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Numero do processo: 10166.001100/2002-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1991, 1992, 1993
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE PIS - PRAZO DECADENCIAL. STJ. SÚMULA CARF.
A Súmula CARF nº 91 determinou que ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador, como é o caso dos autos..
RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO.
Numero da decisão: 3201-001.843
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
JOEL MIYAZAKI Presidente
LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator.
EDITADO EM: 18/03/2015
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Daniel Mariz Gudiño.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1991, 1992, 1993 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE PIS - PRAZO DECADENCIAL. STJ. SÚMULA CARF. A Súmula CARF nº 91 determinou que ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador, como é o caso dos autos.. RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1991, 1992, 1993 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE PIS PRAZO DECADENCIAL. STJ. SÚMULA CARF. A Súmula CARF nº 91 determinou que ao “pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador, como é o caso dos autos.. RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. JOEL MIYAZAKI – Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 18/03/2015 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 11 00 /2 00 2- 94 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 10166.001100/200294 Acórdão n.º 3201001.843 S3‐C2T1 Fl. 1.102 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Daniel Mariz Gudiño. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o presente processo de pedido de revisão de débitos inscritos em Dívida Ativa da União, pedido de restituição de pretenso crédito (R$ 203.251,58) de Pis, relativo à mencionada revisão de débitos, bem como a sua compensação com débitos de Pis apurados no período de jan/97 a set/97 e de Cofins apurados no período de mai/96 a dez/96, inscritos em Dívida Ativa – processos 10166.50006/0003 e 10166.229921/9837 (vide – fls. 1 a 13). Para instruir os referidos pedidos, a recorrente anexou aos autos relação e cópias dos DARF de pagamentos relativos aos processos 14052.000294/9441 e 14052.001493/9241; planilha contendo os valores pleiteados; cópias de folha das DIRPJ/1992/1993; cópias dos DARF de pagamentos do Pis do anocalendário 1992 e 1993 e planilha de imputação de pagamentos dos créditos do Pis fls. 14 a 171. A autoridade administrativa de primeira instância, após examinar a questão, no despacho decisório (fls. 195/198) decidiu indeferir os pedidos de revisão de débitos e de restituição e, conseqüentemente, não homologou as compensações realizadas, por inexistência do suposto crédito pleiteado. A manifestante tomou ciência do despacho decisório em 15/01/2007 (AR fl. 199v). Inconformada apresentou em 25/01/2007, a manifestação de inconformidade (fls. 200 a 204), na qual transcreve a ementa do despacho decisório, ementas de acórdãos das DRJ sobre o prazo decadencial para a constituição de créditos da contribuição para o Pis (Art. 45 da Lei 8.212/91), e, em síntese, apresenta os seguintes argumentos de defesa: nada mais falso o argumento de que o lançamento só pode ser revisto antes de extinto o direito da Fazenda constituir o crédito, e que o direito de constituir o crédito pela Fazenda já estava extinto, não havendo assim se falar em pedido de revisão, porque o pedido de revisão foi feito no processo 14052.000294/9441, parcelado e ativo, com saldo remanescente, referente aos períodos de apuração 10/91, 11/91, 12/91. 01/92, 03/92, 04/92. 08/92 e 02/93 e, dessa forma, os créditos de Pis de 1991, 1992 e 1993 não estavam extintos; o saldo remanescente deste processo foi executado, conforme o processo 2003.34.00.0050079, não havendo se falar em Fl. 230DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 10166.001100/200294 Acórdão n.º 3201001.843 S3‐C2T1 Fl. 1.103 3 extinção do crédito tributário, pois, a existência do referido processo prova que os créditos tributários ainda não estavam exintos; com relação ao direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário do PIS, as Delegacias de Julgamento têm mantido uma coerência com relação ao prazo decadencial de dez anos do direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário, como se verifica nas diversas ementas de decisões, abaixo transcritas; ora, se o direito da Fazenda Nacional de constituir créditos tributários do PIS é de dez anos, não há se falar em decurso de prazo de cinco anos, a partir da data da antecipação do pagamento, para pleitear a revisão dos lançamentos. Neste particular, é interessante reportar ao CTN, pois, as antecipações de pagamentos só extinguem os créditos tributários correspondentes após suas homologações; se a homologação, conforme as decisões das DRJ, pode ser feita em até dez anos, então, a extinção definitiva do crédito tributário ocorre, também, em dez anos. Portanto, não ocorreu a decadência do seu direito de pleitear a revisão dos lançamentos do PIS; o despacho, ainda, indeferiu os pedidos porque os processos de parcelamentos nº 14052.000294/9441 e 14052.001943/9241, indicados com pagamentos indevidos, não foram atingidos pela Resolução 49/1995, do Senado Federal, que retirou a eficácia dos Decretosleis 2.445/1998 e 2.449/1989; não foram atingidos, pasme digno julgador, porque a Resolução do Senado, por não explicitar claramente o início de seus efeitos, os mesmos são exnunc, isto é, passaram a vigir, apenas, após a sua publicação! Conforme o r. Despacho; no caso, como os fatos geradores são anteriores, ainda no dizer do Despacho, não foram atingidos pela Resolução, não existindo nenhum crédito a favor do contribuinte; o sistema constitucional tributário é harmônico e coerente, porém, a força que as autoridades administrativas fazem para transformálo em uma colcha de retalhos incoerente e disforme é imensa. Vejase a que uma leitura literal do Despacho leva ela concluir: não importa que a lei seja posteriormente declarada inconstitucional, o lançamento feito na vigência da mesma não pode ser revogado, portanto, uma vez lançado não tem volta! Esta é outra das conclusões do r. Despacho que não merece prosperar, obrigandose a sua total reforma, para que seja deferido todos os seus pedidos. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 10166.001100/200294 Acórdão n.º 3201001.843 S3‐C2T1 Fl. 1.104 4 Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília/DF julgou improcedente o pedido da recorrente, conforme Decisão nº 23.772: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1991, 1992, 1993 Restituição/compensação de Pis Prazo Decadencial. O prazo para pleitear a restituição/compensação de tributo ou contribuição paga indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento efetuado com base em lei declarada inconstitucional pelo STF, extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário, pelo pagamento. Solicitação Indeferida. O contribuinte é intimado da decisão, interpondo recurso voluntário É o relatório. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Discutese neste processo pedido creditório da recorrente, o qual foi negado com base na decadência, já que requerido mais de cinco anos do pagamento. Esta matéria já está sumulada neste Corte: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Assim, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para, ao afastar a decadência, devam os autos retornarem para a autoridade preparadora para serem analisadas as outras questões. Sala das Sessões, em 27 de janeiro de 2015. Luciano Lopes de Almeida Moraes Fl. 232DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 10166.001100/200294 Acórdão n.º 3201001.843 S3‐C2T1 Fl. 1.105 5 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES
score : 1.0
Numero do processo: 11020.004801/2002-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 31/01/1997 a 30/09/1999
Ementa.
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA. INADMISSIBILIDADE.
Para que o recurso seja admitido o recorrente deve demonstrar a semelhança ou identidade das premissas do acórdão recorrido com o dito paradigma, divergindo no entanto a conclusão a que se chegou o julgamento de cada qual. Caso inexista esta situação, o recurso não pode ser admitido.
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: 9303-003.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Nanci Gama - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Antonio Carlos Atulim, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
Nome do relator: NANCI GAMA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 31/01/1997 a 30/09/1999 Ementa. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA. INADMISSIBILIDADE. Para que o recurso seja admitido o recorrente deve demonstrar a semelhança ou identidade das premissas do acórdão recorrido com o dito paradigma, divergindo no entanto a conclusão a que se chegou o julgamento de cada qual. Caso inexista esta situação, o recurso não pode ser admitido. Recurso Especial do Procurador Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Nanci Gama - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Antonio Carlos Atulim, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2015-05-13T22:28:18Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2015-05-13T22:28:18Z; Last-Modified: 2015-05-13T22:28:18Z; dcterms:modified: 2015-05-13T22:28:18Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2015-05-13T22:28:18Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-05-13T22:28:18Z; meta:save-date: 2015-05-13T22:28:18Z; pdf:encrypted: true; modified: 2015-05-13T22:28:18Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2015-05-13T22:28:18Z; created: 2015-05-13T22:28:18Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2015-05-13T22:28:18Z; pdf:charsPerPage: 1734; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-05-13T22:28:18Z | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 284 1 283 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11020.004801/200201 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303003.133 – 3ª Turma Sessão de 24 de setembro de 2014 Matéria COFINS MULTA DE OFÍCIO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado UNIMED DO NORDESTE RS SOCIEDADE COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/01/1997 a 30/09/1999 Ementa. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA. INADMISSIBILIDADE. Para que o recurso seja admitido o recorrente deve demonstrar a semelhança ou identidade das premissas do acórdão recorrido com o dito paradigma, divergindo no entanto a conclusão a que se chegou o julgamento de cada qual. Caso inexista esta situação, o recurso não pode ser admitido. Recurso Especial do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Nanci Gama Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 48 01 /2 00 2- 01 Fl. 284DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11020.004801/200201 Acórdão n.º 9303003.133 CSRFT3 Fl. 285 2 Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Antonio Carlos Atulim, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional em face ao acórdão de nº 20312.528, proferido pela Terceira Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário para afastar a multa de ofício, sob o fundamento de que o crédito tributário a que a mesma se refere encontravase integralmente depositado, conforme trecho da ementa a seguir destacada: “(..) AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEPÓSITO JUDICIAL INTEGRAL. Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa, inclusive nos casos do inciso II do artigo 150 do Código Tributário Nacional, a teor do que dispõe o Parecer Cosit nº 02/99.” Cabe esclarecer que o processo em exame está diretamente vinculado ao Processo de nº 11020.002730/200112, no qual se discute o principal e os juros, sendo objeto do presente processo somente a multa de ofício que não foi lançada pela fiscalização naquele outro. Neste sentido, veja o seguinte trecho do acórdão recorrido: “A lide sobre a qual ora nos debruçamos, consoante reconhecido tanto pelo Fisco quanto pela Recorrente, possui dependência direta de matéria que se discutiu no Processo n° 11020.002730/200112. E que, conforme relatado pela DRJ, o presente auto de infração é um complemento daquele outro que deu origem ao citado processo. Lembrese que, naquele auto de infração, se exigiu a Cofins e os Juros de Mora, e neste se está exigindo a Multa de Oficio, como que a completar a trindade que, na quase totalidade das vezes, se faz presente nos autos de infração lavrados pelo fisco federal, ou seja, o principal + os juros + multa de ofício. Entendera o fiscal responsável pela autuação que o depósito judicial efetuado pela empresa não se dera em seu montante integral e que, em face das condições de suspensão de exigibilidade previstas pelo artigo 151 do CTN, mais especificamente, a do inciso II, não restaria atendida, dai a necessidade de complementar o primeiro auto de infração para exigir também a multa de oficio. (...) De todo modo, o mérito do processo original (11020.002730/200112) foi julgado por esta mesma Terceira Fl. 285DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11020.004801/200201 Acórdão n.º 9303003.133 CSRFT3 Fl. 286 3 Câmara, em Sessão de 01/12/2003, Relatora Luciana Pato Peçanha Martins, por meio de Acórdão n° 20309.324 (..) (...) Ementa: JUROS DE MORA Não é cabível a incidência de juros de mora quando o contribuinte deposita em juizo o montante integral do crédito litigado, no prazo de vencimento do tributo.” Assim, pelo visto, o argumento no qual se baseara o fisco para complementar aquele lançamento original para exigir a multa de oficio, qual seja, de que os depósitos judiciais não se realizaram de forma integral, não foi acatado pelos membros deste Colegiado; ou seja, reconheceram que a empresa efetuou sim o depósito judicial pelo seu montante integral. E em assim sendo, não há que se exigir a multa de oficio, a teor do que dispõe o artigo 63, caput, da Lei n° 9.430, de 1996 e o Ato Declaratório Normativo Cosit n° 01/97, bem como os itens 7 a 9 do Parecer Cosit n°02, de 19992.” Em face de referida decisão, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Embargos de Declaração, os quais foram rejeitados. Valendose do recurso especial de divergência, a Fazenda Nacional interpôs o seu recurso apontando divergência da decisão recorrida com os Acórdãos 20218.811, 204 01.892, 30134.221 e 20218.524; todos no sentido de que o ônus da prova cabe ao contribuinte quanto aos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do seu direito contrário a pretensão do fisco. Conforme despacho de fls. 245/248, o ilustre Presidente da Segunda Câmara da Segunda Seção, acolhendo a informação prestada pelo Conselheiro relator do acórdão recorrido, deu seguimento ao recurso especial. Ressaltese que não obstante na maior parte da informação prestada pelo Conselheiro Relator Odassi Guerzoni Filho, o ilustre Conselheiro justifique que a decisão recorrida se embasou na certeza da decisão prolatada no Processo n° 11020.002730/200112, do qual o presente processo é decorrente, refutando a alegação da Fazenda Nacional de que a decisão teria contrariado jurisprudência acerca do ônus da prova e que a mesma fora prolatada em mera presunção, o mesmo inova sua decisão nos seguintes termos: “Todavia, a ora Recorrente trouxe uma informação nova, que nem mesmo quando da interposição dos seus Embargos lançara mão, qual seja, a reprodução em seu Recurso Especial, à fl. 205, de um trecho retirado do mencionado Acórdão nº 20309324, que sugere que os depósitos judiciais teriam sido parciais”. Em outras palavras, contrariando a sua decisão, que partiu da certeza de que o depósito judicial efetuado pelo contribuinte foi efetuado em seu montante integral, o mesmo opina pelo acolhimento do recurso especial. Devidamente intimada, o contribuinte apresentou suas contrarrazões requerendo o não conhecimento do recurso especial de divergência e, no mérito, sejalhe negado provimento. É o relatório. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11020.004801/200201 Acórdão n.º 9303003.133 CSRFT3 Fl. 287 4 Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora Peço licença para divergir do entendimento do ilustre Presidente da Segunda Câmara quanto ao cabimento do recurso especial de divergência ora examinado. Não vejo como aqui se possa pretender decidir de modo a uniformizar jurisprudência, quando os entendimentos ditos divergentes em tudo não se assemelham, ou seja, não somente divergem nas conclusões, mas especialmente em todas as suas premissas, sejam essas fáticas ou legais. Não posso concordar, com todo o respeito ao Conselheiro Relator, que em suas informações, ao mesmo tempo que reitera que a sua decisão, acompanhada por unanimidade do colegiado, nada mas fez que refletir a decisão do Processo n° 11020.002730/200112, do qual o presente é decorrente, no qual se vislumbrou o depósito integral, inove sob a dúvida de que o depósito poderia ter sido parcial, pelo fato, como o mesmo bem esclarece, da Fazenda Nacional em seu recurso especial – e não em seus embargos – consignar trecho do acórdão do Processo n° 11020.002730/200112, que a seu ver exprime que o depósito não foi integral. Não é neste momento que tal circunstância pode ser analisada, até porque a divergência não foi demonstrada pela Fazenda Nacional a suscitar o exame de suas razões. A alegação de que o depósito teria sido parcial e que essa seria a decisão no Processo n° 11020.002730/200112 deveria ter sido suscitada e demonstrada nos embargos de declaração interpostos pela ora Recorrente e não e somente no recurso especial; cujo questionamento sob esta hipótese sequer chegou a ser objeto de exame pelo colegiado prolator do acórdão recorrido. Em face do exposto, voto por não conhecer o recurso de divergência interposto pela Fazenda Nacional. Nanci Gama Fl. 287DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001179/2006-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONDIÇÃO PARA DEFINIÇÃO DO TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL.
A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial no 973.733 - SC, sujeito ao regime do art. 543-C do Código de Processo Civil, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado do tributo ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I, do CTN.
Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4o, do CTN).
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
RENDIMENTOS CONSTANTES NA DECLARAÇÃO ANUAL COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAÇÃO DOS DEPÓSITOS E VINCULAÇÃO AOS RENDIMENTOS DECLARADOS. ÔNUS DO RECORRENTE.
A mera confissão de rendimentos na declaração de ajuste anual não é meio hábil, por si só, para comprovar a origem de depósitos bancários presumidos como renda. Mister individualizar e vincular cada depósito aos rendimentos declarados.
Recurso Negado
Numero da decisão: 2202-003.027
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, QUANTO À PRELIMINAR DE DECADÊNCIA: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: Pelo voto de qualidade, negar provimento. Vencidos os Conselheiros PEDRO ANAN JUNIOR (Relator), RAFAEL PANDOLFO e JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), que excluíam da base de cálculo do item 3 do Auto de Infração os rendimentos tributáveis declarados. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro ANTONIO LOPO MARTINEZ.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez - Presidente Redator Designado
(Assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros ANTONIO LOPO MARTINEZ, JIMIR DONIAK JUNIOR, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, DAYSE FERNANDES LEITE, RAFAEL PANDOLFO. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT e SUELY NUNES DA GAMA.
