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Numero do processo: 17546.000422/2007-03
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 29/03/2006
LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMISSAS.
Apresentar a empresa GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária.
CURSO DE INGLÊS. BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE
O pagamento de cursos de inglês a todos os empregados e dirigentes, enquadra-se na exceção legal prevista na alínea “t”do § 9° do art. 28 da lei 8.212/91, não se constituindo em salário de contribuição.
MULTA APLICÁVEL. LEI SUPERVENIENTE MAIS BENÉFICA. APLICABILIDADE
O artigo 32 da lei 8.212/91 foi alterado pela lei 11.941/09, traduzindo penalidade, em tese, mais benéfica ao contribuinte, a qual deve ser aplicada, consoante art. 106, II “c”, do CTN, se mais favorável. Deve ser efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32-A, I da lei 8.212/91, na redação dada
pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto,
para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-000.971
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para que a multa seja recalculada, com a exclusão dos valores referentes ao pagamento a contadora levantamento
CON fls 07 a 09, e os referentes a bolsas de estudo levantamento
CUR Curso de Inglês fls 09 e, após, que também seja efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32-A, I da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado com os novos valores apurados, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 29/03/2006 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMISSAS. Apresentar a empresa GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária. CURSO DE INGLÊS. BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE O pagamento de cursos de inglês a todos os empregados e dirigentes, enquadra-se na exceção legal prevista na alínea “t”do § 9° do art. 28 da lei 8.212/91, não se constituindo em salário de contribuição. MULTA APLICÁVEL. LEI SUPERVENIENTE MAIS BENÉFICA. APLICABILIDADE O artigo 32 da lei 8.212/91 foi alterado pela lei 11.941/09, traduzindo penalidade, em tese, mais benéfica ao contribuinte, a qual deve ser aplicada, consoante art. 106, II “c”, do CTN, se mais favorável. Deve ser efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32-A, I da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Obrigação Acessória Recorrente WFP ENG COM EQUIP TRAT AGUA E EFLUENTES Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 29/03/2006 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMISSAS. Apresentar a empresa GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária. CURSO DE INGLÊS. BASE DE CÁLCULO.INAPLICABILIDADE O pagamento de cursos de inglês a todos os empregados e dirigentes, enquadrase na exceção legal prevista na alínea “t”do § 9° do art. 28 da lei 8.212/91, não se constituindo em salário de contribuição. MULTA APLICÁVEL. LEI SUPERVENIENTE MAIS BENÉFICA. APLICABILIDADE O artigo 32 da lei 8.212/91 foi alterado pela lei 11.941/09, traduzindo penalidade, em tese, mais benéfica ao contribuinte, a qual deve ser aplicada, consoante art. 106, II “c”, do CTN, se mais favorável. Deve ser efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A,I da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 336DF CARF MF Impresso em 26/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/09/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 17/09/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.000422/200703 Acórdão n.º 280300.971 S2TE03 Fl. 322 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para que a multa seja recalculada, com a exclusão dos valores referentes ao pagamento a contadora levantamento CON fls 07 a 09, e os referentes a bolsas de estudo levantamento CUR Curso de Inglês fls 09 e, após, que também seja efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A,I da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado com os novos valores apurados, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 26/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/09/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 17/09/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.000422/200703 Acórdão n.º 280300.971 S2TE03 Fl. 323 3 Relatório A empresa foi autuada por descumprimento da legislação previdenciária conforme disposto no relatório fiscal, por ter deixado de declarar em GFIP os fatos geradores explicitados nos anexos de fls 07 a 09, englobando verbas pagas a título de alimentação, consideradas como salário de contribuição pela não inscrição no PAT, valores pagos a contadora e valores pagos a título de cursos de inglês. A DecisãoNotificação – fls 252 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o Auto lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, na parte que interessa, o seguinte: • Não havia vinculo trabalhista e previdenciário entre si e a contadora, Sra. Maria José Mendes Piovesan, uma vez que tal profissional é registrada, por período integral (44 horas semanais), na sociedade Fluid Brasil Sistemas e Tecnologia Ltda, empresa de mesmo grupo econômico da recorrente, eis que ambas as sociedades possuem mesmo quadro social e seus objetivos são correlatos e complementares. • O registro da Sra. Maria José se dera na sociedade Fluid Brasil em novembro de 1.993 e ali sempre permaneceu, pois a esmagadora maioria da prestação de serviços da mesma sempre se deu em relação aquela sociedade. Entretanto, dentre suas atribuições se encontrava a realização da Contabilidade da recorrente, empresa de menor movimento. • Há pacifico entendimento jurisprudencial do Egrégio Superior Tribunal de Justiça no sentido de que a ausência de inscrição no PAT não tem o condão de transformar verbas pagas a título de alimentação em salário de contribuição. • Em relação ao curso de inglês, alega que o incentivo ao ensino, tal como na espécie ora em exame, fez com que a doutrina e a jurisprudência tendo por base o escopo das normas (neste ponto, importante o sentido do art. 458, § 2º, II da CLT) fizessem uma leitura mais ampliativa do artigo 28 da Lei 8.212/1.991, para dele exigir, como condição da não integração ao salário de contribuição, que as empresas apenas forneçam diretamente os benefícios aos seus funcionários, pelo prazo que os cursos durarem. • Requer seja o presente recurso voluntário, recebido, processado, conhecido e provido a fim de determinar a total improcedência do Auto de Infração 35.889.5880. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 26/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/09/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 17/09/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.000422/200703 Acórdão n.º 280300.971 S2TE03 Fl. 324 4 É o relatório. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 26/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/09/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 17/09/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.000422/200703 Acórdão n.º 280300.971 S2TE03 Fl. 325 5 Voto Conselheiro Oséas Coimbra Do que consta dos presentes autos, constatase que os fatos geradores não declarados se dividem em três grupos: 1. Pagamentos de bolsas de estudo – curso de inglês. 2. Pagamento de alimentação aos empregados da empresa sem a devida inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) 3. Pagamento a contadora, cuja remuneração foi indiretamente aferida. Sobre o pagamento a contadora, já nos manifestamos quando da análise do processo 17546.000421/200751, cujo voto reproduzo, em parte. A falta imputada ao contribuinte consiste em: Deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Segundo o relatório fiscal, a empresa não registrou os serviços prestados pela contadora Maria José Mendes Piovesan. A empresa alega que a mesma era remunerada pela empresa Fluid Brasil, do mesmo grupo econômico – acosta contratos sociais e contracheques da segurada, emitidos por Fluid Brasil. Dos documentos acostados às fls 25 a 129, resta demonstrado o vínculo da segurada com a empresa Fluid Brasil e a configuração de grupo de empresas sob a mesma direção, inclusive com os mesmos sócios entre Fluid e a recorrente WFP Engenharia. Do que exposto, temos que a segurada Maria José era exclusivamente remunerada por Fluid Brasil e prestava serviço também à WFP Engenharia. Em relação aos serviços contábeis prestados à WFP, não havia lançamentos, e toda a remuneração da segurada era feita na empresa Fluid. Assim sendo, resta demonstrada a irregularidade na contabilização da empresa WFP, uma vez que também deveria registrar as despesas referentes aos serviços contábeis, através de controle de rateio de Fl. 340DF CARF MF Impresso em 26/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/09/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 17/09/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.000422/200703 Acórdão n.º 280300.971 S2TE03 Fl. 326 6 custos/despesas. Tal relação entretanto, darseia através de compensações entre WFP e Fluid, não interferindo no fato gerador, ocorrido integralmente na empresa Fluid. A contabilização incorreta é patente, mas a conduta não se amolda na infração lavrada, que se refere a não contabilização de fatos geradores e, na relação entre a empresa WFP e a segurada Maria José, não houve ocorrência de fato gerador, sendo que a despesa havida da prestação do serviço demandaria acerto entre WFP e Fluid, como já demonstrado. Dessarte, não havendo fato gerador, não há que se falar em infração ao art. 32 §5º da lei 8.212/91, na redação anterior à lei 11.941/09. DAS BOLSAS DE ESTUDO Do relatório da infração – fls 09, em relação aos pagamentos de cursos de inglês, temos exclusivamente: LEVANTAMENTO CUR CURSO DE INGLES CONTA 42102001600000 PROGRAMA FORMAÇÃO PROFISSIONAL Comp. Liv.Diário/Fls N. Fiscal Valor yr. F. Gerador Vr. Contrib. 09/01 0001/006 46 1.200,00 1.200,00 429,60 10/01 0001/010 52 1.200,00 1.200,00 429,60 1 0 / 0 1 0001/013 68 1.335,00 1.335,00 477,93 11/01 0001/019 86 1.335,00 1.335,00 477,93 12/01 0001/024 102 1.335,00 1.335,00 477,93 03/02 0002/013 147 840,00 840,00 300,72 04/02 0002/017 170 540,00 540,00 193,32 05/02 0002/021 186 540,00 540,00 193,32 06/02 0002/026 204 675,00 675,00 241,65 07/02 0002/035 222 945,00 945,00 338,31 08/02 0002/041 242 895,00 895,00 • 320,41 A alíquota aplicada sobre Vr. F. Gerador para apuração do Vr. Contrib. : Segurado = 8,00%; Empresa = 20,00%; SAT = 2,00%; Terceiros = 5,80% Percebese que o Auditor autuante não explicita suas razões para considerar tais valores como salário de contribuição. Concluímos então que a autuação se baseia no fato de que cursos de inglês não poderiam ser considerados como curso de qualificação profissional. Vejamos a legislação a respeito – lei 8.212/91: Art. 28. ... § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: Fl. 341DF CARF MF Impresso em 26/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/09/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 17/09/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.000422/200703 Acórdão n.º 280300.971 S2TE03 Fl. 327 7 (...) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do Art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; Alínea acrescentada pela MP nº 1.59614, de 10/11/97 e convertida na Lei nº 9.528, de 10/12/97 Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20.11.98 (grifei) Da legislação retro, temos que avaliar se cursos de inglês se enquadram como “a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa”. A evolução das relações de trabalho e das atividades desenvolvidas há muito exigem uma formação multidisciplinar de seus atores. A busca de atividades que levem a um desenvolvimento cognitivo, seja ele qual for, influencia na qualidade do empregado e, dessa feita, o melhor qualifica e o capacita. Nesse sentido também já aponta a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. "TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE AUXÍLIOEDUCAÇÃO DE EMPRESA (PLANO DE FORMAÇÃO EDUCACIONAL). DESCABIMENTO. VERBAS DE NATUREZA NÃO SALARIAL. 1. Recurso Especial interposto contra v. Acórdão que considerou não incidir contribuição previdenciária sobre as verbas referentes ao auxílioeducacional de empresa (plano educacional), por considerar que as mesmas não integram o saláriodecontribuição. 2. O § 9º, do art. 28, da Lei nº 8.212/91, com as alterações efetivadas pela Lei nº 9.528/97, passou a conter a alínea 't', dispondo que 'não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente, o valor relativo a plano educacional que vise ao ensino fundamental e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. 3. Os valores recebidos como 'formação profissional incentivada não podem ser considerados como salário in natura, porquanto não retribuem o trabalho efetivo, não integrando, portanto, a remuneração do empregado, afinal, investimento na qualificação de empregados não há que ser considerado salário. É um benefício que, por óbvio, tem valor econômico, mas que não é concedido em caráter complementar ao salário contratual pago em dinheiro. Salário é retribuição por serviços previamente prestados e não se imagina a hipótese de alguém devolver salários recebidos. 4. Recurso não provido." (RESP 365.398/RS, 1ª Turma, Rel. Min. José Delgado, DJ de 18/3/2002) Fl. 342DF CARF MF Impresso em 26/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/09/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 17/09/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.000422/200703 Acórdão n.º 280300.971 S2TE03 Fl. 328 8 "TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. DESCABIMENTO. VERBAS DE NATUREZA NÃO SALARIAL. Os valores pagos pela empresa diretamente à instituição de ensino, com a finalidade de prestar auxílio escolar aos seus empregados, não podem ser considerados como salário 'in natura', pois não retribuem o trabalho efetivo, não integrando a remuneração. Tratase de investimento da empresa na qualificação de seus empregados. A Lei nº 9.528/97, ao alterar o § 9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/91, que passou a conter a alínea 't', confirmou esse entendimento, reconhecendo que esses valores não possuem natureza salarial. Precedente desta Corte. Agravo regimental improvido." (AGRESP 328.602/RS, 1ª Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 2/12/2002) PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE A BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. "O auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba empregada para o trabalho, e não pelo trabalho." (RESP 324.178PR, Relatora Min Denise Arruda, DJ de 17.12.2004). 2. In casu, a bolsa de estudos, é paga pela empresa e destinase a auxiliar o pagamento a título de mensalidades de nível superior e pósgraduação dos próprios empregados ou dependentes, de modo que a falta de comprovação do pagamento às instituições de ensino ou a repetição do ano letivo implica na exigência de devolução do auxílio. Precedentes:. (Resp. 784887/SC. Rel Min. Teori Albino Zavascki. DJ. 05.12.2005 REsp 324178/PR, Rel. Min. Denise Arruda, DJ. 17.02.2004; AgRg no REsp 328602/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ.02.12.2002; REsp 365398/RS, Rel. Min. José Delgado, DJ. 18.03.2002). 3. Agravo regimental desprovido.