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Numero do processo: 13501.000373/2010-61
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Fri Sep 08 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2008
EMENTA
DEDUÇÃO. DESPESAS COM DEPENDENTES. PRETENSÃO DE UNIR AS VANTAGENS DOS REGIMES PRÓPRIOS À DEPENDÊNCIA E AO PAGAMENTO (E NÃO RECEBIMENTO) DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. MANUTENÇÃO DAS GLOSAS.
Em regra, os regimes de dedução pertinentes às despesas com dependentes e com o pagamento de pensão alimentícia são inconfundíveis e não permitem a sobreposição das vantagens inerentes a cada um deles.
Para a criação de regimes híbridos que permitam a sobreposição das vantagens próprias a cada um deles, sem o carregamento das contrapartidas, faz-se necessário realizar controle de constitucionalidade, para o qual este Colegiado não tem competência.
Como o recorrente declarou o pagamento de valores a título de pensão alimentícia judicial, ele não pode deduzir valores ordinários pagos no âmbito da relação de dependência.
Numero da decisão: 2001-005.999
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Honorio Albuquerque de Brito - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente).
Nome do relator: THIAGO BUSCHINELLI SORRENTINO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2008 EMENTA DEDUÇÃO. DESPESAS COM DEPENDENTES. PRETENSÃO DE UNIR AS VANTAGENS DOS REGIMES PRÓPRIOS À DEPENDÊNCIA E AO PAGAMENTO (E NÃO RECEBIMENTO) DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. MANUTENÇÃO DAS GLOSAS. Em regra, os regimes de dedução pertinentes às despesas com dependentes e com o pagamento de pensão alimentícia são inconfundíveis e não permitem a sobreposição das vantagens inerentes a cada um deles. Para a criação de regimes híbridos que permitam a sobreposição das vantagens próprias a cada um deles, sem o carregamento das contrapartidas, faz-se necessário realizar controle de constitucionalidade, para o qual este Colegiado não tem competência. Como o recorrente declarou o pagamento de valores a título de pensão alimentícia judicial, ele não pode deduzir valores ordinários pagos no âmbito da relação de dependência.
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DESPESAS COM DEPENDENTES. PRETENSÃO DE UNIR AS VANTAGENS DOS REGIMES PRÓPRIOS À DEPENDÊNCIA E AO PAGAMENTO (E NÃO RECEBIMENTO) DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. MANUTENÇÃO DAS GLOSAS. Em regra, os regimes de dedução pertinentes às despesas com dependentes e com o pagamento de pensão alimentícia são inconfundíveis e não permitem a sobreposição das vantagens inerentes a cada um deles. Para a criação de regimes híbridos que permitam a sobreposição das vantagens próprias a cada um deles, sem o carregamento das contrapartidas, faz-se necessário realizar controle de constitucionalidade, para o qual este Colegiado não tem competência. Como o recorrente declarou o pagamento de valores a título de pensão alimentícia judicial, ele não pode deduzir valores ordinários pagos no âmbito da relação de dependência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honorio Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 1. 00 03 73 /2 01 0- 61 Fl. 72DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-005.999 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13501.000373/2010-61 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente). Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Trata-se de impugnação apresentada pela pessoa física em epígrafe em 06/08/2010 (fl. 01), contra a Notificação de Lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 22/29), da qual o contribuinte foi cientificado em 09/07/2010 (fl. 39), que apurou o saldo de imposto de renda a pagar no valor de R$ 8.182,83, acrescido de multa de ofício e juros de mora, resultante da revisão da Declaração de Ajuste Anual do IRPF (DIRPF), exercício 2009, ano-calendário 2008. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal da Notificação de Lançamento, apurou-se as infrações a seguir listadas: Nr Infração Valor Motivação 1 Dedução Indevida com Previdência Privada e Fapi 5.284,15 Não comprovado 2 Dedução Indevida com Dependentes 8.279,40 Não comprovado 3 Dedução Indevida com Desp Instrução 13.761,87 Não comprovado 4 Dedução Indevida com Despesas Médicas 15.490,00 Vide quadro a seguir Despesas Médicas Glosadas Nr Profissional Valor Glosado Motivação 1 Bradesco Saude 4.885,78 Comprovação parcial 2 Amil 4.456,58 Não Comprovou 3 Odonto System Planos 1.385,50 Comprovação parcial 4 Real Sociedade Portuguesa 4.762,14 Não Comprovou O contribuinte concorda com as infrações lançadas de Dedução Indevida com Previdencia Privada e Fapi, Despesas Com Instrução, Despesas Médicas e parcialmente quanto a 3 dependentes. Questiona a glosa relativa às dependentes Jamile de Araujo Silva e Juliana de Araujo Silva, junta os documentos de fls. 02/21. A impugnação atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72 e alterações posteriores e dela toma-se conhecimento. Restou caracterizada a ausência do contraditório, nos termos do art. 58 do Decreto nº 7.574/2011 a seguir transcrito, parcialmente quanto às glosas de Despesas com Dedução Indevida com Previdencia Privada e Fapi, Despesas Com Instrução, Despesas Médicas e parcialmente quanto a 3 dependentes. “Art. 58. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 17, com a redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997, art. 67). O imposto de renda relativo a matéria não impugnada foi calculado conforme quadro a seguir: Fl. 73DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-005.999 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13501.000373/2010-61 DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO IMPOSTO A PAGAR Valores 1) Total dos Rendimentos Tributáveis Declarados 102.841,50R$ 2) Omissão de Rendimentos Apurada -R$ 3) Total das Deduções Declaradas 74.523,93R$ 4) Glosa de Dedução de Dependente 4.967,64 5) Glosa de Dedução de Despesas Médicas 15.490,00R$ 6) Glosa de Dedução Indevida de Previdência Privada e Fapi 5.284,15R$ 7) Glosa da Dedução de Despesas com Instrução 13.761,87R$ 8) Glosa de Dedução Indevida de Previdência Oficial -R$ 9) Glosa de Dedução de Pensão Alimentícia 10) Prev. Oficial sobre Rendimento Omitido 11) Base de Cálculo Apurada (1+2-3+4+5+6+7+8+9-10) 67.821,23R$ 12) Alíquota % (conforme Tabela Progressiva Anual) 27,5 13) Parcela a deduzir do imposto (conforme Tabela Progressiva Anual) 6.585,93R$ 14) Imposto Apurado após o Julgamento (11*12-13) 12.064,91R$ Ded. Inc. e/ou cont. prev. Emp. doméstico -R$ 15) Total de Imposto Pago Declarado 4.792,81R$ 16) Glosa de Imposto Pago -R$ 17) IRRF sobre infração e/ou Carnê-Leão Pago -R$ 18) Saldo do Imposto a Pagar Apurado após o Julgamento (14-15+16-17) 7.272,10R$ Descrição O imposto de renda no valor de R$ 5.905,99 foi apartado no Processo Administrativo n 13501-000.379/2010-39, embora o impugnante tenha questionado apenas a glosa relativa a duas dependentes, o cálculo efetuado não levou em conta a totalidade da matéria não impugnada, devendo a diferença de R$ 1.366,11 ser objeto de cobrança imediata Passa-se a análise da glosa das dependentes JAMILE DE ARAUJO SILVA E JULIANA DE ARAUJO SILVA. Despesas com Dependente Acerca da dedução de dependentes, reproduzimos, a seguir, o art. 77 do RIR/99: Art. 77. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida do rendimento tributável a quantia equivalente a noventa reais por dependente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso III). § 1º Poderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nos arts. 4º, § 3º, e 5º, parágrafo único (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35): I – o cônjuge, II - o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III - a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até vinte e um anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV - o menor pobre, até vinte e um anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V - o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até vinte e um anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI - os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII - o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. § 2 º Os dependentes a que referem os incisos III e V do parágrafo anterior poderão ser assim considerados quando maiores até vinte e quatro anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau (Lei n º 9.250, de 1995, art. 35, § 1 º ). § 3 º Os dependentes comuns poderão, opcionalmente, ser considerados por qualquer um dos cônjuges (Lei n º 9.250, de 1995, art. 35, § 2 º ). § 4 º No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei n º 9.250, de 1995, art. 35, § 3 º ). grifei § 5 º É vedada a dedução concomitante do montante referente a um mesmo dependente, na determinação da base de cálculo do imposto, por mais de um contribuinte (Lei n º 9.250, de 1995, art. 35, § 4 º ). Fl. 74DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-005.999 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13501.000373/2010-61 De acordo com o Acordo de Alimentos homologado judicialmente, juntado às fls. 06/17, as filhas JAMILE DE ARAUJO SILVA E JULIANA DE ARAUJO SILVA não ficaram sob a guarda do impugnante, e, portanto, não podem ser consideradas suas dependentes. Diante de todo exposto, voto pela IMPROCEDÊNCIA da impugnação, mantendo o lançamento de imposto a pagar no valor de R$ 8.182,83, mais Multa de Ofício e Juros de Mora, salientando que deste valor a importância de R$ 7.272,10, que se refere a matéria não impugnada, foi parcialmente apartada no processo administrativo nº 13501.000379/2010-39 (cf Termo de Transferência de Crédito Tributário de fl. 44) no valor de R$ 5.905,99, devendo a diferença de R$ 1.366,11 ser objeto de cobrança imediata. A decisão de primeira instância manteve o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2008 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera-se não impugnada a matéria para a qual não haja expressa contestação pelo sujeito passivo. DEDUÇÕES. DEPENDENTES. PAIS SEPARADOS No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente Cientificado da decisão de primeira instância em 12/09/2014, o sujeito passivo interpôs, em 14/10/2014, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que a relação de dependência está comprovada nos autos. É o relatório. Voto Conselheiro(a) Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a) O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. A questão de fundo devolvida a este Colegiado consiste em decidir-se se o recorrente pode mesclar os regimes próprios à dependência e ao pagamento de alimentos, para compor o valor devido a título de IRPF. O recorrente afirma que permaneceu casado com a mãe de seus filhos, e que todos conviviam em unidade familiar ordinária, com a submissão da prole à responsabilidade (“guarda”) direta do contribuinte (fls. 61) 1 . 1 "Não houve de fato separação dos conjugues Evaldo de Jesus Silva e Nilza de Araújo Silva, o contribuinte visando independência financeira da companheira permitiu de forma espontânea o desconto mensal correspondente a 50% dos seus vencimentos. Conforme documentação em anexo, comprova que casal mantém união estável e detém guarda das filhas Jamile e Juliana, o que na época eram totalmente dependentes do contribuinte." Fl. 75DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2001-005.999 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13501.000373/2010-61 Dada a persistência da guarda, o recorrente entende que a relação de dependência para fins tributários que a enlaça às filhas deveria ser reconhecida. Porém, lê-se à fls. 35 que o recorrente declarou pagamentos à mãe de suas filhas, classificados como “pensão alimentícia judicial” (código 30). A certidão de fls. 63 registra que a pensão seria devida às respectivas filhas. Sem a realização de controle de constitucionalidade, é impossível criar regime híbrido, que contemple as deduções tanto do pagamento ou do recebimento de pensão alimentícia, em conjunção às deduções próprias ao regime de dependência. Porém, este Colegiado é incompetente para declarar omissões constitucionais ou dar aos textos legais interpretação conforme a Constituição (Súmula CARF 02). Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e NEGO-LHE PROVIMENTO. É como voto. (documento assinado digitalmente) Thiago Buschinelli Sorrentino Fl. 76DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10715.726889/2013-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue Sep 05 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2008
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA ADMINISTRATIVA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA NA FORMA E PRAZO ESTABELECIDOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÃO.
A multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alínea e do Decreto-Lei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/2003 pela não prestação de informação sobre veículo ou carga nele transportada, na forma e prazo estabelecidos pela IN RFB nº 102/1994 por cada informação não prestada ou prestada em desacordo com a forma ou prazo estabelecidos pela mesma norma. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa, consoante entendimento externado pela Solução de Consulta Interna COSIT nº 02/2016.
Numero da decisão: 3301-012.616
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao seu recurso voluntário, para exonerar o crédito tributário constituído. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-012613, de 27 de junho de 2023, prolatado no julgamento do processo 10715.722910/2013-77, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe - Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente), Ari Vendramini, Laercio Cruz Uliana Junior, José Adão Vitorino de Morais, Jucileia de Souza Lima, Sabrina Coutinho Barbosa e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: RODRIGO LORENZON YUNAN GASSIBE
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2008 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA ADMINISTRATIVA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA NA FORMA E PRAZO ESTABELECIDOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÃO. A multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alínea e do Decreto-Lei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/2003 pela não prestação de informação sobre veículo ou carga nele transportada, na forma e prazo estabelecidos pela IN RFB nº 102/1994 por cada informação não prestada ou prestada em desacordo com a forma ou prazo estabelecidos pela mesma norma. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa, consoante entendimento externado pela Solução de Consulta Interna COSIT nº 02/2016.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao seu recurso voluntário, para exonerar o crédito tributário constituído. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-012613, de 27 de junho de 2023, prolatado no julgamento do processo 10715.722910/2013-77, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente), Ari Vendramini, Laercio Cruz Uliana Junior, José Adão Vitorino de Morais, Jucileia de Souza Lima, Sabrina Coutinho Barbosa e Semíramis de Oliveira Duro.
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MULTA ADMINISTRATIVA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA NA FORMA E PRAZO ESTABELECIDOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÃO. A multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alínea “e” do Decreto-Lei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/2003 pela não prestação de informação sobre veículo ou carga nele transportada, na forma e prazo estabelecidos pela IN RFB nº 102/1994 por cada informação não prestada ou prestada em desacordo com a forma ou prazo estabelecidos pela mesma norma. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa, consoante entendimento externado pela Solução de Consulta Interna COSIT nº 02/2016. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao seu recurso voluntário, para exonerar o crédito tributário constituído. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-012613, de 27 de junho de 2023, prolatado no julgamento do processo 10715.722910/2013-77, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente), Ari Vendramini, Laercio Cruz Uliana Junior, José Adão Vitorino de Morais, Jucileia de Souza Lima, Sabrina Coutinho Barbosa e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 72 68 89 /2 01 3- 89 Fl. 199DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-012.616 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10715.726889/2013-89 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata o presente processo de Auto de Infração com exigência de multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada. Nos termos das normas de procedimentos em vigor, a empresa supra foi considerada responsável para efeitos legais e fiscais pela apresentação dos dados e informações eletrônicas fora do prazo estabelecido pela Receita Federal do Brasil - RFB. Cientificada do Auto de Infração, a interessada apresentou impugnação e aditamentos posteriores alegando em síntese: A interessada não legítima para constar no pólo passivo da obrigação tributária; O Auto de Infração é nulo por falta de pressupostos processuais; A penalidade viola princípios constitucionais; Pede a suspensão da exigibilidade do crédito tributário; Requer diligência/perícia. A impugnação foi julgada improcedente pela DRJ e manteve o crédito tributário constituído. Irresignada, a ora Recorrente interpôs Recurso Voluntário perante este CARF, em síntese, alegando : - Nos casos da espécie, devendo prestar outros serviços conexos, aufere no momento da “desconsolidação da carga”, e diretamente do importador determinado valor por esta prestação de serviços; No caso em tela, bastava verificar a documentação carreada aos autos e confirmar que o valor envolvido na operação foi bem inferior ao valor da multa aplicada; Ou seja, valor incomparavelmente menor do que a indigitada penalidade aplicada, eis que seu valor de R$ 5.000,00, (cinco mil reais), é demasiadamente oneroso para a Recorrente; Neste diapasão, em que pese o Venerável Decisum prolatado julgar improcedente a IMPUGNAÇÃO AO AUTO DE INFRAÇÃO, há que se fazer a sua reforma, eis que sim, houve onerosidade na aplicação da penalidade, de tal sorte que configurou-se verdadeiro CONFISCO. (...) Assim é que, com a devida vênia, requer-se desde já seja a reconsiderada a decisão, declarando-se CONFISCATÓRIA a multa aplicada no caso dos autos em comento eis que deve manifestar-se sobre a aplicabilidade do princípio da vedação ao confisco às multas fiscais à luz do axioma da proporcionalidade. - DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA - Repise-se que a Medida Provisória 497/10 editada pela Receita Federal do Brasil, ampliou o alcance do instituto da denúncia espontânea no âmbito aduaneiro com a nova redação do artigo 102, §2º do Decreto-lei nº 37 de 1966; (...) Novamente esclarecendo, em que pese a denúncia espontânea e a correção ser efetuada poucas horas do nascimento do fato gerador, não há razão para a aplicação de penalidades, justamente pelo fato da utilização do instituto da denúncia espontânea, ainda assim o Órgão Fiscalizador, decorridos tantos anos lavra o auto de infração; Doutos Julgadores, com a Medida Provisória o instituto da denúncia espontânea passou a alcançar as penalidades de Fl. 200DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-012.616 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10715.726889/2013-89 natureza tributária e administrativa, motivo pelo qual desde já, requer-se pela EXONERAÇÃO do crédito tributário, com sua consequente baixa; (...) Sem maiores problemas, considerando não se tratar de importação sujeita à pena de perdimento, a Recorrente, concluiu a desconsolidação da carga de acordo com o contido no auto de infração ou seja para o caso em análise, efetuou a devida correção pouco tempo da atracação do Navio, Solucionadas todas as pendências sem maiores problemas, entraves e/ou intimações da Alfândega Brasileira, decorrido pouco tempo da chegada do Navio, temos que houve a denúncia espontânea, motivo pelo qual injusta qualquer penalização; (...) DOS REQUERIMENTOS a) Requer inicialmente e nos moldes do artigo 151, Inciso III, do Código Tributário Nacional, seja suspensa a exigibilidade fiscal imposta a Recorrente; b) Considerando que a r. decisão NÃO se manifestou expressamente sobre a questão de DENÚNCIA ESPONTÂNEA, assim como levada a efeito na defesa, que este r. Órgão, analisando o caso em concreto, manifeste-se e respeitosamente julgue improcedente a penalidade eis que a recorrente apresentou de forma espontânea as informações, de tal sorte que efetivamente deu-se a “denúncia espontânea” assim como lançada na impugnação e agora no Recurso impetrado que busca o reformatio do decisum; c) Requer, outrossim, seja reformulado o decisum que manifestou-se sobre CONFISCO e seja, por este r. Órgão Julgador julgado procedente os requerimentos da Recorrente; É o Relatório. Fl. 201DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-012.616 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10715.726889/2013-89 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, portanto dele tomo conhecimento. - INFORMAÇÃO SOBRE O EMBARQUE. CORREÇÃO DE DE DADO INFORMADO ANTERIORMENTE NÃO CONFIGURA A CONDUTA DESCRITA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA ‘E’, DO DECRETO-LEI Nº 37/66. Cabe inicialmente lembrar que o auto de infração foi lavrado porque a ora Recorrente promoveu, depois do prazo regulamentar, retificação no MAWB 05735586854. Atestando que tais documentos foram retificados, trazemos as seguintes telas extraídas do Sistema SISCOMEX MANTRA, constantes destes autos: Fl. 202DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-012.616 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10715.726889/2013-89 Por sua clareza e precisão, adotamos, com a devida vênia, os dizeres do Acórdão de nº 3301-010.676 , desta 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, exarado no processo administrativo de nº 11968.000686/2009-73, de relatoria da I. Conselheira Liziane Angelotti Meira, por se aplicar in totum ao caso litigado nestes autos : “O enquadramento legal usado pela Fiscalização para a autuação, art. 107, IV, “e”, do Decreto-Lei nº 37, de 1966, deixa claro que a penalidade é aplicada com o não cumprimento da obrigação, e não com o seu cumprimento incorreto, mesmo que ocorra prejuízo ao controle aduaneiro em ambos os casos, conforme abaixo (destaque acrescido): Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: (...) IV - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de Fl. 203DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-012.616 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10715.726889/2013-89 transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga; Para solucionar controvérsias e a fim de uniformizar os procedimentos atinentes às Unidades da RFB, a Coordenação-Geral de Tributação emitiu a Solução de Consulta Interna (SCI) Cosit nº 2, de 04/02/2016, cuja ementa assim esclareceu: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. CONTROLE ADUANEIRO DAS IMPORTAÇÕES. INFRAÇÃO. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVO- TRIBUTÁRIA. A multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas “e” e “f” do Decreto- Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, é aplicável para cada informação não prestada ou prestada em desacordo com a forma ou prazo estabelecidos na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. Dispositivos Legais: Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966; Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. A SCI acima esclareceu que as alterações ou retificações de informações já prestadas pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa, estabelecida no art. 107, IV, “e” e “f”, do DecretoLei nº 37, de 1966, com redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003. Em síntese, o núcleo do tipo infracional previsto no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37, de 1966, pressupõe uma conduta omissiva do sujeito passivo (deixar de prestar informações sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute), não comportando a hipótese dos presentes autos (retificação de CE), de modo a considerá-la como infração. Ademais, o procedimento de retificação tratado nos presentes autos respeitou o artigo 27-A da IN 800, de 27/12/2007, e não pode ser confundido com a determinação regulamentar, de ter deixado de prestar informações; esta sim, ensejadora da multa. Art. 27-A. Entende-se por retificação [...] II – de CE, a alteração, exclusão ou desassociação de CE, bem como a inclusão, alteração ou exclusão de seus itens após: Enfim, inexistia respaldo legal para a exigência. Portanto, deve ser aplicada a SCI Cosit nº 02, de 2016, à presente situação. Dessa forma, com base no entendimento exarado pela RFB na SCI Cosit nº 02, de 2016, aplicável ao caso dos autos (retificação intempestiva de informações já prestadas), deve ser cancelada a autuação. Entendemos, s.m.j, que, apesar de a SCI COSIT nº 02, de 2016, referir-se a IN RFB nº 800/2007, a situação fática é a mesma encontrada nos presentes autos. Fl. 204DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-012.616 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10715.726889/2013-89 Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do Anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao seu recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe - Presidente Redator Fl. 205DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 13558.720289/2013-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Fri Sep 08 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/09/2009 a 30/09/2009
PIS/COFINS. NÃO-CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. INCENTIVO FISCAL ESTATAL. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS.
