) 271 (duzentos e setenta e uma) Notas Fiscais com declaração de recusa de recebimento consignado no verso (Anexo III); iii) 540 (quinhentas e quarenta) Notas Fiscais de entrada de mercadoria que anularam o efeito das Notas Fiscais de Saída (Anexo IV); e iv) Declarações dos destinatários das Notas Fiscais que representaram vendas canceladas, informando o não recebimento, efetivo ou simbolicamente, as mercadorias discriminadas no documento fiscal, bem como que não utilizou ou compensou crédito do ICMS relativo às notas fiscais em referência (Anexo V). Quanto à Nota Fiscal n° 000.000.243, a impugnante alega que se observando o documento fiscal percebese que o valor do quilograma de soja foi indicado a R$ 41.380,00 (quarenta e um mil, trezentos e oitenta reais), valor manifestamente equivocado e que representava na verdade a quantidade, como facilmente podese comprovar pela simples análise do referido documento fiscal (Anexo VI). Tratase de visível erro de digitação, corrigido pela emissão da Nota Fiscal n° 000.000.245 no mesmo dia, também anexa à presente impugnação (Anexo VI). Junta aos Autos em anexo o pedido de cancelamento da referida Nota Fiscal, protocolizado junto à SEFAZMT (Anexo VI), bem como a Declaração firmada pelo Destinatário de que não recebeu, efetiva ou simbolicamente, as mercadorias discriminadas na referida nota fiscal; e não utilizou ou compensou crédito do ICMS relativo à nota fiscal em referência (Anexo VI). Diante do exposto, afirma incontroversa a comprovação de que a operação foi cancelada e não representou receita para inclusão na base de cálculo das contribuições exigidas. Fl. 10020DF CARF MF Processo nº 14098.720116/201445 Acórdão n.º 2201004.627 S2C2T1 Fl. 10.021 7 1.2. Falhas De Apuração Notas Fiscais Lançadas Várias Vezes Pela simples leitura do relatório elaborado pela fiscalização (RL – Relatório de Lançamentos) percebese a existência de 82 (oitenta e duas) notas fiscais incluídas por mais de uma vez no levantamento fiscal. Do valor dos autos de infração simplesmente cerca de R$ 14.124.552,75 (quatorze milhões, cento e vinte e quatro mil e quinhentos e cinquenta e dois reais e setenta e cinco centavos) decorrem da inclusão repetidas vezes dos mesmos documentos fiscais, cujos números foram abaixo relacionados: 1467, 1468, 1497, 1498, 1604, 1729, 1807, 1812, 1822, 1862, 1907, 2007, 2009, 2011, 2012, 2015, 2017, 2068, 2070, 2072, 2073, 2086, 2087, 2090, 2100, 2101, 2104, 2121, 2122, 2125, 2128, 2129, 2135, 2141, 2149, 2156, 2157, 2164, 2165, 2185, 2191, 2192, 2193, 2194, 2196, 2198, 2199, 2200, 2201, 2230, 2233, 2235, 3352, 4096, 4102, 4334, 4336, 4338, 4347, 10603, 10606, 10620, 10625, 10627, 108946, 108947, 108948, 108971, 108978, 108982, 108983, 108990, 108997, 108999, 109000, 109015, 109054, 109119, 109121, 109130, 109153 e 109167. 1.3. Exclusões Obrigatórias da Base de Cálculo – Devolução de Vendas As devoluções de vendas devem ser excluídas da receita bruta por serem equiparadas às vendas canceladas. Enquanto nas vendas canceladas não houve sequer o auferimento de receita, pela ausência de efetivação da operação, nas devoluções houve a entrega dos produtos com a subsequente devolução pelo destinatário. Assim, estamos diante de uma exclusão obrigatória da base de cálculo da contribuição e não de uma inclusão indevida. A possibilidade de exclusão das devoluções de venda da receita bruta e, consequentemente da base de cálculo das contribuições é tema pacífico, mesmo dentro da Receita Federal do Brasil, conforme Solução de Consulta nº 212/2012 e nº 11/20024. Todas as Notas Fiscais de devolução encontramse devidamente documentadas e registradas, encontramse anexadas à presente impugnação (Anexo VIII) e deveriam ser excluídas para fins de apuração da base de cálculo, uma vez que a totalidade das Notas Fiscais de saída destinadas ao mercado interno, assim como as destinadas ao mercado interno com fins específicos de exportação, foram computadas na base de cálculo das contribuições. 2. Da Incorreta Quantificação do Lançamento Desconsideração dos Valores já Recolhidos Ao quantificar os valores exigidos no presente auto de infração, a fiscalização simplesmente ignorou todos os valores recolhidos, como se não tivesse havido nenhum recolhimento, e exigiu a contribuição integralmente, sem qualquer tipo de abatimento. Fl. 10021DF CARF MF Processo nº 14098.720116/201445 Acórdão n.º 2201004.627 S2C2T1 Fl. 10.022 8 As cópias anexas das Guias da Previdência Social (GPS) comprovam o recolhimento das contribuições com base na folha de pagamento no período de janeiro de 2010 a dezembro de 2011 (Anexo IX). Tal conduta viola o princípio da moralidade administrativa e caracteriza um enriquecimento ilícito por parte do Fisco. Registra que analisando questão análoga deste mesmo contribuinte, nos autos do Processo Administrativo n° 10183.722380/201151, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campo Grande MS decidiu pelo aproveitamento dos recolhimentos realizados sob o código 2100. Cita decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais relativas ao abatimento de valores recolhidos na modalidade de SIMPLES com créditos constituídos em lançamento de ofício. Entende que é o caso de se aplicar a imputação dos pagamentos realizados, deduzindo tais valores dos créditos lançados no presente auto de infração. Para tanto, afirma que o presente julgamento deve ser convertido em diligência para que seja refeita a quantificação do lançamento, deduzindo mês a mês todos os valores recolhidos pela Impugnante a título de contribuição previdenciária. 3. A Questão do Depósito Integral do Ano de 2010 Afirma que as diversas falhas e erros de conceituação fizeram com que a fiscalização chegasse à conclusão de que o depósito realizado nos autos dos Mandados de Segurança foi calculado com base na folha de pagamentos. Partindo da premissa de que a própria fiscalização reconhece que a Impugnante entregou as GFIPs com base na folha de salários e todas as GPS foram devidamente recolhidas, fica absolutamente ilógico tal raciocínio. Por quais motivos a Impugnante iria recolher as GPS com base na folha de salários e depositar o mesmo valor judicialmente? Os valores depositados são totalmente divergentes dos valores recolhidos por meio de GPS. Segundo a impugnante, caso feitas as correções devidas na base de cálculo do tributo exigido, concluirseá que o valor depositado para o ano de 2010 é integral. O simples cotejamento dos valores das receitas declarados em Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do ano 2010 (Anexo X), bem como os valores das receitas contabilizados e registrados na Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) do mesmo período (Anexo VII), com o valor da base de cálculo utilizada para apuração dos valores constante das guias de depósito permite concluir que não existe diferença de contribuição a ser cobrada para o ano de 2010. Tanto os valores resultantes das operações no mercado interno, quanto os resultantes de operações de exportações indiretas (vendas com fins específicos de exportação) foram integralmente depositados. Conforme demonstrativos de apuração dos depósitos judiciais (Anexo XI) é possível verificar que o depósito considerou a totalidade das receitas, sendo inclusive aplicada a Fl. 10022DF CARF MF Processo nº 14098.720116/201445 Acórdão n.º 2201004.627 S2C2T1 Fl. 10.023 9 multa de mora (20%) além de juros pela taxa Selic. Também estão anexadas as Guias dos Depósitos Judiciais e extratos atualizados (Anexo XI). Considerando que os depósitos foram realizados sem qualquer abatimento e que a Impugnante já havia recolhido os valores calculados sobre a folha de salários, é correto afirmar que o depósito não foi apenas integral, mas realizado em montante superior ao devido, pois além de pagar sobre a folha de pagamentos por meio de GPS, depositou judicialmente integralmente os valores calculados com base na receita da comercialização. Os depósitos judiciais realizados enquadramse perfeitamente no inciso II do artigo 151 do Código Tributário Nacional, de maneira que é ilegal a aplicação da multa de ofício de 75 % (setenta e cinco por cento) para o ano de 2010. Entende que deve ser convertido em diligência o presente julgamento, a fim de que o Auditor Fiscal competente refaça a quantificação do lançamento, deduzindo os valores depositados judicialmente pela Impugnante. 4. Da Inexigibilidade da Contribuição Sobre a Produção Rural da Impugnante por Força do Desenvolvimento de Atividade Econômica Autônoma Conforme reza seu contrato social e narra o relatório fiscal, além de sua atividade principal, que consiste na produção agrícola, a empresa desenvolve as seguintes atividades: importação e exportação de produtos agrícolas e da pecuária; compra e venda de terras; arrendamentos de terras para exploração agrícola e da pecuária; comercialização no mercado interno e exportação direta e indireta de soja, milho, algodão, milheto, trigo e todos os seus derivados e outros produtos agropecuários; comercialização de insumos agropecuários; prestação de serviços de escritório e administrativos, comerciais e financeiros, entre outros. A afirmação de que não existe estrutura operacional definida em relação à atividade autônoma merece correção. Conforme demonstram os documentos anexos (Anexo XII), a Filial 3103 que é a unidade encarregada das atividades autônomas, entendase, atividades comerciais, possui organograma funcional, endereço e prédio próprio, centro de custos individualizado, bem como estrutura de comando e pessoal especializado, inclusive com cartão de visita exclusivo da "Comercial Exportadora COMEX". A filial não é produtora de soja e não comercializa apenas produto produzido pela atividade de produção rural da empresa, ela atua com a compra e revenda (no mercado externo e interno) de produtos agrícolas e defensivos agrícolas de terceiros para terceiros. Outro argumento sustentado pela fiscalização que não merece prosperar é a “suposta falta de funcionários especializados para exercício da atividade autônoma. A própria fiscalização faz referência expressa às fls. 12 aos profissionais cujas Fl. 10023DF CARF MF Processo nº 14098.720116/201445 Acórdão n.º 2201004.627 S2C2T1 Fl. 10.024 10 especialidades estão essencialmente relacionadas ao comércio exterior. Definitivamente a fiscalização não entendeu o que é uma empresa comercial exportadora.” (com grifos no original) .... “Em outras palavras, a Impugnante não precisa mais do que alguns funcionários com conhecimentos específicos de comércio exterior, sob a coordenação de um gerente e outros poucos no apoio para operar normalmente. Não é difícil se encontrar no mercado brasileiro empresas comerciais exportadoras renomadas que tem apenas dois ou três empregados. A finalidade das referidas empresas é comprar e revender mercadorias e não produzilas ou transportálas.” “Por outro lado, a argumentação da fiscalização de que não haveria atividade autônoma porque a filial não teria inscrição estadual e não recolheria o ICMS causou perplexidade à Impugnante.” “Inicialmente, porque a Impugnante tem inscrição estadual habilitada perante o Estado do Mato Grosso, o que se pode verificar online no sitio da Fazenda do Estado. Uma diligência mínima da fiscalização comprovaria este fato. Juntamos à presente impugnação os comprovantes de inscrição estadual da filial comercial exportadora (Anexo XIII). Agora a questão da falta de recolhimento do ICMS, demonstra que a fiscalização desconhece por completo a legislação constitucional sobre o tema.” “Em relação às vendas realizadas para o mercado externo, a Impugnante não tem como apresentar a guia de pagamento do ICMS simplesmente porque a exportação de mercadorias tem imunidade tributária em relação a este tributo.” “Já em relação às vendas das mercadorias no mercado interno, a Impugnante goza de isenção e diferimento no pagamento do ICMS, tratamentos que lhe retira o dever de pagar o imposto. Todos os outros documentos relativos à escrituração do ICMS da filial comercial exportadora encontramse anexos (Anexo XIV).” A alegação da fiscalização de que a atividade autônoma da Impugnante seria no máximo eventual também não se sustenta. A evolução do faturamento da atividade autônoma permite concluir que ela não é eventual. Apresenta gráfico “Demonstrativo da Receita Bruta Anual”. Afirma que não é possível tratar como eventual a operação demonstrada no Gráfico que representou 1/3 das operações praticadas pela empresa já em 2013 e em 2011 (primeiro ano de atividade da filial) auferiu receitas que representaram 12% da receita bruta anual da empresa. A alegação de que o CNAE da Impugnante seria inadequado e que existem vendas de mercadorias próprias tratase de erro básico de se confundir o CNAE de cultivo de soja (01.156/00) com o de comercialização atacadista de soja (46.222.00). Enquanto o primeiro pressupõe o cultivo e a venda, atividades estritamente relacionadas aos produtores rurais, o segundo pressupõe apenas a revenda que é justamente o objetivo de uma comercial exportadora. O CNAE de comércio atacadista permite à filial 3103 revender mercadorias adquiridas de terceiros, ao Fl. 10024DF CARF MF Processo nº 14098.720116/201445 Acórdão n.º 2201004.627 S2C2T1 Fl. 10.025 11 contrario do CNAE do produtor que, via de regra, restringese a comercialização habitual de sua própria produção. Quanto à afirmação de que não foi comprovada a venda de mercadorias para terceiros com os CNAEs secundários, a documentação fiscal anexada (Anexo XV) “desmente totalmente o trabalho fiscal.” Pelo exposto, “não é preciso muito esforço para perceber que a Impugnante desenvolve atividades econômicas autônomas à atividade de produção agrícola.” E, nos termos do disposto no parágrafo 22 do artigo 201 do Regulamento da Previdência Social está obrigada a recolher suas contribuições previdenciárias sobre a folha de salários. Refere, ainda, decisões administrativas proferidas pelos então Conselho de Recursos da Previdência Social e Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, concluindo que de ambos julgamentos resta evidenciado que o Fisco, ao enquadrar as atividades econômicas dos contribuintes, deve analisar a origem das receitas auferidas bem como as atividades econômicas desenvolvidas conforme disposto em seu contrato social. 5. Violação Ao Princípio Da Isonomia Tributária 6. Inconstitucionalidade Da Contribuição Exigida Apresenta, nos tópicos em referência, argumentos no sentido de que a instituição de contribuição previdenciária incidente sobre a produção rural das pessoas jurídicas, nos termos exigidos pelo artigo 25, incisos I e II da Lei n° 8.870/94 viola o princípio da isonomia tributária. Discorre acerca “do contexto da Lei nº 8.870/94 no custeio da Seguridade Social” e das “inconsistências da Lei nº 10.256/01 ao ressurgir com contribuição social inválida ao invés de instituíla”, concluindo que a forma de custeio prevista na Lei 8.870/94 nasceu inconstitucional por afronta ao capitulado no parágrafo 4º do artigo 195 da Constituição da República, sendo nula de pleno direito. 7. Da Invalidade Da Contribuição ao SENAR nos Moldes Exigidos Neste tópico da peça impugnatória a empresa apresenta entendimento no sentido da ilegalidade da contribuição destinada ao custeio do SENAR nos termos exigidos, alegando, em síntese, que tal contribuição não é de seguridade social, mas sim de intervenção no domínio econômico ou de interesse de categoria econômica, não podendo recair sobre a receita, pois não amparada na tributação de bases diferenciadas de que trata o parágrafo 9o do artigo 195 da Constituição Federal, redação dada pela EC 20/98, específico para contribuições de seguridade social. Fl. 10025DF CARF MF Processo nº 14098.720116/201445 Acórdão n.º 2201004.627 S2C2T1 Fl. 10.026 12 Todavia, admitida a natureza de contribuição social geral ou contribuição de intervenção no domínio econômico, seja qual for, a impetrante tem o “direito de fruir” da imunidade estabelecida no inciso I do parágrafo 2º do art. 149 do Texto Constitucional, já que a imunidade não alcança apenas as receitas de exportação diretas, mas também as indiretas, como restou exaustivamente demonstrado. 8. Incidência da Contribuição Sobre Receitas Imunes às Contribuições Sociais Apresenta argumentos no sentido de que o lançamento é insubsistente quanto à incidência da contribuição sobre a receita bruta da comercialização da produção rural para empresas comerciais exportadores com o fim específico de exportação. Discorre acerca da legislação relativa à COFINS, aduzindo que a incursão a esta legislação foi necessária para evidenciar o "erro de interpretação" do Fisco quanto à matéria, como exteriorizado no parágrafo 2° do artigo 170 da IN RFB 971/09, em face da imunidade advinda com a edição da Emenda Constitucional 33, em relação às receitas oriundas de exportação. Do Pedido Diante de todo o exposto, requer: a) seja reconhecida a nulidade do lançamento e cancelados os Autos de Infração lavrados ou, no mínimo, seja determinada a baixa dos autos em diligência para ajuste da base de cálculo do tributo, promovendose a exclusão dos valores indevidamente lançados, bem como a apropriação dos valores recolhidos em GPS sobre a folha de pagamento; b) especificamente em relação ao ano de 2010, seja reconhecida a existência de depósito judicial prévio e cancelado o lançamento sobre os montantes depositados, por força do disposto no inciso II do artigo 151 do Código Tributário Nacional; c) ainda que se entenda ser possível manter o lançamento do principal, a exclusão da multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) e dos juros é de rigor, sobre os valores depositados; d) face à vasta comprovação do exercício de atividade econômica autônoma, o seu reconhecimento e a conseqüente anulação dos Autos de Infração. Também requer a produção de prova pericial para efeito de demonstrar a suficiência do deposito judicial para o ano de 2010, a inclusão indevida no lançamento de diversas notas fiscais e a presença dos elementos caracterizadores da atividade autônoma. Afirma que a “perícia é fundamental para comprovar que não havia diferença a ser lançada em relação ao ano de 2010, que a fiscalização cometeu diversos erros de lançamento, especialmente a inclusão da nota fiscal 000.000.243 que sozinha representa quase 70% do valor da autuação, bem como que a atividade autônoma está perfeitamente caracterizada por meio dos documentos contábeis e fiscais que acompanham a inicial.” Fl. 10026DF CARF MF Processo nº 14098.720116/201445 Acórdão n.º 2201004.627 S2C2T1 Fl. 10.027 13 Em cumprimento ao disposto no artigo 16, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72, indica perito e apresenta quesitos. Ao final, requer, em síntese, seja conhecida e provida a presente impugnação, a fim de declarar insubsistentes os autos de infração lavrados no processo administrativo em epígrafe, pelas razões já expostas. Da Diligência Fiscal Ante as alegações do contribuinte, em especial em decorrência da robusta documentação anexada aos autos, foi deferido o pedido de Diligência Fiscal, assim resumida pela DRJ: Considerandose a impugnação apresentada, os autos foram encaminhados à fiscalização, nos termos do Despacho de Diligência nº 01/2015 (fls. 9.644/9.647), para manifestação quanto às alegações relativas: a) às notas fiscais consideradas várias vezes no lançamento fiscal (fls. 4.851/4.853); b) ao valor da Nota Fiscal nº 000.000.243 que, segundo a empresa, não representou receita para inclusão na base de cálculo das contribuições exigidas em razão de ter ocorrido erro de digitação corrigido pela Nota Fiscal n° 000.000.245 emitida no mesmo dia (fls. 4.850/4.851); c) aos valores depositados judicialmente (fls. 4.858/4.860). Conforme Relatório de Diligência (fls. 9.650/9.663), a autoridade lançadora manifestouse, em síntese, da seguinte forma: a) quanto às notas fiscais de saída, cujos valores teriam sido considerados mais de uma vez como base de cálculo das contribuições lançadas, que assiste razão parcial a impugnante, devendo ser abatidos das bases de cálculo valores considerados indevidos, na forma demonstrada na Informação Fiscal; b) que não foi devidamente demonstrada a inclusão indevida do valor correspondente à nota fiscal n° 243, em razão de ter sido constatado por meio de consulta efetuada junto ao portal da nota fiscal eletrônica, na internet, que a referida nota não foi cancelada pela Secretaria de Fazenda do Estado de Mato Grosso SEFAZ/MT, encontrandose na situação “autorizada”; c) não foi acolhida a alegação de que, relativamente ao ano de 2010, tanto os valores resultantes das operações no mercado interno, quanto os resultantes de operações de exportações indiretas foram integralmente depositados em juízo. O montante legitimo do crédito não é aquele tido como correto pelo contribuinte depositante, mas o que contempla o importe calculado pelo Fisco. A empresa teve ciência do inteiro teor da diligência fiscal, em 16/03/2015, fl. 9.664. Apresentou manifestação, fls. 9.665/9.693, Fl. 10027DF CARF MF Processo nº 14098.720116/201445 Acórdão n.º 2201004.627 S2C2T1 Fl. 10.028 14 tempestivamente, em 17/03/2015, fl. 9.694, com os seguintes argumentos. a) A assertiva da fiscalização de que não teria havido repetição das notas fiscais nº 1807, 2156, 2230 e 2235, não corresponde à realidade, considerando que: 1) a nota fiscal nº 1807, do estabelecimento 05.683.277/001151 foi triplicada na quantificação dos valores, conforme Relatório de Lançamentos do AI Debcad nº 51.046.0828, em sua página 365; 2) a nota fiscal nº 2156 compõe tanto a base de cálculo do levantamento "Comerc Comercial Exportadora" do estabelecimento 05.683.277/001402 (conforme "Relatório de Lançamentos do AI – Debcad nº 51.046.0828, página 503) quanto a base de cálculo do levantamento "Comerc Mercado Interno" do estabelecimento 05.683.277/001402 (conforme Relatório de Lançamentos do Al Debcad nº 51.046.0828, página 548) ; 3) a nota fiscal nº 2230 foi considerada 4 vezes na quantificação da base de cálculo do estabelecimento 05.683.277/001747, competência 01/2011, conforme Relatório de Lançamentos do AI Debcad nº 51.046.0828, em sua página 606; 4) as notas fiscais nº 2235 e nº 2233, compõem a quantificação da base de cálculo da competência 02/2011 do estabelecimento 05.683.277/0017 47 e foram duplicadas. 5) Todas as incoerências acima apontadas se repetem na quantificação do AI Debcad nº 51.046.0836, conforme atesta seu Relatório de Lançamentos, na página 372 (Nota Fiscal 1807), páginas 512 e 557 (Nota Fiscal 2156), página 616 (Nota Fiscal 2230) e página 608 (Notas Fiscais 2235 e 2233). b) Quanto à Nota Fiscal nº 243, no valor de R$ 1.712.304.400,00: reitera argumentos já apresentados na peça impugnatória protocolizada por ocasião da ciência do Auto de Infração, fls. 4.841/4.923, acrescentando que: 1) o fato gerador da referida contribuição, conforme dispõe a Lei nº 8.870/94, em seu artigo 25, não é a emissão de nota fiscal, mas sim a receita bruta auferida pela comercialização de produção rural própria, situação fática não apontada pela fiscalização como materializada. A autoridade lançadora não apontou nenhum elemento que retratasse ter havido comercialização de mercadoria, mas tãosomente asseverou que houve a emissão da nota fiscal, o que seria suficiente para incluíla na base de cálculo da contribuição. Para que haja receita bruta, fazse necessário o aperfeiçoamento do contrato de compra e venda (entrega do produto), conforme já decidiu o Plenário do Supremo Tribunal Federal, em julgamento submetido à sistemática de recurso repetitivo (RE 586.482RS, DJe 119, de 19062012); Fl. 10028DF CARF MF Processo nº 14098.720116/201445 Acórdão n.