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Numero do processo: 11030.001842/2004-80
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2004
COFINS - PRAZO DECADENCIAL - SÚMULA VINCULANTE STF Nº 08 - 05 ANOS CONTADOS DA DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR.
Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, decisão que é objeto de súmula vinculante do STF, cabe a aplicação da rega de decadência prevista no CTN, qual seja, da ocorrência da decadência após decorridos 05 anos da data do fato gerador do tributo.
COFINS - BASE DE CÁLCULO - LEI 9718/98 - FATURAMENTO - NÃO INCIDÊNCIA SOBRE RECEITAS FINANCEIRAS. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
O julgamento de inconstitucionalidade da base de cálculo do PIS e da COFINS, perpetrada pela Lei nº 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal não pode ser ignorado pelo tribunal administrativo, devendo, inclusive, ser reconhecido e aplicado de ofício por qualquer autoridade administrativa a nulidade da norma, sob pena de enriquecimento ilícito.
VERDADE MATERIAL - IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE.
Uma vez comprovado, por meio de documentação hábil e inequívoca, que os valores integrantes da base de cálculo do lançamento já haviam sido oferecidos à tributação, de se cancelar a exigência fiscal, sob pena de constituição em duplicidade do tributo.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-001.911
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA
Presidente
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva (Presidente), Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto, José Antonio Francisco.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2004 COFINS - PRAZO DECADENCIAL - SÚMULA VINCULANTE STF Nº 08 - 05 ANOS CONTADOS DA DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, decisão que é objeto de súmula vinculante do STF, cabe a aplicação da rega de decadência prevista no CTN, qual seja, da ocorrência da decadência após decorridos 05 anos da data do fato gerador do tributo. COFINS - BASE DE CÁLCULO - LEI 9718/98 - FATURAMENTO - NÃO INCIDÊNCIA SOBRE RECEITAS FINANCEIRAS. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O julgamento de inconstitucionalidade da base de cálculo do PIS e da COFINS, perpetrada pela Lei nº 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal não pode ser ignorado pelo tribunal administrativo, devendo, inclusive, ser reconhecido e aplicado de ofício por qualquer autoridade administrativa a nulidade da norma, sob pena de enriquecimento ilícito. VERDADE MATERIAL - IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. Uma vez comprovado, por meio de documentação hábil e inequívoca, que os valores integrantes da base de cálculo do lançamento já haviam sido oferecidos à tributação, de se cancelar a exigência fiscal, sob pena de constituição em duplicidade do tributo. Recurso Voluntário Provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2004 COFINS PRAZO DECADENCIAL SÚMULA VINCULANTE STF Nº 08 05 ANOS CONTADOS DA DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, decisão que é objeto de súmula vinculante do STF, cabe a aplicação da rega de decadência prevista no CTN, qual seja, da ocorrência da decadência após decorridos 05 anos da data do fato gerador do tributo. COFINS BASE DE CÁLCULO LEI 9718/98 FATURAMENTO NÃO INCIDÊNCIA SOBRE RECEITAS FINANCEIRAS. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O julgamento de inconstitucionalidade da base de cálculo do PIS e da COFINS, perpetrada pela Lei nº 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal não pode ser ignorado pelo tribunal administrativo, devendo, inclusive, ser reconhecido e aplicado de ofício por qualquer autoridade administrativa a nulidade da norma, sob pena de enriquecimento ilícito. VERDADE MATERIAL IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. Uma vez comprovado, por meio de documentação hábil e inequívoca, que os valores integrantes da base de cálculo do lançamento já haviam sido oferecidos à tributação, de se cancelar a exigência fiscal, sob pena de constituição em duplicidade do tributo. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 18 42 /2 00 4- 80 Fl. 345DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 09/0 1/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11030.001842/200480 Acórdão n.º 3302001.911 S3C3T2 Fl. 11 2 ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva (Presidente), Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto, José Antonio Francisco. Relatório Tratase de Auto de Infração (fl.04/09), que constituiu supostos débitos de COFINS apurados nas competências de 03/1999 a 07/1999 e de 09/1999 a 06/2004, derivados de divergências entre os valores escriturados pela Recorrente e aqueles efetivamente pagos. O lançamento foi realizado com base na Lei nº 9.718/98 ( a Recorrente era optante, no período, pelo Lucro Presumido), e a ciência do auto de infração ocorreu em 21/09/04. Segundo o Termo de Verificação Fiscal (fls. 11/18), o lançamento decorre de procedimento de fiscalização de IRPJ e demais verificações obrigatórias, que gerou 04 autos de infração, sendo um de IRPJ, outro de CSLL, outro de PIS e o presente, de COFINS. As divergências apuradas pela fiscalização – que serviram de base para o lançamento da COFINS – correspondem a valores de rendimentos de aplicações financeiras, juros ativos e descontos obtidos. Ainda segundo o TVF (fls. 20) os valores de aluguéis recebidos da Caixa Econômica Federal em determinados meses foi excluído da base do lançamento porque em relação a estes houve retenção em fonte da contribuição. Devidamente intimado do lançamento a Recorrente apresentou sua Impugnação (fls. 198/224), na qual alega, em síntese: I. decadência do período de 03/1999 a 07/1999, pelo decurso do prazo de 05 anos entre os fatos geradores e o lançamento complementar de COFINS (art. 150, §4º do CTN); Fl. 346DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 09/0 1/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11030.001842/200480 Acórdão n.º 3302001.911 S3C3T2 Fl. 12 3 II. nulidade do lançamento na parte relativa aos anos de 1999, 2003 e 2004, pois o MPF só autorizava a fiscalização dos períodos de 2001 e 2002; III. inexistência de fundamento jurídico para a incidência da COFINS sobre receitas financeiras, pois não insertas no conceito de faturamento; IV. inadequação do lançamento em relação a valores que não se configuram receitas – erros de fato – relativos à (i) valores recebidos em janeiro/01 que correspondem a quantias que haviam sido retidas por garantia, por parte de alguns clientes (tais valores já haviam integrado a base de cálculo da COFINS, quando da emissão das notas fiscais, embora não tivessem sido recebidas na ocasião – a inclusão destas quantias no lançamento configura, portanto, dupla tributação); (ii) valores de aplicação financeira do BANRISUL, que foram informados equivocadamente pela instituição financeira em seu informe de rendimentos, pois recebidos em 1999 e não (novamente) em 2001; (iii) diferença de R$ 3.500,00 apurada em maio de 2001, que corresponde a nota fiscal emitida em abril de 2001 e que foi incluída na base de incidência daquela competência, carecendo de suporte o lançamento, pois o valor já havia sido tributado; e, por fim, (iv) valores de CDB’s contratados junto ao BANRISUL, que foram tributados quando do recebimento e não poderiam ter sido incluídos na base do lançamento novamente, levando em conta a data da contratação e não da liquidação. A DRJ julgou o lançamento procedente em parte (fls. 265/281), afastando as preliminares suscitadas (de decadência e nulidade do auto de infração por irregularidade do MPF), assim como o argumento de inconstitucionalidade da incidência da COFINS sobre receitas além do faturamento, e cancelando a exigência da contribuição sobre valores em relação aos quais houve erro de fato na apuração do tributo – quais sejam, (i) o valor da aplicação financeira do BANRISUL (cobrado em duplicidade em janeiro de 2001 por erro no informe de rendimentos do banco); (ii) o valor equivocadamente incluído em maio de 2001, que já havia sido inserido na base do mês de abril do mesmo ano; e (iii) os valores de CDB do BANRISUL, que foram tributados, adequadamente, quando do recebimento e não deveriam ter sido incluídos na base do lançamento. Não foi cancelada, contudo, a exigência relacionada aos valores que foram retidos pelos clientes, como garantia da prestação de serviços, pois a DRJ entendeu que não havia nos autos prova de que a totalidade do valor das notas fiscais havia sido tributada, de modo a excluílos da base do lançamento relativo a janeiro de 2001. A Recorrente foi intimada da decisão e apresentou seu Recurso Voluntário no qual além de reiterar os argumentos anteriormente apresentados, anexou documentos que comprovam que os valores que foram retidos por seus clientes (como garantia da prestação do serviço – equivalente a 5% do total das notas fiscais), e devolvidos em janeiro de 2001, não poderiam ser tributados neste mês, pois já o haviam sido nos meses em que as respectivas notas fiscais foram emitidas (quais sejam, outubro/99 e abril/00). Para tanto, a Recorrente apresentou a totalidade das notas fiscais emitidas em cada uma destas competências, de modo a comprovar que a soma de seus valores equivale ao montante que foi submetido à tributação da COFINS naqueles meses (fls. 325/337). Vieramme então, os autos para decisão. É o relatório. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 09/0 1/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11030.001842/200480 Acórdão n.º 3302001.911 S3C3T2 Fl. 13 4 Voto Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, Relatora O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele o conheço. Várias são as questões trazidas pela Recorrente, todavia, a meu sentir, a análise de apenas duas é suficiente para o deslinde da questão, explico. A autuação compreende o período de 03/99 a 04/2000, e a Recorrente alega, dentro seus argumentos, os seguintes que seriam responsáveis pelo cancelamento total do auto de infração: preliminarmente a decadência de determinados períodos e, no mérito, questões específicas sobre a duplicidade de tributação e a aplicação da decisão de inconstitucionalidade do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Passo a analisar os pontos argüidos. Diante dos argumentos apresentados pela Recorrente, inicio minha análise pela preliminar de DECADÊNCIA arguida. Constatase da análise dos autos que foi dada ciência do lançamento à Recorrente na data de 21/09/04. O lançamento, contudo, referese ao período de 03/1999 a 07/1999, e de 09/1999 a 06/2004. Independente de qualquer outro assunto que esteja sendo tratado no presente processo é indiscutível que o auto de infração não pode subsistir em relação às competências 03/1999 a 07/1999, pois o crédito tributário já se encontrava extinto pela decadência (art. 156, V do CTN). É de conhecimento geral que o Pleno do Supremo Tribunal Federal, ao analisar os Recursos Extraordinários nº 556.664, 559.882 e 559.943, declarou e reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, o que culminou na edição da Súmula vinculante nº 8, in verbis: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” A simples edição da citada súmula já é suficiente para o cancelamento das exigências relativas ao período em questão – 03/1999 a 07/1999 não apenas em razão de ser uma orientação vinculante, mas em virtude de reconhecer a total inconstitucionalidade do dispositivo legal que pretendia majorar em mais cinco anos o prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir tributos. Desta forma, não há meios de se manter a exigência para o período em destaque, uma vez que o fato gerador do tributo ocorreu antes de 05 anos da lavratura do auto de infração, quando então foi realizada sua declaração, pagamento e, passados os 05 anos, sua homologação tácita. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 09/0 1/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11030.001842/200480 Acórdão n.º 3302001.911 S3C3T2 Fl. 14 5 Importa também ressaltar que, por se tratar de lançamento complementar de COFINS – vale dizer, diferenças apuradas entre a COFINS declarada e paga, e os valores que o Fisco entendeu serem devidos – o prazo decadencial a ser aplicado é mesmo aquele previsto no artigo 150 §4º do Código Tributário Nacional, e não o do artigo 173 do mesmo diploma normativo. Logo, de se reconhecer a extinção do tributo exigido em relação aos meses de 03/1999 a 07/1999, por ocorrência da decadência, e determinar o cancelamento do lançamento, nesta parte. No que se refere ao mérito do lançamento, há de se fazer a distinção entre (i) receitas que não compõem o conceito de faturamento, onde se discute a constitucionalidade da Lei nº 9.718/98 e (ii) receitas derivadas da devolução de quantias que haviam sido retidas pelos clientes, quando do pagamento das notas fiscais de serviços emitidas pela Recorrente, como forma de garantia do término dos serviços realizados (competência de janeiro/2001). Em relação à CONSTITUCIONALIDADE DA LEI Nº 9.718/98, e à conseqüente discussão de não tributação das receitas que não se enquadram no conceito de faturamento, pela impossibilidade de se tributar a receita bruta, entendo que devem ser acolhidos os argumentos da Recorrente quanto à impossibilidade de incidência da COFINS, pois a base de cálculo desta contribuição, sob a égide de tal diploma legal, não comporta a incidência sobre outras receitas, que não aquelas derivadas da venda de mercadorias e da prestação de serviços. A inconstitucionalidade do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que alargou a base de cálculo do PIS e da COFINS, para determinar sua incidência sobre a totalidade de receitas (e não apenas sobre o faturamento), foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, com efeito vinculante. De acordo com o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, as matérias já definitivamente julgadas pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal, podem ser conhecidas pelos tribunais administrativos, mesmo que sejam matéria de ordem constitucional. Neste sentido, é de domínio público que “ao julgar os RREE 346.084, Ilmar; 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 9.11.2005 (Inf./STF 408), o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98, por entender que a ampliação da base de cálculo da COFINS por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal, redação esta anterior a EC nº 20/98” (cf. Ac. da 1ª Turma do STF no Ag.Reg. no RE nº 330.226PR, em sessão de 23/05/06, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, publ. in DJU de 16/06/06, pág. 17 EMENT VOL0223703 PP00481; Ac. da 1ª Turma do STF nos Emb. Dec. no RE nº 368.468PR, em sessão de 23/05/2006, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, publ. in DJU de 23062006, pág. 52 EMENT VOL0223803 PP00428; Ac.da 1ª Turma nos Emb. Dec. no RE nº 410.691MG, em sessão de 23/05/2006, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, publ. in DJU de 23/06/2006, pág. 52, EMENT VOL0223803 PP00538). Parafraseando o Conselheiro Fernando Lobo D’Eça, que inicialmente trouxe, a esta Câmara, o entendimento da possibilidade de aplicação pelos tribunais administrativos de decisão do pleno do STF, cito: “Por seu turno, analisando os efeitos reflexos da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 sobre os lançamentos fiscais, o E. STJ recentemente esclareceu que “a inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tunc do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito” e, “embora tomada em controle difuso, a Fl. 349DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 09/0 1/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11030.001842/200480 Acórdão n.º 3302001.911 S3C3T2 Fl. 15 6 decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, § único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, art. 741, § único; art. 475L, § 1º, redação da Lei 11.232/05). Afastada a incidência do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, que ampliou a base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, é ilegítima a exação tributária decorrente de sua aplicação. Conseqüentemente, a base de cálculo das referidas contribuições continua sendo a definida pela legislação anterior, nomeadamente a LC 70/91 (art. 2º), por decorrência da qual o conceito de faturamento tem sentido estrito, equivalente ao de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, conforme reiterada jurisprudência do STF. (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no RESP nº 828.106SP, Reg. nº 200600690920, em sessão de 02/05/06, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, publ. in DJU de 15/05/06, pág. 186) Consubstanciando atividade essencialmente realizadora do Direito, inteiramente vinculada e subordinada ao princípio da legalidade do tributo (art. 150, inc. I da CF/88; arts. 97 e 142 do CTN), a atividade administrativa do lançamento tributário necessariamente há de conformarse com a Constituição e com a interpretação que lhe empresta a Suprema Corte, só podendo se efetivar nas condições e sob os pressupostos estipulados em lei válida, donde decorre que ante a formal declaração de inconstitucionalidade ou invalidade da lei pela Suprema Corte, deslegitimamse todos os lançamentos fundados nas referidas disposição e base de cálculo inconstitucionais (§ 1º do art. 3º da Lei 9.718/98); em suma, são ilegítimos todos os lançamentos que refujam às base de cálculos do COFINS e PIS/PASEP adotadas pela legislação anterior e ao conceito de faturamento em sentido estrito por ela adotado e equivalente à receita bruta decorrente de vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços, ou de serviços de qualquer natureza.” (destaquei) Desta feita e, em vista do fato de parte do auto de infração ter como fundamento a base de cálculo ampliada trazida pelo conceito de faturamento previsto na Lei nº 9.718/98 e, uma vez que a constitucionalidade da norma vicia o lançamento, o auto de infração não pode subsistir neste particular, em relação aos valores lançados sob tal fundamento legal. No que se refere ÀS QUESTÕES DUPLICIDADE DE TRIBUTAÇÃO, em vista da inclusão na base de cálculo do lançamento realizado em relação ao mês de janeiro de 2001, dos valores que haviam sido retidos por clientes como forma de garantia de prestação dos serviços da Recorrente, entendo que também lhe assiste razão, conforme documentação acostada aos autos. Vejamos. Os valores em questão correspondem à 5% do valor das notas fiscais de prestação de serviços que foram emitidas pela Recorrente (em especial duas notas fiscais, uma delas emitida em outubro de 1999 e outra em abril de 2000). Estas quantias eram retidas pelos clientes, como forma de garantir a prestação dos serviços – razão pela qual eram “devolvidas”/pagas à Recorrente quando do término da prestação. Os valores em questão Fl. 350DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 09/0 1/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11030.001842/200480 Acórdão n.º 3302001.911 S3C3T2 Fl. 16 7 foram devolvidos em janeiro de 2001 e, com o registro da receita em sua contabilidade, o Fisco entendeu que tais valores deveriam integrar a base de cálculo da COFINS daquele mês. Ocorre que, os valores já haviam integrado a base de cálculo da COFINS dos meses em que foram emitidas as respectivas notas fiscais – quais sejam, outubro/99 e abril/00 – motivo pelo qual foram adequadamente excluídos da base de apuração da contribuição, quando recebidos efetivamente, em janeiro de 2001. A Recorrente comprovou adequadamente que os valores em questão já haviam sido tributados nas competências em que foram emitidas as notas fiscais em questão. Trouxe aos autos não apenas a DIPJ que indica o valor das bases de cálculo da COFINS nos respectivos meses (fls. 39 e 46), mas também, a totalidade das notas fiscais emitidas em cada um destes meses (fls. 325/334 e 336/337), comprovando que a soma dos valores totais das notas fiscais coincidem com os valores submetidos à tributação em outubro de 1999 e em abril de 2000. Desta feita, resta evidente que os valores recebidos em janeiro de 2001 já haviam sido submetidos à tributação pela COFINS, nos meses em que foram emitidas as respectivas notas fiscais, sendo infundada a inclusão dos mesmos valores, novamente, na base de cálculo da contribuição devida no mês de janeiro de 2001. Neste passo, deve ser cancelada também a exigência da COFINS sobre referida quantia (total de R$ 7.900,67, incluído na base do lançamento de janeiro/01). Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário da Recorrente, cancelando integralmente o lançamento, seja em razão da extinção parcial do crédito tributário por ocorrência da decadência (03/1999 a 07/1999), seja em relação ao lançamento em duplicidade de valores anteriormente tributados (em janeiro/2001, no total de R$ 7.900,67), e também porque os valores de base de cálculo remanescentes não podem sofrer a incidência da COFINS, na medida em que não se referem a receita da venda de mercadorias ou da prestação de serviços, em consonância com o entendimento do Supremo Tribunal Federal a respeito do tema. É como voto. Sala das Sessões, em 29 de novembro de 2012 (assinado digitalmente) Relatora Fabiola Cassiano Keramidas Fl. 351DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 09/0 1/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 19647.003819/2003-11
Data da sessão: Thu Oct 01 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Oct 01 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003
Ementa: IRPJ — FALTA DE DOCUMENTAÇÃO - ARBITRAMENTO DO
LUCRO — CABIMENTO — é cabível o arbitramento do lucro quando o
contribuinte, intimado por diversas vezes, deixa de apresentar à fiscalização o Livro Razão e outros documentos que deem suporte à sua escrita contábilfiscal.
