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Numero do processo: 19515.002617/2006-91
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2002
RECURSO VOLUNTÁRIO. REQUISITO DE ADMISSIBILIDADE.
É inadmissível o recurso voluntário interposto, quando a decisão recorrida se assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não ataca todos eles.
Numero da decisão: 1803-001.361
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente,
justificadamente, a Conselheira Meigan Sack Rodrigues.
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2002 RECURSO VOLUNTÁRIO. REQUISITO DE ADMISSIBILIDADE. É inadmissível o recurso voluntário interposto, quando a decisão recorrida se assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não ataca todos eles. Fl. 1369DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.002617/200691 Acórdão n.º 180301.361 S1TE03 Fl. 248 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Meigan Sack Rodrigues. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Viviani Aparecida Bacchmi. Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.002617/200691 Acórdão n.º 180301.361 S1TE03 Fl. 249 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 158 a 163): Trata o presente processo administrativo fiscal de Auto de Infração (fls. 116 a 118) relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, exercício 2002, anocalendário 2001, lavrado em 28/11/2006 (fl. 116), resultante de representação fiscal elaborada pela DERAT/DIORT/SP (processo 16143.000040/200661), mediante processamento das opções feitas pela pessoa jurídica, acima indicada, em investimentos regionais, do qual se apurou pagamento a menor de IRPJ, em virtude da constatação de excesso na destinação feita ao FINOR, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal de fls. 109 a 112. O crédito tributado lançado foi de R$ 170.060,16 (cento e setenta mil, sessenta reais e dezesseis centavos), conforme abaixo demonstrado: [...]. 2. O procedimento fiscal de revisão da declaração obedeceu ao disposto na Norma de Execução CORAT nº 06, de 14/09/2006, cuja cópia consta das fls. 02 a 13 do processo administrativo nº 16143.000040/200661 (Revisão de Declaração IRPJ), apensado a este processo. 3. No processo administrativo apensado nº 16143.000040/2006 61, consta que, após processamento das opções feitas pelo Contribuinte para aplicação do IRPJ em investimentos regionais, foi apurado o valor de R$ 185.556,03, relativo ao FINOR, classificado como “aplicação com recursos próprios ou subscrição voluntária”, o que indicou excesso de valor destinado ao fundo, conforme demonstrativo de fl. 01 desse processo. O valor a lançar, após diminuição do saldo negativo do imposto de renda a pagar, foi de R$ 54.360,84 (fl. 22 do processo apensado e fl. 111 dos autos do presente processo administrativo fiscal). 4. Em decorrência dos fatos acima descritos, foi lavrado auto de infração para a exigência dos valores do Imposto sobre a Renda recolhidos a menor, além da multa isolada, pelo não recolhimento do imposto sobre a base de cálculo estimada. 5. Enquadramento Legal: Art. 601, § 7º, do RIR/99; art. 13, § 7º, da Medida Provisória nº 2.058/00 e reedições. Arts. 222, 843 e 957, parágrafo único, inciso IV, do RIR/99. Art. 44 da Lei nº 9.430/96; §§ 6º e 7º do art. 4º da Lei nº 9.532/97. 6. Cientificado da autuação por via postal em 28/11/2006 (fl. 116), o interessado apresentou, em 26/12/2006, a impugnação de fls. 124 a 133, na qual faz a defesa a seguir sintetizada. 7. Inicialmente, diz o Contribuinte que os valores recolhidos mediante código de receita “6677” jamais foram contestados pela Fiscalização, o que se comprova pela Certidão Positiva de Débitos de Tributos e Contribuições Federais com Efeito de Negativa emitida em 21/05/2003. Apesar disso, sofreu a autuação, que não poderá prevalecer. Fl. 1371DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.002617/200691 Acórdão n.º 180301.361 S1TE03 Fl. 250 4 8. Fez considerações sobre o FINOR, das quais destacou que a Lei 8.167/91, em seus artigos 1º e 2º, determina a opção do contribuinte e o percentual de dedução previsto. O art. 23 dessa lei indica que a faculdade referida no art. 1º será extinta no prazo de dez anos, a contar do exercício financeiro de 1991, anobase de 1990, inclusive. Desse modo, a opção de deduzir de seu imposto de renda devido o percentual determinado em lei em favor do FINOR atingia o anocalendário de 2001. Desse modo, entende que procedeu com correção ao realizálo durante o período apreciado pela Fiscalização e referido no auto de infração objetado. Citou “esclarecimento” sobre a questão obtido no “site” da Receita Federal. 9. Em seguida, a Impugnante defendeu, em preliminar, a “prescrição” do crédito tributário, indicando que os recolhimentos foram feitos em fevereiro, março, abril, maio, junho, julho, agosto e setembro de 2001. Baseia sua tese no § 4º do art. 150 do CTN, além de citar entendimento do Superior Tribunal de Justiça favorável a sua tese. 10. Caso a questão da prescrição seja ultrapassada, ressaltou que ainda assim o auto de infração não poderia prosperar, pois não se pode falar em débitos tributários da parte da Impugnante. 11. Cita a certidão emitida em 21/05/2003 expedida a seu favor e que, como o auto concentrase em declarações realizadas no curso do ano calendário de 2001, sendo a certidão posterior ao suposto fato, não seria possível se falar em débitos fiscais da Impugnante. 12. Diante do exposto, defende a Impugnante a improcedência do auto de infração lavrado contra ela. 13. Encontrase apensado ao presente processo administrativo fiscal o processo já citado de “Revisão de Declaração”, nº 16143.000040/200661, e o de “Incentivos Fiscais – IRPJ (referente ao PERC – Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais”), processo nº 19679.010282/200441. 14. O processo nº 19679.010282/200441 apenso trata do PERC – Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais formulado pelo Contribuinte. 15. À fl. 03 desse processo, encontramos o “Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais” do exercício 2002, anocalendário 2001, emitido para o Contribuinte. Nele, verificamos que R$ 185.556,03 foram considerados aplicados pelo Contribuinte no FINOR como “recursos próprios e/ou subscrição voluntária”. Não foi reconhecido como incentivo fiscal qualquer valor aplicado ao FINOR no período considerado pelo Contribuinte, devido à existência de irregularidades fiscais indicadas nesse extrato, indicadas como abaixo: OCORRÊNCIAS 11 – CONTRIBUINTE COM DÉBITOS DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS E/OU COM IRREGULARIDADES CADASTRAIS (LEI 9069/95 ART. 60) 16 – SEM EFEITO A OPÇÃO EM DIPJ ENTREGUE APÓS 02/05/2001 PARA FUNDO DIF. DE ART. 9 DA LEI 8167/91 17 – SEM EFEITO A OPÇÃO EM DARF PAGO APÓS 02/05/2001 PARA FUNDO DIF. DE ART. 9 DA LEI 8167/91 Fl. 1372DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.002617/200691 Acórdão n.º 180301.361 S1TE03 Fl. 251 5 16. Ainda nesse processo, consta, à fl. 41, decisão administrativa proferida acerca do pedido PERC formulado pelo Contribuinte. Nela, o PERC foi indeferido pelas razões a seguir resumidas. 17. A Autoridade Administrativa afirmou que a Administração do FINOR/FINAM informou à Secretaria da Receita Federal que o Contribuinte não estava enquadrado no art. 9º da Lei nº 8.167/91, não possuindo direito ao incentivo. 18. O Contribuinte foi intimado (Intimação nº 1395, fl. 21) a apresentar declaração se possuía, conforme art. 32, IV, da MP nº 2.157/2001, e art. 9º da Lei nº 8.167/91, projeto aprovado como beneficiário das aplicações no FINOR/FINAM protocolizado antes de 02/05/2001 e em situação de regularidade. Da resposta à intimação apresentada pelo Contribuinte (fl. 23), concluiuse que o mesmo não possuía projetos próprios no FINOR/FINAM, pois a defesa foi de que não possuía débitos de tributos federais ou problemas cadastrais e a MP 2145/2001, de 02/05/2005, não se lhe aplicava, por ser posterior às cotas aplicadas no fundo. 19. Como o Contribuinte não comprovou que atendia às condições exigidas pelas normas acima citadas, o PERC foi indeferido (fl. 41). 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 156 e 157): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 Ementa: IRPJ. DECADÊNCIA. O direito de praticar o ato de lançamento extinguese após 5 anos, sendo o termo inicial de contagem do prazo o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. INCENTIVO FISCAL. FINOR. PRAZO PARA APLICAÇÃO EM PROJETOS PRÓPRIOS. A aplicação no fundo fica assegurada até o final do prazo previsto para a implantação do projeto, desde que a pessoa jurídica tenha exercido o direito até 02/05/2001 e o projeto (próprio) esteja em situação de regularidade, cumpridos todos os requisitos previstos e os cronogramas aprovados. INCENTIVOS FISCAIS. FINOR. Não confirmada pela Secretaria da Receita Federal a opção pela aplicação em fundos de investimentos regionais, mantémse a exigência do imposto equivalente àquele pago a menor em virtude de excesso de valor destinado para o fundo, que passa a ser considerado como aplicação com recursos próprios ou subscrição voluntária. ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MENOR. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO DA MULTA ISOLADA DE 75% PARA 50%. Aos valores devidos ao não recolhimento do IRPJ sobre a base de cálculo estimada, aplicase a multa isolada com o percentual de 50%, em respeito ao Princípio da Retroatividade Benigna da Lei. Lançamento Procedente em Parte. Fl. 1373DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.002617/200691 Acórdão n.º 180301.361 S1TE03 Fl. 252 6 3. Cientificada da referida decisão em 24/03/2010 (fls. 215), a tempo, em 14/04/2010, apresenta a interessada Recurso de fls. 227 a 232, instruído com os documentos de fls. 233 a 245, nele argumentando, em síntese: a) que sempre preencheu os requisitos legais exigidos por Lei para ter direito ao benefício fiscal, além de ter, outrossim, seguido todas as instruções legais reguladoras da matéria; b) que qualquer alegação do Fisco, no sentido de afastar o direito subjetivo da contribuinte de aderir ao incentivo, não deve proceder, tendo em vista, principalmente, o fato de a contribuinte já ter exercido a opção de adesão ao incentivo fiscal; c) que a certidão positiva com efeitos de negativa livra a contribuinte de quaisquer restrições ou sanções decorrentes da exigibilidade de quitação de débitos junto ao Fisco; d) que inexiste, pois, a irregularidade que levou o Fisco a entender que a contribuinte não fazia jus ao investimento incentivado; e e) que a recorrente, em momento algum, descumpriu qualquer dispositivo legal, tendo sido, durante todo o exercício de sua atividade empresarial, fiel cumpridora de suas obrigações tributárias. 4. É o que importa relatar. Em mesa para julgamento. Fl. 1374DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.002617/200691 Acórdão n.º 180301.361 S1TE03 Fl. 253 7 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator 5. No Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais, do qual se originou a presente autuação fiscal, constou o seguinte (fls. 70): 6. Em seu Recurso, insurgese o sujeito passivo apenas contra aquela primeira ocorrência (de nº 11). 7. Observase, assim, que a análise do Recurso apresentado, por parte deste Colegiado, seria inócua, já que a discussão se instauraria apenas sobre um dos motivos em que se assentou aquele Extrato, a decisão prolatada no Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (Perc) e a decisão recorrida. 8. Colhese dessa última decisão (fls. 164 e 165): 26. Antes de prosseguirmos, devemos mencionar que, no “Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais”, constavam três ocorrências que impediram o reconhecimento do benefício fiscal. A ocorrência “11” mencionava débitos do Contribuinte. Na defesa apresentada por este (fl. 23 do processo apenso do PERC), não foi apresentada comprovação da regularidade do Contribuinte, que apenas declarou “não possuir débitos de tributos federais e/ou problemas com o cadastro de seus sócios”. Fl. 1375DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.002617/200691 Acórdão n.º 180301.361 S1TE03 Fl. 254 8 Assim, o Contribuinte poderia até estar regular, mas não apresentou essa comprovação. 27. A decisão que indeferiu o PERC não citou a regularidade fiscal do Contribuinte. A análise da regularidade fiscal não foi feita pela Autoridade de jurisdição fiscal, eis que o não cumprimento da ocorrência “16” era motivo suficiente para o indeferimento de seu pleito. Caso tivesse havido o atendimento desse quesito, seria feita a análise da sua regularidade fiscal, antes de se proferir a decisão administrativa. 9. Diante disso, ainda que fossem acatadas as razões apresentadas pela Recorrente, tanto aquele Extrato, quanto a decisão no Perc e, também, a decisão recorrida, restariam íntegros, subsistindo por outros fundamentos que não foram objeto de recurso voluntário. 10. Não há, pois, interesse processual quando o Recorrente deixa de impugnar questões que, por si só, são suficientes para a manutenção do acórdão recorrido. 11. Em situações similares, assim decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF): Acórdão nº 910100.721 — 1ª Turma Sessão de 09 de novembro de 2010 Ementa: RECURSO ESPECIAL POR DIVERGÊNCIA. REQUISITO DE ADMISSIBILIDADE. Só pode ser conhecido recurso especial de divergência que trate de todas as matérias que fundamentaram o acórdão recorrido. Recurso especial que só ataca um dos fundamentos e só traz o dissídio jurisprudencial sobre um dos fundamentos do acórdão não pode ser conhecido, pois o seu conhecimento e análise seriam inócuos, vez que o acórdão recorrido prevaleceria em vista dos demais fundamentos do mérito. [...]. Acórdão nº 910101.023 – 1ª Turma Sessão de 24 de maio de 2011 RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. NÃO CONHECIMENTO. Não se pode conhecer do recurso especial, quando, não obstante o recorrente basearse na violação à legislação tributária, atacase apenas um dos fundamentos da decisão recorrida. 12. Mencionamse, também, nesse mesmo sentido, as Súmulas do Supremo Tribunal Federal (STF), de nº 283, e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), de nº 126, respectivamente: Fl. 1376DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.002617/200691 Acórdão n.º 180301.361 S1TE03 Fl. 255 9 É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles. [...]. É inadmissível recurso especial, quando o acórdão recorrido assenta em fundamentos constitucional e infraconstitucional, qualquer deles suficiente, por si só, para mantêlo, e a parte vencida não manifesta recurso extraordinário. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NÃO CONHECER DO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 1377DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 13609.000490/2009-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU
TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA
FINANCEIRA CPMF
Período de apuração: 09/06/2004 a 10/08/2006
CPMF. NÃO RECOLHIMENTO EM VIRTUDE DE DECISÃO JUDICIAL POSTERIORMENTE REVOGADA. LANÇAMENTO DA CPMF NÃO RETIDA E NÃO RECOLHIDA PELA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. RESPONSABILIDADE SUPLETIVA DO CONTRIBUINTE CORRENTISTA.
Nos termos da Lei 9.311/96, a CPMF pode ser exigida tanto da Instituição Financeira responsável pela retenção, quanto do contribuinte eleito pela norma, ou seja, o correntista (artigo 4o, Inciso I).
No caso de falta de retenção, a CPMF pode ser exigida do contribuinte correntista, com base na responsabilidade supletiva (Lei 9.311/96, artigo 5o, § 3°).
CPMF MULTA E JUROS SELIC
São devidos a multa e os juros de mora pelo não recolhimento da CPMF na época própria, conforme previsão do artigo 13, inciso I e II, da Lei 9.311/96.
Negado Provimento ao recurso voluntário.
