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Numero do processo: 15586.000658/2009-00
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 16 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Feb 07 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECLARAÇÃO EM GFIP (CFL 68). OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CORRELAÇÃO.
Mantida a exigência da Obrigação Principal, automaticamente deve ser mantida a aplicação da multa por descumprimento da Obrigação Acessória correlata, de declarar em GFIP o valor das Contribuições Previdenciárias.
Numero da decisão: 9202-010.318
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Marcelo Milton da Silva Risso, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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DECLARAÇÃO EM GFIP (CFL 68). OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CORRELAÇÃO. Mantida a exigência da Obrigação Principal, automaticamente deve ser mantida a aplicação da multa por descumprimento da Obrigação Acessória correlata, de declarar em GFIP o valor das Contribuições Previdenciárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Marcelo Milton da Silva Risso, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Trata-se de ação fiscal que ensejou os seguintes procedimentos: AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 06 58 /2 00 9- 00 Fl. 261DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9202-010.318 - CSRF/2ª Turma Processo nº 15586.000658/2009-00 PROCESSO DEBCAD ESPÉCIE SITUAÇÃO 15586.000656/2009-11 37.158.375-6 Obrigação Principal (Empresa) Recurso Especial 15586.000657/2009-57 37.158.374-8 Obrigação Principal (Terceiros) Recurso Especial 15586.000658/2009-00 37.158.373-0 Obrigação Acessória (CFL- 68) Recurso Especial O presente processo trata do Debcad 37.158.373-0, relativo à multa pela falta de registro na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), de valores relativos a previdência privada complementar, assistência médica/odontológica e pagamentos a cooperativas de trabalho, no período de 01/2005 a 12/2005, conforme Relatório Fiscal de fls. 40 - Volume V1. Em sede de julgamento em primeira instância, a Impugnação foi considerada procedente em parte, reduzindo-se os valores das multas em face da nova legislação. Em sessão plenária de 06/11/2018 foi julgado o Recurso Voluntário, prolatando- se o Acórdão nº 2202-004.824 (fls. 181 a 194), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 OBRIGAÇÃO PREVIDENCIÁRIA ACESSÓRIA VINCULADA A OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. Tendo as questões relacionadas à incidência do tributo sido decididas nos lançamentos das obrigações principais, o Auto de Infração relacionado a omissão de fatos geradores em GFIP segue a mesma sorte. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. AUTO DE INFRAÇÃO. A omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias e GFIP suscita a lavratura do auto de infração previsto no § 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/1991. A decisão foi registrada nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para fins de recalcular a multa considerando o resultado do julgamento nesta sessão dos processos de n° 15586.000656/2009-11 e n° 15586.000657/2009-57, referentes às obrigações principais, vencido o conselheiro Martin da Silva Gesto (relator), que deu provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo de Sousa Sateles. Cientificada, a Fazenda Nacional não interpôs Recurso Especial (fls. 195 a 197). A contribuinte foi cientifica da Acórdão em 03/04/2019 (Termo de Ciência de fls. 203) e interpôs, em 17/04/2019 (Termo de Juntada de fls. 205), o Recurso Especial de fls. 206 a 217, visando rediscutir a incidência da Contribuição Previdenciária sobre os valores despendidos com planos de saúde relativos a dependentes de empregados e dirigentes. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 07/06/2019 (fls. 234 a 236). Em seu Recurso Especial, a Contribuinte apresenta as seguintes alegações: Fl. 262DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9202-010.318 - CSRF/2ª Turma Processo nº 15586.000658/2009-00 - o disposto na alínea “q”, do § 9º, do art. 28, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação vigente à época da autuação, não proíbe ou impossibilita a extensão desse benefício aos dependentes, estabelecendo apenas uma única condição para afastar exigência da Contribuição Previdenciária: que o benefício abarque todos os empregados e dirigentes da empresa, a qual foi devidamente cumprida pela Recorrente, como reconhecido no próprio acórdão recorrido; - a Fiscalização, ao entender que a extensão da cobertura aos dependentes é razão suficiente para exigir a Contribuição Previdenciária, acaba por estabelecer uma condição que a própria lei não define; - o fato de a assistência médica ser extensível aos dependentes não é suficiente para afastar a isenção garantida por lei; - ressalte-se que o caráter de norma de não incidência atribuído à alínea “q”, do § 9º, do art. 28, da Lei nº 8.212, de 1991, é claro e incontroverso, já que o texto legal é expresso em manifestar que “não integram o salário de contribuição” as determinadas situações arroladas no dispositivo, logo não há que se falar em interpretação restritiva da norma, por não se tratar de hipótese de isenção, ao contrário do que decidiu o acórdão recorrido; - e ainda que o § 9º, do art. 28, da Lei nº 8.212, de 1991, veiculasse uma isenção, vale observar que o Superior Tribunal de Justiça (REsp 1430043/PR) já afirmou que a interpretação deve ser condizente com o espírito da norma, que é proteger o empregado, decidindo, por exemplo, que o reembolso de medicamento mediante desconto em folha de pagamento é um procedimento abrangido pela não incidência da Contribuição; - também o Tribunal Regional Federal da 2ª Região, mesmo partindo da interpretação de que esta-se-ia diante de isenção, já decidiu que a não incidência se estende aos valores pagos com o plano de saúde dos dependentes, alertando que o art. 111, do CTN não pode ser aplicado indistintamente, como se nota do esclarecedor voto proferido no julgamento da Apelação/Reexame Necessário nº 0000260-34.2011.4.02.5001; - assim, diante da não incidência ou mesmo isenção da Contribuição em tela, não há que se falar na manutenção do lançamento, razão pela qual requer a Contribuinte a reforma parcial do acórdão recorrido, para que seja cancelado em sua integralidade o Debcad 37.158.373- 0. Ao final, a Contribuinte pede o conhecimento e provimento do recurso, reconhecendo-se a insubsistência da multa pela apresentação de GFIP com dados insuficientes. Pede também que o presente Recurso Especial seja apreciado em conjunto com aqueles interpostos nos processos nºs 15586.000656/2009-11 e 15586.000657/2009-57, em face da dependência entre eles. O processo foi encaminhado à PGFN em 21/06/2019 (Despacho de Encaminhamento de fls. 237) e, em 03/07/2019 (Despacho de Encaminhamento de fls. 247), a Fazenda Nacional ofereceu as Contrarrazões de fls. 238 a 246, contendo os seguintes argumentos: - é plenamente válida a incidência da Contribuição Previdenciária sobre os valores pagos pela autuada a título de cobertura de assistência médica, odontológica e farmacêutica dos filhos e dependentes de segurados; - veja-se que as Contribuições para a Seguridade Social destinam-se ao custeio solidário do “conjunto integrado de ações de iniciativas dos Poderes Públicos e da Sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social” (art. Fl. 263DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9202-010.318 - CSRF/2ª Turma Processo nº 15586.000658/2009-00 194, caput, da CF), e tais tributos têm destinação específica prevista na própria Constituição, como meio de custeio destas atividades; - a Seguridade Social é regida pelo princípio da solidariedade, que preceitua que toda a sociedade deve buscar a realização desse fim (art. 195, caput, da Lei maior), portanto é dever de todos, não só do Estado, buscar esse bem comum que é a Seguridade Social; - essas atividades que compõem a Seguridade Social, de regra, não são rentáveis, mas buscam solucionar problemas básicos da população sem um retorno financeiro imediato, razão pela qual o Estado necessita de recursos tributários próprios para fomentar essa atividade; - em face dessas peculiaridades, todos, como regra, devem custear a Seguridade Social, direta ou indiretamente (tributo); - apenas nos casos estritamente previstos na Constituição (imunidades) ou nos casos justificáveis na legislação infraconstitucional (isenção) é que se dispensa a participação no seu custeio; - a Constituição Federal dá os contornos da base de cálculo das Contribuições Previdenciárias, em seu art. 201, § 4º c/c art. 195, inc. I, e a interpretação conjunta destes dispositivos leva irrefutavelmente à conclusão de que a folha de salários abrange o quantum total efetivamente pago ao empregado; - quisesse o constituinte fazer incidir a contribuição apenas sobre o salário em sentido estrito, não se teria valido, por óbvio, também do vocábulo “folha”, e se a lei não contém palavras inúteis, a Constituição, que é a geografia jurídica perfeita do próprio Estado, muito menos; - em perfeita consonância com essa diretriz, a Lei nº 8.212, de 1991, que instituiu o Plano de Custeio da Previdência Social, regula o disposto na Carta Magna, determinando a base de cálculo da contribuição previdenciária sobre a folha de salários, em seu art. 22, inciso I; - a regra geral em matéria previdenciária é de que a totalidade dos valores recebidos pelo empregado constitui a base de cálculo da contribuição e as exceções estão taxativamente previstas no art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212, de 1991, dentre as quais cita-se o item “q”, aplicado ao caso: Art. 28 (...) § 9º Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médico-hospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) - tal dispositivo teve o intuito de evitar toda sorte de lucubrações por parte da administração e dos administrados, a respeito da incidência ou não da Contribuição Previdenciária sobre determinada verba paga; - tem-se aqui nitidamente uma regra excepcional, que afasta a Contribuição Previdenciária (cita doutrina de Carlos Maximiliano); - nesse sentido é oportuno lembrar que, conforme o artigo 176, do CTN, “a isenção, ainda que prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão...”; Fl. 264DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9202-010.318 - CSRF/2ª Turma Processo nº 15586.000658/2009-00 - outrossim, ao caso deve ser aplicado o artigo 111, inciso II, do CTN, segundo o qual se interpreta literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção; - especificamente quanto ao plano de saúde e odontológico, o artigo 28, § 9º, alínea “q”, dispõe que o “valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médico-hospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa” não integra o salário-de-contribuição; - a leitura do artigo em questão deixa evidente que a isenção atinge apenas gastos com a assistência médica e odontológica dos empregados e dirigentes da empresa, não sendo extensível às despesas com saúde referentes aos dependentes; - destarte, não estando contemplada pela norma de isenção, os valores gastos pela empresa com planos odontológicos e de saúde dos dependentes dos funcionários devem integrar o salário-de-contribuição, por se constituírem em ganhos habituais fornecidos sob a forma de utilidades; - a análise dos artigos 22 e 28 da Lei nº 8.212, de 1991, c/c os artigos 457 e 458 da Consolidação das Leis do Trabalho denota que o conceito de remuneração não se restringe apenas ao salário base do trabalhador, pois tem como núcleo a remuneração de forma mais ampla, alcançando outras importâncias pagas pelo empregador, sem importar a forma de retribuição ou o título, que são as vantagens econômicas acrescidas ao patrimônio do trabalhador, decorrentes da relação laboral; - tendo em vista que as verbas remuneratórias questionadas pela recorrente não estão arroladas nas exceções do art. 28, § 9º, constituindo, portanto, base de cálculo da Contribuição, está o lançamento em perfeita consonância com o direito; - o entendimento exposto encontra respaldo na jurisprudência do STJ (REsp 1121929/RS e AgRg no REsp 953.130/RS), segundo a qual a isenção deve ser interpretada literalmente, não admitindo ampliação; - portanto, em atenção ao princípio constitucional da solidariedade e à regra de interpretação prevista no art. 111, do CTN, não se pode estender a isenção prevista no art. 28, parágrafo 9º, alínea “q”, da Lei 8.212, de 1991, aos dependentes dos segurados, na medida em que essa norma somente faz menção ao pagamento realizado em favor dos próprios segurados. Ao final, a Fazenda Nacional pede que se negue provimento ao Recurso Especial interposto pela Contribuinte. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora O Recurso Especial interposto pela Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos, portanto deve ser conhecido. Foram oferecidas Contrarrazões tempestivas. O presente processo trata do Debcad 37.158.373-0, relativo à multa pela falta de registro na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), CFL-68, de valores relativos a previdência privada complementar, assistência médica/odontológica e Fl. 265DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 9202-010.318 - CSRF/2ª Turma Processo nº 15586.000658/2009-00 pagamentos a cooperativas de trabalho, no período de 01/2005 a 12/2005, conforme Relatório Fiscal de fls. 40 - Volume V1. O Recurso Especial visa discutir a incidência da Contribuição Previdenciária sobre os valores despendidos com planos de saúde relativos a dependentes de empregados e dirigentes. Entretanto, o Colegiado recorrido deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, sem adentrar às questões de mérito relativas à matéria suscitada no Recurso Especial, já que limitou-se a aplicar o que fora decidido nos processos nºs 15586.000656/2009-11 e 15586.000657/2009-57, que trataram da exigência das Obrigações Principais e foram julgados naquela mesma assentada. Confira-se o voto vencedor: Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, ensejando com esta conduta a aplicação de multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória. (...) Neste caso, é imperativo que, no caso específico de autuação por não inclusão de fatos geradores em GFIP, seja conhecida a decisões relativas às obrigações principais, pois isso se refletirá diretamente no auto de obrigação acessória, ou seja, caso a decisão de mérito dos PAF relacionados ao tributo seja por reconhecer a inocorrência total ou parcial dos fatos geradores lançados, não subsistirá a autuação por se ter deixado o contribuinte de incluir na declaração tais fatos geradores. Por outro lado, a jurisprudência do CARF é no sentido de ser justificável, no julgamento da obrigação acessória, apenas a necessária apreciação do desfecho do julgamento da autuação que analisou a obrigação principal, tendo em vista em vista a conexão existente entre os fatos que deram azo a ambos os lançamentos. Senão vejamos trecho da ementa do Acórdão nº 2401-003.165, de 14/09/2013, sobre o assunto: (...) Assim todas as questões trazidas ao presente PAF relacionadas diretamente com as obrigações principais não serão apreciadas no presente voto, eis que já o foram por ocasião da análise dos Auto de Infrações Principais que versam sobre os lançamentos dos tributos. O presente Auto de Infração de Obrigação Acessória decorre de lançamento de créditos relativo aos Auto de Infrações Principais sob os Debcad n° 37.158.375-6 (Processo n° 15586.000656/2009-11) e 37.158.374-8 (Processo n° 15586.000657/2009-57) e, assim sendo, o resultado advindo do julgamento dos referidos Autos de Infrações Principais devem ser aplicados à exação que aqui se discute. Nesse sentido, entendo necessário reproduzir no presente voto a ementa dos julgados acerca dos citados Autos de Infrações Principais, ressalte-se que ambos tiveram a mesma ementa, vejamos: 15586.000656/2009-11 (Acórdão n° 2202-004.822) e 15586.000657/2009-57 (Acórdão n° 2202-004.823), ambos de 06/11/2018, julgado também nesta mesma sessão: PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. REGIME ABERTO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE REMUNERAÇÃO PARA FINS DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕESPREVIDENCIÁRIAS. A LC n° 109/2001 alterou a regulamentação da matéria antes adstrita à Lei n° 8.212/1991, passando a admitir que no caso de plano de previdência complementar em regime aberto a concessão pela empresa a grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria não caracteriza salário-de-contribuição sujeito à incidência de contribuições previdenciárias. Fl. 266DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 9202-010.318 - CSRF/2ª Turma Processo nº 15586.000658/2009-00 PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. EXCLUSÃO DOS TRABALHADORES QUE RECEBEM ABAIXO DO TETO DO RGPS. Não restou violada a norma contida no art. 28, § 9°, "p" da Lei n ° 8.212/1991, por cons Assim, tendo em vista que os recursos relativos às Obrigações Principais foram julgados nesta mesma assentada, aplica-se aqui o que neles foi decidido: considerando-se que os valores relativos aos planos de saúde de dependentes de empregados e dirigentes integram o salário de contribuição, negou-se provimento aos recursos. Destarte, mantém-se a exigência de declaração, em GFIP, dos valores relativos aos planos médicos e odontológicos referentes aos dependentes, portanto ditos valores também integram a base de cálculo da multa ora tratada. Por fim, registre-se que está sendo atendido o pedido da Contribuinte, no sentido do julgamento conjunto dos processos 15586.000656/2009-11 e 15586.000657/2009, apreciados nesta mesma assentada. Diante do exposto, conheço o Recurso Especial interposto pela Contribuinte e, no mérito, nego-lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 267DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10855.724964/2017-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 08 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Feb 14 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2012
NULIDADE. ACÓRDÃO DRJ. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. DECISÃO QUE SE FUNDAMENTOU EM RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO. VALORAÇÃO PROBATÓRIA. ATIVIDADE TÍPICA DO JULGADOR.
Não é nulo o acórdão da Delegacia de Julgamento que se aproveitou do que fora apurado e identificado pelo termo de constatação fiscal. O fato de o acórdão recorrido não ter se manifestado expressamente sobre todas as provas apresentadas em impugnação não significa cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, mas apenas que tais elementos de prova foram insuficientes para refutar o que fora levantado pela Unidade de Origem.
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. EXCESSO DE RECEITA BRUTA
Consoante o disposto no artigo 3º da Lei Complementar nº 123, de 2006, é cabível a exclusão de ofício da pessoa jurídica do Simples Nacional pertencente a Grupo Econômico quando constatado em conjunto o excesso de receita bruta das empresas componentes do grupo.
Numero da decisão: 1301-005.970
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza (Relator) e Fellipe Honório Rodrigues da Costa, que acatavam a preliminar. Quanto ao mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Designado para redigir o voto vencedor quanto à preliminar o Conselheiro Marcelo José Luz de Macedo.
(documento assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Presidente
(documento assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Jose Luz de Macedo - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Giovana Pereira de Paiva Leite, Jose Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Marcelo Jose Luz de Macedo, Rafael Taranto Malheiros, Fellipe Honorio Rodrigues da Costa (suplente convocado(a)), Jose Roberto Adelino da Silva (suplente convocado(a)) e Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Lucas Esteves Borges, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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ACÓRDÃO DRJ. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. DECISÃO QUE SE FUNDAMENTOU EM RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO. VALORAÇÃO PROBATÓRIA. ATIVIDADE TÍPICA DO JULGADOR. Não é nulo o acórdão da Delegacia de Julgamento que se aproveitou do que fora apurado e identificado pelo termo de constatação fiscal. O fato de o acórdão recorrido não ter se manifestado expressamente sobre todas as provas apresentadas em impugnação não significa cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, mas apenas que tais elementos de prova foram insuficientes para refutar o que fora levantado pela Unidade de Origem. SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. EXCESSO DE RECEITA BRUTA Consoante o disposto no artigo 3º da Lei Complementar nº 123, de 2006, é cabível a exclusão de ofício da pessoa jurídica do Simples Nacional pertencente a Grupo Econômico quando constatado em conjunto o excesso de receita bruta das empresas componentes do grupo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza (Relator) e Fellipe Honório Rodrigues da Costa, que acatavam a preliminar. Quanto ao mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Designado para redigir o voto vencedor quanto à preliminar o Conselheiro Marcelo José Luz de Macedo. (documento assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior - Presidente (documento assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator (documento assinado digitalmente) Marcelo Jose Luz de Macedo - Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 49 64 /2 01 7- 04 Fl. 541DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1301-005.970 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.724964/2017-04 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Giovana Pereira de Paiva Leite, Jose Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Marcelo Jose Luz de Macedo, Rafael Taranto Malheiros, Fellipe Honorio Rodrigues da Costa (suplente convocado(a)), Jose Roberto Adelino da Silva (suplente convocado(a)) e Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Lucas Esteves Borges, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra o acórdão nº 03-81.034, proferido pela 7ª Turma da DRJ/BSB, que, por unanimidade de votos, julgou improcedentes as manifestações apresentadas. Por bem descrever o ocorrido, valho-me do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade em face do Ato Declaratório Executivo Nº 82/2017 de fls. 461 e 462, expedido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba - SP em 17/11/2017 que excluiu, a partir de 01/03/2012, a pessoa jurídica SISTEMA EDUCACIONAL MONTPELLIER LTDA - EPP, CNPJ 09.294.069/0001-40, do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional). A exposição de motivos que resultaram nessa exclusão do contribuinte do Simples Nacional encontra-se na “REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL” de fls. 02/03 e no “TERMO DE CONSTATAÇÃO DE FATOS IMPEDITIVOS AO ENQUADRAMENTO DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL” de fls. 04/40 que faz parte integrante da mencionada Representação. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL de fl. 02/03 (...) 2. No Termo de Constatação, o qual faz parte integrante dessa representação, estão amplamente demonstradas as infrações à legislação tributária que representam impedimentos à adesão e/ou manutenção no Sistema SIMPLES de tributação. 3. Em conformidade com o referido termo de constatação, ficou caracterizado que a empresa em epígrafe faz parte de um grupo econômico de fato. 4. O fundamento para a exclusão não é a caracterização do grupo econômico de fato, mas sim a realidade subjacente que advém dessa caracterização, qual seja, a dependência entre as empresas, que atuam como empreendimento único. Nessa hipótese, a receita bruta para fins de apuração do limite legal não pode ser considerada individualmente (por empresa integrante do grupo), mas na sua totalidade, a fim de que o grupo econômico não se beneficie indevidamente do Simples Nacional através das empresas dele integrante. 5. Na planilha anexa, denominada de ANEXO I, é apresentado os valores individuais declaradas pelas empresas componentes do grupo econômico de fato, sendo que a somatória dessas receitas representa a RECEITA BRUTA GLOBAL do grupo econômico de fato, perfazendo, já na competência 02/2012 (fevereiro de 2012), um valor acima de 20% do limite estabelecido pelo inciso II do Art. 3º, da Lei Complementar 123/2006. Fl. 542DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1301-005.970 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.724964/2017-04 6. Em razão da extrapolação da receita bruta global, a empresa optante do SIMPLES NACIONAL, por determinação legal – LC 123/96, art. 30 IV, deveria obrigatoriamente comunicar a sua exclusão do Simples Nacional, porém, não comunicou. 