MULTA DE OFICIO — ART. 44, I, DA LEI n° 9.430/96 - apurada a infração procedente é a aplicação da multa de oficio no percentual de 75%, nos termos do art. 44, I, da Lei n° 9.430/96,
TAXA SELIC. SÚMULA 1° CC Nº 4. A partir de 10 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
CSLL — TRIBUTO REFLEXO Tendo em vista a intima relação de causa e
efeito que possuem com o lançamento principal, a decisão proferida em relação ao IRPJ deve ser estendida às exações reflexas.
Numero da decisão: 1802-000.204
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Leonardo Lobo de Almeida
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: IRPJ — FALTA DE DOCUMENTAÇÃO - ARBITRAMENTO DO LUCRO — CABIMENTO — é cabível o arbitramento do lucro quando o contribuinte, intimado por diversas vezes, deixa de apresentar à fiscalização o Livro Razão e outros documentos que deem suporte à sua escrita contábilfiscal. MULTA DE OFICIO — ART. 44, I, DA LEI n° 9.430/96 - apurada a infração procedente é a aplicação da multa de oficio no percentual de 75%, nos termos do art. 44, I, da Lei n° 9.430/96, TAXA SELIC. SÚMULA 1° CC Nº 4. A partir de 10 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. CSLL — TRIBUTO REFLEXO Tendo em vista a intima relação de causa e efeito que possuem com o lançamento principal, a decisão proferida em relação ao IRPJ deve ser estendida às exações reflexas.
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Rodrigues & Cia. Ltda. Recorrida 2a Turma - DRJ Rio de Janeiro I Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: IRPJ — FALTA DE DOCUMENTAÇÃO - ARBITRAMENTO DO LUCRO — CABIMENTO — é cabível o arbitramento do lucro quando o contribuinte, intimado por diversas vezes, deixa de apresentar à fiscalização o Livro Razão e outros documentos que deem suporte à sua escrita contábil- fiscal. MULTA DE OFICIO — ART. 44, I, DA LEI n° 9.430/96 - apurada a infração procedente é a aplicação da multa de oficio no percentual de 75%, nos termos do art. 44, I, da Lei n° 9.430/96, TAXA SELIC. SÚMULA 1° CC N" 4. A partir de 10 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. CSLL — TRIBUTO REFLEXO Tendo em vista a intima relação de causa e efeito que possuem com o lançamento principal, a decisão proferida em relação ao IRPJ deve ser estendida às exações reflexas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgad argues esidente Leonardo Lobo de Almeida - Re irior EDITADO EM: ? 8 JP, 1■1 2 ij I I Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Leonardo Lobo de Almeida, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, Jo -do Francisco Bianco. 2 Processo n° 19647 003819/2003-11 SI-TE02 AcOrdffo n 1802-00.204 El 2 Relatório Origina-se o presente de Autos de Infração lavrados a fim de exigir os créditos tributários de IRP.1 (R$ 66.967,63) e CSLL (R$ 35.415,23), todos acrescidos de multa de oficio de 75% e juros de mota. A autuação se deu com o arbitramento do lucro, após a exclusão do contribuinte do SIMPLES. Devidamente intimado, o ora Recorrente apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: informou à SRF, no bojo da sai DIN — exercício de 2000, que sua receita bruta anual teria ultrapassado o limite de R$ 1.200.000,00 e que apenas trés anos após foi excluída da sistemática do SIMPLES através de Ato Declaratótio n.° 117/2003, com efeitos retroativos de 2001 a 2003; - em decorrência da sua exclusão da sistemática do SIMPLES houve o arbitramento do lucro, ensejando a autuação; - no ano de 1999 ultrapassou em R$ 107.867,92 o limite legal, o que o sujeitaria à multa de 10% e não a sua exclusão da sistemática do SIMPLES; - antes de qualquer procedimento fiscal, optou pelo parcelamento do REFIS, em 27/03/2000, efetuando nova opção pelo PAES em 31/07/2003; inaplicabilidade da multa de 75%; - deve ser afastada a apuração pelo lucro arbitrado, visto que o arbitramento só deve ocorrer em hipóteses especiais, as quais não se aplicam a seu caso; e - necessidade de compensação dos pagamentos feitos pela sistemática do SIMPLES e do REFIS, A 2a Turma da DRERJOI, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento, para considerar devidos o IRPJ no valor de R$ 28,674,45, e a CSLL no valor de R$ 13.032,53, ambos acrescidos de multa de oficio de 75%, sob os seguintes fundamentos: - a exclusão do SIMPLES foi efetuada através do Ato Declaratório Executivo n.° 117, de 22/10/2003, embasado no processo administrativo n.° 19647.002922/2003-35; - o contribuinte poderia, no prazo de 30 dias contados da publicação do Ato, apresentar sua manifestação de inconformidade, tendo o interessado apenas impugnado sua exclusão em 05/12/2003, ou seja, intempestivamente; - salienta que eventual insurgência à exclusão da sistemática do SIMPLES deveria ser realizada nos autos do processo administrativo n.°19637.002922/2003-35; /77, 3 - a exclusão do SIMPLES surte efeito a partir do ano-calendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, no entanto no ADE n.°117/2003 consta que os efeitos da exclusão ocorreram a partir de 01/01/2001, motivo pelo qual no ano- calendário de 2000 o interessado ainda se sujeitava ao regime de tributação do SIMPLES, sendo improcedente o lançamento relativo a esse período; - diante da exclusão do SIMPLES foi o interessado intimado a apresentar os livros comerciais e fiscais relativos ao período de 01/01/1999 a 30/06/2003, além do livro Caixa, no entanto em resposta à intimação informou o contribuinte que não mantém escriturado os livros caixa; - ante a falta de apresentação dos livros e documentos de escrituração comercial e fiscal ou o livro caixa, foi levado a efeito o arbitramento do lucro, assim como determina o artigo 530, III, do RIR11999; - o arbitramento não foi utilizado como penalidade, mas como meio de apuração do lucro tributável; - reconhece, de oficio, a improcedência do lançamento relativo à realização do lucro inflacionário no ano-calendário de 2000, pois tendo o contribuinte optado pelo SIMPLES no ano-calendário de 1999, a realização integral do saldo do lucro inflacionário acumulado deveria ter ocorrido ainda no ano de 1999; - reconhece o pleito de exclusão do montante devido dos valores já recolhidos na sistemática do SIMPLES ou objeto de parcelamento (PAES); - quanto a alegação do caráter confiscatório da multa de oficio, salienta a impossibilidade do exame de eventual inconstitucionalidade de lei ou ato normativo administrativamente; e - possibilidade de aplicação da taxa SELIC, nos termos do artigo 61, § 3° da Lei n.° 9A30/96. Irresignado, apresentou o contribuinte Recurso Voluntário (fls. 353/356), com base nos seguintes argumentos: - preliminar de cerceamento de defesa por não ter sido notificado pessoalmente do Ato Declaratário n.° 117/2003, não tendo tomado ciência da publicação em Diário Oficial no dia 24/10/2003; - reitera os termos da Impugnação apresentada; - impossibilidade de aplicação da multa de oficio, bem como da utilização da taxa SELIC como juros de mora; - que o arbitramento do lucro so pode ocorrer em situações especiais, cabendo ao Fisco apurar o lucro do contribuinte com base nas normas aplicáveis As demais pessoas jurídicas, aproveitando as Declarações de Imposto de Renda nos anos de 2000 a 2003; e É o relatório. 4 Proccsso n" 19647 003819/2003-11 SI-TM AcOrdfio n 1802-00.204 Fl 3 Voto Conselheiro Relator, Leonardo Lobo de Almeida 0 recurso é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. De plano, importante destacar que o simples fato de estar pendente de julgamento recurso administrativo, já importa na suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do inciso III do artigo 151 do CTN, sendo desnecessária qualquer manifestação expressa neste sentido. Quanto à preliminar de cerceamento de defesa em razão da ausência de notificação pessoal quando ao Ato Declaratório de Exclusão n.°117/2003, tern-se que, conforme bem salientado pela decisão da DR,I, a exclusão do ora Recorrente da sistemática do SIMPLES decorreu de regular processo administrativo (n.° 19647.002922/2003-35) e de cumprimento de todas as fonnalidades legais. Eventual irresignação do ora Recorrente quanto a sua exclusão da sistemática do SIMPLES deveria ter sido efetuada no âmbito daquele processo administrativo, respeitado o prazo legal para tanto. Importante salientar que a publicação em Diário Oficial do Ato Declaratório de Exclusão n.°117/2003 tem como objetivo dar publicidade ao ato, não podendo o ora Recorrente alegar que não teve conhecimento de tal publicação, nem tampouco do prazo para recurso. Ora, o próprio Recorrente reconhece que violou a legislação do SIMPLES ao ultrapassar o limite estabelecido para receita bruta anual . Ademais, a presente ação fiscal iniciou-se em setembro de 2003, antes mesmo da publicação do ADE. Dessa forma, não há como se vislumbrar qualquer ilegalidade ou irregularidade no ato de exclusão do ora Recorrente da sistemática do SIMPLES. Resta, portanto, afastada a preliminar argüida. No mérito, não se verifica qualquer ilegalidade no arbitramento do lucro pela autoridade fiscal. Conforme se verifica de Inicio de Fiscalização (fls. 35/36) e Termo de Intimação Fiscal (fls. 38), iniciada a fiscalização foi a Recorrente intimada a apresentar os livros fiscais e demais documentos contábeis que serviram para escrituração do período fiscalizado. Apenas em 24/10/2003 a Recorrente apresenta petição informando não manter escriturados os livros caixas de 1999 a 2003. Resta claro, portanto, qtre a ora recorrente, apesar de regularmente intimada, não apresentou a fiscalização os documentos por ela solicitados, que deveriam demonstrar a regularidade de sua contabilidade. Na realidade, a ora Recorrente chega a reconhecer que não possui os livros fiscais, apesar de serem estes obrigatórios. Em casos tais, diante da ausência de documentação hábil , correto o arbitramento do lucro pela autoridade fiscal. Este é o entendimento pacifico desta Corte Administrativa: IRPJ E OUTROS — LUCRO ARBITRADO NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS — ARBITRAMENTO DO LUCRO — CABIMENTO. E cabível o arbitramento do lucro de pessoa jurídica na hipótese da não apresentação de livros .fiscais e contábeis, bem como da documentação em que se last reie a escrituração contcibil, quando regularmente intimada a tanto, aquela não o faça. (1" CC — I" Camara — Recurso n ° 153450 — Relator Conselheiro Joao Carlos de Lima Júnior —julgado em 07/12/2007) IRPJ - LUCRO ARBITRADO - FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS - A falta de apresentação pela .fiscalizada de livros e documentos contábeis e fiscais impossibilita a apura cão do Lucro Real, restando como única forma de tributação o arbitramento do lucro tributável. (I" CC — 8" câmara — Recurso n° 144619 — Relator Conselheiro Nelson Lósso Filho —julgado em 14/09/2007) ARBITRAMENTO DE LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO CONTÁBIL — Dá-se o arbitramento do lucro quando não apresentados os documentos contábeis pela autuada. Previsão legal, (I" CC — 7" câmara — Recurso n° 148036— Relatora Conselheira Lisa Marini Ferreira dos Santos julgado em 16/10/2007) IRPJ ARBITRAMENTO — NÃO ATENDIMENTO AS INTIMAÇÕES CABIMENTO — A não apresentação dos livros e da documentação conttibil, apesar de reiteradas e sucessivas intimações, impossibilita ao .fisco a apuração do lucro real, restando como única alternativa o arbitramento da base tributável. (1" CC — 1" câmara — Recurso n° 161258 — Relator Conselheiro Valmir Sandri —julgado em 17/10/2008) Da mesma forma, quanto ao questionamento da aplicação da multa de oficio no patamar de '75%, não há como dar guarida à pretensão do recorrente. Não se trata, neste particular, de se examinar se o contribuinte estava de boa- fé, se tinha intenção de sonegar ou se o montante glosado estava ou não devidamente escriturado em sua contabilidade. A infração aqui é objetiva: se os valores não foram informados ao Fisco, via declaração própria, e não foi recolhido o tributo devido, impe-se a multa de oficio no percentual de 75%, na forma da legislação vigente. 6 Processo n° 19647 003819/2003-1 I SI-TE02 Acentric) n.° 1802-00.204 FL 4 Confira-se, a respeito, a jurisprudência existente: DECLARAÇÃO INEXATA, APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% PREVISTA NO INCISO IDO ART, 44 DA LEI 9.430/96 Não há que se falar em aplicação de multa de mora de 20% ao invés da multa de 75%, em caso de declaração inexata, em lançamento de oficia, (I" CC — 7" Câmara Recurso n° 149818 — Relatora Conselheira Renata Sucupira Duarte —julgado em z 26/07/2006) MULTA DE OFICIO, A multa de oficio aplicada no patamar de 75% do tributo lançado tem amparo legal, não possui natureza confiscatória e é pertinente ti hipótese dos autos, consideradas as divergências encontradas pela fiscalização entre as valores declarados (e/ou pagos) pela contribuinte e aqueles por ela escriturados. (1° CC — 3" Câmara — Recurso n° 156336— Relator Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho — julgado em 27/06/2008) SANÇÃO — a multa no patamar de 75% é imposta pela constatação da prática delitiva independentemente da caracterização de elemento volitivo. (I" CC — 3" câmara — Recurvo n° 158798 — Relator Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santo.s Mendes —julgado em 22/01/2008) Corn isso, está caracterizada a hipótese de incidência da penalidade legalmente prevista, que foi corretamente aplicada pelo fiscal responsável. Quanto ao cabimento da taxa Selic, deve ser trazida à colação a Súmula n° 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes: Súmula 1° CC n° 4.. A partir de I" de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplencia, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Destarte, estando a decisão atacada bem fundamentada, devidamente embasada nos elementos existentes nos autos,rejeito a preliminar suscitada e nego provimento ao presente recurso. • ---.) 7 -) C: .», L., , Leonardo o o -de- Almeida 7
score : 1.0
Numero do processo: 10240.001353/2003-17
Data da sessão: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1999
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS.
