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Numero do processo: 10380.100829/2008-01
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS NO EXTERIOR. PROVAS.
Para caracterizar a omissão de rendimentos recebidos no exterior deve restar comprovado que o contribuinte recebeu rendimentos no exterior, transferidos ou não para o Brasil, decorrentes de atividade desenvolvida no exterior ou de capital situado no exterior.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2801-002.006
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães e Amarylles Reinaldi e Henriques Resende que davam provimento parcial ao recurso para excluir da exigência
tributária tão-somente a multa isolada por falta de recolhimento do Carnê-leão.
Nome do relator: TÂNIA MARA PASCHOALIN
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PROVAS. Para caracterizar a omissão de rendimentos recebidos no exterior deve restar comprovado que o contribuinte recebeu rendimentos no exterior, transferidos ou não para o Brasil, decorrentes de atividade desenvolvida no exterior ou de capital situado no exterior. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães e Amarylles Reinaldi e Henriques Resende que davam provimento parcial ao recurso para excluir da exigência tributária tãosomente a multa isolada por falta de recolhimento do Carnêleão. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 17/11/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10380.100829/200801 Acórdão n.º 280102.006 S2TE01 Fl. 336 2 Trata o presente processo de auto de infração que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 306.344,45, referente ao exercício de 2004, a título de imposto (R$ 85.019,83), acrescido da multa de ofício equivalente a 150% do valor do tributo apurado (R$ 127.529,74), dos juros de mora (R$ 51.496,51), além da multa de ofício exigida isoladamente (R$ 42.298,37). O lançamento é decorrente da apuração de omissão de rendimentos de capital mantido no exterior, materializado em um depósito bancário feito em 13/08/2003, relacionado a um contrato de câmbio, feito junto ao Banco Industrial e Comercial. O recurso veio do exterior, cidade de Montevidéu no Uruguai, e foi enviado pela empresa Ticemill Sociedad Anonima. A autuada informou que o depósito correspondia a um recebimento pela alienação de sua participação societária na empresa Freitas Empreendimentos Ltda. Esclareceu que os sócios da empresa Freitas Empreendimentos Ltda. (Juliana Matos de Freitas, Eveline Teixeira de Freitas, Renato Matos de Freitas, Raquel Matos de Freitas e Felipe Teixeira de Freitas) alienaram em conjunto à empresa Ticemill Sociedad Anonima, situada na cidade de Montevidéu no Uruguai, suas quotas de capital. A fiscalização aceitou a origem do depósito bancário, no valor de R$ 309.163,00 (seiscentos e dezessete mil setecentos e oitenta e sete reais), como sendo proveniente do exterior. Entretanto, descaracterizou a operação de alienação de quotas de capital pelo fato dos Títulos Representativos das Ações ao Portador e dos Certificados de Custódia, relacionados às pessoas jurídicas Ticemill Sociedad Anonima e Venopell Sociedad Anonima, se encontrarem em poder de cada sócio da empresa Freitas Empreendimentos e, também, pelo fato de haver intervenção administrativa nas pessoas jurídicas uruguaias por pessoas físicas ligadas ao Grupo Empresarial Marcelo Freitas (Luciano Faria Bezerra, Juliana Matos de Freitas e José Marcelo Matos de Freitas). Em sua impugnação, a contribuinte apresentou, em síntese, as seguintes razões de defesa: • Suscitou a decadência, aduzindo que o fato gerador relacionado à omissão de rendimentos ocorreu quando do envio dos recursos para o exterior, que teria ocorrido nos anoscalendário de 2001 e 2002, e não quando do retorno que se deu no anocalendário de 2003, através de alienação de quotas de capital; • Defendeu a legalidade da alienação e ausência de fraude. Afirmou que a alienação das quotas de capital ocorreu de fato, e que ela e os demais sócios da empresa Freitas Empreendimentos Ltda. não eram proprietários da empresa Ticemill Sociedad Anonima, situada na cidade de Montevidéu, no Uruguai, não possuindo Ações ao Portador dessa empresa, mas tãosomente a guarda dos certificados de custodia das ações, em garantia de pagamento pela alienação das quotas de capital, que se deu, em 13/08/2003, data posterior, ao evento da alienação, que ocorreu em 05/03/2003. Disse, ainda, que as ações ao portador estavam custodiadas na empresa C.H.T. AUDITORES Y CONSULTORES, situada na cidade de Montevidéu, Uruguai; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 17/11/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10380.100829/200801 Acórdão n.º 280102.006 S2TE01 Fl. 337 3 • Discorreu, em extenso arrazoado, sobre os temas: omissão de rendimentos de capital mantido no exterior, aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica, ausência de fraude, etc. A 1ª Turma da DRJ/FOR/CE, conforme Acórdão de fls. 187/201 julgou procedente o lançamento sob os fundamentos consubstanciados nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF FATO GERADOR. RECURSO DO EXTERIOR DEPOSITADO EM CONTA CORRENTE BANCÁRIA. A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. Verificandose que o depósito bancário é originário do exterior e que o contribuinte é titular de empresa, sediada no exterior, o depósito bancário é tido como rendimento tributável na Declaração de Ajuste Anual, salvo a comprovação de que o rendimento se sujeita à tributação específica. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Comprovada a origem do depósito bancário, como sendo rendimento de capital existente no exterior, e verificandose que o rendimento não foi oferecido à tributação, farseá o lançamento de ofício conforme as regras de tributação do rendimento. RENDIMENTOS DE CAPITAL DO EXTERIOR. Os rendimentos recebidos de fontes situadas no exterior por residente no Brasil, transferidos ou não para o País, estão sujeitos à tributação sob a forma de recolhimento mensal obrigatório (carnêleão), no mês de recebimento e na Declaração de Ajuste Anual. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 RENDIMENTO DO EXTERIOR. DECADÊNCIA. DATA DO FATO GERADOR. Comprovado que o depósito bancário originouse do exterior e que o contribuinte é titular de empresa no exterior, é lícito ao fisco considerar que o depósito bancário seja rendimento tributável oriundo do exterior e que o fato gerador ocorreu na data do depósito bancário, mormente se o fato alegado pelo contribuinte como causador da remessa do exterior foi descaracterizado pela fiscalização. O lançamento de tributo é procedimento exclusivo da autoridade administrativa. Tratandose de lançamento de ofício o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário é contado do Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 17/11/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10380.100829/200801 Acórdão n.º 280102.006 S2TE01 Fl. 338 4 exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 MEIOS DE PROVA. DOCUMENTO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA. Não se admitem como meios de prova no processo administrativofiscal documentos redigidos em língua estrangeira, desacompanhados de tradução firmada por profissional juramentado. Regularmente cientificada daquele Acórdão em 20/10/2009 (fl. 207), a interessada, representada por seus advogados (fl. 144), interpôs recurso voluntário de fls. 208/247, em 18/11/2009. Em sua defesa, suscita a decadência do lançamento constituído em 2008, sobre fatos acontecidos anteriormente a 2003, sustentando que não é possível cobrar o tributo referente ao anocalendário de 2003, quando esse tributo não incide sobre o patrimônio, mas sobre a sua aquisição, que é anterior a 2003. Aduz que a internação de dinheiro, o seu transporte do exterior para o Brasil, não constitui fato gerador do Imposto de Renda. Entende que é inaceitável qualquer restrição quanto à compreensão do idioma dos documentos expedidos pelos países integrantes do MERCOSUL, em face dos princípios que norteiam a cooperação internacional entre os países membros. Argumenta que não houve nenhuma simulação destinada à "internação" de recursos, os quais pertenciam de fato à empresa existente, regularmente constituída segundo as leis uruguaias. Afirma que não há prova de que a recorrente integrava o quadro societário da empresa no momento da venda das quotas, salientando que a posterior aquisição dos títulos (ações) ao portador se deu exatamente como garantia de pagamento das quotas vendidas. Solicita a juntada de cópia do Laudo de Exame de Dispositivo de Armazenamento Computacional Laudo nº 287/2009 Setor TécnicoCientífico do Departamento de Polícia Federal do Ceará (cujo original está presente nos autos 2006.81.00.00171072 – 11ª Vara Federal da Seção Judiciária do Ceará), como elemento de prova decisivo quanto à regularidade das operações fiscalizadas e à correlata inexistência de qualquer ilícito fiscal, eis que nele consta o resultado da perícia realizada no âmbito da Polícia Federal, cuja conclusão foi no sentido de que não foram encontrados "provas ou indícios" da prática de crimes de sonegação fiscal, não subsistindo, assim, as supostas operações dissimuladas de "internalização" de rendimentos tributáveis originários do exterior, que é o objeto do presente lançamento. Posteriormente, em 21/12/2009, a recorrente requereu a juntada, às fls. 303/333, da tradução juramentada dos documentos já presentes nos autos. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 17/11/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10380.100829/200801 Acórdão n.º 280102.006 S2TE01 Fl. 339 5 Inicialmente, entendo que antes mesmo de se analisar as questões trazidas pela defesa no recurso, vale examinar se restou comprovada nos autos a ocorrência do fato gerador do imposto de renda exigido no lançamento. Ou seja, se constam dos autos elementos suficientes para comprovar que a contribuinte, de fato, auferiu rendimentos de fontes situadas no exterior. O inciso VII do art. 55 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) determina que são também tributáveis os rendimentos recebidos no exterior, transferidos ou não para o Brasil, decorrentes de atividade desenvolvida ou de capital situado no exterior. Do dispositivo acima mencionado inferese que para caracterizar a omissão de rendimentos recebidos no exterior devem restar comprovadas duas hipóteses: (i) que o contribuinte recebeu rendimentos no exterior e (ii) que tais rendimentos sejam decorrentes de atividade desenvolvida no exterior ou de capital situado no exterior. Este não é o caso que se apresenta. Ainda que se considere que as provas juntadas aos autos sejam suficientes para comprovar que a contribuinte recebeu recursos provenientes do exterior, bem como descaracterizar a alienação de quotas de capital, pelo fato de não ter havido transferência das quotas de capital, haja vista que o alienante e o adquirente se confundem em uma única pessoa, não se pode, por presunção, considerar comprovado que os recursos movimentados nas referidas operações sejam fruto de rendimentos decorrentes de atividade desenvolvida no exterior ou de capital situado no exterior. Ressaltese que não existem nos autos nenhuma prova que conduza à conclusão de que a contribuinte recebeu rendimentos decorrentes de atividades desenvolvidas no exterior ou de capital situado no exterior. Aliás, não restou demonstrado pelo Fisco o motivo da transação ou a que título se deu o depósito questionado. Isto é, não ficou comprovada a natureza dos rendimentos creditados do Banco Industrial e Comercial – BIC, em 13/08/2003, de modo a evidenciar a omissão de rendimentos recebidos no exterior. Na descrição dos fatos, à fl. 04, o autuante afirma que se trata de omissão de rendimentos de capital mantido no exterior. Entretanto, sequer identifica a espécie dos rendimentos, se lucros distribuídos, juros, dividendos, etc. Nos casos de omissão de rendimentos, provas específicas devem ser produzidas. Indícios veementes de cometimento de ilícitos coletados no decorrer da ação fiscal não têm o condão de, por si sós, comprovar a omissão de rendimentos da forma como proposta no auto de infração. Importa observar que não se trata, na espécie, de lançamento baseado em presunção legal ou com base em provas indiretas, como, por exemplo, é o lançamento com base em demonstrativos de evolução patrimonial, em que deve restar devidamente comprovado o acréscimo não justificado por rendimentos declarados, e do lançamento fundamentado por depósitos bancários de origem não comprovada. Nessa conformidade, não pode prosperar a infração de omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior, dada a inexistência de documentação hábil e idônea que comprove a natureza da percepção dos recursos transferidos ao Brasil, para que fosse possível aferir, se, de fato, referemse a rendimentos tributáveis recebidos de fontes no exterior. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 17/11/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10380.100829/200801 Acórdão n.º 280102.006 S2TE01 Fl. 340 6 Nesse mesmo sentido, é o entendimento manifesto nos Acórdãos 2102 00.379 e 210200.547 da 2ª Turma Ordinária da 2ªSeção do CARF, conforme se extrai dos excertos a seguir transcritos: Acórdão 210200.379, de 30/10/2009, relatora a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. “Para ilustrar o entendimento esposado na decisão recorrida quanto à omissão de rendimentos recebidos do exterior, e então analisar seu acerto (ou não), é importante que se transcreva o trecho abaixo, o qual ilustra com perfeição o que motivou os membros da DRJ em São Paulo a exonerar esta parcela do lançamento, verbis: No caso em exame, a tese a ser demonstrada é, necessariamente, a “Omissão de Rendimentos” e, data vênia, tal demonstração não foi feita. Seguindo as palavras do professor Alfredo Augusto Becker, poderse ia dizer que “não houve a realização integral da hipótese de incidência” pela demonstração nos autos de “todos os fatos nela previstos e que formam a composição específica àquela hipótese de incidência”. Ou, no dizer de Paulo de Barros Carvalho, não houve a demonstração da “ocorrência da vida real, descrita no suposto da norma individual e concreta expedida pelo órgão competente”, pois há necessidade de que satisfaça “a todos os critérios identificadores tipificados na hipótese da norma geral e abstrata”. Ora, imputar a alguém a infração tributária de omissão de rendimentos pressupõe que o sujeito passivo tenha auferido rendimentos tributáveis e não os tenha oferecido à tributação. Para demonstrar que o contribuinte não ofereceu rendimentos à tributação basta uma breve comparação entre os rendimentos comprovadamente recebidos e à declaração de ajuste. Por outro lado, a comprovação da percepção destes rendimentos é que requer provas específicas. No caso de omissão de rendimentos, seja recebido de pessoa física ou de pessoa jurídica, tem que ser identificada a fonte dos pagamentos, a natureza destes rendimentos, e comprovada a efetiva percepção dos valores recebidos. Neste caso, a prova é direta e os autos devem trazer todas estas demonstrações de forma clara. Operase de maneira diferente a demonstração da incidência tributária quando o lançamento se dá com base em presunção legal ou com base em provas indiretas. São os casos, por exemplo, do lançamento com base em demonstrativos de evolução patrimonial, em que deve restar devidamente comprovado o acréscimo não justificado por rendimentos declarados, e do lançamento fundamentado por depósitos bancários de origem não comprovada. Para cada caso de omissão detectada no procedimento fiscal, estas específicas demonstrações devem vir Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 17/11/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10380.100829/200801 Acórdão n.