Numero da decisão: 3301-001.291
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: FABIO LUIZ NOGUEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Período de apuração: 09/06/2004 a 10/08/2006 CPMF. NÃO RECOLHIMENTO EM VIRTUDE DE DECISÃO JUDICIAL POSTERIORMENTE REVOGADA. LANÇAMENTO DA CPMF NÃO RETIDA E NÃO RECOLHIDA PELA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. RESPONSABILIDADE SUPLETIVA DO CONTRIBUINTE CORRENTISTA. Nos termos da Lei 9.311/96, a CPMF pode ser exigida tanto da Instituição Financeira responsável pela retenção, quanto do contribuinte eleito pela norma, ou seja, o correntista (artigo 4o, Inciso I). No caso de falta de retenção, a CPMF pode ser exigida do contribuinte correntista, com base na responsabilidade supletiva (Lei 9.311/96, artigo 5o, § 3°). CPMF MULTA E JUROS SELIC São devidos a multa e os juros de mora pelo não recolhimento da CPMF na época própria, conforme previsão do artigo 13, inciso I e II, da Lei 9.311/96. Negado Provimento ao recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) FÁBIO LUIZ NOGUEIRA Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Mauricio Taveira e Silva, Fábio Luiz Nogueira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório CURVEL CURVELO VEÍCULOS LTDA., já qualificada nos autos, recorre a este Conselho (Recurso Voluntário de fls.115.e seguintes) contra o acórdão nº 0227.457, de 05 de julho de 2010, da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG (fls. 95 e seguintes), que julgou improcedente a impugnação apresentada contra o auto de infração, em virtude de não recolhimento de CPMF, que não foi retida e recolhida na época própria por força de decisão judicial posteriormente revogada, conforme relatado pela instância a quo, nos seguintes termos: Lavrouse contra o contribuinte acima identificado o presente Auto de Infração (fls. 42/73), relativo à CPMF, totalizando um crédito tributário de R$ ..., incluindo multa de oficio e juros moratórios, correspondente aos fatos geradores relacionados em fls. 44/50. A autuação ocorreu em virtude da falta de recolhimento da contribuição nos citados períodos, porquanto esta não foi retida pelas instituições financeiras em face da não autorização do titular. Assim, uma vez que os referidos valores não puderam ser cobrados, as mencionadas instituições, em cumprimento do disposto no inciso IV do art. 45, da Medida Provisória n° 2.113 30, de 2001, prestaram as devidas informações necessárias à constituição do crédito tributário, mediante lançamento de oficio. 0 enquadramento legal encontrase citado em fls. 50. Irresignado, tendo sido cientificado em 20/04/2009 (fl. 75), o autuado apresentou, em 15/05/2009, acompanhadas dos documentos de fls. 88/91, as suas razões de discordância (fls. 77/87), argüindo a nulidade do lançamento em razão de erro na identificação do sujeito passivo da obrigação, o qual, no caso seria o Banco do Brasil e dizendo que os débitos da CPMF devem ser exigidos do Banco do Brasil por força do disposto no parágrafo 3 0 do artigo 5° da Lei 9.311/96. A DRJ considerou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário, consoante a seguinte Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE Fl. 134DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13609.000490/200993 Acórdão n.º 3301001.291 S3C3T1 Fl. 134 3 CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Período de apuração: 09/06/2004 a 10/08/2006 CPMF Na falta de retenção da contribuição, fica mantida, em caráter supletivo, a responsabilidade do contribuinte pelo seu pagamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Extraise do v. Acórdão ainda o seguinte trecho: Inicialmente, em função da preliminar de nulidade suscitada pelo contribuinte, registrese que não se vislumbra no presente caso, como pretende o autuado, a ocorrência de quaisquer vícios capazes de macular o procedimento, eis que o presente lançamento contempla todos os pressupostos básicos enumerados nos arts. 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 1972, que dispõe acerca do processo administrativo fiscal de determinação e exigência dos créditos tributários da Unido. Ademais, o artigo 59 do mencionado decreto, dispõe que são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, não se constatando a existência de quaisquer elementos capazes de amparar essa pretensão do contribuinte. 0 autuado informa que parcelou uma parte do débito da CPMF através do PAES e que outra parte estaria compensada. Porém, como mostra a própria impugnação, os períodos abrangidos pelo presente lançamento não coincidem com aqueles supostamente parcelados ou compensados. 0 contribuinte discutiu judicialmente, sem sucesso, a exigência da CPMF. Esclareçase que as instituições financeiras, após o afastamento do impedimento judicial, somente não retiveram os valores devidos da CPMF em razão de manifestação expressa do contribuinte contrária a tal procedimento. Neste sentido, no âmbito do direito tributário, mais propriamente no caso da CPMF, a lei atribuiu ao titular da conta corrente a responsabilidade supletiva pelo recolhimento da obrigação tributária que não foi retida pela instituição financeira, à. luz do art. 5°, inciso I, e § 3°, da Lei n° 9.311, de 1996, in verbis: Lei 9.311, de 1996. Art. 5o É atribuída a responsabilidade pela retenção e recolhimento contribuição: Fl. 135DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 I as instituições que efetuarem os lançamentos, as liquidações ou os pagamentos de que tratam os incisos I, lI e III do art. 2o; § 3° Na falta de retenção da contribuição, fica mantida, em caráter supletivo, a responsabilidade do contribuinte pelo seu pagamento. (grifos acrescentados) Como se vê, não tendo havido retenção da CPMF por parte da instituição financeira, por qualquer motivo que seja, o dever do fisco é o de exigir do contribuinte, na qualidade de devedor principal e responsável supletivo por divida própria, a satisfação do crédito tributário, que será composto pelo principal acrescido de multa e juros. Tanto é assim que a Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, em seu art. 45, abaixo reproduzido, determinou os procedimentos a serem adotados pelas instituições responsáveis pela retenção da CPMF, em relação aos valores que não foram retidos e recolhidos por força de medida judicial posteriormente revogada: Art. 45. As instituições responsáveis pela retenção e pelo recolhimento da CPMF deverão: I apurar e registrar os valores devidos no período de vigência da decisão judicial impeditiva da retenção e do recolhimento da contribuição; II efetuar o débito em conta de seus clientescontribuintes, a menos que haja expressa manifestação em contrário: a) no dia 29 de setembro de 2000, relativamente às liminares, tutelas antecipadas ou decisões de mérito, revogadas até 31 de agosto de 2000; b) no trigésimo dia subseqüente ao da revogação da medida judicial ocorrida a partir de 12 de setembro de 2000; III recolher ao Tesouro Nacional, até o terceiro dia útil da semana subseqüente à do débito em conta, o valor da contribuição, acrescido de juros de mora e de multa moratória, segundo normas a serem estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal; IV encaminhar à Secretaria da Receita Federal, no prazo de trinta dias, contado da data estabelecida para o débito em conta, relativamente aos contribuintes que se manifestaram em sentido contrário à retenção, bem assim àqueles que, beneficiados por medida judicial revogada, tenham encerrado suas contas antes das datas referidas nas a líneas do inciso II, conforme o caso, relação contendo as seguintes informações: a) nome ou razão social do contribuinte e respectivo número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ; b) valor e data das operações que serviram de base de cálculo e o valor da contribuição devida. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13609.000490/200993 Acórdão n.º 3301001.291 S3C3T1 Fl. 135 5 Parágrafo único. Na hipótese do inciso IV deste artigo, a contribuição não se sujeita ao limite estabelecido no art. 68 da Lei no 9.430, de 1996, e será exigida do contribuinte por meio de lançamento de oficio. (grifos acrescentados) Cumprindo essa determinação legal, as instituições financeiras apresentaram à SRF as informações necessárias para o lançamento de oficio, na forma determinada art, 45, IV, parágrafo único supra. Por conseguinte, a matéria tributária em referência, contemplando, exclusivamente, a CPMF que não foi debitada da conta dos correntistas (retenção não autorizada e contas encerradas), restou regulamentada pela Instrução Normativa SRF n ° 42, de 2 de maio de 2001, formalmente revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa SRF nº 173, de 11 de julho de 2002, que por sua vez foi revogada pela Instrução Normativa SRF n° 450, de 21 de setembro de 2004, que assim estatui: (...) Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade argüida e julgar procedente o lançamento, para exigir do contribuinte o valor de R$..., acrescido da multa de oficio e dos juros moratórios. Não se conformando com a decisão, o contribuinte protocolizou recurso voluntário, insurgindose contra a exigência, conforme transcrição a seguir: Assim, deixando de efetuar a retenção e o recolhimento a que estava obrigado, o Banco do Brasil S/A passou a ser o responsável direto pelo pagamento da CPMF relativa aos períodos de apuração em pauta, só podendo ela ser lançada contra a Recorrente em caso da impossibilidade absoluta de ser ela exigida daquela instituição financeira. Não há outra interpretação a ser dada ao disposto no decantado artigo 5° e seus parágrafos da Lei 9.311 de 1996. Outrossim, para ilustração , são reproduzidas abaixo as razões de fato e de direito postas na Impugnação "a) em razão de medida liminar concedida em julho de 1999 no Processo de nr. 99.254020 que tramitou junto à 12a Vara da Justiça Federal em Belo Horizonte MG , o Banco do Brasil S.A. ( doravante simplesmente BB ) deixou de efetuar a retenção e o recolhimento da CPMF incidente sobre a movimentação ocorrida na conta da empresa mantida na sua Agencia de Curvelo MG (ver anexa cópia da Decisão deferit6ria da liminar ); ern dezembro do mesmo ano a medida acima descrita foi revogada, sendo que o BB foi oficiado da revogação por ordem da Exma. Dra. Juíza... porém não efetuou o recolhimento da contribuição incidente sobre os fatos geradores ocorridos até agosto de de 2006; Fl. 137DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 c) em 2002 a empresa solicitou à. Delegacia da Receita Federal em CurveloMG o parcelamento dos valores relativos aos períodos de 14/07/1999 a 30/10/2002, conforme Processo Administrativo de nr. 10620.001263/200215, o qual foi deferido e, com o advento do Parcelamento Especial instituído por meio da Lei 10.684 de 2003 ( PAES ) , os débitos anteriores a 28 de fevereiro de 2003 foram nele consolidados ; d) na mesma ocasião foi requerida à supracitada Delegacia da Receita Federal a compensação dos valores relativos aos períodos que vão de 05/03/2003 a 02/06/2004; e) em agosto de 2006 o BB comunicou à empresa que debitaria em sua conta mantida na Agência de Curvelo/MG os valores relativos d. CPMF incidente sobre os períodos de julho de 1999 a agosto de 2006 ; f) no entanto, tendo em vista que os valores relativos aos períodos acima citados estavam parcelados ou foram compensados, em setembro de 2006 a empresa dirigiu correspondência ao BB informandoo sobre tais fatos e solicitou lhe que não efetuasse o débito em questão; f) e, por razões alheias à vontade da empresa, o BB somente passou a efetuar a retenção e o recolhimento dos valores da CPMF incidente sobre a movimentação ocorrida em sua conta nele mantida a partir de setembro de 2006 e, portanto, os valores relativos aos períodos que não foram incluídos no PAES e os que não foram objeto de compensação deixaram de ser recolhidos aos cofres público; g) dessa forma, entende a empresa que, nos termos do disposto no artigo 5° da Lei de nr. 9.311 de 1996 , notadamente no seu parágrafo 1°, é do Banco do Brasil S.A. ou BB a responsabilidade pelo recolhimento da CPMF relativa aos períodos acima discriminados (fatos geradores ocorridos após 02 de junho de 2004 e até 31 de agosto de 2006) ". Do que está acima explicitado depreendese o seguinte : 1. quando em setembro de 2006 a Impugnante enviou ao Banco do Brasil a carta solicitando que não efetuasse o débito da CPMF relativo aos períodos de apuração ocorridos desde a concessão da liminar ( VER COPIA ANEXA ) , a Impugnante não se encontrava sob o amparo de qualquer medida ou decisão judicial que suspendesse a retenção e o recolhimento da CPMF NA VERDADE a liminar que a ela foi deferida em julho de 1999 foi cassada em 13 dezembro do mesmo ano, sendo que, dessa decisão, houve comunicação oficial ao Banco do Brasil determinada pelo Exmo. (a) Juiz (a) que prolatou as citadas decisões ( ver anexa cópia da fls. de nr. 69 do processo judicial acima mencionado, a qual contém a decisão judicial que determinou fosse o banco oficiado da perda dos efeitos da liminar ) ; 2) outrossim, na carta em questão, conforme nela se pode ver, foi informado à citada instituição financeira que os débitos da CPMF relativos aos períodos de apuração ocorridos 14/07/1999 a 30/10/2002 foram incluídos em parcelamento de débitos a ela Fl. 138DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13609.000490/200993 Acórdão n.º 3301001.291 S3C3T1 Fl. 136 7 deferido pela Receita Federal, bem como que solicitara aquele órgão a compensação de direitos creditórios que detinha contra a Unido Federal em relação aos períodos de apuração ocorridos entre 05/03/2003 a 02/06/2004; 3) PORTANTO , em agosto de 2006 nada obstava que o Banco do Brasil S/A efetuasse de imediato o débito relativo aos períodos que remanesceram em aberto naquela ocasião, os quais são exatamente os que foram exigidos de oficio e cujo lançamento é ora impugnado; tanto é que a partir daquele mês foram efetuados regularmente as retenções dos períodos subseqüentes e até a extinção da CPMF ; 4) ao demais, não se diga que a citada carta enviada ao Banco teria o condão de impedir o débito relativo aos períodos que não foram objeto de parcelamento e nem de compensação , pois , segundo o disposto no artigo 123 da Lei 5.172/66 , qual seja o nosso Código Tributário Nacional ... 5) OU SEJA : é principio basilar quaisquer ajustes efetuados entre contribuintes ou entre esses e terceiros não tem valor diante do disposto na legislação tributária ; 6) ORA , o próprio enquadramento legal dado à exigência aqui Impugnada atesta, de forma inequívoca , que a responsabilidade pelo pagamento da CPMF relativo aos períodos de apuração ocorridos entre 09/06/2004 a 10/08/2006 é do BANCO DO BRASIL S/A , conforme o disposto no parágrafo 3° do artigo 5o da citada Lei 9.311/ 96 , pois , no caso da responsabilidade supletiva primeiro o tributo deve ser exigido do substituto e somente depois do contribuinte substituído , já que o mais comum é a lei manter a responsabilidade do substituído em caráter subsidiário, estabelecendo a solidariedade com beneficio de ordem ; (...) 10) assim, pelo acima exposto está cristalinamente comprovado : a Impugnante não teve qualquer responsabilidade pela não retenção e recolhimento pelo Banco do Brasil em relação aos débitos da CPMF relativos aos períodos de apuração ocorridos entre junho de 2004 a agosto de 2006 e, dessa forma, a obrigação deve ser cumprida pela citada instituição financeira por força do tão citado parágrafo 3° do artigo 5° da Lei 9.311/96. É o relatório. Voto Conselheiro FÁBIO LUIZ NOGUEIRA, Relator Fl. 139DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos na lei e deve ser conhecido. Como visto, a Recorrente alega que a contribuição em causa deixou de ser retida e recolhida pela instituição financeira, em virtude de ação judicial ajuizada pela própria Recorrente, questionando a cobrança da CPMF. Decisão inicialmente favorável acabou por ser cassada. . Não obstante os argumentos lançados pelo Recorrente, temse que a Lei 9.311/96 elegeu como contribuinte o titular da conta em que ocorreram os fatos geradores da CPMF, ou seja, as movimentações financeiras, nos termos do artigo 4o, “caput” e Inciso I, “verbis”: Art. 4° São contribuintes: I os titulares das contas referidas nos incisos I e II do art. 2° , ainda que movimentadas por terceiros; O que ocorreu é que foi atribuída a responsabilidade pela retenção e recolhimento à instituição financeira, nos termos do artigo 5o, da mesma Lei. Entretanto, o próprio artigo 5o, em seu § 3°, não deixa dúvida quanto à responsabilidade do correntista, na ausência de retenção da CPMF: § 3° Na falta de retenção da contribuição, fica mantida, em caráter supletivo, a responsabilidade do contribuinte pelo seu pagamento. Portanto, a responsabilidade supletiva se extrai da própria lei de regência, que não pode ser afastada por este Conselho. Assim, o valor da contribuição pode ser exigido do Recorrente, considerando que no caso não foi feita a retenção. Por outro lado, a Medida Provisória 2.15835 procurou regular as situações de não retenção e recolhimento envolvendo ações judiciais, ou seja, justamente o caso destes autos: Art.44. O valor correspondente à Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira CPMF, não retido e não recolhido pelas instituições especificadas na Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996, por força de liminar em mandado de segurança ou em ação cautelar, de tutela antecipada em ação de outra natureza, ou de decisão de mérito, posteriormente revogadas, deverá ser retido e recolhido pelas referidas instituições, na forma estabelecida nesta Medida Provisória Art.45. As instituições responsáveis pela retenção e pelo recolhimento da CPMF deverão: I apurar e registrar os valores devidos no período de vigência da decisão judicial impeditiva da retenção e do recolhimento da contribuição; II efetuar o débito em conta de seus clientescontribuintes, a menos que haja expressa manifestação em contrário: ... Fl. 140DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13609.000490/200993 Acórdão n.º 3301001.291 S3C3T1 Fl. 137 9 IV encaminhar à Secretaria da Receita Federal, no prazo de trinta dias, contado da data estabelecida para o débito em conta, relativamente aos contribuintes que se manifestaram em sentido contrário à retenção, bem assim àqueles que, beneficiados por medida judicial revogada, tenham encerrado suas contas antes das datas referidas nas alíneas do inciso II, conforme o caso, relação contendo as seguintes informações: Nesse cenário, havia determinação legal para que a instituição financeira efetuasse a retenção e o débito na conta dos correntistas favorecidos, após a revogação da decisão judicial, ressalvada a hipótese de manifestação expressa do correntista contribuinte, contrária à retenção, ou para o caso de contas encerradas. Foi justamente com base nas informações prestadas pelas instituições financeiras que se originou a presente autuação. Assim, entendo que caberia ao Contribuinte demonstrar a não ocorrência das situações acima, ou seja, que, após a revogação da decisão judicial, não se opôs à retenção e que não tinha encerrado a conta bancária. No caso, ao contrário do manifestado pela Recorrente, a correspondência enviada ao banco (fls. 88 e seguintes), após informar que parte dos débitos havia sido incluído em parcelamento especial e outra parte foi compensada com seus créditos, trazia a seguinte orientação: Assim sendo, por necessitarmos de algum tempo para levantar os valores em aberto e para que tenhamos oportunidade de nova negociação com a Receita Federal, somente possível a partir da Janeiro/2007, é quo contamos com s/ compreensão no sentido concordar com nossa posição, suspendendo e débito programado A conclusão razoável é que a Contribuinte estaria se opondo à retenção. Portanto, a MP mencionada, além de não revogar a responsabilidade supletiva do contribuinte correntista, determinou que as instituições financeiras informassem ao Fisco as situações em que a retenção não pôde ser feita. Se o Contribuinte, na época, possuía conta na instituição financeira ou se entende que não fez oposição à retenção (aspectos que não ficaram provados nestes autos) são questões que se resolvem no campo da responsabilidade bancocliente. Mas, não afetam o direito do Fisco cobrar a CPMF do Contribuinte correntista. Em relação à multa e os juros de mora estão prevista na própria Lei que instituiu a CPMF (artigo 13, Inciso I e II, da Lei 9.311/96) e devem ser mantidos. Feitas estas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) FÁBIO LUIZ NOGUEIRA Fl. 141DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 10 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10930.003474/2004-06
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004
RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO.
VARIAÇÃO CAMBIAL. DISTINÇÃO. RECEITAS
FINANCEIRAS. BASE DE CALCULO.
A isenção relativa às receitas decorrentes de exportação não
alcança as variações cambiais ativas, que têm natureza de
receitas financeiras, devendo, como tal, compor a base de
cálculo da contribuição.
COFINS NÃOCUMULATIVO.
DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS E
CUSTOS DISSOCIADOS DO CONCEITO DE INSUMO,
DESCABIMENTO.
Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser
caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos
pela nãocumulatividade
da Cofins.
INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA.
BASE DE
CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS.
No cálculo da Cofins nãocumulativa
o sujeito passivo
somente poderá descontar créditos calculados sobre valores
correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou
serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou
fabricação de bens e na prestação de serviços, não se
considerando como tal despesas com comissões na compra de
matériaprima,
despesas com armazenagem na importação de
produtos, bem como despesas com “estufagem de containeres",
sendo que esta última não se enquadra no conceito de despesas
de armazenagem previsto no art. 3º, IX, da Lei n.º10.833, de 2003, com as modificações introduzidas pela Lei n.º 10.865, de
2004.
RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SELIC. FALTA
DE PREVISÃO LEGAL.
É incabível a incidência de juros compensatórios com base na taxa Selic
sobre valores recebidos a titulo de ressarcimento de créditos relativos à
Cofins, por falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3403-001.524
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, em dar provimento parcial ao recurso da
seguinte forma: a) por unanimidade de votos, deuse
provimento quanto à tomada de crédito
pelas aquisições de combustíveis utilizados no transporte de matériaprima
e negouse
provimento quanto à tomada de crédito sobre despesas de estufamento e sobre as comissões
pagas na aquisição do couro; e b) pelo voto de qualidade, negouse
provimento quanto à
inclusão das variações cambiais na receita de exportação e quanto à correção do ressarcimento
pela taxa Selic. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho, Raquel Motta Brandão
Minatel e Marcos Tranchesi Ortiz, quanto às variações cambiais e os Conselheiros Domingos
de Sá Filho, Robson José Bayerl e Raquel Motta Brandão Minatel, quanto à taxa Selic.
