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Numero do processo: 10803.720077/2012-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 09 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2006 a 28/02/2008
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VERIFICAÇÃO VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PREJUDICIAL DE ADMISSIBILIDADE. PORTARIA MF N° 02/2023. SÚMULA CARF Nº 103.
A verificação do limite de alçada, para fins de Recurso de Ofício, ocorre em dois momentos: primeiro quando da prolação de decisão favorável ao contribuinte pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), para fins de interposição de Recurso de Ofício, observando-se a legislação da época e segundo quando da apreciação do recurso pelo CARF, em Preliminar de Admissibilidade, para fins de seu conhecimento, aplicando-se o limite de alçada então vigente.
Entendimento que está sedimentado pela Súmula Carf nº 103: "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância".
In casu, aplica-se o limite instituído pela Portaria MF n° 02/2023 que alterou o valor para interposição de Recurso de Ofício para R$ 15.000.000,00.
Numero da decisão: 2401-010.948
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Wilsom de Moraes Filho, Matheus Soares Leite, Eduardo Newman de Mattera Gomes, Ana Carolina da Silva Barbosa, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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LIMITE DE ALÇADA. VERIFICAÇÃO VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PREJUDICIAL DE ADMISSIBILIDADE. PORTARIA MF N° 02/2023. SÚMULA CARF Nº 103. A verificação do limite de alçada, para fins de Recurso de Ofício, ocorre em dois momentos: primeiro quando da prolação de decisão favorável ao contribuinte pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), para fins de interposição de Recurso de Ofício, observando-se a legislação da época e segundo quando da apreciação do recurso pelo CARF, em Preliminar de Admissibilidade, para fins de seu conhecimento, aplicando-se o limite de alçada então vigente. Entendimento que está sedimentado pela Súmula Carf nº 103: "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância". In casu, aplica-se o limite instituído pela Portaria MF n° 02/2023 que alterou o valor para interposição de Recurso de Ofício para R$ 15.000.000,00. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (documento assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 72 00 77 /2 01 2- 50 Fl. 82972DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-010.948 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10803.720077/2012-50 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Wilsom de Moraes Filho, Matheus Soares Leite, Eduardo Newman de Mattera Gomes, Ana Carolina da Silva Barbosa, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado e Miriam Denise Xavier. Relatório SERVIMED COMERCIAL LTDA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, teve contra si lavrado Auto de Infração concernente ao descumprimento de obrigações acessórias, sob os Códigos de Fundamento Lefal – CFL 78, 30 e 34, em relação às competências 01/2006 a 02/2008, conforme Relatório Fiscal, às e-fls. 09/21, e demais documentos que instruem o processo. De acordo com o Relatório Fiscal, apuraram-se créditos decorrentes de investigações sobre suposto esquema fraudulento envolvendo empresas do segmento de cartões e serviços de “campanhas de incentivo”, implicando mecanismo de pagamento de prêmios – por meio de cartões e respectivos créditos – a pessoas indicadas pelos clientes (tomadores). A fiscalização aponta que a autuada em epígrafe foi uma das inúmeras tomadoras dos serviços da empresa EXPERTISE COMUNICAÇÃO TOTAL S/C Ltda. Após a seleção dos maiores clientes da EXPERTISE e cruzamento de dados, constatou-se que alguns contribuintes retificaram as declarações, recolhendo os tributos devidos. Por outro lado, aqueles que permaneceram inertes foram objeto de procedimentos fiscais. No presente caso, a auditoria-fiscal, após emitir Termos de Intimação, apurou, a partir dos registros contábeis do período, diversas notas fiscais da EXPERTISE, e solicitou esclarecimentos adicionais, referentes ao contrato de prestação de serviços pactuado. Segundo a fiscalização, como não houve a perfeita comprovação da identificação dos beneficiários dos prêmios distribuídos por meio de cartões “Exchange Card”, os salários-de- contribuição foram aferidos, com base no art. 33 e § 3.º da Lei n.º 8.212/91, a partir dos créditos efetuados nos cartões de incentivo. Os valores pagos por meio de cartões de premiação foram, então, consideradas fatos geradores de contribuições previdenciárias, implicando a lavratura de outro Auto de Infração conexo, processo nº 10803.720076/2012-13, julgado por esta mesma turma na sessão de 30/06/2014 (Acórdão nº 14-51.606), contendo os créditos correspondentes às obrigações principais (Autos de Infração de Obrigações Principais - AIOP) e à multa por descumprimento de obrigação acessória (Auto de Infração de Obrigações Acessórias – AIOA CFL 68, pela omissão de fatos geradores e contribuições em GFIP). A fiscalização teceu ainda, considerações acerca da omissão de fatos geradores em GFIP e respectiva falta de recolhimento, implicando a comparação entre a aplicação da multa de ofício de 75% (art. 44, I da Lei nº 9.430/96) e a soma da multa de mora de 24% (art. 35, I da Lei nº 8.212/91 – incidente nos AI de obrigações principais - AIOP) com a multa por omissão em GFIP (art. 32 e § 5º da Lei nº 8.212/91), para fins de eventual retroatividade benéfica de penalidades, prevista no art. 106, II, “c” do Código Tributário Nacional (CTN). Para tanto, elaborou planilhas comparativas (Fls. 2404/2409), pelas quais foi aplicada a sistemática anterior naqueles AIOP (24% + AIOA 68) de 01 a 11/2006; e a sistemática atual (multa de 75% - por retroatividade benéfica) de 12/2006 a 02/2008; acrescentando ainda que, para a obrigação Fl. 82973DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-010.948 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10803.720077/2012-50 acessória de declarar em GFIP, de 12/2006 a 02/2008, resultou mais benéfica a multa estabelecida no art. 32-A e § 3º da Lei nº 8.212/91 (AIOA FL 78). Os AIOA lançados no presente processo n.º 10803.720077/2012-50 compreendem os debcad´s a seguir. nº 51.026.623-1: multa por descumprimento de obrigação acessória, Fundamento Legal – FL. 78, pela falta de declaração de fatos geradores em GFIP, de 12/2006 a 02/2008, no valor de R$ 7.500,00. nº 51.026.624-0: multa por descumprimento de obrigação acessória, Fundamento Legal - FL 30, por deixar de incluir nas folhas de pagamento de 01/2007 a 02/2008, as pessoas beneficiárias dos pagamentos das premiações por via de cartões de incentivo, no valor de R$ 1.617,12. nº 51.026.625-8: multa por descumprimento de obrigação acessória, Fundamento Legal - FL 34, por deixar de lançar em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, de 01/2006 a 02/2008, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, omitindo-se assim as pessoas beneficiárias das premiações, no valor de R$ 16.170,98. A contribuinte, regularmente intimada, apresentou impugnação requerendo a decretação da improcedência do feito. Por sua vez, a 7ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP entendeu por bem julgar procedente a impugnação, exonerando o crédito tributário, por entender que a obrigação acessória estava diretamente correlacionada com o AIOP julgado improcedente, mantendo apenas o CFL 34 (posteriormente apartado dos autos), o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 14-51.713/2014, de e-fls. 82.935/82.954, sintetizados na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 29/02/2008 DECADÊNCIA QÜINQÜENAL. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. ART. 173, I DO CTN. OCORRÊNCIA PARCIAL. MULTA. VALOR FIXO. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. A partir da publicação da Súmula Vinculante n.º 08 do STF, em 20/06/2008, que reconheceu a inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, aplica-se aos créditos previdenciários o prazo decadencial qüinqüenal, previsto no Código Tributário Nacional (CTN). No caso de multas por descumprimento de obrigações acessórias, em que não se fala em antecipação de pagamento da obrigação, prevalece a aplicação da regra geral da decadência, qual seja, a do art. 173, I do CTN. Apesar de uma parcela das infrações abrangerem competências atingidas pela decadência, a cominação da penalidade por valor fixo, isto é, independente do número, implica a manutenção da multa imposta em relação àquelas ocorrências remanescentes. OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS CONEXAS. PAGAMENTO DE BONIFICAÇÕES OU PRÊMIOS. CARTÕES DE PREMIAÇÃO. EMPRESAS DE REPRESENTAÇÃO COMERCIAL. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. FINALIDADE INSTRUMENTAL. PESSOAS JURÍDICAS. LEGALIDADE. SALÁRIO-DE CONTRIBUIÇÃO. SEGURADOS EMPREGADOS. FALTA DE CARACTERIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO E ELEMENTOS DE PROVA. VÍCIO MATERIAL. MOTIVAÇÃO DE FATO E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. ELEMENTOS ESSENCIAIS DO LANÇAMENTO. NULIDADE. REPERCUSSÃO NOS AUTOS DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. OMISSÕES EM GFIP. FOLHAS DE PAGAMENTO EM DESACORDO COM AS Fl. 82974DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-010.948 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10803.720077/2012-50 NORMAS. PREJUDICADOS. CONTABILIZAÇÃO EM TÍTULOS IMPRÓPRIOS. MANUTENÇÃO DA AUTUAÇÃO. Para as obrigações principais conexas à presente autuação, estando os destinatários das bonificações configurados como representantes comerciais pessoas jurídicas, conforme previsão expressa na lei n.º 4.886/65, o expediente da aferição indireta - embora justificado diante das inconsistências contábeis verificadas -, de per si, não é suficiente para tomar valores pagos a empresas legalmente formalizadas como pessoas jurídicas como se fossem remunerações pagas a segurados empregados ou mesmo contribuintes individuais. Entende-se como imprescindível, para a requalificação dos fatos tributários apurados, a demonstração, por meio de provas consistentes e de circunstâncias fáticas suficientemente convergentes, de que a prestação de serviços entre duas pessoas jurídicas “mascarava”, na verdade, uma relação direta entre a autuada (SERVIMED) e as pessoas físicas titulares daquelas empresas, que seriam, perante a legislação tributária previdenciária, segurados empregados da autada ou, quiçá, contribuintes individuais. Tal demonstração constitui um ônus próprio à atividade fiscalizatória. A ausência, nos autos, de qualquer elemento circunstancial e concreto - além da aferição indireta - que possa justificar a equiparação dos pagamentos efetuados a pessoas jurídicas - legal e formalmente constituídos em empresas - como se fossem realizados a pessoas físicas segurados empregados, denota a incorreta aplicação da regra matriz de incidência tributária, por falta de motivação quanto às circunstâncias materiais, ligadas aos aspectos essenciais e de conteúdo do ato de lançamento. Fica caracterizado, assim, vício insanável de ordem material, na sua motivação jurídica e na sua regular constituição, ensejando a nulidade da autuação principal e conseqüente repercussão nos Autos de Infração de obrigações acessórias. Para os Auto de Infração de Obrigações Acessórias (AIOA) CFL 78 e 30, não tendo sido suficientemente demonstrada pela fiscalização a necessária caracterização dos destinatários das bonificações como segurados empregados, remanescendo a circunstância fática de que os valores foram destinados a diversas empresas de representação comercial, desaparece a materialidade da infração em epígrafe, isto é, a obrigação de declará-los em GFIP e a de inclui-los em folhas de pagamento. No caso do AIOA CFL 34, logrando-se demonstrar que o título contábil não espelha a realidade inerente à causa dos pagamentos, dada a natureza dos prêmios ou bonificações pagas a diversas empresas de representação comercial, o que dificulta a sua identificação e classificação por parte das autoridades fiscais, materializa-se a infração apurada, devendo ser mantida a autuação e respectiva multa. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO EM GFIP. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTA DE OFÍCIO. DUPLICIDADE DE PENALIZAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. A multa de ofício engloba tanto a multa pela falta de recolhimento da contribuição devida quanto a penalidade pela declaração incorreta ou omissa em GFIP. A aplicação da multa de ofício não deve ser cumulada com outra penalidade pecuniária por descumprimento de obrigação acessória decorrente da não entrega ou da entrega com informações incorretas ou omissas daquela mesma declaração, o que enseja a improcedência de autuação nesse sentido. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. INDEFERIMENTO. O domicílio tributário do sujeito passivo é endereço, postal, eletrônico ou de fax fornecido pelo próprio contribuinte à Receita Federal do Brasil (RFB) para fins cadastrais, devendo ser indeferido o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do advogado ou procurador. Impugnação Procedente em Parte Fl. 82975DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-010.948 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10803.720077/2012-50 Crédito Tributário Mantido em Parte Em observância ao disposto no artigo 34 do Decreto nº 70.235/72 e alterações introduzidas pelas Leis nºs 8.748/1993 e 9.532/97, c/c a Portaria MF nº 03/2008, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício da decisão encimada, que declarou improcedente o lançamento fiscal. Isto porque, é inequívoca a conexão e relação de dependência existentes entre o presente Auto de Infração de Obrigações Acessórias (AIOA) e o Auto de Infração de Obrigações Principais (AIOP), processo nº 10803.720076/2012-13, julgado por esta mesma turma na sessão de 30/06/2014 (Acórdão nº 14-51.606), haja vista originarem-se da mesma situação fática e elementos de prova. Embora constituam processos distintos, com decisões individuais, nos termos do § 5º do art. 1º da Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008 (DOU de 28/4/2008), e tendo em vista a supremacia do interesse público, pelo elevado valor exonerado sob as mesmas circunstâncias, e estando ainda tal montante – considerado ainda o processo principal (AIOP) – enquadrado na Portaria MF nº 3/2008 (DOU de 07/01/2008), entende-se pelo envio do conjunto desses processos ditos “conexos” para fins do reexame necessário (Recurso de Ofício), por terem sido formalizados com base nos mesmos elementos de prova e circunstâncias fáticas, e em razão da repercussão direta e relação de continência existente entre eles, caso haja provimento do recurso de ofício naquele processo principal, a teor do art. 1º, inciso I, “e” da Portaria RFB nº 666/2008. Regularmente intimada, a autuada, manteve inerte. Após regular processamento, os autos fora distribuídos a este Conselheiro, para relato e inclusão em pauta, o que fazemos nesta assentada. É o Relatório. Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira, Relator. RECURSO DE OFÍCIO Preliminar de Admissibilidade Em 18 de janeiro de 2023 foi publicada a Portaria MF nº 02 que alterou o valor limite para interposição de Recurso de Ofício para R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais), vejamos: Portaria MF nº 02/23 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento de Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplica-se o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Fl. 82976DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-010.948 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10803.720077/2012-50 A verificação do "limite de alçada", em face de Decisão da primeira instância favorável ao contribuinte, ocorre em dois momentos: primeiro na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ),para fins de interposição de Recurso de Ofício, no momento da prolação de decisão favorável ao contribuinte, observando-se a legislação da época, e segundo no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), para fins de conhecimento do Recurso de Ofício, quando da apreciação do recurso, em Preliminar de Admissibilidade, aplicando-se o limite de alçada então vigente. É o que está sedimentado pela Súmula Carf nº 103, assim ementada: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Portanto, depreende-se que o limite de alçada a ser definitivamente considerado será aquele vigente no momento da apreciação, pelo Conselho, do respectivo Recurso de Ofício. vinculada pela Súmula Carf nº 103, encimada. Tendo em vista que o crédito tributário exonerado pela primeira instância não alcança o limite de alçada, hoje de R$ 15.000.000,00, não levado a efeito os juros. No presente caso, o montante de crédito Tributário exonerado foi abaixo do novo limite de alçada, vigente na data do presente julgamento. Portanto, o valor exonerado não atinge o limite de alçada. Nesse diapasão, VOTO NO SENTIDO DE NÃO CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO, em face de o montante de crédito Tributário exonerado situar-se abaixo do limite de alçada vigente, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (documento assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 82977DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 12448.723399/2014-34
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2013
RECURSO VOLUNTÁRIO - INTEMPESTIVIDADE.
Conforme o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72 da decisão da DRJ caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.
Numero da decisão: 2002-007.085
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Diogo Cristian Denny - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Thiago Duca Amoni, Diogo Cristian Denny (Presidente).
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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Conforme o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72 da decisão da DRJ caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Diogo Cristian Denny - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Thiago Duca Amoni, Diogo Cristian Denny (Presidente). Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida a notificação de lançamento do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física – IRPF, referente ao exercício 2013, ano-calendário 2012, por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil – AFRFB da DRF/Rio de Janeiro I. Foi apurado Imposto Suplementar no valor de R$6.792,50, acrescido de multa de ofício e juros de mora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 33 99 /2 01 4- 34 Fl. 71DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-007.085 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.723399/2014-34 O referido lançamento teve origem na constatação da seguinte infração: Dedução Indevida de Despesas Médicas - glosa no valor de R$24.700,00, indevidamente deduzido a título de despesas médicas, por falta de comprovação ou por falta de previsão legal para a dedução. Motivo da glosa: Isabel Cristina S. Rodrigues (R$8.500,00), Maria Therezinha F. Vasco (R$12.000,00) e Nassim David Harari (R$4.200,00). Falta de atendimento às formalidades legais exigidas pela Receita Federal, tal como endereço do prestador dos serviços. A base legal do lançamento encontra-se nos autos. o contribuinte teve ciência do lançamento em 09/04/2014, conforme documento de fl. 27 e, em 25/04/2014, apresentou impugnação, em petição de fl. 02, acompanhada dos documentos de fls. 03/23, na qual alega, resumidamente, o quanto segue: - que o valor se refere a despesas médicas próprias; - que anexa os documentos comprobatórios das despesas médicas, contendo todos os requisitos exigidos pela legislação. É o relatório. A decisão de primeira instância manteve parcialmente o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2013 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. REQUISITOS LEGAIS. São dedutíveis, a título de despesas médicas, os pagamentos feitos a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, relativos ao contribuinte e a seus dependentes, desde que comprovados por documentação hábil e idônea. Cientificado da decisão de primeira instância em 04/09/2018, o sujeito passivo interpôs, em 21/09/2018, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que: a) as despesas médicas estão comprovadas nos autos, com o endereço profissional do prestador dos serviços É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni - Relator O presente recurso é intempestivo, vez que, conforme e-fls. 48, o contribuinte foi intimado da decisão da DRJ no dia 04/09/2017, apresentando manifestação apenas em 31/08/2018, e-fls. 49, desrespeitando requisito essencial de admissibilidade, conforme artigo 33 do Decreto nº 70.235/72, cuja redação é: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 72DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-007.085 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.723399/2014-34 Diante do exposto, não conheço do Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, visto que intempestivo. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 73DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 18239.000629/2009-78
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2004
DEDUÇÃO INDEVIDA -DESPESA MÉDICA - DOCUMENTAÇÃO HÁBIL
As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
Numero da decisão: 2002-006.928
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcelo de Sousa Sateles.
(documento assinado digitalmente)
Diogo Cristian Denny - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Thiago Duca Amoni, Diogo Cristian Denny (Presidente).
