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Numero do processo: 10580.911706/2009-15
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 2003
NÃO EXISTÊNCIA DE OMISSÃO E CONTRADIÇÃO.
Embargos de declaração com efeitos infringentes. Impossibilidade.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3802-004.204
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes auto.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer do presente recurso de embargos e, no mérito, rejeitá-los.
(assinado digitalmente)
Mercia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorin (Presidente) Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Exercício: 2003 NÃO EXISTÊNCIA DE OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. Embargos de declaração com efeitos infringentes. Impossibilidade. Embargos rejeitados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes auto. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer do presente recurso de embargos e, no mérito, rejeitá-los. (assinado digitalmente) Mercia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorin (Presidente) Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Embargos de declaração com efeitos infringentes. Impossibilidade. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes auto. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer do presente recurso de embargos e, no mérito, rejeitálos. (assinado digitalmente) Mercia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 17 06 /2 00 9- 15 Fl. 211DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorin (Presidente) Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso de embargos que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra o Acórdão lavrado pela 2ª Turma Especial da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamentos do Carf, em que foi conhecido e negado provimento ao Recurso Voluntário interposto. Ao analisar a questão, a 2ª Turma Especial proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2003 Direito ao crédito não conhecido. Ausência de prova do crédito pleiteado. Em recurso que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão em epígrafe, argumentando que houve contradição, no que concerne ao reconhecimento do crédito pleiteado para possível compensação, e que houve, também, omissão quanto à negativa de acolhimento dos termos da sentença proferida no mandado de segurança nº 2009.34.00.031.4472, em andamento na 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal. Voto Verificase que o presente Recurso de Embargos é tempestivo e preenche todos os seus requisitos positivos. Portanto, dele tomo conhecimento e passo analisar o mérito. Por intermédio de manobra diversionista, o recorrente pretende efeitos infringentes em sede de embargos, o que é vedado pela legislação de regência. Tal motivo já é suficiente para negar provimento. Contudo, para elucidar a questão, renovase aqui os termos da decisão proferida em sede de recurso voluntário. O recorrente tem, em tese, ao seu favor, uma decisão judicial precária apenas, pois o processo ainda está em andamento e, por via de conseqüência, não aconteceu o trânsito em julgado do mandado de segurança. Esta situação, portanto, s.m.j., não implica no reconhecimento da liquidez e da certeza dos créditos tributários, nos termos do artigo 170 do CTN e do artigo 66 da lei nº 8.383/91. Ou seja, para que se possa promover a compensação dos pretensos créditos, necessário se faz o preenchimento dos requisitos da liquidez e da certeza, o que, de fato, não foram preenchidos. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.911706/200915 Acórdão n.º 3802004.204 S3TE02 Fl. 112 3 Inclusive, aprofundando um pouco mais o debate, não há nos autos, qualquer prova que o contribuinte é beneficiário da noticiada decisão judicial, já que não há documentos que comprovam a condição de ser o ora recorrente integrante dos quadros associativos da associação que consta no polo ativo do mandado de segurança, muito menos os atos constitutivos dela para saber o funcionamento do regramento jurídico nos casos de representação coletiva em sede judicial. Portanto, pelas razões acima expostas, CONHEÇO dos presentes Embargos e, no mérito, Rejeitoos. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Fl. 213DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000237/2006-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/08/2001
REPRODUÇÃO DAS DECISÕES DEFINITIVAS DO STF, NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-B, DO CPC.
No julgamento dos recursos no âmbito do CARF devem ser reproduzidas pelos Conselheiros as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática prevista pelos artigo 543-B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, em conformidade com o que estabelece o art. 62-A do Regimento Interno.
COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. RE 585.235.
Segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal, a base de cálculo das Contribuições para o PIS e da COFINS cumulativas é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, sendo inconstitucional o alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-002.359
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
[assinado digitalmente]
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Fernandes do Nascimento, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Demes Brito e José Luis Feistauer.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1997 a 31/08/2001 REPRODUÇÃO DAS DECISÕES DEFINITIVAS DO STF, NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-B, DO CPC. No julgamento dos recursos no âmbito do CARF devem ser reproduzidas pelos Conselheiros as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática prevista pelos artigo 543-B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, em conformidade com o que estabelece o art. 62-A do Regimento Interno. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. RE 585.235. Segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal, a base de cálculo das Contribuições para o PIS e da COFINS cumulativas é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, sendo inconstitucional o alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Recurso Voluntário Provido.
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PIS Recorrente ARUS FUNDAÇÃO ARACRUZ DE SEG SOCIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1997 a 31/08/2001 REPRODUÇÃO DAS DECISÕES DEFINITIVAS DO STF, NA SISTEMÁTICA DO ART. 543B, DO CPC. No julgamento dos recursos no âmbito do CARF devem ser reproduzidas pelos Conselheiros as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática prevista pelos artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, em conformidade com o que estabelece o art. 62A do Regimento Interno. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. RE 585.235. Segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal, a base de cálculo das Contribuições para o PIS e da COFINS cumulativas é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, sendo inconstitucional o alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 02 37 /2 00 6- 59 Fl. 670DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA 2 Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Fernandes do Nascimento, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Demes Brito e José Luis Feistauer. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da DRJ em Rio de Janeiro II que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada, apenas para excluir as exigências relativas aos períodos de 01/1997 a 06/2001(PIS) e 02/1999 a 06/2001(COFINS), motivado pela decadência do lançamento. Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados com riqueza de detalhes, adoto o relatório da decisão recorrida, transcrevendoo abaixo na íntegra: Contra a empresa qualificada em epígrafe foi lavrado auto de infração de fls. 82 em virtude da apuração de falta de recolhimento da contribuição ao PIS nos períodos de apuração 01/1997 a 08/2001, sendo exigida a contribuição de R$ 99.771,18, multa de oficio de R$ 74.828,14 e juros de mora de R$ 113.558,71, perfazendo o total de R$ 288.158,03. Igualmente, foi lavrado auto de infração fl.98, em virtude da falta de recolhimento da COFINS, nos períodos de apuração de 02/99 a 08/21, sendo exigida contribuição de R$ 305.618,07, multa de oficio de R$ 229.213,43 e juros de mora de R$ 299.343,50, perfazendo o total de R$ 834.175,00. No Termo de Verificação Fiscal de fl.76/81, o autuante esclarece que: 1. A pessoa jurídica ora fiscalizada é entidade fechada de previdência complementar, constituída nos termos da legislação então vigente, qual seja a Lei n° 6.435/77. 2. As entidades de previdência complementar têm o objeto de instituir e executar planos de benefícios de caráter previdenciário, mediante contribuições de seus participantes, dos respectivos empregadores ou de ambos; 3. Cabe ainda destacar que o contribuinte fez opção pelo RET, portanto usufruiu o beneficio fiscal previsto no artigo 5° da MP 2.222/01 que substitui o regime de tributação do imposto de renda sobre rendimentos e ganhos auferidos por entidade fechada de previdência complementar, a partir de setembro de 2001. Porém, em relação ao PIS e a COFINS, o contribuinte usufruiu deste beneficio, somente até o montante pago em 31/01/02, conforme DARF de fl.17. A diferença entre a base de cálculo apurada conforme a INSRF n° 170/02 e a planilha do contribuinte que monta o valor pago de acordo com o beneficio acima citado, está sendo cobrada; 4. Através das planilhas apresentadas pelo contribuinte, foi constatado que as bases de cálculo utilizadas pela interessada para recolher o PIS/COFINS estão em desacordo com a legislação vigente. Essas planilhas foram conferidas com os registros contábeis para todos os períodos da apuração Fl. 671DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19740.000237/200659 Acórdão n.º 3102002.359 S3C1T2 Fl. 13 3 encerrados entre janeiro de 1997 e agosto de 2001, sem que tenham sido identificadas inconsistências quanto à sua forma e conteúdo. Os valores apontados por essas planilhas a título de PIS foram efetivamente pagos em DARF em 31/01/02, sendo cada período de apuração, portanto, considerados confiáveis; 5. Foi elaborada uma planilha consoante a INSRF n° 170/02, fl. 107/117. Adicionalmente foi deduzida da contribuição a pagar os créditos pagos em DARF, eferente ao período fiscalizado e objeto de cobrança através desse auto de infração; 6. As diferenças apuradas pela fiscalização em relação aos valores pagos pelo contribuinte de acordo com a anistia proposta pelo art. 8°, § 2°, VI, da Instrução Normativa SRF n° 126, de 25 de janeiro de 2002, são basicamente devidas pelo fato do fiscalizado não ter deduzido das exclusões das bases de cálculo do PIS e da COFINS as Receitas de Aluguéis e as Reavaliações Positivas da sua Carteira Imobiliária (locados a patrocinadores e a terceiros). Irresignado, o contribuinte apresentou impugnação às fls.145/171, alegando em síntese que: 1. Preliminarmente, há decadência dos valores exigidos, cujos fatos geradores tenham ocorrido anteriormente a 11/07/01. Isso porque, o lançamento de oficio se efetivou em 11/07/06; 2. Como o caso vertente trata de tributos sujeitos a lançamento por homologação, restaram tacitamente homologados os tributos cujos fatos geradores se deram antes de 11/07/01, a teor do art. 150, §4°, do CTN; (...) 6. Em 11/07/06, foram recebidos na Entidade dois Autos de Infração relativos a suposta insuficiência dos recolhimentos de COFINS e PIS, havidos sob a égide da MP 2222/01 que introduziu no ordenamento jurídico o Regime Especial de Tributação RET para as entidades de previdência complementar; 7. A MP 2222/01, ao tratar do RET, alterou a sistemática de tributação das entidades que operavam planos de benefícios de caráter previdenciário e permitiu que, sob determinadas condições, as referidas entidades recolhessem os débitos relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal não alcançados pela decadência com a dispensa do pagamento dos acréscimos legais; 8. Foi o que sucedeu com a ARUS, entidade fechada de previdência complementar, que, em janeiro de 2002, efetuou, corretamente, o recolhimento dos tributos abrangidos pelo referido diploma normativo. A MP 2222/2001 teve seus comandos disciplinados pela IN SRF n° 126, de 25 01 2002; Fl. 672DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA 4 9. Observese que, em verdade, tal regra infralegal não era adequada, pois determinou a aplicação da Lei 9718/98 (cujos efeitos financeiros só se dão a partir de fevereiro de 99) a fatos geradores pretéritos. Ainda assim, a ARUS procedeu exatamente como determinado na INSRF 126/02, na vã pretensão de evitar qualquer contencioso com a Receita Federal, órgão que havia ditado tal procedimento. Nesse sentido, a contribuinte recolheu valores, observando os dispositivos da INSRF 126/02, isto é, os comandos da Lei 9.718/98 com as alterações da MP 1.807/99 (depois reeditadas em várias outras MP), que acrescentaram ao art. 3° da Lei os §§ 6 ° e 7°; 10. Em resumo, a Entidade procedeu aos recolhimentos do PIS e da COFINS em janeiro de 2002, utilizando como base de calculo (em obediência ao § 2°, do art. 8 a da INSRF 126/02) as regras estabelecidas pela Lei n° 9 718/98 com as alterações da MP 1807/99 (e suas reedições) que, em seu art. 3°, §6, III, expressamente excluía da incidência os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; 11. 0 fundamento, por conseguinte, para as autuações deriva do entendimento do Auditor Fiscal de que estariam equivocados os procedimentos adotados pela contribuinte na determinação da base de incidência dos recolhimentos das contribuições para o PIS e a COFINS, usufruindo o beneficio fiscal previsto no art. 5° da MP 2.222/01; 12. Contudo, insurgese a pessoa jurídica contra a metodologia de cálculo adotada pelo representante da Receita Federal, quanto As deduções que poderiam ter sido feitas para o estabelecimento da base de incidência sobre as quais incidiram as contribuições para o PIS e a COFINS; 13. Mais claramente, entende a contribuinte que não integram a base de cálculo dos referidos tributos as rubricas "Receitas de Aluguéis" e " Resultado Positivo da Reavaliação dos Investimentos Imobiliários. Este entendimento está em perfeita conformidade com a legislação que se determinou fosse utilizada para o cálculo dos tributos previstos no RET; 14. A metodologia para encontrar a base de calculo e apurar as contribuições como pretensamente determinado pela IN SRF n° 170, 04/07/02, confronta com a Lei e não pode ser acatada pelas instâncias administrativas, por evidente afronta a mais elementar das regras jurídicas tributárias, qual seja o principio da legalidade. Aliás, a utilização pelo Auditor Fiscal das planilhas de cálculo estabelecidas nessa IN compromete a apuração efetuada e deve ser de pronto declarada improcedente pela autoridade revisora; 15. Em 1998, foram editadas as Leis n° 9.701/98 e 9.718/98, definindo que as entidades fechadas de previdência complementar, nominadas expressamente no § I a do art. 22 da Lei n° 8.212/91, recolheriam as contribuições de PIS e COFINS na modalidade de incidência sobre o faturamento; Fl. 673DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19740.000237/200659 Acórdão n.