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Numero do processo: 44000.002488/2005-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/08/2003
Ementa: DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula
Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
JUROS/SELIC
As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC,
nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91, e à multa moratória, artigo 35 da mesma Lei.
Numero da decisão: 2302-001.195
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da segunda
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria conceder provimento parcial quanto à preliminar de extinção do crédito, nos termos do voto da Relatora. O Conselheiro Arlindo Costa e Silva divergiu pois entendeu que deveria ter sido aplicado o artigo 173, inciso I do CTN. A Conselheira Vera Kempers de Moaraes Abreu divergiu pois entendeu que deveria ser aplicado o artigo 150, parágrafo 4 do CTN para todo o período.
Nome do relator: Adriana Sato
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 30/08/2003 Ementa: DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91, e à multa moratória, artigo 35 da mesma Lei.
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JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91, e à multa moratória, artigo 35 da mesma Lei. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por maioria conceder provimento parcial quanto à preliminar de extinção do crédito, nos termos do voto da Relatora. O Conselheiro Arlindo Costa e Silva divergiu pois entendeu que deveria ter sido aplicado o artigo 173, inciso I do CTN. A Conselheira Vera Kempers de Moaraes Abreu divergiu pois entendeu que deveria ser aplicado o artigo 150, parágrafo 4 do CTN para todo o período. Ausência momentânea de Wilson Antonio de Souza Correa e Manoel Coelho Arruda Junior. Marco André Ramos Vieira Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 44000.002488/200506 Acórdão n.º 2302001.195 S2C3T2 Fl. 2 2 Presidente Adriana Sato Relator Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 44000.002488/200506 Acórdão n.º 2302001.195 S2C3T2 Fl. 3 3 . Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada em 16/02/2005, cuja ciência da Recorrente ocorreu em 22/02/2005. De acordo com o Relatório Fiscal, a presente NFLD foi constituída por 12 (doze) levantamentos: AUG — PAGTO AUTÔNOMOS INCLUÍDOS EM GFIP: levantamento que referese a contribuições devidas e não recolhidas, incidentes sobre remunerações pagas pela Prefeitura Municipal de São José, por serviços prestados, aos segurados autônomos(até competência 11/1999) e contribuintes individuais(a partir da competência 11/1999). As remunerações e respectivas contribuições foram declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social — GFIP. Os elementos que serviram de base para a constituição do crédito previdenciário foram os Recibos de Pagamento e Notas Fiscais Avulsas acostadas junto aos empenhos relacionados no anexo I. AUF — PAGAMENTO AUTÔNOMOS FORA GFIP: levantamento refere se a contribuições devidas e não recolhidas, incidentes sobre remunerações pagas pela Prefeitura Municipal de São José, por serviços prestados, aos segurados autônomos(até competência 11/1999) e contribuintes individuais(a partir da competência 11/1999). As remunerações e respectivas contribuições não foram declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social — GFIP. Os elementos que serviram de base para a constituição do crédito previdenciário foram os Recibos de Pagamento e Notas Fiscais Avulsas acostadas junto aos empenhos. AUTÔNOMOS/C.INDIVIDUAL FUNDOS MUNICIPAIS: levantamento incidentes sobre remunerações pagas pelo Fundo Municipal de Saúde de São José(AFS), Fundo Municipal de Assistência Social(AFA), Fundo Municipal para a Infância e Adolescência(AFI) Fundo Municipal de Habitação(AUH) por serviços prestados aos segurados autônomos(até competência 11/1999) e contribuintes individuais(a partir da competência 11/1999). As remunerações e respectivas contribuições foram declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social — GFIP . Os elementos que serviram de base para a constituição do crédito previdenciário foram os Recibos de Pagamento e Notas Fiscais Avulsas acostadas junto aos empenhos relacionados no anexo III.. Os Fundos supramencionados não têm personalidade jurídica de direito público são meramente gestores de recurso financeiro, entretanto, possuem Notas de Empenhos distintas da Prefeitura Municipal. AXT AUX. TRANSPORTE: Levantamento incidente sobre as remunerações paga a título de Auxílio Transporte, apuradas conforme Folha de Pagamento, no período de 01/1999 a 0812003. O órgão Público deixou de recolher contribuição sobre estes pagamentos sob alegação de que tal rubrica não integra o saláriodecontribuição para fins de Previdência Social. Entretanto, a remuneração em tela, não encontra guarida nas hipóteses de excludência, prevista no parágrafo 90 do art. 28 da Lei n° 8.212/91, com alterações posteriores, notadamente porque tal auxílio é pago exclusivamente em pecúnia, vinculando apenas a alguns cargos/funções, caracterizando retribuição pelo trabalho. Somente, excluise da hipótese de Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 44000.002488/200506 Acórdão n.º 2302001.195 S2C3T2 Fl. 4 4 incidência para fins da Previdência Social, a parcela paga a título de valetransporte, desde que recebida pelo empregado na forma da legislação própria. Porém esta remuneração é paga em pecúnia, ferindo o Decreto n° 95.247, de 17/11/1987 (DOU de 18/11/1987), que instituiu o valetransporte, em seu artigo 5° retrotranscrito, que veda expressamente o pagamento em pecúnia, portanto, o pagamento em dinheiro terá sempre natureza salarial. A Prefeitura não efetuou os descontos dos segurados, porém, esta auditoria respaldada § 50 do art. 33 da Lei 8.212/91, levantou os respectivos valores aplicando o percentual mínimo de contribuição dos empregados sobre o valor total da rubrica. DIF — DIFERENÇA FOLHA/GFIP: Levantamento referente à diferença de base de cálculo resultante do confronto entre o saláriodecontribuição extraído das folhas de pagamento, com aquele apresentado pelo próprio contribuinte através de declaração em GFIP. Ao serem comparadas as remunerações constantes das folhas de pagamento dos segurados empregados com as informadas à Previdência Social, através da "GFIP — Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social" constatouse que a Prefeitura informou a menor a base de cálculo das contribuições previdenciárias em diversas competências, bem como não efetuou os devidos recolhimentos à Previdência Social sobre estas diferenças de base de cálculo. DIR — DIFERENÇA VALORES RECOLHIDOS: Diferença entre os valores devidos apurados conforme GFIP declarada pelo contribuinte e aqueles efetivamente recolhidos em documento de arrecadação apresentado. Ao serem apurados os valores das contribuições, calculados sobre as remunerações (basedecálculo) informadas à Previdência Social através da "GFIP" e considerados (deduzidos) os valores efetivamente recolhidos através de documentos próprios "GPS — Guias de Recolhimento da Previdência Social", foi constatado que a Prefeitura, em diversas competências, efetuou os recolhimentos a menor. EFE — FOLHA DE PAGAMENTO EFETIVOS: Levantamento incidente sobre a remunerações pagas aos servidores ocupante de cargo de provimento efetivo no período de 01/1999 a 04/2002, caracterizado por esta fiscalização como segurados empregados do Regime Geral de Previdência Social. O fato determinante da caracterização destes servidores como segurados obrigatório da Previdência Social foi a constatação de que os mesmos não estavam abrigados pelo sistema próprio de Previdência Social, haja vista que o do Estatuto dos Servidores Públicos do Município de São José, aprovado pela Lei Municipal n° 2.248/91, apenas contempla em seu art. 211, o direito a aposentadoria, inibindo aos dependentes o direito fundamental à pensão. RAT — RISCOS AMBIENTAIS: Levantamento referente às Contribuições devidas à SEGURIDADE SOCIAL pelo Município e não recolhidas nas épocas próprias, referente ao acréscimo percentual, estabelecido no § 6° do art. 57 da Lei n° 8.213/91, combinado com o art. 6° da Lei n°9.732/98, sobre a contribuição de que trata o inciso II do art. 22 da Lei n° 8.212/91, destinadas ao financiamento da Aposentadoria Especial dos segurados empregados deste órgão vinculados ao Regime Geral de Previdência Social RGPS. Inicialmente esta auditoria constatou que em alguns setores da Prefeitura, havia pagamento de adicional de insalubridades aos servidores vinculados ao RGPS. DAL — DIFERENÇA DE AC. LEGAIS: Levantamento referente a valores recolhidos pelo Município em atraso sem os devidos juros. A base de cálculo nos serviços de frete, carreto e transporte constante do citado anexo é de vinte por cento do valor bruto do serviço, percentual fixado pela Portaria n° Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 44000.002488/200506 Acórdão n.º 2302001.195 S2C3T2 Fl. 5 5 1.135, do Ministério da Previdência e Assistência Social, de 5 de abril de 2001, sendo aplicado para fatos geradores ocorridos desde 5 de julho de 2001, aplicandose até 4 de julho de 2001, o percentual de onze vírgula setenta e um por cento. A Recorrente apresentou impugnação tempestiva e fez um requerimento de dilação de prazo para juntada de documentos. A Seção de Análises indeferiu o pedido de dilação de prazo da Recorrente e a DN julgou o lançamento procedente. Em 06/06/2005 a Recorrente foi cientificada do indeferimento da dilação de prazo e da DN (fls.485). Inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário, alegando em síntese: decadência; o indeferimento da dilação de prazo para juntada de documentos cerceou o direito de defesa da Recorrente; o Fundo Municipal de Saúde de São José (AFS), o Fundo Municipal de Assistência Social (AFA), o Fundo Municipal para a Infância e Adolescência (AFI) e o Fundo Municipal de Habitação (AUH), foram criados por Lei Municipal (ns. 2.573/93, 2.866/95, 2.411/92 e 2.982/96), constituindose como entes de personalidade jurídica própria, tanto que possuem gestão e orçamento independentes. Do contrário, não teriam notas de empenho distintas do Município ora autuado, como restou constado pelo Sr. Auditor Fiscal, tornando, desta forma, o Município ora autuado parte ilegítima da sofrer notificação correspondente a supostos encargos previdenciários devidos pelos respectivos fundos. auxilio transporte não integra a remuneração; servidores ocupantes de cargo de provimento efetivo do Município de São José nunca estiveram desabrigados dos infortúnios advindos na constância da relação de trabalho; no âmbito da Administração Pública Municipal de São José, a concessão de adicional de insalubridade ocorre por meio de procedimento administrativo, a fim de evidenciar a presença dos requisitos exigidos pelo Estatuto do Servidor Público Municipal e pelas demais leis correlatas; os recolhimentos dos encargos previdenciários devidos pelo Município foram efetuados oportunamente, no dia 10 do mês subseqüente, não havendo razão para adicionar juros, consoante fez provar termo e o ofício n. 1820/9920.6010, datado de 23/12/99, que foi anexado quando da defesa inicial; ilegalidade da taxa selic. É o Relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 44000.002488/200506 Acórdão n.º 2302001.195 S2C3T2 Fl. 6 6 Voto Conselheiro Adriana Sato, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo a análise das questões suscitadas. Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 44000.002488/200506 Acórdão n.º 2302001.195 S2C3T2 Fl. 7 7 Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim sendo, independente de meu entendimento pessoal sobre a matéria, manifestado em meus votos anteriores, inclinome à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. Compulsando os autos, constatase através do Discriminativo Analítico do Débito que a recorrente não efetuou pagamento parcial de suas obrigações quanto aos levantamentos AUG — PAGTO AUTÔNOMOS INCLUÍDOS EM GFIP, AUF — PAGAMENTO AUTÔNOMOS FORA GFIP, AUTÔNOMOS/C.INDIVIDUAL FUNDOS MUNICIPAIS: AXT AUX. TRANSPORTE, EFE — FOLHA DE PAGAMENTO EFETIVOS, RAT — RISCOS AMBIENTAIS as quais se refere o lançamento. Daí, deve prevalecer a regra trazida pelo artigo 173, I do CTN. No que tange aos levantamentos DIF — DIFERENÇA FOLHA/GFIP, DIR — DIFERENÇA VALORES RECOLHIDOS, DAL — DIFERENÇA DE AC. LEGAIS a Recorrente efetuou pagamento parcial de suas obrigações, devendo prevalecer a regra trazida pelo artigo 150, parágrafo 4:do CTN. Assim sendo, tendo sido cientificado o recorrente do lançamento em 22/02/2005, ficam alcançadas pela decadência as contribuições até a competência 11/1999 os levantamentos AUG — PAGTO AUTÔNOMOS INCLUÍDOS EM GFIP, AUF — PAGAMENTO AUTÔNOMOS FORA GFIP, AXT AUX. TRANSPORTE, EFE — FOLHA Fl. 7DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 44000.002488/200506 Acórdão n.º 2302001.195 S2C3T2 Fl. 8 8 DE PAGAMENTO EFETIVOS, RAT — RISCOS AMBIENTAIS, e, até a competência 01/2000 os levantamentos DIF — DIFERENÇA FOLHA/GFIP, DIR — DIFERENÇA VALORES RECOLHIDOS, DAL — DIFERENÇA DE AC. LEGAIS. A alegação de cerceamento ao direito de defesa da Recorrente não merece prosperar haja vista que o pedido de dilação de prazo para juntada de documentos foi protocolado após a impugnação. Nesses casos, temos o disposto n art. 90 da Portaria/MPS n° 520/2004, em seus §§ 2° e 3°, que prevê: 2° A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. 3° Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pelo Conselho de Recursos da Previdência Social. No presente caso não houve cerceamento ao direito de defesa haja vista que a Recorrente poderia ter juntado os documentos, no entanto, não o fez até a presente data. No que tange ao levantamento AUTÔNOMOS/C.INDIVIDUAL FUNDOS MUNICIPAIS, temos que o Fundo Municipal de Saúde de São José (AFS), o Fundo Municipal de Assistência Social (AFA), o Fundo Municipal para a Infância e Adolescência (AFI) e o Fundo Municipal de Habitação (AUH), foram criados por Lei Municipal (ns. 2.573/93, 2.866/95, 2.411/92 e 2.982/96) mas não possuem personalidade jurídica pois são gestores de recurso financeiro, assim, a emissão de Notas de Empenho distinta da Prefeitura Municipal de São José não caracteriza a sua personalidade jurídica própria, não assistindo razão a Recorrente. No que tange ao auxílio transporte, razão não assiste a Recorrente, tendo em vista que somente está fora da incidência de contribuição previdenciária, a parcela paga ao servidor a título de valetransporte na forma da legislação própria — Decreto n° 95.247, de 17/11/1987 — que assim determina no art. 5°: "Art. 5° É vedado ao empregador substituir o ValeTransporte por antecipação em dinheiro ou qualquer outra forma de pagamento,ressalvado o disposto no parágrafo único deste artigo. Parágrafo único. No caso de falta ou insuficiência de estoque de ValeTransporte, necessário ao atendimento da demanda e ao funcionamento do sistema, o beneficiário será ressarcido pelo empregador, na folha de pagamento imediata, da parcela correspondente, quando tiver efetuado, por conta própria, a despesa para seu deslocamento." Os valores pagos a titulo de "auxíliotransporte" foram pagos aos servidores em espécie, diretamente por intermédio das folhas de pagamento mensais, beneficiando apenas Fl. 8DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 44000.002488/200506 Acórdão n.