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Numero do processo: 13063.000088/2001-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 02 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3301-000.204
Decisão: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001.
Ementa:
Solicitação de ressarcimento de crédito de IPI e pedido de restituição de COFINS.
Dado provimento parcial ao recurso da contribuinte em razão do pedido de ressarcimento/compensação, devendo ser remetidos os autos a origem para aguardar a decisão quanto o processo 11070.001870/2005-10 e, após, realizar o encontro de contas necessário.
Essa mesma decisão é válida para os PAs 13063.000195/2001-94 e 13063.000019/2003-14, devendo o presente ser copiada e juntada a ambos os processos.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
RELATOR TESTE - Relatora.
EDITADO EM: 26/05/2015
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001. Ementa: Solicitação de ressarcimento de crédito de IPI e pedido de restituição de COFINS. Dado provimento parcial ao recurso da contribuinte em razão do pedido de ressarcimento/compensação, devendo ser remetidos os autos a origem para aguardar a decisão quanto o processo 11070.001870/2005-10 e, após, realizar o encontro de contas necessário. Essa mesma decisão é válida para os PAs 13063.000195/2001-94 e 13063.000019/2003-14, devendo o presente ser copiada e juntada a ambos os processos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. RELATOR TESTE - Relatora. EDITADO EM: 26/05/2015
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Ementa: Solicitação de ressarcimento de crédito de IPI e pedido de restituição de COFINS. Dado provimento parcial ao recurso da contribuinte em razão do pedido de ressarcimento/compensação, devendo ser remetidos os autos a origem para aguardar a decisão quanto o processo 11070.001870/200510 e, após, realizar o encontro de contas necessário. Essa mesma decisão é válida para os PAs 13063.000195/200194 e 13063.000019/200314, devendo o presente ser copiada e juntada a ambos os processos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. RELATOR TESTE Relatora. EDITADO EM: 26/05/2015 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 63 .0 00 08 8/ 20 01 -6 6 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ RELATÓRIO: Por bem resumir os fatos, adoto o Relatório de fls. 105 dos autos do: “O estabelecimento acima qualificado protocolizou, em 12 de abril de 2001, o Pedido de Ressarcimento, da fl. 1, do saldo credor do IPI, apurado no primeiro trimestre de 2001, no valor de R$ 19.968,38, citando o art. 11 da Lei le 9.779, de 19 de janeiro de 1999. O requerente também apresentou os Pedidos de Compensação, das fls. 4 a 6, do referido saldo credor, com débitos de outros tributos/contribuições. 2. O pleito formalizado neste processo foi objeto de verificação fiscal, que também abrangeu pedidos de ressarcimento referentes a outros trimestres, formalizados em diversos processos, tendo sido emitido o Termo de Verificação Fiscal, das fls. 65 a 73, e a Informação Fiscal da fl. 75. No caso deste processo, foi considerado legítimo o ressarcimento de apenas R$ 11.146,43, porque a verificação fiscal citada evidenciou a prática de diversas infrações, pelo estabelecimento requerente, em especial, falta de lançamento do IPI, o que levou à reconstituição da escrita fiscal, com absorção de parte dos créditos, segundo consta no Processo n" 11070.001870/200510, de lavratura de auto de infração. Na seqüência, foi emitido o Despacho Decisório DRF/SAO das fls. 92 e 93, o qual, adotando os motivos de fato e de direito expostos no Termo de Verificação Fiscal antes referido, reconheceu parcialmente o direito creditório do requerente, no valor de apenas R$ 11.146,43, e autorizou as compensações propostas, até o limite do referido valor, com ciência do requerente, em 29 de setembro de 2005, conforme consta no Aviso de Recebimento (AR), da fl. 98. 3. Contra o despacho decisório, foi apresentada, no devido prazo, em 20 de outubro de 2005, a manifestação de inconformidade, da fl. 99, firmada pelo representante legal do estabelecimento. Em seu arrazoado, o requerente discorda parcialmente da não homologação das compensações de débitos de outros tributos/contribuições, reportandose às razões de defesa apresentadas no Processo n'2 11070.001870/200510, de lavratura de auto de infração.” A DRJ, analisando as alegações da Recorrente, entendeu por bem desprover a manifestação de inconformidade ao fundamento de que a Instrução Normativa SRF n. 600, de 2005, veda “o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial ou com processo administrativo de determinação de exigência do IPI, cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido” A Recorrente à fl. 112 interpõe Recurso Voluntário basicamente para pleitear a suspensão do presente processo enquanto não proferida decisão definitiva nos autos do PA n. 1070.001870/200510. Os autos do presente processo foram encaminhados a esse Eg. CARF que, à fl. 123/124 proferiu a seguinte decisão: “Destarte, o auto de infração se caracteriza como questão prejudicial externa, uma vez que sua apreciação se dá em outro processo, sendo antecedente lógico e, nas palavras de Alexandre Freitas Câmara, "a prejudicial é uma questão prévia ao mérito e cuja solução terá forte influência na resolução do objeto do processo." Constatado o caráter de prejudicialidade destes autos em face daquele no qual se discute a autuação do IPI, visto que, o não reconhecimento do direito creditório decorre das Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13063.000088/200166 Resolução nº 3301000.204 S3C3T1 Fl. 4 3 questões a serem apreciadas naquele processo, é de se aplicar o que preceitua o art. 265, IV, "a" do CPC, abaixo transcrito, devendo este processo aguardar decisão final daquele. Art. 265. Suspendese o processo: IV quando a sentença de mérito: a) depender do julgamento de outra causa, ou da declaração da existência ou inexistência da relação jurídica, que constitua o objeto principal de outro processo pendente; Através de consulta ao sitio dos Conselhos de Contribuintes na internet, http://www.conselhos.fazenda.gov.br, verificase que o referido processo se encontra no Terceiro Conselho de Contribuintes, aguardando distribuição. Portanto, tendo em vista o caráter de prejudicialidade deste em relação ao processo n° 11070.001870/200510, encaminhese à Secretaria da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, para: 1) solicitar ao Terceiro Conselho de Contribuintes que seja dado tratamento prioritário ao mesmo, para que este processo possa ser adequadamente apreciado e julgado; 2) aguardar decisão final relativa ao processo n° 11070.001870/200510, juntandose, posteriormente, cópia dessa decisão aos presentes autos e, finalmente, devolvendoo a esta relatoria. O então presidente do Eg. Segundo Conselho de Contribuintes, assim, encaminhou Memorando de n. 199 de 2007, requerendo ao Terceiro Conselho de Contribuintes tratamento prioritário para o PA 11070.001870/200510. VOTO (Resolução): O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235, de 06 de março de 1972, assim dele tomo conhecimento. Analisando a questão posta nesses autos, verificase que o PA n. 11070.001870/200510 ainda não recebeu decisão definitiva, estando pendente de exame de admissibilidade o Recurso Especial, conforme andamento abaixo: Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13063.000088/200166 Resolução nº 3301000.204 S3C3T1 Fl. 5 4 . O valor a ser compensado/ressarcido, como já exposto pela r. decisão desse Conselho, dependerá, de fato, da conclusão que se der ao PA n. 11070.001870/200510, daí porque determinou que se aguardasse decisão final relativa ao processo n° 11070.001870/200510, juntandose, posteriormente, cópia dessa decisão aos presentes autos e, finalmente, devolvendoo a esta relatoria. Em vista de todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência para: 1 – Aguardar decisão definitiva no PA n. 11070.001870/200510; 2 – Após a conclusão do processo indicado no item 1, fazer o encontro de contas necessário; 3 – Dar ciência ao contribuinte do mencionado encontro de contas para que, querendo, se manifeste em 10 dias; 4 – Ao final, retorne os autos a esse Eg. Conselho para análise do mérito. Decisão proferida conforme entendimento adotado nos demais PAs 13063.000195/200194 e 13063.000019/200314. relator teste Relatora Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 15563.000173/2007-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PEDIDO GENÉRICO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. ART. 16, DO DECRETO N.° 702.35/72. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO.
- Não configura cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de perícia, quando formulado sem a obediência dos requisitos do art. 16, do Decreto n° 70.235/72 DECADÊNCIA. § 4°, DO ART. 150, DO CTN.
- O prazo decadencial aplicável aos tributos submetidos ao lançamento por homologação é qüinqüenal e o termo inicial para a sua contagem é a data do fato gerador. Inteligência do art. 150, §4°, do Código Tributário Nacional.
REGIME DO LUCRO PRESUMIDO.
- A opção pelo regime do lucro presumido inviabiliza a dedução de custos e despesas operacionais.
ARBITRAMENTO. POSSIBILIDADE, ART. 530 RIR/90
- Legal o arbitramento quando imprestáveis os documentos do contribuinte e não apresentados livros obrigatórios à fiscalização.
COFINS. PIS. BASE DE CÁLCULO §1°, DO ART. 3°, DA LEI N° 9,718/98. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE, APLICAÇÃO DO ART. 1°, DO DECRETO N.° 2.346/97.
- Os reiterados julgados do Supremo Tribunal Federal reconhecendo a inconstitucionalidade do § 1°, do art 3º, da Lei n.° 9718/98 autorizam o cancelamento da exigência tributária, consoante determina o art. 1°, do Decreto n.° 2.346/97.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA, COMPETÊNCIA DO CARF SÚMULA N.° 2
- Consoante Súmula nº 2, do CARF, falece competência ao Colegiado para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1102-000.268
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reconhecer a decadência do IRPJ e da CSLL relativos ao fato gerador ocorrido em 31 de março de 2002 e do PIS e da COFINS referentes aos fatos geradores ocorridos em 31 de março de 2002, 30 de abril de 2002 e 31 de maio de 2002, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Silvana Rescigno Guerra Barreto
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ementa_s : PEDIDO GENÉRICO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. ART. 16, DO DECRETO N.° 702.35/72. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO. - Não configura cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de perícia, quando formulado sem a obediência dos requisitos do art. 16, do Decreto n° 70.235/72 DECADÊNCIA. § 4°, DO ART. 150, DO CTN. - O prazo decadencial aplicável aos tributos submetidos ao lançamento por homologação é qüinqüenal e o termo inicial para a sua contagem é a data do fato gerador. Inteligência do art. 150, §4°, do Código Tributário Nacional. REGIME DO LUCRO PRESUMIDO. - A opção pelo regime do lucro presumido inviabiliza a dedução de custos e despesas operacionais. ARBITRAMENTO. POSSIBILIDADE, ART. 530 RIR/90 - Legal o arbitramento quando imprestáveis os documentos do contribuinte e não apresentados livros obrigatórios à fiscalização. COFINS. PIS. BASE DE CÁLCULO §1°, DO ART. 3°, DA LEI N° 9,718/98. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE, APLICAÇÃO DO ART. 1°, DO DECRETO N.° 2.346/97. - Os reiterados julgados do Supremo Tribunal Federal reconhecendo a inconstitucionalidade do § 1°, do art 3º, da Lei n.° 9718/98 autorizam o cancelamento da exigência tributária, consoante determina o art. 1°, do Decreto n.° 2.346/97. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA, COMPETÊNCIA DO CARF SÚMULA N.° 2 - Consoante Súmula nº 2, do CARF, falece competência ao Colegiado para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-09-22T13:59:33Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-09-22T13:59:33Z; Last-Modified: 2010-09-22T13:59:33Z; dcterms:modified: 2010-09-22T13:59:33Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:a3df85ef-5513-43c0-bb33-ff52012823df; Last-Save-Date: 2010-09-22T13:59:33Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-09-22T13:59:33Z; meta:save-date: 2010-09-22T13:59:33Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-09-22T13:59:33Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-09-22T13:59:33Z; created: 2010-09-22T13:59:33Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2010-09-22T13:59:33Z; pdf:charsPerPage: 1836; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-09-22T13:59:33Z | Conteúdo => SI-CITI F 1 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS •,,e5..-ggkg:71?..tw PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 15563.00017.3/2007-12 Recurso n" 164.838 Voluntário Acórdão n" 1102-00.268 — 1" Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 02 de agosto de 2010 Matéria IRP.1 - Ex(s): 200.2 a 2004 Recorrente CINATEMA D1STIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA. Recorrida 6a. TURMA/DRI-RIO DE JANEIRO/RJ I EMENTA: PEDIDO GENÉRICO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. ART.. 16, DO DECRETO N.° 702.35/72. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO. - Não configura cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de perícia, quando formulado sem a obediência dos requisitos do art. 16, do Decreto ri.° 70,2.35/72 DECADÊNCIA. § 4°, DO ART. 150, DO CTN. - O prazo decadencial aplicável aos tributos submetidos ao lançamento por homologação é qüinqüenal e o termo inicial para a sua contagem é a data do fato gerador. Inteligência do art. 150, §4°, do Código Tributário Nacional. REGIME DO LUCRO PRESUMIDO. - A opção pelo regime do lucro presumido inviabiliza a dedução de custos e despesas operacionais, ARBITRAMENTO. POSSIBILIDADE, ART. 5.30 RIR/90 - Legal o arbitramento quando imprestáveis os documentos do contribuinte e não apresentados livros obrigatórios à fiscalização, COFINS. PIS. BASE DE CÁLCULO. §1°, DO ART. .3°, DA LEI N° 9,718/98. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE, APLICAÇÃO DO ART. 1°, DO DECRETO N.° 2.346/97. - Os reiterados julgados do Supremo Tribunal Federal reconhecendo a inconstitucionalidade do §1°, do art., .3', da Lei n.° 9718/98 autorizam o cancelamento da exigência tributária, consoante determina o art. 1°, do Decreto n.° 2„346/97. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA, COMPETÊNCIA DO CARF„ SÚMULA N.