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Numero do processo: 13884.907360/2009-24
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2006 a 31/03/2006
DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO.
A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindo-se em indício da certeza e liquidez do crédito tributário. Tendo sido o único motivo de indeferimento da compensação e ignorados os seus efeitos pela decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, há de ser acolhida e determinado novo exame da compensação pela Autoridade Fiscal.
Numero da decisão: 3001-000.277
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com retorno dos autos à Unidade de Origem para análise da DCTF retificadora, vencido o conselheiro Renato Viera de Avila que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/2006 a 31/03/2006 DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindo-se em indício da certeza e liquidez do crédito tributário. Tendo sido o único motivo de indeferimento da compensação e ignorados os seus efeitos pela decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, há de ser acolhida e determinado novo exame da compensação pela Autoridade Fiscal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com retorno dos autos à Unidade de Origem para análise da DCTF retificadora, vencido o conselheiro Renato Viera de Avila que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2006 a 31/03/2006 DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindose em indício da certeza e liquidez do crédito tributário. Tendo sido o único motivo de indeferimento da compensação e ignorados os seus efeitos pela decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, há de ser acolhida e determinado novo exame da compensação pela Autoridade Fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com retorno dos autos à Unidade de Origem para análise da DCTF retificadora, vencido o conselheiro Renato Viera de Avila que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 73 60 /2 00 9- 24 Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13884.907360/200924 Acórdão n.º 3001000.277 S3C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/RPO, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos O Contribuinte, na data de 15/05/2006, transmitiu PER/DCOMP nº 01845.58287.150506.1.3.043795 declarando a compensação de débito de COFINS do período 04/2006 no valor de R$ 16.633,64 com crédito de COFINS recolhido a maior que o devido através de DARF na data de 13/04/2006, da competência 03/2006. Do Despacho Decisório A DRF de São José dos Campos, em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório (efls.4), pela não homologação da compensação pretendida, em face de inexistência de crédito disponível, pois o valor do DARF discriminado na PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito declarado para a competência 03/2006. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.2), justificando que “0 fato de não ter sido localizado o crédito informado na Per/Comp, foi devido a erro no preenchimento da DCTF, informando de forma equivocada o valor do débito da Cofins, sendo que o valor correto consta na Declaração de Contribuições — Dacon do período de Março/2006 em anexo, e na DCTF Retificadora também em anexo”. Requer o cancelamento dos débitos decorrentes da não homologação. Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 1ª Turma da DRJ/RPO, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, podendo assim ser sintetizados os fundamentos, além de questões de provas: “a DCTF dita correta é posterior à entrega da DCOMP. Realizada a compensação antes que exista o crédito que lhe dê suporte, resulta comprometida sua consistência. Assim, na data da transmissão da DCOMP, o exame das declarações prestadas pela própria interessada revelava que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Daí a não homologação”. Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (efls. 70) contra a decisão singular, com o intuito de ver seu pedido atendido, apelando pela busca da verdade material no processo administrativo, visto que não há evidências do devido exame pela autoridade julgadora das provas trazidas aos autos (DACON e DCTF retificadora), o que viola frontalmente o princípio da ampla instrução probatória. Que a compensação de valores recolhidos a maior que o devido tem amparo legal no CTN, art. 170 e mais especificamente na IN RFB nº 1300/2012. A recusa imotivada de Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13884.907360/200924 Acórdão n.º 3001000.277 S3C0T1 Fl. 4 3 pedido de compensação ofertado pelo contribuinte caracterizase pratica de confisco, o que é negado por previsão constitucional, art. 150, IV. Ao final requer provimento do presente recurso voluntário, declarando nulidade da decisão recorrida pela ausência de atividade instrutória, maculando à ampla defesa, ou alternativamente seja determinado a conversão em diligência a fim de auditar as provas carreadas aos autos. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A recorrente buscou através de PER/DCOMP a compensação de débito de COFINS do período 04/2006, com crédito também, de COFINS, do período 03/2006, em razão do recolhimento a maior que o devido na data de 13/04/2006 no valor de R$ 16.455,92 conforme DARF no valor de R$ 456.030,95. Contudo, ao tomar conhecimento do Despacho Decisório desfavorável ao seu pedido, constatou que havia incorrido em erro quando da transmissão da DCTF para o período Março/2006. Imediatamente, na data de 27/07/2009, transmitiu DCTF retificadora corrigindo o valor devido de COFINS para o período de apuração 31/03/2006, de forma a evidenciar o valor de seu pagamento a maior que o devido, resultando daí o crédito utilizado para a compensação requerida. Apresentou ainda, a DACON do mês correspondente, para atestar veracidade na apuração e indicação do correto valor a recolher. A DRJ/RPO fundamenta sua decisão que manteve a não homologação da compensação pleiteada, no fato de que a análise do crédito é feita com base na DCTF inicialmente apresentada e não em DCTF retificadora transmitida após ciência do despacho decisório. Tal iniciativa não evidencia o direito ao pretendido indébito, “uma vez que a compensação foi declarada antes que se manifestasse o crédito, ou seja, a DCTF dita correta é posterior à entrega da DCOMP. Realizada a compensação antes que exista o crédito que lhe dê suporte, resulta comprometida sua consistência”. Esse fato relacionado a apresentação de DCTF retificadora em data posterior a emissão de Despacho Decisório, já tem entendimento assentado na jurisprudência deste Conselho. Citase, por exemplo, o julgado da 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303005.396, de 25/07/2017, que analisando caso semelhante manteve decisão proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário. De onde se extrai: “que a DCTF retificadora, nas hipóteses admitidas por lei, tem os mesmos efeitos da original, podendo ser admitida para comprovação da certeza e liquidez do crédito, ainda que transmitida após a prolação do despacho decisório”. Por outro Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13884.907360/200924 Acórdão n.º 3001000.277 S3C0T1 Fl. 5 4 lado “O crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nascem com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior”. A administração tributária nos dá orientação sobre o tema, através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. (...) Como antes dito, a liquidez e certeza do crédito tributário não se encerra com a simples DCTF retificadora, há outros indicativos a serem seguidos, sendo, por exemplo, os livros contábeis e fiscais, DACON, que de acordo com as razões recursais foram parâmetros utilizados para atestar o erro de declaração cometido. Nesse sentido, em respeito ao princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa, na busca da verdade real no processo administrativo tributário, é cabível oportunizar à Recorrente uma melhor análise pela unidade de origem quanto ao crédito pleiteado. Ademais, não pode o CARF suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação, pois à luz do art. 10 da IN RFB nº 903/2008: "Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna". De se observar que procedimento Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13884.907360/200924 Acórdão n.º 3001000.277 S3C0T1 Fl. 6 5 algum fora realizado em relação à apuração dos valores da compensação, sejam débitos ou créditos. Não podem as autoridades administrativas omitirse de analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF. Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que a unidade de origem aprecie a DCTF retificadora com relação ao crédito pleiteado, juntamente com as provas disponibilizadas pela recorrente ou requerendo outras que entender pertinente e lhe confira liquidez e certeza para a realização da compensação requerida. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.001892/2004-77
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999
RECURSO ESPECIAL. CONFLITO COM SÚMULA DO CARF. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece do Recurso Especial que conflita com a jurisprudência sedimentada em Súmula do CARF.
Numero da decisão: 9101-003.335
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1999 RECURSO ESPECIAL. CONFLITO COM SÚMULA DO CARF. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do Recurso Especial que conflita com a jurisprudência sedimentada em Súmula do CARF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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CONFLITO COM SÚMULA DO CARF. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do Recurso Especial que conflita com a jurisprudência sedimentada em Súmula do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), com a alegação de dissídio interpretativo em relação ao acórdão ofertado como paradigma de nº 10513625, assim ementado: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 00 18 92 /2 00 4- 77 Fl. 185DF CARF MF Processo nº 13830.001892/200477 Acórdão n.º 9101003.335 CSRFT1 Fl. 186 2 “CONTRIBUIÇÃO SOCIAL — COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA — LIMITE DE 30% A base de calculo negativa da Contribuição Social, apurada a partir de períodos de apuração referentes ao ano calendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com o saldo compensável, apurado a partir do ano calendário de 1992, ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação específica, observado o limite máximo de redução de trinta por cento.” Nessa oportunidade, a PGFN aduz: 1) a não aplicação da limitação de 30%, na compensação da base negativa da CSLL de períodos anteriores, para o resultado decorrente da atividade rural, somente surgiu no ordenamento jurídico com a edição do artigo 42 da Medida Provisória nº 199115/2000; 2) consoante a jurisprudência já pacificada, inclusive nesta Câmara Superior de Recursos Fiscais, a compensação da base de cálculo negativa de períodos anteriores só foi permitida apenas a partir da edição da Lei nº 8.383/1991; 3) entretanto, a compensação de prejuízos, disposta pela Lei nº 8.383/1991, tornouse sujeita ao limite de 30%, na forma da Lei nº 8.981/1995; 4) ocorre que o artigo 14 da Lei nº 8.023/1990 atribuiu às pessoas jurídicas que exploram atividades rurais o direito de compensar integralmente seus prejuízos, mas apenas para fins de imposto de renda; 5) ante o exposto, requer seja conhecido e provido o presente recurso, reformandose o acórdão exarado pela Segunda Turma Especial da Segunda Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF. Em contrarrazões, a recorrida alega: 6) o acórdão ofertado como paradigma colide com a jurisprudência do CARF que, desde 17/02/2004, consolidouse em harmonia com o entendimento firmado no acórdão recorrido; 7) o Recurso Especial da PGFN é meramente protelatório, em afronta ao princípio da celeridade do artigo 5º, inciso LVIII, da vigente Constituição, que impõe a razoável duração do processo; 8) o artigo 44 da Lei nº 8.383/1991 estendeu à CSLL as mesmas regras aplicáveis ao IRPJ; 9) não se pode arguir que haja uma norma específica para o IRPJ e outra para a CSLL, até porque são apurados sobre a mesma base de cálculo; 10) a Lei nº 8.981/1995 não derrogou a Lei nº 8.023/1990, no que diz respeito ao limite à compensação da base de cálculo negativa da CSLL, para a atividade rural; 11) a Medida Provisória nº 1.99115/2000 é norma interpretativa que visa ao esclarecimento do contribuinte sobre como aplicar a legislação que trata do assunto; 12) em decorrência de sua natureza interpretativa, a MP nº 1.99115/2000 deve retroagir, consoante o artigo 106, inciso I, do CTN; 13) diante do acima exposto, requerse, preliminarmente, o não conhecimento do Recurso Especial interposto pela PGFN; 14) caso não seja esse entendimento, pleiteiase, alternativamente, a manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Fl. 186DF CARF MF Processo nº 13830.001892/200477 Acórdão n.º 9101003.335 CSRFT1 Fl. 187 3 Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. O presente Recurso Especial da PGFN é tempestivo. Entretanto, a decisão a ser proferida sobre o conhecimento do presente apelo a esta instância especial depende da solução sobre a questão deduzida pela recorrida, quando expõe que o acórdão ofertado como paradigma conflita com a jurisprudência do CARF que se consolidou sobre o tema em estudo. Com efeito, a Súmula CARF nº 53 está assim redigida: “Não se aplica ao resultado decorrente da exploração de atividade rural o limite de 30% do lucro líquido ajustado, relativamente à compensação da base de cálculo negativa de CSLL, mesmo para os fatos ocorridos antes da vigência do art. 42 da Medida Provisória n° 199115, de 10 de março de 2000.” Por outro lado, o acórdão ofertado como paradigma assentou o seguinte entendimento da turma que o exarou: “CONTRIBUIÇÃO SOCIAL — COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA — LIMITE DE 30% A base de calculo negativa da Contribuição Social, apurada a partir de períodos de apuração referentes ao anocalendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com o saldo compensável, apurado a partir do ano calendário de 1992, ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação específica, observado o limite máximo de redução de trinta por cento.” Portanto, é indubitável que há colisão entre o paradigma ofertado e a Súmula CARF nº 53, pois aquele acolheu a trava de 30%, relativamente à compensação da base de cálculo negativa da CSLL, para as pessoas jurídicas que exploram a atividade rural, ao passo que o entendimento jurisprudencial sedimentado na Súmula CARF nº 53 repudia a supracitada limitação. Nesses termos, é preciso ter em conta o disposto no artigo 67, §§ 9º e 12, inciso III, do Anexo II do vigente Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015: “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. [...] § 9º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. [...] § 12. Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar: [...] III Súmula ou Resolução do Pleno do CARF.” Fl. 187DF CARF MF Processo nº 13830.001892/200477 Acórdão n.º 9101003.335 CSRFT1 Fl. 188 4 Em face do exposto, não se deve conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, a teor do que consta no artigo 67, § 12, inciso III, do Anexo II do vigente Regimento Interno do CARF. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa. Fl. 188DF CARF MF
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Numero do processo: 10805.001751/2003-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1998
COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO. COMPENSAÇÃO COM CRÉDITO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. PA DE MAIO/1998.
Deve ser mantida a parcela da exigência remanescente da revisão de oficio para a qual o Fisco constatou insuficiência do crédito reconhecido judicialmente em apuração que a interessada não logrou infirmar.
COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO. ALEGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO COM PAGAMENTO A MAIOR. PA DE NOVEMBRO/1998.
