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Numero do processo: 10980.726233/2011-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Sep 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
LANÇAMENTO. CONHECIMENTO.
Pela ausência de requisitos obrigatórios, determinados na legislação, o recurso não deve ser conhecido.
Numero da decisão: 2302-003.640
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do Recurso Voluntário pela perda do objeto, frente à desistência.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Redator ad hoc na data da formalização.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRÉ LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 LANÇAMENTO. CONHECIMENTO. Pela ausência de requisitos obrigatórios, determinados na legislação, o recurso não deve ser conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do Recurso Voluntário pela perda do objeto, frente à desistência. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Redator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRÉ LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
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score : 1.0
Numero do processo: 10805.722514/2011-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS A TÍTULO DE ALUGUÉIS. LANÇAMENTO COM BASE NA DIMOB. POSSIBILIDADE. NÃO COMPROVAÇÃO ERRO DA AUTORIDADE FISCAL. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO.
De conformidade com as normas que regulamentam a matéria, uma vez constatada omissão de rendimentos recebidos pelo contribuinte a título de aluguel, a partir de informações constantes dos sistemas informatizados da RFB e da DIMOB, impõe-se à autoridade fiscal proceder ao lançamento. Não tendo o autuado apresentado documentos hábeis e idôneas capazes de rechaçar o crédito tributário, somente lançando assertivas sem nenhuma comprovação, é de se manter a autuação na forma constituída, o que se vislumbra no caso vertente.
MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.148
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto. O Conselheiro Carlos Alexandre Tortato acompanhou o relator pelas conclusões.
André Luís Marsico Lombardi - Presidente
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Henrique de Oliveira, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS A TÍTULO DE ALUGUÉIS. LANÇAMENTO COM BASE NA DIMOB. POSSIBILIDADE. NÃO COMPROVAÇÃO ERRO DA AUTORIDADE FISCAL. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. De conformidade com as normas que regulamentam a matéria, uma vez constatada omissão de rendimentos recebidos pelo contribuinte a título de aluguel, a partir de informações constantes dos sistemas informatizados da RFB e da DIMOB, impõe-se à autoridade fiscal proceder ao lançamento. Não tendo o autuado apresentado documentos hábeis e idôneas capazes de rechaçar o crédito tributário, somente lançando assertivas sem nenhuma comprovação, é de se manter a autuação na forma constituída, o que se vislumbra no caso vertente. MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Negado.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS A TÍTULO DE ALUGUÉIS. LANÇAMENTO COM BASE NA DIMOB. POSSIBILIDADE. NÃO COMPROVAÇÃO ERRO DA AUTORIDADE FISCAL. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. De conformidade com as normas que regulamentam a matéria, uma vez constatada omissão de rendimentos recebidos pelo contribuinte a título de aluguel, a partir de informações constantes dos sistemas informatizados da RFB e da DIMOB, impõese à autoridade fiscal proceder ao lançamento. Não tendo o autuado apresentado documentos hábeis e idôneas capazes de rechaçar o crédito tributário, somente lançando assertivas sem nenhuma comprovação, é de se manter a autuação na forma constituída, o que se vislumbra no caso vertente. MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 25 14 /2 01 1- 79 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/03/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 2 Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto. O Conselheiro Carlos Alexandre Tortato acompanhou o relator pelas conclusões. André Luís Marsico Lombardi Presidente Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Henrique de Oliveira, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato e Rayd Santana Ferreira. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/03/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10805.722514/201179 Acórdão n.º 2401004.148 S2C4T1 Fl. 78 3 Relatório WALTER ANTONIO ZENI, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 19a Turma da DRJ em São Paulo/SP, Acórdão nº 1644.104/2013, às fls. 29/32, que julgou procedente a Notificação de Lançamento concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da omissão de rendimentos de alugueis ou royalties recebidos de pessoa jurídica, em relação ao exercício 2007, conforme peça inaugural do feito, às fls. 06/11, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 24/10/2011, nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação. Com mais especificidade, consta no sistema DIMOB informação de que o contribuinte recebeu no ano calendário de 2006, aluguéis de dezessete pessoas físicas, no total de R$ 49.548,39 e por outro lado, declarou na Declaração de Ajuste Anual o valor de R$ R$ 30.279,21. Assim o contribuinte teria incorrido em omissão de rendimentos recebidos de aluguéis de pessoa física no montante de R$ 19.269,18. Inconformado com a Decisão recorrida, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, à fl. 36/37, procurando demonstrar sua total improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, suscita que houve equivoco nas informações mensais na DIMOB da administradora de imóveis, pois estes não conferem com a realidade. Explicita que inicialmente essa diferença foi a utilizada pelo auditor fiscal para glosar os valores, ora objeto de autuação. Entrementes, assevera o contribuinte que tal erro teve por conseqüência não só o auto em questão, sendo também recolhido a mais o importe de R$ 5.505,01 em cada CPF, ou seja, no CPF do contribuinte e no do cônjuge. Assim, afirma o recorrente ser credor da Fazenda Nacional e não devedor, colaciona como prova as DARFs de carnê leão. O recorrente reconhece a origem desses rendimentos, ressaltando, no entanto, que contraiu matrimônio com a Sra. Elenisse Apparecida Felisberto Zeni, desde 19/12/1964, impondo seja observado o disposto no artigo 6° do Decreto n° 3.000/1999. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/03/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 4 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, com base na confrontação da DIRPF da contribuinte com informações constantes das, apurouse na presente autuação omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas a título de aluguel, mais precisamente da Sra. Maria José Barreto Cavalcanti da Silva. Em sua defesa inaugural, a contribuinte negou ter conhecimento de aludido rendimento, aduzindo, em síntese, que a totalidade dos valores recebidos no decorrer daquele ano calendário foram devidamente declarados em seu Ajuste Anual, dentre eles as importâncias percebidas a título de aluguéis. Aduz que não reconhece a origem desse recebimento, pois tem como rendimentos os salários pagos pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, ressaltando que não tem nenhum imóvel alugado para a Sra. Maria José Barreto Cavalcanti da Silva, e que não a conhece. A autoridade julgadora de primeira instância rechaçou os argumentos da contribuinte, explicitando que não foi imputado pela fiscalização que o valor de R$ 19.269,18 teria sido recebido da pessoa física detentora do CPF transcrito às fls. 9, mas o que se faz ali é referência a dezessete pessoas, entre as quais consta também esta. Fundamentou a decisão, ainda, suscitando que a mera alegação de desconhecimento da origem do valor apontado, não é suficiente para demonstrar inconsistência da informação recebida e processada pela administração tributária Ainda irresignado, o autuado interpôs recurso voluntário, alterando totalmente sua linha de defesa, argumentando que reconhece a origem desses rendimentos, ressaltando, no entanto, que contraiu matrimônio com a Sra. Elenisse Apparecida Felisberto Zeni, desde 19/12/1964, impondo seja observado o disposto no artigo 6° do Decreto n° 3.000/1999. Defende ter havido equivoco nas informações mensais na DIMOB da administradora de imóveis, pois estes não conferem com a realidade. Explicita que inicialmente essa diferença foi a utilizada pelo auditor fiscal para glosar os valores, ora objeto de autuação. Entrementes, assevera o contribuinte que tal erro teve por conseqüência não só o auto em questão, sendo também recolhido a mais o importe de R$ 5.505,01 em cada CPF, ou seja, no CPF do contribuinte e no do cônjuge. Assim, afirma o recorrente ser credor da Fazenda Nacional e não devedor, colaciona como prova as DARFs de carnê leão. Não obstante as substanciosas razões de fato e de direito ofertadas pela contribuinte em sua peça recursal, seu entendimento, contudo, não tem o condão de prosperar, sobretudo quanto a improcedência da autuação fiscal. Destarte, o lançamento encontrase escorado exclusivamente nas informações constantes dos sistemas informatizados da RFB, bem como da DIMOB, documento que se apresentar como meio hábil para realizar lançamento, mas não como uma verdade absoluta. Tratase, portanto, de uma presunção "juris tantum" (presunções discutíveis), onde fato conhecido induz à veracidade de outro, até a prova em contrário. Elas recuam diante da Fl. 80DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/03/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10805.722514/201179 Acórdão n.º 2401004.148 S2C4T1 Fl. 79 5 comprovação contrária ao presumido. Serve de bom exemplo a presunção de liquidez e certeza da dívida inscrita, que pode ser ilidida por prova inequívoca, nos termos do artigo 204, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Na hipótese dos autos, em que pesem os argumentos lançados pelo contribuinte procurando rechaçar a pretensão fiscal, em momento algum logrou comproválos a partir de documentos hábeis e idôneos, atraindo para si o ônus da prova. Não o fazendo, sequer razoavelmente, não há como se acolher sua pretensão. Por outro lado, quanto as razões de defesa do contribuinte pertinentes à sua cônjuge, não podemos conhecêlas, uma vez já atingidas pela preclusão, eis que não ofertadas em sede de impugnação. É o que se extrai do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, como segue: “ Decreto nº 70.235/72 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” A jurisprudência administrativa não discrepa desse entendimento, conforme se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1991 a 30/09/1995 PIS. APRESENTAÇÃO DE ALEGAÇÕES E PROVAS DOCUMENTAIS APÓS PRAZO RECURSAL. PRECLUSÃO. As alegações e provas documentais devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, salvo nos casos expressamente admitidos em lei. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento das provas e argumentos apresentados somente na fase recursal. [...] (Primeira Câmara do Segundo Conselho, Recurso nº 149.545, Acórdão nº 20181255, Sessão de 03/07/2008) “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PRECLUSÃO Escoado o prazo previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72, operase a preclusão do direito da parte para reclamar direito não argüido na impugnação, consolidandose a situação jurídica consubstanciada na decisão de primeira instância, não sendo cabível, na fase recursal de julgamento, rediscutir ou, menos ainda, redirecionar a discussão sobre aspectos já pacificados, mesmo porque tal impedimento ainda se faria presente no duplo grau de jurisdição, que deve ser observado no contencioso administrativo tributário. Recurso não conhecido nesta parte. COFINS CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇAMENTO DE OFÍCIO Constatada, em procedimento de fiscalização, a falta de cumprimento da obrigação tributária, seja principal ou acessória, obrigase o agente fiscal a constituir o crédito tributário pelo lançamento, no uso da competência que lhe é privativa, vinculada e obrigatória. JUROS DE MORA O artigo 161 do CTN autoriza, expressamente, a cobrança de juros de mora à taxa superior a 1% (um por cento) ao mêscalendário, se a lei assim o dispuser. TAXA SELIC Correta a cobrança da Taxa Referencial do Sistema de Liquidação e de Custódia Fl. 81DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/03/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 6 SELIC como juros de mora, a partir de 01/01/1997, para débitos com fatos geradores até 31/12/1994, não pagos no vencimento da respectiva obrigação. Recurso a que se nega provimento.” (Terceira Câmara do Segundo Conselho, Recurso nº 111.167, Acórdão nº 20307328, Sessão de 23/05/2001) (grifamos) Dessa forma, salvo nos casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não merece conhecimento a matéria aventada em sede de recurso voluntário ou posteriormente, que não tenha sido objeto de contestação na impugnação, considerando tacitamente confessada pela contribuinte a parte do lançamento não contestada, operando a constituição definitiva do crédito tributário com relação a esses levantamentos, mormente em razão de não se instaurar o contencioso administrativo para tais questões. Dessa forma, não há se falar em irregularidade e/ou ilegalidade no procedimento adotado pela autoridade lançadora ao promover o lançamento, uma vez que agiu da melhor forma, com estrita observância à legislação de regência. Ademais, a exemplo da defesa inaugural, a contribuinte não trouxe qualquer elemento de prova capaz de comprovar que o lançamento encontrase maculado por vício em sua formalidade e/ou materialidade, escorando seu pleito em simples arrazoado desprovido de demonstração do sustentado. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento sub examine em consonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. Rayd Santana Ferreira. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/03/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Numero do processo: 15374.720002/2007-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano calendário:1999
SALDO NEGATIVO . LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO.
A falta de apresentação dos documentos que permitiriam a ratificação do resultado contábil do período constitui fato impeditivo do reconhecimento da liquidez e certeza de alegado crédito, oriundo de saldo negativo de CSLL.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 1401-000.612
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em AFASTAR a preliminar de nulidade e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta acompanhou pelas conclusões.
Nome do relator: Fernando Luiz Gomes de Mattos
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1999 SALDO NEGATIVO . LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. A falta de apresentação dos documentos que permitiriam a ratificação do resultado contábil do período constitui fato impeditivo do reconhecimento da liquidez e certeza de alegado crédito, oriundo de saldo negativo de CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em AFASTAR a preliminar de nulidade e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta acompanhou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Maurício Pereira Faro, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira e Sergio Luiz Bezerra Presta. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Antonio Bezerra Neto e Karem Jureidini Dias. Fl. 277DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 158159): 0 presente processo tem como objeto a declaração de compensação 1808499858.231006.1.7.030056, retificadora da de n° 36768.23606.151203.1.3.030391, por meio da qual a interessada pretende utilizar crédito no valor de R$ 2.938.786,75, oriundo de saldo negativo da CSLL referente ao ano de 1999, apurado pela sucedida Telecomunicações de Minas Gerais, CNPJ 17.184.201/000199. Em 18/07/2008 foi solicitada, através do despacho de fls 37, diligência com fins de verificar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. No âmbito da diligência, foram formalizadas as intimações de fls 39, 41/42 e 45. Do relatório conclusivo da diligência realizada (fls 59/60), datado de 04/03/2009, consta que : " ...a análise conclusiva a respeito do valor do saldo negativo fica completamente prejudicada, tendo em vista que não há como saber o valor do lucro liquido do período e, por conseqüência, a base de cálculo da CSLL. Tampouco, aferir a veracidade das adições e exclusões efetuadas, pela ausência da documentação respectiva." (sic) Em despacho decisório do qual a interessada foi cientificada em 07/06/2010 (fls 63/67), a compensação foi não homologada sob a justificativa de que não teriam sido apresentados os documentos necessários a demonstrar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Inconformada, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls 105, na qual alega, em síntese, que : • Com o objetivo de verificar a liquidez e certeza do crédito foi solicitada a realização de diligência. Em 21/10/2008 (fls 39) a interessada foi intimada a apresentar balancete de verificação, Lalur e planilhas demonstrando a Cofins efetivamente paga no período. Foram ainda solicitados esclarecimentos quanto a natureza jurídica das exclusões informadas na linha 19 da ficha 17 da DIPJ (reversão de provisões); • A interessada solicitou dilação de prazo (fls 40), foi novamente intimada em 07/01/2009(fls 40/41) e em 16/01/2009 apresentou sua resposta aos questionatnentos e pedidos a ela dirigidos; • 0 relatório conclusivo da diligência realizada simplesmente asseverou a impossibilidade de apurar o saldo negativo que é objeto da lide, tendo em vista a falta de apresentação dos documentos que seriam necessários. Com base tão somente neste Fl. 278DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15374.720002/200722 Acórdão n.º 140100.612 S1C4T1 Fl. 232 3 relatório e pelos mesmos motivos nele aduzidos, o despacho recorrido declarou não homologadas as compensações; • A conclusão de que não seria possível apurar a liquidez e certeza do crédito devese ao fato de o fiscal, segundo afirmou, "não possuir senha para acessar os pagamentos de um contribuinte de Minas Gerais ..." (sic) — fls 60 • Pela afirmação acima depreendese que por questões burocráticas internas não foi reconhecido o crédito da interessada. Ademais, o não reconhecimento foi genérico, não havendo sido discriminadas quais parcelas da apuração da interessada teriam sido rejeitadas; • 0 fisco deveria ter especificado relativamente a que rubricas houve insuficiência de comprovação e, ainda, o efeito das respectivas desconsiderações sobre o saldo negativo pleiteado; • É do fisco o ônus de comprovar a inexistência de crédito, quando estiver este registrado nas declarações e documentos fiscais do sujeito passivo; • Se o fisco não apontou de forma especifica e precisa a existência de eventual irregularidade na apuração da DIPJ, não pode simplesmente desconsiderála, tratando por inveridicos seus registros; • Incabível, por força do art 150, § 4° do CTN, que em 2010 o fisco rejeite itens da apuração realizada em 1999. A 6ª Turma da DRJ Rio de Janeiro I, por maioria de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por meio do Acórdão 1233.693, assim ementado (fls. 156): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1999 COMPENSAÇÃO. ONUS DA PROVA. Nos termos do art 333 do CPC, é da interessada o ônus de comprovar o direito que alega possuir. SALDO NEGATIVO . LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. A não apresentação dos documentos que permitiriam a ratificação do resultado contábil do período, quando o sujeito passivo tenha sido intimado a tanto, é fato que impede o reconhecimento da liquidez e certeza de alegado crédito, oriundo de saldo negativo de CSLL. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 279DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 4 Cientificada do Acórdão em 16/11/2010 (fls. 168), a contribuinte, em 15/12/2010, interpôs o recurso voluntário de fls. 169182, reiterando os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. A recorrente arguiu a nulidade do despacho decisório, por ausência de fundamentação válida. Argumentou que a contribuinte não é obrigada a guardar os documentos fiscais, após o decurso no prazo decadencial. Afirmou que o crédito da Requerente, apurado em sua DIPJ do anocalendário de 1999 “representa uma situação jurídica consolidada, impossível de desconstituição pelo Fisco, em razão da preclusão temporal” (v. fls. 182) Ao final, requereu o provimento do presente recurso voluntário, para homologar a compensação aqui discutida. É o relatório. Fl. 280DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15374.720002/200722 Acórdão n.º 140100.612 S1C4T1 Fl. 233 5 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Preliminar de nulidade A recorrente afirmou que o despacho decisório da unidade de origem seria nulo, por ausência de fundamentação válida. Não assiste razão à recorrente. Na verdade, a recorrente discorda da fundamentação que foi utilizada pela autoridade fiscal para indeferir a seu pleito de compensação. Mas é inegável que a decisão proferida pela unidade de origem efetivamente possui uma clara fundamentação, conforme se observa pela transcrição do seguinte trecho do aludido despacho decisório (fls. 6566): Em vista de todo o exposto, não tendo a interessada, a despeito de ter sido intimada diversas vezes, apresentado os documentos que comprovassem o direito de repetição do indébito ou a compensação, conforme determina o art. 36 da Lei n° 9.784, de 1999, transcrito abaixo, não restou comprovado crédito liquido e certo passivel de restituição/compensação. Art 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao õrgiio competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. [...] Diante de todo o exposto, não ficando comprovada a existência de crédito liquido e certo passível de restituição/compensação, e nos termos da legislação tributária vigente, proponho que NÃO SE HOMOLOGUE a Dcomp n° 18084.99858.231006.1.7.03 0056, [...] Vale dizer que tal fundamentação foi considerada correta pelo colegiado julgador a quo, cujo acórdão recebeu a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. ONUS DA PROVA. Nos termos do art. 333 do CPC, é da interessada o ônus de cómprovar o direito que alega possuir. SALDO NEGATIVO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. A não apresentação dos documentos que permitiriam a ratificação do resultado contábil do período, quando o sujeito passivo tenha sido intimado a tanto, é fato que impede o Fl. 281DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 6 reconhecimento da liquidez e certeza de alegado crédito, oriundo de saldo negativo de CSLL. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido." Cumpore destacar qua a análise acerca da procedência da fundamentação utilizada pela autoridade fiscal constitui matéria de mérito, a qual será apreciada nos tópicos seguintes do presente voto. Diante do exposto, rejeito a preliminar de nulidade formulada pela recorrente. Mérito Dever de guarda da documentação fiscal, por parte da contribuinte Com fundamento no parágrafo único do art. 195 do CTN, a recorrente considera que estava desobrigada a guardar os documentos fiscais que embasaram a apuração do saldo negativo de CSLL, referente ao anocalendário de 1999. Com base nesse entendimento, considera que “o crédito da Requerente apurado em sua DIPJ do anocalendário de 1999 representa uma situação jurídica consolidada, impassível de desconstituição pelo Fisco, em razão de preclusão temporal” (fls. 111). Não assiste razão à recorrente, por duas razões. Em primeiro lugar, devese ter em conta que, no momento em que a contribuinte apresentou a declaração de compensação objeto do presente processo, automaticamente começou a correr o prazo quinquenal para o fisco homologar a referida declaração, nos termos do art. 74, §§ 5° da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei 10.833, de 29.12.2003. Consequentemente, durante todo o referido prazo a contribuinte continuou obrigada a guardar os documentos fiscais que embasaram a apuração do saldo negativo de CSLL, referente ao anocalendário de 1999, tendo em vista que é da interessada o ônus de comprovar o direito que alega possuir (art. 333 do CPC). Em segundo lugar, devese ter em conta que a DIPJ da contribuinte foi retificada fora do prazo regulamentar. Tal fato, por si só, exclui completamente a liquidez e certeza dos dados ali consignados. Sobre o tema, pronunciouse de maneira bastante contundente a autoridade fiscal da unidade de origem, que decidiu pela não homologação da presente compensação, fls. 65 (grifado): Ademais, é importante ressaltar que a interessada apresentou a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), concernente ao ano calendário 1999, em 30/06/2000, retificandoa em 15/09/2000 e 23/10/2006, conforme extrato de fl. 62. A Instrução Normativa SRF no 162, de 1999, determinou o prazo ate o último dia útil de junho de 2000 para a apresentação da DIPJ. Dessa maneira, tendo em vista que o prazo para retificar a declaração deve coincidir com o prazo, estabelecido pela Fl. 282DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15374.720002/200722 Acórdão n.º 140100.612 S1C4T1 Fl. 234 7 legislação, art. 173 do CTN, para constituir o crédito tributário, é forçoso concluir que a retificadora foi apresentada em desacordo com a legislação vigente. Afirmou a recorrente que o crédito apurado em sua DIPJ do anocalendário de 1999 “representa uma situação jurídica consolidada, impossível de desconstituição pelo Fisco, em razão da preclusão temporal”. Mais uma vez, não assiste razão à recorrente. Sobre o tema, adoto e transcrevo parcialmente as razões de decidir constantes do acórdão recorrido (fls. 161162): Quanto a alegação de que, mesmo para fins de averiguação da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, seria defeso à Fazenda Pública questionar ou retificar de oficio dados informados em declarações entregues a mais de cinco anos, faço as considerações que seguem. A decadência de que trata o art 150 § 4° do CTN é uma dentre as modalidades de extinção do crédito tributário. Uma vez transcorrido o prazo máximo previsto em Lei, o fisco perde o direito de formalizar o lançamento relativo a eventuais diferenças. Esclareçase, porém, que se da decadência de que trata o dispositivo acima mencionado decorre a perda do direito de efetivar o lançamento tributário, dela não decorre, por falta de previsão legal, o efeito de legitimação de alegados créditos, tão somente porque informados em declarações entregues a mais de 5 anos. Rechaço este último efeito por considerar os aspectos que abaixo enumero. 0 primeiro aspecto é o de que créditos meramente escriturais, não representativos de pagamentos indevidos ou a maior, não atendem aos requisitos de liquidez e certeza, exigidos pelo art 170 do CTN. 0 segundo aspecto é o de que, cabendo o ônus da prova a quem alega, na compensação incumbe à interessada a demonstração da efetividade do crédito pleiteado. Não ha que se aplicar a esta tarefa, do sujeito passivo, o prazo de que trata o art 150 do CTN, destinado unicamente ao fisco para realizar tarefa diversa: constituir o crédito tributário. 0 terceiro, último e decisivo aspecto é o de que a tese de que o poder de investigação retroativa do crédito, pelo fisco, sofreria limite cronológico, resultaria, por muitas vezes, na legitimação de direitos inexistentes, hipótese esta que ofenderia ao principio da indisponibilidade dos bens públicos, ao principio da razoabilidade, ao principio que rejeita o enriquecimento ilícito e, até mesmo, ao senso comum de justiça. Diante de tal quadro, na busca de hermenêutica que melhor compatibilize as normas tributárias vigentes, a conclusão é a de que não se pode admitir como mais perfeita tese da qual resulte ofensa a princípios que, tais como os acima assinalados, Fl. 283DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 8 verdadeiramente integram a base do ordenamento jurídico instituído. Afasto, portanto, os argumentos da interessada de que, no presente caso, a Fazenda Pública deva considerar como consolidados os resultados referentes ao ano de 1999, em que teria sido apurado o saldo negativo que é objeto da lide. A estes argumentos, acrescento o fato de a DIPJ da contribuinte foi retificada fora do prazo regulamentar, conforme mencionado anteriormente, no corpo do presente voto. Tal fato, por si só, exclui completamente a liquidez e certeza dos dados ali consignados. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de AFASTAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 284DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10768.003611/2009-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
IRPF. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
São dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto os valores pagos a título de despesas médicas, do próprio contribuinte ou com seus dependentes, desde que comprovadas com documentos hábeis e idôneos.
A mera indicação dos cheques supostamente repassados ao prestador não faz prova do pagamento, posto que não permite verificar se os cheques foram nominativos ao profissional.
