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Numero do processo: 10630.720161/2015-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2023
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR)
Exercício: 2010
ITR. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO DA ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. OBRIGATORIEDADE. APLICAÇÃO ARTIGO 150, §4º, CTN. ENTENDIMENTO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, restando demonstrada a ocorrência de pagamento antecipado, tem-se a aplicação da decadência nos termos do artigo 150, §4º, do CTN, em consonância com a decisão tomada pelo STJ nos autos do Recurso Repetitivo Resp n° 973.733/SC.
Numero da decisão: 2402-011.427
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário interposto, eis que referido crédito foi atingido pela decadência prevista no art. 150, § 4º, do CTN.
(documento assinado digitalmente)
Francisco Ibiapino Luz Presidente
(documento assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ana Cláudia Borges de Oliveira, Diogo Cristian Denny, Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Junior, José Márcio Bittes, Rodrigo Duarte Firmino, Rodrigo Rigo Pinheiro e Wilderson Botto (suplente convocado).
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO DA ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. OBRIGATORIEDADE. APLICAÇÃO ARTIGO 150, §4º, CTN. ENTENDIMENTO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, restando demonstrada a ocorrência de pagamento antecipado, tem-se a aplicação da decadência nos termos do artigo 150, §4º, do CTN, em consonância com a decisão tomada pelo STJ nos autos do Recurso Repetitivo Resp n° 973.733/SC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário interposto, eis que referido crédito foi atingido pela decadência prevista no art. 150, § 4º, do CTN. (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz – Presidente (documento assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ana Cláudia Borges de Oliveira, Diogo Cristian Denny, Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Junior, José Márcio Bittes, Rodrigo Duarte Firmino, Rodrigo Rigo Pinheiro e Wilderson Botto (suplente convocado). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto em face da decisão da 1ª Tuma da DRJ/BSB, consubstanciada no Acórdão nº 03-088.161 (p. 56), que julgou improcedente a impugnação apresentada pela Autuada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 72 01 61 /2 01 5- 45 Fl. 109DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-011.427 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10630.720161/2015-45 Na origem, trata-se o presente caso de Notificação de Lançamento (p. 2) com vistas a exigir débitos de ITR em decorrência da constatação, pela Fiscalização, das seguintes infrações cometidas pela Contribuinte: (i) não comprovação da Área de Pastagem e (ii) não comprovação, por meio de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, do valor da terra nua declarado. Cientificada do lançamento fiscal, a Contribuinte apresentou a sua impugnação (p. 16), a qual foi julgada improcedente pela DRJ, nos termos do Acórdão nº 03-088.161 (p. 56), conforme ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2010 DO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - DECADÊNCIA. Na falta de pagamento ou em caso de pagamento após o exercício de apuração do imposto, aplica-se a regra geral prevista no inciso I do art. 173 do CTN, para efeito de contagem do prazo decadencial. Não alcançado o crédito tributário pela decadência, o lançamento que o constituiu deve ser mantido. DA PRELIMINAR DE NULIDADE. Tendo o procedimento fiscal sido instaurado de acordo com os princípios constitucionais vigentes, possibilitando ao contribuinte o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa, é incabível a nulidade aventada. DA ÁREA DE PASTAGENS. Não comprovada, por meio de documentos hábeis, a existência de rebanho no imóvel no período de 01/01/2009 a 31/12/2009, para restabelecer a área pastagens declarada, deverá ser mantida a glosa dessa área para o exercício de 2010, observada a legislação de regência. DO VALOR DA TERRA NUA - VTN. Deverá ser mantido o VTN arbitrado para o ITR/2010 com base no SIPT/RFB, por não ter sido apresentado laudo técnico de avaliação com ART/CREA, nos termos da NBR 14.653-3 da ABNT, demonstrando o valor fundiário do imóvel e suas peculiaridades, à época do fato gerador. DA PROVA PERICIAL. A perícia técnica tem por finalidade auxiliar o julgador a formar sua convicção, limitando-se a elucidar questões sobre provas e elementos incluídos nos autos, não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação pertinente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da decisão exarada pela DRJ, a Contribuinte apresentou o recurso voluntário de p. 68, esgrimindo suas razões de defesa nos seguintes pontos, em síntese: (i) decadência do crédito tributário e (ii) inobservância do princípio da verdade material – existência da área de pastagem utilizada. Na sessão de julgamento realizada em 02 de dezembro de 2020, este Colegiado converteu o julgamento do presente em processo em diligência, para que a unidade de origem da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil informe da ocorrência, ou não, de recolhimento antecipado, ainda que parcial, do ITR apurado na DITR/2010, acostando aos autos, caso positivo, a respectiva tela do sistema indicando o eventual pagamento. Fl. 110DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-011.427 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10630.720161/2015-45 Em face do quanto solicitado por este órgão julgador, a Unidade de Origem, não tendo localizado, em seus sistema, a comprovação do pagamento total ou parcial do ITR relativo ao Exercício de 2010, intimou a Contribuinte para apresentar o referido comprovante (p. 99). À p. 102, a Contribuinte anexou aos presentes autos o comprovante de transação bancária referente ao pagamento do ITR – Exercício 2010. É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Conforme exposto no relatório supra, trata-se o presente caso de Notificação de Lançamento com vistas a exigir débitos de ITR em decorrência da constatação, pela Fiscalização, das seguintes infrações cometidas pela Contribuinte: (i) não comprovação da Área de Pastagem e (ii) não comprovação, por meio de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, do valor da terra nua declarado. Conforme igualmente exposto linhas acima, tem-se que a Contribuinte, em sua peça recursal, dentre outras matérias, pugna pelo reconhecimento da decadência. Pois bem! Como regra geral, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial é aquele definido no inciso I, do art. 173 do CTN, nos seguintes termos: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado Entretanto, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, havendo pagamento antecipado por parte do sujeito passivo, ainda que parcial, o prazo decadencial conta- se nos termos do §4º do art. 150 do CTN, que assim dispõe: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. A propósito, nos termos do art. 10, caput, da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, a apuração do ITR devido se dará por meio de lançamento por homologação. Confira-se: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. Fl. 111DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-011.427 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10630.720161/2015-45 Nessa perspectiva, o início da contagem do prazo decadencial do referido Imposto, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, será determinado se levando em conta a existência ou não de pagamento antecipado, conforme CTN, arts. 150, § 4º ou 173, inciso I, respectivamente. Sobre o tema, registre-se a tese consolidada pelo STJ no Recurso Especial nº 973.733/SC, cujo acórdão, submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, é de observância obrigatória por este Colegiado, nos termos do artigo 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos o lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu-se em 26.03.2001. 6. Destarte, revelam-se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 112DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-011.427 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10630.720161/2015-45 Destarte, é primordial verificar a existência ou não de pagamento a fim de ser fixada qual das duas regras será utilizada para a determinação do termo inicial para a contagem do prazo decadencial. No caso presente caso, analisando-se o “Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido” elaborado pela Fiscalização (p. 5), verifica-se que o Contribuinte apurou, na sua DITR, um imposto devido no valor de R$ 195,00. Baixado em diligência para que a autoridade administrativa fiscal informasse se houve (ou não) pagamento antecipado em relação do ITR/2010, esta intimou a Contribuinte para apresentar o referido comprovante. À p. 102, a Contribuinte anexou aos presentes autos o comprovante de transação bancária referente ao pagamento do ITR – Exercício 2010. Registre-se, pela sua importância que, conforme consta no documento em questão, o referido pagamento foi realizado em 05/12/2011, enquanto que a fiscalização que deu origem ao presente processo administrativo teve início em fevereiro/2015, conforme se infere do Termo de Intimação Fiscal de p. 09. Neste espeque, como houve antecipação do imposto referente ao Exercício 2010, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial inicia-se em 01 de janeiro de 2010 e o termo final em 31/12/ 2014, conforme regra contida no art. 150, § 4º, do CTN, citado acima. O lançamento tributário só se considera definitivamente constituído após a ciência (notificação) do sujeito passivo da obrigação tributária (art. 145 do CTN), que, no presente caso, ocorreu em 20/05/2015, conforme se infere do extrato de consulta de postagem de p. 13. Resta, portanto, configurada a perda do direito de o Fisco constituir o crédito tributário em face da consumação da decadência, nos termos acima declinados. Conclusão Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, cancelando-se o lançamento fiscal, vez que atingido pela decadência, restando prejudicada a análise das demais razões recursais. (documento assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 113DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10280.901767/2008-78
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS.
Somente integram a base de cálculo do crédito presumido de IPI objeto da Lei nº 9.363, de 1996, as matérias-primas, os produtos intermediários e o material de embalagem, segundo as definições que lhes dá a legislação do IPI, a teor do art. 3º da Lei nº 9.363/96, restando excluídas as aquisições de energia elétrica e outros insumos que não são consumidos em contato direto com o produto. Inteligência do enunciado nº 19 da Súmula CARF.
DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. OCORRÊNCIA PEDIDO DE
RESSARCIMENTO. HOMOLOGAÇÃO TÁTICA. AUSÊNCIA DE
PREVISÃO NORMATIVA.
Homologa-se tacitamente a compensação após o decurso do prazo de 5 (cinco) anos contado da data da entrega da respectiva declaração.
Efeito que não se opera em relação a eventual saldo do pedido de
ressarcimento por ausência de previsão normativa.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3802-000.716
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: REGIS XAVIER HOLANDA
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COM. E EXP. LTDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS. Somente integram a base de cálculo do crédito presumido de IPI objeto da Lei nº 9.363, de 1996, as matériasprimas, os produtos intermediários e o material de embalagem, segundo as definições que lhes dá a legislação do IPI, a teor do art. 3º da Lei nº 9.363/96, restando excluídas as aquisições de energia elétrica e outros insumos que não são consumidos em contato direto com o produto. Inteligência do enunciado nº 19 da Súmula CARF. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. OCORRÊNCIA PEDIDO DE RESSARCIMENTO. HOMOLOGAÇÃO TÁTICA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO NORMATIVA. Homologase tacitamente a compensação após o decurso do prazo de 5 (cinco) anos contado da data da entrega da respectiva declaração. Efeito que não se opera em relação a eventual saldo do pedido de ressarcimento por ausência de previsão normativa. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 194DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10280.901767/200878 Acórdão n.º 3802000.716 S3TE02 Fl. 83 2 ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani (suplente), Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fl. 195DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10280.901767/200878 Acórdão n.º 3802000.716 S3TE02 Fl. 84 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por SEMASA Indústria, Comércio e Exportação Ltda. (atual denominação de Serraria Marajoara Ind. Com. e Exp. Ltda.) contra Acórdão nº 0117.500, de 12 de maio de 2010 (fls. 57 a 69), proferido pela 3ª Turma da DRJ/BelémPA, que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida que transcrevo a seguir: Tratase de pedido de ressarcimento de crédito de IPI referente ao 3º trimestre de 2001, no valor de R$ 158.648,65, utilizado na compensação de débito da empresa, conforme PER/DCOMP de fls. 10/13. A DRF/Belém/PA indeferiu o pleito e considerou não homologadas as compensações, sob o argumento de que o valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado, motivado pela ocorrência de glosa de crédito presumido considerado indevido, em procedimento fiscal. Segundo o Relatório de Fiscalização (fls. 17/21) anexo ao Despacho Decisório e extraído do sítio da Receita Federal do Brasil na internet, foram glosadas: as transferências de produtos das filiais para a matriz, energia elétrica e telefonia, e as aquisições de ferramentas, por não se enquadrarem no conceito de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem admitidos pela legislação do IPI. Notas Fiscais relacionadas às fls. 37 a 41 do anexo I. Cientificada em 04/02/2010 (fl. 24) a interessada apresentou, tempestivamente, em 05/03/2010, manifestação de inconformidade na qual alega que: Preliminarmente, que há que se considerar homologada tacitamente a compensação efetuada. Atendeu na plenitude as solicitações de apresentação de documentos solicitadas pelo Agente Fiscalizador. Os documentos apresentados para o devido ressarcimento do crédito presumido de IPI, encontrase em conformidade com o que determina a legislação fiscal. Os livros e documentos fiscais já seriam mais do que suficiente para a apuração do crédito presumido do IPI, posto que neles estão todas as informações necessárias. Argüiu seu direito, demonstrou e provou a origem dos créditos objeto das compensações em evidência (PER/DCOMP) e, como se viu, em momento algum agiu contra a lei. Como a própria Autoridade Administrativa admite, o crédito presumido do IPI, para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e da COFINS, foi instituído pela Lei nº 9.363/1996, que estabelece, nos arts. 1º e 2º, os beneficiários do aludido benefício e o critério para quantificálo. Fl. 196DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10280.901767/200878 Acórdão n.º 3802000.716 S3TE02 Fl. 85 4 Conforme atesta a própria Autoridade Administrativa, para o cálculo do crédito presumido do IPI, no que tange às aquisições, é necessário tãosomente “o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem” adquiridas “para utilização no processo produtivo”. Não há como negar que o Agente Fiscal estava de posse de todas as informações necessárias para a apuração do crédito presumido do IPI. Não há a menor razão jurídica para a desconsideração das notas fiscais apresentadas pela Impugnante, posto que, os critérios para a quantificação dos créditos depreendemse dos arts. 1º e 2º da Lei nº 9.363/1996. Merece reforma a decisão impugnada, para que seja designada diligência com o fim específico de colher informações entendidas necessária para apuração do crédito presumido do IPI. O crédito presumido do IPI, e nisto não há dúvidas, foi instituído com a precípua e augusta missão de desonerar de tributos as mercadorias nacionais exportadas para o exterior. A LEI determina que a “empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais” tem direito de ser ressarcida da COFINS e do PIS que oneraram as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem. Estas aquisições devem ser destinadas PARA UTILIZAÇÃO NO PROCESSO PRODUTIVO. Portanto, a lei não exige que estas aquisições sejam imediatamente integradas, consumidas ou utilizadas no processo produtivo. O que a lei exige é que as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem sejam adquiridas e tenham como destino o processo produtivo, sem a fixação de tempo. Daí a LEI ter empregado a expressão “para utilização no processo produtivo. Para a determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI devemos, LEGALMENTE, levarmos em consideração tãosomente “O VALOR TOTAL DAS AQUISIÇÕES DE MATÉRIASPRIMAS, PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS E MATERIAL DE EMBALAGEM” adquiridas “PARA UTILIZAÇÃO NO PROCESSO PRODUTIVO” (arts. 1º e 2º da Lei nº 9.363/96). A Portaria MF nº 38/97, e a Instrução Normativa SRF nº 23/97, ao pretenderem regulamentar a Lei nº 9.363/96, inovaram no que se refere a determinação do valor total das aquisições (base de cálculo do incentivo), vale dizer, dispuseram de forma contrária ao fixado pela Lei. Transcreveu parte dos dispositivos legais citados. Pela simples leitura dos dispositivos transcritos podemos verificar a ilegalidade dos mesmos, posto que pretenderam inovar, restringir e modificar completamente a forma de apuração da base de cálculo do crédito presumido do IPI fixada nos art. 2º c/c art. 1º da Lei nº 9.363/96. As malsinadas, portaria e instrução normativa, ofendem os princípios da hierarquia das normas e o da legalidade ao pretenderem modificar a forma de apuração do incentivo fiscal à exportação. Ao Poder Executivo cabia apenas expedir instruções necessárias ao cumprimento do disposto na LEI. Não foi dada nenhuma autorização para inovar, Fl. 197DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10280.901767/200878 Acórdão n.º 3802000.716 S3TE02 Fl. 86 5 restringir ou modificar a base de cálculo do Crédito Presumido do IPI. Citou decisões administrativas e judiciais. Ainda que se admita e aplicação das malsinados atos e interpretações, apenas por hipótese, mesmo assim, não há qualquer razão jurídica para a negativa de crédito presumido do IPI, posto que as informações solicitadas foram apresentadas a Autoridade Administrativa. Por fim, requer a reforma do despacho decisório para que seja reconhecido o direito creditório no exato valor requerido e que sejam homologadas as compensações. A DRJ, a par de declarar a homologação tácita das compensações de fls. 10/13, até o limite do crédito informado; indeferiu o crédito resultado da diferença entre o valor do pedido de ressarcimento e os débitos compensados tacitamente, consoante acórdão assim ementado: INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE VALIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos normativos. A legislação regularmente editada goza de presunção de constitucionalidade e de legalidade. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por Conselhos de Contribuintes não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. .................................. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. O incentivo denominado “crédito presumido de IPI” somente deve ser calculado sobre as aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem para utilização no processo produtivo de bens destinados à exportação para o exterior, sendo indevida a inclusão, na sua apuração, de insumos que não se subsumem a nenhum destes conceitos jurídicos. Fl. 198DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10280.901767/200878 Acórdão n.º 3802000.716 S3TE02 Fl. 87 6 DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. São homologadas tacitamente as declarações de compensação que deixarem de ser apreciadas no prazo de cinco anos, contado da data da entrega da mesma ou do pedido de compensação convertido por força do § 4º do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996. Cientificado do referido acórdão em 15 de julho de 2010 (fl. 70v), o interessado apresentou recurso voluntário em 12 de agosto de 2010 (fls. 71 a 78) pleiteando a reforma parcial do decisum para declarar o direito da Recorrente de verse restituída dos créditos de PIS e COFINS, a título de crédito presumido do IPI, nos exatos termos do pedido de ressarcimento. Em suas razões recursais fulcradas na questão da homologação tácita do pedido de ressarcimento em sua integralidade e, não, simplesmente, das declarações de compensação cita o art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN) Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, que trata da homologação do lançamento, juntamente com o art. 156 do mesmo Código, que cuida da extinção dos créditos tributários. Afirma que “não só os lançamentos efetuados no período acima apontado foram homologados tacitamente, como também qualquer crédito tributário que se pretenda constituir já se encontrará extinto, vale dizer, não há como constituir um crédito tributário quando o mesmo, por imposição legal, se encontra extinto ...”. É o relatório. Fl. 199DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10280.901767/200878 Acórdão n.º 3802000.716 S3TE02 Fl. 88 7 Voto Conselheiro Regis Xavier Holanda, Relator DA ADMISSIBILIDADE Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. DO MÉRITO Da base de cálculo do crédito presumido do IPI para ressarcimento da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS A Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, que trata da instituição de crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, assim dispôs sobre a matéria em comento: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. …..................................... Art. 3º …........................... Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. …............................................... Art. 6o O Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador. Negritos apostos. Dessa forma, a Lei nº 9.363/96, ao instituir o beneficio fiscal, não se referiu a todos os insumos utilizados na produção, mas enumerou taxativamente as espécies de insumos Fl. 200DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10280.901767/200878 Acórdão n.º 3802000.716 S3TE02 Fl. 89 8 que serviriam para a determinação do incentivo como sendo as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Tratando do assunto, no uso de regular poder regulamentar conferido pelo art. 6º acima transcrito, a Portaria MF nº 38, de 27 de fevereiro de 1997 – vigente à época da materialização do direito objeto do presente processo trouxe a seguinte orientação de interesse: Art. 3º ….................. § 16. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os constantes da legislação do IPI. Já o então vigente Decreto nº 2.637, de 25 de junho de 1998 (Regulamento do IPI – RIPI/98), apresentou as seguintes disposições referentes à definição de matérias primas e produtos intermediários – mantidas pelo Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, em seu artigo 164, I e pelo Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010, em seu artigo 226, I. Vejamos: Art. 147. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo se, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; Vejase, portanto, que a legislação que rege a matéria, para efeito de gozo do direito ao crédito presumido, não alberga todos os insumos genericamente utilizados na produção, mas somente os insumos definidos como matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. Sobre o tema, o Parecer Normativo nº 181, de 1974, já dispunha que as máquinas, equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, não geram direito ao crédito do imposto, verbis: “13 Por outro lado, ressalvados os casos de incentivos expressamente previstos em lei, não geram direito ao crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Entre outros, são produtos dessa natureza: limas, rebolos, lâmina de serra, mandris, brocas, tijolos refratários usados em fornos de fusão de metais, tintas e lubrificantes empregados na manutenção de máquinas e equipamentos etc.”(negritos acrescidos) Fl. 201DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10280.901767/200878 Acórdão n.º 3802000.716 S3TE02 Fl. 90 9 A propósito, o Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, publicado no Diário Oficial da União na mesma data, elucida, ao meu ver, a correta interpretação do inciso I do art. 66 do RIPI/79, o qual corresponde ao mencionado inciso I do art. 164 do RIPI/2002: .......................................... 4 Notese que o dispositivo está subdividido em duas partes, a primeira referindose às matériasprimas, aos produtos intermediários e ao material de embalagem; a segunda relacionada às matériasprimas e aos produtos intermediários que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização. 4.1 Observese, ainda, que enquanto na primeira parte da norma ‘matériasprimas’ e ‘produtos intermediários’ são empregados ‘stricto sensu’, a segunda usa tais expressões em seu sentido lato: quaisquer bens que, embora não se integrando ao produto em fabricação se consumam na operação de industrialização. 4.2 Assim, somente geram direito ao crédito os produtos que se integrem ao novo produto fabricado e os que, embora não se integrando, sejam consumidos no processo de fabricação, ficando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. 5 No que diz respeito à primeira parte da norma, que se refere a matériasprimas e produtos intermediários ‘stricto sensu’, ou seja, bem dos quais, através de quaisquer das operações de industrialização enumeradas no Regulamento, resulta diretamente um novo produto, tais como, exemplificadamente, a madeira com relação a um móvel ou o papel com referência a um livro, nada há que se comentar de vez que o direito ao crédito, diferentemente do que ocorre com os referidos na segunda parte, além de não se vincular a qualquer requisito, não sofreu alteração com relação aos dispositivos constantes dos regulamentos anteriores. 6 Todavia, relativamente aos produtos referidos na segunda parte, matériasprimas e produtos intermediários entendidos em sentido amplo, ou seja, aqueles que embora não sofram as referidas operações são nelas utilizados, se consumindo em virtude do contato físico com o produto em fabricação, tais como lixas, lâminas de serra e catalisadores, além da ressalva de não gerarem o direito se compreendidos no ativo permanente, exige se uma série de considerações. 6.1 Há quem entenda, tendo em vista tal ressalva (não gerarem direito ao crédito os produtos compreendidos entre os bens do ativo permanente), que automaticamente gerariam o direito ao crédito os produtos não inseridos naquele grupo de contas, ou seja, que a norma em questão teria adotado como critério distintivo, para efeito de admitir ou não o crédito, o tratamento contábil emprestado ao bem. Fl. 202DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10280.901767/200878 Acórdão n.º 3802000.716 S3TE02 Fl. 91 10 6.2 Entretanto, uma simples exegese lógica do dispositivo já demonstra a improcedência do argumento, uma vez que, consoante regra fundamental de lógica formal, de uma premissa negativa (os produtos ativados permanentemente não geram o direito) somente concluise por uma negativa, não podendo, portanto, em função de tal premissa, ser afirmativa a conclusão, ou seja, no caso, a de que os bens não ativados permanentemente geram o direito de crédito. 7 Outrossim, aceita, em que pese a contradição lógicoformal, a tese de que para os produtos que não sejam matérias nem produtos intermediários ‘stricto sensu’, vigente o RIPI/79, o direito ou não ao crédito deve ser deduzido exclusivamente em função do critério contábil ali estatuído, estarseia considerando inócuas diversas palavras constantes do texto legal, de vez que bastaria que o referido comando, em sua segunda parte, rezasse “...e os demais produtos que forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens ao ativo permanente”, para o mesmo resultado. 7.1 Tal opção, todavia, equivaleria a pôr de lado o princípio geral de direito consoante o qual ‘a lei não deve conter palavras inúteis’, o que só é lícito fazer na hipótese de não se encontrar explicação para as expressões inúteis. 8 No caso, entretanto, a própria exegese histórica da norma desmente esta acepção, de vez que a expressão ‘incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando no novo produto forem consumidos no processo de industrialização’ é justamente a única que consta de todos os dispositivos anteriores (inciso I do artigo 27 de Decreto 56.791/65, inciso I do artigo 30 do Decreto nº 61.514/67 e inciso I do artigo 32 do Decreto nº 70.162/72), o que equivale a dizer que foi sempre em função dela que se fez a distinção entre os bens que, não sendo matériasprimas nem produtos intermediários ‘stricto sensu ’, geram ou não direito ao crédito, isto é, segundo todos estes dispositivos, geravam o direito os produtos que embora não se integrando no novo produto, fossem consumidos no processo de industrialização. 8.1 A norma constante do direito anterior (inciso I do artigo 32 do Decreto nº 70.162/72), todavia restringia o alcance do dispositivo, dispondo que o consumo do produto, para que se aperfeiçoasse o direito do crédito, deveria se dar imediata e integralmente. 8.2 O dispositivo vigente inciso I do artigo 66 do RIPI/79 por sua vez, deixou de registrar tal restrição, acrescentando, a título de inovação, a parte final referente à contabilização no ativo permanente. 9 Como se vê, o que mudou não foi o critério, que continua sendo o do consumo do bem no processo industrial, mas a restrição a este. Fl. 203DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10280.901767/200878 Acórdão n.º 3802000.716 S3TE02 Fl. 92 11 10 Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deve entender como produtos ‘que embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, no processo de industrialização’, para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1 Como o texto fala em ‘incluindose entre as matérias primas e os produtos intermediários’, é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários ‘stricto sensu ’, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto de fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2 A expressão ‘consumidos’ sobretudo levandose em conta que as restrições ‘imediata e integralmente’, constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo..”(negritos acrescidos) Dessa forma, como bem anotado pela decisão recorrida, a leitura do Parecer acima reproduzido vem espancar a equivocada interpretação de que, desde que não façam parte do ativo permanente, todos os insumos consumidos na industrialização poderiam ser considerados matériasprimas e produtos intermediários com fins de gerar o respectivo direito ao crédito. Esclarece, assim, que, dos insumos consumidos ou utilizados na produção, nem todos são matériasprimas ou produtos intermediários, de acordo com a legislação do IPI. Portanto, aqueles insumos que não se integrem nem sejam consumidos no processo produtivo em decorrência de um contato físico – que implica desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas não geram direito ao crédito em abordagem. Ainda, cumpre registrar que não se vislumbra aqui qualquer inovação, restrição ou modificação da base de cálculo do crédito presumido do IPI uma vez que o alcance dos termos matériasprimas e produtos intermediários levadas a cabo pelos atos normativos está em consonância com o art. 147 do RIPI/98 que tem por matriz legal o art. 25 da Lei nº 4.502, de 1964. Nessa linha de raciocínio e interpretação, o enunciado nº 19 da Súmula CARF, ao tratar das aquisições de combustíveis e energia elétrica, expressamente as exclui da base de cálculo do crédito presumido em estudo: Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Negritei. Fl. 204DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10280.901767/200878 Acórdão n.º 3802000.716 S3TE02 Fl. 93 12 Nesse mesmo sentido, já existiam diversas decisões do então Conselho de Contribuintes demonstrando que, na definição de matériaprima e produto intermediário, tem sido utilizado o entendimento expresso no Parecer Normativo CST nº 65/79, vejase: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS NÃO ADMITIDOS NO CÁLCULO. Não são suscetíveis do benefício de crédito presumido de IPI os gastos com combustíveis, energia elétrica e outros que, embora sendo utilizados pelo estabelecimento industrial, não se revestem da condição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, visto que sequer entram em contato direto com o produto fabricado. ........................................(2º CC1ª Câmara; Acórdão nº 201 81547; Rel. Cons. Alexandre Gomes; decisão em 06/11/2008) .............................................................................. MATERIAL REFRATÁRIO. Mantémse a glosa dos materiais refratários que não se caracterizam como produtos intermediários (PN CST nº 65/79). CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS CONSUMIDOS NA PRODUÇÃO. GLOSA DE INSUMOS. Somente as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, conforme a conceituação albergada pela legislação tributária, podem ser computados na apuração da base de cálculo do incentivo fiscal. PARTES E PEÇAS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. ÓLEOS COMBUSTÍVEIS. Não geram direito a crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas, equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Assim, glosamse os créditos relativos a materiais intermediários que não atendam aos requisitos do Parecer Normativo CST nº 65, de 1979. Recurso negado. (2º CC 2ª Câmara; Acórdão nº 20217761; Rel. Cons. Gustavo Kelly Alencar; decisão em 28/02/2007) ...................................................... BASE DE CÁLCULO. Somente integram a base de cálculo do crédito presumido de IPI como ressarcimento da contribuição para o PIS e da Cofins as matériasprimas, os produtos intermediários e o material de embalagem, segundo as definições que lhes dá a legislação do IPI, a teor do art. 3º da Lei nº 9.363/96, desde que cumpram os requisitos do Parecer Normativo CST nº 65/79. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS, ENERGIA ELÉTRICA E DEMAIS INSUMOS NÃO UTILIZADOS DIRETAMENTE NA PRODUÇÃO DO BEM EXPORTADO. Apenas os insumos diretamente utilizados na produção do produto exportado, que se integram na sua composição final, se enquadram no conceito de matériaprima Fl. 205DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10280.901767/200878 Acórdão n.º 3802000.716 S3TE02 Fl. 94 13 ou produto intermediário, razão pela qual aí não se incluem a energia elétrica, os combustíveis e os demais produtos relativos à preparação indireta do produto. Recurso negado. (2º CC2ª Câmara; Acórdão nº 20219300; Rel. Cons. Antônio Lisboa Cardoso; decisão em 04/09/2008) .............................................................. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. ENERGIA ELÉTRICA. ÓLEO COMBUSTÍVEL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. SÚMULA Nº 12. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Súmula nº 12, do Segundo Conselho de Contribuintes, publicada no DOU de 26/09/2007. Recurso Voluntário Negado. (2º CC3ª Câmara; Acórdão nº 203; decisão em 04/12/2008) Dessa forma, no que diz respeito às transferências de produtos das filiais para a matriz, à energia elétrica e telefonia, e às ferramentas, não estamos diante de insumos que integraram o produto final ou foram consumidos ou se desgastaram em contato físico direto com os produtos fabricados pelo recorrente não se enquadrando, nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário , restando, portanto, hígidas as glosas de crédito presumido relativas a esses itens efetuadas pela autoridade fiscal. Da homologação tácita das compensações e da inexistência de homologação tácita de pedido de ressarcimento Para enfrentamento dessa questão, cabenos inicialmente verificar o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, in verbis: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) .... § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 206DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10280.901767/200878 Acórdão n.º 3802000.716 S3TE02 Fl. 95 14 § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Destaques apostos. No presente caso, como a declaração de compensação foi apresentada pela empresa em 23 de janeiro de 2004 (fls. 10 a 13), e a ciência do despacho decisório que não homologou as compensações somente ocorreu em 04 de fevereiro de 2010 (fl. 24), ou seja, após o período de cinco anos previsto pela legislação, correta a decisão a quo ao declarar a homologação tácita dessas compensações até o limite do crédito informado. Noutro giro, a homologação tácita prevista no artigo 74, §§2º e 5º da Lei nº 9.430/96, introduzida pelas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, referese unicamente ao instituto da compensação, não abarcando, como deseja a recorrente, os pedidos de ressarcimento. Assim, também de forma escorreita se apresenta o indeferimento de eventual crédito – aqui inexistente resultante da diferença entre o valor corrigido do pedido de ressarcimento e os débitos compensados tacitamente. Neste ponto, por carência de previsão normativa, equivocase o contribuinte ao afirmar que teria ocorrido a homologação tácita do pedido de ressarcimento efetuado. Ademais, por não ter aplicação ao caso presente que versa unicamente sobre pedido de ressarcimento e compensação, e não sobre lançamento por homologação, devem ser também rechaçados os argumentos da recorrente relativos à aplicação do artigo 150, §4º e 156 do CTN que trata especificamente de instituto jurídico de natureza diversa. Da conclusão Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente apelo recursal. Sala das Sessões, em 6 de outubro de 2011 (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Fl. 207DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 10943.000213/2007-20
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2000 a 30/12/2004
PREVIDENCIÁRIO - REMUNERAÇÃO INDIRETA - UTILIDADES - PAGAMENTO DE PRÊMIO - PRODUTIVIDADE - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO - TAXA SELIC - IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. - DECADÊNCIA.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculante aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
Incide contribuição previdenciária sobre o prêmio fornecido pela empresa aos contribuintes individuais que lhe prestam serviços, a título de incentivo pelas vendas.
Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo.
A utilização da taxa de juros SELIC encontra amparo legal no artigo 34 da Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 206-01.791
Decisão: ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, I) por maioria de votos em declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/2000. Vencidas as Conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bernadete de Oliveira Barros (relatora) e Ana Maria Bandeira, que votaram por rejeitar a preliminar de decadência; II) por unanimidade de votos, no mérito, em negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor, na parte referente à decadência, o(a) Conselheiro(a) Cleusa Vieira de Souza.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Slan 742744 MINISTÉRIO DA FAZENDA kt: trif9, 31,4 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - --c SEXTA CÂMARA Processo n° 10943.000213/2007-20 Recurso n° 153.290 Voluntário • Matéria SALÁRIO INDIRETO - PRÊMIO Acórdão 20 206-01.791 Sessão de 04 de fevereiro de 2009 Recorrente BASF S/A Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS • Período de apuração: 01/01/2000 a 30/12/2004 PREVIDENCIÁRIO - REMUNERAÇÃO INDIRETA - UTILIDADES - PAGAMENTO DE PRÊMIO - PRODUTIVIDADE - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO - TAXA SELIC - IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. - DECADÊNCIA. De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculante aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Incide contribuição previdenciária sobre o prêmio fornecido pela empresa aos contribuintes individuais que lhe prestam serviços, a titulo de incentivo pelas vendas. Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo. A utilização da taxa de juros SELIC encontra amparo legal no artigo 34 da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 1(47- r CC/MF Sexta Cámarz n CONFERE COMO ORIGINAL Processo n° 10943000213/2007-20 CCO2/C06 Acórdão ri 206-01391 Ores01a 96 ta_7_ Fls. 457 Maria ASP. rrel Inte Mat. 31ape 752748 ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, I) por maioria de votos em declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/2000. Vencidas as Conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bemadete de Oliveira Barros (relatora) e Ana Maria Bandeira, que votaram por rejeitar a preliminar de decadência; II) por unanimidade de votos, no mérito, em negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor, na parte referente à decadência, o(a) Con heiro(a) Cleusa Vieira de Souza. ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente (LOC CLEUSA VIEIRAWCE.--S/OUZA Relatora-Designada Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa (Suplente convocado), Cleusa Vieira de Souza, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 2° CC/MF Sexta Cantara Processo n° 10943.00021312007-20 CONFERE COMO ORIGINAL CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.791 Eras.% /0q Fls. 458 Marfa EWnlI4IttJv. Pinto Mat. Step* 752748 Relatório Trata-se de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa e à dos contribuintes individuais. Consta do Relatório Fiscal (fls. 61 a 63), que o fato gerador das contribuições lançadas é o pagamento de valores a pessoas fisicas relacionadas em planilha anexa, não declaradas em GFIP, constatado por meio da análise das DIRF's, Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte, com o código 588 — Rendimentos do Trabalho sem vínculo empregatício. A notificada impugnou o débito (fls. 67 a 79) e o processo foi baixado em diligência para a emissão de Relatório Fiscal Complementar (fl. 87), contemplando a fundamentação legal do arbitramento. Cientificada do Relatório Complementar, a recorrente se manifestou às fls. 91 a 96, juntando documentação às fls. 97 a 256. Da análise do aditamento da defesa, o processo foi novamente convertido em diligência, resultando na Informação Fiscal de fls. 354 e na retificação do débito, com a exclusão dos valores relativos a pagamento de estagiários e contratos de locações do presente lançamento. Regularmente notificada da IF, a recorrente aditou a defesa via peça de fls. 356 a 360 e a Secretaria da Receita Previdenciária, por meio da DN n°21.434.4/0124/2007, fls. 372 a 385, julgou o lançamento procedente em parte, acatando o parecer retificador da fiscalização. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo ao CRPS (fls. 407 a 424) alegando, preliminarmente, ineonstihicionalidade da exigência do depósito prévio e solicitando que seja dado efeito suspensivo ao presente recurso. No mérito, reitera os argumentos da peça impugnatória, reafirmando que os beneficiários de tais pagamentos eram empregados das lojas que comercializam produtos da recorrente. Destaca que o valor recebido pelos beneficiários trata-se de prêmios concedidos àqueles que participaram de uma promoção, e que não há previsão legal para a incidência de contribuição previdenciária em pagamento a titulo de prêmio. Ressalta que os valores foram pagos a pessoas fisicas que não são contribuintes individuais e que não prestaram serviços para a recorrente, uma vez que são, na verdade, empregados das lojas que comercializam produtos da notificada, não sendo possível tais pessoas prestarem serviços à recorrente e serem, concomitantemente, empregados de empresa diversa. 3 2° CC1MF Sexta Cansam Processo n° 10943.00021312007-20 CONFERE COM O OR162,+.4t CCO2/C06 Acórdão ri, 206-01.791 Brasido 06- Fls. 459 Maria d •Ira dito Mat. Siap. 752743 Reporta-se ao processo que discute a NFLD 35.903.643-0 para refutar o entendimento da autoridade julgadora de primeira instância na decisão que julgou a referida notificação e sustenta que não podem os valores pagos . título de prerniação serem considerados hipóteses de incidência tributária. Insiste que não foi constatada, pela fiscalização, qualquer prestação de serviços em favor da recorrente por parte dos envolvidos no presente lançamento e discorre sobre a atividade desenvolvida pelos trabalhadores a seu empregador, que é outra pessoa jurídica. Reconhece que incidir-se-ia sobre os valores pagos a título de prêmio no máximo imposto de renda, mas nunca contribuição previdenciária, devido à falta de previsão , legal para tal. Entende que, pelas mesmas razões já expostas, não é devida a retenção de 11% sobre valores pagos a contribuintes individuais no presente caso, já que os mesmos nunca prestaram serviços a recorrente e requer a conversão do julgamento em diligência para averiguação de documentos na recorrente. Alega que não incide contribuição previdenciária sobre pagamento de alugueis, pois não se trata de salário por prestação de serviços, sendo o fornecimento para o trabalho e não pelo trabalho, não havendo, assim, que se falar em natureza salarial, já que o aluguel era para possibilitar a prestação do serviço no local onde a moradia era fornecida, sendo verdadeira ferramenta de trabalho, esclarecendo que o valor dos alugueis nunca ultrapassaram 50% dos proventos. Defende, ainda, que a taxa SELIC como índice de juros no presente caso é inaplicável e inconstitucional. A Secretaria da Receita Federal do Brasil não apresentou contra-razões, encaminhando o recurso interposto para apreciação por este Conselho de Contribuirites. É o relatório. Voto Vencido Conselheira BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. A recorrente se defende do débito lançado alegando, basicamente, que os valores se referem a pagamento de prêmios a pessoas fisieas, empregadas de outra pessoa jurídica, e que não prestaram serviços à recorrente, mas participaram de uma promoção de vendas dos produtos da notificada. j 4 2° CC/MF Sexta C.4/nara Processo n° 10943.1300213/2007-20 CONFERE COMO ORIGINAL CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.791 40C?' Fls. 460 Marta EWPInto Mat. Step* 2527413 Porém, a autoridade lançadora deixou claro no Relatório Fiscal que o presente lançamento se refere a pagamentos de pessoas físicas pela notificada, verificados por meio da análise das DIRF's, Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte. A empresa declarou tais pagamentos no código 588, que se refere a rendimentos de trabalho sem vinculo empregatício. Assim, restou claro que houve prestação de trabalho à recorrente por pessoas fisicas sem vínculo empregatício. E se houve o pagamento pela prestação de trabalho, conforme declarado pela notificada na DIRF, claro está a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária. A notificada entende que, por serem as pessoas físicas contempladas com os referidos pagamentos empregados de outra pessoa jurídica, não é possível a prestação de serviços à recorrente concomitantemente com o emprego em empresa diversa. Porém, tal entendimento está desprovido de amparo legal. A Lei 8.212/91 é clara ao estabelecer, em seu § 2° do art. 12 que "todo aquele que exercer, concomitantemente, mais de uma atividade remunerada, sujeita ao Regime Geral de Previdência Social é obrigatoriamente filiado em relação a cada uma delas. Portanto, tendo sido constatada a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, a autoridade fiscal, a quem incumbe o lançamento, agiu em estrita observância aos ditames legais lavrando a competente NFLD. A NFLD foi lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Notificação (FLD e Relatório Fiscal Complementar), os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura da NFLD e, junto com o relatório Fundamentos Legais do Débito — FLD e o Relatório Complementar, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Em diversos momentos de seu recurso a notificada faz alusão aos argumentos e entendimentos expostos por ela e pelas autoridades administrativas em processo que discute uma outra NFLD. Contudo, a recorrente deve demonstrar seu inconformismo em relação às decisões e entendimentos exarados em outro processo naqueles autos em que foram proferidos, e não neste. 5 2° CC/NIF Sexta ninam • CONFERE COMO ORIG1Nr.Processo n° 10943.000213/2007-20 CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.791 BrasIfla.iQí Fls. 461 Marialnd esteira Pinto Mat. Sina 752745 No presente processo, caberia à recorrente comprovar o alegado, por meio de provas, já que o ónus recaiu sobre ela por se tratar de um lançamento arbitrado, fundamentado no § 30, do art. 33, da Lei 8.212/91, conforme Relatório Fiscal Complementar (fl. 87). A empresa insurge-se, ainda, contra a incidência de contribuição previdenciária sobre pagamento de alugueis, esclarecendo que não se trata de salário por prestação de serviços, sendo o fornecimento para o trabalho e não pelo trabalho, e informando que o valor dos alugueis nunca ultrapassaram 50% dos proventos. No entanto, o processo administrativo em discussão não se refere à contribuição incidente sobre concessão de moradia, uma vez que, conforme já amplamente exposto acima, é objeto da presente notificação a contribuição incidente sobre o pagamento feito pela notificada a pessoas fisicas sem vínculo empregaticio com a recorrente. Portanto, tais argumentos trazidos em sede recursal são estranhos ao processo sob análise e totalmente impertinentes ao objeto da NFLD em discussão, que é a contribuição incidente sobre a remuneração de segurado contribuinte individual. A recorrente protesta pela realização de diligência fiscal. Todavia, da análise dos autos, verifica-se que não existem dúvidas a serem sanadas, já que o Relatório Fiscal está claro e a NFLD muito bem fundamentada. O art. 18, da Lei do Processo Administrativo Fiscal (Dec. 70.235/72), estabelece: "Art.I8 - A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine." Assim, indefere-se o pedido de diligência, por considerá-la prescindível e meramente protelatória. Em relação ao argumento de ilegalidade e inconstitucionalidade da aplicação da Taxa SELIC, é oportuno observar que o foro apropriado para questões dessa natureza não é o administrativo. Cumpre esclarecer, ainda, que a utilização da Taxa SELIC para atualizações e correções dos débitos apurados encontra respaldo no art. 34, da Lei 8.212/91, e o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, veda aos Conselhos de Contribuintes afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme disposto em seu art. 49. Ademais, o Conselho Pleno, no exercício de sua competência, uniformizou a jurisprudência administrativa sobre tais matérias, por meio dos Enunciados 02/2007 e 03/2007, transcritos a seguir: j 6 r CCIMF Sexta Câmara Processo n° 10943.000213/2007-20 CORREI COMO ORIGINAL ccovcos Acórdão n.°206-01.791 Mraallla 9 Fls. 462 Maria SÃ a Ira nto Mat. Slan 762748 "Enunciado n° 02 - O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Enunciado n° 03 - É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic para títulos federais." Nesse sentido, CONSIDERANDO tudo mais que dos autos conta VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO para, no mérito, NEGAR- LHE PROVIMENTO. Sala das Sessões, em 04 de fevereiro de 2009 BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 7 r CC.MAF Sexta Gamar, Processo n° 10943.000213/2007-20 CONFERE COMO ORIG1N? CCO2/036 Acórdão n.• 206-01.791 bresIllalad22_ Fls. 463 Maria E rre Met. tape 752748 Voto Vencedor Conselheira CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Relatora-Designada Ouso divergir da ilustre Conselheira Relatora no que se refere à decadência argüida pela Recorrente e acolhida pela relatora com fulcro no artigo 173 inciso I do CTN. Com relação à qual, vale esclarecer que até a Seção do mês de maio/2008, esta Câmara de julgamento, bem como esta Conselheira mantinha o entendimento de que a constituição do crédito previdenciário, aplicava-se as disposições contidas na Lei n° 8212/91, art. 45 que determina: "o direito de a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se em após dez anos a contar do 10 dia do exercício seguinte àquele que o crédito poderia ter sido constituído". Entretanto, o Supremo Tribunal Federal - STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n ° 8, senão vejamos: Súmula Vinculante n° 8 - "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". No REsp 879.0581PR, DJ 22.02.2007, a P Turma do STJ pronunciou-se nos temos da seguinte ementa: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO RECORRIDO ASSENTADO SOBRE FUNDAMENTAÇÃO DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCICIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (C7N, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CTN, ART. 150, § 49.PRECEDENTES DA I° SEÇÃO. I. omissis 2. omissis 3. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art.173, I, do CTN, segundo o qual 'direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado'. 8 • 2° COME Sexta Cãmara CONFERE COM O ORIGINAL• Processo n° 10943.000213/2007-20 CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.791 Brasília Fls. 464 Marta EiclUtâRtQtr—a Mat. Slap• 7152748 4. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do C7W, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —, há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o g 4° do art. 150 do C77V. Precedentes da 1° Seção: ERESP 101.407/SP, Min. AH Pargendler, DJ de 08.05.2000; ERESP 278.727/DF, Min.Franciulli Nesta, DJ de 28.10.2003; ERESP 279.473/SP, MM. Teori Zavascici, D./ de 11.10.2004; AgRg nos ERESP 216.758/SP, Min. Teori Zavascki, DJ de 10.04.2006. 5. No caso concreto, todavia, não houve pagamento. Aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 6. Recurso especial a que se nega provimento." E ainda, no REsp 757.9221SC, DJ 11.10.2007, a 1° Turma do STJ, mais uma vez, pronunciou-se nos temos da ementa colacionada: "EMENTA CONSTITUCIONAL, PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ARTIGO 45 DA LEI 8.212191. OFENSA AO ART. 146, III, B, DA CONSTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCíCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (C77V, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (C77V, ART. 150, if 4°). PRECEDENTES DA I° SEÇÃO. I. "As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm, no regime da Constituição de 1988, natureza tributária. Por isso mesmo, aplica-se também a elas o disposto no art. 146, III, b, da Constituição, segundo o qual cabe à lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos. Conseqüentemente, padece de inconstitucionalidade formal o artigo 45 da Lei 8.212, de 1991, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais devidas à Previdência Social" (Corte Especial, Argüição de Inconstitucionalidade no REsp n° 6163481MG) 2. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual "o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado". 9 2° CCIMF Sexta Câmara • CONFERE COMO ORIGINAL Processo n° 10943.000213/2007-20 CCO2/C06 Acórdão n.°206-01.791 Brasil'. ri cf Fls. 465 Maria E mineira to Mat. Mapa 782748 3. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, "ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa "e "opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa " — , há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo dectzdencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4° do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 4. No caso, trata-se de contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 173, 1, do CTN. 5. Recurso especial a que se nega provimento." É a orientação também defendida em doutrina: "Há uma discussão importante acerca do prazo decadencial para que o Fisco constitua o crédito tributário relativamente aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Nos parece claro e lógico que o prazo deste § 4° tem por finalidade dar segurança jurídica às relações tributárias da espécie. Ocorrido o fato gerador e efetuado o pagamento pelo sujeito passivo no prazo do vencimento, tal como previsto na legislação tributária, tem o Fisco o prazo de cinco anos, a contar do fato gerador, para emprestar definitividade a tal situação, homologando expressa ou tacitamente o pagamento realizado, com o que chancela o cálculo realizado pelo contribuinte e que supre a necessidade de um lançamento por parte do Fisco, satisfeito que estará o respectivo crédito. É neste prazo para homologação que o Fisco deve promover a fiscalização, analisando o pagamento efetuado e, entendendo que é insuficiente, fazendo o lançamento de ofício através da lavratura de auto de infração, em vez de chancelá-lo pela homologação. Com o decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, pois, ocorre a decadência do direito do Fisco de lançar eventual diferença. A regra do § 4° deste art. 150 é regra especial relativamente à do art. 173, 1, deste mesmo Código. E, em havendo regra especial, prefere à regra geral. Não há que se falar em aplicação cumulativa de ambos os artigos." (Leandro Paulsen, Direito Tributário, Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência, Ed. Livraria do Advogado, ed., p. 1011). "Ora, no caso da homologação tácita, pela qual se aperfeiçoa o lançamento, o CTN estabelece expressamente prazo dentro do qual se deve considerar homologado o pagamento, prazo que corre contra os interesses fazendários, conforme § 4o do art. 150 em análise. A conseqüência –homologação tácita, extintiva do crédito – ao transcurso in albis do prazo previsto para a homologação expressa do pagamento está igualmente nele consignada" (Misabel A. Machado Derzi, Comentários ao C77n1; Ed. Forense, 3a ed., p. 404). 10 2° CC/MF Sexta Camara Processo n° 10943.000213/2007-20 CONFERE COM O ORIGINAL CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.791 srnIiia4jJjcJJ2 j Fls. 466 Mede E rre re Pinto Mat. S1'1,4,7627411 No caso em exame, como não houve a demonstração por parte da fiscalização que não houve a antecipação de pagamento, para a aplicação da regra contida no artigo 173, entendo que há que se manter a regra geral e aplicar-se ao caso a regra do art. 150, § 4°, do CTN, ou seja, conta-se o prazo decadencial a partir do fato gerador. Portanto, na data da ciência da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, que se deu em dezembro/2005, as contribuições apuradas referentes ao período de 01/01/2000 a 11/2000 já se encontravam fulminadas pela decadência, razão porque acolho a preliminar suscitada para excluir do presente lançamento, as contribuições relativas ao período mencionado. Sala das Sessões, em 04 de fevereiro de 2009 C2 CLEUSA VIEIRAVêt--S01—QA 11 Page 1 _0090600.PDF Page 1 _0090700.PDF Page 1 _0090800.PDF Page 1 _0090900.PDF Page 1 _0091000.PDF Page 1 _0091100.PDF Page 1 _0091200.PDF Page 1 _0091300.PDF Page 1 _0091400.PDF Page 1 _0091500.PDF Page 1
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Numero do processo: 11075.002592/2006-41
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 19/09/2006
Ementa. NCM. MISTURA PARA PREPARAÇÃO DE PRODUTOS DE
PADARIA. ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO.
O produto mistura para preparação de produtos de padaria à base de farinha de trigo fortificada com vitaminas (por exemplo, vitamina B1, vitamina B2, ácido fólico) e minerais (por exemplo, ferro), com adição de melhoradores de panificação (por exemplo, metabissulfito de sódio, azodicarbonamida), emulsificantes (por exemplo, estearoil lactato de sódio) e uma proporção de sal (cloreto de sódio) superior a 0,5%, em peso, classifica-se no código NCM 1901.20.00.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 23/08/2006
PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE
JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA.
INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA.
NULIDADE DA DECISÃO. IMPOSSIBILIDADE.
No âmbito do processo administrativo fiscal, a prova pericial deve ser produzida ou refeita com a finalidade de proporcionar a autoridade julgadora a formação de livre convicção acerca da matéria fática, essencialmente, de natureza técnica. Trata-se,
portanto, de decisão da esfera do poder discricionário da autoridade julgadora. Dessa forma, não há vício de legalidade nem tampouco configura prejuízo ao direito defesa do contribuinte a decisão que apresenta adequada e suficiente fundamentação para o
indeferimento de pedido de realização de nova prova pericial.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3802-000.683
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de
Julgamento, por maioria, dar provimento ao presente recurso. Vencidos os Conselheiros Solon Sehn (Relator) e Bruno Curi que declaravam de ofício a nulidade da decisão recorrida e determinavam o retorno dos autos à DRJ para que se realizasse a perícia requerida e proferisse nova decisão considerando o seu teor.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 19/09/2006 Ementa. NCM. MISTURA PARA PREPARAÇÃO DE PRODUTOS DE PADARIA. ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO. O produto mistura para preparação de produtos de padaria à base de farinha de trigo fortificada com vitaminas (por exemplo, vitamina B1, vitamina B2, ácido fólico) e minerais (por exemplo, ferro), com adição de melhoradores de panificação (por exemplo, metabissulfito de sódio, azodicarbonamida), emulsificantes (por exemplo, estearoil lactato de sódio) e uma proporção de sal (cloreto de sódio) superior a 0,5%, em peso, classifica-se no código NCM 1901.20.00. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 23/08/2006 PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, a prova pericial deve ser produzida ou refeita com a finalidade de proporcionar a autoridade julgadora a formação de livre convicção acerca da matéria fática, essencialmente, de natureza técnica. Trata-se, portanto, de decisão da esfera do poder discricionário da autoridade julgadora. Dessa forma, não há vício de legalidade nem tampouco configura prejuízo ao direito defesa do contribuinte a decisão que apresenta adequada e suficiente fundamentação para o indeferimento de pedido de realização de nova prova pericial. Recurso Voluntário Provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2156; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 141 1 140 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11075.002592/200641 Recurso nº 876.537 Voluntário Acórdão nº 380200.683 – 2ª Turma Especial Sessão de 30 de agosto de 2011 Matéria II CLASSIFICAÇÃO FISCAL Recorrente MOINHOS CANUELAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 19/09/2006 Ementa. NCM. MISTURA PARA PREPARAÇÃO DE PRODUTOS DE PADARIA. ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO. O produto mistura para preparação de produtos de padaria à base de farinha de trigo fortificada com vitaminas (por exemplo, vitamina B1, vitamina B2, ácido fólico) e minerais (por exemplo, ferro), com adição de melhoradores de panificação (por exemplo, metabissulfito de sódio, azodicarbonamida), emulsificantes (por exemplo, estearoil lactato de sódio) e uma proporção de sal (cloreto de sódio) superior a 0,5%, em peso, classificase no código NCM 1901.20.00. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 23/08/2006 PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, a prova pericial deve ser produzida ou refeita com a finalidade de proporcionar a autoridade julgadora a formação de livre convicção acerca da matéria fática, essencialmente, de natureza técnica. Tratase, portanto, de decisão da esfera do poder discricionário da autoridade julgadora. Dessa forma, não há vício de legalidade nem tampouco configura prejuízo ao direito defesa do contribuinte a decisão que apresenta adequada e suficiente fundamentação para o indeferimento de pedido de realização de nova prova pericial. Recurso Voluntário Provido. Fl. 146DF CARF MF Emitido em 13/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /11/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, dar provimento ao presente recurso. Vencidos os Conselheiros Solon Sehn (Relator) e Bruno Curi que declaravam de ofício a nulidade da decisão recorrida e determinavam o retorno dos autos à DRJ para que se realizasse a perícia requerida e proferisse nova decisão considerando o seu teor. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento – Redator Designado. EDITADO EM: 19/11/2011 Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Tatiana Midori Migiyama, Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, dispensado de ementa nos termos da Portaria SRF n° 1.364/2004, no qual se discute a classificação fiscal aplicável aos produtos objeto da declaração de importação (DI) n° 06/11232370. Por bem resumir adequada a controvérsia, adotase o relatório da decisão recorrida (fls. 115116): Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor total de R$ 32.283,67 referente ao Imposto de Importação, juros de mora, multa proporcional, multa do controle administrativo e multa regulamentar, em função da descrição da mercadoria na declaração de importação ser inexata em relação a mercadoria efetivamente importada, fato que acarretou na desqualificação de certificado de origem, em virtude deste não abranger a mercadoria efetivamente importada.. O interessado por meio da declaração de importação (DI) n° 06/11232370 submeteu a despacho mercadoria descrita como "prémistura para pão francês destinada à fabricação de pães ou de outros produtos de padaria, pastelaria ou da indústria de bolachas e biscoitos", NCM 1901.20.00, solicitando enquadramento tarifário conforme Acordo de Complementação Econômica (ACE) n° 18. Para comprovação da origem da mercadoria, o importador apresentou o Certificado de Origem do Mercosul n° 200866 emitido na Argentina. Fl. 147DF CARF MF Emitido em 13/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /11/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11075.002592/200641 Acórdão n.º 380200.683 S3TE02 Fl. 142 3 Retiradas amostras da mercadoria e encaminhadas para análise, o Laboratório de Análises L.A. Falcão Bauer emitiu Laudo de Análise n° 2645/20061. A conclusão do laudo é que a mercadoria analisada não se trata de "Mistura e Pastas para a Preparação de Produtos de Padaria, Pastelaria e da Industria de Bolachas e Biscoitos", mas sim de "Farinha de Trigo fortificada com Ácido Fólico e Ferro contendo 1,35% de Cloreto de Sódio (Sal) e traços Acido Ascórbico (Vitamina C)". Considerando que tratase de mercadoria distinta da declarada,a fiscalização classificou a mercadoria na NCM 1101.00.10 e, entendendo que o certificado de origem não amparava a mercadoria efetivamente apresentada para despacho desqualificou o mesmo. Regularmente cientificado (f1.01), o interessado apresentou impugnação de folhas 34 a 53, anexando os documentos de folhas 54 a 100. Em síntese, traz as seguintes alegações: Que, questiona o laudo elaborado pelo Laboratório Falcão Bauer, que serviu como fundamento para desclassifica as mercadorias importadas; Que, inexiste legislação específica ou norma técnica que defina em que consiste o produto "mistura de farinha de trigo"; Que, os laudos não apresentam a fonte das informações, limitandose a afirmar "segundo literatura técnica", omite a bibliografia técnica utilizada para definir "mistura" e as metodologias utilizadas nas análises foram inapropriadas para se apurar os demais componentes; Que, "fermento" não é, necessariamente um ingrediente para a prémistura que deva estar presente para caracterizála. A IN MAPA n° 08/05, a RDC ANVISA 0 273/05 e 259/02, e Resolução Anvisa n° 385/99, trazem conceitos relacionados ao tema. A NCM não afirma que a prémistura deve conter fermento; Que, a impugnante solicitou ao Engenheiro Marcus Vinicius Coelho, um estudo técnico sobre o resultado da análise das amostras pelo Labana Falcão Bauer, e este constatou inconsistência em vários aspectos. Tais divergências mostramse mais evidentes quando comparado com o laudo técnico elaborado por Perito da própria Receita, em que as análises foram realizadas na Universidade Federal do Rio de Janeiro; Requer, a realização de perícia nas amostras colhidas, indica seu perito para acompanhar a realização da perícia, bem como apresenta os quesitos, requer ainda seja acolhida a presente impugnação, cancelandose o débito fiscal e determinando se a devolução dos valores depositados. A decisão acolheu as conclusões do laboratório Falcão Bauer, rejeitando o pedido de perícia com fundamento no art. 18 do Decreto n° 70.235/1972. Ao mesmo tempo, entendeu que “a interessada não logrou provar que no presente caso o laudo foi emitido com mácula capaz de alterar a conclusão que dele se extrai” (fls. 118), mantendo o crédito tributário objeto da impugnação. O Recorrente, nas razões de fls. 128137, reitera as alegações da impugnação, inclusive no que se refere ao pedido de perícia, pleiteando a reforma da decisão recorrida e a conseqüente liberação do depósito extrajudicial. Fl. 148DF CARF MF Emitido em 13/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /11/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 Designada a data do julgamento, o Recorrente apresentou memorial, instruído com parecer jurídico da lavra dos eminentes Professores Roque Antonio Carrazza e Heleno Taveira Torres, anexado aos autos do processo. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão se deu no dia 11/02/2010 (fls. 124) e o protocolo do recurso, em 12/03/2010 (fls. 127). Tratase, portanto, de recurso tempestivo que pode ser conhecido, uma vez que versa sobre matéria da competência da Terceira Seção e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972. A matéria controvertida diz respeito à natureza do produto importado, que, por sua vez, foi determinada pela autoridade fiscal a partir de Laudo do Laboratório Falcão Bauer. O Recorrente questiona o referido estudo com base em argumentos técnicos contidos em parecer de profissional contratado pelo sujeito passivo. Também foi apresentado um segundo laudo, elaborado pela Faculdade de Farmácia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a pedido da Inspetoria da Receita Federal em Angra dos Reis, tendo por objeto a DI 06/09263042 e a DI 06/09818958. O Recorrente, por outro lado, a fim de provar suas alegações e confirmar a natureza do produto, requereu a produção de prova pericial. O acórdão da DRJ, ao mesmo tempo em que indeferiu o pedido de perícia, entendeu que “a interessada não logrou provar que no presente caso o laudo foi emitido com mácula capaz de alterar a conclusão que dele se extrai” (fls. 118). Em razão disso, julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Recorrente. Essa decisão, no entanto, fere o direito de defesa do contribuinte, violando os princípios do contraditório e da ampla defesa, previstos no art. 5o, LV, da Constituição Federal: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: [...] LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; O julgamento do presente feito – não há dúvidas nesse sentido – depende de exame laboratorial da mercadoria importada. O Recorrente, por outro lado, apresentou argumentos substanciais que denotam a existência de fundada controvérsia sobre as conclusões do laudo adotado pela autoridade responsável pela lavratura do auto de infração. Isso se evidencia diante da existência de laudo divergente, elaborado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com poucos dias de diferença, em processo de importação da mesma mercadoria, também envolvendo o Recorrente. Fl. 149DF CARF MF Emitido em 13/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /11/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11075.002592/200641 Acórdão n.º 380200.683 S3TE02 Fl. 143 5 Além disso, foi apresentado um estudo técnico elaborado por perito credenciado da Algândega do Porto de Santos (Portaria no 70/1999 – DOU 24/03/1999) e de Sepetiba (Portarias no 22/1999 DOU 26/01/2000 e no 33/2003 – DOU 06/12/2003). Este aponta duas particularidades que não foram devidamente enfrentadas pela decisão recorrida: (i) a farinha de trigo pura tem teor de gordura em torno de 1,33%. Todavia, o Laudo do Laboratório Falcão Baurer conclui inexistir gordura nas amostras, o que pode indicar a inadequação ou limitação do método empregado para o tipo de análise; e (ii) o Laudo destaca a presença de Maltose – tipo de açúcar –, identificado por cromatologia circular em papel. Porém, a conclui de forma contraditório no sentido de que não haveria açúcares na mistura. De fato, consta no Laudo que, “de acordo com análises realizadas, não detectamos a presença de fermento, gordura, açúcares, ácido ascórbico e nem de conservantes” (item 05, fls. 188). Todavia, os resultados das análises mostram ter ocorrido “identificação por Cromatografia Circular em Papel positiva para Maltose”(fls. 187). A maltose, por sua vez, constitui uma espécie de açúcar, o que infirma a conclusão do laudo. Tais circunstâncias mostram que, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, a prova requerida, além de relevante e pertinente, diz respeito ao um evento possível e que exige conhecimento técnico especializado para ser comprovado. A prova, portanto, não poderia ser considerada desnecessária, porque, segundo ensinam Antonio Carlos de Araújo Cintra, Ada Pellegrini Grinover e Cândido Rangel Dinamarco: “[...] não deve ser admitida a prova dos fatos notórios (conhecido de todos), dos impertinentes (estranhos à causa), dos irrelevantes (que, embora pertençam à causa, não influem na decisão), dos incontroversos (confessados ou admitidos por ambas as partes), dos que sejam cobertos por presunção legal de existência ou de veracidade (CPC, art. 334) ou dos impossíveis (embora se admita a prova dos fatos improváveis)” (CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria Geral do Processo. 13. ed. São Paulo: Malheiros, 1997, p. 353354). Esse mesmo critério é previsto no art. 18 do Decreto no 70.235/1972: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Assim, se houve pedido expresso de prova por parte do sujeito passivo – e que, consoante destacado, este se destinava a comprovar um fato nãonotório, pertinente, relevante, controverso e não acobertado por presunção legal – a autoridade julgadora não poderia têlo indeferido e, ao mesmo tempo, considerar que o Recorrente não provou suas alegações. Tratase de decisão que fere o direito de ampla defesa, porque, se o interessado não provou o alegado, foi justamente em razão do indeferimento da prova pericial. Fl. 150DF CARF MF Emitido em 13/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /11/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 A Jurisprudência da 3a Seção, em casos análogos, tem entendido que “não há que se falar em nulidade por indeferimento de pedido de perícia quando os autos reúnem os elementos necessários à formação da convicção do julgador e, o que é mais relevante, o sujeito passivo não logra êxito em demonstrar a imprescindibilidade desse exame suplementar”. (Acórdão 310200.625 – 3a S. 1a C. 2a TO. Rel. Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro. S. de 18/03/2010). Entendese que o julgador, nos termos do art. 29 do Decreto no 70.235/1972, pode formar sua convicção de forma livre, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Essa prerrogativa, porém, não autoriza o indeferimento de prova técnica indispensável, que não poderia ser realizada de outra forma. A decisão, portanto, é nula de pleno direito, nos termos do art. 59, II, do Decreto no 70.235/1976: “Art. 59. São nulos: [...] II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa”. Por fim, embora o Recorrente tenha renovado o pedido de perícia, não é cabível a produção dessa prova em segunda instância. Por outro lado, não cabe a conversão do feito em diligência, porque, em tal hipótese, o julgamento do feito pelo Conselho implicaria supressão de instância. Impõese, portanto, o declaração deofício da nulidade da decisão recorrida (Decreto no 70.235/1976, art. 61). Votase, assim, pelo conhecimento do recurso e pela declaração deofício da nulidade da decisão recorrida, determinandose o retorno dos autos à DRJ para que se realize a perícia requerida, proferindo nova decisão considerando o teor da prova técnica. O entendimento exposto em relação à nulidade é incompatível com o exame do mérito, uma vez que não se declara a nulidade de decisão quando o mérito puder ser julgado em favor do Recorrente (Art. 59. [...] § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta). Assim, superada a preliminar, entendese que não caberia a manifestação no tocante ao mérito. Todavia, exclusivamente para fins regimentais, sendo necessário o exame do mérito nesta oportunidade, votase pela aplicação do art. 112 do Código Tributário Nacional, com o conseqüente provimento do recurso: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. (assinado digitalmente) Fl. 151DF CARF MF Emitido em 13/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /11/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11075.002592/200641 Acórdão n.