º 280102.006 S2TE01 Fl. 341 7 descritas seja no auto de infração, seja no Termo de Verificação Fiscal, e os documentos que a fundamentam devem estar juntados aos autos. São elementos necessários que devem obrigatoriamente subsidiar o lançamento tributário. No caso em questão, data vênia, não se encontram os elementos que permitam concluir pela omissão de rendimentos recebidos do exterior, porquanto, não foram identificadas a natureza e a fonte dos rendimentos. Não se pode garantir sequer que estes rendimentos foram pagos por fonte no exterior. O fato de as transações terem sido feitas entre contas mantidas no exterior não é suficiente para se afirmar que os rendimentos tenham como origem fonte situada no exterior. Conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 747/753), a autoridade lançadora relata que “o contribuinte é identificado como beneficiário final das transações, valores estes considerados como rendimentos brutos recebidos, transferidos ou não para o Brasil, decorrentes de atividade desenvolvida ou de capital situado no exterior”. Não se vislumbra o nexo causal entre constar o contribuinte como beneficiário final de transferências financeiras e a omissão de rendimentos atribuída. Notese que no citado Termo, expressamente, se admite o desconhecimento acerca da natureza e da fonte dos rendimentos, uma vez que menciona tratarse de rendimentos decorrentes de atividade exercida ou de capital situado no exterior. Em que pese haver em tais operações indícios veementes de cometimento de ilícitos não só fiscais como também cambiais, não há como se concluir pela omissão de rendimentos da forma como proposta no auto de infração. Como visto acima, nos casos de omissão de rendimentos, provas específicas devem ser produzidas. Indícios coletados no decorrer da ação fiscal não têm o condão de, por si sós, comprovar este tipo de infração. Entendo que ordens de pagamento entre contas no exterior, ainda que os titulares sejam terceiras pessoas, e cuja origem dos recursos restou não comprovada pelo real beneficiário da transferência, poderiam servir como subsídios para se apurar eventual omissão de rendimentos com base na presunção contida no art. 42, da Lei 9.430/96. No entanto, tal não foi o caso do presente lançamento. Dessa forma deverão ser retirados da base de cálculo os seguintes valores: (...) Como se vê, o fundamento para a exoneração destes valores do lançamento foi a falta de provas da ocorrência do fato gerador na hipótese, já que a autoridade Fl. 7DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 17/11/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10380.100829/200801 Acórdão n.º 280102.006 S2TE01 Fl. 342 8 fiscal deixou de comprovar a efetiva omissão de rendimentos da qual o Recorrente é acusado.” Acórdão 210200.547, de 15/04/2010, relatora a Conselheira Núbia Matos Moura. “O inciso VII do art. 55 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) determina que são também tributáveis os rendimentos recebidos no exterior, transferidos ou não para o Brasil, decorrentes de atividade desenvolvida ou de capital situado no exterior. Do dispositivo acima mencionado inferese que para caracterizar a omissão de rendimentos recebidos no exterior devem restar comprovadas duas hipóteses: (i) que o contribuinte recebeu rendimentos no exterior e (ii) que tais rendimentos sejam decorrentes de atividade desenvolvida no exterior ou de capital situado no exterior. Este não é o caso que se apresenta. Ainda que se considere que as provas juntadas aos autos sejam suficientes para comprovar que o contribuinte realizou as operações de remessas de recursos ao exterior, não se pode extrapolar tal conclusão para considerar comprovado que os recursos movimentados nas referidas operações sejam fruto de rendimentos decorrentes de atividade desenvolvida no exterior ou de capital situado no exterior.” Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 8DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 17/11/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10665.001215/2005-09
Data da sessão: Wed Nov 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Nov 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Exercício: 2003, 2004
DIF-PAPEL IMUNE. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO.
PENALIDADE.
A não-apresentação, ou a apresentação da Declaração Especial de
Informações Relativas ao Controle do Papel Imune após o prazo estabelecido para a entrega dessa declaração, sujeita o contribuinte à aplicação da multa instituída na legislação para o descumprimento dessa obrigação acessória.
NORMA PENAL MAIS BENIGNA. RETROAÇÃO
Reduz-se a penalidade aplicada em face da edição posterior de norma penal mais benigna.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2003, 2004
ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. JULGAMENTO
ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA.
O processo administrativo fiscal não é foro hábil para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade, por se tratar de matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário.
O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da legislação tributária. (Súmula nº 2 do Segundo Conselho de Contribuintes).
Recurso Voluntário Provido Parcialmente.
Numero da decisão: 3803-000.206
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar
provimento parcial ao recurso, para reduzir a penalidade aplicada para RS 7.500,00 (sete mil e quinhentos reais), nos termos do voto do relator Vencidos os Conselheiros Belchior Melo de Sousa, Ivan Allegretti e Carlos Henrique Martins de Lima, que votaram pelo cancelamento da penalidade.
Matéria: IPI- ação fiscal - penalidades (multas isoladas)
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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CONSE.1 AIO ADM IN IS'FRATIVO DE RECURSOS FISCAIS - ITRCFAR A SEÇÃO DF JULGAMENTO : Processo n" 10665.001215/2005-09 Recurso n" 261.602 Voluntário Acórdão n" 3803-00.20n — 3" Turma Especial Sessão de 18 de novembi o de 2009 Matéria MUITA POR A [RASO NA ENTREGA DP DECLARAÇÃO - Dll ; PAPEI, IMUNE Recorrente ARTE GRÁFICA A .IATO UMA Recorrida DRJ-JUIZ DE POR A/MG ASSUNI O: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2003, 2004 0W-PAPEL IMUNE. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. PENALIDADE,. A não-apresentação, ou a apresentação da Declaração Especial de :Informações Relativas ao Controle do Papel Imune após o prazo estabelecido para a entrega dessa declaração, sujeita o contribuinte à aplicação da multa instituída na legislação para o desentupi imento dessa obrigação acessoria NORMA PENAL MAIS BENIGNA. RETROAÇÃO Reduz-se a penalidade aplicada em face da edição posterior de norma penal mais benigna. ASSUNTO: PROCESSO A DMINIS .ERATIVO FISCAL Exercício: 2003, 2004 ARGUIÇÕES 1) E INCONSTITUCIONALIDADE. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. O processo administrativo fiscal não é foro hábil para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade, por se tratar de matéria de competência exclusiva do Poder .Judiciário. O Segundo C,onselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a ineonstilticionalidade da legislação tributária. (Súmula n" 2 do Segundo Conselho de Contribuintes). Recurso Voluntário Provido Parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiada pelo voto de qualidade, em dar pt ovimento parcial ao recurso, para reduzir a penalidade aplicada para RS 7.500,00 (sete mil e quinhentos reais), rios termos do voto do relator Vencidos os Conselheiros Belchior Melo de Sousa, Ivan Allegretti e Carlos Henrique Martins de Lima, que votaram pelo cancelamento da penalidade (Alexandie Kein - Presi;lente e Relator Participaram ainda do presente julgamento os Conselheiros Belchior Melo de Sonsa, [vau Allegretti, Iielcio Lafetá Reis, Daniel Mauricio l'erlato e Carlos Henrique Maiti os de Lima. Relatório Cuida-se de recurso (fls. 133 a 145) interposto pelo recorrente acima qualificado, confia o Acórdão n2 09-15.221, de 28 de dezembro de 2006, da [)RJ/JIA, lis 122 a 129, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: A5,511 7.N10: PROCESSO ilDAIINIS11/A71 VO 1-71M:AL Exercícios: 2003, 2004 EMENTA: .N(J1,11)ADE Descabe a nulidade do auto de inflação quando os elemcnto.s contidos no lanç:amento, especialmente a desci ição d(..., fatos, os cálculos e os. pcn.amaios adotados, deixam evidente a ori,p, cm dos valo' es apurados pelo Fisco, o o .si./cito passivo 7'CW/a CUilha:Ci plenamt:.'ine, polo teor de sua impugnação, as acusações que Me /Oram inumtada.s. ASSUNTO: O1lRI(11.:ÕES' A(.7SSORIAS Exercícios: 2003, 2004 EMENTA: DTP-PAPEI, MUNI: PAUTA OU ATRASO NA. ENTREGA 1).A .1).1',.(1,4RAG-i0 A não-apr•.sentação, ou a apresentação da 1.)IF-Papel Imune após 0.s prazos eqabelec idos para a entrega des. sa declatação, sujeito o contribuinte à imposição da multa prevista no artigo 57 da Ali' 2 158-35 Lançamento Procedente.' . Após protestar pela tempestividade de seu recurso e tesunnt os tatos: relacionados com a lide, o recorrente requer a improcedência do Auto de til-ti:ação de tis 3 e 4 e anexos, insistindo nas razões antelionnente aduzidas, por ocasião da interposição de sua impugnação Adicionalmente, adota como fundamento de seu recurso o voto declarado pela julgadora Mônica Monteiro Garcia de los Rios (tis 128 a 129), tendente a exonerar a penalidade nos casos em que o sujeito passivo jamais leatizort operações com papel imune. Invoca a aplicação do art. 112 da Lei. ri.2 5.172, de 25 de outubro de 19(í( — Código Tributário Nacional - CTN. 2 Proceso n" 10005 001215/2005-09 53- 1.11:03 Ac(ii dâo n ' 3803-00.206 II 1.55 O processo foi então encaminhado ao antigo Terceiro Conselho de Contribuintes (-11. 147), para julgame.n.to , A Segunda Câmara do Terceiro C. onsel.ho dc Contribuintes declinou da competência para fazê-lo, nos termos do Acórdão n 302-39 712, de -13 de agosto de 2008, lis.. 149 a 151 É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de lis. 133 a 145 merece ser conhecida. como recurso voluntário contra o Ac("nio DRI-JFA n 09-15.221, de 28 de dezembro de 2006.. Destaco inicialmente que a. obrigação acessória de que se trata — apresentação da DIF-Papel Imune • decorre de deferência legal à Secretaria da Receita Federal -- SRV, operada pelo art.. 16 da Lei n" 9,779, de 19 de janeiro de 1999, matriz legal do art.. 212 do Regulamento do Imposto sobre :Produtos Industrializados 11'1, aprovado pelo Decreto n" 4.544, de 26 de dezembro de 2002 -- .RIP1/2002, abaixo transcrito: Art. 2/2.4 ,SRF poderá dispor sobre as obrigações acessórias clativas ao impos. to, estabelecendo, inclusive, JOrma, prazo e condições. para O s-eu cumprimento e O respectivo tesponsável (Lei o" 9 779, de 1999, art /6). Munida dessa autorização legal, cuja constitucionalidade escapa da competência (lesse colegial() questionar, a teor da Súmula 2" CC n" 2 1 , a extinta SRF editou a Instrução Normativa SRT IV 71, de 24 de agosto de 2001, mais tarde alterada. pela Instrução 'Normativa SR.11,' n2 101, de 21 de dezembio de 2001, e pela Instrução Normativa SRF d• 134, de 8 de fevereiro de 2002, para criar a Declaração Especial de Informações Relativas ao (..onlvole do Papel Imune - DIP-Papel Imune (art. 10), instituir a obrigação acessória de apresentá-la. (art. 11) e remeter a. sanção para os que a descumprirem ao art. 57 da MP n 2.1.58- 35, de 2001, matriz legal do art. 505 do RIP1/2002: Ari 505. O deçcunwrimento das obrigaçõe.s. acessórras exigidas Í10' lermos do ai. I. 212 acarretará a aplicação da multa de R$ _i.000,00 (cinco mil reais), por mês-calendário, aos contribuintes (pie deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, a.s. Sinnula n" 2 do Segundo Conselho de Conbibuintes, aprovada na. Sessão Pienária de .18 de setembro de 2007: "O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pionuneiar sobre a inconstitucionalidade legislação tributária 3 mjoiltuiÇ01' OU estiai ecimentos solicitados (Medida Provisória n'2 158-35, de 2001, aft 57). PatagralO único Na hipótese de pessoa jurídica optante IV° ,s741P1,1;5 a multa de que trata o eaput será I edinid(I em setenta pot cento (Medida PI ovisór ia n" 2.158-35, do 2001, ai! 57, pinagl ali) /Mico) O recorrente não foge à regra e, assim como todos os inadimplentes do cumprimento de obrigação acessória, penalizados com a multa iegularnentada pela IN-S.R.F n.2 71, de 2001, inquina tal sanção de nulidade. O recorrente, na peça impognatória, cita excertos de doutrina que rechaçam a possibilidade de instituição da obrigação acessória em apreço por instrumento normativo int.) alegai Não penso assim. O Código tributário Nacional 1CIN I, no título 11, "Da Obrigação Tributária" ao conceituai a obrigação acessolia indica que ela decorre da legislação tributária. O próprio Ci N. .1.10 z. ut 96, define o cure vem a ser a expressão "legislação It ibular ia" afirmando que "compaxildu as leis, os tratados o as convenc,ócs internacionais, os (1001 elos. e Os not mas complemeniare; que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes Portanto, criar uma obrigação acessória não é piellogativa de lei siri tu senso, nos termos do que rege o CTN Toda essa digiessao é, no entanto, despicienda, no caso vertente É que a multa de que se tinta não fiji instituída pela IN-SRE n" 71, de 2001 Éssa penalidade, aplicável a todas as hipóteses de descumprimento de obrigações acessoi ias estabelecidas pela SRF, instituída pelo artigo 58 da .M1) 2 158-34, de 2001.. que, por torça do ali. 2" da Emenda Constitucional n{' 32, de 2001, encontra-se em vigor até a presente data, com força de lei. Assim, creio ter demonstrado, ainda que de forma concisa, a base em que se sustenta a aplicação da penalidade, rechaçando a nulidade argüida Cumpre esclarecer, também, já que se trata de argumento recorrente nos recursos voluntários da espécie, que a multa torna-se aplicável a partir da constatação do atraso na entrega da declaração, e não após o prazo estabelecido em intimação fiscal para tanto, independentemente de .ja ter sido expedido o ato declinatório do registro especial, ou de ter ocorrido movimentação de estoque, contbrme claramente especificado nas instruções dc preenchimento da DIF-Papel Imune: O dechn (lide de Vet selecionar Os células C;01i e.sponduntes às atividades do estabelecimento (./00 estiver sendo cadastrado O campo N" Registro Especial não é de pteenchimento obrigatório para O estabelecimento que não estiver inscrito. O propama, quando o dedal. an 1c acionai a opção fi''echaJ ", emitirá uma mensagem alertando-o para O possibilidade de re,s.st, ar esse número tios células que estão à direini do liame "Tipos de Ref:n.sbos/Nritnero de Registro Lspecial" permitem ao declarante infiirtnar que no trime.stie não houve movimentação de notas lisvais., ju odução do publicações ou movimentação de C'StOqU0.5. 