Não integram a base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS não-cumulativos os valores relativos aos incentivos fiscais concedidos pelo Estados ou Distrito Federal à pessoa jurídica, sob a forma de crédito presumido de ICMS, por não se enquadrarem no conceito de faturamento ou receita bruta.
Numero da decisão: 3401-012.030
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso e rejeitar a proposta de diligência apresentada pelo Conselheiro Ricardo Rocha de Holanda Coutinho. Vencido o Conselheiro Ricardo Rocha de Holanda Coutinho. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-012.028, de 27 de julho de 2023, prolatado no julgamento do processo 13558.720290/2013-80, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Renan Gomes Rego, Carolina Machado Freire Martins, Ricardo Rocha de Holanda Coutinho (suplente convocado(a)), Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Ricardo Piza di Giovanni (suplente convocado(a)), Marcos Roberto da Silva (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Fernanda Vieira Kotzias, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Ricardo Piza di Giovanni.
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2009 a 30/09/2009 PIS/COFINS. NÃO-CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. INCENTIVO FISCAL ESTATAL. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. Não integram a base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS não-cumulativos os valores relativos aos incentivos fiscais concedidos pelo Estados ou Distrito Federal à pessoa jurídica, sob a forma de crédito presumido de ICMS, por não se enquadrarem no conceito de faturamento ou receita bruta.
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NÃO-CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. INCENTIVO FISCAL ESTATAL. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. Não integram a base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS não-cumulativos os valores relativos aos incentivos fiscais concedidos pelo Estados ou Distrito Federal à pessoa jurídica, sob a forma de crédito presumido de ICMS, por não se enquadrarem no conceito de faturamento ou receita bruta. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso e rejeitar a proposta de diligência apresentada pelo Conselheiro Ricardo Rocha de Holanda Coutinho. Vencido o Conselheiro Ricardo Rocha de Holanda Coutinho. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-012.028, de 27 de julho de 2023, prolatado no julgamento do processo 13558.720290/2013-80, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Renan Gomes Rego, Carolina Machado Freire Martins, Ricardo Rocha de Holanda Coutinho (suplente convocado(a)), Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Ricardo Piza di Giovanni (suplente convocado(a)), Marcos Roberto da Silva (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Fernanda Vieira Kotzias, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Ricardo Piza di Giovanni. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 72 02 89 /2 01 3- 55 Fl. 209DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-012.030 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13558.720289/2013-55 Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão de Manifestação de Inconformidade proferido Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que julgou improcedente a impugnação e não reconheceu o direito creditório trazido a litígio. Versa o presente processo administrativo sobre pedido de restituição de PIS- PASEP/COFINS referente à pagamento indevido ou a maior, apresentado por meio de formulário, fundamentado em incentivo fiscal de crédito presumido do ICMS, concedido pelo Estado da Bahia (subvenção para investimento). O despacho decisório indeferiu o pleito por considerar que a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS é o faturamento mensal, tanto na apuração cumulativa como não cumulativa, não havendo previsão para a exclusão do crédito presumido do ICMS das referidas bases de cálculo, ainda que caracterizado como subvenção para investimento. A Recorrente, em sua Manifestação de Inconformidade, alegou que: i. houve o recolhimento a maior de PIS e Cofins, pois incluiu na base de cálculo destes tributos o valor correspondente ao incentivo fiscal de crédito presumido de ICMS, concedido pelo Estado da Bahia; ii. o crédito presumido de ICMS não configura faturamento, portanto, não poderia ser incluído na base de cálculo do PIS e da Cofins; iii. esta mesma matéria já foi objeto de análise e julgamento, sendo que, após decisão definitiva do Carf, houve o reconhecimento da não incidência do PIS e da Cofins sobre tais incentivos fiscais de ICMS; iv. a própria Receita Federal do Brasil, por meio do ADI/SRF nº 25/03, ao tratar da recuperação de tributos pagos indevidamente ou a maior, corretamente afirmou que não deve haver a incidência do PIS e da Cofins sobre valores recuperados; v. embora o presente caso não se refira à recuperação de tributo pago indevidamente ou a maior, é perceptível a semelhança existente entre essa recuperação mencionada e o crédito presumido de ICMS; vi. independentemente do regime de apuração, cumulativo ou não cumulativo, o crédito presumido de ICMS outorgado pelo estado da Bahia, por ser meramente escritural, não pode ser considerado receita/faturamento e, dessa forma, não é tributável pelo PIS e Cofins; vii. este é o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça- STJ, cuja jurisprudência é pacífica, em não admitir a incidência de PIS e Cofins sobre o crédito presumido; viii. é precedente do CARF no sentido de que não há tributação de PIS e Cofins sobre crédito presumido de ICMS e, Fl. 210DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-012.030 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13558.720289/2013-55 ix. não é qualquer ingresso financeiro que se caracteriza receita tributável pelo PIS e Cofins, mas somente aquele proveniente do exercício da atividade empresarial, ou seja, decorrente de negócios jurídicos que tenham como objeto a venda de mercadoria ou de serviços ou como remuneração pelo uso de bens e direitos cedidos temporariamente. Sobreveio decisão de primeira instância administrativa, cujo acórdão recorrido foi, assim, ementado: SUBVENÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO ICMS. INCIDÊNCIA. No regime de apuração não cumulativa do PIS e da Cofins, valores decorrentes de subvenção, inclusive na forma de crédito presumido de ICMS, constituem receita tributável, devendo integrar a base de cálculo dessas contribuições. A partir da edição da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 a subvenção para investimento passou a não integrar a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas, desde que comprovados os requisitos estabelecidos na legislação tributária que a caracterize. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL JURISPRUDÊNCIAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. NÃO VINCULAÇÃO. As referências a entendimentos proferidos em outros julgados administrativos ou judiciais não vinculam os julgamentos administrativos emanados em primeiro grau pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. As decisões judiciais e administrativas somente vinculam os julgadores de 1ª instância nas situações expressamente previstas na legislação. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. ÔNUS DA PROVA. No âmbito dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus da contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado, o qual deve ser indeferido se não comprovada sua liquidez e certeza. É igualmente da contribuinte o ônus da prova dos créditos da não cumulatividade, que servem para reduzir o valor do tributo a ser pago e podem ainda, nos casos previstos em lei, ser objeto de pedido de restituição ou ser utilizados em compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a Recorrente interpôs o Recurso Voluntário, recuperando praticamente o substancial da argumentação contida na sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 211DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-012.030 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13558.720289/2013-55 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, de modo que admito seu conhecimento. No mérito, insurge-se a Recorrente quanto à exclusão das subvenções oriundas de crédito presumido de ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS não-cumulativos. É que o despacho decisório indeferiu o pleito, com um único fundamento, por considerar que a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS é o faturamento mensal, tanto na apuração cumulativa como não cumulativa, não havendo previsão para a exclusão do crédito presumido do ICMS das referidas bases de cálculo, ainda que caracterizado como subvenção para investimento. Senão, vejamos: (...) Por outro lado, para as pessoas jurídicas que apuram a Contribuição para o PIS e da COFINS no regime de apuração não cumulativa, com base nas Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, que estabelecem como fato gerador o faturamento mensal, entendido como sendo o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, o valor do crédito presumido do ICMS continua integrando a base de cálculo das referidas contribuições. DECISÃO Nos termos do relatório e fundamentação acima, e, no uso da competência atribuída pela Portaria DRF/Itabuna nº 042/2009 combinada com a Portaria 028/2011, RESOLVO indeferir o pedido de restituição no valor de R$ 168.841,48, pleiteado por ITABUNA TEXTIL S.A., inscrita no CNPJ sob nº 01.933.349/000149, por falta de previsão legal. No que tange aos fatos geradores abrangidos pela sistemática da não cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, ponto crucial é analisar se o valor que se pretende tributar pode ser conceituado como receita, pois esse o critério que definirá a incidência das contribuições, nos termos do que dispôs o legislador nos artigos 1º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Assim, mais importante que a classificação contábil do incentivo em tela, é a definição de sua natureza jurídica, pois dela dependerá o seu regime jurídico de tributação. A Lei Complementar n° 160/2017, que dispõe sobre a remissão de créditos tributários, constituídos ou não, decorrentes das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeiro fiscais instituídos em desacordo com o disposto na alínea “g” do inciso XII do § 2º do art. 155 Fl. 212DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-012.030 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13558.720289/2013-55 da Constituição Federal, bem como sobre as correspondentes reinstituições, trouxe no seu art. 9º alteração ao art. 30 da Lei 12.973/14, conforme segue: Art. 30. .............................................................................................................. § 4° Os incentivos e os benefícios fiscais ou financeiro-fiscais relativos ao imposto previsto no inciso II do caput do art. 155 da Constituição Federal, concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste artigo. § 5º O disposto no § 4º deste artigo aplica-se inclusive aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados. Esse entendimento invocado pela Fiscalização, contudo, já foi enfrentado e afastado por este Egrégio Conselho Administrativo em outras oportunidades, com base nos posicionamentos deste Tribunal Administrativo, do Supremo Tribunal Federal – STF e do Superior Tribunal de Justiça – STJ sobre o tema. Entende-se que os créditos presumidos de ICMS concedidos nos programas estatais de incentivo ao investimento não representam receitas tributáveis pelo PIS e pela COFINS por não possuírem natureza jurídica de receita, tratando-se de verdadeiras reduções de custos. Nessa linha relacional, considerando que os créditos decorrentes de subvenção não integram o conceito de receita, afastando a incidência do PIS/Pasep e da COFINS na sistemática da não-cumulatividade, citam-se inúmeros julgamentos deste Conselho (a exemplo os recentes Acórdãos 9303006541 e 9303006.606 CSRF da Lavra da Ilustre Conselheira Vanessa Marini Cecconello e Acórdãos 9101-00.566, 3201002.638, 3402-003.042, 3301-002.970 e 3402-002.904, 1302-002.303). Nesse mesmo sentido, há outras decisões deste E. Conselho Administrativo, nas quais cito abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/06/2012 a 30/06/2012, 01/09/2012 a 30/09/2012, 01/11/2012 a 31/12/2012, 01/03/2013 a 31/03/2013, 01/12/2013 a 31/12/2013, 01/03/2014 a 31/03/2014, 01/06/2014 a 30/09/2014, 01/02/2015 a 30/08/2015, 01/11/2015 a 30/11/2015 PIS/COFINS. NÃO-CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. INCENTIVO FISCAL ESTATAL. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. Não integram a base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS não-cumulativos os valores relativos aos incentivos fiscais concedidos pelo Estado de Santa Catarina à pessoa jurídica, sob a forma de crédito presumido de ICMS, por não se enquadrarem no conceito de faturamento ou receita bruta. Fl. 213DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-012.030 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13558.720289/2013-55 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2012 a 30/06/2012, 01/09/2012 a 30/09/2012, 01/11/2012 a 31/12/2012, 01/03/2013 a 31/03/2013, 01/12/2013 a 31/12/2013, 01/03/2014 a 31/03/2014, 01/06/2014 a 30/09/2014, 01/02/2015 a 30/08/2015, 01/11/2015 a 30/11/2015 PIS/COFINS. NÃO-CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. INCENTIVO FISCAL ESTATAL. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. Não integram a base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS não-cumulativos os valores relativos aos incentivos fiscais concedidos pelo Estado de Santa Catarina à pessoa jurídica, sob a forma de crédito presumido de ICMS, por não se enquadrarem no conceito de faturamento ou receita bruta. (Acórdão de Recurso Especial do Procurador n° 9303-012.524, da CSRF/3ª Turma, de 19.10.2021) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 30/06/2003, 01/02/2004 a 31/12/2004, 01/02/2005 a 28/02/2005, 01/04/2005 a 31/12/2005 PIS. NÃO-CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. INCENTIVO FISCAL ESTATAL. ICMS DIFERIDO. Não integram a base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS não-cumulativos os valores relativos aos incentivos fiscais concedidos pelos Estados da Federação à pessoa jurídica, sob a forma de ICMS diferido, por não se enquadrarem no conceito de faturamento ou receita bruta. (Acórdão de Recurso Especial do Procurador Acórdão nº 9303-006.541 , de 15 de março de 2018) CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Ano Calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A obstrução à defesa, motivadora de nulidade do ato administrativo de referência, deve apresentar-se comprovada no processo. PIS. DECADÊNCIA. PRAZO O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário da contribuição para o PIS/PASEP extinguese em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador. PIS. CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo das contribuições para o PIS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. PIS. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS DO ICMS. NÃO INCIDÊNCIA. Fl. 214DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-012.030 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13558.720289/2013-55 Não incide PIS sobre os valores de créditos de ICMS, obtidos em razão de subvenção estadual. PIS. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide PIS sobre os valores de créditos presumido do IPI, previsto na Lei nº 9.336/96. PIS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS DO ICMS. BASE DE CÁLCULO. Não incide PIS sobre os valores de créditos de ICMS, obtidos em razão de subvenção estadual, uma vez sua natureza jurídica não se revestir de receita. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão nº 340300.799, P.A. 10283.000091/200521, Rel. Cons. Winderley Morais Pereira, julgado em 03.02.2011) Assim, o incentivo fiscal concedido pelo Estado da Bahia, na forma de crédito presumido de ICMS, não pode ser considerado como faturamento, pois não se constitui em uma receita da pessoa jurídica. Conclusão lógica é que não pode integrar a base de cálculo da COFINS não-cumulativa. Confirmando a não inclusão dos créditos presumidos de ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS não-cumulativo, o Superior Tribunal de Justiça também se manifestou no sentido de que o crédito presumido deve ser sempre entendido como redutor de custos e não como efetivo ingressos de receitas. Ilustram precedentes da Primeira e da Segunda Turmas da Primeira Seção daquela Corte: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. PRECEDENTES. 1. As Turmas da Primeira Seção desta Corte firmaram entendimento no sentido de que os valores provenientes do crédito do ICMS não ostentam natureza de receita ou faturamento, mas de recuperação de custos na forma de incentivo fiscal concedido pelo governo para desoneração das operações, de forma que não integram a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. Precedentes: AgRg no REsp 1.363.902/RS, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, DJe 19/08/2014 e AgRg no AREsp 509.246/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe 10/10/2014. 2. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no AREsp 596.212/PR, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16/12/2014, DJe 19/12/2014) (grifou-se) TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. BENEFÍCIO FISCAL. RESSARCIMENTO DE CUSTOS. 1. A controvérsia dos autos diz respeito à inexigibilidade do PIS e da COFINS sobre o crédito presumido do ICMS decorrente do Decreto n. 2.810/01. 2. O crédito presumido do ICMS consubstancia-se em parcelas relativas à redução de custos, e não à obtenção de receita nova oriunda do exercício da atividade empresarial como, verbi gratia, venda de mercadorias ou de serviços. 3. "Não se tratando de receita, não há que se falar em incidência dos aludidos créditos-presumidos do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS." (REsp 1.025.833/RS, Rel. Min. Fl. 215DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3401-012.030 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13558.720289/2013-55 Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 6.11.2008, DJe 17.11.2008.) Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1229134/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 26/04/2011, DJe 03/05/2011) (grifou-se) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ, CSLL PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 83/STJ. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. I Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo, in casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. II – A Corte de origem apreciou todas as questões relevantes apresentadas com fundamentos suficientes, mediante apreciação da disciplina normativa e cotejo ao posicionamento jurisprudencial aplicável à hipótese. Inexistência de omissão, contradição ou segundo o qual o crédito presumido de ICMS não se inclui na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. IV – É firme o posicionamento entendimento desta Corte segundo o qual o crédito presumido de ICMS não integra a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. V – O recurso especial, interposto pelas alíneas a e/ou c do inciso III do art. 105 da Constituição da República, não merece prosperar quando o acórdão recorrido encontra-se em sintonia com a jurisprudência desta Corte, a teor da Súmula n. 83/STJ. VI – A Agravante não apresenta, no agravo, argumentos suficientes para desconstituir a decisão recorrida. VII – Agravo Interno improvido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, os Ministros da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça acordam, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, negar provimento ao agravo interno, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Gurgel de Faria, Napoleão Nunes Maia Filho, Benedito Gonçalves e Sérgio Kukina (Presidente)". Recurso Especial n° 1.627.291/SC (2014/02800074), de 04 de abril de 2017, Relatado pela Ministra Regina Helena Costa. A afirmação encontra lastro no entendimento do Supremo Tribunal Federal consignado em julgamento proferido nos autos do Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que tratou da incidência de PIS e COFINS sobre a transferência de saldos credores de ICMS, no sentido de que o conceito constitucional de receita bruta implica em um ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. Em razão do entendimento externado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, esvazia-se a discussão sobre a correta classificação contábil do referido crédito de ICMS (subvenção para custeio, para investimento, recuperação de custo ou de despesa). Importa a transcrição da ementa do julgado: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. Fl. 216DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3401-012.030 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13558.720289/2013-55 CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. (RE 606107, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Tribunal Pleno, julgado em 22/05/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe231 DIVULG 22112013 PUBLIC 25112013) Fl. 217DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 3401-012.030 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13558.720289/2013-55 Nesse sentido, por identificar a discussão com clareza e evidenciar as razões para não se admitir como receitas os valores contabilizados como subvenção estatal, adoto as razões de decidir trazidas no voto proferido pela Conselheira Érika Costa Camargos Autran no Acórdão 9303- 007.650, no qual são igualmente traçadas as questões relevantes relacionadas à Lei Complementar n.º 160/2017: Por fim, vale ainda ressaltar que em 2017 foi publicada a Lei Complementar n.º 160/17, a qual dispôs sobre a remissão de créditos tributários, constituídos ou não, decorrentes das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeiro-fiscais instituídos em desacordo com o disposto na alínea “g” do inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal, bem como sobre as correspondentes reinstituições, trouxe em seu art. 9º alteração ao art. 30 da Lei n.º 12.973/14, conforme segue: Art. 30. 4º Os incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais relativos ao imposto previsto no inciso II do caput do art. 155 da Constituição Federal, concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste artigo. §5º O disposto no §4º deste artigo aplicasse inclusive aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados. O que, em breve síntese, com tal dispositivo, não haveria como considerarmos tal subvenção para investimento como integrante da base de cálculo do PIS e da Cofins, ainda que houvesse a discussão da natureza dessa subvenção – se subvenção para custeio ou subvenção para investimento. Recordo que essa discussão envolvendo a natureza da subvenção poderia influenciar no direcionamento da natureza do evento – o que, por consequência, abriria, a princípio, a discussão acerca da tributação pelo PIS e Cofins se considerássemos a natureza da subvenção em discussão como de custeio. Digo “a princípio”, pois com o advento do Convênio ICMS 190/17 e a publicação até 29.3.2018 dos atos instituidores de benefícios fiscais de ICMS pelos Estados nos Diários Oficiais– não há mais a discussão da natureza das subvenções – sendo todas consideradas como subvenção para investimento. Assim, a subvenção tratada nesse caso deve ser considerada como subvenção para investimento, conforme preceitua a Lei Complementar n.º 160/17 e, nessa linha, em respeito às mudanças normativas que envolveram tal evento ao longo do tempo Lei n.º 6.404/76, PN CST n.º 112/78, ICVM n.º 59/86, Decreto-Lei n.º1.598/77, PN n.º 2/78, Lei n.º 11.941/09 e Lei n.º 12.973/14 que, mantendo respeito à Primazia da Essência sobre a Forma e à segurança jurídica, trouxeram explicitamente que, para fins tributários, tais subvenções não seriam tributadas pelas contribuições, eis que consideraram que não possuem em sua essência "natureza" de receita, não devem sofrer os efeitos tributários como tal, ainda que na forma fossem registradas como receita. O que a Lei n.º 11.941/09 fez foi ratificar que tai subvenções nunca tiveram caráter de receita, eis que explicitou que se assim fossem registradas não poderiam ser consideradas integrantes da base de cálculo das r. contribuições. Assim, considerando, também, que os valores (apurados antes de 1º de janeiro de 2008) foram contabilizados como Reserva de Capital e não se discute a natureza da subvenção, eles efetivamente não comporiam a base de cálculo das contribuições. Portanto, reconhece-se que os valores decorrentes do credito presumido de ICMS concedido pelo Governo do Estado da Bahia ao Sujeito Fl. 218DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 3401-012.030 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13558.720289/2013-55 Passivo não se constituí em receita bruta, restando afastada a incidência do PIS e da COFINS.” (Processo 13502.000845/2009-32 Contribuinte CATA TECIDOS E EMBALAGENS INDUSTRIAIS LIMITADA Data da Sessão 21/11/2018 Relatora Érika Costa Camargos Autran Acórdão 9303-007.650) Por último, no caso aqui sob análise, não foi posta em dúvida pela Fiscalização qualquer ponto quanto à demonstração ou à quantificação do valor pretendido, apenas entendendo a Fiscalização que a natureza jurídica do incentivo fiscal de ICMS (crédito presumido) consistiria em receita tributável de PIS/Pasep e da COFINS. Entendimento este que, como visto, não merece ser mantido. Ante o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do Anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente Redator Fl. 219DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10980.724192/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2005
TRIBUTAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Afasta-se a omissão de rendimentos quando os documentos trazidos aos autos ratificam os valores informados na Declaração de Ajuste Anual em exame.
