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4732833 #
Numero do processo: 10715.000836/96-18
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 16/12/1994 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. AMPICILINA. Tratando-se de matéria de cunho estritamente técnico, o laudo oriundo de perícia realizada pelo Laboratório do Ministério da Fazenda assume especial relevo no contexto probatório e deve ter suas conclusões acolhidas. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-000.033
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro

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E EXP. LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 16/12/1994 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. AMPICILINA. Tratando-se de matéria de cunho estritamente técnico, o laudo oriundo de perícia realizada pelo Laboratório do Ministério da Fazenda assume especial relevo no contexto probatório e deve ter suas conclusões acolhidas. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Caio Marcos Cândi - Presidente Substituto -5 0 Rosa Ma1ia de Jesus da Silva Costa de Castro - Relatora EDITADO EM: 28/03/ 011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres Judith do Amaral Marcondes Armando, Nanci Gama, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Susy Gomes Hoffmann, Antonio Carlos Guidoni Filho e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Trata-se de Recurso Especial de Divergência (fls. 66/75) interposto pela empresa Agostini Internacional Importação e Exportação Ltda., contra o Acórdão n° 301-- 31.696 (fis. 107/114), exarado pela E. Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, sintetizado na ementa abaixo transcrita: CLASSIFICAÇÃO FISCAL. AMPICILINA. O antibiótico ampicilina é classificado no código NBM 2941.10.0100, por . força da Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado n 0 i. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERICIAS. DILIGÊNCIAS. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las neeessárias, indeferindo' as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, fazendo constar do julgamento o seu indeferimento fundamentado. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A mera utilização de faculdade estabelecida pela Legislaccio, por parte do Julgador Administrativo, não pode ser entendida como ofensa ao direito de defesa. Em suas razões recursais, a Recorrente alega, em síntese, que devem ser revistos os critérios de enquadramento da substância em questão, pois a "ampicilina anidra gramdada" importada dispensa qualquer tratamento especial, pois é produto industrializado, utilizado para o enchimento de cápsulas. Constitui, assim, preparação medicamentosa de produtos misturados para fim terapêutico ou profilático, razão pela qual se encontra sob o abrigo da 3003 TEC. Alega, ainda, que foi laboratorial requerida foi indeferida. preterido seu direito de defesa, já que a nova análise Regularmente intimada do supra citado recurso em 23 de abril de 2007 (fl. 1.63, in fine), a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas contra-razões no dia 24 de abril de do mesmo ano (fls. 164/168). Nesta peça, sustenta a manutenção do inteiro teor do acórdão recorrido, vez que a nova perícia, além de desnecessária, é materialmente impossível e, no mérito, afirma não restar dúvida aeerca da natureza da substância analisada. o relatório. Voto Conselheira Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Relatora 0 recurso preenche os requisitos de admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido. 2 Processo n° 10715.000836/96-18 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.033 Fl. 172 0 cerne da questão discutida no presente feito restringe-se a saber, afinal, qual a natureza da substancia sob exame, bem como qual seu correto enquadramento fiscal. Deve ser analisada, contudo, primeiramente, o pedido de realização de nova perícia. Tal e qual a decisão recorrida, entendo ausentes argumentos que justifiquem a realização de nova perícia. Cumpre observar, que os métodos utilizados no exame já realizado pelo LABAMA não foram objeto de contestação pela Recorrente que, ao contrário, somente questiona seus resultados. Dai que divergência quanto h. interpretação das conclusões deve ser objeto de argumentação, o que não justifica per si a realização de nova perícia. Ademais, conforme exposto pelo acórdão guerreado, tal pretensão seria natinzortct, face sua impossibilidade material: (..) no que concerne ao requerimento de realização de novo exame, feito pela recorrente, cabe ressaltar que, conforme Termo constante de Ji. 42, se tornou necessário a utilização de toda a amostra contraprova disponível — devido a sua pequena quantidade - para a realização do exame, se tornando impassive' a realização de outro. Isto posto, passemos ao exame da questão principal. Após ler atentamente as razões da Recorrente, inclusive no que toca minuciosa comparação entre ampicilina anidra pó e ampicilina anidra granulada, é forçoso admitir que, a priori, são substâncias diversas, sendo a segunda um produto já acabado, ao passo que a primeira mais se aproxima de urna matéria-prima. Entretanto, como muito bem apontado na decisão recorrida, não foram encontradas, na análise laboratorial, as substancias que, agregadas h ampicilina anidra em p6, conduziriam ao resultado ampicilina anidra granulada (fl. 112). Por ocasião de apresentação da sua peça impugnatória, a interessada argüiu que o produto importado se constituía ern uma mistura de ampicilina anidra com carboximetilcelulose e estearato de magnésio, pronta para ser encapsulada em doses, com vistas a sustentar a classificação que adotara, qual seja aquela correspondente à posição 3003, da N CM. A Delegacia de Julgamento de origem, conforme consta da fl. 30, determinou um reexame da mercadoria, a fim de que fosse verificada a presença dos componentes alegados pela impugnante e para outras informações que fossem consideradas de relevância ao deslinde da questão, pelo mesmo Laboratório, o que foi consubstanciado no laudo de fl. 43, onde, conclusivamente, aquele órgão expõe que: não foram encontradas, na matéria examinada, as substancias citadas pela empresa;) 3 b)o produto em questão é um composto de composição química definida, apresentado isoladamente, e, os testes de identificação segundo a Farmacopéia Britânica foram característicos para o produto químico orgânico Ampicilina. Logo, devido â. clareza da conclusão pericial, bem como da natureza estritamente técnica da questão, não há como fugir da conclusão segundo a qual o enquadramento fiscal feito pela Recorrente está incorreto, devendo prevalecer aquele proposto pela fiscalização. Por derradeiro, no intuito de melhor expor minhas razões de decidir, adoto as palavras constantes do voto condutor do acórdão guerreado: A NBM, na posição 2941, classifica os antibióticos, sendo que na sub- posição 29410100, encontramos a classificação para a Ampicilina e seus derivados; sais destes produtos. Por outro lado, a not 1, a, daquele capitulo dispõe que as suas posições apenas compreendem os compostos orgdnicos de composição química definida apresentados isolaclamente, mesmo contendo impurezas. A Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado no. 1 determina que classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capitulo, e pelas regras seguintes, quando não contrárias a estes textos. Voto, assim, pelo não Provimento do recurso. .456Z C;Lf C Rosa Mina de Jesus da Silva Costa de Castro 4

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4717621 #
Numero do processo: 13821.000006/00-48
Data da sessão: Mon May 12 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Mon May 12 00:00:00 UTC 2003
Ementa: PIS – COMPENSAÇÃO - Os indébitos oriundos de recolhimentos efetuados nos moldes dos Decretos-Leis nºs 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais pelo STF, deverão ser calculados considerando que a base de cálculo do PIS, até a data em que passou a viger as modificações introduzidas pela Medida Provisória nº 1.212/95 (29/02/1996), era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. Recurso Especial Improvido.
Numero da decisão: CSRF/02-01.327
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres

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Recurso Especial Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos do recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.. -- •- e "é 0-N PE r410'4'. • •DRIGUES PRESIDE '" E 4PA-11 /9--- ENR QUE PINHEIRO • • ES RELATOR FORMALIZADO EM: 1 O JUL 2003 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, JOSEFA MARIA COELHO MARQUES, ROGÉRIO GUSTAVO DREYER, DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA, OTACíLIO DANTAS CARTAXO E FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE E SILVA Processo n° : 13821.000006/00-48 Acórdão n° : CSRF/02-01.327 Recurso n° :201-116655 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Sujeito Passivo : IRMÃOS ROQUE LTDA RELATÓRIO Trata o processo de pedido de restituição/compensação da contribuição ao Programa de Integração Social - PIS, do período de janeiro/90 a dezembro/94, que a empresa alega ter recolhido indevidamente (a maior) com base nos Decretos-Leis n 2.445/88 e 2.449/88 declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. A decisão de primeiro grau indeferiu o pleito, por decadência do direito de pleitear a restituição e pelo uso indevido do recolhimento semestral da contribuição (fls. 170/174). Em sessão plenária de 03/11/2001, a Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes - por unanimidade de votos - decidiu dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão ri 201-75.553, assim ementado (fls. 209): "PIS - DECADÊNCIA - SEMESTRALIDADE - BASE DE CÁLCULO -1- A decadência do direito de pleitear a compensação/restituição tem como prazo inicial, na hipótese dos autos, a data da publicação da Resolução do Senado Federal que retira a eficácia da lei declarada inconstitucional (Resolução do Senado Federal n' 49, de 09/10/95, publicada em 09/10/95). Assim, a partir de tal data, conta-se 5 (cinco) anos até a data do protocolo do pedido (termo final). In casu, não ocorreu a decadência do direito postulado.2 - A base de cálculo do PIS, até a edição da MP n 1.212/95, corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador (Primeira Seção STJ - REsp n 144.708-RS - e CSRF). Aplica-se este entendimento, com base na LC e 07/70, aos fatos geradores ocorridos até 29 de fevereiro de 1996, consoante o que dispõe o parágrafo único do art.1' da IN SRF n' 06, de 19/01/2000.Recurso a que se dá provimento." Dessa decisão, o Procurador da Fazenda Nacional - ao amparo do artigo 5, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais - recorreu à instância especial, alegando divergência de interpretação da legislação tributária, no tocante ao entendimento firmado quanto aos ditames do artigo 6, parágrafo único, da Lei Complementar n" 07/70 e suas implicações sobre a determinação da base de cálculo ou o prazo de recolhimento da contribuição ao PIS (fls. 217/222). Como paradigma, reporta-se ao Acórdão ri 202-11.107 - anexado por cópia às fls. 223/231 - cuja ementa se transcreve: "PIS -1) BASE DE CÁLCULO E PRAZO DE RECOLHIMENTO - O fato gerador da Contribuição para o PIS é o exercício da atividade empresarial, ou seja, o conjunto de negócios ou operações que dá ensejo ao faturamento. O art. 6' da Lei Complementar 72(1 07/70 não se refere à base de cálculo, eis que o faturamento de um mês não é grandeza hábil para medir a atividade empresarial de seis meses depois. A melhor exegese deste dispositivo é no sentido de a lei regular prazo de recolhimento de tributo. II) ENGARGO 2 Processo n° : 13821.000006/00-48 Acórdão n° : CSRF/02-01.327 DA TRD - Não é de ser exigido no período que medeou de 04.02 a 29.07.91. III) RETROATIVIDADE BENIGNA - A multa de oficio, prevista no art. 4", inc. I, da Medida Provisória e 297/91, combinado com o art. 37 da Lei n" 8.218/91, e no art. 4 inc. I, da Medida Provisória e 298/91, convertida na Lei 712 8.218/91, foi reduzida para 75% com a superveniência da Lei n' 9.430/96, art. 44, inc. I, por força do disposto no art. 106, inc. II, alínea "c", do CIN. Recurso provido em parte." A divergência argüida cinge-se, pois, à interpretação dada ao artigo 6, parágrafo único, da Lei Complementar n" 07/70: enquanto a decisão recorrida julga que a regra inserta no dispositivo referido versa sobre a determinação da base de cálculo da contribuição ao PIS - exigida considerando-se o faturamento do sexto mês anterior; o acórdão paradigma, de modo efetivamente adverso, entende que a aludida norma refere-se tão- somente ao prazo de recolhimento da contribuição. Mediante o Despacho de fls. 232/235, a Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes recebeu o recurso especial interposto pelo Procurador- Representante da Fazenda Nacional, vez que devidamente revestido dos requisitos de admissibilidade exigidos pela Portaria MF n-Q 55/98 (tempestividade do apelo, comprovação e demonstração da divergência argüida). Pelo Documento (AR - Aviso de Recebimento) de fls. 240, a contribuinte tomou ciência do Acórdão n" 201-75.553, bem como do recurso especial da Fazenda Nacional. Não constam dos autos contra-razões do sujeito passivo. É o relatório. ir 3 Processo n° : 13821.000006/00-48 Acórdão n° : CSRF/02-01.327 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR HENRIQUE PINHEIRO TORRES O recurso merece ser conhecido por ser tempestivo e atender aos pressupostos de admissibilidade previstos no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Como relatado, trata-se de pedido de restituição e compensação dos valores recolhidos a título de PIS, nos períodos compreendidos entre 31/01/90 a 31/10/1995, que a contribuinte pretende haver pago a maior, com base nos Decretos-Leis n°s 2.445 e 2.449, ambos de 1988, posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Por meio da Decisão de fls. 170 a 174, a DRJ em Ribeirão Preto — SP indeferiu a solicitação do Sujeito Passivo, sob alegação de que eventuais indébitos referentes a pagamentos efetuados até 06/01/1995 não poderiam ser repetidos por haverem sido atingidos pela decadência. No tocante aos relativos a pagamentos efetuados a partir de 07/01/1995, ainda não caducos, se a apuração da contribuição devida fosse efetuada corretamente, isto é, considerando como base de cálculo do Pis o faturamento do próprio mês de ocorrência do fato gerador, não haveria falar-se em valor a restituir. Essa decisão mereceu reforma da Primeira Câmara do Segundo Conselho de contribuintes, que ultrapassou a questão da decadência e, no mérito, reconheceu o direito da reclamante a repetir o indébito considerando como base de cálculo do PIS, até a entrada em vigor das alterações trazidas pela Medida Provisória, 1.212/1995, o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador dessa contribuição, sem correção monetária. Inconformado, o Sr. Procurador da Fazenda Nacional interpôs recurso especial a este colegiado onde postula a reforma do acórdão apenas no tocante à questão da semestralidade. Essa matéria foi exaustivamente enfrentada pelo Conselheiro Natanael Martins, no voto proferido quando do julgamento do Recurso Voluntário n° 11.004, originário da 7' Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Rendendo homenagem ao brilhante pronunciamento do insigne relator, transcrevo excerto desse voto para fundamentar minha decisão: /,(7 4 Processo n° : 13821.000006/00-48 Acórdão n° : CSRF/02-01.327 "As autoridades administrativas, como visto no presente caso, promoveram o lançamento com base na Lei Complementar n° 07/70, justamente a que a reclamante traz à baila para demonstrar a impropriedade do ato administrativo levado a efeito. É que, na sistemática da Lei Complementar n°07/70, a contribuição devida em cada mês, a teor do disposto no parágrafo único do artigo 6° da Lei Complementar n° 07/70, a seguir transcrito, deve ser calculada com base no faturamento verificado no sexto mês anterior: 'Art. 6° - A efetivação dos depósitos no Fundo correspondente à contribuição referida na alínea `b' do artigo 3° será processada mensalmente a partir de 1° de julho de 1971. Parágrafo único. A contribuição de julho será calculada com base no faturamento de janeiro; a de agosto com base no faturamento de fevereiro; e assim sucessivamente'. (grifou-se). Não se trata, à evidência, como crê o Parecer MF/SRF/COSIT/DIPAC n° 56/95, bem como a r. Decisão de fls. 110/113, de mera regra de prazo, mas, sim, de regra ínsita na própria materialidade da hipótese da incidência, na medida em que estipula a própria base imponível da contribuição. Neste sentido é o pensamento de Mitsuo Narahashi, externado em estudo inédito que realizou pouco após a edição da Lei Complementar n° 07/70: 'Decorre, no texto acima transcrito, que a empresa não está recolhendo a contribuição de seis meses atrás. Recolhe a contribuição do próprio mês. A base de cálculo é que se reporta ao faturamento de seis meses atrás. O fato gerador (elemento temporal) ocorre no próprio mês em que se vence o prazo de recolhimento. Uma empresa que inicia suas atividades não tem débitos para com o PIS, com base no faturamento, durante os seis primeiros meses de atividade, ainda que já se tenha formado a base de cálculo dessa obrigação. Da mesma forma, uma empresa que encerra suas atividades agora, não recolherá a contribuição calculada sobre o faturamento dos últimos seis meses, pois, quando se completar o fato gerador, terá deixado de existir'. Outro não é o entendimento de Carlos Mário Venoso, Ministro do Supremo Tribunal Federal: `... com a declaração de inconstitucionalidade desses dois decretos-leis, parece-me que o correto é considerar o faturamento ocorrido seis meses anteriores ao cálculo que vai ser pago. Exemplo, calcula-se hoje o que se vai pagar em outubro. Então, vamos apanhar o faturamento ocorrido seis messes anteriores a esta data' (Mesa de Debates do VIII Congresso Brasileiro de Direito Tributário, `in' Revista de Direito Tributário n° 64, pg.149, Malheiros Editores). Geraldo Ataliba, de inesquecível memória, e J. A. Lima Gonçalves, em parecer inédito sobre a matéria, espancando qualquer dúvida ainda existente, asseveraram: 'O PIS é obrigação tributária cujo nascimento ocorre mensalmente. O fato faturar' é instantâneo e renova-se a cada mês, enquanto operante a empresa. 5 Processo n° : 13821.000006/00-48 Acórdão n° : CSRF/02-01.327 A materialidade de sua hipótese de incidência é o ato de faturar', e a perspectiva dimensível desta materialidade — vale dizer, a base de cálculo do tributo — é o volume do faturamento. O período a ser considerado — por expressa disposição legal - para 'medir' o referido faturamento, conforme já assinalado, é mensal. Mas não é — e nem poderia ser — aleatoriamente escolhido pelo intérprete ou aplicador da lei. A própria Lei Complementar n° 7/70 determina que o faturamento a ser considerado, para a quantificação da obrigação tributária em questão, é o do sexto mês anterior ao da ocorrência do respectivo fato imponível. Dispõe o transcrito parágrafo único do artigo 6°: 'A contribuição de julho será calculada com base no faturamento de janeiro; a de agosto, com base no fáturamento de fevereiro; e assim sucessivamente.' Não há como tergiversar diante da clareza da previsão. Este é um caso em que — ex vi de explícita disposição legal — o autolançamento deve tomar em consideração não a base do próprio momento do nascimento da obrigação, mas, sim, a base de um momento diverso (e anterior). Ordinariamente, há coincidência entre os aspectos temporal (momento do nascimento da obrigação) e aspecto material. No caso, porém, o artigo 6° da Lei Complementar n° 7/70 é explícito: a aplicação da alíquota legal (essência substancial do lançamento) far-se-á sobre base seis meses anterior, isso configura exceção (só possível porque legalmente estabelecida) à regra geral mencionada. A análise da seqüência de atos normativos editados a partir da Lei Complementar n° 7/70 evidencia que nenhum deles... com exceção dos já declarados inconstitucionais Decretos-Leis n's 2.445/88 e 2.449/88 — trata da definição da base de cálculo do PIS e respectivo lançamento (no caso, autolançamento) . Deveras, há disposição acerca (I) do prazo de recolhimento do tributo e (II) da correção monetária do débito tributário. Nada foi disposto, todavia, sobre a correção monetária da base de cálculo do tributo (faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do respectivo fato imponível). Conseqüentemente, esse é o único critério juridicamente aplicável. Se se tratasse de mera regra de prazo, a Lei Completar, à evidência, não usaria a expressão 'a contribuição de julho será calculada com base no faturamento de janeiro; a de agosto com base no faturamento de fevereiro, e assim sucessivamente', mas simplesmente diria: 'o prazo de recolhimento da contribuição sobre o faturamento, devido mensalmente, será o último dia do sexto mês posterior'. Com razão, pois, a jurisprudência da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que, por unanimidade de votos, vem assim se expressando: 1 6 , Processo n° : 13821.000006/00-48 Acórdão n° : CSRF/02-01.327 Acórdão n° 101-87.950: TIS/FATURAMENTO — CONTRIBUIÇÕES NÃO RECOLHIDAS - Procede o lançamento ex-officio das contribuições não recolhidas, considerando-se na base de cálculo, todavia, o faturamento da empresa de seis meses atrás, vez que as alterações introduzidas na Lei Complementar n° 07/70 pelos Dec.-leis n's 2.245/88 e 2.449/88 foram considerados inconstitucionais pelo Tribunal Excelso (RE- 148754-2).' Acórdão n° 101-88.969: TIS/ FATURAMENTO —Na forma do disposto na Lei Complementar n° 07, de 07/09/70, e Lei Complementar n° 17, de 12/12/73, a contribuição para o PIS/Faturamento tem como fato gerador o faturamento e como base de cálculo o faturamento de seis meses atrás, sendo apurado mediante a aplicação da aliquota de 0,75%. Alterações introduzidas pelos Decretos-Leis es 2.445/88 e 2.449/88, não acolhidas pelas Suprema Corte'. Resta registrar que o STJ, através das 1 " e 2" Turmas da 1" Seção de Direito Público, já pacificou este entendimento. Desta forma, não há como negar que, até 29 de fevereiro de 1996, a base de cálculo do PIS era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador dessa contribuição. A partir de março de 1996, quando passaram a viger as alterações introduzidas pela MP n° 1.212/95, suas reedições, e, posteriormente, a Lei n° 9.715/1998, a contribuição passou a ser calculada com base no faturamento do próprio mês. Todavia, como o pedido abrange, tão-somente, os fatos geradores ocorridos entre 31/01/1990 a 31/10/1995, é de reconhecer-se que, neste período, o cálculo da contribuição e, por conseguinte, do indébito deve ser feito considerando-se que a base de cálculo da contribuição era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. Os indébitos calculados na forma expressa neste acórdão, depois de aferida a certeza e liquidez dos mesmos pela administração tributária, poderão ser compensados com parcelas de outros tributos e contribuições administrados pela SRF, observados os critérios estabelecidos na Instrução Normativa SRF n° 21, de 10.03.97, com as alterações introduzidas pela Instrução Normativa SRF n° 73, de 15.09.97. 7 Processo n° : 13821.000006/00-48 Acórdão n° : CSRF/02-01.327 Nestes termos, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões — DF, em 12 de maio de 2003 4N 4,„eláQUE PINHEIRO TORRES 8 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1

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Numero do processo: 13710.000462/99-94
Data da publicação: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2002
Ementa: IRPF – RESTITUIÇÃO DE TRIBUTO PAGO (RETIDO) INDEVIDAMENTE – PRAZO DECADÊNCIA – INOCORRÊNCIA – Concede-se o prazo de 05 anos para a restituição do tributo pago indevidamente contados a partir do ato administrativo que reconhece no âmbito administrativo fiscal, o indébito tributário, in casu, a Instrução Normativa nº 165 de 31/12/98 e a de 04 de 13/01/99. PROGRAMA DE INCENTIVO AO DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO – ALCANCE – Tendo, a Administração considerada indevida a tributação dos valores percebidos como indenização relativa aos Programas de Desligamento Voluntário em 06/01/99, data da publicação da Instrução Normativa nº 165 de 31 de dezembro de 1998, é irrelevante a data da efetiva retenção, que não é marco inicial do prazo extintivo. Recurso especial que se nega provimento.
Numero da decisão: CSRF/01-03.949
Decisão: Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Antonio de Freitas Dutra, Cândido Rodrigues Neuber, Leila Maria Scherrer Leitão, Verinaldo Henrique da Silva e Iacy Nogueira Martins Morais.
Nome do relator: Maria Goretti de Bulhões Carvalho

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Concede-se o prazo de 05 anos para a restituição do tributo pago indevidamente contados a partir do ato administrativo que reconhece no âmbito administrativo fiscal, o indébito tributário, "in casu", a Instrução Normativa n° 165 de 31/12/98 e a de 04 de 13/01/99. PROGRAMA DE INCENTIVO AO DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO — ALCANCE. Tendo, a Administração considerada indevida a tributação dos valores percebidos como indenização relativa aos Programas de Desligamento Voluntário em 06/01/99, data da publicação da Instrução Normativa n° 165 de 31 de dezembro de 1998, é irrelevante a data da efetiva retenção, que não é marco inicial do prazo extintivo. Recurso Especial que se nega provimento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDAA NACIONAL . ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros. Antonio de Freitas Dutra, Cândido Rodrigues Neuber, Leila Maria Scherrer Leitão, Verinaldo Henrique da Silva e Iacy Nogueira Martins Morais. , . k S *IV P ' IRA II RIGUES PRESIDENTE ./(4 i 'f---'(-k-'-''"-------- õk,MARIA RETTI DE BULHÕES DE CARVALHO RELATORA Processo n°. : 13710.000462/99-94 Acórdão n°. : C SRF/01-03 . 949 FORMALIZADO EM: 27 AGO 2CO2 Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros: CELSO ALVES FEITOSA, VICTOR LUIS DE SALLES FREIRE, REMIS ALMEIDA ESTOL, MARIA AMÉLIA FRAGA FERREIRA (Suplente Convocada), WILFRIDO AUGUSTO MARQUES, JOSÉ CLÓVIS ALVES, NATANAEL MARTINS (Suplente Convocado), MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR. Processo n°. : 13710.000462/99-94 Acórdão n°. : C SRF/01-03 .949 Recurso n° : RP/106-0.658 Recorrente : FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO A Fazenda Nacional inconformada com a decisão proferida no acórdão n° 106-11.969, ingressou com recurso especial às fls.60/71, com base no artigo 32, inciso I do Regimento Interno da Câmara Superior e do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, nos seguintes termos: " A posição abraçada pelo acórdão recorrido (a tese), no que diz respeito à decadência, é a seguinte: o termo inicial da decadência é a data na qual o contribuinte soube que pagou indevidamente, reconhecimento esse, evidentemente, que deve vir na forma legal. Em outras palavras: a decadência, segundo tal entendimento, iniciar-se-ia a partir da data da publicação da Instrução Normativa n. 165, de 31/12/98, e/ou do Ato Declaratório n. 95, de 26/11/99, a (s) qual (is) reconheceu(ram) o direito do contribuinte." "Os dispositivos do Código Tributário Nacional que tratam da decadência, e também da prescrição, são claros e, pois, acredita sinceramente a Fazenda Nacional, não precisam de maiores digressões interpretativas." "A disposição é clara: o dia do começo do prazo para restituição na hipótese de que trata estes autos é a data da extinção do crédito tributário, independentemente da posterior ciência do contribuinte, quer dizer, o dispositivo não faz menção ao futuro conhecimento do contribuinte de que pagou algo indevido ou a maior para se determinar o dia inicial do prazo; faz menção, apenas e tão somente, à data da extinção do crédito." "A decisão produz efeitos repristinatórios, no que diz respeito à repetição de tributos, apenas nos cinco anos imediatamente anteriormente ao seu proferimento, não atingindo as situações definitivamente constituídas pela decadência tributária. Considerar o contrário, vale dizer, considerar que a decisão tenha força de fazer a empresa repetir todos os tributos pagos a maior sob a égide da lei declarada inconstitucional é um tremendo erro de perspectiva, vez que a decisão, assim como a lei elaborada pelo parlamento, deve respeitar as situações jurídicas já solidificada pela decadência." "Portanto, Sr. Relator: primeiro, não há qualquer contradição entre os efeitos da decisão de inconstitucionalidade do Poder Judiciário no controle direto e no controle difuso (em virtude da qual a IN n. 165/98 foi editada) e a decadência do direito à restituição; segundo, o termo a quo da decadência é a data da extinção do crédito tributário (que ocorre com o pagamento), saiba o contribuinte ou não que pagou indevidamente; terceiro, o art. 168, I do Código Tributário independe completamente da data da decisão de Processo n°. : 13710.000462/99-94 Acórdão n°. : C SRF/01-03. 949 inconstitucionalidade; quarto, a decisão de inconstitucionalidade deve respeitar, tal qual toda e qualquer lei, as situações definitivamente constituídas; quinto, exatamente porque passados cinco anos da data do pagamento (que extinguiu o crédito), o contribuinte perde o direito à repetição (art. 168, I do Código Tributário) e a decisão de inconstitucionalidade, qualquer que seja ela, não pode mais atingir essa situação que, bem ou mal, justa ou injustamente, já definitivamente se consolidou; sexto, para a intercorrência da prescrição, o Código não exige o prévio conhecimento que o contribuinte pagou indevidamente; sétimo, o choro dos pais pela perda de um filho dói mais na Fazenda do que o choro de contribuintes pela perda de uns míseros cruzeiros." "Pelo exposto, requer a Fazenda Nacional que V. Exa. dê provimento a este Recurso Especial, mantendo a douta decisão monocrática que considerou caduco pedido de restituição, por corresponder à melhor exegese do dispositivo tributário." Despacho da Presidência n° 106-1.604 às fls.72/73, determinando as seguintes providências; A) remessa de cópia do acórdão recorrido e do Recurso Especial da Fazenda Nacional ao sujeito passivo; B) Dar ciência ao contribuinte para no prazo de 15 (quinze) dias contra-arrazoar o recurso especial; C) Juntar aos autos cópia da intimação e do AR; D) Anexar a petição apresentada pelo Contribuinte e em caso negativo certificar a não interposição das Contra-razões. Certidão de remessa dos autos a CAC/TITUCA para ciência do contribuinte de fls. 74. Intimação remetida ao contribuinte às fls. 75. AR juntado às fls, 75-verso. Contra-razões apresentada às fls. 76/79, alegando em síntese: "Considerando a massa jurisprudencial, que a administração se baseou no entendimento, segundo o qual às verbas recebidas pelo "PDV", não são tributadas, sendo pacífico perante os órgãos do poder judiciário, com entendimento de que o referido prazo decadencial tem início a partir da edição da Instrução Normativa 165 de 31/12/1998; e confirmando o Parecer COSIT 4/99, que concede o prazo de 5 (cinco) anos para restituição do tributo pago indevidamente, contando a partir do ato administrativo que reconhece, no âmbito fiscal, o indébito tributário, "In casu", a Instrução Normativa 165 de 31/12/1998. prp Processo n°. : 13710.000462/99-94 Acórdão n°. : C SRF/01-03 . 949 Assim sendo, solicito aos digníssimos Srs. Membros do Colendo Conselho, a revisão do meu processo conforme os fatos e documentos anexados apresentados para apreciação à luz da justiça." Certidão de fls. 80, remetendo os autos a DRJ/SECAV. Certidão de fls. 81, remetendo os autos ao Primeiro Conselho de Contribuintes, uma vez que foram apresentadas as Contra-razões. Despacho de fls. 82, determinando o prosseguimento e a remessa à Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais. Vista a Fazenda Nacional às fls. 83. É o relatório. (A1(f,-/ Processo n°. : 13710.000462/99-94 Acórdão n°. : C SRF/01-03 .949 VOTO CONSELHEIRA MARIA GORETTI DE BULHÕES CARVALHO, RELATORA. O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, merecendo ser conhecido. Primeiramente entendo que não houve a decadência do direito de pleitear a restituição contestada pela Fazenda Nacional, através do Recurso Especial de fls. 60/71; pelos seguintes fundamentos elencados no voto do Ilustre Conselheiro Leonardo Mussi da Silva da 2a Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que ora adoto e transcrevo na íntegra: "O Parecer Cosit n° 04 de 28.01.99, ao tratar do prazo para restituição do indébito, notadamente sobre a devolução do imposto de renda pago indevidamente em virtude do recebimento das verbas por adesão a programa de demissão voluntária - PDV, asseverou: A questão proposta guarda correlação com a matéria tratada no Parecer Cosit n° 58/1998, na medida em que se trata de exigência que vinha sendo feita com base em interpretação da legislação tributária federal adotada pela SRF, mediante o Parecer Normativo Cosit n° 01, de 08 de agosto de 1995 e que resultava na caracterização da hipótese de incidência do imposto, sendo que, em face do parecer PGFN/CRJ n° 1278/1998, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, a SRF editou a IN n° 165/1998, cancelando os lançamentos, e o AD 003/1999, facultando a restituição do imposto." Assim, idêntico tratamento deve ser dado a esses pedidos de restituição, pelo que se transcrevem os itens 22 a 25 do citado Parecer Cosit: "22 ...0 art. 168 do CTN estabelece prazo de 5 (cinco) anos para o contribuinte pleitear a restituição de pagamento indevido ou maior que o devido, contados da data da extinção do crédito tributário. 23. Como bem coloca Paulo de Barros Carvalho, à decadência ou caducidade é tida como fato jurídico que faz perecer um direito pelo seu não exercício durante certo lapso de tempo. (Curso de Direito Tributário, 7' . Ed., 1995, p. 311). 24. Há de se concordar, portanto, com o mestre Aliomar Baleeiro (Direito Tributário Brasileiro, 10' . Ed., Forense, Rio, 1993, p., 570), que entende que o prazo de que trata o art. 168 do CTN é de decadência. (\r'Ll Processo n°. : 13710.000462/99-94 Acórdão n°. : C SRF/01-03 .949 25. Para que se possa cogitar de decadência, é mister que o direito seja exercitável: que, no caso, o crédito (restituição) seja exigível." Adoto também o voto do I. Conselheiro Remis Almeida Estol, o qual transcrevo em parte: " Tenho a firme convicção de que o termo inicial para a apresentação do pedido de restituição está estritamente vinculado ao momento em que o imposto passou a ser indevido. Antes deste momento as retenções efetuadas pelas fontes pagadoras eram pertinentes, já que em cumprimento de ordem legal, o mesmo ocorrendo com o imposto devido apurado pelo contribuinte na sua declaração de ajuste anual. Isto significa dizer que, anteriormente ao ato da administração atribuindo efeito erga omnes quanto a intributabilidade das verbas relativas aos chamados PDV, objetivada na Instrução Normativa n° 165 de 31 de dezembro de 1998, tanto o empregador quanto o contribuinte nortearam seus procedimentos adstritos à presunção de legalidade e constitucionalidade próprias das leis. Concluindo, não tenho dúvida de que o termo inicial para contagem do prazo para requerer a restituição do imposto retido, incidente sobre as verbas recebidas em decorrência da adesão ao Plano de Desligamento Voluntário, é a data da publicação da Instrução Normativa SRF n° 165, ou seja, 06 de janeiro de 1999, sendo irrelevante a data da efetiva retenção que, no caso presente, não se presta para marcar o início do prazo extintivo." Assim, diante da expressa disposição apresentada pelos Pareceres supracitados, o recorrente tem o direito de requerer até dezembro de 2003 - cinco anos após a edição da IN n° 165/98 - a restituição do indébito do tributo indevidamente recolhido por ocasião do recebimento do tributo em razão à adesão a PDV, razão pela qual não há que se falar em decurso do prazo para restituição do pedido feito pelo contribuinte. O reconhecimento da não incidência do imposto de renda sobre os rendimentos que se examina, relativamente à adesão a PDV ou a programa para aposentadoria, se deu exclusive para a Procuradoria da Fazenda Nacional, cujo Parecer PGFN/CRJ/N° 1.278/98, que foi aprovado pelo Ministro da Fazenda, e, mais recentemente, pela própria autoridade lançadora, por intermédio do Ato Declaratório n° 95/99, in verbis: "O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e, tendo em vista o disposto nas Instruções Normativas SRF n° 165, de 31 de dezembro de 1998, e n° 04 de 13 de janeiro de 1999, e no Ato Declaratório SRF n° 03, de 07 de janeiro de 1999, declara que as verbas indenizatórias fr,Lf) Processo n°. : 13710.000462/99-94 Acórdão n°. . CSRF/01-03 .949 recebidas pelo empregado a título de incentivo à adesão a Programa de Demissão Voluntária não se sujeitam à incidência do Imposto de Renda na fonte nem na Declaração de Ajuste Anual, independentemente de o mesmo já estar aposentado pela previdência oficial, ou possuir o tempo necessário para requerer a aposentadoria pela Previdência Oficial ou privada". Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso assegurando o direito do contribuinte a restituição do valor pago indevidamente a titulo de imposto de renda incidente sobre as verbas percebidas por adesão ao PDV. Sala das Sessões, DF, em 18 de junho de 2002 MARIA ORETTI DE BULHÕES CARVALHO Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1

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Numero do processo: 13971.000999/2008-17
Data da sessão: Tue Oct 27 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Oct 27 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2007 NFLD. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Não prospera a pretensão do contribuinte em ver realizada a perícia, máxime, quando não efetuou o pedido em conformidade com o art. 16, IV, do Decreto 70.235/72 e se mostra desnecessária sua realização. APROPRIAÇÃO DE PAGAMENTOS EFETUADOS. COMPETÊNCIA. Escapa da esfera de competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a apropriação de pagamentos efetuados durante o curso do processo administrativo fiscal. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. O pedido de compensação efetuado nos autos do presente processo não pode ser analisado nesta esfera, devendo o contribuinte efetuar pedido em separado, nos termos da IN 900/08. MULTA DE MORA. INCONSTITUCIONALIDADE. Falece ao Conselho de Contribuintes a competência para análise da constitucionalidade de normas tributárias, atividade privativa do Poder Judiciário, nos termos da Súmula n. 02.
Numero da decisão: 2402-000.200
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: LOURENÇO FERREIRA DO PRADO