° 2 - Consoante Súmula a,' 2, do CARF, falece competência ao Colegiado para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reconhecer a decadência do IRPj e da CSLL relativos ao fato gerador ocorrido em 31 de março de 2002 e do PIS e da COPINS referentes aos fatos geradores ocorridos em 31 de março de 2002, 30 de abril de 2002 e 31 de maio de 2002, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, :1-..t' 4..ecO'• IVETEIMALAQ e -S-PESSOA MONTEIRO - Presidente , SILVANA RESCIG4 GUERRA BARRETTO - Relator, EDITADO EM: Participaram, do julgamento os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente da Turma ), João Carlos de Lima Júnior (Vice Presidente), José Sergio Gomes (Relator), Silvaria Rescig,no Barreto (Relatara), Marco Antonio Pires, (Suplente Convocado) e Frederico de Moura Theophilo 2 Processo n" 15563 000173/2007-12 Acôrti5o n " 1102-00.268 Fl 2 Relatório A Recorrente sofieu a lavratura de Autos de Inflação relativos ao IRRI, CSLL, PIS e COHNS, relativos aos anos-calendário de 2002 a 2004, sob a alegação de omissão de receitas da atividade, correspondente aos valores informados na DIPJ retificadora no ano de 2004, e de omissão de receitas da revenda de mercadorias apurada com base nas DIRrs dos anos-calendário de 2002 e 2003, A Autoridade Fiscal, para apuração do crédito tributário, efetuou o arbitramento do lucro, justificando sua conduta na imprestabilidade da escrita fiscal da Recorrente. Cientificada do lançamento, a Recorrente apresentou Impugnação, aduzindo, em síntese, que: ° apesar de apresentados todos os seus livros fiscais e declarações retifieadoras, a autoridade fiscal teria apresentado apenas seus extratos bancários que demonstrariam apenas um lado da operação — venda — sem observar as compras que geraram despesas, devidamente contabilizadas; ° os artigos 145, inciso I, §1'; 15.3, III, da Constituição Federal e os artigos 43 e 44, do CTN, apenas autorizariam a tributação do IRPJ sobre a riqueza produzida, apurada na forma da legislação; a autoridade fiscal teria sido violado o princípio da capacidade contributiva, ao desconsiderar os valores pagos na aquisição das mercadorias comercializadas; ° desconsiderar saídas do caixa da Recorrente, além de desnaturar o conceito de renda e de violar o principio da capacidade contributiva, ensejaria tributação sobre o patrimônio, o que seria vedado pelo art. 150, inciso IV, da Constituição Federal; , o não reconhecimento dos valores pagos na aquisição de mercadorias que comercializa ensejaria afronta aos ditames que regem o princípio da verdade material; ° a base de cálculo do PIS e da COFINS utilizada pela autoridade administrativa seria inconstitucional porquanto exigidas contribuições sobre receitas financeiras; ° a modificação do conceito de faturamento determinada pela Lei n.° 9.718/98 afrontou o art. 110, do CTN O STF, em 09 de novembro de 2005, quando do julgamento do RE357.950/RS, julgou inconstitucional o artigo 195, I, da Constituição Federal; A Lei n.° 9.718/98 seria totalmente nula, por afronta aos arts, 195, I e 239, da CF/88; 1! 3 - A multa aplicada seria confiscatória, em desrespeito ao art. 150, IV, da CF/88; A Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro manteve o lançamento procedente em parte, nos seguintes termos: i) indeferido o pedido de perícia, por não terem sido observados os requisitos do art.. 16, IV, do Decreto n° 70,235/72; ii) apesar de intimada e reintimada para apresentar todos os seus livros e documentos contábeis e fiscais, a Recorrente apresentou apenas os Livros de Entrada e de Saída de mercadorias e o Livro de Registro de Apuração do ICMS, o que autorizou o arbitramento do lucro, com base no art. 47, III, da Lei n.° 8..981/95; iii) a receita que serviu de cálculo para o arbitramento do lucro foi infbmiada pela própria interessada nas DIPJ's de 2003 e 2004 e utilizado o coeficiente de 9,6% sobre as receitas brutas declaradas, tendo em vista tratar-se de receitas provenientes de revenda de mercadorias, o que autoriza a manutenção do lançamento com base na omissão de receitas operacionais; iv) a omissão de receitas apurada com os valores informados pela autuada na DIPJ do exercício de 2005, rechaçada sob o entendimento de que teriam sido analisados apenas os extratos bancários, também deve subsistir porquanto o lançamento se deu pela forma de tributação pelo lucro presumido, aplicando-se o percentual de 8% sobre a receita auferida, o que afasta a apropriação de todos os custos e despesas operacionais necessários à atividade da empresa; v) demonstrada a ocorrência do fato gerador . do IRPJ, conforme art. 43, do CTN; vi) as alegações de inconstitucionalidade de norma é incumbência do Judiciário e extrapola a competência do órgão administrativo julgador; vii) deve ser reduzida a multa qualificada de 150%, em razão da ausência do evidente intuito de fraude por parte da Recorrente; viii) precluso o direito da Recorrente de apresentar novas provas, conforme determina o art. 15, do Decreto rr° 70,235/72; Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário repetindo as razões postas na Impugnação e acrescentando, em síntese, que: o indeferimento do pedido de realização de perícia ensejaria afronta aos incisos LIV e LV, do art, 5 0, da Constituição Federal; • os créditos tributários anteriores a 11 de junho de 2002 estariam extintos, em razão do transcurso do prazo decadencial; a decisão recorrida teria desvirtuado o conceito de renda e o princípio da capacidade contributiva, ao impedir a apropriação de custos e despesas operacionais, ainda que o regime de apuração tenha sido o do lucro presumido; - teriam sido desrespeitados os artigos 43 e 44, do CTN e os artigos 153, III e 145, §1°, da CF/88 É o relatório, 4 Processo n" 15563. 000173/2007-12 S1-C1TI Acõi dão n " 1102-00.268 Fl 3 Voto Conselheiro SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETO O recurso é tempestivo, passo a apreciá-lo. Insurge-se a Recorrente contra lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, em razão da constatação de omissões de receitas da atividade, correspondente aos valores informados pela autuada como receita bruta na DIPJ retificadora do exercício de 2005 e omissões de receitas de revendas de mercadorias, apurada através de arbitramento, a partir das DIPI's dos anos calendários de 2002 e 2003. Preliminarmente, a Recorrente pugna pela nulidade da decisão da DR,I, sob o entendimento de que seu direito de defesa teria sido cerceado, quando indeferido o pedido de realização de perícia. Contudo, irretorquível o entendimento daquele órgão julgador ., no sentido de que deve ser indeferido o pleito, quando o interessado não cumpra os requisitos impostos pelo art. 16, IV, do Decreto n..° 70..235/72, verbis: "Ar 1. 16. A impugnação mencionará, ( ) IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas-, expostos os inativos que as justifiquem, com a fbrinulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do .seu perito. se a matéria impugnada foi submetida ó apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição, I" Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16." Além de prescindível a perícia diante das provas carreadas aos auto capazes de firmar o convencimento dos julgadores, não há como subsistir pleito genérico, sob pena de afronta à norma acima transcrita, especialmente quando se observa que foi oportunizado ao contribuinte o direito de Impugnação e enfrentados todos os argumentos trazidos à baila. No que tange ao pedido de reconhecimento do transcurso do prazo decadencial, assiste razão à Recorrente porquanto cientificada da lavratura dos autos de inflação em 11 de junho de 2007 (11. 310), e lançados tributos cujos fatos geradores ocorreram antes de junho de 2002, em descompasso com o §4°, do art. 150, do CTN, verbis: "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade adminisa ativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (.. ) 5 § 4" Se a lei não . fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fido gerador, expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, .fiaude ou simulação Este Colendo Conselho tem entendimento já consolidado no sentido de que é quinquenal o prazo decadencial, contato da ocorrência do fato gerador, desde que não caracterizado o intuito de fraude, conforme evidencia a recente ementa a seguir transcrita, verbis: "IRRI NÃO COMPROVADO O EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE APLICAÇÃO DO ARI 150 DO CTN LANÇAMENTO FORMALIZADO CINCO ANOS APÓS A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DECADÊNCIA Comprovado pela contribuinte a ausência de fraude ou dolo, a regra para aplicação do prazo decadencial se dá pelo ar! 150 do CTN, desta fbrma notificada a contribuinte cinco anos após a ocorrência do fito gerador, correta a decisão que declarou a decadência do direito de lançar CSLL. AUSÊNCIA DA INTIMAÇÃO POR EDITAL. ARBITRAMENTO. NÃO CABIMENTO. Deverá a fiscalização proceder o intimação por edital quando não fiar possível localizar o contribuinte com as intimações por "AR". Ilegítima a apuração da contribuição deviria por arbitramento motivado pela recusa de apresentação de livros e documentos .fiscais e contábeis quando o contribuinte não fim- devidamente intimado " ('Recurso 14.5845, Rel. Conselheira Albertina Silva Santos de Lima, Acórdão 107- 0907/) Por força de imperativo legal e da constatação de inocorrência de fatos concretos que tipificassem a conduta da Recorrente como dolosa, conforme reconhecido na decisão recorrida, foram alcançados pela decadência o IRPJ e a CSLL relativos ao fito gerador ocorrido em 31 de março de 2002, e o PIS e a COFINS referentes aos fatos geradores ocorridos em 31/0.3/02,31/04/02; 31/05/02. Passo a análise das infração de omissão de receitas da atividade, correspondente aos valores informados pela autuada na sua DIPJ Retificadora do exercício de 2005 como receitas brutas e constato que não merece reparos a decisão da DRJ, porquanto, apesar de ter optado pela tributação com base no lucro presumido, a Recorrente quer se valer de deduções inaplicáveis ao regime, cuja premissa básica é a aplicação de percentual sobre a receita bruta auferida, Os custos e despesas operacionais incorridos poderiam ser deduzidos para fins de IRPJ, com observância da legislação comercial e fiscal, caso a Recorrente fosse optante pelo lucro real, Demonstrado que a receita bruta apurada e utilizada para cálculo do tributo obedeceu a definição do art. 31, da Lei n..° 8.,981/95 e diante da ausência de demonstração de equívoco por parte da autoridade fiscal ou do contribuinte quando da apresentação de informações fiscais, mantenho o lançamento.. 6 Processo n" 15563 000173/20()7-12 S1-CIT1 Acórdão n " 1102-00.268 Fl 4 Da mesma l'brma, também restou demonstrada a prática da segunda infração apontada, qual seja, omissão de receita de revendas de mercadorias nos exercícios de 2003 e 2004, e justificado o arbitramento diante da imprestabilidade da escrita fiscal da Recorrente. O art, 530, do RIR199 expressa as hipóteses em que é permitido o arbitramento e, entre elas, constato a ausência de apresentação de livros e a imprestabilidade escrita, exatamente a hipótese ora versada, verbis: "Art.530 O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano-calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n 2 8.981, de 199.5, art. 47, e Lei ní.) 9 4.30, de 1996, ar! 12): 1-o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras esigidas pela legislação fiscal, 11-a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para • Widentificar a eletiva movimentação financeira, inclusive bancária, ou b)determinar o hicio real, 111-o contribuinte dei yar de apresenta,- à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafb único do art. 527, 1V-o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido, V-o comissário ou representante cla pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior (art. 398),• V1-o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou .fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. A conduta da autoridade fiscal, mantida pela DRJ, tem respaldo na determinação dos artigos 15 e 16, da Lei n.° 9149/95, que estabelecem a forma de arbitramento quando constatada a ausência de livros e documentos do contribuinte, verbi s: "Art. 15. A base de cálculo do impas-to, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n" 8.981, de 20 de janeiro de 1995. 1" Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo seiá de 7 1 - um inteiro e seis décimos por cen(o, para a atividade de revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; 11- dezesseis por cento• a) para a atividade de prestação de serviços de transporte, exceto o de carga, para o qual se aplicará o percentual previsto no caput deste artigo,- b) para as pessoas juridicas a que se refere o inciso H1 do art. 36 da Lei n" 8 981, de 20 de janeiro de 1995, observado o disposto nos §_sç. 1"e 2" do art 29 da referida Lei, 111 - trinta e dois por cento, para as atividades de. la) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, iinagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empesária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária — Anvisa; b) intermediação de negócios; c) administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza, d) prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria crediticia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). § 2" No caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade. § 3" As receitas provenientes de atividade incentivada não comporão a base de cálculo do imposto, na proporção do benefício a que a pessoa jurídica, submetida ao regime de tributação com base no lucro real, fizer jus. § 4" O percentual de que trata este artigo também será aplicado sobre a receita financeira da pessoa jurídica que explore atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para a revenda, quando decorrente da comercialização de imóveis e lbr- apurada por meio de índices ou coeficientes previstos eia contrato. Art. 16. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta, quando conhecida, dos percentuais lixados no art 15, acrescidos de vinte por cento," (g. rifas acrescidos) Para rechaçar o lançamento das contribuições para o PIS e a COFINS, Reconente defende a inconstitucionalidade da Lei n..° 97l 8/98, asseverando que não poderia 8 Processo n" 15563 00017.3/2007-12 SI-Cfrl Acórdão n " 1102-00.268 Fl 5 incidir sobre a totalidade da receitas auferidas, invocando julgamento do Supremo Tribunal Federal referente ao Recurso Extraordinário n.° 357,950/RS, que julgou inconstitucional o §1°, do art. 3°, daquela norma.. Contudo, a Recorrente não demonstrou a existência de receitas financeiras tributadas pelo PIS e pela COF1NS e o auto de infração lançou tributos sobre receita operacional omitida de revenda de mercadorias, o que prejudica as genéricas alegações. Finalmente, no que tange às demais alegações de afrontas a comandos constitucionais, deixo de apreciá-las, com espeque no entendimento consolidado no âmbito desse Conselho Administrativo, nos exatos termos da súmula que a seguir transcrevo, verbis: "SÚMULA N" 2 do CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributário. Em face do exposto, dou parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a decadência do IRP,1 e da CRI, relativos ao fato gerador ocorrido em 31 de março de 2002 e do PIS e da COHNS referentes aos fatos geradores ocorridos em 31 de março de 2002, .30 de abril de 2002 e 31 de maio de 2002. É como voto. ILVANA RESIGNO GUERRA BARRETO 9
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Numero do processo: 15892.000128/2008-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA. LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA.