A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-000.207
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage, que deram provimento ao recurso.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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M. CONSTRUÇÃO E COMÉRCIO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1999 ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS. A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiro Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giacomelli Nune ,, da Silva, R, cardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage que negaram pr q vimento. 1 f 'n 1 0- CARLOS AL : • • • FREITAS: • RRETO — Presidente .,- Illtv ELIAS S • ' • 10 ' IRE—Relator 1 EDITADO EM: 19 SEI a009 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (substituto do Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Julio Cesar Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Júnior, Moisés Giaconelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata-se de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte em virtude de o acórdão recorrido ter exigido a averbação da reserva legal para fins de não incidência do ITR, antes da ocorrência do fato gerador do tributo. A Fazenda Nacional apresentou contra-razões clamando pelo desprovimento do recurso. Voto Conselheiro ELIAS SAMPAIO FREIRE, Relator O Recurso é tempestivo, estando também demonstrado o dissídio jurisprudencial, pressupostos regimentais indispensáveis à admissibilidade do Recurso Especial. Assim, conheço do Recurso Especial interposto pelo contribuinte. De feito, a questão controvertida disse respeito à exigência da averbação da área de reserva legal para fins de isenção do ITR. Para o deslinde da questão vale repassar as normas legais regedoras da isenção de ITR incidente sobre a área de reserva legal e, conseqüentemente, do próprio conceito de área de reserva legal. Inicialmente, há de se esclarecer que o lançamento tributário reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada, nos termos em que disciplina o art. 144 do CTN. O art. 10, § 1°, inciso II, que trata da área tributável do imóvel para fins de ITR, exclui da incidência do imposto a áreas de preservação permanente e de reserva legal previstas no Código Florestal Brasileiro, in verbis: Art. 10 § 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: 2 Processo n° 10240.001353/2003-17 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.207 Fl. 3 a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; Por seu turno, a Lei n° Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989 (Código Florestal Brasileiro), portanto, à época dos fatos geradores, previa a obrigatoriedade de averbação da área de reserva legal no registro de imóveis competente, nos seguintes termos: Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2° e 3° desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições: § 2°A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei n o 7.803 de 18.7.1989). No meu entender a averbação da área de reserva legal à margem da inscrição de matricula do imóvel no registro de imóveis competente é condição para que a referida área seja, efetivamente, considerada como área de reserva legal. Precedente do Supremo Tribunal Federal (Mandado de Segurança n° 22.688/PB) é explicito no sentido de que determinada área somente pode ser considerada como área de reserva legal após a averbação desta situação no registro de imóveis, assim ementado: EMENTA: Mandado de segurança. Desapropriação de imóvel rural para fins de reforma agrária. Preliminar de perda de objeto da segurança que se rejeita. • - No mérito, não fizerem os impetrantes prova da averbação da área de reserva legal anteriormente à vistoria do imóvel, cujo laudo (fls. 71) é de 09.05.96, ao passo que a averbação existente nos autos data de 26.11.96 (fls. 73-verso), posterior inclusive ao Decreto em causa, que é de 06.09.96.(GRIFEI) Mandado de segurança indeferido. Por relevante, transcrevo excerto voto vista do Ministro Sepúlveda Pertence proferido no julgado do Mandado de Segurança acima ementado, em que afirma peremptoriamente que sem a averbação determinada pelo §2° do art. 16 da lei n° 4.771/1965 não existe reserva legal: A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ser excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade (.) 3 A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja determinada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel o que dos novos proprietários só estaria obrigado a preservar vinte por cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo §2° do art. 16 da lei n°4.771/1965 não existe reserva legal. (GRIFEI) Portanto, a averbação no registro de imóveis não se trata tão somente de matéria de prova acerca da configuração da área de reserva legal ou, ainda, de obrigação acessória a ser cumprida pelo contribuinte, pelo contrário, trata-se de ato constitutivo da própria área de reserva legal. Destarte, a área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial do contribuinte. Elias Sampaio - ire - Re :tor • 4
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000915/2004-76
Data da sessão: Thu Oct 29 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Oct 29 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2000,2001,2002,2003
RENDIMENTOS ISENTOS - RECLASSIFICAÇÃO DE OFÍCIO - A declaração de rendimentos tributáveis como isentos ou não-tributáveis enseja a sua reclassificação e a exigência mediante lançamento de ofício do imposto devido e acréscimos legais.
ISENÇÃO - DECLARANTE MAIOR DE 65 ANOS - LIMITE - A isenção dos rendimentos de aposentadoria recebidos por declarante com 65 anos ou mais é limitada ao valor estabelecido em lei, independentemente do número de fontes pagadoras que o beneficiário eventualmente possua (art. 6o, inciso XV, da Lei n°. 7.713, de 1988, com a redação dada pela Lei n°. 9.250, de 1995).
RENDIMENTO SUJEITO AO AJUSTE ANUAL - RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA - Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula ICC n° 12).
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE - O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula Io CC n° 2).
JUROS - TAXA SELIC - A partir de Io de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmulal°CCn°4).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-000.283
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2000,2001,2002,2003 RENDIMENTOS ISENTOS - RECLASSIFICAÇÃO DE OFÍCIO - A declaração de rendimentos tributáveis como isentos ou não-tributáveis enseja a sua reclassificação e a exigência mediante lançamento de ofício do imposto devido e acréscimos legais. ISENÇÃO - DECLARANTE MAIOR DE 65 ANOS - LIMITE - A isenção dos rendimentos de aposentadoria recebidos por declarante com 65 anos ou mais é limitada ao valor estabelecido em lei, independentemente do número de fontes pagadoras que o beneficiário eventualmente possua (art. 6o, inciso XV, da Lei n°. 7.713, de 1988, com a redação dada pela Lei n°. 9.250, de 1995). RENDIMENTO SUJEITO AO AJUSTE ANUAL - RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA - Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula ICC n° 12). ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE - O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula Io CC n° 2). JUROS - TAXA SELIC - A partir de Io de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmulal°CCn°4). Recurso negado.
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Numero do processo: 10980.008089/2005-32
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2008
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 15/05/2002, 15/08/2002, 14/11/2002
DCTF. MULTA POR ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A disposição do artigo 138 do Código Tributário Nacional-CTN
não alcança as penalidades impostas por descumprimento de
obrigação acessória como, por exemplo, a multa por atraso na
entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais
- DCTF.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 302-40.062
Decisão: ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de
contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 15/05/2002, 15/08/2002, 14/11/2002 DCTF. MULTA POR ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A disposição do artigo 138 do Código Tributário Nacional-CTN não alcança as penalidades impostas por descumprimento de obrigação acessória como, por exemplo, a multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2013-10-09T17:33:01Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 6; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2013-10-09T17:33:01Z; Last-Modified: 2013-10-09T17:33:01Z; dcterms:modified: 2013-10-09T17:33:01Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:202de57e-fcc4-4a5d-813a-069453a5d240; Last-Save-Date: 2013-10-09T17:33:01Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2013-10-09T17:33:01Z; meta:save-date: 2013-10-09T17:33:01Z; pdf:encrypted: false; modified: 2013-10-09T17:33:01Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2013-10-09T17:33:01Z; created: 2013-10-09T17:33:01Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2013-10-09T17:33:01Z; pdf:charsPerPage: 1339; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2013-10-09T17:33:01Z | Conteúdo => JUDITH DO A ARCONDES ARMANDO - Presiden LUCIANO LOPES D EIDA MORAES - Relator MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n° 10980.008089/2005-32 Recurso n° 142.658 Voluntário Matéria DCTF Acórdão n° 302-40.062 Sessão de 11 de dezembro de 2008 Recorrente LABORATÓRIO DE PRÓTESE ODONTOLÓGICA SILGITZ LTDA Recorrida DRJ-CURITIBA/PR ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 15/05/2002, 15/08/2002, 14/11/2002 DCTF. MULTA POR ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A disposição do artigo 138 do Código Tributário Nacional-CTN não alcança as penalidades impostas por descumprimento de obrigação acessória como, por exemplo, a multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Ricardo Paulo Rosa e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional Maria Cecilia Barbosa. CC03/CO2 Fls. 31 1 Processo n° 10980.008089/2005-32 AcórcIdo n.° 302-40.062 CC03/CO2 Fls. 32 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o presente processo de auto de infração, cientificado ao sujeito passivo em 28/06/2005N 18), mediante o qual é exigido o crédito tributário total de R$ 1.500,00, referente â multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF relativa ao 1°, 2" e 3" trimestres de 2002, sendo que o prazo final para entrega ocorreu em 15/05/2002, 15/08/2002 e 14/11/2002, e a entrega efetiva, ocorreu em 22/01/2003 relativamente ao primeiro trimestre e em 28/01/2003 quanto aos demais. Os fundamentos legais e normativos que embasanz o lançamento estão descritos no campo 5 (Descrição dos fatos/fundamentação) do auto de infração. Em 02/08/2005, o contribuinte apresentou impugnação onde alega, em síntese, que seria indevida a exigência de multa pela aplicação, ao caso, do instituto da denúncia espontânea da infração (CTN, art. 138), conforme inclusive já teriam decidido os Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda e também diversas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, cujas decisões encontram-se relacionadas através de suas ementas na impugnação. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba/PR indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/CTA n° 17.802, de 25/04/2008, fls. 19/22: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 15/05/2002, 15/08/2002, 14/11/2002 DCTF. MULTA POR ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A disposição do artigo 138 cio Código Tributário Nacional-CTN não alcança as penalidades impostas por descumprimento de obrigação acessória como, por exemplo, a multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF. Lançamento Procedente. Às fls. 25 o c ntribuinte foi intimado da decisão supra, motivo pelo qual apresenta Recurso Voluntário d fls. 26/28, tendo sido dado, então, seguimento ao mesmo. É o relatório. 2 Processo n° 10980.008089/2005-32 Acórdão n° 302 -40.062 CC03/CO2 Fls. 33 Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, Relator 0 recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Discute-se a aplicação da multa por atraso na entrega da DCTF. 0 simples fato de não entregar a tempo a DCTF já configura infração à. legislação tributária, ensejando, de pronto, a aplicação da penalidade cabível. A obrigação acessória relativa A entrega da DCTF decorre de lei, a qual estabelece prazo para sua realização. Salvo a ocorrência de caso fortuito ou força maior, não comprovado nos autos, não há que se falar em denúncia espontânea. Ressalte-se que em nenhum momento a recorrente se insurge quanto ao atraso, pelo contrário, o confirma. De acordo com os termos do § 4°, art. 11 do Decreto-lei 2.065/83, bem corno entendimento do Superior Tribunal de Justiça "a multa é devida mesmo no caso de entrega a destempo antes de qualquer procedimento de oficio. Trata-se, portanto, de disposição expressa de ato legal, a qual não pode deixar de ser aplicada, urna vez que é principio assente na doutrina pátria de que os órgãos administrativos não podem negar aplicação a leis regularmente emanadas do Poder competente, que gozam de presunção natural de constitucionalidade, presunção esta que só pode ser afastada pelo Poder Judiciário". Cite-se, ainda, acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais n° 02-01.046, sessão de 18/06/01, assim ementado: DCTF — MULTA POR ATRASO NA ENTREGA — ESPONTANEIDADE — INFRAO . 0 DE NATUREZA FORMAL. 0 principio da denuncia espontânea não inclui a prática de ato formal, não estando alcançado pelos ditames do art. 138 do Código Tributário Nacional. Recurso Negado. No que se refere à falta de lei, entendo não deva ser acatado este posicionamento. A obrigatoriedade de apresentar a DCTF e a conseqüente penalidade na hipótese de não ser entregue ou de ser entregue fora do prazo decorrem, inicialmente, do disposto no §3° do artigo 5° do Decreto-lei n°2.124, de 13 de junho de 1984, que dispõe: Art.5° - 0 ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações Acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal 3 Processo n° 10980.00808912005-32 Acórdão n.° 302-40.062 CC03/CO2 Fls. 34 §3" - Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator a multa de que tratam os 5.0 2", 3" e 4" do artigo 11 do Decreto-lei n" 1.968, de 23 de novembro de 1982, com a redação que Ihe foi dada pelo Decreto-lei n° 2.065, de 26 de outubro de 1983. Note-se que o artigo 5° do Decreto-lei n°2.124, de 1984, atribuiu ao Ministro da Fazenda a competência para instituir ou extinguir obrigações Acessórias, atribuição esta delegada ao Secretário da Receita Federal pela Portaria MF n° 118, de 1984. Este, por sua vez, mediante a Instrução Nonnativa SRF n° 126, de 30 de outubro de 1998, detenninou que se cumprisse a obrigação acessória a que se refere o artigo 5° do Decreto-lei n° 2.124, de 1984, mediante a entrega do formulário denominado Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). No mesmo sentido, dispõe a Instrução Normativa SRF n° 255, de 11 de dezembro de 2002. Para a entrega da DCTF, a legislação fixa prazo determinado. 0 § 2° do Art. 2° da Instrução Normativa n° 126, de 1998, corn a redação dada pelo art 1° da Instrução Normativa SRF n° 083, de 12 de julho de 1999, determinou que a DCTF devia ser entregue até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. Idêntica disposição se manteve no art. 5° da Instrução Normativa SRF n°255, de 11 de dezembro de 2002. Corn o advento da Instrução Normativa SRF n° 482, de 21 de dezembro de 2004, aplicável aos fatos geradores ocorridos a partir do ano-calendário de 2005, o prazo passou a ser o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores. A entrega da declaração após o prazo previsto configura infração da legislação tributária. A caracterização da infração independe da ocorrência de sonegação ou falta de pagamento de tributo. Pelo que dispõe o art. 113 do CTN, a finalidade das regras tributárias não se restringe ao estabelecimento de obrigações principais, mas também de obrigações assessórias, entre as quais está a entrega da DCTF. De acordo com o § 2° do art. 113 do CTN, a obrigação acessória decorre da legislação tributária e tern por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Diz o § 3° do mesmo artigo, que a obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte- se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Assim, o descumprimento da obrigação assessória está longe de ser um evento irrelevante, mas, sim, sujeita o infrator A. punição igualmente prevista em lei. Dai decorre o lançamento em questão. Realmente, a motivação da autação é a entrega de DCTF fora do prazo. Tal motivação foi devidamente descrita no auto de infração, inclusive com indicação da data de encerramento do prazo e da data da entrega. A impugnante não nega que a entrega se fez fora do prazo. Portanto, confirma-se a ocorrência do fato que motivou o lançamento, e a sua caracterização como infração. A multa para a entrega em atraso da DCTF, a partir do ano-calendário de 2002, é a definida pelo art. 7° da Medida Provisória n.° 16, de 27 de dezembro de 2001, convertida no art. 7° da Lei n.° 10.426, de 24 de abril de 2002. De acordo o § 1° do art. 2° da Lei de Introdução ao Código Civil, a lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei Processo n° 10980.008089/2005-32 Acórdão n.° 302-40.062 CC03/CO2 Fls. 35 anterior. Isso posto, para infrações cometidas após o advento da referida MP, não tem sentido querer que seja aplicada a multa prevista na legislação anterior. Nada impede que a obrigação assessória seja definida em urn ato legal e a sanção pelo seu descumprimento, em outro. A obrigação e a multa consolidadas na IN SRF n.°126, de 1998, já decorriam de bases legais distintas: a obrigação, do Decreto-lei n°2.124, de 1984; a sanção, do Decreto-lei n° 1.968, de 1982. Da mesma forma, nada impede que a lei nova altere a anterior apenas em parte. o que ocorre no caso. A obrigação assessória continuou a mesma, só se tendo alterado a sanção. Alem disso, a obrigação e a nova punição foram novamente consolidadas em um mesmo ato. A Instrução Normativa n.° 255, de 11 de dezembro de 2002, que regulamentou a Lei n.°10.426, de 2002, embora contemple as mudanças relativas à multa, define a obrigação assessória nos mesmos termos da IN SRF n.° 126. Não é demais acrescentar que, por força do art. 105 do CTN, o lançamento se reporta h. data do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posterion-nente modificada ou revogada. Assim sendo, a IN SRF n.° 126, de 1998, continua sendo aplicável aos fatos geradores ocorridos no período de sua vigência. Não obstante, as inovações da MP n.° 16, de 2001, por força do art.106 do CTN, aplicam-se a infrações anteriores à data de sua publicação, quando for mais benigna do que a legislação que a antecedeu. Não sendo a sua aplicação mais benigna, os fundamentos legais da multa pelo descumprimento da obrigação acessória são os §§3° e 4° do artigo 11 do Decreto-lei n° 1.968, de 1982, corn a redação que lhe foi dada pelo artigo 10 do Decreto-lei n° 2.065, de 1983. A aplicação desse Decreto-lei as DCTF se faz na forma regulamentada pela Instrução Normativa SRF no 126, de 1998, que atualizou o valor da multa nele previsto. 0 texto do art. 6° da IN SRF n.° 126 é o abaixo transcrito: Art. 62 A falta de entrega da DCTF ou a sua entrega após os prazos referidos no art. 22, sujeitará a pessoa jurídica ao pagamento da multa correspondente a cinqüenta e sete reais e trinta e quatro centavos, por mês-calendário ou fração .de atraso, tendo como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega (Decreto-lei n 2 1.968, de 1982, art. 11, §,sç 21' e 31', com as modificações do Decreto-lei n 2 2.065, de 1983, art. 10; Lei n2 8.383, de 1991, art. 32, inciso I; da Lei n2 9.249, de 1995, art. 30). § 12 Para cada grupo ou fração de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas na DCTF, será cobrada multa de cinco reais e setenta e três centavos. ,sç 22 As multas de que trata este artigo serão exigidas de oficio. § 32 Os contribuintes omissos na entrega da DCTF serão incluídos em programas de fiscalização. Conferida as disposições legais, conclui-se que nenhum defeito há no enquadramento do auto de infração. Nele estão corretamente citadas a MP n.° 16, de 2001, e a • • ,. Processo n° 10980.008089/2005-32 Acórdão n.°302-40.062 CC03/CO2 Fls. 36 Lei n.° 10.426, de 2002, aplicáveis A lide. 0 fato de se ter citado toda a legislação que regula a matéria, inclusive aquela aplicável a fatos anteriores ao período abrangido pelo lançamento, não resultou em prejuízo para o autuado. Visto que a multa foi aplicada conforme a legislação determina, ela não pode ser afastada. De acordo com o inciso VI do art. 97 do CTN, somente a lei pode estabelecer as hipóteses de dispensa ou redução de penalidades. Não há lei que contemple as hipóteses alegadas corno razão para a dispensa da multa em lide. São pelas razões supra e demais argumentações contidas na decisão a quo, que encampo neste voto, corno se aqui estivessem transcritas, que nego seguimento ao recurso interposto, prejudicados os demais argu entos. Sala das Sessões, em 11 d dezembro de 2008 • LUCIANO LOPES DE ALM IDA MOR ES - Relator • 6
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Numero do processo: 10805.001129/2007-16
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/1996 a 30/04/2001
PREVIDENCIÁRIO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DESCUMPRIMENTO
Constitui descumprimento de obrigação tributária acessória prevista na legislação, a empresa deixar de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições para a Seguridade Social ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira.