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NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Não prospera a pretensão do contribuinte em ver realizada a perícia, máxime, quando não efetuou o pedido em conformidade com o art. 16, IV, do Decreto 70.235/72 e se mostra desnecessária sua realização. APROPRIAÇÃO DE PAGAMENTOS EFETUADOS. COMPETÊNCIA. Escapa da esfera de competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a apropriação de pagamentos efetuados durante o curso do processo administrativo fiscal. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. O pedido de compensação efetuado nos autos do presente processo não pode ser analisado nesta esfera, devendo o contribuinte efetuar pedido em separado, nos termos da IN 900/08. MULTA DE MORA. INCONSTITUCIONALIDADE. Falece ao Conselho de Contribuintes a competência para análise da constitucionalidade de normas tributárias, atividade privativa do Poder Judiciário, nos termos da Súmula n. 02. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4a câmara / 2' turma ordinária da Segunda (\‘ Seção de Julgamento, po unani • e de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. " • OLIVEIRA. - Presidente LOU ÇO FERREIRA DO PRADO - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Oliveira, Ana Maria Bandeira, Rogério de Lellis Pinto, Lourenço Ferreira do Prado, • ira de Souza (Convocada) e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (Convocad 2 Processo n° 13971.000999/2008-17 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.200 Fl. 1.689 Relatório Trata-se de crédito tributário lançado em desfavor de AMERICANA GRANITOS DO BRASIL LTDA, por meio de NFLD, para a cobrança de contribuições previdenciárias da parte patronal incidente sobre a remuneração de segurados empregados, contribuintes individuais e destinadas ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa e as devidas a terceiros. Os fatos geradores foram os seguintes: 1. Remuneração dos segurados empregados constantes em folha de pagamento do estabelecimento matriz, não declarada em GFIP; 2. A remuneração de segurados empregados constantes na folha de pagamentos da filial, não declarada em GFIP; 3. Valores pagos a pessoas fisicas, contribuintes individuais, constantes em folha de pagamento e não declarados em GFIP; 4. Valores pagos a transportadores rodoviários autônomos, constantes em folha de pagamento e não declarados em GFIP; O lançamento compreende as competências de 01 a 07, 09, 11 e 13° salário de 2006; 01, 02, 04 a 06, 08 a 12 e 13° salário de 2007, tendo sido o contribuinte dele cientificado em 19/03/2008. Mantida a integralidade do lançamento pela DRJ de Florianópolis, conforme acórdão de fls. (1538/1541) foi interposto recurvo voluntário, no qual, sustenta a recorrente, em preliminar: 1. O cerceamento de seu direito de defesa em razão do indeferimento da produção de prova pericial, a qual possui a finalidade de verificar o que efetivamente é devido pela contribuinte, pois a seu ver, foram desconsiderados guias de pagamento das contribuições objeto da presente NFLD; 2. A nulidade da NFLD, porquanto esta não fora formalizada acompanhada do anexo DAL — Relatório de Diferenças de Acréscimos Legais. No mérito sustenta: ts'( 1. A improcedência do lançamento em virtude de que parte dos valores objeto da NFLD já foram recolhidos, conforme guias de pagamento e demais documentos juntados quando da apresentação de sua impugnação e a excessividade da multa de 30% aplicada, em clara violação ao princípio d confisco; 3 2. A necessidade da anulação da Representação Fiscal para fins penais, lavrada pelo fiscal autuante, por não ter sido praticado qualquer crime; 3. Por fim que, em caso de manutenção dos valores objeto da NFLD, que seja declarado o seu direito quanto a possibilidade de compensação destes com créditos próprios de PIS e COFINS, Às fls. 1572/1686 a recorrente protocolou pedido dirigido ao Delegado da Receita Federal do Brasil em Blumenau pedido requerendo a alocação em seu DEBCAD dos valores cujos pagamentos foram efetuados, conforme determinação contida no v. acórdão recorrido. Sem contrarrazoes da P • eral da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. 4 Processo n° 13971.000999/2008-17 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.200 Fl. 1.690 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator Tempestivo o recurso e presentes os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. Inicialmente, analiso as preliminares argüidas. Com relação ao suscitado cerceamento de defesa pela negativa de realização da perícia requerida quando da impugnação, tenho que não merece amparo o pleito recursal. Primeiramente em razão de que o pedido não fora formulado nos termos do Decreto 70.235/72, o qual, em seu artigo 16, IV, dispõe: "Art.16. A impugnação mencionará: 1- a autoridade julgadora a quem é dirigida; II- a qualificação do impugnante; _ - verifica-se que somente as guias de fls. 123 a 151, 157/158, 172/173 e 263/264, não foram aceitas pela autoridade fiscal. Isto porque, os recolhimentos efetuados pela empresa, através das guias, de fls. 123/124, 127/128, 129/130, 133/134 a 137/138, 141/142 a 151/152 e 173/174, os foram em data posterior ao início da ação fiscal, no dia 14/03/2008, por isso as mesmas não foram apropriadas, ao lançamento ora impugnado, pela fiscalização. Desta forma, estas guias também não poderão ser apropriadas, neste momento, por este órgão julgador, visto que para que elas possam ser deduzidas da NFLD em epígrafe, terão que ser alocadas no n. DEBCAD da presente NFLD e não no CNPJ como consta no referido documento, procedimento este que deverá ser efetuado pelo Setor de Arrecadação ou Cobrança da Unidade de Origem. Sendo que, as guias, de fls. 125/126, 131/132, 139/140 e 157/158 não foram apropriadas ao lançamento, pela fiscalização uma vez que estas guias, com Código de Pagamento 2631, referem-se ao recolhimento das contribuições sociais decorrente da obrigação prevista no art. 31 da Lei 8.212/91, na qualidade de tomadora de serviços prestados com cessão de mão-de-obras, ora trasncrito. Seguindo este mesmo raciocínio, a guia de fls. 264, com Código de Pagamento 2607, também não merece ser apropriada, como pretende a requerente, visto que, embora a mesma conste no CNPJ da filial, tal recolhimento não se refere as contribuições incidentes sobre a folha de pagamento da empresa. Cbeno, a notificada, se este valor foi recolhido indevidamente, se compensar ou solicitar a sua restituição." Ou seja, percebe-se que o acórdão de primeira instância analisou toda a documentação carreada aos autos, de modo que se mostra desnecessária a realização de perícia no presente caso, para tal fim, ainda mais quando restou reconhecido que parte dos pagamentos efetuados são relativos às contribuições sociais objeto da presente NFLD. Logo, o quem bem fez o acórdão foi apenas deixar de considerá-los naquele momento processual em virtude de que tal situação é de competência do setor de Arrecadação da Receita Federal do Brasil do domicílio fiscal do contribuinte.Entretanto, não lhes negou validade. Mostra-se, pois, desnecessária a perícia já que objetiva comprovar pagamentos cuja correlação com o objeto da NFLD já veio a ser reconhecida em primeira instância. Também não prospera a pretensão do recorrente no que tange a ausência do DAL — Relatório de Diferenças de Acréscimos Legais - dentre os documentos que compõem a NFLD, pois, como bem ponderou o acórdão recorrido, este tem a finalidade de demonstrar que o lançamento resume-se a cobrança de acréscimos legais decorrentes do recolhimento tardio de contribuições sociais a cargo do contribuinte. No caso dos autos, trata-se da ausência do recolhimento total das contribuições objeto da NFLD e não apenas de meras diferenças, motivo pelo qual todos os acréscimos decorrentes da mora estão devidamente apostos no DAD — Discriminativo Analítico do Débito — de forma a garantir ao • • e uma perfeita compreensão dos 6 Processo n° 13971.000999/2008-17 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.200 Fl. 1.691 valores objeto da cobrança. Assim, a ausência de referido anexo, não tem o condão de nulificar a NFLD combatida. Quanto ao mérito, melhor sorte não assiste o recorrente. A NFLD não pode ser julgada improcedente, pois todo o procedimento para sua lavratura foi realizado em conformidade com o disposto na legislação de regência, tendo sido demonstrada a clara e precisa ocorrência dos fatos geradores, com a apuração da base de cálculo e da determinação do valor da contribuição social devida, acompanhado da devida indicação dos motivos que ensejaram a fiscalização e as suas conclusões. Logo, o procedimento foi legal, de forma que os pagamentos efetuados, não possuem o condão de anulá-lo por completo, já que efetuados após a consolidação do crédito. Apenas deverão extinguir o credito tributário relativamente as competências a que se relacionam, com base no art. 156, I do código Tributário Nacional. Dessa forma, em tendo o acórdão recorrido reconhecido que os pagamentos efetuados pelo contribuinte, em parte, se relacionam com o objeto da NFLD, deverá o setor competente da Secretaria da Receita Federal do domicilio fiscal do contribuinte, quando da baixa dos autos, nos termos do petitório de fls. 1572/1686 e daquilo o que decidido em primeira instância alocar no DEBCAD do contribuinte os recolhimentos efetuados, de modo a excluir da cobrança os valores já pagos, o que, conforme ponderado no acórdão, também escapa da esfera de competência deste Eg. Conselho de Contribuintes. Acresça-se, que o recorrente, em momento algum, impugnou a exigibilidade das contribuições sociais objeto da NFLD, sob o fundamento de sua ilegalidade ou quanto aos seus valores, o que as tornou incontroversas. O pedido de compensação formulado pelo recorrente também não comporta análise por este Conselho em face do procedimento ora sob exame, devendo ser efetuado pedido em autos apartados, cujo trâmite e verificação da existência de crédito em favor do contribuinte, será devidamente efetuado, inclusive com relação a atualização de valores. Logo, em verificando o setor competente e nos autos de pedido especifico, possuir o contribuinte crédito em seu favor, certamente será feito o encontro de contas a fim de que seja garantido o direito a compensação. No que se refere ao pedido de reconhecimento da excessividade e confisco da multa de 30% aplicada, tenho que esta foi aplicada em decorrência de expressa disposição legal vigente (Art. 35 da Lei 8.212/91), o que implica em concluir-se que, o acatamento da tese aventada pelo contribuinte em seu recurso voluntário, ensejaria, via de regra, o reconhecimento da inconstitucionalidade de dispositivo da legislação tributária, o que suprime competência privativa do poder Judiciário, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal. Sobre o tema, o Segundo Conselho de Contribuintes editou a Súmula n. 02, aplicável ao presente caso, fixando o seguinte comando: SÚMULA n. 02 "Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitu zdade de legislação tributária. 7 _ - Por fim, o oferecimento da representação fiscal para fins penais pela autoridade fiscal decorre de puro dever funcional do fiscal, de modo que não se pode furtar a fiscalização em fazê-lo caso tenha se verificado a ocorrência de situação que, em tese, possa configurar crime, conforme apuração realizada nos autos do presente processo. Contudo, deve observar a fiscalização que a comunicação ao Ministério Público Federal deverá ser realizada apenas quando venha a transitar em julgado o presente processo administrativo e caso venha a ser mantida qualquer parte do crédito tributário lançado. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e NEGAR-LHE PROVIMENTO, observados os termos da fundamentação supra. É como voto. Sala das Sessões, em 27 de outubro de 2009 a LOURE ÇO FERREIRA DO PRADO - Relator 8

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4732893 #
Numero do processo: 10768.013109/2001-88
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário 2000 Ementa: COMPENSAÇÃO — SALDO NEGATIVO DE 2000 Em relação ao direito crediário não reconhecido pela autoridade de origem por derivar de IRRF de 1999, a própria contribuinte admite que aquele é consequente a IRRF de 1999 não absorvido integralmente pelo IRPJ devido de 1999. Quanto ao direito crediário não reconhecido pelo órgão de origem por ser IRRF de janeiro de 2001, os documentos acostados aos autos denunciam o acerto de tal entendimento. O direito crediário não reconhecido nos autos deste feito, por se cingir ao saldo negativo do ano-calendário de 2000, deve compor o saldo negativo de 1999 c o eventual saldo negativo de 2001.
Numero da decisão: 1103-000.093
Decisão: ACORDAM os membros do colegiada por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Marcos Shigueo Takata

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Recorrida 8' TURMA DA DRERIO I Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - 1RPJ Ano-calendário 2000 Ementa: COMPENSAÇÃO — SALDO NEGATIVO DE 2000 Em relação ao direito crediário não reconhecido pela autoridade de origem por derivar de IRAI-1 de 1999, a juin= contribuinte admite que aquele é consequente a IRRE de 1999 não absorvido integralmente pelo IRPJ devido de 1999. Quanto ao direito crediário não reconhecido pelo órgão de origem por ser IRAI" de janeiro de 2001, os documentos acostados aos autos denunciam o acerto de tal entendimento. O direito crediário não reconhecido nos autos deste feito, por se cingir ao saldo negativo do ano-calendário de 2000, deve compor . ° saldo negativo de 1999 c o eventual saldo negativo de 2001 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos ACORDAM os membros do colegiada por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado ALOYSIO J SP • • 3 DA SILVA - Presidente /11, Mr. TAK_ATA — Rel ator Editado em: 29 JAN2010 Processo u° 10768.013109/2001-88 SI-C1T3 Acórdão n.° 1103-00.093 Fl. 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Aloysio José Pereinio da Silva (Presidente), Alexandre Barbosa Jaguaribe, Decio Lima Jardim, Marcos Shig,ueo Takata (Relator), José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva. • • • • • • • • Processo n°10768 013109/2001-88 s1-C1T3 Acórdão o.' 1103-00.093 H 3 Relatório DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/ COMPENSAÇÃO E DO DESPACHO DECISÓRIO E PARECER CONCLUSIVO O presente processo versa sobre pedido de restituiçálo cumulado com compensação (fl. I), datado de 7/11/2001, de créditos de saldo negativo de IRPI do ano- calendário de 2000. O crédito que a recorrente alega possuir monta a R$ 8.169387,74 Através do Parecer Conclusivo n°274/07 (fl. 710/717) e Despacho Decisório n° 274/07 (fl. 718) foi reconhecido parte do direito creditório no montante de R$ 4.275496,00 e homologadas as compensações solicitadas. Encontram-se apensados ao feito os processos de 10708.002497/2003-33, 10768.01840/2002-96, 10768.000386/2003-92, 10768.100402/2003-42 e 10768 001948/2003- )5. Nestes processos constam Dcomp que utilizam parte do crédito para a compensação. -- De acordo com o Parecer Conclusivo, Despacho Decisétio e relatórios (fl 719/731), todos os débitos foram compensados. Segundo o Parecer Conclusivo, parte do saldo negativo não foi reconhecida pelos seguintes motivos: a) Foram utilizados na composição do saldo negativo cio ano-calendário de 2000 valores de IRRF sobre receitas de prestação de serviços relativos ao ano-calendário de 1999; b) O valor de RS 482.801,90, informado pela redor-tente como sendo relativo ao IRRF de 12/2000, foi contabilizado, retido e pago em janeiro/2001; c) Quanto ao IRRF sobre receitas de aplicações financeiras do ano- calendário de 2000, não foi considerado o valor de R$ 186,42 por não constar nos extratos da DIRF. O valor de R$ 2.501,31 foi adicionado ao IRR17 sobre as Receitas de Prestação de Serviços no montante de R$ 4.918.364,88. Nas fl. 590/591 consta relatório de urna diligência para se verificar a exatidão do saldo do IRRF. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE A tecorrente tornou ciência do Parecer e do Despacho Decisório no dia 10/01/2008 (fl.736), insurgindo-se, nas ti 737/747, contra o referido despacho decisório, em manifestação de inconformidade de 30/01/2008, apresentando como argumentos o que se sebnie: , 3 Processo n° 10768.013109/2001-88 SI-C1T3 Acórdão n.° 1103-00.093 Fl 4 • A decisão reconheceu um credito de R$ 4,275.496,00, referente ao ano- base de 2000, e deixou de reconhecer créditos (retenções de IRRF) referentes a 1999 e janeiro de 2001; • Tal fato não pode ser empecilho para que a requerente seja ressarcida dos valores indevidamente retidos nas receitas de aplicações financeiras e de prestação de serviços; • No ano de 1999 e em janeiro de 2001, como no ano de 2000, a recorrente apurou saldo credor de imposto de renda correspondente ao IRRF sobre aplicações financeiras e receitas de serviços; • Quanto a 1999, os documentos demonstram que a recorrente apurou IRPJ a pagar e utilizou parte do IRRF retido durante o ano para compensar com o 'RFT devido. Os valores estão na planilha de E. 320. A parte não utilizada na compensãéão do IRPJ de 1999 é objeto desta restituição; • Com relação ao crédito de janeiro de 2001 (R$ 482.801,90), é correto afirmar que a decisão recorrida reconheceu tal valor referente a dezembro de 2000, sendo efetivamente recolhido em janeiro de 2001; , • Estando comprovado o recolhimento a maior de TRU, referente ao ano de 1999 e janeiro de 2001, o direito creditorio referente a estes períodos deite ser reconhecido; • Um suposto erro no preenchimento da DTP' ou um erro no lançamento dos valores de IRRF (crédito) na D1PJ não podem ser causar o não reconhecimento do direito creditório; • O entendimento do Conselho de Contribuintes ét de que o erro no preenchimento da DIPJ ou nas informações prestadas ao fisco, não tornam, ilegítimo o crédito. Comprovado o recolhimento indevido, há que se reconhecer o direito credifório; • Cabe destacar o Acórdão 101-95163. Demonstrado 'com documentos o erro no preenchimento da DIPJ, torna-se imperativo o reconhecimento doicrédito; • Outra decisão afirma que, mesmo que a receita tehhHa sido oferecida à tributação em campo errado da declaração, o direito creditório deve ser reconhecido (Acórdão 105-16286); • , • Em outro caso uma decisão do Conselho de Contribuintes afirma que, mesmo no caso de informação errada na DCTF (ou D1PJ) e quando esse eu° é esclarecido, o direito ao crédito deve ser reconhecido (Acórdão 104-20549); • A requerente está esclarecendo o erro através dos documentos que comprovam a retenção de 1RRF cru valor acima do valor de 11221 devido , pela requerente em 1999 e janeiro de 2001 e demonstram que o 1RRF foi recolhido a maior; • Outro julgado indica que, provada a retenção do 1RR1 e resultando ao final do exercício imposto a restituir é cabível o reconhecimento do crédito (Acórdão 101- 95.523); 4 Processo n° 10768 013109/2001-88 SI-CIT3 Ar6edão riY 1103-001193 F/ 5 • A verdade material deve prevalecer sobre suposto erro no preenchimento da declaração (Acórdão 106-14844). • Os Tribunais Regionais Federais vêm reconhecendo esta tese. Nas fl. 753 e 754, de 21/02/12008, a recorrente requer a juntada da ficha 43 da DIPJ do ano-calendário de 2000 e solicita a aplicação da taxa SELIC Tal ficha se encontra na fl. 758. DA DECISÃO DA BRE E DO RECURSO VOLUNTÁRIO Em 20/06/2008, decidiu a 8 Turma da DRJ/Rio de Janeirõ I, por unanimidade de votos, não reconhecer o direito creditório relativo ao 1RRF 1999 e , 000 pelas razões a seguir sintetizadas: • Só poderá ser deduzido o TRU relativo às receitas computadas na determinação do lucro real. No ano-calendário de 2000, somente se encontram informadas as receitas do ano de 2000 e não as de 1999 e as de 2001. • Nas DIPJs, deverão constar as informações relativas aosanos-calendáno a que elas se refere,. É apurado o lucro e o imposto do referido ano e não dos outros periodos. Não há que se falar em se apurar o lucro e/ou imposto a pagar utilizando dados de outros anos Portanto, na DIPI em análise deverão constar os dados relativos ao ano d&2000, incluindo as receitas e as deduções; • As retenções na fonte de imposto de renda efetuadas em 1999 somente podem ser utilizadas como dedução na DIPJ daquele ano-calendário; • O IRRF de R$ 482.801,90 não é relativo ao período dc 12/2000, como afirma a recorrente na impugnação e na planilha de fl. 320. Analisando-sc o Diário Geral da empresa, constata-se na f1394 que o referido imposto foi registrado na conta IRRF S/ PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS, como sendo relativo a prestação de serviços de janeiro de 2001, tendo sido registrada a retenção na DIRF em janeiro de 2001 (f1.708):1 • Créditos restituíveis dos anos-calendário 1999 e 2001, por não fazer parte do pedido que se refere ao ano-calendário de 2000, não são objeto deste feito. Observe-se que não é o IRRF que é restiturvel e sim o saldo credor de IRPJ que utiliza o IRRF na sua composição. Devidamente notificada em 06/08/2008, inconformada coal a r. decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 822 a 837), em 04/09/2008, alegando em síntese que: • Um suposto erro no preenchimento da DIPJ ou um eno no lançamento dos valores de IRRF (crédito) na DIPJ não podem ser causar o não reconhecimento do direito credrtório; \X s Processo n° 10768 013 109/200148 St-C1T3 Acórdão n ° 1103-00.093 FL 6 • A requerente está esclarecendo o eri o através dós documentos que comprovam a retenção de IRRF em valor acima do valor de IRPJ devido pela requerente em 1999 e janeiro de 2001 e demonstram que o IRRF foi recolhido a maior; • A recorrente requer o reconhecimento do direito crechtório referente ao saldo credor do imposto de renda cio ano de 1999 e de janeiro de 2001. É o relatório, • , • • ' 6 Processo n" 10768.013109/2001-88 si-C1T3 Acórdão n.° 1103-00.093 Fl 7 Voto Conselheiro MARCOS TAICATA, Relator O recurso e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele, pois, conheço. Como se viu do relatório, trata-se de pretensão deduzida em processo de restituição cumulado com o de compensação, relativo a saldo negativo de IAM - do ano- calendário de 2000. Sobre esse pedido Inaugural se instalou a controvérsia. Nota-se, também, que as declarações de compensação, com esteio no referido saldo negativo de IRPI, que infonna os processos de nos 10768002497/2003-33 (de 15/10/2002), 10768.01840/2002-96 (de 13/12/2002), 10768.000386/200192 (de 15/01/2003), 10768.100402/2003-42 (de 14/02/2003) e 10768.001948/2003-15 (de 13/03/03), foram todas homologadas. Do montante do postulado crédito de saldo riegatiro de IRIN de R$ 8.169.387,74, foi reconhecido o direito creditório no valor de R$ 4.275.496,00, com a homologação das compensações piecitadas. A negativa de reconhecimento do crédito de saldo negativo escudou-se na constatação de que foram utilizados valores de IRRF sobre receitas de prestação de serviços do ano-calendário de 1999 e de que o valor de R$ 481801,90 de IRRF foi énntabilizado, retido e pago em janeiro de 2001 (fl 718). Impende registrar que a própria recorrente reconhece que, excetuado o valor de R$ 482 801,90, o remanescente do direito creditório denegado se refere 'a IRRF de 1999, ou mais precisamente, ao IRRE a'e 1999 não consumido pelo 112Pd devido de 1999. È o que se vê da alegação da recorrente e exsurge da planilha de fl. 320 por ela acostada aos autos. De outra parie, quanto ao IRRF no valor de R$ 482 801,90, a diverso senso do articulado pela recorrente, a documentação presente nos autos acusa se tratar de valor de imposto cuja retenção se aperfeiçoara em janeiro de 2001. Isso resulta não só da DIRF da fonte pagadora, empresa de seu grupo (Xerox Comercio e Indústria Ltda.), e que Informa o valor retido em janeiro de 2001 (fl. 708), como se constata do próprio lançamento contábil registrado na folha do Diário Geral da recorrente, no qual se acusa o lançamento desse valor na conta IRR_F S/ PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS, em 5 de janeiro de 2001 (11. 394). Bem se sabe que as pessoas Jurídicas sujeitas ao regime de apuração do lucro real devem reconhecer as receitas pelo regime contábil de competência. - De seu turno, a retenção na fonte do IRE só se dá efetivamente pelo regime de caixa. A única exceção à retenção de IRF por regime de caixa se focaliza no pressuposto de \ 7 Processo nr 10768.013109/2001-88 81-CIT3 Adurida n.° 1103-00.093 lã 8 incidência sobre juros sobre o capital próprio, conforme o art. 9" da Lei 9.249/95 1 . Com abstração dessa exceção, a retenção na fonte de IRF se concretiza pelo regime de caixa. É próprio do regime de fonte que o tributo a ser retido se dê segundo o reginie de caixa. Como o próprio nome denuncia, retenção na fonte se vincula ao momento do pagamento dos rendimentos que justificam a retenção do tributo. Em sentido próprio só cabe falar em retenção quando e no momento em que pago algo: ao pagar, retenho um quinhão. Sentido impróprio é se cogitar de retenção sem que haja o pagamento ou antes deste: retém-se alguma coisa de algo que se entrega (paga); como se falar em reter algo de terceiro, se não há nada de terceiro em meu poder, nem entrego (pago) nada a terceiro neste momento? Em suma, é inerente à retenção de IRE o regime de caixa, com a exceção já mencionada. Só se podo operar a compensação dos valores de imposto de renda retido na fonte, segundo o regime de caixa, pois só no momento do pagamentoé que se aperfeiçoa a retenção do IRE: o direito creditOrio do contribuinte se toma liquido 'e certo só com sua retenção feita pelas fontes pagadoras (regime de caixa). ' Portanto, embora nada haja que impeça de se registrar contabilmentc, como ativo, os valores de tributo que serão objeto de retenção pela fonte pagadora, por regime de competência, deve haver rigorosa conciliação por quem assim procede COM a retenção efetiva, a qual se dá sob o regime de caixa. Reitere-se: só se podem compensar os valores dc' imposto de renda efetivamente retidos; só a partir da retenção efetiva do imposto de rendi , e que este pode ser compensado, jamais o mero registro contabil por regime de competência, como ativo, de imposto de renda na fonte, sem que se tenha dado a concreta retenção. Por óbvio que os valores de IRF retidos no ano-ealerálário de 1999, como reconhecido pela própria recorrente, só podem compor eventual saldo negativo de IRPJ 1999: eles são dedutiveis do IRPJ devido do ano-calendário de 1999 e o eventual saldo favorável ao contribuinte convola-se em saldo negativo de IRPJ — do ano calendário de 1999. Tais valores têm de ver com a composição do saldo negativo de 111P5,Clo ano-calendário de 1999. O saldo negativo de IRPJ de 1999 poderia ter sido utilizado para compensação com o 1RPJ do ano-calendário de 2000, mas nem foi este o caso. Mutatis mulandis, o mesmo se diga quanto ao valor de IRE retido em janeiro de 2001 (R$ 482801,90). Evidente que ele só poderá compor eventual saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2001 (após ser deduzido do LRPJ devido desse ano): Nesta hipótese, com efeito, reputo ser cabível, mama internou/iça° sistemática c finalistica do art. 9° da Lei 9149/95, cogitar-se de pagamento do IRE, segundo o regime contábil de competência Sem que haja retenção cm sentido estrito. Considerando-se a finalidade da regulação tributária dos Juros sobre o capital proprio, permitindo-se sua dedutibilidade (a bem ver, a possibilidade de exclusão), que se dá pelo regime de competência, faz sentido que o pagamento do IRF se dê também conforme o regime de competência. Outrossim, entendo ser razoável a Instrução Normativa 41/98, que caminha nessa linhac quanto ao IRE. %x 8 ' ..` Processo n° 10768013109/2001-88 Si-C1T3 Acórdão n° 1103-00.093 Fl 9 Como disse no inicio, a pretensão em jogo se refere ao saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2000. O pedido de restituição foi desse direito creditório A questão controvertida tem nesse pedido seu limite objetivo Não se instaurou pedido, logo, apreciação pelo competente órgão, e, por conseguinte, tampouco controvérsia, sobre eventual saldo negativo dell2PJ do ano-calendário de 1999 como do ano-calendário de 2001. É de franciscana clareza que, no julgamento do presente feito, não há como se deduzir juizo sobre eventual direito creditório dos anos-calendário dej999 e 2001: corno se disse, tal direito creditório seria representado por saldo negativo d 1RPJ desses anos - calendário, que não foi apreciado nos autos deste processo, pois não é pedido nele constante. Diverso senso ao que se põe seria extravasar os limites objetivos da lide, versar sobre questão sobre a qual não se instaurou controvérsia, pela elementar razão de não ser objeto do pedido formulado perante o órgão próprio para apreciação. Sob essa ordem de considerações e juízo nego provimento ao recurso É o meu voto. Sala das Sessões, em 8 de dezembro de 2009 4/1» S TAK ATA 9

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Numero do processo: 10950.001824/2007-04
Data da sessão: Thu Aug 20 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Aug 20 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2004 ATIVIDADE RURAL. ADIANTAMENTOS. PRODUTOS SUJEITOS À COTAÇÃO INTERNAÇÃO OU DA BOLSA DE MERCADORIAS. Adiantamentos de recursos financeiros recebidos para entrega futura de produtos agrícolas devem ser oferecidos à tributação no mês da efetiva entrega do produto. Também constitui receita da atividade rural a diferença recebida por ocasião do fechamento da operação, em razão da variação de preço do produto. Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-000.286
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPF- ação fiscal (AF) - atividade rural
Nome do relator: Núbia Matos Moura

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ADIANTAMENTOS. PRODUTOS SUJEITOS À COTAÇÃO INTERNAÇÃO OU DA BOLSA DE MERCADORIAS. Adiantamentos de recursos financeiros recebidos para entrega futura de produtos agrícolas devem ser oferecidos à tributação no mês da efetiva entrega do produto. Também constitui receita da atividade rural a diferença recebida por ocasião do fechamento da operação, em razão da variação de preço do produto. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento, por nimidas e de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. GIO ANNI CHRIS l/• Pt i • POS P esidente. NÚB A • TOS OURA Relatora FORMALIZADO EM: 2 5 SET 2009 Processo n° 10950.001824/2007-04 S2-C1 T2 Acórdão n.° 2102-00.286 Fl. 362 Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Rubens Maurício Carvalho e Vanessa Pereira Rodrigues Domene. Relatório JÚLIO BAREA NETTO, já qualificado nos autos, inconformado com a decisão de primeiro grau, prolatada pelos Membros da 2' Tun-na da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR, mediante Acórdão DRJ/CTA n° 06-15.534, de 20/09/2007, fls. 306/322, recorre a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pleiteando a sua reforma, nos termos do Recurso Voluntário, fls. 327/358. Mediante Auto de Infração, fls. 264/267, formalizou-se exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), no valor total de R$440.325,80, incluindo multa de oficio e juros de mora, estes últimos calculados até 29/06/2007. A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração e no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal, fls. 250/263, foi omissão de rendimentos da atividade rural, que o contribuinte desenvolvia em parceria, conforme a seguir discriminado: Pareceria JBN & Outros 11 • 11 ' Ii, , , ,. , , Ne - •~E~11.11111~19~ Iffli-~~11 4 :9 IMA •• 4 effilenfig~.11~11.111 B- oiti' • • 1111~~. Para maior clareza da infração imputada ao contribuinte transcreve-se a seguir trecho do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal: Com efeito, a partir dos elementos obtidos por este procedimento de fiscalização, constatou-se que o Sujeito Passivo omitiu receitas da atividade rural relativas às atualizações positivas no preço da cana-de-açúcar (fixação), realizadas em conformidade com cotação mensal deste produto divulgada pela CONSECANA, efetuadas nos valores recebidos a título de adiantamento pela entrega futura deste produto. Omitiu também as receitas provenientes das variações positivas realizadas no saldo devedor previsto no contrato presente às fls. 182/189, negociados pelo consórcio "JBN & Outros", no qual o Sujeito Passivo é integrante e possui 24,89% de participação, decorrentes da variação na cotação do preço desse produto divulgada pela CONSECANA. 479 2 Processo n° 10950.001824/2007-04 S2-C I T2 Acórdão n.° 2102-00.286 Fl. 363 Cumpre mencionar novamente que, diversamente do ocorrido com as variações positivas, as variações negativas no preço da cana foranz apropriadas como despesas na atividade rural e, conseqüentemente, reduziram o resultado tributário do período sob verificação fiscal. (grifos do original) Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 274/301, devidamente apreciada pela DRJ/Curitiba/PR, que julgou procedente em parte o lançamento, conforme conclusões transcritas do voto recorrido: Portanto, é cabível a tributação das variações ativas, decorrentes da oscilação do preço da cana de açúcar sobre os adiantamentos recebidos pelo sujeito passivo. Ressalte-se que não existe permissivo legal que autorize o contribuinte a desconsiderar as variações monetárias ativas sobre os adiantamentos recebidos durante o ano-calendário, de vez que estas são classificadas como receitas da atividade rural, nos termos da legislação transcrita. Por outro lado, impõe-se reconhecer que as oscilações registradas na conta de obrigação do consórcio perante a USACIGA, mantida na contabilidade do consórcio deve ser desprezada, já que tanto a autoridade fiscal como o interessado assevera tratar-se de conta meramente escritura!, não envolvendo circulação de moeda. Assim, o resultado, quer positivo, quer negativo, não pode compor o resultado da atividade rural, já que não preenche os requisitos do artigo 63 do RIR, já transcrito, qual seja, a receita bruta recebida e as despesas pagas no ano-calendário. Portanto, diante do exposto, tendo o contribuinte apropriado como despesa, o resultado da variação da cotação da cana-de- açúcar na conta de obrigação do consórcio perante a USACIGA, quando esta lhe foi favorável (variação negativa), usando-a como despesa do ano-calendário, fica ressalvado o direito do fisco, desde que obedecidos os trâmites necessários, efetuar uni novo lançamento, em relação ao mesmo período aqui analisado, para glosar as despesas que foram indevidamente utilizadas e que, por conseqüência, reduziram o montante a ser oferecido à tributação. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 15/10/2007, Aviso de Recebimento — AR, fls. 325, o contribuinte apresentou, em 05/11/2007, Recurso Voluntário, fls. 327/358, trazendo as alegações a seguir resumidas: As atualizações contabilizadas na conta "Variações Monetárias Ativas", nos parâmetros da variação mensal do preço da cana-de-açúcar divulgada pela CONSECANA, não têm o condão de serem consideradas aquisições de disponibilidade econômica a ensejar a tributação de imposto de renda. Cumpre enfatizar que não houve qualquer entrada de recursos financeiros relativos à conta "Variações Monetárias Ativas", de modo a se configurar receita ou aquisição de disponibilidade econômica que justifique a incidência de imposto sobre a renda do recorrente. ,r4P 3 Processo n° 10950.001824/2007-04 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.286 Fl. 364 A conta "Variações Monetárias Ativas" se refere estritamente a correção do contrato firmado com a USACIGA, não abrangendo recebimentos a qualquer título pelo recorrente, inexiste fundamento legal para sua tributação. Tribunais pátrios têm reiteradamente decidido que correção monetária não consiste em fato gerador do imposto de renda. A multa de oficio exigida no percentual de 75% é confiscatória e desobedece ao principio da proporcionalidade, de sorte que deve o percentual ser reduzido para 20%. Os juros de mora calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC é inconstitucional e ilegal. É o Relatório. Voto Conselheira NÚBIA MATOS MOURA O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Inicialmente, traz-se à lume o art. 61 e seus parágrafos 1°, 2° e 3°, que importam para o estudo que se pretende: Art.61.A receita bruta da atividade rural é constituída pelo montante das vendas dos produtos oriundos das atividades definidas no art. 58, exploradas pelo próprio produtor-vendedor. §121ntegram também a receita bruta da atividade rural: 1-os valores recebidos de órgãos públicos, tais como auxílios, subvenções, subsídios, aquisições do Governo Federal-AGF e as indenizações recebidas do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária-PROAGRO; 11-o montante ressarcido ao produtor agrícola, pela implantação e manutenção cia cultura fumageira; 111-o valor da alienação de bens utilizados, exclusivamente, na exploração da atividade rural, exceto o valor da terra nua, ainda que adquiridos pelas modalidades de arrendamento mercantil e consórcio; IV-o valor dos produtos agrícolas entregues enz permuta com outros bens ou pela dação em pagamento; V-o valor pelo qual o subscritor transfere os bens utilizados na atividade rural, os produtos e os animais dela decorrentes, a título da integralização do capital. §220s adiantamentos de recursos financeiros, recebidos por conta de contrato de compra e venda de produtos agrícolas para "1/71 4 Processo n° 10950.001824/2007-04 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.286 Fl. 365 entrega futura, serão computados como receita no mês da efetiva entrega do produto. §321 as vendas de produtos com preço final sujeito à cotação da bolsa de mercadorias ou à cotaçã o internacional do produto, a diferença apurada por ocasião do fechamento da operação compõe a receita da atividade rural no mês do seu recebimento. (grifei) Da legislação acima transcrita verifica-se que os adiantamentos de recursos financeiros recebidos para entrega futura de produtos agrícolas devem ser oferecidos à tributação no mês da efetiva entrega do produto e que também constitui receita da atividade rural a diferença recebida por ocasião do fechamento da operação, em razão da variação de preço do produto. Exemplificando: o contribuinte recebe adiantamento de R$100.000,00, em fevereiro de 2002, data em que a cotação da tonelada de cana-de-açúcar é de R$20,00 e faz a entrega do produto em abril de 2003, quando a cotação do produto era de R$25,00. Em abril de 2003, o contribuinte deve reconhecer receita no valor de R$100.000,00, mediante emissão da correspondente Nota Fiscal. Deve, ainda, reconhecer como receita a diferença recebida em razão da variação de preço do produto, ou seja, R$°25.000,00. Por outro lado, caso a cotação do produto na data da entrega, abril de 2003, fosse de R$15,00, o contribuinte deveria simplesmente reconhecer a receita de R$100.000,00 em abril de 2003. Veja que quando ocorre uma desvalorização do produto, o contribuinte deve reconhecer como receita da atividade rural o valor recebido à título de adiantamento, sem nenhum ajuste. Ou seja, a legislação de regência não admite que se exclua dos resultados da atividade rural variações monetárias passivas. No presente caso, verifica-se do cotejo entre a Demonstração do Resultado do Exercício, fls. 155/156, e o Demonstrativo da Atividade Rural, fls. 07/08, que o contribuinte considerou dentre suas despesas de custeio e investimento a quantia de R$5.415.075,81 à título de variação monetária passiva, contudo, o valor de R$4.681.462,82, correspondente à variação monetária ativa, não compôs sua receita bruta total. Diante de tal fato, a autoridade fiscal acrescentou ao valor da receita bruta declarada o valor da variação monetária ativa, de modo que apurou omissão de rendimentos da atividade rural, nos moldes em que consubstanciado no Auto de Infração. Para tanto, elaborou Demonstrativo de Resultado da Atividade Rural, fls. 261, onde acrescentou à receita bruta declarada a atualização individualizada e a atualização dos adiantamentos e saldo negativo, chegando ao novo valor da receita bruta. No julgamento de primeira instância a autoridade julgadora concluiu que parte da variação monetária ativa era meramente escritural, de modo que acrescentou à receita bruta declarada somente a atualização individualizada, excluindo do lançamento a atualização dos adiantamentos e saldo negativo. Nesse momento, importa destacar do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal, fls. 257, trecho que se refere às Notas Fiscais emitidas pelos contribuintes parceiros: Realmente, em razão destas operações, presume-se, com base nos documentos apreciados, que os consorciados emitiam nota 4/9 5 Processo n° 10950.001824/2007-04 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.286 Fl. 366 fiscal do produtor rural no instante da entrega dos produtos à usina, todavia, no momento da fixação do preço da cana-de- açúcar, a variação de preço era apenas contabilizada pelo consórcio, não havendo a emissão de nota fiscal complementar de preço, ou cancelamento da primeira nota emitida com a conseqüente emissão de nova nota com o preço já atualizado. (grifos do original) Do trecho acima, verifica-se que a autoridade fiscal entendeu que as notas fiscais eram emitidas pelo valor do adiantamento, ou seja, que o preço da tonelada de cana-de- açúcar adotada para a emissão da nota fiscal era aquele correspondente à cotação na data do recebimento do adiantamento. Vale destacar que tal procedimento seria correto, desde que o contribuinte reconhecesse também como receita da atividade rural os ganhos, porventura, obtidos com a variação da cotação do preço da cana-de-açúcar. Contudo, dos demonstrativos, fls. 144 e 190/193, verifica-se que as notas fiscais eram emitidas tomando por base a cotação da cana-de-açúcar na data da entrega do produto. Tome-se, por exemplo, o mês de março de 2003, no qual o consórcio entregou 4.663,72 toneladas de cana-de-açúcar e recebeu adiantamento no valor de R$616.387,87. Veja que o somatório dos valores das notas fiscais emitidas neste mês foi de R$110.623,32, que significa dizer que o preço da tonelada adotado foi de R$23,7199. Já a quantidade de cana-de- açúcar que o consórcio considerou devida em razão do adiantamento recebido foi de 25.986,02 toneladas, o que indica que a cotação adotada também foi de R$23,7199. Logo, conclui-se que o consórcio ao emitir as notas fiscais, o fez pelo valor da cotação do preço da cana-de-açúcar na data da entrega e não pelo valor do adiantamento recebido. Por conseguinte, há de se concluir que o consórcio reconheceu a variação da cotação do preço da cana-de-açúcar, para os casos em que a cotação do produto na data da emissão da nota fiscal era superior à cotação do produto na data do recebimento do adiantamento. Entretanto, se na data da emissão da nota fiscal o valor da cotação da cana- de-açúcar fosse menor que na data do adiantamento, tal conduta do contribuinte implicaria em reconhecer uma receita da atividade rural menor do que a determinada pela legislação. Assim, não há que se falar em omissão de variação monetária ativa, conforme entendeu a autoridade fiscal. Andou bem a autoridade julgadora de primeira instância ao afirmar que os valores de correção monetária ativa e passiva eram meramente escriturais, de sorte que, entendeu cabível a glosa da despesa correspondente ao valor da variação monetária passiva. Contudo, não pode prosperar, ainda, que em parte, a omissão de rendimentos da atividade rural calcada em variação monetária ativa, dado que tais valores já foram reconhecidos quando da emissão das notas fiscais, que foram emitidas tomando-se por base a cotação do preço da cana-de-açúcar na data da entrega do produto. Quando muito, poder-se-ia concluir por omissão de rendimentos correspondente à diferença entre o valor do adiantamento e o da nota fiscal, nos casos em que a cotação do produto na data da entrega fosse menor do que na data do adiantamento. Contudo, tal situação não se encontra comprovada nos autos. Ante o e, • ok 'OTO por dar provimento ao recurso. NÜBIA 1 MOURA - Relatora 6