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONDIÇÃO PARA DEFINIÇÃO DO TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial no 973.733 SC, sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado do tributo ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I, do CTN. Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4o, do CTN). DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. RENDIMENTOS CONSTANTES NA DECLARAÇÃO ANUAL COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAÇÃO DOS DEPÓSITOS E VINCULAÇÃO AOS RENDIMENTOS DECLARADOS. ÔNUS DO RECORRENTE. A mera confissão de rendimentos na declaração de ajuste anual não é meio hábil, por si só, para comprovar a origem de depósitos bancários presumidos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 11 79 /2 00 6- 44 Fl. 1744DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 2 como renda. Mister individualizar e vincular cada depósito aos rendimentos declarados. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO À PRELIMINAR DE DECADÊNCIA: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: Pelo voto de qualidade, negar provimento. Vencidos os Conselheiros PEDRO ANAN JUNIOR (Relator), RAFAEL PANDOLFO e JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), que excluíam da base de cálculo do item 3 do Auto de Infração os rendimentos tributáveis declarados. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro ANTONIO LOPO MARTINEZ. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente – Redator Designado (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros ANTONIO LOPO MARTINEZ, JIMIR DONIAK JUNIOR, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, DAYSE FERNANDES LEITE, RAFAEL PANDOLFO. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT e SUELY NUNES DA GAMA. Fl. 1745DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 19515.001179/200644 Acórdão n.º 2202003.027 S2C2T2 Fl. 296 3 Relatório O Recorrente contesta auto de infração do imposto de renda relativo ao ano calendário 2001, 2002 e 2003, calculado com base em depósitos bancários de origem não comprovada, rendimentos omitidos recebidos de pessoas jurídicas e variação patrimonial a descoberto. Foi lançado imposto de R$ 787.478,75, que se elevou a R$ 1.771.364,90 com os acréscimos legais. De acordo com o relatório fiscal (fls. 494/504), verificouse que alguns gastos do contribuinte com cartão de crédito em 2001 haviam sido pagos pela empresa Almont do Brasil Com. e Importação Ltda., da qual é sócio. Como o contribuinte não demonstrou o motivo destes pagamentos, os mesmos foram considerados rendimentos omitidos, pagos por pessoa jurídica. Os demais gastos com cartões de crédito ern 2001, por não se justificarem com os recursos disponíveis, foram tributados como acréscimo patrimonial a descoberto. Os depósitos bancários de origem não comprovada são dos anos 2002 e 2003. O impugnante argumenta, em síntese, que já havia decaído, em 2006, o direito de lançamento quanto aos fatos ocorridos em 2001. Quanto aos depósitos bancários em 2002 e 2003, argumenta que não foram computados como origem os rendimentos de pro labore, distribuições de lucro, saldos bancários e empréstimos, conforme havia informado nas declarações de ajuste anual dos exercícios 2003 e 2004. No que diz respeito ao acréscimo patrimonial a descoberto o Recorrente não questionou tal matéria em sua impugnação. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador ao examinar o pleito decidiu por unanimidade em negar provimento a impugnação, através da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001, 2002, 2003 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A origem dos depósitos bancários deve ser demonstrada individualizadamente, com documentação hábil e idônea. Devidamente intimado desse decisão, o Recorrente apresenta tempestivamente recurso voluntário onde reitera os argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 1746DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 4 Voto Vencido Conselheiro Pedro Anan Junior O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade portanto deve ser conhecido. Antes de adentrarmos ao mérito devemos analisar a preliminar suscitada pelo Recorrente. Em relação ao acréscimo patrimonial a descoberto como a matéria não foi objeto de impugnação, não temos como conhecer dessa matéria em recurso voluntário. Decadência parcial anocalendário 2001 Inicialmente, há que se fazer algumas considerações acerca do prazo decadência a ser aplicado aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Com a devida vênia daqueles que pensam diferente, encontra pacificado neste Conselho o entendimento, ao qual me filio, de que o Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF é um tributo sujeito ao lançamento por homologação, ou seja, aquele em que a lei determina que o sujeito passivo, interpretando a legislação aplicável, apure o montante tributável e efetue o recolhimento do imposto devido, sem prévio exame da autoridade administrativa, conforme definição contida no caput do art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN, tendo sua decadência regrada, em princípio, pelo § 4o deste mesmo artigo (cinco anos contados da data do fato gerador), independentemente de haver ou não pagamento do tributo. O referido dispositivo legal exclui do seu escopo expressamente apenas os casos em que for constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplicandose, nessa hipótese, a regra geral prevista no art. 173 do CTN, inciso I (cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). Entretanto, com o advento da Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009), os julgados no âmbito deste Tribunal deverão observar o disposto nas decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, devido a inclusão do art. 62A, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1o Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos Fl. 1747DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 19515.001179/200644 Acórdão n.º 2202003.027 S2C2T2 Fl. 297 5 extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. {1} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. No que diz respeito ao prazo decadencial para constituição do crédito tributário, assim se pronunciou o Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial no 973.733 – SC, de 12/08/2009, de relatoria do Ministro Luiz Fux, submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução no 8/08 do STJ: EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose Fl. 1748DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 6 inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Depreendese, assim, que nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado do tributo ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I, do CTN, considerandose que “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Posteriormente, acolhendo os embargos de declaração oposto pela Fazenda Nacional no Agravo Regimental no Recurso Especial no 674.497/PR (2004/01099782), julgado em 09/02/2010, a Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, assim se manifestou: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART.173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1o a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1o 1.1995, expirandose em 1o 1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. Fl. 1749DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 19515.001179/200644 Acórdão n.º 2202003.027 S2C2T2 Fl. 298 7 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. O relator, Ministro Mauro Campbell Marques, esclarece no voto condutor que: Do acurado reexame dos autos, verifico que razão assiste à embargante. Sobre o tema, a Primeira Seção desta Corte, utilizandose da sistemática prevista no art. 543C do CPC, introduzido no ordenamento jurídico pátrio por meio da Lei dos Recursos Repetitivos, ao julgar o REsp 973.733/SC, Rel Min. Luiz Fux (j. 12.8.2009), reiterou o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação não declarado e inadimplido, como o caso dos autos, o Fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do CTN. Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). [...] Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. Concluise, assim, que a aplicação do prazo decadencial previsto art. 150, §4o, do CTN passou a ter uma condição adicional, qual seja, a existência de pagamento antecipado de tributo. Inexistindo pagamento antecipado, deslocase o prazo decadencial para o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” (art. 173, inciso I), restando claro que, nos casos de fatos geradores ocorridos no dia 31 de dezembro de cada ano, o lançamento só poderá ser efetuado no ano seguinte. Retornando ao caso em concreto, tratase de lançamento referente aos anos calendários de 2001 a 2003, em que foi apurada omissão caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, bem como acréscimo patrimonial a descoberto, infrações sujeitas ao imposto apurado na declaração de ajuste anual, cujo fato gerador se perfaz em 31 de dezembro de cada ano. Para o anocalendário 2001, o prazo decadencial começou a fluir em 31.12.2002, de modo que o lançamento poderia ter sido formalizado até 31.12.2006 (cinco anos da data do fato gerador). Assim, visto que o presente Auto de Infração foi cientificado pessoalmente ao contribuinte em 06/2006, não há que se falar em decadência no presente caso. Diante do exposto, voto por não acolher a preliminar de decadência parcial suscitada pelo recorrente no que se refere ao anocalendário de 2001. Fl. 1750DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 8 Mérito OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – PRESUNÇÃO. Parte do auto de infração elaborado pela autoridade lançadora teve como base o artigo 42, caput e §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430, de 1996: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.” Nos termos da referida norma legal presumese omissão de rendimentos sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. No presente caso foi comprovado através de documentação e provas que a Contribuinte é titular das contas bancária, sendo que o lançamento foi efetuado a partir da presunção relativa de omissão de rendimentos calcada em depósitos bancários de origem não demonstrada, nos termos artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Não houve demonstração por parte da Contribuinte através de provas hábeis, a origem dos valores depositados na sua conta bancária, sendo que o mesmo foi intimado para demonstrar que os valores depositados em sua conta bancária não representam rendimentos omitidos. Desta forma verificase que os depósitos bancários que formaram a base de cálculo do auto de infração são valores que foram movimentados e não foram oferecidos a tributação, não havendo nenhuma evidência de que alguma dessas importâncias foram declaradas pela Contribuinte ou têm natureza isenta, uma vez que a Contribuinte nada trouxe para esclarecer e comprovar a origem dos referidos depósitos. Fl. 1751DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 19515.001179/200644 Acórdão n.º 2202003.027 S2C2T2 Fl. 299 9 Podemos concluir que o Contribuinte não conseguiu demonstrar que não houve omissão de rendimentos, pois não apresentou nenhum documento ou prova que comprovariam que os depósitos efetuados em sua conta bancária possuíam origem isenta ou já submetida à tributação. Simplesmente alega que os valores objeto do auto de infração não são de sua titularidade. Não podemos falar na aplicação dos limites de exclusão de R$ 12.000,00 e máximo R$ 80.000,00 tendo em vista os valores lançados ultrapassarem esses limites. Entendo que assiste razão parcial ao Recorrente, pois devemos considerar como origem dos depósitos bancários os valores dos rendimentos tributáveis e rendimentos isentos devidamente declarados em sua declaração de rendimentos referente aos anoscalendários de 2002 e 2003, no valor de R$ 112.276,19 (ano2002) e R$ 110.800,00 (ano 2003), sob pena de tributarmos algo que não seria renda do contribuinte. Desta forma, é devida parcialmente a presente tributação com base em depósitos bancários de origem não comprovada. No que diz respeito ao acréscimo patrimonial a descoberto, a matéria não foi objeto de impugnação pelo Recorrente desta forma a matéria não pode ser objeto de análise em nosso julgamento. Diante do exposto rejeito a preliminar de decadência parcial relativa ao ano calendário de 2001 e no mérito dou provimento parcial ao recurso apresentado pelo Recorrente para excluir da base de cálculo referente a omissão de rendimentos dos depósitos bancários de origem não comprovada os rendimentos tributáveis e isentos declaradas em sua DIRPF referente aos anos de 2002 e 2003.. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 1752DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 10 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Redator designado Este voto direcionase exclusivamente a questão relativa ao aproveitamento dos rendimentos tributáveis declarados, ponto no qual divirjo do Conselheiro Relator. Nas demais questões oacompanho. Inobstante o bem fundamentado voto do Relator, não reconheço a possibilidade de excluir da base de cálculo da infração de depósitos bancários de origem não comprovada os rendimentos tributáveis declarados. Entendo que a mera confissão de rendimentos na declaração de ajuste anual não é meio hábil, por si só, para comprovar a origem de depósitos bancários presumidos como renda. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Mister individualizar e vincular cada depósito aos rendimentos declarados. Ante ao exposto, acompanhando o relator na preliminar, no mérito, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Redator Designado Fl. 1753DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR
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Numero do processo: 10640.003320/2002-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 08 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed May 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 1997
BENS IMPORTADOS COM ISENÇÃO CONFERIDA PELA LEI 8.010/1990. TRANSFERÊNCIA SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO DA REPARTIÇÃO ADUANEIRA.
Cabível a aplicação da multa prevista no artigo 521, II, a, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto 91.030, de 1985, pela transferência a terceiro, a qualquer titulo, de bens importados com isenção de tributos, sem previa autorização da repartição aduaneira.
Negado Provimento ao Recurso Voluntário.
Numero da decisão: 3101-000.568
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente.
(assinado digitalmente)
MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS - Redatora ad hoc.
EDITADO EM: 29/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente), Tarásio Campelo Borges, Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. Ausente, justificadamente, a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro.
Nome do relator: Relator
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente. (assinado digitalmente) MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS - Redatora ad hoc. EDITADO EM: 29/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente), Tarásio Campelo Borges, Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. Ausente, justificadamente, a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro.
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TRANSFERÊNCIA SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO DA REPARTIÇÃO ADUANEIRA. Cabível a aplicação da multa prevista no artigo 521, II, a, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto 91.030, de 1985, pela transferência a terceiro, a qualquer titulo, de bens importados com isenção de tributos, sem previa autorização da repartição aduaneira. Negado Provimento ao Recurso Voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente. (assinado digitalmente) MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Redatora ad hoc. EDITADO EM: 29/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente), Tarásio Campelo Borges, Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. Ausente, justificadamente, a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 33 20 /2 00 2- 18 Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 10640.003320/200218 Acórdão n.º 3101000.568 S3C1T1 Fl. 1.003 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela DRJ de Fortaleza, que julgou procedente em parte o lançamento que exige da autuada multa regulamentar, relativa à transferência, à terceiro, de bens importados com isenção de tributos. Por bem descrever os fatos, adoto excertos do relatório da decisão recorrida: "Contra o sujeito passivo de que trata o presente processo foi lavrado o auto de infração para cobrança de multa regulamentar, no valor de R$ 125.150,53, fls. 04/07. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 05/06, o lançamento decorreu da infração indicada a seguir. 01 Transferência de Bem Importado com Beneficio da Lei n°8.010/90, sem Autorização da Autoridade Aduaneira. Fundação Arthur Bernardes, entidade vinculada à Universidade Federal de Viçosa, à qual dá suporte nas áreas de negociação de convênios, obtenção de financiamentos e importação de bens, atendendo projetos realizados por aquela Universidade, importou, em 1997, materiais com isenção do imposto de importação e do imposto sobre produtos industrializados, conforme previsto na Lei 8.010/90, que beneficia as importações de bens para emprego em pesquisa cientifica e tecnológica, tudo conforme as Declarações de importação DI citadas no Demonstrativo de Apuração da Multa Por Transferência sem Autorização de Bens Importados com isenção, anexo. Prevê a Lei que as entidades credenciadas no Conselho do Desenvolvimento Científico e Tecnológico CNPq, podem importar com isenção do II e do IPI, dentro dos valores de quotas anuais, bens para emprego em pesquisas cientificas e tecnológicas. Portadora do credenciamento número 900.0160/90, habilitouse através do SISCOMEX a importar bens com o beneficio da lei, obtendo as devidas Licenças de importação, concedidas pelo CNPq. Os bens, importados conforme solicitação de pesquisadores da Universidade, onde foram realizadas as pesquisas, foram para ela transferidos através das Notas Fiscais citadas no Demonstrativo. Sendo a Universidade também credenciada no CNPq, com o número 900.0109/90, goza igualmente do direito à importação com a isenção. Mas, em razão de economia administrativa, delega à Fundação a tarefa de importar os bens, dentro da quota da própria Fundação e com seu credenciamento, recebendo em transferência os bens importados para a execução das pesquisas. Executando trabalho de auditoria fiscal de importação a fiscalização esteve no estabelecimento da Fundação onde verificou a documentação relativa às importações de 1997, Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 10640.003320/200218 Acórdão n.º 3101000.568 S3C1T1 Fl. 1.004 3 achandoa perfeita. Com relação à análise dos relatórios dos projetos de pesquisas e à existência física dos materiais, a fiscalização foi encaminhada aos diversos Departamentos da Universidade, onde constatou o desenvolvimento das pesquisas e a existência dos bens, pois lá se encontram. Confirmadas a realização das pesquisas objeto das importações e a existência dos equipamentos, restou apurada a transferência não autorizada dos bens da Fundação para a Universidade, o que caracteriza irregularidade prevista no Regulamento Aduaneiro, cominada com multa." Inconformada com a exigência a Contribuinte apresentou impugnação (fls. 898/905) insurgindose, resumidamente, contra os seguintes pontos da autuação: "a) a decadência do direito à imposição de penalidade em relação aos bens importados com isenção e transferidos pela Autuada ainda no exercício de 1997, consoante o disposto no art 139, do DecretoLei n° 37/66; b) a duplicidade de dados em relação às Declarações de Importações de nº 97/07731133 e 97/08119601; c) a autuada é entidade sem fins lucrativos, cujos recursos são, em última análise, provenientes da Universidade Federal de Viçosa; d) os bens foram importados em seu nome, com recursos da UFV; e) a exigência da penalidade acabará por onerar a própria UFV, e, em última análise, o orçamento público federal; f) a Funarbe foi credenciada junto ao CNPq para importação de equipamentos utilizados em pesquisas desenvolvidas na UFV; g) a Funarbe agiu com boafé; h) a aplicação da orientação normativa constante do Parecer COSIT n° 26/2001 ao caso em exame representará verdadeira medida de economia processual." A DRJ de Fortaleza julgou a impugnação procedente em parte, nos termos do Acórdão 0814.295, de 23 de outubro de 2008, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1997 DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA. 1. As regras consubstanciadas no Código Tributário Nacional sobre decadência devem prevalecer em desfavor de quaisquer outras orientações estabelecidas em leis ordinárias. 2. O termo inicial para contagem do prazo decadencial relativo à multa de oficio aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória regese pelo disposto no art. 173, inciso I, do CTN. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 10640.003320/200218 Acórdão n.º 3101000.568 S3C1T1 Fl. 1.005 4 A infração fiscal é formal. O legislador, além de não indagar da intenção do agente, salvo disposição de lei, também não se detém diante da natureza e extensão dos efeitos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO IL Anocalendário: 1997 INCORREÇÕES NO DEMONSTRATIVO DE CALCULO. Tendo sido constatado erro no Demonstrativo de Apuração da Multa, por duplicidade de dados em relação às Declarações de Importação DI, retificase o lançamento correspondente. MULTA REGULAMENTAR. TRANSFERÊNCIA A TERCEIROS. Cabível a aplicação da multa, no percentual de 50% pela transferência, a terceiro, a qualquer titulo, de bens importados com isenção de tributos, sem previa autorização da repartição aduaneira. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 RELEVACÃO DE PENALIDADE. COMPETÊNCIA. As Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento não têm competência para proporem relevação de penalidade pecuniária, tendose por base os pressupostos do art. 4º do Decretolei nº 1.042, de 1969. Lançamento Procedente em Parte Inconformada com a decisão acima, recorreu a este Conselho repisando os argumentos apresentados na impugnação. Em especial, reforça sua defesa no sentido de que a transferência do bem importado que efetuou não é incompatível com os fins da legislação. Sua discordância tem por base os seguintes argumentos, em apertada síntese: "a) quando a lei fala em "transferência", é de se concluir que referese ao domínio do bem. A ratio legis, naturalmente, é evitar o desvio de finalidade da importação e a conseqüente e indesejada sonegação fiscal. b) A FUNARBE, embora detenha personalidade jurídica própria e distinta da Universidade Federal de Viçosa, está vinculada inclusive por força de lei às atividades desta instituição de ensino. Assim sendo, ao contrário do esposado no acórdão, apenas da transferência do domínio com desvio de finalidade é que constitui o objeto da vedação legal. In casu, não houve a transferência do domínio dos bens importados, mas tão somente a cessão de uso. Ademais, a própria inspeção in loco realizada pelos agentes fazendários comprovaram que os equipamentos importados estão tudo Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 10640.003320/200218 Acórdão n.º 3101000.568 S3C1T1 Fl. 1.006 5 empregados no desenvolvimento da pesquisa cientifica e tecnológica autorizada pelo CNPq. Portanto, não houve o desvio de finalidade e a burla à legislação fiscal." Prossegue sua defesa aduzindo acerca da regularidade do credenciamento da FUNARBE perante o CNPq, e que o benefício de isenção concedido à FUNARBE, "a despeito de ser caracterizado em função da qualidade do importador, acaba sendo concedido, diretamente à Universidade Federal de Viçosa, já que a ela são destinados os bens e equipamentos importados pela FUNARBE". Por último, solicita a relevação da penalidade de acordo com o entendimento exarado em Pareceres da COSIT, notadamente o Parecer COSIT nº 26/2001, que em situação análoga à tratada neste processo, decidiu ser cabível a relevação da penalidade. É o relatório. Voto Conselheira Substituta Mônica Monteiro Garcia de los Rios – redatora ad hoc Por intermédio do Despacho de efolha 1001, nos termos da disposição do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF1, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, incumbiume o Presidente da Turma a formalizar o Acórdão 3101000.568, não entregue pela relatora original, Conselheira Vanessa Albuquerque Valente, que não integra mais nenhum dos colegiados do CARF. Desta forma, a elaboração deste voto deve refletir a posição adotada pela relatora original, que foi acompanhada, por unanimidade, pelos demais integrantes do colegiado. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele se tomou conhecimento. O colegiado não considerou merecedora de reparos a decisão proferida pela instância a quo. Por bem haver enfrentado as questões de mérito, os fundamentos do Acórdão 0814.295, da DRJ de Fortaleza, são adotados no presente julgamento. Não se transcreverá o voto daquela decisão, por desnecessário. 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 10640.003320/200218 Acórdão n.º 3101000.568 S3C1T1 Fl. 1.007 6 Apenas como reforço ao entendimento da DRJ, frisese que a presente autuação não exige da Contribuinte o recolhimento do imposto que deixou de ser recolhido quando da importação com isenção ao amparo da Lei 8.010/1990. Isso porque a fiscalização entendeu que a cessão de uso do equipamento importado foi efetuada para entidade que goza de igual tratamento tributário (no caso, a Universidade Federal de Viçosa), e que tampouco houve desvio de finalidade (os bens estavam sendo utilizados pela UFV, como atestado pelo Fisco, em pesquisa científica e tecnológica). O que está se exigindo da autuada é, tãosomente, a multa regulamentar prevista no artigo 521, II, a do Regulamento Aduaneiro (Decreto 91.030, de 1995), in verbis: Art. 521. Aplicamse as seguintes multas, proporcionais ao valor do imposto incidente sobre a importação da mercadoria ou o que incidiria se não houvesse isenção ou redução: II de 50% (cinqüenta por cento): a) pela transferência, a terceiro, a qualquer titulo, de bens importados com isenção de tributos, sem prévia autorização da repartição aduaneira, ressalvado o caso previsto no inciso XIII, do artigo 514. E foi exatamente o que a fiscalização imputou à autuada, ou seja, a cobrança da multa regulamentar acima em razão da FUNARBE, que promoveu a importação, ter cedido o uso dos bens à UFV, sem autorização da repartição aduaneira. Foi apenas isso. E, como bem explanado na decisão recorrida, "a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Se o indivíduo descumpre uma obrigação formal, mesmo que não deva nada de tributo, sofre as conseqüências do seu ato" (art. 136 do CTN). Por último, no que diz respeito à relevação da penalidade, cumpre informar à Recorrente que, da mesma forma que ocorre com as DRJs, o CARF também não tem competência para relevar a aplicação de penalidades, atribuição que compete, originalmente, ao Ministro da Fazenda, via de regra subdelegada a coordenador ou subsecretário da estrutura da RFB. Se pretende tal relevação, deverá dirigir o pleito à autoridade competente pata tal. Nestes termos, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário apresentado. E estas são as considerações possíveis para suprir a inexistência do voto. (assinado digitalmente) Mônica Monteiro Garcia de los Rios – Redatora ad hoc Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS
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Numero do processo: 11080.918991/2012-02
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 24/07/2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA.
Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.146
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 24/07/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado.
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DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 89 91 /2 01 2- 02 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918991/201202 Acórdão n.º 3801005.146 S3TE01 Fl. 3 2 Não compete aos julgadores administrativos pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste direito. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918991/201202 Acórdão n.º 3801005.146 S3TE01 Fl. 4 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório: “Na manifestação apresentada, a contribuinte argúi em preliminar a nulidade do Despacho Decisório, alegando o não atendimento ao requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios de ampla defesa, contraditório e do devido processo legal, estando, outrossim, revestido de desvio de finalidade. Expõe que o ato administrativo resumiuse a informar a não homologação da compensação declarada com o parco fundamento da inexistência de crédito disponível; entende que o procedimento correto da fiscalização seria o de intimar a contribuinte para que prestasse informações sobre a origem do crédito, bem como do fundamento de validade; e ressalta a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos para o exame de sua legalidade, finalidade e moralidade administrativa. Alega que o Despacho Decisório não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que carente de fundamentação, restando prejudicado o seu direito de defesa, e que também extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada. Diz que a autoridade preparadora deixou de cumprir seu dever de ofício de bem instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações, apreensão de documentos, diligências, dentre outros expedientes. Sob o tema “Do Mérito”, discorre especificamente sobre o princípio da verdade material, citando diversos doutrinadores. Mas nada aduz sobre o origem do suposto crédito, apenas alegando a posterior juntada de documentos que comprovariam as ‘alegações trazidas na presente manifestação’, eis que o direito creditório, diz, pode ser comprovado a qualquer tempo. Por fim, argumenta sobre a inaplicabilidade da multa de mora em face do princípio constitucional de não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade.. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “ASSUNTO: ... Data do Fato Gerador: ... CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918991/201202 Acórdão n.º 3801005.146 S3TE01 Fl. 5 4 A ausência de pedido de esclarecimentos ou realização de diligência na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. 1PIS/PASEP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório pleiteado. MULTA E JUROS DE MORA. DÉBITOS NÃO HOMOLOGADOS. Os débitos indevidamente compensados sofrem a incidência de multa e juros de mora, nos percentuais determinados pela legislação, calculados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento da contribuição até o dia em que se efetivar o seu pagamento, uma vez que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados.” No recurso voluntário a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. 1 Nos processos em que o crédito alegado se refere à Cofins, consta COFINS. Nos processos em que o crédito seria originado de Contribuição para o PIS/Pasep, consta PIS/PASEP. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918991/201202 Acórdão n.º 3801005.146 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão. A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. No mesmo quadro 3, consta que diante da inexistência do crédito não se homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento. Há, ainda, a informação de que para verificação de valores devedores e emissão de DARF, deveria ser consultado o endereço da internet “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na opção “eCAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação e de que houve desvio de finalidade. Por outro lado, a manifestação de inconformidade, a qual, por força do art. 74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicamse as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, demonstra que a contribuinte exerceu plenamente seu direito ao contraditório, sem nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa. Por estas razões, votase por negar provimento às alegações preliminares. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918991/201202 Acórdão n.º 3801005.146 S3TE01 Fl. 7 6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme visto acima: i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo; ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido; iii) Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório; iv) Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. A recorrente limitouse a discorrer sobre o princípio da verdade material. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918991/201202 Acórdão n.º 3801005.146 S3TE01 Fl. 8 7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Sobre multa e juros de mora Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos juros de mora e multa no presente caso. Cito: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos Fl. 135DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918991/201202 Acórdão n.º 3801005.146 S3TE01 Fl. 9 8 indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sendo devidos juros de mora e multa. A exigência do pagamento destes débitos não se submete a julgamento administrativo. Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo em casos excepcionais não presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, e do disposto no art. 26A da Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009. O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918991/201202 Acórdão n.º 3801005.146 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 11080.900065/2008-96
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jun 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/04/2001
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL.
Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, previsto pela Lei nº 9.718/98, para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, não pode ser utilizado como argumento de defesa para reivindicar crédito no bojo de suposto pagamento efetuado posteriormente à revogação do dispositivo legal.