4 - (.'Élida "Sem informação de iVotas Fiscais": assinale caso não lenha havido movimentação de notas fiscais. referentes. a papel inume. li voos, jornais o peliódicOS no ti imestir base da 1)11 Papel Imune 5 Célula "Sem informação de Ptodução Publicações": assinale caso não tenha havido produção de Os, jornais O pe1 iódicos no trimestre rekrència da declaração 1' rocesso rl" 10665 0012 T 5R005-0 ,) 53-1 L03 Acórdão n." 3803-00.206 H 156 6 - (aula "Sem Informação de Hovimentação de Estoques' • dr.sinale cos. () não tenha havido movimentação de estoques de papel imune, de livros. O do aparas, •s-oltras e papel inutilizado no ti rmestre rcliw;l1cia da declaração Ou seja, não é a intimação pela Fiscalização que institui o obrigado em mor•a no cumprimento da obrigação acessória, razão pela qual não prospeta a exceção de comprimento espontâneo da obrigação, antes de qualquer atividade do Fisco. O instituto da denuncia espontânea do art. 138, do CI.N não abriga as obrigações de fazer, como é o caso das responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vinculo direto com a existência do fato gerador do tributo,que não são alcançadas.. Destarte, os argumentos trazidos pelo recorrente contra a penalidade imposta são alegações cujo reconhecimento depende da confrontação do texto legal que estabeleceu a imposição da multa (ut 58 da MP 2..158-34) com o texto constitucional e demais princípios que regem ri atividade legislativa. E alegações acerca da inconstitucionalidade e da ilegalidade das normas tributárias não podem ser apreciadas na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência legal. O que se julga é a aplicação da norma, não sua validade jr.tridica... E, como visto, no caso concreto a legislação foi aplicada corretamente no que diz respeito à exigência da penalidade. Princípios constitucionais possuem como destinatário, via de regra, o legislador oidinário, servindo apenas e tão-somente de inspiração e orientação para o exercício da competência legislativa no momento da criação das normas . juirídicas que regularão o imposto. Somente a lei, elaborada por quem detém a competência legislativa conferida pela Constituição, assim como as normas constitucionais de eficácia plena e aplieabilidade imediata. têm o condão de criar relações itirídiCaS de direito material.. Por este motivo, não há como acatar a tese apresentada pelo recorrente. A rigor, deve ser aduzido que o princípio da estrita legalidade é o paradigma da atividade administrativa estatal, sendo que a apreciação de questionamentos de .jaez constitucional não é província da atividade de julgamento administrativo empreendida pelo órgão competente no seio da Administração .Públiea, competindo-lhe tão-somente aplicar o direito tributário positivo. ror essa mesma razão, afasto, peremptoriamente, qualquer insinuação de que a penalidade de que se trata tenha ferido os princípios da razoabilidade, capacidade contributiva., da proporcionalidade e da isonoinia, ou de que tenha natureza coo nseatória. Rejeito também a interpretação do parágrafo único do art.. 11 da fl\f-SRI n'2 71, de 2001, tendente a exonerar da obrigação acessórias os contribuintes que, desde a obtenção do Registro especial, jamais tenham efetuado operações com papel imune. A teor do art.. 10 da mesma. IN, estão obrigadas à apresentação da as pessoas de que trata o art. I", que, por sua vez se refere às pessoas jurídicas obrigadas à inscrição no registro especial instituído pelo art. 1" do Decreto-lei n" 1.593, de 21 de dezembro de 1977, independentemente de terem ou não realizado operações com papel imune. Portanto, entendo que a presente multa foi corretamente aplicada, não sendo o caso de substituí-1a, nem de reduzi-la, ao teor do artigo 136 do • Lartrementes, a Lei n" 1 1.945, de 4 de junho de 2009, cio seu art. 1", § 3", 1 e 112 soterrou de vez a dúvida quanto t legalidade da instituição dessa obrigação acessória pos instrução normativa, atribuindo expressamente t 1.WB essa prol togativa A cilada lei, em seu § 4", 1 e 11 3 , também alterou significativamente as penalidades para o descumprimento da obrigação acessória. A multa pela infração que era cumulativa pot mês de atraso, roi repartida em duas naturezas, conforme incisos I e II: no primeuu caso, ad vaiarem incidente sobre os valores aparados em três eventos distintos, com valores limitrofes mínimo e máximo; no segundo, de valor fixo, conforme o porte da sociedade, na hipótese da entrega da .1)11,-Papel coai atraso Repare-se, ainda, que elas podem ser mutuamente cumulativas No caso presente, o fato tipificado diz respeito, exclusivamente, a "falta/att aso na prestação de informações". Não há indicação de que tentai havido omissão de infillmações sobre operações como papel imune omitidas. Assim, em. lace da retroatividade na norma penal mais benigna, prevista no art .106, II, "e" do Cl N. à luz das disposições legais ciladas, considerando-se que se trata de sociedade enquadnível corno .1.11i.C1 c) ou pequena empresa, a penalidade originalmente aplicada deverá ser reduzida paia R$ 7.500,00 (sete mil e quinhentos ¡vais), consoante o disposto .11.0 ine. II do 4' do al t. 1" da Lei 11 945, de 2009. § do lica atribuída à Secietaria da Receita Federal do 13rasil competCmcia para: - expedir noimas complementai os relativas ao Registro bspecial e ao einripi intento das eXigènCiaS a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão: estabelecer a periodicidade e a tOillla de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada a() controle da sua comercialização importação r; do mio cumprimento da obi igaçao prevista no inciso II do:e.; do deste artigo sujeitará a pessoa jiii jetica às seguintes penalidades: 1 - 5% (cinco por cento), não inCerriot a R$ 100,00 (cem leais) e não superior a R$ 5 000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de Forma inexata ou incompleta; e ii - de R$ 2 500,00 (dois mil e quinhentos leais) pura micro e pequenas empresas e de R$ 5 000,00 (cinco mil reais) para as dei:MIS, independentemente da sanção prevista no inciso 1 deste mitigo, se as infOl'InaÇÕCS Fi(to 1.orem apresentadas no pi azo estabelecido. O‘L ,. . rroc.,:::sso H" 10665 001215/2,005-00 S3-11E03 Aciwc111io ii." 3803-00,206 1-11 157 Ante o exposto, voto por dar parcial provimento para reduzir a penalidade aplicável, adequando-o à Lei n" 11.945, de 2009. .4 9' -- - • Ale. , a.ndre Kern , 7
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Numero do processo: 10865.003141/2008-23
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004, 2006, 2007
DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. POSSIBILIDADE.
Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos, mormente quando pairam dúvidas acerca da prestação dos serviços e correspondentes desembolsos. Nessa hipótese, a apresentação tão-somente de recibos é insuficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada.
GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. IMPROCEDÊNCIA.
A qualificação da multa de ofício exige a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo, sendo insuficiente para tal a simples menção à ausência de comprovação da efetividade do pagamento/serviço.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-001.942
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, nos termos do voto da Relatora. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004, 2006, 2007 DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. POSSIBILIDADE. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos, mormente quando pairam dúvidas acerca da prestação dos serviços e correspondentes desembolsos. Nessa hipótese, a apresentação tão-somente de recibos é insuficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. IMPROCEDÊNCIA. A qualificação da multa de ofício exige a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo, sendo insuficiente para tal a simples menção à ausência de comprovação da efetividade do pagamento/serviço. Recurso Voluntário Provido em Parte
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APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. POSSIBILIDADE. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos, mormente quando pairam dúvidas acerca da prestação dos serviços e correspondentes desembolsos. Nessa hipótese, a apresentação tãosomente de recibos é insuficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. IMPROCEDÊNCIA. A qualificação da multa de ofício exige a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo, sendo insuficiente para tal a simples menção à ausência de comprovação da efetividade do pagamento/serviço. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, nos termos do voto da Relatora. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Fl. 268DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10865.003141/200823 Acórdão n.º 2801001.942 S2TE01 Fl. 263 2 Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Sandro Machado dos Reis, Walter Reinaldo Falcão Lima, Luiz Cláudio Farina Ventrilho e Carlos César Quadros Pierre. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado, em 02/09/2008, o Auto de Infração de fls. 03 a 09, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2004, 2006 e 2007, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$14.243,12, acrescido de multa de ofício parcialmente qualificada (150%) e juros de mora. A autuação decorreu de deduções indevidas despesas médicas (nos valores de R$9.185,87, R$17.237,02 e R$25.291,20, exercícios 2004, 2006 e 2007, repectivamente) e com instrução (R$1.998,00, exercício 2004, por falta de comprovação dos pagamentos). Foram efetuadas glosas de despesas médicas por falta de comprovação da efetividade dos serviços e pagamentos (referentes aos profissionais Denise Bello e Newton Ribeiro Moreira, nos três exercícios, Fabíola Inacarato e Ana Paula B. Bernardes, exercício 2006 e Tatiane Cafola Bastos, exercício 2007) e por serem referentes a não dependente (relativas à Unimed, nos três exercícios e Tales Ferreira Galatte, exercício 2004). Todas as glosas de despesas médicas foram objeto de multa de ofício qualificada (150%) sob o argumento de que os fatos apurados às fls. 10/11 configuram, em tese, crime contra a ordem tributária. Em relação ao profissional Newton Ribeiro Moreira, odontólogo, consta dos autos o Termo de Cosntatação Fiscal de fls. 109 e 110, lavrado em 16/07/2008, noticiando a evidente ausência de provas materiais aptas a demonstrarem que os recibos emitidos pelo profissional, no período de 01/01/2003 a 31/12/2006, correspondessem a efetiva prestação de serviços e percepção dos valores correspondentes. Dessa forma, os referidos recibos foram qualificados como inidôneos para fins tributários, por serem ideologicamente falsos. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação (fls. 115 a 118), acatada como tempestiva. Alegou, consoante relatório do acórdão de primeira instância (fls. 160 e 161): que no auto de infração não foram aceitas as cópias dos recibos dos profissionais e que neste ato envia todos os originais de Fl. 269DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10865.003141/200823 Acórdão n.º 2801001.942 S2TE01 Fl. 264 3 recibos emitidos pelos seguintes profissionais, divididos por período fiscalizado: 1) Período Fiscalizado de 01/2003 a 12/2003 a) Denise Bello, CPF 039.800.24873, CREFITO 3/3927F (fls. 120/123), que prestou tratamento fisioterápico ao dependente, Levindo Braz. 2) Período Fiscalizado de 01/2005 a 12/2005 a) Ana Paula B. Bernardes, CPF 031.815.87605, CRFa 10013 (fls. 125/128), que prestou tratamento fonoterápico ao dependente Vinicius Vieira Braz; b) Fabiola Inacarato, CPF 008.594.55602, CRP 04/15379 (fls. 130), que prestou tratamento psicológico ao dependente Vinicius Vieira Braz; b) Denise Bello, CPF 039.800.24873, CREFITO 3/3927F (fls. 132/135), que prestou tratamento fisioterápico ao dependente, Levindo Braz. 3) Período Fiscalizado de 01/2006 a 12/2006 a) Denise Bello, CPF 039.800.24873, CREFITO 3/3927F (fls. 137/140), que prestou tratamento fisioterápico ao dependente, Levindo Braz; c) Tatiane Cafola Bastos, CPF 274.880.01842, CRP 06/67389 (fls. 142/145), que prestou tratamento psicológico ao dependente Vinicius Vieira Braz. O contribuinte fundamenta a juntada dos recibos originais em informação obtida no próprio site da Receita Federal em link do serviço Fale Conosco (dúvidas existentes) que diz que: "A comprovação será feita mediante documentos originais que contenham o nome, o endereço, e no caso de beneficiário (pessoa ou empresa a quem efetuou o pagamento) residente ou domiciliado no Brasil, o seu número de inscrição no CPF ou CNPJ [...]". O que se apresenta de fato. Também informa que os demais valores apurados no auto de infração já foram totalmente quitados de acordo com cópias das guias (fls. 147/150), e os recibos originais apresentados poderão ser verificados juntamente aos referidos profissionais da saúde. Ao final, requer o acolhimento da presente impugnação a fim de que seja cancelado o débito fiscal reclamado. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A 8ª Turma DRJ/São Paulo II/SP, conforme Acórdão de fls. 158 a 164, considerou não impugnada a glosa de despesas com instrução e parte das despesas médicas. Quanto à matéria litigiosa, julgou procedente o lançamento. Fl. 270DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10865.003141/200823 Acórdão n.º 2801001.942 S2TE01 Fl. 265 4 RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 16/03/2009 (fls. 167), o contribuinte apresentou, em 14/04/2009, o Recurso de fls. 170 a 178, instruído com os documentos de fls. 179 a 260. Principia recapitulando os fatos, repisa os argumentos da impugnação e pondera, em apertada síntese, que os elementos de prova carreados aos autos, inclusive em sede de recurso voluntário, comprovam a efetividade dos serviços recebidos e a realização de saques compatíveis com os pagamentos efetuados. Assevera que em nenhum momento fez uso doloso de recibos. Quanto à parcela não litigiosa, informa que efetuou os recolhimentos correspondentes. Os documentos de fls. 179 a 260 são cópias de extratos bancários e fichas de avaliação de serviço fisioterápico que teriam sido emitidas por Denise Belo, Relatórios fonoaudiológicos de emissão de Ana Paulo B. Bernardes, Relatório psicológico assiando por Fabíola Inacarato de Almeida e declaração de atendimento psicológico firmada por Tatiane Cafola Bastos. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 261, que também trata do envio dos autos a este Conselho. É o Relatório. Voto Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Destaquese, inicialmente, que as glosas de despesas com instrução, exercício 2004, e despesas médicas referentes à Unimed, Newton Ribeiro Moreira, nos três exercícios, e Tales Ferreira Galatte, exercício 2004, não estão em litígio desde a impugnação, eis que o interessado fez os recolhimentos correspondentes (cópias de DARF às fls. 147 a 150). No tocante à matéria litigiosa, insta frisar que a autoridade lançadora solicitou inclusive elementos de prova da efetividade dos desembolsos referentes aos recibos emitidos por Denise Bello (R$4.000,00, R$6.000,00 e R$6.000,00, exercícios 2004, 2006 e 2007, respectivamente, fls. 32 a 35, 54 a 57 e 82 a 87, recibos sem data de emissão), Fabíola Inacarato (R$2.000,00, exercício 2006, fls. 64, um único recibo datado de 21/12/2005), Ana Paula B. Bernardes (R$3.000,00, exercício 2006, fls. 65 a 69, 10 recibos de R$300,00) e Tatiane Cafola Bastos (R$3.000,00, exercício 2007, fls. 88 a 92, rcibos sem data de emissão). Nesse ponto, não obstante o interessado junte cópias de extratos bancários (fls. 170 a 199, vol. I e 202 a 244, vol. II), em sede de recurso voluntário, o certo é que o contribuinte não cuidou de vincular os saques e compensação de cheques aos pagamentos que teria efetuado a título de despesas médicas. Nesse contexto, entendo que os argumentos do contribuinte não podem ser acatados. A matéria em questão tem sido longamente discutida no âmbito deste Colegiado que predominantemente tem entendido que, por força, do disposto no art. 73 do Decreto nº 3.000, Fl. 271DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10865.003141/200823 Acórdão n.º 2801001.942 S2TE01 Fl. 266 5 de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999 (Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora), o contribuinte, instado a comprovar as deduções pleiteadas está obrigado a carrear aos autos elementos hábeis e idôneos, suficientes a demonstrarem o direito alegado. Nessa hipótese, como no caso, a apresentação tãosomente de recibos e outros documentos de emissão dos profissionais da área de saúde, tais como os que instruem o recurso voluntário, passíveis de serem confeccionados a qualquer tempo, não é suficiente para tal. Por outro lado, no tocante à qualificação da multa de ofício em relação às despesas médicas em litígio, entendo que a autoridade lançadora não cuidou de destacar que elementos de prova denotam o evidente intuito de fraude por parte do contribuinte, eis que se limitou a registrar que: Redução indevida da Base de Cálculo do imposto de renda, relativa a despesas médicas, tendo em vista os fatos apurados conforme fls. 10/11. Por configurarem, em tese, crimes contra a ordem tributária, nos termos da Lei nº 8.137/90, será elaborada representação fiscal para fins penais, junto ao Ministério Público Federal, mediante agravamento da penalidade da multa de ofício. Insta frisar que às fls. 10 e 11 foram juntados “demonstrativos das irregularidades constatadas na análise dos documentos apresentados pelo contribuinte” e não há maiores comentários sobre as irregularidades que teriam sido verificadas em relação a esses profissionais além de ausência de comprovação da efetividade pagamentos/prestação dos serviços. Ora, em sendo assim, como já amplamente discutido por este Colegiado em diversas ocasiões, não há como prosperar a qualificação, eis que seria indispensável que a autoridade lançadora cuidasse de elucidar que conduta(s) do sujeito passivo evidencia(m) o intuito de fraude. Em não havendo nos autos nada a este respeito, fica obstada a qualificação pretendida pela autoridade lançadora. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício. Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Fl. 272DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL
score : 1.0
Numero do processo: 13116.001097/2006-16
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
CONTRIBUINTE CASADO. RATEIO. DECLARAÇÃO EM SEPARADO.
BENS COMUNS.
Cada cônjuge tem o direito de incluir na sua declaração o total dos rendimentos próprios e 50% dos rendimentos produzidos pelos bens comuns, compensando 50% do imposto pago ou retido sobre esses rendimentos, independentemente de qual dos cônjuges tenha sofrido a retenção ou efetuado o recolhimento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-002.178
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE MARTINS DE LIMA
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materia_s : IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 CONTRIBUINTE CASADO. RATEIO. DECLARAÇÃO EM SEPARADO. BENS COMUNS. Cada cônjuge tem o direito de incluir na sua declaração o total dos rendimentos próprios e 50% dos rendimentos produzidos pelos bens comuns, compensando 50% do imposto pago ou retido sobre esses rendimentos, independentemente de qual dos cônjuges tenha sofrido a retenção ou efetuado o recolhimento. Recurso Voluntário Provido.
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RATEIO. DECLARAÇÃO EM SEPARADO. BENS COMUNS. Cada cônjuge tem o direito de incluir na sua declaração o total dos rendimentos próprios e 50% dos rendimentos produzidos pelos bens comuns, compensando 50% do imposto pago ou retido sobre esses rendimentos, independentemente de qual dos cônjuges tenha sofrido a retenção ou efetuado o recolhimento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antônio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Walter Reinaldo Falcão Lima, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Tânia Mara Paschoalin e Carlos César Quadros Pierre. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/ 01/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por CARLOS CESAR Q UADROS PIERRE Processo nº 13116.001097/200616 Acórdão n.º 280102.178 S2TE01 Fl. 326 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 3ª Turma da DRJ/BSA (Fls. 291), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra o contribuinte em epigrafe foi emitido Auto de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Física — IRPF (fls. 37 a 44), referente ao exercício 2003, anocalendário 2002, por Auditor Fiscal da Receita Federal da DRF/AnápolisGO. Após a revisão da Declaração foram apurados os seguintes valores (fl. 37): Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar 8.560,05 Multa de Oficio (passível de redução) 6.420,03 Juros de Mora (cálculo válido até jul/2006) 4.703,74 Total do Credito Tributário 19.683,82 O lançamento acima foi decorrente da(s) seguinte(s) infração(ções): Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica. Rendimentos decorrentes de trabalho sem vínculo empregatício. O contribuinte não declarou os rendimentos da Caixa Econômica Federal, CNPJ 00.360.305/000104, no valor de R$ 4.922,12. Enquadramento legal: Arts. 1° a 3º da Lei 7.713/88; arts. 1°a 3º da Lei 8.134/90; arts. 1º, 3º, 6°, 11 e 32 da Lei 9.250/95; art. 21 da Lei 9.532/97; Lei 9.887/99; mis. 1º, 2° e 15 da Lei n° 10.451/2002; art. 45 do Decreto 3.000/99 — RIR/1999 (f1. 38). Dedução Indevida a Título de Despesas Medicas. Intimado por via postal, 4111 apresentou apenas comprovantes no valor de R$ 30,00. Glosa de RS 28.279,88. Enquadramento legal: Art. 8º, inciso II, alínea "a" e parágrafos 2° e 3º da Lei 9.250/95; arts. 43 a 48 da IN SRF n° 15/2001 (fl. 38). O contribuinte apresenta impugnação, datada de 19/09/2006 (fl. 01/02), acompanhada da documentação, na qual, em síntese, expõe os motivos de fato e de direito que se seguem: "Declarou apenas 50% dos rendimentos recebidos da Caixa Econômica Federal, CNPJ 00.360.305/000104, R$ 15.314,55, isto porque dividiu com o cônjuge Zuleida Maia a outra parcela de R$ 15.314,55, totalizando R$ 30.629,11, qual seja R$ 4.922,12, recebido a titulo de alugueres c R$ 25.706,99, a título de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício". Fl. 341DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/ 01/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por CARLOS CESAR Q UADROS PIERRE Processo nº 13116.001097/200616 Acórdão n.º 280102.178 S2TE01 Fl. 327 3 Da mesma forma, do imposto retido na fonte, no valor de R$ 3.409,10, foi aproveitado apenas R$ 1.704.55, tendo sua esposa absorvido os outros 50%. Para corroborar as alegações, junta cópia da DIRPF simplificada da esposa. Relativamente às despesas médicas, foi abatida a parcela de R$ 28.309,88, assim discriminadas: R$ 2.939,88 para a Unimed, CNPJ 42.163.881/000102; R$ 340,00 ao médico Glauco Baiocchi Júnior; "R$ 25.000,00 pagos ao facultativo Wanderley Kennedy de Carvalho para tratamento dentário". Os documentos comprobatórios anexos justificam a dedução pleiteada. Requer o recebimento da presente impugnação com as comprovações devidas e, ao final, seja julgado improcedente o Auto de Infração. Tudo isso com base na ausência de máfé, dolo, erro ou culpa do requerente. Passo adiante, a 3ª Turma da DRJ/BSA entendeu por bem julgar o lançamento procedente em parte, em decisão que restou assim ementada: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Comprovado que o contribuinte auferiu os rendimentos, deve ser considerada subsistente a infração. CONTRIBUINTE CASADO. RATEIO. DECLARAÇÃO EM SEPARADO. BENS COMUNS. Cada cônjuge tem o direito de incluir na sua declaração o total dos rendimentos próprios e 50% dos rendimentos produzidos pelos bens comuns, compensando 50% do imposto pago ou retido sobre esses rendimentos, independentemente de qual dos cônjuges tenha sofrido a retenção ou efetuado o recolhimento. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO PARCIAL. A comprovação por documentação hábil e idônea de parte dos valores informados a titulo de dedução de despesas médicas na Declaração do Imposto de Renda importa no restabelecimento das despesas até o valor comprovado. Cientificado em 09/04/2008 (Fls. 301), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 06/05/2008 (fls. 308 310), reiterando alguns dos argumentos expostos quando da apresentação da impugnação e acrescentando que: O peticionário acata e concorda plenamente com as sustentações apontadas pelo Ilustre Relator, não fera o gritante e inadmissível erro cometido pela Caixa Econômica Federal ao informar ao contribuinte e à Receita Federal o informe de Rendimento no código 588 — Serviços prestados sem vínculo empregatício. (...) A realidade é que o peticionário aluga para a referida Caixa Econômica Federal um prédio comercial sito à Avenida Fl. 342DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/ 01/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por CARLOS CESAR Q UADROS PIERRE Processo nº 13116.001097/200616 Acórdão n.º 280102.178 S2TE01 Fl. 328 4 Presidente Kennedy n° 71 no Bairro Maracanã em AnápolisGo, onde funciona uma Unidade da Locatária denominada Agência Centro Oeste/GO, conforme Contrato particular de Locação firmado entre as partes, que ora anexa, para corroborar nossas alegações. Conforme a cláusula primeira do mesmo, o prazo de locação é de 60 (sessenta) meses, com início em 25/05/1998 e término em 24/05/2003, com valor mensal de R$ 2.000,00 mês, reajustável anualmente pela Variação do I.G. PMFGV. A diferença de R$ 5,629,11, referese ao índice de variação acima. A Declaração anexa firmada pela locatária a Caixa Econômica federal atesta fielmente que os rendimentos se tratam de aluguel e não serviços prestados sem vinculo empregatício conforme foi firmado anteriormente pela aludida Instituição Financeira. Relativamente à glosa da despesa medica excedente de R$ 18.020,00 o contribuinte nada tem a opor, por tratarse realmente de serviços prestados ao cônjuge ZULEIDA MARIA MAIA e a mesma apresentou Declaração em separado, devendo por isso ser apurado o Imposto suplementar devido com os acréscimos legais correspondentes. Finaliza solicitando (Fl. 310): (...) aceitar com matéria Tributável apenas o valor de R$ 15.314,55, ou seja, 50% do total de R$ 30.629,11 com o imposto de Renda na Fonte no valor de R$ 1.704,55, por ser a límpida realidade uma vez que a Cônjuge ZULEIDA MARIA MAIA declarou corretamente a outra parcela de 50% R$ 15.314,55 e bem assim o Imposto de Renda na Fonte R$ 1,704,55, uma vez provado e demonstrado a insubsistência e improcedência da matéria tributável ora cobrado. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. De pronto cabe esclarecer que, inobstante a fiscalização tenha nominado a omissão de rendimentos como “omissão de rendimentos decorrentes de trabalho sem vínculo empregatício”, o fato é que o contribuinte foi autuado pela omissão dos rendimentos apresentados na DIRF de folhas 13 e 274 dos autos. Então, na realidade, o contribuinte foi autuado pela omissão dos valores pagos pela Caixa Econômica Federal, a título de aluguéis, de R$4.922,12. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/ 01/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por CARLOS CESAR Q UADROS PIERRE Processo nº 13116.001097/200616 Acórdão n.º 280102.178 S2TE01 Fl. 329 5 Assim, não cabe analisar se os demais rendimentos foram recebidos a título de trabalho sem vínculo empregatício, ou se estes foram corretamente declarados. Desta feita, a própria DRJ já havia assim estipulado; in verbis: A legislação tributária, entretanto, em relação aos rendimentos auferidos a titulo de aluguéis, permite a declaração de apenas 50% do montante recebido dos rendimentos produzidos pelos bens comuns, bem como a compensação de 50% do imposto pago ou retido sobre esses rendimentos, independentemente de qual dos cônjuges tenha sofrido a retenção ou efetuado o recolhimento (art. 6" e/c art. 7°, RIR11999). Assim, somente poderia o reclamante ratear os rendimentos auferidos da Caixa Econômica Federal, CNN 00.360.305/0001 04, no valor de R$ 4.922,12 (fl. 13), bem como o Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF correspondente.(pág. 274 dos autos) Entendo, então, que 50% do valor dos aluguéis pertencem a esposa do recorrente, e os 50% restantes é que pertencem ao recorrente. Temos ainda que o contribuinte recorrente declarou ter recebido da fonte pagadora o valor total de R$30.629,11, que engloba os valores dos aluguéis, e ofereceu para tributação a metade deste valor; que, por sua vez, engloba 50% dos valores recebidos a título de aluguéis. A própria DRJ reconhece que o contribuinte ofereceu à tributação 50% dos valores recebidos a título de aluguéis, como a legislação lhe faculta. Deste modo, o lançamento deve ser reformado, posto que não houve a omissão dos rendimentos apontada pela fiscalização, informados em DIRF pela fonte pagadora a título de pagamentos de aluguéis. Ante tudo acima exposto, e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento ao recurso, excluindo a omissão de rendimentos. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 344DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/ 01/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por CARLOS CESAR Q UADROS PIERRE Processo nº 13116.001097/200616 Acórdão n.º 280102.178 S2TE01 Fl. 330 6 Fl. 345DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/ 01/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por CARLOS CESAR Q UADROS PIERRE
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Numero do processo: 11080.000046/2007-87
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2002
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS NO EXTERIOR. PROVAS.