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2004 DEDUÇÃO INDEVIDA -DESPESA MÉDICA - DOCUMENTAÇÃO HÁBIL As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcelo de Sousa Sateles. (documento assinado digitalmente) Diogo Cristian Denny - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Thiago Duca Amoni, Diogo Cristian Denny (Presidente). Relatório Trata-se de impugnação à Notificação de Lançamento lavrada contra a Contribuinte acima identificada, em decorrência de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 23 9. 00 06 29 /2 00 9- 78 Fl. 52DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-006.928 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 18239.000629/2009-78 (DAA) do Exercício de 2005, que apurou o IRPF Suplementar de R$ 7.238,68, sujeito à multa de ofício e juros de mora. Conforme DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL (fls. 5 a 7), foram apuradas as seguintes infrações: - Dedução Indevida de Despesas Médicas, sendo glosado o valor de R$ 19.500,00, constando Complementação da Descrição dos Fatos nos seguintes termos: Despesas médicas glosadas por não se revestirem das formalidades exigidas e/ou falta de identificação do beneficiário do serviço prestado: RENATA PEREIRA DOS PASSOS - R$6.000,00 RANULFO ARTUR MACHADO LIMA - R$8.000,00 ADRIANA TAVARES DE MORAES ATTY - R$5.500,00 - Omissão de Rendimentos sem Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF a compensar, recebidos das seguintes fontes pagadoras: Fonte Pagadora CNPJ Valor 1 VIDEO INTERAMERICANA LTDA 33.113.721/0001-67 R$ 354,25 2 TV GLOBO LTDA 33.252.156/0001-19 R$ 505,46 3 AUDIO CORP. LIDA 73.962.508/0001-4 4 R$ 1.904,77 - Omissão de Rendimentos Recebidos a Titulo de Resgate de Contribuições à Previdência Privada, PGBL e Fapi, glosado o valor de R$ 4.058,00, sem IRRF a compensar, recebidos do - BRADESCO VIDA E PREVIDENC1A S.A, CNPJ. 51.990.695/0001-37. Cientificado em 07/01/2009 (fls. 25 e 26), o Interessado apresentou impugnação em 04/02/2009, alegando que quanto às despesas médicas, o problema foi solucionado com a substituição dos recibos glosados por outros com a devida identificação especificada com o nome do beneficiário. Quanto à omissão de rendimentos, alega que o valor reivindicado (R$ 2.764,48) foi parcialmente declarado, contudo, havendo inúmeras fontes com valores pouco expressivos, foram agregados, somando o valor de R$ 1.200,00 e declarados como “Outros” no campo de rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas. Portanto admite a omissão de R$ 1.564,48. Solicita, ainda, a inclusão de valores de pagamentos efetuados ao Plano Bradesco, conforme declaração e demonstrativo por este emitido, uma vez que não foram incluídos na declaração. Conclui por requerer o acolhimento da impugnação e o recálculo do débito fiscal reclamado levando em consideração o valor omitido conforme descrito, acrescido das devidas penalizações. É o Relatório. A decisão de primeira instância foi proferida com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2004 GLOSA DE DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. A dedução de despesas médicas informadas no campo Deduções da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física- Dirpf, restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte relativos ao próprio tratamento ou de seus dependentes, estando as Fl. 53DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-006.928 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 18239.000629/2009-78 deduções pleiteadas sujeitas à comprovação mediante recibos que devem ser revestidos dos requisitos legais, discriminando a pessoa beneficiária dos serviços contratados, bem como o nome, CPF e endereço do prestador. DECLARAÇÃO RETIFICADORA APÓS NOTIFICAÇÃO. PERDA DA ESPONTANEIDADE Ao contribuinte regularmente cientificado do início do procedimento fiscal bem como notificado do lançamento fiscal, é vedado alterar a declaração com intuito de diminuir o valor a pagar de imposto e acréscimos legais, posto que está excluída a sua espontaneidade. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PARTE DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS Consolida-se administrativamente o crédito tributário relativo à matéria não impugnada (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 17). Ciente do acórdão da DRJ em 25/04/2013, o(a) contribuinte, em 20/05/2013, apresentou recurso voluntário, no qual alega, em apertado resumo, que: a) as despesas médicas estão comprovadas pelos recibos anexos ao recurso. É o relatório. Voto Conselheiro(a) Thiago Duca Amoni - Relator(a) O recurso apresentado é tempestivo e, por reunir os demais requisitos formais de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, dele toma-se conhecimento. Acolho também os documentos apresentados posteriormente, às e-fls. 44 e seguintes vez que apresentados dentro do prazo recursal. Cumpre destacar que o contribuinte não discute a omissão de rendimentos no valor de R$ 1.564,48. Também não foi contestada a omissão de rendimentos Recebidos a Titulo de Resgate de Contribuições à Previdência Privada, no valor de R$ 4.058,00. Tratando-se de matérias não impugnadas a teor do art. 17 do Decreto 70.235/72, consolida-se administrativamente o lançamento correspondente. Da dedução de despesas médicas As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I - de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II - das deduções relativas: Fl. 54DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-006.928 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 18239.000629/2009-78 a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I- aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II- restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III- limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifos nossos) O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais, desde que preenchidos os requisitos legais, como meios de comprovação da prestação de serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido, quando da apresentação de sua DAA. O dispositivo em comento vai além, permitindo ainda que, caso o contribuinte tomador do serviço, por qualquer motivo, não possua o recibo emitido pelo profissional, a comprovação do pagamento seja feita por cheque nominativo ou extratos de conta vinculados a alguma instituição financeira. Assim, como fonte primária da comprovação da despesa temos o recibo e a nota fiscal emitidos pelo prestador de serviço, desde que atendidos os requisitos legais. Na falta destes, pode, o contribuinte, valer-se de outros meios de prova. Ademais, o Fisco tem a sua disposição outros instrumentos para realizar o cruzamento de dados das partes contratantes, devendo prevalecer a boa-fé do contribuinte. Nesta linha, no acórdão 2001-000.388, de relatoria do Conselheiro deste CARF José Alfredo Duarte Filho, temos: (...) No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. Fl. 55DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-006.928 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 18239.000629/2009-78 O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. (...) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocando-o na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (dedução tributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecê-lo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Some-se a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagador recebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazê-lo daquela forma." Ainda, há jurisprudência deste Conselho que corroboram com os fundamentos até então apresentados: Processo nº 16370.000399/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.387 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente FLÁVIO JUN KAZUMA Fl. 56DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2002-006.928 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 18239.000629/2009-78 Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Processo nº 13830.000508/2009-23 Recurso nº 908.440 Voluntário Acórdão nº 2202-01.901 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Despesas Médicas Recorrente MARLY CANTO DE GODOY PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. A DRJ manteve a glosa das despesas médicas pela ausência de endereço nos recibos apresentados pelo contribuinte, requisito este suprido pelas declarações de e-fls. 47 a 49. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, dar-lhe provimento. É como voto. Thiago Duca Amoni - Relator Fl. 57DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2002-006.928 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 18239.000629/2009-78 Fl. 58DF CARF MF Original
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Numero do processo: 11060.003430/2009-31
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/12/2009
PRODUTOR RURAL. SUBROGAÇÃO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL.REPERCUSSÃO GERAL.
No julgamento do RE 363.852/MG e 596.177/RS, em sede de repercussão geral, a Suprema Corte decidiu pela inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos
I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97. Aplicabilidade do art. 62-A
do Regimento Interno do CARF, aprovado pela portaria GMF nº 256 de 22 de junho de 2009. Inexistência de fato gerador.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-001.082
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: OSÉAS COIMBRA
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ementa_s : Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/12/2009 PRODUTOR RURAL. SUBROGAÇÃO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL.REPERCUSSÃO GERAL. No julgamento do RE 363.852/MG e 596.177/RS, em sede de repercussão geral, a Suprema Corte decidiu pela inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97. Aplicabilidade do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela portaria GMF nº 256 de 22 de junho de 2009. Inexistência de fato gerador. Recurso Voluntário Provido
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Obrigação Acessória Recorrente COOPERATIVA AGRICOLA CACHOEIRENSE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/12/2009 PRODUTOR RURAL. SUBROGAÇÃO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL.REPERCUSSÃO GERAL. No julgamento do RE 363.852/MG e 596.177/RS, em sede de repercussão geral, a Suprema Corte decidiu pela inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97. Aplicabilidade do art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela portaria GMF nº 256 de 22 de junho de 2009. Inexistência de fato gerador. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). assinado digitalmente Fl. 107DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11060.003430/200931 Acórdão n.º 2803001.082 S2TE03 Fl. 71 2 Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Wilson Antônio de Souza Correa. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11060.003430/200931 Acórdão n.º 2803001.082 S2TE03 Fl. 72 3 Relatório A empresa foi autuada por descumprimento da legislação previdenciária conforme disposto no relatório da decisão impugnada, por ter deixado de informar em GFIP os valores referentes à aquisição de produtos rurais, com subrogação. A DecisãoNotificação – fls 59 e ss. conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o Auto lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, em síntese, que a contribuição social sobre comercialização rural, utilizada como fundamento para a imputação da multa aplicada, está sendo debatida nas Ações Administrativas ns. 37.228.9266 e 37.228.9274 e, em caso de redução do montante devido, deve ser considerado quando do julgamento da presente impugnação É o relatório. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11060.003430/200931 Acórdão n.º 2803001.082 S2TE03 Fl. 73 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra DAS CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES NA COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL – PESSOA FÍSICA O Supremo Tribunal, no julgamento dos RE 363.852/MG e 596.177/RS, decidiu pela inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97. A decisão da Suprema Corte, em sede de repercussão geral, fulmina a subrogação devida na aquisição de produção rural de produtor rural pessoa física. O art. 62A, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela portaria GMF nº 256 de 22 de junho de 2009, traz: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. grifei Tenho como aplicável a norma prevista no presente regimento e, uma vez decidido pelo Pleno do STF, não há que se falar em fato gerador a ser declarado em GFIP, desnaturando o presente Auto de Infração. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11060.003430/200931 Acórdão n.º 2803001.082 S2TE03 Fl. 74 5 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Numero do processo: 10660.002519/2007-97
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2006
ISENÇÃO DA COTA PATRONAL DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 55 DA LEI 8.212/91.
O art. 55 da Lei 8.212/91 estabelece os requisitos cumulativos que devem ser atendidos pela entidade beneficente de assistência social para que possa se beneficiar da isenção das contribuições previdenciárias patronais. Caso não atendidos todos os requisitos cumulativamente o benefício não será concedido.
GFIP. CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE A REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS.
As informações constantes da GFIP servirão como base de cálculo das contribuições previdenciárias devidas, bem como constituir-se-ão em termo de confissão de divida, na hipótese de não recolhimento, nos termos do artigo 32, inciso IV, parágrafo 2°, da Lei 8.212/91, c/c o artigo 225, parágrafo 1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99.
MULTA. RETROATIVIDADE. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Fica assegurado à empresa a aplicação, se mais benéfica, da multa prevista na legislação atual.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-001.062
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, em razão da decadência do período 01/1999 a 11/2001, nos termos do art. 173, inciso I do CTN, devendo ser aplicada a multa prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, na redação dada pela Lei nº 11.941 de 2009, desde que mais favorável ao contribuinte.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2006 ISENÇÃO DA COTA PATRONAL DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 55 DA LEI 8.212/91. O art. 55 da Lei 8.212/91 estabelece os requisitos cumulativos que devem ser atendidos pela entidade beneficente de assistência social para que possa se beneficiar da isenção das contribuições previdenciárias patronais. Caso não atendidos todos os requisitos cumulativamente o benefício não será concedido. GFIP. CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE A REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. As informações constantes da GFIP servirão como base de cálculo das contribuições previdenciárias devidas, bem como constituir-se-ão em termo de confissão de divida, na hipótese de não recolhimento, nos termos do artigo 32, inciso IV, parágrafo 2°, da Lei 8.212/91, c/c o artigo 225, parágrafo 1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. MULTA. RETROATIVIDADE. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Fica assegurado à empresa a aplicação, se mais benéfica, da multa prevista na legislação atual. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Recorrente SOCIEDADE DE EDUCAÇÃO E CULTURA FAVO DE MEL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2006 ISENÇÃO DA COTA PATRONAL DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 55 DA LEI 8.212/91. O art. 55 da Lei 8.212/91 estabelece os requisitos cumulativos que devem ser atendidos pela entidade beneficente de assistência social para que possa se beneficiar da isenção das contribuições previdenciárias patronais. Caso não atendidos todos os requisitos cumulativamente o benefício não será concedido. GFIP. CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE A REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. As informações constantes da GFIP servirão como base de cálculo das contribuições previdenciárias devidas, bem como constituirseão em termo de confissão de divida, na hipótese de não recolhimento, nos termos do artigo 32, inciso IV, parágrafo 2°, da Lei 8.212/91, c/c o artigo 225, parágrafo 1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. MULTA. RETROATIVIDADE. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Fica assegurado à empresa a aplicação, se mais benéfica, da multa prevista na legislação atual. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, em razão da decadência do período 01/1999 a 11/2001, nos Fl. 144DF CARF MF Impresso em 05/12/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10660.002519/200797 Acórdão n.º 2803001.062 S2TE03 Fl. 136 2 termos do art. 173, inciso I do CTN, devendo ser aplicada a multa prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, na redação dada pela Lei nº 11.941 de 2009, desde que mais favorável ao contribuinte. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Junior, Wilson Antonio de Souza Correa. Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD lavrada contra o contribuinte em epígrafe, referente às contribuições devidas e não recolhidas à Seguridade Social, incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados e contribuinte individual que lhe prestaram serviços, período de janeiro/1999 a dezembro/2006, correspondente a parte patronal, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a outras entidades e fundos (terceiros), conforme Relatório Fiscal de fls. 60 e 61. O contribuinte informou nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações A Previdência Social — GFIP (fls. 60/61) o código FPAS 639, exclusivo de entidades isentas das contribuições previdenciárias relativas à cota patronal, contudo, não comprovando os requisitos cumulativos do artigo 55 da Lei n° 8.212/91 com as alterações introduzidas pela legislação posterior, logo, não se configurando a isenção informada nas referidas guias. A condição de entidade não isenta foi confirmada pelo fisco através de consulta aos sistemas informatizados da Previdência Social e do Conselho Nacional de Assistência Social CNAS, cujo comprovante consta na folha 59. DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO O contribuinte foi cientificado da notificação em 12/07/2007, fl. 62, apresentando impugnação, fls. 64 a 107. A decisão do órgão julgador de primeira instância administrativa fiscal confirmou a procedência do lançamento, fls. 111 a 118. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 145DF CARF MF Impresso em 05/12/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10660.002519/200797 Acórdão n.º 2803001.062 S2TE03 Fl. 137 3 O contribuinte foi cientificado da decisão em 28/02/2008, fl. 121, inconformado interpôs recurso voluntário, em 26/03/2008, fls. 123 a 131, alegando em síntese: a decadência do período 01/1999 a 12/2001; atende a todos os requisitos previstos no art. 55 da Lei 8.212/91, fazendo jus às isenções legais, não podendo ser autuada por meras questões ou simples vícios materiais. Impõese que seja reconhecido que, reenquadrada a Recorrente no Código FPAS 639 e, passados mais de cinco anos, a matéria se encontra alcançada pela decadência, imposta pelo artigo 54, da Lei Federal n° 9.784/99, somente podendo a alteração de tal status se dar com o devido processo legal, e mais, desde que provada a máfé do administrado, o que evidentemente não é o caso dos autos; o inciso I do art. 29 da Portaria n° 10.875, de 16/08/2007 autoriza expressamente que as intimações se façam na pessoa de procurador devidamente constituído, assim, diante da prévia exigência dos procuradores autorizados para tanto, impõese serem anulados todos os atos de intimação posteriores ao pedido; requer que sejam acatadas as preliminares de decadência e nulidade de intimação, ou, no mérito, seja julgada insubsistente a Notificação Fiscal, revogandose o crédito apurado, em virtude do recorrente preencher todos os requisitos legais previstos no art. 55 da Lei 8.212/91, sendo que apenas vícios materiais no recolhimento dos tributos previdenciários não lhe retiram a isenção determinada na legislação. É o relatório. Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, fl. 133, e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual, passo a analisálo. Preliminarmente DA DECADÊNCIA Quanto à questão relativa à fluência do prazo decadencial, a mesma deve ser analisada. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 05/12/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10660.002519/200797 Acórdão n.