º 2302001.195 S2C3T2 Fl. 9 9 alguns cargos/funções, caracterizandose como retribuição pelo trabalho, devendo integrar o saláriodecontribuição para fins de incidência de contribuição previdenciária. Relativamente ao levantamento EFE — Folha de Pagamento Efetivos, no qual foram apuradas as contribuições patronais (20%), riscos ambientais do trabalho (1%), e dos segurados (8%), incidentes sobre as remunerações pagas aos servidores ocupantes de cargos de provimento efetivo, no período de 01/1999 a 04/2002, os quais foram enquadrados pela auditoria fiscal como segurados do Regime Geral de Previdência Social, em que pese os esforços expendidos pelo Impugnante em seu arrazoado, os mesmos não têm o poder de elidir o procedimento fiscal sob a alegação de que tais servidores estão amparados pelo sistema de previdência do Município de São José, nos termos do Estatuto dos Servidores Públicos, aprovado pela Lei n° 2.248/91, e pelo Estatuto do Magistério, criado pela Lei n° 2.761/95, comprovando com a juntada de cópias de vários decretos municipais de concessão de aposentadoria e fichas financeiras de aposentados e pensionistas, haja vista'que os diplomas legais antes citados apenas asseguram o direito a aposentadoria, , não contempla do os dependentes com o benefício da pensão por morte. A Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, que dispõe sobre a organização da Seguridade Social e instituiu o plano de custeio, assim define em seu artigo 13, com redação dada pela Lei 9876/99. "Art.13. O servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, bem como o das respectivas autarquias e fundações, são excluídos do Regime Geral de Previdência Social consubstanciado nesta Lei, desde que amparados por regime próprio de previdência social." O Regime próprio de previdência social, como mencionado no dispositivo legal acima transcrito, para ser considerado como tal, deve, necessariamente, preencher as condições mínimas de oferecer aos seus filiados os benefícios tratados no art. 40 da Constituição Federal de 1988, ou seja, as espécies de aposentadoria e pensão por morte. De acordo com o § 3° do art. 12 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, com as alterações do Decreto n° 3.452/00, entendese por regime próprio de previdência social o que assegura pelo menos as aposentadorias e pensão por morte previstas no art. 40 da Constituição Federal. Nesse sentido, é pressuposto para a existência de "regime próprio de previdência social" a garantia em lei federal, estadual, ou municipal, dos benefícios previdenciários básicos de aposentadoria e pensão, constitucionalmente assegurados ao servidor. A legislação municipal da Recorrente não assegurou aos servidores ocupantes de cargos de provimento efetivo, no período notificado, simultaneamente, os benefícios previdenciários mínimos, de aposentadoria e pensão por morte, obrigatórios para a concepção de regime próprio de previdência social, fato admitido pela própria Recorrente em sua defesa, merecendo mencionado levantamento ser mantido pelas razões aduzidas. No que tange a alegação da Recorrente quanto aos valores apurados a título de contribuição para o custeio da aposentadoria especial dos servidores vinculados ao Regime Fl. 9DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 44000.002488/200506 Acórdão n.º 2302001.195 S2C3T2 Fl. 10 10 Geral de Previdência Social — RGPS, temos que a exposição de servidores vinculados ao RGPS a agentes nocivos à saúde e integridade física, motivou o pedido, através de TIAD especifico do Laudo Técnico de Condições Ambientais do Trabalho — LTCAT e a falta de apresentação de mencionado documento caracterizou a condição aos empregados e contribuintes individuais. De acordo com o § 1° do art. 58 da Lei n° 8.213/91, com a redação dada pela Lei n° 9.732, de 11/12/1998: "A comprovação da efetiva exposição do segurado aos agentes nocivos será feita mediante formulário, na forma estabelecida pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, emitido pela empresa ou seu preposto, com base em laudo técnico de condições ambientais do trabalho expedido por médico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho nos termos da legislação trabalhista". Assim, devido a não comprovação dos segurados sob a efetiva exposição aos agentes nocivos, na forma da lei, não merece prosperar a alegação da Recorrente. No que tange a alegação da Recorrente quanto aos valores recolhidos pelo Município de São José sem os devidos acréscimos legais, temos que os documentos citados na defesa em nada comprovam em prol da Recorrente, verificandose por intermédio dos anexos da notificação: "RADA — Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados e DAL — Diferença de Acréscimos Legais, que vários recolhimentos foram realizados sim fora do prazo legal, não merecendo também prosperar a alegação da Recorrente. Insurgese a recorrente contra a aplicação da taxa SELIC ao argumento de que seria ilegal. Registrese, porque importante, que a legislação de regência, sobretudo a Lei nº 8.212/91, afasta literalmente os argumentos erguidos pelo recorrente. De fato, as contribuições sociais arrecadadas estão sujeitas à incidência da taxa referencial SELIC Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo 34 da Lei nº 8.212/91: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) A propósito, convém mencionar que o Segundo Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula nº 03, nos seguintes termos: SÚMULA Nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 44000.002488/200506 Acórdão n.º 2302001.195 S2C3T2 Fl. 11 11 Nesse contexto, correta a aplicação da taxa SELIC como juros de mora, com fulcro no artigo 34 da Lei nº 8.212/91. Por todo exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir as parcelas abrangidas pela decadência. Adriana Sato Fl. 11DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 19647.004722/2005-89
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano calendário:2002
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE.
Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que
jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1801-000.488
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para se pronunciar sobre os valores dos créditos pleiteados nas Declarações de Compensação, nos termos do voto da relatora.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para se pronunciar sobre os valores dos créditos pleiteados nas Declarações de Compensação, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Fl. 137DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 2 ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmem Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Diniz Raposo e Silva, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata o presente processo de PERDCOMP eletrônicos (fls. 01/10), transmitidos em março de 2004, pelos quais pretende a interessada a compensação de débitos de estimativas de IRPJ e de CSLL e de PIS e COFINS, todos devidos nos anoscalendário 2004, com direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ apurada no mês de agosto de 2002 (recolhimento em setembro/2002), no valor de R$ 452.073,19, baixados para tratamento manual neste processo. Analisando o pleito a DRF em Recife/PE, após diligências realizadas, concluiu pela inexistência do crédito apontado, razão pela qual pelo Despacho Decisório de fl. 17 não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações, ao fundamento de que, de acordo com o disposto no artigo 10 da IN SRF n°. 600, de 2005, a pessoa jurídica somente poderia utilizar o valor pago indevidamente ou a maior a título de estimativa mensal, ao final do período de apuração em que houve o referido pagamento, para dedução do valor do IRPJ devido ou para compor o saldo negativo porventura apurado. A empresa TIM Nordeste S/A, CNPJ n° 01.009.686/000144, sucessora da Telasa Celular S/A, apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: a) que o art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005, não tem amparo legal, já que a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não prevê a restrição nele estabelecida e adotada na decisão da DRF/Recife e que quando da realização das compensações ainda não existia a regra do art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005; b) se não fosse realizada a compensação do IRPJ recolhido a maior haveria saldo negativo ao final do ano. Terseia, então, no máximo um problema de inobservância de exercício, vez que o saldo negativo seria passível de compensação a partir do final do ano de 2002; Fl. 138DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.004722/200589 Acórdão n.º 180100.488 S1TE01 Fl. 116 3 c) possivelmente a decisão supôs, em virtude do lançamento que deu origem ao processo n° 19647.009690/200699, que não haveria saldo negativo ao final do ano calendário 2002. Nessa hipótese, o julgamento da manifestação de inconformidade ficaria na dependência da decisão adotada nos autos do mencionado processo; d) que o despacho decisório decorre da revisão de oficio havida nos autos do processo n° 19647.009690/200699 e que dessa revisão teria decorrido aumento do crédito tributário original, em afronta aos arts. 145 a 149 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Apreciando o litígio a 3a. Turma da DRJ em Recife/PE, por meio do Acórdão 1127.101 (fls. 68/77 ) indeferiu a manifestação de inconformidade. Aquela autoridade observou, inicialmente, que as argüições de ilegalidade do art. 10 da IN SRF n°. 600, de 2005, não poderiam ser apreciadas no âmbito do julgamento administrativo e que a vedação contida no referido comando legal há havia sido consignada na IN SRF n°. 460, de 2004. Apoiandose nas disposições dos artigos 2o. e 6o. da Lei n°. 9.430, de 1996; artigos 3o., 9o. e 10 da IN SRF n°. 93, de 1997 e Ato Declaratório Normativo SRF n°. 003, de 2000, consignou que as estimativas mensais não seriam passíveis de restituição a esse título, pois constituiriam mera antecipação do tributo devido ao final do anocalendário e que somente seria passível de restituição e de aproveitamento em compensações o saldo negativo porventura apurado ao final do período. Assim, o excesso porventura pago a título de estimativas mensais somente poderia ser utilizado na dedução do imposto devido ou na composição do saldo negativo. Rejeitou a afirmação da contribuinte no sentido de que, não fosse realizada a compensação do imposto pago a maior em setembro de 2002, haveria saldo negativo ao final do ano, pois, ainda que fosse apurado o saldo negativo, deveria a interessada apresentar DCOMP para sua utilização que seria apreciada pela autoridade administrativa competente para averiguação da efetiva existência do saldo negativo declarado e, sendo caso, reconhecimento do direito creditório reclamado. Tal discussão, contudo, seria estranha aos autos vez que o direito creditório pleiteado se referiria a pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ. Esclareceu, ainda, que se o saldo negativo do imposto foi incorretamente declarado a menor em DIPJ, seria da competência do sujeito passivo proceder à sua retificação, observadas as normas pertinentes à matéria. Quanto ao processo n° 19647.0096901200699, esclareceu: 28. Alega a impugnante que a decisão atacada teria sido decorrente da revisão de oficio havida nos autos do processo administrativo n° 19647.009690/200699. O argumento é equivocado, como passo a expor. 29. Naquele processo, de exigência de crédito tributário, verificouse, entre outras infrações, a dedução indevida das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, que haviam sido objeto de compensação indevida. Em conseqüência das glosas, foram lavrados autos de infração para cobrança dos tributos ao final dos anos calendário e da multa isolada pela falta das antecipações mensais. 30. Ocorre que, como as compensações haviam sido declaradas em DCOMPs que constituíam confissão de dívida, tinhase por aplicável o entendimento esposado Fl. 139DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 4 pela Coordenação Geral de Tributação através da Solução de Consulta Interna Cosit n° 18, de 13 de outubro de 2006, segundo o qual não cabe a glosa das estimativas, devendo os débitos ser cobrados com base em DCOMP. Como a referida solução de consulta foi posterior à lavratura dos autos de infração, foram os lançamentos revistos de oficio, reduzindo o crédito tributário antes exigido. 32. Portanto, diversamente do que esgrime a defesa, o processo n° 19647.009690/200699 é que foi influenciado por este, e não o contrário. É através do presente processo que os débitos das estimativas não homologadas serão cobrados, razão pela qual reduziuse o lançamento objeto daquele outro processo. O não reconhecimento do direito creditório discutido nestes autos em nada decorreu do processo n° 19647.009690/200699 nem da Solução de Consulta Interna Cosit n° 18, de 2006, e os débitos que serão cobrados por via do presente processo são rigorosamente aqueles espontaneamente declarados pela contribuinte nas DCOMPs. Não sofreram, por conseguinte, nenhuma modificação em virtude do processo n° 19647.009690/200699, não havendo falar em ofensa aos arts. 145, 146 e 149 do CTN. Intimada da decisão, em 31/08/2009 (AR à fl. 113) a interessada apresentou, em 18/09/2009, o Recurso Voluntário de fls. 79 a 94. Em suas razões de defesa informa, inicialmente, que o presente processo seria decorrente de revisão de ofício em lançamento efetuado no âmbito dos autos n° 19647.009690/200699, especificamente em itens que trataram de (i) deduções indevidas no ajuste anual de antecipações de IRPJ e de CSLL não comprovadas e (ii) imposição de multa isolada por falta de pagamento de IRPJ e de CSLL devidos por estimativa mensal, revisão essa que não teria sido devidamente fundamentada, o que impedia a adequada defesa. Assim, teria sido intimada, em março de 2007, de um Relatório de Informação Fiscal, datado de 13.12.2006, no qual os fiscais responsáveis pela revisão de ofício informaram que tomaram conhecimento de uma solução de consulta interna da Receita Federal (de n° 18/06), a qual previa metodologia de cálculo diferente da que havia sido adotada por eles quando da fiscalização, razão pela qual alguns valores teriam sido excluídos do processo n° 19647.009690/200699, e passaram a ser tratados em processos específicos, dentre os quais o presente processo de compensação. Reafirma que a previsão contida no artigo 10 da IN SRF n°. 600, de 2005, não teria amparo legal. Todas as vedações atinentes à compensação teriam sido expressamente previstas no artigo 74 da Lei n°. 9.430, de 1996, assim como as compensações consideradas não declaradas, não se encontrando, em nenhuma delas, a referência ao recolhimento indevido ou a maior a título de estimativas mensais e que o disciplinamento do instituto pela Receita Federal não poderia levar ao estabelecimento de novas vedações não previstas na Lei. Observou que os comandos normativos citados pela autoridade julgadora da DRJ que tratariam da referida vedação em verdade cuidariam da forma de pagamento do imposto calculado por estimativa e não de compensação, o que foi disciplinado unicamente pelo artigo 74 da Lei n°. 9.430, de 1996. Assim, o procedimento adotado guardaria consonância também com o quanto disciplinado pelo § 1°, II, do artigo 6° da Lei n° 9.430/96, na medida em que teria havido o recolhimento a maior de IRPJ em outubro de 2002, portanto, passível de restituição, e que foi compensado com débitos de tributos federais de períodos posteriores. Reafirmou que ainda que se considere a sua legalidade, à época da formalização das compensações declaradas não vigoravam as disposições do artigo 10 da IN SRF n° 600, de 2005, vigendo, à época, a IN SRF n°. 210, de 2002, que não trazia tal vedação Fl. 140DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.004722/200589 Acórdão n.º 180100.488 S1TE01 Fl. 117 5 em seu bojo. A DRJ teria, assim, aplicado retroativamente dispositivo normativo a fim de restringir seu direito, violando disposições legais e constitucionais, pois tal comando não teria o escopo de dar interpretação mas unicamente de inserir novas regras restritivas ao sistema de compensação. Reproduz as alegações de vinculação destes autos ao processo de n° 19647.009690/200699 e de indevida revisão de ofício no lançamento perpetrado naqueles autos. Ao final pede pela reforma daquele decisum. Após a leitura do relatório em sessão de julgamento, fez sustentação oral pela empresa a Dra. Lenisa P. Matos, OAB/DF n°. 21.698. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Preliminar. LIMITES DO LITÍGIO. Delimitandose o presente litígio cumpre consignar que a DRJ em Recife/PE esclareceu que o presente processo, que trata de Declarações de Compensação, não decorre dos autos do processo administrativo n° 19647.009690/200699.É facilmente possível confirmar o fato já que este processo data de 2005 enquanto aquele foi formalizado no ano de 2006, posteriormente, portanto. Não é possível, assim, que este processo seja decorrente daquele. Ademais, enquanto o processo de n° 19647.009690/200699 trata de lançamento de ofício decorrente de procedimento de fiscalização direta, estes autos tratam de declarações de compensação transmitidas eletronicamente e que foram baixadas para tratamento manual neste processo e o único fundamento alegado pela DRF para indeferir o pedido de homologação foi a inexistência de crédito do contribuinte que pudesse ser utilizado para compensar com débitos próprios, pois, conforme preceitua o artigo 10 da IN SRF n° 600/05, eventual valor pago a maior a título de estimativa mensal somente poderia vir a ser utilizado ao final do período de apuração, para dedução do valor do imposto afinal devido ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. Portanto, as argüições contra a revisão de ofício praticada no âmbito do processo administrativo n° 19647.009690/200699, que trata de lançamento de ofício para Fl. 141DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 6 exigência de crédito tributário são alheias ao presente feito e devem ser tratadas unicamente no âmbito daqueles autos, razão pela qual deixo de tomar conhecimento de tais alegações. Mérito A questão que se coloca para análise nestes autos se refere à possibilidade de haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais no curso do anocalendário e, havendo tal possibilidade, se isto geraria um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação. Nesse sentido registro que a questão é tormentosa e não se encontra pacificada neste Órgão Colegiado. Muito longe disso, há divergências inúmeras acerca da questão. Há aqueles que comungam do entendimento esposado pelas autoridades administrativas da DRF e DRJ, consignado nas decisões proferidas nestes autos, no sentido de que para as pessoas jurídicas tributadas com base nas regras do lucro real, o crédito ou o débito decorrente do confronto do pagamento das estimativas, de que trata o artigo 2° da Lei n° 9.430, de 1996, com o valor devido a título de IRPJ e CSLL, só seria apurado em 31 de dezembro de cada anocalendário. Antes do encerramento do anocalendário não haveria, pois, que se falar em tributo a restituir, já que até o último momento poderiam ocorrer eventos que viriam a alterar o quantum devido a título de IRPJ e CSLL. Assim, partindo da premissa de que o fato gerador do imposto de renda e da contribuição social para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real somente se concretizaria no final de cada anocalendário, seria a partir deste evento que se encontraria o saldo do imposto a pagar ou a recuperar, nos termos do artigo 6º, § 1°, I e II, da Lei nº. 9.430, de 1996: Art. 6° .... § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. Por conta dessa interpretação não haveria que se falar em fluência de juros a partir do recolhimento indevido da estimativa, mas, somente a partir do mês subseqüente do anocalendário seguinte, dado que a geração do indébito somente ocorreria em 31/12 de cada ano, com o surgimento do saldo negativo de IRPJ ou de CSLL. A interpretação é válida e encontra robustos fundamentos. Ao afastar entendimentos contrários no sentido de que o artigo 74 da Lei n°. 