Para caracterizar a omissão de rendimentos recebidos no exterior deve restar comprovado que o contribuinte recebeu rendimentos no exterior decorrentes de atividade desenvolvida no exterior ou de capital situado no exterior.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2801-002.287
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães (Relator) e Walter Reinaldo Falcão Lima, que negavam provimento ao recurso. Designada redatora do Voto
Vencedor a Conselheira Tânia Mara Paschoalin.
Nome do relator: ANTONIO DE PÁDUA ATHAYDE MAGALHÃES
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PROVAS. Para caracterizar a omissão de rendimentos recebidos no exterior deve restar comprovado que o contribuinte recebeu rendimentos no exterior decorrentes de atividade desenvolvida no exterior ou de capital situado no exterior. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães (Relator) e Walter Reinaldo Falcão Lima, que negavam provimento ao recurso. Designada redatora do Voto Vencedor a Conselheira Tânia Mara Paschoalin. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Redatora Designada. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Walter Reinaldo Falcão Lima, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin e Carlos César Quadros Pierre. Relatório Fl. 241DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/03/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 11080.000046/200787 Acórdão n.º 280102.287 S2TE01 Fl. 209 2 O recorrente, por meio de seu advogado (procurador), pleiteia junto a este Egrégio Conselho a reforma da decisão de primeira instância às fls. 156/165, e para tanto, apresenta o Recurso Voluntário às fls. 178/206. Por bem resumir os fatos, transcrevese, a seguir, o Relatório constante da decisão recorrida (fls. 157/158): [...] Através do Auto de Infração foi apurado imposto suplementar no valor de R$ 167.547,47 relativo ao exercício de 2003, em decorrência de omissão de rendimentos recebidos de fonte no exterior nos valores discriminados à fl. 15. A descrição dos fatos e a legislação infringida constam no referido Auto de Infração e do Relatório de Ação Fiscal. O total do crédito tributário é de R$ 394.641,30. Através do Termo Intimação Fiscal (fls. 83) foi o contribuinte intimado a apresentar a documentação comprobatória da origem dos recursos recebidos no exterior tendo como ordenante o Forest Group Ltda. e remetidos através do Lespan TBL no montante de US$ 200.000,00 (duzentos mil dólares) em duas remessas datadas de 25/05/2002 (US$ 100.000,00) e 03/06/2002 (US$ 100.000,00). Foi, também, solicitada a comprovação da origem dos recursos recebidos (US$ 50.000,00) em 22/05/2002, por ordem da Nakia Holdings, através do MTB Hudson, bem como que fosse informada a natureza da operação e o tipo de relação mantida com a empresa Forest Group Ltda. Tal intimação foi recebida no endereço constante nos sistemas da RFB Av. Cavalhada, 5205, apt° 55 em 9/10/2006 por "Janaina". Em resposta, fls. 85, através de seu procurador (fl.86) solicitou prorrogação no prazo (30 dias) tendo em vista a mudança de seus endereço para São Paulo SP e que a intimação teria sido recebida pelo porteiro do prédio. Às fls. 115/116, o contribuinte protocolizou junto a DRF em Porto Alegre, em 24/01/2007, nova solicitação para transferência do presente processo para a DRF em São Paulo — na Av. Prestes Maia, 733 Bairro da Luz sob o argumento de que no Relatório da Ação Fiscal foi assegurado ao requerente que,“após as alterações de seus dados cadastrais poderia requer a transferência do presente processo para a DRF de sua escolha na cidade de São Paulo”. Inconformado com a exigência, o contribuinte protocolizou, tempestivamente, a impugnação, fls. 119/130, na DRF CAC/LUZ em São Paulo, posteriormente, anexou os documentos em fls. 131/150. Atendendo a proposição de fl. 151 da DRF em Porto Alegre foi o presente processo encaminhado à DRF em São Paulo. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/03/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 11080.000046/200787 Acórdão n.º 280102.287 S2TE01 Fl. 210 3 À DRJ/SPO II/SP propôs a devolução do mesmo à DRJ/POA para apreciação da impugnação, tendo em vista o disposto no art. 9° ,§§ 2° e 3° do Decreto n° 70.235/72. Em sua defesa (fls. 119/130), após fazer um relato dos fatos, argumenta que inexiste provas nos autos que legitime a lavratura do Auto de Infração e que o silêncio do impugnante quanto a intimação não pode ser considerado como fato gerador da presunção de veracidade das alegações do Auditor Fiscal. Salienta que a Intimação Fiscal de n° 300/2006 foi encaminhada para o endereço diverso do seu domicílio fiscal, motivo pelo qual foi requerido mais prazo para apresentação os esclarecimentos solicitados sendo, portanto, inaceitável a premissa de que o silêncio gera presunção de culpa. Prossegue discorrendo sobre as garantias previstas na Constituição e nos Tratados Internacionais celebrados pelo Brasil, especificamente quanto ao direito ao silêncio e não auto incriminação. Relativamente aos documentos que embasaram a presente autuação, reforça que: "NÃO RECONHEÇO TAIS DOCUMENTOS E NÃO ADMITO QUE SE ME IMPUTEM A PRÁTICA DOS ILÍCITOS CONSTANTES DO AUTO DE INFRAÇÃO" de vez que tais documentos não são hábeis a comprovar a suposta transferência (a meu favor) de US$ 50.000,00 da empresa Nokia holdings," (sic). Argumenta que sua defesa ficou prejudicada na medida em que não foram juntados aos autos os Anexos II e IV mencionados no Relatório Fiscal (onde supostamente estaria evidenciado o ilícito) não podendo defenderse do conteúdo dos mesmos. Ressalta que os documentos juntados aos processo são insuficientes para comprovar qualquer ilícito cometido, bem como as supostas transferências de US$ 200.000,00 da Forest Group Ltda, empresa da qual nunca ouviu falar. Alega, que a fiscalização não juntou a totalidade da documentação (onde supostamente estaria evidenciado o ilícito) o que impossibilita a sua defesa. Argumenta que a doutrina e a jurisprudência são pacíficas de que a omissão de rendimentos goza de presunção relativa, ou seja, pode ser derrubada por prova em sentido contrário e a demonstração de sua ocorrência e ônus do Fisco. Transcreve a opinião de doutrinadores a respeito do ônus da prova, de indícios como prova indireta para corroborar seu entendimento. Conclui que inexistem quaisquer documentos que vinculem seu nome aos ilícitos tributários que ensejaram o presente Auto de Infração, "pois ilícito algum cometeu" (sic). Acompanham a impugnação dos documentos de fls. 131/150. [...] A 4a Turma de Julgamento da DRJ/Porto Alegre (RS), em decisão unânime, indeferiu a preliminar suscitada e, no mérito, julgou improcedente a impugnação apresentada Fl. 243DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/03/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 11080.000046/200787 Acórdão n.º 280102.287 S2TE01 Fl. 211 4 pelo contribuinte, nos termos do Acórdão DRJ/POA n° 1025.611, de 02/06/2010, às fls. 156/165. Com a ciência da decisão da DRJ ocorrendo em 04/08/2010, conforme documento à fl. 175, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 02/09/2010, às fls. 178/206, por intermédio de seu advogado. Alega a inexistência de provas a amparar o lançamento, asseverando não ser o beneficiário ou a pessoa identificada nas transferências de valores apontadas. Por fim, após traçar um histórico da legislação, destacando o art. 42 da Lei n° 9.430/96 e reportandose à regramatriz do Imposto de Renda, aduz que a presunção estabelecida pela lei não cria a possibilidade de o lançamento dissociarse do princípio da verdade material, não sendo dado ao Fisco rejeitar o esclarecimento prestado pelo recorrente (que não reconheceu a existência de contas no exterior em seu nome), valendose da própria presunção. Ao final de sua defesa, questiona a multa de ofício, e requer: “1. sejam acolhidas suas razões recursais, para o fim de reformar a decisão recorrida, decretandose a improcedência do auto de infração em referência, com o conseqüente arquivamento do respectivo processo administrativo; 2. Subsidiariamente, seja reconhecida a prejudicialidade externa existente entre a decisão administrativa e ao desfecho da eventual ação penal; 3. Subsidiariamente, requer seja o presente recurso conhecido e provido, para o fim de afastar a multa de ofício.” É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator. O recurso em julgamento foi tempestivamente apresentado, preenchendo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Inicialmente quanto à alegada preliminar de ilegitimidade passiva, face ao argumento do recorrente de que não teria sido devidamente identificado como sendo o beneficiário dos recursos (valores) recebidos no exterior, verificase que não assiste razão ao contribuinte, pois como bem destacado na decisão vergastada (fls. 161 e 164 dos autos): “(...) Os trabalhos foram baseados na verificação documental e na mídia eletrônica (CD) bem como no Laudo de Exame EconômicoFinanceiro Laudo n° 108/2006INC (fls. 67/75) elaborado para o exame dos dados da conta N° 30172853 Nakia Holdings (fl. 68) disponibilizados em mídia digital as transferências eletrônicas, na qual aparece no campo denominado “Beneficiary Info” (beneficiário final da transação) o nome do autuado (fls. 76/81) como beneficiário dos recursos US$ 50.000,00 em 22/05/2002 (fl. 76), US$ 100.000,00 em 28/05/2002 (fl. 78) e US$ 100.000,00 em 03/06/2002 (fl. 80) Fl. 244DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/03/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 11080.000046/200787 Acórdão n.º 280102.287 S2TE01 Fl. 212 5 sendo que no campo “Originator” (pessoa física ou jurídica ordenante da transação) consta a Nakia Holdings (fl. 76), Lespan S/A (Banco que remeteu os recursos) por ordem da Forest Group LTD ORP (Ordenante) (fl. 78), respectivamente. (...) Ao contrário do que alega a defesa, foi anexado aos autos o Anexo II Transações Remetidas pela conta Investigada 00030172853 (fls. 76/77 e 81) no qual consta a transcrição da operação efetuada no exterior através do MTBCBC Hudson Bank, em data de 22/05/2002, n° da transação e do valor de US$ 50.000,00 (cinqüenta mil dólares) transferido da empresa Nakia Holdinges. constando como beneficiário final da transação o nome completo do contribuinte. Também o Anexo IV Transações Remetidas pela conta investigada Consolidada por Beneficiário (fl. 77) onde está, expressamente, o nome do beneficiário Wanderlei Ivan Stedile de US$ 50.000,00. Nos documentos de fls. 78/80 consta a transcrição da transação US$ 100.000,00 (cem mil dólares) relativo a remessa pelo Banco Lespan S/A, pelo Ordenante Forest Group Ltda tendo como beneficiário final da transação o Sr. Wanderlei Ivan Stedile. (...)” (grifos originais) Como se observa, a documentação às fls. 76/81 identifica o autuado como beneficiário de remessas de recursos realizadas no exterior. Referida documentação foi obtida por meios lícitos, não tendo sido alvo de alegação de falsidade. Rejeitase, portanto, a preliminar suscitada pelo defendente. Quanto ao mérito, diante da análise das peças processuais, entendo suficientes as provas elencadas na autuação para caracterizar a infração de omissão de rendimentos recebidos, pelo contribuinte, no exterior, não oferecidos à tributação no exercício em questão, face o disposto nos §§ 1°, 4° e 8° do art. 3° da Lei 7.713/88. Com relação à natureza do rendimento, ressaltese que a infração de omissão de rendimentos foi enquadrada no inciso VII do artigo 55 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999. Portanto, seria ocioso mencionar que todos os valores recebidos são passíveis de comprovação. E, no tocante a adiantamentos, doações, dinheiro em espécie, empréstimos, ou mesmo quaisquer recebimentos de créditos, sua comprovação se processa mediante observação de uma conjunção de procedimentos que permitam a livre formação de convicção do julgador. Na espécie, não há dúvidas de que a responsabilidade pela apresentação das provas a descaracterizar a omissão apontada pelo fisco compete ao contribuinte destacado no lançamento. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/03/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 11080.000046/200787 Acórdão n.