Não podem optar pelo Simples as pessoas jurídicas que exercem atividades de locação ou cessão de mão de obra.
Numero da decisão: 1102-000.798
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Silvana Rescigno Guerra Barreto
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ATIVIDADE VEDADA. LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA. Não podem optar pelo Simples as pessoas jurídicas que exercem atividades de locação ou cessão de mãodeobra. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Presidente. Assinado digitalmente SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relator. Assinado digitalmente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (presidente da turma), Antônio Carlos Guidoni Filho (vicepresidente), João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, José Sérgio Gomes e João Carlos Figueiredo Neto. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 09/10/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 02/10/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15892.000128/200817 Acórdão n.º 110200.798 S1C1T2 Fl. 162 2 Relatório Em decorrência de Representação Administrativa da Secretaria da Receita Previdenciária, a Recorrente foi excluída do Simples Federal através do Ato Declaratório Executivo n.º 21, de 29 de julho de 2008, com base na alínea “f”, do inciso XII, do art. 9º e no §3º, do art. 15, da Lei n.º 9.317/96, sob o entendimento de que exerceria atividade vedada de locação de mãodeobra. Intimada, a Recorrente apresentou Impugnação afirmando que as autoridades administrativas teriam feito confusão ao considerar que sua atividade de prestação de serviços com fornecimento de mãodeobra poderia ser enquadrada como locação de mãodeobra. Defende que, apesar de semelhantes as atividades, na locação de mãode obra, determinada empresa contrata o fornecimento de mãodeobra de outra pessoa jurídica, sendo que os trabalhos ficariam sob a ordem da locatária, enquanto na prestação de serviços de mãodeobra, a responsabilidade pela direção dos trabalhos não seria transferida. A DRJ em Ribeirão Preto indeferiu a solicitação, com base no contrato juntado nas fls. 46/53, firmado com a Companhia Suzano de Papel e Celulose, cujo objeto é a prestação de serviços contínuos, com deslocamento de funcionários à disposição da empresa tomadora dos serviços, e que contém cláusula contemplando que os pagamentos apenas seriam efetuados na hipótese de execução dos serviços de acordo com as instruções do contratante. Intimada do acórdão, a Recorrente interpôs o presente recurso repetindo as razões postas na peça impugnatória É o relatório. Voto Conselheiro SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO O recurso atende aos pressupostos legais, passo a apreciálo. Tratase de Recurso Voluntário decorrente de exclusão do Simples, com base na prática de atividade vedada, caracterizada pela locação de mãodeobra. Conforme provas acostadas aos autos, a Recorrente presta serviços de forma contínua para a Companhia Suzano de Papel e Celulose, relacionados à sua atividadefim, mediante disponibilização de pessoal em suas dependências. Apesar de defender que não exerceria atividade de locação de mãodeobra, mas prestação de serviços agroflorestais, mediante emprego de equipamentos próprios, consoante cláusulas contratuais expressas nos contratos firmados com a tomadora dos serviços (Companhia Suzano de Papel e Celulose), não há qualquer registro na contabilidade da Recorrente acerca da propriedade ou locação dos equipamentos necessários à execução dos Fl. 162DF CARF MF Impresso em 09/10/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 02/10/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15892.000128/200817 Acórdão n.º 110200.798 S1C1T2 Fl. 163 3 serviços contratados (fls. 59/61 e 64/66), consoante registrado no acórdão da DRJ e não infirmado na peça recursal. Com base nos documentos trazidos à colação, entendo, portanto, caracterizada a atividade de cessão de mãodeobra, nos termos do art. 31, da Lei n.º 9.711/98, verbis: "Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5o do art. 33. § 1o O valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. § 2o Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. § 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. § 4o Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; III empreitada de mãodeobra; IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. § 5o O cedente da mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante." (NR) (grifos acrescidos) Na esteira do entendimento acima, transcrevo precedentes deste Conselho, verbis: “SIMPLES . LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA. CESSÃO DE MÃODEOBRA, EMPREITADA EXCLUSIVAMENTE DE MÃO DE OBRA VEDAÇÃO. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 09/10/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 02/10/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15892.000128/200817 Acórdão n.º 110200.798 S1C1T2 Fl. 164 4 Não podem optar pelo Simples as pessoas jurídicas que exercem atividades de locação de mão de obra, de cessão de mãodeobra ou de empreitada exclusivamente de mão de obra.” (Acórdão 140100.249, Data da publicação: 11/04/11) “INCONST1TUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa tributária a apreciação da inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE LOCAÇÃO DE MÃODE OBRA Caracterizase como atividade de cessão ou locação de mão de obra, vedada ao Simples , a prestação de serviços consistente em colocar os funcionários da empresa à disposição da contratante de segurados do INSS que realizem serviços contínuos relacionados ou não com a atividade fim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação.Solicitação Indeferida Recurso Voluntário Negado.” (Acórdão 380200.029, Data da publicação: 16/03/09) Em face do exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relator Assinado digitalmente Fl. 164DF CARF MF Impresso em 09/10/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 02/10/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 10320.006782/2008-97
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jul 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2007 a 28/02/2008
PREVIDENCIÁRIO. INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
O art. 22 da Lei n° 8.212/91 dispõe que a contribuição a cargo da empresa recairá sobre o total das remunerações pagas quando os trabalhadores lhe prestem serviços, sendo as remunerações destinadas a retribuir o trabalho, pelos serviços efetivamente prestados.
VALOR PAGO PELO EMPREGADOR NOS PRIMEIROS QUINZE DIAS DE AFASTAMENTO POR DOENÇA OU LESÃO QUE INCAPACITE O SEGURADO EMPREGADO PARA O TRABALHO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE REMUNERAÇÃO POR SERVIÇOS PRESTADOS NÃO INCIDÊNCIA.
O pagamento pelo empregador é imposto por lei em razão do afastamento do empregado previsto na Lei nº 8.213/91, art. 43, §2º, e art. 60, §3º, durante os primeiros quinze dias de afastamento da atividade por motivo de invalidez, doença ou lesão que incapacite o segurado empregado para o trabalho. Dessa forma não caracteriza remuneração por serviços prestados. e, portanto, não incidem contribuições previdenciárias.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE DE CÁLCULO. HORAS EXTRAS. ADICIONAL DE FÉRIAS.
A remuneração das horas extras paga ao segurado empregado bem como a remuneração adicional de férias de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias.
CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. NÃO EXTINÇÃO.
O adicional de 0,2%, incidente sobre o salário de contribuição dos segurados empregados e destinado ao Instituto de Colonização e Reforma Agrária INCRA tem natureza de contribuição de intervenção no domínio econômico, não tendo sido extinto pela Lei nº 7.787/1989.
RETROATIVIDADE BENiGNA
Tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, o artigo 106, II , c, do Código Tributário Nacional - CTN , observando princípio da retroatividade benigna, determina a aplicação retroativa da lei.
MULTA DE MORA.