º 380200.683 S3TE02 Fl. 144 7 Solon Sehn Relator Voto Vencedor Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator Designado Conforme delineado no Relatório e Voto precedentes, o cerne da presente controvérsia diz respeito, fundamentalmente, à identificação do produto importado pela Recorrente. De fato, na DI colacionada aos autos, a Recorrente descreveu a mercadoria como “prémistura para pão francês destinada à fabricação de pães ou de outros produtos de padaria, pastelaria ou da indústria de bolachas e biscoitos”, atribuindolhe o código NCM 1901.20.00. Noutro giro, com respaldo na conclusão apresentado nos Laudos Técnicos constantes dos autos que a mercadoria analisada era farinha de trigo fortificada com ácido fólico e ferro, contendo percentual de sal (cloreto de sódio) inferior a 2% em peso, a Fiscalização reclassificou a mercadoria para o código NCM 1101.00.10, com fundamento na Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1 (Nota 2 do Capítulo 11 e texto da posição 11.01) e da Regra Geral Complementar nº 1 (texto do item 1101.00.10). Com base nos mesmos fundamentos, o Acórdão recorrido manteve integralmente o crédito tributário exigido. Ademais, com suporte no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), com a redação da Lei nº 8.748, de 1993, indeferiu o pedido de perícia formulado pela Autuada, com base no argumento de que ela era prescindível, haja vista que os Laudos Técnicos do Laboratório de Análise Falcão Bauer, elaborados pedido a da Fiscalização, não continham mácula capaz infirmálos. Por sua vez, no seu brilhante Voto, o i. Relator entendeu que a decisão recorrida havia cerceado o direito de ampla defesa da Recorrente, haja vista que se o interessado não logrou comprovar o alegado, o motivo fora justamente o indeferimento da realização da prova pericial requerida. Entretanto, apesar de renovado o pedido de perícia, sob o argumento de que não cabia a conversão do feito em diligência, porque, em tal hipótese, o julgamento do feito por este Colegiado implicaria supressão de instância, decidiu o nobre Relator pela declaração de ofício da nulidade do Acórdão recorrido, sob o argumento de que estava caracterizado o cerceamento do direito de defesa da Interessada, conforme previsto no inciso II do art. 59 do PAF. I DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO Com a devida vênia, discordo do entendimento do i. Relator. Não vejo no Acórdão recorrido qualquer mácula que possa conspurcar a sua legalidade, especialmente, o alegado cerceamento do direito de defesa da Recorrente. No meu entendimento, em consonância com o disposto nos arts. 18 e 28 do PAF, o Órgão julgador de primeiro grau apresentou sólidos argumentos que justificam o indeferimento do pedido perícia formulado pela Recorrente. Fl. 152DF CARF MF Emitido em 13/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /11/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 8 Com efeito, compulsando o voto condutor do julgado recorrido, verificase que todas as alegações suscitadas pela Recorrente, no sentido de desqualificar as conclusões apresentadas nos Laudos Técnicos da lavra do Laboratório de Análise Falcão Bauer, foram apreciadas, porém consideradas improcedentes, em síntese, pelas seguintes razões: a) os Laudos e Pareceres Técnicos carreados aos autos pela Autuada referemse à mercadoria distinta; b) os Laudos Técnicos elaborados a pedido da Fiscalização, diferentemente do alegado pela Recorrente, fazem referência às fontes bibliográficas utilizadas, inclusive à bibliografia mencionada pelo Engenheiro Químico contratado pela Interessada. Ademais, contêm a perfeita identificação do produto, mediante utilização de diversos métodos de análise, e apresentam as respostas a todos os quesitos formulados; c) a despeito de constar nos citados Laudos que o produto era uma mistura, tal afirmação não maculava os resultados obtidos por meio da análise (percentual dos componentes e demais dados técnicos), pois, para fins de classificação fiscal a descrição do produto deve atender aos requisitos previstos nas normas específicas sobre o assunto; d) a presença ou não de fermento na composição do produto não era condição suficiente para caracterizálo como uma mistura, logo, não procedia a alegação da Recorrente de que a conclusão apresentada nos citados Laudos deviase ao fato de não ter detectado a presença do referido componente; e e) não se tratava, no presente caso, de somente detectar ou não a presença de outros componentes no produto, mas também os percentuais declarados pela Interessada, ou seja, não era somente o aspecto qualitativo de cada componente, mas também o aspecto quantitativo da participação de cada um na composição do produto final, aspecto que não foi levado em conta pela Autuada. Além dessas razões que, ao meu ver, justificam adequadamente o indeferimento do pedido de perícia formulado pela Recorrente, apresentarei a seguir outras considerações adicionais que ratificam o acerto da decisão guerreada. Da análise dos supostos “Laudos Técnicos” colacionados aos autos pela Recorrente. Em relação aos supostos Laudos Técnicos colacionados aos autos pela Recorrente (fls. 85 e seguintes), elaborados pelo Engenheiro Químico Joaquim da Silva Pereira, com base nos resultado das análises realizadas por ele e pela Faculdade de Farmácia da UFRJ (fls. 86 e seguintes), além dos dados referiremse a uma amostra de outras operações de importação, objeto das DI de nºs 06/09818958 (fls. 93/96) e 06/09263042 (fls. 87/90), na verdade, o referido documento não atende os requisitos do Laudo Técnico determinados nos arts. 509 e 722 do Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002 (Regulamento Aduaneiro de 2002 – RA/2002), complementados pelo disposto na Instrução Normativa SRF nº 157, de 22 de dezembro de 1998, vigentes na época das importações em referência. Fl. 153DF CARF MF Emitido em 13/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /11/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11075.002592/200641 Acórdão n.º 380200.683 S3TE02 Fl. 145 9 De acordo com o disposto no art. 5091 do RA/2002, havendo necessidade de quantificação ou identificação de mercadoria importada, a fiscalização aduaneira ou o próprio importador poderá solicitar assistência técnica especializada, que deverá observar o disposto no art. 722 do citado Regulamento, a seguir transcrito: Art. 722. A assistência técnica para identificação e quantificação de mercadoria importada ou a exportar, bem assim a avaliação de equipamentos de segurança e sistemas informatizados, e a emissão de laudos técnicos sobre o estado e o valor residual de bens, será proporcionada: I pelos laboratórios da Secretaria da Receita Federal; II por órgãos ou entidades da Administração Pública; ou III por entidades privadas e técnicos, especializados, previamente credenciados. § 1o A Secretaria da Receita Federal expedirá ato normativo em que: I regulará o processo de credenciamento dos órgãos, das entidades e dos técnicos a que se referem os incisos II e III do caput;e II estabelecerá o responsável, o valor e a forma de retribuição pelos serviços prestados. (...) (grifos não originais) Em conformidade com o disposto no art. 509 do RA/2002, o art. 17 da Instrução Normativa SRF nº 157, de 1998, determina os procedimentos e as condições para solicitação e deferimento da assistência técnica requerida, nos termos que seguem transcritos: Art. 17. A assistência técnica poderá ser solicitada pelo: I AuditorFiscal do Tesouro Nacional AFTN, no exercício de atividade fiscal; II importador, exportador ou transportador; § 1º Caberá ao titular da unidade local, relativamente às solicitações de assistência técnica: a) decidir quanto à sua oportunidade e conveniência, inclusive nos casos de instrução ou decisão em processo; b) designar a instituição ou o perito encarregado de sua execução. § 2º No caso de comprovação da boa aplicação de mercadoria importada com benefício fiscal, a assistência técnica será determinada pelo titular da unidade que jurisdicionar o local em que a mercadoria se encontre. 1 "Art. 509. Na quantificação ou identificação da mercadoria, a fiscalização aduaneira poderá solicitar assistência técnica, observado o disposto no art. 722 e na legislação específica". Fl. 154DF CARF MF Emitido em 13/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /11/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 10 § 3º Na solicitação de assistência técnica, os quesitos considerados essenciais à identificação da mercadoria deverão ser formulados de maneira clara e concisa. § 4º Não terá prosseguimento a solicitação de assistência técnica que não atender ao disposto no parágrafo precedente. § 5° A assistência técnica poderá ser solicitada, também, nas operações que envolvam a exportação e a importação de pedras preciosas e semipreciosas, metais preciosos, obras derivadas e artefatos de joalheria. (grifos não originais) Complementando o disposto no art. 722 do RA/2002, os arts. 36 e 37 da Instrução Normativa SRF nº 157, de 1998, estabeleceram os requisitos do Laudo Técnico de identificação de mercadoria, com os seguintes dizeres, ipsis litteris: Art. 36. Os laudos técnicos emitidos por instituições e peritos credenciados, destinados a identificar e quantificar mercadoria importada ou a exportar, deverão conter, expressamente, conforme o caso, os seguintes requisitos: (Incluído pela IN SRF nº 152, de 08/04/2002) I – explicitação e fundamentação técnica das verificações, testes, ensaios ou análises laboratoriais empregados na identificação da mercadoria; (Incluído pela IN SRF nº 152, de 08/04/2002) II – exposição dos métodos e cálculos utilizados para fundamentar as conclusões do laudo referente à mensuração de mercadoria a granel; (Incluído pela IN SRF nº 152, de 08/04/2002) III – indicação das fontes, referências bibliográficas e normas internacionais empregadas na elaboração do laudo, e cópia daquelas que tenham relação direta com a mercadoria objeto de verificação, teste, ensaio ou análise laboratorial. (Incluído pela IN SRF nº 152, de 08/04/2002) § 1º Os laudos não poderão conter quaisquer indicações sobre posições, subposições, itens ou códigos da NCM. (Redação dada pela IN SRF nº 492, de 12/01/2005) § 2º Os laudos emitidos por órgão ou entidade da Administração Pública deverão ser assinados pelo técnico responsável e pela pessoa regimentalmente competente ou, na ausência de previsão regimental, pelo responsável do órgão ou entidade, com indicação do ato que lhe confere os pertinentes poderes. (Incluído pela IN SRF nº 492, de 12/01/2005) § 3º Os laudos emitidos por entidades privadas deverão ser assinados pelo responsável técnico e pelo seu responsável legal. (Incluído pela IN SRF nº 492, de 12/01/2005) § 4º Os laudos emitidos por técnico credenciado pela SRF deverão estar acompanhados de cópia da publicação do respectivo ato de seu credenciamento. (Incluído pela IN SRF nº 492, de 12/01/2005) Fl. 155DF CARF MF Emitido em 13/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /11/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11075.002592/200641 Acórdão n.º 380200.683 S3TE02 Fl. 146 11 Art. 37. Os laudos técnicos que se apresentem sem os requisitos previstos no artigo anterior não serão aceitos podendo, entretanto, ser sanadas as falhas ou omissões, no prazo de cinco dias úteis da ciência da intimação da autoridade fiscal, da Divisão de Administração Aduaneira (Diana) ou da CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (Coana), conforme o caso. (Incluído pela IN SRF nº 152, de 08/04/2002) (grifos não originais) Com base no disposto na legislação transcrita, fica evidente que os supostos “Laudos Técnicos”, cuja autoria foi equivocadamente atribuída à Faculdade de Farmácia da UFRJ, não podem ser aceitos como meio de prova de identificação das mercadorias objeto da presente autuação, pelas razões que a seguir apresento. Inicialmente, cabe destacar que não há nos autos provas que a Autoridade Fiscal nem a Importadora tenham solicitado a assistência técnica que deu ensejo ao mencionado Laudo. Na verdade, noticia o Pedido de fl. 85 que foi o próprio Engenheiro Químico signatário do referido Laudo quem solicitou as análises físicoquímicas ao laboratório da Faculdade de Farmácia da UFRJ. Ademais, não consta dos referidos Pedidos nenhum quesito acerca da identificação do produto, nem tampouco as cautelas necessárias para coleta da amostra a ser analisada, o que desqualifica tais documentos como hábil e idôneo para fim de justificar o trabalho de assistência técnica, na forma determinada no art. 17 da Instrução Normativa SRF nº 157, de 1998, anteriormente transcrito. Por sua vez, o documento denominado “RESULTADOS DAS ANÁLISES”, atribuído a Faculdade de Farmácia da UFRJ, além de não conter a assinatura da “pessoa regimentalmente competente ou, na ausência de previsão regimental, pelo responsável do órgão ou entidade, com indicação do ato que lhe confere os pertinentes poderes”, conforme exigência contida no § 2º do art. 36 da Instrução Normativa SRF nº 157, de 1998, não atende nenhum dos requisitos mencionados nos incisos I a III do caput desse artigo, ou seja: a) não explicita nem fundamenta tecnicamente as análises supostamente realizadas; b) não expõe os métodos utilizados para fundamentar os resultados obtidos; e c) não indica as fontes, referências bibliográficas e normas internacionais empregadas. Além disso, a conclusão apresentada no documento em apreço não faz qualquer referência a identificação do produto, mas apenas as suas condições de consumo, conforme se observa no excerto a seguir transcrito: CONCLUSÃO: Produto apropriado para o consumo humano, por estar de acordo com os Padrões de Qualidade estabelecidos pelo Decreto 12.466/78* da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, Portaria 540/97** da SVS/MS , Resolução RDC n° 263*, de 22109/2005 da ANVISA/MS e Resolução RDC n° 344/02*** da ANVISA/MS. No que concerne aos supostos “Laudos Técnicos”, elaborados pelo Engenheiro Químico Joaquim da Silva Pereira, por força do disposto no § 4º do art. 36 da Instrução Normativa SRF nº 157, de 1998, eles deveriam estar acompanhados de cópia da portaria de credenciamento perante a Unidade da Aduaneira local, publicada no DOU. Em decorrência da ausência, nos autos, desse documento, a conclusão que se chega é que tal Engenheiro não tinha credenciamento perante a Unidade Aduaneira local para atuar como técnico credenciado, nos termos dos arts. 7º a 15 da Instrução Normativa SRF nº 157, de 1998. Fl. 156DF CARF MF Emitido em 13/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /11/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 12 Quanto ao conteúdo, os referidos “Laudos Técnicos” nada acrescenta em relação à identificação da mercadoria descrita nas DI a que faz referência, conforme pode ser lido nos excertos a seguir transcritos: METODOLOGIA PARA OUALIFICACÃO DA CARGA A carga encontrase armazenada em vinte e oito Mil quinhentos e vinte (28.520), sacos de ráfia de plástico, valvulados, com carga líquida de 713.000,00 kg e, acomodados em trinta e um (31) Containeres, tonalizando 714.426,00 kg, de carga bruta. Pelo método de amostragem; POR ACASO; foram retiradas doze amostras (12); por mim, retiradas, de três (3) Containeres; sendo quatro (4) sacos de cada um (1) Container, e, para a identificação do produto, por meio de analises: fisica, fisico química e, química qualitativa. Em anexo o laudo da analise química qualitativa da Mistura de Trigo, emitido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Faculdade de Farmácia, Setor de Controle de Qualidade. CONCLUSÃO A carga em questão, MISTURA DE TRIGO, com base no resultado das analises física e, fisicoquímica, por mim realizadas e, química pela Faculdade de Farmácia, comprovando a existência dos componentes ativos da mistura, podemos concluir que a referente carga, é a que constam no requerimento emitido pelo importador. É uma mistura para fabricação de pão francês e, não farinha de trigo pura. Da leitura do texto reproduzido, observase que, ao invés de mencionar a metodologia adotada para apuração dos dados analíticos dos componentes da amostra, o autor do suposto “Laudo Técnico” fala de uma estranha “METODOLOGIA PARA QUALIFICAÇÃO DA CARGA”, que consiste, de fato, nos critérios por ele adotados para fim de coleta das amostras. No final, concluiu o signatário do referido Laudo que, com base “no resultado das analises física e, fisicoquímica, por mim realizadas e, química pela Faculdade de Farmácia”, o produto era “uma mistura para fabricação de pão francês e, não farinha de trigo pura”. Em relação a esse ponto, entendo serem pertinentes prestar dois esclarecimentos relevantes. O primeiro, é que não há nos autos documento algum contendo os resultados das análises feita pelo autor do suposto Laudo. O segundo, é que os dados supostamente apresentados pela Faculdade de Farmácia não se prestam para esse fim, conforme anteriormente demonstrado. Além disso, é oportuno ressaltar que, no âmbito deste processo, os supostos “Laudos Técnicos” são totalmente ineficazes, pois não atendem os requisitos necessários estabelecidos no § 3º do art. 30 do PAF, a seguir transcrito: Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. Fl. 157DF CARF MF Emitido em 13/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /11/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11075.002592/200641 Acórdão n.º 380200.683 S3TE02 Fl. 147 13 § 1° Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. § 2º A existência no processo de laudos ou pareceres técnicos não impede a autoridade julgadora de solicitar outros a qualquer dos órgãos referidos neste artigo. § 3º Atribuirseá eficácia aos laudos e pareceres técnicos sobre produtos, exarados em outros processos administrativos fiscais e transladados mediante certidão de inteiro teor ou cópia fiel, nos seguintes casos: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) quando tratarem de produtos originários do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) quando tratarem de máquinas, aparelhos, equipamentos, veículos e outros produtos complexos de fabricação em série, do mesmo fabricante, com iguais especificações, marca e modelo. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Por todas essas razões, convencime de que, para fim de classificação fiscal, os supostos “Laudos Técnicos” não representam meio de prova adequado, por conseguinte, com respaldo no art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 157, de 1998, rejeito a conclusão nele consignada. Da análise do Laudo Técnico da lavra do Laboratório de Análise Falcão Bauer. Por outro lado, analisando o Laudo Técnico da lavra do Laboratório de Análise Falcão Bauer, constatase que ele atende satisfatoriamente os requisitos formais e substanciais exigidos na mencionada legislação aduaneira que disciplina o procedimento de assistência técnica, com o objetivo de identificação da mercadoria importada. Sob o aspecto formal, verificase que, desde a formulação do pedido de análise, passando pela coleta da amostra e até a expedição do citado Laudo, foram observados os procedimentos e as condições fixados nos preceitos legais anteriormente transcritos. No que concerne ao aspecto material, induvidosamente, o Laudo Técnico em comento atende plenamente os requisitos instituídos nos incisos I a III do caput do art. 36 da Instrução Normativa SRF nº 157, de 1998, ou seja: a) explicita e fundamenta tecnicamente os resultados analíticos apresentados; b) expõe a metodologia utilizada para fundamentar os resultados obtidos; e c) indica as fontes, referências bibliográficas e normas internacionais empregadas. Além disso, no que concerne aos aspectos técnicos da classificação fiscal, por força do disposto no caput do art. 30 do PAF, tal Laudo somente não seria adotado se ficasse comprovada nos autos a sua improcedência, o que não ocorreu no presente caso, conforme demonstrado no tópico precedente. Por essas características, fica evidenciado que o referido Laudo Técnico apresenta adequadamente a identificação da mercadoria importada, tornando prescindível a realização de uma nova perícia técnica. Fl. 158DF CARF MF Emitido em 13/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /11/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 14 Assim, da mesma forma como entendeu a Turma de Julgamento de primeiro grau, com respaldo no art. 18 do PAF, também rejeito o presente pedido perícia, ratificando a regularidade da decisão recorrida. Da análise do Parecer Técnico de fls. 75/81. Por meio do referenciado Parecer Técnico, o Engenheiro Químico Marcus Vinícius Cavalcante Coelho tenta de desqualificar os resultados analíticos apresentados nos Laudos Técnicos da lavra do Laboratório de Análise Falcão Bauer. Inicialmente, cabe esclarecer que, do ponto de vista da identificação do produto em tela, o referido Parecer não tem qualquer relevância, posto se revestir da condição de uma peça meramente teórica, baseada em literatura voltada mais para aspectos relacionados a qualidade e segurança dos alimentos do que propriamente com sua identificação física, para fins de enquadramento tarifário, foco do Laudo contestado. Na verdade, ao invés de contribuir para compreensão de algumas questões de natureza técnica e de vital importância para o deslinde da presente controvérsia, ao meu ver, o referido Parecer, ao se utilizar de afirmações genéricas, suscitou mais incompreensão do que esclarecimento. A título de exemplo, destaco as seguintes afirmações relevantes para o caso em tela: a) que a farinha de trigo pura tinha teor de gordura em torno de 1,33%. Todavia, o Laudo do Laboratório Falcão Baurer concluiu inexistir gordura nas amostras, o que pode indicar a inadequação ou limitação do método empregado para o tipo de análise; e b) que o referido Laudo destaca a presença de Maltose – tipo de açúcar –, identificado por cromatologia circular em papel. Porém, concluiu de forma contraditório no sentido de que não haveria açúcares na mistura. Para um leigo em assuntos da Ciência Química, tais afirmativas podem impressionar e até levar a equívocos, porém quando se pesquisa a respeito do assunto identificase algumas particularidades que tais afirmações, por serem genéricas, não tem força e relevância que aparenta ter. Por exemplo, a maltose é considerada açúcar apenas do ponto de vista químico2, ou seja, por ser carboidrato solúvel em água, propriedade física que diferencia os açúcares dos demais carboidratos (o amido e a celulose). A Wikipédia, a enciclopédia livre3, assim define o açúcar, in verbis: O açúcar é uma forma possível dos carboidratos (as outras formas são amido, celulose e alguns outros compostos encontrados nos seres vivos)[1]. A forma mais comum de açúcar consiste em sacarose no estado sólido e cristalino. O açúcar promove uma alteração no sabor dos alimentos e bebidas, 2 Segundo o Prof. Miguel A. Medeiros: “Quimicamente falando, açúcar é um grupo de carboidratos que são solúveis em água, tais como: a sacarose, a maltose, a lactose, a frutose, a glicose, etc. O amido e a celulose são carboidratos, mas não são solúveis em água, sendo assim, não são açúcares”. (Disponível em:<http://www.quiprocura.net/acucar/acucar.htm>. Acesso em 26 ago. 2011. 3 Disponível em:<http://pt.wikipedia.org/wiki/A%C3%A7%C3%BAcar#Tipos_de_a.C3.A7.C3.BAcar> Acesso em 26 ago. 2011. Fl. 159DF CARF MF Emitido em 13/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /11/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11075.002592/200641 Acórdão n.º 380200.683 S3TE02 Fl. 148 15 tornandoos mais doces ao paladar humano. É produzido comercialmente a partir de canadeaçúcar ou de beterraba. A referida Enciclopédia, assim descreve a maltose4, ipsis litteris: Maltose é a principal substância de reserva da célula vegetal, é também a junção de duas moléculas de glicose. Ao realizar a digestão o amido passa a ser primeiramente maltose e depois glicose. A Maltose é encontrada em vegetais, e tem função energética. A maltose é formada pela união de duas ou mais moléculas de glicose encontrada nos cereais, principalmente no malte (matéria prima da cerveja). É o produto imediato da hidrólise do amido. Assim, resta esclarecido que a maltose é um tipo açúcar encontrado nos vegetais, particularmente, nos cereais, a exemplo do trigo. Portanto, ela sempre será encontrada nos produtos resultantes do processamento do trigo, daí porque o teste realizado pelo L. A. Falcão Bauer deu positivo. Obviamente, não é desse tipo açúcar que trata NESH/2002 da posição 11.01, mas daquelas que foram adicionadas à farinha de trigo, ou seja, da sacarose, produzida comercialmente, transformando o produto em preparação alimentícia da posição 19.01. Da mesma forma, gordura é um termo genérico utilizado para uma classe de lipídios5. Existem as gorduras produzidas naturalmente pelos vegetais e animais e aquelas sintetizadas em laboratório. Assim sendo, tenho que o percentual de gordura a que se refere o Parecerista, evidentemente, é aquele produzido pelo próprio cereal, no caso o trigo. Porém, não é desse tipo de gordura que se refere a Nota da NESH/2002, mas daquelas de origem animal adicionadas a farinha de trigo, transformandoa em preparação alimentícia da posição 19.01. Por força de tais inconsistências, rejeito integralmente os comentários exarados no referido Parecer Técnico. Do indeferimento da prova pericial. Não se pode olvidar que, nos termos do art. 18 do PAF, a prova pericial deve ser produzida ou refeita com a finalidade de proporcionar a autoridade julgadora a formação da sua livre convicção acerca da matéria fática, essencialmente, de natureza técnica. Tratase, portanto, de questão da alçada do poder discricionário da autoridade julgadora. Em 4 Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Maltose>. Acesso em: 26 ago. 2011. 5 "Gordura é um termo genérico para uma classe de lipídios. As gorduras, produzidas por processos orgânicos tanto por vegetais como por animais, consistem de um grande grupo de compostos geralmente solúveis em solventes orgânicos e insolúveis em água. [...] Quimicamente as gorduras são sintetizadas pela união de três ácidos graxos a uma molécula de glicerol, formando um triéster. Elas são chamadas de triglicerídeos, triglicerídes ou mais corretamente de triacilgliceróis. As gorduras podem ser sólidas ou líquidas em temperatura ambiente, dependendo de sua estrutura e de sua composição. Usualmente o termo "gordura" se refere aos triglicerídeos em seu estado sólido, enquanto que o termo óleo, ao triglicerídeos no estado líquido. As gorduras podem ser diferenciadas em gordura saturada e gordura insaturada, dependendo da sua estrutura química (veja abaixo). As gorduras saturadas são encontradas normalmente nos animais, no coco e no óleo de palma, enquanto as insaturadas nos demais vegetais". (Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Gordura>. Acesso em 26 ago. 2011) Fl. 160DF CARF MF Emitido em 13/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /11/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 16 decorrência, se o Órgão de julgamento a quo, com base em sólidos argumentos e fundamentos jurídicos, como no caso em tela, manifestou o entendimento de que tal prova era despicienda para apreciação do litígio e, por esse motivo, indeferiu a sua realização, no meu entendimento, reputase indevido qualquer juízo de mérito acerca do assunto realizado pelo Órgão de julgamento ad quem. Essa constatação não exclui a possibilidade e a competência deste Órgão de julgamento, caso entenda imprescindível a prova pericial, determinar a sua realização. Porém, ao meu ver, o que lhe vedado é se imiscuir no mérito da decisão discricionário do Órgão de primeiro grau. Por essa e todas as razões anteriormente expostas, peço vênia a nobre Relator, para manifestar a minha divergência em relação a higidez do Acórdão recorrido, pois, no meu entendimento, a referida decisão não apresenta qualquer mácula que possa conspurcar a sua legalidade, especialmente, no que tange ao alegado cerceamento do direito de defesa da Recorrente. II – DO MÉRITO Em relação ao mérito, o cerne da presente controvérsia cingese ao enquadramento tarifário do produto efetivamente importado pela Recorrente, por meio da DI colacionada aos autos. No tópico anterior, por atender todos os requisitos previstos na legislação, ficou demonstrada a procedência do Laudo Técnico emitido pelo L. A. Falcão Bauer. Em decorrência, as conclusões neles apresentadas constituem elementos probatórios idôneos para fim de identificação da mercadoria importada. Nesse sentido, segundo o referido Laudo Técnico, a mercadoria analisada não se trata de “Mistura e Pastas para a Preparação de Produtos de Padaria, Pastelaria e da Industria de Bolachas e Biscoitos”, mas sim de “Farinha de Trigo fortificada com Ácido Fólico e Ferro contendo 1,35% de Cloreto de Sódio (Sal) e traços Acido Ascórbico (Vitamina C)”. Com base na referida descrição, fica evidenciado que o motivo que levou a identificação do produto como “Farinha de Trigo fortificada com Ácido Fólico e Ferro” foi constatação, com base nas amostras do produto analisadas, da ausência de ingredientes chaves necessários para caracterizar a mistura, tais como açúcar, gordura e fermento, e a presença apenas de farinha de trigo, ácido fólico e ferro (fortificantes) e de cloreto de sódio (sal) abaixo do percentual de 2% (dois por cento). De acordo com os citados Laudos Técnicos as “Mistura ou Prémisturas para Panificação são normalmente constituídas de Farinha de Trigo, Sal, Açúcar, Gordura e Fermento. A mercadoria analisada tratase de Farinha de Trigo fortificada contendo menos que 2% de Cloreto de Sódio (Sal)” (grifos não originais). Assim, na ausência dos demais componentes caracterizadores da mistura, para o Autor do citado Laudo Técnico, se o percentual de cloreto de sódio (sal) ficar abaixo do percentual de 2% (dois por cento) o produto era “Farinha de Trigo fortificada” e não uma “Mistura ou Prémistura para panificação”. É importante destacar que, além do aspecto qualitativo (presença dos componentes caracterizadores da mistura), no caso em tela, deve ser levado em conta também o aspecto quantitativo de alguns dos componentes da mistura (proporção do componente presente no produto), especialmente do cloreto de sódio (sal). Face a controvérsia que suscitou no âmbito dos países membros do Mercosul, a matéria foi submetida à apreciação do Comitê Técnico nº 1 da Comissão de Comércio do Fl. 161DF CARF MF Emitido em 13/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /11/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11075.002592/200641 Acórdão n.º 380200.683 S3TE02 Fl. 149 17 Mercosul, que aprovou os Ditames de Classificação nº 01/076 e nº 02/077 que tratam, respectivamente, da classificação fiscal do produto denominado “mistura para preparação de produtos de padaria à base de farinha de trigo fortificada” e “farinha de trigo fortificada”. Os mencionados Ditames foram aprovados pela Diretriz nº 17/07 da Comissão de Comércio do Mercosul (CCM), a seguir reproduzida: MERCOSUL/CCM/DIR. Nº 17/07 DITAMES DE CLASSIFICAÇÃO COM BASE NA DECISÃO CMC Nº 03/03 TENDO EM VISTA: O Tratado de Assunção, o Protocolo de Ouro Preto e a Decisão Nº 03/03 do Conselho do Mercado Comum. CONSIDERANDO: Que se faz necessário estabelecer a classificação tarifária da mercadoria denominada “Mistura para preparação de produtos de padaria à base de farinha de trigo fortificada com vitaminas (por exemplo: vitamina B1, vitamina B2, ácido fólico) e minerais (por exemplo, ferro), com adição de melhoradores de 6 "DITAME DE CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA Nº 01/07 DO COMITÊ TÉCNICO Nº 1 DA COMISSÃO DE COMÉRCIO DO MERCOSUL TENDO EM VISTA: A Decisão Nº 03/03 do CONSELHO DO MERCADO COMUM e o Artigo 5º da Resolução Geral Nº 1598 da ADMINISTRAÇÃO FEDERAL DE RENDAS PÚBLICAS DA REPÚBLICA ARGENTINA, relativo à mercadoria denominada “Mistura para preparação de produtos de padaria à base de farinha de trigo fortificada com vitaminas e minerais e adicionada de melhorador de panificação, emulsificantes e sal, em uma proporção superior a 0,5% em peso”. CONSIDERANDO: I. Que o caso foi submetido à consideração dos demais ESTADOS PARTES, havendo consenso de acordo com o estabelecido no numeral 5 do Anexo da Decisão CMC N0 03/03. II. Que a mercadoria a classificar definese como: Mistura para preparação de produtos de padaria à base de farinha de trigo fortificada com vitaminas (por exemplo: vitamina B1, vitamina B2, ácido fólico) e minerais (por exemplo, ferro), com adição de melhoradores de panificação (por exemplo, metabissulfito de sódio, azodicarbonamida), emulsificantes (por exemplo, estearoil lactato de sódio) e uma proporção de sal (cloreto de sódio) superior a 0,5 % em peso. RESULTANDO: Que por aplicação da Regra Geral para Interpretação do S.H. 1 (Nota 1 b) do Capítulo 11, Nota 2 b) 1) do Capítulo 19 e texto da posição 19.01) e da Regra Geral para Interpretação do S.H. 6 (texto da subposição 1901.20), a mercadoria em estudo se classifica no código 1901.20.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul (N.C.M.) aprovada pela Resolução GMC Nº 70/06 e suas modificações". 7 "DITAME DE CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA Nº 02/07 DO COMITÊ TÉCNICO Nº 1 DA COMISSÃO DE COMÉRCIO DO MERCOSUL TENDO EM VISTA: A Decisão Nº 03/03 do CONSELHO DO MERCADO COMUM e o Artigo 5º da Resolução Geral Nº 1598 da ADMINISTRAÇÃO FEDERAL DE RENDAS PÚBLICAS DA REPÚBLICA ARGENTINA, relativo à mercadoria denominada “Farinha de trigo fortificada com vitaminas e minerais e adicionada de melhorador de panificação, emulsificante e sal em uma proporção inferior ou igual a 0,5% em peso”. CONSIDERANDO: I. Que o caso foi submetido à consideração dos demais ESTADOS PARTES, havendo consenso de acordo com o estabelecido no numeral 5 do Anexo da Decisão CMC N0 03/03. II. Que a mercadoria a classificar definese como: Farinha de trigo fortificada com vitaminas (por exemplo: vitamina B1, vitamina B2, ácido fólico) e minerais (por exemplo, ferro), com adição de melhoradores de panificação (por exemplo, metabissulfito de sódio, azodicarbonamida), emulsificantes (por exemplo, estearoil lactado de sódio) e uma proporção de sal (cloreto de sódio) inferior ou igual a 0,5% em peso. RESULTANDO: Que por aplicação da Regra Geral para Interpretação do S.H. 1 (Nota 2 do Capítulo 11 e texto da posição 11.01) e da Regra Geral Complementar 1 (texto do ítem 1101.00.10), a mercadoria em estudo se classifica no código 1101.00.10 da Nomenclatura Comum do MERCOSUL (N.C.M.) aprovada pela Resolução GMC Nº 70/06 e suas modificações". Fl. 162DF CARF MF Emitido em 13/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /11/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 18 panificação (por exemplo, metabissulfito de sódio, azodicarbonamida), emulsificantes (por exemplo, estearoil lactato de sódio) e uma proporção de sal (cloreto de sódio) superior a 0,5% em peso”. Que se faz necessário estabelecer a classificação tarifária da mercadoria denominada “Farinha de trigo fortificada com vitaminas (por exemplo: vitamina B1, vitamina B2, ácido fólico) e minerais (por exemplo, ferro), com adição de melhoradores de panificação (por exemplo, metabissulfito de sódio, azodicarbonamida), emulsificantes (por exemplo, estearoil lactato de sódio) e uma proporção de sal (cloreto de sódio) inferior ou igual a 0,5% em peso”. A COMISSÃO DE COMÉRCIO DO MERCOSUL APROVA A SEGUINTE DIRETRIZ: Art. 1 – Aprovar os Ditames de Classificação Tarifária Nº 01/07 e 02/07 do Comitê Técnico Nº 1 desta Comissão. Art 2 – Os Estados Partes deverão incorporar a presente Diretriz a seus ordenamentos jurídicos internos antes de 01/I/08. No Brasil, a referida Diretriz foi internalizada por meio do Ato Declaratório Executivo RFB nº 1, de 11 de janeiro de 2008, publicado no DOU de 15.1.2008, a seguir transcrito: Ato Declaratório Executivo RFB nº 1, de 11 de janeiro de 2008 Declara a classificação na Tarifa Externa Comum (TEC) das mercadorias que especifica. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 224 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 95, de 30 de abril de 2007, com base no art. 40 do Protocolo de Ouro Preto e no art. 3 da Decisão Mercosul/CMC/Dec. Nº 23/00, e considerando as Diretrizes nº 04/06 e nº 17/07 da Comissão de Comércio do Mercosul (CCM), que aprovam os Ditames de Classificação nº 01/06, no 01/07 e nº 02/07 do Comitê Técnico nº 1 da CCM, declara: Artigo único. As mercadorias a seguir especificadas se classificam nos seguintes códigos da Tarifa Externa Comum (TEC) aprovada pela Resolução CAMEX nº 43, de 22 de dezembro de 2006: Ditame de Classificação Mercadoria Código NCM 01/06 Bebida alimentícia à base de soja, mesmo adicionada de suco de fruta, de cacau ou aromatizada, acondicionada para venda a retalho 2202.90.00 Fl. 163DF CARF MF Emitido em 13/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /11/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11075.002592/200641 Acórdão n.º 380200.683 S3TE02 Fl. 150 19 01/07 Mistura para preparação de produtos de padaria à base de farinha de trigo fortificada com vitaminas (por exemplo, vitamina B1, vitamina B2, ácido fólico) e minerais (por exemplo, ferro), com adição de melhoradores de panificação (por exemplo, metabissulfito de sódio, azodicarbonamida), emulsificantes (por exemplo, estearoil lactato de sódio) e uma proporção de sal (cloreto de sódio) superior a 0,5%, em peso 1901.20.00 02/07 Farinha de trigo fortificada com vitaminas (por exemplo, vitamina B1, vitamina B2, ácido fólico) e minerais (por exemplo, ferro), com adição de melhoradores de panificação (por exemplo, metabissulfito de sódio, azodicarbonamida), emulsificantes (por exemplo, estearoil lactato de sódio) e uma proporção de sal (cloreto de sódio) inferior ou igual a 0,5%, em peso 1101.00.10 Analisando os teor dos referidos atos, para fim de classificação fiscal, verificase que, na ausência de outros componentes chaves que caracteriza a mistura, é a proporção do cloreto de sódio (sal) na composição do produto que determinará a seu enquadramento tarifário como: a) mistura para preparação de produtos de padaria à base de farinha de trigo fortificada, código NCM 1901.20.00, se a proporção de sal (cloreto de sódio) for superior a 0,5%, em peso; e b) farinha de trigo fortificada, código NCM 1101.00.10, se a proporção de sal (cloreto de sódio) for inferior ou igual a 0,5%, em peso Portanto, para fim de classificação fiscal, na ausência de outros componentes essenciais, a definição de “mistura para preparação de produtos de padaria à base de farinha de trigo fortificada” necessita da presença, na composição produto, de cloreto de sódio (sal) acima do 0,5% (meio por cento) e não de 2% (dois por cento), como asseverado no Laudo Técnico que serviu de paradigma. Nesse sentido, é oportuno asseverar que tal afirmação não macula os resultados técnicos efetivamente obtidos a partir da análise das amostras do produto (percentual dos componentes existentes e demais dados técnicos), posto que, para fim de enquadramento tarifário, o conceito de mistura adotado pelo Órgão técnico não pode prevalecer sobre as definições contidas nas normas e regras de classificação fiscal. De fato, nos termos do art. 30 do PAF, “os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua Fl. 164DF CARF MF Emitido em 13/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /11/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 20 competência” e, como é sabença, a classificação fiscal de produtos não se considera como aspecto técnico. No presente caso, tendo em conta os resultados apresentados no mencionados Laudo Técnico emitido pelo L. A. Falcão Bauer, constatou a presença cloreto de sódio (sal) acima do percentual de 0,5%, em peso, a conclusão é que o produto importado pela Recorrente era de fato “mistura ou prémistura para panificação”, classificada no código NCM 1901.20.00, conforme consignado da mencionada DI. III – DA CONCLUSÃO Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao presente Recurso, para reformar integralmente o Acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 165DF CARF MF Emitido em 13/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /11/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 11080.729014/2018-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 13 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 2009
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CONSTITUCIONALIDADE.
Conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE nº 796939, com repercussão geral, o §17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 é inconstitucional, de forma que não há suporte legal para a exigência da multa isolada (50%) aplicada pela negativa de homologação de compensação tributária realizada pelo contribuinte.
Numero da decisão: 1201-005.882
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o Conselheiro Fredy José Gomes de Albuquerque.
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Efigênio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Fábio de Tarsis Gama Cordeiro, Viviani Aparecida Bacchmi, Thais De Laurentiis Galkowicz e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CONSTITUCIONALIDADE. Conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE nº 796939, com repercussão geral, o §17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 é inconstitucional, de forma que não há suporte legal para a exigência da multa isolada (50%) aplicada pela negativa de homologação de compensação tributária realizada pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o Conselheiro Fredy José Gomes de Albuquerque. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Efigênio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Fábio de Tarsis Gama Cordeiro, Viviani Aparecida Bacchmi, Thais De Laurentiis Galkowicz e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Relatório ALBATROZ SEGURANÇA E VIGILÂNCIA LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 107-000.419 (fls. 229), pela DRJ 07, interpôs recurso voluntário (fls. 248) dirigido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tendo como objetivo a reforma daquela decisão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 90 14 /2 01 8- 10 Fl. 275DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-005.882 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.729014/2018-10 O recorrente apresentou à Secretaria da Receita Federal do Brasil as declarações de compensação – DCOMP nº 23487.35694.191113.1.3.03-7605 (fls. 24) e nº 05136.66375.181213.1.3.03-0804 (fls. 31), as quais apontam o direito creditório oriundo no saldo negativo de CSLL do segundo trimestre de 2009, no valor de R$ 230.809,41, com origem em retenções na fonte (códigos 6190, 5952 e 6228). O alegado direito de crédito não foi reconhecido pela Administração Tributária, que não homologou as compensações, em razão de as retenções na fonte que compuseram o saldo negativo requerido terem sido apenas parcialmente confirmadas. Tal procedimento foi formalizado no processo nº 10880.912606/2018-12. Em face da não homologação dessas compensações, foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 2, em que se impôs multa isolada no percentual de 50% dos correspondentes débitos compensados, o que consiste o objeto do presente processo. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade contra a não homologação das compensações, no referido processo nº 10880.912606/2018-12, e apresentou impugnação contra o presente lançamento tributário (fls. 190). A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, quando foram reconhecidas muitas retenções na fonte em favor do contribuinte, considerando os documentos apresentados com a manifestação, mas insuficientes para quitar a CSLL devida, levando à confirmação da não homologação das DCOMP (fls. 208). Já a impugnação foi julgada improcedente, na mesma assentada (fls. 229). O recurso voluntário do processo da DCOMP (proc. nº 10880.912606/2018-12) foi julgado improcedente por esta Turma Julgadora, nesta mesma assentada, o que significa a manutenção da decisão que não homologou as DCOMP. O presente recurso voluntário (fls. 248), que trata da multa isolada, traz os argumentos a seguir sintetizados: i) a não homologação da compensação levou à exigência dos créditos tributários compensados, com a incidência de juros de mora e de multa de ofício. A presente exigência de multa isolada está sendo feita em razão do mesmo fato, o que configura bis in idem. ii) o total das retenções na fonte no ano 2009 supera o montante de retenções apontadas na DCOMP, devendo ser aproveitadas no cômputo do direito creditório; iii) as retenções na fonte foram reconhecidas em valores muito inferiores aos constantes da sua DIPJ e das correspondentes DIRF; iv) não se pode afastar a possibilidade de que os recolhimentos efetuados pelas fontes pagadoras sejam provados por outros meios que não os informes de rendimentos, incluindo as informações constantes nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil; v) os seus clientes são, em boa parte, órgãos públicos, cujo regime de pagamentos não é atrelado ao regime de apuração tributária; vi) o prazo legal para o julgamento de um processo administrativo é de 360 dias, de forma que não deve incidir juros de mora sobre o presente crédito tributário a partir da expiração desse prazo. Fl. 276DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-005.882 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.729014/2018-10 Os argumentos de defesa do recorrente serão detalhados e apreciados no voto que se segue. É o relatório. Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O interessado foi cientificado da decisão de primeira instância em 11/01/2021 (fls. 245) e o seu recurso voluntário foi apresentado em 10/02/2021 (fls. 246). Assim, o recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que passo a conhecê-lo. O recorrente opõe-se à decisão de primeira instância com os vários argumentos, fáticos e legais. Contudo, entendo que a correspondente análise deve ser precedida pela análise do fundamento legal do lançamento tributário em tela, qual seja, o §17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996. Verifico que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE nº 796939, com repercussão geral, declarou a inconstitucionalidade do §17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, nos seguintes termos: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, apreciando o tema 736 da repercussão geral, conheceu do recurso extraordinário e negou-lhe provimento, na medida em que inconstitucionais, tanto o já revogado § 15, quanto o atual § 17 do art. 74 da Lei 9.430/1996, mantida, assim, a decisão proferida pelo Tribunal a quo. Foi fixada a seguinte tese: "É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária". Tudo nos termos do voto reajustado do Relator. O Ministro Alexandre de Moraes acompanhou o Relator com ressalvas. Não votou o Ministro Nunes Marques, sucessor do Ministro Celso de Mello (que votara na sessão virtual em que houve o pedido de destaque, acompanhando o Relator). Plenário, Sessão Virtual de 10.3.2023 a 17.3.2023. Contudo, essa decisão é recente. Consultando o sítio do Supremo Tribunal Federal na Internet, verifico que a correspondente ata de julgamento foi publicada no dia 24/03/2023, não havendo notícia da citação das partes ou de apresentação de recurso. Sendo uma decisão do Plenário, esta está sujeita apenas a embargos de declaração. Contudo, deve-se afirmar que essa decisão ainda não transitou em julgado. O artigo 26-A do Decreto nº 70.236/1972 determina que a lei declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal pode ter a sua aplicação afastada no âmbito do processo administrativo fiscal, verbis: Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 277DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-005.882 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.729014/2018-10 I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; Por sua vez, o artigo 62 do Regimento Interno do CARF (Anexo II da Portaria MF nº 343/2015) reproduz a mesma regra legal, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Como se pode ver, os órgãos de julgamento do processo administrativo fiscal estão desobrigados de aplicar uma lei considerada inconstitucional em decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal desde que esta atenda a dois requisitos: que seja tomada pelo Tribunal Pleno e que seja uma decisão definitiva. O primeiro requisito foi atendido, sem sombra de dúvida, e eu trouxe ao colegiado uma questão a ser solucionada em relação ao segundo requisito: podemos considerar a referida decisão como definitiva em relação ao presente processo? Seguiu-se um amplo debate no colegiado, cujos elementos agora trago neste voto, como razões de decidir. Caso a decisão em tela tivesse transitado em julgado, seria um passo confortável afirmar que esta é definitiva e a aplicação do referido artigo 26-A do decreto nº 70.235/1972 estaria garantida. Contudo, a afirmação do seu contrário não é tão tranquila assim, quero dizer, se a decisão não transitou em julgado, não necessariamente ela não é definitiva, conforme os postulados da lógica clássica 1 . Considerando que o processo administrativo fiscal é informado pelo princípio da formalidade moderada, a questão trazida ao colegiado consiste em definir se, no presente caso, é possível considerar que a decisão em tela é definitiva, para a presente lide, ainda que não esteja revestida pela forma do trânsito em julgado, considerando este último como a preclusão recursal para as partes. A decisão definitiva é aquela que chegou ao seu fim e, portanto, não pode ser alterada. Sabemos que uma decisão pode ser complexa, no sentido de emitir efeitos distintos para pessoas distintas. Assim, a presente decisão judicial, tomada em sede de Recurso Especial, vai causar uma série de efeitos financeiros sobre as partes, demandando, possivelmente, a continuidade do processo em etapas de liquidação e execução. Nada disso importa para o presente processo administrativo, cujo elemento de conexão com o processo judicial é apenas a 1 Se A implica B (A->B) então necessariamente a negação de B implica a negação de A (~B->~A), mas não se pode afirmar que a negação de A implica a negação de B (~A->~B é falso). Fl. 278DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-005.882 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.729014/2018-10 aplicação do §17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, ou seja, somente interessa a declaração de inconstitucionalidade do referido dispositivo, contida no processo judicial. Então, a questão a ser resolvida pode ser simplificada para: a declaração de inconstitucionalidade laborada pela Corte Suprema é definitiva frente ao presente processo? Mais especificamente, a decisão que declarou a inconstitucionalidade do §17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 pode ser alterada? O único recurso cabível contra a decisão que resolveu o referido RE nº 796939 são os embargos de declaração. Como é sabido, essa espécie de recurso não se presta para afrontar o mérito da decisão atacada, mas apenas para aperfeiçoá-la diante de eventual omissão, contradição ou obscuridade, conforme jurisprudência pacífica dos tribunais superiores, exemplificada na decisão a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO ART 1.022 DO CPC/2015. INEXISTENTE. INADEQUAÇÃO LÓGICA ENTRE FUNDAMENTAÇÃO POSTA E A CONCLUSÃO ADOTADA. I - Segundo o art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, os embargos de declaração são cabíveis para esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento e/ou corrigir erro material. II - A contradição que vicia o julgado de nulidade é a interna, em que se constata uma inadequação lógica entre a fundamentação posta e a conclusão adotada, o que, a toda evidência, não retrata a hipótese dos autos. Nesse sentido: EDcl no AgInt no RMS 51.806/ES, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 16/5/2017, DJe 22/5/2017; EDcl no REsp 1.532.943/MT, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 18/5/2017, DJe 2/6/2017. III - A pretensão de reformar o julgado não se coaduna com as hipóteses de omissão, contradição, obscuridade ou erro material contidas no art. 1.022 do CPC/2015, razão pela qual inviável o seu exame em embargos de declaração. IV - Cumpre ressaltar que os aclaratórios não se prestam ao reexame de questões já analisadas com o nítido intuito de promover efeitos modificativos ao recurso. No caso dos autos, não há vícios na decisão, considerando que foram apreciadas todas as teses relevantes para o deslinde do caso de modo fundamentado e coerente. V - Agravo interno improvido. (AgInt nos EDcl no RMS 54.398/RJ, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/09/2018, DJe 21/09/2018) Portanto, em regra, eventuais embargos de declaração não irão alterar a decisão que declarou inconstitucional o §17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996. Assim, essa decisão seria definitiva, repito, em regra, para os fins do presente processo. Contudo, os debates travados no presente julgamento avançaram sobre o campo da cogitação, não sem razão, tendo em vista a recente decisão, também do Supremo Tribunal Federal, que retirou o ICMS da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, quando os embargos de declaração interpostos pela União apontaram omissão quanto à definição do valor do ICMS a ser considerado (destacado ou pago) e omissão quanto à modulação dos efeitos da decisão. Fl. 279DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1201-005.882 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.729014/2018-10 Durante os debates, ficou clara uma importante diferença entre os dois processos judiciais comparados. No processo sobre o ICMS, o que estava sub judice era a base de cálculo das duas contribuições (PIS/PASEP e COFINS), ou seja, a fórmula do cálculo a ser adotada para se chegar aos valores devidos. Daí, a importância da definição do valor do ICMS a ser adotado (destacado ou pago). Diferentemente, no processo sobre a multa isolada, a questão sub judice que importa ao presente processo é somente a constitucionalidade do §17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, não comportando qualquer questão sobre valores. Outra importante reflexão sobre a referida comparação é o fato de a modulação realizada na decisão sobre o ICMS, resolvida em sede de embargos, ter garantido os seus efeitos para todos os fatos geradores que ainda encontravam-se sub judice em processo judicial ou administrativo. Assim, caso tal modulação seja realizada para o processo da multa isolada, a decisão alcançaria o presente processo, ou seja, em nada mudaria os seus efeitos em relação à decisão atual, ainda que eventualmente embargada. Portanto, é possível concluir que, diante do atual cenário jurídico, inclusive jurisprudencial, a atual decisão do Supremo Tribunal Federal pode ser considerada definitiva em relação aos seus efeitos sobre o presente processo. O referido debate não olvidou a possibilidade de uma alteração da decisão da Suprema Corte, ainda que incerta, remota e desconhecida, em sede de embargos de declaração. Contudo, concluiu-se que não se pode dar conteúdo a uma expressão jurídica aberta pela sua exceção ou por algum elemento improvável. Caso isso fosse possível, uma decisão transitada em julgado não poderia ser considerada definitiva, uma vez que está sujeita a uma eventual ação rescisória, conforme previsto no artigo 966 do Código de Processo Civil pátrio. Mais ainda, mesmo que já não caiba ação rescisória, sempre está sujeita a uma mudança do cenário jurídico que lhe tire os efeitos, como ocorreu com a incidência da CSLL, afastada para alguns contribuintes em sede de decisões judiciais transitadas em julgado que a consideravam inconstitucional, mas retomada por uma decisão do Supremo Tribunal Federal 2 . A contrário senso, não acolher a referida decisão judicial como definitiva implicaria reconhecer a plena eficácia do §17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 e negar provimento ao recurso voluntário, o que seria, no mínimo, temerário diante da decisão já publicada da Suprema Corte. O referido debate também contemplou, com o fito de afastar qualquer dúvida, a possibilidade de o presente processo ser sobrestado até que sobrevenha o trânsito em julgado da referida decisão judicial, o que implicaria aguar o possível ingresso de embargos de declaração e o seu correspondente julgamento, com trânsito em julgado. Contudo, tal medida iria de encontro ao esforço da Fazenda Nacional para diminuir a litigiosidade no âmbito da administração tributária, o que inclui fortemente o contencioso administrativo. Deve ser salientado que a multa isolada em tela é exigida em razão da não homologação de uma compensação, ou seja, para cada processo de DCOMP não homologada há um processo para a correspondente multa isolada. Considerando que o número de processos administrativos que tratam de DCOMP não homologada é proporcionalmente grande em relação ao total de processos no contencioso administrativo, o sobrestamento desses processos implicaria 2 RE 955227 (Tema 885) e RE 949297 (Tema 881). Fl. 280DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1201-005.882 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.729014/2018-10 manter sob administração, por tempo indeterminado, um custoso acervo de processos pendentes de julgamento, em troca de uma questionável segurança jurídica. Deve ser lembrado que o processo é instrumento para a consecução do Direito, de forma que os seus percursos não devem ser utilizados para impedir ou retardar o seu fim último. De todo modo, para o efeito de reconhecer a inconstitucionalidade do §17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, o melhor direito está em considerar definitiva a decisão do Supremo Tribunal Federal no RE nº 796939, com repercussão geral, e dar provimento ao presente recurso voluntário. Saliente-se que o presente entendimento não está realizando uma relativação da expressão “decisão definitiva”, uma vez que esta é uma expressão jurídica aberta, a qual deve ter o seu conteúdo densificado pelo operador do direito, diante do cenário fático trazido nos autos e do cenário jurídico do momento da decisão. Em outras palavras, a interpretação de uma expressão jurídica aberta é relativa por sua própria natureza. Assim o é a interpretação da expressão “decisão definitiva”. Assim, no atual cenário jurídico, a presente multa isolada não possui suporte legal, devendo ser exonerada. Diante do reconhecimento da insubsistência da multa aplicada, os demais argumentos do recorrente perdem o seu objeto, pelo que deixo de apreciá-los. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Declaração de Voto Conselheiro Fredy José Gomes de Albuquerque O processo em análise trata de multa isolada por compensação não homologada, a qual foi objeto de recente análise do Supremo Tribunal Federal, que a declarou inconstitucional, porém, ainda sem trânsito em julgado, mas com julgamento definitivo de mérito. Fl. 281DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1201-005.882 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.729014/2018-10 O voto do i. Conselheiro Relator trouxe a informação de que o STF julgou o RE nº 796939 e declarou a inconstitucionalidade do §17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, mediante a sistemática de repercussão geral, conforme TEMA 736 do qual se firmou a seguinte tese, cuja ata de julgamento já se encontra publicada desde 27/03/2023: É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária. TEMA 736: Constitucionalidade da multa prevista no art. 74, §§ 15 e 17, da Lei 9.430/1996 para os casos de indeferimento dos pedidos de ressarcimento e de não homologação das declarações de compensação de créditos perante a Receita Federal. Vê-se, portanto, que o mérito já se encontra inteiramente esgotado, sendo adequado afirmar que não há norma jurídica vigente que autorize a cobrança de multa isolada por compensação não homologada, conforme pretendeu a administração tributária quando do lançamento ora analisado. Ocorre, porém, que a citada decisão do STF ainda não transitou em julgado, conforme se evidencia em pesquisa ao site do Tribunal, razão pela qual, durante a sessão de julgamento do presente processo no CARF, suscitou-se como dúvida se o Colegiado deveria tratar a decisão do STF como definitiva, conforme expressamente registra o art. 62 do Regimento Interno do CARF, a saber: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II - que fundamente crédito tributário objeto de: b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Penso que a decisão do STF é definitiva porquanto haver esgotado o mérito relativo à declaração de inconstitucionalidade da norma, produzindo imediatos efeitos em relação a todos os processos cujos lançamentos estejam sendo discutidos perante o CARF. Nesses casos, o crédito tributário ainda é controvertido na esfera administrativa, com exigibilidade suspensa desde sua constituição, não se admitindo pretender que sejam dados efeitos jurídicos ao ato administrativo de lançamento que se baseie em norma reconhecidamente inconstitucional, por força de expressa decisão do Supremo Tribunal Federal. O caráter definitivo da decisão da Corte Superior decorre da apreciação e esgotamento integral do mérito, tendo sido firmada a tese que considerou inconstitucional a multa por compensação não homologada. Não há dúvidas quanto a matéria sobre a qual repousa a inconstitucionalidade, inclusive, com decisão unânime de seus membros. Fl. 282DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1201-005.882 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.729014/2018-10 Note-se que o RICARF trata de decisões definitivas do STF, não versa sobre decisões com trânsito em julgado, que são diferentes. No caso em apreço, os efeitos da declaração de inconstitucionalidade já são definitivos, vale dizer, não há dúvida razoável de que a norma sobre a qual se funda o lançamento não pode produzir efeitos. Não faz sentido – nem é minimamente razoável – exigir que o CARF afaste decisão da Corte Suprema por entender que a decisão, para ser válida, prescinde de trânsito em julgado formal. Nem se diga que ainda a possível modulação dos efeitos da decisão afasta o caráter definitivo da mesma, a uma, porque não há nos autos do citado Recurso Extraordinário (na data do presente julgamento) nenhum registro de interposição de qualquer recurso complementar que indique pretensão modulatória, a duas, porque a possível modulação teria o efeito de evitar a repetição de indébito dos contribuintes que já pagaram a multa, mas não alcança os que ainda discutem sua validade perante a própria administração pública. Não parece razoável – mais ainda, penso ser claramente ilegal – dar efeitos jurídicos a norma sabidamente inconstitucional, sob a premissa equivocada de que a decisão do STF, em regime de repercussão geral, só se tornaria definitiva após o trânsito em julgado. Entendo que a definitividade diz respeito à análise do mérito, jamais do carimbo formal do trânsito em julgado. É dizer: são materialmente definitivas – e, portanto, aplicam-se imediatamente aos processos em trâmite no CARF – as decisões do STF que, em controle concentrado (ADI, ADC ou ADPF) ou difuso, sob o regime de repercussão geral, firmem tese que encerre o mérito sob a qual recaia a declaração de inconstitucionalidade, considerando a publicação de suas respectivas atas de julgamento o termo inicial que as tornam definitivas, ressalvadas as hipóteses em que existirem incidentes processuais ativos que possam desconstruir a posição de mérito já assumida pela Corte Constitucional. Nos presentes autos processuais, não há nenhum elemento que impeça o CARF de dar cumprimento imediato à decisão definitiva do STF sobre o tema, razão pela qual acompanho o voto do i. Conselheiro Relator, para afastar a exigência da multa prevista no §17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, porquanto inconstitucional. DISPOSITIVO Ante o exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Fredy José Gomes de Albuquerque Fl. 283DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 14098.000248/2009-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 11 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed May 24 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2005, 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. EMOLUMENTOS E CUSTAS DE SERVENTUÁRIO DA JUSTIÇA
Aqueles valores recebidos pelos serviços cartorários prestados e não escriturados como receita em livro caixa, verificados pela fiscalização a partir de documentos idôneos, constituem omissão de rendimentos após deduzidas as despesas.
INCORREÇÕES EM PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
As irregularidades, incorreções e omissões que não importem em nulidade do ato, nos termos da lei, serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.
GLOSAS DE GASTOS COM PUBLICIDADE E PROPAGANDA POSSIBILIDADE
Somente são permitidas as deduções de despesas de custeio necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte pagadora. A glosa de gastos considerados desnecessários a juízo da autoridade tributária por tratar de despesas não efetivamente fundamentais para a prestação de serviço público é permitida.
MULTA ISOLADA - CARNÊ LEÃO
Somente com a edição da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, passou a existir a previsão específica de incidência da multa isolada na hipótese de falta de pagamento do carnê-leão (50%), sem prejuízo da penalidade simultânea pelo lançamento de ofício do respectivo rendimento no ajuste anual (75%). (Súmula CARF nº 147)
MULTAS APLICADAS EM DECORRÊNCIA DE CUMPRIMENTO DE ORDEM LEGAL. DEFESO A MANIFESTAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Sum. Carf nº 2)
Recurso Voluntário parcialmente procedente.
Credito tributário mantido em parte
Numero da decisão: 2402-011.442
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário interposto, reduzindo o imposto para R$ 335.942,27, multa de ofício em R$ 251.956,70, com os acréscimos legais e excluindo a multa isolada (carnê-leão).
