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Numero do processo: 10980.007807/2005-53
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2008
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2001
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA.
A apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários
Federais - DCTF pelas pessoas jurídicas obrigadas, quando
intempestiva, enseja a aplicação da multa por atraso na entrega.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 302-40.066
Decisão: ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de
contribuintes, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF pelas pessoas jurídicas obrigadas, quando intempestiva, enseja a aplicação da multa por atraso na entrega. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de contribuintes, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Beatriz Veríssimo de Sena, Ricardo Paulo Rosa e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional Maria Cecilia Barbosa. 1 Processo n° 10980.007807/2005-53 Acórdão n.°302-40.066 CC03/CO2 Fls. 36 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância ate aquela fase: O sujeito passivo foi cientificado do presente processo de auto de infração (11.4.L03), mediante o qual é exigido do contribuinte antes qualificado o crédito tributário total de R$ 7.24777, referente a multa por atraso na entrega da Declara cão de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF relativa aos 1°, 2:",- 3e4 trimestres do ano de 20,61 (apresentadas em 20706/2-02). 0 enquadramento legal do lançamento encontra-se discriminado no campo 05 (Descrição dos Fatos/Fundamentação) do auto de infração, ãfl. 03. Inconformada coin o lançamento, a interessada interpôs, em 291,07/2005, a impugnação de fls. 01/02, instruída com os documentos de fls. 034 (cópias do auto de infração, do contrato social e Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica), alegando que que por ocasião de sua constituição em 24/04/2001 teria se enquadrado como optante pelo SIMPLES e foi notificada na ocasião da sua exclusão sistema. Alega, mais, que a instituição da DCTF se deu através de Instrução Normativa, indo de encontro ao principio da legalidade previsto no art. 5', II, da Constituição Federal, e art. 97, inciso V do Código Tributário Nacional. A delegação concedida pelo Ministério da Fazenda para o Secretário da Receita Federal seria inconstitucional por violar o principio da separação dos poderes previstos no art. 2" da Carta Magna e da indelegabilidade tributária previsto no art. 7" do CTN. As penalidades pecunicirias devem estar previstas em Em face do extravio do Aviso de Recebimento, a impugnação foi considerada tempestiva, pois foi protocolada dentro do prazo concedido para pagamento da multa aplicada, conforme informação de fls. 10. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba/P indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/CTA n° 17.778, de 25/04/2008, fls. 11/15: Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2001 DCTF. INSTITUIÇÃO E EXIGIBILIDADE POR ATO ADMINISTRATIVO. OBSERVÂNCIA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 2 Processo n° 10980.007807/2005-53 Acórdão n.° 302-40.066 CC03/CO2 Fls. 37 0 DL 2.124/84 conferiu ao Ministro da Fazenda a competência para instituir obrigações tributárias acessórias. Essa competência foi regularmente delegada pelo Ministro da Fazenda ao Secretário da Receita Federal, de modo que as instruções normativas da SRF instituidoras da obriga cão de entrega da DCTF, e que comina multa pelo atraso na sua entrega, está em harmonia com o principio da legalidade. Lançamento Procedente. As fls. 18 o contribuinte foi intimado da decisão supra, motivo pelo qual apresenta Recurso Voluntário de fls.19/32, tendo sido dado, então, seguimento ao mesmo. o relatório. • • 3 Processo n° 10980.007807/2005-53 Acórddo n.° 302-40.066 CC03/CO2 Fls. 38 Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, Relator 0 recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. A recorrente discute a aplicação do instituto da denúncia espontânea para os casos de atraso na entrega de DCTF, bem como a inexistência de lei para exigi-la. Não merece razão a recorrente de aplicação do instituto da denúncia espontânea, já que a decisão proferida está em consonância corn a lei e jurisprudência. 0 simples fato de não entregar a tempo a DCTF já configura infração • legislação tributária, ensejando, de pronto, a aplicação da penalidade cabível. A obrigação acessória relativa à entrega da DCTF decorre de lei, a qual estabelece prazo para sua realização. Salvo a ocorrência de caso fortuito ou força maior, não comprovado nos autos, não há que se falar em denúncia espontânea. No que se refere à falta de lei, entendo não deva ser acatado este posicionamento. A obrigatoriedade de apresentar a DCTF e a conseqüente penalidade na hipótese de não ser entregue ou de ser entregue fora do prazo decorrem, inicialmente, do disposto no §3° do artigo 5° do Decreto-lei n°2.124, de 13 de junho de 1984, que dispõe: Art.5" - O ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações Acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal • - Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa de que tratam os §§ 2", 3" e 4' do artigo 11 do Decreto-lei n" 1.968, de 23 de novembro de 1982, com a redação que lhe foi dada pelo Decreto-lei n°2.065, de 26 de outubro de 1983. Note-se que o artigo 5° do Decreto-lei n° 2.124, de 1984, atribuiu ao Ministro da Fazenda a competência para instituir ou extinguir obrigações Acessórias, atribuição esta delegada ao Secretário da Receita Federal pela Portaria MF n° 118, de 1984. Este, por sua vez, mediante a Instrução Normativa SRF n° 126, de 30 de outubro de 1998, determinou que se cumprisse a obrigação acessória a que se refere o artigo 5' do Decreto-lei n° 2.124, de 1984, mediante a entrega do formulário denominado Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). No mesmo sentido, dispõe a Instrução Normativa SRF n° 255, de 11 de dezembro de 2002. 4 • Processo n° 10980.007807/2005-53 Acórdzio n.° 302-40.066 CC03/CO2 Fls. 39 Para a entrega da DCTF, a legislação fixa prazo determinado. 0 § 2° do Art. 2° da Instrução Normativa n° 126, de 1998, com a redação dada pelo art 1° da Instrução Normativa SRF n° 083, de 12 de julho de 1999, determinou que a DCTF devia ser entregue até o Ultimo dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. Idêntica disposição se manteve no art. 5° da Instrução Normativa SRF n'255, de 11 de dezembro de 2002. Com o advento da Instrução Normativa SRF n° 482, de 21 de dezembro de 2004, aplicável aos fatos geradores ocorridos a partir do ano-calendário de 2005, o prazo passou a ser o quinto dia útil do segundo hies subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores. A entrega da declaração após o prazo previsto configura infração da legislação tributária. A caracterização da infração independe da ocorrência de sonegação ou falta de pagamento de tributo. Pelo que dispõe o art. 113 do CTN, a finalidade das regras tributárias não se restringe ao estabelecimento de obrigações principais, mas também de obrigações assessórias, entre as quais está a entrega da DCTF. De acordo com o § 2° do art. 113 do CTN, a obrigação acessória decorre da legislação tributária e tern por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Diz o § 3° do mesmo artigo, que a obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte- se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Assim, o descumprimento da obrigação assessória está longe de ser urn evento irrelevante, mas, sim, sujeita o infrator 6. punição igualmente prevista em lei. Dai decorre o lançamento em questão. Realmente, a motivação da autuação é a entrega de DCTF fora do prazo. Tal motivação foi devidamente descrita no auto de infração, inclusive com indicação da data de encerramento do prazo e da data da entrega. A impugnante não nega que a entrega se fez fora do prazo. Portanto, confirma-se a ocorrência do fato que motivou o lançamento, e a sua caracterização como infração. A multa para a entrega em atraso da DCTF, a partir do ano-calendário de 2002, é a definida pelo art. 7° da Medida Provisória n.° 16, de 27 de dezembro de 2001, convertida no art. 7° da Lei n.° 10.426, de 24 de abril de 2002. De acordo o § 1° do art. 2° da Lei de Introdução ao Código Civil, a lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. Isso posto, para infrações cometidas após o advento da referida MP, não tern sentido querer que seja aplicada a multa prevista na legislação anterior. Nada impede que a obrigação assess6ria seja definida em urn ato legal e a sanção pelo seu descumprimento, em outro. A obrigação e a multa consolidadas na IN SRF n.°126, de 1998, já decorriam de bases legais distintas: a obrigação, do Decreto-lei n° 2.124, de 1984; a sanção, do Decreto-lei n°1.968, de 1982. Da mesma forma, nada impede que a lei nova altere a anterior apenas em parte. o que ocorre no caso. A obrigação assessória continuou a mesma, só se tendo alterado a sanção. Além disso, a obrigação e a nova punição foram novamente consolidadas em um mesmo ato. A Instrução Normativa n.° 255, de 11 de dezembro de 2002, que regulamentou a Lei n.°10.426, de 2002, embora contemple as mudanças relativas à multa, define a obrigação assessória nos mesmos termos da IN SRF n.° 126. , 5 Processo n° 10980.007807/2005-53 Acórdão n.° 302 -40.066 CC03/CO2 Fls. 40 Não é demais acrescentar que, por força do art. 105 do CTN, o lançamento se reporta a data do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posterionnente modificada ou revogada. Assim sendo, a IN SRF n.° 126, de 1998, continua sendo aplicável aos fatos geradores ocorridos no período de sua vigência. Não obstante, as inovações da MP n.° 16, de 2001, por força do art.106 do CTN, aplicam-se a infrações anteriores A data de sua publicação, quando for mais benigna do que a legislação que a antecedeu. Não sendo a sua aplicação mais benigna, os fundamentos legais da multa pelo descumprimento da obrigação acessória são os §§3° e 4° do artigo 11 do Decreto-lei n° 1.968, de 1982, com a redação que lhe foi dada pelo artigo 10 do Decreto-lei n° 2.065, de 1983. A aplicação desse Decreto-lei As DCTF se faz na forma regulamentada pela Instrução Normativa SRF IV 126, de 1998, que atualizou o valor da multa nele previsto. 0 texto do art. 6° da IN SRF n.° 126 é o abaixo transcrito: Art. 62 A falta de entrega da DCTF ou a sua entrega após os prazos referidos no art. 22, sujeitará a pessoa jurídica ao pagamento da multa correspondente a cinqüenta e sete reais e trinta e quatro centavos, por mês-calendário ou fração de atraso, tendo como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega (Decreto-lei n 2 1.968, de 1982, art. 11, §,sç 22 e 32, com as modificagões do Decreto-lei n 2 2.065, de 1983, art. 10; Lei n2 8.383, de 1991, art. 32, inciso I; da Lei n2 9.249, de 1995, art. 30). § 12 Para cada grupo ou fração de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas na DCTF, será cobrada multa de cinco reais e setenta e ti-és centavos. § 22 As multas de que trata este artigo sei-ão exigidas de oficio. § 32 Os contribuintes omissos na entrega da DCTF sei-ão incluídos emz programas de fiscalização. Conferida as disposições legais, conclui-se que nenhum defeito há no enquadramento do auto de infração. Nele estão corretamente citadas a MP n.° 16, de 2001, e a Lei n.° 10.426, de 2002, aplicáveis a lide. 0 fato de se ter citado toda a legislação que regula a matéria, inclusive aquela aplicável a fatos anteriores ao período abrangido pelo lançamento, não resultou em prejuízo para o autuado. Visto que a multa foi aplicada conforme a legislação determina, ela não pode ser afastada. De acordo com o inciso VI do art. 97 do CTN, somente a lei pode estabelecer as hipóteses de dispensa ou redução de penalidades. Não há lei que contemple as hipóteses alegadas como razão para a dispensa da multa em lide. São pelas razões supra e demais argumentações contidas na decisão a quo, que encampo neste voto, como se aqui estivessem transcritas, que nego seguimento ao recurso interposto, prejudicados os demais argum intos. 1 LUCIANO LOPES DE IDA MORAES - Relator Sala das Sessões, em 11 de dezembro de 2008 6
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Numero do processo: 19515.000330/2008-99
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 17/12/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI N º 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA.
A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei nº 8.212/91, o qual foi revogado pela Medida Provisória nº 449/2008. Incidência do princípio da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, a do CTN.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-002.356
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente substituta.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice-presidente de turma), Adriana Sato, André Luis Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 17/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI N º 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei nº 8.212/91, o qual foi revogado pela Medida Provisória nº 449/2008. Incidência do princípio da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, a do CTN. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi Presidente substituta. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice-presidente de turma), Adriana Sato, André Luis Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
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RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI N º 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei nº 8.212/91, o qual foi revogado pela Medida Provisória nº 449/2008. Incidência do princípio da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘a’ do CTN. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Adriana Sato, André Luis Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 03 30 /2 00 8- 99 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório Período de apuração: Janeiro/2005 a junho/2005. Data da lavratura do Auto de Infração: 17/12/2007. Data da Ciência do Auto de Infração: 26/12/2007. Tratase de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 4º da Lei nº 10.666/2003 c.c. art. 283, §3º do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, lavrado em desfavor do Recorrente, em virtude de a Secretaria Municipal de Transportes do Município de São Paulo ter deixado de arrecadar, mediante desconto, as contribuições destinadas ao SEST e ao SENAT, devidas pelos transportadores rodoviários autônomos que lhes prestaram serviços no período de 01/2005 a 06/2005, incidentes sobre o valor do frete, carreto ou transporte de passageiros, conforme destacado no relatório fiscal a fls. 20/23. A responsabilidade pelo pagamento da multa foi imputada ao dirigente máximo do órgão fiscalizado, Sr. Frederico Victor Moreira Bussinger, por ter exercido no período de 01/01/2005 a 16/08/2007, o cargo de Secretário Municipal de Transportes. A multa foi aplicada em conformidade com a cominação nos artigos 92 e 102 ambos da Lei nº 8.212/91 c.c. artigos 283, caput e §3º e 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999, com o seu valor mínimo atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF n° 142, de 11 de abril de 2007, conforme destacado no Relatório Fiscal de Aplicação da multa a fl. 24. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 99/105. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I / SP lavrou Decisão Administrativa corporificada no Acórdão a fls. 110/118, julgando procedente a autuação e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 16 de outubro de 2008, conforme Aviso de Recebimento – AR, a fl. 122. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 124/132, requerendo o cancelamento da multa. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Fl. 138DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.000330/200899 Acórdão n.º 2302002.356 S2C3T2 Fl. 138 3 Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 16/10/2008. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 29 do mesmo mês e ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA RESPONSABILIDADE DOS DIRIGENTES DE ÓRGÃOS PÚBLICOS O presente Auto de Infração foi lavrado aos 17 dias do mês de dezembro de 2007, ocasião em que vigia com plena eficácia o art. 41 da Lei nº 8.212/91, em sua redação originária, a qual pedimos venia para transcrever em sua integralidade. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Ocorre, no entanto, que tal dispositivo legal foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória nº 449 de 2008, sendo tal revogação, em seguida, ratificada pelo art. 79 da Lei nº 11.941/2009. Em consequência, restou o citado dispositivo legal totalmente extirpado do Direito Positivo Brasileiro. O Constituinte Originário adotou em nossa ordem jurídica os princípios da irretroatividade da lei mais severa e da retroatividade da lei mais benigna, encartandoos no inciso XL do art. 5º da nossa Lei Soberana como um verdadeiro direito subjetivo de liberdade. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) XL a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu; Fl. 139DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Nas Ordens do Direito Tributário, tal princípio se revela nas disposições inscritas no inciso II do art. 106 do CTN, o qual prevê retroatividade da lei tributária e a sua incidência restrita a atos ou fatos pretéritos, não definitivamente julgados, nos casos em que a lei nova deixe de definilo como infração; quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo ou nos casos em lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Código Tributário Nacional CTN Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A situação fática retratada no presente feito, consistente na extinção de norma legal imputadora de responsabilidade pessoal por infração, atrai ao feito, com fulcro no art. 106, II, ’a’ do CTN, a incidência da novatio legis in mellius que revogou o já citado art. 41 da Lei nº 8.212/91, excluindo do dirigente de órgão público a responsabilidade pessoal pelo pagamento de penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigações tributárias acessórias previstas na Lei Orgânica da Seguridade Social. Nessa nova roupagem legal, repousa a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e pela observância das obrigações acessórias diretamente no próprio órgão público em si considerado, e não nos ombros de seus gestores ou dirigentes. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito DARLHE PROVIMENTO, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘a’ do CTN. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 140DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.000330/200899 Acórdão n.º 2302002.356 S2C3T2 Fl. 139 5 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 13971.001629/2006-35
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA.
Rejeita-se a preliminar de nulidade do lançamento, quando não configurado vício ou omissão de que possa ter decorrido o cerceamento do direito de defesa.
RETIFICAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL E DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL. RETROAÇÃO DA AUDITORIA A PERÍODO JÁ DECAÍDO.
Cabível a retroação da auditoria fiscal a períodos já decaídos para análise preliminar de prejuízos e de bases de cálculo negativas da CSLL, mormente quando os valores constantes dos livros fiscais são divergentes daqueles indicados nas DIPJs e nos controles eletrônicos da Receita Federal do Brasil, em virtude de cisão, fusão e incorporação de empresas e autuações fiscais.
GLOSA DE DESPESAS DE JUROS. INDÍCIOS.
O lançamento tributário com base em glosa de despesa de juros precisa estar apoiado em provas cabais que caracterizem a sua ocorrência. Indícios de que o fato registrado na contabilidade em período já decaído não corresponderia a real operação idealizada pela contribuinte não sustentam a exigência fiscal. Incabível a retroação da auditoria a período já decaído para descaracterização desse fato.
DECADÊNCIA.
Ao tributo sujeito à modalidade de lançamento por homologação, que ocorre quando a legislação impõe ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, aplica-se a regra especial de decadência insculpida no parágrafo 4º do artigo 150 do CTN, refulgindo à aplicação do disposto no art. 173 do mesmo Código. Nesse caso, o lapso temporal de cinco anos tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Tendo a ciência do auto de infração sido realizada em 17/10/2006, é incabível a preliminar de decadência suscitada.
LUCRO AUFERIDO NO EXTERIOR. EMPRÉSTIMOS TOMADOS DE CONTROLADA. EXISTÊNCIA DE LUCROS A DISPONIBILIZAR. INDEDUTIBILIDADE DOS JUROS VINCULADOS.
A contratação de empréstimos com controlada no exterior e a existência de lucro a disponibilizar, fulminam a subsunção à regra contida no § 3º do art. 34 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, tornando indedutível os juros relativos a esses empréstimos pagos ou creditados à controlada.
LUCRO AUFERIDO NO EXTERIOR. MONTANTE A DISPONIBILIZAR EM 31/12/2002. REGRA DO PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 74 DA MP Nº 2.158-35/2001.
Os lucros auferidos no exterior por intermédio de controladas devem ser adicionados ao lucro líquido para determinação do Lucro Real da empresa nacional no momento em que forem disponibilizados. O parágrafo único do art. 74 da MP nº 2.158-35/2001 determinou a disponibilização compulsória dos lucros acumulados em 31/12/2002, sendo o valor a tributar o saldo dessa rubrica na referida data, com a compensação de eventual prejuízo apurado no Balanço levantado no período de 2002 pela controlada.
DEDUTIBILIDADE DE CUSTOS E DESPESAS. PAGAMENTO DE 13º SALÁRIO A DIRETORES.
Para serem dedutíveis na apuração do lucro real, os custos e despesas devem ser usuais e necessários à atividade da empresa.
MULTA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA.
A falta de recolhimento da CSLL e IRPJ calculado por estimativa sujeitam a contribuinte à imposição da multa prevista no art. 44 § 1º inciso IV da Lei nº 9.430/96.
INCONSTITUCIONALIDADE.
Não cabe a este Conselho negar vigência à lei ingressada regularmente no mundo jurídico, atribuição reservada exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal, em pronunciamento final e definitivo. Súmula nº 02 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
MULTA DE OFÍCIO. CARACTERIZAÇÃO DE CONFISCO.
A multa de ofício constitui penalidade imposta como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, não se aplicando a ela o conceito de confisco, previsto no inciso V do artigo 150 da Constituição Federal.
CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE.
O decidido no julgamento do lançamento principal do Imposto de Renda Pessoa Jurídica faz coisa julgada no dele decorrente, no mesmo grau de jurisdição, ante a íntima relação de causa e efeito entre eles existente.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1202-000.757
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência dos lançamentos. No mérito, quanto ao item 03 do auto de infração, intitulado Custos, despesas operacionais e encargos não necessários, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Carlos Alberto Donassolo que negava provimento ao recurso. Em relação ao item 004 do auto de infração - Gratificações atribuídas a dirigentes ou administradores - 13º salário pagos a diretores da empresa, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Em relação ao item 007 do auto de infração - Adições não computadas na apuração do lucro real. Lucros auferidos no exterior, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para manter a tributação apenas do montante de R$2.379.239,70. Quanto ao item 008 do auto de infração - Adições não computadas na apuração do lucro real. Juros passivos indedutíveis, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencida a conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta que dava provimento. Quanto ao item 009 do auto de infração - Multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Geraldo Valentim Neto, Orlando José Gonçalves Bueno e Nereida de Miranda Finamore Horta, que cancelavam a exigência da multa isolada, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(Documento assinado digitalmente)
Nelson Lósso Filho - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno.