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Numero do processo: 16327.002535/2003-23
Data da sessão: Fri Oct 30 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Oct 30 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 1999 Ementa: IRF — APLICAÇÕES FINANCEIRAS IMUNIDADE - ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA FECHADA A entidade de previdência privada fechada mantida, exclusivamente, por contribuição dos empregadores e/ou patrocinadores, assiste o direito ao reconhecimento da imunidade tributária expressa no artigo 150, inciso VI, alínea 'e', da CF/88, equiparada a instituição de assistência social, consoante reiterada manifestação do Supremo Tribunal Federal (RE-259,756 e RE- 235,003), PENALIDADE — APLICAÇÃO MAIS BENÉFICA - A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso de oficio negado. Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2101-000.359
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício e DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Declarou-se impedido, em razão da parte, o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka.
Matéria: IRF- ação fiscal - outros
Nome do relator: Ana Neyle Olímpio Holanda

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Recurso de oficio negado. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício e DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Declaro - - =se impedido, em razão da parte, o Conselheiro Alexandre Naoki CAIO MARCOS CÂNDIDO Presidente 4 SET Pf010 Processo n' 16327 002535/2003-23 S2-CITI Acórdão o ° 2101-00359 Fl I 035 --)Ar7a ey e Olímpio nolan a Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos, Silvaria Mancini Karam, Gonçalo Bonet Allage, Caio Marcos Cândido e Ana Neyle Olímpio Holanda, Relatório Em face do sujeito passivo acima identificado foi formalizado auto de infração para cobrança de crédito tributário relativo a imposto sobre a renda retido na fonte (IRF"), no valor de R$ 2.051.999,55, acrescido de multa de oficio e juros de mora, apurados em decorrência de auditoria interna, correspondentes a valores informados na declaração de contribuições e tributos federais (DCTF), referentes aos segundo, terceiro e quarto trimestres de 1998_ 2. fls. 01 a28. Em contraposição, o sujeito passivo apresenta, aos 18/08/2003, a impugnação de 3. Levado o litígio a julgamento, os membros da 10 Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP I (SP) acordaram por considerar o lançamento parcialmente procedente, excluindo da exação o valor referente à multa de oficio, no montante de R$ 1.538.999,66, com fundamento no artigo 18 da Medida Provisória ri° 135, de 30/10/2003, convertida na Lei n° 10.833, de 2003, resumindo o seu entendimento nos termos da ementa a seguir transcrita: Assunto' Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 1998 Ementa.' ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA FECHADA. IMUNIDADE. As entidades fechadas de previdência privada não estão abrangidas pela imunidade tributária do art. 150, VI, c, da Constituição Federal No mesmo sentido encontra-se a jurisprudência assente do Egrégio Supremo Tribunal Federal (RE 202,700/DF,. AgR no AI 471.075-1/SP,. AgR no Al 342.388- 7/SP; AgR no RE 193.617-7/MG). LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA, Não havendo o pagamento do tributo, pressuposto para a homologação tácita, a contagem do prazo de cinco anos para constituição do crédito tributário inicia-se a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado PERÍCIA. PRESCINDIBIL IDADE. A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá a realização de diligências ou perícias que considerar prescindíveis ou impraticáveis. S2-C1T1 Fi 1.036 Processo n" 16327.002535/2003-23 Acórdão n." 2101-00.359 PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Sobre as diferenças apuradas em auditoria interna de DCTF, decorrentes de pagamentos itiformados e não comprovadas, incidem somente acréscimos moratórias, devendo ser cancelada a inulta de oficio exigida. JUROS DE MORA.. CABIMENTO. A falta de pagamento do tributo na data de vencimento implica a exigência de ¡uras moratórias, calculadas até a data do efetivo pagamento. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete às Delegacias de Julgamento o controle de ilegalidade e constilucianalidade de Leis. Tal competência é privativa do Poder Judiciário. Lançamento Procedente em Parte.. 4.. Em face da exoneração do crédito tributário, o colegiado julgador de primeira instância apresentou o recurso de oficio, nos termos do artigo 34 do Decreto n° 70,235, de 1972, e alterações veiculadas pela Lei ri° 8,748, de 1993, e Lei ri° 9.532, de 1997. 5. Intimado aos 07/12/2006, o sujeito passivo, irresignado, interpôs, tempestivamente, recurso voluntário de fls. 646 a 667. 6. referidos: Na petição recursal o sujeito passivo apresenta os argumentos de defesa a seguir — nulidade do acórdão de primeira instância, pelo não atendimento ao pedido de perícia; TI — estar abrangida pela imunidade tributária prevista no artigo 150, VI, c, da Constituição Federal, por ser entidade de previdência privada fechada, em que os beneficiários não contribuem para a formação do fundo, sendo mantida exclusivamente pelos empregadores/patrocinadores; III — a imunidade tributária que a acoberta foi reconhecida pelo extinto Primeiro Conselho de Contribuintes; IV — a impropriedade da aplicação da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora. 7. Ao final, pugna pela improcedência do auto de infração, ou, pela juntada de novos documentos, como também, pela conversão do julgamento em diligência, principalmente, como forma de comprovar que é imune à incidência de impostos. É o Relatóriol 3 Processo n" 16327,002535/200.3-23 S2-C Acórdão ri' 2101-00359 Fl 1 037 Voto Conselheira Ana Neyle Olímpio Holanda, Relatora Chega a este Colegiado a análise de recurso de oficio, interposto pela 10" Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP I (SP), e de recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo. Primeiramente, passamos à apreciação do recurso de oficio. O artigo 34, I, do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pelo artigo 67, da Lei IV 9.532, de 1997, estabelece que a autoridade julgadora em primeira instância deve recorrer de oficio sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa no valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado pelo Ministro da Fazenda. De conformidade com o artigo 1', da Portaria MF n" 03, de 03101/2008, o limite de alçada está estipulado em R$ 1,000.000,00 (hum milhão de reais). A decisão de primeira instância excluiu do lançamento o valor da multa de oficio aplicada, no montante de R$ 1.538,999,66. Nestes termos o recurso de oficio atende aos requisitos para sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. A remessa necessária deve-se ao fato de que o colegiado julgador de primeira instância exonerou o sujeito passivo do pagamento da multa de oficio, sob o entendimento de que, por ter sido o lançamento efetuado com esteio no artigo 90 da Medida Provisória n" 2.158- 35, de 24/08/2001, modificado pelo artigo 18 da Lei n" 10,833, de 29/12/2003, caberia apenas a imposição de multa isolada, para os casos em que o crédito ou o débito não for passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30/11/1964. O artigo 90 da Medida Provisória n" 2,158-35, de 24/08/2001, veicula as seguintes determinações: Art. 90. Serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal Esta norma foi modificada pelo artigo 18 da Medida Provisória n" 135, de 30/10/2003, convertida na Lei n" 10.833, de 29/12/2003, nos seguintes moldes: Art 18. O lançamento de oficio de que trota o art 90 da Medida Provisória n2 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicar-se-á unicamente 4 Processo n" 16327 002535/2003-23 S2-CM Acórdão n." 210i-00359 Fi 1 038 nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição le-al, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos mis, 71 a 73 da Lei n 2 4.502, de 30 de novembro de 1964. § l' Nas hipóteses de que traía o caput, aplica-se ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6 a 11 do art 74 da Lei n' 9,430, de 1996, § 2" A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisas 1 e 11 ou no .5ç 22 do art. 44 da Lei 112 9 430, de 1996, conforme o caso § 3" Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não- homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente A nova normatização da matéria determinou a imposição de penalidade apenas nas hipóteses em que de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos artigos 71 a 73 da Lei n 2 4.502, de 30/11/1964. Assim, a novel norma legal aplicou tratamento mais benéfico aos lançamentos para cobrar diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados. Com efeito, aplica-se à espécie a regra do artigo 106, H, c, do Código Tributário Nacional, litteris: Art. 106, A lei aplica-se a ato ou fato pretérito. - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de pena/ir/arfe à infração dos dispositivos interpretados, 11 - tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-10 como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vicente ao tempo da sua prática. (destaques da transcrição) Sob este pórtico, pertinente a exoneração empreendida pelo acórdão de primeira instância, pelo que, nego provimento ao recurso de oficio. Processo n" 16327 002535/2003-23 S2-C111 Acórdão o" 2101-00,359 F 039 Passamos à análise do recurso voluntário. O objeto do presente processo é o lançamento para cobrança de crédito tributário relativo a imposto sobre a renda retido na fonte (IRF), incidente sobre aplicações financeiras de renda fixa — pessoa jurídica, código de receita 3426, apurado em decorrência de auditoria interna, correspondentes a valores informados na declaração de contribuições e tributos federais (DM), referentes aos segundo, terceiro e quarto trimestres de 1998. . Em sua defesa, argumenta a recorrente estar abrangida pela imunidade tributária prevista no artigo 150, VI, c, da Constituição Federal, por ser entidade de previdência privada fechada, em que os beneficiários não contribuem para a formação do fundo, sendo mantida exclusivamente pelos empregadores/patrocinadores. Aduzindo, ainda, que a imunidade tributária que a acoberta foi reconhecida pela Primeira Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, no Acórdão n" 101- 91993, de 17/10/2002, cujo entendimento se resume nos termos da seguinte ementa: PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO ILEGITIMIDADE PASSIVA. TRIBUTAÇÃO DEFINITIVA. Não comporta a alegação de ilegitimidade passiva nos casos de tributação definitiva posto que o sujeito passivo é o beneficiário do rendimento de aplicações financeira de renda variável e não se confunde com a hipótese de tributação exclusiva na .fOnte. NORMAS GERAIS. IMUNIDADE ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA FECHADA. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. A entidade de previdência privada fèchada mantida, exclusivamente, por contribuição dos empregadores e/ou patrocinadores ., assiste o direito ao reconhecimento da imunidade tributária expressa no artigo 150, inciso VI, alínea 'c', da CF/88, equiparada a instituição de assistência social, consoante reiterada manifestação do Supremo Tribunal Federal (RE-259 7.56 e RE-23.5.003). Recurso provido. A manifestação daquele colegiada deu-se no julgamento do recurso voluntário interposto para se contrapor a lançamento para cobrança de IRE incidente sobre ganhos líquidos em operações realizadas nas bolsas de valores, de mercadorias, de futuro e assemelhados, encerradas a partir de 1"/01/1992, conforme disposto no artigo 26 da Lei n" 8.383, de 30/12/1991. Entendeu o colegiada que, por se tratar de entidade de previdência privada fechada, mantida, exclusivamente, com as contribuições do empregador ou da empresa patrocinadora, 3M do Brasil Ltda, sem contribuições dos empregados, estaria acobertada pelo entendimento exarado pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Especial n" 259356-2, confirmado pela Súmula 730, daquele Pretória Excelso. A Corte Suprema firmou entendimento no sentido de que a imunidade tributária prevista no artigo 150, VI, c, da Constituição Federal apenas alcança as entidades fechadas de previdência privada em que não há a contribuição dos beneficiários, mas tão- somente a dos patrocinadores. 6 Processo n" I 6327.002535/2003-23 Acórdão " 2101-00,359 S2-C1TI Fl 1 040 Com efeito, a entidade recorrente é detentora da imunidade pelo recolhimento de impostos incidentes sobre o seu patrimônio, renda ou serviços, de conformidade com a norma constitucional.. Na espécie, como já reportado, trata o lançamento de IRF sobre aplicações financeiras de renda fixa, e, como tal, tem incidência em receitas da própria entidade, não se tratando de retenção do imposto sobre rendimentos de terceiros. Sob tal fundamento, não deve incidir a exigência do imposto objeto do lançamento em questão. Forte no exposto, somos pelo acolhimento do recurso voluntário apresentado. Sala das Sessões, em 30 de outubro de 2009, y, 'Ana N -Olín~arM 7

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Numero do processo: 15956.000108/2006-84
Data da sessão: Thu Aug 20 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Aug 20 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2001, 2002, 2004 Ementa: PRAZO DE DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO O lançamento tributário efetuado nos casos em que haja comprovação de dolo, fraude ou simulação tem o dies a quo do prazo de decadência deslocado para o primeiro dia útil do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, consoante determinado pela combinação dos arts, 150, §4°, e 173,1, do CTN. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. NULIDADE. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE PONTO IMPUGNADO PELO CONTRIBUINTE. ANÁLISE EM SEGUNDA INSTÂNCIA. Inexiste razão para anular decisão de primeiro grau que deixou de apreciar ponto impugnado pelo contribuinte quando referida ausência é sanada em segunda instância (art. 60 do Decreto n.° 70235/72). DESPESAS MÉDICAS, SÚMULA ADMINISTRATIVA DE DOCUMENTAÇÃO INEFICAZ. GLOSA. O contribuinte que apresentou recibos declarados inidôneos por meio de súmula administrativa de documentação ineficaz deve apresentar contraprova do pagamento e da prestação do serviço, DESPESAS MÉDICAS E DE INSTRUÇÃO COM DEPENDENTES QUE APRESENTARAM DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL INDIVIDUAL, GLOSA. Devem ser glosadas as despesas médicas e com instrução de dependentes que apresentaram declaração de ajuste anual própria. Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.284
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira. Câmara da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Ana Neyle Olímpio Holanda e Gonçalo Bonet Allage que desqualificavam a multa de oficio em relação à despesa médica em que não foram—apresentados recibos e à glosa de dependentes.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: Alexandre Naoki Nishioka

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TERMO INICIAL. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO O lançamento tributário efetuado nos casos em que haja comprovação de dolo, fraude ou simulação tem o dies a quo do prazo de decadência deslocado para o primeiro dia útil do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, consoante determinado pela combinação dos arts, 150, §4°, e 173,1, do CTN. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. NULIDADE. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE PONTO IMPUGNADO PELO CONTRIBUINTE. ANÁLISE EM SEGUNDA INSTÂNCIA. Inexiste razão para anular decisão de primeiro grau que deixou de apreciar ponto impugnado pelo contribuinte quando referida ausência é sanada em • segunda instância (art. 60 do Decreto n.° 70235/72). DESPESAS MÉDICAS, SÚMULA ADMINISTRATIVA DE DOCUMENTAÇÃO INEFICAZ. GLOSA. O contribuinte que apresentou recibos declarados inidôneos por meio de súmula administrativa de documentação ineficaz deve apresentar contraprova do pagamento e da prestação do serviço, DESPESAS MÉDICAS E DE INSTRUÇÃO COM DEPENDENTES QUE APRESENTARAM DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL INDIVIDUAL, GLOSA. Devem ser glosadas as despesas médicas e com instrução de dependentes que apresentaram declaração de ajuste anual própria. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira. Câmara da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO do Conselho Administrativo de Recursos Fiscias, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Ana Neyle Olímpio Holanda e Gonçalo Bonet Allage que desqualificavam a multa de oficio em relação à despesa médica em que não foram—apresentados recibos e à glosa de dependentes. i \ , , / CAIO MARCOS CMDIDO - Presidente 1)- ." - -- ' - ' - ( '---" — 'nit, .9 ‘ t.. I ALEXANDRE AOKI NISH—I0 - Relatar FORMALIZADO EM: 2 4 SEI 2010 Participaram, ainda, do julgamento, os Conselheiros Ana Neyle Olímpio Holanda, Silvana Mancini Karam, José Raimundo Tosta Santos e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 134/140) interposto, em 13 de abril de 2007, contra o acórdão de fls. 113/129, do qual o Recorrente teve ciência em 15 de março de 2007 (fl. 133), proferido pela 7 Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II (SP), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls, 05/08, lavrado em 14 de setembro de 2006 (ciência em 19 de setembro, fl. 05, verso), em decorrência de deduções indevidas de dependente, de despesas médicas e de despesa com instrução, verificadas nos anos-calendário de 2000, 2001 e 2003. O relatório contido no acórdão recorrido resume os fatos e as alegações do Recorrente da seguinte forma: "Em ação levada a efeito no contribuinte acima qualificado, foi constituído crédito tributário no valor de R$ 34.080,63, sendo que R$ 10.302,60 a título de Imposto de Renda Pessoa Física, R$ 15.453,89 referentes à Multa de Oficio proporcional e R$ 8324,14 referentes aos juros de mora, consubstanciado no Auto de Infração de fls. 05 a 08, com fundamento especificado em fls. 06 e 08, 2. A infração apurada, que resultou na constituição do crédito tributário referido, encontra-se relatada em fis. 13 a 17 e nos dá conta dos seguintes aspectos: 2.1.. que o procedimento fiscal teve origem em Súmula Administrativa de Documentação 'Tributariamente Ineficaz estabelecida em Processo Administrativo Fiscal, no qual o contribuinte figurou como beneficiário de recibos de tratamentos odontológicos, emitidos mediante falsidade ideológica pela profissional ADRIANA SAAD MAGALHÃES; 12. iniciado o procedimento fiscal em 22/02/2006, com intimação ao contribuinte, e após reintirnação em 18/07/2006, tendo o contribuinte apresentado 2

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Numero do processo: 18471.002570/2003-12
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2005
Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE - ILEGALIDADE - PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE - A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a arguição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos legais. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. DECADÊNCIA - AJUSTE ANUAL - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independentemente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação, hipótese em que o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados de 31 de dezembro de cada ano-calendário questionado. DECADÊNCIA - MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO - MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE - PESSOA FÍSICA SUJEITA AO PAGAMENTO MENSAL DE IMPOSTO - IMPOSTO DECLARADO - FALTA DE RECOLHIMENTO DE CARNÊ-LEÃO - O débito correspondente à multa isolada por falta de recolhimento ou recolhimento a menor de carnê-leão decorre de lançamento de ofício, de modo que o prazo decadencial, neste caso em particular, segue a regra prescrita no art. 173, inciso I, do CTN. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO VIA ADMINISTRATIVA - ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL - É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº. 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. INÍCIO DE AÇÃO FISCAL - PROCEDIMENTO DE OFÍCIO - PERDA DA ESPONTANEIDADE - O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo e este somente se descaracteriza se ficar, por mais de sessenta dias, sem outro ato escrito de autoridade que lhe dê prosseguimento. Assim, estando o contribuinte sob procedimento fiscal, descabe a apresentação de declarações retificadoras. Mas, uma vez apresentadas, não caracterizam a espontaneidade, nem ensejam a nulidade do lançamento de ofício. LEI Nº 10.684/2003 (PAES - REFIS II) - PARCELAMENTO DE DÉBITOS CONFESSADOS RELATIVOS A PERÍODOS DE APURAÇÃO OBJETO DE AÇÃO FISCAL NÃO CONCLUÍDA DURANTE A VIGÊNCIA DA LEI - DEBITOS CONFESSADOS DURANTE O PRAZO DA VIGÊNCIA DA LEI E ANTES DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO - O Programa Especial de Parcelamento - PAES, instituído pela Lei nº. 10.684, de 30 de maio de 2003, abrange confissão de débitos com vencimento até 28 de fevereiro de 2003, não declarados e ainda não confessados, relativos a tributos e contribuições correspondentes a períodos de apuração objeto de ação fiscal por parte da SRF não concluída no prazo da vigência da lei, independentemente de o devedor estar ou não obrigado à entrega de declaração específica. Assim, se a adesão ao Programa Especial de Parcelamento foi formalizada dentro do prazo da vigência da lei e antes da lavratura do Auto de Infração, é de se excluir da base de cálculo da exigência o valor confessado, desde que este se refira a mesma matéria constante do lançamento. GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA DISPONÍVEL - LEVANTAMENTO PATRIMONIAL - FLUXO FINANCEIRO - RENDA PRESUMIDA - BASE DE CÁLCULO - PERÍODO-BASE DE INCIDÊNCIA - APURAÇÃO MENSAL - O fluxo financeiro de rendimentos e de despesas/aplicações (“fluxo de caixa”), a partir de 1º de janeiro de 1989, será apurado, mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, onde serão considerados todos os ingressos e dispêndios realizados no mês, pelo contribuinte. Caracteriza omissão de rendimentos a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. LEVANTAMENTO PATRIMONIAL - FLUXO FINANCEIRO - SOBRAS DE RECURSOS - As sobras de recursos, apuradas em levantamentos patrimoniais mensais realizados pela fiscalização, devem ser transferidas para o mês seguinte, pela inexistência de previsão legal para se considerar como renda consumida, desde que seja dentro do mesmo ano-calendário. EMPRÉSTIMO - COMPROVAÇÃO - A alegação da existência de empréstimo realizado com terceiro, pessoa física ou jurídica, deve vir acompanhada de provas inequívocas do efetivo ingresso dos respectivos recursos. Inaceitável a alegação de empréstimo feita sem a necessária e indispensável comprovação da efetiva transferência. ORIGENS DE RECURSOS - SALDOS BANCÁRIOS - APLICAÇÕES - DÍVIDAS E ÔNUS REAIS - Valores alegados, oriundos de saldos bancários, resgates de aplicações, dívidas e ônus reais, como os demais rendimentos declarados, são objeto de prova por quem as invoca como justificativa de eventual aumento patrimonial. Somente a apresentação de provas inequívocas é capaz de elidir presunção legal de omissão de rendimento. As operações declaradas, que importem em origem de recursos, devem ser comprovadas por documentos hábeis e idôneos que indiquem a natureza, o valor e a data de sua ocorrência. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, DE 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA - As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. DEDUÇÕES - DESPESAS MÉDICAS - REQUISITOS PARA DEDUÇÃO - As despesas médicas, assim como todas as demais deduções, dizem respeito à base de cálculo do imposto que, à luz do disposto no art. 97, IV, do Código Tributário Nacional, estão sob reserva de lei em sentido formal. Assim, a intenção do legislador foi permitir a dedução de despesas com a manutenção da saúde humana, podendo a autoridade fiscal perquirir se os serviços efetivamente foram prestados ao declarante ou a seus dependentes, rejeitando de pronto aqueles que não identificam o pagador, os serviços prestados ou não identificam na forma da lei os prestadores de serviços ou quando esses não sejam habilitados. Da mesma forma, pode a autoridade fiscal rejeitar os valores deduzidos a título de despesas médicas relativos aos dependentes, se o contribuinte não fizer prova da relação de dependência existente. SANÇÃO TRIBUTÁRIA - MULTA QUALIFICADA - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa qualificada seja aplicada, exige-se que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502, de 1964. A prestação de informações ao fisco, em desacordo com os dados levantados pela fiscalização ou a constatação de depósitos de valores em contas bancárias de terceiros, utilizados para realização de pagamentos em benefício próprio, não evidenciam o intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO - MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE - PESSOA FÍSICA SUJEITA AO PAGAMENTO MENSAL DE IMPOSTO - IMPOSTO DECLARADO - FALTA DE RECOLHIMENTO DE CARNÊ-LEÃO - É cabível, a partir de 1º de janeiro de 1997, a multa de ofício prevista no art. 44, § 1º, III, da Lei nº. 9.430, de 1996, exigida isoladamente, sob o argumento do não recolhimento do imposto mensal (carnê-leão), previsto no artigo 8º da Lei nº. 7.713, de 1988, informado na Declaração de Ajuste Anual. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA - CONCOMITÂNCIA - É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de ofício exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. (Artigo 44, inciso I, § 1º, itens II e III, da Lei nº. 9.430, de 1996). Preliminares de decadência rejeitadas. Preliminar de nulidade rejeitada. Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 104-21.094
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de decadência, relativamente à multa isolada, vencido o Conselheiro Remis Almeida Estol e, por unanimidade de votos, as demais preliminares. No mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da exigência o item 1 do Auto de Infração e a multa isolada do carnê-leão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício, bem como desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a a 75%. Vencido o Conselheiro Remis Almeida Estol que, além disso, excluía a multa isolada do carnê-leão relativa aos rendimentos declarados pelo Contribuinte, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Nelson Mallmann

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ementa_s : INCONSTITUCIONALIDADE - ILEGALIDADE - PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE - A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a arguição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos legais. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. DECADÊNCIA - AJUSTE ANUAL - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independentemente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação, hipótese em que o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados de 31 de dezembro de cada ano-calendário questionado. DECADÊNCIA - MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO - MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE - PESSOA FÍSICA SUJEITA AO PAGAMENTO MENSAL DE IMPOSTO - IMPOSTO DECLARADO - FALTA DE RECOLHIMENTO DE CARNÊ-LEÃO - O débito correspondente à multa isolada por falta de recolhimento ou recolhimento a menor de carnê-leão decorre de lançamento de ofício, de modo que o prazo decadencial, neste caso em particular, segue a regra prescrita no art. 173, inciso I, do CTN. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO VIA ADMINISTRATIVA - ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL - É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº. 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. INÍCIO DE AÇÃO FISCAL - PROCEDIMENTO DE OFÍCIO - PERDA DA ESPONTANEIDADE - O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo e este somente se descaracteriza se ficar, por mais de sessenta dias, sem outro ato escrito de autoridade que lhe dê prosseguimento. Assim, estando o contribuinte sob procedimento fiscal, descabe a apresentação de declarações retificadoras. Mas, uma vez apresentadas, não caracterizam a espontaneidade, nem ensejam a nulidade do lançamento de ofício. LEI Nº 10.684/2003 (PAES - REFIS II) - PARCELAMENTO DE DÉBITOS CONFESSADOS RELATIVOS A PERÍODOS DE APURAÇÃO OBJETO DE AÇÃO FISCAL NÃO CONCLUÍDA DURANTE A VIGÊNCIA DA LEI - DEBITOS CONFESSADOS DURANTE O PRAZO DA VIGÊNCIA DA LEI E ANTES DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO - O Programa Especial de Parcelamento - PAES, instituído pela Lei nº. 10.684, de 30 de maio de 2003, abrange confissão de débitos com vencimento até 28 de fevereiro de 2003, não declarados e ainda não confessados, relativos a tributos e contribuições correspondentes a períodos de apuração objeto de ação fiscal por parte da SRF não concluída no prazo da vigência da lei, independentemente de o devedor estar ou não obrigado à entrega de declaração específica. Assim, se a adesão ao Programa Especial de Parcelamento foi formalizada dentro do prazo da vigência da lei e antes da lavratura do Auto de Infração, é de se excluir da base de cálculo da exigência o valor confessado, desde que este se refira a mesma matéria constante do lançamento. GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA DISPONÍVEL - LEVANTAMENTO PATRIMONIAL - FLUXO FINANCEIRO - RENDA PRESUMIDA - BASE DE CÁLCULO - PERÍODO-BASE DE INCIDÊNCIA - APURAÇÃO MENSAL - O fluxo financeiro de rendimentos e de despesas/aplicações (“fluxo de caixa”), a partir de 1º de janeiro de 1989, será apurado, mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, onde serão considerados todos os ingressos e dispêndios realizados no mês, pelo contribuinte. Caracteriza omissão de rendimentos a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. LEVANTAMENTO PATRIMONIAL - FLUXO FINANCEIRO - SOBRAS DE RECURSOS - As sobras de recursos, apuradas em levantamentos patrimoniais mensais realizados pela fiscalização, devem ser transferidas para o mês seguinte, pela inexistência de previsão legal para se considerar como renda consumida, desde que seja dentro do mesmo ano-calendário. EMPRÉSTIMO - COMPROVAÇÃO - A alegação da existência de empréstimo realizado com terceiro, pessoa física ou jurídica, deve vir acompanhada de provas inequívocas do efetivo ingresso dos respectivos recursos. Inaceitável a alegação de empréstimo feita sem a necessária e indispensável comprovação da efetiva transferência. ORIGENS DE RECURSOS - SALDOS BANCÁRIOS - APLICAÇÕES - DÍVIDAS E ÔNUS REAIS - Valores alegados, oriundos de saldos bancários, resgates de aplicações, dívidas e ônus reais, como os demais rendimentos declarados, são objeto de prova por quem as invoca como justificativa de eventual aumento patrimonial. Somente a apresentação de provas inequívocas é capaz de elidir presunção legal de omissão de rendimento. As operações declaradas, que importem em origem de recursos, devem ser comprovadas por documentos hábeis e idôneos que indiquem a natureza, o valor e a data de sua ocorrência. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, DE 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA - As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. DEDUÇÕES - DESPESAS MÉDICAS - REQUISITOS PARA DEDUÇÃO - As despesas médicas, assim como todas as demais deduções, dizem respeito à base de cálculo do imposto que, à luz do disposto no art. 97, IV, do Código Tributário Nacional, estão sob reserva de lei em sentido formal. Assim, a intenção do legislador foi permitir a dedução de despesas com a manutenção da saúde humana, podendo a autoridade fiscal perquirir se os serviços efetivamente foram prestados ao declarante ou a seus dependentes, rejeitando de pronto aqueles que não identificam o pagador, os serviços prestados ou não identificam na forma da lei os prestadores de serviços ou quando esses não sejam habilitados. Da mesma forma, pode a autoridade fiscal rejeitar os valores deduzidos a título de despesas médicas relativos aos dependentes, se o contribuinte não fizer prova da relação de dependência existente. SANÇÃO TRIBUTÁRIA - MULTA QUALIFICADA - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa qualificada seja aplicada, exige-se que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502, de 1964. A prestação de informações ao fisco, em desacordo com os dados levantados pela fiscalização ou a constatação de depósitos de valores em contas bancárias de terceiros, utilizados para realização de pagamentos em benefício próprio, não evidenciam o intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO - MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE - PESSOA FÍSICA SUJEITA AO PAGAMENTO MENSAL DE IMPOSTO - IMPOSTO DECLARADO - FALTA DE RECOLHIMENTO DE CARNÊ-LEÃO - É cabível, a partir de 1º de janeiro de 1997, a multa de ofício prevista no art. 44, § 1º, III, da Lei nº. 9.430, de 1996, exigida isoladamente, sob o argumento do não recolhimento do imposto mensal (carnê-leão), previsto no artigo 8º da Lei nº. 7.713, de 1988, informado na Declaração de Ajuste Anual. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA - CONCOMITÂNCIA - É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de ofício exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. (Artigo 44, inciso I, § 1º, itens II e III, da Lei nº. 9.430, de 1996). Preliminares de decadência rejeitadas. Preliminar de nulidade rejeitada. Recurso parcialmente provido.