Mera declaração do médico, desacompanhada dos recibos a que se refere, não atende ao que dispõe a norma que rege o procedimento de comprovação de despesas médicas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.962
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS Recorrente LUIZ FERNANDO PINTO PALHARES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 IRPF. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto os valores pagos a título de despesas médicas, do próprio contribuinte ou com seus dependentes, desde que comprovadas com documentos hábeis e idôneos. A mera indicação dos cheques supostamente repassados ao prestador não faz prova do pagamento, posto que não permite verificar se os cheques foram nominativos ao profissional. Mera declaração do médico, desacompanhada dos recibos a que se refere, não atende ao que dispõe a norma que rege o procedimento de comprovação de despesas médicas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 36 11 /2 00 9- 38 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10768.003611/200938 Acórdão n.º 2402004.962 S2C4T2 Fl. 151 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte acima contra o Acórdão n. 0947.021 exarado pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ em Juiz de Fora (MG), que julgou improcedente em parte a impugnação apresentada para desconstituir a Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) que integra o presente processo, na qual é exigido o crédito tributário no valor consolidado em 31/03/2009 de R$ 11.013,28, relativo ao anocalendário 2006. O lançamento diz respeito a glosas relativas a despesas médicas não comprovadas, conforme relatado no acórdão recorrido: "Motivou o lançamento de ofício a constatação de dedução indevida a título de despesas médicas, no valor total de R$ 20.325,00, por falta de comprovação do valor de R$ 11.635,00, declarado como pago ao profissional Neilton Dias da Silva, e por ausência de identificação do paciente beneficiário nos recibos fornecidos pelo profissional Amílcar Werneck de Carvalho Vianna, no valor de R$ 8.690,00. Inconformado, o interessado apresentou impugnação em 04/05/2009, anexando documentos que comprovariam as despesas médicas declaradas e regularizariam a falha apontada, acrescentando que deve permanecer a glosa do valor de R$ 3.170,00 relativa ao profissional Amílcar Werneck de Carvalho, declarado a maior por erro. Por meio do despacho de fls. 28, a 6ª Turma de Julgamento de Juiz de Fora retornou o processo em diligência em diligência a fim de que fosse anexado o dossiê de fiscalização, uma vez que o contribuinte argumentou em sua defesa ter apresentado discriminativo com valor pago, números dos cheques emitidos e os bancos sacados, relativamente às despesas com o profissional Neilton Dias da Silva." Com a juntada do dossiê, fls. 30/97, constatouse que de fato o sujeito passivo indicou na defesa a relação de cheques do Banco do Brasil, a qual totalizou R$ 11.635,00. A DRJ julgou parcialmente procedente a impugnação, reconhecendo as deduções relativas às despesas comprovadas relativas ao profissional Amílcar Carvalho, todavia, não foram aceitos os documentos acostados para justificar os pagamentos ao médico Neilton Dias da Silva. Neste último caso, a turma entendeu, por maioria, que a falta dos recibos deveria ter sido suprida por cópia dos cheques nominativos relativos aos pagamentos efetuados, posto que a relação dos cheques acompanhada de declaração do profissional poderia ser acatada apenas como elemento suplementar. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Cientificado da decisão em 01/10/2014 (fl. 106), o sujeito passivo interpôs o recurso voluntário de fls. 110/145 em 22/10/2014, portanto, dentro do trintídio legal. Na peça de inconformismo, alegouse que: a) devem ser reunidos para julgamento conjunto todos os recursos em processos referentes ao notificado, posto que se tratam de glosas referentes ao mesmo profissional de saúde; b) em razão de sua idade, pede que o recurso tenha julgamento prioritário, nos termos do § 3. do art. 71 da Lei 10.741/2003; c) a não aceitação pelo órgão de julgamento dos documentos comprobatórios das despesas realizadas atenta contra a dignidade do recorrente e também do médico que prestou o serviço; d) durante anos, o recorrente vem deduzindo as despesas médicas relativas aos serviços prestados pelo Dr. Neilton Silva que faz acompanhamento psicanalítico de sua esposa, sendo que somente após o exercício de 2004 o fisco veio a questionar a dedutibilidade desta despesa; e) ressalta que em idêntico caso, relativo ao exercício de 2004, a DRJ/RJ1 acatou a relação de cheques relativos aos pagamentos ao médico Neilton Silva, acompanhada de declaração do profissional; f) novamente traz à colação a relação de cheques utilizados no pagamento ao referido médico e menciona que este prestou declaração contendo seu CPF, CRM, endereço e telefones; g) é equivocada a interpretação da legislação feita pela DRJ recorrida, posto que o inciso III do art. 80 do RIR admite que o contribuinte faça prova mediante indicação dos cheques nominativos relativos às despesas deduzidas, não mencionando que se deva obrigatoriamente apresentar cópias destes; e) nunca foi intimado a apresentar cópias dos cheques em questão, o que poderia ter sido determinado pela autoridade julgadora; f) apresenta decisões do CARF que, no seu entender, chocamse com o entendimento firmado pela DRJ recorrida. Ao final, pugna pelo provimento do recurso. É o relatório. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10768.003611/200938 Acórdão n.º 2402004.962 S2C4T2 Fl. 152 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade A ciência da decisão da DRJ ocorreu em 18/09/2013 (fl. 102), tendo a peça recursal sido apresentada em 16/10/2013 (fl. 104), assim, por ter sido interposto no prazo legal, o recurso merece conhecimento. Destaquese que em razão da idade do sujeito passivo a inclusão do presente processo em pauta obedeceu a diretriz de tratamento prioritário nos termos do § 3. do art. 71 da Lei 10.741/2003. Também foi atendido o pedido do sujeito passivo para que o julgamento deste recurso fosse feito em conjunto com os demais processos relativos a despesas médicas que envolvem questões idênticas, são eles os n. 12448.736606/201259 e n. 1244.8735668/201243. Glosa de despesas médicas Após a decisão da DRJ persiste como matéria de disputa apenas as despesas relativas ao médico Neilton da Silva. A razão que levou o fisco a glosar as despesas médicas foi a falta de comprovação das despesas. Não teria o sujeito passivo apresentado os recibos referentes a esses serviços. Na impugnação, o sujeito passivo mencionou que, quando da intimação do fisco para que justificasse as despesas, teria indicado a quantia dispendida no anocalendário de 2006, o número dos cheques e os bancos sacados, além de declaração prestada pelo médico de que teria recebido o total de R$ 11.635,00 (soma dos cheques indicados) pelo atendimento à esposa do notificado. O órgão de primeira instância determinou a juntada do dossiê que deu ensejo à notificação. A vinda ao processo desses elementos confirmou as afirmações do sujeito passivo quanto à existência de indicação dos cheques e a declaração do prestador de serviço. A DRJ manteve a glosa sob o argumento de que a legislação exige a apresentação dos recibos emitidos por ocasião do pagamento pela prestação dos serviços e que a declaração do médico não substitui os recibos, podendo ser aceita para suprir deficiências destes ou para corroborar as informações ali constantes. Afirmou o relator do voto condutor do acórdão que a mera indicação dos cheques não seria prova hábil a comprovar as despesas, posto que sem a cópia dos cheques não há como se saber se foram emitidos nominalmente ao prestador, exigência esta presente na norma aplicável. No recurso, além de pugnar pela validade das provas juntadas, o sujeito passivo afirmou que não foi instado a apresentar as cópias dos cheques emitidos em nome do Fl. 154DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 prestador. Assim, no seu entender, caso não lhe seja dada razão de plano, é cabível a conversão do julgamento em diligência para juntada das cópias dos cheques nominativos. No tocante a comprovação das despesas médicas, o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n. 3.000/1999, estatui: Despesas Médicas Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea “a”). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...)" Nos termos das disposições mencionadas, a comprovação de cada pagamento há de ser feita com a indicação dos valores envolvidos, além dos dados relativos ao prestador, serviço prestado, com indicação inclusive do destinatário do serviço médico. No caso em apreço, não foram exibidos os recibos nem na fase preparatória do lançamento, tampouco no curso do contencioso. A bem da verdade, o sujeito passivo buscou suprir a ausência dos recibos mediante a juntada de declaração do prestador de serviço (fl. 12), onde atesta haver recebido no anocalendário de 2006 a quantia de R$ 11.635,00 referente à assistência médica psicanalítica prestada à esposa do contribuinte, Sra. Dulce Maria Pinheiro Guimarães Palhares. Essa declaração, todavia, não individualiza os pagamentos. O sujeito passivo em reforço a essa prova fez indicação de 11 cheques, datados entre 02 e 12/2006, tendo como sacado o Banco do Brasil, os quais teriam supostamente sido utilizados para pagamento pelos serviços prestados pelo médico Neilton da Silva. O somatório constantes nos cheques totaliza R$ 11.635,00. Para a DRJ, a declaração do médico não supre a ausência dos recibos, podendo ser adotada em situação de dúvida quanto à veracidade daqueles ou para lhes suprir omissões. Quanto aos cheques, concluiuse que a mera menção a estes não comprovaria que teriam sido emitidos em nome do médico sob questão. A meu ver a decisão do órgão recorrido foi a mais acertada. De fato, nada garante que os cheques eram nominativos ao prestador. Somente com a apresentação das Fl. 155DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10768.003611/200938 Acórdão n.º 2402004.962 S2C4T2 Fl. 153 7 cópias destes documentos se dissiparia qualquer dúvida. Essa prova poderia ter sido facilmente produzida pelo sujeito passivo, como o foi no bojo do processo n. 13706.009218/200890, motivo pelo qual a dedução relativa àqueles serviços foi restabelecida. Vejo que com a impugnação ou com o recurso poderiam ter sido juntadas cópias desses cheques, o que certamente redundaria na aceitação das provas em consonância com a regra jurídica aplicável. Todavia, o recorrente preferiu suscitar a conversão do julgamento em diligência para que produzisse provas que ele já poderia ter apresentado sem necessidade de provocação dos órgãos de julgamento. Isso é uma atitude desarrazoada, que milita contra o princípio constitucional da razoável duração do processo. Por outro lado, vejo que da mesma forma andou bem a DRJ quando deixou de aceitar como prova suficiente a afastar a glosa a declaração do prestador dos serviços. A meu ver devese aceitar a declaração do prestador como forma de suprir eventuais omissões constantes nos recibos ou nos casos em que haja dúvida sobre a fidedignidade dos mesmos. A declaração não serve como prova plena, tendo papel subsidiário na comprovação das despesas médicas. Diante dessas considerações, devo concluir que devem ser mantidas as glosas de deduções relativas ao prestador Neilton da Silva, permanecendo inalterado o que ficou decidido pela DRJ. Conclusão Voto por conhecer do recurso para lhe negar provimento. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 10380.720067/2013-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008
DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO.
Inexiste vedação legal para que uma pessoa jurídica, detentora de ágio na aquisição de investimento avaliado pelo método da equivalência patrimonial em razão da rentabilidade futura da investida, confira o aproveitamento deste ágio a outra pessoa jurídica por intermédio da absorção de seu patrimônio (art. 7º da Lei nº 9.430/96) ou vice-versa (art. 8º).
Se o ágio na aquisição do investimento efetivamente ocorreu, não sendo fruto de operações entre empresas do mesmo grupo econômico (ágio interno), incabível a glosa da despesa com sua amortização fundada no emprego da assim chamada "empresa veículo".
SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO.
Caracterizam subvenções para investimento e, portanto, não se sujeitam à incidência do IRPJ e da CSLL, os incentivos do PROADI instituídos pelo art. 5º da Lei nº 7.075/1997 do Estado do Rio Grande do Norte.
Numero da decisão: 1201-001.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, que lhe negava provimento. Os Conselheiros João Thomé e Luis Fabiano acompanharam o Relator pelas conclusões no que toca ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada).
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008 DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. Inexiste vedação legal para que uma pessoa jurídica, detentora de ágio na aquisição de investimento avaliado pelo método da equivalência patrimonial em razão da rentabilidade futura da investida, confira o aproveitamento deste ágio a outra pessoa jurídica por intermédio da absorção de seu patrimônio (art. 7º da Lei nº 9.430/96) ou vice-versa (art. 8º). Se o ágio na aquisição do investimento efetivamente ocorreu, não sendo fruto de operações entre empresas do mesmo grupo econômico (ágio interno), incabível a glosa da despesa com sua amortização fundada no emprego da assim chamada "empresa veículo". SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. Caracterizam subvenções para investimento e, portanto, não se sujeitam à incidência do IRPJ e da CSLL, os incentivos do PROADI instituídos pelo art. 5º da Lei nº 7.075/1997 do Estado do Rio Grande do Norte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, que lhe negava provimento. Os Conselheiros João Thomé e Luis Fabiano acompanharam o Relator pelas conclusões no que toca ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto - Presidente e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada).
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. Inexiste vedação legal para que uma pessoa jurídica, detentora de ágio na aquisição de investimento avaliado pelo método da equivalência patrimonial em razão da rentabilidade futura da investida, confira o aproveitamento deste ágio a outra pessoa jurídica por intermédio da absorção de seu patrimônio (art. 7º da Lei nº 9.430/96) ou viceversa (art. 8º). Se o ágio na aquisição do investimento efetivamente ocorreu, não sendo fruto de operações entre empresas do mesmo grupo econômico (ágio interno), incabível a glosa da despesa com sua amortização fundada no emprego da assim chamada "empresa veículo". SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. Caracterizam subvenções para investimento e, portanto, não se sujeitam à incidência do IRPJ e da CSLL, os incentivos do PROADI instituídos pelo art. 5º da Lei nº 7.075/1997 do Estado do Rio Grande do Norte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, que lhe negava provimento. Os Conselheiros João Thomé e Luis Fabiano acompanharam o Relator pelas conclusões no que toca ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 00 67 /2 01 3- 13 Fl. 4424DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10380.720067/201313 Acórdão n.º 1201001.267 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada). Relatório Tratase de recursos voluntário e de ofício interpostos nos termos dos arts. 33 e 34 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 08025.364, exarado pela 4ª Turma da DRJ em Fortaleza CE. Por bem descrever o litígio objeto do presente processo, tomo de empréstimo o relatório contido na decisão de primeiro grau (fl. 4266 e ss.): Tratase de impugnação contra autos de infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e reflexos, no valor total na data do lançamento de R$ 37.940.612,54, já incluídos juros e multas, conforme demonstrativo de fl. 2. (...) As infrações estão exaustivamente descritas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 39 a 73. Seguese o detalhamento do conteúdo das infrações imputadas. 001. AMORTIZAÇÃO. VALORES DE ÁGIO NÃO PASSÍVEIS DE AMORTIZAÇÃO. Para melhor compreensão dessa infração, a autoridade autuante remete ao processo administrativo nº 10380.726.493/201018. Referido processo diz respeito a auto de infração lavrado contra Paulo Tarso Rego de Lima, CPF nº 443.414.82491, um dos sócios da Santa Clara Indústria e Comércio de Alimentos LTDA (denominação anterior da autuada), em razão de ganho de capital na alienação de participação societária. Naquele procedimento fiscal, a fiscalização detectou que a empresa Elite Internacional BV, CNPJ 05.534.721/000103, domiciliada no exterior, adquiriu, de fato, metade do capital da Santa Clara Industria e Comércio, mediante compra direta de ações dos sócios, dentre eles Paulo Tarso Rego de Lima. De acordo com o relatado naquele processo, para ocultar do fisco a compra e venda das ações e, conseqüentemente, eximir os alienantes da incidência do imposto de renda sobre o ganho de capital, adquirente e alienante engendraram uma série de operações societárias, com criação de empresas de passagem, aumento de capital, cisão, incorporação, etc., tudo com o objetivo de exteriorizar a aparência de uma operação de joint venture. Fl. 4425DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10380.720067/201313 Acórdão n.º 1201001.267 S1C2T1 Fl. 4 3 Seguese a transcrição de parte do auto de infração do processo nº 10380.726.493/201018, que descreve a imputada simulação. A SANTA CLARA IND E COM, uma das maiores indústrias de café do Brasil, tinha nos irmãos PEDRO, PAULO e VICENTE seus únicos proprietários. No ano de 2005, os irmãos decidem vender para uma empresa estrangeira, a ELITE INTERNACIONAL BV, metade da SANTA CLARA IND E COM; A venda seria por um valor muito superior ao do custo de aquisição, gerando, assim, elevado ganho de capital. Foi com o intuito de evitar o pagamento do Imposto de Renda incidente sobre referido ganho, que teve início o planejamento tributário; A idéia era fazer a venda de metade da SANTA CLARA IND E COM para a ELITE INTERNACIONAL BV parecer uma operação de reorganização societária. Para isso, foram criadas duas empresasveículo com capital social irrisório: a SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES (atuando em nome dos vendedores) e a ELITE DO BRASIL (atuando em nome dos compradores). Ambas constituídas por advogados que, “coincidentemente”, possuíam outras empresas “de Participações”; Acertada as bases do planejamento tributário, os advogados saem de cena: uma empresaveículo (ELITE DO BRASIL) é integralmente transferida para os compradores e a outra empresa veículo (SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES) é totalmente transferida para os vendedores; No dia da venda (29/12/2005), as empresas SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES e ELITE DO BRASIL têm o capital aumentado para 27,6 milhões e 226,0 milhões, respectivamente; Os acionistas da SANTA CLARA IND E COM integralizaram o capital da empresaveículo (SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES) justamente com todas as quotas que detinham na empresa que seria vendida (a própria SANTA CLARA IND E COM). A partir desse momento, quem comprasse a “PARTCIPAÇÕES” (controladora) estaria, na realidade, comprando a “IND E COM” (controlada); A empresa ELITE DO BRASIL foi capitalizada pela compradora (ELITE INTERNACIONAL BV) com R$ 216 milhões e, horas depois,“investiu” R$ 215,5 milhões na SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES, empresa que, horas antes, acabara de receber todas as quotas da empresa que seria comprada (SANTA CLARA IND E COM); Horas depois, os irmãos PEDRO, PAULO e VICENTE saem da SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES resgatando, ao todo, 10.199.183 ações (R$ 1,00 cada), e recebendo R$ 54 milhões. A partir desse momento, as empresas PRL (dos irmãos Fl. 4426DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10380.720067/201313 Acórdão n.º 1201001.267 S1C2T1 Fl. 5 4 PEDRO, PAULO e VICENTE) e ELITE DO BRASIL ficam com 50% da SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES cada uma; Ainda no dia da venda (29122005), cada irmão recebe, totalmente livre de imposto de renda, o valor de R$ 20,3 milhões, o mesmo valor do ganho de capital escondido. Um ano e meio depois, em uma operação na qual a controlada (“filha”) incorpora a controladora (“mãe”), a SANTA CLARA IND E COM incorpora a SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES. Chegavase, assim, à configuração desejada desde o início: metade da SANTA CLARA IND E COM pertencendo aos irmãos PEDRO, PAULO e VICENTE (por intermédio da PRL) e a outra metade pertencendo à empresa ELITE INTERNACIONAL BV; Ainda de acordo com o Termo de Verificação Fiscal que integra o presente auto de infração, a simulação acima resultou na contabilização indevida de um ágio na Elite do Brasil, transferido por cisão parcial para a Santa Clara Participações e posteriormente, por incorporação, para a Santa Clara Indústria, atual Três Corações Alimentos, que, por sua vez, passou a amortizálo, reduzindo o lucro e, conseqüentemente, o imposto de renda devido. Assim se pronuncia a autoridade autuante no Termo de Verificação sobre a amortização do ágio (fls. 65 a 68). “... nesse passo a fiscalização verifica que a ELITE DO BRASIL (empresa veículo, agindo em nome da ELITE INTERNACIONAL BV) integraliza 17.477.292 novas ações emitidas pela Santa Clara Participações (a outra empresa veículo envolvida no planejamento) pagando R$ 215.500.000,00 (R$ 139.000.000,00 via TED mais R$ 76.500.000,00 pela conferência de ações detidas na empresa Café Três Corações S/A. Os valores são registrados na contabilidade da Santa Clara Participações da seguinte forma: na conta capital social, o valor de R$ 17.477.292,00, na conta Reserva de Ágio, o valor de R$ 198.022.708,00 (R$ 215.500.000,00 – R$ 17.477.292,00), vejase também o item 6 da resposta apresentada pela fiscalizada. Aqui um ponto deve ser desde logo ressaltado, quem efetivamente pagou o valor acima foi a empresa ELITE INTERNACIONAL BV. Com efeito, conforme a contabilidade da ELITE DO BRASIL, o valor de R$ 139.000.000,00 ingressou na sua conta no Citibank como contrapartida de aumento de capital integralizado pela ELITE INTERNACIONAL BV, enquanto os R$ R$ 76.500.000,00 ingressaram como investimento na Café Três Corações S/A., também em contrapartida de aumento de capital integralizado pela ELITE INTERNACIONAL BV. Fl. 4427DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10380.720067/201313 Acórdão n.º 1201001.267 S1C2T1 Fl. 6 5 Como acima visto, no mesmo instante do ingresso, os valores entregues pela ELITE INTERNACIONAL BV são inteiramente gastos na compra do “investimento” na Santa Clara Participações. Convém esclarecer, ainda, que o valor (R$ 215.500.000,00) pago pela ELITE INTERNACIONAL BV pela compra do “investimento” na Santa Clara Participações (por meio da empresaveículo ELITE DO BRASIL) ficou registrado na contabilidade desta última na conta 1.3.01.03.01.012 (Investimentos/Part.Perman.Outras Empresas/Santa Clara Participações), valor de R$ 94.124.292,42; e na conta 1.3.04.01.02.003 (Diferido/Ágio/Aquisição Santa Clara), valor de R$ 121.375.707,58 (cf. também item 14 da resposta da fiscalizada). Conforme salientado pela fiscalização no TVF reproduzido acima (subitem V, do item 3.3), após os sócios originários da Santa Clara Indústria haverem recebido os valores referentes a alienação de metade de sua participação societária nesta empresa “(...) Era necessário, porém, dar seqüência ao planejamento de modo a tirar as empresasveículo de cena e, enfim, a ELITE INTERNACIONAL aparecer como proprietária de 50% das quotas da SANTA CLARA IND E COM.” (grifos no original). Ocorre que a série de atos societários perpetrados para a retirada de cena das empresasveículo possuía outro objetivo subjacente, qual seja o aproveitamento, através de sua amortização, do ágio nelas contabilizado. Com efeito, para que o objetivo do planejamento tributário fosse plenamente alcançado, ou seja, para que 50% das cotas da SANTA CLARA INDÚSTRIA ficassem sob o controle direto da ELITE INTERNACIONAL BV e os outros 50% ficassem sob controle dos sócios originários era necessário que a empresa SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES fosse incorporada por aquela empresa. Por outro lado, era a ELITE DO BRASIL quem possuía registrado em sua contabilidade o valor da mais valia paga para aquisição dos 50% da SANTA CLARA INDÚSTRIA (ágio). Portanto, para que o valor acima pudesse ser “amortizado” nos resultados futuros da SANTA CLARA INDÚSTRIA era imprescindível que ele saísse do patrimônio da ELITE DO BRASIL e ingressasse no patrimônio da SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES, após o que, esta seria incorporada pela SANTA CLARA INDÚSTRIA. Somente assim o ágio contabilmente registrado poderia ser aproveitado via amortização e reduzir os resultados tributáveis da SANTA CLARA INDÚSTRIA nos próximos cinco anos, tudo conforme expressa permissão legal, segundo a contribuinte (cf. itens 16 e 17 da resposta da fiscalizada). Fl. 4428DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10380.720067/201313 Acórdão n.º 1201001.267 S1C2T1 Fl. 7 6 Para alcançar os objetivos acima vistos foram necessárias duas operações societárias levadas a cabo pelos agentes envolvidos: 1) cisão parcial da ELITE DO BRASIL, com versão de 93% do seu patrimônio para a SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES, e 2) posterior incorporação da SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES pela SANTA CLARA INDÚSTRIA. Com a primeira operação transferiuse da ELITE DO BRASIL para a SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES, o investimento e o ágio contabilizado na primeira, ao mesmo tempo a ELITE DO BRASIL deixa de participar do quadro societário da SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES, passando tal participação a ser titulada pela ELITE INTERNACIONAL BV. Isto está contido no item 4.1 do “Protocolo de Cisão Parcial” firmado entre a ELITE DO BRASIL e a SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES: Com a segunda operação acima citada – a incorporação da SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES pela SANTA CLARA INDÚSTRIA – completase a seqüência de atos societários que visavam, através de um planejamento tributário evasivo, ocultar a operação de compra e venda de 50% das cotas da SANTA CLARA INDÚSTRIA pela ELITE INTERNACIONAL BV. O ato societário sob exame também enseja o aproveitamento do ágio contabilizado pelo prisma tributário, via sua amortização e conseqüente redução do resultado tributável da fiscalizada. Como salientado no TVF varias vezes citado no presente trabalho, no presente caso “A operação de alienação não foi direta, como de comum (sócios da SANTA CLARA transferindo suas ações para a ELITE INTERNACIONAL); houve, isso sim, um planejamento tributário evasivo arquitetado pelos alienantes, sócios da SANTA CLARA IND E COM, e pelos adquirentes, com a criação das empresas SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES e ELITE DO BRASIL, realizandose um conjunto de operações para ocultar o fato real da venda de ações (...)” (negritos do autor do TVF). O que houve no presente caso, como assaz provado, foi nada mais nada menos, que uma operação de alienação de participação societária com pagamento de mais valia (ganho de capital/ágio), cujos vendedores são pessoas físicas e o comprador é uma pessoa jurídica sediada no exterior. Foi visto ainda que o valor pago foi recebido pelos alienantes sem que fosse recolhido o devido imposto de renda decorrente do ganho de capital existente na operação. Assim sendo, o fisco não pode aceitar que a amortização do ágio sob exame, contabilizada como despesa reduza o resultado tributável apurado na fiscalizada. Primeiro porque a operação de alienação foi deliberadamente obscurecida por uma série de atos societários sem qualquer propósito negocial perpetrados no bojo de um planejamento tributário abusivo que visou o não Fl. 4429DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10380.720067/201313 Acórdão n.º 1201001.267 S1C2T1 Fl. 8 7 recolhimento do imposto de renda devido na operação de alienação (falta de recolhimento que perdura até hoje). E segundo porque a empresa que efetivamente adquiriu a participação societária com ágio tem sede no exterior, devendo o valor pago a título de ágio ser registrado na contabilidade desta empresa e não em uma empresaveículo criada sem outro propósito senão o de praticar atos visando a ocultação de fato geradores tributários. 002. SUBVENÇÕES E RECUPERAÇÃO DE CUSTOS. OMISSÃO NA RECUPERAÇÃO DE DESPESAS (PERDÃO DE DÍVIDA) A segunda infração imputada ao sujeito passivo foi a não contabilização, a título de recuperação de despesas, de incentivos fiscais do ICMS recebidos do estado do Rio Grande do Norte, correspondentes a perdão de divida decorrente de empréstimos vinculados ao pagamento de ICMS. De acordo com a autoridade autuante, tais empréstimos classificamse como subvenção para custeio, sujeito à tributação. Assim se expressa a autoridade fiscal no Termo de Verificação fiscal sobre a infração. No curso da presente ação fiscal, a empresa foi intimada promover a abertura dos valores referentes ao Regime Tributário de Transição (RTT) informados na DIPJ referente ao anocalendário de 2008. Em sua resposta a empresa alegou que “é beneficiária de incentivos fiscais no âmbito do ICMS, caracterizados por subvenções governamentais concedidas para investimentos nos parques industriais estabelecidos em Mossoró e Natal”. Os instrumentos apresentados junto com a resposta acima (Contrato AGN/PROADI 2004/021, referente a sua unidade em Natal e AGN/PROADI 2004/022, referente a sua unidade de Mossoró e seus respectivos aditivos) são na realidade Contratos de Mútuo de Execução Periódica celebrados entre a Agência de Fomento do Rio Grande do Norte S/A (Mutuante) e os estabelecimentos da fiscalizada situados nas cidades acima (Mutuária). A finalidade dos contratos acima é o “financiamento sob a forma de mútuo de execução periódica, com recursos do PROADI, em dinheiro, no valor mensal equivalente a um percentual não superior a 10% (dez por cento) do faturamento total da Mutuaria, do mês anterior de cada liberação, não podendo ultrapassar igualmente 75% (setenta e cinco por cento) do respectivo ICMS devido, nos mesmos períodos, visando formação do seu ativo” (cláusula primeira) Os prazos totais dos financiamentos eram de 04 (quatro) anos e 05 (cinco) meses, inclusive 01 (um) mês de carência, a partir da emissão da primeira nota fiscal após a assinatura Fl. 4430DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10380.720067/201313 Acórdão n.