Nome do relator: NELSON LOSSO FILHO
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NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. Rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento, quando não configurado vício ou omissão de que possa ter decorrido o cerceamento do direito de defesa. RETIFICAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL E DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL. RETROAÇÃO DA AUDITORIA A PERÍODO JÁ DECAÍDO. Cabível a retroação da auditoria fiscal a períodos já decaídos para análise preliminar de prejuízos e de bases de cálculo negativas da CSLL, mormente quando os valores constantes dos livros fiscais são divergentes daqueles indicados nas DIPJs e nos controles eletrônicos da Receita Federal do Brasil, em virtude de cisão, fusão e incorporação de empresas e autuações fiscais. GLOSA DE DESPESAS DE JUROS. INDÍCIOS. O lançamento tributário com base em glosa de despesa de juros precisa estar apoiado em provas cabais que caracterizem a sua ocorrência. Indícios de que o fato registrado na contabilidade em período já decaído não corresponderia a real operação idealizada pela contribuinte não sustentam a exigência fiscal. Incabível a retroação da auditoria a período já decaído para descaracterização desse fato. DECADÊNCIA. Ao tributo sujeito à modalidade de lançamento por homologação, que ocorre quando a legislação impõe ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, aplicase a regra especial de decadência insculpida no parágrafo 4º do artigo 150 do CTN, refulgindo à aplicação do disposto no art. 173 do mesmo Código. Nesse caso, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 16 29 /2 00 6- 35 Fl. 2319DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 1202000.757 S1C2T2 Fl. 2.320 2 o lapso temporal de cinco anos tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Tendo a ciência do auto de infração sido realizada em 17/10/2006, é incabível a preliminar de decadência suscitada. LUCRO AUFERIDO NO EXTERIOR. EMPRÉSTIMOS TOMADOS DE CONTROLADA. EXISTÊNCIA DE LUCROS A DISPONIBILIZAR. INDEDUTIBILIDADE DOS JUROS VINCULADOS. A contratação de empréstimos com controlada no exterior e a existência de lucro a disponibilizar, fulminam a subsunção à regra contida no § 3º do art. 34 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, tornando indedutível os juros relativos a esses empréstimos pagos ou creditados à controlada. LUCRO AUFERIDO NO EXTERIOR. MONTANTE A DISPONIBILIZAR EM 31/12/2002. REGRA DO PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 74 DA MP Nº 2.15835/2001. Os lucros auferidos no exterior por intermédio de controladas devem ser adicionados ao lucro líquido para determinação do Lucro Real da empresa nacional no momento em que forem disponibilizados. O parágrafo único do art. 74 da MP nº 2.15835/2001 determinou a disponibilização compulsória dos lucros acumulados em 31/12/2002, sendo o valor a tributar o saldo dessa rubrica na referida data, com a compensação de eventual prejuízo apurado no Balanço levantado no período de 2002 pela controlada. DEDUTIBILIDADE DE CUSTOS E DESPESAS. PAGAMENTO DE 13º SALÁRIO A DIRETORES. Para serem dedutíveis na apuração do lucro real, os custos e despesas devem ser usuais e necessários à atividade da empresa. MULTA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. A falta de recolhimento da CSLL e IRPJ calculado por estimativa sujeitam a contribuinte à imposição da multa prevista no art. 44 § 1º inciso IV da Lei nº 9.430/96. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe a este Conselho negar vigência à lei ingressada regularmente no mundo jurídico, atribuição reservada exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal, em pronunciamento final e definitivo. Súmula nº 02 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. MULTA DE OFÍCIO. CARACTERIZAÇÃO DE CONFISCO. A multa de ofício constitui penalidade imposta como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, não se aplicando a ela o conceito de confisco, previsto no inciso V do artigo 150 da Constituição Federal. CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. O decidido no julgamento do lançamento principal do Imposto de Renda Pessoa Jurídica faz coisa julgada no dele decorrente, no mesmo grau de jurisdição, ante a íntima relação de causa e efeito entre eles existente. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 2320DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 1202000.757 S1C2T2 Fl. 2.321 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência dos lançamentos. No mérito, quanto ao item 03 do auto de infração, intitulado Custos, despesas operacionais e encargos não necessários, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Carlos Alberto Donassolo que negava provimento ao recurso. Em relação ao item 004 do auto de infração Gratificações atribuídas a dirigentes ou administradores 13º salário pagos a diretores da empresa, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Em relação ao item 007 do auto de infração Adições não computadas na apuração do lucro real. Lucros auferidos no exterior, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para manter a tributação apenas do montante de R$2.379.239,70. Quanto ao item 008 do auto de infração Adições não computadas na apuração do lucro real. Juros passivos indedutíveis, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencida a conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta que dava provimento. Quanto ao item 009 do auto de infração Multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Geraldo Valentim Neto, Orlando José Gonçalves Bueno e Nereida de Miranda Finamore Horta, que cancelavam a exigência da multa isolada, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno. Relatório Contra a empresa Bunge Alimentos S/A foram lavrados autos de infração do IRPJ e multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, fls. 1824/1840, CSLL e multa isolada por falta de recolhimento de estimativas da CSLL, fls. 1871/1896, por ter a fiscalização constatado as seguintes irregularidades nos anoscalendário de 2001 a 2004, ainda em litígio após o acatamento de parte da autuação pela recorrente, conforme demonstrativo juntado aos autos, descritas às fls. 1826/1833: despesas de juros apropriadas indevidamente, uma vez que desnecessárias, 13º salário pago a diretores da empresa, indedutíveis na apuração do Lucro Real e Base de Cálculo da CSLL, glosa de prejuízos compensados indevidamente, ausência de adição ao lucro líquido do período de lucros auferidos no exterior, ausência de adição ao lucro líquido do período dos juros relativos a empréstimos pagos a empresa controlada, incidentes sobre o valor equivalente aos lucros não disponibilizados por empresas controladas domiciliadas no exterior, multa isolada por falta de pagamento de estimativas do Imposto de Renda e da CSLL com base em balanços de suspensão ou redução, ajustada pelas infrações apuradas. Fl. 2321DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 1202000.757 S1C2T2 Fl. 2.322 4 Inconformada com a exigência, apresentou impugnação protocolada em 16/11/2006, em cujo arrazoado de fls. 1950/2001 contesta os lançamentos. Adoto o Relatório do acórdão de primeira instância, no que aqui pertine: “Relato da Fiscalização No "Termo de Verificação Fiscal" (fls. 1726 a 1815), a fiscalização revela que a autuada, Bunge Alimentos S/A, é resultante da incorporação da empresa Santista Alimentos S/A pela Ceval Alimentos S/A, ocorrida em 2000, ocasião em que houve também alteração de sua razão social. Em todo o período fiscalizado a contribuinte optou pela tributação com base no lucro real apurado anualmente. No curso da auditoria, foram apuradas as seguintes infrações: (b) Despesas indevidamente deduzidas — 13° salário pago a administradores. A fiscalizada também deduziu pagamentos a titulo de décimo terceiro salário feitos aos diretores da empresa. Entretanto, tais gratificações não são dedutiveis para a apuração do lucro real, conforme vedação expressa contida no art. 303 do RIR/99. Foi calculado o reflexo também na apuração da CSLL, por tratarse de despesa desnecessária, contrariando o art. 299 do RIR/99. Estando os diretores com seus vínculos trabalhistas suspensos, não há obrigação de pagamento a titulo de décimo terceiro salário por força da legislação trabalhista. (e) Disponibilização obrigatória em 31/12/2002 de lucros auferidos no exterior até 31/12/2001. Conforme art. 74 da Medida Provisória 2.15835/2001, os lucros auferidos por empresa controlada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora no Brasil na data do balanço no qual tiveram sido apurados, para fins de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro. No parágrafo único do dispositivo, é estabelecido que os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor. A fiscalização verificou que a Bunge Alimentos é controladora integral da Empresa Santista Export Ltd., conforme teor dos balanços publicados pela empresa. Esta empresa, no ano calendário de 2001, apurou lucro no exterior no montante de R$86.362.929,76, equivalente a US$ 37.218.983,69 (US$ 1,00 = R$ 2,3204). Além de tal valor, esta empresa terminou 2001 com lucros acumulados, de períodos anteriores, no valor de R$ 17.580.032,91, que convertidos pela cotação do dólar do período (US$ 1,00 = R$ 2,3204) equivalem a US$7.576.294,13. Fl. 2322DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 1202000.757 S1C2T2 Fl. 2.323 5 Assim, a controlada possuía, em 31/12/2001, lucros apurados não disponibilizados no valor de US$ 44.795.277,83, entretanto, conforme o mencionado art. 74, deveriam ser considerados disponibilizados em 31/12/2002. A fiscalizada adicionou apenas R$ 756.104,40, a titulo de lucros auferidos no exterior, que de acordo com a ficha 36 da DIPJ do anocalendário de 2002, são integralmente provenientes da empresa Dinelsur Corporation S/A, outra controlada da empresa fiscalizada. Ante o ocorrido, a fiscalização adicionou o valor de US$ 44.795.277,83 para apuração do lucro real referente ao ano calendário de 2002. Em obediência ao art. 143 do Código Tributário Nacional, o valor deve ser convertido para Reais tomandose por base a taxa de câmbio para venda, fixada pelo Banco Central do Brasil, do dólar dos Estados Unidos, para o dia da ocorrência do fato gerador, ou seja, 31/12/2002, perfazendo então o montante de R$158.275.155,15. f) Dedução indevida de despesas relativas a juros pagos em empréstimos tomados de empresa controlada, incidentes sobre o valor equivalente aos lucros não disponibilizados por empresas controladas domiciliadas no exterior. A fiscalização revela que a existência de lucros não disponibilizados por parte de empresas controladas pela contribuinte, no exterior, impede a dedutibilidade de despesas de juros pagos ou creditados em empréstimos a empresas controladas ou coligadas. Tal restrição se limita aos juros incidentes sobre o valor do empréstimo equivalente ao montante dos lucros a disponibilizar, conforme art. 1º da Lei n° 9.532, de 1997, com a redação dada pelo art. 35 da Medida Provisória n° 1.99115, de 2000, que corresponde atualmente ao art. 34 da MP 2.158 35, de 2001. Consta que a empresa efetuou a dedução de juros incidentes sobre empréstimos tomados de empresas controladas, não atentando para a limitação legal. Foi identificado empréstimo, na forma de mútuo, concedido pela controlada Ceval International Ltd., sem a incidência de juros. Entretanto, os valores recebidos em mútuo não são suficientes para absorver a totalidade do estoque de lucros a disponibilizar, restando os valores apurados no quadro de fl. 1787 do TVF. A fiscalizada também tomou valores no exterior através da emissão de títulos de créditos internacionais, denominados "eurobônus". Em determinados períodos, tais títulos permaneceram em mãos de partes relacionadas da companhia, sendo estas as beneficiárias dos juros pagos. Conforme apurado, a empresa Ceval International Ltd. deteve os seguintes valores em títulos eurobônus de emissão da empresa fiscalizada, nos anos de 2001 a 2002: Fl. 2323DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 1202000.757 S1C2T2 Fl. 2.324 6 Janeiro a março de 2001: US$ 75.488.000,00; Setembro a dezembro de 2001: US$ 400.000,00; Janeiro a dezembro de 2002: US$ 8.775.000,00. O montante desses empréstimos que a fiscalizada tem na forma destes títulos com a Ceval International Ltd., no período de setembro de 2001 a dezembro de 2002, é inferior ao estoque de lucros a disponibilizar nestes períodos, mesmo descontado o valor do mútuo contraído com a mesma controlada, sem a incidência de juros. Deste modo, a totalidade de juros apropriados neste período foram glosados, sendo adicionados de oficio na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. No que respeita ao primeiro trimestre de 2001, o valor do empréstimo em eurobônus com sua controlada é superior ao estoque de lucros a disponibilizar, de modo que foram glosadas apenas as despesas relativas ao valor equivalente a este montante. g) Dedução de despesas de juros desnecessárias. Durante todo o período fiscalizado a empresa apropriou valores expressivos de despesas relacionadas a juros, incidentes sobre títulos de crédito internacionais denominados "eurobônus" emitidos pela companhia. Entretanto, a fiscalização verificou que parte destes juros não deve ser considerada como dedutivel, pois não seria necessária à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, já que estaria vinculada a empréstimo concedido, que gerou receitas em valores proporcionalmente inferiores as despesas de juros apropriadas. g.1) Emissão de Títulos de Crédito Internacionais – Eurobônus. Intimada a informar a composição do valor de R$ 253.596.329,05 informado na linha correspondente a "Outras Despesas Financeiras" (Ficha 06 — Demonstração do Resultado) de sua DIPJ referente ao anocalendário 2001, a empresa revelou que parte deste valor correspondia a juros incidentes sobre títulos de crédito internacionais denominados "eurobônus". Foi constatado que os títulos emitidos estavam em mãos de partes relacionadas da companhia fiscalizada, especificamente as empresas Bunge Fertilizantes International, Ceval International e Bunge Finance. Haviam sido efetuadas duas emissões desses títulos, cada uma no valor de US$100.000.000,00. Posteriormente, em virtude da cisão parcial do patrimônio da empresa ocorrida em 31/10/1998, parte deste passivo foi vertida para a empresa Seara Alimentos S/A. Em síntese, as emissões dos títulos têm as seguintes especificações: Fl. 2324DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 1202000.757 S1C2T2 Fl. 2.325 7 1ª emissão Citibank valor original: US$ 100.000.000,00; data de ingresso das divisas nos pais: 02/10/1996; vencimento do principal: parcela única em 01/10/2004; valor remanescente após cisão da empresa: US$ 79.518.000,00; agente de colocação: Citibank International PLC; juros: 11,125% ao ano, semestralmente vencidos. 2ª emissão — Chase valor original: US$ 100.000.000,00; data de ingresso das divisas nos pais: 30/12/1996; vencimento do principal: parcela única em 30/12/2004; valor remanescente após cisão da empresa: US$ 11.422.000,00; agente de colocação: Chase Manhattan International Limited; juros: 10,625% ao ano, semestralmente vencidos. (g.2) Empresas investidoras detentoras dos títulos Eurobônus emitidos Ao final de 1997, do total de US$ 200.000.000,00 emitidos, US$180.238.000,00 foram adquiridos pela empresa Bunge Finance. Em análise das informações presentes no balanço apresentado, a fiscalização verificou que ao final de 1997 existia a necessidade de resgate antecipado, mas isso não ocorreu porque a controladora interveio, através da Bunge Finance, comprando a maciça maioria dos títulos eurobônus. A fiscalização salienta que a operação é tratada em nível de grupo econômico, pois consta nas informações colhidas que "o acionista controlador recomprou", mas ela não poderia recomprar títulos que nunca lhe pertenceram diretamente. Em 31/10/1998, em virtude da cisão parcial, permaneceram em mãos da Bunge Finance US$ 75.488.000,00 dos títulos de responsabilidade da fiscalizada. Em 1999, a controlada Ceval International Ltd. adquiriu a totalidade dos títulos que estavam de posse da Bunge Finance. Em 01/03/2001, a empresa Ceval International vendeu a totalidade de seus títulos para a Bunge Fertilizantes International, que é controlada direta da Bunge Fertilizantes S/A. Esta, por sua vez, é controlada integral da Bunge Brasil S/A, da mesma forma que a fiscalizada. Em 03/09/2001, a empresa Ceval International adquiriu US$ 400.000,00 da 1ª emissão e depois, em 31/12/2001, adquiriu mais US$ 8.355.000,00 da segunda emissão. Fl. 2325DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 1202000.757 S1C2T2 Fl. 2.326 8 Em 30/06/2001, a Bunge Finance adquiriu US$ 1.000.000,00 em títulos da 2ª emissão. Como resultado de todas estas operações, no vencimento dos títulos de responsabilidade da empresa fiscalizada, a quase totalidade destes estava em mãos de suas partes relacionadas. Dos US$ 79.518.000,00 da 1ª emissão, mais de 95% estavam em mãos de partes relacionadas, da mesma forma que 82% dos US$ 11.422.000,00 da 2ª emissão. Desta forma, a fiscalização constatou que a maior parte das transações foi feita entre empresas relacionadas com a companhia, indicando que a capitalização da empresa por tais títulos foi em grande parte financiada por dinheiro do próprio grupo de empresas a que pertence. (g.3) Recursos utilizados pela Ceval International para aquisição dos eurobônus. A fiscalizada possui a totalidade do patrimônio da empresa Santista Export Ltd., localizada nas Ilhas Cayman, sendo, portanto, sua controladora integral. Em novembro de 1999, a fiscalizada alienou para a Santista Export Ltd. a totalidade de sua participação na Ceval International. Esta alienação não alterou o controle da Ceval International, que permaneceu integralmente com a fiscalizada, mas através de sua subsidiária integral Santista Export Ltd. Em 19/10/1999, a fiscalizada concedeu empréstimo de US$ 90.000.000,00 para a empresa Ceval International, por meio de contrato de mútuo. O recurso foi enviado no dia 20/10/1999 e no dia seguinte, a mutuária adquiriu grande parte dos títulos eurobônus. Entre 29/09/2004 e 01/10/2004, houve a liquidação do mútuo com o recebimento dos valores pela fiscalizada, na mesma época em que deveria honrar a maior parte dos títulos eurobônus de sua responsabilidade. Além disso, o valor do mútuo concedido (US$90.000.000,00) é quase idêntico à dívida na forma de eurobônus da empresa fiscalizada (US$ 90.940.000,00). Para ratificar a tese de que os recursos utilizados pela Ceval International para a aquisição dos títulos eurobônus foram provenientes da Bunge Alimentos, esta foi intimada a informar a destinação dada pela empresa Ceval International Ltd. ao valor recebido em virtude do mútuo pactuado em 19/10/1999. Entretanto, a empresa somente afirmou genericamente que os recursos foram utilizados para fomentar as operações mantidas pela companhia. A análise dos balanços e balancetes apresentados demonstraria que a empresa Ceval International não possuía disponibilidades para a aquisição de títulos eurobônus efetuada em 21/10/1999, no valor de US$ 68.978.000,00. Fl. 2326DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 1202000.757 S1C2T2 Fl. 2.327 9 Para aprofundar as investigações, foi solicitado que a empresa apresentasse o razão das contas contábeis 1.1.01.02.08 — Citibank — NY e 1.1.01.04.04 — Citibank — NY, de sua controlada Ceval International Ltd., relativamente aos lançamentos efetuados no mês de outubro de 1999 e os respectivos diários, bem como os extratos bancários relativos à movimentação bancária contabilizada no mês de outubro de 1999 em tais contas contábeis. Todavia, a empresa não apresentou os documentos solicitados, alegando que em virtude do tempo transcorrido a empresa não dispunha mais dos elementos solicitados. A fiscalização contesta esta assertiva, apoiandose no fato de que seria obrigatória a conservação dos comprovantes até o transcurso do prazo de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, conforme art. 37 da Lei n° 9.430, de 1996. Além disso, as contribuições teriam prazo decadencial de 10 (dez) anos, obrigando a apresentação dos documentos solicitados. Desta forma, à luz das respostas genéricas apresentadas e em virtude da ausência de apresentação de elementos que poderiam comprovar o contrário, a fiscalização concluiu que a aquisição de US$ 68.978.000,00 em títulos eurobônus em 21/10/1999 pela Ceval International foi efetuada com recursos recebidos na véspera da empresa fiscalizada, especificamente parte dos US$ 90.000.000,00 relativos ao mútuo concedido. Para reforçar a vinculação do mútuo sob análise com a dívida representada pelos títulos eurobônus, a fiscalização utilizou a mesma sistemática, desta vez buscando o rastreamento dos recursos recebidos pela empresa fiscalizada quando da liquidação do mútuo em 2004, visando identificar se estes foram utilizados para quitação da dívida representada pelos títulos eurobônus. A contribuinte foi intimada a apresentar o razão de sua conta contábil 01020.01012 Banco do BrasilBL AS, com os lançamentos efetuados no dia 28/09/2004, além do respectivo extrato bancário. Em análise dos documentos fornecidos, foi verificado o seguinte lançamento: débito contábil de R$ 255.773.400,00, com histórico "Ref. Liq. Santista Export XB. Al”. Tal lançamento corresponde ao valor da maior parte recebida pela empresa referente à quitação do mútuo concedido à Ceval International Ltd. As obrigações de tal mútuo foram transferidas pela Ceval International para a Santista Export Ltd., na data de 05/06/2000, conforme "Instrumento Particular de Contrato de Cessão de Crédito com Assunção de Débito" (docs. 75 e 76), o que justifica o pagamento efetuado pela Santista Export. A este lançamento contábil corresponde crédito no extrato bancário de mesmo valor com o histórico "câmbio". O lançamento a crédito contábil de R$ 240.197.711,61, com o histórico "Pgto pric + jrs Eurobônus Citi" corresponde ao Fl. 2327DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 1202000.757 S1C2T2 Fl. 2.328 10 pagamento dos títulos eurobônus que venceriam em 01/10/2004 e corresponde a dois lançamentos constantes no extrato bancário, na mesma data de