º 3102002.359 S3C1T2 Fl. 14 5 16. A Lei n° 9.718/1998, com os §§ 6 ° e 7° do art. 3°, acrescentados pela Medida Provisória 1.807/1999, contemplou regra aplicável às entidades de previdência privada; 17. Encerrada a polêmica sobre a imunidade tributaria das entidades fechadas de previdência mediante decisões do Plenário do STF, houve uma completa alteração do cenário no qual atuavam essas pessoas jurídicas. Nesse sentido, a maioria das entidades fechadas entendeu que era estratégico efetuar o recolhimento das importâncias ainda não atingidas pela decadência, aproveitando a anistia, o que ocorreu em janeiro de 2002. No caso, a interessada procedeu ao recolhimento para o PIS apurado no período de janeiro de 1997 a agosto de 2001 e para a COFINS no período de fevereiro de 1999 a agosto de 2001, tomando por base as disposições contidas na Lei 9.719/98, conforme expressa determinação da Receita Federal; 18. Ora, esta Lei n° 9.718/1998 determinava a exclusão da base de cálculo das contribuições dos rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; 19. A questão que se coloca diz respeito a verificar a extensão da expressão "aplicações financeiras", isto é, se restam incluídos nesse conceito os Investimentos Imobiliários das entidades fechadas de previdência complementar (cuja rentabilidade se consubstancia nas receitas de aluguel e no resultado positivo das avaliações dos seus bens imóveis); 20. Qualquer um pode compreender que os valores alocados durante décadas num plano de previdência complementar devem e precisam ser investidos. Também parece óbvio que o critério de diversificação é forma prudente de investir recursos, principalmente quando serão utilizados para o pagamento de prestações a idosos, inválidos, menores, etc. Nesse sentido, os valores percebidos a cada mês são utilizados para adquirir títulos públicos, ações, debentures, imóveis, dentre outros ativos que passam a compor a carteira de investimentos da entidade de previdência complementar. Assim, forçoso concluir que todos os ativos garantidores dos benefícios previdenciários possuem a mesma natureza jurídicoeconômica, isto 6, são valores derivados dos aportes em dinheiro feito pelas partes envolvidas (valores financeiros), sendo inadequado diferenciálos; 21. Corrobora tal afirmação o fato de que os investimentos de tais entidades estão submetidos A estrita normatização na sua formação e gestão, por meio de Resoluções baixadas pelo Conselho Monetário Nacional. Essas regras têm sofrido modificações ao longo do tempo, mas guardam o mesmo conceito central, nesse sentido, podese utilizar, para a compreensão dessa questão central, a vigente Resolução CMN 3121/2003. Esse diploma normativo distingue os investimentos das entidades fechadas em quatro segmentos: (I) segmento de renda fixa; (II) segmento de renda variável; (III) segmento de Imóveis e (IV) segmento de empréstimos e financiamentos; Fl. 674DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA 6 22. Assim, se uma parte das reservas técnicas num dia está alocada em um imóvel, no dia seguinte e vendido esse bem, pode ser utilizada para comprar ações ou viceversa. Não existe uma segregação sendo nos referidos quatro segmentos. Com isso querse dizer que se a lei autorizou a deduzir "os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras" sem distinção entre os quatro segmentos de investimentos. Assim, não pode a norma infralegal diferenciálos, numa conformação sem qualquer sentido lógico e, portanto, sem qualquer razoabilidade jurídica. Porque distinguir o resultado de um investimento em Imóveis de um investimento em ações. Ora, todos provém de uma mesma fonte de contribuições financeiras e se destinam ao mesmo fim financeiro: o pagamento de benefícios previdenciários e afins; 23. Em verdade, a expressão "aplicações financeiras", como disposto no art. 3°, §6°, III da Lei 9.718/1998, traduz o gênero que abarca os segmentos de renda fixa, de renda variável, de imóveis e de empréstimos e financiamentos, como disposto pelo Conselho Monetário Nacional; 24. No presente caso, os imóveis detidos pela ARUS compõem efetivamente os recursos garantidores de suas reservas técnicas e geridos consoante as normas de investimento emanadas do referido Conselho, mais especificamente nas Resoluções CMN nos 2.324, de 30/10/1996, e 2.720. de 24/04/00, vigentes no período abrangidos pelos Autos de Infração ora Impugnados; 25. Como é facilmente identificado nas referidas Resoluções do CMN, o segmento de imóveis, ao lado das aplicações em renda fixa, renda variável e empréstimos e financiamentos a participantes, é gerador de renda para o pagamento de benefícios de aposentadoria, de pensão, pecúlios e resgates devidos aos participantes e assistidos dos planos de benefícios administrados pela Entidade, nos exatos termos das exclusões previstas na Lei 9 718/98 sem qualquer distinção; 26. A fim de que se possa comprovar tal assertiva, juntamse os Demonstrativos dos Investimentos e Enquadramento das Aplicações dos anos de 1999, 2000 e 2001, de modo a comprovar que a carteira imobiliária da entidade era um dos segmentos de aplicação das reservas técnicas e provisões destinadas a assegurar os compromissos assumidos com os participantes e assistidos dos planos de benefícios administrados pela ARUS. Vejase a Planificação Contábil Padrão, obrigatória para as entidades fechadas, que demonstra claramente pertencer o segmento de imóveis ao portfólio de investimentos dessas pessoas jurídicas; 27. Não se pode admitir que uma Instrução Normativa da SRF, ato meramente operacional, contrarie disposição de Lei, trazendo uma distinção que esta não contemplou. Da mesma forma, não poderia a fiscalização basearse em uma planilha instituída pena INSRF n° 170/02 (editada, portanto, seis meses após o recolhimento das contribuições contestadas) e que desrespeita o texto legal para apurar o débito. E evidente que Receitas de Aluguéis e o Resultado Positivo Reavaliação de Investimentos Imobiliários não podem compor a base de Fl. 675DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19740.000237/200659 Acórdão n.º 3102002.359 S3C1T2 Fl. 15 7 incidência das contribuições para o PIS e a COFINS, como equivocadamente recomenda a INSRF n° 170/2002; 28. Repitase à exaustão, a INSRF n° 170/02, desrespeita o texto legal, uma vez que a carteira de imóveis patrimônio sólido, bens de raiz é um segmento dos mais tradicionais de aplicação das entidades fechadas de previdência complementar, sendo certo que as rubricas que geraram o lançamento não podem integrar a base de calculo desses tributos; 29. Tanto era sem sentido a INSRF n° 170/02, que vigorou apenas até outubro daquele ano, quando a Instrução Normativa SRF n°215, de 07/10/02, veio a revogala, para exatamente alterar a planilha de cálculo, expurgando as duas rubricas que compõem este débito; 30. Em que pese a MP 66/02, em seu art. 35 determinar a exclusão dessas rubricas da base de calculo das contribuições para o PIS e para a COFINS, hipótese discutida no âmbito deste processo administrativo, é intuitivo que o fez apenas para reparar um erro conceitual grave da administração fazendária, que, por mera Instrução, havia incluído as receitas do segmento de imóveis, destinadas ao pagamento de benefícios, na planilha contida na IN SRF n° 170/02, uma vez que a Lei n° 9.718/98 sempre determinou que se procedesse a exclusão desses valores; 31. Portanto, com fulcro nas disposições existentes por ocasião dos recolhimentos efetivados pelas ARUS, a exclusão das Receitas de Alugueis e da Reavaliação Positiva da Carteira Imobiliária da planilha de cálculo utilizada pela pessoa jurídica para os recolhimentos decorrentes do RET, se impõe por atender perfeitamente aos comandos legais então vigentes e válidos; 32. Fica comprovada pelos argumentos até então alinhados nesta impugnação, que os dispositivos legais vigentes deram suporte aos recolhimentos efetuados pela ARUS e que não há reparo a ser feito aos mesmos. Contudo, há ainda outros elementos a afastar a pretensão de cobrança das importâncias apuradas no presente lançamento; 33. Frisese que, em recente decisão o STF no RE nº 346084/PR, tendo como Relator o Min. Ilmar Galvão, afirmouse a inconstitucionalidade do parágrafo primeiro do art. 3 ° da Lei 9.718/1998, que trata da base de cálculo de ambos os tributos discutidos neste procedimento fiscalizatório; 34. Reconhecido, ainda que incidentalmente, o direito de as pessoas jurídicas sofrerem tributação pelas referidas contribuições sociais somente pelo seu faturamento, assim entendido como o resultado da venda de bens e serviços, exclui se do ralo de incidência do PIS e da COFINS as receitas não operacionais. Não ha como a Receita Federal prosseguir com a cobrança deste pretenso débito sobre as Receitas de Aluguéis e a Reavaliação da Carteia Imobiliária insistindo neste viés reconhecidamente inconstitucional; Fl. 676DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA 8 35. Para o período do lançamento utilizado nos Autos de Infração, isto é, de 1997 até 2001 não há como admitirse a cobrança sobre aquilo que excede o faturamento, porque o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/1998 foi declarado pelo STF como eivado de nulidade original insanável decorrente de sua incompatibilidade com o texto constitucional vigente no momento de sua edição. No sistema brasileiro de controle da constitucionalidade, o Poder Judiciário declara a inconstitucionalidade com efeitos ex tune, porque reconhece a préexistência da nulidade do ato normativo produzido; A DRJ do Rio de Janeiro II julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada, nos seguintes termos: DECADÊNCIA.CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS Após a publicação da Súmula Vinculante STF n° 8, que declarou inconstitucional o art. 45 da Lei n° 8.212/91, pacificouse o entendimento de ser quinquenal o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais. PROVA DOCUMENTAL A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários às adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. INCIDÊNCIA DA COFINS. A Cofins, devida pelas entidades fechadas de previdência privada, é calculada com base no seu faturamento, compondo, respectivamente, o grupo de contas Programa Previdencial, Programa Assistencial, Programa Administrativo e Programa de Investimento. COFINS. ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. EXCLUSÕES As exclusões das receitas de aluguel, venda e reavaliação de imóveis nas bases de cálculo da Cofins, para as Entidades Fechadas de Previdência Complementar, somente são permitidas para os fatos geradores a p agosto/2002. Lançamento Procedente em Parte. Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho basicamente reafirmando as alegações da impugnação. É o relatório. Voto Fl. 677DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19740.000237/200659 Acórdão n.º 3102002.359 S3C1T2 Fl. 16 9 Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. De acordo com o item V do Termo de Verificação Fiscal (fl. 79 da cópia digital), o presente lançamento decorreu da identificação pela Fiscalização de supostas diferenças em relação aos valores pagos pelo contribuinte de acordo com a anistia proposta pelo art. 8°, § 2°, VI, da IN SRF 126/02, devidas pelo fato de o fiscalizado não ter deduzido das exclusões das bases de cálculos do PIS e da COFINS (i) receitas de aluguéis e (ii) reavaliações positivas da sua carteira imobiliária (locados a patrocinadores e a terceiros). Em sua defesa, a ora Recorrente alega, em estreita síntese, que as receitas de alugueis e de reavaliações positivas da sua carteira imobiliária não poderiam ser incluídas na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista que: (i) em verdade, a expressão "aplicações financeiras", como disposto no art. 3°, §6°, III da Lei 9.718/1998, traduz o gênero que abarca os segmentos de renda fixa, de renda variável, de imóveis e de empréstimos e financiamentos, como disposto pelo Conselho Monetário Nacional; e (ii) para o período do lançamento, isto é, de 1997 até 2001, não há como admitirse a cobrança sobre aquilo que excede o faturamento, porque o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/1998 foi declarado pelo STF como eivado de nulidade original insanável decorrente de sua incompatibilidade com o texto constitucional vigente no momento de sua edição. Relativamente a este segundo argumento, a autoridade recorrida sustenta o seguinte: Na apreciação do mérito, antes de mais nada insta delimitar a competência deste colegiado de primeira instância administrativa, ressaltando também o caráter vinculado da atividade fiscal; pois é o administrador um mero executor de leis, não lhe cabendo apreciar o conflito de norma legal legitimamente inserida no ordenamento jurídico nacional, por ser matéria reservada ao Poder Judiciário. Dai foge à competência deste julgador/relator apreciar fatos como, por exemplo, se a figura do "faturamento" foi alargada, impropriamente, pela legislação que fundamenta a exigência. Aliás, o Supremo Tribunal Federal já se pronunciou sobre o assunto. Sem razão, todavia, a decisão recorrida. Pois bem. A Lei nº 9.718/98, editada sob a vigência da redação original do art. 195, I, b, da CF, alterou a definição do conceito de faturamento para fins de incidência da Contribuição para o PIS e da COFINS, ao definilo no §1º do art. 3º como sendo “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Ocorre que, o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal, no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, consolidou o entendimento de que seria inconstitucional a ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98: Fl. 678DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA 10 CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Em outra oportunidade, este Egrégio Tribunal, ao apreciar o Recurso Extraordinário nº 585.235, reconheceu a existência de repercussão geral e reafirmou a jurisprudência no sentido da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Neste contexto, tratandose de dispositivo legal que já fora declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, pode este Colegiado afastar a sua aplicação no caso concreto, por força do que prescreve o art. 26A, I, do Decreto nº 70.235/72: Não bastasse isso, também com a alteração do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, promovida pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, passou a ser obrigatória a reprodução pelos Conselheiros das decisões do STF, proferidas na sistemárica da repercussão geral: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 679DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19740.000237/200659 Acórdão n.º 3102002.359 S3C1T2 Fl. 17 11 Assim, como permanece sendo objeto de exigência apenas as receitas auferidas em 07/2001 e 08/2001 (ou seja, antes da edição das Leis nº 10637/02 e 10.833/03) e tendo em vista que não há dúvidas de que os valores que não foram submetidos à tributação se referem exclusivamente a outras receitas (receitas de aluguéis e de reavaliações positivas da sua carteira imobiliária), que não o faturamento, resta evidente a necessidade de cancelar a presente autuação também na parte não alcançada pela decadência. Por fim, para que não paire qualquer dúvida de que a ora Recorrente, mesmo tendo recolhido os presentes tributos com os benefícios do Regime Especial de Tributação instituído pela MP nº 2.222/01, vale registar que, tanto a sua norma instituidora, como a sua norma regulamentadora (Instrução Normativa SRF nº 126/02) estabelecem, expressamente, que a apuração do PIS e da COFINS deve ser feito em estrita observância ao que prescreve o art. 3º, da Lei nº 9.718/98, justamente a norma declarada inconstitucional. Em face do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar integralmente o lançamento. [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 680DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10907.002492/2003-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/09/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COFINS. PEDIDO ORIGINÁRIO DO CRÉDITO INDEFERIDO. COMPENSAÇÃO IMPROCEDENTE. DECORRÊNCIA. Atestada, em decisão administrativa irrecorrível, a inexistência do crédito, não subsiste a compensação solicitada por ausência de pagamento indevido ou a maior.
MULTA DE 150%. AUSÊNCIA DE TIPICIDADE. DOLO NÃO DEMONSTRADO. Não há previsão de qualquer multa sobre a compensação não homologada, quando não caracterizados fatos previstos nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64.