9.430, de 1996, que regula a compensação, ao se referir as vedações, não dispôs expressamente acerca de qualquer restrição à compensação de estimativas pagas a maior ou indevidamente, essa corrente teoriza o entendimento de que não haveria necessidade de se inserir dispositivo específico nessa sentido, pois se estaria a registrar o óbvio já previsto na própria legislação que regulamenta a apuração e o pagamento de estimativas mensais. Nesse contexto, em relação às críticas quanto às restrições contidas em atos normativos infralegais, como por exemplo, o discutido artigo 10 da IN SRF n°. 600, de 2005 (também previsto na IN SRF n° 460, de 2004), destacam que tais normas administrativas não Fl. 142DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.004722/200589 Acórdão n.º 180100.488 S1TE01 Fl. 118 7 se prestariam a criar, modificar ou extinguir direitos, mas sim disciplinar ou regulamentar o exercício de prerrogativas previstas em Lei, esta em sentido formal. Seria possível, assim, fazer referência a um ato administrativo subseqüente em relação à situação pretérita, desde que a situação fosse prevista em lei. Esta relatora por muito tempo comungou desse entendimento. Mas, se o próprio Direito é dinâmico, que se dirá a respeito de posições doutrinárias. Assim, surgem interpretações em outros sentidos, também apoiadas em fortes e sólidos argumentos. Depois de refletir sobre o assunto e sobre os posicionamentos doutrinários estudados, passo a fazer minhas considerações. Nesse sentido peço permissão para reproduzir as palavras da Ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa, proferidas em recentes julgados nesta 1a. Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que há muito tempo vem estudando o tema com profundidade. Cumpre ressaltar, assim, que é certo que a legislação consolidada no Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 (art. 895) autoriza a Receita Federal a expedir instruções necessárias à efetivação de compensação pelos contribuintes. No mesmo sentido veio também redigido o §5o incluído no art. 74 da Lei nº. 9.430/96, pela Medida Provisória nº. 66/2002, atualmente transportado para o § 14 desde a edição da Lei nº. 11.051/2004: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº. 11.051, de 2004) E este poder normativo pode se materializar tanto no âmbito da definição de procedimentos operacionais, como na fixação de restrições materiais já presentes na lei que estabelece a incidência tributária ou concede benefícios fiscais. Contudo, ao operar sob este segundo direcionamento, temse a dita eficácia retroativa da norma interpretativa, que se verifica ainda que a Administração Tributária assim não a declare expressamente. Relativamente aos indébitos de estimativas, não há como tratar a restrição inserta a partir da Instrução Normativa SRF nº. 460/2004 como procedimental. Não se vislumbra espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Poderia se cogitar de tal possibilidade em razão destes recolhimentos não se constituírem, propriamente, em pagamentos, na medida em que não extinguem uma obrigação tributária principal, aproximandose, mais, de obrigações acessórias impostas aos contribuintes Fl. 143DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 8 que optam pela apuração anual do lucro real e da base de cálculo da CSLL, para não se sujeitar à regra geral de apuração trimestral destas bases de cálculo. Esta interpretação, porém, exigiria que a Administração Tributária se posicionasse contrariamente à formação de indébitos de estimativas a qualquer tempo, e não apenas na vigência das Instruções Normativas que veicularam a dita proibição. Neste aspecto, relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF nº. 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB nº 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Assim, as antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF nº. 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei Nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei Nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei Nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de Fl. 144DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.004722/200589 Acórdão n.º 180100.488 S1TE01 Fl. 119 9 apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. EVERARDO MACIEL Entretanto, a própria Receita Federal mudou seu entendimento, ao suprimir parte da redação do dispositivo, quando da edição da IN RFB nº. 900, de 2009, como se verifica a seguir: Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Não é por demais relembrar que o artigo 74 da Lei nº. 9.430, de 1996, já previu, expressamente os casos em que é vedada a compensação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Fl. 145DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 10 Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. É verdade que, pela Medida Provisória n° 449, de 3 de dezembro de 2008, se procurou acrescentar novas restrições à compensação, por meio da inserção dos incisos VII a IX, ao § 3° do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996, dentre elas a compensação de indébitos de estimativas. Seria essa a redação: Art. 29. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Artigo 74. (...).....(...) (...).(...) § 3º (...)....(...)....(...) (...) VII os débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); VIII os débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 1988; e IX os débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL apurados na forma do art. 2º. (...) § 12. (...) (...) Entretanto, na conversão da referida MP 449, de 2008, na Lei no. 11.941, de 2009, não se manteve a alteração acima: Lei n°. 11.941, de 27 de maio de 2009 (fruto da conversão da MP 449/2008): Art. 30. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Artigo 74. (...) (...) § 12. (...) (...) Portanto, não foi da vontade do legislador vedar a compensação de indébitos de estimativas de IRPJ e de CSLL. É verdade que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos Fl. 146DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.004722/200589 Acórdão n.º 180100.488 S1TE01 Fl. 120 11 desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei nº. 9.430/96, observase que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB nº. 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. De outro giro é possível interpretar, também, que a Lei nº. 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art. 2o: Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº. 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº. 9.065, de 20 de junho de 1995. §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (destacou se) Diante deste contexto, temse que as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual do IRPJ – já que o recolhimento efetuado a maior Fl. 147DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 12 não observou o regramento acima, posto que feito a maior que o devido e o crédito daí decorrente, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, evidentemente sem a dedução das parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis. Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não se vislumbra, ante o contexto exposto, obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do ano calendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4o da Lei nº. 9.250/95 c/c art. 73 da Lei nº. 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, interpretandose que somente as estimativas devidas na forma da Lei nº. 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, concluise que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, frisese, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não é admissível que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas menores com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. O art. 35 da Lei nº. 8.981, de 1995, referenciado no art. 2o da Lei nº. 9.430, de 1996, assim dispõe acerca dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução de estimativas: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. Fl. 148DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.004722/200589 Acórdão n.º 180100.488 S1TE01 Fl. 121 13 § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto no parágrafo anterior. E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF nº. 51, de 31 de outubro de 1995, especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso (art. 12), é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. II reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. § 1º A diferença verificada, correspondente ao imposto de renda pago a maior, no período abrangido pelo balanço de suspensão, não poderá ser utilizada para reduzir o montante do imposto devido em meses subseqüentes do mesmo anocalendário, calculado com base nas regras previstas nos arts. 3º a 6º. § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo ano calendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. [...] Art. 12. Para os efeitos do disposto no art. 10: [...] § 1º O resultado do período em curso deverá ser ajustado por todas as adições determinadas e exclusões e compensações admitidas pela legislação do imposto de renda, observado o disposto nos arts. 25 a 27. § 2º O disposto no parágrafo anterior alcança, inclusive, o ajuste relativo ao diferimento do lucro inflacionário não realizado do período em curso, observados os critérios para sua realização. Fl. 149DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 14 § 3º Para fins de determinação do resultado, a pessoa jurídica deverá promover, ao final de cada período de apuração, levantamento e avaliação de seus estoques, segundo a legislação específica, dispensada a escrituração do livro "Registro de Inventário". § 4º A pessoa jurídica que possuir registro permanente de estoques, integrado e coordenado com a contabilidade, somente estará obrigada a ajustar os saldos contábeis, pelo confronto com a contagem física, ao final do anocalendário ou do encerramento do período de apuração, nos casos de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividade. § 5º O balanço ou balancete, para efeito de determinação do resultado do período em curso, será: a) levantado com observância das disposições contidas nas leis comerciais e fiscais; b) transcrito no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. § 6º Os balanços ou balancetes somente produzirão efeitos para fins de determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, devidos no decorrer do ano calendário. [...] Art. 14. A demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes a que se referem os arts. 10 a 13, deverá ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, observandose o seguinte: I a cada balanço ou balancete levantado para fins de suspensão ou redução do imposto de renda, o contribuinte deverá determinar um novo lucro real para o período em curso, desconsiderando aqueles apurados em meses anteriores do mesmo anocalendário. II as adições, exclusões e compensações, computadas na apuração do lucro real correspondentes aos balanços ou balancetes, deverão constar, discriminadamente, na Parte A do LALUR, para fins de elaboração da demonstração do lucro real do período em curso, não cabendo nenhum registro na Parte B do referido Livro. Destaquese, ainda, que não há indébitos quando, após efetuar recolhimentos estimados com base na receita bruta, o contribuinte passa a suspendêlos ou reduzilos por meio dos balancetes, demonstrando que o valor do imposto/contribuição já pago, ou o somatório dele com a estimativa do mês, supera o devido com base no lucro real (balancetes suspensão/redução). As únicas alternativas no curso do ano calendário são: pagar com base na receita bruta, reduzir esse valor com base no balancete ou suspender o pagamento com base também em balancete. Ou seja, se o valor pago no decorrer do período superar o devido com base em balancete de suspensão/redução, o máximo efeito que o contribuinte pode extrair dos referidos balancetes é deixar de pagar o tributo, até que ele se torne novamente devido, seja Fl. 150DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.004722/200589 Acórdão n.º 180100.488 S1TE01 Fl. 122 15 pela mera apuração da estimativa com base na receita bruta, seja com base no lucro acumulado em balancetes de redução. Logo, o pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. Neste sentido, aliás, já se manifestou a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Divisão de Tributação da 9a Região Fiscal, ao publicar a Solução de Consulta no 285/2009, em resposta ao questionamento formulado nos autos do processo administrativo no 10909.000244/200969: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do ano calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com devido a contribuição devida a partir do mês de janeiro do ano calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. No presente caso, a contribuinte alega que errou ao apurar e pagar a estimativa de IRPJ relativa ao mês de agosto de 2002, em valor maior que o devido, e assim apontou o indébito de R$ 452.073,19, para compensações com outros tributos, posteriormente, inclusive, à apuração do ajuste anual em 31/12/2002, já que as DCOMP foram formalizadas em março de 2004. Fl. 151DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 16 Entretanto, há notícias nos autos que os recolhimentos a maior a título de estimativas (de IRPJ e de CSLL), cujo indébito é pleiteado nestes autos a título de direito creditório – especificamente nestes autos o indébito de estimativa de IRPJ foram aproveitados como dedução e compuseram o saldo final do tributo – IRPJ ou CSLL – apurado, ao final do período de apuração, em 31/12/2002, em procedimento fiscal de revisão de ofício de lançamento. Dito de outra forma, o valor aqui pleiteado já teria sido reconhecido pela auditoria fiscal, na revisão de ofício, e aproveitado nas antecipações a título de estimativas, servindo como dedução ou compondo o tributo ao final apurado. Por relevante, transcrevo o teor do item “6” do Relatório de Informação Fiscal relativo ao processo n° 19647.009690/200699, cuja cópia encontrase acostada às fls. 96 a 100: “6. Os pagamentos de est imativa mensal de IRPJ e da CSLL indevidos ou a maior foram aproveitados (nesta revisão) no ajuste anual, respectivamente, para dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devidos no anocalendário em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo do período, conforme art. 10 da IN N."600/2005. . . .” Imperioso, portanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido, seja na apuração da estimativa com base em receita bruta, seja com base em balancete de suspensão/redução, a sua adequação para a formação do indébito de R$ 428.952,08 e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação do IRPJ devido no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, em verdade, o fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 152DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.004722/200589 Acórdão n.º 180100.488 S1TE01 Fl. 123 17 Fl. 153DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES
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Numero do processo: 13982.001059/2009-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/2006 a 31/03/2007
PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91.