DEPENDENTES. DEDUÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
Apenas podem configurar como dependentes para fins de dedução na Declaração de Ajuste Anual aqueles que se enquadrarem nas hipóteses previstas na legislação de regência.
DESPESAS MÉDICAS. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DEDUÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
Somente podem ser deduzidas as despesas médicas e com instrução do próprio contribuinte, dos dependentes relacionados em sua Declaração de Ajuste Anual, e de seus alimentandos quando realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente.
RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 33.
A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício.
Numero da decisão: 2301-010.831
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para cancelar o lançamento relativo à omissão de rendimentos no valor de R$ 8.415,73 referente à fonte pagadora Cruz Vermelha Brasileira.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Flavia Lilian Selmer Dias, Fernanda Melo Leal, Alfredo Jorge Madeira Rosa, Mauricio Dalri Timm do Valle, Thiago Buschinelli Sorrentino (Suplente Convocado) e João Mauricio Vital (Presidente).
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Afasta-se a omissão de rendimentos quando os documentos trazidos aos autos ratificam os valores informados na Declaração de Ajuste Anual em exame. DEPENDENTES. DEDUÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. Apenas podem configurar como dependentes para fins de dedução na Declaração de Ajuste Anual aqueles que se enquadrarem nas hipóteses previstas na legislação de regência. DESPESAS MÉDICAS. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DEDUÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. Somente podem ser deduzidas as despesas médicas e com instrução do próprio contribuinte, dos dependentes relacionados em sua Declaração de Ajuste Anual, e de seus alimentandos quando realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 33. A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para cancelar o lançamento relativo à omissão de rendimentos no valor de R$ 8.415,73 referente à fonte pagadora Cruz Vermelha Brasileira. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 41 92 /2 01 0- 91 Fl. 252DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-010.831 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.724192/2010-91 (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Flavia Lilian Selmer Dias, Fernanda Melo Leal, Alfredo Jorge Madeira Rosa, Mauricio Dalri Timm do Valle, Thiago Buschinelli Sorrentino (Suplente Convocado) e João Mauricio Vital (Presidente). Relatório Trata-se de Auto de Infração lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF do ano calendário 2005 (e-fls. 62/71). O lançamento decorre da apuração de Omissão de Rendimentos do Trabalho Sem Vínculo Empregatício Recebidos de Pessoas Jurídicas, Dedução Indevida de Dependente, Dedução Indevida de Despesas Médicas e Dedução Indevida de Despesa com Instrução, conforme detalhado na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal. A Impugnação (e-fls. 75/79) foi julgada Improcedente pela 20ª Turma da DRJ/SP1 em decisão assim ementada (e-fls. 181/188): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2006 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. A matéria não contestada expressamente na impugnação é considerada incontroversa e o crédito tributário a ela correspondente definitivamente consolidado na esfera administrativa. DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE - DIRF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Sendo a Dirf documento declaratório de rendimentos e de retenção de imposto de renda na fonte, serve como prova relativa aos correspondentes valores. Não havendo nos autos outros elementos robustos de prova que contrariem a informação da Dirf na qual se baseou o lançamento, aquela deve prevalecer, mantendo-se o crédito tributário apurado. UNIÃO ESTÁVEL. RELAÇÃO COM COMPANHEIRO. PROVA. Para fins de comprovação da relação com companheiro é necessária a prova de coabitação. Para tanto, todavia, o Contribuinte deve demonstrar, de forma inequívoca, a existência da vida em comum por período igual ou superior ao acima referido. ENTEADOS. DEPENDENTES. Só podem figurar como dependentes na declaração os filhos de companheira com a qual o contribuinte comprove a vida em comum por mais de cinco anos. DESPESAS MÉDICAS E COM INSTRUÇÃO. NÃO DEPENDENTES. Não comprovada a condição de dependentes das pessoas a que se referem as despesas médicas e com instrução, glosa-se a dedução de tais despesas. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. PREVISÃO LEGAL. A multa de ofício é prevista em disposição legal específica e tem como suporte fático a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique imposto ou diferença de imposto a pagar. Fl. 253DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-010.831 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.724192/2010-91 Cientificada do acórdão de primeira instância em 06/02/2015 (e-fls. 193), a interessada interpôs Recurso Voluntário em 10/03/2015 (e-fls. 204/213) contendo, em apertada síntese, os seguintes argumentos: - Sustenta que as despesas em exame estão documentalmente comprovadas e se referem a Márcia de Fátima Francisco e seus filhos Ana Cláudia Francisco, Alysson Lenon Silva e Camila Silva. Reitera que vive em união estável com Márcia de Fátima Francisco, sob o mesmo teto, desde 1998. - Alega que não existia, à época, escritura pública de união estável homoafetiva, mas que consta dos autos a declaração de três pessoas distintas afirmando que a contribuinte e Márcia de Fátima Francisco viviam juntas como família desde 1998. Entende que a DRJ poderia ter diligenciado para que tais pessoas ratificassem ou não suas declarações. - Afirma que a documentação acostada aos autos comprova que a contribuinte arcava com as despesas dos filhos de sua companheira. - Relativamente à omissão de rendimentos recebidos da Cruz Vermelha Brasileira, informa que preencheu sua declaração conforme comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora, mas que a fiscalização apurou a omissão com base em DIRF. - Defende que o ônus de provar a omissão de receita é do Fisco. - Reapresenta a alegação de que houve bloqueio indevido da transmissão de sua Declaração Retificadora. Alega que os documentos de fls. 07 e 93 demonstram que tentou transmitir uma declaração em 11/08/2010, antes da ciência do início do procedimento fiscal, mas que o sistema da Receita já se encontrava bloqueado. - Expõe que solicitou diligência em sua impugnação para esclarecimentos sobre a data do bloqueio dos sistemas da RFB, o que comprovaria que, mesmo mantendo sua espontaneidade, havia sido irregularmente impedido de retificar sua declaração. A 2ª Turma Extraordinária da 2ª Seção do CARF converteu o julgamento do Recurso Voluntário em diligência através da Resolução nº 2002-000.266 para que a Unidade de Origem intimasse a Cruz Vermelha Brasileira a informar os rendimentos tributáveis pagos à contribuinte no ano calendário 2005 (e-fls. 217/221). Em atendimento, foi elaborado Termo de Encerramento de Diligência Fiscal pela RFB (e-fls. 242/243). Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Omissão de Rendimentos Impõe-se observar, inicialmente, que a omissão de rendimentos referente às fontes pagadoras Comando do Exército e Fundação da Universidade do Paraná para o Desenvolvimento consiste em matéria não impugnada pelo sujeito passivo, como apontado na decisão recorrida. Fl. 254DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-010.831 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.724192/2010-91 Relativamente aos rendimentos recebidos da Cruz Vermelha Brasileira, extrai-se do Auto de Infração (e-fls. 64) que a omissão apurada corresponde à diferença entre o valor de R$ 16.831,46 registrado em DIRF pela sua matriz, CNPJ 33.651.803/0001-65, e o valor de R$ 8.415,73 declarado pela contribuinte conforme comprovante de rendimentos fornecido pela filial de CNPJ 33.651.803/0004-08 (e-fls. 03, 171). Diante da divergência entre os elementos trazidos aos autos e em respeito ao princípio da verdade material, o julgamento do Recurso Voluntário foi convertido em diligência para que a Cruz Vermelha Brasileira fosse intimada a informar os rendimentos tributáveis pagos à contribuinte no ano calendário 2005, abrangendo a matriz e todas as filiais (e-fls. 217/221). Da análise dos documentos apresentados em atendimento à Intimação (e-fls. 233/241), a equipe de fiscalização elaborou relatório contendo a seguinte conclusão (e-fls. 242/243): Em 24/03/2022, após várias solicitações de resposta, o Hospital Cruz Vermelha Brasil- Filial do Estado do Paraná, informou que pagou o valor de R$ 8.415,73 (oito mil, quatrocentos e quinze reais e setenta e três centavos) a título de rendimentos tributáveis a Sra. Carolina, conforme documentos anexos. É interessante destacar que tal valor vai ao encontro do valor declarado pela Sr. Carolina em sua DIRPF/2005. Em vista do exposto, considerando que o montante de R$ 8.415,73 confirmado pela Cruz Vermelha Brasileira corresponde exatamente com o declarado pela contribuinte, deve ser afastada a omissão de rendimentos em exame. Deduções na Declaração de Ajuste Anual Por outro lado, não merece reparos o acórdão recorrido quanto à dedução indevida de dependentes, de despesas médicas e de despesas com instrução. Relevante transcrever as razões de decidir contidas nos seguintes trechos do voto condutor (e-fls. 187188): Em relação a glosa com dependente, de fato, a legislação permite a dedução de enteados, filhos de companheira do contribuinte, mesmo em uniões homoafetivas, como reconhecido pelo Parecer PGFN/CAT nº 1.503/2010. Entretanto, só se considera companheira aquela com quem o contribuinte possua vida em comum por mais de cinco anos. O Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000 de 1999, em seu artigo 77, §1º, inciso II e III, assim dispõe: Art. 77 (...). § 1º Poderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nos arts. 4º, § 3º, e 5º, parágrafo único (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35): (...) II - o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III - a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até vinte e um anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; (...) A lei, portanto, reconhece o direito à dedução, porém define, objetivamente, a existência de vida em comum por cinco anos ou mais ou a existência de filho resultante da união. É preciso também que a vida em comum seja comprovada de forma inequívoca. E o que se vê é que os elementos apresentados de modo algum comprovam a existência de vida em comum pelo período de cinco anos ou mais. Ou são meras declarações de particulares (fls. 94/96), ou documentos particulares em nome da suposta companheira Fl. 255DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-010.831 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.724192/2010-91 em que aparece indicado o mesmo endereço da Recorrente (fls. 148). Ora, as declarações de particulares não têm fé pública para serem aceitas por si mesmas como elemento de prova e os demais documentos apenas indicam algum tipo de relação entre a Contribuinte e a senhora Márcia que não necessariamente seria uma união estável. Não tendo havido, pois, a comprovação da coabitação por pelo menos cinco anos, a companheira não pode ser considerada dependente do contribuinte e, conseqüentemente, tampouco seus filhos (da companheira), enteados da declarante, para fins tributários, não havendo qualquer prova material de que tenha havido a coabitação no período referido pelo impugnante. [...] Assim, para os fins da legislação tributária, constata-se que o interessado não comprovou a relação de dependência, de modo que todas as despesas que se referem aos supostos dependentes, embora comprovadas, devem ter a glosa mantida. Como exposto pelo Relator a quo, a condição de dependência dos enteados decorre da comprovação da união estável da contribuinte com sua companheira. Cumpre ressaltar nesse ponto que, de acordo com o art. 90, §8º, da IN RFB 1.500/2014 e com o Parecer PGFN/CAT nº 1.503/2010, o contribuinte pode incluir o companheiro de união homoafetiva como dependente para efeito de dedução do Imposto sobre a Renda, desde que preenchidos os demais requisitos exigíveis à comprovação da união estável disciplinados pela legislação de regência. Vale lembrar, ainda, que todas as deduções informadas na Declaração de Ajuste Anual estão sujeitas a comprovação por documentação hábil e idônea, nos termos do art. 73 do Decreto 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR/99), e que, havendo questionamento acerca das despesas declaradas, cabe ao sujeito passivo o ônus de demonstrá-las de maneira inequívoca, sem deixar dúvidas. Tendo em vista que nenhum documento complementar foi juntado ao Recurso para contrapor as razões da primeira instância, mantém-se a glosa das deduções em exame. Por fim, quanto à alegação de que o envio de Declaração Retificadora teria sido indevidamente bloqueado pelos sistemas da RFB, também não assiste razão à interessada. Sobre o assunto, o Colegiado a quo assim decidiu (e-fls. 185): 3.3. Quanto ao pedido de diligência para que se apure a hora e data correta da ciência da Intimação, consta a entrega do Intimação em 11/08/2010, comprovada por AR, fls. 38, com horário de entrega às 17:49 horas, como informado pelos Correios, fls. 39. Assim, uma vez intimado, cessou para o contribuinte a possibilidade de retificação da declaração e não há prova alguma de que o mesmo tentou efetuar a retificação em momento anterior, de modo que indefere-se o pedido de diligência formulado. Com efeito, verifica-se que a ciência do Termo de Intimação Fiscal se deu em 11/08/2010 (e-fls. 06, 38/39) e que não há nos autos nenhuma prova de que a contribuinte tentou enviar uma Declaração Retificadora antes disso. Os documentos mencionados no Recurso (e-fls. 07 e 93) não são hábeis para a finalidade pretendida, ao contrário do alegado. O primeiro consiste em declaração elaborada pela própria interessada e o segundo traz imagens da mensagem de erro de transmissão de uma Declaração Retificadora sem indicação de data e hora da tentativa de envio. Ainda sobre o tema, insta reproduzir o entendimento consolidado na Súmula CARF n° 33, com efeito vinculante em relação à Administração Tributária Federal: Fl. 256DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-010.831 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.724192/2010-91 A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Importante salientar que a autoridade julgadora é livre para formar sua convicção na apreciação de provas, podendo determinar a realização de diligências ou perícias quando entendê-las necessárias e indeferir as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, nos termos dos art. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/72. Vale lembrar que o objetivo das diligências é elucidar questões comprometidas e não produzir provas em favor do contribuinte. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e dar-lhe parcial provimento para afastar a omissão de rendimentos de R$ 8.415,73 referente à fonte pagadora Cruz Vermelha Brasileira. (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 257DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 12448.721031/2010-16
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 01/12/2010
LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMISSAS.
Apresentar a empresa GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, constitui infração à legislação previdenciária.
MULTA APLICÁVEL. LEI SUPERVENIENTE MAIS BENÉFICA.
APLICABILIDADE
O artigo 32 da lei 8.212/91 foi alterado pela lei 11.941/09, traduzindo penalidade, em tese, mais benéfica ao contribuinte, a qual deve ser aplicada, consoante art. 106, II “c”, do CTN, se mais favorável. Deve ser efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32-A, I, da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente
auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-001.623
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para que seja efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32-A, I da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e
comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Amilcar Barca Teixeira Junior e Gustavo
Vettorato. O Conselheiro Osmar Pereira Costa pela manutenção da multa aplicada.