Numero da decisão: 3301-002.557
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: MONICA ELISA DE LIMA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2003 a 30/09/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COFINS. PEDIDO ORIGINÁRIO DO CRÉDITO INDEFERIDO. COMPENSAÇÃO IMPROCEDENTE. DECORRÊNCIA. Atestada, em decisão administrativa irrecorrível, a inexistência do crédito, não subsiste a compensação solicitada por ausência de pagamento indevido ou a maior. MULTA DE 150%. AUSÊNCIA DE TIPICIDADE. DOLO NÃO DEMONSTRADO. Não há previsão de qualquer multa sobre a compensação não homologada, quando não caracterizados fatos previstos nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente. MÔNICA ELISA DE LIMA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (presidente da turma), Maria Tereza Martínez López (vice-presidente), Andrada Marcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas e Fábia Regina Freitas. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA 2 Relatório Trata-se de auto de infração lavrado, para a formalização do crédito tributário de Cofins relativa aos períodos de apuração de abril a julho de 2003, cuja compensação, fundada em suposto crédito decorrente de pedido de ressarcimento antes formalizado através do processo administrativo nº 10907.001984/2002-66. As Declarações de Compensação se encontram às fls. 173 e seguintes. Os autos estão retornando a este Colegiado, após cumprimento de diligência determinada por meio da Resolução nº 200-00.443, em 10.08.2004, proferida pela r. 1ª Turma do Segundo Conselho de Contribuintes. Para resgatar o liame entre a presente decisão e aquela já proferida pelo Egrégio Segundo Conselho, passa-se a transcrever o relatório elaborado pela d. Relatora Adriana Gomes Rêgo Galvão: TCP - Terminal de Contêineres de Paranaguá S/A,devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado através do recurso de fls. 140/149, contra o Acórdão nº 5.058, de 03/12/2003, prolatado pela 3ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba-PR, fls. 127/134, que julgou procedente o lançamento consubstanciado no auto de infração de Cofins, fls. 22/27, relativo aos meses de abril a agosto de 2003. Da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fl.25, consta que o lançamento decorreu do indeferimento do pedido de compensação objeto do Processo nº 10907.001984/2002-66, sendo lançados na presente autuação os valores da Cofins que foram compensados indevidamente, conforme o art. 90 da MP nº 2.158/2001. Em razão do disposto no ADI nº 17/2002, o lançamento foi efetuado com multa qualificada de 150%, havendo sido apensada representação fiscal para fins penais, tendo em vista que em 24/03/2003 a contribuinte tomou ciência do indeferimento e apresentou as declarações de compensação em 12/09/2003 e 23/09/2003, compensando a Cofins com crédito constante de pedido indeferido Tempestivamente, a Contribuinte apresentou Impugnação de fls.30/36, onde procura justificar seus créditos de IRPJ e CSLL que foram considerados inexistentes, traz argumentos para embasar a compensação e pede pela nulidade do lançamento, tendo em vista que o processo de compensação ainda está pendente de decisão administrativa, ou pela suspensão até decisão final do Processo de Restituição nº 10907.001984/2002- 66. O lançamento foi considerado procedente pela DRJ/CTA, em decisão assim ementada: Fl. 365DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA Processo nº 10907.002492/2003-79 Acórdão n.º 3301-002.557 S3-C3T1 Fl. 365 3 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2003 a 31/08/2003 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direto de defesa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, EXTINÇÃO DE CRÉDITO. NÃO OCORRÊNCIA. IMPLEMENTAÇÁO DE CONDIÇÃO RESOLUTÓRIA. A extinção condicional de créditos da Cofins, havida em razão da apresentação de declaração de compensação, deixa de existir em função da implementação de condição resolutória, qual seja, a sua não.-homologação pelo fisco. ainda que pendente de recurso. COMPENSAÇÃO. SUSPENSÃO DE DÉBITOS. IMPOSSIBILIDADE. A manifestação de ir1conformidade contra decisão que indeferiu pedido de reconhecimento de direito creditório e não homologou, por consequência, declarações de compensação, não suspende a exigibilidade de créditos tributários lançados em processo distinto. Lançamento Procedente Ciente da decisão de primeira instância em 30/01/2004, fl. 133, a contribuinte interpôs recurso voluntário m 17/02/2004, onde, em síntese, reitera os argumentos já aduzidos na impugnação, nos seguintes termos: 1) Firmou contrato de concessão de serviço público - Contrato de Arrendamento de Instalação Portuária com o governo do Estado do Paraná, por intermédio da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina - APPA, devendo remunerar esta, durante o período da concessão em quantia mínima de R$150.000.000,00, devidamente corrigida, porém, por erro, não contabilizou os efeitos passivos ou relacionados ao contrato, bem assim a correção monetária; 2) Assim, quando sanou o erro, foi materializado um prejuízo fiscal nos períodos anteriores entre junho de 1999 d julho de 2002, o que levou à constatação de recolhimentos indevidos de IRPJ e CSLL, razão porque pleiteou a restituição, por meio do Processo nº 10907.001984/2002-66; 3) As alegações da SAORT ao indeferir o pedido foram totalmente descabidas, pois em momento algum trouxe à discussão do procedimento contábil adotado e revisado, atendo- se, tão-somente a distinguir a natureza jurídica dos cotratos ; e Fl. 366DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA 4 4) O artigo 149 da Lei nº 10.637/2002, regulamentado pelo art. 21 da INSRF n] 210/2002, simplificou os procedimentos de compensação desde que o pedido de restituição ou ressarcimento se encontre pendente de decisão administrativa à data do encaminhamento da "Declaração de Compensação", ou seja, como a decisão administrativa do "pedido de restituição não se encontra definitiva, pode-se valer do direito de compensar. Por fim, pede a nulidade do lançamento, ou, no mínimo, pela suspensão deste até a decisão final do processo administrativo do Pedido de Restituição nº 10907.001984/2002-66. A Conselheira Relatora, em seu voto, propõe que: Assim, considerando que o recurso voluntário datado de fevereiro de 2004 informa que ainda pende de decisão final o Processo Administrativo nº 10907.001984/2002-66, e ainda que o presente lançamento diz respeito às compensações consideradas indevidas, dada a inexistência dos créditos discutidos no referido processo, proponho converter o julgamento do presente recurso em diligência para que os autos retornem à repartição de origem até que haja o trânsito administrativo do Processo nº 10907.001984/2002-66, quando, então, devem ser remetidos a este Colegiado, juntamente com a decisão administrativa que transitou em julgado. Foi, então, emitida a seguinte decisão: RESOLUÇÃO Nº 201-00.443 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interporsto por TCP - TERMINAL DE CONTÊINERES DE PARANAGUÁ S/A. RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto da Relatora. É o relatório. Voto Conselheira Mônica Elisa de Lima O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade; portanto, dele conheço. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA Processo nº 10907.002492/2003-79 Acórdão n.º 3301-002.557 S3-C3T1 Fl. 366 5 A Recorrente pretendeu efetuar compensação de Cofins com créditos de IRPJ apurados no bojo do processo administrativo nº 10907.001884/2002-66. Sua compensação foi rejeitada, tendo em vista que existia decisão, no bojo de tal processo, denegatória da existência do crédito. Diante desse quadro, a Autoridade Fiscal lançou o crédito tributário objeto deste Recurso, acrescido de juros de mora e multa de 150%. Em cumprimento à diligência solicitada através da Resolução nº 201-0043, a Autoridade Fiscal relata, na fl. 360 haver "transitado em julgado" a decisão que negou provimento ao Pedido de Restituição, ou seja, trata-se de decisão administrativa definitiva. Foram estes os termos da Informação Fiscal, prestada em 15 de agosto de 2012: Informação Fiscal 2. De fls. 15 a 19 já se encontra anexada cópia do Despacho Decisório inicial proferido naquele processo 10907.001984- 2002-66 (já digitalizado). E, de fls. 302 a 350, anexaram-se as demais decisões proferidas no referido processo, inclusive o Despacho Decisório, de 28.06/2010 (fls. 322 a 326), pelo qual se manteve a decisão em relação ao crédito e se consideraram não homologadas as compensações com ele conexas. 2.2. Esta última decisão, conforme se pode comprovar pelos demais documentos (fls. 327 a 350), já transitou em julgado administrativamente. No mais, cabe ressaltar que, no auto de infração, foi lançada multa de 150%, constando notícia de Representação Fiscal para Fins Penais (fl. 280). A Autoridade Fiscal assim motiva a qualificação da multa (fl. 280): Tendo em vista que foi indeferido o pedido de restituição objeto do processo 1090.001984/2002-66, tendo o contribuinte tomado ciência do indeferimento em 24/03/2003 e que o contribuinte apresentou Declaração de Compensação em 12/09/2003 e 24/09/2003, estão sendo lançados os valores de COFINS compensados indevidamente, conforme artigo 90 da MP nº 2.158/2001 e está sendo feita Representação Fiscal para Fins Penais, por evidente intuito de fraude, de acordo com o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 17 de 2 de outubro de 2002 e artigo 9.430 de 27 de dezembro de 1996. Quanto a esse aspecto, improcede a multa aplicada, visto que não se subsume a nenhum dos fundamentos invocados, conforme abaixo transcritos: Lei nº 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de Fl. 368DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA 6 declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Lei 4.502/64 Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 17, de 2 de outubro de 2002 Artigo único. Os lançamentos de ofício relativos a pedidos ou declarações de compensação indevidos sujeitar-se-ão à multa de que trata o inciso II do art. 44 da Lei n º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, por caracterizarem evidente intuito de fraude, nas hipóteses em que o crédito oferecido à compensação seja: I – de natureza não-tributária; II – inexistente de fato; III – não passível de compensação por expressa disposição de lei; IV – baseado em documentação falsa. MP 2158-35 Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA Processo nº 10907.002492/2003-79 Acórdão n.º 3301-002.557 S3-C3T1 Fl. 367 7 Com efeito, à época dos fatos inexistia qualquer disposição legal que impedisse o Contribuinte de pedir compensação com créditos pendentes de apreciação apreciação definitiva. Pode-se, até mesmo, considerar compreensível que assim o tenha feito, visto que se resguardava de eventual prescrição do direito de compensar seus débitos de 2003 em aberto com os créditos que acreditava veria reconhecidos em data posterior. Pelo que se percebe, o Auditor Fiscal estar-se-ia apoiando em regra somente instituída através da Lei nº 11.051/2004, que alterou o artigo ao inciso VI, do § 3º, do artigo 74 da Lei nº 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação: (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). VI - o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal - SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Cronologicamente, não se aplica o precitado dispositivo e, ainda que o mesmo fosse válido; ainda assim inexiste qualquer robustez na tese de dolo, fraude ou simulação apresentada pelo i. Auditor. Do exposto, não existe tipicidade para a aplicação de qualquer multa na hipótese dos autos, cujas Declarações de Compensação foram apresentadas em 12/09/2003 e 24/09/2003. Por tal razão, apenas deve subsistir o lançamento do tributo acompanhado de seus acréscimos legais, como já se decidiu nesta 3ª Seção, conforme precedentes: Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF 3a. Seção / 1a. Turma da 4a. Câmara ACÓRDÃO 3401-00.860 em 26/07/2010 MULTA ISOLADA DE 75%. DCOMP SEM DOLO TRANSMITIDA ANTES DA LEI N° 11.196/2005. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/07/2004, 11/02/2005, 28/02/2005. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DOLO NÃO CARACTERIZADO, DCOMP TRANSMITIDA ANTES DE 22/11/2005. ART, 25 DA LEI N° 11.051, DE 30/12/2004. RETROATIVIDADE BENIGNA. CANCELAMENTO DA PENALIDADE NÃO QUALIFICADA. Nos termos do art. 18, caput e § 2° da Lei n° 10.833, de 29/12/2003, com a redação dada pelo art. 25 da Lei n° 11.051, Fl. 370DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/Antigas_2002/66.htm#art49 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L11051.htm#art4 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L11051.htm#art4 8 de 29/12/2004, a multa isolada sobre o valor de débito compensado indevidamente só se aplicava na hipótese de infração dolosa, no percentual qualificado de cento e cinqüenta por cento, ficando sem cominação a infração não qualificada para a qual se aplica setenta e cinco por cento. Somente a partir de 22/11/2005, com a publicação da Lei nº 11.196/2005, é que retornou a hipótese da multa isolada no percentual de setenta e cinco por cento, pelo que na situação em que o dolo não restou descaracterizado e a declaração de compensação é anterior àquela data cancela-se a multa isolada de setenta e cinco por cento face à retroatividade benigna. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Publicado no DOU em: 08.02.2011 Convém transcrever, por seu notável didatismo, trecho do voto conduzido pelo e. Relator, Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis. Assim: O art. 18 da Lei n° 10.833/2003, conversão da MP n° 135, publicada em 31/10/2003, foi introduzido em conjunto com o art, 17 da primeira, este último alterando o art, 74 da Lei n° 9.430/96 de modo a determinar que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Esta norma, todavia, só tem eficácia para as declarações de compensação entregues a partir de 31/10/2003, data de publicação da MP n" 135, de 30/10/2003 (na situação em tela a primeira Declaração de Compensação foi apresentada em 29/09/2003). Levando em conta tal confissão de dívida é que o art. 18 da Lei nº 10.833/2003, na sua redação original, dispensou a constituição do crédito tributário, no valor do principal, e passou a determinar o lançamento nos limites (no caput do referido art. 18 é empregada a expressão "limitar-se-á") das penalidades previstas no art. 44 da Lei n° 9.430/96: multa de 75% para a compensação sem dolo, conforme o inc. I desta Lei, ou de 150% para as hipóteses dolosas dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, conforme o inc. II do referido art.44. Em seguida a Lei n° 11.051/2004 extinguiu a multa de 75% para as compensações sem dolo, mantendo somente a multa qualificada para as hipóteses de sonegação, fraude ou conluio. Segundo a Lei n° 11.051/2004, ou era aplicada a multa de 150% ou não se aplicava qualquer penalidade, Assim permaneceu até 22/11/2005, data de publicação da Lei n° 11.196/2005, cujo art. 117 alterou novamente o art, 74 da Lei nº 9.430/96, restabelecendo infrações não dolosas. O art 117 da Lei n° 11196/2005, no que alterou a redação do § 4º do art. 74 da Lei n° 9.430/96 para restabelecer a multa de 75% nas compensações sem dolo, constou da MP nº 252, de 15/ 06/2005, que todavia não foi convertida em lei e por isto só teve Fl. 371DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA Processo nº 10907.002492/2003-79 Acórdão n.º 3301-002.557 S3-C3T1 Fl. 368 9 eficácia até 13/10/2005. Assim, e apesar do art. 132, II, "d", da Lei a° 11 196/2005, segundo o qual o art. 117 da mesma Lei teria efeitos a partir de 14/10/2005 (imediatamente após o fim da eficácia da MP n" 252/2005), a melhor interpretação recomenda não admitir a retroatividade das penalidades restauradas Daí ser preferível considerar a eficácia do art. 117 em comento a partir de 22/11/2005. Para além de mera opinião, a Autoridade Lançadora não apresentou qualquer prova ou indício consistente de que o Sujeito Passivo agira com dolo, fraude ou simulação, procedimentos esses cuja verificação da existência é um ônus do Fisco. Este Conselho é pacífico no entendimento de que a fraude não se presume; devendo, pelo contrário, ser comprovada pelo Agente Público que a alega. Neste sentido, a título de exemplo do entendimento uníssono, cabe transcrever julgado da Colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais: Câmara Superior de Recursos Fiscais SIMULAÇÃO DE ATO JURÍDICO - A simulação relativa de ato ou negócio jurídico se caracteriza pela declaração aparente de um ato jurídico, enquanto o negócio real, verdadeiro, e oculto no negócio aparente é diverso do declarado. A simulação há de ser cabalmente provada pela parte interessada. PRESUNÇÃO COMO MEIO DE PROVA - Presunção é a ilação que se tira de um fato conhecido para provar a existência de um fato desconhecido. Sua validade repousa em três requisitos: o da gravidade, o da previsão e o da concordância, não prosperando a ilação quando os indícios escolhidos autorizem conclusões antípodas, como ocorreu no caso concreto. Incumbe ao Fisco provar que o ato se fez na contra-mão da lei de regência com o propósito doloso de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária. (Acórdão 401-06.015. Sessão de 14 de outubro de 2008) Com as específicas adaptações de contexto, igual entendimento emerge da Súmula CARF nº 14, segundo a qual: "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo". Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento a aplicação de multa. Mônica Elisa de Lima - Relatora Fl. 372DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA 10 Fl. 373DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 12045.000479/2007-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1997 a 31/12/1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ARTIGO 65 DO RICARF.
