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Numero do processo: 10882.003901/2003-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1999, 2000
REMISSÃO. LEI nº 11.941, DE 2009.
A remissão do art. 14 da Lei 11.941, 2009, aplica-se aos débitos
administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil que, em 31 de dezembro de 2007, estejam vencidos há 5 anos ou mais e cujo valor total consolidado, nessa mesma data, seja igual ou inferior a R$10.000,00.
Compete à Delegacia da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona o contribuinte a verificação do atendimento aos requisitos para o perdão legal, devendo a ela o pedido ser endereçado.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM COMPROVADA. IMPOSSIBILIDADE.
O art. 42 da Lei 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Se os depósitos tiverem sua origem esclarecida e correspondam a
rendimentos omitidos devem ser lançados de acordo com sua natureza, pois o uso da presunção legal deve se restringir aos depósitos sem comprovação.
No caso, a fiscalização identificou que parte dos créditos se referiam a juros pagos a empréstimo, mas manteve a tributação como depósitos de origem não comprovada.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. EXCLUSÃO DE DEPÓSITOS INFERIORES A R$12.000,00 QUE TOTALIZAM MENOS DE R$80.0000,00.
Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física Súmula CARF nº 61.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO DE TODOS OS COTITULARES
ANTES DO LANÇAMENTO.
Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento Súmula CARF nº 29.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2101-001.273
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento em parte ao recurso, para excluir da base de cálculo do imposto de 1998 o valor de R$103.117,70, e da base de cálculo do imposto de 1999 o valor de R$34.005,92. Vencido o Conselheiro
Gonçalo Bonet Allage, que votou por dar provimento parcial em menor extensão, entendendo desnecessária a intimação a cotitulares
quando um deles for dependente do outro.
Nome do relator: Jose Evande Carvalho Araújo
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LEI nº 11.941, DE 2009. A remissão do art. 14 da Lei 11.941, 2009, aplicase aos débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil que, em 31 de dezembro de 2007, estejam vencidos há 5 anos ou mais e cujo valor total consolidado, nessa mesma data, seja igual ou inferior a R$10.000,00. Compete à Delegacia da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona o contribuinte a verificação do atendimento aos requisitos para o perdão legal, devendo a ela o pedido ser endereçado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM COMPROVADA. IMPOSSIBILIDADE. O art. 42 da Lei 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Se os depósitos tiverem sua origem esclarecida e correspondam a rendimentos omitidos devem ser lançados de acordo com sua natureza, pois o uso da presunção legal deve se restringir aos depósitos sem comprovação. No caso, a fiscalização identificou que parte dos créditos se referiam a juros pagos a empréstimo, mas manteve a tributação como depósitos de origem não comprovada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. EXCLUSÃO DE DEPÓSITOS INFERIORES A R$12.000,00 QUE TOTALIZAM MENOS DE R$80.0000,00. Fl. 413DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10882.003901/200380 Acórdão n.º 2101001.273 S2C1T1 Fl. 398 2 Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física Súmula CARF nº 61. OMISSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO DE TODOS OS COTITULARES ANTES DO LANÇAMENTO. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento Súmula CARF nº 29. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento em parte ao recurso, para excluir da base de cálculo do imposto de 1998 o valor de R$103.117,70, e da base de cálculo do imposto de 1999 o valor de R$34.005,92. Vencido o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, que votou por dar provimento parcial em menor extensão, entendendo desnecessária a intimação a cotitulares quando um deles for dependente do outro. (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, José Raimundo Tosta Santos, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 284 a 297, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 1999 e 2000, para lançar infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$49.335,77, acrescido de multa de ofício e juros de mora. Fl. 414DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10882.003901/200380 Acórdão n.º 2101001.273 S2C1T1 Fl. 399 3 IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 312 a 323), acatada como tempestiva. O relatório do acórdão de primeira instância descreveu o recurso da seguinte maneira (fls. 362 a 363): Após descrever os fatos que deram origem à lavratura do presente Auto de Infração, o impugnante apresenta as seguintes razões de defesa: 1 Anocalendário de 1998 1.1 Juros de empréstimos a pessoas físicas. Como esclarecido na petição de encaminhamento, o impugnante deixa de impugnar a matéria relativa aos empréstimos efetuados a pessoas físicas, cuja matéria tributável monta em R$ 3.968,26, por valerse do disposto no art.961 do RIR/99. 1.2 Aplicações financeiras realizadas na empresa Unita Factoring Ltda. O impugnante em atendimento às Intimações MPF nº 08.1.13.00200300335 3, forneceu ao Auditor Fiscal uma relação de todos os valores depositados pela UNITA FACTORING LTDA., em suas contas e de sua esposa, valores tais que totalizam R$ 178.818,57. Esses valores aplicados, naquele mesmo ano de 1998, foram devolvidos a UNITA FACTORING LTDA., ao qual restou como resultado de aplicação nessa empresa ao impugnante, no anocalendário de 1998, o valor de R$ 388.014,06, relativos a principal e juros, conforme discriminado na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física referente a esse ano calendário (Doc 01). O valor de R$ 388.014,00 se refere a soma das aplicações da Unita Factoring.ao impugnante e á sua esposa que corresponde a R$ 209.601,26 e R$ 178.412,80, respectivamente (Docs. 02 e 03 – Informes de rendimentos). Conforme se pode depreender dos Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de renda na Fonte da empresa UNITA, do ano calendário de 1998 (Doc.01), esses valores foram discriminados individualmente para cada beneficiário, impugnante e sua esposa, cujo total de rendimentos dessas aplicações resultaram em R$ 5.433,42 e R$ 2.172,93 para ambos, respectivamente, valores esses que somam R$ 7.606,35, montante equivocadamente oferecido à tributação naquele ano calendário como se fosse Rendimento Tributado Recebido de Pessoa Jurídica (Doc.01), DIRPJ exercício de 1999, ano calendário 1998. Equivocadamente, pois se era rendimento de aplicação financeira, o seu tratamento seria o de “Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva”,na DIRPF, já que não altera a base de cálculo do imposto devido no ano. Daí que não somente o valor de R$ 7.606,35 deveria constar como rendimento sujeito à tributação exclusiva, mas todo o valor de R$ 178.818.57, a partir de que restou confirmado que todo o valor diz respeito ao resgate (principal e juros) de aplicação efetuada na UNITA. No particular, entretanto, o equívoco no preenchimento da DIRPF não tem o condão de desvirtuar a natureza da matéria tributável, que por força de lei, é sempre Rendimento de Tributação Exclusiva. O impugnante transcreve os fatos descritos no auto de infração como constitutivos da matéria tributável dos autos e legislação pertinente à aplicação financeira, concluindo que o defendente não pode ser responsabilizado pelo pagamento do imposto de renda, sob regime fonte, cuja atribuição legal é de quem Fl. 415DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10882.003901/200380 Acórdão n.º 2101001.273 S2C1T1 Fl. 400 4 pagou o rendimento de aplicação financeira, que no caso vertente é a empresa UNITA FACTORING LTDA. Cita acórdão do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda nesse sentido. Portanto, apesar do equívoco cometido no preenchimento da declaração, o tratamento do imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos de aplicações financeiras será definitivo para o caso de pessoa física, sendo atribuição da fonte pagadora o pagamento do referido imposto. 2 Ano calendário de 1999. 2.1.Depósito efetuado através de DOC do Banco do Brasil, Agência de Adamantina, em 04/06/1999. Valor de R$ 15.000,00, depositado no banco Itaú em 04/06/1999, em nome de Luiza,tal valor foi devolvido conforme informado no atendimento às Intimações. A devolução foi efetuada por depósito na conta corrente de seu cunhado Sr Yuji Hoshino e ou Maria Hattori Hoshino,valor esse repassado ao Sr Shigueo Hattori em 14/06/1999, conforme documento anexo. Assim, conforme alegado e comprovado, foi demonstrada a origem do valor de R$ 15.000,00 e a devolução desse valor ao titular, não havendo nenhum acréscimo patrimonial que ensejasse no pagamento do imposto sobre a renda por parte da esposa do impugnante. 2.2 Valor de R$ 19.005,92 de origem não comprovada. O impugnante alega que com a exclusão do valor de R$ 15.000,00 do item 2.1 acima, não resta matéria tributável remanescente no ano de 1999 como demonstra na impugnação apresentada que revisando o Auto de Infração recalculou o imposto, apurando valor negativo. Por fim, requer o cancelamento da exigência. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 360 a 368): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1999, 2000 Depósitos Bancários. Omissão de Rendimentos. A Lei nº 9.430, de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou investimentos. Lançamento Procedente Fl. 416DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10882.003901/200380 Acórdão n.º 2101001.273 S2C1T1 Fl. 401 5 RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 30/6/2009 (fl. 374), o contribuinte apresentou, em 30/7/2009, o recurso de fls. 377 a 393, onde afirma: a) que parte dos débitos foi beneficiada pela remissão do art. 14 da Lei 11.941, de 2009; b) que os depósitos inferiores a R$12.000,00 não totalizaram R$80.000,0, tanto no anocalendário de 1998 quanto no de 1999; Ao final, requer o cancelamento da autuação. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 395, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, contendo ainda a fl. 396, sem numeração, referente ao Despacho de Encaminhamento dos autos do SECOJ/SECEX/CARF para a 1a Câmara da 2a Seção. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. O recorrente alega que parte dos débitos foi beneficiada pela remissão do art. 14 da Lei 11.941, 27 de maio de 2009, devendose excluíla do processo. Transcrevo o dispositivo legal: Art. 14. Ficam remitidos os débitos com a Fazenda Nacional, inclusive aqueles com exigibilidade suspensa que, em 31 de dezembro de 2007, estejam vencidos há 5 (cinco) anos ou mais e cujo valor total consolidado, nessa mesma data, seja igual ou inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais). § 1o O limite previsto no caput deste artigo deve ser considerado por sujeito passivo e, separadamente, em relação: I – aos débitos inscritos em Dívida Ativa da União, no âmbito da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, das contribuições instituídas a título de substituição e das Fl. 417DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10882.003901/200380 Acórdão n.º 2101001.273 S2C1T1 Fl. 402 6 contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos; II – aos demais débitos inscritos em Dívida Ativa da União, no âmbito da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional; III – aos débitos decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil; e IV – aos demais débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...) Vêse, então, que para se aplicar o perdão legal, devemse totalizar os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em 31/12/2007 vencidos há mais de 5 anos, cabendo a remissão no caso do valor total consolidado ser igual ou inferior a R$ 10.000,00 Assim, não é possível se aplicar a remissão da forma pretendida pelo recorrente, considerandose cada depósito individualmente. O simples fato do crédito tributário lançado na autuação superar o limite de R$10.000,00 já o exclui do favor legal, mesmo sem se levar em conta outros débitos por ventura existentes. De qualquer modo, como a remissão dos débitos envolve a análise da dívida consolidada do sujeito passivo, ela só pode ser efetivada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona o contribuinte, devendo a ela o pedido ser endereçado. O lançamento se deu com base no art. 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, abaixo transcrito: Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Fl. 418DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10882.003901/200380 Acórdão n.º 2101001.273 S2C1T1 Fl. 403 7 §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Acrescentese que os limites do inciso II do § 3º foram alterados para R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente, pelo art. 4o da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997. O contribuinte alega que, dos depósitos não comprovados de 1998, aqueles inferiores a R$12.000,00 totalizam R$78.149,53, e que os mesmos tipos de depósitos em 1999 importam em R$19.005,92, o que estaria abaixo do limite mínimo de R$80.000,00 anuais para tributação de valores de pequena monta. De fato, a Súmula CARF nº 61 determina que “os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física”. Em análise dos depósitos não comprovados do ano de 1998, citados no Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fl. 285), verifico que os depósitos inferiores a Fl. 419DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10882.003901/200380 Acórdão n.º 2101001.273 S2C1T1 Fl. 404 8 R$12.000,00, da tabela do item 10.1.1, totalizam na verdade R$79.149,44, pois o recorrente se esqueceu de somar um depósito de R$1.000,00. Entretanto, o lançamento de omissão de receitas caracterizada por depósitos não comprovados de 1998 inclui também os citados na tabela do item 10.1.2 (fl. 286), referentes aos juros dos empréstimos que transitaram pela contacorrente, e que totalizam R$3.968,26, o que faria que se ultrapassasse o mínimo de R$80.000,00 para esse ano calendário. Isso porque duas pessoas físicas informaram que tomaram emprestado certa quantia do recorrente naquele ano, e que devolveram o valor com juros (fl. 47 e 48), tendo a autoridade fiscal excluído os valores devolvidos dos depósitos não comprovados, mas mantido a tributação apenas da parte referente aos juros pagos. Contudo, penso que a fiscalização se equivocou ao lançar o valor dos juros como depósitos bancários de origem não comprovada. Se ela admitiu a justificativa dos tomadores de empréstimo de que parte dos recursos que transitaram na contacorrente se referiam a mútuos e concordou que somente a parcela dos juros deveria ser tributada, deveria ter efetuado o lançamento a título de juros omitidos e nunca de depósitos bancários não comprovados. Isso porque o §2o do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, determina que os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Em outras palavras, os depósitos que tiverem sua origem comprovada, mas que correspondam a rendimentos omitidos, devem ser lançados a esse título. O uso da presunção do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, deve se restringir aos depósitos sem origem comprovada. Desta forma, há que se afastar a tributação de R$3.968,26 por erro no enquadramento legal. No ano de 1998, sobram então R$79.149,44 de depósitos inferiores a R$12.000,00, que também devem ser excluídos do lançamento por totalizarem menos de R$80.000,00. Por outro lado, todos os depósitos não comprovados do ano de 1999, constantes da tabela do item 10.2.2 do Termo de Verificação e Constatação Fiscal(fl. 287), são inferiores a R$12.000,00, e totalizam R$19.005,92, devendo ser também excluídos da tributação. Persiste ainda a autuação dos depósitos não comprovados de valores superiores a R$12.000,00, nos anos de 1998 e 1999, listados na tabela abaixo: 14/8/1998 20.000,00 Banco Boavista fl. 92 3/9/1998 41.155,37 Banco Santander fls. 201 9/9/1998 35.000,00 Banco Santander fls. 201 4/6/1999 15.000,00 Banco Itaú fl. 279 Fl. 420DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10882.003901/200380 Acórdão n.º 2101001.273 S2C1T1 Fl. 405 9 Entretanto, parte do lançamento desses depósitos padece de grave defeito: a falta de intimação de todos os titulares da conta para prestar esclarecimentos. Observese que a presunção de omissão de rendimentos do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, exige a intimação prévia do titular da contacorrente. Nesse sentido, firmouse o entendimento de que todos os cotitulares da conta devem ser intimados para que o lançamento seja considerado válido, consolidado na Súmula CARF nº 29: “todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.” A conta do Banco Boavista é de titularidade conjunta do recorrente com sua esposa, a Sra. Luzia Chizue Hattori Takami, e a conta do Banco Itaú é de titularidade exclusiva dessa senhora, não constando dos autos qualquer intimação a ela dirigida para comprovação dos valores depositados. Não modifica essa conclusão o fato da Sra. Luzia Takami ser dependente do recorrente, e do lançamento ter se dado no titular da declaração de rendimentos. A obrigação do titular de declarar os rendimentos de seus dependentes não altera em nada o fato da lei exigir, para considerar que depósitos bancários sejam tidos como rendas omitidas, que o titular da contacorrente seja regularmente intimado. Desta forma, afasto também a tributação dos depósitos de R$20.000,00 e R$15.000,00. A tabela abaixo resume os valores exonerados neste julgamento: Ano Valor Motivo 1998 3.968,26 Enquadramento legal incorreto 1998 79.149,44 < R$80mil 1998 20.000,00 Falta intimação cotitular Total 103.117,70 1999 19.005,92 < R$80mil 1999 15.000,00 Falta intimação titular Total 34.005,92 Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo do imposto de 1998 o valor de R$103.117,70, e da base de cálculo do imposto de 1999 o valor de R$34.005,92. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 421DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10882.003901/200380 Acórdão n.º 2101001.273 S2C1T1 Fl. 406 10 Fl. 422DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO
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Numero do processo: 11060.003957/2008-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SIMPLES NACIONAL
Exercício: 2010
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. DÉBITOS. NÃO REGULARIZAÇÃO NO PRAZO LEGAL.
Deve ser excluída do Simples Nacional a pessoa jurídica que possui débitos junto a Fazenda Pública Federal, cuja exigibilidade não esteja suspensa. Não sendo os débitos regularizados no prazo legal de 30 dias, contados a partir da
ciência do ato de exclusão, tal ato deve ser tido por perfeito e produzir os efeitos que lhe são próprios.
QUESTÕES CONSTITUCIONAIS. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR
ADMINISTRATIVO.
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO PREJUÍZO. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA CARF Nº 22.
Se o contribuinte demonstra pleno e específico conhecimento dos débitos com exigibilidade não suspensa que motivaram sua exclusão do SIMPLES NACIONAL, não comprova cerceamento ao seu direito à ampla defesa e ao contraditório e, além disso, do exame dos autos não se constata qualquer prejuízo a esse direito, não se há de declarar a nulidade do Ato Declaratório de exclusão do regime simplificado. Inaplicável, no caso, a Súmula CARF nº 22.
Numero da decisão: 1301-000.689
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar
provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Valmir Sandri.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Exercício: 2010 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. DÉBITOS. NÃO REGULARIZAÇÃO NO PRAZO LEGAL. Deve ser excluída do Simples Nacional a pessoa jurídica que possui débitos junto a Fazenda Pública Federal, cuja exigibilidade não esteja suspensa. Não sendo os débitos regularizados no prazo legal de 30 dias, contados a partir da ciência do ato de exclusão, tal ato deve ser tido por perfeito e produzir os efeitos que lhe são próprios. QUESTÕES CONSTITUCIONAIS. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO PREJUÍZO. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA CARF Nº 22. Se o contribuinte demonstra pleno e específico conhecimento dos débitos com exigibilidade não suspensa que motivaram sua exclusão do SIMPLES NACIONAL, não comprova cerceamento ao seu direito à ampla defesa e ao contraditório e, além disso, do exame dos autos não se constata qualquer prejuízo a esse direito, não se há de declarar a nulidade do Ato Declaratório de exclusão do regime simplificado. Inaplicável, no caso, a Súmula CARF nº 22. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11060.003957/200885 Acórdão n.º 130100.689 S1C3T1 Fl. 142 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Valmir Sandri. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Paulo Jakson da Silva Lucas, Carlos Augusto de Andrade Jenier, Valmir Sandri e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório BELGA IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS QUÍMICOS LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1812.876, de 09/09/2010, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Santa Maria/RS, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. O relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância descreve de forma sucinta e objetiva o ocorrido, pelo que peço vênia para transcrevê lo. Tratase da exclusão da pessoa jurídica, ora Manifestante, do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples Nacional nos termos do Ato Declaratório Executivo DRF/STM n° 336.078, de 22 de agosto de 2008 (Lote 002/2008) (fl. 11). A motivação para a exclusão seria “em virtude de possuir de possuir débitos com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa, relacionados no item ‘Pessoa Jurídica’, assunto ‘Simples Nacional’ do Sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil na Internet, no endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br conforme disposto no inciso V do artigo 17 da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, e na alínea “d” do inciso II do art. 3°, combinado com o inciso I do art. 5° ambos da Resolução CGSN n° 15, de 23 de julho de 2007”. Os efeitos da exclusão devem surgir a partir de 1° de janeiro de 2009. A interessada tomou ciência da exclusão, em 17/09/2008, conforme tela de "Consulta Postagem" (fl. 25). Apresentou a “Contestação à Exclusão do Simples Nacional”, em 1°/10/2008 (fls. 01), instruída com cópia(s) e/ou original(is) de documento(s) que consta(m) na(s) folha(s) 02 a 22 do presente processo administrativo. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11060.003957/200885 Acórdão n.º 130100.689 S1C3T1 Fl. 143 3 Os argumentos da Manifestante são, em síntese, os seguintes: diz que em 13/10/2004 apresentou PERDCOMP para compensar um débito de R$ 640,64 com um crédito de R$1.145,99; um débito de R$ 512,51 com um crédito de 674,49; informa que participava de licitações e efetuava fornecimento de material para Órgãos Públicos que, nos pagamentos, efetuavam retenção na fonte sob o código 6147; utilizava esses créditos para compensar impostos devidos; Seguindo, numa argumentação confusa, argumenta o seguinte: “A empresa utilizou do crédito de IRPJ e COFINS pois recolheu os DARF integralmente e possui retenção na fonte e não utilizou tais créditos”; “Informamos nas DCTF’s retificadoras de 15/10/2004 n° 0169185129 e 18/09/2008 n° 4141381885, tendo portanto utilizado de um benefício p/quitação dos tributos”; diz que considera indevida sua exclusão do Simples; argumenta que por diversas vezes demonstrou sua regularidade fiscal, pois necessita estar em dia com seus impostos para participar de licitações; lembra que foram expedidas diversas CNDs; lembra que a exclusão da empresa acarretaria uma tributação elevada para as condições financeiras da empresa. Requer a sua permanência no Simples Nacional. Anexa à sua manifestação de inconformidade a interessada apresentou cópia de “Recurso Voluntário” encaminhado ao “Conselho de Contribuintes” relativo aos processos administrativos n° 11060.900933/200876 e 11060.900982/200817. Contudo nos argumentos delineados percebese que os argumentos são contra sua exclusão do Simples, ou seja, da matéria tratada no presente processo administrativo n° 11060.003957/200885, onde os argumentos da interessada são, em síntese, os seguintes: não se conforma com o auto de infração e a decisão de primeira instância, da qual foi cientificada em 16/09/2008; Sob o título dos Fatos diz o seguinte: recebeu a notificação da exclusão do Simples Nacional, com a qual não se conforma; diz que, em 13/10/2004 foi efetuado PERDCOMP onde os débitos de R$640,64 IRPJ, e R$512.51 relativo CSLL, foram compensados pelos créditos R$1.145,99 de COFINS E Crédito R$674,49 relativo IRPJ (retido pela UFSM CNPJ 95591764/000140 e Escola São Vicente CNPJ 94.445.673/000107); informa que participava de licitações e efetuava fornecimento de material para Órgãos Públicos que, nos pagamentos, efetuavam retenção na fonte sob o código 6147; utilizava esses créditos para compensar impostos devidos; utilizou o crédito de IRPJ e COFINS pois recolheu os DARF integralmente e possui retenção na fonte e não utilizou tais créditos; Fl. 149DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11060.003957/200885 Acórdão n.º 130100.689 S1C3T1 Fl. 144 4 diz que informou nas DCTF’s retificadoras de 15/10/2004 n° 0169185129 e 18/09/2008 n° 4141381885, tendo portanto utilizado de um benefício para quitação dos tributos; Sob o título “O Direito” argüi, em síntese, como segue: transcreve o art. 179 da CF sobre “tratamento jurídico diferenciado”; entre outras afirmações, diz que exerce uma função legítima; repete que considera indevida sua exclusão do Simples Nacional. Na conclusão entende ter demonstrado a insubsistência e improcedência da ação fiscal e requer o cancelamento do débito fiscal reclamado. A autoridade preparadora instruiu os autos com cópia(s) e/ou original(is) de documento(s) que consta(m) na(s) folha(s) 23 a 41. A 2ª Turma da DRJ em Santa Maria/RS analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1812.876, de 09/09/2010 (fls. 43/48), consideroua improcedente com a seguinte ementa: Assunto: Simples Nacional Anocalendário: 2008 DÉBITOS FISCAIS. FALTA DE REGULARIZAÇÃO. A falta de regularização dos débitos fiscais no prazo de até 30 (trinta) dias contados a partir da ciência da comunicação da exclusão impede a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples Nacional. Ciente da decisão de primeira instância em 17/09/2010, conforme Aviso de Recebimento à fl. 50, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 15/10/2010 conforme carimbo de recepção à folha 56. No recurso interposto (fls. 56/67), após alentado preâmbulo, a recorrente aduz argumentos que podem ser sintetizados como segue: Preliminarmente, alega a nulidade do ato administrativo que a excluiu do Simples Nacional. Tal nulidade residiria, por sua ótica, na ausência de motivação que ensejou a exclusão, acarretando preterição ao seu direito de defesa. Sustenta que o dispositivo legal invocado “traz no seu contexto várias atividades que, uma vez demonstradas, permitiram em tese excluir o contribuinte do sistema SIMPLES”. No entanto, os dispositivos legais estariam “desacompanhados da descrição de uma situação de fato justificadora”. Argúi seu direito à permanência no Simples, instituído pela Lei nº 9.317/1996. Sustenta, ainda, que essa lei deve ser analisada de acordo com as diretrizes fixadas pela norma constitucional, expressa no artigo 179 da Constituição Federal. Sua exclusão discricionária atentaria contra os princípios da capacidade contributiva dos empresários e da isonomia tributária. Requer seja atribuído efeito suspensivo ao seu recurso contra o acórdão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Cita dispositivos da Lei nº 9.317/1996 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11060.003957/200885 Acórdão n.º 130100.689 S1C3T1 Fl. 145 5 e concluir que não pode ser excluída do Simples enquanto “pendente de julgamento a impugnação ao ato administrativo declaratório”. Passa, então, a aduzir argumentos atinentes aos pedidos de compensação não homologados. Entende que caberia observar, no julgamento do presente recurso, “que havia crédito suficiente para a compensação dos débitos, e que não foram, por equívoco e sem fundamentação compensados”. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Gira a lide em torno da exclusão do contribuinte do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), instituído pela Lei Complementar nº 123/2006, em face de possuir débitos com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa. Eis os dispositivos da referida Lei Complementar aplicáveis à matéria e que fundamentaram o Ato Declaratório Executivo de exclusão (fl. 11): Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: [...] V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; [...] Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: [...] IV na hipótese do inciso V do caput do art. 17 desta Lei Complementar, a partir do anocalendário subseqüente ao da ciência da comunicação da exclusão. [...] §2o Na hipótese do inciso V do caput do art. 17 desta Lei Complementar, será permitida a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples Nacional mediante a comprovação da Fl. 151DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11060.003957/200885 Acórdão n.º 130100.689 S1C3T1 Fl. 146 6 regularização do débito no prazo de até 30 (trinta) dias contado a partir da ciência da comunicação da exclusão. À fl. 26 encontro consulta aos sistemas de processamento da RFB, na qual consta a existência de débitos não previdenciários na RFB consolidados até agosto de 2008, motivadores da exclusão do Simples Nacional, com as seguintes informações: a) IRPJ, código 2089, PA 04/2000 Valor do Saldo R$ 135,93 b) IRPJ, código 2089, PA 01/1999 Valor do Saldo R$ 640,64 c) CSLL, código 2372, PA 01/1999 Valor do Saldo R$ 512,51 Instada a se manifestar acerca da alegação da recorrente de que os três débitos acima teriam sido compensados, a Autoridade Administrativa informou (fl. 41) que todos os débitos teriam sido objeto de declarações de compensação. Quanto ao item (a), estaria aguardando decisão da RFB e, portanto, com sua exigibilidade suspensa. Quanto aos itens (b) e (c), já teriam sido objeto de decisão que os não homologou, não tendo sido apresentada manifestação de inconformidade. A informação acerca da existência de débitos ainda em aberto foi decisiva para o desprovimento da manifestação de inconformidade, em primeira instância administrativa. Em sede recursal, a contribuinte argúi, preliminarmente, a nulidade do ADE, por cerceamento ao seu direito à ampla defesa e ao contraditório. Não haveria, pela ótica da recorrente, correlação entre o dispositivo legal invocado e uma situação de fato justificadora. Não lhe assiste razão. Conforme visto acima, a hipótese legal de exclusão foi a existência de débitos com a Fazenda Pública Federal, cuja exigibilidade não se encontrava suspensa. A situação fática, a saber, os débitos exigíveis, foi especificamente apontada, vide fl. 26. O contraditório pode ser exercido sem qualquer cerceamento, como o demonstra a peça inaugural do presente litígio (fl. 01), na qual o contribuinte demonstra conhecer precisamente os débitos que, no entendimento da Administração Tributária, seriam exigíveis, e aduz os motivos de seu entendimento em contrário. Restaria, ainda, verificar se seria o caso de declaração de nulidade do Ato Declaratório de exclusão do SIMPLES NACIONAL, em face da súmula CARF nº 22, a seguir transcrita. Súmula CARF nº 22: É nulo o ato declaratório de exclusão do Simples que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa. O contexto em que surgiram as decisões administrativas que deram origem à súmula acima era o da vigência da Lei nº 9.317/1996, sendo de especial interesse seu artigo 9º, verbis: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: [...] Fl. 152DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11060.003957/200885 Acórdão n.º 130100.689 S1C3T1 Fl. 147 7 XV que tenha débito inscrito em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa; XVI cujo titular, ou sócio que participe de seu capital com mais de 10% (dez por cento), esteja inscrito em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa; Muitos litígios surgiram e foram levados à apreciação do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes. A jurisprudência administrativa se firmou no sentido da nulidade do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do SIMPLES e foram colhidos, como paradigmas representativos do consenso, os acórdãos de nº 30331.479, 30331.882, 301 31.763, 30131.917 e 30132.120. Aquele Conselho, então, houve por bem editar a Súmula nº 2 do Terceiro Conselho de Contribuintes, posteriormente recepcionada como Súmula nº 22 do CARF. Releva investigar os fundamentos dos acórdãos tidos por paradigmas para a aprovação da súmula, pois é a partir deles que se poderá concluir por sua aplicação, ou não, ao caso sob exame. Passo a fazêlo. 1) Acórdão 30331.479, de 17/06/2004 • O ADE é nulo de pleno direito por cerceamento do direito de defesa. • O ADE indicou a existência de pendências da empresa e/ou sócios junto à PGFN. • A empresa não sabia a qual sócio se referiam as pendências, e apresentou manifestação de inconformidade com CND de outra pessoa. • Fundamento da decisão: cerceamento do direito de defesa, comprovado nos autos. Não se cogitou de vício de forma. 2) Acórdão 30331.882, de 24/02/2005 • ADE é nulo por vício de forma. Falta de demonstração dos fundamentos e dos fatos jurídicos que o embasaram. • O ADE indicou a existência de pendências da empresa e/ou sócios junto à PGFN, sem discriminação acerca de quais seriam tais pendências. • O ADE não mencionou o dispositivo legal infringido. • O fato descrito de modo impreciso no ADE não acarretou sua subsunção à norma. • Fundamento da decisão: vício de forma, o ato deve ser motivado com a demonstração dos fundamentos e dos fatos jurídicos que o embasaram. O vício de forma impossibilitou a defesa adequada do contribuinte. 3) Acórdão 30131.763, de 14/04/2005 • O processo de exclusão do Simples é nulo. • O ADE indicou a existência de pendências da empresa e/ou sócios junto à PGFN, sem discriminação acerca de quais seriam tais pendências, nem se teriam sido objeto de inscrição em Dívida Ativa. • Fundamento da decisão: cerceamento do direito de defesa. 4) Acórdão 30131.917, de 17/06/2005 • O ADE foi anulado por vício formal. Falta de estabelecimento de nexo entre o motivo do ato (situação material que lhe serviu de suporte) e a norma jurídica. Preterição do direito de defesa. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11060.003957/200885 Acórdão n.º 130100.689 S1C3T1 Fl. 148 8 • O ADE indicou a existência de pendências da empresa e/ou sócios junto à PGFN. • Fundamento da decisão: Inadequação entre o motivo do ato (pendências junto à PGFN) e a norma jurídica (débito inscrito em Dívida Ativa). A não explicitação da motivação cerceou o direito de defesa. 5) Acórdão 30132.120, de 13/09/2005 • O processo foi anulado por vício formal. Falta de estabelecimento de nexo entre o motivo do ato (situação material que lhe serviu de suporte) e a norma jurídica. Preterição do direito de defesa. • O ADE indicou a existência de pendências da empresa e/ou sócios junto à PGFN e ao INSS. • Fundamento da decisão: Inadequação entre o motivo do ato (pendências junto à PGFN e INSS) e a norma jurídica (débito inscrito em Dívida Ativa, com exigibilidade não suspensa). A análise acima, no que toca aos fundamentos de cada decisão, bem pode ser sintetizada no quadro que segue: ACÓRDÃO (1) (2) (3) (4) (5) Fundamento: Inadequação entre situação material e norma jurídica Não Sim Não Sim Sim Fundamento: Cerceamento ao direito de defesa Sim Subsidiário / decorrente Sim Subsidiário / decorrente Não Como se pode observar, dois foram os fundamentos para a declaração de nulidade do ADE. O primeiro deles, adotado em três dos paradigmas, foi a inadequação entre a situação material e a norma jurídica. Naquelas oportunidades, o ADE se limitava a consignar a existência de pendências junto à PGFN (situação material), enquanto o impedimento para a permanência no sistema simplificado seria a existência de débitos inscritos em Dívida Ativa com exigibilidade não suspensa (norma jurídica, art. 9º da Lei nº 9.317/1996). Entendo que tal fundamento não se aplica à situação ora analisada. A norma jurídica agora vigente é o art. 17 da Lei Complementar nº 123/2006, já anteriormente transcrito neste voto. Desta feita, a subsunção do fato à norma é correta, e não deixa margem a questionamentos. A situação material apontada pela Administração Tributária coincide com a prevista pela norma jurídica. Quanto ao segundo fundamento, na situação anterior, que motivou o surgimento da súmula nº 22, o ônus de descobrir quais pendências representariam, efetivamente, débitos inscritos em dívida ativa, e quais seriam esses débitos passíveis de regularização era transferido ao contribuinte. Ainda, a regularização exigida não se fazia especificamente com relação aos débitos que motivaram a emissão do ADE, sendo requerida do contribuinte, genericamente, a apresentação de Certidão Negativa de Débitos da pessoa jurídica e de seus sócios. Em tais condições, quatro dos acórdãos paradigmas consideraram consubstanciado o cerceamento ao direito à ampla defesa e ao contraditório e, diante disso, decretaram a nulidade do ADE. Na situação presente, a indicação dos débitos não foi meramente alusiva à sua existência, mas sim apontando especificamente o local (a página na internet) onde o contribuinte poderia obter o detalhamento dos débitos existentes. Também a regularização exigida é específica quanto a esses débitos. Diante disso, considero que o prejuízo não pode ser teórico nem presumido, devendo ser comprovado nos autos. Se o contribuinte, em sua Fl. 154DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11060.003957/200885 Acórdão n.º 130100.689 S1C3T1 Fl. 149 9 manifestação de inconformidade, demonstra conhecer perfeitamente quais débitos motivaram sua exclusão do sistema simplificado, descabe declarar a nulidade do ato por cerceamento ao direito de defesa meramente presumido. Nesse sentido, pertinente a lição de Neder e López1: Evidentemente, há de se contestar aqueles que defendem a idéia de que as hipóteses de nulidade em processo fiscal são, apenas, as discriminadas nos incisos I e II do artigo 59 do PAF. O legislador explicitamente se referiu a duas regras sancionadoras de nulidade, a primeira referese a pressuposto subjetivo (agente competente) de atos processuais (atos, termos, despachos e decisões), enquanto a segunda atente a pressuposto processual de ato decisório, eis que a obediência ao princípio constitucional da ampla defesa é mandatório em todo o processo administrativo fiscal. A existência de qualquer ato precedente produzido em ofensa ao contraditório e à ampla defesa macula o ato decisório posterior, que deverá ser tornado ineficaz por declaração de nulidade pelo julgador. [...] O inciso II cuida, ainda, da nulidade decorrente de cerceamento do direito de defesa que, no processo administrativo fiscal, é garantido pela Constituição Federal. Daí as decisões administrativas devem ser emitidas sempre em respeito aos princípios do contraditório e da ampla defesa sob pena de serem consideradas nulas pela falta de elemento essencial à sua formação. Da mesma forma, a omissão de requisitos essenciais enseja a nulidade do lançamento quando cercearem o direito de defesa do contribuinte. É preciso, no entanto, examinar, no caso concreto, se o vício defensivo prejudica a ampla defesa como um todo, ou não. Para Ada Pellegrini Grinover, “há nulidade absoluta quando for afetada a defesa como um todo; nulidade relativa com prova de prejuízo (para a defesa) quando o vício do ato defensivo não tiver essa conseqüência”. Neste caso, o vício pode ser sanado. Segundo a autora, “o vício ou a inexistência do ato defensivo pode não levar, como conseqüência necessária, à vulneração do direito de defesa, em sua inteireza, dependendo a declaração de nulidade da demonstração do prejuízo à atividade defensiva como um todo”. A nulidade por vícios processuais carece de um fim em si mesma, isto é, não tem existência autônoma. Confirmando esta posição, o artigo 60 do Decreto nº 70.235/72 prevê a necessidade da prova de prejuízo no caso de vícios que não alcancem formalidades essenciais. Assim, por exemplo, a falta de indicação da capitulação legal do lançamento pode prejudicar a defesa do contribuinte, mas, se ele, em sua impugnação, demonstra saber, perfeitamente, os fundamentos jurídicos de sua acusação, não é caso de nulidade. Tal imperfeição no ato do lançamento não necessariamente leva ao pronunciamento da nulidade pelo julgador. Entre os fundamentos mais comuns para pedido de nulidade por cerceamento do direito de defesa, encontramse, por exemplo: o nãoatendimento ao princípio do contraditório ou a omissão de formalidade essencial no ato de lançamento. Por sua vez, as autoridades julgadoras para não acolher, ou acolher parcialmente, as argüições de nulidade baseiam suas decisões no fato de o interessado não haver demonstrado o efetivo prejuízo [...]. Na Teoria do Processo, as nulidades não são um fim em si mesmas, antes se destinam a preservar as garantias e direitos das partes. Sob esta ótica, não se há de decretar 1 NEDER, Marcos Vinicius e LÓPEZ, Maria Tereza Martínez. Processo Administrativo Fiscal Federal comentado. 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, pp. 477, 478, 480 e 481. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11060.003957/200885 Acórdão n.º 130100.689 S1C3T1 Fl. 150 10 uma nulidade sem que reste demonstrado o prejuízo ao direito que ela visa a preservar. É exatamente este o sentido do vetusto, mas ainda aplicável, brocardo jurídico pas de nullité sans grief (não há nulidade sem prejuízo), recentemente trazido à baila por um ilustre Conselheiro deste Colegiado. Também nessa linha de raciocínio, peço vênia para transcrever brilhante excerto do voto do Ministro Relator Napoleão Nunes Maia Filho, por ocasião do julgamento, pelo Superior Tribunal de Justiça, do Habeas Corpus nº 99.996SP (2008/00271824, data do julgamento 06/05/2008, publicado no DJe em 23/06/2008): 12. O processo não é um fim em si mesmo. Objetiva, sobretudo, garantir o respeito aos princípios considerados fundamentais, fornecendo a todo cidadão a segurança de que só será condenado após o justo processo. Exatamente por sua importância, o EstadoJuiz deve coibir a sua utilização como forma de impedir ou frustrar a atuação jurisdicional, acolhendo interpretações desprovidas de razoabilidade, sempre que constatar a inexistência de prejuízo para a defesa. Admitir a nulidade sem nenhum critério de avaliação, mas apenas por simples presunção de ofensa aos princípios constitucionais, é permitir o uso do devido processo legal como mero artifício ou manobra de defesa e não como aplicação do justo a cada caso, distanciandose o direito do seu ideal, qual seja, a aplicação da justiça. O Supremo Tribunal Federal igualmente se manifestou sobre a matéria, concluindo pela necessidade de demonstração do prejuízo, ainda que se trate de nulidade absoluta. Ilustrativo o julgamento do Agravo Regimental no Agravo de Instrumento nº 559.6329 MG, em 06/12/2005, sendo Relator o Ministro Sepúlveda Pertence. Ao final, o acórdão foi publicado no DJU em 03/02/2006, e restou assim ementado (grifos no original): 1. Recurso extraordinário: Descabimento: Acórdão recorrido que, para afastar as nulidades argüidas, limitouse a interpretar e aplicar a legislação ordinária pertinente (C.Pr.Penal, arts. 475; 563; e 578, VIII), a cujo reexame não se presta o RE: incidência, mutatis mutandis, do princípio da Súmula 636. 2. Nulidades processuais: ausência de prejuízo: “pas de nullité sans grief”. É da jurisprudência do Supremo Tribunal que não se adstringe ao das nulidades relativas o domínio do princípio fundamental da disciplina das nulidades processuais o velho pas de nullité sans grief , corolário da natureza instrumental do processo, donde sempre que possível ser exigida a prova do prejuízo, ainda que se trate de nulidade absoluta (HHCC 81.510, Pertence, 1T., DJ 12.4.02; HC 74.671, Velloso, 2ª T., DJ 11.4.97). 3. Júri: proibição de produção ou leitura de documento no plenário do Júri: nulidade que, além de relativa, não se configura quando o documento impugnado não chegou a ser lido em plenário: precedentes. Retornando ao exame do caso concreto, considero que o prejuízo ao direito à ampla defesa e ao contraditório precisaria ter sido comprovado pela parte supostamente prejudicada. Não é o que encontro nos presentes autos. Em sua manifestação de inconformidade a interessada demonstra conhecer especificamente os débitos que lhe são imputados Fl. 156DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11060.003957/200885 Acórdão n.º 130100.689 S1C3T1 Fl. 151 11 Em tais condições, não comprovado qualquer prejuízo ao direito da interessada à ampla defesa e ao contraditório, não encontro aplicabilidade para a Súmula CARF nº 22. É certo que, em oportunidade anterior, já votei pela aplicação da mencionada súmula, não vinculando a nulidade ao exame acerca da efetividade do prejuízo. No entanto, ao reexaminar a matéria em maior profundidade, concluo que descabe sua aplicação automática, pelas razões aqui desenvolvidas. Ausente qualquer cerceamento ao direito à ampla defesa e ao contraditório, deve ser rejeitada a alegação de nulidade do Ato Declaratório Executivo que excluiu o contribuinte do Simples Nacional. No que toca à alegação do direito de permanecer no Simples, instituído pela Lei nº 9.317/1996, devese alertar o contribuinte que tal lei foi expressamente revogada pela Lei Complementar nº 123/2006. O Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, de que cuidava a primeira lei, foi substituído pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples Nacional, regulado pela segunda, a partir de 01/07/2007. Desde que todos os fatos de que aqui se cuida são posteriores a essa data, os dispositivos legais aplicáveis são os da Lei Complementar superveniente. Esta observação é cabível, inclusive, no que tange ao pedido de suspensão dos efeitos da exclusão do Simples, baseada em dispositivos da revogada Lei n 9.317/1996. Quanto aos reclamos de que as leis aqui aplicadas deveriam ser interpretadas à luz do art. 179 da Constituição Federal/1988 e que ofenderiam dispositivos e princípios constitucionais, é de se esclarecer que este colegiado administrativo não possui competência para se manifestar a respeito. As leis que integram o ordenamento jurídico têm presunção de constitucionalidade, cabendo tão somente ao Poder Judiciário apreciar questões dessa natureza. Essa matéria é pacificada no âmbito deste Conselho, sendo, inclusive, objeto de súmula: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. .As súmulas CARF foram objeto da Portaria CARF nº 49, de 01/12/2010 (DOU de 07/12/2010), e são de observância obrigatória por seus membros, a teor do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009 e alterações supervenientes. Finalmente, no que toca ao mérito, constato que a contribuinte se limita a reiterar que os dois débitos – acima identificados como (b) e (c) – teriam sido objeto de compensação, e que haveria créditos suficientes para que as compensações declaradas houvessem sido homologadas. Tais razões não podem ser acolhidas. Conforme deixou claro o ilustre Relator do processo em primeira instância, referidas compensações foram objeto de decisões administrativas que negaram sua homologação (fls. 33/34 e 37/38), sendo dada regular ciência à interessada (fls. 35 e 39). Expirado o prazo sem que houvesse sido interposta a manifestação de inconformidade que lhe foi expressamente facultada, nos termos da lei, somente caberia à interessada promover o pagamento ou parcelamento dos débitos, se pretendia sua regularização. O fato de que os débitos ainda não haviam sido inscritos em Dívida Ativa da Fl. 157DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11060.003957/200885 Acórdão n.º 130100.689 S1C3T1 Fl. 152 12 União não significa em absoluto que não constassem dos sistemas eletrônicos da RFB, como se constata facilmente às fls. 26 e 29. O que resta incontroverso, então, é a existência de débitos exigíveis diante da Fazenda Pública Federal, não regularizados no prazo legal, motivo necessário e suficiente para que a exclusão do Simples Nacional seja confirmada, nos termos do Ato Declaratório Executivo de fl. 11. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 158DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10108.000295/2001-69
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 1997
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL AUTO DE INFRAÇÃO CUJA
INTIMAÇÃO SE DEU POR VIA POSTAL OMISSÃO QUANTO À DATA DE RECEBIMENTO IMPUGNAÇÃO TEMPESTIVA.