Nome do relator: OSÉAS COIMBRA
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Obrigação Acessória Recorrente BNY MELLON GESTÃO DE PATRIMÔNIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 01/12/2010 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMISSAS. Apresentar a empresa GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, constitui infração à legislação previdenciária. MULTA APLICÁVEL. LEI SUPERVENIENTE MAIS BENÉFICA. APLICABILIDADE O artigo 32 da lei 8.212/91 foi alterado pela lei 11.941/09, traduzindo penalidade, em tese, mais benéfica ao contribuinte, a qual deve ser aplicada, consoante art. 106, II “c”, do CTN, se mais favorável. Deve ser efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A,I, da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12448.721031/201016 Acórdão n.º 280301.623 S2TE03 Fl. 2 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para que seja efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A,I da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Amilcar Barca Teixeira Junior e Gustavo Vettorato. O Conselheiro Osmar Pereira Costa pela manutenção da multa aplicada. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Natanael Vieira dos Santos e Osmar Pereira Costa. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12448.721031/201016 Acórdão n.º 280301.623 S2TE03 Fl. 3 3 Relatório A empresa foi autuada por descumprimento da legislação previdenciária conforme disposto no relatório da decisão impugnada, que transcrevo em parte. 2. Informa a Auditoria Fiscal que a empresa deixou de incluir em GFIP, antes do início do procedimento fiscal, pagamentos, a título de Participação nos Lucros ou Resultados – PLR, feitos para empregados e a diretores não empregados (contribuintes individuais), nas competências fevereiro e setembr o de 2007. A DecisãoNotificação – fls 160 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o Auto lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, na parte que interessa, o seguinte: • Em 01.12.2010, a Fiscalização lavrou contra a RECORRENTE os autos de infração n°s 37.313.9977 (Processo n° 12448.721033/2010 05) e 37.313.9969 (Processo n° 12448.721032/201052), para lhe exigir, respectivamente, supostos débitos de contribuição previdenciária (parcela patronal) e contribuição para o custeio do Seguro Acidente do Trabalho (SAT), e contribuição previdenciária correspondente à parcela do segurado (CONTRIBUIÇÕES), ambos acrescidos de multa e juros moratórios. • As referidas CONTRIBUIÇÕES foram exigidas sobre os pagamentos de participação nos lucros e resultados (PLR) efetuados aos empregados da RECORRENTE nos meses de fevereiro e setembro de 2007, em razão de a Fiscalização ter entendido que tais pagamentos estariam em desacordo com a Lei n° 10.101, de 19.12.2000. • Em sua impugnação, a RECORRENTE demonstrou a improcedência do AUTO, sob os seguintes fundamentos: (i) os pagamentos efetuados aos empregados da RECORRENTE a título de PLR não estão sujeitos à incidência das CONTRIBUIÇÕES, conforme defesa apresentada pela RECORRENTE contra os autos de infração n°s 37.313.9977 e 37.313.9969, e, portanto, tais valores não deveriam ter sido informados nas GFIPS da RECORRENTE; (ii) ainda que os pagamentos em exame estivessem sujeitos à incidência das CONTRIBUIÇÕES (e, portanto, devessem ser informados em GFIP), a exigência da multa formulada pelo AUTO seria indevida, por força do princípio da consunção; e (iii) mesmo que a multa lançada pelo AUTO fosse devida, ela deveria ser reduzida a R$ 20,00 para cada grupo de 10 informações supostamente omitidas, observado o limite mínimo de R$ 500,00, nos termos das alterações promovidas pela Lei n° 11.941, 27.05.2009. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12448.721031/201016 Acórdão n.º 280301.623 S2TE03 Fl. 4 4 • Na presente data, a RECORRENTE protocolou recursos voluntários nos referidos processos, demonstrando as razões que justificam a reforma das decisões de 1a. instância neles proferidas. • Nesse passo, não estando a PLR paga aos empregados da RECORRENTE sujeita à incidência das CONTRIBUIÇÕES, é descabida a. multa exigida no AUTO em. epígrafe, já que a RECORRENTE realmente não deveria ter declarado os respectivos pagamentos em suas GFIPS. • Dessa forma, e tendo em vista a conexão do processo em epígrafe com aqueles decorrentes dos autos de infração n°s 37.313.9977 (Processo n° 12448.721033/201005) e 37.313.9969 (Processo n° 12448.721032/201052), a. RECORRENTE requer que todos eles sejam julgados conjuntamente, para evitar prolação de decisões divergentes. • Descabimento da multa em exame em face do princípio da consunção. A infração relativa ao descumprimento de obrigação acessória (omissão de fatos geradores em GFIPs) é absorvida por aquela mais gravosa, qual seja, a relativa ao descumprimento da obrigação principal (falta de recolhimento das CONTRIBUIÇÕES), por força do princípio da consunção. Isso porque, se a RECORRENTE deixou de recolher as CONTRIBUIÇÕES sobre os pagamentos efetuados a título de PLR, por entender que não seriam devidas, não haveria nenhum sentido em declarar esses valores em suas GFIPS. Um fato é incindível do outro. Logo, não é razoável que haja dupla penalização em relação a dois fatos incindíveis. • Na sessão de votação, foram apresentados memoriais solicitando o julgamento conjunto com o auto referente às obrigações principais. • Requer a reforma da decisão prolatada. É o relatório. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12448.721031/201016 Acórdão n.º 280301.623 S2TE03 Fl. 5 5 Voto Conselheiro Oséas Coimbra DO JULGAMENTO CONJUNTO COM O AUTO REFERENTE À OBRIGAÇÃO PRINCIPAL Em que pese a conveniência do simultâneo julgamento de matérias afins do mesmo contribuinte, evitandose decisões divergentes versando sobre situações análogas, o fato de existir outro processo de débito em trâmite normal não é fator impeditivo de julgamento por esta Turma do presente Auto de Infração. Os documentos de débitos lavrados em razão do descumprimento de obrigação acessória, caso dos autos, e do não recolhimento devido, são autônomos, com distintos fatos geradores e fundamentação legal diversa, não se exigindo o conjunto julgamento. Nessa linha, no RE 250844/SP, de 29.5.2012, O Min. Luiz Fux explicitou que, no Direito Tributário, inexistiria a vinculação de o acessório seguir o principal, porquanto haveria obrigações acessórias autônomas e obrigação principal tributária. Também não há que se falar em decisões conflitantes, pois o que for decidido no presente processo em nada irá alterar o que decidido em outros processos da mesma empresa a serem julgados nesta ou em outra Turma de julgamento, a comprovar a inexistência de alcance comum entre os mesmos. Os processos seguirão o rito normal, com disponibilização de prazos para recurso, etc., como acontece rotineiramente neste Conselho. A título de registro, em praticamente todas as sessões desta Turma Especial são julgados apenas parte de processos lavrados na mesma ação fiscal, sem se levantar eventuais conexões. DA AUTUAÇÃO O ponto controverso cingese a decidir se os valores não declarados em GFIP pagamentos a título de Participação nos Lucros ou Resultados – PLR – configuram salário de contribuição, de declaração obrigatório em GFIP. Como alegado pela recorrente, tal matéria foi analisada nos processos 12448.721033/201005 e 12448.721032/201052. No julgamento do processo 12448.721032/201052 esta Turma decidiu pela incidência de contribuições previdenciárias sobre o pagamento das verbas em comento, com conseqüente declaração obrigatória em GFIP. Transcrevo o voto proferido: Fl. 217DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12448.721031/201016 Acórdão n.º 280301.623 S2TE03 Fl. 6 6 DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS A lei 10.101/00 veio a efetivar a previsão constitucional trazida no art. 7º, XI, referente à participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. Complementando, a lei 8.212/91 em seu art. 28 § 9º, exclui a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa, quando paga de acordo com a lei 10.101/00, do conceito de salário de contribuição. O Relatório fiscal informa: 1. Os documentos denominados "PLANO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS” foram assinados por representantes dos empregados, do empregador e do sindicato da categoria. 2. Ausência de regras ser claras e objetivas no plano assinado. 3. Os Planos de Participação nos Lucros apresentados não trazem metas, resultados ou prazos pactuados previamente nem mesmo índices a serem atingidos pela empresa. Ainda, também não há qualquer menção a regras claras e objetivas quanto aos mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. 4. Atribui a um comitê de RH as funções de definir se haverá participação no lucro ou distribuição de resultados (embora o documento tenha o título de PLANO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS) e de definir os percentuais do lucro eventualmente distribuído. 5. As avaliações foram feitas à revelia do atingimento de qualquer meta ou resultado pactuado previamente. Os valores são estipulados de forma soberana por este comitê, evidenciando ainda mais a natureza de pagamento feito por mera liberalidade do empregador e sem qualquer vinculação ao cumprimento de acordo prévio. 6. Apesar de intimada, a empresa não informou detalhadamente como o referido comitê calculou os valores pagos a cada empregado, deixando de prestar os esclarecimentos necessários à fiscalização. 7. Apresentou fichas de avaliação individual que não possuem qualquer relação de causa e efeito entre o instrumento de participação nos lucros e seu conteúdo. Exemplificando: a. Nas fichas apresentadas como sendo referentes à avaliação do primeiro semestre de 2007 (pagamentos feitos em setembro de 2007) constam datas de avaliação somente relativas ao mês de janeiro, faltando, portanto, a avaliação do restante do semestre b. Quesitos de avaliação totalmente subjetivos e genéricos são utilizados. Nas fichas de avaliação da funcionária Ana Paula Azevedo, relativas ao segundo semestre de 2006 e ao primeiro de 2007, constam Fl. 218DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12448.721031/201016 Acórdão n.º 280301.623 S2TE03 Fl. 7 7 como metas avaliadas: "Aprimoramento no inglês", "Aprimoramento em informática", "Atendimento eficiente à mesa" e "Aprofundamento da organização das atividades". Ainda, na ficha de avaliação do funcionário Bruno Mattos Cianelli, referente ao segundo semestre de 2006, constam como metas avaliadas: "Continuidade da gestão eficiente dos fundos de caixa", "Ter melhor conhecimento da legislação referente aos fundos", "Estar apto a discutir a criação de novos produtos na área de fundos". Cópia destas fichas foram anexadas a este Auto de Infração c. Consta da ficha de avaliação do funcionário Bruno Henrique Rocha de Oliveira relativa ao primeiro semestre de 2007, no campo das metas avaliadas, que não foram traçadas metas. Mesmo assim, este funcionário recebeu pagamentos a título de participação nos lucros em setembro deste ano. Cópia desta ficha foi anexada a este Auto de Infração. 8. Desproporcionalidade dos pagamentos feitos a título de participação nos lucras em relação aos salários/honorários dos segurados. Chegouse a pagar a um único empregado quase 96 salários durante o ano de 2007 a este título, conforme planilha 01. A periodicidade (duas vezes ao ano) e essa desproporcionalidade na forma de distribuição deixam claro que este procedimento serve unicamente para mascarar remuneração. PLANILHA 01 NOME fev/07 SB Q SB set/07 SB Q SB TOT SB ANA PAULA AZEVEDO 13.000,00 4.000,00^ 3,25 8.000,00 4.132,00 1,94 5,19 ANDRE LAGO JAKURSKI 90.000,00 7.000,00 12,86 150.000,00 10.303,00 14,56 27,42 BRUNA CAMMAROSANO ZOLINI 30.000,00 1.047,95 28,63 15.000,00 3.247,75 4,62 33,25 BRUNO H. ROCHA DE OLIVEIRA 22.000,00 3.000,00 7,33 7,33 BRUNO MATTOS CIANELLI 30.000,00 4.200,00 7,14 25.000,00 4.338,60 5,76 12,91 CAMILA ROSSI VIANNA DE SOUZA 24.000,00 10.000,00 2,40 50.000,00 10.303,00 4,85 7,25 CARLOS EDUARDO OLINTO 22.605,23 1.729,77 13,07 13,07 DELANO OCTÁVIO .inRGE FRANCO 733.304,72 33.000,00 22,22 742.548,08 33.000,00 22,50 44,72 ROBERTO DAVID BENISTI 396.437,62 8.288,00 47,83 407.754,73 8.561,50 47,63 95,46 RODRIGO DONATO OLIVEIRA 140.000,00 8.128,00 17,22 379.535,06 8.396,22 45,20 62,43 RODRIGO LUIS EBOLI 10.500,00 2.000,00 5,25 20.000,00 3.000,00 6,67 11,92 ROGÉRIO F. POPPE DE FIGUEIREDO 436.244,43 12.144,00 35,92 181.554,40 12.544,75 14,47 50,40 SOLANGE SROUR CHACHAMOVITZ 160.000,00 14.000,00 11,43 111.000,00 14.462,00 7,68 19,10 A empresa, em seu recurso, alega: 1. Imunidade da PLR prevista na constituição federal de 1988 (CF/88) para fins previdenciários, cuja autoaplicabilidade esta atualmente, pendente de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Os valores pagos a título de PLR são desvinculados da remuneração por expressa determinação constitucional; consequentemente, não procede a exigência formulada pelo AUTO por ofensa direta ao disposto no art. 7o, inciso XI, da CF/88 Fl. 219DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12448.721031/201016 Acórdão n.º 280301.623 S2TE03 Fl. 8 8 2. O plano pactuado encontrase de acordo com a lei 10.101/00, possuindo a recorrente um programa de PLR sério e criterioso. 3. Ao contrário do que aponta a Fiscalização, o art. 2o, § 1o, da Lei n° 10.101/00 não exige que sejam estabelecidos programas de metas, resultados ou prazos para que os empregados façam jus ao recebimento de PLR. Tratase de mera faculdade das partes 4. Ainda que as parcelas pagas pela recorrente aos seus empregados não pudessem ser caracterizadas como PLR, o que se admite apenas para fins de argumentação, o auto seria improcedente, na medida em que exige contribuições sobre ganhos eventuais. 5. A multa de mora incluída no AUTO deve ser excluída do valor crédito tributário, em razão da edição da Medida Provisória MP n° 449, de 03.12.2008 (convertida na Lei n° 11.941, de 27.05.2009), que deu nova redação ao art. 35 da Lei n° 8.212/91 e introduziu o art. 35A Passamos a nos manifestar. DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS A lei 8.212/91 informa: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; O art. 2º da lei 10.101/00, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa, assim traz: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Fl. 220DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12448.721031/201016 Acórdão n.º 280301.623 S2TE03 Fl. 9 9 I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. O arcabouço normativo citado traz as linhas gerais que devem ser obedecidas pelas empresas quando da implementação de participações nos resultados ou lucros. Não cabe, na esfera administrativa, avaliar eventual inconstitucionalidade das leis em vigor. É o que também expressamente determina o art. 62 do regimento do CARF, aprovado pela portaria GMF nº 256, de 22 de junho de 2009. Ad argumentandum tantum, o STJ já abordou a matéria sob o prisma suscitado. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SOBRE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS DA EMPRESA. INADMISSIBILIDADE. I O artigo 7º, inciso XI, da Constituição Federal, instituiu como direito do trabalhador a participação nos lucros da empresa, desvinculada de sua remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. A legislação aludida apenas poderá regulamentar a forma como será a participação nos lucros, não podendo, contudo, vincular tais valores à remuneração, sob pena de modificar o entendimento expresso no dispositivo legal constitucional. II A norma encimada é de eficácia plena na parte em que desvincula a verba de participação nos lucros da empresa da remuneração, vedando a cobrança da contribuição social sobre tais valores. No que concerne à forma de participação nos lucros e na gestão da empresa tal norma constitucional é de eficácia contida, pois dependia de lei para sua implementação. III Nesse panorama, mesmo antes do advento da Medida Provisória nº 794/94, já era vedada a exigibilidade da contribuição social incidente sobre valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados. Precedentes: REsp nº 283.512/RS, Rel. Min. FRANCIULLI NETTO, DJ de 31/03/2003, p. 190 e REsp nº 381.834/RS, Rel. Min. GARCIA VIEIRA, DJ de 08/04/2002, p. 153. IV Recurso especial a que se nega provimento Resta assim demonstrado que a norma constitucional insculpida no art. 7°, inciso XI, é norma de eficácia contida, sendo válida sua implementação pela lei 10.101/00. DO PLANO DE PARTICIPAÇÃO CELEBRADO Fl. 221DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12448.721031/201016 Acórdão n.º 280301.623 S2TE03 Fl. 10 10 Do que trazido aos autos, constatamse várias irregularidades que demonstram que a recorrente não obedeceu às regras delineadas, senão vejamos. 1. A cláusula 02 do acordo determina: a. "Cláusula 2a. Dos princípios O Plano observará os seguintes princípios gerais: i. § 1° O Comitê de RH será composto por 02 (dois) diretores e 02 (dois) Representantes dos Empregados da Estipulante; ii. § 2o A Estipulante distribuirá, por Exercício Social, um percentual do seu Lucro Líquido Contábil, apurado segundo as normas contábeis consignados nos Princípios Fundamentais de Contabilidade Fixados pelo Conselho Federal de Contabilidade e demais normas legais e administrativas, considerando, em particular a dedução no lucro líquido do período os eventuais prejuízos acumulados, bem como a dedução da própria participação atribuída aos empregados, na forma prevista em lei. iii. § 3° Poderá ainda a estipulante optar pela distribuição de Resultados, de acordo com o atingimento de metas gerais ou específicas, estabelecidas pela Diretoria. iv. § 4o Caberá exclusivamente ao Comitê de RH definir, em decisão soberana, o percentual do Lucro Líquido Contábil a ser objeto da participação, em cada exercício. (...) v. § 6o O Comitê poderá decidir ampliar ou reduzir o percentual dos lucros a serem distribuídos, a cada exercício, sem que isso acarrete qualquer obrigação de manutenção do mesmo percentual para os exercícios posteriores. b. Cláusula 5ª Condições da forma de distribuição i. A distribuição dos lucros pela Estipulante condicionase aos seguintes acontecimentos e parâmetros(...) ii. b) ao desempenho individual dos empregados, a ser apurado na forma do Programa de Fl. 222DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12448.721031/201016 Acórdão n.