Havendo omissão em relação à conceituação do vício identificado no lançamento deve-se acolher os embargos para sanar o vício existente.
Numero da decisão: 2301-004.251
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto do Relator; II) acolhidos os embargos, em definir o vício existente no acórdão embargado como material, nos termos do voto do Relator. Sustentação oral: Renato Luiz Faustino de Paula. OAB: 25.103/RJ.
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZALES SILVERIO.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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ARTIGO 65 DO RICARF. Havendo omissão em relação à conceituação do vício identificado no lançamento devese acolher os embargos para sanar o vício existente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto do Relator; II) acolhidos os embargos, em definir o vício existente no acórdão embargado como material, nos termos do voto do Relator. Sustentação oral: Renato Luiz Faustino de Paula. OAB: 25.103/RJ. Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZALES SILVERIO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 04 5. 00 04 79 /2 00 7- 21 Fl. 349DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 09/04 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos contra v. acórdão proferido pela 1ª Turma de 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF, o qual, em breve síntese, por unanimidade, anulou o lançamento. Sustenta a embargante que o acórdão omitiuse que houve omissão no referido acórdão, dada a falta de análise acerca da natureza jurídica da nulidade por cerceamento do direito de defesa, uma vez que julga necessário um pronunciamento explícito da Turma sobre o tipo de vício que motivou a anulação do lançamento. Por meio do despacho 2301281 os embargos foram admitidos. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério Como se vê os embargos de declaração opostos buscam suprimir a omissão referente à qualificação do vício que ensejou a nulidade do lançamento. No que diz respeito à natureza do vício reconhecido em assentada anterior, em que pese não haver disposição expressa a fundamentação do voto condutor evidencia tratar se de vício material. Vejase: “E o prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, uma vez que a documentação fiscal exigida estava em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que certamente dificultou a sua apresentação para o fisco. (...) Há que se destacar ainda, porque importante, que o cerceamento do direito de defesa é nitidamente reconhecido, tendo em vista as autuações por falta de documentos e recusa em prestar esclarecimentos além dos inúmeros lançamentos por arbitramento, todos realizados com enorme gravame para o sujeito passivo. . Sem falar que ficou prejudicado o direito da empresa em acompanhar a ação fiscal e prestar os esclarecimentos necessários, o que denota clara afronta aos preceitos constitucionais garantidores da ampla defesa e do contraditório.” Nesse sentido vem se posicionando esse CARF (Processo 12045.000302/200725: “AUTO DE INFRAÇÃO. APURAÇÃO DE CIRCUNSTÂNCIA AGRAVANTE NO MOMENTO DO LANÇAMENTO. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 09/04 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 12045.000479/200721 Acórdão n.º 2301004.251 S2C3T1 Fl. 350 3 INOCORRÊNCIA. COMPROVAÇÃO POSTERIOR. IMPOSSIBILIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. De acordo com o disposto no art. 142 do CTN, deverá o fiscal, ao efetuar o lançamento, verificar e comprovar a ocorrência do fato gerador, da matéria tributável e da penalidade a ser aplicada. Em se tratando de Auto de Infração, um dos elementos que deverá ser comprovado pela fiscalização no momento do lançamento da multa pelo descumprimento da legislação previdenciária é a ocorrência ou não de circunstâncias agravantes, as quais determinam o cálculo do montante do crédito tributário a ser lançado. A posterior verificação pelo acórdão recorrido da ocorrência de circunstância agravante, não apurada quando do lançamento da multa objeto do Auto de Infração, enseja a nulidade do lançamento efetuado, pela inobservância do art. 142 do CTN. LANÇAMENTO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. Quando o lançamento não obedece aquilo o que determinado pelo art. 142 do CTN, deverá ser considerado como carecedor de algum de seus fundamentos principais de validade, o que enseja a ocorrência de vício material insanável. Lançamento Anulado Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER os embargos de declaração e DARLHES PARCIAL PROVIMENTO para retificar o acórdão embargado de modo a constar que o lançamento fora anulado em decorrência de vício material. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 351DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 09/04 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.984587/2009-35
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2005
POSSIBILIDADE DE COMPENSAR ANTECIPAÇÃO EM TESE. AFASTADO O ÓBICE.
Julgamentos anteriores do CARF. Anulação da decisão para nova ser proferida.
Numero da decisão: 1802-002.515
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Correa- Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa (Presidente), Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano (Suplente Convocado), Luis Roberto Bueloni dos Santos Ferreira).
Nome do relator: LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2005 POSSIBILIDADE DE COMPENSAR ANTECIPAÇÃO EM TESE. AFASTADO O ÓBICE. Julgamentos anteriores do CARF. Anulação da decisão para nova ser proferida.
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AFASTADO O ÓBICE. Julgamentos anteriores do CARF. Anulação da decisão para nova ser proferida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa (Presidente), Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano (Suplente Convocado), Luis Roberto Bueloni dos Santos Ferreira). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 98 45 87 /2 00 9- 35 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10880.984587/200935 Acórdão n.º 1802002.515 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório A ora Recorrente apresentou, em 28/12/2005, a Per/Dcomp nº 33677.92947.281205.1.3.046310, por meio do qual solicita compensação de parte do débito de estimativa do IRPJ do mês de janeiro/2005, com o crédito, no valor de 588.331,95, referente a pagamento a maior de estimativa do IRPJ de fevereiro de 2005. A DERAT, através do Despacho Decisório exarado em 21/09/2009, não homologou a compensação declarada, sob o seguinte fundamento: "Limite do crédito analisado corresponde ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 588.331,95. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL'do período". "Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada". "Valor devedor consolidado, corresponde aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/09/2009. Principal R$ 580.469,71, Multa R$ 116.093,94, Juros R$ 347.643,30". Fl. 115DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10880.984587/200935 Acórdão n.º 1802002.515 S1TE02 Fl. 4 3 Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, em 28/10/2009, às fls. 08 a 21, alegando, em suma que: Em janeiro de 2005, um de seus clientes rescindiu um contrato em que a Impugnante fornecia energia e, em razão disso, ela tornouse credora da multa contratual devida pelo cliente "Solvay". De início, entendeu que os valores recebidos da multa, um doze avos, deveriam ser reconhecidos como receita em regime de caixa. Depois, percebeu que essa receita deveria ser reconhecida pelo regime de competência, ou seja, deveria ser incluída na apuração do resultado do período em que ocorreu o fato jurídico, em janeiro de 2005. Com isso, foram realizados os devidos ajustes em sua contabilidade e procedido nova apuração dos tributos nesse período. De outro lado, os valores dos tributos que já haviam sido recolhidos ao longo do anocalendário de 2005, tornaramse indevidos, originando um saldo credor a seu favor. 0 despacho decisório indeferiu a compensação realizada pela contribuinte por entender que o valor recolhido a maior a titulo de estimativa mensal do IRPJ de fevereiro de 2005, somente poderia ser compensado ao final do período de apuração do lucro, com base no teor do disposto no artigo 10 da IN n° 600/2005. Não se justifica exigir determinado valor que foi recolhido indevidamente por mero erro de fato, por violação ao principio constitucional da estrita legalidade. Não se aplica a vedação constante do artigo 10 da IN no 600/2005 ao caso concreto. As estimativas recolhidas são meros adiantamentos dos valores devidos ao final do ano Calendário e poderão não retratar a realidade subjacente. No presente caso, o direito a compensação do valor indevidamente recolhido é imediato, pois o erro de fato cometido pela contribuinte não trouxe qualquer prejuízo ao Erário. Ainda que os valores ora cobrados fossem exigíveis, eles não poderiam ser lançados, pois, a doutrina e jurisprudência são unânimes ao proclamarem a impossibilidade de lançamento de crédito tributário apurado por estimativa após o encerramento do períodobase. Constatandose eventual insuficiência da estimativa do imposto, as autoridades fazendárias apenas poderiam apurar o tributo devido após o encerramento do períodobase e constituir eventual diferença do crédito tributário. Por fim, ainda que se entendesse pela manutenção da exigência em tela, a aplicação da multa deveria ser afastada porque procedeu a quitação do tributo em relação ao fato gerador de janeiro de 2005 de forma espontânea. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10880.984587/200935 Acórdão n.º 1802002.515 S1TE02 Fl. 5 4 Em 20 de dezembro de 2010, a 4ª Turma da DRJ/SP1 proferiu o Acórdão nº 1628.697, julgando improcedente a manifestação de inconformidade e mantendo o despacho da DRF de São Paulo, sob o seguinte fundamento: "Voto (...) 6.Conforme acima relatado, o despacho decisório não homologou a compensação, pois o crédito pleiteado se referia a pagamento a maior de estimativa de fevereiro de 2005 e somente poderia ser compensado na apuração do valor devido do IRPJ, no final do anocalendário de 2005. 7. A não aceitação da compensação foi decidida com base no que vem estabelecido na Instrução Normativa SRF n° 600, de 28/12/2005 (publicada no DOU de 30/12/2005), em seus artigos 10 e 77, que repete o que já era previsto na Instrução Normativa SRF n°460, de 18/10/2004. "Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do MAI ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRRI ou de CSLL do período. Art. 77. Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. 8. Logo, está claro que na hipótese de ter sido efetuado pagamento indevido ou maior que o devido de IRPJ calculado por estimativa — como no presente caso , este valor somente poderia ter sido utilizado na dedução do IRPJ apurado ao final daquele período de apuração, ou para compor o saldo negativo de IRPJ. 9. Deste modo, não era possível à Impugnante à época da transmissão da DCOMP sob análise — pleitear restituição/compensação de IRPJ calculado por estimativa eventualmente pago a maior que o devido. 10. Nesse ponto, é de se notar que os AFRFB, inclusive julgadores, devem aterse aos limites impostos pelas normas legais. 11. Nesse sentido, vejase a lição de Luiz Henrique de Barros Arruda, em "Processo Administrativo Fiscal”, 2a ed., Ed. Atlas, 1994, pág. 85: "Como órgãos de jurisdição administrativa, sua função, no contexto do sistema de autocontrole da legalidade dos atos administrativos, consiste em examinar a Fl. 117DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10880.984587/200935 Acórdão n.º 1802002.515 S1TE02 Fl. 6 5 consentaneidade dos procedimentos fiscais ou decisões das autoridades a quo com as normas legais vigentes." 12. Esse também é o entendimento da jurisprudência administrativa: "LEGALIDADE DAS NORMAS FISCAIS Não compete ao Conselho de Contribuintes, como Tribunal Administrativo que é, e, tampoirtco, ao juizo de primeira instancia, o exame da legalidade das leis e normas administrativas." (Ac. 106 07 .303/1996). LEGALIDADE/CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS Compete exclusivamente ao Judiciário o exame da legalidade/4.nstitucionalidade das leis. Recurso negado." (2° CC — 2° Cam. Acórdão n° 20210665. Data da sessão: 10/11/98.) 13. Norma especifica a este respeito foi estabelecida no art. 70 da Portaria MF n° 58/2006, a ser respeitada no âmbito das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, transcrito abaixo: "Art. 7° 0 julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei n° 8.112 ' de 1990, bem assim o entendimento da SRF expresso em atos normativos." 14. Assim dispõe, o art. 116, III, da Lei n°8.112/1990, retrocitado: "Art.116. Sao deveres do servidor: III observar as normas legais e regulamentares;" 15. Com referencia ao argumento da Impugnante da impossibilidade da cobrança da estimativa, ern que a compensação não foi homologada, por ter se encerrado o períodobase, cabe analisar o previsto no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996 (alterado pelos artigos 49 da MP n° 66, de 30/08/2002, convertida na Lei n° 10.637, de 30/12/2002, e 17 da MP 135, de 31/10/2003, convertida na Lei n° 10.833, de 30/12/2003), assim dispõe, em seus §§ 1° e 6°: "Art. 74. 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível d restituição ou de ressarcimento, poderá na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002). §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (..) § 6° A declaração de compensação constitui confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dosdébitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei n°10.833, de 2003)" (g.m). 16. Portanto, a Declaração de Compensação (DCOMP) entregue constitui confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não Fl. 118DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10880.984587/200935 Acórdão n.º 1802002.515 S1TE02 Fl. 7 6 homologados (indevidamente compensados) e com a aplicação da multa de mora, pois, ao contrário da afirmação da Impugnante, não houve a quitação do débito. 17. Em face do exposto, não comprovado direito creditório, VOTO no sentido de INDEFERIR a manifestação de inconformidade, mantendo a decisão recorrida.” Irresignada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 24/02/2011, ressaltando, primeiramente, a tempestividade do recurso sub examine. Após, reiterou os argumentos invocados na manifestação de inconformidade, bem como atacou o acórdão proferido pela autoridade fiscal, requerendo a sua reforma, destacando, em suma, a inaplicabilidade do art. 10 da IN nº 600/2005 para o presente caso, bem como requerendo a compensação dos valores declarados na Per/Dcomp nº 33677.92947.281205.1.3.046310. Esse o Relatório. Segue meu Voto. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10880.984587/200935 Acórdão n.º 1802002.515 S1TE02 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Relator. Da Tempestividade A ciência do Acórdão deuse em 27/01/2011 e o Recurso Voluntário foi interposto em 24/02/2011. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Do Mérito A ora recorrente alega que um de seus cliente rescindiu contrato de fornecimento de energia, e em razão disso, a mesma tornouse credora da multa contratual estipulada em contrato, no caso de rescisão por uma das partes. Alega ainda que erroneamente achou que os valores recebidos a título de multa deveriam ser reconhecidos como receita em regime de caixa, porém, depois em melhor análise entendeu que essa receita deveria ser reconhecida pelo regime de competência, incluída na apuração do resultado do período em que ocorreu o fato jurídico, ou seja, em janeiro de 2005. Para acerto dos valores, foram realizados ajustes em sua contabilidade e procedida nova apuração dos tributos, entretanto, os valores que já haviam sido recolhidos ao longo do anocalendário de 2005, tornaramse indevidos, originando um saldo credor a seu favor. A autoridade julgadora indeferiu a compensação por entender que o valor recolhido a maior a titulo de estimativa mensal do IRPJ de fevereiro de 2005, somente poderia ser compensado ao final do período de apuração do lucro, com base no teor do disposto no artigo 10 da IN n° 600/2005. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10880.984587/200935 Acórdão n.º 1802002.515 S1TE02 Fl. 9 8 Entretanto, nos moldes da Súmula CARF 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Desta forma, voto pelo parcial provimento do recurso para afastar o óbice de não se considerar crédito à antecipação, anulo a decisão anterior e devolvo os autos a Delegacia de origem para nova decisão. É o meu VOTO. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Fl. 121DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Numero do processo: 11128.000769/2004-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 10/02/2000 a 31/08/2001
Ementa:
RESTITUIÇÃO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. DRAWBACK SUSPENSÃO. OPERAÇÕES REALIZADAS NO REGIME COMUM DE IMPORTAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE.