Constitui fato gerador de multa, por descumprimento de obrigação acessória, apresentar o contribuinte à fiscalização Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP
com omissão de fatos geradores de todas contribuições previdenciárias.
MULTA/PENALIDADE. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS BENÉFICA.
RETROATIVIDADE. NECESSIDADE VERIFICAÇÃO COM A NOVA FORMA DE CÁLCULO. PROCEDIMENTO ADOTADO JULGADOR RECORRIDO. Aplica-se
ao lançamento legislação posterior à sua lavratura que comine penalidade mais branda, nos termos do artigo 106, inciso II,
alínea “c”, do Código Tributário Nacional, impondo seja procedido
comparativo das multas a serem imputadas, de conformidade com as normas aplicáveis, se a legislação pretérita ou a Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, de maneira a verificar qual se apresenta mais benéfica ao contribuinte, procedimento já devidamente adotado pelo
julgador de primeira instância.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-001.931
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2006 a 31/03/2007 PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa, por descumprimento de obrigação acessória, apresentar o contribuinte à fiscalização Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com omissão de fatos geradores de todas contribuições previdenciárias. MULTA/PENALIDADE. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS BENÉFICA. RETROATIVIDADE. NECESSIDADE VERIFICAÇÃO COM A NOVA FORMA DE CÁLCULO. PROCEDIMENTO ADOTADO JULGADOR RECORRIDO. Aplicase ao lançamento legislação posterior à sua lavratura que comine penalidade mais branda, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, impondo seja procedido comparativo das multas a serem imputadas, de conformidade com as normas aplicáveis, se a legislação pretérita ou a Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, de maneira a verificar qual se apresenta mais benéfica ao contribuinte, procedimento já devidamente adotado pelo julgador de primeira instância. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Fl. 89DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 09/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE OL 2 Elias Sampaio Freire Presidente. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Walter Murilo Melo Andrade, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araujo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausentes os Conselheiros Cleusa Vieira de Souza e Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 90DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 09/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE OL Processo nº 13982.001059/200905 Acórdão n.º 2401001.931 S2C4T1 Fl. 89 3 Relatório KADE ENGENHARIA E CONSTRUÇÃO LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 5a Turma da DRJ em Florianópolis/SC, Acórdão nº 07 19.571/2010, às fls. 66/73, que julgou procedente em parte a autuação fiscal lavrada contra a empresa, nos termos do artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, por ter apresentado GFIP’s com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, mais precisamente deixando de informar as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais, em relação ao período de 08/2006 a 03/2007, conforme Relatório Fiscal da Infração, às fls. 06/07, e demais documentos constantes dos autos. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 17/09/2009, nos moldes do artigo 293 do RPS, contra a contribuinte acima identificada, constituindose multa no valor de R$ 66.459,00 (Sessenta e seis mil e quatrocentos e cinqüenta e nove reais), com base nos artigos 284, inciso II, e 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, c/c artigo 32, § 5º, da Lei nº 8.212/91. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 79/84, procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Contrapõese à exigência fiscal sub examine, especialmente quanto à forma de cálculo da multa aplicada, aduzindo para tanto que com a edição da Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, o artigo 32, § 5°, da Lei n° 8.212/91 fora revogado, dando lugar à fixação de penalidade mais benéfica ao contribuinte. Na esteira desse entendimento, requer seja adotada a legislação hodierna, mais precisamente o artigo 32A, inciso I, da Lei n° 8.212/91, de maneira a ensejar o recálculo da multa, em observância à retroatividade benigna prescrita no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, bem como à jurisprudência administrativa. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 91DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 09/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE OL 4 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. De conformidade com a peça vestibular do feito, a lavratura do presente auto de infração se deu em virtude da contribuinte ter deixado de informar em GFIP’s a integralidade dos fatos geradores das contribuições previdenciárias, mais precisamente as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, relativamente ao período de 08/2006 a 03/2007. Nesse contexto, a contribuinte foi autuada, com fundamento no artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, ensejando a constituição do presente crédito previdenciário decorrente da aplicação da multa calculada com arrimo no artigo 284, inciso II, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, que assim prescreviam: “Lei 8.212/91 Art. 32. A empresa também é obrigada: [...] IV – informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. [...] § 5° A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior.” “Regulamento da Previdência Social Art. 284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: [...] II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração Fl. 92DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 09/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE OL Processo nº 13982.001059/200905 Acórdão n.º 2401001.931 S2C4T1 Fl. 90 5 cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras;” Verificase que, de acordo com o Relatório Fiscal, a recorrente não apresentou a documentação e/ou informações exigidas pela fiscalização na forma que determina a legislação previdenciária, incorrendo na infração prevista nos dispositivos legais supracitados, o que ensejou a aplicação da multa, nos termos do Regulamento da Previdência Social, como procedeu, corretamente, a fiscal autuante. Em suas razões de recurso, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve parte substancial da exigência fiscal, argumentando que a Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n° 8.212/91, revogou os preceitos do artigo 32, § 5°, da Lei n° 8.212/91, estabelecendo nova forma do cálculo da multa ora exigida, impondo seja aplicada referida legislação, em observância ao artigo 106, inciso II, alínea “c”, da Lei n° 8.212/91, em face da retroatividade benigna. A fazer prevalecer seu entendimento, requer seja recalculada a multa com arrimo no artigo 32A, inciso I, da Lei n° 8.212/91, de maneira a exigir tão somente o valor de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 informações omitidas em GFIP. Consoante se positiva das normas legais que regulamentam a matéria, em tese, a argumentação da contribuinte merece acolhimento. Destarte, em que pese à procedência do lançamento em seu mérito, mister destacar que posteriormente à lavratura do Auto de Infração fora publicada a Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, trazendo nova redação ao artigo 32 da Lei nº 8.212/91, acrescentando, ainda, o artigo 32A àquele Diploma Legal, estabelecendo nova forma do cálculo da multa ora exigida e, bem assim, determinando a exclusão da multa de mora do artigo 35 da Lei nº 8.212/91, com a conseqüente aplicação das multas constantes da Lei nº 9.430/96, senão vejamos: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; III – prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e Fl. 93DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 09/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE OL 6 valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o A declaração de que trata o inciso IV do caput deste artigo constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 7o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 8o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 9o A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV do caput deste artigo ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicandose, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A desta Lei. § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV do caput deste artigo impede a expedição da certidão de prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia Fl. 94DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 09/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE OL Processo nº 13982.001059/200905 Acórdão n.º 2401001.931 S2C4T1 Fl. 91 7 seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). [...] Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009).” Partindo dessa premissa, em face da legislação posterior contemplando penalidades mais benéficas para o mesmo fato gerador, impõese à aplicação desse novo calculo da multa, em observância ao disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, que assim prescreve: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” (grifamos) Fl. 95DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 09/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE OL 8 Antes mesmo de contemplar as razões meritórias, mister analisarmos o disposto no artigo 113 do Código Tributário Nacional, o qual determina que as obrigações tributárias são divididas em duas espécies, principal e obrigação acessória. A primeira diz respeito à ocorrência do fato gerador do tributo em si, por exemplo, recolher ou não o tributo propriamente dito, extinguindo juntamente com o crédito decorrente. Por outro lado, a obrigação acessória, relacionase às prestações positivas ou negativas, constantes da legislação de regência de interesse da arrecadação ou fiscalização tributária, sendo exemplo de seu descumprimento deixar a contribuinte de informar em GFIP a totalidade dos fatos geradores das contribuições previdenciárias, situação que se amolda ao caso sub examine. Após a unificação das Secretarias das Receitas Previdenciária e Federal, em Receita Federal do Brasil (“Super Receita”), as contribuições previdenciárias passaram a ser administradas pela RFB que, em curto lapso temporal, compatibilizou os procedimentos fiscalizatórios e, por conseguinte, de constituição de créditos tributários, estabelecendo, igualmente, para os tributos em epígrafe multas de ofício a serem aplicadas em observância à Lei n° 9.430/1996, conforme alterações na legislação introduzidas pela Lei nº 11.941/2009. Como se observa, a nova legislação, de fato, contemplou nova formula de cálculo de aludidas multas que, em suma, podemos assim definir: 1) Na hipótese do descumprimento de obrigações acessórias ocorrer de maneira isolada (p.ex. tão somente deixar de informar a totalidade dos fatos geradores em GFIP), com a ocorrência da observância da obrigação principal (pagamento do tributo devido), aplicarseá para o cálculo da multa o artigo 32A da Lei n° 8.212/91; 2) Por seu turno, quando o contribuinte, além de inobservar as obrigações acessórias, também deixar de recolher o tributo correspondente, a multa a ser aplicada deverá obedecer aos ditames do artigo 35A da Lei n° 8.212/91, que remete ao artigo 44 da Lei n° 9.430/96, determinando a aplicação de multa de ofício de 75%; Não obstante parecer simples, aludida matéria encontrase distante de remansoso desfecho. Isto porque, a legislação anterior apartava as autuações por descumprimento de obrigações acessórias das notificações fiscais (NFLD) decorrentes de inobservância das obrigações principais, levando a efeito multas distintas, inclusive, no segundo caso, com aplicação de multa de mora variável no decorrer do tempo (fases processuais). Assim, com a introdução de novas formas de cálculo da multa, nos casos de descumprimento de obrigações tributárias (principal e acessória), os lançamentos pretéritos, bem como aqueles mais recentes que abarcam fatos geradores relacionados a período anterior a referida alteração, tiveram que ser reanalisados com a finalidade de se verificar a melhor modalidade do cálculo da penalidade e, se mais benéfico, aplicálo. Na hipótese dos autos, conforme se extrai do próprio Relatório Fiscal da Infração, notadamente item 2, às fls. 07, a autoridade lançadora já procedeu ao devido exame do cálculo mais benéfico à contribuinte, concluindo que a legislação pretérita determina exigência menos severa à empresa, impondo a sua manutenção, senão vejamos: “2. Para as competências aqui tratadas, a aplicação de multa de mora no percentual de 24% sobre o tributo devido, mais a presente penalidade (multa correspondente a 100% das contribuições devidas e não declaradas, observado o teto), Fl. 96DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 09/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE OL Processo nº 13982.001059/200905 Acórdão n.º 2401001.931 S2C4T1 Fl. 92 9 analisadas conjuntamente, é benéfica ao contribuinte frente à inovação da Lei n°. 11.941/2009 (multa de ofício de 75%).[...]” Com mais especificidade, o julgador de primeira instância explicitou com muita propriedade a maneira que fora elaborada a comparação entre as penalidades a serem imputadas, confrontados todos os lançamentos promovidos contra a contribuinte, decorrentes de descumprimento de obrigações principal e acessória, concluindo que o fiscal autuante laborou em equívoco no seu levantamento, deixando de considerar algumas declarações da empresa, razão pela qual revisou a multa aplicada, como se extrai do Acórdão recorrido, de onde peço vênia para transcrever excerto e adotar como razões de decidir, in verbis: [...] Na presente autuação, observase que a multa aplicada se refere a fatos geradores (não declarados em GFIP) cujas respectivas contribuições sociais previdenciárias foram lançadas nos AI n° 37.154.4050 (13982.001055200919); 37.154.4068 (13982.001057200916); e 37.154.4092 (13982.0010582009 52, devendo ser feito o comparativo do somatório destas duas multas com a nova penalidade prevista no artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/96, pois esta se destina a punir ambas as infrações (decorrentes do descumprimento da obrigação acessória e da obrigação principal). Nesse sentido, a autoridade lançadora efetuou a comparação das multas no AI principal, cujo voto acima transcrevemos, cujo resultado foi alterado de ofício no julgamento da impugnação, em razão de alguns levantamentos terem sido considerados indevidamente como não declarados em GFIP, quando na realidade o foram. Concluise, portanto, que não procedem as alegações da impugnante quanto a aplicação da nova legislação para apenar somente o descumprimento de obrigação acessória, uma vez que, no caso, ocorreu simultaneamente o descumprimento da obrigação principal, que equivale, na nova legislação, a aplicação da multa de oficio de 75% prevista no art. 32A da Lei n° 8.212/91 e, não a do art. 32A, inciso I, da mesma lei. Conforme apurado na nova tabela do comparativo da multa constante do Acórdão n° 19.567, deve ser revista a multa lançada nas competências 08/2006 a 10/2006 e 02/2007 a 03/2007, nos seguintes valores: 08/2006 — 10.041,69 09/2006 — 8.556,72 10/2006 —5.925,37 02/2007 — 762,64 03/2007 — 8.611,61 Assim, o valor da multa aplicada no presente Auto de Infração é retificado de R$ 66.459,00 para R$ 33.898,03. Fl. 97DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 09/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE OL 10 Observase que, pelo decidido no Acórdão n° 19.567, é . cabível a aplicação de auto de infração neste CFL 68 também para as competências 03/2006,11/2006 a 01/2007 e 04/2007. [...]” Neste sentido, uma vez evidenciada a impossibilidade de se adotar os preceitos do artigo 32A, inciso I, da Lei n° 8.212/91, na forma que pretende a recorrente, em razão do descumprimento das duas obrigações tributárias (principal e acessória), impõese a manutenção do Acórdão recorrido, o qual promoveu a devida retificação da multa aplicada, levando em consideração o cálculo mais benéfico à contribuinte, consoante demonstrado alhures. No que tange às demais alegações da recorrente, não cabe aqui tecer maiores considerações, porquanto não são capazes de rechaçar a exigência fiscal em comento, eis que desprovidas de qualquer amparo legal ou lógico, bem como já devidamente refutadas na decisão de primeira instância. Assim, escorreito o decisum recorrido devendo nesse sentido ser mantido o lançamento na forma ali decidida, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela fiscalização que serviram de base à penalidade aplicada. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo incólume a decisão de primeira instância, pelos seus próprios fundamentos. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 98DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 09/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE OL
