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Numero do processo: 10510.000447/2009-29
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3401-000.650
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria sob repercussão geral, em razão do art. 62-A do Regimento Interno do CARF.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente
EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos.
Nome do relator: Não se aplica
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ART. 62A DO RICARF. REPERCUSSÃO GERAL. BASE DE CÁLCULO DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Recorrente BANCO DO ESTADO DE SERGIPE S/A Recorrida DRJ SALVADOR Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria sob repercussão geral, em razão do art. 62A do Regimento Interno do CARF. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS – Presidente EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão da DRJ que manteve autos de infração do PIS/Pasep e Cofins, períodos de apuração de 01/07/2006 a 31/03/2007, onde se debate a base de cálculo da instituição financeira autuada, à luz da definição de faturamento anterior ao alargamento promovido pelo § 1º ao art. 3º da Lei nº 9.718/98. Os valores das duas Contribuições foram acompanhados apenas de juros de mora. A multa de ofício não foi aplicada por força de medida judicial. Por bem resumir o que consta dos autos até então, reproduzo o relatório da primeira instância: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 10 .0 00 44 7/ 20 09 -2 9 Fl. 592DF CARF MF Processo nº 10510.000447/200929 Resolução nº 3401000.650 S3C4T1 Fl. 593 2 Conforme apontado nos Autos de Infração, foi constatada a insuficiência de recolhimento das contribuições nos períodos verificados. As divergências encontradas pelo autuante foram relativas à composição da base de cálculo das contribuições, visto que a contribuinte limitouse a tributar as receitas de “prestação de serviços”, deixando de tributar as demais receitas oriundas de suas atividades empresariais, como, por exemplo, as receitas operacionais provenientes de operações de intermediação financeira e aplicações. O Parecer às folhas 2024 e o Relatório de Diligência às folhas 2527 trazem os detalhes da divergência entre Fisco e contribuinte no tocante às bases de cálculo do PIS e da Cofins para as instituições financeiras, em especial o conceito de receita bruta/faturamento para estas empresas. Importante ressaltar que a contribuinte levou a discussão acerca da base de cálculo do PIS e da Cofins para a Justiça, de sorte que os lançamentos foram efetuados sem a multa de ofício, nos termos do artigo 63 da Lei nº 9.430, de 1996. Até o início da ação fiscal, a contribuinte não havia realizado depósitos judiciais referentes à parcela das contribuições discutidas, de maneira que os lançamentos foram efetuados com a incidência dos juros de mora previstos em lei. Cientificada da exigência fiscal, a autuada apresenta Impugnação, sendo essas as suas razões de defesa, em síntese: • Os créditos fiscais pretendidos com os lançamentos encontramse com a exigibilidade suspensa por força de medida liminar concedida nos autos dos processos judiciais n° 2007.85.00.0058359 e 2007.85.0058347. • Os créditos tributários em questão não devem prevalecer na medida em que foram equivocadamente apurados sobre as receitas de natureza eminentemente financeiras (tais como receitas de financiamentos, empréstimos, etc.) auferidas pela Impugnante, que efetivamente não compõem o conceito constitucional de faturamento previsto no artigo 195, I e caput do artigo 3° da Lei n° 9.718/98. • O termo faturamento não possui o alcance que pretende dar a autoridade administrativa, englobando, no caso das instituições financeiras como a Impugnante, apenas e exclusivamente as receitas decorrentes das prestações de serviços conforme o conceito constitucional de faturamento (produto da venda de mercadorias e de prestação de serviços). • Inclusive, nesse exato sentido são as decisões obtidas pela Impugnante nos autos dos Mandados de Segurança n°s 2007.85.00.0058347 e 2007.85.00.0058395. • Os lançamentos possuem erro na apuração do valor dos juros de mora. Nos termos do §3° do artigo 61 da Lei n° 9.430/96, devese aplicar a taxa Selic "(...), a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento”. Fl. 593DF CARF MF Processo nº 10510.000447/200929 Resolução nº 3401000.650 S3C4T1 Fl. 594 3 Contudo, a autoridade fiscal equivocadamente aplicou a referida taxa na apuração dos juros de mora a partir do mês subseqüente ao do fato gerador. A 4ª Turma da DRJ manteve o lançamento, não conhecendo do mérito em face da concomitância com a via judicial. Na parte conhecida, rejeitou a alegação de erro no cálculo dos juros de mora. No Recurso Voluntário, tempestivo, o contribuinte insiste na improcedência dos lançamentos, repisando alegações da Impugnação e refutando o acórdão da DRJ. Alternativamente, requer o sobrestamento até que seja julgado pelo Supremo Tribunal Federal o RE nº 609.096RS, ou, se não sobrestado, “sejam recalculados os juros de mora em consentâneo ao § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/96, ou seja, com aplicação do percentual de 1% (um por dento) ao mês do pagamento” (fl. 558). É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos do Processo Administrativo Fiscal, pelo que dele conheço. Todavia, o julgamento deve sobrestado em obediência do Regimento Interno deste Conselho. Nos dois Autos de Infração a fiscalização interpretou que o conceito de faturamento é mais amplo do que o adotado pela instituição financeira, ora Recorrente. Afirmou o seguinte, nos dois autos de infração (fls. 195/196 e 206/207): No referido período o contribuinte limitouse a tributar as receitas contabilizadas na conta prestação de serviços, deixando de tributar as demais receitas oriundas do exercício de suas atividades empresariais, identificadas na sua contabilidade nas seguintes rubricas: 71000008 RECEITAS OPERACIONAIS (...) É de se destacar, no tocante à conceituação do que seja faturamento, o relatório do eminente Ministro Cezar Peluso no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário 518.6814 São Paulo, onde, preceitua: "uma das teses do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei n° 9.718/98, que ampliou o conceito de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais". Isso posto, respeitando decisão judicial consubstanciada no RE 505.071 STF, com a não inclusão das receitas não operacionais e Fl. 594DF CARF MF Processo nº 10510.000447/200929 Resolução nº 3401000.650 S3C4T1 Fl. 595 4 efetuando as Exclusões e Deduções previstas na legislação de regência do tributo, em especial na que se refere às instituições financeiras, apuramos a Base de Cálculo mensal abaixo, a qual gerou a exigência presente neste Auto de Infração. No Termo de Verificação, por sua vez, considerou que (fls. 212: No período de julho a dezembro de 2006 o contribuinte declarou e recolheu o PIS e, no período de julho de 2006 a março de 2007 a COFINS, apenas sobre as receitas decorrentes da prestação de serviços contabilizadas na conta 7.1.7.00.009 e respectivas subcontas, ignorando as demais receitas decorrentes diretamente de sua atividade operacional. Destarte, cabe definir neste litígio o faturamento das instituições financeiras para fins de bases de caçulo do PIS e da Cofins, desprezandose o alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Tal definição não está sendo debatida nas duas ações mandamentais impetradas pela Recorrente que visam à inconstitucionalidade do referido parágrafo , mas em outros processos adentrados no Supremo Tribunal Federal, com repercussão geral já decidida. Daí o sobrestamento do julgamento deste processo administrativo. A confirmar que o objeto dos dois mandados de segurança impetrados pela Recorrente, por objetivarem a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, versam sobre discussão distinta daquela sob repercussão geral no STF, confirase partes dos pedidos das ações mandamentais nº 2007.85.00.0058347 e 2007.85.00.0058359 (fls. 335 e 384): (iv) concessão da segurança em definitivo para assegurar o direito líquido e certo da Impetrante de não se submeter à incidência da contribuição ao PIS sobre outras receitas não compreendidas no conceito de faturamento, assim entendido exclusivamente como o produto da venda de mercadorias e/ou serviços, declarandose, incidenter tantum, a inconstitucionalidade e ilegalidade do § 1º do artigo 3º da Medida Provisória n° 1.724/98, convertida na Lei n° 9.718/98. (...) (ii) concessão da segurança em definitivo para assegurar o direito líquido e certo da Impetrante de não se submeter à incidência da COFINS sobre outras receitas que não sejam compreendidas no conceito de faturamento, assim entendido como a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza nos termos da Lei Complementar n° 70/91 e artigo 195, I da Constituição Federal, a partir de julho de 2005, em virtude da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei n° 9.718/98 proferida nos autos do Mandado de Segurança Preventivo n° 99.00023650. A definição de faturamento está sob análise do STF no Recurso Extraordinário nº 609.096. Este Extraordinário é o leading case do tema 372 da Repercussão Federal, descrito da seguinte no site do STF (consulta em 12/03/2012): Fl. 595DF CARF MF Processo nº 10510.000447/200929 Resolução nº 3401000.650 S3C4T1 Fl. 596 5 372 a) Exigibilidade do PIS e da COFINS sobre as receitas financeiras das instituições financeiras; b) Exigência de reserva de plenário para as situações em que se afasta a incidência do disposto no art. 3º, §§ 5º e 6º, da Lei nº 9.718/1998. Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos artigos 97 e 195, I, da Constituição Federal e do art. 72, V, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, a exigibilidade, ou não, da contribuição ao PIS e da COFINS sobre as receitas financeiras das instituições financeiras; e a necessidade de observância, ou não, da cláusula da reserva de plenário por decisão que afasta a incidência das disposições expressas no art. 3º, caput, e §§ 5º e 6º, da Lei nº 9.718/1998, sem lhes declarar expressamente a inconstitucionalidade. []. A confirmar o sobrestamento dos processos judiciais sobre o tema, o despacho decisório do Min. Ricardo Lewandowski em 10/06/2011, no citado RE 609096 (consulta ao site do STF em 12/03/2012, com negrito ora acrescentado): Federação Brasileira dos Bancos – FEBRABAN requer seu ingresso neste recurso extraordinário na condição de amicus curiae, bem como “a suspensão de todos os processos que tramitam em primeiro e segundo graus de jurisdição, que versem sobre a questão constitucional debatida nestes autos” (fl. 666). No caso, tratase de recursos extraordinários interpostos pela União e pelo Ministério Público Federal contra acórdão que entendeu que as receitas financeiras das instituições financeiras não se enquadram no conceito de faturamento para fins de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS. Esta Corte reconheceu a existência de repercussão geral do tema versado neste recurso. Transcrevo a ementa: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. COFINS E CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. INCIDÊNCIA. RECEITAS FINANCEIRAS DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. CONCEITO DE FATURAMENTO. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL” (fl. 1.054). É o breve relatório. Decido. De acordo com o § 6º do art. 543A do Código de Processo Civil: “O Relator poderá admitir, na análise da repercussão geral, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal”. Por sua vez, o § 2º do art. 323 do RISTF assim disciplinou a matéria: “Mediante decisão irrecorrível, poderá o(a) Relator(a) admitir de ofício ou a requerimento, em prazo que fixar, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, sobre a questão da repercussão geral”. A esse respeito, assim se manifestou o eminente Min. Celso de Mello, Relator, no julgamento da ADI 3.045/DF: Fl. 596DF CARF MF Processo nº 10510.000447/200929 Resolução nº 3401000.650 S3C4T1 Fl. 597 6 “a intervenção do amicus curiae, para legitimarse, deve apoiarse em razões que tornem desejável e útil a sua atuação processual na causa, em ordem a proporcionar meios que viabilizem uma adequada resolução do litígio constitucional”. Verifico que a requerente atende aos requisitos necessários para participar desta ação na qualidade de amicus curiae. Quanto ao pedido de suspensão dos processos que tratam da mesma matéria versada nesses autos que tramitam em primeiro e segundo graus, entendo que não merece acolhida. É que os arts. 543B do CPC e 328 do RISTF tratam do sobrestamento de recursos extraordinários interpostos em razão do reconhecimento da repercussão geral da matéria neles discutida, e não de ações que ainda não se encontram nessa fase processual. Além disso, uma vez que esta Corte já reconheceu a repercussão geral da matéria aqui debatida, os recursos extraordinários que versam sobre o mesmo assunto ficarão sobrestados, na origem, por força do próprio art. 543B do CPC. Isso posto, defiro o pedido de ingresso da FEBRABAN na qualidade de amicus curiae e indefiro o pedido de suspensão requerido. No Regimento Interno do CARF, a determinação de sobrestamento para a hipótese em tela consta do § 2º do art. 62A do Anexo II, acrescentado pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, que dispõe o seguinte: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Por fim, observo que a definição da base de cálculo das instituições financeiras também é objeto dos Embargos de Declaração no RE nº 400479, com julgamento afetado ao Plenário do STF. Referindose a este Extraordinário (no qual não foi decidida repercussão geral), a Min. Carmén Lúcia prolatou a seguinte decisão, antes de decidida a repercussão geral no RE nº 609096 (Agravo Regimental no RE 574902, decisão monocrática em 07/12/2010, consulta ao site do STF em 12/03/2012): DESPACHO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E À COFINS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. CONCEITO DE FATURAMENTO. ART. 195, INC. I, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA (REDAÇÃO ORIGINÁRIA). PENDENTE DE JULGAMENTO O RECURSO Fl. 597DF CARF MF Processo nº 10510.000447/200929 Resolução nº 3401000.650 S3C4T1 Fl. 598 7 EXTRAORDINÁRIO 400.479. IDENTIDADE DE MATÉRIA. RECURSO SOBRESTADO. 1. Discutese no recurso extraordinário, entre outros temas, a sujeição da Instituição financeira Recorrente à incidência da contribuição ao PIS e à COFINS, tendo como base de cálculo o faturamento definido na Lei Complementar 70/91. 2. A matéria em debate também é objeto do Recurso Extraordinário n. 400.479, Relator o Ministro Cezar Peluso, cujo julgamento está em curso no Plenário deste Supremo Tribunal. Nele será definido o conceito de faturamento previsto no art. 195, inc. I, da Constituição da República (redação originária). Ainda que o processo afetado ao Plenário tenha como parte uma seguradora, ficou claro no voto do Relator que a tese definida por este Supremo Tribunal repercutirá na forma de tributação das instituições financeiras. Nos termos do voto do Relator: “o que se estaria a esclarecer seria apenas a submissão de determinadas receitas, independentemente do setor de atuação empresarial, a um conceito bastante claro de faturamento, sem retroceder à inconstitucional ampliação da base de cálculo promovida pela Lei 9.718/98” (Informativo n. 556). 3. Pelo exposto, determino o sobrestamento deste feito até o julgamento dos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário n. 400.479. Pelo exposto, levando em conta art. 62A, § 2º, do RICARF, voto por sobrestar o julgamento até que o STF decida sobre a definição da base de cálculo das instituições financeiras, quando excluído o alargamento estabelecido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Somente após decisão transitada em julgado do Colendo Tribunal sobre o tema é que o processo deve retornar a esta Turma para julgamento. Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 598DF CARF MF
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Numero do processo: 13861.000148/96-81
Data da sessão: Wed Jun 09 00:00:00 UTC 1999
Numero da decisão: 201-04.791
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Rogério Gustavo Dreyer
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Numero do processo: 16327.001334/2002-28
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário: 1997, 1998, 1999
RECEITA OU LUCRO DECORRENTE DE PRESTAÇÃO DIRETA DE SERVIÇOS NO EXTERIOR. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. IMPOSSIBILIDADE.
As receitas decorrentes da prestação direta de serviços no exterior integram a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido.
PROCESSO DE CONSULTA. OBEDIÊNCIA A ORIENTAÇÃO ADMINISTRATIVA RECEBIDA. INEXIGIBILIDADE DE CONDUTA DIVERSA. EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS DE MORA.
Contribuinte que consulta o fisco e paga conforme a resposta recebida não deve ser multado se, mais tarde, a autoridade entender que o tributo era maior (Acórdão nº 43.428, de 13/09/1968, da 3ª Turma do STF).
