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Numero do processo: 10715.001619/2009-85
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Exercício: 2004
Ementa: REGISTRO DOS DADOS DE EMBARQUE DE MERCADORIAS
DESTINADAS À EXPORTAÇÃO. REALIZAÇÃO INTEMPESTIVA.
INFRAÇÃO. PENALIDADE.
A apresentação de registro de dados de embarque de mercadorias feita fora do prazo definido na Instrução Normativa SRF nº 28/94 constitui, por si só, infração de caráter objetivo, independente da intenção do agente, nos termos do art. 136 do Código Tributário Nacional, sujeitando seu infrator à penalidade prevista no art. 107, IV, e, do Decreto-lei nº 37/66.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2004
Ementa: RETROATIVIDADE DE NORMA BENÉFICA ANTES DE
JULGAMENTO DEFINITIVO.
De acordo com o art. 106, II, a, do Código Tributário Nacional, é de ser aplicada norma que aumenta o prazo para apresentação do registro de dados de embarque, por deixar de considerá-lo
intempestivo no prazo mais exíguo exigido pela regra revogada.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2004
Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO. NOVOS ARGUMENTOS
TRAZIDOS AO PROCESSO SEM APRECIAÇÃO DA INSTÂNCIA
ORIGINÁRIA. NÃO CONHECIMENTO.
De acordo com os arts. 16, III, e 17, do Decreto nº 70.235/72, não são passíveis de conhecimento em sede recursal argumentos novos, que não tenham sido apreciados pela instância a quo.
Recurso Voluntário Conhecido Parcialmente e Provido Parcialmente.
Numero da decisão: 3802-000.556
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário..
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Obrigações Acessórias Exercício: 2004 Ementa: REGISTRO DOS DADOS DE EMBARQUE DE MERCADORIAS DESTINADAS À EXPORTAÇÃO. REALIZAÇÃO INTEMPESTIVA. INFRAÇÃO. PENALIDADE. A apresentação de registro de dados de embarque de mercadorias feita fora do prazo definido na Instrução Normativa SRF nº 28/94 constitui, por si só, infração de caráter objetivo, independente da intenção do agente, nos termos do art. 136 do Código Tributário Nacional, sujeitando seu infrator à penalidade prevista no art. 107, IV, e, do Decreto-lei nº 37/66. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2004 Ementa: RETROATIVIDADE DE NORMA BENÉFICA ANTES DE JULGAMENTO DEFINITIVO. De acordo com o art. 106, II, a, do Código Tributário Nacional, é de ser aplicada norma que aumenta o prazo para apresentação do registro de dados de embarque, por deixar de considerá-lo intempestivo no prazo mais exíguo exigido pela regra revogada. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2004 Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO. NOVOS ARGUMENTOS TRAZIDOS AO PROCESSO SEM APRECIAÇÃO DA INSTÂNCIA ORIGINÁRIA. NÃO CONHECIMENTO. De acordo com os arts. 16, III, e 17, do Decreto nº 70.235/72, não são passíveis de conhecimento em sede recursal argumentos novos, que não tenham sido apreciados pela instância a quo. Recurso Voluntário Conhecido Parcialmente e Provido Parcialmente.
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REALIZAÇÃO INTEMPESTIVA. INFRAÇÃO. PENALIDADE. A apresentação de registro de dados de embarque de mercadorias feita fora do prazo definido na Instrução Normativa SRF nº 28/94 constitui, por si só, infração de caráter objetivo, independente da intenção do agente, nos termos do art. 136 do Código Tributário Nacional, sujeitando seu infrator à penalidade prevista no art. 107, IV, e, do Decretolei nº 37/66. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2004 Ementa: RETROATIVIDADE DE NORMA BENÉFICA ANTES DE JULGAMENTO DEFINITIVO. De acordo com o art. 106, II, a, do Código Tributário Nacional, é de ser aplicada norma que aumenta o prazo para apresentação do registro de dados de embarque, por deixar de considerálo intempestivo no prazo mais exíguo exigido pela regra revogada. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2004 Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO. NOVOS ARGUMENTOS TRAZIDOS AO PROCESSO SEM APRECIAÇÃO DA INSTÂNCIA ORIGINÁRIA. NÃO CONHECIMENTO. De acordo com os arts. 16, III, e 17, do Decreto nº 70.235/72, não são passíveis de conhecimento em sede recursal argumentos novos, que não tenham sido apreciados pela instância a quo. Fl. 139DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/1 0/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Recurso Voluntário Conhecido Parcialmente e Provido Parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário.. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. (assinado digitalmente) EDITADO EM: 05/07/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barros Rios, Tatiana Midori Migiyama, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte epigrafado contra o Acórdão n.º 07 21563 de 15/10/2010, de lavra da 1ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento do Florianópolis/SC. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente sejam revisitados os atos e fases processuais já superados. Por bem resumir a controvérsia até a respectiva fase processual, tomo emprestado a descrição fática lançada no acórdão da instância a quo acima referido (fl. 49 dos autos): Trata o presente processo do auto de infração de fls. 02 a 05 por meio do qual encontrase formalizada a exigência do crédito tributário no valor de R$ 105.000,00 em decorrência do fato de a interessada, segunda a autuação, ter registrado intempestivamente os dados de embarque de mercadorias, relativos aos despachos de exportação indicados na planilha juntada as fls. 06 a 09, descumprindo dessa forma a obrigação acessória prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 27 de abril de 1994, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF n° 510, de 14 de fevereiro de 2005, sujeitandose por essa infração multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Fl. 140DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/1 0/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10715.001619/200985 Acórdão n.º 380200.556 S3TE02 Fl. 123 3 Decretolei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833, de 2003. Cientificada da exigência que lhe é imposta, a interessada apresenta a impugnação de fls. 20 a 35, argumentando, em síntese, que: a) a autuação utilizou a norma do art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994 com a redação dada pela Instrução Normativa SRF n° 05 para embarques ocorridos anteriormente à vigência da nova redação o que é impossível; b) ocorreu violação ao principio da proporcionalidade, da razoabilidade e da isonomia; c) não é aplicada ao caso a norma prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Drecretolei n° 37, de 1966; d) para fins de realizar os registros em questão, no Siscomex, fica na dependência de informações por parte do exportador e de outras pessoas intervenientes no processo; e) ao tempo em que deveria ter efetuado os registros em questão, no Siscomex, ocorreu falha no sistema impedindo a realização dos mesmos; e f) a aplicação de penalidade deve ser afastada em razão da Solução de Consulta n° 215, de 16 de agosto de 2004 (esta solução de consulta foi proferida pela SRRF na 9' Regido Fiscal). Ao analisar a impugnação oposta à ação fiscal, a 1ª. Turma da DRJ de Florianópolis/SC entendeu pela procedência do lançamento tributário, refutando os argumentos expendidos na peça defensiva do sujeito passivo. Confirase a ementa do julgado: Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2004 Ementa: Registro dos dados de embarque de mercadorias destinadas exportação. Realização. Intempestiva. Infração. Penalidade. O registro dos dados de embarque, no Siscomex, relativo à mercadoria destinada à exportação realizado fora do prazo fixado constitui infração pelo descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994 sujeitando o transportador multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decretolei n° 37, de 18 de novembro de 1966. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seu Recurso Voluntário (fls. 74105), que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, pelo qual, além de reiterar os argumentos já aduzidos por ocasião da sua impugnação inicial, requer: (i) a aplicação de retroatividade de norma tributária posterior que aumentou o prazo para apresentação dos registros de dados de embarque de mercadorias transportadas para o exterior; (ii) limitação valorativa da multa no montante de R$ 5.000,00 – aplicandose a multa definida no art. 107, IV, e, do Decretolei nº 37/66 uma única vez sobre todos os registros de embarque intempestivos e não por cada registro atrasado, já que o legislador não teria “vinculado referida conduta a um evento determinado”; e (iii) pedido de relevação da pena a ser encaminhado ao Ilmo. Sr. Secretário da Receita Federal do Brasil, nos termos do art. 736 do Regulamento Aduaneiro (aprovado pelo Decreto 6759/2009), “já que no caso em comento não houve qualquer dano ao Erário, bem como por restar patente a ausência de dolo por parte do contribuinte”. No mais, o Recorrente arremata sua peça recursal pugnando pela inaplicabilidade de qualquer penalidade, já que este “efetivamente lançou o registro de Fl. 141DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/1 0/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 embarque das mercadorias, mas o sistema simplesmente não gravou, fazendo com que a Recorrente tivesse que lançar novamente, extrapolando o prazo estabelecido pela Instrução Normativa”. Os autos então seguiram ao CARF para conhecimento e julgamento da referida manifestação recursal. Sendo esses os aspectos mais relevantes do presente procedimento de revisão de lançamento tributário, passase ao voto. Voto Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi, Relator O recurso se mostra admissível quanto à sua tempestividade, motivo pelo qual passo ao respectivo exame. Compulsando os autos, verificase que o lançamento de ofício contestado resultou de registros de embarque realizados a destempo, já que posteriores ao prazo exigido pela legislação. À época da ocorrência dos fatos geradores, o art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28/94 determinava os registros de embarque no SISCOMEX imediatamente após o efetivo transporte da mercadoria exportada, nos termos que seguem abaixo: Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. Parágrafo único. Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no S1SCOMEX, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos à unidade da SRF de despacho. O Recorrente, na qualidade de transportador, nada obstante tecer longas linhas sobre o conteúdo jurídico da expressão imediatamente, sabe ou deveria saber que além do vernáculo não abrir possibilidades de dilação temporal ao conceito comum imediatamente, a Notícia SISCOMEX nº 105/94 esclarece que a exigência de apresentação imediata comporta até 24 horas de tolerância para o cumprimento da referida obrigação acessória. Por oportuno, esclarecemos que o termo imediatamente, contido no art. 37 da IN 28/94, deve ser interpretado como "em até 24 horas da data do efetivo embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes no Siscomex, com base nos documentos por ele emitidos". Salientamos o disposto no art. 44 da referida IN, ou seja, a previsão legal para autuação do transportador no caso de descumprimento do previsto no artigo acima referenciado. Observese que a referida Notícia faz menção expressa à previsão legal para autuação do transportador, o que realça ainda mais sua adequação ao caso. Nada obstante isso, o Recorrente deixou de cumprir o disposto na IN SRF nº 28/94, vindo a efetuar o registro dos embarques das mercadorias somente depois dessas 24 horas, em diversas ocasiões ao longo do exercício de 2004. Isso, de plano, já rechaça seu argumento de necessidade de interpretação mais benéfica ao sujeito, ante a dúvida sobre o Fl. 142DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/1 0/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10715.001619/200985 Acórdão n.º 380200.556 S3TE02 Fl. 124 5 conteúdo jurídico da expressão imediatamente carreada pelo art. 37 da IN SRF nº 28/94 (item III.1 do Recurso Voluntário). Apesar, todavia, da apresentação dos registros de embarque ter superado 24 horas (ferindo assim as disposições da IN SRF nº 28/94), o Auto de Infração, lavrado em 2009, já partiu de norma mais benéfica – qual seja a redação dada ao mesmo dispositivo pela IN SRF nº 510/2005, que passou a tolerar a apresentação dos registros de embarque dentro do prazo de dois dias contados da data da realização do embarque, in verbis: Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias contado da data da realização do embarque. § 1º Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da SRF de despacho. § 2° Na hipótese de embarque marítimo, o transportador terá o prazo de sete dias para o registro no sistema dos dados mencionados no caput deste artigo. (grifouse) Isso porque a própria autoridade administrativa já houvera reconhecido a aplicação da norma mais benéfica para o sujeito passivo, uma vez que o art. 37 da IN SRF nº 28/94, com a redação dada pela IN SRF nº 510/2005, passou a considerar intempestivos – infracionais, portanto – os registros de embarque apresentados somente após dois dias, e não mais as exíguas 24 horas exigidas à época da ocorrência dos fatos geradores. Ora, fezse o quanto exigido pelo art. 106, II, a, do Código Tributário Nacional, que exige a aplicação retroativa da norma que deixe de considerar como infração algum ato não definitivamente julgado. Incabíveis, destarte, os argumentos do sujeito passivo quanto à suposta nulidade material do auto de infração por penalização do contribuinte “com base em norma inexistente no momento do fato gerador” (item II.2 do Recurso Voluntário), já que, em verdade, o sujeito passivo foi beneficiado pela aplicação da redação da IN SRF nº 28/94 inovada pela IN SRF nº 510/2005. O Recorrente, todavia, mesmo pretendendo anular o auto de infração pela aplicação de norma posterior à vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, amparase no critério adotado pela autoridade administrativa (e reafirmado pela instância a quo) para buscar a aplicação de norma mais recente, que, alterando novamente a redação da IN SRF nº 28/94, aumentou o prazo para apresentação dos registros de embarque para sete dias. Tratase da IN RFB nº 1096/2010, que, modificando o art. 37 da IN SRF nº 28/94, deixou referida norma com a seguinte redação: Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contados da data da realização do embarque. § 1º Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, ferroviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) de despacho. § 2º Na hipótese de o registro da declaração para despacho aduaneiro de exportação ser efetuado depois do embarque da mercadoria ou de sua saída do Fl. 143DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/1 0/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 território nacional, nos termos do art. 52, o prazo a que se refere o caput será contado da data do registro da declaração. § 3º Os dados de embarque da mercadoria poderão ser informados pela fiscalização aduaneira nas hipóteses estabelecidas em ato da CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (Coana). De fato, a regra ora vigente possui disposição que beneficia o sujeito passivo, ao considerar intempestivos somente os registros de embarque apresentados após o decurso de sete dias contados da data da realização do embarque. É de se aplicar então o art. 106, II, a, do Código Tributário Nacional, o qual impõe a retroatividade da norma que deixa de considerar infrações certos atos ainda não definitivamente julgados. No caso particular, não é mais infração, para os fins da legislação aduaneira, a apresentação do registro de embarque após dois dias contados da data da realização do embarque, desde que essa apresentação não ocorra em tempo superior a sete dias. Desse modo, é de se excluir do presente lançamento todo e qualquer registro de embarque porventura feito em prazo inferior a sete dias, em estrita observância ao que determina a IN SRF nº 28/94, com a redação dada pela IN RFB nº 1096/2010. Acolhese, portanto, a preliminar constante do item II.1 do Recurso Voluntário. Quanto ao mérito No que toca o mérito, o Recorrente traz como argumentos (i) a razoabilidade, para que se interprete de modo mais favorável ao sujeito passivo a regra tributária que impunha prazo imediato para apresentação dos registros de embarque, ante a indeterminação daquele conceito e as inconsistências sistêmicas do SISCOMEX, (ii) a inexigibilidade da multa ante a configuração de denúncia espontânea, (iii) a ausência de prejuízo ao fisco (que inclusive culmina no pedido de relevação da pena ao Secretário da Receita Federal do Brasil) e (iv) a atribuição de uma única multa de R$ 5.000,00 por todos os atrasos nos registros de embarque. Passo à análise de cada um deles. No que tange o pedido de interpretação mais favorável ao sujeito passivo, os argumentos do Recorrente não podem ser acolhidos. Já no início do voto expus que a Notícia SISCOMEX nº 105/94 trouxe ao mundo jurídico, cerca de dez anos antes da ocorrência dos fatos geradores objeto do presente lançamento tributário, esclarecimento quanto ao conteúdo jurídico da expressão imediatamente, constante do art. 37 da IN SRF nº 28/94. Impraticável, portanto, o Recorrente, que tem como uma de suas atividades fim o transporte de mercadorias para o exterior, simplesmente desconsiderar isso. E ainda assim, eventual desconhecimento dessa regra (que nem mesmo foi alegado pelo sujeito passivo, reforçando sua presunção de conhecimento ante a publicação no Diário Oficial da União) não constitui erro escusável, para quaisquer fins de direito. O Recorrente reforça seu argumento aduzindo que o SISCOMEX é um sistema extremamente instável, que por vezes não registra certas informações do sujeito Fl. 144DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/1 0/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10715.001619/200985 Acórdão n.º 380200.556 S3TE02 Fl. 125 7 passivo, e, por outras, mostrase inflexível quanto a pequenas divergências eventuais entre características das mercadorias exportadas (gramas, na literalidade do Recurso Voluntário). Ocorre que o artigo 136 do Código Tributário Nacional é claro ao dispor que: Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Assim é que eventuais inconsistências do SISCOMEX não podem servir como excludente de responsabilidade tributária, já que o sujeito passivo dispõe de dias para efetuar o registro do embarque. Deve, portanto, ser diligente para evitar que divergências com seu cliente exportador, ou mesmo eventuais quedas do sistema, prejudiquem o cumprimento da sua obrigação tributária. Por sua vez, a alegação de inexigibilidade da multa por configurarse denúncia espontânea também não pode ser acatada. O Recorrente aduz que a mera apresentação dos registros de embarque, ainda que a desoras, desde que feita antes de qualquer ação fiscal investigativa desse fato, redunda em denúncia espontânea – que excluiria sua responsabilidade pela infração, nos termos do art. 138 do Código Tributário Nacional. No caso em tela, a infração é objetiva pelo simples decurso do prazo para apresentação do registro de embarque. Assim, uma vez transcorrido esse prazo sem que o sujeito passivo tenha adimplido com sua obrigação, a infração restará caracterizada. Admitir a denúncia espontânea no caso em tela seria transformar esse instituto em instrumento de permissibilidade para infrações referentes a obrigações acessórias, já que o simples cumprimento, no tempo intentado pelo sujeito passivo (desde que antes de descoberto pela fiscalização), não o levaria a qualquer tipo de responsabilização. O instituto, no lugar de incentivar o voluntarismo do sujeito passivo em reconhecer seu erro e buscar retificá lo, incentivaria o atraso no cumprimento das obrigações acessórias. Esse tem sido o entendimento de ambas as Turmas de Direito Público do STJ e também do CARF. No que toca o CARF, apenas à guisa de ilustração transcrevo o Acórdão abaixo: Acórdão nº 10195.964, de 25/01/2007 Ementa NULIDADE Não há vedação para a assinatura digital, não implicando vício formal nem cerceamento de defesa. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DENÚNCIA ESPONTÂNEA O instituto da denúncia espontânea para excluir a responsabilidade por infração não alcança a multa por atraso na entrega da declaração. De igual modo, a multa a ser aplicada no caso em tela não é feita por provocar prejuízos materiais ao fisco, mas por simples descumprimento de obrigação acessória. Assim é que, uma vez ocorrido o fato gerador, nos termos do art. 115 do Código Tributário Nacional, o sujeito passivo está vinculado ao ente tributante para cumprir com um dever formal diferente do pagamento. Seu descumprimento já é mais do que suficiente para a imputação de penalidade: tratase de multa de caráter formal. Fl. 145DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/1 0/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 8 Assim, o fato de não haver falta de recolhimento de tributos não pode servir como excusante para aplicação de penalidade pelo sujeito passivo quanto ao descumprimento de suas obrigações acessórias. A rigor, a simples independência entre essas duas obrigações – conceito basilar do direito tributário – já leva a essa conclusão. Quanto aos dois últimos argumentos expendidos no Recurso Voluntário (pedido de relevação de penalidade ao Secretário da Receita Federal e recálculo da multa) não podem ser conhecidos, por não terem sido aduzidos à instância originária. Isso porque o Decreto nº 70.235/72 é claro ao determinar, em seu artigo 16, III, que: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; O art. 17 do mesmo diploma arremata quanto à matéria que não tenha sido objeto da impugnação: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Assim, não havendo sido aduzidos na impugnação os argumentos ora sob exame, não podem eles ser objeto de conhecimento em sede de Recurso Voluntário. Conclusão Isto posto, conheço parcialmente do recurso voluntário para DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, a fim de se aplicar a redação do art. 37 da IN SRF nº 28/94 dada pela IN RFB nº 1096/2010, excluindose do lançamento, por conseguinte, todos os registros de embarque apresentados dentro do prazo de sete dias contados da data do embarque das mercadorias transportadas. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 146DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/1 0/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 11962.000890/2001-97
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO.
CARÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DO DIREITO. INDEFERIMENTO
DO PLEITO.
Não há como se reconhecer direito creditório inerente a crédito presumido do IPI decorrente de pedido de alegada apuração descentralizada onde a interessada, além de não demonstrar nem mesmo a qual de suas filiais correspondia o pleito, ainda não apresentou minimamente demonstrativo do quantum ao qual alegava fazer jus.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-000.452
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CARÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DO DIREITO. INDEFERIMENTO DO PLEITO. Não há como se reconhecer direito creditório inerente a crédito presumido do IPI decorrente de pedido de alegada apuração descentralizada onde a interessada, além de não demonstrar nem mesmo a qual de suas filiais correspondia o pleito, ainda não apresentou minimamente demonstrativo do quantum ao qual alegava fazer jus. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. EDITADO EM: 05/05/2011 Fl. 296DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/05/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3ª Turma da DRJ Juiz de Fora MG (fls. 191/199), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada relativamente ao não reconhecimento de alegado direito creditório objeto do pedido de ressarcimento do IPI, cumulado com pedido de compensação, acostado às fls. 01/02 dos autos. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Versa o presente processo sobre apreciação de pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, formalizado pela interessada em epígrafe à fl. 01, no valor de R$ 289.897,19, concernente ao 4º trimestre de 1998. Na fl. 02, consta pedido de compensação do valor acima com débito de IRPJ. O Serviço de Fiscalização (SEFIS) da Delegacia da Receita Federal (DRF) em VitóriaES intimou a interessada a prestar os esclarecimentos consignados nas intimações de fls. 49/52, advindo a resposta de cópia às fls. 58/59, com destaque para o trecho seguinte: “(...) 2 O processo 11543.001294/0012 também referese efetivamente ao Crédito Presumido de IPI como ressarcimento do PIS e da COFINS, baseado na Lei 9.363/96, e sua relação com os processos 11962.000888/200118, 11962.000889/200162 e 11962.000890/200197 é igualmente de ajuste aos critérios corretos da concessão legal desse incentivo fiscal e de complementaridade, abrangendo as compras e o consumo dos insumos oriundos dos ingressos de mercadorias adquiridas de pessoas jurídicas, pessoas físicas e cooperativas, no período 1998 a 2001; (...) 4 Informamos ainda que o Crédito Presumido relativo ao anobase 1998 foi apurado descentralizadamente, com os dados das nossas unidades fabris localizadas em outras unidades da Federação,... 5 ... confirmamos que para o períodobase 1998 ora em exame não se aplica o disposto no Art. 6º da Instrução Normativa SRF nº 103, de 30 de Dezembro de 1997, (...), ou seja, nossas fábricas realizaram a operação fiscal de exportação direta dos produtos nela fabricados, sem transferílos [sic] para qualquer outro estabelecimento da empresa para posterior remessa ao mercado exterior, o que não nos submete, nesse período, à apuração centralizada do Crédito Presumido de que trata a presente fiscalização. (...)” (negritos e grifo acrescidos) Nas fls. 10/45, são apresentadas cópias de folhas do livro fiscal Registro de Apuração do IPI (RAIPI), nº de ordem 01, do estabelecimento matriz interessado, e, nas fls. 60/92, cópias de processos administrativos de pedidos de compensação e de restituição formalizados pela empresa. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/05/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 11962.000890/200197 Acórdão n.º 380200.452 S3TE02 Fl. 269 3 Em análise de legitimidade, o SEFIS da DRFVitória, na informação fiscal de fls. 93/94, concluiu pelo indeferimento do pedido de ressarcimento consoante o exposto abaixo: “(...) O contribuinte respondeu à intimação informando, em suma, que o crédito presumido de IPI para o ano de 1998 foi apurado de forma descentralizada, uma vez que poderia optar por esta forma de apuração por não se enquadrar em nenhuma situação que o obrigasse a proceder à apuração de forma centralizada, sendo que os processos protocolados para as filiais tratavamse, efetivamente, da apuração de crédito presumido do IPI de que trata a Lei 9.363/96 e os processos protocolados para a matriz referiamse a ajustes nos critérios de concessão deste incentivo e conseqüente complementação dos pedidos protocolados para as filiais, abrangendo as compras e o consumo das aquisições feitas de pessoas jurídicas, pessoas físicas e cooperativas para o período de 1998 a 2001 (doc. fls. 58 a 59). Analisando o Livro Registro de Apuração do IPI do estabelecimento matriz (doc. fls. 10 a 45) observouse que não havia registros de lançamentos referentes às aquisições de insumos ou às vendas de produtos de fabricação própria ou adquiridos de terceiros, sendo escriturado apenas as transferências de crédito presumido do IPI das filiais para o estabelecimento. Isto caracteriza o estabelecimento como meramente administrativo, pois não há operações de industrialização ou comercialização, não sendo cabível a apuração de crédito presumido de IPI para este estabelecimento quando a apuração é feita de forma descentralizada. A partir da observação acima e de acordo com a informação prestada pelo contribuinte de que não se trata de apuração de crédito presumido do IPI referente às operações realizadas pelo estabelecimento matriz e sim de complementação aos pedidos protocolados em outros processos para as filiais visando à inclusão de outros itens na apuração do crédito presumido feita para estes estabelecimentos, constatase ser indevida a solicitação feita neste processo, pois somente as filiais, estabelecimentos responsáveis pelos créditos, poderiam solicitar o ressarcimento deste valor e na repartição que as jurisdicionassem. Só seria cabível o pedido de ressarcimento pela matriz de crédito presumido próprio em apuração descentralizada ou em caso de apuração centralizada. Assim sendo, concluíse [sic] pelo indeferimento do presente processo (...).” Na seqüência, o parecer SEORT nº 126/2003 (fls. 95/96) reiterou a informação fiscal supracitada, sendo o indeferimento corroborado pelo despacho decisório proferido à fl. 97, que, assim, determinou a cobrança do débito objeto do pedido de compensação de fl. 02. Cientificada (fl. 98), a interessada apresentou manifestação de inconformidade de fls. 99/105, na qual, em síntese, argumentou que: a empresa era grande exportadora de soja e seus derivados, estando sua matriz localizada em VitóriaES e as filiais produtoras e exportadoras, em Campo GrandeMS, RondonópolisMT, JoaçabaSC e ParanaguáPR, filiais estas que cumpriam todos os requisitos atinentes ao benefício do crédito presumido do IPI, usufruindoo efetivamente; por ser o processo industrial realizado pelas filiais, seus resultados eram remetidos à matriz para apuração centralizada dos tributos IRPJ e CSSL, consoante o art. 252 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Fl. 298DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/05/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 tendo as filiais entendido por bem transferir o crédito presumido do IPI no intuito de compensálo com aqueles tributos de apuração centralizada; “A compensação com os tributos federais ocorreu em decorrência das filiais não gerarem débitos do IPI suficientes para que o crédito presumido fosse absorvido por completo. A unidade matriz, por sua vez, apura tributos e contribuições de diferentes espécies e destinações constitucionais, passíveis de compensação com o benefício em tela, conforme disposto no art. 5º da Instrução Normativa nº 21, de 10 de março de 1997, vigente à época do pleito” (fl. 104); ou seja, “em função da obrigatoriedade da centralização da apuração do IRPJ e CSSL pelo Regulamento do Imposto de Renda, os créditos foram transferidos para a Matriz apenas para a compensação com os respectivos tributos, visto eu (sic) as filiais não puderam absorver estes créditos, pois não realizaram operações tributadas pelo IPI suficientes para a absorção total dos créditos” (fl. 105); Pelo que expôs, requereu a acolhida da manifestação de inconformidade e as conseqüências daí advindas quanto ao reconhecimento do direito creditório e à homologação da compensação. Ao final, protestou pela prova das alegações “por todos os meios legalmente admitidos, e outros que se fizerem necessários ao cabal esclarecimento do feito” (fl. 105). Nas fls. 143/151, foi anexado cópia do acórdão nº 7.442, de 17 de junho de 2004 (processo 11543.001294/0012), da 3ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) em Juiz de Fora MG, que, proferiu, em unanimidade, o indeferimento do pleito de ressarcimento de crédito presumido do IPI apurado pela filial de Campo GrandeMS relativamente aos 2º, 3º e 4º trimestres de 1998, e, por conseqüência, nãohomologou a compensação de tal crédito com débitos da matriz, localizada em VitóriaES. A fundamentação da negativa à então requerente foi o incurso desta na hipótese condicional prevista no inciso II do art. 6º da Instrução Normativa (IN) SRF nº 103, de 30 de dezembro de 1997, que determinava a apuração centralizada do crédito presumido, o que, entretanto, não fora feito. Nas fls. 154/156, consta despacho decisório da DRJJuiz de Fora, respondido pela informação fiscal de fls. 158/163 e manifestação a respeito, por parte da interessada, de fls. 165/171, com juntada de elementos de fls. 172/189. Na informação fiscal, em síntese, foi reiterado que o crédito presumido pleiteado havia sido apurado de forma descentralizada, por um, ou mais, dos estabelecimentos filiais da empresa e que a DRFVitória não poderia proceder aos cálculos solicitados em razão de não jurisdicionar as filiais. Já a manifestação da autuada foi no sentido de confirmar a apuração descentralizada e argumentar que a forma de apuração do crédito presumido, centralizada ou não, era facultada pela Lei nº 9.363/97, tendo a IN SRF nº 103/97 sido ofensiva à norma hierarquicamente superior, bem como à Portaria MF nº 38, de 27 de fevereiro de 1997. Foi transcrita ementa de acórdão do Conselho de Contribuintes para supedâneo da argumentação suscitada e foram apresentadas planilhas consideradas suficientes para o atendimento das informações solicitadas no despacho da presidência da DRJJuiz de Fora. Foi, ainda, alegado que a forma de apuração constituía mera formalidade a ser suprida de ofício, porquanto era inegável o direito da requerente à fruição do benefício em tela, devendo as informações apresentadas, em respeito aos princípios da verdade Fl. 299DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/05/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 11962.000890/200197 Acórdão n.º 380200.452 S3TE02 Fl. 270 5 material, do devido processo legal e da ampla defesa, serem levadas em conta, assim como ser deferido o pedido de ressarcimento e homologada a compensação. É o relatório. A decisão recorrida foi fundamentada no fato de que, muito embora o pedido de ressarcimento tenha sido formalizado pelo estabelecimento matriz, a apuração do crédito presumido se deu de forma descentralizada, hipótese que, nos termos da decisão vergastada, não era admitida pelo artigo 6o, inciso II, da IN SRF no 103/97, “que estabelece a obrigatoriedade de apuração centralizada, na matriz, do crédito presumido do IPI”. Resta consignado no voto condutor do acórdão em tela que a forma de apuração do crédito presumido – de modo centralizado ou não – não constituiria mera formalidade, posto que [...] o modo de apuração do crédito presumido implica a consideração de variáveis cuja relação participa e interfere diretamente na determinação do montante do benefício. Daí que a apuração, centralizada ou não, não se reveste de uma simples formalidade, pois afeta o cálculo do crédito presumido. Ligase, pois, não à questão de forma, mas de mérito. Afirmase ainda na decisão recorrida (cf. fls. 199): Cumpre, ainda, assinalar, somente a título de informação à interessada, que, ainda que fosse admitida a possibilidade de apuração descentralizada – o que, repitase, é cogitado apenas como hipótese, já que não é cabível no caso in concreto sob análise, como já consignado –, não seria possível reconhecer o direito creditório pleiteado e, conseqüentemente, dar guarida ao intento da interessada ao ressarcimento em tela. Como já exposto, a interessada foi enfática ao afirmar que o valor de R$ 289.897,19 objeto do pedido de ressarcimento de fl. 01 equivale a saldo de crédito presumido apurado descentralizadamente, tendo tal saldo sido transferido para o estabelecimento matriz para compensação de débito deste de IRPJ. Porém, nos autos, como bem apontado na informação fiscal de fl. 160 (3º parágrafo), não há mínimas indicações da interessada que identifiquem de qual(is) estabelecimento(s) filial(is) originase o valor requerido na fl. 01, nem as variáveis que participaram do cálculo de tal valor. Sobre isso, as planilhas apresentadas pela reclamante às fls. 173/184 nada esclarecem. E para complicar, observase, em certas planilhas, a existência de informações sobre a aplicação de juros SELIC aos valores de crédito presumido ali indicados, o que, deveras, não é aceito unanimemente pela 3ª Turma desta DRJ. Não há, portanto, como ser reconhecido o direito creditório atinente ao montante consignado na fl. 01 como crédito presumido do IPI objeto do pleito de ressarcimento. Cientificada do indeferimento de seu pleito (em 23/05/2005 – fls. 206), a interessada, em 22/06/2005 (fls. 207), apresentou o recurso voluntário de fls. 207/218, onde se insurge contra o lançamento com fundamento nos seguintes argumentos: a) que, desde o início, teria instruído o processo com todos os documentos necessários à análise do pleito; Fl. 300DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/05/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 b) que o fato de a decisão recorrida se reportar sobre a existência de informações sobre a aplicação da taxa SELIC afastaria o argumento contido no referido decisum segundo o qual a suplicante não teria apresentado as variáveis necessárias para a apuração do valor; c) que, concernente ao período objeto do pleito (4o trimestre de 1998), não existiria obrigatoriedade legal para a apuração centralizada do crédito presumido do IPI, obrigatoriedade esta que só teria passado a existir a partir da edição da Lei no 9.779/99, nos termos de jurisprudência administrativa reproduzida às fls. 211 dos autos; d) que a reportada IN SRF no 103/97 ofendeu o disposto na Lei no 9.363/96, bem como a Portaria MF no 38/97, “a qual autoriza expressamente a faculdade de apuração descentralizada, ao mencionar que a empresa com mais de um estabelecimento produtorexportador poderá apurar o crédito presumido de forma centralizada, na matriz (art. 3o, § 9o – negritos acrescidos)” – reproduz jurisprudência do CARF nesse sentido (conf. fls. 212/213); e) que a vedação do direito ao ressarcimento e à compensação assegurado por lei à recorrente representaria ofensa aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e isonomia; e, f) que a aplicação da taxa SELIC representaria mera atualização do valor da moeda, devendo a mesma ser aplicada nos casos de ressarcimento, “[...]pois, além de expressamente consignado no texto da Lei n.° 9.250/95, se equivale à restituição”; reproduz jurisprudência administrativa nesse sentido (v. fls. 217/218) Diante do exposto, requer seja dado provimento ao seu recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Admissibilidade do recurso Conforme relatado, a ciência da decisão recorrida se deu em 23/05/2005 (fls. 206). Por sua vez, o recurso voluntário foi apresentado em 22/06/2005 (v. fls. 207), tempestivamente, portanto. Ademais, nos termos do instrumento de mandato de fls. 229/231, c/c contrato social de fls. 224/228, vêse que o signatário da petição de recurso voluntário detém legitimidade para representar a empresa perante este foro. Portanto, e considerando, ainda, a competência material para o julgamento do feito, conheço do recurso posto que atendidos os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Mérito Fl. 301DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/05/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 11962.000890/200197 Acórdão n.º 380200.452 S3TE02 Fl. 271 7 A lide diz respeito a pedido de ressarcimento de créditos presumidos do IPI nos termos da Lei nº 9.363/96, de competência do 4o trimestre de 1998, cumulado com pedido de compensação, conforme requerimentos de fls. 01/02. Nos termos relatados, o pedido em tela não foi deferido pelo fato de a interessada haver formalizado o pleito de forma descentralizada na filial, hipótese não admitida pela IN SRF no 103/97, que estabelece a obrigatoriedade de apuração centralizada, na matriz, do crédito presumido do IPI. Por sua vez, alega a recorrente inexistência de previsão legal nesse sentido na Lei no 9.363/96 ou na Portaria MF no 38/97, e que tal obrigatoriedade de centralização do pedido na matriz só teria passado a existir a partir da edição da Lei no 9.779/99. A sistemática do crédito presumido do IPI foi instituída pela Lei nº 9.363, de 13/12/1996 (decorrente da conversão em lei da Medida Provisória nº 1.48427, de 22/11/1996) como forma de ressarcimento das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados no processo produtivo de empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais. O direito ao crédito presumido aplicase, inclusive, em relação a produto industrializado sujeito a alíquota zero e nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. Nos termos do artigo 2º da Lei nº 9.363/96, a base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem (doravante simplesmente referenciados como insumos), do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. Sobre a base de cálculo assim apurada deverá ser aplicado o percentual de 5,37%, obtendose, assim, o crédito fiscal a que faz jus a empresa produtora e exportadora. Estabelece ainda o artigo 3o da mencionada norma que a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o [PIS/Pasep e COFINS], tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Prescreve também o parágrafo único do mesmo dispositivo a aplicação subsidiária da “[...] legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem”. Fixada a perspectiva legal instituidora do crédito presumido do IPI, e no uso da prerrogativa objeto do artigo 6o da norma em evidência1 (Lei 9.363/96), o Ministro da 1 Art. 6o. O Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/05/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A 8 Fazenda editou a Portaria MF no 38, de 27/02/1997, cujos preceitos de relevância para a lide seguem abaixo transcritos: Apuração do Crédito Presumido Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Para efeito de determinação do crédito presumido correspondente a cada mês, a empresa ou o estabelecimento produtor e exportador deverá: I apurar o total, acumulado desde o início do ano até o mês a que se referir o crédito, das matériasprimas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na produção; II apurar a relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, acumuladas desde o início do ano até o mês a que se referir o crédito; III aplicar a relação percentual, referida no inciso anterior, sobre o valor apurado de conformidade com o inciso I; IV multiplicar o valor apurado de conformidade com o inciso anterior por 5,37% (cinco inteiros e trinta e sete centésimos por cento), cujo resultado corresponderá ao total do crédito presumido acumulado desde o início do ano até o mês da apuração; V diminuir, do valor apurado de conformidade com o inciso anterior, o resultado da soma dos seguintes valores de créditos presumidos, relativos ao anocalendário: a) utilizados para compensação com o IPI devido; b) ressarcidos; c) com pedidos de ressarcimento já entregues à Receita Federal. § 2º O crédito presumido, relativo ao mês, será o valor resultante da operação a que se refere o inciso V do parágrafo anterior. § 3º No último trimestre em que houver efetuado exportação, ou no último trimestre de cada ano, deverá ser excluído da base de cálculo do crédito presumido o valor das matériasprimas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na produção de produtos não acabados e dos produtos acabados mas não vendidos. § 4º O valor de que trata o parágrafo anterior, excluído no final de um ano, será acrescido à base de cálculo do crédito presumido correspondente ao primeiro trimestre em que houver exportação para o exterior. § 5º A apuração do crédito presumido será efetuada com base em sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial da pessoa jurídica, que permita, ao final de cada mês, a determinação das quantidades e dos valores das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, utilizados na produção durante o período. § 6º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, a pessoa jurídica deverá manter sistema de controle permanente de estoques, no qual a avaliação dos bens será efetuada pelo método da média ponderada móvel ou pelo método denominado PEPS, no qual se considera que as saídas das unidades de bens seguem a ordem cronológica crescente de suas entradas em estoque. § 7º No caso de pessoa jurídica que não mantiver sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial, a quantidade de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na produção, em cada mês, será apurada somandose a Fl. 303DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/05/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 11962.000890/200197 Acórdão n.º 380200.452 S3TE02 Fl. 272 9 quantidade em estoque no início do mês com as quantidades adquiridas e diminuindose, do total, a soma das quantidades em estoque no final do mês, as saídas não aplicadas na produção e as transferências. § 8º Na hipótese do parágrafo anterior, a avaliação das matériasprimas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na produção, durante o mês, será efetuada pelo método PEPS. § 9º A empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador poderá apurar o crédito presumido de forma centralizada, na matriz. § 10. A opção pela apuração centralizada de que trata o parágrafo anterior aplicarseá até o final do anocalendário em que exercida. § 11. No caso de apuração descentralizada, o estabelecimento produtor exportador que não efetuar a compra de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem poderá calcular o crédito presumido sobre o valor desses insumos, utilizados na produção das mercadorias exportadas, que houverem sido recebidos por transferência de outro estabelecimento da mesma empresa. § 12. Na hipótese do parágrafo anterior, a transferência deverá ser efetuada pelo exato custo de aquisição constante do documento fiscal, emitido pelo fornecedor, na venda para o estabelecimento que houver efetuado a compra. § 13. O estabelecimento que transferir para outro, matériaprima, produtos intermediários e materiais de embalagem deverá excluir o valor desses insumos no cálculo de seu próprio crédito presumido. § 14. A empresa deverá manter em boa guarda as memórias de cálculo dos créditos presumidos e, se não mantiver sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial, as respectivas relações de quantidades e valores das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens em estoque no final de cada período de apuração. § 15. Para os efeitos deste artigo, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia; II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de mercadorias nacionais; III venda com o fim específico de exportação, a saída de produtos do estabelecimento produtor vendedor para embarque ou depósito, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente. § 16. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os constantes da legislação do IPI. (grifos nossos) A Portaria MF nº 38/97 foi revogada pela Portaria MF nº 64, de 24/03/2003, que, por sua vez, foi também revogada pela Portaria MF nº 93, de 27/04/2004 – a qual, atualmente, regulamenta o crédito presumido do IPI – cujo artigo 3º, § 9º, obriga à apuração do crédito de forma centralizada pela pessoa jurídica produtora e exportadora com mais de um estabelecimento. Vale registrar que a Portaria MF no 64, de 24/03/2003, já passara a prescrever a apuração centralizada do crédito presumido. Aludida Portaria, entretanto, é inaplicável à Fl. 304DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/05/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A 10 realidade deste processo, posto que a mesma, relativamente aos dispositivos que tratam da apuração do crédito presumido, só passou a produzir efeitos a partir da data de sua publicação, ou seja, 26/03/2003. Com efeito, o pedido objeto da lide diz respeito ao pleiteado crédito presumido de competência do 4o trimestre de 1998, época em que referido direito era regulado pela Portaria MF no 38/97, norma a qual, como já asseverado, permitia a apuração do crédito por cada “estabelecimento produtor e exportador”. De início, sobre a metodologia de apuração contida na referida Portaria, não vislumbro nenhum vício de legalidade frente à lei stricto sensu que trata do crédito presumido do IPI (Lei no 9.363/96). Em relação à indigitada IN SRF no 103/97, esta, com efeito, exigia a apuração centralizada do crédito presumido apenas em relação às hipóteses objeto dos incisos I e II de seu artigo 6o, abaixo reproduzido: Art. 6° O crédito presumido deverá ser apurado de forma centralizada, na matriz, sempre que: I os produtos forem exportados por intermédio de estabelecimento diferente daquele que os produziu; II o estabelecimento produtor e exportador transferir, para outro estabelecimento, parte de sua produção para comercialização no mercado interno. Relativamente ao inciso I do reportado artigo 6o da IN SRF no 103/97, a obrigatoriedade de apuração centralizada do crédito presumido quando “os produtos forem exportados por intermédio de estabelecimento diferente daquele que os produziu” está em sintonia com o artigo 3o, § 1º, caput, da Portaria MF no 38/97, que autorizava a descentralização da apuração pelo “estabelecimento produtor e exportador” (grifei e destaquei). Assim, à época, a apuração descentralizada era admitida tãosomente pelo estabelecimento produtor e exportador, o que tornava obrigatória a centralização da apuração em tela se fosse constatada a realização de exportação por estabelecimento diverso do produtor. Correta, pois, a disposição contida no inciso I do artigo 6o da IN SRF no 103/97. Quanto à vedação contida no inciso II da artigo 6o da IN SRF no 103/97, a importância da análise do alcance do referido dispositivo poderia decorrer do fato de, no julgamento do processo nº 11543.001294/0012 (cópia às fls. 143/151), a 3ª Turma de Julgamento da DRJ Juiz de Fora entendeu restar configurada, no ano de 1998, pelo estabelecimento filial localizado em Campo Grande (CNPJ 12.017.264/000930), a prática da hipótese condicional prevista no inciso II do art. 6º da referida instrução normativa, fato que que traria como consequência a obrigatoriedade de apuração do crédito presumido de forma centralizada na matriz. Mas, diante da documentação que instrui os autos, é absolutamente desnecessário entrar em qualquer discussão quanto à forma de apuração do crédito presumido do IPI – se de forma centralizada ou descentralizada – à qual estaria obrigada a interessada. E isso em vista da absoluta falta de demonstração do direito aduzido por parte empresa recorrente. Conforme relatado, o pedido de ressarcimento diz respeito a alegado crédito presumido de competência do 4o trimestre de 1998. Referido pedido fora formalizado pela matriz da empresa, CNPJ 02.017.264/000183, que, como ressaltado na informação fiscal de fls. 93/94, é estabelecimento de natureza meramente administrativa (não é estabelecimento industrial). Com efeito, no Livro Registro de Apuração do IPI (matriz) – fls. 10/45 – não há nenhuma anotação de lançamento referente à aquisição de insumos ou à venda de produtos de Fl. 305DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/05/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 11962.000890/200197 Acórdão n.º 380200.452 S3TE02 Fl. 273 11 fabricação própria ou adquiridos de terceiros, mas, tãosomente, escriturações de transferências de créditos presumidos do IPI de filiais (não discriminadas) para o estabelecimento matriz. O fato de o pedido haver sido formalizado pela matriz tornaria obrigatória a apuração centralizada do direito em tela, e isso por força da própria Portaria MF no 38/97, que, como já asseverado, permitia a apuração descentralizada, mas isso, unicamente, em relação a “estabelecimento produtor e exportador”, hipótese na qual não se enquadra a matriz, de papel meramente administrativo, como já asseverado. Mas essa discussão, repito, não merece maior destaque, e isso diante da completa falta de demonstração do direito aduzido, seja em relação à apuração do alegado direito creditório, seja no que diz respeito à filial à qual o pedido deveria corresponder. O pedido da interessa, mesmo considerando suas reiteradas manifestações nos autos, padece de falta de clareza. Às fls. 60/92 a pleiteante anexa cópias de pedidos feitos mediante diversos outros processos formalizados pela empresa, sem, no entanto, trazer qualquer informação concernente a eventual liame entre os mesmos e o pedido em tela. Em atendimento a intimação formalizada pela fiscalização, a recorrente afirma que este processo, dentre outros, teria relação com o processo no 11543.001294/0012, relação esta que seria “de ajuste aos critérios corretos da concessão legal desse incentivo fiscal e de complementaridade, abrangendo as compras e o consumo dos insumos oriundos dos ingressos de mercadorias adquiridas de pessoas jurídicas, pessoas físicas e cooperativas, no período 1998 a 2001” (vide fls. 58). No entanto, não faz nem um só esclarecimento e nem apresenta nenhum demonstrativo de apuração concernente aos alegados “[...] ajuste aos critérios corretos da concessão legal desse incentivo fiscal e de complementaridade [...]”. A DRJ ainda tentou esclarecer o objeto do pleito por meio do pedido de diligência de fls. 154/156, onde requisitou, dentre outras informações, fosse feita uma análise quanto à legitimidade do quantum alegado pela suplicante. Em resposta à citada diligência, a Delegacia da Receita Federal em Vitória, por meio da informação fiscal de fls. 158/163, ressaltou o seguinte: a) que, “[...] em análise aos diversos processos de interesse do contribuinte existentes à época na DRF Vitória verificamos que havia certa inconsistência entre eles, entre as quais podemos destacar o fato de que para o mesmo período de apuração haver pedidos de ressarcimento para o estabelecimento matriz e para as filiais” (grifei); b) que “[...] a fiscalização não tinha como identificar o estabelecimento de origem do crédito (filial Campo Grande, Rondonópolis, Joaçaba ou Paranaguá), podendo mesmo ser parte dos créditos apurados em vários estabelecimentos distintos” (grifei); c) que o pedido fora formalmente feito em nome da matriz, e que “[...] o valor apurado de crédito presumido para o estabelecimento matriz, conforme as peculiaridades presentes no processo, já foi indicado na Informação Fiscal e é igual a zero, uma vez que por se tratar de crédito presumido apurado de forma descentralizada, segundo intenção expressa do contribuinte, e não sendo o estabelecimento matriz um estabelecimento industrial, o mesmo não faz jus ao crédito presumido”. A peticionária, por sua vez, ciente das informações acima, apresenta, nas argumentações aduzidas às fls. 165/171, tãosomente, alegações de que teria direito à apuração Fl. 306DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/05/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A 12 descentralizada, sem, no entanto, fazer qualquer alusão a qual das filiais corresponderia o pedido, ou ainda, à demonstração dos cálculos do crédito pleiteado (nesse sentido, assevera apenas haver acostado aos autos “planilhas demonstrando os cálculos requeridos”, as quais, efetivamente, até a presente data, não foram apresentadas, tendo sido anexadas ao processo apenas demonstrativos de cálculo de várias filiais – fls. 173/184 –, nenhum deles contendo como resultado o montante ao qual se refere este pedido). Não sem razão foi que o i. relator do voto condutor da decisão prolatada pela DRJ Juiz de Fora (fls. 191/199), nas suas razões de decidir, asseverou o seguinte: Como já exposto, a interessada foi enfática ao afirmar que o valor de R$ 289.897,19 objeto do pedido de ressarcimento de fl. 01 equivale a saldo de crédito presumido apurado descentralizadamente, tendo tal saldo sido transferido para o estabelecimento matriz para compensação de débito deste de IRPJ. Porém, nos autos, como bem apontado na informação fiscal de fl. 160 (3º parágrafo), não há mínimas indicações da interessada que identifiquem de qual(is) estabelecimento(s) filial(is) originase o valor requerido na fl. 01, nem as variáveis que participaram do cálculo de tal valor. Sobre isso, as planilhas apresentadas pela reclamante às fls. 173/184 nada esclarecem. E para complicar, observase, em certas planilhas, a existência de informações sobre a aplicação de juros SELIC aos valores de crédito presumido ali indicados, o que, deveras, não é aceito unanimemente pela 3ª Turma desta DRJ. Não há, portanto, como ser reconhecido o direito creditório atinente ao montante consignado na fl. 01 como crédito presumido do IPI objeto do pleito de ressarcimento. Portanto, como fartamente demonstrado acima, a recorrente, mesmo ciente dos problemas que impossibilitavam até mesmo saber a qual filial correspondia seu pleito de alegada apuração descentralizada, também nada trouxe quanto à demonstração do quantum do alegado direito, o que traz como inevitável consequência o indeferimento de seu pedido. Finalmente, importa ressaltar que o recurso para este Conselho foi instruído com cópia de duas notas fiscais de entrada para a filial 0057 (v. fls. 236/237), além de cópia de relatório contábil de entradas da filial de Paranaguá (fls. 238/251), que, por não suprirem minimamente a nenhuma das informações necessárias ao exame do pleito, nada mudam concernente ao único posicionamento possível diante do caso concreto: o indeferimento do pedido. Deixase de examinar o argumento concernente ao alegado direito à correção monetária do crédito presumido do IPI pela taxa SELIC, uma vez que, pelas razões acima expostas, não existe direito a ser reconhecido em favor da recorrente, o que revela ser absolutamente desnecessário qualquer pronunciamennto sobre a correção monetária em tela. Da conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela recorrente. Sala de Sessões, em 04 de maio de 2011. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 307DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/05/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 11962.000890/200197 Acórdão n.º 380200.452 S3TE02 Fl. 274 13 Fl. 308DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/05/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 10865.003112/2008-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue May 16 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2008
PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. INFORMAÇÕES. MANUAL DE ORIENTAÇÃO. DESCONFORMIDADE. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DESCUMPRIMENTO.
Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP em desconformidade com as disposições contidas nos respectivos Manuais de Orientação e instruções normativas vigentes..
CORREÇÃO DA FALTA. RELEVAÇÃO. MULTA FIXA. FALTAS REMANESCENTES. INOBSERVÂNCIA DE REQUISITOS. DENEGAÇÃO.
A correção parcial de ocorrências, em sendo a autuação com valor de multa fixa, não enseja o benefício da relevação desta, em relação às ocorrências remanescentes, isto é, não corrigidas.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS.
As decisões administrativas e judiciais, mesmo que proferidas por Conselhos de Contribuintes, pelo Superior Tribunal de Justiça ou pelo Supremo Tribunal Federal, que não tenham efeitos vinculantes, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer ocorrência, senão àquela objeto da decisão.
DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESNECESSIDADE.
Numero da decisão: 2201-010.499
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Francisco Nogueira Guarita - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fofano dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: FRANCISCO NOGUEIRA GUARITA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2008 PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. INFORMAÇÕES. MANUAL DE ORIENTAÇÃO. DESCONFORMIDADE. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DESCUMPRIMENTO. Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP em desconformidade com as disposições contidas nos respectivos Manuais de Orientação e instruções normativas vigentes.. CORREÇÃO DA FALTA. RELEVAÇÃO. MULTA FIXA. FALTAS REMANESCENTES. INOBSERVÂNCIA DE REQUISITOS. DENEGAÇÃO. A correção parcial de ocorrências, em sendo a autuação com valor de multa fixa, não enseja o benefício da relevação desta, em relação às ocorrências remanescentes, isto é, não corrigidas. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais, mesmo que proferidas por Conselhos de Contribuintes, pelo Superior Tribunal de Justiça ou pelo Supremo Tribunal Federal, que não tenham efeitos vinculantes, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer ocorrência, senão àquela objeto da decisão. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESNECESSIDADE.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Francisco Nogueira Guarita - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fofano dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
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AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. INFORMAÇÕES. MANUAL DE ORIENTAÇÃO. DESCONFORMIDADE. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DESCUMPRIMENTO. Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP em desconformidade com as disposições contidas nos respectivos Manuais de Orientação e instruções normativas vigentes.. CORREÇÃO DA FALTA. RELEVAÇÃO. MULTA FIXA. FALTAS REMANESCENTES. INOBSERVÂNCIA DE REQUISITOS. DENEGAÇÃO. A correção parcial de ocorrências, em sendo a autuação com valor de multa fixa, não enseja o benefício da relevação desta, em relação às ocorrências remanescentes, isto é, não corrigidas. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais, mesmo que proferidas por Conselhos de Contribuintes, pelo Superior Tribunal de Justiça ou pelo Supremo Tribunal Federal, que não tenham efeitos vinculantes, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer ocorrência, senão àquela objeto da decisão. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. A diligência e/ou perícia destinam-se a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitando-se ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos, não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão, exceto as hipóteses do § 4º do art.16 do Decreto nº 70.235/1972. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 31 12 /2 00 8- 61 Fl. 193DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-010.499 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.003112/2008-61 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Francisco Nogueira Guarita - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fofano dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório O presente processo trata de recurso voluntário em face do Acórdão nº 14-27.697 – 7ª Turma da DRJ/POR, fls. 161 a 170. Trata de autuação referente a Contribuições Sociais Previdenciárias e, por sua precisão e clareza, utilizarei o relatório elaborado no curso do voto condutor relativo ao julgamento de 1ª Instância. Trata-se de Auto-de-Infração de obrigações acessórias (AIOA debcad n° 37.169.430-2) lavrado por ter a empresa acima identificada apresentado GFIP - Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - em desconformidade com o respectivo Manual de Orientação, conforme o então vigente art. 32, IV e §§ 1° e 3° da Lei n.° 8.212/91, c/c art. 225, IV do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99 (CFL 91). Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls. 13/14), verificou-se que a empresa autuada apresentou, nas GFIP de 01/2003 a 05/2007, informações de alíquota RAT de 3%, quando o correto seria 2%; de 06/2007 a 01/2008, alíquota RAT de 3%, quando o correto seria 1%; e nas competências 12/2003 a 02/2004 e 04 a 06/2004, valores descontados do segurado José Roberto da Cruz, estando este afastado por motivo de acidente de trabalho. Consta ainda a informação de outras autuações lavradas na mesma ação fiscal. A fiscalização atesta que não constam Autos de Infração relativos a ações fiscais anteriores, para fins de reincidência, nem ocorreram outras circunstâncias agravantes, bem como que não houve a regularização dessas faltas durante o procedimento fiscal. Fl. 194DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-010.499 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.003112/2008-61 No Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fl. 15), a fiscalização cita a previsão legal da multa no art. 92 e 102 da Lei n.° 8.212/91 e 283, caput e § 3.° e art. 373 do RPS; tendo sido aplicada a multa correspondente ao valor mínimo legal, equivalendo a R$ 1.254,89 (um mil e duzentos e cinquenta de quatro reais e oitenta e nove centavos). O valor da autuação está de acordo com os estipulados pela Portaria Interministerial MPS/MF n.° 77/2008 (DOU de 12/03/2008). Anexos aos autos, cópias de contrato social e alterações e recibos de arquivos digitais entregues ao contribuinte. A autuada foi cientificada do lançamento, pessoalmente, em 11/09/2008, apresentando IMPUGNAÇÃO dentro do prazo legal de defesa, tão-somente para alegar a correção das faltas apuradas, e requerer a relevação da multa aplicada, anexando cópias de GFIP retificadoras. DA DILIGÊNCIA FISCAL Conforme despacho n.° 03/2009/7. a turma da DRJ/RPO, de 06/01/2009 (fls. 153/154), determinou-se a realização de diligência fiscal, a fim de apreciar as alegações da impugnante, notadamente quanto às correções das faltas objeto do AI, pela apresentação de GFIP retificadoras, bem como para a eventual readequação de valores de multa aplicados, tendo em vista a edição da MP n.° 449/2008 (DOU de 04/12/2008, convertida na lei n.° 11.941/2009), que poderia ensejar a aplicação do art. 106, II, "c" do CTN (retroatividade benéfica em matéria de penalidades). Seguem-se as informações produzidas pela fiscalização, às fls. 151, concluindo, em síntese, que: (i) foi analisada a documentação apresentada pelo contribuinte, em meio papel, e verificado o conteúdo dos dados de GFIP constantes dos sistemas informatizados da RFB; (ii) constatou-se a correção de modo parcial das faltas apontadas, isto é, quanto às informações de alíquota RAT, não corrigiu as faltas relativas às competências 01/2003 a 09/2004,13/2004, 13/2005 e 13/2006, e quanto às informações do segurado afastado por acidente do trabalho, não corrigiu as faltas relativas às competências 12/2003 a 02/2004 e 04 a 06/2004; c (iii) fica indicada a impossibilidade de relevação da multa aplicada, por não terem sido feitas as correções em sua totalidade, uma vez que a presente infração não permite correção parcial, e permanecendo a autuação com o valor de R$ 1.254,89. Foi dada ciência, ao sujeito passivo, da Informação Fiscal produzida, por meio de comunicado de fls. 153/154, com Aviso de Recebimento (AR). Após o transcurso do prazo legal, não houve manifestação do sujeito passivo, conforme despacho de fls. 155. Na sequência, retornaram os autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) cm Ribeirão Preto - SP. É a síntese dos autos. Ao analisar a impugnação, o órgão julgador de 1ª instância, decidiu que não assiste razão ao contribuinte, de acordo com a seguinte ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Fl. 195DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-010.499 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.003112/2008-61 Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2008 PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. INFORMAÇÕES. MANUAL DE ORIENTAÇÃO. DESCONFORMIDADE. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DESCUMPRIMENTO. Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP em desconformidade com as disposições contidas nos respectivos Manuais de Orientação e instruções normativas vigentes.. CORREÇÃO DA FALTA. RELEVAÇÃO. MULTA FIXA. FALTAS REMANESCENTES. INOBSERVÂNCIA DE REQUISITOS. DENEGAÇÃO. A correção parcial de ocorrências, em sendo a autuação com valor de multa fixa, não enseja o benefício da relevação desta, em relação às ocorrências remanescentes, isto é, não corrigidas. AUTUAÇÃO PROCEDENTE COM MANUTENÇÃO TOTAL DA MULTA. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O interessado interpôs recurso voluntário, refutando os termos do lançamento e da decisão de piso. Voto Conselheiro Francisco Nogueira Guarita, Relator. O presente Recurso Voluntário foi formalizado dentro do prazo a que alude o artigo 33 do Decreto n. 70.235/72 e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, daí por que devo conhecê-lo e, por isso mesmo, passo a apreciá-lo em suas alegações meritórias. Da análise dos autos, tem-se que a autuação diz respeito a obrigações acessórias por ter o contribuinte apresentado GFIP - Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, em desconformidade com a legislação tributária vigente. Em sua impugnação, o contribuinte informa que corrigiu as falhas e solicita a relevação da multa aplicada. A decisão recorrida, diante da informação da correção das falhas, solicitou diligências junto à unidade de origem no sentido de que confirmem a correção das falhas apontadas, com o respectivo pagamento dos créditos tributários, porventura devidos. Em resposta à diligência, a unidade de origem confirmou a correção parcial das falhas. Uma vez de posse do resultado da diligência, o órgão julgador de primeira instância, decidiu por manter a autuação em sua integralidade, sob os argumentos de que, apesar de várias ocorrências ou infrações terem sido corrigidas, a autuação subsiste em sua Fl. 196DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-010.499 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.003112/2008-61 materialidade, haja vista que o valor da penalidade imposta é fixo, ou seja, independe do número de infrações cometidas e, as ocorrências não sanadas, conforme a Informação Fiscal produzida e sobre a qual não houve manifestação do sujeito passivo, são suficientes para determinar a procedência do Auto de Infração, em seu valor original. Em seu recurso voluntário, o contribuinte, sem apresentar novos elementos de prova capazes garantir a relevação da multa aplicada, argumenta que a situação de fato se trata de erro escusável e pode ser invocado diante de pequenas irregularidades de nenhuma repercussão no cumprimento geral das obrigações tributárias, tanto as de natureza principal como as de natureza acessórias, mormente quando referido erro não causa prejuízo algum ao Fisco. Como argumento para a relevação da multa aplicada, o recorrente, basicamente, suscita a aplicação do art. 291 e § 1° do Regulamento da Previdência Social, onde é mencionado que a multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante”, argumentando que o referido dispositivo vem ao encontro do principio da razoabilidade, não justificando haver punição quando as infrações cometidas, sem má-fé, não causam maiores prejuízos à administração pública, máxime quando o infrator toma a iniciativa de sanar a irregularidade cometida. Em relação aos argumentos apresentados pelo recorrente, tem-se que os mesmos não merecem guarida, seja pelo fato de que o contribuinte não corrigiu integralmente a falta, conforme demonstrado pela informação fiscal apresentada através da diligência fiscal junto à unidade de origem, seja pelo fato de que questões ligadas a ilegalidades ou inconstitucionalidades de leis tributárias, como questionamentos ligados ao principio da razoabilidade, fogem à alçada de julgamento das autoridades administrativas. Senão, veja-se a seguir, o dispositivo legal e a súmula CARF que reforçam os fundamentos para a negativa de provimento do pleito do contribuinte (g.n): Decreto 3.048/99: Art.291.Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. §1ºA multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. Sobre a solicitação relacionada ao princípio da razoabilidade ou às ilegalidades e / ou inconstitucionalidades da multa aplicada, como justificativa para a negativa, tem-se a súmula CARF nº 2, que reza: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, não devem ser acolhidos os argumentos do recorrente, devendo ser mantida a autuação, haja vista o fato de que a multa aplicada é de valor fixo e independe do número de ocorrências para a sua aplicação. Fl. 197DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-010.499 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.003112/2008-61 No tocante às decisões administrativas apresentadas pelo contribuinte, há que ser esclarecido que as decisões administrativas, mesmo que proferidas pelos órgãos colegiados, sem que uma lei lhes atribua eficácia normativa, não se constituem como normas complementares do Direito Tributário. Destarte, não podem ser estendidas genericamente a outros casos, somente aplicam-se sobre a questão analisada e vinculam apenas as partes envolvidas naqueles litígios. Assim determina o inciso II do art. 100 do CTN: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: ( ... ) II - as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; Em relação a decisões judiciais, apenas as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça e pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática dos recursos repetitivos e repercussão geral, respectivamente, são de observância obrigatória pelo CARF. Veja-se o que dispõe o Regimento Interno do CARF (art. 62, §2°): (...) § 2° As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei n° 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n° 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF n° 152, de 2016). Quanto a entendimentos doutrinários, tem-se que, apesar dos valorosos ensinamentos que possam trazer aos autos, os mesmos não são normas da legislação tributária e, por conta disso, não são de seguimento obrigatório. Em relação à requisição de diligência/perícia, cabe ser indeferida, em observância ao art. 18 do Decreto n.º 70.235/1972 (PAF), por não haver matéria de complexidade que demande sua realização, tendo em vista que o lançamento decorreu de procedimento fiscal de verificação de obrigações tributárias, sem nenhum impedimento para realizá-lo apenas com base nas provas documentais anexadas, sem necessidade de se devolver ao órgão julgador de origem o processo para fazer verificações ou constatações que deveriam ter sido apresentadas por ocasião da impugnação. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão, exceto as hipóteses do § 4º do art.16 do Decreto nº 70.235/1972, a seguir transcritas: Art. 16. A impugnação mencionará: ( ... ) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; Fl. 198DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-010.499 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.003112/2008-61 b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. No que se refere à solicitação de intimações no endereço do patrono, entendo que, de acordo com o parágrafo 4º do artigo 23 do Decreto 70.235/72, não ser possível, senão, veja-se o referido artigo, a seguir transcrito: Art. 23. Far-se-á a intimação: ( ... ) § 4 o Para fins de intimação, considera-se domicílio tributário do sujeito passivo: I - o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; II - o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. Além do mais, também tem a súmula CARF 110, que reza: No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. Conclusão Por todo o exposto e por tudo que consta nos autos, conheço do presente recurso voluntário, para NEGAR-LHE provimento. (documento assinado digitalmente) Francisco Nogueira Guarita Fl. 199DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 35408.006430/2006-31
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2008
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/04/1999 a 31/12/2003
CERCEAMENTO DE DEFESA - SANEAMENTO.
A realização de diligência, sobre a qual o contribuinte não teve
oportunidade de se manifestar, constitui cerceamento de defesa.
Processo Anulado.
Numero da decisão: 206-01.672
Decisão: ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em anular a Decisão de Primeira Instância.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1999 a 31/12/2003 CERCEAMENTO DE DEFESA - SANEAMENTO. A realização de diligência, sobre a qual o contribuinte não teve oportunidade de se manifestar, constitui cerceamento de defesa. Processo Anulado.
turma_s : Sexta Câmara
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A realização de diligência, sobre a qual o contribuinte não teve oportunidade de se manifestar, constitui cerceamento de defesa. Processo Anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. — — -- CG!~ - Sexta Câmara CONFER'S 0:41O ORIG NAL Brasiaa, ftlb aft / • Processo e 35408.006130/2006-31 10 lav. CCO2/C06 Acórdão n.• 206-01.672 • Mana as —. atoo 1683 Fls. 1.231Man Stape 70 ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em anular a Decisão de Primeira Instância. (17- ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente • vir - • A /AND • RA Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa (Suplente convocado), Bemadete de Oliveira Barros, deusa Vieira de Souza, Lourenço Ferreira do Prado e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo n95408.006430/2006-31 - soxta cSnara CCO2/C06 • Acórdão n.°206-01.672- • FER 'OW1 O ORIGINIF•C014 #. Fls. 1.232 Eraeána. _ MN Iara Mana oe FâUrne Feoc. • Je C - Matr Siaue 751683 Relatório Trata-se do lançamento do adicional à contribuição relativa ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, destinado ao financiamento da aposentadoria especial, beneficio previsto nos artigos 57 e 58 da Lei n° 8.213/1991. O Relatório Fiscal (fls. 121/156) informa que foram considerados fatos geradores de contribuições lançadas os valores das remunerações pagas aos segurados empregados, a serviço da empresa, com efetiva exposição, de modo habitual e permanente, não ocasional nem intermitente, aos agentes nocivos ruído e calor. Tais segurados laboraram no estabelecimento de Engenheiro Coelho (SP). Os valores foram apurados nas folhas 'de pagamento e foram considerados os setores da empresa em que, de acordo com os demonstrativos ambientais, verificou-se a presença dos agentes nocivos ruído, calor, sílica livre e fumos metálicos, em níveis acima do limite de tolerância. • A notificada declarou, incorretamente, na GFIP, o código de ocorrência 02 para empregados que estariam sujeitos a risco, mas cujo código correto seria 04. Informou o código de ocorrência 02 para trabalhadores que não estavam, de acordo com as demonstrações ambientais, sujeitos a risco. Também deixou de declarar a exposição para os • trabalhadores efetivamente expostos, cujo código seria 04 que calcula a contribuição adicional para custeio de aposentadoria especial aos 25 anos de serviço. Em conseqüência do preenchimento incorreto, foi lavrado Auto de Infração. A auditoria fiscal, após análise dos documentos referentes ao gerenciamento dos riscos ambientais, elaborou uma relação dos segurados que entendeu expostos aos agentes nocivos. A notificada foi intimada a apresentar todos a documentação relativa ao controle dos riscos ambientais do trabalho. Foi verificado da análise dos documentos da empresa que a mesma reconhece a existência dos agentes nocivos ruído, calor, sílica livre e fumos metálicos. Quanto aos agentes nocivos químicos poeira metálica e fumos metálicos, os mesmos foram detectados no setor de Fundição (fomos) em concentrações superiores ao limite de tolerância estabelecido pela American Conference of Goverrunental Industrial Higyenest — ACGIH. Intimada a informar quais os tipos de metais encontravam-se na composição dessas poeiras e fumos, bem como a identificação dos segurados empregados que trabalhavam nos fomos do setor de fundição, a notificada não o fez satisfatoriamente de tal sorte que não houve possibilidade de determinar com exatidão quais os metais componentes dos fumos e poeiras metálicas encontravam-se em níveis de exposição acima do limite de tolerância, bem como quais os segurados estariam expostos a esses agentes. Por essa razão foi lavrado auto de infração. • 2° CC. 1 *•."F - r5oxta Camara • coAsrar. C.:41 O CR /01NAL PrOCCeS0 n°35408.00643012006-31 ,,ah" / ça• CCO2JC06 Actrdio C206-01.672 mana as Fitinta Foliril 15 n Fls. 1.233 mau &gut 751.68'3 v Quanto ao agente nocivo calor, pela análise dos LTCATs foi possível verificar a presença de tal agente nocivo, em níveis acima do limite de tolerância, nas células do Setor de Fundição especificadas no Anexo I do Relatório Fiscal, bem como nos Setores de Fundição e Usinagem, constantes do Anexo III. A empresa foi intimada a relacionar nominalmente os segurados que trabalhavam dentro dos Setores de Fundição e Usinagem nas células especificadas pela auditoria fiscal. Como não houve o atendimento do solicitado, todos os empregados dos referidos setores foram considerados como expostos ao risco. A notificada possui Programa de Proteção Respiratória onde se constatou a realização de exames de espirometria e Raio X do tórax, dos quais, vários do setor de Fundição tiveram resultados alterados, o que demonstra que o gerenciamento do ambiente de trabalho com relação às poeiras que contêm sílica livre não está adequado. A presença de sílica livre em valores superiores aos limites foi reconhecida pela empresa nos LTC'ATs e a auditoria fiscal considerou para fins de apuração do adicional os trabalhadores lotados no Setor de Fundição. A auditoria fiscal considerou expostos ao agente nocivo fisico ruído todos os trabalhadores dos centros de custo que apresentaram nível máximo de pressão sonora/nível médio de pressão sonora superior a noventa decibéis nos laudos técnicos e, concomitantemente, a média logarítmica superior a noventa decibéis para o período de 04/1999 a 11/2003. Para o mês de dezembro, adotou-se o mesmo procedimento, entretanto, foi considerado o limite de oitenta e cinco decibéis, em razão da alteração ocorrida na legislação. Foi verificada pela auditoria fiscal a existência de várias anotações nas atas da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes — CIPA, registrando o excesso de ruído nos setores em questão. A auditoria fiscal verificou que não existe entrega/substituição periódica de Equipamentos de Proteção Individual — EPI e não foram adotadas as orientações constantes dos PPRA e Laudos 'Técnicos quanto à necessidade do uso dos mesmos durante toda a jornada de trabalho. Ainda que o uso de EPI - Equipamentos de Proteção Individual seja admitido somente em situações de inviabilidade na implementação de medidas de proteção coletiva e, em caráter complementar ou emergencial, observou-se que a notificada prioriza o fornecimento de protetores auriculares como meio de proteção de seus empregados. Da análise dos resultados dos exames audiométricos, verificou-se grande número de trabalhadores com perdas auditivas de origem ocupacional, muitos dos quais com perda progressiva. Não obstante a ocorrência ou agravamento de doenças profissionais, a notificada deixou de apresentar as Comunicações de Acidente de Trabalho — CAT, razão pela qual foi lavrado Auto de Infração. A notificada, embora tenha apresentado os Perfis Profissiográficos Previdenciários PPP solicitados pela fiscalização, deixou de apresentar os comprovantes de °NI 4 cco ta• a- e CRilleliNraAL - Sax Brasília, 4/ eja,, ,St Procasso tf 35408.006430/2006-31 CCO2/C06 Marta t.te. F6'11.17101 Fest iiii,P,S01411.Acórdão n.' 206-01.672 uo Lar •aiho Fls. 1.234Matr Seaoe 751683 entrega aos trabalhadores de cópia autenticada do documento quando da rescisão de contrato de trabalho, o que ensejou a lavratura de Auto de Infração. A notificada apresentou defesa tempestiva (fls. 324/371 - Vol 2) onde alega como preliminar a invasão de competência manifesta pela agente fiscal previdenciária, uma vez que desconsiderou informações essenciais relativas ao programa de gerenciamento da segurança e saúde dos trabalhadores, sem a presença de membros do Ministério do Trabalho. Argumenta que segundo determinações contidas na Consolidação das Leis do Trabalho, a competência quanto no assunto insalubridade, é total e absoluta do Ministério do Trabalho e não do INSS. Entende que a agente fiscal não tem capacitação técnica e médica para avaliar cada empregado lotado nos setores dos quais se encontrou agente insalubre e a lei é clara no sentido de que estas conclusões devem partir do médico perito da Previdência Social. Considera incabível a conclusão da agente fiscal sem qualquer amparo de exames médicos, no sentido de que todos os segurados encontram-se expostos a ruídos por conta da variação do quadro clínico previsto nos exames, uma vez que nem sempre os resultados dos mesmos estão relacionados ao trabalho desenvolvido na empresa, podendo ser decorrente de outros fatores, inclusive, o ambiente familiar. Alega que as conclusões sem embasamento em trabalho técnico tomam o lançamento nulo de pleno direito. Aduz que houve ofensa ao principio do contraditório e devido processo legal, em razão da fiscalização e autuação terem sido efetivadas por autoridade não competente. Segundo a notificada, a fiscalização não tem poderes, nem condições de avaliar ou discutir situações de existência ou inexistência de insalubridade, sem a atuação do Ministério do Trabalho e, principalmente, sem a realização de perícia-prova técnica, cuja ausência vem infringir o direito constitucional do contraditório quando da verificação das condições avaliadas. Afirma que houve violação ao principio da reserva legal, uma vez que toda a fiscalização teria se embasado em instruções normativas, costumes e fatores de ordem subjetiva. Alega que parte do crédito estaria extinto em face da decadência operada. Argumenta que o beneficio de aposentadoria especial é de ordem subjetiva e, ao contrário dos demais benefícios previdenciários, não é financiado por toda a sociedade. Tal contribuição adicional decorre de uma prestação sinalagmática, em que há uma relação especifica entre os meios e seus fins. Assim, a autuação seria impertinente, pois buscou no âmbito da impugnante, uma fonte de recursos para financiamento da aposentadoria especial de outras pessoas que não lhe configuram empregados. Como a concessão da aposentadoria especial depende de comprovação pelo segurado de tempo de trabalho em condições especiais, considera que sequer há garantia da correta destinação da contribuição ora cobrada, no caso o pagamento do citado beneficio aos segurados que indiretamente esteve envolvido em suas atividades. 2° CC/MF - Basta Cansara CONFERB COM O ORIGINAL Brasília . / Saz Processo rr 35408.006430/2006-31 11,41- CCO2/C06 Achrdâo n.° 206-01.672 Marta de Fátima Ferrei • ...dr •alhoMau Staix. 761683 Fls. 1.235 No que tange ao risco nocivo decorrente da presença de fumos metálicos, a notificada alega que não há na massa de fumos metálicos, agentes que se encontram presentes no Anexo IV do Regulamento da Previdência Social. Entende que seria necessária diligência fiscal no sentido de se apurar nos termos do Anexo II da NR 15, se a quantificação de óxidos presentes extrapola o limite atribuído pela legislação do traballio. Argumenta que não foi indicado pela auditoria fiscal que a notificada teria entregado e exigido o uso de máscaras respiratórias de seus colaboradores. Destaca que as avaliações de calor e conforto térmico não acusaram sobrecarga térmica nos postos de trabalho, urna vez que cada um destes exigia que o operador ficasse à frente da fonte de calor por apenas alguns minutos, no máximo cinco, situação que não representa risco de potencial dano à saúde. Esclarece que, em 2002, as avaliações de calor foram feitas nos dias mais quentes do ano. Entretanto, a empresa não possui fontes de calor e radiação. Informa que os operadores não ficam habitual e permanentemente expostos ao calor durante todo o ano e que de trezentos colaborados na cidade de Engenheiro Coelho, apenas três por turno têm contato esporádico com a área de calor emitido pelos fomos da fundição. • Considera que a fiscalização não poderia estender a insalubridade, sem laudo, a todos os empregados do centro de custos, sem a prova da exposição de todos eles. Com relação ao agente nocivo sílica livsre, alega que não há como determinar se as alterações constantes nos exames de espirometria e Raio X foram de fato decorrentes das atividades exercidas pelos empregados na empresa. Argumenta que possui formas de proteção coletiva, na forma de exaustores e pelo fato da instalação em alvenaria permitir uma ventilação geral para controle da temperatura e umidade do ambiente. Alega que é obrigatório o uso de EPI denominado respirador semi-facial e proteção FFP-A ou respirador com fator de proteção FFP-2 e VO para vapores orgânicos. Quanto ao risco ruído, alega que o fornecimento ou troca de equipamentos não foi deficiente, o que ocorria é que num determinado setor, quando tinha disponibilidade, um único empregado retirava protetores para vários colegas, aparecendo nos registros retiradas de vários protetores para unia pessoa e outras, nenhum. Considera que o fornecimento dos EPIs protegia os trabalhadores do risco ruído e que não há provas de que existiu perda auditiva com redução da capacidade laboral. Contesta os registros constantes das atas da CIPA. Argumenta que não há prova técnica de insalubridade e que a auditoria fiscal não poderia utilizar-se de laudo da empresa, que além de antigo, não pode fazer prova contra a mesma, conforme princípio de direito que deve ser respeitado. 6 • C CS -NICar: "i9e i•cillIEC-ãaaCt:/a"-S-7144. ratriaA L / ÉlkProcesso o' 35408.00(430/2006-31 Grasilia CCO2JC06leNsnr- Acórdão n.° 206-01.672 mana Ge Fsuim. Fel Is, tu, O t rvaltn, Fls. 1.236 Mate St "kr 751683 Alega a inexistência de acidente de trabalho ou doença profissional, bem como de prova de perda auditiva com redução da capacidade laborai, razão pela qual não foi emitido CAT. Afirma que a fiscalização desconsiderou medidas preventivas ao risco do agente nocivo, pois fornece e fiscaliza o uso de EPIs e concede cursos e treinamentos inerentes à segurança e saúde do trabalhador, ambiente de trabalho e meio social. Entende indevido o procedimento da auditoria fiscal que considerou expostos a risco todoa os funcionários de determinado setor, uma vez que entre estes existem pessoas que não estão vinculadas diretamente ao processo produtivo, como gerentes e supervisores. A impugnação foi submetida à auditoria fiscal que manifestou-se às folhas 1039/1081 - Vol 4. Pela Decisão-Notificação n° 21.424.4/0925/2006 (fls. 1083/1151 - Vol 4), o lançamento foi considerado procedente. A notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 1155/1223 - Vol 4), onde efetua a repetição das alegações de defesa, instruindo-o com o comprovante de haver realizado depósito de 30% do valor do débito, na forma do § 1° do art. 126 da Lei n°8.213/1991. Em contra-razões (fls. 1228/1229 - Vol 4), a SRP manteve a decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheira ANA MARIA BANDEIRA, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. Da análise dos autos, verifica-se prejudicial ao julgamento do recurso, consubstanciado em cerceamento de defesa, vicio que deve ser saneado. Após a apresentação da defesa, a Seção do Contencioso Administrativo Previdencikio encaminhou os autos à auditoria fiscal para manifestação a respeito da defesa apresentada. Como resultado, a auditoria fiscal elaborou manifestação conclusiva, onde rebateu as alegações apresentadas na defesa, bem como juntou cópias de documentos aos autos. Sem que o contribuinte fosse intimado da diligência, foi emitida decisão notificação. Entendo que o resultado da diligência deveria ter sido informado ao contribuinte antes da decisão de primeira instância para que este pudesse se manifestar a respeito. In meu, verifica-se a ocorrência de cerceamento de defesa, ante a ausência do contraditório no que tange à argumentação apresentada pela auditoria fiscal para contrapor as alegações de defesa. 7 • • 2° CC/MF - Sexta Camara CONFERE COM O ORIGINAL Processo n°35408.006430/2006-31 Brasilta. ". e4 . CCO2/C06 Acórdão n.• 206-01.672 ',kV ‘4,M Mana de Fatórna F •:* 4 Carvalho Fls. 1.237 Matr Siapie Ei1he3 Desse modo, é necessário que seja efetuado o saneamento do vicio apontado para que se possa dar continuidade ao julgamento. Diante de todo o exposto e de tudo mais que dos autos consta, voto no sentido de ANULAR A DECISÃO-NOTIFICAÇÃO n° 21.424.4/0925/2006 para que o contribuinte seja informado do resultado da diligência fiscal, bem como seja oferecido ao mesmo prazo para manifestação. Sala das Sessões, em 03 de dezembro de 2008 • • j • A • • A'IA13 • in • • F • • 8 Page 1 _0066600.PDF Page 1 _0066700.PDF Page 1 _0066800.PDF Page 1 _0066900.PDF Page 1 _0067000.PDF Page 1 _0067100.PDF Page 1 _0067200.PDF Page 1
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Numero do processo: 13986.000206/2004-77
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS. REGIME NÃO
CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO.