PERÍCIA - NECESSIDADE - COMPROVAÇÃO - REQUISITOS - CERCEAMENTO DE DEFESA - NÃO OCORRÊNCIA
Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-003.292
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Ana Maria Bandeira- Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/1996 a 30/04/2001 PREVIDENCIÁRIO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DESCUMPRIMENTO Constitui descumprimento de obrigação tributária acessória prevista na legislação, a empresa deixar de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições para a Seguridade Social ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. PERÍCIA - NECESSIDADE - COMPROVAÇÃO - REQUISITOS - CERCEAMENTO DE DEFESA - NÃO OCORRÊNCIA Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1685; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 131 1 130 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10805.001129/200716 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402003.292 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de janeiro de 2013 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO DEIXAR DE APRESENTAR LIVROS E DOCUMENTOS Recorrente CS FERRAMENTARIA E USINAGEM LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 30/04/2001 PREVIDENCIÁRIO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO Constitui descumprimento de obrigação tributária acessória prevista na legislação, a empresa deixar de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições para a Seguridade Social ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. PERÍCIA NECESSIDADE COMPROVAÇÃO REQUISITOS CERCEAMENTO DE DEFESA NÃO OCORRÊNCIA Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 11 29 /2 00 7- 16 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10805.001129/200716 Acórdão n.º 2402003.292 S2C4T2 Fl. 132 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista nos §§ 2º e 3º do artigo 33 da Lei nº 8.212 de 1991 c/c os artigos 232 e 233, § único do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, que consiste em a empresa deixar de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições para a Seguridade Social ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fl. 06), a empresa deixou de apresentar ou apresentou de forma deficiente os seguintes documentos: a) documentos não apresentados: livros diário ou livro caixa registro de inventario folhas de pagamento referente ao período de 05/1996, 03/1997, 12/1998, 01/1999 e de 06 a 13/1999 GFIP, GRFP e GRFC RAIS 1996, 1999, 2000 e 2001 resumos mensais das folhas de pagamento de 01/96 a 04/96, 06/96 a 02/97, 04/97 a 11/98, 13/98, 02/99 a 05/99, 08 a 10/2000 e 04/2001. b) apresentou de forma deficiente (faltando discriminativo analítico de parte dos empregados) as folhas de pagamento de 01/96 a 04/96, 06/96 a 02/97, 04/97 a 11/98, 13/98, 02/99 a 05/99, 08 a 10/2000 e 04/2001. A autuada tomou ciência do lançamento em 31/03/2006 e apresentou defesa (fls. 38/45), onde alega que é optante pelo SIMPLES e, sem prévia notificação e sem o devido processo legal, foi excluída por ato declaratório que a Impetrante desconhece e só teve conhecimento deste indigitado ato, através da própria Fiscalização. Afirma que como empresa optante do SIMPLES, a Impugnante estava desobrigada da escrituração do livro diário, livro registro de inventário. Quanto aos demais documentos solicitados argumenta que não deixou de apresentálos apenas solicitou prazo maior para tanto o que não foi considerado. Argumenta sobre seu direito de permanecer no SIMPLES e da ilegalidade e inconstitucionalidade do ato declaratório executivo de exclusão. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Considera arbitrária a cobrança de tributos desde sua opção pelo SIMPLES baseado no suposto ato declaratório executivo. Solicita realização de diligências e perícias. Os autos foram encaminhados à auditoria fiscal, em diligência, para que se manifestasse quanto à informação dada pelo contribuinte, mencionando o n° do processo de exclusão da empresa do SIMPLES, a data da decisão, seus efeitos e, se possível, juntada de cópia desta. Em resposta (fl.66/67), a auditoria fiscal informa que a própria empresa apresentou o "Termo de Opção do SIMPLES" e o seu indeferimento. A empresa apresentou pedido de reconsideração através do processo PT 10805.001243/200312 de 03/06/2003, o qual foi indeferido por meio do comunicado da SRF SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL SECAT 172/2005. Assim, a auditoria fiscal alega que a empresa jamais foi optante pelo SIMPLES. Intimada da resposta da auditoria fiscal, a autuada manifestouse (fls. 66/67) reforçando suas alegações e insistindo no acolhimento de seu pedido de perícia sob pena de cerceamento de defesa. Pelo Acórdão nº 0522.035 (fls. 101/103) a 8ª Turma da DRJ/Campinas julgou a autuação procedente. Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 110/117), onde efetua a repetição das alegações de defesa. É o relatório. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10805.001129/200716 Acórdão n.º 2402003.292 S2C4T2 Fl. 133 5 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A recorrente foi autuada por não apresentar a totalidade da documentação solicitada pela auditoria fiscal, bem como por ter apresentado parte de documentação de forma deficiente, conforme se verifica da descrição feita no Relatório Fiscal da Infração juntado à folha 6. Parte da argumentação apresentada referese ao inconformismo da recorrente por uma suposta exclusão do SIMPLES, a ilegalidade e inconstitucionalidade de ato de exclusão e as razões pelas quais a recorrente entende que deve ser admitida no referido sistema simplificado de tributação. Vale dizer que tal argumentação não se presta a desconstituir o presente lançamento. O lançamento de contribuições previdenciárias não é objeto do processo em questão e a recorrente foi autuada pelo descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 33, §§ 2º e 3º da Lei nº 8.212/1991, abaixo transcritos, na redação atual, dada pela Lei nº 11.941/2009: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(.....). § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. Asseverese que ainda que a empresa fosse optante pelo SIMPLES estaria obrigada à apresentação de documentos e sujeita à autuação em caso de descumprimento da solicitação, uma vez que a opção pelo SIMPLES não desobriga as empresas ao cumprimento das obrigações acessórias. A recorrente alega que não teria deixado de apresentar a documentação solicitada, apenas solicitou maior prazo para tanto, o que não lhe teria sido concedido. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Verificase que a recorrente deixou de apresentar vários documentos, entre eles livros contábeis. Também apresentou folhas de pagamento de forma deficiente. Tal situação dificultou o trabalho da auditoria fiscal que necessita dos documentos para a apuração da regularidade ou não da empresa sob ação fiscal. A recorrente alega que não houve empenho, por parte do órgão, na busca da verdade, ocorre que, mesmo alegando que os documentos não teriam sido apresentados pela negativa da dilação do prazo para apresentação, em nenhum momento, a recorrente trouxe aos autos a documentação faltante, a fim de demonstrar a veracidade de sua alegação. Cumpre afastar a alegação de cerceamento de defesa pelo indeferimento da perícia solicitada. A necessidade de perícia para o deslinde da questão tem que restar demonstrada nos autos. No que tange à perícia, o Decreto nº 70.235/1972 estabelece o seguinte: Art.16 A impugnação mencionará: .................................. IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (...) Art.18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. Da leitura do dispositivo, verificase que além de ser obrigada a cumprir requisitos para ter o pedido de perícia deferido, tal deferimento só ocorrerá diante do entendimento da autoridade administrativa no que concerne à necessidade da mesma. Nesse sentido, não basta que o sujeito passivo deseje a realização da perícia, esta tem que se considerada essencial para o deslinde da questão pela autoridade administrativa, nos termos da legislação aplicável. Não tendo sido demonstrada pela recorrente a necessidade da realização de perícia, não se pode acolher a alegação de cerceamento de defesa pelo seu indeferimento. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10805.001129/200716 Acórdão n.º 2402003.292 S2C4T2 Fl. 134 7 Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 270DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10247.000098/2006-60
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 INSUMO. DELIMITAÇÃO DO CONCEITO Para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que onere a atividade da econômica, mas tão somente os que sejam diretamente empregados na produção de bens ou prestação de serviços. FORMAÇÃO E CONSERVAÇÃO DE FLORESTAS Gastos no plantio e manutenção de florestas devem ser incorporados ao valor desse ativo, descabendo, portanto, computá-los como despesa. EXTRAÇÃO Os serviços necessários à extração da matéria-prima empregada no processo produtivo enquadram-se no conceito de insumo, para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social não-cumulativos. Consequentemente, os gastos incorridos com tais serviços devem ser computados para efeito de cálculo das contribuições. FRETES E COMBUSTÍVEIS Apenas os fretes incorridos e o combustível comprovadamente gastos no transporte dos insumos e dos produtos em industrialização incorporam-se ao custo dos mesmos e devem ser considerados para efeito de cálculo. SERVIÇOS ATRELADOS À MANUTENÇÃO DO PARQUE FABRIL Despesas com serviços de manutenção, que só atingem o processo produtivo indiretamente, não se incluem no rol dos dispêndios capazes de gerar crédito, independentemente da possibilidade de serem contabilizadas como custo. A legislação de regência exige que se demonstre a vinculação direta entre o dispêndio e o processo produtivo. CORREÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO.
Por expressa determinação legal, os créditos da Cofins e da contribuição para
o PIS/Pasep nãocumulativas,
apurados quando da aquisição de produtos e
serviços que serviram de insumo de produto exportado não estão sujeitos à
correção pela taxa Selic.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido
Numero da decisão: 3102-001.272
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator, para acolher os créditos calculados sobre gastos com corte, arraste, baldeio, traçamento e transporte da madeira, incorridos quando da sua extração. Vencidos os conselheiros: a)Nanci Gama, que também acolhia os créditos calculados em razão dos gastos na formação e manutenção de florestas, na manutenção do parque fabril, além da correção monetária a partir da apresentação da PER/Dcomp; b) Álvaro Almeida Filho, que também acolhia os créditos calculados em razão dos gastos na formação e manutenção de florestas e na manutenção do parque fabril; e c) Luciano Pontes de Maya Gomes, que também acolhia a correção monetária a partir da apresentação da PER/Dcomp.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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DELIMITAÇÃO DO CONCEITO Para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que onere a atividade da econômica, mas tão somente os que sejam diretamente empregados na produção de bens ou prestação de serviços. FORMAÇÃO E CONSERVAÇÃO DE FLORESTAS Gastos no plantio e manutenção de florestas devem ser incorporados ao valor desse ativo, descabendo, portanto, computálos como despesa. EXTRAÇÃO Os serviços necessários à extração da matériaprima empregada no processo produtivo enquadramse no conceito de insumo, para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social nãocumulativos. Consequentemente, os gastos incorridos com tais serviços devem ser computados para efeito de cálculo das contribuições. FRETES E COMBUSTÍVEIS Apenas os fretes incorridos e o combustível comprovadamente gastos no transporte dos insumos e dos produtos em industrialização incorporamse ao custo dos mesmos e devem ser considerados para efeito de cálculo. SERVIÇOS ATRELADOS À MANUTENÇÃO DO PARQUE FABRIL Despesas com serviços de manutenção, que só atingem o processo produtivo indiretamente, não se incluem no rol dos dispêndios capazes de gerar crédito, independentemente da possibilidade de serem contabilizadas como custo. A legislação de regência exige que se demonstre a vinculação direta entre o dispêndio e o processo produtivo. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 CORREÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. Por expressa determinação legal, os créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativas, apurados quando da aquisição de produtos e serviços que serviram de insumo de produto exportado não estão sujeitos à correção pela taxa Selic. Recurso Voluntário Parcialmente Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator, para acolher os créditos calculados sobre gastos com corte, arraste, baldeio, traçamento e transporte da madeira, incorridos quando da sua extração. Vencidos os conselheiros: a)Nanci Gama, que também acolhia os créditos calculados em razão dos gastos na formação e manutenção de florestas, na manutenção do parque fabril, além da correção monetária a partir da apresentação da PER/Dcomp; b) Álvaro Almeida Filho, que também acolhia os créditos calculados em razão dos gastos na formação e manutenção de florestas e na manutenção do parque fabril; e c) Luciano Pontes de Maya Gomes, que também acolhia a correção monetária a partir da apresentação da PER/Dcomp. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Álvaro Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: O presente processo trata sobre pedido de ressarcimento de Pis/Pasep no valor de R$ 660.763,03, conforme fls. 01/04, referente ao 1º trimestre de 2006. 2. Ao analisar tal pretensão, a Delegacia de origem, no uso de sua competência regulamentar, proferiu despacho decisório (fls. 108/121), no qual deferiu parcialmente o pleito do contribuinte. 3. O sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade (fls. 198/212),com o seguinte conteúdo resumido: (a) A glosa parcial dos créditos é absolutamente dessarrazoada, não só em virtude de interpretação sistemática das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003, como também pelo dispositivo contido no artigo 195, § 12, da Constituição Federal, que elimina toda e qualquer dúvida sobre o principio da não cumulatividade aplicável de forma ampla e irrestrita à contribuição em tela. (b) Apresentou síntese do processo produtivo. (c) Ressaltese que o contribuinte, ao contrário de outras do setor de celulose, em virtude de necessidades específicas e de estratégias de mercado, utiliza para sua produção Fl. 434DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000098/200660 Acórdão n.º 310201.272 S3C1T2 Fl. 415 3 matériasprimas produzidas por ela própria, eliminando assim uma etapa da cadeia básica do seu setor. (d) Ocorre que, por isso, incorre em despesas de elevada monta para a sua manutenção, que se consubstanciam inegavelmente em insumos imprescindíveis à sua atividade agroindustrial de fabricação de celulose. (e) Assim, entende que os custos advindos do emprego de bens e serviços na sua atividade florestal enquadramse claramente no conceito de insumos para a produção de celulose comercializada pelo contribuinte, devendo, portanto, ser admitidos como passíveis de creditamento na apuração da contribuição social em comento. (f) Caso a madeira fosse adquirida de terceiros, pela posição adotada si so despacho decisório, não teria havido questionamento e o "beneficio fiscal" seria admissivel. (g) Tal diferenciação não se encontra presente nas disposições contidas nas Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003 e violam os princípios da igualdade e da nãocumulatividade. (h) O fato de ter uma cadeia de produção maior que a maioria das demais empresas não possibilita a oneração de sua produção, mediante a tributação majorada de seu faturamento. (i) A decisão ora impugnada desconsiderou o direito da defendente ao aproveitamento do crédito da contribuição calculado sobre serviços de transporte, tais como a contratação do frete relacionada à comercialização da produção da pasta de celulose, bem como a prestação de serviços contratados para a manutenção de seu parque fabril. (j) A DISIT da 2 Região Fiscal da Secretaria da Receita Federal já se posicionou em favor do creditamento do frete na operação de venda, consoante Solução de Consulta n° 01, de 13/01/2004. (k) Já com relação aos créditos apurados sobre os custos da prestação de serviços da manutenção do parque fabril, fica claro que sem a realização de tal manutenção, as atividades relacionadas à produção de celulose ficam seriamene prejudicadas. (1) À medida que os serviços de manutenção são essenciais à atividade de produção realizada pela defendente, possuindo assim estrita relação com o processo produtivo da pasta de celulose, os créditos apurados da contribuição social sobre os respectivos custos incorridos devem também ser reconhecidos. (m) A nãoaplicação da taxa Selic sobre os créditos da defendente anula o princípio da isonomia previsto no caput do artigo 5º da Carta Magna. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 Ponderando as razões aduzidas pela recorrente, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pela manutenção do indeferimento do pedido de ressarcimento, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. É vedada, em dado processo administrativo, a extensão dos efeitos de outras decisões, por não se constituírem em normas complementares do Direito Tributário. Isso porque foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribua eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, do Código Tributário Nacional, salvo na hipótese de edição de súmula administrativa, na forma do artigo 26A do Decreto 70.235/1972, incluído pela Lei n° 11.196/2005. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 PIS/PASEP NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CRÉDITO. Somente podem gerar créditos da Contribuição as despesas com matériaprima, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. PIS/PASEP NÃOCUMULATIVO. FRETE. CRÉDITO. OPERAÇÃO DE VENDA. ÔNUS DO VENDEDOR. Do valor apurado da contribuição para a Cofins ou o PIS/Pasep, poderá, a partir de 1º de fevereiro de 2004, ser descontado o crédito calculado em relação ao frete contratado na operação de venda, desde que o ônus tenha sido suportado pelo vendedor e pago à pessoa jurídica domiciliada no País. JUROS COMPENSATÓRIOS. RESSARCIMENTO. Não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação de referidos créditos. Solicitação Indeferida Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a autuada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, no que se refere ao mérito do pedido. Após a inclusão do processo em pauta, apresentou o sujeito passivo pedido de desistência parcial do recurso, informando que abre mão de discutir as glosas relativas aos insumos empregados na geração de energia elétrica e tratamento e captação de água distribuídas para moradores de comunidade vizinha de seu estabelecimento fabril. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000098/200660 Acórdão n.º 310201.272 S3C1T2 Fl. 416 5 É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção 1 Preliminarmente Demarcação do Litígio Não há questão preliminar a ser enfrentada. Antes de passar à análise dos fundamentos do recurso, entendo prudente demarcar a matéria litigiosa. No mérito, a discussão limitase à possibilidade de apuração de créditos quando das seguintes despesas: a) produtos e serviços empregados na pesquisa, plantio, manutenção e extração de florestas; b) fretes e movimentação de insumos; c) combustível empregado na frota; d) outros produtos e serviços empregados na manutenção do parque fabril; Pleiteiase, ainda a correção dos créditos mediante a aplicação da taxa Selic, a partir da apresentação de Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). 2 Mérito 2.1 Regime Probatório Antes de passar à análise do mérito, entendo que é importante registrar a opinião deste relator no sentido de que a nãocumulatividade, diferentemente do que se tem corriqueiramente alegado, não representa um benefício. Entretanto, independentemente da aplicabilidade dos comandos do CTN afetos à hermenêutica dos dispositivos legais, no caso o art. 1111 ou da repartição do ônus da 1 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 prova, no caso o art. 1792, não se pode olvidar que a apuração de créditos é um redutor do imposto a pagar e, como tal, uma circunstância impeditiva da formação da obrigação tributária. Consequentemente, nos litígios que envolvem essa matéria não se pode olvidar do comando do art. 333, do Código de Processo Civil3, aplicado subsidiariamente. Analisando tal distribuição, concluiu o professor Hugo de Brito Machado4 No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil”. (original não destacado) Assim sendo, não vejo como atribuir exclusivamente ao fisco o dever de buscar elementos que infirmem as alegações do sujeito passivo. Cabe a este último, a meu ver, o dever de trazer ao processo os elementos que respaldem seu pleito. 2.2 Conceito de Insumo Outro ponto que merece ser demarcado preambularmente é a opinião deste relator acerca do conceito de insumo, para efeito de apuração de créditos do PIS e da Cofins não cumulativos. Como já tive oportunidade de me manifestar anteriormente, entendo que esse conceito não segue o mesmo viés que norteia a apuração de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados. Neste, privilegiase o critério físico, no caso do PIS e da Cofins, o da pertinência (ou inerência, se tomado o conceito doutrinário fixado no parecer juntado aos autos). Com efeito, a tributação pelo IPI, tem como fato gerador, regra geral, a saída do produto industrializado. Nada mais coerente, portanto, do que avaliar a qualificação do dispêndio (como insumo) em razão da sua relação com aquele produto. 2 Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. 3 Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. 4 Mandado de Segurança em Matéria Tributária, 3. ed., São Paulo: Dialética, 1998, p.252. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000098/200660 Acórdão n.º 310201.272 S3C1T2 Fl. 417 7 Lembrar, nessa senda, o que dizia o art. 164 do Regulamento do IPI vigente à época dos fatos litigiosos5 e que repete a redação de regulamentos anteriores e é repetida pelo que lhe sucedeu:. Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo se, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; De se destacar, ademais, que a exegese desse dispositivo, tanto no âmbito do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, quanto do atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, sempre levou em consideração as orientações do Parecer Normativo CST nº 65, de 1979 10.1 Como o texto fala em ‘incluindose entre as matérias primas e os produtos intermediários’, é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários ‘stricto sensu’, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto de fabricação, ou por este diretamente sofrida. Por outro lado, quando se trata das contribuição para o PIS e a Cofins não cumulativas, incidentes sobre o faturamento, coerentemente, a meu ver, o legislador ampliou o universo dos dispêndios classificáveis como insumo, conforme se extrai do art. 3º, II, da Lei nº 10.833, de 2003, que repete a redação do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Como é possível perceber, de acordo com a legislação de regência, a relação do bem com o processo produtivo não seria medida exclusivamente em razão do produto, mas do processo produtivo como um todo. Evidentemente, isso não significa equiparar a insumo, para efeito de cálculo dos créditos de PIS e Cofins, toda e qualquer despesa ou custo inerente à atividade econômica, nem muito menos estender, por analogia, os conceitos fixados pela legislação que rege a 5 Aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26/12/2002 Fl. 439DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 8 apuração do Lucro Real, no caso, os artigos 249 e 250 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3000, de 1999. Com efeito, tal e qual se verifica com relação ao Imposto sobre Produtos Industrializados, tratase de fato gerador diverso (auferir lucro) e de base de cálculo formada sob uma sistemática igualmente diversa. Ademais, pedindo vênia ao sujeito passivo, registro minha opinião no sentido de que o texto do já transcrito art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, não dá margem para que se considere a “essencialidade” por si só como critério para a classificação do gasto como insumo. Mais uma vez, reafirmese, o dispositivo legal privilegia a relação de pertinência com o processo produtivo, não fazendo menção, salvo engano, à essencialidade do gasto. Nessa linha, entendo ser perfeitamente possível que determinado gasto, por alguma circunstância extrínseca ao processo produtivo, seja considerado essencial, mas que por não estar diretamente ligado àquele processo, não possa ser considerado insumo. Outro ponto sobre o qual não posso deixar de me manifestar é a interpretação fixada nos acórdãos do Segundo Conselho de Contribuintes e do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais trazidos ao processo. Mesmo reconhecendo a excelência do colegiado responsável, peço vênia para discordar da exegese assentada em tais manifestações, pois entendo que o § 3º do art. 5º da Lei nº 10.833, de 20036 não autoriza a apuração de créditos a partir de toda e qualquer dispêndio vinculado à receita de exportação. Confirase, preambularmente, a redação do dispositivo: § 3º O disposto nos §§ 1º e 2º aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º. Em uma leitura isolada, poderseia concluir que o comando ampliou o rol de despesas passíveis de gerar direito a crédito: ao invés de limitálos aos bens e serviços empregados no processo produtivo, passara a admitir que toda e qualquer despesa vinculada à exportação conferisse tal direito. Ocorre que, a meu ver, esse parágrafo não pode interpretado sem levar em consideração os demais parágrafos do mesmo art. 5º, em especial do 1º e do 2º, assim redigidos (original não destacado): § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela 6 Igualmente aplicável ao cálculo do PIS/Pasep por força do comando inserido no art. 15 da mesma lei. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000098/200660 Acórdão n.º 310201.272 S3C1T2 Fl. 418 9 Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Como é possível concluir, a apuração dos créditos aptos a usufruir do tratamento diferenciado conferido a empresas exportadoras, diferentemente do que se cogitou, deve ser realizada segundo os moldes do art. 3º da mesma Lei nº 10.833, de 2003, observando se, consequentemente, o critério fixado no já transcrito inciso II desse mesmo artigo. Finalmente, no que se refere a máquinas e equipamentos incorporados ao ativo permanente, o valor do crédito será apurado mediante aplicação das alíquotas da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os encargos de depreciação e amortização, conforme consignado no §1º, III do mesmo art. 3º: § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no art. 2º sobre o valor: (...) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; Em suma, para efeito da discussão que povoa o presente litígio, somente são passíveis de gerar crédito os bens e serviços utilizados no processo de fabricação e, no caso dos bens do ativo imobilizado, os valores de depreciação e amortização. Feitas tais considerações, passase à análise higidez das glosas alvo de litígio. 2.3 Formação e Manutenção de Florestas Com a devida licença, penso que não há como reconhecer os gastos em questão como custo ou despesa, para efeito de cálculo do crédito do PIS e da Cofins não cumulativos. De fato, apesar de não concordar com a premissa de que os gastos na formação e manutenção de floresta estejam dissociados ao processo produtivo, não vejo como considerar esses gastos como despesa ou custo, na medida em que os mesmos se incorporam ao valor daquelas florestas, contabilmente classificadas no ativo imobilizado, nos termos do art. 183, V da Lei nº 6.404, de 1976: Art. 183 No balanço, os elementos do ativo serão avaliados segundo os seguintes critérios: (...) V os direitos classificados no imobilizado, pelo custo de aquisição, deduzido do saldo da respectiva conta de depreciação, amortização ou exaustão; Fl. 441DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 10 Por outro lado, o § 2º, “c”, do mesmo art. 183 deixa claro que os valores investidos em tal ativo devem ser alvo de exaustão, na medida em que o bem seja explorado (original não destacado): § 2º A diminuição de valor dos elementos do ativo imobilizado será registrada periodicamente nas contas de: (...) c) exaustão, quando corresponder à perda do valor, decorrente da sua exploração, de direitos cujo objeto sejam recursos minerais ou florestais, ou bens aplicados nessa exploração. Ora, se representam um bem do ativo imobilizado, o valor da sua aquisição ou produção jamais será computado como despesa ou custo. Relembro o comando do no §1º, III do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Ou seja, tratandose de floresta, o custo a ser considerado é o valor da exaustão, calculada sobre o valor contábil do bem. Destaco, ainda, que eventual resistência do Fisco em admitir que se apurem créditos de PIS e Cofins a partir de tais custos, matéria estranha ao presente litígio, esclareça se, a meu ver, não desvirtua a natureza desses gastos. Assim, dispêndios que agreguem valor a determinado bem do ativo imobilizado, salvo expressa disposição legal em contrário, não representam um custo, mais um investimento, independentemente do tratamento tributário que posteriormente vier a ser conferido ao desgaste do bem. 2.4 Serviços Atrelados à Extração de Florestas Com base no que já foi debatido anteriormente, não vejo como rejeitar os créditos relativos aos serviços de corte, arraste, baldeio, traçamento, transporte e manuseio da madeira. Com efeito, tratandose de serviços atrelados aos produtos que servirão de matériaprima, seu emprego direto no processo produtivo da recorrente é inegável. Satisfeita tal condição, consequentemente, há que se reconhecer o direito ao crédito, nos termos do art. 3º, II, das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Por outro lado, a norma não dá margem para desconsiderar os gastos incorridos em etapa da produção que antecede a industrialização do produto. Basta fazer uma leitura isolada do dispositivo para concluir que se admitem créditos inerentes a insumos utilizados na produção (qualquer que seja o processo) e na industrialização. Ademais, no que se refere aos gastos com o transporte de insumos, já se manifestou o Fisco, por meio da Solução de Consulta nº 210 SRRF/8ª RF, de 25 de junho de 2009 (D.O. U: de 07/07/2009 (original não destacado): Geram direito a créditos da Cofins apurada em regime não cumulativo os dispêndios com combustíveis e lubrificantes utilizados ou consumidos no processo de produção de bens e serviços, os dispêndios com a energia elétrica consumida estabelecimentos da pessoa jurídica, os dispêndios com armazenagem de mercadoria e os dispêndios com o frete pago na aquisição de insumos. O transporte de bens entre os Fl. 442DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000098/200660 Acórdão n.º 310201.272 S3C1T2 Fl. 419 11 estabelecimentos industriais da pessoa jurídica, desde que estejam estes em fase de industrialização, também enseja apuração de créditos da Cofins. Nessa ordem de consideração, acato os gastos incorridos com corte, arrasto, baldeio, taçamento mecanizado, transporte, desdobramento, desgalhamento, manuseio, carga e descarga da madeira. 2.5 Combustível Empregado na Frota Própria. Na esteira do que exposto quando da análise do conceito de insumo, após compulsar os autos, em especial as planilhas onde são descritas as despesas com a aquisição de combustível, vêse que aquelas que se referem ao processo produtivo (óleo tipo BPF e para a Casa de Força), já foram aceitas pela Autoridade de Jurisdição. Restaria enfrentar, assim, a possibilidade de se apurar créditos quando da aquisição de combustíveis para a frota de veículos da recorrente. Como destacado anteriormente, os custos relativos à movimentação dos produtos em elaboração, que englobam, evidentemente, os combustíveis empregados na frota do contribuinte, em princípio, inseremse no rol dos insumos capazes de gerar crédito. Em sentido diverso, tal tratamento não se estende aos combustíveis empregados em atividade diversa, como, por exemplo, o transporte de empregados ou de produtos industrializados entre estabelecimentos. Justamente em razão desse tratamento diferenciado em razão do emprego é que a apuração dos créditos não pode prescindir de uma escrituração que permita identificar o uso dado ao combustível. Assim, na medida em que não foi trazido ao processo qualquer elemento que demonstre qual foi o valor incorrido ou o quantitativo empregado como insumo e quais são utilizados em veículos que, se observado o texto da lei, não seriam utilizados em tal finalidade, não vejo como reconhecer os créditos atrelados à aquisição de combustíveis para a frota. 2.6 Manutenção do Parque Fabril Com a devida vênia, não vejo como considerar que a manutenção do parque fabril, independentemente da sua relevância para o exercício da atividade econômica, possa se inserir no conceito de insumo, para efeito de cálculo da contribuição alvo de discussão. Mais uma vez, há que se relembrar a delimitação imposta pelo inciso II do art. 3º: o crédito se limita aos bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos. Assim, na esteira do que já foi abordado anteriormente, não vejo como considerar as despesas com manutenção, que só atingem o processo produtivo indiretamente, no rol dos dispêndios capazes de gerar crédito, independentemente da possibilidade de serem contabilizadas como custo indireto. Caberia demonstrar, imagino, que as despesas rotuladas como de manutenção do parque, teriam relação direta com o processo produtivo da recorrente. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 12 2.7 Taxa Selic. Busca a contribuinte, finalmente, a correção monetária dos créditos a partir da data da formulação do pedido objeto do presente litígio, onde é pleiteado, relembrese, o ressarcimento do saldo credor remanescente àquele utilizado nos termos do § 1º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, onde se lê: Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. Com efeito, o § 2º do mesmo art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, prevê expressamente tal possibilidade: § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Ocorre que, em pese a alegada violação aos princípios constitucionais expostos com maestria no parecer acostado ao processo, não vejo como, em nome de tais princípios, reconhecer a correção pleiteada. Para tanto, seria necessário afastar a proibição expressa gizada no art. 13 da mesma Lei nº 10.833, de 2003, onde se lê (original não destacado): Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Não vejo, outrossim, como aplicar no presente julgamento a interpretação assentada no REsp nº 1.035.847 / RS, julgado em sede de “Recurso Repetitivo”, disciplinado pelo art. 543C do Código de Processo Civil. Com efeito, como é cediço, por força no art. 62A do Regimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais7, este Colegiado deve reproduzir as decisões proferidas pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça. 7 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000098/200660 Acórdão n.º 310201.272 S3C1T2 Fl. 420 13 Entretanto, a matéria ali debatida, esclareçase, é a aplicação da correção monetária sobre créditos do IPI, apurados nos termos da Lei nº 9.363, de 1996, diploma que, sabidamente, não previu a incidência da Selic, mas também não proibiu tal incidência. Assim sendo, tratandose de arcabouço jurídico diverso, não vejo como reproduzir as conclusões daquela egrégia corte. 3 Conclusão Com essas considerações, dou parcial provimento ao recurso voluntário para acolher os créditos calculados sobre gastos com corte, arraste, baldeio, traçamento, transporte e manuseio da madeira, incorridos quando da sua extração Sala das Sessões, em 11 de novembro de 2011 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 445DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 18336.000071/2001-75
Data da sessão: Wed May 27 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador 12/07/1999
PREFERÊNCIA TARIFÁRIA NO ÂMBITO DA ALADI. DIVERGÊNCIA ENTRE CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURA COMERCIAL. INTERMEDIAÇÃO DE PAÍS NÃO SIGNATÁRIO DO ACORDO INTERNACIONAL.
É incabível a concessão de preferência tarifária quando não
atendidas as condições do favor fiscal. A divergência entre
certificado de origem e fatura comercial, associada ao fato de as
mercadorias importadas terem sido comercializadas por terceiro
pais, não signatário do acordo internacional, caracterizam o
inadimplemento dessas condições.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-000.061
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial da contribuinte. Vencidos os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando (Substituta convocada), Luciano Lopes de Almeida Moraes (Substituto convocado) e Nilton Luiz Bartoli (Substituto convocado), que davam provimento ao recurso.