Numero da decisão: 1803-000.975
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício e os juros de mora, nos termos do art. 100, parágrafo único, do CTN. Vencida a Conselheira Selene Ferreira de Moraes. Designado o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997, 1998, 1999 RECEITA OU LUCRO DECORRENTE DE PRESTAÇÃO DIRETA DE SERVIÇOS NO EXTERIOR. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. IMPOSSIBILIDADE. As receitas decorrentes da prestação direta de serviços no exterior integram a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido. PROCESSO DE CONSULTA. OBEDIÊNCIA A ORIENTAÇÃO ADMINISTRATIVA RECEBIDA. INEXIGIBILIDADE DE CONDUTA DIVERSA. EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS DE MORA. Contribuinte que consulta o fisco e paga conforme a resposta recebida não deve ser multado se, mais tarde, a autoridade entender que o tributo era maior (Acórdão nº 43.428, de 13/09/1968, da 3ª Turma do STF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício e os juros de mora, nos termos do art. 100, parágrafo único, do CTN. Vencida a Conselheira Selene Ferreira de Moraes. Designado o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes – Redator Designado Fl. 392DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 01/08/2011 por SERGIO RODRIGUES M ENDES Processo nº 16327.001334/200228 Acórdão n.º 180300.975 S1TE03 Fl. 990 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Marcelo de Assis Guerra, Selene Ferreira de Moraes. Relatório Tratase de auto de infração de CSLL, relativo ao 4° trimestre de 1997, 1° ao 4° trimestres de 1998, 1° ao 3° trimestres de 1999, sendo que no 1° trimestre de 1999, a base a tributar decorre das exclusões indevidas, e também da compensação indevida de base de cálculo negativa de períodos anteriores. A fiscalização apontou os seguintes fatos e infrações: • Na apuração da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) dos períodos examinados foram lançados valores excludentes significativos sob a rubrica "Rendimentos e Ganhos de Capital no Exterior" linha 16 da ficha 11 da Declaração IRPJ 1998 (anocalendário 1997), linha 17 da ficha 30 da Declaração IRPJ 1999 (anocalendário 1998) e linha 18 da ficha 30 da Declaração IRPJ 2000 (ano calendário 1999) — valores estes nos montantes discriminados na linha 1.1.3 do quadro I do Anexo a este Termo. • Intimada a contribuinte, através de seu representante legal em 24/04/01 e 31/08/01, a esclarecer a respeito da natureza de tais exclusões, apresentou a esta fiscalização documentação da qual se conclui serem aqueles valores receitas decorrentes da exportação de serviços. • Em adição ao solicitado apresentou também (em 08/05/01) cópia de decisão da consulta SRRF/8° RF/DISIT n° 44 de 23/03/98. Da leitura desta decisão constatase ter sido questionada ser correta a conclusão de que "a CSLL sobre os rendimentos do exterior não é devida" e obtido como resposta: "os rendimentos auferidos no exterior não integram a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) instituída pela Lei n° 7.689/88" — tendo em vista o disposto no artigo 15 da Instrução Normativa SRF n° 38/96. • A citada Instrução Normativa diz respeito à tributação em bases universais das pessoas jurídicas, instituída no Brasil a partir da Lei n° 9.249/95, artigos 25 a 27, e nesse contexto os três tipos de rendas no exterior passaram a ser tributados: lucros, rendimentos e ganhos de capital; são rendas oriundas diretamente do fator capital quando se trata de pessoas jurídicas, o que não ocorre na presente questão uma vez que no caso referese à exportação de serviços, integrando as receitas operacionais da empresa. • O questionamento feito em consulta não se aplica ao caso uma vez tratarse de receitas e não de rendimentos — tendo em vista os conceitos da legislação estes sim, não aquelas, eximidos de tributação da CSLL conforme artigo 15 da Instrução Normativa SRF n° 38/96, àquela época (da consulta e decisão). Enfim, a IN esclareceu, deste modo, que os artigos 25 a 27 da Lei n° 9.249/95 alteravam somente o Imposto de Fl. 393DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 01/08/2011 por SERGIO RODRIGUES M ENDES Processo nº 16327.001334/200228 Acórdão n.º 180300.975 S1TE03 Fl. 991 3 Renda e não a CSLL, não veio para excluir receitas da base de cálculo da CSLL o que demandaria Lei e não ato administrativo Irresignada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, em que alegou em síntese que: a) Somente a partir da edição da Lei n° 9.249/95 (26/12/1995), por seus arts. 25 a 27, é que foi estabelecida a incidência do IR sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior. Por conta de dúvidas surgidas, com a edição da mencionada Lei, foi editada a IN SRF n° 38/96, cujo art. 15 determinava que "Os lucros, rendimentos e ganhos de capital, auferidos no exterior, não integram a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro...” b) Por ocasião da edição da MP n° 18586 (29/06/1999), tais parcelas passaram a integrar a base de cálculo da CSLL, por força de seu art. 19. Dessa forma, segundo o disposto no artigo 195, § 6°, da Constituição Federal, somente após o transcurso de noventa dias da edição desta medida provisória ou seja, a partir de 27 de setembro de 1999, e que poderia o fisco exigir da impugnante a CSLL sobre os ganhos decorrentes da prestação de serviços no exterior. c) Ainda que cristalinos os sentidos dos mencionados dispositivos, a Impugnante formulou consulta à SRF (processo n° 13896.000736/9706), com o fito de verificar se, especificamente, sobre os serviços por ela prestados no exterior, incidiria a CSLL. A resposta a tal queshonamento foi categórica, no sentido de que "os rendimentos auferidos no exterior não integram a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido" junta cópias reprográficas de ambas. d) A IN SRF n° 38/96, estabelece, de forma expressa, que lucros, rendimentos e ganhos de capital, auferidos no exterior, não integram a base de cálculo da CSLL, deixando claro que, à época, a extraterritorialidade prevista pela Lei n° 9.249/95 reportavase, apenas, ao imposto de renda. Dessa forma, os valores percebidos pela Impugnante, advindos de serviços por ela prestados no exterior, submeterseia apenas, à incidência do IRPJ e, nunca, jamais, à CSLL; e isto, até o transcurso do prazo nonagesimal desde a edição da MP n° 1858/699, que estendeu a tributação àquela contribuição. e) Como os fatos geradores se deram anteriormente a 27 de setembro de 1999, prazo de 90 dias contados da edição da medida provisória supra citada, a exigência da CSLL trazida pelo Auto de Infração é descabida. A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente, com base nos seguintes fundamentos (fls. 179/182): a) O cerne da questão recai, então, sobre as divergências existentes entre os significados dos vocábulos "rendimentos" e "receitas" e que, com base em resposta a consulta formulada a esta Secretaria da Receita Federal, o contribuinte adotou determinado procedimento, com o qual discorda a fiscalização. b) Não há coincidência entre o objetos da consulta formulada e o tratado pelo presente, visto que, enquanto que aquela questionou, dentre outras, o que não deveria ser incluído (ou excluído) da base de cálculo da CSLL, este trata da não inclusão de receitas advindos da exportação de serviços. Inaplicase, portanto, ao caso tratado pelos autos. Fl. 394DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 01/08/2011 por SERGIO RODRIGUES M ENDES Processo nº 16327.001334/200228 Acórdão n.º 180300.975 S1TE03 Fl. 992 4 c) Rendimentos significa lucro; fruto produzido pela aplicação de capital; juros ... Caberia, então, à interessada, apurar quais foram seus rendimentos (ou lucros, ou frutos de seus serviços prestados fora do Pais), estes, sim, a serem excluídos da base de cálculo da mencionada Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. d) Os resultados (rendimentos) a que chegaria o contribuinte, se dariam quando do confronto entre as receitas geradas por tais serviços e os seus custos (e/ou despesas) advindos desses mesmos serviços. Esses resultados, sim, repitase, é que não integrariam a base de cálculo da mencionada contribuição. e) Tais elementos (custos e/ou despesas) foram, por igual, objeto de dedução quando da apuração de seus resultados contábeis, para fins de atingirse o lucro líquido, para fins de apuração do lucro real. Não incluir (ou excluir), na base de cálculo da CSLL, as receitas provenientes de exportações de serviços, propiciaria, então, um duplo beneficio ao contribuinte, visto que, tanto tal não inclusão, como a dedução de custos e/ou despesas decorrentes de tais receitas, reduziriam, substancialmente, o lucro líquido do exercício, valor este que principia a base de cálculo da CSLL. f) As receitas provenientes de exportações de serviços devem ser inseridas pelo contribuinte, quando da apuração de seu lucro líquido e (ii) os resultados (ganhos, lucros, rendimentos) advindos dessas receitas é que, quando da apuração da base de cálculo da CSLL, poderiam vir a ser objeto de exclusão. Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que tece as seguintes considerações: a) A consulta mostra que a intenção da Recorrente era excluir da base de cálculo da CSLL todo e qualquer ganho decorrente da prestação de serviços no exterior, deixando claro que o objeto da consulta estava "voltado para os impostos incidentes nas vendas de serviços realizadas no exterior". b) O Fisco, ao responder a consulta feita pela Recorrente, não apresentou qualquer distinção entre o conteúdo semântico dos termos receitas e rendimentos, tendo se limitado a afirmar que, por força do art. 15 da IN/SRF n° 38/96, os rendimentos auferidos no exterior não integravam a base de cálculo da CSLL. c) Quando o Fisco respondeu a consulta em exame dizendo que os rendimentos frutos da prestação de serviços no exterior estavam a salvo da exigência da CSLL, a Recorrente ficou absolutamente tranquila para excluir da base de cálculo da contribuição os ganhos decorrentes da realização de sua atividade em países estrangeiros, jamais pensando que poderia, com isso, sofrer pesadas penalidades. d) A medida tomada pelo Fisco viola de forma flagrante o princípio da moralidade que rege a atividade administrativa, além de desprestigiar o nobre instituto da consulta, que tem por fim eliminar dúvidas que o contribuinte porventura tenha acerca da interpretação da lei tributária. e) A "receita", por si só, não é e nem nunca foi ensejadora da tributação pela CSLL, equivalendo à base de cálculo de outras duas contribuições sociais também de matriz constitucional. Fl. 395DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 01/08/2011 por SERGIO RODRIGUES M ENDES Processo nº 16327.001334/200228 Acórdão n.º 180300.975 S1TE03 Fl. 993 5 f) Se nem mesmo sobre o lucro (e, por extensão, sobre os rendimentos c ganhos de capital), ocorria a incidência de CSLL à época dos fatos imponiveis, conforme expressa disposição da IN/SRF n° 38/96, como é possível pretender exigir este mesmo tributo diretamente sobre uma de suas determinantes, no caso a 'receita', que é fato gerador, inclusive, de outras contribuições de matriz constitucional? g) Ao apurar o montante do tributo devido pela Recorrente, a D. Autoridade Fiscal procedeu à glosa de toda a receita que havia sido excluída da base de cálculo da CSLL por parte da Recorrente, inclusive os valores correspondentes aos rendimentos decorrentes da exportação de serviços. h) O valor exigido no auto de infração é bem superior à quantia tida como devida no v. acórdão recorrido. em vista que, ao proceder à autuação da Recorrente, a D. Autoridade Fiscal incorreu em erro na apuração da base de cálculo do tributo, o lançamento ora questionado deverá ser cancelado. i) A Recorrente apresenta a anexa planilha na qual estão discriminadas as receitas e os custos decorrentes da exportação de serviços no período objeto de autuação, com os correspondentes rendimentos obtidos em cada um dos períodos, devidamente acompanhada dos documentos comprobatórios dos fatos alegados (doc. n° 3). j) Se eventualmente a Recorrente deixou de recolher alguma coisa a titulo de CSLL, o fez, conforme exaustivamente demonstrado, com base em instrução da própria Secretaria da Receita Federal formalizada na resposta à consulta. k) Tendo a Recorrente orientado a sua conduta de acordo com a resposta proferida pelo Fisco no processo de consulta, a qual tem o status de decisão administrativa, impositiva é a aplicação do art. 100 do CTN a fim de que se determine a exclusão da multa de oficio e dos juros de mora do lançamento. l) Requerse, na qualidade de pedido subsidiário, seja excluída da base de cálculo da CSLL a parcela correspondente apenas aos rendimentos auferidos pela Recorrente com a exportação dos serviços, conforme planilha anexa, convertendose o julgamento em diligência na hipótese de se fazer necessária a realização de cálculos e a obtenção de dados complementares para a instrumentalização de referida providência. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 07/04/2007 (AR de fls. 186). O recurso foi protocolado em 02/05/2007, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. Ela faz, em síntese as seguintes alegações: i) a consulta mostra que a intenção da Recorrente era excluir da base de cálculo da CSLL todo e qualquer ganho decorrente da Fl. 396DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 01/08/2011 por SERGIO RODRIGUES M ENDES Processo nº 16327.001334/200228 Acórdão n.º 180300.975 S1TE03 Fl. 994 6 prestação de serviços no exterior; ii) o Fisco, ao responder a consulta feita pela Recorrente, não apresentou qualquer distinção entre o conteúdo semântico dos termos receitas e rendimentos; iii) requer aplicação do art. 100 do CTN, a fim de que se determine a exclusão da multa de oficio e dos juros de mora do lançamento; iv) requer seja excluída da base de cálculo da CSLL a parcela correspondente apenas aos rendimentos auferidos pela Recorrente com a exportação dos serviços. Primeiramente, cumpre transcrevermos o teor da consulta objeto do processo n° 13896.000736/9706 (fls. 166/170): “Em consulta protocolada em 17.09.97, a interessada informa: a) que tem como atividade o Planejamento, Consultoria, Assessoria, Desenvolvimento e Treinamento em Informática, com objetivo de venda de serviços na área de Informática. b) que vende serviços para empresas situadas no Chile e Argentina. Esclarece ainda que são firmados contratos de serviços entre o cliente e a consulente, com cobrança através de invoice", e intermediação do City Bank NA. nas operações de câmbio e que o IRPJ e a CSLL são determinados e recolhidos através do regime de estimativa, o PIS é calculado sobre o faturamento e a COFINS não é recolhida. Cita os arts. 25 a 27 da Lei n° 9249/95, os arts. 1°, 3°, 8°, 12 e 13 da IN n° 38/96, o art. 15 da Lei n° 9430/96, o Decreto n° 87.976/82 e a Portaria MF n° 022/83 para concluir que: a) as pessoas jurídicas que auferirem rendimentos e/ ou receitas em operações no exterior estão obrigadas ao regime de tributação com base no lucro real; b) os rendimentos auferidos no exterior são computados no cálculo do Lucro Real, através dos valores apurados na emissão dos “invoices" (dólar da data de sua emissão), contabilizando em conta de resultado, como variação cambial a diferença de câmbio ocorrida entre a data da emissão do “invoice”, com a do efetivo recebimento; c) o imposto retido na fonte nas emissões dos “invoices” é convertido pelo câmbio da data do recebimento, sendo o retido na Argentina contabilizado como imposto a compensar e o retido no Chile em conta de resultado; d) o imposto retido na fonte na Argentina pode ser compensado com o imposto brasileiro por serem de mesma natureza, através do reconhecimento pelo Fisco Federal e pela Embaixada Brasileira dos documentos que comprovem a retenção; e) a CSLL sobre os rendimentos do exterior não é devida; f) o PIS e a COFINS também não são devidos. Fl. 397DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 01/08/2011 por SERGIO RODRIGUES M ENDES Processo nº 16327.001334/200228 Acórdão n.º 180300.975 S1TE03 Fl. 995 7 Indaga se as conclusões acima estão corretas e se deve adotar algum procedimento adicional para regularização contábil e fiscal e, ainda, se é necessário o registro dos contratos junto ao Banco Central para operação com câmbio e legalização da compensação dos impostos.” Também é relevante reproduzirmos os trechos da decisão DISIT/SRRF/8ª RF n° 44/1998, a fim de analisarmos a alegação da recorrente segundo a qual “a consulta mostra que sua intenção era excluir da base de cálculo da CSLL todo e qualquer ganho decorrente da prestação de serviços no exterior”: “Segundo o disposto no art. 43 do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/66), o fato gerador do imposto de renda é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda. No caso das pessoas jurídicas, a determinação do montante do lucro baseiase na escrituração contábil que, no Brasil, dáse pelo regime de competência (art. 177 da Lei n° 6404176 e Resolução 750/93 do Conselho Federal de Contabilidade). De acordo com as regras do regime de competência, as receitas e despesas em determinado período serão registradas no instante da transferência do bem ou da prestação do serviço, e não no momento do recebimento ou pagamento efetivo. (...) Quanto a Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido, o art. 15 da Instrução Normativa n.