7. Dessa forma, caracterizadas as infrações à legislação tributária, conforme demonstradas no termo de constatação, as quais representam impedimentos a adesão e/ou manutenção no Sistema SIMPLES de tributação, propondo a exclusão de ofício da empresa em epigrafe, com efeito a partir de 1º de março de 2012, conforme previsto no artigo 29, inciso I, e no artigo 31, inciso V, “a”, da Lei Complementar nº 123/2006. (...) (Sublinhados acrescidos) Cientificada por via postal do Ato Declaratório Executivo Nº 82/2017 em 04/12/2017 (Termo de Ciência de fls. 463/464 e tela de fl. 466), a pessoa jurídica interessada apresentou em 20/12/2017 a manifestação de inconformidade de fls. 470/476 contestando o ato de exclusão do Simples Nacional. Na peça de defesa apresentada, a empresa inicialmente faz uma síntese dos fatos que culminaram na sua exclusão do Simples Nacional. Prossegue protestando que: - é equivocada “a inclusão da requerente no suposto grupo econômico de fato”; - a requerente não exerce a mesma atividade das outras “empresas supostamente integrantes do grupo”; - enquanto “a requerente presta serviços de educação fundamental 1 (do primeiro ao quinto ano), aquelas outras empresas atuam na educação infantil e no ensino fundamental 2 (sexto ao nono ano)”; - ainda que atuem todas no segmento educacional, não realizam a mesma prestação de serviços; - no “segmento educacional, é comum que empresas atuem no mesmo espaço físico, desenvolvendo atividades complementares (ensino infantil, ensino fundamental 1, ensino fundamental 2, ensino técnico, ensino preparatório para vestibular) e compartilhando serviços”; - o grau de parentesco entre titulares de empresas não é elemento que autorize a constituição de grupo econômico; - a “jurisprudência administrativa não admite a vinculação de uma empresa a grupo econômico sob o argumento do parentesco”; - a “caracterização de grupo econômico de fato depende, dentre outros requisitos, da prova de controle comum das empresas e da evidenciação da chamada confusão patrimonial”; - a autoridade fiscal “não demonstra que, em relação a cada uma das empresas, a administração se dava em comum por todas aquelas pessoas ou por parte delas”; - o “fato de pessoas ligadas por vínculo familiar serem sócias de empresas diversas não implica dizer que haja comunhão de controle, ainda que outras circunstâncias estejam presentes”; - não há nos autos “nenhum elemento que se contraponha ao fato de que há autonomia administrativa por parte da requerente”; - não há nada que indique, como pretende a autoridade fiscal, que as atividades da requerente seriam controladas por terceiros; e - a autoridade fiscal não demonstra a chamada confusão patrimonial. Aduz que não há elementos para sustentar a acusação de que a Impugnante integraria o grupo econômico apontado pela autoridade fiscal e, que “ainda que subsistisse a acusação, o que se admite em atenção à eventualidade, ele deveria se restringir às empresas que se situam no mesmo endereço da requerente, não alcançando empresas situadas em outros locais”. Fl. 543DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1301-005.970 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.724964/2017-04 Sustenta que como indícios da acusação “a autoridade fiscal traz aos autos a dissertação de mestrado” que sugere ser “documento particular de conteúdo acadêmico que jamais pode servir de elemento de prova”. Contesta que a “autoridade fiscal pretende, ainda, provar a acusação pelo fato de haver entre as empresas o compartilhamento de serviços”, o que defende ser lógico como forma de economia, uma vez que “há complementariedade nas atividades desempenhadas e ocupação do mesmo local”. Pugna o fato de a autoridade fiscal trazer aos autos “publicações feitas por terceiros em redes sociais”, as quais, por se tratarem de “manifestações de cunho privado”, “a requerente não tem nem ingerência nem controle”. Conclui que “não houve qualquer evidenciação de confusão patrimonial ou de gestão comum entre as pessoas jurídicas, fatos essenciais para a formação de grupo econômico”. Ao final, requer que seja tornado sem efeito o Ato Declaratório Executivo impugnado. Na sequência, foi proferido o acórdão recorrido, pela 7ª Turma da DRJ/BSB, com o seguinte ementário: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2012 EXCLUSÃO. GRUPO ECONÔMICO. EXCESSO DE RECEITA BRUTA. Consoante o disposto no artigo 3º da Lei Complementar nº 123, de 2006, é cabível a exclusão de ofício da pessoa jurídica do Simples Nacional pertencente a Grupo Econômico quando constatado em conjunto o excesso de receita bruta das empresas componentes do grupo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Após intimada, a autuada apresenta, tempestivamente, o respectivo Recurso Voluntário, pugnando pelo provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. Voto Vencido Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator. Fl. 544DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1301-005.970 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.724964/2017-04 O recurso apresentado é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972. Portanto, dele conheço. Como relatado, através do Ato Declaratório nº 82, de 17/11/2017, a Recorrente foi excluída do regime simplificado de pagamentos de tributos denominado de SIMPLES NACIONAL, com efeitos a partir de 01/03/2012, em razão do somatório da receita bruta global ultrapassar o limite estabelecido pelo inciso II do art. 3º, da Lei Complementar 123/2006 (R$. 3.600.000,00). Sua exclusão foi com base no que prevê o artigo 29, inciso I, e no artigo 31, inciso V, “a”, da Lei Complementar nº 123/2006. Art. 29, inciso I: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional dar-se-á quando: I - verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória; Art. 31, inciso V, “a”: Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: [...] V - na hipótese do inciso IV do caput do art. 30: a) a partir do mês subsequente à ultrapassagem em mais de 20% (vinte por cento) do limite de receita bruta previsto no inciso II do art. 3º. Art. 30, inciso IV: Art. 30. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, dar-se-á: IV - obrigatoriamente, quando ultrapassado, no ano-calendário, o limite de receita bruta previsto no inciso II do caput do art. 3o, quando não estiver no ano-calendário de início de atividade. Art. 3º, inciso II: Art. 3º Para os efeitos desta Lei Complementar, consideram-se microempresas ou empresas de pequeno porte, a sociedade empresária, a sociedade simples, a empresa individual de responsabilidade limitada e o empresário a que se refere o art. 966 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), devidamente registrados no Registro de Empresas Mercantis ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, conforme o caso, desde que: II - no caso da empresa de pequeno porte, aufira, em cada ano-calendário, receita bruta superior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais) e igual ou inferior a R$ 3.600.000,00 (três milhões e seiscentos mil reais). Em síntese, em conformidade com o Termo de Constatação de Fatos Impeditivos ao Enquadramento da Opção pelo Simples Nacional (fls. 04), o Auditor Fiscal relacionou empresas optantes e não optantes do Simples Nacional Fiscal, dedicadas à área de educação, e sustentou que elas formam um grupo econômico com administração única. Aduziu que a receita bruta para fins de apuração do limite legal não pode ser considerada individualmente (por empresa integrante do grupo), mas a sua totalidade, a fim de que o grupo econômico não se beneficie indevidamente do Simples Nacional através das empresas integrantes. Fl. 545DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp123.htm#art30 Fl. 6 do Acórdão n.º 1301-005.970 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.724964/2017-04 Irresignado, o contribuinte apresenta manifestação, acompanhada de documentos, cujos argumentos foram apreciados pela DRJ, que decidiu julgá-la improcedente, mantendo assim, os termos do Ato Declaratório de Exclusão. Em sede de recurso, o contribuinte insurge-se contra esta decisão, pontuando inicialmente que apresentou vários argumentos e documentos consistentes, com escopo de comprovar que não incorreu em nenhuma vedação legal para o ingresso no Simples, e que estes argumentos não foram analisados pela decisão recorrida, concluindo por manter os termos de ADE, sem deduzir fundamentos consistentes e adequados para o caso. Para bem entender a irresignação da recorrente, confira-se as seguintes alegações: Quanto ao ponto, a decisão recorrida assim se manifestou: [...] Fl. 546DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1301-005.970 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.724964/2017-04 [...] transcrição do Termo de Constatação [...] transcrição da LC 123/2006 Pois bem. A discussão diz respeito à comprovação (ou não) de que o contribuinte incorreu em hipótese de vedação legal para o ingresso do Simples Nacional, pois os fatos descritos no ADE foram contestados pelo contribuinte. Veja-se, a fiscalização acusa o contribuinte de ser integrante de grupo econômico educacional denominado Ágathos Educacional, e para comprovar a premissa adotada, demonstra que funciona em local onde uma das empresas do citado grupo desenvolve suas atividades, e que há relações de parentesco entre alguns titulares daquelas empresas; que compartilha o uso de serviços (confecções GFIPs, DIRFs, DIPJs, etc) com outras empresas, inclusive de recursos de tecnologia. Por sua vez, o contribuinte se defende, sustentando que embora esteja estabelecida em local onde funciona empresa do grupo, não realiza a mesma prestação de serviço; faz juntada de documento expedido pelo Conselho Estadual de Educação, que aprecia consulta formulada sobre a regularidade de funcionamento de estabelecimentos distintos em um mesmo espaço (mesmo prédio); e pontua que a fiscalização não comprovou a caracterização de grupo econômico de fato, sobretudo a existência de controle comum das empresas e a chamada confusão patrimonial. Em resumo, compreendo que a irresignação do contribuinte consiste na insuficiência probatória da premissa adotada pela fiscalização de que a recorrente pertence ao grupo econômico de fato denominado Ágathos Educacional. Fl. 547DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1301-005.970 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.724964/2017-04 A DRJ não enfrentou a principal irresignação do Contribuinte de insuficiência probatória da única premissa adotada pela fiscalização e contraprova juntada, limitando-se a transcrever trechos do Termo de Constatação e da Lei Complementar, para fundamentar sua decisão de julgar improcedente a manifestação. Penso que ainda que discordasse das alegações e provas carreadas, e concordasse integralmente com o entendimento exposto naquele termo, seria imprescindível que rejeitasse as alegações e provas carreadas, dizendo por quais motivos os documentos e argumentos colacionados não se prestariam a abonar a pretensão do contribuinte. Ao utilizar-se de argumento genérico, a DRJ deixou de analisar especificamente provas e alegações trazidas pelo Contribuinte, descumprindo assim, seu dever de deixar claro as razões de direito que nortearam seu decisium, de forma a garantir o contraditório e a ampla defesa. Assim, o acórdão recorrido incorreu em nulidade por prejuízo evidente ao direito de defesa da Recorrente, conforme prevê o artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, devendo os autos serem devolvidos à primeira instância administrativa, para que seja proferida nova decisão. Como fui vencido, passo ao exame do mérito. Mérito Quanto ao mérito, em processo anteriormente julgado, o de nº 10855.724962/2017-15, que se reporta, inclusive, ao mesmo “Termo de Constatação”, acompanhei o voto do Relator daquele processo, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Então, por concordar com seus fundamentos, adoto-os como