Deve ser cancelada a exigência na realidade em que o sujeito passivo, junta as provas da efetivação, na escrituração contábil, de compensação com alegado pagamento a maior para amortização de débito vinculado, em DCTF, à compensação com processo judicial não confirmado.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-004.903
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro suplente Rodolfo Tsuboi participou do julgamento em substituição à Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, que se declarou impedida.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1998 COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO. COMPENSAÇÃO COM CRÉDITO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. PA DE MAIO/1998. Deve ser mantida a parcela da exigência remanescente da revisão de oficio para a qual o Fisco constatou insuficiência do crédito reconhecido judicialmente em apuração que a interessada não logrou infirmar. COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO. ALEGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO COM PAGAMENTO A MAIOR. PA DE NOVEMBRO/1998. Deve ser cancelada a exigência na realidade em que o sujeito passivo, junta as provas da efetivação, na escrituração contábil, de compensação com alegado pagamento a maior para amortização de débito vinculado, em DCTF, à compensação com processo judicial não confirmado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro suplente Rodolfo Tsuboi participou do julgamento em substituição à Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, que se declarou impedida. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 17 51 /2 00 3- 92 Fl. 487DF CARF MF 2 Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado). Relatório Trata o presente processo do Auto de Infração relativo a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, lavrado em 16/06/2003 contra a empresa COFAP COMPANHIA FABRICADORA DE PEÇAS (fls. 60), formalizando crédito tributário no valor total de R$ 82.287,42, com os acréscimos legais cabíveis até a data da lavratura, em virtude da não comprovação do processo judicial indicado para compensação sem DARF, dos débitos declarados para os períodos de maio e novembro de 1998. Por muito bem retratar os fatos, transcrevo, a seguir, o relatório objeto da decisão recorrida (fls. 259/269): "(...) Trata o presente processo do Auto de Infração relativo a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, lavrado em 16/06/2003 (fls. 60) e cientificado ao contribuinte por via postal em 03/07/2003 (fls. 69), formalizando crédito tributário no valor total de R$ 82.287,42, com os acréscimos legais cabíveis até a data da lavratura, em virtude da não comprovação do processo judicial indicado para compensação sem DARF dos débitos declarados para os períodos de maio e novembro de 1998. Em oposição à exigência, foi apresentada, por via postal, a impugnação de fls. 01/04, acompanhada dos documentos de fls. 05/38, com as razões a seguir sintetizadas. Para o período de maio/98, informa ter efetuado compensação com Finsocial de 1982, com base na Ação Ordinária 93999011 (Ação de Repetição de Indébito, fls.10). Reportase a Sentença com decisão de procedência da ação, condenando a União Federal a restituir a quantia pleiteada (fls. 10/20); Acórdão negando provimento à apelação da União publicado em 25/O2/91 (fls. 21/24) e publicação de despacho deferindo a compensação em sede de execução de ação ordinária (fls. 25). Esclarece que: a ação ordinária foi proposta pelas empresas Cofac Companhia Fabricadora de Componentes Automotivos e Cofade Sociedade Fabricadora de Elastômeros, pertencentes a um mesmo grupo; foi proferido em 16/10/95 despacho deferindo o pedido das Autoras de compensação do Finsocial com Cofins; O montante a ser compensado era de 21.755,47 UFIRs para a Cofade e de 46.830,50 UFIRS para a Cofac; em maio/98 o saldo de R$ 25.811,36 foi compensado pela Cofap, ora impugnante, em função da incorporação ocorrida (doc. 7, fls. 26/41), conforme quadro demonstrativo da compensação (doc. 08, fls. 41) e cópia da DCTF (doc. 9 e 10) Fl. 488DF CARF MF Processo nº 10805.001751/200392 Acórdão n.º 3402004.903 S3C4T2 Fl. 488 3 Quanto à exigência relativa a novembro/98, no valor de R$ 4.674,64, alega que: o n° do processo judicial foi indicado incorretamente na DCTF, devendo ser considerado 0 de n° 94.00174950; o valor de R$ 4.674,64 tratase de saldo de crédito de Cofins pago a maior pela empresa Cofap Minas Componentes Automotivos Ltda., CNPJ 21.133.657/0001 05, incorporada pela ora impugnante (doc. 12, fls. 47/56) ; , referido saldo originouse de pagamentos do parcelamento da Cofins de maio/92 a out/93, conforme DARF de fls. 57 (doc. 13), cujo pedido administrativo foi indeferido, sendo compensado conforme demonstrativo de fls. 58 (doc. 14). Em análise prévia, a autoridade preparadora juntou documentos de fls.73/92 e, em despacho em› que identifica como interessada “COFAC COMPONENTES AUTOMOTIVOS sucedida por COFAP FABRICADORA DE PEÇAS”, informou às fls. 93/95: “ ... MANDADO DE SEGURANÇA N” 94. 001 74950 Em consulta as fases do processo judicial, observamos que o pedido da segurança foi julgado improcedente na data de 15/12/94, conforme se verifica às fls. 84. (...) AÇÃO ORDINÁRIA Nº 00.09399011 O contribuinte aduz, em síntese, ter promovido a mencionada ação com o ƒim de ver restituído o montante pago a título de FINSOCIAL referente ao ano de 1982. Sobreveio sentença que julgou procedente o pedido, tendo a União Federal interposto Recurso de Apelação, ao qual não foi dado provimento... Verificase que o contribuinte, ao peticionar a inicial da ação judicial, requereu a restituição dos valores pagos a título de FINSOCIAL, mas, a posteriori, pugnou pela possibilidade de compensar tais débitos, no que teve o seu pedido deferido, conforme se verifica às fls. 25. Nesta medida procedeuse ao levantamento dos direitos creditórios do contribuinte a serem compensados, nos moldes da decisão judicial de fls. 20, com base nos valores fornecidos pelo contribuinte às fls. 66, tendo sido apurado um montante de R$ 29.105,63 (..) contra a Fazenda Pública, valorizado este para a data de 01.01.96 (fls. 81). Vale ressaltar que tais créditos foram objeto de compensação tanto no processo N” 10805200121/2004~80, quanto no processo N” 10805200028/200394. E segundo informações às fls. 41, o contribuinte efetuou compensações de débitos de COFINS no período de jul/96 a abril/98, além do período de Maio/98, este referente ao tributo já de sua sucessora. 0 direito creditório contra a Fazenda Nacional no montante de R$ 29.105,63 (...), valorizado este para a data de 01.01.96, foi Fl. 489DF CARF MF 4 reconhecido pelo Sr. Delegado de Santo André no processo 10805. 200028/200394. Às fls. 97/107 foram juntados demonstrativos indicando que, após compensação, foi amortizada a parcela de R$ 7.317,18 do débito de maio/98, remanescendo em aberto o saldo de R$ 18.494,18. Em conseqüência, foi o lançamento revisto de ofício, conforme despacho de fls. 109 e demonstrativo de fls. 110, que indica débitos em aberto de R$ 18.494,18 e R$ 4.674,64 relativos respectivamente a maio e novembro/98. Intimado em 19/06/2007 a recolher os saldos remanescentes ou a complementar a sua impugnação (fls. 113 e 118), o contribuinte manifestouse em 16/07/2007, alegando que: Relativamente a maio/98, o direito creditório reconhecido no processo l0805.200028/200394 no valor de RS 29.105,63 não corresponde ao determinado judicialmente nos autos da Ação Ordinária 9399011, cujos cálculos de liquidação (doc. 2, fls.144/148) e demonstrativo anexo como doc. 3 (fls. 149) apontam o total a ser compensado de 68.585,97 UFIRS, sendo 46.830,50 UFIRS em benefício da Cofac, incorporada pela impugnante, e não apenas 35.112,04 UFIRS (R$ 29.105,63). Relativamente a novembro/98: a contribuinte Cofap ajuizou Medida Cautelar (processo 92.00662439)objetivando efetivar depósitos de Cofins de 05/92 a 10/93, a qual foi julgada improcedente em maio/94 (doc. 4, fls. 150/153); em maio/94, a Cofap formulou pedido de parcelamento da Cofins do período envolvido na Medida Cautelar mediante pagamento da prestação inicial (doc. 5, fls.154), objetivando quitar os débitos e efetuar o levantamento dos depósitos, sendo que tal pedido foi indeferido pelo Delegado da Receita Federal; em julho/94, a Cofap impetrou Mandado de Segurança processo 94.00174950, pleiteando liminarmente o deferimento do pedido de parcelamento do débito, com o conseqüente levantamento dos depósitos, mas não logrou êxito, sendo os depósitos convertidos em renda (doc. 6, fls. 155/157); com a conversão dos depósitos e o encerramento das medidas judiciais, a prestação do pedido de parcelamento gerou um crédito a favor da Cofap; embora a origem do crédito esteja relacionada com o Mandado de Segurança 9400174950, o referido saldo originouse do pagamento da prestação inicial do parcelamento da COFINS de 05/92 a 10/93, crédito que foi utilizado pela empresa Cofap Minas Componentes Automotivos Ltda conforme planilha anexa como doc 7 (fls. 158),restando quando de sua incorporação pela impugnante um saldo credor de 3.350,34 UFIRS, correspondente a R$ 2.776,43 em 31/12/05 e a R$ 4.674,67 atualizado pela Selic até 1 1/98. Fl. 490DF CARF MF Processo nº 10805.001751/200392 Acórdão n.º 3402004.903 S3C4T2 Fl. 489 5 Às fis. 161/164, a autoridade preparadora, ao encaminhar o processo para julgamento, informa, em síntese, que: Para o PA 05/98, os cálculos de liquidação judicial apresentados às fls.144/148 incluem valores dos honorários advocatícios, além das custas judiciais dispendidas pelo autor, não compensáveis nos temos do art. 26, § 3°, VI, da IN SRF 600; Para o PA 11/98, o contribuinte apresenta outra fonte de crédito para compensação, diversa do alegado em sua primeira impugnação: primeira parcela de parcelamento denegado, fato não demonstrado na planilha de fls. 58. Em função das razões de defesa apresentadas relativamente ao débito do período de novembro/98 foi o processo encaminhado em diligência, por meio da Resolução da 5” Turma de Julgamento da DRJ/Campinas, de n° 1.953/2008 (fls.172l76), nos termos do voto a seguir transcritos: Impugnando a exigência, 0 contribuinte, entre outros argumentos de defesa, alega ter compensado o débito de Cofins exigido no valor de R$ 4.674,67 para o período de novembro/98, com crédito proveniente de pagamentos de parcelamento que fora indeferido pagamentos estes efetuados pela Cofap Minas, incorporada pela ora autuada. Para justificar sua alegação apresenta: cópia de Ata de Assembléias aprovando a incorporação da Cofap Minas (doc. 12, fls. 47/56); cópia DARF indicando tratarse de prestação inicial de parcelamento de Cofins recolhida em 05/05/94 (doc. 13, fls. 5 7); demonstrativo de fls. 58 (doc. 14) relacionando pagamentos mensais efetuados entre 25/05/1994 e 01/03/1995. Ao encaminhar os autos para julgamento (fls. 164), a autoridade preparadora informa que, para o PA Il/98, 0 contribuinte apresenta outra fonte de crédito para compensação, diversa do alegado em sua impugnação inicial: primeira parcela de parcelamento denegado, fato não demonstrado na planilha de fls. 5 8. Todavia, em sua defesa inicial o impugnante reportase ao Mandado de Segurança 94. 001 74950 e, nos itens 14 e 15 da mesma peça, alega que 0 saldo de crédito de Cofins utilizado na compensação do débito ora exigido para novembro/98 “originouse dos pagamentos efetuados no parcelamento da COFINS de maio/92 a out/93, conforme cópia da guia DARF que anexa (doc.13), cujo pedido administrativo foi indeferido e que “a demonstração anexa (doc. 14) esclarece de que forma foi originado o crédito de R$ 4.674,67 convalidando as compensações efetuadas na empresa incorporada (Cofap Minas) e a atualização do saldo até a data de sua efetiva compensação E, como mencionado, o DARF de fls. 57 (doc. 13) Fl. 491DF CARF MF 6 contém indicação de que se trata da prestação inicial do parcelamento mencionado. Já, do demonstrativo de fls. 58 (doc. 14), depreendese que nele estariam relacionadas as demais prestações mensais pagas entre 25/05/94 e 01/03/95 e que teriam sido utilizadas em outras compensações, sendo indicado como saldo remanescente o mesmo valor utilizado na compensação de novembro/98 Na manifestação de fls. 124, o interessado acrescenta que, não tendo logrado êxito no Mandado de Segurança 94. 001 74950 em que pleiteou o deferimento do parcelamento e o levantamento dos depósitos, estes foram convertidos em renda. da União. Mas, como visto, em sua defesa inicial já havia feito menção à 1” prestação do parcelamento como origem do crédito. Portanto, considerando que se trata, aqui, de alegação de compensação entre tributos de mesma espécie, admitida no art. 14 da Instrução Normativa SRF n” 21, de 10/03/97,' que o débito pretensamente amortizado referese a novembro/98 e que, como crédito, é apontado valor decorrente de recolhimento efetuado em 05/05/1994 (item 13, fls. 03 e cópia do DARF de fls. 57, doc. 12 e 13), necessária se torna a verificação da existência, disponibilidade e suficiência de tal crédito. Diante do exposto, para garantir o bom julgamento da lide, VOTO no sentido de encaminhar o presente processo à Delegacia da Receita Federal em Santo Andre'/SP para que informe acerca do reconhecimento, disponibilidade e suficiência do crédito pleiteado. Ao final, caso remanesça crédito tributário devido relativamente a novembro/98, o contribuinte deverá ser cientificado do resultado dos trabalhos fiscais, reabrindose prazo para complementação de sua defesa. Em atendimento, a DRF em Santo Andre'/SP, encaminhou os autos para a ARF de Itajuba/MG Jurisdição em que teria sido efetuado o pagamento ensejador do crédito. A autoridade da ARF Itajubá/MG juntou os documentos de fls. 190/201 e, as fls. 202, informou: (...) 2 O DARF apresentado de fls. 57 (doc. 13) corresponde a pagamento efetuado pela COFAP Componentes Automotivos Ltda, CNPJ n° 21.133.657/0001 05, com sede em ItajubáMG. Embora conste do campo 1 "prestação inicial de parcelamento do COFINS no período de maio/92 a outubro/93 não localizamos o respectivo processo; 3 O demonstrativo de fls 58 (doc 14) corresponde ao Pedido de Parcelamento da empresa COFAP Sistemas de Suspensão Ltda, CNPJ nº 22. 522. 452/0001 76, com sede em Lavras MG, jurisdicionada a ARF/Lavras/MG, processo administrativo n° 13654. 000101/9409 (cópia fls. 193 a 198), processo deferido e posteriormente cancelado a pedido. O pagamento informado no demonstrativo de fls. 58 como sendo em 25/05/94 tem como data correta 05/05/94, conforme pesquisa no sistema de pagamentos SINALO6 (pesquisa de fls. 201), e que este pagamento corresponde a entrada do parcelamento para o processo administrativo n° 13654000101/9409. Ademais, faz necessário Fl. 492DF CARF MF Processo nº 10805.001751/200392 Acórdão n.º 3402004.903 S3C4T2 Fl. 490 7 verificar onde o interessado compensou os créditos (R$ 399.191, 92), para confirmação do saldo a compensar; 4 Conforme fls. 190 a 192, a empresa COFAP Sistemas de Suspensão Ltda, CNPJ n° 22.522.452/000176, foi incorporada pela COFAP Minas Componentes Automotivos Ltda, CNPJ n” 21.133.657/000105, em 31/10/2004, sendo esta incorporada pela COFAP Fabricadora de Peças Ltda, CNPJ n” 5 7. 500. 