Numero da decisão: 3803-006.868
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Carolina Gladyer Rabelo.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2001 a 30/04/2001 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. CONDIÇÃO. PROVA. CERTEZA DO CRÉDITO. A extinção de débitos mediante compensação declarada pelo sujeito passivo condicionase a ulterior comprovação da certeza do crédito utilizado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2001 a 30/04/2001 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL. Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, previsto pela Lei nº 9.718/98, para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, não pode ser utilizado como argumento de defesa para reivindicar crédito no bojo de suposto pagamento efetuado posteriormente à revogação do dispositivo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 00 65 /2 00 8- 96 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Carolina Gladyer Rabelo. Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o acórdão da DRJ/Porto Alegre que considerou improcedente a manifestação de inconformidade Despacho decisório da DRF/Porto Alegre não homologou a compensação declarada pela Contribuinte por inexistência do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep perante a Fazenda Nacional, tendo o órgão de origem localizado o DARF indicado na DComp, porém dele não restando saldo credor para utilização na presente compensação. Em manifestação de inconformidade a Interessada alegou que o crédito utilizado era decorrente de pagamento indevido sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável, com base no art. 3°, § 2º, inciso III, da Lei 9.718/1998. Também foi alegado que houve burla à lei pela falta de regulamentação do dispositivo retrocitado, o que geraria majoração. Em julgamento da lide, a DRJ Porto Alegre considerou que o dispositivo legal invocado não atuou em sua eficácia, dada a falta de sua regulamentação pela RFB, tendo sido revogado em julho de 2000. Aduziu também que a Contribuinte não trouxe aos autos qualquer documento comprobatório dos repasses, e, portanto, do direito alegado. A decisão foi ementada com segue: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação — Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no STF. Compensação não Homologada Cientificada da decisão em 13 de agosto de 2008, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário em 11 de setembro de 2009, em que reitera os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade, sustentando, adicionalmente, o seu direito com base na vacatio legis resultante da declaração de inconstitucionalidade da parte final do art. 15, in fine, da MP nº 1.212/95 (art. 18, in fine, da Lei nº 9.715/98). É o Relatório. Voto Fl. 91DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.900065/200896 Acórdão n.º 3803006.868 S3TE03 Fl. 91 3 Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende a parte dos requisitos para sua admissibilidade. Tenhase que somente no recurso voluntário foi apresentado o fundamento da ocorrência de vacatio legis, resultante da declaração de inconstitucionalidade da parte final do art. 15, in fine, da MP nº 1.212/95 (art. 18, in fine, da Lei nº 9.715/98), para sustentar a legitimidade do crédito utilizado na DComp. Esta matéria não foi prequestionada perante a primeira instância, não se tendo instaurado quanto a ela o litígio. Portanto, não pode ser conhecida. Na parte que se conhece, gizese que passou ao largo da observação do d. Julgador a quo que o motivo da não homologação da compensação declarada foi o DARF originador do crédito indicado na DComp não ter sido localizado. O DARF é referente ao PA abril de 2001. O sistema não o localizou. Assim, apresentavase para a Manifestante, primeiramente, a necessidade de provar o seu recolhimento. Esta prova haveria de estar presente para que a Manifestante pudesse sustentar qualquer argumento de pagamento a maior relativo a ele, além da demonstração contábil/fiscal do alegado indébito Em vista desse lapso, a manifestação de inconformidade poderia ter sido declarada inepta, podendo a decisão de primeira instância ter sido produzida apenas em torno desta prejudicial de mérito, na medida em que a mera prova da existência do pagamento, para contraporse ao resultado da busca feita pelos sistemas da RFB, estava ausente na peça. Entretanto, adentrou no mérito quanto ao fundamento jurídico do pretendido crédito, o art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98. No recurso voluntário, novamente não há prova de que o DARF indicado existe. De mais a mais, o DARF referente a abril de 2001, período de apuração em que o benefício já havia sido revogado pela MP nº 199118/2000, não se coaduna com a pretensão da Recorrente o teor da defesa pela exclusão, da base de cálculo, dos valores transferidos a terceiros que teriam sido computados como receitas. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 92DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10314.013716/2006-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon May 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 09/01/2004 a 11/02/2006
LITISPENDÊNCIA OU CONCOMITÂNCIA. INOCORRÊNCIA.
Eventual sobreposição na causa de pedir não induz concomitância entre ações com objetos claramente distintos nem obriga o sobrestamento ou reunião de processos que tramitam sob órgãos judiemtes igualmente distintos.
PROCESSO) DE INAPTIDÃO. INCOMPETÊNCIA.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se manifestar acerca da tramitação de processo relativo a representação para fins de inaptidão.
Numero da decisão: 3102-00.662
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso de oficio e negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento e Nanci Gama que negavam provimento aos recursos de ofício e voluntário.
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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I NOCORRÊNCI A. Eventual sobreposição na causa de pedir não induz concomitância entre ações com objetos claramente distintos nem obriga o sobrestamento ou reunião de processos que tramitam sob órgãos judiemtes igualmente distintos PROCESSO) DE INAPTIDÃO. INCOMPETÊNCIA. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se manifestar acerca da ',mini tação de processo relativo a representação para fins de inaptidão, ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBU VÁRIO Período de apuração: 09/0 I /2004 a 11/02/2006 DANO AO ERÁRIO. ()CUL I AÇÃO DO S MUI O PASSIVO, DO REAL VENDEDOR, COMPRADOR OU DE RESPONSÁVEL PEI „A OPERAÇÃO. CARACTERIZA(ÃO. C) Dano ao 1.rário decorrente da ocultação das partes envolvidas na operação comercial que fez vir a mercadoria do exterior é hipótese de infração "de mera conduta", que se materializa quando o sujeito passivo oculta nos documentos de habilitação para operar no comércio extei ior, bem assim na declaração de importação e nos documentos de instrução do despacho, a intervenção de terceiro, independentemente do prejuízo tributário ou cambial perpetrado Processo a 10314.013716/2006-91 /1.c.iml3o " 3102-00.662 3-C112 1 688 Descabida, por outro lado, a pretensão de condicionar a caracterização da inflação à conclusão do processo administrativo de inaptidão da inscrição da. pessoa jurídica apontada como responsável pela ocultação. (-.ONVERSÃO DA PENA DE PERDIMEN lo EM_ _MULTA. HIPÓTESES. A conversão da Pena de Perdimento em multa poderá ser levada a efeito sempre que as mercadorias sujeitas àquela .penalidade tiverem sido dadas a consumo, por meio da sua comerei alizac,ão. REEI ,Exo DO ARI 33 DA LE.1 N° 111.488, DE 2007 SOBRE O 1Nciso V DO ART. 23 DO DECRETO-LEI N" 1.475, DE 1976. AUSÊNCIA. O art. 33 da Lei n" 11,488, de 2007 não produz qualquer reflexo sobre a imposição da pena de perdirnento ou multa substitutiva à 'hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador OU de responsável pela operação.. Jurisprudência, Recursos-de Gfici•o-Provido e Voluntário Negado.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.. Acordam os membros do ( ...olegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso de oficio e negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento e Nanci. Gama que negavam provimento aos recursos de oficio e voluntário, Luis "MárevIO Guerra de Castro - Presidente e Relator EDITADO FM: 28/06/201 O Participaram do presente julgam.ento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra. de Castro, José Fernandes do Nascimento, Maria Regina Ciodinho (Suplente), Nanci Gama, Beatriz • Veríssimo de Sena e Firas Fernandes .Euti'ásio (Suplente). Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que deu suporte à decisão recorrida, que passo a transcrever: A interessada foi autuada em face da inflação capitulada no artigo 618, inciso XXII, do Regulamento Aduaneiro (Decreto n- 4 543/2002), punível com a pena_ de perdimeruo "618 Aplico- 2 Processo u" 10311.0 [ 3716/2006-91 Acórdão 11. 0 311)2-00.662 3-C.1T2 I- I 689 se a pena de perdimento da mercadoria nas' seg .uinies hipóteses, por configurarem dano ao hrário- (...) XXI/ — estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipeitese.' ric ocultação do st,rjeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante . fraude ou simulação, inchLsive a interposição fraudulenta de terreiros", corifeu inc se depreende do relatório . fiscal anexo ao auto de infração. ParãO da impossibilidade de apreensão dr mercadoria em. pauta, .foi a pena de perdimerdo convertida em multa equivalente • ao valor aduaneiro (, .12 do dispositivo citado).. As autoridades aduaneiras aduzem que, em fruição de procedimento fiscal realizado nos termos da Instrução IVOrmativa SM? n2 228/2002 (inemelado de procedimento fiscal e 0815500-2006-01175-6), concluiu-.se que a interessada era utilizada por terreiros, os reais adquirentes de mercadorias importadas, no intuito de iludir o Fisco, deixando de recolher o impo.sto sobre produtos industrializados- (0) na revenda dessas mercadorias Informa que . firi lavrada representação para inaptidão da inscr ição da autuada no (UNIU, com efeitos a partir de 7/1/2004 Intimada em 17/1/2007, a interessada apresentou impugnação em 16/2/2007, juntada às fls 45 e ss., a documentos Alega, em síntese: A representação para fins de inaptidão do (.. -"NP.1 da autuada ainda 11(70 foi . julgada É inacreditável que o auto de 00-ação possa decorrer dc mera proposição de inaptidão (11s 249-59), não julgada, e que não deverá subsistir. O procedimento fiscal realizado ao amparo da instrução Normativa SRE ri=' 228/2002 iniciou-se em razão de expediente da Alfândega de São Francisco do Sul a fito de ,subsidiar procedimentos fiscais daquela unidade As diligências fiscais aludidas pela fiscalização ineXiStem na prática • restringiram-se apenas a consultas cadastrais- e pedidos de inferi maçõe's dirigidas à impugnante. A representação para inaptidão .foi quase exclusivamente baseada nas informações prestadas pela Alfândega de São Francisco do Sul (relatório de dois autos de infração lavrados naquela unidade) e em auto de infração lavrado pela Dele,Qacia de Iterjett Apresenta considerações sobre os três autos de infração citados Aduz que em dois casos a interessada recorreu ao Poder Judiciário . e obteve decisões favoráveis a suas pretensões e que o Ultimo não foi ainda julgado 3 Processo n'' 10311 (11371 6/2006-91 Acórdão n " 31 02-00 „662 3-C112 690 As remissões constantes dos documento.s que in.SitHelil o proccs.so dão conta de que !Oram OS três autos de infração citados acima que subsidiaram a representação para inaptidão do CNP.1 que, por sua vez, subsidia o presente auto de infração É inveridica a premi s. s a do s auditores de que a impugnante era utilizada para acobertar operações de importação da.s empresas faburseit e ,labur Pneus, a fim de deixar de recolher 11'1. A conclusão de que a „labursat .seria a real adquirente decorre do auto de infração lavrado na DRF/Itajai (0920600/00126/06), o qual foi tomado por . "verdade absoluta" pela fiscalização Não é fruto de re.wisão aduaneira da.s operações autuadas. As autoridatles deixam de considerar falo fUndamental o auto (te . infração 0920600/00126/06 (fls. 210-41) não foi julgado administrativamente. Jamais esse auto poderia se prestar corno fundamento para subsidiar a representação para fins de inaptidão de CNP', nem o presente auto de infração. Hã incompatibilidade com o exercício da ampla defe' ..'.sa e o devido processo legal É nulo o lançamento. - O curto de infração afirma que a ,labui Pneus utilizaria a impugnante para deixar de recolher o 111 na revenda das mercadorias. (auto de infração 0.920600/00171/05 - fls 16.5- 20.9). Entretanto, segundo o artigo 72, inciso I e 1 2, da Lei ri-' 7 798/1989 e respectivo anexo III, a empresa Jabur Pneus, na condição de c.:.'ortirolcidora da impugnante, é contribuinte do .1.Pf em razão da aquisição de pneus (enquadrados na posição 4011) da interessada O pressuposto objetivo do ato administrativo, ou seja. O motivo que ampara o auto de infração decorre de deturpação dos fatos, a qual criou tese .111M5k.'illáliel O auto de infração ora impugnado foi motivado por três autos de infração anteriores dois de ltajal e um de São ..Prancisco do Sul. O procedimento realizado em .frajaí emba.sou o de São Francisco do Sul e cle.ste resultou O MIO de infração em pauta.. A violação do devido processo legal no procedimento originário contamina, por derivação, lodos os demais atos . proc.essuais é a teoria dos frutos envenenados (ilicitude por derivação).. A tese fiscal originário parte do pre s. suposto de que importações .sei iam realizadas a preços sugiturado.s, estando viciada a fatura c..ornercial. A interpo.sição fraudulenta de pessoa seria meio empregado para fraudar os preço.s. Não foi observado pela fiscalização de lítijaí o rito processual da valoração aduaneira (Acordo de Valoração Aduaneira AVA/Gatt) e fOi proposta pena de perdimento não prevista no Plocesso n' 10314 01:3716/2006-9 I Acórdão n " 3102-00.662 3-C1.12 E- 1 691 artigo 84 do Decreto t72 4 .543/2002 (Regulamento Aduaneiro) Houve violação do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal Cita doutrina e jurisprudèneia O auto de infração lavrado em hajaí tainbi'un imputa a ir?/ração de "ocultação do real adquirente" Conclui o auto de inflação que a inipugnante recebia recursos da Jabinsat e da ,fabur Pneus para realizar as importações Adir: que ceder recursos para as operações de inrporlação torna a empresa equiparada a estabelecimento industrial e é uma hreuldade, não cai acterizando fraude Os fiscais utilizaram como singular fundamento para a aplicação da pena de perdimento o fato de existir proposta de imqVidão de inscrição no CNR.I. Dentre os motivos quc.' et1Scj(ilti a pena de perdimento, no Decreto-Lei n2 1 4.55/1976 ou no Regulamento Aduaneiro, não se encontra a propositura de inaptidão de CNPI, nem sua declaração 1:0i desrespeitado o princípio da tipicidade cerrada na ti ibutação Cita doutrina e julgado do Superior Tribunal de Justiça (81:1) Questiona o mérito da representação para fins de itlaplidãO C1VPI, com ekitos retroativos Foi capitulada a infração genericamente no ai ligo .23 do Decreto-Lei ri=' 1.455/1976. sem citação da hipótese específica, implicando preterição do (liteiro de defesa da impugnante e causando a nulidade do lançamento nos lermos do artigo 59, inciso [I, do Decreto n 2 70235/1972 Cita jutisprudência administrativa O artigo 71, inciso 1L1, do Regulamento Aduaneiro In evC; que o imposto não incide sobre a mercadoria objeto da pena de perdimento O valor da multa aplicada deveria deduzir os valores já pagos a título de impostos, sob pena de caracterizar enriquecimento ilícito da Administração em detrimento do contribuinte Requer que o auto r.h.' infração ,scla declarado nulo e julgada improcedente a multa Alternativamente, requer seja compensado o valor da multa com os tributos pagos, devidamente atualizados Recebida a impugnação pela repartição a giro em face da lempestividade e aspectos' formais, 05 autos foram remetidos a esta Delegacia de Julgamento, com dois volumes e 370 fis. Processo n" 10314 0137 6/2006-91. Acórdão n " 3102-00.662 3-( 1'12 1 692 O julgamento . fod convertido em diligência, nos termos do despacho de .f1s 371 e 372, para lavratura de auto de infração complementar, a fim de _ser aditada a descrição do.s folo.s e juntados- 0.5 elementos de prova da infração Cumprida a diligência e intimado a interessada ., retornaram as autos, com 571 fls..e três volumes. Ponderando tais argumentos e as demais rdZÕCS expostas no voto condutor do acórdão recorrido, decidiu o órgão julgador de 1" instau.cia pela manutenção parcial da. exigência, confbrine se observa na ementa abaixo tran.seri ta: Assunto: Imposto sobre a Importação - Período de apuração: 09/01/2004 a 11/02/2006 INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. () que dij erencia as infraí,...ões tipificadas no artigo 23, V, do DL 1.455/1976 e no artigo 33 da Lei 11.488/2007 é o lato de que a prevista na lei 11.488 tem como agente apenas o importador ou expc.niador ostensivo, ao passo que a do DL I 455 destina-.se punir o .sujeito oculto, o verdadeiro respon yável pela operação. Com o advento do artigo 33 da Lei 11..488/2007 deixou de ser imputável ao impoitador Ou exportador ostensivo, em co- autoria, a infração ilo artigo 23, V, do DL 1.45.511976 Pelo mesmo motivo, não se admite que o adquirente scja punido, solidariamente ao importador, com a multa do artigo 33 lei 11 488 Tal conseqüência é fruto do principio do "non bis in idem - o qual, no direito aduaneiro, está albergado nos artigos 9.9 e 100 do .1)1. 