Uma vez comprovado o adimplemento parcial do compromisso de exportação, pactuado em Ato Concessório de Drawback, deve ser reconhecido, nessa medida, o direito de restituição dos tributos indevidamente pagos na importação, por flagrante erro do contribuinte no processamento das operações. O reconhecimento do direito material não pode ser inviabilizado por questões procedimentais. Precedente do CARF.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.423
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário da empresa. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Alberto Daudt de Oliveira, OAB/RJ nº. 50.932.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza Da Trindade Torres Oliveira, Rodrigo Cardozo Miranda, Charles Mayer De Castro Souza, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura De Albuquerque Alves.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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II. DRAWBACK. Recorrente VOLKSWAGEN DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 10/02/2000 a 31/08/2001 Ementa: RESTITUIÇÃO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. DRAWBACK SUSPENSÃO. OPERAÇÕES REALIZADAS NO REGIME COMUM DE IMPORTAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE. Uma vez comprovado o adimplemento parcial do compromisso de exportação, pactuado em Ato Concessório de Drawback, deve ser reconhecido, nessa medida, o direito de restituição dos tributos indevidamente pagos na importação, por flagrante erro do contribuinte no processamento das operações. O reconhecimento do direito material não pode ser inviabilizado por questões procedimentais. Precedente do CARF. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário da empresa. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Alberto Daudt de Oliveira, OAB/RJ nº. 50.932. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 07 69 /2 00 4- 40 Fl. 2551DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza Da Trindade Torres Oliveira, Rodrigo Cardozo Miranda, Charles Mayer De Castro Souza, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura De Albuquerque Alves. Relatório Trata o presente processo de pedido de reconhecimento de direito de crédito e restituição de tributos (fls: 01), referente a 233 (duzentas e trinta e três) Declarações de Importação (DI), com cópias constantes nos 11 (onze) volumes do presente processo. O interessado alega que recolheu Imposto de Importação (II) indevidamente, no valor de R$ 17.320.869,00 (dezessete milhões trezentos e vinte mil e oitocentos e sessenta e nove reais), referente a diversas importações, realizadas durante a vigência do Ato Concessório de Regime de Drawback Suspensão n° 284100/0000107, afirmando que as mercadorias importadas, discriminadas às fls. 2026 a 2075, foram utilizadas na fabricação de outras mercadorias, posteriormente exportadas, conforme dispõe o regime aduaneiro especial de Drawback Suspensão. Pelo fato de as mencionadas exportações terem sido realizadas dentro do prazo de vigência do Ato Concessório, e por entender que as mercadorias estariam amparadas pelo referido regime, o interessado reivindica a restituição da quantia recolhida a titulo de II. Apreciando o pedido, a Alfândega do Porto de Santos indeferiu a restituição, porque as DIs não foram vinculadas ao Ato Concessório, como exigiria o regime de drawback suspensão, não sendo possível, ainda, o enquadramento do pleito no regime drawback restituição (fls. 2.229/ss.): No entanto, para que sejam admitidas no regime de Drawback Suspensão, as mercadorias importadas necessitam de Licença de Importação (LI) não automática concedida pelo DECEX, o que não ocorreu com as mercadorias vinculadas às DI objeto de pedido de restituição do II, motivo pelo qual as referidas DI não foram vinculadas ao Ato Concessório nº 284100/0000107. Conseqüentemente, os tributos relativos as DI mencionadas foram cobrados normalmente tal como em um despacho para nacionalização de mercadorias.O DECEX emitiu certidão (fls. 2096) na qual anexa uma lista (fls. 2097 a 2107) com 4.910 (quatro mil novecentas e dez) DI na situação exposta, das quais 231 DI foram registradas no Porto de Santos e que são objeto do presente pedido de restituição, juntamente com outras duas DI registradas neste mesmo local, mas que não estão presentes na lista elaborada pelo DECEX (DI nº 00/01218969 (fls. 23 a 28) e n° 00/01578078 (fls. 29 a 35). Na certidão redigida pelo DECEX (fls. 2077 e 2096), o qual é o responsável pela concessão do referido regime, o órgão informa que as mercadorias em questão foram importadas "... fora do mencionado regime ...". Fl. 2552DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11128.000769/200440 Acórdão n.º 3202001.423 S3C2T2 Fl. 12.536 3 O enquadramento das mercadorias na modalidade Drawback Restituição também não é possível, pois a IN/SRF n° 30, de 18/08/1972, que disciplina o assunto, preceitua: "2.2 — A habilitação deverá ser feita num prazo de até 90 (noventa) dias, a partir da efetiva exportação da mercadoria, ao fim do qual deixará o direito do beneficiário;" Corroborando este entendimento, informo haver litígio já decidido em 1ª instância (Acórdão DRFFNS n° 6143, de 17/06/2005 (fls. 2222 a 2227), com recurso voluntário pendente (fls. 2228)), mantendo o indeferimento proferido no processo n° 10907.000898/200406, referente a pedido idêntico, formulado pelo mesmo estabelecimento empresarial, relativo ao mesmo Ato Concessório, com a diferença de abranger DI despachadas através da Alfândega do Porto de Paranaguá. Considerando todo o exposto, proponho que não seja reconhecido o direito ao crédito pleiteado, isto é, que seja indeferido o pedido de restituição referente ao Imposto de Importação, sem entrar no mérito quanto ao valor. À consideração superior. Não conformada com o indeferimento de sua solicitação, a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 2235/2248, a qual foi indeferida pela DRJ/SPII, conforme resume sua ementa às fls. 2.266/ss: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 10/02/2000 a 31/08/2001 DRAWBACK SUSPENSÃO. Pedido de Restituição Regime concedido na forma de Drawback Suspensão A obtenção e efetivação do Regime de Drawback dependem da obediência a trâmites, os quais estão previstos nos arts. 317 a 319, do Regulamento Aduaneiro, Decreto n° 91.030, de 05/03/1985, vigente à época do registro das DIs. Solicitação Indeferida. Contra o referido acórdão, a empresa interpôs recurso voluntário, tendo o CARF, convertido o julgamento em diligência, através da Resolução n° 30301.481, questionando o seguinte (fls. 2.042/ss.): a) intime a interessada a demonstrar que as "matériasprimas, conjuntos, subconjuntos, peças, partes e outros insurnos destinados à fabricação de veículos e conjuntos", importados por intermédio das declarações de importações relacionadas nos autos, foram efetivamente aplicados na produção dos veículos e conjuntos de quadro auxiliar exportados sob o amparo do Ato Concessório 2841 00100001 07 e de seus respectivos aditivos; Fl. 2553DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 b) indague ao Decex se todas as importações amparadas nas declarações relacionadas foram acolhidas na baixa final do Ato Concessório 284100/0000107 e de seus respectivos aditivos; e c) emita juízo de valor acerca do relatório de auditoria de produção apresentado pela ora recorrente bem como a respeito da resposta fornecida pelo Decex. Quanto ao item “b” da Resolução, a DECEX respondeu que das 4.901 DIs, 1704 DIs foram consideradas para a baixa do Ato Concessório n° 284100/0000107. Observe se (fls. 2.412/ss.): 2. Aquele Conselho solicitou indagar a este Departamento de Operações de Comércio Exterior (DECEX) se todas as importações amparadas nas declarações relacionadas foram acolhidas na baixa final do Ato Concessório n°284100/000010 7 e seus respectivos aditivos. 3. Informamos que, além de ter expedido a certidão anexada por Vossa Senhoria ao presente pleito, este DECEX já havia sido questionado pela Inspetoria da RFB em Curitiba (Oficio GAB/IRF/CTA n° 30/2009), tendo respondido por meio do Oficio DECEX/CGEQ2009/658, de 17/06/09, cujo teor reproduzo parcialmente abaixo: "...das 4.910 Declarações de Importação (DI) relacionadas na certidão DECEX/CGME2003/594, 1.704 DI foram consideradas para a baixa do Ato Concessório n° 2841 00/0000107, modalidade suspensão, genérico, emitido em 02/02/2000, em favor da empresa Volkswagen do Brasil Ltda. Estas 1.704 DI constam dos 08 volumes do Relatório Unificados de Drawback (RUD) onde estão relacionadas por produtos envolvidos, quantidades e valores constam em anexo." 4. Sendo assim, encaminho a Vossa Senhoria cópia do CD enviado àquela Inspetoria, onde são identificadas as Declarações de Importação vinculadas o Ato Concessório de que se trata e suas localizações no Relatório Unificado de Drawback. Em seguida, a SEORT elaborou uma “Relação das DIs ‘Localizadas’ no Relatório do DECEX”, no qual constata que, em relação ao presente pedido de restituição da Recorrente, apenas 138 DI’s, no valor de R$ 6.905.174,00, foram baixadas pela DECEX do mencionado ato concessório (fls. 2.500/ss.). No que diz respeito ao questionamento solicitado no item “c” da citada Resolução, a autoridade fiscal não foi conclusiva, razão pela qual, retornando os autos ao CARF, foi expedida nova Resolução nº 3202000.096, para que tal questionamento fosse esclarecido. Em resposta ao determinado na última resolução, foi elaborada Informação Fiscal, consignando que, se o CARF adotar, no julgamento do recurso voluntário, o critério da comprovação da incorporação das peças/componentes no produto exportado, então, nessa perspectiva, apenas o correspondente ao valor do II de R$ 185.789,90, relativos às pecas/componentes, não teria sido comprovado, na aplicação dos insumos importados no processo produtivo dos bens exportados. Confirase (fl. 2.524): Fl. 2554DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11128.000769/200440 Acórdão n.º 3202001.423 S3C2T2 Fl. 12.537 5 Tendo em vista o contido nas Resoluções/CARF res 303.01.481 e 3202 000.096, Informação SEORT/Alf. Porto de Santos, fls. 2519 e Análise e Informação IRFCTA/SAORT n° 041/2013, fls. 2521, informamos: O Relatório de Diligência Fiscal elaborado por este Serviço de Fiscalização, para atendimento à Resolução n° 303.01.427 de 20/05/2008 (PAF 15165.000801/200400), contendo as informações sobre a Auditoria de Produção envolvendo o Ato Concessório de Drawback em questão, foi anexado ao presente processo pelo interessado em 27/08/2010, juntamente com um CD contendo todo o detalhamento da Auditoria de Produção, em atendimento à Intimação n° 086/10 da Alf. Porto de Santos (Vol. XII, fls. 2332 a 2364); 2 Ficou constatado, através da citada Auditoria de Produção, que parte das peças e componentes desembaraçados pelas Declarações de Importação registradas na Alf do Porto de Santos, objeto do presente pedido de restituição de II (Imposto de Importação), não foram aplicados no processo produtivo dos bens exportados. Assim, o valor do II correspondente está sujeito à glosa em eventual decisão favorável ao interessado, caso seja adotado o critério da comprovação da incorporação das peças/componentes no produto exportado. 3 Com a utilização de "filtros" extraímos os dados da denominada planilha financeira da Auditoria de Produção e elaboramos nova planilha contendo as inconsistências relativas às Dls desembaraçadas no Porto de Santos, doc. Fls. 2522 e 2523, resultando no valor do II de R$ 185.789,90 relativos às pecas/componentes sem a comprovação da aplicação no processo produtivo dos bens exportados. Com a informações acima transcritas, o processo foi remetido para o CARF para julgamento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e, por isso, merece ser apreciado. O Recorrente alega que recolheu Imposto de Importação (II) indevidamente, no valor de R$ 17.320.869,00 (dezessete milhões trezentos e vinte mil e oitocentos e sessenta e nove reais), referente a diversas importações, realizadas durante a vigência do Ato Concessório de Regime de Drawback Suspensão n° 284100/0000107, afirmando que as mercadorias importadas, discriminadas às fls. 2026 a 2075, foram utilizadas na fabricação de outras mercadorias, posteriormente exportadas, conforme dispõe o regime aduaneiro especial de Drawback Suspensão. Fl. 2555DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 6 Pelo fato de as mencionadas exportações terem sido realizadas dentro do prazo de vigência do Ato Concessório, e por entender que as mercadorias estariam amparadas pelo referido regime, o Recorrente reivindica a restituição da quantia recolhida a titulo de II. Todavia, a Alfândega do Porto de Santos julgou indevida a restituição, porquanto as mercadorias importadas necessitavam de Licença de Importação (LI) não automática concedida pelo DECEX, o que não ocorreu com as mercadorias vinculadas às DI objeto de pedido de restituição do II, motivo pelo qual as referidas DI não foram vinculadas ao Ato Concessório nº 284100/0000107 (fls. 2.229/ss.). A DRJ ratificou tal decisão. No meu entender, porém, merece reforma o acórdão da DRJ. De acordo com a certidão da SECEX de fls. 21/22, acostada ao pedido de restituição, a empresa faz jus a um valor de importação de $ 456.365.388,33. Confirase: Demonstrado o direito à importação desse valor sob égide do regime drawbacksuspensão, entendo que, ao contrário do que assentou o acórdão recorrido, a vinculação da Declaração de Importação e do Registro de Exportação (RE) ao ato concessório não impede o reconhecimento do cumprimento do drawbacksuspensão. A ausência da sobredita vinculação faz prova iuris tantum, de que houve descumprimento do ato concessório, mas, pode, o contribuinte, fazer prova em contrário. Pensar de forma contrária, implica em inviabilizar, em absoluto, o pedido de restituição, quando há equívoco por parte da contribuinte, em não vincular as DIs ao ato Fl. 2556DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11128.000769/200440 Acórdão n.