(AgRg no AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 1.330.484 – RS, 1ª Turma, Min. Luiz Fuz. Julgado em 18.11.2010 Do contrato social de 41, temos que o objeto da empresa é a Prestação de Serviços de Desenvolvimento de Projetos e Consultoria nas áreas de Engenharia Mecânica, Hidráulica e Química. É de correntia sabença a predominância da língua inglesa nos estudos referentes às áreas em que atua a recorrente, sendo mais que razoável a capacitação de seus Fl. 343DF CARF MF Impresso em 26/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/09/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 17/09/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.000422/200703 Acórdão n.º 280300.971 S2TE03 Fl. 329 9 empregados no domínio do idioma. Não obstante seu campo de atuação, este Relator tem opinião que a globalização das relações sociais, comerciais e o alcance da rede internacional de computadores internet, justifica a capacitação bilíngüe por parte de qualquer empresa, independentemente de seu ramo de atuação. A título de informação, a própria Receita Federal do Brasil entende que a participação em cursos de línguas estrangeiras, não somente inglês, é de interesse da administração, seja qual for a área de atuação do servidor, e comumente autoriza licenças para participação nesses eventos. Assim sendo, o pagamento de cursos de inglês pode ser enquadrado na exceção legal, não se configurando como base de cálculo de contribuições previdenciárias. DO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR, NÃO ADESÃO AO PAT A lei 8.212/91, em seu art. 12, §9º, elenca, de forma exclusiva, parcelas que não integram o salário de contribuição do segurado. A alínea “c” encontrase nesses termos: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) ... c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; ... Da legislação retro, temos que a hipótese exclusiva se configura com adequação da empresa às normas dos programas de alimentação pertinentes. O Decreto no. 5, de 14 de janeiro de 1991 que regulamentou a prefalada lei no. 6.321/76 determina: Art. 1° A pessoa jurídica poderá deduzir, do Imposto de Renda devido, valor equivalente à aplicação da alíquota cabível do Imposto de Renda sobre a soma das despesas de custeio realizadas, no períodobase, em Programas de Alimentação do Trabalhador, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social MTPS, nos termos deste regulamento. ... § 4° Para os efeitos deste Decreto, entendese como prévia aprovação pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a apresentação de documento hábil a ser definido em Portaria dos Ministros do Trabalho e Previdência Social; da Economia, Fazenda e Planejamento e da Saúde. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 26/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/09/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 17/09/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.000422/200703 Acórdão n.º 280300.971 S2TE03 Fl. 330 10 A portaria interministerial MTE/MF/MS no. 5, de 30 de novembro de 1.999 traz: *Art. 2o Portaria específica do Ministério do Trabalho e Emprego determinará o modo de efetuar a adesão ao PAT. Art. 3o A adesão ao PAT poderá ser efetuada a qualquer tempo e, uma vez realizada, terá validade por prazo indeterminado, podendo ser cancelada por iniciativa da beneficiária ou pelo Ministério do Trabalho e Emprego, em razão da execução inadequada do Programa. ... Art. 5o Os programas de alimentação do trabalhador deverão propiciar condições de avaliação do teor nutritivo da alimentação, conforme disposto no art. 3o do Decreto nº. 5, de 14 de janeiro de 1991. § 1o Entendese por alimentação saudável, o direito humano a um padrão alimentar adequado às necessidades biológicas e sociais dos indivíduos, respeitando os princípios da variedade, da moderação e do equilíbrio, dandose ênfase aos alimentos regionais e respeito ao seu significado socioeconômico e cultural, no contexto da Segurança Alimentar e Nutricional. § 2o As pessoas jurídicas participantes do Programa de Alimentação do TrabalhadorPAT, mediante prestação de serviços próprios ou de terceiros, deverão assegurar qualidade e quantidade da alimentação fornecida aos trabalhadores, de acordo com esta Portaria, cabendo‒ lhes a responsabilidade de fiscalizar o disposto neste artigo. ... Da legislação elencada, percebese que a adesão ao PAT não é mera formalidade a ser cumprida, e sim elemento essencial a justificar a desoneração pleiteada. Assim sendo, a não adesão ao PAT justifica a autuação lavrada. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe PARCIAL PROVIMENTO para que a multa seja recalculada, com a exclusão dos valores referentes ao pagamento a contadora – levantamento CON – fls 07 a 09, e os referentes a bolsas de estudo levantamento CUR – Curso de Inglês – fls 09 e, após, que também seja efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A,I da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado com os novos valores apurados, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. . Fl. 345DF CARF MF Impresso em 26/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/09/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 17/09/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.000422/200703 Acórdão n.º 280300.971 S2TE03 Fl. 331 11 assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 26/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/09/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 17/09/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 19647.011785/2006-72
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2001
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando não justificados pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou já tributados exclusivamente na fonte.
Recurso Negado
Numero da decisão: 2802-001.497
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR
PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ
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São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando não justificados pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou já tributados exclusivamente na fonte. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. EDITADO EM: 31/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lucia Reiko Sakae, Carlos Andre Ribas De Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Fl. 199DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 31/05/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Versam os presentes autos sobre Auto de Infração (fls. 04/14) decorrente da revisão de ofício da declaração de ajuste anual 2002, na qual foi apurada omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto. A fiscalização verificou excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados, no valor de R$ 200.000,00, correspondente a aquisição da unidade imobiliária Granja São Francisco, situada no Sitio Fragoso no bairro Jardim Atlântico, em Olinda – PE, informada à fiscalização pelo Ministério Público, mediante a apresentação da escritura de cessão de direitos de posse (fl. 27). Apresentada Impugnação de fls. 97 a 105, alega a Recorrente, em síntese: a) que a autuada era, à época dos fatos — anocalendário de 2001 — estudante universitária (documentos de fls. 107 e 108), dependente econômica de sua genitora, Sra. Maria Dolores Ribeiro da Silva (documentos de fls. 109 e 110). A mãe da impugnante, por sua vez, dependia economicamente do Sr. Jayro Pontes Cavalcanti, atualmente falecido, como fazem prova a certidão de óbito e os comprovantes de remuneração do Sr. Jayro e de sua pensionista, Sra. Maria Dolores Ribeiro da Silva (fls. 111 a 114); b) que a defendente não se enquadrava, em relação ao anocalendário de 2001, na condição de obrigatoriedade de entrega de declaração, como sócia de empresa. Esclarece que a expressão "granja" — referente ao imóvel Granja Sao Francisco não significa que houve qualquer atividade comercial; c) que a aquisição da Granja São Francisco decorreu de doação do Sr. Jayro Pontes Cavalcanti, titular do direito de posse do mencionado imóvel, à impugnante. Em razão de unido estável mantida entre o Sr. Jayro Pontes Cavalcanti e a genitora da defendente, Sra. Maria Dolores Ribeiro da Silva, o possuidor do imóvel, pretendendo beneficiála após a morte, efetuou a doação do bem à autuada, optando, no entanto, pela modalidade de cessão. Apesar de o valor de imóvel não ultrapassar a metade de seu patrimônio, teve receio de que seus filhos intentassem a anulação da doação, razão pela qual elegeu a cessão de direitos em favor da defendente; d) que, quanto ao valor atribuído ao negócio, não sabe explicar porque houve a exacerbação do preço, já que se tratava de mera posse, e não de propriedade; e) que o fato gerador do imposto de renda não existiu, já que a defendente não teria condições de pagar pela posse do terreno, destacandose que sequer houve pagamento. Em razão da dependência econômica e da ‘ascensão moral' do Sr. Jayro Pontes Cavalcanti sobre a Impugnante, esta não oferecia "resistência aos seus comandos, de forma que, tudo que ele mandasse assinar, assinava"; f) que, em razão do falecimento do Sr. Jayro Pontes Cavalcanti e da subseqüente abertura do inventário, o imóvel Granja São Francisco foi incluído no monte a partilhar, entre os herdeiros, tendo o negócio jurídico, objeto da autuação, sido desconstituído, conforme Processo n° 226.2004.0018271, que tramita na 5ª. Vara Cível de Olinda. Em vista da ausência do fato gerador, não se pode falar em variação patrimonial; g) que pede prazo adicional para apresentação dos seguintes documentos: (i) declaração da UFPE, já requerida, de que era estudante até 2003, cujo curso se desenvolvia em dois expedientes; e (ii) sentença anulatória de "cessão", uma vez que o fórum de Olinda está com suas atividades suspensas; h) por fim, pede seja declarada sua condição de desobrigada a apresentar declaração de imposto de renda referente ao anocalendário de 2001, exercício 2002, bem como a nulidade do lançamento, por inocorrência do fato gerador. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 31/05/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 19647.011785/200672 Acórdão n.º 280201.497 S2TE02 Fl. 188 3 Apreciada a Impugnação apresentada (fls. 97/105), o crédito tributário foi mantido por ocasião da decisão da 1ª instância (fls.147/158), sob o fundamento de que o negócio jurídico consignado na escritura de fl. 28 consiste na alienação, em agosto de 2001, dos direitos de posse do Sítio São Francisco, do Sr. Jayro Pontes Cavalcanti para a Recorrente, pelo valor de R$ 200.000,00 e pela ausência de provas suficientes para ilidir a presunção de omissão de rendimentos por constatação de acréscimo patrimonial a descoberto suportada pelas provas apresentadas junto à acusação fiscal. Nas razões de Voluntário, a Recorrente se limita a alegar que, por sentença superveniente ao lançamento, o negócio jurídico que deu origem a essa autuação foi desconstituído em processo de inventário que tramitou perante a 5ª. Vara Cível de Olinda/PE, sob o n.° 226.2004.0018271, o qual declarou a nulidade da "cessão" de direito sobre o imóvel, em favor do monte a ser partilhado entre os seus herdeiros, razão pela qual inexistiria qualquer imposto a ser pago, por ausência de fato gerador (fls. 164/165). Era o der essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator Por tempestivo e acompanhado dos demais pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso. Ante a ausência de preliminares, passo a analisar a matéria devolvida em sede de Voluntário. Em sucintas razões, a Recorrente apenas se limita a afirmar que a anulação da cessão de direitos sobre o imóvel, ocorrida em sede judicial, seria causa suficiente para concluir pela ausência de fato gerador do imposto de renda constatado por acréscimo patrimonial a descoberto. Não assiste razão a Recorrente. Apesar da acusação fiscal se fundar em presunção de omissão de rendimentos, apta a ser ilidida mediante a apresentação de prova inequívoca em sentido contrário, tanto a argumentação apresentada em Impugnação quanto a exposta nas razões do presente Recurso Voluntário, não são suficientes para justificar a origem dos rendimentos utilizados na aquisição de imóvel cuja cessão de direitos de posse foi registrada nos órgãos competentes pelo valor de R$ 200.000,00. Ainda que factível o quanto narrado nos autos, a mera alegação da anulação do negócio jurídico em sede judicial, desacompanhado das respectivas cópias e certidões aptas a dar conhecimento a respeito das causas da nulidade da cessão, se de fato ocorrida, não são suficientes para desconstituir o crédito tributário lançado. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 31/05/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO 4 Ademais, como bem observado pelo órgão colegiado a quo, o artigo 118 do CTN é expresso no sentido de que: Art. 118 A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindo se: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; Por outro lado, não se trata aqui de verificar a ocorrência ou não de fato gerador relacionado à transferência ou cessão de direitos sobre imóvel, mas sim, sobre a impossibilidade de aquisição de bens sem origem declarada de rendimentos suficientes a suportar o respectivo acréscimo patrimonial. Logo, as alegações feitas em Voluntário, desacompanhadas de provas quanto à existência de quantias suficientes a suportar o acréscimo patrimonial constatado, são insuficientes para ilidir a acusação fiscal imputada. Nesse sentido, 2a. Seção, 1a. Turma Especial, ACÓRDÃO 280101.341 em 07/02/2011: (...) ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando não justificados pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou já tributados exclusivamente na fonte. Quanto ao valor do acréscimo patrimonial a descoberto, nos termos da jurisprudência administrativa, é de se considerar o valor oficial do negócio jurídico realizado, na ausência de prova inequívoca que o teor contratual da escritura não foi cumprido: 1º Conselho de Contribuintes / 4a. Câmara / ACÓRDÃO 104 19.858 em 17/03/2004 (...) AQUISIÇÃO/ALIENAÇÃO DE IMÓVEL ESCRITURA DE COMPRA E VENDA DOCUMENTO PÚBLICO Somente deixa de prevalecer para os efeitos fiscais à data, forma e valor da alienação constante da Escritura Pública de Compra e Venda, quando restar provado de maneira inequívoca que o teor contratual da escritura não foi cumprido, circunstância em que a fé pública do citado ato cede à prova de que a alienação deuse da forma diversa. Assim, a Escritura Pública de Compra e Venda faz prova bastante de que a aquisição do imóvel deuse na forma prevista na escritura . A alegação, desacompanhada de prova material, de que a forma de aquisição foi por valor diferente não tem o condão de sobrepujar o que foi contratado diante de tabelião juramentado. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 31/05/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 19647.011785/200672 Acórdão n.º 280201.497 S2TE02 Fl. 189 5 Ante o exposto, conheço e nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández Fl. 203DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 31/05/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 35482.000838/2006-14
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 21 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Sep 21 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/2005
DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. Em face da inconstitucionalidade
declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4°, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional,
conforme o modalidade de lançamento.