recebimento da maior parcela do mútuo recém tratada, também com histórico "câmbio". Desta forma, o fluxo financeiro relativo às operações em análise foi sincronizado, com a empresa fiscalizada recebendo a liquidação do mútuo e utilizando tais recursos na quitação de seu empréstimo lastreado em títulos eurobônus. A empresa teria optado pela concessão do mútuo à sua subsidiária Ceval International para que esta efetuasse o resgate dos títulos eurobônus, ao invés de efetuar tal operação diretamente. A motivação para tal "artifício" estaria relacionada com o imposto de renda retido na fonte (IRRF) sobre todas as remessas efetuadas a titulo de juros incidentes sobre os títulos eurobônus, no caso de resgate antecipado dos títulos. A alíquota de IRRF só seria reduzida a zero quando o prazo médio de amortização correspondesse, no mínimo, a 96 meses, conforme inciso IX, do art. 1° da Lei n° 9.481/97. (g.4) Conseqüências do resgate antecipado dos títulos eurobônus. As conseqüências do resgate dos títulos eurobônus relativamente ao IRRF estão tratadas em termo próprio, conforme processo administrativo fiscal n° 13971.001630/2006 60. Quanto à apuração dos resultados da empresa, a ocorrência do resgate antecipado dos títulos eurobônus por intermédio de empresa controlada, via concessão de mútuo, implicaria necessidade de se analisar a dedutibilidade dos juros pagos sobre tais títulos no contexto global da operação. Mesmo após este resgate, a empresa continuou apropriando integralmente as despesas vinculadas aos juros pagos, como já visto à razão de 10,625% e 11,125%. Entretanto, como parte desta divida estaria "visceralmente" relacionada ao mútuo concedido de US$90.000.000,00, que rendia, ao mesmo tempo, juros de 9,0%. Desta forma, o resgate antecipado efetuado por intermédio do mútuo concedido gerou receitas e despesas, que não deveriam existir caso a empresa efetuasse o resgate diretamente. Sendo as despesas geradas superiores aos juros reconhecidos como receitas, terse ia caracterizada a não necessidade da concessão do mútuo. Além de desnecessária, a operação seria lesiva à manutenção da atividade da empresa. A fiscalização glosou então as despesas de juros, no valor em que superaram as receitas geradas no mútuo concedido. Tal cálculo foi feito apenas em relação à parcela do mútuo utilizada para resgate dos títulos eurobônus. (h.2) Autuação relativa ao anocalendário 1995. Fl. 2328DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 1202000.757 S1C2T2 Fl. 2.329 11 Conforme DIPJ do anocalendário de 1995, a empresa apurou base de cálculo da CSLL, antes da compensação, de R$ 51.875.260,94, efetuando a compensação integral deste valor com a base negativa de anos anteriores, sem obedecer ao limite de 30% previsto na legislação. Logo, a empresa compensou indevidamente naquele ano o valor de R$36.312.682,66, que equivale ao excesso acima do limite de 30%. Entretanto, a fim de recompor seu saldo de base de cálculo negativa da CSLL, excluiu o excesso de compensação de R$ 36.312.682,66 na apuração da base de cálculo desta contribuição em 2002. Desta forma, a fiscalização efetuou a desconsideração do ajuste de R$36.312.682,66 efetuado indevidamente pela empresa. (i) Acompanhamento de prejuízos e base de cálculo negativa de CSLL. Conforme cópias dos controles mantidos pela contribuinte, especificamente a Parte "B" do Livro de Apuração da CSLL (doc. 87), a empresa julgava dispor, em 31/12/2000, de saldo equivalente a R$ 524.226.497,39. Entretanto, este valor foi revisto, conforme exposto no Termo de Constatação Fiscal — Base de Cálculo Negativa da CSLL (doc. 117), que também instrui o auto de infração relativo a esta contribuição. Assim, com base naquelas constatações, o estoque de base de cálculo negativa da CSLL em 01/01/2001 ficou em R$ 482.348.397,78. (i.1) Compensação indevida de prejuízos. Na autuação foi considerado o estoque de prejuízos contabilizados pela contribuinte em 31/12/2000. Em virtude das infrações apuradas, a compensação de prejuízos esgotou o estoque disponível da contribuinte, de forma que parte das compensações feitas pela contribuinte nos anos de 2002 e 2003 foi feita de forma indevida, nos respectivos valores de R$95.382.035,24 e R$ 91.680.705,83, espelhados no anexo 01 do TVF. (j) Multa isolada. As infrações apuradas, além de influenciarem na apuração anual do IRPJ e da CSLL, também afetaram o cálculo dos recolhimentos mensais obrigatórios destes tributos efetuados por estimativa, já que em todo o período fiscalizado a empresa optou por apurar a base de cálculo destes recolhimentos pela elaboração de balanços de suspensão ou redução. Deste modo, a fiscalização apurou insuficiência dos valores de estimativa de IRPJ e CSLL declarados pela contribuinte, sujeitandoa a aplicação da multa isolada de 50% prevista no § 1° do art. 44, da Lei n°9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 18 da MP n° 303, de 2006. Fl. 2329DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 1202000.757 S1C2T2 Fl. 2.330 12 Impugnação. Inconformada, a autuada apresentou as impugnações de fls. 1925 a 2001, uma para cada tributo lançado. DO IRPJ. Em relação ao lançamento de IRPJ, expõe os seguintes argumentos (fls. 1950 a 2001): Da nulidade do lançamento — revisão de lançamentos já homologados. Os autuantes teriam revisado a compensação de prejuízos fiscais efetuada até 31/12/2000, com repercussão a partir de 01/01/2001. Em razão da recomposição dos saldos de prejuízos fiscais de 1999 e 2000, as compensações dos anos de 2002 e 2003 foram indevidas. Sustenta que o entendimento apresentado não deve prevalecer porque já estava consumada a homologação das compensações de prejuízos fiscais até 31/12/2000, por conta de fiscalizações anteriores. Deste modo, alega que "não cabe a revisão das compensações dos prejuízos fiscais, devendo as novas compensações partir dos saldos apurados na parte B do LALUR em 31/12/2000, não podendo ser objeto de revisão de lançamento fiscal, sob pena de violação ao principio da legalidade e da segurança jurídica, entre outros aplicáveis”. Da decadência. Já haveria transcorrido o prazo decadencial de cinco anos previsto no parágrafo quarto do art. 150 do Código Tributário Nacional, posto que o auto de infração partiu das informações fiscais consolidadas em 01/01/2001, a partir do resultado findo em 31/12/2000, dias estes que teriam sido atingidos pela decadência. Amparase em texto doutrinário e em precedentes judiciais. Custos, despesas operacionais e encargos não necessários — indedutibilidade dos juros dos eurobônus. Ratifica as razões de defesa apresentadas no processo n° 13971.001630/200660 em que se encontra o auto de infração de IRRF, por entender que o presente lançamento é reflexo daquele. Afirma que a fiscalização não poderia desqualificar procedimentos e decisões administrativas e financeiras adotadas pela impugnante, que teria realizado operações jurídicas lícitas no seu livre exercício da atividade empresarial. Sustenta que o lançamento está pautado na mera presunção de atos e fatos eventualmente cometidos pela impugnante ou por sua coligada, e muito provavelmente inspirado no disposto no Fl. 2330DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 1202000.757 S1C2T2 Fl. 2.331 13 parágrafo único do art. 116 do CTN, que não possui eficácia por falta de regulamentação e está inquinado de inconstitucional em ADIn própria. As despesas glosadas seriam referentes aos juros dos títulos eurobônus captados no mercado internacional, os quais eram repassados aos bancos intermediários da operação, nunca como remuneração de empréstimo/mútuo. Operações lícitas teriam sido desconstituídas por meras presunções lançadas a partir da imaginação fiscal, afrontando o disposto nos arts. 109, 110 e 142 do CTN, simplesmente porque os autuantes entenderam que o mútuo realizado pela impugnante à Ceval International Ltd., de US$ 90.000.000,00, sob sua ótica não tinha justificativa. Gratificações atribuídas a dirigentes e administradores — indedutibilidade 13º Diretores e gratificação Sr. Hélio José Bernz na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. No que tange à dedução dos valores pagos a titulo de 13° salário aos seus administradores, destaca que tal valor integra a remuneração básica dos mesmos, tal como ocorre com qualquer dos seus funcionários. Referido valor poderia estar diluído nos pagamentos mensais efetuados, o que por óbvio não implicaria impedimento à dedução, de modo que não haveria motivo para diferenciálo apenas pelo critério adotado para fins de pagamento. Assim, pouca relevância teria se a remuneração anual dos seus administradores foi paga em uma, dez ou quinze vezes, posto que a verba aprovada pelo Conselho de Administração é global e não foi extrapolada. A remuneração estaria contemplada pelo que prescreve o art. 357 do RIR199, cujo caput diz que serão dedutiveis na determinação do lucro real as remunerações dos sócios, diretores ou administradores, titular de empresa individual e conselheiros fiscais e consultivos. Invoca também o previsto nos arts. 358 e 361 do RIR/99. Estes pagamentos seriam equiparáveis ao pagamento de férias, inclusive as indenizadas, tal como ocorrido aos exdiretores Hélio José Bernz e Rubens Abrahdo Barhum, que foram considerados dedutiveis pelos autuantes. Adições não computadas na apuração do lucro real — lucros auferidos no exterior da Santista Export Ltd. — disponibilização dos lucros no exterior em 31/12/2002. Relativamente a este item, aponta dois aspectos: (a) a não observância dos prejuízos registrados pela Santista Export Ltd. durante o ano de 2002; e (b) a inconstitucionalidade do art. 74 da MP nº 2.13558/2001. Conforme demonstrado no balanço patrimonial da Santista Export Ltd. do anocalendário de 2002, ora anexado, a mesma obteve prejuízos no exercício de suas atividades, o que eliminou considerável parcela dos lucros até então acumulados, fato que Fl. 2331DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 1202000.757 S1C2T2 Fl. 2.332 14 não teria sido observado pelos fiscais autuantes. Os valores seriam os seguintes: Em US$ Em R$ Lucro acumulado em 31/12/2001 44,795,277.83 103.942.962,68 Prejuízo apurado em 2002 (44,121,901,75) (155.895.915,45) Resultado líquido 673,376.08 ( 51.952.952,77) Os fiscais teriam se restringido aos resultados apurados em 31/12/2001, não atentando para o exercício findo em 31/12/2002 da empresa controlada, embora fosse este o marco fatal para a verificação de existência ou não de prejuízos a distribuir, o que poderia ser confirmado pelas fichas 36 e 37 da DIPJ/2003, ano calendário 2002. Assim, evidenciada a apuração de prejuízo durante o ano calendário de 2002, não haveria lucros a distribuir, o que implicaria a improcedência do lançamento, corroborado pelos termos do § 3° do art. 4° da Instrução Normativa n° 213/2002. No que pertine ao aspecto de direito, a impugnante argúi a inconstitucionalidade por argumentos que não serão relatoriados em razão do que será declarado no voto. Adições não computadas na apuração do lucro real — juros passivos indedutiveis— indedutibilidade de despesas com juros de empréstimos tomados da Ceval International Ltd. no período em que a mesma possuía lucro a distribuir. Invoca os argumentos de defesa apresentados ao auto de infração constante no processo n° 13971.001630/200660 (IRRF) e reitera que não houve liquidação antecipada dos eurobônus, de forma que inexistiria o mútuo alegado. Aponta as seguintes contradições e inconsistências nas afirmações dos autuantes: (i) vincular lucros a distribuir de uma empresa controlada no exterior — Santista Export Ltd — com outra empresa controlada, totalmente distinta — Ceval International Ltd.; (ii) considerar o Eurobônus como um empréstimo tomado da Ceval International Ltd. se os próprios fiscais o caracterizaram como liquidado, em razão do mútuo em favor desta última; (iii) mesmo não tendo havido a liquidação antecipada do Eurobônus, ainda assim este título não se constituiria em mútuo da Ceval International Ltd. em favor da empresa, simplesmente porque são títulos negociados livremente no mercado secundário internacional, cuja aquisição ocorreu de outro investidor — Bunge Finance — e entre investidores, sem qualquer repercussão financeira (recebimento de valor). Relativamente ao disposto no art. 10 da Lei n° 9.532/97, com a redação dada pelo art. 34 da MP n° 2.15835/2001, não haveria como aplicar na forma pretendida pelos fiscais, ou seja, impedir Fl. 2332DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 1202000.757 S1C2T2 Fl. 2.333 15 supostas operações de mútuo entre empresa controladora sediada no Brasil, com empresa domicialiada no exterior — Ceval International — tendo em vista que outra empresa controlada — Santista Export Ltd. — pela controladora brasileira possui lucros a distribuir. Sustenta que são empresas distintas, com objetivos distintos e que não podem ser confundidas da forma como ocorreu, posto que o preceito do § 3° do art. 10 da Lei n° 9.532/97 somente se aplica a mesma empresa controlada no exterior. Multa isolada — cobrança pela falta de recolhimento sobre receita estimada apurada com base em balanço de suspensão e redução em virtude da recomposição dos resultados mensais decorrentes das autuações. Ressalta que todas as razões de defesa devem ser consideradas na apreciação sobre o mérito do presente item, na recomposição final da base de cálculo mensal do IRPJ. Alega que no período fiscalizado — 2001 a 2004 — inexistia a previsão da multa na legislação. A alínea "b" do inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430/96 não estava prevista no bojo daquele artigo. Além disso, não cabe aplicação de efeito retroativo para penalizar o contribuinte, especialmente pela falta de previsão para o caso em comento. Para arrematar a ilegalidade, a MP n° 303/2006 perdeu eficácia através do Ato do Presidente da Mesa do Congresso Nacional n° 57, de 2006, editado em 01/11/2006. Entende que com a apresentação da DIPJ dos respectivos anos calendário ocorreu a supressão da falta de recolhimento do imposto devido, nos termos do art. 138 do CTN. Da multa com efeito de confisco. Alega que a multa foi fixada em valor "exorbitante e desproporcional em relação a natureza da infração imputada, ainda mais que da mesma não decorre prejuízo ao Fisco". Amparase na vedação de utilização de tributo com efeito de confisco, prevista no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. DA CSLL. Em relação ao lançamento de CSLL, expõe argumentos (fls. 2009 a 2059) já apresentados em relação ao IRPJ, mas inova nos seguintes itens: Da nulidade do lançamento. Os autuantes teriam revisado a compensação de bases de cálculo negativa da CSLL efetuada desde 31/12/1994 até 31/12/2000. Fl. 2333DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 1202000.757 S1C2T2 Fl. 2.334 16 Sustenta que o entendimento apresentado não deve prevalecer porque já estava consumada a homologação das compensações em razão de fiscalizações anteriores e também em face da absoluta ilegalidade da iniciativa, em desrespeito à própria legalidade e segurança jurídica, entre outros princípios. Deste modo, tendo em vista que a base de cálculo negativa de CSLL até 31/12/2000 já havia sido convalidada pela própria Receita Federal em fiscalizações anteriores, não poderia ser objeto de revisão de lançamento fiscal em auto de infração.” Em 04 de maio de 2007 foi prolatado o Acórdão nº 079.659, da 4ª Turma de Julgamento da DRJ em Florianópolis, fls. 2094/2111, que considerou procedente o lançamento, expressando seu entendimento por meio da seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 PRAZO DECADENCIAL. O direito de a Fazenda Pública apurar e constituir seus créditos relativos ao IRPJ extinguese após cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador. ENCARGOS FINANCEIROS. CONCOMITÂNCIA COM EMPRÉSTIMOS FEITOS. INDEDUTIBILIDADE. São indedutiveis, na determinação do lucro real, os valores correspondentes à diferença apurada entre os encargos financeiros pagos por financiamentos tomados no mercado e os recebidos por empréstimos concomitantemente concedidos à empresa controlada. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO COM PREJUÍZOS POSTERIORES. IMPOSSIBILIDADE. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. O prejuízo eventualmente apurado não poderá ser compensado com o resultado de períodos anteriores. ENCARGOS FINANCEIROS. CONCOMITÂNCIA COM LUCROS NÃO DISPONIBILIZADOS POR EMPRESAS CONTROLADAS DOMICILIADAS NO EXTERIOR. INDEDUTIBILIDADE. Não são dedutiveis na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido os juros, relativos a empréstimos, pagos ou creditados a empresa controlada ou coligada, independente do local de seu domicilio, Fl. 2334DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 1202000.757 S1C2T2 Fl. 2.335 17 incidentes sobre valor equivalente aos lucros não disponibilizados por empresas controladas, domiciliadas no exterior. ESTIMATIVA. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. PREVISÃO LEGAL. A multa isolada por falta de recolhimento do imposto mensal apurado por estimativa está em vigor desde que foi instituída pela Lei n° 9.430, de 1996, e atualmente seu percentual é de 50%, por conta da alteração promovida pela MP 351/2007. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 SALDO DE BASES DE CALCULO NEGATIVAS. CONSOLIDAÇÃO DAS ALTERAÇÕES. O procedimento de consolidação das alterações sofridas no estoque de bases negativas, por conta de fiscalizações anteriores que não foram impugnadas e alterações patrimoniais decorrentes de incorporações e cisões de empresas, não ofende ao principio da segurança jurídica, pois esses resultados são conhecidos pela contribuinte. PRAZO DECADENCIAL. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. O direito de a Fazenda Pública apurar e constituir seus créditos relativos as contribuições destinadas ao financiamento da seguridade social extinguese após dez anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o crédito poderia ter sido constituído. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO As autoridades administrativas estão obrigadas a observância da legislação tributária vigente nos Pais, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS E COFINS Sempre que o fato se enquadrar ao mesmo tempo na hipótese de incidência de mais de um tributo ou contribuição, as conclusões quanto a ele aplicarseão igualmente no julgamento de todas as exações. Lançamento Procedente” Cientificada em 25 de maio de 2007, AR de fls. 2118, e novamente irresignada com o acórdão de primeira instância, apresenta seu recurso voluntário protocolado Fl. 2335DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 1202000.757 S1C2T2 Fl. 2.336 18 em 18 de junho de 2007, em cujo arrazoado de fls. 2119/2177 repisa os mesmos argumentos expendidos na peça impugnatória. É o Relatório. Voto Conselheiro Nelson Lósso Filho O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. As infrações apuradas pelo Fisco e que ainda continuam em litígio após o acatamento pela empresa dos lançamentos do PIS e da COFINS e de itens das exigências do IRPJ e da CSLL, descritas no auto de infração do IRPJ de fls. 1.824/1.840 e Multa Isolada da CSLL, fls. 1.871/1.895, e no Termo de Verificação Fiscal de fls. 1.762/1.815, são as seguintes: 1 Despesas de juros apropriadas indevidamente, uma vez que desnecessárias, descrita nos itens 03 do auto de infração e 09 do Termo de Verificação Fiscal; 2 Valor relativo a 13º salário pago a diretores da empresa, indedutíveis na apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL, conforme descrito nos itens 04 do auto de infração e 04 do Termo de Verificação Fiscal; 3 Compensação indevida de prejuízos fiscais apurados, tendo em vista a redução de prejuízo do anocalendário 2002 e as compensações efetuadas de ofício após o lançamento das infrações constatadas, descrita nos itens 06 do auto de infração e 11.1 do Termo de Verificação Fiscal; 4 Ausência de adição ao lucro líquido do período, na determinação do lucro real e na apuração da base de cálculo da CSLL, de lucros auferidos no exterior, por empresa controlada, conforme descrito nos itens 07 do auto de infração e 07 do Termo de Verificação Fiscal; 5 Ausência de adição ao lucro líquido do período, na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, dos juros, relativos a empréstimos, pagos a empresa controlada, incidentes sobre o valor equivalente aos lucros não disponibilizados por empresas controladas domiciliadas no exterior, conforme descrito nos itens 08 do auto de infração e 08 do Termo de Verificação Fiscal; 6 Redução indevida do lucro líquido – Exclusão indevida na apuração da base de cálculo da CSLL, relativa a ajuste em virtude de compensação em excesso feita no anocalendário de 1995, conforme descrito nos itens 03 do auto de infração da CSLL e 10.2 do Termo de Verificação Fiscal; 7 Falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, incidente sobre a base de cálculo estimada, apurada com base em balanços de suspensão ou redução ajustada Fl. 2336DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 1202000.757 S1C2T2 Fl. 2.337 19 pelas infrações apuradas, conforme descrito nos itens 09 do auto de infração e 12 do Termo de Verificação Fiscal; 8 Falta de pagamento da Contribuição Social, incidente sobre a base de cálculo estimada apurada, com base em balanços de suspensão ou redução, ajustada pelas infrações apuradas, conforme descrito nos itens 01 do auto de infração – multa isolada da CSLL e 12 do Termo de Verificação Fiscal. a) Preliminares de nulidade do lançamento e de decadência. Quanto à compensação indevida de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas, a pessoa jurídica sustenta a ocorrência de nulidade dos lançamentos em virtude de revisões extemporâneas dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL, tendo retroagido a análise a períodos que remontam a 1994, extrapolando a permissão do MPF, sendo efetuado um reexame fiscal não autorizado pelo Delegado da Receita Federal, que violou o princípio da legalidade e da segurança jurídica. Afirma, ainda, ter ocorrido a decadência do direito de a Fazenda Nacional efetuar os lançamentos, tendo em vista que a ciência dos autos de infração aconteceu em 17/10/2006 e os lançamentos se referem aos anoscalendário de 2001 a 2004. Conforme consta do Relatório, o Fisco descreve