No regime de incidência não-cumulativa da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.
O termo insumo, portanto, apresenta-se associado à sua aplicação direta no processo produtivo (conceito jurídico de insumos). Assim, para fins de creditamento do imposto, consideram-se como insumos, além das matérias-primas e produtos intermediários stricto sensu, e material de embalagem, que se integram ao produto final, quaisquer outros bens – desde que não incluídos
no ativo imobilizado – que se consumam por decorrência de uma ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS. REGIME NÃO
CUMULATIVO. INSUMOS. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE
CREDITAMENTO.
Caracteriza industrialização qualquer operação que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento).
Assim, somente as embalagens de apresentação devem ser consideradas como insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, e por conseguinte, servirem de base para o cálculo de créditos, o que não ocorre, com as embalagens utilizadas especificamente para acondicionar mercadorias para transporte porquanto não foram utilizadas no processo de industrialização e transformação do produto final.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS. REGIME NÃO
CUMULATIVO. INSUMOS. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES.
CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.
Somente dão direito a crédito, no âmbito do regime da não-cumulatividade, as aquisições de combustíveis e lubrificantes – quando sujeitos ao pagamento da contribuição utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3802-000.768
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: REGIS XAVIER HOLANDA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime de incidência não-cumulativa da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. O termo insumo, portanto, apresenta-se associado à sua aplicação direta no processo produtivo (conceito jurídico de insumos). Assim, para fins de creditamento do imposto, consideram-se como insumos, além das matérias-primas e produtos intermediários stricto sensu, e material de embalagem, que se integram ao produto final, quaisquer outros bens – desde que não incluídos no ativo imobilizado – que se consumam por decorrência de uma ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Caracteriza industrialização qualquer operação que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento). Assim, somente as embalagens de apresentação devem ser consideradas como insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, e por conseguinte, servirem de base para o cálculo de créditos, o que não ocorre, com as embalagens utilizadas especificamente para acondicionar mercadorias para transporte porquanto não foram utilizadas no processo de industrialização e transformação do produto final. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente dão direito a crédito, no âmbito do regime da não-cumulatividade, as aquisições de combustíveis e lubrificantes – quando sujeitos ao pagamento da contribuição utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
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REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime de incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. O termo insumo, portanto, apresentase associado à sua aplicação direta no processo produtivo (conceito jurídico de insumos). Assim, para fins de creditamento do imposto, consideramse como insumos, além das matérias primas e produtos intermediários stricto sensu, e material de embalagem, que se integram ao produto final, quaisquer outros bens – desde que não incluídos no ativo imobilizado – que se consumam por decorrência de uma ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Caracteriza industrialização qualquer operação que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento). Assim, somente as embalagens de apresentação devem ser consideradas como insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, e por conseguinte, servirem de base para o cálculo de Fl. 1DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13986.000206/200477 Acórdão n.º 3802000.768 S3TE02 Fl. 1.483 2 créditos, o que não ocorre, com as embalagens utilizadas especificamente para acondicionar mercadorias para transporte porquanto não foram utilizadas no processo de industrialização e transformação do produto final. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente dão direito a crédito, no âmbito do regime da nãocumulatividade, as aquisições de combustíveis e lubrificantes – quando sujeitos ao pagamento da contribuição utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Tatiana Midori Migiyama (substituta). Fl. 2DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13986.000206/200477 Acórdão n.º 3802000.768 S3TE02 Fl. 1.484 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por Renar Móveis S/A contra Acórdão nº 0719.650, de 23 de abril de 2010 (fls. 1.419 a 1.429v), proferido pela 4ª Turma da DRJ/FlorianópolisSC, que não reconheceu a diferença do direito creditório pleiteado no valor objeto de glosa pela fiscalização. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida que transcrevo a seguir: Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que homologou parcialmente pedido de ressarcimento de créditos da Cofins, relativo ao 3º Trimestre de 2004. A Delegacia da Receita Federal em Joaçaba/SC manifestouse pelo deferimento parcial do direito creditório postulado, com base no não acatamento da apuração de créditos em relação a operações de aquisição de bens caracterizados como embalagens destinadas precipuamente ao transporte de produtos acabados, aquisição de serviços de transportes de documentos, aquisição de combustíveis e lubrificantes consumidos por automóveis, encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, bem como pela inclusão de receitas não consideradas pelo contribuinte no rateio proporcional. A interessada apresentou manifestação de inconformidade frente esta decisão, com os argumentos abaixo expostos. Aduz que as embalagens, mesmo que possam ser consideradas como utilizadas apenas para o transporte de produtos industrializados e não como elementos promocionais, são insumos consumidos na fase final de industrialização (acondicionamento), ou seja, utilizados na linha de produção da Requerente. Afirma que não há na lei qualquer vedação restringindo o desconto de crédito de Cofins sobre as aquisições de insumos de materiais de embalagem. Aduz que a Lei nº 10.833/2003, em seu artigo 3º, permite o desconto de créditos calculados sobre insumos necessários a obtenção de produtos elaborados pela contribuinte, em sentido amplo e sem restrições. O conceito de insumo presente no art. 8º, §4º, da IN SRF nº 404/2004 define a amplitude do conceito de insumo, incluindo toda e qualquer aquisição de material de embalagem. Afirma ainda que o legislador foi além, possibilitando o crédito inclusive sobre armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda (art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/03). Em relação a aquisição de combustíveis e lubrificantes, afirma que os mesmos são, de fato, utilizados no processo de fabricação. Como prova, a recorrente anexa plano de contas e balancetes mensais. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13986.000206/200477 Acórdão n.º 3802000.768 S3TE02 Fl. 1.485 4 Ressalta que os combustíveis e lubrificantes utilizados em seus diversos veículos encontramse escriturados em sua contabilidade em contas distintas, e não foram objeto de pedido de ressarcimento. Requer, desta forma, a inclusão na base de cálculo do crédito de PIS não cumulativo os valores referentes a embalagens destinadas ao transporte e combustíveis e lubrificantes. A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte em acórdão com a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade, as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO Fl. 4DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13986.000206/200477 Acórdão n.º 3802000.768 S3TE02 Fl. 1.486 5 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Cientificado do referido acórdão em 14 de maio de 2010 (fl. 1.430), o interessado apresentou recurso voluntário em 09 de junho de 2010 (fls. 1.443 a 1.456) pleiteando a reforma do decisum e reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ. Acrescenta não ser cabível, para fins de creditamento do COFINS não cumulativo, a distinção entre embalagem de apresentação e embalagem para transporte. Anota que essa distinção seria válida somente quando a incidência do imposto estivesse condicionada à forma de embalagem do produto. Ou seja, tal conceituação seria necessária para definir quando há ou não industrialização (caracterização por ficção jurídica) nos casos em que as operações de acondicionamento ou reacondicionamento ocorressem de forma isolada (sem outros processos de industrialização). Tal distinção não poderia ser transposta para a nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Registra ainda que a vedação aos créditos de PIS e COFINS ofende ao princípio da nãocumulatividade porque as empresas que venderam o material de embalagem à Recorrente recolheram o PIS e a COFINS aos cofres públicos. E a Recorrente, por sua vez, arcou com o ônus financeiro das contribuições embutido no preço do material de embalagem adquirido, constituindo custo efetivamente incorrido. Argúi que a nãocumulatividade do PIS e da COFINS adquiriu status constitucional, com a edição da EC n° 42/2003, e a lei ordinária não poderia dispor sobre essa sistemática de recolhimento como bem pretendesse, devendo seguir parâmetros objetivos para definir o seu alcance. A partir de então, o regime nãocumulativo não poderá mais ser restringido por normas infraconstitucionais. É o relatório. Voto Conselheiro Regis Xavier Holanda, Relator Da admissibilidade Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. Apontese, de início, que os limites do presente litígio se restringem à discussão dos créditos em relação a operações de aquisição de bens caracterizados como embalagens e aquisição de combustíveis e lubrificantes. Contribuição para o PIS e COFINS. Regime nãocumulativo. Conceito de insumos. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13986.000206/200477 Acórdão n.º 3802000.768 S3TE02 Fl. 1.487 6 O regime de incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS foi instituído, respectivamente, pelas Leis nº 10.637, de 30/12/2002 (conversão da Medida Provisória no 66, de 2002), e 10.833, de 29/12/2003 (conversão da Medida Provisória no 135, de 2003), tendo passado a produzir efeitos, em relação à nãocumulatividade dessas contribuições – na mesma ordem – a partir de 1o de dezembro de 2002 e de 1o de fevereiro de 2004. As Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 trouxeram as seguintes disposições sobre a específica matéria em comento: Lei n.o 10.637/2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (grifouse) [...] Lei n.o 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (grifouse) [...] Dessa forma, o inciso II do artigo 3o da Lei no 10.637 de 2002, bem como o correspondente preceito da Lei no 10.833/2003, prevêem o cálculo de créditos a serem descontados ou ressarcidos em relação a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Daí surge a necessidade de se definir, para fins de creditamento, o que são insumos no regime de incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13986.000206/200477 Acórdão n.º 3802000.768 S3TE02 Fl. 1.488 7 Enfrentando esse tema, o Conselheiro Francisco José Barroso Rios, em voto proferido nos autos do Processo nº 11020.000146/200475 (Acórdão nº 380200.334 – 2ª Turma Especial, em 02 de fevereiro de 2011), asseverou que “da leitura das redações do dispositivo que trata do creditamento em decorrência da aquisição de insumos – a atual e as historicamente concebidas para referido preceito – constatase que o termo “insumo”, na forma como é e sempre foi empregado, nunca se apresentou no texto normativo de forma isolada, mas continuamente associado ao seu papel de fator de produção ou na prestação de serviços, ou na fabricação de produtos destinados à venda, ou seja, ao processo de industrialização, atividade que tem no IPI imposto especialmente instituído para sua tributação.” Trilhando esse mesmo caminho, também entendo que essas Leis, ao falarem em insumos utilizados "na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda", criaram uma delimitação estrita, vinculando a caracterização do insumo à sua aplicação direta no processo produtivo (conceito jurídico de insumos), devendo se atribuirlhe o mesmo sentido tradicionalmente proclamado pela legislação do IPI. Assim, no que se refere especificamente ao conceito de insumos, vejamos as seguintes disposições trazidos pelo então vigente Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (Regulamento do IPI – RIPI/2002) – mantidas pelo Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010, em seu artigo 226, I, in verbis: Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo se, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; Tal delimitação para o conceito de insumo, em verdade, há muito está disseminado na legislação tributária. A Coordenação do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal, atual Cosit, por meio do seu Parecer Normativo nº 65/1979, tratou da questão ao interpretar o artigo 66, I do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), aprovado pelo Decreto no 83.263/1979 (RIPI/1979) correspondente ao artigo 164, I do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI/2002): .......................................... 4 Notese que o dispositivo está subdividido em duas partes, a primeira referindose às matériasprimas, aos produtos intermediários e ao material de embalagem; a segunda relacionada às matériasprimas e aos produtos intermediários que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização. 4.1 Observese, ainda, que enquanto na primeira parte da norma ‘matériasprimas’ e ‘produtos intermediários’ são empregados ‘stricto sensu’, a segunda usa tais expressões em seu sentido lato: quaisquer bens que, embora não se integrando Fl. 7DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13986.000206/200477 Acórdão n.º 3802000.768 S3TE02 Fl. 1.489 8 ao produto em fabricação se consumam na operação de industrialização. 4.2 Assim, somente geram direito ao crédito os produtos que se integrem ao novo produto fabricado e os que, embora não se integrando, sejam consumidos no processo de fabricação, ficando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. ............................................................ 10 Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deve entender como produtos ‘que embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, no processo de industrialização’, para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1 Como o texto fala em ‘incluindose entre as matérias primas e os produtos intermediários’, é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários ‘stricto sensu ’, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto de fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2 A expressão ‘consumidos’ sobretudo levandose em conta que as restrições ‘imediata e integralmente’, constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo..”(negritos acrescidos) Dessa forma, para fins de creditamento do imposto, consideramse como insumos, além das matériasprimas e produtos intermediários stricto sensu, e material de embalagem, que se integram ao produto final, quaisquer outros bens – desde que não contabilizados pela contribuinte em seu ativo permanente – que se consumam por decorrência de uma ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação. Assim, a IN SRF nº 247/2002, em sintonia com o desiderato do legislador ordinário, andou bem ao conceber ao termo “insumo” o mesmo sentido tradicionalmente empregado pela legislação do IPI: Art. 66. ....................................... .................................................................................... § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: Fl. 8DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13986.000206/200477 Acórdão n.º 3802000.768 S3TE02 Fl. 1.490 9 a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Concernente à nãocumulatividade da COFINS, o mesmo regramento encontrase disposto nos incisos I e II do § 4º, do artigo 8o, da IN SRF no 404, de 12/03/2004. Nesse mesmo sentido, há farta jurisprudência. Vejamos: MANDADO DE SEGURANÇA DIREITO TRIBUTÁRIO CONTRIBUIÇÕES COFINS E PIS PELO REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE LEIS Nº 10.637/02, 10.833/03 DEFINIÇÃO DA NÃOCUMULATIVIDADE DEPENDE DE NORMA INFRACONSTITUCIONAL DEFINIÇÃO DE INSUMOS ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO E AMORTIZAÇÃO VEDAÇÃO DE CREDITAMENTO NAS AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS OU DESONERADAS ARTIGO 31 DA 10.865/04. I O princípio da nãocumulatividade estabelecido para as contribuições sociais pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003, diverge daquela previsão constitucional originária (IPI e ICMS), dependendo de definição de seu conteúdo pela lei infraconstitucional, não se extraindo do texto constitucional a pretendida regra de obrigatoriedade de dedução de créditos relativos a todo e qualquer bem ou serviço adquirido e utilizado nas atividades da empresa, por isso mesmo também não se podendo acolher tese de ofensa ao artigo 110 do Código Tributário Nacional; II Estando as regras da nãocumulatividade das contribuições sociais afetas à definição infraconstitucional, concluise que: 1º) o conceito de "insumo" para definição dos bens e serviços que dão direito a creditamento na apuração do PIS e COFINS deve ser extraído do inciso II do artigo 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, sem vício das regras insertas nas Instruções Normativas SRF nº 247/02 (artigo 66, § 5º, I e II, inserido pela IN nº 358/03) e nº 404/04 (artigo 8º, § 4º, I e II), não havendo direito de creditamento sem qualquer limitação para abranger qualquer outro bem ou serviço que não seja diretamente utilizado na fabricação dos produtos destinados à venda ou na prestação dos serviços; 2º) nada impede que uma das verbas previstas em lei venha a ser excluída pelo legislador, desde que observado o princípio da anterioridade nonagesimal, como estabelecido no artigo 31 da Lei nº 10.865/04, ao vedar o desconto de créditos apurados na forma do inciso III do § 1º do art. 3º das Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos imobilizados adquiridos até 30.04.2004; 3º) legítima a regra do inciso III do § 1º do artigo 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, que determina que o momento do creditamento das verbas a que se refere (incisos VI e VII do mesmo artigo) deve ser quando ocorre o lançamento dos respectivos encargos de depreciação e amortização; 4º) Fl. 9DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13986.000206/200477 Acórdão n.º 3802000.768 S3TE02 Fl. 1.491 10 legítima a regra do § 2º (incisos I e II) do artigo 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, que impede o creditamento na entrada de bens e serviços adquiridos de pessoas físicas ou agraciados com desoneração das contribuições na etapa anterior da cadeia produtiva. III Apelação da impetrante desprovida. (Tribunal Regional Federal da 3a Região. Terceira Turma. Apelação em Mandado de Segurança no 303.823. Processo no 2005.61.000285868. Relator: Souza Ribeiro. Data da decisão: 26/03/2009. Data da publicação: 07/04/2009) DIREITO CONSTITUCIONAL TRIBUTÁRIO PROCESSUAL CIVIL MANDADO DE SEGURANÇA LEGITIMIDADE ATIVA DO SINDICATO COFINS E PIS LEIS Nº 10.637/02 E Nº 10.833/03 NÃO CUMULATIVIDADE CREDITAMENTO CONCEITO DE INSUMO SERVIÇOS DE LIMPEZA E CONSERVAÇÃO ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO Nº 04/2007 DA SRF. 1. Remessa Oficial tida por ocorrida, nos termos do artigo 475, I do CPC. 2. Sindicatos têm legitimidade ativa para, agindo como substituto processual, demandar em juízo a tutela de direitos subjetivos individuais de seus sindicalizados. 3. Desnecessidade de autorização expressa dos associados para o ajuizamento de ação judicial. A jurisprudência vem entendendo que a previsão constante no Estatuto autoriza a representação na via judicial. Os sindicatos possuem legitimidade extraordinária, na qualidade de substitutos processuais (artigo 6º do CPC), assim, estando expressamente autorizados (artigo 8º III da Constituição Federal), entram em juízo em nome próprio para defender direito alheio, ou seja, direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria que representa. 