Conforme determina o inciso II, do § 2°, do artigo 23, do Decreto n° 70.235/72, considera-se feita a intimação por via postal na data do recebimento ou, caso omitida, conforme se verifica no caso em apreço, quinze dias após a data da expedição da intimação, que ocorreu em 10/07/2001. Sendo assim, é de se considerar tempestiva a impugnação apresentada pelo sujeito passivo em 15/08/2001.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.330
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, negar
provimento ao recurso, ratificando a determinação de retorno dos autos à DRJ de origem para análise das matérias impugnadas. Vencidos os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Susy Gomes
Hoffmann e Caio Marcos Candido.
Nome do relator: Gonçalo Bonet Allage
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Conforme determina o inciso II, do § 2°, do artigo 23, do Decreto n° 70.235/72, considerase feita a intimação por via postal na data do recebimento ou, caso omitida, conforme se verifica no caso em apreço, quinze dias após a data da expedição da intimação, que ocorreu em 10/07/2001. Sendo assim, é de se considerar tempestiva a impugnação apresentada pelo sujeito passivo em 15/08/2001. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, ratificando a determinação de retorno dos autos à DRJ de origem para análise das matérias impugnadas. Vencidos os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Susy Gomes Hoffmann e Caio Marcos Candido. CAIO MARCOS CÂNDIDO – Presidente Gonçalo Bonet Allage Relator Fl. 339DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10108.000295/200169 Acórdão n.º 920201.330 CSRFT2 Fl. 2 2 EDITADO EM: 25/02/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Giovanni Christian Nunes Campos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Em face de Nildo Alves de Albres foi lavrado o auto de infração de fls. 17 22, para a exigência de imposto sobre a propriedade territorial rural, exercício 1997, em razão da glosa de área declarada como sendo de reserva legal, relativamente ao imóvel denominado Fazenda Santa Ana, situado no município de Corumbá (MS). A intimação do lançamento se deu por via postal, através do AR de 25, onde não consta data de recebimento e cujo carimbo de entrega mostra o dia 11/07/2001, segundo a repartição de origem (a data está ilegível). O contribuinte protocolou sua impugnação em 15/08/2001 (fls. 27). A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande (MS) não conheceu da impugnação, por intempestiva (fls. 8285). Apreciando o recurso voluntário interposto pelo autuado, a Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes proferiu o acórdão n° 30333.879, que se encontra às fls. 119126, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 1997 Ementa: ITR. IMPUGNAÇÃO DA EXIGÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. Não consta do AR a data do recebimento da intimação pelo contribuinte. O início da contagem do prazo para apresentação de impugnação deve ser a partir do dia 26.07.2001, quinze dias depois da expedição da intimação pela IRF/Corumbá. O termo final do prazo para a apresentação da impugnação ocorreria somente em 24.08.2001, entretanto a manifestação de inconformidade foi protocolada em 15.08.2001, tempestivamente. Devolvese a matéria à apreciação da primeira instância julgadora. A decisão recorrida, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para considerar que a impugnação é tempestiva e determinar o retorno dos autos à DRJ, vencidos os Conselheiros Tarário Campelo Borges (Relator) e Marciel Eder Costa, sendo Redator Designado o Conselheiro Zenaldo Loibman. Fl. 340DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10108.000295/200169 Acórdão n.º 920201.330 CSRFT2 Fl. 3 3 Intimada do acórdão em 17/12/2007 (fls. 127), a Fazenda Nacional interpôs, com fundamento no artigo 7°, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais então vigente, recurso especial às fls. 132138, cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) A questão central que se debate no caso é saber se o contribuinte apresentou sua impugnação ao auto de infração dentro do prazo legal; b) Entendemos que o v. Acórdão recorrido mostrouse contrário à evidência das provas ao ter assentado a tempestividade da impugnação formulada; c) Do exame das peças que compõem os autos exsurgem sem controvérsias: (1) a pessoa que recebeu a correspondência com o auto de infração no endereço do sujeito passivo da obrigação tributária principal não escreveu no campo próprio do AR a data da ocorrência desse fato; (2) 11 de julho de 2001 é a data contida no carimbo de entrega aposto pela unidade postal de destino no AR de folha 25, vinculado à postagem do auto de infração de folhas 17 a 22; e (3) 15 de agosto de 2001 é a data da protocolização da impugnação da exigência; d) Amparado nesses fatos, o contribuinte invocou a aplicação do disposto no artigo 23, § 2°, inciso II, do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação dada pela Lei 9.532, de 1997, para definir o início da contagem do prazo de impugnação quinze dias após 11 de julho de 2001, data do carimbo da unidade postal de destino; e) Nada obstante a ausência da data do recebimento grafada por quem assinou o AR, entendo que o dispositivo do Decreto 70.235, de 1972, no qual o recorrente busca socorro, não alcança a situação fática ora analisada, porquanto no AR de folha 25 a data do recebimento da correspondência não restou omitida: ela foi informada pela unidade postal de destino; f) Com essas considerações, é indiscutível a intempestividade da impugnação apresentada; g) Ao ter entendido diversamente, o v. Acórdão recorrido se mostrou contrário à evidência das provas, merecendo, portanto, ser reformado; h) Requer seja conhecido e provido o Recurso Especial apresentado, a fim de cassar o v. acórdão recorrido, restaurandose o inteiro teor da r. decisão de 1ª instância. Admitido o recurso por intermédio do Despacho n° 047/2008 (fls. 140141), o contribuinte foi intimado e, devidamente representado, apresentou contrarrazões às fls. 148 155, onde defendeu, fundamentalmente, a necessidade de manutenção do acórdão recorrido. É o Relatório. Fl. 341DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10108.000295/200169 Acórdão n.º 920201.330 CSRFT2 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para considerar como tempestiva a impugnação e determinar o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão. A recorrente insurgiuse contra tal conclusão, suscitando ser inaplicável ao caso a regra do inciso II, do § 2°, do artigo 23, do Decreto n° 70.235/72, pois embora não conste do AR a data de recebimento da intimação, esta informação teria sido prestada pela unidade postal de destino. Eis a matéria em litígio. Pois bem, o artigo 23, inciso II, § 2°, inciso II, do Decreto n° 70.235/75 estabelece que: Art. 23. Farseá a intimação: (...) II – por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (...) § 2°. Considerase feita a intimação: (...) II – no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; Portanto, a legislação estabelece que se considera feita a intimação por via postal na data do recebimento ou, caso omitida, conforme ocorre no caso em apreço, quinze dias após a data da expedição da intimação. Ora, a intimação deste auto de infração se deu por via postal, através do documento de 25. Nele não consta data de recebimento e o carimbo da unidade postal de destino indica o dia 11/07/2001, segundo a repartição de origem (a data está flagrantemente ilegível). A expedição da intimação se deu em 10/07/2001. Fl. 342DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10108.000295/200169 Acórdão n.º 920201.330 CSRFT2 Fl. 5 5 Nestas circunstâncias, tenho como plenamente aplicável ao caso a parte final do inciso II, do § 2°, do artigo 23, do Decreto n° 70.235/72, de modo que o início do prazo para impugnação ocorreu em 26/07/2001 (intimação feita 15 dias após a data da expedição da intimação), expirando em 24/08/2001. Considerando que o contribuinte protocolou sua impugnação em 15/08/2001 (fls. 27), é de se concluir pela sua tempestividade. São irretocáveis as ponderações feitas pelo Redator Designado do acórdão recorrido (fls. 125), a seguir transcritas: A parte do recurso a ser apreciada é tão somente a referente à tempestividade de apresentação da impugnação. Nossa discordância em relação ao voto do ilustre relator está baseada na previsão normativa constante do inciso II do § 2° do art. 23 do Decreto 70.235/72 c/c o disposto no art. 112 do CTN. A lei tributária que defina infração ou comine penalidade deve ser interpretada de maneira mais favorável ao acusado em caso de dúvida quanto às circunstâncias materiais do fato ou quanto à natureza ou extensão dos seus efeitos. No AR de fls.25 não consta a data do recebimento da intimação pelo contribuinte ou representante. O PAF, no artigo supramencionado, prevê que se omitida a data de recebimento, considerarseá feita a intimação, no caso da via postal, quinze dias depois da data de expedição da intimação. Parecenos mais do que inadequado, sendo injusto e ilegal que se deixe de reconhecer o direito do contribuinte de apresentar sua impugnação num caso em que o procedimento administrativo de intimação está repleto de falhas. Não se pode permitir falta de rigor no procedimento de intimação, insuficiência de entrosamento entre a SRF e os Correios, mau preenchimento das formalidades exigidas nos documentos de suporte ao processo administrativo fiscal, para na outra ponta da relação fiscocontribuinte ser rigoroso apenas com este. A DRJ considerou intempestiva a impugnação a partir dos seguintes dados. A ciência do lançamento foi suposta como tendo ocorrido em 11.07.2005, com base no carimbo semiapagado atribuído à agência de Aquidauana, no AR de fls.25, aparentemente indicando a data de 11.07.2001, que poderia, por exemplo, significar a data em que esta agência recebeu a correspondência remetida em 10.07.2001 por outra agência dos correios em Corumbá, antes de remetêla ao contribuinte cuja assinatura consta no mesmo AR, e não depois de recebêla dele como pretendeu a DRJ de modo superficial e grave contra o interesse do contribuinte, sem usar do mesmo rigor para com a falha no procedimento de intimação. Aí se aponta uma dúvida quanto às circunstâncias do fato. Por outro lado, a rigor, não há no referido AR o registro da data de ciência pelo contribuinte. Não se pode aceitar que o carimbo aposto pela agência do correio em Aquidauana supra a falta de indicação da data de recebimento da intimação pelo Fl. 343DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10108.000295/200169 Acórdão n.º 920201.330 CSRFT2 Fl. 6 6 contribuinte, mormente quando isto seja feito para denegar garantia fundamental ao contraditório e à ampla defesa. Portanto, entendo, s.m.j., que assiste razão ao recorrente quando invoca o amparo do PAF no artigo acima indicado. Mesmo que se considere como data de expedição da intimação a data de 10.07.2001 (fls.25verso), que foi a data em que a IRF/Corumbá expediu a intimação por meio da agência dos correios em Corumbá, o início da contagem do prazo para apresentação de impugnação deve ser contado a partir do dia 26.07.2001, ou seja, quinze dias depois da data de expedição da intimação pela IRF/Corumbá, e seu termo final ocorreria somente em 24.08.2001, entretanto a impugnação foi protocolada em 15.08.2001, tempestivamente. Por concordar inteiramente com tais colocações, inclusive quanto à aplicação ao caso do artigo 112, inciso II, do CTN, adotoas como razões de decidir. Sob minha ótica, a decisão recorrida merecer ser confirmada. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Gonçalo Bonet Allage Fl. 344DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO
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Numero do processo: 19515.004226/2007-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003
DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA.
A decadência deve ser contada a partir da data da ocorrência do fato gerador. Tendo o lançamento ocorrido dentro do prazo previsto na legislação, não procede a alegação de decadência do direito do fisco realizar o lançamento.
GLOSA. VARIAÇÃO CAMBIAL. CABIMENTO.
Devem ser glosadas as despesas indexadas à moeda estrangeira, quando registradas em desacordo com o art. 10 da Lei 10.192/2001.
DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCRO. COLIGADA. NEGÓCIO.
FAVORECIMENTO. - NÃO CARACTERIZAÇÃO
Não tendo sido realizados negócios em condições de favorecimento com coligadas, insubsistente a autuação em seus itens 02 e 03.
TJLP.PRE VISÃO EM INSTRUMENTO CONTRATUAL COMPETENTE.
Correta a dedução de despesas com base na TJLP, tendo em vista existente previsão de contrato prévio, entre partes distintas, que orientou as operações das empresas envolvidas.
DA NÃO CUMULAÇÃO NA GLOSA DE DESPESAS.
A autuação englobaria todas as operações com base na TJLP. Entretanto, a fiscalização não incluiu os valores já autuados, somente os que ainda não haviam sido tributados, não tendo ocorrido dupla contagem.
CSLL. DECORRÊNCIA.
Dada a procedência do lançamento do IRPJ, mantém-se o lançamento da CSLL, por decorrer dos mesmos motivos de fato e de direito.
Numero da decisão: 1202-000.645
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, quanto à matéria Distribuição Disfarçada de Lucros, itens 02 e 03 do auto de infração,dar provimento ao recurso voluntário. 0 Conselheiro Carlos Alberto Donassolo acompanhou o relator pelas suas conclusões. Em relação à matéria de glosa de juros calculados pela TJLP, item 01 do auto de infração, dar, por maioria, provimento ao recurso. vencidos os conselheiros Carlos Alberto Donassolo e Viviane Vidal Wagner. No que concerne as matérias de glosa de variação cambial, item 04 do auto de infração, e utilização da -ULF como remuneração em substituição à variação cambial, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Orlando José Gonçalves Bueno (relator),
Nereida de Miranda Finamore Horta e Geraldo Valentim Neto, que davam provimento ao recurso quanto a essas matérias. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto Donassolo.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003 DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. A decadência deve ser contada a partir da data da ocorrência do fato gerador. Tendo o lançamento ocorrido dentro do prazo previsto na legislação, não procede a alegação de decadência do direito do fisco realizar o lançamento. GLOSA. VARIAÇÃO CAMBIAL. CABIMENTO. Devem ser glosadas as despesas indexadas à moeda estrangeira, quando registradas em desacordo com o art. 10 da Lei 10.192/2001. DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCRO. COLIGADA. NEGÓCIO. FAVORECIMENTO. - NÃO CARACTERIZAÇÃO Não tendo sido realizados negócios em condições de favorecimento com coligadas, insubsistente a autuação em seus itens 02 e 03. TJLP.PRE VISÃO EM INSTRUMENTO CONTRATUAL COMPETENTE. Correta a dedução de despesas com base na TJLP, tendo em vista existente previsão de contrato prévio, entre partes distintas, que orientou as operações das empresas envolvidas. DA NÃO CUMULAÇÃO NA GLOSA DE DESPESAS. A autuação englobaria todas as operações com base na TJLP. Entretanto, a fiscalização não incluiu os valores já autuados, somente os que ainda não haviam sido tributados, não tendo ocorrido dupla contagem. CSLL. DECORRÊNCIA. Dada a procedência do lançamento do IRPJ, mantém-se o lançamento da CSLL, por decorrer dos mesmos motivos de fato e de direito.
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I SI-C2T2 Fl. I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 19515.004226/2007-92 R‘.:curso n° 000000 Voluntário Acórdão n° 1202-00.645 — r Câmara / 2' Turma Ordinária Sessão de 22 de novembro de 2011 Matéria IRPJ E OUTROS Recorrente COMPANHIA AIX PARTICIPAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003 DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. A decadência deve ser contada a partir da data da ocorrência do fato gerador. Tendo o lançamento ocorrido dentro do prazo previsto na legislação, não procede a alegação de decadência do direito do fisco realizar o lançamento. GLOSA. VARIAÇÃO CAMBIAL. CABIMENTO. Devem ser glosadas as despesas indexadas à moeda estrangeira, quando registradas em desacordo com o art. 10 da Lei 10.192/2001. DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCRO. COLIGADA. NEGÓCIO. FAVORECIMENTO. - NÃO CARACTERIZAÇÃO Não tendo sido realizados negócios em condições de favorecimento com coligadas, insubsistente a autuação em seus itens 02 e 03. TJLP.PRE VISÃO EM INSTRUMENTO CONTRATUAL COMPETENTE. Correta a dedução de despesas com base na TJLP, tendo em vista existente previsão de contrato prévio, entre partes distintas, que orientou as operações das empresas envolvidas. DA NÃO CUMULAÇÃO NA GLOSA DE DESPESAS. A autuação englobaria todas as operações com base na TJLP. Entretanto, a fiscalização não incluiu os valores já autuados, somente os que ainda não haviam sido tributados, não tendo ocorrido dupla contagem. CSLL. DECORRÊNCIA. Dada a procedência do lançamento do IRPJ, mantém-se o lançamento da CSLL, por decorrer dos mesmos motivos de fato e de direito. Documento assinadu dgtInenre corrforne MP II° 2.23 J-2 da 24!03/2001 Autenticado digrialmente em 09102/2012 por CARLOS ALBER TO DONASSOLO, Assado dryrRimente 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO. Asitiadc dg rn<orL em 1002/2012 por ORLANDO JOSE GONOALVES SD ENO. Assinado digitairnonte em 08/032012 por NELSON LOSSO FILHO Impresso em 21/03/2012 por ANDREA FERNANDES OARCIA - VERSO 512 Y.:RANCO DF CARFMF FL Processo n° 19515.004226/2007-92 S I -C2T2 Acórdão n.° 1202-00.645 Fl. 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, quanto à matéria Distribuição Disfarçada de Lucros, itens 02 e 03 do auto de infração,dar provimento ao recurso voluntário. 0 Conselheiro Carlos Alberto Donassolo acompanhou o relator pelas suas conclusões. Em relação à matéria de glosa de juros calculados pela TJLP, item 01 do auto de infração, dar, por maioria, provimento ao recurso. vencidos os conselheiros Carlos Alberto Donassolo e Viviane Vidal Wagner. No que concerne as matérias de glosa de variação cambial, item 04 do auto de infração, e utilização da - ULF como remuneração em substituição à variação cambial, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Orlando José Gonçalves Bueno (relator), Nereida de Miranda Finamore Horta e Geraldo Valentim Neto, que davam provimento ao recurso quanto a essas matérias. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto Donassolo. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho- Presidente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno- Relator. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo — Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Nelson L6sso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Viviane Vidal Wagner e Geraldo Valentim Neto. Relatório Com a permissão do colegiado, tomo a liberdade de reproduzir o relatório da autoridade julgadora de primeira instancia, por bem reproduzir os fatos ora relatados: " Trata o presente processo de lançamentos de Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL, que constituíram crédito tributário total de R$ 414.670.767,43, incluídos o principal, multa de oficio e juros de mora calculados até 31/11/2007 (Jls. 765/778). Foram verificadas, conforme Termo de Constatação Fiscal — TCF (fis. 746/764) e autos de infração retro citados, quatro infrações, quais sejam: 001 - Glosas de Despesas Financeiras: Despesas financeiras Document() ,:tssirtado digitalmertto caniorr'r? Mr' , 70-2 2 contaoitizaaas a maior, conforme descrito no tópico E 2 — Autenticado digrtalmente 00102/2012 por CAkLOS ALi3ERTO DONASSOLO: Asinacio dinitalinente ei it 09/021 2012 por CARLOS ALDER 10 DONASSOLO : Assinado dlgitalmente em 1002/2012 oor ORLANDO ,t0SE GONCALVES BU ENO Assinado digitalmente em 08103/2012 pot NELSON LOSS() Et HO Impresso ern 21/0312012 par ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO Et,' BRANCO 2 DF CARF MP H. 3 Processo n° 19515.004226/2007-92 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.645 Fl. 3 Tributação pelo Excesso de Despesas de Juros, e no tópico G — Do excesso de Juros em função da TJLP, do TCF. Fato Gerador Valor Tributável 31/12/2002 R$28.141.316,12 31/12/2003 R$ 30.337.147,18 Enquadramento legal: Art. 251, e parágrafo tinico, 299 e §5Ss 1 ° e 2 °, e 374, inciso I, do RIR/999; art 1 ° da Lei n ° 10.192, 14 de fevereiro de 2001. 002 - Distribuição Disfarçada — Direito de Preferência de Subscrição de Valores Mobiliários/Transferência sem Pagamento ou por Valor Inferior ao de Mercado a P.J. Ligada: Valor correspondente ao ganho na subscrição e integralizaccio, por meio de transferências inter-contas, de ações ordinárias nominativas, por valor notoriamente inferior em relação operação idêntica e recente praticada por outro acionista, conforme descrito nos tópicos F.2 — Aumento de Capital Promovido por Telecomunicações de São Paulo S/A e F.3 — Aumento de Capital Promovido por Pegasus Telecom S/A., do TVC. Fato Gerador Valor Tributável 31/12/2003 R$ 455.671.147,32 Enquadramento legal: Arts. 247, 249, inciso II, 464, inciso IV, 465, 466 e 467, inciso I, do RIR/99 003 - Distribuição Disfarçada - Negócios em Condições de Favorecimento de Pessoa Ligada: Parcela de valor utilizada na integralização de capital social, derivada de insuficiência de saldo de créditos mantidos contra a Companhia AIX, em decorrência de atribuição de remuneração não autorizada por lei, conforme descrito no tópico F.1 — Aumento de Capital Promovido por Alcatel Telecomunicações S/A, do TVC. Fato Gerador Valor Tributável 31/12/2003 R$ 29.009.694,88 Enquadramento legal: Arts. 247, 249, inciso I, 464, inciso VI, 465, 466 a inciso V, do RIR/1999, e art 1 ° da Lei n °10.192, 14 de fevereiro de 2001 004 - Exclusões/Compensações não Autorizadas na Apuração do Lucro Real - Exclusões Indevidas: Redução indevida do Lucro Real, e da Base de Calculo da CSLL, decorrente de Variação Cambial Passiva nas Operações de Liquidação, excluídas as Variações Cambiais Ativa nas Operações de Liquidação, em virtude da variação cambial de obrigações registradas ern seu passivo não ter, na sua origem, amparo legal, conforme transcrito no tópico,,E. 1 — Tributação da Variação Cambial nas Document° assinado digitalmente Op'eralç'59ePde' 2u-leslaWd, do T VC. Autenticado dig:talmente em 01102}2012 ALL1t:1; Assoado dictitImer,te em liM)2/ 2012 por CARLOS ALUERTO DONASSOLO. Assu:ado tIgl'a , mente em 10/02/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVLS EU ENO. Assinado cligilaintonte em 00/0312012 por NE SON LOSSO Impresso em 21/012012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO DI: CAR!: MF H. 4 Processo re 19515.004226/2007-92 S 1 -C2T2 Acórdão n.° 1202-00.645 Fl. 4 Fato Gerador Valor Tributável 31/12/2002 R$ 780.943,63 31/12/2003 R$ 10.651.491,19 Enquadramento legal: Art. 250, inciso I, do RIR/1999 e art 1° da Lei n° 10.192, 14 de fevereiro de 2001. Do Termo de Constatação Fiscal é possível extrair-se que o contexto das autuações foram as operações realizadas entre a Impugnante (AIX) e as empresas Alcatel Telecomunicações Lida, CNPJ 46.049.987/0001-30, Telecomunicações de São Paulo S.A.,CNPJ 05.558.15710001-67, e Pegasus Telecom S.A., quando da formação do Consórcio Refibra. 0 objeto social da Impugnante é a participação nesse Consorcio, sendo que a Alcatel, a Telesp e a Pegasus figuraram, desde o ano-calendário de 2001 até 2003 como as principais acionistas da AIX 0 referido Consórcio foi constituído, em 21 de agosto de 2001, pela Companhia AIX de Participações, pela Companhia ACT de Participações e pela Barramar S/A, tendo como objetivo primário "concluir uma rede subterrânea de dutos para fibras óticas (REDE I REFIBRA), a fim de torná-la comercialmente explorável, auferindo os proveitos econômicos dessa exploração, tudo com o propósito de promover a reestruturação dos passivos da Barramar, constituídos pelas dividas junto aos maiores credores (Alcatel, Telesp e Pegasus), corn as concessionárias de rodovias, fornecedores e outros credores, e que foram referenciados no Contrato de Constituição do Consórcio como Anexos A, B, C e D, remontam a cifra de R$ 448.036.702,66, dos quais: a)R$ 191.133.005,88 são reconhecidos como dívida para com a Alcatel (Anexo A); b) R$ 124.744.538,48 são reconhecidos com divida para com a Telesp (Anexo B); e c) R$ 31.744.200,00 são reconhecidos como divida para com a Pegasus (Anexo C). A administração ficou a cargo da Companhia AIX de Participagões, tendo a Alcatel, a Telesp e a Pegasus cedido créditos contra a Barram ar para a AIX, aumentando seu capital nesta última empresa. As autuações deram-se em decorrência dessas cessões de créditos, por sua indexação ao dólar e a TJLP, em base contratual, dependendo do caso, e dos aumentos capital em condições especiais. A Interessada tomou ciência das autuações em 19/12/2007 (fl. 768 e 775), tendo apresentado impugnação em 17/01/2008, alegando, por meio de seus procuradores fls. (887/920), em Documento assinado digitAnic!ite canter 4kif,g,Sg;' ViC)-2 do 24/08/2031 Autenticado digitalmente em 39102/2012 poi CARLOS ALBERM DONASSOLO, Assinva,19 6yi3alineWe, cm 09/02/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado dq iieoR cm 1 3 /02/2012 or ORLANDO JOSE GONCALVLES ELI ENO Assinado digitalmonte em C810312312 por NELSON LOSSO Impresso em 21/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA -VERSO EM BRANCO DF CARF Mi FL 5 Processo n° 19515.004226/2007-92 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.645 Fl. 5 — Dos Fatos — Breve histórico da criação da empresa Impugnante A empresa impugnante foi adquirida em 2001, pelas empresas Alcatel Telecomunicações Ltda. (Alcatel), Telesp Telecomunicações de São Paulo S/A (Telesp) e Pegasus Telecom S/A (Pegasus) (conjuntamente "Acionistas'). As razões que determinaram a criação da Impugnante estão esclarecidas a seguir. A partir de 1999, uma empresa denominada Barramar S/A ("Barramar') celebrou, com diversas concessionárias de rodovias e entidades estatais (concessionárias), uma série de contratos por intermédio dos quais obteve concessão para construir, 'as suas expensas, uma rede subterrânea de dubs que seriam, então, utilizados para a passagem de cabos de fibras óticas, a serem instalados ao longo das rodovias objeto das concessões. Para construção da rede de dutos, a Barramar firmou contrato com a Alcatel por intermédio do qual essa empresa obrigou-se a prestar serviços de empreitada (doc. 03, doc. 04 e doc. 05) ao longo de rodovias federais e estaduais. Os serviços prestados pela Alcatel a Barramar somavam R$ 191.133.005,88. A Barramar também firmou contratos com as empresas de telecomunicações Telesp e Pegasus, empresas interessadas na utilização das mencionadas redes subterrâneas para instalação de cabos de fibra ótica a serem utilizados na prestação dos serviços de telecomunicações por elas executados. A saber: Com a Telesp, a Barramar firmou Contrato de Autorização de Uso de Infra-Estrutura, em virtude do qual foram feitos adiantamentos, em dinheiro, no montante total de R$ 124.744.538,48. Com a Pegasus, a Barramar firmou contrato de Locação de Infra- Estrutura de Dutos, de Cessão de Dutos e outras Avengers e, na qualidade de companhia controlada pela Andrade Gutierrez Telecomunicações Ltda. ("AGT'), tornou-se cessionária dos direitos decorrentes do Contrato de Cessão de Dutos firmado entre a Barramar e a AGT consubstanciando um crédito de R$ 31.744.200,00. Em suma e objetivamente, a Barramar recebeu: - da Alcatel serviços, que somaram R$ 191.133.005,88. - da Telesp, adiantamento em dinheiro, para futuro pagamento em uso da infra estrutura de redes, no valor de R$ 124.744.5384 /8, - da Pegasus, como cessionária da AGT serviços no valor de R$ 31.744.200,00, a serem pagos com a locação de espaço nas redes. Mesmo diante de todo o crédito recebido (em capital e em serviços), já em 2001, a Barramar começou a dar sinais de insolvência deixando de cumprir suas obrigações contratuais: a Document° assinado digitalmentc coulo I 2 2.(1y , cie 241C2001 Alcatet nao ot rernuneraaa_pelos serviços prestados e Telesp e Autenticado digitalmente em W02/2012 por Assinado ,igitinente em thift',2/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digila:merito em 10102/2012 po ,. OR1.11N00 JOSE CONCALVES CU ENO. Assinado cligitalmonte em C8/63!2012 por NELSON LOSSO Fi,l IO Impresso em 21 103/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO DF CARL' MF FL 6 Processo n° 19515.004226/2007-92 SI -C2T2 Acórdão n.° 1202-00.645 Fl. 6 Pegasus não receberam os dubs para fibra ótica conforme ajustado. Nem mesmo as redes de dutos haviam sido completamente instaladas, o que tornava inviável sua exploração comercial , Nesse contexto, não restou as empresas acima indicadas (Alcatel, Telesp e Pegasus) outra alternativa a não ser unir esforços para auxiliar a Barramar a adimplir com suas obrigações e, assim, recuperar o investimento feito. Para tanto, foi criada a Impugnante, com propósito objetivo social de realizar atividades relacionadas à execução, conclusão e exploração comercial de redes subterrâneas de dutos de fibras óticas e, ainda, participar, como líder, do Consórcio Refibra. Consórcio Refibra, a seu turno, foi formado pela Impugnante, pela própria Barramar e pela Companhia AIX de Participações, na seqüência à criação da Impugnante, e tinha por propósito concluir a rede subterrânea de dutos para fibra ótica, a fim de torná-la comercialmente explorável e ainda promover a reestruturação dos passivos da Barramar, propiciando os meios necessários para o pagamento de seus credores e preservando os demais interesses a elas vinculados, conforme delimitado na cláusula dois do Contrato de Constituição do Consórcio (doc. 06) firmado em 21 de agosto de 2001. A constituição da empresa Impugnante, seguiu-se a cessão, à Defendente, dos créditos que as Acionistas detinham contra a Barramar, conforme sera esclarecido na seqüência. A seu turno, os créditos que a AIX passou a deter contra a Barrainar seriam empregados para a aquisição de ativos da própria Barramar. Da Reestruturação dos passivos da Barramar, pela Cessão Impugnante. Primeira Cessão Alcatel — Divida indexada em moeda estrangeira A indexação do crédito foi fixada com base na variação do dólar, tendo sido mantida a mesma forma de indexação que originalmente vigia entre a Alcatel e a Barramar, devendo o pagamento ser feito em moeda nacional, utilizando-se a cotação cambial de venda válida para o dia do pagamento, acrescida juros moratórios de 10% ao ano, tudo nos termos da cláusula terceira do Instrumento Particular de Cessão de Créditos, não tendo sido jamais contestada sua licitude. Os seus efeitos foram refletidos na contabilidade da Alcatel e da Impugnante, ou seja, a variação cambial ativa e passiva, originadas do crédito acima e ainda as receitas e despesas, respectivamente, juros de 10% ao ano pro rata temporis calculados sobre o principal indexado em moeda estrangeira, fato este certamente verificado pelo Sr. AFTN em visita a Alcatel, mas, de qualquer forma, está consignado em Declaração formal que ora se junta a esta Impugnação (doc. 10)., -Segunda Cessão — Alcatel cede restante do crédito/Telesp e Pegasus cedem seus créditos — indexação pela TILT. Ficou acertado entre as partes, conforme se verifica ainda da clausula primeira deste segundo Instrumento Particular de Cessão de Crédito, que sobre os valores acima seria aplicada a TJLP, Documento assinado digrialniente contunde- s'ik Auter rticado digaalmenle em 0 902,2312 per CARLU:i ALUEN I DONASSOLO A;;siaado digita'mente cm 09/02/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO. Anode ,igrtn:raoltc: ern 10 '2 212012 pn OFCtANUO COSE GONCALVES BL3 ENO. Assinado digitalmente em 0310312312 ror NELISCN WANG FILHO Impresso ern 2110312012 cor ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO da Cessão dos Créditos até a data do DI: CARE' Mt' l'1. 7 Processo n° 19515.004226/2007-92 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.645 Fl. 7 pagamento. Estipulou-se, ainda, na cláusula primeira que o pagamento da divida, pela Impugnante se daria mediante ações a serem emitidas pela Impugnante e subscritas pelas cedentes, sendo certo que referido aumento de capital deveria ser efetuado por deliberação em assembléia geral de acionistas. Note-se que, assim como primeiro caso, o segundo Instrumento Particular de Cessão de Créditos, firmado nos termos acima, esta valido e vigente entre as partes, sendo certo que os termos e condições jamais foram objeto de qualquer questionamento por quaisquer das partes envolvidas (cedente, cessionário e intervenientes). Por esta razão, a Impugnante reconheceu, em sua contabilidade, as despesas decorrentes da TJLP aplicada sobre o valor do crédito cedido até a data em que, de fato, os acionistas deliberaram o mencionado aumento de capital e a integralização do capital social com os créditos acima mencionados. Também aqui os cedentes reconheceram, em sua escrita fiscal, as respectivas receitas de juros, tendo-as oferecido à tributação. 