assim a infração detectada: “(h.2) Autuação relativa ao anocalendário 1995. Conforme DIPJ do anocalendário de 1995, a empresa apurou base de cálculo da CSLL, antes da compensação, de R$ 51.875.260,94, efetuando a compensação integral deste valor com a base negativa de anos anteriores, sem obedecer ao limite de 30% previsto na legislação. Logo, a empresa compensou indevidamente naquele ano o valor de R$36.312.682,66, que equivale ao excesso acima do limite de 30%. Entretanto, a fim de recompor seu saldo de base de cálculo negativa da CSLL, excluiu o excesso de compensação de R$ 36.312.682,66 na apuração da base de cálculo desta contribuição em 2002. Desta forma, a fiscalização efetuou a desconsideração do ajuste de R$36.312.682,66 efetuado indevidamente pela empresa. (i) Acompanhamento de prejuízos e base de cálculo negativa de CSLL. Conforme cópias dos controles mantidos pela contribuinte, especificamente a Parte "B" do Livro de Apuração da CSLL (doc. 87), a empresa julgava dispor, em 31/12/2000, de saldo equivalente a R$ 524.226.497,39. Entretanto, este valor foi revisto, conforme exposto no Termo de Constatação Fiscal — Base de Cálculo Negativa da CSLL (doc. 117), que também instrui o auto de infração relativo a esta contribuição. Fl. 2337DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 1202000.757 S1C2T2 Fl. 2.338 20 Assim, com base naquelas constatações, o estoque de base de cálculo negativa da CSLL em 01/01/2001 ficou em R$ 482.348.397,78. (i.1) Compensação indevida de prejuízos. Na autuação foi considerado o estoque de prejuízos contabilizados pela contribuinte em 31/12/2000. Em virtude das infrações apuradas, a compensação de prejuízos esgotou o estoque disponível da contribuinte, de forma que parte das compensações feitas pela contribuinte nos anos de 2002 e 2003 foi feita de forma indevida, nos respectivos valores de R$95.382.035,24 e R$ 91.680.705,83, espelhados no anexo 01 do TVF.” Alega a pessoa jurídica em sua defesa que a fiscalização teria revisado prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL de períodos já decaídos, violando o princípio da legalidade e da segurança jurídica, conforme segue: “Os autuantes teriam revisado a compensação de prejuízos fiscais efetuada até 31/12/2000, com repercussão a partir de 01/01/2001. Em razão da recomposição dos saldos de prejuízos fiscais de 1999 e 2000, as compensações dos anos de 2002 e 2003 foram indevidas. Sustenta que o entendimento apresentado não deve prevalecer porque já estava consumada a homologação das compensações de prejuízos fiscais até 31/12/2000, por conta de fiscalizações anteriores. Deste modo, alega que "não cabe a revisão das compensações dos prejuízos fiscais, devendo as novas compensações partir dos saldos apurados na parte B do LALUR em 31/12/2000, não podendo ser objeto de revisão de lançamento fiscal, sob pena de violação ao principio da legalidade e da segurança jurídica, entre outros aplicáveis”. De plano, rejeito as preliminares de nulidade e de decadência do direito de a Fazenda Nacional efetuar as exigências suscitadas pela empresa. Entendo ser possível ao Fisco a recomposição de valores dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL de períodos já decaídos, seguindo procedimentos de auditoria preliminares, sem adentrar a formação contábil desse prejuízo fiscal ou base negativa da CSLL. No caso em voga, a auditoria fiscal encontrou, em análise preliminar, divergências entre os montantes de prejuízos fiscais e a bases de cálculo negativas da CSLL constantes dos livros fiscais da autuada e aqueles registrados nos controles eletrônicos da Receita Federal do Brasil, Sistema SAPLI, alimentado com base nas informações das DIPJs, e que, como regra geral, deveriam ser coincidentes com os da pessoa jurídica. O autuante nos seus ajustes, conforme Termo de Constatação Fiscal de fls. 1697/1728, considerou todos os efeitos de fiscalizações anteriores acatadas pela pessoa jurídica na recomposição da base de cálculo negativa da CSLL. Fl. 2338DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 1202000.757 S1C2T2 Fl. 2.339 21 Como exemplo, a compensação integral da base de cálculo negativa da CSLL que não respeitou o limite de 30%, infração detectada pelo Fisco no ano de 1995, em autuação anterior que foi acatada pela contribuinte. A pessoa jurídica compensou indevidamente no ano de 1995 o valor de R$36.312.682,66, relativamente ao excesso do limite de 30%. Para recompor o saldo a compensar excluiu em 2002 o referido montante na formação da base de cálculo da CSLL. Esse ajuste só foi admitido pelo Fisco no período correto de sua ocorrência, em 1995, e não no ano de 2002 como realizado pela recorrente, uma vez que em 2002 a pessoa jurídica não teria direito à integralidade de tais valores ajustados, já que parte dessa base de cálculo negativa foi reduzida por evento de cisão de empresa acontecido em ano anterior ao da exclusão efetivada pela pessoa jurídica. Com a alteração da legislação da compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas introduzidas pela Lei nº 9.065/95, com a instituição do limite de 30% do Lucro Real e Base de Cálculo da CSLL para suas compensações, passou o contribuinte a ter o direito de utilizar seus saldos por períodos indeterminados, ao contrário da legislação anterior que limitava esse direito a quatro anos, devendo, por conseguinte, se sujeitar à comprovação do montante a compensar em qualquer período futuro. Correto o procedimento do Fisco ao revisar o saldo acumulado de prejuízos e bases de cálculo negativas da CSLL, apresentado como compensável pela empresa em seu livro fiscal, haja vista a ocorrência de eventos de cisão, incorporação, autuações fiscais etc, que o tornaram divergente dos valores controlados no Sistema SAPLI da Receita Federal do Brasil. Quanto à decadência do direito de a Fazenda Nacional efetivar a exigência, tenho assentado o entendimento de que o IRPJ inserese entre os tributos cuja modalidade de lançamento é definida pelo CTN no art. 150, vale dizer, lançamento por homologação, onde se leva em consideração a data da ocorrência do fato gerador do tributo. Já há algum tempo, por conveniência da administração tributária, por facilitar os procedimentos arrecadatórios e pelo ingresso mais célere dos recursos, a quase totalidade dos tributos passou a submeterse àquele regime de constituição do crédito tributário conhecido como “lançamento por homologação”. Destarte, nos tributos cuja exigência assim se opera, ocorrido o fato jurídico tributário descrito hipoteticamente na Lei, independentemente de manifestação prévia da administração tributária, deve o próprio sujeito passivo determinar o quantum debeatur do tributo e providenciar seu pagamento. A autoridade tributária fica com o direito de verificar, a posteriori, a regularidade dos procedimentos adotados pelo sujeito passivo em relação a cada fato gerador, sem que, previamente, qualquer informação lhe tenha sido prestada. A definição do regime de lançamento ao qual se submete o tributo é indispensável para determinar qual regra relativa à decadência será aplicada em cada caso. Em se tratando de lançamento por declaração, para a contagem do prazo quinquenal de decadência, impõese a observância do estatuído no art. 173, I, do CTN, verbis: Fl. 2339DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 1202000.757 S1C2T2 Fl. 2.340 22 “O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (Omissis).” A regra prefalada, relativa aos tributos lançados por homologação, é afastada, aplicandose, nesse caso, o disposto no parágrafo 4º do art. 150 do CTN: “Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a fazenda pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação”. Como se percebe, o termo inicial da contagem do quinquênio decadencial passa a ser o momento da ocorrência de cada fato gerador que venha a ensejar o nascimento da obrigação tributária. Em defesa dessa tese, à qual nos alinhamos, trazemos à colação a sempre lúcida lição de Paulo de Barros Carvalho: “Prevê o Código o prazo de cinco anos para que se dê a caducidade do direito da fazenda de constituir o crédito tributário pelo lançamento. Nada obstante, fixa termos iniciais que dilatam por período maior o aludido prazo, uma vez que são posteriores ao acontecimento do fato jurídico tributário. O exposto já nos permite uma inferência: é incorreto mencionar prazo qüinqüenal de decadência, a não ser nos casos em que o lançamento não é da essência do tributo hipóteses de lançamento por homologação em que o marco inicial de contagem é a data do fato jurídico tributário.” (Curso de Direito Tributário Saraiva 10ª edição p. 314). Do mesmo mestre, em reforço à idéia por nós esposada de tratarse o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica de tributo lançado por homologação, pedimos vênia para transcrever: “... O IPI, o ICMS, o IR (atualmente, nos três regimes jurídica, física e fonte) são tributos cujo lançamento é feito por homologação.” ( Op. Cit. p. 284). Os mesmos fundamentos são aplicáveis à Contribuição Social sobre o Lucro. Após a edição da Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, no sentido de que “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.”, e do Parecer PGFN/CAT nº 1617/2008, deixo de considerar como sendo de dez anos o prazo decadencial para as contribuições sociais, como determinava o artigo 45 da Lei nº 8.212/91, aplicando, por conseguinte, o lapso temporal de cinco anos previsto no Código Tributário Nacional. Fl. 2340DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 1202000.757 S1C2T2 Fl. 2.341 23 Tenho me posicionado em diversos julgados neste Conselho no sentido de que a existência de pagamento do tributo no período não é condição necessária para enquadramento no artigo 150 do CTN, que determina como termo inicial para a contagem do prazo decadencial a ocorrência do fato gerador, pois desde esse momento dispõe o sujeito ativo da relação jurídica tributária o direito de constituir o crédito tributário pelo lançamento. Todavia, com base em julgados repetitivos, o Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial nº 973.733 – SC (2007/01769940) assentou entendimento de que para enquadramento no regime decadencial previsto no artigo 150 do CTN ser condição sine qua non deve restar provado o pagamento antecipado do tributo no período sob análise decadencial. Com a edição da Portaria MF nº 586/2010, de 21/12/2010, foi alterado o regimento interno do CARF, sendo introduzido o artigo 62A no RI/CARF, determinando que “as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (RI/CARF, art. 62A). Assim, no caso em voga, deve ser observado quanto ao termo inicial da decadência o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC, de que o prazo decadencial de cinco anos, nos casos em que o contribuinte não efetua pagamento antecipado de tributo sujeito ao chamado lançamento por homologação, deve ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. In Verbis: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 2341DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 1202000.757 S1C2T2 Fl. 2.342 24 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (REsp 973.733/SC (2007/01769940), STJ, Primeira Seção, Relator Ministro LUIZ FUX, j. 12/08/2009, DJe 18/09/2009, RDTAPET vol. 24 p. 184). Ressalvando meu entendimento contrário, seguindo a determinação do art. 62A do RICARF, acato o posicionamento de que para enquadramento no artigo 150 do CTN ser necessária a comprovação nos autos do recolhimento antecipado do tributo pela recorrente nos períodos questionados. Fl. 2342DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 1202000.757 S1C2T2 Fl. 2.343 25 Independente de comprovação de recolhimento do IRPJ e da CSLL nos períodos autuados, aplicandose a regra decadencial constante do artigo 173 do CTN ou a do art. 150 do mesmo código, tenho como não ocorrida a decadência em relação a todas as exigências. b) Custos, despesas operacionais e encargos não necessários. Dedução de despesas juros desnecessária. Itens 03 do auto de infração e 09 do Termo de Verificação Fiscal. Em relação à glosa das despesas de juros apropriadas indevidamente, uma vez que desnecessárias, descrita nos itens 03 do auto de infração e 09 do Termo de Verificação Fiscal, deixo consignado a possibilidade de análise da matéria por esta Turma, mesmo tendo o auto de infração do IR Fonte sido julgado autonomamente pela 2ª Seção de Julgamento do CARF, por possuírem objetos distintos. No auto do IR Fonte a fiscalização tratou de recompra dos Eurobônus antes de ultrapassado o prazo de 90 meses para não incidência desse tributo, enquanto o de IRPJ e da CSLL se refere à glosa de despesas por desnecessárias, não havendo formação de coisa julgada material no caso. Conforme consta do Relatório, o autuante assim descreve a infração: “(g.3) Recursos utilizados pela Ceval International para aquisição dos eurobônus. A fiscalizada possui a totalidade do patrimônio da empresa Santista Export Ltd., localizada nas Ilhas Cayman, sendo, portanto, sua controladora integral. Em novembro de 1999, a fiscalizada alienou para a Santista Export Ltd. a totalidade de sua participação na Ceval International. Esta alienação não alterou o controle da Ceval International, que permaneceu integralmente com a fiscalizada, mas através de sua subsidiária integral Santista Export Ltd. Em 19/10/1999, a fiscalizada concedeu empréstimo de US$ 90.000.000,00 para a empresa Ceval International, por meio de contrato de mútuo. O recurso foi enviado no dia 20/10/1999 e no dia seguinte, a mutuária adquiriu grande parte dos títulos eurobônus. Entre 29/09/2004 e 01/10/2004, houve a liquidação do mútuo com o recebimento dos valores pela fiscalizada, na mesma época em que deveria honrar a maior parte dos títulos eurobônus de sua responsabilidade. Além disso, o valor do mútuo concedido (US$90.000.000,00) é quase idêntico à dívida na forma de eurobônus da empresa fiscalizada (US$ 90.940.000,00). Para ratificar a tese de que os recursos utilizados pela Ceval International para a aquisição dos títulos eurobônus foram provenientes da Bunge Alimentos, esta foi intimada a informar a destinação dada pela empresa Ceval International Ltd. ao valor recebido em virtude do mútuo pactuado em 19/10/1999. Entretanto, a empresa somente afirmou genericamente que os Fl. 2343DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 1202000.757 S1C2T2 Fl. 2.344 26 recursos foram utilizados para fomentar as operações mantidas pela companhia. A análise dos balanços e balancetes apresentados demonstraria que a empresa Ceval International não possuía disponibilidades para a aquisição de títulos eurobônus efetuada em 21/10/1999, no valor de US$ 68.978.000,00. Para aprofundar as investigações, foi solicitado que a empresa apresentasse o razão das contas contábeis 1.1.01.02.08 — Citibank — NY e 1.1.01.04.04 — Citibank — NY, de sua controlada Ceval International Ltd., relativamente aos lançamentos efetuados no mês de outubro de 1999 e os respectivos diários, bem como os extratos bancários relativos à movimentação bancária contabilizada no mês de outubro de 1999 em tais contas contábeis. Todavia, a empresa não apresentou os documentos solicitados, alegando que em virtude do tempo transcorrido a empresa não dispunha mais dos elementos solicitados. A fiscalização contesta esta assertiva, apoiandose no fato de que seria obrigatória a conservação dos comprovantes até o transcurso do prazo de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, conforme art. 37 da Lei n° 9.430, de 1996. Além disso, as contribuições teriam prazo decadencial de 10 (dez) anos, obrigando a apresentação dos documentos solicitados. Desta forma, à luz das respostas genéricas apresentadas e em virtude da ausência de apresentação de elementos que poderiam comprovar o contrário, a fiscalização concluiu que a aquisição de US$ 68.978.000,00 em títulos eurobônus em 21/10/1999 pela Ceval International foi efetuada com recursos recebidos na véspera da empresa fiscalizada, especificamente parte dos US$ 90.000.000,00 relativos ao mútuo concedido. Para reforçar a vinculação do mútuo sob análise com a dívida representada pelos títulos eurobônus, a fiscalização utilizou a mesma sistemática, desta vez buscando o rastreamento dos recursos recebidos pela empresa fiscalizada quando da liquidação do mútuo em 2004, visando identificar se estes foram utilizados para quitação da dívida representada pelos títulos eurobônus. A contribuinte foi intimada a apresentar o razão de sua conta contábil 01020.01012 Banco do BrasilBL AS, com os lançamentos efetuados no dia 28/09/2004, além do respectivo extrato bancário. Em análise dos documentos fornecidos, foi verificado o seguinte lançamento: débito contábil de R$ 255.773.400,00, com histórico "Ref. Liq. Santista Export XB. Al”. Tal lançamento corresponde ao valor da maior parte recebida pela empresa referente à quitação do mútuo concedido à Ceval International Ltd. As obrigações de tal mútuo foram transferidas pela Ceval International para a Santista Export Ltd., na data de 05/06/2000, Fl. 2344DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 1202000.757 S1C2T2 Fl. 2.345 27 conforme "Instrumento Particular de Contrato de Cessão de Crédito com Assunção de Débito" (docs. 75 e 76), o que justifica o pagamento efetuado pela Santista Export. A este lançamento contábil corresponde crédito no extrato bancário de mesmo valor com o histórico "câmbio". O lançamento a crédito contábil de R$ 240.197.711,61, com o histórico "Pgto pric + jrs Eurobônus Citi" corresponde ao pagamento dos títulos eurobônus que venceriam em 01/10/2004 e corresponde a dois lançamentos constantes no extrato bancário, na mesma data de recebimento da maior parcela do mútuo recém tratada, também com histórico "câmbio". Desta forma, o fluxo financeiro relativo às operações em análise foi sincronizado, com a empresa fiscalizada recebendo a liquidação do mútuo e utilizando tais recursos na quitação de seu empréstimo lastreado em títulos eurobônus. A empresa teria optado pela concessão do mútuo à sua subsidiária Ceval International para que esta efetuasse o resgate dos títulos eurobônus, ao invés de efetuar tal operação diretamente. A motivação para tal "artificio" estaria relacionada com o imposto de renda retido na fonte (IRRF) sobre todas as remessas efetuadas a titulo de juros incidentes sobre os títulos eurobônus, no caso de resgate antecipado dos títulos. A alíquota de IRRF só seria reduzida a zero quando o prazo médio de amortização correspondesse, no mínimo, a 96 meses, conforme inciso IX, do art. 1° da Lei n° 9.481/97 Quanto à apuração dos resultados da empresa, a ocorrência do resgate antecipado dos títulos eurobônus por intermédio de empresa controlada, via concessão de mútuo, implicaria necessidade de se analisar a dedutibilidade dos juros pagos sobre tais títulos no contexto global da operação. Mesmo após este resgate, a empresa continuou apropriando integralmente as despesas vinculadas aos juros pagos, como já visto à razão de 10,625% e 11,125%. Entretanto, como parte desta divida estaria "visceralmente" relacionada ao mútuo concedido de US$90.000.000,00, que rendia, ao mesmo tempo, juros de 9,0%. Desta forma, o resgate antecipado efetuado por intermédio do mútuo concedido gerou receitas e despesas, que não deveriam existir caso a empresa efetuasse o resgate diretamente. Sendo as despesas geradas superiores aos juros reconhecidos como receitas, terseia caracterizada a não necessidade da concessão do mútuo. Além de desnecessária, a operação seria lesiva à manutenção da atividade da empresa. A fiscalização glosou então as despesas de juros, no valor em que superaram as receitas geradas no mútuo concedido. Tal cálculo foi feito apenas em relação à parcela do mútuo utilizada para resgate dos títulos eurobônus.” Fl. 2345DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 1202000.757 S1C2T2 Fl. 2.346 28 Alega a pessoa jurídica em sua defesa que a fiscalização teria apoiado a exigência em mera presunção: “Afirma que a fiscalização não poderia desqualificar procedimentos e decisões administrativas e financeiras adotadas pela impugnante, que teria realizado operações jurídicas lícitas no seu livre exercício da atividade empresarial. Sustenta que o lançamento está pautado na mera presunção de atos e fatos eventualmente cometidos pela impugnante ou por sua coligada, e muito provavelmente inspirado no disposto no parágrafo único do art. 116 do CTN, que não possui eficácia por falta de regulamentação e está inquinado de inconstitucional em ADIn própria. As despesas glosadas seriam referentes aos juros dos títulos eurobônus captados no mercado internacional, os quais eram repassados aos bancos intermediários da operação, nunca como remuneração de empréstimo/mútuo. Operações lícitas teriam sido desconstituídas por meras presunções lançadas a partir da imaginação fiscal, afrontando o disposto nos arts. 109, 110 e 142 do CTN, simplesmente porque os autuantes entenderam que o mútuo realizado pela impugnante à Ceval International Ltd., de US$ 90.000.000,00, sob sua ótica não tinha justificativa.” Entendo assistir razão à recorrente em suas alegações para não prosperar este item dos autos de infração do IRPJ e da CSLL, por dois motivos básicos: não restou comprovada a desconsideração da operação efetivada e, o mais importante a meu ver, não poderia mais o Fisco questionála por ela ter se concretizado em período já decaído, não sujeito à auditoria. Vislumbro nos autos que a realidade factual descrita pelo Fisco não caracteriza indícios fortes de confusão de recursos entre a recorrente e sua controlada no exterior, se apegando o auditor à coincidência parcial de datas de remessa e de valores e a recompra do Eurobônus, além da data de resgate desses títulos e da remessa de quantias pela controlada no exterior, não suficientes para descaracterizar o mútuo efetuado entre controlada e controladora. Tenho firmado entendimento em diversos julgados neste Conselho quanto à possibilidade de lançamento baseado em prova indiciária, porque além das presunções legais pode o Fisco valerse da presunção simples para efetuar sua exigência. Essa presunção, na qualidade de prova indireta, sendo resultante de um elenco, um somatório de indícios e provas convergentes, é meio idôneo para referendar uma autuação. Para tal, deve sempre