4. Originariamente, o princípio da não cumulatividade era previsto na Constituição Federal apenas para os impostos sobre produtos industrializados (IPI, art. 155, IV, § 3º, II) e sobre circulação de mercadorias e serviços (ICMS, art. 155, II, § 2º, I), não alcançando as contribuições previdenciárias previstas no artigo 195, inciso I, salvo as criadas com fundamento no § 4º do mesmo artigo, que são submetidas às regras do artigo 154, inciso I. 5. A definição de não cumulatividade prevista nos dispositivos constitucionais "compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores" ou "compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal" não se aplica àquelas contribuições contempladas no inciso I do artigo 195, para as quais somente com a Emenda nº 42, de 2003, passou a ser expressamente previsto o princípio da nãocumulatividade. Nada impedia a adoção desta técnica de arrecadação a nãocumulatividade para as contribuições sociais antes mesmo da Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003, como feito pela Medida Provisória nº 66/2002 (DOU 30.08.2002) convertida na Lei nº 10.637/2002 (DOU 31.12.2002) no que diz respeito ao PIS, e pela Medida Provisória nº 135/2003 (DOU 31.10.2003) convertida na Lei nº 10.833/2003 (DOU 31.12.2003), quanto à COFINS. 6. Esta nova previsão constitucional de nãocumulatividade das contribuições do inciso I, diverge daquela previsão constitucional originária, porque o texto remete a definição de seu conteúdo à lei que venha regulamentar os setores da atividade econômica em que deveriam tais contribuições ser não cumulativas, o que importa em reconhecer a não obrigatoriedade da regra de nãocumulatividade para a generalidade dos casos e, conseqüentemente, a possibilidade de o legislador identificar outros critérios, situações e Fl. 10DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13986.000206/200477 Acórdão n.º 3802000.768 S3TE02 Fl. 1.492 11 condições para a fixação da regra da nãocumulatividade, como estabelecido nos artigos 3º, incisos I e II, 8º e 11, da Lei nº 10.637/02, e nos artigos 3º, I e II, 10 e 12, da Lei nº 10.833/03, o que até reforça, em uma compreensão genérica e global da sistemática constitucional para estas contribuições sociais, a regra do § 9º do mesmo artigo 195 da Constituição, que já havia sido incluído pela Emenda nº 20/98 e com redação alterada pela Emenda nº 47/2005, segundo o qual, embora regulando outro campo normativo, dispõe que tais contribuições podem ter "alíquotas ou bases de cálculo diferenciadas, em razão da atividade econômica, da utilização intensiva de mãodeobra, do porte da empresa ou da condição estrutural do mercado de trabalho", conferindo ao legislador a possibilidade de identificar as situações jurídicas individuais e graduar a incidência contributiva segundo a capacidade econômica do contribuinte, atendendo às peculiaridades individuais de cada setor da economia, assim conferindo efetividade ao princípio da isonomia tributária. 7. A isonomia tributária deve ser aferida e concretizada pelo Legislador diante das situações jurídicas específicas dos diversos setores econômicos, estabelecendo os créditos sujeitos a desconto na operação seguinte para efeito de aperfeiçoar a nãocumulatividade, descontos estes que devem corresponder, dentro de um critério de razoabilidade, àqueles oriundos de produtos ou serviços com incidência contributiva na operação anterior, não competindo ao Judiciário fazêlo (criar hipóteses de dedução não previstas ou excluídas expressamente pela lei).O reconhecimento da inconstitucionalidade de todo o regime da nãocumulatividade instituído pelas referidas Leis somente poderia ser reconhecida se fosse demonstrado, efetivamente, que a norma discriminatória importasse na vulneração essencial do regime, o que não é possível reconhecer na legislação impugnada nestes autos sob uma alegação genérica de ofensa à nãocumulatividade. 8. A regra de não cumulatividade estabelecida para as contribuições sociais pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003, diverge daquela previsão constitucional originária (IPI e ICMS), depende de definição de seu conteúdo pela lei infraconstitucional, não se extraindo do texto constitucional a pretendida regra de obrigatoriedade de dedução de créditos relativos a todo e qualquer bem ou serviço adquirido e utilizado nas atividades da empresa, por isso mesmo também não se podendo acolher tese de ofensa ao artigo 110 do Código Tributário Nacional. Estando as regras da nãocumulatividade das contribuições sociais afetas à definição infraconstitucional, o conceito de "insumo" para definição dos bens e serviços que dão direito a creditamento na apuração do PIS e COFINS deve ser extraído do inciso II do artigo 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, de cujo confronto não se verifica qualquer vício das regras insertas na ADI nº 04/07 não havendo direito de creditamento sem qualquer limitação para abranger qualquer outro bem ou serviço que não seja diretamente utilizado na fabricação dos produtos destinados à venda ou na prestação dos serviços. 9. Plenamente legítima a restrição estabelecida no Ato Declaratório Interpretativo ADI SRF nº 4/2007, ante a inexistência de previsão legal para o creditamento pleiteado, também não se afigurando ofensa ao princípio da nãocumulatividade previsto para as contribuições PIS e COFINS, nem aos princípios constitucionais da isonomia e da capacidade contributiva (CF, art. 145, § 1º), da vedação de efeito confiscatório (CF, art. 150, IV), da propriedade (CF, art. 5º, XII) e da proporcionalidade (CF, art. 5º, LIV). 10. Afastadas as preliminares. Remessa Oficial e Apelação providas. Ação improcedente. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13986.000206/200477 Acórdão n.º 3802000.768 S3TE02 Fl. 1.493 12 (Tribunal Regional Federal da 3a Região. Terceira Turma. Apelação em Mandado de Segurança no 299.565. Processo no 2007.61.000093629. Relator: Juiz Souza Ribeiro. Data da decisão: 06/08/2009. Data da publicação: 25/08/2009) PIS. COFINS . NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO DE INSUMO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. A nova sistemática de tributação nãocumulativa do PIS e da COFINS, prevista nas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, confere ao sujeito passivo do tributo o aproveitamento de determinados créditos previstos na legislação, excluídos os contribuintes sujeitos à tributação pelo lucro presumido. Insumo é tudo aquilo que é utilizado no processo se produção e, ao final, integrase ao produto, seja bem ou serviço. Desse modo, a vigilância e a limpeza, a publicidade, o aluguel e a energia elétrica não são insumos dos prestadores de serviços. Se o legislador quisesse alargar o conceito de insumo para abranger todas as despesas do prestador de serviço, o artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 não traria um rol detalhado de despesas que podem gerar créditos ao contribuinte. Os benefícios da nãocumulatividade foram conferidos aos optantes pela tributação pelo lucro real, acompanhados de uma alíquota superior (7,6% e 1,65%), enquanto que a alíquota menor (3% para a COFINS e 0,65% para o PIS) aplicase às empresas optantes pelo sistema do lucro presumido inexistindo, nesse caso, vantagens fiscais semelhantes. Assim, o próprio sujeito passivo escolhe a modalidade de apuração da COFINS e do PIS mais vantajosa. O artigo 195, §12, da Carta Magna confere à lei a competência para definir os setores de atividade econômica para os quais o PIS e a COFINS passam a ser não cumulativos. O parágrafo 9º do mesmo artigo, com a redação conferida pela EC nº 20/98, já permitia a diferenciação tanto da alíquota quanto da base de cálculo com base na atividade econômica do contribuinte. Se a carga tributária das contribuições nãocumulativas é excessiva para a impetrante, essa desigualdade não se deve à natureza da empresa, mas sim a sua escolha do regime de tributação. O conceito de insumo esposado na IN SRF n.º 404/04 está de acordo com a legislação pertinente, uma vez que restringe o creditamento aos elementos que compõem diretamente o produto ou serviço e não à atividade geral da empresa. (Tribunal Regional Federal da 4a Região. Segunda Turma. Apelação Cível. Processo no 2005.71.000277220. Relator: Luciane Amaral Corrêa Münch. Data da decisão: 21/10/2008. Data da publicação: 19/11/2008) TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. IN/SRF Nº 404/02. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO DE INSUMOS. 1. As Leis n.ºs 10.637/02 e 10.833/03, ao instituírem o regime da não cumulatividade do PIS e da COFINS, operaram, de um lado, a majoração da alíquota de 0,65% para 1,65%, e de 3% para 7,6%, respectivamente, e concederam, de outro, benefícios fiscais na forma de créditos escriturais que resultariam na redução da carga tributária das empresas, conforme disposto no art. 3º. Esse regime permite uma apropriação "semidireta" dessas contribuições incidentes em fase anterior, por meio da admissão de créditos decorrentes de insumos utilizados na produção, os quais são deduzidos das contribuições a recolher. 2. Somente pode ser considerado insumo o que se relaciona diretamente à atividade da empresa. 3. A IN/SRF n.º 404/2004 não amplia o conteúdo legal, apenas reforça o modo legalmente previsto de aproveitamento dos créditos no sistema não Fl. 12DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13986.000206/200477 Acórdão n.º 3802000.768 S3TE02 Fl. 1.494 13 cumulativo do PIS e da COFINS, de modo que não incorre em vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade. (Tribunal Regional Federal da 4a Região. Segunda Turma. Apelação Cível. Processo no 2009.71.070022302. Relator: Juíza Vânia Hack de Almeida. Data da decisão: 26/01/2010. Data da publicação: 03/03/2010) TRIBUTÁRIO. PIS/COFINS. LEIS NºS 10.637/02 E 10.833/03. NÃO CUMULATIVIADE. CONCEITO DE INSUMOS DA IN SRF Nº 404/04. A nãocumulatividade do PIS e da COFINS, erigida nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, traduzse na redução da base de cálculo, havendo a dedução de créditos referentes às contribuições em comento, que já tenham sido recolhidas sobre bens e/ou serviços, objeto de faturamento em etapas anteriores. Pretendese com isso minorar a incidência dos efeitos sobre a receita ou faturamento. Apesar da sistemática da nãocumualtiviade do IPI e ICMS ser distinta da empregada no caso do PIS/COFINS, o conceito de insumos deve ser o mesmo ali empregado, a saber, todos os elementos que se incorporam ao produto final, desde que vinculados à atividade da empresa. O legislador ordinário se quisesse dar um elastério maior ao conceito de insumo, empregandolhe um caráter genérico não teria trazido um rol taxativo de descontos de créditos possíveis, nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, a exemplo dos créditos referentes à "energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica" e tantos outros. A IN SRF nº 404/04 ao explicar o que vem a ser insumo não extrapolou o âmbito de sua atuação, apenas nominou os créditos possíveis, em virtude de sua utilização no processo produtivo, não havendo que se falar em restrição de direitos. Precedente do colendo TRF 4ª Região (AC 200772010007910 SC, Rel. Des. Fed. LUCIANE AMARAL CORRÊA MÜNCH, DE 20.11.2008, AC 200772010002444 SC, Rel. Des. Fed. JOEL ILAN PACIORNIK, DE 26.11.2008 e AC 200771070014746RS, Rel. Des. Fed. VÂNIA HACK DE ALMEIDA, DE 26.11.2008). Apelação desprovida. (Tribunal Regional Federal da 5a Região. Segunda Turma. Apelação em Mandado de Segurança nº 98.876 Processo no 2006.84.000015998. Relator: Francisco Wildo. Data da decisão: 17/08/2010. Data da publicação: 26/08/2010) Dos créditos relativos à aquisição de embalagens. De início, como os créditos em análise, consoante disposição legal (artigo 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003), se referem a insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, vejamos o conceito de industrialização, no que se relaciona às embalagens, utilizado pelo Decreto n.o 4.544/2002 (Regulamento do IPI): Art. 4º – Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei n. 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, e Lei n. 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): [...] Fl. 13DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13986.000206/200477 Acórdão n.º 3802000.768 S3TE02 Fl. 1.495 14 IV – a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou [...] Negrito aposto. O artigo 6º do Decreto nº 4.544/2002 trouxe ainda as seguintes disposições: Art. 6º Quando a incidência do imposto estiver condicionada à forma de embalagem do produto, entenderseá (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, inciso II): I como acondicionamento para transporte, o que se destinar precipuamente a tal fim; e II como acondicionamento de apresentação, o que não estiver compreendido no inciso I. § 1º Para os efeitos do inciso I, o acondicionamento deverá atender, cumulativamente, às seguintes condições: I ser feito em caixas, caixotes, engradados, barricas, latas, tambores, sacos, embrulhos e semelhantes, sem acabamento e rotulagem de função promocional e que não objetive valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional; e II ter capacidade acima de vinte quilos ou superior àquela em que o produto é comumente vendido, no varejo, aos consumidores. § 2º Não se aplica o disposto no inciso II aos casos em que a natureza do acondicionamento e as características do rótulo atendam, apenas, a exigências técnicas ou outras constantes de leis e atos administrativos. § 3º O acondicionamento do produto, ou a sua forma de apresentação, será irrelevante quando a incidência do imposto estiver condicionada ao peso de sua unidade. Desta sorte, resta clara a distinção feita pela norma entre “embalagem de apresentação” e “embalagem de transporte”, considerando apenas a primeira como caracterizadora de uma operação de industrialização. Assim, somente as embalagens de apresentação devem ser consideradas como insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, e por conseguinte, servirem de base para o cálculo de créditos, o que não ocorre, com as embalagens de transporte. Nesse sentido, vejamos a seguinte decisão judicial: TRIBUTÁRIO. PIS/COFINS. LEIS NºS 10.637/2002 E 10.833/2003. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO DE INSUMOS. 1. A orientação da nãocumulatividade do PIS e da COFINS foi dada pelas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, por meio de concessão de créditos taxativamente previstos em seus preceitos para que sejam aproveitados por Fl. 14DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13986.000206/200477 Acórdão n.º 3802000.768 S3TE02 Fl. 1.496 15 meio de dedução da contribuição incidente sobre o faturamento apurado na etapa posterior. 2. Nessa ordem, o legislador estabeleceu a possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS e de COFINS calculados em relação aos "insumos" adquiridos pela pessoa jurídica, assim considerados os bens e serviços utilizados na prestação de serviços e na fabricação de mercadorias destinadas à venda, nos termos do art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. 3. Podese entender como insumo, portanto, todo bem que agrupado a outros componentes, qualifica, completa e valoriza o produto industrializado a que se destina. Logo, as embalagens utilizadas especificamente para acondicionar mercadorias para transporte não estão abrangidas pela definição de insumos, porquanto não foram utilizadas no processo de industrialização e transformação do produto final. 4. A aplicação do princípio da nãocumulatividade do PIS e da COFINS em relação aos insumos utilizados na fabricação de bens e serviços não implica estender sua interpretação, de modo a permitir que sejam deduzidos, sem restrição, todos e quaisquer custos da empresa despendidos no processo de industrialização e comercialização do produto fabricado. 5. Apelação e remessa oficial providas. (Tribunal Regional Federal da 4a Região. Primeira Turma. Apelação/Reexame Necessário. Processo no 2007.72.010002444. Relator: Juiz Joel Ilan Paciornik. Data da decisão: 12/11/2008. Data da publicação: 25/11/2008) No presente caso, a listagem das aquisições de embalagens objeto de glosas indica que a contribuinte adotou como critério o entendimento defendido de que toda e qualquer embalagem geraria direito a crédito. Com efeito, em suas manifestações recursais, admitese que as embalagens objeto de glosa são utilizadas apenas para o transporte. Dessa forma, não se podendo ter como apta à geração de créditos toda e qualquer aquisição de embalagens, tenho por correta a glosa promovida pela Unidade de origem. Dos créditos relativos às aquisições de combustíveis e/ou lubrificantes Para uma melhor análise desse ponto, convém trazermos novamente à baila as disposições normativas insertas no artigo 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003: Lei n.o 10.637/2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (grifouse) Fl. 15DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13986.000206/200477 Acórdão n.º 3802000.768 S3TE02 Fl. 1.497 16 [...] Lei n.o 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (grifouse) [...] Dessa forma, a legislação em estudo expressamente permite o creditamento de valores relativos a combustíveis e lubrificantes utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou seja, utilizados como insumo pela empresa em seu processo produtivo. Entretanto, atento à redação do artigo 42 da Medida Provisória nº 215835, de 20011, não se pode perder de vista a alteração promovida pela Lei nº 10.865/2004 que promoveu a inclusão ao parágrafo 2º do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 de dispositivo segundo o qual “não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição”. Noutro giro, no presente caso, as notas fiscais apresentadas referemse, em sua grande maioria, à aquisição de diesel comum, outras à aquisição de lubrificantes, querosene e gás, e algumas notas fiscais de prestação de serviços de lavagem de veículos. Como bem destacado pela decisão recorrida, observandose as aquisições de combustíveis listadas, percebese que a quase totalidade delas referese a aquisições de diesel comum efetuadas em postos de abastecimento da cidade, em quantidades pequenas, destinadas, no mais das vezes, ao abastecimento de automóveis. Nada há que permita inferir o uso destes combustíveis no processo produtivo da contribuinte. Em conseqüência, havendo carência de comprovação de que os bens adquiridos combustíveis e lubrificantes tenham sido utilizados como insumo no processo produtivo da empresa, não há que se falar em direito a créditos. 1 Art. 42. Ficam reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: I gasolinas, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e GLP, auferida por distribuidores e comerciantes varejistas; Fl. 16DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13986.000206/200477 Acórdão n.º 3802000.768 S3TE02 Fl. 1.498 17 Já no tocante à prestação de serviços de lavagem de veículos, além de evidentemente não se caracterizarem como aquisição de combustíveis e lubrificante, entendo também não lhe serem afetos a caracterização de insumo utilizado na produção ou fabricação de bens. Com efeito, o creditamento objeto do regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, além da necessária observância das exigências legais, requer a perfeita comprovação do emprego dos bens e serviços adquiridos como insumos na atividade de produção ou fabricação da pessoa jurídica. Dessa forma, tenho também por correta a presente glosa promovida pela Autoridade Fiscal. Da conclusão Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente apelo recursal. Sala das Sessões, em 22 de novembro de 2011 (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Fl. 17DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 11060.001668/2005-07
Turma: Oitava Turma Especial
Câmara: Oitava Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA -IRPJ
Exercício: 1999
COMPENSAÇÃO - REGIME JURÍDICO
Conforme reconhecido pela jurisprudência judicial, o regime jurídico aplicável à compensação é o vigente à data em que é promovido o encontro entre débitos e créditos, vale dizer, à data em que a operação de compensação é efetivada, e não aquele vigente à data da apuração dos créditos.