º 2803001.062 S2TE03 Fl. 138 4 Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Se não houver pagamento antecipado sobre a rubrica há que ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. O Superior Tribunal de Justiça STJ, em acórdão exarado em Recurso Especial REsp 761908 / SC, 2005/01010128, T1 PRIMEIRA TURMA, relator Ministro LUIZ FUX (1122), publicação DJ 18/12/2006 p. 322, prevê a aplicação de regras distintas de contagem da decadência em um mesmo lançamento de contribuições previdenciárias, podendo ser aplicado as regras do art. 150, § 4º, e art. 173, I, do CTN. São os transcritos da decisão: Processo RESP 200501010128RESP RECURSO ESPECIAL 761908 Relator(a) LUIZ FUX Sigla do órgão STJ Órgão julgador PRIMEIRA TURMA Fonte DJ DATA:18/12/2006 PG:00322 RET VOL.:00054 PG:00055. Ementa TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. SEGURIDADE SOCIAL. PRAZO PARA CONSTITUIÇÃO DE SEUS CRÉDITOS.DECADÊNCIA.LEI 8.212/91 (ARTIGO 45). ARTIGOS 150, § 4º, E 173, I, DA CF/88. ACÓRDÃO ASSENTADO EM FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. 1. (...). 11. In casu, a notificação de lançamento, lavrada em 31.10.2001 e com ciente em 05.11.2001, abrange duas situações: (1) diferenças decorrentes de créditos previdenciários recolhidos a menor (abril e novembro/1991, março a julho/1992; novembro e dezembro/1992; setembro a novembro/1993, janeiro/1994, março/1994 a janeiro/1998; e março e junho/1998); e (2) débitos decorrentes de integral inadimplemento de contribuições previdenciárias incidentes sobre pagamentos efetuados a autônomos (maio a novembro/1996; janeiro a julho/1997; setembro e dezembro/1997; e janeiro, março e dezembro/1998) e das contribuições destinadas ao SAT incidente sobre pagamentos de reclamações trabalhistas (maio/1993; abril/1994; e setembro Fl. 147DF CARF MF Impresso em 05/12/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10660.002519/200797 Acórdão n.º 2803001.062 S2TE03 Fl. 139 5 a novembro/1995). 12. No primeiro caso, considerandose a fluência do prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador, encontramse fulminados pela decadência os créditos anteriores a novembro/1996. 13. No que pertine à segunda situação elencada, em que não houve entrega de GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social), nem confissão ou qualquer pagamento parcial, incide a regra do artigo 173, I, do CTN, contandose o prazo decadencial qüinqüenal do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Desta sorte, encontram se hígidos os créditos decorrentes de contribuições previdenciárias incidentes sobre pagamentos efetuados a autônomos e caducos os decorrentes das contribuições para o SAT. (nosso grifo) Da análise da decisão citada depreendese que no pagamento parcial por parte do contribuinte o prazo decadencial para o lançamento pelo Fisco de eventuais diferenças de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de cinco anos a contar do fato gerador (§ 4º do art. 150 do CTN). Se não houver pagamento antecipado, ou pagamento parcial, aplicase o art. 173, I, do CTN, cujo prazo decadencial para a constituição do crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, sendo certo que corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, consoante julgamento do REsp 973.733/SC pelo STJ, sujeito ao regime dos recursos repetitivos. São os textos dos julgados do STJ e TRF5: RECURSO ESPECIAL Nº 973.733 SC (2007/01769940) , RELATOR:MINISTRO LUIZ FUX , RECORRENTE: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL – INSS , REPR. POR:PROCURADORIAGERAL FEDERAL PROCURADOR :MARINA CÂMARA ALBUQUERQUE E OUTRO (S) RECORRIDO:ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADOR:CARLOS ALBERTO PRESTES E OUTRO (S) EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL.ARTIGO 173,I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150,4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção:REsp766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ25.02.2008;AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Fl. 148DF CARF MF Impresso em 05/12/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10660.002519/200797 Acórdão n.º 2803001.062 S2TE03 Fl. 140 6 julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; eEREsp 276.142/SP,Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário,importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada,encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado(Eurico Marcos Diniz de Santi,"Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad,São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo173, I, do CTN, sendo certo que o"primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150,4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio deJaneiro, 2005, págs. 91/104;Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed.,Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem:(i)cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7.Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo543C, do CPC, e da Resolução STJ08/2008. ACÓRDAO por unanimidade, negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr.Ministro Relator. Brasília (DF), 12 de agosto de 2009 (Data do Julgamento), MINISTRO LUIZ FUX Relator Processo AGRESP 201001395597AGRESP AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 1203986 Relator(a) LUIZ FUX Sigla do órgão STJ Órgão julgador PRIMEIRA TURMA Fonte DJE DATA:24/11/2010 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 05/12/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10660.002519/200797 Acórdão n.º 2803001.062 S2TE03 Fl. 141 7 Ementa PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. MATÉRIA DECIDIDA NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA N° 973.733/SC. ARTIGO 543C, DO CPC. PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE COBRANÇA JUDICIAL PELO FISCO. PRAZO QÜINQÜENAL. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA. 1. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo173: "Art.173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.". 2. (...). 3. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 973.733/SC, sujeito ao regime dos recursos repetitivos, reafirmou o entendimento de que " o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (...). 4. À luz da novel metodologia legal, publicado o acórdão do julgamento do recurso especial, submetido ao regime previsto no artigo 534C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do artigo 557, CPC (artigo 5º,I,da Res. STJ 8/2008). 5. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado de contribuição social foi omitida pelo contribuinte concernente ao fato gerador compreendido a partir de 1995, consoante consignado pelo Tribunal a quo; (c) o prazo do fisco para lançar iniciou a partir de 01.01.1996 com término em 01.01.2001; (d) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 15.07.2004, data da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito que formalizou os créditos tributários em questão, sendo a execução ajuizada tão somente em 21.03.2005. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Agravo Fl. 150DF CARF MF Impresso em 05/12/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10660.002519/200797 Acórdão n.º 2803001.062 S2TE03 Fl. 142 8 regimental desprovido. Data da Decisão 09/11/2010 Data da Publicação 24/11/2010 Processo RESP 201001432647RESP RECURSO ESPECIAL 1207053 Relator(a) CASTRO MEIRA Sigla do órgão STJ Órgão julgador SEGUNDA TURMA Fonte DJE DATA:23/11/2010 Ementa TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA. VERBA HONORÁRIA. ART. 20, § 4º, DO CPC. 1. Nos créditos tributários relativos a tributo sujeito a lançamento por homologação, cujo pagamento não foi antecipado pelo contribuinte – caso em que se aplica o art.173, I, do CTN –, deve o prazo decadencial de cinco anos para a sua constituição ser contado a partir do primeiro dia do exercício financeiro seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. 2. Na hipótese dos autos, deve ser reconhecida a decadência do direito à constituição do crédito tributário referente ao anobase de 1989, tendo em vista que o prazo para a notificação do contribuinte do auto de infração era de 1º de janeiro de 1990 a 31 de dezembro de 1994, enquanto a dívida foi inscrita somente em 30 de setembro de 1999. 3. Vencida a Fazenda Pública, mediante apreciação equitativa, pode o juiz arbitrar os honorários advocatícios em percentual que esteja dentro dos limites legais previstos no artigo 20, § 3º, do CPC. 4. Recurso especial não provido. Data da Decisão 09/11/2010 Data da Publicação 23/11/2010 Processo RESP 200702134298RESP RECURSO ESPECIAL 985301 Relator(a) ELIANA CALMON Sigla do órgão STJ Órgão julgador SEGUNDA TURMA Fonte DJE DATA:01/09/2010 Ementa PROCESSUAL CIVIL RECURSO ESPECIAL TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO TERMO INICIAL – ARTIGO 173, I, DO CTN APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN IMPOSSIBILIDADE REEXAME DE PROVAS: SÚMULA 7/STJ. PRECEDENTE: REsp 973.733/SC. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. 2. É inadmissível o recurso especial se a análise da pretensão da recorrente demanda o reexame de provas. 3. Recursos especiais conhecidos e não providos. Data da Decisão 19/08/2010 Data da Publicação 01/09/2010 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 05/12/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10660.002519/200797 Acórdão n.º 2803001.062 S2TE03 Fl. 143 9 Processo APELREEX 200780000026293APELREEX Apelação / Reexame Necessário 5108 Relator(a) Desembargador Federal Francisco Barros Dias Sigla do órgão TRF5 Órgão julgador Segunda Turma Fonte DJE Data::25/11/2010 Página::394. Decisão UNÂNIME Ementa PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE DESISTÊNCIA PARA FINS DE PARCELAMENTO INDEFERIDO. AUSÊNCIA DE PROCURAÇÃO COM PEDERES PARA TAL FIM. PEDIDO DE DISPENSA DO PAGAMENTO DAS CUSTAS PROCESSUAIS E HONORÁRIOS ADVOCATICIOS AFASTADO.. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS SÚMULA VINCULANTE Nº 8. DECADÊNCIA PARCIAL DO CRÉDITO. 1. Discutese se a divida fiscal constante na LDC 370043278 no valor de R$ 6.130.727,51 estaria atingida pela decadência 2. (...) 3. (...) 4. O prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário decorrente contribuições sociais, é de cinco anos, de acordo com o art. 174 do Código Tributário Nacional, pois o Supremo Tribunal Federal, em entendimento cristalizado na Súmula Vinculante nº 08, estabeleceu que os artigos 45 e 46 da Lei nº. 8.212/91 são inconstitucionais. 5. Nos termos do art. 173, I do CTN, o direito para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, extingue se em cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. 6. É de se destacar que não foi apresentada GFIP em relação aos debitos das competências relativas ao ano 2000, fato que tornaria constituido o credito tributário, afastando qualquer discussão acerca da decadência 7. No caso em tela, se observa que a confissão da dívida somente ocorreu em 31/072006. Como o fato gerador mais antigo do débito constante na LDC 37.004.3278 ocorreu no ano de 2000, a contagem do prazo decadencial teve inicio no primeiro dia útil do exercicio financeiro seguinte, no caso 1º de janeiro de 2001 e término em 31 de dezembro de 2005. 8. Neste caso, há de se reconhecer a decadência do débito constante na referida LDC, apenas, relativo as competências compreendidas no ano de 2000. 9. Quanto ao débitos relativos a competência de janeiro de 2001 a junho de 2006, constante na LDC, se entende que não ocorreu a decadência. 10. (...) 11. (...) 12. (...). Apelação e remessa oficial parcialmente providas. Data da Decisão 09/11/2010 Data da Publicação 25/11/2010 (nosso grifo) Mesmo que tenha ocorrido a entrega da GFIP, permanece a competência da autoridade para a constituição do crédito tributário de valores eventualmente não declarados, ou da necessidade de se averiguar a matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido, bem como, alguma irregularidade relativa ao fato gerador da obrigação. Significa dizer que a declaração (GFIP) obsta a decadência em ralação ao que foi declarado. Caso não haja pagamento no prazo determinado, o contribuinte encontrase inadimplente, o que não exclui a possibilidade de ser instaurado procedimento fiscal com intuito de investigar o exato cumprimento das obrigações tributárias e efetuar o lançamento de ofício obedecendo a regra do art. 173, inciso I do CTN. Aplicase, também, o citado artigo nos casos em que não se tem conhecimento da data da entrega da declaração (GFIP) e principalmente diante da falta de Fl. 152DF CARF MF Impresso em 05/12/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10660.002519/200797 Acórdão n.º 2803001.062 S2TE03 Fl. 144 10 outros elementos. Destarte, há necessidade da convicção plena de que o crédito tributário deva estar definitivamente constituído na data de sua inscrição em dívida ativa, sendo respeitado o direito de defesa e contraditório do contribuinte. Este também é o entendimento dos Tribunais Federais (TRF4 e TRF3) nas decisões paradigmas: Processo APELREEX 200372020016690APELREEX APELAÇÃO/REEXAME NECESSÁRIO Relator(a) MARCOS ROBERTO ARAUJO DOS SANTOS Sigla do órgão TRF4 Órgão julgador PRIMEIRA TURMA Fonte D.E. 13/10/2009 Decisão por unanimidade. Ementa TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA, NO PERCENTUAL DE 2,5% SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. CONTRIBUIÇÃO DE INTERESSE DE CATEGORIA PROFISSIONAL. REVOGAÇÃO PELA LEI Nº 8.315/91. CRIAÇÃO DO SENAR. 1. Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a legislação dispensa a instauração do complexo procedimento de lançamento tributário para a inscrição em dívida ativa e a conseqüente execução, quando o sujeito passivo apresenta a declaração dos valores que entende devidos, em DCTF, GFIP ou documento equivalente, equiparandoa à confissão de dívida. 2. Quando o contribuinte paga integralmente o tributo declarado, mas há diferenças não informadas na DCTF ou descumprimento de obrigação acessória, o lançamento suplementar é indispensável, pois inexiste declaração a respaldar a possibilidade de cobrança imediata do contribuinte. Do mesmo modo, quando o contribuinte não entrega a DCTF, o fisco deve, também, constituir o crédito tributário, de acordo com o disposto nos arts. 142 e 173, I, do CTN. 3. Mesmo ocorrendo a entrega da DCTF, persiste íntegra a competência privativa da Fazenda para a constituição do crédito tributário, relativamente aos valores não declarados, caso a autoridade administrativa verifique alguma irregularidade no tocante ao fato gerador da obrigação, à matéria tributável ou ao cálculo do montante do tributo devido. Significa que a DCTF obsta a decadência em relação ao que foi declarado, pois dispensa o lançamento quanto a esses valores,considerandose o contribuinte em débito caso não faça o pagamento no prazo determinado; isso, todavia, não exclui a possibilidade de ser instaurada ação fiscal, a fim de investigar o exato cumprimento das obrigações tributárias. Neste caso, deve a Administração verificar a ocorrência do fato jurídico tributário e efetuar o lançamento de ofício, obedecendo ao prazo do art. 173, I, do CTN. 4. É absolutamente inviável a aplicação conjunta dos arts. 150, § 4º, e 173, I, do CTN, somandose o prazo da homologação tácita com o prazo propriamente dito de decadência, por implicar a aplicação cumulativa de duas causas de extinção do crédito tributário. 5. A contribuição de 2,5% sobre a folha de salários foi recepcionada pela Constituição de 1988 como contribuição de interesse de categoria profissional, porque objetiva, desde a sua criação, a prestação de serviços sociais no meio rural e a promoção do aprendizado e do aperfeiçoamento das técnicas de trabalho dos trabalhadores Fl. 153DF CARF MF Impresso em 05/12/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10660.002519/200797 Acórdão n.º 2803001.062 S2TE03 Fl. 145 11 rurais, atendidos os ditames do art. 149 da CF/88, tanto no aspecto material quanto no formal. 6. A Lei nº 8.315/91, que cumpriu a determinação do art. 62 do ADCT, instituindo o SENAR, revogou tacitamente a contribuição ao INCRA, por regular inteiramente a matéria de que tratava a Lei anterior. O novo órgão substituiu as atribuições do INCRA e foi prevista a mesma contribuição de interesse de categoria profissional, com a mesma finalidade, base de cálculo e alíquota e os mesmos contribuintes, de forma mais genérica, além de ser afastada a cumulatividade do tributo com as contribuições ao SENAI/SESI e ao SENAC/SESC. Data da Decisão 30/09/2009 Data da Publicação 13/10/2009. Processo AC 200271080029062AC APELAÇÃO CIVEL Relator(a) TAÍS SCHILLING FERRAZ Sigla do órgão TRF4 Órgão julgador PRIMEIRA TURMA Fonte D.E. 27/11/2007 Decisão por unanimidade. Ementa TRIBUTÁRIO. COFINS E CSLL. EXCECUÇÃO FISCAL. PRESCRIÇÃO. TRIBUTOS DECLARADOS E NÃO PAGOS. ARTS. 45 E 46 DA LEI Nº 8.212. INCONSTITUCIONALIDADE 1. Constituído o crédito tributário em caráter definitivo, começa a fluir o prazo (prescricional) para o credor promover a execução fiscal, nos termos do art. 174, do Código Tributário Nacional. 2. Quando os valores forem apurados com base em declaração do próprio contribuinte (DCTF, GFIP ou declaração de rendimentos), não há falar em decadência, pois a declaração afasta a necessidade de formalização de lançamento pelo fisco, que pode inscrever diretamente o crédito em dívida ativa, contandose o prazo prescricional a partir da entrega da declaração. 3. Não sendo conhecida a data de apresentação da declaração do imposto de renda pessoa jurídica, e diante da falta de outros elementos, aplicase o art. 173, I, do CTN. Considerando que na data da inscrição do crédito em dívida ativa este deve estar definitivamente constituído e que a partir de então, até a citação, decorreu período maior que cinco anos, prazo do art. 174 do CTN, impõese reconhecer a ocorrência da prescrição do direito do Fisco promover a ação de cobrança. 4. São inconstitucionais os arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212, por disciplinarem matéria reservada à lei complementar, aplicandose à contribuição destinada à Seguridade Social o prazo prescricional de cinco anos previsto nos arts. 173 e 174, do CTN. (Argüições de Inconstitucionalidade nos AI nºs 2000.04.01.0922283/PR e 2004.04.01.0260978/RS).Data da Decisão 14/11/2007 Data da Publicação 27/11/2007. Processo AI 201103000061239AI AGRAVO DE INSTRUMENTO 432822 Relator(a) JUIZ ANDRÉ NEKATSCHALOW Sigla do órgão TRF3 Órgão julgador QUINTA TURMA Fonte DJF3 CJ1 DATA:24/05/2011 PÁGINA: 451 Decisão por unanimidade. Ementa AGRAVO LEGAL. CPC, ART. 557, § 1º. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES Fl. 154DF CARF MF Impresso em 05/12/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10660.002519/200797 Acórdão n.º 2803001.062 S2TE03 Fl. 146 12 PREVIDENCIÁRIAS. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. PRAZO. TERMO INICIAL. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. ART. 173, I, DO CTN. RECOLHIMENTO A MENOR. ART. 150, § 4º, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTS. 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE 1. O Supremo Tribunal Federal editou a Súmula Vinculante n. 8, definindo a aplicabilidade do prazo quinquenal para o lançamento de contribuições previdenciárias,à vista da inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n. 8.212/91. 2. Na hipótese de não haver pagamento pelo contribuinte, o termo inicial do prazo decadencial para o lançamento de ofício do tributo é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, I), em conformidade com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça nos termos do art. 543C do Código de Processo Civil (STJ, REsp n. 973733, Rel. Min. Luiz Fux, j. 12.08.09). À luz da jurisprudência predominante dos Tribunais Superiores, concluise ser aplicável o prazo decadencial de cinco anos para o lançamento de ofício das contribuições sociais não recolhidas pelo contribuinte a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento deveria ter sido efetuado (CTN, art. 173, I). 3. Entretanto, caso tenha ocorrido o pagamento antecipado de parte da contribuição, a contagem do prazo decadencial iniciase do fato gerador, conforme previsto no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (STJ, REsp n. 1033444, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, j. 03.08.10; AgRg no REsp n. 672356, Rel. Min. Humberto Martins, j. 4.02.10). 4. Não prospera a tese de aplicação conjunta do art. 150, § 4º, com o art. 173, I, ambos do Código Tributário Nacional, para gerar o prazo decadencial de dez anos (STJ, AgRg nos EDcl no AgRg no REsp n. 1117884, Rel. Min. Humberto Martins, j. 05.08.10; REsp n. 1033444, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, j. 03.08.10). 5. A recorrente afirma que ocorreu a prescrição do crédito tributário com fatos geradores compreendidos entre 02.01 e 07.01, uma vez que, tratandose de tributo sujeito a lançamento por homologação, a constituição do crédito se deu com a entrega da GFIP, tendo transcorrido mais de 5 (cinco) anos até a data do despacho que determinou a citação, proferido em 07.07.06. 6. Conforme consta da decisão ora recorrida, o crédito executado referese ao período de 02.01a13.04, não havendo notícia nos autos de pagamento antecipado pelo contribuinte. Logo, o termo inicial do prazo decadencial para o lançamento de ofício do tributo é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, I), ou seja, 01.01.02. Não se constata, portanto,a decadência do crédito tributário, uma vez que não transcorreram mais de 5 (cinco) anos até a data do lançamento, ocorrido em 04.05.05. Do mesmo modo, não houve a prescrição, na medida em que transcorreu pouco mais de um ano entre a data do lançamento (04.05.05) e o despacho que ordenou a citação (07.07.06). 