existir indícios convergentes levando a um mesmo ponto, a uma mesma conclusão. Claro está que os efeitos da prova indiciária podem ser estendidos aos demais fatos que se situam no mesmo plano, pela via da presunção, método legítimo quando apoiado em fato provado. Fl. 2346DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 1202000.757 S1C2T2 Fl. 2.347 29 A presunção é meio de prova, conforme art. 212, IV, do Código Civil que estabelece: “Art. 212. Salvo o negócio a que se impõe forma especial, o fato jurídico pode ser provado mediante: I confissão; II documento; III testemunha; IV presunção; V perícia. (grifei)” Muitas vezes a prova no processo administrativo tributário é o resultado de um conjunto de elementos e circunstâncias, uma abstração feita por meio de um raciocínio lógico, concatenado, convergindo para o fato em si. Até mesmo uma confissão de infração tributária, colhida a termo, por exemplo, a falta de emissão de notas fiscais, não se reveste de verdadeira prova material da infração praticada, fato admitido por meio do documento confessional, que, no entanto, não revela uma operação mercantil, mas serve para referendar a autuação. Este Conselho há muito vem espancando os lançamentos apoiados apenas em indícios, sem a demonstração de provas indiretas e indícios convergentes. Existe grande diferença entre uma autuação com base em simples indícios e uma exigência calcada em presunção regularmente construída pelo Fisco, com base nas provas indiciárias ou indiretas, todas convergindo para um mesmo ponto. Não me repugna que a presunção possa ser usada como auxílio na prova de um fato, porque este instituto foi erigido como meio legítimo de prova, como se extrai do art. 212, IV, do Código Civil. Todavia, a legítima presunção precisa ser construída tecnicamente, tendo como ponto de partida um fato provado, com a associação de indícios convergentes que levem à conclusão do que se está querendo provar. Os fatos apurados traduzem indícios que não caracterizam a ocorrência da infração imputada à pessoa jurídica. Ainda que a movimentação financeira possa ser considerada o produto de procedimento anormal por parte da contribuinte, entendo que nada provam por si só, nem autorizam o lançamento fiscal. Quando muito podem constituir um indício que justifique um aprofundamento da ação fiscal em torno de eventual infração, o que somente se concretizaria caso a fiscalização viesse a juntar outras provas materiais. Ao Fisco competia apurar outros fatos que o conduzissem à conclusão mais segura sobre tal irregularidade. O fato em si não autoriza e nem dá suporte à tributação, sob pena de caso assim prevaleça ser admitida uma presunção não autorizada por lei. O lançamento requer prova segura da ocorrência do fato gerador do tributo. Tratandose de atividade plenamente vinculada (Código Tributário Nacional, arts. 3º e 142), cumpre à fiscalização realizar as inspeções necessárias à obtenção dos elementos de convicção e certeza indispensáveis à constituição do crédito tributário. Havendo dúvida sobre a exatidão Fl. 2347DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 1202000.757 S1C2T2 Fl. 2.348 30 dos elementos em que se baseou o lançamento, a exigência não pode prosperar, por força do disposto no art. 112 do CTN. O imposto, por definição do art. 3º do referido código, não pode ser usado como sanção. Alberto Xavier nos ensina in “Do Lançamento Teoria Geral do Ato do Procedimento e do Processo Tributário, Ed. Forense, p. 146/147: “Dever de prova e” in dubio contra fiscum” Que o encargo da prova no procedimento administrativo de lançamento incumbe à Administração fiscal, de modo que em caso de subsistir a incerteza por falta de prova, esta deve abster se de praticar o lançamento ou deve praticálo com um conteúdo quantitativo inferior, resulta claramente da existência de normas excepcionais que invertem o dever da prova e que são as presunções legais relativas. Com efeito, a lei fiscal não raro estabelece presunções deste tipo em benefício do Fisco, liberandoo deste modo do concreto encargo probatório que na sua ausência cumpriria realizar; nestes termos a Administração fiscal exonerarseá do seu encargo probatório pela simples prova do fato índice, competindo ao particular a demonstração do contrário. É o que resulta do § 3° do artigo 9° do Decretolei n° 1.598/77, ao afirmar que a regra de que cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados na contabilidade regular não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao contribuinte o ônus da prova dos fatos registrados na sua escrituração.” Além disso, não podia mais o Fisco auditar o envio de valores à pessoa ligada, ao contrário da revisão preliminar de prejuízos e bases negativas analisadas anteriormente no item “a” do voto onde se admite essa revisão mesmo transcorrido o lapso decadencial. No caso em tela, a fiscalização pretendeu descaracterizar a operação de mútuo entre as empresas autuada e a controlada no exterior, intimando a contribuinte no ano de 2006 a comprovar operações que remontam ao ano de 1999, exigindo Razão de contas e seus lançamentos, Diários e extratos bancários, sendo cabível a atitude da empresa em informar que não dispunha mais de tais elementos depois de transcorridos mais de seis anos do fato. O auditor autuante contesta esse posicionamento afirmando que era dever da empresa a guarda de livros e documentos até o decurso do lapso decadencial e que as contribuições teriam prazo de dez anos para homologação do lançamento, afirmativa superada por julgado definitivo do Supremo Tribunal Federal que considerou inconstitucional o art. 45 da Lei nº 8.212/91, que previa esse prazo decadencial. Portanto, não mais poderia o Fisco auditar os elementos da operação efetuada pela pessoa jurídica, relativa a Eurobônus, depois de decorrido o lapso decadencial, por estarem homologados os registros contábeis e fiscais do período de 1999. Assim, não pode prosperar este item do lançamento pautado em indícios e em auditoria que adentrou em análise de elementos constantes de período já decaído. Fl. 2348DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 1202000.757 S1C2T2 Fl. 2.349 31 c) Gratificações atribuídas a dirigentes ou administradores. Despesas indevidamente deduzidas – 13º salário pago a administradores. Itens 004 do auto de infração e Termo de Verificação Fiscal. No que tange à dedução dos valores pagos a título de 13° salário a seus diretores, não tem razão a recorrente ao afirmar que os tratou como qualquer funcionário e que sua remuneração era fixa. O 13º salário de diretor é liberalidade, pois ele é trabalhador autônomo, não tendo contrato de trabalho em vigor, não sendo obrigação da pessoa jurídica tal desembolso, tendo esses pagamentos característica de gratificação, com impedimento ao teor do artigo 303 do RIR/99, in verbis: “Art. 303. Não serão dedutiveis, como custos ou despesas operacionais, as gratificações ou participações no resultado, atribuídas aos dirigentes ou administradores da pessoa jurídica (Lei nº 4.506, de 1964, art. 45, § 3°, e DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 58, parágrafo único.” A remuneração de administrador deve ser mensal e fixa e ter relação com serviços prestados, conforme art. 357 e parágrafo único do RIR/99. “Art. 357. Serão dedutiveis na determinação do lucro real as remunerações dos sócios, diretores ou administradores, titular de empresa individual e conselheiros fiscais e consultivos (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). Parágrafo único. Não serão dedutiveis na determinação do lucro real (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 43, § 1 2, alíneas "b" e I as retiradas não debitadas em custos ou despesas operacionais, ou contas subsidiárias, e as que, mesmo escrituradas nessas contas, não correspondam a remuneração mensal fixa por prestação de serviços (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 43, § 12, alíneas "b" e “d”. Deve ser mantido, portanto, esse item do auto de infração. d) Adições não computadas na apuração do lucro real. Lucros auferidos no exterior. Disponibilização obrigatória em 31/12/2002 de lucros auferidos no exterior até 31/12/2001. Itens 0007 do auto de infração e Termo de Verificação Fiscal. Na apuração da infração detectada, a falta de adição ao Lucro Real do lucro auferido no exterior disponibilizado à controladora no Brasil em 31/12/2002, o Fisco levou em consideração o total de lucros acumulados levantados pela empresa até o balanço encerrado em 31/12/2001, fato este questionado pela recorrente, que alega a existência de prejuízo no balanço de 31/12/2002, que deveria ter sido compensado com o lucro acumulado para efeito da determinação do lucro tributado. Conforme consta do Relatório, o autuante descreve a infração da seguinte forma: “(e) Disponibilização obrigatória em 31/12/2002 de lucros auferidos no exterior até 31/12/2001. Fl. 2349DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 1202000.757 S1C2T2 Fl. 2.350 32 Conforme art. 74 da Medida Provisória 2.15835/2001, os lucros auferidos por empresa controlada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora no Brasil na data do balanço no qual tiveram sido apurados, para fins de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro. No parágrafo único do dispositivo, é estabelecido que os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor. A fiscalização verificou que a Bunge Alimentos é controladora integral da Empresa Santista Export Ltd., conforme teor dos balanços publicados pela empresa. Esta empresa, no ano calendário de 2001, apurou lucro no exterior no montante de R$86.362.929,76, equivalente a US$ 37.218.983,69 (US$ 1,00 = R$ 2,3204). Além de tal valor, esta empresa terminou 2001 com lucros acumulados, de períodos anteriores, no valor de R$ 17.580.032,91, que convertidos pela cotação do dólar do período (US$ 1,00 = R$ 2,3204) equivalem a US$7.576.294,13. Assim, a controlada possuía, em 31/12/2001, lucros apurados não disponibilizados no valor de US$ 44.795.277,83, entretanto, conforme o mencionado art. 74, deveriam ser considerados disponibilizados em 31/12/2002. A fiscalizada adicionou apenas R$ 756.104,40, a titulo de lucros auferidos no exterior, que de acordo com a ficha 36 da DIPJ do anocalendário de 2002, são integralmente provenientes da empresa Dinelsur Corporation S/A, outra controlada da empresa fiscalizada. Ante o ocorrido, a fiscalização adicionou o valor de US$ 44.795.277,83 para apuração do lucro real referente ao ano calendário de 2002. Em obediência ao art. 143 do Código Tributário Nacional, o valor deve ser convertido para Reais tomandose por base a taxa de câmbio para venda, fixada pelo Banco Central do Brasil, do dólar dos Estados Unidos, para o dia da ocorrência do fato gerador, ou seja, 31/12/2002, perfazendo então o montante de R$158.275.155,15.” Sustenta a recorrente que existe impossibilidade material da disponibilização dos lucros auferidos no exterior pela controlada Santista Export Ltda., em virtude de apuração de prejuízo no Balanço do anocalendário de 2002, que absorveu o lucro acumulado oriundo de exercícios anteriores. Alega a pessoa jurídica em sua defesa que a fiscalização teria apoiado a exigência em valores irreais, porque o lucro acumulado a ser disponibilizado em 31/12/2002 deveria levar em conta o prejuízo apurado no Balanço levantado na mesma data: “Conforme demonstrado no balanço patrimonial da Santista Export Ltd. do anocalendário de 2002, ora anexado, a mesma obteve prejuízos no exercício de suas atividades, o que eliminou Fl. 2350DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 1202000.757 S1C2T2 Fl. 2.351 33 considerável parcela dos lucros até então acumulados, fato que não teria sido observado pelos fiscais autuantes. Os fiscais teriam se restringido aos resultados apurados em 31/12/2001, não atentando para o exercício findo em 31/12/2002 da empresa controlada, embora fosse este o marco fatal para a verificação de existência ou não de prejuízos a distribuir, o que poderia ser confirmado pelas fichas 36 e 37 da DIPJ/2003, ano calendário 2002. Assim, evidenciada a apuração de prejuízo durante o ano calendário de 2002, não haveria lucros a distribuir, o que implicaria a improcedência do lançamento, corroborado pelos termos do § 3° do art. 4° da Instrução Normativa n° 213/2002.” O posicionamento do acórdão de primeira instância foi no sentido da impossibilidade da compensação do prejuízo apurado em 2002 e que esse resultado não pode ser confundido com aquele levantado em período anterior. Entendo assistir razão à recorrente no seu pleito de compensação do prejuízo com o lucro acumulado oriundo do ano de 2001, pois na data do fato gerador do tributo, 31/12/2002, o montante a ser disponibilizado para a controladora no Brasil, Bunge Alimentos S/A, não foi o apontado pela fiscalização e sim o lucro remanescente da compensação do prejuízo desse período, como determina o parágrafo único do artigo 74 da MP 2.15835/2001. Vejamos a evolução legislativa da tributação dos lucros apurados por pessoa jurídica controlada no exterior. Até o anocalendário de 1995, não ocorria a tributação dos lucros apurados por controladas no exterior, prevalecendo o princípio da territorialidade, conforme artigo 337 do RIR/94, cuja matriz legal são a Lei nº 4.506/64, art. 63, e o Decretolei nº 2.429/88, art. 11: "Art. 337 O lucro proveniente de atividades exercidas parte no País e parte no exterior somente será tributado na parte produzida no País”. Não sendo tributado pelo Imposto de Renda, nem tampouco pela CSLL. Com a edição da Lei nº 9.249/95 e sua vigência a partir de 01 de janeiro de 1996, a tributação dos lucros auferidos por controladas no exterior passou a ser regida pelo princípio da universalidade, sofrendo incidência do Imposto de Renda Pessoa Jurídica no momento de sua apuração no balanço levantado pela investida ao final do exercício. O artigo 25 da Lei nº 9.249/95 a respeito do assunto está assim redigido: "Art. 25 Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano.(Destaquei)” (Omissis). Em 10 de dezembro de 1997, foi editada a Lei nº 9.532, tendo seu artigo 1º previsto expressamente que o fato gerador do tributo ocorreria na data do Balanço do ano de sua disponibilização para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. Fl. 2351DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 1202000.757 S1C2T2 Fl. 2.352 34 “Art. 1° Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil.(Destaquei) § 1° Para efeito do disposto neste artigo, os lucros serão considerados disponibilizados para a empresa no Brasil: a) no caso de filial ou sucursal, na data do balanço no qual tiverem sido apurados; b) no caso de controlada ou coligada, na data do pagamento ou do crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior. § 2° Para efeito do disposto na alínea "b" do parágrafo anterior, considerase: a) creditado o lucro, quando ocorrer a transferência do registro de seu valor para qualquer conta representativa de passivo exigível da controlada ou coligada domiciliada no exterior; b) pago o lucro, quando ocorrer: 1. o crédito do valor em conta bancária, em favor da controladora ou coligada no Brasil; 2. a entrega, a qualquer título, a representante da beneficiária; 3. a remessa, em favor da beneficiária, para o Brasil ou para qualquer outra praça; 4. o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior. § 3° Não serão dedutíveis na determinação do lucro real, os juros, pagos ou creditados a empresas controladas ou coligadas, domiciliadas no exterior, relativos a empréstimos contraídos, quando, no balanço da coligada ou controlada, constar a existência de lucros não disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil. § 4° Os créditos de imposto de renda de que trata o art. 26 da Lei n° 9.249, de 1995, relativos a lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, somente serão compensados com o imposto de renda devido no Brasil se referidos lucros, rendimentos e ganhos de capital forem computados na base de cálculo do imposto, no Brasil, até o final do segundo ano calendário subseqüente ao de sua apuração. § 5° Relativamente aos lucros apurados nos anos de 1996 e 1997, considerarseá vencido o prazo a que se refere o parágrafo anterior no dia 31 de dezembro de 1999.” Fl. 2352DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 1202000.757 S1C2T2 Fl. 2.353 35 A Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, em seu art. 74 dispôs que o lucro restaria disponibilizado para a controladora no Brasil na data do Balanço na qual tiver sido apurado: “Art. 74. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. Parágrafo único. Os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor.”(Destaquei) Como se verifica da evolução legislativa da incidência do IRPJ e CSLL sobre o lucro apurado por controlada no exterior, com a edição da MP 2.15835, a partir de 2002, a tributação desse lucro voltou a ter como fato gerador o momento da sua apuração, quando considerado disponibilizado. O parágrafo único do art. 74 da MP nº 2.15835/2001, tratando dos lucros acumulados levantados até 31/12/2001, ainda não tributados, criou uma exceção determinando como fato gerador do IRPJ e CSLL a disponibilização compulsória desses lucros acumulados em 31/12/2002. Ou seja, o fato gerador dos tributos incidentes sobre os lucros auferidos no exterior por controlada é a sua disponibilização no ano de 2002. Caso não ocorra o fato gerador durante o ano de 2002, compulsoriamente esse saldo de lucro acumulado estará disponibilizado em 31/12/2002. Pela análise dos autos, a empresa detinha na data do Balanço levantado em 31/12/2002, em dólar, lucros acumulados na quantia de US$ 44,795,277,83 e apurou prejuízo no montante de US$ 44,121,901.75, restando um total de lucro acumulado, em dólar, depois da compensação do prejuízo, no valor de US$ 673,376.08. Como a tributação dos lucros acumulados foi determinada pelo parágrafo único do artigo 74 da MP 2.15835/2001 na sua disponibilização em 31/12/2002, nada mais correto e sistematicamente lógico, que do montante acumulado do lucro, em dólar, possa ser deduzido o prejuízo apurado em 31/12/2002, restando disponibilizado o valor em dólar de 673,376.08 (44,795,277.83 – 44,121,901.75) que multiplicado por 3,5333 (taxa de câmbio em 31/12/2002) chegase ao total de R$ 2.379.239,70 do remanescente a tributar neste item do auto de infração, ou seja excluise da tributação neste item 007 o valor de R$155.895.915,45 [158.275.155,15 (valor lançado) – 2.379.239,70 (saldo a tributar)]. Assim sendo, deve ser mantida a tributação neste item apenas o valor de R$ 2.379.239,70. e) Adições não computadas na apuração do lucro real. Juros passivos indedutíveis. Dedução indevida de despesas relativas a juros pagos em empréstimos Fl. 2353DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 1202000.757 S1C2T2 Fl. 2.354 36 tomados de empresa controlada, incidentes sobre o valor equivalente aos lucros não disponibilizados por empresas controladas domiciliadas no exterior. Itens 008 do auto de infração e 008 do Termo de Verificação Fiscal. Deve ser mantida a exigência quanto a esse item do auto de infração, pois resta claro pelo artigo 34 da Lei nº 9.532/97, redação dada pela art. 34 da MP n° 2.158, de 2001, a infração cometida, não importando se a beneficiária dos juros é ou não a mesma empresa que deixou de disponibilizar o lucro: “Art.34. O § 3º do art. 1ª da Lei re 9.532, de 1997, alterado pela Lei nº 9.959, de 27 de janeiro de 2000, passa a vigorar com a seguinte redação: §3° Não serão dedutiveis na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido os juros, relativos a empréstimos, pagos ou creditados a empresa controlada ou coligada, independente do local de seu domicilio, incidentes sobre valor equivalente aos lucros não disponibilizados por empresas controladas, domiciliadas no exterior;” Como consta dos autos, a empresa deteve lucros a disponibilizar no período auditado e tomou empréstimo de controlada no exterior, incorrendo na situação descrita no § 3º do artigo 34 acima referido, devendo ser mantido este item do auto de infração. f) Multas isoladas. A imposição da multa isolada da Contribuição Social sobre o Lucro e do IRPJ, em virtude da falta de recolhimento de estimativa, está sustentada no art. 44 § 1º IV da Lei nº 9.430/96. Este dispositivo legal está assim redigido: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (Omissis) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; (Omissis)” Por sua vez, o artigo segundo trata do recolhimento por estimativa, in verbis: “Art. 2º. A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de Fl. 2354DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 1202000.757 S1C2T2 Fl. 2.355 37 dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (Omissis)” A Lei n° 9.430/96 alterou para trimestral o período de apuração do IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro. Manteve, no entanto, a possibilidade de a empresa sujeita à tributação com base no lucro real continuar efetuando pagamentos mensais por estimativa que, nesse caso, devem ser confrontados com o tributo apurado no final do ano. O artigo 1° da citada Lei está assim redigido: “Art. 1° A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. (Omissis).” A recorrente, optante pela tributação do Imposto de Renda pelo lucro real anual nos anoscalendário de 2001 a 2004, conforme comprovam suas declarações de rendimentos pessoa jurídica, não efetuando recolhimentos com base na estimativa em relação aos valores de CSLL e IRPJ, fica sujeita à multa isolada, estando perfeitamente caracterizada a situação prevista no art. 44, § 1º, IV, da Lei nº 9.430/96, supracitado. O referido enquadramento legal determina a imposição de penalidade quando a contribuinte, sujeita à tributação pelo lucro real anual e ao pagamento mensal do tributo com base no valor estimado, deixa de fazêlo. Assim, apesar de definida a base de cálculo da contribuição após a entrega da declaração de rendimentos, mesmo quando apurada base negativa no período, deve ser efetuado o lançamento da multa isolada em relação às parcelas estimadas não pagas, correspondente à CSLL e o IRPJ não recolhido. No que tange à alegação apresentada pela autuada quanto à existência de dupla tributação sobre uma mesma base de cálculo, vejo que foram impostas sanções sobre fatos ou