score : 1.0
Numero do processo: 10845.000046/2001-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 1995
Ementa: IRRF. RESTITUIÇÃO. CONTRIBUINTE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO DO IMPOSTO. A restituição de imposto alegadamente retido pela fonte pagadora pressupõe a comprovação, de forma inequívoca, da efetividade da retenção.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2201-001.156
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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RESTITUIÇÃO. CONTRIBUINTE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO DO IMPOSTO. A restituição de imposto alegadamente retido pela fonte pagadora pressupõe a comprovação, de forma inequívoca, da efetividade da retenção. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 08/06/2011 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Rayana Alves de Oliveira França. Relatório Fl. 123DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 04/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 ANA SILVIA DA SILVA GODINHO interpôs recurso voluntário contra acórdão da (fls. 66) que indeferiu pedido de restituição de IRPF referente a imposto que foi retido na fonte que teria incidido sobre proventos de aposentadoria da contribuinte que, alegadamente, seria portadora sobre tais proventos. A DRJSÃO PAULO/SP II indeferiu o pedido com base, em síntese, na consideração de que, embora seja inquestionável que a Contribuinte era portadora de moléstia grave, primeira condição para o benefício da isenção, não foi anexada à defesa comprovação dos rendimentos referentes ao anocalendário de 1994; que os documentos acostados ao processo são da mãe da contribuinte, Silvia da Silva Godinho; que também não fora localizada DIRF para o CPF da contribuinte no ano calendário de 1994; que em face deste quadro, baixouse o processo em diligência parar esclarecer o fato, oficiando para tanto o INSS e intimandose a própria contribuinte; que o INSS não prestou nenhum esclarecimento e que a contribuinte afirmou que, por engano, foi apresentada a declaração retificadora de sua mãe, que também formalizou pedido de restituição. Observou por fim a DRJ que a Contribuinte não trouxe aos autos nenhum documento que desse suporte à sua pretensão, juntando somente dois comprovantes de rendimentos do anocalendário de 1994 em nome de sua mãe. A Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 29/01/2008 (fls. 74) e, em 20/02/2008, interpôs o recurso voluntário de fls. 79, que ora se examina, e no qual reitera o pedido e diz que apresenta comprovantes de rendimentos mensais do INSS bem como cópia de ofício da SRF ao INSS na qual se solicita esclarecimentos àquele órgão sobre a questão. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, cuidase de pedido de restituição de imposto retido na fonte sobre verba recebida por contribuinte portador de moléstia grave. Como ressaltado pela decisão de primeira instância, não há controvérsia quando à condição da requerente de ser portadora de moléstia especificada em lei; a controvérsia gira em torno da comprovação da efetividade da retenção do imposto. É que não teriam vindo aos autos documentos comprobatórios do recebimento pela contribuinte dos proventos de pensão e da incidência sobre estes do imposto retido na fonte. Os documentos apresentados referemse a proventos recebidos pela mãe da requerente que, segundo ela, também requer a restituição noutro processo. O que chama a atenção neste processo é que, apesar de a razão do indeferimento inicial da autoridade administrativa ter tido como fundamento o fato de não ter sido apresentadas provas do recebimento dos proventos de pensão e da incidência do imposto, Fl. 124DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 04/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10845.000046/200130 Acórdão n.º 220101.156 S2C2T1 Fl. 2 3 e de esta posição ter sido confirmada pela decisão de primeira instância, que manteve o indeferimento; de que os documentos apresentados são da mãe da recorrente e não dela, no recurso são apresentados, mais uma vez, documentos referentes a pensão recebida pela mãe da recorrente e nada sobre proventos por ela recebidos. Tem evidência nos autos de que, de fato, a Recorrente é beneficiária de pensão do INSS, pelo menos deste 1996; temse, inclusive, comprovante, fornecido pelo INSS, referente a recebimentos a partir deste ano, como se vê às fls. 45/47. Porém, relativamente ao ano de 1994 não há nenhuma comprovação de recebimento de pensão e, portanto, de retenção do imposto na fonte, além da declaração apresentada pela própria Contribuinte. Assim, considerando que foram dadas diversas oportunidades para que a Recorrente comprovasse o direito reivindicado e nada tendo sido apresentado, não vejo como deferir o pedido. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 125DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 04/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
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Numero do processo: 19679.018614/2003-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1999
IRPF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. CÁLCULO SOBRE O IMPOSTO DEVIDO E NÃO A PAGAR.
A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo Súmula CARF nº 69.
O imposto devido é aquele calculado sobre a diferença entre a soma de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário,
exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva, e a soma das deduções autorizadas pela legislação.
Impossível se igualar os conceitos de imposto devido e de imposto a pagar.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-000.964
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPF- auto infração - multa por atraso na entrega da DIRPF
Nome do relator: Jose Evande Carvalho Araújo
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. CÁLCULO SOBRE O IMPOSTO DEVIDO E NÃO A PAGAR. A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo Súmula CARF nº 69. O imposto devido é aquele calculado sobre a diferença entre a soma de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva, e a soma das deduções autorizadas pela legislação. Impossível se igualar os conceitos de imposto devido e de imposto a pagar. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) ___________________________________ Caio Marcos Candido Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO Assinado digitalmente em 16/02/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, 18/02/2011 por CAIO MARCOS CAND IDO 2 EDITADO EM: 16/02/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Candido, Ana Neyle Olímpio Holanda, José Evande Carvalho Araujo, Alexandre Naoki Nishioka, Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 2 a 4, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 1999, relativo à multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos, formalizando a exigência no valor de R$1.671,48. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fl. 1), acatada como tempestiva, onde alegou que, como apresentou a declaração espontaneamente, está protegido de sanção de caráter punitivo, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional – CTN, e que só poderia ter sido aplicada a multa de R$165,74. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento (fls. 09 a 11). RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 14/05/2008 (fl. 17), o contribuinte apresentou, em 11/06/2008, por meio de seus representantes legais, o recurso de fls. 20 a 74, onde alega que o cálculo da multa por atraso na entrega da declaração deve se dar sobre o saldo de imposto a pagar, aplicandose a multa mínima quando este não existir, transcrevendo jurisprudência do Conselho de Contribuintes nesse sentido. Ao final, pugnou pelo redução da penalidade aplicada para o valor da multa mínima de R$165,74. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 76, que também trata do envio dos autos ao então Primeiro Conselho de Contribuintes. É o Relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO Assinado digitalmente em 16/02/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, 18/02/2011 por CAIO MARCOS CAND IDO Processo nº 19679.018614/200354 Acórdão n.º 210100.964 S2C1T1 Fl. 78 3 O contribuinte apresentou, no dia 21/07/2003, Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física DIRPF do exercício de 1999, declarando rendimentos tributáveis de R$54.099,80 (fls. 03 a 04). A Instrução Normativa SRF nº 148, de 15 de dezembro de 1998, era o ato legal que regulamentava a declaração daquele exercício, e determinava, em seu art 1o, inciso I, que estava obrigado a declarar quem recebesse rendimentos tributáveis acima de R$ 10.800,00, e fixava o prazo de entrega para 30/04/1999 (art. 3°, inciso II). Desta forma, por estar obrigado a apresentar declaração anual de ajuste e por fazêlo em atraso, recebeu a multa no valor de R$1.671,48, correspondente a 20% sobre o imposto devido, percentual correspondente a 1% vezes o número de meses de atraso, limitado a 20%. A multa por atraso na entrega da declaração, nos termos em que foi exigida no lançamento em exame, está devidamente alicerçada na legislação tributária. Confirase: Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995. art. 7º A pessoa física deverá apurar o saldo em Reais do imposto a pagar ou o valor a ser restituído, relativamente aos rendimentos percebidos no anocalendário, e apresentar anualmente, até o último dia útil do mês de abril do ano calendário subseqüente, declaração de rendimentos em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal. (...) Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Art. 88. A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado, sujeitará a pessoa física ou jurídica: I à multa de mora de um por cento ao mês ou fração sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago; (Vide Lei nº 9.532, de 1997) II à multa de duzentas Ufirs a oito mil Ufirs, no caso de declaração de que não resulte imposto devido. § 1º O valor mínimo a ser aplicado será: a) de duzentas Ufirs, para as pessoas físicas; b) de quinhentas Ufirs, para as pessoas jurídicas. (...) Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Art. 27. A multa a que se refere o inciso I do art. 88 da Lei nº 8.981, de 1995, é limitada a vinte por cento do imposto de renda devido, respeitado o valor mínimo de que trata o § 1º do referido art. 88, convertido em reais de acordo com o disposto no art. 30 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. (...) Fl. 3DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO Assinado digitalmente em 16/02/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, 18/02/2011 por CAIO MARCOS CAND IDO 4 Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999. Art.16.Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Como se vê, de acordo com a legislação acima transcrita, resta claro que a falta de apresentação da declaração ou sua apresentação fora do prazo enseja o lançamento da multa por atraso correspondente a 1% por mês de atraso ou fração sobre o imposto devido, limitada a 20%, com o valor mínimo previsto no §1o, alínea "a", do artigo 88 da Lei nº 8.981, de 1995, quantia que, convertida para reais, resulta em R$ 165,74. A interpretação de que a multa por atraso deveria ser aplicada sobre o imposto a pagar teve algum sucesso no âmbito dos antigos Conselhos de Contribuintes. Afirmavase, por meio de uma interpretação gramatical, que devido seria o tributo que sobrasse a ser pago depois da dedução do imposto já retido na fonte. Contudo, essa tese teve pequena acolhida, sendo rapidamente superada, na medida em que contraria frontalmente o que determina a lei. Vejase que o art. 88, inciso I, da Lei nº 8.981, de 1995, define que a multa por atraso se aplica sobre o imposto de renda devido, ainda que integralmente pago. Ora, como afirmar que a lei dizia que o imposto devido seria o tributo a pagar, se o próprio texto legal determinava a penalidade no caso de imposto integralmente pago? Mais ainda. O art. 12 da referida lei define explicitamente o que vem a ser a base de cálculo do imposto devido: Art. 12. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas : I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas provenientes de exames laboratoriais e serviços radiológicos; b) as despesas realizadas com instrução regular do contribuinte e seus dependentes até o limite anual individual de R$ 1.500,00; c) as contribuições e doações efetuadas a entidades de que trata o art. 1º da Lei nº 3.830, de 25 de novembro de 1960, observadas as condições estabelecidas no art. 2º da mesma lei; d) as doações feitas aos fundos controlados pelos Conselhos Municipais, Estaduais e Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente; e) a soma dos valores referidos no art. 9º desta lei. (...) Fl. 4DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO Assinado digitalmente em 16/02/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, 18/02/2011 por CAIO MARCOS CAND IDO Processo nº 19679.018614/200354 Acórdão n.º 210100.964 S2C1T1 Fl. 79 5 Já os arts. 15, 16 e 17 da mesma lei determinam, para se chegar ao valor do imposto a pagar, a aplicação da tabela progressiva sobre a base de cálculo do art. 12 e a subtração dos incentivos permitidos em lei, do imposto retido na fonte ou pago, e do imposto pago no exterior. Acrescentese que os arts. 12, 15, 16 e 17 da Lei nº 8.981, de 1995, foram revogados pelo art. 42 da Lei nº 9.250, de 1995, mas esse mesmo ato legal trouxe disposições de mesmo conteúdo em seus arts. 8o, 11, 12 e 13. Vêse, então, que a própria lei faz expressa distinção entre os conceitos de imposto devido e de imposto a pagar, sendo insustentáveis os argumentos no sentido de se calcular a multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos sobre o saldo de imposto a pagar. Para demonstrar que é esse o entendimento consolidado do CARF sobre o assunto, cito as seguintes decisões: Acórdão n° CSRF/0400.268, de 12 de junho de 2006, Acórdão n° CSRF/0400.432, de 12 de dezembro de 2006, Acórdão n° CSRF/0400.646, de 18 de setembro de 2007, Acórdão n° CSRF/0400.729, de 12 de dezembro de 2007, Acórdão n° CSRF/0401.069, de 07 de outubro de 2008, e Acórdão n° 920200.258 – 2a Turma, de 22 de setembro de 2009. Pacificado esse entendimento, foi publicada a Súmula CARF nº 69 com o seguinte enunciado: A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. José Evande Carvalho Araujo Fl. 5DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO Assinado digitalmente em 16/02/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, 18/02/2011 por CAIO MARCOS CAND IDO
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Numero do processo: 13819.000616/2006-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercícios: 2002, 2004, 2005.