7. Os argumentos da recorrente não subsistem diante da jurisprudência dominante do Superior Tribunal de Justiça. 8. Agravo legal não provido. Data da Decisão 16/05/2011 Data da Publicação 24/05/2011. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 05/12/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10660.002519/200797 Acórdão n.º 2803001.062 S2TE03 Fl. 147 13 REGRA DO ART. 173, I DO CTN. Não consta registro de antecipação de recolhimento ou recolhimento parcial para as competências constantes do lançamento: 01/1999 a 12/2006, inclusive 13º Salário/2006, tratandose de lançamento de ofício das cotas patronais e de terceiros. Logo deve ser aplicado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores apurados pela fiscalização ocorridos até 11/2001, inclusive 13o Salário/2001, pois a contar de 01/01/2002 fluiria o prazo decadencial em 01/01/2007. O contribuinte foi cientificado da notificação fiscal em 12/07/2007, fl. 62. Para a competência 12/2001 o lançamento poderia ter sido efetuado a partir de 01/01/2002, a contar do primeiro dia do exercício seguinte após a possibilidade do lançamento, 01/01/2003 fluiria o prazo decadencial em 01/01/2008. O contribuinte foi cientificado da notificação fiscal em 12/07/2007, fl. 62. Deste modo, a competência 12/2001 não está decadente. O lançamento será analisado para as competências 12/2001 a 12/2006 que não estão decadentes. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. No que tange à alegação da impugnante sobre a nulidade/irregularidade da intimação, ressaltamos que, conforme entendimento jurisprudencial, em face da teoria da aparência e em busca do aprimoramento dos serviços judiciários, a intimação por via postal endereçada a pessoa jurídica legalmente constituída e com endereço conhecido é válida ainda que recebida por pessoa que não possua poderes de representação. Em casos de pessoas jurídicas, admitese a entrega da correspondência, inclusive, para pessoas estranhas ao seu corpo funcional (p. ex.: porteiros, vigilantes etc.), desde que usualmente recebam a correspondência da empresa. Corroborando o entendimento, citase o art.1.178 do Código Civil, que dispõe, in verbis: Art. 1.178. Os preponentes são responsáveis pelos atos de quaisquer prepostos, praticados nos seus estabelecimentos e relativos à atividade da empresa, ainda que não autorizados por escrito. Assim, a alegação do contribuinte de que a Notificação/AutodeInfração, encaminhado(a) por via postal, fora recebido por pessoa não autorizada não constitui razão, com ou sem argüição de tempestividade, conforme decisão do Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: AGRAVO REGIMENTAL. AUSÊNCIA DE ARGUMENTOS CAPAZES DE INFIRMAR OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. REQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211. CITAÇÃO. PESSOA JURÍDICA. VIA POSTAL. POSSIBILIDADE. Não merece provimento recurso carente de argumentos capazes de desconstituir a decisão agravada. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 05/12/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10660.002519/200797 Acórdão n.º 2803001.062 S2TE03 Fl. 148 14 “Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo.” É possível a citação da pessoa jurídica pelo correio, desde que entregue no domicílio da ré e recebida por funcionário, ainda que sem poderes expressos para isso. (AgRg no Ag 711722 / PE ; AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO 2005/01614041, Ministro Humberto Gomes de Barros, 3ª Turma, DJ 27/03/2006, p. 267) Ademais, a intimação do contribuinte por via postal, deve ser endereçada ao domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo, nos termos do Decreto n.° 70.235, de 1972, art. 23, § 4º, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 11.196/2005, diferentemente, da citação pessoal contida no inciso I do art. 29 da Portaria n° 10.875, de 16/08/2007, que pode se dar por procurador autorizado. Destarte, não procede o pedido da anulação de todos os atos de intimação que não foram recebidos pelos procuradores autorizados. No Mérito O art. 55 da Lei 8.212/91 estabelece os requisitos cumulativos que devem ser atendidos pela entidade beneficente de assistência social para que possa se beneficiar da isenção das contribuições previdenciárias patronais. Assim, deve possuir, sem exceção: a) reconhecimento de utilidade pública federal e estadual ou municipal; b) ser portador do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social CNAS, renovado a cada três anos; c) promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; d) não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios; e) aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades; f) requerimento de pedido de isenção junto ao INSS; g) inexistência de débitos em relação às contribuições sociais. Ademais, o Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificar o descumprimento dos requisitos. São os termos do normativo legal: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: (Revogado pela Medida Provisória nº 446, de 2008). I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Lei nº 9.429, de 26.12.1996). III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; Fl. 157DF CARF MF Impresso em 05/12/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10660.002519/200797 Acórdão n.º 2803001.062 S2TE03 Fl. 149 15 (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 2.0285) IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3o Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 20285) § 4o O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 20285) § 5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 20285) § 6o A inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3o do art. 195 da Constituição. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). O contribuinte apenas menciona que atende a todos os requisitos do art. 55 da Lei 8.212/91, entretanto não junta aos autos documentos comprobatórios de sua isenção. Junta cópia do demonstrativo do resultado, do ativo, do passivo, da sociedade, de 2004 a 2006 (fls. 94/102), declaração de que não remunera os membros da diretoria assinada em 02/08/2007 (fls. 103), recibo de entrega de declaração de isenção de Imposto de Renda Pessoa Jurídica de 1990 e 1991 (fls. 104/107), já examinados quando da decisão do órgão julgador de primeira instância. Ressaltase que os recibos de entrega de declaração de isenção são referentes a Imposto de Renda Pessoa Jurídica e não de contribuições sociais. Os documentos apresentados pelo contribuinte não têm o condão de garantir a isenção das contribuições patronais. O contribuinte não provou possuir todos os requisitos cumulativos exigidos para a obtenção da isenção em comento. Ademais, em consulta ao Sistema de Arrecadação – Dataprev CONFILAN CONSULTA A ENTIDADES FILANTRÓPICAS INSS/CNAS, em Fl. 158DF CARF MF Impresso em 05/12/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10660.002519/200797 Acórdão n.º 2803001.062 S2TE03 Fl. 150 16 26/06/2007 (fl. 59), a autoridade fiscal constatou não existir cadastro de entidade filantrópica para o CNPJ 25.632.688/000153 do contribuinte, não fazendo jus ao código 639 (Entidade Filantrópica) na GFIP. Deste modo, não procede o pedido do contribuinte de reenquadramento no código 639 da GFIP, pois não se pode fazer o reenquadramento de algo que não existia anteriormente. As informações constantes da GFIP servem de base de cálculo das contribuições previdenciárias devidas, bem como, constituirseão em termo de confissão de divida, na hipótese de não recolhimento, nos termos do artigo 32, inciso IV, parágrafo 2°, da Lei 8.212/91, c/c o artigo 225, parágrafo 1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, e demais fundamentos constantes do relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD. Ressaltase que todas as informações constantes da GFIP foram informadas pelo contribuinte e que o lançamento fiscal foi efetuado com base nos valores nela informados. A contribuição do segurado empregado encontra respaldo nos artigos 12 incisos I; 20; 28 inciso I e parágrafos, todos da Lei n º8.212/91. A contribuição do segurado contribuinte individual encontra respaldo nos artigos art. 12, inciso V; art. 21; art. 28, inciso III, art. 30 inciso II e parágrafos 2o, 4o. e 5o, da Lei n º8.212/91, bem como, demais fundamentos constantes do relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, fls. 47/51. MULTA APLICADA. RETROATIVIDADE BENIGNA As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação nos termos do art. 150 do CTN. Corrobora com o entendimento o Superior Tribunal de Justiça STJ, REsp 289181/MG. A multa aplicada pela Lei n º 8.212/91, na redação introduzida pela Lei n º 11.941/2009, estabelece a distinção entre multa de mora (art. 35) e a multa de ofício (art. 35 A). Suas aplicações devem seguir formas distintas, aplicandose para a multa de mora o art. 61 da Lei n º 9.430/96, e para a multa de ofício o art. 44 da Lei n º 9.430/96. Este entendimento, também, é corroborado pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ no Processo AGRESP 200601560547. A multa de mora, art. 35 da Lei n º 8.212/91, deve ser aplicada para pagamento fora do prazo previsto na legislação e será calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso limitada a 20% (vinte por cento), nos termos do art. 61 da Lei n º 9.430/96. A multa de ofício, art. 35A da Lei n º 8.212/91, deve ser aplicada nos termos do art. 44 da Lei no9.430/96 (I 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II 50%, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal). O lançamento de ofício está previsto no art. 149 do CTN: Outrossim, o Supremo Tribunal Federal – STF fixou entendimento no sentido de que as cominações impostas por meio de lançamento de ofício decorrem do fato de omissão na declaração e recolhimento intempestivos da contribuição, nos termos do Processo REAgR 241087. O julgado é acompanhado pelo STJ, REsp 330519/RS, e Tribunais Federais TRF3ª Região, AC 94.03.0108363/SP, e TRF1ª Região, AC 1997.01.00.0475312/DF; que compreendem que deve ser efetuado o lançamento de ofício quando constatada diferença a Fl. 159DF CARF MF Impresso em 05/12/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10660.002519/200797 Acórdão n.º 2803001.062 S2TE03 Fl. 151 17 menor, ou inexistência de pagamento, ou irregularidades na declaração de tributos sujeitos a lançamento por homologação (omissão ou inexatidão). As alterações trazidas pela Lei n º 8.212/91, quanto à aplicação da multa, devem ser observadas no caso objeto de análise, buscando o disposto nos artigos 106, inciso II, e 112, ambos do CTN, no sentido de se analisar e aplicar a norma que for mais benéfica ao contribuinte. A análise dos valores das multas para verificação e aplicação da regra que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento, consoante entendimento trazido pela Portaria Conjunta PGFN/RFBnº14, de 4 de dezembro de 2009, DOU de 8.12.2009, bem como, demais normativos sobre o assunto. A análise será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. A comparação deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, atentando para a necessidade de análise em conjunto com os demais lançamentos sofridos pelo contribuinte, registrados no Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal – TEAF constante dos autos, se devido. O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. No presente caso, os valores foram declarados em GFIP, assim deve ser aplicada a multa do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, na redação dada pela Lei nº 11.941 de 2009, desde que mais favorável ao contribuinte. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto em dar provimento parcial ao recurso, em razão da decadência do período 01/1999 a 11/2001, nos termos do art. 173, inciso I do CTN, devendo ser aplicada a multa prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, na redação dada pela Lei nº 11.941 de 2009, desde que mais favorável ao contribuinte. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 160DF CARF MF Impresso em 05/12/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10660.002519/200797 Acórdão n.º 2803001.062 S2TE03 Fl. 152 18 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 05/12/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 15586.001023/2007-50
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 30/10/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE DEVERES INSTRUMENTAIS.
DECADÊNCIA PARCIAL DAS FALTAS JUSTIFICADORAS DA AUTUAÇÃO. RECONHECIDA. VALE-TRANSPORTE. RUBRICA FORA DA INCIDÊNCIA PREVIDENCIÁRIA. STF. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. PAT SEM INSCRIÇÃO. BASE DA EXAÇÃO. POSSIBILIDADE. PRL. FORA DO INTERSTÍCIO LEGAL. AUSÊNCIA DOS CRITÉRIOS DE MENSURAÇÃO DAS METAS. FALTA DE
PARTICIPAÇÃO DO SINDICATO NA COMISSÃO. PLANO DE INSTRUÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. CONSTRUTORA CURSO DE INGLÊS.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-001.162
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para excluir do crédito as faltas justificadoras da infração no que tange a decadência até a competência 12/2001, inclusive, bem como quanto a exclusão das faltas para as competências janeiro a março de 2002, uma vez que a fiscalização não estava autorizada pelo MPF a fiscalizar tais meses, devendo, ainda, ser excluída qualquer justificativa de aplicação da multa em face do vale-transporte, pois este não pode ser considerado base de cálculo das contribuições previdenciárias. I Quanto
ao prazo de validade do MPF para o período da fiscalização, vencidos Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oséas Coimbra; II Quanto a rubrica PAT, vencidos Conselheiros Amilcar Barca Teixeira Junior e Gustavo Vettorato que entendem que a verba não tem natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no PAT. III Declaração de Voto Conselheiro Oséas Coimbra
Júnior.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Matéria CP: AUTO DE INFRAÇÃO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EM GERAL Recorrente LORENGE CONSTRUTORA E INCORPORADORA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/10/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE DEVERES INSTRUMENTAIS. DECADÊNCIA PARCIAL DAS FALTAS JUSTIFICADORAS DA AUTUAÇÃO. RECONHECIDA. VALETRANSPORTE. RUBRICA FORA DA INCIDÊNCIA PREVIDENCIÁRIA. STF. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. PAT SEM INSCRIÇÃO. BASE DA EXAÇÃO. POSSIBILIDADE. PRL. FORA DO INTERSTÍCIO LEGAL. AUSÊNCIA DOS CRITÉRIOS DE MENSURAÇÃO DAS METAS. FALTA DE PARTICIPAÇÃO DO SINDICATO NA COMISSÃO. PLANO DE INSTRUÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. CONSTRUTORA CURSO DE INGLÊS. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para excluir do crédito as faltas justificadoras da infração no que tange a decadência até a competência 12/2001, inclusive, bem como quanto a exclusão das faltas para as competências janeiro a março de 2002, uma vez que a fiscalização não estava autorizada pelo MPF a fiscalizar tais meses, devendo, ainda, ser excluída qualquer justificativa de aplicação da multa em face do valetransporte, pois este não pode ser considerado base de cálculo das contribuições previdenciárias. I Quanto ao prazo de validade do MPF para o período da fiscalização, vencidos Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oséas Coimbra; II Quanto a rubrica PAT, vencidos Conselheiros Amilcar Barca Teixeira Junior e Gustavo Vettorato que entendem que a verba não tem natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no PAT. III Declaração de Voto Conselheiro Oséas Coimbra Júnior. (Assinado digitalmente). Fl. 510DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.1019.08380.MSCC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15586.001023/200750 Acórdão n.º 2803001.162 S2TE03 Fl. 399 2 Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira Relator. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 511DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.1019.08380.MSCC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15586.001023/200750 Acórdão n.º 2803001.162 S2TE03 Fl. 400 3 Relatório Tratase no presente processo de Auto de Infração – AI CFL.30, DEBCAD 37.019.9057, decorrente de deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidas pelo Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, conforme previsto na Lei nº 8.212, de 24.07.91, art. 32, I, combinado com o art. 225, I e parágrafo 9º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, de 06.05.99, com período de apuração do crédito de janeiro/1997 a março/2007, conforme Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, de fls. 06. O crédito fiscal foi constituído, em 19/11/2007, data em que o contribuinte tomou conhecimento do lançamento, conforme consta à Folha de Rosto do Auto de Infração – FR, recebimento pessoal, fls. 01. O contribuinte apresentou a impugnação, em 13/12/2007, fls. 62 a 136, acompanhada dos documentos, de fls. 137 a 199 202 a 289. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 290 e 291. O órgão julgador a quo prolatou o Acórdão 1222.156 15ª Turma da DRJ/RJOI, em 10/12/2008, fls. 293 a 301, no qual considerou o lançamento procedente. A impugnante foi cientificada dessa decisão, em 13/01/2009, conforme AR, de fls. 305. A empresa apresentou Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 307 e 308, recebido em 06/02/2009, com razões recursais, a fls. 309 a 388, acompanhado dos documentos, de fls. 389 a 397, estando as razões recursais, assim, resumidas. Preliminarmente. • Que ocorreu decadência dos fatos geradores anteriores a 31/10/2002, nos termos do artigo173, I do CTN; Mérito • Que o valetransporte não é base da contribuição, pois a empresa pode exigir contrapartida do trabalhador inferior ao percentual legal, pois assim determinam as convenções coletivas, bem como este tem natureza indenizatória; • Que a alimentação in natura fornecida pela empresa a seus trabalhadores não tem a natureza de remuneração, mas sim de indenização, sendo concedido incentivo fiscal pela Lei 6.321/76 as empresas que fornecem alimentação a seus trabalhadores, sendo que estar de acordo com o programa para não haver a incidência da Fl. 512DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.1019.08380.MSCC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15586.001023/200750 Acórdão n.º 2803001.162 S2TE03 Fl. 401 4 contribuição não pode ser dar pela mero envio de um formulário e assim pensa o STJ; • Que a fiscalização esta a exigir contribuição sobre a rubrica participação nos lucros ou resultados sobre filigranas procedimentais, ao argumento da não constituição da comissão, porém tal verba não tem natureza salarial, mas indenizatória, confundindo a fiscalização este rubrica com outras, podendo as partes escolher a comissão o que torna desnecessária a participação do sindicato, sendo que o STF suspendeu em MC a eficácia da expressão “por meio de comissão por eles escolhida”; • Que a recorrente com fulcro nos ensinamentos constitucionais sobre a educação, passou a contemplar seus trabalhadores com bolsa de estudos, na área de alfabetização, ensino fundamental, médio, graduação, pósgraduação, ensino técnico, inglês e informática, além de outros, todos relacionados as sua atividade empresarial, sendo que o artigo 458, II da CLT exclui esta verba da incidência salarial, logo não sendo base de contribuição previdenciária, o que é corroborado pelo artigo 28, § 9º, “t” da Lei 8.212/91; • Requer ao fim: a) admissão e processamento do recurso; b) com o seu provimento para reformar o acórdão recorrido e declarar o crédito insubsistente e excluindo sua exigibilidade; c) pleiteia a produção de outras provas, tais como testemunhal, pericial e juntada posterior de documentos. O recurso foi considerado tempestivo, fls. 398. Os autos subiram ao Segundo Conselho de Contribuintes, fls. 398. É o relatório. Fl. 513DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.1019.08380.MSCC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15586.001023/200750 Acórdão n.º 2803001.162 S2TE03 Fl. 402 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira O recurso foi interposto tempestivamente, haja vista que o contribuinte foi comunicado da decisão de primeiro grau, em 13/01/2009, conforme AR, de fls. 305, tendo sido apresentado o Recurso Voluntário, em 06/02/2009, conforme carimbo de recepção, fls. 307. A tempestividade, também foi reconhecida pelo órgão preparador, fls. 398. Preliminar. A alegação de decadência encontra eco na legislação, uma vez que depois de proferida a decisão pela autoridade julgadora a quo o Supremo Tribunal Federal entendeu por editar a Súmula Vinculante N° 08/2008, abaixo transcrita: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. E conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 tal norma vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Contudo, embora, tratada como preliminar tal questão leva a resolução de mérito da causa, sendo antecedente lógico. No caso em estudo a questão é saber qual deve ser o marco inicial da decadência, ou seja, a contagem darseia pelo artigo 150, 4° ou 173, I, ambos do CTN. Aplica se o primeiro no caso de antecipação de pagamento e o segundo em não havendo tal antecipação, conforme já definido pelo STJ, sendo a teoria mais aceita e que, também, adoto, como a seguir explicitada: RECURSO ESPECIAL Nº 970.947 SC (2007/01732916) Esta Corte tem firmado o entendimento de que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário pode ser estabelecido da seguinte maneira: a) em regra, seguese o disposto no art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo é de cinco anos, contado "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"; Fl. 514DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.1019.08380.MSCC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15586.001023/200750 Acórdão n.