irregularidades tributárias distintas. Apesar de a base ser idêntica, a multa de ofício foi aplicada em virtude da falta de recolhimento da CSLL e IRPJ apurado no Balanço, já a multa isolada foi exigida em razão da falta de recolhimento da estimativa mensal a que a empresa estaria sujeita, caso tivesse procedido como recomendado pela legislação tributária. A extinta Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, alterando seu entendimento anterior, deliberou pela possibilidade da incidência sobre uma mesma base da multa isolada e da multa de ofício acompanhada do tributo. Os Acórdãos nº: 10807.697 e 10807.660 da sessão de 18 de fevereiro de 2004, da lavra do ilustre Conselheiro José Carlos Teixeira da Fonseca, cuja ementa a seguir transcrevo, traduzem claramente este posicionamento. “CSL – LANÇAMENTO DE MULTA ISOLADA – FALTA DE PAGAMENTO DE ESTIMATIVAS – CONCOMITÂNCIA COM Fl. 2355DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 1202000.757 S1C2T2 Fl. 2.356 38 MULTA DE OFÍCIO ACOMPANHANDO EXIGÊNCIA DE TRIBUTO – COMPATIBILIDADE – A falta de recolhimento do IRPJ sobre a base de cálculo estimada por empresa que optou pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de ofício isolada, de que trata o inciso IV do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96. O lançamento é compatível com a exigência da contribuição apurada ao final do anocalendário, acompanhada da correspondente multa de ofício. Recurso negado.” Do voto dos referidos acórdãos, por esclarecedor, transcrevo o seguinte excerto: “Já participei de julgamentos nesta Câmara em que foi considerada incabível a aplicação concomitante da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas e da multa de ofício acompanhando exigência de tributo, que tiveram como base o mesmo valor apurado em procedimento fiscal. Todavia, a maioria dos membros desta Câmara mudou recentemente seu posicionamento quanto à matéria, por entender que seria injusto darse tratamento mais benéfico ao contribuinte que deixou de pagar as estimativas e o tributo definitivo do que àquele contribuinte que apenas deixou de recolher as estimativas. Porque seria exatamente isto que ocorreria ao compararse contribuintes com diferença de comportamentos, tendo um pago o tributo definitivo apurado ao final do anocalendário e o outro não o fazendo. Para o primeiro caso citado o Fisco lançaria apenas a multa isolada e para o segundo lançaria ambas as multas. A permanecer o entendimento anterior no primeiro exemplo a multa isolada seria mantida e no segundo, exonerada. Pareceme um contrasenso. Da análise dos autos fica claro que, ao deixar de efetuar os recolhimentos por estimativa, o contribuinte incidiu em infração à legislação da CSL, sujeitandose ao lançamento de ofício na forma do artigo 44, inciso I, §1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96. A autuação incluiu também a exigência de contribuição apurada ao final do anocalendário, acompanhada da correspondente multa de ofício. Esta porção do lançamento não é objeto do presente recurso, tendo sido parcialmente acatada pelo contribuinte e parcialmente exonerada em primeiro grau. Ressaltando a mudança de entendimento da maioria desta Câmara, não vislumbro mais qualquer incompatibilidade na exigência de ambas as multas para um mesmo período. Fl. 2356DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 1202000.757 S1C2T2 Fl. 2.357 39 Portanto, entendo que o Acórdão recorrido não merece qualquer reparo e assim sendo, manifestome por NEGAR provimento ao recurso.” Assim sendo, deve ser mantida a imposição da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas. g) Alegações de Inconstitucionalidade. As alegações apresentadas pelo recorrente a respeito inconstitucionalidade do artigo 74 da MP 2.15835/2001 e o efeito confiscatório da multa de ofício não podem aqui ser analisadas, porque não cabe a este Conselho discutir validade de lei. Tenho firmado entendimento em diversos julgados neste Colegiado, que, regra geral, falece competência a este Conselho Administrativo para, em caráter original, negar eficácia à lei ingressada regularmente no mundo jurídico, porque, pela relevância da matéria, no nosso ordenamento jurídico tal atribuição é de competência exclusiva do Supremo Tribunal Federal, com grau de definitividade, conforme arts. 97 e 102, III, da Constituição Federal, verbis: “Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: (Omissis) III – julgar, mediante recurso extraordinário, as causas decididas em única ou última instância, quando a decisão recorrida: a) contrariar dispositivo desta Constituição; b) declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal; c) julgar válida lei ou ato de governo local contestado em face desta Constituição.” Concluise que mesmo as declarações de inconstitucionalidade proferidas por juízes de instâncias inferiores não são definitivas, devendo ser submetidas à revisão. Em alguns casos, quando existe decisão definitiva da mais alta corte deste país, vejo que o exame aprofundado de certa matéria não tem o condão de exorbitar a competência deste colegiado e sim poupar o Poder Judiciário de pronunciados repetitivos sobre matéria com orientação final, em homenagem aos princípios da economia processual e celeridade. É neste sentido que conclui o Parecer PGFN/CRF nº 439/96, de 02 de abril de 1996, por pertinente, transcrevo: Fl. 2357DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 1202000.757 S1C2T2 Fl. 2.358 40 “17. Os Conselhos de Contribuintes, ao decidirem com base em precedentes judiciais, estão se louvando em fonte de direito ao alcance de qualquer autoridade instada a interpretar e aplicar a lei a casos concretos. Não estão estendendo decisão judicial, mas outorgando um provimento específico, inspirado naquela. (Omissis) 32. Não obstante, é mister que a competência julgadora dos Conselhos de Contribuintes seja exercida – como vem sendo até aqui – com cautela, pois a constitucionalidade das leis sempre deve ser presumida. Portanto, apenas quando pacificada, acima de toda dúvida, a jurisprudência, pelo pronunciamento final e definitivo do STF, é que haverá ela de merecer a consideração da instância administrativa.”(grifo nosso) Com base nestas orientações foi expedido o Decreto nº 2.346/97, que determina o seguinte: “As decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta, obedecidos os procedimentos estabelecidos neste Decreto. § 1 Transitada em julgado decisão do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, em ação direta, a decisão, dotada de eficácia “ex tunc”, produzirá efeitos desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional, salvo se o ato praticado com base na lei ou ato normativo inconstitucional não mais for suscetível de revisão administrativa ou judicial” (grifo nosso) Este entendimento já está pacificado pelo Poder Judiciário, como se vê no julgado do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que faz referência a precedentes do Supremo Tribunal Federal (STF): “DIREITO PROCESSUAL EM MATÉRIA FISCAL – CTN – CONTRARIEDADE POR LEI ORDINÁRIA – INCONSTITUCIONALIDADE. Constitucional. Lei Tributária que teria, alegadamente, contrariado o Código Tributário Nacional. A lei ordinária que eventualmente contrarie norma própria de lei complementar é inconstitucional, nos termos dos precedentes do Supremo Tribunal Federal (RE 101.084PR, Rel. Min. Moreira Alves, RTJ n° 112, p. 393/398), vício que só pode ser reconhecido por aquela Colenda Corte, no âmbito do recurso extraordinário. Agravo regimental improvido “(Ac. unânime da 2ª Turma do STJ – Agravo Regimental 165.452SC – Relator Ministro Ari Pargendler – D.J.U. de 09.02.98 – in Repertório IOB de Jurisprudência n° 07/98, pág. 148 – verbete 1/12.106) Fl. 2358DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 1202000.757 S1C2T2 Fl. 2.359 41 Recorro, também, ao testemunho do Prof. Hugo de Brito Machado para corroborar a tese da impossibilidade desta apreciação pelo julgador administrativo, antes do pronunciamento do STF: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional” (in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Editora Revista dos Tribunais, págs. 302/303). Do exposto, concluo que, regra geral, não cabe a este Conselho manifestarse a respeito de inconstitucionalidade de norma, apenas quando exista decisão definitiva em matéria apreciada pelo Supremo Tribunal Federal é que esta possibilidade pode ocorrer, o que não é o caso em questão. Vejo que foi prolatada a Súmula nº 02 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no sentido de que “o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. A multa de ofício foi perfeitamente aplicada ao fato apurado, haja vista a constatação de irregularidades tributárias, não se adequando o conceito de Confisco estampado no artigo 150 da Constituição Federal, que trata desta situação apenas no caso de tributos. O lançamento da CSLL em questão teve origem em matéria fática apurada na exigência principal, na qual a fiscalização lançou crédito tributário do Imposto de Renda Pessoa Jurídica. Tendo em vista a estreita relação entre eles existente, devese seguir os efeitos da decisão ali proferida, em que foi dado provimento parcial ao recurso voluntário. Pelos fundamentos expostos, voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência suscitadas, e, quanto ao mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar o item 003 do auto de infração, intitulado Custos, despesas operacionais e encargos não necessários, e reduzir o valor tributável do item 007 do auto de infração, nominado Adições não computadas na apuração do lucro real. Lucros auferidos no exterior. Disponibilização obrigatória em 31/12/2002 de lucros auferidos no exterior até 31/12/2001, para manter a tributação apenas do montante de R$2.379.239,70. (Documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Relator Fl. 2359DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 1202000.757 S1C2T2 Fl. 2.360 42 Fl. 2360DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 p or NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 13855.002546/2005-17
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2001, 2002.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTAS CONJUNTAS. INTIMAÇÃO.
Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Súmula CARF nº 29.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.062
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1597; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2.729 1 2.728 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13855.002546/200517 Recurso nº 156.673 Especial do Procurador Acórdão nº 920202.062 – 2ª Turma Sessão de 21 de março de 2012 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ENI APARECIDA SILVA MARQUES Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTAS CONJUNTAS. INTIMAÇÃO. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Súmula CARF nº 29. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM: 03/04/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Fl. 1DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº 102 49.298, proferido pela 2ª Câmara do 1º CC em 08/10/2008 (fls. 2690/2700), interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de contrariedade à Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 2704/2709). A decisão recorrida, por maioria de votos, rejeitou a preliminar de nulidade do lançamento, por quebra de sigilo bancário e pela irretroatividade da Lei 10.174/2001 e, no mérito, por unanimidade de votos, desqualificar a multa de ofício e, por maioria de votos, excluir da tributação os depósitos bancários realizados nas contas correntes conjuntas. Segue abaixo sua ementa: “EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula 1° CC n° 2, publicada no DOU, Seção 1, de 26, 27 e 28/06/2006). JUROS MORATÓRIOS. SELIC. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula 1° CC n° 4, publicada no DOU, Seção 1, de 26, 27 e 28/06/2006). APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processo de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTAS CONJUNTAS. INTIMAÇÃO. Nos casos de contas bancárias em conjunto é indispensável a regular e prévia intimação de todos os titulares para comprovar a origem dos recursos depositados e a infração de omissão de rendimentos deverá, necessariamente, ser imputada, em proporções iguais, entre os titulares, salvo quando estes apresentarem declaração em conjunto. MULTA QUALIFICADA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte cuja origem não foi justificada, independentemente da apresentação da Declaração de Ajuste Anual e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada. Preliminares rejeitadas.” Fl. 2DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13855.002546/200517 Acórdão n.º 920202.062 CSRFT2 Fl. 2.730 3 Segundo a recorrente, a decisão ora impugnada, além de contrariar a evidência das provas dos autos, maculou o art. 42, § 6° da Lei n° 9.430/96, pois este determina que, em não havendo comprovação da origem dos recursos, o valor dos rendimentos será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos pela quantidade de titulares. Desse modo, na hipótese de um cotitular não figurar no processo, a parcela que lhe compete deve ser cobrada por meio de um outro lançamento, desde que observado o prazo decadencial. Explica que o art. 42 da Lei no 9.430/96, em seu caput, disciplina uma presunção legal de omissão de rendimentos que permite o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Afirma que, no presente caso, não há imprescindibilidade de se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita e nem de se comprovar a ocorrência de acréscimo patrimonial, pelo que foi lavrado o auto de infração. Menciona que o art. 58 da Lei n o 10.637/2002 acrescentou ao mencionado art. 42, os §§ 5º e 6º, segundo os quais, tratandose de conta bancária conjunta, deve a exação referente a depósitos bancários de origem não comprovada incidir sobre cada um dos titulares de modo proporcional. Entende que não se deve desconsiderar totalmente o auto de infração em razão da ausência de intimação de um dos titulares da conta corrente, pois tal medida caracteriza rigor dispensável, em face dos princípios do informalidade e da verdade material que orientam o processo administrativo fiscal. Ao final, requer seja dado provimento ao recurso. Nos termos do Despacho n.º 089 (fls. 2710/2712), foi dado seguimento ao pedido em análise. O contribuinte apresentou, tempestivamente, contrarazões às fls. 2716/2719. Afirma que o recurso não merece provimento, uma vez que se aplicou corretamente o disposto no art. 42, §6º da Lei 9430/96. Explica que a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes é clara no sentido de que, existindo conta corrente conjunta, há de se intimar todos os correntistas, em especial na hipótese de não realizarem a declaração de imposto sobre a renda como dependentes. Pondera que, se não for cumprida essa determinação legal, é nulo o lançamento tributário. Ao final, requer o improvimento do recurso interposto. Eis o breve relatório. Voto Fl. 3DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Salientese que, não obstante o aludido recurso não encontrar previsão no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a Portaria Ministerial MF nº. 256, de 22 de junho de 2009, em suas disposições transitórias, prevê que os recursos com base no inciso I do art. 7° e do art. 9° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, interpostos em face de acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à 1° de julho de 2009, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento. Por seu turno o inciso I do art. 7° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, fazia previsão de interposição de recurso especial na hipótese de contrariedade à lei ou à evidência da prova. Examinandose o recurso especial apresentado com supedâneo no inciso I, verificase que ele demonstrou, fundamentadamente, que a decisão recorrida seria contrária à lei, no entendimento da Fazenda Nacional, consoante o disposto no inciso I do artigo 7º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Assim, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. A controvérsia ora sob exame foi dirimida com a aprovação da Súmula nº 29 do CARF, que, inclusive, teve atribuído o efeito vinculante em relação à administração tributária federal, pela Portaria MF nº 383, de 12 de julho de 2010, in verbis: “Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento..” Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 4DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10670.000609/2008-13
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA.
Na apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física são dedutíveis as despesas com hospitais, efetuadas pelo contribuinte, relativas ao próprio tratamento e no valor que foi comprovado com documentação hábil e idônea, ainda que apresentada em sede recursal.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-001.943
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer R$37.687,60 (trinta e sete mil, seiscentos e oitenta e sete reais e sessenta centavos) a título de despesas médicas, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 18/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Ewan Teles Aguiar, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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DESPESA MÉDICA. Na apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física são dedutíveis as despesas com hospitais, efetuadas pelo contribuinte, relativas ao próprio tratamento e no valor que foi comprovado com documentação hábil e idônea, ainda que apresentada em sede recursal. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer R$37.687,60 (trinta e sete mil, seiscentos e oitenta e sete reais e sessenta centavos) a título de despesas médicas, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 18/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Ewan Teles Aguiar, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 06 09 /2 00 8- 13 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) do exercício 2004 , anocalendário 2003, em virtude de glosa no valor de valor de R$37.713,24 de dedução de despesas hospitalares declaradas como pagas ao Hospital Felício Rocho. O valor declarado foi de R$113.314,15 (fls. 21), intimado apresentou nota fiscal 004199 Fatura 562973 (fls. 12) no valor de R$113.062,80, entretanto o Hospital não confirmou o recebimento da integralidade e sim de apenas R$75.601,31 (fls.38). Na impugnação alegouse que a nota fiscal é o documento hábil para comprovar a despesa e não a informação do Hospital. Após diligência constatouse que o Hospital confirmou que não recebeu a primeira parcela do tratamento e apresentou registros contábeis nos quais não foi anotada a entrada do numerário e que não há registro de quitação na nota fiscal. A ciência do acórdão se deu por via editalícia em 19/01/2009, o recorrente apresentou recurso voluntário em 02/02/2009, no qual apresenta os seguintes argumentos: 1. a prova se deu pela nota fiscal onde consta que a primeira parcela foi paga no caixa do hospital e o número e data do recibo que foi extraviado; 2. descreve os procedimentos adotados pelo Hospital à época dos fatos para demonstrar que se não houvesse sido efetuado o pagamento da primeira parcela o credor não teria emitido boleto para pagamento das posteriores parcelas; 3. cita doutrina e precedentes judiciais; e 4. expõe que houve um silogismo equivocado, pois o fato de o Hospital somente ter confirmado o pagamento de duas parcelas e não ter encontrado documento relativo ao pagamento da primeira não significa que esta não ocorreu. Posteriormente foi juntada petição em que é informado que o recorrente faleceu em 27/05/2010, que seu filho localizou o recibo que havia sido extraviado, o qual é juntado aos autos (fls. 124) como prova irrefutável do pagamento contestado pela fiscalização e que os herdeiros precisam da conclusão deste processo para fins de inventário. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10670.000609/200813 Acórdão n.º 2802001.943 S2TE02 Fl. 128 3 O litígio é resumido como a falta de comprovação da primeira parcela referente à internação hospitalar do recorrente no Hospital Felício Rocho, que apesar de já constar nos autos a nota fiscal, O pagamento confirmado pelo hospital era de valor inferior. Tratase do recibo nº 026898, emitido pelo Hospital Felício Rocho em 19/03/2003 (fls. 125) no valor de R$37.687,60 que comprova o pagamento da primeira parcela e o direito à dedução correspondente. Entretanto, parte da glosa (R$25,24) deve ser mantida pois o valor declarado (R$113.314,15; fls. 21) foi superior ao que foi comprovado (R$113.288,91). Conclusão: DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer R$37.687,60 (trinta e sete mil, seiscentos e oitenta e sete reais e sessenta centavos) a título de despesas médicas. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 134DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10670.000609/200813 Acórdão n.º 2802001.943 S2TE02 Fl. 129 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão identificado em epígrafe. Brasília/DF, 18 de outubro de 2012 (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 136DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10865.003964/2008-59
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - OMISSÃO NA FOLHA DE PAGAMENTO. Constitui infração a legislação a omissão em folha de pagamento, de valores pagos aos segurados empregados.
MÉDICO RESIDENTE - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO - Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos aos médicos residentes, na qualidade de contribuintes individuais, portanto segurados obrigatórios.
BOLSA DE ESTUDO DE DEPENDENTE - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO- Não incidem contribuições previdenciárias nas verbas pagas à título de bolsas de estudo, somente quando estas são destinadas aos empregados e dirigentes, não sendo extensivo tal benefícios aos dependentes destes.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-002.776
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire- Presidente
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; Kleber Ferreira de Araújo; Igor de Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa .
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - OMISSÃO NA FOLHA DE PAGAMENTO. Constitui infração a legislação a omissão em folha de pagamento, de valores pagos aos segurados empregados. MÉDICO RESIDENTE - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO - Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos aos médicos residentes, na qualidade de contribuintes individuais, portanto segurados obrigatórios. BOLSA DE ESTUDO DE DEPENDENTE - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO- Não incidem contribuições previdenciárias nas verbas pagas à título de bolsas de estudo, somente quando estas são destinadas aos empregados e dirigentes, não sendo extensivo tal benefícios aos dependentes destes. Recurso Voluntário Negado
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Constitui infração a legislação a omissão em folha de pagamento, de valores pagos aos segurados empregados. MÉDICO RESIDENTE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos aos médicos residentes, na qualidade de contribuintes individuais, portanto segurados obrigatórios. BOLSA DE ESTUDO DE DEPENDENTE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO Não incidem contribuições previdenciárias nas verbas pagas à título de bolsas de estudo, somente quando estas são destinadas aos empregados e dirigentes, não sendo extensivo tal benefícios aos dependentes destes. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 39 64 /2 00 8- 59 Fl. 1350DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; Kleber Ferreira de Araújo; Igor de Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa . Fl. 1351DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10865.003964/200859 Acórdão n.º 2401002.776 S2C4T1 Fl. 1.341 3 Relatório Tratase de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, lavrado contra o contribuinte acima identificado, com fulcro no art. 32, I da Lei 8212/91 por ter deixado a empresa de preparar as folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela legislação previdenciária . De acordo com o Relatório Fiscal, a autuada deixou de preparar as folhas de pagamento dos segurados, em relação às verbas pagas a título de bolsas de estudos concedidas aos dependentes dos segurados, sobre os valores pagos aos contribuintes individuais, assim como sobre as bolsas de estudo concedidas aos alunos do curso de pós graduação em medicina veterinária. Inconformado com a Decisão que julgou procedente a autuação, o contribuinte apresentou recurso onde alega em síntese: Que o lançamento não pode contemplar as verbas indenizatórias pagas aos segurados empregados pois estas estavam previstas em Convenção Coletiva, o que deve ser reconhecido pela Administração Tributária em respeito ao art. 7º, XXVI da Constituição Federal; Afirma que o empregado somente fará jus ao recebimento das indenizações previstas na CCT, quando o empregador der causa, não por força de seu trabalho tendo a Convenção estabelecido condições específicas para que tais indenizações fossem pagas. No que se refere às bolsas de estudos concedidas aos médicos residentes, a recorrente defende a não incidência de contribuições sobre tais valores por não se tratar de remuneração. Questiona também a incidência de contribuição sobre as bolsas de estudo fornecidas aos dependentes dos segurados. Defende que a isenção prevista no artigo 28, § 9º, “t”, da Lei .n° 8212/91, se aplica a pósgraduação, pois se trata de capacitação e qualificação profissional sendo certo que a própria denominação do curso remete a idéia de que o curso está indo além do que se aprendeu durante a graduação. Por fim requer a procedência do recurso ou, na hipótese de insucesso do presente recurso, que sobre o Auto de Infração que originou o presente processo e acórdão guerreado, seja aplicada em relação a multa, o enquadramento da autuada nas faixas estabelecidas pelo artigo 284, I do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. É o relatório. Fl. 1352DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Relator O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. A presente autuação foi lavrada em virtude do descumprimento da obrigação acessória descrita no art. 32, I da Lei 8212/91, em virtude da omissão nas folhas de pagamento da autuada, dos valores pagos as segurados empregados e contribuintes individuais à título de bolsas de estudo e verbas indenizatórias. Contudo, a recorrente se insurge apenas com relação ao mérito no tocante a não incidência de contribuições sobre as rubricas levantadas nas autuações relativas às obrigações principais, também julgadas nesta assentada. Assim como naqueles processos, transcrevo o entendimento que levou ao julgamento pela procedência dos levantamentos efetuados. Das verbas previstas em Convenção Coletiva Em um primeiro momento, entendo que as Convenções e Acordos Coletivos tem caráter normativo vez que, às empresas, não cabe descumprir a convenção coletiva, eis que estariam descumprido norma expressa do nosso ordenamento jurídico, sujeitandose a sanções administrativas e judiciais cabíveis (Auto de Infração pela Delegacia Regional do Trabalho; Ação de Cumprimento pelo Sindicato; etc...), já que a mesma é equiparada à lei, tendo efeito obrigacional sobre todas as empresas e trabalhadores dos sindicatos signatários na sua base territorial. A força de lei da convenção coletiva é conferida pela Constituição Federal, através dos artigos 7º, inciso XXVI, e 114, e pela Consolidação das Leis do Trabalho, através do artigo 611, que equiparam as mesmas as leis ordinárias, devendo, portanto, ser respeitada e cumprida. Contudo, temos que a não incidência de contribuição sobre as verbas pagas a título indenização, devem cumprir outros requisitos, em especial, o de ser efetivamente uma verba indenizatória. Do que consta dos autos, tais verbas eram na verdade verbas rescisórias pagas quando da dispensa imotivada dos segurados, não podendo dar a estes pagamentos, o caráter indenizatório, ainda que previstos em Convenção Coletiva. Da residência médica A situação do médicoresidente é sui generis: ao mesmo tempo que é graduado e inscrito no Conselho Profissional, podendo assim exercer a medicina, ele se encontra em aperfeiçoamento. A residência médica é modalidade de ensino de pósgraduação, caracterizada por treinamento em serviço, sob orientação de profissionais médicos, cujo programa deve ser aprovado pela Comissão Nacional de Residência Médica, vinculada ao Ministério da Educação. É situação diferente do estagiário, por exemplo, que ainda está em formação profissional e só pode se inscrever na Previdência Social como segurado facultativo. Fl. 1353DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10865.003964/200859 Acórdão n.º 2401002.776 S2C4T1 Fl. 1.342 5 Os médicosresidentes, desde a Lei nº 6.932, de 7 de julho de 1981, são segurados obrigatórios da Previdência Social, na qualidade de segurados autônomos, hoje denominados contribuintes individuais. As instituições que oferecem residência médica, por sua vez, são equiparadas a empresa, para fins da legislação previdenciária e, portanto, também têm obrigação de recolher a sua contribuição sobre os valores pagos aos médicosresidentes, como já fazem, ou devem fazer, em relação a todos os contribuintes individuais que lhes prestam serviços. Na realidade, o médico residente é médico, ou seja, já formado e apto a clinicar, tão somente desenvolvendo especialidade. Desta forma, o que recebe é sim, ainda que de forma mediata, retribuição pelo serviço que exerce, apesar de supervisionado. Ademais, a inclusão de tais valores agrega ao paradigma da universalidade de cobertura e atendimento e, em especial, a diversidade da base de financiamento conforme estabelecido pela Constituição Federal. Esta é uma situação diversa daquela definida na Lei 9.250/95, em seu art. 26, que isenta de imposto de renda as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, pois no presente caso, há sim a vantagem para o doador e a verba paga ao médico residente representa uma contraprestação pelos serviços prestados. Das bolsas de estudo fornecida aos dependentes Em regra geral, as bolsas de estudo fornecidas pelas empresas aos dependentes de seus empregados e dirigentes, sofre incidência de contribuição previdenciária. Porém, esta não é uma regra absoluta, devese atentar a cada caso concreto antes de se chegar a esta conclusão. Pelo que se depreende da planilha constantes nos anexos, todas as bolsas de estudo que foram oferecidas aos filhos dos empregados. Conforme se depreende do art.214,.§ 9º, inciso XIX: §9º Não integram o salário de contribuição, exclusivamente: (...) XIXo valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; Do mencionado artigo temos que as verbas que não sofrem incidência de contribuições são aquelas relativas aos valores pagos à título de bolsas, somente aos empregados e dirigentes, não sendo extensivas aos dependentes destes. Sobre este assunto, o Superior Tribunal de Justiça, em vários julgados entendeu pela não incidência de contribuições previdenciárias tão somente no que tange aos valores pagos aos empregados, sem mencionar os dependentres, senão vejamos: RECURSO ESPECIAL Nº 784.887 SC (2005/01618537) Fl. 1354DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 RELATOR : MINISTRO TEORI ALBINO ZAVASCKI RECORRENTE : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS PROCURADOR : MANOEL FELIPE REGO BRANDAO E OUTROS RECORRIDO : COOPERATIVA REGIONAL AGROPECUÁRIA DE CAMPOS NOVOS LTDA COPERCAMPOS ADVOGADO : ADEMAR SILVA DOS SANTOS E OUTRO EMENTA TRIBUTÁRIO. SALÁRIODE CONTRIBUIÇÃO. VALORES GASTOS COM A EDUCAÇÃO DO EMPREGADO (BOLSAS DE ESTUDO). CARÁTER SALARIAL. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. 1. Os valores despendidos pelo empregador a título de bolsas de estudo destinadas aos empregados não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária (REsp 231.739/SC, Min. João Otávio de Noronha, 2ª Turma, DJ 12.09.2005; REsp 676.627/PR, 1ª Turma, Min. Luiz Fux, DJ 09.05.2005, REsp 324178/PR, 1ª Turma, Min. Denise Arruda, DJ. 17.02.2004; AgRg no REsp 328602/RS 1ª Turma, Min. Francisco Falcão, DJ.02.12.2002; REsp 365398/RS 1ª Turma, Min. José Delgado, DJ. 18.03.2002). 2. Recurso especial a que se nega provimento E ainda; RECURSO ESPECIAL Nº 676.627 PR (2004/01092736) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : CIMENTO RIO BRANCO S/A ADVOGADO : JOSÉ CARLOS BUSATTO E OUTRO RECORRIDO : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS PROCURADOR : ADILSON LUIZ BOHATCZUK E OUTROS EMENTA PREVIDENCIÁRIO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. VERBAS CREDITADAS A TÍTULO DE AUXÍLIO EDUCAÇÃO E AUXÍLIO MATRIMÔNIO. 1. "O auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba empregada para o trabalho, e não pelo trabalho." (RESP 324.178PR, Relatora Min. Denise Arruda, DJ de 17.12.2004). 2. In casu, o auxílioeducação é pago pela empresa em forma de reembolso das mensalidades da faculdade, cursos de línguas e outros do gênero, destinados ao aperfeiçoamento dos seus empregados. Precedentes: REsp 324178/PR, 1ª T., Rel. Min. Denise Arruda, DJ. 17.02.2004; AgRg no REsp 328602/RS 1ª T., Rel. Min. Francisco Falcão, DJ.02.12.2002; REsp 365398/RS 1ª T., Rel. Min. José Delgado, DJ. 18.03.2002. 3. O auxílio matrimônio, fornecido uma única vez ao empregado, por ocasião de suas primeiras núpcias, não integra o saláriode contribuição, porquanto ausente a habitualidade do seu pagamento. Fl. 1355DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10865.003964/200859 Acórdão n.º 2401002.776 S2C4T1 Fl. 1.343 7 4. Recurso Especial provido. Desta forma, ainda que a recorrente apele para o caráter social do fato gerador em comento, a legislação e a jurisprudência não tem corroborado com tal entendimento. Desta forma, a recorrente infringiu o disposto no art. 32, I da Lei 8212/91 que assim dispõe: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; No que se refere a multa, temos que no presente caso fora aplicado o valor fixo no mínimo legal admitido, independente da quantidade de segurados, o que deve ser mantido, não merecendo acolhimento os argumentos recursais. Ante ao exposto conheço do recurso e negolhe provimento. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 1356DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 12963.000349/2007-27
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/2006
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL.
O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Independe da intenção do agente a responsabilidade por infração à legislação tributária.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação de penalidades previstas em lei vigente, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório.
ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE.
Tendo havido alteração na legislação que instituiu sistemática de cálculo da penalidade por descumprimento de obrigação acessória, deve-se aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento, se mais benéfica ao sujeito passivo.
Numero da decisão: 2401-002.657
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos: a) declarar a decadência para os períodos de 12/1999 a 12/2000; e b) afastar a preliminar de exclusão dos presidentes da Cooperativa do REPLEG - Relatório de Representantes Legais. II) pelo voto de qualidade, dar .provimento parcial ao recurso, de modo que se aplique a multa mais benéfica ao contribuinte, a qual terá como limite o valor calculado nos termos do art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996 (75% do tributo a recolher), deduzidas as multas aplicadas sobre contribuições previdenciárias na(s) NLFD correlata (s). Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que aplicavam o art. 32-A da Lei nº 8.212/91.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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INFRAÇÃO Apresentar a GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. AUSÊNCIA DE MÁFÉ OU DOLO. IRRELEVÂNCIA PARA FINS DE APLICAÇÃO DA MULTA POR INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO. Independe da intenção do agente a responsabilidade por infração à legislação tributária. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação de penalidades previstas em lei vigente, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE. Tendo havido alteração na legislação que instituiu sistemática de cálculo da penalidade por descumprimento de obrigação acessória, devese aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento, se mais benéfica ao sujeito passivo. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/12/1999 a 30/11/2006 RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 96 3. 00 03 49 /2 00 7- 27 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 O Relatório de Representantes Legais representa mera formalidade exigida pelas normas de fiscalização, em que é feita a discriminação das pessoas que representavam a empresa ou participavam do seu quadro societário no período do lançamento, não acarretando, na fase administrativa do procedimento, qualquer responsabilização das pessoas constantes daquela relação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/2006 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos: a) declarar a decadência para os períodos de 12/1999 a 12/2000; e b) afastar a preliminar de exclusão dos presidentes da Cooperativa do REPLEG Relatório de Representantes Legais. II) pelo voto de qualidade, dar .provimento parcial ao recurso, de modo que se aplique a multa mais benéfica ao contribuinte, a qual terá como limite o valor calculado nos termos do art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996 (75% do tributo a recolher), deduzidas as multas aplicadas sobre contribuições previdenciárias na(s) NLFD correlata (s). Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que aplicavam o art. 32A da Lei nº 8.212/91. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12963.000349/200727 Acórdão n.º 2401002.657 S2C4T1 Fl. 91 3 Relatório Tratase do Auto de Infração – AI n.º 37.034.7285, lavrado contra o sujeito passivo para aplicação de multa em razão do descumprimento da obrigação acessória de declarar todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP. Nos termos do relatório fiscal da infração, fls. 54/55, não foram totalmente informados os valores pagos aos segurados empregados e contribuintes individuais nas competências 12/1999, 01/2000, de 03/2000 a 12/2000, 01/2003, 02/2003, 05/2003, 12/2003, 13/2003, 13/2004, 07/2005, 08/2005 e 11/2006 do estabelecimento 25.784.141/000173 e 13/2003, 03/2004 e 13/2004 do estabelecimento 25.784.141/000254. Apresentase quadro indicativo das contribuição que deixaram de ser declaradas. Cientificada do lançamento em 03/12/2007, a Cooperativa ofertou impugnação, fls. 57/58, cujas razões foram acatadas em parte pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora (MG), que, detectando erro na aplicação da multa na competência 13/2003, declarou a procedência parcial da lavratura (ver fls. 68/75), em acórdão assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/11/2007 INFRAÇÃO. _ GFIP. OMISSÃO DE FATO GERADOR MULTA FIXADA EM LEI. APLICABILIDADE.' RETIFICAÇÃO DA PENA IMPOSTA A MAIOR. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. EMISSÃO OBRIGATÓRIA. Constitui infração apresentar Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A prática de infração sujeita o responsável às penalidades administrativas previstas na norma vigente, cujo valor é periodicamente atualizado na forma da lei. A multa aplicada à maior em auto de infração será corrigida no próprio acórdão, com abertura de prazo para recurso ou pagamento com redução de 25%. Não tem caráter confiscatório a penalidade imposta na forma da legislação vigente. Na via administrativa não é possível afastar a aplicação de lei, decreto ou ato normativo em vigor. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 O controle da legalidade e/ou da constitucionalidade de lei é matéria reservada ao Supremo Tribunal Federal. O "REPLEG Relatório de Representantes Legais" é documento de emissão obrigatória que integra o auto de infração. Lançamento Procedente em Parte Irresignado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls. 79/81, no qual, em apertada síntese, alegou que: a) o fisco não comprovou que a em presa agiu com máfé, apenas indicando meros erros de valores; b) a multa aplicada tem caráter confiscatório; c) não cabe na espécie a imposição de penalidade, mas apenas a exigência dos valores não recolhidos; c) devem ser excluídos do polo passivo os presidentes da entidade, posto que não praticaram qualquer ato de gestão que pudesse qualificálos como corresponsáveis; Ao final pede o cancelamento da multa imposta. É relatório. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12963.000349/200727 Acórdão n.º 2401002.657 S2C4T1 Fl. 92 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Exclusão de representantes legais O pedido para exclusão dos representantes legais do polo passivo da relação tributária não merece acolhida. É que não há a vinculação dos mesmos na condição de devedores. No presente caso, a responsabilização é das empresas arroladas, os sócios e gerentes, por serem os representantes legais do sujeito passivo, constam da relação anexada ao AI apenas para cumprir formalidade das normas emanadas da Administração, sendo que este rol tem caráter apenas informativo O Fisco não atribuiu responsabilidade direta aos sócios/gestores, mas apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Assim, a empresa carece de interesse de agir quanto ao pedido exclusão dos representantes legais, posto que inexiste a alegada responsabilização dos mesmos pelo crédito. Decadência Mesmo não alegada, cabeme, por ser matéria de ordem pública, verificar a possível perda do direito do fisco de aplicar a multa, em razão da decadência É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 94DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que, com base nos elementos constantes nos autos, não seja possível se chegar a uma conclusão segura sobre esse fato. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Tratandose de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, devo lançar mão do 173, I, para contagem da decadência. Considerandose que a ciência do lançamento ocorreu em 03/12/2007, deve ser reconhecida a decadência para o período de 12/1999 a 12/2000. Ocorrência da infração O fisco apresentou em seu relato todos os fatos geradores que a empresa deixou de declarar na GFIP. Esta, embora questione a conclusão fiscal, não indicou precisamente sobre quais valores o fisco teria se equivocado. Sequer foram exibidas GFIP retificadoras no sentido de sanear a infração, limitandose a recorrente a afirmar que algum possível erro detectado não se deu por máfé ou dolo. Estou convencido de que o fisco conseguiu demonstrar a ocorrência de infração ao art. 32, IV, da Lei n.º 8.212/1991, in verbis: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS.( redação inserida pela Lei n.º 9.528/1997) (...) Tendo deixado de cumprir dever instrumental legalmente previsto, deve o sujeito passivo arcar com a multa administrativa legalmente prevista. Assim, é de se concluir que o fisco agiu com acerto ao lavrar o presente AI. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12963.000349/200727 Acórdão n.º 2401002.657 S2C4T1 Fl. 93 7 Sobre a ausência de dolo ou máfé, tenho a dizer que o art. 136 do CTN veda a apreciação de elementos subjetivos para fins de responsabilidade por infrações à legislação tributária. Nesse sentido, ocorrendo a conduta tipificada na Lei, é imperiosa a imposição da penalidade correlata, independentemente de valoração quanto à ocorrência de dolo, máfé ou prejuízo ao erário. Multa – caráter confiscatório Arguiu a recorrente a inconstitucionalidade da multa aplicada, em face do seu caráter confiscatório. Na análise dessa razão, não se pode perder de vista que o lançamento da penalidade por descumprimento de obrigação acessória é operação vinculada, que não comporta emissão de juízo de valor quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja vista que uma vez definido o patamar da quantificação da penalidade pelo legislador, fica vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restandolhe apenas aplicar a multa no quantum previsto pela legislação. Cumprindo essa determinação a autoridade fiscal, diante da ocorrência da infração fato incontestável aplicou a multa no patamar fixado na legislação, conforme muito bem demonstrado no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, em que são expressos o fundamento legal e os critérios utilizados para a gradação da penalidade aplicada. Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. No âmbito do julgamento administrativo, a matéria acabou por ser sumulada, como se vê do seguinte enunciado de súmula: Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de lei e decreto trazidas pela recorrente. Aplicação da multa mais benéfica Outra questão sobre a qual devo ponderar de ofício é a aplicação da multa mais benéfica. É que ocorreu alteração do cálculo da multa para esse tipo de infração pela Medida Provisória n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009. Nessa toada, deve o órgão responsável pelo cumprimento da decisão recalcular o valor da penalidade, posto que o critério atual pode ser mais benéfico para o contribuinte, de forma a prestigiar o comando contido no art. 106, II, “c”, do CTN, verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 96DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Devese, então, limitar a multa do presente AI ao valor calculado nos termos do art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996 (75% do tributo a recolher), deduzidas as multas aplicadas sobre contribuições previdenciárias na NLFD correlata. Conclusão Diante do exposto, voto por afastar a preliminar de exclusão dos presidentes da Cooperativa da Relação de Representantes Legais, por reconhecer a decadência para o período de 12/1999 a 12/2000 e, no mérito, por dar .provimento parcial ao recurso, de modo que se aplique a multa mais benéfica ao contribuinte, a qual terá como limite o valor calculado nos termos do art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996 (75% do tributo a recolher), deduzidas as multas aplicadas sobre contribuições previdenciárias na(s) NLFD correlata (s). Kleber Ferreira de Araújo Fl. 97DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 35092.000885/2006-43
Data da sessão: Tue Dec 01 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Dec 01 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/1999 a 30/06/2006
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. O protocolo do
recurso voluntário após o prazo legal de 30 (trinta) dias enseja o seu não conhecimento.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 2402-000.352
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: Lourenço Ferreira Do Prado
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 30/06/2006 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. O protocolo do recurso voluntário após o prazo legal de 30 (trinta) dias enseja o seu não conhecimento. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
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Numero do processo: 10120.000407/2006-28
Data da sessão: Mon May 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon May 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
Ementa: ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA (RESERVA LEGAL). COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA DE ADA. O contribuinte não logrou comprovar a efetiva existência das áreas declaradas a titulo de Preservação Permanente e de Utilização Limitada, nem a protocolização do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao Ibama ou órgão conveniado, em razão do que referidas áreas restam não comprovadas para fins de exclusão na apuração do ITR, nos termos da legislação aplicável.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-000.081
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: Helcio Lafeta Reis
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ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 Ementa: ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA (RESERVA LEGAL). COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA DE ADA. O contribuinte não logrou comprovar a efetiva existência das áreas declaradas a titulo de Preservação Permanente e de Utilização Limitada, nem a protocolização do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao Ibama ou órgão conveniado, em razão do que referidas áreas restam não comprovadas para fins de exclusão na apuração do ITR, nos termos da legislação aplicável. Recurso Voluntário Negado.