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Data do fato gerador 12/07/1999 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA NO ÂMBITO DA ALADI. DIVERGÊNCIA ENTRE CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURA COMERCIAL. INTERMEDIAÇÃO DE PAÍS NÃO SIGNATÁRIO DO ACORDO INTERNACIONAL. É incabível a concessão de preferência tarifária quando não atendidas as condições do favor fiscal. A divergência entre certificado de origem e fatura comercial, associada ao fato de as mercadorias importadas terem sido comercializadas por terceiro pais, não signatário do acordo internacional, caracterizam o inadimplemento dessas condições. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-03T12:36:02Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-03T12:36:02Z; Last-Modified: 2009-09-03T12:36:02Z; dcterms:modified: 2009-09-03T12:36:02Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-03T12:36:02Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-03T12:36:02Z; meta:save-date: 2009-09-03T12:36:02Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-03T12:36:02Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-03T12:36:02Z; created: 2009-09-03T12:36:02Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2009-09-03T12:36:02Z; pdf:charsPerPage: 1571; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-03T12:36:02Z | Conteúdo => • CSRF-T3 • Fl. 303 MINISTÉRIO DA FAZENDA ,fry-Mft CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 18336.00007112001-75 Recurso n° 302-124.235 Especial do Contribuinte Acórdão n° 9303-00.061 — 3 Turma Sessão de 27 de maio de 2009 Matéria Imposto de Importação - Preferência Tarifária - Divergência entre certificado de origem e Fatura Comercial - Intermediação de Pais não signatário do Acordo Internacional. Recorrente Petróleo Brasileiro S/A - PETROBRÁS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Data do fato gerador 12/07/1999 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA NO ÂMBITO DA ALADI. DIVERGÊNCIA ENTRE CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURA COMERCIAL. INTERMEDIAÇÃO DE PAÍS NÃO SIGNATÁRIO DO ACORDO INTERNACIONAL. É incabível a concessão de preferência tarifária quando não atendidas as condições do favor fiscal. A divergência entre certificado de origem e fatura comercial, associada ao fato de as mercadorias importadas terem sido comercializadas por terceiro pais, não signatário do acordo internacional, caracterizam o inadimplemento dessas condições. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3 3 Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial da contribuinte. Vencidos os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando ( bstituta convocada), Luciano Lopes de Almeida Moraes (Substituto convocad i,) e Nilton z Bartoli (Substituto convocado), que davam provimento ao recurso. e CARLOS ALBERTO" FREITAS B RRETO Presidente • • Processo n°18336.000071/2001-75 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.061 Fl. 304 frimeat-pirifrotiner Relator FORMALIZADO EM: 2 2 JUN 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Susy Gomes Hoffinann, Luis Marcelo Guerra de Castro e Antonio Carlos Guidoni Filho (Vice-Presidente Substituto). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: A empresa acima identificada recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão exarada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza - CE. AUTO DE INFRAÇÃO O Auto de Infração (J7.s. 01/06), lavrado em ato de revisão do despacho aduaneiro, cuidou da exigência do Imposto de Importação-li e respectivos acréscimos legais, no valor total de R$ 23.115,84 (vinte e três mil, cento e quinze reais e oitenta e quatro centavos). Segundo a descrição dos fatos constante do Auto de Infração, a empresa em epígrafe registrou a Declaração de Importação de n° 99/0565640-5, adição 001, em 12/07/1999, com a utilização da redução de 28% da alíquota, prevista no Acordo de Alcance Regional n° 04 (PTR-04), conforme Decreto de Execução n° 90.782, de 28 de dezembro de 1984, alterado pelo Decreto 805, de 1° de agosto de 1990, firmado entre Brasil e os seguintes países: Argentina, Chile, Colômbia, Equador, México, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. Esclareceu a fiscalização, quanto à operação, o seguinte: A PETROBRÁS adquire os produtos da empresa venezuelana PDV S.A. - Petróleo Y Gas S.A. (PDVSA); Em seguida, revende os produtos para uma subsidiária, situada nas Ilhas Cayman, denominada Petrobràs International Finance Company (PIFC0); Posteriormente, recompra os produtos. Quanto às irregularidades encontradas, esclarece a fiscalização que: O produto importado, referente à Dl citada no Auto de Infração, foi transportado diretamente para o Brasil, conforme se verifica pelo exame do conhecimento de transporte (Bill of Landing), fis. 08; b) Nos termos do artigo 13 da IN/SRF n° 69, de 10 de dezembro de 1996, a Dl deve ser instruída, dentre outros documentos, pela via 2 Processo n° 18336.00007112001-75 CSI1F-T3 Acórdão n.• 9303-00.061 Fl. 305 original da fatura comercial, "entretanto, no presente caso, por estar configurada nitidamente a triangulação comercial, com objetivos não definidos, foi apresentada pelo importador a fatura emitida pela subsidiária da PETROBRÁS situada nas Ilhas Cayman (PIFC0)"; c) Há divergência entre o número da fatura comercial informada no Certificado de Origem e o da fatura apresentada pelo importador, como documento de instrução da respectiva declaração de importação; d) A Resolução n° 232, celebrada no ámbito da Associação Latino- Americana de Integração - ALAN, aprovada em 08/1011997, embora admita que a mercadoria objeto de intercâmbio possa ser faturada por um operador de um terceiro pais, não se aplica ao caso, uma vez que não abrange o tipo de operação comercial praticada pelo sujeito passivo, não tendo o importador atendido às exigências prescritas no item 2 da referida Resolução. Diante dos fatos, a fiscalização reputou inválido o Certificado de Origem apresentado, e lavrou Auto de Infração para cobrança da diferença do Imposto de Importação, acompanhada dos juros de mora e da multa, com fundamento no ADN/COSIT n° 10, de 16 de janeiro de 1997. O enquadramento legal citado no Auto de Infração foi o seguinte: art. 1°, art. 77, inciso I, art 80, inciso I, alínea "a", art. 83, art. 86, art. 87, inciso I, art. 89, inciso 11, art. 99, art. 100, art. 220, art. art. 455, art. 456, art. 499 e art. 542 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 91.030/85, de 05 de março de 1985, e Decretos 98.836, de 1990, e 98.874, de 1990, além do ADN/COSIT/SRF n° 10, de 16/01/97. Cientificado do lançamento em 20/02/2001, conforme fls. 01, o contribuinte insurgiu-se contra a exigência, apresentando, em 16/03/2001, a impugnação de fls. 14/42, nos termos a seguir resumidos: a) Em virtude de significativas especificidade: geopoliticas, que acarretam limitações aos negócios e inviabilizam o pagamento no prazo estipulado pelo fornecedor (PDVSA), uma das subsidiárias da Petrobrás paga diretamente ao produtor-exportador o preço dessa compra, por ordem da controladora. Concomitantemente, a Petrobrás revende a mercadoria à subsidiária, com tal prazo e a recompra para pagamento em 180 dias; b) A exigência da fatura e o lançamento do imposto contrariam frontalmente a apreciação que sobre a matéria fez o órgão sistêmico da Secretaria da Receita Federal; c) Traz à colação o art. 4°, "b", da Resolução n° 78, e argúi que a Resolução referida e o Acordo n° 91 não vedam a compra direta com interveniência posterior de terceiros e sem trânsito por outro país, com a finalidade de mera alavancagem financeira; o que se veda é a figura do atravessador ou especulador, e não que o importador de uma das "Altas Panes" subseqüentemente negocie a mercadoria, quando já satisfeitas a finalidade e formalidades do acordo; 3 É .,. . Processo n°18336.000071/2001-75 CSRF-T3 • Acórdão n.° 9303-00.061 Fl. 306 d) Ratifica a operação constatada e descrita pela fiscalização às fis. 02, ressaltando que a fatura final, após a recompra, compreende o preço puro e idêntico, constante das faturas anteriores, acrescido apenas do repasse dos encargos financeiros das linhas de crédito tomadas; e) Ressalta a necessidade de realização dessas operações intermediárias pela empresa como forma de alavancagem financeira; fi Reitera que essas operações de intermediação de um terceiro pais não colidem com a intenção que presidiu a celebração dos Acordos de redução tarifária, impondo-se o reconhecimento tarifário neles previsto, em homenagem à real origem da mercadoria e sua expedição direta; g) Destaca que o art. 10 da Resolução 78/87 determina que os países signatários procederão a consultas entre os Governos, sempre e previamente à adoção de medidas que impliquem "rejeição do Certificado de Origem, observando-se, ainda, o devido processo legal"; h) Ressalta que o Terceiro Conselho de Contribuintes, em jurisprudência firme, tem iterativamente anulado autos de infração aferrados a quizilias sacramentais, de pequena relevância em relação ao cerne da questão; • i) que a pretensa divergência entre os números constantes do Certificado de Origem e da fatura correspondente à recompra não procede, posto que não há tal exigência em relação a importações objeto de acordo tarifário no âmbito da ALADI; j) Requer, por fim, que seja declarado nulo por ilegalidade, e se caso não seja esse o entendimento, seja cancelado o Auto de Infração, por sua manifesta improcedência. DECISÃO DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO Em 27 de setembro de 2001, a DRJ de Fortaleza/CE, julgou o lançamento procedente, com a seguinte ementa: Ementa: PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. É incabível a aplicação de preferência tarifária percentual em caso de divergência entre Certificado de Origem e fatura comercial, bem como quando o produto importado é comercializado por terceiro pais, sem que tenham sido atendidos os requisitos previstos na legislação de regência. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Data do fato gerador: 12/07/1999 Ementa: NULIDADE DO LANÇAMENTO. Improcedente a argüição de nulidade do lançamento apontada pela defesa, tendo em vista que a exigência foi formalizada com observância ir das normas processuais e materiais aplicáveis ao fato em exame. 4 . . • Processo n° 18336.00007112001-75 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.061 Fl. 307 Lançamento Procedente." RECURSO VOLUNTÁRIO Em 22/11/2001, tempestivamente, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho «is. 64/82), acompanhado do devido depósito recursal (fls. 82), pelo qual, além de reiterar os fundamentos de defesa apresentados com sua impugnação delis. 14/42, acrescentou: a) que a decisão está eivada de nulidades, comprometidas as suas premissas e conclusões, por falta de findamentação válida e eficaz, vez que (i) acolhe ato que claramente contraria orientação sistêmica do órgão central da SI?F (qual seja, a NOTA COANA/COLAD/DITEG n° 60/97), de modo que os efeitos jurídicos dessa orientação não poderiam ser desconsiderados; e (h) contraria normas expressas do Ato Internacional (o art. 10 da Resolução n°78). que claramente impõe um procedimento prévio à rejeição dos certificados de origem; b) que a exigência prevista nos arts. 425 e seguintes do RA diz respeito apenas à via original da última operação que, esta sim, deve ser registrada no SISCOMEX; e não a das anteriores, as quais podem ser provadas por qualquer meio idôneo, nos termos do art. 434 do mesmo RA; c) que a intermediação de pessoas de terceiro país é corriqueira e não prejudica, por óbvio, o fato da origem, e nem que se aplique a redução; d) que a Resolução 232, aprovada ainda em 1997, admite expressamente esta operação, e foi editada exatamente para dirimir tais dúvidas; e) que a decisão, proferida teria descumprido o art. 10 da Resolução 78, Resolução esta que disciplina dos acordos tarifá rios no âmbito da ALAD1, vez que deixou de solicitar informações adicionais às autoridades governamentais do país exportador, adotando medidas que considere necessárias para garantir o interesse fiscal; .0 para atender o disposto no art. 10 da Resolução 78, não precisava o agente lançar para garantir o interesse fiscal, bastando exigir as garantias de praxe; g) que, mesmo analisando a espécie sob a ótica da pretendida inversão do requisito feita pela Notificação de Lançamento, verifica-se não estar vedada tal operação no Ato Internacional, impondo-se o reconhecimento do tratamento tarifário nele previsto, em homenagem à real origem da mercadoria e sua expedição direta; h) que o número da fatura comercial aposto na Declaração de Origem é condição coadjuvante com essa finalidade, como ressaltado na NOTA COARA 60/97, e que tanto no âmbito do MERCOSUL quanto da ALAD1 não há exigência expressa de apresentação de duas faturas comerciais; i) que é incontroverso que a mercadoria foi adquirida pela PETROBRÁS diretamente, e o Certificado de Origens é claro em mencionar que a carga vem direto para o País, assim como a»( 5 é • Processo n° 18336.000071/2001-75 CSRF-T3 • Acórdão n." 9303-00.061 Fl. 308 respectiva fatura de recompra menciona a mesma carga, o mesmo navio, na mesma viagem, só não tendo sido registrada a primeira compra e a revenda subseqüente, pois que a SRF nunca exigiu tais registros e nem a cópia das faturas anteriores, além do SISCOMEX impedir tais registros; j) que o fundamento central da decisão recorrida é no sentido de que há uma vedação implícita, por incompatibilidade, da interveniência de operador de terceiro país na exportação de produtos contemplados em acordo de redução tarifária, mas que ao longo da impugnação e deste recurso restou cristalino inexistir tal incompatibilidade; k) que, muitíssimo ao contrário do que sustenta a decisão recorrida, já bem antes da realização das importações — e quem o diz é a própria SRF — esse já era um assunto superado, apenas dependente de explicitação em regra, aliás editada também um ano antes, seja no âmbito da ALADI, seja no plano interno, por meio da NOTA COARA 60/97; I) que, radicalmente ao contrário ao que afirma a Sra. Delegada, o espírito do Acordo é exatamente amparar tais operações, imprescindíveis ao interesse nacional, m) que, finalmente, confia na declaração da nulidade da Notificação de Lançamento, por ilegalidade, ou cancelado por sua manifesta improcedência. Em 21/05/2002, estes autos foram ao Conselheiro Sidney Ferreira Batalha, e redistribuídos a esta Conselheira em 25/02/2003, conforme documento de fls. 85, último destes autos. É o relatório. A Câmara a quo negou provimento ao recurso, cujo acórdão foi assim ementado: REDUÇÃO TARIFÁRIA. Incabível a fruição do beneficio previsto no ACE-39 (Decreto n° 3.138/99), quando o país exportador não é membro da ALADL 1NTERVENIÊNCIA DE TERCEIRO PAIS. Ainda que se tratasse de interveniência de terceiro país não signatário do Acordo, o aproveitamento do beneficio estaria condicionado ao cumprimento de formalidades que vinculassem o certificado de origem à fatura comercial que amparou a operação de importação (Resolução 232/97, da ALADO. NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE. A contribuinte, dissentida da decisão que lhe foi desfavorável, apresentou Recurso Especial (fls. 116/287), requerendo seja julgado insubsistente o auto de infração em tela por entender que nenhuma infração foi cometida. Por meio do Despacho n° 302-0.107 (fl. 294) a Presidente da r Câmara do 3° CC deu seguimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, encaminhando o '6 4 • v. • Processo n° 18336.00007112001-75 CSRF-T3 • Acórdão n.