º 280102.287 S2TE01 Fl. 213 6 O Código Tributário Nacional prevê na distribuição do ônus da prova nos lançamentos de ofício que sempre recairá sobre o Fisco o ônus da comprovação dos fatos constitutivos do direito de efetuar o lançamento (artigo 149, inciso IV). É ao Fisco que cabe a comprovação da falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. Deste modo, havendo esta comprovação, ou seja, em face das provas produzidas que atestam a ocorrência de infração à legislação tributária, a autoridade fiscal efetuou o devido lançamento de ofício. Ainda quanto à questão da materialidade da infração, cabe salientar que a regra básica é que a percepção de rendimentos pode gerar a obrigação de ser pago o tributo correspondente; para tanto, a legislação ordinária fixa os parâmetros que, uma vez atingidos, dão lugar ao nascimento da obrigação tributária. Dentre as regras traçadas pela lei tributária, está a que marca o momento em que se considera ocorrida à disponibilidade da renda ou dos proventos e, conseqüentemente, em que nasce a obrigação tributária correspondente. No caso, diante das informações constantes das diversas peças dos autos, me afigura legítima a decisão do órgão julgador a quo, vez que sobre a matéria em discussão, aplicase o disposto no art. 30, § 4°, da Lei n° 7.713/88, segundo o qual a tributação independe, entre outros motivos ali elencados, da denominação dos rendimentos e da forma de sua percepção, bastando para a incidência do imposto, o benefício ao contribuinte, de qualquer maneira e a qualquer título, ressalvadas apenas as hipóteses de isenção e não incidência expressamente definidas em lei, acompanhadas de provas irrefutáveis. E mais, é fato inconteste que em momento algum o legislador excepcionou os rendimentos recebidos pelo recorrente de fonte situada no exterior, até porque se assim o fizesse, o autuado estaria imune do recolhimento do imposto de renda. Assim, interpretar em matéria de leis, quer dizer não só descobrir o sentido que está por detrás da expressão, como também, dentre as várias significações que estão cobertas pela expressão, eleger a verdadeira e decisiva. Não há, pois, previsão legal sustentável para esta alegação apresentada na defesa, sendo os valores percebidos, pelo contribuinte, tributáveis de imediato à época do recebimento. No que se refere ao decidido no IPL n° 2007.71.00.0236250/RS, em curso na 1a Vara Federal da Seção Judiciária do Rio Grande do Sul, no qual fora imputado ao recorrente, dentre outros, o delito do art. 1° da Lei n° 8.137/90, inclusive em relação à omissão de rendimentos em discussão, devese perceber que não há qualquer relevância para o deslinde da presente controvérsia. A uma, porque a denúncia crime não prosperou em decorrência de sobrevir qualquer vinculação à ausência de encerramento ou não do processo administrativo fiscal, a duas, porque o juízo entendeu, naquele momento, diante da inexistência de outros indícios de prova, pela ausência de condição para a instauração da persecução penal, mas destacando a possibilidade, no âmbito penal, serem acrescidos, a posteriori, novos elementos de prova (nos termos do art. 18 do Código Processo Penal), para configuração dos ilícitos ali apontados. Não se deve esquecer que a Constituição Federal, em seu art. 2°, consagra o princípio da separação dos poderes do qual decorre, como consectário lógico e inafastável, o princípio da independência entre as instâncias judicial e administrativa. Assim, a pretensão do recorrente iria de encontro, indubitavelmente, ao preceito constitucional em referência. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/03/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 11080.000046/200787 Acórdão n.º 280102.287 S2TE01 Fl. 214 7 Quanto à multa de ofício exigida nos autos, equivocouse o recorrente em sua defesa, posto que, no presente caso, não foi aplicada a multa qualificada de 150%, mas tão somente a multa de ofício de 75%, face à omissão de rendimentos apurada pela autoridade fiscal. Deste modo, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência, sendo incabível a alegação de inconstitucionalidade baseada na noção de confisco, por não se aplicar o disposto constitucional à espécie dos autos. Por fim, no tocante a posições doutrinárias e jurisprudenciais, destaquese que, excetuandose as Súmulas CARF aprovadas e as decisões judiciais que vinculam este Órgão (nos termos do art. 62A do seu Regimento), que não foram trazidas à colação, tais posições não vinculam as decisões prolatadas por este Colegiado. Face ao acima exposto, VOTO por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Voto Vencedor Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Redatora designada. Com a devida vênia do nobre relator, Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, permitome divergir de seu voto, diante dos fatos constantes deste processo. Entendo que antes mesmo de se analisar as questões trazidas pela defesa no recurso, vale examinar se restou comprovada nos autos a ocorrência do fato gerador do imposto de renda exigido no lançamento. Ou seja, se constam dos autos elementos suficientes para comprovar que a contribuinte, de fato, auferiu rendimentos de fontes situadas no exterior. O inciso VII do art. 55 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) determina que são também tributáveis os rendimentos recebidos no exterior, transferidos ou não para o Brasil, decorrentes de atividade desenvolvida ou de capital situado no exterior. Do dispositivo acima mencionado inferese que para caracterizar a omissão de rendimentos recebidos no exterior devem restar comprovadas duas hipóteses: (i) que o contribuinte recebeu rendimentos no exterior e (ii) que tais rendimentos sejam decorrentes de atividade desenvolvida no exterior ou de capital situado no exterior. Este não é o caso que se apresenta, haja vista que, de acordo com os documentos constantes dos autos, ocorreram depósitos bancários no exterior e em dólares tendo como beneficiário o contribuinte, mas esse fato apenas não têm o condão de comprovar que tais depósitos se referem a rendimentos recebidos pelo contribuinte.Ou seja, não restou comprovado pelo Fisco o motivo da transação ou a que título se deram os depósitos. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/03/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 11080.000046/200787 Acórdão n.º 280102.287 S2TE01 Fl. 215 8 Ressaltese que não existem nos autos nenhuma prova que conduza à conclusão de que o contribuinte recebeu rendimentos decorrentes de atividades desenvolvidas no exterior ou de capital situado no exterior. Nos casos de omissão de rendimentos, provas específicas devem ser produzidas. Indícios veementes de cometimento de ilícitos coletados no decorrer da ação fiscal não têm o condão de, por si sós, comprovar a omissão de rendimentos da forma como proposta no auto de infração. Importa observar que não se trata, na espécie, de lançamento baseado em presunção legal ou com base em provas indiretas, como, por exemplo, é o lançamento com base em demonstrativos de evolução patrimonial, em que deve restar devidamente comprovado o acréscimo não justificado por rendimentos declarados, e do lançamento fundamentado por depósitos bancários de origem não comprovada. Nessa conformidade, não pode prosperar a infração de omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior, dada a inexistência de documentação hábil e idônea que comprove a natureza da percepção dos recursos transferidos ao Brasil, para que fosse possível aferir, se, de fato, referemse a rendimentos tributáveis recebidos de fontes no exterior. Nesse mesmo sentido, é o entendimento manifesto nos Acórdãos 2102 00.379 e 210200.547 da 2ª Turma Ordinária da 2ªSeção do CARF, conforme se extrai dos excertos a seguir transcritos: Acórdão 210200.379, de 30/10/2009, relatora a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. “Para ilustrar o entendimento esposado na decisão recorrida quanto à omissão de rendimentos recebidos do exterior, e então analisar seu acerto (ou não), é importante que se transcreva o trecho abaixo, o qual ilustra com perfeição o que motivou os membros da DRJ em São Paulo a exonerar esta parcela do lançamento, verbis: No caso em exame, a tese a ser demonstrada é, necessariamente, a “Omissão de Rendimentos” e, data vênia, tal demonstração não foi feita. Seguindo as palavras do professor Alfredo Augusto Becker, poderseia dizer que “não houve a realização integral da hipótese de incidência” pela demonstração nos autos de “todos os fatos nela previstos e que formam a composição específica àquela hipótese de incidência”. Ou, no dizer de Paulo de Barros Carvalho, não houve a demonstração da “ocorrência da vida real, descrita no suposto da norma individual e concreta expedida pelo órgão competente”, pois há necessidade de que satisfaça “a todos os critérios identificadores tipificados na hipótese da norma geral e abstrata”. Ora, imputar a alguém a infração tributária de omissão de rendimentos pressupõe que o sujeito passivo tenha auferido rendimentos tributáveis e não os tenha oferecido à tributação. Para demonstrar que o contribuinte não ofereceu rendimentos à tributação basta uma breve comparação entre os rendimentos comprovadamente recebidos e à declaração de ajuste. Por outro lado, a comprovação da percepção destes rendimentos é que requer provas específicas. No caso de omissão de rendimentos, seja recebido de pessoa física ou de pessoa jurídica, tem que ser identificada a fonte dos pagamentos, a natureza destes Fl. 248DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/03/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 11080.000046/200787 Acórdão n.º 280102.287 S2TE01 Fl. 216 9 rendimentos, e comprovada a efetiva percepção dos valores recebidos. Neste caso, a prova é direta e os autos devem trazer todas estas demonstrações de forma clara. Operase de maneira diferente a demonstração da incidência tributária quando o lançamento se dá com base em presunção legal ou com base em provas indiretas. São os casos, por exemplo, do lançamento com base em demonstrativos de evolução patrimonial, em que deve restar devidamente comprovado o acréscimo não justificado por rendimentos declarados, e do lançamento fundamentado por depósitos bancários de origem não comprovada. Para cada caso de omissão detectada no procedimento fiscal, estas específicas demonstrações devem vir descritas seja no auto de infração, seja no Termo de Verificação Fiscal, e os documentos que a fundamentam devem estar juntados aos autos. São elementos necessários que devem obrigatoriamente subsidiar o lançamento tributário. No caso em questão, data vênia, não se encontram os elementos que permitam concluir pela omissão de rendimentos recebidos do exterior, porquanto, não foram identificadas a natureza e a fonte dos rendimentos. Não se pode garantir sequer que estes rendimentos foram pagos por fonte no exterior. O fato de as transações terem sido feitas entre contas mantidas no exterior não é suficiente para se afirmar que os rendimentos tenham como origem fonte situada no exterior. Conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 747/753), a autoridade lançadora relata que “o contribuinte é identificado como beneficiário final das transações, valores estes considerados como rendimentos brutos recebidos, transferidos ou não para o Brasil, decorrentes de atividade desenvolvida ou de capital situado no exterior”. Não se vislumbra o nexo causal entre constar o contribuinte como beneficiário final de transferências financeiras e a omissão de rendimentos atribuída. Notese que no citado Termo, expressamente, se admite o desconhecimento acerca da natureza e da fonte dos rendimentos, uma vez que menciona tratarse de rendimentos decorrentes de atividade exercida ou de capital situado no exterior. Em que pese haver em tais operações indícios veementes de cometimento de ilícitos não só fiscais como também cambiais, não há como se concluir pela omissão de rendimentos da forma como proposta no auto de infração. Como visto acima, nos casos de omissão de rendimentos, provas específicas devem ser produzidas. Indícios coletados no decorrer da ação fiscal não têm o condão de, por si sós, comprovar este tipo de infração. Entendo que ordens de pagamento entre contas no exterior, ainda que os titulares sejam terceiras pessoas, e cuja origem dos recursos restou não comprovada pelo real beneficiário da transferência, poderiam servir como subsídios para se apurar eventual omissão de rendimentos com base na presunção contida no art. 42, da Lei 9.430/96. No entanto, tal não foi o caso do presente lançamento. Dessa forma deverão ser retirados da base de cálculo os seguintes valores: (...) Como se vê, o fundamento para a exoneração destes valores do lançamento foi a falta de provas da ocorrência do fato gerador na hipótese, já que a autoridade fiscal deixou de comprovar a efetiva omissão de rendimentos da qual o Recorrente é acusado.” Acórdão 210200.547, de 15/04/2010, relatora a Conselheira Núbia Matos Moura. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/03/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 11080.000046/200787 Acórdão n.º 280102.287 S2TE01 Fl. 217 10 “O inciso VII do art. 55 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) determina que são também tributáveis os rendimentos recebidos no exterior, transferidos ou não para o Brasil, decorrentes de atividade desenvolvida ou de capital situado no exterior. Do dispositivo acima mencionado inferese que para caracterizar a omissão de rendimentos recebidos no exterior devem restar comprovadas duas hipóteses: (i) que o contribuinte recebeu rendimentos no exterior e (ii) que tais rendimentos sejam decorrentes de atividade desenvolvida no exterior ou de capital situado no exterior. Este não é o caso que se apresenta. Ainda que se considere que as provas juntadas aos autos sejam suficientes para comprovar que o contribuinte realizou as operações de remessas de recursos ao exterior, não se pode extrapolar tal conclusão para considerar comprovado que os recursos movimentados nas referidas operações sejam fruto de rendimentos decorrentes de atividade desenvolvida no exterior ou de capital situado no exterior.” Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 250DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/03/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A
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Numero do processo: 12466.001963/2001-21
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2007
Numero da decisão: 301-01.888
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. A Conselheira Susy Gomes Hoffmann declarou-se impedida.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10166.015113/2007-55
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS.
SÚMULA CARF N° 39.
Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2801-001.843
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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SÚMULA CARF N° 39. Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Eivanice Canário da Silva, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório Fl. 93DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/09/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10166.015113/200755 Acórdão n.º 280101.843 S2TE01 Fl. 92 2 Trata o presente processo de notificação de lançamento que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 18.685,30, referente ao exercício de 2005, a título de imposto (R$ 8.825,48), acrescido da multa de ofício equivalente a 75% do valor do tributo apurado (R$ 6.619,11), além dos juros de mora (R$ 3.240,71). O lançamento é decorrente da apuração de omissão de rendimentos do trabalho recebidos de Organismo Internacional. Em sua impugnação, o contribuinte apresentou as razões de defesa abaixo, extraídas do Acórdão recorrido: Inicialmente, tece comentários a respeito da Organização das Nações Unidas —ONU e dos trabalhos desenvolvidos com a finalidade de promover o desenvolvimento econômico e social dos povos. Explica que, visando à agilização e à maior integração com a comunidade alvo, a ONU contrata profissionais nacionais dos Países Membros. Tais profissionais podem ser contratados como servidores das equipesbase que mantém vínculo laboral permanente ou como prestadores de serviços autônomos, remunerados por tarefa ou hora trabalhada. Os servidores das equipesbase, como o impugnante, tem seus rendimentos pagos com recursos da ONU e estão sujeitos às normas e aos procedimentos estabelecidos pela ONU. O Contribuinte é servidor do quadro do(a) Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD, conforme comprovantes de pagamentos em anexo, que demonstram o exercício de função específica junto ao Organismo. A Constituição Federal (art. 5º, § 2º) e o Código Tributário Nacional — CTN (art. 98) asseguram a vigência dos tratados e convenções internacionais dos quais o Brasil é signatário, bem como a supremacia dos mesmos em relação à legislação brasileira. A Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto n°27.784, de 1950, dispõe nas Seções 17 e 18 do artigo V que as categorias de funcionários determinadas pelo SecretárioGeral da ONU, segundo lista submetida à Assembléia Geral e comunicada aos Governos dos membros, estarão isentos de qualquer imposto sobre salários e emolumentos recebidos das Nações Unidas. Idêntica linha de raciocínio é adotada pela Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto nº 52.288, de 1963, ao declarar que os funcionários gozarão de isenções de impostos, quanto aos salários e vencimentos a eles pagos pelas agências especializadas e em condições idênticas as. de que gozam os funcionários das Nações Unidas. Fl. 94DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/09/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10166.015113/200755 Acórdão n.º 280101.843 S2TE01 Fl. 93 3 Cita, ainda, o Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, aprovada pelo Decreto nº 59.308, de 1966, que estabelece as condições para a prestação de assistência e cooperação técnica. Os Acordos e Convenções recepcionados e promulgados pelo Brasil não estabelecem distinções relativas à nacionalidade dos funcionários para a aplicação de seu conteúdo. A seguir, adota as razões contidas na decisão prolatada pelo Juiz Substituto da 19' Vara Federal de Brasília/DF, o Dr. Julian Taveira Bernardes, no processo nº 99.94058, em 05/02/2001, transcritas na impugnação e resumidas adiante. A fruição da isenção depende do(a) contribuinte incluirse dentre as categorias indicadas pelo Secretário Geral da ONU (Seção 17 do art. V do Decreto nº 27.784, de 1950); enquadrar se na conceituação de "funcionário da ONU"; e de determinar se é necessária a veiculação de seu nome na lista periódica prevista no dispositivo. O primeiro requisito foi cumprido com a Resolução nº 76 da ONU, de 07/12/1946, que outorgou os privilégios e imunidades mencionados nos artigos V e VII da Convenção em tela a todos os membros do pessoal das Nações Unidas, à exceção daqueles recrutados no local e que sejam remunerados à taxa horária, condições estas cumulativas. Foi cumprido, também, o segundo requisito ao se afastar a limitação dos privilégios e imunidades previstos na Convenção daqueles que atendam ao art. 4.1 do Estatuto de Pessoal da ONU, e considerar o conceito nacional de "funcionário". No direito pátrio, o termo "funcionário" é de utilização exclusiva na definição de servidores públicos civis e, portanto, a alusão a funcionários da ONU deve ser entendida como empregados da ONU. O contribuinte atendeu a todos os requisitos necessários para a configuração de uma relação de emprego, conforme estabelece o art. 3" da Consolidação das Leis Trabalhistas CLT. Quanto à identificação das categorias dos funcionários a serem beneficiados com a isenção, o Conselho de Contribuintes têm considerado ser inexigível do contribuinte a produção desta prova. Ademais, a Resolução nº 76, de 1946 já determinou as categorias favorecidas com a isenção,logo a comunicação periódica é mera faculdade deferida ao Secretário Geral da ONU e não requisito de gozo da isenção. Assim,conclui que preenche todos os requisitos para a fruição da isenção. Fl. 95DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/09/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10166.015113/200755 Acórdão n.º 280101.843 S2TE01 Fl. 94 4 A seguir, aborda o disciplinamento da Matéria por atos internos da Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB. As orientações emanadas pela RFB, por meio de Pareceres CST e no Manual "Perguntas e Respostas" são no sentido de que somente os rendimentos decorrentes de prestação de serviços remunerados por hora são tributados pelo Imposto de Renda. Cita especificamente os Pareceres CST nºs. 717, de 1979 e 03, de 1996. Entende não ser necessária, para gozar da isenção, que os funcionários sejam do quadro efetivo do Organismo, mas, de qualquer jeito, assegura que possui vínculo laboral com o(a) Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento — PNUD. A relação jurídica celebrada implica na existência de vínculo jurídicolaboral, porquanto presentes os requisitos que caracterizam a existência de contrato de trabalho, tais como subordinação hierárquica, dependência econômica e a habitualidade da prestação dos serviços. Ressalta, ainda, algumas características específicas do contrato celebrado com o(a) Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento — PNUD. Como funcionário do Organismo, aufere salário e está sujeito às normas contratuais específicas, diversas da lei trabalhista brasileira e previdenciária. No tocante à legislação interna, assevera que o direito à isenção é garantido pelo art. 22, II, do R1R/1999, que tem como base legal o art. 5º da Lei n° 4.506, de 1964 e o art. 30 da Lei n° 7.713, de 1988. Transcreve doutrina e jurisprudência acerca do tema contrato de trabalho e existência de vínculo jurídicolaboral com o Organismo Internacional. Colaciona, também, diversos precedentes jurisprudenciais do Conselho de Contribuintes proferidos em casos análogos ao seu. Por último, aborda a questão da aplicação da multa isolada em concomitância à multa. de oficio. Face ao exposto, requer a declaração de insubsistência da Notificação de Lançamento, com a finalidade de tornar inexigível o crédito tributário lançado. A 3ª Turma da DRJ/BSA/DF julgou procedente o lançamento, conforme Acórdão de fls. 69/78, que restou assim ementado: OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS. Sujeitamse à tributação sob a forma de recolhimento mensal obrigatório (carnêleão), sem prejuízo do ajuste anual, os rendimentos recebidos por residentes ou domiciliados no País decorrentes da prestação de serviços a Organismos Internacionais de que o Brasil faça parte. Fl. 96DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/09/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10166.015113/200755 Acórdão n.º 280101.843 S2TE01 Fl. 95 5 Regularmente cientificado daquele Acórdão em 15/01/2009 (fl. 82), o interessado interpôs recurso voluntário de fls. 83/89, em 13/02/2009. Em sua defesa, reitera os argumentos da impugnação sobre a pretendida isenção do imposto sobre os rendimentos recebidos da UNESCO. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Ao contribuinte foi imputada omissão de rendimentos recebidos da UNESCO Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura Agência Especializada da ONU, a partir de vínculo contratual, oriundos de serviços prestados por técnicos residentes no Brasil. Quanto a essa matéria, cabe trazer à colação a Súmula CARF n° 39, que assim dispõe: Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Por força do que dispõe o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tal enunciado é de adoção obrigatória por este julgador. Assim, é de se considerar acertado o lançamento em questão. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 97DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/09/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 13116.001778/2003-31
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 301-02.096
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, para que sejam juntadas aos autos peças relativas ao processo judicial, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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CC03/COl Fls. 351 • RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, para que sejam juntadas aos autos peças relativas ao processo judicial, nos termos do voto do relator. A-~lJlhj r!!!!i CRISTINA RÓ'ilDA cõsh ~ .( Participaram, . a, do presente julgamento, os Conselheiros: José Luiz Novo Rossari, Luiz Roberto Domingo, Irene Souza da Trindade Torres, João Luiz Fregonazzi e Valdete Aparecida Marinheiro. Ausentes os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Susy Gomes Hoffmann e Alex Oliveira Rodrigues de Lima (Suplente). Processo n.o 13116.001778/2003-31 Resolução n.o 301-2.096 RELATÓRIO CC03/C01 Fls. 352 • • Cuida-se de recurso voluntário interposto por Willian Ienaga (fls. 86 a 97) contra decisão proferida pela Colenda la Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF) (fls. 74 a 79) que, por unanimidade de votos, JULGOU PROCEDENTE o lançamento constante no Auto de Infração de fls. 01 a 08, referente ao ITR/1999. Conforme se depreende do Auto de Infração, o lançamento de ITR mantido se deu porquanto o contribuinte, regularmente intimado, não logrou comprovar, mediante documentação hábil e idônea, as informações declaradas a título de áreas de utilização limitada / reserva legal (1.350,0 ha) e pastagens (1.188,0 ha). No tocante à área de utilização limitada / reserva legal, porque não foi apresentada certidão do cartório de imóveis que comprove a sua averbação, à margem da matrícula do imóvel, em data anterior a 01/01/1999. Por outro lado, quanto à área de pastagens, porque não foram apresentadas notas fiscais de aquisição de vacinas utilizadas no gado existente em suas pastagens durante o ano de 1998. A r. decisão recorrida restou assim ementada: Assunto: Imposto sobre Propriedade Territorial Rural- ITR Exercício: 1999 Ementa: DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇA~O TRIBUT.ÁRIA. Cabe ser mantido o lançamento em nome do contribuinte, considerando-se que o mesmo era o proprietário do imóvel à época do fato gerador do ITR/99, observada a legislação de regência. DO REGISTRO IMOBILIARIo. Enquanto não cancelado, o registro imobiliário continua produzindo todos os seus efeitos, nos termos da Lei de Registros Públicos . Lançamento Procedente Esta Colenda Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, em seguida (fls. 141 a 145), decidiu converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para que o recorrente fosse intimado a trazer aos autos cópia do Mapa de Movimentação de Estoque de Criações do Período, além de cópia integral da Ação Discriminatória n° 030/1998. O Recorrente, por sua vez, juntou aos autos os documentos de fls. 158 a 255 e 263 a 345. É o relatório. 2 Processo n.o 13116.001778/2003-31 Resolução n.o 301-2.096 VOTO Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator CC03/COl Fls. 353 Inicialmente, verifica-se que o Recorrente, almejando cumprir com a resolução desta Colenda Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, juntou cópia da decisão proferida nos autos do agravo de instrumento n° 2005.01.00.061549-4/DF, processo originário n° 2005.34.00.019923-6, que concedeu efeito suspensivo ao recurso e determinou a suspensão da exigibilidade do crédito tributário referente ao ITR de 1999, 2000, 2001 e 2002 (fls. 250). • verbis Com efeito, a referida decisão assim resumiu a controvérsia posta em juízo, 1- Espólio de Alfredo Obliziner e outros agravam da decisão do MM Juiz Federal da 8" Vara/DF que indeferiu a antecipação dos efeitos da tutela que objetivava a suspensão da exigibilidade do lançamento fiscal do ITR, exercício de 1999 e dos créditos fiscais relativos ao mesmo imposto, referentes aos exercícios de 2000, 2001 e 2002. 2 - Em suas razões sustentam, em síntese, "que não são sujeitos passivo do ITR, tendo em vista que foi averbado o cancelamento do registro do referido imóvel rural junto ao CRI competente, por terem sido as terras do imóvel declaradas como devolutas, de domínio público, de propriedade do Governo do Estado de Goiás, em virtude da Ação Discriminatória de n. 030/98, fls. 8.070/8.211" (fls. 16). • Em consulta aos sítios na Internet do Tribunal Regional Federal da la Região e da Justiça Federal, Seção Judiciária do Distrito Federal, foi possível verificar que em primeiro grau os autos principais estão conclusos para sentença desde 09/07/2007, enquanto o agravo de instrumento aguarda julgamento. Por conseguinte, a prinCIpIO, existiria in casu concomitância do presente processo administrativo com a discussão travada na esfera judicial, o que atrairia a incidência da Súmula n° 5 deste Terceiro Conselho de Contribuintes: Súmula JOCC n° 5 - Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação de matéria distinta da constante do processo judicial. Todavia, pela cópia juntada da decisão juntada às fls. 250, bem como pelas informações obtidas na Internet, não é possível se inferir o exato objeto da ação judicial, o que se faz necessário para verificar a aludida concomitância. Assim, em face de todo o exposto, voto no sentido de que o presente julgamento seja convertido em diligência à repartição de origem a fim de que o Recorrente seja intimado a • Processo n.o 13116.001778/2003-31 Resolução n.o 301-2.096 CC03/COI Fls. 354 • • juntar cópia das peças principais do agravo de instrumento n° 2005.01.00.061549-4/DF e do processo originário n° 2005.34.00.019923-6, notadamente a petição inicial e as decisões proferidas, bem como as respectivas certidões de objeto e pé. Sala das Sessões, em 11 de dezem';Z--- -------.----- é---~. ROD GOCARD 4 00000001 00000002 00000003 00000004
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Numero do processo: 10845.001697/2009-02
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
IRPF. LANÇAMENTO. ALEGAÇÃO DE ERRO DE CÁLCULO.
IMPROCEDÊNCIA.
Descabe a retificação dos cálculos efetuados pela autoridade lançadora quando restar comprovado que as deduções pleiteadas no ajuste anual e corroboradas por documentos hábeis de prova já foram contempladas no demonstrativo de apuração do imposto devido, parte integrante da Notificação de Lançamento em litígio.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.124
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: AMARYLLES RELNALDI E HENRIQUES RESENDE
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 IRPF. LANÇAMENTO. ALEGAÇÃO DE ERRO DE CÁLCULO. IMPROCEDÊNCIA. Descabe a retificação dos cálculos efetuados pela autoridade lançadora quando restar comprovado que as deduções pleiteadas no ajuste anual e corroboradas por documentos hábeis de prova já foram contempladas no demonstrativo de apuração do imposto devido, parte integrante da Notificação de Lançamento em litígio. Recurso Voluntário Negado.