º 1201001.267 S1C2T1 Fl. 9 8 do contrato (Natal) e de 05 (cinco) meses, inclusive 01 (um) de carência (Mossoró) – cláusula quinta. Por conta dos Primeiros Aditivos aos contratos supra os prazos passaram a ser de 14 (quatorze) anos e 05 (cinco) meses e 05 (cinco) anos e 05 (cinco) meses, respectivamente. Quanto à amortização, os contatos prevêem que o principal da dívida decorrente dos desembolsos mensais sejam reembolsados pela Mutuária em parcelas únicas e exigíveis a partir do dia 15 (quinze) do mês subsequente ao término do prazo de carência, ocorrendo este, 01 (um) mês após cada liberação (cláusula sexta). No parágrafo segundo da cláusula acima, consta que “da parcela do reembolso do principal do financiamento de que trata o presente contrato, é concedida a redução de 99% (noventa e nove por cento) por ocasião das respectivas amortizações”(grifamos). Os contratos supra não preveem que os recursos desembolsados pela AGN sejam utilizados pela empresa em investimentos destinados à implantação ou expansão de qualquer empreendimento econômico. Após cada desembolso os recursos passam a compor o capital de giro da empresa. Deste modo, a operação acima não pode ser caracterizada como subvenção para investimento, como alega a fiscalizada. O Parecer Normativo CST nº 112/79 apresenta uma definição de subvenção para investimento em contraposição à subvenção para custeio: O que se verifica da análise dos contratos acima é que a AGN empresta mensalmente um valor a fiscalizada, correspondente a 75% do valor do ICMS apurado, diminuído do ICMS nas operações de mercadorias de terceiros. Para a amortização do valor acima (com os encargos previstos), que ocorre no terceiro mês subsequente a cada período de apuração (por conta dos prazos de carência envolvidos), a fiscalizada paga somente o equivalente a 1% (um por cento) do valor emprestado. A parcela remanescente corresponde a um perdão de dívida. Consequentemente, estas operações de natureza financeira não podem ser caracterizadas como subvenções, tratase o caso de empréstimo subsidiado, conforme preceitua o Ato Declaratório Interpretativo nº 22, de 2003. Ciente do auto de infração em 31/12/2012, o contribuinte apresentou em 29/01/2013 a impugnação de fls. 3283 a 3338, com as alegações que passo a expor. 001. AMORTIZAÇÃO. VALORES DE ÁGIO NÃO PASSÍVEIS DE AMORTIZAÇÃO. Fl. 4431DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10380.720067/201313 Acórdão n.º 1201001.267 S1C2T1 Fl. 10 9 Quanto a este item do auto de infração, o impugnante sustenta, em síntese, que houve na verdade uma operação de joint venture entre a Elite Internacional BV e a Santa Clara Indústria, tendo sido para tanto necessária a utilização da empresa Elite do Brasil, de tal sorte que sua constituição e operações tiveram substância econômica e propósito negocial, não lhe podendo ser atribuída a condição de empresa veículo. Argumenta também que a fiscalização não poderia utilizar como prova da infração a simples conclusão firmada em auto de infração lavrado em procedimento diverso e, que tampouco há relação de causa e efeito entre uma autuação e outra. Por fim, defende que é inconteste que o ágio efetivamente existiu e que as operações que o geraram foram realizadas entre partes diferentes, por valores de mercado e devidamente registradas. Para melhor compreensão dos argumentos sintetizados nos parágrafos acima, transcrevo, a seguir, os principais trechos da impugnação, sobre o tema: “II.1a. Da existência e origem do ágio. Do propósito negocial das operações praticadas e da substância econômica dos atos. O artigo 385 do Regulamento do Imposto de Renda ("RIR" Decreto n°. 3.000/99) estipula que os contribuintes obrigados à adoção do método de equivalência patrimonial (MEP) para a contabilização dos seus investimentos em sociedades controladas ou coligadas, quando da aquisição (lato sensu "Aquisição") de participação societária, devem desdobrar o custo de aquisição do investimento em: (i) valor de patrimônio líquido e (ii) ágio ou deságio, de acordo com sua fundamentação. Ágio, portanto, é o valor resultante da diferença entre o custo total de "Aquisição" do investimento e o valor da parcela proporcional ao patrimônio líquido da sociedade investida à época da aquisição. No caso em tela, a origem do ágio decorreu de uma operação que, de forma resumida, envolveu ao final de um longo processo a consolidação (em uma única sociedade) de dois grandes grupos concorrentes da indústria do café. Nesse sentido, coube à sociedade Elite do Brasil Ltda. ("Elite do Brasil") aportar ativos e moeda em valor equivalente àquele aportado pelo "Grupo Santa Clara", resultando em uma sociedade detida por dois grupos de sócios (" Joint Venture'' ou "Holding"), cabendo metade do capital para cada um. Ressaltese, desde logo, que o ágio em questão foi decorrente de operação entre partes não relacionadas, advindo de operação entre grupos absolutamente distintos. (...) Fl. 4432DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10380.720067/201313 Acórdão n.º 1201001.267 S1C2T1 Fl. 11 10 Assim, por exigência do Grupo EliteStrauss, as pessoas físicas que atuavam como acionistas na sociedade Santa Clara Participações necessariamente deveriam se retirar desta, de modo a evitar problemas de sucessão (decorrentes da morte, separação ou invalidez de qualquer deles), concentrando o investimento diretamente em uma empresa de participações. Em decorrência, a sociedade Santa Clara Participações se traduziu em uma holding empresarial focada em gerir as atividades das empresas operacionais (Santa Clara Indústria e Café Três Corações) nas diversas áreas de atividade da cadeia do café e seus derivados. Com efeito, as holdings se prestam essencialmente a facilitar o planejamento estratégico de determinado grupo empresarial, permitindo um fluxo econômico de operações e valores entre as empresas controladas, além de resultar na otimização dos recursos administrativos e financeiros. Com isto, demonstrase ter sido fundamental a "pré existência" da sociedade Santa Clara Participações sob o controle comum por um período significativo de um ano e meio até que efetivamente os dois grupos tivessem segurança quanto ao momento da pretendida consolidação de suas atividades operacionais. (...) Portanto, comprovase que as operações realizadas, notadamente a necessidade de passos paulatinos (especialmente a préexistência da sociedade Santa Clara Participações sob controle comum e posterior incorporação desta para consolidação na Santa Clara Industrial, sendo esta a razão social anterior da ora Impugnante) decorreram de evidentes interesses negociais das partes (associarse de forma segura e escalonada, até que houvesse segurança para a final consolidação das operações), bem como tiveram substância econômica (havendo efetivos fluxos de capitais e transferência de ativos). Logo, a existência do ágio passível de amortização pela Impugnante não comporta dúvidas, tampouco a substância econômica e propósito negocial das operações anteriores poderiam ser questionados com o fim de macular o ágio incorrido e/ou a despesa de amortização dele decorrente. II.1.b. Da ausência de prova do cometimento de qualquer infração pela Impugnante relativamente à dedução de despesa com amortização do ágio. De plano, da simples leitura do Termo de Verificação Fiscal ("TVF"), que amparou a presente autuação, notase que seu teor reproduz as conclusões de outra fiscalização, qual seja, a do Processo Administrativo n.° 10380726.493/201018 (doc. 17). Fl. 4433DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10380.720067/201313 Acórdão n.º 1201001.267 S1C2T1 Fl. 12 11 Ocorre que o Processo Administrativo n.° 10380726.493/201018 trata da suposta omissão de GANHO DE CAPITAL auferido por pessoas físicas na hipotética alienação de quotas da sociedade Santa Clara Indústria, assunto alheio à Impugnação em tela, a qual dispõe sobre a AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO e SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. (...) Em momento algum a autoridade demonstrou a razão pela qual a despesa com a amortização do ágio não poderia ter sido deduzida pela Impugnante. Ora, o brocardo jurídico é velho, mas válido: "Alegar e não provar é o mesmo que nada alegar"! A fiscalização não cumpriu com seu dever de demonstrar a ilegalidade da dedutibilidade do ágio amortizado pela Impugnante. O "empréstimo" juridicamente aceito diz respeito à prova, e desde que relacionada aos fatos dos autos, e não às conclusões obtidas em outro processo fiscal, o que só corrobora o fato de que o TVF, lavrado nos autos do Processo Administrativo n.° 10380726.493/ 201018, jamais poderia ter sido adotado pela autoridade fiscal como fundamento para autuar a Impugnante pelo aproveitamento (autorizado pela legislação) da despesa com amortização do ágio. II.1.c. Da existência e fundamentação econômica do ágio. Fato incontroverso até mesmo para a fiscalização. Tanto é incontroversa a ocorrência de ágio amortizado pela Impugnante que a própria autoridade fiscal, em seu lançamento, não questionou o valor do ágio registrado pela Impugnante (R$121.375.707,58 doc. 08), sua fundamentação econômica, bem como o conteúdo do laudo de avaliação e contabilização. (...) Pelo exposto, não há como negar que a parcela do ágio amortizado e deduzido pela Impugnante efetivamente ocorreu e é decorrente de operação societária devidamente registrada perante os competentes órgãos públicos. (...) Dito isso, de acordo com a autoridade fiscal, o impeditivo para a amortização do ágio residiria no fato do ágio ter sido apurado a partir de um suposto planejamento tributário apto a mascarar um hipotético ganho de capital suportado por pessoas físicas. Ora, não bastasse a comprovação de que as operações foram lastreadas em efetivos interesses negociais e carregadas de substância econômica, é espantoso o fato de a Fl. 4434DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10380.720067/201313 Acórdão n.º 1201001.267 S1C2T1 Fl. 13 12 fiscalização atrelar a dedução da despesa com amortização de ágio ao efetivo pagamento do imposto de renda das pessoas físicas ("IRPF") decorrente de um cogitado ganho de capital. A dedutibilidade do ágio impacta o IRPJ e a CSLL, ao passo que o ganho de capital (objeto de outro processo administrativo) diz respeito ao IRPF. Por um minuto (apenas por argumentação), imaginemos que o IRPF sobre o suposto ganho de capital discutido em outro processo administrativo fosse pago. Estaria agora a Impugnante autorizada pela legislação tributária a amortizar o ágio objeto desta Impugnação? Obviamente não há correlação lógica entre os fatos, tampouco qualquer correlação de causa e efeito jurídica! (...) Insistimos. Não há qualquer elemento de conexão juridicamente válido entre a premissa e a conclusão apontadas pela autoridade fiscal. Dizer que o não recolhimento do imposto sobre o suposto ganho de capital invalida ou macula o direito à amortização do ágio efetivamente gerado é descabido, incorreto e absurdo. E mais! Por vezes a autoridade fiscal alega que a Impugnante, ao subscrever ações com ágio, buscou ocultar a real natureza da operação, qual seja a de "compra e venda" e que isso de alguma forma (não explicada no TVF, acreditamos que nem no ordenamento jurídico) teria impacto no aproveito fiscal do ágio. Qual seria o diferente impacto fiscal relacionado à amortização do ágio caso a operação se deflagrasse como "compra e venda", e não como subscrição de capital? Obviamente, nenhum. Para fins do ágio, é irrelevante a forma de sua "Aquisição", fosse a transação de "compra e venda" ou de "subscrição de capital com ágio". Conforme já visto, a Aquisição é gênero, do qual a "compra e venda" é espécie. II.1.d. Considerações Específicas sobre o Ágio da Impugnante Inexistência de "empresa veículo.” A fim de apurar se uma operação é negocialmente robusta sob a ótica tributária, e se não encerra apenas um planejamento tributário sem substância econômica, ela deve ser examinada de forma contextualizada. Nesse cenário, releva notar que o ágio ora em comento foi gerado de forma ordinária, sem a identificação de quaisquer atos artificiais relacionados à negociação dos valores aportados em troca das participações societárias. Fl. 4435DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10380.720067/201313 Acórdão n.º 1201001.267 S1C2T1 Fl. 14 13 Mais do que isso, o ágio aproveitado pela Impugnante foi gerado em uma operação com aporte por terceiros a ela não relacionados, havendo efetivo fluxo financeiro. A transação foi realizada em estrita observância aos parâmetros de mercado e à legislação vigente, sem qualquer abuso de forma, de direito ou simulação. Ao contrário, a estrutura adotada correspondeu exatamente à intenção das partes envolvidas. O conjunto documental probatório é imenso neste sentido! (...) Ora, o conceito de "empresa veículo" está sendo construído paulatinamente pela jurisprudência e doutrina por intermédio da análise de casos concretos. Na doutrina de Luís Eduardo Schoueri encontrase o resumo do que seriam os requisitos para a caracterização de uma sociedade como tal ("veículo"), sendo: (i) Criada pela própria adquirente com seu investimento na empresaalvo exclusivamente para a transferência do ágio; (ii) Sem propósito econômico; (iii) É a empresa para a qual é transferido o ágio; (iv) É controladora da empresa que restou após a incorporação e na qual passou a ser amortizado; (v) É extinta por conta da incorporação; e (vi) Possibilita que sua controlada possa, ao fim, amortizar o referido ágio. (...) A joint venture não almejou exclusivamente a transferência do ágio. Ela foi constituída primordialmente para consolidar a participação das sociedades envolvidas no mercado de café brasileiro. (...) Ainda sobre o propósito negocial da organização societária e da substância de cada uma das sociedades envolvidas, relevante notar o aspecto concorrencial envolvido, porquanto somente a junção das duas empresas (Elite do Brasil e Santa Clara Indústria) permitiria com que fizessem (e fazem até hoje) frente comercial às grandes empresas de abrangência nacional, como a Sara Lee (Café do Ponto), Segafredo Zanetti e Melitta, dentre outras que atuavam e atuam no Brasil. (...) Houve efetivo fluxo financeiro/aporte de capital pela Elite do Brasil na sociedade Santa Clara Participações em contrapartida às ações recebidas (doc. 18. Obs.: O comprovante de transferência bancária inclui montantes adicionais ao pagamento referente ao aporte de capital em análise doc. 07); Não houve constituição de sociedade dentro do mesmo grupo para fins de "criação" de "ágio interno". As operações foram Fl. 4436DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10380.720067/201313 Acórdão n.º 1201001.267 S1C2T1 Fl. 15 14 efetivadas entre partes não relacionadas (Elite do Brasil e Santa Clara Participações, as quais tem quotistas distintos e interdependentes); Operação praticada a valores de mercado e respaldada em Laudo com comprovação da fundamentação econômica do ágio (doc. 19). (...) Ora, sem prejuízo de todos os argumentos acima elencados, o caso da Impugnante não envolve a constituição de uma sociedade efêmera, porquanto: Por um lado, temse que a Elite do Brasil já era sociedade brasileira do Grupo EliteStrauss, préconstituída e atuante no País muito antes da constituição da joint venture. A Elite do Brasil já detinha investimento produtivo no País desde o ano de 2000 (doc. 20), sendo titular dá Café Três Corações, esta última sociedade operacional do Grupo EliteStrauss no Brasil. Portanto, a Elite do Brasil não foi constituída artificial e exclusivamente para fins de registro e aproveitamento do ágio hora debatido. (...) De fato, tanto a joint venture na holding não foi "sociedade efêmera" que foi preciso um período de um ano e meio para que a operação em questão fosse aprovada pelo CADE e, internamente, para que as estruturas estivessem integradas (um único sistema corporativo, mesma política salarial, mesma cultura económicocomercial, etc.) e a presença da joint venture não mais se fazia necessária. (...) Pelo exposto, temse cabalmente comprovada que a joint venture Santa Clara Participações e a Elite do Brasil (isolada ou conjuntamente consideradas) não se revelam como "empresas veículo", de tal sorte que as respectivas constituições estão atreladas aos propósitos negociais acima analisados e às expectativas do mercado cafeeiro nacional. II.1.e. Da indevida aplicação da multa qualificada No direito tributário não existe o menor problema no fato de o contribuinte (i.e. Impugnante) agir para reduzir sua carga tributária, desde que atue por meios lícitos (elisão). Espanto seria supor que o contribuinte somente busca economia fiscal de maneira acidental. Ocorre que, apesar de o recolhimento do imposto de renda sobre eventual ganho de capital não guardar qualquer referência com a verificação da existência do ágio (tampouco com sua correta amortização), a autoridade fiscal houve por Fl. 4437DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10380.720067/201313 Acórdão n.º 1201001.267 S1C2T1 Fl. 16 15 bem imputar à Impugnante multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento), na forma do Artigo 44 da Lei n° 9.430/96. Portanto, ainda que o imposto sobre o suposto ganho de capital fosse efetivamente devido pela pelas pessoas físicas que integraram à época a sociedade Santa Clara Indústria (fato que não tem qualquer relação com os autos ora impugnados), a aplicação da multa agravada em relação à amortização fiscal do ágio não tem qualquer respaldo legal. A legislação tributária determina que a válida majoração da multa requer provas concretas de que houve evidente intuito de fraude, dolo ou simulação. No caso, não há qualquer demonstração de conduta dolosa e/ou fraudulenta por parte da Impugnante. Pelo contrário! Sequer há infração à legislação tributária que, direta ou indiretamente, pudesse estar relacionada ao objeto dos presentes autos guerreados. (...) Não há nenhuma declaração ou cláusula que esteja divorciada do efetivo negócio celebrado pelas partes. Todos os atos decorrentes da reestruturação societária empreendida foram feitos às claras, com a adoção de todas as providências e registros necessários, conferindo publicidade total à operação. 002. SUBVENÇÕES E RECUPERAÇÃO DE CUSTOS. OMISSÃO NA RECUPERAÇÃO DE DESPESAS (PERDÃO DE DÍVIDA) Sobre essa infração, alega o impugnante, em síntese, que os recursos recebidos no âmbito do incentivo fiscal concedido pelo estado do Rio Grande do Norte são efetivamente subvenções para investimento, que de acordo com o art. 443 do RIR/99 não integram a base de cálculo do lucro real. Vejamse os principais trechos da impugnação do contribuinte sobre o tema: II.2.a. Da subvenção para investimento Como o próprio nome sugere, a subvenção para custeio constitui um auxilio pecuniário concedido pela administração publica, a uma determinada pessoa jurídica, para utilização no custeio da sua operação, sem que seja necessário o cumprimento de quaisquer contraprestação. Já a subvenção para investimento, além de requerer o atendimento de determinadas formalidades legais, ainda pressupõe a aplicação do valor subvencionado na implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. (...) Fl. 4438DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10380.720067/201313 Acórdão n.º 1201001.267 S1C2T1 Fl. 17 16 Ainda acerca da regulamentação da subvenção para investimento, o Regulamento do Imposto de Renda vigente (RIR), em seu artigo 443, reproduz o quanto disposto na legislação acima transcrita: "Art. 443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde que (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 38, § 2o, e DecretoLei n° 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VIII): I – registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no art. 545 e seus parágrafos; ou II – feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço ,do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas." Nesse sentido, temse que o benefício do art. 443 do RIR/99 (art. 38 do DL n° 1.598/77) consiste no não oferecimento de tais "resultados não operacionais" à tributação, registrando contabilmente a transferência dos recursos em uma conta de reserva de capital, ao invés de transitar por uma conta de resultado (receita). A contrapartida do lançamento deverá ser a débito de contas do Ativo já que há o ingresso de recursos. Registrandose contabilmente desta forma sequer há necessidade de se efetuar exclusões do lucro líquido contábil quando da apuração do lucro real. (...) Temse claro que, por lei, qualquer incentivo pecuniário concedido pelo poder público (independente da forma como seja operacionalizado), condicionado à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos constitui uma subvenção para investimento e, como tal, não integrará a apuração do lucro real. II.2.b. Os benefícios do PROADI se caracterizam subvenção para investimento O Estado potiguar, por intermédio da Lei n° 5.397, de 11 de outubro de 1985, instituiu o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Industrial do Rio Grande do Norte PROADI, que, atualmente, é regido pela Lei n°. 7.075, de 17 de novembro 1997, e pelo Decreto 13.723, de 24 de dezembro de 1997 e alterações. Fl. 4439DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10380.720067/201313 Acórdão n.º 1201001.267 S1C2T1 Fl. 18 17 (...) A concessão do beneficio em questão está condicionada à apresentação de um projeto de instalação ou expansão de empreendimento econômico no Estado Potiguar, devidamente acompanhado de um projeto de viabilidade econômica a ser elaborado por economista ou outro profissional liberal credenciado junto à Coordenadoria de Promoção Industrial Coprin, da SEDEC. (...) Assim, é incontestável que a outorga dos benefícios pelo Estado do Rio Grande do Norte não se limita à concessão de empréstimos em condições especialíssimas, mas corresponde a um conjunto de medidas concretas que têm como contrapartida uma série de obrigações a serem cumpridas pela empresa beneficiária, dentre as quais estão os investimentos para a implantação e expansão das unidades fabris. Neste sentido, o fato de o benefício dado pelo Estado do Rio Grande do Norte se materializar por intermédio de incentivo financeiro não afasta a constatação legal de que visa ao investimento e, portanto, se adéqua ao conceito de subvenção para investimento, de tal forma a afastar a sua tributação pelos IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. (...) Logo, resta evidente que a intenção do Estado do Rio Grande do Norte foi subvencionar a implantação e expansão dos parques industriais da Impugnante em seu território, em contrapartida ao atendimento do quanto acordado do Protocolo de Intenções. Nesta mesma linha, concluise serem ilegais o Parecer Normativo CST n.° 112/78 e o Ato Declaratório Interpretativo n.° 22/2003, utilizados como fundamento para a lavratura do auto de infração. II.2.c. Da adequação da Impugnação ao PROADI A Impugnante possui dois parques industriais no Estado do Rio Grande do Norte, um em Natal (que se dedica à produção de café em pó, café solúvel, misturas para capuccino, café com leite e achocolatado) e outro em Mossoró (dedicado à produção de derivados do milho, tais como farinhas flocadas, canjicas e farelo de gérmen, condimentos e coloríficos, bem como o beneficiamento de milho para pipoca e de amido de milho). (...) Unidade Natal. Fl. 4440DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10380.720067/201313 Acórdão n.º 1201001.267 S1C2T1 Fl. 19 18 Em 02.07.1998, a Impugnante apresentou perante o Estado do Rio Grande do Norte (RN), projeto de adesão ao PROADI, pelo prazo de 10 anos (doc. 23) Para fazer jus ao incentivo, que tinha por finalidade a implantação da sua fabrica, até então inexistente, se comprometeu perante o Estado a (a) investir R$ 3.500.000,00 em ativos imobilizados; (b) gerar 220 empregos diretos; e (c) a manter no RN a unidade produtiva pelo mesmo prazo do incentivo, sob pena de devolução do incentivo recebido. Ainda em 1998, o pleito da Impugnante foi aprovado, tendo sido assinado o respectivo Protocolo de Intenções (doc. 24), ratificandose o projeto, bem como o contrato particular de mútuo de execução periódica (doc. 25). (...) Quanto aos investimentos em ativo imobilizado, verificase que o valor a esse titulo sempre foi crescente, partindose do valor de R$ 2.500.000, 00 em 1999 e chegandose a R$ 17.000.000,00 em 2008, conforme se demonstra por intermédio do anexo balancete (doc. 29), bem como de cópia da Ficha 38 A das DIPJs dos anoscalendário 2000 e 2002 (doc. 30). Com relação ao número de empregados, partiuse de 0 (zero) em 1998, atingindose o montante de 246 em 2008, conforme cópia do "Cadastro Geral de Empregados e Desempregados CAGED" referentes a dezembro de cada um dos anos calendário autuados (doc.31). (...) O próprio governo federal, representado pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste, reconheceu que a Impugnante, por intermédio de seu estabelecimento Natal, realizou investimentos aptos a ensejarlhe o direito aos incentivos fiscais de redução do IRPJ em decorrência da modernização total de seu parque industrial entre os anos de 2004 e 2009. (...) Ao se fazer a descrição do processo produtivo, foram apresentadas fotos, por intermédio das quais se demonstra os equipamentos que eram utilizados antes e depois da modernização de seu parque industrial. Em resposta, em 14/09/2011, a Diretoria de Gestão de Fundos e Incentivos e de Atração de Investimentos da SUDENE emitiu o ofício 1415/2011SUDENE (doc. 35), informando que aquela Superintendência, por intermédio do Laudo Constitutivo 95/2011 (doc. 36), reconheceu o direito ao benefício fiscal pleiteado. Fl. 4441DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10380.720067/201313 Acórdão n.º 1201001.267 S1C2T1 Fl. 20 19 Referido documento informa que a Impugnante atendeu as condições e requisitos legais exigidos, quais sejam, ter modernizado o parque industrial voltado a setor da economia considerado prioritário para o desenvolvimento regional e em área de atuação da SUDENE. Ora, se houve o reconhecimento pelo próprio governo federal de que a Impugnante investiu em seu parque industrial, mormente seu maquinário, modernizando completamente seu estabelecimento industrial entre os anos de 2004 e 2009, não há qualquer dúvida de que a empresa fez investimentos em seu estabelecimento. Unidade Mossoró. (...) Os mesmos argumentos despendidos acima para demonstrar a adequação da unidade de Natal às exigências do programa de incentivo fiscal do RN, são repetidos, mutatis mutandis, em relação à unidade de Mossoró, o que dispensa sua reprise neste tópico do relatório. II.3. DA IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DE SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Por fim, propugna o impugnante pela impossibilidade de aplicação de juros sobre a multa de ofício, sob o fundamento da inexistência de previsão legal nesse sentido. Eis a transcrição dos principais trechos da impugnação quanto a esse tópico: No entanto, tendo em vista a inexistência de qualquer previsão legal a permitir a aplicação de juros SELIC sobre a multa, a Impugnante entende por bem desde já rechaçar esse procedimento, para a hipótese extrema de ser mantido o lançamento. Isso porque, o §3° do art. 61 da Lei 9430/96, não permite a incidência do :"os sobre a multa, mas sim a incidência isolada de ambos sobre o principal. Verificase, de sua leitura, que as multas incidiram sobre os "débitos para com a União, sendo que sobre esses mesmos débitos, a saber, o principal, incidirão os juros de mora. Além disso, o artigo 44 da Lei n° 9.430/96, responsável pela instituição das multas aplicáveis em caso de lançamento de ofício, não faz qualquer menção à incidência de juros de mora, calculados à taxa SELIC, sobre esses valores, ad litteram: (...) Pois bem. Tal fato, se averiguado em face do quanto disposto pelo artigo 43 da Lei n° 9.430/96, que trata de Autos de Infração sem tributo, não deixam dúvidas de que as multas de Fl. 4442DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10380.720067/201313 Acórdão n.º 1201001.267 S1C2T1 Fl. 21 20 ofício, constituídas juntamente com a obrigação principal, não estão sujeitas à taxa SELIC. Isso porque, o artigo 43 da Lei n° 9.430/96 deixa evidente que o legislador, quando buscou submeter dado crédito tributário à taxa SELIC, expressamente o fez: (...) Ademais, vale dizer que não é possível sustentar a aplicação de juros SELIC com base no artigo 61, §3°, da Lei n° 9.430/96: Consoante se depreende, o dispositivo em questão utiliza a expressão débito, e não crédito tributário, donde se constata que está a instituir a incidência dos juros SELIC sobre o principal devido, e não sobre eventual multa de ofício aplicável. A fim de que não paire qualquer dúvida a respeito de estar o artigo 61, §3°, da Lei n° 9.430/96 tratando, apenas e tão somente, do principal devido, quando dispõe "aos débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora", importa atentar para a leitura de seu caput. De fato, o caput do artigo 61, da Lei n° 9.430/96, também utiliza a expressão "débitos", mas o faz para determinar que estes sujeitamse à multa de mora, donde se constata que débito e multa são coisas distintas, de forma que o §3° indiscutivelmente cuida apenas do principal devido. Acrescentese, por fim, que ao longo de toda a sua impugnação o sujeito passivo traz à colação diversos precedentes do CARF, que segundo ele aplicarseiam ao seu caso concreto, apreciáveis na fundamentação do voto que se segue. Examinadas as razões de defesa a DRJ de origem julgou procedente em parte a impugnação para: (i) afastar a qualificação da multa de ofício incidente sobre o IRPJ e a CSLL exigidos em razão da amortização indevida do ágio, e; (ii) afastar a exigência do IRPJ, PIS, Cofins e da CSLL relativos à recuperação de despesas não oferecida à tributação. Ademais, por haver exonerado o sujeito passivo do pagamento de tributos e encargos de multa em valor superior ao limite de sua alçada, o órgão a quo submeteu sua decisão a reexame necessário por parte deste Conselho. Irresignada com a parcela mantida, a interessada interpôs recurso voluntário reproduzindo, em síntese, os mesmos argumentos de mérito expostos na impugnação ao lançamento, e acrescentando ainda os seguintes argumentos em sede de preliminares (fl. 4350 e ss.). a) nulidade da decisão da DRJ haja vista haver inovado o lançamento ao afirmar que a exigência deve ser mantida com base no art. 386, III, do RIR/99, quando o auto de infração teve como enquadramento legal o art. 324, §§ 2º e 4º do mesmo Regulamento; Fl. 4443DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10380.720067/201313 Acórdão n.