001/0001 12, em 24/03/1995. Conforme legislação vigente a época da pretendida compensação, o Art. 14 da Instrução Normativa SRF n° 21/1997 prevê que a compensação independentemente de requerimento é possível “para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica", o que, salvo melhor juízo, não é o caso em questão. Proponho o encaminhamento do presente processo À SEORT/DRF/Santo André para que o interessado se manifeste se houve Pedido de Compensação para o pagamento de fls. 5 7 e para o saldo do demonstrativo de fls. 58. Solicitada manifestação do contribuinte (fls. 204), foi apresentada petição de fls. 207/209, acompanhada dos documentos de fls. 210246, com os esclarecimentos e alegações a seguir sintetizados: Esclarece que: o DARF de fls. 57 no valor de CR$ 35.462.939,92 pago em 05/05/1994, não corresponde ao valor pago a maior pleiteado neste caso, devendo ser desconsiderado da análise deste processo; o crédito utilizado para amortização do débito de novembro/97, objeto deste processo, decorre dos DARF pagos pela empresa Cofap Sistemas de Suspensão Ltda. (CNPJ/MF 22.522.452/0001 76) no processo administrativo l3654.000l01/9409, conforme fls. 58, reproduzida às fls. 231, e demonstrativos de fls. 234/236; Reitera que: a Cofap Minas (CNPJ 21.133.657/000105) incorporou totalmente a Cofap Suspensão (CNPJ 22.522.452/000176) em 31/10/1994, assumindo o pagamento do parcelamento em curso à época da incorporação; a Cofap Companhia Fabricadora de Peças atual Cofap Fabricadora de Peças Ltda (CNPJ 57.500.001/000112), ora autuada, incorporou totalmente o patrimônio da Cofap Minas Componentes Automotivos Ltda (CNPJ 21.133.657/000105) em 24/03/1995, assumindo seus direitos e obrigações. Acerca da utilização dos créditos, informa que, após incorporações, a Cofap Companhia compensou parcialmente os valores pagos a mais relativos ao parcelamento cancelado, com débitos de COFINS de sua filial em Lavras (CNPJ 57.500.001/002913), referentes aos períodos e apuração de Fl. 493DF CARF MF 8 março e abril de 1995 (fls. 245/246) e o saldo remanescente compensou em novembro de 1998 na sua matriz (CNPJ 57.500.001/000112),com o débito integrante do lançamento ora em litígio. Acrescenta não terem sido efetuados pedidos de compensação à época, de acordo com a legislação vigente, pois foram feitas compensações de débitos de Cofins com créditos de Cofins da própria empresa (adquiridos por força das incorporações). Reportase ao Quadro 2 (fls. 235) correspondente a reformulação do quadro 1 (fls. 234 e 38), em que o saldo a compensar originalmente indicado para 10/05/1995 passou, em função dos pagamentos relacionados pela ARF/Itajubá às fls. 201, de 3.350,34 UFIR (fls. 234 e 38) para 33.986,46 UFIR (fls. 235), alegando restar evidenciada a existência de saldo a compensar. Finaliza requerendo o cancelamento do Auto de Infração de fls. 60. É o relatório. No entanto, os argumentos aduzidos pela Recorrente, foram parcialmente acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão DRJ em Campinas/SP, abaixo transcrito (fl. 259): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Anocalendário: 1998 DCTF. REVISÃO INTERNA. COMPENSAÇÃO COM CRÉDITO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. PA 05/98. Mantémse a parcela da exigência remanescente da revisão de oficio para a qual a autoridade preparadora constatou insuficiência do crédito reconhecido judicialmente em apuração que a impugnante não logrou infirmar. ALEGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO COM PAGAMENTO A MAIOR. PA 11/98. Mantémse a exigência na ausência de prova da efetivação, na escrituração, de compensação com alegado pagamento a maior para amortização de débito vinculado, em DCTF, à compensação com processo judicial não confirmado. MULTA DE OFÍCIO. DÉBITOS DECLARADOS. Em face do principio da retroatividade benigna, exonerase a multa de oficio no lançamento decorrente de compensações não comprovadas, apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no an. 18 da Medida Provisória n° 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003, com a nova redação dada pelas Leis n° 11.051/2004 e n° 11.196/2005. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 494DF CARF MF Processo nº 10805.001751/200392 Acórdão n.º 3402004.903 S3C4T2 Fl. 491 9 Regularmente notificado da decisão em 30/09/2010 (fl. 274) e não concordando, apresentou, em 29/10/2010 (fl. 276), o recurso voluntário de fls. 276/295, onde se insurge contra o indeferimento parcial de seu pleito, conforme as razões abaixo sintetizadas: a) tratase de Auto de Infração, referente lançamentos de débitos de COFINS apurados nos meses de maio e novembro de 1998, no valor histórico de R$ 82.287,42; (i) Quanto ao débito de maio de 1998 b) com relação ao débito de maio de 1998, informou ter se utilizado de crédito de FINSOCIAL, reconhecido judicialmente por meio da Ação Ordinária de Repetição de Indébito n° 0009399011, ajuizada pelas empresas Cofac Companhia Fabricadora de Componentes Automotivos e Cofade Sociedade Fabricadora de Elastrômeros, sendo que a primeira foi incorporada pela Cofap Cia Fabricadora de Peças, atual Cofap Fabricadora de Peças. Em razão da operação de incorporação, o crédito de FINSOCIAL, que lhe foi reconhecido na Ação Ordinária acima, foi sucedido pela Recorrente; que o utilizou para compensação de débitos próprios de COFINS apurados em junho/96 a março/98 e maio/98. c) que a Autoridade Administrativa, informou que, em relação à Ação Ordinária n° 00.09399011, “procedeuse o levantamento dos direitos creditórios do contribuinte a serem compensados (...) tendo sido apurado um montante de R$ 29.105, 63 (...)” e que “tais créditos foram objeto de compensações tanto no processo n° 10805.200121/2004 80, quanto no processo n° 10805.200028/200394 (...)” e, ainda, que “o direito creditório contra a Fazenda Nacional no montante de R$ 29.105.63 (...) foi reconhecido no processo 10805.200028/200394. d) após proceder à revisão de ofício do lançamento, o Fisco reconheceu parcialmente o direito da Recorrente ao crédito de FINSOCIAL, amortizando parcialmente o débito original de COFINS de maio de 1998 correspondente a R$ 25.811,36. O valor amortizado foi de R$ 7.317,18 do débito original, remanescendo em aberto o valor de R$ 18.494,18. e) diante disso, foi novamente intimada a se pronunciar e protocolou manifestação esclarecendo que relativamente à compensação do débito da competência de maio/98, o crédito de FINSOCIAL, reconhecido no processo administrativo n° 10805.200028/200394, no valor de R$ 29.105,63, não corresponde efetivamente àquele reconhecido na ação ordinária nº 00.09399011, explicando com mais detalhes a operação; f) após prestados esses esclarecimentos, a Fiscalização, ao encaminhar o processo para julgamento, informou que em relação ao crédito utilizado para a compensação do débito da competência de maio/98, os cálculos de liquidação judicial apresentados pela Recorrente teriam incluído valores referentes a honorários advocatícios e custas judiciais, não compensáveis nos termos do art. 26, §3°, VI, da IN SRF 600. g) quando da analise do pleito, a DRJ de Campinas afirmou que quanto ao crédito de FINSOCIAL utilizado para compensação do débito de maio/1998, os cálculos de liquidação judicial apresentados não especificavam quais parcelas do crédito teriam sido conferidas às empresas Cofade e Cofac. (...) “Do crédito total, a impugnante indica, em seu demonstrativo de fls. 149, que a parcela de 68,28% seria a ela referente e o restante à outra empresa. Masnäo ' traz qualquer elemento documental hábil a subsidiar tal indicação”. Além disso, afirmouse que o montante do crédito utilizado para compensação do débito de Fl. 495DF CARF MF 10 maio/1998, englobou valores concernentes a honorários advocatícios e custas judiciais, os quais não são passíveis de (compensação com débitos de natureza tributária) Assim, após revisão de ofício do lançamento, foi mantida a cobrança do valor principal do débito de maio/1998, no valor de R$ 18.494,18. (ii) Quanto ao débito de novembro de 1998 a) quanto ao suposto débito de COFINS da competência de novembro/98, a Recorrente esclareceu, que tal exigência seria decorrente de mero erro de preenchimento de sua DCTF, em razão de equívoco na indicação do número da ação judicial originária do crédito utilizado para compensação do débito ora exigido. Nesta oportunidade informou que o crédito utilizado seria aquele oriundo do Mandado de Segurança n° 94.00174950; b) ocorre que, ao analisar preliminarmente as razões apresentadas pela Recorrente, a Fiscalização informou que "em consulta as fases do processo judicial [mandado de segurança n° 94. 00174950]”, foi observado “que o pedido da segurança foi julgado improcedente na data de 15/12/94, conforme se verifica às folhas 84”, motivo pelo qual manteve integralmente a exigência do débito de COFINS da competência de novembro/98, no valor de R$ 4.676,64; c) que o Fisco determinou a baixa dos autos em diligência para a ARF de Itajubá/MG, visando confirmar a existência e suficiência do referido crédito tributário. Ao analisar o processo, a autoridade da referida Agência da Receita Federal informou que “o DARF de fls. 57 (doc. 13) corresponde a pagamento efetuado pela Cofap Minas (...). O demonstrativo de fls. 58 (doc 14) corresponde ao Pedido de Parcelamento da empresa Cofap Sistemas de Suspensão Ltda (...). Conforme legislação vigente à época da pretendida compensação, o art. 14 da IN SRF n° 21/1997, prevê que a compensação independente de requerimento é possível “para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica”, o que, salvo melhor juízo, não é o caso em questão”. d) que em 07/04/2009, a Recorrente apresentou petição à DRF de Santo André/SP esclarecendo que não foram transmitidas DCOMP para estas compensações (posto que se referiam a créditos e débitos do mesmo imposto (COFINS) apurados pela mesma pessoa jurídica, e à época, não se exigia a transmissão de requerimentos formais de compensação (art. 14 da IN 21/1997). Explicou, primeiramente, que o DARF de fls. 57 (no valor de Cr$ 35.462.939,92), pago em 05/05/94 pela, Cofap Minas Componentes Automotivos Ltda., não correspondia ao crédito pleiteado para compensação do débito de COFINS apurado em novembro/98. e) que o acórdão recorrido, entendeu que o argumento levantado pela ARF de Itajubá, no sentido de que séria necessária a formalização de pedido de compensação pela Recorrente para a compensação do débito de COFINS, estaria totalmente superado. No entanto, o acórdão entendeu que para admitir eventual erro no preenchimento da DCTF (ao indicar que o crédito seria decorrente de processo judicial) e, assim, justificar sua falta de retificação, a Recorrente deveria ter apresentado, além de identificação e prova dos recolhimentos a maior, prova de que efetuou tempestivamente a compensação alegada em sua contabilidade. f) com base nesse argumento, foi mantido o lançamento do débito de COFINS apurado em novembro/98, no valor de R$ 4.674,64 Por todo acima exposto e demais razões que serão tratadas nesses autos, requer que seja dado provimento ao presente Recurso Voluntário, para reformar o Acórdão proferido pela DRJ em Campinas, cancelandose Fl. 496DF CARF MF Processo nº 10805.001751/200392 Acórdão n.º 3402004.903 S3C4T2 Fl. 492 11 o lançamento dos débitos de COFINS das competências de maio e novembro/98, nos valores de R$ 18.494,18 e R$ 4.674,67. Requer, por fim, que se entenda necessário, a baixa dos presentes autos em diligência, para que sejam comprovadas as alegações da Recorrente. Os autos foram encaminhados a este CARF para julgamento e verificouse que o recurso apresentado é tempestivo. Da conversão do Julgamento em Diligência Durante análise do Recurso Voluntário, no entender deste Relator, visando comprovar os fatos alegados em seu recurso, primando pela busca da verdade material, a Recorrente junta aos autos, cópia dos seguintes documentos: Livro Diário, Demonstrativos de cálculos (no corpo do Recurso Voluntário), e outros documentos comprobatórios como DARF, parcelamentos, ações Judiciais, etc (fls. 276 a 420), visto que, parte deles, foram trazidos extemporaneamente pelo contribuinte e, portanto, não foram analisados pelo Fisco. Dentro desse contexto, este Relator propôs e foi acompanhado pelo Colegiado, que o julgamento deveria ser convertido em diligência, conforme Resolução nº 3802000.381, de 25/02/2015, a fim de que os autos retornassem à repartição de origem (DRF em Santo André/SP), para que a autoridade fiscal competente procedesse as seguintes providências e informações (fls. 423/438): 1) Quanto ao débito de maio de 1998 1.1 – verificar se, conforme afirma a Recorrente, após o trânsito em julgado da decisão favorável às Empresas (Cofac e Cofade), procedeuse a liquidação da sentença para apuração do beneficio econômico conferido pela demanda judicial e se, de acordo. com os cálculos da liquidação de sentença, já juntados aos autos do presente processo (doc. 1 – fls. 392/395), os créditos reconhecidos na Ação Ordinária n° 00.09399011 correspondiam a Cr$ 50.796.824,04 (68.585,9786 UFIR), de acordo com o demonstrativo apresentado às fls. 285; 1.2 se, o valor do crédito reconhecido nos autos da Ação Ordinária n° 00.09399011, passível de compensação com débitos tributários, ou seja, dispensados os valores dos honorários e custas judiciais, totaliza realmente o montante de Cr$ 46.116.879,51, equivalente a R$ 62.267.09 e considerando os recolhimentos alegados indevidos realizados pela Cofac Companhia Fabricadora de Componentes Automotivos (incorporada pela Cofap Cia Fabricadora de Peças atual Cofap Fabricadora de Peças Ltda.) no período de junho a dezembro/82 (comprovantes de recolhimento em anexo doc 2 – fls. 392/400), sendo possível identificar se o percentual do crédito que cabia à referida empresa, confere com o demonstrado por meio da tabela demonstrativa à fl. 286 (recurso voluntário); 1.3 Confirmar ou não, as seguintes cálculos e alegações da Recorrente: 1.3.1 considerando os valores indevidamente recolhidos pela empresa Cofac Componentes Automotivos Ltda (incorporada pela Cofap Cia Fabricadora de Peças atual Cofap Fabricadora de Peças Ltda.), a título de FINSOCIAL, no período de junho a dezembroI82, se conclui que a esta foi conferido crédito no valor de R$ 35.232,99 que, em percentuais. corresponde a 68.28% do crédito reconhecido nos autos da Ação Ordinária n° 00.09399011. Diante do crédito reconhecido em seu favor, a Cofac utilizou o valor de R$ Fl. 497DF CARF MF 12 35.232,99, no qual não estão incluídos valores de custas e honorários advocatícios, para compensar débitos próprios de COFINS, inclusive a maior parte do débito apurado na competência de maio/98, conforme demonstrativo da tabela às fls. 287 a 288. 1.3.2 – verificar se na planilha acima, o crédito de R$ 35.232,99, seria suficiente para compensar parte do débito de COFINS apurado na competência de maio/98, no valor de R$ 25.811,36, remanescendo saldo devedor no valor de R$ 8.803,17 (R$25.811,36 R$17.008,19), e não de R$ 18.464,18, conforme apurado pelo Fisco. Diante disso, a Recorrente apresenta um DARF, visando comprovar o pagamento do saldo devedor remanescente do débito referente a maio/98, no valor histórico de R$ 8.803,17 (fl. 402). 2) Quanto ao débito de novembro de 1998 Aduz que tal exigência seria decorrente de mero erro de preenchimento de sua DCTF, em razão de equívoco na indicação do número da ação judicial originária do crédito utilizado para compensação do débito ora exigido. Nesta oportunidade informou que o crédito utilizado seria aquele oriundo do Mandado de Segurança n° 94.00174950. Agora, nesta fase, a Recorrente apresenta cópia de documentos contábeis, alegando que comprova que a compensação foi tempestivamente efetuada com crédito que era mais do que suficiente para a quitação da integralidade do débito de COFINS da competência de novembro de 1998, verificar: 2.1 – conforme alegado, se o crédito utilizado pela Recorrente para compensação do débito de COFINS de novembro/98, é decorrente do pagamento de prestações do parcelamento controlado por meio do PAF n° 13654.000101/9409. O valor total dos DARFs pagos pela empresa Cofag Sistemas de Suspensao (incorporada pela empresa Cofap Minas Componentes Automotivos Ltda. e posteriormente pela Cofap Cia Fabricadora de Peças, atual Cofap Fabricadora de Pecas Ltda.) atingiu o montante de 599.334,04 UFIRs, conforme guias de pagamento relacionadas no demonstrativo de fls. 291/292. 2.2 – se os documentos contábeis juntados ao presente recurso comprovam que a referida compensação foi devidamente escriturada pela Recorrente em seus livros fiscais. `Para tanto, junta as cópias do Diário Geral n° 960, do anocalendário de 1998 , da Empresa Cofap Companhia Fabricadora de Peças atual Cofap Fabricadora de Peças ora Recorrente, que identifica o valor compensado de R$ 4.674,67 nas contas 213601 e 114230, conforme o doc. nº 4 às fls. 404 a 411. 2.3 – se, conforme repisa a Recorrente, o crédito decorrente dos pagamentos efetuados pela empresa Cofap Suspensão no PAF n° 13654000101/9409, era suficiente para o pagamento integral do débito ora autuado, no valor de R$ 4.674,67. 3) por fim, verificar a questão da tempestividade desta compensação, uma vez que às fls. 292 a 294 de seu recurso, a Recorrente elabora detalhamentos de seus argumentos, objetivando comprovar essa tempestividade, no que se refere ao procedimento de compensação que foi levado a efeito nestes autos. Em seguida, seja cientificada a recorrente, para, querendo, dentro do prazo fixado, manifestese sobre as conclusões exaradas no citado parecer (...). Dando cumprimento ao contido na Resolução do CARF, a DRF/SANTO ANDRÉ/SP, realizou a referida diligência, culminando com o Relatório na INFORMAÇÃO FISCAL de fls. 444/446. Fl. 498DF CARF MF Processo nº 10805.001751/200392 Acórdão n.º 3402004.903 S3C4T2 Fl. 493 13 A Recorrente, após intimada da conclusão da diligência, também protocolou sua Manifestação, conforme documento de fls. 454/462. Posto isso, os autos retornaram ao CARF e distribuído a este Relator desta 2ª Turma Ordinária/4ª Câmara, para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Waldir Navarro Bezerra 1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo, contudo, dele conhecese apenas parcialmente. 2. Objeto da lide Tratase de Auto de Infração relativo a Contribuição para a COFINS, formalizando crédito tributário no valor total de R$ 82.287,42, em virtude da não comprovação do processo judicial indicado, para compensação sem DARF dos débitos declarados para os períodos de maio e novembro de 1998. 