º 2201004.627 S2C2T1 Fl. 10.029 15 2) a fiscalização não se manifestou sobre a nota fiscal nº 243 ter sido substituída pela nota fiscal nº 245. Confrontandose uma nota fiscal pela outra, evidenciase que a nota fiscal nº 245 foi emitida em substituição à nota fiscal nº 243 (apresenta comparativo identificando para as notas fiscais 245 e 243: o destinatário, a data da emissão, data da saída, quantidade e valor unitário). Junta declaração emitida pela destinatária da Nota Fiscal nº 243; 3) o mero fato da nota fiscal estar válida no portal da nota fiscal eletrônica não implica necessariamente no auferimento de receita, como por exemplo nos casos de vendas que não se implementaram em razão da devolução da mercadoria, nos termos do entendimento já exarado pela própria Receita Federal do Brasil na Solução de Consulta COSIT n. 40, de 19 de fevereiro de 2014. c) Do depósito integral das contribuições previdenciárias – 2010: reitera argumentos já apresentados na peça impugnatória protocolizada por ocasião da ciência do Auto de Infração, fls. 4.841/4.923, acrescentando que: 1) a contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural é um tributo sujeito ao lançamento por homologação. Assim, cabe ao contribuinte quantificar o crédito tributário e antecipar a sua quitação. O depósito judicial do montante integral faz as vezes do lançamento, conforme reiterada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça; 2) mesmo se o depósito não tivesse sido integralmente realizado, ainda assim, os valores depositados deveriam ter sido deduzidos do crédito tributário constituído, afastandose a multa de ofício, assim como os juros, sobre os valores já depositados, conforme jurisprudência pacificada até mesmo na esfera administrativa. A autoridade lançadora examinou a manifestação da empresa acerca da Diligência Fiscal. Conforme o Despacho de fls. 9.694, acolheu o argumento da impugnante relativo à repetição das notas fiscais nº 2230, 2233 e 2235, informando os valores que devem ser excluídos do lançamento fiscal. Da Decisão da DRJ Quando do julgamento do caso, a DRJ em Porto Alegre/RS, às fls. 9696/9738, julgou parcialmente procedente o lançamento, através de acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 PRODUTOR RURAL. ATIVIDADE ECONÔMICA AUTÔNOMA PARA FINS DE TRIBUTAÇÃO PREVIDENCIÁRIA COM BASE NA FOLHA DE PAGAMENTO. Fl. 10029DF CARF MF Processo nº 14098.720116/201445 Acórdão n.º 2201004.627 S2C2T1 Fl. 10.030 16 A venda de sementes, defensivos agrícolas, fertilizantes e de soja adquirida de terceiros, realizada de forma esporádica, é insuficiente para configuração de uma atividade econômica autônoma para fins da alteração do enquadramento pretendido pela impugnante. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL COM EMPRESA CONSTITUÍDA E EM FUNCIONAMENTO NO PAÍS. IMUNIDADE. INEXISTÊNCIA. Não incidem as contribuições previdenciárias sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos, cuja comercialização ocorra diretamente com adquirente domiciliado no exterior. A imunidade não alcança a receita decorrente da comercialização de produção rural com empresa constituída e em funcionamento no País, independentemente da destinação que esta dará ao produto. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APROVEITAMENTO DE RECOLHIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão de abatimento no lançamento de ofício de recolhimentos não vinculados aos fatos geradores apurados no lançamento. PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÕES. Quando se tratar de pessoa jurídica que tenha como fim apenas a atividade de produção rural, a contribuição devida à Seguridade Social incide sobre o total da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, assim entendida a operação de venda ou consignação, não havendo previsão legal que autorize a exclusão das vendas canceladas e da devolução de vendas. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 SENAR. EXPORTAÇÃO. IMUNIDADE. INEXISTÊNCIA. A imunidade das contribuições sociais sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos não atinge a contribuição devida ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR, por se tratar de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas. PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA. SENAR. É devida pelo produtor rural pessoa jurídica a contribuição social para o SENAR, incidente sobre a receita bruta da comercialização da sua produção rural, na forma da legislação própria. Fl. 10030DF CARF MF Processo nº 14098.720116/201445 Acórdão n.º 2201004.627 S2C2T1 Fl. 10.031 17 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia objetiva subsidiar a convicção do julgador e não inverter o ônus da prova já definido na legislação. Descabe a realização de perícia quando constarem do processo todos os elementos necessários à formação da convicção do julgador para a solução do litígio. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. A constitucionalidade das leis é vinculada para a Administração Pública, sendo defeso à autoridade julgadora administrativa afastar a sua aplicação, por inconstitucionalidade, ressalvados, somente, os casos previstos no parágrafo 6º do artigo 26A, do Decreto nº 70.235/72, nenhum dos quais restou configurado no presente processo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O julgador entendeu por manter em parte o crédito tributário exigido, exonerando as contribuições demonstradas no Anexo 1 (Retificação dos Lançamentos) que integra o acórdão da DRJ (fls. 9742/9743). No mérito, entendeu como prejudicada todas as alegações do contribuinte que de alguma forma impliquem em arguição de inconstitucionalidade, ante a falta de competência do tribunal administrativo para julgar a matéria. Quanto ao argumento de desenvolvimento de atividade econômica autônoma, decidiu o julgador que o contribuinte não logrou em comprovar com exatidão necessária o exercício de atividade diversa, realizada em caráter não eventual. Decidiu também que a utilização da Nota Fiscal como base de cálculo para apurar o valor das contribuições previdenciárias devidas não implica em nulidade do lançamento. Quanto ao argumento de que a nota fiscal nº 243 foi substituída pela nota fiscal nº 245, o julgador decidiu não ser possível a substituição de nota fiscal que tem validade jurídica junto ao fisco responsável pela autorização de sua emissão, ou seja, de nota fiscal cujo cancelamento foi indeferido. Por sua vez, entendeu que a Receita Bruta deve ser apurada levando em consideração o valor da operação de venda, por força no disposto no §15, inciso IV do art. 201 do Decreto nº 3.048/1999 (RPS), de forma que correta a não exclusão das vendas canceladas e da devolução das vendas. Entendeu pela procedência do argumento do contribuinte da existência de notas fiscais lançadas repetidas vezes, e determinou a exclusão destes valores. Fl. 10031DF CARF MF Processo nº 14098.720116/201445 Acórdão n.º 2201004.627 S2C2T1 Fl. 10.032 18 Ainda, decidiu ser correta a quantificação do lançamento desconsiderando os valores já recolhidos, ante a revogação do art. 457 da IN RFB nº 971 pela IN RFB 1.477/2014, que não mais prevê está possibilidade, o que, por força do princípio da estrita legalidade, impede a desconsideração dos valores supostamente já recolhidos. No tocante a imunidade tributária estabelecida pela constituição federal no seu art. 149, §2º, inciso I, entendeu que apenas abrange as operações de exportação realizadas diretamente pelo contribuinte ao exterior, não abarcando as realizadas através de empresa intermediadora sediadas em território nacional (trading companies). Por fim, entendeu ser descabido o pedido de perícia solicitado, pois o processo já encontra maduro para julgamento. Do Recurso Voluntário A RECORRENTE, intimada da decisão da DRJ em 24/9/2015, conforme termo de abertura de documento de fls. 9762, apresentou o recurso voluntário de fls. 9765/9861 em 26/10/2015. Em suas razões de recurso, a RECORRENTE reiterou o alegado em sua Impugnação. No dia 26/10/2015 a RECORRENTE foi intimada a, no prazo de 10 dias, apresentar procuração e regular a representação processual do Recurso Voluntário, determinação cumprida no dia 4/11/2015, às fls, 9978. Das Contrarrazões ao Recurso Voluntário A UNIÃO (RECORRIDA), apresentou, em 15/12/2015, às fls. 9950, Contrarrazões ao Recurso Voluntário. Em suas razões, reiterou todos os argumentos do acórdão da DRJ, acima relatado. Da Petição de Desistência Parcial do Recurso. A RECORRENTE, em 28/5/2018, apresentou petição informando a adesão ao Programa de Regularização Tributária Rural em relação às competências de janeiro/2010 e março/2010 a dezembro/2011 da DEBCAD nº 51.046.0828. Assim, requereu a desistência do recurso quanto às referidas competências da DEBCAD nº 51.046.0828. Informa que quanto a competência de fevereiro/2010 da DEBCAD nº 51.046.0828, mês do lançamento da nota fiscal nº 243/2010, mantemse todos os argumentos elencados pelo recurso voluntário. Já em relação à DEBCAD nº 51.046.0836 a RECORRENTE informa que e mantém a discussão nos termos já apresentados, sem qualquer tipo de ressalva e desistência. Este recurso voluntário compôs lote, sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o Relatório. Fl. 10032DF CARF MF Processo nº 14098.720116/201445 Acórdão n.º 2201004.627 S2C2T1 Fl. 10.033 19 Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Delimitação do litígio. Conforme exposto, o RECORRENTE aderiu ao Programa de Regularização Tributária Rural em relação às competências de janeiro/2010 e março/2010 a dezembro/2011 apenas em relação ao DEBCAD nº 51.046.0828 (Contribuições Previdenciárias). Sendo assim, a análise do recurso voluntário deve seguir em relação a todo o período controlado pelo DEBCAD nº 51.046.0836 (Terceiros – SENAR) e somente em relação ao período de fevereiro/2010 do DEBCAD nº 51.046.0828. Preliminarmente. Judicialização do caso. Observo que o RECORRENTE aponta para a existência de processo judicial (Mandado de Segurança), com identidade de partes e objeto em relação ao presente processo administrativo. O RECORRENTE reconhece expressamente que a ação por ele ajuizada possui o mesmo objeto de fundo do caso em análise. Na ação judicial, o RECORRENTE pleiteia o reconhecimento da imunidade das receitas provenientes da comercialização indireta para o exterior das contribuições previdenciárias previstas nos incisos I e II do art. 25 da Lei nº 8.870/1994 bem como das contribuições previdenciárias para terceiros (SENAR) prevista no §1º do art. 25 da Lei nº 8.870/1994. A ação judicial do RECORRENTE foi inicialmente distribuída sob o nº 001166529.2011.4.01.3600 para a 1ª Vara Federal da Seção Judiciária de Mato Grosso (1º Vara Federal de Cuiabá). Em pesquisa no sítio eletrônico do Tribunal Regional Federal da 1º Região (https://portal.trf1.jus.br), constatei que o Recurso de Apelação em Mandado de Segurança interposto pelo RECORRENTE (distribuído sob o nº 001166529.2011.4.01.3600) ainda não foi julgado. A discussão da matéria de defesa no Judiciário enseja a renúncia ao processo administrativo fiscal. Em razão do princípio da unicidade de jurisdição, ao ingressar no judiciário o contribuinte abre mão de se defender administrativamente haja vista que a decisão judicial sobrepõe ao que restar firmado em instâncias administrativas. Fl. 10033DF CARF MF Processo nº 14098.720116/201445 Acórdão n.º 2201004.627 S2C2T1 Fl. 10.034 20 Neste sentido, a Súmula nº 01 do CARF dispõe o seguinte: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Desta forma, todas as questões abordadas nos autos daquele processo não devem ser apreciadas neste recurso, pois objetos da ação judicial. Analisando a petição inicial acosta aos autos nas fls. 9.866/9.888, percebese que a ação judicial busca reconhecer a imunidade constitucional das contribuições previdenciárias (art. 25, I e II, da Lei nº 8.870/94) sobre as receitas provenientes da exportação indireta, realizadas através de Trading Companies. Do mesmo modo, busca também reconhecer a imunidade das do SENAR (art. 25, §1º, da Lei nº 8.870/94) sobre as receitas provenientes da exportação indireta e direta: Assim, não há mais sentido esse órgão julgador debater as questões adjacentes à legalidade/constitucionalidade da cobrança do SENAR (DEBCAD nº 51.046.083 6) e também das contribuições previdenciárias relativas ao período de fevereiro/2010 controladas no DEBCAD 51.046.0828 sobre as receitas da exportação através de Trading Companies. Por sua vez, a RECORRENTE também impetrou o Mandado de Segurança nº 001166796.2011.4.01.3600, (fls. 9889 e ss.) distribuído por dependência ao processo supramencionado, também aguardando julgamento no TRF1. Fl. 10034DF CARF MF Processo nº 14098.720116/201445 Acórdão n.º 2201004.627 S2C2T1 Fl. 10.035 21 Na mencionada ação judicial há identidade de argumentos, implicando em renúncia da discussão em seara administrativa, quais sejam: (i) inconstitucionalidade da incidência das contribuições previdenciárias e para terceiros (SENAR) sobre a receita bruta, nos termos do art. 25, incisos I e II, caput, e §1º da Lei nº 8.870/1994, ao passo que deveria incidir sobre a folha de pagamento; (ii) violação aos princípios da isonomia tributária: Por outro lado, o recurso voluntário deve ser apreciado quanto as outras questões objeto do presente lançamento que não foram objeto da ação judicial. MÉRITO 1. Das Alegações De Inconstitucionalidade Alega a recorrente que a cobrança das contribuições previdenciárias e para terceiros exigidas nos moldes dos incisos I e II, caput, e §1º do art. 25 da lei nº 8.870/1994, ou seja, incidente sobre a receita bruta, viola o princípio constitucional da isonomia tributária. Defendeu também a inconstitucionalidade da lei nº 10.256/2001 ao ressurgir com a contribuição social em desacordo com as normas constitucionais. Conforme exposto, tais questões são objeto de ação judicial apresentada o RECORRENTE. Mesmo assim, em que pese os argumentos do contribuinte, este colegiado não é tribunal constitucional, ficando impossibilitado de reconhecer a inconstitucionalidade de qualquer norma. Portanto, quanto a este tópico, entendo ser aplicável a Súmula CARF 02 e o caput do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, e não reconheço a competência desta Turma para se manifestar sobre essa questão. Decreto nº 70.235, de 1972 Art. 26A . No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar Fl. 10035DF CARF MF Processo nº 14098.720116/201445 Acórdão n.º 2201004.627 S2C2T1 Fl. 10.036 22 tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 2. Da Nota Fiscal nº 243 Acredito que merece prosperar o argumento do contribuinte de que indevida a inclusão na base de cálculo das contribuições previdenciárias ora cobradas os valores constantes na nota fiscal nº 243, visto que efetivamente comprovado tratarse de erro no documento fiscal. A DRJ, em síntese, decide pela legalidade da inclusão da Nota Fiscal nº 243 tomando como base o indeferimento, por parte da SEFAZMT, do pedido de cancelamento da NFe, que se deu nos seguintes termos: DOS FATOS/CONCLUSÃO: Tendo em vista o pedido do contribuinte formulado através do processo acima identificado, para ANULAÇÃO de NFe, opinamos pelo: ( x ) INDEFIRO, pelos motivos abaixo relacionados: & 61692; não foi anexado ao presente, documento hábil com poderes para que o infra assinado represente no processo; & 61692; não foi anexado ao processo, declaração firmada pelo destinatário, informando que não recebeu o produto, não utilizou e nem compensou o ICMS devido (§ 2º, inciso II, do Art. 18B, da PC 163/07, caso o destinatário consignado na NFe for estabelecido em outra UF, cumprir com § 3º, §4º e §5º, do Art. 18A, da PC 163/07); & 61692; requerimento contendo descrição circunstanciada das causas do pedido de anulação (§2º, Art 18A, PC 163/07); e identificação completa de quem assinou o requerimento; e Agência Fazendária de Lucas do Rio Verde, 30 de setembro de 2011. JANETE APARECIDA DOS SANTOS JOTA AAF – 488040019 30/09/2011 11:08:54 (sem grifos no original) Conforme petição acostada aos autos nas fls. 10.006/10.007, a nota fiscal foi devidamente cancelada, devendo ser afastada a cobrança das contribuições previdenciárias sobre estes valores. Ademais, como se sabe, o processo administrativo é regido pelo princípio da verdade material. Conforme apontado pelo próprio contribuinte, existem diversos fatos que apontam para ocorrência de erro no preenchimento da nota fiscal, quais sejam: (i) valor unitário idêntico a quantidade de saída (valor unitário de R$ 41.380,00, quantidade de 41.380,00); (ii) valor unitário 100.000x maior do que a média das outras notas fiscais (valor unitário de R$41.380,00 / valor unitário médio de R$ 0,40); (iii) existência de outra nota fiscal para o mesmo adquirente, com a mesma quantidade, e emitida no mesmo dia; (iv) valor de uma única nota fiscal correspondendo a 19,61% da produção total de todo o Estado de Mato Grosso; (v) valor da operação absurdamente superior a todas as outras notas fiscais juntadas ao presente processo administrativo. Fl. 10036DF CARF MF Processo nº 14098.720116/201445 Acórdão n.º 2201004.627 S2C2T1 Fl. 10.037 23 Existem diversos indícios que comprovam a ocorrência de erro de fato, portanto, tal nota fiscal deve ser afastada da composição da base de cálculo das contribuições previdenciárias objeto do presente feito. Por fim, ressaltase que a manutenção destes valores, claramente fruto de erro, pode gerar à judicialização desta demanda, que pode facilmente ser resolvida administrativamente, sob pena de se gerar prejuízos ao Estado Brasileiro, tanto com custas processuais, como com honorários advocatícios de sucumbência. 3. Da Exclusão Das Vendas Canceladas Neste tópico, entendeu a DRJ que a Receita Bruta deve ser apurada levando em consideração o somatório do valor de todas as operações de venda, não se admitindo qualquer exclusão. Defende que, em verdade, o RECORRENTE erroneamente conceitua receita bruta como receita líquida, por força do disposto no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/1977: Art. 12. A receita bruta compreende: I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; II o preço da prestação de serviços em geral; III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. § 1º A receita líquida será a receita bruta diminuída de: I devoluções e vendas canceladas; II descontos concedidos incondicionalmente; III tributos sobre ela incidentes; e IV valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações vinculadas à receita bruta. Em que pese a argumentação apresentada pelo acórdão recorrido, entendo que merece prosperar o argumento do contribuinte. Ora, não cabe a Lei Tributária alterar a definição e o alcance dos institutos de direito privado, nos termos do art. 110 do CTN, verbis: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Desta forma, o conceito de Receita Bruta utilizada pela administração pública como base de cálculo para incidência de tributos deve ser compatível com os do direito Fl. 10037DF CARF MF Processo nº 14098.720116/201445 Acórdão n.º 2201004.627 S2C2T1 Fl. 10.038 24 privado. Por se tratar de um conceito contábil, a Receita Bruta deve ser àquela entendida nos termos da NBCTG nº 30. Inclusive, não há qualquer discussão acerca dos efeitos tributários da norma contábil, por força do expresso no artigo art. 58 da Lei nº 12.973/2014, verbis: Art. 58 A modificação ou a adoção de métodos e critérios contábeis, por meio de atos administrativos emitidos com base em competência atribuída em lei comercial, que sejam posteriores à publicação desta Lei, não terá implicação na apuração dos tributos federais até que lei tributária regule a matéria. O ato NBCTG nº 30 é um ato administrativo emitido com competência atribuída em lei comercial anterior a promulgação da lei nº 12.973/2014, razão pela qual, plenamente aplicável. Assim dispõe a NBCTG nº 30: A receita é definida na NBC TG ESTRUTURA CONCEITUAL – Estrutura Conceitual para Elaboração e Divulgação de Relatório ContábilFinanceiro com o aumento nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de entrada de recursos ou aumento dos ativos ou diminuição de passivos que resultam em aumentos do patrimônio líquido da entidade e que não sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade ... A receita deve ser reconhecida quando for provável que benefícios econômicos futuros fluam para entidade e esses benefícios possam ser confiavelmente mensurados. Nesta toada, se não há efetivo ingresso de recursos na entidade, tais valores não podem compor a receita bruta. Em verdade, tais valores não compõem receita alguma, simplesmente porque não há operação mercantil. Ademais, perceba que com o cancelamento da venda, a mercadoria jamais saiu do estabelecimento do contribuinte, portanto, haverá tributação no momento da venda futura desta mercadoria. Ora, verdadeiro caso de bis in idem caso ambas as operações fossem tributadas, o que é vedado pelo ordenamento jurídico brasileiro. Também neste sentido, perceba que na maioria dos tributos o legislador explicitamente ressalva que não faz parte do conceito de receita bruta as vendas canceladas, como no caso no disposto no art. 8º da Lei nº 12.546/2011 (Contribuição previdenciária sobre a receita bruta) ou no §1º do art. 3 da Lei Complementar nº 123/2006 (Simples Nacional). Ora, a expressa disposição legal nestes casos chega a ser desnecessária e apenas existem para garantir segurança jurídica ao contribuinte. O fato de inexistir previsão legal expressa nesse caso não altera o conceito contábil de receita bruta, não podendo tal ausência ser interpretada como autorização para tributar algo cujo fato gerador sequer ocorreu. Ressaltase, nos casos de venda cancelada não existe receita. Fl. 10038DF CARF MF Processo nº 14098.720116/201445 Acórdão n.º 2201004.627 S2C2T1 Fl. 10.039 25 Ademais, não se concebe a administração pública adotar dois conceitos contábeis diferentes de receita bruta para incidências de tributos distintos. Para fins de cobrança do PIS, COFINS, Simples Nacional a própria receita reconheceu ser desarrazoado a inclusão das vendas canceladas no conceito de receita bruta, sendo inclusive objeto de orientação no manual disponibilizado ao contribuinte (http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/declaracoesedemonstrativos/ecf escrituracaocontabilfiscal/perguntaserespostaspessoajuridica2018arquivos/capituloxxii contribuicaoparaopispasepecofinsincidentessobreareceitaouofaturamento2018.pdf) Tendo o contribuinte comprovado o cancelamento de nota fiscal perante a administração tributária estadual do seu domicílio, mediante o cumprimento dos requisitos estabelecidos pela autoridade fazendária, deve ser afastada a tributação das contribuições previdenciárias sobre tais notas, sob pena de se tributar valores que sequer ingressaram como receita do contribuinte. Portanto, deve a autoridade preparadora excluir todas as notas fiscais canceladas e vendas devolvidas, efetivamente documentadas e comprovadas nos autos, da base de cálculo da competência de fevereiro/2010 do DEBCAD nº 51.046.0828 assim como da base de cálculo de todo o período controlado pelo DEBCAD nº 51.046.0836 (SENAR). 