º 1201001.267 S1C2T1 Fl. 22 21 b) nulidade da decisão da DRJ tendo em conta haver inovado o lançamento ao afirmar que, ainda que se admitisse a legalidade do ágio, este deveria limitarse a 93% do valor contabilizado a esse título na sociedade Elite Brasil. É que o valor do ágio não foi objeto de questionamento por parte da autoridade fiscal; c) a DRJ erra ao afirmar que o auditor não “importou” do processo nº 10380.726493/201018, referente ao lançamento do ganho de capital, a conclusão firmada no auto de infração ora combatido. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) DA ADMISSIBILIDADE DOS RECURSOS Os recursos atendem aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, deles devese tomar conhecimento. 2) DO RECURSO VOLUNTÁRIO 2.1) Das Preliminares Suscitadas A primeira preliminar levantada pela recorrente diz respeito à suposta inovação cometida pela DRJ de origem ao fundamentar a infração no art. 386, III, do RIR/99, quando a autoridade fiscal sustentou o lançamento com fulcro no art. 324, §§ 2º e 4º. Não assiste razão à defesa. Conforme jurisprudência pacífica deste Conselho, o erro cometido pela autoridade tributária quanto ao enquadramento legal da infração não dá causa à nulidade do lançamento quando os fatos são descritos com clareza e precisão. Nesse sentido, também não há como declararse a nulidade da decisão de primeiro grau por haver a Turma recorrida entendido que os fatos narrados pelo auditor enquadramse em uma norma diversa da apontada no TVF, se a norma agora invocada produz a mesma consequência jurídica daquela sustentada pela autoridade lançadora. Incidi aqui o famoso brocardo jurídico iura novit curia, sobre o qual bem escreveu J. J. Calmon de Passos em seus Comentários ao Código de Processo Civil, volume 3, página 159: [...] o juiz necessita do fato, pois que o direito ele é que o sabe. A subsunção do fato à norma é dever do juiz, vale dizer, a categorização jurídica do fato é tarefa do juiz. Se o fato narrado na inicial e o que foi pedido é compatível com a categorização jurídica nova, ou com o novo dispositivo de lei invocado, não há por que se falar em modificação da causa de pedir, ou em inviabilidade do pedido. Essa inviabilidade só ocorre quando as conseqüências derivadas da nova categoria jurídica não podem ser imputadas ao fato narrado na inicial, nem estão contidas no pedido, ou são incompatíveis com ele. Fl. 4444DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10380.720067/201313 Acórdão n.º 1201001.267 S1C2T1 Fl. 23 22 No caso, tanto o art. 324, §§ 2º e 4º, quanto o art. 386, III, ambos do RIR/99, produzem a mesma consequência jurídica, qual seja, a glosa de dedução indevida de despesas de amortização, daí porque aplicável na espécie o iura novit curia. Ademais, a recorrente demonstrou haver bem compreendido as acusações que lhe foram impostas, tanto é assim que delas se defendeu a contento. Iso posto há que se indeferir esta primeira preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau. A segunda preliminar trazida pela interessada referese também à suposta inovação perpetrada pela DRJ quando levanta questão que não foi objeto de exame no TVF, qual seja, que acaso fosse reconhecida a legalidade do ágio, esse deveria limitar a 93% do valor contabilizado pela investidora Elite Brasil. Também aqui não existe razão para declaração de nulidade em virtude da alegada inovação. Não só pelo que se disse acima, mas também porque a DRJ entendeu ser ilegal a integralidade do ágio registrado pela recorrente, tal como sustentado pela fiscalização. Por fim, quanto à terceira preliminar, não é verdadeira a alegação da defesa segundo a qual a fiscalização “importou” para o presente processo as conclusões contidas no TVF relativo à tributação do ganho de capital (processo nº 10380.726493/201018). Neste ponto cabe esclarecer que os inúmeros e intrincados atos e negócios jurídicos realizados pelos controladores de Santa Clara Indústria e Comércio Ltda., e de Elite Internacional BV, levaram à exigência tanto de IRPF do Sr. Paulo Tarso Rego de Lima, pelo não oferecimento do ganho de capital auferido na alienação de sua participação acionária, quanto de IRPJ e de CSLL pela glosa das despesas de dedução de ágio na ora recorrente. Então, nada mais normal do que descreverse pormenorizadamente em ambos os processos aqueles atos e negócios jurídicos. Todavia a conclusão no presente processo é de que houve ilegalidade no aproveitamento do ágio pela recorrente, enquanto que no outro processo é de que houve ganho de capital não oferecido à tributação. As conclusões fiscais são, portanto, diversas, ao contrário do que alega a defesa. 2.2) Do Mérito Conforme visto no relatório, a autoridade fiscal acusa a contribuinte de haver deduzido indevidamente das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL dos anos de 2007 e 2008, despesas com a amortização de ágio. Explica a autoridade que o ágio decorreu da aquisição de 50% do capital de Santa Clara Indústria e Comércio Ltda. por Elite Internacional BV. Explica ainda que, para atingir esse intento, as partes realizaram uma série de intrincadas operações ao longo dos anos de 2005, 2006 e 2007, inclusive com criação de “empresas veículo” tanto por parte dos vendedores quanto dos compradores. Segue a autoridade afirmando que examinadas essas operações, verificouse: (i) falta de tributação do ganho de capital percebido pelos vendedores, que foi objeto de lançamento de ofício nos autos do processo nº 10380.726493/201018, e; (ii) dedução indevida de despesas com amortização do ágio na aquisição do investimento, objeto do presente processo. Fl. 4445DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10380.720067/201313 Acórdão n.º 1201001.267 S1C2T1 Fl. 24 23 Acerca do ágio, após longa exposição dos fatos verificados, o auditor conclui o seguinte em seu TVF (fls. 68/69): O que houve no presente caso, como assaz provado, foi nada mais nada menos, que uma operação de alienação de participação societária com pagamento de mais valia (ganho de capital/ágio), cujos vendedores são pessoas físicas e o comprador é uma pessoa jurídica sediada no exterior. Foi visto ainda que o valor pago foi recebido pelos alienantes sem que fosse recolhido o devido imposto de renda decorrente do ganho de capital existente na operação. Assim sendo, o fisco não pode aceitar que a amortização do ágio sob exame, contabilizada como despesa reduza o resultado tributável apurado fiscalizada. Primeiro porque a operação de alienação foi deliberadamente obscurecida por uma série de atos societários sem qualquer propósito negocial perpetrados no bojo de um planejamento tributário abusivo que visou o não recolhimento do imposto de renda devido na operação de alienação (falta de recolhimento que perdura até hoje). E segundo porque a empresa que efetivamente adquiriu a participação societária com ágio tem sede no exterior, devendo o valor pago a título de ágio ser registrado na contabilidade desta empresa e não em uma empresaveículo criada sem outro propósito senão o de praticar atos visando a ocultação de fato geradores tributários. Pelas razões acima expostas, os valores correspondentes a R$ 12.137.570,70, em 2007 e R$ 24.274.941,40, em 2008 decorrentes de amortização indevida de ágio são objeto de auto de infração. Pois bem, desde logo devese deixar claro que a fiscalização em momento algum alega que o ágio nasceu de uma operação realizada entre empresas que fazem parte do mesmo grupo econômico. Ao contrário, pelo que se vê no TVF o ágio decorreu de uma transação entre partes independentes e em pé de igualdade (arm's length transaction). Resumindo, não se trata aqui de “ágio interno”. São, como visto acima, duas as razões pelas quais o auditor se convenceu da ilegalidade do aproveitamento do ágio pela fiscalizada: (i) falta de propósito negocial, e; (ii) emprego de empresa veículo. Quanto à falta de propósito negocial, há que se distinguir dentre as operações levadas a efeito pelos interessados, aquelas que tiveram por objetivo ocultar o ganho de capital auferido pelos alienantes, daquelas cujo objeto foi a transferência do ágio para a autuada. As primeiras não interessam ao presente processo, e são objeto do PA nº 10380.726.493/201018, que trata do ganho de capital. As últimas foram realizadas com o propósito do aproveitamento do ágio na aquisição da participação societária, e estão amparadas na interpretação que esta Turma vem Fl. 4446DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10380.720067/201313 Acórdão n.º 1201001.267 S1C2T1 Fl. 25 24 emprestando aos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, qual seja, a de que a finalidade daquelas normas é incentivar a absorção do patrimônio de empresas nacionais por outras, sejam nacionais, sejam estrangeiras. Em outras palavras, o propósito negocial foi exatamente o aproveitamento do ágio, propósito esse amparado pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997. Repare que a abusividade do planejamento tributário pode ter como característica (desde que não seja a única) justamente a ausência de propósito negocial. Entretanto, quando exista uma norma jurídica incentivando, sob o ponto de vista fiscal, a realização de um negócio jurídico, seria absurdo imaginarse que além do propósito de economia fiscal deveria haver também algum outro propósito. Esse é exatamente o caso dos presentes autos. Em relação ao emprego da chamada "empresa veículo" cumpre destacar que tal expressão tem sido utilizada pela fiscalização de uma maneira pejorativa, no sentido de um "mal em si mesmo". No entanto, como é cediço, não é possível sustentarse uma autuação fiscal lastreada na simples acusação de emprego de "empresa veículo", até porque o simples emprego de "empresa veículo" não é tipificado como infração à legislação tributária. Caberia então à fiscalização apontar a relação entre o emprego da "empresa veículo" e a prática de alguma infração à legislação tributária. E, no caso dos autos, como o autor da ação fiscal não se desincumbiu de seu ônus, isso já seria razão suficiente para afastar se, de pronto, a autuação. Todavia, tendo em vista que existem algumas decisões do CARF mantendo a glosa da amortização do ágio justamente pelo emprego de "empresa veículo" (vide, por exemplo, o Acórdão 1101001.113), entendo cabível o exame da matéria. Em breve síntese, aqueles que defendem a impossibilidade do aproveitamento do ágio nestas condições sustentam que o emprego de empresa veículo, que ao fim incorpora ou é incorporada pela investida, “oculta” o verdadeiro investidor, qual seja, aquele que fornece os recursos para que a empresa veículo faça o investimento. Desse modo, dizem eles, não há incorporação entre o “verdadeiro investidor” e a investida, sendo portanto inaplicável os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997. Pois bem, quanto a este argumento devese ter em conta que os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 foram originalmente criados com a finalidade de incentivo à aquisição de empresas públicas ou sociedades de economia mista por particulares, no âmbito do chamado Programa Nacional de Desestatização (Lei nº 9.491/97). E uma vez que pessoas físicas ou jurídicas estrangeiras têm direito a adquirir até 100% das ações ou quotas da empresa nacional objeto de desestatização (vide art. 12 da referida Lei nº 9.491/97), é de se perguntar: como poderia um investidor estrangeiro se beneficiar dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 senão por meio da constituição e capitalização de uma pessoa jurídica nacional que fizesse o investimento na empresa objeto da desestatização? Esse foi, de fato, o caminho adotado pelos investidores estrangeiros (vide também caso Celpe, Acórdão nº 120100.689). Fl. 4447DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10380.720067/201313 Acórdão n.º 1201001.267 S1C2T1 Fl. 26 25 Ocorre que, de acordo com a teoria da "empresa veículo", ora sob exame, nem assim os investidores estrangeiros poderiam se beneficiar dos disposto arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 pois a pessoa jurídica nacional por eles constituída e capitalizada não seria considerada o "verdadeiro investidor" na empresa objeto de desestatização. Na mesma situação de impossibilidade de aproveitamento do disposto arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 estaria, por exemplo, um grupo de pessoas físicas nacionais que desejasse adquirir as ações ou quotas de uma empresa objeto de desestatização. Se fizessem o investimento diretamente, as pessoas físicas não poderiam se beneficiar das referidas normas (por óbvio, pessoa física não incorpora nem é incorporada por pessoa jurídica). A solução seria, novamente, a constituição e capitalização de uma pessoa jurídica justamente para que esta fizesse o investimento. Entretanto, de acordo com a aludida teoria da "empresa veículo", nem assim a pessoa jurídica criada pelo grupo de pessoas físicas poderia se beneficiar do disposto arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 pois não seria considerada o "verdadeiro investidor" na empresa objeto de desestatização. Também em idêntica situação de impossibilidade de aproveitamento do disposto arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 estariam as pessoas jurídicas nacionais que em razão de vedação contida em norma legal ou infralegal estejam impedidas de exercer atividades econômicas diversas daquelas previstas naquelas normas. Seria o caso, por exemplo, de um banco comercial adquirir as ações ou quotas de uma concessionária de energia elétrica. Tal aquisição é possível, desde que autorizada pelo Banco Central. O que não é juridicamente possível é a absorção do patrimônio da concessionária pelo banco comercial (ou viceversa) uma vez que o Banco Central proíbe que os bancos comercias exerçam atividades distintas daquelas previstas em Regulamento. A solução, mais uma vez, seria o banco comercial constituir e capitalizar uma pessoa jurídica a fim de que esta adquira as ações ou quotas da empresa objeto de desestatização. Ocorre que, segundo a mencionada teoria da "empresa veículo", nem assim a pessoa jurídica criada pelo banco comercial poderia se beneficiar do disposto nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 pois não seria considerada o "verdadeiro investidor". Os exemplos acima, que a outros poderiam se somar, demonstram que a propalada teoria da "empresa veículo" aplicada aos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 ensejaria uma interpretação restritiva dessas normas no tocante à idéia de "verdadeiro investidor". Todavia, a interpretação restritiva, tal como as demais espécies interpretativas, não é fruto da vontade do intérprete. Ao contrário, deve ser juridicamente fundamentada. No caso dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 tal interpretação restritiva reduziria significativamente as hipóteses de aproveitamento fiscal da amortização do ágio ali prevista, algo que vai de encontro (e não ao encontro) à finalidade do Programa Nacional de Desestatização, o qual, como dito antes, incentiva a aquisição de empresas públicas ou sociedades de economia mista por particulares. Em outras palavras, a teoria da "empresa veículo" defendida por alguns é frontalmente contrária à finalidade para à qual foram criados os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, daí porque não pode ser acolhida. 3) DO RECURSO DE OFÍCIO Fl. 4448DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10380.720067/201313 Acórdão n.º 1201001.267 S1C2T1 Fl. 27 26 3.1) Da Recuperação de Despesas Relativas a Contratos de Mútuo A autoridade fiscal exigiu IRPJ, PIS, Cofins e CSLL relativos aos anos de 2007 e 2008 sob o argumento de que a contribuinte omitiu recuperação de despesas relativas aos contratos de mútuo AGN/PROADI nº 2004/021 (referente ao estabelecimento de Natal) e AGN/PROADI nº 2004/022 (referente ao estabelecimento de Mossoró), celebrados com a Agência de Fomento do Estado do Rio Grande do Norte. Em seu TVF explica a autoridade o seguinte: A finalidade dos contratos acima é o “financiamento sob a forma de mútuo de execução periódica, com recursos do PROADI, em dinheiro, no valor mensal equivalente a um percentual não superior a 10% (dez por cento) do faturamento total da Mutuaria, do mês anterior de cada liberação, não podendo ultrapassar igualmente 75% (setenta e cinco por cento) do respectivo ICMS devido, nos mesmos períodos, visando formação do seu ativo” (cláusula primeira) Os prazos totais dos financiamentos eram de 04 (quatro) anos e 05 (cinco) meses, inclusive 01 (um) mês de carência, a partir da emissão da primeira nota fiscal após a assinatura do contrato (Natal) e de 05 (cinco) meses, inclusive 01 (um) de carência (Mossoró) – cláusula quinta. Por consta dos Primeiros Aditivos aos contratos supra os prazos passaram a ser de 14 (quatorze) anos e 05 (cinco) meses e 05 (cinco) anos e 05 (cinco) meses, respectivamente. Quanto à amortização, os contatos prevêem que o principal da dívida decorrente dos desembolsos mensais sejam reembolsados pela Mutuária em parcelas únicas e exigíveis a partir do dia 15 (quinze) do mês subsequente ao término do prazo de carência, ocorrendo este, 01 (um) mês após cada liberação (cláusula sexta). No parágrafo segundo da cláusula acima, consta que “da parcela do reembolso do principal do financiamento de que trata o presente contrato, é concedida a redução de 99% (noventa e nove por cento) por ocasião das respectivas amortizações” (grifamos). Os contratos supra não preveem que os recursos desembolsados pela AGN sejam utilizados pela empresa em investimentos destinados à implantação ou expansão qualquer empreendimento econômico. Após cada desembolso os recursos passam a compor o capital de giro da empresa. Deste modo, a operação acima não pode ser caracterizada como subvenção para investimento, como alega a fiscalizada. O Parecer Normativo CST nº 112/79 apresenta uma definição de subvenção para investimento em contraposição à subvenção para custeio: (...) Fl. 4449DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10380.720067/201313 Acórdão n.º 1201001.267 S1C2T1 Fl. 28 27 O que se verifica da análise dos contratos acima é que a AGN empresta mensalmente um valor a fiscalizada, correspondente a 75% do valor do ICMS apurado, diminuído do ICMS nas operações de mercadorias de terceiros. Para a amortização do valor acima (com os encargos previstos), que ocorre no terceiro mês subsequente a cada período de apuração (por conta dos prazos de carência envolvidos), a fiscalizada paga somente o equivalente a 1% (um por cento) do valor emprestado. A parcela remanescente corresponde a um perdão de dívida. (...) Em atendimento ao Termo de Intimação Nº 09, a empresa manifestou, em relação aos valores lançados em 2007 na conta contábil 2320102002 (Reserva de SubvençãoICMS), o mesmo entendimento relativo aos valores vistos em 2008, ou seja, que se trata de valores “caracterizados por subvenções governamentais concedidas para investimento”. Assim restou caracterizado que o contribuinte deixou de incluir nos seus resultados os valores de R$ 6.635.841,83, em 2007 e R$ 6.200.950,90, em 2008 referentes à recuperação de despesas que são objeto de lançamento de ofício pelas razões acima expostas. Na impugnação ao lançamento a interessada reafirma que a natureza do “perdão” ao pagamento de 99% do mútuo corresponde, no caso, a uma subvenção para investimento. Examinando a questão a DRJ de origem entendeu que tratase, aqui, de subvenção para investimento, conforme trechos do voto condutor a seguir transcritos: Quanto à intenção do subvencionador de que a subvenção se destine a investimentos, isso é da essência do programa e decorre da própria lei que o instituiu. Com efeito, assim dispõe o art. 5º da Lei n°. 7.075, de 17 de novembro 1997, do estado do Rio Grande do Norte, regulamentada pelo Decreto 13.723, de 24 de dezembro de 1997, que instituiu o programa do incentivo fiscal em causa. Art. 5º Pode ser beneficiada com os incentivos do PROADI a empresa industrial: I – nova; II – existente no território do Estado, desde que amplie a sua capacidade produtiva em pelo menos 50% (cinqüenta por cento), mediante a realização de novos investimentos fixos e circulantes; III – existente no território do Estado que, na data do pedido de concessão do incentivo, se encontre paralisada há pelo menos 12 (doze) meses ou que tenha apresentado, nos 60 (sessenta) meses imediatamente anteriores à apresentação do Fl. 4450DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10380.720067/201313 Acórdão n.º 1201001.267 S1C2T1 Fl. 29 28 pedido de concessão do incentivo, capacidade ociosa correspondente a pelo menos 50% (cinqüenta por cento) da capacidade instalada total, desde que, a critério do CDE, demonstre esforço de recuperação mediante adoção das seguintes providências: a) realização de novos investimentos capazes de restaurar a viabilidade econômica do empreendimento; b) utilização de capacidade instalada que torne igualmente possível o empreendimento. § 1º. Considerase empresa nova, para efeito de enquadramento no inciso I deste artigo, aquela que estiver em fase de implantação, ou em funcionamento no território do Estado há no máximo 6 (seis) meses, contados da data da formalização do pedido de concessão do benefício, feita a comprovação na forma prevista em regulamento. § 2º. No caso de empresa nova em implantação, o benefício pode ser concedido por antecipação, desde que a entrada em funcionamento do empreendimento ocorra no prazo fixado no respectivo cronograma, na forma que vier a ser estabelecida em regulamento. § 3º. No caso de empresa de que trata o inciso II do “caput” deste artigo, o benefício do PROADI somente atingirá a parte referente ao incremento da produção. Conforme se verifica do dispositivo legal acima, a concessão do benéfico está condicionada, por definição legal, à realização de investimentos, seja mediante a instalação de novas empresas, seja através de ampliação ou recuperação da capacidade ociosa de empresas já existentes. Assim, a simples concessão do benefício pelo ente estatal faz pressupor a destinação do benefício, direta ou indiretamente, à realização de investimentos, o que o insere, em tese, no conceito de subvenção para investimento. Quanto à condição da impugnante de tratarse de pessoa jurídica titular de empreendimento econômico e de haver efetivamente aplicado recursos na implantação ou expansão do empreendimento econômico, sobre isso também não resta dúvida. Com efeito, o contribuinte demonstra que seu número de empregados e seu ativo imobilizado, tanto na unidade industrial de Natal, quanto na de Mossoró, apresentaram expressivos aumentos durante o período de vigência do beneficio fiscal, entre 1999 e 2008, a saber: a) na unidade de Natal, o ativo imobilizado passou de R$ 2.500.000,00 para R$ 17.000.000,00 e o número de empregados de zero a 246 e; b) na unidade de Mossoró, o ativo imobilizado passou de R$ 1.700.000,00 para R$ 4.200.000,00 e a quantidade de empregados de 148 para 206. (vide documentos de fls. 3368, 3369, 4098, 4097) Fl. 4451DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10380.720067/201313 Acórdão n.º 1201001.267 S1C2T1 Fl. 30 29 Acrescentese que, conforme alega a impugnante, o próprio Governo Federal, através da SUDENE, reconheceu seus investimentos realizados nas unidades de Natal e Mossoró, aptos a ensejarlhe o direito aos incentivos fiscais de redução do IRPJ, em decorrência da modernização total do seu parque industrial entre 2004 e 2009. Tal reconhecimento encontrase materializado nos Ofícios SUDENE nºs 1415/2011 (fl. 4178) e 1644/2012 (fls. 3626). (...) Pois bem, em primeiro lugar devese corrigir um pequeno equívoco contido na decisão a quo. É que, diferentemente do afirmado no voto condutor, a fiscalização em momento algum alega que o incentivo tratado no art. 5º da Lei nº 7.075/1997 do Estado do Rio Grande do Norte caracteriza subvenção para custeio. O que está dito no TVF é que se trata de recuperação de despesas que, como tal, deveria ter sido oferecida à tributação. No caso, tratase de um financiamento concedido pelo Estado do Rio Grande do Norte, com redução de até 99% do valor financiado, desde que observadas a condições estabelecidas no Decreto nº 13.723/1997, que regulamenta a Lei nº 7.075/1997. Os valores autuados de R$ 6.635.841,83 em 2007 e de R$ 6.200.950,90 em 2008 correspondem ao principal e ao juros daquele financiamento. Em sendo assim, o valor principal do financiamento não poderia ser tributado a título de “recuperação de despesa”, já que o principal de uma dívida não é despesa, e portanto não pode ser recuperado a esse título. Apenas as despesas com juros, em tese, poderiam ser assim tributadas. O principal do financiamento poderia, em tese, ser tributado a título de insubsistência ativa, ou seja, uma dívida que deixou de existir e que, portanto, representou um acréscimo patrimonial na empresa (receita). Mas nem isso, no caso, ocorreu. É que não se trata aqui de perdão de uma dívida, mas de subvenção para investimento. Esta Turma teve a oportunidade de debruçarse sobre o conceito de subvenção para investimento quando da apreciação do processo nº 10920.724243/201251. Naquela ocasião o litígio tinha como objeto verificar se o crédito presumido do ICMS concedido pelo art. 148A, do Anexo II, do Regulamento do ICMS do Estado de Santa Catarina tinha o caráter de subvenção para custeio, como afirmado pela fiscalização, ou se de subvenção para investimento, como sustentado pela defesa. Por sua relação com o caso tratado nos presentes autos, transcrevemos a seguir um breve trecho contido no voto condutor do processo acima referido: Isso posto, com base no conceito geral de subvenção (gênero) contido no art. 12, §§ 2º 3º, da Lei nº 4.320/64, e nas características específicas presentes na Lei Societária e no Decretolei nº 1.598/77, é possível concluir com segurança que as subvenções para investimento: Fl. 4452DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10380.720067/201313 Acórdão n.º 1201001.267 S1C2T1 Fl. 31 30 a) sendo espécie do gênero “subvenções”, são dotações orçamentárias realizadas pelo Estado a entidades de direito público ou de direito privado, sem caráter contraprestacional; b) tais dotações devem, necessariamente, ser registradas no patrimônio líquido da entidade beneficiária a título de reserva de capital, submetendo assim às limitações contidas no art. 200 da Lei Societária; c) em razão de seu nomen juris a ela atribuído, essas dotações têm como finalidade a realização de investimentos por parte da entidade beneficiária, e; d) são dotações orçamentárias que, inclusive, podem assumir a forma isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Ora, não há dúvida de que o art. 5º da Lei nº 7.075/1997 do Estado do Rio Grande do Norte estabelece verdadeira subvenção para investimento. Não há dúvida também de que os investimentos foram efetivamente realizados pela recorrente, conforme atestado pelo Governo potiguar. 3.2) Da Exclusão da Qualificação da Multa de Ofício na Amortização do Ágio É objeto também de remessa oficial a desqualificação da multa de ofício por parte da DRJ de origem no lançamento do IRPJ e da CSLL referente à dedução de despesas com amortização do ágio. Neste ponto, tendo votado pela improcedência do lançamento desses tributos (item 2.2 do voto), cai por terra também a exigência da multa de ofício, seja ela qualificada ou não. Todavia, caso seja vencido no que concerne à legalidade da dedução de despesas com amortização do ágio, entendo estar correta a decisão da DRJ de origem que afastou a qualificação da multa de ofício, haja vista que a real possibilidade de ter havido erro de direito por parte do sujeito passivo quanto à legalidade do aproveitamento do ágio exclui a qualificadora haja vista que o dolo há que ser provado para além de qualquer dúvida razoável. 4) CONCLUSÃO Tendo em vista todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício e por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 4453DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10380.720067/201313 Acórdão n.º 1201001.267 S1C2T1 Fl. 32 31 Fl. 4454DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 15578.000950/2009-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
CONCOMITÂNCIA. UNIDADE DE JURISDIÇÃO. SÚMULA CARF N. 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3401-003.100
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em (a) afastar nulidade do acórdão da DRJ por fundamentação insuficiente, suscitada de ofício pelo Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, e (b) dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o crédito em relação às aquisições de café das empresas listadas à fl. 142, no parecer que ampara o despacho decisório, à exceção das empresas CEREALISTA CARMO SUL LTDA, CEREALISTA MONTE AZUL LTDA, COMÉRCIO DE CAFÉ SÃO SEBASTIÃO LTDA, COMÉRCIO DE CAFÉ RIO GRANDE LTDA e SERRA AZUL COMÉRCIO DE CAFÉ LTDA, vencidos em ambas as matérias os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Hélcio Lafetá Reis; e, por unanimidade de votos, em (c) afastar a preliminar de nulidade do julgamento da DRJ por alteração de fundamento, e (d) negar provimento ao recurso voluntário em relação aos demais itens. O presidente substituto, Conselheiro Robson José Bayerl, declarou-se impedido, substituindo-o na presidência o Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator e membro do colegiado há mais tempo no CARF. Compôs ainda o colegiado o Conselheiro suplente Hélcio Lafetá Reis. Houve sustentação oral efetuada pelo advogado Daniel Lacasa Maia.