(documento assinado digitalmente)
Francisco Ibiapino Luz - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Duarte Firmino - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Diogo Cristian Denny, Gregorio Rechmann Junior, Rodrigo Duarte Firmino, Ana Claudia Borges de Oliveira, Jose Marcio Bittes, Rodrigo Rigo Pinheiro, Wilderson Botto (suplente convocado), Francisco Ibiapino Luz (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO DUARTE FIRMINO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2005, 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. EMOLUMENTOS E CUSTAS DE SERVENTUÁRIO DA JUSTIÇA Aqueles valores recebidos pelos serviços cartorários prestados e não escriturados como receita em livro caixa, verificados pela fiscalização a partir de documentos idôneos, constituem omissão de rendimentos após deduzidas as despesas. INCORREÇÕES EM PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL As irregularidades, incorreções e omissões que não importem em nulidade do ato, nos termos da lei, serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. GLOSAS DE GASTOS COM PUBLICIDADE E PROPAGANDA POSSIBILIDADE Somente são permitidas as deduções de despesas de custeio necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte pagadora. A glosa de gastos considerados desnecessários a juízo da autoridade tributária por tratar de despesas não efetivamente fundamentais para a prestação de serviço público é permitida. MULTA ISOLADA - CARNÊ LEÃO Somente com a edição da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, passou a existir a previsão específica de incidência da multa isolada na hipótese de falta de pagamento do carnê-leão (50%), sem prejuízo da penalidade simultânea pelo lançamento de ofício do respectivo rendimento no ajuste anual (75%). (Súmula CARF nº 147) MULTAS APLICADAS EM DECORRÊNCIA DE CUMPRIMENTO DE ORDEM LEGAL. DEFESO A MANIFESTAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Sum. Carf nº 2) Recurso Voluntário parcialmente procedente. Credito tributário mantido em parte
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EMOLUMENTOS E CUSTAS DE SERVENTUÁRIO DA JUSTIÇA Aqueles valores recebidos pelos serviços cartorários prestados e não escriturados como receita em livro caixa, verificados pela fiscalização a partir de documentos idôneos, constituem omissão de rendimentos após deduzidas as despesas. INCORREÇÕES EM PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL As irregularidades, incorreções e omissões que não importem em nulidade do ato, nos termos da lei, serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. GLOSAS DE GASTOS COM PUBLICIDADE E PROPAGANDA POSSIBILIDADE Somente são permitidas as deduções de despesas de custeio necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte pagadora. A glosa de gastos considerados desnecessários a juízo da autoridade tributária por tratar de despesas não efetivamente fundamentais para a prestação de serviço público é permitida. MULTA ISOLADA - CARNÊ LEÃO Somente com a edição da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, passou a existir a previsão específica de incidência da multa isolada na hipótese de falta de pagamento do carnê-leão (50%), sem prejuízo da penalidade simultânea pelo lançamento de ofício do respectivo rendimento no ajuste anual (75%). (Súmula CARF nº 147) MULTAS APLICADAS EM DECORRÊNCIA DE CUMPRIMENTO DE ORDEM LEGAL. DEFESO A MANIFESTAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Sum. Carf nº 2) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 8. 00 02 48 /2 00 9- 90 Fl. 911DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-011.442 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000248/2009-90 Recurso Voluntário parcialmente procedente. Credito tributário mantido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário interposto, reduzindo o imposto para R$ 335.942,27, multa de ofício em R$ 251.956,70, com os acréscimos legais e excluindo a multa isolada (carnê-leão). (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz - Presidente (documento assinado digitalmente) Rodrigo Duarte Firmino - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Diogo Cristian Denny, Gregorio Rechmann Junior, Rodrigo Duarte Firmino, Ana Claudia Borges de Oliveira, Jose Marcio Bittes, Rodrigo Rigo Pinheiro, Wilderson Botto (suplente convocado), Francisco Ibiapino Luz (Presidente). Relatório AUTUAÇÃO Em 24/08/2009, precisamente às 16:45, foi constituído o Auto de Infração de fls. 2 e ss, ciência em 28/08/2009, fls. 141/142, para cobrança de Imposto de Renda Pessoa Física no valor de R$ 423.415,30, Multa de Ofício de R$ 317.561,47, Multa Isolada de R$ 226.446,99 e Juros de Mora de R$ 177.158,45, totalizando R$ 1.144.582,21, referente aos exercícios de 2005 a 2006, em razão de OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS na condição de tabelião titular de cartório; DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS DE LIVRO CAIXA realizadas por gastos com propaganda e publicidade, objeto de glosa e MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPF DEVIDO A TÍTULO DE CARNÊ-LEÃO. Referida exação foi precedida por fiscalização tributária, ao amparo do Mandado de Procedimento Fiscal nº 01300100/00093/2008, de início em 06/03/2008, às 10:00, fls. 24 e ss, ciência em 10/03/2008, fls. 26, encerramento em 24/08/2009, às 16:45, fls. 138/139, sendo instruída por relatório, juntado a fls. 76 e ss, descrevendo fatos, fundamentos jurídicos e cálculos tributários que embasaram a autoridade administrativa para a constituição do crédito. Constam dos autos cópia de documentos, conforme fls. 40 e ss. DEFESA Irresignado com o lançamento e representado por advogada, instrumento a fls. 168 e 171, o contribuinte apresentou defesa em 28/09/2009, fls. 145 e ss, alegando, em síntese, que: Fl. 912DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-011.442 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000248/2009-90 Os emolumentos recebidos em razão da atividade notarial e registral, embora tributáveis, não representam rendimento, por se tratar da totalidade de valores parcialmente recebidos, sendo parte repassada a beneficiários legalmente estabelecidos (FUNAJURIS- Taxa Judiciária, Associação Matogrossense de Magistrados e do Ministério Público, Fundo de Compensação aos Registradores Civis das Pessoas Naturais – FCRCPN) e outra parte não efetivamente cobrada, tal como cópias autenticadas fornecidas a cidadãos pobres, policiais, promotores de justiça, juízes de direito e funcionários do fórum entre outros casos, embora haja recolhimento da parte cabível aos beneficiários legais acima indicados; A glosa de despesas com propaganda/publicidade não levou em conta que há disputa de serviços entre dez cartórios da região (aproximadamente) para as funções de tabelionato de notas e que se não realizar as despesas terá, por consequência, a perda de clientes; Entende que as multas aplicadas representam confisco, são desproporcionais e também não devem prevalecer, já que ausentes omissão de rendimento e dedução indevida de despesas. Ao final requereu a improcedência da autuação e o seu cancelamento, juntando cópia de documentos conforme fls. 168 e ss. DECISÃO ADMINISTRATIVA DE PRIMEIRO GRAU A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande – DRJ/CGE julgou improcedente a impugnação, conforme Acórdão nº 04-28.121, de 12/04/2012, fls. 754 e ss, de ementa abaixo transcrita: DA JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. SITUAÇÃO IMPEDITIVA. NÃO OCORRÊNCIA. Não comprovada nenhuma das situações legais permissivas da apresentação de provas posteriormente à impugnação, resta precluso esse direito do sujeito passivo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. EMOLUMENTOS E CUSTAS DE SERVENTUÁRIO DA JUSTIÇA. APURAÇÃO DOS VALORES. É lícito ao Fisco apurar os valores recebidos a título de emolumentos e custas por tabelião tomando por base documentos idôneos expedidos pelo Cartório, mormente quando estes apontam valores superiores àqueles consignados no Livro Caixa. LIVRO CAIXA. DESPESAS DEDUTÍVEIS. PROPAGANDA E PUBLICIDADE Havendo apenas um cartório de protesto de títulos no município, e sendo essa a atividade preponderante do cartório que produz a quase totalidade dos emolumentos percebidos, as despesas com propaganda e publicidade tornam-se prescindíveis à obtenção desses emolumentos. Fl. 913DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-011.442 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000248/2009-90 MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. DESPROPORCIONALIDADE. REDUÇÃO. Aos órgãos julgadores é vedado afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade. A aplicação de multas no lançamento de ofício do crédito tributário decorre de lei. As multas de ofício e isoladas somente podem ser reduzidas conforme dispuser a lei. O contribuinte foi regularmente notificado em 22/05/2012, fls. 765/771. RECURSO VOLUNTÁRIO Em 20/06/2012 o recorrente interpôs recurso voluntário, fls. 783 e ss, por advogados representado, instrumento a fls. 811. Após resumo de fatos e atos constantes dos autos, o recorrente se insurge contra a decisão a quo, repisando os mesmos argumentos da primeira peça de defesa com os seguintes destaques: Os valores de repasses aos beneficiários legais não estão incluídos como receita escriturada em livro caixa, inclusive junta nota técnica contábil, não tendo estes sido deduzidos; O total mensal dos emolumentos informados na declaração de atos notariais e de registros é apurado em função de todos e quaisquer atos praticados, recebidos ou não, com ou sem desconto, com ou sem ônus para as partes. Repete a argumentação de que muitos dos serviços não são cobrados, com descontos recebidos (atos praticados para o próprio tabelião, familiares, cidadãos pobres, policiais, promotores de justiça, juízes de direito, funcionários do fórum, clientes assíduos, embora haja recolhimento aos beneficiários legais para esses mesmos serviços), inclusive também há casos de falta de pagamento (calote); Quanto à glosa de despesa com propaganda e publicidade, entende o recorrente que faz jus a dedução de seu imposto, haja vista a ausência de condicionante legal para seu uso, in casu. Apresenta os mesmos argumentos da primeira peça de defesa, especialmente por entender que há concorrência com outros cartórios da região, sendo o gasto importante para não perder clientes e prossegue nos seguintes termos: Diante desse cenário resta induvidoso que a despesa com propaganda/publicidade feita para o Cartório do 4o Ofício de Rondonópolis (cf. comprovam notas fiscais, duplicatas e recibos anexos does. 15 e livros caixa-does. 12 e 13, juntados à defesa administrativa) é essencial à produção do rendimento/receita, podendo ser deduzida, como de fato foi, diante de expressa dicção legal, in litteris: (...) Quanto às multas aplicadas, repete a alegação de confisco entendendo também pela possibilidade de discussão administrativa de matéria constitucional. Aduz que a decisão administrativa de julgamento deve analisar normas da lei maior, sob pena de desrespeito aos seus próprios Fl. 914DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-011.442 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000248/2009-90 comandos, com a citação de jurisprudência. Repete também o pedido de redução da multa para 2 %. Por derradeiro, requer a reforma da decisão a quo e, por via de consequência, a anulação do auto de infração. Juntou ainda cópia de documentos, fls. 811 e ss. É o relatório! Voto Conselheiro Rodrigo Duarte Firmino, Relator. O recurso voluntário interposto é tempestivo e obedece aos requisitos legais, portanto dele tomo conhecimento. Não foram arguidas preliminares, tampouco identifiquei prejudicial, ao que passo a exame de mérito, todavia, não sem antes destacar primeiramente que a fiscalização resultante do lançamento em discussão nesse contencioso durou um ano e cinco meses, examinou ampla documentação e trouxe a autoridade tributária, claramente, sua opino juris, devidamente fundamentada, na peça inicial responsável pela constituição do crédito tributário, juntada a fls. 2 e ss. a) CONTESTAÇÃO DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS O recorrente aduz que os emolumentos recebidos em razão da atividade notarial e registral, embora tributáveis, não representam rendimento, por se tratar da totalidade de valores parcialmente recebidos, sendo parte repassada a beneficiários legalmente estabelecidos (FUNAJURIS- Taxa Judiciária, Associação Matogrossense de Magistrados e do Ministério Público, Fundo de Compensação aos Registradores Civis das Pessoas Naturais – FCRCPN) e outra parte não efetivamente cobrada, tal como cópias autenticadas fornecidas a cidadãos pobres, policiais, promotores de justiça, juízes de direito e funcionários do fórum entre outros casos, embora haja recolhimento da parte cabível aos beneficiários legais acima indicados. Aduz que o total mensal dos emolumentos informados na declaração de atos notariais e de registros é apurado em função de todos e quaisquer atos praticados, recebidos ou não, com ou sem desconto, com ou sem ônus para as partes. Alega ainda que os valores de repasses aos beneficiários legais não estão incluídos como receita escriturada em livro caixa, inclusive junta nota técnica contábil, não tendo estes sido deduzidos. Fl. 915DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-011.442 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000248/2009-90 Primeiramente, ao examinar a planilha de autuação, fls. 86, verifiquei que foi utilizado o valor descrito na declaração de atos notariais, correspondente ao somatório de dados das colunas I (VALOR DO ATO), II (TABELA F) e III (FCRCPN), a exemplo do mês de março de 2005, fls. 65/66, em cotejo com fls. 86, de R$ 180.687,80. Em atenção a r. argumentação do recorrente, verifiquei a fls. 154 que não se trata a aludida coluna II de receita, tampouco há qualquer informação na declaração em comento que, de longe, faça menção a recebimento de dinheiro, ao contrário, verifico tratar de repasses às instituições descritas em mencionada tabela, à alíquota específica de R$ 1,26. De outro lado, ao examinar esse mesmo mês (março de 2005), constatei a fls. 249 que aquele valor descrito na coluna III se refere a outro repasse, na importância de R$ 6.544,80, pago ao Fundo de Compensação aos Registradores Civis das Pessoas Naturais – FCRCPN. Portanto, está correta a alegação de que aquelas importâncias descritas nas declarações de atos notariais e de registros, embora tributáveis como bem informou o recorrente, não representam somente receita, por se tratarem as colunas I, II e III da totalidade de valores, sendo somente parcialmente recebidos, já que, parte deles se referem a emolumentos pagos. Resta porém que as receitas escrituradas no livro caixa para o mesmo mês de março de 2005, utilizado como exemplo, fls. 431, de R$ 112.805,00, NÃO CORRESPONDEM ÀQUELAS IMPORTÂNCIAS DESCRITAS NA COLUNA I DE REFERIDA DECLARAÇÃO COMO VALOR DO ATO, de R$ 165.416,60, deixando clarividente uma omissão de parte daquelas receitas que deveriam se submeter, após deduzidas as despesas, à tributação como renda, sendo certo que não o foram, cotejando o demonstrativo de apuração de fls. 549, bem como a Declaração de Imposto sobre a Renda Pessoa Fisica – DIRPF do período, fls. 120. Assim, acertada está a autoridade responsável pelo lançamento ao ter constatado a existência de rendimento não declarado, errando somente no quantum extraído, a título de receita, das declarações de atos notariais e de registros, visto que deveria ter considerado o valor do ato, descrito em referido documento na coluna I. Com destaque, a autuação foi realizada em obediência aos requisitos legais impostos no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, para além disso também não houve ocorrência daquelas nulidades prevista no art. 59 deste decreto, tampouco desobediência ao comando do art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN, tratando-se o erro descrito na parágrafo anterior daquelas incorreções previstas no art. 60 de mencionado decreto, conforme abaixo transcrevo: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Mister também destacar que o lançamento considerou praticamente todas as despesas informadas no livro caixa, à exceção daquelas vinculadas a propagandas/publicidades, objeto de glosa, sendo igualmente certo que foi tributado na exação a RENDA, nos termos em que rege o art. 3º da Lei nº 7.713, de 1988, obedecidos também no lançamento os comandos Fl. 916DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2402-011.442 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000248/2009-90 dos arts. 8º e 25 de mesmo diploma legal. Ou seja, as receitas, após a devida dedução das despesas, é que foram objeto de tributação, ainda que com erro de cálculo, já corrigido mais a frente. Quanto à alegação de que parte dos atos de cartório não foi efetivamente cobrada, tal como cópias autenticadas fornecidas a cidadãos pobres, policiais, promotores de justiça, juízes de direito e funcionários do fórum, entre outros casos, inclusive de descontos, não verifiquei nos autos prova do alegado, ao contrário, o que constatei, in casu, foi a clarividente omissão de receitas, para considerável parte da renda, sendo certo que, pelo princípio da universalidade que rege o gravame em estudo, conforme prescreve o art. 150, II da Constituição Federal de 1988, a tributação deve incidir sobre todos os rendimentos. Portanto, apresento NOVOS CÁLCULOS TRIBUTÁRIOS, com a retificação daqueles dados utilizados pela autoridade tributária a fls. 86, considerando o VALOR DO ATO, descrito nas respectivas declarações de atos notariais e de registros. ANO 2004 EMOLUMENTOS RECEBIDOS FUNAJURIS LIVRO CAIXA DIFERENÇA ago/04 R$ 144.778,36 R$ 114.040,00 R$ 30.738,36 set/04 R$ 152.923,11 R$ 113.365,00 R$ 39.558,11 out/04 R$ 212.991,20 R$ 114.990,00 R$ 98.001,20 nov/04 R$ 165.552,00 R$ 117.175,00 R$ 48.377,00 dez/04 R$ 165.036,40 R$ 128.340,00 R$ 36.696,40 TOTAL R$ 253.371,07 Base Declarada Lançamento Parcela a deduzir Imposto Pago R$ 411.574,23 R$ 253.371,07 R$ 5.076,90 R$ 108.106,01 Imposto Apurado (27,5%) Multa (75%) R$ 69.677,05 R$ 52.257,79 ANO 2005 EMOLUMENTOS RECEBIDOS FUNAJURIS LIVRO CAIXA DIFERENÇA jan/05 R$ 183.997,80 R$ 118.370,00 R$ 65.627,80 fev/05 R$ 138.369,00 R$ 100.596,00 R$ 37.773,00 mar/05 R$ 165.416,60 R$ 112.805,00 R$ 52.611,60 Fl. 917DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2402-011.442 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000248/2009-90 abr/05 R$ 213.996,40 R$ 122.195,00 R$ 91.801,40 mai/05 R$ 250.694,20 R$ 128.845,00 R$ 121.849,20 jun/05 R$ 272.409,00 R$ 142.314,00 R$ 130.095,00 jul/05 R$ 221.415,70 R$ 146.250,00 R$ 75.165,70 ago/05 R$ 251.319,30 R$ 142.428,63 R$ 108.890,67 set/05 R$ 207.197,50 R$ 154.350,00 R$ 52.847,50 out/05 R$ 242.162,90 R$ 136.544,00 R$ 105.618,90 nov/05 R$ 278.013,20 R$ 169.427,00 R$ 108.586,20 dez/05 R$ 223.398,90 R$ 206.028,73 R$ 17.370,17 TOTAL R$ 968.237,14 Base Declarada Lançamento Parcela a deduzir Imposto Pago R$ 420.946,13 R$ 968.237,14 R$ 5.584,20 R$ 110.175,98 Imposto Apurado (27,5%) Multa (75%) R$ 266.265,22 R$ 199.698,91 Portanto, reduzo o IRPF lançado de R$ 423.415,30 para R$ 335.942,27, Multa de Ofício de R$ 317.561,47 para R$ 251.956,70, com os acréscimos legais. b) CONTESTAÇÃO DA GLOSA DESPESAS DE LIVRO CAIXA Quanto às glosas, aduz que não foi levado em conta a disputa de serviços entre dez cartórios da região (aproximadamente) para as funções de tabelionato de notas e que, se não realizar as despesas com propaganda/publicidade, ocorrerá perda de clientes. Acrescenta também que faz jus à dedução do imposto, haja vista a ausência de condicionante legal para seu uso: Diante desse cenário resta induvidoso que a despesa com propaganda/publicidade feita para o Cartório do 4o Ofício de Rondonópolis (cf. comprovam notas fiscais, duplicatas e recibos anexos does. 15 e livros caixa-does. 12 e 13, juntados à defesa administrativa) é essencial à produção do rendimento/receita, podendo ser deduzida, como de fato foi, diante de expressa dicção legal, in litteris: (...) Ao examinar o processo, primeiramente cumpre destaque que somente uma pequena parcela das despesas, àquelas gastas a título de propaganda e publicidade, foi efetivamente glosada, como exemplo cito o mês de setembro de 2004 que, do total de R$ 75.718,01 escriturado, fls. 384, não foram aceitos R$ 1.888,00, fls. 7, representando 2,49%. A ratio essendi da glosa é o seguinte, fls. 7: Fl. 918DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2402-011.442 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000248/2009-90 A atividade exercida é de TABELIÃO, sendo o titular do Cartório do 4º Ofício de Rondonópolis - Protesto. A atividade mencionada é serviço público e, portanto demandada pelos interessados, não havendo necessidade de qualquer propaganda e ou publicidade por parte do Cartório, único na cidade de Rondonópolis-MT, sendo , tais despesas, não necessárias a produção dos rendimentos .A vista do exposto efetuei a glosa de todos os pagamentos a titulo de anúncios , publicidade e ou propaganda realizados no período objeto da ação fiscal A fundamentação legal utilizada, entre outros, fls. 13, é o art. 6º da Lei nº 8.134, de 1990 que diz: Art. 6° O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade: (...) III - as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Do exposto se extrai que a autoridade tributária entendeu pela desnecessidade das despesas de propaganda e publicidade para a percepção de receita e a manutenção da fonte produtora de uma cartório que presta serviço publico e único na cidade. Ao examinar as despesas glosadas não vislumbro qualquer irregularidade na conduta fiscal, ao contrário, entendo igualmente que, considerando o recorrente importante evidenciar os serviços que presta por meio de propagandas e publicidades, isso deve ser feito sem o comprometimento do IRPF, já que este constitui importante fonte de manutenção do estado brasileiro. Portanto, a juízo deste julgador, não merece prosperar essa r. tese. c) ALEGAÇÃO DE CONFISCO – MULTAS APLICADAS O recorrente entende que as multas aplicadas representam confisco, são desproporcionais e também não devem prevalecer, já que ausentes omissão de rendimento e dedução indevida de despesas. Aduz também que a decisão administrativa de julgamento deve analisar normas da lei maior, sob pena de desrespeito aos seus próprios comandos, com a citação de jurisprudência e repete, por fim, o pedido de redução da multa para 2 %. Há, in casu, duas aplicações de penalidade pecuniária, a multa de ofício de 75%, com fundamento no art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, fls. 23, e a multa isolada de 50%, com fundamento no art. 44, II, alínea “a” de mesmo diploma legal, fls. 15. Quanto especificamente a multa isolada lançada em razão da falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê-leão, aplico o racional de precedente deste Conselho, abaixo transcrito, para excluí-la, considerando, in casu, o lançamento tratar dos anos-calendários de 2004 e 2005: Somente com a edição da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, passou a existir a previsão específica de incidência da multa isolada na hipótese de falta de pagamento do carnê-leão (50%), sem prejuízo da penalidade simultânea pelo lançamento de ofício do respectivo rendimento no ajuste anual (75%). (Súmula CARF nº 147) Fl. 919DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 2402-011.442 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000248/2009-90 Quanto às demais, em que pesem as respeitáveis argumentações da peça recursal, a análise de eventual inconstitucionalidade dos dispositivos legais referidos e aplicados na exação, seja por representarem, in casu e a juízo do recorrente, confisco ou ferimento ao princípio da proporcionalidade, é definitivamente DEFESO a este Conselho, por força da Súmula Carf Vinculante nº 2, que adoto como razão de decidir para não pronunciar a respeito e também para denegar o pedido de redução da multa para 2%: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. d) CONCLUSÃO Voto, portanto, por dar procedência parcial ao recurso voluntário interposto, reduzindo o imposto para R$ 335.942,27, multa de ofício em R$ 251.956,70, com os acréscimos legais e excluindo a multa isolada (carnê-leão). É como voto! (documento assinado digitalmente) Rodrigo Duarte Firmino Fl. 920DF CARF MF Original
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Numero do processo: 11080.921881/2009-14
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002
SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS
PROFISSIONAIS. COFINS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO.
O Supremo Tribunal Federal, sob o regime da repercussão geral (art. 543-B do CPC), decidiu que a norma veiculada pelo art. 56 da Lei nº 9.430, de 1996, revogou a isenção da COFINS concedida às sociedades civis de prestação de serviços profissionais, prevista no inciso II do art. 6º da Lei Complementar nº 70, de 1991.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002
ARGUMENTO EM DEFESA DA INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO DO
DIREITO DE PLEITEAR A RESTITUIÇÃO. INDÉBITO TRIBUTÁRIO
INEXISTENTE. PEDIDO PREJUDICADO.
Constatada a legitimidade dos pagamentos apontados pela recorrente como alicerce de seu pedido de compensação, patente a inexistência de indébito tributário, o que torna prejudicado qualquer exame quanto à alegada inexistência de prescrição do direito de pleitear a restituição do crédito em apreço, posto que não há direito creditório que fundamente a existência de indébito tributário em favor da reclamante.
EXAME DE ALEGAÇÃO SOBRE INCONSTITUCIONALIDADE DE
NORMA. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA.
À autoridade administrativa falece competência para afastar a aplicação de norma sob fundamento de sua inconstitucionalidade, uma vez que tal apreciação é exclusiva do Poder Judiciário. Tal questão, inclusive, é objeto da Súmula n° 2 do CARF.
Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-000.636
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares aduzidas pela recorrente e, no mérito, para negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002 SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS. COFINS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. O Supremo Tribunal Federal, sob o regime da repercussão geral (art. 543-B do CPC), decidiu que a norma veiculada pelo art. 56 da Lei nº 9.430, de 1996, revogou a isenção da COFINS concedida às sociedades civis de prestação de serviços profissionais, prevista no inciso II do art. 6º da Lei Complementar nº 70, de 1991. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002 ARGUMENTO EM DEFESA DA INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE PLEITEAR A RESTITUIÇÃO. INDÉBITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. PEDIDO PREJUDICADO. Constatada a legitimidade dos pagamentos apontados pela recorrente como alicerce de seu pedido de compensação, patente a inexistência de indébito tributário, o que torna prejudicado qualquer exame quanto à alegada inexistência de prescrição do direito de pleitear a restituição do crédito em apreço, posto que não há direito creditório que fundamente a existência de indébito tributário em favor da reclamante. EXAME DE ALEGAÇÃO SOBRE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. À autoridade administrativa falece competência para afastar a aplicação de norma sob fundamento de sua inconstitucionalidade, uma vez que tal apreciação é exclusiva do Poder Judiciário. Tal questão, inclusive, é objeto da Súmula n° 2 do CARF. Recurso ao qual se nega provimento.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2205; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 74 1 73 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.921881/200914 Recurso nº 876.847 Voluntário Acórdão nº 380200.636 – 2ª Turma Especial Sessão de 10 de agosto de 2011 Matéria Declaração de Compensação DCOMP Recorrente Clínica de Ginecologia Teixeira EPP Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002 SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS. COFINS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. O Supremo Tribunal Federal, sob o regime da repercussão geral (art. 543B do CPC), decidiu que a norma veiculada pelo art. 56 da Lei nº 9.430, de 1996, revogou a isenção da COFINS concedida às sociedades civis de prestação de serviços profissionais, prevista no inciso II do art. 6º da Lei Complementar nº 70, de 1991. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002 ARGUMENTO EM DEFESA DA INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE PLEITEAR A RESTITUIÇÃO. INDÉBITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. PEDIDO PREJUDICADO. Constatada a legitimidade dos pagamentos apontados pela recorrente como alicerce de seu pedido de compensação, patente a inexistência de indébito tributário, o que torna prejudicado qualquer exame quanto à alegada inexistência de prescrição do direito de pleitear a restituição do crédito em apreço, posto que não há direito creditório que fundamente a existência de indébito tributário em favor da reclamante. EXAME DE ALEGAÇÃO SOBRE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. À autoridade administrativa falece competência para afastar a aplicação de norma sob fundamento de sua inconstitucionalidade, uma vez que tal apreciação é exclusiva do Poder Judiciário. Tal questão, inclusive, é objeto da Súmula no 2 do CARF. Recurso ao qual se nega provimento. Fl. 80DF CARF MF Emitido em 26/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 08/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares aduzidas pela recorrente e, no mérito, para negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. EDITADO EM: 17/08/2011 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2ª Turma da DRJ Porto Alegre (fls. 38/40), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra despacho decisório que não homologou a compensação de créditos da COFINS de competência de março de 2002 com débitos da própria COFINS de dezembro de 2005. Conforme decisão recorrida, a compensação não foi homologada pelo fato de os pagamentos indicados como indébitos terem sido totalmente aproveitados para a quitação dos legítimos débitos respectivos, e isso em virtude da revogação da isenção concedida às sociedades civis de prestação de serviços (LC nº 70/91) pelo artigo 56 da Lei nº 9.430/96, que passou a prever a incidência da COFINS sobre a receita bruta dos serviços prestados por referidas sociedades. Consequentemente, restou prejudicado o exame do pleito relativamente à contestação do prazo prescricional do direito de solicitar a repetição do indébito, já que, como ressaltado, entendeuse que indébito não existia. Cientificada da referida decisão em 06/07/2010 (fls. 42), a interessada, em 05/08/2010, apresentou o recurso voluntário de fls. 43/67, onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito com fundamento nos mesmos argumentos já expostos na primeira instância recursal, quais sejam: a) que segundo pacificado entendimento do Superior Tribunal de Justiça, retratado em sua Súmula de no 276, as sociedades civis de prestação de serviços seriam isentas da Cofins, uma vez que a isenção concedida pela LC nº 70/91 fora revogada por lei ordinária, no caso, o artigo 56 da Lei nº 9.430/96, o que não seria permitido por aduzida afronta à hierarquia das leis; b) que a LC nº 118/05, ao alterar o prazo de repetição de indébito nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, seria ilegal, na medida em Fl. 81DF CARF MF Emitido em 26/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 08/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 11080.921881/200914 Acórdão n.º 380200.636 S3TE02 Fl. 75 3 que vai de encontro ao que o CTN estabelece como causa de extinção do tributo, questão já reconhecida em julgados do STJ; c) que os órgãos administrativos, diante do necessário zelo para com a Constituição Federal, teriam competência para se posicionar sobre a inconstitucionalidade de atos normativos; nesse sentido, desenvolve tese onde sustenta a diferença entre controle de constitucionalidade e decisão sobre aplicação de norma inconstitucional a fato concreto, reclamando, também, o amparo aos direitos e garantias individuais que resguardariam seu pedido; d) que, uma vez demonstrada a legitimidade do crédito decorrente do pagamento indevido, seria inarredável o seu direito à compensação pleiteada de acordo com o que preconiza a legislação federal de regência da matéria; e, e) com fundamento no artigo 74, parágrafos 7o, 9o e 11 da Lei no 9.430/96, c/c art. 151, III, do CTN, reclama a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em face da instauração do litígio tributário. Diante do exposto, requer seja dado provimento ao seu recurso, com a consequente homologação da compensação pleiteada, na sua integralidade. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Das preliminares Da admissibilidade do recurso O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Da não configuração de hipótese de sobrestamento do recurso A recorrente contesta a interpretação do prazo prescricional de restituição ditada pelo artigo 3o da Lei Complementar nº 118/05, questão que, por sinal, está pendente de julgamento no STF, o qual, no Recurso Extraordinário no 561.908, reconheceu a repercussão geral da matéria em tela, conforme ementa a seguir transcrita: TRIBUTO – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – REPERCUSSÃO GERAL – ADMISSÃO. Surge com repercussão geral controvérsia sobre a inconstitucionalidade, declarada na origem, da expressão “observado, quanto ao artigo 3º, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional”, constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005.(RE 561908 RG, Relator(a): Min. Fl. 82DF CARF MF Emitido em 26/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 08/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 MIN. MARCO AURÉLIO, julgado em 08/11/2007, DJe157 DIVULG 06122007 PUBLIC 07122007 DJ 07122007 PP 00016 EMENT VOL0230208 PP01660 ) Em tais casos, o § 1º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho – aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, com alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010 – , determina o sobrestamento do julgamento do feito até que seja proferida decisão definitiva de mérito pelo STF, na forma preconizada no art. 543B do Código de Processo Civil. No entanto, tal não se aplica ao caso presente, uma vez que é irrelevante para a lide qualquer apreciação relacionada à contagem do prazo prescricional do direito à restituição do indébito tributário, uma vez que, conforme será demonstrado, não há, no mérito, direito que socorra a reclamante em relação ao crédito alegado, já que, como afirma a própria recorrente, a origem dos créditos diz respeito a alegada iletimidade da exigência da COFINS sobre as sociedades civis de prestação de serviços profissionais por suposta afronta à hierarquia das leis quando da revogação da isenção concedida pela Lei Complementar nº 70/91 por via de lei ordinária (Lei nº 9.430/96), questão que já foi pacificada pelo Supremo Tribunal Federal. Assim, diante da inexistência de qualquer impedimento para o exame da contenda, passase a análise do mérito da lide propriamente dito. Do mérito A reclamante alega que as sociedades civis de prestação de serviços seriam isentas da COFINS, uma vez que a isenção concedida pela LC nº 70/91 foi revogada por lei ordinária, no caso, o artigo 56 da Lei nº 9.430/96, em propalada ofensa ao princípio da hierarquia das leis. Tal questão, no entanto, já se encontra pacificada pelo STF, que, sob o regime da repercussão geral (art. 543B do CPC), decidiu que a norma veiculada pelo art. 56 da Lei nº 9.430, de 1996, revogou a isenção da COFINS concedida às sociedades civis de prestação de serviços profissionais, prevista no inciso II do art. 6º da Lei Complementar nº 70, de 1991. Os fundamentos que serviram de base para o referido julgado estão resumidos na ementa do Recurso Extraordinário no 377.457, abaixo reproduzida: Contribuição social sobre o faturamento COFINS (CF, art. 195, I). 2. Revogação pelo art. 56 da Lei 9.430/96 da isenção concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6º, II, da Lei Complementar 70/91. Legitimidade. 3. Inexistência de relação hierárquica entre lei ordinária e lei complementar. Questão exclusivamente constitucional, relacionada à distribuição material entre as espécies legais. Precedentes. 4. A LC 70/91 é apenas formalmente complementar, mas materialmente ordinária, com relação aos dispositivos concernentes à contribuição social por ela instituída. ADC 1, Rel. Moreira Alves, RTJ 156/721. 5. Recurso extraordinário conhecido mas negado provimento.(RE 377457, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado Fl. 83DF CARF MF Emitido em 26/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 08/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 11080.921881/200914 Acórdão n.º 380200.636 S3TE02 Fl. 76 5 em 17/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe241 DIVULG 18122008 PUBLIC 19122008 EMENT VOL 0234608 PP01774) Com efeito, constatada a legitimidade dos pagamentos apontados pela recorrente como alicerce de seu pedido de compensação, demonstrada está a inexistência de indébito tributário, razão pela qual não há como acolher o pedido de compensação em tela, posto que não fundamentado em direito creditório legítimo, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal, acima colacionada, que asseverou, em caráter definitivo, a legalidade da revogação da isenção da COFINS originariamente concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6º, inciso II, da Lei Complementar 70/91. Assim, e em obediência ao disposto no art. 62A1 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, fica assentado que são efetivamente devidos os pagamentos da COFINS realizados pela recorrente segundo a forma de incidência instituída pelo art. 56 da Lei nº 9.430, de 1996. Consequentemente, o indébito alegado não existe, não havendo, pois, razão legal que autorize a homologação da compensação pleiteada. Diante disso, prejudicado está qualquer exame quanto à alegada inexistência de prescrição do direito de pleitear a restituição do crédito em apreço, posto que, como demonstrado, não há direito creditório que fundamente a existência de indébito tributário em favor da reclamante. Quanto aos argumentos relacionados à ilegalidade ou à inconstitucionalidade da norma, importa ressaltar que o julgador administrativo está vinculado à legalidade estrita, por força do disposto no artigo 116, III, da Lei no 8.112/90, preceito o qual se repete no artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22/06/2009. Ademais, é vedado à instância administrativa negar a aplicação de lei que entenda inconstitucional, assunto, inclusive, pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos de sua Súmula no 02, segundo a qual “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Finalmente, quanto ao pedido de suspensão da exigibilidade do crédito tributário em face da instauração do litígio administrativo, há, de fato, previsão legal para a suspensão da exigibilidade do crédito tributário até o fim da presente demanda administrativa (CTN, artigo 151, inciso III). Contudo, como ressaltado na decisão de primeira instância, não se observa nos autos querela decorrente de suposta indevida exigência – na fase litigiosa – dos débitos questionados atrelados ao presente processo. Da conclusão 1 "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF". Fl. 84DF CARF MF Emitido em 26/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 08/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 Por todo o exposto, voto, preliminarmente, para rejeitar as preliminares aduzidas pela recorrente e, no mérito, para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela mesma. Sala de Sessões, em 10 de agosto de 2011. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 85DF CARF MF Emitido em 26/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 08/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A
score : 1.0
Numero do processo: 15578.720376/2017-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon May 29 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/2013 a 30/12/2015
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA DE 150%. FALSIDADE NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. CABIMENTO -
É cabível a multa isolada de 150%, quando se constata falsidade por parte do Contribuinte, o que se caracteriza pela inclusão, na declaração, de créditos que o Contribuinte sabe serem inexistentes, de fato ou de direito, em face da compensação antes do trânsito em julgado das ações judiciais
Numero da decisão: 2301-010.472
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Joao Mauricio Vital Presidente
(documento assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Flavia Lilian Selmer Dias, Fernanda Melo Leal, Mauricio Dalri Timm do Valle, Joao Mauricio Vital (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Alfredo Jorge Madeira Rosa.