Nome do relator: LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA
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VARIAÇÃO CAMBIAL. DISTINÇÃO. RECEITAS FINANCEIRAS. BASE DE CALCULO. A isenção relativa às receitas decorrentes de exportação não alcança as variações cambiais ativas, que têm natureza de receitas financeiras, devendo, como tal, compor a base de cálculo da contribuição. COFINS NÃOCUMULATIVO. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS E CUSTOS DISSOCIADOS DO CONCEITO DE INSUMO, DESCABIMENTO. Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade da Cofins. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. No cálculo da Cofins nãocumulativa o sujeito passivo somente poderá descontar créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços, não se considerando como tal despesas com comissões na compra de matériaprima, despesas com armazenagem na importação de produtos, bem como despesas com “estufagem de containeres", sendo que esta última não se enquadra no conceito de despesas de armazenagem previsto no art. 3º, IX, da Lei n.º10.833, de Fl. 235DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 1/04/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 2 2003, com as modificações introduzidas pela Lei n.º 10.865, de 2004. RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SELIC. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. É incabível a incidência de juros compensatórios com base na taxa Selic sobre valores recebidos a titulo de ressarcimento de créditos relativos à Cofins, por falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: a) por unanimidade de votos, deuse provimento quanto à tomada de crédito pelas aquisições de combustíveis utilizados no transporte de matériaprima e negouse provimento quanto à tomada de crédito sobre despesas de estufamento e sobre as comissões pagas na aquisição do couro; e b) pelo voto de qualidade, negouse provimento quanto à inclusão das variações cambiais na receita de exportação e quanto à correção do ressarcimento pela taxa Selic. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho, Raquel Motta Brandão Minatel e Marcos Tranchesi Ortiz, quanto às variações cambiais e os Conselheiros Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl e Raquel Motta Brandão Minatel, quanto à taxa Selic. Antonio Carlos Atulim Presidente. Liduína Maria Alves Macambira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Liduína Maria Alves Macambira, Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Raquel Motta Brandão Minatel e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Trata a presente lide de Declarações de Compensação DCOMP listadas na tabela de fl. 146verso, protocolizadas entre 14/10/2004 e 23/11/2004, em que se indica como direito creditório o ressarcimento da Cofins não cumulativa, que derivaria de "Crédito da COFINS apurado no mês de setembro de 2004” decorrente de receitas no mercado externo (art. 6º da Lei n°10.833, de 2003), no valor de R$ 150.999,77. Após análise dos documentos trazidos aos autos, a Seção de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal em Londrina (Safis/DRF/LON) emitiu o Termo de Informação Fiscal de fls. 131/139, opinando pelo reconhecimento parcial do direito creditório no montante de R$ 140.471,99. Com base nessa informação fiscal, a Delegacia da Receita Federal em Londrina emitiu, às fls. 146/150, o Parecer/Saort/DRF/LON n º 502/2007, e o respectivo Despacho Decisório, com as seguintes decisões: (a) reconhecer parcialmente o direito creditório da interessada no montante de 140.471,99, como saldo de seus créditos da Cofins não cumulativa, relativos ao 3° trimestre dc 2004, a ser integralmente utilizado com compensações efetuadas pela própria empresa; (b) homologar as compensações indicadas no quadro de fl. 150 e (c) homologar parcialmente a compensação conforme quadro de fl. 150. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 1/04/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 10930.003474/200406 Acórdão n.º 3403001.524 S3C4T3 Fl. 208 3 A interessada apresentou manifestação de inconformidade, fls. 166/172, contestando a parcela não reconhecida do direito creditório pleiteado, rebatendo um a um os itens levantados pela fiscalização que motivaram o reconhecimento parcial do ressarcimento do crédito pretendido a saber: a) a inclusão de receitas originariamente não consideradas pelo contribuinte; b) a glosa de custos/despesas sob o título de despesas com comissões; c) a glosa das despesas com combustível; d) a glosa das despesas com exportação referente a serviços de estufamento de containeres. Contesta a consolidação dos valores e às declarações de compensação não homologadas propugnando pela reforma da decisão recorrida, reconhecendo lhe a legitimidade da totalidade do direito creditório pleiteado no pedido de ressarcimento formulado e a homologação total das declarações de compensação. Por fim, requer ainda “no intuito de minimizar os prejuízos até então suportados pela Requerente”, na hipótese de remanescer crédito a ser ressarcido, que sejam acrescidos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic, calculados a partir da data do protocolo até a data do respectivo ressarcimento/compensação. A 3ª turma da DRJCuritiba/PR manteve o despacho decisório recorrido e indeferiu o pedido de correção pela taxa Selic, conforme se confere da ementa do Acórdão n° 0620117, de 26 de novembro de 2008, fls. 175/189 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. VARIAÇÃO CAMBIAL. DISTINÇÃO. RECEITAS FINANCEIRAS. BASE DE CALCULO. A isenção relativa ás receitas decorrentes de exportação não alcança as variações cambiais ativas, que têm natureza de receitas financeiras, devendo, como tal, compor a base de cálculo da contribuição. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. No cálculo da Cofins nãocumulativa o sujeito passivo somente poderá descontar créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços, não se considerando como tal despesas com comissões na compra de matériaprima, despesas com armazenagem na importação de produtos, bem como despesas com estufagem de containeres", sendo que esta última não se enquadra no conceito de despesas de armazenagem previsto no art. 3º, IX, da Lei n.º 10.833, de 2003, com as modificações introduzidas pela Lei n.º10.865, de 2004. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. VEÍCULO PRÓPRIO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. INEXISTÊNCIA DO DIREITO DE CRÉDITO. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 1/04/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 4 Gastos efetuados com combustíveis e lubrificantes em veiculo próprio para transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, não configuram insumos na produção ou fabricação dc bens, não sendo, por conseguinte, passíveis de gerar créditos para os fins previstos na legislação pertinente. RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SELIC. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. É incabível a incidência de juros compensatórios com base na taxa Selic sobre valores recebidos a titulo de ressarcimento de créditos relativos à Cofins, por falta de previsão legal. O contribuinte interpôs recurso voluntário, fls. 195/203 repisado os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. No pedido, diante dos argumentos apresentados, requer: seja o presente recurso conhecido e integralmente provido, para o fim de reformar a decisão recorrida e reconhecer o direito creditório dos valores anteriormente glosados, reconhecendo assim a legitimidade da totalidade do direito creditório pleiteado no pedido de ressarcimento formulado pela Requerente, para, via de regra, homologar as declarações de compensação não homologadas pela decisão recorrida, reconhecendo o direito de atualização pela SELIC, de eventual crédito remanescente que deva ser ressarcido. É o relatório. Voto Conselheira Liduína Maria Alves Macambira, Relatora O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Como visto no relatório, a recorrente requereu o ressarcimento da Cofins nãocumulativa, referente ao período de setembro de 2004, no valor de R$ 150.999,77, sendo reconhecido o direito de crédito no valor de R$ 140.471,99, por conseqüência, a compensação foi homologada até o limite do mencionado crédito. Examinando os autos, verificase que o cerne do litígio está focado em três linhas de argumentos que foram apresentados pela interessada para requerer a reforma da decisão recorrida. Argumentos esses defendidos desde a manifestação de inconformidade. Para melhor compreensão desse julgado, adotarei a seqüência de argumentos da recorrente. Quanto à inclusão de receitas originariamente não consideradas pelo contribuinte Para a recorrente, no que diz respeito à inclusão da variação cambial como receita, não pode prosperar o entendimento adotado pela decisão recorrida, pelos argumentos a seguir resumidos: primeiramente, a partir de 02/08/2004 as alíquotas das contribuições para o PIS e Cofins incidentes sobre receitas financeiras foram reduzidas a zero pelo Decreto nº 5.164/2004; de acordo com o preceito inserto no inciso I, §3º, do art.1º da Lei nº10.833/03, não integram a base de cálculo da Cofins a receitas isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota zero, em face dessa circunstância, a receita financeira decorrente da variação cambial não pode compor a receita bruta para fins de cálculo da Fl. 238DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 1/04/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 10930.003474/200406 Acórdão n.º 3403001.524 S3C4T3 Fl. 209 5 proporção para apuração do crédito decorrente dos custos vinculados às receitas de exportação, por esse motivo, ser reformada a decisão recorrida; em segundo momento, impende reconhecer como correto o critério adotado pela recorrente, de não considerar a variação cambial ativa na composição da receita bruta para fins de cálculo da proporção para apuração do crédito decorrente dos custos vinculados às receitas de exportação; tal se justifica, na medida em que o critério almejado decorre de custos vinculados às receitas de vendas(exportação), e não de custos vinculados às receitas financeiras, e por este motivo não foram considerados, sob pena de afrontar os critérios da proporcionalidade e legalidade; por essas razões requer seja provido o presente recurso, para reformar a decisão recorrida e afastar a receita financeira decorrente da variação cambial ativa da composição da receita bruta para fins de cálculo da proporção para apuração do crédito decorrente dos custos vinculados às receitas de exportação. no terceiro, não sendo esse o entendimento desse colegiado, ainda assim não merece prosperar a decisão recorrida, uma vez que indevidamente adotada a classificação da variação cambial ativa como mera receita financeira, em detrimento dos critérios de proporcionalidade. Para a recorrente, a variação cambial ativa apurada nos autos é receita financeira decorrente de operação de exportação e deve ser considerada(Receitas de Exportação), aplicandolhe a imunidade constante no inciso I, do § 2º do art. 149 da CF/88. (NOTA). Em face dessa circunstância, a receita financeira decorrente da variação cambial ativa não pode integrar a base de cálculo das contribuições ao PIS/Cofins, e como conseqüência, não pode compor a receita bruta para fins de cálculo da proporção do crédito decorrente dos custos vinculados às receitas de exportação, devendo ser reformada a decisão recorrida. Por fim, argumenta: Não sendo esse o entendimento, pelo critério da proporcionalidade, REQUER seja reformada a decisão recorrida, para incluir a receita financeira decorrente de variação cambial ativa, nas RECEITAS DE EXPORTAÇÃO, por serem originárias de operação de exportação, devendo, portanto, serem consideradas como “custos, despesas, encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior ou como “custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para ou exterior” ou como “ custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência” (IN SRF 600/2005, ART. 21, I e II) Insta frisar que, a DRJ/Curitiba, após fundamentar sua posição em manter o entendimento da unidade preparadora com base no disposto no art. 1º, caput e §§ 1º e 2º da Lei 10.833, de 2003, traz aos autos entendimentos, esposados nas Soluções de Consulta da 4ª e 9ª Região Fiscal, fls. 180/182, que tratam com precisão a natureza da receita decorrente de variação cambial, transcritos a seguir: (...) 13. Nesse mister, o sistema tributário constitui o principal instrumento de atuação do Estado, devendo sempre ser manejado com vistas ao principio da solidariedade e da universalidade da tributação. Por isso, não pode prosperar a pretensão manifestada pela consulente de utilização de uma interpretação extensiva do preceito imunizante, pelo contrario, e conforme já se afirmou anteriormente, sua exegese deve ser fita de acordo com a natureza estritamente 'excepcional' dessa espécie normativa. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 1/04/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 6 14. Feitas essas ressalvas, temse que, de acordo com a norma cuja interpretação foi suscitada nesse processo, estariam excluídas da tributação pelas contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico as receitas decorrentes de exportação. Essa expressão não consiste em inovação introduzida pelo legislador constituinte derivado, pelo contrario, ela foi utilizada com a tranqüilidade característica dos conceitos já consagrados pelo uso. 15. Senão vejamos, a Lei n° 6.404, de 1976, discrimina, em seu art.187, a forma como deve ser apurado o resultado do exercício. Desse dispositivo, destacase: Art. 187 — A demonstração do resultado do exercício discriminará: I — a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; II — a receita liquida das vendas e serviços, custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; III — as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais; (...) 16. Comentando esse dispositivo, mais especificamente seu inciso I, o FIPECAPI (Manual de contabilidade das sociedades por ações: aplicável também as demais sociedades 4ª ed. rev. e atual. — São Paulo: Atlas, 1994, pg.85) aconselha a segregação entre as contas de vendas de produtos e serviços no mercado interno e externo, e acrescenta, mais adiante, que o momento do reconhecimento dessas receitas deve ser o do fornecimento de bens. 17. As despesas e receitas financeiras, como se pode observar no inciso III do art. 187, são dissociadas das operações (vendas no mercado interno ou externo) que geraram os direitos e obrigações passíveis desses ajustes. E essa distinção se justifica tendo em vista que a operação de compra e venda se esgota no fornecimento do produto no recebimento do preço. 18. A repercussão financeira decorrente de pactuações efetuadas sobre a forma de pagamento constitui capítulo a parte, pois que a operação de compra e venda já se reputa perfeita e acabada. O que remanesce, nesse caso, é um direito de crédito que substitui o pagamento a vista, e esse direito esta sujeito a oscilações em virtude de contrato, da lei ou, até mesmo, de eventos externos, tais como as variações na taxa de câmbio. 19. Abstraindose, contudo, de qualquer valoração a respeito da correção ou incorreção das razões que lhe deram origem, o certo é que essa segregação encontrase Fl. 240DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 1/04/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 10930.003474/200406 Acórdão n.º 3403001.524 S3C4T3 Fl. 210 7 consagrada pela legislação comercial e fiscal. Resulta disso que, quando a norma faz referência à “receita decorrente de exportação”, esta a limitar o beneficio que institui a receita relativa ao ato de exportar, com a qual não confunde as 'receitas financeiras'. 20. 0 que a norma constitucional pretende estimular é, sem dúvida, a operação de venda de mercadorias e serviços para o exterior. A forma como o contribuinte utiliza o direito de crédito que lhe cabe após essa operação, e os resultados decorrentes desse emprego, são questões alheias ao beneficio em questão. Dessa forma, se fosse realmente intenção do legislador constitucional contemplar as receitas de ajustes em obrigações e direitos de crédito que tiveram como origem operações de exportação, com o mesmo beneficio concedido as receitas dessa índole, ele deveria tê lo feito expressamente." Com idêntico entendimento, a Solução de Consulta SRRF/4ªRF/DISIT n° 31, de 29 de setembro de 2003, expedida pela Divisão de Tributação da Superintendência Regional da Receita Federal da 4ª a Região Fiscal, que identifica com precisão a natureza da receita decorrente de variação cambial: "5. (...) a variação cambial positiva, também denominada de variação cambial ativa, tem natureza jurídicocontábil de receita financeira, distinta, pois, da receita de exportação. O auferimento da receita decorrente da variação cambial não deriva da operação de exportação em si, mas do incremento patrimonial causado pela desvalorização da moeda nacional em relação à estrangeira. Tratase, uma análise, de um verdadeiro ganho de capital originado da valorização de um ativo da empresa. Portanto, pouco importa a origem do valor contratado em moeda estrangeira, bastando ser de propriedade da empresa para que a variação cambial ativa influa positivamente em seu resultado tributável." (...) 9. É sabido também que não é permitida nenhuma interpretação extensiva a legislação que verse sobre isenção de tributos, pois o direito excepcional deve ser interpretado literalmente, segundo principio basilar de hermenêutica jurídica. O art. 111 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966) segue este princípio. É muito importante, que antes de se examinar, a base de cálculo da Cofins, frisese um ponto muito importante, até para esclarecer de plano uma argumentação contraditória invocada pela recorrente. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 1/04/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 8 Da leitura dos entendimentos reproduzidos depreendese que, já faz algum tempo, isso não é de agora, as variações cambiais ativas sempre foram e são tratadas como receitas. Na mesma linha, as variações cambiais passivas foram e são tratadas como despesas. A classificação jurídicocontábil das variações monetárias ativas não foram alteradas em razão de expedição de normas que trataram de base de incidência das contribuições para o PIS e a Cofins. O entendimento dominante no nosso ordenamento pátrio é que a classificação das variações cambiais ativas são receitas financeiras, e como tal devem ser consideradas. Ademais, é de se esclarecer que não pode uma mesma rubrica para a recorrente ser ora considerada receita, ora ser considerada custo, ou é receita ou é custo. Nesse passo, conduzirei o meu voto com o entendimento que a variação cambial ativa é receita financeira e não receita de exportação, adotando, portanto, o entendimento da decisão recorrida nesse aspecto: De fato, como bem esclareceram as Divisões de Tributação das Superintendências Regionais da Receita Federal da 4ª e 9ª Regiões Fiscais, cujas razões aqui se adotam, a receita derivada da variação cambial tem natureza diversa da receita decorrente de exportação, tratandose de receita financeira, que não está alcançada pelo beneficio concedido às exportações. Assim a pretensão da recorrente em considerar a receita financeira decorrente de variação cambial ativa nas receitas de exportação, em nenhum dos entendimentos defendidos, não pode ser atendida. Agora vejamos como ficou definido pelo legislador infraconstitucional a base de cálculo das Cofins não cumulativa. A Lei nº 10.833, de 2003, de acordo o art.195, inciso I, da Constituição da República de 1988, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998, institui a Cofins, com incidência nãocumulativa, sobre o total da receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Por sua vez, a inclusão, na base de cálculo da contribuição em tela, das variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte em função da taxa de cambio, foi estabelecida pelo art. 9º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. Isto continua. Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 Art.1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 1/04/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 10930.003474/200406 Acórdão n.º 3403001.524 S3C4T3 Fl. 211 9 Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998 Art. 9º As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual serão consideradas, para efeitos da legislação do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição PIS/PASEP e da COFINS, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso. Não podemos deixar de ressaltar a controvérsia em torno da validade constitucional da Lei nº 9.718, de 1998, que ampliou as bases de incidência das contribuições da Cofins e do PIS, que adotou a receita total como materialidade dessas contribuições, anteriormente, segundo o ordenamento jurídico vigente, art. 195 da Constituição Federal, só admitia o faturamento como base para incidência das mesmas. Entretanto, não entrarei na discussão sobre o descompasso constitucional e a não recepção da Lei nº 9.718, de 1998, pela Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998. Primeiramente, porque já ficou determinado por esse órgão colegiado que não cabe aos julgadores dessa instância apreciar sobre a constitucionalidade ou não das normas legais e, segundo, porque a matéria após diversas ações judiciais, o Supremo Tribunal Federal resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a existência de repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência da Corte acerca da inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, RE 585.235, tendo como relator o Ministro Cezar Peluso. O órgão responsável por dirimir conflitos dessa ordem assim se posicionou. Quanto aos demais dispositivos da Lei nº 9.718, de 1998 foram validados, integralmente pelo Pretório Excelso. BASE DE CÁLCULO DA COFINS E INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI 9.718/98 O Tribunal resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a existência de repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência da Corte acerca da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, que ampliou a base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, e negar provimento a recurso extraordinário interposto pela União. Vencido, parcialmente, o Min. Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Min. Cezar Peluso, relator, para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões. Vencido, também nesse ponto, o Min. Marco Aurélio, que se manifestava no sentido da necessidade de encaminhar a proposta à Comissão de Jurisprudência. Leading case: RE 585.235QO, Min. Cezar Peluso. Tendo a decisão recorrida esclarecido todos os pontos que foram levantados pela recorrente na manifestação de inconformidade sobre essa matéria em análise, reproduzidos no recurso, peço venia para trazer a colação trecho do voto que motivam o entendimento da Fl. 243DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 1/04/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 10 DRJ em considerar correta inclusão das variações cambiais ativas, bem como os demais itens componentes das receitas financeiras, no cálculo da receita bruta total da COFINS, para efeito de determinação dos percentuais de participação das receitas de exportação e das receitas relativas ao mercado interno. Por outro lado, cabe referir que a partir da edição do Decreto nº 5.164, de 30 de julho de 2004, foram reduzidas a zero as alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa de tais contribuições, sendo que tal decreto passou a produzir efeitos a partir de 02 de agosto de 2004. Entretanto, conquanto, no caso, para os períodos de apuração agosto e setembro de 2004 haja dispositivo da legislação reduzindo a 0% (zero por cento) a alíquota do PIS e da Cofins incidente sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não cumulativa, tais receitas continuam a fazer parte do campo de incidência das citadas contribuições, ou seja, é correta a interpretação da autoridade a quo no sentido de incluílas no cálculo da receita bruta total, para fins de determinação dos percentuais de participação das receitas de exportação e das receitas relativas ao mercado interno. No demonstrativo de fl. 134, vejase que para o período de apuração julho de 2004, as receitas financeiras integraram totalmente a base de cálculo do PIS e da Cofins, sendo que para os períodos dc apuração agosto e setembro de 2004, em função da redução a 0% (zero por cento) nas alíquotas, o fisco excluiu tais receitas da base de cálculo das precitadas contribuições. Dessa forma pelas razões expostas, votase no sentido de considerar correta a inclusão feita no Termo de Informação Fiscal de fls. 131/139, das variações cambiais ativas, bem como dos demais itens que compõem as receitas financeiras, no cálculo da receita bruta total do PIS e da Cofins, para fins de determinação dos percentuais de participação das receitas de exportação e das receitas relativas ao mercado interno, sendo que, para o período de apuração julho/2004, é correta, também, a sua inclusão na base de cálculo do PIS e da Cofins. Como se vê do trecho do voto da decisão recorrida, a autoridade a quo corretamente considerou a variação cambial ativa como receita financeira, como também observou o entendimento dado pelo Decreto nº 5.164, de 30 de julho de2004, que reduziu a zero as alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa de tais contribuições, surtindo efeitos só a partir de 02 de agosto de 2004, contudo mencionadas receitas compõem a receita bruta total, para fins de determinação dos percentuais de participação das receitas de exportação e das receitas relativas ao mercado interno. Ora, sendo as variações cambias ativas, uma espécie do gênero receita financeira, não receita de exportação, o critério de apuração dos créditos decorrente dos custos vinculados às receitas de exportação não pode ser alterado. Correto o entendimento da autoridade julgadora de primeira de instância em acompanhar o procedimento de apuração da unidade preparadora, no caso a autoridade a quo. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 1/04/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 10930.003474/200406 Acórdão n.º 3403001.524 S3C4T3 Fl. 212 11 Considerando o trecho do voto da decisão recorrida, o exame dos autos e a legislação sobre a matéria sub examine, vêse que não podem ser acolhidos os argumentos da recorrente. Sendo assim, minha compreensão sobre esse item é o mesmo da decisão recorrida, portanto, não cabe ser reformada. Quanto aos custos/despesas excluídos do cálculo da decisão recorrida. A recorrente, repisando no recurso interposto os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, argumenta que não pode prosperar a decisão recorrida, na parte em que excluiu custos/despesas do cálculo apresentado pela requerente, por entendimento equivocado de que não dariam direito ao credito, conforme a seguir transcritos, fls. 200/201: II.B.1) Das despesas com Comissões: 19. 0 artigo 3°, inciso II da Lei 10.833/2003, estabelece: Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2° da Lei n° 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada ao inciso pela Lei n° 10.865, de 30.04.2004, DOU 30.04.2004 Ed Extra, com efeitos a partir de 01.05.2004) (destacamos) 20. Pela análise do dispositivo legal em referência, ao contrário do entendimento adotado pela decisão recorrida, a comissão paga pela Recorrente à pessoa jurídica sobre a compra do couro bovino, utilizado como insumo na sua produção, é custo/despesa que dá direito a crédito nos termos da legislação. 21. Por este fundamento, REQUER seja reformada a decisão recorrida, para considerar os créditos decorrentes das comissões pagas à pessoa jurídica na aquisição do coro bovino (insumo de produção). II.B.2) Das despesas com Combustível 22. Pelo fundamento supra, contido no artigo 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, também não merece prosperar a decisão recorrida que considerou o combustível, como custo/despesa que não dá direito a crédito. 23. 0 posicionamento equivocado, foi tomado pela decisão recorrida, mesmo após a Recorrente ter esclarecido que "o combustível é utilizado "em caminhão próprio da empresa no transporte da matéria prima 'Couros Innatura' até a indústria Fl. 245DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 1/04/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 12 onde se inicia a primeira etapa do processo de industrialização". 24. Ora, se o combustível está relacionado ao transporte da matéria prima até a indústria para a realização da primeira etapa da industrialização, o mesmo deve ser considerado como custo/despesa com direito a crédito, uma vez que se enquadra no texto legal do inciso II, do artigo 3° da Lei 10.833/2003, que dispõe: "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes". 25. Pelo exposto, REQUER seja reformada a decisão recorrida, para considerar os créditos decorrentes das aquisições de combustíveis e manutenção veicular. II. B.3) Das despesas com Exportação 26. Dentro das despesas com Exportação, a decisão recorrida indevidamente, considerou sem direito a crédito, a aquisição de serviço contratado de pessoa jurídica, referente à "estufamento de containeres". 27. Ao contrario do entendimento adotado, os serviços acima relacionados estão diretamente ligados A armazenagem, uma vez que se trata de forma eficaz de se acondicionar a mercadoria dentro dos containeres para armazenagem e embarque. 28. 0 termo armazenagem contido no inciso IX, do artigo 3° da Lei 10.833/2003, é amplo e não pode ser restringido pela autoridade como aquele decorrente de despesa com armazém. 29. Portanto, REQUER seja reformada a decisão recorrida, para considerar os créditos decorrentes das aquisições de serviços de "estufamento de containeres". Primeiramente, vejamos como a legislação tributária disciplina o que deve ser considerado custo/despesa para efeito de reconhecer o direito ao crédito De acordo com o disposto na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 3º, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a bens e serviços, utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2° da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI: (Redação dada pela Lei n° 10.865, de 2004) (...) Fl. 246DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 1/04/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 10930.003474/200406 Acórdão n.º 3403001.524 S3C4T3 Fl. 213 13 IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...) Art. 92, da mencionada lei estabelece: Art. 92. A Secretaria da Receita Federal editará, no âmbito de sua competência, as normas necessárias à aplicação do disposto nesta Lei. A IN SRF nº 404, de 12 de março de 2004, art. 8º, determina de que forma será feito o cálculo do crédito da Cofins nãocumulativa que a pessoa jurídica pode descontar e o conceito de insumo. Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 1º do art. 4º; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; II das despesas e custos incorridos no mês, relativos: a) a energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; b) a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos à pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; c) a despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos tomados de pessoa jurídica, exceto quando esta for optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples); d) a contraprestação de operações de arrendamento mercantil pagas a pessoa jurídica, exceto quando esta for optante pelo Simples; e e) a armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor; III dos encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, relativos: Fl. 247DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 1/04/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 14 a) a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos no País para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; b) a edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados na atividade da empresa; e IV relativos aos bens recebidos em devolução, no mês, cuja receita de venda tenha integrado o faturamento do mês ou de mês anterior, e tenha sido tributada na forma desta Instrução Normativa. § 1º Não gera direito ao crédito o valor da mãodeobra pago a pessoa física. § 2º O crédito não aproveitado em determinado mês pode ser utilizado nos meses subseqüentes. § 3º Para efeitos do disposto no inciso I, deve ser observado que: I o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidente na aquisição, quando recuperável, não integra o valor do custo dos bens; e II o Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) integra o valor do custo de aquisição de bens e serviços. § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Inferese dos dispositivos transcritos que, a legislação prevê de forma criteriosa quais os bens, serviços, custos e despesas que estão aptos a gerar créditos que poderão ser descontados. Na mesma linha, a própria legislação tributária que versa sobre a matéria tratou de esclarecer que são considerados “insumos” somente os materiais ou serviços efetivamente utilizados ou consumidos diretamente no processo produtivo. Assim sendo, Fl. 248DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 1/04/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 10930.003474/200406 Acórdão n.º 3403001.524 S3C4T3 Fl. 214 15 despesas com comissões, com exportação e outras não intrinsecamente relacionadas com a fabricação dos produtos destinados à venda, como as do caso em questão, não podem ser aproveitadas no cálculo da contribuição apurada de acordo com o regime de incidência não cumulativa. Assim, é forçoso concluir que, embora a recorrente entenda de forma diferente, as despesas pagas a título de comissões, decorrentes da aquisição de couro bovino, não se enquadram no conceito de insumo por não ter uma aplicação direta no processo produtivo. Sendo assim, não gera crédito na sistemática nãocumulativa da Cofins. Quanto às despesas com combustíveis e lubrificantes, gastos realizados no transportes da matériaprima, mantenho meu entendimento em outros julgados, que por ocorrerem em etapa integrante do processo produtivo, reconheço a tomada de créditos por essas aquisições. Nesse ponto, com razão a recorrente. No tocante os serviços de “estufamento de containeres”, classificada pela recorrente como despesas de armazenagem passíveis de creditamento, quando intimada a esclarecer sobre os serviços de estufamento de container, a recorrente esclareceu: (... o serviço de estufamento consiste no carregamento de paletes para o container e que após a estufagem os containeres são disponibilizados para o Terminal de carregamento onde são embarcados em navios para exportação ao destino. Considerando os esclarecimentos prestados pela autoridade fiscal e pela recorrente entendo que o serviço de acondicionamento de mercadorias nos containeres não se caracterizam como despesas de armazenagem, segundo o art. 3º, IX da Lei nº 10.833, de 2003. Desse modo, não vejo que mereça reparo a decisão recorrida. Quanto à aplicação da taxa Selic sobre valor a ser ressarcido Como se extrai do texto legal, a seguir transcrito, o ressarcimento de direito creditório de natureza tributária não foi contemplado com a correção pela taxa SELIC como deseja a recorrente. Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. (...) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (Vide Lei nº 9.532, de 1997)”(grifado) Fl. 249DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 1/04/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 16 Na hipótese dos autos, é incontroverso que se está diante de ressarcimento, de modo que as disposições atinentes à restituição somente lhe são extensíveis por intermédio da lei, não sendo possível através de esforço interpretativo ou por adoção de analogia, justamente porque são, a meu ver, institutos diversos. Ademais, no caso concreto, o art. 13 da Lei nº 10.833, de 2003, veda expressamente a atualização monetária ou incidência de juros sobre os valores ressarcidos. Assim determina o dispositivo legal: Art.13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Como se vê, diante dos dispositivos legais transcritos, é incabível a incidência de juros compensatórios com base na taxa Selic sobre valores a titulo de ressarcimento de créditos relativos à Cofins como pretende a recorrente, por falta de previsão legal. Portanto, não cabe reforma a decisão recorrida. Da conclusão Ante todo exposto, voto no sentido dar provimento parcial ao recurso quanto à tomada de crédito pelas aquisições de combustíveis utilizados no transporte de matéria prima. É como voto. Liduína Maria Alves Macambira Fl. 250DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 1/04/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA
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Numero do processo: 11831.002293/2007-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2003 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE DE ASSOCIAÇÃO DE TAXISTAS PELA RETENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS PELOS SEUS ASSOCIADOS. IMPOSSIBILIDADE.
A aferição indireta do fato gerador não pode ser feita de forma
indiscriminada pela fiscalização tributária. A ausência dos elementos necessários para constatação do tributo acarreta a nulidade da aferição indireta e o lançamento de ofício.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2301-002.640
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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RESPONSABILIDADE DE ASSOCIAÇÃO DE TAXISTAS PELA RETENÇÃO DAS CONTRIBUIÇOES DEVIDAS PELOS SEUS ASSOCIADOS. IMPOSSIBILIDADE. A aferição indireta do fato gerador não pode ser feita de forma indiscriminada pela fiscalização tributária. A ausência dos elementos necessários para constatação do tributo acarreta a nulidade da aferição indireta e o lançamento de ofício. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela ASSOCIAÇÃO DE TAXISTAS CHAME TAXI, em face de Acórdão prolatado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SPI), que julgou procedente em parte o auto de lançamento. 2. De acordo com o relatório fiscal, cuidase de lançamento da retenção das contribuições sociais devidas pelo contribuinte individual (transportador autônomo prestadores de serviço), conforme disposto no art. 4° da Lei 10.666/03, relativo ao período de 04/2003 a 12/2006. 3. Atendendo solicitação de esclarecimentos pedidos pela DRJ/SP, houve relatório complementar de ff. 1027 a 1032, que esclareceu a natureza do débito: “deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições do contribuinte individual a seu serviço conforme disposto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 30, I, "a", e alterações posteriores, e Lei nº 10.666, de 08/05/2003, art. 4º, "caput" e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 216, I, "a". A partir de 01/04/2003, a contribuição a ser descontada pela empresa, em razão da dedução prevista no parágrafo 4° do art. 30 da Lei 8.212/91, corresponde a 11% do total da remuneração paga ou creditada, a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado contribuinte individual, observado o Limite Máximo do salário de contribuição. 3. Para o período de 04/2003 a 12/1/2006, que são os valores consolidados na NFLD N° 37.102.3688, os débitos foram levantados por aferição por não ter sido apresentado pela empresa os descontos exigidos pela legislação previdenciária dos recolhimentos dos contribuintes individuais, taxistas autônomos” (f. 102). 4. A ementa do acórdão de primeira instância restou lavrada nos termos que abaixo se transcreve: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Períodode apuração: 01/04/2003 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS RETIDASDOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. A empresa é obrigada a arrecadar e a recolher as contribuições dos segurados contribuintes individuais a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração. Artigo 30, inciso I, alíneas a e b e art. 33, §5°, da Lei 8.212/91 c/c art. 4° da Lei 10.666/03, com a redação da Lei 11.488/07. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO DE CONDUTOR DE VEÍCULO RODOVIÁRIO O salário de contribuição do condutor autônomo de veículo rodoviário (inclusive o taxista), do auxiliar de condutor autônomo e do operador de máquinas, bem como do cooperado filiado à cooperativa de Fl. 2DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11831.002293/200788 Acórdão n.º 2301002.640 S2C3T1 Fl. 1.261 3 transportadores autônomos, conforme estabelecido no §4° do arl 201 do RPS, corresponde a vinte por cento do valor bruto auferido pelo frete, carreto, transporte, não se admitindo a dedução de qualquer valor relativo aos dispêndios com combustível e manutenção do veículo, ainda que parcelas a este título figurem discriminadas no documento. AFERIÇÃO INDIRETA. Não obstante seja procedimento excepcional, a aferição indireta encontrase perfeitamente autorizada, nos termos do art. 33, §3° da Lei 8.212/91, na hipótese de não apresentação pelo contribuinte dos documentos regularmente solicitados pela Fiscalização. MULTA. Sobreas contribuiçoes sociais em atraso incide multa de mora, que não pode ser relevada pela Administração. Art. 35, da Lei 8.212/91. JUROS. TAXA SELIC. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa SELIC. Art. 34 da Lei 8.212/91. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A., solicitação de prova pericial deve obedecer ao disposto no art. 16, IV do Decreto n° 70.235/72 e poderá ser indeferida se a autoridade julgadora entender prescindível ou impraticável conforme art. 18 do mesmo diploma legal. Lançamento Procedente em Parte” 5. Ante a prolação do Acórdão supracitado, o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário, alegando, em síntese que: a) inexiste fundamentação legal para a aferição indireta da base de cálculo da contribuição lançada; b) o lançamento teria violado os princípios da legalidade e razoabilidade; c) não haveria a o pressuposto material da exação, uma vez que a associação não presta serviços; d) não haveria responsabilidade tributária entre a associação e seus associados; e) a penalidade arbitrada de trinta por cento teria caráter confiscatório; f) por fim, a inaplicabilidade da taxa Selic. 6. Sem contrarrazões, os autos foram encaminhados a esta Câmara para apreciação do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 Voto Conselheiro Relator Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA AFERIÇÃO INDIRETA 2. Cuidase de lançamento para exigir os valores devidos em razão da não retenção de contribuições sociais pela prestação de serviço de transportador (taxistas autônomos). 3. Nos presentes autos, a autoridade previdenciária aferiu indiretamente o fato gerador da obrigação principal, de acordo com o informado no relatório fiscal. O motivo da aferição indireta foi que no período a empresa não recolheu a contribuição relativa ao transportador autônomo, prestador de serviço. No caso, o fisco poderia ter se valido de outros instrumentos para determinar a ocorrência do fato gerador. 4. A fiscalização considerou a recorrente com sendo uma empresa com finalidade lucrativa, e os seus associados como “contribuintes individuais, taxistas autônomos” (f. 102), o que não condiz com o fundamento legal utilizado, que trata de empregados e trabalhadores avulsos (art. 30, I, "a" da Lei n. 8.212/91). 5. Com relação ao art. 30, I, "a" da Lei n. 8.212/91, auferido indiretamente, o texto legal tem a seguinte redação: “Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração;”. 6. A aferição indireta do fato gerador, contudo, não pode ser feita de forma indiscriminada pela fiscalização tributária. Nesses casos, incumbe ao agente do fisco: (1) apontar a fundamentação jurídica do procedimento adotado, (2) justificar de forma inequívoca o motivo da tomada indireta, fazendo constar a motivação do lançamento de ofício, e (3) a indicação expressa da forma de aferição do débito fiscal, objetivando os elementos constantes da obrigação tributária. 7. A inobservância dos requisitos ensejadores da aferição indireta acarreta a nulidade do lançamento. Nesse sentido é a jurisprudência deste Conselho: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/1996 a 30/04/1998 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11831.002293/200788 Acórdão n.º 2301002.640 S2C3T1 Fl. 1.262 5 AFERIÇÃO INDIRETA. NÃO INDICAÇÃO DO FUNDAMENTO LEGAL. NULIDADE. I A ausência de indicação do fundamento de direito que autoriza o procedimento de aferição indireta das contribuições previdenciárias, não constando especificamente em nenhuma passagem dos autos, vicia o procedimento fiscal, impondo a sua nulidade. Processo Anulado” (Segundo Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária. Acórdão nº 20600170 do Processo 35950004094200635. Data21/11/2007). 8. Assim, no caso em concreto há que ser observado se a fiscalização justificou de forma inequívoca o motivo da aferição indireta, com a indicação dos elementos ensejadores da apuração do débito fiscal. 9. No caso dos autos, está caracterizada a apresentação de elementos mínimos para viabilizar a averiguação do crédito previdenciário. 10. O arbitramento exige maiores cautelas e um maior esforço da fiscalização para intimar e reintimar o contribuinte esgotando, o máximo possível, as possibilidades de realizar o lançamento sem esse recurso excepcional. Sem dúvida, apenas por ser extensa a documentação sujeita à análise, não configura que a fiscalização tenha esgotado os meios possíveis para efetuar o lançamento por meios diretos. 11. Verificase, portanto, a nulidade da aferição indireta da base de cálculo, uma vez que foram apresentados os elementos necessários para constatação do tributo. 12. De qualquer forma, a autuação teve como ponto fulcral a relação de prestação de serviços dos taxistas associados com a recorrente, conforme se extrai do relatório complementar: “8.0 Fica claro nessa relação comercial que tanto a contratada quanto a contratante são pessoas jurídicas, sendo assim, a relação de prestação de serviços dos taxistas associados é com a própria Chame Táxi, devendo ser ela responsável tanto pelo recolhimento da contribuição de 20% devida sobre remunerações pagas ou creditadas a seus associados como arrecadar o desconto das remunerações das contribuições do contribuinte individual a seu serviço a partir de 04/2003. A legislação previdenciária, ao definir como se dará o financiamento da Seguridade Social, equipara as Associações às empresas para fins de cumprimento das obrigações previdenciárias (Lei 8.212, art 15, parágrafo único).” (grifamos) (f. 1030) 13. Porem, como fica claro da análise dos autos, a recorrente funcionava como uma captadora de clientela para os seus associados, onde estes, em regime de cooperação, atendiam aos eventuais passageiros. Não houve, portanto, prestação de serviços diretamente à recorrente ou mesmo relação jurídica entre o contribuinte e os motoristas que atendiam as chamadas, recebendo, inclusive, as importâncias pelas “corridas” diretamente dos passageiros. 14. É dizer: a recorrente é associação civil, em que seus associados atuam no ramo de transporte de passageiros (taxistas), sem finalidade lucrativa ou econômica em relação à entidade associativa, tendo por objetivo principal a disponibilização de meios de contato não Fl. 5DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 onerosos aos seus associados, possibilitandolhes a prestação de serviços comuns de rádio táxi aos passageiros, ou seja, sequer se aproxima do conceito de sociedade empresarial. 15. Nesse sentido, conforme se infere da leitura do seu estatuto social, a recorrente tem como objetivo principal “os serviços de comum Rádio Taxi, oferecendo aos Taxistas filiados e usuários em geral por tempo indeterminado, melhores condições no atendimento e maior segurança” (f. 36). 16. Mesmo com relação aos convênios formados com terceiros, o próprio fisco reconhece a prestação de serviços dos taxistas diretamente com os passageiros indicados pela empresa conveniada: “Os valores apontados são individuais em função da remuneração auferida pelo taxista no mês e comprovado pelo boleto entregue por ele na Associação, referente a cada transporte efetuado para empresas conveniadas” (f. 1029). 17. A principal atividade desenvolvida pela recorrente em benefício dos seus associados é a manutenção permanente de uma central de chamadas telefônicas, a fim de representar (mandatária) os associados perante os contratantes (terceiro pessoa física ou jurídica) dos serviços de transporte de passageiros, os quais são efetivamente prestados pelos associados da recorrente (taxistas) sem qualquer subordinação jurídica. 18. Admito até que haja repasse de valores pelos taxistas à recorrente a título de manutenção dos serviços de chamada ou mesmo de contribuições, mas não elevo tais quantias ao grau de base de cálculo para efeito de tributação. Eis que a dinâmica dos pagamentos não estão capituladas corretamente na legislação como fato gerador de contribuição social previdenciária, na forma trazida nos autos. 19. Verificase, portanto, a improcedência do lançamento fiscal, uma vez que foram apresentados os elementos necessários para fiscalização tributária. CONCLUSÃO 20. Dado o exposto, conheço do recurso voluntário, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 6DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 35379.000118/2007-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 18/04/2006
PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESATENDIMENTO SOLICITAÇÃO DO FISCO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO.