ROSALDO TREVISAN - Relator, e Presidente de Turma Substituto, no julgamento.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (relator, e presidente de turma substituto, no julgamento), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida (suplente), Elias Fernandes Eufrásio (suplente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), e Hélcio Lafetá Reis (suplente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. VENDA DE CAFÉ. CREDITAMENTO. INTERPOSIÇÃO. Comprovada a aquisição de café, de fato, de pessoas físicas, quando os documentos apontavam para uma intermediação por pessoa jurídica, incabível o creditamento integral das contribuições, cabendo apenas o crédito presumido pela aquisição de pessoas físicas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 CONCOMITÂNCIA. UNIDADE DE JURISDIÇÃO. SÚMULA CARF N. 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 57 8. 00 09 50 /2 00 9- 13 Fl. 8498DF CARF MF Impresso em 17/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN 2 Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em (a) afastar nulidade do acórdão da DRJ por fundamentação insuficiente, suscitada de ofício pelo Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, e (b) dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o crédito em relação às aquisições de café das empresas listadas à fl. 142, no parecer que ampara o despacho decisório, à exceção das empresas “CEREALISTA CARMO SUL LTDA”, “CEREALISTA MONTE AZUL LTDA”, “COMÉRCIO DE CAFÉ SÃO SEBASTIÃO LTDA”, “COMÉRCIO DE CAFÉ RIO GRANDE LTDA” e “SERRA AZUL COMÉRCIO DE CAFÉ LTDA”, vencidos em ambas as matérias os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Hélcio Lafetá Reis; e, por unanimidade de votos, em (c) afastar a preliminar de nulidade do julgamento da DRJ por alteração de fundamento, e (d) negar provimento ao recurso voluntário em relação aos demais itens. O presidente substituto, Conselheiro Robson José Bayerl, declarouse impedido, substituindoo na presidência o Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator e membro do colegiado há mais tempo no CARF. Compôs ainda o colegiado o Conselheiro suplente Hélcio Lafetá Reis. Houve sustentação oral efetuada pelo advogado Daniel Lacasa Maia. ROSALDO TREVISAN Relator, e Presidente de Turma Substituto, no julgamento. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (relator, e presidente de turma substituto, no julgamento), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida (suplente), Elias Fernandes Eufrásio (suplente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), e Hélcio Lafetá Reis (suplente). Relatório Versa o presente sobre pedido para tratamento manual de declaração de compensação DCOMP (relacionadas à fl. 137)1 transmitida em 28/11/2008 (de crédito de Contribuição para o PIS/PASEP relativo ao 2o trimestre de 2005, no valor de R$ 510.000,00), decorrente de pedido de ressarcimento PER, no valor de R$ 856.450,13, datado de 11/10/2006. Fundandose no parecer de fls. 136 a 146, é emitido em 11/12/2009 o despacho decisório de fls. 146/147, reconhecendo direito creditório no montante de R$ 531.686,90, homologando a compensação e deferindo o ressarcimento na medida dos créditos acatados (após compensação de ofício de débitos existentes). As glosas efetuadas se referem a: (a) apuração de créditos em relação a corretagem nas intermediações de café e soja, e outros serviços (como assessoria técnica comercial e despesas de condomínio); (b) fretes de remessas e transferências não detalhadas pela empresa mesmo após intimação; (c) aquisições de pessoas jurídicas inativas, omissas ou sem receita declarada; e (d) aquisições de mercadorias com fim específico de exportação. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 8499DF CARF MF Impresso em 17/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 15578.000950/200913 Acórdão n.º 3401003.100 S3C4T1 Fl. 8.493 3 Cientificada da decisão em 10/03/2011 (cf. AR de fl. 155), a empresa apresenta petição em 25/03/2011 (fls. 207/208), opondose à compensação de ofício, por entender não existir débito pendente a ser satisfeito (informando que o referido débito estava extinto por meio de parcelamento). Em 08/04/2011 a empresa apresenta ainda manifestação de inconformidade (fls. 161 a 206), afirmando que: (a) não há na legislação vedação ao aproveitamento de créditos da contribuição no caso de não recolhimento desse tributos pela pessoa jurídica fornecedora de bens ou serviços, nem se registra que a regularidade cadastral dos fornecedores seja condição sine qua non para possibilitar a apropriação dos créditos; (b) as operações realizadas com as empresas ditas “inativas” foram efetuadas antes de estas serem consideradas “baixadas” ou “inaptas” pela Receita Federal, e houve ainda operações com empresas “ativas”, cabendo a cobrança destes contribuintes, e não da empresa; (c) as compras destas empresas foram todas acobertadas com notas fiscais regularmente emitidas, e que atendem aos requisitos da legislação estadual; (d) as despesas de fretes não foram segregadas pela empresa por não haver tempo hábil, tendo sido o prazo adicional por ela solicitado (60 dias) indeferido pelo fisco, não podendo este glosar todos os fretes de transferência/remessa por presunção, pela ausência de segregação; (e) a grande maioria das despesas de frete se refere a exportação indireta (transportes dos produtos saídos diretamente de seus fornecedores com destino aos portos para exportação, por conta e ordem da empresa (juntando documentos de venda e transporte fls. 527 a 7783); (f) no que se refere a serviços de corretagem, assessoria técnica comercial e despesas com condomínio, as glosas se referem a equivocada acepção do termo “insumos”, derivada da indevida analogia com a legislação do IPI, mas para as contribuições, “insumo” deve ser entendido como todo gasto que colabora direta ou indiretamente na atividade empresarial geradora de receitas tributáveis. Em 07/02/2013 (fls. 7787/7788), a DRJ converte o julgamento em diligência, para que a unidade local verificasse a situação dos fornecedores de café apontados nas glosas. Em resposta, a unidade local emite o Relatório Fiscal de fls. 7921 a 7982, no qual informa que: (a) a diligência atende ao presente processo e a outros 12 da mesma empresa, e fundase em operações especiais (“TEMPO DE COLHEITA”/2007 e “BROCA”/2010) fruto de parceria entre Receita Federal, Polícia Federal e Ministério Público Federal; (b) a empresa “COIMEX” (recorrente) utilizouse de empresas “laranjas” como “intermediárias fictícias na compra de café de produtores”, nos períodos citados no processo; e (c) o modus operandi do esquema consistia em exigir que o produtor (pessoa física) “guiasse” o produto para pessoa jurídica “laranja” (mera intermediária financeira, conforme demonstram as declarações e fotos constantes do relatório), que emitia nota de venda aos compradores, o que era prática reiterada no mercado de café. Do Relatório a empresa toma ciência em 02/08/2013 (fl. 7985), apresentando em 02/09/2013 a manifestação de fls. 7987 a 8010), no sentido de que: (a) a motivação das glosas no despacho decisório foi a ausência de recolhimento e a suposta irregularidade cadastral; (b) o relatório de diligência é superficial, genérico, incompleto e tendencioso, cabendo destacar que a empresa “COIMEX” e seus representantes sequer foram mencionados nas operações “TEMPO DE COLHEITA” e “BROCA”, que originaram a Ação Penal no 2008.50.05.0005383, nem no próprio relatório, não podendo a fiscalização a partir de tais procedimentos concluir que a empresa utilizouse de “laranjas”; e (c) a empresa não negociou com pessoas supostamente envolvidas no “esquema”, mas com corretores, que identificavam fornecedores no mercado e intermediavam a negociação, sendo adquirente de boafé. A empresa junta ainda aos autos novos documentos buscando comprovar a regularidade das aquisições de café. Fl. 8500DF CARF MF Impresso em 17/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN 4 Em 04/12/2013 (fls. 8106 a 8139), ocorre o julgamento de primeira instância, no qual se acorda pela improcedência da manifestação de inconformidade, concluindo aquele colegiado unanimemente que: (a) não assiste razão ao despacho decisório quando nega o direito ao crédito simplesmente porque não houve pagamento de tributo no elo anterior da cadeia, mas os documentos emitidos pelas empresas declaradas “INAPTAS” podem ser reputados como inidôneos, tributariamente ineficazes, autorizando a glosa dos custos na escrita fiscal (salvo comprovação do pagamento pelo preço da mercadoria e do real ingresso desta no estabelecimento industrial, prova que incumbe ao postulante do crédito), e produzem igual efeito em relação à documentação a comprovação direta ou indireta de “não ter havido a transação a que se referem”; (b) algumas das principais fornecedoras da empresa foram constituídas no período da reforma da legislação que rege as contribuições, que passou a conceder crédito em apenas parcial nas aquisições de pessoas físicas; (c) os fornecedores da empresa não recolheram nenhum tributos em 2005, e nenhuma das empresas diligenciadas possui patrimônio ou capacidade operacional, funcionário contratado ou estrutura logística, sendo tão somente empresas com existência “fantasmagórica” do ponto de vista tributário, meros vendedores de notas fiscais; (d) a fiscalização agiu corretamente ao admitir que as vendas, em verdade, foram feitas por pessoas físicas, que é o que ocorreu de fato; (e) os créditos demandados em relação a fretes não se referem a nenhuma das hipóteses permitidas na lei de regência (art. 3o, incisos I, II e IX), e os documentos apresentados se referem a aquisições com fim específico de exportação, que não geram créditos, por expressa vedação legal (art. 15, III da Lei no 10.833/2003 c/c art. 6o, III e § 4o da mesma lei); (f) os insumos tem que ser efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação do produto, ou na prestação de serviço desenvolvida pala empresa, sendo que a corretagem nas intermediações, assim como a assessoria técnica comercial e as despesas de condomínio não atendem ao conceito de insumo. Cientificada do acórdão da DRJ em 15/01/2014 (AR à fl. 8265), a empresa apresenta recurso voluntário em 20/01/2014 (fls. 8268 a 8358), sustentando que: (a) cabe a atualização monetária do crédito, não tendo a empresa contestado o assunto na manifestação de inconformidade porque discutia o tema judicialmente; (b) a decisão recorrida é nula, por inovar (de forma confessada) a fundamentação adotada originalmente pelo despacho decisório, em patente supressão de instância administrativa (inclusive no que se refere a fretes); (c) a não cumulatividade da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS é de caráter constitucional, não podendo ser mitigada pela legislação infraconstitucional; (d) os créditos permitidos na sistemática não cumulativa para as referidas contribuições (em relação a “insumos”) devem refletir todos os gastos que colaboram direta ou indiretamente na atividade empresarial geradora das receitas; (e) no momento da prolação do despacho decisório a DRF/Vitória tinha amplo conhecimento dos fatos investigados na Operação “TEMPO DE COLHEITA” e não qualificou as aquisições da recorrente como fraudulentas ou simuladas, fundando a negativa de crédito somente no fato de as empresas fornecedoras não terem recolhido as contribuições e serem “inaptas, omissas ou sem receita declarada”; (f) à época dos fatos as pessoas jurídicas indicadas no despacho decisório estavam com a situação cadastral regular perante a Receita Federal; (g) em atendimento a diligência da DRJ, que já mostrava discordar da fundamentação da autuação, foi juntado pela unidade local relatório genérico, incompleto, inconclusivo e tendencioso, sugerindo a participação da recorrente em “esquema fraudulento”, que levou a DRJ a apreciar casos diversos, em períodos diversos, estendendo as conclusões à recorrente, sem prova alguma, no período narrado nos autos; (h) a empresa sequer foi citada no relatório ou na Ação Penal relativa às operações especiais; (i) o despacho decisório não questionou a existência e a efetividade das aquisições de café, tendo sido as aquisições de boafé, o que demanda a aplicação do disposto no parágrafo único do art. 82 da Lei no 9.430/1996; (j) em razão da alteração da sede da empresa para São Paulo, os créditos das contribuições de 2006 a 2008 foram analisados pela DRF/São Paulo, que os acatou, inclusive em relação a algumas das mesmas empresas fornecedoras (cf. despachos decisórios que anexa); (k) a DRJ superou o Fl. 8501DF CARF MF Impresso em 17/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 15578.000950/200913 Acórdão n.º 3401003.100 S3C4T1 Fl. 8.494 5 entendimento do despacho decisório de que os fretes de remessa/transferência não gerariam créditos, mas ainda assim negou o pleito sob o novo fundamento de que haveria vedação legal (inexistente) ao crédito de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação; e (l) pela abrangência adotada para o termo “insumos”, devem ainda ser acatados os créditos referentes a gastos incorridos com corretagem nas intermediações, assessoria técnica comercial e despesas de condomínio. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Esclareçase de início que a questão referente à compensação de ofício deve ser analisada pela unidade local da RFB, em rito próprio, com observância ao decidido em relação a eventual demanda judicial interposta pela empresa. E o pedido efetuado em sede de recurso voluntário (referente à atualização monetária do crédito), submetido à apreciação judicial, não constitui exatamente “fato novo”, mas fato motivador da não apreciação do tema por este tribunal administrativo, em face da unidade de jurisdição (consagrada na Súmula no 1 deste CARF), devendo a unidade local efetivamente cumprir o que restou decidido em juízo, na liquidação do julgamento administrativo. No presente processo, a matéria contenciosa se resume a glosas efetuadas pela fiscalização em relação a apuração de créditos sobre: (a) aquisições de pessoas jurídicas inativas, omissas ou sem receita declarada; (b) apuração de créditos em relação a corretagem nas intermediações de café e soja, e outros serviços (como assessoria técnica comercial e despesas de condomínio; (c) fretes de remessas e transferências não detalhadas pela empresa mesmo após intimação; e (d) aquisições de mercadorias com fim específico de exportação. Não houve questionamento específico em relação às glosas sobre aquisições de mercadorias com fim específico de exportação. Das aquisições de pessoas jurídicas inativas, omissas ou sem receita declarada Nesse tópico paira inicialmente acusação da defesa de que teria havido inovação da fundamentação para negativa do crédito pela DRJ. Assim, incumbe verificar quais os fundamentos adotados pelo despacho decisório da unidade local para o indeferimento parcial dos créditos, especificamente no que se refere a aquisições “de pessoas jurídicas inativas, omissas ou sem receita declarada”. Fl. 8502DF CARF MF Impresso em 17/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN 6 Vejamos os fundamentos da unidade local (fls. 142/143) para a negativa do direito de crédito em relação à rubrica: Após a transcrição de doutrina sobre a matéria, concluise no referido parecer (fls. 144/145) que: Fl. 8503DF CARF MF Impresso em 17/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 15578.000950/200913 Acórdão n.º 3401003.100 S3C4T1 Fl. 8.495 7 Esses os fundamentos adotados para a negativa de crédito, e que foram submetidos a julgamento pela DRJ, diante das alegações expressas pela empresa em sua manifestação de inconformidade. A DRJ, antes da apreciação da lide, promoveu a baixa em diligência (fls. 7787/7788) para que a unidade local promovesse verificações: Apesar de não encontrar no processo menção às referidas operações especiais (“TEMPO DE COLHEITA” e “BROCAS”), é de se compreender que o julgador, que provavelmente já tinha contato com diversos casos advindos das referidas operações, desejava saber se também os fornecedores indicados no despacho decisório eram efetivamente “laranjas” ou “inexistentes de fato”, e se registraram em sua contabilidade as vendas, havendo instrumentos firmados para as vendas de café. Por mais que se possa discordar das razões da diligência, é legítimo entender que o julgador, diante da iminência de afastar a principal motivação das glosas (ausência de Fl. 8504DF CARF MF Impresso em 17/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN 8 pagamento na etapa anterior), desejava saber se efetivamente tendo ultrapassado tal motivação, restaria comprovado o direito de crédito. Recordese que não se está aqui a tratar de autuação, mas de pleito de crédito, que só pode ser atendido se o postulante fizer prova do direito correspondente. E o afastamento da motivação principal da glosa não assegura necessariamente o direito. Vejase por exemplo caso frequente neste CARF (e que ainda enfrentaremos neste voto) de glosa de créditos relativos a insumos porque o fisco adota conceito derivado da legislação do IPI, restritivo, enquanto a postulante ao crédito adota conceito amplo do IR. No momento em que este CARF (usando conceito intermediário) afasta o critério adotado pelo fisco de utilização da legislação do IPI ele não assegura a totalidade do crédito, mas passa à análise de adequação ao critério adotado, se necessário com baixa em diligência para que se apure de que forma cada insumo é necessário à obtenção do produto final. Pelo exposto, não interpretamos que a DRJ, com a diligência, buscava alterar a fundamentação das glosas, mas sim verificar se a empresa efetivamente detinha o direito de crédito, ultrapassada a premissa do fisco, entendida por aquele julgador como equivocada, de que bastava o não pagamento na etapa anterior. Da mesma forma age este CARF quando, ultrapassando o conceito de insumo do IPI frequentemente usado pela fiscalização para as contribuições (igualmente visto como equivocado), determina diligência para verificar se existe direito ao crédito com base no que se entende no tribunal administrativo por insumo. Assim, entendemos não existir a nulidade apontada pela recorrente quando afirma que a DRJ alterou a fundamentação, abandonando o fundamento de ausência de pagamento e adotando razões diversas para a negativa. Da mesma forma não existiria a nulidade se este CARF, ao rechaçar o conceito de insumo da legislação do IPI, ainda assim negasse em parte ou no todo o direito ao crédito por não ser o bem adquirido necessário à obtenção do produto final. O que se vê, nestes autos, é que a DRJ parece desejar identificar com a diligência se seria possível à recorrente saber de antemão que tal pagamento sequer seria efetuado na etapa anterior, com base nas experiências que já possuía ao apreciar casos derivados das operações “TEMPO DE COLHEITA” e “BROCAS”, mas com foco nos fornecedores listados no presente processo. Mas o relatório fiscal de fls. 7921 a 7982 não restringe seu escopo aos fornecedores citados no presente processo, tratando inclusive de empresas e de períodos diferentes. É um relatório efetivamente “genérico”, e que se presta a este e a mais doze processos administrativos, indicados à fl. 7921. “Genérico” no sentido de trazer informações sobre as operações especiais (“TEMPO DE COLHEITA” e “BROCAS”), e não especificamente sobre as empresas fornecedoras relacionadas no presente processo. O relatório fiscal demonstra entender apenas parte do que lhe foi perguntado na diligência, logo ao início (fl. 7922): Fl. 8505DF CARF MF Impresso em 17/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 15578.000950/200913 Acórdão n.º 3401003.100 S3C4T1 Fl. 8.496 9 Vejase que após fazer referência expressa à COIMEX (recorrente), o relatório volta a ser “genérico”, tratando da existência de um “esquema fraudulento” que alcançou “renomadas empresas atacadistas”. E a sequência do relatório busca demonstrar o modus operandi do esquema e como a prática de vendas de notas fiscais e de interposição de empresas “laranjas” era prática generalizada no mercado de café (sem voltar a mencionar a empresa recorrente). Há ainda menção no relatório a diversas empresas “laranjas” (v.g. COLÚMBIA, ACÁDIA, DO GRÃO, L&L, V. MUNALDI), e a pessoas físicas, sem que se fizesse a necessária correlação com o presente processo. A tabela de fls. 7951/7952 aponta supostas fornecedoras que atuaram de 2003 a 2007, constituindo um dos poucos vínculos no relatório a empresas mencionadas no presente processo. A seguir, transcrevese a parte da tabela que trata efetivamente de empresas mencionadas pela fiscalização no presente processo: Das 14 empresas relacionadas na tabela de glosas da fiscalização (reproduzida ao início deste voto), 3 são também mencionadas no relatório: COMÉRCIO DE Fl. 8506DF CARF MF Impresso em 17/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN 10 CAFÉ RIO GRANDE LTDA, MCM COMÉRCIO DE CAFÉ LTDA, e SERRA AZUL COMÉRCIO DE CAFÉ LTDA. E o relatório fiscal segue apresentando lista de pessoas jurídicas declaradas inaptas pela DRF/GVS/MG por serem inexistentes de fato (fl. 7953). Também são transcritos abaixo os excertos de tal lista que correspondem às empresas que são apontadas como fornecedoras no presente processo: Assim, acrescese à lista de fornecedores mencionados no relatório uma quarta empresa: a COMÉRCIO DE CAFÉ SÃO SEBASTIÃO LTDA. E no curso do relatório (fl. 7956) é feita nova menção à MCM COMÉRCIO DE CAFÉ LTDA, inclusive com foto. Em relação à empresa COMÉRCIO DE CAFÉ RIO GRANDE LTDA, o relatório traz (fls. 7957/7958) ainda foto do local e depoimentos. Fl. 8507DF CARF MF Impresso em 17/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 15578.000950/200913 Acórdão n.º 3401003.100 S3C4T1 Fl. 8.497 11 O relatório confirma ainda que os sócios da COMÉRCIO DE CAFÉ RIO GRANDE LTDA e da SERRA AZUL COMÉRCIO DE CAFÉ LTDA são os mesmos (fl. 7960): A empresa PJ DE OLIVEIRA também é mencionada no relatório, em depoimento de “OLIMPIO” (fl. 7961) e em diligência (fl. 7962), também incluindo foto. É ainda mencionada a empresa COMÉRCIO AGRÍCOLA PONTO FORTE LTDA (fl. 7968), declarada inapta. Fl. 8508DF CARF MF Impresso em 17/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN 12 A empresa COMÉRCIO DE CAFÉ SÃO SEBASTIÃO LTDA, por sua vez, é citada às fls. 7971/7972, igualmente com foto: Também é mencionada no relatório a empresa CEREALISTA MONTE AZUL LTDA (fl. 7974, igualmente com foto). Fl. 8509DF CARF MF Impresso em 17/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 15578.000950/200913 Acórdão n.º 3401003.100 S3C4T1 Fl. 8.498 13 A mesma empresa é vinculada a outras na sequência do relatório (fl. 7975): Também em relação à CEREALISTA CARMO SUL LTDA, citada em depoimento (fl. 7965), são apresentados elementos específicos no relatório (fls. 7975/7976, trazendo ainda foto): São por fim mencionadas no relatório as empresas GTO IND. E COM. DE CEREAIS LTDA, INGRÃO COMÉRCIO DE CEREAIS LTDA, ANTÔNIO CARLOS CÂNDIDO CAFÉ LTDA, EXPORTADORA DE CAFÉ CENTRO OESTE LTDA e PRIME ATACADISTA DE CAFÉ LTDA (fl. 7980). Afora o aqui reproduzido, não há nada no relatório fiscal que tenha vínculo específico com o presente processo. A nosso ver, aparentemente não teria sido efetuada uma verdadeira diligência para atender ao demandado pela DRJ, mas apenas juntado um relatório que se prestaria à formação de convicção de que a fraude era prática generalizada no mercado de café, sem a Fl. 8510DF CARF MF Impresso em 17/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN 14 preocupação de tratar especificamente (embora o relatório acabasse por resvalar em alguns) dos fornecedores mencionados nas glosas do fisco. A DRJ aprecia o tema, e logo ao início de seu voto deixa extremamente clara a situação que estava a apreciar antes da diligência (fls. 8116/8117), reconhecendo literalmente que “a glosa se deveu não à falta de confirmação documental da transação, mas à inexistência de recolhimento de tributo”: E segue o julgador (ainda à fl. 8117) afirmando, sobre a documentação apresentada pela empresa, que: Mas na sequência a DRJ expressamente afasta a razão alegada como 1o argumento para as glosas (fl. 8117): E depois de afastar a razão constante como 1o argumento para as glosas, e à luz dos arts. 80 a 82 da Lei no 9.430/1996, a DRJ prossegue afirmando que após a declaração de inaptidão “os documentos fiscais emitidos pelas empresas declaradas inaptas podem ser reputados como inidôneos e, assim, tributariamente ineficazes, autorizando a glosa dos custos na escrita fiscal do terceiro interessado, salvo comprovação do pagamento pelo preço da mercadoria e do real ingresso desta no estabelecimento industrial”. Mas já na sequência do voto (fl. 8121) o julgador de piso recorda que o despacho decisório sequer falava em inaptidão, tema que só foi mencionado no relatório resultante da diligência: Fl. 8511DF CARF MF Impresso em 17/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 15578.000950/200913 Acórdão n.º 3401003.100 S3C4T1 Fl. 8.499 15 Em tal confuso excerto da decisão da DRJ, após se reconhecer que o despacho decisório não cogitou de inaptidão, tema só suscitado na diligência, concluise que no “Parecer” não havia qualquer outra prova nesse sentido, e que isso “seria suficiente para afastar o aproveitamento pela empresa interessada dos valores registrados como custo”, dispensando a produção de provas pela autoridade fiscal. Logo depois, ampliase a argumentação para firmar que “independentemente da declaração de inaptidão”, a documentação poderia ter sido considerada tributariamente ineficaz quando comprovado (direta ou indiretamente) não ter havido a transação. Assim, depois de rechaçar o primeiro argumento utilizado para a glosa (de que teria que existir pagamento na etapa anterior) a DRJ passa a analisar o segundo argumento (de que as compras eram de empresas inativas, omissas ou com receita nula, ou, nas suas palavras, “pseudoatacadistas” fl. 8121): E, na sequência, logra êxito o julgador de piso, a nosso ver, em comprovar que havia efetivamente um esquema fraudulento nas compras de café, detectado nas operações especiais “TEMPO DE COLHEITA” e “BROCAS”. Contudo, é absolutamente deficiente a vinculação da recorrente a tais fraudes, não havendo qualquer disposição específica que vincule a recorrente, em que pese haja elementos satisfatórios para que se forme convicção em relação a alguns fornecedores. Mas é perceptível que o julgador acaba fazendo generalizações, desejando alastrar conclusões a que facilmente chegaria em relação a alguns fornecedores para outros que são somente mencionados no relatório de diligência. Fl. 8512DF CARF MF Impresso em 17/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN 16 A generalização é perceptível em alguns excertos do voto (fl. 8125), no qual as conclusões são estendidas a todas as fornecedoras: É certo que nas operações especiais foi possível atestar tal quadro caótico e preocupante em relação a diversas empresas, mas restam ausentes as vinculações específicas em relação a algumas das fornecedoras mencionadas no despacho decisório denegatório no bojo deste processo. O caráter paradoxalmente inconclusivo das “conclusões” da DRJ é refletido no excerto seguinte do voto (ainda à fl. 8125): Não se pode, com base em “indícios que militam a favor de uma tese”, concluir que a tese é aplicável a todos os casos. Deveria o julgador ter observado os elementos probatórios que são especificamente pertinentes ao processo que estava a julgar, e não a outras situações, generalizando as conclusões. E, ainda que utilizasse elementos de outras fiscalizações, deveria efetuar vínculo específico com o presente processo. Essa precariedade probatória é perceptível nas próprias expressões usadas pelo julgador. Além de apreciar o caso conclusivamente com base em “indícios que militam”, o julgador usa ainda outras expressões de pouca força afirmativa, como o “tudo indica” (de fl. 8126): Ademais, na parte em que o julgador tenta apresentar provas que endossem os indícios (fls. 8126 a 8130), as menções são a empresas e pessoas que sequer são mencionadas como fornecedoras da recorrente no presente processo (v.g., COLÚMBIA e V. MUNALDI). Em suma, a nosso ver a DRJ efetivamente fracassa em sua tese de abstrair as conclusões do relatório de diligência a todas as empresas fornecedoras. E, mesmo em relação às empresas expressamente citadas no relatório, só vemos nestes autos elementos suficientes para manutenção das glosas em relação às empresas “CEREALISTA CARMO SUL LTDA”, “CEREALISTA MONTE AZUL LTDA”, “COMÉRCIO DE CAFÉ SÃO SEBASTIÃO LTDA”, “COMÉRCIO DE CAFÉ RIO GRANDE LTDA” e “SERRA AZUL COMÉRCIO DE Fl. 8513DF CARF MF Impresso em 17/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 15578.000950/200913 Acórdão n.