37/1966 A importação de mercadorias destinadas a terceiro oculto, O real responsável pela operação, dá ensejo à pena de perdimemo, ..51W e07117e1. :Sii.0 em multa, aplicável a esse terceiro (DL I 455/1976, artigo 2.3, V) e, ao interveniente ostensivo, aquele em c..ujo nome é realizada a operação ("cede o nome . '), é aplicável a multa de 10%do valor da operação (lei 11.488/2007, ai tigo 33, caput). O paragraJO único do artigo 33 constitui norma explicativa destinada a -afastar a imputação de inidoncidade da empresa que meramente "cede o nome" Por outro lado, se além de "ceder o nome -. a empresa não conprOvor a origem do capital empregado no comércio exterior, resta presumida .sua inidoneidade, o ensijar a inaptidão de sua inscrição no CNP..1., Processo n'' 10314 013116/2006-9i Acórdão n " 3102-00.662 li 3-(.71E2 (03 por jorça da presunção estampada no artigo 81, § 1", da Lei 9.430/1996. EfilbOrt.1 (IS infrações imputadas sejam anteriores à. edição da Lei 11 488/2007, aplica-se o artigo :33 retroativanrünte, em flux do disposto no artigo 106, 11, "e", do CTIll Terceiros . firrneceram os FCCUrSOS para as operações de comércio exterior Confr.n me artigo .27 da Lei 10 637/2002, "a operação de comércio exterior realizada mediante wilização recursos de terreiro presume-se por conta e ordem de?sk.?" Á certo, portani0, que o (narrada realizou as importações por conta e o! dein de terceiros Não /Oram observadas as normas atinentes à importação por conta e ordem, especialmente a informação, nas 1)1, do C7VP.1 dos reais adquirentes Tal .situação configura fraude, posto que constitui prestação de infOr mações falsas na declaração dc importação, e encontra lipicidade no artigo 23, 1/, do DL 1 455/1976 Aplicável aos fatos imputados, à época da lavratura do auto de infração, a multa por conversão da pena de perdimento importador Entretanto, aplica-se o artigo 33 da Lei 11 488/2007 retroativamente?, nos termos do artigo 106, II, "c", do CM, para reduzir o montante da multa para 10% do valor da ()per ação Assumo. Processo Administrativo Fiscal Período de apuração 09/01/2004 a 11/02/2006 TWIFICACÂO DA INPRA(JO, MA '/ÉRIA DE ORDEM PÚBLIC.4 QUESTÃO PREJUDICIAL. C.:ONHECIAIENTO Embora não tenha sido ventilada, dentre as razões de inipmnação, a matéria relativa à correta ripificação dos fatos imputados à interessada, trata-se de quê.?stão prejudicial incidente sobre aspecto fulcro/ do lançamento tributário, qual seja, a proposição da penalidade cabível (6 71:N, artigo 142, capta) Constitui matéria de ordem. publica o enquadramento jurídico dado pela autoridade autuante aos fatos enunciados no (rujo de infração Compete à autoridade julgadora conhecer de ofício das questões de ordem pública, ainda que 11(70 argüidas em impugnação, posto que nos processos administrativos deve ser observado, dentre outros', o critério de atuação confrirme a lei e o direito (Lei 9.784/1999, artigo 2", parágrafo único, inciso 1) c a administração deve anular seus atos., quando eivados de vício de - legalidade (artigo 53 da IlICSillil • 7 Processo ri 10311..011371672006-91 Acórdão n " 3102-00..662 3-0112 1 694 .R.egularmente cientificada da decisão a quo em 12/06/2008 (AR à fl. 599- verso), mantendo sua irresignação, comparece o sujeito passivo mais urna vez aos autos, em 1.4/06/2008 (protocolo de ti. 609), para, em sede de recurso voluntário questionar as conclusões do órgão julgador a quo e pleitear a rei:butua do decisum .A.s alegações que dariam sustentação ao pedido de relOrma da decisão recorrida, em verdade, pouco acrescem com relação ao que foi alegado em sede de impugnação, de sorte a poderem ser resumidas em cinco vertentes principais: não encerramento do processo de inaptidão, violação ao devido no processo legal e ao direito de defesa, ausência de conduta fraudulenta, falha de tipiticacão da conduta e falha no processo de inaptidão.. Insiste, portanto, que o procedimento que culminou com a represc.ntação para fins de inaptidão é o verdadeiro motivador do auto de infração litigioso e, portanto, O andamento do segundo dependeria da conclusão do primeiro. Ao se proceder de forma diversa, estaria o Fisco fragilizando a comprovação da fraude imputada, ofendendo o devido processo legal e cerceando seu direito de defesa. Alega ainda que o uso de prova emprestada revelaria violação ao principio da verdade material e do devido processo. Cita jurisprudência. Sustenta ainda que as autoridades ticais deseurnpriram o rito de exame conclusivo de valor, regulamentado no Acordo de Valoração Aduaneira e, ao assim procedei-, violaram o exercício do direito de defesa. Traz considerações acerca de decisão liminar proferida nos autos do Mandado de Segurança impetrado com vistas à suspensão do processo de perdimento .instairado por auto de infração lavrado pela Alfândega de . São 'Francisco do Sul. Segundo o trecho transcrito, o min Juiz da 1' Vara Federal de Joinvilc formara convicção no sentido de (I nc as autoridades fiscais não teriam logrado êxito em demonstrar as irregularidades apontadas. Embora não se tenha localizado pedido literal, ao que parece, pretende a recorrente ver aplicadas, neste processo, as conclusões do ilustre magistrado formuladas naquele outro. InfOrma, ademais, que os demais autos de inflação lavrados no intuito de impor a cobrança de crédito tributário foram alvo das ações anulatórias descritas naquela • mesma peça recursal, 'Insiste que a condição de contribuinte do [PI da pessoa jurídica labur Pneus afastaria a alegação de ocultação no intuito de 'burlar o recolhimento do IN e, nessa condição, contesta á imposição de pena de perd•imento ao invés da apuração de eventual diferença de recolhimento desse imposto. Processo n 10314 01.371612006-91 Acórdão rt 3102-01662 3-C112 1 695 Sustenta, por outro lado, que eventual alegação de subfaturamento na importação, gizada em auto de infração controlado pela DR I' Rajá, diverso, portanto do que trata o presente recurso, diz respeito à importação de aparelhos de radionavegação, mercadoria diversa da que se cogita no presente processo.. Aduz, ademais, que a cessão de recursos para a realização de, operações não daria ensejo à imputação da penalidade em questão, mas à tributação das operações na. modalidade "por conta e ordem de terceiros". Finalmente, contesta a tipilica.ção da infração. Para tanto, transcreve trecho do relatório fiscal que apontaria corno lato típico para imposição do perdtmento a proposta de inaptidão por inexistência de fato, hipótese não delicada no Decreto-lei n" .1..455, de 1976 e no Regulamento Aduaneiro, Transcreveu doutrina. e jurisprudência. que descreveria os efeitos dessa violação. Questiona, ademais, a proposta de inaptidão baseada em norma que não alcança o status de lei, aplicada retroativamente. Transcreve jurisprudência Embora não tenha acatado as alegações da recorrente relativas à infração apontadas pelo Fisco, considerou a autoridade julgadora de l' instância que a multa em discussão deveria ser revista em razão do instituto da retroatividade benigna, aplicando-se, na hipótese, a multa de 10% do valor aduaneiro, capitulada no ca.put do art. 3.3 da Lei I 1.488, de 2007 Consta dos autos recurso de ofício dessa decisão, Foram ainda juntadas connarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, em que sustenta a validade do procedimento fiscal nos termos em que foi executado, bem assim a. efetividade da interposição fraudulenta de -pessoas. Destacou nessa linha, as seguintes falhas que deram azo à interposição de pessoas: os documentos de importação efetivamente deixaram de consignar a identificação dos reais envolvidos na operação e não se procedeu à habilitação prévia e formal do adquirente. Sustenta, ademais que restara caracterizado o suhfaturamento e que, nos termos das opiniões consultivas da Organização Mundial das A Ifândega.s, operações maculadas de fraude não se sujeitam ao rito do Acordo de Valoração Aduaneira, mas ao art. 88 da rvIP n" 2,158-35/2001. É o Relatório.. ' (-7 9 Processo IV 1 03 14 0 1.3716/2006-9 I Acôrdão n." 3102-00.662 8 3-C1•12 I ó% • Voto Conselheiro 1,uis Marcelo Guerra de Castro, Relator O recurso é tempestivo e trata. de matéria afeta à competência desta Terceira Seção. Dele se (leve tomar conhecimento, portanto Dada a necessidade de sistematização, analiso separadamente cada uma da.s vertentes que fundamentou o recurso. 1- Preliminarmente 1.1 — Incompetência do CAIU Assim como as autoridades de piso, entendo que o Processo Administrativo Fiscal não é o foro adequado para discutir o processo de declaração de inaptidão, que se insere na competência da unidade da Secretaria da -Receita Federal do Brasil de ..jurisdição do sujeito passivo. Nesse ponto, trago à colação trecho da Instrução Normativa R113 n" 748, de 28 de ¡unho de 2007, que trata do tema: Art. 42. O titular da unidade da RI'] com jurisdição para fiscalização de tributos internos ou .S'obre comércio exterior', acatando a representação referida no parágyafer único do art 41, wspe:wderá sua inscrição no CIVP,I, intimando-a, por meio de edital publicado no DOU, a regularizar, no prazo de trinta dias, sua s'ituação ou e..ântrapor as razões da Tepresentação, observado o disposto no art 9" .Não fazendo parte das matéria afetas àquela modalidade processual, certamente não se inserem na competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARI.), ex vi do art. 1" do Anexo II da Portaria ME n." 256, de 22/06/2009: Artigo I" Compete (70.5 rgão.s julgadores do CARE ° julgamento de recursos de ofício e voluntários' de decisão de primeira instância, bem como OS 7-CCLUSO.s de natureza especial, que versem sobre tributos' administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Em assim sendo, deixo dc enfrentar as alegações acerca das conclusões sedimentadas no processo de inaptidão manejado perante a recorrente, 1.2 — Independência dos Processos. Processo a' 10314.013716/2006-91 Acórdão ii ' 3102-00..662 3-C1'12 1 697 Conforme é de conhecimento geral, a existência de processos que se fundamentem em um mesmo complexo de fotos, por si só, não é motivo para determinar a reunião de processos que contenham as mesmas partes.. Sabidamente, o direito processual civil contempla os institutos da. conexão, verificado quando o processo reúne as mesmas partes e a mesma. causa de pedir' e a litispendência. ou coisa julgada2 , quando, além desses dois atributos, verifica-se identidade de objeto. Presente a primeira., recomenda-se a reunião dos processos e a segunda, extinção do segundo sem . julgamento do mérito. Ocorre que, longe está o presente processo de reunir os elementos que recomendem a adoção de uma dessas medidas, Não se poderia reunir os processos, dentre outras razões, porque todos os demais processos .já se encontram extintos na via administrativa.. De se relembrar que, nos termos do art., 102 do Código de Processo Civil', a reunião de processos em razão de conexão pressupõe a competência material da autoridade .julgadora para decidir acerca de todos os processos. Sabidamente, a lei somente autoriza a prorrogação da competência em razão do valor ou do local, Também não se fala em litispendência, eis que os objetos ali debatidos (inaptidão, anulação do lançamento fundado em alegação de fraude de valor ou de pena de perdi mento real) não se contundem com o debatido no presente recurso; seja porque tratam d.e penalidades diversas, seja. porque tratam de fatos geradores diversos. Poder-se-ia, extrair da peça recurso] a pretensão de atribuir aos demais processos e principalmente ao de inaptidão, a condição de prejudicial obrigatória, determinando-se o sobrestamento do presente até o andamento daquele. Tal pretensão, com a máxima vênia, é igualmente descabida. Não há relação de prejudicialidade entre os processos, Veja-se, o que esclarece Cândido Rangel D 111a1311a1C0 1 acerca do conceito de prej ' Vide art, 103 do Código de Processo Civil: Ari 103 Reputam-se conexas duas ou mais ações, quando lhes for comum o ()Neto ou a causa de pedir 2 Vide § 1 do art 301 do Código de Processo Civil: § 1" Verifica-se a litispendência ou a coisa julgada, quando se reproduz ação anteriormente ajuizada 3 Ari . 102. A competência, em razão do valor c do território, poderá modificar-se pela conexào ou continência, observado o disposto nos artigos seguintes. litqiiuky5'es de Di, cito Processual Civil Malheiros. 2004, volume III, p 1 71 Proce;so n" 103 14 013'71612006-91 Acórdão ti " 3102-0(1.662 3-C112 1 1...)9 Uma cau.sa prOudicial a outra quando S'eu julgamento for capaz do detet minat- O teor do julgamento desta — como a sentença anulatória do contrato impede que sela julgada procedente a demanda dc condenação a ClUnpi" Ho, C01170 a declaração negatii. y1 de paternidade iillpõe a rejeição da demanda de alimento.s ele Como é possível perceber, para que o enceramento do processo de inaptidão tivesse o caráter prejudicial suscitado, seria necessário que existisse relação de interdependência entre a imputação da penalidade e o acatamento ou não da retificação Ora, a proposta de inaptidão, se é que ainda não foi julgada, teve como fundamento a alegação de "inexistência de lato do sujeito passivo" e isso não é condição para a caracterização da inteiposição fraudulenta de pessoas A. conduta apertada pune a ocultação do .sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de respons'ável pela operação. mediante fraude ou simulação, independentemente da situação da inscrição da pessoa jurídica. A divergência de objeto igualmente afasta a alegação de concomitância ou de eventual ameaça ao principio da:nuisdição una. Com efeito, apesar da recorrente sustentar em sentido contrário, eventual decisão judicial favorável que tome como premissa alguma alegação em que se fundamenta o presente recurso não possuiria a influência pretendida pelo sujeito passivo.. Nos termos do que fixou o nosso Código de Processo Civil, somente o conteúdo da decisão, e não seus fundamentos, são alcançados pela coisa julgada e, como tal aptos a produzir efeito de "lei" entre a União e a Recorrente,. Veja-se a lição de Humberto Theodoro Júnior': O Código vigente não deixa margem a dúvidas, dispondo expressamente que -não fitzem coisa jul,gada OS motivos, ainda que importante.s para determinar o alcance da parle dispositiva da .sentença" (art 469, n" 1) Os motivos, ainda que relevantes para . fixação do dispositivo da sentença, limitam-se ao plano lógico da elaboração do julgado. Influenciam em sua interpretação mas não .se recobrem do . manto de intangibilidade que ó próprio da WS judic.:ata. O julgamento, que se torna imutável e indiscutível, é a resposta dada ao pedido do autor, não O "porquê" dessa resposta. (gOki) Cano de Direito Proces.sual Civil, VoL.1.. Rio de .Taneito. orense. 1992, 9' ed p.p. 528/529. t2 1 ,10ceso 11 10314.013716/2006-91 Acóakio n O 3102-01L662 3-C1.12 1 699 Por outro lado, se a inaptidão da inscrição no CNPI é matéria diversa da que se discute no presente processo e a infração aqui discutida. independe da conclusão do processo em que se discute aquela penalidade, igualmente descabida é a alegação de que empregar-se-ia. a conclusão naquele processo retroativamente para. punir o sujeito passivo ou que se impusera. penalidade em violação ao princípio da. ti pi cidade cerrada Corno já se viu, o tipo descrito na infração ora discutida, se confirmado, não pressupõe que a. pessoa jurídica que, alegadamente, se interpôs entre o Fisco e o verdadeiro sujeito passivo ou responsável tenha sido declarada inapta. Importante consignar, ainda, que nu-procede a afirma.ção de que o auto de infração teria tipificado a. infração de maneira deficiente, indicando genericamente o art., 23 do DL n" 1.455, de 1976. Tanto no auto de infração inicial' quanto no complementar', faz-se menção expressa à subsuriçã.o da conduta à hipótese abstratamente prevista no inciso V do mesmo art. 23 do DL n' 1.455.. Da mesma -forma, não há que se falar em violação ao devido processo legal ou cerceamento do direito de defesa, na medida em que a lei não previu rito processual diverso do adotado. 1.3 - Deseumprimento do Rito de Exame de Valor 'Há, ainda, alegação ao devido processo legal e de violação ao direito de defesa atrelada a suposto deseumprimento do exame conclusivo do Valor Aduaneiro, incidindo-se, na hipótese, no inciso 1.1 do art.. 59 do Decreto n" 70.235, de .1972'.. Transcreve .jurisprud.ência. Não vejo como discutir, no presente processo, a aplicação das regras relativas à verificação do valor aduaneiro declarado, Acerca do conceito e alcance de tal procedimento, veja-se o que dizia o art 76, caput e parágrafo único, do "Regulamento Aduaneiro de 2002 (aprovado pelo Decreto n" 4.543, de 2002): Art 76. Toda mercadoria submetida a despacho de importação está :sujeita ao controle do correspondente valor aduaneiro. Paráfwafo único. O controle a que se refere o capta consiste na verificação da confitrinidade do valor aduaneiro declarado pelo Fls. 13 e 14 Fls. 380 c381 Art. 59 São nulos: (..•) II - os despachos e decisões proteridos por autoridade incompetente ou colo preterição do direito de deTesa 13 Processo n 0314 013716/2006-91 Acórdão n " 3102 -00..662 3-( 700 immn tador com as regras ( ..stabelecidas no Acordo de Valoração • Aduaneira. C;ordbrme é possível extrair do parágrafb único do já mencionado art.. 76, o rito do exame . de valor é exigido quando se investiga a conformidade entre o valor a.dua.neito declarado e as regras estabelecidos no Acordo de Valoração Aduaneira. No presente processo, não custa repisar ., discute-se se há ou não elementos suficientes para a caracterização da ocultação do sujeito passivo ou do responsável por meio de simulação, Por outro lado, há que se levar em consideração que a simulação, a teor- da 9 Opinião consultiva ri" 10.1 , se confirmada., afasta a aplicação das regras do AVA GATT na fixação do valor aduaneiro. Não há que se lidar em talha procedimental se o procedimento adotado é coerente com a acusação. Se a acusação se continua ou não, por outro lado, é discussão a ser travada no mérito.. 1.4 - Prova Emprestada Mais urna vez pedindo vênia à Recorrente, não vejo como pretender anular o conjunto probatório carreado a partir de investigação conduzida no bojo de outro processo, ou seja, com apoio na Chamada prova emprestada.. Lembro aqui a lição de 13onithal°: A. doutrina proces . sua! dá o nome de proVa empretada àquela que, produzida num processo, ..0a pot documento, testemunhas, confissão, depoimento pessoal Ou exame pericial, possa ser, trasladada e aproveitada em outro, por meio de certidão extraída cio proce.s.so de origem Diversamente do que se aduz, não há no ordenamento .jurídieo, óbice a tal metodologia, como já se manifestou o Superior Tribunal de Justiça nos autos do Recurso Pspecial 81.094 - MC» "Pl?OCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA.. LANÇAMEN10.. PROVA EMPRESTADA. FISCO ESTADUAL. A1?TIGO 199 DO (! . TN. M?T. 658 DO REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA (ART. )36 DO RIR VIGENTP:), 9 Opinião Consultiva 10.1 --- -Fiatamento aplicável aos documentos liaudulentos: "Segundo o Acordo, as mercadorias importadas devem ser valoradas com base nos elementos de tato reais Portanto, qualquer documentação que proporcione informações inexatas sobre esses elementos estaria em contradição com . as intenções do Acordo Bonilha, Paulo Celso. Da Prova no Prof:e.55.0 Admints.trativo •Tri: balen io, P 1_18 Relator: Ministro Castro Meira, Julgado em 05/08/2004 t 4 Processo n 11 1031/1 013716/2006-91 A.c(."Yaki o o 13.11.02-00..662 3-C1112 1 701 L O artigo 199 do Código Tributário Nacional prevê a mútua assistência entre as entidades da Federação em matéria de fiscalizaçãO de tributos, autorizando a permuta de infOrmações, desde que observada ãforma estabelecido, em. caráter geral ou e.specifico, por lei ou convênio. 2. O art, 658 do .Reguhtmento do Imposto de Renda então vigente (Decreto n" 85.450/80, atualmente art. 936 do Decreto iL" 3.000/99) estabelecia que "são obrigados a aux:iliar a .fiscalização, prestando infOrmações e esclarecimentos que lhe fOrern solicitados, cumprindo Ou fazendo cumprir as disposições deste Regulamento e permitindo aos fiscais de tributos . kderais colher quaisquer elementos necessários à repartição, todos os órgãos da Administração Federal, Estadual e .Municipal, bem corno as entidades autárquicos, para estatais e de eC0110i7lia mista". 3. Consoante entendimento do Supremo Tribunal Federal. nã.o se pode negar valor probante à prova emprestada, coligida mediante a garantia do contraditório (1(1:1 559/265) (os grif os não constam do original) 4. Recluso especial improvido.'' Vigora, portanto, o postulado processual segundo o qual só não se admitem as provas Obtidas por meios ilícitos, nos termos dos comandos inseridos no art. 30 da Lei 0" 9,784, de .1989 12 e no art .132 do Código de Processo Civi113. Rejeito, portanto, a preliminar de nulidade 2- Mérito 2.1 - Caracterização do Dano ao Erário Aduz a recorrente que ilãO restou demonstrado dano à arrecadaçâo ou ao controle cambial, motivo pelo qual não haveria que se ['alar em fraude ou dano ao Erário. Penso que tal fundamento não merece acolhida. 12 Art. 30. São inadmissíveis no processo administrativo as provas obtidas por meios ilícitos, 13 An. 332 l'odos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos latos, em que se funda a ação ou a defesa. 15 Processo 103!'! 013716/2006-91 Acórdão 11 3102-00.662 3-C112 1 702 Reiteradamente, busca-se condicionar a aplicação da penalidade prevista no inciso V do art. 23 do Decreto-lei 11 0 1..455, de 1976 14 à efetiva demonstração da irregularidade atrelada aos aspectos objetivos da obrigação tributária, como base de cálculo, fato gerador, etc. -Veja-se a redação do dispositivo: V- estrangeiras- ou nacionais', na impor- fração Ou na exportação, na hipótes.c de ocultação do sujeito pas ...sivo, do real vendedor., comprador ou de rewonsável pela operação, mediante fraude ou .simulapio, inclusive a interposição fraudulenta de terceito.s. (destaquei) Como é possível perceber, o dispositivo incide quando presente a ação de ocultar as partes envolvidas na operação, independentemente do objetivo almejado com essa prática.. Ou seja, preserva o aspecto subjetivo da obrigação, no caso, a identificação do sujeito passivo e das demais partes envolvidas na operação. Pode-se perceber, assim, que, corno seria impossível prever, clerical' e combater todas as conseqUências do uso da interposição liaudulenta, o Poder Executivo, a. exemplo das demais administrações tributária.s e policiais de outros países, optou em combater a interposição como meio de execução para qualquer infração beneficiada pelo a.cobertamento dos seus responsáveis, dentre as quais, evidentemente, se encontrariam as infrações tributárias e cambiais.. É preciso ressaltar, ademais, que a hipótese narrada: aparentar transmitir direitos a pessoa jurídica diversa daquela que tomou parte no negócio .jurídico que propiciou a. aquisição da mercadoria encontra-se expressa.mente prevista dentre as modalidades de simulação enumeradas pelo § 1 0, do art. 167 do Código Civil de 2002 (Lei n" 10,406)15. Com efeito, há elementos no processo que demonstram que a operação foi realizada por conta e ordem do adquirente, infbrmação que foi omitida nas declarações apresentadas e que não se encontravam estampadas nos documentos apresentados no despacho de importação, que informavam como adquirente pessoa jurídica diversa daquela que efetivamente realizou o negócio. Incluído pela Medida Provisória n" 66, de 2002 , que foi convertida na lei n 10.637, de 2002 Art. 167 nulo o negócio .jurídico simulado, mas subsistirá O que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § I" Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: 1. - aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou.,..,---- ttansmitein; Processo n' 10314 013716/2006-91 Acórffio n." 3102-00.662 12 F 703 Ou seja, diferentemente do que ocorre com a hipótese prevista no inciso X.r, do 105 do mesmo Decreto-lei IV 37, de 1966 1(), a infração se materializa independentemente do prejuízo tributário que tenha causado. 