3. Quanto ao débito de maio de 1998 Informa a Recorrente ter se utilizado de crédito de FINSOCIAL, reconhecido judicialmente por meio da Ação Ordinária de Repetição de Indébito n° 0009399011, ajuizada pelas empresas Cofac Companhia Fabricadora de Componentes Automotivos e Cofade Sociedade Fabricadora de Elastrômeros, sendo que a primeira foi incorporada pela Cofap Cia Fabricadora de Peças, atual Cofap Fabricadora de Peças. Em razão da operação de incorporação, o crédito de FINSOCIAL, que lhe foi reconhecido na Ação Ordinária acima, foi sucedido pela Recorrente e que o utilizou para compensação de débitos próprios de COFINS apurados em junho/96 a março/98 e maio/98. Quando da análise da defesa apresentada pela Recorrente, verificase que a Autoridade Administrativa, informou que, em relação à Ação Ordinária n° 00.09399011, “procedeuse o levantamento dos direitos creditórios do contribuinte a serem compensados (...) tendo sido apurado um montante de R$ 29.105, 63 (...)” e que “tais créditos foram objeto de compensações tanto no PAF n° 10805.200121/200480, quanto no PAF n° 10805.200028/200394 (...)” e, ainda, que “o direito creditório contra a Fazenda Nacional no montante de R$ 29.105.63 (...) foi reconhecido no processo 10805.200028/200394". Após proceder à revisão de ofício do lançamento, o Fisco reconheceu parcialmente o direito da Recorrente ao crédito de FINSOCIAL, amortizando parcialmente o débito original de COFINS de maio de 1998 correspondente a R$ 25.811,36. O valor amortizado foi de R$ 7.317,18 do débito original, remanescendo em aberto o valor de R$ 18.494,18. Fl. 499DF CARF MF 14 A DRJ de Campinas à fl. 266, afirma que quanto ao crédito de FINSOCIAL utilizado para compensação do débito de maio/1998, os cálculos de liquidação judicial apresentados não especificavam quais parcelas do crédito teriam sido conferidas às empresas Cofade e Cofac. Como visto, o montante do crédito utilizado para compensação do débito de maio/1998, englobou valores concernentes a honorários advocatícios e custas judiciais, os quais não são passíveis de (compensação com débitos de natureza tributária). Assim, após revisão de ofício do lançamento, foi mantida a cobrança do valor principal do débito de maio/1998, no valor de R$ 18.494,18. Em seu recurso a Recorrente esclarece que a Ação Ordinária de Repetição de Indébito n° 0009399011, após o trânsito em julgado da decisão favorável às Empresas (Cofac e Cofade), procedeuse a liquidação da sentença para apuração do beneficio econômico conferido pela demanda judicial. De acordo. com os cálculos da liquidação de sentença, já juntados aos autos do presente processo (fls. 392/395 doc. 1), os créditos reconhecidos na Ação Ordinária n° 00.09399011, correspondiam a Cr$ 50.796.824,04 (68.585,9786 UFIR), conforme demonstrativo de fls. 285. Informa que considerando os valores indevidamente recolhidos pela empresa Cofac Componentes Automotivos Ltda (incorporada pela Cofap Cia Fabricadora de Peças atual Cofap Fabricadora de Peças Ltda.), a título de FINSOCIAL, no período de junho a dezembro/82, se conclui que a esta foi conferido crédito no valor de R$ 35.232,99 que, em percentuais. corresponde a 68.28% do crédito reconhecido nos autos da Ação Ordinária n° 00.09399011. Diante do crédito reconhecido em seu favor, a Cofac utilizou o valor de R$ 35.232,99, no qual não estão incluídos valores de custas e honorários advocatícios, para compensar débitos próprios de COFINS, inclusive a maior parte do débito apurado na competência de maio/98, conforme demonstrado da tabela de fls. 287/288. Ressalta que conforme se verifica na planilha fls. 287/288, o crédito de R$ 35.232,99, seria suficiente para compensar apenas parte do débito de COFINS apurado na competência de maio/98, no valor de R$ 25.811,36, remanescendo saldo devedor no valor de R$ 8.803,17 (R$25.811,36 R$17.008,19), e não de R$ 18.464,18, conforme apurado pelo Fisco e anexa cópia do DARF, visando comprovar o pagamento do saldo devedor remanescente do débito de maio/98, no valor histórico de R$ 8.803,17 (fl. 402). Do resultado da Diligência realizada Pois bem. Quando do retorno da Diligência solicitada, a DRF em Santo André/SP, informa em seu Relatório que (principais partes): "(...) 1) Quanto ao débito de maio/98: 1.1 A liquidação de sentença foi homologada em 05/08/1994, conforme fls. 87 a 93, sendo que os créditos reconhecidos na Ação Ordinária nº 00.09399011 correspondem aos valores abaixo demonstrados (conforme constam nos Cálculos de Liquidação, fl. 87) , o que confere com o demonstrativo apresentado pelo recorrente na fl. 285: (...). 1.2 – (...) Considerando os recolhimentos indevidos realizados pela Cofac – Companhia Fabricadora de Componentes Automotivos (incorporada pela Cofap – Cia Fabricadora de Peças atual Cofap – Fabricadora de Peças Ltda), conforme comprovantes de recolhimento fls. 397 a 400) e o total dos recolhimentos indevidos efetuados pela Cofac (atual Cofap) e Cofade (fl. 89), chegase aos seguintes percentuais para cada empresa: Fl. 500DF CARF MF Processo nº 10805.001751/200392 Acórdão n.º 3402004.903 S3C4T2 Fl. 494 15 A tabela demonstrativa apresentada pelo recorrente em seu Recurso Voluntário, fls. 286, apresenta os percentuais de 68,28% para a empresa Cofac (atual Cofap) e 31,72% para a empresa Cofade, podendose verificar uma pequena diferença percentual para os valores encontrados na tabela acima. 1.3.1 – Considerando o percentual encontrado nesta análise (68,11%), caberia a empresa Cofac (atual Cofap) o equivalente a 42.410,11 UFIR, ou o equivalente a R$ 35.145,16, em 01/96, ou seja, uma diferença de apenas R$ 91,83 para os cálculos apresentados pelo recorrente, fl. 286. No valor deste crédito não estão incluídos os valores dos honorários e das custas judiciais, sendo suficiente para compensar os débitos próprios de COFINS, inclusive a maior parte do apurado na competência maio/98, conforme abaixo demonstrado: (...). (Grifei) 1.3.2 – Conforme demonstrado na planilha acima, o crédito de R$ 35.145,16 seria suficiente para compensar parte do débito de COFINS apurado na competência maio/98, no valor de R$ 25.811,36, remanescendo saldo devedor de R$ 8.942,07. Como o montante do crédito apurado pela recorrente foi um pouco maior que o aqui apurado, o saldo devedor apurado e recolhido por ele foi de R$ 8.803,17, conforme DARF, fls. 402. A empresa em sua Manifestação efetuada após a conclusão à Diligência, ressalta que (fl. 456): Em cumprimento à Resolução nº 3802000.381, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santo André/SP concluiu que, em relação ao débito de COFINS apurado em maio/1998, o crédito utilizado para sua compensação, decorrente da Ação Ordinária nº 00.09399011 líquido dos honorários advocatícios e custas judiciais, perfaz o montante de CR$ 46.116.879,51, equivalente a 62.267,09 UFIR em 05/94 – exatamente o valor indicado pela Requerente no seu Recurso Voluntário. Desse montante, considerou que o percentual de 68,11%, equivalente a R$35.145,16, deveria ser reconhecido em favor da empresa COFAC Cia. Fabricadora de Componentes Automotivos (incorporada pela Requerente). Os cálculos realizados pela DRF apresentam uma diferença irrisória em relação àqueles realizados pela Requerente. Do montante total do crédito apurado, em razão do recolhimento indevido reconhecido na Ação Ordinária nº 00.09399011, a Requerente considerou como devido à empresa COFAC o Fl. 501DF CARF MF 16 percentual de 68,28%, que equivale a R$35.232,99 – diferença de apenas R$ 91,83 em relação ao valor encontrado pela Fiscalização. Em resumo, o Fisco reconheceu, que o valor de R$ 8.803,17 (saldo devedor que restou), foi efetivamente recolhido pela Requerente mediante pagamento do DARF de fls. 402, acrescido de juros e multa. Ante o exposto, restou confirmado por meio da Diligência Fiscal, a extinção da maior parte do débito exigido no Auto de Infração em relação à competência de maio/1998, haja vista a realização de compensação e de pagamento realizado pela empresa, mantida, portanto, a cobrança do valor principal (diferença apurada) de R$ 91,83. Concluindo, deve ser julgado parcialmente procedente o Recurso Voluntário interposto nesta parte, nos exatos termos da Diligência realizada (fls. 444/445), devendo permanecer a cobrança do valor da diferença apurada de R$ 91,83. 4. Quanto ao débito de novembro de 1998 No que se refere ao débito de COFINS da competência de novembro/98, a Recorrente esclarece, que tal exigência seria decorrente de mero erro de preenchimento de sua DCTF, em razão de equívoco na indicação do número da ação judicial originária do crédito utilizado para compensação do débito ora exigido. Nesta oportunidade informou que o crédito utilizado seria aquele oriundo do Mandado de Segurança n° 94.00174950. Ao analisar as razões apresentadas pela Recorrente, a Fiscalização informou que "em consulta as fases do processo judicial do mandado de segurança n° 94. 00174950”, foi observado “que o pedido da segurança foi julgado improcedente na data de 15/12/94, conforme se verifica às folhas 84”, motivo pelo qual manteve integralmente a exigência do débito de COFINS da competência de novembro/98, no valor de R$ 4.676,64 No Acórdão recorrido, a DRJ alega que a Recorrente não teria comprovado, que efetuou tempestivamente a compensação por meio de documentos fiscais hábeis, motivo pelo qual desnecessária se mostraria a realização de diligências para verificar a existência, suficiência disponibilidade do crédito alegado. Em sede de recurso voluntário, apresenta documentos contábeis, alegando que comprova que a compensação foi tempestivamente efetuada com crédito que era mais do que suficiente para a quitação da integralidade do débito de COFINS da competência de novembro de 1998. "(...)os documentos contábeis juntados ao presente recurso comprovam que a referida compensação foi devidamente escriturada pela Recorrente em seus livros fiscais. As cópias do Diário Geral n° 960 do anocalendário de 1998 , da Empresa Cofap Companhia Fabricadora de Peças atual Cofap Fabricadora de Peças ora Recorrente identificam o valor compensado de R$ 4.674,67 nas contas 213601 e 114230”, conforme o doc. nº 4 juntado às fls. 404 a 411. Insiste que o crédito utilizado pela Recorrente para compensação do débito de COFINS de novembro/98, é decorrente do pagamento de prestações do parcelamento controlado por meio do processo administrativo n° 13654.000101/9409. O valor total dos DARFs pagos pela empresa Cofag Sistemas de Suspensao (incorporada pela empresa Cofap Minas Componentes Automotivos Ltda. e posteriormente pela Cofap Cia Fabricadora de Peças, atual Cofap Fabricadora de Pecas Ltda.), atingiu o montante de 599.334,04 UFIRs, conforme guias de pagamento relacionadas no demonstrativo de fls. 291/291. Fl. 502DF CARF MF Processo nº 10805.001751/200392 Acórdão n.º 3402004.903 S3C4T2 Fl. 495 17 Por fim, repisa que o crédito decorrente dos pagamentos efetuados pela empresa Cofap Suspensão no Processo n° 13654000101/9409, era mais do que suficiente para o pagamento integral do débito ora autuado, no valor de R$ 4.674,67. Do resultado da Diligência realizada Pois bem. Quando do retorno da Diligência solicitada, a DRF em Santo André/SP, informa em seu Relatório que (principais partes): 2) Quanto ao débito de novembro/98: 2.1 – Após análise dos documentos acostados no presente processo, é possível verificar que em decorrência do cancelamento do parcelamento controlado por meio do PAF nº 13654.000101/9409, a recorrente passou a ter um saldo a compensar no valor de 599.334,04 UFIRs. Porém, não é possível verificar se o crédito utilizado pela recorrente para compensação da COFINS novembro/98 foi decorrente do saldo a compensar relativo ao processo nº 13654.000101/9409. 2.2 – Os documentos contábeis juntados pela recorrente comprovam que a mesma escriturou compensação para COFINS de novembro/98, no valor de R$ 4.674,67, porém não é possível verificar a origem dos recursos dessa compensação. 2.3 O crédito decorrente do cancelamento do parcelamento controlado por meio do PAF nº 13654.000101/9409, no montante de 599.334,04 UFIRs, após a compensação efetuada dos débitos de COFINS da filial localizada em Lavras/MG, no montante total de 565.347,57 UFIRs, seria suficiente para efetuar a compensação integral da COFINS de novembro/98. 3) A compensação do débito da COFINS novembro/98, caso seja comprovada que se originou do crédito oriundo do PAF nº 13654.000101/9409, é sim tempestiva, tendo em vista não ter passado os cinco anos da aquisição do direito creditório, que se deu quando do cancelamento do parcelamento, que foi efetuado em 02/95, conforme fl. 204. (Grifei) Por outro lado, a empresa em sua Manifestação efetuada após a conclusão da Diligência, elabora as seguintes argumentações e elementos de prova (fl. 457/462): "(...) Em análise aos documentos juntados aos autos, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santo André/SP concluiu que os créditos decorrentes da rescisão do parcelamento controlado por meio do PTA nº 13654.000101/9409 são suficientes para a compensação integral do débito de COFINS referente a novembro/1998, no valor de R$ 4.674,67. A Fiscalização concluiu, ainda, que a referida compensação é tempestiva, pois a sua declaração ocorreu antes do transcurso do prazo de 05 (cinco) anos contados a partir da aquisição do direito creditório. Todavia, a Fiscalização entendeu que os documentos contábeis apresentados não comprovariam que o crédito escriturado para a compensação da COFINS de novembro/1998, no valor de R$4.674,67, decorre, de fato, da rescisão do referido parcelamento: No entanto, afirma a Recorrente, que ao contrário do que entendeu a Fiscalização, os documentos contábeis juntados pela Recorrente comprovam que os créditos utilizados para a compensação do débito de COFINS do mês de novembro/1998, decorrem da rescisão do parcelamento vinculado ao PAF nº 13654.000101/9409. Fl. 503DF CARF MF 18 Aduz em sua Manifestação que "(...) A compensação do débito de COFINS do período de novembro/1998 foi devidamente escriturada pela Requerente no seu Livro Diário Geral do ano calendário de 1998, conforme se verifica abaixo (Doc. 04 do Recurso Voluntário)" às fls. 404/411: Ressalta que apresenta cópia de comprovantes que a referida compensação também foi registrada no seu Livro Razão do mês de dezembro/1998. "(...) Observase que, na Conta do Ativo nº 1142309, denominada COFINS PARCELAMENTO, a Requerente registrou a utilização do montante de R$4.674,67 do crédito oriundo do parcelamento controlado pelo PTA nº 13654.000101/9409, justamente para a compensação do débito de COFINS da competência de novembro/98": "(...) Na Conta do Passivo nº 2136017, denominada COFINS A RECOLHER, a Requerente registrou a contrapartida da operação acima, lançando a quitação, mediante compensação, do débito de COFINS apurado em novembro/98, no valor de R$ 4.674,67. Vejase: Fl. 504DF CARF MF Processo nº 10805.001751/200392 Acórdão n.º 3402004.903 S3C4T2 Fl. 496 19 Em suas considerações a Recorrente argumenta que ao contrário do que entendeu a Fiscalização, os lançamentos acima comprovam que o crédito utilizado para a compensação da COFINS apurada em novembro/98 decorre da rescisão do parcelamento controlado pelo PTA nº 13654.000101/9409, sendo a conta contábil nº 1142309, denominada COFINS PARCELAMENTO, utilizada para controlar os créditos decorrentes da referida rescisão. E prossegue. Comprovamse as alegações da Recorrente, não apenas o nome atribuído à referida conta, mas também o fato de ter sido nela registrada a transferência de parte do crédito para o seu estabelecimento filial localizado em Lavras/MG (“transferência entre centro de custo” no valor de R$ 45.427,73 fl. 409). Observase que a própria Fiscalização reconhece que o crédito decorrente do PTA nº 13654.000101/9409 foi utilizado tanto para a compensação do débito de COFINS de novembro/1998, quanto para a quitação de débitos da filial da Recorrente, o que justifica o lançamento da transferência entre centros de custo. Vejase as conclusões da DRF: “2.3. – O crédito decorrente do cancelamento do parcelamento controlado por meio do PAF nº 13654.000101/9409, no montante de 599.334,04 UFIRs, após a compensação efetuada dos débitos de COFINS da filial localizada em Lavras/MG, no montante total de 565.347,57 UFIRs, seria sim suficiente para efetuar a compensação integral da COFINS de novembro/98”. (Grifei) Por fim a Recorrente esclarece que, em 1998, data em que foram realizadas as compensações, não foram transmitidas DCOMP’s para formalização da declaração, posto que se referiam a débitos e créditos de mesma natureza tributária (COFINS), apurados pela mesma pessoa jurídica e, à época, o artigo 14 da IN nº 21, de 1997, dispensava a transmissão de requerimentos formais de compensação, exigindo apenas a escrituração contábil da operação, requisito que foi corretamente observado pela Requerente. Cita precedentes deste CARF: “COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. COMPROVAÇÃO. Não obstante a autorização pela legislação de regência para que, tratandose de tributos da mesma espécie, a compensação pudesse ser feita independentemente de requerimento, resta claro que, em qualquer que seja a circunstância, o procedimento deve ser retratado na escrituração contábil. No caso vertente, em que a autoridade administrativa competente serviuse de informação prestada pela contribuinte em DCTF Fl. 505DF CARF MF 20 para aferir a certeza e liquidez do crédito indicado para compensação, a alegação de erro no preenchimento do citado documento torna ainda mais relevante a apresentação dos registros contábeis. (...)” (nº Acórdão 1301001.466 Relator Wilson Fernandes Data da Publicação: 11/06/2014) Desta forma, levandose em consideração todo o exposto, concluise que: (a) restou comprovado nos autos, que na escrituração contábil da empresa o crédito utilizado para a compensação do débito de COFINS do período de novembro/1998, decorre da rescisão do parcelamento controlado pelo PAF nº 13654.000101/9409, haja vista os lançamentos contábeis realizados na Conta do Ativo nº 1142309 da empresa, denominada COFINS PARCELAMENTO; (b) a Fiscalização concluiu no item 2.3 e 3 da Informação Fiscal de diligência à fl. 446, que caso seja comprovada que se originou do crédito oriundo do PAF nº 13654.000101/9409, o valor utilizado é suficiente para a compensação integral do débito declarado, e (c) a Fiscalização informa que a compensação foi realizada tempestivamente, pois declarada dentro do prazo de 05 (cinco) anos contados da aquisição do direito creditório (ocorrido em 02/1995). Neste contexto, deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário interposto, para cancelar a autuação em relação ao período de novembro de 1998. 5 Dispositivo Isto posto, voto no sentido de conhecer do Recurso Voluntário para darlhe parcial provimento, devendo permanecer a cobrança da diferença apurada na diligência fiscal no valor de R$ 91,83, referente ao mês de maio de 1998 (conforme item 3 deste voto). É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 506DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10976.000245/2008-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2005