razões de decidir, transcrevendo-os abaixo: Como se vê, o grande cerne da questão posta em discussão envolve a caracterização ou não do grupo econômico de fato, posto se assim o ficar demonstrado, é imperioso reconhecer a superação do limite da receita bruta do regime, o que levaria por consequência a exclusão do contribuinte. Embora editada com vistas a dispor sobre normas gerais de tributação previdenciária e de arrecadação das contribuições sociais destinadas à Previdência Social, a Instrução Normativa (“IN”) nº 971/2009 apresenta um importante conceito acerca do que se entende por grupo econômico, o qual merece aqui ser aproveitado, senão vejamos. Segundo dispõe o seu artigo 494, caracteriza-se grupo econômico quando 2 (duas) ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Originariamente, a concepção do que seja grupo econômico recai sabiamente nas normas de direito societário, as quais regulam expressamente tão somente o grupo econômico convencional, também denominado grupo econômico de direito, formalmente constituído entre a sociedade controladora e as sociedades por ela controladas, por meio de convenção devidamente arquivada perante o registro do comércio, pela qual as convenentes se obriguem a combinar recursos e/ou esforços para a realização dos respectivos objetos sociais ou para participar de atividades ou empreendimentos em comum, veja-se nesse sentido o que dispõe os artigos 265 e 271 da Lei n° 6.404/1976, respectivamente: Art. 265. A sociedade controladora e suas controladas podem constituir, nos termos deste Capítulo, grupo de sociedades, mediante convenção pela qual se obriguem a combinar recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetos, ou a participar de atividades ou empreendimentos comuns. Fl. 548DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1301-005.970 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.724964/2017-04 Art. 271. Considera-se constituído o grupo a partir da data do arquivamento, no registro do comércio da sede da sociedade de comando, dos seguintes documentos: I - convenção de constituição do grupo; II - atas das assembléias-gerais, ou instrumentos de alteração contratual, de todas as sociedades que tiverem aprovado a constituição do grupo; III - declaração autenticada do número das ações ou quotas de que a sociedade de comando e as demais sociedades integrantes do grupo são titulares em cada sociedade filiada, ou exemplar de acordo de acionistas que assegura o controle de sociedade filiada. Nada obstante, passou-se a verificar na prática a existência de grupos econômicos, os quais não eram registrados nos termos da legislação societária, no que veio a ficar conhecido como grupo econômico de fato, quer dizer, aquele que não se encontra formalizado por meio de convenção firmada entre as sociedades que o compõem, mas existe na realidade. Em outras palavras, o grupo econômico de fato é aquele existente entre sociedades que estão relacionadas, sem que haja, todavia, um acordo formal sobre sua organização formal, administrativa e obrigacional. No presente caso concreto, a Fiscalização listou uma série de pessoas jurídicas as quais seriam todos integrantes naquilo que denominou de “Grupo Ágathos Educional”, formado por empresas dedicadas à área de educação, algumas delas não optantes do Simples Nacional e outras optantes. Dentre as não optantes, todas elas possuem como sócio majoritário a pessoa jurídica Ágathos Participações e Empreendimentos S/A. O grande problema, contudo, se encontra nas empresas optantes pelo Simples Nacional, as quais em que pese não possuir como sócio majoritário a pessoa jurídica Ágathos Participações e Empreendimentos S/A, integram este mesmo grupo econômico de fato, segundo alega. Segundo apurou a Autoridade Fiscal (fls. 19 do e-processo): Essas empresas/escolas, optantes do SIMPLES NACIONAL, igualmente pertencentes ao setor de serviços educacionais, foram constituídas por familiares dos sócios das empresas não optantes (apresentadas no item 2); as situadas na cidade de Sorocaba o parentesco é diretamente com um dos três diretores/administradores fundadores da Ágathos S/A (Srs. Luiz Samuel Tabacow; Oscar Fonseca Vieira e Luiz Antônio Beldi Castanho). As situadas nas cidades de Itapetininga e São Roque, o laço familiar é com um dos sócios minoritários da escola que não é optante, lembrando que a empresa Àgathos S/A é sócia majoritária dessas escolas/empresas não optantes. 7. Essas empresa foram constituídas, formalmente, com todos os documentos e registros, no entanto, a situação fática demonstra que as mesmas estão agregadas ao grupo econômico de fato - ÁGATHOS EDUCACIONAL que, como as não optantes, são igualmente dirigidas, organizadas e capitaneada pela empresa ÁGATHOS - Participações e Empreendimentos S/A Ainda segundo foi apurado em fiscalização (fls. 29 do e-processo), as confecções das GFIPs de todas as empresas/escolas são realizadas por empregados registrados na empresa/escola Portal da Colina Educação Eireli, CNPJ: 06.988.153/0001-75 (empresa citada nos itens 5.1 e 8.1), que vale ressaltar, não tem como finalidade econômica este tipo de prestação de serviços e tampouco é remunerada por isso. Além do mais (fls. 31/32 do e-processo): 31. Não só as GFIP’s, mas outras declarações são encaminhadas à Receita Federal tendo como responsável o empregado Jose Rubens Santos. Exemplificando, temos as DIRFs - Declarações do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte e as DIPJs - Declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (ver, em anexo, os extratos das respectivas declarações – DOC’s. 08 – DIPJs e 09 – DIRFs, anos calendários 2012 e 2013) Fl. 549DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 1301-005.970 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.724964/2017-04 31.1 Ademais, as DIRFs e as DIPJs foram enviadas do mesmo computador, cujo código “MAC Address” é igual para todos (00-25-11-DE-75-A0). [...] 32. A Funcionária Kelly Cristine Romelli, registrada na mesma escola/empresa que o Sr. Jose Rubens Santos, como Auxiliar de contabilidade (como informado em GFIP) foi a responsável pela inscrição de todas as empresas/escolas (que fornecem alimentação aos empregados) junto ao Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT. Como podemos verificar nos comprovantes de Inscrição de Pessoa Jurídica Beneficiária, os quais juntamos ao presente termo de constatação – Ver doc. nº 11. [...] 34. Durante a ação fiscal identificamos, que todas as empresas do grupo, optantes e não optantes, para a confecção de suas folhas de pagamento, bem como, das suas contabilidades, utilizam-se da tecnologia vendida por uma empresa especializada nesse tipo de serviço, a empresa Ausland Consultoria & Informática Ltda. Essa empresa através de contrato de prestação de serviços de informática proporciona às escolas soluções concernentes aos recursos humanos e ao setor contábil. 35. A simbiose entre todas as empresas/escolas organizadas pelo grupo econômico de fato ÀGATHOS EDUCACIONAL, fica ainda mais evidente ao depararmos que os serviços contratados junto à empresa AUSLAND é efetivada por uma só empresa do grupo, porém para servir a todas, sem exceção. [...] 37. Na contabilidade das empresas/escolas, objeto desse termo de constatação, não tem qualquer pagamento para a Ausland, somente a Mendel faz os pagamentos. Em verdade, o trabalho desempenhado pela Autoridade Fiscal foi bastante minucioso e preciso na análise de todos os fatos reveladores da existência de um grupo econômico de fato, de modo que, embora o contribuinte se referida a todos eles como mero indícios, trata-se na verdade de um vasto conjunto probatório mais do que suficiente para a caracterização do grupo, razão pela qual o acórdão recorrido deve ser mantido por todos os seus fundamentos. Diante do exposto, quanto ao mérito, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Voto Vencedor Fl. 550DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 1301-005.970 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.724964/2017-04 Conselheiro Marcelo Jose Luz de Macedo, Relator. De início, é imprescindível destacar que o presente voto vencedor abrange tão somente a preliminar de nulidade do acórdão da DRJ/BSB, o qual teria tão somente replicado as constatações apuradas em fiscalização, sem contudo se manifestar sobre os pontos levantados pelo contribuinte em impugnação. Nesse sentido, o Conselheiro Relator concordava com os argumentos do contribuinte e defendia a nulidade do acórdão recorrido, o que, a nosso ver, não parece ser a conclusão adequada ao caso. Isto porque o fato de o acórdão da DRJ/BSB ter transcrito o documento no qual se verificam os fatos ensejadores da caracterização do grupo econômico não significa que ele não tenha enfrentado os argumentos apresentados em defesa, mas tão somente que estes mesmos elementos são insuficientes para descaracterizar e refutar as constatações registradas pela fiscalização. Veja-se inclusive o que o acórdão recorrido adverte (fls. 514 do e-processo): O “TERMO DE CONSTATAÇÃO DE FATOS IMPEDITIVOS AO ENQUADRAMENTO DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL” de fls. 04/40, que faz parte integrante da mencionada “REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL”, detalha minuciosamente, e com clareza: (1) a formação do grupo econômico ÁGATHOS EDUCACIONAL; (2) a participação da empresa manifestante SISTEMA EDUCACIONAL MONTPELLIER LTDA - EPP nesse grupo econômico; e (3) que o fundamento para a exclusão do contribuinte interessado a partir de 01/03/2012 não é a caracterização do grupo econômico de fato, mas sim o fato da receita bruta global desse grupo econômico, para fins de apuração do limite legal, ter atingido na competência de fevereiro de 2012 um montante bem superior a 20% do limite estabelecido pelo inciso II do artigo 3º, da Lei Complementar nº 123, de 2006. Perceba-se que para a DRJ/BSB o termo de constatação foi claro e minucioso ao relatar a existência do grupo econômico e detalhar a participação do contribuinte no referido grupo. Como consequência lógica do exposto, as provas apresentas apresentadas pelo contribuinte foram insuficientes para desconstituição de todo o constatado. A Autoridade Julgadora não é obrigada – salvo melhor juízo – a se manifestar expressamente sobre todos os elementos de prova e/ou argumentos de defesa apresentados pelo contribuinte, caso os fundamentos e a conclusão da sua decisão encontre respaldo e subsídio no contexto fático probatório constante dos autos. A valoração probatória é atividade típica e inerente ao próprio julgador. Fl. 551DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 1301-005.970 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.724964/2017-04 In casu, para a DRJ/BSB, as provas apontadas pela fiscalização não seriam derrogadas pelas provas apresentadas pela defesa. Trata-se de um ponto de vista (fundamentos) dos julgadores de piso, o qual não pode ser tido como nulo, mas quando muito reformado por esta Turma Ordinária, com base em um novo ponto de vista (fundamentos). Por todo o aduzido, no que diz respeito ao tema da nulidade da decisão recorrida, votamos para rejeitar a preliminar suscitada pelo contribuinte em recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Jose Luz de Macedo Fl. 552DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10183.722037/2010-25
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 24 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Jan 10 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2008
PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA.
A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente e/ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. BENEFICIÁRIO DO CONVÊNIO. DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS.
As despesas médicas com planos de saúde podem ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda apenas nas hipóteses em que o contribuinte apresenta documentos que comprovam que ele próprio ou seus dependentes são os reais beneficiários do convênio.
Numero da decisão: 2003-003.912
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Savio Salomao de Almeida Nobrega - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ricardo Chiavegatto de Lima, Savio Salomao de Almeida Nobrega, Wilderson Botto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente).