111 — Da Decadência do Crédito Tributário, independentemente das razões de mérito que serão adiante apresentadas, a Impugnante demonstra que uma parcela do crédito tributário lançado refere-se a despesas de variação cambial e razão da decadência (art. 150, 5S' 40, do CTN), haja vista que a lmpugnante somente foi notificada da lavratura do ABM ora impugnado em 19 de dezembro de 2007. Ocorre que os valores reputados como DDL pela Fiscalização, que na verdade referem-se em parte as despesas com variação cambial e com juros incorridas ern 2001, tiveram efeito no resultado da Imp ugnante em período já atingido pela decadência. IV— Do Mérito Com relação aos tópicos "E.1" e "E.2. I" do Termo de Constatação Fiscal tem-se que: - dada a origem do empréstimo, a Alcatel estava autorizada pelos inciso IV e V do Decreto-Lei n °875/69 a transferir, por meio de contrato de empreitada o ônus do encargo cambial decorrente do empréstimo que financiou a prestação de serviços; - o que a Lei n ° 10.192/2001 vedou foi a estipulação de pagamento em moeda estrangeira, o que, de fato, nunca ocorreu; - nunca nenhuma das partes questionou a legitimidade do contrato, que é válido e vigente entre as partes, cabendo ao Judiciário, se provocado, apreciar sua validade; - as despesas foram necessárias (art. 299 do RIR11999), sendo que a Alcatel reconheceu as variações ativas; - mesmo que se considere ilícita a variação cambial decorrente da parcela do empréstimo que foi fixada em dólar e, em decorrência disto, torne ilícita a parcela do crédito cedido em Documento assinado digiarneec respectivas despesas devem ser Autenticado digitaimento em 0(J/02/2012 por CARLOS AL3Lki . O DONASSOLO. Assinaio dicl:a!inen;e em 09r32/ 2012 por CARLOS ALI3ERTO DONASSOLO, Asinado 04:aimei:te em 10/C2120 -.2 por OR! ANDO .10SLE GONGALVES DU ENO. Assinado digilalmente em 08/03 12012 por NELSON I_OSSO FILHO h»plesso ern 21103/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO DA BRANCO DI : CAW!' MI' Fl. 8 Processo n° 19515.004226/2007-92 S1-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.645 Fl. 8 consideradas dedutiveis, em função do disposto no art. 118 do CT] V. Com relação ao tópico "E.2.2" do Termo de Constatação Fiscal tem-se que: - a correção do crédito originalmente detido pela Alcatel com base na variação cambial não infringe a Lei n°10.192/2001; - ainda que assim não fosse, se eventual ilegalidade tivesse ocorrido na contabilidade da Alcatel, seria certo que a Impugnante simplesmente recebeu crédito de montante consolidado em reais expressamente reconhecido pelo 'credor original e pelo devedor; - as variações cambiais foram oferecidas à tributação pela Alcatel e seus efeitos ocorreram nos anos-calendário de 2000 e 2001 (períodos já atingidos pela decadência); e - no caso do item "E.2.2" não ha qualquer justificativa para que seja negada a correção monetária com base na T.ILP e sua substituição arbitrária por taxa de juros de 10%, não fixada no instrumento de assunção de dividas relacionada a esta parcela. Com relação ao tópico "Fl" do Termo de Constatação Fiscal tem-se que: - não há qualquer ilegitimidade com relação as despesas de variação cambial que acabaram por serem incorporadas ao crédito que veio a compor o AFÃ C, nem sobre o reconhecimento das despesas com o reconhecimento dl e juros pela TAP; - os juros aceitos como legítimos pela Fiscalização são ínfimos e jamais poderiam ser equiparados a juros de mercado; - o crédito foi cedido pela Alcatel tal como reconhecido pela Barramar que não são e nunca foram empresas ligadas; - a Fiscalização não produziu qualquer evidência de que a opera cão foi realizada em condição mais vantajosa do que aquela que prevaleceria no mercado ou que poderia ser contratada com terceiros, em desrespeito ao disposto no art. 142 do CT1V; - dada a natureza da operação, jamais haveria de se falar em DDL, Uma vez que a operação não tem qualquer impacto sobre o resultado do acionista; e - ocorreu a decadência do direito da fazenda lançar os valores relativos a despesas de juros e variação cambial incorridas em 2001. Com relação ao tópico "F.2" e "F.3" do Termo de Constatação Fiscal tem-se que: - a hipótese prevista na legislação não ocorreu, tendo ocorrido o Documento ssnadO wç tamenLu Cant sin¡i)/6.,2eXir eeki6 4 de`2 iiiii direito de subscrição de ações da Autenticado digitalrnente em 09/02/2012 por GAS LOS ALBERTO DONASSC)LO, A6smado digitalmente cm 09i021 2012 por CARLOS ALDERTO DONASSOLO, Assinao diValnrcnIv! em 10:02/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES ULJ ENO. Assinado dioitalmon:e em C810312012 por NELSON LOSSO >s:LTIO Impresso ern 21103i2012 por ANDREA FERNANDES GAIRCiA - VERSO Et,i BRANCO DI" CARE' ME; F I. 9 Processo n° 19515.004226/2007-92 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.645 Fl. 9 Impugnante por parte de um de seus acionistas, em dois momentos distintos (quando da 13" e da 14" Assembléias Gerais Extraordinárias), não devendo a Impugnante ser penalizada por ato de omissão de sua acionista (Alcatel); - o direito tributário é pautado pelo principio da estrita legalidade, contido no art. 150, inciso 1, da CF; e - não foram cumpridos pela Fiscalização os requisitos do art. 465, § 3°, do R1R/1999. Já com relação à infração constatada no tópico "G" do TVC tem-se que a Fiscalização não teria atentado para o fato de que a Impugnante assumiu a obrigação contratual de adimplir o crédito, o qual, também nos termos do contrato, deveria ser corrigido pela TJLP, e que tinha obrigação de corrigir tais dividas da forma como contraídas, de acordo com a cláusula "1.6" do Instrumento Particular de Cessão de Créditos e Outras Avencas, por meio do qual assumiu as dividas originais da Barramar com Alcatel, Telesp e Pegasus. Com base nesse contrato, Alcatel, Telesp e Pegasus poderiam, a qualquer momento, executar o referido contrato contra a AIX, motivo pelo qual fez refletir em suas demonstrações financeiras a obrigação nos estritos termos do contrato, que sempre valeu entre as partes, sem ter sido jamais questionado pelos cedentes, pela cessiondria e pelos intervenientes. Deu-se cumprimento ao art. 251 do RIR/1999, tratando-se de despesas necessárias, sendo a TJLP índice em perfeita consonância com a prática dá mercado no período, sendo que a Alcatel e a Telesp (docs. 10 e 12, respectivamente) ofereceram referidos valores ei tributação. Outrossim, referidas despesas foram reconhecidas contabilmente no período de competência, não tendo sido violado o art. 374, I, do RIRa 999. Invoca, ainda, os fundamentos citados anteriormente em relação ao art. 118 do CTN (mesmo que ilícita a aplicação da TJLP, as respectivas despesas deveriam ser consideradas dedutiveis). Da Cumulação na Glosa de Despesas Além de todo o exposto, verifica-se que as despesas foram glosadas em duplicidade. No tópico "E.2.2" do TCF, a Fiscalização recalculou o montante do crédito cedido, em reais, pela Alcatel, glosando a respectiva variação cambial e, ainda, as despesas de juros contratualmente ajustados, calculados com base na TJLP, conforme consignado nos itens 59 e 60 do TCF. Posteriormente, tornou-se a glosar estas mesmas despesas de juros, conforme se verifica do item 102 do TCF. Assim sendo, também neste aspecto este item de autuação é improcedente, devendo ser cancelado." A DRJ de SP julgou o lançamento procedente, adotando a seguinte ementa: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Documento assinado digitaimente conIoroxn'i c Autenticado digitatmente ein 09/02/2012 por ALBLit 10 Di.)i\ii/Lit_i). Assinado 02f 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado ci:gitaimento cm 10/0212012 ;);)r ORLANDO JOSL coNcALvLs CU ENO Assinado digitalmonte cm 08/03'2012 por NELSON LCSSO FiO K) Impress° em 21'0312012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO DF CARF Mi: Fl. 10 Processo n° 19515.004226/2007-92 SI-C2T2 Acórdão n. ° 1202-00.645 Fl. 10 DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. A decadência deve ser contada a partir da data da ocorrência do fato gerador. Tendo o lançamento ocorrido dentro do prazo previsto na legislação, não procede a alegação de decadência do direito do fisco realizar o lançamento. ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL. Não invalida o lançamento, eventual erro no enquadramento legal, desde que a descrição da infração esteja correta. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA- IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003 GLOSA. VARIAÇÃO CAMBIAL. CABIMENTO. Devem ser glosadas as despesas indexadas à moeda estrangeira, em desacordo com o art. 10 da Lei 10.192/2001. 0 fato de a empresa, que recebeu os valores, ter contabilizado como receita os valores deduzidos com despesa pela impugnante não torna dedutivel os valores glosados, por se tratarem de pessoas jurídicas distintas, não se aplicando, ainda, h. situação, o disposto no art. 118 do CTN. DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCRO. COLIGADA. NEGÓCIO. FAVORECIMENTO. — Tendo sido realizados negócios em condições de favorecimento com coligadas,mantém -se a autuação. ALTERAÇÃO CONTRATUAL. EXCESSO DE JUROS. TJLP. Correta a glosa de despesas com base na TJLP, tendo em vista que foi excluída essa previsão do contrato que orientou as operações das empresas envolvidas. DA NÃO CUMULAÇÃO NA GLOSA DE DESPESAS. A autuação englobaria todas as operações com base na TJLP. Entretanto, a fiscalização não incluiu os valores já autuados, somente os que ainda não haviam sido tributados, não tendo ocorrido dupla contagem. CSLL. DECORRÊNCIA. Dada a procedência do lançamento do IRPJ, mantém-se o lançamento da CSLL, por decorrer dos mesmos motivos de fato e de direito. Lançamento Procedente" Assim, tempestivamente, o sujeito passivo interpôs seu recurso Voluntário, com base nos seguintes argumentos, em apertada síntese: - relata um histórico sobre a constituição da Recorrente, criada em 2001 com a união da Alcatel, Telesp e Pegasus, cabendo a Recorrente figurar como líder do Consórcio Refibra, que foi formado pela Recorrente, a Barramar e a Companhia ACT Participações, com o propósito de concluir a rede subterrânea de dutos para fibra ótica, a fim de torná-la comercialmente explordvel e ainda promover a reestruturação dos passivos da Barramar, empresa que ficou, depois, em estado falimentar, como informando nos autos. Seguiu-se a Documento ass rcessqi.de..,cré4i.tos, 4,pRecp srreqte 2 pOasacionistas citadas que as mesmas detinham junto a Autenticado dIgitBarramar;!v2/2o12 poi CARLOS ALU'IRTO DONASSOLO, Assinacla its?. em 09102/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO. Assuado d:Vainiente em .:010212012 or OtqAt'.;DO JOSE GONCALVE.3 EL: ENO. Assinado digitalmente em 00/0312012 por NELSON LOSSO FILl l0 10 Impresso em 21/03/2012 por ANDREA FERNANDES CARO S - VERSO FM BRANCO DF CARF 1. 11 Processo n° 19515.004226/2007-92 Si -C2T2 Acórdão n.° 1202-00.645 Fl. 11 - primeira cessão — Alcatel — divida indexada em moeda estrangeira: foi mantida a mesma indexação que vigiam entre Alcatel e Barramar, com base na variação do dólar, devendo o pagamento ser feito em moeda nacional, em decorrência do financiamento parcial contraído pela Alcatel em moeda estrangeira, para a prestação de serviços A. Barramar; - segunda cessão — Alcatel cede restante do crédito / Telesp e Pegasus cedem seus créditos, indexados pela TJLP: o pagamento da divida da Recorrente se daria mediante dação em pagamento a serem emitidas pela Recorrente e subscritas pelas cedentes, o que ensejaria o direito de uso dos ativos da Barramar, propiciando as condições de prestar os serviços, gerar receitas com sua atividade operacional; - quanto ao mérito asseverou o seguinte: Indexação ao dólar, glosa de despesas financeiras e de variação cambial passiva e juros: A operação realizada está em plena conformidade com as disposições da Lei n° 10.192/01, que mantém as permissões contidas no DL 857/69, artigo 2°, inciso IV e V, o quais permite que, havendo obrigação original contratada em moeda estrangeira, qualquer cessão, transferência, delegação, assunção ou modificação desta obrigação original, mesmo entre residentes no pais, pode ser fixada em moeda estrangeira, posto que é o caso da Recorrente que assumiu o 'onus cambial na operação de cessão de créditos com a Alcatel. Sustenta a legitimidade do contrato e a ausência de prejuízo ao Erário, dizendo que a fiscalização não poderia, unilateralmente, desconsiderar os efeitos do contrato válido, que somente poderia ter sido anulado pelo Poder Judiciário. Quanto inexistir prejuízo ao Erário, diz que se são despesas para a Recorrente, para a Alcatel são receitas tributáveis; com a decretação da falência da Barramar, em 24/03/2004, a Alcatel teria baixado para despesa todo o crédito que detinha contra essa empresa, o que seguramente apresentaria o mesmo resultado para a Fazenda e por último não fosse a remuneração ajustada nos termos pactuados (variação cambial mais 10% a.a), as partes teriam pactuado juros de mercado, o que levaria a respectiva despesa para níveis mais elevados. 0 que torna a despesa necessária e dedutivel é o fato de que vigora entre as partes contrato válido e exeqüível, celebrado com o objetivo de permitir recuperação do ativo investido, e em condições menos onerosas para a Recorrente do que aquelas que vigiam no mercado. E ainda que o contrato tenha sido desconsiderado, o efeito fiscal permanece por força do disposto no art. 118 do CTN, na esteira do entendimento já firmado pelo STF, vale dizer, garantida a dedutibilidade como despesas necessárias. Quanto a glosa das despesas de juros calculados com base na TJLP diz que as variações cambiais ocorreram na Alcatel e não na Recorrente, sendo que essa recebeu uma cessão de crédito já consolidado em reais. A fiscalização alterou indevidamente o valor da divida, alterando o próprio objeto do contrato de cessão.0 reconhecimento da variação cambial ocorreu na contabilidade da Alcatel, e 1á foram oferecidas a tributação, sendo que seus efeitos ocorreram nos anos-calendário de 2000 e 2001 (períodos já atingidos pela decadência). 0 que a Recorrente reconheceu em sua contabilidade foram d Distribuição disfarçada de lucros na Alcatel: Documento assinado thgitamcnte couíornic MP n" 2. 2 ;;;) -2 24V.V2091 Autenficado digitalrnente em 0910212012 por CARLOS ALBER :0 DONASSOLO, digiIcdrnente em 09/02/ 2012 por CARLOS ALUERTO DONASSOLO, Assm,?.do C ■ gila`mente em 10/02/20', 2 por ORLANDO JOSE GONCALVES BD ENO. Assinado digitalmonto cm 08103/2012 por NELSON LOSSO FILPO 11 Impresso ern 21 103/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO FM BRANCA: DI CARL? MI H. 12 Processo n° 19515.004226/2007-92 SI -C2T2 Acórdão n.° 1202-00.645 Fl. 12 A Alcatel utilizou os créditos da Barramar cedidos na forma mencionada para capitalizara Recorrente constituindo em AFAC, cujo valor foi corrigido pela variação cambial e pela TJLP. Para a autoridade fiscal parte desse valor é fictício pois composto de atualizações pela variação cambial, o que, portanto, foi realizada em condições mais favorecidas que as condições de mercado. Todavia é improcedente posto que a variação cambial adotada está de conformidade a legislação aplicável, conforme já aventado, que a fiscalização não produziu prova de mercado para mostrar que foi favorecimento a acionista, posto que a prevalecer o entendimento fiscal seria considerada condição de mercado a aplicação de taxa de juros de 10% ao ano "pro rata temporis" , o que não corresponde a realidade do mercado. A condição d fic- mercado se encontra exatamente no instrumento de cessão celebrado entre Alcatel e Barramar, que foram previamente ao adotado na AFAC. Ademais o ato de capitalização do crédito não transitou pelo resultado da Recorrente, apenas representado pela conversão de um crédito em capital da empresa. Ademais a decisão recorrida, ainda, altera o fundamento da autuação para o artigo 467 II do RIR199 alegando que a Recorrente adquiriu bem de acionista (com pagamento por meio de ações) por valor superior ao valor de mercado, mas cujas condições para tal enquadramento não se encontram, nem foi objeto do trabalho fiscalizatório vestibular deste processo, considerando que não ensejou qualquer registro de qualquer bem ou direito sujeito a depreciação, amortização ou exaustão ou ainda uma capitalização para posterior revenda, não tendo cabimento o aperfeiçoamento, sem prova nos autos, cometido pela autoridade julgadora de primeira instancia. A DDL da Pegasus e da Telesp Em 2003 foi autorizado o novo aumento do capital social da Recorrente, sendo que a Telesp e a Pegasus susbscreveram e integralizaram ações pelo valor unitário de R$ 1,00. Como a Alcatel subscreveu ações pelo valor unitário de R$ 3,75217545, a autoridade fiscal entendeu caracterizada DDL, nos termos do art. 464, inciso IV do RIR/99, que veda a transferência a pessoa ligada, sem pagamento ou por valor inferior, do direito de preferência a subscrição de valores mobiliários de emissão da companhia. Todavia, a pretensão não prospera pelo seguinte: - o parâmetro adotado não foi de mercado, mas da Alcatel, também acionista; - não seria adequado que a Alcatel pudesse aceitar o ingresso de novas acionistas, com diluição de sua participação, se isso não se desse em condições absolutamente equitativas e justificadas; - não se produziu prova que indicasse a inobservância de comparativos de mercado,em afronta ao art. 142 do CTN; - nenhuma das acionistas transferiu, sem pagamento ou por valor inferior ao de mercado, direito de preferência na subscrição de ações, a partes vinculadas; - a autuação toma por distribuição disfarçada de lucros sequer teve efeito no resultado, ou seja, no lucro da Recorrente; - aqui também a decisão de primeira instancia alterou o critério jurídico da Documento assin -x• e igefiCiá"ffSC"af,3'encinadriiidn2aViiiidi:ifaho inciso VI, do art. 464, diferentemente da autuação Autenticado d!guatme de orn 09102/2012 per LI;ARL0S ,ALBER; 0 001/ASSOLO . Assmad() dly*:;0'.011;(; cm 09102/ 2012 por CARLOS ALBERTO DoNAssao. d4ta.imMe em 1010212012 pm ORLANDO JOSE (;(1)WALVLS CU ENO, Assinado digitalmente em 08103/20 1 2 por NELSON :_OSSO F!!_' !C.) 12 Impresso em 21/03/2012 por ANDREA FERNANDES CAROlA - VERSO DC F1RANCO DF CARF MI; Fl. 13 Processo n° 19515.004226/2007-92 SI -C2T2 Acórdão n.° 1202-00.645 Fl. 13 que fundamentou o lançamento no inciso IV, hipóteses bem distintas, em afronta ao artigo 146 e 149 do C'TN; - a operação de capitalização dos créditos da Pegasus e Telesp não envolveu transito pelo resultado da Recorrente, mas somente transformação de um credito em capital em favor das acionistas, sendo que o único efeito da suposta DDL seria a indedutibilidade, não ha porque se susteillar a adição ao lucro liquido de va br pelo ato de capitalização. 4.Do excesso de juros em função da TJLP Foram glosadas as despesas com juros em função de suposta inobservância de cláusulas contratuais estipuladas na constituição do Consórcio Refibra, já que a cláusula 6.6 do referido Contrato de Consórcio previa a correção das dividas da Barramar pelo TJLP. Como referida clausula foi revogada, a autoridade fiscal entendeu que as despesas deveriam ser glosadas. Todavia a pretensão fiscal não pode prosperar, pelo seguinte: - a citada cláusula foi revogada porque nem todo o passivo reestruturado deveria ser corrigido pela TJLP, posto que parte do crédito da Alcatel era corrigida com base na variação do dólar mais 10%; - havia outra clausula no contrato original de cessão que previa a obrigação do pagamento da TJLP, qual seja a cláusula 1.6 do Instrumento de Cessão de Créditos (celebrado entre a Recorrente, e a Alcatel, Telesp e Pegasus), que continuou vigente, válida e exeqüível, o que fez com o que a Recorrente refletisse em suas demonstrações financeiras a obrigação tal como contraída no contrato referido; - a prevalecer o entendimento da fiscalização os juros considerados aceitáveis seriam 10% ao ano "pro rata temporis" , isso em um período em que a SELIC era aproximadamente de 45%; - ademais as receitas e juros com base na TJLP, conforme comprova a declaração fornecida pela Alcatel e pela Telesp, foram normalmente oferecidas A. tributação por essas empresas; - há duplicidade de glosa, pois conforme relatado a autoridade fiscal recalculou o montante do crédito cedido, em reais, pela Alcatel, glosando a respectiva variação cambial e ainda as despesas de juros contratualmente ajustadosm calculados com base na TJLP, parte das despesas glosadas no presente item já haviam sido glosadas. Eis o relatório. Voto Conselheiro Relator Orlando José Gonçalves Bueno Documento assinado digtulrnente con{ormc MP n 2200-2 Le. 24/06120r)1 Autenticado digitalmenle ern 0910212012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO. Acirado Lineot? em ;;9102/ 2012 por CARLOS ALI2LIRTO DONASSOLO, Asv:ado tigitalmer,tct em 10102/20 i 2 por ORLANDO JOSE GONCALV:S DU ENO. Assinado digita ■ monto em 08103/2'3;2 por NELSON [OSSO PLHO 13 Impresso ern 21/03/2012 por ANDREA FERNANDES OARC:A - VERSO FM BRANCO DF CAM' MF FL 14 Processo n° 19515.004226/2007-92 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.645 Fl. 14 Por presentes os pressupostos de admissibilidade recursal, dele tomo conhecimento. A matéria em discussão pode ser dividida em três itens: (i) glosa de despesas com variação cambial e juros incorridos; (ii) DDL; e (iii) despesas por excesso de juros em função da T.ILP, ai inserida o argumento da Recorrente sobre duplicidade de glosa. Cabe preliminarmente ao mérito, a apreciação de decadência suscitada pela Recorrente sobre a glosa de despesas com variação cambial e juros incorridos, DDL e despesas por excesso de juros pela TJLP, por dois motivos, o primeiro porque entende que a autoridade tiscalizadora não poderia adentrar no questionamento da base negocial na formação do valor contratual do instrumento particular de cessão de crédito celebrado com suas acionistas, Alcatel, Telesp e Pegasus, nos mesmos moldes do que está limitado ao prazo de cinco (05) anos a modificação da composição do prejuízo fiscal e base negativa acumulada, respectivamente na apuração do IRPJ e CSLL no período utilizado para tal compensação; e segundo pelo fundamento que se trata de lançamento por homologação, tendo apurado prejuízo fiscal pela operação, devendo aplicar-se o disposto, na contagem do prazo decadencial, no art. 150, parágrafo 4 0 do CTN. Assim, alega a Recorrente, em sua peça recursal, que a autoridade fiscalizadora não poderia, por sua vez, ter apreciado a composição da base do instrumento de cessão de créditos da Alcatel e outras para a Recorrente, posto que o valor do contrato foi constituído da variação cambial na origem contratada no ano-calendário de 2000, e dada ciência ao auto de infração em 2007, mais precisamente, 19 de dezembro, estava a mesma legalmente impedida pelo decurso do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, nos mesmos moldes que vem decidindo a jurisprudência administrativa quando se depara com saldo de prejuízo acumulado, momento distinto quando de seu aproveitamento pelo procedimento de compensação. Ocorre que, a autoridade fiscal examinou e glosou, em momento permitido, a dedução de despesas financeiras (item 001 do auto do IRPJ, fls. 769) na contabilidade fiscal da Recorrente, portanto, fato jurídico tributário conseqüente da composição do saldo, sendo perfeitamente legitimo tal procedimento sem qualquer óbice legal. Ora, a glosa das despesas consideradas indedutiveis do ano de 2002 e 2003, períodos de 2001 e 2002, por força da desconsideração dos efeitos da adoção de variação cambial em contrato, considerado ilegal, que repercutiram sobre as bases do IRPJ e CSLL, que são tributos já reconhecidos pela pacifica jurisprudência administrativa como submetidos ao regime de homologação, pode-se concluir que mediante a auditoria fiscal inicial sobre o negócio jurídico original celebrado em 2001, decorrente de operações na Alcatel no ano de 2000, ou seja, importações para investimentos, o que gerou a contabilização da variação cambial nesse e reflexo no instrumento de cessão de crédito A. Recorrente, na data de 21/08/2001, porém para justificar a desconsideração dos efeitos relativos a dedutibilidade nos anos subseqüentes, qual sejam, 2002 e 2003, dentro do período legal permitido, perfeitamente legitima a possibilidade da autoridade fiscal analisar a base da composição negocial, a fim de configurar os efeitos apropriados em exercícios fiscais sem a restrição temporal da decadência. Tal procedimento de auditoria não se confunde, de maneira nenhuma, com as operações de composição de prejuízo fiscal ou base negativa do IRPJ ou CSLL, posto que a autoridade fiscal pode avaliar e interpretar a natureza das despesas como dedutiveis ou não, em face as circunstâncias subjetivas e objetivas elencadas pela mesmas, desde que o faça no Documento assirperiosio.-de .05(cinco)anos previstoiem lei, da ocorrência do fato gerador, o que ocorreu nestes Autenticado digitalmente ern 09/02/2012 poi . C,Af.ZLDL1ALBEFO O U0 ■ 4ASSOLO, Assina0o dig 1 taimente em 09102/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, AssNmlo digirnerte em 10/02 1 202 por ORLANDO LOSE GONCALVES BU ENO. Assinado digitairnento em n 00/0312012 por NELSON LOSSO FILI10 14 Impresso ern 2110312012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO FM BRANCO DF CAM' NIP 1:1 15 Processo n° 19515.004226/2007-92 SI -C2T2 Acórdão n.° 1202-00.645 Fl. 15 autos, posto que a glosa pela autoridade lançadora foi realizada no período de 2002 e 2003, e dada a ciência em dezembro de 2007, reconhecidamente dentro do prazo legalmente autorizado. Cuida-se, impende reiterar, um item do presente processo de glosa de despesas financeiras relativos a variação cambial e juros incorridos, DDL e despesa por excesso de juros pela TJLP, como conseqüência de uma suposta ilegalidade reconhecida em negócio jurídico fundamental, ou seja, trata-se do efeito fiscal, em legitimo exercício do poder tiscalizatório da autoridade administrativa. Se, no mérito, a operação pode ser passível de revisão ou reexame, em virtude de razões de outras naturezas, não H. se falar em óbice por decadência quando se realiza a apreciação dos fundamentos originais para a caracterização da natureza e efetividade das despesas, que é o objeto do lançamento de oficio, portanto, com efeitos dentro do período temporal legalmente válido. Outra coisa, bem distinta, como vem entendendo a jurisprudência citada pela Recorrente, é o poder revisional limitado aos cinco anos da composição do prejuízo fiscal e base negativa tributárias, posto que parte integrante da própria base de nascimento da obrigação tributária verificável, intrínseca para constituição do crédito tributário, o que, por sua natureza, encontra a barreira legal do limite decadencial. Não se trata do caso dos autos, pois examinam-se operações diferentes. Aqui se analisa um efeito próprio, no âmbito fiscal, como adotado pela Recorrente — despesas financeiras — cujo entendimento fiscal foi no sentido negativo de sua validade, enquanto lá se verifica o cômputo ou cálculo de valores a formarem o prejuízo fiscal diretamente no IRPJ ou na base da CSLL, para se validar os seus efeitos fiscais em face o cumprimento de obrigações tributárias, limitadas tais auditorias de bases no tempo decadencial de cinco anos. Pois bem, feita a distinção na interpretação dos julgados do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, citados pela Recorrente, para ajustes no passado e repercussão futura, compreendendo-se passado aquele que ultrapassa o limite temporal dos cinco anos do poder revisional tributário, é cabível o entendimento que a autoridade fiscal lançadora pode emitir juizo de valor quanto ao efeito do negócio jurídico pretérito e original para interpretar a validade das despesas financeiras, que foram glosadas, ern momento não atingido pela decadência, considerando os efeitos dessa consideração para fins fiscais. Portanto, por esse primeiro motivo, fica rejeitada a tese da Recorrente quanto a considerar decadente o lançamento relativo A. glosa de despesas financeiras (variação cambial, juros incorridos, DDL e despesas com excessos de juros pela TJLP) e seus reflexos na autuação fiscal. Pelo segundo motivo, verifica-se na decisão de primeira instância que a autoridade relatora pautou seu entendimento para afastar a decadência no caso de lançamentos por homologação, em interpretação literal do art. 150, parágrafo 4° combinado com o art. 156, inciso VII, ambos do CTN, asseverando que, em não havendo o pagamento antecipado, como é o presente caso, não se configura o lançamento por homologação, devendo o prazo decadencial ser regido pelo disposto no art. 173 do CTN, vale dizer, não mais pelo fato gerador e sim do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. A decisão anterior colaciona julgados da CSRF e do STJ que sustentam tal tese F.)ocumento assfr.0,, k:igftalrneffte conformo MP ri" 2.2U-2 do 24:0b/2001 Autemtfcado digita:mente ern 09;02/2)12 pai CAPLOS ALLIEN10 DONASSOLO. Aaumciadigitcdm 2012 por CARLOS ALBER10 DONASSOLO. Acomodo dtolmente ern 1010212012 pf.'y (ALANDO 209E GONCALVES BLJ ENO. Assinado digitalmente em 08/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Impresso em 21/03/2012 por ANDREA FERNANDES GAROA - VERSO EM BRANCO 15 DF CARF f\4F FL 16 Processo n° 19515.004226/2007-92 S1 -C2T2 Acórdão n.° 1202-00.645 Fl. 16 Em que se considerem as abalizadas orientações dos julgados citados, quanto a matéria em comento, cabe outro entendimento sobre a questão tormentosa da decadência como aventado, quando se trata do lançamento por homologação. Pois bem, a dicção legal do artigo 150, "caput" do CTN é a seguinte: "Art. 150. 0 lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade, assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa." Como ensina Paulo de Barros Carvalho, a interpretação literal é apenas o começo de um caminho em busca de sentido e construção da norma jurídica tributária, pelo que se faz com a leitura direta do texto legal. Assim, com base nessa leitura já se despontam certos vocábulos que, na verdade, regem o sentido do enunciado normativo em questão, qual sejam, os verbos: ocorrer, atribuir, dever, antecipar, operar, tomar, exercer, homologar. As palavras ou vocábulos não estão inseridas na frase de forma aleatória e carentes de um sentido próprio, ao contrário, convergem para um sentido e alcance a serem extraídos pelo intérprete e aplicador da regra. Como ensina o autor citado: "0 intérprete instaura, desse modo, o fato jurídico e relata seus efeitos prescritivos, consubstanciados no lag() obrigacional que vai atrelar os sujeitos da relação, como órgãos habilitados para o seu exercício. E tal atividade, que consiste na expedição de uma norma individual e concreta, somente será possível se houver outra norma, geral e abstrata, que lhe sirva de fundamento de validade." (Direito Tributário, Linguagem e Método, 2008, Ed. Noeses, p.152). Assim, somente por essa primeira leitura, pode-se notar que as ações observam seqüência de coerência lógica para construir o sentido da natureza do procedimento regido pela frase normativa, qual seja, o lançamento por homologação. Em outras palavras, todos os verbos caminham para um ponto de convergência e consistência na definição do que é o lançamento por homologação e seu efeito, uma vez homologado, a extinção do crédito tributário. Ao se seguir tal caminho, pode-se assim observar o rigor técnico da redação legislativa, dos enunciados nele constantes: - ocorrer: se refere à identificação, na realidade operacional do sujeito passivo, do lançamento por homologação; -atribuir: significa conferir, determinar, criar ao sujeito passivo uma obrigação; - clever: significa a própria obrigação; Documento assinado digitalmente coi0 ,)M1(.; Autentieado cligitalmenle ern 09/02/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado diclitaarient ,3 em 09/02/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, A3sinado ç1Igilain.€.nte em 10/0212012 poi* ORLANDO JOSE GONCALVES EU ENO. Assinado cligitairriente em 08/032012 por NELSON I.OSSO FILHO Impresso em 21/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO 16 DF CARE: MF FL 17 Processo n° 19515.004226/2007-92 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.645 Fl. 17 - antecipar: significa a operação do sujeito passivo em adiantar o pagamento; - operar: significa já o dever da autoridade administrativa em iniciar uma atividade sobre o dever atribuído ao sujeito passivo; - tomar: significa o resultado do contato com o dever do sujeito passivo; - exercer: significa uma atividade da autoridade administrativa sobre a prática do sujeito passivo; - homologar: significa o ato final de reconhecimento do lançamento pelo sujeito ativo. Nessa desconstrução lógica já se denota, em leitura mais cuidadosa e técnica, que todos os verbos compõem o significado frásico de que o pagamento é um dever constituído pelo texto legal como previsto na obrigação legal da exigência tributária, vale dizer, tal pagamento deve estar previsto expressamente na regra matriz de incidência tributária, sem o que o instituto do lançamento por homologação, que é efeito daquela, como procedimento de apuração do tributo devido, não se completa como é previsto pela regra em comento. Portanto, sob esse ponto de análise, o texto normativo do art. 150, "caput" do CTN necessariamente se reporta, para seu sentido válido e consistente, ao enunciado de uma obrigação tributária previamente constituída, sendo que o legislador, neste enunciado, somente distinguiu e ressaltou o procedimento confirmatório da autoridade administrativa quanto a obrigação do tributo é conferida a um sujeito passivo, por disposição legal própria, para finalidade especifica de definir qual é o lançamento por homologação e o que é inerente ao mesmo para produzir o efeito de extinção do crédito tributário lançado. Ora, o dever de pagar está abstrato e geralmente previsto na regra matriz de incidência de cada tributo, sendo que o núcleo do artigo 150 citado faz apenas referência para definir a natureza jurídica do instituto "lançamento por homologação". Portanto o que está inserido no enunciado é aquele mesmo dever de pagar também abstratamente previsto em dispositivo legal, e não o ato em si, na sua efetividade, pois pode o contribuinte ou sujeito passivo, declarar seu débito e não efetuar o recolhimento, mesmo assim subsiste o seu dever, adrede inadimplido. E não é a situação de adimplemento, ou inadimplemento, na essência do texto legal em comento, o que caracteriza o lançamento por homologação, mas sim que exista o dever, criado na regra matriz de incidência tributária, do dever de antecipar o pagamento, e antecipar no cumprimento efetivo de sua obrigação tributária, por ele apurada e formalizada, sujeitando-se a atividade homologatória da autoridade administrativa. 0 simples inadimplemento não desnatura o lançamento por homologação, nem afasta o dever de pagamento previsto na regra em comento, apenas cria a mora, que deve ser imputada A conduta omissiva do sujeito passivo. Portanto, o mero inadimplemento efetivo, não desnatura a atividade do lançamento atribuída ao sujeito passivo por dispositivo legal, posto que a regra, em questão, diz mais quanto a atribuição A autoridade administrativa no sentido de conferir-lhe um dever de homologar, ou não, o reconhecimento do lançamento tributário efetuado pelo contribuinte, que é a atividade de iniciativa dele próprio em apurar e declarar o tributo devido. Documento assinado digitalrmntc. conforme Mi)r( -' 2.2(10-2 de 2410E-V2001 Autenlicado digita!mente em 09/C2/2012 por CARLOS ALUER; . 0 DONASSOLO, Assmado cigiti31:11ele em 00i02% 2012 por CARLOS ALBERTO DONIASSOLa Assinado err 10/02/2012 pui ORLANDO JOSE GONCALVLS DU ENO, Assinado digitaImente can 08103/2012 por NELSON LOSSO FILHO 17 Impresso ern 21 103 12012 por ANDREA FFRNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO 1)1 CARL= Mlf FL 18 Processo n° 19515.004226/2007-92 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.645 Fl. 18 Em suma, o lançamento por homologação continua a subsistir por sua própria natureza constituinte de uma obrigação primeiramente ao sujeito passivo e, por conseguinte, autoridade administrativa em homologar, ou não, o procedimento do contribuinte, que se espera finalizar no efetivo pagamento do tributo devido, com a extinção do crédito tributário. Se o sujeito passivo não pagou por qualquer razão, continua a subsistir o seu dever, e ele incorre em mora, assim como o seu procedimento para tal resultado pecuniário devido i Fazenda Pública simplesmente não é homologado e cabe a essa proceder a formalização da exigência com outra modalidade procedimental que é o lançamento de oficio, ea nem isso, caso o contribuinte tenha confessado em declaração competente, deve a autoridade administrativa tributária imediatamente inscrever em divida ativa e ajuizar a competente execução fiscal. 0 mero inadimplemento do sujeito passivo não converte o lançamento tributário constituído pelo procedimento de sua iniciativa em outro procedimento que não o mesmo sujeito à homologação, sendo o principal efeito, deste dispositivo que a autoridade fiscal não homologará e, portanto, efetuará a cobrança como comentada acima. Porém a atividade do sujeito passivo, que foi de apurar e constituir, por sua iniciativa e dever formal, sua obrigação tributária, como sói acontecer nos tributos do IPI, ICMS, IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, não desqualificam o enunciado legal de que se deixa de considerar lançamento por homologação, notadamente para efeito de contagem do prazo decadencial. Continua a ser lançamento por homologação, cuja falta de pagamento gera conseqüências legais pela infração cometida. Admitir-se que o mero inadimplemento desnatura o procedimento de lançamento por homologação, atribuído por lei ao sujeito passivo, seria admitir que o legislador invalidou, pura e abstratamente, todo o procedimento tributário incumbido por lei e/ou decreto, ou ainda normas complementares, ao sujeito passivo como deveres instrumentais na apuração, fixação e formalização de sua obrigação tributária, ou, do crédito tributário devido à Fazenda Pública, somente porque foi constatado que o sujeito passivo não honrou o pagamento que ele mesmo apurou e declarou. Tal raciocínio, além de artificial, não encontra amparo na legislação tributária e na natureza da obrigação tributária, em face a regra matriz de incidência de cada tributo como exemplificados acima, seja sob à ótica da obrigação principal, seja sob a acessória, nos termos do Código Tributário Nacional. Pelas razões acima, fica evidenciado entendimento divergente daquele que afirma ser a falta de pagamento antecipado motivo a ensejar o não reconhecimento da classificação tributária em questão na modalidade do lançamento por homologação, no caso IRPJ, para efeito de contagem do prazo decadencial. A despeito de tal entendimento, fato incontestável é que a as infrações foram constatadas em lançamento de oficio em 2007, mais precisamente, 19 de dezembro (data da ciência dos autos de infração), sendo que os fatos geradores ocorreram, como se pode confirmar pela leitura dos autos de infração do IRPJ e CSLL, em 2002 e 2003, portanto, as glosas de despesas com variação cambial e juros incorridos, DDL e despesas com excesso de juros em função da TJLP foram constituídas regularmente, quando ainda a Fazenda Pública podia exercer seu poder revisional como autorizado pelo CTN, e considerando o regime de tributação pelo lucro real anual, sob o ponto de vista da contagem do prazo decadencial, ainda que no mérito possa-se questionar o tratamento conferido à base negocial que geraram os efeitos fiscais auditados e exigidos, no que se refere a contagem aludida a autoridade fiscal Document o ass estava no settpoder/deveriegitirnoipara tal trabalho de auditoria. Autenticado digitalmerite er, 09;0212012 poi C/rLcsALLLH O DONASSOLO, Assr2o r.,1!r;:r.1!merite e::109102/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOO Aso kii,ilpiniento em 10 ,0212012 por C , LANDC.) JOSE ,a)NCALVES OU ENO. Assinado digitaimente em 08;63/20`; 2 por NELSON i.OSSO FILHO 18 Impress o em 21/03/2012 f-)N ANDREA FF_RNr■NDES CADEIA - VERSO EM BRANCO DF CARF M F FL 19 Processo n° 19515.004226/2007-92 S1-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.645 Fl. 19 Por outro fundamento daquele colocado pela decisão de primeira instância, acima explicitado, rejeita-se a argüição da preliminar de decadência, não obstante também o faria por força da determinação art. 62-A do RICARF, uma vez que o STJ, em decisão do Recurso Especial n° 973733, como recurso repetitivo, nos termos do art... .do CPC definiu que, em não havendo pagamento, no caso de lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo disposto no art. 173 do CTN, como a seguir se transcreve a ementa do julgado: EMENTA 1. 0 prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de oficio) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.[...] 