° 38. de 27 de junho de 1996, esclarece: “Art. 15 Os lucros, rendimentos e ganhos de capital, auferidos no exterior, não integram a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, instituída pela Lei n ° 7.689 de 15 de dezembro de 1988." A leitura dos trechos acima reproduzidos no leva a tecer as seguintes considerações: • A consulente dirigiuse à autoridade administrativa a fim de que ela confirmasse a procedência da seguinte afirmativa: a CSLL sobre os rendimentos do exterior não é devida. • Na consulta, apenas houve descrição das atividades exercidas pela contribuinte, não ficando explícito o entendimento de que as receitas de prestação de serviços no exterior eram rendimentos auferidos no exterior. • A recorrente realiza a prestação direta de serviços no exterior, uma vez, que não há nos autos menção à existência de filiais, sucursais, agências, representações, coligadas, controladas e outras unidades descentralizadas da pessoa jurídica que lhes sejam assemelhadas. • Em nenhum momento foi perguntado à autoridade administrativa se as receitas oriundas da prestação de serviços no exterior poderiam ser excluídas da base de cálculo da CSLL. Fl. 398DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 01/08/2011 por SERGIO RODRIGUES M ENDES Processo nº 16327.001334/200228 Acórdão n.º 180300.975 S1TE03 Fl. 996 8 • A autoridade administrativa limitouse a reproduzir o teor do art. 15 da IN nº 38/1996, que se refere a “lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, não tendo afirmado que as receitas oriundas da prestação de serviços no exterior deveriam ser excluídas. Deve ficar clara a distinção entre receitas ou lucro auferido no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, agências, representações, coligadas, controladas e outras unidades descentralizadas da pessoa jurídica que lhes sejam assemelhadas; e as receitas provenientes da prestação direta de serviços no exterior, que é o caso dos autos. Nesta quem emite a nota fiscal é a pessoa jurídica situada no Brasil, ao passo que na primeira é a filial, coligada ou controlada, situada no exterior. Contrariamente ao que alega a recorrente, não há como concluir inequivocamente na consulta, que sua intenção era excluir integralmente da base de cálculo da CSLL o valor das receitas oriundas da prestação direta de serviços no exterior. A forma como foi redigida a consulta, solicitando apenas a confirmação de uma afirmação genérica, sem formular diretamente qualquer questionamento acerca de uma situação concreta, não deixou claro para a autoridade administrativa que o entendimento da recorrente era que as receitas decorrentes da prestação direta de serviços no exterior equivaliam a rendimentos auferidos no exterior. Os termos da consulta induziram a autoridade administrativa a simplesmente reproduzir os termos da legislação sobre a matéria, não adentrando na situação concreta da recorrente. Como poderia a autoridade administrativa se pronunciar a respeito da incidência da CSLL sobre as receitas e o lucro obtido nas operações de exportação de serviços, se apenas lhe foi perguntado sobre a procedência da afirmação de que a CSLL sobre os rendimentos do exterior não é devida? Desta forma, são improcedentes as alegações de violação ao princípio da moralidade, ou ao instituto da consulta, uma vez que a autoridade administrativa não afirmou que as receitas oriundas da prestação de serviços no exterior deveriam ser excluídas da base de cálculo da CSLL. Não se vislumbra assim nenhuma contradição entre o teor da consulta e a presente autuação, que glosou a exclusão das receitas decorrentes da exportação de serviços efetuada pela recorrente. Do mesmo modo, pelo fato da consulta não ter se pronunciado sobre a questão objeto da presente autuação a possibilidade de exclusão da base de cálculo das receitas oriundas da prestação direta de serviços no exterior deve ser afastada a aplicação do art. 100 do CTN, que assim dispõe: “Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; Fl. 399DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 01/08/2011 por SERGIO RODRIGUES M ENDES Processo nº 16327.001334/200228 Acórdão n.º 180300.975 S1TE03 Fl. 997 9 IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo.” Diante destas considerações, perguntase: prestações de serviços efetuadas diretamente no exterior são consideradas como rendimentos obtidos do exterior? A resposta a esta questão é negativa. Fazendo uma analogia com a exportação, as receitas decorrentes de vendas de mercadorias no exterior de produtos fabricados no Brasil não são consideradas como rendimentos obtidos no exterior. O ADI nº 5/2001 deixa bem claro este entendimento: “Art. 1º A hipótese de obrigatoriedade de tributação com base no lucro real prevista no inciso III do art. 14 da Lei nº 9.718, de 1998, não se aplica à pessoa jurídica que auferir receita da exportação de mercadorias e da prestação direta de serviços no exterior. Parágrafo único. Não se considera prestação direta de serviços aquela realizada no exterior por intermédio de filiais, sucursais, agências, representações, coligadas, controladas e outras unidades descentralizadas da pessoa jurídica que lhes sejam assemelhadas.” Por fim, concluímos que não há como excluir o valor das receitas da base de cálculo da CSLL, uma vez que as prestações de serviços efetuadas diretamente no exterior são consideradas como rendimentos obtidos no país. Neste ponto, devese observar que também o pedido subsidiário é improcedente, porque sequer o lucro obtido nas exportações de serviços deve ser excluído da base de cálculo da CSLL. Repisese mais uma vez que os rendimentos oriundos de prestação direta de serviços no exterior sempre foram tributados, mesmo antes da edição do art. 25 da Lei n° 9.249/1995. Tal dispositivo permitiu a tributação dos rendimentos auferidos no exterior por intermédio de filiais, sucursais, agências, representações, coligadas, controladas e outras unidades descentralizadas da pessoa jurídica que lhes sejam assemelhadas. Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 400DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 01/08/2011 por SERGIO RODRIGUES M ENDES Processo nº 16327.001334/200228 Acórdão n.º 180300.975 S1TE03 Fl. 998 10 Voto Vencedor Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes A divergência deste Conselheiro prendese aos seguintes trechos do voto da brilhante Relatora: A leitura dos trechos acima reproduzidos no leva a tecer as seguintes considerações: A consulente dirigiuse à autoridade administrativa a fim de que ela confirmasse a procedência da seguinte afirmativa: a CSLL sobre os rendimentos do exterior não é devida. Na consulta, apenas houve descrição das atividades exercidas pela contribuinte, não ficando explícito o entendimento de que as receitas de prestação de serviços no exterior eram rendimentos auferidos no exterior. [...]. Em nenhum momento foi perguntado à autoridade administrativa se as receitas oriundas da prestação de serviços no exterior poderiam ser excluídas da base de cálculo da CSLL. A autoridade administrativa limitouse a reproduzir o teor do art. 15 da IN nº 38/1996, que se refere a “lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, não tendo afirmado que as receitas oriundas da prestação de serviços no exterior deveriam ser excluídas. Conforme estabelece o art. 46 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – Processo Administrativo Fiscal (PAF), o sujeito passivo poderá formular consulta sobre dispositivos da legislação tributária aplicáveis a fato determinado. Segundo o Parecer Normativo CST nº 187, de 1970, o sujeito passivo somente poderá consultar objetivando solução para problema próprio e determinado, não podendo versar sobre hipóteses. Precisa ser fato determinado e concreto, não podendo versar sobre casos genéricos ou hipotéticos (Parecer Normativo CST nº 342, de 1970). Assim, a consulta da Recorrente não poderia se limitar, simplesmente, à confirmação da afirmativa de que “a CSLL sobre os rendimentos do exterior não é devida”, sob pena da declaração de sua ineficácia. De igual modo, a decisão proferida em processo de consulta somente se aplica, pelas suas conclusões, à matéria consultada, não se estendendo, pelos seus fundamentos, a outras questões. Dessa forma, não poderia a decisão proferida se limitar a “reproduzir o teor do art. 15 da IN nº 38/1996”, mas aplicálo na resolução da dúvida concreta apresentada. Fl. 401DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 01/08/2011 por SERGIO RODRIGUES M ENDES Processo nº 16327.001334/200228 Acórdão n.º 180300.975 S1TE03 Fl. 999 11 Na consulta protocolada pela Recorrente qual era o fato determinado? qual a matéria consultada? Vejamos (fls. 164 sublinhouse): Nossa empresa vende serviços em informática e emite Nota Fiscal de Serviços Série A. O objeto desta consulta está voltado para os impostos incidentes nas vendas de serviços realizadas no exterior. Nosso procedimento na venda de serviços para empresas situadas no Chile e Argentina, relativos aos impostos federais são: [...]. O Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e a Contribuição Social Sobre o Lucro CSL são determinados e recolhidos através do regime de Estimativa. O PIS é calculado sobre o Faturamento e o Cofins não é recolhido. Ora, se o objeto da consulta estava “voltado para os impostos incidentes nas vendas de serviços realizadas no exterior”, não se pode dizer que “Em nenhum momento foi perguntado à autoridade administrativa se as receitas oriundas da prestação de serviços no exterior poderiam ser excluídas da base de cálculo da CSLL”. Qual era, então, o entendimento externado pela Recorrente na referida Consulta (fls. 165 grifouse)? Em resumo, concluímos que o único imposto devido ao Fisco Brasileiro relativo aos rendimentos (sic) auferidos no exterior é o Imposto de Renda Pessoa Jurídica, calculado sob o regime de tributação do Lucro Real. [...]. Notase, aqui, uma clara confusão por parte da Recorrente entre os termos “receitas” e “rendimentos”, empregando este como sinônimo daquele. Qual o questionamento da Recorrente, então Consulente (fls. 165 destacou se)? Diante do exposto, solicitamos sua orientação sobre a nossa interpretação, e se devemos adotar algum procedimento adicional para regularização contábil e fiscal nessas transações. Que transações? Ora, a venda de serviços para empresas situadas no exterior (Chile e Argentina). O que respondeu a Consulta? Vejamos a sua ementa, com o mesmo teor da respectiva conclusão (fls. 166 destaques do original): Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Fl. 402DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 01/08/2011 por SERGIO RODRIGUES M ENDES Processo nº 16327.001334/200228 Acórdão n.º 180300.975 S1TE03 Fl. 1000 12 PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL – PIS CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Ementa: SERVIÇOS PRESTADOS NO EXTERIOR Imposto de Renda Pessoa Jurídica e CSLL Os rendimentos (sic) oriundos do exterior, decorrentes da prestação de serviços, devem ser apropriados e contabilizados na data de sua realização, como receita de prestação de serviços e, o adicional (variação cambial), como receita cambial, devendo tais rendimentos serem computados na determinação do lucro real, no balanço de 31 de dezembro de cada ano, podendo não serem computados na base de cálculo de eventual recolhimento por estimativa. O imposto de renda pago no exterior poderá ser compensado com o devido no Brasil, até o limite do imposto de renda incidente no Brasil, desde que reconhecido o documento pelo Fisco Federal e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país onde ocorrer o pagamento. Os rendimentos auferidos no exterior não integram a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) instituída pela Lei nº 7.689/88. CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) – As receitas provenientes da venda de serviços ao exterior, realizadas diretamente pelo exportador, são isentas da COFINS. PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL (PIS) As receitas decorrentes da prestação de serviços a pessoa jurídica domiciliada no exterior, não autorizada a funcionar no Brasil, serão excluídas da base de cálculo do PIS, se o pagamento representar ingresso de divisas. Dispositivos Legais: Leis Complementares nº 007/70 e 070/91, art. 7º; Leis nº 6.404/76, art. 177, nº 9.004/95, nº 9.249/95, arts. 8º e 25 a 27, nº 9.430/96, art. 15; Medida Provisória nº 1.623 29/98, art. 4º; RIR/94, arts. 320 e 323; Instrução Normativa nº 38/96, arts. 1º, 3º, 8º, 12 a 15. A conclusão da referida Consulta, em relação à CSLL, foi de que “Os rendimentos auferidos no exterior não integram a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) instituída pela Lei nº 7.689/88”. Que “rendimentos”? Na dicção da referida Consulta, e no que se refere, também, ao IRPJ, ao Pis e à Cofins: “Os rendimentos (sic) oriundos do exterior, decorrentes da prestação de serviços, que devem ser apropriados e contabilizados na data de sua realização, como receita de prestação de serviços”, “As receitas provenientes da venda de serviços ao exterior, realizadas diretamente pelo exportador” e “As receitas decorrentes da prestação de serviços a pessoa jurídica domiciliada no exterior”. Fl. 403DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 01/08/2011 por SERGIO RODRIGUES M ENDES Processo nº 16327.001334/200228 Acórdão n.º 180300.975 S1TE03 Fl. 1001 13 É mais do que evidente, assim, que a referida Solução de Consulta confundiu a expressão “rendimentos” (auferidos no exterior), a que se refere o art. 25 da Lei nº 9.249, de 1995, com o termo “receitas” (auferidas de fonte no exterior, decorrentes da prestação de serviços efetuada diretamente), a que faz menção o art. 15 da Lei nº 9.430, de 1996, equiparando, inadvertidamente, ambas as situações (vide Dispositivos Legais citados na ementa). Afinal de contas, e como bem observa a fiscalização (fls. 92): Destarte, fossem equivalentes os conceitos de rendimentos e receitas decorrentes da prestação de serviços efetuada diretamente no exterior, não haveria a necessidade do artigo 15 da Lei nº 9.430/96, nem estariam discriminados separadamente conforme artigo 395 do Decreto nº 3.000; De outro lado, como bem ressaltou a ínclita Relatora (grifouse): A recorrente realiza a prestação direta de serviços no exterior, uma vez que não há nos autos menção à existência de filiais, sucursais, agências, representações, coligadas, controladas e outras unidades descentralizadas da pessoa jurídica que lhes sejam assemelhadas. Ora, justamente a situação que poderia estar incluída no disposto no art. 25 da Lei nº 9.249, de 1995 (rendimentos auferidos no exterior), foi expressamente ressalvada naquela Solução de Consulta (fls. 170) (destacouse): Esclareço ainda que, o serviço prestado no exterior, por filial ou por pessoa jurídica vinculada, tem tratamento tributário próprio, não sendo objeto da presente consulta. Por conseguinte, o objeto da Consulta, como expressamente reconhecido pelo próprio Órgão Consultado foi, efetivamente, o tratamento tributário incidente sobre a receita de prestação direta de serviços no exterior, para entender incabível a exigência de CSLL. Reiterese que os efeitos de uma Consulta somente abrangem a situação fática específica que a motivou, que, no caso, se referiu sem a menor sombra de dúvidas a “receitas de serviços prestados no exterior”, embora incorretamente designadas, essas receitas, tanto pela Recorrente, quanto pelo Órgão Consultado, como “rendimentos”. Do que se conclui que, da Recorrente, não se pode exigir outra conduta e nem apenála, se esta agiu nos estritos termos da orientação administrativa recebida. Tratase da figura da inexigibilidade de conduta diversa, instituto de direito penal, que atua como excludente de culpabilidade. A esse respeito, mencionase ementa do Acórdão nº 43.428, da Terceira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), de 13 de setembro de 1968: Contribuinte que consulta o fisco e paga conforme a resposta recebida não deve ser multado, se, mais tarde, a autoridade entender que o tributo era maior. Fl. 404DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 01/08/2011 por SERGIO RODRIGUES M ENDES Processo nº 16327.001334/200228 Acórdão n.º 180300.975 S1TE03 Fl. 1002 14 Decisão que não negou vigência de lei federal. Agravo de instrumento não provido. Dou provimento parcial ao Recurso, para excluir as exigências de multa de ofício e de juros de mora, nos termos do art. 100, parágrafo único, do CTN. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 405DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 01/08/2011 por SERGIO RODRIGUES M ENDES Processo nº 16327.001334/200228 Acórdão n.º 180300.975 S1TE03 Fl. 1003 15 Fl. 406DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 01/08/2011 por SERGIO RODRIGUES M ENDES
score : 1.0
Numero do processo: 10283.006362/2005-51
Data da sessão: Thu Jun 17 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2000
1TR - DECADÊNCIA
O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, nos casos de lançamento por homologação, como é o caso do ITR, extingue-se com o transcurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, nos termos do § 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional.
Crédito tributário extinto.