Nome do relator: SAVIO SALOMAO DE ALMEIDA NOBREGA
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MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente e/ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. BENEFICIÁRIO DO CONVÊNIO. DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. As despesas médicas com planos de saúde podem ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda apenas nas hipóteses em que o contribuinte apresenta documentos que comprovam que ele próprio ou seus dependentes são os reais beneficiários do convênio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Savio Salomao de Almeida Nobrega - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ricardo Chiavegatto de Lima, Savio Salomao de Almeida Nobrega, Wilderson Botto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 20 37 /2 01 0- 25 Fl. 85DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-003.912 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10183.722037/2010-25 Relatório Trata-se, na origem, da Notificação de Lançamento por meio da qual foi constituído crédito tributário de Imposto de Renda de Pessoa Física, relativo ao ano-calendário de 2008, o qual restou apurado no montante total de R$ 13.459,50, incluindo-se aí a cobrança do imposto suplementar, a incidência dos juros de mora e a aplicação da multa de ofício de 75% (fls. 21). De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 22/24, a autoridade fiscal apurou as seguintes infrações à legislação tributária: “Glosa Indevida de Previdência Privada e Fapi Glosa do valor de R$ ****** 7.462,64, indevidamente deduzido a título de contribuição à Previdência Privada e Fapi, por falta de comprovação, ou cujo ônus não tenha sido do contribuinte, ou cujo benefício não tenha sido deste ou de seus dependentes, ou ainda em virtude da adequação do valor da dedução declarada ao limite percentual de 12% dos rendimentos considerados, após alterações, na determinação da base de cálculo do imposto devida na declaração de rendimentos. Intimada, a contribuinte apresentou pagamentos a CAMPEMISA no valor de R$ 6.982,50, referente ao plano PIC-PECÚLIO IDADE CERTA, não dedutível por se tratar de pecúlio. [...] Dedução Indevida de Despesas Médicas Glosa do valor de R$ ******* 18.488,44, indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução, conforme abaixo discriminado: Seq CPF/CNPJ Nome / Nome empresarial Cod Declarado Reemb Alterado 01 04.378.502/0001-01 FERTWAY REPRODUÇÃO HUMANA LTDA 020 1.115,10 0,00 0,00 02 348.595.789-53 JEFERSON PUPPI WANDERLEY 010 140,00 0,00 0,00 03 43.358.647/001-00 AMIL SAUDE S.A. 026 14.343,34 0,00 0,00 04 01.995.050/0001-19 HELP VIDA PRONTO SOCORRO MÓVEL DE CUIABÁ LTDA 020 700,00 0,00 0,00 05 07.004.741/0001-90 E S VACINAS LTDA 020 2.190,00 0,00 0,00 Intimada, a contribuinte apresentou os seguintes comprovantes, sem contudo identificar o nome do paciente: E.S. Vacinas Ltda NFS 502,481 e 500; Help Vida Pronto Socorro Móvel de Cuiabá Ltda nfs 1656; e Fertway Reprodução Humana Ltda NFS 2483. Fl. 86DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-003.912 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10183.722037/2010-25 O comprovante do Plano de Saúde Medial Saúde S.A. não vem discriminado os valores pagos por beneficiário. O recibo do Dr. Jeferson Puppi consta como beneficiário Matheus Haddad Mansur, pessoa estranha ao quadro de dependentes.” A contribuinte foi devidamente notificada da autuação fiscal e apresentou Impugnação parcial de fls. 02 em que suscitou, pois, os motivos de fato e de direito, os pontos de discordância e suas razões de defesa. De acordo com o Despacho nº 1182/2011 (fls. 31/32), a autoridade fiscal apontou que, na impugnação, a contribuinte concordou com a glosa à dedução indevida de Previdência Privada e Fapi, no valor de R$ 7.462.64, e, também, acabou concordando parcialmente com a glosa de dedução indevida de despesas médicas no valor de R$ 2.330,00, relativas às despesas declaradas com Jeferson Puppi Wanderley, no valor de R$ 140,00, e E.S. Vacinas Ltda, no valor de R$ 2.190,00, tendo questionado, no final, apenas o montante de R$ 16.158,44. A parte não contestada foi apartada para o processo nº 10183.721177/2011-67, conforme se verifica do Termo de Transferência do Crédito Tributário de fls. 34 e Despacho de fls. 35. Na sequência, os autos foram encaminhados para que a autoridade julgadora de 1ª instância apreciasse a impugnação e, aí, em Acórdão de fls. 45/52, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Campo Grande - MS entendeu por julgá-la parcialmente procedente, uma vez que a turma entendeu por reestabelecer a dedutibilidade das despesas médicas referentes a Help Vida Pronto Socorro Móvel de Cuiabá Ltda, no valor de R$ 700,00. No final, o referido acórdão restou ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2009 MATÉRIA NÃO-IMPUGNADA. Considera-se não-impugnada a parte do lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. DESPESAS MÉDICAS. Tendo o Auditor-Fiscal recusado recibo apresentado para comprovação da dedução de despesas médicas, deve o contribuinte provar, por outros meios, que a despesa realmente existiu e que foi em proveito próprio ou de dependente a ele vinculado. Cientificada da decisão de primeira instância, inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, alegando, em apertada síntese, os argumentos deduzidos na impugnação. Em petição de fls. 77/78, o espólio da recorrente, representado pelo inventariante José Haddad Neto, requereu a revisão de ofício da declaração de ajuste anual para que fosse reconhecida a isenção do imposto de renda na fonte dos rendimentos provenientes das pensões do Governo do Estado de Mato Grosso, Ministério da Saúde e da aposentadoria do Instituto Nacional do Seguro Social, recebidos no ano-calendário de 2008, haja vista que a contribuinte era portadora de nefropatia grave, conforme havia decidido a 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora – MG no bojo do acórdão nº 09-63.467 É o relatório. Fl. 87DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-003.912 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10183.722037/2010-25 Voto De início, registre-se que a contribuinte foi intimada do resultado da decisão de 1ª instância em 07/03/2012 (fls. 60) e entendeu por apresentar Recurso Voluntário de fls. 63/65, protocolado em 05/04/2012 Considerando que o recurso foi formalizado dentro do prazo a que alude o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72 e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, devo conhecê-lo e, por isso mesmo, passo a apreciá-lo. Observo, de logo, que a recorrente sustenta, preliminarmente, que, em relação a nota fiscal nº 2483, emitida pela Fertway Reprodução Humana Ltda, entendeu por bem recolher o tributo devido, conforme se verifica do DARF de fls. 66. Em relação à glosa das despesas médicas declaradas com o plano de saúde da Medial Saúde S/A, discorda dos fundamentos erigidos pela autoridade julgadora de 1ª instância, uma vez que a Medial Saúde S/A havia apresentado dois números de contratos diferentes, sendo que, após contatar a empresa, foi informado de que realmente havia tido uma troca de sistemas e uma mudança na numeração dos contratos, cujos benefícios continuavam os mesmos, sendo que, até a presente data, a empresa não havia fornecido qualquer declaração nesse sentido. Além do mais, a recorrente entendeu por apresentar, em sede de recurso voluntário, declaração da nova operadora Amil Saúde S.A dando conta de que é titular e única beneficiária do contrato nº 50345657, bem como o demonstrativo de pagamentos efetuados nos anos de 2008 a 2011 e, ainda, os boletos bancários dos meses de setembro a outubro de 2010 por meio dos quais comprova que, em 20/09/2010 e 20/10/2010, os números dos contratos eram, respectivamente, 9333121 e 50345657. Pelo que se pode notar, as alegações lançadas como preliminares são, na verdade, alegações meritórias, de modo que serão tratadas como tais. Ainda em senda inicial é importante consignar que o pedido da realização de revisão de ofício da declaração de ajuste anual em decorrência da aplicação da isenção do imposto de renda por moléstia grave (fls. 77/78) não deve ser aqui apreciado, uma vez que essa questão não faz parte do litígio e, por isso mesmo, não foi objeto de análise por parte da autoridade julgadora de 1ª instância. É na impugnação que o contribuinte deve expor os motivos de fato e de direito em que se fundamenta sua pretensão, bem como os pontos e as razões pelas quais não concorda com a autuação, conforme prescreve o artigo 16, inciso III do Decreto nº 70.235/72, cuja redação transcrevo abaixo: “Decreto nº 70.235/72 Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993).” Acrescente-se, ainda, que, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, que não é lícito inovar na postulação recursal para incluir questão diversa daquela que foi originariamente deduzida quando da impugnação oferecida à instância a quo. Confira-se: Fl. 88DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-003.912 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10183.722037/2010-25 “Decreto nº 70.235/72 Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997).” Em suma, questões novas que não foram objeto de debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo com a apresentação da petição impugnatória, constituem matérias preclusas das quais não pode este Tribunal conhecê-las, porque, se entendesse por fazê-lo, estaria aí afrontando o princípio da não supressão de instância. Com fundamento nos artigos 16, inciso III e 17 do Decreto nº 70.235/72, entendo por não conhecer das alegações formuladas na petição de fls. 77/78 relativas ao pedido da realização de revisão de ofício da declaração de ajuste anual em decorrência da aplicação da isenção do imposto de renda por moléstia grave. Vale destacar, também, que o litígio em sede recursal limita-se apenas à glosa da dedução de despesa médica declarada com a Medial Saúde S/A (Amil Saúde S/A), no montante de R$ 14.343,34, haja vista que tanto a dedução indevida de Previdência Privada e Fapi, quanto as glosas relativas às despesas médicas declaradas com Jeferson Puppi Wanderley e E.S. Vacinas Ltda não foram questionadas. A dedução da despesa médica referente a Help Vida Pronto Socorro Móvel de Cuiabá Ltda, no valor de R$ 700,00, foi reestabelecida pela autoridade julgadora de 1ª instância. Note-se, ainda, que a recorrente entendeu por apresentar, em sede recursal, demonstrativos de pagamentos efetuados à Medial Saúde – Amil Saúde S.A relativos aos anos de 2008, 2009, 2010 e 2011 (fls. 67/70), Boleto referente ao contrato firmado com o convênio médico Medial Saúde S/A (fls. 71) e, por fim, declaração emitida pela Medial Saúde S/A (fls. 72). É de se reconhecer, de plano, que, nos termos do artigo 16, § 4º do Decreto nº 70.235/72, a prova documental deve ser apresentada quando do oferecimento da impugnação, a menos que (a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, (b) refira-se a fato ou a direito superveniente ou (iii) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Confira-se: “Decreto nº 70.235/72 Art. 16. A impugnação mencionará: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refira-se a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito).” O fato é que a apresentação da referida documentação apenas em sede recursal se enquadra, com perfeição, na hipótese constante do artigo 16, § 4º, alínea “c” do Decreto nº 70.235/72, uma vez que os documentos se destinam a contrapor fatos ou razões levantadas pela Fl. 89DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2003-003.912 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10183.722037/2010-25 autoridade julgadora de 1ª instância, não havendo se falar aí na ocorrência da preclusão no que diz com o momento da apresentação da prova. Dito isto, passemos, então, ao exame da legislação de regência que dispõe sobre a dedutibilidade das despesas médicas para que, em seguida, possamos analisar as alegações meritórias no que diz respeito à dedução de despesa médica com a Medial Medial Saúde S/A, no montante de R$ 14.343,34, e os respectivos documentos que foram colacionados aos autos. Pois bem. Verifique-se, de plano, que a legislação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física dispõe que as despesas médicas podem ser deduzidas da base de cálculo do imposto devido no ano-calendário, nos termos do que dispõem os artigos 8º da Lei nº 8.134/1990 e 8º, inciso II da Lei nº 9.250/1995. Confira-se: “Lei nº 8.134/1990 Art. 8° Na declaração anual (art. 9°), poderão ser deduzidos: I - os pagamentos feitos, no ano-base, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas provenientes de exames laboratoriais e serviços radiológicos; *** Lei nº 9.250/1995 CAPÍTULO III – DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I - de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II - das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2º O disposto na alínea a do inciso II: [...] II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes - CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” Fl. 90DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2003-003.912 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10183.722037/2010-25 A legislação de regência do Imposto de Renda vigente à época dos fatos aqui discutidos 1 também cuidou de dispor sobre a comprovação das deduções do imposto, conforme se verifica dos artigo 73, caput e 80 do Decreto nº 3.000/99: “Decreto nº 3.000/99 TÍTUO V – DEDUÇÕES CAPÍTULO I – DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). § 2º As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (Decreto- Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 5º). *** CAPÍTULO III - DEDUÇÃO NA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS Seção I - Despesas Médicas Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;” Decerto que as respectivas disposições normativas devem ser interpretadas em conjunto. A despeito da expressão final “a juízo da autoridade lançadora” constante do artigo 73, caput do Decreto nº 3.000/99 apresentar uma abertura semântica um tanto ampla, é de 1 Confira-se que de acordo com o artigo 144 da Lei nº 