4. Da Alegação de Inexigibilidade da Contribuição Previdenciária e da Destinada ao SENAR sobre Receita Bruta– Da Atividade Autônoma O RECORRENTE defende que, por exercer atividade autônoma diversa atividade rural, deve recolher as contribuições previdenciárias tomando como base de cálculo a folha de pagamento, e não a receita bruta, conforme determinava o art. 201, § 22, do Decreto nº 3.048/99. Afirma que a filial inscrita no CNPJ sob o nº 05.683.277/003103 é a unidade encarregada das atividades autônomas, exercendo exclusivamente atividades comerciais exportadoras, possuindo cronograma funcional, prédio próprio, centro de custo individualizado e estrutura de comando e pessoal especializados. Em análise aos autos, se percebe que a filial exportadora apenas começou suas atividades no ano de 2011, conforme afirmado pelo próprio contribuinte em seu recurso voluntário (fls. 9808), in verbis: Nos termos da petição de fls. 10.012/10.013, o contribuinte desistiu do recurso de todas as competências relativas ao DEBCAD nº 51.046.0828, com exceção da de fevereiro/2010. Portanto, ainda que subsista a mencionada atividade autônoma, inaplicável qualquer alegação de incidência das contribuições previdenciárias sobre a folha de pagamento por exercício de atividade autônoma em período anterior ao início desta atividade (2011). Fl. 10039DF CARF MF Processo nº 14098.720116/201445 Acórdão n.º 2201004.627 S2C2T1 Fl. 10.040 26 Pois bem, acredito que a desistência do contribuinte em relação ao contencioso administrativo (adesão a parcelamento) no que diz respeito à base de cálculo das contribuições previdenciárias por ele devidas (receita bruta x folha de pagamento) também se estende em relação ao DEBCAD nº 51.046.0836 (SENAR). Ou seja, já que o contribuinte “aceitou” a forma de lançamento das contribuições previdenciárias sobre a sua receita bruta (art. 25, I e II, da Lei nº 8.870/94), é consequência lógica que a contribuição para terceiros (SENAR) por ele devida também incida sobre a mesma base de cálculo (art. 25, §1º, da Lei nº 8.870/94), sob pena de se reconhecer um regime jurídico inexistente no ordenamento. Em análise aos autos, constatase que o contribuinte apresentou em sede de Recurso Voluntário cópia ajustada da impugnação, na qual, no mérito, reiterou suas alegações sobre os mesmos argumentos e fundamentos sobre o tema envolvendo a atividade autônoma. Neste sentido, por excesso de zelo, em relação ao período de 01/2010 a 12/2011 do DEBCAD nº 51.046.0836 (SENAR), acredito ser importante demonstrar a minha concordância com os termos do acórdão recorrido. Assim, deixo de tecer maiores considerações sobre o tema, pois o RECORRENTE deixou de apresentar qualquer argumento a fim de sustentar a razão pela qual entende que os mencionados valores foram indevidamente apurados. Portanto, com arrimo no art. 57, §3º, do Regimento Interno do CARF, transcrevo abaixo trecho da decisão recorrida sobre o assunto (fls. 9710/9719), o qual adoto como razões de decidir pela improcedência do argumento de exercício de atividade autônoma: Da Inexigibilidade da Contribuição Sobre a Produção Rural da Impugnante por Força do Desenvolvimento de Atividade Econômica Autônoma Tratandose de produtor rural pessoa jurídica, as contribuições devidas à Previdência Social e a outras entidades e fundos, devem ser recolhidas com base na receita bruta da produção rural, conforme determinado no artigo 25, incisos I, II e parágrafo 1º da Lei n° 8.870/1994. O Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, estabeleceu uma hipótese de exceção em seu artigo 201, parágrafo 22, estatuindo que a pessoa jurídica, exceto a agroindústria, que, além da atividade rural, explorar também outra atividade econômica autônoma, quer seja comercial, industrial ou de serviços, no mesmo ou em estabelecimento distinto, independentemente de qual seja a atividade preponderante, contribuirá com base na folha de pagamento. Refere a empresa que, conforme reza seu contrato social e narra o relatório fiscal, além de sua atividade principal que consiste na produção agrícola, desenvolve as seguintes atividades: a) importação e exportação de produtos agrícolas e da pecuária; b) compra e venda de terras; c) arrendamentos de terras para exploração agrícola e da pecuária; d) comercialização no mercado interno e exportação direta e indireta de soja, milho, algodão, milheto, trigo e todos os seus derivados e outros produtos agropecuários; e) comercialização de insumos agropecuários; f) prestação de serviços de escritório e administrativos, comerciais e financeiros, entre outros correlatos. E que, não obstante a clareza da documentação apresentada, a fiscalização entendeu que não estão presentes os elementos para a caracterização das demais atividades como autônomas. Fl. 10040DF CARF MF Processo nº 14098.720116/201445 Acórdão n.º 2201004.627 S2C2T1 Fl. 10.041 27 Considerando a exceção prevista no artigo 201, parágrafo 22, do RPS, a empresa foi intimada, na ação fiscal, a discriminar e comprovar, mediante documentação hábil e idônea, o efetivo exercício de atividade econômica autônoma. A autoridade lançadora, após o exame das alegações e documentos, concluiu que não foram apresentados pela empresa documentos que comprovem a existência da alegada autonomia. Citase o REFISC. Inicialmente, no que tange especificamente ao exercício de atividade econômica autônoma, em que pese a fiscalizada ter aduzido que, nos termos do seu contrato social, desenvolve outras atividades econômicas, o fato, por si só, de haver esta previsão em seus atos constitutivos, não tem o condão de implicar, por óbvio, o seu efetivo exercício. A fiscalizada sustentou, ainda, que, durante os anos de 2010 e 2011, desenvolveu atividades econômicas autônomas de compra e venda de terras, comercialização de insumos agropecuários, revenda de produtos agrícolas adquiridos de terceiros e a exportação destes mesmos produtos. Sucede que, não obstante as afirmações do sujeito passivo, em relação às referidas atividades, não foi demonstrada a existência das correspondentes estruturas operacionais definidas, necessárias às atividades mercantis, não sendo apresentados pela empresa documentos que comprovem a existência da alegada autonomia, tais como organogramas, departamentos, setores ou mão de obra especializada ligados às referida áreas de atuação. Ademais, examinando as relações de trabalhadores relativas às GFIPs referentes ao período fiscalizado, só foram constatados trabalhadores ligados à atividade rural e administrativa da empresa, não sendo encontrados segurados ligados inequivocamente a outra estrutura operacional. A conclusão para esta afirmação deuse a partir da verificação dos códigos da CBO Classificação Brasileira de Ocupações informados nas GFIPs em tela. São exemplos de códigos de ocupação identificados nas referidas declarações: 3211 Técnicos Agrícolas; 6220 Trabalhadores de Apoio à Agricultura; 6201 Supervisores na Exploração Agropecuária; 4221 Recepcionistas; 2410 Advogados; 2521 Administradores; 2522 Contadores; 3513 Técnicos em Administração. Com efeito, se realmente a empresa exercesse outra atividade econômica autônoma comercial deveria se esperar que houvesse nas GFIPs apresentadas trabalhadores vinculados a códigos de ocupação específicos correspondentes, tais como: 5211 Operadores do Comércio em Lojas e Mercados (especialmente 5211/05 – Vendedor em Comércio Atacadista; 5211/10 Vendedor em Comércio Varejista; 5211/15 Promotor de Vendas); 354605 Corretor de imóveis, assessor imobiliário, consultor imobiliário. Encontrase no ANEXO I deste processo, demonstrativo, discriminado por GFIP apresentada e por competência, onde consta a relação nominal dos trabalhadores e seus respectivos códigos da CBO. Nesse mesmo passo, em consulta ao sítio da empresa na internet http://www.elteiar.com/por/, em 15/08/2014, não foi constatada, em sua estrutura organizacional, quaisquer setores responsáveis por atividades econômicas autônomas à comercialização da produção rural, conforme pode ser verificado nas telas referentes ao endereço eletrônico em questão, anexas aos presentes autos. (...) Particularmente em relação às atividades de compra e venda de terras, se a fiscalizada houvesse de fato exercido a atividade mercantil imobiliária, como alega, Fl. 10041DF CARF MF Processo nº 14098.720116/201445 Acórdão n.º 2201004.627 S2C2T1 Fl. 10.042 28 ela teria se tornado, em tese, contribuinte do imposto sobre serviços de qualquer natureza ISS, além de possuir registro obrigatório no Conselho Regional de Corretores de imóveis (CRECI). Todavia, a empresa não apresentou inscrição municipal, livros de apuração de ISS, guias de recolhimento do referido tributo, etc, em suma, nenhum documento oficial com aptidão a demonstrar o efetivo exercício da atividade mercantil imobiliária. O único documento trazido à fiscalização, referente às supostas atividades imobiliárias, foi uma escritura de compra e venda de imóvel rural, lavrada em 12/11/2010 no 23° Ofício de Notas da cidade do Rio de Janeiro/RJ, em que a fiscalizada figura como outorgada compradora, o que nada comprova. Ademais não há registro na escrituração contábil de receitas relativas às alegadas atividades de compra e venda de terras, nem registro de estoques de imóveis no ativo circulante. Cabe pontuar, outrossim, que, em relação à Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, relativa ao anocalendario 2010, não há qualquer registro de receitas operacionais e despesas/custos operacionais referentes a atividades em geral. Analisando a "Ficha 06A Demonstração do Resultado Com Atividade Rural PJ em Geral", só constam registros de contas de resultados operacionais correspondentes à atividade rural da empresa. No mesmo giro é o que consta na "Ficha 54 Discriminação da Receita de Vendas dos Estabelecimentos por Atividade Econômica", onde, em relação a todos os estabelecimentos informados, só há registro de receitas correspondentes ao CNAE n° 01.156/00 Cultivo de soja. Vale dizer, relativamente ao ano de 2010, a própria fiscalizada declara que exerceu apenas a atividade rural.(sem grifos no original) Contrapondo a constatação fiscal, a impugnante alega que a filial inscrita no CNPJ sob o nº 05.683.277/003103, unidade encarregada das atividades autônomas, desenvolve “exclusivamente atividades econômicas autônomas e independentes da atividade rural”. Os Autos de Infração abrangem o período de 01/2010 a 12/2011. Considerandose que a filial 003103 foi constituída em 09/12/2010 e teve, efetivamente, o seu primeiro ano de atividade em 2011, conforme consignado na própria peça impugnatória, nada mais há a examinar quanto a inexistência de atividade autônoma à rural relativamente ao período de 01/2010 a 12/2010. Quanto à filial inscrita no CNPJ sob o nº 05.683.277/003103, que segundo a empresa desenvolve “exclusivamente atividades econômicas autônomas e independentes da atividade rural”, examinase, primeiramente, os seguintes argumentos impugnatórios. 1. Conforme demonstram os documentos anexos (Anexo XII), a Filial 31 03 que é a unidade encarregada das atividades autônomas, entendase, atividades comerciais, possui organograma funcional, endereço e prédio próprio, centro de custos individualizado, bem como estrutura de comando e pessoal especializado, inclusive com cartão de visita exclusivo da "Comercial Exportadora COMEX". A filial não é produtora de soja e não comercializa apenas produto produzido pela atividade de produção rural da empresa, ela atua com a compra e revenda (no mercado externo e interno) de produtos agrícolas e defensivos agrícolas de terceiros para terceiros; Fl. 10042DF CARF MF Processo nº 14098.720116/201445 Acórdão n.º 2201004.627 S2C2T1 Fl. 10.043 29 2. outro argumento sustentado pela fiscalização que não merece prosperar é a suposta falta de funcionários especializados para exercício da atividade autônoma. A própria fiscalização faz referência expressa às fls. 12 aos profissionais cujas especialidades estão essencialmente relacionadas ao comércio exterior. A fiscalização não entendeu o que é uma empresa comercial exportadora; 3. a empresa comercial exportadora atua, essencialmente, por telefone e emails, através de grandes negociações e contratos firmados junto às multinacionais ou a grandes produtores rurais pessoas físicas e/ou jurídicas. Em outras palavras, a Impugnante não precisa mais do que alguns funcionários com conhecimentos específicos de comércio exterior, sob a coordenação de um gerente e outros poucos no apoio para operar normalmente. Não é difícil se encontrar no mercado brasileiro empresas comerciais exportadoras renomadas que tem apenas dois ou três empregados. Vejamos. Constam do Anexo XII, fls. 9.200/9.216, organograma funcional e relação de cargos, cópia do carnê de IPTU, cópia do contrato de aluguel, balancete e cartão visita colaboradora COMEX. O organograma funcional é o seguinte: Acompanha o organograma em referência relação dos cargos integrantes da estrutura funcional da “comercial exportadora”, fls. 9.202/9.205, quais sejam: 1) Analista Comercial Exportadora I; 2) Analista Comercial Exportadora II; 3) Analista Comercial Exportadora III; e 4) Coordenador Comercial Exportadora. Há, para cada cargo, a correspondente descrição das funções e responsabilidades inerentes. Consigna o Relatório Fiscal, fl. 2.626, que: Vejamos que a filial em comento apresentou durante o ano de 2011 um reduzido número de funcionários (de um a quatro empregados), notadamente aquém do necessário ao exercício de uma atividade econômica autônoma que requer, segundo a legislação previdenciária, a existência de uma estrutura operacional definida. A título ilustrativo, na competência em que houve o maior Fl. 10043DF CARF MF Processo nº 14098.720116/201445 Acórdão n.º 2201004.627 S2C2T1 Fl. 10.044 30 número de empregados, qual seja, 12/2011, o estabelecimento contou, tão somente, com dois analistas de comércio exterior, um contador e um funcionário administrativo. Cabe observar que tais funções são inerentes às próprias atividades meio e fim da fiscalizada e não a uma atividade autônoma.(sem grifos no original) Examinada a planilha integrante do REFISC, fls. 2.625/2.626, verificase que a filial 003103, segundo declarado nas GFIPs, teve o seguinte quadro funcional: 1) nas competências 01/2011, 02/2011 e 03/2011: 1 único analista de comércio exterior; 2) nas competências 04/2011 e 05/2011: 1 gerente de comercialização, marketing e comunicação; e 1 analista de comércio exterior; 3) na competência 06/2011: 1 contador e 1 analista de comércio exterior; 4) nas competências 07/2011, 08/2011, 09/2011 e 10/2011: 1 único analista de comércio exterior; 5) na competência 11/2011: 1 escriturário e 2 analistas de comércio exterior; 6) na competência 12/2011: 1 escriturário, 2 analistas de comércio exterior e 1 contador; 7) na competência 13/2010: 1 escriturário, 2 analistas de comércio exterior. Destaquese que a empresa afirma não precisar mais do que alguns “funcionários” com conhecimentos específicos de comércio exterior, sob a coordenação de um gerente e outros poucos no apoio para operar normalmente. Entretanto, examinadas as GFIPs da filial, constatase que somente nas competências 04/2011 e 05/2011, houve a contratação de um gerente. Também importa observar que a impugnante afirma que há, na filial, estrutura de comando e pessoal especializado, inclusive com cartão de visita exclusivo da "Comercial Exportadora COMEX". Entretanto, examinado o cartão de visita da filial, fl. 9.216 (Anexo XII), verificase que está em nome de “Adriane Daniela Hoffmann”, declarada somente nas GFIPs dos meses de novembro e dezembro de 2011, e no código CBO (Classificação Brasileira de Ocupações) nº 4.110, que corresponde a “escriturários em geral, agentes, assistentes e auxiliares administrativos”. O exercício destas funções não leva a crer que se trate de pessoa especializada para o alegado objetivo da filial ("Comercial Exportadora COMEX"), ou seja, que tenha especialidade “essencialmente relacionadas ao comércio exterior”. Pelo exposto, em que pesem as alegações no sentido de que uma empresa comercial exportadora não necessita de um número expressivo de “funcionários”, concluise que sequer os cargos indicados pela impugnante como necessários à estrutura funcional/operacional da filial 003103 (de acordo com o organograma/relação dos cargos) foram integralmente preenchidos, ou seja, a impugnante não logrou demonstrar possuir os recursos humanos necessários para que o estabelecimento em destaque desenvolva, essencialmente, a atividade de exportação, como alegado. Ainda, estruturar uma atividade econômica implica a articulação dos fatores de produção adequados, dentre eles a mão de obra necessária e suficiente ao exercício desta atividade, o que não se verifica no caso em tela, conforme exposto. Quanto ao balancete de fls. 9.212/9.215, não é possível aceitálo como meio de prova hábil para comprovar as alegações da impugnante. E isto porque, a um, vem desacompanhado de qualquer documento que o respalde, emprestandolhe um mínimo de confiabilidade; e, a dois, porque desprovido da assinatura de profissional da área contábil responsável pelas informações nele contidas. Quanto à alegada não eventualidade das atividades autônomas à rural, a autuada apresenta como elemento de comprovação a evolução do faturamento da Fl. 10044DF CARF MF Processo nº 14098.720116/201445 Acórdão n.º 2201004.627 S2C2T1 Fl. 10.045 31 filial, demonstrado no gráfico integrante da peça impugnatória (Demonstrativo da Receita Bruta Anual 2011, 2012 e 2013), fl. 4.868, afirmando que não é possível tratar como eventual a operação demonstrada que representou 1/3 das operações praticadas pela empresa já em 2013. Destaca que no ano de 2011 (primeiro ano de atividade da “comercial exportadora”) a filial auferiu receitas que representou 12% da receita bruta anual da empresa. Nesse ponto observase, primeiro, que o gráfico demonstrativo da Receita Bruta Anual, fl. 4.868, vem desacompanhado de qualquer documento que o respalde, bem como que os autos de infração referemse ao período de 01/2010 a 12/2011. A filial foi constituída em 09/12/2010 e teve o seu primeiro ano de atividade em 2011. Portanto, a evolução do seu faturamento em relação aos anos de 2012 e 2013 não surtem efeitos para fins de caracterização da atividade econômica autônoma no período dos Autos de Infração. Em que pese a empresa alegar que a filial não comercializa apenas produto da atividade de produção rural da empresa, é de se ver que o seu faturamento também incluiu receitas decorrentes da comercialização da produção da empresa. Nesse sentido citase o Relatório Fiscal, fls. 2.624/2.625: Ademais, consultando as notas fiscais de saída, emitidas pela filial em questão, constatouse que houve a comercialização da produção rural própria da fiscalizada no mercado interno, vale dizer, a própria atividade fim do sujeito passivo, conforme pode ser verificado no quadro demonstrativo abaixo: (sem grifos no original) Em 2011, a produção rural da própria empresa foi comercializada pela filial em valores significantes, conforme pode ser verificado nas notas fiscais emitidas em 04/2011 (nºs 140 a 160) e em 06/2011 ( nºs 1.550, 1.897 e 1.898), conforme consignado no REFISC, fls. 2.624/2.625. O resultado desta comercialização integrou, logicamente, o alegado percentual de 12%, sendo que esta atividade (comercialização da produção da empresa) constitui parte da atividade econômica mais abrangente (produção rural) não podendo ser considerada atividade autônoma. Conseqüentemente, o fato do faturamento da filial representar 12% da receita bruta anual da empresa, em 2011, não autoriza concluir que a atividade comercial exercida na filial enquadrese como atividade autônoma para fins da exceção estabelecida no artigo 201, parágrafo 22, do RPS (contribuições incidentes sobre a folha de pagamento). A autoridade lançadora consigna no Relatório Fiscal, às fls. 2.623/2.624, que: Com efeito, em relação à comercialização de insumos, à revenda de produtos adquiridos de terceiros e à exportação destes mesmos produtos, pelos motivos mencionados alhures, não houve o exercício de atividade econômica autônoma diversa da atividade rural. O que de fato ocorreu, foi o exercício de atividade comercial em caráter eventual, sem qualquer estrutura operacional definida. (...) A fiscalizada sustentou, ainda, que a filial inscrita no CNPJ n° 05.683.277/003103, constituída em 09/12/2010, ‘desenvolve exclusivamente atividades autônomas e independentes da atividade rural’, conforme os seguintes códigos da Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE: 46.222 00; 46.23199; 46.23103; e 46.83400. Fl. 10045DF CARF MF Processo nº 14098.720116/201445 Acórdão n.º 2201004.627 S2C2T1 Fl. 10.046 32 Ocorre que, a descrição da atividade econômica correspondente ao código do CNAE principal n° 46.22200, da filial em tela é exatamente o comércio atacadista de soja. Por conseguinte, se a atividade preponderante do estabelecimento é o comércio de produto rural, não se pode asseverar, conforme sustenta a fiscalizada, que este desenvolve atividades exclusivamente autônomas e independentes. Outrossim, o referido estabelecimento exerce, ainda, conforme código CNAE secundário n° 46.23103, outra atividade rural, qual seja, o comércio atacadista de algodão. Lado outro, em que pese a fiscalizada ter sustentado que exerceu atividades econômicas correspondentes aos códigos CNAE secundários n° 46.23199 ("comércio atacadista de matérias primas agrícolas não especificadas anteriormente") e n° 46.83400 ("comércio atacadista de defensivos agrícolas, adubos, fertilizantes e corretivos do solo"), em nenhum momento tal alegação foi documentalmente comprovada pelo sujeito passivo. (...) Ademais, consultando as notas fiscais de saída, emitidas pela filial em questão, constatouse que houve a comercialização da produção rural própria da fiscalizada no mercado interno, vale dizer, a própria atividade fim do sujeito passivo, conforme pode ser verificado no quadro demonstrativo abaixo: (...)(sem grifos no original) A autuada, por sua vez, argumenta que: Por fim, a alegação de que o CNAE da Impugnante seria inadequado e que existem vendas de mercadorias próprias apenas corrobora todas as falhas, inclusive conceituais, cometidas pela fiscalização. Tratase de erro básico se confundir o CNAE de cultivo de soja (01.156/00) com o de comercialização atacadista de soja (46.222.00). Enquanto o primeiro pressupõe o cultivo e a venda, atividades estritamente relacionadas aos produtores rurais, o segundo pressupõe apenas a revenda que é justamente o objetivo de uma comercial exportadora. O CNAE de comércio atacadista permite à filial 3103 revender mercadorias adquiridas de terceiros, ao contrario do CNAE do produtor que, via de regra, restringese a comercialização habitual de sua própria produção. (...) No que tange à afirmação de que não foi comprovada a venda de mercadorias para terceiros com os CNAEs secundários, a documentação fiscal anexada à presente (Anexo XV) desmente totalmente o trabalho fiscal. A simples pesquisa nas notas fiscais emitidas permite se verificar a verdade sobre a origem das mercadorias que foram adquiridas de terceiros. Examinada a questão, verificase que não procede o alegado equívoco da fiscalização quanto à constatação de que é exercida na filial a atividade de venda de mercadorias de produção própria da empresa. Isto porque, conforme elencado no Relatório Fiscal, fl. 2.624/2.625, foram emitidas pela filial 003103, diversas notas fiscais relativas à venda de soja de produção da própria autuada (Código Fiscal de Operações e Prestações CFOP 5101 – Venda de produção do estabelecimento). Reproduzse as notas fiscais indicadas pela autoridade lançadora no REFISC. Fl. 10046DF CARF MF Processo nº 14098.720116/201445 Acórdão n.