º 2803001.162 S2TE03 Fl. 403 6 b) nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo é de cinco anos, contado do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. No presente caso a meu ver a regra a incidir é a do artigo 173, I da Lei 5.172/66, pois estamos tratando de auto de infração por descumprimento a dever instrumental, ou seja, lançamento de ofício, pois, caso, tivesse havido pagamento não estaríamos no exercício do Processo Administrativo Fiscal – PAF, tendo em vista que o pagamento extinguiria o crédito, artigo 156, I da Lei 5.172/66. Desta forma, como o lançamento se deu em 19/11/2007, ao retroagirse cinco (05) anos, surgirá o marco decadencial de 20/11/2002, isto é, todas as competências que se venceram a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido feito estão aptas a serem cobradas, ou seja, 01/2002, em diante. Entretanto, é necessário que se leve em consideração que o artigo 7º, inciso I e II da Portaria RFB 11.371/2007 limitado pela SV 08 do STF supramencionada só pode autorizar fiscalização até cinco anos do recebimento do MPF, tendo sido este recebido em 24/04/2007, só até 25/04/2002 pode ser fiscalizado o sujeito passivo. Assim sendo, embora a decadência se dê da competência 12/2001 para trás, inclusive, o fisco só pode cobrar a partir da competência 04/2002, pois não lhe era lícito fiscalizar período anterior por falta de autorização. Aplicouse a este caso o precedente da Primeira Seção do STJ submetido ao rito do artigo 543C, do CPC RESP 973.733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 12.08.2009, DJe 18.09.2009), nos termos do artigo 62A da Portaria MF/GM 256/2009 – Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, assim tais valores devem ser excluídos do presente crédito. No que tange as alegações do contribuinte quanto ao valetransporte, ainda, que pago em dinheiro este não tem natureza salarial, cabendo aqui aplica a decisão do STF, infratranscrita. EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. Fl. 515DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.1019.08380.MSCC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15586.001023/200750 Acórdão n.º 2803001.162 S2TE03 Fl. 404 7 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento.(RE 478410, Relator(a): Min. EROS GRAU, Tribunal Pleno, julgado em 10/03/2010, DJe086 DIVULG 13052010 PUBLIC 14052010 EMENT VOL0240104 PP00822 RDECTRAB v. 17, n. 192, 2010, p. 145166) (grifo nosso) A jurisprudência dos Conselhos de Contribuinte e do CARF é maciça no sentido de que a não inscrição no PAT ofende o artigo 28, § 9º, alínea “c” da Lei 8.212/91, uma vez que com a não inscrição o sujeito passivo está em desacordo com o programa, observese as transcrições. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias PERíoDO DE APURAÇÃO: 01/01/1999 a 31/05/2002 Ementa:AUXíLIO ALIMENTAÇÃO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. Incide contribuição previdenciária sobre os valores relativos ao auxílioalimentação, mesmo que concedido aos empregados sob a forma "in natura", caso o sujeito passivo não seja inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT.INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO.O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade.AFERIÇÃO INDIRETA.Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante aferição indireta.CONTRIBUIÇÃO ADICIONAL PARA APOSENTADORIA ESPECIAL A falta de gerenciamento adequado dos agentes nocivos existentes no ambiente de trabalho, leva à incidência da contribuição adicional para o financiamento de aposentadoria especial dos segurados expostos. Recurso Voluntário Provido em Parte. segundo.conselho.contribuintes; câmara.5; turma.ordinária: acórdão:20081104;20501284. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2004 A 31/12/2005AUXILIOALIMENTAÇÃO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA.INCIDE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE OS VALORES RELATIVOS AO AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO, MESMO QUE CONCEDIDO AOS EMPREGADOS SOB A FORMA "IN NATURA", CASO O SUJEITO PASSIVO NÃO SEJA INSCRITO NO PROGRAMA DE Fl. 516DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.1019.08380.MSCC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15586.001023/200750 Acórdão n.º 2803001.162 S2TE03 Fl. 405 8 ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT.EMPRESAS URBANAS. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA.É LEGÍTIMA A COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA DAS EMPRESAS URBANAS, SENDO INCLUSIVE DESNECESSÁRIA A VINCULAÇÃO AO SISTEMA DE PREVIDÊNCIA RURAL.SEBRAE INCONSTITUCIONALIDADE, AFASTAMENTO DE. NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO.O SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES NÃO É COMPETENTE PARA AFASTAR A APLICAÇÃO DE NORMAS LEGAIS E REGULAMENTARES SOB FUNDAMENTO DE INCONSTITUCIONAL IDADE.RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.CRÉDITO TRIBUTÁRIO MANTIDO.VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS.ACORDAM OS MEMBROS DA 3ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, POR MAIORIA DE VOTOS DOS PRESENTES, EM NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO, NOS TERMOS DO VOTO DA RELATORA. VENCIDO O CONSELHEIRO MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR conselho.administrativo.recursos.fiscais; seção.julgamento.2; câmara.3; turma.ordinária.2: acórdão: 20100818;230200545 As faltas relativas ao Plano de Participação nos Lucros ou Resultados da empresa só tem relevância no presente crédito a partir da competência 04/2002, ou seja, só o período sob a égide da Lei 10.101/2000 que rege a matéria tem interesse neste crédito, todo o resto é despiciendo. Neste tópico o agente autuante deixou claro em seu relatório fiscal que a empresa descumpriu o que determina a lei de regência do benefício, pois não houve a participação do sindicato na elaboração do plano, bem como o plano, também, não apresenta os critérios objetivos pelos quais os trabalhadores fariam jus ao benefício e sua forma de aferição, além de não respeitar a periodicidade semestral exigida pela lei, REFISC, fls. 23. A lei não está sob censura e a MC não lhe afeta a validade. No que se refere a tópico educação e a exigência de contribuição o fiscal lançador deixou claro em seu REFISC que apesar de intimado via TIAD duas vezes a empresa nada apresentou com relação a este assunto. Na sua impugnação e no seu recurso o contribuinte, também, nada apresentou que possa provar que este fornece a seus funcionários a educação da forma que preconizou, ou seja, na área de alfabetização, ensino fundamental, médio, graduação, pósgraduação, ensino técnico, inglês e informática, além de outros. O fiscal lançador deixou claro que só há documentos em razão do curso de línguas – Inglês – e que este não é extensivo a todos os funcionários, como a seguir transcrito. Em decorrência de tal fato foram solicitadas ao prestador do serviço, com maior freqüência na prestação dos serviços, as notas fiscais (em anexo por amostragem) onde comprovamos tratarse de curso de inglês. Para que as "Despesas com Instrução" não integrem o salário decontribuição, fazse necessária à possibilidade de acesso à mesma por todos os empregados e dirigentes da empresa patrocinadora. A legislação previdenciária não prevê exceção Fl. 517DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.1019.08380.MSCC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15586.001023/200750 Acórdão n.º 2803001.162 S2TE03 Fl. 406 9 ao requisito de abrangência do § 90 do art.28 da Lei n°. 8.212191. A falta de comprovação de tal exigência legal para o recebimento do salárioutilidade educacional, faz com que, tal verba fique sujeita à incidência de contribuição previdenciária, tendo sido o valor tributável arbitrado com base nos valores nominais das notas fiscais de serviços e ou recibos emitidos pelas prestadoras discriminadas no anexo "Despesas com Instrução", visto que o sujeito passivo, devidamente intimado, não apresentou a documentação necessária ao procedimento fiscal. A recorrente é uma empresa da área da construção civil para que e por quê, seus pedreiros, serventes, ajudantes, encanadores, eletricistas, carpinteiros, armadores, pintores e outros tantos dos serviços comuns e técnicos de menor complexidade precisariam aprender inglês. Quanto as demais aventadas hipóteses de educação não estão comprovadas, pois nem na fase do procedimentos de fiscalização e nem no PAF a recorrente juntou comprovantes de tal situação. Desta forma, não há motivos para acatar aos pedidos da recorrente, salvo quanto a decadência das faltas justificadores da autuação até a competência 12/2001, inclusive, bem como quanto a exclusão das faltas para as competências janeiro a março de 2002, uma vez que a fiscalização não estava autorizada pelo MPF a fiscalizar tais meses, devendo, ainda, ser excluída qualquer justificativa de aplicação da multa em face do valetransporte, pois este não pode ser considerado base de cálculo das contribuições previdenciárias, permanecendo as demais justificativas, mantendo a multa o seu valor original. Como no presente auto a multa é fixa, ou seja, independe do número de faltas para possibilitar a sua aplicação permanecendo estas em razão das faltas das rubricas educação/instrução, participação nos lucros ou resultados e PAT não há motivos para exonerar a recorrente da autuação. Fl. 518DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.1019.08380.MSCC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15586.001023/200750 Acórdão n.º 2803001.162 S2TE03 Fl. 407 10 CONCLUSÃO: Destarte, com esses argumentos expostos acima voto por conhecer do recurso para no mérito darlhe parcial provimento para excluir do crédito as faltas justificadoras da infração no que tange a decadência até a competência 12/2001, inclusive, bem como quanto a exclusão das faltas para as competências janeiro a março de 2002, uma vez que a fiscalização não estava autorizada pelo MPF a fiscalizar tais meses, devendo, ainda, ser excluída qualquer justificativa de aplicação da multa em face do valetransporte, pois este não pode ser considerado base de cálculo das contribuições previdenciárias. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Declaração de Voto Conselheiro Oséas Coimbra Assentado entendimento desta Turma informa que, nos lançamentos referentes a descumprimento de obrigação acessória caso dos autos aplicase a regra decadencial prevista no art. 173 do CTN. Como o auto foi lavrado em 30/10/2007, aplicando o prefalado artigo, temos que as competências 12/2001 e seguintes, não estariam decadentes. Alterando agora esse entendimento, temos no voto vencedor novo documento a ser observado quando da definição do prazo decadencial, o MPF – Mandado de Procedimento Fiscal. Não compartilho da tese vencedora, de que o MPF abarcou período decadente, pelas razões a seguir delineadas. Excerto do voto vencedor informa: “Entretanto, é necessário que se leve em consideração que o artigo 7º, inciso I e II da Portaria RFB 11.371/2007 limitado pela SV 08 do STF supramencionada só pode autorizar fiscalização até cinco anos do recebimento do MPF, tendo sido este recebido em 24/04/2007, só até 25/04/2002 pode ser fiscalizado o sujeito passivo. Assim sendo, embora a decadência se dê da competência 12/2001 para trás, inclusive, o fisco só pode cobrar a partir da competência 04/2002, pois não lhe era lícito fiscalizar período anterior por falta de autorização.” O CTN, em seu art. 173,I, elenca dois marcos temporais para que a decadência seja definida. A data que representa a competência que o lançamento poderia ter sido efetuado e a data efetiva de sua lavratura. Fl. 519DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.1019.08380.MSCC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15586.001023/200750 Acórdão n.º 2803001.162 S2TE03 Fl. 408 11 A desdúvida que Mandado de Procedimento Fiscal não se configura como fato gerador de obrigação alguma e muito menos em lançamento, sendo então imprestável para servir de marco temporal para delimitação do período decadencial. Como se isto não bastasse, temos ainda que, em tese, a obrigação acessória sob exame estaria decadente somente a partir de 11/2001 para trás, o que significa que todos os procedimentos adotados para se levantar o débito de período não decadente, 12/2001 e seguintes, são válidos, pois não pode a Administração tributária se furtar de proceder a cobrança de tributo não decaído. Entendimento diverso levaria a absurda conclusão de que a Fazenda não pode emitir MPF para apurar período não decadente, que ultrapasse os cinco anos da emissão do MPF, negando aplicabilidade aos arts. 150, § 4º e 173, caput, I,II do CTN. O mandado de procedimento fiscal é disciplinado pelo decreto 3.724/01 e este mesmo instrumento normativo traz em seu art. 2º, §3º, várias situações de lançamento sem a expedição de MPF, a demonstrar sua prescindibilidade ao lançamento. O referido decreto também não determina prazo de abrangência do MPF. Nessa linha, confirmando a desnecessidade de MPF para o lançamento, temos também a súmula 46 do CARF – O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Ressaltese que, no caso concreto, houve regular emissão de MPF, todos os atos foram executados sob a égide dos mandados expedidos e dentro dos períodos ali elencados. Temos ainda que, nos casos de dolo, fraude ou simulação, o período decadencial também ultrapassa os cinco anos, consoante art. 150, § 4º do CTN, novamente a demonstrar que o período constante no MPF, pode e deve, extrapolar o qüinqüênio legal no sentido de possibilitar a Fazenda de apurar o que devido, o mesmo acontece quando do relançamento, em razão de nulidade formal. Finalmente, se remansoso entendimento jurisprudencial e administrativo aponta que uma falta cometida, por ex, em 01 de janeiro de 2000, pode originar um auto a ser lançado até 31 de dezembro de 2005, como negar a administração de expedir MPF abarcando esse período, de 05 anos, 11 meses e 30 dias? A título de reforço argumentativo, este Conselho já firmou jurisprudência no sentido de que o MPF se traduz em instrumento de controle administrativo, não sendo elemento essencial à lavratura do crédito tributário, cuja constituição é privativa do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, nos termos da lei 10.593/02, art. 6º. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 2ª Seção de Julgamento. 4ª Câmara. 2ª Turma Ordinária Título Acórdão nº 240200895 do Processo 10830007503200771 Fl. 520DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.1019.08380.MSCC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15586.001023/200750 Acórdão n.º 2803001.162 S2TE03 Fl. 409 12 Data 09/06/2010 Ementa ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS.PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/02/2000 A 30/09/2005 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). INSTRUMENTO DE CONTROLE INTERNO DO FISCO. NÃO ENSEJA NULIDADE DE LANÇAMENTO FISCAL. O MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF) É MERO INSTRUMENTO INTERNO DE PLANEJAMENTO E CONTROLE DAS ATIVIDADES E PROCEDIMENTOS FISCAIS, NÃO IMPLICANDO NULIDADE DOS PROCEDIMENTOS FISCAIS AS EVENTUAIS FALHAS NA EMISSÃO E TRÂMITE DESSE INSTRUMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA NÃO HÁ QUE SE FALAR EM NULIDADE POR CERCEAMENTO DE DEFESA SE O RELATÓRIO FISCAL E AS DEMAIS PEÇAS DOS AUTOS DEMONSTRAM DE FORMA CLARA E PRECISA A ORIGEM DO LANÇAMENTO E A FUNDAMENTAÇÃO LEGAL QUE O AMPARA. BASE DE CÁLCULO. grifamos (...) Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 1ª Seção de Julgamento. 1ª Câmara. 2ª Turma Ordinária Título Acórdão nº 110200334 do Processo 10240002355200749 Data 11/11/2010 Ementa ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCALANOCALENDÁRIO: 2002NULIDADE, INOCORRÊNCIA. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. SOMENTE ENSEJAM A NULIDADE OS ATOS E TERMOS LAVRADOS POR PESSOA INCOMPETENTE E OS DESPACHOS E DECISÕES PROFERIDOS POR AUTORIDADE INCOMPETENTE OU COM PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA.OS PRECEITOS ESTABELECIDOS NO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (LEI N° 5.172, DE 1966) E NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (DECRETO N° 70.235, DE 1972) SOBREPÕEMSE ÀS RECOMENDAÇÕES INSERTAS NA PORTARIA QUE CRIOU O MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF), QUE SE CONSUBSTANCIA MERO INSTRUMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO, DE SORTE QUE EVENTUAIS ALTERAÇÕES NELE INSERIDAS, OU ATÉ MESMO A INEXISTÊNCIA DESTE INSTRUMENTO, NÃO CARACTERIZAM VÍCIOS INSANÁVEIS.ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIOANO CALENDÁRIO: 2002OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS DA PROVA.POR PRESUNÇÃO LEGAL CONTIDA NO ARTIGO 42 DA LEI N° 9.430, DE 27/12/1996, OS DEPÓSITOS Fl. 521DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.1019.08380.MSCC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15586.001023/200750 Acórdão n.º 2803001.162 S2TE03 Fl. 410 13 EFETUADOS EM CONTA BANCÁRIA CUJA ORIGEM DOS RECURSOS DEPOSITADOS NÃO TENHA SIDO COMPROVADA PELA CONTRIBUINTE MEDIANTE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA, CARACTERIZAM OMISSÃO DE RECEITA. SUBSISTINDO O LANÇAMENTO PRINCIPAL, NA SEARA DO IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA, IGUAL SORTE COLHE OS LANÇAMENTOS QUE TENHAM SIDO FORMALIZADOS EM LEGISLAÇÃO QUE TOMA POR EMPRÉSTIMO A SISTEMÁTICA DE APURAÇÃO DAQUELE (CSLL) OU QUE DEFINE O EVENTO COMUM, NO CASO A APURAÇÃO DE RECEITA AUFERIDA PELA PESSOA JURÍDICA, COMO FATO GERADOR DAS CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE O FATURAMENTO (COFINS E PIS).VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS.ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, EM AFASTAR AS PRELIMINARES E, NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. grifamos Ante o exposto, fica demonstrado que: 1. Como o CTN permite que eventual fato gerador pode, em tese, gerar efeitos em período superior a 05 anos – arts. 150, § 4º e 173 do CTN, tal situação confere a Administração a autoridade de se utilizar todos os meios para devida a cobrança da exação. 2. Mandado de Procedimento Fiscal não se configura como fato gerador de obrigação alguma e muito menos em lançamento, a demonstrar sua inaplicabilidade quando da contagem de prazo decadencial prevista no CTN. 3. MPF é instrumento de controle administrativo, não alcançado pelo conteúdo da súmula 08, bem como não se trata de peça essencial ao lançamento fiscal, inexistindo qualquer impedimento para que seja expedido com prazo de ação fiscal superior a 05 anos. 4. Todos os atos da ação fiscal se deram nos limites do MPF expedido. 5. A competência para o lançamento decorre de lei. Lavrado o auto de infração com obediência aos requisitos legais, está demonstrada sua higidez. 6. O decreto 3.724/01 não elenca prazo para o MPF. Assim sendo, entendo como inaplicável a tese de decadência tendo como marco temporal a data de emissão do Mandado de Procedimento Fiscal e o prazo de sua abrangência, por absoluta falta de previsão legal e por inviabilizar a devida cobrança de períodos não decadentes. Conselheiro Oséas Coimbra Fl. 522DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.1019.08380.MSCC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por EDUARDO DE OLIVEIRA em 13/02/2012 12:31:18. Documento autenticado digitalmente por EDUARDO DE OLIVEIRA em 13/02/2012. Documento assinado digitalmente por: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA em 20/03/2012, OSEAS COIMBRA JUNIOR em 01/03/2012 e EDUARDO DE OLIVEIRA em 13/02/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 17/10/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP17.1019.08380.MSCC Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 391E54AA5B6239958265DB0680FB9F95F11E1F52 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 15586.001023/2007-50. 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Numero do processo: 11080.726179/2017-59
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 21 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2015
DEDUÇÃO INDEVIDA -DESPESA MÉDICA - DOCUMENTAÇÃO HÁBIL
As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
Numero da decisão: 2002-007.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o Conselheiro Thiago Duca Amoni (relator) que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Diogo Cristian Denny.