5.172/66, "O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada", o que significa dizer que os fatos aqui discutidos devem ser analisados sob as disposições normativas constantes do Decreto nº 3.000/99, o qual, hoje, encontra-se revogado. Fl. 91DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2003-003.912 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10183.722037/2010-25 se reconhecer que tal abertura não pode ser objeto de juízos discricionários e um tanto desarrazoados. Aliás, toda a atividade tributária é vinculada à lei nos termos dos artigos 3º2 e 1423 do Código Tributário Nacional, o que significa dizer que a autoridade fiscal não pode se valer de juízos discricionários. Por outro lado, verifique-se que o artigo 80, inciso III do Decreto nº 3.000/99 dispõe, especificamente, que os pagamentos com despesas médicas devem ser apontados e comprovados por meio de documentos com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Quer-se dizer com isso que a própria legislação de regência do Imposto sobre a Renda vigente à época dos fatos aqui discutidos autoriza que os pagamentos com despesas médicas sejam comprovados por meio de documentos hábeis e idôneos como, por exemplo, recibos, declarações e/ou outros documentos equivalentes que atendam às formalidades, os quais, a rigor, não se limitam apenas à comprovação efetiva dos respectivos pagamentos que, no caso, são comumente realizados através de transferências bancárias tais como as TED’s e/ou os DOC’s, cópias de extratos bancários, comprovantes de saques etc. A rigor, registre-se que a jurisprudência deste tribunal administrativo tem encampado essa linha de raciocínio, conforme se atesta da ementa abaixo reproduzida: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 [...] DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. COMPROVAÇÃO. Em condições normais, os recibos fornecidos por profissionais de saúde, que atendam aos requisitos formais definidos na legislação, são documentos hábeis a comprovar as despesas médicas. Em situações excepcionais em que se verifiquem indícios de irregularidades, justifica-se a cautela do fisco em exigir elementos adicionais de prova. Ausentes tais indícios, não é válida a glosa da despesa sob o fundamento da falta de comprovação da efetividade dos pagamentos. [...] (Processo nº 13688.001169/2007-21, Acórdão nº 2201-00936, Conselheiro Relator Pedro Paulo Pereira Barbosa. Sessão de julgamento de 02/12/2010. Acórdão publicado em 11/03/2011)”. Nesse contexto, veja-se que a própria a Instrução Normativa RFB nº 1.500, de 29 de outubro de 2014, enquanto norma complementar, dispõe que as deduções de despesas médicas devem ser comprovadas por documentos fiscais ou outros documentos hábeis e idôneos que contenham, no mínimo, as informações ali discriminadas. Veja-se: Instrução Normativa RFB nº 1.500/2014 2 Cf. Lei nº 5.172/66. Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. 3 Cf. Lei nº 5.172/66. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 92DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2003-003.912 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10183.722037/2010-25 Art. 97. A dedução a título de despesas médicas limita-se a pagamentos especificados e comprovados mediante documento fiscal ou outra documentação hábil e idônea que contenha, no mínimo: I - nome, endereço, número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou CNPJ do prestador do serviço; II - a identificação do responsável pelo pagamento, bem como a do beneficiário caso seja pessoa diversa daquela; III - data de sua emissão; e IV - assinatura do prestador do serviço. § 1º Fica dispensado o disposto no inciso IV do caput na hipótese de emissão de documento fiscal. [...] § 4º A ausência de endereço em recibo médico é razão para ensejar a não aceitação desse documento como meio de prova de despesa médica, porém não impede que outras provas sejam utilizadas, a exemplo da consulta aos sistemas informatizados da RFB. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1756, de 31 de outubro de 2017).” De todo modo, note-se que a dedutibilidade das despesas médicas dependerá da análise das circunstâncias fático-jurídicas e dos elementos probatórios que compõe o caso concreto. A rigor, os recibos e declarações emitidos pelos profissionais médicos que contenham as informações mínimas tais quais previstas no artigo 97 da Instrução Normativa RFB nº 1.500/2014 serão considerados como hábeis e idôneos para fins de comprovação das despesas médicas apenas nos casos em que a autoridade autuante não exige que as respectivas despesas sejam comprovadas por documentos que demonstrem, de forma inconteste, que os serviços médicos foram efetivamente realizados e, sobretudo, que o beneficiário realmente realizou o pagamento de tais serviços. Ou seja, nas hipóteses em que a autuação fiscal é lavrada com base na falta de apresentação de documentos que comprovam a efetiva prestação dos serviços médicos e os efetivos pagamentos e/ou desembolsos, decerto que apenas quando o contribuinte comprova a efetividade das despesas a partir da apresentação de TED’s, DOC’s, extratos bancários, cheques nominais etc. é que o lançamento pode ser cancelado, de sorte que, em casos tais, os recibos não serão suficiente para tanto. A título de informação, observe-se que, recentemente, este Tribunal editou a Súmula nº 180, vigente desde 16/08/2021, que dispõe que a apresentação de recibos não exclui a possibilidade de exigência de elementos comprobatórios adicionais. Confira-se: “Súmula CARF nº 180 Aprovada pela 2ª Turma da CSRF em sessão de 06/08/2021 – vigência em 16/08/2021 Para fins de comprovação de despesas médicas, a apresentação de recibos não exclui a possibilidade de exigência de elementos comprobatórios adicionais.” Fl. 93DF CARF MF Documento nato-digital http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=87661#1826396 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=87661#1826396 Fl. 10 do Acórdão n.º 2003-003.912 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10183.722037/2010-25 Fixadas essas premissas, observe-se que, no caso concreto, e de acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 23/24, a autoridade fiscal entendeu por glosar as despesas médicas declaradas com a Medial Saúde S/A (lançadas como Amil Saúde S/A) unicamente porque a contribuinte apresentou comprovantes sem, contudo, identificar os valores pagos pelo respectivo beneficiário. A autoridade julgadora, por sua vez, entendeu por manter a respectiva glosa sob o entendimento em razão da divergência entre o número do contrato indicado no demonstrativo de pagamentos emitido pela Medial Saúde S/A (Contrato nº 9333121) e o número do contrato informado na declaração emitida pelo referido plano de saúde (Contrato nº 50345657), conforme se observa dos trechos abaixo reproduzidos, extraídos das fls. 50/51 do acórdão recorrido: “No demonstrativo de pagamentos emitido por Medial Saúde S/A (fls. 11) não constou a discriminação dos valores pagos por beneficiário. Na declaração de fls. 12 a operadora de plano de saúde buscou esclarecer que a contribuinte é titular e única beneficiária do plano de saúde objeto do contrato nº 50345657, no entanto, o demonstrativo de pagamentos faz referência ao contrato nº 9333121. Em razão da divergência apontada, a referida despesa não está efetivamente comprovada, resultando na manutenção de sua glosa. Quando da intimação para a apresentação de documentos a contribuinte foi intimada a apresentar os comprovantes de despesas médicas, contendo a identificação dos pacientes, e os comprovantes de pagamento de plano de saúde, com os valores discriminados por beneficiários. Não o fez naquele momento, como também não conseguiu sanar totalmente tais pendências quando da impugnação, não havendo outra alternativa a não ser rejeitar parcialmente os argumentos da impugnante.” Ocorre que, a partir da análise conjunta do demonstrativo emitido pela Medial Saúde S/A (fls. 11), da declaração emitida pela Medial – Amil Saúde S/A (fls. 12), dos demonstrativos de pagamentos relativos aos anos de 2008, 2009, 2010 e 2011 (fls. 67/70), do boleto relativo a parcela de 09/2010 (fls. 71) e da declaração emitida pela Medial Saúde S/A (fls. 72), é possível concluir que a recorrente figura como único titular e único beneficiário do convênio médico Medial Saúde S/A – Amil Saúde S/A, ainda que haja uma pequena discrepância no que diz com a numeração dos contratos informados nos respectivos documentos. Muito embora o demonstrativo de fls. 11 faça referência ao Contrato nº 9333121 e na declaração emitida pela Medial Saúde S/A – Amil Saúde S/A conste o Contrato nº 50345657, o fato é que se trata do mesmo contrato em que a recorrente é a única titular e única beneficiária do plano, pelos seguintes motivos: (i) As declarações de fls. 12 e 72 fazem menção ao Contrato nº 50345657 e indicam que a recorrente, na qualidade de titular, é a única beneficiária do plano de saúde, o qual foi firmado em 20/09/2004, não existindo dependentes, sendo que o Boleto 2 relativo à mensalidade 09/2010 (fls. 71) indica o Contrato nº 9333121, mas, por outro lado, também informa que a data de ingresso no convênio ocorreu em 20/09/2004; e (ii) O demonstrativo de pagamentos efetuados relativo ao ano de 2010 (fls. 69), o qual foi emitido pela Medial Saúde S/A, indica o contrato nº 50345657 e, ainda, que o valor da mensalidade de 09/2010 foi R$ 1.526,40, que é o mesmo valor que consta no Boleto 2 (fls. 71) o qual, aliás, faz menção ao Contrato nº 9333121, o que significa dizer que não Fl. 94DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 2003-003.912 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10183.722037/2010-25 seria possível que a Medial Saúde S/A emitisse o referido demonstrativo acaso os contratos fossem de fato distintos. De todo modo, o fato é que, desde 20/09/2004, a recorrente é titular e única beneficiária do plano de Saúde Medial Saúde S/A – Amil Saúde S/A, o qual, a rigor, não apresenta dependentes, conforme se verifica das declarações de fls. 12 e 72. A propósito, note-se que o julgador apreciará a validade das alegações a partir do exame da consistência do conjunto de relatos linguísticos trazidos para sua comprovação, sendo que a versão dos fatos acolhida pelo julgador, no entanto, em razão das inevitáveis limitações que o conhecimento dos fatos padecem no momento em que se quer verificar o que efetivamente sucedeu, dificilmente terá atingido a verdade absoluta, aquela que tem a pretensão de ser universal. Em síntese, a conclusão baseada apenas nas provas trazidas aos autos retrata tão somente um juízo de probabilidade sobre o que ocorreu. É nesse sentido que o artigo 29 do Decreto nº 70.235/72 dispõe que a autoridade julgadora formará livremente sua convicção quando da apreciação da prova e poderá determinar as diligências que entender necessárias. Veja-se: “Decreto nº 70.235/72 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” Trata-se do princípio do livre convencimento motivado do julgador segundo o qual a valoração dos fatos e circunstâncias constantes dos autos deve ser realizada de forma livre, não se cogitando da existência de critérios prefixados de hierarquia de provas, os quais, aliás, poderiam acabar determinando quais provas apresentariam maior ou menor peso no julgamento da lide. Nas palavras de Marcos Vinícius Neder e Maria Teresa Martínez López 4 , “[...] Por este princípio, a valoração dos fatos e circunstâncias constantes dos autos é feita, livremente, pelo julgador, não havendo vinculação a critérios prefixados de hierarquia de provas, ou seja, não há preceito legal que determine quais as provas devem ter maior ou menor peso no julgamento da lide. No momento de prolação da sentença, o julgador poderá, segundo o seu convencimento pessoal, formar a sua livre convicção sobre os elementos trazidos aos autos, podendo, se assim o quiser, adotar as diligências que entender necessárias à apuração da verdade material no que concerne tão somente aos fatos que constituem o processo. Em assim sendo, tem-se que o julgador é soberano na análise das provas produzidas nos autos, devendo decidir conforme o seu convencimento. Mas o livre convencimento não se confunde com arbítrio, não podendo, por exemplo, o julgador discordar simplesmente do previsto na norma legal sem argumentos jurídicos consistentes, nem indeferir provas sem que diga a razão, tampouco desconhecer as presunções e ficções legais aplicáveis ao caso concreto. Pelo princípio da persuasão racional, exige-se que o livre convencimento seja motivado, devendo o julgador declinar as razões que o levaram a 4 NEDER, Marcos Vinícius; LÓPEZ, Maria Teresa Martínez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado (de acordo com a Lei nº 11.941, de 2009, e o Regimento Interno do CARF). 3. ed. São Paulo: Dialética, 2010, Não paginado. Fl. 95DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 2003-003.912 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10183.722037/2010-25 valorar uma prova em detrimento de outra. A motivação equivale a uma justificativa, que no nosso entender deverá ser razoável e lógica, de forma a permitir a satisfação do processo administrativo.” De todo modo, entendo por reestabelecer a dedutibilidade da despesas médicas com a Medial Saúde S/A – Amil Saúde S/A, no montante de R$ 14.343,34, já que a recorrente é a única beneficiária do plano, nos termos do que alude o artigo 80, § 1º, inciso II do Decreto nº 3.000/99, o qual dispõe que as deduções de despesas médicas restringem-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Conclusão Por todas essas razões e por tudo que consta nos autos, conheço do presente recurso voluntário e entendo por dar-lhe provimento para reestabelecer a dedutibilidade da despesa médica declarada com o convênio Medial Saúde S/A – Amil Saúde S/A, no montante de R$ 14.343,34. (documento assinado digitalmente) Sávio Salomão de Almeida Nóbrega Fl. 96DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10880.658652/2011-94
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 09 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Dec 31 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO DE ERRO MATERIAL. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO.