º 2201004.627 S2C2T1 Fl. 10.047 33 A empresa refere que a documentação integrante do Anexo XV, da peça impugnatória, fls. 9.624/9.634, comprova a venda de mercadorias para terceiros com os CNAEs secundários, pela filial 003103. Constam do Anexo XV (fls. 9.624/9.634), as seguintes notas fiscais: Quanto aos CNAEs secundários, examinadas as notas fiscais acima, temse que “o comércio atacadista de matérias primas agrícolas não especificadas anteriormente”, CNAE nº 46.23199, ocorreu somente na competência 11/2011 (uma única nota fiscal de venda de TMG 132, que é uma espécie de semente de soja). Quanto ao “comércio atacadista de defensivos agrícolas, adubos, fertilizantes e corretivos do solo”, CNAE secundário nº 46.83400, ocorreu, somente, nas competências 08/2011 (uma única NF de venda do fertilizante MAP), e 12/2011 (duas notas fiscais; uma do NIMBUS fungicida para a cultura de soja; outra do Fl. 10047DF CARF MF Processo nº 14098.720116/201445 Acórdão n.º 2201004.627 S2C2T1 Fl. 10.048 34 PRIORI XTRA fungicida usado em pulverizações preventivas para o controle de doenças da parte aérea das culturas do algodão, café, cevada, milho, soja e do trigo). Assim sendo, quanto às atividades em referência (CNAE nº 46.23199 e CNAE nº 46.83400) entendo insuficiente para configuração de uma atividade econômica autônoma, a realização esporádica da comercialização de semente, defensivos agrícolas e fertilizantes, se não exercida com habitualidade. A venda, inclusive, no caso destes produtos, pode ser resultado do excesso adquirido que não foi utilizado nos plantios de soja e algodão realizados pela empresa. Quanto ao CNAE n° 46.22200, este código de atividade econômica compreende o comércio atacadista de soja. A Divisão 46, do código CNAE, compreende as atividades de venda por atacado de mercadorias, sendo que, em geral, esta venda, etapa intermediária da distribuição de mercadorias, está organizada para vender mercadorias em grandes quantidades a varejistas, a empresas, estabelecimentos agropecuários, cooperativas e a uma clientela institucional (página da Secretaria da Receita Federal do Brasil, Classificação Nacional de Atividades Econômicas / CNAE, Tabelas e Códigos e Denominações (Cnae Completa), sessão G, Divisão 46, Notas Explicativas). Quanto ao comércio atacadista de soja, verificase que (a) na competência 03/2011, foram emitidas 3 (três) notas fiscais, em 29/03/2011, todas com Código Fiscal de Operações e Prestações CFOP 5502 (Remessa de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros, com fim específico de exportação). (b) Na competência 06/2011, houve a emissão de 3 (três) notas fiscais, no CFOP 5102 (Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros), sendo 2 (duas) em 03/06/2011 e 1 (uma) em 04/06/2011. Tanto a remessa para fins de exportação como a venda no mercado interno, de soja adquirida de terceiros, realizada de forma esporádica e sem habitualidade, não caracteriza atividade econômica autônoma. Por outras palavras, o ato comercial de caráter eventual relativo à soja adquirida de terceiros, em estabelecimento que também desenvolve o comércio de soja de produção da própria empresa, não pode ser considerado suficiente para caracterizar o efetivo exercício de atividade econômica autônoma para fins da alteração do enquadramento pretendido pela impugnante. Concluindose, quanto às atividades desenvolvidas pela filial 003103, ainda que a contribuinte realize venda esporádica de semente, defensivos agrícolas, fertilizantes e de soja adquirida de terceiros, isso é insuficiente para configuração de uma atividade econômica autônoma, se não exercida com habitualidade. Portanto, no presente caso, não é possível acatar a alegação da interessada no sentido de que exerce outras atividades econômicas regulares e não eventuais, e que estas supostas atividades lhe autorizam a recolher suas contribuições previdenciárias baseandose nas folhas de pagamentos, sob o código de recolhimento 2100 (empresas em geral), tal como vinha ocorrendo antes da intervenção fiscal, quando o correto deveria ser com base nas receitas sobre a sua comercialização rural, conforme foram constituídos os presentes créditos previdenciários. 5. Da Exportação Indireta – Imunidade Das Receitas De Vendas Para Trading Companies: Fl. 10048DF CARF MF Processo nº 14098.720116/201445 Acórdão n.º 2201004.627 S2C2T1 Fl. 10.049 35 Conforme exposto em tópico anterior, as alegações de defesa acerca desta matéria foram objeto de ação judicial proposta pelo RECORRENTE, tanto para a contribuição destinada ao SENAR (art. 25, §1º da Lei 8.870/1994) como também para as Contribuições Previdenciárias devidas pelo contribuinte (artigo 25, I e II da Lei 8.870/1994). Portanto, não se conhece desta parte do recurso para a parcela do lançamento que permanece em litígio (o mês de fev/2010 do DEBCAD 51.046.0828 e todo o período do DEBCAD 51.046.0836). 6. Imunidade Constitucional em Relação à Contribuição Destinada ao SENAR Calculada Sobre Receitas de Exportação Direta Neste tópico, o RECORRENTE defende, em suma, que a contribuição ao SENAR é espécie do gênero contribuição social e, por esse motivo, encontrase alcançada pela imunidade constitucional prevista no art. 149, § 2° da CF/88. Contudo, não assiste razão à RECORRENTE, uma vez que o art. 149, § 2°, I, da CF/88 afirma expressamente que somente estão acobertados pelo manto da imunidade sobre as receitas decorrentes de exportação as contribuições sociais e as contribuições de intervenção no domínio econômico. Neste sentido, importante transcrever mais uma vez a mencionada norma constitucional: “Art. 149 Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) § 2 As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação;” Ora, se o caput do art. 149 apresenta três espécies de contribuições (contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas) e logo em seguida seu §2º disciplina que não incidirão sobre as receitas de exportação apenas duas espécies de contribuições (contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico), resta evidente que o interesse do constituinte foi de não afastar a incidência das contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas sobre as receitas de exportação. A contribuição ao SENAR (Serviço Nacional de Aprendizagem) foi criada pela Lei nº 8.315/91, cujo art. 1º dispõe o seguinte: “Art. 1° É criado o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), com o objetivo de organizar, administrar e executar em todo o território nacional o ensino da formação profissional Fl. 10049DF CARF MF Processo nº 14098.720116/201445 Acórdão n.º 2201004.627 S2C2T1 Fl. 10.050 36 rural e a promoção social do trabalhador rural, em centros instalados e mantidos pela instituição ou sob forma de cooperação, dirigida aos trabalhadores rurais. Parágrafo único. Os programas de formação profissional rural do Senar poderão ofertar vagas aos usuários do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase) nas condições a serem dispostas em instrumentos de cooperação celebrados entre os operadores do Senar e os gestores dos Sistemas de Atendimento Socioeducativo locai” Da leitura do dispositivo acima, resta evidente que a natureza jurídica das contribuições destinadas ao SENAR é de contribuição de interesse de categorias profissionais ou econômicas, haja vista que se presta, precipuamente, a atender a categoria dos trabalhadores rurais. Sendo o referido tributo uma contribuição de interesse de categoria profissional ou econômica, a norma imunizante não poderá ser aplicada, havendo incidência da contribuição sobre as receitas decorrentes da exportação. Neste ponto, adoto como razões de decidir o voto proferido pela Conselheira Ana Cecília Lustosa Cruz em acórdão recentemente proferido pela 2ª Turma da CSRF (Acórdão nº 9202006.595, julgado em 20/03/2018), com o fim de demonstrar que a contribuição ao SENAR não possui características de CIDE nem de contribuição social: “Para a caracterização das contribuições ao SENAR como contribuição de intervenção no domínio econômico seria necessário entender elas possuem caráter extrafiscal como nítidos instrumentos de planejamento, corrigindo as distorções e abusos de seguimentos descompassados, e não somente carreando recursos para os cofres públicos. A mencionada intervenção ocorre com a regulação das atividades econômicas as quais se atrelam, geralmente relativas às disposições constitucionais da Ordem Econômica e Financeira, art. 170, I a IX, e seguintes da Constituição Federal, consoante os princípios abaixo colacionados: I soberania nacional; II propriedade privada; III função social da propriedade; IV livre concorrência; V defesa do consumidor; VI defesa do meio ambiente; VI defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) Fl. 10050DF CARF MF Processo nº 14098.720116/201445 Acórdão n.º 2201004.627 S2C2T1 Fl. 10.051 37 VII redução das desigualdades regionais e sociais; VIII busca do pleno emprego; IX tratamento favorecido para as empresas brasileiras de capital nacional de pequeno porte. IX tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 6, de 1995 De fato, existem atividades econômicas que precisam sofrer a intervenção do Estado, a fim de que sobre elas se promova um fim fiscalizatório, regulando seu fluxo produtivo para a melhoria do setor beneficiado, não sendo essa a finalidade precípua das contribuições ao SENAR, cujo objetivo é organizar, administrar e executar em todo o território nacional o ensino da formação profissional rural e a promoção social do trabalhador rural, em centros instalados e mantidos pela instituição ou sob forma de cooperação, dirigida aos trabalhadores rurais, servindo como fomento da atividade, por meio da educação. Cabe acrescentar que o fato gerador da contribuição debatida é a comercialização da produção rural e ocorre com a venda ou a consignação da produção rural; a base de cálculo é a receita bruta proveniente da comercialização de tal produção, o que destoa das demais contribuições destinadas ao Sistema S (SESI, SENAI...), as quais incidem sobre as folhas de salários. Extraise, assim, que a contribuição ao SENAR, sendo esta desenvolvida para o atendimento de interesses de um grupo de pessoas (formação profissional e promoção social do trabalhador rural), inclusive financiada pela mesma categoria, possui natureza de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas, em sua essência jurídica, destinada a proporcionar maior desenvolvimento à atuação de categoria específica. Ao meu ver, as contribuições de intervenção no domínio econômico são mais abrangentes, no aspecto da sua destinação, que as contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas, pois aquelas fomentam determinado setor com o fim de incentivar e instigar o mercado, de forma pragmática, principalmente em momentos de crise, contribuindo na regulação da ordem econômica e refletindo políticas do governo que afetam toda a sociedade, e estas têm sua aplicação adstrita ao financiamento das respectivas categorias profissionais ou econômicas, em áreas específicas, apenas para o seu fomento. No que tange à distinção entre as contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas e as contribuições sociais, entendo que estas contribuições também possuem maior abrangência, ao se destinarem ao financiamento social (bem estar e justiça social), de um modo geral, e não voltado ao interesse de determinadas categorias. Fl. 10051DF CARF MF Processo nº 14098.720116/201445 Acórdão n.º 2201004.627 S2C2T1 Fl. 10.052 38 Além disso, outra distinção salutar reside no fato de que os recursos o produto das contribuições sociais gerais que ingressam aos cofres públicos decorrentes da sua arrecadação mantém o caráter público e serão aplicados conforme sua vinculação (as verbas arrecadadas são mantidas em poder do Estado para sua aplicação finalística), enquanto os produtos das contribuições que ingressam aos cofres do SENAR perdem o caráter de recurso público, como já decidiu o STF (AG .REG. NA AÇÃO CÍVEL ORIGINÁRIA 1.953). Feitas essas colocações, entendo que; embora reflexamente as contribuições ao SENAR beneficiem a sociedade, no âmbito da educação e assistência aos trabalhadores rurais, bem como causem efeitos na economia, tendo em vista que a educação é pilar relevante no desenvolvimento de um país; em sua essência jurídica tal contribuição se presta, precipuamente, a atender uma categoria econômica específica, qual seja a dos trabalhadores rurais.” Neste sentido, por verificar que a contribuição ao SENAR é uma contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas (categoria econômica dos trabalhadores rurais), entendo que a mesma não é englobada pela imunidade do art. 149, §2º, I, da CF/88. Sendo assim, deve ser mantido o lançamento da contribuição ao SENAR sobre as receitas decorrentes das exportações da produção realizadas diretamente, ou indiretamente, pela RECORRENTE. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para: No DEBCAD nº 51.046.0828 (contribuição da empresa e SAT/RAT), exclusivamente em relação ao período de fevereiro/2010 (único período do lançamento que permanece em litígio), afastar o lançamento incidente sobre os valores das notas fiscais canceladas e das vendas devolvidas, efetivamente documentadas e comprovadas pelo RECORRENTE, em especial os da Nota Fiscal nº 243. No DEBCAD nº 51.046.0836 (Terceiros – SENAR), afastar o lançamento incidente sobre os valores das notas fiscais canceladas e das vendas devolvidas efetivamente documentadas e comprovadas pelo RECORRENTE, em especial os da Nota Fiscal nº 243, para todo o período. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 10052DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000034/2010-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado.
À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2007
PIS NÃO-CUMULATIVIDADE. AGROINDÚSTRIA. INSUMOS. CRÉDITOS. CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE E NECESSIDADE.
A legislação da PIS não-cumulativa estabelece critérios próprios para a conceituação de "insumos" para fins de tomada de créditos, não se adotando os critérios do IPI e do IRPJ.
"Insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não-cumulativos é todo o custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda (critério da essencialidade), e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada segmento econômico.
AGROINDÚSTRIA. CULTIVO DE MAÇÃ. CRÉDITOS RECONHECIDOS.
À agroindústria que cultiva maçã não há incidência da PIS nas operações com o mercado interno, externo e nas vendas à comercial exportadora, gerando créditos para eventual e futuro pedido de ressarcimento e/ou compensação.
No caso dos autos devem ser reconhecidos os créditos relativos (i) a material de embalagem (itens 2.2.1 - "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) a combustíveis e lubrificantes (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória).
Numero da decisão: 3401-005.025
Decisão: Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso; (i) por unanimidade de votos, para reconhecer os créditos relativos a material de embalagem (itens 2.2.1 - "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) por maioria de votos, em relação a combustíveis e lubrificantes, para reconhecer o crédito (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória), vencido o conselheiro Robson José Bayerl, que propunha conversão em diligência, neste item.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1825; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.000034/201014 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401005.025 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2018 Matéria PIS Recorrente AGRICOLA FRAIBURGO SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2007 PIS NÃOCUMULATIVIDADE. AGROINDÚSTRIA. INSUMOS. CRÉDITOS. CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE E NECESSIDADE. A legislação da PIS nãocumulativa estabelece critérios próprios para a conceituação de "insumos" para fins de tomada de créditos, não se adotando os critérios do IPI e do IRPJ. "Insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS nãocumulativos é todo o custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda (critério da essencialidade), e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada segmento econômico. AGROINDÚSTRIA. CULTIVO DE MAÇÃ. CRÉDITOS RECONHECIDOS. À agroindústria que cultiva maçã não há incidência da PIS nas operações com o mercado interno, externo e nas vendas à comercial exportadora, gerando créditos para eventual e futuro pedido de ressarcimento e/ou compensação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 00 34 /2 01 0- 14 Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10925.000034/201014 Acórdão n.º 3401005.025 S3C4T1 Fl. 0 2 No caso dos autos devem ser reconhecidos os créditos relativos (i) a material de embalagem (itens 2.2.1 "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) a combustíveis e lubrificantes (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória). Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso; (i) por unanimidade de votos, para reconhecer os créditos relativos a material de embalagem (itens 2.2.1 "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) por maioria de votos, em relação a combustíveis e lubrificantes, para reconhecer o crédito (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória), vencido o conselheiro Robson José Bayerl, que propunha conversão em diligência, neste item. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares. Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10925.000034/201014 Acórdão n.º 3401005.025 S3C4T1 Fl. 0 3 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, de créditos de contribuição não cumulativa, decorrentes de operações no mercado interno. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Joaçaba/SC pelo seu deferimento parcial, fazendoo com base no não acatamento dos créditos de valores referentes a itens não considerados como insumos pela fiscalização, de despesas de arrendamento mercantil e de encargos de depreciação. Além das glosas de créditos citadas, a autoridade fiscal também procedeu ao recálculo do rateio da despesa e encargos comuns entre as receitas de mercado interno e as receitas de mercado externo. Irresignada com o deferimento apenas parcial de seu pleito, a contribuinte encaminhou sua Manifestação de Inconformidade, por meio da qual contesta a decisão da DRF/Joaçaba/SC, pelas razões a seguir expostas. Embalagens Sustenta que, na realidade, as embalagens utilizadas, tanto internas (guardanapos, bandejas, etc) como externas, além da proteção à integridade de seu conteúdo (no caso específico a maçã), ainda tem objetivo promocional, tanto do produto como da marca utilizada pela requerente, o que conseqüentemente vem a valorizar o produto, elevam os insumos na elaboração dos produtos, motivam a compra do produto, inclusive pela marca apresentada, e, caracterizando inclusive embalagem de apresentação, conforme se infere nas fotos anexos. Alega, também, que a legislação em vigor permite a utilização de créditos das compras de embalagens, considerada insumos pela requerente, sem a restrição imposta pela autoridade fiscal. Faz expressa remissão aos artigos 3° e 5° da Lei n° 10.637/2002, ao artigo 66 da Instrução Normativa SRF n° 247/2002 e ao artigo 8° da Instrução Normativa SRF n° 404/2004, para fins de afirmar que tanto a Lei quanto os atos da Receita Federal, quando tratam de insumos, o fazem incluindo entre eles as embalagens, sem quaisquer restrições, já que elas (as embalagens) fazem parte do produto final destinado à venda. Menciona a contribuinte, ainda, disposições de outros tributos (IPI e ICMS) e de outra figura jurídicotributária (o crédito presumido do IPI) que, a seu juízo, também autorizariam uma acepção ampla para o conceito de insumo. E faz referência a manifestações administrativas que estariam a respaldar seu entendimento. Combustíveis e lubrificantes No que concerne aos combustíveis e/ou lubrificantes, contesta o entendimento fiscal de que os itens cujos valores de aquisição foram glosados não fariam parte do processo produtivo. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10925.000034/201014 Acórdão n.º 3401005.025 S3C4T1 Fl. 0 4 Afirma que seu direito ao crédito está expresso de forma literal tanto no inciso II do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003 quanto no inciso II do artigo 3° da Lei n° 10.637/2002, dispositivos estes que determinam o direito dos contribuintes de se aproveitarem de créditos calculados em relação a "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes". Cita, ainda, os termos da alínea "b" do inciso I do artigo 66 da Instrução Normativa SRF n° 247/2002, que reproduz a autorização legal posta naquelas Leis. A partir destes atos legais, argumenta que o Despacho Decisório o auditor fiscal impôs restrições não legalmente postas. Reafirma seu direito aos créditos, "mesmo porquê, sendo a atividade da requerente/contribuinte, o cultivo de maçã, é necessário à preparação do solo, a preparação da terra, drenagem, entre outras atividades, para a garantia da formação e produção do produto, sendo necessário utilizarse de máquinas e outros equipamentos movidos a combustíveis e lubrificantes para a fabricação ou produção do produto da venda". Serviços utilizados como insumo Na seqüência, insurgese a contribuinte contra a glosa dos créditos relativos à aquisição de serviços de transportes. Contesta a glosa defendendo, inicialmente, que “todos os bens e serviços utilizados como insumos, na fabricação de bens e produtos destinados à venda, são autorizados a escrituração de créditos, tendo o contribuinte/requerente agido de acordo com os ditames legais”. Afirma que em relação aos serviços em geral utilizados como insumos, que englobam os serviços de transportes utilizados para o transporte das compras dos insumos, o direito de crédito está expressamente garantido pelo inciso II do artigo 3° e pelo artigo 5° da Lei n° 10.637/2002 e pelos incisos II e IX do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003. Com fundamento no inciso IX do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003, alega: que quando ao vendedor couber o ônus do frete, por ocasião da venda de seus produtos, também poderá apropriar crédito, sendo esta mais uma opção de crédito, e não uma restrição em relação aos serviços utilizados como insumos; que, assim, se para aquisição de determinado insumo for necessário o desembolso com o frete, este está também amparado pelo direito ao crédito; que, da mesma forma, se para a fabricação/produção do produto, for necessário à utilização de serviços de fretes com o transporte dos funcionários que fazem a colheita da maçã, fretes pagos de produtos (insumos) entre matriz e filiais, entre outros, esse também está amparado pelo direito ao crédito. Explica que “Como os locais de produção, são distantes entre um e outro local, é necessário o pagamento de frete para o transporte dos produtos (insumos) que estão em estoque para o local de produção, a ser utilizado na formação do produto destinado à venda”. Ao final deste item de sua manifestação de inconformidade, alega a contribuinte que seu entendimento está corroborado não apenas por soluções de consulta prolatadas por algumas SRRF (transcritas no texto), mas também pelos próprios termos das instruções de preenchimento da DACON e da alínea “b” do inciso I do parágrafo 5.° do artigo 66 da Instrução Nonnativa SRF n° 247/2002, que orientam no sentido de que os serviços prestados por pessoa juridica domiciliada no Pais, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, são tidos como insumos para fins de direito a crédito. Arrendamento mercantil Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10925.000034/201014 Acórdão n.