2.2- Reflexo do art. 33 da Lei o' 11.488, de 2007 sobre o inciso V do art. 23 do Decreto-lei n' 1.475, de 1976 Matéria que recentemente tem sido trazida à consideração deste colegiado é O cabimento da aplicação retroativa do art. 33 da Lei n" I 1.488, de 2007 1 ' que, segundo defendido, teria derrogado tacitamente o inciso V do art. 23 do Dl n" 1.455, de, 1976 1 , e impondo penalidade mais branda à conduta descrita no ato derrogado, atrairia a aplicação do art. 106, 11, "c- do Código Tributário Nacional'''. Sustenta-se, equivocadamente, a meu ver, que, a partir da vigência do dispositivo novel, não mais seria possível aplicar a pena de perdimento às mercadorias alvo de operação maculadas pela ocultação da.s partes envolvidas. Tais conclusão, sinteticamente, estariam apoiadas na convicção de que, interpretando-se tal dispositivo à luz do critério da menrs- legislátoris ., chegar-se-ia à conclusão de que a infração tipificada no art„33 da Lei n" 11488, de 2007 corresponderia materialmente à capitulada no 23, V do Decreto-lei n" 1 455, de 1976, diferenciando-se exclusivamente no que se refere à individualização do infrator, já que a contida no dispositivo mais recente leria como agente apenas o importador Ou exportador ostensivo. A se configurar tal identidade, a. aplicação concomitante de duas penalidades implicaria violação ao principio constitucional. do non bis in idem, dogmatizado no art. 99 Decreto-lei n" 37, de 1966. Apesar da convicção com que essa conclusão foi repudiada, inclusive em acórdãos de primeira instância alvo de recurso de ofício, a pena instituída no art.. 33 da Lei n" - estrangeira, já desembaraçada e cujos tributos aduaneiros tenham sido pagos apenas em parte, mediante artificio doloso; 7 Ar t. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comercio exterior de terceiros com vistas no acobertainento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a l'Cl; 5..000,00 (cinco mil reais) 8 23. Consideram-se dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: ( • ) V - estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição Fraudulenta de terceiros. 1 Art. 106. A lei aplica-se a ato ou -fato pretérito: Ti - tralau.do-se de ato não definitivamente julgado: ) c) quando lhe, comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. 1 7 Procl.-sso n" 03 1 ,1 .0 13716/2006-91 Acói-dão 11" 3102-00162 3-(11.2 1 704 11..488, de 2007 surgiu, efetivamente, COMO alternativa à declaração de ina.plidão, nas hipóteses anteriormente previstas nas instruções normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que disciplinavam a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNP.J). Para se chegar a tal convicção, fitz-se necessário realizar uma análise da legislação que dispõe sobre a inaptida.o da inscrição no (CN P1), especialmente na hipótese em que se configura sua inexistência de lato. Diz o art. 81 da 1 ei n" 9.430, de 1996: Ari` 8]. Poderá, ainda, ser declarada inapta, nos termos e - condições definidos em ato do Ministro da Fazenda, a inscrição da pessoa jurithca que deixar de apresentar a declaração anual de imposto de renda em um ou mais e.xercreios e não fór localizada no endereço informado à ,S'ecrelaria da .Receita Federal, bem como daquela que 11ãO exista de .fato (griléi) Como se observar, a legislação tributária, na esteira do consignado no novo Código Civil (Lei n" 10,406, de 2002), em seu art, 96620 , que distingue a pessoa jurídica da empresa, atribui consequencias à inscrição da contribuinte que, apesar de regularmente constituída .junto aos órgãos de registro e da obtenção de número de cadastro junto ao Fisco, não preenche as condições para seu enquadramento como "existente de -tato", ou seja, que detenha o s meios para a realização das operações comerciais que declarou ter realizado.. Importante relembrar os contornos desse elemento distintivo da empresa, assim sintetizado pela professora Rachel Sztajn21 Organização parece .ser o elemento central, es.senend, neee ysário e suficiente, para determinar a existéncia da empresa, porque gera o aparato produtivo estável, estruturado por pessoas, ben.s e TVC111 .-NO 5. , coordena os meios para atingir o resultado visado.. Nessa esteira, diferenciando empresa de pessoa jurídica, esclarece o Des. Sérgio Campinho22: Da inscrição no Regisfro Público de Einprc.sas Mercantis resulta a presunção de .se ter akuán dedicado a exercer atividade própria de empresário. E uma prova prima fácie, MUS que pode .ser elidida por prova mais robus'ía em .Se ri lido. contrário 2•() Art 966. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Tc..oi io ./I2f 'dica da Empiewf Atividade Ernpresárra e IllercodoN São Paulo Atlas, 2004, p.129 22 0 Direito de Lmpresa à Luz do Novo Código Civil Rio de Janeiro .Renovar, 2004, 4' ed , pp - 28 e 29 IS Processo T1' 1 e 14 01371(V2006-)1 Acórdão v.." 3102-00..662 3-CI12 I 705 DeSSO mOd(), .Ne determinruhrs pessoas celebram contrato sociedade, tendo por objeto o exercício de atividade própria de empresário, promovendo o arquivamento do re..'...spectil,0 instrumento na Junta Comercial, estará a sociedade, enquanto peN soa jurídica, constituída Todavia, :somente passará a ostentar a condição de empresária :se c.fttivairtente iniciar a P/°' '<° de seu objeto, abdicando da inatividade. F.Áquanto não entrar em operação o Yeil objeto, teremos a pessoa jurldiw, a sociedade constituída ., mas não uma _sociedade empresária Por outro lado, acerca dos efeitos da verificação da inexistência de falo, fixa o art., 82 da Lei 9,430, de 1996, responsável pela instituição desse status cadastral: Ari 82 Além das demais hipóteses de inidoneidade documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários (?rn favor de iewceiras interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. ParágratO único O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos- e mercadorias ou o tomador de cr viços comprovatem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos _serviços. (griki) Ou seja, da mesma forma em que, se verificado que a sociedade não reúne os elementos earacterizadores da empresa, perde a sua escrituração comercial a presunção estabelecida no art. 226 do mesmo Código Civi1 23 , se não apresenta. condições mínimas de funcionamento, seus documentos fiscais perdem o poder de provar, por si só, a realização de um serviço ou a comercialização da al ereador ia . Evidentemente, a • atribuição de tal ,s-tatus à .inscrição impõe um ônus significativo para o sujeito passivo, de sorte que a sua aplicação em dissonância com o que preceitua a norma que a instituiu, mais do que ilegal, afronta os princípios, implícitos e explícitos, norteadores da atuação da administração pública, gizados na Constituição Federal de 1988. De lato, a pretexto de fazer uso da delegação contida no capto do já transcrito art. 81 da Lei n" 9.430, de 1996, fixou o Fisco no art. 37, III da Instrução Normativa SR.F n" 200, de 13 de setembro de 20027'4: Art. 37. Seta considerada inexistente de fato, a pevroa jurídica: Art 226 Os livros e fichas dos empresários e sociedades proVam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios 2.4 Redação idêntica à do art. 41, III da IN R.113 11`) 568, de 8 de setembro de 2005 Processo il" 10.314 1)137! 6/2006-01 Acórdão ii" 31.02•00„662 3-C1.1.2 I 706 itt - que tenha cedido seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documento. próptios, para a revir:Jaça() de operaç'ões- de terceiros, com vistas ao acobertamento de svu.s recits beneficitnios, Seguindo-se tal ato ao pé da letra, bastaria que a pessoa jurídica cedesse seu nome uma única vez para que, apesar de possuir todos os meios para a realização de suas atividades, lhe ser atribuído o mesmo tratamento dispensado a pessoa . jurídica que não reunia condições para enquadramento nos contornos do que a Lei Civil classificou de sociedade empresária.. Além de desproporcional., tal dispositivo encontrava-se maculado de vicio lbrinal, pois foi-se muito além da delegação contida na lei que instituiu a inaptidão da isenção, violando, por consequência, o princípio da legalidade, gizado no art. 37 2 ' da Carta Política de 198$ Com efeito, o já transcrito art. 81 somente autorizou o Ministro da 1 azenda disciplinar os termos e condições em que se dará a declaração de inaptidão, jamais a equiparar, por meio de presunção, a cessão do nome à inexistência de fato. Sabidamente, a instituição de tal ficção jurídica exigiria lei em sentido formal, Tal explicação é fundamental para que se estabeleça a verdadeira meus legistator is qu.e orientou a redação do recente art.. 33 da Lei n" 11.488, de 2007, mais facilmente compreendida após sua leitura: . Art 33 A pessoa jurídica que ceder .seu nome, inclusive mediante a dispontbilização de documentos próprios, para a realização de operações de t:oméreio exterior de tereeiro.s com -vistas no acobertamerno de .seus reais intervenientes bendiciários fica sujeita a multa de 10% (1e2 por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser infirior a R$ 5. 000,00 (cinco mil reais) Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não 5C aplica O disposto 110 aia. 81 da Lei n" 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Como se vê, a hipótese descrita no art. 33 da Lei ri" 11.488 é exatamente a mesma do inciso 111. art. 37 da IN SRF n" 200, de 2002: ceder seu nome, inclusive mediante a 25 Art. 37 A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos 12:stados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e -2 eficiéncia e, também, ao seguinte Processo n' 1031,1.013716/2006-91 Acórao n " 3102-00.662 3-C I T2 1. 707 disportibilização de documentos próprios, para a realização de operações, com vistas ao aeobertamento de determinada pessoa. Tal convicção é reforçada com a leitura do parecer que encaminha o projeto de Lei de Conversão da Medida Provisória n' 351/2007 (PLV 13/2007), do qual resultou a Lei nú 11.488, de 2007, seu relator, que também responde pela autoria do dispositivo, faz a seguinte observação à proposta de redação do art. 35, posteriormente remunerado para 33, quando da conversão definitiva26: "Já no art. 35, .juntamente com a modificação da redação do ali 81 da Lei n 9.430, de 1996, contida no (1rt 15 (lo PLE sugerimos a adequação dos critérios legais para se declarar a inaptidão de inscrição das pessoas Jurídicas e da multa aplicável no caso de cessão de nome da empresa para realização de operações dc, comércio exterior de terceiros. "(grif ir nosso) Ora, tanto o âmbito de aplicação do dispositivo novel é a inaptidão cadastral que fez questão de inserir a ressalva do par. único: quem cede o nome, Inas . tem meios para a. realização de sua atividade societária, sujeita-se à multa de 10%. Caso contrário, à inaptidão cadastral, Essa é a adequação de que fala o legislador.. Admitindo que a exegese baseada na meus- legislatoris não fosse suficiente para demonstrar a ausência de sobreposição de infrações, não se poderia falar, no presente, de violação do princípio do 71017 bis in idem, implícito no subsistema .jurídico-penal norteado pela Constituição de 1.988 . Trazendo tal sobrenorma para o plano das regras jurídicas, diz o art. 99 do -Decreto-lei 110 37, de 1966: Ari 99 - Apurando-se, no mesmo processo, a prática de dna 5- • 017 711117S inflações pela mesma pessoa natural ou jurídica, aplicam- se cumulativamenk.', 00 grau correspondente, quando for o caso, as penas a elas cominadas, se as infrações não /Orem idénticas. Duas ou mais infrações, portanto, devem dar ensejo a duas Ou mais penalidades, salvo se tais infrações se revelarem idênticas.. Tal identidade, como é cediço, não se revela exclusivamente pela semelhança ou unieida.de da conduta. Ou seja, pelo menos no plano do direito aduaneiro, é legalmente possível que uma única ação viole mais de urna regra e seja apenada com mais de uma sanção. Para demonstrar esse raciocínio, relembro hipótese constantemente trazida a este Colegiad.o, materializada nas circunstâncias em que o sujeito passivo, ao se equivocar na informação do código da NUM comete duas infrações, uma que tutela a exatidão do 26 Disponível em http://www earnar a. gov. br/si leg/inlegi as/ pd.1 6:- 21 Processo n" 1031'1 013716/2006-9 I Acórdão n° 3102-011.662 3-CI 12 1 705 recolhimento dos tributos incidentes na importação, capitulada no art. 44, 1 da Lei n" 9.430, de 1996 e outra que zela pela exatidão das informações prestadas na declaração, com vistas à efetividade do controle aduaneiro, capitulada no art.. 84 da Medida Provisória n" 2.158, de 2001.. Com eleito, a declaração inexata, quando o item declarado é a classificação fiscal., impõe a aplicação de duas penalidades diversas, eis que a mesma ação infringe mais de uma norma, Especificamente no âmbito do que se discute no presente recurso, a recorrente, ao ceder seu nome para a prática da atos por terceiros e, ao mesmo tempo, inserir informações falsas nas declarações prestadas ao Fisco, amparada em. documento, no .minimo, ideologicamente falso, já que não reflete as partes envolvidas na transação comercial, infringe, igualmente, os dois dispositivos. Ou seja, assim . como ocorre no plano do direito penal, é possível que, com urna única conduta, sejam violadas duas ou mais regras.. No âmbito daquele ramo, aplica-se a cláusula de aumento da pena prevista rio art. 70 do Código Penal (Decreto-lei IV 2.848, de 1940)27 ; no direito aduaneiro, cada urna das penalidades correspondentes à cada norma infringida, nos termos do já transcrito art. 99 do DL n" 37/66. Finalmente, tal convicção é reforçada quando se observa a regulamentação do art. 33 no recente Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n" 6,759, de 5 de fevereiro de 2009. Veja-se o que diz o seu art.. '727: Art.727. Aplicw-se a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com Vi tas ao acoberiamento de NetS reais intervenientes ou beneficiário S' Art. '70 - Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não, aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade. As penas aplicam-se, entretanto, cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e os cri [nos concoi rentes resultam de desígnios autônomos, consoante o disposto no artigo anterior.(Redacão dada pela - Lei 11' 7.209, de 117 1984) 22 Processo n" 103 I 4 0 1 37 1 6/2006-9 1 Acórdão n ' 3102-00.662 3-C1-1-2 1. 709 A multa de que trata este artigo não prejudica a aplicação da pena de perdimento às' mercadorias importadas ou exportadas Não custa destacar que o parágrafo .3° acima transcrito possui conteúdo evidentemente interpretativo, a reclamar a a.plicação do inciso I, do art. 1.06 do Código Tributário Nacional (Lei n" 5.172, de 1966) 2 ', máxime em função de que, no presente processo, não se discute a inclusão da multa recém-instituída. - Forçoso é concluir, portanto, que as infrações não são idênticas e, nessa condição poderiam ser aplicadas, con.comitantemente, as penas a ela correspondentes a ratos que, a. partir da entrada em vigor da lei IV 11,488, incidirem na hipótese descrita no seu art. 33. Nesse ponto, convém registrar pronunciamento do Tribunal Regional Federal da zia Região nos autos da ANIS ri." 2005.72.08.005166-629: Tenho, no entanto, que a disposição acima cilada não tem o condão de afastar a pena de perdimento„ ou seja, não revogou o art.. .23 do DL n ü 1.4.55/76, com a redação dada pela Lei n" 10 637/2002. is-.s.o porque, a pena de perdimento atinge, em. verdade, o real adquirente da mercadoria, no caso a .111dB, _wjeilro oculto da operação de importação. /1 pena de multa de 10% revela-se como pena pessoal da empresa que, cedendo seu nome, friz., a importação, em nome próprio, para terceiros.. Quanto à declaração de inaptidão do CINPI, o parágralO único do aludido artigo estatui que "à hipótese prevista no capta deste artigo não sc.' aplica o disposto no ari. 81 da Lei n" 9 430, de 27 de dezembro de 1996", que consiste, exatamente, na dc'elaração de inaptidão do CNP" É dizer, realmente, quanto a e.ssci declaração houve a vedação de aplicação de.ssa •sanção na hipótese de importação em favor de terceiro oculto. Não obstante, penalidade não foi aplicada pelo auto de infração objeto desta impetração, tanto que está sendo objeto de apreciação em outro mandado de .seguranw, que tramita na 1" Região, em decorrência de outro ato de outra autoridade fiscal, de modo que, no particular, a questão é de ser falada no seio da aludida ação mandamental Aliás, o eNpliciiação constante do parágrafo único do art. 3$ da Lei n" 11.488/2007, vem ao encontro do se que disse anteriormente, no sentido de que não houve a revogação da pena de perdimenlo para a hipótese retratada nos autos. Ao Ali 106. A lei aplica-se a ato ou fato pletérito: I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída, a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; [urina, Relator Des Otávio Roberto Pamplona, publicado em 01/08/2007 23 Processo n' 10:314 01:37 [6/2006-91 Aeónkio o" 3102-00.662 3-C1 12 1. 7E0 contrário., confirma a assertiva, porquanto exclui, expressamente., apenas a possibilidade da aplicação da „sanção de inaptidão do CIVP.1. Quanto às demais penas, permanecem incólumes, havendo a previsão, agora também, da pena pecuniária, ilON termos do caput do aludido preceptivo legal. (os destaques não constam do original) Não que se filar, portanto em dei-rogação ti .'icitit Nesse ponto, precisa é a lição de Carlos "Maximiliano 3° que, analisando tal modalidade de antinomia., conclui.: "442 — Pode .5.-er promulgada no 'a lei, sobre o mesmo a.s.Sunlo, .sem .ficar tacitarwrite ab-rogada a anterior ou a última restringe apenas o carripo de aplica.ção da antiga, Ou, ao contrário, estende-o a casos novas, é possível até ltarl.Sfiumat a determinação especial em regra geral Em suma: a incompatibilidade implícita entre duas c.rpressóes de direito não Ne presume, na dúvida, -Se con.siderará urna norma conciliável com a outra O jurrs(..-onsuho Paulo casimira que as leis posteriores se ligam às anteriores, se lhes não são contrárias; e esta última circ.'unskincia precisa .ser provada com argumentos sólidos.. Com efeito, partindo-se do pressuposto de que o ponto de partida para uma interpretação sistemática é a presunção de coerência do Ordenamento Jurídico, somente se afista a aplicação da norma anterior após a demonstração inequívoca da incompatibilidade entre os dispositivos, confOrme sintetizou o renomado hermeneuta31: Em resumo: .sempre se começará pelo Processo ,Srstemático, e só rlepois de verificar a inaplicabilidade oeasional deste, Se proclamará ab-ro,g,ada, ou derrogai/a, a norma, o ato, ou a cláusula (destaquei) Ou seja, o esforço hermenêutico próprio da interpretação sistem.álica pressupõe a coerência do ordenamento e somente em situações excepcionais pode conduzir à conclusão dai derrogação tácita da norma.. 3- Conclusão " Homenêatica e Aplicação do Direito Rio de .laneiro forense, 2009, 19" ed , p 292. 31 Op Gil. p 291. 24 Processo n" 10314.013716/2006-91 n." 3102-00.662 3-C1.12 1 711 Com essas- considerações, voto no sentido de afastar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento aos recurso 'Voluntário e prover o recurso de oficio, mantendo a totalidade da exigência C.1,urrt,)------ s---M-arré, o Guerra de Castro
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Numero do processo: 13971.002230/2010-58
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. NULIDADE. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL INADEQUADA. MÉRITO.
O lançamento que não se sustenta mediante a apresentação de provas, torna nulo o ato de forma insanável. Também a inadequada fundamentação legal inquina o lançamento de vício que enseja nulidade. Entretanto, o § 3º, inciso II, artigo 59 do Decreto 70.235/72, admitida a nulidade, determina que: § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. (Incluído pela Lei n 8.748, de 1993)
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-002.351
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para sanar a contradição, rerratificando o Acórdão no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Presidiu o julgamento o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. O conselheiro presidente Dr. Carlos Alberto Mees Stringari declarou-se impedido .