(documento assinado digitalmente)
Diogo Cristian Denny Presidente e Redator Designado
(documento assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Thiago Duca Amoni, Diogo Cristian Denny (Presidente).
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2015 DEDUÇÃO INDEVIDA -DESPESA MÉDICA - DOCUMENTAÇÃO HÁBIL As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o Conselheiro Thiago Duca Amoni (relator) que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Diogo Cristian Denny. (documento assinado digitalmente) Diogo Cristian Denny – Presidente e Redator Designado (documento assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Thiago Duca Amoni, Diogo Cristian Denny (Presidente). Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Contra o(a) contribuinte, acima identificado(a), foi lavrada Notificação de Lançamento – Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, fls. 06/11, relativo ao ano-calendário de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 61 79 /2 01 7- 59 Fl. 70DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-007.384 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.726179/2017-59 2015, para formalização da redução do imposto a restituir apurado na DIRPF, que passou de R$ 2.741,22 para R$ 1.434,25. A(s) infração(ões) apurada(s) pela Fiscalização, relatada(s) na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, os dispositivos legais infringidos e a penalidade aplicável encontram-se detalhados às fls. 08/09. - Dedução Indevida de Despesas Médicas: Glosa das despesas médicas ora relacionadas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Inconformado(a) com a exigência, cuja ciência ocorreu em 25/07/2017, fls. 27, o(a) interessado(a) apresentou impugnação total em 01/08/2017, fls. 03, alegando a improcedência da autuação. Tendo em vista o disposto na Portaria RFB nº 453, de 11 de abril de 2013 (DOU 17/04/2013), e no art. 2º da Portaria RFB nº 1.006, de 24 de julho de 2013 (DOU 25/07/2013), e conforme definição da Coordenação-Geral de Contencioso Administrativo e Judicial da RFB, encaminhou-se o presente e-processo para apreciação pela DRJB/Fortaleza. É o relatório. A decisão de primeira instância, proferida com dispensa da ementa, manteve o lançamento do crédito tributário exigido. Cientificado da decisão de primeira instância em 20/03/2018, o sujeito passivo interpôs, em 16/04/2018, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que: a) as despesa médicas com plano de saúde estão comprovadas pelos documentos anexos aos autos. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro(a) Thiago Duca Amoni - Relator(a) O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Da dedução de despesas médicas As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I - de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II - das deduções relativas: Fl. 71DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-007.384 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.726179/2017-59 a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I- aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II- restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III- limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifos nossos) O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais, desde que preenchidos os requisitos legais, como meios de comprovação da prestação de serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido, quando da apresentação de sua DAA. O dispositivo em comento vai além, permitindo ainda que, caso o contribuinte tomador do serviço, por qualquer motivo, não possua o recibo emitido pelo profissional, a comprovação do pagamento seja feita por cheque nominativo ou extratos de conta vinculados a alguma instituição financeira. Assim, como fonte primária da comprovação da despesa temos o recibo e a nota fiscal emitidos pelo prestador de serviço, desde que atendidos os requisitos legais. Na falta destes, pode, o contribuinte, valer-se de outros meios de prova. Ademais, o Fisco tem a sua disposição outros instrumentos para realizar o cruzamento de dados das partes contratantes, devendo prevalecer a boa-fé do contribuinte. Nesta linha, no acórdão 2001-000.388, de relatoria do Conselheiro deste CARF José Alfredo Duarte Filho, temos: (...) No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. Fl. 72DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-007.384 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.726179/2017-59 O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. (...) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocando-o na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (dedução tributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecê-lo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Some-se a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagador recebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazê-lo daquela forma." Ainda, há jurisprudência deste Conselho que corroboram com os fundamentos até então apresentados: Processo nº 16370.000399/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.387 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente FLÁVIO JUN KAZUMA Fl. 73DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-007.384 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.726179/2017-59 Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Processo nº 13830.000508/2009-23 Recurso nº 908.440 Voluntário Acórdão nº 2202-01.901 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Despesas Médicas Recorrente MARLY CANTO DE GODOY PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. Considero a documentação anexada às e-fls. 12 a 24, corroborada com a declaração acostada às e-fls. 62 e 63 como hábeis e idôneas para comprovação das despesas médicas. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 74DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2002-007.384 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.726179/2017-59 Voto Vencedor Conselheiro Diogo Cristian Denny – Redator Designado. Com a devida vênia, divirjo do Relator quanto ao afastamento da glosa das despesas médicas. Nos termos do art. 8º, inciso II, alínea "a", da Lei nº 9.250/95, permite-se a dedução, da base de cálculo do IRPF, de pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Para tanto, tais despesas devem estar devidamente comprovadas, havendo exigência legal de que os pagamentos sejam especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). Analisando os documentos carreados aos autos, verifico que não foi apresentada documentação que comprove quem são os beneficiários do plano de saúde, inexistindo meios de se aferir, portanto, se as despesas referem-se ao contribuinte ou a seus dependentes. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Diogo Cristian Denny Fl. 75DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10830.011336/2010-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/2006 a 31/12/2007
ENTIDADE BENEFICENTE. IMUNIDADE. ART. 195, § 7º, DA CF. CONTRAPARTIDAS A SEREM OBSERVADAS. LEI COMPLEMENTAR.
Extrai-se da ratio decidendi do RE 566.622 que cabe à lei complementar definir o modo beneficente de atuação das entidades de assistência social contempladas no art. 195, § 7º, da CF, especialmente no que se refere à instituição de contrapartidas a serem por elas observadas; enquanto a lei ordinária apenas pode regular aspectos procedimentais referentes à certificação, fiscalização e controle administrativo, razão pela qual apenas o inciso II do artigo 55 da Lei nº 8.212/91 tenha sido declarado constitucional.
CEBAS. NATUREZA DECLARATÓRIA. EFEITOS EX TUNC.
O certificado de entidade beneficente de assistência social (CEBAS), no prazo de sua validade, possui natureza declaratória para fins tributários, retroagindo seus efeitos à data em que demonstrado o cumprimento dos requisitos para a fruição da imunidade.
Numero da decisão: 2402-011.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário interposto. Vencido o conselheiro Francisco Ibiapino Luz, que negou-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Francisco Ibiapino Luz - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ana Claudia Borges de Oliveira - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ana Claudia Borges de Oliveira (Relatora), Francisco Ibiapino Luz (Presidente), Gregório Rechmann Junior, José Marcio Bittes, Rodrigo Duarte Firmino e Thiago Duca Amoni (suplente convocado).
Nome do relator: ANA CLAUDIA BORGES DE OLIVEIRA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2006 a 31/12/2007 ENTIDADE BENEFICENTE. IMUNIDADE. ART. 195, § 7º, DA CF. CONTRAPARTIDAS A SEREM OBSERVADAS. LEI COMPLEMENTAR. Extrai-se da ratio decidendi do RE 566.622 que cabe à lei complementar definir o modo beneficente de atuação das entidades de assistência social contempladas no art. 195, § 7º, da CF, especialmente no que se refere à instituição de contrapartidas a serem por elas observadas; enquanto a lei ordinária apenas pode regular aspectos procedimentais referentes à certificação, fiscalização e controle administrativo, razão pela qual apenas o inciso II do artigo 55 da Lei nº 8.212/91 tenha sido declarado constitucional. CEBAS. NATUREZA DECLARATÓRIA. EFEITOS EX TUNC. O certificado de entidade beneficente de assistência social (CEBAS), no prazo de sua validade, possui natureza declaratória para fins tributários, retroagindo seus efeitos à data em que demonstrado o cumprimento dos requisitos para a fruição da imunidade.
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IMUNIDADE. ART. 195, § 7º, DA CF. CONTRAPARTIDAS A SEREM OBSERVADAS. LEI COMPLEMENTAR. Extrai-se da ratio decidendi do RE 566.622 que cabe à lei complementar definir o modo beneficente de atuação das entidades de assistência social contempladas no art. 195, § 7º, da CF, especialmente no que se refere à instituição de contrapartidas a serem por elas observadas; enquanto a lei ordinária apenas pode regular aspectos procedimentais referentes à certificação, fiscalização e controle administrativo, razão pela qual apenas o inciso II do artigo 55 da Lei nº 8.212/91 tenha sido declarado constitucional. CEBAS. NATUREZA DECLARATÓRIA. EFEITOS EX TUNC. O certificado de entidade beneficente de assistência social (CEBAS), no prazo de sua validade, possui natureza declaratória para fins tributários, retroagindo seus efeitos à data em que demonstrado o cumprimento dos requisitos para a fruição da imunidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário interposto. Vencido o conselheiro Francisco Ibiapino Luz, que negou-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz - Presidente (documento assinado digitalmente) Ana Claudia Borges de Oliveira - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ana Claudia Borges de Oliveira (Relatora), Francisco Ibiapino Luz (Presidente), Gregório Rechmann Junior, José Marcio Bittes, Rodrigo Duarte Firmino e Thiago Duca Amoni (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 13 36 /2 01 0- 69 Fl. 2157DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-011.049 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.011336/2010-69 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário em face do Acórdão nº 05-33.634 (fls. 1997 a 2017) que julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito lançado por do Auto de Infração DEBCAD nº 37.262.983-0, relativo às contribuições devidas à seguridade social, parte patronal, competências 08/2006 a 12/2007. De acordo com a Fiscalização, em que pese a recorrente ter CEBAS válido para o período, não requereu a isenção das contribuições previdenciárias, nos termos do art. 55, § 1º, da Lei nº 8.212/91. Consta no Relatório Fiscal que a contribuinte informou o código FPAS 639 em suas GFIPS, reservado a quem possui isenção das contribuições, contudo, sua isenção foi cancelada a partir de 01/01/1998, através do Ato Cancelatório nº 21.424/001/2006, de 18/01/2006. Em razão do mesmo procedimento fiscal foram lavrados mais 2 Autos de Infração: O Acórdão recorrido restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2006 a 31/12/2007 REMUNERAÇÃO A SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RECOLHIMENTO. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA. LANÇAMENTO. A remuneração paga, creditada ou devida aos segurados empregado e contribuinte individual integra o salário de contribuição. Pelo que a empresa está obrigada ao recolhimento das contribuições previdenciárias sobre ela incidentes, na forma e no prazo estabelecidos em lei, sob pena de lançamento. ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. REQUERIMENTO. ATENDIMENTO CUMULATIVO DOS REQUISITOS EXIGIDOS. NÃO CUMPRIMENTO. INDEFERIMENTO. O direito à isenção das contribuições previdenciárias está condicionado ao atendimento cumulativo dos requisitos exigidos, sob pena de indeferimento do correspondente requerimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi intimado em 24/05/2011 (fl. 2019) e apresentou recurso voluntário em 20/06/2011 (fls. 2028 a 2066) sustentando, em síntese:, que faz jus aos benefícios da imunidade tributária e possui CEBAS válido. Sem contrarrazões. Voto Fl. 2158DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-011.049 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.011336/2010-69 Conselheira Ana Claudia Borges de Oliveira, Relatora. Da admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele conheço e passo à análise da matéria. Das alegações recursais 1. Da imunidade tributária A recorrente sustenta que faz jus aos benefícios da imunidade tributária do art. 195, § 7º, da Constituição Federal. Consta no Relatório Fiscal que a contribuinte informou o código FPAS 639 em suas GFIPS, reservado a quem possui isenção das contribuições, contudo, sua isenção foi cancelada a partir de 01/01/1998, através do Ato Cancelatório nº 21.424/001/2006, de 18/01/2006. O requerimento de reconhecimento de isenção, protocolada em 07/06/2006, foi indeferido pelo não atendimento do requisito tratado no inciso IV do art. 55 da Lei nº 8.212/91 e o recurso contra o indeferimento (processo nº 35383.000560/2006-95) foi encaminhado ao CARF para julgamento. A Constituição Federal (CF) traz, em seu bojo, as imunidades tributárias como forma de limitação constitucional ao poder de tributar, tendo como vetor axiológico os princípios fundamentais (art. 5º), o pacto federativo (art. 60, § 4º, I) e o fomento da solidariedade. As limitações constitucionais ao poder de tributar estão protegidas contra mudanças que lhe diminuam o alcance ou amplitude, por configurarem verdadeiras garantias individuais do contribuinte. Nos termos do art. 195, § 7º, da CF, as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei são isentas de contribuição para a seguridade social. Em que pese o termo isentas, trata-se de verdadeira imunidade. J sé S u M B g s ss v qu ss s nçã “é imunidade ontologicamente constitucional. Nisto, distingue-s d s nçã , qu s á s b s v d ” 1 No mesmo sentido, Paulo de Barros Carvalho ensina qu “conquanto o legislador constitucional m nc n p v ‘isentas’, há imunidade à contribuição para a seguridade social por parte das n d d s b n f c n s d ss s ênc s c qu nd m às x gênc s s b c d s m ” 2 Tratando-s d n m c ns uc n qu “afasta a possibilidade de tal tributação, delimitando a competência tributária, o uso da pal v s ‘ s n s’ é mp p Nã s d b n fíc f sc , m s d v d d mun d d , c nf m já c nh c u STF n ADI 2 028 ” 3 Logo, em que pese o termo isentas, trata-se de verdadeira imunidade. 4 Essa imunidade, contudo, está veiculada em dispositivo de eficácia limitada que exige regulamentação por meio de normas infraconstitucionais. 1 BORGES, José Souto Maior. Teoria Geral da Isenção Tributária. 3. ed. São Paulo: Malheiros, 2007, p. 219-220. 2 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 30. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2019, p. 257. 3 PAULSEN, Leandro. Curso de Direito Tributário Completo. 11. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2020, p. 173. 4 Há mais de vinte anos esse é o entendimento perfilhado pelo Supremo Tribunal Federal, conforme observa-se: (...). A cláusula inscrita no art. 195, § 7º, da Carta Política - não obstante referir-se impropriamente à isenção de Fl. 2159DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-011.049 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.011336/2010-69 Nesse sentido, Marcelo Novelino esclarece que as normas de eficácia limitada, embora nem sempre dotadas de eficácia positiva, possuem eficácia negativa, no sentido de não recepcionar a legislação anterior incompatível e de impedir a edição de normas em sentido oposto aos seus comandos 5 . As imunidades tributárias, no tocante à necessidade de regulamentação, são classificadas em incondicionadas ou condicionadas; as primeiras, possuem eficácia plena e imediata e geram efeitos sem depender de regulamentação. Já as condicionadas têm eficácia limitada e a sua aplicabilidade, bem como o gozo do benefício, dependem de regulamentação infraconstitucional; tal como é o caso da imunidade das entidades beneficentes veiculada no § 7º do artigo 195 da Constituição Federal. Uma vez que o § 7º do art. 195 da CF informa que as entidades beneficentes de assistência social devem atender às exigências estabelecidas em lei para fazer jus ao gozo da imunidade ali estabelecida, a controvérsia estabelecida junto ao STF cingiu-se a saber em qual lei estão os requisitos a serem preenchidos pelas entidades beneficentes, posto que o art. 146, inciso II, da Constituição Federal dispõe que cabe somente à lei complementar regular as limitações constitucionais ao poder de tributar. A questão foi decidida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento das Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) 2028, 2036, 2228 e 2621 6 e do Recurso Extraordinário (RE) 566.622, com repercussão geral reconhecida. Em 02/03/2017, ao julgar as ADIs 2028, 2036, 2228 e 2621, o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 9.732/1998, na parte em que alterou a redação do art. 55, III, da Lei 8.212/1991 e acrescentou-lhe os §§ 3º, 4º e 5º; arts. 4º, 5º e 7º da Lei 9.732/1998; arts. 2º, IV; 3º, VI, § 1º e § 4º; 4º, parágrafo único, do Decreto 2.536/1998; arts. 1º, IV; 2º, IV, e § 1º e § 3º; e 7º, § 4º, do Decreto 752/1993. No julgamento realizado em 23/02/2017, o STF, por maioria e nos termos do voto do Relator Ministro Marco Aurélio, deu provimento ao RE nº 566.622 e declarou a inconstitucionalidade de todo o artigo 55 da Lei nº 8.212/91, concluindo que os requisitos a serem cumpridos pela entidade beneficente são aqueles dispostos no art. 14 do CTN 7 . Nesses termos, assim consignou o Ministro Marco Aurélio: contribuição para a seguridade social - , contemplou as entidades beneficentes de assistência social, com o favor constitucional da imunidade tributária, desde que por elas preenchidos os requisitos fixados em lei. A jurisprudência constitucional do Supremo Tribunal Federal já identificou, na cláusula inscrita no art. 195, § 7º, da Constituição da República, a existência de uma típica garantia de imunidade (e não de simples isenção) estabelecida em favor das entidades beneficentes de assistência social. (RMS 22192, Rel. Min. CELSO DE MELLO, Primeira Turma, julgado em 28/11/1995, DJ 19/12/1996) 5 NOVELINO, Marcelo. Curso de Direito Constitucional. 17. ed. rev., ampl. e atual. São Paulo: JusPodvm, 2022, p. 138. 6 O motivo para a existência conjunta dessas ADIs é porque, quando foram ajuizadas as ações 2028, 2036, 2228 e 2621 e o RE 566.622, o tema era regido pelo artigo 55 da Lei 8.212/91. Antes do seu julgamento, porém, essa norma foi revogada pela Lei 12.101/09, que trouxe novas regras para o CEBAS e foi questionada na sequência pela ADI 4480, entre outras ações. Assim, apesar de materialmente versarem sobre o mesmo tema, formalmente as leis discutidas nesses casos são diferentes. 