º 3401003.100 S3C4T1 Fl. 8.500 17 CAFÉ LTDA”, visto que resta inequívoca a prática do modus operandi descrito pela fiscalização. Diante das provas apresentadas em relação a tais empresas, não resta lugar à tese de que a recorrente adquiriu bens como terceiro de boafé. Cabe, em adição, destacar a irrelevância, para o presente processo, das decisões não vinculantes prolatadas por unidades locais da RFB em processos diversos e do fato de a COIMEX não figurar na ação penal referente às operações especiais. Pelo exposto, voto pela manutenção das glosas apenas em relação às aquisições efetuadas das empresas “CEREALISTA CARMO SUL LTDA”, “CEREALISTA MONTE AZUL LTDA”, “COMÉRCIO DE CAFÉ SÃO SEBASTIÃO LTDA”, “COMÉRCIO DE CAFÉ RIO GRANDE LTDA” e “SERRA AZUL COMÉRCIO DE CAFÉ LTDA”, afastando as demais por não haver nos autos elementos que desconstituam a boafé da recorrente nas aquisições de que especificamente trata o presente processo. Adicionese que uma nova baixa em diligência, para verificar a situação das empresas a que se refere o presente processo ao tempo das ocorrências (há cerca de uma década), suprindo as deficiências do "relatório genérico" extraído das operações especiais, e aceito pela DRJ, poucos efeitos práticos surtiria, diante da ausência de motivação para o afastamento da boafé da recorrente, à época das aquisições. Analisada a presente matéria, à qual se dedica a maior parte do recurso voluntário, passase a analisar as demais glosas efetuadas, em relação a apuração de créditos em relação a corretagem nas intermediações de café e soja, e outros serviços (como assessoria técnica comercial e despesas de condomínio), e fretes de remessas e transferências não detalhadas pela empresa mesmo após intimação, cabendo trazer antecipadamente algumas delimitações conceituais e normativas necessárias. Aspectos constitucionais da nãocumulatividade da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Incumbe de início esclarecer que a nãocumulatividade das contribuições passou a figurar na Constituição (art. 195) com a Emenda Constitucional no 42/2003: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (redação dada pela EC n. 20/1998) (...) b) a receita ou o faturamento; (...) Fl. 8514DF CARF MF Impresso em 17/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN 18 IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. (redação dada pela EC n. 42/2003) (...) § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, “b”; e IV do caput, serão nãocumulativas. (redação dada pela EC n. 42/2003) (...)” (grifos nossos) Na leitura do texto, percebese que a Constituição não assegura não cumulatividade irrestrita ou ilimitada. E sequer diz que a lei fixará os casos de cumulatividade, sendo a contrário senso os demais casos de nãocumulatividade. O texto constitucional permite à lei definir exatamente os setores para os quais operará a nãocumulatividade. E também não dispõe que para tais setores a nãocumulatividade será irrestrita ou ilimitada. É nesse contexto que surgem os dispositivos legais que regem as contribuições nãocumulativas, basicamente as Leis no 10.637/2002 (Contribuição para o PIS/PASEP) e no 10.833/2003 (COFINS), que limitam/restringem a nãocumulatividade referida no texto constitucional. Poderseia aí argumentar que a lei poderia ter desbordado do comando constitucional referente à nãocumulatividade, que asseguraria o creditamento a qualquer despesa necessária à consecução do objeto social da empresa, como parece sugerir a recorrente. Contudo, este tribunal careceria de competência para levar adiante a discussão, em face da Súmula CARF no 2 (“O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”). Assim, e considerando as disposições legais tributárias vigentes sobre a matéria, não se pode acordar que a nãocumulatividade para as contribuições de que trata a Constituição Federal é irrestrita ou ilimitada. Do conceito de insumos para a Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS O termo insumo é polissêmico. Por isso, há que se indagar qual é sua abrangência no contexto das Leis no 10.627/2002 e no 10.833/2003. Na busca de um norte para a questão, poderseia ter em consideração os teores do § 5o do art. 66 da IN SRF no 247/2002 (editado com base no art. 66 da Lei no 10.637/2002) e do art. 8o da IN SRF no 404/2004 (editado com alicerce no art. 92 da Lei no 10.833/2003), que, para efeito de disciplina da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, estabelecem entendimento de que o termo insumo utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda abrange “as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado” e “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”. Outro caminho seria buscar analogia com a legislação do IPI ou do IR (ambas frequentes na jurisprudência deste CARF). Contudo, tal tarefa se revela improfícua, pois em face da legislação que rege as contribuições, o conceito expresso nas normas que tratam do IPI Fl. 8515DF CARF MF Impresso em 17/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 15578.000950/200913 Acórdão n.º 3401003.100 S3C4T1 Fl. 8.501 19 é demasiadamente restritivo, e o encontrado a partir da legislação do IR é excessivamente amplo, visto que se adotada a acepção de “despesas operacionais”, chegarseia à absurda conclusão de que a maior parte dos incisos do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003 (inclusive alguns que demandaram alteração legislativa para inclusão v.g. incisos IX, referente a energia elétrica e térmica, e X, sobre valetransporte ... para prestadoras de serviços de limpeza...) é inútil ou desnecessária. A Lei no 10.637/2002, que trata da Contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, e a Lei no 10.833/2003, que trata da COFINS nãocumulativa, explicitam, em seus arts. 3o, que podem ser descontados créditos em relação a: “II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis (...)” (grifo nosso) A mera leitura dos dispositivos legais já aponta para a impossibilidade de se considerar como insumo um bem ou serviço que não seja utilizado na produção ou fabricação do bem destinado à venda. Concluise, então, que o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final, como venho reiterando em processos relatados no âmbito deste CARF, com acolhida unânime: “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. (...).” (Acórdão no 3403003.166, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime – em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014) (No mesmo sentido os Acórdãos no 3403002.469 a 477; no 3403 001.893 a 896; no 3403001.935; no 3403002.318 e 319; e no 3403.002.783 e 784) Isto posto, caberia analisar a adequação ao conceito de insumo das rubricas questionadas no presente contencioso, já destacando que não se identifica com a legislação do IPI nem com a do IR. E é isso que se faz a seguir, em relação a cada uma das glosas, no que se refere a insumos, e em relação a outros tópicos específicos, já adiantando a existência de substancial obstáculo, residente no fato de sequer se demonstrar a existência de processo industrial nos autos. Das glosas em espécie Conforme relatado, em relação ao despacho decisório, as glosas são referentes a: (a) apuração de créditos em relação a corretagem nas intermediações de café e Fl. 8516DF CARF MF Impresso em 17/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN 20 soja, e outros serviços (como assessoria técnica comercial e despesas de condomínio); e (b) fretes de remessas e transferências não detalhadas pela empresa mesmo após intimação. A única defesa específica e detalhada é em relação a fretes (fls. 8330/8353). Em relação aos demais itens, na peça recursal (fls. 8354) argumentase unicamente que: Como já se adiantava no tópico anterior, o inciso no qual se ampara a recorrente para demandar os créditos (inciso II do art. 3o) trata de insumos para prestação de serviços ou produção/fabricação de bens ou produtos destinados à venda, e não à simples venda/revenda de bens adquiridos. Totalmente carente de base legal, assim, o pleito. E, ainda que o fundamento fosse diverso, persistiria a total inadequação aos comandos legais, que, repitase, são de observância obrigatória por este colegiado em função da citada Súmula CARF no 2. Assim, seja por não fazer prova a postulante do crédito em relação à existência de processo de produção/fabricação ou de prestação de serviços, ou ainda da adequação específica dos bens e serviços alegadamente apontados como “insumos” a tais processos ou prestações, incabível o direito ao crédito. Fl. 8517DF CARF MF Impresso em 17/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 15578.000950/200913 Acórdão n.º 3401003.100 S3C4T1 Fl. 8.502 21 No que se refere a fretes, matéria que não foi questionada apenas de forma genérica no recurso voluntário, cabe destacar que a negativa de crédito, no despacho decisório, era fundada em carência probatória (fl. 141): E, ao contrário do que parece crer a recorrente, a DRJ, ao apreciar inauguralmente tais documentos, apresentados na manifestação de inconformidade, certamente poderia verificar que estes não amparam o crédito, porque encontram obstáculo normativo. Assim, a fundamentação de carência probatória alterase para ausência de permissão legal. E se isso ocasionasse, como postula a recorrente, nulidade por alteração de fundamento, a DRJ não poderia sequer apreciar os documentos, bastando sua apresentação (ainda que em oposição às normas que regem a matéria) para que fosse afastada a autuação. Mantido esse entendimento, nenhuma empresa apresentaria mais os documentos na fase fiscalizatória, postergando a apresentação sempre à manifestação de inconformidade, quando já não poderia ser analisada qualquer matéria em relação aos documentos apresentados que não a sua simples apresentação. Nada mais absurdo. Por certo que se o documento só foi apresentado na manifestação de inconformidade, o julgador de piso pode (em verdade, deve) analisálo quanto ao cumprimento da legislação que rege a matéria. Fl. 8518DF CARF MF Impresso em 17/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN 22 Afasto assim a nulidade suscitada. No mérito, a própria empresa (assim como os documentos anexados) esclarece que os fretes de remessa/transferência se referem ao transporte de mercadorias adquiridas com fim específico de exportação, até armazéns gerais localizados em Santos (que não são estabelecimentos da recorrente). Bem esclareceu a DRJ ao analisar a matéria (fls. 8131/8132): A DRJ não encontra enquadramento para a operação descrita nos documentos da empresa: fretes de remessa de mercadoria adquirida com fim específico de exportação para armazéns gerais que não são da recorrente, em cidade portuária. E aponta ainda vedação legal ao crédito, presente no art. 6o, III e § 4o c/c art. 15, III da Lei no 10.833/2003, concluindo (fl. 8133) que: Temos aqui que a DRJ, apesar de partir da discutível premissa de que a operação de frete não é tributada (a nosso ver não é a ausência ou não de tributação de tal operação o fator de relevância na presente análise), suscita dispositivo (aplicável à COFINS por força do art. 15, III da Lei no 10.833/2003) que merece aqui transcrição e exegese o art. 6o (III e § 4o) da mesma Lei no 10.833/2003: “Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: Fl. 8519DF CARF MF Impresso em 17/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 15578.000950/200913 Acórdão n.º 3401003.100 S3C4T1 Fl. 8.503 23 (...) § 4o O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1o não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação.” (grifo nosso) Além de, no caso em análise, o crédito não ser propriamente vinculado a “receita de exportação” (visto que a “receita de exportação” se refere à empresa que vendeu à comercial exportadora, para que não se opere duplicidade de cômputo), há vedação expressa à utilização de créditos básicos previstos no art. 3o (facilmente decorrente da leitura dos §§ 1o e 4o do art. 6o da Lei no 10.833/2003), como vem entendendo este CARF (v.g., Acórdãos no 3401002.886 a 892, no 3302002.216, no 3302002.654 e no 3302002.655). Transcrevase excertos deste último julgamento, unânime em relação à matéria: “DESPESAS COM MERCADORIAS ADQUIRIDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. É vedado ao exportador de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação creditarse de PIS em relação às despesas vinculadas a esta operação. (...) Não resta nenhuma dúvida de que todos os créditos da Cofins relativos aos custos, despesas e encargos incorridos pelo vendedor, e incluído no preço da mercadoria vendida com o fim específico de exportação, são de fruição exclusiva do vendedor da mercadoria e, por esta razão, o adquirente e exportador direto da mercadoria não pode se creditar da Cofins, por força do que dispõe § 4º, do art. 6º c/c inciso III, do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03, abaixo reproduzidos. (...) Supondo, por exemplo, que a recorrente seja exclusivamente uma empresa comercial exportadora e tenha incorrido nas mesmas despesas de frete de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação. Nestas condições, e à luz do dispositivo legal acima, teria a recorrente direito ao creditamento das despesas com frete e armazenagem? Entendo que não. E não o tem porque a norma de regência (§ 4º, do art. 6º, da Lei nº 10.833/03, acima reproduzido) é clara ao proibir a apuração de crédito vinculado à receita de exportação das mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação, independente de haver ou não, para o tipo de despesa incorrida, previsão legal de creditamento, quando vinculada às demais receitas. O fato de a recorrente auferir receita de exportação com a venda de produtos de sua fabricação e de produtos fabricados por terceiros, adquiridos com o fim específico de exportação, em nada afeta a proibição legal de apuração de crédito vinculados a Fl. 8520DF CARF MF Impresso em 17/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN 24 receita de exportação de mercadorias adquiridas de terceiros.” (Acórdão no 3302002.655, Rel. Cons. Walber José da Silva, unânime em relação ao tema, sessão de 23.jul.2014) (grifo nosso) Acordamos, então, com a aplicação ao caso narrado nestes autos do dispositivo de vedação mencionado pela DRJ, que é mais amplo do que parece entender a recorrente, que o restringe a mercadorias (amplitude que é a nosso ver incompatível com a expressão constante ao final do referido § 4o do art. 6o: “vinculados”). Ademais, acordase ainda com a dificuldade expressa pelo julgador de piso em enquadrar o frete tratado nestes autos em uma das categorias permitidas na lei de regência (incisos I, II ou IX do art. 3o), pois não se comunga do entendimento que a remessa de mercadoria para armazémgeral em cidade portuária constitua propriamente um frete de venda (ainda que houvesse eventualmente sido comprovada no processo a assunção de tais despesas de transporte integralmente pela recorrente). Destarte, voto pela manutenção das glosas referentes a “insumos”. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, para reconhecer o crédito em relação às aquisições de café das empresas listadas à fl. 142, no parecer que ampara o despacho decisório, à exceção das empresas “CEREALISTA CARMO SUL LTDA”, “CEREALISTA MONTE AZUL LTDA”, “COMÉRCIO DE CAFÉ SÃO SEBASTIÃO LTDA”, “COMÉRCIO DE CAFÉ RIO GRANDE LTDA” e “SERRA AZUL COMÉRCIO DE CAFÉ LTDA”. Para efeito de implementação do julgado pela unidade local da RFB, e para que se evite duplicidade de concessão de créditos, esclarecese que o reconhecimento do crédito efetuado nestes autos, que se dá unicamente em relação às aquisições de café, opera em detrimento do reconhecimento de crédito presumido para as mesmas operações. Assim, deve a unidade, na admissão dos créditos decorrentes deste julgamento, afastar o reconhecimento dos créditos presumidos de aquisições de pessoas físicas em relação às mesmas operações. Rosaldo Trevisan Fl. 8521DF CARF MF Impresso em 17/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 16327.902361/2006-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 30/07/1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONSTATAÇÃO DE CONTRADIÇÃO E OMISSÃO ENTRE A DECISÃO PROFERIDA E SEUS FUNDAMENTOS.
Verificado que houve a reclamada contradição e omissão, os Embargos de Declaração apresentados merecem ser integralmente providos, retificando-se o Acórdão embargado para dar provimento ao Recurso Voluntário, com a consequente homologação da compensação tratada nos autos.
PIS/PASEP. PER/DCOMP. ADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), poderá ser autorizada quando os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado possibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Embargos de Declaração conhecidos e providos.
Numero da decisão: 3402-002.899
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos Embargos de Declaração com efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto do Relator que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Vencida a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro.
Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Choi Jong Min, OAB/SP nº 287.957.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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CONSTATAÇÃO DE CONTRADIÇÃO E OMISSÃO ENTRE A DECISÃO PROFERIDA E SEUS FUNDAMENTOS. Verificado que houve a reclamada contradição e omissão, os Embargos de Declaração apresentados merecem ser integralmente providos, retificandose o Acórdão embargado para dar provimento ao Recurso Voluntário, com a consequente homologação da compensação tratada nos autos. PIS/PASEP. PER/DCOMP. ADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), poderá ser autorizada quando os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado possibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Embargos de Declaração conhecidos e providos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos Embargos de Declaração com efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto do Relator que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 23 61 /2 00 6- 43 Fl. 371DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Vencida a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Choi Jong Min, OAB/SP nº 287.957. Relatório Trata o presente processo administrativo de Declaração de Compensação – DCOMP nº 16299.17223.280503.1.3.046500 (fls. 5/9) apresentada pelo interessado com a finalidade de compensação de débitos de IRRF e IOF com crédito de alegado pagamento indevido ou a maior de PIS, efetuado em 30/07/1999, no valor total de R$ 6.854.164,76. O recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1623.486, da 10ª Turma da DRJ São Paulo I (fls. 123/131 do processo eletrônico), julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra a não homologação de compensação de débito tributário com crédito decorrente de suposto pagamento a maior de PIS. No Acórdão nº 3802003.565, de 21/08/2014 (fls. 192/203), foi fundamentado com base na constatação de que os referidos créditos pretendidos pelo contribuinte, não seria um crédito líquido e certo nos termos do art. 170 do CTN, por ainda estar em discussão administrativa e, portanto, não é passível de reconhecimento para utilização na compensação de débitos, conforme o art. 21 da IN SRF nº 210/2002. A Recorrente tomou ciência do Acórdão em 24/09/2014 (fl. 211), tendo a oposição dos Embargos Declaratórios ocorrido em 29/09/2014 (fl. 213), alegando que teria havido contradição e omissão entre a decisão proferida e seus fundamentos. Os Embargos foram, então, conhecidos por decisão da Presidente da Turma (fls. 248), na forma do art. 65, caput, Anexo II, do Regimento Interno e determinada, assim, a inclusão do processo em pauta para julgamento. O colegiado, proferiu a Resolução nº 3802000.357, de 27/01/2015 (fls. 249/259), que entendeu pelo acolhimento em parte dos Embargos declaratórios, para converter o julgamento em diligência, a fim de que a unidade preparadora da Receita Federal do Brasil (DEINFSP), se manifestasse sobre a liquidação ou não dos créditos tributários objeto dos autos. Tendo em vista o cumprimento da solicitação, elaborado o Despacho de Diligência constante às folhas nº 335/337, a cientificação da Recorrente sobre as decisões referida, bem como, a apresentação da Manifestação por parte do interessado às folhas 343/345, o processo retornou a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16327.902361/200643 Acórdão n.º 3402002.899 S3C4T2 Fl. 372 3 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra A respectiva manifestação da Recorrente há que ser conhecida por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Como já frisado, trata o presente processo de Declaração de Compensação – DCOMP nº 16299.17223.280503.1.3.046500 (fls. 5/9) apresentada pelo interessado com a finalidade de compensação de débitos de IRRF e IOF com crédito de alegado pagamento indevido ou a maior de PIS. A autoridade administrativa não homologou a compensação efetuada pelo contribuinte pois “não é um crédito líquido e certo nos termos do art. 170 do CTN, por estar em discussão administrativa e, portanto, não é passível de reconhecimento para utilização na compensação de débitos.” Vale frisar, que no que tange ao instituto da compensação é ônus do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza, na forma do art. 170 do CTN. Nesse diapasão, ressaltando os argumentos apresentados pela Recorrente em seu recurso e na busca da verdade material, o processo foi, por decisão da extinta 2ª Turma Especial, convertido em Diligência para análise e informações da DEINF (SP) Delegacia da RFB de origem, que após os exames dos documentos que se encontra acostados nos autos, se pronunciou, conforme consta de seu Despacho de Diligência às fls. 335/337 (grifo nosso): "(...) Dessa forma, considerando o reconhecimento pelo Judiciário na Ação Ordinária nº 94.00149719 do crédito do PIS decorrente dos DL´s nºs 2.445/88 e 2.449/88, aproveitado para quitação dos débitos do PIS abrangidos pelo MS nº 96.00.10316 0 e constituídos através de Auto de Infração, controlados no Processo nº 13805.006092/9760, bem como o deferimento, por parte da autoridade administrativa preparadora, do pedido de REDARF do código de receita do pagamento de PIS de R$ 6.854.164,76, originalmente efetuado sob o código 8090 nos termos da MP nº nº 1.8586/99 (fls. 120/121), e que o interessado pretende compensar através de DCOMPs, entendeu a autoridade administrativa (itens 12 a 16, fls. 187) que o referido pagamento passou a estar disponível e, por conseguinte, utilizou esse crédito para as compensações apresentadas pelo interessado através dessas DCOMPs, dentre elas a DCOMP que cuida o presente processo, cujo demonstrativo do Sistema de Apoio Operacional – SAPO (fls. 170/175) apontou a insuficiência do crédito para liquidação integral dos débitos, remanescendo o saldo devedor do débito de IOF de R$ 6.889,51, controlado no Processo nº 16327.000233/200311, o qual, inclusive, já foi pago pelo interessado, conforme DARF às fls. 333. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 Cabe destacar que a autoridade administrativa afirma no item 13 (fls. 187) que a eventual homologação da pretendida compensação dos débitos de agosto de 1996 a junho de 1997 com o crédito oriundo dos DL´s nºs 2.445/88 e 2.449/88 deveria se subsumir, cumulativamente, ao encerramento das lides travadas na AO nº 94.00149719 e no MS nº 96.00.103160, conforme apontado nos itens 4 e 10 (fls. 185/186). Através de consulta aos processos judiciais, observase que ainda não houve decisão final na AO nº 94.00149719 (fls. 306/315) nem no MS 96.00.103160 (fls. 316/326). Portanto, a autoridade administrativa manifestouse expressamente no sentido de que os débitos constituídos pelo Auto de Infração e em discussão no MS 96.00.103160 foram compensados com créditos originários de pagamentos a maior com base nos DL´s nºs 2.445/88 e 2.449/88, segundo demonstrativo às fls. 327/332, sob condição resolutória da manifestação final no âmbito judicial, na AO nº 94.00149719 e no MS nº 96.00.103160, de modo que o pagamento de R$ 6.854.164,76 ficou disponível e foi compensado com os débitos constantes das DCOMPs apresentadas, dentre elas a DCOMP nº 16299.17223.280503.1.3.046500, que trata o presente processo, conforme demonstrativo do sistema SAPO às fls. 170/175, o qual revela que os débitos do presente processo foram liquidados". Em sua Manifestação (fl. 345), a Recorrente aduz que restou esclarecido o questionamento suscitado pelo CARF, comprovandose a existência do direito creditório pleiteado. Deste modo, os Embargos de Declaração apresentados merecem ser integralmente providos, retificandose o Acórdão embargado para dar provimento ao Recurso Voluntário, com a consequente homologação da compensação tratada nos autos. É importante repisar que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), poderá ser autorizada quando os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. E a comprovação da certeza e da liquidez dos referidos créditos, materializada na apresentação da documentação suficiente à verificação do direito creditório alegado, pode redundar na extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Portanto, no caso sob exame, a realidade se subsume ao direito de que trata o inciso I do artigo 165 do CTN, que possibilita a restituição de tributo recolhido indevidamente. Conclusão Posto isto, com fundamento no Despacho de Diligência elaborado pela DEINF (SP), conheço do recurso, de modo que os Embargos de Declaração apresentados sejam integralmente providos com efeitos infringentes, retificandose o Acórdão embargado (Acórdão nº 3802003.565, de 21/08/2014 da 2ª TE), para DARLHE total provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 374DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16327.902361/200643 Acórdão n.º 3402002.899 S3C4T2 Fl. 373 5 Fl. 375DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 10970.720201/2012-55
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2007 a 31/12/2008
COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTOS RURAIS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. SUB-ROGAÇÃO DA EMPRESA ADQUIRENTE. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES.
A inconstitucionalidade do art. artigo 1º da Lei nº 8.540, de 1992, declarada pelo STF no RE nº 363.852/MG, não se estende à Lei nº 10.256, de 2001.
INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Recurso Especial do Procurador provido
Numero da decisão: 9202-003.703
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Patrícia da Silva e Gerson Macedo Guerra, que negaram provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a Conselheira Ana Paula Fernandes.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora.