Deixar de atender a solicitação fiscal para apresentar documentos
relacionados às contribuições previdenciárias caracteriza infração à legislação por descumprimento de obrigação acessória.
INFRAÇÃO. APURAÇÃO DE PERÍODO DECADENTE E NÃO DECADENTE. PENALIDADE FIXA NÃO VINCULADA AO NÚMERO DE INFRAÇÕES.
Para as autuações em que não há alteração do valor da penalidade em função do número de infrações verificadas, o fato de haver ocorrências em períodos alcançados pela decadência não torna o lançamento improcedente, desde que haja infração detectada em período em que o fisco ainda poderia aplicar a multa.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 2401-000.999
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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SS MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 35379.000118/2007-17 Recurso n° 146.254 Voluntário Acórdão n° 2401-00.999 — 4' Câmara / la Turma Ordinária Sessão de 23 de fevereiro de 2010 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente CERBEL BARRETOS DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA - SRP ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 18/04/2006 PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESATENDIMENTO SOLICITAÇÃO DO FISCO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO. Deixar de atender a solicitação fiscal para apresentar documentos relacionados às contribuições previdencidrias caracteriza infração à legislação por descumprimento de obrigação acessória. INFRAÇÃO. APURAÇÃO DE PERÍODO DECADENTE E NÃO DECADENTE. PENALIDADE FIXA NÃO VINCULADA AO NÚMERO DE INFRAÇÕES. Para as autuações em que não há alteração do valor da penalidade em função do número de infrações verificadas, o fato de haver ocorrências em períodos alcançados pela decadência não torna o lançamento improcedente, desde que haja infração detectada em período em que o fisco ainda poderia aplicar a multa. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4a Câmara / la Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. ELIAS SAM AIO FREIRE - Presidente \L14V- \LP/ KLEBER FERREIRA DE A l'.110 — Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhdes de Oliveira. % 2 Processo n°35379.000118/2007-17 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.999 Fl. 89 Relatório Trata-se do Auto de Infração — AI no 35.736.257-8, com lavratura em 18/04/2006, posteriormente cadastrado na RFB sob o número de processo constante no cabeçalho. A penalidade aplicada foi de R$ 11.017,50 (onze mil e dezessete reais e cinquenta centavos ). De acordo corn o Relatório Fiscal da Infração, fl. 04, a empresa, mesmo regulalluente intimada, deixou de apresentar os Livros Diário dos períodos de 01/1996 a 12/2000 e as folhas de pagamento de 01/1996 a 02/2001. A autuada apresentou impugnação, fls. 16/31, cujas razões não foram acatadas pelo órgão de primeira instancia que declarou procedente a autuação, fls. 44/53. Não se conformando, a autuada interpês recurso voluntário, fls. 59/74, no qual alega, em síntese que: a) o fisco já não poderia exigir as contribuições relativas aos fatos geradores constantes nos documentos que deixaram de ser exibidos, em razão do transcurso do prazo decadencial; b) a multa aplicada não pode subsistir posto que fixada em ato do Poder Executivo, contrariando o principio da tipicidade tributária; c) não consta do lançamento informações sobre a natureza dos valores apontados, não se sabendo se são verbas salariais. Pede a nulidade do lançamento. o relatório. Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator 0 recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade, além de que a recorrente possuía decisão judicial garantindo o seguimento do recurso independentemente de deposito prévio. Vamos a preliminar de decadência. t cediço que após a edição da Súmula Vinculante n° 08, de 12/06/2008 (DJ 20/06/2008), o prazo de que dispõe o fisco para a constituição do crédito tributário relativo As contribuições previdenciárias passou a ser regido, com efeitos retroativos, pelas disposições do Código Tributário Nacional — CTN, posto que o art. 45 da Lei n° 8.219/1991 foi declarado inconstitucional. Esse posicionamento da Corte Maior traz impacto não so em relação As exigência fiscais decorrentes do inadimplemento da obrigação principal, mas interfere também nos lançamentos das multas por desobediência a deveres instrumentais vinculados A fiscalização das contribuições. Por conta disso, uma vez ocorrida a infração teria o fisco o prazo de cinco anos para efetuar o lançamento da multa correspondente. Porém, para a infração sob desvelo — deixar de apresentar os documentos solicitados - é necessário que se perquira acerca da efetiva ocorrência da infração, tomando-se como critério o prazo decadencial de cinco anos previsto no CTN. Entendo que a infração somente restaria configurada, caso o fisco ainda pudesse exigir os papeis daquele período. 0 prazo para a guarda documental aparece previsto no art. 32, § 11, da Lei no 8.219/1991. Eis a redação da época do lançamento: § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante clef anos, a disposição da fiscaliza cão. A constatação de que esse dispositivo não teve a sua inconstitucionalidade declarada pelo STF poderia levar-nos a fixar o entendimento de que, embora o fisco somente possa lançar contribuições dentro do prazo de cinco anos, a obrigação dos contribuintes de guardar os documentos e livros por dez anos persiste e, por conseguinte, a autuação em tela, pelo menos com relação a esse aspecto, seria legitima. Todavia, imagino não ser a melhor exegese. A norma que prescreve a obrigação de guardar os documentos, por veicular um dever tributário do tipo instrumental, deve ser interpretada a luz do art. 113 do CTN, in verbis: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. 4 Processo n°35379.000118/2007-17 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.999 Fl. 90 § 2° A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3° A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária. (grifei) Está estampado no § 2.° acima que a obrigação acessória deve necessariamente vincular-se a um interesse da arrecadação ou fiscalização, o que nos leva ao entendimento, a contario sensu, de que não é legitima uma obrigação que não apresente a finalidade de favorecer a atividade da máquina do fisco, qual seja a arrecadação de tributos ou outra situação que o caso concreto possa fazer surgir. Posso concluir, então, que a obrigação de guardar livros e documentos por prazo superior aquele que a auditoria dispõe para lançar a contribuição não deve subsistir, posto que desprovida de razoabilidade, dito de outro modo, não se pode instituir um ônus ao sujeito passivo sem que se justifique a serventia de tal medida como necessária ao fisco para cumprir o seu mister. Fosse a solicitação baseada em justificativa plausível, v.g., para instruir um processo de concessão de beneficio, haveria motivação e, ai sim, poder-se-ia aplicar o art. 32, § 11, da Lei n° 8.212/1991, haja vista que a obrigação acessória estaria claramente lastreada em uma necessidade da Auditoria. A data da solicitação documental foi 03/01/2006 (vide fls. 9/10) e a documentação tida como não apresentada é relativa ao período 01/1996 a 12/2000, para os Livro Diário e 01/1996 a 02/2001, para as folhas de pagamento. Vê-se, então, que houve a exigência de livros e documentos concernentes a fatos geradores ocorridos a mais de cinco anos do momento da solicitação, para os documentos até 12/2000, todavia, as folhas de pagamento das competências 01 e 02/2001, pelo critério de contagem do prazo decadencial do art. 173, I, do CTN, ainda poderiam ser solicitadas, haja vista que as contribuições relativas a essas competências não haviam sido alcançadas pela decadência em 03/01/2006. Como a multa para a infração sob enfoque é calculada por ação fiscal, não dependendo da quantidade de ocorrência, não se configurando a decadência para todo o período, deve subsistir a penalidade na integra. Passo agora a tratar da possível ofensa ao principio tributário da estrita legalidade em razão da fixação da multa por decreto. A Lei n.° 8.212/1991 estipula o piso e o teto de valores para fins de aplicação das penalidades decorrentes de descumprimento da legislação previdencidria. Perceba-se que o legislador remeteu ao RPS o disciplinamento da matéria, bem como, estabeleceu a forma de reajustamento desses valores, o qual deverá observar o mesmo índice aplicável aos beneficios pagos pela Previdência Social. Eis os dispositivos que tratam do tema: Art.92.A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. (..) Art.102. Os valores expressos em cruzeiros nesta Lei serão reajustados, a partir de abril de 1991, à exceção do disposto nos arts. 20, 21, 28, ,sS' 5 0 e 29, nas mesmas épocas e dom os mesmos indices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social, neste período. Atendendo aos comandos noimativos acima, o RPS fixou a multa para a infração em tela, nos seguintes termos: Art.283.Por infração a qualquer dispositivo das Leis n' 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicando-se-lhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: II-a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos)nas seguintes infrações: j)deixar a empresa, o servidor de órgão publico da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o sindico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial, de exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento ou apresentá-los sem atender às formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira; Diante dos dispositivos acima, não há o que se falar em afronta ao principio da estrita legalidade tributária, haja vista que a lei fixa os limites entre os quais devem situar-se os valores das multas, cabendo ao RPS apenas a aplicação individualizada dos valores previamente estampados na Lei n° 8.212/1991. Ressalte-se que não cabe nesse colegiado apreciação quanto constitucionalidade dessa previsão normativa, não é dado a órgão de julgamento administrativo lançar pronunciamento sobre inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. A esse respeito, trago a colação súmula aprovada pelo Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda em Sessão Plenária realizada no dia 18/09/2007, a qual versa acerca da impossibilidade de conhecimento na seara administrativa de questão atinente à inconstitucionalidade de ato noimativo. SÚMULA NO 2 6 Processo n°35379.000118/2007-17 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.999 Fl. 91 0 Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 23 de fevereiro de 2010 KLEBER FERREIRA DE ARA O - Relator 7
score : 1.0
Numero do processo: 10768.006766/2008-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SIMPLES NACIONAL
Ano-calendário: 2007
PEDIDO DE INCLUSÃO. MEIO INADEQUADO.
O pedido de opção pelo Simples Nacional, para o ano de 2007, devia ser realizado por meio da internet no período de 01/07/2007 a 20/08/2007.
Incabível a discussão administrativa das pendências eventualmente
existências se a contribuinte não formaliza sua opção na forma prevista na legislação.
Numero da decisão: 1101-000.720
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Edeli Pereira Bessa
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ementa_s : SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2007 PEDIDO DE INCLUSÃO. MEIO INADEQUADO. O pedido de opção pelo Simples Nacional, para o ano de 2007, devia ser realizado por meio da internet no período de 01/07/2007 a 20/08/2007. Incabível a discussão administrativa das pendências eventualmente existências se a contribuinte não formaliza sua opção na forma prevista na legislação.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1705; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 36 1 35 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10768.006766/200845 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 110100.720 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de abril de 2012 Matéria SIMPLES Nacional Inclusão Recorrente BAR FIDELENSE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 PEDIDO DE INCLUSÃO. MEIO INADEQUADO. O pedido de opção pelo Simples Nacional, para o ano de 2007, devia ser realizado por meio da internet no período de 01/07/2007 a 20/08/2007. Incabível a discussão administrativa das pendências eventualmente existências se a contribuinte não formaliza sua opção na forma prevista na legislação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Nara Cristina Takeda Taga. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10768.006766/200845 Acórdão n.º 110100.720 S1C1T1 Fl. 37 2 Relatório BAR FIDELENSE LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de JaneiroI que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que indeferiu sua solicitação de inclusão no SIMPLES NACIONAL. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Tratase de pedido de inclusão de oficio no Simples Nacional Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP) , de que trata o artigo 12 da Lei Complementar n° 123/2006. Em 15/10/2008 a contribuinte apresentou requerimento, por escrito (doc. de fls. 1), de inclusão no regime especial, pelo fato de a migração automática não ter sido efetivada, e de a empresa não ter impedimentos para que tal migração ocorresse, de acordo com o art. 17 da Lei Complementar n° 123/06. O pleito em questão , foi indeferido pela DICAT/DERAT/RJO (fls. 11), que entendeu não ter havido qualquer erro de processamento, já que não existia qualquer solicitação de opção formulada pela interessada, alertando, ainda, que a solicitação não fora encaminhada dentro do prazo legal disposto na Resolução CGSN n° 04/2007. Devidamente cientificada (fls. 12 v.) em 30/10/2009, a interessada, em 18/11/2009 (fls. 13) apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que: a) A empresa agendou a opção pelo Simples Nacional em 30/07/2007, com efeitos a partir de 01/01/2007; b) Como parte dessa missão, recolheu, na condição de ME/EPP os DARF gerados pelo sistema de pagamentos de tributos (PGDAS), a partir da competência julho de 2007; mas a empresa não migrou automaticamente para 2008, por motivo de ter pendência impeditiva, ou seja, parcelamento em andamento, sendo regularizada posteriormente; c) Requer, portanto, o acolhimento do presente feito. É o relatório. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que: • A opção pelo SIMPLES Nacional em 2007 podia ocorrer pela opção voluntária ou automática/tácita. Esta última ocorria se a pessoa jurídica não tivesse sido excluída do Simples, por decisão definitiva, até 30/06/2007, e não houvesse impedimento à opção pelo SIMPLES Nacional. • Inexiste indício nos autos de que a contribuinte tenha formalizado sua opção em 30/07/2007, após parcelamento em andamento ter impedido sua migração automática. O único documento apresentado foi uma consulta de optantes, com a orientação de como proceder, tendo em vista a sua não migração automática. Não há atos posteriores ou tentativas da empresa de Fl. 41DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10768.006766/200845 Acórdão n.º 110100.720 S1C1T1 Fl. 38 3 ingressar no Simples Nacional conforme o preceituado pela legislação norteadora da matéria. • Observa que a contribuinte deveria ter promovido a opção voluntária até 20/08/2007 exclusivamente pela Internet (art. 17 da Resolução CGSN nº 4/2007, alterada pela Resolução CGSN nº 19/2007), para que fosse feito um controle criterioso e sistematizado em relação a cada contribuinte, quanto aos requisitos exigidos pela legislação de cada um dos entes federativos envolvidos no deferimento da opção. Se assim procedesse, a contribuinte obteria todas as informações sobre eventuais pendências impeditivas existentes, de modo a poder solucionálas, a fim de ter confirmada sua opção pelo regime especial para o anocalendário de 2007. • Reportase a consulta ao Portal do Simples Nacional na internet telas de "Consulta Histórico da Empresa no Simples Nacional" (fls. 10), a qual revela que, para o anocalendário de 2007, não houve solicitação de opção pelo regime simplificado. • Esclareceu que os pagamentos efetuados por meio de DASSimples, não implica ter havido, por parte dos entes federativos envolvidos, deferimento quanto à opção pelo Simples, e que tampouco existe na legislação de regência dispositivo que autorize a inclusão de oficio no regime especial por esse motivo. Cientificada da decisão de primeira instância em 09/02/2010 (fl. 25), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 04/03/2010 (fls. 26), no qual aduz: II O Direito II.1 – PRELIMINAR A empresa notificada optou pelo Simples Nacional em 30/07/2007, produzindo efeitos a partir de 01/07/2007, muito embora não é demais observar que era optante do Simples Federal; II.2 – MÉRITO Observase que, as DASN's relativas aos anoscalendários foram transmitidas dentro do prazo e impostos recolhidos respectivamente em suas datas. Razão não há para que a peticionante seja desenquadrada do Simples Nacional. Termo de opção do Simples Nacional; Termo de opção do Simples Federal. A documentação acima discriminada e acostada juntamente com a presente defesa, tem por escopo comprovar que a empresa notificada optou pelo regime Simples Nacional desde o inicio data do primeiro agendamento e opção pelo regime Simples Federal. III A CONCLUSÃO Frisese ainda que para ganhar tempo na regularização das pendências para a o enquadramento no SIMPLES NACIONAL 07/2007 a empresa no período da "Solicitação de Opção" cumpriu as exigências, preenchendo no formulário padronizado da Receita Federal "INCLUSÃO NO SIMPLES NACIONAL", por não existir outros tipos de formulários como por exemplo: "REVISÃO NO SIMPLES NACIONAL" OU "REINCLUSÃO NO SIMPLES NACIONAL", deuse entender que Fl. 42DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10768.006766/200845 Acórdão n.º 110100.720 S1C1T1 Fl. 39 4 o contribuinte fez o primeiro pedido no período de 10/2008 quando na realidade a empresa agendou a solicitação no ano anterior para que pudesse ser enquadrada no Simples Nacional. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10768.006766/200845 Acórdão n.º 110100.720 S1C1T1 Fl. 40 5 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A Resolução CGSN n° 4, de 30/05/2007, posteriormente alterada pela Resolução CGSN nº 19, de 13/08/2007, assim dispôs: Art. 7° A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1° A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3o deste artigo e observado o disposto no § 3o do art. 21. [...] Art. 17. Excepcionalmente, para o anocalendário de 2007, a opção a que se refere o art. 7o poderá ser realizada do primeiro dia útil de julho de 2007 até 20 de agosto de 2007, produzindo efeitos a partir de 1o de julho de 2007. Alega a recorrente que, antes de apresentar, em 15/10/2008, o Pedido de Inclusão no SIMPLES Nacional que inicia estes autos, havia agendado a solicitação no ano anterior para que pudesse ser enquadrada no Simples Nacional. Nos autos, consta apenas uma impressão de Solicitação de Opção pelo Simples Nacional em 10/07/2008 (fl. 02) – informando a inexistência de solicitação de opção – e cópia dos documentos de arrecadação do SIMPLES Nacional (DAS) em 2007 (fl. 07/09). Por ocasião da manifestação de inconformidade, a contribuinte também juntou impressão de Termo de Opção pelo Simples Nacional vinculado a seu CNPJ, indicando que a solicitação foi efetuada, sem qualquer referência de data (fl. 14), mas antes disso a autoridade administrativa já havia demonstrado, em consulta ao histórico da empresa no SIMPLES Nacional, que houve uma solicitação apresentada em 26/01/2009, indeferida por pendências não resolvidas (fl. 10). Em seu recurso voluntário, a interessada apenas juntou extrato dos recolhimentos efetuados no âmbito do SIMPLES Nacional em 2007 (fls. 31/33). Inexistindo prova de opção anterior, resta apenas o pedido de inclusão retroativa de 15/10/2008 a ser apreciado. Se a contribuinte tivesse observado o que determinou a norma, seria possível, aqui, discutir as pendências que lá se apresentaram, inviabilizando sua adesão ao SIMPLES Nacional. Mas, da forma como procedeu, não há acusação a ser aqui debatida. Inútil cogitar das exigências, no âmbito da Receita Federal, que impediram sua migração automática pois não se sabe se outras pendências no âmbito estadual, municipal, ou mesmo previdenciário, subsistiriam a inviabilizar sua admissão no SIMPLES Nacional. A exigência legal de que a opção se desse pela Internet objetivava, justamente, a verificação informatizada dos requisitos previstos na legislação de cada um dos Fl. 44DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10768.006766/200845 Acórdão n.º 110100.720 S1C1T1 Fl. 41 6 entes federativos envolvidos no deferimento da opção. Ao proceder como previsto, dentro do prazo legal, a contribuinte teria conhecimento das eventuais pendências impeditivas existentes, de modo a poder solucionálas, a fim de ter confirmada sua opção pelo regime especial para o anocalendário de 2007, ou questionálas administrativamente. Aqui, porém, a contribuinte não observou a norma, e apresentou petição apenas à Receita Federal para que lhe fosse permitido o ingresso no SIMPLES Nacional, assim procedendo depois de expirado o prazo previsto para tanto. Correta, portanto, a decisão que indeferiu tal pedido por inadequação do meio utilizado. Diante do exposto, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 45DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10768.006766/200845 Acórdão n.º 110100.720 S1C1T1 Fl. 42 7 Fl. 46DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10280.901698/2009-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2007
ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MAIOR QUE O DEVIDO. ERRO NA
BASE DE CÁLCULO. INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
O recolhimento a título de estimativas em montante maior que o devido após
retificação na base de cálculo faz gerar indébito passível de repetição pela via
da compensação. Afastado o motivo jurídico do indeferimento da
homologação da compensação, cabe à unidade de origem analisar a
existência, suficiência e disponibilidade do crédito.