AFERIÇÃO INDIRETA. CLARAMENTE DEMONSTRADA A NECESSIDADE E CRITÉRIOS. INVERSÃO ONUS DA PROVA. LEGITIMIDADE DO ATO DE LANÇAMENTO.
Caso a fiscalização entenda e demonstre claramente que a contabilidade e demais documentos exibidos não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, é permitido ao mesmo realizar apuração das contribuições previdenciárias, por aferição indireta, desde que também demonstrada essa necessidade e critérios. (art. 33,
§3° e §5°, e art. 37, da Lei n. 8.212/1992) Realizada a aferição desta forma, cabe à empresa o ônus da prova em contrário e contrapor a presunção de legitimidade do ato de lançamento. O procedimento de arbitramento, embora seja prerrogativa legal do fisco, deve revestir-se de razoabilidade, de tal sorte
que os indícios apresentados levem a inferir a efetiva ocorrência do fato gerador
APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO EX OFÍCIO. REDUÇÃO DE MULTA MORATÓRIA. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE E MORALIDADE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ART. 106, II, E 112, DO CTN.
ALTERAÇÃO DO ART. 35, DA LEI N. 8.212/1991, PELA LEI N.
11.941/2009.
Em razão dos princípios da legalidade e moralidade da Administração Pública, e do disposto nos artigos 106, II, e 112, ambos do CTN, observando que o limite máximo 20% (vinte por cento) a ser aplicado a titulo de multas moratórias, conforme o art. 61, §2°, da Lei n. 9.430/1998, é inferior a multa
moratória aplicada aos valores do créditos tributários lançados na NFLD, com base no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Lei n. 11.941/2009, o lançamento do crédito tributário deve se adequar a multa moratória à aplicação da menor sanção, reduzindo-se a multa moratória, ex oficio.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-000.257
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Segunda Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado, quanto a decadência e a aplicação da redução
de multa moratória aos débitos declarados em GFIP, conforme art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009. por maioria de votos, em negar provimento ao
recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado, quanto aos créditos tributários lançados de oficio, com aplicação do art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com a redação
dada pela Lei n. 11.941/2009. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) Gustavo Vettorato. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Carolina Siqueira Monteiro de Andrade.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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PRAZO QUINQUENAL. Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdencidrios é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4°, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento. AFERIÇÃO INDIRETA. CLARAMENTE DEMONSTRADA A NECESSIDADE E CRITÉRIOS. INVERSÃO ONUS DA PROVA. LEGITIMIDADE DO ATO DE LANÇAMENTO. Caso a fiscalização entenda e demonstre claramente que a contabilidade e demais documentos exibidos não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, é permitido ao mesmo realizar apuração das contribuições previdencidrias, por aferição indireta, desde que também demonstrada essa necessidade e critérios. (art. 33, §3° e §5°, e art. 37, da Lei n. 8.212/1992) Realizada a aferição desta forma, cabe à empresa o ônus da prova em contrário e contrapor a presunção de legitimidade do ato de lançamento. 0 procedimento de arbitramento, embora seja prerrogativa legal do fisco, deve revestir-se de razoabilidade, de tal sorte que os indícios apresentados levem a inferir a efetiva ocorrência do fato gerador APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO EX OFÍCIO. REDUÇÃO DE MULTA MORATORIA.PRINCÍPIO DA LEGALIDADE E MORALIDADE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ART. 106, II, E 112, DO CTN. ALTERAÇÃO DO ART. 35, DA LEI N. 8.212/1991, PELA LEI N. 11.941/2009. Em razão dos princípios da legalidade e moralidade da Administração Pública, e do disposto nos artigos 106, II, e 112, ambos do CTN, observando que o limite máximo 20% (vinte por cento) a ser aplicado a titulo de multas moratórias, conforme o art. 61, §2°, da Lei n. 9.430/1998, é inferior h. multa moratória aplicada aos valores do créditos tributários lançados na NFLD, com base no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Lei n. 11.941/2009, o lançamento do crédito tributário deve se adequar a multa moratória à aplicação da menor sanção, reduzindo-se a multa moratória, ex oficio. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado, quanto a decadência e a aplicação da redução de multa moratória aos débitos declarados em GFIP, conforme art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009. por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado, quanto aos créditos tributários lançados de oficio, com aplicação do art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) Gustavo Vettorato. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Carolina Siqueira Monteiro de Andrade. /-7L0 ('PrCAI HELT A DE LIMA - Presidente. GU VET TO — Relator '71(\ougUakowa, CAROLINA SIQUEIRAMONTEIRO DE ANDRADE — Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Amilcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato e Helton Carlos Praia de Lima (presidente). Relatório 0 presente Recurso Voluntário apreciado busca a reforma da decisão proferida em primeira instância de julgamento administrativo (fls. 872-881), que julgou como totalmente procedente o lançamento constituído pela NFLD Debcad n. 35.858.191-9 (fls. 01- 378). A retro indicada NFLD constituiu créditos tributários oriundos da incidência das contribuições securitárias (previdencidrias e à terceiras entidades) sobre verbas pagas pela Recorrente aos seus empregados. Os créditos lançados referem-se às várias competências no período de 01/1995 h. 05/2005, apurados em ação fiscal do período de apuração de 01/1995 el Processo n°35482.000838/2006-14 S2-TE03 Acórdão n.° 2803-00257 Fl. 2 12/2005, e tomou por fonte de dados GFIP, GPS, GRPS, CNIS, folhas de pagamento, livros caixa, diário, notas fiscais de prestação de serviços, em especial atenção para várias competências de 2002 a 2005, em face da aferição indireta feita devido a falta de fé constatada na contabilidade., conforme Relatório Fiscal e demais demonstrativos constantes nos autos(fls. 111-125). A cientificação da NFLD foi em 04.11.2005 (fls. 01) Em face da supra indicada NFLD, a Recorrente apresentou sua peça de impugnação apresentando as seguintes alegações em sua defesa: diferenças de apuração, falta de justificativas para desconsideração da contabilidade da empresa. Os autos seguiram para julgamento de primeiro grau administrativo, originando a decisão recorrida que negou provimento à impugnação, mantendo totalmente o lançamento. Resumidamente a decisão a quo entendeu: a) a fiscalização apurou devidamente as diferenças, em especial quanto à. apropriação dos valores pagos pela Recorrente nas competência de (03/1995 e 04/1995), e quanto às contribuições ao SAT/RAT (02/2002) seriam diferenças de arredondamento com a SEFIP; b)quanto à aferição indireta, a mesma foi devidamente realizada em face do não merecimento de fé da contabilidade em face das grandes diferenças de registros, quantias não registradas, e volume de serviços prestados (art. 33,§6°, Lei n. 8.212/1991); c) e, quanto à motivação jurídica e fática, foram plenamente esclarecidas e os critérios de apuração também, que levaram em consideração notas fiscais de serviços e a margem aplicável para cálculo da mão-de-obra na prestação de serviços(IN n.3, SRP/MPS). Ao tomar ciência da decisão (fls. 885), a Recorrente apresentou Recurso Voluntário tempestivamente (fls. 888-908), em que repetiu as razões da impugnação sem mais alegações adcionais. 0 processo foi remetido h. presente 3a Turma Especial da 2a Seção de Julgamento do Conselho de Recursos Administrativos Fiscais do Ministério da Fazenda — CARF/MF, para apreciação e julgamento. Este é o relatório. Voto Vencido Conselheiro GUSTAVO VETTORATO, Relator 0 presente Recurso Voluntário preenche os requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Da Decadência Em face à. análise dos autos, por dever de oficio e defesa da moralidade administrativa (art. 37, da CF/1988), preliminarmente, atenta-se à. extinção de todos os créditos constituídos em razão da ocorrência de decadência. 0 Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado e obrigatório Administração Pública, que proferiu a Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante n° 8 "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Conforme previsto no art. 103-A da Constituição Federal a Súmula de n ° 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado Art. 103-A. 0 Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n ° 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. Observe-se a NFLD é referente os fatos geradores ocorridos nos períodos de 01/1995 a 05/2005. Neste caso, considerando a natureza das contribuições tendentes ao lançamento por homologação, mas que os créditos foram levantados por meio de arbitramento, apuração em outros documentos, em face da não localização dos mesmos, o que torna-o em lançamento por oficio (art. 150, §4°, e 149, CF/1998), devendo-se seguir o disposto no art. 173, I, c/c art. 156, inciso V, do CTN, contando o prazo de 5(cinco) anos do exercício seguinte Aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. A cientificação da NFLD foi em 04.11.2005, logo estarão extintos os créditos oriundos da incidência da norma tributária sobre fatos geradores anteriores A. 04.11.2000, ou seja, os fatos geradores apurados das competências de 10/2000 e anteriores estão caducos. Do Mérito 1. Quanto As alegações de equívocos da diferenças apuradas, nas competências de 04/1995 e 05/1995, em razão da decadência supra demonstrada, não merecem apreciação por sua total extinção. Porém, quanto A diferença apontada na competência de 02/2002, de R$ 3,05, foi apontada de forma clara na GFIP, resultante de arredondamento do sistema SEFIP/GFIP, atente-se ao fato que o art. 33, §7°, da Lei n. 8.212/1992, de que as declarações feitas em GFIP têm natureza de confissão da ocorrência do fato gerador por parte da contribuinte. Também, remete-se aos argumentos trazidos da decisão recorrida (fls.874): Como a fiscalização utilizou os valores constantes da GFIP, temos a sugerir que a empresa promova alterações em sua folha de pagamento afim de ajustá-la ao sistema de cálculo da GFIP, sanando esta divergência relativa a centavos que acabam por gerar uma divergência. Assim, a conclusão neste ponto é de não acolhimento da argumentação da Recorrente. 2. Quanto aos argumentos da impossibilidade aferição indireta por parte da ação fiscal, o entendimento é de não acolhimento, pois como muito bem detalhado no Relatório Fiscal (fls. 111-125), com juntada de farta documentação probatória, demonstrando irregularidades graves na contabilidade e declarações da Reclamada a partir de constatação de omissões de saldo, entradas e saídas em contas bancárias e escriturais a partir de 07/05/2002, 4 Processo n° 35482.000838/2006-14 S2-TE03 Acórdão n.° 2803-00257 Fl. 3 apresentando diferenças de registros que ultrapassaram a casa dos milhões, não foi possível conferi-lhes fé. Fatos esses relatados de forma resumida e ponderados adequadamente no voto condutor da decisão a quo (fls. 874-878), a qual o presente voto se alinha.Em conseqüência de tal constatação, restou apenas 5. fiscalização aplicar o instituto de aferição indireta (ou arbitramento) constante nos artigos 33, §§ 3 0, 5 0 e 6°, da Lei n. 8.212/1992, e art. 148, do Código Tributário Nacional. Inclusive, as irregularidades apontadas são hipóteses de exclusão do Regime de Arrecadação do SIMPLES a qual à Recorrente estava enquadrada, retroagindo até o momento da ocorrência dos fatos relatados art. 14, V, VI e VII, c/c 15, V, da Lei n. 9315/1996. Após a constatação das irregularidades, motivos de desconsideração da contabilidade, a fiscalização tomou por base documentos que pode-se averiguar a real movimentação da empresa, suas notas fiscais de serviços. Inclusive estas, não se encontravam com discriminação do que correspondia à mão-de-obra, serviço ou materiais utilizados. Dessa forma, utilizou-se como critério o mesmo que o trabalhado nos artigos 596, 597, 600, 601 e 604 da Instrução Normativa SRP n°03, de 14 de julho de 2005, de forma a ter obter uma base para cálculo do que fora utilizado em mão-de-obra, no patamar de 40% do valor das notas fiscais de prestação de serviço. Dessa forma, está claro que a fiscalização obedeceu o disposto no art. 37, da Lei n. 8.212/1992, em que na autuação descreveu e demonstrou de forma clara os motivos faticos e juridicos da desconsideração da contabilidade da Recorrente, apresentando as provas necessárias para tal ato, demonstrou a base e critérios de apuração dos fatos geradores e sua dimensão econômica, e por final a forma do cálculo de apuração. Além disso, os fatos relatados foram todos acompanhados de farta documentação probatória, cumprindo com a necessidade da fiscalização de provar o por ela alegado (art. 9°, do Dec. 72.325/1972). Isso tudo, oportunizou o contraditório e ampla defesa do Recorrente, que não trouxe quaisquer elemento probatório que enfrentassem o constatado dos autos pelo Auditor Fiscal, conforme garante o arts. 16 e 17, do Decreto n. 70.235/1972. Contudo, por não trazer nenhuma prova ou alegações que abalassem a presunção de legitimidade e certeza do ato administrativo fiscal. 0 entendimento acima é adotado pela jurisprudência do CARF: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/2005 PREVIDENCIÁ RIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO - OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL - AFERIÇÃO INDIRETA - NOTAS FISCAIS - DESCONSIDERAÇÃO DA CONTABILIDADE - BASE DE CÁLCULO - NOTAS FISCAIS -. CRITÉRIOS SÃO ESTABELECIDOS PELO ÓRGÃO PREVIDENCIÁRIO. Um dos fatos geradores de contribuições previdencicirias é , a remuneração de mão-de-obra utilizada em obra de construção civil. Uma vez que o recorrente não possui prova dos valores despendidos com tal meio-de-obra, há que se utilizar o critério da aferição indireta. A criação do critério para aferição é prerrogativa do órgão previdencicirio e não do contribuinte. A i empresa deixou de apresentar contabilidade regular para os anos objeto do lançamento, a medida que foi desconsiderada a contabilidade e arbitrado o valor da base de cálculo da contribuição devida. Não importa o número de infrações detectadas. Entendo que a prerrogativa da autoridade fiscal é, em não considerando confiáveis todas as informações proceder a aferição indireta. No caso, foi emitido lavrado, inclusive auto de infração por não ter conferido fé a contabilidade para apuração das bases de cálculo. 0 STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n°8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionarnento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n" 8, sendo vejamos: "Súmula Vinculante n" 8 - "Sao inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". No presente caso o lançamento foi efetuado em 02/10/2006 (data da cientificação, dessa forma, em aplicando-se o ,sç 4" do art. 150 e a súmula vinculante n° 8 do STF, encontram-se decaídas as contribuições até a competência 09/2001. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Ac.206.01430, Rel. Cons. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, 6' Câmara do 2° Conselho de Contribuintes, Sessão de 08.10.2008) • Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/1997 a 30/04/2006 DECADÊNCIA - ARTS 45 E 46 LEI N° 8.212/1991 - INCONSTITUCIONALIDADE - STF - SÚMULA VINCULANTE - DOLO - REGRA GERAL - INCISO I ART. 173 De acordo coin a Súmula Vinculante n" 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecei; no que tange a decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal No caso de lançamento por homologação, restando caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deixa de ser aplicado o ssç 4° do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I do CTN. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1997 a 30/04/2006 ARBITRAMENTO - POSSIBILIDADE - PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE Na ocorrência de recusa na apresentação de livros ou documentos ou se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo a empresa o ônus da prova em contrário 0 procedimento de arbitramento, embora seja prerrogativa legal do fisco, deve revestir-se de razoabilidade, de 6 Processo n° 35482.000838/2006-14 82-TE03 Acórdão n.° 2803-00257 Fl. 4 tal sorte que os indícios apresentados levem a inferir a efetiva ocorrência do fato gerador SAT - GRAU DE RISCO - ATIVIDADE PREPONDERANTE - EMPRESA Para fins de enquadramento no correspondente grau de risco, considera-se preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/1997 a 30/04/2006 Ementa:INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Principio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais ou afrontariam legislação hierarquicamente superior. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. (Ac. 2401-00057, Rel. Cons. Ana Maria Bandeira, la Turma da 4a Câmara do CARF, Sessão 04.03.2009) Dessa forma, a aferição indireta realizada pela fiscalização para constituir a NFLD em questão deve ser mantida em face de sua procedência. 3. Indiferentemente de não ter sido alegado pela Recorrente, por dever de oficio, em razão do principio da legalidade e moralidade da Administração Pública, reforçado pelo fato das contribuições devidas em grande parte foram declaradas em GFIP, tanto que essas informações foram utilizadas para obter as diferenças de valores pagos ou não, deve-se atentar As alterações legislativas recentes no que trata a sanções tributárias (multa moratória) dispostas no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, que foi alterado pela Medida Provisória n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, passando a ter a seguinte redação: Art. 35. Os débitos com a Unido decorrentes das contribuições sociais previstas nas alineas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a titulo de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ou seja, há remissão expressa ao art.61, da Lei n. 9.430/2009, in verbis: Art. 61. Os débitos para com a Unido, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada a taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1" A multa de que trata este artigo sera calculada a partir do , ‘ primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto i001 para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2 0 0 percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados c‘i taxa a que se refere o •S 3 0 do art. 50, a partir do primeiro dia do Ines subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei no 9.716, de 1998) Essas alterações devem ser aplicadas ao caso objeto de análise, em decorrência a aplicação dos dispostos nos artigos 106, II, e 112, ambos do CTN. Isso tudo, ordena ao julgador aplicar as novas normas gerais e abstratas preteritamente quando vislumbra que a norma nova for mais benéfica ao contribuinte que a anterior, alem de interpretá-la sempre de forma mais favorável ao contribuinte. Não se pode tratar a hipótese de incidência da multa moratória disposta no art. 35 como uma possível multa de oficio para comparar com a nova redação do art. 35-A, da Lei n. 8.212/1991, incluso pela Medida Provisória n. 449/2008, convertida em Lei n. 11.941/2009, porque a multa aplicada pela redação anterior do art. 35, somente tratava de multa de natureza moratória, variada em razão das fases (tempo) do processo. Portanto, observando que o limite do art. 61, §2°, da Lei n. 9.430/1998, é inferior A multa moratória aplicada aos valores dos créditos tributários lançados na NFLD, com base no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior A. Lei n. 11.941/2009, deve a decisão a quo ser reformada no sentido de adequar a multa moratória A. nova legislação, desde que mais favorável ao sujeito passivo. Destarte, a presente NFLD deve ser re-analisada de duas formas: a) a considerando-se os valores devidos que foram oriundos diretamente das informações contidas em GFIP, aplicando-se diretamente o disposto no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, combinado com o art. 61, da Lei n. 9.430/1998, desde que mais favorável ao sujeito passivo, b) a segunda quanto aos valores que foram efetivamente obtidos pela aferição indireta ao qual a aplicação do no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, combinado com o art. 61, da Lei n. 9.430/1998, deve-se atentar para a necessidade de análise em conjunto com as demais autuações sofridas pelo contribuinte, registradas em informação fiscal, desde que realmente haja correlação entre elas, bem como somente se a aplicação da norma mais benigna. Dispositivo do Voto Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário, para no mérito CONCEDER-LHE PARCIAL PROVIMENTO, no sentido retificar a decisão recorrida e o lançamento objeto do presente processo de forma a: a) reconhecer a decadência dos créditos tributários constituído nos fatos geradores apurados e ocorridos nas competências de 10/2000 e anteriores. 8 twoig11111b& o WO ela ORA Processo n° 35482.000838/2006-14 S2-TE03 Acórdão n.° 2803-00257 Fl. 5 b) retificar multa moratória sobre os créditos constituídos oriundos diretamente das informações contidas em GFIP, dever-se-á aplicar diretamente o disposto no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, combinado com o art. 61, da Lei n. 9.430/1998, desde que mais favorável ao sujeito passivo, c) retificar multa moratória sobre os créditos constituídos de lançamento por aferição indireta, dever-se-á aplicar o art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, combinado com o art. 61, da Lei n. 9.430/1998, atentando-se para a necessidade de análise em conjunto com as demais autuações sofridas pelo contribuinte, registradas em informação fiscal, desde que realmente haja correlação entre elas, bem como somente se a aplicação da norma mais benigna.seja aplicada. assim como voto. Gti& Voto Venced4o5 Conselheira CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE, Redatora designada A divergência instaurada no presente julgado, e acompanhada pelos demais Conselheiros, se refere à possibilidade, reconhecida pelo Relator, de aplicação do novel regramento contido no art. 35 da Lei n° 8.21/91, com a redação dada pela Lei n° 11.941/2009, aos débitos não declarados em GFIP, em razão da retroatividade benigna prevista no art. 106 do Código Tributário Nacional. Inicialmente, insta ressaltar que a exigência de multa pelo não pagamento de contribuições previdencidrias é decorrente de lei e não pode o Fisco Previdenciário furtar-se de sua obrigação de aplicá-la, já que o ato administrativo de lançamento é totalmente vinculado norma. A cobrança dos referidos acréscimos legais, assim, tem previsão legal que ampara sua exigência e, portanto, sua aplicação obedece ao principio da legalidade, essencial ao funcionamento da Administração Pública. Com relação especificamente A. multa, muito embora a legislação vigente A. época da ocorrência do fato gerador a denominasse multa de mora, resta indubitável que a penalidade aplicável ao caso de obrigação tributária incluída em Notificação Fiscal de Lançamento de Debito se trata de multa por lançamento de oficio. A simples denominação de multa de mora não desnatura a natureza jurídica do instituto, devendo ser entendida como mera opção de técnica legislativa. Nestes termos, apenas se deverá admitir a retroatividade da legislação que traga multas mais benéficas para as hipóteses de penalidades de mesma natureza. A multa prevista no art. 61 da Lei n° 9.430/96 deve ser exigida tão-somente as hipóteses de recolhimento a destempo de créditos tributários já constituídos pelo contribuinte, por meio da entrega de declarações ao Fisco. Veja: Ø7p4 "Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de I° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto le 7.212, de 2010) 55' 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. ssç 2° 0 iercentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento." Para os casos de lançamento de oficio de crédito tributário não constituído, como se verifica nos autos, a multa aplicável, pela novel legislação de regência, é aquela prevista no art. 44 do mesmo diploma legal, que assim dispõe: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n°11.488, de 2007) I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n°11.488, de 2007) II - de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei le 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei n°11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei n°11.488, de 2007)" Diante do exposto, e considerando que a aplicação da novel legislação não trará penalidade mais benéfica ao contribuinte, já que a multa a ser aplicável seria a prevista no art. 44 da Lei n° 9.430/96, e não a multa prevista no art. 61, entendo que a multa aplicada pela autoridade fiscal para os débitos não declarados em GFIP deverá ser mantida em sua integralidade. como voto. CONCLUSÃO 10 Processo n0 35482.000838/2006-14 S2-TE03 Acórdão n.° 2803-00257 Fl. 6 Por todo o exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto para reconhecer a decadência dos créditos tributários constituído nos fatos geradores apurados e ocorridos nas competências de 10/2000 e anteriores e determinar a retificação da multa moratória sobre os créditos constituídos oriundos diretamente das informações contidas em GFIP, devendo-se aplicar diretamente o disposto no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, combinado com o art. 61, da Lei n. 9.430/1998, desde que mais favorável ao sujeito passivo. É como voto. 00v1/0{A>vVtalkiottat./ CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE - Redatora 10 11
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Numero do processo: 13864.000591/2007-81
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/05/1998
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE Nº 08, DO STF.
1. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991.
2. No caso destes autos deve-se aplicar a regra disposta no inciso I do art. 173 do CTN. Portanto, encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores apurados pela fiscalização.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-000.868
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a), em razão da decadência, observada a regra disposta no inciso I do art. 173 do CTN.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: AMÍLCAR BARCA TEIXEIRA JÚNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 30/05/1998 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE Nº 08, DO STF. 1. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. 2. No caso destes autos devese aplicar a regra disposta no inciso I do art. 173 do CTN. Portanto, encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a), em razão da decadência, observada a regra disposta no inciso I do art. 173 do CTN. (assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13864.000591/200781 Acórdão n.º 280300.868 S2TE03 Fl. 258 2 (assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente da turma), Oseas Coimbra, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Eduardo Oliveira, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas e Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13864.000591/200781 Acórdão n.º 280300.868 S2TE03 Fl. 259 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, lavrada em desfavor do contribuinte acima nominado, em decorrência da responsabilidade solidária, tendo em vista que a empresa não apresentou à fiscalização documentos necessários e suficientes para se elidir de tal responsabilidade, deixando de observar, portanto, as disposições contidas no artigo 31 da Lei nº 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, ou seja, as competências de 01/1997 a 05/1998. O Contribuinte foi notificado do lançamento em 20/12/2007 e apresentou defesa tempestiva em 17/01/2008. A impugnação foi julgada em 25 de abril de 2008, ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 30/05/1998 PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CESSÃO DE MÃODEOBRA. TOMADOR. RECOLHIMENTO. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO. SOLIDARIEDADE. A empresa contratante de serviços, executados mediante cessão de mãodeobra, responde solidariamente com o executor pelas contribuições previdenciárias. DECADÊNCIA: É de dez anos o prazo, em que as contribuições devidas à Seguridade Social poderão ser constituídas, contandose a partir do primeiro dia do exercício seguinte, em que o crédito poderia ter sido constituído. Lançamento Procedente Inconformado com resultado do julgamento de primeira instância administrativa, o contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Da nulidade da ação fiscal por falta de motivação. Da inobservância dos requisitos legais para a lavratura do auto e constituição do crédito tributário. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13864.000591/200781 Acórdão n.º 280300.868 S2TE03 Fl. 260 4 Na NFLD lavrada em 2007 não poderia constar qualquer lançamento que se reporte a fatos geradores ocorridos anteriormente a 2002, em face da decadência do direito de constituir tais créditos tributários. Os lançamentos foram baseados na suposição de que a Recorrente teria tomado serviços, mediante cessão de mãodeobra da empresa ETECMON EMP. TEC. MONT. IND. LTDA. Demonstrada a insubsistência da ação fiscal, requerse seja o presente Recurso Voluntário conhecido e provido, ensejando a anulação da NFLD lavrada e a consequente extinção do credito tributário e da multa nele constituídos. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13864.000591/200781 Acórdão n.º 280300.868 S2TE03 Fl. 261 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. O Supremo Tribunal Federal, de acordo com entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, in verbis: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212/91 há que serem observadas as regras previstas no CTN. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação. Assim, deve, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Na situação vertente, no entanto, observarseá a regra disposta no inciso I do art. 173 do referido diploma legal, in verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. O enquadramento da decadência na forma do inciso I do art. 173 do CTN é aplicável, in casu, tendo em vista ter restado evidenciado que o contribuinte não realizou nenhum recolhimento, em decorrência da responsabilidade solidária, em face dos serviços tomados da empresa ETECMON EMP. TEC. MONT. IND. LTDA., os quais foram prestados sob a forma de trabalho temporário, nas competências de 01/01/97 a 05/1998. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13864.000591/200781 Acórdão n.º 280300.868 S2TE03 Fl. 262 6 Nestes autos, o contribuinte tomou ciência da notificação em 20/12/2007. A documentação que embasou o lançamento diz respeito às competências de 01/01/1997 a 30/052/1998. Destarte, não resta dúvida de que a pretensão do fisco está fulminada pela decadência, devendo ser aplicada a Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, observada a regra disposta no inciso I do art. 173 do CTN. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13768.000051/2009-58
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 28 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Fri Sep 11 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2001
ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE
Uma vez comprovado que o contribuinte era portador de moléstia grave no ano-calendário da ocorrência do fato gerador, mediante apresentação de laudo pericial emitido pelo serviço médico oficial da União, Estados, Distrito Federal ou Municípios e preenchidos os demais requisitos legais, o contribuinte deve ter reconhecido o direito à isenção tributária de IRPF.