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Jr... , 42.:.44 '4 f2 ..,- • MINISTÉRIO DA FAZENDA.4.,.$:.-,rg w r i a PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .• , ';,'"(4:Y: ). QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Recurso n°. : 144.855 Matéria : IRPF - Ex(s): 1999 e 2000 Recorrente : EURICO ANGELO DE OLIVEIRA MIRANDA Recorrida : 3° TURMA/DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ II Sessão de : 20 de outubro de 2005 Acórdão n°. : 104-21.094 .. INCONSTITUCIONALIDADE - ILEGALIDADE - PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE - A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos legais. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário - do Poder Judiciário... , DECADÊNCIA - AJUSTE ANUAL - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - , Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independentemente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação, hipótese em que o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados de 31 de dezembro de cada ano-calendário questionado. DECADÊNCIA - MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO - MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE - PESSOA FÍSICA SUJEITA AO PAGAMENTO MENSAL DE IMPOSTO - IMPOSTO DECLARADO - FALTA DE RECOLHIMENTO . DE CARNÊ-LEÃO - O débito correspondente à multa isolada por falta de recolhimento ou recolhimento a menor de camê-leão decorre de lançamento de ofício, de modo que o prazo decadencial, neste caso em particular, segue a regra prescrita no art. 173, inciso I, do CTN. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO VIA ADMINISTRATIVA - ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL - É licito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n°. 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. INICIO DE AÇÃO FISCAL - PROCEDIMENTO DE OFÍCIO - PERDA DA ESPONTANEIDADE - O inicio do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo e este somente se descaracteriza se ficar, por mais de t .---'------? g.- •v • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 sessenta dias, sem outro ato escrito de autoridade que lhe dê prosseguimento. Assim, estando o contribuinte sob procedimento fiscal, descabe a apresentação de declarações retificadoras. Mas, uma vez apresentadas, não caracterizam a espontaneidade, nem ensejam a nulidade do lançamento de ofício. LEI N° 10.684/2003 (PAES - REFIS II) - PARCELAMENTO DE DÉBITOS CONFESSADOS RELATIVOS A PERÍODOS DE APURAÇÃO OBJETO DE AÇÃO FISCAL NÃO CONCLUÍDA DURANTE A VIGÊNCIA DA LEI - DEBITOS CONFESSADOS DURANTE O PRAZO DA VIGÊNCIA DA LEI E ANTES DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO - O Programa Especial de Parcelamento - PAES, instituído pela Lei n°. 10.684, de 30 de maio de 2003, abrange confissão de débitos com vencimento até 28 de fevereiro de 2003, não declarados e ainda não confessados, relativos a tributos e contribuições correspondentes a períodos de apuração objeto de ação fiscal por parte da SRF não concluída no prazo da vigência da lei, independentemente de o devedor estar ou não obrigado à entrega de declaração especifica. Assim, se a adesão ao Programa Especial de Parcelamento foi formalizada dentro do prazo da vigência da lei e antes da lavratura do Auto de Infração, é de se excluir da base de cálculo da exigência o valor confessado, desde que este se refira a mesma matéria constante do lançamento. GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA DISPONÍVEL - LEVANTAMENTO PATRIMONIAL - FLUXO FINANCEIRO - RENDA PRESUMIDA - BASE DE CÁLCULO - PERÍODO-BASE DE INCIDÊNCIA - APURAÇÃO MENSAL - O fluxo financeiro de rendimentos e de despesas/aplicações ("fluxo de caixa"), a partir de 1° de janeiro de 1989, será apurado, mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, onde serão considerados todos os ingressos e dispêndios realizados no mês, pelo contribuinte. Caracteriza omissão de rendimentos a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. LEVANTAMENTO PATRIMONIAL - FLUXO FINANCEIRO - SOBRAS DE RECURSOS - As sobras de recursos, apuradas em levantamentos patrimoniais mensais realizados pela fiscalização, devem ser transferidas para o mês seguinte, pela inexistência de previsão legal para se considerar como renda consumida, desde que seja dentro do mesmo ano-calendário. EMPRÉSTIMO - COMPROVAÇÃO - A alegação da existência de empréstimo realizado com terceiro, pessoa física ou jurídica, deve vir acompanhada de provas inequívocas do efetivo ingresso dos respectivos recursos. Inaceitável a 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 alegação de empréstimo feita sem a necessária e indispensável comprovação da efetiva transferência. ORIGENS DE RECURSOS - SALDOS BANCÁRIOS - APLICAÇÕES - DIVIDAS E ÔNUS REAIS - Valores alegados, oriundos de saldos bancários, resgates de aplicações, dividas e ônus reais, como os demais rendimentos declarados, são objeto de prova por quem as invoca como justificativa de eventual aumento patrimonial. Somente a apresentação de provas inequívocas é capaz de elidir presunção legal de omissão de rendimento. As operações declaradas, que importem em origem de recursos, devem ser comprovadas por documentos hábeis e idôneos que indiquem a natureza, o valor e a data de sua ocorrência. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI N°. 9.430, DE 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA - As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. DEDUÇÕES - DESPESAS MÉDICAS - REQUISITOS PARA DEDUÇÃO - As despesas médicas, assim como todas as demais deduções, dizem respeito à base de cálculo do imposto que, à luz do disposto no art. 97, IV, do Código Tributário Nacional, estão sob reserva de lei em sentido formal. Assim, a intenção do legislador foi permitir a dedução de despesas com a manutenção da saúde humana, podendo a autoridade fiscal perquirir se os serviços efetivamente foram prestados ao declarante ou a seus dependentes, rejeitando de pronto aqueles que não identificam o pagador, os serviços prestados ou não identificam na forma da lei os prestadores de serviços ou quando esses não sejam habilitados. Da mesma forma, pode a autoridade fiscal rejeitar os valores deduzidos a titulo de despesas médicas relativos aos dependentes, se o contribuinte não fizer prova da relação de dependência existente. ry.. 3 • •. • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 SANÇÃO TRIBUTÁRIA - MULTA QUALIFICADA - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de oficio de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa qualificada seja aplicada, exige-se que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. A prestação de informações ao fisco, em desacordo com os dados levantados pela fiscalização ou a constatação de depósitos de valores em contas bancárias de terceiros, utilizados para realização de pagamentos em benefício próprio, não evidenciam o intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n°. 9.430, de 1996. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO - MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE - PESSOA FÍSICA SUJEITA AO PAGAMENTO MENSAL DE IMPOSTO - IMPOSTO DECLARADO - FALTA DE RECOLHIMENTO DE CARNÉ-LEÃO - É cabível, a partir de 1° de janeiro de 1997, a multa de oficio prevista no art. 44, § 1°, III, da Lei n°. 9.430, de 1996, exigida isoladamente, sob o argumento do não recolhimento do imposto mensal (carnê-leão), previsto no artigo 8° da Lei n°. 7.713, de 1988, informado na Declaração de Ajuste Anual. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA - CONCOMITÂNCIA - É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de oficio exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de oficio exigida isoladamente. (Artigo 44, inciso I, § 1°, itens II e III, da Lei n°. 9.430, de 1996). Preliminares de decadência rejeitadas. Preliminar de nulidade rejeitada. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por EURICO ÂNGELO DE OLIVEIRA MIRANDA. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de decadência, relativamente à 4 . - MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 multa isolada, vencido o Conselheiro Remis Almeida Estol e, por unanimidade de votos, as demais preliminares. No mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da exigência o item 1 do Auto de Infração e a multa isolada do carnê-leão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício, bem como desqualificar a multa de ofício, reduzindo- a a 75%. Vencido o Conselheiro Remis Almeida Estol que, além disso, excluía a multa isolada do carnê-leão relativa aos rendimentos declarados pelo Contribuinte, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. 'U • ZA-IZZUZIP,COTTAfrARDWO PRESIDENTE Iff Sàtsty se77 LATO FORMALIZA/O EM: kla t t NU 2005 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSÉ PEREIRA DO NASCIMENTO, PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, MEIGAN SACK RODRIGUES, MARIA BEATRIZ ANDRADE DE CARVALHO e OSCAR LUIZ MENDONÇA DE AGUIAR. . • ., . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CAMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 Recurso n°. : 144.855 Recorrente : EURICO ANGELO DE OLIVEIRA MIRANDA RELATÓRIO EURICO ANGELO DE OLIVEIRA MIRANDA, contribuinte inscrito no CPF/MF 339.697.797-15, com domicílio fiscal na cidade do Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro, à Rua Coelho Neto, n°60 - apto 601 - Bairro Laranjeiras, jurisdicionado a DRF no Rio de Janeiro - RJ, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 1479/1547, prolatada pela Terceira Turma da DRJ no Rio de Janeiro - RJ, recorre, a este Primeiro Conselho de Contribuintes, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 1557/1672. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, em 21/11/03, o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física de fls. 1299/1311, com ciência através de AR em 13/12/03, exigindo-se o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 1.114.128,18 (Padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício de 75% e 150% e dos juros de mora, calculados sobre o valor do imposto, referente aos exercícios de 1999 e 2000, correspondente, respectivamente, aos anos-calendário de 1998 e 1999. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização, onde a autoridade lançadora constatou as seguintes irregularidades: 1 - RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS SUJEITOS A CARNÉ-LEÃO: Omissão de rendimentos recebidos de pessoas física, conforme descrito no 6 • - MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 relatório fiscal. Infração capitulada nos artigos 1° ao 3° e §§, e 8°, da Lei n° 7.713, de 1988; artigos 1° ao 4°, da Lei n° 8.134, de 1990 e artigo 21 da Lei n° 9.532, de 1997. 2 - ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO: Omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde se verificou excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados, conforme descrito no relatório fiscal anexo, em particular no item 10.2. Infração capitulada nos artigos 1° ao 3° e parágrafos, da Lei n.° 7.713, de 1988; artigos 1° e 2°, da Lei n.° 8.134, de 1990; e artigo 21 da Lei n° 9.532, de 1997. 3 - DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS: Glosa de deduções com despesas médicas, pleiteadas indevidamente, conforme descrito no relatório fiscal anexo, em particular no item 10.3. Infração capitulada nos artigos 8°, inciso II, alínea "a" e §§ 2° e 3°, 35, da Lei n°9.250, de 1995. 4 - COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE CARNÉ-LEÃO: Glosa de canê-leão, pleiteado indevidamente, conforme descrito no relatório fiscal anexo, em particular no item 10.4. Infração capitulada nos artigo 12 da Lei n°9.250, de 1995. 5 - OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA: Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósitos ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme descrito no relatório fiscal anexo, em particular no item 10.5. Infração capitulada no artigo 42 da Lei n°9.430, de 1996; artigo 4° da Lei n°9.481, de 1997; artigo 21 da Lei n°9.532, de 1997. 7 . • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CAMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 6 - MULTAS ISOLADAS - FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPF DEVIDO A TITULO DE CARNÉ-LEÃO: Falta de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Física devido a titulo de carné-leão, apurada conforme descrito no relatório fiscal anexo, em particular no item 10.6. Infração capitulada no artigo 8° da Lei n°7.713, de 1988 c/c os artigos 43 e 44, § 1°, inciso III, da Lei n° 9.430, de 1996. Os Auditores-Fiscais da Receita do Brasil, responsáveis pela constituição do crédito tributário, esclarecem, ainda, através do Relatório Fiscal de fls. 1261/1297, entre outros, os seguintes aspectos: - que a falta de respostas do contribuinte aos Termos de Prosseguimento de Fiscalização e o não atendimento à solicitação de apresentação dos Extratos bancários referentes às contas bancárias relacionadas motivou a lavratura do Termo de Reintimação datado de 27/09/01 (fl. 136). Como não houve resposta do contribuinte, tendo por base as disposições contidas no inciso II do art. 3° do Decreto n° 3.724, de 2001, foram emitidas, em 26/06/02, as Requisições de Informações sobre Movimentação Financeiras; - que, quanto às diligências relacionadas ao contribuinte Aremithas José de Lima, tem-se que paralelamente, em decorrência de solicitações formalizadas pela Comissão Parlamentar de Inquérito que investigava fatos relacionados ao futebol, foram deflagradas diversas ações fiscais nesta Divisão de Fiscalização. Entre elas, foi determinada uma ação fiscal no contribuinte Aremithas José de Lima, CPF 481.101.917-20. Esse contribuinte teve seu sigilo bancário afastado pela citada Comissão Parlamentar de Inquérito, e o acesso aos seus dados bancários foi estendido à Secretaria da Receita Federal (fls. 300/301). O relatório da CPI encaminhado a Secretaria da Receita Federal (303/333) indicava que diversos cheques da conta corrente n° 70022-90 do Banco HSBC Bank Brasil S.A., emitidos pelo Sr. Aremithas José 8 . • . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.00257012003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 de Lima foram utilizados para pagar gastos de despesas do Sr. Eurico Angelo de Oliveira Miranda. Com o objetivo de verificar tais fatos, foram realizadas as seguintes diligências nos beneficiários desses pagamentos: • a Sra. Maria Lucy Podo de Azevedo foi intimada a prestar os esclarecimentos necessários a emissão dos cheques n°s 501749, 516110 e 523431, nos valores de R$ 30.000,00; R$ 10.000,00 e R$ 10.000,00, respectivamente. Em resposta, afirmou que os cheques "... referem-se a serviços na campanha eleitoral de Eurico Miranda, como deputado Federal e Jorge Azevedo, como deputado Estadual, que vem a ser meu marido, usado em devidos gastos de material eleitoral e pagamento de "Cabos Eleitoral"; • - o Sr. Wilson Rogério Tavares Carvalho foi intimado a prestar esclarecimentos sobre os cheques n°s 496835, 509024, 510368, 518602, 521539 e 52081, nos valores de R$ 15.000,00; R$ 10.600,00; R$ 10.600,00; R$ 10.600,00; 10.600,00 e R$ 15.600,00, respectivamente. Em resposta afirmou, quanto aos valores recebidos, que "... teve o caráter de empréstimo pessoal ..." e que " ... face tratar-se de empréstimo pessoal entre amigos, não foi efetivado nenhum documento. Na resposta do Sr. Wilson Rogério Tavares Carvalho esclareceu-se que "o empréstimo pessoal fora contraído com o Dr. Eurico Angelo de Oliveira Miranda .... Quanto aos esclarecimentos solicitados sobre a quitação do alegado empréstimo, depreende-se que não ocorrera a quitação; 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 • o Sr. José Gomes Cruz Filho foi intimado a prestar os esclarecimentos necessários sobre os cheques 520807 e 560151, nos valores de R$ 18.000,00 e R$ 85.000,00, respectivamente. Afirmou que os dois cheques totalizando R$ 103.000,00 lhe foram entregues como adiantamento pela venda dos prédios n° 16-A, 16-SOBRADO e 16- FUNDOS - apartamento 101, situados na Rua Paraíba, Praça Bandeira, Rio de Janeiro, RJ, sendo o comprador a pessoa jurídica SAME Empreendimentos e Participações Ltda. Quanto ao adquirente, a pessoa jurídica SAME, trata-se de sociedade por quotas de responsabilidade limitada, cujo quadro societário compõem-se dos Srs Eurico Angelo de Oliveira Miranda e ...; • a Yes Rio Veículos foi intimada a prestar esclarecimentos sobre o cheque 532071 no valor de R$ 64.000,00. Em resposta afirmou tratar-se da operação de venda do veículo marca Chysler, mod 300 M, ao Sr. Eurico Angelo de Oliveira Miranda; • o Sr. João Ricardo Veloso Costa foi intimado a prestar esclarecimentos necessários sobre os cheques de n°s 494442 e 523456, nos valores de R$ 30.000,00 e R$ 12.700,00, respectivamente. Afirmou que "os valores foram recebidos para compra de material de campanha do deputado Eurico Miranda; • o Sr. Wander Ribeiro Azevedo foi intimado a prestar os esclarecimentos necessários sobre os cheques de n°s 509023 e 520144 nos valores de R$ 19.800,00 e R$ 14.590,00, respectivamente. Afirmou "que os dois cheques emitidos pelo Sr. Aremethas José de Lima, no total de R$ to MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 34.390,00, destinaram-se à remuneração pelos serviços de panfietagem prestados na campanha eleitoral de 1998 do candidato Eurico Miranda; • a Satélite Painéis Rio Ltda. foi intimada a prestar os esclarecimentos necessários sobre o cheque 512200 no valor de R$ 24.510,00. Afirmou que o cheque foi utilizado para pagamento de sua Nota Fiscal Fatura de Serviços n° 001016, emitida em 03/11/98 em nome de Eurico Ângelo de Oliveira Miranda, serviços de cartazes;. • a GTI Viagens foi intimada a prestar esclarecimentos sobre os cheques n°s 584428 e 577354 nos valores de R$ 8.296,65 e R$ 13.406,42, respectivamente. Afirmou que os referidos cheques referem-se ao pagamento de passagens aéreas emitidas em nome de Eurico Ângelo de Oliveira Miranda; • a Construtora Bulhões Carvalho da Fonseca foi intimada a prestar esclarecimentos sobre o cheque n° 628008 no valor de R$ 150.000,00. Afirmou tratar-se da operação de venda do apartamento 602 situado à Rua Dona Mariana, 138, efetuada a sra. Sylvia Brandão de Oliveira Miranda; • a sra. Maria Cândida Ribeiro Martins foi intimada a prestar esclarecimentos sobre o cheque n° 628009 no valor de R$ 70.000,00. Afirmou que o valor recebido em 13/05/99, teve origem na venda do imóvel da Rua Dona Mariana, 138, apto 602, cuja venda fora efetuada a Sylvia Brandão de Oliveira Miranda; 11 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 • a Quinta do Portal Comércio, Importação e Exportação foi intimada a prestar esclarecimentos sobre os cheques 578944 e 625142 nos valores de R$ 120.000,00 e R$ 30.000,00, respectivamente. Afirmou que se referem à integralização de capital pelo sócio Mário Ângelo Brandão de Oliveira Miranda; • a Satélite Painéis Rio Ltda foi intimada aprestar esclarecimentos sobre o cheque 578941 no valor de R$ 24.000,00. Afirmou tratarem-se de prestação de serviço na confecção de um cartaz; • o Sr. Roberto Ferreira da Cruz foi intimado a prestar esclarecimentos sobre o cheque n° 593385 no valor de R$ 44.000,00. Afirmou que o valor refere-se à parte do pagamento de veiculo adquirido pelo Sr. Eurico Angelo Brandão de Oliveira; • a Same Empreendimentos e Participações Ltda. foi intimada a prestar esclarecimentos sobre o cheque n° 627984 no valor de R$ 90.000,00. Afirmou tratar-se de integralização de capital pelo sócio Sr. Eurico Angelo Brandão de Oliveira; • a Gráfica PL Ltda. foi intimada a prestar esclarecimentos sobre vários cheques (fi.1270). Afirmou tratarem-se de prestação de serviços na confecção de cartazes e folhetos para o Sr. Eurico Ângelo Brandão de Oliveira; 12 • e MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 • a Dimona Silk e Malhas foi intimada a prestar esclarecimentos sobre vários cheques (f1.1270). Afirmou tratar-se de vendas de camisetas para o Sr. Eurico Angelo Brandão de Oliveira; - que, quanto às diligências relacionadas a Brazilian Soccer Camp Incorporated Ltda., tem-se que em relação ao ano de 1999, ainda em decorrência de solicitações formalizadas pela Comissão Parlamentar de Inquérito que investigava fatos relacionados ao futebol, foi deflagrada uma ação fiscal no contribuinte Brasiliam Soccer Camp lncorporated Ltda. Diante do relatório da CPI encaminhado a Secretaria da Receita Federal indicava que diversos cheques, da conta corrente n° 06462-64 do Banco HSBC Bank Brasil S/A, emitidos pela Brazilian Soccer Camp Incorporated Ltda. foram utilizados para pagar gastos e despesas do Sr. Eurico Angelo de Oliveira Miranda. Com o objetivo de verificar tais fatos, foram realizadas as seguintes diligências nos beneficiários desses pagamentos: • a Quinta do Portal Comércio, Importação e Exportação Ltda. foi intimada a prestar os esclarecimentos relativo aos cheques n°s 681377, 842823 e 881805 nos valores de R$ 40.000,00, R$ 50.000,00 e R$ 30.000,00, respectivamente. Afirmou que os valores especificados referem-se a aporte de capital realizado pelo sócio Sr. Mário Angelo Brandão de Oliveira Miranda; • a Same foi intimada a prestar esclarecimentos sobre o cheque n°715971 no valor de R$ 80.000,00. Afirmou que o cheque foi utilizado para proceder aumento de capital dos sócios Eurico Angelo de Oliveira Miranda e Sylvia Brandão de Oliveira Miranda; 13 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104 21.094 - que as diligências realizadas apontaram para o fato de que parte dos recursos das contas-correntes do Sr. Aremithas José de Lima e da Brazilian Soccer Camp Incorporated Ltda. foram utilizados no pagamento de despesas pessoais do Sr. Eurico Ângelo de Oliveira Miranda. Assim, através das intimações já descritas nesse relatório, foi solicitado ao Sr. Eurico Ângelo de Oliveira Miranda que esclarecesse as operações realizadas. Nas suas respostas o contribuinte identifica como suas despesas os valores relacionados às 1277; - que em relação aos outros pagamentos, que o contribuinte não admite serem seus, parte deles se refere a despesas de campanha eleitoral (fls. 1277/1278); - que diante do exposto, foi elaborado o fluxo financeiro mensal para o ano de 1998, no qual foram apurados os seguintes acréscimos patrimoniais a descoberto: setembro R$ 90.444,69; outubro R$ 115.063,75; novembro R$ 13.328,25 e dezembro R$ 252.179,20; da mesma forma para o ano de 1999, com os seguintes acréscimos patrimoniais: março R$ 25.768.12; abril R$ 17.448,23; maio R$ 296.417,81; junho R$ 2.862,46; julho R$ 11.742,42; agosto R$ 257,64; setembro R$ 29.853,33; novembro R$ 144.449,17; - que, quanto à qualificação da multa, tem-se como relatado no item 3 do presente Relatório, em atendimento a solicitações formalizadas pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) constituída no Senado Federal para investigar fatos relacionados às associações de futebol, foram realizadas, por parte da Secretaria da Receita Federal, diversas diligências fiscais. Relacionadas diretamente aos fatos apurados no procedimento que ora se relata, assume elevado grau de importância às diligências levadas a efeito nos contribuintes Aremithas José de Lima, CPF n°481.101.917-20, e Brazilian Soccer Camp Incorporated Ltda, CNPJ n°02.220.786/0001-88; 14 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 - que em virtude de tais procedimentos, a fiscalização apurou que expressivos valores movimentados através das contas bancárias desses contribuintes foram utilizados em beneficio do Sr. Eurico Angelo de Oliveira Miranda. Nesse sentido, foi constatado pela fiscalização que cheques emitidos pelo Sr. Aremithas José de Lima e pela empresa Brazilian Soccer Camp Incorporated Ltda. foram utilizados para, em benefício do Sr. Eurico Miranda, custear, total ou parcialmente: serviços e material de campanha eleitoral; empréstimos a terceiros; aquisição de imóveis para empresa da qual é sócio; aquisição de veículos; passagens aéreas; aquisição de imóveis para sua esposa; obtenção de direitos aquisitivos para sua esposa; empréstimos aos filhos para aquisição de quotas de capital; aumentos de capital em empresa da qual é sócio; - que, com efeito, a utilização de contas bancárias de terceiros para movimentar recursos que, ainda que não se possa conhecer as suas origens, foram comprovadamente apropriados em benefício do fiscalizado, leva necessariamente à conclusão de que tal conduta, manifestamente intencional, visou impedir que a administração tributária tomasse conhecimento da aquisição da disponibilidade económica da renda, revelando, em sentido contrário, uma situação pessoal incompatível com a verdadeira capacidade tributária passiva. Em sua peça impugnatória de fls. 1323/1407 apresentada, tempestivamente, em 14/01/04, o contribuinte, se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: - que de plano, aflora como primeira deficiência insanável de que padece o auto de infração a questão de natureza rigorosamente preliminar relacionada ao fato de os autuantes, ao lavrá-lo, terem desconsiderado a regra básica delimitadora da competência da função pública que exercem, inscrita no parágrafo único do artigo 149 do CTN; 15 • • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 - que essa constatação, no caso concreto, traz como efeito a extinção definitiva dos créditos tributários decorrentes de obrigações surgidas de fatos geradores materializados mais de cinco anos antes do lançamento de oficio, ex vi do disposto no § 4° do artigo 150 do CTN; - que, desta feita, reportando-se a autuação ao ano-calendário de 1998, ainda que omissão de rendimentos houvesse, o que se admite apenas a título de argumentação, dúvida não caberia quando à impossibilidade de o lançamento notificado ao impugnante em 13/12/03 compreender fatos geradores ocorridos até novembro daquele ano de 1998, por encontrarem-se os respectivos créditos tributários definitivamente extintos; - que, quanto à decadência do direito da Fazenda exigir multa isolada sobre fatos ocorridos mais de 5 anos antes da data de constituição do crédito tributário, tem-se que se a legislação obriga o contribuinte a antecipar mensalmente o pagamento do imposto incidente sobre rendimentos recebidos de pessoas físicas independentemente do exame prévio da autoridade administrativa, configurando, assim, imposto sujeito a lançamento por homologação e, após 5 anos da ocorrência do fato gerador, o crédito tributário estará extinto definitivamente; - que, quanto à impossibilidade jurídica de aplicação retroativa da Lei Complementar n° 105/01 para subsidiar a constituição de crédito tributário. A ilegalidade da quebra de sigilo relativa ao ano de 1999 e a nulidade do lançamento fundado em prova ilícita tem-se a par da deficiência acima apontada, cumpre consignar, ainda, que as conclusões que amparam o item 2 do Auto de Infração, na parte relativa ao ano-calendário de 1999, e integralmente o item 5 daquele mesmo ato foram extraídas de extratos bancários e de informações sobre operações com cartão de crédito do impugnante (com relação ao ano- calendário de 1999) irregularmente obtidos pela fiscalização, circunstância que, de per si, 16 . • . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CAMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 revela-se mais que suficiente para macular com o vício da nulidade o procedimento fiscal, desde sua origem; - que assim, a imposição de tributação amparada em dados relativos ao ano de 1999, mediante quebra do sigilo bancário embasada em legislação superveniente editada no ano de 2001, sem qualquer autorização emanada do Poder Judiciário, constitui prática ilícita; - que, quanto ao item 1 - omissão de rendimentos do trabalho não-assalariado recebidos de pessoas físicas, sujeitos ao recolhimento do carnê-leão, nos meses de janeiro a maio de 1999, tem-se que esta primeira infração elencada pela Auditor-Fiscal merece ser prontamente cancelada por esta Colenda Turma, tendo em vista a adesão do impugnante ao Parcelamento Especial instituído pela Lei n° 10.684, de 2003 - PAES, com a inclusão nesta modalidade de parcelamento dos rendimentos tido como omitidos, observados todos os requisitos exigidos pela legislação de regência, ou seja, (i) opção tempestiva formalizada em 22/07/03, (ii) apresentação da Declaração PAES, com a finalidade de confessar débitos não declarados correspondentes a períodos de apuração objeto de ação fiscal, conforme previsto no artigo 1°, inciso IV, da Portaria Conjunta PFGN/SRF n° 03/03, (iii) recolhimento mensal de valor superior a 1/180 do débito parcelado, já tendo quitado as 6 (seis) primeiras parcelas nos termos do artigo 4°, inciso I, da Portaria Conjunta PFGN/SRF n° 01/03, bem como (iv) apresentação de Declaração de Ajuste Anual Retificadora com relação ao ano-calendário de 1999, com a inclusão dos rendimentos incluídos no PAES, como exigido pelo parágrafo único do artigo 2° daquela mesma Portaria Conjunta PGFN/SRF n° 03/03; - que, quanto ao item 2 - omissão de rendimentos caracterizados por variação patrimonial a descoberto apurada com base em fluxos financeiros, tem-se que cumpre esclarecer, que o Sr. Aremithas José de Lima faz parte do quadro de empregados do Club de Regatas Vasco da Gama há muitos anos e, ao longo de todo esse tempo em que o impugnante 17 • • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 exerceu funções de diligencia naquele Clube, dada a absoluta honestidade com que sempre se conduziu, angariou a sua total confiança, tendo aceitado prestar-lhe serviços eventuais, pagando suas despesas pessoais, pelo que o impugnante efetuava depósitos nas suas contas bancárias, o que não é de se estranhar, pois isso constitui prática comum entre pessoas que convivem, se estimam e se depositam confiança mútua, em especial se, como no caso vertente, uma delas se ausenta com freqüência em viagens, passando a outra a cuidar desses interesses; - que, quanto à improcedência da cominação da multa qualificada prevista no inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, tem-se que quanto às relações pessoais do impugnante com o Sr. Aremithas José Lima, em que restou claro que o fato daquele senhor cuidar de interesses pessoais do impugnante, pagando suas despesas pessoais com recursos fornecidos pelo impugnante, jamais foi negado ou ocultado das autoridades fiscais. Muita mais imprópria é a acusação de fraude amparada na suposta movimentação de "expressivos valores" de titularidade do impugnante através da empresa Brazilian Soccer Camp Incorporated Ltda. Isso porque, como se sabe, apenas dois únicos pagamentos de despesas pessoais do impugnante foram realizados com cheques de emissão daquela sociedade, no que interessa ao período fiscalizado; - que presumir conduta dolosa nesse caso afronta contra o bom senso, pois aqueles dois pagamentos não representam "expressivos valores" como asseverado para tipificar a fraudulenta conduta do impugnante; - que, quanto à dedução indevida de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual, ano-calendário de 1999, relativas a gastos com pagamento de plano de saúde, tem-se que a fiscalização alega que "só podem ser deduzidos da base de cálculo do imposto as despesas médicas do contribuinte e de seus dependentes, incluídos em sua Declaração de 18 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.00257012003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 Ajuste Anual, razão pela qual, procedeu à glosa do valor de R$ 6.410,70, relativo à parcela dos gastos do impugnante com pagamento do Seguro de Reembolso de Despesas de Assistência Médica e/ou Hospitalar, em benefício de seus dependentes no seguro; - que, quanto à compensação indevida na Declaração de Ajuste Anual, ano- calendário de 1999, de valor não recolhido a título de carnê-leão no mês de dezembro de 1999, tem-se que o impugnante admite o equívoco cometido quanto à falta de recolhimento do carnê- leão no valor de R$ 10.338,00, no mês de dezembro de 1999, reconhecendo, portanto, a procedência dessa infração que lhe foi imputada, tanto que se apressou em recolher o tributo a ela correspondente; - que, quanto à omissão de rendimentos caracterizados por valores creditados em contas correntes mantidas em instituições financeiras nos meses de agosto e dezembro de 1999, sem comprovação da origem mediante documentação hábil e idônea, tem-se no que se refere à presunção erigida pelos insignes autores do procedimento fiscal acerca da suposta omissão de rendimentos caracterizadas por depósitos em suas contas bancárias sem comprovação da origem, o impugnante a refuta por inteiro tendo em vista ter tal inculpação se fundado no raciocínio absurdo de que tão somente valores recebidos de pessoas físicas no ano de 1999 teriam sido depositados em suas contas bancárias naquele ano; - que, quanto à falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê-leão, em infração ao artigo 8° da Lei n° 7.713, de 1988, ensejando a aplicação da multa isolada prevista no artigo 44, § 1°, inciso II, da Lei n° 9.430, de 1996, tem-se que a penalidade em tela seria igualmente indevida, pois neste caso, ela está sendo exigida simultaneamente com a multa de ofício no valor equivalente a 75% do principal por não recolhimento do tributo nos meses de janeiro a maio e dezembro de 1999, implicando em dupla imposição de penalidade sobre uma mesma base de cálculo. 19 • • • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, Terceira Turma da DRJ em São Paulo - SP, conclui pela procedência parcial da ação fiscal e pela manutenção, em parte, do crédito tributário, com base nas seguintes considerações: - que, preliminarmente, cumpre esclarecer que o contribuinte, na peça impugnatória, concordou expressamente com a infração do item 4 do auto de infração; - que no que concerne à preliminar de decadência argüida pelo interessado, tem-se que no que concerne aos débitos oriundos dos rendimentos sujeitos ao Ajuste Anual, o prazo limite para que o lançamento fosse efetuado, relativamente aos fatos geradores ocorridos no curso do ano-calendário, extinguiria-se em 30/04/04, não havendo o que se cogitar a respeito de decadência, haja vista que o contribuinte foi cientificado do auto de infração em 13/12/03; - que no que concerne ao lançamento da multa isolada por insuficiência de recolhimento de carnê-leão, há que se ressaltar que a referida multa é lançada de ofício e, portanto, independe do ajuste realizado na Declaração de Ajuste Anual. Assim, nesse caso em particular, o débito cobrado através da multa isolada decorre exclusivamente do recolhimento a menor do carnê-leão devido à época, em nada se relacionando com o ajuste anual efetuado na Declaração de Rendimentos; - que dessa forma, haja vista que os débitos relativos à multa isolada por falta ou insuficiência de carnê-leão são lançados apenas de ofício, não há o que se falar em lançamento por homologação nesse caso, não se podendo confundir o débito de carnê-leão (código 0190) com o débito de multa isolada por insuficiência de recolhimento de camê-leão 20 • . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 (código 6352), esse último decorrente de lançamento de oficio, de modo que o prazo decadencial se desloca, nesse caso em particular, para o artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional; - que sendo assim, há que se considerar como termo inicial para contagem do prazo decadencial, no que concerne aos débitos oriundos de multa isolada pela insuficiência de recolhimento de carnê-leão nos meses de janeiro, fevereiro e março de 1998, a data de 01/01/99, de modo que o prazo para que a Fazenda Pública efetuasse o lançamento das multas isoladas correspondentes extinguiria-se em 31/12/03, não havendo o que se cogitar a respeito de decadência, haja vista que o contribuinte foi cientificado do auto de infração em 13/12/03; - que no que conceme às alegações do interessado de que haveria nulidade do lançamento relativamente às infrações "Acréscimo Patrimonial a Descoberto" e "Omissão de Rendimentos caracterizada por Depósitos Bancários de Origem não Comprovada", dado que as conclusões que as ampararam foram extraídas de extratos bancários e de informações sobre operações com cartão de crédito (ano-calendário 1999) do impugnante, tem-se que o sigilo bancário tem por finalidade a proteção contra a divulgação ao publico dos negócios das instituições financeiras e de seus clientes. Assim, a partir da prestação, por parte das instituições financeiras, das informações e documentos solicitados pela autoridade tributária competente, como autorizam a Lei Complementar n° 105/2001 e o art. 197, II, da Lei n° 5.172, de 1966, o sigilo bancário não é quebrado, mas, apenas, se transfere à responsabilidade da autoria administrativa solicitante e dos agentes fiscais que a eles tenham acesso no restrito exercício de suas funções, que não poderão violar, salvo as ressalvas do parágrafo único do art. 198 e do art. 199, ambos do Código tributário Nacional; - que no que concerne ao argumento do interessado de que se estaria violando dispositivos constitucionais, diga-se que não cabe aos agentes públicos apreciar questões se-7 21 . • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 relativa à constitucionalidade de lei vigente mediante juízos subjetivos, dado o princípio da legalidade que vincula a atividade administrativa; - que com relação à infração capitulada no item 1 do auto de infração, o contribuinte alega que ingressou no Parcelamento Especial - PAES e que obedeceu todos os requisitos exigidos pela legislação de regência. Entende que o lançamento deveria ser cancelado, pois teria confessado os rendimentos tidos como omitidos; - que da legislação de regência referente ao PAES não se encontra qualquer restrição ao prosseguimento de ação fiscal em curso no contribuinte quando da apresentação do pedido e posteriormente na entrega da Declaração; - que os dispositivos legais são claros no sentido de não se considerar espontânea a declaração apresentada pelo contribuinte após iniciado o procedimento fiscal, como ocorreu no presente caso, considerando que o início da fiscalização se deu em fevereiro de 2001 e o pedido de inclusão no PAES ocorreu em 22/07/2003, como comprova a Confirmação do Recebimento do Pedido de Parcelamento Especial, apresentado pelo próprio contribuinte e acostado às fls. 1409. Da mesma forma, sendo os débitos incluídos no PAES confissão de dívida irretratável por expressa disposição legal, sua apresentação, ao se dar em momento posterior ao início do procedimento fiscal, não devolve a espontaneidade ao sujeito passivo, conforme previsto nas normas legais citadas; - que a principal conseqüência da exclusão da espontaneidade é a exigência de tributo com imposição de multa de oficio. Tal penalidade decorre do descumprimento de obrigação tributária pelo contribuinte, verificado em ato de oficio da autoridade fiscalizadora. Portanto, a imposição da referida multa é perfeitamente coerente, na medida em que o contribuinte permaneceu, por opção própria, até o momento do início da fiscalização, 22 . • • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 inadimplente em relação a estas obrigações, diferenciando-se daqueles que, independentemente da ação do fisco, as cumpriram; - que, quanto à dedução indevida de despesas médicas, tem-se com relação a esse item do auto de infração, insurge-se o impugnante contra a glosa parcial, no montante de R$ 6.410,70, do valor de R$ 8.554,02 lançado como dedução a titulo de despesas médicas em sua declaração de rendimentos relativa ao exercício 2000, ano-calendário de 1999; - que com relação à glosa de R$ 6.410,70, verifica-se, através de análise ao documento acostado às fls. 73 dos autos, que a mesma se deu em virtude de esse montante se referir a despesas médicas da esposa e filhos do impugnante, os quais não constam como dependentes do interessado em sua declaração de rendimentos; - que como não há qualquer dependente relacionado na DIRPF do impugnante, não há como esse se beneficiar de tais deduções. Há de se destacar que, na hipótese de haver dependentes declarados, não só as despesas, mas também os rendimentos auferidos por essas pessoas deveriam ser incluídos na declaração do impugnante, fazendo parte, inclusive, do cálculo dom imposto de renda devido. Portanto, não se caracteriza dependente aquele contribuinte que apresenta declaração em separado; - que, quanto aos depósitos bancários de origem não comprovada, tem-se que o interessado procura justificar a origem dos depósitos bancários de R$ 3.000,00 (fls. 286), de 27/08/99, R$ 38.400,00 (fls. 287), de 07/12/99, R$ 81.600,00 (fis. 287), de 07/12/99, e R$ 63.400,00 (fls. 287), de 14/12/99, alegando, em síntese, que tais valores decorreram de restituições de empréstimo, em dinheiro, efetuadas por dois de seus filhos, bem como de valores que o próprio interessado detinha em espécie; 23 . • . • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 - que uma vez não comprovadas as alegações da parte interessada e conseqüentemente, não comprovada a origem dos depósitos bancários objeto da autuação fiscal, há que se manter a presunção de omissão de rendimentos consignada no auto de infração ora discutido, conforme previsto na legislação de regência; - que, quanto à multa isolada por falta de recolhimento do camê-leão, tem-se que o contribuinte, apesar de fazer constar da Declaração PAES (fls. 1411/1413) os débitos não recolhidos sob o código 0190 (carnê-leão), confessando, efetivamente, os débitos ali declarados, não o fez de forma espontânea, haja vista que a referida declaração somente foi apresentada após o início do procedimento fiscal implementado no impugnante. Na verdade, segundo documentos de fls. 1411/1413, a Declaração PAES somente teria sido entregue em 27/11/03, poucos dias antes da ciência do lançamento de ofício; - que a aplicação da multa isolada pelo não recolhimento mensal do carnê-leão é decorrente de imposição legal. Assim, a multa isolada é cabível devido ao fato de que o contribuinte ao perceber rendimentos de pessoa física em valor superior ao limite de R$ 900,00 mensais, nos anos-calendário de 1998 e 1999, estava obrigado ao pagamento mensal do imposto de renda via recolhimento de camê-leão, a título de antecipação do que viesse a ser apurado na declaração de ajuste anual; - que, quanto ao acréscimo patrimonial, tem-se que é uma forma indireta de apuração de rendimentos omitidos. Neste caso, cabe à autoridade lançadora comprovar apenas a existência de presunção de omissão de rendimentos, a qual é revelada pelo acréscimo patrimonial não justificado. Nenhuma outra prova a lei exige da autoridade administrativa; - que quanto aos cheques n°s 501749, 516110 e 523431, nos valores de R$ 30.000,00; R$ 10.000,00 e R$ 10.000,00, respectivamente (fls. 902/911), tem-se que as 24 . • . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 declarações da Sra. Maria Lucy, bem como as conclusões do Relatório da CPI, desacompanhadas de provas das afirmações que encerram, não têm o condão de atribuir ao impugnante os dispêndios efetuados através destes cheques, haja vista que o Sr. Aremithas atuava como interposta pessoa em benefício de diversas pessoas físicas e jurídicas e não apenas em benefício do interessado. Tais declarações não são fatos incontestáveis, cabendo ao fisco investigar tais afirmações, com vistas á verificação da ocorrência do fato gerador do imposto de renda e à determinação da matéria tributável, restando imprescindível à segurança da autuação fiscal a evidência da materialidade do evento. Assim, não restou provado pelo fisco que os pagamentos oriundos daqueles cheques foram utilizados em benefício do interessado. Portanto, os mesmos não podem constar como dispêndios do impugnante no fluxo financeiro mensal; - que quanto aos cheques n's 496835, 509024, 510368, 518602, 521539 e 52081, nos valores de R$ 15.000,00; R$ 10.600,00; R$ 10.600,00; R$ 10.600,00; 10.600,00 e R$ 15.600,00, respectivamente (fls. 912/932), tem-se que, conforme o item anterior, os cheques tratados neste item, não restou provado pelo fisco que os pagamentos oriundos daqueles cheques foram utilizados em benefício do interessado . Portanto, os mesmos não podem constar como dispêndios do impugnante no fluxo financeiro mensal; - que quanto aos cheques de n's 494442 e 523456, nos valores de R$ 30.000,00 e R$ 12.700,00, respectivamente (fls. 967/977), tem-se que não restou provado pelo fisco que os pagamentos oriundos daqueles cheques foram utilizados em benefício do interessado, bem como não constam dos autos provas materiais que configurem a natureza da transação amparada nos cheques analisados. Portanto, os mesmos não podem constar como dispêndios do impugnante no fluxo financeiro mensal; 25 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 - que quanto aos cheques n°s 497560, 496834, 501757, 501767, 506096, 520847, 520848, 520849, 520850, 523451, 523452 e 583589, nos valores de R$ 8.130,00; R$ 7.200,00; R$ 24.000,00; R$ 6.900,00; R$ 23210,00; R$ 12.000,00; R$ 12.000,00; R$ 12.000,00; R$ 12.000,00; R$ 12.000,00; R$ 12.000,00 e R$ 11.900,00,respectivamente (fls. 980/1019), tem-se que no conceme às alegações do interessado, há que se ressaltar que, diferentemente dos itens anteriores, foram trazidos aos documentos que corroboram para o entendimento de que os cheques supracitados (fls. 982/1005) foram de fato emitidos para custear a campanha eleitoral do interessado. Portanto, restou provado pelo fisco que os pagamentos oriundos daqueles cheques foram utilizados em benefício do interessado; - que quanto aos cheques n°s 509000, 496833, 520130 e 523468, nos valores de R$ 8.000,00; R$ 8.640,00; R$ 9.800,00 e R$ 25.400,00, respectivamente (fls. 1020/1037), tem-se que no que conceme às alegações do interessado, há que se ressaltar que foram trazidos aos autos documentos que corroboram para o entendimento de que os cheques supracitados (fls. 1022/1029) foram emitidos para custear a campanha eleitoral do interessado e de outros candidatos. Portanto, no caso restou provado pelo fisco que os pagamentos oriundos daqueles cheques nos montantes de R$ 14.140,00 e R$ 25.800,00 foram utilizados em benefício do interessado; - que quanto aos cheques de n°s 509023 e 520144 nos valores de R$ 19.800,00 e R$ 14.590,00, respectivamente (fls. 1038/1050). Tem-se que não restou comprovado pelo fisco que os pagamentos oriundos daqueles cheques foram utilizados em benefício do interessado, bem como não constam dos autos provas materiais que confirmem a natureza da transação amparada nos cheques analisados. Portanto, os mesmos não podem constar como dispêndios do impugnante no fluxo financeiro mensal; 26 . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 - que quanto ao cheque 512200 no valor de R$ 24.510,00 (fls. 1051/1072). Tem-se que o contribuinte não logrou comprovar tratarem-se tais valores de doações, de modo que sequer se conhece a procedência de tais recursos. O fato é que tais dispêndios foram realizados a seu favor, cabendo ao interessado comprovar que os mesmos tiveram origem em recursos provenientes de doações efetuadas em seu beneficio efou em outros rendimentos isentos e não tributáveis. O fato de haver declarado o valor de R$ 24.510,00 a titulo de doação, na prestação de contas de sua campanha eleitoral, não exime de comprovar, através de documentação hábil e idónea, a natureza da transação; - que no que concerne às alegações do interessado de que a fiscalização deveria considerar como origens no fluxo financeiro mensal relativo ao ano-calendário de 1999 o valor de R$ 48.000,00, tem razão o contribuinte, assim há de se considerar o valor de R$ 48.000,00 no fluxo financeiro; - que no que diz respeito à desconsideração, por parte do fisco, como origens de recursos do empréstimo de R$ 320.000,00, tem-se que apesar do impugnante ter apresentados os documentos , relativamente ao empréstimo de R$ 320.000,00 que teria sido concedido pelo Sr. Reinaldo Menezes da Rocha Pitta, a questão se resume na comprovação de que o mutuário efetivamente recebeu o numerário decorrente das transações acima; - que quanto ao cheque n° 583589 no valor de R$ 11.900,00 (fls. 981 e 1006/1008). Tem-se que o impugnante não logrou comprovar tratar-se o referido valor de doação, de modo que sequer se conhece a procedência de tais recursos. O fato é que foram realizados dispêndios em seu favor, cabendo ao interessado comprovar que os mesmo tiveram origem em recursos provenientes de doações efetuadas em seu beneficio e/ou em outros rendimentos isentos e não tributáveis, 27 . . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 - que quanto ao cheque n° 578941 no valor de R$ 24.000,00 (fls. 1165/1187). Tem-se que não restou provado pelo fisco que o pagamento oriundo daquele cheque foi utilizado em beneficio do interessado; - que a aplicação da multa qualificada se deu por motivo de omissão de rendimentos por conta de apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, com evidente intuito de fraudar a Fazenda Pública Federal, pois ficou comprovado que o contribuinte se utilizou contas correntes de titularidade de pessoas interpostas, assumindo os risco de sua conduta, para encobrir gastos realizados em seu benefício, mostrando existência de conhecimento prévio da ocorrência do fato gerador do imposto e o desejo de omiti-lo à tributação. Havendo, portanto, a ocorrência dos dois elementos formadores do dolo: o cognitivo e o volitivo. Dolo, que, em última análise, é o evidente intuito de fraude trazido pelo inciso II do artigo 42 da Lei n° 9.430 de 1996. As ementas que consubstanciam os fundamentos da decisão de Primeira Instância são as seguintes: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999, 2000. Ementa: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera-se não-impugnada a parte do lançamento com a qual o contribuinte concorda expressamente, bem como aquela que não tenha sido contestada pelo impugnante. DECADÊNCIA. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA. O direito de a Fazenda constituir o crédito tributário, por intermédio do lançamento, cessa apenas após o decurso do prazo de cinco anos, contados da 28 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 data da entrega da declaração de ajuste, se efetuada no exercício financeiro em que deve ser apresentada. DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO OU RECOLHIMENTO A MENOR DE CARNÊ-LEÃO. O débito correspondente à multa isolada por falta de recolhimento ou recolhimento a menor de camê-leão decorre de lançamento de ofício, de modo que o prazo decadencial, neste caso em particular, segue a regra prescrita no art. 173, inciso I, do CTN. SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n° 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. LEGISLAÇÃO QUE AMPLIA OS MEIOS DE FISCALIZAÇÃO. INAPLICABILIDADE DO PRINCIPIO DA IRRETROATIVIDADE - É incabível falar-se em irretroatividade da lei que amplia os meios de fiscalização, pois esse princípio atinge somente os aspectos materiais do lançamento. INCONSTITUCIONALIDADE - A alegação de inconstitucionalidade não pode ser apreciada na esfera administrativa, por ser prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os acréscimos patrimoniais não justificados pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte, cobrando-se o imposto com o acréscimo da multa de ofício e juros de mora, calculados sobre a omissão apurada. 29 . • . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 EMPRÉSTIMO. COMPROVAÇÃO. A alegação da existência de empréstimo realizado com terceiro, pessoa física ou jurídica, deve vir acompanhada de provas inequívocas do efetivo ingresso dos recursos obtidos por empréstimo. Inaceitável a prova de empréstimo feita sem a necessária e indispensável comprovação da efetiva transferência. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a legislação autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária, para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÕNUS DA PROVA. Uma vez lançado crédito tributário em decorrência de presunção legal de omissão de rendimentos devido à existência de depósitos bancários de origem não comprovada, cabe ao interessado demonstrar a improcedência do lançamento, através da devida comprovação da origem/natureza das operações de crédito em sua conta-corrente. IMPUGNAÇÃO. PROVAS A impugnação deve ser instruída com os elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa. A simples alegação desacompanhada dos meios de prova que a justifique não é eficaz. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. De regra geral, as decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, bem como as judiciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. 