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos e não declarados, via de regra, é
aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para o percentual de 150% depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-000.895
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício de 150% para 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Carlos Pelá.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2104; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1 1 0 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10976.000245/200829 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 140200.895 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 2 de fevereiro de 2012 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO IRPJ E REFLEXOS Recorrente FLEC AÇO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos e não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para o percentual de 150% depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício de 150% para 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Carlos Pelá. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10976.000245/200829 Acórdão n.º 140200.895 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório FLEC AÇO LTDA recorre a este Conselho contra o acórdão proferido pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal, em primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o auto de infração de fls. 02/09 para exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), multa de ofício de 150% e juros de mora calculados até 29/08/2008, no montante de R$1.481.314,87, abrangendo fatos geradores compreendidos no exercício de 2006. Na descrição dos fatos, constam os seguintes registros: 001 – Resultados operacionais não declarados: valor correspondente ao lucro operacional escriturado, mas não declarado, conforme Termo de Verificação Fiscal. Em decorrência desse procedimento, foi lavrado o auto de infração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), multa de ofício de 150% e juros de mora calculados até 29/08/2008, no total de R$533.273,32 (fls. 10/15), abrangendo fatos geradores compreendidos no exercício de 2006. No Termo de Verificação Fiscal – TVF (fls. 18/19), foram relatados os procedimentos fiscais, com destaque para as intimações expedidas, além das respostas, documentos e declarações apresentados pelo fiscalizado. Segundo a autoridade fiscal, da análise do Livro Diário foram constatados resultados positivos nos quatro trimestres do ano em estudo, indicando a existência de lucro operacional escriturado e não declarado. Salientouse ainda que ficou demonstrado de forma inequívoca o intuito de fraude por parte do contribuinte, restando caracterizada a hipótese prevista no art. 71 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, como fato generante para a incidência da multa qualificada na forma do inciso II da art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Os demais documentos que fundamentaram a exigência constam das fls. 20/82. Cientificado dos lançamentos em 03/09/2008, conforme consignado nos autos de infração, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 85/133, em 02/10/2008, cujo resumo é feito em seguida. Dos fatos Nesse tópico o contribuinte faz uma síntese da autuação, afirmando que, pela leitura do TVF, verificase que o presente auto de infração e o lançamento, na forma em que foram formatados, não merecem subsistir, especialmente no que tange à multa aplicada, haja vista a inaplicabilidade do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10976.000245/200829 Acórdão n.º 140200.895 S1C4T2 Fl. 0 3 Do direito Observa o impugnante que a fundamentação legal utilizada pela fiscalização para aplicar a multa qualificada está lastreada em redação antiga, não mais vigente, do art. 44 da Lei nº 9.403, de 1996. Ocorre que a atual redação, dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, determina, nos casos de lançamento de ofício, a aplicação de multas de 50% e 75%, conforme o caso. A teor do disposto no art. 106, inciso II, alínea ‘c’ do Código Tributário Nacional (CTN), não resta a menor dúvida quanto à aplicação retroativa da nova redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Posto isto, verificase que o percentual da multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, apenas pode ser duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, conforme dispõe o § 1o do art. 44. Ocorre que, em momento algum, restou caracterizada a hipótese aventada na autuação, haja vista a não evidência de qualquer ação ou omissão dolosa praticada pelo impugnante tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. O que houve foi o simples (e, porque não, culposo) não recolhimento do IRPJ e da CSLL devidos à época, por uma falha no sistema informatizado (nos softwers) da empresa, utilizado para apurar e gerar as declarações de tributos federais. A correta escrituração das operações, bem como a apresentação voluntária e sem qualquer resistência de tal documentação pelo impugnante à fiscalização, não é compatível com a hipótese prevista no art. 71, inciso I da Lei nº 4.502, de 1964, uma vez que inexiste qualquer atitude dolosa com intuito de se livrar do pagamento do IRPJ e da CSLL devidos. É importante ressaltar que a autoridade fiscal, após verificar toda a escrita fiscal do impugnante, não encontrou nenhum tipo de irregularidade ou evidência de fraude contábil/fiscal. Outro fato que comprova a inexistência de atitude dolosa do impugnante é a condição das detectadas omissões das declarações terem ocorrido em meses isolados, devido à falha no sistema dos computadores da empresa. Ademais, a jurisprudência dominante do Conselho de Contribuintes já sedimentou o entendimento segundo o qual, para a aplicação da multa qualificada, a fraude tem que ser efetivamente comprovada e demonstrada pela fiscalização, condição esta que não ocorreu no presente auto de infração. Deste modo, resta evidente a inexistência de motivos que possam fundamentar a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Em seguida, o impugnante passa a discorrer sobre o princípio da razoabilidade e da proporcionalidade, ressaltando ainda aspectos pertinentes à vedação à utilização do tributo com efeito confiscatório e à capacidade contributiva (art. 150, IV e art. 145, § 1o da Constituição Federal). Cita ainda jurisprudência judicial e entendimentos doutrinários acerca do assunto tratado. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10976.000245/200829 Acórdão n.º 140200.895 S1C4T2 Fl. 0 4 Da conclusão Requer o autuado que seja a presente impugnação acolhida para revisar o lançamento combatido, com fulcro nos argumentos ora traçados, para afastar a aplicação da multa qualificada prevista no § 1o do art. 44 em vigor da Lei nº 9.430, de 1996, reduzindose a multa aplicada a percentuais que não afrontem a capacidade contributiva, bem como os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. Requer ainda que, depois de afastada a aplicação da multa qualificada, sejam oportunizadas as reduções da multa previstas no art. 6o da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, conforme previsão expressa do § 3o do art. 44 em vigor da Lei nº 9.430, de 1996. À impugnação foram juntadas cópias referentes a documentos de identificação pessoal, instrumento de procuração, contrato social, auto de infração, Termo de Verificação Fiscal e Termo de Resposta (fls. 104/133). No despacho de fl. 134, consta informação acerca do competente processo de representação fiscal para fins penais, formalizado sob nº 10976.000246/200873. A decisão recorrida está assim ementada: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A multa de ofício qualificada no percentual de 150% será aplicada quando, em procedimento fiscal, ficar caracterizada ação dolosa do contribuinte, consubstanciada em conduta reiterada tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Lançamento Procedente. No voto condutor do acórdão recorrido extraise as seguintes conclusões (verbis): Ante o exposto, no que respeita à parte litigiosa do processo, VOTO no sentido de considerar PROCEDENTE o lançamento para manter integralmente a exigência da multa de ofício no percentual de 150%, conforme consta dos autos de infração de fls. 02/15. No tocante à parte não litigiosa (valores principais de IRPJ e CSLL, além dos juros de mora pertinentes), registrese que não consta dos autos a documentação acerca do pagamento ou parcelamento do crédito tributário correspondente, devendo a DRF/Contagem/MG atentar para as providências cabíveis, conforme consignado no item 1.2 do Voto. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10976.000245/200829 Acórdão n.º 140200.895 S1C4T2 Fl. 0 5 Cientificada da aludida decisão em 28/11/2008 (fl. 149) , a contribuinte apresentou recurso voluntário em 16/12/2008 (fls. 150 e seguintes), no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento para: (...) Portanto, requer seja dado provimento ao presente Recurso para revisar o lançamento combatido, com fulcro nos argumentos aqui tragados, para afastar a aplicação da multa qualificada, prevista no § 1 2 do artigo 44 em vigor da Lei Nº. 9430/96, reduzindose a multa aplicada a percentuais que não afrontem a capacidade contributiva da Impugnante, bem como os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. Requer, ainda, após afastada a aplicação da mencionada multa qualificada, requer seja oportunizada à Recorrente as reduções da multa previstas no artigo 6o. da Lei n 8.218/91 e no artigo 6o. da Lei n° 8383/91, conforme previsão expressa do § 3o. do artigo 44 em vigor da Lei 9430/96. (...) É o relatório. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10976.000245/200829 Acórdão n.º 140200.895 S1C4T2 Fl. 0 6 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado lançamento cuidou da exigência de IRPJ e CSLL em razão da constatação de resultados operacionais escriturados e não declarados, conforme consta dos autos de infrações e do TVF. Sobre o débito apurado foi exigida a multa de ofício qualificada no percentual de 150%, além dos juros de mora pertinentes. Tanto no recurso voluntário quanto na impugnação, o autuado discorda expressamente apenas da exigência da multa de ofício qualificada. Aduz a recorrente que não teria havido nenhuma evidência de ação ou omissão dolosa praticada pela contribuinte tendente a impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador, sua natureza ou circunstâncias materiais. Reitera que houve apenas o não recolhimento do IRPJ e da CSLL em virtude de falha no sistema informatizado da empresa, que a omissão de declarações ocorreu em meses isolados e que não foi constatada nenhuma irregularidade na sua escrituração nem qualquer resistência na sua apresentação para a fiscalização. Vejamos a transcrição dos fatos que motivaram a qualificação da multa, segundo o Termo de Verificação Fiscal (verbis): “(...) Da análise do Livro Diário apresentado, constatamos resultados operacionais positivos nos quatro trimestres do ano em estudo, a teor das Demonstrações do Resultado do Exercício – DRE avistadas às fls. 69/80, que lastrearam os pertinentes Lucros Reais registrados no Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR (fls. 81/82), indicando a existência de lucro operacional escriturado e não declarado pelo contribuinte, vez ter se omitido da entrega da respectiva Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ (fl. 20), frisese, e não ter informado qualquer valor para as exações em comento nas Declarações de Contribuições e Tributos Federais – DCTF apresentadas para o período (fls. 21/43). A propósito, e considerandose, ademais, a ausência de recolhimento a título de IRPJ ou CSLL no ano fiscalizado (fl. 44), fica demonstrado, de forma inequívoca, o intuito de fraude por parte do contribuinte, consubstanciado na conduta de sonegar informação à Secretaria da Receita Federal do Brasil em relação aos resultados positivos apurados, quando de fato tais valores já haviam sido escriturados em seu Livro Diário (fls. 69/80). A evidência, tal conduta teve por manifesto objetivo impedir o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência dos fatos geradores das obrigações tributárias principais e, por conseqüência, se eximir totalmente do pagamento dos tributos devidos; restando caracterizada a hipótese prevista no artigo 71 da Lei nº 4.502/64, como fato generante para a incidência da multa qualificada no forma do inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, a saber: (...)” Fl. 192DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10976.000245/200829 Acórdão n.º 140200.895 S1C4T2 Fl. 0 7 Pois bem, a redação do art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96 assim dispunha: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (...) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n" 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Tal dispositivo foi recentemente alterado pela Lei n° 11.488/2007, passando a vigorar com a seguinte redação (especificamente quanto à qualificadora): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n" 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n" 11.488, de 2007) (...) § 1o. O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007). Tanto a redação original quanto a atualmente vigente do dispositivo aplicável impõem a cominação da multa no percentual de 150 % nos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Diante da presente situação concreta, devese dedicar especial atenção ao que prevê o art. 72 do diploma legal, "ipsis litteris ": Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Verificase que a multa qualificada se deu em face de o contribuinte ter sido omisso na entrega da DIPJ referente ao anocalendário de 2005 e também não informou nenhum valor a título de IRPJ e CSLL nas DCTF apresentadas relativamente a esse mesmo período. Portanto, o contribuinte não praticou qualquer ação tendente a ocultar do Fisco a obrigação tributária. De outro lado, entendo que a falta de apresentação da DIPJ ou DCTF amoldase a qualquer das práticas descritas nos art. 71 a 73 da lei 4.502/1964. Entendese por dolo a consciência e a vontade de realização dos elementos objetivos (materiais) da conduta que se adjetiva como dolosa, que é “saber e querer a realização da conduta e não exige a consciência da ilicitude”. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10976.000245/200829 Acórdão n.º 140200.895 S1C4T2 Fl. 0 8 Observase que nos recentes julgamentos deste Conselho tem prevalecido considerarse a ocorrência de fraude em procedimentos que envolvam adulteração de documentos comprobatórios (notas fiscais, contratos, escrituras públicas, dentre outros), notas fiscais calçadas, notas fiscais frias, notas fiscais paralelas, notas fiscais fornecidas a título gracioso, contabilidade paralela (Caixa 2), conta bancária fictícia, falsidade ideológica, declarações falsas ou errôneas(quanto apresentadas reiteradamente). No caso presente, não há registros de documentos inidôneos, empresas fictas, fraudes em registros contábeis ou de qualquer natureza. Nesse sentido vem decidindo este colegiado. Cite o acórdão 140200.802 de 21/10/2011, cuja ementa elucida: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos e não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para o percentual de 150% depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não houve dolo por parte do contribuinte, logo incabível a aplicação da multa qualificada. Conclusão Diante do exposto voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário tão somente para reduzir a multa qualificada de 150% para 75%. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 194DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE
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Numero do processo: 10980.905786/2008-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
DCOMP. COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO.