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3' ed., Max Limonad, Sao Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. 0 dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, 1, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte a ocorrência do fato imponivel, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, ,sç 4°, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3' ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10° ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3' ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (h) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciarias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponiveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos Documento assnacio dqiíeInenc ccmtcy d041t$,er/12_26.03,200,1i2001 Aulentreado diOalmenle em 0910212012 por CARLOS ALLIER TO DONASOLO. AssTclo dlnItal;ente ern 09102/ 2012 por CARLOS ALBERfO DONASSOLO, Assinado d:gilalmente em 10/022 0 12 por ORLANDO JOSE GONCALVES EU ENO. Assinado cligitalmonte ern 0810312012 or NELSON LOSSO FILHO Impresso em 21/0312012 por ANDREA r-ERNANDEE. GARCIA - VERSO FM aR/'-kNICO 19 DF (TAU MF H. 20 Processo n° 19515.004226/2007-92 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.645 Fl. 20 6. Destarte, revelam-se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de oficio substitutivo. (R.Esp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) Do Mérito Quanto ao mérito, a discussão central e com a produção dos efeitos diretos sobre as glosas das despesas com variação cambial e juros incorridos, DDL, por força da indexação ao dólar, diz respeito a interpretação do alcance do artigo 2°. Incisos IV e V do Decreto-Lei no. 875/69, pelo que dispôs a Lei no. 10.192, de 14 de fevereiro de 2001, a saber: "Pela Lei n°10.192, 14 de fevereiro de 2001, Art. 12 As estipulações de pagamento de obrigações pecuniárias, exequíveis no território nacional deverão ser feitas em Real, pelo seu valor nominal. Parágrafo único: São vedadas, sob pena de nulidade, quaisquer estipulações de: - pagamento expressas em, ou vinculadas a ouro ou moeda estrangeira, ressalvado o disposto nos arts. 2° e 3° do Decreto- Lei no. 857, de 11 de setembro de 1969, e na parte final do art. 6 da Lei n° 8.880, de 27 de maio de 1994; - reajuste ou correção monetária expressas em, ou vinculadas a unidade monetária de conta de qualquer natureza; III - correção monetária ou de reajuste por indices de preps gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados, ressalvado o disposto no artigo seguinte. Arts. 2° do Decreto -Lei n° 857, de 11 de setembro de 1969: Art 2° Não se aplicam as disposições do artigo anterior: I - aos contratos e títulos referentes a importação ou exportação de mercadorias; - aos contratos de financiamento ou de prestação de garantias relativos às operações de exportação de bens de produção nacional, vendidos a crédito para o exterior; Document° assinado digitalmente conicaro MR n" 2.700-2 fiC 7411; 512 001 Autenticado digiaIrnerte em 09/3212012 ig cP1 a1.9 çf?"?.2Pc!. 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO. Assinado dI2:1;3Imante. em 1010212312 pro ORLANDO JOSE GONCALVES DO ENO. Assinado clivalmente ern 08/0312012 por NELSON LOSSO F-ILI IO 20 Impresso em 21/03/7012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO Etsf, BRANCO DI: CAM= MI' FL 21 Processo n° 19515.004226/2007-92 S1-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.645 Fl. 21 IV - aos empréstimos e quaisquer outras obrigações cujo credor ou devedor seja pessoa residente e domiciliado no exterior, excetuados os contratos de locação de imóveis situados no território nacional; aos contratos que tenham por objeto a cessão, transferência, delegação, assunção ou modificação das obrigações referidas no item anterior, ainda que ambas as partes contratantes sejam pessoas residentes ou domiciliadas no pais. Parágrafo único. Os contratos de locação de bens móveis que estipulem pagamento em moeda estrangeira ficam sujeitos, para sua validade a registro prévio no Banco Central do Brasil Art 3 0 No caso de rescisão judicial ou extrajudicial de contratos a que se refere o item I do artigo 2° dêste Decreto-lei, os pagamentos decorrentes do acêrto entre as partes, ou de execução de sentença judicial, subordinam-se aos postulados da legislação de câmbio vigente." Se a autoridade fiscal entendeu indevida e ilegal a indexação ao dólar o Instrumento Particular de Cessão de Créditos da Alcatel, Telesp e Pegasus, como relatado, em leitura literal, no caso concreto, é cabível leitura mais cuidadosa sobre os textos legais citados e a realidade contratual, contábil e negocial auditada pela fiscalização. Nesse sentido, diz a lei acima (10.192/01), em seu artigo 12°, parágrafo que ficam vedadas as estipulações de pagamentos com indexação no ouro e dólar, sendo nulas de pleno direito tal fixação em contratos. Denota-se, também que o citado parágrafo único do dispositivo legal em comento relaciona as hipóteses expressamente vedadas, contudo, ressalva o disposto nos artigos 2° e 3° do Decreto-lei n° 857/69, sendo relevante, para o caso examinado, as hipóteses elencadas nos incisos IV e V, do artigo 2° do diploma legal referido, assim redigidos: "Art.2° Não se aplicam as disposições do artigo anterior: IV - aos empréstimos e quaisquer outras obrigações cujo credor ou devedor seja pessoa residente e domiciliado no exterior, excetuados os contratos de locação de imóveis situados no território nacional; V - aos contratos que tenham por objeto a cessão, transferência, delegação, assunção ou modificação das obrigações referidas no item anterior, ainda que ambas as partes contratantes sejam pessoas residentes ou domiciliadas no pais." Pois bem, reconhecendo-se como premissa maior a expressão "estipulações de pagamentos" contemplada no artigo 1° da lei ordinária referida que determina o curso legal do Real, no cumprimento de obrigações pecuniárias, vedando em seu parágrafo único igualmente as estipulações de "pagamentos expressas em, ou vinculadas a ouro ou moeda estrangeira", e reconhecendo-se a premissa menor, o disposto na ressalva prevista no diploma Documento assulegalcitado,cpelos; arts.- 2Ve23°e clQ61-3.1_;1857/69 que excepciona situações hipotéticas de tal Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por CARLOS ALBER1C) DONASSOLO, Assinado digltalinonle em 09102! 2012 por CARLOS ALEERTO DONASSOLO. Ass:nado dCcer9e em 10/C2!2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES OU ENO. Assinado digitalmente ein 08/0312C12 per NELSON LOSSO FILHO 21 Impresso em 2110912012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO DF CAR,' MI FL 2 1 Processo n° 19515.004226/2007-92 S I -C2T2 Acórcido n.° 1202-00.645 Fl. 22 proibição, ou seja, autoriza, nos termos acima mencionados, conclui-se que se faz necessária a verificação, na realidade fática do negócio jurídico auditado pela autoridade fiscal, se as hipóteses legais descritas se concretizaram, ou melhor, se incide a regra proibitiva, ou sua exceção, a regra permissiva, a fim de se deslindar a questão jurídica fiscal ora em apreciação. Constam nos autos os relatos dos fatos que a Recorrente celebrou com a Alcatel, Telesp e Pegasus, instrumentos de cessão de créditos detidos junto a Barramar, por força de reestruturação de passivos dessa. No caso do Instrumento de Cessão de Crédito com Alcatel, foram mantidas as mesmas cláusulas (inclusive a mesma forma de indexação) que originalmente vigorou entre a Alcatel e Barramar, ou seja, baseada na variação do dólar norte americano. 0 motivo de tal indexação, como foi confirmado pela própria fiscalização, foi o financiamento parcial contraído pela Alcatel, em moeda estrangeira, para prestação de serviços a Barramar (item 26 do Termo de Constatação Fiscal). A Recorrente juntou, com a sua impugnação, o contrato de empréstimo firmado com instituição financeira no exterior e o contrato de fechamento de câmbio. Fato também inconteste é a falência da Barramar decretada em 24/03/2004, o que conferiu ainda mais insegurança ao contrato originalmente celebrado entre a Alcatel e Barramar. Fato igualmente comprovado é a constituição societária da Recorrente com os créditos oriundos do contrato com Barramar. E fato demonstrado é a constituição do Consórcio Refibra, com assunção de dividas pela Recorrente, para a continuidade operacional do objeto de atividade inicial contratada pela Barramar, que teve assim totalmente reestruturado seu passivo. Consta nos considerandos do Instrumento de Cessão de Crédito da Alcatel para a Recorrente a importante circunstância que tal operação decorria de compromissos assumidos pela primeira em face a empresa falida Barramar (item II fls. 232), inclusive essa figurou como "interveniente-anuente" (lis. 231 e seguintes). Importa trazer à nova leitura o disposto na cláusula 3 do contrato supra, celebrado em 26 de julho de 2001 (fls. 234/235, vol II dos autos) a saber: "3.D0 VALOR DA CONTRAPRESTAÇÃO 3.1.1 A CEDENTE cede á. CESSIONARIA o crédito mencionado na cláusula 1.1 retro, pelo montante de US$ 20.032.238,97(vinte milhões, trinta e dois mil, duzentos e trinta e oito dólares norte-americanos e noventa e sele centavos), equivalente a R$ 43.764.432,48 (quarenta e três milhões, setecentos e sessenta e quatro mil, quatrocentos e trinta e dois reais e quarenta e oito centavos), na data base de 3014/2001. 3.1.2 A CESSIONARIA expressamente reconhece que os valores devidos pela BARRAMAR CEDENTE, objeto da cessão de crédito operada por este instrumento, são provenientes de empréstimo externo captado peta CEDENTE, cujos recursos ora disponibilizados em parte à BARRAMAR, pare fiel cumprimento de determinadas obrigações assumidas peta CEDENTE no bojo dos Contratos de Documento assinaou digitaimente, conForK,Inpreitada,(Q1Qbal s,upra, aludidos. Autenticado digital:ilk:Me ern 09/02/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, t",,ssiradogitarnente em 09102/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO. Assinadc Iarneiae em 1 0/02/2012 por ORLANDO JOSE CONCALVLS BU ENO. Assinado digitalmente cm 08/03/2012 por NELSON LaSSO FILHO 22 Impresso ern 21/031 2012 por ANDREA FERNANI:ES GARCIA - VERSO EM BRANCO DE CARE ME Fl. 23 Processo n° 19515.004226/2007-92 SI -C2T2 Acórdão n.° 1202-00.645 Fl. 23 3.1.3 Observado o disposto na cláusula 4, a quantia referida em 3.1.1 deverá ser paga pela CESSIONARIA à CEDENTE, conforme tabeb abaixo, em 7 (sete) parcelas anuais, iguais e consecutivas, no valor de US$ 2 861 748 43 (dois milhões, oitocentos e sessenta e um mil, setecentos e quarenta e oito dólares norte-americanos e quarenta e três centavos) cada, correspondente à RS 6 1,80 (seis milhões, duzentos cinqüenta e dois mil e sessenta e um reais e oitenta centavos) na data base de 30/412001, data em que US$ 1,00 correspondia a R$ 2,11347, vencendo-se a primeira em 30 da junho de 2002, e as demais em iguais dias e meses dos anos subseqüentes, sendo que a última parcela deverá ser quitada em 30 de junho de 2008. 3.1.4 As parcelas devidas pela CESSIONARIA à CEDENTE, deverão ser pagas em moeda corrente nacional, mediante a conversão do dólar norte-americano no dia anterior ao pagamento, utilizando-se a cotação cambial de venda válida para esse dia divulgada pelo Banco Central do Brasil através CS3 S1SBACEN, moeda 220 código 5, transação PTAX 800 e serão acrescidas de juros remuneratórios de 10% (dez por cento) ao ano, calculados 'pro rata temporis', nos termos da tabela acima. 3.1.5 Na impossibilidade de se aplicar a correção acima estipulada, por força de decisão judicial, fi ca desde já certo e estabelecido que os valores em reais acima mencionados serão atualizados monetariamente a cada 12 (doze) meses, ou em menor perodicidade permitida por legislação superveniente, desde a data de 30/04/2001 ale a data de sua respectiva liquidação, pelo IGPIA-FGV, ou no caso de extinção deste indica, por outro que venha a substitui-lo, além de juros à razão de 12% (doze por cento) ao ano. 3.1.5.1 Se os valores atualizados na forma da cláusula 3.1.5 não forem suficientes para a CEDENTE liquidar o empréstimo externo que contraiu, a CESSIONÁRIA deverá arcar com a diferença, de sorte que as importâncias a serem pagas por ela a cada ano correspondam ao valor em moeda corrente nacional, na data de vencimento de cada parcela, a US$ 2.861.748,43 (dois milhões, oitocentos e sessenta e um mil, setecentos e quarenta e oito dólares norte americanos e quarenta e três centavos), acrescidos de juros de 10% (dez por cento) ao ano, de modo que a CEDENTE possa honrar seus compromissos junto aos credores externos." Isto posto, cabe cotejar as disposições supra, e lembro não invalidadas pela autoridade fiscalizadora, pelo contrário consideradas válidas para efeito de análise da natureza das despesas contabilizadas na Recorrente, com as regras gerais e abstratas aludidas e comentadas anteriormente a esse relato do contrato celebrado entre Alcatel e a Recorrente. A dicção legal é clara em adotar a expressão vocabular "estipulações de pagamentos", vinculados em dólar ou ouro. De plano, em mera leitura do quanto estipulado no instrumento de cessão de crédito da Alcatel com a Recorrente constata-se que o valor do mesmo foi fixado em dólares norte-americanos, com valor em reais correspondentes, porém o pagamento, e isso está bem explicito na cláusula 3.1.4 supra mencionado, deveria ter sido efetivado em moeda corrente nacional. Documento assinatio ;iigitairnenici conformo MP ;;'' 2.200-2 do 24:08/2001 Autenticado digitalmente ern 09102/2012 por ÇAI ,;LOS ALBERTO DONASSOLO : Asn'aJo <1:gita!rnon:e em 09/02/ 2012 por CARLOS ALBERf O DONAS5OLO. Assi!lado 10/02/2012 POI OSLANDO .10SE, GONCALVES EU ENO. Assinado digit-mente em 08;0312312 por NELSON LOSSO FILI-i0 23 Impresso ern 21/0312012 por ANDREA. FERNANDES GARCiA - VERSO FM MANGO DF CARE' MI' Fl. 24 Processo n°19515.004226/2007-92 SI -C2T2 Acórdão n.° 1202-00.645 Fl. 24 Essa situação contratualmente evidencia, ademais, que as partes contratantes tiveram o cuidado de fixar o valor em dólares, e com igual cuidado estipularam o pagamento em reais, ou moeda corrente nacional, o que, sob essa ótica, nesta conferência real do enunciado legal, com o negócio subjacente das despesas com variação cambial e juros incorridos, está plenamente adequado o tratamento e de conformidade à regra legal citada para o reconhecimento e aplicação que a Recorrente não pretendeu, nem violou o determinado no artigo 12 da Lei no 10.192/2001. 0 pagamento está previsto em moeda corrente nacional, ou melhor, a estipulação desse pagamento, como reza exatamente o texto legal referido. Todavia, ainda que se possa considerar um artificio de redação das cláusulas contratuais de valores e correção monetária combinado entre as partes, no intuito de burlar a disposição legal supra, o que efetivamente não foi a situação constatada pela autoridade fiscal, haja vista que apenas concluiu ser indevida a adoção de indexação em moeda estrangeira o contrato de cessão de créditos com a Recorrente, aplicando, inclusive, no que se refere a considerar válidas as demais estipulações contratuais, os juros remuneratório de 10% "pro rata temporis" para efetuar o cálculo pela diferença do valor nominal e apurar a glosa sobre as despesas financeiras a esse titulo, conforme o Termo de Constatação Fiscal (fls. 753 e 754, do vol. IV dos autos). Faz-se necessário, ainda, analisar se a situação contratual da Recorrente se subsume as exceções da proibição de indexação em dólares, nos termos previstos pelo DL 857/69. Pois bem, como já verificado nos autos, e assim como constatado pela autoridade fiscalizadora, em seu item 21 do seu Termo de Constatação ( fls. 749, vol.IV do presente processo), ao asseverar, "21. Conforme item 3.1.2 da cláusula 3, do referido instrumento "os valores devidos pela BARRAMAR a CEDENTE, objeto de cessão de crédito operada por este instrumento, são provenientes de empréstimo externo captado pela CEDENTE, cujos recursos foram disponibilizados em parte à BARRAMAR..." E, mais adiante, no mesmo termo, a fls. 750, item 27, após diligência junto a ALCATEL, a autoridade fiscal concluiu que não houve repasse do empréstimo estrangeiro, o que impossibilitaria a adoção da variação cambial do valor cedido à Recorrente. E finalizou com o resultado de que "exsurge indevida a variação cambial efetuada pelo contribuinte, bem como excesso de despesas de juros, quer pela TJLP, quer por outro índice estipulado contratualmente, que decorreu da efetivação da variação cambial, cujo reflexo tributário será constituído a seguir." (fls. 752, vol. IV, item 38 do TCF). Com referência a situação Mica relatada pela autoridade administrativa sobre seu entendimento na interpretação da Lei n. 10.192/01 (item 36, lis. 751, vol. IV do TCF), para reconhecer a impossibilidade da variação cambial, evidencia-se que o trabalho fiscal deteve-se neste diploma legal sem aferir, na prática, se configuraria, no caso concreto, as exceções previstas no DL 857/69, posto que expressamente ressalvadas no inciso I, parágrafo único do art. 10 da Lei no. 10.192, de 14 de fevereiro de 2001. Tal análise de adequação e conformidade cabe a esta instância recursal, haja vista que a decisão de primeira instância, nesse aspecto, apenas reforçou o entendimento da autoridade lançadora, inclusive manifestando-se quanto ao DL 857/69 dizendo que não se tratou de repasse de empréstimo ou outra obrigação, que está a merecer maior reflexão sobre a interpretação relativa ao sentido e alcance dos termos dos incisos IV e V do citado DL. Documento assinado di3italtnerAc. conformo MP ri" 2.200-2 de 24í0í2O01 Autenticado digitalmorte em 39/C2/2012 por CARLOS ALBERTO DONAS;-.30LO : Assinado diOatinente em C9/021 2012 por CARLOS ALBER ID DONASSOLO. Assslt -tdo c;gitalm,:nta ern 10/02/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO Assinado dgitglmente em 08;03120 -12 pot- NELSON LOSSO FILHO 24 Imptesso ern 21/0312012 nor ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO 1)1 CAR'? 1■417 1 2 1. 25 Processo n° 19515.004226/2007-92 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.645 Fl. 25 Como já citados acima, os incisos do artigo 20 do DL 857/69, referem-se a empréstimos e quaisquer outras obrigações cujo credor ou devedor seja pessoa residente e domiciliado no exterior e, o inciso V trata dos contratos que tenham por objeto a cessão de tais obrigações. Qual a amplitude dessas " quaisquer outras obrigações" ? Note-se que, o legislador supra, distinguiu a operação de empréstimo dessas outras obrigações, tanto no inciso IV como no V. Tanto a autoridade fiscal, como a decisão de primeira instância compreendem que o empréstimo de responsabilidade da Alcatel, repassados como custo a Barramar deveria Ler sido repassado para a Recorrente, com o que, entendem as mesmas, estaria legitimada e classificada corretamente a atividade da Recorrente em adotar a indexação em moeda estrangeira e, por conseguinte, o tratamento das despesas com variação cambial e juros incorridos, decorrentes da cessão de créditos. Em que se considerem os raciocínios desenvolvidos pelas autoridades, entendo que o termo "quaisquer outras obrigações" adotado pelo legislador tem alcance mais amplo, por evidente, do que somente os empréstimos diretamente transferíveis, posto que se assim não fosse estar-se-ia acolhendo a tese de que a lei tem palavras inúteis, com o que não se pode assentir, mormente em se tratando de regra prescritiva de conduta, plenamente válida e eficaz no ordenamento jurídico. Portanto, com a expressão "quaisquer outras obrigações" é claro que o legislador quis contemplar as diversas operações decorrentes de contratos com pessoa residente e domiciliada no exterior, dentre as quais a transferência do ônus cambial como efetuado pelo Instrumento de Cessão de Créditos da Alcatel com a Recorrente, como ficou bem explicitado nos termos contratuais examinados. Assim, a cláusula que fixa a correção cambial de preços de serviços, cuja execução e custos foram financiados por empréstimo em moeda estrangeira, é válida por transferir o ônus da obrigação celebrada em moeda estrangeira responsável pelo financiamento da atividade no pals, ou seja, a obrigação, cuja origem foi o empréstimo estrangeiro, foi cedida A Recorrente, por decorrência natural e seqüencial dessa operação originalmente celebrada com a Barramar, que neste particular foi reconhecida não somente pelas partes contratantes, como pela própria fiscalização como já asseverado. Entende-se, por questão pragmática, que cabe ao interessado comprovar a relação de conexão da operação estrangeira, ou obrigação estrangeira, e a pertinência com a obrigação cedida, ou transferida a pessoa nacional. No caso em análise, além de ter sido reconhecido pela autoridade fiscal, a Recorrente juntou, com a impugnação, o contrato da Alcatel e Barramar, assim como contratos de empréstimos internacionais e contratos de câmbios, além de inserir expressamente as cláusulas nos contratos decorrentes sobre tais obrigações cambiais. Se a relação obrigacional continuativa foi declarada e exibida, concluída com o Instrumento Particular de Cessão de Direitos da Alcatel com a Recorrente, a comprovar a origem em operações anteriores, que se iniciaram com o empréstimo estrangeiro da Alcatel, entendo que a exigência legal foi atendida, sendo completada, na realidade ora verificada, a adequação e conformidade A exceção prevista no DL 857/69. Se a fiscalização entendeu que não havia vínculos ou decorrências da Document() assina(!o dioitji nor ,- cont,ir,, I n" L I.. L24;061/(A ,, Autenticado digita o ii peraçao , do empres jmo estrangei de in , r res u nsljl(1qacie da Alcatel, incumbia a 2012 por CARLOS ALBERT() DONASSOLO. Assirwoo Q.:3 ■ Ialoierite em 1 00212312 por ORLANDO JOSE GONCALVES OU ENO. Assinado digitalmente em 38/33/2012 por NELSON LOSS() OLHO 25 Impresso em 21/03/2012 Por ANDREA FERNANDES CAROM - VERSO Ely', BRANCO CARF ML Fl. 26 Processo n° 19515.004226/2007-92 SI -C2T2 Acórdão n. ° 1202-00.645 FL 26 mesma comprovar tal impertinência, materialmente dizendo, e não apenas interpretar que a indexação, em si, não poderia ter sido levada a efeito por dedução lógica de leitura literal do dispositivo legal da Lei no. 10.192/01 sem se aprofundar na amplitude e complexidade das operações envolvidas e no alcance das exceções contempladas nos incisos comentados do artigo 2° do DL 857/69. Lembre-se, conforme se pode ler no TCF, que a própria autoridade fiscal certificou a exibição de documentação relativa ao empréstimo estrangeiro e a vinculação as operações com a Barramar, para todos os efeitos de que o caminho interpretativo trilhado pela autoridade fiscal, e percorrido igualmente pela decisão de primeira instância, ainda continuava e deveria ter sido palmilhado integralmente para considerar as circunstâncias negociais e operacionais do presente caso. Diante do entendimento, acolhe-se as razões recursais, para quanto ao item 004 do auto de infração, e tópico "E.1"do Termo de Constatação Fiscal — TCF, tributação da variação cambial e juros incorridos, julgar o lançamento improcedente e dar provimento ao recurso voluntário quanto a este item. Passa-se a análise das duas infrações relativas a DDL, em dois itens distintos do auto de infração. Quanto ao item 003 do auto, entendeu a fiscalização ter havido favorecimento da Alcatel, como acionista da Recorrente, quando do aumento do capital dessa, considerando que a Recorrente acatou a cessão de crédito anteriormente já examinada, repercutindo em considerar a AFAC fictícia ( item F.1 do TCF: Aumento de Capital promovido por Alcatel Telecomunicações S/A), nos dizeres da autoridade fiscal, a fls. 759, vol IV dos autos: "Neste sentido, a AIX praticou ato que beneficiou a ALGA TEL, mormente quando se aceita cláusulas vedadas por lei, de indexação ao dólar e ainda acrescida de juros, em contrapartida ao crédito que passa a deter contra BARRA MAR, que não lhe assegura nenhuma remuneração, e que, como se percebe pela sua Demonstração de Resultados Contábeis, fica apenas a apurar prejuízos." Antes de se adentrar no mérito da especifica situação processual, cabe examinar o argumento da Recorrente sobre a decadência de parte da composição do valor da DDL. Alega a Recorrente, referindo-se aos cálculos da autoridade fiscal, constantes do TCF, que parte das despesas incorridas, com variação cambial e juros, foram do ano de 2001, já atingido pela decadência, haja vista que o trabalho fiscal, glosando as despesas, recalculou segundo o que considerou "real" e expurgou as mesmas para tributar a diferença sob o titulo de DDL. De fato pelo que se confirma nos quadros demonstrativos da autoridade lançadora, F.1, item 67 do TCF evidencia-se que os valores citados foram considerados na apuração da DDL, conforme bem explicado pela Recorrente, em sua peça recursal, a fls. 1160 até 1163, a qual se reporta para esclarecer os cálculos adotados pela incorporação de valores de despesas incorridas em 2001. Nesse sentido, caso se mantenha o lançamento da DDL, os valores apontados pela Recorrente, referente a parte da DDL, neste item exigida, deverão ser expurgados das despesas de variação cambial e juros incorridos, que já foram incorporados ao lucro da Recorrente em 2001, ou seja, foram considerados no resultado da mesma em período já atingido pela decadência do direito de lançar da Fazenda Nacional. Documento assinado digitainiente conforitiQ Mr [1' 2.200-2 da 240 :312 00 1 Autenticado digilalmente orn 09102/2012 por CARLOS ALOE/i-) I 0 DONASSOLO, Arsinado digititlinentc em 09/02/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO. Assinado digi; -, imeri;o em 10,0212012 por ORLÍ.NDO JOSE GONCALVES DO ENO. Assinado digitaimei)te em 08/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Impresso em 21/03/2012 poi ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM EiRANCO 26 DF CART MI: Fl. 27 Processo n° 19515.004226/2007-92 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.645 Fl. 27 Pois bem, quanto ao aspecto de mérito do motivo da autuação relacionado ao valor da cessão de credito acolhida pela Recorrente, o mesmo já foi explanado pelo provimento do recurso voluntário para tal legitimidade em se adotar a indexação em dólar, mesmo porque diz a Lei 10.192/01 somente em pagamento, o que foi observado regularmente pela Recorrente, entende-se resolvida esta dúvida, ante o que somente resta apreciar se a operação com a cessão de crédito, ou seja, se em decorrência da intenção, por parte da acionista Alcatel Telecomunicações S/A, em aumentar o capital social na Recorrente, com o procedimento, em 01/11/2003, de constituição do AFAC, em contrapartida ao lançamento da cessão de crédito, em sua contabilidade, configurou-se a hipótese legal da distribuição disfarçada de lucros, como infração prevista no art. 464, inciso VI do RIR/99, com favorecimento mais vantajoso que as que prevaleçam no mercado, ou em que a pessoa jurídica contrataria com terceiros. Se foi incorporado ao patrimônio da Recorrente, diga-se, com aumento do seu capital, o adiantamento do crédito cedido pela Alcatel em valor considerável, logicamente o aumento de sua participação majoritária esta garantido com a operação, e não havendo artificialismos ou valores fictícios em tal procedimento, careceu a autoridade fiscalizadora de demonstrar, mediante provas robustas e inequívocas, em seu trabalho fiscal que a Recorrente praticou "condições mais vantajosas" do que as que prevaleçam no mercado, em outras palavras, a regra regulamentar é explicita, deve existir um fator comparativo, de referência ou parâmetro no mercado, e, pela simples leitura do Termo de Constatação Fiscal também é visível que a autoridade lançadora, seguida pela decisão de primeira instancia, não se conformou com a indexação em dólar da cessão de crédito, o que conferiu um valor real ao crédito, e, pois a AFAC e, por conseguinte, ao aumento do capital, com a respectiva subscrição das ações pela acionista, Alcatel e não ha qualquer produção de um parâmetro de mercado que evidencie condições de favorecimento como descritas no inciso VI do art. 464, do RIR199, quanto muito há diferença de participação acionária entre os acionistas, em decorrência das relatadas operações negociais, crediticias e societárias no presente caso. Afasta-se, com efeito, por esse entendimento, a configuração da DDL nos termos descritos no item 003 do auto de infração do IRPJ (item F.1 do TCF). 1-la outra imputação de DDL contra a Recorrente, constante do item F.2 e F.3 do TCF e item 002 do auto de infração do IRPJ. Neste particular a fiscalização entende que houve ganho por parte das empresas ligadas na subscrição e integralização, por meio de transferências inter-contas, de ações ordinárias nominativas, por valor notoriamente inferior em relação à operação idêntica e recente praticada por outro acionista. Primeiramente impende apreciar o argumento da Recorrente que o erro de enquadramento cometido pela fiscalização maculou irremediavelmente o lançamento de oficio, neste item. Isto posto, veja-se o que foi adotado pela autoridade lançadora. A autoridade julgadora de primeira instância, percebendo o erro de direito cometido pela fiscalização, reenquadrou legalmente a conduta tida como infracional, alegando que a descrição dos fatos assim permitia e que estava assegurada a defesa do contribuinte. preciso aferir a substancia jurídica de tal reenquadramento oficial, ou seja, Documento assinado diTtairnenits It'' 2 2,90-2 C ,3 21/Yu2t)(0 Autenticadodigit,SiePte'CD'PP.,19,2,,,F,C,r,49,;;AT2.,14,91..1:dFl:dr,i_frasa.aue.,:pos,TF73-ni,FI.S99statasão Fiscal, efetivamente, 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO. Assnociodigii;.di1en1e cm 10102/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES DU ENO. Assinado digita;mente em 00/03/2012 por NELSON LC)SSO PLHO 27 Impress() ern 21/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCA - VERSO Et:1 BRANCO DF CARL' MI; 1 1 . 28 Processo n° 19515.004226/2007-92 SI -C2T2 Acórdão n.° 1202-00.645 Fl. 28 conduzem à conclusão de que não se trata de novo lançamento, ou ato revisional praticado por autoridade incompetente para tal, qual seja, a autoridade julgadora de primeira instância, à luz do que dispõe o art.144, 145, 146 e 149 do CTN. Veja-se o relato da autoridade fiscalizadora, a propósito, fls. 760, vol IV do presente processo: "72. Ora, sem em menos de 30 dias a acionista ALCA TEL subscreve ações ao prep de R$ 3,75217545 cada uma, a subscrição de ações ao valor unitário de R$ 1,00, pela acionista TELESP, constitui DDL nos seguintes termos: "Art. 464 .Presume-se distribuição disfarçada de lucros no negócio pelo qual a pessoa jurídica: IV — transfere a pessoa ligada, sem pagamento ou por valor inferior ao de mercado, direito de preferência à subscrição de valores mobiliários de emissão da companhia; "Art. 465. Considera-se pessoa ligada à pessoa jurídica: O sócio ou acionista, mesmo quando outra pessoa jurídica; Parágrafo 300 valor dos bens para os quais não haja mercado ativo poderá ser determinado com base em negociações anteriores e recentes do mesmo bem, ou em negociações contemporâneas de bens semelhantes, entre pessoas não compelidas a comprar ou vender e que tenham conhecimento das circunstâncias que influam de modo relevante na determinação do prep. 73. Ressalte-se que os aumentos de capital deliberados na 130 e 14" AGEs foram efetuados utilizando-se os direitos que ALCA TEL, TELESP e PEGASUS passaram a ter contra a Companhia Aix, advindas das cessões de créditos que detinham contra a empresa BARRAMAR. 74. Também vale enaltecer que os créditos tiveram o mesmo critério de remuneração pela TJLP (b exceção da conta 1071.1), além de serem levadas contabilmente para a conta AFAC no mesmo dia; 75. Não se vislumbra justificativas para o tratamento diferenciado promovidos pelas 13 0 e 14' AGEs, a não ser a intenção de favorecimento a algum acionistas" Os mesmos fatos estão relatados para o DDL atribuído na operação com a Documento assir acionista PEGASU,S, , fls: 36 L e 3,61:0(oli, IV do processo. Autenticado cigtalmente em 09 1 02/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO : Ae,sina0e dLAL nenie cm 09/021 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO. Asji -iodo niValinere um 10/0 212012 por ORLANDO JOSS GONCALVLS ED ENO Assinado clig'talwnte em 0810312012 por NELSON LOSSO FIL110 Impresso ern 21103/2012 por ANDREA r ERNANCES GARCIA - VERSO EM BRANCO 28 DF CARI 2 1\11: 1 2 I. 29 Processo n° 19515.004226/2007-92 sl-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.645 Fl. 29 Veja-se, ainda, a descrição fática adotada no item 002, do auto de infração do IRPJ, a saber: "002 —DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DIREITO DE PREFERÊNCIA DE SUBSCRIÇÃO DE VALORES MOBILIARIOS/ TRANSF. SEM PGTO. OU POR VAL. INF. AO DE MERC. A P.J. LIGADA Valor correspondente ao ganho na subscrição e integralização, por meio de transferências inter-contas, de ações ordinárias nominativas, por valor notoriamente inferior em relação a operação idêntica e recente praticada por outro acionista, conforme descrito nos tópicos F.2 — Aumento de Capital promovido por Telecomunicações de Silo Paulo S/A e F.3 — Aumento de Capital promovido por Pegasus Telecom S/A, do Termo de Constatação Fiscal, que é parte integrante do presente auto de infração." Diante dessas descrições Micas, e como se pode notar pelo simples cotejo e leitura, coerentes, no sentido de que a autoridade fiscal compreendeu as operações societárias como subsumidas no art. 464, inciso IV do RIR199, a fim de caracterizar a DDL em exame. Em outras palavras, a autoridade fiscal até expressou no TCF que os procedimentos societários auditados tiveram, por dedução lógica, "intenção de favorecirnento a algum acionista", o que está implícito na redação do inciso IV do art. 464 comentado, cuja conclusão foi registrada pela respectiva autoridade. Portanto, seja porque no TCF há a tipificação da conduta infracional, seja porque a mesma se encontra ainda melhor descrita no próprio corpo do auto de infração. Quanto a decisão de primeira instância, sobre os fatos acima descritos, na fundamentação de se voto, a fls. 1.100 e 1101, vol. VI do processo, claramente assume que a autoridade fiscal cometeu um erro no enquadramento da infração. Cabe uma análise mais detida se este erro tem natureza de mera irregularidade, sanável pela autoridade julgadora de primeira instância, ou se se trata de erro insanável, que produz a nulidade do lançamento de oficio. A decisão de primeira instancia trouxe A. colação julgados do antigo Conselho de Contribuintes a sustentar que o erro no enquadramento legal, como simples falha não dá azo nulidade do lançamento,desde que a descrição da infração seja correta, ou que não tenha prejudicado o direito de defesa do contribuinte. Pois bem, como se pode deduzir da mera leitura acima do TCF e do item 002 do corpo do auto de infração, como já dito, a autoridade fiscal descreveu os fatos societários que ensejaram seu entendimento sobre a qualificação do fato jurídico infracional, notadamente no inciso IV do art. 464 do RIR/99, em dois registros processuais, o que se afigura induvidoso que a pretensão objetivada da autoridade lançadora foi, efetivamente, tal enquadramento. Contudo a interpretação da autoridade julgadora de primeira instância, que j .rdeen991F1róm Gos„.,fatomp, incisodeykt(,:lo,art. 464 do R1R199, melhor dizendo, em outra conduta Autent cado dig , t,que., pjilegiççnt j2,aygreciment9,s_m cRa1gue9tAtroneg6,0,9/ d i g a-se , que não aquele 20'12 por CARLOS ALDER LO DONASSOLO, As5inz;lo comn em 10/0212C12 por ORLANDO JOSE GONCALVES DU ENO. Assinado cligItalmonte ern 0810312012 por NELSON LOSSO FILI 10 29 Impresso em 21/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO FM FRRANCO DF CARI' Ml H. :30 Processo n° 19515.004226/2007-92 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.645 Fl. 30 expressamente descrito relativamente a operação com o direito de preferência constante do inciso IV do citado artigo regulamentar que, desta feita, evidencia, igualmente, o fato de que a autoridade julgadora "a quo" adotou outro critério jurídico, o do favorecimento, e não o da falta de pagamento ou do valor inferior ao de mercado, no caso de subscrição de ações como afirmado e reiterado nos termos relatados pela autoridade lançadora. Não se trata de caso similar aos citados na jurisprudência administrativa pela autoridade julgadora de primeira instancia, posto que se da descrição efetiva dos fatos pudesse se conduzir, com razoável facilidade e adequado juizo perante a realidade ora relatada, que os mesmos se referiam ao inciso VI do art. 464 citado, aí sim seria falta sanável e mera irregularidade de fundamento legal. Não é a situação destes autos, como já comentado, e cumpre reforçar a clareza da descrição fatica, que, por duas vezes, em dois registros, se revela que a autoridade fiscalizadora se referiu ao direito de preferência em subscrições de ações e não a outro qualquer negócio de favorecimento, como prevê o artigo 464 do RIR/99. A autoridade julgadora "a quo", efetivamente, não pode, nem tem competência para revisar o lançamento e atribuir genericamente a intenção de lançar da fiscalização para tipificar nova conduta infracional, ao arrepio do determinado pelos arts. 146 e 149 do CTN, e assim o fazendo, como constatado, violou tais preceitos normativos, com o que merece reparo. 