É pertinente o recálculo das multas se as circunstâncias motivarem comparar o resultado da aplicação do revogado art. 35 e incisos I, II e III da Lei n° 8.212/91 no qual se baseou o lançamento com o do preceituado na nova redação dada ao sobredito art. 35 pela Lei n° 11.941/2009 para em seguida compará-los com os valores obtidos nos termos do novo art. 35-A, incluído pela Lei n° 11.941/2009 e então fazer prevalecer o cálculo menos gravoso
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.993
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, excetuando da tributação os créditos constituídos pelos pagamentos realizados pelo contribuinte nos primeiros quinze dias de afastamento dos empregados bem como determinar o recálculo da multa na forma do preceituado no art. 35 da Lei nº 8.212/91 com a nova redação dada pela Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada ao percentual de vinte por cento. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Ivacir Júlio e Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari , Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O art. 22 da Lei n° 8.212/91 dispõe que a contribuição a cargo da empresa recairá sobre o total das remunerações pagas quando os trabalhadores lhe prestem serviços, sendo as remunerações destinadas a retribuir o trabalho, pelos serviços efetivamente prestados. VALOR PAGO PELO EMPREGADOR NOS PRIMEIROS QUINZE DIAS DE AFASTAMENTO POR DOENÇA OU LESÃO QUE INCAPACITE O SEGURADO EMPREGADO PARA O TRABALHO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE REMUNERAÇÃO POR SERVIÇOS PRESTADOS NÃO INCIDÊNCIA. O pagamento pelo empregador é imposto por lei em razão do afastamento do empregado previsto na Lei nº 8.213/91, art. 43, §2º, e art. 60, §3º, durante os primeiros quinze dias de afastamento da atividade por motivo de invalidez, doença ou lesão que incapacite o segurado empregado para o trabalho. Dessa forma não caracteriza remuneração por serviços prestados. e, portanto, não incidem contribuições previdenciárias. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE DE CÁLCULO. HORAS EXTRAS. ADICIONAL DE FÉRIAS. A remuneração das horas extras paga ao segurado empregado bem como a remuneração adicional de férias de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. NÃO EXTINÇÃO. O adicional de 0,2%, incidente sobre o salário de contribuição dos segurados empregados e destinado ao Instituto de Colonização e Reforma Agrária AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 67 82 /2 00 8- 97 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 INCRA tem natureza de contribuição de intervenção no domínio econômico, não tendo sido extinto pela Lei nº 7.787/1989. RETROATIVIDADE BENiGNA Tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, o artigo 106, II , “c”, do Código Tributário Nacional CTN , observando princípio da retroatividade benigna, determina a aplicação retroativa da lei. MULTA DE MORA. É pertinente o recálculo das multas se as circunstâncias motivarem comparar o resultado da aplicação do revogado art. 35 e incisos I, II e III da Lei n° 8.212/91 no qual se baseou o lançamento com o do preceituado na nova redação dada ao sobredito art. 35 pela Lei n° 11.941/2009 para em seguida comparálos com os valores obtidos nos termos do novo art. 35A, incluído pela Lei n° 11.941/2009 e então fazer prevalecer o cálculo menos gravoso Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, excetuando da tributação os créditos constituídos pelos pagamentos realizados pelo contribuinte nos primeiros quinze dias de afastamento dos empregados bem como determinar o recálculo da multa na forma do preceituado no art. 35 da Lei nº 8.212/91 com a nova redação dada pela Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada ao percentual de vinte por cento. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ivacir Júlio e Souza Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari , Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10320.006782/200897 Acórdão n.º 2403002.993 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório A Instância a quo produziu Relatório que compulsei com os autos e tendo corroborado, com grifos de minha autoria, abaixo o reproduzo: DO LANÇAMENTO Trata se da Notificação Fiscal de Auto de Infração no nome da empresa em epígrafe, abrangendo o período 10/2007 a 02/2008, inclusive 13/2007, e as contribuições destinadas às seguintes entidades: Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE (SalárioEducação), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA, Serviço Social do Transporte SEST, Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT e Serviço de Apoio às Pequenas e Médias Empresas – SEBRAE. Segundo consta no Relatório Fiscal: 1) As bases de cálculo foram apuradas em folhas de pagamento geradas em meio magnético e correspondem a fatos geradores não declarados em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. 2) Foi efetuado o confronto das remunerações de cada segurado constante nas folhas de pagamento com as respectivas remunerações declaradas em GFIP e a diferença foi lançado no levantamento “FP – REMUNERACAO FOLHA PAGTO”, equivalendo ao montante não declarado. 3) As bases de cálculo informadas em GFIP antes do início da ação fiscal não foram lançadas, mesmo quando as correspondentes contribuições não foram recolhidas. O crédito tributário alcançou o montante de R$ 28.263,72 (vinte e oito mil, duzentos e sessenta e três reais e setenta e dois centavos), consolidados em 03/12/2008 em R$.35.883,54 (trinta e cinco mil, oitocentos e oitenta e três reais e cinquenta e quatro centavos). A notificação do lançamento se deu em 03/12/2008. DA DEFESA Em 02/01/2009, a empresa apresentou defesa, na qual alegou, em síntese, que: 1) O fato gerador das contribuições previdenciárias é o pagamento das remunerações dos segurados empregados. O 1/3 de férias e as horas extras têm caráter indenizatório/compensatório em face das decisões exaradas pelo Fl. 98DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Supremo Tribunal Federal STF (RE 389.903DF e Agravo Regimental no RE 389.903DF). 2) Tendo o STF julgado inconstitucional a incidência de contribuição previdenciária patronal sobre as verbas recebidas a título de 1/3 de férias e horas extras, tal reconhecimento também pode ser feito pela autoridade administrativa julgadora, a qual, antes de tudo, deve obediência à Constituição. É impossível dissociar a aplicação da lei à da própria Constituição, sendo o exame da constitucionalidade das leis inerente à atividade judicante da Administração Tributária. 3) Não pode ser exigida das empresas de transporte a contribuição destinada ao SESC, uma vez que elas se submetem ao recolhimento da contribuição para o SEST/SENAT, prevista na Lei nº 8.706/1993. 4) Nos primeiros quinze dias de afastamento do empregado por motivo de doença, a verba por ele recebida do empregador tem caráter previdenciário, o que afasta a incidência da contribuição previdenciária. Essa matéria encontrase pacificada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça – STJ. 5) O STJ também já consolidou entendimento de que a contribuição para o INCRA deixou de existir com o advento da Lei n° 7.787/1989. Ao final, o impugnante requer que seja acolhida a sua defesa e seja determinada a imediata anulação/desconstituição do Auto de Infração. É o relatório." DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Na forma do Acórdão de fls.55, a 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza DRJ/FOR (CE ), exarou o Acórdão n° 08 22.526 , mantendo os créditos tributários exigidos DO RECURSO VOLUNTÁRIO Iressignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário( fls. 137) reiterando as alegações que fizera em sede de impugnação É o relatório. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10320.006782/200897 Acórdão n.º 2403002.993 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza Relator DA TEMPESTIVIDADE O Recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Ortanto , dele tomo conhecimento. DAS PREJUDICIAIS Não há prejudicais para se analisar DO MÉRITO Tratase de autuação por constituição de crédito de TERCEIROS. Na forma do despacho de fls.19, o presente foi apensado ao processo principal n° 10320.006784/200886.: "TERMO DE APENSAÇÃO DO Al n° 37.117.1059 1. Este AI encontrase APENSADO AO PROCESSO PRINCIPAL n° 10320.006784/200886 DEBCAD n° , todos formalizados com base nos mesmos elementos de prova, conforme § I o , art. 9 o do Decreto n° 70.235/72. 2. O RELATÓRIO FISCAL COMPLETO e respectivos elementos de prova encontramse anexos ao PROCESSO PRINCIPAL." Em razão do encimado, trago à lume as matérias discutidas naquele processo principal cuja decisão irradia à este. A novidade neste é sobre o questionamento da tributação para o Instituto de Colonização e Reforma Agrária INCRA : O contribuinte alegou que a contribuição destinada ao INCRA deixou de existir com o advento da Lei nº 7.787/1989. A instância a quo enfrentou a questão e trouxe à colação longo histórico dessa contribuição para, por fim negar provimento. Aduz que acompanho os argumentos despendidos. "DAS HORAS EXTRAS E DA REMUNERAÇÃO ADICIONAL DE FÉRIAS Fl. 100DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Para os pagamentos de horas extras e remuneração adicional de férias , a meu juíz, andou bem a instância a quo na forma do abaixo manifestado: " Vêse, pois, que a base de cálculo da contribuição patronal coincide com o salário de contribuição do segurado disposto no art. 28, I, da Lei n° 8.212/1991, exceto quanto ao limite previsto para este último no art. 28, §5°, do mesmo diploma legal. . Ao contrário do que disse a empresa, o adicional de férias não tem caráter indenizatório/compensatório, mas se trata de verba paga ao trabalhador em decorrência do contrato de trabalho pactuado, ainda que seja recebido em período no qual não está prestando os serviços. Essa é a interpretação que consta no Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999: "Art. 214. Entendese por salário de contribuição: (...) § 4º A remuneração adicional de férias de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal integra o salário de contribuição. (...)" Quanto às horas extras, não resta dúvida de que são pagas pelos serviços prestados, incorporando a base de cálculo das contribuições previdenciárias, uma vez que não estão previstas nas exceções do art. 28, §9°, da Lei n° 8.212/1991." Embora a jurisprudência pacífica no STJ quanto a não incidência de contribuições previdenciárias quando dos pagamentos do adicional de férias de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal, o § 4º do art. 214 do Decreto n° 3.048/1999 RPS não foi revogado e sob seu comando tais pagamentos integram o salário de contribuição, verbis: " Decreto n° 3.048/1999 Art. 214. Entendese por salário de contribuição: (...) § 4º A remuneração adicional de férias de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal integra o salário de contribuição " Na forma do encimado, corroboro o entendimento a quo posto que legalmente defendido . DA VERBA PAGA NOS PRIMEIROS QUINZE DIAS DE AFASTAMENTO DO EMPREGADO O art. 22 da Lei n° 8.212/91 dispõe que a contribuição a cargo da empresa recairá sobre o total das remunerações pagas quando os trabalhadores lhe prestem serviços, sendo as Fl. 101DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10320.006782/200897 Acórdão n.º 2403002.993 S2C4T3 Fl. 5 7 remunerações destinadas a retribuir o trabalho, pelos serviços efetivamente prestados: "Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999)." Dispondo sobre planos de Benefícios a Lei 8.213/91, no Capítulo V Aposentadoria por Invalidez, no art. 43, "a", §2° é que se encontra definido a obrigação de a empresa efetuar pagamento nos primeiros 15 dias do AFASTAMENTO , verbis: " § 2o Durante os primeiros quinze dias de afastamento da atividade por motivo de invalidez, caberá à empresa pagar ao segurado empregado o salário." Como se nota , incursos em planos de benefício, os pagamento não decorrem de obrigações pactuadas em contrato de trabalho e tampouco pela remuneração de serviços prestados. Definidos por imposição do estado este , de pronto, se beneficia pela economia do erário feita ao se eximir de pagar o benefício nos primeiros quinze dias embora o numerário arrecadado ao longo para esses efeitos. Neste sentido, até pela falta de amparo legal, não vislumbro como imputar ao contribuinte penalidade pela redução da produção/receita em face da ausência do empregado de seus quadros e ainda tributálo pelo valor obrigado a despender. É teratológico e confiscatório hipótese de ta procedimento. Isto posto, excetuo de incidência o pagamento dos primeiros 15 dias de afastamento tendo em vista efetivamente não se tratar de remuneração pelo trabalho prestado "stricto sensu " na forma do preceituado no art. 22 da Lei n° 8.212/91. Dou provimento ao contribuinte. DO INCRA O contribuinte alegou que a contribuição destinada ao INCRA deixou de existir com o advento da Lei nº 7.787/1989. A instância a quo enfrentou a questão e trouxe à colação longo histórico dessa contribuição para, por fim negar provimento. Aduz que acompanho os argumentos despendidos. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 DA MULTA DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA O Princípio da Retroatividade Benigna está inserto nos termos do preceituado no art. 106, II, " c " do Código Tributário Nacional CTN ao determinar a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática , verbis: “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Na forma do Relatório de Fundamentos Legais ( fls.12) , a empresa foi autuada sob o preceituado na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 35, I, II, III (com a redação dada pela Lei n. 9.876, de 26.11.99 ) em razão de viger à época dos fatos geradores. "601.09 Competências : 10/2007 a 02/2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 35, I, II, Ill (com a redação dada pela Lei n. 9.876, de 26.11.99); Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 239, III, "a", "b" e C, parágrafos 2. ao 6. e e 11, e art. 242, parágrafos 1. e 2. (com a redação dada pelo Decreto n. 3.265, de 29.11.99).( ....) " Assim, é pertinente o recálculo comparando o resultado da aplicação do revogado art. 35, I, II e III da Lei n° 8.212/91 no qual se baseou o lançamento com o resultado do preceituado na nova redação dada ao art. 35 pela Lei n° 11.941/2009 e finalmente comparálos com os valores obtidos nos termos do novo art. 35A para então fazer prevalecer o cálculo menos gravoso. Tendo presente o sobredito, entendo prevalente o preceituado no art. 35 da Lei n° 8.212/91 com a nova redação dada pela Lei n° 11.94/20091, ou seja , nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada ao percentual de vinte por cento:. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10320.006782/200897 Acórdão n.º 2403002.993 S2C4T3 Fl. 6 9 "Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (redação dada lei pela Lei n° 11.94, de 2009 ) " " Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) " CONCLUSÃO Conheço do Recurso Voluntário, para NO MÉRItO DARLHE PROVIMENTO PARCIAL na forma do preceituado no art. 35 da Lei n° 8.212/91 com a nova redação dada pela Lei n° 11.94/20091, ou seja , nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada ao percentual de vinte por cento. É como voto." CONCLUSÃO Conheço do Recurso Voluntário, para NO MÉRITO DARLHE PROVIMENTO PARCIAL excetuando da tributação os créditos constituídos pelos pagamentos realizados pelo contribuinte nos primeiros quinze dias de afastamento dos empregados, bem como na forma do preceituado no art. 35 da Lei n° 8.212/91 com a nova redação dada pela Lei n° 11.94/20091, ou seja , nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de Fl. 104DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 dezembro de 1996, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada ao percentual de vinte por cento. É como voto. Ivacir Júlio de Souza. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 11080.904851/2013-20
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 25/10/2012
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA.
Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.045
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 25/10/2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado.