º 280301.623 S2TE03 Fl. 11 11 Avaliação de Desempenho, existente na Estipulante; iii. Parágrafo único. O Programa de Avaliação de Desempenho regese por suas normas próprias, conforme o instrumento geral que o instituiu." c. Cláusula 13 – Da renovação; revisão e alteração i. Compete exclusivamente ao Comitê de RH da Estipulante renovar rever ou alterar a qualquer tempo, os critérios, Condições e conceitos estatuídos neste Plano. ii. § 1°. As alterações propostas serão submetidas à apreciação da Comissão dos Empregados e, do Sindicato representante da Categoria Profissional, para conhecimento. iii. § 2°. Recusadas as. alterações pela Comissão de Empregados, ou manifestada qualquer discordância pelo Sindicato, caberá ao Comitê de RH deliberar pela manutenção ou não do Plano, como se encontrava originariamente. Das regras do PLR assinado, temos as seguintes conclusões: A lei 10.101/00, em seu art. 2º, seja no inciso I ou II, determina expressamente a participação dos empregados e seu sindicato no ajuste das regras, seja através de convenções coletivas ou individualmente, por empresa. No acordo assinado temos que um Comitê formado por empregados e representantes da empresa irá determinar o percentual do Lucro Líquido Contábil a ser objeto da participação, afastando indevidamente a participação do sindicato. Outro ponto irregular seria o fato de que, apesar de a lei não determinar que seja quantificado, quando da assinatura do PLR, os valores a serem distribuídos, a norma determina a fixação dos direitos substantivos da participação, contrario sensu veda a entrega de tal responsabilidade completamente ao alvedrio do empregador, pois teríamos a esdrúxula situação de exigir padrões diferenciados de trabalho sem um contrapartida delineada. Passo seguinte, há a previsão (§ 3º) de que o empregador, unilateralmente, pode optar pela distribuição de resultados, agora de acordo com o atingimento de metas gerais ou específicas, estabelecidas pela Diretoria – agora sequer o Comitê paritário participa as regras postas. O parágrafo único da cláusula 5ª determina que “O Programa de Avaliação de Desempenho regese por suas normas próprias”. Tais regras (doc. 04) Fl. 223DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12448.721031/201016 Acórdão n.º 280301.623 S2TE03 Fl. 12 12 não foram objeto de acordo, pois não constam do PLR, sendo instrumento apartado, feito unilateralmente pela empresa, sem o aval dos empregados ou sindicato, outra irregularidade e a ser apontada. Das avaliações trazidas, temos que não abrangem todo o período da distribuição, possuem elementos de extrema subjetividade, especialmente no quesito “Metas e Objetivos”, tais como “participar mais das discussões”, “desenvolver mais estudos”, “está na metade do caminho” etc., além de não demonstrar como aquela avaliação refletiu no valor pago a título de PLR, informação imprescindível à transparência do processo. Não há como o empregado saber qual objetivo atingir, tampouco fiscalizar se o objetivo do plano, seja ele qual for, foi alcançado e de quanto terá direito de participação. Qual a sistemática utilizada que desaguou em pagamentos de variaram de R$ 21.000,00 a R$ 1.475.852,80 pagos a um dos dirigentes? Nesse ponto, vale colacionar julgado do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. TRF4. APELAÇÃO/REEXAME NECESSÁRIO Nº 2003.71.07.0117967/RS. D.E. Publicado em 16/07/2009 (...) 4. A participação nos lucros paga ao diretor não empregado integra o saláriodecontribuição. O mesmo sucede em relação ao diretor empregado, se o mesmo, quanto à participação nos lucros, goza de situação privilegiada em relação aos demais empregados. (...) O Min Luiz Fux, relator do REsp 865489 (2006/00747495 24/11/2010), transcreve excerto do acórdão hostilizado que resume o que se espera quando da formalização de planos de participação. "Embora com alterações ao longo do período, as linhas gerais da participação nos resultados, estabelecidas na legislação, podem ser assim resumidas: a) deve funcionar como instrumento de integração entre capital e trabalho, mediante negociação; b) deve servir de incentivo à produtividade e estar vinculado à existência de resultados positivos; c) necessidade de fixação de regras claras e objetivas; d) existência de mecanismos de aferição dos resultados No RESP º 856.160 PR (2006/01182238) da Ministra Eliana Calmon traz elucidativa manifestação sobre o tema. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12448.721031/201016 Acórdão n.º 280301.623 S2TE03 Fl. 13 13 1. Embasado o acórdão recorrido também em fundamentação infraconstitucional autônoma e preenchidos os demais pressupostos de admissibilidade, deve ser conhecido o recurso especial. 2. O gozo da isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica regulamentadora, como dispõe a Lei 8.212/91. 3. Descumpridas as exigências legais, as quantias em comento pagas pela empresa a seus empregados ostentam a natureza de remuneração, passíveis, pois, de serem tributadas. 4. Ambas as Turmas do STF têm decidido que é legítima a incidência da contribuição previdenciária mesmo no período anterior à regulamentação do art. 7º, XI, da Constituição Federal, atribuindolhe eficácia dita limitada, fato que não pode ser desconsiderado por esta Corte. 5. Recurso especial não provido. Vejamos seu voto. O cerne da controvérsia discutida nos autos reside em se definir se o pagamento realizado pela empresa, a título de participação nos lucros ou resultados, em desacordo com as normas da MP 794/94, convertida na Lei 10.101/00, tem como consequência a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores. (...) Com efeito, a isenção tributária sobre os valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados deve observar os limites da lei regulamentadora, no caso a MP 794/94 e a Lei 10.101/00, por força da expressa previsão do art. 7º, XI, da Constituição Federal, cuja redação é a seguinte: (...) Também a Lei 8.212/91 possui idêntica previsão no art. 28, § 9º, "j", condicionando a fruição do benefício fiscal em questão à observância da legislação específica. Confirase(...) À luz da previsão legal acima, portanto, não se sustenta o argumento de que não existe lei determinando a incidência da contribuição previdenciária sobre as parcelas pagas a título de participação nos lucros ou resultados em desacordo com a lei específica, pois, em tal situação, elas perdem essa característica e são tratadas como remuneração, assim entendida como a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título durante o mês, ou seja, a Fl. 225DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12448.721031/201016 Acórdão n.º 280301.623 S2TE03 Fl. 14 14 regra é a tributação, afastada apenas se cumpridas as exigências da lei isentiva. Em outras palavras, para o gozo do benefício fiscal pretendido pela recorrente, tornase indispensável a observância da disciplina da lei específica acerca da forma que deve ser creditada a participação nos lucros, como bem decidiu o Tribunal de origem. (...) Diante disso, tenho por devida a contribuição previdenciária se o creditamento da participação dos lucros ou resultados não observou as disposições legais específicas, como estabelece o art. 28, § 9º, "j", da Lei 8.212/91, e conforme bem decidiu o acórdão recorrido que, por isso mesmo, não merece quaisquer reparos A cláusula 13 avança nas irregularidades, ao estipular que um Comitê de RH da estipulante terá total autonomia para renovar, revisar e alterar o plano, dando apenas ciência à Comissão dos Empregados, em total discordância com a lei 10.101/00, dando ampla liberalidade ao empregador para alterar as normas postas da forma que bem entender. Como bem trazido pela recorrente, o acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais de nº 920200.503, de relatoria do Conselheiro Elias Sampaio, aponta importantes considerações, que transcrevo. O artigo 7°, inciso XI, da Constituição Federal, ao desvincular a participação nos lucros da remuneração, estabeleceu a exigência de lei que disciplinasse a forma desta participação. Assim, as parcelas relativas à participação nos lucros posteriores à edição da Medida Provisória n° 794/94 devem observar os requisitos por ela impostos. Sobretudo porque o art. 28, inciso I, § 9°, da Lei n° 8.212, condiciona a exclusão de tais valores do salário decontribuição à observância da legislação de regência.(...) A objetividade e clareza exigida pelo § 1° do art. 2° da Lei n° 10.101/00, nada mais representam do que uma forma de se garantir que não hajam dúvidas que impeçam ou dificultem a qualquer das partes envolvidas o direito a observar o quanto fora acordado. Com isto, são alcançadas as duas finalidades da lei: há uma integração entre o capital e o trabalho, pela recompensa com a participação nos lucros ou resultados por parte do trabalhador e a empresa ganha em aumento da produtividade. (...) Assim, para a PLR ser paga de acordo com a legislação especifica deve,cumulativamente: Fl. 226DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12448.721031/201016 Acórdão n.º 280301.623 S2TE03 Fl. 15 15 a) Resultar de negociação entre a empresa e seus empregados, por comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; e/ou por convenção ou acordo coletivo; b) Do resultado dessa negociação deverão constar regas claras e objetivas quanto a fixação dos direitos substantivos e quanto a fixação das regras adjetivas, onde deverão constar, nas regras, mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado; periodicidade da distribuição; período de vigência e prazos para revisão do acordo; c) O resultado da negociação deve ser arquivado na entidade sindical dos trabalhadores; d) Não substituir, nem complementar a remuneração devida a qualquer empregado; e) Ser paga em periodicidade superior a um semestre civil, ou, no máximo, em duas vezes no mesmo ano civil; f) Por fim, a legislação determina formas de resolução de impasses quanto a PLR: a mediação ou a arbitragem de ofertas finais. (...) Destarte, face ao exposto e considerando as cláusulas do acordo coletivo acima transcritas, neste ponto, não tenho como divergir dos fundamentos adotados pelo relator do voto condutor do acórdão recorrido, ao concluir que foram atendidas as exigências de que dos instrumentos decorrentes da negociação entre empregador e empregados constam regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, ni verbis: Resta patente que as regras devem ser claras e objetivas, devendo também constar elementos efetivos de aferição que comprovem o alcance ou não do que proposto e nada disso consta do PLR acostado, nem regras claras, tampouco critérios objetivos de aferição. Vejamos jurisprudência deste Conselho. PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO DE EMPREGADOS NOS LUCROS (PLR). DEDUTIBILIDADE. A dedutibilidade dos valores pagos à título de Programa de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR), depende da adoção de regras claras e objetivas, consignadas em acordo/convenção coletiva do sindicato da categoria ou acordo particular adotado através de prévia negociação com comissão de trabalhadores, contando com a Fl. 227DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12448.721031/201016 Acórdão n.º 280301.623 S2TE03 Fl. 16 16 participação do respectivo sindicato da categoria. (...) Processo n° 13808.000154/200228. Acórdão n' 1803 00.467. 1ª Seção de Julgamento. 3ª Turma Especial. Sessão de 08 de julho de 2010. Temos assim que a Participação nos Lucros e Resultados, na forma pactuada, se desvirtua do que preconizado em lei. O PLR firmado confere ao empregador vasta liberalidade na condução da distribuição do benefício, estando ausentes a objetividade e clareza necessárias ao instrumento, além de indevidamente afastar os empregados e sua representação sindical do processo de construção e efetivação do plano, bem como a ausência de elementos efetivos de aferição. A falta de regras claras permite inclusive distorções de pagamento como a que demonstrada na planilha 01, onde somente alguns recebem altas retribuições, em total descompasso com os demais empregados, o que também é vedado pelo ordenamento pátrio. A distribuição de forma desequilibrada comprova a falta de critérios uniformes com claro direcionamento de benefício a uma pequena parcela de empregados/dirigentes. As avaliações existem por certo, mas não atendem ao que preconizado na lei 10.101/00, dando margem a todo tipo de manipulação por parte do empregador, em desacordo com a norma que rege o tema. A legislação confere ampla autonomia negocial quando da implementação de PLR, mas há que existir parâmetros, seja quais forem, e sempre explanados de forma clara e objetiva, o que não ocorre in casu. Vejamos o disposto no art. 28,I da lei 8.212/91, que versa sobre o conceito de salário de contribuição: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Percebese a abrangência do conceito, traduzindo a preocupação do legislador com a amplitude da base de cálculo de importante receita previdenciária. Mesmo que tais verbas remuneratórias não sejam pagas mês a mês, estão abarcadas pela norma, uma vez que esta alcança todo e qualquer rendimento pago, a qualquer título, à pessoa física que preste serviço, nos exatos termos da Constituição e da Lei 8.212/91, posto que atreladas ao efetivo exercício da atividade laboral, comprovando sua natureza salarial, inclusive na linha dos precedentes jurisprudenciais já transcritos REsp 865489 (2006/00747495 24/11/2010) e RESP Fl. 228DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12448.721031/201016 Acórdão n.º 280301.623 S2TE03 Fl. 17 17 º 856.160 PR (2006/01182238) e ainda em recente decisão também da Corte Superior: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. INCIDÊNCIA. POSSIBILIDADE. OMISSÃO QUANTO À LEI DE REGÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. RETORNO DOS AUTOS.NECESSIDADE. (...) 2. A isenção tributária sobre os valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados deve observar os limites da lei regulamentadora; no caso, a Medida Provisória 794/94 e a Lei n. 10.101/00, e também o art. 28, § 9º, "j", da Lei n. 8.212/91, possuem regulamentação idêntica. 3. Descumpridas as exigências legais, as quantias pagas pela empresa a seus empregados ostentam a natureza de remuneração, passíveis, pois, de serem tributadas.(...) REsp 1264410 / PR. Relator: Ministro HUMBERTO MARTINS. DJe 11/05/2012 Tudo de acordo com o parágrafo 10 do artigo 214 do Decreto 3.048/1999, que aprovou o Regulamento da Previdência Social. Art.214. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) X a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) § 10. As parcelas referidas no parágrafo anterior, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o saláriodecontribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. Não obedecidos os critérios determinados pelo art. 28 § 9º da lei 8.212/91 c/c a lei 10.101/00, seja pelas regras obscuras, seja pelo alijamento dos empregados e sindicatos da elaboração e manutenção do plano, além da flagrante discrepância dos valores pagos, tenho que os importâncias distribuídas se enquadram no conceito de salário de contribuição, sujeitos assim à contribuição previdenciária. ___________________________ Fl. 229DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12448.721031/201016 Acórdão n.º 280301.623 S2TE03 Fl. 18 18 DA MULTA APLICADA O cumprimento das obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária é de caráter obrigatório por parte dos contribuintes, não se confundindo com o adimplemento da obrigação principal. Nessa linha, no RE 250844/SP, de 29.5.2012, O Min. Luiz Fux explicitou que, no Direito Tributário, inexistiria a vinculação de o acessório seguir o principal, porquanto haveria obrigações acessórias autônomas e obrigação principal tributária, o que afasta a tese de consunção suscitada. A multa aplicada é a determinada pela legislação em vigor, em especial lei n. 8.212, de 24.07.91, artigos 32, §5º e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto no. 3.048, de 06.05.99, art. 284, II. A atividade tributária é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais, sendolhe vedada a discricionariedade de aplicação da norma quando presentes os requisitos materiais e formais para a autuação. A penalidade aplicada encontra fundamento nos dispositivos legais retrocitados e foi corretamente aplicada pela autoridade fiscal, encontrandose livre de vícios. APLICAÇÃO DA NORMA MAIS FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE O art. 106, inciso II,”c” do CTN determina a aplicação de legislação superveniente, caso esta seja mais benéfica ao contribuinte. As multas em GFIP foram alteradas pela lei n º 11.941/09, o que pode beneficiar o recorrente. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, senão vejamos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração Fl. 230DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12448.721031/201016 Acórdão n.º 280301.623 S2TE03 Fl. 19 19 e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Dessarte, o valor do Auto de Infração deve ser calculado segundo a nova norma legal art. 32A,I, da lei 8.212/91, somente, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. No cálculo da multa devem se observados os valores mínimos, por competência, elencados no parágrafo 3º do mesmo artigo 32A. CONCLUSÃO Ante o exposto, conheço do presente recurso e DOULHE PARCIAL PROVIMENTO para que seja efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A,I da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12448.721031/201016 Acórdão n.º 280301.623 S2TE03 Fl. 20 20 Fl. 232DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Numero do processo: 10880.949993/2008-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 20 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Data do fato gerador: 27/02/2004
DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO.
Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP como origem do crédito corresponde exatamente ao débito confessado em DCTF e que contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, o que não logrou êxito em demonstrar.
Numero da decisão: 1301-006.467
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Taranto Malheiros - Presidente
(documento assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Iagaro Jung Martins, Jose Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Marcelo Jose Luz de Macedo, Fernando Beltcher da Silva (suplente convocado(a)), Maria Carolina Maldonado Mendonca Kraljevic, Eduardo Monteiro Cardoso, Rafael Taranto Malheiros (Presidente).