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Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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MULTA ISOLADA DE 150%. FALSIDADE NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. CABIMENTO - É cabível a multa isolada de 150%, quando se constata falsidade por parte do Contribuinte, o que se caracteriza pela inclusão, na declaração, de créditos que o Contribuinte sabe serem inexistentes, de fato ou de direito, em face da compensação antes do trânsito em julgado das ações judiciais Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Joao Mauricio Vital – Presidente (documento assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Flavia Lilian Selmer Dias, Fernanda Melo Leal, Mauricio Dalri Timm do Valle, Joao Mauricio Vital (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Alfredo Jorge Madeira Rosa. . AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 57 8. 72 03 76 /2 01 7- 23 Fl. 106DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-010.472 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15578.720376/2017-23 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração (fls.33/36), emitido em 10/10/2017, para aplicação da multa isolada no percentual de 150%, no valor de R$5.412.164,57, motivado na apuração de compensações de Contribuições Previdenciárias, declaradas pelo contribuinte em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP, nas competências de 10/2013 a 12/2015, consideradas pela fiscalização como indevidas, em face de falsidade na declaração. O contribuinte teve ciência do Auto de Infração em 27/11/2017, por via postal, conforme Aviso de Recebimento -AR acostados fls. 73 dos autos. Segundo Termo de Verificação Fiscal de fls. 37/44, "o lançamento da multa isolada, prevista no § 10º do artigo 89, da Lei 8212/91, com o período de apuração de 10/2013 a 13/2013 e 01/2015 13/2015, deu-se em decorrência de compensação considerada não declarada, de acordo com o Parecer Seort/DRF/VIT nº 0512/2017 e Despacho Decisório constantes do processo administrativo fiscal nº 15578.720073/2017-19, cuja ciência se deu em 08/05/2017". Segundo o Auditor, no referido Despacho Decisório foi registrado que o contribuinte, foi regularmente intimado a detalhar a origem dos créditos compensados nas GFIP das competências 10/2013 a 13/2013 e 01/2015 a 13/2015, com vistas à verificação de sua liquidez e certeza do crédito, contudo, o contribuinte não atendeu à intimação. Diante da conduta do contribuinte impõe-se a não homologação das compensações realizadas em tais GFIP, já que alicerçadas em créditos de origem não comprovada. Prossegue o Auditor com a transcrição da fundamentação legal para aplicação da multa isolada e da obrigação da empresa em prestar os esclarecimentos solicitados. Cientificada, a empresa oferece em 07/12/2017, a impugnação acostada às fls. 52/56, onde, de início, pede a suspensão da exigibilidade da multa e do tributo até o trânsito em julgado da impugnação. Prossegue com o resumo dos fatos e alega como preliminar a falta de motivação do auto de infração, em face da falta de fundamentação legal. No mérito, diz que não foram cumpridos os procedimentos que antecedem à aplicação da multa isolada, no caso, a emissão de decisão de não homologação mediante despacho decisório. Por fim, requer a anulação do auto de infração, em face do não preenchimento de formalidade essencial à legalidade do ato administrativo A DRJ Juiz de Fora, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento, em síntese: A autoridade lançadora aplicou a multa isolada (150%) por considerar a existência de falsidade nas informações prestadas em GFIP, dada a inserção de compensações indevida. Tal conduta se amolda perfeitamente ao comando legal previsto no art. 89, §§ 9º e 10 da Lei nº 8.212/91, que determina a aplicação da multa de 150%. Fl. 107DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-010.472 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15578.720376/2017-23 Pelo que se verifica da redação do art. 89, §10º, da Lei nº 8.212/91, há dois condicionantes à aplicação da penalidade em questão, sendo o primeiro, a própria compensação indevida e o segundo, a comprovada falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Se o contribuinte declara possuir crédito líquido e certo que, na realidade, não revelam ter tais qualidades, está caracterizada a falsidade, ou seja, a informação diversa da realidade jurídica. No caso em tela, não restam dúvidas quanto à configuração da conduta de falsidade pela evidente declaração em GFIP de crédito não considerados líquidos e certos pela falta de trânsito em julgado da decisão judicial. Como já registrado pelo Auditor, a Câmara Superior do CARF recentemente se pronunciou sobre este tema, ocasião em que considerou cabível a aplicação da multa de 150% (cento e cinquenta por cento), prevista no § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212/91. Quanto à alegada falta de fundamentação legal do auto de infração, tem-se que tal fato não ocorre, haja vista a transcrição feita pela fiscalização de toda a legislação que norteia o procedimento, contida no Termo de Verificação Fiscal acostado às fls. 37/43. Da mesma forma carece de pertinência a alegação de que não foram cumpridos os procedimentos que antecedem a lavratura do auto de infração de aplicação da multa isolada, pois. reportando ao processo administrativo fiscal nº 15578.720073/2017-19. Vê-se pelo Aviso de Recebimento Postal - AR , que o contribuinte foi intimado em 08/05/2017, do Parecer Seort/DRF/VIT nº 0512/2017 e Despacho Decisório, que efetuou a glosa das compensações realizadas mediante declaração em GFIP, em face da falta da comprovação da certeza e liquidez do crédito, para o qual além de não responder a intimação inicial para prestar esclarecimentos quanto à compensação, sequer apresentou manifestação de inconformidade sobre o referido despacho decisório. Eis o espelho de referido AR. Assim, por todo o exposto, encaminho o voto no sentido de se julgar improcedente a impugnação e de ser mantido o crédito tributário. Em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte segue sustentando o quanto alegado anteriormente, não trazendo nenhuma prova adicional para mudar o entendimento dos julgadores. É o relatório do essencial. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. => Multa isolada A chamada multa qualificada está prevista no artigo 44, § 1º, da Lei 9.430/96.Quanto a este ponto , em específico, tenho adotado entendimento do professor doutor Sergio Andre Rocha, o qual faz análise extremamente minuciosa e critica acerca da aplicação desta multa. Fl. 108DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-010.472 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15578.720376/2017-23 Como estabelece o dispositivo, a multa de ofício pode ser duplicada quando há sonegação, fraude ou conluio, definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. Como aduz o professor, o conluio não é um conceito independente. Ele depende, para sua caracterização, da prática de sonegação, fraude ou ambas. Portanto, os conceitos relevantes, neste caso, são os de sonegação e fraude. A definição de sonegação não deveria desafiar as capacidades hermenêuticas de qualquer intérprete. A lei dispõe de forma bastante clara que para que haja sonegação tem que ter ocorrido uma ação ou omissão dolosa, cuja finalidade tenha sido impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador ou das condições pessoais do contribuinte. Nota-se que a sonegação tem um espaço bem restrito de caracterização. Se todas as informações foram disponibilizadas às autoridades fiscais, e surge um conflito de qualificação – por exemplo, contribuinte entende que as consequências fiscais de seus atos são “A”, enquanto o Fisco entende que são “B” - de sonegação não se trata, uma vez que todas as informações estavam à disposição da fiscalização. De outro lado, a fraude tem a ver com comportamentos dolosos que visam impedir a ocorrência do fato gerador, ou excluir ou modificar suas características essenciais. A doutrina, de forma absolutamente tranquila, aponta que a fraude prevista no artigo 72 da Lei 4.502/64 é a fraude penal. Como aponta Marco Aurélio Greco, “o § 1º do artigo 44 não se aplica às hipóteses de fraude civil ou fraude à lei, incidindo apenas nas hipóteses que configurarem fraude ao Fisco ou configurarem sonegação no sentido penal”. A Receita Federal tem usado a qualificação da multa, que deveria ser um instrumento excepcional para coibir situações criminosas, como um mecanismo banal para punir os contribuintes em situações de discussões qualificatórias, como ocorre, por exemplo, nas controvérsias sobre os limites do planejamento tributário legítimo. A caracterização da fraude e da sonegação no campo do planejamento tributário deve ser excepcional. Greco afirma, categoricamente, que a multa de 150% deve ser “a exceção da exceção”. Nada obstante, por mais que esta deva ser uma medida excepcional, não é isso que a prática tem mostrado. Pelo contrário, a aplicação da multa qualificada, em autos de infração que desconsideram e requalificam atos e negócios jurídicos tornou-se tão corriqueira quanto abusiva. Assim, o contribuinte além de ter que suportar o peso de interpretar e aplicar uma legislação complexa, tem que se expor à extorsiva multa de 150% sobre o valor do crédito tributário, que ainda abre as portas para questionamentos criminais absolutamente absurdos. A legislação brasileira já prevê consequências criminais para os atos praticados pelos contribuintes de forma fraudulenta ou com vistas à sonegação de informações ao Fisco, na Lei 8.137/90 e dispositivos do Código Penal. Não é necessária a dupla penalização, que acaba resultando em sanções impróprias a contribuintes que podem ser tudo, menos criminosos. Ademais, a própria multa de ofício de 75% já é demasiado alta. Fl. 109DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-010.472 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15578.720376/2017-23 A aplicação da multa de 150% deveria ser tão somente para penalizar de forma diferenciada comportamentos criminosos dos contribuintes, sem deixar qualquer margem de dúvida quanto à sua inaplicabilidade aos casos de divergência interpretativa da legislação, ou no contexto dos debates sobre planejamento tributário. Entendo que no presente caso o contribuinte de fato tinha incerteza do direito ao crédito, mas quis sim assumir a responsabilidade pela sua inexistência. Como muito bem dito pela fiscalização de origem, ele não disponibilizou todas as informações para as autoridades. Além disso: - a empresa sabia o que tinha direito a compensar, porquanto ele, e só ele, foi responsável pela emissão das notas fiscais e quantificação e aposição dos destaques de 11% nas referidas notas fiscais. Assim, evidentemente sabia com exatidão o que poderia declarar em GFIP a título de compensação e, portanto, houve vontade consciente de declarar em GFIP compensação em valores superiores ao que sabia como corretos - a empresa recusou-se a apresentar a memória de cálculo da compensação efetivada e assim demonstrar como chegou aos valores que declarou em GFIP a título de compensação em todo o período objeto de ação fiscal (01/2010 a 13/2010 e 01/2012 a 13/2013); - a empresa recusou-se a esclarecer o porquê da divergência entre o valor compensável e o informado em GFIP; - a empresa recusou-se a indicar, em sua escrita contábil, onde estariam, para cada nota fiscal objeto de destaque/retenção de 11% levadas a compensação em GFIP, o n° da conta, n° do lançamento, data do lançamento, contrapartida e histórico em que foram individualmente escriturados todos os valores destacados em notas fiscais, referentes a valores de retenção de 11% a Previdência Social (prestação de serviços mediante cessão de mão de obra) objeto de declaração a título de compensação em GFIP, evidenciando comportamento recalcitrante em aclarar as circunstâncias em que se deu a compensação; - a escrita contábil, para 2010, na conta "INSS a RECUPERAR" (conta indicada para contabilização dos valores a compensar) apresenta-se com movimentação nula, além de ser extremamente discrepante para 2012 (2,35 vezes o valor contabilizado). Assim, ratifico o entendimento da decisão de piso no sentido de manter a multa isolada, qualificada. Desta feita, baseando-se nas argumentações e documentações apresentadas ao longo dos autos do presente processo, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito negar-lhe provimento para manter a multa isolada qualificada. (documento assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Fl. 110DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-010.472 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15578.720376/2017-23 Fl. 111DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 12709.720219/2014-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Fri May 26 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO (II)
Data do fato gerador: 26/05/2014
EX-TARIFÁRIO. LITERALIDADE.
Tratando-se de hipótese de agravamento, somente pode ser enquadrada com destaque tarifário a mercadoria que corresponder exatamente à descrita no "ex" respectivo.
Numero da decisão: 3402-010.461
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Carlos Frederico Schwochow de Miranda - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lazaro Antonio Souza Soares, Alexandre Freitas Costa, Jorge Luis Cabral, Marina Righi Rodrigues Lara, Carlos Frederico Schwochow de Miranda, Mateus Soares de Oliveira (suplente convocado), Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente a conselheira Renata da Silveira Bilhim, substituída pelo conselheiro Mateus Soares de Oliveira.
Nome do relator: CARLOS FREDERICO SCHWOCHOW DE MIRANDA
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LITERALIDADE. Tratando-se de hipótese de agravamento, somente pode ser enquadrada com destaque tarifário a mercadoria que corresponder exatamente à descrita no "ex" respectivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo - Presidente (documento assinado digitalmente) Carlos Frederico Schwochow de Miranda - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lazaro Antonio Souza Soares, Alexandre Freitas Costa, Jorge Luis Cabral, Marina Righi Rodrigues Lara, Carlos Frederico Schwochow de Miranda, Mateus Soares de Oliveira (suplente convocado), Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente a conselheira Renata da Silveira Bilhim, substituída pelo conselheiro Mateus Soares de Oliveira. Relatório Trata-se de Auto de Infração (fls. 88 a 100) lavrado para exigência da diferença do Imposto de Importação (II), no valor de R$ 90.561,99, acrescido dos juros de mora, no valor de R$ 742,60, em decorrência do registro da Declaração de Importação (DI) nº 14/0997606-0, que submeteu a despacho aduaneiro diversos equipamentos classificados nos códigos tarifários NCM 8437.80.90 (adição 001) e 8437.10.00 (adição 002), ambos com previsão de alíquota de II de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 70 9. 72 02 19 /2 01 4- 44 Fl. 1184DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-010.461 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12709.720219/2014-44 14% (texto da posição: máquinas para limpeza, seleção ou peneiração de grãos ou de produtos hortícolas secos; máquinas e aparelhos para a indústria de moagem ou tratamento de cereais ou de produtos hortícolas secos, exceto do tipo utilizado em fazendas). No entanto, a fiscalização esclarece que a declarante utilizou a alíquota de 2% para ambos os códigos tarifários, e assim procedeu porque estava amparada por decisão judicial proferida no Mandado de Segurança nº 5032186- 03.2014.404.7000/PR, que deferiu o depósito judicial da diferença do tributo incidente, suspendendo a sua exigibilidade nos termos do art. 151, inc. II, do Código Tributário Nacional (CTN). A autoridade lançadora consigna ainda que na data da ocorrência do fato gerador do tributo em causa, a Resolução Camex nº 94/2011, vigente a partir de 01/01/2012, estabelecia a alíquota de 14% para os respectivos códigos NCM, não havendo nessa ocasião qualquer ato legal reduzindo a alíquota do II para 2%. Em virtude da decisão judicial, houve o prosseguimento do despacho aduaneiro, com realização de perícia solicitada pela Receita Federal do Brasil, quando foram identificadas diversas incorreções, prontamente retificadas pelo importador. Realizadas as correções, conforme Laudo Técnico solicitado pelo Auditor-Fiscal, as mercadorias foram liberadas, tendo sido lavrado o presente Auto de Infração para fins de prevenção da decadência, relativo à diferença de alíquota (12%). Ciente da autuação, o contribuinte apresentou impugnação à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis defendendo, em síntese, a improcedência do Auto de Infração, em virtude do julgamento do mérito do Mandado de Segurança em seu favor, permitindo o prosseguimento do despacho aduaneiro. Em julgamento realizado em 11/02/2015, a 2ª Turma da DRJ Florianópolis, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário, nos termos da ementa que segue: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do faro gerador: 14/02/2012 LANÇAMENTO. AÇÃO JUDICIAL. COBRANÇA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. A ação judicial não suspende ou interrompe a prática do ato administrativo de lançamento, decorrente de atividade vinculada e obrigatória, o qual segue seu curso normal de julgamento, caso apresentada impugnação ou recurso com matéria diferente daquela discutida judicialmente. Após a definitividade da exigência na esfera administrativa, para a cobrança e execução fiscal, serão avaliadas as causas de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, o desfecho final da ação judicial, ou, ainda, causas impeditivas de inscrição em dívida ativa. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Insatisfeito com a decisão administrativa de primeira instância, recorreu ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), destacando o trânsito em julgado da decisão judicial e o deferimento de todas as solicitações de ex-tarifário, por meio das Resoluções Fl. 1185DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-010.461 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12709.720219/2014-44 CAMEX nº 58, de 28/07/2014 e nº 91, de 08/10/2014, ambas publicadas após o registro da DI nº 14/0997606-0, ocorrido em 26/05/2014. Defende que o depósito judicial torna dispensável o ato formal de lançamento por parte do Fisco e que, com o êxito na esfera judicial, o tributo apresenta-se inexigível, tendo em vista que a chancela judicial protetora torna lícita a sua conduta. Conclui assim que o Auto de Infração deve ser anulado, visto o seu direito individual adquirido por meio da decisão judicial. Após a apresentação de seu recurso, a recorrente permaneceu instruindo os autos administrativos com cópias de peças e decisões no âmbito do poder judiciário. É que, apesar da decisão de mérito favorável, não lhe foi reconhecido o direito de levantar os valores depositados, posto que o Poder Judiciário entendeu que não lhe caberia substituir a administração pública declarando a inexigibilidade do diferencial de alíquotas, devendo ser aguardado o desfecho administrativo da lide. Em sessão realizada em 19 de novembro de 2020, por unanimidade de votos, os membros deste Colegiado resolveram converter o julgamento do recurso em diligência. Restou configurada a necessidade de realização de diligência para esclarecimentos quanto a divergências entre a classificação da mercadoria constante na DI e a classificação prevista nas Resoluções da CAMEX, nos seguintes termos: Dessa forma, após discussão, este Colegiado entendeu pela necessidade de solicitação de documentação relativa à solicitação realizada junto à Camex, bem como apresentar justificativas relativas à divergência de classificação, visto que, em tese, as Resoluções publicadas referem-se especificamente às mercadorias importadas. Nestes termos, VOTO por converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem: a) Intime o contribuinte a juntar a íntegra das solicitações de “ex-tarifário” apresentadas à Camex; b) Intime o contribuinte a apresentar arrazoado justificando a divergência existente entre a classificação fiscal adotada na Declaração de Importação e a publicada nas Resoluções Camex nºs 58, 80, 91 e 114; c) De posse dos documentos e informações apresentados pelo interessado, elaborar Relatório de Diligência com resultado na análise das divergências de classificação entre as Resoluções Camex e a Declaração de Importação; d) Dar ciência à recorrente do Relatório de Diligência, facultando-lhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, após o qual deverá os autos retornar ao CARF para julgamento. Em resposta à Resolução nº 3402-002.797, foram juntados ao presente processo o Relatório de Diligência Fiscal (fls. 1.111 a 1.115) e a correspondente Manifestação da recorrente (fls. 1.121 a 1.176). Ato contínuo, os autos retornaram a este Conselho para julgamento, sendo distribuídos a este Conselheiro. É o relatório. Fl. 1186DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-010.461 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12709.720219/2014-44 Voto Conselheiro Carlos Frederico Schwochow de Miranda, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Com a finalidade de orientar a condução do presente voto, reproduzo a seguir trecho da Resolução nº 3402-002.797 (fl. 851), conforme voto do Conselheiro Sílvio Rennan do Nascimento Almeida, na época relator deste processo: De início, cabe destacar que se nota grande mudança no conteúdo da impugnação e recurso voluntário, posto que aquele limitou-se a questionar a legalidade do lançamento diante da existência de liminar em Mandado de Segurança. De pronto, entendo que não deve ser declarada a preclusão quanto aos argumentos de mérito apresentados, visto que grande parte decorreram do trânsito em julgado do processo judicial e da publicação das Resoluções CAMEX reconhecendo a aplicação dos ex-tarifários, eventos quase que integralmente posteriores à data da apresentação de sua peça impugnatória. Em análise ao Auto de Infração, verifica-se que, à época da ocorrência do fato gerador, em 26/05/2014, o imposto de importação para bens classificados nos códigos 8437.80.90 e 8437.10.00, incidia à alíquota de 14% (quatorze por centro), nos termos da Resolução Camex nº 94/2011, não existindo qualquer ato normativo publicado em Diário Oficial da União dispondo de maneira diversa. Conforme se extrai dos autos, inclusive da própria petição judicial, em 13/02/2014 a recorrente encaminhou ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior – MDIC, quatro solicitações para redução do imposto de importação na forma de Exceção Tarifária, entretanto, não conseguia prosseguir no trâmite administrativo em virtude de necessidade de adequação das descrições dos bens, até que, segundo consta dos autos do processo judicial, enviou a documentação revisada em 29/04/2014 e 02/05/2014. Ocorre que as Resoluções Camex nº 58 e 91/2014, somente foram publicadas em 28/07/2014 e 08/10/2014, após o registro da DI, ocorrido em 26/05/2014. Tem-se então dois pontos principais para discussão: (i) os bens importados pela recorrente foram objeto das Resoluções Camex nº 58/2014 e 91/2014? (ii) Se positiva a resposta ao primeiro quesito, seria a redução de alíquota aplicável à importação registrada em data anterior à sua publicação, mas posterior ao protocolo da solicitação do ex-tarifário? (grifos nossos) Como será demonstrado a seguir, a Sentença proferida no Mandado de Segurança nº 5032186-03.2014.404.7000/PR nos permite responder de pronto o segundo questionamento, sendo possível inclusive inverter a ordem das questões apresentadas. Nesse sentido, copio trecho da referida Sentença (fls. 108 a 114): Por satisfazer todos os requisitos necessários, a impetrante, valendo-se do art. 4º da Lei nº 3.244/57, requereu junto ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, nos moldes da Resolução CAMEX nº 17/2012, a concessão do ex-tarifário. Fl. 1187DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-010.461 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12709.720219/2014-44 Segundo alega a impetrante, os pedidos referentes ao benefício em questão foram protocolados em 13/02/2014, sob a seguinte numeração: Plansichter: Processo nº 52000.001909/2014-92; Turbo peneira: Processo nº 52000.001910/2014-17; Tarara Retangular vibrante: Processo nº 52000.001911/2014-61 e Divisor de Fluxo: Processo nº 52000.001912/2014-14. Conforme informou a impetrante, por ocasião do ajuizamento do presente mandamus, em maio de 2014, ainda estavam pendentes de análise de mérito no Comitê de Análise de Ex-Tarifários - CAEX. Verifica-se, pois, que como a chegada das máquinas estava prevista para 05/2014 e os pedidos de concessão do benefício do ex-tarifário foram formalizados em 02/2014, à época da compra, o importador, por se tratar de equipamentos sem similares nacionais, presumidamente solicitou o ex-tarifário em tempo hábil, sendo legítima sua expectativa de direito. Ressalto, por oportuno, ainda que a impetrante não tivesse formulado especificamente o pedido da benesse em tela, entendo desnecessário que cada contribuinte realize um pedido individual junto à CAMEX para que uma determinada operação receba o benefício; se assim fosse, as resoluções não teriam sentido. Cabe à fiscalização aduaneira, isto sim, verificar se o produto efetivamente importado se enquadra na classificação. Nesta perspectiva, é curial referir que a jurisprudência do Tribunal Regional Federal da 4ª Região é no sentido de que as resoluções da CAMEX que reconhecem o direito à redução da alíquota do imposto de importação de determinada mercadoria não possuem efeitos retroativos, mas podem ter seus efeitos estendidos ao momento do desembaraço aduaneiro quando o benefício foi postulado antes da importação do bem: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. EX TARIFÁRIO. RESOLUÇÃO DA CAMEX POSTERIOR AO DESEMBARAÇO ADUANEIRO. As resoluções da CAMEX que reconhecem o direito à redução da alíquota do imposto de importação de determinada mercadoria não possuem efeitos retroativos, mas podem ter seus efeitos estendidos ao momento do desembaraço aduaneiro quando o benefício foi postulado antes da importação do bem. (TRF4, APELAÇÃO/REEXAME NECESSÁRIO Nº 5005363- 36.2012.404.7202, 2a. Turma, Des. Federal RÔMULO PIZZOLATTI, POR UNANIMIDADE, JUNTADO AOS AUTOS EM 14/08/2013) TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MÁQUINAS SEM SIMILAR NACIONAL. EX-TARIFÁRIO. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA POR RESOLUÇÃO POSTERIOR À APRESENTAÇÃO PARA DESEMBARAÇO ADUANEIRO. EXTENSÃO DOS EFEITOS ÀQUELA DATA. CABIMENTO. 1. A concessão do ex-tarifário reduzindo a alíquota do II é faculdade dada pela lei (art. 187 do Regulamento Aduaneiro, na vigência do Decreto nº 91.030/85 e art. 153, § 1º, da CF/88) e não vincula a autoridade competente ao mero encaminhamento desse pedido. 2. Somente haveria irretroatividade da resolução concessória do benefício se, após importação da mercadoria sobre a qual se pretendesse a redução tarifária, ingressasse o importador com o pedido, pretendendo que o seu deferimento também alcançasse anterior importação. 3. A resolução não tem efeito retroativo, mas declaratório de uma situação fática constituída anteriormente a sua edição e seus efeitos são extensivos (não retroativos) à data de apresentação das mercadorias para desembaraço aduaneiro. (TRF4, APELREEX 2008.71.01.002254-8, Primeira Turma, Relator Álvaro Eduardo Junqueira, D.E. 24/08/2011) A própria redação do art. 110 do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759, de 2009) indica o efeito declaratório da resolução que concede o benefício: Art. 110. Caberá restituição total ou parcial do imposto pago indevidamente, nos seguintes casos: (...) Fl. 1188DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-010.461 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12709.720219/2014-44 III- - verificação de que o contribuinte, à época do fato gerador, era beneficiário de isenção ou de redução concedida em caráter geral, ou já havia preenchido as condições e os requisitos exigíveis para concessão de isenção ou de redução de caráter especial (Lei nº 5.172, de 1966, art. 144); e (...) Não há falar, portanto, em ofensa aos artigos. 111 e 144, ambos do CTN, porquanto, à época do fato gerador, já havia sido feito requerimento administrativo para incidência da alíquota de 2%, estendendo-se a tal data a concessão do pleito, não havendo interpretação que não seja literal. Outrossim, a Resolução CAMEX nº 17, de 3 de abril de 2012, prevê, in verbis: Art. 2º A CAMEX publicará, até o final de cada trimestre, Resolução contendo a relação de Ex-tarifários aprovados. Parágrafo único. Com vistas a proporcionar maior previsibilidade aos investimentos, as resoluções referidas neste artigo terão vigência de até 2 (dois) anos e deverão observar os compromissos estabelecidos no âmbito do Mercosul. Assim sendo, assiste à impetrante direito líquido e certo de recolher a alíquota de 2% enquanto pendente de análise o pedido administrativo de concessão do benefício em tela. Como a impetrante comprovou que efetuou o depósito do valor controverso do imposto de importação devido na operação de importação objeto dos autos, restou suspenso o crédito tributário, nos termos do artigo 151, II do CTN e, por consequência, não pode a autoridade impetrada impedir a sequência do despacho aduaneiro pela ausência do pagamento integral do imposto de importação. Assim, não havendo óbice ao prosseguimento do despacho aduaneiro, ante o reconhecimento do direito líquido e certo da impetrante de recolher a alíquota de 2%, enquanto pendente de análise o pedido administrativo, entendo que é o caso de concessão da medida de segurança pleiteada na inicial. Por outro lado, por oportuno, registro que enquanto pendente o pedido administrativo de concessão do ex-tarifário, não é dado ao Poder Judiciário substituir-se à administração declarando a inexigibilidade do diferencial de alíquotas. Daí porque, cabe ressaltar, que acaso negado pelo CAMEX o pedido administrativo para concessão do regime de ex- tarifário, o valor depositado em Juízo deverá ser convertido em renda para quitação dos tributos ou, em sendo deferido o pedido administrativo, como o montante de 2% já foi recolhido, e o valor depositado corresponde exatamente a diferença de 12% - como confirmado pela autoridade impetrada no item 17 das Informações (vide evento 11) - este será liberado em favor da impetrante. 3. Dispositivo Ante o exposto, CONCEDO a segurança, pleiteada por INTEGRADA COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL em face do INSPETOR DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM CURITIBA PR, resolvendo o mérito da lide (art. 269, I, do CPC), a fim de confirmar a decisão liminar que deferiu o pedido de depósito, de modo a permitir o prosseguimento do despacho aduaneiro e, inexistindo outro óbice, também a consequente liberação das mercadorias importadas pela impetrante, relacionadas no Bill of Lading n.