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DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 48 51 /2 01 3- 20 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904851/201320 Acórdão n.º 3801005.045 S3TE01 Fl. 3 2 Não compete aos julgadores administrativos pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste direito. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904851/201320 Acórdão n.º 3801005.045 S3TE01 Fl. 4 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório: “Na manifestação apresentada, a contribuinte argúi em preliminar a nulidade do Despacho Decisório, alegando o não atendimento ao requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios de ampla defesa, contraditório e do devido processo legal, estando, outrossim, revestido de desvio de finalidade. Expõe que o ato administrativo resumiuse a informar a não homologação da compensação declarada com o parco fundamento da inexistência de crédito disponível; entende que o procedimento correto da fiscalização seria o de intimar a contribuinte para que prestasse informações sobre a origem do crédito, bem como do fundamento de validade; e ressalta a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos para o exame de sua legalidade, finalidade e moralidade administrativa. Alega que o Despacho Decisório não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que carente de fundamentação, restando prejudicado o seu direito de defesa, e que também extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada. Diz que a autoridade preparadora deixou de cumprir seu dever de ofício de bem instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações, apreensão de documentos, diligências, dentre outros expedientes. Sob o tema “Do Mérito”, discorre especificamente sobre o princípio da verdade material, citando diversos doutrinadores. Mas nada aduz sobre o origem do suposto crédito, apenas alegando a posterior juntada de documentos que comprovariam as ‘alegações trazidas na presente manifestação’, eis que o direito creditório, diz, pode ser comprovado a qualquer tempo. Por fim, argumenta sobre a inaplicabilidade da multa de mora em face do princípio constitucional de não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade.. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “ASSUNTO: ... Data do Fato Gerador: ... CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904851/201320 Acórdão n.º 3801005.045 S3TE01 Fl. 5 4 A ausência de pedido de esclarecimentos ou realização de diligência na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. 1PIS/PASEP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório pleiteado. MULTA E JUROS DE MORA. DÉBITOS NÃO HOMOLOGADOS. Os débitos indevidamente compensados sofrem a incidência de multa e juros de mora, nos percentuais determinados pela legislação, calculados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento da contribuição até o dia em que se efetivar o seu pagamento, uma vez que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados.” No recurso voluntário a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. 1 Nos processos em que o crédito alegado se refere à Cofins, consta COFINS. Nos processos em que o crédito seria originado de Contribuição para o PIS/Pasep, consta PIS/PASEP. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904851/201320 Acórdão n.º 3801005.045 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão. A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. No mesmo quadro 3, consta que diante da inexistência do crédito não se homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento. Há, ainda, a informação de que para verificação de valores devedores e emissão de DARF, deveria ser consultado o endereço da internet “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na opção “eCAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação e de que houve desvio de finalidade. Por outro lado, a manifestação de inconformidade, a qual, por força do art. 74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicamse as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, demonstra que a contribuinte exerceu plenamente seu direito ao contraditório, sem nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa. Por estas razões, votase por negar provimento às alegações preliminares. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904851/201320 Acórdão n.º 3801005.045 S3TE01 Fl. 7 6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme visto acima: i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo; ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido; iii) Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório; iv) Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. A recorrente limitouse a discorrer sobre o princípio da verdade material. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904851/201320 Acórdão n.º 3801005.045 S3TE01 Fl. 8 7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Sobre multa e juros de mora Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos juros de mora e multa no presente caso. Cito: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904851/201320 Acórdão n.º 3801005.045 S3TE01 Fl. 9 8 indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sendo devidos juros de mora e multa. A exigência do pagamento destes débitos não se submete a julgamento administrativo. Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo em casos excepcionais não presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, e do disposto no art. 26A da Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009. O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904851/201320 Acórdão n.º 3801005.045 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 19515.001507/2007-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
ANO-CALENDÁRIO: 2002
INCOMPETÊNCIA
A competência para julgamento de auto de infração de IRPJ é da 1ª seção de julgamento nos termos do anexo II, artigo 2, inciso I do regimento interno do CARF - RICARF.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Aguardando Nova Decisão.
Numero da decisão: 3402-002.012
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso para declinar a competência para a 1ª Seção de Julgamento do CARF.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator), Mario Cesar Francalossi Bais (Suplente), Silvia de Brito Oliveira, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente, os Conselheiros Nayra Bastos Manatta e Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça.
Nome do relator: Relator João Carlos Cassuli Junior
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal ANO-CALENDÁRIO: 2002 INCOMPETÊNCIA A competência para julgamento de auto de infração de IRPJ é da 1ª seção de julgamento nos termos do anexo II, artigo 2, inciso I do regimento interno do CARF - RICARF. Recurso Voluntário Não Conhecido. Aguardando Nova Decisão.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso para declinar a competência para a 1ª Seção de Julgamento do CARF. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator), Mario Cesar Francalossi Bais (Suplente), Silvia de Brito Oliveira, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente, os Conselheiros Nayra Bastos Manatta e Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça.
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Recurso Voluntário Não Conhecido. Aguardando Nova Decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso para declinar a competência para a 1ª Seção de Julgamento do CARF. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator), Mario Cesar Francalossi Bais AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 15 07 /2 00 7- 93 Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 (Suplente), Silvia de Brito Oliveira, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente, os Conselheiros Nayra Bastos Manatta e Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça. Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 19515.001507/200793 Acórdão n.º 3402002.012 S3C4T2 Fl. 10 3 Relatório Versam estes autos de infração de IPI no valor de R$4.012.979,36, juros de mora de R$ 3.146.175,81 e multa proporcional de R$ 3.009.734,52, totalizando um crédito tributário de R$ 10.168.889,69 autuado pela saída do estabelecimento de produtos sem emissão de nota fiscal, apurado de forma reflexa por presunção de omissão de receitas com pertinente auto de IRPJ, CSLL e ainda a Cofins. IMPUGNAÇÃO Cientificado do despacho decisório em 19/12/2007, o sujeito passivo apresentou em 18/01/2008 (fls. 564/574) sua Impugnação com os argumentos abaixo expostos: Inicialmente afirma haver um vício de legalidade no auto de infração por não possuir previsão legal e por não ser a situação de fato apurada, carecendo então de motivo para o mesmo, nos termos do artigo 59 do Decreto n° 70.235, de 1972; Afirma que a acusação é contraditória e imprecisa por, no ato da lavratura das infrações, não haver indicação em qual das duas situações previstas no inciso III do art. 281 do RIR, de 1999 (base legal utilizada) o contribuinte foi enquadrado, não ficando claro se por omissão de receitas em virtude da manutenção no passivo de obrigações já pagas ou de obrigações e exigibilidade não comprovada; Na sequencia alega que foi intimada a apresentar documentação a fim de comprovar o pagamento do passivo registrado como “fornecedores” em 31 de dezembro de 2002, pagando de maneira insuficiente o CSLL para este mês, o que não poderia ser feito por haver conversão em capital social do mesmo em momento posterior; Ainda alega não ser esclarecido o porquê de apenas parte dos documentos apresentados terem sido aceitos quando do procedimento fiscalizatório para comprovação do passivo do ano de 2002 e quais os fatos que teriam levado a desconsideração da outra parte da documentação, importando em violação ao princípio da verdade material e cerceamento do direito de defesa; Com doutrina e jurisprudência administrativa afirma que o processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar se ocorreu a hipótese prevista em lei e se é realmente verdade, independente do que foi alegado; Informa que ao receber a autuação, iniciou uma busca de documentos junto às empresas estrangeiras a ela vinculadas (os fornecedores dos bens importados) e às empresas trading com o intuito de comprovar a existência do passivo lançado em sua contabilidade como "fornecedores" e "empréstimos de sócioacionistas". Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na defesa apresentada, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, proferiu o Acórdão de nº. 1420.130, nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ANOCALENDÁRIO: 2002 NULIDADE. Descabe se falar em nulidade do lançamento que respeitou os requisitos legais para sua constituição. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento invocada com base em cerceamento do direito de defesa quando é dado ao interessado o conhecimento do inteiro teor da infração que lhe é imputada, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. IPI. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal, em face da estreita relação de causa e efeito. Lançamento Procedente Inicialmente, a DRJ rebate os argumentos do sujeito passivo quanto ao ferimento do princípio da legalidade, uma vez que a contribuinte manteve em seu passivo, em 31/12/2002 obrigações no valor de R$ 40.103.817,14 e R$ 1.841.486,81. Ao comprovar a exigibilidade desses valores, somente apresentou planilhas de DI e um contrato de empréstimo datado de 1990 (tendo vencimento para dois anos), sem anexar um documento comprobatório desta pendência, restando comprovado o passivo de R$ 15.192.108,71, apurado nas planilhas do contribuinte, relativos à variação cambial passiva registrada no mês de dezembro de 2002. Salienta a omissão de receita prevista no art. 40 da Lei n° 9.430/96, onde há inversão do ônus da prova, não cabendo o argumento utilizado pelo contribuinte de fazer prova negativa, pois que, segundo a autoridade julgadora cabe à ele comprovar as obrigações pendentes de pagamento. Afirma pautado no art. 423 RIPI, de 1998, não prosperar os argumentos de falta de motivação fática e legal das vendas sem emissão de nota fiscal. Alega não haver cerceamento do direito de defesa, por constar na autuação a descrição da infração e disposições legais infringidas, tampouco falta de clareza nas apurações, por, quando intimada, o contribuinte ter apresentado os documentos, que por sua vez foram utilizados pelo fisco, constituindo as infrações tributadas. No tocante a nulidade, o PAF em seu art. 59 estabelece que o cerceamento de defesa se aplica apenas a despachos e decisões, não ocorrendo no auto de infração ora Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 19515.001507/200793 Acórdão n.º 3402002.012 S3C4T2 Fl. 11 5 debatido, e que o mesmo foi lavrado em observância aos requisitos do art. 10 do PAF e art. 142 do CTN. Reitera que na impugnação o contribuinte afirmou que apresentaria documentos que comprovariam a nulidade do lançamento, o que não foi feito até o presente momento. Esclarece que, quanto ao CSLL descabe qualquer apreciação sobre a estimativa mensal, por esta contribuição não ser exigida no presente caso. Finaliza negando os argumentos de nulidade e cerceamento de direito de defesa, mantendo o crédito tributário constituído. DO RECURSO Cientificado da decisão de 1ª instância, e não concordando com os termos em que foi proferida, o sujeito passivo apresentou tempestivamente, em 22/04/2009 seu Recurso Voluntário dirigido à este Conselho, repisando os argumentos já utilizados na sua impugnação, salientando, em tópicos ainda: Da indevida inclusão de obrigações com fornecedores nacionais na acusação de passivo fictício, onde alega que as correspondentes obrigações com fornecedores consistem em despesas cotidianas como aluguéis, energia elétrica e telecomunicação as quais foram integralmente pagas no mês subsequente, sendo necessária a exclusão dos valores lançados como fornecedores do lançamento fiscal. Da liquidação do passivo supostamente fictício em períodos subsequentes, comprovado mediante apresentação de documentos contábeis do saldo final das contas de passivo em Dezembro de 2002, comprovando a manutenção de valores em aberto com relação aos fornecedores nacionais. Quanto aos valores relativos a fornecedores estrangeiros como empréstimos de sócios, foram liquidados entre 31/12/2002 a 31/12/2005 em virtude de pagamentos, compensações com créditos de fornecedores, variações cambiais positivas, mas principalmente da conversão das obrigações em capital social, como investimentos. Alega ainda que durante o ano calendário de 2005, teve seu capital aumentado em referência às obrigações contraídas em face de sua controladora, as quais não puderam ser pagar em virtude de sua condição financeira, e que os aumentos de capital foram formalizados na 34ª, 35ª e ª e 37ª Alterações de Contrato Social trazidas pelo contribuinte no anexo. Por fim requer a reforma da decisão de primeira instância, decretandose a nulidade dos lançamentos fiscais por falta e motivação fática, bem como da indevida presunção dos elementos fáticos no lançamento ora discutido, caso assim não seja entendido, requer a improcedência do lançamento em função da inexistência do passivo e da omissão de receitas, bem como a consequente saída de produtos sem emissão de nota fiscal. Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 6 (seis) Volumes, numerado até a folha 1065 (mil e sessenta e cinco), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 19515.001507/200793 Acórdão n.º 3402002.012 S3C4T2 Fl. 12 7 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O recurso foi apresentado tempestivamente, porém antes da análise do mérito é necessária a averiguação de todos os pressupostos de admissibilidade, os quais, na sua ausência, geram a inadmissão do recurso ou o não conhecimento por esta Seção do colegiado. Quanto à competência desta Seção de julgamento, regulamentada pelo RICARF, observase: Art. 4° À Terceira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Contribuição para o PIS/PASEP e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), inclusive as incidentes na importação de bens e serviços; II Contribuição para o Fundo de Investimento Social (FINSOCIAL); III Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); IV Crédito Presumido de IPI para ressarcimento da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS; V Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF); VI Imposto Provisório sobre a Movimentação Financeira (IPMF); VII Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro e sobre Operações relativas a Títulos e Valores Mobiliários (IOF); VIII Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE); IX Imposto sobre a Importação (II); X Imposto sobre a Exportação (IE); XI contribuições, taxas e infrações cambiais e administrativas relacionadas com a importação e a exportação; XII classificação tarifária de mercadorias; XIII isenção, redução e suspensão de tributos incidentes na importação e na exportação; XIV vistoria aduaneira, dano ou avaria, falta ou extravio de mercadoria; Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 8 XV omissão, incorreção, falta de manifesto ou documento equivalente, bem como falta de volume manifestado; XVI infração relativa à fatura comercial e a outros documentos exigidos na importação e na exportação; XVII trânsito aduaneiro e demais regimes aduaneiros especiais, e dos regimes aplicados em áreas especiais, salvo a hipótese prevista no inciso XVII do art. 105 do DecretoLei n° 37, de 18 de novembro de 1966; XVIII remessa postal internacional, salvo as hipóteses previstas nos incisos XV e XVI, do art. 105, do DecretoLei n° 37, de 1966; XIX valor aduaneiro; XX bagagem; e XXI penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas físicas e jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo. Parágrafo único. Cabe, ainda, à Terceira Seção processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância relativos aos lançamentos decorrentes do descumprimento de normas antidumping ou de medidas compensatórias. Da análise dos autos se observa que o presente processo trata de auto de infração de IPI, em função de autuação pela saída do estabelecimento de produtos sem emissão de nota fiscal, sendo, porém, reflexo direto da autuação de IRPJ (omissão de rendimentos) lavrada em desfavor do sujeito passivo ora recorrente, bem como os demais lançamentos existentes (CSLL, PIS e Cofins). Observo então, que competência para julgamento de processos relativos à IRPJ (bem como decorrentes da averiguação de prática de infração à sua legislação), como é o caso, é da Primeira Seção de julgamento, nos termos do Anexo II, artigo 2, inciso I do regimento interno do CARF – RICARF, in verbis: Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; Fl. 1073DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 19515.001507/200793 Acórdão n.º 3402002.012 S3C4T2 Fl. 13 9 V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional); VI penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo; e VII tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções. Desta forma, a competência para a análise dos recursos é da Primeira Seção do Carf, devendo o processo ser encaminhado àquela Seção, para distribuição e julgamento. Ante o exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso para declinar a competência para a 1a Seção de Julgamento deste Conselho. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13766.000454/2005-93
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2005 a 31/07/2005
Ementa:
REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS ACUMULADOS. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS PRÓPRIOS.