30 ' • • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.0025701200312 Acórdão n°. : 104- 21.094 • MULTA QUALIFICADA. Uma vez comprovado o evidente intuito de fraude, através de conduta dolosa, há que se qualificar a multa no montante de 150% do imposto devido. PAES. ESPONTANEIDADE. MULTA DE OFICIO. Não há o que se falar em inexigência de multa de oficio, se por ocasião em que o contribuinte declarou e/ou confessou no PAES créditos tributários, em atraso, encontrava-se sob ação fiscal. MULTA ISOLADA PELO RECOLHIMENTO A MENOR DE CARNÊ-LEÃO. CONCOMITÂNCIA COM MULTA PROPORCIONAL. lnexiste qualquer restrição legal ou infralegal para a exigência simultânea de multa isolada pelo recolhimento a menor de carnê-leão e de multa proporcional. Lançamento Procedente em Parte." Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 06/05/04, conforme Termo constante às fls.1549/1550, e, com ela não se conformando, o recorrente interpôs, em tempo hábil (07/06/04), o recurso voluntário de fls. 1551/1672, instruido pelos documentos de fls. 1674/1692, no qual demonstra irresignação parcial contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: - que, quanto ao prazo decadencial do IRPF, tem-se diante da determinação legal de apuração do IRPF mensalmente e seu recolhimento independente de prévio exame da autoridade administrativa, sendo imperiosa a aplicação do disposto no § 40 do artigo 150 do CTN; 31 . • . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 - que, quanto ao prazo decadencial da multa isolada, tem-se que se a legislação obriga o contribuinte a antecipar mensalmente o pagamento do imposto incidente sobre os rendimentos de pessoas físicas independentemente do exame prévio da autoridade administrativa, configurando, assim, imposto sujeito a lançamento por homologação e, após 5 anos da ocorrência do fato gerador, o crédito tributário estará extinto definitivamente, por força do já invocado § 4° do artigo 150 do CTN, em 13/12/03, data em que o recorrente foi notificado da lavratura do auto de infração, repita-se, do mesmo modo extinto estava o direito da Fazenda Pública constituir crédito tributário relativo à penalidade resultante do descumprimento daquelas normas; - que, quanto à impossibilidade jurídica de aplicação retroativa da Lei Complementar n° 105/01 para subsidiar a constituição do crédito tributário, trata-se, sem dúvida, de um dos mais notáveis exemplos de afronta ao princípio da irretroatividade das leis, pois a Lei Complementar n° 105/01, que constitui o fundamento das RMF expedidas, foi publicada no DOU de 11/01/2001, o que implica na impossibilidade de aplicação da regulamentação estabelecida com relação a atos e fatos anteriores à sua publicação, pois os efeitos do novo ato legal devem se produzir, necessariamente, ex nunc, isto é, repercutindo no plano jurídico a partir da vigência dessa LC (janeiro de 2001), sendo eivada de ilegalidade a pretensão de alcançar fatos pretéritos; - que, quanto ao item 1 - Omissão de rendimentos do trabalho não assalariado recebidos de pessoas físicas, sujeitos ao recolhimento do carnê-leão, nos meses de janeiro a maio de 1999, tem-se que na impugnação apresentada o recorrente demonstrou cabalmente a improcedência deste item da autuação, tendo em vista a sua adesão ao Parcelamento Especial instituído pela Lei n° 10.684/03 - PAES, com a inclusão nesta modalidade de parcelamento dos rendimentos tido como omitidos; 32 , . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104-21.094 - que, quanto ao item 2 - Omissão de rendimentos caracterizados por variação patrimonial a descoberto apurada com base em fluxos financeiros elaborados pela auditoria- fiscal, nos meses de outubro a dezembro de 1998 e maio a novembro de 1999, tem-se que o Sr. Aremithas José de Lima faz parte do quadro de empregados do Clube de Regatas Vasco da Gama há muitos anos e, ao longo de todo esse tempo em que o recorrente exerceu funções de dirigência naquele Clube, dada a absoluta honestidade com que sempre se conduziu, angariou a sua total confiança, tendo aceitado prestar-lhe serviços eventuais, pagando suas despesas pessoais, pelo que o recorrente efetuava depósitos nas suas contas bancárias; - que quanto aos cheques de R$ 8.130,00; R$ 7.200,00; R$ 24.000,00; R$ 6.900,00; R$ 23.210,00; R$ 12.000,00; R$ 12.000,00; R$ 12.000,00; R$ 12.000,00; R$ 12.000,00; R$ 12.000,00 e R$ 11.900,00 (fls. 980/1019), tem-se que os cheques foram imputados no fluxo financeiro elaborado pela auditoria fiscal como dispêndios pessoais realizados com recursos do recorrente, entretanto, é de se reconhecer que não existe nos autos prova ou indicio de que: (I) o recorrente seja o titular dos recursos despendidos; (II) de que o recorrente tenha sido o verdadeiro beneficiado dos dispêndios realizados ou ainda (III) de que teria sido o recorrente o beneficiado por tais pagamentos; - que não é verdadeiro que os representantes da Dimona Silk e Malhas Ltda tenham relacionado cada cheque com a nota fiscal respectiva, como asseverou o ilustre relator da instância de origem, para associar os dispêndios ao recorrente. Isso porque, como se constata, as notas fiscais n°s 2782, 2889 e 2995 (trazidas aos autos por aquela empresa) não correspondem aos valores indicados nos cheques que alega terem sido emitidos para seu pagamento, não havendo igualmente qualquer prova nos autos de que o verdadeiro beneficiário pelo dispêndio tenha realizado complemento de seu pagamento em dinheiro. Da mesma forma, justamente a nota de maior valor entre as apresentadas (R$ 72.000,00), Nota Fiscal n° 3017, revela que o seu pagamento teria sido realizado à vista. Portanto, se a referida nota foi emitida 33 • • • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 em 29/09/98 para pagamento à vista, como poderiam aqueles 6 (seis) cheques no valor de R$ 12.000,00 terem sido utilizados para seu pagamento, se as suas datas de emissão referem-se aos meses de agosto, outubro e novembro daquele ano; - que quanto aos cheques de R$ 8.000,00, R$ 8.640,00, R$ 9.800,00 e R$ 25.400,00 (fls. 1020/1037), tem-se que a fiscalização se baseia no Relatório de Encerramento da CPI do Senado para considerar como rendimentos omitidos pelo recorrente os valores desses dispêndios relativos a pagamentos do Sr. Aremithas à Gráfica PL Ltda., apesar das próprias notas fiscais de serviços apontarem novamente ao Sr. Francisco Lima Vilanova como tomador dos serviços; - que quanto ao cheque de R$ 24.510,00, tendo como beneficiária Satélite Painéis Rio Ltda, tem-se quanto a esse cheque, para imputar ao recorrente o seu valor como rendimento dolosamente omitido, a fiscalização se baseia unicamente na Nota Fiscal/Fatura de Serviços n°001016, dce emissão da Satélite Painéis Rio Ltda., emitida em nome do recorrente, relativa a gastos de sua campanha eleitoral; - que com relação a este pagamento, a importância da acusação de acréscimo patrimonial a descoberto se evidencia pela comprovação de que aqueles recursos, ao contrário do que supôs a auditoria-fiscal, não foram fruto da ilusória omissão de rendimentos do recorrente, mas, ao contrário, tiveram origem comprovada e declarada na prestação de contas apresentada pelo recorrente ao Tribunal Regional Eleitoral; - que, quanto os empréstimos contraídos no ano de 1999 no montante de R$ 320.000,00, tem-se que muito embora tenha sido provado que os empréstimos foram devidamente informados nas Declarações de Ajuste Anual do mutuante e do mutuário, bem como ter sido trazidas aos autos às cópias das notas promissórias firmadas pelo recorrente em 34 . - • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 razão dos mútuos (fls. 873/880), não foram considerados nos fluxos financeiros os ingressos de R$ 60.000,00 no mês de abril, R$ 150.000,00 no mês de maio, R$ 80.000,00 no mês de junho e R$ 30.000,00 no mês de outubro daquele ano, recebidos em espécie pelo recorrente em contrapartida das dívidas assumidas; - que assim, ao abater dos fluxos financeiros o valor dos empréstimos declarados à Secretaria da Receita Federal por ambas as partes, muito antes do início de qualquer procedimento fiscal, quando o mutuante possuía recursos igualmente declarados disponíveis à realização dos mútuos, tendo exigido, por garantia, a assinatura das notas promissórias de fls. 873/880, tanto os AFRF autuantes quanto os julgadores de primeira instância afrontaram a indubitável ocorrência do empréstimo, cuja prova da existência adviria até mesmo das disposições contidas nos artigos 129 e 136 do Código Civil vigente à época; - que ainda que prevaleça o disparatado entendimento de que todas as provas da realização do mútuo não seriam bastantes para atestar a sua existência e que seria possível aos autuantes inverter o ânus da prova sem amparo em lei que o autorize a presumir contrariamente ao contribuinte, o recorrente para soterrar de vez a acusação, apresenta perante esta Colenda Câmara a prova, obtida a muito custo, da efetiva transferência do numerário (extratos bancários anexos), exigida pela instância a quo; - que, quanto à restituição de valores adiantados a filhos nos valores de R$ 190.000,00 e R$ 44.000,00, tem-se que deixaram de ser considerados os reembolsos dos adiantamentos de recursos feitos aos filhos do recorrente (Mário Angelo Brandão de Oliveira Miranda, no valor total de R$ 190.000,00, e Eurico Angelo Brandão de Oliveira Miranda, no valor de R$ 44.000,00), conforme item 10 da resposta apresentada à auditoria-fiscal em 23/12/02 (fls. 398 e seguintes) e item 3 da resposta prestada em 06/06/03 (fls. 1077/1078); 35 . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 - que tendo sido possível aos autuantes constatar eu os Srs. Mário Ângelo e Euric,o Ângelo Brandão de Oliveira. Miranda, filhos do recorrente, dispunham de rendimentos declarados à Secretaria da Receita Federal suficientes à realização dos reembolsos ao recorrente, seu pai, aqueles servidores simplesmente rejeitaram a afirmação de que os recursos forma restituídos em dinheiro pelos filhos ao pai, para insistir na necessidade de apresentação da comprovação da efetiva transferência dos recursos, mediante crédito em conta bancária; - que, quanto aos dispêndios imputados ao recorrente nos fluxos financeiros elaborados pela auditoria-fiscal com relação ao ano-calendário de 1999, quer o recorrente rechaçar os seguintes, que considera lhe terem sido injustamente imputados: • (i) o dispêndio de R$ 110.407,65, relativo à aquisição de imóvel em Angra dos Reis, foi imputado no fluxo como relativo ao mês de novembro (com base na informação indicada na respectiva Escritura), no entanto, conforme se verifica do extrato bancário (anexo 8), o pagamento daquela quantia somente ocorreu no mês de dezembro do mesmo ano. Assim, faz-se necessária a alteração no fluxo elaborado, com vistas a adequar a acusação à verdade material dos fatos; • (ii) o segundo equívoco que merece igualmente ser corrigido, refere-se ao dispêndio de R$ 555,07, imputado no mês de outubro a título de "despesas (de acordo com extratos bancários de outros bancos)", que engloba a quantia de R$ 313,00, relativa a um cheque compensado pelo recorrente em 07/10/99. Ora, como se sabe, tal valor não poderia constar da relação de despesas do recorrente sem que haja prova de que tenha sido emitido para custear algum gasto em seu nome; 36 . • . MINISTÈRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.00257012003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 - que, quanto ao cheque de R$ 11.900,00 (fls. 980/1019), tendo como beneficiária Dimona Silk e Malhas Ltda., tem-se que novamente a fiscalização se baseia no Relatório de Encerramento da CPI do Senado para atribuir dispêndios de campanha eleitoral como rendimentos do recorrente; - que, quanto ao cheque de R$ 13.406,42 (fls. 1100/1115), tendo como beneficiária Cl] Viagens e Turismo Ltda., tem-se que os autuantes alegaram que o cheque acima referido teve por finalidade o pagamento de passagens aéreas do recorrente e de sua esposa, cujos custos afirmaram ter sido por ele arcados; - que, na realidade, porém, este cheque, em especial, destinou-se ao pagamento de passagens aéreas custeadas pelo Clube de Regatas Vasco da Gama, do qual, como se sabe, o recorrente é dirigente, e de sua esposa em representação daquela entidade esportiva nos Jogos Pan-americanos de Winnipeg, aos quais aquele Clube enviou delegação com cerca de 300 atletas. Trata-se de utilização de recursos nos estritos interesses sociais do Clube, inclusive no que se refere à esposa do recorrente que, nesses eventos, como é de praxe, acompanha o marido; - que, quanto às despesas reembolsadas em 1999 pelo Clube de Regatas Vasco da Gama, no valor total de R$ 14.048,22, tem-se que os autuantes alegaram que o recorrente não apresentou qualquer documentação que comprove que esse reembolso de fato ocorreu, recusando-se, em conseqüência, a excluir tais dispêndios pagos mediante uso do cartão de crédito do recorrente; - que a realidade incontornável é de que aqueles valores destinaram-se ac pagamento de despesas com viagens (passagens e/ou combustível, etc.) e restaurantes no Rir 37 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 de Janeiro (demonstrativo anexo à resposta apresentada em 16/10/2003 -fls. 1245/1258), cujos valores foram reembolsados pelo Clube de Regatas Vasco da Gama, tendo em vista tratar-se de gastos realizados nos estritos interesses institucionais daquela entidade esportiva, da qual o recorrente era vice-presidente; - que, quanto à improcedência da cominação da multa qualificada, tem-se que nas diligências realizadas, os autuantes teriam apurado que expressivos valores movimentados nas contas bancárias do Sr. Aremithas e da Braziliam Soccer foram usados em benefício do recorrente, para custear total ou parcialmente (a) serviços e material de campanha eleitoral; (b) empréstimos a terceiros; (c) aquisição de imóvel para empresa da qual o recorrente era sócio; (d) aquisição de veículos; (e) passagens aéreas; (O aquisição de imóvel para sua esposa; (g) obtenção de direitos aquisitivos para sua esposa; (h) empréstimos aos filhos para aquisição de cotas de capital; e (i) aumentos de capital em empresa da qual o recorrente era sócio. Consta nos autos às fls. 1313/1314 o Termo de Arrolamento de Bens e Direitos, objetivando o seguimento do recurso administrativo, sem exigência do prévio depósito de 30% a que alude o art. 10, da Lei n.° 9.639, 1998, que alterou o art. 126, da Lei n° 8.213, de 1991, com a redação dada pela Lei n°9.528, de 1997. É o Relatório. 38 . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 VOTO Conselheiro NELSON MALLMANN, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Câmara. O litígio nesta fase recursal se prende a discussão sobre omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, acréscimo patrimonial a descoberto (fluxo financeiro), dedução indevida de despesas médicas, omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada e multa isolada pela falta de recolhimento do carnê-leão. O suplicante solicita o provimento ao seu recurso, tanto nas razões preliminares como nas razões de mérito, e para tanto apresenta, inicialmente, preliminar de nulidade do lançamento baseada na tese de quebra de sigilo bancário de forma irregular; da impossibilidade da aplicação retroativa da Lei n° 10.174, de 2001 e da Lei Complementar n° 105, de 2001, e preliminar de decadência relativo ao exercício de 1999, ano-calendário de 1998, e por fim razões de mérito sobre lançamentos efetuados sobre depósitos bancários. Desta forma, a discussão neste c,olegiado se prende a preliminar de nulidade do lançamento sob o entendimento que houve ilegalidade e irregularidade na quebra do sigilo bancário, bem como preliminar de decadência e, no mérito, a discussão se prende sobre z 39 • . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 omissão de rendimentos recebidos de pessoas fisicas (carnê-leão), acréscimo patrimonial a descoberto, dedução de despesas médicas, multa isolada, depósitos bancários na regência do artigo 42 da Lei n°9.430, de 1996. Quanto a preliminar de nulidade do lançamento argüida pelo suplicante, sob o entendimento de que tenha ocorrido ofensa aos princípios constitucionais do devido processo legal, entendendo que a autoridade lançadora feriu diversos princípios fundamentais, quais sejam: utilização da Lei n° 10.174, de 2001 e Lei Complementar n° 105, de 2001, para solicitar os extratos bancários do suplicante e quebra do sigilo bancário de forma incorreta. O aspecto divergente estaria no entendimento que o suplicante tem de que o lançamento não pode prosperar em razão de que as provas fiscais teriam sido obtidas por autoridades fazendárias através de procedimentos inteiramente ilícitos, sob o entendimento de que o fato ocorrido foi uma solicitação indevida as instituições financeiras dos extratos bancários, ou seja, houve a quebra do sigilo bancário de forma irregular pelo Poder Judiciário, já que o suplicante estaria protegido por sentença judicial a seu favor para que não houvesse a constituição do crédito tributário através dos extratos bancários. Por tudo que dos autos consta, não houve qualquer irregularidade na obtenção dos extratos bancários que deram origem ao lançamento em discussão. De se ver. Não há dúvidas, que toda a controvérsia de fato resume-se na discussão do sigilo de informações no Mercado Financeiro e de Capitais, ou seja, sigilo bancário O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à 40 . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES •QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5° e 6° do artigo 38, da Lei n° 4.595, de 1964 e no artigo 8° da Lei n° 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Apesar de existir intermináveis discussões quanto à natureza do sigilo bancário, entendo que tal garantia, insere-se na esfera do direito à privacidade, traduzido no artigo 5°, inciso X, da Constituição Federal. - Por outro lado, entendo que o direito à privacidade não é ilimitado, tendo em vista o princípio da convivência de liberdades. Assim, não se pode, sob o manto da privacidade, pretender acobertar indistintamente qualquer irregularidade que seja objeto de apuração pelo fisco, ou seja, os direitos e garantias individuais previstos na Constituição Federal não se prestam a servir de manto protetor a comportamentos abusivos, e nem tampouco devem prevalecer diante de fatos que possam constituir crimes. Sejam eles crimes tributários ou não. Não tenho dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preserva-se a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocá-la para abster-se de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. • Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. 41 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.00257012003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 Da mesma forma, a quebra do sigilo bancário não afronta aos incisos X e XII do art. 50 da Constituição Federal de 1988. O Supremo Tribunal Federal já decidiu que: "Ementa: Inquérito. Agravo regimental. Sigilo bancário. Quebra. Afronta ao artigo 5°, X e XII, da CF: Inexistência. (...). I - A quebra do sigilo bancário não afronta o artigo 5°, X e XII, da Constituição Federal (Precedentes: PET. 577). (...) (Ac. Do Plenário do Supremo Tribunal Federal, no AGRINQ-897/DF, rel. Min. Francisco Rezek, j. em 23.11.94)." Ora, é cediço que o sigilo bancário não tem caráter incontestável nem absoluto, pois deve sempre estar submetido, como direito individual que é, aos interesses da sociedade em geral e, por conseguinte, ao interesse maior da preservação dos comandos estabelecidos pela lei. Diz a Lei n°4.595, de 1964: "Art. 38 - As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. § 1° As informações e esclarecimentos ordenados pelo Poder Judiciário, prestado pelo Banco Central da República do Brasil ou pelas instituições financeiras, e a exibição de livros e documentos em juízo, se revestirão sempre do mesmo caráter sigiloso, só podendo a eles ter acesso às partes legitimas na causa, que deles não poderão servir-se para fins estranhos à mesma. § 2° O Banco Central da República do Brasil e as instituições financeiras públicas prestarão informações ao Poder Legislativo, podendo, havendo relevantes motivos, solicitar sejam mantidas em reserva ou sigilo. •42 . • . • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104-21.094 § 3° As Comissões Parlamentares de Inquérito, no exercício da competência constitucional e legal de ampla investigação obterão as informações que necessitarem das instituições financeiras, inclusive através do Banco Central da República do Brasil. § 4° Os pedidos de informações a que se referem os §§ 2° e 3°, deste artigo, deverão ser aprovados pelo Plenário da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal e, quando se tratar de Comissão Parlamentar de Inquérito, pela maioria absoluta de seus membros. § 5° Os agentes fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados somente poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, quando houver processo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. § 6° O disposto no parágrafo anterior se aplica igualmente à prestação de esclarecimentos e informes pelas instituições financeiras às autoridades fiscais, devendo sempre estas e os exames ser conservados em sigilo, não podendo ser utilizados senão reservadamente? Nos termos da lei, acima mencionada, o sigilo bancário será quebrado sempre que houver processo instaurado e a autoridade fiscalizadora considerar necessário, pois é sabido que os estabelecimentos vinculados ao sistema bancário não poderá eximir-se de fornecer à fiscalização, em cada caso especificado pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal, cópias das contas correntes de seus depositantes ou de outras pessoas que tenham relações com tais estabelecimentos, nem de prestar informações ou quaisquer esclarecimentos solicitados, se a autoridade fiscal assim o julgar necessário, tendo em vista a instrução de processo para qual essas informações são requeridas. É evidente, que a possibilidade da quebra do sigilo bancário é de natureza excepcional, e o artigo 38 da Lei n° 4.595, de 1964, arrola as oportunidades em que terceiros tem acesso ao conhecimento de dados e informações de operações realizadas no mercado financeiro pelos seus investidores/clientes. Os parágrafos, do artigo anteriormente citado, 43 . • • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.00257012003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 estabelecem, de forma clara, quais são as autoridades que tem acesso a estas informações, ou seja, Poder Judiciário (§ 1°); Poder Legislativo (§ 2°); Comissões Parlamentares de Inquérito (§ 3°) e os agentes fiscais do Ministério da Fazenda e dos Estados (§§ 5° e 6°). O texto acima estabelece com clareza a obrigatoriedade que os bancos tinham de permitir aos agentes fiscais o exame dos registros de contas de depósitos. Para isto, bastaria demonstrar a existência de processo fiscal e declarar que tal documentação era indispensável à investigação em curso. Desta forma, entendo que fica demonstrado que, já em 1964, os bancos estavam obrigados a fornecer à fiscalização documentação a respeito de transações com seus clientes. Não há como discordar que a expressão "processo instaurado" se refere ao "processo administrativo fiscal", já que em caso contrário não haveria a necessidade de existirem os parágrafos 5° e 6° do referido diploma legal. Assim, fica evidenciado que para a Administração Tributária Federal ter acesso a informações relativo às atividades e operações no mercado financeiro e de capitais realizadas pelos contribuintes pessoas físicas e/ou jurídicas, estaria condicionada a observância de certos requisitos, quais sejam: ter processo administrativo fiscal instaurado; que as informações a serem solicitadas fossem indispensáveis e que estas informações não poderiam ser reveladas a terceiros. Já, por outro lado, em 1966, a Lei n.° 5.172 (Código Tributário Nacional) promoveu alterações no dispositivo acima transcrito, eliminando a exigência de prévia existência de processo. No art. 197 o Código Tributário Nacional dispõe: 44 . • . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 "Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: II - os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras." Após a edição do Código Tributário Nacional, o Decreto n.° 1.718, de 1979 reforçou a obrigatoriedade que têm as Instituições Financeiras de prestar informações às autoridades fiscais. No art. 2° daquele ato legal foi estabelecido: "Continuam obrigados a auxiliar a fiscalização dos tributos sob administração do Ministério da Fazenda, ou quando solicitados a prestar informações, os estabelecimentos bancários, inclusive as Caixas Econômicas, os Tabeliães e Oficiais de registro, o Instituto Nacional de Propriedade Industrial, as Juntas Comerciais ou as repartições e autoridades que as substituírem, as Bolsas de Valores e as empresas corretoras, as Caixas de Assistência, as Associações e Organizações Sindicais, as Companhias de Seguros, e demais entidades ou empresas que possam, por qualquer forma, esclarecer situações para a mesma fiscalização? Já no comando da Lei n.° 8.021, de 1990, esta obrigatoriedade é mais abrangente incluindo Bolsa de Valores e Assemelhadas, além das Instituições Financeiras, cuja redação diz o seguinte: • "Art. 7° - A autoridade fiscal do Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento poderá proceder a exames de documentos, livros e registros das bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas, bem como solicitar a prestação de esclarecimentos e informações a respeito de operações por elas praticadas, inclusive em relação a terceiros. Art. 8° - Iniciado o procedimento fiscal, a autoridade fiscal poderá solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições 45 . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no art. 38 da Lei n.° 4.595, de 31 de dezembro de 1964. Parágrafo único - As informações, que obedecerão às normas regulamentares expedidas pelo Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento, deverão ser prestadas no prazo máximo de dez dias úteis contados da data da solicitação, aplicando-se, no caso de descumprimento desse prazo, a penalidade prevista no § 1° do art. 7°." Evidente está, diante das normas legais acima transcritas, que as instituições financeiras não podem invocar o dever de sigilo bancário quando da efetivação, por parte da Fazenda Pública, de pedido de informações acerca de um terceiro, existindo processo administrativo fiscal que permita tal solicitação. Não há que se falar, portanto, em quebra do sigilo bancário, uma vez que a autoridade fazendária encontra-se legalmente obrigada a manter os dados recebidos sob sigilo, conforme impõe o parágrafo 6° do artigo 38 da Lei n° 4.595, de 1964. Os dispositivos legais acima citados, não foram declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, dão respaldo ao procedimento da fiscalização. Por esta razão, rejeita-se o argumento de que os documentos foram obtidos de forma ilícita. O sigilo bancário, face à farta legislação existente, não pode ser argüido com a finalidade de negar informações ao fisco. A Lei n.° 8.021, de 1990 revoga, para fins fiscais, a obrigatoriedade das instituições financeiras a conservar sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados, estabelecido no art. 38 da Lei n.° 4.595, de 1964. Este último dispositivo legal já estabelecia em seus parágrafos 5° e 6° que: - Os agentes fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados somente poderão proceder a exame de documentos, livros e registros de 46 . • • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 contas de depósitos, quando houver processo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. 6° - O disposto no parágrafo anterior se aplica igualmente à prestação de esclarecimentos e informes pelas instituições financeiras às autoridades fiscais, devendo sempre estas e os exames ser conservados em sigilo, não podendo ser utilizados senão reservadamente." Resta claro, portanto, a possibilidade de a administração fazendária solicitar aos estabelecimentos bancários às informações que esses detenham em relação aos contribuintes para os quais exista procedimento fiscal em andamento, sem que seja necessário demonstrar os motivos que conduziram a tal requisição. Agora sob o comando da Lei Complementar n.° 105, de 10 de janeiro de 2001, esta condição é indiscutível, cuja redação diz o seguinte: "Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (•••) § 3° Não constitui violação do dever de sigilo: I - a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II - o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III - o fornecimento das informações de que trata o § 2° do art. 11 da Lei n° 9.311, de 24 de outubro de 1996; 47 . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 IV - a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V - a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI - a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2°, 30, 40, 50, 60, -e desta Lei Complementar. (-..) Art. 6° As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (--.) Art. Revoga-se o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.". A edição desse dispositivo de lei complementar se fez indispensável, em virtude de divergência interpretativa que havia sido estabelecida acerca do tema, especialmente em face de decisão de uma das Turmas do Superior Tribunal de Justiça, no qual ficou assentado que o termo "processo", empregado no artigo 38, € 5°, da Lei n° 4.595, de 31 de dezembro de 1964, se referia a processo judicial e não processo administrativo, que a expressão autoridade competente se referia à autoridade judiciária, não a autoridade administrativo-fiscal. 48 . . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104-21.094 Cuidou, assim, o preceptivo legal em questão - que revogou expressamente, em seu artigo 13, o artigo 38 da Lei n°4.595, de 1964 -, de chancelar uma exceção à regra do sigilo bancário já prevista na lei anterior, agora com toda a clareza, sem deixar margem à interpretação equivocada ou distorcida, ao declarar expressamente que o processo mencionado é o administrativo; que a autoridade competente, para fins da lei, é a administrativa. Ora, se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é cristalino na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Nesse sentido, leia-se a opinião de Bernardo Ribeiro de Moraes, contido no Compêndio de Direito Tributário, Ed. Forense, 1a. Edição, 1984, pág. 746: "O sigilo dessas informações, inclusive o sigilo bancário, não é absoluto. Ninguém pode se eximir de prestar informações, no interesse público, para o esclarecimento dos fatos essenciais e indispensáveis à aplicação da lei tributária. O sigilo, em verdade, não é estabelecido para ocultar fatos, mas sim, para revestir a revelação deles de um caráter de excepcionalidade. Assim, ? 49 . . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 compete à autoridade administrativa, ao fazer a intimação escrita, conforme determina o Código Tributário Nacional, estar diante de processos administrativos já instaurados, onde as respectivas informações sejam indispensáveis." Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os Auditores-Fiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Da mesma forma, discordo daqueles que defendem a ilegalidade da aplicação retroativa da Lei Complementar n° 105, de 2001, sob o argumento que em face ao princípio constitucional que veda a aplicação retroativa da lei, a mesma (LC n° 105, de 2001), não poderia ter sido tomada pelas autoridades fiscais para respaldar a obtenção e o exame da movimentação bancário do ano calendário de 1998. Ora, é sabido que a matéria relativa à aplicação da lei no tempo pelo lançamento, é regulada no art. 144 e parágrafos da Lei n° 5.172, de 1966 - CTN, que diz: 50 . • . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 "Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1° Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros." Nesta hipótese, a tese é de que a Lei Complementar n° 105, de 2001, não poderia retroagir, já que não tem natureza procedimental e sim dispõe de conteúdo material, cuja aplicação retroativa é vedada pelo disposto nos artigos 105, 106 e 144, "caput", do CTN. Ora, é sabido que as leis de procedimento, como o é a Lei Complementar n° 105, de 2001, são aplicáveis ao processo no estado em que se encontra, já que a mesma não é lei tributária, ou seja, não é uma lei cuja natureza jurídica seja estabelecer qualquer matéria tributável. Indiscutivelmente é sabido que o "caput" do art. 144 do CTN se refere à regra de direito material, ou seja, regula o ato administrativo do lançamento em seu conteúdo substancial, enquanto que os seus parágrafos contém solução aplicável ao procedimento fiscal, processo ou aspecto formal do lançamento. É evidente que o § 1° do art. 144 do CTN, regula matéria diferente de seu "caput", nota-se que consagra a regra da aplicação imediata da legislação vigente ao tempo do lançamento, quando tenha instituído novos critérios de apuração ou de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. Nesse diapasão, o tributarista Jose Souto Maior Borges, em sua obra "Lançamento Tributário" - r edição, Malheiros Editores Ltda. - ao tratar do direito intertemporal e lançamento, assim preleciona: "Lançamento está, aí, no art. 144, caput, no sentido de ato do lançamento. O vocábulo é, no Código Tributário Nacional, plurissignificativo. Ora é referido ao ato, ora ao procedimento que o antecede. Diversamente, já no seu § 1° o art. 51 . • • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 144 reporta-se ao procedimento administrativo de lançamento. A este se aplica, ao contrário, a legislação que posteriormente à data do fato jurídico tributário tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas ou outorgando ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. O art. 144, § 1°, disciplina o procedimento administrativo do lançamento, em contraposição ao caput desse dispositivo, que se aplica ao ato de lançamento. Duas realidades normativas diversas e submetidas, por isso mesmo, a disciplina jurídica nitidamente diferenciada no Código Tributário Nacional. Ao ato de lançamento aplica-se, em qualquer hipótese, a legislação contemporânea do fato jurídico tributário. Ao procedimento de lançamento, todavia, aplica-se legislação que, se confrontada temporalmente com o fato jurídico tributário, venha posteriormente e estabelecer as alterações estipuladas no § 1° do art. 144. Se não sobrevier ao fato jurídico - enquanto in fieri o procedimento de lançamento - legislação nova, aplicar-se-lhe-á também a legislação coetânea à data do fato jurídico tributário? Da mesma forma, existem julgados no âmbito do Poder Judiciário que respaldam o entendimento anteriormente citado, conforme se pode constatar nas decisões abaixo transcritas: Sentenca proferida pelo Tribunal Regional Federal da Quarta Região. nos autos de Agravo de Instrumento n° 2001.04.01.045127-8/SC. da qual se faz necessário à transcricão da ementa do julgado: "TRIBUTÁRIO. REPASSE DE DADOS RELATIVOS A CPMF PARA FINS DE FISCALIZAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. SIGILO BANCÁRIO. O acesso da autoridade fiscal a dados relativos à movimentação financeira dos contribuintes, no bojo de procedimento fiscal regularmente instaurado, não afronta, a priori, os direitos e garantias individuais de inviolabilidade da intimidade, da vida privada, da honra e da imagem das pessoas e de inviolabilidade do sigilo de dados, assegurados no art. 5°, incisos X e XII da CF/88, conforme entendimento sedimentado no tribunal. No plano infraconstitucional, a legislação prevê o repasse de informações relativas a operações bancárias pela instituição financeira à autoridade fazendária, bem como a possibilidade de utilização dessas informações para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a imposto e contribuições e 52 . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 para lançamento do crédito tributário porventura existente (Lei 8.021/90, Lei 9.311/96, Lei 10.174/2001, Lei Complementar 105/2001). As disposições da Lei n° 10.174/2001 relativas à utilização das informações da CPMF para fins de instauração de procedimento fiscal relacionado a outros tributos não se restringem a fatos geradores ocorridos posteriormente à edição da lei, pois, nos termos do art. 144, § 1°, do CTN, aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas." Sentença _proferida pela 1 4 Turma do Tribunal Regional Federal da Quarta Região, nos autos de Agravo de Instrumento n° 2002.04.01 .003040-0/PR. da qual se faz necessário à transcrição da ementa do julgado: 'TRIBUTÁRIO. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. 1CP n° 105/01. procedimento de fiscalização. Quebra de sigilo. lnocorrência. 1. a Lei 10.174/01, que deu nova redação ao § 3° do art. 11 da Lei n°9.311, permitindo o cruzamento de informações relativas a CPMF para a constituição de crédito tributário pertinente a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, disciplina o procedimento de fiscalização em si, e não os fatos econômicos investigados, de forma que os procedimentos iniciados ou em curso a partir de janeiro 2001 poderão valer-se dessa informações, inclusive para alcançar fatos geradores pretéritos, (CTN art. 144, § 1°). Trata-se de aplicação imediata da norma, não se podendo falar em retroatividade. 2. O art. 6° da Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentada pelo Decreto n° 3.724/01, autoriza a autoridade fiscal a requisitar informações acerca da movimentação financeira do contribuinte, desde que já instaurado o procedimento de fiscalização e o exame dos documentos sejam indispensáveis à instrução, preservando o caráter sigiloso da informação. 3. O acesso à informação junto a instituições financeiras, para fins de apuração de ilícito fiscal, não configura ofensa ao princípio da inviolabilidade do sigilo bancário, desde que cumpridas as formalidades exigidas pela Lei Complementar n° 105/01 e pelo Decreto n° 3.724/01". Recentemente, a questão em debate já foi objeto de exame pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), o qual tende por firmar jurisprudência de que a regra do artigo 6° da Lei Complementar n° 105, de 2001 é de natureza procedimental (CTN, art. 144, I), de sorte que nada impede a autoridade fiscal dela se servir para obter informações bancárias pretéritas de contribuintes sob fiscalização. A título de exemplo, veja-se o teor do acórdão da Primeira Turma do aludido 53 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.00257012003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 tribunal, proferido em 02/12/03 no julgamento do Recurso Especial n°506.232 - PR (Diário da Justiça de 16/02/04 - p. 00211): "EMENTA TRIBUTÁRIO. NORMAS DE CARÁTER PROCEDIMENTAL. APLICAÇÃO INTERTEMPORAL. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES OBTIDAS A PARTIR DA ARRECADAÇÃO DA CPMF PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO REFERENTE A OUTROS TRIBUITOS. RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1° DO CTN. 1. O resguardo de informações bancárias era regido, ao tempo dos fatos que permeiam a presente demanda (ano de 1998), pela Lei 4.595/64, reguladora do Sistema Financeiro Nacional, e que foi recepcionada pelo art. 192 da Constituição Federal com força de lei complementar, ante a ausência de norma regulamentadora desse dispositivo, até o advento da Lei Complementar 105/2001. 2. O art. 38 da Lei 4.595/64, revogado pela Lei Complementar 105/2001, previa a possibilidade de quebra do sigilo bancário apenas por decisão judicial. 3. Com o advento da Lei n° 9.311/96, que instituiu a CPMF, as instituições financeiras responsáveis pela retenção da referida contribuição, ficaram obrigadas a prestar à Secretaria da Receita Federal informações a respeito da identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações bancárias, sendo vedado, a teor do que preceituava o § 3° do art. 11 da mencionada lei, a utilização dessas informações para a constituição de crédito referente a outros tributos. 4. A possibilidade de quebra do sigilo bancário também foi objeto de alteração legislativa, levada a efeito pela Lei Complementar 105/2001, cujo art 6° dispõe: "Art. 6 As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente." 5. A teor do que dispõe o art. 144, § 1° do Código Tributário Nacional, as leis tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, ao passo que as 54 . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104-21.094 leis de natureza material só alcançam fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. 6. Norma que permite a utilização de informações bancárias para fins de apuração e constituição de crédito tributário, por envergar natureza procedimental, tem aplicação imediata, alcançando mesmo fatos pretéritos. 7. A exegese do art. 144, § 1° do Código Tributário Nacional, considerada a natureza formal da norma que permite o cruzamento de dados referentes à arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos, conduz à conclusão da possibilidade da aplicação dos artigos 6° da Lei Complementar 105/2001 e 1° da Lei 10.174/2001 ao ato de lançamento de tributos cujo fato gerador se verificou em exercício anterior à vigência dos citados diplomas legais, desde que a constituição do crédito em si não esteja alcançada pela decadência. 8. lnexiste direito adquirido de obstar a fiscalização de negócios tributários, máxime porque, enquanto não extinto o crédito tributário a Autoridade Fiscal tem o dever vinculativo do lançamento em correspondência ao direito de tributar da entidade estatal. 9. Recurso Especial provido.". Em síntese é de se concluir, que as leis que regulam os aspectos formais do lançamento têm aplicação imediata, ou seja, passam a regular a atividade de lançamento na data em que o ato é exercido, ainda que a lei tenha vigência posterior à ocorrência da obrigação. Essa compreensão é perfeitamente válida para as leis que tenham instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, visando à ampliação de poderes de investigação das autoridades fiscais. É de se concluir, que na situação analisada, com a entrada em vigor da Lei Complementar n° 105, de 2001, foi facultado à autoridade fiscalizadora obter diretamente das instituições, sem necessidade de ordem judicial, extratos de contas bancárias e outros documentos de contribuintes submetidos à fiscalização, inclusive de períodos pretéritos à edição da aludida lei. Como também, nesta linha de pensamento argumentativo, não há que falar em ato jurídico perfeito, coisa julgada e direito adquirido, para contestar a aplicação da Lei 55 •• MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 Complementar n° 105, de 2001, uma vez que esses institutos não alcançam normas de caráter adjetivo, externas aos aspectos concernentes do fato gerador, e que visam à melhoria dos processos de fiscalização e apuração, como é o caso dos dispositivos legais combatidos. Ultrapassada a preliminar de nulidade do lançamento, se faz necessário à análise da preliminar de decadência do IRPF para o exercício de 1999, correspondente ao ano- calendário de 1998, sob o entendimento de que quando se tratar de incidência de imposto de renda pessoa física há o dever do sujeito passivo de efetuar o pagamento sem o prévio exame da autoridade administrativa, o que se configura como lançamento por homologação e neste caso o decurso do prazo decadencial de cinco anos se verificará entre a data da ocorrência do fato gerador mensal e a data da ciência do lançamento procedido mediante o Auto de Infração, ao amparo do artigo 150, § 4° do CTN. Quanto a preliminar de decadência fico com a corrente que entende que a modalidade de lançamento a que se sujeita o imposto sobre a renda de pessoas físicas é a do lançamento por homologação, cujo fato gerador se completa no encerramento do ano- calendário e em assim sendo, o imposto lançado relativo ao exercício de 1999, não se encontrava alcançado pelo prazo decadencial na data da ciência do auto de infração (13/121/03), de acordo com a regra contida no artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. Como se sabe, a decadência é na verdade a falência do direito de ação para proteger-se de uma lesão suportada; ou seja, ocorrida uma lesão de direito, o lesionado passa a ter interesse processual, no sentido de propor ação, para fazer valer seu direito. No entanto, na expectativa de dar alguma estabilidade às relações, a lei determina que o lesionado dispõe de um prazo para buscar a tutela jurisdicional de seu direito. Esgotado o prazo, o Poder Público não mais estará à disposição do lesionado para promover a reparação de seu direito. A decadência significa, pois, uma reação do ordenamento jurídico contra a inércia do credor 56 . • . • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CAMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 lesionado. Inércia que consiste em não tomar atitude que lhe incumbe para reparar a lesão sofrida. Tal inércia, • dia a dia, corrói o direito de ação, até que ele se perca - é a fluência do prazo decadencial. Deve ser esclarecido, que os fatos geradores das obrigações tributárias são classificados como instantâneos ou completivos. O fato gerador instantâneo, como o próprio nome revela, dá nascimento à obrigação tributária pela ocorrência de um acontecimento, sendo este suficiente por si só (imposto de renda na fonte). Em contraposição, os fatos geradores completivos são aqueles que se completam após o transcurso de um determinado período de tempo e abrangem um conjunto de fatos e circunstâncias que, isoladamente considerados, são destituídos de capacidade para gerar a obrigação tributária exigível. Este conjunto de fatos se corporifica, depois de determinado lapso temporal, em um fato imponível. Exemplo clássico de tributo que se enquadra nesta classificação de fato gerador completivo é o imposto de renda da pessoa física, apurado no ajuste anual. Aliás, a despeito da inovação introduzida pelo artigo 2° da Lei n° 7.713, de 1988, pelo qual estipulou-se que "o imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, a medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem recebidos", há que se ressaltar a relevância dos arts. 24 e 29 deste mesmo diploma legal e dos arts. 12 e 13 da Lei n° 8.383, de 1991 mantiveram o regime de tributação anual (fato gerador complexivo) para as pessoas físicas. É de se observar, que para as infrações relativas à omissão de rendimentos, tem-se que, embora as quantias sejam recebidas mensalmente, o valor apurado será acrescido aos rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual, submetendo-se à aplicação das alíquotas constantes da tabela progressiva anual. Portanto, no presente caso, não há que se 57 • • • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104-21.094 falar de fato gerador mensal, haja vista que somente no dia 31/12 de cada ano se completa o fato gerador complexivo objeto da autuação em questão. Em relação ao cômputo mensal do prazo decadencial, observe-se que a Lei n° 7.713, de 1988, instituiu, com relação ao imposto de renda das pessoas físicas, a tributação mensal à medida que os rendimentos forem auferidos. Contudo, embora devido mensalmente, quando o sujeito passivo deve apurar e recolher o imposto de renda, o seu fato gerador continuou sendo anual. Durante o decorrer do ano-calendário o contribuinte antecipa, mediante a retenção na fonte ou por meio de pagamentos espontâneos e obrigatórios, o imposto que será apurado em definitivo quando da apresentação da Declaração de Ajuste Anual, nos termos, especialmente, dos artigos 9° e 11 da Lei . n° 8.134, de 1990. É nessa oportunidade que o fato gerador do imposto de renda estará concluído. Por ser do tipo complexivo, segundo a classificação doutrinária, o fato gerador do imposto de renda surge completo no último dia do exercício social. Só então o contribuinte pode realizar os devidos ajustes de sua situação de sujeito passivo, considerando os rendimentos auferidos, as despesas realizadas, as deduções legais por dependentes e outras, as antecipações feitas e, assim, realizar a Declaração de Imposto de Renda a ser submetida à homologação do Fisco. Ora, a base de cálculo da declaração de rendimentos abrange todos os rendimentos tributáveis recebidos durante o ano-calendário. Desta forma, o fato gerador do imposto apurado relativamente aos rendimentos sujeitos ao ajuste anual se perfaz em 31 de dezembro de cada ano. Nesse contexto, deve-se atentar com relação ao caso em concreto que, embora a autoridade lançadora tenha discriminado o mês do fato gerador, o que se considerou para efeito de tributação foi o total de rendimentos percebidos pelo interessado no ano-calendário em questão sujeitos à tributação anual, conforme legislação vigente. 58 • • . • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CAMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 • Desta forma, após a análise dos autos, tenho para mim que não está extinto o direito da Fazenda Pública de constituir crédito tributário relativo ao exercício de 1999, ano- calendário de 1998, já que acompanho a corrente que entende que o lançamento na pessoa física se dá por homologação, cujo marco inicial da contagem do prazo decadencial é 31 de dezembro do ano-calendário em que ocorreu o fato gerador do imposto de renda questionado, ou seja, o fisco teria prazo legal até 31/12/03, para formalizar o crédito tributário discutido neste exercício. Como é sabido, o lançamento é o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, identificar o seu sujeito passivo, determinar a matéria tributável e calcular ou por outra forma definir o montante do crédito tributário, aplicando, se for o caso, a penalidade cabível. Com o lançamento constitui-se o crédito tributário, de modo que antes do lançamento, tendo ocorrido o fato imponível, ou seja, aquela circunstância descrita na lei como hipótese em que há incidência de tributo, verifica-se tão somente obrigação tributária, que não deixa de caracterizar relação jurídica tributária. É sabido, que são utilizados, na cobrança de impostos e/ou contribuições, tanto o lançamento por declaração quanto o lançamento por homologação. Aplica-se o lançamento por declaração (artigo 147 do Código Tributário Nacional) quando há participação da administração tributária com base em informações prestadas pelo sujeito passivo, ou quando, tendo havido recolhimentos antecipados, é apresentada a declaração respectiva, para o juste final do tributo efetivamente devido, cobrando-se as insuficiências ou apurando-se os excessos, com posterior restituição. 59 . • • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 Por outro lado, nos precisos termos do artigo 150 do CTN, ocorre o lançamento por homologação quando a legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, a qual, tomando conhecimento da atividade assim exercida, expressamente a homologa. lnexistindo essa homologação expressa, ocorrerá ela no prazo de 05(cinco) anos, a contar do fato gerador do tributo. Com outras palavras, no lançamento por homologação, o contribuinte apura o montante e efetua o recolhimento do tributo de forma definitiva, independentemente de ajustes posteriores. Neste ponto está a distinção fundamental entre uma sistemática e outra, ou seja, para se saber o regime de lançamento de um tributo, basta compulsar a sua legislação e verificar quando nasce o dever de cumprimento da obrigação tributária pelo sujeito passivo: se dependente de atividade da administração tributária, com base em informações prestadas pelos sujeitos passivos (lançamento por declaração), hipótese em que, antes de notificado do lançamento, nade deve o sujeito passivo; se, independente do pronunciamento da administração tributária, deve o sujeito passivo ir calculando e pagando o tributo, na forma estipulada pela legislação, sem exame do sujeito ativo - lançamento por homologação, que, a rigor técnico, não é lançamento, porquanto quando se homologa nada se constitui, pelo contrário, declara-se à existência de um crédito que já está extinto pelo pagamento. Por decadência entende-se a perda do direito de o fisco constituir o crédito tributário, pelo lançamento. Neste aspecto a legislação de regência diz o seguinte: Lei n.° 5.172, de 25 de outubro de 1966- Código Tributário Nacional: 60 . • . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 "Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa nos seguintes casos: VII - quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou . simulação; Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. 4° . Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue- se após cinco (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; li - da data em que se tomar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 61 e . . • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CAMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104-21.094 Depreende-se, desse texto, que o prazo decadencial é único, ou seja, de cinco anos e o tempo final é um só, o da data da notificação regular do lançamento, porém, o termo inicial, ou seja, a data a partir da qual flui a decadência é variável, como se observa abaixo: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, item I); II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal o lançamento anteriormente efetuado (CTN, art. 173, item II); III - da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento (CTN, art. 173, parágrafo único); IV - da data da ocorrência do fato gerador, nos tributos cujo lançamento normalmente é por homologação (CTN, art. 150, § 4°); V - da data em que o fato se tornou acessível para o fisco, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando o lançamento normal do tributo é por homologação (CTN, art. 149, inciso VII e art. 150, § 4°). Pela regra geral (art. 173, I), o termo inicial do lustro decadencial é o 1° dia do exercício seguinte ao exercício em que o lançamento poderia ter sido efetuado (contribuinte omisso na entrega da declaração de rendimentos). 62 . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104-21.094 O parágrafo único do artigo 173 do CTN altera o termo inicial do prazo para a data em que o sujeito passivo seja notificado de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. É claro que esse parágrafo só tem aplicação quando a notificação da medida preparatória é efetivada dentro do 1° exercicio em que a autoridade poderia lançar. Já pelo inciso II do citado artigo 173 se cria uma outra regra, segundo a qual o prazo decadencial começa a contar-se da data da decisão que anula o lançamento anterior, por vício de forma. Assim, em síntese, temos que o lançamento só pode ser efetuado dentro de cinco anos, contados de 1° de janeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, a menos que nesse dia o prazo já esteja fluindo pela notificação de medida preparatória, ou o lançamento tenha sido, ou venha a ser, anulado por vício formal, hipótese em que o prazo fluirá a partir da data de decisão. Se tratar de revisão de lançamento, ela há de se dar dentro do mesmo qüinqüênio, por força da norma inscrita no parágrafo único do artigo 149. É inconteste que o Código Tributário Nacional e a lei ordinária asseguram à Fazenda Nacional o prazo de cinco (cinco) anos para constituir o crédito tributário. Como se vê a decadência do direito de lançar se dá, pois, com o transcurso do prazo de cinco anos contados do termo inicial que o caso concreto recomendar. Há tributos e contribuições cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de efetuar o pagamento antes que a autoridade o lance. O pagamento se diz, então, antecipado e 63 . • . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 a autoridade o homologará expressamente ou tacitamente, pelo decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador. Assim, sendo exceção o recolhimento antecipado, fixou o CTN, também, regra excepcional de tempo para a prática dos atos da administração tributária, onde os mesmos cinco anos, da regra geral (art. 173 do CTN), já não mais dependem de uma carência inicial para o início da contagem, uma vez que não se exige a prática de atos administrativos prévios. Ocorrido o fato gerador, já nasce para o sujeito passivo à obrigação de apurar e liquidar o tributo, sem qualquer participação do sujeito ativo que, de outra parte, já tem o direito de investigar a regularidade dos procedimentos adotados pelo sujeito passivo a cada fato gerador, independente de qualquer informação ser-lhe prestada. Ora, próprio CTN fixou períodos de tempo diferenciados para atividade da administração tributária. Se a regra era o lançamento por declaração, que pressupunha atividade prévia do sujeito ativo, determinou o art. 173 do CTN, que o prazo qüinqüenal teria início a partir "do dia primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado", imaginando um tempo hábil para que as informações pudessem ser compulsadas e, com base nelas, preparando o lançamento. Essa é a regra básica da decadência. De outra parte, sendo exceção o recolhimento antecipado, fixou o CTN, também, regra excepcional de tempo para a prática dos atos da administração tributária, onde os mesmos cinco anos já não mais dependem de uma carência para o início da contagem, uma vez que não se exige a prática de atos administrativos prévios. Ocorrido o fato gerador, já nasce para o sujeito passivo à obrigação de apurar e liquidar o crédito tributário, sem qualquer participação do sujeito ativo que, de outra parte, já tem o direito de investigar a regularidade dos 64 . • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÃMAFtA Processo n°. : 18471.00257012003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 procedimentos adotados pelo sujeito passivo a cada fato gerador, independente de qualquer informação ser-lhe prestada. É o que está expresso no § 4°, do artigo 150, do CTN. Nesta ordem, refuto, também, o argumento daqueles que entendem que só pode haver homologação se houver pagamento e, por conseqüência, como o lançamento efetuado pelo fisco decorre da falta de recolhimento de imposto de renda, o procedimento fiscal não mais estaria no campo da homologação, deslocando-se para a modalidade de lançamento de oficio, sempre sujeito à regra geral de decadência do art. 173 do CTN. É fantasioso. Em primeiro lugar, porque não é isto que está escrito no caput do art. 150 do CTN, cujo comando não pode ser sepultado na vala da conveniência interpretativa, porque, queiram ou não, o citado artigo define com todas as letras que "o lançamento por homologação (...) opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa". O que é passível de ser ou não homologada é a atividade exercida pelo sujeito passivo, em todos os seus contornos legais, dos quais sobressaem os efeitos tributários. Limitar a atividade de homologação exclusivamente à quantia paga significa reduzir a atividade da administração tributária a um nada, ou a um procedimento de obviedade absoluta, visto que toda quantia ingressada deveria ser homologada e, a contrário sensu, não homologando o que não está pago. Em segundo lugar, mesmo que assim não fosse, é certo que a avaliação da suficiência de uma quantia recolhida implica, inexoravelmente, no exame de todos os fatos sujeitos à tributação, ou seja, o procedimento da autoridade administrativa tendente à homologação fica condicionado ao "conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, na linguagem do próprio CTN". 65 . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 Faz-se necessário lembrar que a homologação do conjunto de atos praticados pelo sujeito passivo não é atividade estranha à fiscalização federal. Ora, quando o sujeito passivo apresenta declaração com prejuízo fiscal num exercício e a fiscalização reconhece esse resultado para reduzir matéria a ser lançada em período subseqüente, ou no mesmo período-base, ou na área do IPI, com a apuração de saldo credor num determinado período de apuração, o que traduz inexistência de obrigação a cargo do sujeito passivo. Ao admitir tanto a redução na matéria lançada como a compensação de saldos em períodos subseqüentes, estará a fiscalização homologando aquele resultado, mesmo sem pagamento. Assim, não tenho dúvidas de que a base de cálculo da declaração de rendimentos de pessoa física abrange todos Os rendimentos tributáveis, não tributáveis e tributados exclusivamente na fonte recebidos durante o ano-calendário. Desta forma, o fato gerador do imposto apurado relativamente aos rendimentos sujeitos ao ajuste anual se perfaz em 31 de dezembro de cada ano. O tributo oriundo de imposto de renda pessoa física, a partir do ano-calendário de 1990, se encaixa na regra do art. 150 do CTN, onde a própria legislação aplicável (Lei n.° 8.134/90) atribui aos contribuintes o dever, quando for o caso, da declaração anual, onde os recolhimentos mensais do imposto constituem meras antecipações por conta da obrigação tributária definitiva, que ocorre no dia 31 de dezembro do ano-base, quando se completa o suporte fático da incidência tributária. 66 . • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104-21.094 É da essência do instituto da decadência a existência de um direito não exercitado pela inércia do titular desse direito, num período de tempo determinado, cuja conseqüência é a extinção desse direito. Em assim sendo, está correto a Fazenda Nacional constituir crédito tributário com base em imposto de renda pessoa física, relativo ao ano-calendário de 1998. O prazo qüinqüenal para que o fisco promovesse o lançamento tributário relativo aos fatos geradores ocorridos em 1998, começou, então, a fluir em 31/12/98, exaurindo-se em 311112/03, tendo tomado ciência do lançamento, em 13/12/03, conforme consta às fls. 1312, não estava, na data da ciência, decaído o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo a este exercício. Assim, é de se rejeitar a preliminar de decadência relativo ao exercício de 1999, correspondente ao ano-calendário de 1998. No que concerne ao lançamento da multa isolada por insuficiência de recolhimento de carnê-leão, há que se ressaltar que a referida multa é lançada de oficio e, portanto, independe do ajuste realizado na Declaração de Ajuste Anual. Assim, nesse caso em particular, o débito cobrado através da multa isolada decorre exclusivamente do recolhimento a menor do camê-leão devido à época, em nada se relacionando com o ajuste anual efetuado na Declaração de Rendimentos. Dessa forma, haja vista que os débitos relativos à multa isolada por falta ou insuficiência de carnê-leão são lançados apenas de ofício, não há o que se falar em lançamento por homologação nesse caso, não se podendo confundir o débito de carnê-leão (código 0190) com o débito de muita isolada por insuficiência de recolhimento de carnê-leão (código 6352), 67 . • • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 esse último decorrente de lançamento de ofício, de modo que o prazo decadencial se desloca, nesse caso em particular, para o artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Em sendo assim, há que se considerar como termo inicial para contagem do prazo decadencial, no que concerne aos débitos oriundos de multa isolada pela insuficiência de recolhimento de carnê-leão nos meses de janeiro, fevereiro e março de 1998, a data de 01/01199, de modo que o prazo para que a Fazenda Pública efetuasse o lançamento das multas isoladas correspondentes extinguiria-se em 31/12/03, não havendo o que se cogitar a respeito de decadência, haja vista que o contribuinte foi cientificado do auto de infração em 13/12/03. Da mesma forma, da análise das peças processuais contidas nos autos se verifica que o suplicante não tem razão quanto ao fato de ter readquirido a espontaneidade, já que o início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo e este somente se descaracteriza se ficar, por mais de sessenta dias, sem outro ato escrito de autoridade que lhe dê prosseguimento, conforme o disposto no art. 7 0, § 1°, do Decreto n° 70.235, de 1972 (Processo Administrativo Fiscal). Ademais, o fato de readquirir a espontaneidade, por si só, em nada vale, se o contribuinte não oferecer à tributação os valores omitidos apurados pela fiscalização, ou seja, aqueles valores que foram apurados de oficio pelo fisco, não podendo ser aí incluído os valores informados pelo contribuinte através da declaração de rendimentos apresentadas no período em que readquiriu a espontaneidade. Entretanto, não é o caso em questão já que o suplicante estava sob fiscalização, ou seja, não tinha direito à denúncia espontânea. No sentido amplo, não há dúvidas que o inicio do procedimento fiscal se descaracteriza se ficar, por mais de sessenta dias, sem outro ato escrito de autoridade que lhe dê prosseguimento. Entretanto, se depois de iniciado o procedimento fiscal solicitando-se 68 • • . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CAMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 esclarecimentos, o sujeito passivo vem a prestá-los e não realiza o pagamento do tributo pendente, dentro do prazo da espontaneidade, o prazo de sessenta dias se torna irrelevante, já que a responsabilidade somente é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora. Porém, no caso em discussão, está regra não tem aplicabilidade no que se refere aos rendimentos lançados de ofício, já que o contribuinte estava sob o efeito de intimação fiscal para prestar esclarecimentos (perda da espontaneidade). Quanto à omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas - item 001 do Auto de Infração -, principal discussão se prende ao reconhecimento da adesão a Lei n° 10.864 (PAES - Refis II). Alega o recorrente que em 22107/03 fez opção pelo Parcelamento Especial - PAES e que este pedido de parcelamento foi confirmado pela SRF/PGFN (fls. 1411/1420). Alega, ainda, que a Portaria n° 03, de 1° de setembro de 2003, da PGFN/SRF, através do seu art. 1 0 instituiu a Declaração PAES (Refis II) a ser apresentada até 31 de outubro de 2003 e que nesta Portaria, em seu art. 1° - IV - estabelece que a referida declaração tem, entre outras, por finalidade "Confessar débitos, não declarados e ainda não confessados, relativos a tributos e contribuições correspondentes a períodos de apuração objeto de ação fiscal por parte da SRF, não concluída no prazo fixado no caput independentemente de o devedor estar ou não obrigado à entrega da declaração específica.". E em razão do programa gerador da Declaração do Paes disponibilizado no site da própria SRF não possui campo especial para inserção de débitos reconhecidos pelos declarantes e não passível de litígios resolveu retificar as declarações de Ajuste Anual para inserir estes valores como devidos à Fazenda Nacional para efeito do PAES e que essa retificação não foi efetuada com objetivo de 69 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.00257012003-12 Acórdão n°. : 104-21.094 espontaneidade em detrimento da ação fiscal, mas exclusivamente para não perder o beneficio do PAES. Os dispositivos legais de regência da matéria se manifestam da seguinte forma: Lei n° 10.684. de 30 de maio de 2003: "Art. 1° Os débitos junto à Secretaria da Receita Federal ou à Procuradoria- Geral da Fazenda Nacional, com vencimento até 28 de fevereiro de 2003, poderão ser parcelados em até cento e oitenta prestações mensais e sucessivas. § 1 0 O disposto neste artigo aplica-se aos débitos constituídos ou não, inscritos ou não como Dívida Ativa, mesmo em fase de execução fiscal já ajuizada, ou que tenham sido objeto de parcelamento anterior, não integralmente quitado, ainda que cancelado por falta de pagamento. § 2° Os débitos ainda não constituídos deverão ser confessados, de forma irretratável e irrevogável." Para regular esse parcelamento, a Secretaria da Receita Federal e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional expediram a Portaria Conjunta n° 01, de 25 de junho de 2003, nos seguintes termos: "Art. 1°. (...). § 1° O parcelamento abrange os débitos constituídos ou não, inscritos ou não em Divida Ativa da União, ajuizados ou não, os débitos das pessoas jurídicas optantes pelo Sistema Simplificado de Pagamento de Imposto e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), os submetidos a parcelamento sob qualquer das modalidades legalmente autorizadas, ainda que cancelado por falta de pagamento, bem assim os que se encontram com exigibilidade suspensa em virtude de: 70 . • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES . QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104-21.094 I - reclamações e recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; II - concessão de medida liminar em mandado de segurança; III - concessão de medida liminar ou de tutela antecipada em outras espécies de ação judicial; § 2° Poderão integrar o parcelamento as multas lançadas em procedimento de ofício, independente da data prevista para seu pagamento, desde que o vencimento da divida principal que lhe deu origem tenha ocorrido até 28 de fevereiro de 2003." - Posteriormente, foi editada a Portaria Conjunta PGFN/SRF n° 03, de 1° de setembro de 2003, que criou a Declaração PAES, nos seguintes termos: Art. 1° Fica instituída declaração - Declaração Paes - a ser apresentada até o dia 31 de outubro de 2003 pelo optante do parcelamento especial de que trata a Lei 10.684/03, pessoa física ou, no caso de pessoa jurídica ou a ela equiparada, pelo estabelecimento matriz, com finalidade de: I - confessar débitos com vencimento até 28 de fevereiro de 2003, não declarados ou não confessados a SRF, total ou parcialmente, quando se tratar de devedor desobrigado da entrega de declaração específica; II - confessar débitos em relação aos quais houve desistência de ação judicial, bem assim, prestar informações sobre o processo correspondente a essa ação; III - prestar informações relativas aos débitos e aos respectivos processos administrativos, em relação aos quais houve desistência do litígio; IV - confessar débitos, não declárados e ainda não confessados, relativos a tributos e contribuições correspondentes a períodos de apuração objeto de ação fiscal por parte da SRF, não concluída no prazo fixado no caput, independentemente de o devedor estar ou não obrigado à entrega de declaração específica." 71 • • • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/200342 Acórdão n°. : 104-21.094 Dos autos se conclui, que fazendo parte do universo alcançado pela Lei, o recorrente aderiu ao que preceitua a Lei em data de 22/07/03, conforme consta dos documentos de fls. 1411/1415. Verifica-se que a adesão ao Programa de Parcelamento Especial não se deu em virtude do procedimento fiscal em si e sim por atendimento específico dos requisitos da Lei e sua regulamentação. Nesta linha de raciocínio, verifica-se, claramente, que o recorrente enquadra-se nos requisitos da Lei e assim deve ser considerada, por conseqüente é de se excluir à parte confessada pela Lei em tela naquilo que for coincidente com a matéria lançada. Não há dúvidas, que no seu caso, como estava sob ação fiscal no período da vigência da Lei n° 10.684, de 2003, tinha o prazo até 28 de novembro de 2003 (Portaria PGFN/SRF n° 5, de 23 de outubro de 2003) para proceder à inclusão de débitos não declarados, já que a ciência do auto de infração ocorreu em 13/12/03. Ora, é claro que ao caso em discussão não se poderia argumentar com denúncia espontânea já que havia um procedimento de fiscalização em andamento, contudo, é de se observar que a Lei n° 10.684, de 2003, deve ser encarada, como norma especial em relação à regra geral, ela veio estabelecer uma outra realidade, de forma temporária e em caráter de exceção. É notório, que o Programa Especial de Parcelamento - PAES, instituído pela Lei n° 10.684, de 30 de maio de 2003, abrange confissão de débitos com vencimento até 28 de fevereiro de 2003, não declarados e ainda não confessados, relativos a tributos e contribuições correspondente a períodos de apuração objeto de ação fiscal por parte da SRF não concluída 72 . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 no prazo da vigência da lei, independentemente de o devedor estar ou não obrigado à entrega de declaração especifica. Assim, se a adesão ao Programa Especial de Parcelamento foi realizado dentro do prazo da vigência da lei e antes da lavratura do Auto de Infração é de se excluir da base de cálculo da exigência o valor confessado, desde que o débito confessado se refira a mesma matéria constante do lançamento. Para concluir, entendo que se o suplicante, mesmo durante o período em que se encontrava sob fiscalização, aderiu ao Programa Especial de Parcelamento estabelecido pela Lei n° 10.684, de 2003, confessou débitos relativos a valores que, posteriormente, foram incluídos no auto de infração, estes valores coincidentes devem ser excluídos da base de cálculo da exigência tributária, ou seja, é de se excluir os valores lançados no item 001 - Rendimentos Recebidos de Pessoas Físicas Sujeitos a Carnê-Leão. É de se ressaltar, que em momento algum o recorrente alegou ter denunciado espontaneamente o crédito tributário relativo ao item questionado, tampouco pretendeu eximir- se do pagamento da multa de oficio correspondente, segundo o próprio recorrente já confessada anteriormente no PAES. No outro aspecto de mérito, a pedra angular da questão fiscal trazida à apreciação desta Câmara se resume, como ficou consignado no Relatório, à "Acréscimo Patrimonial a Descoberto". Da análise dos autos do processo se verifica que a autoridade lançadora constatou, através do levantamento de entradas e saldas de recursos - fluxo financeiro ("fluxo 73 . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA • Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 de caixa"), que o contribuinte apresentava, em determinados meses dos anos-calendário de 1998 e 1999, saldo negativo, representando desta forma presunção de omissão de rendimentos, já que consumia/aplicava mais do que possuía de recursos com origem justificada, através de rendimentos tributados, não tributáveis, isentos, tributados exclusivamente na fonte, ou que provinham de empréstimos. Não há dúvidas nos autos, que o suplicante foi tributado diante da constatação de omissão de rendimentos, pelo fato do fisco ter verificado, através do levantamento mensal de origens e aplicações de recursos, que o mesmo apresentava "um acréscimo patrimonial a descoberto", "saldo negativo mensal", ou seja, aplicava e/ou consumia mais do que possuía de recursos com origem justificada. Sobre este "acréscimo patrimonial a descoberto", "saldo negativo" cabe tecer algumas considerações. Sem dúvida, sempre que se apura de forma inequívoca um acréscimo patrimonial a descoberto, na acepção do termo, é lícito à presunção de que tal acréscimo foi construído com recursos não indicados na declaração de rendimentos do contribuinte. A situação patrimonial do contribuinte é medida em dois momentos distintos. No início do período considerado e no seu final, pela apropriação dos valores constantes de sua declaração de bens. O eventual acréscimo na situação patrimonial constatado na posição do final do período em comparação da mesma situação no seu início é considerado como acréscimo patrimonial. Para haver equilíbrio fiscal deve corresponder, tal acréscimo (que leva em consideração os bens, direitos e obrigações do contribuinte) deve estar respaldado em receitas auferidas (tributadas, não tributadas ou tributadas exclusivamente na fonte). 74 . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 No caso em questão, a tributação não decorreu do comparativo entre as situações patrimoniais do contribuinte ao final e início do período, ou seja, na acepção do termo "acréscimo patrimonial". Portanto, não pode ser tratada como simples acréscimo patrimonial. Desta forma, não há que se falar de acréscimo patrimonial a descoberto apurado na declaração anual de ajuste. Vistos esses fatos, cabe mencionar a definição do fato gerador da obrigação tributária principal que é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência (art. 114 do CTN). Esta situação é definida no art. 43 do CTN, como sendo a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza, que no caso em pauta é a omissão de rendimentos. Ocorrendo o fato gerador, compete à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível (CTN, art. 142). Ainda, segundo o parágrafo único, deste artigo, a atividade administrativa do lançamento é vinculada, ou seja, constitui procedimento vinculado à norma legal. Os princípios da legalidade estrita e da tipicidade são fundamentais para delinear que a exigência tributária se dé exclusivamente de acordo com a lei e os preceitos constitucionais. 75 . • • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104-21.094 Assim, o imposto de renda somente pode ser exigido se efetivamente ocorrer o fato gerador, ou, o lançamento será constituído quando se constatar que concretamente houve a disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza. Desta forma, podemos concluir que o lançamento somente poderá ser constituído a partir de fatos comprovadamente existentes, ou quando os esclarecimentos prestados forem impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão. Ora, se o fisco faz prova, através de demonstrativos de origens e aplicações de recursos - fluxo financeiro, que o recorrente efetuou gastos além da disponibilidade de recursos declarados, é evidente que houve omissão de rendimentos e esta omissão deverá ser apurada no mês em que ocorreu o fato. Diz a norma legal que rege o assunto: "Lei n.° 7.713. de 1988: Artigo 1° - Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1° de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliadas no Brasil serão tributados pelo Imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Artigo 2° - O Imposto de Renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Artigo 3° - O Imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvando o disposto nos artigos 9° a 14 desta Lei. § 1°. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho, ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda 76 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais correspondentes aos rendimentos declarados.". Lei n.° 8.134. de 1990: "Art. 1° - A partir do exercício-financeiro de 1991, os rendimentos e ganhos de capital percebidos por pessoas físicas residentes ou domiciliadas no Brasil serão tributados pelo Imposto de Renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2° - O Imposto de Renda das pessoas físicas será devido à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no artigo 11. Art. 40 - Em relação aos rendimentos percebidos a partir de 1° de janeiro de 1991, o imposto de que trata o artigo 8° da Lei n.° 7.713, de 1988: I - será calculado sobre os rendimentos efetivamente recebidos no mês.". Lei n.° 8.021. de 1990: "Art. 6° - O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, far-se- á arbitrando os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. § 1° - Considera-se sinal exterior de riqueza a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. § 2° - Constitui renda disponível a receita auferida pelo contribuinte, diminuída dos abatimentos e deduções admitidos pela legislação do Imposto de Renda em vigor e do Imposto de Renda pago pelo contribuinte?. 77 • • • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CAMARA Processo n°. 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 Como se depreende da legislação, anteriormente, citada o imposto de renda das pessoas físicas será apurado mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, já que com a edição da Lei n.° 8.134, de 1990, que introduziu a declaração anual de ajuste para efeito de apuração do imposto devido pelas pessoas físicas, tanto o imposto devido como o saldo do imposto a pagar ou a restituir, passaram a ser determinados anualmente, donde se conclui que o recolhimento mensal passou a ser considerado como antecipação do devido e não como pagamento definitivo. Nesta altura deve ser esclarecido, que os fatos geradores das obrigações tributárias são classificados como instantâneos ou complexivos. O fato gerador instantâneo, como o próprio nome revela, dá nascimento à obrigação tributária pela ocorrência de um acontecimento, sendo este suficiente por si só (imposto de renda na fonte). Em contraposição, os fatos geradores complexivos são aqueles que se completam após o transcurso de um determinado período de tempo e abrangem um conjunto de fatos e circunstâncias que, isoladamente considerados, são destituídos de capacidade para gerar a obrigação tributária exigível. Este conjunto de fatos se corporifica, depois de determinado lapso temporal, em um fato imponível. Exemplo clássico de tributo que se enquadra nesta classificação de fato gerador complexivo é o imposto de renda da pessoa física, apurado no ajuste anual Aliás, a despeito da inovação introduzida pelo artigo 2° da Lei n° 7.713/88, pelo qual estipulou-se que "o imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, a medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem recebidos", há que se ressaltar a relevância dos arts. 24 e 29 deste mesmo diploma legal e dos mis. 12 e 13 da Lei n° 8.383/91 mantiveram o regime de tributação anual (fato gerador complexivo) para as pessoas físicas. É de se observar, que para as infrações relativas à omissão de rendimentos, tem-se que, embora as quantias sejam recebidas mensalmente, o valor apurado será acrescido 78 . • • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104-21.094 aos rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual, submetendo-se à aplicação das aliquotas constantes da tabela progressiva anual. Portanto, no presente caso, não há que se falar de fato gerador mensal, haja vista que somente no dia 31/12 de cada ano se completa o fato gerador complexivo objeto da autuação em questão. Em relação ao cômputo mensal do fato gerador, é de se observar que a Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, instituiu, com relação ao imposto de renda das pessoas físicas, a tributação mensal à medida que os rendimentos forem auferidos. Contudo, embora devido mensalmente, quando o sujeito passivo deve apurar e recolher o imposto de renda, o seu fato gerador continuou sendo anual. Durante o decorrer do ano-calendário o contribuinte antecipa, mediante a retenção na fonte ou por meio de pagamentos espontâneos e obrigatórios, o imposto que será apurado em definitivo quando da apresentação da Declaração de Ajuste Anual, nos termos, especialmente, dos artigos 90 e 11 da Lei n° 8.134, de 1990. É nessa oportunidade que o fato gerador do imposto de renda estará concluído. Por ser do tipo complexivo, segundo a classificação doutrinária, o fato gerador do imposto de renda surge completo no último dia do exercício social. Só então o contribuinte pode realizar os devidos ajustes de sua situação de sujeito passivo, considerando os rendimentos auferidos, as despesas realizadas, as deduções legais por dependentes e outras, as antecipações feitas e, assim, realizar a Declaração de Imposto de Renda a ser submetida à homologação do Fisco. Ora, a base de cálculo da declaração de rendimentos abrange todos os rendimentos tributáveis recebidos durante o ano-calendário. Desta forma, o fato gerador do imposto apurado relativamente aos rendimentos sujeitos ao ajuste anual se perfaz em 31 de dezembro de cada ano. Nesse contexto, deve-se atentar com relação ao caso em concreto que, embora a autoridade lançadora tenha discriminado o mês do fato gerador, o que se considerou para 79 . • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104-21.094 efeito de tributação foi o total de rendimentos percebidos pelo interessado no ano-calendário em questão sujeitos à tributação anual, conforme legislação vigente. É certo que a Lei n.° 7.713, de 1988, determinou a obrigatoriedade da apuração mensal do imposto sobre a renda das pessoas físicas, não importando a origem dos rendimentos nem a natureza jurídica da fonte pagadora, se pessoa jurídica ou física. Como o imposto era apurado mensalmente, as pessoas físicas tinham o dever de cumprir sua obrigação com base nessa apuração, o que vale dizer, seu fato gerador era mensal, regra que teve vigência plena, somente, no ano de 1989. Entretanto, a partir do ano de 1990, não é possível exigir do contribuinte o pagamento mensal do imposto de renda, ainda que a fonte pagadora não tenha cumprido o dever legal de efetuar a retenção do imposto por antecipação do da declaração. Sem dúvidas que o imposto de renda na fonte e o imposto de renda recolhido na forma de "carnê-leão", apesar da denominação de imposto devido mensalmente, representam simples antecipações do imposto efetivamente apurado na declaração de ajuste anual. Desse modo, o imposto devido, a partir do período-base de 1990, passou a ser determinado mediante a aplicação da tabela progressiva sobre a base de cálculo apurada com a inclusão de todos os rendimentos de que trata o art. 10 da Lei n.° 8.134, de 1990, e o saldo a pagar ou a restituir, mediante a dedução do imposto retido na fonte ou pago pelo contribuinte pessoa física, mensalmente, quando auferisse rendimentos de outras pessoas físicas. Relevante observar, que a obrigatoriedade do recolhimento mensal nasceu com o advento da Lei n.° 7.713, de 1988, que introduziu na legislação do imposto de renda das pessoas físicas o sistema de bases correntes. 80 . , • - MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 Assim, entendo que os rendimentos omitidos apurados, mensalmente, pela fiscalização, a partir de 01/01/90, estão sujeita à tabela progressiva anual (IN SRF n.° 46/97). É evidente que o arbitramento da renda presumida cabe quando existe o sinal exterior de riqueza caracterizado pelos gastos excedentes da renda disponível, e deve ser quantificada em função destes. Não comungo com a corrente de que os saldos positivos (disponibilidades) apurados em um ano possam ser utilizados no ano seguinte, pura e simples, já que entendimento pacífico nesta Câmara que o Imposto de Renda das pessoas físicas, a partir de 01/01/90, será apurado, mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, incluindo-se, quando comprovada pelo Fisco, a omissão de rendimentos apurados através de planilhamento financeiro onde são considerados os ingressos e dispêndios realizados pelo contribuinte. Entretanto, por inexistir a obrigatoriedade de apresentação de declaração mensal de bens, incluindo dívidas e ônus reais e pela inexistência de previsão legal para se considerar como renda consumida, o saldo de disponibilidade pode ser aproveitado no mês subseqüente, desde que seja dentro do mesmo ano-calendário. Assim, somente poderá ser aproveitado, no ano subseqüente, o saldo de disponibilidade que constar na declaração do imposto de renda - declaração de bens, devidamente [astreado em documentação hábil e idônea. No presente caso, a tributação levada a efeito baseou-se em levantamentos mensais de origem e aplicações de recursos (fluxo financeiro ou de caixa), onde, a princípio, 81 . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.00257012003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 constata-se que houve a disponibilidade econômica de renda maior do que a declarada pelo suplicante, caracterizando omissão de rendimentos passíveis de tributação. Por outro lado, é entendimento pacífico, nesta Câmara, que quando a fiscalização promove o fluxo financeiro ("fluxo de caixa") do contribuinte, através de demonstrativos de origens e aplicações de recursos devem ser considerados todos os ingressos (entradas) e todos os dispêndios (saídas), ou seja, devem ser considerados todos os rendimentos, retornos de investimentos e empréstimos, (já tributados, não tributados, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte) declarados ou não, bem como todos os dispêndios/aplicações/investimentos/aquisições possíveis de se apurar, a exemplo de: despesas bancárias, aplicações financeiras, água, luz, telefone, empregada doméstica, cartões de crédito, juros pagos, pagamentos diversos, aquisições de bens e direitos (móveis e imóveis), etc., apurados mensalmente. Assim, não há dúvidas que o lançamento foi realizado dentro dos parâmetros legais. Não há dúvidas nos autos, que o suplicante foi tributado diante da constatação de omissão de rendimentos, pelo fato do fisco ter verificado, através do levantamento mensal de origens e aplicações de recursos, que o mesmo apresentava "um acréscimo patrimonial a descoberto", "saldo negativo mensal", ou seja, aplicava e/ou consumia mais do que possuía de recursos com origem justificada. No que diz respeito à exclusão ou inclusão de recursos, bem como à consideração de dívidas e ônus reais no fluxo de caixa, seria ocioso mencionar que todos os valores constantes da declaração de ajuste anual são passíveis de comprovação. E, no tocante a dinheiro em espécie, empréstimos ou recebimento de créditos por empréstimos junto a 82 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 terceiros ou fornecedores, os quais, eventualmente, justifiquem acréscimos patrimoniais, sua comprovação se processa mediante observação de uma conjunção de procedimentos que permitam a livre formação de convicção do julgador. Não tenho dúvidas, que a responsabilidade pela apresentação das provas do alegado compete ao contribuinte que praticou a irregularidade fiscal. No âmbito da teoria geral da prova, nenhuma dúvida há de que o ônus probante, em principio, cabe a quem alega determinado fato. Mas algumas aferições complementares, por vezes, devem ser feitas, a fim de que se tenha, em cada caso concreto, a correta atribuição do ônus da prova. Em não raros casos tal atribuição do ônus da prova resulta na exigência de produção de prova negativa, consistente na comprovação de que algo não ocorreu, coisa que, à evidência, não é admitida tanto pelo direito quanto pelo bom senso. Afinal, como comprovar o não recebimento de um rendimento? Como evidenciar que um contrato não foi firmado? Enfim, - como demonstrar que algo não ocorreu? Não se pode esquecer que o direito tributário é dos ramos jurídicos mais afeitos a concretude, à materialidade dos fatos, e menos à sua exteriorização formal (exemplo disso é que mesmos os rendimentos oriundos de atividades ilícitas são tributáveis). Nesse sentido, é de suma importância ressaltar o conceito de provas no âmbito do processo administrativo tributário. Com efeito, entende-se como prova todos os meios de demonstrar a existência (ou inexistência) de um fato jurídico ou, ainda, de fornecer ao julgador o conhecimento da verdade dos fatos. 83 . , • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104-21.094 - Não há, no processo administrativo tributário, disposições específicas quanto aos meios de prova admitidos, sendo de rigor, portanto, o uso subsidiário do Código de Processo Civil, que dispõe: • "Art. 332. Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou defesa." Da mera leitura deste dispositivo legal, depreende-se que no curso de um processo, judicial ou administrativo, todas as provas legais devem ser consideradas pelo julgador como elemento de formação de seu convencimento, visando à solução legal e justa da divergência entre as partes. Assim, tendo em vista a mais renomada doutrina, assim como, a iterativa jurisprudência, administrativa e judicial, a respeito da questão vê-se que o processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu à hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de recurso do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independentemente até mesmo do que foi alegado. A jurisprudência deste Primeiro Conselho de Contribuintes é clara a respeito do ônus da prova. Pretender a inversão do ânus da prova, como formalizado na peça recursal, agride não só a legislação, como a própria racionalidade. Assim, se de um lado, o contribuinte tem o dever de declarar, cabe a este, não à administração, a prova do declarado. De outro lado, se o declarado não existe, cabe a glosa pelo fisco. O mesmo vale quanto à formação das demais provas, as mesmas devem ser claras, não permitindo dúvidas na formação de juízo do julgador. 84 . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 Ora, não é lícito obrigar-se a Fazenda Nacional a substituir o particular no fornecimento da prova que a este competia. Como se sabe, no caso, em discussão, os valores apurados nos demonstrativos pela fiscalização caracterizam presunção legal, do tipo condicional ou relativa (júris tantum) que, embora estabelecida em lei, não tem caráter de verdade indiscutível, valendo enquanto prova em contrário não a vier desfazer ou mostrar sua falsidade. Observe-se que as presunções júris tantum, embora admitam prova em contrário, dispensam do Ónus da prova aquele a favor de quem se estabeleceu, cabendo ao sujeito passivo, no caso, a produção de provas em contrário, no sentido de ilidi-las. O Código Tributário Nacional prevê na distribuição do ônus da prova nos lançamentos de ofício que sempre recairá sobre o Fisco o ônus da comprovação dos fatos constitutivos do direito de efetuar o lançamento (artigo 149, inciso IV). É ao Fisco que cabe a comprovação da falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. Deste modo, havendo esta comprovação, ou seja, em face das provas produzidas e das planilhas que atestam o acréscimo patrimonial, a autoridade fiscal não só tem o poder de efetuar de ofício o lançamento, como também o dever. Ora, tanto o processo quanto a decisão administrativa, no particular, ambos devem primar pela objetividade factual impedidos, liminarmente, que estão, de trilhar a irracionalidade. Assim, pretender-se, como pretendido pelo recorrente, desconhecer de provas documentais, é olvidar a realidade, mediante agressão à objetividade material que fundamentou o lançamento. 85 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 Caberia, sim, a suplicante, em nome da verdade material, contestar os valores lançados, apresentando as suas contra razões, porém, calcadas em provas concretas, e não, simplesmente, apresentar argumentos, num universo de contradições, para pretender derrubar a presunção legal apresentada pelo fisco, já que o dever da guarda dos contratos e documentário fiscal, juntamente com a informação dos valores pagos é do próprio suplicante, não há como transferir para a autoridade lançadora tal ônus. Desta forma, a ausência de elementos factuais que possam elidir a totalidade da exigência fiscal ou mesmo reduzir parte, persiste nesta fase recursal, pois o recorrente insiste em contestar os valores do lançamento sob argumentos não amparados em provas, incapazes de dar consistência a sua pretensão de ver excluído a totalidade do crédito tributário constituído, conforme se verifica abaixo: Quanto aos cheques n's 497560, 496834, 501757, 501767, 506096, 520847, 520848, 520849, 520850, 523451, 523452 e 583589, nos valores de R$ 8.130,00; R$ 7.200,00; R$ 24.000,00; R$ 6.900,00; R$ 23210,00; R$ 12.000,00; R$ 12.000,00; R$ 12.000,00; R$ 12.000,00; R$ 12.000,00; R$ 12.000,00 e R$ 11.900,00, respectivamente (fls. 980/1019), tem- se que o recorrente alega que os cheques foram imputados no fluxo financeiro elaborado pela auditoria fiscal como dispêndios pessoais realizados com recursos do recorrente, entretanto, é de se reconhecer que não existe nos autos prova ou indício de que: (I) o recorrente seja o titular dos recursos despendidos; (II) de que o recorrente tenha sido o verdadeiro beneficiado dos dispêndios realizados ou ainda (III) de que teria sido o recorrente o beneficiado por tais pagamentos. Ora, no que concerne às alegações do interessado, é de se ressaltar que foram trazidos aos documentos que corroboram para o entendimento de que os cheques supracitados (fls. 982/1005) foram de fato emitidos para custear a campanha eleitoral do interessado. 86 •• MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 Portanto, restou provado pelo fisco que os pagamentos oriundos daqueles cheques foram utilizados em beneficio do interessado. Quanto aos cheques n°s 509000, 496833, 520130 e 523468, nos valores de R$ 8.000,00; R$ 8.640,00; R$ 9.800,00 e R$ 25.400,00, respectivamente (fls. 1020/1037), tem-se que o recorrente alega que a fiscalização se baseia no Relatório de Encerramento da CPI do Senado para considerar como rendimentos omitidos pelo recorrente os valores desses dispêndios relativos a pagamentos do Sr. Aremithas à Gráfica PL Ltda., apesar das próprias notas fiscais de serviços apontarem novamente ao Sr. Francisco Lima Vilanova como tomador dos serviços. Ora, no que concerne às alegações do interessado, há que se ressaltar que foram trazidos aos autos documentos que corroboram para o entendimento de que os cheques supracitados (fls. 1022/1029) foram emitidos para custear a campanha eleitoral do interessado e de outros candidatos. Portanto, no caso restou provado pelo fisco que os pagamentos oriundos daqueles cheques nos montantes de R$ 14.140,00 e R$ 25.800,00 foram utilizados em beneficio do interessado. Quanto ao cheque 512200 no valor de R$ 24.510,00 (fls. 1051/1072), tem-se que o recorrente alega que para imputar o seu valor como rendimento dolosamente omitido, a fiscalização se baseia unicamente na Nota Fiscal/Fatura de Serviços n° 001016, de emissão da Satélite Painéis Rio Ltda., emitida em nome do recorrente, relativa a gastos de sua campanha eleitoral, ou seja, que com relação a este pagamento, a importância da acusação de acréscimo patrimonial a descoberto se evidencia pela comprovação de que aqueles recursos, ao contrário do que supôs a auditoria-fiscal, não foram fruto da ilusória omissão de rendimentos do recorrente, mas, ao contrário, tiveram origem comprovada e declarada na prestação de contas apresentada pelo recorrente ao Tribunal Regional Eleitoral. 87 , . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.00257012003-12 Acórdão n°. : 104-21.094 Ora, o contribuinte não logrou comprovar tratarem-se tais valores de doações, de modo que sequer se conhece a procedência de tais recursos. O fato é que tais dispêndios foram realizados a seu favor, cabendo ao interessado comprovar que os mesmos tiveram origem em recursos provenientes de doações efetuadas em seu benefício e/ou em outros rendimentos isentos e não tributáveis. O fato de haver declarado o valor de R$ 24.510,00 a título de doação, na prestação de contas de sua campanha eleitoral, não exime de comprovar, através de documentação hábil e idônea, a natureza da transação. Quanto aos empréstimos contraídos, no ano de 1999, no montante de R$ 320.000,00, o recorrente alega que muito embora tenha sido provado que os empréstimos foram devidamente informados nas Declarações de Ajuste Anual do mutuante e do mutuário, bem como ter sido trazidas aos autos às cópias das notas promissórias firmadas pelo recorrente em razão dos mútuos (fls. 873/880), não foram considerados nos fluxos financeiros os ingressos de R$ 60.000,00 no mês de abril, R$ 150.000,00 no mês de maio, R$ 80.000,00 no mês de junho e R$ 30.000,00 no mês de outubro daquele ano, recebidos em espécie pelo recorrente em contrapartida das dívidas assumidas. Apesar do recorrente ter apresentados os documentos, relativamente ao empréstimo de R$ 320.000,00 que teria sido concedido pelo Sr. Reinaldo Menezes da Rocha Pitta, a questão se resume na comprovação de que o mutuário efetivamente recebeu o numerário decorrente das transações acima. Ora, consta dos autos do processo que a Secretaria da Receita Federal determinou que fosse desenvolvida ação fiscal no Sr. Reinaldo Menezes da Rocha Pitta e em diversas pessoas a ele ligadas, entre as quais o Sr. Marcelo Femandes Mesquita. Esse senhor foi funcionário da pessoa jurídica Gortin Promoções, da qual o Sr. Reinaldo Pitta é sócio, tendo 88 . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CAMA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 exercido, sucessivamente, as funções de mensageiro, auxiliar de escritório e auxiliar de contabilidade, no período de 1991 a 2202. Nota-se que, em 13/08/03, o Sr. Marcelo Mesquita prestou à fiscalização a declaração de folha 383, na qual afirma, em relação ao suposto empréstimo de R$ 320.000,00, concedido em . 1999 pelo Sr. Reinaldo Pitta ao Sr Eurico Miranda: "que a operação efetivamente não existiu, isto é, não houve transferência de numerário do Sr. Reinaldo Pitta para o Sr. Eurico Miranda; que a operação foi realizada visando dar suporte financeiro aos gastos do Sr. Eurico Miranda, uma vez que a declaração de rendimentos do Sr. Reinaldo Pitta apresentava "sobra" de recursos; e que as notas promissórias apresentadas pelo Sr. Eurico Miranda e por ele, declarante, entregues à fiscalização, foram confeccionadas pelo Sr. Cdney Ferreira Junior, atual contador de empresas de propriedade do Sr. Reinaldo Pitta. Como se vê, ainda que a ausência da comprovação da efetividade de transferência dos recursos já represente, por si só, elemento suficiente para desconsideração do valor como origem, conforme várias intimações emitidas pela fiscalização, as declarações prestadas pelo Sr. Marcelo Fernandes Mesquita confirmam as conclusões da fiscalização no sentido de que a operação em comento se reveste, tão somente, de caráter escriturai, carecendo, pois, de prova irrefutável de sua efetividade. Da mesma forma, nada prova a seu favor os documentos de fls. 1679/1689 acostados na fase recursal, pois todos os depósitos foram efetuados em "dinheiro", não existe a identificação do depositário, ou seja, o recorrente não fez prova que de fato recebeu os valores de Reinaldo Menezes da Rocha Pitta. Quanto à restituição de valores adiantados a filhos nos valores de R$ 190.000,00 e R$ 44.000,00, o contribuinte alega que deixaram de ser considerados os reembolsos dos adiantamentos de recursos feitos aos filhos do recorrente (Mário Angelo Brandão de Oliveira Miranda, no valor total de R$ 190.000,00, e Eurico Angelo Brandão de Oliveira Miranda, no valor de R$ 44.000,00), conforme item 10 da resposta apresentada à 89 • • • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 auditoria-fiscal em 23/12/02 (fls. 398 e seguintes) e item 3 da resposta prestada em 06/06/03 (fls. 1077/1078). Ora, cabe ao recorrente comprovar a efetividade da transferência dos recursos alegados. Não basta que Srs. Mário Angelo e Eurico Angelo Brandão de Oliveira Miranda, filhos do recorrente, disporem de rendimentos declarados à Secretaria da Receita Federal suficientes à realização dos reembolsos ao recorrente, se intimado deve comprovar a efetiva transferência dos recursos. Quanto ao cheque n°583589 no valor de R$ 11.900,00 (fls. 981 e 1006/1008), o recorrente alega que a fiscalização se baseia no Relatório de Encerramento da CPI do Senado para atribuir dispêndios de campanha eleitoral como rendimentos. Ora, é cristalino nos autos que o suplicante não logrou comprovar tratar-se o referido valor de doação, de modo que sequer se conhece a procedência de tais recursos. O fato é que foram realizados dispêndios em seu favor, cabendo ao interessado comprovar que os mesmo tiveram origem em recursos provenientes de doações efetuadas em seu benefício e/ou em outros rendimentos isentos e não tributáveis. Quanto ao cheque de R$ 13.406,42 (fls. 1100/1115), tendo como beneficiária CTI Viagens e Turismo Ltda., o suplicante alega que os autuantes entenderam que o cheque acima referido teve por finalidade o pagamento de passagens aéreas do recorrente e de sua esposa, cujos custos afirmaram ter sido por ele arcados e que, na realidade, porém, este cheque, em especial, destinou-se ao pagamento de passagens aéreas custeadas pelo Clube de Regatas Vasco da Gama, do qual, como se sabe, o recorrente é dirigente, e de sua esposa em representação daquela entidade esportiva nos Jogos Pan-americanos de Winnipeg, aos quais aquele Clube enviou delegação com cerca de 300 atletas. Trata-se de utilização de recursos 2 90 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 nos estritos interesses sociais do Clube, inclusive no que se refere à esposa do recorrente que, nesses eventos, como é de praxe, acompanha o marido. Da mesma forma, trata-se de matéria de prova, cujo ônus cabe ao suplicante, sendo livre a convicção do julgador. Quanto às despesas reembolsadas em 1999 pelo Clube de Regatas Vasco da Gama, no valor total de R$ 14.048,22, o suplicante alega que os autuantes concluíram que o recorrente não apresentou qualquer documentação que comprove que esse reembolso de fato ocorreu, recusando-se, em conseqüência, a excluir tais dispêndios pagos mediante uso do cartão de crédito do recorrente. Ora, o ônus da prova é do suplicante no sentido que aqueles valores destinaram-se efetivamente ao pagamento de despesas com viagens (passagens e/ou combustível, etc.) e restaurantes no Rio de Janeiro, bem como deve ser provado que aqueles valores foram reembolsados pelo Clube de Regatas Vasco da Gama, em razão de tratar-se de gastos realizados nos estritos interesses institucionais daquela entidade esportiva. Quanto às despesas médicas, verifica-se que a glosa de R$ 6.410,76, se deu em virtude desse montante se referir a despesas médicas da esposa e filhos, os quais não constam como dependentes do recorrente em sua declaração de rendimentos. Para o deslinde da questão se faz necessário invocar a Lei n° 9.250, de 1995, verbis: "Art. 8° A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: 91 . . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 C..). II - das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; b) a pagamentos efetuados a estabelecimento de ensino relativamente à educação pré-escolar, de 1° e 2° e 3° graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite individual de R$ 1.700,00 (um mil e setecentos reais); c) à quantia de R$ 1.080,00 (um mil e oitenta reais) por dependente; (...). O às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; (...). § 2° O disposto na alínea "a" do inciso II: C..). II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes - CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; •(-..). 