IRPF MULTA
POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO.
SÓCIO OU TITULAR DE PESSOA JURÍDICA INAPTA.
Descabe a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, quando o sócio ou titular de pessoa jurídica inapta não se enquadre nas demais hipóteses de obrigatoriedade de apresentação dessa declaração (Súmula CARF nº 44).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-001.111
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto infração - multa por atraso na entrega da DIRPF
Nome do relator: Francisco Marconi de Oliveira
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercícios: 2002, 2004, 2005. IRPF MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. SÓCIO OU TITULAR DE PESSOA JURÍDICA INAPTA. Descabe a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, quando o sócio ou titular de pessoa jurídica inapta não se enquadre nas demais hipóteses de obrigatoriedade de apresentação dessa declaração (Súmula CARF nº 44). Recurso Voluntário Provido.
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IRPF MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. SÓCIO OU TITULAR DE PESSOA JURÍDICA INAPTA. Descabe a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, quando o sócio ou titular de pessoa jurídica inapta não se enquadre nas demais hipóteses de obrigatoriedade de apresentação dessa declaração (Súmula CARF nº 44). Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi Oliveira Relator. EDITADO EM: 29/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Núbia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima e Francisco Marconi de Oliveira. Ausente justificadamente a Conselheira Vanessa Pereira Rodrigues Domene e presente a Conselheira Eivanice Canário da Silva. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRIS TIAN NUNES CAMPOS 2 Relatório O contribuinte acima identificado foi autuado, por meio de Notificação de Lançamento (fls. 7), em decorrência da entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda fora do prazo, referente aos exercícios 2002, 2004 e 2005, com aplicação do valor mínimo da multa, em cada um dos anos, estipulada em R$ 165,74. O requerente apresentou impugnação alegando não ter efetuado a entrega tempestiva da declaração em virtude de encontrarse, no período em questão, em internação hospitalar para cirurgia no coração. A 10ª Turma de Julgamento da DRJ/SPOII decidiu, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. O voto é fundamentado no artigo 7º da Lei 9.250, de 1995; no artigo 88 da Lei nº 8.981, de 1995; e nas Instruções Normativas da Receita Federal que disciplinam a entrega da declaração de rendimentos. O recorrente foi cientificado da decisão da primeira instância por Aviso de Recebimento em 9 de junho de 2008 (fl. 23) e apresentou recurso (fl. 24) em 3 de julho de 2008, alegando que não teve condições físicas e psíquicas de apresentar as declarações do Imposto de Renda Pessoa Física, devido aos problemas de saúde. Pede que seja cancelado o débito fiscal reclamado. É o relatório Fl. 2DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRIS TIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13819.000616/200610 Acórdão n.º 210201.111 S2C1T2 Fl. 34 3 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Declarase a tempestividade, uma vez que o contribuinte interpôs recurso voluntário no prazo regulamentar. Atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o recurso. A matéria em litígio envolve multa por atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2002, 2004 e 2005. O sujeito passivo, conforme Lei nº 9.250, de 1995, deve apresentar anualmente, até o último dia útil do mês de abril do anocalendário subsequente, declaração de rendimentos em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal, quando se enquadre nas situações de obrigatoriedade da entrega da declaração. De acordo com a legislação corrente, a falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado, sujeita a pessoa física à multa, nos termos do artigo 88 da Lei nº 8.981/1995 e do artigo 27 da Lei 9.532/1997. O valor corresponde a 1% por mês de atraso ou fração sobre o valor do imposto devido, limitado a 20%, com o mínimo previsto no §1o, alínea "a", do artigo 88 da Lei nº 8.981, de 1995, quantia essa que, convertida para reais, resulta em R$ 165,74. No lançamento em questão, o valor mínimo. Apesar da parca argumentação apresentada, consta à folha 14 que o contribuinte é sócio da empresa Armangil Com. e Representação de Peças e Acess. p/ Autos Ltda., em situação inapta. Nas folhas 15 e 16 constam informações da declaração de bens e direitos com valores “zerados”. Não há nos autos quaisquer outros motivos que induza o contribuinte estar obrigado a apresentar a Declaração de Ajuste Anual. Está a seu favor jurisprudência deste Tribunal, que desobriga o contribuinte da entrega da declaração quando a empresa que for sócio ou titular estiver inativa. A situação ficou de fácil deslinde com a publicação da Súmula CARF nº 44: Descabe a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, quando o sócio ou titular de pessoa jurídica inapta não se enquadre nas demais hipóteses de obrigatoriedade de apresentação dessa declaração. A empresa está na situação cadastral inapta, por motivo “omissa não localizada”. Como não há registro de quaisquer outros motivos que induza o contribuinte estar obrigado a apresentar a Declaração de Ajuste Anual e as multas por atraso referemse aos exercícios 2002, 2004 e 2005, período em que a empresa já estava inativa, há subsunção perfeita com a situação da súmula, o que impende considerar a multa aplicada como indevida. . Fl. 3DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRIS TIAN NUNES CAMPOS 4 Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira Relator Fl. 4DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRIS TIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10909.000820/2002-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/03/2002
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Lei 9.430/96, art. 74, § 4º.
Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de pedido
de compensação convertido em declaração de compensação que não seja
objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da
data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do
montante do crédito.
DCOMP. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR.
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Lei 9.430/96, art. 74, § 5º.
Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de
declaração de compensação (Dcomp), que não seja objeto de despacho
decisório proferido, e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos,
contado da data de seu protocolo.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-001.125
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro José
Antonio Francisco.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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REFINADORA DE AÇÚCAR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/03/2002 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Lei 9.430/96, art. 74, § 4º. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito. DCOMP. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Lei 9.430/96, art. 74, § 5º. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação (Dcomp), que não seja objeto de despacho decisório proferido, e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contado da data de seu protocolo. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro José Antonio Francisco. Walber José da Silva Presidente. Fl. 519DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/201 1 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ALEXANDRE GOMES 2 Alexandre Gomes Relator. EDITADO EM: 16/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de pedidos de compensação de créditos relacionados a crédito premio de IPI pertencentes a empresa Refinadora Catarinense com de débitos de terceiros, no caso pertencentes a empresa Usati S/A Refinadora de Açúcar. Os créditos utilizados estavam sendo controlados nos processos 13706.000714/200110 e 13706.000745/200243. No presente processo estão sendo analisadas as seguintes compensações: Período de Cód. Valor Data do Processo Apuração Tributo Compensado Pedido Controle Crédito 3º/12/2001 1097 27.994,13 02/04/02 13706.000745/200243 1º/01/2002 1097 25.785,48 02/04/02 13706.000745/200243 2º/01/2002 1097 34.735,45 02/04/02 13706.000745/200243 3º/01/2002 1097 26.031,90 02/04/02 13706.000745/200243 1º/02/2002 1097 7.600,97 02/04/02 13706.000745/200243 2º/02/2002 1097 14,79 02/04/02 13706.000745/200243 3º/02/2002 1097 30.344,04 02/04/02 13706.000745/200243 2º/03/2002 1097 7.243,63 02/04/02 13706.000745/200244 2º/03/2002 1097 12.827,05 02/04/02 13706.000745/200243 2º/03/2002 1097 15.468,58 02/04/02 13706.000745/200243 3º/09/2001 1097 10.756,15 22/10/01 13706.000714/200110 1º/10/2001 1097 46.032,52 26/10/01 13706.000714/200110 2º/10/2001 1097 26.839,28 31/10/01 13706.000714/200110 1º/11/2001 1097 9.132,48 04/01/02 13706.000714/200110 Junto com os pedidos foram juntadas diversas peças processuais, bem como decisão judicial que garantia a empresa Refinadora Catarinense o direito ao crédito prêmio de IPI bem como garantia sua utilização de acordo com as hipóteses prescritas nas IN/SRF 21/97, 37/97 e 73/97, amparadas pelos artigos 1º e 5º do DecretoLei nº 491/69. O processo foi encaminhado à DRF de Itajaí em 02/03/2005, e posteriormente a DRF de Florianópolis em 22/03/2005, que após análise de tudo que constava no processo, proferiu despacho decisório (fls. 83) indeferindo os pedidos de compensação em 11/03/2008. O Recorrente foi cientificado do despacho em 23/04/2008, conforme se constata do AR Juntado às fls. 94. Fl. 520DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/201 1 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10909.000820/200200 Acórdão n.º 330201.125 S3C3T2 Fl. 511 3 Do despacho decisório proferido pela DRF de Florianópolis destaco: Com a decisão proferida pelo TRF2 em 04/07/2006, verificouse que nenhum crédito era devido à cedente, Refinadora Catarinense S.A. São irregulares, portanto, as compensações que utilizaram esse crédito. Os recursos interpostos não foram admitidos, perdeu assim eficácia o mandamento da sentença proferida na Medida Cautelar Inominada interposta pelo contribuinte que suspendia temporariamente a cobrança dos valores em aberto. Em 01/10/2002, a Medida Provisória n° 66, de 29 de setembro de 2002, posteriormente convertida na Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, alterou a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, instituindo nova sistemática de compensação e criando a Declaração de Compensação (DCOMP). Os Pedidos de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros que se encontravam pendentes de análise quando da entrada em vigor das alterações promovidas pela Lei n° 10.637/2002, no entanto, não estão sujeitos à nova disciplina da compensação, visto que não atendem a um dos requisitos inerentes à Declaração de Compensação compensação com créditos próprios, vedada a cessão a terceiros. Os pedidos de compensação de créditos de um contribuinte com débitos de terceiros de que tratam este processo, todos protocolados entre 21/10/2001 e 02/04/2002, antes, portanto, das inovações legislativas acerca da matéria, não se converteram em DCOMP. Tal entendimento é o mesmo adotado em Parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional (PARECER PGFN/CDA/CAT nº 1499/05). Contra referido despacho foi apresentada manifestação de inconformidade cujos pedidos foram assim resumidos: Pelo exposto, a Defendente requer a V. Sa. seja julgada procedente a presente Manifestação de Inconformidade reformandose o despacho decisório em referência, a fim de ser reconhecida a homologação tácita dos pedidos de compensação realizados às fls. 01/14, ou caso assim não entenda, a decadência do direito de lançar os supostos débitos indevidamente compensados. Por outro lado, não sendo acolhidos os supracitados fundamentos de reforma, requer seja anulado o Despacho Decisório ora recorrido, por conter vícios insanáveis. Por fim, ultrapassadas todas as razões preliminares, requer seja reformado o Despacho Decisório ora recorrido, sendo homologados os pedidos de compensação de fls. 01/14.. Após análise dos argumentos produzidos pelo Recorrente, a DRJ de Ribeirão Preto manteve o indeferimento dos pedidos em decisão que assim ficou ementada: Fl. 521DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/201 1 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ALEXANDRE GOMES 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/03/2002 CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, com o mesmo objeto de parte da manifestação de inconformidade, importa em renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa competente. NULIDADE. DECISÃO ADMINISTRATIVA. A Administração tem o dever de anular seus próprios atos, quando estes estiverem eivados de vicio de legalidade. Solicitação Indeferida. Contra a decisão exarada foi interposto Recurso Voluntário que em síntese requereu: Ex positis, a Recorrente requer aos E. Conselheiros que seja acolhido o presente Recurso Voluntário, a fim de ser conhecido e provido, para anular o Acórdão lavrado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP. Sendo outro o entendimento de Vossas Excelências, pugnase pela reforma do decisum recorrido, para julgar improcedente o despacho decisório Que determinou a não homoloqacão das compensações realizadas assegurando à Recorrente a manutenção das mesmas até o advento do trânsito em julgado do processo judicial de onde originamse os créditos utilizados nas compensações em tela. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Gomes, Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório acima transcrito foram apresentados pedidos de compensação com créditos de terceiros no período de 21/10/2001 e 02/04/2002. Os créditos utilizados nas compensações efetuadas eram decorrentes de decisão judicial que reconhecia o direito a utilização de créditos prêmio de IPI bem como a possibilidade de cessão a terceiros. Somente em 11/03/2008 os pedidos de compensação foram analisados pela DRF de Florianópolis, que, diante das decisões contrarias proferidas nos processos judiciais da Fl. 522DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/201 1 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10909.000820/200200 Acórdão n.º 330201.125 S3C3T2 Fl. 512 5 empresa Refinadora Catarinense, os indeferiu. Em relação a alegação de homologação tácita das compensações efetuadas citou o Parecer PGFN/CDA/CAT nº 1.499/05. A Recorrente foi cientificada do despacho decisório que indeferiu a restituição e as compensações no dia 23/04/2008. Em se tratando de pedidos de compensação protocolados no ano de 2001 e 2002, convém analisar o disposto no art. 74 da Lei 9.430/96, com a redação dada pelas Leis nº. 10.637/2002 e nº. 10.833/03, assim determinou: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física;(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Fl. 523DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/201 1 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ALEXANDRE GOMES 6 Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Nos termos do §§ 4ºe 5º do art. 74 da Lei 9.430/96, os pedidos de compensação pendentes de análise por parte da SRF em 01/10/2002, foram automaticamente convertidos em Declaração de Compensação desde o seu protocolo, passando, a partir disto, a estarem sujeitos à homologação tácita quando não analisados dentro do prazo de 5 anos a contar do seu protocolo. A Instrução Normativa SRF n° 460, de 18/10/2004, primeira a regular a matéria tratada nos parágrafos 2° e 5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96, após a edição da MP n° 66/2002, basicamente repete os dispositivos contidos naquela Lei, vejase a seguir: Art. 29. A autoridade da SRF que nãohomologar a compensação cientificará o sujeito passivo e intimáloá a efetuar, no prazo de trinta dias, contados da ciência do despacho de nãohomologação, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 1º. Não ocorrendo o pagamento ou o parcelamento no prazo previsto no caput,o débito deverá ser encaminhado à PGFN, para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no art. 48. § 2º. prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensação. (...) Art. 64. Serão considerados Declaração de Compensação, para os efeitos previstos no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação determinada pelo art. 49 da Lei nº 10.637, de 2002, e pelo art. 17 da Lei nº 10.833, de 2003, os pedidos de compensação que, em 1º de outubro de 2002, encontravamse pendentes de decisão pela autoridade administrativa da SRF. (...) Art. 70. A data de início da contagem do prazo previsto no § 2º. do art. 29, na hipótese de pedido de compensação convertido em Declaração de Compensação, é a data da protocolização o do pedido na SRF. A Secretaria da Receita Federal, por meio da sua CoordenaçãoGeral de Tributação, editou a Solicitação de Consulta Interna n° 01, de 04 de Janeiro de 2006, em que restou esclarecido: Fl. 524DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/201 1 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10909.000820/200200 Acórdão n.