º 3202001.423 S3C2T2 Fl. 12.538 7 concessório, o que, a meu ver, significa erigir essa exigência formal à condição de requisito do gozo do direito material, sem que a legislação tributária assim disponha. Nesse sentido, transcrevo o seguinte precedente do CARF, relatado pelo Ilmo. Conselheiro RICARDO PAULO ROSA: Acórdãonº 3102001.976–1ªCâmara/ 2ª Turma Ordinária ASSUNTO:NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2000,2001 DRAWBACK SUSPENSÃO. OPERAÇÕES REALIZADAS NO REGIME COMUM DE IMPORTAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO.POSSIBILIDADE. Uma vez que comprovado o adimplemento do compromisso de exportação pactuado em Ato Concessório de Drawback, assim como a regular importação das matériasprimas utilizadas na fabricação dos produtos exportados, deve ser reconhecido o direito de restituição dos tributos indevidamente pagos na importação por flagrante erro do contribuinte no processamento das operações. Recurso Voluntário Provido. Vistos,relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Voto Embora a conformação dos fatos do caso concreto exija a elaboração de uma lógica que não encontra orientação expressa nos comandos normativos próprios do Regime, parecemeserpassíveloentendimentodequetalexigêncianãoseaplic aàsimportaçõesobjeto do Pedido.Explico. O licenciamento não automático é obrigatório no caso de importações realizadas com suspensão do pagamento dos impostos pela aplicação do Regime de Drawabck Suspensão, desoneração que acontece antes do adimplemento do incentivo. A exigência de licenciamento não decorre do benefício tributário em si, mas de sua concessão prévia, em caráter precário,antes mesmo de realizada a exportação que lhe atribui definitividade. Acredito que o melhor testemunho dessa ilação está no fato de que, no caso de Drawback restituição, não se cogita de exigência de licenciamento não automático. É claro que não se discute aqui a concessão de benefício de Drawback na modalidade restituição. Incontroverso que o incentivo foi concedido no Regime de Drawback suspensão e sob essa ótica deve ser avaliado. Contudo, uma vez que o favor não tenha sido nestes moldes aplicado, restou configurado um Fl. 2557DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 8 híbrido retratado no direito de restituição de valores indevidamente pagos na execução de um Drawback Suspensão. Passível que sejam consideradas as regras de um e de outro, pelo menos quando o propósito seja apenas avaliara necessidade de obtenção de licenciamento prévio à operação de importação. VOTO por dar integral provimento ao Recurso Voluntário. Sala de Sessões,21 de agosto de 2013. Ricardo Paulo RosaRelator Tal interpretação se harmoniza ao art. 319 do Decreto n° 91.030, de 05/03/1985, vigente à época do registro das DIs ora tratadas, o qual determina que, apenas, na hipótese de as mercadorias admitidas no regime deixarem de ser empregadas no processo produtivo de bens, conforme estabelecido no ato concessório, e forem destinadas ao mercado interno, devem serem pagos os tributos suspensos. In verbis: Art. 319 As mercadorias admitidas no regime que, em seu todo ou em parte, deixem de ser empregadas no processo produtivo de bens, conforme estabelecido no ato concessório, ou que sejam empregadas em desacordo com este, ficam sujeitas ao seguinte procedimento: I no caso de inadimplemento do compromisso de exportar, no prazo de até trinta dias da expiração do prazo fixado para exportação: a) devolução ao exterior ou reexportação; b) destruição, sob controle aduaneiro, as expensas do interessado; c) destinação para consumo interno das mercadorias remanescentes. II no caso de descumprimento de outras condições previstas no ato concessório, deverá ser requerida a regularização junto ao órgão concedente, a critério deste; III no caso de renúncia ao benefício, deverá ser adotado, no momento da renúncia, um dos procedimentos previstos no inciso I. Parágrafo único Na hipótese da alínea "c", inciso I, deste artigo, os tributos suspensos deverão ser pagos com os acréscimos legais devidos. No caso dos autos, a Informação Fiscal de fl. 2.524 consigna que, se o CARF adotar, no julgamento do recurso voluntário, o critério da comprovação da incorporação das peças/componentes no produto exportado, então, nessa perspectiva, apenas o correspondente ao valor do II de R$ 185.789,90, relativos às peças/componentes, não teria sido comprovado, na aplicação dos insumos importados no processo produtivo dos bens exportados. Confirase (fl. 2.524): Tendo em vista o contido nas Resoluções/CARF res 303.01.481 e 3202 000.096, Informação SEORT/Alf. Porto de Santos, fls. Fl. 2558DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11128.000769/200440 Acórdão n.º 3202001.423 S3C2T2 Fl. 12.539 9 2519 e Análise e Informação IRFCTA/SAORT n° 041/2013, fls. 2521, informamos: O Relatório de Diligência Fiscal elaborado por este Serviço de Fiscalização, para atendimento à Resolução n° 303.01.427 de 20/05/2008 (PAF 15165.000801/200400), contendo as informações sobre a Auditoria de Produção envolvendo o Ato Concessório de Drawback em questão, foi anexado ao presente processo pelo interessado em 27/08/2010, juntamente com um CD contendo todo o detalhamento da Auditoria de Produção, em atendimento à Intimação n° 086/10 da Alf. Porto de Santos (Vol. XII, fls. 2332 a 2364); 2 Ficou constatado, através da citada Auditoria de Produção, que parte das peças e componentes desembaraçados pelas Declarações de Importação registradas na Alf do Porto de Santos, objeto do presente pedido de restituição de II (Imposto de Importação), não foram aplicados no processo produtivo dos bens exportados. Assim, o valor do II correspondente está sujeito à glosa em eventual decisão favorável ao interessado, caso seja adotado o critério da comprovação da incorporação das peças/componentes no produto exportado. 3 Com a utilização de "filtros" extraímos os dados da denominada planilha financeira da Auditoria de Produção e elaboramos nova planilha contendo as inconsistências relativas às DIs desembaraçadas no Porto de Santos, doc. Fls. 2522 e 2523, resultando no valor do II de R$ 185.789,90 relativos às pecas/componentes sem a comprovação da aplicação no processo produtivo dos bens exportados. Com as informações acima transcritas, entendo que restou comprovado que parte das mercadorias admitidas no regime foram empregadas no processo produtivo de bens, conforme estabelecido no ato concessório, tornando imperioso, portanto, nessa proporção, o deferimento da solicitação de restituição do II pago, uma vez que foi cumprida a condição para a caracterização da isenção. Assim, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para deferir o pedido de restituição, na proporção da comprovação da incorporação das peças/componentes no produto exportado, relacionada na Informação Fiscal de fl. 2.524. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 2559DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 10 Fl. 2560DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 15504.018349/2008-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2301-000.504
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente da Turma), Wilson Antonio De Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Andrea Brose Adolfo, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente da Turma), Wilson Antonio De Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Andrea Brose Adolfo, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .0 18 34 9/ 20 08 -6 0 Fl. 294DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15504.018349/200860 Resolução nº 2301000.504 S2C3T1 Fl. 294 2 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa EDUCAÇÃO INFANTIL FUNDAMENTAL MANGABEIRAS S.C LTDA E OUTROS, em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve o crédito Tributário. 2. De acordo com a descrição dos fatos, tratase de auto de infração referente à infringência ao artigo 32, inciso I, da Lei n° 8.212, de 1991 c/c o artigo 225, inciso I, § 9°, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999, por ter deixado a empresa de incluir em folhas de pagamento valor pago aos empregados a titulo de alimentação, no período de 01/2004 a 05/2005. 3. Após devidamente intimada do lançamento em 05/11/2008 a contribuinte não apresentou defesa contra o lançamento. Todavia, a SOEBRAS — Associação Educativa do Brasil, CNPJ nº 22.669.915/000127, na condição de subsidiária, impugnou o lançamento, fls. 107/119. A delegacia da Receita Federal manteve o lançamento, tendo a ementa do acórdão de primeira instância restado lavrada nos termos que transcrevo abaixo: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 30/05/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTO. Deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo INSS constitui infração à legislação previdenciária. AQUISIÇÃO DE ESTABELECIMENTO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer titulo, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. Tendo a autoridade fiscal observado o cumprimento dos requisitos legais indispensáveis à validade do lançamento do crédito tributário, eventuais questionamentos acerca da emissão ou execução do MPF, por constituir essencialmente um instrumento de controle administrativo, não importam em nulidade do procedimento fiscal. IMPUGNAÇÃO Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Impugnação Improcedente Credito Tributário Mantido.” Fl. 295DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15504.018349/200860 Resolução nº 2301000.504 S2C3T1 Fl. 295 3 4. Intimada da decisão a quo em 12/11/2011, conforme aviso de recebimento da ECT de fls. 73, a recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário fls.237/275 alegando em síntese que: a) preliminarmente, que a SOEBRAS arrendou, a partir de 01/11/2006, a utilização da marca "Promove" em troca de pagamento em dinheiro para o Grupo "Promove", que o Grupo Promove mantém suas atividades empresariais normais, tanto que possui as unidades Mangabeiras, Pampulha, Núcleo e Supletivo. A SOEBRAS não sucedeu o Promove, mas apenas arrendou o uso da marca, a recorrente existia muito antes de propor o citado arrendamento; b) a Promove e SOEBRAS são empresas diversas, com sócios distintos, personalidades jurídicas próprias e independentes, coexistem no mercado e atuam cada qual em seus objetivos sociais, não se podendo falar em sujeição passiva subsidiária; c) pelo simples fato de ter arrendado a marca não pode ser responsabilizado por tais obrigações. Ademais, o período da alegada obrigação não atinge o período de arrendamento que se deu no final de 2007, considerando que a autuação abrange competências a partir de 2003; d) as diversas alterações ocorridas no sistema de entrega de dados, como envio das GFIPs, causaram certa confusão e desconhecimento técnico, o que não pode ser considerado má fé. Entende ainda que não pode ser punida sem ter concorrido para a prática de ato ilícito; e) a SOEBRAS apresentou pedido de parcelamento de débitos protocolado em 15/10/2007, pelo que roga seja transferido todo o passivo fiscal para o CNPJ 22.669.915/000127, permitindo a sua inclusão nos parcelamentos já solicitados, o que é justo e de direito; f) requer, a insubsistência do Mandado de Procedimento Fiscal — MPF, não reconhecendo a sujeição passiva subsidiária atribuída a impugnante ou que seja determinada diligência para adequar o MPF, anulandoo e emitindo outro para reabrir os procedimentos de forma correta, bem como, pede o reconhecimento da imunidade tributária da SOEBRAS; g) por fim, a procedência da defesa com a não imputação de multa, excluindose os valores acrescidos, para manter, tão somente, o débito originalmente constatado, face a inexistência de máfé na atuação da SOEBRAS. 5. Consta, nas folhas nº 285 informação que a contribuinte manifestouse pela inclusão da totalidade dos débitos no parcelamento pela Lei nº 11.941/2009. 6. Sem contrarrazões do Fisco, os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este conselho. É o relatório. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15504.018349/200860 Resolução nº 2301000.504 S2C3T1 Fl. 296 4 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA 2. A impugnação do sujeito passivo (f.59) notícia pedido de parcelamento nos seguintes termos: “Observem, V. Ex.as que as solicitações de parcelamento protocoladas cumprem os requisitos legais e necessários ao deferimento, tudo na forma da Lei 11345/2006 e do Decreto 6187 de 14/08/2007, sendo que tais ainda estão em análise no Órgão Responsável — Setor de Parcelamentos do INSS (Rua_Levindo Lopes, 357 — 11º Andar, em Belo Horizonte/MG).” 3. A decisão a quo, discorre que não é da competência daquele órgão julgador deferir ou indeferir pedido de parcelamento. No entanto, a contribuinte não requereu apreciação de pedido de parcelamento junto à DRJ, apenas trouxe em sua impugnação a informação que há pedido de parcelamento em andamento junto ao órgão competente, na época, o INSS. 4. Sobre a matéria, o Regimento Interno do CARF (RICARF) estabelece que: “ Art. 78.Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação: “§ 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. (Redação dada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010).” 5. Importante frisar que em caso de confirmação de parcelamento estará configurada confissão irretratável da dívida, demonstrando a concordância da recorrente com o crédito tributário exigido, nos termos do art. 78 do Regimento Interno do CARF. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15504.018349/200860 Resolução nº 2301000.504 S2C3T1 Fl. 297 5 6. Em despacho de 06/12/20111, emitido pelo Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário – SECAT, às fls. 286/289, nesta última, consta a informação que a empresa é optante do parcelamento de que trata a Lei nº 11.941/2009, in verbis: “(...). 2. Após pesquisas efetuadas no Sistema Paex e Plenus, constatamos que o contribuinte é optante pela Lei 11.941/09. No entanto, não constatamos, entre os créditos, o número do AI citado, conforme telas juntadas ao processo. 3. Os eventos do Sistema Sicob/Plenus não foram alterados, de acordo com esclarecimentos que constam em folhas 143 ou 283 (eprocesso). (...).” (Fl. 289). 7. Ademais, o histórico trazido pela recorrente, em sua impugnação, acerca da concretização da adesão ao parcelamento, carece ser melhor investigado, a fim de não gerar dúvidas quanto ao efetivo prosseguimento do processo de formalização do débito fiscal. 8. Desta feita, considerando o acima exposto e observando o princípio do contraditório e da ampla defesa, entendo que o presente processo deva ser devolvido a primeira instância para que o fisco traga informações complementares que possibilitem a averiguação da existência ou não da adesão ao parcelamento pelo sujeito passivo, ante ao posicionamento sobre a questão exposto no acórdão recorrido. 9. Assim, por se tratar de ponto essencial à decisão deste Colegiado, entendo ser necessária à conversão do julgamento em diligência para que o fisco traga aos autos informações discriminadas e atualizadas sobre o andamento do pedido de parcelamento realizado pela empresa. CONCLUSÃO 10. Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário para, em seguida, converter o seu julgamento em diligência para que o fisco preste os esclarecimentos sobre as seguintes questões: a) traga aos autos informações discriminadas e atualizadas sobre o andamento do pedido de parcelamento realizado pelo sujeito passivo; b) após esse procedimento, dêse vista do resultado da diligência a recorrente para que, no prazo de 30 dias, caso queira, manifestese sobre o documento produzido pelo fisco. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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Numero do processo: 10830.906088/2012-06
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/07/2005
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.755