92 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 40, inciso III, e 8°, inciso II, alínea "c" poderão ser considerados como dependentes: I - o cônjuge, II - o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III - a filha, o filho, a enteada ou enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV - o menor pobre, até 21 anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V - o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até 21 anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI - os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII - o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador." Do dispositivo legal acima transcrito podemos concluir que não cabe razão ao recorrente, já que quando a legislação tributária cita o termo "dependentes", o faz no sentido tributário e fiscal, e não em sentido diverso, como entende o recorrente ao afirmar que teria direito à dedução pleiteada pelo simples fato de possuir dependentes em seu seguro saúde. Observe-se que para que o contribuinte faça jus à dedução de despesas médicas de seus dependentes, não é necessário que se possua dependentes em seguro de saúde, mas sim dependentes no âmbito da legislação do imposto de renda da pessoa física. Quanto aos depósitos bancários de origem não comprovada, tem-se que o interessado procura justificar a origem dos depósitos bancários de R$ 3.000,00 (fls. 286), de 93 . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 27/08/99, R$ 38.400,00 (fls. 287), de 07/12/99, R$ 81.600,00 (fls. 287), de 07/12/99, e R$ 63.400,00 (fls. 287), de 14/12/99, alegando, em síntese, que tais valores decorreram de restituições de empréstimo, em dinheiro, efetuadas por dois de seus filhos, bem como de valores que o próprio interessado detinha em espécie. Defende o recorrente a tese que a tributação com base em depósitos bancários não presume o consumo de renda, e desta forma, seria inaceitável que num primeiro momento a Fazenda acuse o contribuinte de omissão de receitas e, logo em seguida, recuse que estes valores decorreram de restituições, em dinheiro, efetuadas por dois de seus filhos, bem como de valores que o próprio interessado detinha em espécie. Ora, é notório, que no passado os lançamentos de crédito tributário baseado exclusivamente em cheques emitidos, depósitos bancários e/ou de extratos bancários, sempre tiveram sérias restrições, seja na esfera administrativa, seja no judiciário. Para por um fim nestas discussões o legislador introduziu o artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, caracterizando como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantido junto à instituição financeira, em relação as quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, estipulando limites de valores para a sua aplicação, ou seja, estipulou que não devem ser considerados créditos de valor individual igual ou inferior a doze mil reais, desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de oitenta mil reais. Apesar das restrições, no passado, com relação aos lançamentos de crédito tributário baseado exclusivamente depósitos bancários (extratos bancários), não posso deixar de concordar com a decisão singular, que a partir do ano de 1997, com o advento da Lei n. 9.430, de 1996, existe o permissivo legal para tributação de depósitos bancários não 94 , . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CAMARA Processo n°. : 18471.00257012003-12 Acórdão n°. : 104-21.094 justificados como se "omissão de rendimentos" fossem. Como se vê, a lei instituiu uma presunção legal de omissão de rendimentos. Não pode prosperar o argumento do nobre recorrente quanto à exclusão da tributação, já que o ônus da prova em contrário é do contribuinte, sendo a legislação de regência cristalina, conforme o transcrito abaixo: Lei n.° 9.430. de 27 de dezembro de 1996: "Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idónea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1° O valor das receitas ou rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; 95 . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 II - no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4° Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira?. Como se vê, nos dispositivos legais retromencionados, o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos. Não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, tem-se a autorização legal para considerar ocorrido o fato gerador. Ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem rendimentos do contribuinte. É evidente que nestes casos existe a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável. Faz-se necessário mencionar, que a presunção criada pela Lei n° 9.430, de 1996, é uma presunção relativa passível de prova em contrário, ou seja, está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do contribuinte, em instituições bancárias. A simples prova em contrário, ônus que cabe ao contribuinte, faz desaparecer a presunção de omissão de rendimentos. Por outro lado, a falta de justificação faz nascer à obrigação do contribuinte para com a Fazenda Nacional de pagar o tributo com os devidos acréscimos previstos na legislação de regência, já que a principal obrigação em matéria tributária é o recolhimento do valor correspondente ao tributo na data aprazada. A falta de recolhimento no vencimento acarreta em novas obrigações de juros e multa que se convertem também em obrigação principal. 96 , . • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 Assim, desde que o procedimento fiscal esteja lastreado nas condições imposta pelo permissivo legal, entendo que seja do recorrente o ânus de provar a origem dos recursos depositados em sua conta corrente, ou seja, de provar que há depósitos, devidamente especificados, que representam aquisição de disponibilidade financeira não tributável o que já foi tributado. Desta forma, para que se proceda à exclusão da base de cálculo de algum valor considerado, indevidamente, pela fiscalização, se faz necessário que o contribuinte apresente elemento probatório que seja hábil e idóneo. Ora, à luz da Lei n° 9.430, de 1996, cabe ao suplicante, demonstrar o nexo causal entre os depósitos existentes e o benefício que tais créditos tenham lhe trazido, pois somente ele pode discriminar que recursos já foram tributados e quais se derivam de meras transferências entre contas. Em outras palavras, como destacado nas citadas leis, cabe a ele contribuinte comprovar a origem de tais depósitos bancários de forma tão substancial quanto o é a presunção legal autorizadora do lançamento. Além do mais, é cristalino na legislação de regência (§ 3° do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996), a necessidade de identificação individualizada dos depósitos, sendo necessário coincidir valor, data e até mesmo depositante, com os respectivos documentos probantes, não podendo ser tratadas de forma genérica e nem por médias. Uma vez não comprovadas as alegações da parte interessada e conseqüentemente, não comprovada a origem dos depósitos bancários objeto da autuação fiscal, há que se manter a presunção de omissão de rendimentos consignada no auto de infração ora discutido, conforme previsto na legislação de regência. 97 , . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 Quanto ao lançamento da multa de lançamento de oficio exigida de forma isolada pelo recolhimento em atraso do camê-leão, se faz necessário destacar que o lançamento da multa isolada engloba valores recebidos de pessoas físicas (carnê-leão), mensalmente apurados e informados na Declaração de Ajuste Anual, porém, recolhidos em atraso. A Lei n.° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, ao tratar do Auto de Infração com tributo e sem tributo dispôs: "Art. 43 - Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente à multa ou juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único - Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Art. 44 - Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II - (omissis). § 1 0 - As multas de que trata este artigo serão exigidas: I - juntamente com o tributo ou contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II - isoladamente quando o tributo ou contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; 98 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.00257012003-12 Acórdão n°. : 104-21.094 III - isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnê-leão) na forma do art. 8° da Lei n.° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazê-lo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste.* Da análise dos dispositivos legais retro transcritos é possível se concluir que para aquele contribuinte, submetido à ação fiscal, após o encerramento do ano-calendário, que deixou de recolher o ecamê-leão" que estava obrigado, existe a aplicabilidade da multa de lançamento de ofício exigida de forma isolada. É cristalino o texto legal quando se refere às normas de constituição de crédito tributário, através de auto de infração sem a exigência de tributo. Do texto legal conclui-se que não existe a possibilidade de cobrança concomitante de multa de lançamento de oficio juntamente com o tributo (normal) e multa de lançamento de oficio isolada sem tributo, ou seja, se o lançamento do tributo é de oficio deve ser cobrada a multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (multa de oficio normal), não havendo neste caso espaço legal para se incluir a cobrança da multa de lançamento de ofício isolada. Por outro lado, quando o lançamento de exigência tributária for aplicação de multa isolada, só há espaço legal para aquelas infrações que não foram levantadas de ofício, a exemplo da apresentação espontânea da declaração de ajuste anual com previsão de pagamento de imposto mensal (carnê-leão) sem o devido recolhimento, caso típico da aplicação de multa de lançamento de ofício isolada sem a cobrança de tributo, cabendo neste além da multa isolada a cobrança de juros de mora de forma isolada, entre o vencimento do imposto até a data prevista para a entrega da declaração de ajuste anual, já que após esta data o imposto não recolhido está condensado na declaração de ajuste anual. 99 • . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 Desta forma, entendo cabível, a partir de 1° de janeiro de 1997, a multa de oficio prevista no art. 44, § 1°, inciso III, da Lei n° 9.430, de 1996, exigidos isoladamente, sob o argumento do não recolhimento do imposto mensal (camê-leão), previsto no artigo 8°, da Lei n° 7.713, de 1988, informado na Declaração de Ajuste Anual, ou seja, é cabível a exigência da multa isolada de 75% sobre o carnê-leão apurado nas declarações da suplicante relativo aos anos-calendário de 1998 e 1999, não objeto de lançamento de oficio. Quanto à aplicação da multa de lançamento de ofício exigida de forma isolada, sobre os rendimentos omitidos por pessoa física, mesmo que sua origem derive de rendimentos tipicamente de carnê-leão (rendimentos recebidos de pessoas físicas), devem sofrer tributação no ajuste anual, sendo indevida a exigência da multa isolada pela falta de recolhimento mensal obrigatório (camê-leão), à inteligência do artigo 55, inciso XIII e parágrafo único do RIR/99 (Decreto n° 3.000/99). A Lei n.° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, ao tratar do Auto de Infração com tributo e sem tributo dispôs: "Art. 43 - Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente à multa ou juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único - Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Art. 44 - Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem acréscimo de multa moratória, de falta de 100 . . • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA • Processo n°. : 18471.00257012003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II - (omissis). § 1° - As multas de que trata este artigo serão exigidas: I - juntamente com o tributo ou contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II - isoladamente quando o tributo ou contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III - isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnê-leão) na forma do art. 8° da Lei n.° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazê-lo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; (—). Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o más anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 101 " • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104-21.094 Da análise dos dispositivos legais retro transcritos é possível se concluir que para aquele contribuinte, submetido à ação fiscal, após o encerramento do ano-calendário, que deixou de recolher o "carnê-leão" que estava obrigado, existe a aplicabilidade da multa de lançamento de ofício exigida de forma isolada, bem como os juros de mora limitados entre a data do vencimento da obrigação até a data prevista para a entrega da declaração de ajuste anual. É cristalino o texto legal quando se refere às normas de constituição de crédito tributário, através de auto de infração sem a exigência de tributo. Do texto legal conclui-se que não existe a possibilidade de cobrança concomitante de multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (normal) e multa de lançamento de oficio isolada sem tributo, ou seja, se o lançamento do tributo é de ofício deve ser cobrada a multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (multa de ofício normal), não havendo neste caso espaço legal para se incluir a cobrança da multa de lançamento 'de ofício isolada. Por outro lado, quando o lançamento de exigência tributária for aplicação de multa isolada, só há espaço legal para aquelas infrações que não foram levantadas de oficio, a exemplo da apresentação espontânea da declaração de ajuste anual com previsão de pagamento de imposto mensal (carnê-leão) sem o devido recolhimento, caso típico da aplicação de multa de lançamento de oficio isolada sem a cobrança de tributo, cabendo neste além da multa isolada a cobrança de juros de mora de forma isolada, entre o vencimento do imposto até a data prevista para a entrega da declaração de ajuste anual, já que após esta data o imposto não recolhido está condensado na declaração de ajuste anual. Assim sendo, é de se excluir da tributação a multa de lançamento de ofício exigida de forma isolada em concomitância com a multa de lançamento de oficio exigida com o tributo. 102 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 Quanto à aplicação da multa qualificada, tem-se que da análise dos autos, se verifica que os Membros componentes da Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro - RJ consideraram procedente a aplicação no lançamento da multa qualificada de 150%, amparado na convicção de que a multa de ofício qualificada é aplicável já que está comprovado nos autos a intenção dolosa na conduta adotada pelo contribuinte, com o propósito específico de impedir ou retardar o conhecimento das infrações, ocultando rendimentos auferidos e não declarados. Da análise da matéria, não posso concordar com a decisão exarada pelos Membros da Turma de Julgamento, pelas razões abaixo expostas. Neste processo, se faz necessário à evocação da justiça fiscal, no que se refere à multa qualificada aplicada, decorrente do art. art. 992, II, do RIR/94, que prevê sua aplicação nos casos de evidente intuito de fraude, conforme farta Jurisprudência emanada deste Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Da análise, dos autos do processo, é cristalino a conclusão de que a multa qualificada foi em decorrência de que a autoridade fiscal entendeu que estaria caracterizado o evidente intuito de fraude, já que o contribuinte teria se utilizado de contas bancárias de terceiros para movimentar importâncias que lhe pertenciam, além de ter movimentado valores expressivos, ou seja, a qualificação da multa teria origem nas diligências realizadas, já que se teria apurado que expressivos valores movimentados nas contas bancárias do Sr. Aremithas e da Braziliam Soccer foram usados em beneficio do recorrente, para custear total ou parcialmente (a) serviços e material de campanha eleitoral; (b) empréstimos a terceiros; (c) aquisição de imóvel para empresa da qual o recorrente era sócio; (d) aquisição de veículos; (e) passagens aéreas; (O aquisição de imóvel para sua esposa; (g) obtenção de direitos aquisitivos para sua esposa; (h) empréstimos aos filhos para aquisição de cotas de capital; e (i) aumentos de capital em empresa da qual o recorrente era sócio. 103 . . • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 Assim, não há dúvidas que a qualificação da multa tem origem na prestação de informação ao fisco, em resposta à intimação emitida divergente de dados levantados pela fiscalização, bem como a movimentação de valores expressivos, de origem desconhecida, em contas bancárias de terceiros, em benefício próprio (pagamentos de diversos valores, utilizando conta bancária de terceira pessoa). Ora, com a devida vênia, o máximo que poderia ter acontecido é que esses valores expressivos, de origem desconhecida, movimentadas em contas bancárias de terceiros, em benefício próprio, deveriam ser tributados, já que como consta do processo a própria autoridade julgadora em Primeira Instância já reconheceu que os recursos que foram depositados na conta corrente do Sr. Aremithas, e que dela saíram para pagamento de diversos tipos de despesas, não pertenciam exclusivamente ao recorrente, mas também a terceiros outros que dela se beneficiavam, como também entendeu para que os dispêndios efetuados através da conta-corrente do Sr. Aremithas José de Lima sejam apropriados ao Sr. Eurico Miranda, faz-se necessário identificar, através de documentos concretos, o nexo causal entre aqueles pagamentos e o interessado. Como se vê, o suplicante não movimentava conta bancária em nome de terceiros e sim pagamentos eram realizados por terceiros em seu nome, cuja origem dos recursos utilizados não foram investigados pela fiscalização, que poderiam caracterizar omissão de rendimentos simples que jamais daria qualificação da multa, muito menos, pretender por isso qualificar todos os fatos geradores apurados durante o ano- calendário de 1998 e 1999. A aplicação da multa de lançamento de ofício qualificada, decorrente do art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, atualmente aplicada de forma generalizada pela autoridade lançadora, deve obedecer toda cautela possível e ser aplicada, tão somente, nos casos em que ficar nitidamente caracterizado o evidente intuito de fraude, conforme farta Jurisprudência 104 • • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104-21.094 emanada do Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Sem dúvida que se trata de questão delicada, pois para que a multa de lançamento de ofício se transforme de 75% em 150% é imprescindível que se configure o evidente intuito de fraude. Este mandamento se encontra no inciso II do artigo 957 do Regulamento do Imposto de Renda, de 1999, ou seja, para que ocorra a incidência da hipótese prevista no dispositivo legal referendado, é necessário que esteja perfeitamente caracterizado o evidente intuito de fraude. Deve-se ter sempre, em mente, o princípio de direito de que a "fraude não se presume", devem existir, sempre, dentro do processo, provas sobre o evidente intuito de fraude. Como se vê o art. 957, II, do Regulamento do Imposto de Renda, de 1999, sucedâneo do art. 992, II, Regulamento do Imposto de Renda de 1994, que representa a matriz da multa qualificada, reporta-se aos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.° 4.502/64, que prevêem o intuito de se reduzir, impedir ou retardar, total ou parcialmente, o pagamento de uma obrigação tributária, ou simplesmente, ocultá-la. Com a devida vénia dos que pensam em contrário, a simples omissão de receitas ou de rendimentos; a simples declaração inexata de receitas ou rendimentos; a classificação indevida de receitas/rendimentos na Declaração de Ajuste Anual ou a falta de inclusão de algum valor, bem ou direito na Declaração de Bens ou Direitos, não tem, a princípio, a característica essencial de evidente intuito de fraude. Da mesma forma, a prestação de informações ao fisco, em resposta à intimação emitida divergente de dados levantados pela fiscalização ou a movimentação de valores expressivos, de origem desconhecida, em contas bancárias de terceiros, em benefício 105 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA - Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 próprio (realização de pagamentos), não evidencia o evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n°9.430, de 1996. Além do mais, o que pesa realmente no presente caso é que o lançamento foi realizado por omissão de rendimentos através de levantamento de "fluxo financeiro", que autoriza a presunção de omissão de rendimentos, porém por si só, é insuficiente para amparar a aplicação de multa qualificada. No mesmo sentido, estaria a informação de que o suplicante teria movimentado valores expressivos, em conta de terceiros, cuja origem é duvidosa, informação esta sequer investigada pela fiscalização, poderiam no máximo ser um indicativo de omissão de rendimentos, mas jamais será indicativo de evidente intuito de fraude. Nos casos de lançamentos tributários tendo por base "acréscimo patrimonial a descoberto", apurados através de "fluxo financeiro", vislumbra-se um lamentável equivoco por parte da Receita Federal. Nestes lançamentos, acumulam-se duas premissas: a primeira que foi a de omissão de rendimentos; a segunda que a falta de declaração destes supostos rendimentos estariam a evidenciar o evidente intuito de sonegar ou fraudar imposto de renda. Quando a Receita Federal age deste modo, aplica, no meu modo de entender, incorretamente a multa de oficio qualificada, pois, tais infrações não possuem o essencial, qual seja, o evidente intuito de fraudar. A prova, neste aspecto, deve ser material; evidente como diz a lei. Este equívoco praticado pelo fisco provoca, em certos casos, um transtorno irreparável ao contribuinte. Como se sabe, toda vez que é aplicada a multa qualificada, além do problema tributário, surge a questão penal tributária, materializada na representação fiscal para fins penais, partindo do pressuposto que a conduta praticada pelo contribuinte tipifica, em tese, um ilícito penal previsto na Lei n°8.137, de 1990. - Com efeito, a qualificação da multa, nestes casos, importaria em equiparar uma simples infração fiscal, de presunção legal de omissão de rendimentos em razão do acréscimo 106 . • • • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.00257012003-12 Acórdão n°. : 104-21.094 patrimonial a descoberto apurado, facilmente detectável pela fiscalização, às infrações mais graves, em que seu responsável surrupia dados necessários ao conhecimento da fraude. A qualificação da multa, nestes casos, importaria em equiparar uma prática claramente identificada, aos fatos delituosos mais ofensivos à ordem legal, nos quais o agente sabe estar praticando o delito e o deseja, a exemplo: da adulteração de comprovantes, da nota fiscal inidõnea, movimentação de conta bancária em nome fictício, movimentação bancária em nome de terceiro ("laranja"), movimentação bancária em nome de pessoas já falecidas, da falsificação documental, do documento a título gracioso, da falsidade ideológica, da nota fiscal calçada, das notas fiscais de empresas inexistentes (notas frias), das notas fiscais paralelas, do subfaturamento na exportação (evasão de divisas), do superfaturamento na importação (evasão de divisas), etc. O fato de alguém, pessoa jurídica, não registrar as vendas, no total das notas fiscais na escrituração, pode ser considerado, de plano, com evidente intuito de fraudar ou sonegar o imposto de renda? Obviamente que não. O fato de uma pessoa física receber um rendimento e simplesmente não declará-lo é considerado com evidente intuito de fraudar ou sonegar? Claro que não. Ora, se nestas circunstâncias, ou seja, a simples não declaração não se pode considerar como evidente intuito de sonegar ou fraudar é evidente que nos casos de simples presunção de omissão de rendimentos é semelhante, já que a presunção legal é de que o recorrente recebeu um rendimento e deixou de declará-lo. Sendo irrelevante, o caso de que somente o fez em virtude da presença da fiscalização. Este fato não tem o condão de descaracterizar o fato ocorrido, qual seja, a de simples omissão de rendimentos. Por que não se pode reconhecer na simples omissão de rendimentos/receitas, a exemplo de omissão no registro de compras, omissão no registro de vendas, passivo fictício, 107 . • • 3. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 passivo não comprovado, saldo credor de caixa, suprimento de numerário não comprovado ou créditos bancários cuja origem não foi comprovada tratar-se de rendimentos/receitas já tributadas ou não tributáveis, embora clara a sua tributação, a imposição de multa qualificada? Por uma resposta muito simples. É porque existe .a presunção de omissão de rendimentos, por isso, é evidente a tributação, mas não existe a prova da evidente intenção de sonegar ou fraudar. O motivo da falta de tributação é diverso. Pode ter sido, omissão proposital, equívoco, •lapso, negligência, desorganização, etc. Se a premissa do fisco fosse verdadeira, ou seja, que a simples omissão de receitas ou de rendimentos; a simples declaração inexata de receitas ou rendimentos; a classificação indevida de receitas/rendimentos na Declaração de Ajuste Anual; a falta de inclusão de algum valor/bem/direito na Declaração de Bens ou Direitos ou Direitos ou a falta de declaração de algum rendimento recebido, através de crédito em conta bancária, pelo contribuinte, daria por si só, margem para a aplicação da multa qualificada, não haveria a hipótese de aplicação da multa de ofício normal, ou seja, deveria ser aplicada a multa qualificada em todas as infrações tributárias, a exemplo de: passivo fictício, saldo credor de caixa, declaração inexata, falta de contabilização de receitas, omissão de rendimentos relativo ganho de capital, acréscimo patrimonial a descoberto, rendimento recebido e não declarado, etc. Já ficou decidido por este Primeiro Conselho de Contribuintes que a multa qualificada somente será passível de aplicação quando se revelar o evidente intuito de fraudar o fisco, devendo ainda, neste caso, ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos, conforme se constata nos julgados abaixo: Acórdão n.° 104-18.698, de 17 de abril de 2002: 108 , . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CAMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 "MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO QUALIFICADA - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA - Justifica-se a exigência da multa qualificada prevista no artigo 4°, inciso II, da Lei n°8.218, de 1991, reduzida na forma prevista no art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, pois o contribuinte, foi devidamente intimado a declinar se possuía conta bancária no exterior, em diversas ocasiões, faltou com a verdade, demonstrando intuito doloso no sentido de impedir, ou no mínimo retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador decorrente da percepção dos valores recebidos e que transitaram nesta conta bancária não declarada." Acórdão n.° 104-18.640, de 19 de março de 2002: "MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO QUALIFICADA - FRAUDE - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA - Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa de 150% seja aplicada, exige-se que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.°. 4.502, de 1964. A falta de inclusão, como rendimentos tributáveis, na Declaração de Imposto de Renda, de valores que transitaram a crédito em conta corrente bancária pertencente ao contribuinte, caracteriza falta simples de omissão de rendimentos, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do art. 992, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 1994." Acórdão n.°. 104-19.055, de 05 de novembro de 2002: "MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO QUALIFICADA - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa de 150% seja aplicada, exige-se que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.°. 4.502, de 1964. A falta de 109 ' MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES . QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 esclarecimentos, bem como o vulto dos valores omitido pelo contribuinte, apurados através de fluxo financeiro, caracteriza falta simples de presunção de omissão de rendimentos, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do art. 992, inciso II do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n°1.041, de 1994? Acórdão n.°. 102-45-584, de 09 de julho de 2002: "MULTA AGRAVADA - INFRAÇÃO QUALIFICADA - APLICABILIDADE - A constatação nos autos de que o sujeito passivo da obrigação tributária utilizou- se de documentação inidônea a fim de promover pagamentos a beneficiários não identificados, e considerando que estes pagamentos não transitaram pelas contas de resultado econômico da empresa, vez que, seus valores foram levados e registrados em contrapartida com contas do Ativo Permanente, não caracteriza o tipo penal previsto nos arts. 71 a 73 da lei n° 4.503/64, sendo inaplicável à espécie a multa qualificada de que trata o artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430 de 27 de dezembro de 1996? Acórdão n.°. 101-93.919, de 22 de agosto de 2002: "MULTA AGRAVADA - CUSTOS FICTÍCIOS - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - Restando comprovado que a pessoa jurídica utilizou-se de meios inidôneos para majorar seus custos, do que resultou indevida redução do lucro sujeito à tributação, aplicável é a penalidade exasperada por caracterizado o evidente intuito de fraude." Acórdão n.°. 104-19.454, de 13 de agosto de 2003: - "MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO QUALIFICADA - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa de 150% seja aplicada, exige-se que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos 110 , . , • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 •Acórdão n°. : 104- 21.094 casos definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.°. 4.502, de 1964. A dedução indevida de despesa médica/instrução, rendimento recebido de pessoa jurídica não declarados, bem como a falta de inclusão na Declaração de Ajuste Anual, como rendimentos, os valores que transitaram a crédito (depósitos) em conta corrente pertencente ao contribuinte, cuja origem não comprove caracteriza, a princípio, falta simples de redução indevida de imposto de renda e omissão de rendimentos, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do art. 992, inciso II do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 1994, já que a fiscalização não demonstrou, nos autos, que a ação do contribuinte teve o propósito deliberado de impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, utilizando-se de recursos que caracterizam evidente intuito de fraude." Acórdão n.°. 104-19.534, de 10 de setembro de 2003: "DOCUMENTOS FISCAIS INIDCMEOS - MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA - LANÇAMENTO POR DECORRÊNCIA - SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS - No lançamento por decorrência, cabe aos sócios da autuada demonstrar que os custos e/ou despesas foram efetivamente suportadas pela sociedade civil, mediante prova de recebimento dos bens a que as referidas notas fiscais aludem. A utilização de documentos ideologicamente falsos -" notas fiscais frias "-, para comprovar custos e/ou despesas, constitui evidente intuito de fraude e justifica a aplicação da multa qualificada de 150%, conforme previsto no art. 728, inc. III, do RIR/80, aprovado pelo Decreto n.° 85.450, de 1980." Acórdão n.°. 104-19.386, de 11 de junho de 2003: "MOVIMENTAÇÃO DE CONTAS BANCÁRIAS EM NOME DE TERCEIROS E/OU EM NOME FICTÍCIOS - COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE DE EMPRESA DESATIVADA - MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO QUALIFICADA - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - JUSTIFICATIVA PARA • APLICAÇÃO DA MULTA - Cabível a exigência da multa qualificada prevista no artigo 4°, inciso II, da Lei n.° 8.218, de 1991, reduzida na forma prevista no art. 44, II, da Lei n.° 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.° III • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104-21.094 4.502, de 1964. A movimentação de contas bancárias em nome de terceiros e/ou em nome fictício, devidamente, comprovado pela autoridade lançadora, circunstância agravada pelo fato de não terem sido declarados na Declaração de Ajuste Anual, como rendimentos tributáveis, os valores que transitaram a crédito nestas contas corrente cuja origem não comprove, somado ao fato de não terem sido declaradas na Declaração de Bens e Direitos, bem como compensação na Declaração de Ajuste Anual de imposto de renda na fonte como retido fosse por empresa desativada e com inscrição bloqueada no fisco estadual, caracterizam evidente intuito de fraude nos termos do art. 992, inciso do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 1994 e autoriza a aplicação da multa qualificada. Acórdão n.°. 106-12.858, de 23 de agosto de 2002: "MULTA DE OFICIO - DECLARAÇÃO INEXATA - A ausência de comprovação da veracidade dos dados consignados nas declarações de rendimentos entregues, espontaneamente ou depois de iniciado o procedimento de oficio, implica em considerá-las inexatas e, nos termos da legislação tributária vigente, autoriza a aplicação da multa de setenta e cinco por cento nos casos de falta de declaração ou declaração inexata, calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo." Acórdão n.°. 101-93.251, de 08 de novembro de 2000: "MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. AGRAVAMENTO. Comprovado o evidente intuito de fraude, a penalidade aplicável é aquela prevista no artigo 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996? É um princípio geral de direito, universalmente conhecido, de que as multas e os agravamentos de penas pecuniárias ou pessoais, devem estar lisamente comprovadas. Trata-se de aplicar uma sanção e, neste caso, o direito faz com cautela, para evitar abusos e arbitrariedades. O evidente intuito de fraude não pode ser presumido. 112 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 Como também é pacífico, que a circunstância do contribuinte quando omitir em documento, público ou particular, declaração que nele deveria constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que deveria ser escrita, com o fim de prejudicar a verdade sobre o fato juridicamente relevante, constitui hipótese de falsidade ideológica. Para um melhor deslinde da questão, impõe-se invocar o conceito de fraude fiscal, que se encontra na lei. Em primeiro lugar, recorde-se o que determina o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n.° 3.000, de 1999, nestes termos: "Art. 957 - Serão aplicadas as seguintes multas sobre a totalidade ou diferença do imposto devido, nos casos de lançamento de oficio (Lei n.° 8.218/91, art. 4°) (...) II - de trezentos por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis." A Lei n.° 4.502, de 1964, estabelece o seguinte: "Art. 71 - Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, na sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal, na sua natureza ou circunstância materiais. Art. 72 - Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, ou a 113 , MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 - Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72? Nos casos de realização das hipóteses de fato de conluio, fraude e sonegação, uma vez comprovadas estas e por decorrência da natureza característica desses tipos, o legislador tributário entendeu presente o "intuito de fraude". Em outras palavras, a fraude é um artifício malicioso que a pessoa emprega com a intenção de burlar, enganar outra pessoa ou lesar os cofres públicos, na obtenção de benefícios ou vantagens que não lhe são devidos. A falsidade ideológica consiste na omissão, em documento público ou particular, de declaração que dele deveria constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que deveria ser escrita, com o fim de criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante. Juridicamente, entende-se por má-fé todo o ato praticado com o conhecimento da maldade ou do mal que nele se contém. É a certeza do engano, do vício, da fraude. O dolo implica conteúdo criminoso, ou seja, a intenção criminosa de fazer o mal, de prejudicar, de obter o fim por meios escusos. Para caracterizar dolo, o ato deve conter quatro requisitos essenciais: (a) o ânimo de prejudicar ou fraudar; (b) que a manobra ou artificio tenha sido a causa da feitura do ato ou do consentimento da parte prejudicada (c) uma relação de causa e efeito entre o artifício empregado e o benefício por ele conseguido; e (d) a participação intencional de uma das partes no dolo. 114 e MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.00257012003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 Como se vê, exige-se, portanto, que haja o propósito deliberado de modificar a característica essencial do fato gerador do imposto, quer pela alteração do valor da matéria tributável, quer pela exclusão ou modificação das características essenciais do fato gerador, com a finalidade de se reduzir o imposto devido ou evitar ou diferir seu pagamento. Inaplicável nos casos de presunção simples de omissão de rendimentos/receitas ou mesmo quando se tratar de omissão de rendimentos/receitas de fato. No caso de realização da hipótese de fraude, o legislador tributário entendeu presente, ipso facto, o Intuito de fraude". E nem poderia ser diferente, já que por mais abrangente que seja a descrição da hipótese de incidência das figuras tipicamente penais, o elemento de culpabilidade, dolo, sendo-lhes inerente, desautoriza a consideração automática do intuito de fraudar. O intuito de fraudar referido não é todo e qualquer intuito, tão somente por ser intuito, e mesmo intuito de fraudar, mas há que ser intuito de fraudar que seja evidente. O ordenamento jurídico positivo dotou o direito tributário das regras necessárias à avaliação dos fatos envolvidos, peculiaridades, circunstâncias essenciais, autoria e graduação das penas, imprescindindo o intérprete, julgador e aplicador da lei, do concurso e/ou dependência do que ficar ou tiver que ser decidido em outra esfera. Do que veio até então exposto, necessário se faz ressaltar, como aspecto distintivo fundamental, em primeiro plano o conceito de evidente, como qualificativo do "intuito de fraudar", para justificar a aplicação da multa de lançamento de oficio qualificada. Até porque, faltando qualquer deles, não se realiza na prática, a hipótese de incidência de que se trata. 115 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104-21.094 • Segundo o Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, tem-se que: EVIDENTE. <Do lat. Evidente> Adj. - Que não oferece dúvida; que se compreende prontamente, dispensando demonstração; claro, manifesto, patente. EVIDENCIAR - V.t.d 1. Tornar evidente; mostrar com clareza; Conseguiu com poucas palavras evidenciar o seu ponto de vista. P. 2. Aparecer com evidência; mostrar-se, patentear-se. De Plácido e Silva, no seu Vocabulário Jurídico, trazendo esse conceito mais para o âmbito do direito, esclarece: "EVIDENTE. Do latim evidens ,claro, patente, é vocábulo que designa, na terminologia jurídica, tudo que está demonstrado, que está provado, ou o que é convincente, pelo que se entende digno de crédito ou merecedor de fé." Exige-se, portanto, que haja o propósito deliberado de modificar a característica do fato gerador do imposto, quer pela alteração do valor da matéria tributável, quer pela exclusão ou modificação das características essenciais do fato gerador, com a finalidade de se reduzir o imposto devido ou evitar ou diferir seu pagamento. Quando a lei se reporta à evidente intuito de fraude é óbvio que a palavra intuito não está em lugar de pensamento, pois ninguém conseguirá penetrar no pensamento de seu semelhante. A palavra intuito, pelo contrário, supõe a intenção manifestada exteriormente, já que pelas ações se pode chegar ao pensamento de alguém. Há certas ações que, por si só, já denotam ter o seu autor pretendido proceder, desta ou daquela forma, para alcançar, tal ou qual, finalidade. Intuito é, pois, sinônimo de intenção, isto é, aquilo que se deseja, aquilo que se tem em vista ao agir. 116 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 O evidente intuito de fraude floresce nos casos típicos de adulteração de comprovantes, adulteração de notas fiscais, conta bancária em nome fictício, falsidade ideológica, notas calçadas, notas frias, nota& paralelas, etc., conforme se observa na jurisprudência abaixo: Acórdão n.°. 104-19.621, de 04 de novembro de 2003: "COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTOS ATRAVÉS DA EMISSÃO DE RECIBOS RELATIVO A OBRIGAÇÕES JÁ CUMPRIDAS EM ANOS ANTERIORES - MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO QUALIFICADA - CARACTERIZAÇÃO DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA - Cabível a exigência da multa qualificada prevista no artigo 40, inciso II, da Lei n.° 8.218, de 1991, reduzida na forma prevista no art. 44, II, da Lei n.° 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.° 4.502, de 1964. Caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do artigo 992, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 1994, autorizando a aplicação da multa qualificada, a prática reiterada de omitir na escrituração contábil o real destinatário e/ou causa dos pagamentos efetuados, como forma de ocultar a ocorrência do fato gerador e subtrair-se à obrigação de comprovar o recolhimento do imposto de renda na fonte na efetivação dos pagamentos realizados. Sendo que para justificar tais pagamentos o contribuinte apresentou recibos relativos à operação de compra de imóveis, cuja obrigação já fora cumprida em anos anteriores pelos verdadeiros obrigados." Acórdão n.°. 103-12.178, de 17 de março de 1993: "CONTA BANCÁRIA FICTÍCIA - Apurado que os valores ingressados na empresa sem a devida contabilização foram depositados em conta bancária fictícia aberta em nome de pessoa física não encontrada e com movimentação pelas representantes da pessoa jurídica, está caracterizada a omissão de receita, incidindo sobre o imposto apurado a multa majorada de 150% de que trata o art. 728, III, do RIR/80." or!--r? 117 .. • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104-21.094 Acórdão n.°. 101-92.613, de 16 de fevereiro de 2000: "DOCUMENTOS EMITIDOS POR EMPRESAS INEXISTENTES OU BAIXADAS - Os valores apropriados como custos ou despesas, calcados em documentos fiscais emitidos por empresas inexistentes, baixadas, sem prova efetiva de seu pagamento, do ingresso das mercadorias no estabelecimento da adquirente ou seu emprego em obras, estão sujeitos à glosa, sendo legítima a aplicação da penalidade agravada quando restar provado o evidente intuito de fraude? Acórdão n.°. 104-14.960, de 17 de junho de 1998: "DOCUMENTOS FISCAIS A TITULO GRACIOSO - Cabe à autuada demonstrar que os custos/despesas foram efetivamente suportados, mediante prova de recebimento dos bens e/ou serviços a que as referidas notas fiscais aludem. A utilização de documentos fornecidos a título gracioso, ideologicamente falsos, eis que os serviços não foram prestados, para comprovar custos/despesas, constitui fraude e justifica a aplicação de multa qualificada de 150%, prevista no artigo 728, III, do RIR/80." Acórdão n.°. 103-07.115, de 1985: "NOTAS CALÇADAS - FALSIDADE MATERIAL OU IDEOLÓGICA - A nota fiscal calçada é um dos mais gritantes casos de falsidade documental, denunciando, por si s6, o objetivo de eliminar ou reduzir o montante do imposto devido. Aplicável a multa prevista neste dispositivo? Acórdão n.°. 104-17.256, de 12 de julho de 2000: "MULTA AGRAVADA - CONTA FRIA - O uso da chamada 'conta fria", com o propósito de ocultar operações tributáveis, caracteriza o conceito de evidente intuito de fraude e justifica a penalidade exacerbada." É de se ressaltar, que não basta que atividade seja ilícita para se aplicar à multa qualificada, deve haver o evidente intuito de fraude, já que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou 118 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104-21.094 nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Assim, entendo que, no caso dos autos, não se percebe a prática de ato doloso para a configuração do ilícito penal. A informação, de que o suplicante movimentou valores expressivos, cuja origem era duvidosa, e que movimentou estes valores em contas pertencentes a terceiros, alegação sequer investigada pela fiscalização, que procedeu ao lançamento com base em "Fluxo de Caixa". Para concluir é de se reforçar, mais uma vez, que a simples omissão de rendimentos não dá causa para a qualificação da multa. A infração a dispositivo de lei, mesmo que resulte diminuição de pagamento de tributo, não autoriza presumir intuito de fraude. A inobservância da legislação tributária tem que estar acompanhada de prova que o sujeito empenhou-se em induzir a autoridade administrativa em erro quer por forjar documentos quer por ter feito parte em conluio, para que fique caracterizada a conduta fraudulenta. Desta forma, só posso concluir pela inaplicabilidade da multa de lançamento de ofício qualificada, devendo a mesma ser reduzida para aplicação de multa de oficio normal de 75%. • O contribuinte em diversos momentos de sua petição resiste à pretensão fiscal, argüindo inconstitucionalidade e/ou ilegalidade de lei, entretanto, não vejo como se poderia acolher algum argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade na esfera administrativa. É meu entendimento, acompanhado pelos pares desta Quarta Câmara, que quanto à discussão sobre a inconstitucionalidade de normas legais, os órgãos administrativos 119 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 judicantes estão impedidos de declarar a inconstitucionalidade de lei ou regulamento, face à inexistência de previsão constitucional. No sistema jurídico brasileiro, somente o Poder Judiciário pode declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, através do chamado controle incidental e do controle pela Ação Direta de Inconstitucionalidade. No caso de lei sancionada pelo Presidente da República é que dito controle seria mesmo incabível, por ilógico, pois se o Chefe Supremo da Administração Federal já fizera o controle preventivo da constitucionalidade e da conveniência, para poder promulgar a lei, não seria razoável que subordinados, na escala hierárquica administrativa, considerasse inconstitucional lei ou dispositivo legal que aquele houvesse considerado constitucional. Exercendo a jurisdição no limite de sua competência, o julgador administrativo não pode nunca ferir o princípio de ampla defesa, já que esta só pode ser apreciada no foro próprio. A ser verdadeiro que o Poder Executivo deveria deixar de aplicar lei que entenda inconstitucional, maior insegurança teriam os cidadãos, por ficarem à mercê do alvedrio do Executivo. O poder Executivo haverá de cumprir o que emana da lei, ainda que materialmente possa ela ser inconstitucional. A sanção da lei pelo Chefe do Poder Executivo afasta - sob o ponto de vista formal - a possibilidade da argüição de inconstitucionalidade, no seu âmbito interno. Se assim entendesse, o chefe de Governo veta-la-ia, nos termos do artigo 66, § 1° da Constituição. Rejeitado o veto, ao teor do § 40 do mesmo artigo constitucional, promulgue-a ou não o Presidente da República, a lei haverá de ser executada na sua inteireza, 120 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 não podendo ficar exposta ao capricho ou à conv- eniência do Poder Executivo. Faculta-se-lhe, tão-somente, a propositura da ação própria perante o órgão jurisdicional e, enquanto pendente a decisão, continuará o Poder Executivo a lhe dar execução. Imagine-se se assim não fosse, facultando-se ao Poder Executivo, através de seus diversos departamentos, desconhecer a norma legislativa ou simplesmente negar-lhe executoriedade por entendê-la, unilateralmente, inconstitucional. A evolução do direito, como quer a suplicante, não deve pôr em risco toda uma construção sistêmica baseada na independência e na harmonia dos Poderes, e em cujos princípios repousa o estado democrático. Não se deve a pretexto de negar validade a uma lei pretensamente inconstitucional, praticar-se inconstitucionalidade ainda maior consubstanciada no exercício de competência de que este Colegiado não dispõe, póis que deferida a outro Poder. Como se vê, falta competência para este Colegiado para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade dos preceitos legais que embasaram o presente ato de lançamento. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de legitimidade até que sejam declaradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, na via direta, ou pelos demais órgãos do Poder Judiciário, inter partes, no controle difuso de constitucionalidade. Ou seja, declarada a ilegalidade pelo Superior Tribunal de Justiça. De qualquer modo, somente o Poder Judiciário tem autorização constitucional para afastar a aplicação de lei regularmente editada. Além disso, as leis em vigor gozam da presunção de legalidade e constitucionalidade, restando ao agente da Administração Pública aplicá-las, a menos que estejam incluídas nas hipóteses de que trata o Decreto n° 2.346, de 1997, ou que haja 121 e • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CAMARA Processo n°. : 18471.002570/2003-12 Acórdão n°. : 104- 21.094 determinação judicial em sentido contrário beneficiando o contribuinte, o que efetivamente não é o caso. Diante do conteúdo dos autos e Pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de REJEITAR as preliminares de nulidade do lançamento e de decadência e, no mérito, DAR provimento parcial ao recurso para: I - excluir da base de cálculo da exigência a omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas (inclusão no PAES) (item 001 do AI); II - excluir da exigência tributária a aplicação da multa exigida de forma isolada em concomitância com a multa de lançamento de oficio; III - reduzir a aplicação da multa de lançamento de oficio qualificada de 150% para multa de lançamento de ofício normal de 75%. Sala das Sessões - DF, em 20 de outubro de 2005 NE Ogtfed'n 122 Page 1 _0025400.PDF Page 1 _0025500.PDF Page 1 _0025600.PDF Page 1 _0025700.PDF Page 1 _0025800.PDF Page 1 _0025900.PDF Page 1 _0026000.PDF Page 1 _0026100.PDF Page 1 _0026200.PDF Page 1 _0026300.PDF Page 1 _0026400.PDF Page 1 _0026500.PDF Page 1 _0026600.PDF Page 1 _0026700.PDF Page 1 _0026800.PDF Page 1 _0026900.PDF Page 1 _0027000.PDF Page 1 _0027100.PDF Page 1 _0027200.PDF Page 1 _0027300.PDF Page 1 _0027400.PDF Page 1 _0027500.PDF Page 1 _0027600.PDF Page 1 _0027700.PDF Page 1 _0027800.PDF Page 1 _0027900.PDF Page 1 _0028000.PDF Page 1 _0028100.PDF Page 1 _0028200.PDF Page 1 _0028300.PDF Page 1 _0028400.PDF Page 1 _0028500.PDF Page 1 _0028600.PDF Page 1 _0028700.PDF Page 1 _0028800.PDF Page 1 _0028900.PDF Page 1 _0029000.PDF Page 1 _0029100.PDF Page 1 _0029200.PDF Page 1 _0029300.PDF Page 1 _0029400.PDF Page 1 _0029500.PDF Page 1 _0029600.PDF Page 1 _0029700.PDF Page 1 _0029800.PDF Page 1 _0029900.PDF Page 1 _0030000.PDF Page 1 _0030100.PDF Page 1 _0030200.PDF Page 1 _0030300.PDF Page 1 _0030400.PDF Page 1 _0030500.PDF Page 1 _0030600.PDF Page 1 _0030700.PDF Page 1 _0030800.PDF Page 1 _0030900.PDF Page 1 _0031000.PDF Page 1 _0031100.PDF Page 1 _0031200.PDF Page 1 _0031300.PDF Page 1 _0031400.PDF Page 1 _0031500.PDF Page 1 _0031600.PDF Page 1 _0031700.PDF Page 1 _0031800.PDF Page 1 _0031900.PDF Page 1 _0032000.PDF Page 1 _0032100.PDF Page 1 _0032200.PDF Page 1 _0032300.PDF Page 1 _0032400.PDF Page 1 _0032500.PDF Page 1 _0032600.PDF Page 1 _0032700.PDF Page 1 _0032800.PDF Page 1 _0032900.PDF Page 1 _0033000.PDF Page 1 _0033100.PDF Page 1 _0033200.PDF Page 1 _0033300.PDF Page 1 _0033400.PDF Page 1 _0033500.PDF Page 1 _0033600.PDF Page 1 _0033700.PDF Page 1 _0033800.PDF Page 1 _0033900.PDF Page 1 _0034000.PDF Page 1 _0034100.PDF Page 1 _0034200.PDF Page 1 _0034300.PDF Page 1 _0034400.PDF Page 1 _0034500.PDF Page 1 _0034600.PDF Page 1 _0034700.PDF Page 1 _0034800.PDF Page 1 _0034900.PDF Page 1 _0035000.PDF Page 1 _0035100.PDF Page 1 _0035200.PDF Page 1 _0035300.PDF Page 1 _0035400.PDF Page 1 _0035500.PDF Page 1 _0035600.PDF Page 1 _0035700.PDF Page 1 _0035800.PDF Page 1 _0035900.PDF Page 1 _0036000.PDF Page 1 _0036100.PDF Page 1 _0036200.PDF Page 1 _0036300.PDF Page 1 _0036400.PDF Page 1 _0036500.PDF Page 1 _0036600.PDF Page 1 _0036700.PDF Page 1 _0036800.PDF Page 1 _0036900.PDF Page 1 _0037000.PDF Page 1 _0037100.PDF Page 1 _0037200.PDF Page 1 _0037300.PDF Page 1 _0037400.PDF Page 1