Diligência fiscal que constatou ausência de créditos remanescentes, à compensar débitos deste processo.
DCOMP. COMPENSAÇÃO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA DEVIDA.
O afastamento da multa moratória, em face do benefício da denúncia espontânea, do art. 138, do CTN, exige o atendimento dos requisitos de existência de pagamento do tributo com os respectivos juros de mora e da inexistência de procedimento fiscal anterior ao pagamento.
A compensação é forma distinta de extinção do crédito tributário, sujeita à condição resolutória da sua homologação, estando restrito ao pagamento o gozo do benefício conferido pelo sobredito art. 138, do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3401-004.325
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, aplicando-se integralmente a informação fiscal, resultado da diligencia fiscal, com a conseqüente homologação parcial da compensação declarada.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 DCOMP. COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. Diligência fiscal que constatou ausência de créditos remanescentes, à compensar débitos deste processo. DCOMP. COMPENSAÇÃO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA DEVIDA. O afastamento da multa moratória, em face do benefício da denúncia espontânea, do art. 138, do CTN, exige o atendimento dos requisitos de existência de pagamento do tributo com os respectivos juros de mora e da inexistência de procedimento fiscal anterior ao pagamento. A compensação é forma distinta de extinção do crédito tributário, sujeita à condição resolutória da sua homologação, estando restrito ao pagamento o gozo do benefício conferido pelo sobredito art. 138, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte
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COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. Diligência fiscal que constatou ausência de créditos remanescentes, à compensar débitos deste processo. DCOMP. COMPENSAÇÃO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA DEVIDA. O afastamento da multa moratória, em face do benefício da denúncia espontânea, do art. 138, do CTN, exige o atendimento dos requisitos de existência de pagamento do tributo com os respectivos juros de mora e da inexistência de procedimento fiscal anterior ao pagamento. A compensação é forma distinta de extinção do crédito tributário, sujeita à condição resolutória da sua homologação, estando restrito ao pagamento o gozo do benefício conferido pelo sobredito art. 138, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, aplicandose integralmente a informação fiscal, resultado da diligencia fiscal, com a conseqüente homologação parcial da compensação declarada. ROSALDO TREVISAN Presidente. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 57 86 /2 00 8- 86 Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10980.905786/200886 Acórdão n.º 3401004.325 S3C4T1 Fl. 186 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto os relatórios das Resoluções que converteram os feitos em diligências, os quais, por economia, reservome o direito de não transcrever. Considerando que o processo não se encontrava em condições de julgamento, foi resolvida sua conversão em diligência para que fosse apurado o valor que é devido em cada um dos códigos, o valor que fora efetivamente pago e, sendo assim, se a contribuinte possui direito creditório em caso de pagamento a maior. A informação fiscal proferida confirmou a homologação parcial da compensação declarada, "...isto porque o contribuinte não compensou a multa de mora a que o débito estava sujeito, dado que compensado quando já se encontrava vencido." Após ciência sobre a informação fiscal, apresentase manifestação, contestando as conclusões alcançadas pela diligência fiscal, em essência, alegando estar amparada pelo art. 138, da Lei n° 5.172/66 (CTN), que excluiria a responsabilidade pela denúncia espontânea, quanto à multa de mora. Voto O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como visto do relatório, tratase de DCOMP, transmitida para a compensação de créditos tributários relativos às contribuições sociais para o PIS. Notar que, inicialmente, o despacho decisório eletrônico de não homologação das compensações declaradas, deuse pelo fato de que o DARF discriminado na DCOMP estava integralmente utilizado. Na manifestação de inconformidade, passa o interessado a justificar que o crédito pleiteado tem origem no recálculo da contribuição em razão da redução à alíquota a zero (%) por centro para o PIS no período. Em resposta, concluiu o acórdão DRJ, não ter sido trazido aos autos a comprovação da existência do direito creditório alegado. Diante destas razões, posteriormente trazidas, via decisão recorrida, contrapõe a recorrente, por meio do recurso voluntário, provas documentais, em planilhas e cópias de razões analíticos. Presente a hipótese prevista na alínea "c", §4º, art. 16, do PAF, no caso em discussão, os autos foram e retornaram de diligência com a confirmação da homologação parcial da compensação declarada, restando saldo devedor, em razão da não compensação da multa de mora a que o débito estava sujeito, dado que compensado quando já se encontrava vencido. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10980.905786/200886 Acórdão n.º 3401004.325 S3C4T1 Fl. 187 3 Entendo, no mesmo sentido da decisão recorrida, que o art. 138, da Lei n° 5.172/66, exclui a responsabilidade pela denúncia espontânea, mas, quando acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora. Pagamento. Não compensação como é o caso. Aplicase ao caso, o teor do julgamento do REsp 1.149.022/SP, submetido ao rito dos recursos repetitivos, do art. 543C, do CPC/1973, determinandose que a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente; decisão judicial de reprodução obrigatória pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do §2º, do art. 62, do RICARF/2015 (Portaria MF nº 343, de 09/06/15). PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10980.905786/200886 Acórdão n.º 3401004.325 S3C4T1 Fl. 188 4 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. SÚMULA STJ nº. 360 O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Aplicando o instituto da denuncia espontânea, à caso concreto semelhante, sob o aspecto da existência de compensação, ao invés de pagamento, o voto vencedor da Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, no Acórdão nº 3302002.772, de 13/11/2014, abaixo transcrito, adotadas suas razões de decidir para o presente processo: "Denúncia Espontânea O CTN somente excluiu, em seu art. 138, a responsabilidade tributária em razão de denúncia espontânea quando esta for acompanhada do pagamento do tributo devido com os respectivos juros moratórios. O comando do art. 138, do CTN, visa incentivar a regularização fiscal e o incremento da arrecadação, por meio da concessão de incentivo (qual seja, a exclusão da responsabilidade por infração) pelo pagamento de tributos em atraso espontaneamente denunciados. E como a compensação seja aos moldes pretéritos (em que era objeto de pedido e era passível de eventual Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10980.905786/200886 Acórdão n.º 3401004.325 S3C4T1 Fl. 189 5 posterior indeferimento), seja aos moldes atuais (em que é declarada e está sujeita, dentro do prazo de 5 anos, a ser fortuitamente não homologada na forma do art. 74, §1º, da Lei nº 9.430/96) –, trata de forma precária (não definitiva) da extinção do crédito tributário, não goza do benefício conferido por sobredito art. 138. O entendimento acima se afina com a jurisprudência do STJ a respeito desta questão peculiar, conforme patenteia a ementa do acórdão, recentemente publicado no DJE de 26/08/2010, proferido AgRg no Agravo de Instrumento nº 1.303.103/RS, no qual foi Relatora a Exma. Sra. Ministra Eliana Calmon: “TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL DENÚNCIA ESPONTÂNEA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO DO PRINCIPAL E DOS JUROS DE MORA DEVIDOS NÃO CONFIGURAÇÃO. 1. A configuração da denúncia espontânea pressupõe o pagamento do principal da dívida acompanhado dos juros de mora devidos antes de qualquer procedimento fiscal, o que não ocorreu na espécie, na qual houve mero pedido de compensação. 2. Agravo regimental não provido.” (g.n.) De se ver que a jurisprudência colacionada pela contribuinte em suas peças de defesa atestam como requisitos para a não incidência de multa moratória em face da denúncia espontânea o atendimento de dois requisitos: a existência de pagamento do tributo com os respectivos juros de mora e a inexistência de procedimento fiscal anterior ao pagamento. A contribuinte não atendeu ao primeiro dos requisitos mencionados. (grifei/sublinhei) No mesmo sentido, o voto condutor do Conselheiro Luiz Roberto Domingo, no Acórdão nº 3101001.631, de 27/03/2014, abaixo transcrito, por unanimidade, entendo não ser cabível a exclusão da penalidade, nos termos do art. 138 do CTN, no casos de mera compensação: "É pacífica a jurisprudência, inclusive com diversos precedentes do E. STJ, no sentido de que é possível ao contribuinte sanar o inadimplemento de crédito tributário, ainda que a destempo, sem que haja aplicação da sanção legal, desde que mediante PAGAMENTO. Está assim pacificada a jurisprudência no âmbito do STJ: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. PRETENSÃO QUE ENCONTRA ÓBICE NA SÚMULA N. 7 DO STJ. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. 1. A revisão da conclusão do acórdão recorrido, no sentido da ausência de direito líquido e certo a ser amparado pelo mandamus, importaria em novo exame do conjunto fáticoprobatório dos autos. Precedentes: AgRg no AREsp 144.012/MA, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 15/05/2012; AgRg no AREsp 98.066/MG, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 23/04/2012; REsp 1206178/DF, Rel. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10980.905786/200886 Acórdão n.º 3401004.325 S3C4T1 Fl. 190 6 Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17/11/2011; AgRg no Ag 1378589/DF, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 13/09/2011. 2. A extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 174.514, Rel. Min. Benedito Gonçalves, 1A T, julg. 04/09/2012) Como no presente caso, diferentemente dos demais que foram por mim analisado, a Recorrente realizou a compensação dos débitos liquidados em atraso, conforme se verifica da planilha transcrita no relatório acima, entendo não ser cabível a exclusão da penalidade nos termos do art. 138 do CTN." (grifei) Portanto, no presente caso, inaplicável o instituto da denuncia espontânea, nos termos do art. 138, do CTN, e indevida a exclusão da penalidade da multa de mora. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, aplicandose integralmente a informação fiscal, resultado da diligencia fiscal, com a conseqüente homologação parcial da compensação declarada. Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 190DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.003062/00-79
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2002
Numero da decisão: 202-00.441
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, declinar competência ao Terceiro Conselho de Contribuintes para o julgamento do recurso, em razão da matéria.
Nome do relator: Raimar da Silva Aguiar
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score : 1.0
Numero do processo: 10183.905473/2012-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
Numero da decisão: 3201-003.478
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
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A. MACIEL EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 54 73 /2 01 2- 08 Fl. 31DF CARF MF Processo nº 10183.905473/201208 Acórdão n.º 3201003.478 S3C2T1 Fl. 3 2 Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira. Relatório LEONICE DA S. A. MACIEL EPP requereu restituição de crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório não deferindo a restituição, em razão do fato de que os pagamentos informados já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente alegou a inexistência de débito referente ao pagamento em questão, conforme DCTF retificadora apresentada. Nos termos do Acórdão nº 02049.832, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão na falta de comprovação do crédito pleiteado. No Recurso Voluntário, o contribuinte reitera a existência de erro na DCTF e no Dacon e alega que a origem do indébito é o fato de as mercadorias vendidas se submeterem ao regime monofásico, razão pela qual não deveria incidir a contribuição. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.476, de 02/03/2018, proferido no julgamento do processo 10183.905470/201266, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.476): O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. O crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Pis, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração Fl. 32DF CARF MF Processo nº 10183.905473/201208 Acórdão n.º 3201003.478 S3C2T1 Fl. 4 3 ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/991, art. 373, I do CPC2). Sem os elementos de prova do direito da recorrente, atento aos requisitos de certeza e liquidez do crédito, de acordo com art. 1703 do CTN, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído, por meio da DCTF original. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira 1 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; 3 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 33DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10711.007428/2006-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 12/07/2002
EMBARGOS. OMISSÕES INEXISTENTES. EMBARGOS REJEITADOS.
Não se identificando as omissões alegadas, devem ser rejeitados os Embargos interpostos por contrariarem as disposições do art. 65, § 3º do Ricarf.