EDITADO EM: 12/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2007 a 31/12/2008 COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTOS RURAIS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. SUBROGAÇÃO DA EMPRESA ADQUIRENTE. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES. A inconstitucionalidade do art. artigo 1º da Lei nº 8.540, de 1992, declarada pelo STF no RE nº 363.852/MG, não se estende à Lei nº 10.256, de 2001. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Recurso Especial do Procurador provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Patrícia da Silva e Gerson Macedo Guerra, que negaram provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a Conselheira Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora. EDITADO EM: 12/02/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 72 02 01 /2 01 2- 55 Fl. 326DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 16/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de Auto de Infração em que são exigidas Contribuições Sociais Previdenciárias incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural adquirida de produtores rurais pessoas físicas, cuja responsabilidade pelo recolhimento é da autuada, na qualidade de pessoa jurídica adquirente, nos termos da Lei nº 10.256, de 2001 (subrogação), no período de 08/2007 a 12/2008 (Relatório Fiscal de fls. 22 a 29). Ainda conforme o Relatório Fiscal, a Contribuinte possui decisão judicial exarada nos autos do Recurso Extraordinário n° 363.852, em que o Supremo Tribunal Federal firmou entendimento no sentido de que a alteração introduzida no artigo 25 da Lei n° 8.212/91 pelo art. 1º da Lei n° 8.540/92 – contribuição sobre a comercialização da produção rural – infringiu o § 4° do art. 195 da Constituição, por instituir nova fonte de custeio da Previdência Social sem a observância da obrigatoriedade de lei complementar. Em sessão plenária de 22/01/2014, foi dado provimento ao Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão nº 2401003.325 (fls. 255 a 263), assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2007 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOBRE COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA STF EM AÇÃO PRÓPRIA. DECISÃO PLENÁRIA TRANSITADA EM JULGADO. OBSERVÂNCIA. POSSIBILIDADE. ARTIGO 62 DO RICARF. Na esteira da jurisprudência consolidada no Supremo Tribunal Federal, especialmente nos autos do Recurso Extraordinário n° 363.852/MG, em que a autuada figura como parte, uma vez decretada à inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, atualizada pela Lei n° 9.528/97, os quais contemplam as contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização de produtos rurais adquiridos de pessoas físicas, exigidas por subrogação da empresa adquirente, impõese reconhecer a improcedência de lançamentos escorados naquelas malfadadas normas, o que se vislumbra na hipótese dos autos. Recurso Voluntário Provido.” O processo foi encaminhado à PGFN em 07/02/2014 (Despacho de Encaminhamento de fls. 264) e, em 14/02/2014, foi interposto o Recurso Especial de fls. 265 a 278 (Despacho de Encaminhamento de fls. 279), com fundamento no artigo 67, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir a extensão, à Fl. 327DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 16/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10970.720201/201255 Acórdão n.º 9202003.703 CSRFT2 Fl. 327 3 Lei nº 10.256, de 2001, da inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540, de 1992, declarada pelo STF no RE nº 363.852/MG. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2400 510/2014, de 04/06/2014 (fls. 285 a 287). Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese: Preliminarmente o acórdão recorrido afastou a incidência dos tributos em debate com base no art. 62 do RICARF, ao argumento de que nos autos do RE nº 363.852/MG teria sido declarada a inconstitucionalidade da contribuição previdenciária sobre a comercialização da produção rural, bem como o pertinente regime de substituição tributária; aduziu, inclusive, que o contribuinte no presente processo administrativo era parte recorrente no referido Recurso Extraordinário, todavia não merece prosperar a aplicação do art. 62 do RICARF; assim ficou redigido o dispositivo do acórdão no RE nº 363.852/MG: “Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, conheceu e deu provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrrogação sobre a ‘receita bruta proveniente da comercialização da produção rural’ de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei n 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. Em seguida, o Relator apresentou petição da União no sentido de modular os efeitos da decisão, que foi rejeitada por maioria, vencida a Senhora Ministra Ellen Gracie. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, licenciado, o Senhor Ministro Celso de Mello e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa, com voto proferido na assentada anterior. Plenário, 03.02.2010.” (grifos acrescidos) como bem se nota, o acórdão do STF declarou a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97; ressalvou, contudo, a superveniência de nova lei posteriormente à Emenda Constitucional nº 20/98, que é exatamente a Lei nº 10.256/2001; sendo o presente lançamento lastreado na redação da Lei nº 8.212/91 dada pela Lei nº 10.256/2001, não há identidade de substrato jurídico que permita a aplicação ao presente caso do holding do RE nº 363.852/MG; Fl. 328DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 16/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 4 sobre essa questão, assim se pronunciou o acórdão recorrido no voto do m. Relator: “Nessa toada, estando a presente exigência fiscal escorada em dispositivos legais declarados inconstitucionais, mormente em relação à forma de cobrança por substituição tributária (subrogação), ainda que se pretenda inferir que após a edição da Lei nº 10.256/2001 passou a encontrar amparo na Constituição Federal, imperioso reconhecer a improcedência do feito na linha do decisório definitivo exarado pelo STF, conforme possibilita o artigo 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF [...]” (grifos no original) segundo o Relator, portanto, foi declarada pelo Pretório Excelso a inconstitucionalidade do instituto jurídico da substituição tributária da contribuição previdenciária do produtor agrícola; entretanto, conforme já transcrito, o que foi declarado inconstitucional foi o artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97; assim, enquanto o STF considerou inconstitucionais dispositivos legais específicos, o Relator entendeu inconstitucional um instituto jurídico amplo; em termos dogmáticos, o STF declarou inconstitucional um enunciado prescritivo enquanto o Relator entendeu removido um significado abrangente (cita doutrina de Aurora Tomazini de Carvalho); de fato, o Supremo Tribunal Federal pode declarar uma determinada significação de um enunciado inconstitucional, o que se chama de declaração de inconstitucionalidade parcial sem redução de texto ou interpretação conforme a Constituição; todavia, considerandose inclusive que nenhuma dessas técnicas foi adotada na decisão em exame, a declaração de inconstitucionalidade se vincula a enunciados específicos, não podendo ser deles dissociada; é dizer: a declaração de inconstitucionalidade procedida no Recurso Extraordinário não atinge normas posteriores, ainda que no mesmo sentido; não bastasse isso, observese a redação literal do Regimento Interno do CARF: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou” (grifos acrescidos) por um mero exame silogístico, fica claro que a Lei nº 10.256, de 2001, não foi declarada inconstitucional pelo STF, pelo que é inaplicável o art. 62, inciso I, do RICARF; Fl. 329DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 16/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10970.720201/201255 Acórdão n.º 9202003.703 CSRFT2 Fl. 328 5 ainda há de se convir que, além de alterado o objeto de controle de constitucionalidade, também foi alterado o parâmetro pela Emenda Constitucional nº 20/98; a extensão da decisão do STF a lei não apreciada na decisão paradigma, portanto, importa em afastamento da aplicação de lei ao caso fora das hipóteses regimentais, de modo que viola a Súmula CARF nº 2, portanto deve ser anulado o acórdão recorrido. No mérito Assim ficou ementado o v. acórdão do RE nº 596.177/RS, decidido pelo Pretório Excelso, o qual baseou a decisão ora guerreada: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. INCIDÊNCIA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1º DA LEI 8.540/1992. INCONSTITUCIONALIDADE. I Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador. II Necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. III RE conhecido e provido para reconhecer a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/1992, aplicandose aos casos semelhantes o disposto no art. 543B do CPC.” (RE 596177, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 01/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe165 DIVULG 26/08/2011 PUBLIC 29/08/2011 EMENT VOL/0257502 PP00211 RT v. 101, n. 916, 2012, p. 653662) a referida decisão veio apenas a reforçar em sede de repercussão geral o já decidido nos autos do RE nº 363.852/MG, aplicado pelo e. Colegiado a quo ao caso presente: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO PRESSUPOSTO ESPECÍFICO VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO ANÁLISE CONCLUSÃO. Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adota entendimento quanto à matéria de fundo do extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS – SUBROGAÇÃO LEI Nº 8.212/91 – ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações.” (RE Fl. 330DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 16/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 6 363852, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 03/02/2010, DJe071 DIVULG 22/04/2010 PUBLIC 23/04/2010 EMENT VOL0239804 PP00701 RET v. 13, n. 74, 2010, p. 4169) nos autos do RE nº 596.177/RS houve oposição de Embargos de Declaração pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e, na sessão de 17/10/2013, a Suprema Corte deu provimento aos embargos da Fazenda Nacional, por meio do acórdão assim ementado: “Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTO NÃO ADMITIDO NO DESLINDE DA CAUSA DEVE SER EXCLUÍDO DA EMENTA DO ACÓRDÃO. IMPOSSIBILIDADE DA ANÁLISE DE MATÉRIA QUE NÃO FOI ADEQUADAMENTE ALEGADA NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO NEM TEVE SUA REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. INEXISTÊNCIA DE OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU OMISSÃO EM DECISÃO QUE CITA EXPRESSAMENTE O DISPOSITIVO LEGAL CONSIDERADO INCONSTITUCIONAL. I Por não ter servido de fundamento para a conclusão do acórdão embargado, excluise da ementa a seguinte assertiva: “Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador” (fl. 260). II A constitucionalidade da tributação com base na Lei 10.256/2001 não foi analisada nem teve repercussão geral reconhecida. III Inexiste obscuridade, contradição ou omissão em decisão que indica expressamente os dispositivos considerados inconstitucionais. IV Embargos parcialmente acolhidos, sem alteração do resultado.” (RE 596177 ED, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 17/10/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe226 DIVULG 14/11/2013 PUBLIC 18/11/2013) o referido julgamento serviu para explicitar que a decisão nos autos do RE nº 596.177/RS não abrange a discussão da constitucionalidade da redação do art. 25 da Lei nº 8.212/91 com a redação dada pela Lei n° 10.256/2001, inclusive posteriormente à Emenda Constitucional nº 20/1998; para afastar qualquer dúvida, vejase o que asseverou o em. Min. Ricardo Lewandowski em seu voto nos aclaratórios: "Quanto ao segundo ponto, esclareço que não se examinou a constitucionalidade do tributo cobrado com fundamento na Lei 10.256/2001. Isso porque, no recurso extraordinário, pedese apenas ‘o provimento do recurso, (...) para que seja declarada inconstitucional a contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural antigo FUNRURAL, através do reconhecimento da inconstitucionalidade do artigo 25 da Lei nº 8.212/91’, sem que o recorrente tenha arguido a inconstitucionalidade da Lei 10.256/2001 na parte que alterou o dispositivo mencionado.” do mesmo modo, conforme já destacado no item anterior, no caso do RE nº 363.852/MG expressamente ressalvou a superveniência de lei em conformidade com a EC 20/98, que vem a ser exatamente a Lei nº 10.256, de 2001; Fl. 331DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 16/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10970.720201/201255 Acórdão n.º 9202003.703 CSRFT2 Fl. 329 7 a questão atinente à constitucionalidade da Lei nº 10.256, de 2001, tanto não foi apreciada que foi reconhecida como matéria de Repercussão Geral no RE nº 718.874/RS, ainda pendente de julgamento; em assim sendo, não compete ao Colegiado a quo o pronunciamento da inconstitucionalidade da Lei nº 10.256, de 2001, por força do enunciado nº 2 da Súmula do CARF; portanto, atualmente, a contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física é recolhida com base na redação do art. 25 da Lei nº 8.212 conferida pela Lei nº 10.256/01 cuja constitucionalidade não foi apreciada pelo STF; isso porque, nos termos do RE nº 363.852/MG, a superveniência de lei ordinária, posterior à EC nº 20 de 1998, seria suficiente para afastar a pecha de inconstitucionalidade da contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física; com a edição da Lei nº 10.256, no ano de 2001, sanouse o referido vício, e nesse sentido, acerca do tema há o recente posicionamento do Tribunal Regional Federal da 4ª Região na Apelação Cível nº 2007.70.03.0049589/PR, que declarou a constitucionalidade dessa norma e, consequentemente, a constitucionalidade da cobrança da contribuição rural após 2001: “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA EMPREGADOR. LEGITIMIDADE ATIVA. COMPENSAÇÃO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. SUMULAS 512 DO STF E 105 DO STJ. 1 A jurisprudência é uníssona no sentido de reconhecer a legitimidade ativa ad causam da empresa adquirente / consumidora / consignatária e da cooperativa para discutir a legalidade da contribuição para o Funrural. 2 O substituto tributário carece de legitimidade para compensar ou repetir o indébito, porquanto o ônus financeiro não é por ele suportado. 3 O STF, ao julgar o RE nº 363.852, declarou inconstitucional as alterações trazidas pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92, eis que instituíram nova fonte de custeio por meio de lei ordinária, sem observância da obrigatoriedade de lei complementar para tanto. 4 Com o advento da EC nº 20/98, o art. 195, I, da CF/88 passou a ter nova redação, com o acréscimo do vocábulo ‘receita’. 5 Em face do novo permissivo constitucional, o art. 25 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 10.256/01, ao prever a contribuição do empregador rural pessoa física como incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, não se encontra eivado de inconstitucionalidade.” (grifos acrescidos) logo, nesse ponto, da subrogação, com a edição de lei posterior à EC nº 20/98 (Lei nº 10.256, de 2001), que já foi inclusive considerada constitucional perante o Fl. 332DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 16/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 8 Tribunal Regional Federal da 4ª Região, a contribuição sobre a produção dos empregadores rurais pessoas físicas foi retomada; dessa forma, não foi declarada a inconstitucionalidade da subrogação após a edição da lei nova (Lei nº 10.256, de 2001) a que se referiu o Relator em seu pronunciamento constante do acórdão a que faz referência a decisão hostilizada (RE nº 363.852/MG); como é possível perceber da leitura do citado acórdão proferido pela Suprema Corte, a subrogação em si mesma considerada não foi declarada inconstitucional; o referido dispositivo continua tendo utilidade prática em relação aos tributos recolhidos pelos segurados especiais e dos empregadores rurais depois da edição da Lei nº 10.256, de 2001, que adequou a técnica de tributação à nova redação constitucional, portanto é imperiosa a reforma do v. acórdão recorrido. Ao final, a Fazenda Nacional pede, preliminarmente, que se anule o acórdão recorrido, pela indevida aplicação do art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, e, no mérito, que seja reformado o decisum, restabelecendose o lançamento integralmente. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial e do despacho que lhe deu seguimento em 07/08/2014 (Informação de fls. 290), a Contribuinte ofereceu, em 19/08/2014 (carimbo aposto às fls. 293), as Contrarrazões de fls. 293 a 321, reiterando os argumentos do acórdão recorrido. Apresenta histórico da legislação do Funrural, pugnando pela sua inconstitucionalidade. Por derradeiro, a Contribuinte pede a manutenção do acórdão recorrido e a nulidade do Auto de Infração. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase de Auto de Infração em que são exigidas Contribuições Sociais Previdenciárias incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural adquirida de produtores rurais pessoas físicas, cuja responsabilidade pelo recolhimento é da autuada, na qualidade de pessoa jurídica adquirente, nos termos da Lei nº 10.256, de 2001 (subrogação), no período de 08/2007 a 12/2008 (Relatório Fiscal de fls. 22 a 29). Ainda conforme o Relatório Fiscal, a Contribuinte possui decisão judicial exarada nos autos do Recurso Extraordinário n° 363.852, em que o Supremo Tribunal Federal firmou entendimento no sentido de que a alteração introduzida no artigo 25 da Lei n° 8.212/91 pelo art. 1º da Lei n° 8.540/92 – contribuição sobre a comercialização da produção rural – infringiu o § 4° do art. 195 da Constituição, por instituir nova fonte de custeio da Previdência Social sem a observância da obrigatoriedade de lei complementar. Entretanto, dita ação judicial em nome da Contribuinte diz respeito a fatos geradores anteriores a 2001, portanto ainda sob a égide do art. 25 da Lei nº 8.212, de 1991, Fl. 333DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 16/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10970.720201/201255 Acórdão n.º 9202003.703 CSRFT2 Fl. 330 9 com a redação da Lei nº 8.540, de 1992, objeto da declaração e inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal. Por outro lado, as Contribuições ora exigidas dizem respeito ao período de 08/2007 a 12/2008 (Relatório Fiscal de fls. 22 a 29), portanto exigidas já sob a égide da Lei nº 10.256, de 2001, sobre a qual até o momento não paira qualquer restrição acerca de sua constitucionalidade. Destarte, tendo em vista que esta foi a única matéria do acórdão recorrido, do Recurso Especial e das Contrarrazões oferecidas tempestivamente, não há como sequer discutirse a suposta inconstitucionalidade da Lei nº 10.256, de 2001, em face de determinação expressa da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ainda que se pudesse discutir a constitucionalidade de dispositivo legal vigente e não declarado inconstitucional pelo STF o que se admite apenas para argumentar a decisão no RE nº 363.852/MG não deixa dúvidas acerca da impossibilidade de acolherse a tese do acórdão recorrido, no sentido da extensão administrativa, à Lei nº 10.256, de 2001, editada após a Emenda Constitucional nº 20/98, de inconstitucionalidade declarada em relação ao art. 1º da Lei nº 8.540, de 1992, levando a crer que naquela assentada o Excelso Pretório teria condenado o instituto da substituição tributária da contribuição previdenciária do produtor agrícola de forma ampla, estendendo seus efeitos a legislação superveniente, editada após a Emenda Constitucional nº 20/98. Esclareçase que no Recurso Extraordinário nº 363.852/MG, discutiuse a constitucionalidade da contribuição exigida com base no art. 25 da Lei n° 8.212, de 1991, com a redação dada pelas Leis nºs 8.540, de 1992, e 9.528, de 1997, incidente sobre o valor da comercialização da produção rural, apenas quanto à sua extensão ao empregador rural pessoa física. Nesse passo, decidiuse que tal inovação não encontrava respaldo na Carta Magna, até a Emenda Constitucional 20/98. Referido precedente foi adotado em regime de repercussão geral, por meio do julgamento do Recurso Extraordinário nº 596.177/RS (art. 543B do Código de Processo Civil), cuja ementa a seguir se transcreve: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. INCIDÊNCIA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1º DA LEI 8.540/1992. INCONSTITUCIONALIDADE. I Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador. II Necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. III RE conhecido e provido para reconhecer a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/1992, aplicandose aos casos semelhantes o disposto no art. 543B do CPC. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 16/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 10 (RE 596177, Relator Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 01/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL – MÉRITO, DJe165 de 29082011) Com a entrada em vigor da Lei nº 10.256, de 2001, editada já sob a égide da Emenda Constitucional nº 20/98, passaram a ser devidas as contribuições sociais a cargo do empregador rural pessoa física, às alíquotas de 2% e 0,1%, incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, nos termos assinalados no art. 25, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001. No presente caso, repitase que o período objeto da autuação encontrase integralmente coberto pela regência da Lei nº 10.256, de 2001, não havendo que se falar em inconstitucionalidade da exação, já que ela decorre diretamente da nova norma inserida no ordenamento jurídico, e não dos enunciados das Leis nºs 8.540, de 1992 e 9.528, de 1997, declarados inconstitucionais pelo STF. Destarte, a exigência pela sistemática de subrrogação, descrita no art. 30, IV, da Lei nº 8212, de 1991, também encontrase devidamente amparada pela legislação, já que o Supremo Tribunal Federal não se pronunciou acerca de eventual vício de inconstitucionalidade a maculála. Confirase o voto do Min. Marco Aurélio: "Ante esses aspectos, conheço e provejo o recurso interposto para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência.” Com efeito, a referência ao termo “subrrogação”, e ao “inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91”, somente teve lugar na conclusão do acórdão, quando o Sr. Min. Relator desobriga os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate. Por fim, ressaltese que a exigência das contribuições do adquirente, consumidor, consignatário ou cooperativa, foi determinada pelo inciso III, do art. 30, da Lei nº 8.212, de 1991, que não foi questionado ou mesmo mencionado na declaração de inconstitucionalidade proferida no RE nº 363.852/MG, permanecendo vigente e eficaz, inclusive em relação ao empregador rural pessoa física, após a publicação da Lei nº 10.256, de 2001, portanto produzindo todos os efeitos jurídicos. Corroborando o entendimento de que a inconstitucionalidade de que se trata não se estendeu à Lei nº 10.256, de 2001, como aventou o acórdão recorrido, a Fazenda Nacional reproduz em seu recurso a ementa dos Embargos de Declaração no RE n° 596.177/RS, que ora se reitera: "Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTO NÃO ADMITIDO NO DESLINDE DA CAUSA DEVE SER EXCLUÍDO DA EMENTA Fl. 335DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 16/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10970.720201/201255 Acórdão n.º 9202003.703 CSRFT2 Fl. 331 11 DO ACÓRDÃO. IMPOSSIBILIDADE DA ANÁLISE DE MATÉRIA QUE NÃO FOI ADEQUADAMENTE ALEGADA NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO NEM TEVE SUA REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. INEXISTÊNCIA DE OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU OMISSÃO EM DECISÃO QUE CITA EXPRESSAMENTE O DISPOSITIVO LEGAL CONSIDERADO INCONSTITUCIONAL. I Por não ter servido de fundamento para a conclusão do acórdão embargado, excluise da ementa a seguinte assertiva: 'Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador' (fl. 260). II A constitucionalidade da tributação com base na Lei 10.256/2001 não foi analisada nem teve repercussão geral reconhecida. III Inexiste obscuridade, contradição ou omissão em decisão que indica expressamente os dispositivos considerados inconstitucionais. IV Embargos parcialmente acolhidos, sem alteração do resultado.' (RE 596.177 ED, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 17/10/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe‑ 226 DIVULG 14‑ 11‑ 2013 PUBLIC 18‑ 11‑ 2013)" Acrescentese que, se a decisão judicial em que a Contribuinte é parte efetivamente tivesse efeitos sobre os fatos geradores objeto do presente processo o que também se admite apenas por amor ao debate seria o caso de liminarmente darse provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, declarandose a definitividade do crédito tributário lançado, devendo a Contribuinte promover a execução da decisão judicial junto à Receita Federal, em sintonia com a Súmula CARF nº 1: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Quanto à preliminar de nulidade do acórdão recorrido, por haver aplicado indevidamente o art. 62, parágrafo único, inciso I, do RICARF, arguida pela Fazenda Nacional, entende esta Conselheira que tal problemática diz respeito ao mérito do apelo. Isso porque não se trata de vício, mas sim de interpretação e aplicação da legislação de regência, passível de ser reformada pela Instância ad quem, o que está sendo feito por meio do presente voto. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, para reformar o acórdão recorrido, restabelecendose a exigência contida na autuação. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Fl. 336DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 16/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 12 Fl. 337DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 16/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO
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Numero do processo: 10865.004245/2008-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2006
SERVIÇOS HOSPITALARES - CARACTERIZAÇÃO
À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão serviços hospitalares para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas.
SELIC
Conforme dicção da Súmula 1º CC nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 1401-001.432
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade; vencida a Conselheira Lívia De Carli Germano que anulava o lançamento e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir da autuação as receitas tipicamente hospitalares, nos termos da diligência. Vencida a Conselheira Lívia De Carli Germano que dava provimento em maior extensão para excluir também as receitas de natureza não identificadas na diligência.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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SELIC Conforme dicção da Súmula 1º CC nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 42 45 /2 00 8- 55 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade; vencida a Conselheira Lívia De Carli Germano que anulava o lançamento e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir da autuação as receitas tipicamente hospitalares, nos termos da diligência. Vencida a Conselheira Lívia De Carli Germano que dava provimento em maior extensão para excluir também as receitas de natureza não identificadas na diligência. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio. Relatório DA AUTUAÇÃO Em ação fiscal direta em face do contribuinte em epígrafe, foi lavrado auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, acrescido de juros e multa de 75%. Foi alcançado pela fiscalização o exercício de 2006, no qual se constatou como irregularidade, conforme termo de verificação, a aplicação de percentual do lucro presumido inferior ao devido pela legislação tributária. Conforme a acusação fiscal, a autuada, ao revés de aplicar o percentual de 32% relativo às prestações de serviço em geral, determinou seu lucro presumido por meio do percentual de 8% destinado às atividades hospitalares e, no curso da ação fiscal, não comprovou ter exercido atividades passíveis desta qualificação. A autuação, desse modo, resumiuse à constituição do crédito relativo à diferença de percentual. DA IMPUGNAÇÃO O sujeito passivo apresentou impugnação às fls. 32 a 54, por meio da qual aduz o que se segue. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 10865.004245/200855 Acórdão n.º 1401001.432 S1C4T1 Fl. 203 3 Preliminarmente, requer a nulidade do auto de infração por ausência de motivação, descrição insuficiente dos fatos e do direito, cerceamento do direito de defesa e violação do devido processo legal. A autoridade fiscal não teria apresentado os fundamentos fáticos e de direito para a autuação; e só teria encaminhado o auto de infração desacompanhado do termo de verificação fiscal. Reproduz acórdão com antigo Conselho de Contribuintes que teria anulado a autuação em razão de não ter sido dada ciência o termo de verificação fiscal. Aduz ainda que, no procedimento de lançamento, a autoridade fiscal teria desconsiderado declarações apresentadas em obrigação acessória, esclarecimentos e outros documentos, como o contrato social e relatórios de atendimento, para constituir o crédito tributário em seu desfavor com o singelo argumento de “ausência de provas”. Ademais, o excesso de rapidez com que realizou o procedimento não primaria pela legalidade ao deixar de empreender seus deveres de efetiva comprovação dos fatos alegados, pois não poderia inverter o ônus contra o contribuinte. O lançamento teria, assim, sido realizado indevidamente com base em mera presunção. O lançamento não poderia prevalecer, pois estaria pautado em equivocada interpretação da legislação tributária e dos fatos que dizem respeito ao contribuinte, cuja atividade se enquadraria como serviço médico hospitalar, para fins de aplicação do disposto no art. 15, §1°, inciso III, letra "a" da Lei n° 9.249/95. Literalmente, “o serviço efetivamente prestado pela impugnante pode perfeitamente ser considerado como complementação médico hospitalar”. Afirma que (...) se juntou perante a fiscalização, além das devidas informações, contrato social cujo objeto é Atendimento Médico Hospitalar (serviço médico hospitalar), bem como relatório de atendimento em diversos hospitais. Cabe esclarecer que juntamente com a impugnação juntase novamente relatório dos serviços médicos prestados em diversos hospitais no ano de 2005, o que demonstra claramente a natureza de serviço hospitalar do contribuinte (...) Aduz ainda que, apesar de que a autoridade fiscal não ter citado qualquer ato infralegal, estes eventuais atos não teriam aptidão para legitimar o lançamento, porque violariam o princípio da legalidade. Afirma que o cerne da questão se refere à interpretação da expressão “serviços hospitalares”, a qual teria sido adotada pelo STJ como “diretamente atrelada à saúde humana”, o que teria sido confirmado inclusive pela própria Secretaria da Receita Federal mediante soluções de consulta reproduzidas na peça de defesa. Por fim, contesta a aplicação dos juros à taxa SELIC por lhe faltar “respaldo jurídico” e o percentual de 75% da multa de ofício por violação da razoabilidade, proporcionalidade e proibição de confisco. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 4 DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 133 a 142) negou provimento à impugnação nos termos que se seguem. Não haveria razões para anulação do lançamento, uma vez que, in verbis: (...) na peça impositiva e nos respectivos anexos a autoridade fiscal descreve detalhadamente o suporte fático e documental que embasaram o lançamento, bem assim os praticados na apuração da base imponível, com intimação endereçada A. fiscalizada para que comprovasse a prestação dos serviços hospitalares, com abertura de prazo para instrução probatória. Do que consta dos autos verificase que a autoridade fiscal discriminou no relatório correspondente o objeto do auto de infração, a saber, apuração indevida do coeficiente de 8% para determinação da base de cálculo do IRPJ sobre receitas da atividade médica quando o correto seria 32%, valores apurados com base nas receitas declaradas pela contribuinte. Ademais, todas as informações por ela prestadas foram levadas em conta para a imposição tributária. Ocorre que ela não comprovou a realização de serviços hospitalares referidos no art. 15 da Lei n. 9.249, de 1995, regulamentado pelo art. 27 da Instrução Normativa SRF n. 480, de 15/12/2004, e pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF n. 18, de 23/10/2003, que lhe permitiriam submeter à tributação base de cálculo correspondente a 8% do resultado. De fato, além do contrato social e das alegações vertidas no expediente de fls. 12/14 não há qualquer elemento que comprove ter efetivamente praticado serviços de natureza hospitalar tal como preceitua a legislação antes citada. Ressaltese que os formulários que apresentou (fls. 21/24) além de se referirem a valores pagos aos sócios da contribuinte, descrevem resultado obtido no decorrer do anocalendário de 2008. Quanto ao mérito, a discussão, inclusive à luz do ônus probatório, diria respeito à interpretação do que são “serviços hospitalares” e, portanto, a quais atividades seria dispensado o percentual diferenciado para aferição do lucro presumido. Na época dos fatos, essa interpretação estaria fixada pela IN/SRF nº 480/04, com a redação dada pela IN/SRF 539/05. Para fins de enquadramento como prestadora de serviço hospitalar, o dispositivo pertinente (art. 27) teria previsto três tipos de exigência, in verbis: “a) caráter empresarial da pessoa jurídica; b) natureza das atividades desenvolvidas; e c) estrutura física do estabelecimento”, os quais deveriam ser cumpridos cumulativamente. Todavia, o contribuinte não provou cumprir nenhum deles. Com relação à contestação relativa ao percentual da multa e da taxa de juros, em síntese, asseverou que a autoridade administrativa não é competente para afastar aplicação de disposição expressa de lei. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 10865.004245/200855 Acórdão n.