º 330201.125 S3C3T2 Fl. 513 7 ASSUNTO : Homologação tácita de compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação. EMENTA : Pedido de compensação convertido em declaração de compensação. Prazo de cinco anos para homologação tácita da compensação. Inexistência de homologação tácita para pedidos de compensação não convertidos em declaração de compensação. obrigatoriedade de exame do pedido de restituição. Cabimento de manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do crédito objeto do pedido de restituição. O prazo para a homologação de compensação requerida à Secretaria da Receita Federal tem sua contagem iniciada na data do protocolo do pedido de compensação convertido em declaração de compensação. Será considerada tacitamente homologada, mediante despacho proferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal, a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito. Ou seja, não existe, na legislação de regência, qualquer determinação ou exigência relacionada a procedência ou não dos pedidos de ressarcimento/restituição, nem a eventuais requisitos a serem cumpridos por estes. A homologação tácita ocorre somente em relação aos pedidos de compensação que foram automaticamente convertidos em Declaração de Compensação e não em relação aos pedidos de ressarcimento/restituição, que em alguns casos não precisam sequer ser analisados, como no caso de os créditos requeridos estarem sendo totalmente utilizados nas compensações informadas. A interrupção do prazo disposto no § 5º do art. 74 da Lei 9.430/96, somente ocorre com a regular intimação da decisão ao sujeito passivo. Esta é a determinação contida na Instrução Normativa SRF nº 460/2004, senão vejamos: Art. 73. Considerase pendente de decisão administrativa, para fins do disposto nos arts. 57, 62 e 64, a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pelo titular da DRF, Derat, Deinf, IRFClasse Especial ou ALF competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. (grifos nossos) No presente caso isto somente ocorreu em 23/04/2008, ou seja, seis anos ou mais após o protocolo dos Pedidos de Compensação que foram posteriormente convertidos em Declaração de Compensação. Fl. 525DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/201 1 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ALEXANDRE GOMES 8 Tendo sido homologadas tácitamente todas as compensações requeridas, as outras questões levantadas no Recurso Voluntário perdem força, motivo pelo qual deixo de examinálas. Neste sentido já decidiu o antigo Conselho de Contribuintes, em acórdão de lavra do eminente conselheiro Antônio Zomer, cuja ementa assim ficou assentada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/0712000 a 31/10/2000 RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. LITÍGIO NÃO CONFIGURADO. O reconhecimento da ocorrência de homologação tácita da compensação, conforme disposto nos §4 e 52 do art. 74 da Lei nº. 9.430/96, prejudica a análise do mérito do pedido de ressarcimento dos créditos utilizados pelo contribuinte e resolve processo administrativo, extinguindo o correspondente litígio. (Acórdão nº20219304 – Relator Antônio Zomer. Data Julgamento 04/09/2008) Por todo o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário reconhecendo a homologação tácita das compensações protocoladas, cancelandose por inteiro a exigência fiscal. Alexandre Gomes Fl. 526DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/201 1 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ALEXANDRE GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 13807.008236/2001-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2001
IMPOSTO DE RENDA INCIDENTE NA FONTE SOBRE RECEITAS QUE INTEGRAM A BASE DE CÁLCULO. COMPENSAÇÃO.
Nos termos do disposto no artigo 55 da Lei nº 7.450, de 1985, a compensação do imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos, impõe ao contribuinte o dever de apresentar o comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos citados rendimentos.
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPENSAÇÃO.
Para que a autoridade administrativa possa reconhecer o direito creditório do contribuinte e, por via de consequência, considerar as compensações tributárias pleiteadas, é necessário que sejam aportados aos autos documentos que demonstrem a certeza e liquidez do crédito alegado, ex vi do disposto no art. 170 do CTN.
Numero da decisão: 1302-000.561
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - outros assuntos (ex.: suspenção de isenção/imunidade)
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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COMPENSAÇÃO. Nos termos do disposto no artigo 55 da Lei nº 7.450, de 1985, a compensação do imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos, impõe ao contribuinte o dever de apresentar o comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos citados rendimentos. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. Para que a autoridade administrativa possa reconhecer o direito creditório do contribuinte e, por via de consequência, considerar as compensações tributárias pleiteadas, é necessário que sejam aportados aos autos documentos que demonstrem a certeza e liquidez do crédito alegado, ex vi do disposto no art. 170 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 1DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13807.008236/200140 Acórdão n.º 130200.561 S1C3T2 Fl. 551 2 Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, André Ricardo Lemes da Silva, Irineu Bianchi e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junior. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13807.008236/200140 Acórdão n.º 130200.561 S1C3T2 Fl. 552 3 Relatório PENSKE LOGISTICS DO BRASIL LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, São Paulo, consubstanciada no acórdão nº. 16 22.124, de 15 de julho de 2009, que deferiu em parte o pedido veiculado pela manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo (Derat/SPO). Trata o processo de pedido de restituição, cumulado com pedidos de compensação, de saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) relativo ao ano calendário de 2000. A Derat/SPO acolheu em parte os pedidos da contribuinte, vez que não teriam sido apresentados comprovantes de retenção do imposto de renda e de estimativas recolhidas. A decisão teve por base, então, informações extraídas das declarações de imposto de renda retido na fonte apresentadas pelas fontes pagadoras à Receita Federal. Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, fls. 155/158, por meio da qual procurou demonstrar os valores do imposto de renda retido na fonte declarados na DIPJ/2001. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, por meio do acórdão nº. 1622.124, de 15 de julho de 2009, deferiu em parte a solicitação, conforme ementa que ora transcrevo. PROVA DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DEDUÇÕES. IRRF. Comprovada parcialmente a retenção do imposto de renda deduzido na determinação do saldo negativo de IRPJ, pela apresentação dos informes de rendimentos, apurase um crédito a restituir ou compensar, adicionalmente ao reconhecido pela Delegacia de origem. COMPENSAÇÕES. HOMOLOGAÇÃO. Homologamse as compensações pendentes, vinculadas ao crédito em litígio, até o limite do valor comprovado nesta instância. Ciente da Decisão de primeira instância em 1º de outubro de 2009, conforme Aviso de Recebimento de folha 473/verso, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 03 de novembro de 2009, conforme registro de recepção de folha 504, por meio do qual ofereceu, em síntese, os seguintes argumentos: que tem o Fisco o prazo de 5 (cinco) anos a contar do fato gerador do tributo, sob pena de extinção do crédito tributário, para conferir o procedimento adotado pelo Fl. 3DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13807.008236/200140 Acórdão n.º 130200.561 S1C3T2 Fl. 553 4 contribuinte, homologandoo, se entender correto, ou procedendo à constituição do crédito tributário decorrente de suposta diferença existente (lançamento de ofício), se entender que o procedimento adotado pelo contribuinte não atendeu ao dispositivo previsto na legislação; que a premissa adotada pela decisão recorrida para chegar à conclusão de que teria sido comprovada apenas R$ 202.483,80 apoiouse tão somente nos informes de rendimentos e na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte oferecidos pelas fontes pagadoras; que a decisão de primeira instância simplesmente presumiu que os valores declarados pelas fontes pagadoras eram os corretos, desprezando os valores registrados na sua contabilidade, sem ao menos questionála acerca do motivo das divergências; que decisão recorrida deveria ter determinado a conversão do julgamento em diligência ou, ao menos, intimado as fontes pagadoras, em homenagem ao princípio da verdade material; que a escrituração contábil mantida com observância das disposições legais, como no presente caso, faz prova a favor o contribuinte; que bastaria uma simples comparação entre as notas fiscais emitidas contra as fontes pagadoras e o seu Livro Diário para que, com muita facilidade, a decisão recorrida atestasse que os valores registrados em sua contabilidade estavam efetivamente corretos. É o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13807.008236/200140 Acórdão n.º 130200.561 S1C3T2 Fl. 554 5 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata a lide de reconhecimento parcial de direito creditório e, por decorrência, de homologação também em parte das compensações pleiteadas pela contribuinte. Do Despacho Decisório de fls. 148/153, extraio as seguintes informações: 1. o direito creditório pleiteado diz respeito a saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2001, constituído em razão de antecipações obrigatórias (estimativas) e imposto de renda na fonte (IRFON) incidente sobre rendimentos decorrentes de aplicações financeiras; 2. a contribuinte foi intimada a apresentar, entre outros documentos, os comprovantes de imposto de renda retido na fonte e cópia dos documentos de arrecadação relativos aos recolhimentos das estimativas de IRPJ; 3. diante da ausência de resposta da contribuinte, tomouse por base os controles internos da Receita, restando apurados a título de estimativa e de IRFON os seguintes montantes, respectivamente: R$ 6.662,14 e R$ 20.038,36; 4. diante do disposto no item 3 acima, o saldo negativo declarado de R$ 388.216,93 foi reduzido para R$ 26.700,50. A autoridade julgadora de primeira instância, por sua vez, acolhendo informes de rendimentos colacionados aos autos a partir da interposição da Manifestação de Inconformidade pela contribuinte, reconheceu crédito suplementar no montante de R$ 330.605,24. Assim, do total de R$ 388.216,93 requeridos, foram reconhecidos nas instâncias anteriores R$ 357.305,74 (R$ 26.700,50, pela Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária, e R$ 330.605,24 pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento). Passo, a seguir, a apreciar os argumentos trazidos pela contribuinte em sede de recurso voluntário. DECADÊNCIA – ART. 150, PARÁGRAFO 4º, DO CTN Alega a Recorrente que, passados mais de cinco anos da data dos fatos geradores, os procedimentos adotados por ela e a sua contabilidade foram tacitamente homologados pela Autoridade Administrativa, não havendo mais a possibilidade de se discutir eventual existência de débitos, ainda que eles existissem. Não merece acolhida a argumentação da Recorrente. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13807.008236/200140 Acórdão n.º 130200.561 S1C3T2 Fl. 555 6 Com efeito, não tratando o processo de constituição de crédito tributário, não há que se falar em aplicação das disposições do parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. No caso presente, estamos diante de pedidos de restituição e de compensação, restando fora de dúvida que, nessas circunstâncias, compete ao contribuinte colacionar aos autos elementos hábeis e idôneos que permitam à autoridade administrativa aferir a liquidez e certeza dos créditos apontados no requerimento. Ainda que, de fato, possam existir períodos em relação aos quais a autoridade administrativa encontrase impedida, em face da caducidade, a promover lançamento tributário, a contribuinte não se desincumbe de, em relação a esses mesmos períodos, manter em ordem e boa guarda os documentos que servem de lastro para o direito creditório alegado. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO DO IMPOSTO Alega a Recorrente que a decisão de primeira instância simplesmente presumiu que os valores declarados pelas fontes pagadoras eram os corretos, desprezando os valores registrados na sua contabilidade, sem ao menos questionála acerca do motivo das divergências. Diz que a decisão recorrida deveria ter determinado a conversão do julgamento em diligência ou, ao menos, intimado as fontes pagadoras, em homenagem ao princípio da verdade material. A alegação da Recorrente é merecedora de reparo, eis que a autoridade administrativa não presumiu simplesmente que os valores declarados pelas fontes pagadoras eram os corretos. O que efetivamente se extrai das peças processuais é que a autoridade administrativa competente, a partir da ausência da apresentação, por parte da contribuinte, dos comprovantes de retenção exigidos pela lei (art. 55 da Lei nº 7.450, de 1985), tomou por base, para fins de determinação do montante passível de restituição, as informações prestadas pelas fontes pagadoras. Podese dizer, inclusive, que, ao agir dessa forma, colaborou a Administração no sentido de buscar a verdade dos fatos, vez que, se ela tivesse feito uma leitura estreita da norma de regência acima referenciada, simplesmente indeferiria o pleito da Recorrente, pois, tratandose de aproveitamento de imposto pago por antecipação, a exigência legal é dirigida no sentido de que o contribuinte apresente os comprovantes de retenção emitidos pelas fontes pagadoras. A Recorrente, ao fazer referência às disposições do art. 923 e 924 do RIR/99, esquece que a escrituração que faz prova a favor do contribuinte é aquela que se encontra lastreada em documentos hábeis. Não se pode admitir que a simples apresentação dos registros contábeis, desprovidos, como já foi dito, de documentação de suporte, possa servir para comprovar os fatos neles (nos registros) retratados. Assim, considerado tudo que do processo consta, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13807.008236/200140 Acórdão n.º 130200.561 S1C3T2 Fl. 556 7 Sala das Sessões, em 25 de maio de 2011 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 7DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 10640.002985/2007-19
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 15/08/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO OBRIGAÇÃO
ACESSÓRIA. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO.