Numero da decisão: 3301-004.236
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento Por unanimidade de votos, Rejeitar os Embargos interpostos pelo Contribuinte, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto e Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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OMISSÕES INEXISTENTES. EMBARGOS REJEITADOS. Não se identificando as omissões alegadas, devem ser rejeitados os Embargos interpostos por contrariarem as disposições do art. 65, § 3º do Ricarf. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento Por unanimidade de votos, Rejeitar os Embargos interpostos pelo Contribuinte, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente Substituto (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto e Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini e Valcir Gassen. Relatório Conselheiro José Henrique Mauri Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 74 28 /2 00 6- 14 Fl. 271DF CARF MF 2 Cuidase de Embargos Declaratórios, fls. 291//310, interpostos pelo contribuinte, em face do Acórdão nº 3301002.692, por supostas omissões quanto à matéria de ordem pública e erro de fato relevantes para o deslinde da matéria. O acórdão embargado possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 12/07/2002 EX TARIFÁRIO. MATÉRIAPRIMA DESTINADA À FABRICAÇÃO DE UÍSQUE. GRADUAÇÃO ALCOÓLICA SUPERIOR A 61%. Os destilados alcoólicos importados que constituem matériaprima destinada à fabricação de uísque e que apresentam graduação alcoólica superior a 61% GayLussac são tributados a titulo de IPI à aliquota de 70%, segundo o EX 003 do código NCM 2208.30.10 da TEC, sendo a falta de recolhimento, decorrente da declaração inexata da mercadoria, punível com a multa de oficio proporcional a 75% da diferença de tributo não recolhida, consoante expressa determinação legal. CLASSIFICAÇÃO FISCAL ANÁLISE LABORATORIAL PRECEDÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO ADUANEIRA. para fins de classificação da mercadoria o certificado emitido por solicitação da autoridade aduaneira revestese de força normativa capaz e suficiente para amparar a decisão da fiscalização, ainda que contrário à certificação de Inspeção Vegetal, cuja função, de controle administrativo, não se confunde com o controle fiscal, a cargo da fiscalização aduaneira Recurso Voluntário Negado A Embargante alega que ocorreu omissão em relação a (i) alteração do critério jurídico; (ii) Necessidade de baixar os autos para diligência; e (iii) erro de fato. Apresenta argumentações onde procura demonstrar ocorrência das pretensas omissões. Na forma regimental, foime distribuído o presente feito para relatar e pautar. É o relatório, na síntese oportuna. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10711.007428/200614 Acórdão n.º 3301004.236 S3C3T1 Fl. 8 3 Voto Conselheiro José Henrique Mauri Os Embargos foram admitidos por despacho do presidente da Turma, fls. 243/262, portanto, deles tomo conhecimento. A autuação deuse para exigir diferença de tributo em face de erro na classificação de mercadoria importada, ancoradas em Declaração de Importaçaõ. Segundo a fiscalização, tratase de "matériaprima obtida de cereal destinada à produção de uísque", com teor alcoólico de 63,5%, contrariamente às informações declaradas pelo importador, bem assim nos respectivos Certificados de inspeção Vegetal, expedidos pelo MAPA, onde constaram teor de 59,5%, para as mercadorias declaradas. Na decisão Embargada entendeu o colegiado, por negar provimento, cujo Acórdão foi assim ementado: O acórdão embargado possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 12/07/2002 EX TARIFÁRIO. MATÉRIAPRIMA DESTINADA À FABRICAÇÃO DE UÍSQUE. GRADUAÇÃO ALCOÓLICA SUPERIOR A 61%. Os destilados alcoólicos importados que constituem matériaprima destinada à fabricação de uísque e que apresentam graduação alcoólica superior a 61% GayLussac são tributados a titulo de IPI à aliquota de 70%, segundo o EX 003 do código NCM 2208.30.10 da TEC, sendo a falta de recolhimento, decorrente da declaração inexata da mercadoria, punível com a multa de oficio proporcional a 75% da diferença de tributo não recolhida, consoante expressa determinação legal. CLASSIFICAÇÃO FISCAL ANÁLISE LABORATORIAL PRECEDÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO ADUANEIRA. para fins de classificação da mercadoria o certificado emitido por solicitação da autoridade aduaneira revestese de força normativa capaz e suficiente para amparar a decisão da fiscalização, ainda que contrário à certificação de Inspeção Vegetal, cuja função, de controle administrativo, não se confunde com o controle fiscal, a cargo da fiscalização aduaneira Recurso Voluntário Negado Fl. 273DF CARF MF 4 Os Embargos apresentados sustentamse nas supostas omissões a seguir analisadas: 1 Das Omissões Alegadas 1.1 DA ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO Alega a embargante que a decisão embargada teria respaldadose exclusivamente em novo critério jurídico (graduação alcoólica), acrescentado, por inovação, pelo colegiado de primeiro grau, o que é vedado no ordenamento jurídico. Sustenta que, em primeira instância, julgouse procedente o auto de infração lavrado, sob o argumento de que o produto seria "matériaprima obtida de cereal destinada à fabricação de uisque". Porém, acrescentou um novo fundamento, em manifesta alteração de critério jurídico, ao indicar que o produto importado também apresentaria graduação alcoólica superior a 61% GayLussac, o que não foi mencionado no auto de infração. Não assiste razão a Embargante. Nos termos do SH/NCM, com os acréscimos de "Ex" inseridos pela legislação brasileira, há previsão de alíquotas diferentes para o IPI, a depender do "Ex" a que pertencer a mercadoria importada. O teor alcoólico de 59,5% + 1,5 (58% a 61%) estabelece o limite máximo para que o IPI incida na alíquota de 20% ("Ex" 002), conquanto no caso de o teor alcoólico situarse acima desse patamar, o IPI passa a ser de 70% ("Ex" 003): 2208.30 Uísques 2208.30.10 Com um teor alcoólico, em volume, superior a 50% vol, em recipientes de capacidade superior ou igual a 50 litros EX 001 — Destilado alcoólico chamado uísque de malte ("malt whisky') com teor alcoólico em volume de 59,5% +/ 1,5% (59,5% +/ 1,5% GayLussac), obtido de cevada maltada. ......................... Alíquota de IPI =20% EX 002 Destilado alcoólico chamado uísque de cereais ("grain whisky') com teor alcoólico em volume de 59,5% +/ 1,5% (59,5% +/ 1,5% GayLussac), obtido de cereal não maltado adicionado ou não de cevada maltada. .......................... Alíquota de IPI =20% EX 003 — Outras preparações próprias para elaboração de uísque. ......................... Alíquota de IPI =70% Consta da descrição dos fatos, parte integrante do Auto de Infração: A mercadoria foi submetida a análise laboratorial e o Laudo de Análise n° 0502/02, emitido pelo Laboratório de Análises do Ministério da Fazenda, conclui " Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10711.007428/200614 Acórdão n.º 3301004.236 S3C3T1 Fl. 9 5 TRATASE DE MATERIAPRIMA OBTIDA DE CEREAL DESTINADA A PRODUÇÃO DE UISQUE". Tendo em vista a conclusão laboratorial, verificouse que a alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (I.P.I) está incorreta, sendo que deveria ter sido aposta a aliquota de 70% 'EX' 003. Resta portando que a fiscalização, além de definir o produto importado (matéria prima obtida de cereal destinada a produção de uísque) estabeleceu o enquadramento do referido produto no "Ex" 003. Tal enquadramento deuse pelo fato de o teor alcoólico situarse em patamares superiores aos limites estabelecidos para outras classificações, especificamente aquela pretendida pela ora Embargante. Assim manifestouse o relator, no voto condutor do Acórdão embargado: "Para que se enquadre no "Ex 002, conforme pretende a Embargante, o teor alcoólico em volume deve situar se em 59,5% (com tolerância para mais ou menos em 1,5). A fiscalização concluiu, com base no Laudo requerido, que o enquadramento correto seria no "Ex 003", o qual encontramse os produtos com teor alcoólico deferente de 59,5, por exclusão" Portanto, inexiste a pretensa inovação jurídica no Acórdão Embargado, tampouco na decisão de primeira instância, que pudesse ensejar a omissão aventada, porquanto a fiscalização fundamentouse no fato de que o produto importado tratase de matériaprima obtida de cereal destinada à produção de uísque, com teor alcoólico de 63,5%. 1.2 NECESSIDADE DE BAIXAR OS AUTOS PARA DILIGÊNCIA Alega a Embargante que o Acórdão embargado incorreu em omissão por ter deixado de baixar os autos em diligência para verificar o correto percentual de álcool das mercadorias, porquanto houve manifesta contradição entre laudos que vinculam, necessariamente, este E. CARF. Vislumbrase que os presentes embargos, nesse pormenor, sequer preenchem os requisitos para serem conhecidos, porquanto não há prequestionamento acerca da matéria. Pelo contrário, no Recurso Voluntário vêse que a própria embargante entende por suficientes os elementos acostados nos autos. Vejamos excerto do Recurso Voluntário: [...] 12. Referido entendimento fiscal, acolhido pela decisão que ora se recorre, contudo, não deve subsistir, haja vista que conforme já mencionado, laudos e certificados comprovam de forma cabal que as mercadorias importadas apresentam, de fato graduação alcoólica de 59,5 %. Fl. 275DF CARF MF 6 [...] 30. Assim, não pode prevalecer a r. decisão ao manifestar o posicionamento de que a RECORRENTE não apresentou provas que sustentem suas alegações, notadamente em relação ao teor alcoólico da mercadoria, pois, os CERTIFICADOS DE INSPEÇÃO VEGETAL apresentados, concluíram que os produtos importados tratamse de ceral uísque, corroborando as informações constantes dos CERTIFICADOS DE ANALISE. [...] III DO PEDIDO 48. Por todo o exposto, em razão de restar comprovada a regular utilização da classificação fiscal adotada pela Recorrente, requer seja reformada a r. decisão, dandose provimento integral ao presente RECURSO VOLUNTÁRIO, com a conseqüente anulação do lançamento e arquivamento dos autos, por ser esta medida de inteira Justiça. ..... Assim, inexistente prequestionamento quanto à necessidade de diligência não há que se falar em obrigatoriedade de manifestação do colegiado acerca dessa matéria, inexistindo, igualmente, a alegada omissão. 1.3 ERRO DE FATO. Alega a Embargante que decisão afastou o laudo emitido pela MAPA, em favor do laudo emitido pelo LABOR, sob o argumento de que o primeiro teria sido emitido "antes do início do despacho aduaneiro", o que não representa a verdade, e que tal fato poderia alterar o entendimento do Relator em seu voto vencedor. A embargante sustenta que o Laudo não poderia ser emitido antes do início do despacho aduaneiro pois a própria legislação (Decreto 2.314/1997) determinava a necessidade de presença da mercadoria no território brasileiro e, por conseqüência, não seria possível a realização do referido laudo antes do início do despacho. Eis excerto do Acórdão Embargado, nesse pormenor: No presente caso, houve emissão, por parte do MAPA, antes do início do despacho aduaneiro, de Certificado de Inspeção Vegetal, autorizando a importação e a comercialização das mercadorias. Posteriormente, a RFB, em procedimento fiscal, determinou a realização de análise laboratorial e emissão de respectivo Laudo Técnico para a mercadoria importada. A análise ficou a cargo do Labana, Laboratório de Análises da RFB. O que se vê é nítida confusão, por parte da Embargante, quanto à legislação aplicável. O Decreto citado referese a padronização, classificação, registro, inspeção, produção e fiscalização de bebidas, especialmente voltado à fiscalização do MAPA, cujos procedimentos (em relação aos produtos importados) são realizados, v.r., previamente ao início do despacho aduaneiro. Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10711.007428/200614 Acórdão n.º 3301004.236 S3C3T1 Fl. 10 7 Ressaltese que o Laudo do MAPA não guarda relação com o despacho aduaneiro, sendo emitido por aquela autoridade administrativo em momento oportuno, nos termos por ela normatizado. Ademais, não obstante a embargante alegar que referidos laudos tenham sido emitidos no curso do despacho, não apresentou elementos que demonstrem tal afirmativa, limitandose exclusivamente às alegações textuais. Assim, verificase que as omissões alegadas, nesse pormenor, não se encontram objetivamente apontadas, contrariando as disposições do art. 65, § 3º do Ricarf. 1.4 DISPOSITIVO Com essas considerações, voto por Rejeitar os Embargos interpostos pelo contribuinte. É como voto. José Henrique Mauri relator Fl. 277DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.907082/2011-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/2001 a 31/03/2001
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO.