Numero da decisão: 2001-003.537
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente
(documento assinado digitalmente)
André Luis Ulrich Pinto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luis Ulrich Pinto, Fabiana Okchstein Kelbert, Honório Albuquerque de Brito e Marcelo Rocha Paura.
Nome do relator: ANDRE LUIS ULRICH PINTO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2001 ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE Uma vez comprovado que o contribuinte era portador de moléstia grave no ano-calendário da ocorrência do fato gerador, mediante apresentação de laudo pericial emitido pelo serviço médico oficial da União, Estados, Distrito Federal ou Municípios e preenchidos os demais requisitos legais, o contribuinte deve ter reconhecido o direito à isenção tributária de IRPF.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) André Luis Ulrich Pinto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luis Ulrich Pinto, Fabiana Okchstein Kelbert, Honório Albuquerque de Brito e Marcelo Rocha Paura. Relatório Trata-se de auto de infração, lavrado em 13 de junho de 2005, ano-calendário 2001, exercício 2002, do qual exige-se do Recorrente o valor de R$ 3.666,52 de imposto de renda suplementar, acrescido de multa de ofício e demais consectários legais, diante de rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia somando R$ 34.272,35. Devidamente notificado da infração, o Recorrente apresentou impugnação alegando, em síntese: a) o contribuinte recebeu em novembro de 1998 o benefício da isenção por direito adquirido; AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 76 8. 00 00 51 /2 00 9- 58 Fl. 51DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-003.537 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13768.000051/2009-58 b) ressaltar o documento exarado pelo INSS que, de forma expressa, declara que o contribuinte se enquadra naqueles em que possuem o benefício da isenção tributária, in verbis: “Em atendimento a sua solicitação datada de 13/10/2004, acerca de Declaração Médica para fins de comprovação de Isenção de Imposto de Renda junto a Receita Federal, informamos que após avaliação pelo Médico Perito Supervisor deste Instituto, o segurado referenciado, apresenta patologia que enquadra-se entre aquelas e dão direito a isenção de Imposto de Renda (169).” c) urge salientar que o ofício supra somente declarou de forma expressa o direito do Recorrente em isentar-se do imposto de renda. Porém, tal direito já havia se incorporado ao contribuinte desde 09/11/1998. O Recorrente instruiu a sua impugnação com os seguintes documentos: (i) declaração da previdência social (fl. 14) ; (ii) conclusão da perícia médica INSS (fl. 16); (iii) laudo médico (fl. 27); (iv) cópia do despacho proferido no processo 11543 000358/2005-34; (fl. 29); (v) documentos de identificação (fl. 30). Na ocasião do julgamento da Impugnação apresentada pelo ora Recorrente, a2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro, proferiu o acórdão 13-25.888 – 2ª Turma da DRJ/RJOII, julgando procedente o lançamento por entender, em síntese, que nenhuma das doenças mencionadas em dezembro de 1998 estão previstas expressamente na lei isentiva. Irresignado com o v. acórdão a quo, o Recorrente interpôs recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais alegando, em síntese: I. destaca-se que no documento de fls.16 e 17, consta que a última perícia fora realizada em 2004, mas não foi a única a detectar a dita incapacidade. Consta no mesmo documento que o acidente ocorreu em 09/11/2008, tendo sido feito a primeira perícia, frise-se, por médico oficial do INSS, em 02/07/1999; II. o procedimento adotado pelo INSS para comprovar a incapacidade total e permanente são vários laudos periciais realizados em datas distintas; III. desde a primeira perícia médica, ou seja, 02/07/1999, o perito oficial já havia declarado a incapacidade do contribuinte, sobretudo por não se tratar de moléstia degenerativa; IV. para evitar procedimentos judiciais desnecessários, necessário se faz seja oficiado o INSS a fim que este disponibilize cópia integral de todo o procedimento de aposentadoria do contribuinte. É o relatório. Fl. 52DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-003.537 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13768.000051/2009-58 Voto Conselheiro André Luis Ulrich Pinto, Relator. O Recurso é tempestivo, preenche os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Cinge-se a controvérsia sobre o reconhecimento do direito à isenção de IRPF em razão da alegada condição de portador de moléstia grave quando da ocorrência do fato jurídico tributário. Como é sabido, a isenção aqui discutida encontra-se prescrita no art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713/1988, com redação dada pela Lei nº 11.052/2004, que assim dispõe: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) Ademais disso, a legislação exige que a moléstia grave seja comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, Estados, Distrito Federal ou Municípios. É o que dispõe o art. 30, da Lei nº 9.250, de 26/12/1995: Art. 30 – A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Assim, pode-se afirmar que a concessão de isenção por moléstia grave só merece ser deferida quando presentes os três requisitos cumulativos indispensáveis para tanto, são eles: (i) serem os rendimentos proventos de aposentadoria ou pensão; (ii) ser o contribuinte portador de moléstia grave; e (iii) estar comprovada a moléstia grave por laudo pericial emitido pelo serviço médico oficial, nos termos da solução de consulta interna nº 11 – Cosit, de 28/06/2012. Neste sentido, deve-se destacar que a súmula nº 63 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais estabelece as condições para o gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física portadora de moléstia grave, sendo certo que, para tanto, o interessado deve demonstrar a existência de moléstia grave por meio da apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, Estados, Distrito Federal ou Municípios. Veja-se: Súmula CARF nº 63 Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por Fl. 53DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L11052.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L11052.htm#art1 Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-003.537 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13768.000051/2009-58 laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Por fim, com relação à aplicação da isenção no tempo, deve-se dizer que em se tratando de moléstia grave pré-existente à emissão do laudo pericial, hipótese que – sempre de acordo com o que alega o Recorrente – estaria presente no caso em questão, a data em que a doença foi contraída precisa estar expressamente indicada no laudo pericial. Se do laudo pericial não constar a data a partir da qual o contribuinte foi diagnosticado com moléstia grave, será considerada a data da emissão do laudo, de acordo com o que estabelece o art. 39, §5º, do RIR/99, que assim dispõe: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicam-se aos rendimentos recebidos a partir: I - do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II - do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III - da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. Conforme ao que se verifica do caso em tela, mais precisamente do laudo pericial que acompanha o ofício nº 230/2006, da APS Linhares –ES, Órgão integrante do serviço médico oficial da União, está atestado que o Recorrente é portador da patologia CID 10: G81.9, Hemiplegia, que se enquadra entre as doenças que isentam desconto de imposto de renda na fonte desde a data de 22/12/1998, quando a mesma foi constatada pela perícia médica do INSS. Desta forma, entendo que o acórdão a quo deve ser reformado para que se reconheça a condição de portador de moléstia grave do Recorrente e, consequentemente, a isenção de IRPF no ano-calendário de 2001. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso e dou-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) André Luis Ulrich Pinto Fl. 54DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2001-003.537 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13768.000051/2009-58 Fl. 55DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10783.901506/2010-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 24 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Fri Oct 16 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE VÁLIDA. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA.
Comprovada a validade da intimação do contribuinte sobre o Despacho Decisório, mediante Aviso Recebimento-AR devidamente firmado no domicílio tributário da recorrente, e verificada a intempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade, essa não pode ser conhecida sob a ótica das questões de mérito.
Numero da decisão: 3302-009.529
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimarães, Walker Araújo, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Corintho Oliveira Machado, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE VÁLIDA. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. Comprovada a validade da intimação do contribuinte sobre o Despacho Decisório, mediante Aviso Recebimento-AR devidamente firmado no domicílio tributário da recorrente, e verificada a intempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade, essa não pode ser conhecida sob a ótica das questões de mérito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimarães, Walker Araújo, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Corintho Oliveira Machado, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
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MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. Comprovada a validade da intimação do contribuinte sobre o Despacho Decisório, mediante Aviso Recebimento-AR devidamente firmado no domicílio tributário da recorrente, e verificada a intempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade, essa não pode ser conhecida sob a ótica das questões de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimarães, Walker Araújo, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Corintho Oliveira Machado, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 15 06 /2 01 0- 10 Fl. 93DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-009.529 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.901506/2010-10 Relatório Adota-se o relato da decisão recorrida com as devidas correções: Trata o presente processo de PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE IPI-PER, combinado com DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO – DCOMP, abaixo relacionados, suportados pelo saldo credor de IPI do 4º trimestre do ano- calendário de 2002, calculado nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779, de 19/01/1999: (...) A análise da petição do interessado se deu por via eletrônica, de que resultou o Despacho Decisório de fl. 20. Apesar do deferimento integral do saldo credor requerido, a homologação da compensação declarada foi parcial. Fundamentou-se o ato decisório nos seguintes termos: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$27.824,05 Valor do crédito reconhecido: R$27.824,05 O valor do crédito solicitado/utilizado foi integralmente reconhecido. O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual: HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP 26637.61913.310108.1.3.011047. Não há valor a ser restituído/ressarcido para o(s) pedido(s) de restituição/restituição apresentado no(s) PER/DCOMP: 11638.55129.271107.1.1.010390 Inconformado, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 02/18, para alegar: a) preliminarmente, a nulidade do despacho decisório sob o argumento de que fora notificado por edital, meio que deve ser utilizado apenas se resultassem infrutíferas as tentativas de localizá-lo. Tendo em vista se tratar de empresa que tem domicílio fiscal declarado à Receita Federal, estar apta no seu cadastro fiscal e ter recebido inúmeras correspondências nesse período, não haveria de ser citada por meio de edital. Os mandamentos inseridos no CPC, na Lei nº 9.784, de 1999, no Decreto nº 70.235, de 1972, não foram atendidos pelas autoridades fiscais. A citação válida é requisito indispensável para a formação e validade do processo (art. 214 do CPC) e somente se pode falar em citação válida quando esta é feita no regular endereço do réu, garantindolhe o direito pleno de defesa, o que não ocorreu no caso. A jurisprudência pátria é uníssona na necessidade de citação válida para a instauração de qualquer processo em qualquer nível. É patente a impossibilidade de prosperar um processo viciado em seu nascedouro, conforme decisão do Tribunal de Justiça, colacionada nos autos. Diante do exposto, é claro que o prazo para interposição de recurso deve começar em 06/02/2012, data em que o representante da empresa, ao buscar informações sobre as dificuldades da empresa em obter certidão negativa, tomou ciência do deferimento parcial de seu pleito, formalizado por meio de PER/DCOMP. b) No mérito, alegou se tratar de falha de leitura dos PER/DCOMP pela RFB, pois transmitira um Per para o 4º trimestre de 2002, referente ao crédito presumido de IPI, no valor de R$ 27.824,05, sob o nº 11638.55129.271107.1.1.010390. A RFB analisou erroneamente o pedido, pois que o fez isoladamente. Existem mais dois pedidos de compensação para esse Fl. 94DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-009.529 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.901506/2010-10 mesmo período e mesmo tributo, que contém a multa, os juros e todo o principal. Logo seria mesmo impossível extinguir o débito analisando pequena parte da operação realizada. Com a análise dos processos, via manual, levando- se em conta o desmembramento das compensações, se chegará à conclusão de que os débitos foram integralmente quitados via compensação, não sendo devido nenhum valor à RFB. Acompanha também a presente manifestação de inconformidade, a DCTF do período em questão que mostra que o débito foi extinto vinculadoos a duas compensações distintas. Também reclamou o contribuinte de que o despacho decisório não se pronunciou acerca da correção do crédito pela taxa Selic, que deve ser admitida desde a data do pedido de ressarcimento, compensado-se os tributos vinculados ao ressarcimento, sendo o saldo ressarcido em espécie ao contribuinte. Em 28/02/2014, a DRJ/JFA julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CIÊNCIA DO CONTRIBUINTE. AVISO DE RECEBIMENTO. A ciência do contribuinte sobre o Despacho Decisório, provada mediante Aviso Recebimento-AR, é hábil para a verificação do termo de início da contagem do prazo de apresentação da manifestação de inconformidade, convalidando sua tempestividade ou caracterizando-a como intempestiva, nos termos dos §§7º, 9º, 10º e 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. VIA POSTAL E VIA EDITAL. Uma vez dada a ciência ao contribuinte do Despacho Decisório por via postal, comprovada mediante Aviso de Recebimento-AR, torna a posterior ciência por edital procedimento sem validade jurídica, uma vez que ciente o contribuinte de fatos que deveria saber para exercer seu legítimo direito de defesa não mais poderá dizer-se deles desconhecer. Ou seja, os fatos são do conhecimento do interessado desde o primeiro momento de que deles tomou ciência. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. ANÁLISE DAS QUESTÕES DE MÉRITO. É de se desconhecer as questões de mérito quando incompatíveis com a questão preliminar, conforme determinação contida no art. 28 do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão, em 23/06/2014, consoante Aviso de Recebimento constante dos autos, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, tempestivo, em 18/07/2014, consoante carimbo aposto na folha de rosto do recurso, no qual basicamente reprisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, aduzindo que exame perfunctório do AR juntado ao processo pela RFB mostra que a pessoa que apostou a assinatura no AR é auxiliar administrativa da empresa TRACOMAL TERRAPLANAGEM E CONSTRUTORA MACHADO LTDA e não da empresa TRACOMAL MINERAÇÃO S/A, assim sendo a empresa TRACOMAL MINERAÇÃO S/A não foi notificada e houve a errônea citação por edital. Por fim, requer a Fl. 95DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-009.529 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.901506/2010-10 procedência do recurso voluntário, para que seja determinada análise manual no processo, devido ao equívoco apresentado na leitura do Perdcomp, e demonstrada a existência do crédito, sejam homologadas as compensações com o reconhecimento da taxa selic corrigindo o crédito, sendo o saldo ressarcido em espécie ao contribuinte. Posteriormente, o expediente foi encaminhado a esta Turma ordinária para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, merece ser apreciado e conhecido. Em preliminar, cumpre apreciar a validade, ou não, da intimação do despacho decisório à então manifestante. Consoante ementa da decisão recorrida, houve duas intimações do despacho decisório ao sujeito passivo: CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. VIA POSTAL E VIA EDITAL. Uma vez dada a ciência ao contribuinte do Despacho Decisório por via postal, comprovada mediante Aviso de Recebimento-AR, torna a posterior ciência por edital procedimento sem validade jurídica, uma vez que ciente o contribuinte de fatos que deveria saber para exercer seu legítimo direito de defesa não mais poderá dizer-se deles desconhecer. Ou seja, os fatos são do conhecimento do interessado desde o primeiro momento de que deles tomou ciência. A recorrente diz que exame perfunctório do AR juntado ao processo pela RFB mostra que a pessoa que apostou a assinatura no AR é auxiliar administrativa da empresa TRACOMAL TERRAPLANAGEM E CONSTRUTORA MACHADO LTDA e não da empresa TRACOMAL MINERAÇÃO S/A, assim sendo a empresa TRACOMAL MINERAÇÃO S/A não foi notificada e houve a errônea citação por edital. Nota-se que o único óbice oposto para ser válida a intimação via postal é o fato de a pessoa que apostou a assinatura no AR ser auxiliar administrativa da empresa TRACOMAL TERRAPLANAGEM E CONSTRUTORA MACHADO LTDA, e não da empresa TRACOMAL MINERAÇÃO S/A. Ou seja, não é impugnado o endereço em que foi recebida a correspondência e tampouco o fato de a pessoa no endereço ter recebido a correspondência na data firmada. A questão já foi objeto de súmula deste CARF: Fl. 96DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-009.529 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.901506/2010-10 Súmula CARF nº 9 É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Dito isso, impõe-se confirmar tanto a validade da intimação postal como a intempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade, verificada em primeira instância: Tendo em vista que só se caracteriza como manifestação de inconformidade, sujeita ao PAF (Decreto 70.235, de 1972), a contestação apresentada no prazo legal de 30 (dias) da ciência do Despacho Decisório, e tendo ocorrido a ciência do contribuinte no dia 01/06//2010 (terça-feira), segundo o AR anexado, à fl. 35, a contagem do prazo para apresentação da manifestação de inconformidade se iniciou em 02/06/2010 (quarta- feira) e se encerrou em 01/07/2010 (quinta-feira). Tendo o contribuinte apresentado a manifestação de inconformidade em 05/03/2012, conforme protocolo de apresentação da manifestação de inconformidade, à fl. 02, configura-se inconteste a intempestividade da manifestação de inconformidade. Com respeito às demais matérias, nada de novo veios aos autos, sendo repetida a versão apresentada em manifestação de inconformidade. Corolário disso, cumpre prestigiar as razões de decidir da decisão recorrida, nos moldes do art. 50, § 1º, da Lei n° 9.784/00 e art. 57, § 3º, do Anexo II do RICARF: (...) Ora, se não atendido o prazo legal de 30 (trinta), é intempestiva a manifestação de inconformidade, não se instaurando litígio com relação ao deferimento parcial do pleito proferido no Despacho Decisório. Nesse contexto, não cabe o pronunciamento da Delegacia da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora, MG, sobre as questões de mérito levantadas pelo contribuinte, regimentalmente incompetente para decidir sobre matéria que não se encaixe no rito processual do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972 (PAF), pois que não atendem ao disposto no §11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, introduzido pela Lei nº 10.833, de 2003: (...) Analisada a preliminar de tempestividade, com o entendimento de sua improcedência, as questões de mérito devem ser desconhecidas, uma vez que são incompatíveis os respectivos exames, preliminar e de mérito, nos termos do art. 28 do Decreto nº 70.235, de 1972: (...) Posto isso, voto por negar provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. (documento assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Fl. 97DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-009.529 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.901506/2010-10 Fl. 98DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10680.001798/96-29
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2005
Ementa: AUSÊNCIA DE OBJETO.
Houve desistência formal do interessado com respeito ao recurso voluntário.
RECURSO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 303-32.194
Decisão: ACORDAM ós Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, não tomar conhecimento do recurso voluntário por falta de objeto, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ZENALDO LOIBMAN
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Numero do processo: 10730.010912/2008-64
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS.
A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Aplicação da Súmula CARF nº 68.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2802-001.596
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR
PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: JORGE CLÁUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10880.962350/2008-12
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 14/11/2000
PRELIMINAR. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO.
INOCORRÊNCIA.
É válida a decisão da repartição de origem proferida em total conformidade com as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF) e com as informações declaradas pelo próprio contribuinte.
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal.
Numero da decisão: 3803-003.556
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/11/2000 PRELIMINAR. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. É válida a decisão da repartição de origem proferida em total conformidade com as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF) e com as informações declaradas pelo próprio contribuinte. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2014-07-14T19:23:59Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2014-07-14T19:23:59Z; Last-Modified: 2014-07-14T19:23:59Z; dcterms:modified: 2014-07-14T19:23:59Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:e076721f-c241-42f1-bc59-34611274ad53; Last-Save-Date: 2014-07-14T19:23:59Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2014-07-14T19:23:59Z; meta:save-date: 2014-07-14T19:23:59Z; pdf:encrypted: true; modified: 2014-07-14T19:23:59Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2014-07-14T19:23:59Z; created: 2014-07-14T19:23:59Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2014-07-14T19:23:59Z; pdf:charsPerPage: 1779; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2014-07-14T19:23:59Z | Conteúdo => S3TE03 Fl. 230 1 229 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.962350/200812 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803003.556 – 3ª Turma Especial Sessão de 27 de setembro de 2012 Matéria COFINS RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente ARNO S/A (SUCEDIDA PELA EMPRESA GRUPO SEB DO BRASIL PRODUTOS DOMÉSTICOS LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/11/2000 PRELIMINAR. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. É válida a decisão da repartição de origem proferida em total conformidade com as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF) e com as informações declaradas pelo próprio contribuinte. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ São Paulo I/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte, esta manejada contra o despacho decisório da repartição de origem que não reconhecera o direito creditório relativo à Cofins, no valor de R$ 9.049,02, pleiteado por meio de Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), e, por conseguinte, não homologara a compensação declarada, em razão do fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado para quitar débito da titularidade do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do seu direito creditório e a homologação da compensação, alegando que o crédito pleiteado se referia à parcela da contribuição indevidamente declarada e paga, pois que relativa a saídas gratuitas (brindes), que não se encontram abrangidas pela receita ou faturamento, base de cálculo da contribuição, inocorrendo, nos casos da espécie, o fato gerador do tributo. Segundo ele, não foram poucas as saídas gratuitas a título de brindes ou amostras grátis no período do crédito almejado, conforme comprovaria o demonstrativo anexo à peça impugnativa, tendo incorrido em erro ao não retificar as declarações respectivas. Tal equívoco, ainda segundo o então Manifestante, não macularia o seu direito de obtenção dos créditos, que teriam sido facilmente apurados se a autoridade administrativa competente tivesse cumprido sua obrigação legal de diligenciar junto ao estabelecimento para apurar a real extensão da contribuição devida, nos termos propugnados pelo art. 24 da IN SRF n° 600/2005. Para o contribuinte, a emissão do despacho decisório da forma ocorrida violaria os princípios da moralidade administrativa, da razoabilidade, da finalidade e da oficialidade, além de ensejar enriquecimento sem causa da União, ferindo o caput do artigo 37 da Constituição Federal e os artigos 2°, 3°, inciso I, e 50, inciso I, da Lei 9.784/1999. A decisão denegatória do pedido do Manifestante proferida pela DRJ Juiz de Fora/MG foi ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÁO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2000 DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITO. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.962350/200812 Acórdão n.º 3803003.556 S3TE03 Fl. 231 3 A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Arguiu o relator a quo que mesmo que o contribuinte tivesse retificado as declarações originalmente apresentadas, reduzindo o valor da contribuição, ainda assim, essa providência não teria sido suficiente para demonstrar a existência do crédito pleiteado, visto ser indispensável que a origem do crédito seja comprovada por documentação hábil que dê suporte aos valores declarados, conforme preceitua o art. 147, § 1º, do Código Tributário Nacional (CTN). Ainda segundo o julgador, a defesa apresentara apenas um demonstrativo e uma outra listagem intitulada "balancete", este destituído dos elementos mínimos exigidos (como nome e assinatura do contabilista responsável, sua categoria profissional e número de registro no CRC), estabelecidos pelas Normas Brasileiras de Contabilidade, de acordo com a NBC T.2.7, aprovada pela Resolução CFC n° 685/90, vigente à época do fato gerador. Consignou, ainda, o não acostamento aos autos dos documentos contábeis hábeis a comprovar a composição da base de cálculo da contribuição, como, por exemplo, Livro Razão, Livros de Registro de Entrada, Livros de Registros de Saída, ou Notas Fiscais, que evidenciassem o erro alegado. Quanto à afirmativa do contribuinte de que a autoridade administrativa competente deveria ter cumprido sua obrigação legal e diligenciado o estabelecimento, como determinaria o art. 24 da IN SRF n° 600/2005, salientou o relator que, ao contrário dessa alegação, a IN SRF nº 600/2005, em seu art. 24, não obriga, mas, sim, faculta à autoridade administrativa a determinação de diligência para verificar a exatidão das informações prestadas. Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho, reitera seu pedido de reconhecimento do seu direito creditório e de homologação da compensação e solicita a decretação de nulidade do despacho decisório, repisando os mesmos argumentos de defesa, sendo acrescentados os seguintes: a) a decisão recorrida não afirmou em nenhum momento que o crédito não existiria, tendo apenas alegado que ele não teria sido adequadamente comprovado, o que não se sustenta, bem como que a autoridade administrativa "poderia", mas não estava obrigada a realizar diligências para verificar a exatidão das informações prestadas pela Recorrente — diligências essas que, muito a propósito, não foram realizadas no caso concreto; b) nulidade do Despacho Decisório por ter se limitado a indeferir a compensação com base em suposta inexistência do crédito, sem mesmo o Recorrente ter sido intimado para apresentar os documentos comprobatórios dos créditos declarados ou determinado a realização de diligências em seu estabelecimento; c) o art. 4º da IN SRF nº 600/2005, ao estabelecer que a autoridade administrativa "pode" condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos e realização de diligências, em nenhum momento deu poder à autoridade Fl. 232DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS 4 administrativa para negar sumariamente o direito de crédito, sem realizar prévia investigação deste; d) os documentos apresentados na primeira instância e não acolhidos pela Delegacia de Julgamento, sob a alegação de não conter os elementos mínimos necessários, foram entregues juntamente com a Manifestação de Inconformidade, esta subscrita por representante legal da pessoa jurídica, atestando, implicitamente, a veracidade das informações ali contidas; e) “Não atribuir valor probatório aos documentos juntados à Manifestação de Inconformidade é partir do pressuposto de que a Recorrente os fraudou, com o objetivo de criar direito de crédito artificial, situação essa que não pode ser tolerada”. Junto à peça recursal, o contribuinte traz aos autos cópias de documentos por ele identificados como (i) “demonstrativo de composição da base de cálculo”, (ii) balancetes idênticos aos anteriormente juntados à Manifestação de Inconformidade, mas contendo os elementos que a decisão recorrida reputou essenciais, a saber: o nome e assinatura do contabilista responsável, sua categoria profissional e registro no CRC”, (iii) “demonstrativo das Notas Fiscais que não deveriam ter sido incluídas na base de cálculo, (...) com indicação de seus respectivos valores contábeis e Códigos Fiscais de Operação ("CFOP")” e (iv) Termo de Abertura, Termo de Encerramento e páginas do Livro Registro de Saídas em que as referidas Notas Fiscais foram lançadas”. Em 28 de setembro de 2011, o contribuinte protocolizou no CARF pedido de julgamento em conjunto de 78 processos versando sobre o mesmo objeto, qual seja, o direito a crédito da contribuição para o PIS e da Cofins decorrente da inclusão indevida na base de cálculo do valor das mercadorias saídas do estabelecimento a título gratuito. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos sobre Pedido de Restituição cumulado com Declaração de Compensação (PER/DCOMP), não acatados pela Receita Federal por se referir a pagamento integralmente utilizado na quitação de outro débito do sujeito passivo. Quanto ao pedido de julgamento em conjunto de todos os 78 processos do Recorrente versando sobre o mesmo objeto, há que se registrar que as disposições regimentais que cuidam da distribuição e do sorteio de processos para julgamento no CARF não determinam providências nesse sentido, havendo previsão de sorteio de no máximo 15 processos por lote, condição essa que impossibilita o atendimento do pleito. I. Preliminar. Nulidade do despacho decisório. Quanto à preliminar de nulidade do despacho decisório, devese ressaltar, de pronto, que a decisão proferida pela repartição de origem, por meio eletrônico, se dera com Fl. 233DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.962350/200812 Acórdão n.