7 Nesses termos consignou o Relator Ministro Marco Aurélio: Em síntese conclusiva: o artigo 55 da Lei nº 8.212, de 1991, prevê requisitos para o exercício da imunidade tributária, versada no § 7º do artigo 195 da Carta da República, que revelam verdadeiras condições prévias ao aludido direito e, por isso, deve ser reconhecida a inconstitucionalidade formal desse dispositivo no que extrapola o definido no artigo 14 do Código Tributário Nacional, por violação ao artigo 146, inciso II, da Constituição Federal. Fl. 2160DF CARF MF Original http://www.coad.com.br/busca/detalhe_31/232219/Atos_Legais http://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=1769577 http://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=1827519 http://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=2001508 Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-011.049 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.011336/2010-69 Em síntese conclusiva: o artigo 55 da Lei nº 8.212, de 1991, prevê requisitos para o exercício da imunidade tributária, versada no § 7º do artigo 195 da Carta da República, que revelam verdadeiras condições prévias ao aludido direito e, por isso, deve ser reconhecida a inconstitucionalidade formal desse dispositivo no que extrapola o definido no artigo 14 do Código Tributário Nacional, por violação ao artigo 146, inciso II, da Constituição Federal. Os requisitos legais exigidos na parte final do mencionado § 7º, enquanto não editada nova lei complementar sobre a matéria, são somente aqueles do aludido artigo 14 do Código. Chego à solução do caso concreto ante a inconstitucionalidade formal do artigo 55 da Lei nº 8.212, de 1991, e a moldura fática delineada no acórdão recorrido. (...) Assim, sendo estreme de dúvidas – porquanto consignado na instância soberana no exame dos elementos probatórios do processo – que a recorrente preenche os requisitos veiculados no Código Tributário, dou provimento ao recurso para, declarando a inconstitucionalidade formal do artigo 55 da Lei nº 8.212, de 1991, restabelecer o entendimento constante da sentença e assegurar o direito à imunidade de que trata o artigo 195, § 7º, da Carta Federal e, consequentemente, desconstituir o crédito tributário inscrito na Certidão de Dívida Ativa nº 32.725.284-7, com a extinção da respetiva execução fiscal. Ficam invertidos os ônus de sucumbência. O Supremo Tribunal Federal consolidou, então, por meio do Tema nº 32 da repercussão geral que “A lei complementar é forma exigível para a definição do modo beneficente de atuação das entidades de assistência social contempladas pelo art. 195, § 7º, da CF, especialmente no que se refere à instituição de contrapartidas a serem por elas observadas”. 8 Posteriormente, em 19/12/2019, o STF acolheu parcialmente os embargos de declaração opostos pela União no RE 566.622 para assentar a constitucionalidade tão somente do inciso II do art. 55 da Lei nº 8.212/91, nos seguintes termos (Acórdão publicado em 11/05/2020, Redatora para o Acórdão Ministra Rosa Weber): a) É exigível lei complementar para a definição do modo beneficente de atuação das entidades de assistência social contempladas no art. 195, § 7º, da CF, especialmente no que se refere à instituição de contrapartidas a serem por elas observadas (Tema nº 32); b) Lei ordinária pode regular aspectos procedimentais referentes à certificação, fiscalização e controle administrativo; c) É constitucional o art. 55, II, da Lei nº 8.212/1991, na redação original e nas redações que lhe foram dadas pelo art. 5º da Lei 9.429/1996 e pelo art. 3º da Medida Provisória nº 2.187-13/2001. Até o julgamento dos aclaratórios, todo o artigo 55 da Lei nº 8.212/91 tinha declaração de inconstitucionalidade assentada no voto do Relator, Ministro Marco Aurélio. O acórdão proferido no julgamento dos embargos de declaração esclarece e destaca a constitucionalidade do inciso II do art. 55 da Lei nº 8.212/91. Se a intenção do julgado fosse Os requisitos legais exigidos na parte final do mencionado § 7º, enquanto não editada nova lei complementar sobre a matéria, são somente aqueles do aludido artigo 14 do Código. Chego à solução do caso concreto ante a inconstitucionalidade formal do artigo 55 da Lei nº 8.212, de 1991, e a moldura fática delineada no acórdão recorrido. (...) Assim, sendo estreme de dúvidas – porquanto consignado na instância soberana no exame dos elementos probatórios do processo – que a recorrente preenche os requisitos veiculados no Código Tributário, dou provimento ao recurso para, declarando a inconstitucionalidade formal do artigo 55 da Lei nº 8.212, de 1991, restabelecer o entendimento constante da sentença e assegurar o direito à imunidade de que trata o artigo 195, § 7º, da Carta Federal e, consequentemente, desconstituir o crédito tributário inscrito na Certidão de Dívida Ativa nº 32.725.284-7, com a extinção da respetiva execução fiscal. Ficam invertidos os ônus de sucumbência. 8 RE 566622, Relator Ministro MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/02/2017, publicado em 23/08/2017. Fl. 2161DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-011.049 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.011336/2010-69 declarar a constitucionalidade de todo o artigo 55, certamente teria dito isso e inexistiria razão para o destaque do inciso II. Por seu turno, o Regimento Interno do CARF (art. 62) preceitua que é vedado ao julgador afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo se tiver sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF; ou se o fundamento do crédito tributário for objeto de Súmula Vinculante ou decisão definitiva do STF ou STJ, em sede de julgamento de recursos repetitivos. Estabelece, ainda, a obrigatoriedade de reprodução pelos conselheiros do CARF das decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ em julgamento de recursos repetitivos, nos termos dos arts. 1.036 a 1.041 do CPC. Muito embora o CPC tenha inovado ao incluir novas hipóteses positivadas de vinculação dos precedentes, de onde destaca-se a leitura do artigo 927, cumpre esclarecer, conforme observação de Daniel Mitidiero, que os precedentes não são equivalentes às decisões judiciais. Eles são razões generalizáveis que podem ser identificadas a partir das decisões judiciais 9 . Michele Taruffo pondera que o precedente deve fornecer uma regra universalizável que permita sua aplicação como critério de decisão em um caso posterior em função da identidade ou da analogia entre os fatos do primeiro caso e os fatos do segundo caso, devendo o juiz do caso sucessivo analisar a existência – ou não – de elementos de identidade entre os fatos 10 . As razões de decidir, também chamadas de ratio decidendi, é a norma extraída do julgado vinculante e, conforme ensinamento de Neil MacCormick, representam a justificação formal explícita ou implicitamente formulada por um juiz, e suficiente para decidir uma questão jurídica suscitada pelos argumentos das partes, questão sobre a qual uma resolução era necessária para a justificação da decisão 11 . Extrai-se da ratio decidendi do julgado que cabe à lei complementar definir o modo beneficente de atuação das entidades de assistência social contempladas no art. 195, § 7º, da CF, especialmente no que se refere à instituição de contrapartidas a serem por elas observadas; enquanto a lei ordinária apenas pode regular aspectos procedimentais referentes à certificação, fiscalização e controle administrativo. Essa é a razão para que apenas o inciso II do artigo 55 da Lei nº 8.212/91 tenha sido declarado constitucional. No julgamento dos embargos de declaração, o Ministro Marco Aurélio destacou: Eis a razão, até certo ponto, de a máquina judiciária estar emperrada. Vê-se a formalização de recurso no qual apontadas contradições e obscuridades, quando, na verdade, busca-se o rejulgamento da causa, com novo enfrentamento de teses já vencidas pelo Supremo. Não há vício no acórdão impugnado. Ao apreciar a questão, o Pleno procedeu à interpretação da Constituição Federal para assentar a inconstitucionalidade do artigo 55 da Lei nº 8.212/1991, na redação original, consignando que, ante a disciplina dos artigos 146, inciso II, e 195, § 7º, do Diploma 9 MITIDIERO, Daniel. Precedentes da persuasão à vinculação. 3. ed., rev., atual. e ampl. São Paulo: Revista dos tribunais, 2018, p. 96. 10 TARUFFO, Michele. Precedente e jurisprudência. Revista de Processo: RePro, v. 36, n. 199, p. 139-155, set. 2011. 11 MACCORMICK, Neil. Retórica e o Estado de Direito: Uma teoria da argumentação jurídica. tradução Conrado Hubner Mendes. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008, p. 203. Fl. 2162DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2402-011.049 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.011336/2010-69 Maior, somente lei complementar pode prever os requisitos necessários para as entidades beneficentes de assistência social gozarem da imunidade relativa às contribuições de seguridade social. Entendeu extrapolar a lei ordinária as balizas estabelecidas na norma complementar – artigo 14 do Código Tributário Nacional – por não versar meras regras procedimentais de fiscalização ou pressupostos para constituição e funcionamento dos entes em questão, e, sim, verdadeiras exigências para o gozo da imunidade. Reitero o que veiculei na oportunidade: (...) O Ministro Luís Roberto Barroso assim votou: Eu estou acompanhando o voto do Ministro Marco Aurélio, na ocasião que eu for votar, e concordo com o mérito. Mas eu claramente percebo que houve uma contradição efetiva entre o julgamento do recurso extraordinário e o recurso nas ações diretas de inconstitucionalidade. Num caso, o Cebas foi considerado constitucional e, no outro, foi considerado inconstitucional. E apenas, Ministra Rosa, eu localizei também um precedente da eminente Presidente que considerou constitucional a instituição do Cebas por lei ordinária. A Ministra Rosa Weber assim consigna: E a contradição entre as teses não se limita ao campo teórico, mas antes se traduz em incerteza que se espraia para o campo normativo. É que, a prevalecer a tese consignada no voto condutor do julgamento do RE 566.622, deve ser reconhecida a declaração incidental da inconstitucionalidade de todo o art. 55 da Lei nº 8.212/1991, inclusive em sua redação originária, cabendo ao art. 14 do CTN a regência da espécie. A prevalecer, a seu turno, o voto condutor das ADIs, do Ministro Teori Zavascki, deve ser reconhecida a declaração de inconstitucionalidade apenas do inciso III e dos §§ 3º, 4º e 5º do art. 55 da Lei nº 8.212/1991, acrescidos pela Lei nº 9.732/1998, permanecendo constitucionalmente hígido o restante do dispositivo, em particular o seu inciso II, que, objeto das ADIs 2228 e 2621, teve a pecha de inconstitucional expressamente afastada, conforme o julgamento das ADIs, tanto em relação à sua redação originária quanto em relação às redações que lhe foram dadas pelo art. 5º da Lei 9.429/1996 e pelo art. 3º da Medida Provisória nº 2.187-13/2001. Há que ora definir, pelo menos, qual é a norma incidente à espécie, à luz do enquadramento constitucional: se o art. 14 do CTN ou o art. 55 da Lei nº 8.212/1991 (à exceção do seu inciso III e dos §§ 3º, 4º e 5º, acrescidos pela Lei nº 9.732/1998, declarados inconstitucionais nas ações objetivas). Num caso, o CEBAS (Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social) foi declarado constitucional e no outro foi declarado Inconstitucional. (...) Conclusão I. Embargos de declaração nas ADIs acolhidos em parte, sem efeito modificativo, para: (i) sanando erro material, excluir das ementas das ADIs 2028 e 2036 a expressão “ao inaugurar a divergência”, nd m v sta que o julgamento dessas duas ações se deu por unanimidade; e (ii) prestar esclarecimentos, nos termos da fundamentação. II. Embargos de declaração no RE 566.622 acolhidos em parte para, sanando os vícios identificados: (i) assentar a constitucionalidade do art. 55, II, da Lei nº 8.212/1991, na redação original e nas redações que lhe foram dadas pelo art. 5º da Lei 9.429/1996 e pelo art. 3º da Medida Provisória nº 2.187-13/2001; e (ii) a fim de evitar ambiguidades, conferir à tese relativa ao tema nº 32 da repercussão geral a seguinte formulação: “A lei complementar é forma exigível para a definição do modo beneficente de atuação das entidades de assistência social contempladas pelo art. 195, § 7º, da CF, especialmente no que se refere à instituição de contrapartidas a serem por elas observadas ” (grifei) Fl. 2163DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2402-011.049 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.011336/2010-69 No dia 27/09/2022, o STF certificou o trânsito em julgado do RE 566.622/RS. Em março de 2020, o STF concluiu o julgamento da ADI 4480, que versa sobre as regras previstas na Lei 12.101/09 como condições de certificação para entidades de educação e de assistência social e declarou a inconstitucionalidade dos arts. 13, III, §1º, I e II, §§ 3º e 4º, I e II, §§ 5º, 6º e 7º; 14, §§ 1º e 2º; 18, caput; 31 e 32, §1º, da Lei nº 12.101/09 (estes últimos que revogaram o art. 55 da Lei nº 8.212/91), afastando as exigências de concessão de bolsas de estudo por entidades de educação e de atendimento integralmente gratuito pelas instituições de assistência social como condição para obtenção do CEBAS e, por consequência, para usufruir da imunidade sobre contribuições sociais. Consignou que a entidade será considerada imune a partir do momento que cumprir os requisitos estabelecidos na legislação complementar, e não a partir da obtenção do certificado, nos termos já sumulado pelo Superior Tribunal de Justiça na Súmula 612. Deste julgamento, destaca-se trecho do voto proferido pelo Ministro Gilmar Mendes: “Igu m n , n nd qu c pu d 18, qu c nd c n c f c çã à n d d d assistência social que presta serviços ou realiza ações socioassistenciais de forma gratuita, também adentra seara pertencente à lei complementar, estando, portanto, eivado de inconstitucionalidade. [...] Essa questão foi examinada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento conjunto das ADIs 2.028; 2.036; 2.228; e 2.621, bem como no RE-RG 566.622, paradigma da repercussão geral. Naquela ocasião, a Corte assentou a inconstitucionalidade do inciso III do art. 55 da Lei 8.212/1991 e seus parágrafos, na redação da Lei 9.732/1998, tendo em vista a imposição de prestação do serviço assistencial, de educação ou de saúde de forma gratuita e em caráter exclusivo, ao fundamento de se referir a requisito atinente aos lindes da imunidade, sujeito a previsão m c mp m n ” (STF, ADI 4480, V do Ministro Gilmar Mendes, p. 31, 27/03/2020). (grifei) O Superior Tribunal de Justiça, em momento anterior ao julgamento do Tema 32 pelo STF, consolidou na Súmula de nº 612 que o certificado de entidade beneficente de assistência social (CEBAS), no prazo de sua validade, possui natureza declaratória para fins tributários, retroagindo seus efeitos à data em que demonstrado o cumprimento dos requisitos estabelecidos por lei complementar para a fruição da imunidade. Assim decidiu sob o fundamento de que a decisão administrativa que reconhece o preenchimento dos requisitos legais para gozo da imunidade possui natureza declaratória e, por isso, produz efeitos retroativos (ex tunc), ficando a incidência do tributo vedada desde o momento em que efetivamente cumpridos os requisitos, e não somente após a decisão que reconhecer (declarar) esse cumprimento. Ademais, não permanece válida a exigência de requerimento junto ao INSS (art. 55, § 1º, da Lei nº 8.212/91) para a entidade beneficente ser dispensada do recolhimento das contribuições. Diante de declaração de inconstitucionalidade assentada pelo STF no sentido de que é exigível lei complementar para a definição do modo beneficente de atuação das entidades de assistência social contempladas no art. 195, § 7º, da CF, permanece que o requisito estabelecido pelo inciso II do art. 55 da Lei nº 8.212/91, por sua vez declarado constitucional, é que a entidade seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, conforme Redação dada pela Lei nº 9.429, de 26.12.1996); que, posteriormente passou a ser o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos. Fl. 2164DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2402-011.049 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.011336/2010-69 A recorrente possui CEBAS válido para o período do lançamento (01/08/2006 a 31/12/2007), conforme consta na Certidão de fls. 653 e 654, confira-se: Fl. 2165DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 2402-011.049 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.011336/2010-69 Por todo o exposto, sendo o CEBAS a única contrapartida exigível das entidades beneficentes para que façam jus aos benefícios da imunidade, concluo que o recurso voluntário deve ser provido reconhecendo-se a imunidade tributária para cancelar o crédito constituído pelos Autos de Infração em análise. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ana Claudia Borges de Oliveira Fl. 2166DF CARF MF Original
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Numero do processo: 37001.002557/2004-17
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 28/06/2004
Ementa: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. DECADÊNCIA. 05 ANOS. ENTIDADES ASSISTENCIAIS. ATO CANCELATÓRIO DE INSENÇÃO. DISCUSSÃO EM AUTOS PRÓPRIOS.
I - Ainda que o art. 45 da Lei nº 8.212/91, ao tratar de matéria excluída da competência legislativa ordinária, tenha desafiado diretamente a nossa Lei Maior, face o teor do art. 49 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, bem como da Súmula nº 2 do 2º Conselho, não nos cabe afastar a sua aplicação, pelo que deve ser reconhecido o prazo de 10 (dez) anos para a decadência do tributo previdenciário;
II - O direito a isenção (imunidade) das contribuições patronais vertidas para o Custeio da Seguridade Social, é matéria discutida em procedimento fiscal autônomo, com todas as garantias constitucionais possibilitadora de uma defesa ampla, adequada e técnica, não devendo ser discutida em autos que dele é mera consequência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 206-00.469
Decisão: ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, I) Por maioria de votos em rejeitar a preliminar de decadência. Vencidos os Conselheiros Rogério de Lellis Pinto (Relator) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. II) por unanimidade de votos, no mérito, em negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor, na parte referente a preliminar de decadência suscitada, a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
Nome do relator: ROGERIO DE LELLIS PINTO
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 28/06/2004 Ementa: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. DECADÊNCIA. 05 ANOS. ENTIDADES ASSISTENCIAIS. ATO CANCELATÓRIO DE INSENÇÃO. DISCUSSÃO EM AUTOS PRÓPRIOS. I - Ainda que o art. 45 da Lei nº 8.212/91, ao tratar de matéria excluída da competência legislativa ordinária, tenha desafiado diretamente a nossa Lei Maior, face o teor do art. 49 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, bem como da Súmula nº 2 do 2º Conselho, não nos cabe afastar a sua aplicação, pelo que deve ser reconhecido o prazo de 10 (dez) anos para a decadência do tributo previdenciário; II - O direito a isenção (imunidade) das contribuições patronais vertidas para o Custeio da Seguridade Social, é matéria discutida em procedimento fiscal autônomo, com todas as garantias constitucionais possibilitadora de uma defesa ampla, adequada e técnica, não devendo ser discutida em autos que dele é mera consequência. Recurso Voluntário Negado.