º 1401001.432 S1C4T1 Fl. 204 5 DO RECURSO VOLUNTÁRIO O sujeito passivo apresentou recurso voluntário, às fls. 146 a 166, mediante o qual repisou (na verdade, reproduziu literalmente) exatamente os argumentos já trazidos na impugnação. Só inovou ao contestar a incidência de juros sobre a multa de ofício. Alegou ausência de previsão legal e citou jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes que corroboraria sua posição. DA DILIGÊNCIA Por meio da Resolução 1201000.052 (fls. 178188), na qual fui relator, a Primeira Turma da Segunda Câmara resolveu converter o julgamento em diligência nos seguintes termos: (...) converter o presente julgamento em diligência para que o autor do feito, ou outro AuditorFiscal designado para tanto, intime o contribuinte para que este: a) esclareça o significado de cada um dos códigos de serviços constantes das planilhas juntadas ao feito e comprove este significado por meio, por exemplo, de documentação fornecida pelo agente emissor das planilhas; b) destaque os códigos atinentes ao serviço de consulta médica daqueles atinentes aos serviços tipicamente hospitalares segundo o entendimento fixado nesta resolução; e c) elabore demonstrativo trimestral, por médico prestador, em que se discriminem os valores relativos aos serviços tipicamente hospitalares daqueles de consulta médica. Por fim, solicitase à autoridade fiscal que verifique se os valores constantes dos esclarecimentos e demonstrativos apresentados pelo contribuinte correspondem àqueles que serviram de base à presente autuação e, ao final, elabore relatório circunstanciado do resultado da diligência em que deve constar a discriminação de eventuais divergências. Encerrada a instrução processual, deverá ser novamente intimado o recorrente para manifestarse no prazo de dez dias, de acordo com o disposto no artigo 44 da Lei nº 9.784/1999. Em atenção ao solicitado, a autoridade fiscal promoveu a diligência (documento de fl. 192 com nove arquivos indexados) e destacou os seguintes montantes trimestrais para o ano calendário de 2005: Fl. 206DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 6 Instado a se manifestar pela autoridade fiscal, o diligenciado aduziu: (i) que a autuação deveria ser anulada, pois calcada em provas frágeis, o que se comprova pela própria necessidade da realização de diligência; alternativamente (ii) exclusão dos valores que não foram identificados como consultas médicas. Solicitou ainda a dilação do prazo para se manifestar em mais 20 dias, o que não foi atendido pela autoridade fiscal. É o relatório do essencial. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 10865.004245/200855 Acórdão n.º 1401001.432 S1C4T1 Fl. 205 7 Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Relator Antes de nos debruçarmos sobre o objeto da lide, cumpreme reafirmar o que já destaquei no relatório. O recurso voluntário é, na verdade, uma cópia praticamente exata da impugnação. A defesa, em momento algum, combateu qualquer dos fundamentos da decisão recorrida. Resumiuse apenas a reproduzir ipsis litteris o que já havia apresentado na reclamação inicial. Tecidas essas considerações, exceto em relação à questão originariamente apresentada – os juros sobre a multa –, cumpreme apenas verificar a correção da decisão de primeiro grau. Preliminar de nulidade O procedimento de fiscalização está para o inquérito policial, assim como o contencioso tributário para a ação penal, vale dizer, o primeiro é inquisitivo. O contraditório é exercido durante o julgamento administrativo. Ao contribuinte é dada a oportunidade de apresentar suas razões na impugnação e não antes. Desde que o auto de infração contenha os elementos necessários para que o sujeito passivo possa exercer com plenitude a sua defesa na fase contenciosa – como é o presente caso –, não há que se falar em nulidade. O lançamento pode ser realizado até por procedimento interno sem prévia publicidade ao sujeito passivo. O cerne do presente feito está na interpretação de “serviços hospitalares”, o que foi identificado desde a defesa inaugural pelo sujeito passivo, inclusive com referências expressas na sua peça de defesa à jurisprudência específica. Com relação ao suposto não encaminhamento do termo de verificação, ainda que isso tivesse ocorrido, em nada macularia o direito de defesa do sujeito passivo. A autoridade não está obrigada a encaminhar ao autuado todos os elementos do feito acusatório, mas apenas darlhe ciência da sua existência. Do contrário, não faria sentido a ciência via edital, a menos, é claro, que no edital, documento exposto ao público, devesse constar todos os elementos da acusação, o que seria um absurdo. Com relação à jurisprudência do Conselho de Contribuintes, reproduzida pela recorrente, esta só declarou nulo o procedimento fiscal em razão de o termo de verificação, naquele caso, ter sido produzido após a ciência da autuação, ou seja, o referido documento acusatório não constava do processo durante o prazo para a defesa, o que, indiscutivelmente, prejudicou o seu exercício. Não foi o ocorrido nestes autos. Não há, desse modo, qualquer razão para declarar a nulidade da autuação. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 8 Mérito – percentual do lucro presumido Na oportunidade do primeiro julgamento, assim conduzi o meu voto quanto à aplicação do percentual mitigado de 8%: A questão central do presente lançamento está assentada na qualificação jurídica da atividade desempenhada pelo contribuinte, em face da dicção legal que estabelece uma exceção relativa ao percentual de aferição do lucro presumido para os serviços hospitales mais branda (8%) em relação àquele fixado para os serviços em geral (32%). Abaixo, reproduzimos a legislação vigente à época dos fatos: Lei nº 9.249/95 Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; O conceito de serviços hospitalares foi questão já enfrentada pela antiga Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, a qual foi sucedida por esta turma de julgamento. Naquela oportunidade, negamos provimento à defesa por unanimidade, conforme ementa abaixo transcrita da lavra do Ilustre Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho: SERVIÇOS HOSPITALARES. CARACTERIZAÇÃO. A presunção de lucratividade reduzida prevista na Lei n. 9.249/95 está intimamente ligada à existência de custos relevantes com instalações, equipamentos e mãodeobra qualificada inerente a um hospital, compreendendo tanto a parte médica especializada quanto os serviços de hotelaria e fornecimento de produtos. A prestação pessoal de serviços médicos, por si só, não corresponde ao conjunto de serviços e custos inerentes a um centro hospitalar, traduzindose meramente em um exercício de profissão regulamentada. (Acórdão nº 10323236; de 30/11/2007) Fl. 209DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 10865.004245/200855 Acórdão n.º 1401001.432 S1C4T1 Fl. 206 9 Ao reexaminarmos a questão posteriormente, na oportunidade em que fui relator, mantivemos o mesmo posicionamento, estampado no acórdão 120100.321, de 01 de setembro de 2010, cuja ementa abaixo transcrevo: SERVIÇOS LABORATORIAIS LUCRO PRESUMIDO PERCENTUAL a razão teleológica para a diferenciação entre os percentuais de aferição do lucro presumido está na pressuposta diversidade da margem de lucro entre as atividades empresariais. O que justifica um percentual significativamente menor e determina os contornos semânticos da própria expressão “serviços hospitalares” são seus elevados custos, cujo principal e mais significativo componente são os valores investidos nos equipamentos hospitalares, dentre os quais, os laboratoriais. Em razão disso, as atividades de exames laboratoriais devem também ser tributadas pelo percentual mitigado relativo aos serviços hospitalares. Naquela oportunidade, teci os seguintes fundamentos de decidir: Pela leitura da ementa, sem necessidade de adentramos às minúcias do voto, a razão de decidir busca identificar a teleologia da diferenciação entre os percentuais de aferição do lucro presumido. No caso, entendeuse que a legislação fixa o percentual em razão da presumível margem de lucro de cada atividade. Nesse caso, a prestação de serviços hospitalares se diferenciaria das demais prestações de serviço em razão dos seus elevados custos, o que justificaria um percentual significativamente menor e determinaria os contornos do próprio conceito de “serviços hospitalares” para fins de incidência tributária. Desse modo, como a prestação pessoal de serviços médicos não impõe gastos superiores aos dos serviços em geral, também não poderia ser enquadrada na denominação legal “serviços hospitalares” para fins tributários. Essa razão de decidir se coaduna com provimentos recentes do STJ. Naquela oportunidade, transcrevi em meu voto a seguinte decisão (AgRg nos EREsp 883537 / RS, publicado em 01/07/2010: PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. ART. 15, § 1º, III, ALÍNEA "A", DA LEI N. 9.249/95. CONCEITO DE SERVIÇO HOSPITALAR. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1116399/BA, JULGADO EM 28/10/2009, SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A redução das bases de cálculo do IRPJ e da CSSL, nos termos dos arts. 15 e 20 da Lei nº 9.249/95, é benefício fiscal Fl. 210DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 10 concedido de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não no contribuinte que os executa. 2. A Primeira Seção deste Tribunal Superior pacificou o entendimento acerca da matéria, no julgamento do RESP 1116399/BA, sob o regime do art. 543C, do CPC, em 28/10/2009, que restou assim ementado: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita Fl. 211DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 10865.004245/200855 Acórdão n.º 1401001.432 S1C4T1 Fl. 207 11 ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. 3. Destarte, restou assentado, àquela ocasião que: "Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. In casu, o Tribunal a quo, com ampla cognição fático probatória, assentou que a empresa recorrida presta serviços de diagnóstico por imagem, compreendendo a radiologia em geral, ultrasonografia, tomografia computadorizada, ressonância magnética, densitometria óssea e mamografia, os quais, consoante fundamentação expendida, enquadramse no conceito legal de serviços médicohospitalares, estabelecido pela Lei 9.249/95. 5. Agravo regimental provido para dar parcial provimento ao recurso especial, excluindose da base de cálculo reduzida as simples consultas médicas, consoante a fundamentação expendida, mantendose, no mais, a decisão de fls. 308/323. Naquela época, não havia destacado que essa decisão nada mais fez do que seguir provimento do próprio STJ em recurso repetitivo, o qual atualmente vincula nossas decisões por determinação regimental. Abaixo, transcrevo sua ementa (RECURSO ESPECIAL Nº 1.116.399 – BA): DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249∕95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 12 RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429∕95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249∕95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249∕95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727∕08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249∕95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249∕95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do Fl. 213DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 10865.004245/200855 Acórdão n.º 1401001.432 S1C4T1 Fl. 208 13 IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8∕STJ. 7. Recurso especial não provido. Tanto a minha posição, quanto a do STJ fixada em recurso repetitivo, chegam à mesma conclusão em diversas situações; por exemplo, as atividades laboratoriais se submetem ao percentual de 8%, ao passo que as simples consultas médicas devem ser tributadas pele percentual de 32%. Todavia, elas partem de pressupostos distintos, os quais conduzem a conclusões distintas para outras situações. Entendo que o percentual mitigado para os serviços hospitalares decorre do fato de que essa atividade opera concretamente com margens significativamente inferiores àquelas praticadas na prestação de serviços em geral, uma vez que necessitam de investimentos em equipamentos caros e que depreciam rapidamente em razão do acelerado avanço da medicina. Não há, desse modo, uma concessão de benefício, mas sim a adequação da lei à específica capacidade contributiva manifestada nesse tipo de atividade. Já o STJ entende que a diferenciação é um benefício fiscal, ou seja, o legislador teria estabelecido a diferença tributária, não em razão de considerar a existência de signos contributivos diversos, mas sim para atingir escopos de cunho social, no caso, de fomentar atividades de saúde. Todavia, ainda assim, não interpretou o dispositivo com margens totalmente dilatadas. No entender da Corte Superior, não são todas as atividades ligadas à promoção da saúde, que teriam sido beneficiadas pelo percentual mitigado, nem sequer àquelas exclusivamente prestadas pela classe médica, como as consultas, mas apenas aquelas tipicamente promovidas em hospitais, ainda que possam eventualmente ser prestadas em ambiente externos, como as UTIs móveis e os exames laboratoriais. Desse modo, meu entendimento não é mais nem menos restritivo àquele estampado pelo STJ. Em atividades ligadas à saúde, com custos elevados e margens estreitas de lucro, ainda que não fossem típicas do ambiente hospitalar, decidiria pela aplicação do percentual de 8%, enquanto o STJ aplicaria o de 32%. Já para as atividades com elevada margem de lucro, mesmo típicas do ambiente hospitalar, decidiria pelo percentual de 32%, ao passo que o STJ entende que o percentual aplicável é o de 8%. Neste último caso, podemos citar o valor que uma clínica recebe diretamente do paciente em razão de o médico ter realizado uma intervenção cirúrgica num hospital. Notese, nesse caso, que o valor chega “limpo” à clínica, uma vez que o paciente paga outra parcela diretamente ao hospital em razão do uso de suas instalações e equipamentos. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 14 O recurso repetitivo julgou o caso de um laboratório, o qual, independentemente do critério adotado, deve ser tributado pelo percentual de 8%, uma vez que é atividade típica de ambiente hospitalar e de elevado custo. Entendo, todavia, que essa decisão é paradigmática e deve ser aplicada de forma vinculante a todas as situações em que se discute a sua qualificação como serviço hospitalar para fins de aplicação do percentual mitigado, uma vez que o STJ deixou bem claro que esta era a sua intenção ao julgar o caso, ou seja, não visou exclusivamente definir a tributação dos laboratórios, mas sim de todos os serviços executados tipicamente em hospitais. No presente feito, foram apresentadas, na peça impugnatória, planilhas às fls. 64 a 112, que são relativas a valores recebidos supostamente pela clínica em razão de serviços prestados por seus sócios atinentes ao período da impugnação. Em tais planilhas, fornecidas pela UNIMED, são relacionados pagamentos por serviços prestados em hospitais por sócios da autuada, mas a identificação precisa do tipo de serviço foi feita apenas por meio de códigos e a defesa não teceu qualquer esclarecimento do significado destes códigos. O fato de os serviços terem sido prestados em hospitais não faz prova suficiente de que são típicos de hospitais; podem ser atinentes a consultas médicas. Todavia, é um indício suficiente para aprofundarmos a investigação. Em face do primado da verdade material que dá amplos poderes à autoridade julgadora de buscar as provas que considerar necessárias para formar sua convicção acerca da existência do fato jurídico tributário, entendo que devemos converter o julgamento em diligência. Antes, porém, de minudenciarmos o teor da diligência, é oportuno ainda destacar que a autoridade julgadora de primeiro grau não analisou a referida documentação, o que poderia, em tese, caracterizar cerceamento ao direito de defesa do contribuinte e resultar a nulidade da decisão recorrida. Todavia, a ausência de análise foi por culpa da própria defesa, uma vez que afirmou na peça impugnatória ter juntado as mesmas planilhas apresentadas durante a fase de fiscalização e estas foram analisadas pela Delegacia de Julgamento. Ademais, em face das razões de direito que adotou para julgar, esses documentos não alterariam a sua decisão. Dessarte, não há que se cogitar nulidade da decisão recorrida pelo fato de não ter aprofundado o exame das referidas planilhas. Essa tarefa cabe a este colegiado. Não há razões para alterar o meu entendimento sobre o tema, o qual foi aplicado pela autoridade fiscal na condução da diligência. Dessarte, devem ser afastados os valores relativos aos procedimentos hospitalares e mantidos aqueles atinentes às consultas. Com relação aos demais valores não precisamente discriminados pelo contribuinte, devemos previamente decidir de quem é o ônus da prova. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 10865.004245/200855 Acórdão n.º 1401001.432 S1C4T1 Fl. 209 15 Ora, o percentual para a prestação dos serviços em geral é de 32%, só excepcionados os serviços hospitalares. Como os serviços hospitalares são definidos objetivamente e excepcionam a regra geral de tributação, uma vez que a autoridade fiscal da obtenção de receitas por um prestador de serviços, cabe ao sujeito passivo fazer a prova de que os montantes identificados se enquadram na exceção. Inconstitucionalidade do percentual punitivo A alegação de que o percentual de 75% da multa de ofício viola a razoabilidade, a proporcionalidade e a proibição de confisco visa afastar previsão legal por meio de controle de constitucionalidade; competência estranha a este colegiado, conforme previsto na Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Juros SELIC Quanto aos argumentos pela não aplicação dos juros segundo a taxa SELIC, esse tema já consta de súmula, cuja aplicação é obrigatória: “Súmula 1º CC nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Juros sobre multa de ofício Por fim, no tocante aos juros sobre multa de ofício, entendo que se trata de tema de âmbito da fase não contenciosa, uma vez que não é objeto do lançamento, mas sim da atividade de cobrança, a qual não está submetida ao crivo deste colegiado. Por isso, dele não tomaria conhecimento. Essa, porém, não tem sido a posição adotada por este colegiado que previamente tem decidido conhecer a questão. Assim, passo a enfrentála. De início, vale reproduzir acórdão em que também se conheceu do assunto, no qual foram considerados devidos os juros: Número do Recurso: 155344 Câmara: PRIMEIRA CÂMARA Número do Processo: 10845.000196/9534 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: IRPJ E OUTRO Recorrente: PRÓPRIA S.A. ADMINISTRAÇÃO E IMÓVEIS (SUCEDIDA POR BRASCOR S.A. IMÓVEIS E PORTICIPAÇÕES) Recorrida/Interessado: 2ª TURMA/DRJSALVADOR/BA Fl. 216DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 16 Data da Sessão: 25/05/2007 00:00:00 Relator: Sandra Maria Faroni Decisão: Acórdão 10196177 Resultado: DPPU DAR PROVIMENTO PARCIAL POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Inteiro Teor do Acórdão Ementa: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de ofício não paga no vencimento incidem juros de mora. Em se tratando de tributos cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31/12/1994, sobre a multa por lançamento de ofício incidem, a partir de 1º de janeiro de 1997, juros de mora calculados segundo a Selic. Assim tem se inclinado a jurisprudência deste Conselho e com ela me alinho. Dois artigos da Lei n° 9.430/96 conduzemme a essa posição e abaixo os transcrevo: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (...) Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. É importante notar que no caput do art. 61, o texto é “débitos [...] decorrentes de tributos e contribuições” e não meramente “débitos de tributos e contribuições”. O termo “decorrentes” evidencia que o legislador não quis se referir, para todas as situações, apenas aos tributos e contribuições em termos estritos. Tal dispositivo, combinado com o art. 43 (onde se prevê a multa isolada ou acompanhada de tributo) e seu parágrafo único, levanos à conclusão de que os juros de mora devem incidir sobre a multa de ofício, após o seu vencimento. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 10865.004245/200855 Acórdão n.º 1401001.432 S1C4T1 Fl. 210 17 Conclusão Isso posto, voto por dar provimento parcial ao recurso com o fito de excluir dos valores lançados pelo percentual de 32% apenas aqueles identificados pelo sujeito passivo como receitas hospitalares, nos termos do relatório de diligência fiscal. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Fl. 218DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 13558.002103/2007-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
APURAÇÃO DO LUCRO REAL. EXCLUSÕES. VALORES NÃO COMPROVADOS. GLOSA.
Correta a glosa dos valores excluídos do lucro líquido para efeito de apuração do lucro real, quando a empresa não demonstra a sua natureza nem apresenta documentação comprobatória.
LANÇAMENTOS. MESMOS PRESSUPOSTOS FÁTICOS DO IRPJ. DECORRÊNCIA.
As conclusões advindas da apreciação do lançamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica devem, no que couber, ser estendidas ao lançamento relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, por decorrerem dos mesmos pressupostos fáticos.
Numero da decisão: 1301-001.882
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Hélio Eduardo de Paiva Araújo - Relator.
EDITADO EM: 27/01/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado) Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista (suplente convocado) e Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 APURAÇÃO DO LUCRO REAL. EXCLUSÕES. VALORES NÃO COMPROVADOS. GLOSA. Correta a glosa dos valores excluídos do lucro líquido para efeito de apuração do lucro real, quando a empresa não demonstra a sua natureza nem apresenta documentação comprobatória. LANÇAMENTOS. MESMOS PRESSUPOSTOS FÁTICOS DO IRPJ. DECORRÊNCIA. As conclusões advindas da apreciação do lançamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica devem, no que couber, ser estendidas ao lançamento relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, por decorrerem dos mesmos pressupostos fáticos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães - Presidente. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo - Relator. EDITADO EM: 27/01/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado) Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista (suplente convocado) e Wilson Fernandes Guimarães.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 APURAÇÃO DO LUCRO REAL. EXCLUSÕES. VALORES NÃO COMPROVADOS. GLOSA. Correta a glosa dos valores excluídos do lucro líquido para efeito de apuração do lucro real, quando a empresa não demonstra a sua natureza nem apresenta documentação comprobatória. LANÇAMENTOS. MESMOS PRESSUPOSTOS FÁTICOS DO IRPJ. DECORRÊNCIA. As conclusões advindas da apreciação do lançamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica devem, no que couber, ser estendidas ao lançamento relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, por decorrerem dos mesmos pressupostos fáticos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 00 21 03 /2 00 7- 34 Fl. 376DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 2 EDITADO EM: 27/01/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado) Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista (suplente convocado) e Wilson Fernandes Guimarães. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 13558.002103/200734 Acórdão n.º 1301001.882 S1C3T1 Fl. 210 3 Relatório VIANA BRAGA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., já qualificada nos autos, recorre da decisão proferida pela 1a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) DRJ/SDR, que, julgou procedente em parte os lançamentos de que tratam os Autos de Infração de folhas n° 114 a 150, mantendo o lançamento do IRPJ, no valor de R$ 654.958,66 (seiscentos e cinqüenta e quatro mil novecentos e cinqüenta e oito reais e sessenta e seis centavos), exonerando o montante de R$ 6.457,40 (seis mil quatrocentos e cinqüenta e sete reais e quarenta centavos) e mantendo a CSLL no valor de R$ 243.269,94 (duzentos e quarenta e três mil duzentos e sessenta e nove reais e noventa e quatro centavos), juntamente com os acréscimos legais devidos. Consta da decisão recorrida o seguinte relato, o qual, apesar de sucinto, ora me valho: De acordo com o relatório fiscal, verificouse que a empresa procedeu à exclusão das receitas registradas na conta 3.2.l.02.0001 Valores Recuperados na Apuração do Lucro Real e da CSLL. Tendo em vista as infrações apuradas, houve reversão do prejuízo apurado pelo contribuinte no 2° trimestre de 2005, gerando glosa da compensação de prejuízos fiscais no 3° trimestre de 2005. Informa ainda o relatório fiscal que foi efetuada a compensação de prejuízos e base de cálculo negativa da CSLL com o resultado tributável apurado na ação fiscal no 1° e no 4° trimestres do ano 2006. As infrações 001 e 003 também deram ensejo ao lançamento da CSLL. DA IMPUGNAÇÃO O contribuinte apresentou impugnação ao lançamento em 03/01/2008, juntada às fls. 157 a 170, na qual alega, em síntese, o seguinte: Quanto à infração caracterizada pela exclusão indevida de valores na apuração do Lucro Real, argumenta que a empresa, nas explicações prestadas ao auditor, informa ter efetuado as exclusões com base no Regulamento do Imposto de Renda, especialmente no seu art. 250, que trata dos valores a serem excluídos do lucro líquido do exercício para a determinação do Lucro Real. Entretanto, o Auto de Infração menciona, em seu relatório, o instituto da isenção e cita legislação a ele referente. Não se trata, entretanto, de isenção. Afirma que o Auditor não apurou qual a origem dos valores excluídos nem separou os valores que constavam nas exclusões, referentes a outras contas contábeis. Afirma ainda que o Auto de Infração se baseia apenas na legislação que o contribuinte apresenta como justificativa para as exclusões, sendo que a determinação da legislação aplicável ao lançamento compete ao Fisco. Salienta que os valores excluídos do Lucro Real referemse a valores pagos a título de Valetransporte, medicamento, plano de saúde, plano odontológico, pensão alimentícia, desconto de falta de empregados, além de valores referentes à compensação de tributos pagos a maior, decorrentes de ação judicial. Também Fl. 378DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 4 fazem parte das exclusões, valores registrados em outras contas contábeis, como, por exemplo, a conta 3.2.l.0l .0003, que se refere a descontos obtidos de fornecedores. Os valores registrados na conta 3.2.1.02.0001, sob a denominação “Valores rec. Ref. Compensação COFINS mês ...” têm sua origem em dois processos judiciais de restituição de indébito tributário. O processo n° 95.10.005983 é uma ação declaratória que visa obter o direito à compensação de valores pagos a maior a título de FINSOCIAL. Houve sentença favorável que foi confirmada pelo Tribunal Regional Federal. A ação ordinária n° 2001.33.01.0019027 visa compensar créditos correspondentes a recolhimentos indevidos de PIS. Informa ter obtido sentença de procedência parcial e que o tribunal julgou procedente a sua apelação. Finaliza afirmando que o acórdão ainda não transitou em julgado. A 2ª Turma da DRJ/SDR, analisou os argumentos apresentados pela impugnante proferindo decisão para julgar improcedente a dita manifestação, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 APURAÇÃO DO LUCRO REAL. EXCLUSÕES. VALORES NÃO COMPROVADOS. GLOSA. Correta a glosa dos valores excluídos do lucro líquido para efeito de apuração do lucro real, quando a empresa não demonstra a sua natureza nem apresenta documentação comprobatória. LANÇAMENTOS. MESMOS PRESSUPOSTOS FÁTICOS DO IRPJ. DECORRÊNCIA. As conclusões advindas da apreciação do lançamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica devem, no que couber, ser estendidas ao lançamento relativo à Contribuição Social sobre O Lucro Líquido CSLL, por decorrerem dos mesmos pressupostos fáticos. Lançamento Procedente em Parte. A ora recorrente, devidamente cientificada do acórdão recorrido, apresenta recurso voluntário tempestivo, onde repisa os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, os quais, em resumo, podem ser assim sintetizados: que os valores excluídos do lucro líquido dos exercícios, se referem a processos judiciais onde a interessada discute a restituição de indébitos tributário de COFINS, FINSOCIAL e PIS; que a interessada realizou a exclusão acima nos termos do art. 53 da Lei nº 9.430/96, do Ato Declaratório Interpretativo nº 25 de 2003 e no entendimento firmado Solução de Divergência pela Coordenação Geral de Tributação,uma vez que os créditos foram apurados no período entre 1988 e 1996, período em que a recorrente era optante do lucro presumido e, portanto, pelo própria sistemática presumida, tais valores não foram computados para fins da apuração do lucro tributável, razão de sua exclusão agora da apuração do lucro real; e Fl. 379DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 13558.002103/200734 Acórdão n.º 1301001.882 S1C3T1 Fl. 211 5 que também foram desconsiderado outros valores recuperados pelo contribuinte e que não haviam sido computados como despesas dedutíveis do lucro real e da base de cálculo da CSLL, tais como valores descontados em folha de pagamento e pago diretamente aos fornecedores a título de vale transporte, plano de saúde, plano odontológico, aquisição de medicamentos. Ao final, pede que reafirma que as exclusões e deduções realizadas são legítimas, razão pela qual deve ser reformada a decisão do órgão a quo para julgar improcedente o lançamento tributário. É o relatório. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 6 Voto Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo A contribuinte foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/SDR e intimada ao recolhimento dos débitos em 13/04/2009 (fls. 186), e apresentou em 13/05/2009, recurso voluntário e demais documentos, juntados às fls. 189200. Uma vez atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e sendo o mesmo tempestivo, conheço do recurso voluntário interposto. A questão aqui posta para análise referese à verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte, no período 10/2002 a 03/2007, onde foram constadas infrações à legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), no que se refira à redução indevida do lucro real em virtude da exclusão, não autorizados pela legislação do IRPJ e da CSLL, de valores do lucro líquido do exercício. A legislação tributária prevê as hipóteses de exclusão, a fim de que não sejam computadas na base de cálculo do imposto, receitas que aumentaram o Lucro Líquido da pessoa jurídica, mas que a legislação do imposto considera como não tributáveis. Aqui há que se apreciar se a receita com a recuperação de indébitos tributários está ou não submetida a tributação do IRPJ e da CSLL na apuração com base no lucro real. Para isso, fazse necessário transcrever o art. 53 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996: Art. 53. Os valores recuperados correspondentes a custos e despesas, inclusive com perdas no recebimento de créditos, deverão ser adicionados ao lucro presumido ou arbitrado para determinação do imposto de renda, salvo se o contribuinte comprovar não os ter deduzido em período anterior no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro real ou que se refiram a período no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro presumido ou arbitrado. O aludido artigo trata de recuperação de valores a titulo de custos, despesas e perdas. Ocorre que a recuperação de valores necessariamente pressupõe que tais valores foram incorridos/reconhecidos anteriormente. A meu ver, tratase de norma de compensação do lucro presumido, a vista do ocorrido em momento anterior, não podendo ser tal norma aplicada ao lucro real. Isto posto, no caso de recuperação de custos ou despesas (incluindose eventuais indébitos tributários), se o contribuinte fora anteriormente tributado com base no lucro real, é necessário verificar se ofereceu ou não a despesa com os tributos naquele período. E se foi tributado com base no lucro presumido, não pode haver tributação de IRPJ lucro presumido em momento posterior. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 13558.002103/200734 Acórdão n.º 1301001.882 S1C3T1 Fl. 212 7 Não há como defender a aplicação do mesmo argumento, qual seja, a não tributação das receitas com a recuperação de indébitos, para a situação em que o contribuinte fora anteriormente tributado com base no lucro presumido para em momento posterior, quando tais recuperações se efetivem, esteja o contribuinte submetido ao lucro real, haja vista que o artigo 53 da Lei 9.430 trata exclusivamente do lucro presumido, uma vez que tal artigo se encontra dentro do Capítulo V Disposições Gerais, Seção II, a qual trata das Normas Sobre o Lucro Presumido e Arbitrado. Enfrento agora a questão da aplicação do mesmo entendimento à CSLL. É evidente que o artigo 53 da Lei nº 9.430/1966, textualmente referese apenas ao IRPJ, mais precisamente ao IRPJ devido na sistemática do lucro presumido. Ocorre que o art, 88, III, g, da Instrução Normativa nº 390, de 30/01/2004, que dispõe sobre a apuração e o pagamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, também só permite a exclusão da base de cálculo da contribuição das receitas oriundas de recuperação de custos ou despesas quando a referida base for apurada com base no lucro presumido ou arbitrado. Assim, não há qualquer hipótese de exclusão destas receitas da base de cálculo do IRPJ e CSLL apurados através da sistemática do lucro real. Por fim, quanto a alegação de que também foram desconsiderados outros valores recuperados, os quais não haviam sido computados como despesas dedutíveis do lucro real e da base de cálculo da CSLL, (tais como valores descontados em folha de pagamento e pago diretamente aos fornecedores a título de vale transporte, plano de saúde, plano odontológico, aquisição de medicamentos), entendo que tais alegações não foram provadas pelo contribuinte. Uma vez que se presume que tais despesas tenham sido apropriadas anteriormente, mister se fazia que o contribuinte comprovasse clara e adequadamente que as mesmas deixaram de ser computadas em exercícios anteriores. Como nada neste sentido foi comprovado pela interessada, entendo que a glosa destas exclusões não merece reparo. Assim, diante de todo o acima exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Sala de Sessões, 19 de janeiro de 2016. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator Fl. 382DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 8 Fl. 383DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES
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