º 3803003.556 S3TE03 Fl. 232 5 base nas informações prestadas pelo próprio sujeito passivo quando da entrega do PER/DCOMP e da DCTF original. Todas as informações necessárias à formalização da decisão já se encontravam disponíveis, todas elas fornecidas pelo próprio sujeito passivo, quais sejam: (i) o pagamento efetuado (DARF), (ii) o Pedido de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) e (iii) a DCTF contendo os dados relativos a débitos e créditos. Quando a Administração tributária encontrase em condições de lavrar os atos de sua competência com base nas informações fornecidas pelo sujeito passivo e alimentadas em seus sistemas informatizados, inexiste necessidade de se proceder a novas coletas, ao contrário do alegado pelo Recorrente; pois, quando todos os dados necessários à análise já se encontram disponíveis, ao agente público não é deferido o direito de procrastinar a sua atividade vinculada e obrigatória, sob pena de violação dos princípios da legalidade, da eficiência e da oficialidade. Não se pode perder de vista que a fase litigiosa do Processo Administrativo Fiscal (PAF) iniciase com a Impugnação, que corresponde à fase de Manifestação de Inconformidade nos processos relativos à compensação tributária, por força do contido no art. 74, § 11, da Lei nº 9.430/1996 e no art. 14 do Decreto nº 70.235/1972, de sorte que, durante a fase que antecede o litígio, dispondo a Administração dos dados necessários à produção do ato administrativo, não se exigem intimações prévias, salvo quando imprescindíveis, o que não corresponde ao presente caso. Outro não é o entendimento que se extrai do contido na súmula CARF nº 46, em que consta que “[o] lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário”. Ainda que o presente processo não se refira à constituição de crédito tributário, a intelecção que se obtém da súmula pode muito bem ser a ele estendida, pois se para lançar de ofício um tributo a intimação prévia pode ser dispensada, muito mais isso poderá ocorrer nos casos de apreciação de pedidos do contribuinte, cujo direito compete a ele comprovar. Dessa forma, não se vislumbra neste processo qualquer cerceamento ao direito de defesa do Recorrente, pois, desde o seu início, ele tem se manifestado na defesa do direito de que se acha detentor, não tendo lhe sido negadas quaisquer das garantias asseguradas pela legislação processual. Diante do exposto, afasto a preliminar de nulidade arguida. II. Mérito. Origem do crédito. No mérito, registrese que o contribuinte, em sua Manifestação de Inconformidade – que corresponde à fase de Impugnação prevista no PAF, por força do disposto no art. 74, § 11, da Lei nº 9.430/1996 –, alegou que o crédito pleiteado se referia à parcela da contribuição indevidamente declarada e paga, pois que relativa a saídas gratuitas (brindes), que não se encontram abrangidos pela receita ou faturamento, base de cálculo da contribuição, inocorrendo, nos casos da espécie, o fato gerador do tributo. Para comprovar os referidos valores dos brindes, o contribuinte trouxe aos autos, na fase de impugnação, um demonstrativo extremamente resumido, de uma folha, Fl. 234DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS 6 contendo valores globais de quatro contas, assim como uma relação por ele intitulada “balancete”, esta em duas folhas, contendo a identificação de algumas contas e colunas de débitos e créditos, elementos esses que foram considerados pela autoridade julgadora de primeira instãncia, no meu entender corretamente, como insuficientes para comprovar o direito reclamado. Não trouxe o contribuinte aos autos a escrituração contábilfiscal, nem as notas fiscais, estas indispensáveis para se verificar a forma como as mercadorias tidas como brindes deram saída do estabelecimento. Em razão da total falta de prova, além da não entrega, ainda que após o despacho decisório, da DCTF retificadora, evidenciouse flagrante descaso do interessado no que tange à comprovação de seu alegado direito. Devese ressaltar que demonstrativos elaborados pelo próprio contribuinte não têm o condão de substituir as provas próprias do processo administrativo fiscal, ainda mais quando desacompanhados dos documentos em que constam, originalmente, as informações a que fazem referência. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal, inexistindo, nos casos da espécie, autorização legal para a inversão do ônus da prova, como pretende o Recorrente, ao insinuar que a autoridade administrativa competente deveria ter cumprido sua obrigação legal de diligenciar junto ao estabelecimento para apurar a real extensão da contribuição devida. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 235DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.962350/200812 Acórdão n.º 3803003.556 S3TE03 Fl. 233 7 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Com base no excerto supra, é possível concluir que o interessado, tendo em vista o duplo grau de jurisidição, deveria ter produzido a prova de suas alegações na fase de Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão. Não se pode ignorar que informação não suscitada na primeira instância administrativa, momento em que se instaura a fase litigiosa do PAF, vindo a ser demandada apenas na peça recursal, constitui matéria preclusa da qual não se toma conhecimento; precipuamente nos casos de pedidos de ressarcimento/restituição e de declarações de compensação, em que o interessado tem o dever de comprovar o direito pleiteado, sendo o procedimento administrativo da espécie inaugurado pelo próprio sujeito passivo, cabendolhe o ônus de comprovar sua alegação. A Lei nº 9.784/1999, que disciplina o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, em seu art. 3º, inciso III, estipula que o administrado tem direito de apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; contudo, tal dispositivo não se sobrepõe à regra do referido art. 16 do PAF, pois, conforme consta do art. 69 da Lei nº 9.784/1999, esta se aplica apenas subsidiariamente ao processos administrativos específicos regidos por lei própria. Nos casos de lançamento de ofício de crédito tributário, em que a Administração tributária exige do contribuinte determinado tributo e seus acréscimos legais, a ela – Administração tributária – cabe o ônus da prova, pois que o processo se inicia a partir de sua atuação, devendo, por conseguinte, o lançamento se encontrar embasado em elementos probatórios consistentes do descumprimento da obrigação tributária. Diferentemente dessa situação, temse o processo inaugurado por pedido do próprio interessado, pois aqui cabe a ele, e não à Administração tributária que o apreciará, explicitar e comprovar o direito pleiteado. Conforme nos ensina José Antônio Savaris1, a exigência de um prazo previamente estabelecido para a apresentação de provas não afronta o direito de ampla defesa, pois a preclusão se afigura indispensável ao devido processo legal, configurandose a ampla defesa como direito vasto ou de grande extensão e não como um direito irrestringível. Não existem direitos absolutos, devendo todos os direitos e as garantias assegurados pela ordem jurídica ser compreendidos em conjunto e dialogicamente. Os princípios da verdade material e da ampla defesa devem ser sopesados dialeticamente com os princípios da celeridade processual, da eficiência, da oficialidade, dentre outros, na tarefa de se reconstruir os fatos sob análise no processo. “De acordo com Marcos Vinicius Neder, a concentração dos atos em momentos processuais oportunos tem a finalidade de proteger o Estado contra a protelação injustificada do processo, como a proposição ilimitada de alegações, a nãoobservância das fases lógicas do procedimento ou a ocultação proposital dos fatos pelo contribuinte em determinada fase processual, para a sua apresentação em momento posterior. A criação de 1 SAVARIS, José Antônio. O processo administrativo tributário e a Lei 9.784/99. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, n. 94, p. 7997, julho 2003. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS 8 regras de preclusão probatória, pois, decorre da necessidade de se garantir o andamento lógico do processo” 2. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio Recorrente, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à preponderância do princípio da verdade material sobre, por exemplo, o princípio constitucional da celeridade processual (art. 5º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal de 1988). Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, “prevalece o princípio do dispositivo, de modo que a atividade probatória deve se desenvolver dentro dos limites do pedido formulado pelo contribuinte. O regime jurídico da prova nesta classe de processos administrativos tributários aproximase muito mais do regime jurídico da prova do processo civil, com as peculiaridades decorrentes do fato de que a prova é produzida e apreciada no âmbito administrativo” 3 Nos processos de restituição e compensação, “vige a regra geral de distribuição do ônus da prova prevista no art. 333 do CPC, pela qual cabe ao autor a prova dos fatos constitutivos do seu direito e ao réu a prova dos fatos impeditivos, modificativos e extintivos do direito do autor” (idem). Provas trazidas aos autos a destempo somente podem ser acatadas se devidamente justificada e fundamentada a razão de sua intempestividade. As exceções previstas no § 4º do art. 16 do PAF, supra reproduzidos, não se aplicam ao presente processo, pois não se trata de (i) impossibilidade de apresentação de provas por motivo de força maior, (ii) de fato ou direito superveniente ou (iii) de prova destinada a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. O ora Recorrente deveria ter apresentado, desde o primeiro momento de sua manifestação nos autos, os documentos necessários à demonstração do direito creditório, mas assim não procedeu, não havendo, conforme já afirmado, previsão legal para a inversão do ônus da prova. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte traz aos autos novos elementos que, segundo ele, não deixariam dúvidas quanto ao seu direito. Contudo, ainda que se abstraísse da preclusão consumativa, tais elementos não seriam suficientes para comprovar o indébito alegado. O denominado “demonstrativo de composição da base de cálculo” é o mesmo que havia sido apresentado na primeira instância, havendo nele informações que mais confundem do que esclarecem. Ali são identificados valores globais sob as seguintes rubricas: 2 NEDER, Marcos Vinicius; LÓPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo administrativo fiscal federal comentado. 2. ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 65 e 205. In: BIANCHINI, Marcela Cheffer. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo tributário e os princípios da verdade material e da ampla defesa. Brasília: ESAF, 2008, p. 25. Disponível em: www.esaf.fazenda.gov.br/ esafsite/biblioteca/monografias/marcela_cheffer.pdf. Consulta realizada em 3 de setembro de 2012) 3 BIANCHINI, Marcela Cheffer. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo tributário e os princípios da verdade material e da ampla defesa. Brasília: ESAF, 2008, p. 25. (Disponível em: www.esaf.fazenda.gov.br/ esafsite/biblioteca/monografias/marcela_cheffer.pdf. Consulta realizada em 3 de setembro de 2012). Fl. 237DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.962350/200812 Acórdão n.º 3803003.556 S3TE03 Fl. 234 9 “débito apurado”, “suspensão”, “pagamento”, “saídas grátis eletrodomésticos”, “saídas grátis assistência técnica”, “saídas grátis importados”, “saídas grátis diversas diversos”, “devoluções”, “total”, “valor apurado”, “correção” etc., sem haver qualquer explicitação quanto à origem de tais valores. No Recurso Voluntário, a relação que havia sido identificada como “balancete” na Manifestação de Inconformidade foi substituída por uma outra denominada “Relatório Notas Fiscais Saídas”, sendo relacionados vários números de notas fiscais, o estabelecimento emissor, a data de emissão, o CFOP, o valor contábil, o nº do livro e a página, sendo que as referidas notas fiscais não foram apresentadas nem mesmo por amostragem, ainda que apenas uma delas. Não se pode ignorar que tal documento (a nota fiscal) é imprescindível para se aferir a natureza da saída da mercadoria, precipuamente nos casos de saídas gratuitas. Se o contribuinte havia incluído as alegadas notas fiscais relativas a brindes no cômputo da receita bruta para fins de apuração da contribuição, é porque tais notas foram emitidas com um determinado valor, sem o qual inexistiria possibilidade de sua inserção no faturamento. Nessa situação, a apresentação da cópia da nota fiscal tornase condição sine qua non à comprovação pretendida, pois somente conhecendo o seu teor, pode se constatar a natureza e a extensão da operação. O mesmo se diga em relação ao livro Registro de Saídas, cuja cópia foi trazida aos autos juntamente com a peça recursal. Nele, além das informações constantes do relatório supra, há a indentificação dos débitos de IPI e de ICMS incidentes em cada operação, dados esses que nada acrescem à defesa do Recorrente, pois que, reafirmese, desacompanhados dos documentos a que fazem referência, quais sejam, as notas fiscais respectivas. Conforme preceitua o parágrafo único do art. 195 do Códito Tributário Nacional (CTN), evidenciando a necessidade de apresentação dos documentos fiscais que embasam os registros contábeis, “[os] livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram”. Nesse contexto, mostrase oportuno e esclarecedor o seguinte excerto extraído da obra “Processo administrativo federal” de autoria de Rodrigo Francisco de Paula, editora Dey Rey, Belo Horizonte, 2006, páginas 153 a 154: Dessa feita, em muitas situações, a mera alegação não se apresenta suficiente. É necessário conferirlhe grau substancial de veracidade, com elementos que revelem liame entre o alegado e o ocorrido. Assim, o impugnante deve se desimcumbir de sua tarefa de comprovar o que alega, para que suas alegações se revistam de um tônus diverso do meramente protelatório, já que a impugnação administrativa suspende a exigibilidade do crédito tributário. A defesa genérica não é apta a favorecer a defesa do ora Recorrente e, inexistindo prova material do direito pleiteado, não se vislumbra necessidade de se enfrentar o mérito, ou seja, as razões de direito alegadas, pois ainda que favoráveis à tese do interessado (não incidência da contribuição sobre brindes), quando desacompanhadas dos elementos Fl. 238DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS 10 fáticos comprobatórios da ocorrência do evento, em nada favorecem a defesa da parte, dada a sua inocuidade. Nesse sentido, dada a ausência de comprovação, com documentação hábil, do indébito alegado, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 239DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.962350/200812 Acórdão n.º 3803003.556 S3TE03 Fl. 235 11 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10880.962350/200812 Interessada: ARNO S/A (SUCEDIDA PELA EMPRESA GRUPO SEB DO BRASIL PRODUTOS DOMÉSTICOS LTDA.) Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 3803003.556, de 27 de setembro de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 27 de setembro de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 240DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10880.900383/2010-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Oct 21 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 1401-000.754
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Eduardo Morgado Rodrigues, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Nelso Kichel, Letícia Domingues Costa Braga, Cláudio de Andrade Camerano e Carlos André Soares Nogueira.