Numero da decisão: 1202-000.667
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a proposta de conversão do julgamento em diligência formulada pelo conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, vencido o proponente. Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso
voluntário, retornando o processo à repartição de origem para confirmação do crédito compensado.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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ERRO NA BASE DE CÁLCULO. INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O recolhimento a título de estimativas em montante maior que o devido após retificação na base de cálculo faz gerar indébito passível de repetição pela via da compensação. Afastado o motivo jurídico do indeferimento da homologação da compensação, cabe à unidade de origem analisar a existência, suficiência e disponibilidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a proposta de conversão do julgamento em diligência formulada pelo conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, vencido o proponente. Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, retornando o processo à repartição de origem para confirmação do crédito compensado. (assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Fl. 160DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901698/200983 Acórdão n.º 120200.667 S1C2T2 Fl. 146 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno e Eduardo Martins Neiva Monteiro. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901698/200983 Acórdão n.º 120200.667 S1C2T2 Fl. 147 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte em face de decisão de primeira instância que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório denegatório da homologação da compensação declarada em PER/DCOMP. A homologação da compensação foi denegada na unidade de origem sob o fundamento de que, em se tratando o crédito de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, este somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Na manifestação de inconformidade, o contribuinte descreveu, inicialmente, os seguintes fatos, in verbis: 0 Banco procedeu a compensação via PER/DCOMP, utilizando se do crédito de estimativa de IRPJ base abr/06, no valor de R$4.489,69, decorrente do valor pago a maior em 31.05.2006, considerando que a base estimada foi com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução, para guitar os seguintes débitos: IRPJ base estimada de out/2005, no valor de R$ 3.310,74, mais juros/multas, totalizando R$4.489,69. Importa esclarecer que o valor apurado de IRPJ base abr/2006, com base no balancete acumulado do período, foi declarado SRF, o valor de R$152.211,15, através de DCTF n° 25.27.77.69.5451, transmitida em 07.06.2006, devidamente registrado na contabilidade à época devida, e com alterações posteriores efetuadas ate 22.12.2006, em decorrência do Acórdão DRJ/BEL no 3.795, de 17.03.2005, a sua apuração passou a ser R$148.045,54, declarado em DCTF retificadora n° 25.88.29.31.3480, transmitida em 08.01.2007, passando a existir 'crédito de pagamento a maior do referido período( darf no valor total de R$152.211,15, pago em 31.05.2006) utilizado para compensar o IRPJ base out/2005, conforme PER/DCOMP n°28712.11429.291206.1.3.043728, totalizando R$4.489,69. Pediu a homologação da compensação realizada, invocando o art. 165 do CTN como fundamento principal do direito à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, no caso de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável. Especificou que, no caso em análise, tratase de pagamento a maior de IRPJ devidamente apurado por meio de balancete de suspensão ou redução, havendo a possibilidade de compensação imediata e inexistência de vedação legal, hipótese essa, segundo ele, distinta do simples pagamento a maior de estimativa. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901698/200983 Acórdão n.º 120200.667 S1C2T2 Fl. 148 4 Citou o art. 74 da Lei 9.430/96, com a redação dada pela Lei 10.637/2002, para amparar o seu direito à compensação pleiteada, assim como o art. 35 da Lei nº 8.981/95, o qual orientou seu procedimento na apuração do crédito. Aduziu que inexiste vedação legal para a compensação imediata de pagamento a maior de tributo indevidamente apurado por meio de balancete de suspensão ou redução. Criticou a interpretação literal do art. 10 da Instrução Normativa RFB nº 600/2005 dada pela decisão recorrida, aduzindo, em reforço, que a IN RFB nº 900/2008, em seu art. 34, §3º, inciso IX, não proíbe a compensação pretendida. Requereu, subsidiariamente, o afastamento da multa de mora respectiva, em conformidade com o disposto no art. 14 da Lei nº 11.488/2007, e a Medida Provisória n° 303/2006, alterando o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96, e com base no Parecer PGFN/CDA n° 777/2008, de 30/04/2008. Juntou cópia do balancete respectivo, dos extratos das DCTF originária e retificadora e da cópia do acórdão referido, a fim de comprovar seu direito. A DRJ/Belém julgou improcedente a manifestação de inconformidade, considerando a impossibilidade de compensar os recolhimentos, calculados segundo os critérios da Lei nº 9.430/1996, efetuados pelas pessoas jurídicas optantes pelo lucro real durante o anocalendário, por se caracterizarem, em princípio, antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração, não podendo ser considerados, a priori, como pagamentos indevidos ou a maior, mesmo quando haja apuração de prejuízo fiscal ao final do exercício. Referiuse a decisão ao art. 10 da IN SRF nº 460, de 18/10/2004, e ao art. 10 da IN SRF nº 600, de 28/12/2005, os quais, enquanto vigentes, determinaram que o pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL, a título de estimativa mensal, somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Manteve também a multa de mora, por se tratar de multa de natureza compensatória, devida em razão do prejuízo causado em virtude de atraso do cumprimento de uma obrigação que lhe é devida. A decisão recorrida teve a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ONUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. COMPENSAÇÃO. DCOMP. MULTA DE MORA. APLICABILIDADE. Descabe excluir a multa de mora no caso de recolhimento com atraso, no caso caracterizado pela entrega da DCOMP em data em que o débito já estava vencido. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901698/200983 Acórdão n.º 120200.667 S1C2T2 Fl. 149 5 Inconformado com o resultado do acórdão do qual foi cientificado em 10/12/10 (fl.126,v.), o contribuinte apresenta o recurso voluntário ora em julgamento, protocolizado em 06/01/11 (fls.127 e ss), nos mesmos moldes da manifestação de inconformidade, acrescentando a distinção entre os casos de pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento a maior de estimativa (IRPJ e CSLL), sujeita a apuração de saldo negativo passível de compensação somente no final do exercício, dos casos de emissão de balanço acumulado em que o contribuinte apura devidamente o crédito, por meio de balanço acumulado, podendo efetuar a compensação já no mês seguinte, como é o caso. Nos termos do art. 58, §8º, do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF, considerando que se trata de mesma questão jurídica, tendo sido utilizados os mesmos argumentos de defesa e as mesmas razões de decidir pelo colegiado a quo, serão apreciados conjuntamente os processos abaixo relacionados, os quais se referem às respectivas PER/DCOMP: PROCESSO NR.PER/DCOMP 10280901700/200914 29934.96823.291206.1.3.048020 10280900603/200912 25638.24072.211206.1.3.049206 10280901694/200903 25153.57480.211206.1.3.043050 10280901701/200969 18844.26431.291206.1.3.047718 10280901702/200911 42507.08057.291206.1.3.044079 10280901970/200925 18357.35012.291206.1.3.049453 10280901703/200958 26578.95543.291206.1.3.041912 10280901696/200994 32909.17212.291206.1.3.043236 10280901697/200939 16526.67481.291206.1.3.047035 10280901704/200901 00260.91646.291206.1.3.040552 10280901679/201091 08777.71029.310107.1.3.045580 10280901695/200940 20506.00720.291206.1.3.041899 10280901698/200983 28712.11429.291206.1.3.043728 10280901699/200928 11550.04167.230107.1.7.044845 10280901705/200947 09068.21813.291206.1.3.043592 É o relatório. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901698/200983 Acórdão n.º 120200.667 S1C2T2 Fl. 150 6 Voto Presentes os pressupostos recursais, inclusive o temporal, o recurso deve ser conhecido. A questão posta em análise resumese à possibilidade ou não de apuração de pagamento indevido ou a maior de tributo recolhido de forma antecipada, consoante a modalidade de tributação pelo lucro real anual, para fins de compensação com outros débitos. Sabese que o art. 74 da Lei nº 9.430/96 exige que o tributo a ser compensado seja passível de restituição. Resta definir se esse valor pago a maior, como alega a recorrente, pode ser incluído no conceito de indébito passível de restituição. Inicialmente, deve ser bem compreendida a modalidade de tributação pela sistemática das bases estimadas. A pessoa jurídica sujeita à apuração pelo lucro real tem, como alternativa à regra geral de apuração trimestral, a opção pela apuração de IRPJ e CSLL em período anual, ficando obrigada a fazer os recolhimentos de IRPJ e CSLL por antecipação mensal sobre base de cálculo estimada (art. 222, RIR/99). Art. 222. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto e adicional, em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada (Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). Parágrafo único. A opção será manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou de início de atividade, observado o disposto no art. 232 (Lei nº 9.430, de 1996, art. 3º, parágrafo único). A base de cálculo estimada resulta de percentual aplicado sobre a receita bruta mensal, acrescido das demais receitas (art.223, RIR/99), porém, o contribuinte, a cada mês, pode suspender ou reduzir o pagamento do tributo devido sobre aquela base, desde que demonstre, através de balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do tributo calculado sobre o lucro real do período (art. 230, RIR/99). Art. 223. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observadas as disposições desta Subseção (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). .............. Art. 230. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso (Lei nº 8.981, de 1995, art. 35, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). Fl. 165DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901698/200983 Acórdão n.º 120200.667 S1C2T2 Fl. 151 7 O contribuinte pode permanecer recolhendo sobre as bases estimadas em função da receita mensal, durante todo o anocalendário e, ao final, apurar o lucro real, ou, visualizando um cenário real de prejuízo ou lucro reduzido, pode elaborar balancete acumulado (o qual deverá refletir a situação contábilfiscal desde o início do ano até o último dia do mês a que se refere), e apurar a base de cálculo real do tributo devido no período. Após comparar os valores recolhidos por estimativa com o que seria efetivamente devido à vista do balancete, o contribuinte tem o direito de suspender o recolhimento do mês, se houver diferença a maior já recolhida, ou reduzir o valor calculado com base na receita bruta até o limite da diferença a menor apurada. No mês seguinte, assim como nos posteriores, caso queira proceder a uma nova suspensão ou redução do tributo devido, a cada mês, com base na receita mensal, o contribuinte deverá efetuar o mesmo procedimento. Nesse sentido dispõe a Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997, ainda em vigor, em seu art. 10: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso, é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado; II reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. § 1º A diferença verificada, correspondente ao imposto de renda pago a maior, no período abrangido pelo balanço de suspensão, não poderá ser utilizada para reduzir o montante do imposto devido em meses subseqüentes do mesmo anocalendário, calculado com base nas regras previstas nos arts. 3º a 6º. § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo ano calendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. Esta é, em suma, a sistemática da tributação pelo lucro real mensal, prevista no art. 2º da Lei nº 9.430/96, cuja opção tem caráter irretratável durante todo o anocalendário, conforme o art. 3º da mesma lei: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. ...................................... Fl. 166DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901698/200983 Acórdão n.º 120200.667 S1C2T2 Fl. 152 8 Art. 3º A adoção da forma de pagamento do imposto prevista no art. 1º, pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime do lucro real, ou a opção pela forma do art. 2º será irretratável para todo o anocalendário. Por sua vez, a Lei nº 8.981, de 20/01/95, é mais específica quanto ao papel dos balancetes como auxiliares para a determinação, não da base de cálculo para fins de recolhimento no mês, mas do limite do recolhimento com fulcro na base de cálculo estimada: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. [...] § 4º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.065, de 1995) (destaquei) Notase que, dentro da sistemática da tributação do lucro real anual, o levantamento de balancete de suspensão/redução acumulado de 1º de janeiro até o último dia de determinado mês serve unicamente para determinar qual o limite do recolhimento do tributo a ser realizado no mês, quando comparado com o tributo devido com base na receita bruta daquele mês. Caso, por exemplo, tenham sido efetuados recolhimentos durante os três primeiros meses do ano e se apure prejuízo fiscal, demonstrado através de levantamento mensal de balancetes acumulados, em todos os meses subsequentes, esses balancetes não servirão de comprovação de indébito em relação aos recolhimentos efetuados anteriormente, já que indébito não há. Por se tratar de fato gerador de natureza complexa, na tributação de IRPJ e CSLL pelo lucro real anual apenas a geração de saldo credor em função de prejuízo fiscal apurado ao final do anocalendário dará ensejo à caracterização do indébito, na forma determinada pela legislação acima referida. Quanto ao reconhecimento da possibilidade de restituição/compensação de indébito gerado a partir de recolhimentos indevidos a título de estimativas, cabe citar a evolução da legislação infralegal editada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, que, inicialmente, buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, como se vê: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa Fl. 167DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901698/200983 Acórdão n.º 120200.667 S1C2T2 Fl. 153 9 jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. (IN SRF nº 460, de 18/10/2004 e IN SRF nº 600, de 28/12/2005) Assim, a Administração apenas admitia a caracterização de indébito, em qualquer hipótese, após a verificação de saldo negativo na apuração anual do tributo, o qual seria atualizado, com juros à taxa SELIC, a partir do mês subsequente ao do encerramento do anocalendário, consoante o disposto no Ato Declatatório Normativo SRF nº 03/2000: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subsequente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Desde 30/12/2008, contudo, com a edição da IN RFB nº 900, a restrição à restituição dos recolhimentos a título de estimativa deixou de existir na esfera administrativa: Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Mas, mesmo no período anterior à vigência dessa norma, podese entender pela inexistência de restrição no tocante ao aproveitamento de recolhimentos por estimativa efetuados a maior, caracterizados como indébito, tendo em vista que não caberia ao legislador infralegal criar distinção onde a lei não criou. A interpretação a contrario sensu a norma legal que determina que o valor do imposto pago antecipadamente – na forma do art. 2º da Lei nº 9.430/96 – deve ser considerado na apuração anual, permite concluir que os excessos de recolhimento, considerando uma receita bruta indevidamente majorada ou um balancete retificado, por exemplo, caracterizamse como indébitos desde o seu nascedouro. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901698/200983 Acórdão n.º 120200.667 S1C2T2 Fl. 154 10 Nesse sentido, cabe citar jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais: Ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido a titulo de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo. (Acórdão nº 910100406, de 02/10/2009) A especificidade do caso ora analisado traduzse no fato de que, através de PER/DCOMP, a recorrente pleiteia a compensação de valor pago a maior apurado após levantamento de balancete de suspensão/redução, considerando os valores retificados, sendo que o valor originalmente recolhido também havia sido definido após o levantamento de balancete. Embora a recorrente aponte que a simples apuração através de balanço de suspensão/redução lhe daria o direito de compensar o montante recolhido a maior a partir do mês seguinte, a situação verificada nos autos é bem distinta, haja vista que houve retificação da própria base de cálculo do lucro real levantada no período. A recorrente alega que o Acórdão DRJ/BEL n° 3.795, de 17/03/2005, formalizado nos autos do processo nº 10280.005581/200209, juntado por cópia na fase de manifestação de inconformidade, conferiulhe o direito de reduzir a base de cálculo do tributo no período de apuração em questão. À vista de tal decisão, providenciou a retificação da DCTF, reduzindo o montante do tributo devido e, com ele, o aproveitamento do pagamento via DARF, o que resultou, segundo ela, num indébito tributário. Verificase que o acórdão referido pela recorrente como ensejador da alteração do montante apurado tratou de analisar um lançamento destinado à redução de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL apurados no ano de 1998. A parcela da autuação julgada improcedente, referente à possibilidade de dedução de determinadas despesas na apuração do lucro real, transitou em julgado na data da ciência (10/06/2005), porque o crédito tributário exonerado estava abaixo do limite de alçada fixado na legislação de regência, não se sujeitando ao recurso de ofício à instância superior. Disso se depreende, em tese, a justificativa de ter havido redução da base de cálculo do tributo devido por antecipação, ensejadora da retificação da DCTF respectiva, caracterizandose o indébito em função da retificação da base de cálculo do lucro real apurado no período. Como se trata de retificadora entregue em data posterior ao encerramento do exercício, quando já era possível verificar a existência de saldo negativo porventura existente, em que pese a pretensão de compensar crédito de estimativa, teria deixado de existir fundamento para a negativa da restituição/compensação do crédito. Todavia, na verdade, o que está em jogo é a data do início da atualização monetária, a depender do momento de caracterização do indébito: se na data do recolhimento da estimativa mensal ou na data da apuração do saldo negativo (31 de dezembro). Fl. 169DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901698/200983 Acórdão n.º 120200.667 S1C2T2 Fl. 155 11 A situação ora analisada, teoricamente, enquadrase na hipótese de caracterização de indébito gerado por recolhimento a maior a título de estimativa, considerando que a recorrente faz expressa referência a DCTF retificadora, onde passou a declarar um débito menor e, proporcionalmente, utilizouse de uma parcela menor do valor recolhido via DARF, gerando um crédito pela parcela recolhida a maior. Ao apresentar a DCTF retificadora, a recorrente desfez uma parte do crédito das estimativas incluído na apuração do saldo final do exercício, pretendendo compensar a parcela excedente com outro débito de estimativa. Conforme consta da impugnação e do recurso voluntário, a recorrente, inicialmente, informou em DCTF a obrigação de antecipar um valor de IRPJ (ou CSLL) no mês, recolheu esse valor e, posteriormente, o recalculou em razão do trânsito em julgado de decisão administrativa parcialmente favorável e informou o valor recalculado em DCTF retificadora. Em que pese não ter juntado a tela da DCTF retificadora em todos os processos analisados em conjunto, a juntada em alguns deles e a expressa referência em todos os recursos indica que foi realizado o mesmo procedimento. Diante disso, deve ser afastado o entendimento restritivo quanto à possibilidade de aproveitamento das estimativas recolhidas a maior, dado pela DRF e confirmado pela DRJ, o que não implica na automática homologação da compensação pretendida. O reconhecimento de direito creditório exige prova de sua liquidez e certeza, cumprindo ao contribuinte fazer prova inequívoca da base de cálculo correta do tributo que teria gerado o crédito. Todavia, no presente caso, em razão da negativa de homologação da compensação por motivo de direito, deixou de ser analisado o aspecto fático do crédito, como a sua existência, suficiência e disponibilidade para fins de homologação da compensação pretendida. A unidade de origem, responsável pela análise da compensação e, a priori, pela sua homologação, após verificar que se tratava de crédito decorrente de recolhimento efetuado a título de estimativa, estancou a análise nesse ponto. Concluindo não haver fundamentação jurídica para o pleito, consequentemente, deixouse de verificar a fundamentação fática no caso. Assim, resta verificar, no caso concreto, a existência de elementos de prova do crédito alegado para fins de homologação da compensação pretendida. Considerando a inexistência de prévia manifestação da autoridade competente sobre a liquidez e certeza do crédito, é de rigor que seja observada a competência original para a análise do crédito, não competindo a este órgão de julgamento em segunda instância manifestarse pela primeira vez sobre os elementos fáticos do processo. Assim, é possível concluir que, embora o direito seja bom, a homologação da compensação pretendida depende da comprovação da liquidez e certeza do crédito. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901698/200983 Acórdão n.º 120200.667 S1C2T2 Fl. 156 12 Com tais fundamentos, dou provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o argumento jurídico da não homologação, determinando o retorno do processo à unidade de origem para apuração da liquidez e certeza do crédito apontado na PER/DCOMP, bem assim a sua suficiência para quitar os débitos compensados, homologando ou não a compensação pretendida. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 171DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 35382.000785/2006-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 31/12/2005
REEMBOLSO SALÁRIO MATERNIDADE. IRREGULARIDADE FORMAL. AUSÊNCIA DE AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE NEGATIVA DO PLEITO DO CONTRIBUINTE.