0 critério jurídico da autoridade julgadora reconhecidamente se converteu em critério de análise eminentemente subjetiva própria, como se fosse o supervisor fiscal da autoridade fiscalizadora, na tentativa de suprir ou retificar o erro flagrante de fundamento legal do lançamento de oficio. E ainda que fosse valido e legitimo o tal reenquadramento, sob esse aspecto, tem razão a Recorrente quando assevera que o efeito para tanto a ser considerado está previsto no art. 467, inciso V do RIR199, vale reproduzir seu argumento, fls. 1168, vol. VI: "242. Com efeito, a conseqüência para a situação da DDL do artigo 464, VI, ou seja, tipo aberto de favorecimento, caracterizcivel por qualquer ato em condições diversas daquelas vigentes no mercado, segundo a lei, é a indedutibilidade das despesas incorridas com o favorecimento à pessoa ligada. Ora, a operação de capitalização dos créditos da Pegasus e da Telesp não envolveu qualquer trânsito pelo resultado da Recorrente. Consistiu tão somente na transformação de um crédito legitimamente constituído, em capital em favor das acionistas referidas. Nada transitou por resultado, que devesse a ele retornar. Como justificar, então, a adições absurdas do presente lançamento ?! 243. Em suma e objetivamente, por mais que se tente reclassificar os dispositivos nos quais se pretenda ver caracterizada uma DDL que não existiu, em essência, e observando-se o que dispõe o artigo 467, quanto aos efeitos da DDL, não há sequer um dispositivo que justifique a adição ao lucro liquido de valor que não transitou por resultado da Recorrente, pelo ato da capitalização. Em essência, não há, para qualquer das hipóteses de DDL, a autorização para a conseqüência que se pretendeu atribuir na presente autuação." Por outro lado, ainda, a acolher o novo critério jurídico de enquadramento legal da autoridade julgadora "a quo", qual seja, o inciso VI do art. 464 do R1R199, nele há Documento assirclaramentelorevisão 'de urrrparametro'de"mercado, a fim de comparar o favorecimento a pessoa Autermado digitalmente -;r1 09/02i2012 poi CARLOS ALBEI:TO DONASSOLO. Assiliacio digitalmen;e em 03 102/ 2012 por CARLOS ALUERTO DONASSOLO, As:-:inado diamerii:e ern 1002/2012 po; ORLANDO JOSE coNcALvEs DU ENO. Assinado digilaimenle em 0850/20 ' 2 pm NELSC-, LOSSO 30 Impresso em 21/03/2012 por ANDREA [FRNANDES GARCIA - VERSO EM F1RANOC.) DF CARF MF H. 31 Processo n° 19515.004226/2007-92 SI -C2T2 Acórdão n.° 1202-00.645 Fl. 31 ligada. Assim, a autoridade julgadora, como se pode ler de seus fundamentos a fls. 1.101, vol .VI, diz: "Todavia, por outro lado, a AIX efetivamente vendeu ações para as empresas Pegasus e Telesp em condições favorecidas, relativamente ao que foi oferecido el Alcatel, tendo ocorrido assim a subsungeio ao art. 464, VI, do RIR/99, o meso que foi utilizado para tipificar a iiv`;.4.4;Zio do tópico 'F.1' do TCF..." reconhece-se que o suposto parâmetro mercadológico t.:! a operação com a Alcatel, que é acionista da Recorrente e pessoa ligada nos termos legais. ficando, destarte, sem sustentabilidade jurídica probatória tal novo critério, posto que adotado um fator comparativo de pessoa ligada e não do mercado, como reza o dispositivo ;nvocado como correto. Por mais esse motivo verifica-se a fragilidade da tentativa de caracterização da DDL contra a Recorrente pelas capitalizações da Telesp e da Pegasus. A DDL, por envolver critérios subjetivos interpretativos combinados com critérios objetivos probantes, deve ser demonstrada meticulosamente e aplicada com precisão no caso concreto, a fim de que a previsão legal, isto 6, regulamentar, seja plena e suficientemente atendida, sem o que o resultado pretendido, que é a configuração da infração tipológica da distribuição disfarçada de lucros em condutas elencadas em lei de responsabilidade do sujeito passivo, ainda que possam inspirar a suspeita de tal pratica, não enseja adequada e correta tipificação para fins tributários. Por derradeiro cabe o exame das razões recursais referente ao tópico "G" do TCF (parte 001 do auto de infração), relativamente ao excesso de juros em função da TJLP, que decorreu do fato do descumprimento de clausulas contratuais na constituição do consórcio Refibra, uma vez que o item 6.6, da cláusula 6a do Contrato de Constituição, conforme alteração do contrato, firmado em 24 de agosto de 2001, foi excluído (fls. 338/339). Alega a Recorrente que assinou contrato de cessão de créditos com Alcatel, Telesp e Pegasus, mediante o qual assumiu as dividas originais da Barramar com essas companhias, sendo que neste contrato original consta cláusula de número 1.6, onde se prevê a aplicação da TJLP até o pagamento, sendo que o contrato de consórcio foi celebrado entre a Recorrente, a Barramar e a Companhia ACT. E como a Alcatel, a Telesp e Pegasus poderiam, a qualquer momento, executar o contrato original de cessão de crédito, cobrando a TJLP, a Recorrente refletiu em suas demonstrações financeiras tal obrigação contraída, o que, em se tratando de despesas operacionais e necessárias, preservam a dedutibilidade fiscal como efetuada. Alega, ainda, que as despesas com juros foram reconhecidas no período de competência, não tendo havido qualquer violação ao artigo 374, I, do RIR/99, sendo que a Alcatel e Telesp oferecerem os mesmos valores a tributação. A questão reflete-se, para seu deslinde, em dois ângulos, o contábil e o contratual/jurídico. Para a primeira análise, do angulo contábil, o TCF é bastante claro sobre tal tratamento na Recorrente, pelo que cumpre reproduzir o trecho respectivo, extraído da fls.762/763, vol. VI: "90. A LÍDER cumpriu sua obrigação de adquiriu os créditos por meio das cessões de créditos, conforma jó salientado no tópico D.2 Da Cessão de Crédito entre Alcatel, Telesp, Pegasus e AIX; deste Termo de Constatação, na qual alertamos (itens 33 e 34 deste Termo de Constatação), para o fato da conta contábil 317 —Outras Contas — 1. Barramar — 1- não receber o mesmo Documenta assinado dig:talmento contotgaidnieritiílu dele ietiiiiiiiração das contas 1050 — Credores Autenticado digitalmente etii 0910212012 cr.)r CARLOS ALBERTO DONASSOLO. Ass'aado di in unie eia 09;32 1 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO. Assinado c:,gitalt1A,:nte cm 10'32/2012 par ORLANDO JOSE GONCALVES EU ENO. Assinado digitzftente em 0810312012 pc NELSON LOSSO FILHO 31 Impresso em 21/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO DF CARL' MI Fl. 32 Processo n° 19515.004226/2007-92 S 1 -C2T2 Acórdão n.° 1202-00.645 Fl. 32 Acionistas — 1- Alcatel, 1050 — Credores Acionistas -2- Telesp e 1050 — Credores Acionistas -3- Pegasus, que recebiam remuneração pela T1LP. 91. Ora, se a conta 317 — Outras Contas -1- Barramar, foi derivada, em sua maior parte, como contrapartida das contas do subgrupo 1050 — Credores Acionistas, a remuneração pela TJLP apenas das contas desse subgrupo 1050 — Credores Acionistas estaria a criar um verdadeiro desequilíbrio no resultado da AIX. 92. Nesse sentido, não poderia ser diferente a exclusão do item 6.6, da cláusula 6a do Contrato de Constituição, conforme alteração do contrato, firmado em 24 de agosto de 2001" Pelo segundo ângulo, contratual e relação jurídica, é patente que há dois contratos, duas relações jurídicas, com comunicação entre si no que se refere aos créditos cedidos e os tratamentos contábeis e a constituição do Consórcio Refibra, com o tratamento do mesmo objeto nesse contrato. Nesse sentido, a cláusula 6.6 do contrato de constituição do Consórcio Refibra foi revogada, disposição essa que continha a atualização dos créditos pela TJLP. E por outro lado, há o contrato de cessão de créditos da Alcatel, Telesp e Pegasus que mantem em vigor tal atualização pela TJLP, porém indiscutivelmente, há dois contratos e duas relações jurídicas, com pessoas jurídicas distintas. No primeiro contrato, como bem relatado pela autoridade fiscal, fls. 762 do vol. VI, compreendeu todos os créditos antigos, sujeitos à reestruturação de passivo, que foram pagos e adquiridos pela Lider, diga-se, a Cia.AIX, ora Recorrente, foram designados em conjunto com o Passivo Reestruturado, nos termos da cláusula 6' item 6.5 do aludido contrato. Portanto, inegavelmente, tal operação contratual compreendeu os créditos antigos, quais sejam os cedidos pelas acionistas, Alcatel, Telesp e Pegasus, contrato esse que teve sua cláusula de reajuste pela TJLP revogada. No instrumento particular de cessão de crédito da Alcatel, Telesp e Pegasus com a Recorrente, também se constata que a correção dos mesmos adota a TJLP. Isto posto, evidencia-se que a composição das contas, com o chamado passivo reestruturado da Recorrente, líder no Consórcio Refibra, com créditos por ela pagos ou adquiridos, diga-se, por meio das cessões aludidas, demonstram uma nova relação contratual e negocial perante o objeto do citado consórcio, o que, por esse aspecto da relação jurídica negocial, descreve outro momento, ou ângulo da atividade operacional da Recorrente. Pois bem, o Instrumento Particular de Cessão de Créditos e Outras Avenças, firmado entre Recorrente e Alcatel, Telesp e Pegasus, pelo qual estas cedem e transferem àquela os créditos líquidos, certos e exigíveis, dos quais eram titulares perante a Barramar, prevê no item 1.6 da Cláusula Primeira que "todos os valores previstos nas cláusulas 1.1 e 1.4 acima serão atualizados, a partir da assinatura deste instrumento, através da aplicação verificada no período da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) divulgada pelo Banco Central do Brasil, até a data de seus respectivos pagamentos." De outro lado, o Contrato de Constituição de Consórcio e Outras Avenças, Documento assirfirmadoentreoaaRecorrente(eaCiasACT e Barramar, previa originalmente, no item 6.6, da Autenticado digitalmente em 09:02/2012 por CARLOS Al LtERTO DONASSOLO. Assinado dVinente cm 09/021 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinodo tigitaimerle em 10/9212012 por ORLANDO JOSE GONCALVES DU ENO. Assinado digitairrente era 09193/29120312012 por NELSON LOSS()Fit .1-10 32 Impesso ern 21103/2012 por ANDREA FERNANDES GARCiA - VERSO E5 FRANCO BF CARL' NIF H. 33 Processo n° 19515.004226/2007-92 SI -C2T2 Acórdão n.° 1202-00.645 Fl. 33 cláusula 6a que "Para fins deste contrato, o PASSIVO REESTRUTURADO, independentemente dos encargos originalmente contratados, será atualizado em consonância com a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), a incidir a partir de 30.4.01, tomando-se por base os valores equacionados." Tal cláusula foi posteriormente revogada, tornando-se sem efeito desde a data de sua assinatura, ficando extintos de forma retroativa todos e quaisquer direitos e obrigações atribufclos as partes. Tem-se assim, como já dito, a existência de duas relações jurídicas, sendo que na primeira a correção pela TJLP estaria em vigor e na segunda não. E de se analisar se a revogação da correção pela TJLP na relação de constituição do Consorcio Refibra têm o condão de afetar a relação instituída pelo Instrumento de Cessão de Créditos. Como bem se vê deste contrato, a obrigação assumida pela Recorrente foi feita em nome próprio, e não em nome do Consórcio Refibra, o que é suficiente para distinguir claramente ser a obrigação de pagar, no Contrato de Cessão de Créditos, da Recorrente. Não há, realmente, como a revogação de cláusula do Contrato de Constituição do Consórcio gerar efeitos no Contrato de Cessão de Créditos, vez que tal revogação se deu em virtude de nem todo o passivo reestruturado dever ser corrigido pela TJLP, pois como já se viu, parte dos créditos da Alcatel deveriam ser corrigidos com base na variação do dólar acrescido de 10%. Assim, permanecia a obrigação da Recorrente perante as Cedentes vinculada TJLP, produzindo-se assim reflexo desta obrigação nas demonstrações financeiras da Recorrente. Tal fato, ao contrario do entendimento da autoridade fiscal, possui previsão contratual, consoante o item 1.6 do Contrato de Cessão de Créditos já transcrito acima. E por haver reconhecimento contábil destas despesas com juros no período de competência, não entendo ter havido violação ao artigo 374, I do RIR/99, sendo legitima a dedutibilidade dos créditos fundados na TJLP, não prosperando a glosa feita pela autoridade fiscal. Quanto a cumulação na glosa de despesas, nos termos do voto diante da improcedência dos lançamentos, resta prejudicada, posto já corrigida nos termos supra. Diante de todo o exposto, é de se dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Orlando Jose Gonçalves Bueno Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto Donassolo — Redator Designado. Em que pese os valiosos argumentos apresentados pelo ilustre relator, peço vênia para discordar do seu entendimento em relação ao item 004 da autuação, referente Documento assinado digiEalmerite coilferr ie MR 0" 2.200-2 da 2410=001 Auienticado digitalmente em 09/0120 por CARLOS ALBERTO DQr4AssoLo, As,snado diQita!inen;e oro 09032/ 2012 por CARLOS ALERTO DONASSOLO. Assinado digitaimen':e ers; 10102/2012 por OR'_ANDO JOSE GONCALVES EU 33 ENO. Assinado digitaimente em 09103123'2 por f'!EL.SON L.C.)SSO HLHO Impress° em 21/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA- VITiRSO EM FRANCO DF CARF NIL Ft. 34 Processo n° 19515.004226/2007-92 S1-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.645 Fl. 34 glosa de despesas com variação cambial, face a falta de amparo legal para o registro dessas despesas. Conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal, as despesas com variação cambial na autuada se originaram quando da cessão de créditos feitos pela empresa Alcatel empresa AIX, ora autuada. Inicialmente, a Alcatel obteve empréstimo externo junto ao Citibank NA ern Londres, Inglaterra, no valor de US$ 100 milhões, como forma de possibilitar a prestaçao de serviços à Barramar S/A e demais clientes (capital de giro), fls. 1054 a 1057. Na sequência, ocorreu uma cessão de créditos da Alcatel à AIX, originados de notas fiscais de prestação de serviços emitidas em razão de contratos firmados com a empresa Barramar S/A, no pagos, decorrentes de cláusula de variação cambial (item 31 do TVF, fls. 750). Em síntese, a indexação em US$ da dívida do empréstimo externo contraída pela Alcatel foi também utilizada quando da emissão das notas fiscais de prestação de serviços entre Alcatel e Barramar S/A, sendo que o pagamento, após a conversão, seria feito em moeda nacional. Não realizado o pagamento pela empresa Barramar S/A, o crédito detido pela Alcatel contra essa empresa, valorado/indexado em US$, foi cedido pela Alcatel A. AIX na criação do consórcio Refibra. 0 ponto a ser discutido refere-se à possibilidade legal da Alcatel efetuar a indexação das notas de prestação de serviços em US$, que por sua vez teve seus efeitos propagados no registro de despesas com variação cambial quando da cessão de créditos da Alcatel com a autuada, despesas essas glosadas pela fiscalização. A defesa fundamenta suas razões na aplicação, ao caso, das exceções previstas no Decreto-lei n° 857, de 11 de setembro de 1969, art. 2°, incisos IV e V, posto que expressamente ressalvadas no inciso I, parágrafo único do art. 1° da Lei no. 10.192, de 14 de fevereiro de 2001. Passo a analisar os dispositivos legais acima mencionados: A Lei n° 10.192, de 2001, ao estabelecer medidas complementares ao chamado "Plano Real", pretendeu sepultar a indexação da moeda nacional, como forma de evitar a volta da inflação, assim estabelecendo: Art. 1° As estipulações de pagamento de obrigações pecuniárias exeqüíveis no território nacional deverão ser feitas em Real, pelo seu valor nominal. Parágrafo único. São vedadas, sob pena de nulidade, quaisquer estipulações de: I - pagamento expressas em, ou vinculadas a ouro ou moeda estrangeira, ressalvado o disposto nos arts. 2° e 3° do Decreto- Lei n°857, de 11 de setembro de 1969, e na parte final do art. 6° da Lei n°8.880, de 27 de maio de 1994; - reajuste ou correção monetária expressas em, ou vinculadas a unidade monetária de conta de qualquer natureza; III - correção monetária ou de reajuste por indices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de Documento ass.nado 69italmenie conforme,- MP d 2.200-2 co 24;'68/2 .oul Autenticado digitalmen:e em 09/02/2012 ¡,or CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assin;,:ck,) die;: ,a`inente em 29/02/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO. Assinfo diVidmente em 10102/2012 our ORLANDO JOSE GONCALVES UU ENO. Assinado dIgitalmoWe am 08103/2012 por NELSON LOSS(‘) FL HO Impresso em 21/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO 34 Di CART Mi H. 35 Processo n° 19515.004226/2007-92 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.645 Fl. 35 produção ou dos insumos utilizados, ressalvado o disposto no artigo seguinte. (destaquei) Por seu turno, os arts. 1 0, 2° e 3° do Decreto -lei n° 857, de 1969, assim dispõe: Art 1° Selo nulos de pleno direito os contratos, títulos e quaisquer documentos, bem como as obrigações que exeqüíveis no Brasil, estipulem pagamento em ouro, em moeda estrangeira, ou, por alguma forma, restrinjam ou recusem, nos seus efeitos, o curso legal do cruzeiro. Art 2° Nab se aplicam as disposições do artigo anterior: I - aos contratos e títulos referentes a importação ou exportação de mercadorias; - aos contratos de financiamento ou de prestação de garantias relativos as operações de exportação de bens de produção nacional, vendidos a crédito para o exterior; III - aos contratos de compra e venda de cambio em geral; IV - aos empréstimos e quaisquer outras obrigações cujo credor ou devedor seja pessoa residente e domiciliada no exterior, excetuados os contratos de locação de imóveis situados no território nacional; V - aos contratos que tenham por objeto a cessão, transferência, delegação, assunção ou modificação das obrigações referidas no item anterior, ainda que ambas as partes contratantes sejam pessoas residentes ou domiciliadas no pais. Parágrafo único. Os contratos de locação de bens móveis que estipulem pagamento em moeda estrangeira ficam sujeitos, para sua validade a registro prévio no Banco Central do Brasil. Art 3 0 No caso de rescisão judicial ou extrajudicial de contratos a que se refere o item I do artigo 2° date Decreto-lei, os pagamentos decorrentes do acêrto entre as partes, ou de execução de sentença judicial, subordinam-se aos postulados da legislação de cambio vigente. Já o contrato de prestação de serviços celebrado entre a Alcatel e Barramar, denominado "Contrato de Empreitada Total", de fls. 921 a 934, prevê que a forma de pagamento será indexada pelo dólar americano(US$) segundo a taxa PATX 800-5 publicado pelo SISBACEN do Banco Central do Brasil, nos termos do estipulado na cláusula 8.2 do referido contrato, fls. 927, abaixo transcrita, para melhor clareza: "8.2 0 prep referente ao item 8.1, será convertido para dólares americanos com base no PATX 800-5 publicado pela SISBACEN pelo Banco Central e a referida conversão se dará na data de emissão do Termo de Aceitação Provisória de cada uma das Rodovias acima indicadas. Os recursos para a execução do objeto deste Contrato estão sendo disponibilizados através de uma linha de crédito internacional para a ALCATEL." Documento assinado digitalrnento co e - ' e (te Autenticado diglaimente em 00/0212012 pc:- CARLOS ALBLRili0 DONASSOLO : A mmdo dyi1unen/e em 0/002/ 2012 por CARLOS ALDER 10 DoNAs:.-x)Lo. Assinado digiialratinte em 10/02/2012 or ORLANDO JOSE GONCALVES EU 35 ENO. Assinado digitalmente em 08103/2012 pc: - NELSON LOSSO FILHO Impresso em 21/03/2012 por ANDREA FFRNANDES GARCIA - VERSO EV TRANCO CARF MF H. 36 Processo n° 19515.004226/2007-92 S1-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.645 Fl. 36 0 inciso 1, parágrafo único do art. 10 da Lei n° 10.192, de 2001, acima transcrito, veda expressamente qualquer estipulação de pagamento vinculada em moeda estrangeira, sob pena de nulidade. 0 "Contrato de Empreitada Total" celebrado entre as duas empresas brasileiras, domiciliadas no pais, em sua cláusula 8.2, estipulou que o preço estipulado eni Reais seria convertido em dólares americanos (US$), sofrendo a variação dessa moeda. Assim, essa cláusula padece de vicio de nulidade absoluta, nos termos do já mencionndo inciso I, parágrafo único do art. 1° da Lei no 10.192, de 2001, porquanto encontra- se vedada qualquer estipulação de pagamento em moeda estrangeira. Com efeito, como já mencionado inicialmente neste voto, a Alcatel, ao efetuar a indexação das notas de prestação de serviços em US$, que não foram pagas pela Barramar, corrigiu os seus créditos contra a Barramar em moeda estrangeira, expressamente vedados pela legislação. Já a autuada, ao receber ditos créditos da Alcatel, prosseguiu no registro das despesas com variação cambial, também vedadas por lei, não restando outra alternativa à fiscalização send() proceder na glosa dessas despesas. JA a defesa alega que a Alcatel estaria repassando as despesas com variação cambial, face ao empréstimo contraído no exterior junto ao Citibank NA. Entretanto, a legislação acima transcrita não prevê essa modalidade de repasse. Os próprios incisos IV e V do art. 2° do Decreto-lei n° 857, de 1969, não contemplam a situação aqui verificada, qual seja: atualização em moeda estrangeira de créditos da Alcatel contra a Barramar (cujos efeitos se propagaram na autuada), uma vez que a hipótese dos autos não trata de "cessão, transferência, delegação, assunção ou modificação das obrigações de empréstimos e quaisquer outras obrigações cujo credor ou devedor seja pessoa residente e domiciliada no exterior", como consta do texto da lei. Não atendidas as condições exigidas pelos mencionados incisos IV e V do art. 2° do Decreto-lei n° 857, de 1969, fica vedado o registro de variação cambial. Vale repetir. 0 caso aqui tratado refere-se a um contrato de empreitada, indexado em moeda americana, manifestamente ilegal, cuja indexação, por obvio, não pode se propagar para outra empresa. Não bastasse o acima exposto, a Autorização Prévia de empréstimo externo dada pelo Banco Central do Brasil à Alcatel, junto ao Citibank NA, em Londres, também prevê, expressamente, na cláusula "J" da referida autorização, a vedação de repasse do referido empréstimo, de acordo com a seguinte transcrição, fls. 1056: "J) os recursos ingressados no Pais não poderão ser repassados a qualquer outra entidade; caso sejam direcionados a subscrição de capital de instituição financeira, deverão ser observadas, preliminarmente, as normas regulamentares aplicáveis,.bem como,os tramites relacionados com o Departamento de Organização do Sistema Financeiro-DEORF), deste Banco Central." (grifei) A par desse fato, o Regulamento do Imposto de Renda-RIR/99, em seu art. 378 e incisos, abaixo transcrito, não admite a dedutibilidade das variações passivas se não observadas as normas e condições de que tratam a legislação cambial: Art. 378. Compreendem-se nas disposições dos arts. 375 e 377 as variações monetárias apuradas mediante: Documento i;ssiriacio cga1mcnte conformo EP 2.200 - de 2dUí2OO1 Autenticado digitaltrienta em 09,0212012 por CARLOS AL2f=t; TO DONASSOLO, Assedo digitimente em 09 1G21 2012 por CARLOS ALBLRIO DONASSOLO, Ass:nod o digitaimer0.e. em 101U212012 poi: ORLANDO JOSE GONCALVES BLS ENO. Assinado digitaimente em 08I0312012 por NELSON LOSSO ALHO Impress° em 21/03/2012 poi ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO lEtvl BRANCO 36 DI: CARL' 11IF 1 -7 1. 37 Processo n° 19515.004226/2007-92 Sl-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.645 Fl. 37 I - compra ou venda de moeda ou valores expressos ern moeda estrangeira, desde que efetuada de acordo com a legislação sobre câmbio; II - conversão do crédito ou da obrigação para moeda nacional, ou novação dessa obrigação, ou sua extinção, total ou parcial, em virtude de capitalização, dação em pagamento, compensação, ou qualquer outro modo, desde que observadas as condições fixadas pelo Banco Central do Brasil; III - atualização dos créditos ou obrigações em moeda estrangeira, registrada em qualquer data e determinada no encerramento do período de apuração em função da taxa vigente. (destaquei) Dessa forma, de qualquer angulo que se examine a questão, é perfeitamente admissivel concluir que as despesas com variação cambial contabilizadas pela autuada, face a cessão de créditos celebrados com a Alcatel, são expressamente vedadas pela legislação de regência, devendo ser glosadas na apuração do imposto de renda da pessoa jurídica e da contribuição social sobre o lucro liquido. Por fim, cabe dizer a recorrente que inexiste previsão legal ou regulamentar que possibilite a atualização dos créditos cedidos mediante e utilização da TJLP, ou outro índice, como remuneração em substituição à variação cambial, mantendo-se a glosa na sua total idade. Em face do exposto, é de se manter a glosa das despesas com variação cambial, item 004 do Auto de Infração, devendo ser negado provimento ao recurso voluntário, nessa parte. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Document() assmado igitalmento conforme MP n" 2.200-7 de 24:00i2001 Autenticado digitalmente ern 09,102r2012 ?or CARLOS ALBERTO DCNASSOLO, Assi:lac;,) dig;alir:3We em 09'021 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinodo d,gitalinente em 10/02/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES ELI ENO, Assinado digitalrnente, em 00/03/20I2 por NELSON LO/3S0 FILl (3 Impresso ern 21103/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO 37
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Numero do processo: 15374.002027/2001-55
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Ano-calendário: 1997, 1998, 1999
RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO.
Não se pode conhecer do recurso especial de divergência quando a decisão recorrida e o acórdão apontado como paradigma enfrentaram quadrantes fáticos substancialmente não comparáveis e não passíveis de paralelismo.
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE RENDIMENTOS DE NÃO RESIDENTES. ASPECTO TEMPORAL DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL.
Não resta caracterizada divergência entre o acórdão recorrido que considerou que o crédito contábil em conta de passivo, independentemente da remessa dos valores, não é suficiente a caracterizar o fato gerador do IRRF sobre rendimentos de não residentes, e o suposto paradigma que concluiu que, no
caso concreto, havia elementos para demonstrar que houve remessa de despesas financeiras contabilizadas ao exterior.
Numero da decisão: 9202-001.745
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso.
Matéria: IRF- ação fiscal - ñ retenção ou recolhimento(antecipação)
Nome do relator: Gustavo Lian Hadad
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano-calendário: 1997, 1998, 1999 RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. Não se pode conhecer do recurso especial de divergência quando a decisão recorrida e o acórdão apontado como paradigma enfrentaram quadrantes fáticos substancialmente não comparáveis e não passíveis de paralelismo. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE RENDIMENTOS DE NÃO RESIDENTES. ASPECTO TEMPORAL DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. Não resta caracterizada divergência entre o acórdão recorrido que considerou que o crédito contábil em conta de passivo, independentemente da remessa dos valores, não é suficiente a caracterizar o fato gerador do IRRF sobre rendimentos de não residentes, e o suposto paradigma que concluiu que, no caso concreto, havia elementos para demonstrar que houve remessa de despesas financeiras contabilizadas ao exterior.
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NÃO CONHECIMENTO. Não se pode conhecer do recurso especial de divergência quando a decisão recorrida e o acórdão apontado como paradigma enfrentaram quadrantes fáticos substancialmente não comparáveis e não passíveis de paralelismo. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE RENDIMENTOS DE NÃO RESIDENTES. ASPECTO TEMPORAL DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. Não resta caracterizada divergência entre o acórdão recorrido que considerou que o crédito contábil em conta de passivo, independentemente da remessa dos valores, não é suficiente a caracterizar o fato gerador do IRRF sobre rendimentos de não residentes, e o suposto paradigma que concluiu que, no caso concreto, havia elementos para demonstrar que houve remessa de despesas financeiras contabilizadas ao exterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres PresidenteSubstituto (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator EDITADO EM: 17/10/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), Susy Gomes Hofmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonett Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Companhia de Hotéis Palace S.A. foi lavrado o auto de infração de fls. 218/220, objetivando a exigência de imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos de residentes ou domiciliados no exterior. A Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso de ofício interposto pela DRJ que cancelou integralmente o lançamento, exarou o acórdão n° 10617.142, que se encontra às fls. 609/618 e cuja ementa é a seguinte: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE — IRRF Anocalendário: 1997, 1998, 1999 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE CRÉDITO CONTÁBIL RESIDENTES OU DOMICILIADOS NO EXTERIOR NECESSIDADE DA EFETIVA DISPONIBILIDADE ECONÔMICA OU JURÍDICA DO RENDIMENTO INOCORRÊNCIA Estão sujeitas à incidência do imposto na fonte as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, por fonte situada no país, a título de juros, comissões, descontos, despesas financeiras e assemelhados. Fica prejudicada a hipótese de incidência não se verificando a efetiva disponibilidade econômica ou jurídica dos rendimentos. O mero registro contábil do crédito não caracteriza disponibilidade econômica ou jurídica dos rendimentos. Recurso de oficio negado.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Turma, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso de ofício. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15374.002027/200155 Acórdão n.º 920201.745 CSRFT2 Fl. 2 3 Intimada pessoalmente do acórdão em 04/03/2009 (fls. 620) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 623/631, em que sustenta, em apertada síntese, divergência jurisprudencial entre o v. acórdão recorrido e o acórdão nº 10419.115 no tocante à incidência do imposto de renda na fonte sobre remessa de rendimentos ao exterior, no caso de registro contábil da obrigação sem demonstração da efetiva remessa dos recursos. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 9202 00.005, de 14/10/2009 (fls. 633). Intimado sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional o contribuinte apresentou as contrarazões de fls. 638/655. É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Analiso, inicialmente, se o recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional preenche os requisitos de admissibilidade. A questão em discussão no presente recurso é se o imposto de renda na fonte sobre rendimentos de não residentes pode incidir no momento do registro contábil da obrigação pela fonte brasileira, independentemente de qualquer outro evento denotativo de disponibilidade econômica ou jurídica de renda (notoriamente a remessa) para o não residente. O acórdão recorrido (Acórdão nº 10617.142), exarado pela C. 6ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, concluiu que para a incidência do imposto de renda na fonte é necessária a verificação da disponibilidade econômica ou jurídica dos rendimentos, o que não se materializa no mero registro contábil de créditos. Visando à rediscussão da matéria a Procuradoria da Fazenda Nacional indicou como paradigma para demonstrar a divergência de interpretação o Acórdão nº 104 19.115. O acórdão indicado como paradigma manifesta o entendimento de que há a incidência do imposto na fonte sobre remessas ao exterior de valores contabilizados como despesas financeiras. Confirase a respectiva ementa: “IRF REMESSA AO EXTERIOR RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA A remessa para o exterior de valor contabilizado e caracterizado como despesa financeira está sujeita à retenção do imposto de renda na fonte. JUROS DE MORA TAXA SELIC – INCONSTITUClONALIDADE LEGALIDADE A argüição de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativa lei particular, a aplicabilidade da TAXA SELIC como base para os cálculos de juros de moratórios, não está abrangida nos limites de competência dos órgãos julgadores da esfera administrativa, por se constituir em, atribuição específica do Poder Judiciário, Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 na forma das disposições constitucionais vigentes. De acordo com o art. 13 da Lei n° 9065 de 21 de junho de 1995, em consonância com o art. 161, § 1° do Código Tributário Nacional, procede a cobrança dos juros moratórios incidentes sobre obrigação tributária não pagas no prazo legal, calculados com base na TAXA SELIC. Recurso negado.” Entendo, no entanto, não restar configurada a divergência na medida em que as decisões analisaram quadrantes fáticos substancialmente distintos e que não resultam no paralelismo ou confronto de teses a ensejar o recurso especial de divergência. De fato, no presente caso verificase que o IRRF foi lançado em decorrência do mero registro contábil do crédito de rendimentos de juros decorrente de contrato de mútuo efetuado pela contribuinte em favor de sua controlada no exterior. O acórdão citado como paradigma, por sua vez, examinou acusação de falta do recolhimento do imposto retido na fonte em situação em que o colegiado entendeu caracterizado, a partir do conjunto probatório, o pagamento ou remessa ao exterior de rendimentos contabilizados como despesas financeiras. Lêse no acórdão trazido como paradigma, em voto da Conselheira Cecília Mattos Vieira de Moraes (fls. 665/666): “A infração verificada diz respeito à falta de recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte, sobre rendimentos de residentes ou domiciliados no exterior. Alega o recorrente não ocorrência de fato gerador, dado que o pagamento em questão dizia respeito à amortização de dívida contraída junto ao Cambridge Bank Limited. Aduz que a contabilização foi feita em subconta representativa de sua dívida 2.1.1.050008. No procedimento de fiscalização, verificouse no exame da documentação da empresa, que a remessa efetuada foi contabilizada como despesa, na conta n° 3.5.01.007" Despesas Financeiras — Garantia Bancária", num total de R$ 160.000,00, correspondente portanto ao valor, objeto da tributação. Constatase ainda no documento de fls. 42, cópia do Livro Diário n. 005, pg. 498, que a remessa foi tratada como Despesas Financeiras – Garantias Bancárias. Do mesmo modo, observase no Razão, valores debitados mensalmente à conta "Custos de Garantia Stand By". (fls. 46 a 58). Dessa forma, de acordo com a contabilidade da recorrente, não há como reconhecer em tal remessa, o caráter de amortização de financiamento.” (original sem grifo) Notase que o raciocínio desenvolvido no acórdão paradigma pressupôs a existência de pagamento ou remessa (conforme trechos grifados acima), usando as informações de contabilização para não acatar a alegação da Recorrente no sentido de se trataria de amortização do principal do financiamento. O acórdão paradigma não concluiu que o crédito contábil seria suficiente para dar azo ao fato gerador do IRRF do não residente independentemente do pagamento ou remessa dos valores, mas sim que, no caso, o conjunto probatório formado por vários Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15374.002027/200155 Acórdão n.º 920201.745 CSRFT2 Fl. 3 5 elementos, inclusive a contabilização da despesas, permitia inferir ter havido pagamento ou remessa de rendimentos (e não principal) a não residente. Em outras palavras, não se pode concluir que para situações idênticas ou comparáveis no essencial o acórdão recorrido e o paradigma tenham chegado a diferentes resultados. Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 5DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 13983.000042/2001-65
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000
IPI.CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS MEDIANTE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI . BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A
DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B
e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção “juris et de
jure”, não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte. Os valores correspondentes às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas, cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Precedentes do STJ.