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Demes Brito e Cássio Schappo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 60 88 /2 01 2- 06 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906088/201206 Acórdão n.º 3801004.755 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Demes Brito e Cássio Schappo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF trinta e três processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de cofins ou contribuição para o PIS/Pasep, e o ônus da prova deste direito. Em alguns processos, foi indeferida totalmente a declaração de compensação de débitos da contribuinte com o crédito pleiteado, por falta de comprovação da liquidez e certeza de todo o crédito, em outros, foi homologada parcialmente a declaração de compensação, porque foi comprovada a certeza e liquidez de parte do crédito pleiteado. Esta diferença não exige mudanças nos acórdãos dos julgamentos, pois o que está sob julgamento é justamente o crédito não reconhecido e a parte não homologada das declarações de compensação. O crédito reconhecido e a parte homologada não estão em discussão. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de contribuição social e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906088/201206 Acórdão n.º 3801004.755 S3TE01 Fl. 4 3 Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório, em expediente que foi recebido como manifestação de inconformidade: “Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 10/08/2012, alegando que a Receita Federal mantém os controles de apropriação e pagamento dos impostos federais, assim como uma conta corrente de cada contribuinte, na qual podem ser visualizados os pagamentos efetuados de forma correta, os pagamentos a maior e os pagamentos a menor. Assevera que o despacho decisório não pode progredir, porque a RFB cobra o mesmo valor pago pelo contribuinte, quando, na verdade, foi preenchido um PER/DCOMP que demonstra de forma clara que aquele pagamento foi efetuado a maior e dele se extraí os valores devidos a título de impostos. Apresenta um demonstrativo da composição do PER/DCOMP nº 27613.24430.280909.1.3.047698, identificando o valor devido de COFINS, o valor da guia de recolhimento, o saldo do pagamento a maior e as compensações efetuadas. Alega ainda que houve a retificação da DIPJ do anobase de 2005, na qual a receita foi apropriada de forma errada e, por isto, originou também a retificação de todos os cálculos dos impostos federais. Ressalta que havendo necessidade de retificação do PER/DCOMP, solicita autorização para o ajuste, porém, o valor original disponível desde a data especificada, corrigido monetariamente, possibilitou a compensação declarada. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “Assunto: ... Data do fato gerador: ... DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado.” No recurso voluntário a recorrente alega o seguinte: Fl. 59DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906088/201206 Acórdão n.º 3801004.755 S3TE01 Fl. 5 4 i) O ICMS que faz parte do valor total de conhecimentos de transporte não compõe o valor tributado pela cofins e pela contribuição para o PIS/Pasep. ii) Juntou cópia da DIPJ 2006/2005, retificada, que demonstra que estas contribuições foram reduzidas em seus valores anteriormente apresentados. iii) No próprio PER/DCOMP apresentado, verificase que houve pagamento a maior. iv) Não apresentou retificação da DCTF e do DACON, primeiro, por problemas com o contador; depois, porque teria ocorrido prescrição para a retificação. v) Calculou a cofins e a contribuição para o PIS/Pasep sobre um valor que incluía o ICMS e, após, corrigiu o faturamento, excluindo este imposto da base de cálculo, logo, tem direito ao crédito pleiteado. É o relatório. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906088/201206 Acórdão n.º 3801004.755 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Certeza e liquidez do crédito pleiteado. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de contribuição social. Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório. Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/BHE, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906088/201206 Acórdão n.º 3801004.755 S3TE01 Fl. 7 6 A recorrente afirma que juntou cópia da DIPJ 2006/2005 retificada, a qual demonstraria redução dos valores das contribuições anteriormente apresentados, e apresenta justificativas para não ter retificado a DCTF e o DACON. Não encontrei nos autos nenhuma DIPJ, original ou retificada. Logo, inócua a alegação. Quanto à falta de retificação da DCTF e do DACON, esta não é determinante para o julgamento, uma vez que o CARF tem reconhecido o direito ao crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, independentemente de retificação da DCTF e do DACON, desde que o direito seja comprovado por documentos e livros fiscais e contábeis hábeis. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. De qualquer modo, o importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito pleiteado. Há menção de que seria decorrente da inclusão do ICMS integrante de conhecimento de transporte na base de cálculo da cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, porém, não é tecido nenhum argumento sobre esta matéria. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Declaração de compensação errada e competência do CARF No recurso, ao contrário da manifestação de inconformidade, nada foi dito sobre erro na Declaração de Compensação ou sobre a necessidade de sua retificação. Apenas se afirmou que, no PER/DCOMP apresentado, verificase que houve pagamento a maior. Porém, tendo em vista que possível erro na DCOMP é questão que permeia os autos e que a decisão da DRJ tratou desta matéria; que a Administração deve atender aos princípios da legalidade, da moralidade, do interesse público e da eficiência; e que o princípio da verdade material é especialmente levado em consideração nos julgamentos neste Conselho; teço algumas considerações que me levam a concluir pela manutenção da decisão recorrida na íntegra. O processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União e o de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal é regido pelo Decreto nº 70.235, de 6/3/1972. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906088/201206 Acórdão n.º 3801004.755 S3TE01 Fl. 8 7 O rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235, de 1972, não se aplica, em princípio, aos processos administrativos de pedidos de compensação, pois não são processos de determinação e exigência de créditos tributários, tampouco de consulta sobre aplicação da legislação tributária federal.. Porém, por força do art. 74, §§ 9º e 10, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, não homologada a compensação, o sujeito passivo poderá apresentar manifestação de inconformidade contra a decisão administrativa de não homologação e recurso contra decisão que julgue improcedente a manifestação de inconformidade. Ambos, manifestação de inconformidade e recurso, seguirão o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235, de 1972, conforme parágrafo 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais_CARF, que, conforme art. 37 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009, é competente para julgar, em segunda instância, processos que seguem o rito deste decreto, possui competência para julgar recursos contra decisões da DRJ que julgaram improcedentes manifestações de inconformidade contra não homologação de declarações de compensação. Quanto à retificação de declarações de compensação, a situação é diferente. Cito o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 63DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906088/201206 Acórdão n.º 3801004.755 S3TE01 Fl. 9 8 § 8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União A exigência do pagamento destes débitos não deve ser submetida a julgamento administrativo; e, ainda que a declaração de compensação contenha erro, não cabe nesta instância sua correção, o que deve realizarse pela entrega de declaração retificadora, tal como estabelecido nos arts. 6º a 8º das Instruções Normativas SRF nº 360. de 24/02/2003, e nº 376, de 23/12/2003; nos arts. 55 a 58 da IN SRF nº 460, de 18/10/2004, e IN SRF nº 600, de 28/12/2005; nos arts. 76 a 79 da IN SRF nº 900, de 30/12/2008; e nos arts. 88 a 90 da IN RFB nº 1.300, de 20/11/2012. Conforme assentado no acórdão recorrido, a retificação de declaração de compensação deveria ser requerida por meio de documento retificador gerado a partir do programa PER/DCOMP. Não há nos autos nenhum documento retificador gerado nesta condição. Assim, não pode o CARF determinar a homologação da DCOMP tal como formalizada, ainda que errada, pois esta extingue o crédito tributário, sob condição resolutória, e constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906088/201206 Acórdão n.º 3801004.755 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 19482.720042/2013-46
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 16/11/2012
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. NÃO INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Não se conhece das razões apresentadas no recurso voluntário quando intempestiva a impugnação uma vez que não foi instaurado o contencioso administrativo.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3801-005.246
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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NÃO INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Não se conhece das razões apresentadas no recurso voluntário quando intempestiva a impugnação uma vez que não foi instaurado o contencioso administrativo. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 48 2. 72 00 42 /2 01 3- 46 Fl. 214DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19482.720042/201346 Acórdão n.º 3801005.246 S3TE01 Fl. 11 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, uma vez que narra bem os fatos: Trata de auto de infração relativo a multa do art. 33 da Lei nº 11.488 de 2007, da multa de 10% sobre o valor da operação, aplicada a META TRADE GROUP IMPORTACAO E EXPORTACAO LTDA – EPP, no valor de R$ 9.345,88, relativa a operações por encomenda não declaradas no momento da operação de importação. A fiscalização, em seu relatório (fls. 07/33), em procedimento especial de fiscalização(canal cinza de conferência aduaneira) relativo a DI 12/21476566, na qual figura como Importador e também adquirente da mercadoria a empresa META TRADE GROUP IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDAEPP, CNPJ nº 08.937.488/000190, conclui que se trata de importação destinada a real adquirente oculto, neste caso, a ACTEC TECNOLOGIA EM CONTROLE DE ACESSO E IDENTIFICAÇÃO LTDAME. “Houve abertura de processo para fins de aplicação de pena de perdimento, conforme informação as fls 34: “ A pena de perdimento das mercadorias foi aplicada em autos a parte, através do PAF 19482.720.041/201300. “A META TRADE, conforme despacho as fls. 150, tomou ciência em 19/08/2013 de sua autuação e apresentou em 19/09/2013, sua peça impugnatória, a qual foi informada pela autoridade preparadora como intempestiva. A existência de requerimento, em sede de preliminar, pela declaração de tempestividade da peça impugnatória, motivou o despacho as fls. 150 de encaminhamento para julgamento. Na peça impugnatória, as fls 135 a 148, a META TRADE requer: Em sede de Preliminar: a declaração de tempestividade da apresentação de sua peça impugnatória; insubsistência do auto por cerceamento do direito de defesa No mérito, apresenta argumentos que pretendem concluir em sua tese de defesa : pela Inaplicabilidade do art. 33 da Lei nº 11.488/2007, por inexistência do acobertamento da operação; Fl. 215DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19482.720042/201346 Acórdão n.º 3801005.246 S3TE01 Fl. 12 3 por exacerbação do poder de polícia, pois haveria relação comercial legítima entre esta e a empresa ACTEC e outras não vinculadas; pela existência da comprovação da origem dos recursos aplicados as operações de comércio exterior; inexistência de ocultação do sujeito passivo mediante fraude ou simulação A DRJ em Florianópolis (SC) não conheceu da impugnação por ter sido apresentada intempestivamente, nos termos da ementa abaixo transcrita: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE Regularmente cientificado o autuado, considerase intempestiva a impugnação apresentada depois de vencido o termo fixado na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Após relatar os fatos, admite que a impugnação foi intempestiva, visto que a recorrente foi cientificada do Auto de Infração no dia 19.08.2013 e que o protocolo da impugnação ocorreu no dia 20.09.2013. Sustenta que não obstante a intempestividade, não poderia o órgão julgador se abster de analisar e julgar: 1. a Preliminar de insubsistência do auto por cerceamento de defesa; 2. o mérito, sob o fundamento de que a tempestividade seria matéria preliminar que impediria o julgamento do mérito, nos termos do art. 28 do Decreto n° 70.235/72. Explica os motivos da ilegalidade da decisão que não analisou o mérito da impugnação, justificando a reforma da decisão por este Conselho para: a) Anule a decisão que manteve o crédito tributário sem a análise da matéria de mérito da Impugnação originária, analisando o mérito e dando provimento ao Recurso para extinguir o crédito tributário ou; b) Anule a decisão que manteve o crédito tributário sem analisar o mérito e determine o retorno do Autos a instância de origem para que esta analise o mérito e determine diligências necessárias para o deslinde da questão. Aponta os motivos jurídicos da reforma: no processo administrativo prevalece o Princípio da Supremacia do Interesse Público; Fl. 216DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19482.720042/201346 Acórdão n.º 3801005.246 S3TE01 Fl. 13 4 o Princípio da Supremacia do Interesse Público obriga a administração pública a realizar o controle de legalidade de seus atos e se alinha como reforço da garantia dos contribuintes; para que se busque a verdade real, é necessário que o ente público, no processo administrativo, faça a análise do mérito; a lei determina que se faça a análise meritória, é o que se observa do teor do art. 28 do Decreto n° 70.235/72; a decisão que ora se recorre não foi motivado, violando, portanto, o Princípio da Motivação que deve lastrear todas as decisões, seja no âmbito administrativo, como in casu, seja no âmbito judicial; a decisão, apesar de alegar a incompatibilidade do que denomina "preliminar" com o mérito, não fundamenta qual é a incompatibilidade, não motivando como deveria sua decisão; devese aplicar aqui o Princípio da Proporcionalidade, para que se pondere os princípios contrastantes; de um lado temos a intempestividade de uma peça, e de outro temos: a) a necessidade da Busca da Verdade Real; b) a verificação da Legalidade do Ato Administrativo vergastado pela Impugnação; c) a Supremacia do Interesse Público; d) a observância do Contraditório e da Ampla Defesa; e) a supremacia da Realidade sobre a formalidade; violação dos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa; tratase da observância da garantia do Recorrente em ver suas razões examinadas para que se verifique a legalidade do ato administrativo que, somente se torna exequível e certo quando for respeitada a ampla defesa do Contribuinte; a falta de análise do mérito fere de morte diversos princípios constitucionais, mas, especialmente, o Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa, eis que o ente público não verifica a legalidade de seu próprio ato e exacerba o seu direito de punir e, por conseguinte, determina verdadeiro confisco do patrimônio do Recorrente, eis que não examina suas razões e mantém o crédito tributário. Por fim requer: a) que seja declarada nula a decisão ora vergastada, devida a falta de análise do mérito da impugnação e violação do art. 28 do Decreto n° 70.235/72 e princípios fundamentais violados, nos termos da argumentação; b) seja analisado, por este Conselho, o mérito da demanda e, assim, determinar a extinção do crédito tributário, nos termos da fundamentação; c) subsidiariamente, caso entenda esse Conselho que a análise meritória resultaria em supressão de instância, que determine o retorno dos Autos à origem para o julgamento do mérito. É o relatório. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19482.720042/201346 Acórdão n.º 3801005.246 S3TE01 Fl. 14 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso embora tempestivo não satisfaz os demais pressupostos recursais, portanto dele não se conhece, conforme será demonstrado. Como relatado, a impugnação não foi conhecida em razão de ter sido apresentada intempestivamente. Em seu recurso voluntário admitiu este fato, de sorte que seus argumentos não devem ser conhecidos na instância superior. Dessa forma, não foi instaurada a fase litigiosa do processo, portanto o colegiado fica impedido de analisar as razões do recurso voluntário, inclusive as alegações de violações aos princípios fundamentais, tais como: da supremacia do interesse público, verdade real, proporcionalidade, contraditório e ampla defesa etc. Ante ao exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso, tendo em vista que não foi instaurada a fase litigiosa do processo. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 218DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 16832.000957/2009-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
IRPJ E CSLL. No lançamento de ofício com base no lucro arbitrado deve ser deduzido o valor já declarado e pago pelo contribuinte, para exigir apenas a diferença.
PIS E COFINS - PERÍODO DE APURAÇÃO. Não subsistem os lançamentos de PIS e COFINS feitos em desacordo com o previsto na legislação tributária, que estipula, para essas contribuições, período de apuração mensal.