Marcelo Freitas de Souza Costa - Presidente
Ivacir Júlio de Souza-Relator
Participaram do presente julgamento, os conselheiros Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: Relator
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NULIDADE. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL INADEQUADA. MÉRITO. O lançamento que não se sustenta mediante a apresentação de provas, torna nulo o ato de forma insanável. Também a inadequada fundamentação legal inquina o lançamento de vício que enseja nulidade. Entretanto, o § 3º, inciso II, artigo 59 do Decreto 70.235/72, admitida a nulidade, determina que: “ § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei n 8.748, de 1993) Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para sanar a contradição, rerratificando o Acórdão no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Presidiu o julgamento o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. O conselheiro presidente Dr. Carlos Alberto Mees Stringari declarouse impedido . Marcelo Freitas de Souza Costa Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 22 30 /2 01 0- 58 Fl. 681DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO 2 Ivacir Júlio de SouzaRelator Participaram do presente julgamento, os conselheiros Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 682DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO Processo nº 13971.002230/201058 Acórdão n.º 2403002.351 S2C4T3 Fl. 20 3 Relatório A instância ad quod produziu o Relatório abaixo que li , compulsei com os autos e o transcrevi na íntegra com grifos de minha autoria: “1. Este relatório é integrante do Auto de Infração referente ao lançamento fiscal de contribuições devidas à Seguridade Social correspondentes à contribuição devida pela empresa, incidente sobre a remuneração de segurados empregados, contribuintes individuais e financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. 2. Em auditoria realizada na autuada e, concomitantemente, nas empresas E.G.M. Indústria e Comércio Ltda e QUARTZ Indústria e Comércio Ltda constatouse que estas não dispunham de patrimônio e capacidade operacional necessários a realização de seu objetivo social, e foram concebida com o propósito de abrigar mão de obra necessária ao desenvolvimento das atividades da autuada, sendo que todos os recursos eram provenientes da autuada. Pretendeuse desta forma elidirse da incidência da contribuição previdenciária patronal que recairia sobre a folha de pagamento dos empregados e contribuintes individuais da autuada alocandoos na EGM e QUARTZ, empresas optantes pelo SIMPLES. 3. Tal fato foi objeto de Representação Fiscal para Baixa de Ofício da inscrição no CNPJ da E.G.M. Industria e Comércio Ltda e QUARTZ Industria e Comercio Ltda, com base no disposto no artigo 28, inciso II, alínea "a" da IN RFB n° 1.005 de 8 de fevereiro de 2010. 4. A remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais constante da folha de pagamento da E.G.M. Industria e Comércio Ltda e QUARTZ Industria e Comercio Ltda, no período abaixo, é a base de cálculo da contribuição lançada neste AI, haja vista que a autuada era a beneficiária dos serviços prestados por estes segurados os quais estavam sob sua orientação, supervisão e subordinação, fato que foi amplamente demonstrado na Representação Fiscal que deu início à baixa de ofício da inscrição da E.G.M. Industria e Comércio Ltda e QUARTZ Industria e Comercio Ltda. 5. No período fiscalizado a E.G.M. Indústria e Comércio Ltda e a QUARTZ Indústria e Comércio Ltda eram optantes do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES Federal (até 06/2007) e Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Fl. 683DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO 4 Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES NACIONAL (a partir de 07/2007). 6. A Autuada, no mesmo período, era tributada pelo Lucro Real, desta forma, a contribuição previdenciária patronal incidente sobre a remuneração dos segurados então registrados na E.G.M. Industria e Comércio Ltda e QUARTZ Industria e Comercio Ltda, a qual era substituída pela contribuição do SIMPLES, está sendo objeto de apuração no presente AI. ... Dos fatos geradores 9. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas: 9.1. Levantamentos E11E12 e Q1Q2: a remuneração de segurados empregados e dos sócios, constante de folha de pagamento da EGM Indústria e Comércio Ltda (levantamentos E l i e E12) e da QUARTZ Indústia e Comércio Ltda (levantamentos Q l l e Q12), no período: 06/2005 a 12/2008 e décimos terceiros salários de 2005, 2006, 2007 e 2008, todos caracterizados, por esta auditoria, como empregados da empresa AUTUADA. A contribuição incidente sobre a referida remuneração não foi objeto de declaração em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP. 9.2. Levantamentos E21 E22 e Q21 Q22: a remuneração dos autônomos (Contribuintes Individuais), constante da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP da EGM Indústria e Comércio Ltda (levantamentos E21 e E22) e da QUARTZ Indústia e Comércio Ltda (levantamentos Q21 e Q22), no período: 06/2005 a 12/2008, todos caracterizados, por esta auditoria, como segurados da empresa AUTUADA. As contribuições não foram declarados em GFIP. Caracterização de Segurados Empregados 10. A Indústria de Relógios Herweg S/A utilizase de subterfúgios ilegais para poder manter uma média de 176 empregados seus alocados em 2 empresas distintas, constituídas em separado para serem optantes pelo SIMPLES e com isso afastarem as contribuições destinadas à seguridade social, tais empresas operam no mesmo parque fabril e a sua receita advém exclusivamente da Indústria de Relógios HERWEG S/A e de empresas a ela ligada, com maquinários por ela cedidos, e criadas com sócios ("testas de ferro") ligados a Ind. Relógios HERWEG. 11. Pelas evidências encontradas e relatadas nas Representações Fiscais para Baixa de Ofício (cópia Anexo 4) formouse a convicção desta fiscalização de que a Ind. Relógios HERWEG administra e gerencia diretamente a totalidade dos empregados das empresas Ind. Relógios HERWEG, QUARTZ e EGM. Fl. 684DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO Processo nº 13971.002230/201058 Acórdão n.º 2403002.351 S2C4T3 Fl. 21 5 Pressupostos Necessários à Condição de Empregado 12. Em decorrência dos fatos relatados, foram realizadas Representações Fiscais para Baixa do CNPJ da QUARTZ INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA e E.G.M. INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA por inexistência de fato, e seus empregados e contribuintes individuais caracterizados como segurados da empresa INDÚSTRIA DE RELÓGIOS HERWEG S/A, consoante o disposto no art. 3 da CLT (DecretoLei n.° 5.452, de 01/05/1943) e o art. 12, inciso I, alínea "a", da Lei n."8.212, de 24/07/1991, como segue: 13. PESSOALIDADE: Os empregados são admitidos pessoalmente por meio de um contrato de trabalho, ainda que formalizados por intermédio de outras pessoas jurídicas. São contratos intuito personae, qual seja, os empregados não podem se fazer substituir nas funções desempenhadas (montador timer, montador despertador, revisor, operador de máquinas, etc), tendo de prestálas pessoalmente. 14. NÃO EVENTUALIDADE: A jornada de trabalho é diária, definida pelo Contratante, sendo controlada por meio de controle de ponto eletrônico. O trabalho é prestado na unidade fabril da Ind. Relógios Herweg na rua Uruguai, 240. É definido por turnos, com horários certos de entrada e saída. 15. SUBORDINAÇÃO: Os relatórios das Representações Fiscais para Baixa de Ofício (Anexo 4) demonstram que as empresas QUARTZ INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA e E.G.M. INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, e conseqüentemente todos os seus sócios e empregados, estão subordinadas a INDÚSTRIA DE RELÓGIOS HERWEG S/A., que, de fato, é o verdadeiro empregador. 16. ONEROSIDADE: Os empregados são remunerados mensalmente e constam em folha de pagamento, ainda que a formalização dos vínculos empregatícios aconteça por intermédio de outras pessoas jurídicas. Créditos do Contribuinte 17. Foram considerados créditos da autuada apenas os valores registrados no CNPJ da EGM Indústria e Comércio Ltda (CNPJ n° 02.363.843/000188) e da QUARTZ Indústia e Comércio Ltda (CNPJ n° 02.360.696/000192), abaixo relacionados: A parcela destinada à Previdência Social contida nos valores arrecadados mediante DARF de código 6106 (recolhimento do SIMPLES Federal), conforme o disposto na Lei 9.317/96, no período de 01/2005 a 06/2007 e mediante DAS (recolhimento do Fl. 685DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO 6 SIMPLES Nacional), instituído pela Lei Complementar 123/2006; 18. Os créditos relacionados no item anterior constam do Relatório de Documentos Apresentados RDA, integrante do presente Auto de Infração, como CRED, levantamento E11 e E12 para os valores recolhidos pela EGM e levantamento Q11 e Q12 para os valores recolhidos pela QUARTZ, exceto o valor de R$ 20.524,77 na competência 06/2007 (EGM) que foi incluído como GPS para possibilitar que o valor excedente pudesse ser apropriado para o levantamento da QUARTZ (Q11). 19. Os valores recolhidos mediante Guia da Previdência Social GPS no CNPJ da EGM Indústria e Comércio Ltda (CNPJ n° 02.363.843/000188) e da QUARTZ Indústria e Comércio Ltda (CNPJ n° 02.360.696/000192) serviram para o recolhimento integral das contribuições descontadas dos segurados com as deduções legais.... Foi informado que a multa mais benéfica foi a prevista na legislação atual. A ciência do lançamento se deu em 12/5/2010 em 11/6/2010, protocolou impugnação (folhas 342 e seguintes) nos termos seguintes: Inicia narrando que os processos de exclusão do Simples 13971.001447/200311 e 13971.00144/200388, respectivamente da Quartz Indústria e Comércio Ltda e EGM Indústria e Comércio Ltda, até a presente data não foram decididos definitivamente. Informa que as ditas empresas encontramse com situação cadastral suspensa, por inexistência de fato, sem que tenham tido direito à defesa, por conta de representação de 2010, retroagindo a 6/2005. Alega que o Fisco “reconhece vínculo empregatício dos empregados das empresas QUARTZ e EGM na Autuada, no período de 05/2006 a 12/2008 e. requer a baixa de oficio de CNPJ daquelas, retroativamente a 01/06/2005 e. de outro, promove a exclusão do SIMPLES desde 01/02/2000 tendo como conseqüência a cobrança da diferença dos tributos” (folha 350), informando que as empresas canceladas apresentaram devidas manifestações de inconformidade e recursos voluntários, pendentes de julgamento. Também entende que irregularidade em relação às prestadoras de serviços devia resultar apenas em sua exclusão do Simples, com os lançamentos de contribuições respectivos, restando a responsabilização subsidiária da impugnante. Entende que as pessoas relacionadas no Relatório de Vínculos não podem ser responsáveis tributárias por não se enquadrarem nas previsões dos artigos 134 e 135 do CTN. No mérito, após discorrer sobre a autuada e sobre a terceirização, reclama que não foi demonstrada qualquer irregularidade da Quartz ou EGM, impedindo sua responsabilização subsidiária. Fl. 686DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO Processo nº 13971.002230/201058 Acórdão n.º 2403002.351 S2C4T3 Fl. 22 7 Alega, sinteticamente, que as prestadoras de serviços são pessoas jurídicas devidamente constituídas; inexiste relação de emprego entre a impugnante e os empregados das prestadoras; inexiste subordinação e pessoalidade entre a impugnante e os empregados das contratadas; caberia responsabilidade subsidiária da impugnante diante do inadimplemento do empregador, nas ações trabalhistas; empresas terceirizadas tem direito de usufruir de regimes fiscais à elas mais favoráveis. Indaga se a terceirização seria questionada se as prestadoras não estivessem no regime tributário do Simples. Alega que os adiantamentos são procedimentos legais e que deduzse o já pago do pagamento total. Entende que não há vedação legal que impeça ex empregados tornaremse sócios de prestadoras à serviço de antigos empregadores. Entende também que a terceirização do serviço de contabilidade é usual no mercado. Informa que o capital social das empresas Quartz e EGM não é irrisório e não há legislação definindo mínimo ou máximo desse montante. Alega também que não há impossibilidade legal de que ex empregados abram pessoas jurídicas que prestem serviços aos ex empregadores. Também que é possível a utilização do parque fabril da contratante mediante contratos de locação. As máquinas e equipamentos foram cedidas pela impugnante por contrato de comodato, legítimo nos termos da lei civil. Por último, a exclusividade de prestação de serviços, cessada em 2007, foi opção das prestadoras. Passa, então, à análise de cada empresa apontada no lançamento: Para a Quartz Ind. E Com. Ltda, salienta que inexiste valor mínimo de capital social determinado legalmente; que a impugnante não exigia exclusividade de sua parte; que não existe impedimento para que o serviço de contabilidade seja prestada por empresa constituída de ex empregados da impugnante e esta não se dava de forma exclusiva para ela; as máquinas e equipamentos utilizados são fornecidos em comodato contratualmente firmado; e que a constituição da empresa depende exclusivamente dos requisitos previstos no art. 997 do Código Civil, não sendo necessário constituição de patrimônio. Repete o mesmo para a empresa EGM Ind. E Com. Ltda. Alega que não obstante a tramitação ainda de processos de exclusão do regime tributário do Simples, a auditoria fiscal optou por declarar a inexistência da relação laboral entre os empregados da Quartz e EGM e sua existência com a autuada, arrogando competência da Justiça do Trabalho, nos termos do art. 114 da Constituição Federal. Fl. 687DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO 8 Entende que sua responsabilidade subsidiária dependeria também da inexistência de pagamentos de contribuições, o que foi comprovado existir no lançamento fiscal. Alega também que não houve comprovação de que não existiam vínculos laborais entre os empregados das contratadas e estas. Entende também que o argumento de prestação de serviços para a autuada ser irregular por serem de ex funcionários seus não encontra guarida nas restrições dispostas nas vedações do art. 9º da Lei 9.317/1996. A atuação no lançamento, desqualificando ato ou negócio jurídico apenas por seu conteúdo poder esta contido em situação mais onerosa, encontrase em oposição ao determinado nos artigos 108, §1º e 116, I do CTN. Não há norma antielisiva disponível para tanto. Alega também ausência cumulativa dos requisitos de configuração de vínculo empregatício. As contratadas eram pessoas jurídicas e não físicas. E não se exigia exclusividade nos serviços, pessoalidade, nem subordinação, conforme contratos de prestação de serviços e Termos de Verificação Física, mostrando que as ordens eram recebidas sempre por funcionários das respectivas empresas. Insurgese também contra a aplicação da taxa Selic sobre a multa de ofício, por ausência de previsão legal. Pede, ao final, a procedência da impugnação. Não obstante não haver despacho de encaminhamento para esta DRJ, o deslocamento da competência para julgamento decorreu da Portaria RFB/Sutri 2.924/2011. ” Muito embora a Delegacia de Santa Catarina jurisdicionar o sujeito passivo, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamentoem Juiz de Fora (MG), DRJ/JFA, em 4 de janeiro de 2012, exarou o Acórdão 0938.521 julgando improcedente a impugnação. A instância “ad quod” fez registrar que : “ não obstante não haver despacho de encaminhamento para esta DRJ, o deslocamento da competência para julgamento decorreu da Portaria RFB/Sutri 2.924/2011”. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.560, a 5 ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora (MG) DRJ/JFA, em, 04 de janeiro de 2012, exarou o Acórdão n° 0938.521, mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls.577 onde reiterou as alegações que fizera em instancia “ad quod ”. É o Relatório. Fl. 688DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO Processo nº 13971.002230/201058 Acórdão n.º 2403002.351 S2C4T3 Fl. 23 9 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza DA TEMPESTIVIDADE O recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Na forma do Acórdão 2403001.931,exarado na sessão de 12 de março de 2013, por maioria de votos, esta Colenda Turma, julgando recurso interposto pela Recorrente INDÚSTRIA DE RELÓGIOS HEWEG S/A, decidiu DARLHE PROVIMENTO PARCIAL. Aduz que sob o comando do art. 65 do Regimento Interno deste E. Conselho, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Conforme o § 1° do sobredito artigo, os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma por conselheiro do colegiado: “Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão: {1} I por conselheiro do colegiado” Como se observa, na conclusão do voto, decidi e submeti à apreciação da Turma DAR PROVIMENTO ao recurso. Assim, divergindo do meu entendimento, haveria que ter sido registrado em que parte ou qual/ais questões teriam motivado o PROVIMENTO PARCIAL. Da forma como foi exarado o “decisium”, a redação se observa obscura cabendo submeter aquela decisão à turma para ratificar a conclusão do Relator, se for o caso ou justificar em qual parte estariam vencida a motivação da condução do voto. Pelo exposto, submetovos os argumentos de modo integralmente reiterado: Fl. 689DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO 10 PRELIMINAR DE NULIDADE Registrando no pólo passivo da autuação a empresa Indústria de Relógios HERWEG S/A, CNPJ : 86.375.011/000171, situada à Rua Uruguai, 240 Bairro Imigrantes, Timbó – SC. o Relatório Fiscal de fls. 70 aduz que tratase de : “ Auto de Infração referente ao lançamento fiscal de contribuições devidas à Seguridade Social correspondentes à contribuição devida pela empresa, incidente sobre a remuneração de segurados empregados, contribuintes individuais e financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. 2. Em auditoria realizada na autuada e, concomitantemente, nas empresas E.G.M. Indústria e Comércio Ltda e QUARTZ Indústria e Comércio Ltda constatouse que estas não dispunham de patrimônio e capacidade operacional necessários a realização de seu objetivo social, e foram concebida com o propósito de abrigar mão de obra necessária ao desenvolvimento das atividades da autuada, sendo que todos os recursos eram provenientes da autuada. Pretendeuse desta forma elidirse da incidência da contribuição previdenciária patronal que recairia sobre a folha de pagamento dos empregados e contribuintes individuais da autuada alocandoos na EGM e QUARTZ, empresas optantes pelo SIMPLES. 3. Tal fato foi objeto de Representação Fiscal para Baixa de Ofício da inscrição no CNPJ da E.G.M. Industria e Comércio Ltda e QUARTZ Industria e Comercio Ltda, com base no disposto no artigo 28, inciso II, alínea "a" da IN RFB n° 1.005 de 8 de fevereiro de 2010. 4. A remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais constante da folha de pagamento da E.G.M. Industria e Comércio Ltda e QUARTZ Industria e Comercio Ltda, no período abaixo, é a base de cálculo da contribuição lançada neste AI, haja vista que a autuada era a beneficiária dos serviços prestados por estes segurados os quais estavam sob sua orientação, supervisão e subordinação, fato que foi amplamente demonstrado na Representação Fiscal que deu início à baixa de ofício da inscrição da E.G.M. Industria e Comércio Ltda e QUARTZ Industria e Comercio Ltda. 5. No período fiscalizado a E.G.M. Indústria e Comércio Ltda e a QUARTZ Indústria e Comércio Ltda eram optantes do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES Federal (até 06/2007) e Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES NACIONAL (a partir de 07/2007). 6. A Autuada, no mesmo período, era tributada pelo Lucro Real, desta forma, a contribuição previdenciária patronal incidente sobre a remuneração dos segurados então registrados na E.G.M. Industria e Comércio Ltda e QUARTZ Industria e Comercio Ltda, a qual era substituída pela contribuição do SIMPLES, está Fl. 690DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO Processo nº 13971.002230/201058 Acórdão n.º 2403002.351 S2C4T3 Fl. 24 11 sendo objeto de apuração no presente AI” (grifos de minha autoria)| O Auditor Fiscal colacionou às fls. 97 a sobredita Representação Fiscal Para Baixa de Ofício de CNPJ, datada de 03/05/2010, abaixo transcrita: “ As três empresas criadas tem suas sedes no mesmo endereço da Ind. Relógios HERWEG, e os empregados estão nos galpões onde funcionava o setor de produção da Ind. Relógios HERWEG, passando a realizar o processo de produção que era executado unicamente pela empresa Ind. Relógios HERWEG. O número de empregados no endereço "Rua Uruguai n° 240 Bairro Imigrantes Timbó SC" permaneceu estável no ano de 1998, apenas os empregados foram registrados em empresas distintas, conforme se demonstra no quadro a seguir: (...) 2.5 Na teoria a Ind. Relógios HERWEG apenas compra as matériasprimas e manda industrializálas nas empresas terceirizadas, mas na prática nada mudou na empresa, os empregados estão em um único parque fabril, sob orientação, supervisão e subordinação da empresa Ind. Relógios HERWEG. 2.6 A PLAUSI foi incorporada pela E.G.M., conforme 2a Alteração Contratual da E.G.M. em 04/06/2001. 2 . 7 Estes fatos já foram constatados e representados em 20 de Dezembro de 1999, sendo que em 18/09/2009 foi emitido o Ato Declaratório DRF/BLU n° 111 de exclusão do SIMPLES (..) Não há uma clara divisão ou limitação entre as empresas, nem tampouco alguma indicação através de placas, pinturas que pudesse indicar estabelecimento diverso do indicado na fachada da empresa (Ind. Relógios Herweg). (...) 5.3.7 De fato, pelas evidências e conversas realizadas no estabelecimento formouse a convicção desta fiscalização de que a Ind. Relógios HERWEG administra e gerencia diretamente a totalidade dos empregados das empresas Ind. Relógios HERWEG, QUARTZ e E.G.M., e que a QUARTZ e EGM foram criadas pela Ind. Relógios HERWEG com "testas de Ferro" (exempregados) para usufruir os benefícios do SIMPLES.(...) 6 Conclusão 4.1 De todo o exposto, concluise que a QUARTZ não dispõe de patrimônio e tampouco de capacidade operacional necessários à consecução de seu objeto social. Desta forma, fica configurada a inexistência de fato da empresa objeto desta representação. Fl. 691DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO 12 4.2 Isto posto, proponho, nos termos do artigo 38, inciso III da IN RFB n° 1.005, de 8 de fevereiro de 2010 a imediata SUSPENSÃO com posterior BAIXA DE OFÍCIO da inscrição da QUARTZ Indústria e Comércio Ltda. no CNPJ a partir de 01/06/2005.”(grifos de minha autoria) A proposta supra foi acatada. Consta às fls. 403, os cartões de CNPJ das empresas QUARTZ INDÚSTRIA E COMERCIO LTDA. E PP, CNPJ 02.360.696/000192 e E.G.M INDÚSTRIA E COMERCIO LTDA. E PP, CNPJ 02.363.843/000188 onde se verifica situação cadastral suspensa, datada de 01/06/2005 por motivo de situação cadastral inexistente de fato. Checagem em 25/02/2013, para a empresa E.G.M INDÚSTRIA E COMERCIO LTDA. E PP, CNPJ 02.363.843/000188 consta datada de 05/08/2010, situação cadastral baixada , por motivo de inexistência de fato. O mesmo se verificou na pesquisa para a outra empresa QUARTZ INDÚSTRIA E COMERCIO LTDA. E PP, CNPJ 02.360.696/000192 . DAS REPRESENTAÇÕES FISCAIS Às fls. 111 a 123, datada de 03/05/2010, a autoridade autuante formalizou a Representação Fiscal requerendo, nos termos do artigo 38, inciso III da IN RFB n° 1.005, de 8 de fevereiro de 2010 a imediata SUSPENSÃO com posterior BAIXA DE OFÍCIO da inscrição da EGM Indústria e Comércio Ltda. no CNPJ a partir de 01/06/2005. Às fls. 214/218, registram que em 20 de dezembro de 1999, a Autoridade autuante então AuditorFiscal da Previdência Social, lotado na Gerência Executiva do INSS, em Blumenaú/SC, Posto de Arrecadação e Fiscalização em Timbó/SC, em ação fiscal realizada junto a empresa E.G.M. INDUSTRIA E COMÉRCIO LTDA EPP, CNPJ N° 02.363.843/000188, procedeu expediente dirigido Sr. Delegado da Receita Federal em Blumenau/SC para apresentar Representação Fiscal de idêntico teor baseada nos fatos então contemporâneos. Aduz que “ tendo constatado a situação de vedação/exclusão à opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES ”, formalizou a Representação em comento com base no artigo 15, Par. 4° , da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, na redação da Lei n° 9.732, de dezembro 1998. Às fls. 219, consta o Ato Declaratório Executivo DRF/BLU n° 034, de 10 de setembro de 2007 conforme proposto pela Autoridade autuante a empresa E.G.M. INDUSTRIA E COMÉRCIO LTDA EPP, fora excluída do Sistema Integrado de Pagamento de impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES . A motivação e fundamentação para a exclusão fora a mesma requerida na representação fiscal descrita alhures e consta registrada no corpo do documento na forma abaixo transcrita: “ Situação excludente (evento 321) Descrição: realizar operações relativas à prestação de serviços de locação de mãodeobra. Fundamentação Legal: Lei n° 9.317/96: alínea " f do inciso XII do artigo 9° combinado com o inciso I do artigo 14, o artigo 12, os incisos II, e os parágrafos terceiro e quarto, todos do artigo 15.” Fl. 692DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO Processo nº 13971.002230/201058 Acórdão n.º 2403002.351 S2C4T3 Fl. 25 13 Também em 05/05/2010, fls. 97 a 109, a mesma autoridade autuante reiterou a Representação Fiscal , com idênticos argumentos e dirigidos ao mesmo Delegado da receita federal em face da empresa QUARTZ INDUSTRIA E COM. LTDA – EPP. Do expediente supra resultou Ato Declaratório Executivo n°111, em 18 De Setembro de 2009. A motivação e fundamentação ocorreram conforme apontado pelo Auditor na representação fiscal e abaixo transcrito : “ por ter incorrido na hipótese de vedação prevista no art. 9°, inciso XII, alínea "f", da Lei n° 9.317/96. Art. 2° A exclusão de que trata o presente Ato Declaratório produz efeitos a partir de 01/02/2000, conforme dispõe o art. 15, II, da Lei n° 9.317/96.” DOS FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO Às fls. 67, registramse , na forma do abaixo transcrito, que os fundamentos legais do débito tiveram por base o comando do inciso I do art. 30 da Lei n. 8.212, de 23/07/91 e Decreto n. 3.048, de 06.05.1999, art. 216, I, " b " e parágrafos 1. ao 6: “ FLD FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO 800.10 Competências : 06/2005 a 09/2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 30,I ( c om a alteração da Lei n. 8.620, de 05.01.93, e d a Lei n. 9.876, de 26.11.99); Lei n. 8.620, de 05.01.93, art. 7., parágrafos 1. e 2.; Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.1999, art. 216, I, " b " e parágrafos 1. ao 6., c om as alterações do Decreto n. 3.265, de 29.11.99. PERÍODO: A PARTIR DE 04.2003: Lei n. 8.212, de 24.07.91, art.30,I (com a alteração da Lei n. 8.620, de 05.01.93 e da Lei n. 9.876, de 26.11.99); Lei n. 8.620, de 05.01.93, art. 7., parágrafos 1. e 2 . ; Lei n. 10.666, de 08.05.03, art. 4 . , paragrafo 1 . , combinado com o art. 15; Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 216, I, "b" e parágrafos 1. ao 6., c om as alterações do Decreto n. 3.265, de 29.11.99. 