Numero da decisão: 2102-000.680
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado por unanimidade de votos, em
RECONHECER que a decadência extinguiu crédito tributário, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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Crédito tributário extinto. Vistos, relatados e disç,utiaos -ós presentes autos. ACORDAM os/fflembros d colegiada por unanimidade de votos, em RECONHECER que a decad'76ia extinguiu crédito tribt/Tio, nos termos do voto da Relatora. AÍ / GIOV I CHRISTI N CAMPOS - Presidente /a OBE 'TA DE AZ DO FERREIRA P JETTI — Relatora EDITADO EM: 2 o A 313 2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Carlos André Rodrigues Pereira Lima e Ewan Teles Aguiar. Relatório Em face da contribuinte acima identificada, foi lavrado o Auto de Infração de fis. 09/17 para exigência do Imposto Territorial Rural (ITR) em razão da glosa da área declarada como de reserva legal na DITR do exercício 2000, relativa ao imóvel Fazenda Sossego, Conforme descrito no próprio Auto, a glosa se deveu à falta de entrega do ADA ao lbama, e também à intempestiva averbação da referida área à margem da matrícula do imóvel (que se deu em 22,1L2001). Cientificado do lançamento, o Interessado apresentou a impugnação de fls. 29/35, por meio da qual alegou que a exigência do ADA não fora veiculada por lei e por isso não poderia ser restrito o seu direito em razão de obrigações contidas em Instruções Normativas. Trouxe jurisprudência administrativa e afirmou que a efetiva existência da área de reserva legal não fora objeto de questionamento, mas somente a apresentação do ADA. Na análise de tais alegações, os membros da DRI em Campo Grande decidiram pela integral manutenção do lançamento. Inconformado com tal decisão, o contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls, 64/71, por meio do qual reitera os argumentos expostos em sede de impugnação e suscitou a decadência do direito do Fisco de efetuar o lançamento em exame, tendo em vista que o fato gerador do ITR exigido ocorrera em 01.01.2000, e a ciência do lançamento em 20.12.2005 — sendo certo que o prazo para o Fisco efetuar o lançamento se esgotaria em 31,12.2004. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relator O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 25.07.2008, como atesta o AR de fis, 63. O Recurso Voluntário foi interposto em 24.06.2008 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais - por isso dele conheço. Conforme relatado, trata-se de lançamento para exigência de ITR em razão da glosa da área declarada pelo Recorrente como sendo de reserva legal, existente em imóvel de sua propriedade. Em sede de Recurso, o Recorrente traz uma questão preliminar que não havia sido suscitada em Impugnação, mas que merece ser analisada aqui, por ser matéria passível de (1) 2 ald42á,u4 oberta de Azere Ferreira Pagetti Processo n° 10283.006362/2005-51 Acórdão n " 2102-00.680 S2-C1T2 Fl 2 reconhecimento de oficio. Trata-se da alegação de decadência do direito do Fisco de efetuar o lançamento em questão. De acordo com o Recorrente, tendo em vista que o fato gerador objeto do lançamento ocorreu em 01.01.2000, teria o Fisco até o dia 31,12.2004 para efetuar o lançamento de quaisquer valores que entendesse devidos em relação àquele fato gerador. No entanto, sua ciência do lançamento ocorrera somente em 27A22005 (cf. AR de lis, 23). Deve ser acolhida tal pretensão. O ITR é um imposto sujeito ao lançamento por homologação. Assim é que, nos termos do disposto no art. 150, § 40 do CTN, tem o Fisco o prazo de 5 anos contados da ocorrência do fato gerador para efetuar o lançamento de eventuais diferenças ou valores devidos pelo contribuinte. No caso em exame, tendo o fato gerador do ITR ocorrido em 01.01.2000, teria o Fisco o prazo até 31.12,2004 para efetuar este lançamento. Porém, o Recorrente somente foi cientificado do mesmo em 27A2.2005, quando já estava esgotado o prazo para tanto. Assim, é de se reconhecer a extinção do direito do Fisco em razão da ocorrência da decadência no caso em exame, nos termos do art. 156, inc.. V do CTN. Diante do exposto, VOTO no sentido de DAR provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 17 de junho de 2010 3
score : 1.0
Numero do processo: 10650.001148/2007-45
Data da sessão: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: IMPOSTO SOME A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005, 2006
NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. INTEMPESTIVIDADE,
O Recurso Voluntário apresentado intempestivamente não atende aos
requisitos legais de admissibilidade impostos pelo Decreto 70,235/72, desse modo não pode ser conhecido.
Recurso Não Conhecido
Numero da decisão: 2201-000.534
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO
CONHECER do recurso, por intempestividade.
Matéria: IRPF- ação fiscal (AF) - atividade rural
Nome do relator: Janaina Mesquita Lourenço de Souza
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INTEMPESTIVIDADE, O Recurso Voluntário apresentado intempestivamente não atende aos requisitos legais de admissibilidade impostos pelo Decreto 70,235/72, desse modo não pode ser conhecido. Recurso Não Conhecido, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do cOlegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, por intemjpestividade PartiP.gram do presente julgamento os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves dé Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Janaina Mesquita Lourenço de Souza, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). 2 Relatório Contra o contribuinte EUSEMIR EUZÉBIO foi lavrado o Auto de Infração, fls, 02 a 07, que lhe exige o recolhimento do crédito tributário no valor de R$145,244,25 por suposta omissão de rendimentos provenientes de atividade rural, nos exercícios financeiros de 2005 e 2006, anos-calendário 2004 e 2005, conforme Termo de Verificação Fiscal, fls.. 08 a 12, do qual segue-se uma síntese: a) O contribuinte obteve rendimentos da atividade rural exercida juntamente com Antônio Finholdt Valim, oriundos de operações de venda para a Usina Caeté, referente a fornecimento de cana de açúcar, nos valores de R$380.212,67 e R$511.136,35; b) Foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal n° 001 (tis 13), em 04/07/2007; c) Em 10/07/2007, o contribuinte compareceu à DRF/Uberaba e apenas solicitou prorrogação do prazo concedido na citada Intimação 001; d) No dia 24/07/2007, foi lavrado o Termo de Reintimação Fiscal if 002, fls. 16, tendo em vista a não manifestação do contribuinte no prazo concedido. Mais uma vez não houve resposta; e) Sobre os valores omitidos foram apurados os valores de IRPF de R$76.042,53 (exercício 2005) e R$102.227,27 (exercício 2006), e lavrado o Auto de Infração, de acordo com a legislação vigente para a atividade rural; f) Houve o agravamento da multa em razão da inércia do contribuinte diante das intimações, de acordo com o art. 959 do RIR/99 e a qualificação da penalidade por ter ficado caracterizada a intenção do contribuinte de ocultar fatos jurídico-tributários para se eximir do imposto devido, quer pela omissão de informações, quer pelo fornecimento de informações inexatas, objetivando impedir ou retardar o conhecimento de fatos geradores por parte do Fisco, enquadrando-se o caso no tipo penal dos arts, 1' e 2 0 da Lei 8.137/9(1 Inconformado com a autuação fiscal, o contribuinte apresentou impugnação às fls. 51 a 56, conforme segue (reprodução do relatório da DRJ): - O equivoco de que foi vitima o defendente Sob este titulo o autuado lenta se defender responsabilizando o contador. Discorre sobre as freqüentes fiscalizações por parte da União e do Estado de Minas Gerais sobre a Usina Caeté, conceito de Estelionato, com citações de revistas e doutrinadores, afirmando não ser co-autor desse ou de outro qualquer crime contra a ordem tributária; III - Considerações sobre a penalidade proposta Afirma que a multa de 150% exige para sua fixação a existência de um elemento subjetivo, que é a conduta dolosa do contribuinte, discorrendo, a seguir sobre o principio da Processo n° 10650 001148/2007-45 Acórdão n ° 2201-00.534 S2-C2T1 F1 2 culpabilidade, agasalhado-se em citações de doutrinadores, dispositivos legais e constitucionais; Ainda, no item Hl: É de se ponderar; por fim, que, estabelecendo como base de cálculo a renda bruta, os autuantes deixaram de deduzir as despesas necessárias à sua percepção, todas elas fáceis de serem apuradas, à vista dos efeitos fiscais em poder do defendente; IV — A dosimetria da pena pecuniária na óptica do Poder Judiciário No caso vertente, embora não tenha a Administração, atendendo às circunstâncias, poderes para reduzir multas, afigura-se de acordo com o princípio da razoabilidade a redução da multa proposta para a &iguala de 75%, ato que está compreendido nos limites de decisão do digno julgador administrativo, e que encontra respaldo, pelo menos, na inexistência de dolo, por parte do autuado. Transcreve, para se agasalhar, Acórdão do TRF, acerca de confisco, entre outros assuntos.. Em analise à impugnação do contribuinte autuado, a DRJ de Juiz de Fora — MG entendeu procedente o lançamento fiscal, conforme Ementa abaixo transcrita: Assunto; Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ATIVIDADE RURAL. Mantêm-se os valores dos rendimentos tributáveis da atividade rural apurados pela autoridade autuante, quando o contribuinte não lograr comprovar incontestavelmente, não tê-lo obtido, MULTA DE OFICIO, QUALIFICAÇÃO. AGRAVA1VIENTO. A aplicação da multa de oficio decorre de expressa previsão legal, tendo natureza de penalidade por descumprimento da obrigação tributária e, presentes na conduta da contribuinte as condições que propiciaram a qualificação e o agravamento da rutília de oficio, consubstanciadas pelo não atendimento à intimação e pela tentativa de impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador do imposto, é de se manter a multa de oficio de 225% (duzentos e vinte e cinco por cento). Intimado da decisão "a quo" o contribuinte ingressou com o Recurso Voluntário de fls. 73/78, arguindo exatamente as mesmas razões da impugnação._ É o relatório. 3 Voto Conselheira Janaina Mesquita Lourenço de Souza, Relatora Trata-se de Recurso Voluntário contra autuação de omissão de rendimentos provenientes de atividade rural, nos exercícios financeiros de 2005 e 2006, anos-calendário 2004 e 2005. A Princípio cabe analisar se o Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte Eusemir Euzébio atende aos requisitos legais de admissibilidade para ser conhecido. De acordo com AR de fls. 72, o recorrente teve ciência da decisão de primeira instância administrativa no dia 8 de julho de 2008 e apresentou Recurso Voluntário em 11 de agosto de 2008, portanto, 34 dias após a intimação da decisão da DRJ de Juiz de Fora —MC. Portanto o Recurso apresentado é intempestivo não atendendo ao requisito legal de admissibilidade do Decreto 70.235/72, pois intentado após trinta dias da data da intimação da decisão "a qtto" Desse modo não pode ser conhecido por este Colegiada. Pelo exposto voto no septiflo de não conhecer o presente Recurso Voluntário Jan4ina Mesquita Lourenço de Souza 4 Data da ciência: MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n": 10650.001148/2007-45 Recurso no : 168377 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2201-00.534. Brasília/DF, 03/12/2010 EVEL1NE COÊLHO DA MELO HOMAR Chefe da Secretaria Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com ciência Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Procurador(a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 11080.006036/2004-11
Data da sessão: Fri Jun 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2000
OMISSÃO DE RENDIMENTOS PERCEBIDOS DF PESSOA FÍSICA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE DE PRESUMIR OS DEPÓSITOS BANCÁRIOS, EM SI MESMOS, COMO RENDIMENTOS OMITIDOS, EXCETO SE FOR IMPUTADA AO CONTRIBUINTE A PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA Nº 9,430/96.
Somente utilizando o procedimento da presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, previsto no art. 42 da Lei nº 9430/96, podem-se considerar os créditos bancários de origem não comprovada como rendimentos omitidos, Entretanto, conhecido o depositante do depósito bancário, desnuda-se a origem, não mais se podendo
utilizar a presunção legal ora citada, e cabe a autoridade fiscal investigar a operação junto ao fiscalizado e ao depositante, para eventual imputação da infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa física ou jurídica.
Não investigada a operação, tem-se que o depósito bancário que teve sua origem simplesmente conhecida a partir da figura do depositante não autoriza a autoridade fiscal a presumi-lo como rendimento omitido pelo fiscalizado pessoa física, na firma da legislação ordinária do imposto de renda da pessoa física (Leis n°S 7.713/88 e 8.134/90), implicando que a autoridade fiscal não
comprovou a ocorrência do fato gerador do imposto lançado.
MULTA ISOLADA EM DECORRÊNCIA DO NÃO RECOLHIMENTO DO CARNÊ-LEÃO„ IMPOSTO DECORRENTE DOS RENDIMENTOS PRETENSAMENTE RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA EXONERADO, EXONERAÇÃO DA MULTA ISOLADA.