A compensação de débitos próprios com saldo credor da COFINS acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário, a teor do art. 17 da Lei nº 11.033/2004, restringe-se ao crédito decorrente de aquisições tributadas vinculadas às saídas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da COFINS não cumulativa.
Recurso Voluntário Não Provido.
Numero da decisão: 3801-005.364
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/2005 a 31/07/2005 Ementa: REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS ACUMULADOS. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS PRÓPRIOS. A compensação de débitos próprios com saldo credor da COFINS acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário, a teor do art. 17 da Lei nº 11.033/2004, restringe-se ao crédito decorrente de aquisições tributadas vinculadas às saídas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da COFINS não cumulativa. Recurso Voluntário Não Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo.
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CRÉDITOS ACUMULADOS. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS PRÓPRIOS. A compensação de débitos próprios com saldo credor da COFINS acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário, a teor do art. 17 da Lei nº 11.033/2004, restringese ao crédito decorrente de aquisições tributadas vinculadas às saídas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da COFINS não cumulativa. Recurso Voluntário Não Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 76 6. 00 04 54 /2 00 5- 93 Fl. 503DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por C ASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13766.000454/200593 Acórdão n.º 3801005.364 S3TE01 Fl. 497 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto os termos do relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ), sintetizado nos seguintes termos: Trata o presente processo de Declaração de Compensação com Crédito da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, no valor de R$ 201.658, 11, referente ao apurado em julho/2004. A autoridade administrativa não reconheceu o Direito Creditório pleiteado pelo contribuinte, apurado entre fevereiro/2004 a junho/2005, concernente ao saldo remanescente da apuração nãocumulativa da COFINS de que trata a Lei nº l 0.833/2003, vinculado às operações de Receitas de Vendas não sujeitas à contribuição (art. 16 da Lei nº 11.116/2005). Cientificada da decisão em 17/06/2010 (fl. 341), o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 16/07/2010 (fl.345/347), alegando, em síntese que: 1. Com base na Lei nº 10.833/2003, o contribuinte obteve créditos acumulados da COFINS, através de apuração mensal onde informa todas as compras de mercadorias tributadas no período de fevereiro de 2004 a junho de 2005, pois a Lei que rege a matéria começou a vigorar a partir de janeiro de 2004; 2. Vale ressaltar que a apuração dos créditos foram decorrentes das aquisições de mercadorias tributadas e vinculadas as receitas tributadas, tendo amparo no art.3º da citada Lei nº 10.833/2003; 3. Como podemos observar, o contribuinte apurou créditos da COFINS, referente aos meses de fevereiro de 2004 a julho de 2005, demonstrando todas as compras realizadas no mês, vendas, bem como seus custos, conforme planilhas de cálculo em anexo; 4. A pessoa jurídica junta neste ato cópia da DACON, referente ao segundo trimestre de 2005, onde consta os saldos da COFINS não cumulativos, no valor de R$ 208.212,22, objeto de pedido de compensação para quitação do IRP J e CSLL de julho de 2005; 5. Vale lembrar que a Lei nº 10.833/2003, prevê no artigo 1 º, § 3º, inciso V, que as vendas/cancelamentos e descontos incondicionais sejam abatidos da base de cálculo da contribuição, levando em conta somente as saídas tributadas, conforme demonstrado nas planilhas de apuração de cada mês; 6. Dessa forma, também não há que se falar em irregularidades na apuração dos créditos, seja a título de despesas de telefone, despesas médicas, energia elétrica, bem como devolução de vendas canceladas, pois, todos os valores tem previsão legal na Lei nº Fl. 504DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por C ASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13766.000454/200593 Acórdão n.º 3801005.364 S3TE01 Fl. 498 3 10.833/2003, portanto não existindo diferença no crédito pleiteado pelo contribuinte, uma vez que foram calculados de acordo com a legislação vigente à época; 7. Diante do exposto, requer a este órgão julgador, seja dado provimento à Manifestação de Inconformidade, modificando o Despacho Decisório, reconhecendo a compensação realizada da estimativa do IRP J de julho de 2005 e da CSLL de julho de 2005 com base nos créditos apurados da COFINS no valor de R$ 201.658, 11, por ser medida da mais lídima Justiça. Junto com a manifestação de inconformidade, o interessado carreou aos autos Procuração, documentos de identidade, Ata da Assembleia Geral ordinária realizada em 31 /03/2008, Ata de Assembleia Geral Extraordinária realizada em 29/12/2006. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: O 1 /02/2004 a 31/0712005 REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS BÁSICOS. VENDAS NO MERCADO INTERNO. No regime nãocumulativo, os créditos decorrentes de vendas no mercado interno são passíveis, tãosomente, de dedução do valor devido da contribuição. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. No cálculo da COFINS nãocumulativa o sujeito passivo somente poderá descontar créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços, não se considerando como tal despesas relativas ao plano de saúde dos funcionários ou relativos à telefones comerciais do estabelecimento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS. NEGAÇÃO GERAL. O Processo Administrativo Fiscal não contempla a negação geral exige o ônus da indicação dos motivos de fato e de direito em que se fundamenta a impugnação/manifestação de inconformidade e os pontos de discordância, as razões e provas que possuir o litigante. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 505DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por C ASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13766.000454/200593 Acórdão n.º 3801005.364 S3TE01 Fl. 499 4 Não concordando com a decisão proferida pela DRJ/RJ2, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário no qual pede a reforma da decisão recorrida e deferida, totalmente, a homologação do pedido de compensação, com base na documentação e informações que instruem o presente processo. Destaca em preliminar que seja declarada a decadência do direito do Fisco em proceder a revisão dos créditos relativos à COFINS informados nos exercícios de 2004 e 2005 através de DACON. O art. 150, § 4º do CTN limita a Fazenda Pública ao prazo de cinco anos para a homologação de lançamentos do contribuinte, só permitindo, dentro desse prazo, proceder a eventuais lançamentos de ofício por conta de imprecisões na apuração dos créditos. Quanto ao efetivo direito à compensação, que seja homologado ao menos, no que se refere ao montante do crédito vinculado à receitas não tributadas, pois tendo o fisco reconhecido esse direito, rejeitou a totalidade da compensação declarada pelo contribuinte. É o Relatório. Voto Conselheiro Cássio Schappo. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele se toma conhecimento. Tratam os presentes autos de compensação de créditos acumulados em conta gráfica, da COFINS não cumulativa, ao final do 2º trimestre de 2005, com débitos do IRPJ e CSLL do PA 31/07/2005, requerido através de Declaração de Compensação – DCOMP protocolada na data de 23/08/2005. Devido a não homologação da compensação requerida, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ/RJII, no que resultou em recurso voluntário a esta Egrégia Corte, pugnando pela reforma da decisão recorrida e consequente homologação da compensação pretendida. A recorrente arguiu em seu recurso preliminar de decadência do direito do Fisco a promover a revisão dos créditos devidamente informados nos exercício de 2004 e 2005, não havendo como indeferir a compensação pleiteada. Em conformidade com o disposto no art. 150, § 4º do CTN, a Fazenda Pública está limitada ao prazo de cinco anos para homologar os lançamentos do contribuinte. É fato que o fisco dispõe do prazo de cinco anos para se pronunciar sobre a compensação declarada pelo contribuinte, homologandoa ou não, nos termos do art. 74, § 5º da Lei nº 9.430 de 1996. Porém, estes prazos não se confundem e nem se complementam. O primeiro está atrelado a atividade apuratória do tributo informado pelo contribuinte, sobre o qual o fisco deverá se manifestar expressamente no prazo de cinco anos, caso contrário, a referida atividade será considerada tacitamente homologada. Embora compartilhe desse entendimento, não entendo aplicável no presente caso, pelo fato de que há limitação legal para haver compensação de crédito acumulado da Fl. 506DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por C ASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13766.000454/200593 Acórdão n.º 3801005.364 S3TE01 Fl. 500 5 COFINS, com débitos próprios do sujeito passivo, relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil. Na questão de mérito a recorrente aponta como ato de impropriedade contida na decisão combatida, de rejeitar a compensação requerida, desconsiderando o montante global do saldo creditório informado pelo contribuinte. Destaca um trecho da decisão, que na verdade é citação de parte do Parecer elaborado pelo SEORT/DRF de Vitória/ES: Notase que o contribuinte apurou os créditos tanto no DACON, como nos demonstrativos como um conta corrente, acumulando créditos entre os meses de fevereiro/04 a julho/05. O contribuinte utilizase de todo o saldo creditório, como se todo este fosse vinculado às receitas não sujeitas à contribuição. De pronto, verificase o equívoco do contribuinte neste sentido. Só faz jus ao direito de compensação com outros créditos aqueles vinculados às operações não sujeitas à contribuição. Os créditos vinculados às vendas tributadas no mercado doméstico somente podem ser utilizados para abater a própria contribuição. Esse é o ponto central de toda a discussão levada a efeito neste processo. Qual é a base legal e se o contribuinte atende esse requisito para fazer jus à compensação pretendida. No recurso a recorrente fundamenta seu direito ao crédito e o faz da seguinte forma: O direito do contribuinte ao aproveitamento dos créditos decorrentes de aquisições tributadas, vinculadas à receitas não tributadas está consignado nos arts. 17, da Lei n.º 11.033/2004 e 16, da Lei n.0 11.116/2005, in verbis: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota O (zero) ou não incidência da Contribuição para o P1SIPASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o P1S/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3° das Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11. 033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por C ASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13766.000454/200593 Acórdão n.º 3801005.364 S3TE01 Fl. 501 6 A questão está na sutiliza de interpretar e aplicar os dispositivos legais que tratam da apuração e cálculo da COFINS não cumulativa. A implantação dessa contribuição se deu pela lei nº 10.833/2003, que trás em seu art. 1º o fato gerador – o faturamento e no art. 3º define as regras para apuração dos créditos. Já o art. 17, acima transcrito, permitiu a manutenção de créditos vinculados às operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência. A lei nº 11.116/2005, art. 16, introduziu a compensação de débitos próprios de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, porém, com os créditos acumulados no final de cada trimestre do ano calendário, de acordo com o estabelecido no art. 17 da lei nº 10.033/2004. Como se observa, o controle do crédito acumulado legalmente permitido merece um cuidado especial quando pretendido usálo em processo de compensação de outros débitos. Necessário se faz identificálo através de registro próprio, que se trata de crédito vinculado ao produto/mercadoria cuja saída estava amparada pelo disposto no art. 17 da Lei nº 10.033/2004. O contribuinte durante todo o processo de fiscalização, manifestação de inconformidade e recurso especial, não conseguiu atender esse primordial quesito, de vincular o crédito acumulado existente, às mercadorias vendidas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da COFINS não cumulativa. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento, para manter a decisão recorrida e a consequente exigência do crédito tributário. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator Fl. 508DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por C ASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 15563.000704/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
DECADÊNCIA - TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO - APLICAÇÃO DO ART. 173, I, CTN - NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA CONDUTA DOLOSA PELA FISCALIZAÇÃO. O prazo para constituição do crédito tributário, quando originado de dolo, fraude ou simulação, inicia-se no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Entretanto, é necessário que o fiscal autuante demonstre de forma clara e precisa a presença de tais elementos no caso concreto, não sendo suficiente para a caracterização de dolo a simples alegação de erro de declaração em GFIP.
DECADÊNCIA - TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, DO CTN.
As contribuições previdenciárias, como espécie de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, submetem-se à regra do prazo decadencial quinquenal previsto no art. 150, § 4º, do CTN, desde que tenha havido o pagamento antecipado, tendo em vista a declaração de inconstitucionalidade do prazo decenal veiculado na Lei n.º 8.212/91, nos termos da Súmula Vinculante n.º 08. Havendo recolhimento pelo contribuinte nas competências fiscalizadas, mesmo que parcial, deve o prazo decadencial ter como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador, na forma do referido dispositivo, consoante Súmula CARF n.º 99.