° 9303-00.061 Fl. 309 processo para ciência da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, que apresentou Contra- Razões às fls. 295/298. É o relatório. Voto Conselheiro HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. As questões trazidas a debate cingem-se aos efeitos da divergência entre certificado de origem e Fatura Comercial, e, também, ao fato de o produto importado haver sido comercializado por terceiro pais, não signatário de Acordo Internacional. As importações efetuadas ao abrigo do beneficio de redução tarifária entre os países membros da ALADI para gozarem do favor fiscal devem preencher todos os requisitos estabelecidos no respectivo acordo firmado pelos membros dessa Associação. Dentre esses requisitos apresenta-se como essencial a comprovação da origem da mercadoria, que, nas importações realizadas no âmbito da ALADI, a comprovação dessa origem dá-se exclusivamente por meio do Certificado de Origem. Por conseguinte, O Fisco só pode reconhecer o direito ao favor fiscal quando a importação for realizada ao amparo de toda a documentação exigida. Sendo que o ônus probatório da regularização documental compete ao importador. Assim, a apresentação da documentação exigida, dentre esta o Certificado de Origem que ampare a mercadoria submetida a despacho, é pressuposto de validade do regime de tributação utilizado pelo importador. De outro lado, a teor do art. 10 do Acordo 91 do Comitê de Representantes da ALADI, promulgado pelo Decreto n° 98.836, de 1990, com a redação dada pela Resolução n° 232 da ALADI, apensa ao Decreto n° 2.865, de 07 de dezembro de 1998, não deixa margem à dúvida de que a certificação da origem é feita em função da fatura comercial que acoberta determinada partida de mercadoria. PRIMEIRO - A descrição dos produtos incluídos no formulário que acredita o cumprimento dos requisitos de origem estabelecidos pelas disposições vigentes deverá, coincidir com a que corresponde ao produto negociado, classificado de conformidade com a NALADI/SH, e com a que se registra na fatura comercial que acompanha os documentos apresentados para seu despacho aduaneiro. (destaquei) É de clareza meridiana que a exegese da norma internacional inserta no artigo primeiro transcrito linhas acima é no sentido de ser indissociável a vinculação existente entre o Certificado de Origem da mercadoria e a fatura comercial correspondente. Não é por outro motivo que o formulário-padrão, adotado para a mencionada certificação, possui campo próprio destinado à informação expressa do número da fatura a que se relaciona. Por conseguinte, cada Certificado de Origem refere-se, exclusivamente, à mercadoria constante da fatura comercial nele indicada. /I( 7 , •• Processo n°18336.000071/2001-75 CSRF-T3 • Acórdão n.° 9303-00.061 Fl. 310 Assim, não resta a menor dúvida de que é o vinculo entre Certificado de Origem e fatura comercial que garante o cumprimento dos requisitos fixados entre os Estados signatários do Acordo, e legitima o gozo do beneficio tarifário quanto à mercadoria importada. Aqui, peço licença para transcrever a conclusão do ilustre relator do acórdão da DRJ, com as quais comungo. 14. Com efeito, a certificação da origem é feita em função da fatura comercial que acoberta determinada partida de mercadoria, objeto de tratamento tributário diferenciado por força de acordo internacional. Tanto assim, que o formulário-padrão adotado para formalizar a mencionada certificação possui um campo próprio destinado a informação expressa do número da fatura a que se relaciona. Assim, o Certificado de Origem apresentado ampara exclusivamente a quantidade de mercadoria coberta pela fatura comercial nele indicada. 15. Cabe destacar que a finalidade única do certificado de Origem é a de assegurar, por meio de uma declaração padrão, que as mercadorias objeto de intercâmbio, beneficiadas com os tratamentos preferenciais negociados, são efetivamente originárias e procedentes do pais declarante, e que cumprem, obrigatoriamente, com os requisitos fixados entre as partes. 16. Com efeito, para fruição do tratamento tarifário previsto é necessário que tal declaração acompanhe a documentação de exportação, quando de sua apreciação para fins de desembaraço aduaneiro. 17. Destaque-se que o artigo I° do Acordo 91 do Comitê de Representantes da ALADI, que trata da regulamentação das Disposições Referentes à Certificação da Origem, promulgado pelo Decreto n° 98.836, de 17 de janeiro de 1990, ao estabelecer que a descrição de produto incluído na declaração que acredita o cumprimento dos requisitos de origem, deve coincidir com o correspondente produto negociado, constante na fatura comercial que acompanha os documentos apresentados para seu despacho aduaneiro, vincula expressamente a mercadoria ao emissor da fatura, e no caso em comento, conforme se constata dos autos, o emissor da fatura comercial que instruiu o despacho de exportação não é país signatário do (PTR-04). 18.Nesse mister, é importante ressaltar que uma vez que o produtor é identificado como a pessoa jurídica que fabrica ou produz a mercadoria, podendo ser ao mesmo tempo o exportador, que é a pessoa jurídica que promove a venda da respectiva mercadoria e emite a fatura comercial correspondente, que acompanhará os documentos de exportação, fica claramente demonstrado a obrigatoriedade de constar o nome do exportador no Certificado de Origem para fins de cumprimento das disposições estabelecidas para certificação. (.) 20. Verifica-se que as normas que disciplinam a certificação de origem estabelecem a forma solene para o documento que atesta a origem da mercadoria pactuada, desse modo é imperioso concluir que og. • t . . • Processo n° 18336.000071/2001-75 CSRF-T3 • Acórdão n.° 9303-00.061 Fl. 311 documento contém elementos que estão adstritas à mercadoria pactuada como a indicação da fatura comercial que acoberta exatamente a mercadoria certificada, e deverão ser observadas pelos países signatários, dada a imprescindibilidade destas para ratificar a origem da mercadoria objeto do beneficio tarifário. Dada a importância do documento em análise como instrumento de certificação de origem de mercadoria objeto de acordo de redução tarifária entre países signatários, infere-se que a ausência de qualquer dos requisitos exigidos descaracteriza o certificado e invalida o tratamento preferencial pleiteado, devendo ser aplicada à mercadoria o tratamento normal, previsto para as importações de terceiros países. 21. Entretanto, a matéria aí não se esgota, devendo-se, portanto, continuar a apreciação, perquirindo-se quanto ao aspecto legal no tocante à interveniência de um terceiro País na operação, questão que, se deslindada, dispensa qualquer consideração a respeito da citada fatura. Em outro giro, além da apresentação de Certificado de Origem e fatura comercial, em conformidade com as normas previstas no acordo internacional, a importação das mercadorias deve obedecer às demais regas determinadas nos Acordos de regência. O escopo de se condicionar a redução de tarifa às importações amparadas por certificado de origem emitido, nos termos e na forma prevista pela ALADI é para prevenir operações comerciais que, pela sua natureza, poderiam, de modo ilegítimo, estender o beneficio fiscal às importações de terceiros países não signatários do tratamento preferencial. Assim, à exceção de operações em que intervenha operador de terceiro país, para que haja o beneficio fiscal, deve-se demonstrar que o produto acreditado pelo certificado de origem é o efetivamente negociado com o emissor da fatura comercial do país produtor, sendo considerado exportador, para esse fim, o País-membro da ALADI signatário do Acordo. Vale aqui transcrever a norma inserta no art. 40 da Resolução ALADI/CR n° 78, de 1987: QUARTO - Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do país exportador para o país importador. Para esses efeitos, considera-se como expedição direta: a) As mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum país não participante do acordo. b) As mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes, com ou sem transbordo ou armazenamento temporário, sob a vigilância da autoridade aduaneira competente nesses países, desde que: O o trânsito esteja justificado por motivos geográficos ou por considerações referentes a requerimentos do transporte; ii) não estejam destinadas ao comércio, uso ou emprego no país de trânsito; e 9 • • Processo n° 18336.000071/2001-75 CSRF-T3 • Ackrao n.• 9303-00.061 F1.312 fiz) não sofram, durante seu transporte e depósito, qualquer operação diferente da carga e descarga ou manuseio para mantê-las em boas condições ou assegurar sua conservação. De outro lado, não se pode olvidar que, com a globalização, é cada vez mais freqüente as operações comerciais que envolvam mais de 2 países, denominadas de operações triangulares. A par dessas mudanças nas relações comerciais internacionais, o Comitê de Representantes da ALADI editou a Resolução 232, que veio a ser incorporada na legislação brasileira pelo Decreto n° 2.865, publicado em 08/12/1998. Essa resolução alterou o Acordo 91, no sentido de modificar o regime de origem, passar a permitir a participação de um operador de um terceiro país, membro ou não da ALADI, da seguinte forma: SEGUNDO - Quando a mercadoria objeto de intercámbio for faturada por um operador de um terceiro pais, membro ou não membro da Associação, o produtor ou exportador do pais de origem deverá indicar no formulário respectivo, na área relativa a "observações", que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro pais, identificando o nome, denominação ou razão social e domicilio do operador que em definitivo será o que fature a operação a destino." Na situação a que se refere o parágrafo anterior e, excepcionalmente, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhecer o número da fatura comercial emitida por um operador de um terceiro pais, a área correspondente do certificado não deverá ser preenchida. Nesse caso, o importador apresentará à administração aduaneira correspondente unta declaração juramentada que justifique o fato, onde deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação de importação. Todavia as disposições acima não se aplicam à espécie dos autos, posto que, da documentação carreada aos autos, não se verifica a participação de um operador, nos moldes previstos na Resolução acima transcrita. A uma porque a falta de vinculação entre Certificado de origem e a fatura comercial, ilide a prova da intermediação de um operador de terceiro país. A única evidência extraída da documentação juntada pela autuada é de que houve participação de sociedade empresária situada nas Ilhas Cayman, que fatura e exporta para o Brasil mercadoria, para a qual se pretende aplicar preferências tarifárias pactuadas entre este e a Venezuela, com base nos Acordos firmados no âmbito da ALADI. A duas porque a alegada operação triangular não foi respaldada pelo Certificado de Origem, para efeito de gozo da redução tarifária, como exige a legislação. Ressalte-se, por oportuno, o seguinte trecho do acórdão de primeira instância: 42. Com efeito, no caso em tela, o certificado de origem apresentado, jls. 09, não atende às exigências previstas na primeira pane do artigo 2' da mencionada Resolução. Também não consta dos autos que o importador tenha apresentado a declaração juramentada referida na legislação. Atente-se que, sendo a norma tributária de natureza cogente e estabelecendo o Regime Geral de Origem as exigências para a certificação, complementadas aqui pela Resolução 232 do Comitê de Representantes da ALADI, não cabe ao intérprete decidir pela prescindibilidade desta ou daquela informação, ao argumento de que se trata de mera formalidade, sob pena de atentar contra a própria( to 4 • Processo Fe 18336.000071/2001-75 CSRF-T3 • Acórdão n.° 9303-00.061 Fl. 313 literalidade da norma, haja vista que as regras que disciplinam o Regime de Origem, são claras quanto a vincula ção do certificado de origem à fatura comercial que ampare a mercadoria efetivamente pactuada. 43. Reitere-se que para fazer jus à alíquota preferencial acordada na esfera da ALADI, a mercadoria a ser negociada deverá atender a requisitos de natureza objetiva, tais como aqueles indicados nos artigos PRIMEIRO e QUARTO da citada Resolução 78, quais sejam, o de constituir-se de produto efetivamente fabricado dentro do território de um dos países signatários, e de serem despachados diretamente do pais exportador para o importador e ainda que a origem dessa mercadoria seja formalmente atestada por um Certificado de Origem emitido pela entidade competente, de conformidade com o disposto no Capítulo II da mesma Resolução 78 e no Acordo 91, com a descrição do produto negociado e a indicação de sua classificação tarifária e da fatura emitida pelo exportador. 44. Logo, constata-se que é inequívoca a impropriedade da operação realizada pela impugnante, não repercutindo na solução do litígio a argumentação trazida à colação na peça impugnatéria de que tal operação teve o cunho eminentemente financeiro. Assinale-se que sendo essa argumentação de cunho extra legal não tem o condão de convalidar o descumprimento das normas que tratam do regime de origem, envolvendo mercadoria objeto de acordo de redução tanfária. 45. Qualquer que seja o motivo alegado, seja para mera alavancagem financeira ou não, vale dizer, tratando-se de uma operação comercial entre uma empresa brasileira e outra das Ilhas Cayman, sem respaldo em certificado de origem, não há, como invocar a redução tarifária prevista no Acordo de Alcance Regional n° 04 (PTR-04), conforme Decreto de execução n° 90.782, de 28 de dezembro de 1984, alterado pelo Decreto 805, de I° de agosto de 1990, firmado entre Brasil e os seguintes países: Argentina, Chile, Colômbia, Equador, México, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela, porque reside na essência das normas que disciplinam o regime de origem, cuja observância entre os países-membros da ALAD1 se faz mister para o implemento das preferências tarifárias, a vedação da citada operação, dado o caráter cogente da norma que vincula expressamente, por meio do Certificado de Origem, a mercadoria ao emissor da fatura. 47. Resta sobejamente demonstrado que não há subsunção dos fatos arrolados nos autos às disposições da Resolução 232, de 1997, para o gozo do tratamento preferencial estabelecido no Acordo firmado entre os países-membros. 48.Destaque-se ainda que não há contrariedade entre essa conclusão e a Nota COANA/COLAD/DITEG n't: 60/1997. Ao contrário do que interpreta o impugnante, a nota em apreço diz expressamente que ALADI não havia regulamentado tal situação até então, porém, sustenta exatamente a necessidade de correlação entre a fatura comercial e o Certificado de Origem, nos termos preconizados na Resolução 232, de 1997, acima citada. II Ã, • 4 • 118. • • Processo n° 18336.00007112001-75 CSRF-T3 Acórdão n." 9303-00.061 Fl. 314 49. Portanto, sob qualquer ângulo que se veja a questão, não se sustenta a alegação do contribuinte de que o produto importado deve gozar do beneficio de redução tantária previsto no Acordo pleiteado.• Esclareça-se, por oportuno, que não se está aqui exigindo tributo com fimdamento em mero descumprimento de obrigação acessória, mas sim pelo descumprimento de uma das condições essenciais para a concessão da redução tarifária — certificado de origem-, previstas em acordo internacional (Artigo Segundo do Acordo 91) e, também, no Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n o 91.030, de 5 de março de 1985, parágrafo único do art. 434. Por último, deve-se ter presente que a legislação do comércio exterior envolve uma série de controles a serem implementados pelos países participantes, sendo os ritos e formas previstos nos acordos internacionais imprescindíveis para uniformizar os procedimentos em cada um dos signatários, bem como assegurar o cumprimento fiel das regras estabelecidas no respectivo acordo. Em razão disso, toma-se bastante restrito o campo de aplicação dos princípios do formalismo moderado e da verdade material. . De todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela contribuinte. Sala das Sessões, em 27 de maio de 2009. ilfielrliQtEgHEIRO TI:tRiçt 12 Page 1 _0013700.PDF Page 1 _0013800.PDF Page 1 _0013900.PDF Page 1 _0014000.PDF Page 1 _0014100.PDF Page 1 _0014200.PDF Page 1 _0014300.PDF Page 1 _0014400.PDF Page 1 _0014500.PDF Page 1 _0014600.PDF Page 1 _0014700.PDF Page 1
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Numero do processo: 18471.002163/2007-21
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e Outro
Exercício: 2003
Ementa: IRPJ. CSLL. PREJUÍZO FISCAL. BASE NEGATIVA DE CÁLCULO. COMPENSAÇÃO COM LUCRO REAL. LIMITE DE 30%.
Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do ano-calendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa.