ART. 173, I DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula
Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008,
reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991.
Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há
que serem observadas as regras previstas no CTN.
Tratandose
de auto de infração, sem pagamentos a homologar, deve ser
aplicada, em relação à decadência, a regra trazida pelo artigo 173, I do CTN.
Fundamentandose
o presente auto exclusivamente em documentos referentes
a período decadente, se faz necessário reconhecer a improcedência do
mesmo.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-00.493
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 15/08/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. Tratandose de auto de infração, sem pagamentos a homologar, deve ser aplicada, em relação à decadência, a regra trazida pelo artigo 173, I do CTN. Fundamentandose o presente auto exclusivamente em documentos referentes a período decadente, se faz necessário reconhecer a improcedência do mesmo. Recurso Voluntário Provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1665; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 97 1 96 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.002985/200719 Recurso nº 258.534 Voluntário Acórdão nº 280300.493 – 3ª Turma Especial Sessão de 09 de fevereiro de 2011 Matéria Auto de Infração. Obrigação Acessória Recorrente INSTITUTO ONCOLOGICO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 15/08/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. Tratandose de auto de infração, sem pagamentos a homologar, deve ser aplicada, em relação à decadência, a regra trazida pelo artigo 173, I do CTN. Fundamentandose o presente auto exclusivamente em documentos referentes a período decadente, se faz necessário reconhecer a improcedência do mesmo. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 28/02/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, 01/03/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10640.002985/200719 Acórdão n.º 280300.493 S2TE03 Fl. 98 2 assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 28/02/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, 01/03/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10640.002985/200719 Acórdão n.º 280300.493 S2TE03 Fl. 99 3 Relatório A empresa foi autuada em 15/08/2007 por descumprimento da legislação previdenciária por ter prestados informações inexatas em GFIP, referentes às competências 01 a 12/1999. A DecisãoNotificação – fls 67 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o Auto lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, em síntese, decadência do direito da Fazenda em constituir seu crédito. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 28/02/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, 01/03/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10640.002985/200719 Acórdão n.º 280300.493 S2TE03 Fl. 100 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O auto de infração foi lavrado em 15/08/2007 em razão da apresentação de GFIP´s competências 01 a 12/99, com erros de preenchimento. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há de se observar as regras previstas no CTN. Tratandose de auto de infração, sem pagamentos a homologar, deve ser aplicada, em relação à decadência, a regra trazida pelo artigo 173, I do CTN, que transcrevemos. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Consoante a regra retrocitada, forçoso se faz reconhecer a decadência referente ao período anterior a 2001, inclusive. Uma vez que o Auto se fundamentou exclusivamente em documentos referentes a período decadente, se faz necessário reconhecer a improcedência do mesmo. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 28/02/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, 01/03/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10640.002985/200719 Acórdão n.º 280300.493 S2TE03 Fl. 101 5 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 28/02/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, 01/03/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10580.000663/2005-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/03/2003
COFINS E PIS. DÉBITOS VINCULADOS EM DCTF. FALTA DE
RETIFICAÇÃO, LANÇAMENTO E CONFISSÃO DE DÍVIDA.
ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. EFEITOS.
O lançamento regese
pela legislação vigente à época da ocorrência do fato
gerador, sendo inaplicável o lançamento originalmente previsto no art. 90 da
MP no 2.15835,
de 2001, até a entrada em vigor da MP no 135, de 2003.
DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. VINCULAÇÃO A SUSPENSÃO
DE EXIGIBILIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Aplicase
retroativamente a legislação que deixe de prever a imputação de
multa ao caso de vinculação irregular, em DCTF, de débitos a Darf
inexistente.
Recurso de Ofício Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-000.878
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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DÉBITOS VINCULADOS EM DCTF. FALTA DE RETIFICAÇÃO, LANÇAMENTO E CONFISSÃO DE DÍVIDA. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. EFEITOS. O lançamento regese pela legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador, sendo inaplicável o lançamento originalmente previsto no art. 90 da MP no 2.15835, de 2001, até a entrada em vigor da MP no 135, de 2003. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. VINCULAÇÃO A SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase retroativamente a legislação que deixe de prever a imputação de multa ao caso de vinculação irregular, em DCTF, de débitos a Darf inexistente. Recurso de Ofício Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Walber José da Silva Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Fl. 171DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10580.000663/200517 Acórdão n.º 330200.878 S3C3T2 Fl. 163 2 José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Andrea Medrado Darzé, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso de ofício contra o Acórdão no 1516.594, de 20 de agosto de 2008, da 4ª Turma da DRJ/SDR (fls. 156 e 157), cientificado em 09 de outubro de 2008, que, relativamente a auto de infração de Cofins e PIS dos períodos de outubro de 2002 a março de 2003, considerou improcedente o lançamento, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2002 a 31/03/2003 TRIBUTOS DECLARADOS EM DCTF. Tributos e contribuições já declarados em DCTF pelo sujeito passivo, antes do início de qualquer procedimento de fiscalização, não serão objeto de lançamento de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2002 a 31/03/2003 TRIBUTOS DECLARADOS EM DCTF. Tributos e contribuições já declarados em DCTF pelo sujeito passivo, antes do início de qualquer procedimento de fiscalização, não serão objeto de lançamento de ofício. Lançamento Improcedente O auto de infração foi lavrado em 09 de novembro de 2004, de acordo com o termo de fls. 4 (Cofins) e 78 a 80 (PIS). A Primeira Instância assim resumiu o litígio: "Tratase de Auto de Infração (fls. 03/09) lavrado contra a contribuinte acima identificada, pretendendo a cobrança da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, relativa aos períodos de apuração entre outubro de 2002 a março de 2003. Em face da edição da Portaria SRF nº 6.129, de 02 de dezembro de 2005, o presente processo também pretende a cobrança da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (Auto de Infração fls. 77/84), pertinente aos mesmos períodos de apuração. Fl. 172DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10580.000663/200517 Acórdão n.º 330200.878 S3C3T2 Fl. 164 3 Conforme apontado nos Autos de Infração, foi apurada a falta/insuficiência de recolhimento de Cofins e PIS nos períodos verificados. Os valores devidos, e não recolhidos, constam do Demonstrativo de Apuração, que é parte integrante do próprio auto de infração. Os valores lançados de ofício pelo autuante referemse a valores declarados em DCTF pela contribuinte, remetendo a compensações efetuadas em virtude de liminar em mandado de segurança. Cientificada da exigência fiscal em 26/01/05 (AR à fl. 38 e 113), a autuada apresenta em 25/02/05 as Impugnações (fls. 40/44 e 115/119), sendo essas as suas razões de defesa, em síntese: • A autuada está discutindo na Justiça o direito de aproveitamento de valores pagos indevidamente a título de PIS; Enquanto o Judiciário não se posicionar em definitivo a respeito do tema, não pode a autoridade administrativa desconsiderar as compensações efetuadas; • A multa aplicada, de 75%, tem caráter confiscatório; E os juros de mora aplicados, consoante o § 1º do art. 161 do Código Tributário Nacional, deveria ser de 1% ao mês; • Requer que seja realizada prova pericial. Em 13/04/07, o Grupo de Ações Judiciais (GAJ/SECAT) da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador (DRF/SDR) enviou Representação a esta Delegacia de Julgamento (fls. 71/73 e 147/149), onde informa sobre os procedimentos de cobrança dos débitos confessados pela contribuinte em DCTF, e onde opina sobre a lavratura dos presentes autos de infração que, salvo melhor juízo, julga indevidos." Fundamentou o cancelamento da autuação da seguinte forma: Portanto, os débitos declarados pela contribuinte em DCTF, que foram por ela calculados e definidos, constituem, na íntegra, clara “confissão de dívida”. Não se configurando situação abarcada pelo art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, a cobrança dos valores declarados e não pagos prescinde de lançamento de ofício. Assim, a própria DCTF é instrumento hábil para se prosseguir na cobrança do débito. Nesse sentido merece destaque também a informação trazida pela Representação do GAJ/SECAT/DFR/SDR (fls. 71/73 e 147/149) quanto à cobrança dos valores declarados em DCTF e já indicando a indevida sobreposição do lançamento de ofício para os mesmos valores nos períodos. É o relatório. Voto Fl. 173DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10580.000663/200517 Acórdão n.º 330200.878 S3C3T2 Fl. 165 4 Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso satisfaz os requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Segundo a Fiscalização, as justificativas da autuação seriam as seguintes 1 O contribuinte recolheu parcialmente a contribuição informando, em DCTF, compensação dos respectivos valores ao agasalho de Medida Judicial do Processo No 2001.33.00.0172712/BA. 2 Em 30 de abril de 2004 foi publicado Acórdão que deu provimento à apelação da Fazenda Nacional retirando a tutela judicial que amparava a empresa ao não recolhimento da contribuição. 3 Em virtude do contribuinte não ter retificado suas DCTFs, pago nem parcelado os valores em questão demos início à ação fiscal através do Termo de Inicio de Fiscalização, lavrado em 08/11/2004 com ciência em 09/11/2004; Portanto, a questão seria de saber se, havendo inicialmente vinculado débitos em DCTF a hipótese de suspensão de sua exigibilidade e tendo sido prejudicada a suspensão, não tendo o sujeito passivo retificado as declarações, caberia a simples cobrança dos débitos vinculados ou seria necessário lavrar auto de infração para exigilos. De fato, a disposição do art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 2001, que previa o lançamento acompanhado de multa de ofício nos casos como o dos autos, foi alterado pelo art. 18 da Medida Provisória no 135, de 2003, convertida na Lei no 10.833, de 2003. A referida MP foi publicada em 31 de outubro de 2003, data em que produziu efeitos em relação ao art. 18, que limitou o lançamento tratado no parágrafo anterior à multa de ofício isolada. Conforme dispõe o art. 144 do CTN, o lançamento é regido pela lei vigente à época do fato gerador. Dessa forma, para os fatos geradores ocorridos até setembro de 2003, aplica se a redação original do art. 90 da citada MP, somente descabendo o lançamento em relação aos períodos seguintes. Como o presente lançamento abrangeu os períodos de outubro de 2010 a março de 2003, o lançamento seria necessário em relação a todos os fatos geradores. Portanto, à vista da legislação vigente à época, os valores declarados em DCTF com vinculação não poderiam ser considerados confissão de dívida, havendo necessidade de lançamento. Entretanto, no tocante à multa descabe sua aplicação. Fl. 174DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10580.000663/200517 Acórdão n.º 330200.878 S3C3T2 Fl. 166 5 O lançamento de revisão de DCTF tinha suporte no art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 2001: Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Entretanto, o art. 18 da Lei no 10.833, de 2003, restringiu tal lançamento à multa isolada no caso de compensação irregular. Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6o a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2o A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 3o Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicando se o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 5o Aplicase o disposto no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2o e 4o deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Conforme determinação do art. 106, II, “a”, do CTN, Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] Fl. 175DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10580.000663/200517 Acórdão n.º 330200.878 S3C3T2 Fl. 167 6 II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Vale dizer, em relação às demais modalidades de vinculação dos débitos em DCTF, que não a compensação por meio de declaração de compensação, deixou de existir previsão de aplicação de multa. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso de ofício, para considerar formalmente procedente o lançamento, exceto em relação à multa de ofício, devendo os autos retornarem à DRJ de origem, após esgotada a competência do Carf na apreciação do processo e efetuadas as ciências do presente acórdão aos Interessados, para apreciar o restante da matéria contida na impugnação de lançamento. Observese que o provimento parcial do recurso de ofício abrange somente a matéria decidida na primeira instância, não podendo manifestarse o Carf em relação às demais matérias sob pena de supressão de instância. Tal fato não ocorre em relação à aplicação da multa de ofício por se tratar de matéria paralela e haver decisão favorável ao sujeito passivo. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Antonio Francisco Fl. 176DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
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