º 3401005.025 S3C4T1 Fl. 0 5 Em relação ao crédito decorrente das contraprestações de operações de arrendamento mercantil, a contribuinte traz os dispositivos que fundamenta seu direito inciso V do art. 3° das leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003, e alega que nestes não há a restrição imposta pelo auditor fiscal. Já em relação ao contrato da operação, afirma “Conforme podemos verificar em contrato anexo, o mesmo e' contrato de arrendamento mercantil, independentemente da forma que está disposto o valor residual no mesmo”. Bens do ativo imobilizado A contribuinte contesta a glosa dos encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos em razão de não serem considerados como integrantes do processo produtivo da empresa. A contribuinte defende o direito ao crédito mencionando, exemplificativamente, alguns dos itens listados no anexo I do despacho decisório em questão. Assim se expressa: Conforme consta no anexo IV do despacho decisório em questão, segue alguns exemplos de máquinas ou equipamentos utilizados no processo produtiva, entre outros: carretão c/ rolete (transporte maçãs), registrador eletrônico de temperatura (câmaras ƒrigoríficas, entre outros, indispensáveis para a formação do produto da venda). Contesta a glosa dos encargos com depreciação dos pomares (macieiras) alegando ser equivocado o entendimento fiscal de que as macieiras não sofrem depreciação, mas exaustão. Explica que na cultura da maçã não ocorre a extração da árvore, a não ser ao término de sua vida útil, e por isso ocorre a depreciação do bem (macieira) pelo seu uso. Acrescenta que a exaustão se caracteriza pela extração da árvore e que, portanto, as florestas é que são sujeitas a exaustão, e não as macieiras, a teor do art. 334 do Decreto n° 3.000/1997. Entende a contribuinte que seu direito ao crédito está expresso de forma literal tanto no inciso III do parágrafo 1° do artigo 3° da Lei n° 10.637/2002 quanto no inciso III do parágrafo 1° do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003, dispositivos estes que determinam o direito dos contribuintes de se aproveitarem de créditos calculados em relação a “encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês”. Cita, ainda, os termos do artigo 4° do Ato Declaratório SRF n° 02/2003, no qual está expresso que “a apuração dos créditos decorrentes de depreciação e de amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, alcança os encargos incorridos em cada mês, independentemente da data de aquisição desses bens”. Alega, assim, que a legislação apresentada não faz as restrições apontadas pela análise fiscal, motivo pelo qual defende ser legítimo o direito ao crédito. Rateio Proporcional Por fim, em relação ao rateio proporcional dos custos comuns entre as receitas de mercado interno e externo a contribuinte assim se manifesta: Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10925.000034/201014 Acórdão n.º 3401005.025 S3C4T1 Fl. 0 6 Tendo em vista que a contribuinte efetuou o cálculo de acordo com o preenchimento da Dacon, através da versão 2.0, disponibilizada pela Receita Federal, e tendo em vista essa manifestação, requer o contribuinte que seja mantido o cálculo original, elaborado pelo contribuinte, de acordo com as orientações de preenchimento da DACON e de acordo com a legislação. Por unanimidade de votos, a DRJ/FNS, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, nos termos do voto do Acórdão nº 0727.866. Irresignada, a Recorrente interpôs seu recurso voluntário, basicamente ratifica os argumentos expendidos em sua manifestação de inconformidade, mas também que não transferiu para o julgador o ônus da prova. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.018, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10925.000006/201099, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401005.018): "O recurso voluntário é tempestivo, vez que a Recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 16/05/2012, interpondo seu voluntário em 11/06/2012, portanto, dele tomo conhecimento. O presente contencioso cingese no reconhecimento de créditos da COFINS nãocumulativas, no ramo da agroindústria (atividade principal de cultivo de maçã), decorrentes dos chamados insumos (embalagens; aquisições de serviços de transportes; aquisições de combustíveis e/ou lubrificantes; material de construção; limpeza de desinfecção; partes e peças de automóvel; fretes); despesas com arrendamento mercantil; encargos com a depreciação com recursos florestais; encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos e bens incorporados ao ativo imobilizado e rateio proporcional de despesas. Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10925.000034/201014 Acórdão n.º 3401005.025 S3C4T1 Fl. 0 7 Consta da Intimação SAORT, na qual se requereu a apresentação de arquivos digitais de notas fiscais dos Livros Registros de Entradas e Saídas; folhas do Livro de Apuração do IPI e/ou do ICMS; relação de notas fiscais; relação de despesas com armazenamento e frete; memória de cálculo dos dados informados no DACON; relatório das notas fiscais de aquisição de insumos com suspensão, isenção, alíquota zero ou não alcançadas pela incidência do PIS/COFINS; fluxograma detalhado do processo produtivo da Recorrente; memória de cálculo dos rateios; relação dos maiores fornecedores limitados a 20 que correspondessem a 80% do crédito pleiteado; relação das unidades (matriz e filiais); relação das exportações diretas e vendas à comercial exportadora; memorandos de exportação e arquivos digitais. Após, sobreveio a Intimação SAORT, a fim de que a Recorrente apresentasse cópias das notas fiscais de aquisição de bens/serviços utilizados como insumos, referentes ao 2° trimestre de 2006. Consta do Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal TVEF: a) apresentou a documentação requerida nas Intimações acima; b) tem direito de crédito das vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, vez que é produtora de maçã, nos termos do inciso III, artigo 28 da Lei 10.865/2004, beneficiandose dos saldos credores apurados para fins de ressarcimento ou compensação; c) o aproveitamento de créditos de bens e serviços utilizados como insumos deve seguir os termos da IN 404/2004, sendo efetuadas conferências físicas por amostragem de notas fiscais de entrada, de acordo com critérios definidos pelo Auditor Fiscal da RFB, onde foram levados em conta o valor das notas fiscais, os fornecedores. a descrição do produto constante na nota, a respectiva classificação CFOP e a sua relação com o processo produtivo. Também foram efetuadas consultas aos sistemas informatizados desta Secretaria, elaboradas planilhas para se verificar o correto enquadramento dos Códigos Fiscais de Operação (CFOP's) nas respectivas linhas do Dacon e realizadas conferências por amostragem dos totais declarados nos livros do contribuinte, com o objetivo de detectar possíveis erros e/ou omissões; c.1) foram identificadas inconsistências e/ou ajustes necessários: I) inclusão de bens e serviços que não encontram enquadramento no inciso II, do artigo 3°, da Lei 10.833/2003, tratandose, na verdade, de despesas gerais necessárias às operações industriais e comerciais normais de qualquer estabelecimento industrial/comercial, sem direito a crédito das contribuições relativas ao PIS e à COFINS. Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10925.000034/201014 Acórdão n.º 3401005.025 S3C4T1 Fl. 0 8 E listou os itens glosados que não se enquadram como insumos: a) Material para embalamento e etiquetas: tampa de exportação branca linda fruta 20 kg, tampa festiva mark colada, tampa papelão, fundo exportação 20 kg, fundo papelão, lâmina de plástico com bolha, traypack (bandeja azul para acondicionar as maçãs), cola hotmelt, etiqueta adesiva, fita adesiva, ribbon eltron zebra (para impressão nas etiquetas), entre outros. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificouse que os materiais como cola e fita adesiva são utilizados na montagem das caixas. As notas fiscais dos fornecedores descrevem que as tampas e os fundos das caixas são de papelão ondulado (fls. 116, 118, 120, 127 a 130, e 133 do processo fiscal n° 10925.000021/2010 37ExportaçãoCOFINS). Nessa diligência do dia 22/07/2010, confirmouse que as tampas e os fundos das caixas são realmente feitos de papelão ondulado. E verificouse que essas caixas, o plástico bolha e o traypack têm o objetivo principal de proteger as maças durante seu transporte. b) Material para montagem de embalagem de transporte (bins): grampo, tábua pinus, ripa de madeira de pinus e prego. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificou se que bins são grandes caixas de madeira utilizados para transportar maçãs a granel, geralmente com pallet integrado, para facilitar o carregamento dessas caixas por empilhadeiras; c) Material de preparação para transporte da mercadoria: cantoneira eucatex e de eucalipto, cola branca, saco plástico para cantoneira, flta polyester e selo de aço para fita polyester; d) Produtos para movimentação de cargas pallet, carga de gás P5, gás a granel GLP. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificouse que o gás é utilizado como combustível para as empilhadeiras; e) Material de Construção: tinta Óleo, verniz, secante, diluente, thinner, telha, solvente, cimento etc; f) Limpeza e desinfecção: Formol. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificouse que o formol é utilizado para desinfecção dos locais de armazenagem; g) Partes e peças de automóveis: pneu e câmara de ar; h) Combustíveis: gasolina comum e Óleo díesel; i) Outros itens: saco plástico. Disse que somente são enquadrados como insumos, as matériasprimas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, e/ou serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, ressalvando ainda: Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10925.000034/201014 Acórdão n.º 3401005.025 S3C4T1 Fl. 0 9 Neste sentido, como a Agrícola Fraiburgo se dedica à produção de maçãs, obtémse que dão direito a crédito os bens e serviços utilizados como insumos no plantio, na limpeza da fruta e na classificação. As instruções normativas mencionadas definem como insumos os “bens aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado". Os itens relacionados acima não se agregam aos produtos produzidos ou a nenhum serviço que pudesse ser vendido pela empresa, não se configuram como aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação dos produtos (ação direta sobre o mesmo). Representam, na verdade, gastos normais inerentes ou não à atividade, não sendo, todavia, computados como insumos, razão pela qual não geram direito ao crédito da contribuição para o PIS/COFINS não cumulativo. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificouse que as embalagens apresentadas como tampa e fundo de caixas, lâmina de plástico com bolha, traypack, cola hotmelt, etiqueta adesiva, fita adesiva, ribbon eltron zebra, entre outras são utilizadas exclusivamente para o transportes das mercadorias. Não compõem o processo de industrialização as embalagens que se destinam precipuamente ao transporte dos produtos elaborados. São assim entendidos os acondicionamentos feitos em caixas, caixotes, engradados, barricas, latas, tambores, sacos, embrulhos e semelhantes, sem acabamento e rotulagem de função promocional e que não objetive valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional, bem assim o acondicionamento feito em embalagem de capacidade superior àquela em que o produto é comumente vendido (Decreto n° 4.544/2002, art. 4°, IV, e art. 6°). Prova de que as caixas são utilizadas precipuamente (principalmente) para transporte está no seu tamanho (para acondicionamento de 18 ou 20 quilos de maçã) e no seu reforço (papelão ondulado). Mesmo que as caixas contenham alguma indicação ou pintura para identificar o tipo de maçã acondicionado, em função das características supracitadas, percebese que o objetivo principal das caixas é realmente o transporte. Ripas e tábuas de pinus, pregos, cantoneiras, fitas de polyester, entres outros também são utilizados para acondicionamento do produto, com o objetivo de transportálo. Em relação aos itens constantes na Linha 03 (Serviços utilizados como insumos), Anexo II, verificamos que foram computados valores referente aos fretes de materiais Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10925.000034/201014 Acórdão n.º 3401005.025 S3C4T1 Fl. 0 10 diversos, fretes de trator e fretes de bins entre estabelecimentos da empresa Agrícola Fraiburgo (frete entre pomar e local de armazenagem e embalagem). Em relação ao frete entre estabelecimentos da empresa, temos as seguintes cópias, conforme fls. 122, 123 e 124 do processo fiscal n° 10925.000021/201037Exportação COFINS. Os referidos fretes não geram direito ao crédito PIS/COFINS naocumulativo por falta de expressa previsão legal; tratamse na verdade de despesas operacionais. A memória de cálculo apresentada pela empresa (Anexo II do processo fiscal n° 10925.000021/201037 Exportação~COFINS) classifica os fretes como frete de compra, sendo que conforme o parágrafo acima existem vários fretes que não podem ser classificados como insumos que geram crédito. Neste sentido, os fretes constantes na memória de cálculo foram glosados. II) despesas de contraprestação de arrendamento mercantil os contratos juntados, na essência, são contratos de financiamento. Ao invés de arrendar (alugar), na verdade, a empresa está comprando os equipamentos, dizendo: Prova disso, são os Valores Residuais Garantidos (campo 15) dos contratos apresentados. Esses valores são parcelados pelo mesmo período do contrato, mostrando claramente que a empresa já está efetivamente comprando os equipamentos e financiando o valor residual. III) encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado a Recorrente creditouse de encargos de recursos florestais, porém os ativos como “implantação de maçã", “maçã” (Galaxi, Condessa, IG, DVS, 55.33 HA, 7.04 Ha etc.) e "pomar" (Gala e macieira) estão sujeitos aos encargos de exaustão. Além disso, os bens do ativo imobilizado não são utilizados na produção de bens destinados à venda, no caso específico, a produção de maçãs e mencionou: Seguem alguns bens glosados: colchão de espuma, beliche, caldeira completa, carretão com rolete, casa de madeira, ônibus, condicionador de ar, implantação pinus, impressora laser, pinus reflorestamento, refeitório, retífica motor, revisão caixa/câmbio e carros. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificouse que a caldeira não é utilizada na área produtiva e que a capela de exaustão de gases é utilizada no laboratório para a realização de experimentos. IV) o contribuinte efetuou o rateio entre mercado interno não tributado e mercado externo (receitas de exportação) com base nos créditos do DACON. Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10925.000034/201014 Acórdão n.º 3401005.025 S3C4T1 Fl. 0 11 Como se vê, a questão de prova é bastante debatida, e aliás, não poderia ser diferente. Assim, impende destacar do corpo do voto da relatora da DRJ/FNS: 1. Considerações iniciais ônus da prova: (...), a contribuinte se limita a apresentar listagens e/ou registros contábeis e/ou documentos nos quais a falta de vinculação entre eles e a imprecisa identificação dos serviços e/ou bens adquiridos como pretensos insumos, impossibilita a confirmação da efetiva ocorrência da operação alegada e/ou a perfeita e minudente cognição do conteúdo das operações negociais instrumentadas por aqueles registros, listagens e documentos. 2. Hipóteses legais de direito a crédito no âmbito do regime nãocumulativo da contribuição ao PIS e da COFINS Tece considerações sobre a previsão legal atinente ao direito ao crédito no regime nãocumulativo do PIS e da COFINS (artigos 3°, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), IN/SRF 247/2002 (artigo 66) e 404/2004 (artigo 8°), asseverando: Vêse, então, que só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviço ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. Já em relação aos créditos decorrentes dos encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, a legislação igualmente condiciona o direito à utilização do bem na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Em se tratando de serviço de frete, que não consista de insumo, a previsão legal expressa de direito a crédito é em relação àquele serviço vinculado a uma operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Portanto, não é procedente a alegação da contribuinte de que a legislação utilizada pelo auditor fiscal, como fundamento das glosas procedidas, não traz as restrições ao direito ao crédito por ele apontadas. Vêse contradição entre o TVEF e o voto/acórdão da DRJ/FNS e este consigo mesmo, por quê? Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10925.000034/201014 Acórdão n.º 3401005.025 S3C4T1 Fl. 0 12 Em primeiro, o TVEF diz que a Recorrente entregou/comprovou todos os documentos que o SAORT lhe requereu. O TVEF negou direito ao crédito, dizendo, em síntese, que o que a Recorrente pleiteava não era permitido pela legislação, mas não por falta de prova. Em segundo, de um lado, o voto/acórdão diz que a Recorrente se limita a apresentar listagens e/ou registros contábeis e/ou documentos nos quais a falta de vinculação entre eles e a imprecisa identificação dos serviços e/ou bens adquiridos como pretensos insumos. Por outro, adentra no mérito dos aproveitamentos. Percebese que houve um intenso trabalho da Delegacia de origem, coleta de prova e sua análise, chegandose na vírgula sobre o direito ao crédito, aliás, também o fez a DRJ/FNS. Deste modo, entendese suficiente a dilação probatória, tendo a Recorrente atendido as intimações da unidade de origem na busca pela origem dos crédito. Vencida esta etapa, adentrase no mérito, principiandose pelas 3 (três) correntes formadas neste Tribunal em torno da conceituação de insumos, para depois, quais seriam os insumos no caso concreto e seus demais creditamento objeto da glosa. Dos insumos para fins de aproveitamento de crédito do PIS/COFINS À mão de se dar mais objetividade ao julgamento partese diretamente às 3 (três) correntes surgidas neste Tribunal em torno da conceituação de insumos para fins de tomada de crédito do PIS/COFINS, no regime da nãocumulatividade das Leis 10.637/02 e 10.833/03, respectivamente. A primeira, tida como mais restritiva na utilização dos créditos, conceituando insumos que estivesse ligados diretamente à industrialização dos produtos, aproximandose, portanto, da conceituação dada pelo IPI, dentre outras, Solução de Divergência 12/07, COSIT; Solução de Divergência 14/07, COSIT; Solução de Consulta 7/2008, 10a Região Fiscal; Solução de Consulta 136/09, 8a Região Fiscal; Solução de Consulta 39/2010, 7a Região Fiscal; Solução de Divergência 10/2011, DOU 10/05/2011; Solução de Divergência 9/2011, DOU 10/05/2011. A segunda, mais ampliativa, conceituando insumos, advindos da legislação do IRPJ (artigos 289 a 291 e 299, todos do Decreto 3.000/99), assim entendido como todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços. A terceira, conhecida como intermediária, entende que há de se ter uma relação entre o bem ou serviço, a fim de nascer o direito à tomada de crédito. Noutras palavras, construiuse um Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10925.000034/201014 Acórdão n.º 3401005.025 S3C4T1 Fl. 0 13 critério próprio, nem advindo do IPI, tampouco do IRPJ, mas sim da "essencialidade"1, "necessidade", "pertinência", "inerência" deste bem ou serviço para a atividadefim do contribuinte, ou seja, que tais bens ou serviços sejam úteis e necessários ao processo produtivo e à prestação de serviços e que participem da universalidade das receitas tributáveis. Este tem sido o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. (Acórdão nº 930301.740, m.v., para negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional). *** CONCEITO DE INSUMO. PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. CREDITAMENTO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS E NÃO DA LEGISLAÇÃO DO IPI OU DO IRPJ. A legislação do PIS e da COFINS não cumulativos estabelece critérios próprios para a conceituação de “insumos” para fins de creditamento. É um critério que se afasta da simples vinculação ao conceito do IPI, presente na IN SRF nº 247/2002, e que também não se aproxima do conceito de despesa necessária prevista na legislação do IRPJ.CONCEITO DE INSUMO. INTERPRETAÇÃO HISTÓRICA, SISTEMÁTICA E TELEOLÓGICA. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. CRITÉRIO RELACIONAL.“ Insumo” para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja 1 GRECO, Marco Aurélio. Conceito de insumo à legislação de PIS/COFINS. Revista Fórum de Direito Tributário. Edidora Fórum. N. 34. Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10925.000034/201014 Acórdão n.º 3401005.025 S3C4T1 Fl. 0 14 destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. COFINS. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS VINCULADOS À RECEITA DE EXPORTAÇÃO. EMPRESA DE CELULOSE. São passíveis de ressarcimento os créditos de COFINS apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, inclusive os relativos à produção de matériaprima usada na fabricação do produto exportado.No caso da recorrente, as despesas com a implantação, manutenção e exploração de florestas (ou produção de madeira) estão vinculadas ao produto exportado (celulose). A produção e a exportação de celulose somente é possível com a utilização de madeira na sua fabricação, sua principal matériaprima. As despesas incorridas na obtenção de madeira empregada no processo produtivo (produção própria ou aquisição de terceiros) são custos ou despesas de produção e estão, inexoravelmente, vinculados à receita de exportação. (Acórdão nº 9303 003.069, m.v., para negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional). Neste norte também navega a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART.535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. (...) 2. (...) 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/ Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10925.000034/201014 Acórdão n.º 3401005.025 S3C4T1 Fl. 0 15 "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõe se considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1.246.317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015). (grifouse). E mais recentemente, o Recurso Especial 1.221.170/PR, afetado à sistemática dos "recursos repetitivos", sendo vencedora a tese defendida pelo contribuinte, por 5 (cinco) votos a 3 (três), prevalecendo assim, a corrente chamada "intermediária", cabendo gizar, leva em consideração os critérios de essencialidade, relevância e inerência, o que se adota por este Relator, cuja ementa se transcreve: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10925.000034/201014 Acórdão n.º 3401005.025 S3C4T1 Fl. 0 16 DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Ao que se vê, a interpretação dada às Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 é de que a "lista" de créditos nelas contidas é apenas exemplificativa. Este parece ser o conceito mais adequado e que vai ao encontro do disposto nas referidas Leis, e mais, alinhase à materialidade e a universalidade das receitas destas duas Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10925.000034/201014 Acórdão n.