ENERGIA ELÉTRICA, COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. SÚMULA CARF
Nº 19.
Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei no 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário.
Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-001.557
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso especial quanto às aquisições de pessoas físicas e cooperativas e não conhecer do recurso quanto à energia elétrica e combustíveis, por se tratar de matéria sumulada. A Conselheira Susy Gomes Hoffmann declarou-se impedida de votar.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 IPI.CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS MEDIANTE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI . BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção “juris et de jure”, não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte. Os valores correspondentes às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas, cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Precedentes do STJ. ENERGIA ELÉTRICA, COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. SÚMULA CARF Nº 19. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei no 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
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RESSARCIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS MEDIANTE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI . BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção “juris et de jure”, não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte. Os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas, cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Precedentes do STJ. ENERGIA ELÉTRICA, COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. SÚMULA CARF Nº 19. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei no 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial quanto às aquisições de pessoas físicas e cooperativas e não conhecer do recurso quanto à energia elétrica e combustíveis, por se tratar de matéria sumulada. A Conselheira Susy Gomes Hoffmann declarouse impedida de votar. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Maria Teresa Martínez López Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Marcos Tranchesi Ortiz, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório O recurso atende aos requisitos legais e dele tomo conhecimento. Cuidam os autos de pedido de ressarcimento de crédito presumido de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, decorrente da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, apurado durante o ano de 1998 (doc. fl. 01). O contribuinte requereu o ressarcimento do crédito presumido de IPI, instituído pela Medida Provisória nº 948, de 23 de março de 1995, depois convertida na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1997, para ressarcir o valor das contribuições para o PIS e Cofins incidentes nas aquisições de insumos empregados na industrialização de produtos exportados, no 3º trimestre de 1998, no montante de RS 92.051,02, conforme o Pedido de Ressarcimento constante da folha n.º1. Para melhor clareza reproduzo o relatório da decisão recorrida: Tratase de recurso voluntário (fls. 1.035 a 1.054) apresentado contra o Acórdão nº, 5.206/2005 (fls. 1.024 a 1.032) da DRJ em Porto Alegre RS, que considerou improcedente o pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, apresentado em 14 de fevereiro de 2001,relativamente aos períodos de outubro a dezembro de 2000, nos seguintes termos: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI BASE DE CÁLCULO Não se incluem na base de cálculo do beneficio as aquisições de matériaprima de cooperativas de produtores e de pessoas Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13983.000042/200165 Acórdão n.º 930301.557 CSRFT3 Fl. 1.140 3 físicas, por não terem sofrido a incidência da , contribuição para o PIS/Pasep e para a Cofins. II Os valores pagos na aquisição de peças de reposição e manutenção de máquinas, luvas, aventais, botas, material de limpeza e desinfecção, combustíveis, lubrificantes e pelo consumo de energia elétrica, não entram na base de cálculo do beneficio, por não se enquadrarem no conceito de matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem, únicos insumos autorizados pela lei. Solicitação Indeferida". No recurso alegou a interessada que a conclusão do Acórdão de que se trataria de processo decidido em instância única estaria prejudicada, em função da revogação das disposições da MP nº 232, de 2004, pela MP n2 243, de 2005. No mérito, alegou que o Superior Tribunal de Justiça já teria formado jurisprudência a respeito da inclusão na base de cálculo do crédito presumido das aquisições de insumos de não contribuintes de PIS e de Cofins. Ademais, sustentou que a disposição do art. 22 da Lei nº 9.363, de 1996, teria previsto que o incentivo seria calculado sobre o valor total das aquisições, o que não permitiria a exclusão dos valores glosados. Teceu, a seguir, considerações a respeito da finalidade do incentivo. No tocante às aquisições de materiais de conservação e 'manutenção, de limpeza e desinfecção, combustíveis e lubrificantes, uniformes e equipamentos utilizados no processo industrial, alegou que se trataria de produtos intermediários, de acordo com a disposição do art. 393, II, do RIPI11982. Além disso, se o objetivo do incentivo é o de permitir o ressarcimento das contribuições sociais incidentes nas operações do mercado interno, então, "não haveria nenhuma razão para excluir do cálculo do beneficio os valores dos materiais de conservação e manutenção etc.". A seguir, afirmou que não haveria controvérsia a respeito de os referidos materiais integrarem o seu processo produtivo, conforme atestaria resposta anexada aos autos do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (DIPOA). Citou ementas de decisões administrativas que trataram das matérias em litígio para concluir que os valores das aquisições, incluindo os relativos à energia elétrica, representariam bens de produção e deveriam integrar a base de cálculo do incentivo. Por fim, requereu a aplicação dos juros Selic. Por meio o Acórdão nº 20179152, de 28/03/2006, o então Segundo Conselho de Contribuintes, negou provimento ao recurso. A ementa dessa decisão possui a seguinte redação: Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE PIS E COFINS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E DE COOPERATIVAS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Somente as aquisições de insumos de contribuintes da Cofins e do PIS geram direito ao crédito presumido concedido como ressarcimento das referidas contribuições, pagas no mercado interno. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS DE LIMPEZA E COMBUSTÍVEIS. Apenas é admissível a inclusão, na base de cálculo do incentivo, de valores relativos a aquisições de matériasprimas, materiais de embalagem e produtos intermediários. RESSARCIMENTO. JUROS SELIC. Inexiste previsão legal para incidência de juros sobre os valores ressarcidos. Recurso negado. Contra essa decisão houve a interposição de recurso especial da contribuinte. Por meio do Despacho nº 201347, de 17 de agosto de 2006, sob entendimento de terem sido observados parcialmente as condições de admissibilidade, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela contribuinte quanto às aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas de produtores, energia elétrica, combustíveis e lubrificantes e negando seguimento quanto às aquisições relativas a conservação, manutenção, limpeza e desinfecção, uniformes e equipamentos. Houve interposição de agravo, relativo à parte não admitida (glosa de aquisições relativas a conservação, manutenção, limpeza e desinfecção, uniformes e equipamentos). Por meio de Despacho, de fls. 1135 o agravo não foi acolhido, sob o fundamento de ter sido demonstrado as divergências necessárias. É o relatório. Voto Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora O recurso especial apresentado pela contribuinte, na parte admitida, apresenta os requisitos legais para a sua admissibilidade e dele tomo conhecimento. As matérias objeto do recurso apresentado pela contribuinte são bastante conhecidas por este Colegiado. Dizem respeito às glosas com a) aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas de produtores, e b) energia elétrica, combustíveis e lubrificantes. Passo ao exame das matérias: A) aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas de produtores: Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13983.000042/200165 Acórdão n.º 930301.557 CSRFT3 Fl. 1.141 5 A controvérsia limitase à incidência do art. 1º da Lei n° 9.363, de 16/12/96, imposta pela Instrução Normativa SRF n° 23, de 13/03/1997, que reconhece o direito apenas para aquisições de pessoas jurídicas, e pela Instrução Normativa SRF n° 103, de 30/12/1997, que excluem as cooperativas de produção. Em ambos os casos, o fundamento é o mesmo: o benefício do crédito presumido do IPI, para ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS, somente será cabível quando nas aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem pelo produtorexportador houver incidência dessas contribuições sociais. Seguem transcrições: IN SRF n° 23/97: Art. 2º (...) § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS. IN SRF n° 103/97: Art. 2° as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas de produtores não geram direito ao crédito presumido. Muito embora o assunto já se encontre pacificado no âmbito desta Eg. Câmara Superior, conforme jurisprudência trazida pela interessada, pertinentes são as conclusões do respeitável doutrinador Ricardo Mariz de Oliveira em trabalho divulgado em 2000, quando o assunto era ainda polêmico.1 Para melhor clareza, peço vênia para reproduzir as suas conclusões como se minhas fossem: VII CONCLUSÃO: AS AQUISIÇÕES NÃO TRIBUTADAS INTEGRAM O CÁLCULO DO INCENTIVO, SENDO ILEGAIS AS INSTRUÇÕES NORMATIVAS FAZENDÁRIAS EM CONTRÁRIO De tudo se conclui que as aquisições de insumos que não tenham sofrido a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS também integram a determinação da base de cálculo do crédito presumido a que alude a Lei n. 9363. Isto porque, e em síntese: a expressão legal “contribuições incidentes” não pode ser vinculada a cada operação de aquisição de insumos, pois tal vinculação não faz qualquer sentido lógico, além de impor condição a incidência sobre cada aquisição, isoladamente considerada de realização impossível, porque as contribuições não incidem na base de 5,37%, que é a porcentagem para 1 Em 20/06/200, sob o título: Crédito presumido de ipi para ressarcimento de PIS e COFINS direito ao cálculo sobre aquisições de insumos não tributadas. Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 cálculo do crédito presumido segundo a respectiva fórmula legal; seja pela literalidade da norma do art. 1o da Lei n. 9363, seja por sua consideração em conjunto com os demais dispositivos dessa mesma lei, especialmente com os que estatuem a fórmula de cálculo do crédito presumido, verificase que a alusão ao ressarcimento das contribuições incidentes somente pode ser referida a todas as incidências que possivelmente tenham ocorrido em qualquer anterior etapa do ciclo econômico do produto exportado e dos seus insumos; o incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção “juris et de jure”, não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte; a fórmula legal de cálculo do incentivo manda considerar o valor total das aquisições de insumos, sem distinção entre as tributadas e as não tributadas; o crédito presumido é uma subvenção que visa incrementar as exportações brasileiras, e não se confunde com restituição de contribuições, não havendo, assim, razão para exigir a incidência de contribuições para que uma aquisição de insumos seja integrada ao respectivo cálculo; o ressarcimento do crédito presumido, em moeda corrente, é uma forma alternativa de pagamento da subvenção, sendo que ressarcimento significa provimento do incentivo, em cobertura de parte das despesas de custeio, e não restituição de contribuições, também por isto sendo irrelevante ter ou não ter havido incidência sobre cada aquisição de insumos, isoladamente considerada; a prova da incidência e dos recolhimentos sobre cada aquisição de insumos era exigida pela legislação anterior, mas foi tacitamente revogada, não, podendo, pois, ser feita na vigência da nova lei, revogadora da anterior; o ressarcimento, por ser presumido e estimado na forma da lei, é referente às possíveis incidências das contribuições em todas as etapas anteriores à aquisição dos insumos e à exportação, as quais integram o custo do produto exportado; tudo isto é confirmado pelas regras de hermenêutica, que excluem a interpretação pela literalidade da norma legal e a consideração de apenas um dispositivo isolado das demais normas da mesma lei e do ordenamento jurídico, que exigem resultado derivado da interpretação que seja coerente com os objetivos da lei, que excluem resultado ilógico e de realização impossível, e que requerem o emprego de todos os métodos de exegese, notadamente o sistemático, o teleológico e o histórico; não obstante, mesmo a letra da lei comporta perfeitamente a interpretação no sentido de que não é necessária a incidência Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13983.000042/200165 Acórdão n.º 930301.557 CSRFT3 Fl. 1.142 7 sobre a aquisição de insumos, propriamente dita, referindose, antes, às possíveis incidências em quaisquer outras operações que tenham onerado as aquisições dos insumos e o custo do produto exportado. Em vista disso tudo, concluise de modo inarredável que carecem de base legal o parágrafo 2o do art. 2o da Instrução Normativa SRF nº. 23/97 (que limita o crédito às aquisições feitas à pessoas jurídicas e que tenham sido tributadas) e o art. 2o da Instrução Normativa SRF nº. 103/97 (que exclui as aquisições feitas à cooperativas). Na verdade, o crédito presumido de IPI, por ser presumido, independe do valor que efetivamente tenha sido recolhido a título daquelas contribuições sobre as diversas fases de elaboração do produto vendido. Mesmo o inexpressivo pagamento de PIS/PASEP e COFINS em etapas anteriores não obstaria o direito ao crédito. Isto porque a lei, ao estabelecer a base de cálculo e o percentual, criou uma presunção absoluta, juris et de jure. A dimensão real da cadeia produtiva é irrelevante para o cálculo do benefício. Da posição atual do STJ Por fim, noticiase que a matéria, conforme jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, já se encontra pacificada 2. O Tribunal vem, repetidamente, entendido que o crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (RESP 993164, Min. Luiz Fux). O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; 2 Matérias Julgadas pelo STJ no Regime do art. 543C e Resolução STJ nº 08/08 Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Verificase, assim, que a decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, em caráter de definitividade, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Atendidos a todos os requisitos previstos em lei, não vejo como se negar o direito do produtorexportador ao crédito presumido de IPI, ainda que na última etapa não tenha incidido PIS/PASEP e COFINS. B) energia elétrica, combustíveis e lubrificantes Defende a contribuinte, ora recorrente que a energia é produto intermediário. Que, a energia elétrica é consumida no processo industrial, apesar de não se incorporarem fisicamente ao produto final. Cita o Parecer PN 65/79, no qual lhe ampararia nos seus argumentos. Traz precedentes dos Conselhos de Contribuintes. O artigo 1o da Lei no 9.363/96 enumera expressamente os insumos utilizados no processo produtivo que devem ser considerados na base de cálculo do crédito presumido: matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. A matéria já é bastante conhecida pelos julgadores desta Eg. Câmara. Dispõe o RICARF que as decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. A matéria pertinente às aquisições de combustíveis e energia elétrica encontrase sumulada pelo CARF nº 19, proveniente do antigo Segundo Conselho de Contribuintes conforme transcrição a seguir: SÚMULA CARF nº 19 Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. No que diz respeito à matéria sumulada, deixo de conhecêla. Fl. 1224DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13983.000042/200165 Acórdão n.º 930301.557 CSRFT3 Fl. 1.143 9 CONCLUSÃO: Em face do acima exposto voto no sentido de: i) não conhecer da matéria sumulada (energia elétrica, combustíveis e lubrificantes) e na parte conhecida, ii) dar provimento ao recurso em relação aos valores correspondentes às aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas e cooperativas). Maria Teresa Martínez López Fl. 1225DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 12466.001967/00-85
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 13/12/1999
DELEGAÇÃO DE COMPETÊNCIA PARA JULGAR IMPUGNAÇÃO DE LANÇAMENTO IMPOSSIBILIDADE.
A competência para julgar, em primeira instância, processos administrativos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos quais tenha sido instaurado o contraditório, até a criação das turmas julgadoras, era dos Delegados da Receita Federal de Julgamento;
vedada a delegação dessa competência. A decisão proferida por pessoa outra que não o delegado da Receita Federal de Julgamento padecia de vício insanável e irradiava a mácula para todos os atos dela decorrente.
Processo que se anula a partir da decisão de primeira instância, inclusive.
Numero da decisão: 9303-001.509
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, Por maioria de votos, rejeitar a
preliminar de não conhecimento do recurso. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Marcos Tranchesi Ortiz, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann; e, por unanimidade de votos, em anular os atos processuais a partir da decisão de primeira instância, inclusive.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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Delegação de competência x nulidade da decisão de primeira instância. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CISA TRADING S/A ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/12/1999 DELEGAÇÃO DE COMPETÊNCIA PARA JULGAR IMPUGNAÇÃO DE LANÇAMENTO IMPOSSIBILIDADE. A competência para julgar, em primeira instância, processos administrativos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos quais tenha sido instaurado o contraditório, até a criação das turmas julgadoras, era dos Delegados da Receita Federal de Julgamento; vedada a delegação dessa competência. A decisão proferida por pessoa outra que não o delegado da Receita Federal de Julgamento padecia de vício insanável e irradiava a mácula para todos os atos dela decorrente. Processo que se anula a partir da decisão de primeira instância, inclusive. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, Por maioria de votos, rejeitar a preliminar de não conhecimento do recurso. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Marcos Tranchesi Ortiz, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann; e, por unanimidade de votos, em anular os atos processuais a partir da decisão de primeira instância, inclusive. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Fl. 398DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 29/07/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Marcos Tranchesi Ortiz, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Os fatos foram assim descritos no relatório do acórdão recorrido: O Recorrente, através da DI nº 99/10777436, cadastrada em 31/12/99, submeteu a despacho os equipamento de telecomunicações constantes da Adição 003 e 005 (fls. 003), classificandoos na TEC 8525.20.13, com alíquota de 3% de II e de 20% de IPI. Através de processos protocolizados em 05/11/99 e 30/11/99, cerca de um ano antes da importação, formulara consultas à DIANA/SSRF/7ª RF, a respeito da correta classificação para os equipamentos em questão. Dos resultados dessas consultas (Decisão DIANA/SSRF/7ª RF nº 346/99, de 16/12/99 e Decisão DIANA/SSRF/7ª RF nº 23/2000), tomou ciência em 30/12/99 e 03/02/2000, respectivamente (fls. 39 a 52). Tais resultados apontaram para a classificação nos códigos TEC 8525.20.19, com alíquota de 21% para o Imposto de Importação e 20% para o IPI. Em 29/02/2000, dentro do prazo do prazo de 30 dias da data de ciência da Consulta, e antes da lavratura do Auto de Infração de 11/07/2000, o contribuinte efetuou o pagamento de diferença de tributos (fls. 63 e 64) que o Auto de Infração considera parcial, por não ter contemplado as Adições 003 e 005, itens 2. Nessas condições exigiram o pagamento de diferença de tributos, juros e multa de mora a partir de 30 dias da data do fato gerador. Inconformado, o Contribuinte apresentou ato de impugnação que mereceu acolhida parcial da DRJ/RJO (fls. 79 a 83), eximindoo da alegada diferença de tributos, no valor de R$ 253.556,24, mantidas as multas de ofício do II e do IPI, no valor de R$ 190.167,19 e os juros moratórios. Discordando da Decisão, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho, datado de 02/01/2001 (fls. 88 a 95), requerendo sua reforma nos pontos em que mantém as multa de ofício e juros moratórios. Posteriormente, em 25/09/2001, apresentou nova petição a este Terceiro Conselho (fls. 129 a 132), declarando que em 30/05/2001, posteriormente à interposição do recurso voluntário, sobreveio decisão da Coordenação do Sistema Aduaneiro da Receita Federal, motivada por consulta que fizera, reformando totalmente as decisões anteriormente exaradas pela DIANA/SSRF/7ªRF, afastando qualquer questionamento quanto à classificação fiscal dos produtos. O contribuinte faz referência às decisões COANA 003 e 004, ambas de 30 de maio de 2001, que reformam a Decisão Fl. 399DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 29/07/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES Processo nº 12466.001967/0085 Acórdão n.º 930301.509 CSRFT3 Fl. 358 3 DIANA/SSRF/7ªRF nº 346, de 16/12/99 (fls. 133 a 144), e mantêm a classificação originalmente utilizada pelo Contribuinte, isto é, o código 8525.20.13 em ambos os casos. Em consequência, o Contribuinte requer a declaração da inexistência de débito fiscal, cancelado o Auto de Infração e autorizando o levantamento imediato do valor depositado a fim de viabilizar a interposição de recurso voluntário. Julgando o feito, a Câmara recorrida deu provimento ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado: ADUANEIRO. CONSULTA. Não incidem juros de mora nem multa de ofício sobre as parcelas de impostos recolhidos dentro do prazo previsto a contar da solução de consulta administrativa/tributária. RECURSO PROVIDO. Contra esse acórdão a PGFN apresentou embargos de declaração, os quais foram acolhidos, para suprir omissão, mas sem efeitos modificativos. Ainda não conformada, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial que foi inadmitido pela Presidente da Câmara recorrida. Todavia, do despacho denegatório de admissibilidade, a PGFN agravou. O reexame foi por mim realizado fls. 289 a 291, e confirmado pelo então Presidente desta Turma, admitindo o apelo fazendário. Regularmente notificado da admissibilidade do especial fazendário, o sujeito passivo apresentou contrarrazões, fls. 298 a 306, defendendo, preliminarmente, o não conhecimento do recurso, e, no mérito, o improvimento do apelo da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres O recurso é tempestivo e, ao contrário do alegado pelo sujeito passivo defesa, atende aos demais requisitos de admissibilidade, como se pode ver a seguir. Do cotejo dos acórdãos recorrido e paradigma, vêse que em ambos é abordada a questão da incidência dos juros moratórios decorrentes e pagamento de tributo efetuado após o prazo legal de vencimento, sendo que, no paradigma asseverouse que o encargo da mora sempre serão devidos, seja qual for a razão da falta do recolhimento tempestivo do crédito tributário, salvo nos casos de depósito do montante integral, pois, nesse caso, renderão em favor do vencedor da demanda, enquanto que, no acórdão recorrido, entendeuse que os juros podem ser dispensados quando o sujeito passivo recolher o tributo após a data de seu vencimento legal, mas dentro dos 30 dias contados da ciência da solução de consulta que fizera à administração. Fl. 400DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 29/07/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES 4 Ora, se os acórdão, paradigma e recorrido versam sobre a incidência de juros moratórios, nos casos de recolhimento após o vencimento legal do tributo, e, no paradigma asseverouse que, à exceção do depósito do montante integral, qualquer outra razão não ilidiria a incidência dos juros, e como no caso dos autos não houve depósito, a conclusão acaciana a que se chega é no sentido de que ambos os acórdãos tratam da mesma matéria e os colegiados deram interpretação divergente à legislação tributária. Com essas considerações, entendo demonstrado o dissídio jurisprudencial, e, diante do atendimento dos demais pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional Ultrapassada a preliminar do conhecimento do recurso, suscito, de ofício, a nulidade da decisão de primeira instância, pelas razões seguintes: Do exame dos autos vislumbrase uma situação que merece ser examinada preliminarmente: a competência do chefe da Divisão de Tributos Incidentes sobre Comércio Exterior da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro – DITEX/DRJRJ para prolatar a decisão que indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada pela autuada. Compulsando os autos, observase que a decisão singular foi emitida por pessoa outra, que não o(a) Delegado(a) da Receita Federal de Julgamento, por delegação de competência. Esse fato deve ser cotejado com a norma do Processo Administrativo Fiscal inserida no mundo jurídico pelo artigo 2o da Lei no 8.748/93, regulamentada pela Portaria SRF no 4.980, de 04/10/94, que assim dispõe em seu artigo 2o: “Art. 2º. Às Delegacias da Receita Federal de Julgamento compete julgar processos administrativos nos quais tenha sido instaurado, tempestivamente, o contraditório, inclusive os referentes à manifestação de inconformismo do contribuinte quanto à decisão dos Delegados da Receita Federal relativo ao indeferimento de solicitação de retificação de declaração do imposto de renda, restituição, compensação, ressarcimento, imunidade, suspensão, isenção e redução de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.” (grifamos) A manifestação de inconformidade do sujeito passivo contra a decisão que lhe negou o ressarcimento pleiteado instaura a fase litigiosa do processo administrativo, e, por conseguinte, provoca o Estado a dirimir, por meio de suas instâncias administrativas de julgamentos, a controvérsia surgida com o indeferimento da pretensão do sujeito passivo. Nesse caso, é imprescindível que a decisão proferida seja exarada com total observância dos preceitos legais, e sobretudo, emitida por servidor legalmente competente para proferila. Até a edição da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, que reestruturou as delegacias de julgamento da Receita Federal, transformandoas em órgãos colegiados, o julgamento, em primeira instância, de processos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, era da competência dos Delegados da Receita Federal de Julgamento, como dispunha o art. 5º da Portaria MF no 384/94, que regulamentou a Lei no 8.748/93, a seguir transcrito: Art. 5º. São atribuições dos Delegados da Receita Federal de Julgamento: I – julgar, em primeira instância, processos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, e recorrer “ex officio” aos Conselhos de Contribuintes, nos casos previstos em lei. Fl. 401DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 29/07/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES Processo nº 12466.001967/0085 Acórdão n.º 930301.509 CSRFT3 Fl. 359 5 II – baixar atos internos relacionados com a execução de serviços, observadas as instruções das unidades centrais e regionais sobre a matéria tratada. (grifamos) Esse artigo demarcava a competência dos Delegados da Receita Federal de Julgamento, fixandolhes as atribuições, sem, contudo, autorizarlhe delegar competência de funções inerentes ao cargo. Renato Alessi, citado por Maria Sylvia Zanella Di Pietro1, afirma que a competência está submetida às seguintes regras: 1. decorre sempre de lei, não podendo o próprio órgão estabelecer, por si, as suas atribuições; 2. é inderrogável, seja pela vontade da administração, seja por acordo com terceiros; isto porque a competência é conferida em benefício do interesse público; 3. pode ser objeto de delegação ou avocação, desde que não se trate de competência conferida a determinado órgão ou agente, com exclusividade, pela lei. (grifamos) Observese, ainda, que a espécie exige a observância da Lei no 9.7842, de 29/01/1999, cujo Capítulo VI – Da Competência, em seu artigo 13, determina: Art. 13. Não podem ser objeto de delegação: I – a edição de atos de caráter normativo; II – a decisão de recursos administrativos; III – as matérias de competência exclusiva do órgão ou autoridade. Nesse contexto, observamos que a delegação de competência conferida pela Portaria DRJ/RJ no 7/99, de 03/02/99, que confere a outro agente público, que não o(a) Delegado(a) da Receita Federal de Julgamento encontrase em total confronto com as normas legais, vez que são atribuições exclusivas dos(as) Delegados(as) da Receita Federal de Julgamento julgar, em primeira instância, processos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.” Registrese, por oportuno, que a decisão recorrida foi proferida em 21/11/2000, já sobre a vigência da Lei no 9.784/99. Dessa forma, por não ter a decisão monocrática observado as normas legais a ela pertinentes, eivouse de vício insanável, incorrendo na nulidade prevista no inciso I do artigo 59 do Decreto 70.235/1972. 1 Direito Administrativo, 3a ed., Editora Atlas, p.156. 2 No artigo 69, da Lei no 9.784/99, inscrevese a determinação de que os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos daquela lei. A norma específica para reger o processo administrativo fiscal é o Decreto no 70.235/72. Entretanto, tal norma não trata, especificamente, das situações que impedem a delegação de competência. Nesse caso, aplicase subsidiariamente a Lei no 9.784/99. Fl. 402DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 29/07/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES 6 É de se lembrar que o vício insanável de um ato contamina os demais dele decorrentes, impondose, por conseguinte, a anulação de todos eles. Outro não é o entendimento do Mestre Hely Lopes Meirelles3, a seguir transcrito: (...) é o que nasce afetado de vício insanável por ausência ou defeito substancial em seus elementos constitutivos ou no procedimento formativo. A nulidade pode ser explícita ou virtual. É explícita quando a lei a comina expressamente, indicando os vícios que lhe dão origem; é virtual quando a invalidade decorre da infringência de princípios específicos do Direito Público, reconhecidos por interpretação das normas concernentes ao ato. Em qualquer desses casos o ato é ilegítimo ou ilegal e não produz qualquer efeito válido entre as partes, pela evidente razão de que não se pode adquirir direitos contra a lei. A nulidade, todavia, deve ser reconhecida e proclamada pela Administração ou pelo Judiciário (...), mas essa declaração opera ex tunc, isto é retroage às suas origens e alcança todos os seus efeitos passados, presentes e futuros em relação às partes, só se admitindo exceção para com os terceiros de boafé, sujeitos às suas conseqüências reflexas. (destaques do original) De outro lado, como é de todos sabidos, o recurso remete à instância superior o conhecimento integral das questões suscitadas e discutidas no processo, como também a observância à forma dos atos processuais, que devem obedecer às normas que regulam o proceder dos agentes públicos, de modo a preservar a boa prática da administração pública, dentre elas a guarda fiel dos princípios norteadores da Administração Pública, como o da legalidade e o do devido processo legal. Diante do exposto, voto no sentido de declarar nula a decisão de primeira instância e os demais atos processuais dela decorrentes, e determinar que outra, em boa forma e dentro dos preceitos legais, seja proferida. Henrique Pinheiro Torres Relator 3 Direito Administrativo Brasileiro, 17a edição, Malheiros Editores: 1992, p. 156. Fl. 403DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 29/07/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES
score : 1.0
Numero do processo: 10935.001243/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Dec 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2007
IRPF. OMISSÃO DE RECEITAS DE ALUGUEL. ERRO NA INDICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO.
Se a fiscalização considerou como contribuinte pessoa física que detém apenas poderes de procurador, e não o mandante, restam violados os arts. 121 e 142 do CTN, caracterizando erro na identificação do sujeito passivo.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-001.395
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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OMISSÃO DE RECEITAS DE ALUGUEL. ERRO NA INDICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Se a fiscalização considerou como contribuinte pessoa física que detém apenas poderes de procurador, e não o mandante, restam violados os arts. 121 e 142 do CTN, caracterizando erro na identificação do sujeito passivo. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 98DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO Processo nº 10935.001243/200914 Acórdão n.º 210101.395 S2C1T1 Fl. 99 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Evande Carvalho Araujo, Celia Maria de Souza Murphy e Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa. Ausente justificadamente o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 72/74) interposto em 10 de agosto de 2011 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) (fls. 61/63), do qual o Recorrente teve ciência em 14 de julho de 2011 (fl. 67), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 14/18, lavrado em 22 de dezembro de 2008, em decorrência de omissão de rendimentos de aluguéis, verificada no ano calendário de 2006. O acórdão recorrido teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 IRPF. ALUGUEL. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. O lançamento merece prosperar quando não resta comprovado que os rendimentos considerados omitidos não são do notificado e nem de seus dependentes. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido” (fl. 61). Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 72/74), pedindo a reforma do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Verificase que o lançamento que deu origem ao presente processo administrativo apurou omissão de receitas de aluguéis nos seguintes valores: (i) R$ 630,00, recebidos de Elso Zago de Mello; Fl. 99DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO Processo nº 10935.001243/200914 Acórdão n.º 210101.395 S2C1T1 Fl. 100 3 (ii) R$ 683,79, recebidos de Vanda Leal de Jesus Santos (Santos e Froner Ind.Conf. Ltda). Inicialmente, devese salientar que o Recorrente apresentou recurso voluntário parcial, pois, em relação à acusação de omissão de rendimentos recebidos de Vanda Leal de Jesus Santos, o contribuinte reconheceu a infração. Assim, contestou apenas o lançamento quanto à omissão dos aluguéis recebidos de Elso Zago de Mello, referente à casa 5 do Condomínio Imperial II, pois, segundo alega, o imóvel sempre foi de propriedade de Stefany Cristine Rodrigues, da qual o Recorrente é apenas procurador. Verificase da documentação acostada aos autos que o imóvel, cujos rendimentos de aluguel foram supostamente omitidos, pertence a Stefany Cristine Rodrigues (menor à época do fato gerador), sendo usufrutuária vitalícia do imóvel a genitora da menor, Sra. Jussara Aparecida Rodrigues. Não há dúvida portanto que o Recorrente, na qualidade de advogado e parente, apenas figura como procurador da menor em todos os documentos, inclusive no contrato de locação (fls. 06/09). Salientese que o Recorrente nunca foi proprietário do imóvel e em sua Declaração de Ajuste anual em nenhum momento declarou Stefany Cristine Rodrigues como sua dependente (fl. 19/26), motivo pelo qual não podem ser imputados a ele os rendimentos de aluguel. Assim, depreendese que, por equívoco da imobiliária, constou na DIMOB apenas o nome do Recorrente/procurador como beneficiário do rendimento de aluguel, quando deveria constar a menor ou sua genitora. A sujeição passiva tributária é tratada diretamente pelo Código Tributário Nacional que, na forma do art. 146, III, “a”, da Constituição, estabelece a possibilidade de constituição do crédito tributário em face (i) do contribuinte, assim entendido como aquele que realiza a hipótese de incidência do tributo, e (ii) do responsável, isto é, aquele a quem a legislação tributária atribuiu, expressamente, o dever de adimplir a obrigação tributária. Nesse sentido o disposto pelo art. 121 do Código Tributário Nacional, in verbis: “Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei.” Assim, o Código Tributário Nacional estabelece, em seu art. 142, como requisito inafastável para a constituição do crédito tributário o lançamento, assim entendido o “procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação Fl. 100DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO Processo nº 10935.001243/200914 Acórdão n.º 210101.395 S2C1T1 Fl. 101 4 correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Analisandose, assim, de maneira sistemática o Código Tributário Nacional, especialmente a partir de uma combinação do disposto nos artigos 121 e 142, supra mencionados, observase que uma das funções basilares do lançamento tributário consiste, justamente, na identificação do sujeito passivo, seja ele o próprio contribuinte, seja, de outra forma, o responsável pela obrigação tributária. Todavia, verificase que no caso em análise, houve equívoco na identificação do sujeito passivo, o que acarreta a nulidade do lançamento, pois, como se sabe, no contrato de mandato, o mandatário não age em nome próprio, mas em nome de terceiro, conforme definição constante no artigo 653 do Código Civil, in verbis: “Art. 653. Operase o mandato quando alguém recebe de outrem poderes para, em seu nome, praticar atos ou administrar interesses. A procuração é o instrumento do mandato.” Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 101DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.001588/2006-01
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2001, 2002, 2003, 2004
Ementa:
DECADÊNCIA – IRPJ, CSLL, PIS, COFINS
Como os lançamentos se aperfeiçoaram em 23/03/06, encontramse
fulminados pela decadência os lançamentos de PIS e de COFINS relativos
aos fatos geradores ocorridos até novembro de 1999, inclusive. Aplicação do
art. 173, I, do CTN, vez que não há nos autos elementos que indiquem ter
havido pagamento de PIS e de COFINS.
IRPJ, CSLL – ATOS COOPERATIVOS E NÃO COOPERATIVOS –
DISCRIMINAÇÃO E TRIBUTAÇÃO
Na comercialização de planos de saúde, existe prestação de utilidade pela
cooperativa a terceiros (usuários, na comercialização de planos de saúde), na
medida em que os planos permitem o direito de usar serviços médicos e
utilidades conexas de não cooperados. O contratante não paga simplesmente
preço, através da cooperativa. Antes, paga preço à cooperativa, de modo que
as relações econômicas relativas ao plano de saúde contratado se instalam
entre o terceiro e a cooperativa, e não entre o terceiro e o cooperado.
Diante da assertiva da recorrente de que todos os ingressos são decorrentes de
atos cooperativos, o autuante tomou como base os custos incorridos para
apuração dos resultados de atos cooperativos e de atos não cooperativos.
Critério de rateio na apuração de receitas e de resultados de atos cooperativos
e não cooperativos, por proporcionalidade dos custos de atos cooperativos e
dos custos de atos não cooperativos, que revela razoabilidade e adequação no
caso vertente. Correta a não exigência de CSL pelo autuante sobre os
resultados de atos cooperativos. PIS, COFINS
A isenção de COFINS concedida pela Lei Complementar 70/91 às
cooperativas se cingia aos ingressos decorrentes de atos cooperativos, não
sendo afetada sua revogação, no lançamento em dissídio. Exigência sobre as
receitas de atos não cooperativos, apuradas pelo critério de rateio, que deve
ser mantida reflexamente.
JUROS TAXA SELIC
Matéria objetivada na Súmula nº 4 do CARF, tendo cabimento a aplicação da
taxa Selic para juros moratórios ordinários.
MULTA DE OFÍCIO DE 75%
É defeso a este órgão julgador apreciar a constitucionalidade da lei que
prescreve multa de ofício de 75%. Súmula nº 2 do CARF.