Nome do relator: LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Eduardo Morgado Rodrigues, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Nelso Kichel, Letícia Domingues Costa Braga, Cláudio de Andrade Camerano e Carlos André Soares Nogueira.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Eduardo Morgado Rodrigues, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Nelso Kichel, Letícia Domingues Costa Braga, Cláudio de Andrade Camerano e Carlos André Soares Nogueira. Relatório Por bem expor o caso dos autos, reproduzo abaixo relatório da Delegacia de origem complementando-o a seguir: Trata o presente processo das compensações declaradas por meio dos PER/DCOMP’s a seguir relacionados (fls. 02-60), com utilização do direito creditório de R$ 434.663,65 de saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2003: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 00 38 3/ 20 10 -9 3 Fl. 935DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 1401-000.754 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900383/2010-93 2. A DERAT/São Paulo, por meio do despacho decisório proferido em 22/01/2010 (fls. 62-74), rastreamento nº 855630657, não reconheceu o direito creditório pleiteado em face de o montante das parcelas de composição do crédito confirmadas (R$ 530.185,07) não ser suficiente sequer para quitar o imposto devido (R$ 536.519,67): 3. Em consequência, restaram não homologadas as compensações declaradas nos autos. Fl. 936DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 1401-000.754 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900383/2010-93 4. Regulamente cientificado por via postal em 02/02/2010 (AR às fls. 75-76), a reclamante, por intermédio de seu representante legal (mandato às fls. 98-99), apresentou, em 03/03/2010, a tempestiva manifestação de inconformidade de fls. 77- 81, instruída com os documentos de fls. 82-535, cujo teor é sintetizado a seguir: a) alega que teve seu direito à compensação dos débitos de estimativa dos meses de janeiro a abril/2003, com crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ de períodos anteriores a 2003, indevidamente negado nos autos do processo nº 11610.006952/2003-26, razão pela qual apresentou manifestação de inconformidade; b) esclarece que, na condição de agência de publicidade, é responsável pelo pagamento do imposto de renda e envio do informe para o contratante do serviço (anunciante), que deve prestar a informação correspondente em sua DIRF; contudo, as retenções não foram totalmente informadas pelos anunciantes, prejudicando sua utilização na formação do saldo negativo em análise. Quando do julgamento de sua manifestação de inconformidade, não foi reconhecido o direito creditório pleiteado restando a decisão ementada da seguinte forma: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo comprovação do direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se confirmar a não homologação da compensação declarada nos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão, interpôs a Contribuinte recurso a esse Conselho alegando em síntese: 01) Homologação tácita – que o despacho decisório expedido em 22/01/2010 que não reconheceu os pedidos de compensação de transmitidas em 15/03/2004, 01/04/2004, 12/04/2004 e 30/04/2004, excedeu o prazo de 05 anos violando o art. 74, da Lei 9.430/96, §5º. 02) No mérito 2.1) que a pretensão de recorrente é compensar estimativas referente ao período de apuração de janeiro, fevereiro e março de 2004 com saldo negativo de IRPJ de 2003. 2.2) Que foi apurado o valor de R$434.663,65 concernente ao saldo negativo de IRPJ. 2.3) Que a recorrente utilizou para liquidação dos valores de estimativas de IRPJ dos meses de janeiro a abril/2003 pedidos de compensação do processo n. 11610.0006952/2003-26. Fl. 937DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 1401-000.754 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900383/2010-93 2.4) Que com relação ao IRRF, a recorrente é responsável pelo recolhimento, mas não tem meios coercitivos para que seus clientes apresentem as DIRF´s, e que possui todos os DARF´s de recolhimentos. Somando-se os valores, como demonstram os comprovantes de arrecadação anexados aos autos tem-se o valor de R$96.539,48,. 2.5) Que é direito da recorrente ter restituído e compensado o seu crédito. Este é o relatório do essencial. VOTO Conselheira Letícia Domingues Costa Braga, Relatora. O recurso é tempestivo e dele conheço. I – Preliminar de homologação tácita Argui a contribuinte que ocorreu a homologação tácita das PERDCOMPS. Cabe em primeiro lugar ressaltar que o presente processo abarca os seguintes PERDCOMPs, transmitidos nas seguintes datas: Veja-se que as PERDCOMP´s foram enviadas em datas diversas e que o despacho decisório as analisou em conjunto, e que a Contribuinte somente foi cientificada da decisão em 02/02/2010. Assim, efetivamente transcorrido o interregno de 05 anos, operando-se a homologação tácita das PERDCOMPS transmitidas de 03/2004 a 30/04/2004. A questão específica envolve a restituição e compensação de tributos e contribuições e, no caso, a aplicação do art. 74, § 5°, da Lei 9.430/96, com as alterações da MP n° 135 de 30/10/2003, convertida em lei por intermédio da Lei n° 10.833 de 29/12/2003, in verbis: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 5° O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.” Fl. 938DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 da Resolução n.º 1401-000.754 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900383/2010-93 Deste modo deve se aplicar os efeitos do § 5º, do mesmo artigo, pelo qual as declarações de compensação pendentes de apreciação a mais de cinco anos consideram-se tacitamente homologadas. Entender-se de forma diversa, implicaria em negar validade à aplicação da norma do § 4º, do art. 74, da lei nº 9.430/96 aos pedidos de compensação que foram regularmente apresentados. Na relação entre o fisco e o contribuinte, cabe à administração tributária, no exercício de sua atividade fiscalizadora, acompanhar as atividades dos contribuintes, e, em especial, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. É próprio desta espécie de lançamento o acompanhamento por parte do fisco e, neste caso, foi fixado no Código Tributário Nacional, art. 150, § 4°, que o prazo é de 5 anos da ocorrência do fato gerador para que a administração tributária proceda a fiscalização. Transcorrido esse lapso temporal, sem que ela tenha se pronunciado, considera-se que o lançamento foi homologado e extinto o direito do fisco. E isto aplica-se a todas as formas extintivas de débitos tributários, inclusive, portanto, à compensação tributária (de acordo com o disposto no art. 156 do Código Tributário Nacional). Fica claro que o disposto no art. 74, § 5°, da Lei n° 9.430/1996, com a redação dada pela MP n° 135/2003, contempla exatamente o disposto no Código Tributário Nacional em seu art. 150, §4°. Este diploma legal, na condição, em termos formais e axiológicos, de Lei Complementar, é o diploma legal adequado para dispor sobre a extinção do crédito tributário. Neste entendimento, a Secretaria da Receita Federal, por intermédio da sua coordenação-Geral de Tributação, editou a Solicitação de Consulta Interna n° 01, de 04 de janeiro de 2006, da seguinte forma: ASSUNTO : Homologação tácita de compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação. EMENTA : Pedido de compensação convertido em declaração de compensação. Prazo de cinco anos para homologação tácita da compensação. Inexistência de homologação tácita para pedidos de compensação não convertidos em declaração de compensação. Obrigatoriedade de exame do pedido de restituição. Cabimento de manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do crédito objeto do pedido de restituição. O prazo para a homologação de compensação requerida à Secretaria da Receita Federal tem sua contagem iniciada na data do protocolo do pedido de compensação convertido em declaração de compensação. Será considerada tacitamente homologada, mediante despacho proferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal, a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito. (grifou-se) Assim, esse Conselho já reconheceu por inúmeras vezes a homologação tácita, não restando quaisquer dúvidas sobre a matéria, conforme abaixo: Acórdão n° 10323.373 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Fl. 939DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 da Resolução n.º 1401-000.754 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900383/2010-93 Ano-calendário: 1999, 2000 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO EM PERDCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Conforme § 4º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002, os pedidos de compensação pendentes de apreciação em 01/10/2002 convertem-se em Dcomp para efeitos de aplicação das regras do mencionado artigo. Sob esse prisma, nos termos do § 5º do dispositivo em referência, o prazo para homologação da compensação declarada é de 5 (cinco) anos contado da data da protocolização do pedido. Decorrido esse prazo sem manifestação da autoridade competente, considera-se tacitamente homologada a compensação efetuada. Publicado no D.O.U. nº 114 de 17 de junho de 2008. Nesse sentido, tendo em vista que alguns dos pedido de compensação ocorram em 2004 e o somente em 2010 foi proferida decisão, transcorrido mais de 05 anos decorreu-se a homologação tácita da compensação, não sendo possível qualquer negativa de reconhecimento da compensação realizada pela Contribuinte com relação às PERDCOMP´s transmitidas em 2003. Entretanto, cumpre observar que esse crédito será consumido e, portanto, para que quaisquer novos valores sejam compensados com a PERDCOMP transmitida em 2008, necessário que o crédito ultrapasse o valor consumido pelas outras transmitidas em 2004. II – Das retenções na fonte DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE Como bem explicado pela Contribuinte, os valores recolhidos a título de IRRF, no caso da recorrente, é atribuído à própria recorrente por força da Lei n.º 7.450/85, art. 53, inciso II e parágrafo único. A não confirmação dos valores, de acordo com o despacho decisório, ocorreu pois as DIRF´s de seus clientes não foram localizadas/apresentadas. Tratou a contribuinte de juntar aos autos todas as DARF´s de pagamento, sendo que a soma dos valores retidos totaliza R$96.539,48. Entretanto, como não há nos autos as DIRF´s das tomadoras de serviço, seria necessário que a contribuinte demonstrasse também, quais os valores foram recebidos, de que empresa e, ainda que fosse demonstrado se os valores recebidos foram oferecidos à tributação. Sem essa comprovação impossível o reconhecimento do crédito pleiteado. Assim, proponho a conversão do presente julgamento em diligência para que os autos sejam remetidos à unidade de origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil para que a autoridade administrativa possa proceder às seguintes verificações: 1- intimar a contribuinte para juntar aos autos a comprovação de quais valores foram recebidos e em que data e, ainda a comprovação de que tais valores foram oferecidos à tributação ; Fl. 940DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 da Resolução n.º 1401-000.754 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900383/2010-93 2- após a juntada dos documentos, fazer relatório demonstrando quais os valores foram retidos e se os valores foram oferecidos à tributação. 3 - A contribuinte deve ser intimada para se manifestar sobre o resultado da diligência no prazo de 30 (trinta) dias. Após, os autos deverão retornar para julgamento. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Fl. 941DF CARF MF Documento nato-digital
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