800.11 Competências : 10/2008 a 13/2008 Lei n. 8.212, de 2 4 . 0 7 . 9 1 , art. 30 , 1 ( com a alteração da Lei n. 8.620, d e 05.01.93, d a Lei n. 9.876, de 26.11.99, da MP n. 3 5 1 , de 22.01.07, convertida na Lei n. 11.488, de 25.06.07 e da MP n. 447, de 14.11.08, convertida na Lei n. 11.933, de 28.04.2009); Lei n. 8.620, de 05.01.93, art. 7., Fl. 693DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO 14 parágrafos 1. e 2 . ; Lei n. 10.666, de 08.05.03, art. 4 . , paragrafo 1 . , combinado com o art. 15; Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 2 1 6 , 1 , "b" e parágrafos 1. ao 6., c om as alterações do Decreto n. 3.265, de 29.11.99.” O inciso I do exortado art. 30 da Lei n° 8.212, de 24.07.91não especifica irregularidades e sanções e diz tãosomente das obrigações da empresa na forma geral, verbis: “ Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: I a empresa é obrigada a ( ...)” Às fls. 560, na condução do voto, o i. Relator “ ad quod ” entendeu correto o procedimento. Salientando que a Autoridade autuante agiu sob a determinação legal insculpida no parágrafo 3º do artigo 33 da Lei 8.212/91, buscou abrigo no parágrafo único do art. 116 do Código Tributário Nacional – CTN e assim se manifestou : “ A autoridade fiscal, assim, ao verificar que o sujeito passivo teria utilizado de artifício para se esquivar do pagamento de tributo, deveria mesmo aplicar a legislação tributária de acordo com os fatos por ela constatados, em detrimento da situação jurídica aparente. De forma mais específica, o Código Tributário Nacional – CTN, no parágrafo único do artigo 116 (acrescentado pela LC 104/2001), estabelece que: “Art. 116. (...) Parágrafo único – A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observado os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária..” (..) Ao afastar os anteparos e os negócios jurídicos artificiais, a autoridade lançadora constatou os fatos geradores praticados por este sujeito passivo e efetuou os lançamentos correspondentes. Agindo desta forma, nada mais fez do que cumprir a determinação legal insculpida no parágrafo 3º do artigo 33 da Lei 8.212/91, que na redação vigente à época rezava: “Art. 33. (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social INSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (...)” ( grifos de minha autoria) Fl. 694DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO Processo nº 13971.002230/201058 Acórdão n.º 2403002.351 S2C4T3 Fl. 26 15 Como se nota passou desapercebido pelo instância “ ad quod ” a parte final do exortado art. 116 do CTN onde se determina obrigatório observar os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Assim fazse necessário que a desconsideração de negócio jurídico tenha suporte em lei ordinária própria a qual deve constar da fundamentação legal. Neste mesmo diapasão, também se observa que o referido parágrafo 3º do artigo 33 da Lei 8.212/91 trazido à colação pelo i. Julgador não se coaduna com os fatos em comento em razão do lançamento não se tratar de sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente. Aduz que a legislação exortada não se coaduna com a motivação do lançamento que pautado na baixa de ofício das empresas fiscalizadas noutra ação fiscal utilizou como base de cálculo as folhas de pagamento das referidas por entender que os seus empregados produziam para a autuada. Tal fundamentação , maculada de vício, enseja NULIDADE. NO MÉRITO Na sua peça recursal , às fls. 597, a Recorrente alega que desde 1999, o Auditor Fiscal está buscando alternativas de descaracterizar seu processo de terceirização. Que se cercou de fatos e fatos e chegou a conclusão de que as prestadoras de serviços em discussão não deveriam existir no mundo empresarial, principalmente pelo fato de serem adeptas ao regime tributátrio do SIMPLES. Isto colocado passou a refutar os motivos da Autoridade autuante com os mesmos argumentos trazidos em sede de impugnação que naquela instância não lograram prosperar. DA AÇÃO FISCAL NA AUTUADA. O Mandado de Procedimento Fiscal – MPF não consta colacionado.Consulta ao sitio da Receita Federal revela que o MPF 09.2.04.002010003658 para a empresa INDUSTRIA DE RELOGIOS HERWEG S/A, teve o período fiscalizado de 06/05 a 12/2008 por uma junta Fiscal composta por 03 auditores , inclusive o autor das representações fiscais. Ressaltese que muito embora dotado de informações prévias desde 1999 a autoridade autuante, Auditor Fiscal Everaldo Back, membro da sobredita junta fiscal não justifica a forma sumaríssima da ação fiscal. Consolidado em 06/05/2010 o presente Auto de Infração, na forma do Termo de Início de Procedimento Fiscal às fls. 76 revela que a ação fiscal teve início em 29/04/2010 e o Termo de Encerramento da Ação Fiscal TEAF registra que em 07/05/2010 encerraramna. Excluindose os 5(cinco) dias para apresentação dos documentos, apesar de toda a complexidade relatada, concluíramna em 2 dias. Relevante destacar que conforme registro no sobredito Termo de Início de Procedimento Fiscal, o contribuinte fora intimado a apresentar no prazo de 5( cinco) dias, no endereço: RUA NAMY DEEKE, 40 CENTRO – BLUMENAU, tãosomente os documentos abaixo transcritos: “ Prazo: 05 dias úteis Período de apuração: 06/2005 a 12/2008 Fl. 695DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO 16 Atas de assembléias gerais e de reuniões da diretoria ou conselhos Prazo: 05 dias úteis Balanço Patrimonial Ano Calendário 2009 A documentação relacionada deverá ficar à disposição desta fiscalização, no endereço: RUA NAMY DEEKE, 40 CENTRO BLUMENAU.” ( grifos de minha autoria) O pedido revela inconsistência na medida em que o período de apuração referese as competências 06/2005 a 12/2008 mas se pede o balanço patrimonial de 2009. Noutro giro, embora o Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal – TEPF de fls. 78 registre que foram examinados o Livro de Registro de Empregados, Folhas de Pagamento, Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, Comprovantes de Recolhimento, e outros elementos, os documentos intimados para apresentação não confirmam têlos sido requeridos e disponibilizados. Também o resultado da ação fiscal e os elementos probantes colacionados bem como os fundamentos legais vistos alhures não guardam vínculo com os documentos solicitados. No item 4 do Relatório Fiscal de fls. 70, as Autoridades autuantes registram que o crédito tributário não foi constituído em razão de inadimplências do sujeito passivo do lançamento em comento mas sim sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais constante da folha de pagamento da das empresas E.G.M. Industria e Comércio Ltda e QUARTZ Industria e Comercio Ltda. Afirma ainda que as irregularidades foram amplamente demonstradas na Representação Fiscal que deu início à baixa de ofício da inscrição da E.G.M. Industria e Comércio Ltda e QUARTZ Industria e Comercio Ltda. “ 4. A remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais constante da folha de pagamento da E.G.M. Industria e Comércio Ltda e QUARTZ Industria e Comercio Ltda, no período abaixo, é a base de cálculo da contribuição lançada neste AI, haja vista que a autuada era a beneficiária dos serviços prestados por estes segurados os quais estavam sob sua orientação, supervisão e subordinação, fato que foi amplamente demonstrado na Representação Fiscal que deu início à baixa de ofício da inscrição da E.G.M. Industria e Comércio Ltda e QUARTZ Industria e Comercio Ltda.” No Recurso Voluntário de fls.580, a Recorrente afirma que na forma do processo de n° 13971.001447/200311 a empresa QUARTZ Industria e Comercio Ltda, interpusera Manifestação de Inconformidade sobre Ato Declaratório n° 111 de Exclusão do SIMPLES e que até 11/06/2010 não houvera sido cientificada de qualquer decisão. Pesquisa no eprocesso realizada em 01/02/2013, revela que a empresa interpôs Recurso Voluntário que ainda não foi sorteado para julgamento. Na seqüência, no que se refere a empresa E.G.M. Industria e Comércio Ltda, recorrendo de Ato Declaratório n° 34 de Exclusão do SIMPLES, na forma do processo de n° 13971.001444/200388, em 12/08/2010, o Recurso Voluntário interposto junto a este Conselho lhe dera provimento cujo Acórdão afirma ter colacionado em sede de impugnação. Fl. 696DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO Processo nº 13971.002230/201058 Acórdão n.º 2403002.351 S2C4T3 Fl. 27 17 Às fls. 219, consta o Ato Declaratório Executivo DRF/BLU n° 034, de 10 de setembro de 2007 conforme proposto pela Autoridade autuante a empresa E.G.M. INDUSTRIA E COMÉRCIO LTDA EPP, fora excluída do Sistema Integrado de Pagamento de impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples): “ (..) Situação excludente (evento 321) Descrição: realizar operações relativas à prestação de serviços de locação de mãodeobra. Fundamentação Legal: Lei n° 9.317/96: alínea " f do inciso XII do artigo 9° combinado com o inciso I do artigo 14, o artigo 12, os incisos II, e os parágrafos terceiro e quarto, todos do artigo 15.”(grifos de minha autoria) Às fls. 633, colacionaramse cópia do Acórdão de n° 1801002237, exarado pela Primeira Sessão de Julgamento deste Conselho, que em 19 de maio de 2010, julgando o processo de n° 13971.001444/2003/88, cuja matéria fora EXCLUSÃO DO SIMPLES da empresa EGM IND. COM. LTDA deu provimento às alegações do contribuinte. Na oportunidade, por unanimidade, fora concedido provimento ao Recurso Voluntário Interposto que recorrera da decisão da DRJ Florianópolis. A síntese do “decisium” se expressa na ementa do referido voto: PROVA. A pessoa jurídica não pode ser excluída do SIMPLES no caso de não restar evidenciada, de forma inequívoca, a situação excludente descrita expressamente no ato declaratório de exclusão, cujos fundamentos de fato e de direito vinculam a Administração Pública. ” ( grifos de minha autoria) Consulta ao eprocesso revela : processo excluído. Como se observa, a motivação para se exarar o Ato Declaratório consta registrada na forma abaixo transcrita do documento de fls. 219: “ Situação excludente (evento 321) Descrição: realizar operações relativas à prestação de serviços de locação de mãodeobra.” Desse modo, tendo sido desconsiderado o Ato Declaratório, desconsidera foi a razão de sua edição ou seja: não se configurou que a empresa realizava operações relativas à prestação de serviços de locação de mãodeobra. Como visto alhures, o Auto de Infração em tela foi lavrado pelo fato de as Autoridades autiauntes terem se convencido de que as empresas empresas E.G.M. Industria e Comércio Ltda e da QUARTZ Industria e Comercio Ltda. realizavam operações relativas à prestação de serviços de locação de mãodeobra para a autuada. Na forma do multicitado item 4 do Relatório Fiscal de fls. 70, as Autoridades autuantes registram que o crédito tributário não foi constituído em razão de inadimplências do sujeito passivo do lançamento em comento mas sim sobre a remuneração dos segurados Fl. 697DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO 18 empregados e contribuintes individuais constante da folha de pagamento da das empresas E.G.M. Industria e Comércio Ltda e da QUARTZ Industria e Comercio Ltda em razão de a autuada ser a beneficiária dos serviços prestados por esses segurados: 4. A remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais constante da folha de pagamento da E.G.M. Industria e Comércio Ltda e QUARTZ Industria e Comercio Ltda, no período abaixo, é a base de cálculo da contribuição lançada neste AI, haja vista que a autuada era a beneficiária dos serviços prestados por estes segurados os quais estavam sob sua orientação, supervisão e subordinação, fato que foi amplamente demonstrado na Representação Fiscal que deu início à baixa de ofício da inscrição da E.G.M. Industria e Comércio Ltda e QUARTZ Industria e Comercio Ltda.” (grifos de minha autoria) Assim, desmaterializado o fato gerador da constituição do crédito e uma vez resgatada a condição de empresa ao SIMPLES, a tributação deve observar a legislação de regência. Os créditos constituídos da forma como foram não podem prosperar tendo em vista que o fizeram como se a empresa estivesse definitivamente excluída do regime especial. Não obstante a decisão do CARF, as empresas foram baixadas de ofício. Cumpre destacar que, abertas em 04/02/1998, conforme consta às fls. 403 nos cartões de CNPJ das empresas QUARTZ INDÚSTRIA E COMERCIO LTDA. E PP, CNPJ 02.360.696/0001 92 e E.G.M INDÚSTRIA E COMERCIO LTDA. E PP, CNPJ 02.363.843/000188 ali se verifica situação cadastral suspensa, datada de 01/06/2005 por motivo de situação cadastral inexistente de fato conclusão esta da autoridade autuante que em representação fiscal requereu a suspensão das atividades. Checagem em 25/02/2013, para a empresa E.G.M INDÚSTRIA E COMERCIO LTDA. E PP, CNPJ 02.363.843/000188 consta datada de 05/08/2010, situação cadastral baixada , por motivo de inexistência de fato. O mesmo se verificou na pesquisa para a outra empresa QUARTZ INDÚSTRIA E COMERCIO LTDA. E PP, CNPJ 02.360.696/0001 92 . DA NULIDADE E DO MÉRITO Embora maculado pela incorreta fundamentação legal que ensejaria a nulidade do lançamento, sob o comando do § 3º do art. 59 do decreto 70.235/72, reiterado no § 3º do art. 12 do Decreto 7.574, de setembro de 2011 , quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta, verbis: “ Art. 59. São nulos: § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.( Incluído pela Lei n 8.748, de 1993 ) ” Assim , em face de tudo que foi exposto, cumpre dar provimento às alegações da recorrente que por economia processual deixo de enfrentálas pontualmente. Fl. 698DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO Processo nº 13971.002230/201058 Acórdão n.º 2403002.351 S2C4T3 Fl. 28 19 CONCLUSÃO Conheço do recurso para, NO MÉRITO, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Fl. 699DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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Numero do processo: 13053.000314/2007-13
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu May 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. DIREITO A CRÉDITO.
Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da Cofins não cumulativa.
PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM FRETES. DIREITO A CRÉDITO. OPERAÇÃO DE VENDA.
Os fretes nas operações de venda somente dão direito a crédito da contribuição se contratados para a entrega de mercadorias vendidas diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pelo vendedor.
PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM ARMAZENAGEM.. DIREITO A CRÉDITO.
Os gastos com armazenagem somente dão direito a crédito da contribuição se identificados e comprovados.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA.
É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito pleiteado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.282
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira (Relator). Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes, Paulo Sérgio Celani, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Shappo
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. DIREITO A CRÉDITO. Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da Cofins não cumulativa. PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS COM FRETES. DIREITO A CRÉDITO. OPERAÇÃO DE VENDA. Os fretes nas operações de venda somente dão direito a crédito da contribuição se contratados para a entrega de mercadorias vendidas diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pelo vendedor. PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS COM ARMAZENAGEM.. DIREITO A CRÉDITO. Os gastos com armazenagem somente dão direito a crédito da contribuição se identificados e comprovados. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito pleiteado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 3. 00 03 14 /2 00 7- 13 Fl. 979DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000314/200713 Acórdão n.º 3801005.282 S3TE01 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira (Relator). Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes, Paulo Sérgio Celani, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Shappo Fl. 980DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000314/200713 Acórdão n.º 3801005.282 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 13053.000314/200713, contra acórdão da 2ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Porto Alegre (DRJ/POA), de 8 de novembro de 2012, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/POA, que assim relatou: “Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito de PIS não cumulativo referente ao terceiro trimestre de 2007, no valor de R$ 43.893,21. O pedido eletrônico (PER), transmitido de acordo com as orientações normativas, consta às fls. 05 a 09 dos autos. Com referência neste crédito, a empresa transmitiu declarações de compensação (Dcomp), fls. 475 a 486. O pedido de ressarcimento foi apreciado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Cruz do Sul (DRF/SCS) através do Despacho Decisório DRF/SCS n 054/2012 (fl. 290), com base no Parecer DRF/SCS/Safis n 007/2012 (fls. 282 a 289). Foi reconhecido parcialmente o direito creditório no valor de R$ 16.849,57. Foram glosados valores em dois itens da apuração dos créditos do Dacon (Demonstrativo de Apuração das Contribuições) entregue pela empresa. Da Linha 3 ( serviços utilizados como insumos ) foram excluídos os valores pagos para Tergrasa Terminal Graneleiro S/A, referentes a armazenagem e demais serviços prestados no porto de Rio Grande até o embarque no navio para a remessa ao exterior, por encontraremse em desacordo com a previsão do art. 3o da Lei 10.637/02. O auditorfiscal responsável registra ainda que os gastos também não se referem a armazenagem prevista no inciso IX do art. 3 da Lei 10.833/03, pois os produtos são vendidos após a prestação do serviço, além dos pagamentos não contemplarem apenas gastos de armazenagem. Também foram glosados valores da Linha 7 do Dacon ( despesas de armazenagem de mercadorias e frete na operação de venda ) referentes aos pagamentos para Navegação Aliança que transporta os cavacos de madeira de Taquari até Rio Grande, pois, neste, a carga é formada por produtos acabados e é depositada em nome de Mita LTDA, sendo vendidos posteriormente de acordo com as notas fiscais. A empresa foi cientificada em 05/03/2012 (fl. 291), tendo apresentado manifestação de inconformidade em 03/04/2012 (fls. 294 a 474), cujos argumentos serão relatados logo abaixo. Com referência no deferimento parcial do crédito, foi homologada parcialmente a compensação e indeferido o pedido de ressarcimento, através do Despacho Decisório DRF/SCS/Saort n 157 (fls. 487 e 488), abrindose o prazo para o contraditório. A ciência se deu em 06/06/2012 (fl. 493). A empresa apresenta nova manifestação de inconformidade em 05/07/2012 (fls. 494 a 516). Na primeira manifestação, contesta integralmente a glosa do crédito. Preliminarmente, alega a tempestividade. Descreve a sua atividade, destacando que a empresa Mita foi formada a partir de acordo de joint venture entre Mitsubishi Corporation (sediada no Japão) e Setapar, com objetivo de exportar cavacos de madeira (acácia negra) para o Japão. Informa que o contrato era válido por 10 (dez) anos, com cláusula de exclusividade. No mérito, em resumo, aponta que a mercadoria, por força do contrato, encontrase vendida ao único comprador desde a sua saída na empresa e que deve ser entregue em condições para embarcação no porto de Rio Grande. Em função do volume e condições, é necessário o transporte Fl. 981DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000314/200713 Acórdão n.º 3801005.282 S3TE01 Fl. 5 4 com a contratada Navegação Aliança até o porto, a armazenagem e a utilização de outros serviços portuários para deixar a mercadoria em condições de embarque, sendo todas as despesas suportadas pela vendedora. A emissão da nota fiscal é posterior por obrigação contratual, questões legais e pela natureza da carga. Em apoio ao argumento, cita a IN SRF 28/94, arts. 27 e 49, que exigem que a pesagem ou arqueação dos navios, nos casos de mercadorias a granel, deve preceder a emissão dos documentos de embarque. Sendo todos os custos decorrentes da operação de venda, entende plenamente enquadrada no art. 3 , IX, da Lei 10.833/03. Cita autores e solução de consulta da 9a Região Fiscal da RFB que forneceriam suporte à tese. Adicionalmente, entende que as operações também poderiam ser abarcadas no conceito de insumo do art. 3 da referida Lei. Alega que as INs da RFB restringem o conceito legal de insumo. Indica que a Lei não aplica o conceito do IPI e que a diferente materialidade da contribuição, incidente quando se aufere receitas, implica em utilizar o conceito de custos necessários. Cita doutrina e jurisprudência sobre o assunto. Argumenta que o entendimento adotado pela DRF implica em resultados opostos ao esperado pela política de fomento às exportações. Requer a reforma do despacho decisório para reconhecimento integral do crédito. Na segunda manifestação de inconformidade entregue, a empresa, basicamente, argumenta no mesmo sentido da primeira. Acrescenta alegação de nulidade do Despacho Decisório DRF/SCS/Saort n 157, que homologou parcialmente as compensações e procedeu a cobrança dos valores indevidamente compensados, uma vez que lastreado em decisão não definitiva. Indica que a manifestação anterior referente ao crédito encontrase pendente de apreciação, devendo o processamento das compensações aguardar o julgamento. Requer a suspensão da cobrança decorrente da não homologação das compensações até julgado o recurso no processo de crédito, e, alternativamente, o reconhecimento da existência integral do crédito e da homologação das compensações. A DRF de origem atesta a tempestividade da manifestação e encaminha para apreciação desta DRJ.” A DRJ/POA decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade. Colaciono a ementa abaixo transcrita: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/20078 a 30/09/2007 PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Demonstrado que a decisão administrativa foi formalizado de acordo com os requisitos de validade previstos em lei e que não ocorreu violação ao disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, não deve ser acatado o pedido de nulidade formulado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Apenas os serviços diretamente utilizados na fabricação dos produtos é que dão direito ao creditamento do PIS não cumulativo incidente em suas aquisições. POSSIBILIDADE DE CRÉDITO. FRETE DE PRODUTOS PRONTOS. Fl. 982DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000314/200713 Acórdão n.º 3801005.282 S3TE01 Fl. 6 5 Não existe previsão legal para o cálculo de créditos a descontar do PIS não cumulativo sobre valores relativos a fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, não clientes. Somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias vendidas diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora, é que geram direito a créditos a serem descontados do PIS devido. NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM ARMAZENAGEM. As despesas com armazenagem de mercadoria na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, só geram direito ao desconto de créditos na apuração não cumulativa do PIS quando comprovadas de forma individualizada. Entendese por armazenagem estritamente a guarda de mercadoria, não se incluindo nesse conceito operações portuárias diversas.” Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que: 1 A recorrente não vende apenas cavados de madeira. Ela também é responsável por agregarlhe todo o aparato logístico necessário para que os mesmos sejam exportados para o Japão; 2 As operações analisadas na decisão recorrida não podem ser tidas como isoladas, mas compreendidas dentro de uma mega estrutura montada para uma finalidade específica: produzir cavacos de madeira para serem exportados para o Japão; 3 As despesas glosadas devem ser enquadradas como insumos ou como inerentes à operação de venda; 4 O conceito de insumo trazido como premissa para interpretar a legislação invocada e discorrer sobre a origem da nãocumulatividade das contribuições para PIS/COFINS; 5 Entendese que o legislador não é livre para definir o conteúdo da não cumulatividade do PIS/COFINS. Deve, sim, aterse ao que determina a Constituição Federal, que apenas estabeleceu a definição de setores econômicos a que seria aplicável, não fazendo qualquer referência a uma possível restrição de insumos; 6 A sistemática nãocumulativa do PIS/COFINS difere daquela aplicável ao IPI e ao ICMS, eis que não se limita ao valor das contribuições recolhidas na operação anterior, mas sim permite a tomada de créditos calculados mediante aplicação das suas respectivas alíquotas sobre os custos com bens e serviços utilizados como insumos na atividade principal da empresa. É o sucinto relatório. Fl. 983DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000314/200713 Acórdão n.