º 184.0333, afastada qualquer exigência quanto ao valor das diferenças tributárias (II, PIS e COFINS) oriundas do pleito 'ex-tarifário', visto que, constatada a suficiência do depósito dos valores controvertidos. (grifos nossos) Sendo assim, uma vez publicadas as Resoluções CAMEX nº 58, em 28/07/2014, e nº 91, em 08/10/2014, e de acordo com a sentença destacada anteriormente, seus efeitos são estendidos ao momento do desembaraço aduaneiro, já que os benefícios foram postulados em 13/02/2014 e, portanto, antes da importação dos referidos bens. Fl. 1189DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3402-010.461 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12709.720219/2014-44 Resta, portanto, responder ao primeiro quesito apresentado anteriormente, ou seja, verificar se os bens importados ao amparo da DI nº 14/0997606-0 foram objeto das Resoluções CAMEX nº 58/2014 e nº 91/2014, o que será tratado a seguir. Assim asseverou a Resolução nº 3402-002.797, proposta por este Colegiado: Na apreciação do primeiro quesito restou configurada a necessidade de realização de diligência para esclarecimentos relativos a divergências entre a classificação da mercadoria constante na Declaração de Importação e a classificação prevista nas Resoluções da Camex, como abaixo se expõe, exemplificativamente: (...) Dessa forma, com o intuito de responder ao quesito ainda pendente, torna-se necessário realizar o cotejo entre as informações do Relatório de Diligência Fiscal (fls. 1.111 a 1.115), elaborado pela Alfândega da Receita Federal do Brasil em Curitiba, e as explicações constantes da Manifestação da recorrente (fls. 1.121 a 1.176). Antes de prosseguir, cabe destacar os seguintes trechos do Relatório de Diligência Fiscal elaborado pela Alfândega da Receita Federal do Brasil em Curitiba: As solicitações na íntegra dos Ex-Tarifários apresentados à Camex, outros documentos para aperfeiçoamento da descrição dos bens e e-mails trocados para saneamento de divergências encontram-se nos documentos de fls. 908 a 997. Analisando os bens da Declaração de Importação nº 14/09976036-0 após as retificações para correção dos dados incorretos em confronto as publicações dos Ex- Tarifários na Resoluções Camex nº 58, 80, 91 e 114 faço as seguintes considerações: (...) Com relação a publicação de Ex-Tarifário em classificação fiscal diferente do declarado pelo importador, esclareço que a redução da alíquota é para o bem e não para a classificação fiscal. Estando o bem correspondendo exatamente ao descrito no Ex-Tarifário o benefício é concedido, independente da classificação fiscal. (grifos nossos) Ou seja, a Unidade Preparadora julgou interessante destacar que, quando da elaboração do relatório de diligência fiscal, foram analisados os bens importados, e não suas classificações, assim como, tendo em vista as diversas retificações da Declaração de Importação e alterações nos atos da CAMEX, foram comparados os Ex-Tarifários concedidos através das Resoluções nº 58, 80, 91 e 114, todas publicadas em 2014. Passamos então à análise das informações do relatório de diligência fiscal e das explicações fornecidas pela recorrente quanto à DI nº 14/0997606-0: Adição 001: RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA FISCAL: Classificação fiscal adotada: 8437.80.90 - Máquinas para limpeza, seleção ou peneiração de grãos ou de produtos hortícolas secos; máquinas e aparelhos para a indústria de moagem ou tratamento de cereais ou de produtos hortícolas secos, exceto do tipo utilizado em fazendas. Fl. 1190DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3402-010.461 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12709.720219/2014-44 Bem declarado no item 01: A.3 divisor de fluxo tipo stx 304 marca Ocrim, ano de fabricação: 2014 // equipamento para distribuição de fluxo de canjicas e farinha de milho em diversas linhas de tubulação (divisor de fluxo), composto de: tambor rotativo, suportes contra-flangeados com rolamentos, estrutura de sustentação, construção em inox e hermética a pó, motor-redutor elétrico que opera nas frequências de 60 hz com potência de trabalho de 1.1 (kw) e calibração do rotor de 106 rpm, coeficiente dinâmico de 1.2 kd, nível de ruído de 68.5 (db(a)), vazão máxima de 34,4 t/h de farinha de milho e de 41,3 t/h de canjicas. Modelo stx 304 4 d=180, número serie 531610 st201 0001, ano de fabricação: 2014 Bem declarado no item 02: A.4 divisor de fluxo tipo stx 305, marca Ocrim, ano de fabricação: 2014 // equipamento para distribuição de fluxo de canjicas e farinha de milho em diversas linhas de tubulação (divisor de fluxo), composto de: tambor rotativo, suportes contra- flangeados com rolamentos, estrutura de sustentação, construção em inox e hermética a pó, motor-redutor elétrico que opera nas frequências de 60 hz com potência de trabalho de 1.1 ou 1.3 (kw) e calibração do rotor de 106 rpm, coeficiente dinâmico de 1.2 kd, nível de ruído de 68.5 (db(a)), vazão máxima de 34,4 t/h de farinha de milho e de 41,3 t/h de canjicas. Modelo stx 305 8 d=120, número serie 531610 st204 0015, ano de fabricação: 2014 Bem declarado no item 03: A.5 divisor de fluxo tipo stx 305, marca Ocrim, ano de fabricação: 2014 // equipamento para distribuição de fluxo de canjicas e farinha de milho em diversas linhas de tubulação (divisor de fluxo), composto de: tambor rotativo, suportes contra- flangeados com rolamentos, estrutura de sustentação, construção em inox e hermética a pó, motor-redutor elétrico que opera nas frequências de 60 hz com potência de trabalho de 1.1 ou 1.3 (kw) e calibração do rotor de 106 rpm, coeficiente dinâmico de 1.2 kd, nível de ruído de 68.5 (db(a)), vazão máxima de 34,4 t/h de farinha de milho e de 41,3 t/h de canjicas. Modelo stx 305 8 d=120, número serie 531610 st203 0017, ano de fabricação: 2014 Bem declarado no item 04: A.6 divisor de fluxo tipo stx 305, marca Ocrim, ano de fabricação: 2014 //equipamento para distribuição de fluxo de canjicas e farinha de milho em diversas linhas de tubulação (divisor de fluxo), composto de: tambor rotativo, suportes contra- flangeados com rolamentos, estrutura de sustentação, construção em inox e hermética a pó, motor-redutor elétrico que opera nas frequências de 60 hz com potência de trabalho de 1.1 ou 1.3 (kw) e calibração do rotor 106 rpm, coeficiente dinâmico de 1.2 kd, nível de ruído de 68.5 (db(a)), vazão máxima de 34,4 t/h de farinha de milho e de 41,3 t/h de canjicas. Modelo stx 305 8 d=120, número serie 531610 st202 0019, ano de fabricação: 2014 Bem declarado no item 05: A.7 divisor de fluxo tipo stx 203, marca Ocrim, ano de fabricação: 2014 // equipamento para distribuição de fluxo de canjicas e farinha de milho em diversas linhas de tubulação (divisor de fluxo), composto de: tambor rotativo, suportes contra- flangeados com rolamentos, estrutura de sustentação, construção em inox e hermética a pó, motor-redutor elétrico que opera nas frequências de 60 hz com potência de trabalho de 1.1 ou 1.3 (kw) e calibração do rotor de 106 rpm, coeficiente dinâmico de 1.2 kd, nível de ruído de 68.5 (db(a)), vazão máxima de 10,6 t/h de farinha de milho e de 12,8 t/h de canjicas. Modelo stx 203 4 d=120, número serie 531610 st205 0007, ano de fabricação: 2014 Bem declarado no item 06: A.8 divisor de fluxo tipo stx 303, marca Ocrim, ano de fabricação: 2014 // equipamento para distribuição de fluxo de canjicas e farinha de milho em diversas linhas de tubulação (divisor de fluxo), composto de: tambor rotativo, suportes contra- flangeados com rolamentos, estrutura de sustentação, construção em inox e hermética a pó, motor-redutor elétrico que opera nas frequências de 60 hz com potência de trabalho de 1.1 ou 1.3 (kw) e calibração do rotor de 106 rpm, coeficiente dinâmico de 1.2 kd, nível de ruído de 68.5 (db(a)), vazão máxima de 25,4 t/h de farinha de milho e de 30,5 t/h de canjicas. Modelo stx 303 4 d=150, número serie 531610 st206 0009, ano de fabricação: 2014 Fl. 1191DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3402-010.461 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12709.720219/2014-44 Bem declarado no item 07: A.9 divisor de fluxo tipo stx 303, marca Ocrim, ano de fabricação: 2014 // equipamento para distribuição de fluxo de canjicas e farinha de milho em diversas linhas de tubulação (divisor de fluxo), composto de: tambor rotativo, suportes contra- flangeados com rolamentos, estrutura de sustentação, construção em inox e hermética a pó, motor-redutor elétrico que opera nas frequências 60 hz com potência de trabalho de 1.1 ou 1.3 (kw) e calibração do rotor de 106 rpm, coeficiente dinâmico de 1.2 kd, nível de ruído de 68.5 (db(a)), vazão máxima de 25,4 t/h de farinha de milho e de 30,5 t/h de canjicas. Modelo stx 303 4 d=150, número serie 531610 st207 0013, ano de fabricação: 2014 Bem declarado no item 08: A.10 divisor de fluxo tipo stx 303, marca Ocrim, ano de fabricação: 2014 // equipamento para distribuição de fluxo de canjicas e farinha de milho em diversas linhas de tubulação (divisor de fluxo), composto de: tambor rotativo, suportes contra- flangeados com rolamentos, estrutura de sustentação, construção em inox e hermética a pó, motor-redutor elétrico que opera nas frequências de 60 hz com potência de trabalho de 1.1 ou 1.3 (kw) e calibração do rotor de 106 rpm, coeficiente dinâmico de 1.2 kd, nível de ruído de 68.5 (db(a)), vazão máxima de 25,4 t/h de farinha de milho e de 30,5 t/h de canjicas modelo stx 303 4 d=150, número serie 531610 st209 0011, ano de fabricação: 2014 Bem declarado no item 09: A.11 divisor de fluxo tipo stx 304, marca Ocrim, ano de fabricação: 2014 // equipamento para distribuição de fluxo de canjicas e farinha de milho em diversas linhas de tubulação (divisor de fluxo), composto de: tambor rotativo, suportes contra- flangeados com rolamentos, estrutura de sustentação, construção em inox e hermética a pó, motor-redutor elétrico que opera nas frequências de 60 hz com potência de trabalho de 1.1 ou 1.3 (kw) e calibração do rotor de 106 rpm, coeficiente dinâmico de 1.2 kd, nível de ruído de 68.5 (db(a)), vazão máxima de 34,4 t/h de farinha de milho e de 41,3 t/h de canjicas. Modelo stx 304 4 d=180, número serie 531610 st210 0003, ano de fabricação: 2014 Bem declarado no item 10: A.12 divisor de fluxo tipo stx 304, marca Ocrim, ano de fabricação: 2014 // equipamento para distribuição de fluxo de canjicas e farinha de milho em diversas linhas de tubulação (divisor de fluxo), composto de: tambor rotativo, suportes contra- flangeados com rolamentos, estrutura de sustentação, construção em inox e hermética a pó, motor-redutor elétrico que opera nas frequências de 60 hz com potência de trabalho de 1.1 ou 1.3 (kw) e calibração do rotor de 106 rpm, coeficiente dinâmico de 1.2 kd, nível de ruído de 68.5 (db(a)), vazão máxima de 34,4 t/h de farinha de milho e de 41,3 t/h de canjicas. Modelo stx 304 4 d=180, número serie 531610 st211 0005, ano de fabricação: 2014 Ex-Tarifário 007, publicado na Resolução Camex nº 114, de 26/11/2014: Equipamentos para distribuição de fluxo de canjicas e farinha de milho em diversas linhas de tubulação (divisor de fluxo), compostos de: tambor rotativo, suportes contra- flangeados com rolamentos, estrutura de sustentação, construção em inox e hermética a pó, motorredutor elétrico que opera na frequência de 60Hz com potência de trabalho de 1.1kW e rotação do rotor de 106rpm, coeficiente dinâmico de 1.2kd, nível de ruído de 68.5 (dB(A)), vazão máxima igual ou superior a 12.800kg/h de 34,4t/h de farinha de milho e de 50t/h de canjicas. Comentários: Os bens declarados nos itens 01, 02, 03, 04, 09 e 10 possuem vazão máxima de canjicas de 41,3 t/h; o declarado no item 05 tem vazão máxima de 10,6 t/h para farinha de milho e 12,8 t/h para canjicas e os declarados nos itens 06, 07 e 08 tem vazão máxima de 25,4 t/h para farinha de milho e 30,5 t/h para canjicas. Para enquadramento no Ex- Tarifário 007 a vazão máxima de farinha de milho deve ser igual ou superior a 34,4 t/h e a de canjicas igual ou superior a 50 t/h. Fl. 1192DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 3402-010.461 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12709.720219/2014-44 MANIFESTAÇÃO DA RECORRENTE: Em face ao respeitável relatório de diligência em referência expedido pela Alfandega da Receita Federal do Brasil em Curitiba – Serviço de Despacho Aduaneiro SEDAD, à qual apresentamos os seguintes esclarecimentos: Prima facie, consideramos por bem destacar, que a Integrada formulou os pedidos de ex tarifário utilizando-se de documentação técnica disponibilizada pelo próprio fabricante dos equipamentos, onde é possível notar que tais equipamentos podem conter pequenas variações em suas configurações, o que não significa que tal variação implica em funcionalidade diversa do equipamento, tampouco são suficientes para descaracterizá-lo ou mesmo atribuir ou modicar suas funcionalidades. Frisamos que os pedidos de ex-tarifário foram efetuados considerando as variações de especificações apontadas pelo próprio fabricante, sendo estas variações insuficientes para desconfigurar o enquadramento no ex tarifário. Destacamos também, que estes equipamentos embora possuam especificações “padronizadas” pelo fabricante, ao serem instalados nos estabelecimentos que irão utilizá los podem sofrer programações e configurações mais adequadas à real necessidade de uso, e que portanto, irão implicar em diversas variações que não necessariamente estão previstas na documentação técnica do fabricante. Oportunamente, informamos que por iniciativa da SEDAD, por meio do Sr. Sergio Schuarça – Auditor Fiscal da Receita Federal, foi emitido o “Termo de Solicitação de Laudo Técnico”, cuja cópia apresentamos no Anexo I. Como desdobramento do termo em questão, fora designado o perito Sr. Guilherme Pianovski Júnior – engenheiro mecânico, para a prestação de assistência técnica e emissão de Laudo Técnico, de forma que deveria responder a requisitos formulados pela SEDAD. Após a análise técnica, o perito procedeu a emissão de laudo técnico devidamente assinado, cuja cópia apresentamos no Anexo II. Neste contexto, trazemos à baila, as informações que constaram nos pedidos de ex- tarifário, bem como apresentamos nossas considerações acerca dos comentários registrados no relatório de diligência em epígrafe, por ocasião de análise dos descritivos registrados na Declaração de Importação e o texto publicado pela Camex. Vejamos a seguir: DIVISOR DE FLUXOS Os divisores de fluxos constam na Adição 001 da Declaração de Importação, e correspondem aos itens 01, 02, 03, 04, 05, 06, 07, 08, 09 e 10. Assim dispõe o pedido de ex-tarifário destes itens: Sugestão de descrição para o produto: Máquina distribuidora de fluxo de canjicas e farinhas de milho em diversas linhas de tubulação uniformemente, com divisão de fluxo de duas até oito linhas diferentes compostas de: tambor rotativo, suportes contra-flangeados com rolamentos, estrutura de sustentação, construção em inox e hermética a pó, capacidade entre 8,5 a 41,3 t/h, motoredutor de 1,1 kW, com dimensões de 578 a 1270 mm de largura, profundidade de 598 a 737 mm e altura de 440 a 680 mm, tambor rotativo com diâmetro de 200 a 300 mm e comprimento de 264 a 764 mm. Especificações técnicas detalhadas, descrição do funcionamento e informações adicionais: Equipamento para distribuição de fluxo de canjicas e farinhas de milho em diversas linhas de tubulação, podendo dividir o fluxo de duas até oito linhas diferentes. Com tambor rotativo, suportes contra-flangeados com rolamentos, estrutura de sustentação, Fl. 1193DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 3402-010.461 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12709.720219/2014-44 construção em inox e hermética a pó. Apresenta capacidade entre 8,5 a 41,3 t/h e um motoredutor de 1,1 kW. Possuem as seguinte dimensões: largura de 578 a 1078 mm, profundidade de 598 a 737 mm e altura de 440 a 680 mm. Tambor rotativo com diâmetro de 200 a 300 mm e comprimento de 264 a 764 mm. O peso líquido do equipamento é de 78 a 135 kg e o volume para transporte é de 0,20 a 0.75 m³. Para estes itens, no relatório de diligência fiscal foi assentado o comentário que segue: Comentários: Os bens declarados nos itens 01, 02, 03, 04, 09 e 10 possuem vazão máxima de canjicas de 41,3 t/h; o declarado no item 05 tem vazão máxima de 10,6 t/h para farinha de milho e 12,8 t/h para canjicas e os declarados nos itens 06, 07 e 08 tem vazão máxima de 25,4 t/h para farinha de milho e 30,5 para canjicas. Para enquadramento no Ex-Tarifário 007 a vazão máxima de farinha de milho deve ser igual ou superior a 34,4 t/h e a de canjicas igual ou superior a 50 t/h. Reiteramos que, conforme já exposto anteriormente, estes equipamentos embora possuam especificações “padronizadas” pelo fabricante, ao serem instalados nos estabelecimentos que irão utilizá-los podem sofrer programações e configurações mais adequadas à real necessidade de uso, e que portanto, irão implicar em diversas variações que não necessariamente estão previstas na documentação técnica do fabricante. Para o caso específico dos divisores de fluxo, podemos citar como exemplo de variações que podem ocorrer em função de programação e configuração mais adequada à real necessidade, e ainda até mesmo variação em função de padrão e qualidade de matéria-prima que será utilizada, as variações em vazão máxima nos divisores de fluxo, que podem oscilar a depender do “ajuste fino” a ser feito em sintonia com à realidade e necessidade de uso. A depender do cenário, das condições da planta fabril, o volume de vazão deve ser programado/ajustado para mais ou para menos, entretanto, sempre respeitando os valores mínimos e máximos fixados pelo fabricante. Ressaltamos ainda, que o pedido de ex-tarifário efetuado, abarcou todas as especificações do fabricante, segundo consta em documentação técnica fornecida pelo mesmo, não limitando e nem ampliando quaisquer destas especificações. Neste contexto, entendemos que solicitamos adequadamente a concessão da condição de ex-tarifário, sendo que, pecou a Resolução Camex em impor limitações não previstas na solicitação de concessão. Deste modo, consideramos que para todos os itens da adição 001, é perfeitamente aplicável o enquadramento na Resolução Camex. Corrobora neste sentido, a afirmativa do ilustre Auditor, de que “a redução da alíquota é para o bem e não para a classificação fiscal”. Logo, todos os itens da adição 001 são equipamentos idênticos em funções e funcionalidades, diferenciando-os tão somente por sua capacidade de vazão. (grifos nossos). Após atenta análise das informações constantes no relatório de diligência fiscal, assim como das alegações da interessada, entendo que assiste razão à recorrente, mas não exatamente pelas razões apresentadas. Explico: Como afirma a recorrente (fl. 1.122), de fato o pedido de redução do imposto de importação encaminhado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior – MDIC – descrevia a capacidade do equipamento entre 8,5 a 41,3 t/h, o que coincide com a tabela do fabricante anexada aos autos (fl. 1.145), que apresenta cinco modelos de divisores de fluxo, com suas respectivas capacidades máximas: (1) STX 202 – 8,5 T/h, (2) STX 203 – 12,8 T/h, (3) STX 204 – 17,5 T/h, (4) STX 303 – 30,5 T/h, e (5) STX 304 – 41,3 T/h. Fl. 1194DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 3402-010.461 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12709.720219/2014-44 Seguindo o mesmo raciocínio, ao analisar a Resolução CAMEX nº 80/2014, que foi alterada pela Resolução CAMEX nº 114/2014, se verifica a seguinte descrição do Ex 007 da NCM 8437.80.90, com a respectiva alteração: 8437.80.90 Ex 007 – Equipamentos para distribuição de fluxo de canjicas e farinha de milho em diversas linhas de tubulação (divisor de fluxo), compostos de: tambor rotativo, suportes contra-flangeados com rolamentos, estrutura de sustentação, construção em inox e hermética a pó, motorredutor elétrico que opera nas frequências de 50 ou 60Hz com potência de trabalho de 1.1 ou 1.3kW e calibração do rotor entre 93 e 117.6rpm, coeficiente dinâmico de 1.2kd, nível de ruído de 68.5 (dB(A)), vazão máxima de 34,4t/h de farinha de milho e de 50t/h de canjicas. Ex 007 – Equipamentos para distribuição de fluxo de canjicas e farinha de milho em diversas linhas de tubulação (divisor de fluxo), compostos de: tambor rotativo, suportes contra-flangeados com rolamentos, estrutura de sustentação, construção em inox e hermética a pó, motorredutor elétrico que opera nas frequências de 50 ou 60Hz com potência de trabalho de 1.1 ou 1.3kW e calibração do rotor entre 93 e 117.6rpm, coeficiente dinâmico de 1.2kd, nível de ruído de 68.5 (dB(A)), vazão máxima de 34,4t/h de farinha de milho e de 50t/h de canjicas. (Redação dada pela RESOLUÇÃO CAMEX Nº 114, DE 25 DE NOVEMBRO DE 2014) Ou seja, não se verifica o trecho “igual ou superior a 12.800 kg/h”, até porque, como se pode perceber, a sentença “vazão máxima igual ou superior a 12.800kg/h de 34,4t/h de farinha de milho e de 50t/h de canjicas” sequer faz sentido, além de não estar de acordo com o pedido de exceção tarifária encaminhado pela recorrente ao MDIC. Ao que tudo indica, houve um erro na publicação do texto do Ex 007 na Resolução CAMEX nº 114/2014, o que se torna evidente com a consulta no site http://camex.gov.br/resolucoes-camex-e-outros-normativos/. Sendo assim, considerando o texto correto das Resoluções, pode-se verificar que todos os equipamentos descritos na Adição 001 possuem vazão inferior a 34,4 t/h de farinha de milho e 50 t/h de canjicas, se enquadrando, portanto, no Ex-Tarifário 007. Passamos então a análise dos equipamentos importados ao amparo da adição 002, comparando as informações do relatório de diligência fiscal com as alegadas pela recorrente. Adição 002: RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA FISCAL: Classificação fiscal adotada: 8437.10.00 - Máquinas para limpeza, seleção ou peneiração de grãos ou de produtos hortícolas secos; máquinas e aparelhos para a indústria de moagem ou tratamento de cereais ou de produtos hortícolas secos, exceto do tipo utilizado em fazendas. Bem declarado no item 01: A.13 tararas retangulares vibrantes tipo trv 075, marca ocrim, ano de fabricação: 2013 serie n. 130101050001 - 130101050002 - 130101050003 // equipamento para retirada de impurezas de canjicas de milho com sistema de ar para a retirada dos materiais leves (impurezas) presentes no produto, composto por: carcaça de aço que incorpora alimentador vibratório e canal vertical de exaustão com seção transversal, painéis de inspeção visual e painéis laterais Fl. 1195DF CARF MF Original http://camex.gov.br/resolucoes-camex-e-outros-normativos/ Fl. 13 do Acórdão n.º 3402-010.461 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12709.720219/2014-44 transparentes, estrutura em chapa de aço dobrada, dispositivo para regulagem do fluxo "velocidade" do ar, moto vibrador elétrico que opera nas frequências de 60 hz com potência de trabalho de 170 (w) e calibração do rotor de 1.800 rpm, aspiração com vazão de ar em 45 m3/min, vazão máxima de limpeza de grãos de 9.000 kg/h. Modelo trv 075, número serie 13010105 0001/2/3, ano de fabricação: 2013 Bem declarado no item 02: A.14 tararas retangulares vibrantes tipo trv 075, marca ocrim, ano de fabricação: 2013 serie n. 130101050001 - 130101050002 - 130101050003 // equipamento para retirada de impurezas de canjicas de milho com sistema de ar para a retirada dos materiais leves (impurezas) presentes no produto, composto por: carcaça de aço que incorpora alimentador vibratório e canal vertical de exaustão com seção transversal, painéis de inspeção visual e painéis laterais transparentes, estrutura em chapa de aço dobrada, dispositivo para regulagem do fluxo "velocidade" do ar, moto-vibrador elétrico que opera nas frequências de 60 hz com potência de trabalho de 170 (w) e calibração do rotor de 1.800 rpm, aspiração com vazão de ar em 45 m3/min, vazão máxima de limpeza de grãos de 9.000 kg/h. Modelo trv 075, número serie 13009347 0001, ano de fabricação: 2013 Bem declarado no item 03: A.15 plansichter quadrado tipo sfi/m 063 y acessórios, marca ocrim, ano de fabricação: 2014 serie n. 130112090001 //equipamentos para classificação de farinhas de milho por tamanho de partícula, por meio de um conjunto sequencial de peneiras e movimentação circular, compostos por: 6 cabines que detêm 30 peneiras cada, peneiras com fundo em aço inox e bocas de entrada e saída em aço inox com conjunto de acessórios de montagem, quadro central em chapa e perfilados de aço para fixação das cabines, cabines com painéis duplos e enchimento interno de fibra de vidro poliestireno e revestimento interno em aço inox, porta de acesso em fibra de vidro, contrapesos de massa excêntrica, motor elétrico que opera nas frequências 60hz, potência de trabalho de 8.6kw, vazão máxima de 8 t/h de farinha de milho por cabine. Modelo sfi/m 063, número de série: 13011209 0001 e ano de fabricação: 2014. Bem declarado no item 04: A.25 turbo-peneiras tipo sfm-512, marca ocrim, ano de fabricação: 2013 serie n. 130104720001 - 130104720002 - 130104720003 - 130104720004 - 130104720005 - 130104720006 // máquina de separação por centrifugação, utilizada para separar farinhas de milho e produtos úmidos ou oleosos de difícil peneiramento, composta de: estrutura metálica em chapa eletro soldada com 04 (quatro) fileiras de batedores centrifugadores, suporte com rolamento de roletes com regulagem de inclinação de batedores e mantos em chapas perfuradas em dois setores, motor elétrico que opera nas frequências de 60 hz com potência de trabalho de 11 (kw) e calibração do rotor em 548 rpm, aspiração adicional com vazão de ar em 10 m3/min, vazão máxima de farinha zootécnica e grits de milho de 9.000 kg/h. Modelo sfm 512, número serie 13010472 0001/2/3/4/5/6, ano de fabricação: 2013 Ex-Tarifário 021, publicado na Resolução Camex nº 91, de 07/10/2014: Máquinas de separação por centrifugação, utilizadas para separar farinhas de milho e produtos úmidos ou oleosos de difícil peneiramento, compostas de: estrutura metálica em chapa eletrossoldada com 4 fileiras de batedores centrifugadores, suporte com rolamento de roletes com regulagem de inclinação de batedores e mantos em chapas perfuradas em 2 setores, motor elétrico que opera nas frequências de 50 ou 60 Hz com potência de trabalho entre 7.5 e 12.6 kW e rotação do rotor igual ou superior a 548 rpm, aspiração adicional com vazão de ar em 10 m3 /min, vazão máxima igual ou superior a 7.000 kg/h Comentários: O bem declarado no item 4 se enquadra no Ex-Tarifário 021, publicado na Resolução Camex nº 91, de 2004. Ex-Tarifário 020, publicado na Resolução Camex nº 58, de 24/07/2014: Fl. 1196DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 3402-010.461 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12709.720219/2014-44 Equipamentos com motovibrador para retirada de impurezas de canjicas de milho, que utilizam o ar para retirar materiais leves presentes no produto. Possuem carcaça de aço que incorpora alimentador vibratório e canal vertical de exaustão com seção transversal variável, com painéis de inspeção de visão, e estrutura em chapa dobrada hermética a pós, painéis laterais transparentes, dispositivo de regulagem fluxo/ velocidade do ar, iluminação interna com lâmpada Comentários: Para enquadramento dos bens declarados nos itens 01 e 02 no Ex-Tarifário 020, publicado na Resolução Camex nº 58, de 2014, seria necessário possuírem iluminação interna com lâmpada, o que não foi declarado. Ex-Tarifário 008, publicado na Resolução Camex nº 80, de 11/09/2014: Equipamentos para classificação de farinhas de milho por tamanho de partícula, por meio de um conjunto sequencial de peneiras e movimentação circular, compostos por: 6 cabines que detêm 30 peneiras cada, peneiras com fundo em aço inox e bocas de entrada e saída em aço inox com conjunto de acessórios de montagem, quadro central em chapa e perfilados de aço para fixação das cabines, cabines com painéis duplos e enchimento interno de fibra de vidro-poliestireno e revestimento interno em aço inox, porta de acesso em fibra de vidro, contrapesos de massa excêntrica, motor elétrico que opera nas frequências de 50 ou 60 Hz, potência de trabalho de 7.5 ou 8.6 kW, vazão máxima de 8 t/h de farinha de milho por cabine 84378090 PR CURITIBA ALF Fl. 1114 Original Comentários: O bem declarado no item 03 se enquadra no Ex-Tarifário 008, publicado na Resolução Camex nº 80, de 2014. MANIFESTAÇÃO DA RECORRENTE: Conforme já exposto inicialmente, durante o trâmite do processo de desembaraço aduaneiro fora designado engenheiro mecânico – perito – para elaborar laudo técnico acerca da adequada classificação e identificação dos equipamentos ora importados pela Integrada Cooperativa Agroindustrial. Em referência exclusiva ao equipamento “TARARA RETANGULAR VIBRANTE”, reproduzimos a seguir os descritivos que constam consignados no laudo técnico, in verbis: “A.13 TARARAS RETANGULARES VIBRANTES TIPO TRV 075, MARCA OCRIM, ANO DE FABRIÇÃO: 2013 SÉRIE N. 130101050001 – 130101050002 – 130101050003 // EQUIPAMENTO PARA RETIRADA DE IMPUREZAS DE CANJICAS DE MILHO COM SISTEMA DE AR PARA A RETIRADA DOS MATERIAIS LEVES (IMPUREZAS) PRESENTES NO PRODUTO, COMPOSTO POR: CARCAÇA DE AÇO QUE INCORPORA ALIMENTADOR VIBRATÓRIO E CANAL VERTICAL DE EXAUSTÃO COM SEÇÃO TRANSVERSAL, PAINÉIS DE INSPEÇÃO VISUAL E PAINÉIS LATERAIS TRANSPARENTES, ESTRUTURA EM CHAPA DE AÇO DOBRADA, DISPOSITIVO PARA REGULAGEM DO FLUXO “VELOCIDADE” DO AR, MOTOVIBRADOR ELÉTRICO QUE OPERA NAS FREQUÊNCIAS DE 50HZ OU 60HZ COM POTÊNCIA DE TRABALHO DE 160 OU 170 (W) E CALIBRAÇÃO DO ROTOR ENTRE 1.500 RPM A 1.800 RPM, ASPIRAÇÃO COM VAZÃO DE AR EM 45 M³/MIN, VAZÃO MÁXIMA DE LIMPEZA DE GRÃOS EM 8.500 A 9.000 KG/H. Qtde: 3 Unidades” E ainda: Fl. 1197DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 3402-010.461 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12709.720219/2014-44 “A.14 TARARA RETANGULAR VIBRANTE TIPO TRV 075, MARCA OCRIM, ANO DE FABRIÇÃO: 2013 SÉRIE N. 130093470001 // EQUIPAMENTO PARA RETIRADA DE IMPUREZAS DE CANJICAS DE MILHO COM SISTEMA DE AR PARA A RETIRADA DOS MATERIAIS LEVES (IMPUREZAS) PRESENTES NO PRODUTO, COMPOSTO POR: CARCAÇA DE AÇO QUE INCORPORA ALIMENTADOR VIBRATÓRIO E CANAL VERTICAL DE EXAUSTÃO COM SEÇÃO TRANSVERSAL, PAINÉIS DE INSPEÇÃO VISUAL E PAINÉIS LATERAIS TRANSPARENTES, ESTRUTURA EM CHAPA DE AÇO DOBRADA, DISPOSITIVO PARA REGULAGEM DO FLUXO “VELOCIDADE” DO AR, MOTOVIBRADOR ELÉTRICO QUE OPERA NAS FREQUÊNCIAS DE 50HZ OU 60HZ COM POTÊNCIA DE TRABALHO DE 160 OU 170 (W) E CALIBRAÇÃO DO ROTOR ENTRE 1.500 RPM A 1.800 RPM, ASPIRAÇÃO COM VAZÃO DE AR EM 45 M³/MIN, VAZÃO MÁXIMA DE LIMPEZA DE GRÃOS EM 8.500 A 9.000 KG/H. Qtde: 1 Unidade” Observa-se que, mesmo o engenheiro mecânico – que é o profissional devidamente habilitado e qualificado para realizar a identificação e descrição técnica dos equipamentos – foi capaz de apontar em seu laudo técnico que as Tararas Retangulares Vibrantes possuem iluminação interna com lâmpada! Notem que, no pedido de ex-tarifário realizado pela Integrada Cooperativa Agroindustrial, constou expressamente a existência de iluminação interna com lâmpada, conforme pode ser observado na reprodução do pedido mencionada acima, bem como comprovada através de cópia do pedido, que apresentamos no Anexo III. O fato de não constar a existência de iluminação interna com lâmpada no descritivo da Declaração de Importação, se deve única e exclusivamente às sucessivas vezes em que a Integrada buscou sanar as divergências descritivas, no entanto sem êxito. Para tanto, buscando mitigar novas divergências, realizou-se a retificação da Declaração de Importação, reproduzindo na mesma, cópia exata e fiel da descrição que consta no laudo técnico elaborado por profissional devidamente habilitado, qualificado e designado pelo SEDAD. Neste contexto, não pode a Integrada Cooperativa Agroindustrial ser penalizada por quaisquer tipos de vícios, erros, inconsistências, omissões ou ausência de informações técnicas que deveriam constar em laudo técnico e assim não efetivamente constaram. De outro modo, resta demonstrada a idoneidade e boa-fé da Integrada, ao apresentar o texto do pedido de ex-tarifário, onde constou expressamente a existência da lâmpada de iluminação interna. Seja como for, a existência ou não de tal lâmpada, em nada muda as características produtivas do equipamento, quer seja em relação ao seu funcionamento, quer seja em relação à sua capacidade produtiva e vazão máxima de limpeza de grãos. Fato incontestável é que, mesmo o perito técnico, não foi minucioso ao ponto de observar existência de lâmpada de iluminação interna e não a fez consignar-se em seu laudo de vistoria, o que remete à ideia de sua insignificância para o equipamento, bem como não sendo ela uma característica essencial para a sua adequada classificação e identificação. Portanto, consideramos que as alegações contidas no comentário do relatório de diligência em relação ao equipamento Tarara Retangular Vibrante é descabida e infundada, visto que, a Resolução Camex n° 58, de 2014 atendeu integralmente o pedido realizado pela Integrada, e por sua vez, o laudo técnico – que fora elaborado mediante vistoria física do equipamento – deixou de consignar que a presença de lâmpada para iluminação interna era relevante, essencial ou mesmo necessária à adequada identificação e classificação do equipamento. Diante do exposto, a Integrada Cooperativa Agroindustrial considera que para os itens 01 e 02 da adição 002, é perfeitamente aplicável o enquadramento na Resolução Camex n° 58/2014. Corrobora neste sentido, a omissão de expressa previsão em laudo técnico Fl. 1198DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 3402-010.461 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12709.720219/2014-44 da existência de lâmpada de iluminação interna, sendo que tal omissão não impossibilitou a identificação e classificação do equipamento (grifos nossos). Antes de prosseguir, cabe destacar que, dos quatro equipamentos que estão descritos na adição 002, o relatório de diligência fiscal conclui que os bens declarados nos itens 3 e 4 se enquadram nos respectivos Ex-Tarifários 008 e 021, respectivamente. Quanto aos bens declarados nos itens 1 e 2, e seu enquadramento no Ex-Tarifário 020, o relatório da fiscalização registra a seguinte constatação: Comentários: Para enquadramento dos bens declarados nos itens 01 e 02 no Ex- Tarifário 020, publicado na Resolução Camex nº 58, de 2014, seria necessário possuírem iluminação interna com lâmpada, o que não foi declarado. A recorrente alega, em síntese: (1) que nem mesmo o engenheiro mecânico responsável pelo Laudo Técnico solicitado pela fiscalização foi capaz de apontar que as Tararas Retangulares Vibrantes possuem iluminação interna com lâmpada; (2) que no pedido de ex-tarifário realizado constou expressamente a existência de iluminação interna, com lâmpada; (3) que o fato de não constar a existência de iluminação interna com lâmpada na descrição da DI se deve única e exclusivamente às sucessivas vezes em que buscou sanar as divergências apontadas e que, como solução para mitigar novas divergências, retificou a DI reproduzindo na mesma cópia exata e fiel da descrição que consta no laudo técnico elaborado por profissional devidamente habilitado, qualificado e designado pelo SEDAD; e (4) que, seja como for, a existência ou não de tal lâmpada, em nada muda as características produtivas do equipamento, quer seja em relação ao seu funcionamento, quer seja em relação à sua capacidade produtiva e vazão máxima de limpeza de grãos. Entendo que assiste razão à recorrente. É fato incontestável que nem mesmo o perito técnico foi minucioso ao ponto de observar a existência de lâmpada de iluminação interna, não tendo sequer consignado em seu laudo técnico tal informação, o que, copiando as palavras da recorrente, “remete à ideia de sua insignificância para o equipamento”, de fato não se tratando de característica essencial para a sua adequada classificação e identificação. Ante o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Carlos Frederico Schwochow de Miranda Fl. 1199DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 3402-010.461 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12709.720219/2014-44 Fl. 1200DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 36624.014057/2006-08
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2005
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
É inconstitucional o artigo 45 da Lei nº 8.212/1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante nº 8 do STF.