Exonerado o imposto decorrente dos pretensos rendimentos recebidos de pessoa física, que deu origem à multa isolada lançada, esta fica igualmente cancelada.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2102-000.698
Decisão: Acordam os membros do colegiada por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso, Os termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2000 OMISSÃO DE RENDIMENTOS PERCEBIDOS DF PESSOA FÍSICA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE DE PRESUMIR OS DEPÓSITOS BANCÁRIOS, EM SI MESMOS, COMO RENDIMENTOS OMITIDOS, EXCETO SE FOR IMPUTADA AO CONTRIBUINTE A PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA Nº 9,430/96. Somente utilizando o procedimento da presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, previsto no art. 42 da Lei nº 9430/96, podem-se considerar os créditos bancários de origem não comprovada como rendimentos omitidos, Entretanto, conhecido o depositante do depósito bancário, desnuda-se a origem, não mais se podendo utilizar a presunção legal ora citada, e cabe a autoridade fiscal investigar a operação junto ao fiscalizado e ao depositante, para eventual imputação da infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa física ou jurídica. Não investigada a operação, tem-se que o depósito bancário que teve sua origem simplesmente conhecida a partir da figura do depositante não autoriza a autoridade fiscal a presumi-lo como rendimento omitido pelo fiscalizado pessoa física, na firma da legislação ordinária do imposto de renda da pessoa física (Leis n°S 7.713/88 e 8.134/90), implicando que a autoridade fiscal não comprovou a ocorrência do fato gerador do imposto lançado. MULTA ISOLADA EM DECORRÊNCIA DO NÃO RECOLHIMENTO DO CARNÊ-LEÃO„ IMPOSTO DECORRENTE DOS RENDIMENTOS PRETENSAMENTE RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA EXONERADO, EXONERAÇÃO DA MULTA ISOLADA. Exonerado o imposto decorrente dos pretensos rendimentos recebidos de pessoa física, que deu origem à multa isolada lançada, esta fica igualmente cancelada. Recurso provido.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE DE PRESUMIR OS DEPÓSITOS BANCÁRIOS, EM SI MESMOS, COM.0 RENDIMENTOS OMITIDOS, EXCETO SE FOR IMPUTADA AO CONTRIBUINTE A PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA N" 9,430/96. Somente utilizando o procedimento da presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, previsto no art. 42 da Lei n" 9430/96, podem-se considerar os créditos bancários de origem não comprovada como rendimentos omitidos, Entretanto, conhecido o depositante do depósito bancário, desnuda-se a origem, não mais se podendo utilizar a presunção legal ora citada, e cabe a autoridade fiscal investigar a operação junto ao fiscalizado e ao depositante, para eventual imputação da infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa física ou jurídica. Não investigada a operação, tem-se que o depósito bancário que teve sua origem simplesmente conhecida a partir da figura do depositante não autoriza a autoridade fiscal a presumi-lo como rendimento omitido pelo fiscalizado pessoa física, na firma da legislação ordinária do imposto de renda da pessoa física (Leis 11°S 7.713/88 e 8.134/90), implicando que a autoridade fiscal não comprovou a ocorrência do fato gerador do imposto lançado. MULTA ISOLADA EM DECORRÊNCIA DO NÃO RECOLHIMENTO DO CARNÊ-LEÃO„ IMPOSTO DECORRENTE DOS RENDIMENTOS PR VFENSAMEN'IT RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA EXONERADO, EXONERAÇÃO DA MULTA ISOLADA, Exonerado o imposto decorrente dos pretensos rendimentos recebidos de pessoa física, que deu origem à multa isolada lançada, esta fica iguahnen .e cancelada, Recurso provido, , Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Aeordan )s men bros do colegiada por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, -Os termos ( voto do Relator. Í .1 /! , Giovanni CW :ti 'n - - mes ..ampos - Relator e Presidente. 1. EDITADO lí y.: . (/2010 Participara • • do pri sente julgamento os Conselheiros Nnbia Matos Moura, , 1 . Ewan feles . guiar, RI . fl.S . .aurrIo Carvalho, Carlos André Rodrigues Pereira de Lima, Roberta de Az .-e.i.., .= erreira Pagetti • e Giovanni Christian Nunes Campos, 'Relatório Em face do contribuinte Tadeu Carlos de Oliveira, CPF/MF n" 107741.300- 91, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 30/08/2004, auto de infração (lis, 02 a 11), com ciência postal em 14/09/2004 (fl. 22), a partir de ação fiscal iniciada em 06/07/2004 (fl. 16). Abaixo, discrimina-se o crédito tributário constituído pelo auto de infração antes informado, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 6.169,05 MUI ;EA DE OFÍCIO PROPORCION A L R$ 4.626,78 MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE (NÃO R$ 5.474,88 PA.G.AMENTO DO CARNÊ-LEÃO) Como decorrência de auditoria fiscal levada a efeito em desfavor da contribuinte Amara Vaz de Souza, CPI-1 99.451.590-20, detectou-se a existência de dois pagamentos efetuados pela contribuinte citada em beneficio do aqui. fiscalizado, por meio de dois DOCs de R$ 13.927,00, cada, creditados na conta bancária do autuado.. Cópias dos DOCs Ibrarn acostadas aos autos, sendo que um deles denuncia como finalidade "C.RÉDITO FM e o outro "DEPOSITO JUDICIAL", depositados em 08/03/99 e 09/03/99, respectivamente (lis. 14 e 15), A autoridade fiscal intimou o contribuinte a justificar a origem e a operação que deram azo aos depósitos acima (11. 12).. O contribuinte intimado intbrmou que desconhecia a Senhora Amara Vaz de Souza, não sabendo precisar o porquê de tais depósitos, podendo ter sido uma operação por conta e ordem de terceiro, a titulo de mera doação contemplativa, por liberalidade do doador (fls. 17 e 18). O Auditor-Fiscal considerou insatisfatória a resposta acima e entendeu que deveria incidir o imposto de renda sobre tais valores (.R$ 27.854,00), já que a tributação da renda independe da denominação dos rendimentos, bastando que o contribuinte aufira 2 Processo n" 11080.006036/2004-1 I S2-C112 Acórdão ri 2102-00,698 VI 63 beneficio a qualquer título. Assim, considerou os valores como rendimentos omitidos recebidos de pessoas fisicas. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, alegando, cm síntese, que a decadência havia fulminado o crédito tributário lançado e, adentrando nas demais razões de mérito, argumentou que a operação tributada tinha sido uma doação contemplativa em dinheiro, por liberalidade do doador, não podendo ser tributada, A Lla Turma de Julgamento da DRJ-Porto Alegre (RS), por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento, reduzindo a multa isolada do carnê-leão para o percentual de 50% sobre o recolhimento mensal obrigatório não pago, em decisão consubstanciada no Acórdão 110 10-14.245, de 07 de novembro de 2007 (Os.. 35 a 38). O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 05/08/2008 (fl.. 41), Irresignado, interpôs recurso voluntário em 04/09/2008 (fl. 45). No voluntário, o recorrente alegou, em síntese, que a decadência havia extinguido o crédito tributário lançado e, ainda adentrando ao mérito, afirmou que os créditos em conta bancária de sua titularidade não poderiam ser tipificados como omissão de receita tributável pelo IRPF, na modalidade carne-leão.. Ademais, voltou a repisar que se tratava de uma doação em dinheiro, não tributável.. Este recurso voluntário compôs o lote n" 03, sorteado para este relator na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção do CARE de 02/02/2010.. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relatar Declara-se a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 05/08/2008 (fl.. 41), terça-feira, e interpôs o recurso voluntário em 04/09/2008 (fl. 45), dentro do trintidio legal, este que teve seu termo final em 04/09/2008, quinta-feira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passa-se a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Inicialmente, debate-se a decadência suscitada pelo recorrente, começando com o imposto de renda lançado. Primeiramente, deve-se definir a periodicidade do fato gerador do imposto de renda e a. modalidade do lançamento para o caso em debate, definições necessárias para se firmar a regra decadencial que, ao final, prevalecerá. No tocante ao fato gerador do imposto de renda, este é denominado complcxivo ou periódico, ou seja, realiza-se ao longo de um espaço de tempo, resultando da 3 valoração de uni conjunto de fatos econômicos. A aquisição de disponibilidade de renda resulta da composição de fatos econômicos que se produzem ao longo de uni período de tempo. Assim, o Eito gerador do imposto de renda da pessoa tísica relacionado aos rendimentos sujeitos ao ajuste anual considera-se ocorrido em 31/12 e resulta do somatório de tatos econômicos surgidos no curso do ano-calendário (01/01 a 31/12). No caso vertente, omissão de rendimentos recebidos de pessoa física., cm relação ao crédito tributário do ano-calendário 1999, o fato gerador do imposto de renda da pessoa física se aperfeiçoou em 31/12/1999, Aperfeiçoado o tato gerador, deve-se, agora, pesquisar qual a regra para o início da contagem do prazo decadencial, A lei é que define a modalidade do lançamento ao que o tributo se amolda. O Rito de não haver o pagamento não transmuda a natureza do lançamento.. O lançamento por homologação, independentemente de haver ou não pagamento, amolda-se ao prazo decadencial do art. 150, § 4", do Código Tributário Nacional - CTN, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fiaude ou simulação, quando incide a regra decadencial do art. 173, 1, do CTN. Na linha acima, entende-se pacificamente que, desde o Decreto-Lei ir 1..968/1982, o lançamento do imposto de renda da pessoa física passou a ser por homologação porque a lei atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento do imposto, sem prévio exame da autoridade administrativa. O entendimento esposado por este relator, no tocante à decadência dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, com qüinqüênio contado na forma do art. 150, § 4" ou .173, t, ambos do CTN, atualmente é uníssono no âmbito do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Como exemplo, citam-se os acórdãos n."s: 101-95.026, relatora a Conselheira Sandra Maria Faroni., sessão de 16/06/2005; 103-23.170, relator o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, sessão de 10/08/2007; 108-09.230, relator do voto vencedor o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno, sessão de 28/02/2007; C.SRF/04-00,213, relator o Conselheiro Wilfrido Augusto Marques, sessão de 14/03/2006. Corroborando todo o entendimento acima esposado, a Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, então competente para julgar os feitos da tributação do imposto de renda da pessoa tísica, prolatou o Acórdão ir CSRF/04-00.586, sessão de 19/06/2007, relatora a Conselheira Maria helena Cotta Cardozo, que restou assim ementado: DECADÊNCIA --- LANÇAMENTO POR ILOMOLOGAÇÂO TERMO INICIAL PRAZO — No caso de lançamento por homologação, O direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário extingue-se no pl"(.120 de cinco anos, contados' da data de ocorrência do fato gerador que, em se tratando de finpo.wo de Renda Pessoa 1 ,isica apurado no ajitsle anual, considera-se ocorrido em 3.1 de dezembro do ano-calendário A omissão de rendimentos recebidos de pessoa física imputada ao recorrente, referente ao ano-calendário 1.999, cujo fato gerador aperfeiçoou-se em 31/1.2/1999, foi a.penada com multa de oficio ordinária de 75%, pois a autoridade considerou ausente o evidente intuito de fraude, na forma dos arts, 71, 72 ou 73 da Lei n" 4.5(12/64, esta então a condição para a qualificação da multa de oficio de 150%, o que teria o condão de transferir a contagem do prazo decadencial para a regra do art. 173, 1, do CTN. Na espécie, o filio gerador deve ser considerado ocorrido em 31/12/1999, com aplicação) da contagem decadencial na forma do art.. 150, § 4', do CTN, o que implica que a autoridade deveria ter cientificado o contribuinte até 31/12/2004, hipótese que tbi concretizada, pois o contribuinte tomou ciência do lançamento em 4 Processo u" li 080.006036/2004-11 52-CI 12 Acórdào ri." 2102-00.698 H. 64 • -14/09/2004 (fl. 22), o que afasta o fenômeno extintivo da decadência para o imposto de renda ora em debate. Assim, reconhece-se que a decadência não extinguiu o imposto de renda aqui lançado. Já no tocante à multa de oficio pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê-leão, não se pode aplicar a regra &cadenciai do art. 150, ;§ 4, do CTN, esta voltada apenas aos tributos por homologação, conforme a cabeça do art. 150 do (.7.TN.. Assim, para a multa de oficio isolada, como a destes autos, aplica-se a regra geral decadencial do CTN, estampada em seu art.. 173,1, ou seja, o prazo decadencial conta-se a partir do primeiro dia útil do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No caso destes autos, como a multa teve com() fato gerador o mês de março de 1999 (fi, 7), o fisco poderia ter feito o lançamento dentro do próprio ano-calendário 1999, o que implica na contagem do prazo decad.e.n.cial a partir de °/() 1/2000, ou seja, quando da ciência do lançamento em 14/09/2004 (fi. 22) ainda não tinha fluído o prazo decadencial, este que somente teve seu termo final em 31/12/2004, Assim, no ponto, incabível a irresignação recursal Superada a prejudicial d.e mérito da decadência, passa-se a apreciar o próprio mérito da demanda. A tese de que os dois DOCs seriam uma doação contemplativa (aquela em que o doador enuncia claramente o motivo da liberalidade), como levantada pelo recorrente, é claramente desarrazoada, pois a autoridade fiscal intimou o contribuinte a . justificar a origem e a operação que deram azo aos depósitos e ele informou que desconhecia. a Senhora Amara Vaz de Souza, não sabendo precisar o porquê de tais depósitos (fis, 17 e 18). Ora, como aceitar que alguém deposite R$ 27,854,00 na conta do fiscalizado e este não conheça o depositante e alegue que se trate de uma doação? Essa argumentação é totalmente descabida. Ademais, sendo doação, caberia ao contribuinte comprová-la documentalmente, o que não ocorreu nestes autos. Apesar de não se poder acatar a tese da doação, pois despida de qualquer ra.zoabilidade, parece claro que a autoridade fiscal não comprovou a ocorrência do fato gerador do imposto lançado, na forma do art, 142 do CTN, no caso o recebimento de renda tributável de pessoa física, 1.-.)(plica-se.. Como é de conhecimento geral, depósitos bancários de origem não comprovada podem ser presumidos como rendimentos omitidos, na forma do art. 42 da Lei n" 9.430/96. Assim, em tese, os dois DOCs em discussão poderiam ter sido imputados ao recorrente como omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Ocorre que esta infração não foi imputada ao recorrente, mas .fora-lhe uma omissão de rendimentos percebidos de pessoa física, pois a autoridade fiscal conhecia a depositante (Amara Vaz de Souza, CPF-199.451 .590-20) e necessariamente deveria ter investigado a origem da operação junto ao .fiscalizado (como o fez), e junto à depositante (como não o fez), para esclarecimento da operação. Aqui se deve Observar que em um dos DOCs havia a menção à finalidade "Depósito Judicial" e por aí poder-se-ia. levantar o véu dessa operação. Sabendo quem efetuou o depósito, por óbvio, não se poderia utilizar a presunção do art. 42 da Lei n" 9..4.30/96, mas seria preciso investigar toda a operação. Do ônus investigatório acima não se desincumbiu a autoridade fiscal, que tinha a obrigação de perscrutar a ocorrência do fato gerador. Apenas poderia utilizar a presunção legal de qu.e depósitos de origem não comprovada são rendimentos omitidos, -prevista no ..irt. 42 da Lei n" 9.430/96, caso não conhecesse o depositante, situação não ocorrida nestes autos.. Utilizando a tributação de omissão de rendimentos de pessoa tísica, na forma da legislação ordinária do imposto de renda da pessoa -fisica (Leis IV 7,713/88 e 8.134/90), e não o rito da presunção do art, 42 da Lei n" 9.430/96, não se poderia presumir que depósitos bancários, em si mesmos, sejam rendimentos omitidos, como ocorreu nestes autos, Soçobrado o imposto lançado, fica sem supedâneo a multa de oficio do carne-- leão, Ante o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso, ...------,.,. Sala das Se'ssões y I em 1 de junho de 2010 ,,,,. ' iovanni Chris ... N In si,ar, os If, . r 1.--! 6
score : 1.0
Numero do processo: 11128.007157/2007-21
Data da sessão: Fri Jul 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Data do fato gerador: 08/08/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL, PEREMPÇÃO.
Recurso apresentado após decorrido o prazo de 30 dias da ciência da decisão de primeira instância não se toma conhecimento, por
perempto.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3201-000.519
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o intempestivo do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: Mércia Helena Trajano D'Amorim
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Recurso voluntário não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o intempestivo do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando, Mércia Trajano D'Amorim, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Ricardo Paulo Rosa e Tatiana Midori Migiyama (Suplente). Processo n" 11128.001157/2007-21 S3-C211 Aeórdào n 3201-00.519 A, 141 Relatório A empresa acima identificada recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II/SP, Por bem descrever os fatos, até então, adoto integralmente o relatório componente da decisão recorrida, à fl. 100, que transcrevo, a seguir: "Ao efetuar a conferência das mercadorias registradas nos RE 's 07/1286405-0001 e 07/1286596-001, a fiscalização não encontrou nos contêineres informados as mercadorias declaradas. Considerou ter ocorrido exportação . fictícia de mercadorias, vez que as cargas declaradas não existiam de fato e aplicou a multa prevista no artigo 490, 11, do Decreto 4,544/2002, contra o exportador. Em sua impugnação às folhas 48 a 57, a interessada alega, em suma, que: 1 — é nulo o auto de infração porque a ,fiscalização descumpriu o que determina o artigo 50 da 11/1P 38/2002, É imprescindível a presença do exportador ou seu representante no ato da abertura ou violação de contêiner, Tal disposição também se encontra expressa na IN SRF 680/2006; 2 — ao invés de diligenciar e _fiscalizar o ocorrido, os agentes do Fisco preferiram concluir pela exportação fictícia das mercadorias; 3 — conforme se depreende das notas fiscais de envio e retorno para beneficiamento das peças, a operação de manufatura ocorreu de forma lícita, sendo inconcebível a alegação de exportação fictícia; 4 — o que houve foi o extravio das mercadorias, Há nos autos declaração do despachante aduaneiro e a presença de carga da Tecondi; 5 — o armazém deu presença de carga e é o .fiel responsável pelo produto, sendo inconcebível que o Fisco não tenha sequer diligenciado junto ao armazém,. Esta Turma baixou o processo em diligência pana que fossem respondidos os quesitos às folhas 67 e 68„ A Tecondi limitou-se a informar que não recebeu em seu terminal as mercadorias declaradas nas DDE's 2070 970,789/3 e 2070.970.728/2.: Já a exportadora informou que:. Processo n°11128 007157/2007-21 S3-C2T1 Acórdão o ° 3201-00319 Fl 142 I - as caixas de papelão que embalavam as mercadorias mediam 63 cm de largura, .57 cm de comprimento e 39 cm de altura; 2 — as mercadorias . foram conduzidas pelo sistema Imigrantes/Anchieta pelo Sr„ Paulo; 3 — as mercadorias foram entregues para o depositário e acomodadas as caixas em contêineres, conforme descrito no documento de folha 10." O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do Acórdão DRJ SPO II de no 17-28.325, de 28/10/2008, às fls.99/104, cuja ementa dispõe: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 08/08/2007 NOTA FISCAL EMITIDA SEM A EFETIVA SAIDA DA MERCADORIA DO ESTABELECIMENTO EMITENTE, Restando comprovada a impossibilidade das mercadorias estarem unitizadas nos contélneres conforme declarou a interessada, é devida a multa por emissão da nota fiscal sem a efetiva saída da mercadoria do estabelecimento emitente nos termos do artigo 490, II, do decreto 4,544/2002, LANÇAMENTO PROCEDENTE," O interessado foi intimado em 20/12/2008; inconformado apresenta recurso voluntário em 21/01/2009, conforme fls.111/136.0 processo foi distribuído a esta Conselheira, à fl. 139 (última). É o relatório. 3 7eil,r-Leçl?__Kp I 2.CIA HELENA Processo e l 1128.007157/2007-21 53-C211 Acórdão n 3201-00.519 Fl. 143 Voto Conselheira MERCIA HELENA TRAJANO D 1AMORIM, Relatora Os autos do processo dão conta de que o contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 20/12/2008, sábado, a contagem de prazo começou na segunda-feira, dia 22/12/2008 e com término em 20/01/2009 (30 dias); no entanto o recurso voluntário foi recepcionado somente em 21/01/2009, conforme fls. 111/136, ultrapassando, portanto, os 30 dias. O Decreto ri 70.235/1972 dispõe em seu art. 33 que o recurso voluntáio deverá ser apresentado no prazo de 30 dias da ciência da decisão de primeira instância. Os elementos do processo demonstram, de forma inequívoca, que a interessada não cumpriu o prazo previsto na legislação processual administrativa para interposição do recurso, ocasionando a perempção. Diante do exposto, e tendo em vista os prazos processuais são fatais, não comportando qualquer dilação por falta de previsão legal, voto por que não se tome conhecimento do recurso, por perempto. 4
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Numero do processo: 10880.909144/2006-12
Data da sessão: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Considerada-se tacitamente homologada a Declaração de
Compensação que tenha sido objeto de Despacho Decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da transmissão do pedido. Todavia, a contagem é reiniciada na hipótese de o contribuinte apresentar DCOMP retificadora.