Comprovado nos autos que a origem do crédito apurado pelo Contribuinte diz respeito as receitas financeiras, excluídas da base de cálculo do PIS/COFINS por conta da decisão do STF que declarou inconstitucional a ampliação da base de cálculo, o crédito pleiteado deve ser admitido.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3302-004.978
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidades de votos, em dar provimento parcial para admitir o crédito da contribuição correspondente aos valores de receitas financeiras das contas DESCONTOS OBTIDOS, GANHO EM RENDA VARIÁVEL, GANHO EM RENDA FIXA, JUROS ATIVOS, PRÊMIOS S/ INVESTIMENTOS, RECUP. DESPESAS FINANCEIRAS, REND. DE APLICS. FINANCEIRAS, VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS E VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS, informados nas folhas do Livro Razão, constantes do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge L. Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/03/2001 a 31/03/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO. Comprovado nos autos que a origem do crédito apurado pelo Contribuinte diz respeito as receitas financeiras, excluídas da base de cálculo do PIS/COFINS por conta da decisão do STF que declarou inconstitucional a ampliação da base de cálculo, o crédito pleiteado deve ser admitido. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte
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Recorrente MOINHO GLOBO ALIMENTOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2001 a 31/03/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO. Comprovado nos autos que a origem do crédito apurado pelo Contribuinte diz respeito as receitas financeiras, excluídas da base de cálculo do PIS/COFINS por conta da decisão do STF que declarou inconstitucional a ampliação da base de cálculo, o crédito pleiteado deve ser admitido. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Acordam os membros do Colegiado, por unanimidades de votos, em dar provimento parcial para admitir o crédito da contribuição correspondente aos valores de receitas financeiras das contas DESCONTOS OBTIDOS, GANHO EM RENDA VARIÁVEL, GANHO EM RENDA FIXA, JUROS ATIVOS, PRÊMIOS S/ INVESTIMENTOS, RECUP. DESPESAS FINANCEIRAS, REND. DE APLICS. FINANCEIRAS, VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS E VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS, informados nas folhas do Livro Razão, constantes do recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 70 82 /2 01 1- 39 Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10930.907082/201139 Acórdão n.º 3302004.978 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge L. Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição (PER), transmitido eletronicamente, que foi indeferido nos termos do despacho decisório emitido pela DRF em Londrina, pois o pagamento indicado para dar suporte ao crédito estava totalmente utilizado para extinção de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Na manifestação de inconformidade apresentada em face do indeferimento de pedido de restituição (PER), a contribuinte alega que recolheu valores indevidos de PIS/Pasep e de Cofins, levando em conta a legislação vigente à época, que alargava a suas bases de cálculo ao considerar as receitas financeiras como integrantes do conceito de faturamento. Aduz, porém, que o STF considerou inconstitucional tal ampliação da base de cálculo. Anexando jurisprudência do STF e do CARF e planilha demonstrando as diferenças pleiteadas. Encaminhado para julgamento, a DRJ em Curitiba não acolheu as razões contidas na manifestação de inconformidade e manteve o indeferimento do pedido de restituição. Cientificada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário dirigido ao CARF, onde repete as razões já aduzidas, questiona a necessidade de ser parte em ação judicial questionando a constitucionalidade da incidência do PIS ou da Cofins sobre as receitas financeiras, informa que está apresentando cópia dos livros razão e diário, esclarece que é beneficiária da repercussão geral do RE nº 566.621, e, ao final, pede a reforma do acórdão anteriormente proferido. Ao analisar o recurso, a 2ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF, reconheceu, em face da repercussão geral, a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo e deu provimento parcial ao recurso, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito (análise dos livros diário e razão apresentados). A DRJ em Curitiba julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, por entender que o contribuinte não comprovou documentalmente a origem dos créditos que alegou possuir, nos termos do Acórdão nº 06053.785. Intimada da decisão de piso, a Recorrente interpôs recurso voluntário alegando, em síntese: preliminarmente (i) mudança de critério jurídico e cerceamento de defesa; (ii) decadência do direito de lançar ou revisar; e meritoriamente (iii) que há documentos nos autos que demonstram a origem do crédito apurado. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10930.907082/201139 Acórdão n.º 3302004.978 S3C3T2 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.965, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10930.907064/201157, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.965): "I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 24.12.2015 (fls.112) e protocolou Recurso Voluntário em 26.01.2015 (fls. 114129), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Preliminares II.1 Nulidade da decisão recorrido mudança de critério jurídico Segundo a Recorrente houve mudança de critério jurídico por parte da Turma Julgadora "a quo", na medida em que Despacho Decisório não homologou as compensações apresentadas pela Recorrente pelo fato de que todo o DARF havia sido integralmente utilizado para extinguir débito do contribuinte, ao passo que a segunda decisão recorrida motivou o indeferindo do crédito pela não comprovação da origem do crédito através de documentação hábil e idônea. Sobre mudança de critério jurídico, vale transcrever os ensinamentos do i. professor Hugo Brito de Machado Machado que, com a clarividência que lhe é peculiar expõe seu entendimento sobre o tema: Há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa simplesmente muda de interpretação, substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta. Também há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa, tendo adotado uma entre várias alternativas expressamente admitidas em lei, na feitura do lançamento, depois pretende alterar esse lançamento, mediante a escolha de outra das alternativas admitidas e que enseja a determinação de um crédito tributário em valor diverso, geralmente mais elevado (Hugo de Brito 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10930.907082/201139 Acórdão n.º 3302004.978 S3C3T2 Fl. 5 4 Machado, Curso de Direito Tributário, 12ª edição, Malheiros, 1997, p 123) No presente caso, entendo que não houve mudança de critério jurídico, na medida em que tanto a autoridade julgadora quanto a fiscalização analisaram a origem do crédito com base nos fatos e fundamentos apresentados pela Recorrente. Aliás a unidade julgadora ao proferir a segunda decisão nada mais fez do que cumprir a ordem proferida pelo Carf que determinou fosse feita a análise quanto a origem do crédito pleiteado, considerando que a questão sobre a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo das contribuições já havia sido solucionado pelo STF. Nesse contexto, coube à autoridade julgador analisar o direito da Recorrente com base nos novos fatos e documentos carreados aos autos, justificando, assim, a alteração dos fundamentos para manter o indeferimento do pedido de restituição, sem que isso acarrete em mudança de critério jurídico. Assim, afasto a preliminar de nulidade suscita pela Recorrente. II.2 Decadência Em síntese apartada, a Recorrente pleiteia a incidência do prazo decadencial do direito do fisco realizar o lançamento de fato gerador ocorrido em 30.06.2001, nos termos do §4º, do artigo 150, do CTN e, subsidiariamente, pede seja admitida a homologação tácita do pedido realizado em 30.06.2005. Em relação ao prazo decadencial, adoto como razão de decidir o voto do i. Julgador Jorge Olmiro Lock Freire, nos autos do processo nº 16327.910550/201157 (acórdão nº 3402004.468), posto : Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10930.907082/201139 Acórdão n.º 3302004.978 S3C3T2 Fl. 6 5 quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10930.907082/201139 Acórdão n.º 3302004.978 S3C3T2 Fl. 7 6 apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. No presente caso, a lide diz respeito apenas em relação ao pedido de restituição formulado pela Recorrente, inexistindo, para este caso aplicação do prazo decadencial pleiteado pelo contribuinte, razão, pela qual, deve ser afastado. III Mérito Inicialmente é imperioso destacar que a matéria em discussão diz respeito a comprovação da origem do crédito, posto que a questão sobre a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo das contribuições, já foi analisada na decisão de fls. 9299, proferida por este Conselho. Pois bem A decisão recorrida, manteve o indeferimento do pedido de restituição apresentada pela Recorrente com base nos seguintes fundamentos: No presente caso, a contribuinte apresentou excertos dos livros diário e razão, e neles consta o lançamento nas contas contábeis nºs 8.01.10.25.74 e 8.01.10.25.86, de valores de PIS e de Cofins que teriam incidido sobre as receitas financeiras do período e que, portanto, no entender da interessada, seriam passíveis de restituição. Compulsandose os autos, no entanto, constatase que neles não há qualquer comprovação acerca das contas contábeis e dos valores que compuseram as bases de cálculo das receitas financeiras consideradas pela contribuinte. Na falta dessa demonstração, apoiada, obviamente, em provas, não há como se verificar se os valores pleiteados realmente têm relação com receitas compreendidas no alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins e, nesse caso, não há como deferir o direito pleiteado. Com todo respeito ao entendimento proferido pela unidade julgadora que, analisou o direito creditório sob análise através dos documentos juntados no primeiro recurso voluntário, entendo que os documentos carreados pela Recorrente, juntados em ambos recursos voluntários demonstram, ainda que parcialmente, a origem do crédito apurado sobre as receitas financeiras, devendo, assim, ser deferido em parte o pedido de restituição sob análise. Isto porque, no entendimento deste relator, tanto as planilhas carreadas às fls. 2829, 155161 e 189, quanto os livros diário e razão carreados as fls. Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10930.907082/201139 Acórdão n.º 3302004.978 S3C3T2 Fl. 8 7 5962 e 131154 e, o Documento de Arrecadação de Receitas Federais de fls. 130 documentos juntados nos recursos voluntários interpostos pela Recorrente , demonstram e lastrearam parte do crédito apurado pela Recorrente. Com efeito, o crédito apurado pela Recorrente foi devidamente informado em seu livro razão carreado às fls.147152 e, está amparado pelas planilhas fornecidas pelo contribuinte que demonstram o cálculo do tributo e forma de apuração do crédito (fls.189), inexistindo, assim, ausência de comprovação da origem do crédito. É de se ver que nos documentos carreados às fls.147 e seguintes, especialmente o plano de contas de fls. 165166, há o registro das seguintes receitas financeiras contabilizadas no razão do período sob análise: Descontos Obtidos; Juros Ativos; Rendimentos de Aplicação Financeira e Variação Monetária Ativa. Contudo, os valores registrados pela Recorrente em sua contabilidade são inferiores aos valores objeto do pedido de restituição, justificando, assim, o deferimento parcial do crédito pleiteado. Importante registrar, que o contribuinte não foi intimado à demonstrar a composição das receitas financeiras, sendo que as questões concernentes a prova da origem do crédito foram suscitadas somente na decisão de primeiro grau. Neste caso, havendo dúvida quanto à origem do crédito, deveria a unidade julgadora converter o julgamento em diligência e dar oportunidade ao contribuinte de apresentar outros documentos e, não simplesmente descartar os documentos carreados aos autos para afastar o direito por ausência de provas. Neste cenário, diversamente do que entendeu a unidade julgadora, vejo que os documentos juntados pela Recorrente, se prestam à comprovar, ainda que parcialmente, a origem do crédito. IV Conclusão Diante do exposto, rejeito as preliminares de nulidade e decadência, e no mérito dou parcial provimento ao recurso voluntário para admitir o crédito da contribuição correspondente às valores de receitas financeiras das contas DESCONTOS OBTIDOS, GANHO EM RENDA VARIÁVEL, GANHO EM RENDA FIXA, JUROS ATIVOS, PRÊMIOS S/ INVESTIMENTOS, RECUP. DESPESAS FINANCEIRAS, REND. DE APLICS. FINANCEIRAS, VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS E VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS, informados nas folhas do Livro Razão de fls. 147 e seguintes. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Assim, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo os documentos juntados pela Recorrente se prestam à comprovar, ainda que parcialmente, a origem do crédito. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu rejeitar as preliminares de nulidade e decadência, e no mérito dar parcial provimento ao recurso voluntário para admitir o crédito da contribuição correspondente aos valores de receitas Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10930.907082/201139 Acórdão n.º 3302004.978 S3C3T2 Fl. 9 8 financeiras das contas DESCONTOS OBTIDOS, GANHO EM RENDA VARIÁVEL, GANHO EM RENDA FIXA, JUROS ATIVOS, PRÊMIOS S/ INVESTIMENTOS, RECUP. DESPESAS FINANCEIRAS, REND. DE APLICS. FINANCEIRAS, VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS E VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS, informados nas folhas do Livro Razão, constantes do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 202DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11330.000161/2007-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1996
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 08.
As contribuições previdenciárias, assim como os demais tributos, sujeitam-se aos prazos decadenciais prescritos no Código Tributário Nacional, restando fulminados pela decadência os créditos tributários lançados cuja ciência do contribuinte tenha ocorrido após o decurso do prazo quinquenal legalmente previsto.
Numero da decisão: 2201-004.042
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e prover o recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Ausente, justificadamente, a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1996 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 08. As contribuições previdenciárias, assim como os demais tributos, sujeitam-se aos prazos decadenciais prescritos no Código Tributário Nacional, restando fulminados pela decadência os créditos tributários lançados cuja ciência do contribuinte tenha ocorrido após o decurso do prazo quinquenal legalmente previsto.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-03-28T10:46:57Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-03-28T10:46:57Z; Last-Modified: 2018-03-28T10:46:57Z; dcterms:modified: 2018-03-28T10:46:57Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:3f05758c-9ca1-4100-be19-b5768e04f9ae; Last-Save-Date: 2018-03-28T10:46:57Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-03-28T10:46:57Z; meta:save-date: 2018-03-28T10:46:57Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-03-28T10:46:57Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-03-28T10:46:57Z; created: 2018-03-28T10:46:57Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2018-03-28T10:46:57Z; pdf:charsPerPage: 1472; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-03-28T10:46:57Z | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11330.000161/200762 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 2201004.042 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de fevereiro de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente NET RIO S/A E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1996 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 08. As contribuições previdenciárias, assim como os demais tributos, sujeitamse aos prazos decadenciais prescritos no Código Tributário Nacional, restando fulminados pela decadência os créditos tributários lançados cuja ciência do contribuinte tenha ocorrido após o decurso do prazo quinquenal legalmente previsto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e prover o recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente, justificadamente, a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 01 61 /2 00 7- 62 Fl. 384DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.040 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 11330.000216/200734, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2201004.040 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária " O presente processo trata de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, referente às contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, Empregados, Empresa, inclusive para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais de trabalho, e Terceiros. O valor originário lançado é relativo ao período de apuração constante do documento fiscal, sobre o qual incidiram multa e juros. A análise do Relatório Fiscal indica: que a Notificação em tela teve por objetivo substituir a NFLD que foi anulada pelo Conselho de Recursos da Previdência Social, por vício formal, erro na classificação da fundamentação legal do fato gerador das contribuições apuradas; que a lavratura da Notificação tem fundamento no inciso II do art. 45 da Lei 8.212/91, que assegura à Seguridade Social o direito de apurar e constituir seus créditos em até 10 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada; que o fato gerador das contribuições apuradas foi a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados da empresa prestadora, cedidos à empresa NET Rio S.A. (tomadora), cuja responsabilidade foi atribuída a esta última por solidariedade, não afastada nos termos da legislação (§ 4º do art. 31 da Lei 8.212/91). A NET Rio S.A. foi devidamente cientificada do lançamento e, inconformada, formalizou tempestivamente sua impugnação, estruturada nos seguintes tópicos: Preliminares: da necessidade de adequada constituição do pólo passivo desta NFLD; da necessidade de oferecerse ciência ao ora defendente, dos termos de eventual defesa apresentada pelo contribuinte gerador da solidariedade imposta nesta NFLD; Fl. 385DF CARF MF Processo nº 11330.000161/200762 Acórdão n.º 2201004.042 S2C2T1 Fl. 3 3 da inexistência de atos fiscais hábeis à minimização dos riscos de lançamentos em duplicidade; da inexistência de providências fiscais aptas à caracterização da ocorrência da cessão de mãodeobra hábil à geração da solidariedade previdenciária; da ocorrência da decadência quinquenal; De mérito: da condição legal da notificada; dos aspectos valorativos das exageradas alíquotas utilizadas para mensuração dos saláriosdecontribuição extraídos de faturas de serviço; Já a empresa prestadora apresentou intempestivamente sua impugnação. Na análise da impugnação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento considerou procedente em parte o lançamento, promovendo a exclusão dos créditos tributários relativos às contribuições sociais destinadas a outras entidades ou fundos, por não comportar lançamento por solidariedade. No mais, entendeu improcedentes os argumentos da defesa, inclusive em relação à decadência, que concluiu ser de 10 anos, nos termos do art. 45 da Lei 8.212/91. Ciente do Acórdão da DRJ, ainda inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual trouxe à balha considerações sobre a edição da então recente Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal. Na sequência, o recurso, basicamente, constituise na reafirmação dos mesmos tópicos já tratados na impugnação. Posteriormente, o recorrente apresentou nova petição, exclusivamente para reiterar suas considerações sobre a necessidade de cancelamento do lançamento em razão da citada Súmula Vinculante nº 08. É o relatório necessário.." Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.040 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 05 de fevereiro de 2018, proferido no julgamento do processo n° 11330.000216/200734, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Fl. 386DF CARF MF 4 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.040 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 05 de fevereiro de 2018: Acórdão nº 2201004.040 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Em razão de ser tempestivo e por preencher demais condições de admissibilidade, conheço do presente Recurso Voluntário. Por constituir matéria preliminar de mérito, relevante iniciar a análise do presente pela alegação de que os débitos lançados são relativos a períodos de apuração alcançados pela decadência. Como se viu no relatório supra, tanto a Autoridade Fiscal quanto o Julgador de 1ª Instância ampararam seus atos (lançamento e decisão) nos termos do art. 45 da Lei 8.212/91, cuja redação então vidente era a seguinte: art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada. O débito ora sob análise decorre do cancelamento, por vício formal, de lançamento anterior. No presente caso, considerando os termos do art. 45 da Lei 8.212/91, o prazo decadencial teria início na data em que se tornou definitiva a decisão que cancelou o lançamento julgado nulo por vício formal. Não obstante, por não ter sido juntado aos autos os elementos que pudessem indicar a data efetiva em que esta se tornou definitiva e considerando que tratar do tema agora resultaria em inovação da lide administrativa com a inclusão de questão sobre a qual a autoridade lançadora, a autoridade julgadora e a defesa não se manifestaram, há que se considerar, como início do prazo decadencial, a data em que foi exarada a decisão definitiva que fulminou o lançamento original. Assim, levandose em consideração os estritos termos da legislação vigentes na época do lançamento, não haveria que se falar em decadência. Não obstante, em Sessão Extraordinária realizada em 12 de julho de 2008, o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, editando a Súmula Vinculante n° 08, nos seguintes termos: Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei Fl. 387DF CARF MF Processo nº 11330.000161/200762 Acórdão n.º 2201004.042 S2C2T1 Fl. 4 5 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Assim, resta evidente a inaplicabilidade do art. 45 da lei 8.212/91 para amparar o direito da fazenda pública em constituir o crédito tributário mediante lançamento, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições previdenciárias sujeitamse aos artigos 150, § 4º, e 173 da Lei 5.172/66 (CTN), cujo teor merece destaque: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Grifouse Desta forma, considerando a data da prolação de decisão definitiva que anulou o lançamento como termo inicial para contagem do prazo decadencial, em cotejo com a data da ciência do lançamento substitutivo, há que se reconhecer que, nesta data, o direito do fisco em constituir o crédito tributário ora sob análise já se apresentava fulminado pela decadência. Conclusão: Por tudo que consta nos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais acima expostos, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, doulhe provimento para considerar fulminados pela decadência todos o débitos contidos na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito em discussão. Fl. 388DF CARF MF 6 Quanto às demais matérias questionadas pela recorrente, deixo de analisálas, por restarem prejudicadas em razão da decadência reconhecida. Carlos Alberto do Amaral Azeredo – Relator” Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Fl. 389DF CARF MF
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