º 3801005.282 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Vencido Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Da existência de direito de crédito a ser pleiteado O pedido de compensação formulado pelo Contribuinte se funda em matéria polêmica na jurisprudência do CARF. No presente caso requer o aproveitamento das despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. O CARF tem adotado diversos entendimentos sobre a matéria, dentre os quais três posicionamentos se destacam: o insumo como todo bem fisicamente integrado ao produto ou serviço; como necessários à atividade ou como necessários à fabricação ou produção de bens e serviços. Esse primeiro entendimento compreende que geram créditos de PIS e Cofins as despesas com matériaprima, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. Utilizase, nesse caso, utilazase o IPI como modelo no aproveitamento de créditos. O segundo entendimento adotase uma perspectiva diversa. Podemos citar como exemplo de decisão nesse sentido o Acórdão 3402001.661 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, que decidiu que o aproveitamento de insumos abrange também os insumos utilizados na produção de serviços, designando cada um dos elementos necessários ao processo produtivo de bens e serviços, imprescindíveis à existência, funcionamento, aprimoramento ou à manutenção da atividade produtiva. Aproximase este modelo daquele utilizado pelo Imposto de Renda. Por último, partilhamos do entendimento de que o conceito de insumo de ser buscado de modo autônomo ao preceituado no IPI, no ICMS e mesmo no IRPJ, visto que os tributos mencionados possuem materialidade distinta da PIS e COFINS. Diferenciase do IPI porque a base de cálculo do PIS não abrange somente atividades de industrialização, nem se dirige apenas a comercialização. Esta envolve outras atividades de produção, além da industrialização. De outro lado, não se identifica ao modelo de tributação pelo Imposto sobre a Renda porque esta não procura verificar disponibilidade econômica ou jurídica do contribuinte, o seu acréscimo patrimonial e nem tampouco aferir a sua capacidade contributiva. Tampouco se admitiria a utilização do conceito de insumo previsto no IPI, ICMS ou IR sob pena de se constituir na utilização indevida de analogia, pelo uso de vedada Fl. 984DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000314/200713 Acórdão n.º 3801005.282 S3TE01 Fl. 8 7 ampliação da base de cálculo do tributo. Determina o art. 108 do CTN que: “(...) § 1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei”. O conceito de insumo utiliza critério de aferição diverso da mera verificação dos i) gastos necessários à industrialização (IPI); ii) dos bens consumidos ou integrados à mercadoria ou iii) daqueles necessários à atividade (IR). Este conceito deve estar vinculado à essência do tributo em questão, ou seja, abranger todos os bens e serviços necessários à industrialização ou produção. Os gastos de materiais de escritório, por exemplo, não são usualmente necessários à produção e, portanto, não geram créditos de PIS/Cofins, apesar de necessários à atividade, abatendo da base de cálculo do IR. Nesse sentido entende a 3a Turma da CSRF que são insumos todos os dispêndios “relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social.”. Vejase a ementa do presente acórdão: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 PIS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3o LEI 10.637/02. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis do PIS não cumulativo, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. Recurso Especial do Procurador Negado.” (grifouse) (Acórdão no 930301.741, P.A. 13053.000211/200672, 3a Turma da CSRF, Rel. Com. Nanci Gama, julgado em 09.11.2011) A confusão sobre o conceito de insumo surge com a edição da Instrução Normativa 247/02, na redação da pela IN SRF 358/03. Estas limitaram a extensão do referido termo à interpretação conferida pela legislação do IPI. Cabe observar que não podem normas infralegais limitar o alcance da aplicação das leis, sob pena de ofensa à legalidade. De outro lado, deve prevalecer o entendimento de que inexistindo limitação por parte da legislação, não se cogita tal limitação por normas infralegais, de tal modo que toda a despesa necessária à produção ou prestação de serviços permitirá o seu aproveitamento em prol Fl. 985DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000314/200713 Acórdão n.º 3801005.282 S3TE01 Fl. 9 8 do princípio da nãocumulatividade. Cabe por fim afirmarse que interpretar restritivamente este conceito implicaria em diversas violações normativas, tais como: i) ofensa à proibição do uso de interpretação analógica (analogia com o IPI); ii) proibição de interpretação restritiva com redução de texto (ao não se ler a expressão “produção”); iii) proibição de interpretação restritiva com redução de texto pelo recurso a mens legislatoris (“intenção do legislador em restringir o uso do aproveitamento de créditos”) e iv) proibição de interpretação restritiva com base em interpretação finalística, quando dentre as diversas interpretações possíveis escolhese a mais restritiva utilizando uma análise econômica não autorizada expressamente pelo texto. O presente caso versa sobre a apropriação de créditos de fretes e armazenagem. Entendemos que o princípio da nãocumulatividade permite a tomada de créditos sobre despesas com fretes e armazenagem, quando pagos a pessoas jurídicas compondo valor de aquisição de tal bem. Estes passam a compor a base de cálculo do crédito decorrente da aquisição de bem. Poderseá admitir igualmente o aproveitamento desses créditos, de frete e armazenagem, por serem insumos necessários no contexto do processo produtivo da pessoa jurídica. Demonstra o contribuinte que as despesas de frete e armazenagem decorrem da localização geográfica da planta industrial, bem como da logística necessária à exportação. Assim devese admitir o aproveitamento desses créditos, tanto pela ótica do conceito de insumo, quanto por serem considerados como despesas de venda. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. Fl. 986DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000314/200713 Acórdão n.º 3801005.282 S3TE01 Fl. 10 9 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Sergio Celani, Redator Designado. Em que pese o entendimento do relator, ouso dele discordar. Insumo e a contribuição para o PIS/Pasep sob a regência da Lei nº 10.637, de 2002. A Lei nº 10.637, de 2002, determina: “Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). (...) Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (...) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor.” Para gerarem crédito, os gastos glosados pela fiscalização deveriam enquadrarse no conceito de insumo previsto no inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002, ou no inciso IX deste artigo. Em primeiro lugar, a recorrente defende um conceito de insumo bem abrangente, que seja mais amplo do que o utilizado na legislação do IPI ou do ICMS, pois, segundo ela, todos os gastos essenciais ao processo produtivo poderiam ser incluídos no cálculo dos créditos a serem deduzidos dos valores a recolher, seja da Cofins, seja da Contribuição para o PIS/Pasep. Fl. 987DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000314/200713 Acórdão n.º 3801005.282 S3TE01 Fl. 11 10 Subsidiariamente, alega que os gastos glosados podem enquadrarse no inciso IX acima. Sobre a abrangência do termo “insumo”, é verdade que várias turmas de julgamento do CARF adotam um entendimento para o conceito de “insumo” mais amplo para a aferição de quais gastos ensejam direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep do que o adotado em relação aos créditos de IPI. Entretanto, esta Turma, por voto de qualidade, tem decidido em sentido contrário, entendendo que o conceito de “insumo” é bem mais restritivo, senão vejamos. Conforme o art. 153, IV, § 3º II, da CF/88, o imposto sobre produtos industrializados (IPI), de competência da União, será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. E, segundo o art. 155, II, §2º, I, da CF/88, o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação (ICMS), de competência dos Estados e do Distrito Federal, será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelos Estados ou pelo Distrito Federal. Até pouco tempo atrás, apenas a estes dois tributos, classificados no CTN como impostos sobre a produção e a circulação, aplicavase a nãocumulatividade. Muito se discutiu sobre que bens e serviços, uma vez adquiridos, ensejariam crédito para compensar com o que seria devido nas operações tributadas por estes impostos, de modo que o que se entende por “insumo” está atrelado à materialidade deles. Vale dizer, o conteúdo do conceito de “insumo” decorre dos entendimentos firmados sobre quais bens e serviços seriam alcançados pela nãocumulatividade própria de impostos incidentes sobre a produção e a circulação. É este conteúdo que o legislador tinha em mente, quando se referiu a bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda como aqueles que dariam direito a créditos para abatimento da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep a serem recolhidas. Ao não elucidar o que deveria ser entendido por “insumo”, o legislador, por certo, admitiu que aquilo que se tinha como o seu conteúdo deveria servir para nortear a concretização do comando legal bem como as condutas das pessoas a quem a norma se destinava. Fosse intenção do legislador que o termo “insumo” tivesse um alcance maior do que o já consolidado, teria ele expressado um conceito de insumo diferente. Assim, devem ser rechaçados argumentos segundo os quais o conceito de “insumo” somente poderia ser igual ao utilizado pela legislação do IPI se a lei assim determinasse. Pelo contrário, por serem, Cofins e PIS/Pasep, contribuições instituídas por lei federal, a legislação do IPI, que também é tributo federal nãocumulativo, pode e deve ser utilizada para obtenção do conceito de “insumo”. Também não deve ser aceito argumento segundo o qual todos os gastos dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda incluirseiam no conceito de insumo para fins de abatimento dos valores a serem recolhidos como Cofins e contribuição Fl. 988DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000314/200713 Acórdão n.º 3801005.282 S3TE01 Fl. 12 11 para o PIS/Pasep, pois, isto implicaria considerar letra morta muitos dos dispositivos das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, que apresentam rol de bens, cujas aquisições podem ser incluídas na apuração de créditos a serem descontados destas contribuições. Quisesse o legislador que todos os gastos necessários à produção, fabricação ou prestação de serviços ensejassem o direito ao crédito, não usaria o termo “insumo”; reproduziria legislação do IRPJ ou evidenciaria que todos os gastos dedutíveis em relação ao IRPJ dariam aquele direito. Assim, da leitura dos dispositivos que trataram da nãocumulatividade da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, com base no que foi dito acima, aos bens conceituados como insumo à luz da legislação do IPI, a saber, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem consumidos na produção industrial de produtos, em decorrência de contato direto com estes, devem ser acrescentados: os serviços utilizados na prestação de serviços e na produção e fabricação de bens ou produtos destinados à venda; outros bens utilizados na prestação de serviços e na produção, ainda que não industrial, de bens destinados à venda; outros gastos expressamente citados nas Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003. Em reforço a tal entendimento, vejamse alguns trechos da Exposição de Motivos da MP nº 66, de 26/08/2002, posteriormente convertida na Lei nº 10.637/2002: “2. A proposta, de plano, dá curso a uma ampla reestruturação na cobrança das contribuições sociais incidentes sobre o faturamento. Após a instituição da cobrança monofásica em vários setores da economia, o que se pretende, na forma desta Medida Provisória, é, gradualmente, procederse à introdução da cobrança em regime de valor agregado – inicialmente com o PIS/Pasep para, posteriormente, alcançar a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). 3. O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep. (...) 7. Para fins de controle do crédito presumido, a Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer limites, por espécie de bem ou serviço, para o valor das aquisições realizadas. (...) 9. A alíquota foi fixada em 1,65% e incidirá sobre as receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, admitido o aproveitamento de créditos vinculados à aquisição de insumos, bens para revenda e bens destinados ao ativo imobilizado, ademais de, entre outras, despesas financeiras. (...) 44. Com relação ao atendimento das condições e restrições estabelecidas pelo art. 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal, cumpre esclarecer que: a) a introdução da incidência não cumulativa na cobrança do PIS/Pasep, prevista nos arts. 1º a 7º, é rigorosamente neutra do ponto de vista fiscal, porquanto a Fl. 989DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000314/200713 Acórdão n.º 3801005.282 S3TE01 Fl. 13 12 alíquota estabelecida para esse tipo de incidência foi projetada, precisamente, para compensar o estreitamento da base de cálculo; ... (...)” E, na Mensagem de Veto nº 1.243, de 30/12/2002, a razão que levou o Presidente da República a vetar dispositivos, por meio dos quais se tentava alterar a MP, foi que, se fossem sancionados, romperseia a premissa sobre a qual foi construída a nova modalidade de incidência da contribuição, devidamente acertada com a comissão especial constituída no âmbito da Câmara dos Deputados para tratar da matéria, a qual previa neutralidade sob o ponto de vista da arrecadação. Havia, pois, preocupação quanto ao atendimento às condições e restrições da Lei de Responsabilidade Fiscal, de modo que o equilíbrio das contas públicas não seria posto em risco pela introdução da cobrança nãocumulativa, e a carga tributária correspondente ao que se arrecadava com a cobrança do PIS/PASEP seria mantida. Assim, caberia à RFB, para fins de controle do crédito presumido, estabelecer limites, por espécie de bem ou serviço, para o valor das aquisições realizadas. É razoável acreditar que, segundo expectativas da época, se fossem incluídos todos os gastos na apuração do crédito a ser descontado, a arrecadação tributária não se manteria, o que nos leva a concluir que o conceito de insumo não poderia ser alargado em relação àquele então aceito. Por tudo isso, correto o entendimento expressado pela RFB órgão responsável pela administração tributária da União, a quem compete interpretar e aplicar a legislação tributária federal, ao editar os atos normativos e as instruções necessárias à sua execução que, ao expedir a Instrução Normativa nº 247/2002, com redação dada pela IN SRF nº 358/03, e a IN SRF nº 404/2004, adotou interpretação para o conceito de insumo, com base na concepção tradicional da legislação do IPI: Cito a IN/SRF nº 247, de 2/11/2002, com alterações da IN SRF nº 358, de 9/9/2003, que dispôs sobre a incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I – das aquisições efetuadas no mês: a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do art. 19; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: Fl. 990DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000314/200713 Acórdão n.º 3801005.282 S3TE01 Fl. 14 13 a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (grifei) II utilizados na prestação de serviços: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) (gn) Esta turma decidiu no mesmo sentido, por voto de qualidade, conforme acórdão nº 3801002.668, de 29/01/2014, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes, de cujo voto extraio a seguinte passagem, com grifos no original: “Com efeito, o conceito de insumo no âmbito do direito tributário foi estabelecido no inciso I, § 1º, do artigo 1º da Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, in verbis: Art. 1º (...) §1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matérias primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo. Destarte, em tributos não cumulativos o conceito de insumo corresponde a matériasprimas, produtos intermediários e a materiais de embalagem. Ampliar este conceito implica em fragilizar a segurança jurídica tão almejada pelos sujeitos ativo e passivo. Nesse sentido, recentemente o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial 1.020.991 RS, assim se pronunciou: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. NÃOCUMULATIVIDADE. ART. 195, § 12, DA CF. MATÉRIA EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF 247/02 e SRF 404/04. EXPLICITAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMO. BENS E SERVIÇOS EMPREGADOS OU UTILIZADOS DIRETAMENTE NO PROCESSO Fl. 991DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000314/200713 Acórdão n.º 3801005.282 S3TE01 Fl. 15 14 PRODUTIVO. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN. 1. A análise do alcance do conceito de nãocumulatividade, previsto no art. 195, § 12, da CF, é vedada neste Tribunal Superior, por se tratar de matéria eminentemente constitucional, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 2. As Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04 não restringem, mas apenas explicitam o conceito de insumo previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. 3. Possibilidade de creditamento de PIS e COFINS apenas em relação aos bens e serviços empregados ou utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. 4. Interpretação extensiva que não se admite nos casos de concessão de benefício fiscal (art. 111 do CTN). Precedentes: AgRg no REsp 1.335.014/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/2/13, e Resp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/10. 5. Recurso especial a que se nega provimento. (STJ, 1ª Turma, REsp 1.020.991RS, Dje 14/05/2013, rel. Sérgio Kukina) Por pertinente, transcrevese o seguinte excerto do voto proferido pelo Ministro Relator no julgamento deste recurso especial: No mais, não houve a alegada restrição do conceito de insumo com a edição das Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04, mas apenas a explicitação da definição deste termo, que já se encontrava previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Nesses instrumentos normativos, o critério para a obtenção do creditamento é que os bens e serviços empregados sejam utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. Logo, não se relacionam a insumo as despesas decorrentes de mera administração interna da empresa. Assim, a parte recorrente não faz jus à obtenção de créditos de PIS e COFINS sobre todos os serviços mencionados como necessários à consecução do objeto da empresa, como pretende relativamente aos valores pagos à empresas pela representação comercial (comissões), pelas despesas de marketing para divulgação do produto, pelos serviços de consultoria prestados por pessoas jurídicas (aqui incluídos assessoria na área industrial, jurídica, contábil, comércio exterior, etc), pelos serviços de limpeza, pelos serviços de vigilância, etc., porque tais serviços não se encontram abarcados pelo conceito de insumo previsto na legislação, visto não incidirem diretamente sobre o produto em fabricação. Quando a lei entendeu pela incidência de crédito nesses serviços secundários, expressamente os mencionou, a exemplo do creditamento de combustíveis e lubrificantes previsto nos dispositivos legais questionados (...) (grifouse)” Fl. 992DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000314/200713 Acórdão n.º 3801005.282 S3TE01 Fl. 16 15 Gastos com fretes e armazenagem. Os gastos com fretes e armazenagem em discussão, relativos a produtos acabados, não se enquadram no conceito de insumo, conforme entendimento aqui adotado, pois não se referem a matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem consumidos na produção industrial de produtos. Os argumentos subsidiários expostos no recurso voluntário também não são suficientes para afastar as razões que conduziram à decisão de primeira instância administrativa, com as quais estou de acordo. Conforme assentado na decisão recorrida, não foi comprovado que os gastos que a contribuinte afirma serem relativos a serviços de armazenagem se referem apenas a estes serviços. Há evidências de que se referem também a despesas com serviços portuários de movimentação e expedição de mercadorias, as quais não podem gerar direito ao crédito pleiteado. Por falta de individualização e comprovação dos gastos com armazenagem propriamente dita, devese manter a decisão recorrida. Despesas com fretes de bens enquadrados como insumos integram o custo destes insumos e não necessitam do inciso IX para gerarem direito ao crédito. Os fretes referentes a transporte de produtos acabados só dão direito a crédito se vinculados a operações de vendas, ou seja, apenas os gastos com transportes de produtos contratados para a entrega ao comprador geram o crédito Estabelecer um alcance maior para o enunciado do citado inciso IX implicaria estender um direito além do previsto em lei, o que é vedado aos membro do CARF. As diversas Soluções de Consulta citadas no acórdão recorrido amparam a conclusão assentada pela turma da DRJ/POA de que “somente os valores da despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos cliente adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela vendedora e o pagamento feito para pessoa jurídica no país, é que geram direito a créditos a serem descontados da Cofins devida”. Pelas razões expostas, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Fl. 993DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10825.000446/2005-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jul 27 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3101-000.218
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos, converteu-se o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente.
RODRIGO MINEIRO FERNANDES - Redator designado ad hoc.
EDITADO EM: 30/06/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tarásio Campelo Borges, Hélio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente), Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres.
Relatório
Nome do relator: VANESSA ALBUQUERQUE VALENTE
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Por unanimidade de votos, converteuse o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente. RODRIGO MINEIRO FERNANDES Redator designado ad hoc. EDITADO EM: 30/06/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tarásio Campelo Borges, Hélio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente), Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida (fls. 187): RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 25 .0 00 44 6/ 20 05 -1 5 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/07 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10825.000446/200515 Resolução nº 3101000.218 S3C1T1 Fl. 107 2 Tratase de Pedido de Restituição (fl. 01) protocolado em 15/03/2005, pelo qual a interessada pleiteia reaver valores retidos em 2004 e 2005 a titulo de Imposto sobre Operações Financeiras — IOF, no importe de R$ 9.697,72 (atualizado até fevereiro de 2005). Alega a interessada ser imune ao mencionado imposto, por força do disposto no artigo 150, VI, "c" da Constituição Federal de 1988. Documentos foram juntados às fls. 03/57. Em Despacho Decisório de n° 1413, de 2007, a unidade de origem indeferiu a solicitação. Em resumo, apontou que a imunidade prevista no art. 150, VI, "c" da CF, de 1988, alcança somente os impostos incidentes sobre patrimônio, renda e serviços das entidades referidas no artigo. 0 I0F, ao contrário, seria imposto incidente sobre a circulação e a produção, conforme classificação estabelecida no Código Tributário Nacional. A autoridade que examinou o pleito referiuse, ainda, ao artigo 25, §2° do Decreto n° 4.494, de 2002, segundo o qual a incidência do IOF sobre operações com títulos e valores mobiliários aplicase indistintamente às entidades de assistência social. Notificada da decisão em 31/01/2008, em 21/02/2008 a interessada protocolou a manifestação de inconformidade de fls. 101/119, alegando, em síntese: a) a imunidade ao IOF é regida pelo artigo 150, VI, c, da CF, de 1988; b) a questão envolvendo o alcance da imunidade às rendas auferidas por instituições de educação e assistência social sem fins lucrativos foi pacificada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da ADIn n° 1802, que entendeu inconstitucional o § 1°, do artigo 12 da Lei n° 9.532, de 1997; c) a Associação Hospitalar de Bauru, cumpre os requisitos estabelecidos pelo artigo 14 do CTN, o que a habilita a usufruir da citada imunidade; d) o entendimento foi acatado em primeira e segunda instâncias nos autos do processo n° 92.00810390, onde a interessada obteve o direito de não ver o IOF retido em relação a operações praticadas junto ao Banespa; e) jurisprudência administrativa e judicial apontam no sentido da imunidade das entidades de assistência social diante do 'OF; f) o art. 25 do Decreto n° 4.494, de 2002, no qual se fundamentou a decisão em foco foi revogado pelo Decreto n° 6.307, de 2007; g) o novo Decreto n° 6.307, de 2007, em seu art. 2°, §3°, inc III, finalizou a discussão da imunidade ao IOF das instituições de assistência social sem fins lucrativos, elucidando de modo expresso a imunidade, ncro restando discussões em contrário, uma vez que resta demonstrado que a Associação Hospitalar de Bauru cumpre todos os requisitos previstos em lei, como acima elencados e constantes do pedido de restituição. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/07 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10825.000446/200515 Resolução nº 3101000.218 S3C1T1 Fl. 108 3 A DRJ competente manteve o indeferimento do pleito e o contribuinte recorreu a este Conselho. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes – redator ad hoc Por intermédio do Despacho de fls. 228, nos termos da disposição do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, incumbiume o Presidente da Turma a formalizar a Resolução 3101000.218, não entregue pela relatora original, Conselheira Vanessa Albuquerque Valente, que não integra mais nenhum dos colegiados do CARF. Desta forma, a elaboração deste voto deve refletir a posição adotada pela relatora original e pelos demais integrantes do colegiado. O presente processo não se encontra em condições de ser julgado por esse colegiado, tendo em vista a insuficiência de seu conjunto probatório. Diante disso, converto o julgamento do recurso voluntário em diligência para que a autoridade lançadora se manifeste acerca da decisão definitiva do processo judicial n° 92.00810390, e os reflexos daquela decisão judicial no presente processo administrativo. Após a manifestação da DRF, deverá ser intimado o contribuinte para, querendo, manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, com posterior retorno dos autos para julgamento. E essas são as considerações possíveis para suprir a inexistência do voto. Rodrigo Mineiro Fernandes – Redator ad hoc Fl. 231DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/07 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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