SALDOS NEGATIVOS DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E CSLL. PRAZO PARA PLEITEAR A RESTITUIÇÃO E PARA EFETUAR VERIFICAÇÕES FISCAIS. O prazo para pleitear a restituição do saldo negativo de IRPJ ou CSLL, acumulado, devidamente apurado, escriturado e declarado ao Fisco, é de 5 anos contados do período que a contribuinte ficar
impossibilitada de aproveitar esses créditos, mormente pela mudança de modalidade de apuração dos tributos ou pelo encerramento de atividades. De igual forma, a administração tributária conta também com 5 anos para verificar a correção dos valores pleiteados, estando a contribuinte obrigada a manter a escrituração e comprovantes e boa guarda, em observância ao artigo 264 do RIR/2009 Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-000.693
Decisão: Acordam os membros do colegiado: 1) por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de homologação tácita das DCOMP 14206.94528.080803.1.3.025736, 42220.72975.071103.1.3.021156
e 19690.76900.260104.1.3.023246; 2) por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para afastar o decurso de prazo para aproveitamento do direito creditório relativo ao SNRIRPJ
do ano calendário de 2001, determinando-se o retorno dos autos à DRF de origem para verificar sua procedência e disponibilidade, bem como apreciar a DCOMP pleiteada com o aludido crédito, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e Albertina Silva Santos de Lima, que não afastavam o decurso de prazo. Ausentes momentaneamente, os Conselheiros Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento, o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro.
Nome do relator: Antônio José Praga de Souza
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado: 1) por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de homologação tácita das DCOMP 14206.94528.080803.1.3.025736, 42220.72975.071103.1.3.021156 e 19690.76900.260104.1.3.023246; 2) por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para afastar o decurso de prazo para aproveitamento do direito creditório relativo ao SNRIRPJ do ano calendário de 2001, determinando-se o retorno dos autos à DRF de origem para verificar sua procedência e disponibilidade, bem como apreciar a DCOMP pleiteada com o aludido crédito, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e Albertina Silva Santos de Lima, que não afastavam o decurso de prazo. Ausentes momentaneamente, os Conselheiros Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento, o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro.
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Consideradase tacitamente homologada a Declaração de Compensação que tenha sido objeto de Despacho Decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da transmissão do pedido. Todavia, a contagem é reiniciada na hipótese de o contribuinte apresentar DCOMP retificadora. SALDOS NEGATIVOS DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E CSLL. PRAZO PARA PLEITEAR A RESTITUIÇÃO E PARA EFETUAR VERIFICAÇÕES FISCAIS. O prazo para pleitear a restituição do saldo negativo de IRPJ ou CSLL, acumulado, devidamente apurado, escriturado e declarado ao Fisco, é de 5 anos contados do período que a contribuinte ficar impossibilitada de aproveitar esses créditos, mormente pela mudança de modalidade de apuração dos tributos ou pelo encerramento de atividades. De igual forma, a administração tributária conta também com 5 anos para verificar a correção dos valores pleiteados, estando a contribuinte obrigada a manter a escrituração e comprovantes e boa guarda, em observância ao artigo 264 do RIR/2009 Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 213DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.909144/200612 Acórdão n.º 140200.693 S1C4T2 Fl. 0 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1) por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de homologação tácita das DCOMP 14206.94528.080803.1.3.025736, 42220.72975.071103.1.3.021156 e 19690.76900.260104.1.3.023246; 2) por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para afastar o decurso de prazo para aproveitamento do direito creditório relativo ao SNRIRPJ do anocalendário de 2001, determinandose o retorno dos autos à DRF de origem para verificar sua procedência e disponibilidade, bem como apreciar a DCOMP pleiteada com o aludido crédito, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e Albertina Silva Santos de Lima, que não afastavam o decurso de prazo. Ausentes momentaneamente, os Conselheiros Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento, o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório TEXTIL ABRIL LTDA com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que deferiu em parte seu pleito. Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: A Interessada transmitiu PER/DCOMPs em que apontados crédito referente ao Saldo Negativo de IRPJ (SNIRPJ), relativo ao anocalendário (AC) de 2002, no montante de R$ 880.449,07. Os PER/DCOMP sob análise são os de nº 40533.23565.150503.1.3.024413 (este com detalhamento do crédito; fls. 01 a 07), 14206.94528.080803.1.3.025736 (fls. 08 a 11), 42220.72975.071103.1.3.021156 (fls. 12 a 15) e 19690.76900.260104.1.3.023246 (fls. 16 a 19). 2. Foi emitido Termo de Intimação Fiscal, em 21/05/2008 (fls. 20 e 21), para que o contribuinte apresentasse documentos e esclarecimentos sobre os créditos utilizados para compensar as estimativas mensais de IRPJ apuradas no anobase 2002, entre outras questões. 2.1. Em resposta de 03/06/2008, o contribuinte informou que os créditos utilizados decorrem do SNIRPJ AC 2001, respondeu às demais perguntas e anexou Fl. 214DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.909144/200612 Acórdão n.º 140200.693 S1C4T2 Fl. 0 3 documentos (fls. 22 a 46), complementada em 20/06/2008 pelos documentos de fls. 47 a 54 (Demonstrativos de Compensação de IRPJ dos anos base 1997 a 2003). 3. Foi emitido, em 08/07/2008, Despacho Decisório HOMOLOGANDO as compensações informadas nas Declarações de Compensação (DCOMP) até o limite do crédito reconhecido de R$ 696.649,31, nos seguintes termos, resumidamente (fls. 94 a 100). Do Saldo Negativo de IRPJ 3.1. O contribuinte que optar pela tributação com base no lucro real com apuração anual obrigase aos recolhimentos mensais do imposto de renda determinados sobre base de cálculo estimada. Os recolhimentos por estimativa efetuados são considerados antecipações, não se tratam de indébito ou recolhimento a maior, mas podem ser deduzidos do imposto devido apurado ao final do anocalendário. 3.2. Se o resultado apurado for um saldo negativo, este poderá ser restituído à pessoa jurídica, conforme disposto nos incisos III e IV, § 4º, art. 2º e no inciso II, § 1º, art. 6º, da Lei nº 9.430/96. Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) 3.3. Verificouse na DIPJ/2003 que a forma de tributação escolhida para o AC 2002 foi lucro real anual (fl. 55). A apuração efetuada pelo contribuinte foi a seguinte (Ficha 12A – Cálculo do IR sobre o Lucro Real; fl. 59): Linha Ficha 12A IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL R$ 01 A ALÍQUOTA DE 15 % 37.249,11 03 ADICIONAL 832,74 16 () IMPOSTO DE RENDA MENSAL PAGO POR ESTIMATIVA 918.530,43 18 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 880.448,58 3.4. Conforme declarado na Ficha 11 (Cálculo do IR Mensal por Estimativa, fl. 58) e nas respectivas DCTF (fls. 61 a 72), a dedução de R$ 918.530,43 efetuada à linha 16 é composta por pagamentos e compensações, conforme a seguir: 3.4.1. estimativas apuradas entre janeiro e março de 2002 => na DCTF informou que o crédito utilizado para a compensação dos débitos sem formalização de processo era o SNIRPJ AC 2000 (fls. 61 a 63), enquanto que na resposta à intimação afirma que se trata do SNIRPJ AC 2001 (fl. 53). Foi considerada esta última, de forma que a convalidação dessas compensações (conforme cópia do Despacho Decisório do processo administrativo nº 10880.909145/200667; fls. 75 a 87) e dos cálculos de atualização das compensações (fls. 91 a 93) permite confirmar as estimativas apuradas entre janeiro e março; 3.4.2. estimativas apuradas entre abril e junho de 2002 => na DCTF informou que o crédito utilizado para a compensação dos débitos sem formalização de processo era o SNIRPJ AC 2001 (fls. 64 a 66). Confirmadas essas informações com a resposta à intimação (fl. 53), a convalidação dessas compensações (conforme cópia do Despacho Decisório do processo nº 10880.909145/200667) e dos cálculos de atualização das compensações (fls. 91 a 93) permite confirmar as estimativas apuradas entre abril e junho; 3.4.3. estimativas apuradas entre julho e novembro de 2002 => a forma de quitação informada em DCTF foi a DCOMP retificadora de número 41235.57899.040607.1.7.023845. Ocorre que esta DCOMP não foi admitida. Na Fl. 215DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.909144/200612 Acórdão n.º 140200.693 S1C4T2 Fl. 0 4 DCOMP original, o interessado declarou a compensação das estimativas mensais de IRPJ apuradas em outubro e em novembro de 2002. Considerando a homologação das compensações declaradas na DCOMP original (fls. 75 a 87 e 88 a 90), consideramse confirmadas as estimativas apuradas em outubro e a parcela compensada da estimativa apurada em novembro; 3.4.4. pagamentos por meio de DARF => foram confirmados os pagamentos informados em DCTF relativos às estimativas mensais de IRPJ apuradas em novembro e em dezembro (fls. 71 a 74). 3.5. O quadro a seguir resume a situação encontrada: (...). Conforme listado no quadro, foram confirmados R$ 734.731,16 relativos a IR pago por estimativa. Considerando este valor na apuração do IR sobre o Lucro Real: Linha IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL recalculado R$ 01 A ALÍQUOTA DE 15 % 37.249,11 03 ADICIONAL 832,74 16 () IMPOSTO DE RENDA MENSAL PAGO POR ESTIMATIVA 734.731,16 18 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 696.649,31 3.6. Verificase que o SNIRPJ AC 2002 foi de R$ 696.649,31. 4. O contribuinte teve ciência do Despacho Decisório em 10/07/2008 (fls. 101 a 103), e dele recorreu a esta DRJ, em 31/07/2008, por meio de sóciogerente (fls. 106 e 152 a 164), nos seguintes termos, sinteticamente (fls. 104 a 106): 4.1. A motivação para a não homologação das compensações das estimativas mensais de IRPJ de julho (R$ 80.804,92); agosto (R$ 50.436,35) e setembro/2002 (R$ 52.557,90) foi a inobservância do disposto no art. 59, caput, da IN SRF nº 600, de 28/12/2005 pela DCOMP retificadora (considerada “não admitida”). Ocorre que estas compensações foram efetuadas na vigência da IN nº 210, de 30/09/2002. 4.2. Assim, a não homologação fere o princípio da anterioridade, bem como o da oportunidade, deixando de efetuar a compensação por excesso de formalismo. Conforme se demonstra abaixo, o valor reconhecido (R$ 696.649,31) era suficiente para efetuar todas as compensações pleiteadas, a saber: (...). 4.3. Portanto, a compensação acima é totalmente viável e deveria, em “extemus” solicitar que o contribuinte regularizasse a situação e não tão somente desconsiderar alguns meses como ocorreu. 4.4. AD CAUTELAM o contribuinte entregou através da PER/DCOMP COMPLEMENTAR 36082.60861.170708.1.3.025310 compensando as estimativas mensais de julho, agosto e setembro/2002, com o SNIRPJ AC 2002 (documentos 01 a 05). Igualmente entregou DCTF retificadora referente ao 3º trimestre/2002 informando estas compensações (doc. 06 a 28). 4.5. Posto isto, atendendo o contido no DESPACHO DECISÓRIO, espera seja HOMOLOGADA as compensações (sic) das estimativas mensais de IRPJ de julho, agosto e setembro/2002, observadas as formalidades legais. A decisão recorrida está assim ementada: Fl. 216DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.909144/200612 Acórdão n.º 140200.693 S1C4T2 Fl. 0 5 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO DE CINCO ANOS. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. O contribuinte tem direito a restituição e/ou compensação do tributo pago indevidamente, desde que pleiteado dentro do prazo de cinco anos contados da extinção do crédito tributário e faça prova de possuir crédito líquido e certo contra a Fazenda Pública. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. CINCO ANOS. Será considerada tacitamente homologada a Declaração de Compensação que não tenha sido objeto de Despacho Decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da transmissão do pedido. DIREITO CREDITÓRIO. IRPJ. Não foi reconhecido crédito em favor do contribuinte em valor superior ao apurado pela Autoridade Administrativa, razão pela qual mantémse a decisão recorrida em relação ao direito creditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. No voto condutor do acórdão de primeira instância destacamse os seguintes fundamentos: 9. Verificase que o litígio se restringe a confirmação ou não da compensação das estimativas de IRPJ referentes aos meses de julho, agosto e setembro /2002. 9.1. Consulta ao Sistema DCTFGER indica que foram entregues quatro declarações referentes ao 3º Trimestre do AC 2002: em 14/11/2002, em 11/11/2004, em 31/08/2007 e em 17/07/2008 (fls. 169 a 175). 9.1.1. Na entregue em 31/08/2007 (última antes da ciência do Despacho Decisório), foi informado que os três débitos haviam sido compensados com SNIRPJ AC 2001, apontando a DCOMP nº 41235.357899.040607.1.7.023845, enquanto que a última DCTF transmitida indicou compensação segundo a DCOMP nº 36082.60861.170708.1.3.025310. 9.2. Consulta ao Sistema PERDCOMP no SIEF (fls. 176 a 180) indica que: (i) foi transmitida a DCOMP nº 42920.81585.080803.1.3.025506 em 08/08/2003, apontando dois débitos (código 5993, referentes a outubro e novembro/2002); (ii) esta DCOMP foi retificada pela de nº 41235.357899.040607.1.7.023845, transmitida em 04/06/2007, que foi “não admitida” pois aumentou o nº de débitos (de dois para onze, incluindo os no código 5993 referentes a julho, agosto e setembro/2002); e (iii) foi transmitida a DCOMP nº 36082.60861.170708.1.3.02 5310 em 17/07/2008, apontando os débitos sob análise (código 5993, referentes a julho, agosto e setembro/2002), que foi “não homologada” por apresentar “impedimento legal para compensação dos débitos”. 9.2.1. Como visto (subitem 8.2.2.), a partir da vigência da IN SRF nº 600/2005, não seria admitida declaração retificadora que incluísse novo débito, razão pela qual não foi admitida a DCOMP 41235.357899.040607.1.7.023845. 9.2.1.1. Neste ponto, releva notar que não procede a alegação da Recorrente de que “estas compensações foram efetuadas na vigência da IN nº 210/2002”, pois a retificadora (em que acrescentados os débitos referentes a julho, agosto e setembro/2002) foi transmitida em 04/06/2007 (na vigência da IN SRF nº 600/2005). Fl. 217DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.909144/200612 Acórdão n.º 140200.693 S1C4T2 Fl. 0 6 9.2.2. A nova DCOMP transmitida em 17/07/2008 (nº 36082.60861.170708.1.3.02 5310) pleiteia a utilização do SNIRPJ AC 2001, ou seja, após mais de cinco anos da extinção do crédito, razão pela qual não poderá produzir efeitos. 9.2.3. Assim, o que se tem como válida é a DCOMP de número 42920.81585.080803.1.3.025506, em que compensados os débitos referentes a outubro e novembro/2002 (como corretamente apurou a Autoridade Administrativa), restando em aberto a compensação dos débitos relativos aos meses de julho, agosto e setembro/2002. 9.2.4. De se ver que é improcedente o argumento de que o indeferimento parcial se deveu ao excesso de formalismo visto que o Despacho Decisório apenas levou em consideração o previsto na legislação. 9.2.5. Ademais, como é cediço, cabe ao requerente o ônus de provar o direito por ele alegado, não havendo previsão para que lhe seja solicitado qualquer esclarecimento, visto que a decisão se baseou nas informações por ele prestadas, inclusive nas declarações entregues. 9.3. Desse modo, correto o Despacho Decisório ao apurar SNIRPJ AC 2002 de R$ 696.649,31, não cabendo à esta DRJ se pronunciar sobre ofensa a princípios constitucionais, visto que esta prerrogativa é exclusiva do Poder Judiciário. 