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COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA DE ADA. O contribuinte não logrou comprovar a efetiva existência das áreas declaradas a titulo de Preservação Permanente e de Utilização Limitada, nem a protocolização do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao Ibama ou órgão conveniado, em razão do que referidas áreas restam não comprovadas para fins de exclusão na apuração do ITR, nos termos da legislação aplicável. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. c,--.." 4 ai '"4 iSyir ENRIQUE PINHEIRO'TORRES *--- Presidente 4tf\P--Pl HÉLCIO LAFETÁ REIS - Relator EDITADO EM: 13/09/2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Alex Oliveira Rodrigues de Lima e Hélcio Lafetá Reis. i 1 Relatório Contra o interessado supra-identificado foi lavrado, em 24/01/2006, o Auto de Infração (AI) de fls. 19 a 24, concernente a lançamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR do exercício 2002, referente ao imóvel rural denominado "Fazenda Cachoeira e Covas", localizado no município de Jatai/GO, cadastrado na Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) sob o número 4.991.437-5. O AI foi lavrado a partir de dados apurados pela Fiscalização da DRF Goiânia/GO, após intimação do contribuinte (fl. 5), quando foi solicitada a apresentação de documentos comprobatórios de valores declarados na declaração do ITR do exercício de 2002. A autoridade fiscal, com base na documentação apresentada pelo contribuinte, promoveu alterações nos dados originalmente declarados, glosando as áreas de i Preservação Permanente e de Utilização Limitada por ausência de comprovação — inexistência do Ato Declaratório Ambiental (ADA) e averbação intempestiva da Reserva Legal. O contribuinte, após ciência do AI, apresentou impugnação (fls. 31 a 45), alegando em síntese: a) a área de reserva legal declarada (505,18,18 hectares) foi originariamente averbada na matrícula do imóvel em 18.11.1991 fl. 33); b) considerando que a comprovação da veracidade das informações declaradas é obrigação da autoridade fiscal, esta deveria ter procedido à vistoria no imóvel para certificar-se quanto à existência ou não das áreas não-tributáveis declaradas. Além disso, não se considerou a prova documental apresentada (certidão da matricula do imóvel e mapa assinado por técnico agrimensor); c) o Senhor Auditor-Fiscal fundamentou sua decisão de lançar diferença do ITR/2002 de oficio, em legislação já revogada, eis que a partir da publicação da MP 2.166-67, de 24.08.2001 (ainda em vigência por força da EC n° 32/2001), o contribuinte está dispensado de pré-comprovar a existência das áreas de reserva legal e permanente, conforme dispõe o parágrafo 7°, do artigo 10, da Lei 9.393/96 07. 35); d) a multa de oficio aplicada é ilegal e confiscatória. Ao final da peça impugnatória, requereu a decretação de nulidade do Auto de Infração ou, alternativamente, a suspensão da multa ou sua limitação ao mínimo legal de 20%. A DRJ Brasília/DF julgou o lançamento procedente (fls. 54 a 68), cuja ementa assim dispôs: NULIDADE DO LANÇAMENTO - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Tendo a contribuinte compreendido as matérias tributadas e exercido de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em NULIDADE do auto de infração, que contém todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal - PAF. Cabe ao contribuinte, quando solicitado pela autoridade fiscal, comprovar com documentos hábeis os dados cadastrais informados na sua DITR. - 2 Processo n° 10120.000407/2006-28 S3-TE01 Acórdão n.° 3801-00.081 Fl. 91 DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA /RESERVA LEGAL. As áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente ADA. DA MULTA LANÇADA (75,0%). Apurado imposto suplementar em procedimento de fiscalização, no caso de informação incorreta na declaração - ITR, cabe exigi-lo juntamente com a multa lançada, aplicada aos demais tributos. Em seu voto, o relator considerou, em síntese, o seguinte: a) o ônus da prova — no caso, documental - é do contribuinte, o qual cumpre guardar ou produzir, conforme o caso, até a data de homologação do auto-lançamento, prevista no § 4' do art. 150, do CTN, os documentos necessários à comprovação dos dados cadastrais informados na declaração (DIAC/DIAT) para efeito de apuração do ITR devido naquele exercício, e apresentá-los, quando exigido, à autoridade fiscal (fl. 60); b) contendo o Auto de infração os requisitos legais estabelecidos no art. 10, do Decreto n" 70.235/72, que rege o Processo Administrativo Fiscal, especialmente no que diz respeito à correta descrição dos fatos e ao enquadramento legal da matéria tributada — glosa das áreas declaradas como de preservação permanente e como utilização limitada/reserva legal -, e tendo a contribuinte dele tomado ciência e exercido de forma plena, dentro do prazo legal, o seu direito de defesa, não há que se falar em NULIDADE, por ofensa aos citados princípios constitucionais (fi. 62); c) no que diz respeito a essa exigência específica — averbação tempestiva da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel — é preciso dar razão à requerente, que instruiu a sua defesa com a Certidão de fls. 48/50, do CRI e Anexos da Comarca de Jataí — GO, comprovando a averbação tempestiva de uma área de utilização limitada/reserva legal de 505, 18 ha (AV.01.765, fls. 247, do livro 2-AU]), realizada em 18/11/1991. Assim, a averbação providenciada posteriormente pela requerente, conforme Certidão de fls. 08/14, do mesmo Cartório Imobiliário, visou apenas demarcar e redimensionar a nova área de utilização limitada/reserva legal da propriedade (fl. 62); d) a requerente não comprovou nos autos a protocolização, mesmo que intempestiva, do requerimento/ADA, junto ao IBAMA/órgã o conveniado (fl. 65); e) a cobrança da multa lançada de 75% está devidamente amparada nos dispositivos legais citados anteriormente (§ 2" do art. 14 da Lei n° 9.393/1996 c/c o art. 44, inciso I, da Lei n" 9.430/1996), não havendo previsão legal que esse percentual seja reduzido para 20%, conforme pretende a requerente (fl. 67). Inconformado, o contribuinte recorre a este Conselho, conforme petição de fls. 72 a 83, e requer o provimento de seu recurso com reforma da decisão de primeira instância, repisando os mesmos argumentos apresentados em sede de impugnação relativos à comprovação das áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada, precipuamente no que se refere à apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA), e aduzindo que a DRJ não questionou a real existência dessas áreas, tendo havido apenas apego a uma exigência % 3 excessivamente burocrática e ilegal, qual seja, a necessidade de apresentação do Ato Declarató rio Ambiental (fl. 76). É o relatório. Voto Conselheiro HÉLCIO LAFETÁ REIS, Relator O recurso é tempestivo e preenche as condições de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. Em seu recurso, inconformado com a decisão de 1' instância administrativa que não acatou as áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada por falta de apresentação do ADA, o contribuinte alega ausência de fundamentos de fato e de direito que amparem o lançamento de oficio efetuado. I. Ato Deelaratório Ambiental (ADA) - Obrigatoriedade Para análise da questão relativa à exigência do ADA para comprovar as áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada, necessário se faz perquirir acerca do papel destinado às áreas de interesse ambiental na tributação do ITR em face da previsão constitucional relativa à matéria. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) é tributo da competência da União que, em face da extrafiscalidade que lhe é inerente, conforme se depreende do contido no art. 153, § 4°, inciso I, da Constituição Federal, visa a desestimular a manutenção de propriedades improdutivas, em respeito ao principio da "função social da propriedade" assegurado constitucionalmente como direito e garantia fundamental (art. 5°, inciso XXIII, e art. 170, inciso III). A própria Constituição, ao tratar da política agrícola e fundiária, define, em seu artigo 186, o alcance do princípio da "função social da propriedade", in verbis: Art. 186. A função social é cumprida quando a propriedade rural atende, simultaneamente, segundo critérios e graus de exigência estabelecidos em lei, aos seguintes requisitos: 1- aproveitamento racional e adequado; II - utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente; III - observância das disposições que regulam as relações de trabalho; IV - exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários e dos trabalhadores. Com base nos dispositivos constitucionais referenciados, constata-se que o ITR não se restringe a um tributo de caráter meramente arrecadatório, tendo sido estruturado de forma a desonerar os imóveis rurais em que se concretiza o principio da "função social da propriedade" por meio, dentre outras dimensões, da preservação do meio ambiente. 4 Processo n° 10120.000407/2006-28 S3-TE01 Acórdão n.° 3801-00.081 Fl. 92 A exigência do ITR, nos termos da Lei n° 9.393/1996, foi disciplinada, inicialmente, pela IN SRF n° 43/1997, alterada e suplantada por instruções normativas posteriores contendo dicções equivalentes, dentre elas a IN SRF n° 256/2002, aplicável ao presente caso, que, dentre outras disposições, instituiu a obrigação acessória do contribuinte requerer o ato declaratório junto ao Ibama em até seis meses contados da entrega da declaração do ITR. Nesse contexto, vale ressaltar que o Código Tributário Nacional (CTN), em seu art. 113, § 2°, define que a obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (grifei) Verifica-se, portanto, que a obrigação acessória decorre da "legislação tributária", que, por sua vez, nos termos do art. 96 do CTN, compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. O conceito de "normas complementares" consta do art. 100 do CTN, in verbis: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: 1 - os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; O Ato Declaratório Ambiental (ADA) tem a função de indicar ao órgão público responsável pela fiscalização ambiental (Ibama) a existência ou não de áreas de interesse ambiental no imóvel rural. O lbama, com base nessas informações, poderá proceder a vistoria no local para certificar-se quanto à veracidade dos dados declarados. Referido ato declaratório, portanto, tem função primordial de apontar as áreas não-tributáveis para fins de apuração do ITR, possibilitando ao órgão ambiental proceder a verificações in loco, confirmando-as ou emitindo de oficio um novo ato contendo a real situação existente no imóvel. A falta do ato declaratório dificulta, ou mesmo, inviabiliza a aferição da real existência das áreas de interesse ambiental declaradas e das condições de sua preservação. Deve-se ressaltar que o ADA não se restringe a uma mera formalidade, despida de fundamento lógico. Trata-se, em verdade, de um instrumento de garantia do cumprimento de valores albergados constitucionalmente, como o princípio da "função social da propriedade". Há, portanto, uma finalidade subjacente à regra, não se restringindo a uma mera exigência a serviço do formalismo inconseqüente (ÁVILA, Humberto. Teoria dos princípios — da definição à aplicação dos princípios jurídicos. 8 ed. São Paulo: Malheiros, 2008, p.117). De acordo com o art. 186, inciso II, da Constituição Federal, a função social da propriedade rural será cumprida quando se tem "utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente". Logo, para se dar efetividade ao comando g constitucional, instrumentos de controle, como o ADA, são criados para possibilitar a aferição das reais condições presentes nas propriedades rurais; se atendem ou não as políticas preservacionistas incentivadas pela ordem jurídica nacional. Objetiva-se, com as exclusões das áreas ambientais no cálculo do ITR, não apenas beneficiar o proprietário rural, mas tornar a extrafiscalidade do imposto uma ferramenta de concretização de valores consagrados pelo constituinte. Sendo o ADA um dever instrumental exigido do declarante do ITR em cuja propriedade existam áreas de interesse ambiental, sua função precípua é permitir que o ente estatal, a par das informações prestadas pelo proprietário rural, possa aferir a veracidade das informações declaradas, conformando-as à sistemática de apuração do imposto a pagar. Sem a informação prestada pelo contribuinte, torna-se inviável a tarefa do Estado de verificar a conformação dos dados declarados relativamente à realidade objetiva em que se assentam. Roque Antônio Carrazza assim se posicionou sobre obrigação acessória: os deveres instrumentais tributários não se confundem com tributos. Apenas, por assim dizer, documentam a incidência ou a não-incidência (v.g., a isenção), em ordem a permitir que os tributos venham lançados e cobrados com exatidão e as isenções se façam concretamente sentir (CARRAZZA, Roque Antônio. Curso de Direito Constitucional Tributário. São Paulo: Malheiros, 2000, p. 237). Outro não é o entendimento que se obtém dos seguintes excertos: Os deveres instrumentais são introduzidos no ordenamento por normas jurídicas específicas, criadas no interesse da administração tributária e com o objetivo de proporcionar a verificação pelos órgãos públicos da ocorrência ou não de fatos correspondentes àqueles descritos pelas normas de incidência tributária. (.) Se não houver um mecanismo através do qual o Estado possa verificar e mensurar a ocorrência desse fato, a norma deixa de ter eficácia, pois o Estado, como sujeito ativo da relação tributária, jamais exigirá a prestação devida. Por isso existem os chamados deveres instrumentais: para possibilitar ao Estado a verificação da ocorrência do fato jurídico tributável (MANICA, Fernando Borges. Terceiro setor e imunidade tributária — Teoria e prática. Belo Horizonte: Fórum, 2005, p.82 e 83). Portanto, para que o ADA cumpra seu mister de informar à autoridade estatal a existência de áreas não-tributáveis em sua propriedade, ele deve ser protocolizado e entregue ao órgão ambiental a quem compete a verificação da veracidade das informações prestadas. O art. 17-0, § 1°, da Lei n° 6.938/1981, com redação dada pelo art. 1' da Lei n° 10.165/2000, veio confirmar essa exigência ao determinar que o ADA é obrigatório para efeito de redução do ITR, in verbis: Art. 17-0. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental - ADA, 6 Processo n° 10120.000407/2006-28 S3-TE01 Acórdão n.° 3801-00.081 Fl. 93 deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei tf 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a titulo de Taxa de Vistoria. (Redação dada pela Lei n°10.165, de 2000) (.) § 1' A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei n° 10.165, de 2000) - grifei O Regulamento do ITR (Decreto n° 4.382/2002) consolidou a legislação que rege o ITR, dispondo sobre a exigência de ADA nos seguintes termos: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas (Lei n°9.393, de 1996, art. 10, § 1, inciso II): I - de preservação permanente (Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965 - Código Florestal, arts. 2° e 3, com a redação dada pela Lei n o 7.803, de 18 de julho de 1989, art. 1); II - de reserva legal (Lei n° 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória n° 2.166-67, de 24 de agosto de 2001, art. 1); III - de reserva particular do patrimônio natural (Lei e 9.985, de 18 de julho de 2000, art. 21; Decreto n° 1.922, de 5 de junho de 1996); IV - de servidão florestal (Lei n° 4.771, de 1965, art. 44-A, acrescentado pela Medida Provisória n°2.166-67, de 2001); V - de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas nos incisos I e lido caput deste artigo (Lei n°9.393, de 1996, art. 10, § 1, inciso II, alínea "b"); VI - comprovadamente imprestáveis para a atividade rural, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual (Lei n°9.393, de 1996, art. 10, sÇ 1, inciso II, alínea "c"). § 3" Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I - ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei n°6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17-0, § 5, com a redação dada pelo art. 1° da Lei n° 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e II - estar enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos I a VI em I' de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do ITR. 7 § O IBAMA realizará vistoria por amostragem nos imóveis rurais que tenham utilizado o ADA para os efeitos previstos no § 3' e, caso os dados constantes no Ato não coincidam com os efetivamente levantados por seus técnicos, estes lavrarão, de oficio, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, que apurará o ITR efetivamente devido e efetuará, de oficio, o lançamento da diferença de imposto com os acréscimos legais cabíveis (Lei n" 6.938, de 1981, art. 17-0, § 5, com a redação dada pelo art. 1' da Lei n°10.165, de 2000). Grifei. Portanto, para fins de lançamento do ITR do exercício de 2002, a exigência do ADA para efeito de redução do imposto encontra-se prevista em lei, bem como nas normas complementares que a regulamentam. Contudo, para amparar sua pretensão de descaracterizar a exigência do ADA para fins de apuração do ITR, o contribuinte cita o § 7° do art. 10 da Lei n° 9.393/1996, com redação dada pela MP n° 2.166-67, de 24 de agosto de 2001, que assim dispõe: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. (.) § 7' A declaração para fim de isenção do 1TR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1°, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória n°2.166-67, de 2001) Pode-se extrair do contido no do art. 10, capta, e § 7° acima reproduzidos, que o ITR é tributo sujeito ao lançamento por homologação, previsto no art. 150 do CTN. Nessa espécie de lançamento, o contribuinte tem o dever de antecipar o pagamento do tributo independentemente de prévio exame da autoridade administrativa, pagamento esse que fica sujeito a homologação expressa ou tácita, nos termos definidos no caput do art. 150 e em seu § 4°. Nesse contexto, imperioso se torna contextualizar o contido no § 7° do art. 10 da Lei n° 9.393/1996 com os dispositivos legais relativos ao lançamento por homologação. O contribuinte, ao apurar e pagar o tributo devido, o faz independentemente de prévia comprovação dos dados por ela informados em declaração. Ao entregar a declaração do ITR à Receita Federal e efetuar o respectivo pagamento nos termos e prazos fixados na legislação tributária, o contribuinte não está obrigado a, antecipadamente, comprovar quaisquer dos dados declarados que serviram de base para a apuração do imposto. E não poderia ser diferente, sob o risco de descaracterizar o instituto do lançamento por homologação expressamente previsto no CTN. A não apresentação do ADA pelo contribuinte não veda a entrega da declaração do ITR à Receita Federal, seja física ou eletronicamente. Nem a entrega do ADA nem de qualquer outro documento que possa ter o condão de comprovar os dados declarados. 8 Processo n° 10120.000407/2006-28 S3-TE01 Acórdão n.° 3801-00.081 Fl. 94 O ADA é obrigação acessória criada pela legislação tributária, encontrando- se em consonância com o contido no 20 do art. 113 do CTN. Trata-se de uma prestação positiva compulsória a que o contribuinte se encontra obrigado. Sua apresentação pode se dar em até seis meses após a entrega da declaração do ITR (inciso II do § 40 do art. 10 da IN SRF n° 43/1997), hipótese essa que, por si só, distancia essa obrigatoriedade da expressão "prévia comprovação". O contido no § 7° do art. 10 da Lei n° 9.393/1996 seria descumprido se a entrega da declaração do ITR estivesse condicionada à prévia protocolização do ADA, o que não ocorre. De acordo com o inciso III do art. 111 do CTN, a dispensa de cumprimento de obrigação acessória deve ser interpretada literalmente. Dessa forma, a interpretação gramatical do § 7° do art. 10 da Lei n° 9.393/1996 nos leva a concluir que não houve dispensa da obrigação de apresentação do ADA pelo contribuinte. Houve, tão-somente, a dispensa de "comprovação prévia" de áreas de interesse ambiental informadas na declaração do ITR. Isso, contudo, não dispensa o contribuinte de comprovar, a posteriori, em caso de procedimento administrativo de fiscalização, as informações declaradas, por meio de documentação hábil nos termos da legislação de regência da matéria. Diante do exposto, pela não observância do contido no art. 17-0, § 1°, da Lei n° 6.938/1981, com redação dada pelo art. 1° da Lei n° 10.165/2000, bem como nas normas complementares que regulamentam a matéria, não há como acatar a pretensão do Recorrente de descaracterizar a exigência legal do ADA, requisito necessário à comprovação das áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada. II. Comprovação da efetiva existência das áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada — Mapa de Situação do Imóvel Rural A par da discussão acerca da exigibilidade do ADA para fins de exclusão das áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada na apuração do ITR, o Recorrente se reporta a um mapa da área elaborado por técnico agrimensor (fl. 15) que, segundo ela, comprovaria a real existência, no imóvel rural, de referidas áreas ambientais. Contudo, referido mapa encontra-se desacompanhado da respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) que lhe asseguraria o caráter probatório, em conformidade com o contido no art. 1° da Lei n° 6.496/1977, que instituiu a ART, e tendo por base a Resolução Confea n° 218/1973, artigos 24 e 25, parágrafo único, que disciplinam as atividades do técnico de grau médio que atua nas áreas de engenharia, arquitetura e agronomia. III. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do presente recurso voluntário e no mérito julgar pelo seu IMPROVIMENTO, em face da não-comprovação da efetiva existência das áreas declaradas a titulo de Preservação Permanente e de Utilização Limitada, nem a protocolização do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao 'barna ou órgão conveniado, em razão do que restam não comprovadas referidas áreas para fins de exclusão na apuração do ITR do exercício 2002, nos termos da legislação aplicável. É como voto. ,ÇRinpc)i‘4 HÉLCIO LAFETÁ REIS if 9
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Numero do processo: 11176.000106/2007-01
Data da sessão: Mon Jul 06 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Jul 06 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/04/1999 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-000.470
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento. por unanimidade de votos acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Edgar Silva Vidal
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Recorrida DRJ/CURITIBA/PR ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 30/04/1999 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. kin Ili 1 1 Processo n° 11176.000106/2007-0 I S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.470 Fl. 121 ACORDAM os membros da 3' Câmara / 1' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, e is r midade de votos, acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, is os do tf. o do relator. 1/41 I JULI I VIEIRA GOMES Presi • EDGAR SILVA DAL Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Damião Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vida! (Suplente), Maria Helena Lima dos Santos (Suplente), Bemadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes e Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente). 2 • Processo e 11176.000106/20074)1 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.470 Fl. 122 Relatório Trata-se de crédito lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada, referente às contribuições destinadas ao financiamento da Seguridade Social — segurados empregados, empresa e contribuições destinadas ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho e às destinadas a Terceiros — Salário-Educação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE„ no período de 01/1997 a 04/1999. Ciência ao sujeito passivo do lançamento em 28/03/2007. A recorrente impugnou o lançamento; no entanto, o lançamento foi julgado procedente. Inconformada com a decisão, interpôs recurso, alegando, em síntese, cerceamento de defesa, pois não foram anexadas à NFLD as provas dos fatos geradores das contribuições previdenciárias e pede a anulação e; lançamento. É o relatório. Áf 3 Processo n°11176.000106/2007-4)1 S2-C3T1 Acórdão o.' 2301-00A70 Fl. 123 Voto Conselheiro EDGAR SILVA VIDAL , Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO do Recurso e passo ao exame do mérito. Embora não suscitada pela recorrente, mas por se tratar de matéria de ordem publica, cabe a esta Egrégia Câmara reconhecer, de oficio, a decadência do crédito tributário constante da NFLD combatida. Nesse sentido, DECADÊNCIA Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal - STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91 e o parágrafo único do art.5° do Decreto-lei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém-se /agida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitam-se, entre outros, aos artigos 150, § 4°, 173 e 174 do CTIV. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, HL b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5° do Decreto-lei n° 1.569/77, frente ao § 1° do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É COMO voto. Súmula Vinculante n° 08: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que /dr tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". 47 4 Processo n° 11176.000106/2007-01 S2-C3TI Acórdão n.° 2301-00.470 Fl. 124 Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103-A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei (Incluído pela Emenda Constitucional n°45, de 2004). Lei n°11,4/7. de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103-A da Constituição Federal e altera a Lei ri' 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. Art. 20 O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei § 10 O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficaram m obrigados a acatarem a Súmula Vinculante n°. 08. Assim, tendo em vista que a regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento e, tendo a Contribuição Previdenciária natureza tributária, cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa, amoldando-se à sistemática de lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial desloca-se da regra geral estatuída no art. 173 do CTN, para encontrar respaldo no § 40 do art. 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Como a inércia da Fazenda Pública homologa tacitamente o lançamento e extingue definitivamente o crédito tributário, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação (CTN, art. 150, §42), o que não se tem notícia nos autos, tendo decadente: Processo n° 11176.000106/2007-01 S2-C3T1 Acórdão nf 2301-00.470 Fl. 125 direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário relativamente à contribuição, para os fatos geradores ocorridos há mais de 5 anos. Mesmo para aqueles que não concordam com a aplicação do art. 150, §4°, do CTN, o crédito previdenciário lançado também está atingido pela decadência. Neste caso, a contribuinte tomou ciência da NFLD em 28/03/2007. Logo, em se tratando de tributos cujos fatos geradores ocorreram no período de 01/1997 a 04/1999, conclui-se que o crédito tributário foi atingido pela decadência. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto por conhecer do Recurso e DAR-LHE provimento, para reconhecer, de oficio, a decadência do lançamento. É como voto Sala das Sessões, em 06 d 'ulho de 2009 giz , EDG' AL-Relator 6 Page 1 _0012200.PDF Page 1 _0012300.PDF Page 1 _0012400.PDF Page 1 _0012500.PDF Page 1 _0012600.PDF Page 1
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