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP como origem do crédito corresponde exatamente ao débito confessado em DCTF e que contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, o que não logrou êxito em demonstrar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Rafael Taranto Malheiros - Presidente (documento assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Iagaro Jung Martins, Jose Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Marcelo Jose Luz de Macedo, Fernando Beltcher da Silva (suplente convocado(a)), Maria Carolina Maldonado Mendonca Kraljevic, Eduardo Monteiro Cardoso, Rafael Taranto Malheiros (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão 16-28.136, proferido pela 5ª Turma da DRJ/SP1, na sessão de 01 de dezembro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 94 99 93 /2 00 8- 71 Fl. 96DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1301-006.467 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.949993/2008-71 de 2010, que, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, entendeu, por unanimidade de votos, julgá-la improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Por bem descrever o ocorrido, valho-me do relatório proferido quando do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito, complementando-o ao final: DO DESPACHO DECISÓRIO Em face do PER/DCOMP de fls. 05109, transmitido pela contribuinte em 30/07/2004, que indicava como crédito o pagamento indevido / a maior de IRPJ no montante de R$ 5.407.000,45, a DERAT proferiu o Despacho Decisório de fl. 01, no qual não homologa a compensação declarada, em face de o DARF discriminado no PER/DCOMP haver sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificada do Despacho Decisório, a contribuinte, por meio de sua advogada, regularmente constituída, apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 10/16, alegando, em síntese, o seguinte. A contribuinte, pessoa jurídica tributada pelo lucro real, valendo-se das disposições do artigo 230 do RIR/99, procedeu ao levantamento do balanço de redução na competência de janeiro de 2004, levada à transcrição em seu livro Diário. Diante desse procedimento, constatou-se que nada devia a pagar na referida competência, conforme Ficha 11 da DIPJ do período. Entretanto, mesmo inexistindo o fato gerador do tributo, houve o recolhimento no montante de R$ 5.407.000,45, conforme DARF anexo. Conforme documentação anexa, materializada nas obrigações acessórias (DIPJ) e na própria escrituração contábil da contribuinte (livro Diário com o registro tempestivo do balanço de suspensão), pode-se constatar que o pagamento efetivamente promovido pela contribuinte, materializado em DARF no valor de R$ 5.407.000,45, foi manifestamente indevido. Essa é a origem do crédito informado e levado à compensação parcial pela contribuinte por meio do PER/DCOMP aqui tratado. Entretanto, a autoridade fiscal equivocadamente entendeu inexistir qualquer valor em favor da contribuinte, inferindo ter sido o montante total do DARF completamente utilizado na quitação de suposto débito (código 2362, PA 31/01/2004), em que pese todas as informações contidas na DIPJ e na própria apuração respaldada em balanço de suspensão comprovarem inexistir qualquer crédito tributário naquele período. Assim, não prospera o único motivo apontado pela autoridade fiscal para a não homologação da compensação realizada pela contribuinte. Por todo o exposto, requer a contribuinte a reforma do Despacho Decisório, declarando-se homologadas as compensações realizadas pela contribuinte por meio do PER/DCOMP aqui tratado. Naquela oportunidade, a r.turma julgadora entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade apresentada, conforme sintetizado pela seguinte Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador 27/02/2004 DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP como origem do crédito corresponde exatamente ao debito confessado em DCTF e que contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. Fl. 97DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1301-006.467 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.949993/2008-71 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, através de patrono legitimamente constituído, pugnando por provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais, portanto, dele conheço. DO MÉRITO Consoante relatado, por meio da PER/DCOMP n.º 11618.18478.300704.1.3.04-9046, o contribuinte informou a existência de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, PA 31/01/2004, no valor de R$ 5.407.000,45. De acordo com o despacho decisório, não foi homologada a compensação declarada, em face de o DARF discriminado no PER/DCOMP haver sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Irresignado, o contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, noticiando que ao proceder ao levantamento do balanço de redução na competência de janeiro de 2004, levado à transcrição em seu livro diário, constatou que nada devia a pagar na referida competência, conforme Ficha 11 da DIPJ do período. Sustentou, em conformidade com a documentação que anexou, materializada nas obrigações acessórias (DIPJ) e em sua própria escrituração contábil (livro Diário com o registro tempestivo do balanço de suspensão), conclui- se que o pagamento efetivamente promovido pela contribuinte, materializado em DARF no valor de R$ 5.407.000,45, foi manifestamente indevido. Ao apreciar suas alegações de manifestação de inconformidade, a DRJ decidiu julgá-la improcedente, sob o mesmo entendimento de inexistência de crédito passível de compensação, consignando-se que, de fato, o DARF indicado no PER/DCOMP como origem do crédito, corresponde exatamente ao débito confessado em DCTF, não se tratando, portanto, de pagamento indevido. Em seu decisum, pontua a DRJ que o débito confessado mediante DCTF goza de presunção de liquidez e certeza, de modo que, para desconstituí-lo, o contribuinte deveria apresentar provas contundentes de que a verdade material é outra, destacando que, nos termos do artigo 923 do RIR/99, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte, desde que os fatos nela registrados estejam comprovados por documentos hábeis, o que não é o caso: limitou-se a trazer cópia da DIPJ e do Livro Diário, demonstrativos estes elaborados pelo próprio contribuinte, os quais, desacompanhados de documentos Fl. 98DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1301-006.467 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.949993/2008-71 comprobatórios dos valores ali indicados, não possuem o condão de desconstituir a confissão do débito em DCTF. Inconformado, o contribuinte apresenta recurso voluntário, consubstanciado em jurisprudência do CARF, que reconhece a necessidade da busca da verdade material no processo administrativo, colacionando julgados que, sob sua ótica, ratificam essa busca, além de discorrer sobre a apuração contábil com o enfoque na prova, em favor do contribuinte, quando o registro contábil é feito de acordo com a Lei, e ao final requer a reforma do julgamento em primeira instância. Não apresenta prova adicional. Pois bem, em primeiro lugar, deve-se esclarecer que prestigiar o principio da verdade material, não significa que haja uma espécie de transferência de ônus da prova do Contribuinte para o Julgador. Não é função da Autoridade Julgadora imiscuir-se no dever das partes de provar suas alegações. Assim, se o Contribuinte busca o reconhecimento de direito creditório, como é o caso dos autos, é seu dever ou encargo de trazer aos autos, por meio de documentos hábeis e idôneos, a demonstração de que ele existe. Caberia ao sujeito passivo trazer aos autos os elementos aptos a comprovar a existência de direito creditório, capazes de demonstrar, de forma cabal, que a Fiscalização incorreu em erro ao glosar seu pleito creditório. Mais uma vez, a recorrente limita-se a referir a cópia da DIPJ e do Livro Diário, demonstrativos estes elaborados pela própria empresa, os quais, desacompanhados de documentos comprobatórios dos valores ali indicados, não possuem o condão de desconstituir a confissão do débito em DCTF. De fato, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova em favor do contribuinte, mas desde que os fatos nela registrados estejam comprovados por documentos hábeis e idôneos. No caso, além da escrituração contábil, deveria o contribuinte ter trazido os documentos que comprovam os fatos nela registrados e, na impossibilidade de trazê-los, aos autos, ao menos, deveria justificar-se, mediante provas. Cabe ao contribuinte manter sob sua guarda, enquanto não prescritas as ações cabíveis, todos os documentos necessários à comprovação das operações que alteraram sua situação patrimonial, sendo inequívoca sua obrigação em comprovar a alteração do valor da estimativa no período em discussão, e, não o fazendo satisfatoriamente, impõe-se o não reconhecimento do direito creditório perseguido. Conclusão À vista do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 99DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1301-006.467 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.949993/2008-71 Fl. 100DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10932.000158/2010-01
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 28/04/2010
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA.
1. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de
2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, situação que tornou mais benéfica,
determinadas infrações relativamente às obrigações acessórias. A novel
legislação acrescentou o art. 32-A a Lei n º 8.212. 2. Em virtude das mudanças legislativas e de acordo com a previsão contida no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. 3. In casu, portanto, deverá ser observado o instituto da retroatividade benigna, com a consequente redução da multa aplicada ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-001.683
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratarse de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea "c" do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional - CTN.
Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Osmar Pereira Costa.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 28/04/2010 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. 1. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, situação que tornou mais benéfica, determinadas infrações relativamente às obrigações acessórias. A novel legislação acrescentou o art. 32-A a Lei n º 8.212. 2. Em virtude das mudanças legislativas e de acordo com a previsão contida no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. 3. In casu, portanto, deverá ser observado o instituto da retroatividade benigna, com a consequente redução da multa aplicada ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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INDUSTRIAL S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 28/04/2010 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. 1. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, situação que tornou mais benéfica, determinadas infrações relativamente às obrigações acessórias. A novel legislação acrescentou o art. 32A a Lei n º 8.212. 2. Em virtude das mudanças legislativas e de acordo com a previsão contida no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratando se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. 3. In casu, portanto, deverá ser observado o instituto da retroatividade benigna, com a consequente redução da multa aplicada ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratarse de situação mais benéfica para o contribuinte, Fl. 146DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 3/07/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10932.000158/201001 Acórdão n.º 280301.683 S2TE03 Fl. 3 2 conforme se pode inferir da alínea "c" do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional CTN. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Osmar Pereira Costa. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos e Osmar Pereira Costa. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 3/07/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10932.000158/201001 Acórdão n.º 280301.683 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração – AI (CFL 68) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, por ter a empresa deixado de apresentar o documento a que se refere a Lei nº 8.212/91, art. 32, inciso IV e § 3º, acrescentado pela Lei nº 9.528/97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei nº 8.212/91, art. 32, IV e § 5º, também acrescentado pela Lei nº 9.528/91, combinado com o art. 225, IV e § 4º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 17 de março de 2011 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2006 ENTREGA DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária, nos termos do artigo 32, inciso IV e § 5º, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há cerceamento ao direito de defesa quando o relatório fiscal apresenta os motivos que levaram a Fiscalização a arbitrar a remuneração dos segurados empregados e detalha as remunerações apuradas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: A empresa recorrente teve contra si lavrado auto de infração que se refere à multa por descumprimento de obrigação acessória das contribuições previdenciárias, lavrada em 04/2010, resultando num crédito tributário de R$296.265,90. O contribuinte alega ter havido cerceamento do direito de defesa, sob a alegação de que no momento da ciência dos autos não recebeu a totalidade dos documentos Fl. 148DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 3/07/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10932.000158/201001 Acórdão n.º 280301.683 S2TE03 Fl. 5 4 que compunham o processo administrativo. Disse também que além de não ter recebido todos os documentos necessários para sua defesa também não teve acesso aos autos administrativos. A ampla defesa no processo administrativo constitui garantia individual do contribuinte com status constitucional como se depreende do art. 5º, LV, da CF/88. O princípio do contraditório, como garantia constitucional, propicia ao sujeito passivo a garantia de não se despojado de seus bens sem que a este ato possa se manifestar, mediante a impugnação do lançamento, que constitui ato através do qual o Estado o crédito tributário. É fora de dúvida que o fato de o contribuinte não ter tido acesso a todos os documentos que dão sustentação à autuação, seja por que não lhe foram entregues no momento da ciência, seja por que os autos processo não ficaram disponíveis para consulta, constituiuse em preterição do direito de defesa que resulta na nulidade do lançamento. A fiscalização limitouse a afirmar – afirmar apenas sem apontar e demonstrar – que constatou divergências significativas entre o número de trabalhadores e os valores informados em DIRF. Quais trabalhadores não foram informados? Quais parcelas da remuneração não foram informadas? Nada disso é esclarecido, o que impede a defesa da autuada. É evidente o cerceamento ao amplo direito à defesa! Fica claro, portanto, que no caso presente o fato de a autuada não ter tido acesso, na fase que precede a apresentação da impugnação, a todos os termos de intimação caracteriza cerceamento de defesa. O Regimento do CARF determina o sobrestamento dos julgamentos dos recursos que tratem de matérias já sobrestadas pelo Supremo Tribunal Federal. Entre as matérias aqui em discussão temos: Taxa Selic e multa confiscatória. A recorrente protesta pela redução da multa de forma que deve remanescer a aplicação da multa prevista no art. 32A da lei 8.212/91, em obediência ao art. 106 do CTN, desde que seja mais benéfica para o sujeito passivo. Por tudo quanto exposto, a recorrente requer que o presente recurso voluntário seja conhecido em todos os seus fundamentos e que seja julgada a improcedência total do lançamento, requerendo em especial que seja reconhecida: 1) a nulidade do lançamento por ter ocorrido cerceamento do direito de defesa; 2) a necessidade de sobrestamento do julgamento do recurso até decisão final do STF em matérias similares; e 3) a aplicação da multa prevista no art. 32A da Lei 8.212/91, se mais benéfica. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 3/07/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10932.000158/201001 Acórdão n.º 280301.683 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. Apesar das argumentações apresentadas no recurso, não se vislumbra, in casu, qualquer hipótese de cerceamento do direito de defesa, tendo em vista que a documentação entregue ao contribuinte por ocasião da notificação do auto de infração é suficiente para que ele exerça plenamente o seus direitos. Ademais, não vislumbro a necessidade de sobrestamento do julgamento até decisão final do STF em matérias similares, por absoluta incompatibilidade do pedido formulado pelo contribuinte com as regras previstas no art. 62A do RICARF. Segundo os autos, durante a ação fiscal realizada, o contribuinte apresentou GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Agindo desse modo, a empresa alterou o valor das contribuições, ferindo, assim, a legislação previdenciária. Consta no Relatório Fiscal da Infração (fls. 5) o seguinte: No trabalho de auditoria fiscal efetuamos a conciliação entre os valores das folhas de Pagamento, as Guias do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço i Informações à Previdência Social – GFIP`s entregues antes do início da ação fiscal e as Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF`s, constantes do sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. No referido exame constatamos divergência significativa entre o número de trabalhadores e os valores informados em DIRF, comparado com os apresentados em GFIP. Através de Termo de Constatação de 18/01/2010, cientificamos o contribuinte das divergências encontradas, abrindo prazo para que o mesmo contestasse os fatos ali relatados. Até a presente data o contribuinte mantevese inerte, razão pela qual, lavramos o presente Auto de Infração. Consta Auto de Infração nº DEBCAD 35.863.2404, lavrado em ação fiscal anterior em 06/10/2005, com decisão administrativa definitiva em 11/11/2005, caracterizando reincidência. Não constam ocorrências de outras circunstâncias agravantes. É sabido, pois, que desde janeiro de 1999 tornouse obrigatória a declaração, por intermédio do documento denominado GFIP – Guia de Pagamento do FGTS e Informações Fl. 150DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 3/07/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10932.000158/201001 Acórdão n.º 280301.683 S2TE03 Fl. 7 6 à Previdência Social, de todas as bases de cálculo de contribuições previdenciárias. A não apresentação, no prazo estabelecido pela legislação que rege a matéria, bem como a declaração de valores inferiores aos corretos, implica, necessariamente, na autuação da empresa por parte da fiscalização. Sabese também que pelo descumprimento da obrigação referida, a multa aplicada para essa infração equivale a 100% (cem por cento) do valor devido relativo às contribuições não declaradas, respeitado o limite dos valores previstos no inciso I do artigo 284 do RPS, quando o contribuinte apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Assim, não se pode perder de vista que o descumprimento da obrigação tributária com a apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, configurase infração à legislação, conforme a descrição sumária da infração e dispositivo legal infringido (fls. 01). Nada obstante à discussão estabelecida entre o Fisco e o contribuinte, há que se considerar, in casu, que a multa imposta ao contribuinte, baseada no art. 32 da lei nº 8.212/91, sofreu alterações em razão dos comandos emanados da Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na lei nº 11.941, de 2009. Destarte, em relação às multas de que tratava o artigo 32 da Lei de Custeio, o legislador, ao acrescentar o art. 32A ao referido diploma legal estabeleceu que: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 151DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 3/07/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10932.000158/201001 Acórdão n.º 280301.683 S2TE03 Fl. 8 7 § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória nº 449, de 2008, sendo mais benéfica para o infrator, conforme se pode observar da redação do art. 32A da Lei nº 8.212/91. Todavia, com o advento da medida Provisória nº 449 de 2009, convertida na Lei nº 11.941/09, a tipificação passou a ser apresentar GFIP com incorreções ou omissões, com multa de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. A nova redação não faz distinção se os valores foram declarados a maior ou a menor. Conforme previsto no art. 106, inciso II, do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratalo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Entendo, pois, que este caso se enquadra perfeitamente na regra prevista no art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN. CONCLUSÃO. Pelo exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito DARLHE PARCIAL PROVIMENTO. A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratar se de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea “c” do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional – CTN. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 3/07/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10932.000158/201001 Acórdão n.º 280301.683 S2TE03 Fl. 9 8 É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 3/07/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10880.983421/2009-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 19 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue Sep 05 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1999
ALEGAÇÃO DE MATÉRIA NÃO CONTESTADA NA IMPUGNAÇÃO. ART. 17 DO DEC. 70.235/72. PRECLUSÃO.
De acordo com o art. 17 do Dec. 70.235/72 se considera não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, ocorrendo, assim, a preclusão em relação a tais assuntos.
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF 91. PRAZO APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. 10 ANOS. SÚMULA CARF 91.