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CUSTEIO. NFLD. DECADÊNCIA. 05 ANOS. ENTIDADES ASSISTENCIAIS. ATO CANCELATÓRIO DE INSENÇÃO. DISCUSSÃO EM AUTOS PRÓPRIOS. I - Ainda que o art. 45 da Lei n° 8.212/91, ao tratar de matéria excluída da competência legislativa ordinária, tenha desafiado diretamente a nossa Lei Maior, face o teor do art. 49 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, bem como da Súmula n° 2 do 2° Conselho, não nos cabe afastar a sua aplicação, pelo que deve ser reconhecido o prazo de 10 (dez) anos para a decadência do tributo previdenciário; II - O direito a isenção (imunidade) das contribuições patronais vertidas para o Custeio da Seguridade Social, é matéria discutida em procedimento fiscal autónomo, com todas as garantias constitucionais possibilitadora de uma defesa ampla, adequada e técnica, não devendo ser discutida em autos que dele é mera consequência. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. MF - SEGUNDO CONSELH O DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Processo n.° 37001.002557/2004-1710 5 Cid— CCO2'CO6 Acórdão n.° 206-00.469 &UM. Fls. 326 ~era ias: Sap' 877862 ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, I) Por maioria de votos em rejeitar a preliminar de decadência. Vencidos os Conselheiros Rogério de Lellis Pinto (Relator) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. II) por unanimidade de votos, no mérito, em negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor, na parte referente a preliminar de decadência suscitada, a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente • CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Relatora-Designada Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Ana Maria Bandeira, Bemadete de Oliveira Barros, Daniel Ayres Kalume Reis, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Cleusa Vieira de Souza e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Processo n.° 37001.002557/2004-17 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CCO21C06 Acórdão n.° 206-00.469 CONFERE COM O ORIGINAL Fls. 327 Brunia. o9. / o 5- t Oq Skne ANT.0 Met: Stape 6771362 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto pela FUNDAÇÃO DE ENSINO SUPERIOR DO VALE DO SAPUCAí contra Decisão-Notificação de fls. 251 e s., a qual julgou procedente o presente Auto-de-Infração, no valor originário de RS 2.149.309,21 (dois milhões cento e quarenta e nove mil trezentos e nove reais e vinte e um centavos). Segundo o Relatório da Infração de fls. retro, a empresa foi autuada por omitir em GFPI's fatos geradores de contribuições previdenciárias, o que representa infração ao art. 32, inciso IV, § 5° da Lei n°8.212/91. A empresa alega em seu recurso que seria isenta (imune) das contribuições patronais, portanto, não tem o dever de informar tais fatos geradores em GFIP's. Narra toda a situação que levou ao cancelamento do seu ato cancelatório. Afirma que a motivação que levou ao cancelamento do seu direito à isenção teria se tomado ilegal como reconheceu o próprio INSS, por meio de Parecer elaborado pela Consultoria Jurídica do MPAS, e aprovado pelo Ministro de Estado. Aduz que o entendimento constante do Parecer da CJ, deve prevalecer, e assim ser restabelecido seu direito de ser reconhecida como entidade isenta, discorrendo longamente sobre o assunto. Diz que houve a decadência do débito, já que constituído além dos 05 anos previstos no CTN, devendo este prazo prevalecer sobre o art. 45 da Lei. n. 8.212/91. afirma ainda que teria direito adquirido quanto a isenção das contribuições patronais, e que os deveres impostos a entidades assistenciais somente poderiam vir expostos em Lei Complementar. Sustenta que o cálculo da multa deveria ter sido calculada de acordo com o número de falhas apuradas e não o de empregados, para encenar seu longo recurso para ver afastado à exigência contida neste AI. A extinta SRP apresentou suas contra-razoes onde pugna pela manutenção do débito. É o Relatório. j_ — Processo n.° 37001.002557/2004-17 ME - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTE( ca2ic06 Acórdão n.° 206-00.469 CONFEREERE COM 00 OR5IGINALI 02 Fls. 3283rasuia. O rira IML. Sare 8771162 Voto Vencido Conselheiro ROGERIO DE LELLIS PINTO, Relator Recurso tempestivo, dispensado o depósito prévio, e presentes todos os requisitos de sua admissibilidade, vamos a sua análise. Alega o Contribuinte, em sede de preliminar, que o crédito tributário contido no presente AI, teria sido parcialmente alcançado pela decadência qüinqüenal, aplicável as contribuições previdenciárias Sem embargos, a questão da decadência das contribuições vertidas para o Custeio da Seguridade Social, tem sido objeto de constantes discussões tanto no âmbito doutrinário, quanto no âmbito jurisprudencial. Nesse ideal, é sabido que o E. STJ recentemente, por meio de seu plenário, e em decisão unânime, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91, que fixa o prazo de 10 anos para a decadência das contribuições sociais, reconhecendo o prazo qüinqüenal para esses fins, muito embora o Pretório Excelso, guardião maior do texto Constitucional, ainda não tenha enfrentado definitivamente o tema. Não posso negar que, enquanto Conselheiro junto a uma das extintas Câmaras do V. CRPS, responsável por julgar o Custeio Previdenciário, vinha me posicionando sobre a possibilidade de aplicação do prazo de 05 anos para a decadência das contribuições previdenciárias, em algumas hipóteses. Em verdade, creio que uma análise técnica e isenta da matéria em discussão, tal qual aquela realizada pelo STJ, nos levaria a reconhecer que, de fato, o art. 45 da Lei n° 8.212/91, padece de irremediável vicio de constitucionalidade, já que trata de matéria de alçada de Lei Complementar, o que levaria a aplicação do prazo decadencial previsto no Códex Tributário, qual seja 05 anos. Não obstante esse entendimento, não podemos perder de vistas que o atual Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, veda expressamente, em seu art. 49, que suas Câmaras pronunciem ou mesmo deixem de aplicar a legislação em vigor, mesmo quando entender pela sua inconstitucionalidade. Reforçando esse posicionamento, o Pleno do 2° Conselho de Contribuinte, referendou em súmula (n° 2) a matéria, impossibilitando que seus Órgãos Julgadores pronunciem a inconstitucionalidade da legislação tributária. Desse modo, mesmo considerando que o art. 45 da Lei n° 8.212/91, ao tratar de matéria excluída da competência legislativa ordinária, tenha desafiado diretamente a nossa Lei Maior, não nos cabe afastar a sua aplicação, pelo que concluo não haver nenhum crédito tributário alcançado pela decadência decenal, rejeitando assim a preliminar aventada na peça recursal. A empresa alega insistentemente em seu recurso, que seria entidade isenta da incidência do tributo previdenciário referente à cota patronal, sendo este um direito adquirido, e ainda que a justificativa adotada pela autoridade fiscal, para propor o cancelamento da sua isenção, teria sido reconhecida como insubsistente pela CJ do MPAS. Não obstante seu abastado discurso, tenho comigo que seus argumentos não tem o condão de afetar, ME- SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL• Processo n.° 37001.002557/2004-17 1 05 Cig CCO21C06 Acórdão n.° 206-00.469 Fls. 329 Sara Met: Seto 877882 lançamento que questiona, em qualquer dos seus termos, trazendo para o âmbito deste processo fiscal, matéria que nele não pode ser debatida. Em verdade, é preciso esclarecer que o Al ora recorrido, é, em síntese, mera conseqüência do cancelamento da isenção que usufruía a entidade Recorrente, cujo direito foi afastado em procedimento fiscal autônomo, onde a matéria aventada na peça recursal poderia ou ao menos deveria ser discutida. Com efeito, o procedimento adotado pela extinta Secretaria da Receita Previdenciária, na condução de ação fiscal em entidades isenta da cota patronal, consiste em, verificada pela autoridade fiscal alguma violação a um dos incisos do art. 55 da Lei n°. 8.212/91, propor o ato cancelatório, descrevendo e comprovando todos os motivos ensejadores de sua proposição, e na seqüência intimar o contribuinte para que dele possa se defender, instaurando-se assim o contraditório e a ampla defesa, em procedimento fiscal que vai discutir se realmente a entidade tem ou não o direito ao favor fiscal. E uníssono, portanto, que o direito a isenção das contribuições patronais vertidas para o Custeio da Seguridade Social, é matéria discutida em procedimento fiscal autônomo, com todas as garantias constitucionais possibilitadora de uma defesa ampla, adequada e técnica, de forma que serão ali debatidas todas as questões que lhe são afetas. Assim é que, acredita este Relator, todas as questões de mérito trazidas pelo contribuinte em seu recurso, visando desconstituir o ato cancelatório do beneficio fiscal que lhe garante a nossa Constituição, ainda que sejam coerentes, não é pertinente para o deslinde do caso em baila, já que é este mera conseqüência da discussão travada em processo fiscal autônomo, onde seu mérito deveria ser discutida. Segue o Recorrente, alegando que a multa teria sido calculada de forma indevida já que levou em consideração o número de empregados e não o de falhas como deveria ser, o que faz mais unia vez sem razão, na medida em que acha-se em consonância com a legislação previdenciária. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER DO RECURSO, para no mérito NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos da fundamentação supra. Sala das Sessões, em 14 de fevereiro de 2008 1. •RO.:' • LLIS PINTO Processo n.° 37001.002557/200417 CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.469 Fls. 330 MF • S'OUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL ara. 05- ~ar Ot. Suem 877802 Voto Vencedor Conselheira ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Relatora Não concordo com o entendimento do Conselheiro representante das Empresas quanto aos créditos apurados na presente NFLD terem sido alcançados pelo instituto da decadência. Entendo que o prazo decadencial para a autoridade previdenciária constituir os créditos previdenciários é de 10 anos, e está previsto em lei específica da previdência social, art. 45 da Lei n° 8.212/1991, abaixo transcrito. Desse modo foi correta a aplicação do instituto pela autarquia previdenciária: "Art45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada." Dessa forma, o prazo para o fisco previdenciário apurar o cumprimento das obrigações previdenciárias, no caso, com a efetivação do recolhimento, independe de o contribuinte ter ou não efetuado parte do recolhimento, conforme o entendimento do ilustre conselheiro representante das empresas. A legislação previdenciária marca como início da contagem do prazo decadencial, o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No caso de o contribuinte ter efetivado o recolhimento parcial, assiste ao fisco o dever de constituir as diferenças que por ventura sejam devidas, dentro do mesmo prazo. O CTN dispõe sobre normas gerais em matéria tributária, especialmente acerca da prescrição e da decadência Em estabelecendo normas gerais, pode a legislação ordinária dispor sobre normas especificas; dessa forma, o prazo decadencial previsto no art. 45 da Lei n° 8.212/1991 é compatível com o ordenamento jurídico, conforme descrito a seguir. Mesmo restringindo a análise apenas ao CTN, para a melhor interpretação dessa lei devemos observar a relação existente entre os diversos artigos, evitando a interpretação isolada de um único dispositivo. Assim, o art. 150, § 4° do CTN, não deve ser analisado de forma isolada, mas sim combinado com o artigo 173 do próprio CTN que dispõe sobre o instituto da decadência. Em mesmo sendo argüida pela recorrente a inconstitucionalidade da lei previdenciária que dispõe sobre o prazo decadencial de 10 anos, incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusar-se a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos regulados na Lei n° 8.212/1991. ofeb"" MF - SIOUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL• Processo n.° 3700 I 002557r2004-17 CCO2C06 Acórdão n.° 206-00.469 Brune. 1D 9- I Fls. 331 IML' Sas e17882 Toda lei presume-se constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitá-la. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: "Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogado por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições." No mesmo sentido posiciona-se este 2° Conselho de Contribuintes ao publicar a súmula n° 2 aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicadas no DOU de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28: "SÚMULA N. 2 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária." Não se pode esquecer que a Constituição Federal em seu artigo 146, 111 reservou à lei complementar estabelecer normas gerais em matéria tributária. Dessa forma, as normas gerais estão dispostas no erN, entretanto, normas especificas se estiverem de acordo com o disposto no CTN adquirem sua validade. Assim, o próprio CTN em seu artigo 97, VI dispõe que somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. O instituto da decadência é modalidade de extinção do crédito tributário, conforme previsto no art. 156, V do CTN, e sendo assim pode ser regulado por lei ordinária. Além do mais, o art. 150, § 4° do CTN dispõe que a lei pode alterar o prazo de homologação do tributo, que pelo CTN é de 5 anos. Sabemos que em regra, as contribuições previdenciárias são lançadas por homologação, e assim a Lei n° 8.212/1991, poderia alterar o prazo para 10 anos, conforme previsão no próprio CTN. Por fim, quanto aos demais argumentos apresentados pelo recorrente, os mesmos já foram atacados pelo conselheiro representante das empresas em seu voto, restando demonstrados terem sido devidamente aplicados pelo fisco previdenciário. (S' MF - VZOUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL• Processo n.° 37001.002557/2004-17 Acórdão n.° 206-00.469 Breia& 0 05 CCO2/C06 og Fls. 332 Semi NvSeiveni Met: S.a enee2 Pelo exposto, entendo ser plenamente aplicável o prazo decadencial previsto no art. 45 da Lei 8.212/91, tendo a autarquia previdenciária agido na conformidade do ordenamento jurídico vigente. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito NEGAR-LHE PROVIMENTO. É como voto. r.t-AINE-CRIS Ir-RÃ:MONTEIRO E SILVA VIEIRA Page 1 _0056800.PDF Page 1 _0056900.PDF Page 1 _0057000.PDF Page 1 _0057100.PDF Page 1 _0057200.PDF Page 1 _0057300.PDF Page 1 _0057400.PDF Page 1
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Numero do processo: 14120.000078/2010-52
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2007 a 31/08/2008
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PAGAMENTOS A SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. DIFERENÇA GFIP E FOLHA DE PAGAMENTO
A empresa é obriga a arrecadar as contribuições devidas em razão da remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais.
Constatada a diferença entre o que declarado em GFIP e os valores
constantes em folhas de pagamento, correta a autuação.
MULTA CONFISCATÓRIA. INEXISTÊNCIA
A multa aplicada tem seu valor determinado pela legislação em vigor. Não cabe a autoridade administrativa transigir quanto a aplicabilidade da penalidade prevista.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-001.150
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: OSÉAS COIMBRA
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PAGAMENTOS A SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. DIFERENÇA GFIP E FOLHA DE PAGAMENTO A empresa é obriga a arrecadar as contribuições devidas em razão da remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais. Constatada a diferença entre o que declarado em GFIP e os valores constantes em folhas de pagamento, correta a autuação. MULTA CONFISCATÓRIA. INEXISTÊNCIA A multa aplicada tem seu valor determinado pela legislação em vigor. Não cabe a autoridade administrativa transigir quanto a aplicabilidade da penalidade prevista. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 07/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 14120.000078/201052 Acórdão n.º 280301.150 S2TE03 Fl. 158 2 assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 07/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 14120.000078/201052 Acórdão n.º 280301.150 S2TE03 Fl. 159 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o auto de infração lavrado, referente a contribuições devidas em razão de pagamentos a segurados empregados e contribuintes individuais, apurados em folhas de pagamento. Os valores apurados correspondem a diferença entre o que consta das folhas de pagamento e o declarado em GFIP. A DecisãoNotificação – fls 128 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo a Notificação lavrada. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, em síntese, o seguinte : • Não há razão, para a cobrança desse tributo do contribuinte, visto que a parte encontrase plenamente em dia com suas obrigações fiscais. • Os próprios documentos fiscais acostados aos autos dão prova suficiente para provar as alegações do autor. • O referido acórdão foi omisso em razão de não apreciar as impugnações referentes aos autos de infração, o qual impugnara que as contribuições lançadas bem como suas bases de cálculo não foram declaradas na guia de recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social, fato este que para a fiscalização configurou em tese a prática de crime de sonegação previdenciária, coisa que não ocorreu. • Por se tratar de uma mera presunção de fraude foi atribuída ao impugnante uma multa. Preliminarmente é de se reconhecer a insubsistência da multa por se tratar de uma mera presunção, por conseguinte, o impugnante foi penalizado com multa de lançamento de oficio qualificada ou agravada. • Os valores apresentados pela Receita Federal são absurdos, todavia a parte foi surpreendida com as multas e os juros apresentados, tendo em vista que chegam a 70% do valor. Tais valores são considerados por muitos Tribunais nacionais com sendo abusivo, pois tem natureza confiscatória. • Pugna pelo provimento do recurso e que seja declarado nulo o referido acórdão proferido em face da impugnante, por ser o mesmo omisso ao que foi impugnado pelo contribuinte. Seja reformada a decisão declarando a nulidade do auto de infração extinguindo o crédito tributário. Seja reformada a decisão no tocante As muitas e juros, declarando sua abusividade e os reduzindo para o mínimo legal. É o relatório. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 07/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 14120.000078/201052 Acórdão n.º 280301.150 S2TE03 Fl. 160 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O relatório fiscal de fls 21 a 92, detalha a base de cálculo considerada – diferença entre o que consta das folhas de pagamento e o declarado em GFIP, além de anexar cópias das folhas de pagamento utilizadas. Dos documentos acostados à defesa –fls 112 a 119, temos apenas a apresentação do contrato social, a demonstrar que não foi acostado nenhum documento que afastasse o que demonstrado pela autoridade fiscal. As bases de cálculo não foram expressamente impugnadas, a comprovar o acerto da autuação. Sobre a suposta alegação de fraude, não há nada que indique o alegado no relatório apresentado, que se refere exclusivamente ao não recolhimento das diferenças apontadas, sem fazer juízo quanto a lisura do procedimento adotado pelo contribuinte, tampouco temos a aplicação de multa majorada em razão de suposta conduta que represente fraude, consoante arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502/64. DA MULTA DE MORA APLICADA A multa de mora aplicada tem seu valor determinado pela legislação em vigor. A atividade tributária é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais, sendolhe vedada a discricionariedade de aplicação da norma quando presentes os requisitos materiais e formais para sua aplicação. A multa aplicada encontra fundamento nos dispositivos legais trazidos no relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, fls 13 e 14 e foi corretamente aplicada pela autoridade fiscal, encontrandose livre de vícios. DA TAXA SELIC A cobrança de juros está prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito. Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 164DF CARF MF Impresso em 07/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 14120.000078/201052 Acórdão n.º 280301.150 S2TE03 Fl. 161 5 Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Quanto à inconstitucionalidade apontada pela recorrente, não cabe tal análise na esfera administrativa. Não é de competência da autoridade julgadora a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional – ex vi art. 62 do regimento interno do CARF, aprovado pela portaria GMF no 256, de 22 de junho de 2009. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. Pondo fim a essa discussão, o STF, em sede de repercussão geral, no julgamento do RE 582461/SP, rel. Min. Gilmar Mendes, em 18.5.2011, decidiu ser legítima a incidência da Selic como índice de atualização dos débitos tributários pagos em atraso. Dessa feita, foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negolhe provimento. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 07/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 14120.000078/201052 Acórdão n.º 280301.150 S2TE03 Fl. 162 6 assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 07/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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