O art. 142 do CTN impõe a necessidade de realização do lançamento diante da ocorrência do fato gerador, bem como nos casos de aplicação de penalidade pecuniária. Assim, não caberia o mero apontamento pelo órgão fazendário de que há irregularidade perante o Fisco, nesse caso deveria a fiscalização ter lançado o crédito respectivo.
Em virtude da irregularidade cadastral caberia aplicação de multa isolada (auto de infração por descumprimento de obrigação acessória). Contudo, não houve autuação.
A restituição somente poderia ser impedida na hipótese de existência de crédito já regularmente constituído. No caso, inexistindo o lançamento cabe a devolução dos valores.
Numero da decisão: 2302-001.706
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade, em conceder provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 31/12/2005 REEMBOLSO SALÁRIO MATERNIDADE. IRREGULARIDADE FORMAL. AUSÊNCIA DE AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE NEGATIVA DO PLEITO DO CONTRIBUINTE. O art. 142 do CTN impõe a necessidade de realização do lançamento diante da ocorrência do fato gerador, bem como nos casos de aplicação de penalidade pecuniária. Assim, não caberia o mero apontamento pelo órgão fazendário de que há irregularidade perante o Fisco, nesse caso deveria a fiscalização ter lançado o crédito respectivo. Em virtude da irregularidade cadastral caberia aplicação de multa isolada (auto de infração por descumprimento de obrigação acessória). Contudo, não houve autuação. A restituição somente poderia ser impedida na hipótese de existência de crédito já regularmente constituído. No caso, inexistindo o lançamento cabe a devolução dos valores.
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Recorrente MARIA DO CARMO OLIVEIRA Recorrida SRP SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 31/12/2005 REEMBOLSO SALÁRIOMATERNIDADE. IRREGULARIDADE FORMAL. AUSÊNCIA DE AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE NEGATIVA DO PLEITO DO CONTRIBUINTE. O art. 142 do CTN impõe a necessidade de realização do lançamento diante da ocorrência do fato gerador, bem como nos casos de aplicação de penalidade pecuniária. Assim, não caberia o mero apontamento pelo órgão fazendário de que há irregularidade perante o Fisco, nesse caso deveria a fiscalização ter lançado o crédito respectivo. Em virtude da irregularidade cadastral caberia aplicação de multa isolada (auto de infração por descumprimento de obrigação acessória). Contudo, não houve autuação. A restituição somente poderia ser impedida na hipótese de existência de crédito já regularmente constituído. No caso, inexistindo o lançamento cabe a devolução dos valores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade, em conceder provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Fl. 7DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Júnior e Eduardo Augusto Marcondes de Freitas. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35382.000785/200651 Acórdão n.º 230201.706 S2C3T2 Fl. 80 3 Relatório A recorrente solicitou reembolso do saláriomaternidade no período de 06/2005 a 10/2005, conforme fl. 01. A unidade da Receita Previdenciária solicitou a apresentação de documentos para instrução processual, fl. 30. Nova intimação solicitou documentos à interessada, fl. 40. A unidade da Receita Federal indeferiu o pleito da requerente, fls. 63 a 64, sob o argumento de que a situação cadastral seria irregular, pois a requerente não possuía inscrição no CNPJ. Inconformada, a requerente interpôs recurso voluntário, fls. 67. Alega em síntese que a documentação juntada em recurso é suficiente para reanálise do pedido. Não foram apresentadas contrarrazões. Decisão proferida por esta Turma, fl. 73, converteu o julgamento em diligência. Deveria a Receita Federal informar se o contribuinte encontrase sob ação fiscal, bem como o auto de infração ou a notificação fiscal lavrados, se fosse o caso, pois para impedir a restituição o débito teria que ser constituído pelo órgão fiscalizador. A Receita Federal prestou informações à fl. 77. É o relato suficiente. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator Apesar de haver uma falha procedimental − a Receita Federal não intimou a recorrente acerca do resultado da diligência −, não haverá necessidade de corrigila, pois o mérito aproveitará a recorrente. Conforme já consignado na Resolução de fl. 73, o art. 142 do CTN impõe a necessidade de realização do lançamento diante da ocorrência do fato gerador, bem como nos casos de aplicação de penalidade pecuniária. Assim, não caberia o mero apontamento pelo órgão fazendário de que há irregularidade perante o Fisco, nesse caso deveria a fiscalização ter lançado o crédito respectivo. A análise de possíveis distorções pode e deve ser realizada pela autoridade fiscal, contudo tal análise deve ser devidamente fundamentada, possibilitando um procedimento fiscal que confira a ampla defesa e o contraditório. Os autos de restituição não servem para discussão, assim caso a Receita Federal não confie nos dados apresentados deve apurar os fatos em ação fiscal, na qual tenha acesso a toda documentação necessária, se for o caso efetue o lançamento, possibilitando o procedimento adequado e idôneo para a defesa do contribuinte. Em virtude da irregularidade cadastral caberia aplicação de multa isolada (auto de infração por descumprimento de obrigação acessória). Contudo, não houve autuação, conforme informado pela própria Receita Federal à fl. 77. A presente restituição somente poderia ser impedida na hipótese de existência de crédito já regularmente constituído. No caso, inexistindo o lançamento cabe a devolução dos valores. CONCLUSÃO: Voto pelo conhecimento e provimento do recurso voluntário. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 10DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35382.000785/200651 Acórdão n.º 230201.706 S2C3T2 Fl. 81 5 Fl. 11DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.003327/2003-75
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano calendário:1997
CRECHE, PRÉ ESCOLA E ENSINO FUNDAMENTAL. ATIVIDADES VEDADAS DE OPÇÃO. EXCLUSÃO DO SIMPLES POR DECISÃO ADMINISTRATIVA DEFINITIVA. INCLUSÃO DESSAS ATIVIDADES NO SIMPLES PELA LEI Nº 10.034/2000. IN SRF Nº 115/2000. PEDIDO DE REINCLUSÃO RETROATIVA NO SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE.
PRECLUSÃO ADMINISTRATIVA.
Às pessoas jurídicas do ramo de atividade de creche, pré escola
e ensino fundamental, com opção manifestada pelo Simples antes de 25 de outubro de 2000, que tenham sido excluídas desse regime de tributação simplificado por decisão administrativa definitiva nos termos da legislação processual de regência, é vedada a reinclusão retroativa para os períodos de apuração
anteriores a 01/01/2001, em face da preclusão administrativa.
Numero da decisão: 1802-001.092
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Nelso Kichel
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário:1997 CRECHE, PRÉ ESCOLA E ENSINO FUNDAMENTAL. ATIVIDADES VEDADAS DE OPÇÃO. EXCLUSÃO DO SIMPLES POR DECISÃO ADMINISTRATIVA DEFINITIVA. INCLUSÃO DESSAS ATIVIDADES NO SIMPLES PELA LEI Nº 10.034/2000. IN SRF Nº 115/2000. PEDIDO DE REINCLUSÃO RETROATIVA NO SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO ADMINISTRATIVA. Às pessoas jurídicas do ramo de atividade de creche, pré escola e ensino fundamental, com opção manifestada pelo Simples antes de 25 de outubro de 2000, que tenham sido excluídas desse regime de tributação simplificado por decisão administrativa definitiva nos termos da legislação processual de regência, é vedada a reinclusão retroativa para os períodos de apuração anteriores a 01/01/2001, em face da preclusão administrativa.
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REINCLUSÃO RETROATIVA Recorrente ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL SOMAR S/C LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 1997 CRECHE, PRÉESCOLA E ENSINO FUNDAMENTAL. ATIVIDADES VEDADAS DE OPÇÃO. EXCLUSÃO DO SIMPLES POR DECISÃO ADMINISTRATIVA DEFINITIVA. INCLUSÃO DESSAS ATIVIDADES NO SIMPLES PELA LEI Nº 10.034/2000. IN SRF Nº 115/2000. PEDIDO DE REINCLUSÃO RETROATIVA NO SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO ADMINISTRATIVA. Às pessoas jurídicas do ramo de atividade de creche, préescola e ensino fundamental, com opção manifestada pelo Simples antes de 25 de outubro de 2000, que tenham sido excluídas desse regime de tributação simplificado por decisão administrativa definitiva nos termos da legislação processual de regência, é vedada a reinclusão retroativa para os períodos de apuração anteriores a 01/01/2001, em face da preclusão administrativa. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Catilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls.91/105 contra decisão da 1ª Turma da DRJ/Campinas (fls.87/88) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, denegando a reinclusão retroativa no Simples, quanto aos anoscalendário 1997 a 2000. Quanto aos fatos, consta que a contribuinte foi excluída do Simples pela RFB pelo ADE de 01/03/1999 (Lei nº 9.317/96, arts. 9º ao 16), cuja exclusão restou confirmada, definitivamente, pelo antigo 2º Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, conforme Acórdão nº 20212.570, Sessão de 08/11/2000, Presidente e Relator Marcos Vinicius Neder de Lima (Processo nº 10830.007022/9995). Entretanto, vários anos após, em 27/05/2003, a contribuinte protocolizou pedido de reinclusão retroativa no Simples a partir de 31/03/1997, gerando os presentes autos (01). A unidade de origem da RFB Seort da DRF/Campinas, deferiu parcialmente o pedido de reinclusão retrotiva, com efeito a partir de 01/01/2001, e não a partir de 31/03/1997, conforme despacho decisório, de 23/11/2007, que, em parte, transcrevo a seguir (fl. 69): (...) Trata o presente processo de pedido de reinclusdo no Simples Federal, conforme requerimento de fl. 01. A empresa optou por este sistema de tributação em 31/03/1997 e foi excluída em 01/03/1999. A exclusão se deu através do Ato Declaratório nº 113476, emitido eletronicamente pelo sistema SIVEX (Vedações e exclusões), motivada por atividade econômica não permitida, conforme pesquisas de fls. 56 e 59. Na verificação dos requisitos de admissibilidade ao Simples Federal, a Lei n° 10.034, art. 1º, de 24/10/2000, redação dada pela Lei n° 10.684 de 30/05/2003, excetuou as atividides de "Ensino préescolar e fundamental", conforme descritas no contrato constitutivo e alteração contratual de fls.04 e 06, da restrição de que trata o inciso XIII do art. 9° da Lei 9.317 de 05 de dezembro de 1996. Quanto às demais hipóteses de vedações, a simulação da Pesquisa prévia automatizadaPPA no SIVEXWEB, no atendimento a orientações contidas na Nota Fl. 113DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.003327/200375 Acórdão n.º 1802001.092 S1TE02 Fl. 2 3 Técnica Corat no 044/2006, atestou a inexistência de outras vedações, às fls. 68. Pelo exposto, tendo em vista que somente a partir de 24/10/2000 as atividades exercidas pelo contribuinte deixaram de ser vedadas ao Simples Federal, proponho a manutenção da exclusão efetuada em 01/03/1999, e a inclusão retroativa à 01/01/2001, uma vez atendidas as condições dispostas no ADE SRF nº 16, de 02/10/2002, conforme pesquisas de fls. 60, 62 a 67. De acordo. Pelos motivos acima expostos, DEFIRO PARCIALMENTE o pedido, com a manutenção da exclusão do Simples Federal efetuada em 01/03/1999 e a inclusão retroativa à 01/01/2001, (...) Inconformada com o deferimento parcial do seu pleito, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade junto à DRJ/Campinas, cujas razões, em síntese, são as seguintes (fls.72/85): que a pretensão de reinclusão retroativa no Simples, para os períodos de apuração de 31/03/1997 a 31/12/2000, decorre do fato do referido Acórdão do antigo Segundo Conselho de Contribuintes (Processo nº 10830.007022/9995), prolatado na Sessão de 08/11/2000, que confirmou definitivamente a exclusão do Simples, não ter aplicado o diploma legal vigente nessa data, ou seja, a Lei nº 10.034, de 24 de outubro de 2000, que passara a admitir a opção pelo Simples à atividade de "Ensino PréEscolar e Fundamental"; que os membros da 2ª Câmara do do antigo Segundo Conselho de Contribuintes, que julgaram o recurso em 08/11/2000, não atentaram para a edição da Lei n° 10.034/2000, que estava em pleno vigor; que inexistia vedação na Lei nº 10.034/2000 para sua aplicação retroativa; que essa 2ª Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes, meses depois, na Sessão do dia 30 de agosto de 2001, julgou recurso de outra escola de educação infantil, caso idêntico ao da recorrente, com outro posicionamento, ou seja, dando provimento ao recurso, aplicando retroativamente a Lei n° 10.034/2000 (Acórdão nº 20213.215, Sessão de 30/08/2001), cuja ementa é a seguinte: SIMPLES —OPÇÃO Com o advento da Lei n° 10.034/00, as empresas que se dedicam às atividades de creche, préescola e estabelecimentos de ensino fundamental passaram a poder optar pelo SIMPLES. Os efeitos dessa norma alcançam, também, as pessoas jurídicas optantes pelo Sistema que ainda não tenham sido definitivamente excluídas. Recurso provido. que, ainda, existem os Acórdãos nºs 20174.773 e 20307.132 determinando a aplicação retroativa da Lei nº 10.034/2000, desde a data de opção pelo Simples; que idêntico posicionamento deveria ter sido aplicado à recorrente (Processo nº 10830.007022/9995), pois o seu recurso foi julgado posteriormente ao início de vigência da Lei n° 10.034/2000; Fl. 114DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 que, na data de entrada em vigor da Lei n° 10.034/2000, a contribuinte não estava definitivamente excluída do SIMPLES, tendo em vista que havia recurso administrativo (Recurso Voluntário) pendende de apreciação; Por fim, diante dessas razões, a contribuinte pediu reinclusão no SIMPLES Federal desde 31/03/1997, pois, quando do advento da Lei n° 10.034, de 24 de outubro de 2000, a contribuinte ainda não havia sido definitivamente excluída do SIMPLES, bem como pugnou pela aplicação do princípio da retroatividade da lei mais benéfica e do princípio da isonomia. Por sua vez, a DRJ/Campinas, apreciando a manifestação de inconformidade, indeferiu a solicitação da contribuinte, cuja ementa do Acórdão transcrevo a seguir: (...) ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 1997 CRECHE. PRÉESCOLA. ENSINO FUNDAMENTAL. EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. Não podem permanecer no Simples Federal as pessoas jurídicas que tenham se dedicado a atividades de creche, préescola e ensino fundamental que, optantes da sistemática antes de 25 de outubro de 2000, foram dela excluídas de oficio, com os efeitos desta exclusão fixados para terem lugar antes da edição da Lei n° 10.034, de 2000. DECISÕES ADMINISTRATIVAS OU JUDICIAIS. A eficácia de decisões administrativas ou judiciais alcança apenas aqueles que originalmente figuraram na contenda. Solicitação Indeferida (...) Irresignada com esse decisum do qual tomou ciência em 21/05/2008 (fl. 90), a recorrente apresentou Recurso Voluntário em 30/05/2008 de fls. 91/105, reiterando as razões já apresentadas na primeira instância de julgamento, pedindo que seja acolhido o recurso voluntário, pugnando pela reinclusão retroativa no SIMPLES Federal desde 01/03/1997 (data da opção), pois, quando do advento da Lei n° 10.034, de 24 de outubro de 2000, ainda não havia sido definitivamente excluída do SIMPLES, invocando a aplicação dos princípios da retroatividade da lei mais benéfica e da isonomia. É o relatório. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.003327/200375 Acórdão n.º 1802001.092 S1TE02 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, o litígio versa acerca do indeferimento do pedido formulado em 27/05/2003 de reinclusão retroativa no Simples, quanto aos períodos de apuração de 31/03/1997 a 31/12/2000. Em relação aos períodos de apuração partir de 01/01/2001, a unidade de origem da RFB já deferiu a inclusão da recorrente no Simples, conforme despacho decisório de 23/11/2007 (fl. 69). Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo à análise do mérito do litígio. A contribuinte foi excluída do Simples pelo ADE da RFB de 01/03/1999, com efeito desde a data de opção pelo Simples (31/03/1997), por exercício de atividade vedada de opção pelo Simples, ou seja: creche, préescola e ensino fundamental (processo nº 10830.007022/9995) No âmbito daquele processo, a exclusão do Simples restou confirmada pela 2ª Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes, conforme Acórdão nº 202–12.570, Sessão de 08/11/2000, Relator e Presidente Marcos Vinicus Neder de Lima, cujo ementa desse decisium transcrevo a seguir: (...) SIMPLES OPÇÃO Conforme dispõe o item XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/96, não poderá optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica que preste serviços profissionais de professor ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. Recurso a que se nega provimento. (...) Essa decisão de exclusão do Simples, na seqüência, não foi objeto de recurso, tornandose definitiva no âmbito administrativo. Tratase, portanto, de matéria sobre a qual se operou a preclusão, não cabendo mais sua discussão na esfera administrativa. Entretanto, depois de vários anos dessa decisão definitiva de exclusão do Simples (naquele processo), a contribuinte, então, em 27/05/2003 (fl. 01), olvidando a citada preclusão, peticionou, neste processo, a reinclusão retroativa no Simples a partir de 31/03/1997 (data da opção primitiva), argumentando que: Fl. 116DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 a) não entendeu a razão pela qual, no citado processo de exclusão do Simples, a 2ª Turma do então Segundo Conselho de Contribuintes, na Sessão de 08/11/2000, deixara de aplicar retroativamente a Lei n° 10.034/2000, publicada e vigente desde 25/10/2000; b) a referida Lei permitiu a opção pelo Simples para a atividade econômica: creche, préescola e ensino fundamental; c) constatou, algum tempo depois de sua exclusão definitiva do Simples, que, em processo de outro contribuinte com idêntica atividade da recorrente, a referida 2ª Turma do então Segundo Conselho de Contribuintes, já com outro entendimento, dera provimento ao recurso voluntário, afastando a exclusão do Simples, determinando a aplicação retroativa da Lei nº 10.034/2000 (Acórdão nº 20213.215, Sessão de 30/08/2001). Em suma, a recorrente quer igualdade de tratamento, em face dessas decisões administrativas suscitadas. A irresignação da recorrente não merece prosperar. Inegavelemente, as decisões administrativas suscitadas tratam de similar problemática, ou seja, a exclusão do Simples por atividade econômica vedada de opção: creche, préescola e ensino fundamental quanto a períodos de apuração anteriores à vigência da Lei nº 10.034/2000, cuja razão de decidir, segundo a recorrente, teria que ser, em tese, a mesma nesses processos, porém não foi isso que aconteceu, pois naquele seu processo foi negado provimento ao recurso. Diversamente do entendimento da recorrente, entendo que os Acordãos citados da 2ª Câmara do então 2º Comselho de Contribuintes, embora diametralmente opostos, estão tecnicamente corretos! Na Sessão de julgamento de 08/11/2000, data em que foi proferio o Acórdão nº 20212.570, não havia previsão de aplicação retroativa da Lei nº 10.034/2000 para atividade de creche, préescola e ensino fundamental, pois a opção pelo Simples passou a ser possível, apenas, a partir de sua vigência. Já, na Sessão de 30/08/2001 (Acórdão nº 20213.215), a Lei nº 10.034/2000 foi aplicada retroativamente, em face de orientação constante da Instrução Normativa SRF nº 115, de 27 de dezembro 2000, que determinou no art. 1º, § 3º, a aplicação retroativa da Lei nº 10.034/2000 para contribuintes com processo de exclusão do Simples ainda pendente, em curso (exclusão do Simples ainda não definitiva), cuja opção havia sido manifestada anterior a 25 de outubro de 2000 e observadas certas condições, in verbis: Art.1º As pessoas jurídicas que se dediquem às atividades de creches, préescolas e estabelecimentos de ensino fundamental poderão optar pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES. § 1º A opção efetuada no anocalendário de 2000 ou até o último dia útil do mês de janeiro de 2001, pelas pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), submeterá a pessoa jurídica à sistemática do SIMPLES a partir do primeiro dia do anocalendário de 2001. § 2º No caso de início de atividade, no anocalendário de 2000, a partir de 25 de outubro de 2000, a opção formalizada na Ficha Fl. 117DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.003327/200375 Acórdão n.º 1802001.092 S1TE02 Fl. 4 7 Cadastral da Pessoa Jurídica – FCPJ, submete a pessoa jurídica ao SIMPLES no próprio anocalendário de 2000. § 3º Fica assegurada a permanência no sistema das pessoas jurídicas, mencionadas no caput, que tenham efetuado a opção pelo SIMPLES anteriormente a 25 de outubro de 2000 e não foram excluídas de ofício ou, se excluídas, os efeitos da exclusão ocorreriam após a edição da Lei nº 10.034, de 2000, desde que atendidos os demais requisitos legais. (grifei) Como visto, somente algum tempo depois da prolação do Acórdão nº 202 12.570, de 08/11/2000, pela 2ª Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes, que manteve a exclusão da contribuinte do Simples, foi publicada a IN SRF nº 115, de 27/12/2000, que possibilitou, em alguns casos, a aplicação retroativa da Lei nº 10.034/2000. Destarte, na Sessão de 08/11/2000 (Acórdão nº 20212.570), não havia previsão de aplicação retroativa da Lei nº 10.034, de 24 de outubro de 2000. Já, na Sessão de 30/08/2001, o Acórdão nº 20213.215, suscitado pela recorrente, foi proferido com aplicação retroativa da citada Lei, por força da IN SRF nº 115/2000. Logo, não há vício algum nesses acórdãos; ambos estão de acordo com a legislação vigente na data em que foram proferidos. A possibilidade de aplicação retroativa da mencionada Lei (permanência ou manutenção da opção pelo Simples) não era automática, pois dependia, além da inexistência de exclusão definitiva da opção pelo Simples, da satisfação de outras condições ou requisitos legais (IN SRF nº 115/2000). No processo administrativo fiscal de exclusão do Simples, cabia à contribuinte, antes que a decisão de segunda instância se tornasse definitiva, alegar e comprovar documentalmente, naqueles autos, fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do fisco, ou de direito superveniente, sob pena de preclusão. A propósito, o pedido de reinclusão retroativa no Simples, protocolizado em 27/05/2003, objeto destes autos, confirma que a contribuinte se conformou com a exclusão do Simples pelo Acordão nº 20212.570, de 08/11/2000, não manejando recurso algum para evitar a definitividade dessa decisão administrativa, naqueles autos. Logo, a exclusão do Simples pelo ADE de 01/03/1999, para os períodos de apuração de 31/03/1997 a 31/12/2000 atinente a opção manifestada pelo Simples antes de 25/10/2000, restou definitiva naqueles autos. Vale dizer, a matéria foi atingida pela preclusão, sendo incabível sua rediscussão nesta órbita administrativa. Existindo decisão administrativa definitiva de exclusão do Simples da opção manifestada antes de 25/10/2000, a contribuinte só poderia optar pelo Simples a partir da vigência da Lei nº 10.034/2000, com efeito a partir de 01/01/2001. Nessa parte, o pleito da recorrente já foi deferido pelo despacho decisório da unidade de origem da RFB. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 Portanto, em relação à recorrente a Lei nº 10.034/2000 não se aplica retroativamente quanto aos períodos de apuração de 31/03/1997 a 31/12/2000, em face da opção manifestada pelo Simples antes de 25/10/2000 ter sido excluída por decisão definitiva na órbita administrativa (preclusão administrativa). Tratase de aplicação da inteligência do art. 1º, § 3º, da Instrução Normativa SRF nº 115, de 27/12/2000. Por tudo que foi exposto, voto para NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 119DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 13829.000144/2005-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 11/10/1999 a 20/04/2001
IPI. “DRAWBACK”. INSUMOS NÃO EMPREGADOS NO PLANO DE EXPORTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos constitutivo do direito que
pleiteia.