COMPENSAÇÃO - REQUERIMENTO - DESNECESSIDADE
O fato de o artigo 14 da Instrução Normativa SRF n. 21, de 10.03.1997, estabelecer que a compensação entre créditos e débitos não dependia de requerimento à Autoridade Fiscal não justifica a conclusão de que o encontro de contas não precisaria estar lançado nos livros comerciais e fiscais da pessoa jurídica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 198-00.032
Decisão: ACORDAM os Membros da OITAVA TURMA ESPECIAL do PRIMEIRO CONSELHO de CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao
recurso, nos termos do voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: JOÃO FRANCISCO BIANCO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA -IRPJ Exercício: 1999 COMPENSAÇÃO - REGIME JURÍDICO Conforme reconhecido pela jurisprudência judicial, o regime jurídico aplicável à compensação é o vigente à data em que é promovido o encontro entre débitos e créditos, vale dizer, à data em que a operação de compensação é efetivada, e não aquele vigente à data da apuração dos créditos. COMPENSAÇÃO - REQUERIMENTO - DESNECESSIDADE O fato de o artigo 14 da Instrução Normativa SRF n. 21, de 10.03.1997, estabelecer que a compensação entre créditos e débitos não dependia de requerimento à Autoridade Fiscal não justifica a conclusão de que o encontro de contas não precisaria estar lançado nos livros comerciais e fiscais da pessoa jurídica. Recurso Voluntário Negado.
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Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 11 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 10/06/2010
PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PREPARAR FOLHAS DE PAGAMENTO DAS REMUNERAÇÕES PAGAS A TODOS OS SEGURADOS A SERVIÇO DA EMPRESA. DESCUMPRIMENTO. MULTA.
Constitui infração, punível com multa pecuniária, deixar a empresa de incluir em suas folhas de pagamento segurados que lhe tenham prestado serviços - CFL 30.
Numero da decisão: 2202-009.913
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Sonia de Queiroz Accioly Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros:, Martin da Silva Gesto, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros, Christiano Rocha Pinheiro, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Gleison Pimenta Sousa e Sonia de Queiroz Accioly (Presidente).
.
Nome do relator: SONIA DE QUEIROZ ACCIOLY
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OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PREPARAR FOLHAS DE PAGAMENTO DAS REMUNERAÇÕES PAGAS A TODOS OS SEGURADOS A SERVIÇO DA EMPRESA. DESCUMPRIMENTO. MULTA. Constitui infração, punível com multa pecuniária, deixar a empresa de incluir em suas folhas de pagamento segurados que lhe tenham prestado serviços - CFL 30. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Sonia de Queiroz Accioly – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros:, Martin da Silva Gesto, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros, Christiano Rocha Pinheiro, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Gleison Pimenta Sousa e Sonia de Queiroz Accioly (Presidente). . Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls.53 e ss) interposto contra decisão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (fls. 47 e ss) que manteve a autuação pela infração ao artigo 32, I da Lei 8.212/91, combinado com o artigo 225, I, § 9° do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, uma vez que a autuada deixou de preparar folha de pagamento com a identificação dos segurados, função, parcelas integrantes e não integrantes do salário de contribuição, as totalizações e os descontos eventualmente efetuados, dos beneficiários do Programa Trabalho Certo, caracterizados como AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 05 23 /2 01 0- 36 Fl. 75DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-009.913 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16004.000523/2010-36 empregados da autuada pela fiscalização, apresentado apenas planilhas de controles dos pagamento efetuados – CFL 30. A R. decisão proferida pelo Colegiado de 1ª Instância analisou as alegações apresentadas, abaixo reproduzidas, e manteve a autuação: Trata-se de Auto de Infração a obrigação acessória — AIOA Debcad n° 37.280.919-7 — lavrado em face do contribuinte acima identificado pela infração ao artigo 32, I da Lei 8.212/91, combinado com o artigo 225, I, § 9° do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, uma vez que a autuada deixou de preparar folha de pagamento com a identificação dos segurados, função, parcelas integrantes e não integrantes do salário de contribuição, as totalizações e os descontos eventualmente efetuados, dos beneficiários do Programa Trabalho Certo, caracterizados como empregados da autuada pela fiscalização, apresentado apenas planilhas de controles dos pagamento efetuados. Em face do exposto, aplicou-se a multa prevista no art. 283, I, alínea `a' do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, em seu valor mínimo dada a inexistência de circunstâncias agravantes e atenuantes, atualizada na forma do artigo 373 do mesmo diploma legal considerando-se a Portaria Ministerial MPS/MF n° 350 de 30 de dezembro de 2009, importando em R$ 1.410,79 (Um mil, quatrocentos e dez reais e setenta e nove centavos). O contribuinte interessado apresentou impugnação na qual contesta o lançamento fiscal alegando, em síntese, que não há que se falar em reconhecimento de vínculo, frente o caráter assistencial e social do programa `trabalho certo', que objetiva principalmente a requalificação dos seus participantes, mediante frequência em cursos de capacitação profissional e/ou alfabetização, tendo por contrapartida o fornecimento de um auxílio financeiro no importe de um salário mínimo. Ainda, destaca os critérios de admissão dos beneficiários do programa, destacando o seu aspecto social (situação de desemprego e desamparo assistencial), citando Acórdão que refuta a existência de contrato de trabalho, em autos trabalhista. Destaca que não poderia ser de outra forma, frente a obrigatoriedade constitucional da aprovação em concurso para a contratação pela administração pública, conforme farta jurisprudência citada. Anexa aos autos publicações acerca das capacitações e formatura das turmas no programa social `trabalho certo' e conclui afirmando que o não acolhimento da impugnação ensejará o encerramento do programa, "... acabando com a única forma de requalìficação de urna camada população já tão sofrida e sem qualquer outra possibilidade de alocação no mercado de trabalho ". Posta nestes argumentos, requer a anulação do Auto. É o essencial. O Colegiado de 1ª Instância examinou as alegações da defesa e manteve a autuação, em R. Acórdão com as ementas abaixo reproduzidas: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Datado fato gerador: 10/06/2010 AUTO DE INFRAÇAO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇAO ACESSÓRIA. Constitui infração de obrigação acessória deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 76DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-009.913 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16004.000523/2010-36 Cientificado da decisão de 1ª Instância, aos 07/12/2010 (fls. 52), o contribuinte apresentou o presente recurso voluntário em 15/12/2010 (fls. 53 e ss), insurgindo-se, inicialmente, contra o lançamentos ao fundamento da inexistência de relação contratual ou empregatícia em razão do “Programa Trabalho Certo”. Assinala que o programa social denominado "PROGRAMA TRABALHO CERTO", tem caráter unicamente assistencial e objetiva dar ocupação, capacitação e renda ao indivíduo desempregado, enquanto espera sua inserção no mercado de trabalho. Salienta que os desempregados que aderiam ao programa eram obrigados a frequentar cursos de capacitação profissional e/ou de alfabetização, visando melhor recolocação no mercado de trabalho. Em contrapartida, recebiam auxílio financeira de 1 salário mínimo/mês. Busca o cancelamento da autuação. Esse, em síntese, o relatório. Voto Conselheira Sonia de Queiroz Accioly, Relatora. Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. O presente processo cuida de descumprimento de obrigação acessória, relativa a inserção nas folhas de pagamento do recorrente dos segurados empregados que lhe prestaram serviços no período e, em consequência disto, perceberam remunerações, o que constitui infração ao disposto no inciso I do art. 32 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991. Os aspectos relativos à natureza contraprestacional de trabalho foram examinados nos autos de nº 16004.000514/2010-45, e nos autos 16004.000522/2010-91, julgados nesta mesma sessão de julgamento, cujos votos tem as ementas abaixo reproduzidas: Constou do Acórdão proferido em sede de julgamento do Recurso Voluntário, nos autos de nº 15922.000057/2007-69 : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2010 Ementa: RELAÇÃO DE EMPREGO. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. É segurado da previdência social como empregado aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, mormente quando o recorrente não é capaz de contrapor a fundamentação fática posta na acusação fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO Sendo assim, e acolhido entendimento exarado no R. Acórdão proferido pela C. 2ª Turma da CSRF nº 9202-009.779, em 25/08/2021, resta-nos manter a autuação. Fl. 77DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-009.913 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16004.000523/2010-36 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2002 a 31/12/2002 (...) DECISÃO DEFINITIVA QUANTO A EXISTÊNCIA DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Havendo decisão definitiva pela manutenção da obrigação principal, por consequência lógica, seus efeitos devem ser aplicados aos respectivos lançamentos lavrados em razão do descumprimento de obrigação acessória CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto POR NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (documento assinado digitalmente) Sonia de Queiroz Accioly Fl. 78DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 15885.000278/2007-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 15/12/2006
CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, III DA LEI N° 8.212/91
C/C ARTIGO 283, II, "b" DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N°
3.048/99 L APLICÁVEL O PRAZO DECADENCIAL QÜINQÜENAL - ÚNICA INFRAÇÃO É SUFICIENTE PARA PROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO - SOBRESTAMENTO EM FUNÇÃO DE NFLD CORRELATAS - NÃO APLICÁVEL A AUTUAÇÃO EM QUESTÃO.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-deinfração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
Inobservância do artigo 32, III, da Lei n° 8.212/91 c/c artigo 283, II, "b" do RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/99.
A infração objeto desta autuação ao contrário de outras não possui qualquer relação com as NFLD lavradas durante a fiscalização, dependendo exclusivamente da ocorrência da infração, que neste caso resumi-se a não prestar as informações ou esclarecimentos.
Quanto ao argumento apontado pelo recorrente de que a solicitação de documentos objeto da autuação ocorreu em relação a períodos já alcançados pela decadência, razão confiro em parte ao recorrente. Realmente as solicitações para o período de 1996 a 2000, encontram-se alcançados pela decadência qüinqüenal, porém a autuação em questão embasou-se também na não apresentação de documentos do Centro de Pós-graduação no período de 2001 a 2005, bastando a ocorrência de apenas uma infração para ensejar a
procedência do lançamento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 206-01.825
Decisão: ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por, maioria de votos em dar provimento ao recurso para declarar a decadência das contribuições apuradas. Vencidas as Conselheiras Bemadete de Oliveira Barros e Ana Maria Bandeira, que votaram por rejeitar a preliminar de decadência.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Slape 762748 Fls. 176 4#4:':k4 "-:%'"; MINISTÉRIO DA FAZENDA 8.5t-4, SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n° 15885.000278/2007-21 Recurso n° 157.489 Voluntário Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Acórdão n° 206-01.825 Sessão de 05 de fevereiro de 2009 Recorrente INSTITUIÇÃO TOLEDO DE ENSINO - ITE Recorrida SRP - SP • ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 15/12/2006 CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, III DA LEI N° 8.212/91 C/C ARTIGO 283, II, "b" DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N° 3.048/99 L APLICÁVEL O PRAZO DECADENCIAL QÜINQÜENAL - ÚNICA INFRAÇÃO É SUFICIENTE PARA PROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO - SOBRESTAMENTO EM FUNÇÃO DE NFLD CORRELATAS - NÃO APLICÁVEL A AUTUAÇÃO EM QUESTÃO. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de- infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do artigo 32, III, da Lei n° 8.212/91 c/c artigo 283, II, "b" do RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/99. A infração objeto desta autuação ao contrário de outras não possui qualquer relação com as NFLD lavradas durante a fiscalização, dependendo exclusivamente da ocorrência da infração, que neste caso resumi-se a não prestar as informações ou esclarecimentos. Quanto ao argumento apontado pelo recorrente de que a solicitação de documentos objeto da autuação ocorreu em relação a períodos já alcançados pela decadência, razão confiro em parte ao recorrente. Realmente as solicitações para o período de 1996 a 2000, encontram-se alcançados pela decadência qüinqüenal, porém a autuação em questão embasou-se também na não apresentação de documentos do Centro de Pós-graduação no período de 2001 a 2005, bastando a ocorrência de apenas uma infração para ensejar a procedência do lançamento. Recurso Voluntário Provido. - Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. É-1 2° CCIMF Sexta Calmara CONFERE COMO ORIGINAL Ores:Eme 06:0 1 0 Processo n° 15885.000278/2007-21 CCO2/C06 Acórdão n.° 206-0 L825 Marta Ednr" .0 Mat. Mapa 752746 Fls. 177 - ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por, maioria de votos em dar provimento ao recurso para declarar a decadência das contribuições apuradas. Vencidas as Conselheiras Bemadete de Oliveira Barros e Ana Maria Bandeira, que votaram por rejeitar a preliminar de decadência. 1 , ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente •. , ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Relatora • Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Rogério de Lellis Pinto, Bemadete de Oliveira Barros, Cleusa Vieira de Souza, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 _ . r C.C/LIF Sexta Câmara CONFERE COM' O ra l a 4-92.--,e_s_ Processo n° 15885.000278/2007-21 ar as;t "ag CCO2/C06Acórdão n?. 206-01.825 Maria Era' • •••••• n P Mat. Siap f.: 7,1/4?' Fls. 178 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, III da Lei n° 8.21211991 c/c art. 225, III e § 22 e art. 283, II, "b" do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente deixou de prestar todas as informações contábeis, econômicas e financeiras de interesse da fiscalização, em especial deixou de prestar os esclarecimentos abaixo descritos, o que constitui infração. Em relação a filial — Presidente Prudente, informações e esclarecimentos para o período de 1996 a 2000, visando conhecer as contas bancárias e contas contábeis, bem como qual o real destinatário (favorecido) dos pagamentos. Em relação a matriz, informações e esclarecimentos, visando conhecer as contas bancárias e contas contábeis, bem como qual o 1 .611 destinatário (favorecido) dos pagamentos realizados por meio de cheques e movimentações a débito de suas contas no período de 1996 a 1998. Em relação a matriz, informações e esclarecimentos acerca do Centro de Pós- graduação, contratação de supostas empresas de consultoria, valores contabilizados na conta de investimento, bens imóveis e móveis (veículos)integrantes do ativo permanente, composição da diretoria a partir de 01/1996, contratação de empregados determinados pelo critério da 9601/98. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deu-se em 15/12/2006, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 19/12/2006. Contudo, relevante informar que o procedimento fiscal teve início em 02/03/2006, com a ciência do MPF, servindo este como medida preparatória indispensável para o lançamento. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 88 a 95. Foi exarada a liecisão-Notificação - DN que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 100 a 102. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 145 a 167. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: Preliminarmente, o procedimento fiscal é nulo, e por conseqüência o Auto de Infração — AI face não estar descrito no relatório fiscal de multa e no da infração o fundamento legal da majoração da multa em função de reincidência, vício este considerado insanável. Da nulidade do TIAD tendo em vista a exigência de documentos de fatos geradores anteriores a 09/10/96, 01/11/1996 e 08/11/1996 em decorrência de previsão legal exonerando o contribuinte desses deveres. O auto em questão encontra-se contaminado face a ocorrência da decadência. '3 _ 2° CC/NIF Sexta Câmara CONFERE COMO ORIGINAL Brasilla, Processo n°15885.000278/2007-21 CCO2/C06 Acórdão n.°206-01.825 • Maria EcI~r4iiPinto Mat. Slape 1E2748 FLs. 179 Deve o presente auto ficar sobrestado em função da prejudical'clade do seu objeto em decorrência da íntima relação com o recurso apresentado em outra NFLD. Aguarda, pois a decretação de improcedência da infração, bem como em não sendo acolhida, seja determinado o sobrestamento do feito. A Receita Previdenciária não apresentou contra-razões, tendo encaminhado o processo a este 2° CC. É o relatório. - Voto .• Conselheira ELAINE CRISTINA IvIdN'TEIRO E SILVA VIEIRA, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 169. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO: Já com relação as preliminares, quanto ao argumento de ser impróprio o auto de infração, eis que a sua lavratura se deu em nítida afronta a disposição legal, frise-se que pela análise dos documentos presentes no presente processo, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, quais sejam. Autorização por meio da emissão do Mandato de Procedimento Fiscal — MPF- F e complementares, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento. Intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária. Autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandato, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Com base nestes fatos, quanto à alegação do recorrente de que o procedimento fiscal encontra-se eivado de nulidade, por não atender aos ditames legais, qual seja o fundamentação da reincidência, provocando o cerceamento de defesa, não lhe confiro razão. • Pode-se destacar que no relatório fiscal da aplicação da multa, a autoridade fiscal não apenas indicou as autuações que ensejaram a reincidência, bem como destacou a fundamentação legal, na forma apontada a seguir. 4,0 4 CC/MF Sexta Câmara CONFERE COMO OFIVNAL Brast ; I: , o6 . ., to? . . Processo n° 15885.000278/2007-21CCO2/C06 Acórdão n.°206-01.825 Maria Ed , . , e a ato Met Step* 752748 Fls. 180 • Quanto ao argumento apontado pelo recorrente de que a solicitação de documentos objeto da autuação ocorreu em relação a períodos já alcançados pela decadência, razão confiro em parte ao recorrente. Realmente as solicitações para o período de 1996 a 2000, encontram-se alcançados pela decadência qüinqüenal, porém a autuação em questão embasou- se também na não apresentação de documentos do Centro de Pós-graduação no período de • 2001 a 2005, bastando a ocorrência de apenas uma infração para ensejar a procedência do lançamento. Ademais a fiscalização previdenciária é competente para constituir os créditos tributários decorrentes dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme descrito no art. 1° da Lei 11.098/2005: "Art. 1° Ao Ministério da Previdência Social compete arrecadar, fiscalizar, lançar e norniatizar o recolhimento, em nome do Instituto Nacional do Seguro Social - 11155, das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribUições instituídas a título de substituição, bem como as demais atribuições correlatas e conseqüentes, inclusive as relativas ao contencioso administrativo fiscal, conforme disposto em regulamento." Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a ocorrência de infração a dispositivo da legislação previdenciária, cumpri-lhe lavrar de imediato auto-de-infração de forma vinculada. Pelos docuMentos presentes nos autos a autoridade previdenciária requereu os documentos pertinentes ao cumprimento da legislação previdenciária, bem como os documentos lançados em contabilidade. O art. 293 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: . "Art. 293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, auto-de-infração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes." Superadas as preliminares, passo ao mérito. DO MÉRITO O procedimento adotado pelo AFPS na aplicação do presente auto-de-infração seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita. No presente caso, a obrigação acessória está prevista na Lei n° 8.212/1991 em seu artigo 32, III, nestas palavras: "Art. 32. A empresa é também obrigada a: #. 5 CUMF Sexta Câmara CONFERE COM O ORIGINAL emalha, Processo o' 15885.800278/2007 -21 Maria EdnTeerrito CCO2/C06Acórdão ri.' 206-01.825 Mat. Siape 752748 Fls. 181 III - prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social-INSS e ao Departamento ,da Receita Federal-DRF todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização." O presente auto foi lavrado tendo como fundamento a não apresentação dentre outros dos documentos no relatório deste voto. Dessa maneira, não tem porque o presente auto-de-infração ser anulado em virtude da ausência de vicio formal na elaboração. Foi identificada a infração, havendo subsunção desta ao dispositivo legal infringido. Os fundamentos legais da multa aplicada foram discriminados e aplicados de maneira adequada. Destaca-se que as obrigações . acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é sabido, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2° do CTN, nestas palavras: "Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. § 2° A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3° A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária." A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. Assim, foi correta a aplicação do auto de infração ao presente caso pelo órgão previdenciário. O relatório fiscal indicou de maneira clara e precisa todos os fatos ocorridos, havendo subsunção destes à norma prevista no art. 32, III, da Lei n° 8.212/1991. O Auto de Infração sendo aplicado da maneira como foi imposto não se transforma em meio obtuso de arrecadação, nem possui efeito confiscatório. Na legislação previdenciária, a aplicação de auto de infração não possui a finalidade precipua de arrecadação, o que pode ser demonstrado pela previsão de atenuação ou até mesmo da relevação da multa, neste último caso, o infrator não pagará nenhum valor (art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999). Os valores aplicados em auto de infração pela omissão justificam-se pelo fato da importância dos esclarecimentos para administração previdenciária. As informações prestadas auxiliarão na fiscalização das contribuições arrecadadas pela Previdência Social. cot 6 _ ~ara r comF sexta cnotim. . co,„,,ERE com o 07- "if2Z Processo n's 15885.000278/2007-21 •oragos. OS, .-A..,1003M•giWP Int° CCO2/C06 Acórdão o, 206-01.825 mas cw .• 15274a ma SUO* Fls. 182 Vale destacar, ainda, que a responsabilidade pela infração tributána é em regra objetiva, isto é independe de culpa ou dolo. Por fim, quanto ao argumento de que o julgamento deve restar sobrestado até o julgamento das NFLD correlatas, razão também não confiro ao recorrente. A infração objeto desta autuação ao contrário de outras não possui qualquer relação com as NFLD lavradas durante a fiscalização, dependendo exclusivamente da ocorrência da infração, que neste caso resumi-se a não prestar as informações ou esclarecimentos. Assim, foi correta a aplicação do auto de infração ao presente caso pelo órgão previdenciário. Desse modo, a autuação deve persistir. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO . do recurso para no mérito NEGAR-LHE PROVIMENTO, julgando procedente o lançamento efetuado. É como voto. Sala das Sessões, em 05 de fevereiro de 2009 • • • 1 EIRO E SILVA VIEIRA • 7 • Page 1 _0030600.PDF Page 1 _0030700.PDF Page 1 _0030800.PDF Page 1 _0030900.PDF Page 1 _0031000.PDF Page 1 _0031100.PDF Page 1
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Numero do processo: 13975.000508/2002-11
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Exercício: 2001
COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS NÃO AMPARADOS POR DECISÃO
TRANSITADA EM JULGADO. INTELIGÊNCIA DO ART. 170 DO CTN.