O prazo para compensação ou de restituição em declarações apresentadas antes de 9 de junho de 2005 é de 10 anos, contado da ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 1402-006.537
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, para, no mérito e na parte conhecida, a ele dar provimento, de forma a reconhecer a tempestividade da apresentação dos PER/DCOMP nos 36899.26000.070605.1.2.1021, 38755.82795.140708.1.7.02-7233 e 05345.64292.140708.1.7.02-6155, devendo o processo retornar à Unidade de Origem para que a Autoridade Tributária faça nova análise do pedido e das declarações, prosseguindo, a partir daí, o rito do PAF.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Luciano Bernart Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Alexandre Iabrudi Catunda, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocado(a)), Luciano Bernart, Jandir Jose Dalle Lucca, Paulo Mateus Ciccone (Presidente)
Nome do relator: LUCIANO BERNART
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1999 ALEGAÇÃO DE MATÉRIA NÃO CONTESTADA NA IMPUGNAÇÃO. ART. 17 DO DEC. 70.235/72. PRECLUSÃO. De acordo com o art. 17 do Dec. 70.235/72 se considera não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, ocorrendo, assim, a preclusão em relação a tais assuntos. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF 91. PRAZO APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. 10 ANOS. SÚMULA CARF 91. O prazo para compensação ou de restituição em declarações apresentadas antes de 9 de junho de 2005 é de 10 anos, contado da ocorrência do fato gerador.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, para, no mérito e na parte conhecida, a ele dar provimento, de forma a reconhecer a tempestividade da apresentação dos PER/DCOMP nos 36899.26000.070605.1.2.1021, 38755.82795.140708.1.7.02-7233 e 05345.64292.140708.1.7.02-6155, devendo o processo retornar à Unidade de Origem para que a Autoridade Tributária faça nova análise do pedido e das declarações, prosseguindo, a partir daí, o rito do PAF. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente (documento assinado digitalmente) Luciano Bernart Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Alexandre Iabrudi Catunda, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocado(a)), Luciano Bernart, Jandir Jose Dalle Lucca, Paulo Mateus Ciccone (Presidente)
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1999 ALEGAÇÃO DE MATÉRIA NÃO CONTESTADA NA IMPUGNAÇÃO. ART. 17 DO DEC. 70.235/72. PRECLUSÃO. De acordo com o art. 17 do Dec. 70.235/72 se considera não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, ocorrendo, assim, a preclusão em relação a tais assuntos. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF 91. PRAZO APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. 10 ANOS. SÚMULA CARF 91. O prazo para compensação ou de restituição em declarações apresentadas antes de 9 de junho de 2005 é de 10 anos, contado da ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, para, no mérito e na parte conhecida, a ele dar provimento, de forma a reconhecer a tempestividade da apresentação dos PER/DCOMP nos 36899.26000.070605.1.2.1021, 38755.82795.140708.1.7.02-7233 e 05345.64292.140708.1.7.02- 6155, devendo o processo retornar à Unidade de Origem para que a Autoridade Tributária faça nova análise do pedido e das declarações, prosseguindo, a partir daí, o rito do PAF. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente (documento assinado digitalmente) Luciano Bernart – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Alexandre Iabrudi Catunda, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocado(a)), Luciano Bernart, Jandir Jose Dalle Lucca, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 98 34 21 /2 00 9- 00 Fl. 532DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1402-006.537 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.983421/2009-00 Relatório 1. Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 251-275 e docs. anexos, com cópia do Recurso às fls. 344-368) interposto em face de Acórdão n° 16-048.980, da 1ª Turma da DRJ/SP1 (fls. 237-243), em sessão realizada na data de 30 de julho de 2013, por meio do qual o referido Órgão julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte (fl. 209-216 e docs. anexos), de forma a não reconhecer direito creditório em favor da Manifestante. I. PER/DCOMP, Despacho Decisório (DD), Manifestação de Inconformidade e DRJ 2. Por economia e celeridade processual, transcreve-se o relatório do Acórdão da DRJ de fl. 239. Trata-se de Manifestação de Inconformidade interposta pela contribuinte anteriormente qualificada, em face do Despacho Decisório de fls. 183, proferido pela Eqpir/Diort/Derat/SPQ, mediante o qual a autoridade fiscal a quo homologou, até o limite do crédito reconhecido de R$ 10.742.135,41, declarações de compens4ão a ele vinculadas, tendo também indeferido, com fundamento em intempestividade, os » PER/Dcomp 36899.26000.070605.1.2.02-1021, 38755.82795.140708.1.7.02-7233 e 05345.64292.140708.1.7.02-6155. Consoante consignado nos autos, o crédito apontado pela contribuinte como suporte para as aludidas compensações teria origem no saldo negativo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica de R$ 11.835.867,54, informado em sua Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica, referente ao ano-calendário de 1999, exercício 2000. Notificada da decisão via postal em 26/07/2010, conforme Aviso de Recebimento dos Correios de fls. 184/verso, a contribuinte apresentou a presente Manifestação de Inconformidade em 23/08/2010 (fls. 203/210), em que alega, em síntese, o quanto se segue: (a) A Recorrente, por intermédio de sua incorporada Samat Participações Ltda, apurou saldo negativo de IRPJ de R$ 11.835.867,54, conforme restou homologado pela Autoridade Administrativa que proferiu o despacho decisório; (b) Contudo, foram equivocadamente indeferidas por intempestividade as declarações de compensação e o pedido de restituição entregues em 07/04/2005 e 07/06/2005, respectivamente, enquanto a Dipj foi apresentada em 30/06/2000, de maneira que a contagem do prazo decadencial teve início depois de sua entrega, encerrando-se em 30/06/2005; (c) Ainda que não se- entenda que o prazo decadencial tenha início depois da entrega, da Dipj, o Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que o prazo para o contribuinte exercer o direito à devolução de valores de» tributos sujeitos à homologação, recolhidos indevidamente, é de dez anos; (d) Entende o STJ que a extinção do crédito tributário não ocorre com o pagamento da exação, sendo indispensável sua homologação expressa ou tácita, momento a partir do qual tem início a contagem 'do prazo de" cinco anos para pedir a restituição do indevido; Pede a contribuinte, ao final, a integral homologação das declarações de compensação e o cancelamento das cobranças dos débitos correspondentes. Fl. 533DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1402-006.537 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.983421/2009-00 3. A DRJ julgou pela improcedência da MI, nos seguintes termos da Ementa (fl. 101). ASSUNTO: NORMAS, GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1999 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO. CINCO ANOS. EXCEÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ANTERIOR. O sujeito passivo poderá apresentar Declaração de Compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de cinco anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à Receita Federal antes do transcurso do referido prazo e desde que não tenha sido indeferido ou, se deferido, ainda não tenha sido emitida a ordem de pagamento do crédito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio 4. Em suma, o Órgão julgador constatou que o saldo negativo do ano de 1.999 poderia ser restituído ou compensado a partir de janeiro de 2.000. Com base na IN SRF nº 460/04, após o prazo de cinco anos do surgimento do crédito, somente poderia ser feito se houvesse pedido de restituição anterior. Assim, a DRJ entendeu que o pedido de declaração posterior ao prazo de cinco anos somente pode ser feito se, no prazo de cinco anos houver pedido de restituição do respectivo saldo negativo. Como o pedido de restituição eletrônico foi transmitido em 07/06/2005 e as duas DCOMPs foram transmitidas em 14/07/2008, mas retificavam instrumentos compensatórios transmitidos em 07/04/2005, data em que o prazo extintivo já havia se aperfeiçoado. A tese levantada, dos cinco mais cinco, não se aplica ao caso, na visão da DRJ, pois a Contribuinte não tem atende aos requisitos impostos pela decisão. O primeiro seria que não houve pagamento, mas sim compensação. O segundo seria que o novo prazo fosse ajustado às ações ajuizadas, o que não se aplica ao processo administrativo de compensação. 5. O dispositivo aprovado para o Acórdão foi elaborado nos seguintes termos (fl. 237): Vistos, relatados e discutidos os autos do processo, ACORDAM os membros da Primeira Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar a manifestação de inconformidade IMPROCEDENTE, nos termos do voto do relator. Notifique-se a interessada desta decisão, facultando-lhe a via recursal ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais .no prazo de trinta dias, conforme previsto no artigo 74; § 10 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 534DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1402-006.537 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.983421/2009-00 II. Recurso Voluntário 6. Em face da decisão da DRJ, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, por meio do qual alegou, em suma, que é possível que: a) há duas discussões relevantes, que são a data limite para apresentação dos PERDCOMPs, indeferidos por serem intempestivos e o valor do crédito de saldo negativo apurado em 1.999, em especial quanto à dedução sem quaisquer provas, sob o fundamento de que teria havido compensação sem processo, sem conhecimento da Recorrente; b) deve ser adotada a tese dos cinco mais cinco, por três motivos principais. Primeiro, que os pedidos de restituição e compensação foram apresentados antes de 09/06/2005. A afirmação de que a tese não se aplica ao âmbito administrativo não encontra fundamento. A Recorrente sempre optou pelo lucro real. Os pedidos foram protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118, I, devendo o art. 168, I do CTN ser aplicado conforme a tese dos cinco mais cinco, sem esquecer que os tributos analisados são sujeitos ao lançamento por homologação. Cita a jurisprudência do STF e do STJ. Cita ainda o artigo 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, bem como jurisprudência desse Órgão. Assim, o prazo para requerer a compensação ou a restituição se estenderia até 31/12/2009; b.1) mesmo que não fosse aplicada a tese dos cinco mais cinco, o termo inicial de contagem do prazo se daria a partir do prazo de entrega da DIPJ, sendo que a Receita editou normas que preveem a admissão da “apresentação de PER-DCOMP para restituição e/ou compensação de saldo negativo a partir do 1º dia do ano-calendário seguinte ao do período de apuração do crédito”. De acordo com o art. 1º da IN 162/99, o prazo prescricional se encerraria em 30/06/2005; b.2) não há ocorrência do início do prazo prescricional para restituição de saldo negativo, enquanto o contribuinte for optante da sistemática do lucro real; c) foi descontado saldo negativo no valor de R$ 947.149,99, correspondente à parcela do crédito que teria sido aprovada em “compensações sem processo”. Tal glosa adveio de confusão das autoridades administrativas “porque das compensações sem processo no valor total de R$947.149,99, R$852.918,09 foram efetivadas a partir de créditos de saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 1998 e apenas R$94.231,90 com créditos de 1999. Esse deveria ter sido o valor da glosa” [...] “devendo a diferença ser totalmente restituída à Recorrente, juntamente com o saldo de crédito disponível de R$1.859.421,28”. Foi descontado indevidamente R$ 852.918,09 como “compensação sem processo”, devendo esse valor ser adicionado ao saldo negativo restante disponível, que é de “R$2.712.339,37 [R$1.859.421,28 (+) R$852.918,09]”. Ao final, requer o acolhimento do Recurso para reformar a decisão de primeiro grau, de forma que se proceda a homologação da compensação indicadas e a restituição pleiteada, com o crédito adicional. Alternativamente se requer o reconhecimento de inexistência da prescrição, com a consequente homologação das compensações e o deferimento da restituição. 7. Não foram apresentadas contrarrazões pela Fazenda Nacional. Fl. 535DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1402-006.537 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.983421/2009-00 III. Apenso 8. Em apenso aos presentes Autos estão os de n° 10880.721260/2010-98, o qual contém oito páginas e nenhum questionamento dirigido ao CARF. 9. É o relatório. Voto Conselheiro Luciano Bernart, Relator. IV. Tempestividade e admissibilidade 10. Com base no art. 33 do Decreto 70.235/72 e na constatação da data de intimação da decisão da DRJ (fl. 249 – 06/03/14), bem como do protocolo do Recurso Voluntário (fl. 251 e 342 – 26/03/14), conclui-se que este é tempestivo. 11. Quanto à admissibilidade do Recurso, essa merece análise acurada. A Recorrente aborda em sua defesa dois pontos sob os quais pretende sejam analisados e respectivos direitos reconhecidos. Ela mesmo resume tais pontos à fl. 348, que se colaciona abaixo. 12. Dessa forma, pretende a Contribuinte que haja reforma quanto ao prazo para a apresentação de pedido de restituição ou declaração de compensação e que seja reconhecido montante extra no saldo negativo. Quanto ao prazo para requerimento, não se vislumbra qualquer problema na admissibilidade, portanto, é o Recurso admitido nesta Parte, mas quanto ao reconhecimento do montante extra de saldo negativo, entende-se que por não ter sido levantado tal questionamento na Manifestação de Inconformidade, a situação se enquadra no art. 17 do Dec. 70.235/72, o qual prevê que “Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.”. 13. Ao se examinar a Manifestação de Inconformidade da Contribuinte, percebe- se que os únicos argumentos suscitados foram o “prazo decadencial” (fl. 210); “do prazo decadencial – empresas tributadas pelo lucro real” (fl. 211) e “do prazo decadencial – 05 anos de Fl. 536DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1402-006.537 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.983421/2009-00 lançamento” (fl. 213). Portanto, não há em nenhum momento, na defesa inicial, o questionamento do valor do saldo negativo. Assim sendo, não deve ser conhecido tal argumento. V. Prazo prescricional 14. A discussão gira em torno do prazo para a apresentação das declarações, pois no entendimento da Autoridade fiscal, confirmada pela DRJ, as declarações foram apresentadas fora do prazo (fl. 186). 15. A intempestividade das declarações teria sido gerada em virtude da prescrição em relação à exigência do crédito, uma vez que tal exigência somente poderia ter sido feito até 31/12/04, já que o crédito seria relativo ao ano-calendário de 1.999. 16. Sobre esse tema o CARF já se pronunciou, inclusive, emitindo Súmula sobre o assunto, a de nº 91, cujo dispositivo é o seguinte: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. 17. Como se observa (fl. 241), as declarações em comento foram apresentadas em 07/06/2005 e 07/04/05, portanto, antes da data indicada no dispositivo sumular, tendo como efeito a necessidade de reconhecer que o prazo prescricional relativos aos créditos objetos dos pleitos não havia transcorrido. 18. Não se vislumbra ainda que tal Súmula deva ser aplicada exclusivamente ao pedido de restituição e não à compensação. Uma vez que ambos são pedidos administrativos e cabe ao contribuinte optar por um ou outro, a restrição do benefício a um deles seria restringir opção autorizada pela lei. Não sob o mesmo fundamento, mas no mesmo sentido decidiu a CSRF. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1995 RECURSO ESPECIAL. SÚMULA CARF 91. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. 10 ANOS. SÚMULA CARF 91. Nos termos de decisão Plenária do STF e da Súmula CARF 91, o prazo para compensação é de 10 anos quanto às declarações de compensação apresentadas antes de 9 de junho de 2005. (Acórdão nº 9101-002.885, Sessão de 06 de junho de 2017) 19. Dessa forma, o questionamento da Contribuinte merece provimento, de forma a reconhecer a tempestividade da apresentação do Pedido de Restituição, bem como das declarações de compensação. Fl. 537DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1402-006.537 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.983421/2009-00 VI. Conclusão 20. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente o Recurso Voluntário, para, no mérito da parte conhecida, DAR-LHE PROVIMENTO, de forma a reconhecer a tempestividade da apresentação das PERDCOMPs n os 36899.26000.070605.1.2.1021, 38755.82795.140708.1.7.02-7233 e 05345.64292.140708.1.7.02- 6155. Devem os Autos retornar à Unidade de Origem para que a Autoridade faça a análise do pedido e das declarações, seguindo o rito do PAF. (documento assinado digitalmente) Luciano Bernart Fl. 538DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 19647.001899/2008-76
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Fri Sep 08 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2004
RECURSO VOLUNTÁRIO. REPRODUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. AUSÊNCIA DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA.
Cabível a aplicação do artigo 57, §3º do RICARF - faculdade do relator transcrever a decisão de 1ª instância - quando este registrar que as partes não inovaram em suas razões de defesa.
DESPESAS MÉDICAS . COMPROVAÇÃO.
A dedução com despesas médicas somente é admitida se comprovada com documentação hábil e idônea. Os recibos não fazem prova absoluta da ocorrência do pagamento, devendo ser apresentados outros elementos de comprovação, quando solicitados pela autoridade fiscal (Súmula CARF nº 180).
Numero da decisão: 2001-006.214
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Honorio Albuquerque de Brito - Presidente e Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente).
Nome do relator: HONORIO ALBUQUERQUE DE BRITO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. REPRODUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. AUSÊNCIA DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA. Cabível a aplicação do artigo 57, §3º do RICARF - faculdade do relator transcrever a decisão de 1ª instância - quando este registrar que as partes não inovaram em suas razões de defesa. DESPESAS MÉDICAS . COMPROVAÇÃO. A dedução com despesas médicas somente é admitida se comprovada com documentação hábil e idônea. Os recibos não fazem prova absoluta da ocorrência do pagamento, devendo ser apresentados outros elementos de comprovação, quando solicitados pela autoridade fiscal (Súmula CARF nº 180).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2023-08-30T12:06:28Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-08-30T12:06:28Z; Last-Modified: 2023-08-30T12:06:28Z; dcterms:modified: 2023-08-30T12:06:28Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-08-30T12:06:28Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-08-30T12:06:28Z; meta:save-date: 2023-08-30T12:06:28Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-08-30T12:06:28Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-08-30T12:06:28Z; created: 2023-08-30T12:06:28Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2023-08-30T12:06:28Z; pdf:charsPerPage: 1826; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-08-30T12:06:28Z | Conteúdo => S2-TE01 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 19647.001899/2008-76 Recurso Voluntário Acórdão nº 2001-006.214 – 2ª Seção de Julgamento / 1ª Turma Extraordinária Sessão de 25 de julho de 2023 Recorrente JOAQUIM JOSE DE SOUZA COSTA NETO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. REPRODUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. AUSÊNCIA DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA. Cabível a aplicação do artigo 57, §3º do RICARF - faculdade do relator transcrever a decisão de 1ª instância - quando este registrar que as partes não inovaram em suas razões de defesa. DESPESAS MÉDICAS . COMPROVAÇÃO. A dedução com despesas médicas somente é admitida se comprovada com documentação hábil e idônea. Os recibos não fazem prova absoluta da ocorrência do pagamento, devendo ser apresentados outros elementos de comprovação, quando solicitados pela autoridade fiscal (Súmula CARF nº 180). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honorio Albuquerque de Brito - Presidente e Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente). Relatório A seguir transcreve-se o relatório do acórdão nº 11-37.583 da 1ª Turma da DRJ em Recife/PE (fls. 57 e segs.). 1. Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 35 a 38, na qual é cobrado o Imposto de Renda Pessoa Física - Suplementar, relativamente ao ano-calendário de 2003, exercício 2004, no valor de R$ 4.262,50, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 18 99 /2 00 8- 76 Fl. 86DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-006.214 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 19647.001899/2008-76 acrescido da multa de ofício e juros de mora (calculados até 28/12/2007), perfazendo um crédito tributário total de R$9.732,56. 2. A autoridade tributária expôs na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fl. 36, o motivo que deu ensejo ao lançamento acima: 2.1. Dedução indevida de despesas médicas no valor de R$ 15.500,00. 3. Devidamente cientificado da autuação em 14/01/2008, fl. 39, o contribuinte apresentou, em 12/02/2008 a impugnação de fls. 02 a para alegar, em síntese, que: Após análise, a DRJ não acatou os argumentos do contribuinte. Do voto do acórdão recorrido: Das decisões administrativas 5. No que pertine ao entendimento constante das decisões proferidas pela administração tributária, embora elas possam ser utilizadas como reforço a esta ou aquela tese, não se Fl. 87DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-006.214 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 19647.001899/2008-76 constituem entre as normas complementares contidas no art. 100 do CTN e, portanto, não vinculam as decisões desta instância julgadora, restringindo-se aos casos julgados e às partes inseridas no processo de que resultou a decisão. 6. São inaplicáveis, portanto, tais decisões à presente lide. Da dedução de despesas médicas: 7. Em se tratando da dedução a título de despesa médica, glosada na autuação, o Decreto nº 3.000/1999, Regulamento do Imposto de Renda ( RIR/1999), em seu art. 80, assim dispõe: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV - não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V - no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exige-se a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. ... Decreto-Lei nº 5.844, de 1943 Art 11 Poderão ser deduzidas, em cada cédula, as despesas referidas nêste capítulo, necessárias à percepção dos rendimentos. § 1° As deduções permitidas senão as que corresponderem a despesas efetivamente pagas. (...) § 3° Todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. § 4° Se forem pedidas deduções exageradas em relação ao rendimento bruto declarado, ou se tais deduções não forem cabíveis, de acordo com o disposto neste capítulo, poderão ser glosadas sem audiência de contribuinte. 8. O art.8º, inciso II, alínea "b" da Lei 9.250/1995, por sua vez, dispõe que: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I - de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II - das deduções relativas: Fl. 88DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-006.214 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 19647.001899/2008-76 a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; ... 9. O impugnante pleiteou em sua DIRPF/2004, fls. 40 a 43, deduções a título de despesas médicas no valor total de R$ 23.015,58, e teve R$ 15.500,00 glosados por falta de comprovação do efetivo pagamento. 10. Primeiramente, há de se ressaltar que o motivo da glosa das despesas médicas em questão foi a falta de comprovação do efetivo pagamento. Em que pese o fato de o contribuinte ter acostado ao processo novos documentos sanando as irregularidades formais constantes dos recibos anteriormente apresentados, não foram anexados os documentos bancários, como extratos e cópias de cheque, comprovando o seu efetivo pagamento. 11. Salientamos que a legislação tributária não dá aos recibos, ainda que venham revestidos de todas as formalidades, valor probante absoluto, não havendo dúvidas de que a efetividade do pagamento a título de despesa médica não se comprova com a mera exibição de recibos, mormente quando os recibos referem-se a serviços prestados de valores que somados se mostram bastante expressivos. 