10. Em face do exposto, VOTO no sentido de considerar IMPROCEDENTE a Manifestação de Inconformidade, mantendo o reconhecimento de direito creditório no valor de R$ 696.649,31 a título de SNIRPJAC 2002, e RECONHECENDO a ocorrência da HOMOLOGAÇÃO TÁCITA das compensações dos débitos informados na DCOMP nº 40533.23565.150503.1.3.024413. O direito creditório remanescente (após utilização do valor reconhecido, nas compensações homologadas tacitamente) deverá ser utilizado para compensar os débitos informados nas DCOMP 14206.94528.080803.1.3.025736, 42220.72975.071103.1.3.021156 e 19690.76900.260104.1.3.023246, até o limite do saldo remanescente. Cientificada da aludida decisão em 23/09/2011, fl. 193v, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 18/10/2010, fls. 197 e seguintes, no qual reitera as alegações da peça impugnatória, acrescentando os seguintes argumentos (verbis): (...) A primeira intimação para subsidiar a apreciação da PERD/COMP No. 40533.23565.150503.1.3.024413, ocorreu em junho de 2008. Nesta data todos os direitos creditórios até 31 de dezembro de 2002 estavam convalidados pois o direito de impugnar havia decaído. O fisco, no entanto, mudando o foco incluiu outras PERD/COMP nesta verificação quer transformar as varias declarações entregues anteriormente e retificadas a posteriormente em termo inicial de contagem de prazo para averiguar a prescrição. O ACÓRDÃO atacado bem como o despacho decisório em nenhum momento contestou o Saldo Negativo de IRPJ relativo anocalendário (AC) de 2001, no importe de R$ 585.567,05. O contribuinte em 03 de junho de 2008, atendendo intimação fiscal esclareceu fls. 22 a 25, que os valores que a PERD/COMP N 2 40533.23565.150503.1.3.024413 Fl. 218DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.909144/200612 Acórdão n.º 140200.693 S1C4T2 Fl. 0 7 que foi homologada tacitamente, fls. 190, serviu para compensar as estimativas do anobase de 2002, a saber (...) O acórdão atacado as Fls. 192 reconheceu a ocorrência de "HOMOLOGACÃO TÁCITA das compensações dos débitos informados na DCOMP n 2 40533.23565.150503.1.3.024413." O acórdão reconhece que passaram mais de 5 (cinco) anos sem que o fisco analisa se objetivando aferir a certeza e liquidez do crédito utilizado para fins de compensação. (...) No caso presente o fisco deixou decorrer o prazo decadencial de 5 (cinco anos) e portanto não pode após longo período tentar impugnar a compensação efetuada senão o principio da certeza jurídica fica comprometido. As varias Turmas da DELEGACIA DE JULGAMENTO tem reconhecido a decadência conforme anotamos: (...) Portanto devem ser homologadas as compensações pleiteadas no anocalendário de 2002. (...) CONCLUSÃO O ACÓRDÃO atacado DEVE SER REFORMADO para reconhecer como procedente o DIREITO CREDITÓRIO do contribuinte conforme demonstrado anteriormente exposto. É o relatório. Fl. 219DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.909144/200612 Acórdão n.º 140200.693 S1C4T2 Fl. 0 8 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Versa o presente processo de reconhecimento de direito creditório relativo ao anocalendário de 2002 e homologação de pedidos de compensação. Consoante relatado, verificase que, após a decisão de primeira instância, o litígio se restringe a confirmação ou não da compensação das estimativas de IRPJ referentes aos meses de julho, agosto e setembro /2002. Isso porque na referida decisão foi reconhecida a homologação tácita das compensações dos débitos informados na DCOMP nº 40533.23565.150503.1.3.024413. No recurso voluntário o contribuinte alega que as demais DCOMP estariam também homologadas, haja vista que foram interpostas no ano de 2002 e o despacho decisório foi expedido/cientificado em 2008, ou seja, passados mais de 5 (cinco anos) da apresentação. Rejeito essa preliminar, haja vista as demais DCOMP, não homologadas foram interpostas em 08/08/2003 (14206.94528.080803.1.3.025736, fl. 8), em 07/11/2003 (42220.72975.071103.1.3.021156, fl. 12) e em 26/01/2004 (19690.76900.260104.1.3.023246, fl. 16). sendo que a ciência do Despacho Decisório ocorreu em 10/07/2008 (fl. 101), ou seja, todas antes do prazo de 5 anos estabelecido no §5o. do art. 74 da Lei 9430/1996, com redação dada pela Lei 10.833/2003. Em relação à DCOMP Nº 36082.60861.170708.1.3.025310, a decisão de 1a. instância assevera: 9.2.2. A nova DCOMP transmitida em 17/07/2008 (nº 36082.60861.170708.1.3.02 5310) pleiteia a utilização do SNIRPJ AC 2001, ou seja, após mais de cinco anos da extinção do crédito, razão pela qual não poderá produzir efeitos. 9.2.3. Assim, o que se tem como válida é a DCOMP de número 42920.81585.080803.1.3.025506, em que compensados os débitos referentes a outubro e novembro/2002 (como corretamente apurou a Autoridade Administrativa), restando em aberto a compensação dos débitos relativos aos meses de julho, agosto e setembro/2002. 9.2.4. De se ver que é improcedente o argumento de que o indeferimento parcial se deveu ao excesso de formalismo visto que o Despacho Decisório apenas levou em consideração o previsto na legislação. (Grifei) Este Colegiado tem manifestado entendimento diverso quanto ao tema em questão, prazo para pleitear o reconhecimento de direito creditório relativo ao Saldo Negativo de Recolhimentos do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (SNRIRPJ). Citesse nesse sentido o Acórdão no. 140200604 de 30/06/2011, cuja ementa e voto condutor, da lavra do ilustre conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, elucidam. Fl. 220DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.909144/200612 Acórdão n.º 140200.693 S1C4T2 Fl. 0 9 Ementa SALDOS NEGATIVOS DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E CSLL. PRAZO PARA PLEITEAR A RESTITUIÇÃO E PARA EFETUAR VERIFICAÇÕES FISCAIS. O prazo para pleitear a restituição do saldo negativo de IRPJ ou CSLL, acumulado, devidamente apurado, escriturado e declarado ao Fisco, é de 5 anos contados do período que a contribuinte ficar impossibilitada de aproveitar esses créditos, mormente pela mudança de modalidade de apuração dos tributos ou pelo encerramento de atividades. De igual forma, a administração tributária conta também com 5 anos para verificar a correção dos valores pleiteados, estando a contribuinte obrigada a manter a escrituração e comprovantes e boa guarda, em observância ao artigo 264 do RIR/2009. Voto A Câmara Superior nos últimos 3 anos, havia sedimentado o entendimento no sentido que, regra geral, o prazo para pleitear a restituição extinguese mesmo após 5 anos, contados do pagamento, nos termos do art. 168, inciso I, do CTN, conforme decido no acórdão nº 016000, proferido em 12/08/2008. Especificamente quanto ao saldo negativo de recolhimentos de IRPJ e CSLL, a 1a. Turma da CSRF vinha decidindo que o inicio da contagem prazo deslocase para a data da entrega da declaração. Nesse sentido citese o seguinte julgado. Acórdão nº 0106.047, de 10/11/2009, proferido no recurso 105152.539. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido; extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário arts. 165 I e 168 I da Lei 5172 de 25 de outubro de 1966 (CTN). No caso do saldo negativo de IRPJ/CSLL (real anual), o direito de compensar ou restituir iniciase em abril de cada ano (Lei 9.430/96 art. 6° / RIR199 ART. 858 § 1° INCISO II). Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam integrar o presente julgado. Todavia, na sessão da CSRF de agosto/2010, a matéria foi revista, conforme Acórdão 910100.347 (ementa e fundamentos a seguir transcritos): Ementa: SALDOS NEGATIVOS DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E CSLL. O prazo para pleitear a restituição do saldo negativo de IRPJ ou CSLL,acumulado, devidamente apurado e escriturado, é de 5 anos contados d operíodo que a contribuinte ficar impossibilitada de aproveitar esses créditos,mormente pela mudança de modalidade de apuração dos tributos ou pelo encerramento de atividades.Recurso Provido. [...] Fl. 221DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.909144/200612 Acórdão n.º 140200.693 S1C4T2 Fl. 0 10 Voto (...) Pois bem, o saldo negativo de recolhimentos do IRPJ e da CSLL afloram quando o valor das antecipações desses tributos – retenções em fonte ou recolhimentos por estimativa superaram o valor apurado a partir do lucro real(IRPJ) ou lucro liquido ajustado, respectivamente. Vejamos o que dispõe a legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social a partir do anocalendário de 1997. Lei 9.430 de 1996: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15. da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. § 1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. Fl. 222DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.909144/200612 Acórdão n.º 140200.693 S1C4T2 Fl. 0 11 § 2º O saldo do imposto a pagar de que trata o inciso I do parágrafo anterior será acrescido de juros calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir de 1º de fevereiro até o último dia do mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês do pagamento. § 3º O prazo a que se refere o inciso I do § 1º não se aplica ao imposto relativo ao mês de dezembro, que deverá ser pago até o último dia útil do mês de janeiro do ano subseqüente. (...) Art. 28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei. (...) Art. 30. A pessoa jurídica que houver optado pelo pagamento do imposto de renda na forma do art. 2º fica, também, sujeita ao pagamento mensal da contribuição social sobre o lucro líquido, determinada mediante a aplicação da alíquota a que estiver sujeita sobre a base de cálculo apurada na forma dos incisos I e II do artigo anterior. pela análise da sistemática de apuração, recolhimento e compensação do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e Contribuição Social – Lucro Real a partir do anocalendário de 1997, sob a égide da Lei 9.430/1996, estou convencido de que não há prazo para o contribuinte pleitear a restituição do chamado saldo negativo de recolhimentos do IRPJ e CSLL, devidamente apurado e apurado. Isso porque a lei estabeleceu um contacorrente. Art. 64. Os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, estão sujeitos à incidência, na fonte, do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para seguridade social COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. § 1º A obrigação pela retenção é do órgão ou entidade que efetuar o pagamento. § 2º O valor retido, correspondente a cada tributo ou contribuição, será levado a crédito da respectiva conta da receita da União. § 3º O valor do imposto e das contribuições sociais retido será considerado como antecipação do que for devido pelo contribuinte em relação ao mesmo imposto e às mesmas contribuições. § 4º O valor retido correspondente ao imposto de renda e a cada contribuição social somente poderá ser compensado com o que for devido em relação à mesma espécie de imposto ou contribuição. § 5º O imposto de renda a ser retido será determinado mediante a aplicação da alíquota de quinze por cento sobre o resultado da multiplicação do valor a ser pago pelo percentual de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, aplicável à espécie de receita correspondente ao tipo de bem fornecido ou de serviço prestado. § 6º O valor da contribuição social sobre o lucro líquido, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota de um por cento, sobre o montante a ser pago. Fl. 223DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.909144/200612 Acórdão n.º 140200.693 S1C4T2 Fl. 0 12 § 7º O valor da contribuição para a seguridade social COFINS, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota respectiva sobre o montante a ser pago. § 8º O valor da contribuição para o PIS/PASEP, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota respectiva sobre o montante a ser pago. Instrução Normativa SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL SRF nº 93 de 24.12.1997 Apuração Anual do Lucro Real Art. 23. O imposto devido sobre o lucro real de que trata o §6º do art. 2º será calculado mediante a aplicação da alíquota de 15% (quinze por cento) sobre o lucro real, sem prejuízo da incidência do adicional previsto no §3º do art. 2º. §1º A determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido com observância das leis comerciais. §2º Considerase lucro real o lucro líquido do períodobase, ajustado pelas adições prescritas e pelas exclusões ou compensações autorizadas pela legislação do imposto de renda . §3º Observado o disposto no §4º do art. 2º, para efeito de determinação do saldo do imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: a) dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente; b) dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; c) do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; d) do imposto de renda calculado na forma dos arts. 3º a 6º e 10, pago mensalmente; e) do imposto de renda da pessoa jurídica pago indevidamente em períodos anteriores, ainda que compensado no decurso do anocalendário com o imposto de renda devido, apurado com base nas regras dos arts. 3º a 6º e 10. §4º Para efeito de determinação dos incentivos fiscais de dedução do imposto, serão considerados os valores efetivamente despendidos pela pessoa jurídica. (...) Art. 49. Aplicamse à contribuição social sobre o lucro líquido as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, observadas as alterações previstas na Lei nº 9.430, de 1996. IN SRF 210/02 IN Instrução Normativa SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL SRF nº 210 de 30.09.2002 Restituição Fl. 224DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.909144/200612 Acórdão n.º 140200.693 S1C4T2 Fl. 0 13 Art. 2º Poderão ser restituídas pela SRF as quantias recolhidas ao Tesouro Nacional a título de tributo ou contribuição sob sua administração, nas seguintes hipóteses: I cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou a maior que o devido; II erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Parágrafo único. A SRF poderá promover a restituição de receitas arrecadadas mediante Darf que não estejam sob sua administração, desde que o direito creditório tenha sido previamente reconhecido pelo órgão ou entidade responsável pela administração da receita. Art. 3º A restituição de quantia recolhida a título de tributo ou contribuição administrado pela SRF poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia, mediante utilização do "Pedido de Restituição"; II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF); ou III de ofício, em decorrência de representação do servidor que constatar o indébito tributário. (...) Art. 6º Os saldos negativos do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição: I na hipótese de apuração anual, a partir do mês de janeiro do ano calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração; II na hipótese de apuração trimestral, a partir do mês subseqüente ao do trimestre de apuração. Constatase que o aproveitamento dos saldos negativos nos períodos de apuração seguintes independe autorização prévia da RFB, muito menos está sujeita a apresentação de DCOMP. Tratase de um verdadeiro contacorrente, a exemplo do que ocorre com o Imposto sobre Produtos Industrializado. A cada mês o contribuinte apura o tributo devido, verifica o saldo de recolhimento do período anterior (existência de saldo negativo), bem como as retenções na fonte, e apura o saldo a pagar ou o novo saldo negativo de recolhido. Tratase de um procedimento dinâmico, que deve ser controlado no Lalur. O contribuinte deve manter em boa guarda todos os comprovantes de apuração, retenção e recolhimentos, enquanto estiver realizando aproveitamento de saldos anteriores, tal qual ocorre com o saldo de prejuízos fiscais ou lucro liquido negativo ajustado. Enquanto o contribuinte se mantiver no regime de apuração do lucro real poderá aproveitar esses saldos negativos de recolhimento. Mas se encerrar suas atividades ou mudar de regime, tem cinco anos para pleitear a restituição ou compensação desse saldo. Fl. 225DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.909144/200612 Acórdão n.º 140200.693 S1C4T2 Fl. 0 14 No imposto de renda das pessoas físicas ocorre situação diversa, mas a diferença a maior entre as retenções em fonte e o imposto apurado no ajuste anual é restituído na forma da legislação de regência, sendo que essa declaração deve ser apresentada no prazo de 5 (cinco) anos, caso deseje receber a restituição. Frisese que o contribuinte do IRPF não tem a faculdade de compensar espontaneamente o imposto apurado nos anos seguintes, mesmo que tenham apresentado a declaração de ajuste. Aliás, é vedada qualquer tipo de compensação, devendo o contribuinte aguardar a restituição pela RFB. Registrese que, da mesma forma que o contribuinte pode pleitear hoje a restituição de saldos nos quais estão incluídos valores gerados há 10 dez ou 15 anos, a Fazenda Pública pode fiscalizar a formação desses saldos. Não se trata, evidentemente, de auditoria do lucro liquido ou lucro real apurado pelo contribuinte, cujo prazo continua sendo contado na forma do art. 150 c/c 173 do CTN, e sim da efetividade dos recolhimentos, IRFonte, transposição de saldos de um período para outro, compensações (inclusive com outros tributos), enfim: a própria formação do saldo. O art. 264 do RIR/1999 preceitua que a pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem os livros, documentos e papéis relativos à sua atividade, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes; ou seja: o direito creditório pleiteado pelo contribuinte deve ser declarado líquido e certo pela autoridade administrativa e, para tanto, ela pode e deve investigar a origem do alegado crédito, qualquer que seja o tempo decorrido, e cabe ao contribuinte manter em boa ordem a documentação pertinente, enquanto não prescritas eventuais ações relativas ao crédito em questão. Tal situação se verifica no presente caso. (os grifos são do original) Portanto, cumpre afastar a decadência para o aproveitamento do SNRIRPJ do anocalendário de 2001. Todavia, há que ser verificada pela Unidade de origem a efetividade e a disponibilidade do aludido crédito mediante novo despacho decisório. Quanto aos demais questões, entendo que os fundamentos do acórdão recorrido, transcritos no relatório acima, não merece reparos, pelo peço vênia para adotálos. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de: 1) rejeitar a preliminar de homologação tácita das DCOMP 14206.94528.080803.1.3.025736, 42220.72975.071103.1.3.021156 e 19690.76900.260104.1.3.023246; 2) dar provimento parcial ao recurso, para afastar o decurso de prazo para aproveitamento do direito creditório relativo ao SNRIRPJ do anocalendário de 2001, determinandose o retorno dos autos à DRF de origem para verificar sua procedência e disponibilidade, bem como apreciar a DCOMP pleiteada com o aludido crédito. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 226DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 13808.005864/2001-63