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Numero do processo: 13807.001272/00-58
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2006
Ementa: PIS. MULTA DE OFÍCIO. DIFERENCIAL DE ALÍQUOTA. OBSERVÂNCIA AOS DECRETOS-LEIS NºS 2.445 E 2.449, DE 1988. O contribuinte não pode ser penalizado pelo incremento dos tributos ocorrido em momento posterior ao seu recolhimento e, por conseguinte, da extinção do crédito tributário. Atenção aos princípios comezinhos do Direito Tributário. Recurso especial negado
Numero da decisão: CSRF/02-02.427
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Josefa Maria Coelho Marques, Mário Junqueira Franco Júnior e Manoel Antonio Gadelha Dias que deram provimento ao recurso.
Nome do relator: Adriene Maria de Miranda

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CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA TURMA Processo n°. :13807.001272/00-58 Recurso n°. : 203-119.746 Matéria : PIS Recorrente : FAZENDA NACIONAL Interessada : VIMAVE PACAEMBU VEÍCULOS LTDA. Recorrida : 3° CÂMARA DO 2° CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sessão de : 25 de julho de 2006 Acórdão n° : CSRF/02-02.427 PIS. MULTA DE OFÍCIO. DIFERENCIAL DE AUQUOTA. OBSERVÂNCIA AOS DECRETOS-LEIS N°S 2.445 E 2.449, DE 1988. O contribuinte não pode ser penalizado pelo incremento dos tributos ocorrido em momento posterior ao seu recolhimento e, por conseguinte, da extinção do crédito tributário. Atenção aos princípios comezinhos do Direito Tributário. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Josefa Maria Coelho Marques, Mário Junqueira Franco Júnior e Manoel Antonio Gadelha Dias que deram provimento ao recurso. sr,de/1.n MANOEL ANTÔNIO GADELHA DIAS PRESIDENTE ãtt: e RI- E • — D MI- IDA R O FORMALIZADO EM: 24 OUT 20% Participaram ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: GUSTAVO VIEIRA DE MELO MONTEIRO, ANTONIO CARLOS ATULIM, MARIA TERESA MARTiNEZ LOPEZ, ANTONIO BEZERRA NETO e VALDEMAR LUDVIG (Substituto convocado). • Processo n°. :13807.001272/00-58 Acórdão n° : CSRF/02-02.427 Recurso n°. :203-119.746 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Interessada : VIMAVE PACAEMBU VEÍCULOS LTDA. RELATÓRIO Em ação fiscal que teve por escopo a fiscalização quanto à Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS referente ao período de janeiro/1995 a fevereiro/1996, constatou-se recolhimento a menor em face de utilização da base de cálculo diversa daquela verificada em sua escrituração fiscal e comercial. Assim, foi lavrado auto de infração (f. 23) para exigência do devido recolhimento da contribuição em comento, datado de 14/02/2000. Regularmente intimada, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 30-32), na qual alega impossibilidade de aplicação da aliquota de 0,75% quando, à época do recolhimento, a aliquota vigente era de 0,65%, em atenção à Medida Provisória n°. 1.212/95. Após exame dos autos, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campo Grande/MS manteve o lançamento discutido (fls. 64-71), tal como se verifica da ementa transcrita a seguir: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1995 a 28/02/1996 Ementa: INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. A retirada do mundo jurídico de atos inquinados de ilegalidade e de inconstitucionalidade restabelece a aplicação da norma indevidamente alterada. Destarte, mantém-se a exigência da contribuição ao PIS relativa à diferença entre as aliquotas de 0,65% e 0,75%, bem assim da multa de oficio aplicada e dos respectivos juros de mora. Lançamento procedente" (f. 64). Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 74-87), sob as seguintes assertivas: (i) a aliquota aplicável era a de 0,65%, em atenção aos Decretos nin. 2.445/88 e 2.449/88; (ii) validade ex nunc da Resolução n° 491SF, que revogou os mencionados decretos; (iii) a base de cálculo devida para cobrança não é o faturamento do mês do fato gerador, mas sim do sexto mês anterior, em face da aplicação do regime de competência. A Eg. Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes deu parcial provimento ao recurso (fls. 163-173) para excluir dos valores do lançamento os valores referentes a juros, multa e correção monetária, em atenção ao art. 100,111, CTN, de acordo com o critério da semestralidade, cuja ementa é transcrita a seguir: "PIS — ALlQUOTA — NORMAS DECLARADAS INCONSTITUCIONAIS — PRÁTICA REITERADA — Tendo a administração fazendária acatado, enquanto não declarados inconstitucionais, os DLs n"s 2.445/88 e 2.449/88, configurou-se a prática reiterada prevista no CTN, art. 100, HL Descabe aplicar, aos contribuintes que observaram aquelas normas, multa, juros e correção monetária, consoante preconiza o parágrafo único deste artigo. 2 • Processo n°. :13807.001272/00-58 Acórdão n° : CSRF/02-02.427 BASE DE CÁLCULO — SEMESTRAL1DADE —Até 29.02.1996, o art. 6" da LC n° 7/70 estabelecia a base de cálculo da contribuição e não aprazo de recolhimento. Recurso parcialmente provido" (f. 163). Tempestivamente, a União apresentou recurso especial (fls. 175-178), com fundamento no art. 32, inciso I, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, questionando a exclusão da multa de oficio, nos seguintes termos: "de 10/10/95, data da publicação da Resolução do Senado Federal n° 49, que suspendeu a execução dos referidos Decretos-lei declarados inconstitucionais pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, até a data de ciência da lavratura do Termo de Início de Fiscalização de fl. 02, em 22/10/98, teve a recorrente quase três anos para recolher espontaneamente o que era devido à Fazenda Nacional, com apenas o acréscimo da correção monetária, valor da multa de mora e dos juros, mas não o fez, vindo a sujeitar-se à aplicação da multa de oficio aplicada pela Fiscalização" (f. 177). Vieram os autos com contra-razões (fls. 186-194), pugnando pelo desprovimento do recurso especial. É o relatório. ffl 3 Processo n°. :13807.001272/00-58 Acórdão n° : CS RF/02-02 . 427 VOTO Conselheira ADRIENE MARIA DE MIRANDA Preenchidos os requisitos mínimos de admissibilidade, conheço do presente recurso. Debate-se a incidência de multa de oficio devida em razão do não recolhimento da Contribuição ao PIS à alíquota de 0,75%, em atenção à LC 07/70 aplicável até fevereiro de 1996, haja vista a declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-leis n's 2.445 e 2.449 de 1988. O recurso especial em comento não merece ser provido. É que se faz de rigor o prevalecimento da segurança jurídica nas relações já consolidadas, uma vez que o recolhimento da contribuição em tela foi realizado em estrita observância à alíquota vigente à época. Não faz sentido a exigência de diferença aferida em virtude de posterior alteração da situação de direito, sendo que, no momento do recolhimento, a contribuinte atendeu à norma em vigor. Com efeito, não merece guarida o entendimento de penalizar a empresa pelo incremento de tributo ocorrido em momento posterior ao do efetivo recolhimento e, por conseguinte, da extinção do crédito tributário. Não se mostra viável compelir a empresa a arcar com os encargos moratórios inexistentes, isto é, tratá-la como inadimplente, quando, na verdade, tudo o que fez foi cumprir a legislação que regia a matéria, como bem nos ensina a doutrina pátria: "Se houver mudança na valoração jurídica dos dados ou elementos de fato que informam a autoridade administrativa no exercício da atividade do lançamento, tal mudança só poderá ser considerada quanto a fatos geradores ocorridos após a introdução dessa modificação. Assim, se a Administração mudar uma determinada orientação em virtude de decisão judicial, tal orientação só se aplicará a lançamentos futuros, não podendo de forma alguma introduzir modificações, sejam elas benéficas ou não ao contribuinte, em lançamentos inteiros, perfeitos e acabados, uma vez que nestes já está completa toda a estrutura da relação obrigacional, com a constituição tanto do debitum (shuld, obrigação tributária, relação de débito) quando a obligatio (haftung, crédito tributário, relação de responsabilidade) "& E ainda: "O princípio [da irretroatividade] não deve ser limitado às leis, mas estendido às normas e atos administrativos ou judiciais. O que vale para o legislador precisa valer para a Administração e os tribunais. O que signca que a Administração e I LACOMBE, Américo Masset. Crédito Tributário: Lançamento. b: MARTINS, Ives Gandra (c rd.). Comentários ao Código Tributário Nacional. 3 11 edição. Volume 2. São Paulo: Saraiva, 2002, p. 303. 4 --- , . Processo n°. :13807.001272/00-58 Acórdão n° : CSRF/02-02.427 o Poder Judiciário não podem tratar os casos que estão no passado de modo que se desviem da prática até então utilizada, na qual o contribuinte tinha confiado. (..) Podemos dizer que o Código Tributário Nacional também adota a mesma diretriz, porque o parágrafo único do art. 100 exclui a possibilidade da imposição de penalidades, cobrança de juros e mesmo atualização de valor monetário da base de cálculo de tributo se o contribuinte vinha pautando a sua conduta em atos normativos, decisões ou práticas reiteradas, que depois se alteram. O mesmo deveria valer para os tribunais, especialmente para o Supremo Tribunal Federal, o qual, em muitas circunstâncias, para a proteção da confiança nas instituições públicas, deveria atribuir efeitos ex nunc ou por futuro a suas decisões "2. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o meu voto. Sala das Sessões — DF, 25 de julho de 2006 11 • • c. e !IP, - A 1 RI E ' Á!' • De si; DA V 2 BALEEIRO, Aliomar. Limites Constitucionais ao Poder de Tributar. Rio de Janeiro: Forense, 1999, p. 193-194. 5 o) Page 1 _0016000.PDF Page 1 _0016100.PDF Page 1 _0016200.PDF Page 1 _0016300.PDF Page 1

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