Numero da decisão: 1101-000.497
Decisão: Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, nos termos do relatório e do voto que acompanham o presente acórdão.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e Outro Exercício: 2003 Ementa: IRPJ. CSLL. PREJUÍZO FISCAL. BASE NEGATIVA DE CÁLCULO. COMPENSAÇÃO COM LUCRO REAL. LIMITE DE 30%. Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do anocalendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, nos termos do relatório e do voto que acompanham o presente acórdão. (assinado digitalmente) FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Fl. 1DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ 2 Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Benedicto Celso Benício Júnior, Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga. Relatório Versa o presente processo sobre autos de infração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), por meio dos quais fora exigido crédito tributário acrescido de multa de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora, conforme segue: Tributo / Contribuição Valor do Tributo/ Contribuição Valor Total Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ R$ 275.299,67 R$ 692.185,95 Contribuição Social sobre Lucro Líquido – CSLL R$ 352.017,15 R$ 885.076,70 TOTAL R$ 627.316,82 R$ 1.577.262,65 A acusação consistiu em compensação indevida de prejuízo fiscal, no que tange ao IRPJ, e de compensação indevida da base de cálculo negativa da CSLL. Ademais, constituiu também, o Auto de Infração em tela, os Formulários de Alteração do Prejuízo Fiscal (FAPLI) e do Lucro Inflacionário e da Alteração da Base de Cálculo Negativa da Contribuição Social (FACS) (fls. 170/171). Em sede de impugnação, depois de regularmente cientificado em 27/12/2007, o contribuinte apresentou impugnação administrativa (fls. 173/186), acompanhada de vasta documentação (188/343), por meio da qual se sustentou, em síntese, o que segue: nos termos do artigo 17 da IN RFB nº 257, em caso de compensação de prejuízos fiscais oriundos de atividades rurais, não há que se falar em limitação de compensação, para fins de determinação da base de cálculo; ainda que se tratasse de prejuízo derivado de atividade rural, foi a compensação circunscrita à trava de 30% (trinta por cento), mesmo que pudessem ser ajustados 100% da base de cálculo negativa; foram analisados, em sede de fiscalização, apenas os Livros de Apuração do Lucro Real, condizentes com os anos de 2002 e 2003, lavrando, no que Fl. 2DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ Processo nº 18471.002163/200721 Acórdão n.º 1101000.498 S1C1T1 Fl. 2 3 tange ao IR, auto de infração decorrente de compensação de prejuízo fiscal acumulado do anocalendário de 2001; os procedimentos de compensação de prejuízo fiscal e da base negativa de CSLL que adotou estão corretos; por se tratar de atividade rural, não há que se falar em limitação de 30% (trinta por cento), conforme pacífico entendimento do Conselho de Contribuinte (jurisprudência às fls. 182/183); o exame de toda a documentação fiscal permitirá comprovar a origem dos créditos compensados; requereuse, pois, a produção de prova técnica, mediante perícia contábil, conforme indicado às fls. 185/186 – oportunidade em que já se indicou perito e quesitos a serem respondidos. Em sede de julgamento (fl. 391/405), a 4ª TURMA – DRJ – RIO DE JANEIRO entendeu pela improcedência do AII, com fulcro em arguições assim reduzidas: os lançamentos questionados revestiramse de todas as formalidades previstas no artigo 142 do CTN. Portanto, não há que se falar em nulidade, conforme fora avocado pelo contribuinte; para acatar o pedido de realização de perícia, pressupõese que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador. Porém, não é esta a situação dos presentes autos; em sede de mérito, dizente à compensação dos prejuízos, não há dúvida de que a empresa se dedica à atividade rural e mantém o controle do prejuízo fiscal dessa atividade a ser compensado, apurado na demonstração do LALUR. Inexiste falar em limite de 30% (trinta por cento) para efetuar a compensação; porém, apesar de o contribuinte declarar que a compensação glosada era de prejuízo fiscal da atividade rural, a escrituração fiscal trazida aos autos não separou o prejuízo fiscal da atividade rural do prejuízo fiscal das demais atividades. Idêntica situação ocorreu com as bases negativas de cálculo da CSLL; verificase que a interessada efetuou, quanto ao prejuízo fiscal, a compensação de R$ 1.101.198,70 (um milhão, cento e um mil, cento e noventa e oito reais e setenta centavos). Tal montante não alcança o limite dos 30% (trinta por cento) do lucro líquido ajustado. Sendo assim, não há óbice quanto a sua compensação; pela escrituração trazida aos autos, a interessada efetuou a compensação de base de cálculo negativa de R$ 3.911.301,75 (três milhões, novecentos e onze mil, trezentos e um reais e setenta e cinco centavos). Tal valor corresponde a 30% (trinta por cento) do montante imponível, não havendo, portanto, óbice a dita compensação; Assim restou ementado dito decisum: Fl. 3DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ 4 “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos na legislação de regência afasta a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento. PEDIDO DE PERÍCIA E/OU DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de solicitar a realização de perícia e/ou diligência, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as que forem consideradas prescindíveis ou impraticáveis. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 ATIVIDADE GERAL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITE DE 30%. Na apuração do lucro real, os prejuízos fiscais gerados na atividade geral poderão ser compensados com o lucro real da mesma atividade, observado o limite dos trinta por cento de que trata o art. 15 da Lei n° 9.065/95. ATIVIDADE RURAL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS COM LUCRO REAL DA MESMA ATIVIDADE. POSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE ESCRITURAÇÃO EM SEPARADO. O prejuízo fiscal apurado na atividade rural poderá ser compensado com o resultado positivo da mesma atividade, obtido em períodos de apuração posteriores, não se lhe aplicando o limite de 30% (trinta por cento) do lucro líquido ajustado, para fins de redução por compensação de prejuízos fiscais. O contribuinte deverá manter escrituração em separado dos demais resultados com o fim de segregar as receitas, os custos e as despesas referentes à atividade rural de modo a permitir a determinação da receita líquida por atividade, bem como demonstrar, no LALUR, separadamente, o lucro ou prejuízo da atividade beneficiada com incentivo das demais atividades não incentivadas. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ Processo nº 18471.002163/200721 Acórdão n.º 1101000.498 S1C1T1 Fl. 3 5 ATIVIDADE RURAL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS DA ATIVIDADE GERAL. POSSIBILIDADE. LIMITE DE 30%. Na apuração do lucro real, os prejuízos fiscais gerados na atividade geral poderão ser compensados com o lucro real da atividade rural, observado o limite dos trinta por cento de que trata o art. 15 da Lei n° 9.065/95. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Anocalendário: 2002 BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. COMPENSAÇÕES. ATIVIDADE GERAL E ATIVIDADE RURAL. À compensação de base de cálculo negativa de CSLL de atividade geral e de atividade rural, aplicamse as mesmas normas previstas na legislação de regência para as compensações de prejuízos fiscais. Impugnação Procedente. Crédito Tributário Exonerado.” A presidente recorreu de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fl. 392). É o relatório. Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR, Relator: Tratase de Recurso de Ofício interposto face conta decisão de improcedência da exigência insculpida no presente Auto de Infração, por meio do qual se imputou, à autuada, originalmente, no anocalendário de 2002, a realização de compensação indevida de prejuízo fiscal, no valor de R$ 1.101.198,70 (um milhão, cento e um mil, cento e noventa e oito reais e setenta centavos), e de base de cálculo negativa de CSLL, no valor de R$ 3.911.301,72 (três milhões, novecentos e onze mil, trezentos e um reais e setenta e dois centavos). Observese que, para haver a compensação de prejuízos, imperioso se faz respeitar a chamada “trava” dos 30% (trinta por cento), positivada no artigo 510 do RIR/99: Fl. 5DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ 6 “Art. 510. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995 poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas neste Decreto, observado o limite máximo, para compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado § 1º O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para § 2º Os saldos de prejuízos fiscais existentes em 31 de dezembro de 1994 são passíveis de compensação na forma deste artigo, independente do prazo previsto na legislação vigente à época de sua apuração. § 3º O limite previsto no caput não se aplica à hipótese de que trata o inciso I do art. 470.” O contribuinte, em sua impugnação administrativa, sustentou que, em se tratando de exploradora de atividade rural, não estaria adstrita à trava dos 30% (trinta por cento). De fato, a pessoa jurídica que empresaria atividade rural não está sujeita ao limite imposto pelo dispositivo legal acima mencionado. Isso é o que dispõe o artigo 512 do RIR/99, in verbis: “Art. 512.O prejuízo apurado pela pessoa jurídica que explorar atividade rural poderá ser compensado com o resultado positivo obtido em períodos de apuração posteriores, não se lhe aplicando o limite previsto no caput do art. 510.” Porém, para fazer jus a este benefício, a pessoa jurídica que explorar outras atividades, além da rural, dever segregar, contabilmente, as receitas, os custos e as despesas, nos termos do artigo 1º da IN SRF nº 038/96: Art. 1º A pessoa jurídica que explorar outras atividades, além da atividade rural, deverá segregar, contabilmente, as receitas, os custos e as despesas referentes à atividade rural, das demais atividades, bem como demonstrar, no Livro de Apuração do Lucro Real, separadamente, o lucro Fl. 6DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ Processo nº 18471.002163/200721 Acórdão n.º 1101000.498 S1C1T1 Fl. 4 7 ou prejuízo contábil e o lucro ou prejuízo fiscal dessas atividades. § 1º A pessoa jurídica deverá ratear, proporcionalmente à percentagem que a receita líquida de cada atividade representar em relação à receita líquida total: a) os custos e as despesas comuns a todas as atividades; b) os custos e despesas não dedutíveis, comuns a todas atividades, a serem adicionados ao lucro líquido, na determinação do lucro real; c) os demais valores, comuns a todas as atividades, que devam ser computados no lucro real. § 2º Na hipótese de a pessoa jurídica não possuir receita líquida no anocalendário, a determinação da percentagem prevista no parágrafo anterior será efetuada com base nos custos ou despesas de cada atividade explorada. As declarações e os escritos trazidos aos autos, pertinentes à recorrida, não separaram, no entanto, o prejuízo fiscal apurado na atividade rural, conforme se pode depreender das demonstrações apresentadas na própria impugnação, relativas a saldos transferidos para a conta “prejuízo fiscal a compensar” do LALUR (fls. 210, 222 e 236): Portanto, não há, em princípio, como desconsiderar os 30% (trinta por cento), estando o contribuinte sujeito a dita limitação. Ainda que exercesse atividade rural, não logrou Fl. 7DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ 8 a peticionária cumprir com a necessária separação de receitas e despesas, ao arrepio do que determina a legislação aplicável. Em todo caso, observese que a autuada efetuou compensação de prejuízo fiscal apenas até o importe de R$ 1.101.198,70 (um milhão, cento e um mil, cento e noventa e oito reais e setenta centavos), conforme ficha 9A da DIPJ/2003, ano calendário 2002 (fls. 358/362): Ora, não é difícil perceber que o total compensado correspondia a pouco mais de 8% (oito por cento) do lucro real apurado no período (R$ 609.222,61 + R$ 13.038.741,01 = R$ 13.647.963,62), mesmo se considerando todo este como oriundo do desenvolvimento de atividades não rurícolas. Não há, pois, crédito tributário a ser exigido. Passo a enfrentar agora, pois, a questão da compensação da base negativa da contribuição social, também sujeita ao limite de 30% (trinta por cento), nos moldes do artigo 16 da Lei 9.095/95: Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subsequentes, observado o limite máximo, de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios da base de cálculo negativa utilizada para a compensação. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ Processo nº 18471.002163/200721 Acórdão n.º 1101000.498 S1C1T1 Fl. 5 9 Da mesma forma que os prejuízos fiscais, a pessoa jurídica que explora atividade rural não está detida a 30% (trinta por cento). Para tanto, porém, é necessário haver segregação da base de cálculo negativa da CSLL de cada atividade, rurícola ou não. Mais uma vez a autuada não engendrou dita distinção, conforme consta de seu LALUR (fls. 216, 230 e 283). Devem ser considerados os saldos de base negativa, portanto, como provenientes das atividades gerais realizadas pela empresa. Ainda assim, da mesma forma que ocorreu com o prejuízo fiscal, não é árduo notar que a autuada respeitou o limite legal, compensando exatamente 30% (trinta por cento) da base de cálculo negativa, conforme demonstração do Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido: Isto posto, NEGO PROVIMENTO ao recurso de ofício, mantendo, in totum, a decisão recorrida. Sala das Sessões, em 30 de junho de 2011 (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR Relator Fl. 9DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ 10 Fl. 10DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ
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Numero do processo: 10108.000378/2001-58
Data da sessão: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1997
EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE RESERVA LEGAL.
OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO À MARGEM DE REGISTRO PÚBLICO DO IMÓVEL RURAL.
Por se tratar de condição essencial estabelecida em lei para a constituição de reserva legal, é imprescindível a averbação de tal área à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no Registro de Imóveis competente. Assim sendo, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a citada averbação deve ser
anterior ao fato gerador da obrigação tributária.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-000.168
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado por maioria de votos, em dar
provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage que negaram provimento.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: Caio Marcos Cândido
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MINISTÉRIO DA FAZENDA P .7 • v. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10108.000378/2001-58 Recurso n° 301-132.156 Especial do Procurador Acórdão o° 9202-00.168 — 2a Turma Sessão de 18 de agosto de 2009 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FAZENDA GUAICURUS LTDA. Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1997 EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO À MARGEM DE REGISTRO PÚBLICO DO IMÓVEL RURAL. Por se tratar de condição essencial estabelecida em lei para a constituição de reserva legal, é imprescindível a averbação de tal área à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no Registro de Imóveis competente. Assim sendo, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a citada averbação deve ser anterior ao fato gerador da obrigação tributária. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiad 91 por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Rol- da de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giacomelli Nunes •i: Silva, Rycari,f, Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage que negaram pro ento. #441 C i OS ALBERT REITAS BA r Te - Presfl ente • CAIO ARCOS CA DIDO — Re tor dir EDITADO EM: 8 $E T 2009 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (substituto do Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Julio Cesar Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Júnior, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.. Relatório Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão n°301-33.097, exarado na sessão de julgamento de 23 de agosto de 2006. A interposição do recurso de deu com supedâneo no inciso II do art. 5° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), aprovado pela Portaria MF n° 55, de 16 de março de 1998, vigente à época de sua interposição: Art. 5° Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais julgar recurso especial interposto contra: (.) II. decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara de Conselho de Contribuintes ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Hodiernamente tal recurso tem supedâneo no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), verbis: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Despacho em que se admite o recurso às fls. 222/224. A divergência jurispnidencial, que se quer seja solucionada nos presentes autos, resume-se a definir se, para fins de não incidência do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), a averbação da área declarada como reserva legal à margem da inscrição da matricula do imóvel no Registro de Imóveis competente, efetuada posteriormente à data de ocorrência do fato gerador, satisfaz a condição estabelecida na lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965 (Código Florestal Brasileiro), com a redação dada pelo § 2° do art. 16 da lei no 7.803, de 18 de julho de 1989, como entendeu o acórdão recorrido ou, se ao contrário, constitua-se condição essencial para a não incidência que a citada averbação tenha se dado em momento anterior à ocorrência do fato gerador do ITR. Contrarrazões ao recurso especial às fls. 232/236. É o relatório. Passo ao voto. 2 Processo n° 10108.000378/2001-58 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.168 • ; $. n Fl. 2 Voto Conselheiro CAIO MARCOS CANDIDO, Relator Recurso Especial de Divergência tempestivo. Passo a verificar o outro requisito de admissibilidade: a comprovação da divergência na interpretação de lei tributária entre duas câmaras dos Conselhos de Contribuintes ou de turma da CSRF. A P Câmara do 3° Conselho de Contribuintes no acórdão recorrido decidiu: AVERBAÇÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL. Não há sustentação legal para exigir averbação das áreas de reserva legal como condição ao reconhecimento dessas áreas isentas de tributação pelo ITR. Esse tipo de infração ao Código Florestal pode e deve acarretar sanção punitiva, mas que não atinge em nada o direito de isenção do ITR quanto a áreas que sejam de fato de preservação permanente, de reserva legal ou de servidão federal conforme definidas na Lei 4.771/65 (Código Florestal). O reconhecimento de isenção quanto ao ITR independe de averbação da área de reserva legal no Registro de Imóveis. A Fazenda Nacional recorre à instância especial sob a alegação de que deve ser mantida a glosa efetivada pela fiscalização relativa à área de reserva legal, para fins de não incidência do ITR, tendo em vista que a averbação da área declarada como reserva legal à margem da inscrição da matricula do imóvel no Registro de Imóveis deveria ter sido efetuado antes de ocorrido o fato gerador, reportando-se, como paradigma de divergência, ao acórdão n° 302-36.585, de lavra da r Câmara do 3° Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, na sessão de 02 de dezembro de 2004, em que restou consignado: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. A área de reserva legal )1- somente será considerada para efeito de exclusão tributária e aproveitada do imóvel rural quando devidamente averbada à margem da inscrição da matrícula do referido imóvel, junto ao Registro de Imóveis competente, em data anterior à da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos da legislação pertinente." Pelos excertos reproduzidos restou demonstrada a divergência entre decisões adotadas por duas Câmaras do 3° Conselho de Contribuintes. Presentes os pressupostos, há que ser admitido o Recurso Especial. No mérito, o lançamento combatido trata do ITR realizado com fulcro na glosa da área declarada como sendo de reserva legal. 3 Conforme visto, a 1' e 2 Câmaras do 3° Conselho de Contribuintes divergem quanto à obrigatoriedade, para fins de não incidência do ITR, da averbação no registro de imóveis competente, de área declarada pelo contribuinte como sendo de reserva legal, realizada previamente à data de ocorrência do fato gerador (condição prevista no Código Florestal Brasileiro (Lei n° 4.771, de 1965), incluída pelo § 2° do art. 16 da lei n° 7.803, de 1989. A 3' Turma da CSRF vinha decidindo no sentido de que a comprovação da área declarada como de reserva legal, para fins de exclusão da tributação do ITR, poderia dar- se por outros meios de prova, independendo da averbação de tal área à margem da matricula do imóvel rural no registro de imóveis competente ou mesmo de sua averbação posterior. Neste sentido reproduzo a ementa do acórdão CSRF/03-05.505, de 12 de novembro de 2007: Ementa: ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. - A comprovação da área de reserva legal para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR não depende exclusivamente de sua prévia averbação no cartório competente, e seu reconhecimento pode ser feito por meio de Laudo Técnico e outras provas documentais idôneas, inclusive a sua averbação procedida posteriormente à data do fato gerador. Peço vênia para discordar do posicionamento, então adotado, pelas razões a seguir apresentadas. A legislação aplicável à matéria estabelece que não serão consideradas para a formação da base de cálculo do ITR as áreas de reserva legal, ex vi da alínea "a" do inciso II do § 1° do art. 10 da lei n° 9.393/1996: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: (.) II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; Conforme visto, a definição do que seja "área de reserva legal" encontra-se estabelecida no § 2° do art. 16 da lei n° 4.771, de 1965, com redação incluída pelo art. 1° da lei n°7.803, de 1989: § 2°A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. A reserva legal é uma restrição ao direito de exploração das áreas de vegetações nativas e sua discutida averbação tem a função de dar publicidade a terceiros daquela restrição. 4 Processo n° 10108.000378/2001-58 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.168 Fl. 3 Tal posicionamento é corroborado pelo Supremo Tribunal Federal a partir do julgamento do Mandado de Segurança n° 22.688/PB (Tribunal Pleno, sessão de 28 de abril de 2000) em que se discutia tal tema relativamente à produtividade de imóvel em processo de desapropriação para fins de reforma agrária. Veja-se o tratamento dado à matéria em voto vista do Ministro Sepúlveda Pertence: A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ser excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade (.) A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja determinada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel o que dos novos proprietários só estaria obrigado a preservar vinte por cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo §2° do art. 16 da lei n°4.771/1965 não existe reserva legal. Esta posição continua sendo adotado pelo STF, conforme se pode verificar nos autos do MS 28.1561DF, cujo acórdão foi publicado no Diário de Justiça de 02 de março de 2007. Assim sendo, a afirmativa de que a existência da área declarada como de reserva legal ou de que sua comprovação por outros meios, ou ainda de que sua averbação - posteriormente à ocorrência do fato gerador, supriria a condição estabelecida na lei não condiz com a norma que emana da análise conjunta da alínea "a" do inciso II do § 1° do art. 10 da lei n° 9.393, de 1996 e do § 2° do art. 16 da lei n°4.771, de 1965, com redação incluída pelo art. 10 da lei n° 7.803, de 1989. Tal norma estabelece a obrigação de dar publicidade a terceiros da criação de área correspondente a, no mínimo, 20% da propriedade rural protegida do uso indiscriminado, impondo ao proprietário um controle social em relação à conservação da cobertura vegetal daquela área. Quando a Lei n° 9.393, de 1996 reproduziu a obrigatoriedade de averbação estabelecida no Código Florestal, não estava criando obrigação acessória, com vista no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, mas, sim, repercutindo condição essencial à instituição de área de reserva legal, que deve ser cumprida pelo interessado para fruição da exclusão de tais áreas da base de cálculo do ITR. O conceito de obrigação acessória, à luz do §2° do artigo 113 do CTN, confirma a conclusão trazida no parágrafo anterior, posto que a obrigatoriedade da averbação não foi criada por legislação tributária, sendo assim não há que se falar em obrigação tributária acessória: 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. (-) 2° A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Neste sentido, entendo ser condição essencial para a constituição de reserva legal a averbação de tal área à margem da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente. Apenas cumprida tal condição será possível a exclusão de tal área da base de cálculo do tributo. Sendo assim, apenas posteriormente à averbação considera-se constituída a área de reserva legal, não produzindo efeitos para períodos de apuração anteriores. Na forma do art. 144 do CTN, o lançamento tributário reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Tendo em vista que a averbação imposta em lei para constituição da reserva legal só foi realizada posteriormente à ocorrência do fato gerador, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial de divergência. 11110 110 Caio arcos Candido - Relator é , 6
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