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LANÇAMENTO. ALEGAÇÃO DE ERRO DE CÁLCULO. IMPROCEDÊNCIA. Descabe a retificação dos cálculos efetuados pela autoridade lançadora quando restar comprovado que as deduções pleiteadas no ajuste anual e corroboradas por documentos hábeis de prova já foram contempladas no demonstrativo de apuração do imposto devido, parte integrante da Notificação de Lançamento em litígio. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin, Luiz Cláudio Farina Ventrilho e Carlos César Quadros Pierre. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10845.001697/200902 Acórdão n.º 2801002.124 S2TE01 Fl. 35 2 Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi expedida a Notificação de Lançamento de fls. 03 a 07, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2006, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$13.500,54, acrescido de multa de ofício e juros de mora. A autuação decorreu de glosas de deduções pleiteadas a titulo de dedução de despesas médicas (R$8.692,20), Previdência Privada/FAPI (R$4.174,62), dependentes (R$7.020,00) e instrução (R$600,00), bem como da tributação de rendimentos tidos como omitidos (R$25.491,03, percebidos pelo contribuinte e R$3.326,31, por dependente, ambos os valores sem retenção de Imposto de Renda na Fonte). IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação (fls. 01), acatada como tempestiva. Alegou, consoante relatório do acórdão de primeira instância (fls. 16): em síntese, sem prejuízo da leitura integral da impugnação, que seja feito o cancelamento do débito fiscal ou seu recálculo. Alega que a documentação relativa teria desaparecido. Reconhece que cometeu erros. Discorda da quantia paga, inclusive da multa e juros aplicados. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A 10ª Turma da DRJ São Paulo II/SP, conforme Acórdão de fls. 15 a 20, julgou a impugnação improcedente, mantendo o lançamento. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 28/10/2010 (fls. 23), o contribuinte apresentou, em 18/11/2010, o Recurso de fls. 24, argumentando, em síntese, que comprovou pagamento de despesas médicas à Petros e de contribuição à previdência privada, igualmente à Petros. Assim, pugna por novo cálculo do imposto devido. Instruindo o recurso voluntário foram juntadas cópias do comprovante de rendimentos, do documento de identidade do interessado e do acórdão recorrido (fls. 25 a 32). O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 33, que também trata do envio dos autos a este Conselho. É o Relatório. Voto Fl. 42DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10845.001697/200902 Acórdão n.º 2801002.124 S2TE01 Fl. 36 3 Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. No caso, o interessado argumenta que teria comprovado despesas médicas e contribuição à previdência privada que não teriam sido consideradas pela autoridade lançadora. A relação de pagamentos e doações efetuados constante da declaração de ajuste anual a que se reporta o lançamento encontrase às fls. 13 dos autos. Examinandoa, verifico que o interessado declarou pagamentos a título de contribuição à previdência privada efetuados à Fundação Petrobrás de Seguridade Social – Petros, no montante de R$5.842,00. Também declarou pagamento efetuado à Unimed Nacional no total de R$5.842,00. No comprovante de rendimentos de fls. 25, emitido pela Petros, estão destacadas despesas médicas no valor de R$5.841,80 e contribuição à previdência privada de R$1.667,38. Ora, tais pagamentos foram contemplados no lançamento, uma vez que a parcela de contribuição previdenciária privada glosada foi de apenas R$4.174,62 (=R$5.842,00 R$1.667,38) e as glosas de despesas médicas referemse a Joelson F. Egidio Silva, Guilherme Mario Vecchi, Caroline Craft, Carlos Afonso Maestri, Luciano Etzl, Laboratório Zoning, Hospital e Maternidade Santa Izabel e Unimed Curitiba. Cuidou a autoridade lançadora de destacar que foi considerado o valor informado como pago à Unimed Nacional comprovado o recolhimento com base no informe de rendimentos emitido pela Fundação Petros (fls. 05verso). Portanto, não há o erro alegado nos cálculos efetuados pela autoridade lançadora, estando correto o Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, fls. 06, parte integrante da Notificação de Lançamento em litígio. Não tendo o contribuinte apresentado outros argumentos de direito ou de fato aptos a afastarem o acerto do lançamento e do acórdão recorrido, cabe mantêlos. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Fl. 43DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL
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Numero do processo: 10983.901633/2006-78
Data da sessão: Tue Aug 11 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Aug 11 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO RARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 28/02/1999
BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS A
TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE.
O art. 3°, § 2°, 111, da Lei n°9.718/98, ao prever a exclusão da base de cálculo da COFINS e do PIS de valores que, computados como receita, houvessem sido transferidos a outras pessoas jurídicas, constituiu norma de eficácia condicionada à regulamentação pelo Poder Executivo, que não produziu efeitos porque revogada antes de regulamentada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3803-000.068
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da TERCEIRA SEÇÃO de
JULGAMENTO do CONSELHO ADMINISTRATIVO de RECURSOS FISCAIS, por
unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUZA
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EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS A TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. O art. 3°, § 2°, 111, da Lei n°9.718/98, ao prever a exclusão da base de cálculo da COFINS e do PIS de valores que, computados como receita, houvessem sido transferidos a outras pessoas jurídicas, constituiu norma de eficácia condicionada à regulamentação pelo Poder Executivo, que não produziu efeitos porque revogada antes de regulamentada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3 Turma Especial da TERCEIRA SEÇÃO de JULGAMENTO do CONSELHO ADMINISTRATIVO de RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. •./ • LE • IRE KE - Presidente BELCH M DE S9 - Participar , ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Daniel Maurício Fedato, Meio La tá Reis, Carlos Henrique Martins : de Lima e Ivan Allegretti. Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de n° 07-11.464, de 30 de novembro de 2007, da DRJ/Florianópolis/SC, fls. 52 a 55, que indeferiu a solicitação, mantendo o despacho decisório, não homologando as compensações declaradas, face da manifestação de inconformidade, fls. 36 a 46. Cientificada da decisão em 22 de fevereiro de 2008, irresignada, apresenta recurso voluntário, fls. 60 a 70, em 17 de março de 2008, por meio do qual reitera todos os seus argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, segundo os quais: Em de 18 de setembro de 2003, a contribuinte declara compensação de COFINS referente ao período de apuração março/2003 utilizando crédito de pagamento a maior da mesma contribuição, relativa ao mês de junho/I999. Mesmo após a transmissão da Dcomp o débito objeto dela foi cobrado pela Delegacia em Florianópolis. Provocada por requerimento da contribuinte em que reclama a improcedência da cobrança, a delegacia efetua análise manual das DComps eletrônicas, fls. 05 a 09 e 18 a 22, e não constata existência de crédito, porquanto o pagamento alegado está alocado ao débito que lhe corresponde e que informado em DCTF, nada havendo disponível desse crédito em favor da contribuinte. As compensaçõe's veiculadas pelas DComps não foram homologadas pelo Despacho Decisório de fls. 31/33. Feitas as argumentações perante a DRJ/Florianópolis: a) preliminares, quanto â suspensão da exigibilidade do débito em discussão, inclusive da diferença de valores entre o que foi confessado na DCTF e o que foi compensado na Dcomp; e b) de mérito, quanto à verossimilhança do seu crédito à luz do que rege o inciso III, do § 2°, do artigo 3°, da Lei n° 9.718/98', sua solicitação foi indeferida e, assim, mantida a não-homologação da compensação. Cientificada da decisão em 08 de maio de 2008, irresignada, apresenta recurso voluntário, fls. 59 a 70, em 17 de março de 2008, por meio do qual reitera todos os seus argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, conforme, em síntese, se os descreve. a) para se obter a base de cálculo da COFINS bastam as disposições do artigo 3° e parágrafos da Lei n° 9.718/98; b) O inciso III do §2° desse artigo previu a possibilidade da exclusão para apuração daquela base de cálculo das receitas transferidas a outras pessoas jurídicas. A União Federal nega os efeitos a esse dispositivo à mingua da inexistência de regulamentação, argumento que não pode prosperar, pois somente a lei pode dispor sobre base de cálculo de contribuições, não podendo esta ser definida por regulamentos; Art. 3° [...] § 2°. [...] III - os valores que, computados como receita, tenham sido tains& .dos par. • jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo 2 Processo ri 10983.901633/2006-78 S3-TE03 Acórdão n.° 3803-000.068 Fl. 86 c) assenta que quaisquer regulamentações não poderiam fixar os critérios que compõem a regra matriz de tributação, matéria reservada à lei, e, citando excerto de doutrina registra que 'a sistemática da não-cumulatividade para o PIS e a COFINS independe de regulamentação operacional, devendo ser imediatamente aplicada através da simples exclusão da base de cálculo das mencionadas contribuições dos valores que, tidos como receita dos contribuintes tenham sido transferidos para outras Pessoas jurídicas, impedindo o duplo pagamento sobre a mesma base' d) Prevalecendo o entendimento da inaplicabilidade do inciso III do §2° artigo 3° da Lei n° 9.718/98 em razão da ausência de regulamentação, estar-se-á admitindo a interferência do Poder Executivo na fixação da base de cálculo de tributos, em flagrante violação aos princípios constitucionais da legalidade, da estrita legalidade em matéria tributária, e o disposto no artigo 99 do CTN; e) relembra que no sistema jurídico brasileiro o regulamento limita-se a • oferecer os meios para o fiel cumprimento da lei. No caso concreto, o dispositivo legal contempla todos os requisitos necessários para a sua imediata aplicação, "de forma que a sua inexistência não condiciona a aplicação da lei, sob pena de afronta à legalidade tributária emanada da Constituição (art. 150, 1), e do CIN (art. 97,1V)". É o relatório. Voto Conselheiro BELCHIOR MELO DE SOUSACONSELHEIRO BELCHIOR MELO DE SOUSA, Relator Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos previstos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Mo assiste razão à Recorrente. Embora inquestionável a validade da norma, porquanto adequado o processo de inserção de sua proposição jurídica no ordenamento pátrio, a questão presente encontra barreira no plano de eficácia do Direito posto. Na linha do positivismo analítico, muito bem defendida pelo italiano Norberto Bobbio, a validade de uma norma prescinde do fato da mesma ser ou não efetivamente aplicada na sociedade, vez que na concessão de um Direito pelo Estado, embora tido como legitimo, não se induz o elemento eficácia.V O inciso III, do § 2°, do art. 3°, da Lei n°9.718/98, não é norma autoaplicável, portanto não lhe socorre, tal como decidiu a instância de piso, pois o legislador conferiu ao Poder Executivo o desenho dos contornos de como se deveria dar a exclusão de receitas. Ambas as Turmas de Direito Público do STJ (1 e 2') convergem no sentido de que o art. 3°, § 2°, III, da Lei 9.718/98, nunca ostentou eficácia plena, porque dependente - desde sua origem - de norma regulamentadora ulterior do Poder Executivo, jamais editada: 40Ort 3 TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE RECEITAS TRANSFERIDAS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. LEI 9 718/91, ART. 3°, § 2°, III NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. AUSÊNCIA DE REGULAMENTA CIO. 1. É de sabença que na dicotomia das normas jurídico- tributárias, há as cognominadas leis de eficácia limitada ou condicionada. Consoante a doutrina do tema, 'as normas de eficácia limitada são de aplicabilidade indireta, mediata e reduzida, porque somente incidem totalmente sobre esses interesses após uma normarividade ulterior que lhes desenvolva a eficácia:. Isto porque, 'não revestem dos meios de ação essenciais ao seu exercício os direitos, que outorgam, ou os encargos, que impõem: estabelecem competências, atribuições, poderes, cujo uso tem de aguardar que a Legislatura, segundo o seu critério, os habilite a se exercerem'. 2. A lei 9.718/91, art. 3°, § 2°, III, optou por delegar ao Poder Executivo a missão de regulamentar a aplicabilidade desta norma. Destarte, o Poder Executivo, competente para a expedição do respectivo decreto, quedou-se inerte, sendo certo que, exercendo sua atividade legislativa constitucional, houve por bem retirar a referida disposição do universo jurídico, através da Medida Provisória 1991-18/2000, numa manifestação inequívoca de aferição de sua inconveniência tributária. 3. Conquanto o art. 3°, § 2°, 111 da Lei supracitada tenha ostentado vigência, careceu de eficácia, ante a ausência de sua imprescindível regulamentação. Assim, é cediço na Turma que 'se o comando legal inserto no artigo 3°, § 2", III, da Lei n.° 9718/98 previa que a exclusão de crédito tributário ali prevista dependia de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, é certo que, embora vigente, não teve eficácia no mundo jurídico, já que não editado o decreto regulamentador, a citada norma foi expressamente revogada com a edição de MP 1991-18/200'. 4.Deveras, é licito ao legislador, ao outorgar qualquer beneficio tributário, condicionar o seu gozo. Tendo o legislador optado por delegar ao Poder Executivo a tarefa de estabelecer os contornos da isenção concedida, também essa decisão encontra amparo na sua autonomia legislativa. 5. Conseqüentemente, "não comete violação ao artigo 97, IV, do Código Tributário Nacional o decisório que em decorrência deste fato, não reconhece o direito de o recorrente proceder à compensação dos valores que entende ter pago a mais a titulo de contribuição para o PIS e a COFINS. "In casu", o legislador não pretendeu a aplicação imediata e genérica da lei, sem que lhe fossem dados outros contornos como pretende a recorrente, caso contrário, não teria limitado seu poder de abrangência." 6. Precedentes das Primeira e Segunda Tunnas:RESP 644969 / SC ; ReL Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ de 27.09.2004; RESP 507876 /RS; deste relator, DJ de 15.03.2004; REsp 445.452, Rel. Min. José Delgado, DJ de 10/03/2003. \\. iffr 7.Recurso Especial provido 4 Processo rr 10983.901633/2006-78 S3-TE03 Acórdão n.° 3803-000.068 Fl. 87 A decisão acima produz a melhor interpretação, ao detenninar que o citado dispositivo, não produziu eficácia no período em que vigente - até ter sido revogado pelo art. 47, IV, "b", da MP n°1.991-18, de 09 de junho de 2000, atual MP 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, em virtude da ausênc a de regulamentação. Pelo expo to nego provimento ao Recurso. a,la1 n-._ (.....),\51.CONSEL I IRO B IOR MELO DE SOUSA 5
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