º 3401005.025 S3C4T1 Fl. 0 17 contribuições2 que, diferentemente da materialidade do IPI a qual afeta os produtos industrializados, "algo fisicamente apreensível"3 , aqui, alcança todo o universo de receitas auferidas pela pessoa jurídica que tenha grau de relevância ("em que medida um é efetivamente importante para o outro, ou se é apenas um vínculo fugaz sem maiores consequências"), inerência ("um tem a ver com o outro"4), pertinência, enfim, relação de vínculo de elementos. Da análise das glosas Insumos. Embalagens A análise fiscal entendeu como insumos somente as embalagens destinadas ao transporte dos produtos. Já a Recorrente defendeu que as embalagens utilizadas para proteger os produtos (maçãs), e além disso, para efeitos promocionais da marca, elevando suas despesas, não havendo restrições da legislação neste particular, tampouco, pela normatização, a qual entende que material de embalagem é insumo (artigo 66, I, b, § 5°, I, a, da IN 247/2002), além do processo de consulta 45/2003, da SRRF 2ª Região Fiscal. Acerca do assunto, já se pronunciou este CARF, por meio do acórdão 3402004.880, o qual, por unânime de votos, decidiu por meio da ementa abaixo transcrita: INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE. Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto 2 "Não se pode olvidar que estamos perante contribuições cujo pressuposto de fato é a "receita", protanto, a não cumulatividade em questão existe e deve ser vista como técnica voltada a viabilizar a determinação do montante a recolher em função da receita. Esta afirmação, até certo ponto óbvia, traz em si o reconhecimento de que o referencial das regras legais que disciplinam a nãocumulatividade de PIS e COFINS são eventos que dizem respeito ao processo formativo que culmina com a receita, e não apenas eventos que digam respeito ao processo formativo de um determinado produto. Realmente, enquanto o processo formativo de um produto aponta no sentido de eventos de caráter físico a ele relativos, o processo formativo de um receita aponta na direção de todos os elementos (físicos e funcionais) relevantes para a sua obtenção. Vale dizer, o universo de elementos captáveis pela nãocumulatividade de PIS e COFINS é mais amplo do que aquele, por exemplo, do IPI (...)." GRECO, Marco Aurélio. Nãocumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (coord.). Nãocumulatividade de PIS/PASEP e da COFINS. São Paulo : IOB Thompson. Porto Alegre : Instituto de Estudos Tributários. 2004, p. 101122. 3 GRECO, Marco Aurélio. Conceito de insumo à luz da legislação do PIS/COFINS. Revista Fórum de Direito Tributário RFDT. Belo Horizonte, ano 6, n. 34, jul/ago. 2008. Biblioteca Digital Fórum de Direito Público cópia da versão digital. 4 GRECO, Marco Aurélio. Ibidem. Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10925.000034/201014 Acórdão n.º 3401005.025 S3C4T1 Fl. 0 18 final destinado à venda mantenhase com características desejadas quando chegar ao comprador. A Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF deste E. Tribunal também se manifestou sobre assunto correlato, por intermédio do acórdão 9303006.068, à maioria de votos, negouse provimento ao Recurso Especial da Procuradoria, de acordo com a seguinte ementa: PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. COOPERATIVA PRODUTORA DE LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. “PALLETS” DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO “STRETCH”. PROCESSO DE "PALLETIZAÇÃO". DIREITO AO CRÉDITO. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. Assim, os “pallets” utilizados para armazenagem e movimentação das matérias primas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, devem ser considerados como insumos. Da mesma forma, os materiais de acondicionamento e transporte plástico de coberto e filme plástico do tipo "stretch" são insumos pois indispensáveis ao adequado armazenamento e transporte das mercadorias produzidas pela Contribuinte, face ao tamanho reduzido das embalagens. Deste modo, deve ser reconhecido o direito creditório referente aos materiais de embalamento (nos termos da alínea "a", do item 2.2.1 do TVEF); materiais para montagem de embalagem de transporte (bins), de acordo com a alínea "b", do item 2.2.1 do TVEF; materiais de preparação para transporte da mercadoria, conforme Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10925.000034/201014 Acórdão n.º 3401005.025 S3C4T1 Fl. 0 19 alínea "c", do item 2.2.1 do TVEF; produtos para movimentação de cargas, referente alínea "d", do item 2.2.1 do TVEF, e por conseguinte, revertendose as glosas relativas a estes itens, únicos impugnados/recorridos pela Recorrente. Insumos. Serviços de transporte Entendeu o agente fiscal que apenas os fretes relativos a armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda autorizam o crédito do imposto, não aceitando os fretes pagos quando da aquisição de insumos e prestação de serviços aplicados nos produtos das vendas e também de transferência de insumos entre um e outro estabelecimento. Sobre o tema, decidiu o acórdão 3402004.931, por maioria de votos, reconhecer o direito creditório referente às despesas de frete. Vejase a ementa: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. Desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo e demonstrada a não apropriação em períodos anteriores, o crédito apurado em face da não cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes. GASTOS COM FRETE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. É cabível a apropriação de crédito das contribuições não cumulativas sobre os fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo desse serviço, suportado pela adquirente, é apropriado ao custo de aquisição de um bem utilizado como insumo ou destinado, mas somente quando não há restrição ao aproveitamento do crédito da contribuição na aquisição do bem transportado. A pessoa jurídica pode descontar créditos calculados em relação a bens ou a serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Não se vislumbra a hipótese de o frete anterior ao processo produtivo ser considerado como um "serviço utilizado como insumo" na "produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda". O creditamento relativo ao custo do frete na aquisição de bens utilizados como insumo ou destinados a revenda não está expressamente previsto na lei, sendo possível somente em decorrência de uma interpretação quanto ao valor da base de cálculo do crédito relativamente ao referido bem, no qual se incluiria o valor das referidas despesas de transporte, de forma que só há o direito ao creditamento Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10925.000034/201014 Acórdão n.º 3401005.025 S3C4T1 Fl. 0 20 relativo ao valor do frete quando também há esse direito para o bem transportado. Como as aquisições de bens de pessoas físicas não geram direito ao crédito da Cofins em face da restrição disposta no art. 3º, §3º, inciso I da Lei nº 10.833/2003, também não há possibilidade de aproveitamento relativo ao valor do frete nesta aquisição. Neste sentido, seguindose a ordem da glosa e da defesa, ratificase o voto quanto ao tópico precedente, devendo ser integralmente revertidas a glosa referente aos itens 2.2.1., alíneas "b", "c" e "d" do TVEF. Registrese que os serviços descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito ficam mantidos na glosa feita pela autoridade fiscal. Insumos. Aquisição de combustíveis e/ou lubrificantes Temse que a aquisição de combustíveis e/ou lubrificantes, a teor do artigo 3°, II da Lei 10.833/2003, tornase possível a tomada de créditos, sendo o tema, objeto de manifestação deste E. Tribunal, por meio do acórdão 3201003.455, o qual, à maioria de votos, decidiu: (...) EMBALAGEM. TRANSPORTE. PALLET. CRÉDITO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. As despesas com materiais de embalagens (pallets) utilizados para transporte interno de produtos fabricados e/ ou para embalagem de proteção, no transporte externo dos produtos vendidos geram direito a créditos do PIS e da COFINS. CONBUSTÍVEIS (sic) E LUBRIFICANTES. Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Os gastos com serviços de manutenção e a troca de partes e peças de máquinas e equipamentos utilizados diretamente no processo produtivo geram direito ao crédito das contribuições de PIS e da COFINS. (...). Diante disso, deve ser revertida a glosa em relação a combustíveis e lubrificantes, reconhecendose o crédito (no caso Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10925.000034/201014 Acórdão n.º 3401005.025 S3C4T1 Fl. 0 21 de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória). Despesas de contraprestação de arrendamento mercantil A previsão de aproveitamento de crédito referente a valores de contraprestações de arrendamento mercantil está no art. 3º, inciso V, da Lei nº 10.833/03. A jurisprudência desta Corte (Ac. 3301002.411, voto de qualidade), entende cabível a tomada de crédito a este título: (...) CRÉDITO. EMBALAGEM. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os custos com aquisições de etiquetas adesivas, chapas de papelão ondulado, cantoneiras, filme stretch e fita de aço integram o custo dos produtos fabricados e exportados pela recorrente, gerando créditos passíveis de desconto da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. (...) CRÉDITO. ARRENDAMENTO MERCANTIL. APROVEITAMENTO. Admitese o creditamento das despesas comprovadas de arrendamento mercantil, por disposição expressa da lei. Por outro lado, resta saber se os contratos de arrendamento juntados pela Recorrente, realmente assim se revelam. Entendeu o voto vencedor da DRJ que se trata de uma operação de arrendamento mercantil em tudo e por tudo equiparada a uma operação de compra e venda, sendo mantida a glosa em questão. Neste sentido já decidiu este Tribunal: (...) DESPESAS FINANCEIRAS. CONTRAPRESTAÇÃO ARRENDAMENTO MERCANTIL. INDEDUTIBILIDADE DE VALOR RESIDUAL GARANTIDO VRG. Não há como se considerar, para fins de redução da base de cálculo de tributos, o Valor Residual Garantido de contrato de arrendamento mercantil (leasing) operacional, porquanto tal valor corresponde, em verdade, a adiantamento para futura aquisição do bem, objeto do contrato. (Ac. 1302 001.587, v. u.). Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10925.000034/201014 Acórdão n.º 3401005.025 S3C4T1 Fl. 0 22 O voto do aludido precedente elucida a questão: Primeiramente, a partir da análise do instituto do arrendamento mercantil, chegase à conclusão que o Valor Residual Garantido tem natureza de pagamento que garante a opção de compra ao término do contrato, ou seja, é pagamento efetuado pelo arrendatário para que, em momento futuro, possa optar por adquirir o objeto do contrato de leasing que celebrou. Na hipótese, foram celebrados contratos de leasing financeiro, ou seja, modalidade de arrendamento mercantil em que ocorre o pagamento do Valor Residual Garantido, diferenciandose do chamado leasing operacional neste particular, vez que nesta última modalidade não existe a obrigatoriedade de pagamento Valor Residual Garantido. Para melhor diferenciar tais modalidades de leasing, aqui se reproduzem os arts. 5º e 6º da Resolução BACEN n.º 2.309/96: Art. 5º Considerase arrendamento mercantil financeiro a modalidade em que: I as contraprestações e demais pagamentos previstos no contrato, devidos pela arrendatária, sejam normalmente suficientes para que a arrendadora recupere o custo do bem arrendado durante o prazo contratual da operação e, adicionalmente, obtenha um retorno sobre os recursos investidos; II as despesas de manutenção, assistência técnica e serviços correlatos à operacionalidade do bem arrendado sejam de responsabilidade da arrendatária; III o preço para o exercício da opção de compra seja livremente pactuado, podendo ser, inclusive, o valor de mercado do bem arrendado. Art. 6º Considerase arrendamento mercantil operacional a modalidade em que: I as contraprestações a serem pagas pela arrendatária contemplem o custo de arrendamento do bem e os serviços inerentes a sua colocação à disposição da arrendatária, não podendo o valor presente dos pagamentos ultrapassar 90% (noventa por cento) do "custo do bem;" II o prazo contratual seja inferior a 75% (setenta e cinco por cento) do prazo de vida útil econômica do bem; III o preço para o exercício da opção de compra seja o valor de mercado do bem arrendado; IV não haja previsão de pagamento de valor residual garantido. (...) (grifos não originais) Assim, por se tratarem de contratos de leasing financeiro, com a devida previsão de pagamento de Valor Residual Garantido, temse que tal importância consiste em Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10925.000034/201014 Acórdão n.º 3401005.025 S3C4T1 Fl. 0 23 verdadeira antecipação, pelo arrendatário, do valor do bem objeto do contrato, independentemente de exercitar, ou não, sua opção de compra ao final. Portanto, ao término do contrato, poderá o arrendatário optar por adquirir o bem arrendado, depositando o valor residual para sua compra, ou não fazêlo, tendo, então, direito à restituição do VRG depositado. Assim, importante trazer a previsão dos arts. 3º, 11 a 15, todos da Lei n.º 6.099/74, os quais apresentam como deve ser contabilmente tratadas as despesas oriundas deste tipo de contrato, senão vejamos: Art 3º Serão escriturados em conta especial do ativo imobilizado da arrendadora os bens destinados a arrendamento mercantil. (...) Art 11. Serão consideradas como custo ou despesa operacional da pessoa jurídica arrendatária as contraprestações pagas ou creditadas por força do contrato de arrendamento mercantil. (...) Art 12. Serão admitidas como custos das pessoas jurídicas arrendadoras as cotas de depreciação do preço de aquisição de bem arrendado, calculadas de acordo com a vida útil do bem. (...) Art 13. Nos casos de operações de vendas de bens que tenham sido objeto de arrendamento mercantil, o saldo não depreciado será admitido como custo para efeito de apuração do lucro tributável pelo imposto de renda. Art 14. Não será dedutível, para fins de apuração do lucro tributável pelo imposto de renda, a diferença a menor entre o valor contábil residual do bem arrendado e o seu preço de venda, quando do exercício da opção de compra. Art 15. Exercida a opção de compra pelo arrendatário, o bem integrará o ativo fixo do adquirente pelo seu custo de aquisição. Parágrafo único. Entendese como custo de aquisição para os fins deste artigo, o preço pago pelo arrendatário ao arrendador pelo exercício da opção de compra. (grifos não originais) Portanto, temse que o bem arrendado pertencerá ao ativo imobilizado do arrendador, e não do arrendatário, pelo que, o bem arrendado apenas passará a integrar o ativo imobilizado do arrendatário a partir do exercício da opção de compra. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10925.000034/201014 Acórdão n.º 3401005.025 S3C4T1 Fl. 0 24 Sabendo que os bens arrendados não integram o ativo imobilizado da arrendatária, e tendo em mente que Valor Residual Garantido não tem natureza de contraprestação do contrato de leasing, mas de pagamento pela aquisição do bem, não há como considerar contabilmente tais valores como despesas financeiras. Apenas serão despesas financeiras, nestes casos, as contraprestações previstas no art. 5º, I, da Resolução BACEN n.º 2.309/96, já acima reproduzido. Assim sendo, incabíveis as alegações da recorrente em sentido contrário, devendo ser mantido o Acórdão impugnado neste particular. Por tais razões, mantémse a glosa integralmente. Encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado O agente fiscal subtraiu tais créditos por entender que não fazem parte do maquinário do processo produtivo da Recorrente (linha 7/9, da ficha 7 da DACON). De modo diverso, entende a Recorrente, vez que carretão com rolete, transporta maçãs; registrador eletrônico de temperatura (câmaras frigoríficas) são indispensáveis à formação da venda, de acordo com o artigo 3°, VI e VII, §§ 1° e 14 (1/48), da Lei 10.833/03. Também foram glosadas as depreciações os pomares (macieiras), entendendose que não sofrem depreciação, mas sim exaustão (linha 10 da ficha 16A do DACON ativos como "implantação de maçã", "maçã Galaxi, Condessa, IG, DVS, 55.33 Ha e 7.04 Ha e "pomar" Gala e macieira. A DRJ reconheceu a depreciação dos pomares, não havendo interesse de agir por parte da Recorrente neste particular, razão bastante para manter a decisão da DRJ. A Recorrente defende que pomares não são florestas, e por tal razão não estão submetidas à exaustão, e ainda, que o Decreto 3.000/99, em seu artigo 334, remete à exaustão à hipótese de extração de árvore, o que não acontece na cultura da maçã, exceto ao término da vida útil de sua árvore, quando é erradicada. Diz que a depreciação se caracteriza pelo uso do bem, no caso, a macieira é usada para produção da maçã. Já a exaustão se caracteriza pela extração da árvore no caso de florestas , o que não ocorre com as macieiras. Sobre o aproveitamento de encargos de depreciação, citase o Ac. 3301002.411, o qual, por meio de voto de qualidade, assim decidiu: Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10925.000034/201014 Acórdão n.º 3401005.025 S3C4T1 Fl. 0 25 (...) CRÉDITO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. APROVEITAMENTO. Os encargos de depreciação de bens utilizados no processo produtivo (exaustores, ventiladores de transporte, filtros de manga; e ciclones) geram créditos da contribuição. Razão assiste à Recorrente, mas no tocante ao que esta trouxe no seu recurso, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura, vez que ligados diretamente ao processo produtivo. Receitas de vendas rateio proporcional A contribuinte efetuou o rateio da despesa e encargos comuns entre as receitas de mercado interno e as receitas de mercado externo com base nos créditos apurados, conforme declarados no Dacon. Assim, procedeu a novo cálculo dos percentuais aplicáveis, com base nos valores das vendas declaradas no Dacon, a contribuinte efetuou o rateio da despesa e encargos comuns entre as receitas de mercado interno e as receitas de mercado externo com base nos créditos apurados, conforme declarados no Dacon. Assim, procedeu a novo cálculo dos percentuais aplicáveis, com base nos valores das vendas declaradas no Dacon. O inciso II do § 8° do artigo 3.”, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, trata da apropriação proporcional dos custos, despesas e encargos no cálculo dos créditos associados a cada uma das operações da pessoa jurídica, para fins de cálculo de créditos de COFINS, passíveis de desconto, compensação ou ressarcimento: Art. 3.". [...] § 8°. Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7° e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional. aplicandose aos custos. despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total. auferidos em cada mês.(g.n.) Com acerto, o voto da relatora da DRJ/FNS (efl. 188): Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10925.000034/201014 Acórdão n.º 3401005.025 S3C4T1 Fl. 0 26 Como se percebe, o rateio proporcional previsto no dispositivo legal destinase ao cálculo dos percentuais de créditos vinculados a custos, despesas e encargos "comuns", a serem associados a cada uma das operações da pessoa jurídica, classificadas de acordo com seu tratamento tributário. Deste modo, em se tratando de custos, despesas e encargos comuns ou seja, para os quais não existe, via contabilidade de custos, vinculação individualizada com cada receita , há que se utilizar o rateio proporcional para fins de apurar quais os percentuais dos créditos devem ser associados às receitas submetidas ao regime não cumulativo, no caso, qual percentual deve estar associado: às receitas tributadas no mercado interno, às não tributadas no mercado interno e às receitas de exportação. Ou seja, a proporção adotada na apropriação dos custos, despesas e encargos comuns na apuração dos créditos vinculados a cada uma das operações da empresa (ficha 06A e 16A) deve seguir a mesma relação percentual existente entre a receita decorrente de cad uma dessas operações e a receita bruta total sujeita à incidência nãocumulativa, auferidas em cada mês (ficha 07A). Pelo exposto, mantémse integralmente a glosa neste particular. Dispositivo Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para: (i) para reconhecer os créditos relativos a material de embalagem (itens 2.2.1 "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) para reconhecer os créditos em relação a combustíveis e lubrificantes (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras), não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado deu parcial provimento ao recurso voluntário para: Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10925.000034/201014 Acórdão n.º 3401005.025 S3C4T1 Fl. 0 27 (i) para reconhecer os créditos relativos a material de embalagem (itens 2.2.1 "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) para reconhecer os créditos em relação a combustíveis e lubrificantes (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras), não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 295DF CARF MF
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Numero do processo: 13609.720068/2008-77
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
DIREITO AO CRÉDITO.
Geram direito ao crédito do imposto, além dos que se insumos que se integram ao produto final (matérias-primas e produtos intermediários, "stricto sensu", e material de embalagem), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou, vice-versa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face dos princípios geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente.
Recurso do Procurador provido.
Numero da decisão: 9303-007.143
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire. Declarou-se impedido de participar do julgamento o Conselheiro Demes Brito, substituído pela Conselheira Semíramis de Oliveira Duno.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello Relatora