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Não há que se cogitar de nulidade do auto de infração lavrado por autoridade
competente, com a observância dos requisitos previstos na legislação que
rege o processo administrativo tributário.
ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OMISSÃO. NULIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Havendo o acórdão de primeira instância apreciado todas as alegações
constantes da impugnação, não há que se falar em nulidade.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. COMPETÊNCIA E VALIDADE DA AÇÃO FISCAL.
O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento interno de controle
administrativo que não interfere na competência do Auditor-Fiscal
para proceder ações fiscais ou constituir créditos tributários
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 11/10/1999 a 08/12/1999
DECADÊNCIA. PRAZO DE CONTAGEM. ENCERRAMENTO DO
REGIME. DRAWBACK VERDEAMARELO.
O termo inicial de contagem do prazo decadencial, no caso de Drawbacksuspensão, é o do art. 173, inciso I, do CTN, estabelecido em função da possibilidade ou não de o Fisco realizar o lançamento. No caso de insumos
adquiridos em excesso em relação ao que foi exportado, tal prazo somente se
inicia com o fim do programa de exportação.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 11/10/1999 a 20/04/2001
SUSPENSÃO DO IMPOSTO. DRAWBACK VERDEAMARELO.
O inadimplemento, total ou parcial, por parte do estabelecimento exportador,
do compromisso de exportação ou a inobservância dos requisitos e condições
previstas no Plano de Exportação implica o imediato recolhimento do IPI
suspenso e dos acréscimos legais devidos.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-001.580
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 11/10/1999 a 20/04/2001 IPI. “DRAWBACK”. INSUMOS NÃO EMPREGADOS NO PLANO DE EXPORTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos constitutivo do direito que pleiteia. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do auto de infração lavrado por autoridade competente, com a observância dos requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo tributário. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OMISSÃO. NULIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Havendo o acórdão de primeira instância apreciado todas as alegações constantes da impugnação, não há que se falar em nulidade. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. COMPETÊNCIA E VALIDADE DA AÇÃO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento interno de controle administrativo que não interfere na competência do AuditorFiscal para proceder ações fiscais ou constituir créditos tributários ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 11/10/1999 a 08/12/1999 DECADÊNCIA. PRAZO DE CONTAGEM. ENCERRAMENTO DO REGIME. DRAWBACK VERDEAMARELO. O termo inicial de contagem do prazo decadencial, no caso de Drawback suspensão, é o do art. 173, inciso I, do CTN, estabelecido em função da possibilidade ou não de o Fisco realizar o lançamento. No caso de insumos Fl. 598DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13829.000144/200597 Acórdão n.º 330201.580 S3C3T2 Fl. 599 2 adquiridos em excesso em relação ao que foi exportado, tal prazo somente se inicia com o fim do programa de exportação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 11/10/1999 a 20/04/2001 SUSPENSÃO DO IMPOSTO. DRAWBACK VERDEAMARELO. O inadimplemento, total ou parcial, por parte do estabelecimento exportador, do compromisso de exportação ou a inobservância dos requisitos e condições previstas no Plano de Exportação implica o imediato recolhimento do IPI suspenso e dos acréscimos legais devidos. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, José Evande Carvalho Araújo, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 564 a 579) apresentado em 29 de abril de 2011 contra o Acórdão no 1432.599, de 22 de fevereiro de 2011, da 8ª Turma da DRJ/RPO (fls. 542 a 547), cientificado em 30 de março de 2011, que, relativamente a auto de infração de IPI dos períodos de outubro de 1999 a abril de 2001, considerou improcedente a impugnação da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 11/10/1999 a 20/04/2001 SUSPENSÃO DO IMPOSTO. DRAWBACK VERDEAMARELO. O inadimplemento, total ou parcial, por parte do estabelecimento exportador, do compromisso de exportação ou a Fl. 599DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13829.000144/200597 Acórdão n.º 330201.580 S3C3T2 Fl. 600 3 inobservância dos requisitos e condições previstas no Plano de Exportação implica no imediato recolhimento do IPI suspenso e dos acréscimos legais devidos. DECADÊNCIA. PRAZO DE CONTAGEM. ENCERRAMENTO DO REGIME. DRAWBACK VERDEAMARELO. O termo inicial para fins de contagem do prazo decadencial, no caso do regime DrawbackSuspensão, deverá ser estabelecido de acordo com a regra geral prevista no art. 173, inciso I, do CTN, e como tal, a contagem inicia a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos constitutivo do direito que pleiteia. PRELIMINAR. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do auto de infração lavrado por autoridade competente, com a observância dos requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo tributário. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. COMPETÊNCIA DO SERVIDOR. O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento interno de controle administrativo que não interfere na competência do AuditorFiscal para proceder ações fiscais ou constituir créditos tributários, porquanto esta competência é instituída por lei. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Uma vez que a autuação se embasou em livros e documentos contábeis e fiscais fornecidos pelo próprio sujeito passivo e os argumentos da defesa evidenciam ter havido compreensão da motivação para a formalização dos autos de infração, não se acolhe a preliminar suscitada. Impugnação Improcedente O auto de infração foi lavrado em 25 de outubro de 2005, de acordo com o termo de fls. 23 a 27. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Contra a empresa em epígrafe foi lavrado o auto de infração de fls. 05/22, constituindo o crédito tributário de R$ 417.629,61, referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), juros de mora e multa proporcional, para exigência do imposto suspenso na aquisição de insumos destinados à industrialização de produtos exportados, adquiridos em desacordo com os Planos de Exportação dos quais a interessada era beneficiária. Fl. 600DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13829.000144/200597 Acórdão n.º 330201.580 S3C3T2 Fl. 601 4 Sintetizando a descrição dos fatos do auto e Termo de Verificação de fls. 23/27, temos que a fiscalização verificou que não constava dos processos 13829.000169/9972 (prorrogação do processo 13829.000110/9849) e 13829.000170/9951 o “relatório de comprovação final da utilização do regime”, instituído com o art. 12 da INDpRF nº 84/92, correspondente aos Planos de Exportação aprovados, na forma da Lei nº 8.402/92 (DRAWBACK VERDE AMARELO), regulamentada com o Decreto nº 541/92, por meio dos referidos processos. Diante do apurado durante a fiscalização, verificouse ter a contribuinte recebido insumos acompanhados de notas fiscais emitidas com a suspensão da cobrança do IPI em desacordo com Plano de Exportação aprovado na forma do art. 3º, § 1º, da Lei nº 8.402/1992, regulamentado através do Decreto nº 541/1992 e da INDpRF nº 84/1992, sem adotar a providência prevista no § 1º do art. 266 (Lei 4.502/1964, art. 62, § 1º) do Decreto nº 4.544/2002, que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do IPI, tornandose responsável pelo tributo de acordo com os arts. 39, 40, 41, caput e § único, do citado Decreto nº 4.544/2002 e art. 16 da mencionada IN DpRF nº 84/1992. Assim, foi lavrado de ofício o auto de infração com base nas notas fiscais relacionadas no demonstrativo denominado “Anexo IX – IPI Devido” de fls. 356/360. Regularmente cientificada em 25/08/2005, a contribuinte apresentou impugnação de fls. 364/377, instruída com os documentos de fls. 378/531, alegando, em síntese, que: a) O auto de infração é nulo por estar viciado com inúmeras irregularidades: por ter sido lavrado pelos AFRF’s autuantes sem a observância do período de fiscalização indicado no Mandado de Procedimento fiscal nº 0810300/00335/05; por cerceamento do direito de defesa, pois não demonstrou porque as aquisições consideradas para a apuração do crédito tributário do IPI não estão incluídas no Plano de Exportação da empresa; por inexistência de fundamentação jurídica e motivos de direito do auto de infração; b) Por força do art. 150, § 4º do CTN, a decadência é de 5 anos contada do fato gerador, ocasionando a impossibilidade de constituir créditos tributários do IPI relacionados a fatos geradores ocorridos antes de 28/10/2000; c) Não existem motivos para que as aquisições listadas no auto de infração não fossem beneficiadas com a suspensão do IPI, pois todas estas aquisições estão abrangidas pelo Plano de Exportação realizado pela empresa; d) Não existe IPI devido pela impugnante mesmo se as aquisições deixassem de ser beneficiadas pela suspensividade do tributo, pois a impugnante detinha na época das aquisições elevado saldo credor do IPI, não existindo assim tributo devido; Fl. 601DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13829.000144/200597 Acórdão n.º 330201.580 S3C3T2 Fl. 602 5 e) Considerando terem sidos destinados os insumos adquiridos para o processo produtivo de produtos não tributados, não existe a possibilidade de ser exigido o IPI porque estes, na condição de bem principal, ocasionam os mesmos efeitos fiscais para aqueles, na condição de bens acessórios. O bem acessório segue a sorte do principal, sendo classificado na mesma posição fiscal. Sendo assim, por serem as embalagens (maior parte dos insumos) bem acessório do bem principal (produto fabricado pela impugnante), não existe a possibilidade de ser aplicada alíquota do IPI superior àquela aplicada na operação de saída do bem principal, tal seja, nenhuma por ser um operação sujeita à não tributação. Por fim, requer que seja acolhida a impugnação, para ser declarada a total improcedência do lançamento. No recurso, a Interessada alegou que o acórdão de primeira instância teria sido omisso em relação às alegações de inexistência de fundamentação jurídica no auto de infração, plano de exportação, existência de saldo credor de IPI e produtos NT (princípio da acessoriedade), requerendo, por isso, a sua anulação. Tratou, a seguir, das alegações de nulidade da autuação, conforme já alegado na impugnação. No mérito, alegou ter ocorrido decadência em relação aos períodos anteriores a 28 de outubro de 2000, estarem todas as aquisições de acordo com o plano de exportação, existir saldo credor de IPI e terem sido os insumos empregados em produtos NT. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Em relação à nulidade do acórdão de primeira instância, verificase que o acórdão apreciou as questões de nulidade do auto de infração, incluindo a alegação de falta de fundamentação legal e de cerceamento de direito de defesa. Quanto às questões de mérito (plano de exportação, existência de saldo credor de IPI e produtos NT), o acórdão claramente considerou não haver a Interessada demonstrado as alegações, não ser passível de compensação com o saldo credor os valores apurados e não ser a destinação do produto critério para decidir a classificação fiscal. No tocante às nulidades da autuação, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei n. 9.784, de 1999, adotamse, no presente voto, os fundamentos do acórdão de primeira instância. Quanto ao mérito, primeiramente, a aparente contradição entre os fundamentos do auto de infração e do acórdão de primeira instância deve ser esclarecida. Fl. 602DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13829.000144/200597 Acórdão n.º 330201.580 S3C3T2 Fl. 603 6 É que, segundo o auto de infração, houve suspensão de IPI nas entradas em desacordo com o plano de exportação (fl. 7), tendo sido apontadas as razões no termo de fls. 23 e seguintes. Segundo o referido termo, houve aquisições de matérias primas em excesso ao que fora produzido, aquisições anteriores ao período de validade do plano de exportação e aquisições de insumos não autorizados pelo plano. Quanto ao primeiro caso, ou as matérias primas não foram empregadas na fabricação de produtos ou foram empregadas em produtos sem nota fiscal, que, consequentemente, não poderiam ter sido exportados. Em relação aos demais, não poderia haver suspensão, à vista de não haver ainda entrado em vigor o plano ou de os insumos simplesmente não serem abrangidos por ele. A Interessada, entretanto, nada justificou em relação ao que foi apurado pela Fiscalização, preferindo alegar que o auto seria nulo e que não teria sido fundamentado. Quanto à alegação de existir saldo credor, o Regulamento do IPI dispõe o seguinte: Art. 191. Nos casos de apuração de créditos para dedução do imposto lançado de oficio, em auto de infração, serão considerados, também, como escriturados, os créditos a que o contribuinte comprovadamente tiver direito e que forem alegados até a impugnação. Entretanto, tal dispositivo somente se refere aos débitos apurados no livro de apuração de Interessada e que poderiam ser compensados escrituralmente com os créditos escriturados. No caso dos autos, tratase de imposto devido em relação às entradas, que se tornou de responsabilidade da Interessada à vista do programa a que aderiu. Tal imposto não é compensável com os créditos escriturais de IPI, conforme justificado pela Primeira Instância. No tocante às alegações de que os produtos fabricados seriam NT e que os insumos neles empregados teriam a mesma natureza, o princípio da acessoriedade (“acessório segue o principal”) não se aplica ao presente caso. Os insumos não são acessórios e sua natureza não depende da operação de industrialização, para efeito da classificação fiscal. Ademais, quando se trata de produto NT, a legislação determina que os créditos empregados em sua industrialização sejam glosados. Em outras palavras, quando não há as suspensões decorrentes de benefícios e incentivos fiscais, o IPI é devido na saída dos insumos e, se escriturado como crédito no livro de apuração do produtor, ao ser empregado na fabricação de produto NT, tal crédito deve ser glosado. Quanto à decadência, a razão também está com a Primeira Instância, uma vez que não se trata de hipótese de lançamento por homologação. Primeiramente, pela própria natureza das operações, dentro das quais não há pagamento antecipado, pois a incidência do IPI sobre os insumos fica suspensa. Fl. 603DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13829.000144/200597 Acórdão n.º 330201.580 S3C3T2 Fl. 604 7 Ademais, o referido imposto, que, como esclarecido por vezes nos presentes autos, é devido pela Interessada como responsável, é obrigação tributária que não se comunica com o IPI devido nas saídas de produtos industrializados. Tanto é assim que não existe o alegado direito de crédito. No âmbito de tal obrigação, os pagamentos eventuais de IPI que se refiram ao imposto de obrigação própria da Interessada não se prestam para caracterizar a existência de pagamento antecipado a que se refere o art. 150 do CTN. Admitir tal hipótese seria como considerar que eventuais pagamentos de outro tributo pudessem interferir no prazo decadencial de IPI. Aplicandose ao caso o art. 173, I, do CTN, o prazo de decadência iniciase somente no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. Nessa matéria, discordase da conclusão da Primeira Instância, que considerou iniciar o prazo somente com o conhecimento do descumprimento da condição, que se daria somente quando a Receita Federal tomasse conhecimento “do adimplemento ou não dos compromissos assumidos pelo beneficiário do regime, o que se dá somente no encerramento do Plano de Exportação aprovado”. É que, no caso dos autos, tal raciocínio somente pode ser aplicado ao caso da apuração de insumos adquiridos em excesso, que não foram empregados nos produtos exportados. No caso dos insumos adquiridos antes da vigência do plano de exportação e dos insumos não incluídos no plano, o lançamento poderia ser efetuado a qualquer tempo. No caso de tais insumos (anexo III de fl. 133 dos autos), como o lançamento foi efetuado em 25 de outubro de 2005, somente poderia abranger os fatos geradores (data de saída dos produtos) até 29 de dezembro de 1999. O imposto relativo às saídas de 30 de dezembro de 1999 somente poderiam ser lançados em 2000, começando a fluir o prazo de decadência em 1º de janeiro de 2001 e finalizando em 31 de dezembro de 2005. Já o IPI devido anteriormente já poderia ter sido lançado em 1999, finalizandose o prazo decadencial em 31 de dezembro de 2004. Assim, em relação à tabela de fl. 133, o primeiro fato gerador (08 de dezembro de 1999) relativo aos insumos não incluídos no plano de exportação e todos os relativos aos insumos adquiridos antes da ciência da aprovação do plano restaram abrangidos pela decadência. De resto, destaquese que não há o que reparar nos fundamentos do acórdão de primeira instância, relativamente ao que foi alegado no recurso, razão pela qual, adotando os com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei n. 9.784, de 1999, voto por dar provimento parcial ao recurso da Interessada, para considerar decaídos os períodos mencionados no parágrafo anterior. (Assinado digitalmente) Fl. 604DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13829.000144/200597 Acórdão n.º 330201.580 S3C3T2 Fl. 605 8 José Antonio Francisco Fl. 605DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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