Numero da decisão: 1103-000.587
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento PARCIAL ao recurso para reconhecer a decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo a PIS e COFINS dos meses de janeiro a novembro de 1999.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 1999, 2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: DECADÊNCIA – IRPJ, CSLL, PIS, COFINS Como os lançamentos se aperfeiçoaram em 23/03/06, encontramse fulminados pela decadência os lançamentos de PIS e de COFINS relativos aos fatos geradores ocorridos até novembro de 1999, inclusive. Aplicação do art. 173, I, do CTN, vez que não há nos autos elementos que indiquem ter havido pagamento de PIS e de COFINS. IRPJ, CSLL – ATOS COOPERATIVOS E NÃO COOPERATIVOS – DISCRIMINAÇÃO E TRIBUTAÇÃO Na comercialização de planos de saúde, existe prestação de utilidade pela cooperativa a terceiros (usuários, na comercialização de planos de saúde), na medida em que os planos permitem o direito de usar serviços médicos e utilidades conexas de não cooperados. O contratante não paga simplesmente preço, através da cooperativa. Antes, paga preço à cooperativa, de modo que as relações econômicas relativas ao plano de saúde contratado se instalam entre o terceiro e a cooperativa, e não entre o terceiro e o cooperado. Diante da assertiva da recorrente de que todos os ingressos são decorrentes de atos cooperativos, o autuante tomou como base os custos incorridos para apuração dos resultados de atos cooperativos e de atos não cooperativos. Critério de rateio na apuração de receitas e de resultados de atos cooperativos e não cooperativos, por proporcionalidade dos custos de atos cooperativos e dos custos de atos não cooperativos, que revela razoabilidade e adequação no caso vertente. Correta a não exigência de CSL pelo autuante sobre os resultados de atos cooperativos. PIS, COFINS A isenção de COFINS concedida pela Lei Complementar 70/91 às cooperativas se cingia aos ingressos decorrentes de atos cooperativos, não sendo afetada sua revogação, no lançamento em dissídio. Exigência sobre as receitas de atos não cooperativos, apuradas pelo critério de rateio, que deve ser mantida reflexamente. JUROS TAXA SELIC Matéria objetivada na Súmula nº 4 do CARF, tendo cabimento a aplicação da taxa Selic para juros moratórios ordinários. MULTA DE OFÍCIO DE 75% É defeso a este órgão julgador apreciar a constitucionalidade da lei que prescreve multa de ofício de 75%. Súmula nº 2 do CARF.
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Aplicação do art. 173, I, do CTN, vez que não há nos autos elementos que indiquem ter havido pagamento de PIS e de COFINS. IRPJ, CSLL – ATOS COOPERATIVOS E NÃO COOPERATIVOS – DISCRIMINAÇÃO E TRIBUTAÇÃO Na comercialização de planos de saúde, existe prestação de utilidade pela cooperativa a terceiros (usuários, na comercialização de planos de saúde), na medida em que os planos permitem o direito de usar serviços médicos e utilidades conexas de não cooperados. O contratante não paga simplesmente preço, através da cooperativa. Antes, paga preço à cooperativa, de modo que as relações econômicas relativas ao plano de saúde contratado se instalam entre o terceiro e a cooperativa, e não entre o terceiro e o cooperado. Diante da assertiva da recorrente de que todos os ingressos são decorrentes de atos cooperativos, o autuante tomou como base os custos incorridos para apuração dos resultados de atos cooperativos e de atos não cooperativos. Critério de rateio na apuração de receitas e de resultados de atos cooperativos e não cooperativos, por proporcionalidade dos custos de atos cooperativos e dos custos de atos não cooperativos, que revela razoabilidade e adequação no caso vertente. Correta a não exigência de CSL pelo autuante sobre os resultados de atos cooperativos. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/12/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.001588/200601 Acórdão n.º 110300.587 S1C1T3 Fl. 2 2 PIS, COFINS A isenção de COFINS concedida pela Lei Complementar 70/91 às cooperativas se cingia aos ingressos decorrentes de atos cooperativos, não sendo afetada sua revogação, no lançamento em dissídio. Exigência sobre as receitas de atos não cooperativos, apuradas pelo critério de rateio, que deve ser mantida reflexamente. JUROS TAXA SELIC Matéria objetivada na Súmula nº 4 do CARF, tendo cabimento a aplicação da taxa Selic para juros moratórios ordinários. MULTA DE OFÍCIO DE 75% É defeso a este órgão julgador apreciar a constitucionalidade da lei que prescreve multa de ofício de 75%. Súmula nº 2 do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reconhecer a decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo a PIS e COFINS dos meses de janeiro a novembro de 1999. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Shigueo Takata Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percínio da Silva, Hugo Correia Sotero, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes e Eric Moraes de Castro e Silva. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/12/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.001588/200601 Acórdão n.º 110300.587 S1C1T3 Fl. 3 3 Relatório DO LANÇAMENTO Trata o processo de autos de infração de IRPJ (fls. 69 a 71) no valor de R$ 28.856,31; CSL (fls. 76 a 78) no valor de R$ 17.313,78; PIS (fls. 84 a 89) no valor de R$ 264.212,45; e COFINS (fls. 103 a 108) no valor de R$ 1.219.441,99; além de multa de 75% e juros de mora. Quanto ao IR e à CSL, a autuação se deu por exclusão indevida de resultados positivos provenientes de operações com não associados, conceituadas como atos não cooperativos, implicando redução do lucro real e da base de cálculo da CSL para os anos calendário de 2001, 2003 e 2004, nos valores respectivos de R$ 5.849,64; R$ 6.546,60 e R$ 179.979,23. Em relação ao PIS e à COFINS, autuação se refere aos fatos geradores de maio a dezembro de 1999 e janeiro de 2001 a dezembro de 2005 pela falta de recolhimento e declaração em DCTF, cujas bases de cálculos foram apuradas em razão da concreção de atos não cooperativos, pela prestação de serviços de terceiros aos usuários do plano de saúde Unimed de São José Rio Pardo. Em sua constituição, a fiscalizada consta como cooperativa de trabalho médico. Entretanto, pela análise do Estatuto Social, livros contábeis Diário e Razão e documentação fornecida à fiscalização, verificase que a recorrente tem como principal atividade a administração do plano de saúde denominado Unimed de São José do Rio Pardo. A recorrente possui também um estabelecimento comercial criado em 1997, denominado Farmácia – Unimed, com objetivo de fornecer remédios, materiais cirúrgicos e/ou farmacêuticos aos usuários do plano de saúde. Em 2003, foi criada a Ótica – Unimed, com objetivo de fornecer lentes e armações para todos os usuários do plano de saúde. A recorrente cobra mensalidade dos usuários do plano de saúde para, em contrapartida, oferecer os serviços de assistência médica prestados pelos cooperados e por serviços de terceiros que são contratados, que são outros médicos não cooperados, pessoas físicas e jurídicas para exames laboratoriais, diárias hospitalares, dentre outros. O Parecer Normativo CST nº 38/80 traz os atos não cooperativos que são diversos do permitido, os quais a recorrente pratica, ensejando o recolhimento de IRPJ e CSL através dos resultados apurados pela prática desses serviços, enquanto as receitas auferidas em razão deles deve compor a base de cálculo para recolhimento mensal do PIS e COFINS. A recorrente não segregou em sua escrituração contábil os resultados advindos dos atos não cooperativos. E deixou de segregar os resultados dos atos cooperativos e não cooperativos por entender, de forma errônea, que só pratica atos cooperativos. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/12/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.001588/200601 Acórdão n.º 110300.587 S1C1T3 Fl. 4 4 A fiscalização entendeu como atos cooperados os serviços prestados aos usuários pelos médicos cooperados, assim entendido como aqueles pertencentes ao quadro associativo da cooperativa, (Cooperados Pessoas Físicas) bem como aqueles prestados pelas outras Unimed’s pelos atendimentos aos pacientes encaminhados pela recorrente (Intercâmbio). Todos os demais custos referentes a serviços da área médica prestados por terceiros, pessoas físicas e jurídicas aos usuários do plano de saúde Unimed S. José do Rio Pardo são considerados, por definição legal, atos não cooperativos. DA IMPUGNAÇÃO A recorrente foi cientificada em 31/03/2006 e apresentou sua impugnações em separado para cada um dos autos de infração de IRPJ (fls. 1.199 a 1.252), COFINS (fls. 1.294 a 1.355), PIS (fls. 1.405 a 1.458) e CSL (fls. 1.506 a 1.556). No entanto as razões de defesa suscitadas foram idênticas nas impugnações ao IRPJ, PIS e CSL. Com relação à impugnação contra o lançamento da COFINS os argumentos também foram os mesmos, com o acréscimo de apenas mais um argumento de defesa. Segue, em síntese, as alegações de defesa da recorrente. Decadência Alega, como preliminar, ter ocorrido decadência dos meses anteriores a março de 2001 nos lançamentos efetuados de IRPJ, CSL, PIS e COFINS pois a ciência dos autos de infração se deu em 31/03/2006. Entende que os lançamentos operamse pela homologação e, portanto, a contagem do prazo para sua exigência iniciase na data da ocorrência dos fatos geradores, conforme art. 150, § 4º, do CTN. Juros Argui ser ilegal a cobrança de juros à Taxa Selic posto que a utilização dessa taxa não encontra fundamento no art. 161, § 1º, do CTN, uma vez que esse dispositivo complementar autoriza a definição de outra taxa de juros, desde que contenha e reflita natureza moratória e não remuneratória. Multa Afirma não haver motivo que justifique a aplicação de penalidade no percentual de 75%, tendose em conta que, quando se trata de imputação de multa com caráter punitivo, não bastam meros indícios de conduta dolosa ou fraudulenta, mas sim prova concreta dessa conduta. Observa que, quando muito, poderseia aplicar a multa no patamar de 20%, nos termos do art. 61, § 2º, da Lei 9.430/96, já que teve seu débito tempestivamente declarado em DCTF e recolhido antes da lavratura dos autos de infração. Segundo seu entendimento, a multa exigida tem nítido efeito confiscatório, o que fere o princípio constitucional do nãoconfisco. Regime Jurídico das Cooperativas Fl. 4DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/12/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.001588/200601 Acórdão n.º 110300.587 S1C1T3 Fl. 5 5 A cooperativa consiste em uma sociedade de pessoas, com forma e natureza jurídica própria, constituída para prestar serviços aos próprios sócios cooperados, por expressa disposição da Lei 5.764/71. Tratase a recorrente de típica cooperativa de trabalho, cujo quadro de cooperados é composto, exclusivamente, por médicos cooperados aos quais a cooperativa serve. Todos ao valores pagos pelos usuários do plano de saúde pertencem integralmente aos médicos cooperados, sendo que a recorrente apenas os recebe e os repassa, na exata proporção do trabalho de cada um, tudo na qualidade de mandatária, conforme previsto nos parágrafos 2º, 3º e 4º do art. 2º do seu Estatuto Social. É uma cooperativa típica, sendo constituída, exclusivamente, por médicos, pessoas físicas habilitadas para o exercício da atividade médicohospitalar e que os destinatários dos serviços prestados não são os pacientes atendidos pelos médicos, mas os próprios médicos que prestam serviços aos pacientes, servindose, eventualmente, de sua clínica ou de um hospital como local e instrumento de trabalho. Os atos cooperados, por sua vez, dividemse em atosmeio e atosfim, sendo o atofim, ou ato principal, aquele que se circunscreve à realização final da atividade econômica dos sócios, ou seja, do objeto da cooperativa. No caso concreto da Unimed, o atofim decorre das atividades realizadas com o intuito de viabilizar a prestação de serviço médico realizada diretamente pelo sócio usuário, como, por exemplo, uma simples consulta. O ato meio, ou ato auxiliar, por sua vez, caracterizase materialmente quando, para atingimento do atofim, impõemse a prática de outros atos correlatos, de verdadeiro auxílio, de natureza instrumental, sem os quais não se chegaria ao objetivo final. Assim, o ato meio, sendo parte integrante do ato cooperado, é também ato cooperado, valendo dizer que não existirá o ato cooperadofim (prestação de serviços médicos à coletividade), se não se praticar o ato cooperadomeio (exames, internações, medicamentos, etc.) pois este é o pressuposto daquele. A recorrente, por não dispor de hospitais, ambulatórios, clínicas especializadas para o atendimento dos pacientes usuários, valese dos serviços credenciados para o atendimento, os quais são integrados ao sistema através de contratação regularmente formalizada, sendo, por essa razão, não uma finalidade última da cooperativa, mas um meio indispensável ao atendimento médico. Ainda, visando à plena satisfação de seus cooperados e usuários, celebra contratos diretamente com diversos laboratórios, hospitais e afins, para que estes passem a participar da realização do ato cooperativo, prestando os serviços que lhe são próprios de forma a viabilizar a atividade desenvolvida por seus sócios. Por esse motivo, o fornecimento de medicamentos a preço de custo, feito em nome dos médicos cooperados, é ato cooperado. Ou seja, não é a recorrente quem adquire os Fl. 5DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/12/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.001588/200601 Acórdão n.º 110300.587 S1C1T3 Fl. 6 6 medicamentos, mas sim os médicos cooperados, já que o dinheiro sai de suas produções. Também não há que se falar em revenda de medicamentos, mas tão somente em fornecimento desses a preço de custo, e sempre mediante apresentação de receita do médico cooperado. O produto resultante da prática de atos cooperativos – atosfim e/ou atos meio – não configura faturamento, renda ou lucro, não configurando base de cálculo para incidência de IRPJ, CSL, PIS e COFINS, pois os valores recebidos são repassados aos sócios na proporção de sua produção, sendo que a recorrente apenas os recebe. Não incidência da COFINS A recorrente é cooperativa de trabalho constituída e obediência à Lei 5.764/71, não adquire bens e serviços para utilização de terceiros, prestando serviços apenas aos associados e, portanto, sem incidência de COFINS. Cabe acrescentar que se trata a recorrente, também, de uma sociedade civil de profissão regulamentada, gozando, por outro lado, de isenção da COFINS estabelecida por força do disposto no art. 6º, I, da LC 70/91. DA DECISÃO DA DRJ E DO RECURSO VOLUNTÁRIO Em 11/12/2006, acordaram os membros da 2ª Turma de Julgamento da DRJ/Campinas, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, julgar procedentes os lançamentos, fundamentando, em síntese, o que segue. Decadência Em relação à decadência, o fato gerador do IRPJ calculado com base no lucro real ocorre no momento da apuração do resultado final do período. No anocalendário de 2001 já vigorava a regra pela qual a apuração do IRPJ com base no lucro real poderia ser feita trimestralmente ou anualmente – neste caso com recolhimentos mensais a título de estimativas. A recorrente, no anocalendário de 2001, optou pela apuração do IRPJ com base no lucro real anual. Não efetuou pagamentos estimados por se considerar enquadrada nas regras estabelecidas para as cooperativas e, por conseqüência disso, isenta de qualquer pagamento a título de imposto. Esclareçase, assim que, no caso da impugnante, o fato gerador do IRPJ, no anocalendário de 2001, ocorreu em 31/12/2001, e não mensalmente como deixou registrado em sua peça defesa. Como a recorrente não recolheu mensalmente as estimativas, a regra a ser aplicada para contagem do prazo decadencial é a do art. 173, I, do CTN. Dessa forma, tendo ocorrido o fato gerador em 31/12/2001, a partir de 1º/01/2002 poderseia efetuar o lançamento para cobrança de eventuais diferenças. E, sendo o primeiro dia do exercício seguinte o temo inicial de contagem de prazo decadencial e, sendo esse o dia 1º/01/2003, temos que a decadência para lançamento de IRPJ referente ao anocalendário de 2001 ocorreria apenas em 31/12/2007. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/12/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.001588/200601 Acórdão n.º 110300.587 S1C1T3 Fl. 7 7 Já, às contribuições parafiscais que são as contribuições ao PIS e à COFINS, são aplicáveis os comandos legais insertos na Lei 8.212/91, em especial o que dispõe o art. 45, I. Portanto, o prazo de decadência é de 10 anos, a contar da data de ocorrência do fato gerador. Ato cooperativo Concluise, pela leitura dos arts. 79, 85, 86, 87, 111, da Lei 5.764/71 e os itens 2.3.1 e 3, 3.1 a 3.5 do PN/CST 38/80, que a cooperativa de serviços médicos tem como objetivo único a prestação de serviços médicos pelos seus associados no trabalho pessoal, na clínica médica ou na cirurgia. Os argumentos expendidos pela recorrente em sentido contrário não podem ser aceitos uma vez que tal entendimento levaria à confusão entre atos de intermediação e ato cooperativo, quando é certo, que este consiste apenas na prestação de serviços médicos, nada mais. Este entendimento já se encontra solidificado na esfera administrativa, tanto pelas orientações internas expedidas pelos órgãos normativos da SRF, conforme ilustra o citado PN/CST 38/80, como pelos diversos julgados proferidos pelas Delegacias de Julgamento e pelos Conselhos de Contribuintes. Destaquese que o fato de constar no estatuto social da recorrente a previsão de prestação de serviços hospitalares ou laboratoriais por terceiros não cooperados, não é suficiente para conferir natureza cooperativa a esse ato, mesmo que a despeito do conceito legal pretendase, contratualmente, conferirlhe esse atributo. Da mesma forma, o fornecimento de medicamentos, ainda que a preço de custo, não se enquadra no conceito de ato cooperativo. Tais operações configuramse como operações mercantis e assim devem ser tratadas. Correto, portanto, o procedimento fiscal que constituiu crédito tributário devido à Fazenda Nacional, à título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS pela prática, por parte da recorrente, dos atos não cooperativos mencionados no presente processo. COFINS Ainda há que se acrescentar, com relação à alegação de que caberia, no que diz respeito à tributação da COFINS, a aplicação do disposto no art. 6º, II, da LC 70/91, e, caso não prospere a tese de ser a empresa sociedade cooperativa típica, de que se deve observar que não pode a recorrente, a seu critério exclusivo, querer que o tratamento tributário a ela dispensado varie conforme sua vontade. A recorrente é constituída sob a forma de Cooperativa – fato que não foi questionado em momento algum pela auditoria fiscal – e como tal está sujeita às regras previstas para as Cooperativas. Não pode querer a recorrente ser tratada como sociedade civil de profissão regulamentada – que possui regulamentação própria e diferente das Cooperativas – apenas pelo fato de ter tido alguns resultados, oriundos da prática de atos não cooperativos, sujeitos à tributação. Até que se prove o contrário, a recorrente é sociedade cooperativa e como tal se submete às regras vigentes para esse tipo de associação. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/12/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.001588/200601 Acórdão n.º 110300.587 S1C1T3 Fl. 8 8 Multa de Ofício – Juros de Mora (Taxa Selic) Nos presentes autos não houve caracterização de ato fraudulento ou doloso que justificasse a aplicação da multa agravada. A multa exigida de 75% se adéqua ao estabelecido, pela legislação em vigor, aos casos de lançamento de ofício. A penalidade instituída pelo art. 44, I, da Lei 9.430/96, nada mais é do que uma sanção pecuniária a um ato ilícito, qual seja, a falta de pagamento ou recolhimento de tributo devido, o seu pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, ou ainda a falta de declaração ou a apresentação de declaração inexata. Portanto, a multa de ofício, embora faça parte do crédito tributário, quando exigida, não representa tributo. E, em não sendo tributo, não se aplica a vedação do art. 150, IV, CF. Sobre a questão de que há ilegalidade na exigência de multa de ofício no patamar de 75%, bem como ilegalidade na aplicação de juros de mora calculados com base na Taxa Selic e a alegação de nulidade da autuação pelas regras estabelecidas pelo PN/CST 38/80, é de se assinalar que não cabe à esfera administrativa emitir juízo de valor a respeito de legalidade ou constitucionalidade de normas legais. A apreciação de questionamentos desse tipo é do Poder Judiciário. Cientificada da decisão em 26/02/2007 e inconformada, a recorrente apresentou recurso voluntário de fls. 1.766 a 1.830 em 21/03/2007, alegando, em síntese, o que segue. Além da reiteração das alegações contidas na impugnação, aduz a recorrente sobre: Ausência de Segregação de Receitas No relatório fiscal, a própria fiscalização reconhece que não efetuou a segregação de receitas entre atos cooperados e não cooperados, nos termos exigidos pela Lei 5.764/71. Todos os ingressos recebidos pela recorrente, típica sociedade cooperativa, foram considerados para efeitos de apuração do PIS, COFINS, CSL e IRPJ. Não obstante a recorrente entender que todos os seus atos revestem a natureza de “cooperados”, passível a segregação das supostas “receitas” tributáveis pelo prisma adotado pela fiscalização, vez que separa e especifica em toda sua escrituração os atos praticados na consecução de seus objetivos sociais. Portanto, o lançamento efetuado, diante da falta de segregação das “receitas” supostamente encontradas na contabilidade da recorrente, não possui sustentabilidade jurídica. Nulo é, pois, o lançamento fiscal e os fundamentos trazidos por meio da decisão recorrida diante da falta de segregação das “receitas”. Da ilegalidade do Arbitramento efetuado Fl. 8DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/12/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.001588/200601 Acórdão n.º 110300.587 S1C1T3 Fl. 9 9 Como também reconhece a fiscalização, a recorrente possui contabilidade regular, tanto que escriturava regularmente os livros diários e apresentava pontualmente as DIPJ referente ao período de fiscalização. O procedimento adotado pela fiscalização é causa de nulidade, pois a mesma possuía todas as informações necessárias à apuração de eventuais resultados tributáveis, não havendo necessidade da desclassificação da escrita, para fins de arbitramento do lucro. No mais, reitera as alegações já feitas em sua peça inaugural. É o relatório. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/12/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.001588/200601 Acórdão n.º 110300.587 S1C1T3 Fl. 10 10 Voto Conselheiro Marcos Takata Principio com o exame da preliminar de mérito de decadência arguida pela recorrente. Invocase a consumação do fenômeno decadencial quanto aos lançamentos de IRPJ, CSL, PIS e COFINS de fatos geradores anteriores a março de 2011, nos moldes do art. 150, § 4º, do CTN, porquanto os lançamentos se aperfeiçoaram em 22/03/06. Ab initio, é de se afastar a decadência para os lançamentos de IRPJ e de CSL que tiveram sua apuração anual. Vale dizer, a partir da Lei 9.430/96 passou a ser indiscutível que o dever legal de pagamento mensal (aos optantes por esse regime) passou a configurar estimativa de IRPJ e de CSL, como são expressos os arts. 2º e 6º daquela lei – inclusive entitulados “Pagamento por Estimativa”. Nesse caso, o IRPJ e a CSL efetivos são somente os apurados em 31 de dezembro de cada anocalendário (ou os apurados em eventos de incorporação, fusão, cisão e dissolução e liquidação, se ocorridos em data diversa daquela). Outrossim, o fenômeno é reservável aos lançamentos de PIS e de COFINS. Fazse necessário reconhecer o entendimento veiculado pelo STJ, em sede de procedimento repetitivo. Sucede que, em face do art. 62A, caput, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF 256/09, com a alteração da Portaria MF 586/10), o julgamento no CARF se subordina ao proferido pelo STJ, em procedimento repetitivo, conforme o art. 543C do CPC – bem como ao emanado pelo STF, em julgamento de RE sob repercussão geral, nos termos do art. 543B do CPC. Em matéria de decadência de lançamento, o julgamento do REsp 973.733/SC foi afetado ao procedimento repetitivo, tendo como relator o Ministro Luiz Fux. No acórdão a esse REsp, o STJ consagrou a exegese de que o art. 150, § 4º, do CTN só é aplicável caso haja algum pagamento de tributo sujeito a lançamento por homologação; do contrário, o prazo decadencial é o do art. 173, I, do CTN. Entretanto, o mesmo acórdão do STJ, em seu dispositivo, embora faça remissão ao art. 173, I, do CTN, proclama que o termo a quo do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte ao do fato gerador! Ora, este prazo não condiz com o do art. 173, I, do CTN, pelo qual o termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado, nem com o do art. 150, § 4º, do CTN. Não diviso nos autos elementos que indiquem ter havido pagamento de PIS, nem de COFINS. Em que pese o dislate redacional contido no referido acórdão do STJ, em sede de procedimento repetitivo, diante da expressa referência ao art. 173, I, do CTN, inclusive com citações doutrinárias, pareceme que a melhor interpretação do dispositivo do acórdão é o Fl. 10DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/12/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.001588/200601 Acórdão n.º 110300.587 S1C1T3 Fl. 11 11 de reconhecer a aplicabilidade do art. 173, I, nos termos do CTN, pois a literalidade redacional do contido no mesmo dispositivo não tem ponto nenhum com termo inicial previsto no CTN. Na linha desse raciocínio, encontramse fulminados pela decadência os lançamentos de PIS e de COFINS relativos aos fatos geradores ocorridos até novembro de 1999, inclusive. Prossigo com o exame do mérito. Estruturalmente, as cooperativas, quer de trabalho, quer de produção, quer de consumo, quer de crédito, são formas organizacionais de internalização do interesse social, isto é, voltadas para dentro, e não orientadas para o mercado (externalização do interesse social). Daí se falar que os atos cooperativos, e suas conseqüentes relações (= efeitos dos atos), são interna corporis. Podese dizer, pois, que os atos corporativos são endógenos, e não exógenos aos atores sociais dessa organização. Por isso que os fatos econômicos que emanam dos atos corporativos são conformados na prestação direta de serviços pela cooperativa a seus associados. A Lei 5.764/71 disciplina as sociedade corporativas, e que em seus arts. 7º e 79 dispõem: Art. 7º. As cooperativas singulares1 se caracterizam pela prestação direta de serviços aos associados. Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Tais fatos econômicos não representam receita nem compõem o resultado (lucro ou prejuízo) da cooperativa. Justamente porque, sobre não ostentar fins lucrativos, a cooperativa, no exercício de atos corporativos, expressa forma organizacional de internalização do interesse social, não dirigida ao mercado. São esses fatos econômicos que não representam receita da cooperativa. Exatamente porque quando a cooperativa autua nesses limites, ela é simplesmente o meio para 1 Art. 6º. As sociedades cooperativas são consideradas: I singulares, as constituídas pela número mínimo de 20(vinte) pessoas físicas, sendo excepcionalmente permitida a admissão de pessoas jurídicas que tenham por objeto as mesmas ou correlatas anuidades econômicas das pessoas físicas ou, ainda, aquelas sem fins lucrativos; II cooperativas centrais ou federações de cooperativas, as constituídas de, no mínimo, 3 (três) singulares, podendo, excepcionalmente, admitir associados individuais; III confederações de cooperativas, as constituídas, pelo menos, de 3 (três) federações de cooperativas ou cooperativas centrais, da mesma ou de diferentes modalidades. (...) Fl. 11DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/12/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.001588/200601 Acórdão n.º 110300.587 S1C1T3 Fl. 12 12 que os cooperados ou associados aufiram receitas nas relações com terceiros, utilizandose da estrutura organizacional da cooperativa. Quando essa forma organizacional pratica atos econômicos com terceiros, não como representante direto ou indireto dos cooperados, a cooperativa não exerce atos cooperativos. Nesta hipótese, a cooperativa pratica atos de e com o mercado. Aí, deixando de ser exclusivamente meio da atividade dos cooperados, ela passa a apurar diretamente receitas e resultados (lucros ou prejuízos), e não os cooperados (receita e resultado diretos), ao teor da legislação brasileira. Ora, são os resultados, e por desdobramento analítico, as receitas das cooperativas que são alcançáveis pelas imposições tributárias. Tais assertivas tem amparo nos arts. 83, 85, 86, 87 e 111, da Lei 5.764/71: Art. 83. A entrega da produção do associado à sua cooperativa significa a outorga a esta de plenos poderes para a sua livre disposição, inclusive para gravála e dála em garantia de operações de crédito realizadas pela sociedade, salvo se, tendo em vista os usos e costumes relativos à comercialização de determinados produtos, sendo de interesse do produtor, os estatutos dispuserem de outro modo. Art. 85. As cooperativas agropecuárias e de pesca poderão adquirir produtos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou suprir capacidade ociosa de instalações industriais das cooperativas que as possuem. Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei. Parágrafo único. No caso das cooperativas de crédito e das seções de crédito das cooperativas agrícolas mistas, o disposto neste artigo só se aplicará com base em regras a serem estabelecidas pelo órgão normativo. Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Art. 111. Serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88 desta Lei. Pois bem. A recorrente presta serviços aos cooperados na forma de captação de clientela (atos cooperativos), mas com comercialização de planos de saúde, cujos contratantes (filiados ou usuários dos planos) pagam preço global não discriminativo, recebendo em contraprestação o direito de usar os serviços médicos de cooperados e de não Fl. 12DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/12/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.001588/200601 Acórdão n.º 110300.587 S1C1T3 Fl. 13 13 cooperados. O contratante (terceiro ou filiado) paga preço global quer use ou não os serviços médicos dos cooperados. Vejase a distinção: serviços prestados pela recorrente aos cooperados na forma de captação de clientela, e serviços prestados pela recorrente a terceiros (usuários, na comercialização de planos de saúde), na medida em que os planos permitem o direito de usar serviços médicos e utilidades conexas de não cooperados. Os primeiros são atos cooperativos, os últimos são atos não cooperativos. Existe possibilidade de o preço da comercialização de planos incluir prestação de serviços a cooperados, mas não só. A distinção pode ser sutil conceitualmente, mas existe. E, economicamente, a distinção é nítida. O contratante não paga simplesmente preço, através da cooperativa. Antes, paga preço à cooperativa, de modo que as relações econômicas relativas ao plano de saúde contratado se instalam entre o terceiro e a cooperativa, e não entre o terceiro e o cooperado. Aquela é a prestadora do serviço contratado pelo terceiro. O art. 2º, §§ 1º a 3º, do Estatuto Social da recorrente prevê que a cooperativa pode contratar em nome dos cooperados a execução de serviços para concessão de planos de assistência médica coletivos, familiares ou pessoais, atuando a cooperativa como mandatária com representação dos cooperados. Ora, à guisa da adesão ao contrato de plano de saúde, os serviços são prestados por não cooperados: chamados credenciados pessoa física, credenciados pessoa jurídica, credenciadosCDU pessoa física2, credenciadosCDU pessoa jurídica3, por laboratórios e por hospitais para serviços de internação hospitalar. Também os serviços são prestados por cooperados, e por chamados cooperados pessoas jurídicas embora estes, a rigor, não sejam cooperados (o próprio estatuto art. 4º só prevê médicos) – sendo que a recorrente atribui a qualidade de cooperado à pessoa jurídica apenas por esta manter vínculo societário com algum médico cooperado. É notório, pois, que a recorrente, ao vender os planos de saúde, não autua em nome dos cooperados, ou, no mínimo, não atua em nome só dos cooperados: não pratica atos simplesmente em contemplatio domini dos cooperados. Não por menos, as relações econômicas relativas ao plano de saúde contratado se instalam entre o usuário contratante e a cooperativa, e não entre aquele e o cooperado. Assim também se estabelecem relações jurídicas consequentes do plano de saúde entre o usuário contratante e a cooperativa. Além disso, no caso vertente, a recorrente aliena medicamentos e materiais cirúrgicos aos cooperados (médicos), aos funcionários da cooperativa e aos usuários dos planos de saúde (usuários da cooperativa), e, a partir de janeiro de 2004, também aliena produtos 2 Médicos prestadores de serviços avulços que não fazem parte do "corpo clínico" da cooperativa. 3 Empresas vinculadas aos médicos prestadores (estes, pessoas físicas avulsas). Fl. 13DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/12/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.001588/200601 Acórdão n.º 110300.587 S1C1T3 Fl. 14 14 óticos (lentes e armações), aos cooperados (médicos), aos funcionários da cooperativa e aos usuários dos planos de saúde (usuários da cooperativa). Notase que a recorrente é uma cooperativa de trabalho, não se apresentando como uma cooperativa mista. Além de não constar elementos indicadores de que se trate de uma cooperativa mista, a recorrente também não afirmara isso – tampouco demonstrara. Bem se sabe que, com o advento do art. 69 da Lei 9.532/97, as cooperativas de consumo passaram a se sujeitar à incidência tributária de IRPJ, CSL, PIS e COFINS como qualquer outra pessoa jurídica. A interpretação dada pelo Ato Declaratório Normativo COSIT 4/994 àquele dispositivo legal é no sentido de não ser ele aplicável às cooperativas mistas. Feitas essas considerações, não vejo como acolher a irresignação da recorrente quanto a ser o produto de toda sua atividade decorrência da prática de atos cooperativos. Imaginese uma cooperativa de produção que seja uma vinícola, em que os cooperados forneçam simplesmente as matériasprimas, mas o vinho seja produzido pela cooperativa. Se o vinho vendido através da vinícola cooperativa fosse ato do cooperado, haveria manifesta concorrência desleal com as indústrias de vinho, pois a cooperativa não deveria tributos, e a indústria os deveria; ou então, bastaria todas as indústrias se organizarem como cooperativa, e nenhuma “indústria” deveria tributos. No caso em dissídio, considerandose o “pacote” de serviços, utilidades e bens oferecidos ao contratante da cooperativa, em que não cooperados se colocam nessa cadeia de fornecimento, a mesma comparação pode ser feita em relação às demais operadoras de planos de saúde. A recorrente articula nulidade dos lançamentos por ausência de segregação de receitas, de modo que todos os ingressos de recursos foram considerados para imposição de IRPJ, CSL, PIS e COFINS. As exigências recaíram sobre resultado global da recorrente, o que é rechaçado pela jurisprudência do CARF. Acentua que não houve segregação das receitas de atos cooperativos e de atos não cooperativos, ao olhar de fiscalização, embora essa separação fosse possível, porquanto a recorrente mantém regular escrituração contábil com separação dos tipos de receitas. Ainda, que a recorrente jamais se esquivara de apresentar quaisquer documentos, de modo que à fiscalização competia promover tal segregação, ainda que intimando a recorrente para tanto. Nesse sentido, cita as ementas dos Acórdãos 10806.449 e 10807.687, da antiga 8ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes. 4 a) não se aplica às sociedades cooperativas mistas o disposto no art. 60 da Lei nº 9.532/97, que estabelece tratamento tributário para as sociedades cooperativas de consumo, que tenha por objeto a compra e fornecimento de bens aos consumidores; b) o termo "consumidores", referido no art. 69 da Lei nº 9.532/97, abrange tanto os nãoassociados como também os associados das sociedades cooperativas de consumo. Fl. 14DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/12/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.001588/200601 Acórdão n.º 110300.587 S1C1T3 Fl. 15 15 Permitome transcrever excerto do voto do nobre exConselheiro José Henrique Longo, relator do Acórdão 10807.687: É impositivo observar que o agente fiscal não deu oportunidade à Cooperativa para que apresentasse a segregação conforme o critério que traçou no Relatório Fiscal. Apresentase como compatível com o princípio da moralidade, que deve permear a atividade administrativa, a concessão de prazo para que o contribuinte se adeqüe ao preceito legal, se apresentar algum tipo de irregularidade formal. Com efeito, apenas na Intimação da fl. 101/102 é que se solicitou: "3) Informar se a contabilidade segrega as receitas e despesas/custos segundo a origem dos atos praticados, ou seja, atos cooperativos ou atos não cooperativos. Em caso afirmativo, apontar em quais folhas do Diário/Razão estão contabilizadas as mencionadas segregações." E a resposta da Cooperativa foi no sentido (fl. 103/106): "b) A contabilidade não segrega as receitas e despesas segundo a origem dos atos praticados, visto que somente pratica ATOS COOPERATIVOS;" E nada mais. Ora, deveria o agente fiscal no mínimo intimar a Cooperativa para que promovesse a segregação, para a apuração da correta base de cálculo (Lucro Real). Vale observar que a intimação foi apenas para informar se a Cooperativa promovia a segregação, e não para que efetuasse demonstrativo de acordo com o critério exposto no Relatório do auto de infração; além do mais, a justificativa da não segregação foi de que praticava apenas atos cooperativos. Enfim, somente na hipótese de não ser atendida a intimação para segregar o resultado é que se partiria para outra alternativa. Assim, levando em conta que está incorreto o procedimento adotado pelo agente fiscal, ao considerar o resultado global de atos cooperativos e atos não cooperativos, também não é de rigor a exigência da multa isolada com base no suposto Lucro Real dos balancetes da Cooperativa. A multa isolada é de ser cancelada. (grifos do original) Segundo soa o Termo de Verificação Fiscal, a recorrente não segregou em sua escrituração contábil as receitas e assim os resultados de atos cooperativos e de atos não cooperativos, por entender que todos os ingressos decorrem de atos cooperativos. Vejo que há intimação de 22/12/04 (fl. 153), para que a recorrente informe por escrito a que se referem os lançamentos a créditos nas contas: 312029Mensalidades; 330019Mensalidades, 330027fator moderador de consultas; 330043Serviço de inscrição; 331066Exames em Custo Operacional; 332011 Intercãmbio Unimeds; 333018Exames CDU; 336025Farmácia; 336068Outras saídas Home Care; 339059Receitas com remoção; 339067Receitas eventuais; 350010Receitas atos não cooperados. Fl. 15DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/12/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.001588/200601 Acórdão n.º 110300.587 S1C1T3 Fl. 16 16 Pois bem. Evidentemente, sendo o IRPJ (e a CSL) tributo que incide sobre a renda, expressa no lucro no caso de pessoas jurídicas, e não sobre receitas, a exigência teria de levar em consideração as despesas correspondentes ou imputáveis aos atos não cooperados. Diante da assertiva da recorrente de que todos os ingressos são decorrentes de atos cooperativos, o autuante tomou como base os custos incorridos para apuração dos resultados de atos cooperativos e de atos não cooperativos. A partir dos custos discriminados pela recorrente, e por ela devidamente esclarecidos em atendimento a intimação de 14/04/04, e das planilhas de custos igualmente apresentadas pela recorrente, o autuante adotou o critério de rateio por proporcionalidade dos custos de atos cooperativos e dos custos de atos não cooperativos. Quer dizer, frente à impossibilidade de se imputar separadamente os custos correspondentes a cada espécie de receitas, a fiscalização apurou a proporção dos custos decorrentes de atos cooperativos e de atos não cooperativos e aplicou as referidas proporções sobre as receitas, para determinação das receitas de atos cooperativos e das receitas de atos não cooperativos. Cuidase de critério de rateio inverso ao previsto no Parecer Normativo CST 73/75. No caso vertente, foram considerados como custos decorrentes de atos cooperativos os de cooperados pessoas físicas e os de intercâmbio. Esses custos representam, como se vê do Termo de Verificação Fiscal e do quadro a ele anexo (fls. 18, 19 e 25).: a) 39,8838% do total de custos (divisão daqueles custos pelos custos totais), do anocalendário de 1999; b) 37,6488% do total de custos (divisão daqueles custos pelos custos totais), do anocalendário de 2000; c) 35,3015% do total de custos (divisão daqueles custos pelos custos totais), do anocalendário de 2001; d) 37,3623% do total de custos (divisão daqueles custos pelos custos totais), do anocalendário de 2002; e) 35,0151% do total de custos (divisão daqueles custos pelos custos totais), do anocalendário de 2003; f) 32,8554% do total de custos (divisão daqueles custos pelos custos totais), do anocalendário de 2004; e g) 31,8382% do total de custos (divisão daqueles custos pelos custos totais), do anocalendário de 2005. Fl. 16DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/12/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.001588/200601 Acórdão n.º 110300.587 S1C1T3 Fl. 17 17 Assim, em relação ao anocalendário de 2004, aplicouse o percentual de 32,8554% sobre o total de receitas (exceto sobre os de venda de medicamentos e de produtos óticos), para se chegar ao valor das receitas de atos cooperativos em 2004. Aplicandose o percentual de 67,1446% (100% 32,8554%) sobre o total de receitas (exceto sobre os de venda de medicamentos e de produtos óticos), chegouse ao valor parcial de receitas de atos não cooperativos em 2004. O valor total destas em 2004 resultou da soma do referido valor com o das receitas de venda de medicamentos e de produtos óticos, para usuários da cooperativa. Notese que o autuante não considerou como receitas de atos não cooperativos o produto da venda de medicamentos e de produtos óticos aos médicos (cooperados) e aos funcionários da cooperativa. O mesmo procedimento se deu em relação aos demais anoscalendário (evidentemente, tomandose por base os percentuais e as receitas dos respectivos anos). Para efeitos de PIS e COFINS, os percentuais apurados foram aplicados sobre as receitas mensais, assim como a soma das receitas de venda de medicamentos e de produtos óticos foram as mensais. O autuante considerou que parte das receitas com planos de saúde são de atos cooperativos. Aí se divisa plenamente a não segregação das receitas de atos cooperativos e de não cooperativos pela recorrente. Assim, a utilização de critério de rateio baseada na proporção de custos de atos cooperativos e de atos não cooperativos se me afigura perfeitamente razoável e adequada. Notese que, com o critério adotado pelo autuante, apurouse, por proporção dos custos, receita de atos cooperativos contida também nas receitas com planos de saúde, pois a elas se aplicou a proporção já referida (para o anocalendário de 2004, o percentual de 32,8554%). De outra parte, não me parece despropositado reconhecer que parte das receitas com planos de saúde seja decorrência de atos cooperativos. Daí ter dito alhures que a recorrente ao vender os planos de saúde (receber mensalidades), no mínimo, não atua em nome só dos cooperados. E que o contratante (usuário), antes, paga preço (mensalidade) à cooperativa, de modo que as relações econômicas se instalam entre o contratante e a cooperativa, e não entre aquele e o cooperado. Pelo que já ficou exposto, fica evidenciado que não há exigência sobre resultado global da recorrente. É extraível do Parecer Normativo CST 73/75 a aplicação do critério de rateio de todos os custos para as receitas de atos cooperativos e não cooperativos, diante de impossibilidade de atribuição separada de custos correspondentes a receitas de atos cooperativos e não cooperativos. Reputo que a exegese contida no PN CST 73/75 lança pauta Fl. 17DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/12/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.001588/200601 Acórdão n.º 110300.587 S1C1T3 Fl. 18 18 na razoabilidade e não desborda a moldura da adequação, no contexto descrito, para a quantificação de resultados de atos cooperativos e de atos não cooperativos. Na hipótese em dissídio, diante das considerações deduzidas, o critério de rateio empregado expressa inteligência que não colide com a do Parecer Normativo CST 73/75, e que informa razoabilidade e adequação na quantificação de resultados e de receitas de atos cooperativos e de atos não cooperativos. Logo, não vejo eiva de ilegalidade no emprego do critério de rateio dos resultados e das receitas tomandose por base a proporção dos custos de atos cooperativos e de atos não cooperativos. Há alegação de ilegalidade dos lançamentos de IRPJ e de CSL, por arbitramento indevido do lucro. O equívoco aqui é palmar. Não houve arbitramento algum do lucro. A recorrente se colocou sob o regime do lucro real. Ocorre que, conforme a Ficha 9A de suas DIPJ/05, o lucro líquido do exercício fora de R$ 268.047,22 e houve a exclusão desse total (na linha 36 de “Outras Exclusões”) para determinação do lucro real, que resultou igual a zero. O mesmo se deu em relação aos demais anoscalendário, i.e., exclusão do total do lucro líquido, para determinação do lucro real, com este resultando em zero. O que fez o autuante? Considerou seu lucro líquido, para determinação do lucro real, e operou a glosa da exclusão de 67,1446% (o percentual da proporção já mencionado) em relação ao ano calendário de 2004. Ou seja, tomou como correta a exclusão do lucro líquido de 32,8554% do total excluído, sendo indevida a exclusão de R$ 179.979,23 (R$ 268.047,22 x 67,1446%) para o anocalendário de 2004. A exigência de IRPJ recaiu sobre o lucro real recomposto de 2004 de R$ 179.979,23. Não se deu o arbitramento do lucro. Igual formulação foi concretizada para a determinação da CSL. Sucede que, na Ficha 17 da DIPJ/04, a recorrente informou o mesmo valor de exclusão sobre o lucro líquido, resultando na base de cálculo da CSL igual a zero. Dessa forma, o lançamento de CSL se aperfeiçoou sobre os mesmos R$ 179.979,23, para o anocalendário de 2004. Assim também se procedeu quanto ao lucro real e à base de cálculo da CSL dos anoscalendário de 2001, 2002 e 2003 (não houve lançamento para o anocalendário de 1999; para o de 2000, o lançamento se dera por meio de outro auto de infração). A meu ver, merecedor de aplausos o procedimento fiscal quanto à CSL, vez que reconheceu, corretamente, que os resultados de atos cooperativos nunca foram lucro (resultado do exercício é o lucro antes da provisão para o imposto de renda e para a contribuição social para o lucro líquido, conforme o art. 187 c/c o art. 189, caput, da Lei de Fl. 18DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/12/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.001588/200601 Acórdão n.º 110300.587 S1C1T3 Fl. 19 19 S.A.). Noutras palavras, tais valores não eram tributáveis mesmo antes da “isenção” de CSL conferida pelo art. 39 da Lei 10.865/04 sobre os resultados de atos cooperativos. Sobre isso já tive oportunidade de dizer no Acórdão 140200.82 (do qual fiz o voto vencedor): Nesse sentido, o art. 39, caput, da Lei 10.865/04 não traz inovação jurídica, ao que já preconizava a Lei 5.764/71. Tenho como inevitável essa conclusão, numa interpretação sistemática e finalística e, sobretudo, porque o contrário seria dar carta branca ao legislador para deitar por terra retroativamente tudo o que ele mesmo já legislou, com consequente insegurança jurídica. Nessa toada, bastaria o legislador criar nova lei e dizer o que já tinha dito antes, para com isso pretender extrair a exegese de que, então, o que havia sido dito antes “não era” e só passou a “ser” a partir da nova lei. Feitas essas ponderações, não entrevejo nulidade com ofensa ao art. 142 do CTN, nos lançamentos de IRPJ e de CSL. E, na mesma senda, para as exigências de PIS. A recorrente alega isenção da COFINS conforme o art. 6º, I, da Lei Complementar (LC) 70/91 e que esta não pode ser revogada por lei ordinária (Lei 9.718/98). A bem ver, o art. 6º, I, da LC 70/91 não foi revogado pela Lei 9.718/98, mas pelo art. 23, II, “a”, da Medida Provisória 1.8586/99 (atual art. 93, II, “a”, da Medida Provisória 2.15835/01). Apenas obter dictum: particularmente não diviso ofensa na revogação da isenção concedida pela LC 70/91 por lei ordinária, porquanto aquela não é lei materialmente complementar, mesmo na dicção original do art. 195, I, da Constituição Federal (CF). Se a fosse, é claro que, por ser matéria reservada a lei complementar (ratione materiae), só poderia ser alterada por lei de mesma estatura. Sendo apenas formalmente lei complementar, nada há que objete sua alteração por lei ordinária (ou por norma legal que tenha status de lei ordinária). E é pacífica a jurisprudência de que lei ordinária basta para instituir contribuições sociais da seguridade social que não sejam de competência “residual” (do art. 195, § 4º, da CF). Mas, como disse, faço essas colocações só obter dictum. De todo modo, é desnecessário ingressar nessa discussão, pois a isenção conferida pelo art. 6º, I, da LC 70/91 alcançava somente os ingressos decorrentes de atos cooperativos, e a exigência fiscal recai sobre receitas de atos não cooperativos. Outrossim, igualmente para a COFINS não entrevejo nulidade com ofensa ao art. 142 do CTN e tampouco com embaraço em isenção conferida às cooperativas de trabalho. Por força das razões deduzidas, no mérito, nego provimento ao recurso sobre os lançamentos de IRPJ, CSL, PIS e COFINS. Invoca a recorrente, ainda, ilegalidade da taxa Selic dos juros moratórios sobre os tributos devidos e inconstitucionalidade da multa de ofício de 75%. Fl. 19DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/12/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.001588/200601 Acórdão n.º 110300.587 S1C1T3 Fl. 20 20 A aplicabilidade da taxa Selic para juros moratórios já é questão sumulada pelo CARF, conforme o enunciado de sua Súmula nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Sobre a constitucionalidade da multa de ofício de 75%, tratase de matéria cujo enfrentamento é defeso a este órgão julgador, conforme o art. 26A do Decreto 70.235/72 c/ a redação da Lei 11.941/09, o art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF5, e a Súmula CARF nº 26. Por conseguinte, nego provimento ao recurso sobre as questões dos juros moratórios à taxa Selic e da multa de ofício de 75%. Sob essa ordem de considerações e juízo, dou provimento parcial para reconhecer a decadência dos lançamentos de PIS e de COFINS sobre fatos geradores de janeiro a novembro de 1999. É o meu voto. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator 5 Aprovado pela Portaria MF 256/09. 6 Conforme consolidação das Súmulas do antigo Conselho de Contribuintes e do atual CARF, dada no Anexo II da Portaria CARF 49/10. Fl. 20DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/12/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10821.000801/2004-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2000
IRPF. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4°, DO CTN. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. FATO GERADOR EM 31 DE DEZEMBRO DO ANO CALENDÁRIO.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações.