TERMO INICIAL: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
No caso, trata-se de tributo sujeito a lançamento por homologação e não houve antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 173, I do CTN.
ENTIDADE NÃO ISENTA - CONTRIBUIÇÃO PATRONAL DEVIDA.
Somente farão jus à isenção de que trata o art 55 da Lei nº 8.212/1991, as entidades que demonstrarem cumprir os requisitos constantes no citado dispositivo. Tal direito depende de reconhecimento do órgão e só passa a valer a partir da emissão de ato declaratório. O cancelamento da isenção demanda a obrigatoriedade do recolhimento das contribuições patronais tal qual as demais empresas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 206-01.756
Decisão: ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, I) por maioria de votos em declarar a decadência das contribuições apuradas referentes ao período de 01/1998 a 11/2000 e as incidentes sobre o décimo terceiro salário de 2000. Vencidas as Conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bernadete de Oliveira Barros e Ana Maria Bandeira (relatora), que votaram por rejeitar a preliminar de decadência. Em primeira votação os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e
Rogério de Lellis Pinto votaram por declarar a decadência até a competência 09/2001. II) por unanimidade de votos, no mérito, em negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor, na parte referente à decadência, o(a) Conselheiro(a) Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2005 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. É inconstitucional o artigo 45 da Lei nº 8.212/1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante nº 8 do STF. TERMO INICIAL: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No caso, trata-se de tributo sujeito a lançamento por homologação e não houve antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 173, I do CTN. ENTIDADE NÃO ISENTA - CONTRIBUIÇÃO PATRONAL DEVIDA. Somente farão jus à isenção de que trata o art 55 da Lei nº 8.212/1991, as entidades que demonstrarem cumprir os requisitos constantes no citado dispositivo. Tal direito depende de reconhecimento do órgão e só passa a valer a partir da emissão de ato declaratório. O cancelamento da isenção demanda a obrigatoriedade do recolhimento das contribuições patronais tal qual as demais empresas. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-06T20:22:33Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-06T20:22:32Z; Last-Modified: 2009-08-06T20:22:33Z; dcterms:modified: 2009-08-06T20:22:33Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-06T20:22:33Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-06T20:22:33Z; meta:save-date: 2009-08-06T20:22:33Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-06T20:22:33Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-06T20:22:32Z; created: 2009-08-06T20:22:32Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2009-08-06T20:22:32Z; pdf:charsPerPage: 1638; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-06T20:22:32Z | Conteúdo => CCRAF Sexta Camara CONFERE COM O ORIGINAL CCO2/0:16 Brasas e9 (3' Fb. 772 Marfa Edn Ira nto I MEL Warp* 752140 trs,-- MINISTÉRIO DA FAZENDA '''? nik SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES?.?z :ti SEXTA CÂMARA Processo n° 36624.014057/2006-08 Recurso n• 155.019 Voluntário Matéria DIFERENÇAS DE CONTRIBUIÇÕES Acórdão n° 206-01.756 Sessão de 03 de fevereiro de 2009 Recorrente SOCIEDADE DE INSTRUÇÃO E BENEFICÊNCIA Recorrida SRP - SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA (RECEITA FEDERAL DO BRASIL) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2005 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. É inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8.212/1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante n° 8 do STF. TERMO INICIAL: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4°). No caso, trata-se de tributo sujeito a lançamento por homologação e não houve antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 173, Ido CTN. ENTIDADE NÃO ISENTA - CONTRIBUIÇÃO PATRONAL DEVIDA. Somente farão jus à isenção de que trata o art 55 da Lei n° 8.212/1991, as entidades que demonstrarem cumprir os requisitos constantes no citado dispositivo. Tal direito depende de reconhecimento do órgão e só passa a valer a partir da emissão de ato declaratório. O cancelamento da isenção demanda a obrigatoriedade do recolhimento das contribuições patronais tal qual as demais empresas. Recurso Voluntário Provido em Parte. r CC/AIF Sexta Camara Processo n°36624014051/2006-08 CONFERE COMO ORIGINAL .014057/2006-08 CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.756 Brumal., J lç6 oci FIs. 773 Marta Edn atra Pinta Mat. Bispo 782748 ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, I) por maioria de votos em declarar a decadência das contribuições apuradas referentes ao período de 01/1998 a 11/2000 e as incidentes sobre o décimo terceiro salário de 2000. Vencidas as Conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bemadete de Oliveira Barros e Ana Maria Bandeira (relatora), que votaram por rejeitar a preliminar de decadência. Em primeira votação os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Rogério de Lellis Pinto votaram por declarar a decadência até a competência 09/2001. II) por unanimidade de votos, no mérito, em negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor, na parte referente à decadência, o(a) Conselheiro(a) Elias Sampaio Freire. ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente ELIAS SAM AIO FREIRE Relator-Designado Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Rogério de Lellis Pinto, Bemadete de Oliveira Barros, Cleusa Vieira de Souza, Lourenço Ferreira do Prado e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 r CC/MF Sexta Camara CONFERE COM O ORIGINAL Processo n°36624.014057/2006-OS CCOVC06 Acórdão n.° 206-01.756 BrasIlla, Fls. 774 Marta Edna ra Mat. Step* 75274a Relatório Trata-se de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos segurados, da empresa, à destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, as destinadas a terceiros (Salário-Educação, SESC, SENAC, SEBRAE e INCRA). O Relatório Fiscal (fls. 674/677) informa que os fatos geradores das contribuições lançadas são as remunerações pagas a segurados empregados. As contribuições lançadas correspondem às contribuições patronais previstas no art. 22, incisos I e II da Lei n° 8.212/1991 e a destinada aos terceiros, Imçadas em razão da perda da isenção da entidade por descumprimento dos incisos lido art. 55 da Lei n°8.212/1991 que resultou na emissão do Ato Cancelatório n° 002/2004 cancelando a isenção usufruída desde 01/1998. A notificada apresentou defesa (fls. 685/701) onde alega que impetrou Mandado de Segurança n° 2005.61.00.00342-5 buscando obter apreciação de recurso apresentado contra emissão do ato cancelatório. Entende que a NFLD deve ficar sobrestada até que o Poder Judiciário aprecie o mérito da ação judicial proposta. Considera que lançamento é improcedente porquanto é uma instituição isenta e imune às contribuições previdenciárias patronais. Afirma que a isenção foi cancelada em razão da mesma não ter tido o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social — CEBAS renovado pelo CNAS — Conselho Nacional de Assistência Social. Entende que a disposição legal contida no inciso II do art. 55 da Lei n° 8.212/1991 é clara no sentido de que a entidade tem que ser portadora do Certificado ou do Registro. Nesse sentido, a não renovação do CEBAS não constituiria descumprimento do contido no inciso II do art. 55 da Lei n°8.212/1991. Considera que os termos do § 1° do art. 55 da Lei n° 8.212/1991 possui direito adquirido ao usufruto da isenção. Alega que embora a Constituição Federal faça menção à isenção no § 7° do art. 195, na verdade trata-se de imunidade, matéria que exige ser regulada por lei complementar. Pela Decisão-Notificação n" 21.003.020495/2006 (fls. 715/720), o lançamento foi considerado procedente e, no que tange ao mencionado Mandado de Segurança cujo objeto seria a apreciação do recurso contra a emissão do Ato Cancelatório, o julgador de primeira instância informa que a ação não tem o condão de suspender a validade do cancelamento processado. Ademais, a segurança almejada teria sido denegada pelo juiz de primeira instância. Contra tal decisão, a notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 728/739) efetuando a repetição das alegações já apresentadas em defesa. 3 2° CCiMF Sena Cãonara CONFERE COMO ORIGINAL Processo n° 36624.014057/2006-08 CCO2/C06 Acórdão n.°206-01.756 Brosilla, na_ Fls. 775 Maria Erâ-A negra Int4 Mat. Skop* 752748 Não houve apresentação de contra-razões. É o relatório. Voto Vencido Conselheira ANA MARIA BANDEIRA, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A recorrente teve a isenção cancelada pelo INSS em razão de o CEDAS da mesma não ter sido renovado pelo CNAS. Em suas razões recursais, a entidade argumenta tão somente questões relativas à perda da isenção. A NFLD em tela trata do lançamento da contribuição patronal, a qual o órgão pôde efetuar o lançamento em razão do ato cancelatório emitido. Vale salientar que da decisão de cancelamento de isenção por descumprimento do inciso II (perda do CEBAS) não se admite recurso, conforme dispõe o § 9' do art. 206 do Decreto n° 3.048/1999. Entretanto, as alegações apresentadas pela recorrente não demonstram que a mesma seria uma entidade isenta de tal sorte a desconstituir o lançamento efetuado. Ao contrário do que argüiu a recorrente, o requisito de que trata o inciso II do art. 55 da Lei n° 8.212/1991, se refere à entidade ser possuidora do registro e do certificado. A redação do dispositivo, mencionada pela recorrente, que determina que a entidade tenha o registro ou o certificado, já não vige desde que o mesmo foi alterado pela Lei 9.429/96. Tampouco se pode acolher a alegação de que a entidade teria direito adquirido à isenção nos termos do § 1° do art. 55 da Lei n° 8.212/1991 ou que fizesse jus à imunidade independente do cumprimento de quaisquer requisitos. Entendo ser conveniente efetuar breve histórico da situação que ensejou o direito adquirido mencionado no § 1° do art. 55 da Lei n°8.212/91. A concessão de isenção de contribuições previdenciárias teve inicio com a Lei n° 3.577, de 04/07/1959 e abrangia as entidades de fins filantrópicos, reconhecidas como de utilidade pública, cujos membros de suas diretorias não percebessem remuneração. Posteriormente, com a edição do Decreto-Lei n° 1.572 de 01/09/1977 que revogou a Lei n° 3.577/1959, ficou resguardado o direito à isenção das entidades que tinham» sido reconhecidas como de utilidade pública pelo Governo Federal até a data de publicação do citado Decreto-Lei e que fossem portadoras do certificado de entidade de fins filantrópicos com validade por prazo indeterminado. 4 r CCIPAF $exta Cantara Processo n° 36624.014057/2006 -08 CONFERE COM O ORIGINAL CCCr2/C06 Acórdão o. 206-01.756 BrasIlla, CC?2. Fls. 776 Marta Edna Ira nto Mat. tapa 782748 Ressalte-se que as entidades filantrópicas criadas após a publicação do Decreto- Lei n° 1.572 de 01/09/1977 não puderam fazer jus à isenção por falta de amparo legal. Em 1988, a Constituição Federal veio disciplinar sobre a isenção de contribuições previdenciárias em seu art. 195, § 7°, dispondo que serão isentas de tais contribuições, as entidades beneficentes de assistência social que atendam às condições estabelecidas em lei. A lei que estabeleceu as condições para que uma entidade fosse isenta das contribuições previdenciárias foi a Lei n°8.212/91 que dispôs em seu art. 55 os requisitos para o beneficio. Portanto, a entidade que, cm 10 de setembro de 1977, data da vigência do Decreto-Lei n° 1.572, detinha Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, era reconhecida como de Utilidade Pública Federal, encontrava-se em gozo de isenção e cujos diretores não percebiam remuneração, nos termos da Lei n° 3.577, de 04 de julho de 1959, teve garantido o direito à isenção até 31/10/1991, independente de qualquer outro requisito. A partir dai, para a manutenção da isenção passou a ser obrigada a observar os requisitos do art. 55 da Lei n° 8.212/91. Seria esse o direito adquirido a que se refere o § 1° do artigo 55, cuja interpretação foi objeto do Parecer CJ/MPS n°2.901/2002 que dispôs o seguinte: "Os atos cancelatórios eventualmente feitos pelo INSS com base única e exclusivamente no fato de entidade isenta antes da Lei n.° 8.212, de 1991, não ter requerido novamente a isenção, afrontam o § I° do art. 55, e devem ser de pronto revistos. Ante o exposto, conclui-se que, administrativamente, a melhor interpretação para o § I° do art. 55 da Lei n.°&212, de 1991, é aquela que garante às entidades isentas pela Lei n.° 3.577, de 1959, que continuaram a usufruir o beneficio após o Decreto-Lei n.° 1.572, de 1977, o direito de não precisarem requerer novamente a isenção ao INSS devendo contudo se adequar a todos os requisitos da nova legislação, ficando sujeita a fiscalização posterior. Também se faz necessários que o INSS revise todos os cancelamentos de isenções que contrariem este Parecer." (g. n.). De igual sorte, não há que se falar em imunidade concedida pela Constituição sem o cumprimento dos requisitos estabelecidos em lei, cuja existência a própria Carta Magna prevê no 195, § 7°, no sentido de que farão jus à isenção as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Como tais exigências foram definidas na Lei n°8.212/91 em seu artigo 55, para manter o usufruto do beneficio, a entidade deve cumpri-las, cumulativamente. A necessidade de cumprimento dos requisitos estabelecidos em lei prevista na Constituição Federal para o gozo de isenção já foi objeto de manifestação do Supremo Tribunal Federal, conforme se verifica do trecho extraído do voto do Ministro do STF Moreira Alves no julgamento do Mandado de Injunção n° 232/RJ impetrado em razão da mora em que se encontrava o Congresso Nacional em cumprir a obrigação de legislar decorrente do art. 195, 7° da Constituição Federal: CYI 2•FCECAIE F CONFERE R CO ria C Processo n°36624.014057/2006-08 m o ORIGINAL CCO2/C06 Acórdão n.• 206-01.756 E3ra1ifilli-1-1-isAiça Fls. 777 Maria ela) Mat SlapPrjei In° "Sucede, porém, que, no caso, o parágrafo 7° do art. 195 não concedeu o direito de imunidade às entidades beneficentes de assistência social, direito esse que apenas não pudesse ser exercido por falta de regulamentação, mas somente lhes outorgou a expectativa de, se vierem a atender as exigências a ser estabelecidas em lei, farão nascer, para si, o direito em causa, o que implica dizer que esse direito não nasce apenas do preenchimento da hipótese de incidência contida na norma constitucional, mas, depende, ainda, das exigências fixadas pela lei ordinária, como resulta claramente do disposto no referido parágrafo 7°." Tampouco merece acolhida a alegação de que os requisitos para isenção de que trata o § 7° do art. 195, deveriam ser regulados por lei complementar. O legislador constitucional, em outras situações, quando quis remeter a regulação de matéria à lei complementar, o fez expressamente. Ademais, tal discussão não caberia no âmbito administrativo, uma vez que pelo Princípio da Legalidade, não cabe à autoridade administrativa desconsiderar disposições legais vigentes sob a alegação de que seriam inconstitucionais ou que afrontariam legislação hierarquicamente superior. Diante do exposto, pode-se concluir que a entidade não se encontra em gozo de isenção do período do lançamento e este deve prevalecer. Portanto, Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGAR-LHE PROVIMENTO. É como voto. Sala das Sessões, em 03 de fevereiro de 2009 atedült MARIA BAN EIRA40 ) 6 _ r CC/NIF Sana Câmara Processo n°36624.014057/2006-08 CONFERE COMO ORIGINAL CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.756 Brunia 1 nO /0 Fls. 778 Maria E n arteira Pinto MM. Siam 752744 Voto Vencedor Conselheiro ELIAS SAMPAIO FREIRE, Relator-Designado Peço vênia à ilustre conselheira relatora para declarar de oficio a decadência parcial das contribuições apuradas, pelas razões que se seguem. Vale repisar que em sessão de 12 de junho de 2008, o Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal editou o seguinte enunciado da súmula vinculante n° 8, publicada no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União, nos termos do 4° do art. 2° da Lei n° 11.417/2006, em 20 de junho de 2008: "Súmula vinculante n° 8 - São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 50 do Decreto-Lei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário." Portanto, dada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91 e, conseqüentemente, a aplicação das regras previstas no Código Tributário Nacional, há de se definir o termo inicial do prazo decadencial nos tributos sujeitos a lançamento por homologação. No REsp 879.058/PR, DJ 22.02.2007, a P Turma do STJ pronunciou-se nos temos da seguinte ementa: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO RECORRIDO ASSENTADO SOBRE FUNDAMENTAÇÃO DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCL4L DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CIN, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (C7N, ART. 150, ,f 49.PRECEDENTES DA 1" SEÇÃO. I. omissis 2. omissis 3. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art.I73, I, do CM, segundo o qual 'direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado gri4 7 • 2•CC/MF Sexta Câmara CONFERE COM O ORIGINAL Processo n° 36624.014057/2006-08 CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.756 Etrasilla. Hs. 779 Alada Ed rrol PI Met. SMO• 782748 nt° 4. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4° do art. 150 do C77V. Precedentes da 10 Seção: ERESP 101.407/SP, MM. Ari Pargendler, al de 08.05.2000; ERESP 278.7271DF, Min.Franciulli Netto, DJ de 28.10.2003; ERESP 279.473/SP, MM. Teori Zavascki, DJ de 11.10.2004; AgRg nos ERESP 2I6.758/SP, Min. Teori Zavaseki, DJ de 10.04.2006. 5. No caso concreto, todavia, não houve pagamento. Aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 6. Recurso especial a que se nega provimento." E ainda, no REsp 757.922/SC, DJ 11.10.2007, a l' Turma do STJ, mais uma vez, pronunciou-se nos temos da ementa colacionada: "EMENTA CONSTITUCIONAL, PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ARTIGO 45 DA LEI 8.212/91. OFENSA AO ART. 146, III, B, DA CONSTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENC1AL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CTN, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (C77V, ART. 150, § 4°). PRECEDENTES DA I° SEÇÃO. 1. "As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm, no regime da Constituição de 1988, natureza tributária. Por isso mesmo, aplica-se também a elas o disposto no art. 146, III, b, da Constituição, segundo o qual cabe à lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos. Conseqüentemente, padece de inconstitucionalidade formal o artigo 45 da Lei 8.212, de 1991, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais devidas à Previdência Social" (Corte Especial, Argüição de Inconstitucionalidade no REsp 6I6348/MG) 2. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTIV, segundo o qual "o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado". (1):ç 1%1 w r COMF Sexta Camara CONFERE COM O ORIGINAL Processo rt° 36624.014057/2006-08CCO2./C06 Acórdão n.• 206-01.756 granal" ilMpr:CT Fls. 780 Maria EU nabal ato Mat. Mapa 762746 a - 3. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do C77V, "ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da 'autoridade administrativa "e "opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa " — , regra especifica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4° do art. 150 do CIN. Precedentes jurisprudenciais. 4. No caso, trata-se de contribuição previdenciá ria, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 173, 1, do Cl?'!. 5. Recurso especial a que se nega provimento." É a orientação também defendida em doutrina: "Há uma discussão importante acerca do prazo decadencial para que o Fisco constitua o crédito tributário relativamente aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Nos parece claro e lógico que o prazo deste § 4° tem por finalidade dar segurança jurídica às relações tributárias da espécie. Ocorrido o fato gerador e efetuado o pagamento pelo sujeito passivo no prazo do vencimento, tal como previsto na legislação tributária, tem o Fisco o prazo de cinco anos, a contar do fato gerador, para emprestar definitividade a tal situação, homologando expressa ou tacitamente o pagamento realizado, com o que chancela o cálculo realizado pelo contribuinte e que supre a necessidade de um lançamento por parte do Fisco, satisfeito que estará o respectivo crédito. É neste prazo para homologação que o Fisco deve promover a fiscalização, analisando o pagamento efetuado e, entendendo que é insuficiente, fazendo o lançamento de oficio através da lavratura de auto de infração, em vez de chancelá-lo pela homologação. Com o decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, pois, ocorre a decadência do direito do Fisco de lançar eventual diferença. A regra do § 4° deste art. 150 é regra especial relativamente à do art. 173, I, deste mesmo Código. E. em havendo regra especial, prefere à regra geral. Não há que se falar em aplicação cumulativa de ambos os artigos." (Leandro Paulsen, Direito Tributário, Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência, Ed. Livraria do Advogado, 6° ed., p. 1011). "Ora, no caso da homologação tácita, pela qual se aperfeiçoa o lançamento, o CTN estabelece expressamente prazo dentro do qual se deve considerar homologado o pagamento, prazo que corre contra os interesses fazendários, conforme § 40 do art. 150 em análise. A conseqüência –homologação tácita, extintiva do crédito – ao transcurso in albis do prazo previsto para a homologação expressa do pagamento está igualmente nele consignada" (Misabel A. Machado Derzi, Comentários ao CTN, Ed. Forense, 3 ed., p. 404). n's 9 r CCIPAF Sesta C3111Sfil • CONFERE COM O ORIGINAL Processo n°36624.014057/2006-05 CCO2/036 Acórdão n.° 206-01.756 Jut . 781 Mo pott Fls da Ed Into Met Slapie 752744 No caso dos autos, não ocorreu a antecipação do pagamento pelo sujeito passivo. Razão pela qual afasta-se, de pronto, a aplicação da regra do art. 150, § 4°, do CTN, que conta o prazo decadencial a partir do fato gerador. Confira-se excerto do voto condutor acórdão do Tribunal Regional Federal da 4' Região, na Apelação Cível n° 2003.71.01.000251-5/RS, Relatora Des. Federal LUCIANE AMARAL CORRÊA MUNCH, Publicado em 16/10/2008, no que diz respeito à contagem de prazo decadencial da constituição de crédito previdenciário concernentes a entidades antes consideradas como imunes: "EMENTA EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS. CONTRIBUIÇÕES. PRAZO DECADENCIAL. ART. 173, I, DO CTN. IMUNIDADE. ENTIDADE FILANTRÓPICA. CONCEITO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. ART. 195, § 7°, DA CF/88. ART. 55 DA LEI 8.212/91. LEI COMPLEMENTAR VERSUS LEI ORDINÁRIA. PRECEDENTES DO STF. POSIÇÃO CONSOLIDADA NA CORTE ESPECIAL DESTE TRIBUNAL. OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS NO CASO CONCRETO. I. A partir da CF/88, as contribuições sociais, dentre elas as previdenciárias, passaram a ter natureza tributária, voltando os prazos prescricional e decadencial a ser regulados pelo Cl?'! (cinco anos). 2. De acordo com o teor da Súmula Vinculante n° 08 do STF, são inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência do crédito tributário. 3. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando não houver pagamento antecipado, o direito da Fazenda constituir o crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do C77V, extingue-se após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. A regra do § 4° do artigo 150 do CTN só pode ser aplicada nos casos de antecipação. I) Decadência Cabe, de início, observar que, a partir da Constituição Federal de 1988, as contribuições sociais, dentre elas as previdenciárias, passaram a ter natureza tributária, voltando os prazos prescricional e decadencial a ser regulados pelo CTN (cinco anos). Refere o INSS o prazo de 10 anos estabelecido no art. 45 da Lei n° 8.212/91. Contudo, tendo em vista a equiparação das contribuições previdenciárias a tributo e o disposto no art. 146 da Carta Maior, que remete à lei complementar a competência para estabelecer normas gerais de legislação tributária, tenho que não poderia se fixar dito prazo mediante lei ordinária. Sobre o tema, o seguinte julgado da Corte Especial deste Regional, cuja ementa transcrevo: ARGÜIÇÃO DE INCONS77TUCIONALIDADE - CAPUT ART. 45 DA LEI IV° 8.212/91. 10 CC/141F Sexta Camara CONFERE COM O ORIGINAL Processo n°36624.014057/2006-08 Brostia 1 ï CCO21C06 Acórdão n.' 206-01.756 Fls. 782 Maude Ed irn IntoMet. Slape 752748 É inconstitucional o caput do artigo 45 da Lei n° 8.212/91 que prevê o prazo de 10 anos para que a Seguridade Social apure e constitua seus créditos, por invadir área reservada à lei complementar, vulnerando, dessa forma, o art. 146. HL b, da Constituição Federal. (AI n° 2000.04.01.092228-3/PR, Rel. Des. Fed. Amir Sorti, DJU, ed. 05-09-2001) Ademais, a matéria já foi enfrentada pelo Supremo Tribunal Federal, culminando com a edição da Súmula Vinculante n° 08, nos seguintes termos: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decreto-Lei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n° 8212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Depreende-se, pois, que as contribuições discutidas nos autos sujeitam- se ao prazo decadencial de cinco anos. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando não houver pagamento antecipado, o início do prazo decadencial é fixado pelo art. 173. I, do CTN, pois a regra do § 4° do artigo 150 do CTN só tem aplicação aos casos de antecipação. Sendo assim, o direito de a autoridade fazendária constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Nesse sentido, a Súmula 219 do extinto Tribunal Federal de Recursos, verbis: "Não havendo antecipação de pagamento, o direito de constituir o crédito previdenciário extingue-se decorridos cinco anos do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que ocorreu o fato gerador." Frise-se não prosperar a tese de incidência cumulativa dos arts. 150, § 4°, e 173, inciso I, ambos do CTI n1. Primeiro, porque contraditória e dissonante do sistema do CTN a aplicação conjunta de duas causas de extinção de crédito tributário. Segundo, porquanto inviável, consoante já assinalado, a incidência do § 4° do art. 150 do CTN em caso de inexistência de qualquer pagamento antecipado, haja vista que o ato de homologação, consubstanciado na anuência da Administração em relação a uma atuação positiva do contribuinte, pressupõe a existência de algum recolhimento. Nesse sentido, é a seguinte decisão do STJ: "TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 173, I, E 150, § 4°, DO CTN. I. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual "o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado". Asi I I r CC/MF Sexta Cifil3t3 CONFERE COMO ORIGINAL Processo n° 36624.014057/2006-08CCO2/C06 Acórdão n.° 20641.756 Braallla, O 9 Eis. 783 Maria E a ra nto Mat. Slape 7527411 2. omissis 3. No caso concreto, o débito é referente à contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. É aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173. I, do CTN. 4. Agravo regimental a que se dá parcial provimento." (AgRg nos EREsp 21 6758/SP, Primeira Seção, ReL Ministro Teori Albino Zavascki, DJ 10.04.2006). No caso, a execução objetiva a cobrança dos débitos relativos às competências de 01/1995 a 08/1998, constituídos mediante lançamento, formalizado em 26/03/2001. Desse modo, quando a dívida foi constituída, o Fisco já havia decaído do direito de constituir os créditos relativos às competências de 01/1995 a 11/1995." Destarte, concluo que na data da ciência da lavratura da NFLD, que se deu em 24/10/2006, as contribuições apuradas referentes ao período de 01/1993 a 11/2000 e as incidentes sobre o décimo terceiro salário de 2000, já se encontravam fulminadas pela decadência. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para declarar a decadência das contribuições apuradas referentes ao período de 01/1998 a 11/2000 e as incidentes sobre o décimo terceiro salário de 2000. É como voto. Sala das SÃ"; - s, em 03 de fevereiro de 2009 vá, ELIAS SAMPAIO FREIRE 32 Page 1 _0051600.PDF Page 1 _0051700.PDF Page 1 _0051800.PDF Page 1 _0051900.PDF Page 1 _0052000.PDF Page 1 _0052100.PDF Page 1 _0052200.PDF Page 1 _0052300.PDF Page 1 _0052400.PDF Page 1 _0052500.PDF Page 1 _0052600.PDF Page 1
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