MULTA DE OFÍCIO - AGRAVAMENTO. O agravamento da multa de ofício pelo não atendimento à intimação não se aplica naqueles casos em que a omissão do sujeito passivo no fornecimento de informações já possui seu efeito próprio definido em lei.
Numero da decisão: 1301-001.778
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, negado provimento ao recurso de ofício. Vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães e Adriana Gomes Rêgo, que mantinham parcialmente o PIS e a COFINS do último mês de cada trimestre.
(documento assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Adriana Gomes Rego (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 IRPJ E CSLL. No lançamento de ofício com base no lucro arbitrado deve ser deduzido o valor já declarado e pago pelo contribuinte, para exigir apenas a diferença. PIS E COFINS - PERÍODO DE APURAÇÃO. Não subsistem os lançamentos de PIS e COFINS feitos em desacordo com o previsto na legislação tributária, que estipula, para essas contribuições, período de apuração mensal. MULTA DE OFÍCIO - AGRAVAMENTO. O agravamento da multa de ofício pelo não atendimento à intimação não se aplica naqueles casos em que a omissão do sujeito passivo no fornecimento de informações já possui seu efeito próprio definido em lei.
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ME ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 IRPJ E CSLL. No lançamento de ofício com base no lucro arbitrado deve ser deduzido o valor já declarado e pago pelo contribuinte, para exigir apenas a diferença. PIS E COFINS PERÍODO DE APURAÇÃO. Não subsistem os lançamentos de PIS e COFINS feitos em desacordo com o previsto na legislação tributária, que estipula, para essas contribuições, período de apuração mensal. MULTA DE OFÍCIO AGRAVAMENTO. O agravamento da multa de ofício pelo não atendimento à intimação não se aplica naqueles casos em que a omissão do sujeito passivo no fornecimento de informações já possui seu efeito próprio definido em lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, negado provimento ao recurso de ofício. Vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães e Adriana Gomes Rêgo, que mantinham parcialmente o PIS e a COFINS do último mês de cada trimestre. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 09 57 /2 00 9- 40 Fl. 3351DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por AD RIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI 2 Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Adriana Gomes Rego (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório O contribuinte Bian Fashion Confecções Ltda. ME foi selecionado para fiscalização em razão de ter apresentado, no anocalendário de 2005, movimentação financeira da ordem de R$ 19.158.688,86, incompatível com a receita declarada na DIPJ, de R$ 585.029,31. Ao termo do procedimento foram lavrados autos de infração para exigência de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), com imposição de multa qualificada e agravada (225%). A fiscalização apurou omissão de receitas baseada na presunção legal prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96, e arbitrou o lucro em razão da não apresentação de livros e documentos. Conforme consta dos autos, foram tentadas a intimação do Termo de Início de Fiscalização por via postal, e pessoal, no endereço cadastrado no CNPJ, Rua Uranos, n° 333, Rio de Janeiro/RJ. A primeira foi devolvida com a informação "mudouse", e a segunda frustrouse por ter a autoridade constatado que a empresa não se encontrava mais no local. Foram encaminhadas correspondências com o Termo de Início às sócias conforme quadro social apresentado na DIPJ de 2007, Bianca Bastos Campanha, CPF 074.476.84708, e Camila Bastos Campanha, CPF 053.615.92706, intimandoas a, dentre outros itens, apresentar os extratos bancários de conta corrente, de aplicações financeiras e de cadernetas de poupança. Face ao não atendimento, foi feita a reintimação, também não atendida. A fiscalização recebeu pedido de prorrogação de prazo firmado por pessoa distinta das constantes do quadro societário informado na DIPJ/2006 e constatou que, por alteração contratual registrada em 27/11/2007, retiraramse as sócias Bianca Bastos Campanha e Camila Bastos Campanha (que a fiscalização qualifica de reais sócias, e ingressaram a sócia Simone Bezerra Lemos e o sócio Soleni Dias da Silva, (que a fiscalização qualifica de sócios laranjas). Por indícios de que o titular de direito é interposta pessoa do titular de fato, foi solicitada e expedida a RMF aos Bancos Itaú, Real, Safra e Unibanco, para verificar a origem dos créditos efetuados em suas diversas contas bancárias. Recebidos os extratos bancários e parte dos registros cadastrais dos bancos, a autoridade fiscal verificou que: Fl. 3352DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por AD RIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 16832.000957/200940 Acórdão n.º 1301001.778 S1C3T1 Fl. 3 3 a) o contribuinte era a razão social do grupo econômico Espaço Fashion, conforme declaração da sócia Bianca Bastos Campanha na abertura da contacorrente, junto ao Banco Safra, em 01/09/2004; b) seu faturamento anual, em 2005, foi de aproximadamente R$13.000.000,00, conforme informação cadastral prestada pelo Banco Real; c) o grupo econômico Espaço Fashion era formado pelo contribuinte em tela, que detinha a responsabilidade de confeccionar as roupas, bem como, por 7 (sete) lojas, constituídas como microempresas e com CNPJ próprios. Prosseguindo nas investigações, a fiscalização apurou que o grupo econômico Espaço Fashion é de propriedade de Bianca Bastos Campanha e Camila Bastos Campanha, e que o contribuinte, BIAN FASHION não se encontrava no endereço indicado como seu domicílio tributário, mas sim em dois outros endereços, (Rua Prefeito Olímpio de Melo, 1581, Benfica, Rio de Janeiro, e Rua Felisbelo Freire, 412, Ramos, Rio de Janeiro). A fiscalização intimou Bianca Bastos Campanha e Camila Bastos Campanha a apresentarem documentação que demonstre a efetividade da alienação/venda das cotas do contribuinte a Simone Bezerra Lemos e Soleni Dias da Silva, e intimou esses últimos a apresentarem documentação que demonstre a efetividade da respectiva aquisição/compra de cotas. Por meio de diligência, foi constatado que na Rua Felisbelo Freire, 412, funciona o contribuinte Paperlace Comércio de Papéis Ltda., e que na Rua Prefeito Olímpio de Melo, 1581, estava localizado o contribuinte Volca Fashion Confecções de Roupas Ltda., CNPJ, 08.366.596/000745 (ora Volca Fashion). Segundo informação prestada por funcionário da Volca, o contribuinte Bian Fashion teria funcionado no local até meados de 2007, tendo se transferido para outro local, parece que a Rua Uranos. Por consulta ao sistema CNPJ verificouse que o contribuinte Volca Fashion possuía o mesmo (objetoconfecções de roupas), mesmas sócias (Bianca Bastos Campanha e Camila Bastos Campanha) e estava localizado no mesmo lugar, ou seja, o mesmo domicílio que a Bian Fashion utilizou até a 8a Alteração Contratual. Foi aberta diligência em face da Volca Fashion, intimandoa, por via postal encaminhada ao endereço cadastrado no CNPJ (Rua Capitão Félix, 110, bloco nobre s. 406), a apresentar/esclarecer, por meio de documentação hábil e idônea, como se deu a aquisição/utilização do estabelecimento comercial localizado na rua Prof. Olímpio de Melo, 1581, utilizado pela Bian Fashion e a apresentar contrato social e alterações referentes aos últimos 5 (cinco) anos. A correspondência foi devolvida com a informação "desconhecido". Foi, então, lavrado novo termo de intimação, encaminhado por AR ao seu domicílio de fato, Rua Prefeito Olímpio de Melo, 1581, para apresentação dos mesmos elementos e de declaração do local de seu domicílio tributário, bem como atualizálo nos sistemas da Receita Federal. Em resposta, a Volca apresentou um contrato de locação como forma de demonstrar como se deu a aquisição do estabelecimento empresarial pertencente à Bian Fashion, além da alteração contratual em que ficava determinado que a sede social do contribuinte estava localizada na rua Prof. Olímpio de Melo, 1581, e de ser realizada a alteração do endereço no sistema CNPJ. Fl. 3353DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por AD RIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI 4 A Bian apresentou termo assinado pelo sócio de direito Soleni Dias da Silva, encaminhando contrato de locação comercial do galpão localizado na rua Uranos, 333, assinado por Bianca Bastos Campanha e Camila Bastos Campanha, CPF 053.615.92706, e informando que todos os livros fiscais e comerciais da empresa encontramse à disposição da fiscalização para serem entregues no local que for determinado pela fiscalização. Com base nos extratos bancários apresentados pelos bancos, a fiscalização intimou o contribuinte, por meio de seus sócios de direito, bem como intimou as reais sócias para comprovação da origem e tributação dos valores creditados/depositados nas contas correntes do contribuinte BIAN FASHION, cujo total foi de R$ 13.389.119,32. Não houve atendimento. Por meio de consulta ao sistema GFIP, da Previdência, foi obtida a relação dos funcionários, salários, data de admissão e valor da remuneração, dentre outros, nos anos de 2005, 2006 e 2007 dos contribuintes BIAN FASHION E VOLCA FASHION, tendose verificado que os funcionários são coincidentes a partir de setembro de 2007, mês em que a VOLCA FASHION absorveuos, inclusive a VOLCA FASHION ao recebêlos manteve no cadastro GFIP a data de admissão na BIAN FASHION. Em 16/04/2009, por diligência pessoal no endereço informado como domicílio tributário da BIAN FASHION, a fiscalização mais uma vez constatou que não há empresa no local, mas sim, um galpão fechado com cadeados grandes. A fiscalização apurou que em dezembro de 2007 o quadro social da VOLCA FASHION foi alterado, tendo ingressado o sócio Hermínio Jorge Campanha, CPF n. 408.993.30720 e saído a sócia Camila Bastos Campanha, a qual, em conjunto com Miriam Raquel Mendonça, CPF 005.050.26708, criou a MOVISTAR CONFECÇÕES DE ROUPAS LTDA (ora MOVISTAR), no mesmo endereço e com o mesmo objeto da BIAN FASHION, e assumiu as outras lojas da BIAN FASHION que a VOLCA FASHION não tinha assumido. Com base nas investigações, a fiscalização concluiu que a MOVISTAR e VOLCA FASHION são as sucessoras de fato do estabelecimento empresarial da BIAN FASHION, ou seja, ambos contribuintes compõem a razão social do grupo Espaço Fashion. O contribuinte BIAN FASHION existe de direito, motivo pelo qual a fiscalização o incluiu no pólo passivo da relação tributária. Contudo, tendo verificado sua inexistência de fato, e tendo entendido a fiscalização que, por meio de uma alteração contratual com objetivo de impossibilitar a apuração e a execução do crédito tributário que, por ventura, viesse a ser apurado, as reais sócias, em conjunto com as sócias laranjas, de modo artificioso, forjaram o desaparecimento da empresa e do conjunto de elementos que a constituem por meio de transferência de sua sede para um galpão vazio, e da propriedade das cotas, para duas exfuncionárias da BIAN FASHION e atuais da VOLCA FASHION, a fiscalização responsabilizou pessoalmente Bianca Bastos Campanha e Camila Bastos Campanha..Afirma a autoridade fiscal que: Tais atos, comprovados nos autos do procedimento, praticados com infração à lei dissolução irregular da empresa e sucessão de fato por meio de negócios jurídicos simulados constituem fraudes e responsabilizam, pessoalmente, com base no art. 124 c/c art. 135, III, do CTN, as reais sócias Bianca Bastos Campanha, CPF 074.476.84708 e Camila Bastos Campanha, CPF 053.615.92706 (representantes da pessoa jurídica de direito privado), pelo crédito apurado por meio dos autos de Fl. 3354DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por AD RIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 16832.000957/200940 Acórdão n.º 1301001.778 S1C3T1 Fl. 4 5 infração, referentes ao anocalendário de 2005, cujos fatos geradores ocorreram à época em que eram representantes, conforme comprovam cartões de autógrafo dos Bancos Itaú, Real e Unibanco, motivo pelo qual foram lavrados, em face de ambas, Termo de Sujeição Passiva Solidária por Responsabilidade Pessoal. Em face da impugnação apresentada, a 4ª Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro julgou procedente em parte os lançamentos, tendo reduzido os valores lançados a título de IRPJ e CSLL, cancelado as exigências de PIS e COFINS, e reduzido a multa ao percentual de 150%, recorrendo de ofício. Não houve recurso voluntário da parte mantida. É o relatório. Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O crédito tributário exonerado excede R$ 1.000.000,00, sujeitando a decisão à revisão necessária. Conheço do recurso. A parcela do crédito exonerado referente ao IRPJ e à CSLL decorre de equívoco cometido pela autoridade fiscal na apuração do valor do principal a ser exigido. De fato, a autoridade autuante arbitrou o lucro do sujeito passivo, considerando as receitas omitidas, mas, equivocadamente, deixou de deduzir, no lançamento, o valor dos tributos que já haviam sido apurados e pagos pelo contribuinte. Irrepreensível, pois, o ajuste feito pela DRJ no Rio de Janeiro. Para justificar o agravamento da multa a autoridade fiscal lembra que o contribuinte deixou de apresentar elementos e respostas a diversos itens das intimações a ele enviadas, como por exemplo, não apresentou os livros, não informou qual a origem dos depósitos bancários, não apresentou documentos que demonstrassem a transferência de cotas das reais sócias para as sócias laranjas. Penso que, também nesse aspecto, deve ser mantida a decisão recorrida que, a esse respeito, assentou: (...) o agravamento em 50% da multa de ofício por conta do não atendimento à intimação, é desnecessária, ainda que os autos comprovam que o contribuinte deixou de apresentar elementos e respostas a diversos itens das intimações a ele enviadas, não se aplica naqueles casos em que a omissão do sujeito passivo no fornecimento de tais informações já possui seu efeito próprio definido em lei, como é o caso da presunção de omissão de receitas associada aos depósitos bancários de origem não comprovada, no âmbito da qual o silêncio do sujeito passivo, como aqui se apresenta, já torna juridicamente caracterizada, repito, a citada omissão de receitas.” Fl. 3355DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por AD RIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI 6 Lembro que a não apresentação de livros e documentos também tem efeito próprio definido na lei, que é o arbitramento do lucro. Finalmente, o terceiro ponto a ser analisado é o cancelamento das exigências relativas ao PIS e à COFINS. Mais uma vez incensurável a decisão da DRJ no Rio de Janeiro, uma vez que a autoridade fiscal incorreu em erro ao praticar o ato administrativo de lançamento, por inobservância do critério temporal previsto em lei. Qualquer que seja o sistema de apuração do lucro para fins de IRPJ e CSLL (real, presumido ou arbitrado), o período de apuração para o PIS e para a COFINS é sempre mensal, fato esse não observado pela autoridade lançadora, que utilizou períodos trimestrais. Pelas razões expostas, nego provimento ao recurso de ofício. Sala das Sessões, em . 03 de março de 2015 (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 3356DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por AD RIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI
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