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Semíramis de Oliveira Duro, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 DIREITO AO CRÉDITO. Geram direito ao crédito do imposto, além dos que se insumos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, "stricto sensu", e material de embalagem), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou, viceversa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face dos princípios geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente. Recurso do Procurador provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire. Declarouse impedido de participar do julgamento o Conselheiro Demes Brito, substituído pela Conselheira Semíramis de Oliveira Duno. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 00 68 /2 00 8- 77 Fl. 363DF CARF MF Processo nº 13609.720068/200877 Acórdão n.º 9303007.143 CSRFT3 Fl. 364 2 Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello – Relatora (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Semíramis de Oliveira Duro, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (fls. 266 a 275), com fulcro no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 3401002.023 (fls. 257 a 264) proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 23/10/2012, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. Não são passíveis de ressarcimento os créditos presumidos do IPI apurados no trimestrecalendário anterior. Necessidade de requerimento CRÉDITOS BÁSICOS. Geram créditos do IPI os produtos que são essenciais para o processo produtivo, desgastamse com a utilização e não estão incluídos no ativo permanente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 364DF CARF MF Processo nº 13609.720068/200877 Acórdão n.º 9303007.143 CSRFT3 Fl. 365 3 Não resignada em parte com o acórdão que deu parcial provimento ao recurso voluntário, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 266 a 275) alegando divergência jurisprudencial quanto à subsunção do conceito de insumos para partes, peças e acessórios de máquinas e equipamentos, mesmo se constatado o desgaste ou o consumo, para fins de creditamento do IPI. Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou como paradigmas os acórdãos nºs 20311.519 e 20179.790. Por meio do despacho s/nº, de 10 de julho de 2015 (fls. 310 a 312), foi dado seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, pois comprovada a divergência jurisprudencial. A Contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 340 a 361) requerendo, preliminarmente, o não conhecimento do apelo especial e, no mérito, a sua improcedência. O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL é tempestivo, restando analisarse o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. A controvérsia posta nos autos cingese à subsunção ao conceito de insumos para partes, peças e acessórios de máquinas e equipamentos, mesmo se constatado o desgaste ou consumo no processo produtivo. No julgamento do recurso voluntário, o Colegiado a quo deu provimento parcial ao recurso tão somente para reconhecer os créditos básicos de IPI no que tange aos produtos essenciais para o processo produtivo da empresa, que se desgastam com a utilização e que não estão incluídos no ativo permanente da empresa. Os produtos cujos créditos básicos Fl. 365DF CARF MF Processo nº 13609.720068/200877 Acórdão n.º 9303007.143 CSRFT3 Fl. 366 4 haviam sido negados pela Fiscalização são as ventaneiras, glendons e refratários. A fundamentação do acórdão recorrido, nessa parte, deuse nos seguintes termos: [...] DO CRÉDITO BÁSICO [...] No que se refere ao creditamento dos estabelecimentos industriais, assim dispõe o art. 164, I do RIPI/2002, verbis: [...] Da leitura do citado dispositivo, verificase que para gerar crédito de IPI, mister se faz que os materiais sofram desgastes na fabricação, assim como não integrem o ativo permanente que é o presente caso, pois de acordo com os 2 laudos técnicos apresentados, um de fls 235/236 e outro por ocasião da apresentação dos Memorais (Laudo 2609/2012) o desgaste dos produtos ocorrem no decorrer do primeiro ano e não integram o ativo permanente. Nesse diapasão, restou comprovado que os citados produtos não integram o ativo permanente, assim como são essenciais para o processo produtivo da Recorrente que é uma siderúrgica e desgastamse com sua utilização. Com efeito, a duração, qual seja menos de um ano, a utilização e desgaste destes materiais foram devidamente comprovados na Declaração de fls. 235/236, assinada pelo Dr. Guaraci Franco de Paiva, Engenheiro Metalurgista, CREA n. 41.985, bem como pelo Laudo 2609/2012. Logo, assiste razão à Recorrente, vez que os materiais descritos como tijolos refratários, argamassa refratária, ventaneiras, timpas fundidas, glendons e concreto refratário geram créditos de IPI. Em face do exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário. [...] Depreendese que as conclusões do acórdão recorrido foram apoiadas em comprovação de dois laudos periciais juntados aos autos pela Contribuinte no sentido de que os refratários, ventaneiras, timpas fundidas e glendons sofrem desgaste no processo produtivo, devendo ser reconhecidos os créditos de IPI sobre os mesmos. Nesse aspecto, encontrase diferença fática substancial, pois enquanto o aresto recorrido embasouse em laudos periciais, os acórdãos indicados como paradigmas embora tenham apresentado a conclusão de que as partes, peças e componentes de máquinas e equipamentos não podem ser considerados como matériaprima ou produto intermediário para fins de manutenção do crédito tributário do IPI, não tiveram apoio em prova técnica capaz de comprovar a existência ou não de eventual desgaste no processo produtivo. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 13609.720068/200877 Acórdão n.º 9303007.143 CSRFT3 Fl. 367 5 Acórdão paradigma 20311519 Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 Ementa: RESSARCIMENTO. Art. 11 da Lei nº 9.779/99. INSUMOS. Incluem se entre os insumos para fins de crédito do IPI os bens que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos, desgastados ou alterados no processo de industrialização, em função de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre aquele. Produtos outros, não classificados como insumos segundo o Parecer Normativo CST nº 65/79, que, não são consumidos diretamente em contato com o produto em elaboração, ou viceversa, bem como as partes e peças de máquinas não podem ser consideradas como matériaprima ou produto intermediário para os fins de manutenção do crédito do IPI estabelecido no artigo 5º do DL nº 491/69 e no art. 11 da Lei nº 9.779/99. A cola de nome comercial Vibatex FPT, que é utilizada para fixar tapetes sobre os quais são colocadas máquinas de estamparia, os vernizes “Lockthone” e “esmalte poliuretano azul” não geram direito ao crédito, ALÍQUOTA DE IPI DESTACADO A MAIOR PELO FORNECEDOR DE INSUMOS. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Não gera direito ao crédito de IPI o valor pago a maior a esse título por erro do emitente da nota fiscal. Na forma do artigo 248 do RIPI/98, cabe ao adquirente de mercadorias verificar se o documento preenche todas as condições estabelecidas no Regulamento do IPI. DEVOLUÇÃO DE INSUMOS CUJO IPI TENHA SIDO APROVEITADO. ESTORNO. Impossível o aproveitamento de crédito de IPI incidente sobre insumos que tenham sido devolvidos sem que houvesse o correspondente estorno a débito em igual montante. PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA NÃOCUMULATIVIDADE. A não cumulatividade do IPI é exercida pelo sistema de crédito, atribuído ao contribuinte, do imposto relativo a produtos entrados no seu estabelecimento, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E/OU ILEGALIDADE. Não compete à autoridade administrativa, com fundamento em juízo sobre constitucionalidade de norma tributária, negar aplicação da lei ao caso concreto. Prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário, por força de dispositivo constitucional. Recurso negado. Acórdão paradigma 20179.790 Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/1997 a 30/06/1998 Fl. 367DF CARF MF Processo nº 13609.720068/200877 Acórdão n.º 9303007.143 CSRFT3 Fl. 368 6 Ementa: IPI. DIREITO DE CRÉDITO. ENERGIA ELÉTRICA, FRETE, GLP, GÁS, QUEROSENE, QUEROSENE ILUMINANTE. ILEGITIMIDADE. Mantémse a glosa de créditos relativos a produtos que, por não se enquadrarem nos conceitos de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, não ensejam direito de crédito do IPI, nos termos do inciso I do art. 66 do RIPI, Decreto nº 83.263/79, e do Parecer Normativo CST no 65/79. DIREITO DE CRÉDITO. FERRAMENTAL, REFRATÁRIOS E ÓLEOS. ILEGITIMIDADE. Somente são considerados produtos intermediários aqueles que, em contato com o produto, sofram desgaste no processo industrial, o que não abrange os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas, equipamentos e ferramentas, ainda que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização. Recurso negado. Havendo situação fática diversa entre os acórdãos recorrido e aqueles indicados como paradigmas não se pode reconhecer a existência da divergência jurisprudencial, razão pela qual não deve ter prosseguimento o recurso especial da Fazenda Nacional. Diante do exposto, negase seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional por ausência de similitude fática. Mérito Tendo restado o presente voto vencido quanto ao não conhecimento do recurso, adentrarseá ao mérito da demanda. No mérito, entendese não assistir razão à Fazenda Nacional, consoante fundamentos lançados no acórdão recorrido e que passam a integrar o presente julgado como razões de decidir, nos termos do art. 50, §4º da Lei nº 9.784/99, para negar provimento ao recurso especial, in verbis: [...] DO CRÉDITO BÁSICO A DRJ, com base no Parecer Normativo CST n. 65 de 1979 e no Parecer Normativo n. 181, de 1974, não homologou os créditos básicos decorrentes das ventaneiras, glendons e refratários, utilizadas, pois concluiu que eles não sofreram “em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, ou viceversa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem Fl. 368DF CARF MF Processo nº 13609.720068/200877 Acórdão n.º 9303007.143 CSRFT3 Fl. 369 7 em industrialização, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, restando devidamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização.” Ao final, a DRJ entendeu que a Recorrente não deu maiores esclarecimentos ou apresentou prova de que os insumos glosados se desgastariam em ação direta. No que se refere ao creditamento dos estabelecimentos industriais, assim dispõe o art. 164, I do RIPI/2002, verbis: Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I – do imposto relativo a MP, PI e ME, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matérias primas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; Da leitura do citado dispositivo, verificase que para gerar crédito de IPI, mister se faz que os materiais sofram desgastes na fabricação, assim como não integrem o ativo permanente que é o presente caso, pois de acordo com os 2 laudos técnicos apresentados, um de fls 235/236 e outro por ocasião da apresentação dos Memorais (Laudo 2609/2012) o desgaste dos produtos ocorrem no decorrer do primeiro ano e não integram o ativo permanente. Nesse diapasão, restou comprovado que os citados produtos não integram o ativo permanente, assim como são essenciais para o processo produtivo da Recorrente que é uma siderúrgica e desgastamse com sua utilização. Com efeito, a duração, qual seja menos de um ano, a utilização e desgaste destes materiais foram devidamente comprovados na Declaração de fls. 235/236, assinada pelo Dr. Guaraci Franco de Paiva, Engenheiro Metalurgista, CREA n. 41.985, bem como pelo Laudo 2609/2012. Logo, assiste razão à Recorrente, vez que os materiais descritos como tijolos refratários, argamassa refratária, ventaneiras, timpas fundidas, glendons e concreto refratário geram créditos de IPI. [...] Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o Voto. Fl. 369DF CARF MF Processo nº 13609.720068/200877 Acórdão n.º 9303007.143 CSRFT3 Fl. 370 8 (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Voto Vencedor Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Redator designado I CONHECIMENTO Com a devida vênia da ínclita relatora, entendo que o recurso especial fazendário deva ser conhecido. O objeto do recurso é quanto ao conceito de insumos de modo a gerar crédito que, eventualmente como in casu, podem dar azo ao ressarcimento de que trata o art. 11 da Lei 9.779/99. E em ambos os arestos, quer o recorrido, quer o paradigma, tiveram como fundamento em um outro sentido, os termos do Parecer CST 65/79. O paradigma 20311.519 enfrentou o mesmo mérito, ou seja que insumos podem dar margem ao creditamento de IPI em sua conta escritural. Embora, as partes e peças não sejam as mesmas, o fundamento da discussão, seu mérito é o mesmo, qual seja a natureza do insumo e sua utilização no processo produtivo de modo a permitir ou não seu creditamento na contagráfica do IPI. No acórdão recorrido restaram acolhidas as conclusões de laudo pericial, às fls. 235 a 236, e reconhecidos os créditos sobre: refratários (argamassa, tijolos e concretos), ventaneiras, timpas fundidas e glendons. Já nos acórdãos paradigma os colegiados entenderam que as partes, peças e componentes de máquinas e equipamentos não podem ser considerados como matériaprima ou produto intermediário para os fins de manutenção do crédito do IPI. Assim, entendo que a divergência restou comprovada, pelo que conheço o recurso especial da Fazenda Nacional. II MÉRITO Também no mérito, com o devido respeito, divirjo da eminente relatora. O voto condutor do aresto recorrido tomou como fundamento os termos das conclusões do laudo pericial. Embora, cediço, tratemse os laudos de prova técnica, certo é que eles não vinculam o julgador. PRODUTOS REFRATÁRIOS A respeito da glosa dos produtos refratários, tijolos, blocos, concreto, massa e argamassa, a matéria deve ser analisada à luz da legislação pertinente. O art. 164 do RIPI/2002 (Decreto nº 4.544, de 2002) então vigente, expressamente dispunha que: Fl. 370DF CARF MF Processo nº 13609.720068/200877 Acórdão n.º 9303007.143 CSRFT3 Fl. 371 9 Art.164. Os estabelecimentos industriais e os que lhe são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502/64, art. 25) I do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo se, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que embora não se integrando no novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. (negritei) Por seu turno, o Parecer Normativo CST nº 65/1979 expressamente reconhece que a expressão “consumidos” “há de ser entendida em sentido amplo abrangendo exemplificativamente o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida”, donde fazem jus ao crédito “as ferramentas manuais e as intermutáveis, bem como quaisquer outros bens que, não sendo partes nem peças de máquinas independentemente de suas qualificações tecnológicas”, enquadremse no conceito de “produtos consumidos”. Sobre o assunto, o referido parecer informa: 4.2 – Assim, somente geram direito ao crédito os produtos que se integrem ao novo produto fabricado e os que, embora não se integrando, sejam consumidos no processo de fabricação, ficando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. Para o contribuinte, todos itens refratários são “produtos intermediários” (PI), mesmo que não se integrem física ou quimicamente ao produto final, mas que se desgastem no curso do processo produtivo. Em verdade, os mesmos destinamse à manutenção do seu parque produtivo, das máquinas que vão produzir o produto industrializado e que não podem ser confundidas com o próprio processo produtivo e o produto final a ser obtido. No Recurso Especial nº 1.075.508SC, julgado em 23/09/2009, de relatoria do Ministro Luiz Fux, ele bem faz a distinção entre “consumo” do produto e o “mero desgaste” indireto do produto sem ação direta no processo produtivo, que é o caso dos materiais refratários, e que, por isso, não geram direito a crédito de IPI. Desse julgado destacase o excerto abaixo transcrito. Destarte, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose “aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente”. Dessumese da norma insculpida no supracitado preceito legal que o aproveitamento do crédito do IPI dos insumos que não integram o produto pressupõe o consumos, ou seja, o desgaste de Fl. 371DF CARF MF Processo nº 13609.720068/200877 Acórdão n.º 9303007.143 CSRFT3 Fl. 372 10 forma imediata e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa (sublinhado no original). O Parecer Normativo 260/71, que trata especificamente deste tema dos refratários, e os acórdãos nº 1019786 e 188630, dentre outros, são explícitos quanto à não admissão do crédito de IPI de materiais refratários: Parecer Normativo CST n° 260, de 1971 Substâncias refratárias adquiridas por usinas siderúrgicas e destinadas à construção ou reparo (manutenção) dos fornos e demais instalações. Não constituindo matériaprima ou produto intermediário, estão excluídas do direito ao crédito previsto no inciso I, do Art. 30, do RIPI (Decreto nº 61.514/67). ............. 8 Isto posto, não se aplica à hipóteses em epígrafes o direito previsto no Art. 30, inciso I, do Regulamento aprovado com o Decreto nº 61.514/67, por não atenderem ao conceito nele especificado os produtos refratários e ignífugos adquiridos por indústrias siderúrgicas, vez que não se compreendem como matériasprimas, produtos intermediários ou material de embalagem, destinados que são ao emprego na construção ou reparo (manutenção ou recondicionamento) de seus fornos e demais instalações, tais, como, caçambas, lingoteiras etc., citandose como exemplo as argamassas refratárias; os refratários prémoldados, apresentandose em tijolos, cunhas, suportes, placas, muflas etc., os materiais pulverulentos, tais como a magnesita, a diatomita (kieselgur), a lã de rocha ou de vidro etc., isolantes térmicos empregados para evitar a fuga do calor, nas corridas do forno, bem como as demais misturas destinadas a reparar as partes do revestimento e condutos sujeitos à ação agressiva do banho ígneo. 9 Cumpre ter em vista que os materiais refratários submetidos à ação do metal em estado de fusão e às elevadíssimas temperaturas reinantes no interior dos fornos, lingoteiras, caçambas etc., perdem a resistência que lhes é característica e se desgastam, considerandose desgaste de uma peça o arrancamento de partícula da sua superfície, geralmente por abrasão ou atrito, o qual, quando continuado, termina por inutilizar a peça. O desgaste observado, é certo, é o fator que determina a oportunidade de substituição dos refratários, visando à melhor proteção dos revestimentos das instalações. Mas isto nada tem a ver com o direito ao crédito do tributo incidente sobre as matériasprimas e produtos intermediários consumidos nos artigos objeto da elaboração. Não se entende por consumo, para os efeitos da legislação fiscal pertinente, a destruição ou perda do produto pelo uso, não componente do processo de fabricação. Haja vista, para simples ilustração teórica, que se chegaria ao mesmo resultado se se empregasse (no caso em foco) um refratário imune ao desgaste. Tratase não Fl. 372DF CARF MF Processo nº 13609.720068/200877 Acórdão n.º 9303007.143 CSRFT3 Fl. 373 11 caber a menor dúvida, de circunstância acidental e não de um requisito essencial do processo de industrialização. Embora o Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, tenha reformulado parte do entendimento antes fixado no Parecer Normativo CST nº 181, de 1974, adaptandoo às inovações introduzidas pelo art. 66, inciso I, do RIPI/1979, que prevalecem até hoje, não alterou o entendimento segundo o qual o direito ao crédito não se estende a partes e peças de máquinas em nenhuma hipótese, ou seja, ainda que não incorporadas ao ativo imobilizado e mesmo que, por suas qualidades ou características tecnológicas, se desgastem em razão do contato direto que exercem sobre o produto em fabricação ou que o produto exerçe sobre elas. Em tais condições, semelhante direito ao crédito só foi admitido, em virtude das inovações da legislação decorrentes do RIPI/1979, às ferramentas manuais e intermutáveis que não sejam partes de máquinas. Ademais, o refratário não agrega qualquer característica ao produto, mas sim ao equipamento: proteção das altas temperaturas, resistência à abrasão e isolamento térmico. Em outras espécies de equipamento, como os usados em indústrias químicas, os isolamentos térmicos são colocados no lado de fora dos equipamentos e tubulações, e também têm o objetivo de evitar a perda de calor e variações na temperatura. A única diferença para a siderurgia é que na indústria química não é necessário a proteção da parede interna do equipamento, cuja composição (seja metálica ou não), já oferece resistência à abrasão a ao ataque químico. Os refratários colocados no interior de fornos terão sempre a função de proteger a parede metálica do forno, evitando o seu derretimento, ataque químico e perda de calor. E a função dos fornos será sempre a mesma: a queima de combustível gerando calor, que se pretende transferir a uma substância que se quer aquecer. Fica claro que o refratário faz parte do equipamento, e este tem a função de transferir calor gerado pela queima do combustível para a substância de interesse. Não se questiona que o refratário tem contato com o produto. Mas este contato não tem o objetivo de agregar ao produto alguma característica especial. Se não houvesse a necessidade de proteger a parte interna do equipamento, os refratários seriam colocados do lado de fora, apenas com a função de isolamento térmico. E não teriam qualquer contato com o produto. Assim, o fato de ocorrer ou não contato com o produto fabricado não modifica as qualidades ou características tecnológicas dos refratários, que de qualquer maneira não podem ser incluídos entre as matériasprimas e os produtos intermediários a que ser refere a segunda parte do art. 226 do RIPI/2010. A interferência nas propriedades do aço pela agregação de partículas do refratário é algo indesejado, um efeito colateral negativo, algo que deve ser minimizado tanto quanto possível. E tal efeito negativo só é aceito e suportado em nome do benefício de proteção do equipamento. Não há dúvida de que o refratário entra em contato com o aço. O que se questiona é se o refratário faz ou não parte de um equipamento. E a resposta é SIM. Todos os equipamentos que terão contato direto com o metal líquido já são construídos com a cobertura refratária, e não podem ser usados em separado. Ou seja, os refratários aqui tratados são empregados nas indústrias siderúrgicas para o isolamento térmico dos fornos e panelas industriais, com a finalidade de evitarse a perda de calor para o ambiente externo, possibilitando, assim, a manutenção das Fl. 373DF CARF MF Processo nº 13609.720068/200877 Acórdão n.º 9303007.143 CSRFT3 Fl. 374 12 temperaturas internas desses fornos e panelas necessárias ao processo de fundição e derretimento dos demais insumos para obtenção do aço. A substituição do material refratário danificado é um custo de manutenção no equipamento. Ele se desgasta com o uso do equipamento (do mesmo modo que o pneu de um caminhão, os rolamentos de um motor, etc). Não aumenta sua vida útil, apenas o mantém em funcionamento. Embora sejam repostos com frequência devido às altíssimas temperaturas a que são submetidos, os refratários guardam similaridade não com MP e PI, mas sim com os bens do ativo permanente, pois apenas recondicionam os equipamentos ao seu estado funcional, restabelecendo a sua condição de uso. Portanto, concluo os que materiais refratários (tijolos, blocos, concreto, massa e argamassa) não geram direito ao crédito do IPI, pelo que escorreita a glosa dos mesmos. VENTANEIRAS E GLENDONS As ventaneiras, conforme informação dada pelo contribuinte à fl.88, são peças formadas pelo conjunto de algavarizes, cuja função é não deixar que o condutor do ar danifique com o calor a região interna do alto forno. Portanto, certo que se trata de partes e peças, e, como tal, não dão direito a creditamento de IPI. De seu turno os glendons, com arrimo na mesma informação prestada pelo contribuinte, são peças constituídas de garrafas tipo ferro fundido e serpentina de aço inox. Tratamse de uma câmara de combustão, onde as serpentinas e garrafas de ferro fundido são aquecidas em altas temperaturas. Portanto, igualmente tratamse de partes e peças, pelo que não há que se falar em direito a crédito de IPI, eis que, assim como as ventaneiras, não são consumidas no processo produtivo nos termos do Parecer CST 65/69. DISPOSITIVO Forte no exposto, dou provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Fl. 374DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000294/2005-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Ano-calendário: 2003
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO PAGAMENTOS EFETUADOS NOS TERMOS DO ART. 5º DA MP n° 2.222/ 2001.
O contribuinte que efetuou pagamento de tributos e contribuições com base no art. 50 da Medida Provisória n° 2.222, de 04 de setembro de 2001, e na Lei n° 10.431, de 24 de abril de 2002, em valor superior ao efetivamente devido, tem direito à restituição ou compensação da parcela comprovadamente paga a maior, de acordo com os procedimentos previstos na legislação tributária federal para os tributos e contribuições federais (ADI SRF nº 17/2007).
DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE DO MÉRITO.
Se a autoridade administrativa competente para apreciar o pedido, levantando questão prejudicial, sequer se manifestou sobre a existência do direito creditório, demonstrado o descabimento da prejudicial deve o processo retornar à autoridade competente para apreciá-lo.