Data da sessão: Fri Jan 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Ano-calendário: 1996,1997,1998 OMISSÃO DE RECEITA. REFIS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A confissão de débitos não constituídos no parcelamento especial Refis, decorrentes de receitas omitidas, por si só, sem lastro em documento de obrigação acessória entregue tempestivamente, não se constitui em lançamento tributário porquanto não se enquadra em nenhuma das modalidades de lançamento previstas no CTN. Procedente o lançamento efetuado com o fito de respaldar legalmente os débitos não constituídos confessados no Refis e, principalmente, incluir no parcelamento os valores da multa de oficio. OMISSÃO DE RECEITA. DIPJ RETIFICADORA ENTREGUE DURANTE O PROCEDIMENTO FISCAL. PERDA DA ESPONTANEIDADE. A entrega de DIPJ retificadora, depois de iniciada a ação fiscal, não tem o condão de suspender o lançamento de ofício com as penalidades cabíveis, em razão da perda da espontaneidade da contribuinte. Efetuado o lançamento de oficio, portanto, este se sobrepõe à retificadora entregue sem espontaneidade, descabendo, por isso, a hipótese de duplo lançamento. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1401-000.449
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: Maurício Pereira Faro
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1844; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13808005864/200163 Recurso nº 179.650 Voluntário Acórdão nº 140100.449 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28.01.2011 Matéria IRPJ E REFLEXOS Recorrente ITEL INFORMÁTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 1996,1997,1998 OMISSÃO DE RECEITA. REFIS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A confissão de débitos não constituídos no parcelamento especial Refis, decorrentes de receitas omitidas, por si só, sem lastro em documento de obrigação acessória entregue tempestivamente, não se constitui em lançamento tributário porquanto não se enquadra em nenhuma das modalidades de lançamento previstas no CTN. Procedente o lançamento efetuado com o fito de respaldar legalmente os débitos não constituídos confessados no Refis e, principalmente, incluir no parcelamento os valores da multa de oficio. OMISSÃO DE RECEITA. DIPJ RETIFICADORA ENTREGUE DURANTE O PROCEDIMENTO FISCAL. PERDA DA ESPONTANEIDADE. A entrega de DIPJ retificadora, depois de iniciada a ação fiscal, não tem o condão de suspender o lançamento de ofício com as penalidades cabíveis, em razão da perda da espontaneidade da contribuinte. Efetuado o lançamento de oficio, portanto, este se sobrepõe à retificadora entregue sem espontaneidade, descabendo, por isso, a hipótese de duplo lançamento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 280DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/10/201 1 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13808005864/200163 Acórdão n.º 140100.449 S1C4T1 Fl. 2 2 (Assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Presidente (Assinado digitalmente) Maurício Pereira Faro Relator Participaram do julgamento os conselheiros Viviane Vidal Wagner (Presidente), Antonio Bezerra Neto, Luciano Inocêncio dos Santos, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro. Relatório Em 29/10/2000, foram lavrados contra o Recorrente os seguintes Autos de Infração, com seus correspondentes montantes: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ (fls.249/251), R$ 744.488,26; Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS (fls.255/257), R$ 34.181,41, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS (fls.261/263), R$ 105.174,01, e Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido — CSLL (fls.269/271), R$ 213.869,30, perfazendo o crédito tributário total de R$ 1.097.712,98, inclusos juros de mora calculados até 28/09/2001 e multa de oficio de 75%. Os lançamentos acima decorrem dos mesmos fatos geradores e elementos de prova; por conseguinte, o relatório e o voto deste acórdão contemplarão todos os lançamentos, sendo o IRPJ o lançamento principal e os demais por tributação reflexa. Conforme Termo de Verificação Fiscal (fls.233/238), elaborado pelo autor do procedimento fiscal, em auditoria efetivada na empresa supra, provocada pela 4°.Vara da Justiça Federal do Estado do Mato Grosso do Sul (1nquérito Policial n° 1999.60.00.42510 MJ/DPF/CART/SR/MS), o Auditorfiscal apurou omissões de receitas, relativas aos anos calendário de 1996, 1997 e 1998, que não tiveram a correspondente multa de oficio incluída nos débitos quando da adesão da contribuinte ao parcelamento especial a que se refere a Lei n° 9.9964/2000 (Refis). As receitas omitidas por anocalendário são mostradas na tabela abaixo. Fl. 281DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/10/201 1 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13808005864/200163 Acórdão n.º 140100.449 S1C4T1 Fl. 3 3 Fatogerador Receita omitida (R$) 30/06/1996 49.400,00 30/09/1996 165.196,27 31/12/1996 169.063,00 31/03/1997 441.000,00 30/06/1997 53.305,00 30/09/1997 97.791,06 31/12/1997 198.116,48 31/03/1998 329.864,47 31/12/1998 481.813,78 Diante do fato, o agente fiscal, considerando que, embora retificada a D1PJ/99 durante a fase da diligência fiscal, a contribuinte não se exime das penalidades de oficio (art.833 do RIR199), constituiu o crédito tributário através dos Autos de Infração referidos no intróito, para a cobrança da multa de ofício, nos termos do parágrafo único do art.6° da Resolução CG/Refis n°05/2000. Cientificada dos lançamentos, o Recorrente interpôs impugnação, aduzindo, em síntese, concordar com os valores originais dos créditos tributários, pois correspondem aqueles efetivamente devidos, contestando somente o duplo lançamento relativamente às receitas declaradas de 1998, uma vez que já estavam declaradas na DIPJ/99 e consolidadas no Refis, e ainda a cobrança dos juros de mora acima da TJLP, conforme regra própria dos débitos parcelados no Refis. Em face das alegações, o ora Recorrente requereu: • a extinção dos valores originais lançados nos Autos de Infração em face dos tributos/contribuições declarados e parcelados no Refis; • a exclusão dos valores lançados a título de juros de mora, cujo montante está consolidado nos débitos parcelados no Refis; • a readequação dos débitos consolidados no Refis em face dos valores remanescentes de tributos/contribuições e juros de mora lançados nos Autos de Infração e a inclusão dos valores relativo às multas de ofício, inclusive com a redução de 40%, e a comunicação dos fatos ao Comitê Gestor do Refis. Após a remessa dos autos à Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil (DRJ/São Paulo) para a apreciação da impugnação, o julgamento foi convertido em diligência, em para que o órgão de origem (Derat/SPO) verificasse as providências cabíveis em face da adesão da contribuinte ao Refis. A Derat/SPO, revisando os débitos incluídos no Refis, deferiu parcialmente as solicitações da Recorrente, conforme quadro de fls.407/410, onde são mostradas as alterações procedidas nos débitos consolidados no Refis em face dos valores lançados nos Autos de Infração, tendo sido então devolvido o processo a esta Delegacia de Julgamento para julgamento da Impugnação. Entretanto, a DRJ/SPO, em 30.07.2008, prolatou decisão no sentido de julgar procedente o lançamento, por unanimidade de votos, nos seguintes termos: Fl. 282DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/10/201 1 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13808005864/200163 Acórdão n.º 140100.449 S1C4T1 Fl. 4 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1996,1997,1998 OMISSÃO DE RECEITA. REFIS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A confissão de débitos não constituídos no parcelamento especial Refis, decorrentes de receitas omitidas, por si só, sem lastro em documento de obrigação acessória entregue tempestivamente, não se constitui em lançamento tributário porquanto não se enquadra cru nenhuma das modalidades de lançamento previstas no CTN. Procedente o lançamento efetuado com o fito de respaldar legalmente os débitos não constituídos confessados no Refis e, principalmente, incluir no parcelamento os valores da multa de oficio. OMISSÃO DE RECEITA. DIPJ RETIFICADORA ENTREGUE DURANTE O PROCEDIMENTO FISCAL. PERDA DA ESPONTANEIDADE. A entrega de DIPJ retificadora, depois de iniciada a ação fiscal, não tem o condão de suspender o lançamento de ofício com as penalidades cabíveis, em razão da perda da espontaneidade da contribuinte. Efetuado o lançamento de oficio, portanto, este se sobrepõe à retificadora entregue sem espontaneidade, descabendo, por isso, a hipótese de duplo lançamento. REFIS. INCLUSÃO DE DÉBITOS. JUROS DE MORA. REDUÇÃO DE MULTA. Falece competência à Delegacia de Julgamento para decidir sobre a inclusão de débitos no Reis, bem como sobre questões específicas dos débitos incluídos no Refis, em face das atribuições cometidas no art.1° da Lei n° 9.964/2000. TRIBUTAÇÕES REFLEXAS. Aplicase aos lançamentos reflexos de Pis, Cofins e CSI,L, o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito existente entre eles. Lançamento Procedente Irresignado, o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntario aduzindo, em síntese: A Ocorrência de Denúncia Espontânea no que se refere ao ano calendário de 1996; 1997 e 1998; Que a Recorrente, quando da sua opção pelo REFIS não pretendeu incluir novos débitos e sim considerar no REFIS, todos os débitos decorrentes das suas receitas confessadas. É o relatório Fl. 283DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/10/201 1 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13808005864/200163 Acórdão n.º 140100.449 S1C4T1 Fl. 5 5 Voto A autuação, conforme exposto no relatório, consiste na constatação fiscal de omissão de receitas relativamente aos anoscalendário de 1996, 1997 e 1998, em parte declaradas no parcelamento especial a que alude o art.2° da Lei n° 9.964/2000 (Refis). Alega a Recorrente que deve ser reconhecida a Denúncia Espontânea dos débitos referentes aos anoscalendários de 1996, 1997 e 1998, bem como que não pretendeu incluir novos débitos e sim considerar no REFIS, todos os débitos decorrentes das suas receitas confessadas nos referidos anoscalendários. Entretanto, não merecem prosperar as alegações trazidas pela Recorrente. Primeiro porque, conforme acertadamente disposto na decisão de 1ª Instância, a confissão de débitos não constituídos no parcelamento especial, mas decorrentes de receitas omitidas, por si só, sem lastro em documento de obrigação acessória entregue tempestivamente, não se constitui em lançamento tributário porquanto não se enquadra em nenhuma das hipóteses de lançamento previstas no CTN(Lei n° 5.172/66). Segundo, porque a retificação da DIRT do exercício de 1999, anocalendário de 1998, ocorreu em 16/03/2000 (fls.361), após o início do procedimento fiscal de diligência, efetuado com base na FM n° 200000.0319, ocorrendo, assim, a perda da espontaneidade para tal retificação e inclusão de receitas omitidas, nos termos do art.833 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n°3.000/99. A retificação requerida após o início do procedimento fiscal não surte o efeito jurídico de suspender o procedimento fiscal nem exime a pessoa jurídica das penalidades de oficio. Descabe, assim a hipótese de Denúncia Espontânea ventilada pela Recorrente. Ademais, o lançamento tributário foi efetuado não só para respaldar os débitos não constituídos e declarados ao Refis como também o de formalizar a multa de oficio para inclusão no referido parcelamento, nos termos do art. 6° da Resolução CG/Refis n° 05/2000, in verbis: Art.6" A pessoa jurídica poderá confessar débitos não constituídos, com vencimento original até 29 de fevereiro de 2000, ainda que na data da entrega da Declaração Refis esteja submetida a procedimento fiscal. Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, a multa de lançamento de oficio será incluída no Refis quando de sua constituição, independentemente da data de seu vencimento. (os grifos não são do original) Destarte, sem reparos a fazer quanto aos lançamentos efetuados. Evidentemente, embora correto do ponto de vista formal o lançamento, há que se excluir na cobrança dos valores já incluídos no Refis, a fim de se evitar a dupla cobrança. Fl. 284DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/10/201 1 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13808005864/200163 Acórdão n.º 140100.449 S1C4T1 Fl. 6 6 Quanto a esse aspecto, efetivamente, verificase, com base nas conclusões do parecer do órgão 4110 de origem (fls.405/406) que o contribuinte optou pelo Refis em 08/03/2000(fls.376), prazo pela qual o referido órgão elaborou o quadro demonstrativo (fls.407/410) dos valores que foram excluídos da cobrança deste processo, em face de já estarem incluídos no parcelamento do Refis, através dos processos 10880.450450/2001 24(fls.378) e 16152.000595/200784(fls.392), o que afasta a possibilidade de dupla cobrança. Assim, há que se reconhecer as alterações procedidas, observandose, no entanto, que a cobrança da multa de oficio, por inclusão no processo n° 16152.000595/2007 84(fls.392), dáse em função da disposição contida no art.6°, § único, da Resolução CG/Refisn°0512000. Observese, inclusive, que o órgão de origem (Derat/SPO) já se manifestou ter extrapolado o prazo para a inclusão de novos débitos, uma vez que o procedimento fiscal encerrouse após a data limite para a inclusão de débitos no Refis, conforme Resolução CG/Refis ri2 12/2001. TRIBUTAÇÕES REFLEXAS Aplicase aos lançamentos reflexos de PIS, COFINS e CSLL o que foi decidido quanto à exigência matriz (IRPJ, devido à íntima relação de causa e efeito existente entre eles.) Pelo exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário interposto para manter o Auto de Infração lavrado e seus reflexos. (assinado digitalmente) Mauricio Pereira Faro Relator Fl. 285DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/10/201 1 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO
score : 1.0
Numero do processo: 10480.002412/97-14
Data da sessão: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE.
A submissão de matéria à tutela autônoma e superior do Poder Judiciário, cujo objeto se identifique com o pedido administrativo, inibe o pronunciamento da autoridade administrativa sobre o merito do crédito tributário em litígio.
SÚMULA Nº. 5, DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeit
Numero da decisão: 3201-000.182
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julçgamento, por maioria de votos, não se tomou conhecimento do recurso voluntário por concomitância, vencida a conselheira Nanci Gama, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Nilton Luiz Bartoli
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ementa_s : OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE. A submissão de matéria à tutela autônoma e superior do Poder Judiciário, cujo objeto se identifique com o pedido administrativo, inibe o pronunciamento da autoridade administrativa sobre o merito do crédito tributário em litígio. SÚMULA Nº. 5, DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeit
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