12. Somente são admissíveis, em tese, como dedutíveis, as despesas médicas que se apresentarem com a devida comprovação, através de documentos hábeis e idôneos, e que correspondam a serviços efetivamente recebidos e pagos aos prestadores. O simples lançamento na declaração de rendimentos pode ser contestado pela autoridade fiscal. 13. O artigo 73 do RIR 1999 estabeleceu expressamente que o contribuinte pode ser instado a comprová-las ou justificá-las, sendo que se desloca para ele o ônus probatório. A inversão legal do ônus da prova do fisco para o contribuinte transfere para o interessado o ônus de comprovação e justificação das deduções e, não o fazendo, deve assumir as conseqüências legais, ou seja, o lançamento de ofício decorrente do não cabimento das deduções por falta de comprovação e justificação. Também importa dizer que o ônus de provar implica em trazer elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto ao fato questionado. 14. O contribuinte deve ter em conta que o pagamento de despesa médica não envolve apenas ele e o profissional de saúde (prestador de serviços), mas também o Fisco - caso haja intenção de se beneficiar da dedução na declaração de rendimentos. Por isso, este deve se acautelar na guarda de outros elementos de prova da efetividade do pagamento e do serviço. 15. Neste sentido, a emissão de diversos acórdãos do Conselho de Contribuintes, atualmente Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, reforçam o entendimento desta turma de julgamento: “IRPF -DEDUÇÃO COM DESPESAS MÉDICAS - COMPROVAÇÃO - Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de um simples recibo ou declaração unilateral, sem a efetiva comprovação da prestação Fl. 89DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2001-006.214 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 19647.001899/2008-76 dos serviços e do pagamento correlato. Essas condições devem ser comprovadas por outros meios de prova, tais como: radiografias, receitas médicas, exames laboratoriais, notas fiscais de aquisição de remédios e outras. Simples declarações unilaterais não têm o condão de suprir as provas mencionadas (Acórdão 102-46489 de 16/09/2004) IRPF - DESPESAS MÉDICAS - DEDUÇÃO - Inadmissível a dedução de despesas médicas, na declaração de ajuste anual, cujos comprovantes não correspondam a uma efetiva prestação de serviços profissionais, nem comprovado os desembolsos. Tais comprovantes são inaptos a darem suporte à dedução pleiteada. Legítima, portanto, a glosa dos valores correspondentes, por se respaldar em recibo imprestável para o fim a que se propõe (Ac. 1º CC 104-16647/1998)" IRPF - IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS - A comprovação de despesas médicas e outras ligadas à saúde, com vistas à apuração da base de cálculo do Imposto de Renda, é feita mediante documentação em que esteja especificada a prestação do serviço, o nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas além da qualificação profissional do beneficiário dos pagamentos e elementos que, analisados em conjunto, sejam suficientes à convicção do julgador. Acórdão 106-15505 de 27/04/2006. Número do Recurso:160449 Data da Sessão:29/05/2008 Decisão:Acórdão 104-23230 Ementa:Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004DESPESAS MÉDICAS - COMPROVAÇÃO - A validade da dedução de despesas médicas depende da comprovação do efetivo dispêndio do contribuinte.IRPF - GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS - À luz do artigo 29, do Decreto 70.235, de 1972, na apreciação de provas a autoridade julgadora tem a prerrogativa de formar livremente sua convicção. Correta a glosa de valores deduzidos a título de despesas médicas cujos serviços não foram comprovados. Número do Recurso:157110 Número do Processo:10675.000050/2005-21 Data da Sessão:25/01/2008 Decisão:Acórdão 102-48922 Ementa:DESPESAS MÉDICAS - GLOSA - Tendo a autoridade fiscal efetuado a glosa de despesas médicas por não comprovação dos gastos, não há justificativa para seu restabelecimento sem confirmação do efetivo desembolso e da prestação do serviço. Número do Recurso:157091 Número do Processo: 16707.002976/2006-01 Data da Sessão: 23/04/2008 Decisão: Acórdão 102-48989 IRPF. DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.Em conformidade com o artigo 11, § 3°, do Decreto-lei n° 5.844, de 1943, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Assim, sempre que entender necessário, a fiscalização tem a prerrogativa de exigir a comprovação ou justificação das despesas deduzidas.” 16. Por fim, destaque-se que, na apreciação dos elementos de prova, é fundamental que estes não só atendam aos requisitos formais previstos na legislação, como sejam pertinentes e coerentes para a formação da convicção do julgador, tal como permitido no art. 63 do Decreto 7.574/2011, que dispõe: Art. 29. Na apreciação das provas, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou de perícias, observado o disposto nos arts. 35 e 36. (grifei) 17. No caso sub examine, não estão os recibos acompanhados de outros documentos que comprovem a realização dos serviços - tais como, requisições médicas, laudos médicos, exames, fichas de tratamento ou internamento, notas fiscais válidas de hospitais e de tratamentos, entre outros, a depender do caso -, e nem de documentos que comprovem a efetiva transferência do numerário - tais como extratos bancários, com indicação dos cheques compensados ou saques efetuados, guias de transferência bancária, cópias de cheques nominativos ou outros documentos bancários, com datas e valores coincidentes ou, pelo menos, próximos daqueles constantes dos recibos. 18. É nesse sentido que seria bastante dirimente, na formação da livre convicção do julgador, tal como prevista no art. 63 do Decreto 7.574/2011, a apresentação de outros documentos e em especial, da comprovação da efetiva transferência do numerário, o que Fl. 90DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2001-006.214 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 19647.001899/2008-76 se materializa, essencialmente, por meio documentos bancários que atestem a transferência com coincidência dos valores nas mesmas datas ou próximas às da emissão dos recibos. 19. Este entendimento, além de amparado no art. 63 do Decreto 7.574/2011, que regulamenta o Procedimento Administrativo Fiscal – PAF, é corroborado pelo art. 73, do Regulamento do Imposto de Renda de 1999, RIR/1999, que assim dispõe: Decreto nº 3.000/1999 Art.73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, §4º). (...) (grifei) 20. Deste dispositivo, depreende-se que podem ser necessários comprovantes complementares àqueles descritos no art. 8º da Lei 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos casos em que são identificados elementos - presentes nos próprios recibos ou até mesmo nas especificações da despesa em si, ou em qualquer outro elemento importante apurado na ação fiscal - que fragilizem os recibos como instrumentos de prova e ponham dúvidas quanto à realização das despesas informadas nos mesmos ou em outras declarações. 21. Assim, voto pela manutenção da glosa das despesas médicas em questão, no valor de R$ 15.500,00, pois entendo que não foram atendidos os requisitos legais para sua dedutibilidade, qual seja falta de comprovação do efetivo pagamento. 22. Ante o exposto, VOTO pela improcedência da impugnação para manter na íntegra o crédito tributário constituído mediante a Notificação de Lançamento de fls. 35 a 38, referente ao ano calendário de 2003. Saliente-se que sobre o valor do imposto e da multa de ofício devem incidir juros conforme legislação vigente. Cientificado da decisão de primeira instância em 17/08/2012, o sujeito passivo interpôs, em 17/09/2012, Recurso Voluntário, fl. 71, sustentando, em apertada síntese, que: a) os documentos apresentados cumprem com os requisitos legais e são hábeis a comprovar as despesas médicas - prestação dos serviços e efetivo pagamento b) cabe à autoridade fiscal comprovar que os documentos apresentados não são válidos ou a ocorrência da infração tributária c) cita jurisprudência É o relatório. Voto Conselheiro Honório Albuquerque de Brito - Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto dele conheço. Fl. 91DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2001-006.214 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 19647.001899/2008-76 Despesas médicas O objeto do presente julgamento cinge-se às deduções de despesas médicas cujas glosas foram mantidas após a decisão da DRJ. REGIMENTO INTERNO DO CARF – APLICAÇÃO § 3º, Art. 57 Da análise do recurso voluntário impetrado, tem-se que por meio do mesmo o contribuinte não apresenta novas razões de defesa além das já trazidas em sede de impugnação na primeira instância julgadora administrativa. Os argumentos nesse sentido que sobem a este CARF em sede de recurso voluntário já foram objeto de minuciosa apreciação pela turma julgadora da DRJ, cujas análises e conclusões estão discorridas com clareza no voto posto no Acórdão recorrido, conforme transcrito acima na parte “Relatório” do presente acórdão. Do Regimento Interno do CARF, art. 57, § 3º: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017). Desta forma, confirmo e adoto integralmente a decisão da primeira instância julgadora administrativa, pelos seus próprios fundamentos, e acrescento como segue. Dispõe o art. o art. 73 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99) que a autoridade fiscal, se entender necessário, pode solicitar elementos de convicção da efetiva realização, bem como da natureza da despesa que se pretende deduzir. Assim, é lícito ao Fisco exigir, a seu critério, elementos comprobatórios das despesas, caso haja indícios que levem a questionamentos da efetividade da prestação dos serviços, de a quem foram prestados ou sobre quem assumiu seu ônus. A não apresentação dos elementos solicitados, ou sua não aceitação como hábeis e idôneos, pode ensejar a glosa dos valores deduzidos. Nesse sentido a Súmula CARF nº 180: Para fins de comprovação de despesas médicas, a apresentação de recibos não exclui a possibilidade de exigência de elementos comprobatórios adicionais. Trata-se o IRPF apurado na declaração de ajuste anual de um dos tributos para os quais ocorre o denominado lançamento por homologação, vale dizer, aquele em que o sujeito passivo tem o dever de apurar, declarar e antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade Fl. 92DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2001-006.214 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 19647.001899/2008-76 administrativa. O pagamento assim antecipado extingue o crédito sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Cabe nesse caso ao contribuinte apurar os rendimentos tributáveis e, caso queira, deduzir as despesas da natureza e nos limites que a lei lhe faculta, para então estabelecer a base de cálculo do imposto. Como regra, não são dedutíveis da base de cálculo do IRPF as despesas gerais do contribuinte, quer sejam necessárias, indispensáveis ou meramente úteis, como aluguel do imóvel em que reside, alimentação, lazer, pagamento de aulas de idiomas estrangeiros, e uma infinidade de outras. As despesas dedutíveis são, em verdade, exceções que o legislador entendeu por conceder, atendidas determinados limites e condições. Retornando à sistemática do lançamento por homologação no IRPF, dentro do prazo até que se dê a homologação, e enquanto a Fazenda Pública não interfere e não se pronuncia a respeito, opera-se como que uma presunção de verdade em relação à apuração do contribuinte. Entretanto, uma vez estabelecida a ação da Fiscalização da Receita Federal para verificação de eventuais infrações, cabe ao fiscal promover as diligências necessárias. Assim sendo, não se mostra desarrazoada a exigência do Fisco da apresentação de elementos que comprovem, a juízo da autoridade tributária, a ocorrência da prestação do serviço, sua natureza e especialidade, a quem foi prestado, a transferência efetiva dos valores pagos de quem arcou com o ônus financeiro para o beneficiário. Ao contrário, é zelo da autoridade fiscal em cumprimento de suas obrigações funcionais, com amparo da lei. Ao solicitar, por exemplo, documentos que comprovem o efetivo pagamento dos valores, não está o fiscal necessariamente a atestar a inidoneidade do recibo apresentado ou tampouco do profissional que o emitiu. Está sim a solicitar elementos que se complementam na composição de um conjunto probatório com vista a formar sua convicção. É certo que as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. No curso da ação fiscal, deve o auditor responsável intimar com clareza o contribuinte fiscalizado sobre que elementos devem ser apresentados para análise dos fatos a serem apurados, descrevendo-os de forma a perfeitamente identificá-los. Posteriormente, caso a autoridade fiscal conclua pelo lançamento do crédito tributário, deve apresentar a descrição clara e objetiva dos fatos e das infrações cometidas que ensejaram a apuração do mesmo. Isso para que o contribuinte possa, caso queira, exercer plenamente seu direito de defesa. No caso em comento, é de se considerar bastante plausível a exigência de elementos adicionais de provas , pois tem-se que o valor deduzido a título de despesas médicas é sem dúvida significativo. É de se esperar que em tratamentos que resultaram em tal monta de despesas seja possível a apresentação de elementos que comprovem a efetiva transferência de pagamentos, o que não foi feito no caso das supostas despesas glosadas pela Fiscalização. Uma vez que não foi apresentada a comprovação exigida, devem ser mantidas as glosas das deduções das despesas médicas. Jurisprudência No que se refere à jurisprudência citada, por falta de lei que lhe atribua eficácia normativa, não constitui norma geral de direito tributário decisão judicial ou administrativa que produz efeito apenas em relação às partes que integram o processo (art. 100 do CTN – Parecer Normativo CST nº 23, publicado no DOU de 9 de setembro de 2013). Fl. 93DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2001-006.214 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 19647.001899/2008-76 Pelas mesmas razões já discorridas no voto da DRJ, os argumentos trazidos pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário são improcedentes, e portanto deve ser mantida integralmente a decisão da turma julgadora de primeira instância administrativa. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, voto por CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, conforme acima descrito. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito Fl. 94DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10805.720727/2012-47
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Sep 04 00:00:00 UTC 2023
Numero da decisão: 2003-000.087
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à Unidade de Origem, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Wilderson Botto - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente).
Nome do relator: WILDERSON BOTTO
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conteudo_txt : Metadados => date: 2023-08-29T15:01:06Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-08-29T15:01:06Z; Last-Modified: 2023-08-29T15:01:06Z; dcterms:modified: 2023-08-29T15:01:06Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-08-29T15:01:06Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-08-29T15:01:06Z; meta:save-date: 2023-08-29T15:01:06Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-08-29T15:01:06Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-08-29T15:01:06Z; created: 2023-08-29T15:01:06Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2023-08-29T15:01:06Z; pdf:charsPerPage: 1864; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-08-29T15:01:06Z | Conteúdo => S2-TE03 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10805.720727/2012-47 Recurso Voluntário Resolução nº 2003-000.087 – 2ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária Sessão de 26 de julho de 2023 Assunto CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA Recorrente ANDREA PAULA CASTALDI Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à Unidade de Origem, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente). Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo excertos do relatório da decisão ora recorrida (fls. 19/23): Em procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual 2009, anocalendário 2008, da contribuinte acima identificada, procedeu-se ao lançamento de ofício, originário da apuração das infrações abaixo descritas, por meio da Notificação de Lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física, lavrada em 06/02/2012, de fls. 10/14. (...) Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal informa a fiscalização: Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo Empregatício Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatou-se omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 05 .7 20 72 7/ 20 12 -4 7 Fl. 108DF CARF MF Original Fl. 2 da Resolução n.º 2003-000.087 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10805.720727/2012-47 empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 70.470,26, recebido pelo titular e/ou dependentes, da fonte pagadora relacionada abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 0,00. Complementação da Descrição dos Fatos Analisando as informações dos sistemas da SRF apuramos que o valor dos rendimentos recebidos foi de R$ 116.370,23, portanto a diferença do declarado foi acrescentada em sua DIRPF/2009. (...) Enquadramento Legal: Arts. 1º a 3º e Parágrafos, e 8º da Lei nº 7.713/88; arts. 1º a 4º da Lei nº 8.134/90; arts. 1º e 15 da Lei nº 10.451/2002; arts. 43 e 45 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/1999. DA IMPUGNAÇÃO Devidamente intimada das alterações processadas em sua declaração, a contribuinte apresentou impugnação por meio do instrumento de fl. 02 e 04/09, alegando, em síntese, que: - Recebeu apenas parte dos rendimentos. Houve divergência entre o informe de rendimentos e a DIRF apresentada; - A DIRPF/2009 ficou retida em vista de divergência nos valores recebidos da FUNDAÇÃO DO ABC, R$ 116.370,23 e o valor constante no informe de rendimentos R$ 45.899,97, fornecido pela fonte pagadora; - Esclarece que o primeiro informe de rendimentos recebidos da Fundação do ABC trazia os rendimentos tributáveis no valor de R$ 116.270,23. Estranhou o valor informado, pois sua remuneração média era de R$ 3.500,00 a R$ 4.000,00 mensais. Reclamou junto à fonte pagadora e houve emissão de novo informe trazendo o valor de R$ 45.899,97 de rendimentos tributáveis; - Informa que prestava serviços à Fundação do ABC desde 30/05/2005, porém, no dia 22/01/2008, seu contrato de trabalho foi rescindido, como faz prova a cópia do TRCT. Entretanto, no dia 04/03/2008, a impugnante foi readmitida pela Fundação do ABC, onde continua prestando serviços até a data desta impugnação; - Assim, como foi dispensada em 22/01/2008 recebeu verbas rescisórias e foi readmitida no mês de março/2008; - Apesar do Imposto Suplementar a ser pago, não se justifica a imposição de MULTA DE OFÍCIO, tampouco dos JUROS DE MORA, notadamente, porque a declaração de ajuste anual da impugnante foi elaborada obedecendo fielmente os valores constantes dos informes de rendimentos emitidos pelas suas respectivas fontes pagadoras; - A documentação trazida aos autos faz prova clara e inequívoca no sentido de que o erro detectado em sua DIRPF/2009, ocorreu por responsabilidade exclusiva da Fundação do ABC, quer porque emitiu o primeiro informe de rendimentos com incorreções, quer porque ao expedir o novo informe cometeu novo equívoco; - Anexa documentos e solicita anulação do lançamento, intimação da Fundação do ABC para apresentar documentação que faça prova dos valores efetivamente pagos à impugnante e a não imposição de multa de ofício e juros de mora. A decisão de primeira instância, por unanimidade, manteve o lançamento do crédito tributário em litígio, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2008 Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS. Fl. 109DF CARF MF Original Fl. 3 da Resolução n.º 2003-000.087 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10805.720727/2012-47 Comprovado, por meio dos documentos apresentados e das consultas aos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que a contribuinte auferiu rendimentos da fonte pagadora em questão, no ano-calendário fiscalizado, resta caracterizada a omissão de rendimentos. MULTA DE OFÍCIO - APLICAÇÃO - A multa de ofício exigida no percentual de 75%, decorre de expressa disposição legal, art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, que a autoridade autuante não pode deixar de exigir em face das disposições do parágrafo único do art. 142, do Código Tributário Nacional, inclusive. JUROS DE MORA. A Lei no. 9.065/95, que estabelece a aplicação de juros moratórios com base na variação da taxa SELIC para os débitos tributário não pagos até o vencimento, está legitimamente inserida no ordenamento jurídico nacional. Cientificada da decisão em 21/11/2014 (fls. 96), a contribuinte, por procurador habilitado interpôs, em 19/12/2014, recurso voluntário (fls. 98/103), repisando as alegações da peça impugnatória, no sentido de que elaborou sua declaração de ajuste anual, com base no segundo informe de rendimentos correto emitido pela fonte pagadora Fundação do ABC Central de Convênios, após esta reconhecer o equívoco em relação ao informe anterior fornecido, contudo não foram retificadas as informações lançadas na DIRF, aliás, conforme se depreende da prova documental já carreada aos autos, restando demonstrando de forma inequívoca o erro cometido nas informações fiscais prestadas pela fonte pagadora. Requer, ao final, sucessivamente, a reforma da decisão recorrida; a intimação da fonte pagadora para prestar informações sobre os reais rendimentos pagos no ano-calendário de 2008; e, em caso de manutenção mesmo que parcial do lançamento, sejam dispensados os encargos moratórios, uma vez que a contribuinte não pode ser penalizada por fato de terceiros, sendo certo que elaborou sua declaração de ajuste com base no informe de rendimentos emitido pela fonte pagadora Fundação do ABC Central de Convênios. É o relatório. Voto Conselheiro Wilderson Botto – Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. O litígio recai sobre a omissão de rendimentos do trabalho com ou sem vínculo empregatício, no valor de R$ 70.470,26, decorrente do procedimento de revisão da DAA/2009, buscando, por oportuno, nessa seara recursal, obter nova análise do processado, no sentido do afastamento da omissão apurada, indevidamente lançados em DIRF pela fonte pagadora. Pois bem. Da análise dos autos constato que, em relação ao rendimentos tidos por omitidos, paira dúvida razoável sobre os valores informados na DIRF retificadora entregue em 05/11/2012 – lançados como pagos no ano-calendário de 2008, no valor de R$ 117.930,12 com IRRF de R$ 15.042,96 (código 0561), e R$ 3.801,26 com IRRF de R$ 337,34 (código 0588) – sendo certo que o Recorrente refuta parcialmente tais registros, alegando que não recebeu a totalidade dos valores informados, mas apenas e tão somente, o valor de R$ 45.899,97 com IRRF de R$ 15.202,91, conforme registrado no informe de rendimentos correto emitido pela fonte pagadora, em 03/04/2009 (fls. 22), e que lastreou o preenchimento da declaração de ajuste anual. Fl. 110DF CARF MF Original Fl. 4 da Resolução n.º 2003-000.087 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10805.720727/2012-47 Portanto, sobe pena de injusta fiscal, torna-se imperioso saber, de fato, o total dos rendimentos efetivamente pagos pela Fundação do ABC Central de Convênios no ano-calendário de 2008, cuja informação entendo ser de suma importância ao deslinde da controvérsia recursal instaurada, sobretudo levando-se em conta que a Recorrente contesta a correção e veracidade dos registros contidos na DIRF, questionando a idoneidade os informes nela lançados. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem intime a fonte pagadora Fundação do ABC Central de Convênios para que: (i) se manifeste sobre as informações lançadas na DIRF retificadora entregue em 05/11/2012 às 15:55, com especial destaque para a divergência em relação aos valores lançados no comprovante de rendimentos fornecido à contribuinte e, (ii) apurado, de fato, a existência de erro, promova a retificação da DIRF de forma a contemplar corretamente os rendimentos efetivamente à ela pagos no ano-calendário de 2008. (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 111DF CARF MF Original
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