No presente caso, não houve pagamento antecipado, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 173, inciso I, do CTN, que fixa o marco inicial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário Súmula CARF nº 38.
Assim, o lançamento de ofício somente pode ocorrer no primeiro dia do ano-calendário seguinte, e o termo inicial da contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do segundo ano-calendário
a partir da ocorrência do fato gerador.
No caso, como o lançamento se refere ao ano-calendário de 1999, diante da ausência de antecipação de pagamento, o prazo decadencial se iniciou em 01/01/2001 e terminou em 31/12/2005. Como a ciência do lançamento se deu em 15/12/2004, o crédito tributário não havia sido fulminado pela decadência IRPF SOBRE RENDIMENTOS OMITIDOS. APURAÇÃO MENSAL E TRIBUTAÇÃO ANUAL.
O fato gerador do IRPF é complexivo anual, só se aperfeiçoando em 31 de dezembro do ano-calendário.
E, apesar do imposto ser devido mensalmente, a tributação definitiva das receitas auferidas ocorre apenas na declaração anual de ajuste, em conjunto com os demais rendimentos, nos termos do art. 2o da Lei nº 8.134, de 1990.
Desta forma, correto o auto de infração que lançou os rendimentos omitidos mensalmente, mas que os totalizou para efetuar a tributação no final do exercício.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL.
O art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas.
Trata-se de presunção legal onde, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26).
Hipótese em que o recorrente não logrou comprovar a origem da maioria dos depósitos bancários incluídos no lançamento.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM COMPROVADA. IMPOSSIBILIDADE.
Se os depósitos tiverem sua origem esclarecida e correspondam a
rendimentos omitidos devem ser lançados de acordo com sua natureza, nos termos do §2o do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, pois o uso da presunção legal deve se restringir aos depósitos sem comprovação.
No caso, a fiscalização identificou que parte dos créditos se referia à venda de ouro e à corretagem de ações, mas manteve a tributação como depósitos de origem não comprovada.
APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI No 10.174, 2001. POSSIBILIDADE.
O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se
retroativamente Súmula CARF nº 35.
Preliminar de decadência rejeitada.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2101-001.438
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir R$3.486.024,95 da base de cálculo do tributo lançado.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Jose Evande Carvalho Araújo
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DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. FATO GERADOR EM 31 DE DEZEMBRO DO ANO CALENDÁRIO. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No presente caso, não houve pagamento antecipado, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 173, inciso I, do CTN, que fixa o marco inicial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário Súmula CARF nº 38. Assim, o lançamento de ofício somente pode ocorrer no primeiro dia do ano calendário seguinte, e o termo inicial da contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do segundo anocalendário a partir da ocorrência do fato gerador. No caso, como o lançamento se refere ao anocalendário de 1999, diante da ausência de antecipação de pagamento, o prazo decadencial se iniciou em 01/01/2001 e terminou em 31/12/2005. Como a ciência do lançamento se deu em 15/12/2004, o crédito tributário não havia sido fulminado pela decadência. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 31/ 01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10821.000801/200405 Acórdão n.º 2101001.438 S2C1T1 Fl. 328 2 IRPF SOBRE RENDIMENTOS OMITIDOS. APURAÇÃO MENSAL E TRIBUTAÇÃO ANUAL. O fato gerador do IRPF é complexivo anual, só se aperfeiçoando em 31 de dezembro do anocalendário. E, apesar do imposto ser devido mensalmente, a tributação definitiva das receitas auferidas ocorre apenas na declaração anual de ajuste, em conjunto com os demais rendimentos, nos termos do art. 2o da Lei nº 8.134, de 1990. Desta forma, correto o auto de infração que lançou os rendimentos omitidos mensalmente, mas que os totalizou para efetuar a tributação no final do exercício. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. O art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas. Tratase de presunção legal onde, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26). Hipótese em que o recorrente não logrou comprovar a origem da maioria dos depósitos bancários incluídos no lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM COMPROVADA. IMPOSSIBILIDADE. Se os depósitos tiverem sua origem esclarecida e correspondam a rendimentos omitidos devem ser lançados de acordo com sua natureza, nos termos do §2o do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, pois o uso da presunção legal deve se restringir aos depósitos sem comprovação. No caso, a fiscalização identificou que parte dos créditos se referia à venda de ouro e à corretagem de ações, mas manteve a tributação como depósitos de origem não comprovada. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI No 10.174, 2001. POSSIBILIDADE. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente Súmula CARF nº 35. Preliminar de decadência rejeitada. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 31/ 01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10821.000801/200405 Acórdão n.º 2101001.438 S2C1T1 Fl. 329 3 Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir R$3.486.024,95 da base de cálculo do tributo lançado. (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Célia Maria de Souza Murphy, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 04 e 226 a 235, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2000, para lançar infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$1.827.152,32, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 241 a 260), acatada como tempestiva. O relatório do acórdão de primeira instância resumiu os argumentos do recurso da seguinte maneira (fl. 272): 1. É ilegal a utilização de dados obtidos pela Receita Federal junto a rede bancária, relativos a CPMF, para aplicálos a fatos geradores de outros tributos, já que a redação do art. 11 §3º da Lei nº 9.311/1996, em vigor até 2001, vedava a utilização de dados da CPMF para lançamento de outros impostos e contribuições. 2. Quanto à comprovação da origem dos valores relacionados no item 01 do Termo de Constatação Fiscal (às fls. 226), entende o contribuinte que atendeu o que lhe fora pedido. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 31/ 01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10821.000801/200405 Acórdão n.º 2101001.438 S2C1T1 Fl. 330 4 3. Requer que lhe seja oportunizado prazo para apresentar outras comprovações, as quais já foram solicitadas, conforme comprovam documentos anexos (às fls. 257 / 259). 4. Com relação ao item 02 do Termo de Constatação Fiscal é necessário salientar que o contribuinte informou serem as Notas de Corretagem compostas por cheques provenientes de sua conta corrente no Banco Safra, indicando os respectivos números e consignando que as diferenças seriam esclarecidas. Porém o Sr. Fiscal autuou o contribuinte de forma abrupta. Não procurou a verdade material dos fatos tornando ilegal o ato fiscalizatório, pelo menos quanto a esse item, do qual desde já é solicitada a sua reparação, ainda mais considerando que foram requisitadas cópias dos referidos cheques junto ao Banco Safra. 5. Em relação aos itens 03 e 04 do Termo de constatação Fiscal, foram anexadas declarações às fls. 211 e 225 que comprovam a origem de vários depósitos, sendo estas desconsideradas pelo fiscal, apesar de apresentarem firma reconhecida das pessoas às quais pertenciam os valores, no caso pai e irmã do contribuinte. 6. Quanto ao item 05 de fls.227, que trata de créditos pertencentes às empresas ACCA Participações SC Ltda e Operacional Administradora de Empresas SC Ltda, o Sr. Fiscal também não agiu na busca da verdade material e da real base de cálculo do IRPF, já que, embora o contribuinte tenha informado não possuir a documentação acerca dos valores que lhe foram repassados por essas duas empresas, não deixou de identificálas perfeitamente, inclusive com o número dos respectivos CNPJ. 7. Conforme estabelecem o art. 42, §4º da Lei nº 9.430/1996 e o art. 849, §1º, inciso I do RIR, aprovado pelo Decreto 3.000/1999, a base de cálculo do imposto de renda da pessoa física é mensal e não anual, não permitindo a lei que o Sr. Fiscal some as receitas tidas como omitidas e proceda ao lançamento com data de 30/04/2000. 8. Conforme dispõe o art. 849, §3º do RIR, tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, podendose deduzir disto que a tributação tratada se refere ao período mensal como fato gerador e, portanto, no caso, já decaídos os meses de janeiro a outubro de 1999. Assim, considerase nulo o crédito tributário lançado após a sua decadência, pois não é lícito ao fisco lançar o tributo já decaído, como ocorrido no caso e, em especial, porque lançado de forma global, em total desobediência ao citado regulamento. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 269 a 284): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1999 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A não comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem de recursos creditados em contas bancárias ou de Fl. 340DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 31/ 01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10821.000801/200405 Acórdão n.º 2101001.438 S2C1T1 Fl. 331 5 investimentos, remete à presunção legal de omissão de rendimentos e autoriza o lançamento do imposto correspondente, conforme dispõe a Lei nº 9.430 / 1996. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. DO PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. A prova documental deve ser apresentada quando da interposição da impugnação, precluindo o direito da contribuinte em fazêlo em momento processual diverso. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. FATOGERADOR. O imposto de renda pessoa física é tributo de fato gerador complexivo, apurado em ajuste anual. Rendimentos presumidamente omitidos com base no art. 42, da Lei n.º 9.430/96, tem origem desconhecida e não podem ser considerados de tributação exclusiva ou definitiva, únicas hipóteses, no caso de IRPF, de ocorrência de fato gerador mensal. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Lançamento Procedente RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 30/01/2009 (fl. 291), o contribuinte apresentou, em 2/3/2009, o recurso de fls. 298 a 316, onde afirma: a) que os documentos de fls. 211 e 225, onde o Sr. José Alcides de Queiroz Alves e a Sra. lzabel de Queiroz Alves assumem a propriedade de alguns depósitos por eles efetuados na conta do fiscalizado, comprovam a origem desses créditos, e que, pela relação familiar com essas pessoas, devese considerar essas declarações como provas idôneas; b) que os depósitos efetuados em suas contas correntes bancárias pertenciam a terceiros, e que ele os recebia para aplicação, e posterior pagamento aos clientes ou a quem estes indicassem; Fl. 341DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 31/ 01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10821.000801/200405 Acórdão n.º 2101001.438 S2C1T1 Fl. 332 6 c) que, na medida em que no ano de 1999 não havia lei que permitisse o lançamento de outros tributos com base na movimentação financeira dos contribuintes, ele não possuía documentos (papéis) que pudessem comprovar a origem dos recursos depositados em sua conta corrente, organizados de forma a comprovar os requisitos da legislação, seja do IRPF ou de outros tributos ou contribuições; d) a irretroatividade da Lei 10.174/2001, sendo ilegal a utilização de dados obtidos pela Receita Federal junto a rede bancária, relativos à CPMF, para aplicálos a fatos geradores de outros tributos; e) que, por ser pessoa física, não estava obrigado à escrituração contábil, e que não possuía a documentação da época, tendo prestado as informações como base em seus apontamentos, tendo solicitado à autoridade fiscal que checasse esses fatos, mas que ela simplesmente ignorou os esclarecimentos; f) nesse sentido, que os esclarecimentos prestados são suficientes para comprovar a origem dos valores R$ 1.509.139,35, R$ 754.494,75, R$ 757.641,60 e R$ 500.000,00 (item 01 das fls. 226); que, com relação ao item 02 do Termo de Constatação Fiscal, informou que as Notas de Corretagem foram compostas por cheques provenientes de sua conta corrente no Banco Safra, indicando os números deles e consignando que as diferenças seriam esclarecidas, fls. 210; e que, quanto ao item 05 de fls. 227, identificou os créditos pertencentes às empresas ACCA Participações SC Ltda e Operacional Administradora de Empresas SC Ltda, das quais não possuía documentação acerca dos valores que lhe foram repassados porque mantinha relação de confiança; g) que o Fiscal, quando quis, requereu ao Banco Safra cópia dos cheques juntados às fls. 86/151, demonstrando que poderia têlo feito também com relação aos cheques do próprio Recorrente que transitaram do Banco Safra para o CCF Brasil, conforme indicado às fls. 210, com o fito de abatêlos da base de cálculo do Auto de Infração; h) que a base de cálculo do imposto de renda da pessoa física é mensal e não anual, sendo incorreto o lançamento de todas as receitas omitidas em com data de 30/04/2000, e que a autoridade fiscal deveria têlo intimado a apresentar as deduções legais permitidas pela legislação pertinente, como as parcelas devolvidas e ou transferidas a seus clientes; i) que a decadência é mensal, estando decaídos os meses de janeiro a outubro de 1999. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 325, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, contendo ainda o despacho de fl. 326, sem numeração, que devolve o processo para sorteio por seu valor extrapolar o limite de alçada da Turma Especial. É o relatório. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 31/ 01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10821.000801/200405 Acórdão n.º 2101001.438 S2C1T1 Fl. 333 7 Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Tratase de lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada no anocalendário de 1999, com base no art. 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Preliminar de decadência: Preliminarmente, o contribuinte pugna pela decadência do lançamento, alegando que omissão de rendimentos com base em depósitos bancários é tributada mensalmente, e que por isso o prazo decadencial é contado a partir de cada mês, estando decaídos meses de janeiro a outubro de 1999. Sem razão o recorrente. O art. 42, §2o e 4o, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, determina que os rendimentos omitidos serão considerados auferidos ou recebidos no mês do crédito efetuado pela instituição financeira e, tratandose de pessoa física, tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Mas, apesar do imposto ser devido mensalmente, a tributação definitiva ocorre apenas na declaração anual de ajuste, em conjunto com os demais rendimentos, nos termos do art. 2o da Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990. Como o fato gerador do imposto de renda é complexivo anual, ele só se aperfeiçoa em 31 de dezembro do anocalendário. Esse entendimento está pacificado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais com a publicação da Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Esclareçase também que a contagem da decadência nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação deve seguir o decidido no Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009 na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, nos termos do art. 62A do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Assim a regra do art. 150, §4o, do CTN, que, determina o marco inicial da decadência na ocorrência do fato gerador, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito Fl. 343DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 31/ 01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10821.000801/200405 Acórdão n.º 2101001.438 S2C1T1 Fl. 334 8 passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, que fixa essa data no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou no dia em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, nos demais casos. Neste processo, verifico que não existiu antecipação de pagamento, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 173, inciso I, do CTN, que fixa o marco inicial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Como o lançamento de ofício somente pode ocorrer no primeiro dia do ano calendário seguinte, o termo inicial da contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do segundo anocalendário a partir da ocorrência do fato gerador. Desta forma, como o lançamento se refere ao anocalendário de 1999, diante da ausência de antecipação de pagamento, o prazo decadencial se iniciou em 01/01/2001 e terminou em 31/12/2005. Como a ciência do lançamento se deu em 15/12/2004 (fl. 239), não se verifica a decadência de nenhuma parcela do crédito tributário lançado. Observese que, mesmo se fosse utilizada a regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador, ainda assim o lançamento teria sido efetuado tempestivamente, pois a contagem do prazo decadencial teria se iniciado em 31/12/1999 e terminado em 31/12/2004. Desta forma, rejeito a preliminar de decadência suscitada. Apuração anual do IRPF: O recorrente afirma que a base de cálculo do imposto de renda da pessoa física é mensal e não anual, sendo incorreto o lançamento de todas as receitas omitidas em com data de 30/04/2000. De início, devese observar que 30/04/2000 é data de vencimento do tributo com fato gerador no ano de 1999, nos termos do Demonstrativo de Apuração de fl. 232. Como já explicado, o fato gerador do IRPF é complexivo anual, só se aperfeiçoando em 31 de dezembro do anocalendário. E, apesar do imposto ser devido mensalmente, a tributação definitiva das receitas auferidas ocorre apenas na declaração anual de ajuste, em conjunto com os demais rendimentos, nos termos do art. 2o da Lei nº 8.134, de 1990. Desta forma, correto o auto de infração que lançou os rendimentos omitidos mensalmente, mas que os totalizou para efetuar a tributação no final do exercício. Lançamento com base em depósitos bancários: Como já explicado, o lançamento se deu com base no art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, abaixo transcrito: Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de Fl. 344DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 31/ 01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10821.000801/200405 Acórdão n.º 2101001.438 S2C1T1 Fl. 335 9 investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Acrescentese que os limites do inciso II do § 3º foram alterados para R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente, pelo art. 4o da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 31/ 01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10821.000801/200405 Acórdão n.º 2101001.438 S2C1T1 Fl. 336 10 Assim, vêse que a lei criou uma presunção legal de omissão de receita, que se caracteriza quando o titular de conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, após regular intimação, não comprove a origem dos recursos creditados nessas contas, mediante documentação hábil e idônea. Por isso, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos. No caso, verifico que a autoridade fiscal intimou devidamente o contribuinte a apresentar seus extratos bancários (fls. 05 a 07), que, diante da demora do contribuinte, eles foram obtidos diretamente com a instituição bancária (fls. 08 a 151), e que, depois de totalizar os depósitos, a Fiscalização intimou o sujeito passivo a justificar sua origem (fls. 152 a 160), tendo sido lavrado o auto de infração com os depósitos sem origem justificada. Isso comprova a correta adequação do procedimento fiscal aos termos da lei. Essa explicação afasta também o argumento de que não se poderia utilizar os depósitos bancários como omissão de receitas sem que se estabelecesse um vínculo entre os recursos depositados e alguma receita não escriturada, devendose ressaltar que essa interpretação está definitivamente sepultada na esfera administrativa desde a edição da Súmula CARF nº 26, que possui o seguinte enunciado: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Assim, após devidamente intimado a esclarecer a origem dos depósitos, passou a ser do recorrente o ônus dessa comprovação, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores com os depósitos bancários. Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas. Retroatividade da Lei 10.174: A Lei no 10.174, de 9 de janeiro de 2001, alterou o art.11, §3o, da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996, passando a permitir o uso das informações da CPMF para se instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. O recorrente defende que essa lei não pode ter aplicação retroativa. Entretanto, essa matéria já está pacificada no âmbito do CARF em sentido contrário ao defendido no recurso desde a publicação da Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 31/ 01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10821.000801/200405 Acórdão n.º 2101001.438 S2C1T1 Fl. 337 11 A esta súmula foi dado efeito vinculante em relação à Administração Tributária Federal pela Portaria MF nº 383, de 12 de julho de 2010. Origem dos depósitos: O recorrente alega que os depósitos efetuados em suas contas correntes bancárias pertenciam a terceiros, e que ele os recebia para aplicação e posterior pagamento aos clientes ou a quem estes indicassem, mas que, na medida em que no ano de 1999 não havia lei que permitisse o lançamento de outros tributos com base na movimentação financeira dos contribuintes, ele não possuía documentos (papéis) que pudessem comprovar a origem dos recursos depositados. Acrescenta que, como também não estava obrigado à escrituração contábil e não possuía a documentação da época, prestou as informações como base em seus apontamentos, tendo solicitado à autoridade fiscal que checasse esses fatos, mas que essa simplesmente ignorou o pedido. Entretanto, já foi explicado que, após a intimação fiscal para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, ocorre uma inversão do ônus da prova, cabendo ao contribuinte o dever de apresentar documentos comprobatórios. Assim, não é possível transferir ao Fisco o ônus da prova atribuído pela lei ao sujeito passivo. Passo a analisar as provas apresentadas. Após intimado a justificar seus depósitos pelo Termo de Constatação e de Intimação Fiscal de fls. 190 a 197, o recorrente apresentou as explicações e documentos de fls. 200 a 225. O Termo de Constatação Fiscal de fls. 226 a 230 analisa e rejeita cada uma das provas apresentadas. O julgador a quo não tece maiores comentários sobre os documentos trazidos ao processo. Em sua impugnação e em seu recurso voluntário, o sujeito passivo pugna pela aceitação da provas acostadas aos autos. Analiso, a seguir, cada item separadamente. a) Recebimentos das empresas ACCA Participações S/ C Ltda e Operacional Administradora de Empresas S/C Ltda: Nas fls. 201 a 206, consta extrato de Livro Razão de André Queiroz Alves da conta “2.1.3.01.002 RECEB.P/CONTA E ORDEM ACCA”, que o recorrente diz se referir à empresa ACCA Participações S/ C Ltda, CNPJ no 55.795.181/000181. Tal extrato inclui como créditos os valores efetivamente depositados na contacorrente do Banco Safra do fiscalizado, e tributados no lançamento, com o histórico “REC. SPAL/COCA COLA POR CONTA E ORDEM ACCA PARTICIPACOES S/C. LTDA.”. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 31/ 01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10821.000801/200405 Acórdão n.º 2101001.438 S2C1T1 Fl. 338 12 Já a fl. 207 traz extrato da conta “2.1.3.01.003 RECEB.P/CONTA E ORDEM – DIRLEI”, que o contribuinte diz se referir à empresa Operacional Administradora de Empresas S/C Ltda., CNPJ no 02.632.054/000103, onde os créditos estão descritos como “VALOR REFERENTE DEPOSITO CFE. EXTRATO P/CONTA E ORDEM DIRLEI ALFREDO” e correspondem a depósitos lançados na conta do Banco Safra. Do mesmo modo, os valores debitados nessas contas do Livro Razão correspondem a cheques emitidos na mesma conta corrente. A Fiscalização analisou essas provas no item 5 do Termo de Constatação Fiscal, concluindo que não comprovavam a alegação de que o contribuinte realizava aplicações de rendimentos para essa empresa, e que os cheques que deveriam devolver os recursos para o aplicador na verdade foram emitidos para outras pessoas. Penso que a documentação apresentada não é suficiente para comprovar a origem desses depósitos e afastar a presunção de omissão de receitas. É verdade que o Livro Razão serve como indício de que o contribuinte exercia algum tipo de atividade comercial. Mas é também evidente a intenção do recorrente em ocultar essa atividade. Vejase que a apresentação desse livro vai frontalmente contra a assertiva de que não possuía escrituração contábil. Ora, a simples apresentação dos documentos que embasaram a contabilidade obrigaria a Fiscalização a direcionar a ação fiscal para a pessoa jurídica, onde se efetuaria um lançamento mais razoável. De modo contrário, a defesa optou por apenas indicar que os recursos possuíam outra origem com vistas a se evadir completamente da tributação de direito. A explicação de que não possuía documentação devido à relação de confiança com essas empresas é contrária ao senso comum, em especial pelo volume das operações envolvidas e pela própria existência de contabilidade escriturada. Não é possível se chancelar esse comportamento. Acrescentese que as saídas das contas do Razão correspondem aos cheques de fls. 86 a 151, que foram emitidos a diversas pessoas, inclusive ao próprio fiscalizado (fl. 126), quase todas diferentes dos proprietários da conta, o que demonstra a fragilidade das explicações fornecidas. b) Declarações de José Alcides de Queiroz Alves e Izabel de Queiroz Alves: O contribuinte busca justificar a origem de alguns depósitos com a declaração de fl. 211, onde a Sra. lzabel de Queiroz Alves afirma que os depósitos indicados foram por ela efetuados na conta corrente de seu irmão no Banco Safra para pagamento de suas contas, e com a declaração de fl. 225, onde o Sr. José Alcides de Queiroz Alves revela que os depósitos apontados foram por ele feitos na conta corrente de seu filho no Banco Safra com o objetivo de aplicação e posterior resgate a sua ordem. O Termo de Constatação analisa esses documentos nos seus itens 3 e 4, rejeitandoos por não estarem acompanhados de nenhum tipo de prova dos fatos. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 31/ 01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10821.000801/200405 Acórdão n.º 2101001.438 S2C1T1 Fl. 339 13 O recorrente alega que os declarantes são pessoas idôneas, e que se deve presumir a verdade de suas assertivas. Acrescenta que, por se tratarem de familiares, é natural não possuir documentos das operações. Entretanto, não é possível se admitir que simples declarações afastem a presunção legal, em especial quando não se trouxe aos autos comprovação de que esses valores foram aplicados, nem que posteriormente foram resgatados e devolvidos ao investidor, no caso do pai, ou que foram utilizados para o pagamento de contas, no caso da irmã, provas que não seriam difíceis de se produzir. c) Notas de Corretagem e venda de ouro: O recorrente busca comprovar a origem de alguns depósitos com os recibos de fls. 212 a 216 e 220, que comprovam pagamentos de CCF DRASIL CTVM referentes à “OURO BALCÃO” e “NOTA CORRET.ACOES”, conforme a tabela abaixo: Data Valor Referente 25/3/1999 1.509.139,35 Ouro Balcão 26/3/1999 754.494,75 Ouro Balcão 29/3/1999 757.641,60 Ouro Balcão 22/9/1999 2.731.494,30 Ouro Balcão X 10/5/1999 76.886,12 Nota Corret. Ação 17/5/1999 108.725,13 Nota Corret. Ação 28/5/1999 13.700,13 Nota Corret. Ação 30/6/1999 130.548,57 Nota Corret. Ação X 18/8/1999 195.192,11 Ouro Balcão 30/9/1999 18.274,75 Nota Corret. Ação 8/10/1999 70.545,55 Ouro X Todos esses valores correspondem a depósitos na conta do Banco CCFBRASIL. Entretanto, nem todos fazem parte do lançamento, pois a Fiscalização fez a conciliação com a outra conta do Banco Safra, eliminando os valores transferidos. Assim, as ocorrências indicadas com um X ao lado não correspondem a depósitos lançados. Além desses documentos, consta ainda Termo Aditivo ao Instrumento Particular de Contrato de Venda e Compra de Ouro, relativo à venda de ouro em valor não constante do lançamento (fls. 217 a 219). A Fiscalização analisou esse documentos nos itens 1 e 2 do Termo de Constatação Fiscal, mas considerou que as notas de corretagem não identificam qual a origem dos depósitos. Nesse aspecto, penso que o agente fiscal andou mal ao lançar esses valores como depósitos bancários de origem não comprovada. Está evidenciada qual a origem dos créditos: a venda de ouro e a corretagem de ações. Isso porque o §2o do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, determina que os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de Fl. 349DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 31/ 01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10821.000801/200405 Acórdão n.º 2101001.438 S2C1T1 Fl. 340 14 cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Em outras palavras, os depósitos que tiverem sua origem comprovada, mas que correspondam a rendimentos omitidos, devem ser lançados a esse título. O uso da presunção do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, deve se restringir aos depósitos sem origem comprovada. Desta forma, há que se afastar a tributação dos seguintes depósitos: Data Valor Referente 25/3/1999 1.509.139,35 Ouro Balcão 26/3/1999 754.494,75 Ouro Balcão 29/3/1999 757.641,60 Ouro Balcão 7/5/1999 51.971,01 Nota Corret. Ação 10/5/1999 76.886,12 Nota Corret. Ação 17/5/1999 108.725,13 Nota Corret. Ação 28/5/1999 13.700,13 Nota Corret. Ação 18/8/1999 195.192,11 Ouro Balcão 30/9/1999 18.274,75 Nota Corret. Ação TOTAL 3.486.024,95 Observese que acrescentei aos depósitos a serem excluídos aquele de R$51.971,01, efetuado em 07/05/1999, que corresponde ao único depósito lançado da conta do CCFBRASIL (fl. 230) para o qual não se apresentou a nota de corretagem, pois possui a mesma descrição de operação no histórico do extrato (fl. 179), e deve seguir o mesmo destino dos demais depósitos. Mandados de Levantamento Judicial: O recorrente também indica como origem dos créditos os levantamentos de depósito judicial do Espólio de Domenico Ricciardi Maricondi nos valores de R$ 15.271.419,93, em 23/03/1999, e de R$ 2.741.474,47, em 22/09/1999. Entretanto, como bem analisado no item 01 do Termo de Constatação Fiscal, não existem depósitos nesses valores e datas que possam ser associados a esses levantamentos judiciais, pelo que não se admite o argumento. Conclusão: Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir R$3.486.024,95 da base de cálculo do tributo lançado. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 350DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 31/ 01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10821.000801/200405 Acórdão n.º 2101001.438 S2C1T1 Fl. 341 15 Fl. 351DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 31/ 01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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