SALÁRIO-FAMÍLIA - GLOSA DE DEDUÇÕES - FALTA DE COMPROVAÇÃO DO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DOS ARTS. 67 E 68 DA LEI N.º 8.213/91 - LANÇAMENTO MANTIDO
Os valores pagos pelo contribuinte a título de salário-família podem ser deduzidos das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha, na forma do art. 68 da Lei n.º 8.213, cabendo ao contribuinte, entretanto, comprovar a regularidade dos pagamentos e das deduções realizadas mediante a apresentação dos documentos relativos aos pagamentos, tais como certidão de nascimento do filho do segurado, atestado de vacinação obrigatória e comprovação de frequência escolar. Não tendo sido provada a regularidade das deduções, deve a glosa ser mantida.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-003.880
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) excluir do lançamento as contribuições até 11/2004, face a aplicação da decadência quinquenal; b)no mérito, negar provimento ao recurso.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA - TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO - APLICAÇÃO DO ART. 173, I, CTN - NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA CONDUTA DOLOSA PELA FISCALIZAÇÃO. O prazo para constituição do crédito tributário, quando originado de dolo, fraude ou simulação, inicia-se no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Entretanto, é necessário que o fiscal autuante demonstre de forma clara e precisa a presença de tais elementos no caso concreto, não sendo suficiente para a caracterização de dolo a simples alegação de erro de declaração em GFIP. DECADÊNCIA - TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, DO CTN. As contribuições previdenciárias, como espécie de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, submetem-se à regra do prazo decadencial quinquenal previsto no art. 150, § 4º, do CTN, desde que tenha havido o pagamento antecipado, tendo em vista a declaração de inconstitucionalidade do prazo decenal veiculado na Lei n.º 8.212/91, nos termos da Súmula Vinculante n.º 08. Havendo recolhimento pelo contribuinte nas competências fiscalizadas, mesmo que parcial, deve o prazo decadencial ter como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador, na forma do referido dispositivo, consoante Súmula CARF n.º 99. SALÁRIO-FAMÍLIA - GLOSA DE DEDUÇÕES - FALTA DE COMPROVAÇÃO DO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DOS ARTS. 67 E 68 DA LEI N.º 8.213/91 - LANÇAMENTO MANTIDO Os valores pagos pelo contribuinte a título de salário-família podem ser deduzidos das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha, na forma do art. 68 da Lei n.º 8.213, cabendo ao contribuinte, entretanto, comprovar a regularidade dos pagamentos e das deduções realizadas mediante a apresentação dos documentos relativos aos pagamentos, tais como certidão de nascimento do filho do segurado, atestado de vacinação obrigatória e comprovação de frequência escolar. Não tendo sido provada a regularidade das deduções, deve a glosa ser mantida. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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O prazo para constituição do crédito tributário, quando originado de dolo, fraude ou simulação, inicia se no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Entretanto, é necessário que o fiscal autuante demonstre de forma clara e precisa a presença de tais elementos no caso concreto, não sendo suficiente para a caracterização de dolo a simples alegação de erro de declaração em GFIP. DECADÊNCIA TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, DO CTN. As contribuições previdenciárias, como espécie de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, submetemse à regra do prazo decadencial quinquenal previsto no art. 150, § 4º, do CTN, desde que tenha havido o pagamento antecipado, tendo em vista a declaração de inconstitucionalidade do prazo decenal veiculado na Lei n.º 8.212/91, nos termos da Súmula Vinculante n.º 08. Havendo recolhimento pelo contribuinte nas competências fiscalizadas, mesmo que parcial, deve o prazo decadencial ter como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador, na forma do referido dispositivo, consoante Súmula CARF n.º 99. SALÁRIOFAMÍLIA GLOSA DE DEDUÇÕES FALTA DE COMPROVAÇÃO DO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DOS ARTS. 67 E 68 DA LEI N.º 8.213/91 LANÇAMENTO MANTIDO Os valores pagos pelo contribuinte a título de saláriofamília podem ser deduzidos das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha, na AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 00 07 04 /2 00 9- 21 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/05/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 forma do art. 68 da Lei n.º 8.213, cabendo ao contribuinte, entretanto, comprovar a regularidade dos pagamentos e das deduções realizadas mediante a apresentação dos documentos relativos aos pagamentos, tais como certidão de nascimento do filho do segurado, atestado de vacinação obrigatória e comprovação de frequência escolar. Não tendo sido provada a regularidade das deduções, deve a glosa ser mantida. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) excluir do lançamento as contribuições até 11/2004, face a aplicação da decadência quinquenal; b)no mérito, negar provimento ao recurso. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/05/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15563.000704/200921 Acórdão n.º 2401003.880 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração cientificado ao contribuinte em 23/12/2009 por meio do qual se exige crédito tributário decorrente de glosas de deduções indevidas a título de saláriofamília nas competências 01/2004 a 12/2004, apuradas mediante batimento entre os valores de Massa Salarial informados por meio da Relação Anual de Informações Social – RAIS, folhas de pagamento e os valores informados em GFIP – Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social. A Recorrente apresentou Impugnação (fls. 83/89) em face do Auto de Infração, na qual sustentou, em síntese: · A extinção dos créditos anteriores à competência 12/2004 pela decadência, a teor do art. 150, § 4º, CTN, uma vez que houve recolhimento antecipado em todos as competências; · Não é aplicável ao caso concreto o prazo decadencial do art. 173, I, do CTN, uma vez que não há prova alguma da prática de conduta dolosa por parte da Recorrente ou de seus dirigentes, além do que a fraude não se presume, devendo ser cabalmente demonstrada; · As contribuições exigidas no presente caso decorrem de recolhimento a menor por conta de “declaração inexata”, segundo afirma o próprio fiscal autuante; · Que durante o período fiscalizado possuía em média 3.500 empregados registrados em folha, recolhendo mensalmente vultuosas quantias a título de contribuições previdenciárias, logo, as deduções de saláriofamília se mostram compatíveis com o elevado número de segurados a seu serviço e representam percentuais pequenos em comparação aos montantes recolhidos; · Que o fisco não aponta de forma clara e conclusiva a origem das diferenças objeto do lançamento, as quais possivelmente foram ocasionadas pelo sistema de folha de pagamento gerador da GFIP, onde poderiam, por erro de informática, ter sido alocados valores maiores em outros itens, tais como “terceiros” ou “contribuição de funcionários” e “contribuição da empresa” e, ao mesmo tempo, distorcendo os valores de SalárioFamília informados, sem qualquer prejuízo à Fazenda. Apreciando a Impugnação apresentada pela Recorrente, a 10ª Turma da DRJ/RJ1 II na Sessão de 25/05/2010, mediante o Acórdão n.º 12.30.667, decidiu julgar o lançamento procedente, em suma, sob o seguintes fundamentos: · O Relatório Fiscal, em conjunto com os anexos que integram o Auto de Infração, atenderam plenamente aos requisitos previstos na legislação, identificando os fatos geradores e fornecendo todo o embasamento legal Fl. 182DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/05/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 para o lançamento, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte, não havendo qualquer nulidade a ser declarada; · Quanto à decadência, de acordo com a Súmula Vinculante n.º 08 do STF, é inconstitucional o art. 45 da Lei n.º 8.212/91, devendo o prazo decadencial obedecer às disposições do CTN. No caso concreto, a fiscalização entendeu pela aplicação da regra do art. 173, I, do CTN, em razão da caracterização de conduta dolosa pelo fato de repetir mensalmente o mesmo erro de fazer deduções extremamente superiores a que tinha direito, deixando de recolher o total das contribuições devidas, o que motivou a lavratura de Representação para Fins Penais pela prática, em tese, do crime de sonegação previdenciária; · O termo inicial da contagem do prazo decadencial é o dia 01/01/2005, e o final, por sua vez, 31/12/2009. Como a ciência da autuação ocorreu em 28/12/2009, não há que se falar em decadência; · A empresa não comprovou que as deduções de saláriofamília, informadas em GFIP, estão corretas e que se deram de acordo com os requisitos previstos nos artigos 67 e 68, da Lei n.º 8.213/91, ou seja, mediante a apresentação de certidão de nascimento, atestado de vacinação e de comprovação de frequência na escola dos dependente, pelo que os valores pagos a título de saláriofamília indevidamente integram o saláriodecontribuição; · Quanto à afirmação de que não há prova alguma de conduta “dolosa” por parte da empresa e/ou dos dirigentes, não é o contencioso administrativo fiscal o foro competente para o julgamento da ocorrência ou não do crime tipificado no art. 337A, III, do Código Penal, pelo que as justificativas trazidas devem ser apresentadas em sede de eventual e futura ação penal, não interferindo no deslinde do presente processo. Intimada dos termos do referido acórdão em 16/07/2010 (fls. 142), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 11/08/2010 (fls. 145/153), no qual reitera as alegações lançadas na Impugnação e sustenta, em apertada síntese: · A extinção do crédito tributário relativo às competências 01/2004 a 11/2004 pela decadência, com fundamento no art. 150, § 4º, CTN, uma vez que houve recolhimento antecipado de contribuições por parte do contribuinte; · A fiscalização afirma a prática de conduta dolosa pelo contribuinte, a fim de invocar a aplicação do art. 173, I, do CTN ao caso concreto, contudo, ao aplicar a multa, compara a de 24% prevista na legislação em vigor à época dos fatos geradores com a de 75%. Conclui, portanto, que se realmente tivesse alguma prova da conduta “dolosa” por parte da empresa seria o caso de aplicação do § 1º da Lei n.º 9.430/96, o que resultaria na mudança no quadro comparativo para: “Multa Atual (150%)”; · A cobrança objeto dos autos decorre de mera insuficiência de contribuição por “declaração inexata”, segundo o próprio fisco, não Fl. 183DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/05/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15563.000704/200921 Acórdão n.º 2401003.880 S2C4T1 Fl. 4 5 havendo que prosperar a pretensão de deslocar o prazo decadencial para o art. 173, I, do CTN; · No mérito, reitera os argumentos lançados na Impugnação. Requereu, ao final, fosse conhecido e provido o Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/05/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim Relatora O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual conheço o presente recurso. No caso ora analisado, a fiscalização constatou a ocorrência de deduções indevidas a título de saláriofamília em razão de os valores informados a tal título em GFIP serem superiores àqueles indicados na RAIS e folhas de pagamento da Recorrente, no período de 01/2004 a 12/2004. Neste contexto, entendeu que a Recorrente teria praticado conduta dolosa ao repetir tal prática ao longo das competências fiscalizadas, conforme consta do item 4.1 do Relatório Fiscal, às fls. 47, abaixo transcrito na íntegra: 4.1. – Foi usada a decadência anual do art. 173ICTN, pela caracterização de conduta dolosa ao repetir mensalmente o mesmo erro de fazer deduções extremamente superiores a que tinha direito, deixando de recolher o total das contribuições devidas. Essa situação, em tese, configura crime de sonegação de contribuição previdenciária, motivo pelo qual será lavrada Representação Fiscal para Fins Penais. Analisandose o Relatório Fiscal, constatase que este é o único trecho em que a fiscalização demonstra a suposta prática de conduta dolosa, a qual atrairia a aplicação do art. 173, I, do CTN para fins de contagem do prazo decadencial, ao invés do art. 150, § 4º, CTN. A DRJ, por sua vez, seguiu a mesma linha e manteve o lançamento atestando a inexistência de extinção dos créditos tributários objeto do Auto de Infração pela decadência a teor da regra constante do art. 173, I, do CTN, transcrevendo o trecho do relatório fiscal acima mencionado para concluir existirem elementos suficientes à aplicação da citada regra. Entendo, contudo, que tal entendimento não merece prosperar. Com efeito, o caput do art. 150 do CTN consigna que, em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o termo inicial da contagem do prazo decadencial é a data da ocorrência do fato gerador, desde que haja pagamento antecipado. Tratase, portanto, de norma específica aplicável a tributos desta natureza e que apenas deve ser afastada, nos termos ali previstos, se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Neste contexto, incumbia à autoridade lançadora o ônus de comprovar, de forma clara, a ocorrência de tais atos, a fim de afastar a regra específica do art. 150, § 4º e aplicar a regra geral do art. 173, I, ambos do CTN, ao caso concreto. A simples menção, no Relatório Fiscal, ao fato de ter a Recorrente cometido o mesmo erro repetidamente ao declarar equivocadamente os valores de SalárioFamília em Fl. 185DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/05/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15563.000704/200921 Acórdão n.º 2401003.880 S2C4T1 Fl. 5 7 GFIP não é suficiente, na visão desta Relatora, para a caracterização do dolo exigido pela lei para afastar a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150 do CTN. Isto porque o dolo, como aponta a doutrina penalista, é a consciência e a vontade de realização dos elementos objetivos do tipo de injusto doloso (tipo objetivo). [...] Age dolosamente o agente que conhece e quer a realização dos elementos da situação fática ou objetiva, sejam descritivos, sejam normativos, que integram o tipo legal de delito. (PRADO, Luiz Regis. Curso de Direito Penal Brasileiro, 6.ed., Rio de Janeiro: Revista dos Tribunais, 2006, p.113). O simples fato de se repetirem erros de declaração em GFIP não é suficiente, no entendimento desta Relatora, para a caracterização do dolo. Tratase, a meu ver, de erros repetidos e nada mais. Entendimento semelhante possui a Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que a mera conduta reiterada do contribuinte não é suficiente para caracterização de conduta dolosa, fraude ou simulação, sendo necessária a demonstração cabal das mesmas, vejamos: IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA E RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO COMPROVADOS. SIMPLES CONDUTA REITERADA E/OU MONTANTE MOVIMENTADO. IMPOSSIBILIDADE DE QUALIFICAÇÃO. De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), condicionase à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude do contribuinte. Assim não o tendo feito, não prospera o agravamento da multa, sobretudo quando a autoridade lançadora utiliza como lastros à sua empreitada a simples reiteração da conduta e/ou o volume/montante da movimentação bancária do contribuinte, fundamentos que, isoladamente, não se prestam à aludida imputação, consoante jurisprudência deste Colegiado. Recurso especial negado. (CSRF. Acórdão 9202003.644 – 2ª Turma. Sessão de 04.03.2015) MULTA. QUALIFICAÇÃO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. DEMONSTRAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. A omissão de rendimentos em face de verificação de depósitos bancários sem origem não configura, por si só, a prática de dolo, fraude ou simulação, nos termos dos art. 71 a 73 da Lei 4.502 de 1964, pois há, para tanto, a obrigatoriedade de demonstração cabal do evidente intuito por parte do sujeito passivo. No presente caso, o evidente intuito de fraude não ficou demonstrado, motivo para a correta desqualificação da multa. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/05/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 Recurso Especial do Procurador Negado. (CSRF. Acórdão 9202002.577 – 2ª Turma. Sessão de 06.03.2013) Ora, o próprio fato de o contribuinte registrar em suas folhas de pagamento o valor supostamente correto do saláriofamília pago depõe contra o entendimento da fiscalização da prática de conduta dolosa visando à sonegação. Não faria sentido que aquele que tem a intenção de lesar o Fisco mediante o recolhimento a menor de contribuições previdenciárias informasse em folha de pagamento o valor correto e, em GFIP, valores superiores ao devidos. Pelo contrário, tal prática apenas reforça o fato de que houve informação incorreta lançada em GFIP, porquanto a Recorrente teria consignado corretamente em suas folhas de pagamento o valor desembolsado a título de saláriofamília no mês e, ao informalo em GFIP, laborou em equívoco. A consequência da dedução a maior dos valores pagos a título de salário família é a glosa destas deduções, com a consequente cobrança das contribuições indevidamente não recolhidas, não sendo possível se afirmar, sem outros elementos de prova, a prática de conduta dolosa na dedução além do montante devido. Neste contexto, não tendo restado demonstrado pela fiscalização a prática de ato doloso, entendo que deve ser aplicado no caso concreto a regra do art. 150, § 4º, do CTN, e não a do art. 173, I, do CTN. Cumpre destacar, ainda, que não há dúvidas quanto à existência de recolhimentos por parte da Recorrente nas competências fiscalizadas, uma vez que os valores lançados referemse justamente àqueles das deduções glosadas, não tendo a fiscalização afirmado que as deduções levaram à redução do valor total a recolher nas competências fiscalizadas. Logo, no presente caso deve ser aplicado o entendimento consubstancializado na Súmula de nº 99 deste CARF, a qual afirma que: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Desta forma, a conclusão é a de que se encontram extintos pela decadência, de acordo com a regra contida no art. 150, § 4º do CTN, os créditos tributários correspondentes às competências 01/2004 a 11/2004, uma vez que a Recorrente foi cientificada do lançamento em 23/12/2009. Por sua vez, em relação à competência 12/2004, entendo que deve ser o lançamento mantido, uma vez que, de fato, não trouxe a Recorrente aos autos elementos de prova que pudessem atestar que está correto o valor por ela informado na GFIP daquela competência a título de saláriofamília. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/05/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15563.000704/200921 Acórdão n.º 2401003.880 S2C4T1 Fl. 6 9 Como bem asseverou o acórdão recorrido, os arts. 67 e 68 da Lei n.º 8.213/91 preveem que o pagamento do saláriofamília é condicionado à apresentação da certidão de nascimento do filho e à apresentação anual de atestado de vacinação obrigatória e de comprovação de frequência escolar, devendo o contribuinte manter arquivados pelo prazo decadencial os comprovantes dos pagamentos e as cópias de tais documentos, a fim de provar a regularidade dos pagamentos por ele realizados. Neste contexto, incumbiria à Recorrente apresentar à fiscalização ou, ainda, trazer aos autos, os documentos que demonstrassem a regularidade dos valores por ela deduzidos a título de saláriofamília, o que não foi feito, razão pela qual deve o lançamento ser mantido neste ponto. CONCLUSÃO De todo o exposto, conheço do recurso voluntário para excluir do lançamento das contribuições devidas até a competência 11/2004, face à aplicação da decadência nos moldes do art. 150, §4º e, no mérito, negarlhe provimento. É como voto. Carolina Wanderley Landim. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/05/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 18088.720224/2011-45
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 106 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). FORMA DE APLICAÇÃO.
O CTN, na c, II, Art. 106, determina que a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Ocorre que, para a correta aplicação da determinação, deve-se comparar a forma de autuação anterior com a vigente, na data do julgamento.
No presente caso, a decisão a quo - equivocadamente - inovou na forma de aplicação da multa, comparando multas com naturezas jurídicas distintas, motivo do provimento do recurso..
Numero da decisão: 9202-003.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martinez Lopez, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Manoel Coelho Arruda Junior, que votaram por negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 106 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). FORMA DE APLICAÇÃO. O CTN, na “c”, II, Art. 106, determina que a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ocorre que, para a correta aplicação da determinação, devese comparar a forma de autuação anterior com a vigente, na data do julgamento. No presente caso, a decisão a quo equivocadamente inovou na forma de aplicação da multa, comparando multas com naturezas jurídicas distintas, motivo do provimento do recurso.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martinez Lopez, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Manoel Coelho Arruda Junior, que votaram por negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 72 02 24 /2 01 1- 45 Fl. 383DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Fl. 384DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 18088.720224/201145 Acórdão n.º 9202003.610 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), contra acórdão que decidiu dar proviemnto parcial a recurso voluntário da contribuinte, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 EXCLUSÃO DO SIMPLES. COMPETÊNCIA. DISCUSSÃO EM FORO ADEQUADO. O foro adequado para discussão acerca da exclusão da empresa do tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLES Federal SIMPLES Nacional) é o respectivo processo instaurado para esse fim. Descabe em sede de processo de lançamento fiscal de crédito tributário o exame dos motivos que ensejaram a emissão do ato de exclusão. É competente a Primeira Seção do CARF para julgar recursos contra decisão de primeira instância que tenha decidido sobre exclusão do SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais. GRUPO ECONÔMICO. CONFIGURAÇÃO. Os grupos econômicos podem ser de direito ou de fato, podendo se dar pela combinação de recursos ou esforços para a consecução de objetivos comuns, sob a forma horizontal (coordenação), ou sob a forma vertical (controle x subordinação). Caracterizada a formação de grupo econômico de fato, através de análise fática que tornou possível a constatação de combinação de recursos e/ou esforços para a consecução de objetivos comuns pelas empresas integrantes do grupo. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitandose ao percentual máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em dar provimento parcial para recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75%. Em seu recurso especial a PGFN alega, em síntese, que: 1. Há decisão divergente sobre a forma de aplicação da regra expressa no Art. 106, do CTN; 2. Para tanto, devese, na execução do julgado, comparar os seguintes valores para aferição da multa mais benéfica ao sujeito passivo: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009; 3. Solicita o conhecimento e o provimento de seu recurso. Por despacho, deuse seguimento ao recurso especial. A contribuinte devidamente intimada não apresentou contra razões e recurso especial da parte que lhe foi desfavorável. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 18088.720224/201145 Acórdão n.º 9202003.610 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade – recurso tempestivo e divergência confirmada e não reformada conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. Quanto a questão sobre a forma de aplicação de aplicação da multa, nos lançamentos de ofício, na análise da questão verificamos que assiste razão ao pleito da recorrente. Concordo com o acórdão recorrido a respeito da aplicabilidade do Art. 106 do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: ... c) quando lhe comine PENALIDADE menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, pois esta não leva em conta as penalidades que estavam e estão sujeito os contribuintes, antes e depois da alteração legislativa. A Lei 8.212/1991 trazia a seguinte redação quando tratava de multas: Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 387DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 6 b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de Fl. 388DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 18088.720224/201145 Acórdão n.º 9202003.610 CSRFT2 Fl. 5 7 competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Com a edição da Medida Provisória 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, ocorreram mudanças na legislação que trata sobre multas, com o surgimento de dois artigos: Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). ... Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Fl. 389DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 8 Ocorre que o acórdão recorrido deixou de comparar o total de penalidades a que estavam sujeitos os contribuintes. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado as penalidades que o sujeito passivo poderia sofrer na legislação anterior (créditos incluídos em autuações por descumprimento de obrigação acessória, declaração inexata, e principal, falta de pagamento ou recolhimento), com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em autuações por descumprimento de obrigação acessória, declaração inexata, e principal, falta de pagamento ou recolhimento). Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas e dou provimento ao recurso, nos termos solicitados. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, dou provimento ao recurso da PGFN, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 390DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 11080.910564/2013-59
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 15/07/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA.
Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 05 64 /2 01 3- 59 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.910564/201359 Acórdão n.º 3801005.067 S3TE01 Fl. 3 2 Não compete aos julgadores administrativos pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste direito. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão PretoDRJ/RPO que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.910564/201359 Acórdão n.º 3801005.067 S3TE01 Fl. 4 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório: “Tempestivamente o interessado manifestou sua inconformidade tecendo várias alegações de nulidade, na medida que o Despacho denegatório não teria fundamentação, teria se desviado de sua finalidade e cerceado sua defesa No mérito, afirma que foi desrespeitado o princípio da verdade material, que o cerceamento à defesa se constituiria em motivo de força maior para não apresentar nenhuma prova de seu direito creditório, o qual estaria amparado em declaração de inconstitucionalidade, cuja ação teria transitado em julgado.” A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão PretoDRJ/RPO que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Data do fato gerador: 15/07/2008 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. MULTAS. CARÁTER CONFISCATÓRIO. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.910564/201359 Acórdão n.º 3801005.067 S3TE01 Fl. 5 4 A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicá las nos moldes da legislação que a instituiu. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. Perfeitamente cabível a exigência dos juros de mora calculados à taxa referencial do sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, conforme os ditames do art. 13 da Lei n° 9.065/95 e art. 61, § 3º, da Lei n° 9.430/96, uma vez que estas se coadunam com a norma hierarquicamente superior e reguladora da matéria: Código Tributário Nacional, art. 161, § 1º.” No recurso voluntário a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.910564/201359 Acórdão n.º 3801005.067 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão. A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. No mesmo quadro 3, consta que diante da inexistência do crédito não se homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento. Há, ainda, a informação de que para verificação de valores devedores e emissão de DARF, deveria ser consultado o endereço da internet “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na opção “eCAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação e de que houve desvio de finalidade. Por outro lado, a manifestação de inconformidade, a qual, por força do art. 74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicamse as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, demonstra que a contribuinte exerceu plenamente seu direito ao contraditório, sem nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa. Por estas razões, votase por negar provimento às alegações preliminares. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.910564/201359 Acórdão n.º 3801005.067 S3TE01 Fl. 7 6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme visto acima: i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo; ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido; iii) Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório; iv) Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. A recorrente limitouse a discorrer sobre o princípio da verdade material. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.910564/201359 Acórdão n.º 3801005.067 S3TE01 Fl. 8 7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Sobre multa e juros de mora Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos juros de mora e multa no presente caso. Cito: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.910564/201359 Acórdão n.º 3801005.067 S3TE01 Fl. 9 8 indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sendo devidos juros de mora e multa. A exigência do pagamento destes débitos não se submete a julgamento administrativo. Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo em casos excepcionais não presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, e do disposto no art. 26A da Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009. O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.910564/201359 Acórdão n.º 3801005.067 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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