Mesmo antes da vigência do art. 170-A introduzido no ordenamento jurídico pela Lei Complementar nº 104/2001, a compensação não poderia ser feita com base em créditos amparados por decisão judicial passível de reforma, dado que o art. 170 do CTN sempre exigiu que o crédito fosse certo, assim entendido como aquele sobre o qual não pairam dúvidas acerca de sua existência.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2001
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE.
Não há prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Aplicação da Súmula CARF nº 11.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2001
RECURSO VOLUNTÁRIO. NOVOS ARGUMENTOS TRAZIDOS AO
PROCESSO SEM APRECIAÇÃO DA INSTÂNCIA ORIGINÁRIA. NÃO
CONHECIMENTO.
De acordo com os arts. 16, III, e 17, do Decreto nº 70.235/72, não são passíveis de conhecimento em sede recursal argumentos novos, que não tenham sido apreciados pela instância a quo.
Recurso Voluntário Conhecido Parcialmente e Negado Provimento.
Numero da decisão: 3802-000.699
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer parcialmente do Recurso Voluntário para negar-lhe provimento.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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CRÉDITOS NÃO AMPARADOS POR DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. INTELIGÊNCIA DO ART. 170 DO CTN. Mesmo antes da vigência do art. 170A introduzido no ordenamento jurídico pela Lei Complementar nº 104/2001, a compensação não poderia ser feita com base em créditos amparados por decisão judicial passível de reforma, dado que o art. 170 do CTN sempre exigiu que o crédito fosse certo, assim entendido como aquele sobre o qual não pairam dúvidas acerca de sua existência. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2001 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não há prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Aplicação da Súmula CARF nº 11. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2001 RECURSO VOLUNTÁRIO. NOVOS ARGUMENTOS TRAZIDOS AO PROCESSO SEM APRECIAÇÃO DA INSTÂNCIA ORIGINÁRIA. NÃO CONHECIMENTO. De acordo com os arts. 16, III, e 17, do Decreto nº 70.235/72, não são passíveis de conhecimento em sede recursal argumentos novos, que não tenham sido apreciados pela instância a quo. Recurso Voluntário Conhecido Parcialmente e Negado Provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 23/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 30/1 2/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/01/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer parcialmente do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. EDITADO EM: 31082011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Tatiana Midori Migiyama, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte epigrafado contra o Acórdão n.º 07 18.735, de 29/01/2010, de lavra da 4ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis/SC. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente sejam revisitados os atos e fases processuais já superados. Por bem resumir a controvérsia até a respectiva fase processual, tomo emprestado a descrição fática lançada no acórdão da instância a quo acima referido (fl. 9495 dos autos): Por meio do auto de infração às folhas 09 a 13, foi exigida da contribuinte acima qualificada a importância de R$ 7.711,36, a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, acrescida de multa de oficio de 75% e dos acréscimos legais devidos à época do pagamento. Tais valores foram apurados em face dos procedimentos de auditoria interna efetuados sobre a DCTF relativa ao terceiro trimestre de 1997. Em consulta ao auto de infração, verificase que a autuação se deu em razão da "falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata". É que a contribuinte informou na DCTF, que os débitos haviam sido adimplidos por via de compensação com créditos reconhecidos em processo judicial, mas o processo judicial indicado não foi localizado. Irresignada com o feito fiscal, interpôs a contribuinte a impugnação constante da folha 01, na qual afirma que havia que os débitos lançados foram compensados conforme sentença judicial anexa. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 23/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 30/1 2/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/01/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13975.000508/200211 Acórdão n.º 380200.699 S3TE02 Fl. 143 3 Apresentada a impugnação, a DRF/Blumenau/SC tratou de fazer uma análise prévia da alegação posta pela contribuinte (folhas 51 a 53). E no âmbito desta análise, manifestouse a autoridade fiscal no sentido do não acatamento da alegação, fazendoo por via da afirmação de que a DCTF havia sido entregue à Receita Federal antes do ajuizamento da ação judicial que a contribuinte ora afirma ser a correta fonte de seus créditos. Deste modo, como à época da apresentação da DCTF não havia decisão judicial transitada em julgado favorável à contribuinte, o lançamento não mereceria reparos em face do artigo 170A do Código Tributário Nacional CTN, que exige créditos líquidos e certos para a validação das compensações. Cientificada da análise prévia efetuada pela DRF/Blumenau/SC, a contribuinte aditou sua impugnação (folhas 59 a 75), trazendo as seguintes alegações: (a) inicialmente, afirma já ter ocorrido a prescrição intercorrente, em vista do decurso de lapso temporal superior a cinco anos entre a data da interposição da impugnação inicial e a emissão do Parecer da DRF/Blumenau/SC que considerou regular o lançamento. Para corroborar sua alegação, cita doutrina e jurisprudência judicial. Faz comparação com os arts. 1° e 2° do Decreto n° 20.910, de 1932, que tratam da prescrição qüinqüenal das dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, e dos direitos ou ações contra a Fazenda Pública; (b) a seguir, defende a contribuinte que a compensação de recolhimentos indevidos com tributos administrados pela Receita Federal não demanda prévia autorização judicial. Entende que a liquidez e certeza do crédito contra a Fazenda Nacional pode ser determinada tanto na esfera judicial quanto na esfera administrativa; assim, caberia à Receita Federal, quando diante de uma compensação efetuada pelo sujeito passivo, fazer a respectiva aferição quanto à existência ou não do crédito; (c) por fim, alega ser incorreta a posição da autoridade fiscal de considerar que o crédito discutido em ação judicial só pode ser utilizado depois do trânsito em julgado da decisão. Usa como base para sua afirmação o permissivo posto no artigo 11 da Lei n.° 9.779/1999. Conclui dizendo que "concordamos que é certo o procedimento da não homologação dos débitos caso os créditos não sejam autorizados pela legislação vigente. Mas, neste caso existe dispositivo legal que permite a utilização dos créditos e consequentemente a compensação". Ao analisar a impugnação oposta à ação fiscal, a 4ª. Turma da DRJ de Florianópolis/SC entendeu pela procedência do lançamento tributário, refutando os argumentos expendidos na peça defensiva do sujeito passivo. Confirase a ementa do julgado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1997 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. 1NAPLICABILIDADE Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE Fl. 3DF CARF MF Impresso em 23/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 30/1 2/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/01/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seu Recurso Voluntário (fls. 96 135), que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, pelo qual, além de reiterar os argumentos já aduzidos por ocasião da sua impugnação inicial, requer: (i) a homologação da compensação com posterior cancelamento de débito; (ii) exclusão do valor principal do Auto de Infração, além dos juros de mora; ou (iii) exclusão da taxa SELIC com a aplicação da taxa de 1% a.m. estabelecido pelo CTN . No mais, o Recorrente arremata sua peça recursal pugnando pela exclusão da multa excessiva e impugnação de taxa de juros supostamente ilegal. Os autos então seguiram ao CARF para conhecimento e julgamento da referida manifestação recursal. Sendo esses os aspectos mais relevantes do presente procedimento de revisão de lançamento tributário, passase ao voto. Voto Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi, Relator O recurso se mostra admissível quanto à sua tempestividade, motivo pelo qual passo ao respectivo exame. Compulsando os autos, verificase que o Recorrente realizou compensação antes do trânsito em julgado da sentença que lhe deferira tal crédito. O Recorrente argumenta que seu procedimento de compensação antes do trânsito em julgado é regular, porque realizado antes da vigência do art. 170A do Código Tributário Nacional. Apenas para fins de ilustração, segue transcrito abaixo o referido dispositivo: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Ora, o Recorrente afirma categoricamente que, antes da vigência do art. 170 A, a compensação poderia ser livremente efetuada antes do trânsito em julgado – como se a redação do art. 170A inovasse no mundo jurídico. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 23/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 30/1 2/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/01/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13975.000508/200211 Acórdão n.º 380200.699 S3TE02 Fl. 144 5 Ocorre que, nada obstante seu argumento ser interessante, não merece ser acolhido. Isso porque desde sua promulgação o Código Tributário Nacional traz o art. 170, que exige a certeza do crédito do sujeito passivo hábil para compensar: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Em uma disputa judicial, antes do trânsito em julgado, não há como se falar em certeza do crédito, já que esta é entendida como a ausência de dúvidas acerca da existência do crédito do sujeito passivo. No curso do processo judicial há, no máximo, liquidez, mas ainda assim restará carente o outro requisito para compensação, o qual somente restará preenchido após o trânsito em julgado da decisão que lhe confere o direito de crédito. Não há, portanto, como se proceder à homologação. A rigor, é de se relembrar que o art. 170A do CTN, interpretado pelo Recorrente como inovação ao mundo jurídico, nada mais foi do que um ato do legislador de se harmonizar com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, que três anos antes da LC 104/2001 (que inseriu o novel dispositivo ao CTN) houvera sumulado, pelo verbete de nº 212, que “a compensação de créditos tributários não pode ser deferida por medida liminar” (DJ de 02/10/1998). Outro argumento aduzido pelo sujeito passivo que não merece acolhida é o pedido de reconhecimento de Prescrição Intercorrente, dado o decurso de mais de cinco anos sem que houvesse prosseguimento de seu processo administrativo. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal atravessa décadas no sentido de que a prescrição intercorrente não se aplica ao processo administrativo tributário, exatamente porque este provoca a suspensão do prazo prescricional (tendo sido mesmo provocado pelo próprio sujeito passivo). Assim, falarse em prescrição no curso do processo administrativo tributário seria uma contradição em termos. Não por outro motivo o CARF tem entendimento sedimentado no mesmo sentido, sendo mesmo sumulado pelo verbete nº 11 que “Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal”. Assim, mesmo que haja demora no andamento do processo administrativo, a prescrição fica afastada. O contribuinte pode, ao seu turno, provocar o andamento do processo, em casos extremados, por ordem judicial. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 23/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 30/1 2/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/01/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 Quanto aos dois últimos argumentos expendidos no Recurso Voluntário (multa excessiva e taxa de juros ilegal), estes não podem ser conhecidos, por não terem sido aduzidos à instância originária. Isso porque o Decreto nº 70.235/72 é claro ao determinar, em seu artigo 16, III, que: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; O art. 17 do mesmo diploma arremata quanto à matéria que não tenha sido objeto da impugnação: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Assim, não havendo sido aduzidos na impugnação os argumentos ora sob exame, não podem eles ser objeto de conhecimento em sede de Recurso Voluntário, tendo ocorrido o fenômeno da preclusão. Conclusão Isto posto, conheço parcialmente do recurso voluntário para NEGARLHE PROVIMENTO, julgando o lançamento procedente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 6DF CARF MF Impresso em 23/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 30/1 2/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/01/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 11176.000142/2007-66
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2008
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 01/08/1995
DECADÊNCIA - ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 -
INCONSTITUCIONALIDADE - STF - SÚMULA VINCULANTE - OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS - ART 173, I, CTN.
De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45
e 46 da Lei n" 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo
prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias
acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cinco
anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I; do CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 206-01.725
Decisão: ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas. Ausente ocasionalmente o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n" 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I; do CTN. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • PPG )1 • - Sexta Camara C.- COM O RIGINAL Processo rr 11176.000142/20407-66 / CCO2/036 Acórdão n.° 206-01.725 or.; ror rvs “ .— ram:._, 1: • Arb r10 Fls. 182 I •Itr UI- /51663 ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas. Ausente ocasionalmente o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. qk ELIAS SA 9 - AI n - • EIRE Presidente 4ailiittfj AtN RIA BANDEIRA Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Rogério de Lellis Pinto, Bernadere de Oliveira Barros, Cleusa Vieira de Souza e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. - — - Sexta Câmara Processo n° 11176.000142/2007-66 Cot.. r: F. RE coro o ORIGINAL CCO2/C06 Acórdão n.• 206-01.725 Bras Fls. 183na a .• ati kW*v •Mar.- ue alta Carvirree SIA/W4 Relatório Trata-se de autuação lavrada pela inobservância de obrigação acessória prevista no art. 17 da Lei n° 8.213/1991 c/c O art. 18, inciso I e § 1° do Decreto n° 3.048/1999, que consiste em a empresa deixar de inscrever segurado empregado. A autuada deixou de registrar a segurada Maria Aparecida Coutinho Ber que laborou no Hospital e Maternidade Engenheiro Beltrão, sem registro, cujo vinculo foi reconhecido por sentença judicial, constante nos autos do processo n°2004.70.10.003185-3, da Justiça Federal, Seção Judiciária do Paraná, Vara Federal e Juizado Especial Federal, Subseção Judiciária de Campo Mourão, em que o INSS foi condenado a averbar o período em que a citada segurada laborou para a notificada, bem como outros períodos e conceder àquela o beneficio de aposentadoria por tempo de contribuição. A segurada teria laborado para a autuada nos períodos de 01/08/1995 a 30/09/1997 e 01/01/1999 331/08/1999. A autuada apresentou defesa (fls. 58/82) onde alega que o prazo para constituição dos créditos seria de cinco anos a contar dos fatos geradores e que estaria prescrito o prazo que a empresa tem para guardar documentos. Afirma que a empresa encontra-se inativa desde o ano-base de 2001, conforme declarações enviadas aos órgãos públicos, cujas cópias encontra-se anexadas, bem como outros documentos, como contrato de locação do imóvel para escola de educação infantil e ensino fundamental. Discorda das atualizações monetárias aplicadas e afirma que os índices de multa aplicados não observam o princípio da legalidade. Alega a impossibilidade da utilização da taxa SELIC como taxa de juros moratórios. Pelo Acórdão n" 06-14.902, a 5' Turma da DRJ-Curitiba (PR) julgou o lançamento procedente. Contra tal decisão, a notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 138/163) efetuando repetição das alegações já apresentadas na defesa. Nilo houve apresentação de contra-razões. É o relatório. Voto Conselheira ANA MARIA BANDEIRA, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. 3 1 2' CCIME - Sexta Cã^ -3 COlmFeRE COM o oRiciNAL Processo n°11176.000142/2007-66 aioBras fila c;2» ora' CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.725 ,Ifirtr Fls. 184Mana de Fátima ;-t e wc. ^o Mad Siada 751683 Quanto à preliminar de decadência suscitada, assiste razão à recorrente. A decadência deve ser verificada considerando-se a recente Súmula Vinculante n° 8, editada pelo Supremo Tribunal Federal, que dispôs o seguinte: Súmula Vinculante 8 "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 50 do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212191. que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário." Vale lembrar que os efeitos da súmula vinculante atingem a administração pública direta e indireta nas três esferas, conforme se depreende do art. 103-A e parágrafos, da Constituição Federal que foram inseridos pela Emenda Constitucional n° 45/2004. in verbis: -Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1"A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2° Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3° Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgando-a procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso Da análise do caso concreto, verifica-se que embora se trate de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, há que se verificar a ocorrência de eventual decadência à luz das disposições do Código Tributário Nacional que disciplinam a questão ante a manifestação do STF quanto à inconstitucionalidade do art 45 da Lei n° 8212/1991. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: "Art.173 - O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1- do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido &nado; 4 • t Coma• CC.. , C:::::',11.0aCRIG1NraAL Processo n• 11176.000142/2007-66 J Gra ., . 1•44,1 k CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.725 pitar ISM Fls. 185 ..arvalno 7:;itiea - da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado. por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único - O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Quanto ao lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 40 0 seguinte: "Art.150 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ,§* - Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." Tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplica-se o prazo previsto no § 4° do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. No caso, como se trata de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo, assim, para a apuração de decadência, aplica-se a regra geral contida no art. 173, inciso 1 do CTN. Assevere-se que a questão foi objeto de manifestação por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional por meio da Nota PGFN/CAT n° 856/ 2008 aprovada pelo Procurador- Geral da Fazenda Nacional em 01/09/2008, nos seguintes termos: "Aprovo. Frise-se a conclusão da presente Nota de que o prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTIV.•" No caso concreto, o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, a manutenção de segurada empregada sem registro ocorreu nos períodos de 01/08/1995 a 30/09/1997 e 01/01/1999 a 31/08/1999. Pela regra consubstanciada no art. 173, inciso 1, do CTN encontra-se decaído o direito de constituir o crédito relativo à multa pelo descumprimento da obrigação acessória, desde 01/01/2005. Como a autuação se deu em 01/03/2007, verifica-se que ocorreu a decadência. _ z.z , zta Camara • CC-•• • 0 ORIGINAL Processo n° 11176.000142/2007-66 Sn; a/4,04;a, IL CCO2JC06 Acórdão n.° 206-01.725 Mari. _ ferdi; ?tf Els. 186 ,,aue 751683 Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de CONHECER do recurso e DAR-LHE PROVIMENTO para reconhecer que ocorreu a decadência do direito de lançar a multa pelo descumprimento da obrigação acessória. Sala das Sessões, em 04 de dezembro de 2008 • .0" IV • : • • 6 Page 1 _0019200.PDF Page 1 _0019300.PDF Page 1 _0019400.PDF Page 1 _0019500.PDF Page 1 _0019600.PDF Page 1
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