Diante da comprovação de erro material no preenchimento de obrigação acessória, implicando a demonstração do saldo negativo pleiteado, o provimento do pedido de compensação é medida que se impõe.
Numero da decisão: 1001-002.630
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Thiago Dayan da Luz Barros - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Roberto Adelino da Silva, Sérgio Abelson e Thiago Dayan da Luz Barros
Nome do relator: THIAGO DAYAN DA LUZ BARROS
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO DE ERRO MATERIAL. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. Diante da comprovação de erro material no preenchimento de obrigação acessória, implicando a demonstração do saldo negativo pleiteado, o provimento do pedido de compensação é medida que se impõe. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Dayan da Luz Barros - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Roberto Adelino da Silva, Sérgio Abelson e Thiago Dayan da Luz Barros Relatório Em atenção aos princípios da economia e celeridade processual, transcrevo trechos do Acórdão n.º 12-104.304, da 3ª Turma da DRJ/RJO, de 13 de dezembro de 2018 (fls.140 a 149): Trata-se do Despacho Decisório nº 013583968, emitido pela Derat São Paulo, (e-fls. 8) referente ao PerDcomp com demonstrativo de crédito nº AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 65 86 52 /2 01 1- 94 Fl. 344DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1001-002.630 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.658652/2011-94 37781.96638.060508.1.7.02- 9297, crédito do tipo saldo negativo de IRPJ, relativo ao ano calendário 2007: 2 Do total do direito creditório pretendido – R$ 3.058.800,34 -, a DRF reconheceu saldo negativo disponível de R$ 3.042.283,64. 3 Do exposto, o direito creditório discutido na presente lide é de R$16.516,70. [...] Diante da manifestação de inconformidade, a DRJ não lhe deu provimento, por entender que, apesar de a retenção pretendida ter sido comprovada, ocorreu um fato superveniente que foi o envio pela contribuinte de uma DIPJ retificadora que indicou, ao invés de saldo negativo, imposto de renda a pagar (fls. 148 e 149). Por sua vez, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 168 a 181), aduzindo que teria ocorrido erro de preenchimento na DIPJ retificadora e que, por essa razão de digitação incorreta, teria sido apresentado imposto a pagar, mas que, caso tal equívoco fosse desconsiderado (caso fosse considerado o número correto), o saldo negativo haveria de prevalecer. Ao fim, fl. 181, a recorrente pede o provimento do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 345DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1001-002.630 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.658652/2011-94 Voto Conselheiro Thiago Dayan da Luz Barros, Relator. Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 2º e do art. 23-B do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), atualizada pela Portaria MF nº 329/2017, considerando-se tratar da análise de crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ, ano-calendário 2007. Ainda, observo que o recurso é tempestivo, na medida em que foi interposto em 18/07/2019 (vide termo de juntada, fl. 166), face à ciência da intimação, datada de 18/06/2019 (conforme informações de fls. 170 a 172, que demonstram a nulidade de citação mediante envio de correspondência a CEP equivocado), e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Mérito Acerca do mérito do presente processo, necessário indicar que a própria DRJ entende que teria sido comprovada a quantia de retenção ainda pendente de reconhecimento, bem como o oferecimento da receita respectiva à tributação (fls. 147 e 148), não sendo este aspecto sequer objeto de controvérsia. No entanto, a DRJ somente não teria dado provimento à manifestação de inconformidade da empresa contribuinte pelo fato de ter havido uma DIPJ retificadora que tivesse indicado saldo a pagar, ao invés de saldo negativo. A empresa recorrente aduz que o saldo a pagar somente teria ocorrido por conta de erro de digitação (erro material), no preenchimento da DIPJ retificadora, o que teria resultado em saldo pagar, quando o correto seria saldo negativo (decorrente de prejuízo fiscal de R$ 108.947.383,93), fl. 180. Segundo a recorrente, os valores de retenção de R$ 7.048.279,31 e de R$ 13.342.706,27, indicados nos documentos de fls. 77 e 79, que totalizam a soma de R$ 20.390.985,58, teriam sido registrados equivocadamente como receitas de juros sobre capital próprio de R$ 220.390.985,58, na ficha 6A, fl. 104, nos seguintes termos: Fl. 346DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1001-002.630 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.658652/2011-94 Nesse sentido, necessário indicar o disposto no art. 29 do Decreto Federal nº 70.235/1972, in verbis; Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, [...] Diante do argumento de erro de digitação, aduzido pela empresa recorrente, entendo que referido erro restou caracterizado, seja pela coincidência de quase a totalidade dos caracteres entre os números envolvidos (R$ 20.390.985,58 e 220.390.985,58), seja pelo fato de que o valor de R$ 20.390.985,58 se encontra devidamente demonstrado no comprovante anual de rendimentos de fls. 77 e 79), o que demonstra o erro material em referido preenchimento da DIPJ retificadora, pelo que merece provimento o recurso interposto pela recorrente. Dispositivo Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Thiago Dayan da Luz Barros Fl. 347DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1001-002.630 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.658652/2011-94 Fl. 348DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10880.658287/2012-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 09 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2022
Numero da decisão: 1302-001.070
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto condutor, vencidos os Conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca e Paulo Henrique Silva Figueiredo, que votaram por rejeitar a referida conversão. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 1302-001.069, de 09 de dezembro de 2021, prolatada no julgamento do processo 10880.658286/2012-54, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Marozzi Gregorio, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Andreia Lucia Machado Mourão, Flavio Machado Vilhena Dias, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente).
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto condutor, vencidos os Conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca e Paulo Henrique Silva Figueiredo, que votaram por rejeitar a referida conversão. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 1302-001.069, de 09 de dezembro de 2021, prolatada no julgamento do processo 10880.658286/2012-54, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Marozzi Gregorio, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Andreia Lucia Machado Mourão, Flavio Machado Vilhena Dias, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente).