Numero da decisão: 1301-000.523
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para anular a decisão recorrida e determinar o retorno dos autos à DEINF/RJ para, observando o disposto no Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 17, de 28 de dezembro de 2005, decidir o pleito.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Valmir Sandri
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O contribuinte que efetuou pagamento de tributos e contribuições com base no art. 50 da Medida Provisória n° 2.222, de 04 de setembro de 2001, e na Lei n° 10.431, de 24 de abril de 2002, em valor superior ao efetivamente devido, tem direito à restituição ou compensação da parcela comprovadamente paga a maior, de acordo com os procedimentos previstos na legislação tributária federal para os tributos e contribuições federais (ADI SRF nº 17/2007). DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE DO MÉRITO. Se a autoridade administrativa competente para apreciar o pedido, levantando questão prejudicial, sequer se manifestou sobre a existência do direito creditório, demonstrado o descabimento da prejudicial deve o processo retornar à autoridade competente para apreciálo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para anular a decisão recorrida e determinar o retorno dos autos à DEINF/RJ para, observando o disposto no Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 17, de 28 de dezembro de 2005, decidir o pleito. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Fl. 1DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 19740.000294/200557 Acórdão n.º 1301000.523 S1C3T1 Fl. 2 2 Presidente (assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto , Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, André Ricardo Lemes da Silva (Suplente Convocado) e Guilherme Pollastri Gomes da Silva (Suplente Convocado). Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto por Real Grandeza Fundação de Previdência e Assistência Social, contra a decisão da 1ª Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro, que indeferiu sua manifestação de inconformidade e confirmou a decisão da autoridade competente da DEIF/RJ, a qual não homologou as compensações solicitadas por meio das declarações de compensação de fls. 02/26. O crédito indicado nas DCOMP é oriundo de imposto de renda incidente sobre rendimentos de fundos de renda fixa, que teria sido pago a maior, por erro de apuração, quando da utilização do benefício instituído pelo art. 5º da Medida Provisória no 2.222/2001. Esclarece a interessada que a Medida Provisória n° 2.222, de 04/09/2001, criou o Regime Especial de Tributação — RET, e dispôs sobre a tributação da renda dos planos de benefício de caráter previdenciário, instituindo uma nova modalidade opcional de apuração do imposto de renda para as entidades fechadas de previdência privada complementar. Quem optasse pelo RET não mais estaria sujeito à incidência do imposto de renda exclusiva e definitiva na fonte quando auferisse ganhos ou rendimentos nas diversas aplicações. Informou à interessada que, mesmo entendendo estar desobrigada do pagamento do imposto de renda, o que dispensaria a sua adesão ao regime especial de tributação, em observância ao princípio da eventualidade, procedeu à opção legalmente prevista. Assim, amparada no art. 5º da MP, que instituiu um perdão da penalidade imposta pela infringência ao seu dever tributário de recolher tempestivamente os tributos supostamente devidos à Receita Federal até 31 de agosto de 2001, procedeu ao pagamento de seus débitos relativos ao IRRF, com base na mencionada anistia. Posteriormente ao pagamento do débito de IRRF, constatou erro na apuração do montante devido, tendo verificado que recolheu R$ 4.982.188,65 a mais que o devido pelas regras da Receita Federal a titulo de IRRF de rendimentos em Fundos de Renda Fixa. Esse valor foi objeto dos PER/DCOMP de fls. 02/26, e sua apuração está exposta em detalhe em demonstrativos anexos aos referidos PER/DCOMP. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 19740.000294/200557 Acórdão n.º 1301000.523 S1C3T1 Fl. 3 3 A autoridade administrativa da DEINF não homologou as compensações ao fundamento de que os valores pagos constituem confissão de dívida e há na legislação norma que veda a restituição e a compensação de valores recolhidos no RET. Em sua manifestação de inconformidade deduzida frente à DRJ, argumentou a interessada que o dispositivo que veda a restituição não pode ser aplicado no presente caso, uma vez que sequer poderia ter confessado valores que não deve, e muito menos o Estado poderia apropriarse de valores que não lhe são devidos, pois não são referentes a débito tributário, mas decorrem de erro na apuração da base de cálculo, de modo que considerou parcelas não passíveis de tributação, e que o próprio pagamento, à época, foi feito a maior. Aduziu não haver como defender a impossibilidade de utilização de valores pagos na anistia/remissão, se o próprio programa da SRF, específico para que o contribuinte possa realizar as compensações (PER/DCOMP 1.3), aceita como crédito passível de compensação o código 8998, que foi criado exclusivamente para recolhimentos de imposto de renda dos optantes pela regra de parcelamento do artigo 5º da MP 2.222/2001 (RET). Esclareceu que o código 8998 foi criado e existe exclusivamente para que as pessoas jurídicas paguem seus débitos de IRPJ, como determina o artigo 5° da MP 2.222/2001, ou seja, fazendo a confissão irretratável de dívida, entre outras condições. Lembrou que a Instrução Normativa SRF n° 376, de 23 de dezembro de 2003, que regulamenta como devem ser realizadas as compensações, não traz qualquer impedimento para a utilização de créditos decorrentes de pagamentos realizados com o código 8998. A 1ª Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro indeferiu a manifestação de inconformidade trazendo, em síntese, a seguinte motivação: • Para fruição do direito de compensação é necessário que o crédito seja dotado de liquidez e certeza, não cabendo à autoridade administrativa verificar se os créditos que a interessada alega possuir são dotados dessas qualidades; • As retenções de Imposto de Renda na Fonte IRRF, não são pagamentos a maior ou indevidos passíveis de restituição/compensação, uma vez que seu fato gerador ocorre no momento em que o rendimento é auferido, sendo a retenção obrigatória por parte da fonte pagadora. • Não obstante a anistia concedida pela lei para os optantes pelo RET, a compensação somente pode ser autorizada se fundada em elementos irrefutáveis, que imprimam certeza absoluta ao crédito pleiteado. • A legislação do Imposto de Renda estabelece que só é possível cogitar da hipótese de restituição e/ou compensação do IRRF se o interessado comprovar ter recolhido o tributo de forma indevida ou a maior que o devido, no momento da retenção, nos termos do artigo 165 do Código Tributário Nacional. • Os documentos juntados pelo interessado (demonstrativos de fls. 27, 29/30, 34 e 37, cópias de Darf de fls. 28, 31/33 e cópias de extratos de sistemas da Receita Federal, em que se verificam diversos pagamentos) não representam prova suficiente para se considerar que houve recolhimentos a maior ou indevidos, pois estão desacompanhados de cópias das folhas correspondentes dos livros contábeis e fiscais, ou outros elementos Fl. 3DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 19740.000294/200557 Acórdão n.º 1301000.523 S1C3T1 Fl. 4 4 que comprovem inequivocamente o alegado engano na aferição da base de cálculo do tributo devido. • Tendo em vista o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto no 70.235/72, a fim de comprovar a certeza e liquidez do suposto crédito, a interessada, obrigatoriamente, deveria ter instruído sua manifestação de inconformidade com documentos que respaldassem suas afirmações. • As demais alegações, dentre as quais as referentes ao código do tributo, à ausência de restrição normativa impeditiva da compensação, ao Regime Especial de Tributação — RET, e à confissão efetuada com base em erro, etc., têm o seu contexto prejudicado, uma vez que se baseiam na tese do cometimento de erro escusável na apuração da base de cálculo, o qual necessita de prova inequívoca da sua ocorrência e de termos comparativos de que houve pagamento a maior ou indevido, fundados em livros e documentos obrigatórios por lei e não apenas em planilhas e demonstrativos elaborados pelo próprio interessado, prova sem a qual não há como se autorizar a compensação requerida. Ciente da decisão, a interessada ingressou com recurso em 26/11/2007, cujas alegações, em síntese, são as seguintes: • A autoridade administrativa indeferiu a compensação ao único fundamento de que o parcelamento de débitos com fulcro no disposto no art. 5° da MP n° 2.222, de 2001, constitui ato jurídico perfeito, confissão extrajudicial e irretratável de dívida e, além disso, não pode acarretar restituições das quantias pagas. • Contra esse despacho e seu fundamento foi apresentada manifestação de inconformidade, indeferida pela Turma de Julgamento que, inovando, manteve o despacho recorrido sob o argumento de que a interessada não teria comprovado a origem dos seus créditos. • Quanto ao fundamento inicial para o indeferimento (parcelamento com base no art. 5º da MP 2222 constitui confissão de dívida e não acarretará restituição), a própria Receita Federal reconheceu o equívoco que vinha cometendo, ao expedir o Ato Declaratório Interpretativo n° 17/2005, que esclareceu que “O contribuinte que efetuou pagamento de tributos e contribuições com base no art. 5º. da Medida Provisória n° 2.222, de 4 de setembro de 2001, e na Lei n° 10.431, de 24 de abril de 2002, em valor superior ao devido, tem direito à restituição ou compensação da parcela comprovadamente paga a maior, de acordo com os procedimentos previstos na legislação tributária federal para os tributos e contribuições federais." • Não é de competência de a Turma Julgadora adentrar na questão da origem dos créditos utilizados, se não o fez a instância de origem, e assim, deveria a DRJ acatar as razões da manifestante e devolver o processo para a Delegacia de origem analisar os créditos utilizados. • O documentário (extratos bancários, balancetes, cópias de livros fiscais, etc.), não foi apresentado até mesmo por questão de economia processual porque, Fl. 4DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 19740.000294/200557 Acórdão n.º 1301000.523 S1C3T1 Fl. 5 5 além de vultoso, é cediço que a Fiscalização efetuaria diligência in loco, requisitando ainda outras provas. • Toda a documentação apta a comprovar o recolhimento indevido está à disposição do Fisco. • O voto condutor se equivoca ao esclarecer que “ (...) tais retenções não se tratam de pagamentos a maior ou indevidos passíveis de restituição/compensação, uma vez que, no momento em que ocorrem, são obrigatórias e devidas, pois seu fato gerador ocorre ao se auferir rendimento, cuja retenção do imposto é obrigatória pela fonte pagadora.” Embora detidamente explicado, parece que os julgadores não compreenderam que, embora a legislação determinasse a retenção do IR, a mesma não foi feita à época pelas Instituições Financeiras, por julgarse imune a Recorrente. • Com a sedimentação do entendimento quanto à inaplicabilidade da imunidade para as Entidades Fechadas de Previdência Complementar, aliada ao advento da anistia, a Recorrente efetuou o pagamento dos valores que deveriam ter sido retidos. Portanto, não há que se falar em compensação de retenções, mas de compensação do que deveria ter sido retido pelas Instituições Financeiras (e não foi), mas foi pago posteriormente (e indevidamente) pela Recorrente. • Quanto à origem do crédito, a própria Turma de Julgamento a quo reconhece que a ora Recorrente a expôs com minúcia. • A parte documental não foi anexada, tendo em vista o grande volume, aliado ao fato de que a prática fiscal é de iniciar procedimento de fiscalização no estabelecimento do Contribuinte, tornando mais célere e eficaz o procedimento. • A origem dos pagamentos efetuados a maior é oriunda de equívocos cometidos na apuração da base de cálculo, estes por sua vez decorrentes das significativas mudanças ocorridas na legislação aplicável, entre 1997 e 1999 (entre janeiro/1997 IRRF devido no resgate, com o advento da MP 1.753/1998 e até 02/08/1999, tributação no vencimento das carências ou no resgate, o que ocorresse primeiro, a partir de 03/08/1999, quando entrou em vigor a Circular BACEN n° 2.906, de 1999, que determinou o rendimento diário para os fundos de investimento de renda fixa, tributação segundo o regime de competência, mensalmente). • Foi constatada divergência no valor global em 31/12/1999, decorrente de um lançamento de correção de IRRF indevido no mês de dezembro de 1999, e o lançamento foi estornado no mês de janeiro de 1999, conforme as razões das contas nos meses de dezembro/1998 e janeiro/1999. • Outro equívoco encontrado foi na quantidade de quotas nos Fundos Deutsche e Lloyds, em função de a Recorrente ter adotado a planilha de cálculo elaborada anteriormente pela própria Receita Federal, a qual desconsiderou algumas quotas do fundo Deutsche e do fundo Lloyds em virtude destas apresentarem perdas no período por ele analisado. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 19740.000294/200557 Acórdão n.º 1301000.523 S1C3T1 Fl. 6 6 • O Deutsche, por compreender operações com derivativos, estava sujeito a variações negativas. Na revisão realizada, percebeuse, através da análise do razão contábil da rubrica 6211.04.08.1 — Despesas e/ou Prejuízo na Venda, que em junho de 1999 a Real Grandeza sofreu uma redução significativa na quota, o que gerou uma perda de R$ 1.595.740,40 para a Entidade. Logo, para a apuração correta do imposto, deveria ser considerada como quota PO, (P zero), ou seja, como quota anterior à quota de aniversário, a última quota onde houve a incidência do imposto. • Vejase que somente no mês de fevereiro de 2001 é que a quota recuperou ganho em relação ao mês de outubro de 1999, último mês onde houve incidência de imposto. Em outubro de 1999 a quota equivalia a R$ 98,8592485, só recuperando o seu valor em fevereiro de 2001, quando foi cotada em R$ 98,9701533. Desta forma, entre janeiro de 2000 e janeiro de 2001 não houve base de cálculo para a incidência de IRRF sobre aplicações no fundo Deutsche. • O Fundo Lloyds também apresentou perdas nos meses de janeiro, abril e maio de 2000, e em virtude disso, nesses meses foram excluídas da base de cálculo do imposto de renda as receitas obtidas no referido fundo. • Pelas regras da Receita Federal, a entidade recolheu IRRF de R$ 5.110.657,51 a mais do que o devido a título de Fundos de Renda Fixa, valores estes expostos detalhadamente nos anexos às PER/COMP’s listadas. • A questão documental só surgiu quando do julgamento pela DRJ, eis que a discussão inicial envolvia apenas questão de direito (se valor pago à maior ou indevidamente na anistia da Medida Provisória n. 2.222/2001, poderia ser objeto de pedido de restituição). Assim, com o recurso, a Recorrente apresenta os extratos das Instituições Financeiras, sobre quais foram calculados com erro – os valores de imposto de renda devidos e recolhidos na anistia. • Como não foi possível deduzir quais os outros documentos que seriam necessários para a confirmação do crédito por parte da Receita Federal, informa que todos os seus arquivos estarão à disposição da Fiscalização no seu endereço. Finaliza postulando pela realização de perícia, caso se entenda que o documentário apresentado, bem como a realização de diligência (em função do grande volume de documentos) não seja suficiente para a comprovação do pagamento indevido. Formula quesitos e indica assistente técnico. É o relatório. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 19740.000294/200557 Acórdão n.º 1301000.523 S1C3T1 Fl. 7 7 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O recurso preenche os requisitos para a sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Como se viu do relatório, cuidase de processo de restituição/compensação indeferido pela autoridade competente sem qualquer análise quanto à existência do indébito. A decisão recorrida confirmou o despacho denegatório ao argumento de que o contribuinte não comprovou o pagamento a maior, e que, segundo o disposto nos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72, a impugnação deve estar instruída com os documentos em que se fundamentar, e que a prova documental deve com ela ser apresentada, precluindo o direito do impugnante de fazêlo em outro momento processual, a não ser nas hipóteses previstas nas alíneas (a) a (c) do art. 16. Todavia, é preciso levar em consideração que as normas previstas no Capítulo I, do Decreto nº 70.235/72 (arts.1º a 45) regem o contencioso administrativo tributário. E que, diferentemente dos processos de exigência de crédito tributário, em que o contencioso se inaugura com a impugnação ao lançamento, nos processos de restituição/compensação o contencioso se inaugura com a impugnação (manifestação de inconformidade) à decisão denegatória da autoridade competente. Os artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, estabelecem : "Art. 15 A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16 A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir (...) § 4° A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (...)” No caso, o que o contribuinte impugnou não foi o não reconhecimento do indébito, mas sim a questão prejudicial surgida com o despacho denegatório, de que o parcelamento com base no art. 5º da MP 2222/2001, constitui confissão de dívida e não acarretará restituição. Tratase de questão que não exige juntada de prova, mas apenas a menção das razões de direito em que se funda. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 19740.000294/200557 Acórdão n.º 1301000.523 S1C3T1 Fl. 8 8 Na realidade, ocorreu um desvio no procedimento ordinário observado em pedidos de restituição, causado pelo entendimento equivocado do analista, de que os valores recolhidos, ainda que a maior, com fulcro na anistia, não poderiam ser restituídos. O direito à restituição do tributo pago a maior que o devido decorre de lei (art. 165 do CTN), estando condicionado apenas à prova do pagamento a maior e à formulação do pedido antes da extinção do direito de pleitear a restituição (cinco anos contados da extinção do crédito tributário, conforme art. 168 do CTN). Num processo de restituição, cabe ao contribuinte provar que pagou mais que o valor devido. Mas quem determina o valor devido é o fisco, cabendo ao contribuinte comprovar quanto pagou. Do confronto dos dois valores se apura a eventual existência de direito creditório e se o quantifica. Em regra, ao formular o pedido de restituição o contribuinte indica/ demonstra a origem do crédito e as provas do pagamento. A autoridade administrativa, ao analisar o pedido, confirma a efetividade dos recolhimentos apontados pelo contribuinte e os confronta com os valores devidos (em geral, faz uma auditoria sobre os valores indicados pelo contribuinte como devidos). Nessa tarefa, se assim entender, pode intimar o contribuinte a apresentar os documentos que julgue necessários à apuração da base de cálculo, ou mesmo determinar à fiscalização que a confirme. No presente caso, esse procedimento não foi observado. Tendo a autoridade administrativa equivocadamente entendido que, mesmo que estivesse provado o pagamento indevido ou a maior, o indébito não poderia ser restituído, e por essa razão não fez a análise da existência do direito creditório, não por falta de apresentação dos documentos por parte do contribuinte, mas apenas porque entendia que, independentemente de quaisquer documentos por ele apresentados, a restituição deveria ser indeferida. É óbvio que se não houvesse enveredado por esse caminho, a autoridade prosseguiria na análise do direito creditório, pois o contribuinte indicou sua origem. Eventualmente, se assim entendesse, intimaria o contribuinte a apresentar documentos que julgasse necessário e/ou determinaria a confirmação, pela fiscalização. Logo, como bem argumentou a Recorrente, não poderia a Turma de Julgamento indeferir a impugnação/manifestação de inconformidade com base em questão não suscitada nem debatida na instância a quo (DRF). Portanto, são essas minhas razões para votar no sentido de dar provimento ao recurso, determinando o retorno dos autos à DEINF/RJ para, observando o disposto no Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 17, de 28 de dezembro de 2005, decidir o pleito. Sala das Sessões, em 31 de março de 2011 (assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 8DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 19740.000294/200557 Acórdão n.º 1301000.523 S1C3T1 Fl. 9 9 Fl. 9DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 35393.000290/2005-12
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 28/02/2005
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.936
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 19647.007683/2007-33, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2000 a 28/02/2005 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1856; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 35393.000290/200512 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.936 – 2ª Turma Sessão de 24 de maio de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado AUXILIAR RECURSOS HUMANOS LTDA EPP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 28/02/2005 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 19647.007683/200733, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 39 3. 00 02 90 /2 00 5- 12 Fl. 860DF CARF MF Processo nº 35393.000290/200512 Acórdão n.º 9202006.936 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.915, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 19647.007683/200733, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão, quanto à admissibilidade e quanto ao mérito (Acórdão 9202006.915): Fl. 861DF CARF MF Processo nº 35393.000290/200512 Acórdão n.º 9202006.936 CSRFT2 Fl. 4 3 "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 862DF CARF MF Processo nº 35393.000290/200512 Acórdão n.º 9202006.936 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória nº 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5º, ambos da Lei nº 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5º, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei nº 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei nº 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos Fl. 863DF CARF MF Processo nº 35393.000290/200512 Acórdão n.º 9202006.936 CSRFT2 Fl. 6 5 previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarse á às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Fl. 864DF CARF MF Processo nº 35393.000290/200512 Acórdão n.º 9202006.936 CSRFT2 Fl. 7 6 Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte: “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;" Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Fl. 865DF CARF MF Processo nº 35393.000290/200512 Acórdão n.º 9202006.936 CSRFT2 Fl. 8 7 Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, Fl. 866DF CARF MF Processo nº 35393.000290/200512 Acórdão n.º 9202006.936 CSRFT2 Fl. 9 8 a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a Fl. 867DF CARF MF Processo nº 35393.000290/200512 Acórdão n.º 9202006.936 CSRFT2 Fl. 10 9 imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 868DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.904813/2012-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES.
Constatada omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para supri-la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, conclui-se pela alteração no resultado do julgado.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. SUPERAÇÃO DE ÓBICES EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
No julgamento de recurso voluntário em que se supera óbice que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Numero da decisão: 1301-003.200
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para suprir omissão na decisão embargada, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: Nelso Kichel
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para supri-la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, conclui-se pela alteração no resultado do julgado. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. SUPERAÇÃO DE ÓBICES EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que se supera óbice que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para suprir omissão na decisão embargada, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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REPETIÇÃO DE INDÉBITO Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado PREV SAÚDE NÚCLEO DE PREVENÇÃO DA SAÚDE LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão no acórdão embargado, prolatase nova decisão para suprila, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, concluise pela alteração no resultado do julgado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. SUPERAÇÃO DE ÓBICES EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que se supera óbice que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 48 13 /2 01 2- 77 Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10280.904813/201277 Acórdão n.º 1301003.200 S1C3T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para suprir omissão na decisão embargada, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10280.904813/201277 Acórdão n.º 1301003.200 S1C3T1 Fl. 4 3 Relatório Os autos do processo tratam do pedido de repetição de indébito tributário. Nesta instância recursal, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário contra o Acórdão da DRJ/Recife (3ª Turma) que julgara Manifestação de Inconformidade improcedente. Na sessão de 23/02/2018, esta Turma afastou o óbice que, até então, impedia a análise de mérito da lide e converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 1301003.565 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, que transcrevo a parte dispositiva e voto condutor do Relator, in verbis: (...) Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (...) Voto (...) As decisões, até agora proferidas nos autos, não enfrentaram o mérito da lide, se a contribuinte, de fato, teve receitas da atividade hospitalar, qual o percentual das receitas da atividade hospitalar (caso auferiu receitas de atividades outras, diversas da atividade hospitalar) e se realmente ocorreu o erro de fato na apuração e pagamento da exação fiscal no regime do lucro presumido, quanto ao (s) período (s) objeto (s) do PER. O Despacho decisório, simplesmente, denegou o pleito, pois o valor do pagamento, restou alocado, consumido, inteiramente, pelo débito confessado na DCTF, do mesmo período de apuração. Já a decisão recorrida, além desse fundamento citado, entendeu que a contribuinte não comprovou que exercera atividade de serviço hospitalar, no período considerado, à luz da legislação de regência. A legislação tributária federal de regência de apuração do lucro presumido e pagamento dos tributos (IRPJ e CSLL), quanto à atividade serviços hospitalares estabeleceu condições, critérios, que devem ser observados pelos contribuintes para fazer jus à apuração e pagamento desses tributos com coeficientes reduzidos de presunção do lucro (Lei nº 9.249/1995, arts. 15 e 20; IN SRF nºs 306/2003, ADI 18/2003, IN SRF 480/2004, IN RFB 791/2007, ADI RFB 19/2007, Lei 11.727/08 e IN RFB 1.234/2012), ou seja, necessidade de comprovar: Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10280.904813/201277 Acórdão n.º 1301003.200 S1C3T1 Fl. 5 4 a) serviço de natureza hospitalar, nos termos da legislação da ANVISA; b) estrutura material/física e de pessoal; c) forma de exploração/organização da atividade. Entretanto, esses requisitos ou condições estabelecidos na legislação tributária citada, estão mitigados no seu rigor, na sua aplicação, conforme atual entendimento do STJ, ou seja: (...). A contribuinte juntou, apenas, algumas cópias de notas fiscais de prestação de serviços hospitalares, cópias de instrumentos de contratos de prestação de serviços quanto ao PA em que teria efetuado pagamento indevido ou a maior do IRPJ e da CSLL, o que é insuficiente para formação da convicção do julgador de que suas receitas no período teriam decorrido somente de prestação de serviço hospitalar, para fazer jus à tratamento tributário diferenciado, coeficientes de reduzidos de presunção do lucro. (...) Por todas essas razões, entendo que nesta Sessão de Julgamento não há condições de julgar a lide, pois, como demonstrado, as provas carreadas aos autos são insuficientes para formação da convicção do julgador, quanto ao mérito. Há necessidade de instrução processual complementar, em observância dos princípios do formalismo moderado e da verdade material. Sendo assim voto pela conversão do julgamento em diligência, determinando o retorno dos autos unidade de origem da RFB, no caso à Fiscalização da DRF/Belém, para: intimar a contribuinte a fazer a comprovação das receitas escrituradas decorrentes da atividade de prestação serviço hospitalar quanto ao (s) trimestre (s) objeto (s) dos autos, em que teria ocorrido pagamento indevido ou a maior do IRPJ e/ou CSLL, excluídas as receitas de consultas médicas e de atividades ou prestação de serviços não relacionadas à promoção da saúde humana, consoante entendimento atual do STJ Acórdão do REsp 1.116.399/BA, da 1ª Seção do STJ, Recurso submetido ao regime previsto no art. 543C do CPC, Relator Ministro Benedito Gonçalves, Sessão de Julgamento de 28/10/2009, já transcrito anteriormente; determinar, em relação à receita total escriturada no (s) trimestre (s) considerado (s) (faturamento), qual o percentual que corresponde à receita efetiva de prestação de serviço hospitalar; determinar o valor do crédito do IRPJ e/ou da CSLL, caso exista pagamento indevido ou maior no (s) trimestre (s) considerado (s) objeto (s) dos autos, e informar se o valor do crédito apurado (original), se está disponível ou não para restituição. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10280.904813/201277 Acórdão n.º 1301003.200 S1C3T1 Fl. 6 5 Encerrados os trabalhos de diligência fiscal, a Fiscalização deverá produzir relatório circunstanciado, com demonstrativos, e conclusivo, apresentando os resultados, e do qual a contribuinte deverá ser intimada, abrindose prazo de trinta dias para se manifestar nos autos, caso queira. Transcorrido referido prazo, com ou sem manifestação da contribuinte, que retornem os autos a este CARF para julgamento da lide. (...) Entretanto, o Presidente do próprio Colegiado apresentou Embargos de Declaração ao que restara decidido, conforme Despacho nº s/nº – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 24/04/2018, que transcrevo , in verbis: (...) No julgamento do recurso do processo em epígrafe, entendeu o colegiado em superar os óbices de direito, elencados preliminarmente, pela unidade de origem para não reconhecer o direito creditório pleiteado. Ato contínuo, entendeuse por bem converter julgamento em diligência a fim de que a unidade de origem, superadas as questões de direito, procedesse às análises de fato a fim de verificar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado. Ao final, deveria elaborar relatório circunstanciado, abrindose vista ao contribuinte para que esse, querendo, se manifestasse a respeito das conclusões da autoridade fiscal, e a seguir encaminhasse os autos novamente ao CARF para que pudesse, enfim, decidir sobre o mérito da exigência. Pois bem, assim deliberando, o colegiado deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo do contribuinte, em tese, ao direito de recurso em caso de não reconhecimento integral do crédito pleiteado, uma vez que o mérito da exigência poderia não vir a ser examinado não examinado pela DRJ, acarretando, repitase, em tese, supressão de instância. Por essas razões, nos termos do inciso I, do art. 65, do Anexo II do RICARF, oponho os presentes embargos de declaração em razão de omissão, no acórdão embargado, de ponto sobre qual deveria pronunciarse a turma. E, a fim de se evitar burocracia absolutamente desnecessária, tendo em vista que compete ao Presidente do colegiado analisar a admissibilidade dos embargos, já o admito de plano, determinandose o encaminhamento dos autos ao relator do acórdão embargado para relato e inclusão em pauta de julgamento. (...) É o relatório. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10280.904813/201277 Acórdão n.º 1301003.200 S1C3T1 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.183, de 14/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10280.904791/2012 45, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.183): "Conheço dos Embargos de Declaração, pois tempestivos e atendem aos pressupostos de admissibilidade. Conforme já relatado, a Resolução desta Turma, ao afastar os óbices que até então impediram análise de mérito da lide pelas decisões anteriores neste processo, deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo, em tese, da contribuinte ao direito de recurso, na hipótese de não reconhecimento ou reconhecimento parcial do direito creditório no mérito pela decisão que seria proferida após o retorno dos autos contendo o relatório resultado da diligência. Por isso, dos Embargos de Declaração manejados pelo Presidente desta própria Turma. De fato, na Resolução embargada o colegiado entendeu por bem superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância. Contudo, ao se determinar, superados os óbices, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderia implicar, em tese, cerceamento do direito de defesa da contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. Por essas razões, entendo que o encaminhamento mais adequado, no caso, deve ser: "dar provimento parcial ao recurso voluntário (afastar os óbices) e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para analisar o mérito do crédito pleiteado" e, assim, ficam restabelecidas as instâncias de julgamento de que trata o Decreto nº 70.235/72. Cabe à unidade de origem, DRF/Belém, analisar o mérito do crédito pleiteado. Portanto, voto para acolher os embargos com efeitos infringentes." Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10280.904813/201277 Acórdão n.º 1301003.200 S1C3T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por acolher os embargos de declaração para suprir omissão na decisão embargada, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 196DF CARF MF
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