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Interessado FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto condutor, vencidos os Conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca e Paulo Henrique Silva Figueiredo, que votaram por rejeitar a referida conversão. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 1302-001.069, de 09 de dezembro de 2021, prolatada no julgamento do processo 10880.658286/2012-54, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Marozzi Gregorio, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Andreia Lucia Machado Mourão, Flavio Machado Vilhena Dias, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. Trata-se de recurso voluntário interposto por ABRIL COMUNICAÇÕES S.A. – EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL (Sucessora de EDITORA ABRIL S.A.) contra acórdão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada diante da não homologação da compensação de crédito de pagamento indevido de IRRF com débitos da própria contribuinte. A unidade de origem não homologou a compensação porque constatou que o DARF discriminado no PER/DCOMP havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. Em sua manifestação de inconformidade, o interessado alegou que a compensação não foi homologada por causa de mero erro de fato, qual seja, a ausência de retificação da correspondente DCTF. O crédito decorreria de IRRF pago a maior, sob o código de retenção RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 58 28 7/ 20 12 -0 7 Fl. 418DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 1302-001.070 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.658287/2012-07 0481 (juros e comissão em geral de residentes ou domiciliados no exterior), referente à primeira parcela de contrato de câmbio firmado com o Banco Santander S/A, (conforme Registro de Operações Financeiras – ROF – cópia anexada). Por equívoco, realizou dois recolhimentos distintos para quitação do mesmo débito. Pede a reunião deste com outro processo, que trata do mesmo crédito, a fim de que sejam evitados eventuais prejuízos. Invoca a verdade material e a observação de jurisprudência que lhe é favorável no CARF. A DRJ, no entanto, independentemente da apresentação de uma retificadora, considerou insuficientes as provas da operação efetuada (remessa financeira para o exterior). Em seu entender, seria também necessária a escrituração da pessoa jurídica comprovando a existência de apenas um débito com as características descritas (ao invés de dois débitos quitados por dois pagamentos). Ademais, quanto à reunião de processos, afirmou que a mera citação de um processo em acórdão proferido no outro já assegura que não haverá prejuízo para a contribuinte, sendo que a unidade de origem poderá, a qualquer tempo, efetuar esse procedimento. Inconformada, a interessada apresentou recurso voluntário onde, preliminarmente, reitera a necessidade de reunião dos processos administrativos vinculados. Alega que o CARF, em contextos fáticos semelhantes, tem reiteradamente se manifestado pelo julgamento conjunto das causas. No mérito, repete suas alegações acerca da existência de erro de fato e da legitimidade e suficiência do direito creditório. De todo modo, por excesso de zelo e visando refutar diretamente os fundamentos suscitados pelo acórdão recorrido, afirma que estaria buscando sua escrituração contábil do período, o que somente ratificaria a existência e suficiência do seu crédito. Todavia, em razão da paralisação das atividades não essenciais por conta da COVID 19, estaria impossibilitada de realizar as buscas necessárias em seus arquivos. Dessa maneira, tão logo conseguisse acesso aos arquivos providenciaria a juntada aos autos. Ademais, tece considerações sobre o dever de retificação de ofício de erro de fato e, ao final, pede que seja homologada a compensação e requer que seja reconhecida a situação de exigibilidade suspensa do débito tratado no referido processo correlato. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, ressalvando o meu entendimento pessoal expresso na decisão paradigma, reproduz-se o voto consignado na resolução paradigma como razões de decidir. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Em caráter preliminar, a recorrente pede que o presente processo seja reunido com o de nº 10880.658287/2012-07, que trata do mesmo crédito, a fim de que sejam julgados em conjunto, haja vista que os temas ora abordados serão diretamente afetados pelo resultado do julgamento daquele processo. Com efeito, constato que o referido processo foi pautado em conjunto para esta mesma sessão de julgamento (sendo este paradigma daquele). No mérito, como relatado, para além das provas reunidas com a manifestação de inconformidade, a DRJ afirmou que seria também necessária a escrituração da pessoa Fl. 419DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 1302-001.070 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.658287/2012-07 jurídica comprovando a existência de apenas um débito com as características descritas (ao invés de dois débitos quitados por dois pagamentos). No recurso voluntário, a interessada reforça sua argumentação no sentido de que houve um mero erro de fato no pagamento de IRRF a maior, sob o código de retenção 0481 (juros e comissão em geral de residentes ou domiciliados no exterior), referente à primeira parcela de contrato de câmbio firmado com o Banco Santander S/A. Transcreve trechos do contrato de câmbio destacando a operação e os valores envolvidos a fim de deixar claro o equívoco cometido no recolhimento do DARF atinente ao crédito consubstanciado na compensação do presente processo. Alega dificuldades na obtenção dos registros da escrituração exigida pela DRJ em razão da paralisação das atividades não essenciais por conta da COVID 19. Chega a afirmar que providenciaria a sua juntada aos autos tão logo conseguisse acesso aos arquivos. Porém, até a data em que minuto este voto, nada ainda foi juntado. Pois bem. Constato que há verossimilhança nas alegações recursais. Por outro lado, é razoável a ponderação da instância a quo no sentido de que seria necessária a verificação da escrituração da empresa para se certificar de que só houve o lançamento do débito efetivamente devido (ou que houve um eventual estorno do débito erroneamente lançado). É verdade que até o presente momento a recorrente não honrou sua intenção de trazer cópias de sua escrituração para os autos, mas, também, é cediço que o caráter pandêmico da referida doença tem gerado transtornos nunca antes comparáveis para toda a nossa geração. Destarte, proponho que o presente julgamento seja convertido em diligência para que a unidade de origem adote as seguintes providências: 1. Intime a interessada a apresentar os elementos da escrituração que comprovam que só houve o lançamento do débito efetivamente devido conforme os esclarecimentos prestados em seus recursos (ou que houve um eventual estorno do débito erroneamente lançado); 2. Verifique a efetiva disponibilidade dos créditos pleiteados (se não foram alocados em outro PER/DCOMP), se os valores estão corretos e se todos os documentos que os originaram se coadunam com o disposto nos sistemas de informações da Receita Federal; 3. Valide os elementos juntados com o recurso, notadamente os extratos de registros contábeis e declarações, a partir de dados consolidados contidos naqueles mesmos sistemas de informações; 4. Intime, se necessário, a contribuinte a apresentar outros elementos que entender pertinentes; e 5. Elabore um relatório conclusivo sobre as apurações realizadas a fim de consolidar os créditos passíveis de reconhecimento, dando-lhe ciência à contribuinte para que, querendo, se manifeste no prazo de trinta dias. CONCLUSÃO Fl. 420DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 1302-001.070 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.658287/2012-07 Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido na resolução paradigma, no sentido de converter o julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo – Presidente Redator Fl. 421DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 16004.001330/2010-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 06 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Sep 02 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/2007 a 30/09/2010
AVISO PARA REGULARIZAÇÃO DE OBRA - ARO. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. ATO VINCULADO.
Lançamento fiscal devidamente constituído, referente a contribuições sociais a cargo do proprietário da obra de construção civil, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados pela prestação de serviços, apurado por aferição indireta, por meio de Aviso para Regularização de Obra - ARO.
ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVAS.
Meras alegações desacompanhadas de provas não são suficientes para desconstituir o lançamento tributário. Sendo a atividade administrativa do lançamento vinculada e obrigatória, uma vez caracterizada a ocorrência do fato gerador cabe à autoridade tributária proceder ao respectivo lançamento, não havendo previsão legal que autorize a sua dispensa em decorrência de eventuais alegações desprovidas de elementos probatórios.
Numero da decisão: 2202-007.137
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mário Hermes Soares Campos - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos (relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: MARIO HERMES SOARES CAMPOS
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NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. ATO VINCULADO. Lançamento fiscal devidamente constituído, referente a contribuições sociais a cargo do proprietário da obra de construção civil, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados pela prestação de serviços, apurado por aferição indireta, por meio de Aviso para Regularização de Obra - ARO. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVAS. Meras alegações desacompanhadas de provas não são suficientes para desconstituir o lançamento tributário. Sendo a atividade administrativa do lançamento vinculada e obrigatória, uma vez caracterizada a ocorrência do fato gerador cabe à autoridade tributária proceder ao respectivo lançamento, não havendo previsão legal que autorize a sua dispensa em decorrência de eventuais alegações desprovidas de elementos probatórios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Mário Hermes Soares Campos - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos (relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 13 30 /2 01 0- 01 Fl. 106DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-007.137 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16004.001330/2010-01 Trata-se de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 04-36.342 - 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande - DRJ/CGE (fls. 73/79), que julgou improcedente a impugnação relativa ao lançamento de Contribuições Sociais Previdenciárias, devidas em execução de obra de construção civil e não declaradas em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), no valor original de R$ 47.842,59, consolidado em 11/11/2010 e cientificado o contribuinte em 18/11/2010, conforme Aviso de Recebimento – AR de fls. 37. Consoante o “Relatório Fiscal do Auto de Infração DEBCAD Nº 37.307.532-4” (fls. 12/17), o presente lançamento, refere-se às contribuições sociais previstas no artigo 22, incisos I e II, da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, cota patronal (alíquota de 20%) e a correspondente ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT (alíquota de 3%). Foram também lavrados os seguintes Autos de Infração (AI), objeto de processos distintos: - AI relativo às contribuições a cargo dos empregados - DEBCAD 37.307.533-2; e - AI relativo às contribuições devidas a “outas entidades - terceiros” - DEBCAD 37.307.534-0. Ainda de acordo com o relatório fiscal, o lançamento decorre das seguintes constatações: O contribuinte foi intimado através do TIPF - Termo de Inicio de Procedimento Fiscal, recepcionado em 01/10/2010, A.R. n° RJ 197582984 BR, a apresentar os documentos relacionados com a construção em pauta, para que, no caso de alguma divergência dos termos em que foi emitido o citado ARO, fosse o mesmo retificado ou confirmados suas informações. Não tendo sido providenciada a sua liquidação até a presente data, nem tão pouco procurado sua regularização junto a Instituição, e tendo em vista o não atendimento do mesmo, lavramos, nesta data, o presente Auto de Infração. Como não houve a apresentação de qualquer documento por parte do contribuinte, ratificamos o cálculo constante do referido documento, o qual foi efetuado por "aferição indireta", com base na área construída constante dos documentos abaixo discriminados e no padrão de construção, nos termos previstos na IN RFB n° 971 de 13/11/2009. Portanto, o crédito previdenciário apurado teve como base de cálculo a mão-de-obra empregada na construção civil de responsabilidade do contribuinte acima identificado, na competência 09/2010, conforme ARO - Aviso para Regularização de Obra. DOCUMENTOS: - ARO n°: 614614. - Alvará de Licença n° 36744 de 17/08/2009. - Habite-se n° 36744 de 28/09/2009. - Área Total: 690,91 m2. - R.G., CPF, e comprovante de residência. 7 - Cabe-nos ressaltar que os fatos geradores objetos deste levantamento não foram informados em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), documento informativo instituído pelo artigo 32, inciso IV, da Lei n° 8.212/91 (redação dada pela Lei n° 9.528/97), c/c o artigo 225, inciso IV, do Decreto n° 3.048/99, por resultarem de procedimento de aferição de mão- de-obra e por se tratar de construção civil de responsabilidade de Pessoa Física, (artigo 354, Inciso II da IN RFB n° 971, 13/11/2009). Fl. 107DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-007.137 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16004.001330/2010-01 8 - O valor originário do débito apurado neste Auto de Infração, corresponde assim, em cada competência, ao montante das contribuições sociais no período, EXCLUSIVAMENTE da "COTA PATRONAL" (EMPRESA E GIILRAT), uma vez que as contribuições dos SEGURADOS EMPREGADOS e OUTRAS ENTIDADES (terceiros), são objeto de Autos de Infração apartados, que serão apensados a este. Inconformado com o lançamento fiscal o autuado apresentou tempestivamente impugnação, documento de fls. 43/50, que se encontra assim relatada no Acórdão ora objeto de recurso: Preliminar de Decadência Que o direito da Receita Federal do Brasil apurar e constituir créditos relacionados a obras de construção civil extingue-se no prazo decadencial previsto na legislação tributária, cabendo ao interessado a comprovação da realização de parte da obra ou da sua total conclusão em período abrangido pela decadência, conforme disposto no artigo 390 da Instrução Normativa n° 971/2009. Que o imóvel objeto do Auto de Infração é localizado na Rua 15 de Novembro, n° 32, Centro, Catanduva/SP. Que, todavia, conforme informações obtidas junto à Prefeitura Municipal de Catanduva, que por se tratar de pessoa jurídica de direito público seus informes são revestidos de fé pública, convém informar que o imóvel constante no endereço da obra - Rua 15 de Novembro, n° 32 - objeto do auto de infração, é resultante da unificação de três imóveis, a saber: N° ENDEREÇO MATRICULA ÁREA TERRENO ÁREA CONSTRUÍDA 1 R. 15 de Novembro, 32 20.813 539,50 m2 190,83 m2 2 R. 15 de Novembro, 52 31.701 965,00 m2 185,63 m2 3 Trav. Taufik Soubhia, 5 77,10 m2 Que o imóvel n° 1, conforme Registro 4 da Matrícula 20.813 fora adquirido em 25 de maio de 2005 (registro anterior: Transcrição n° 22.190 de 19 de novembro de 1974), pelo impugnante, já com casa residencial construída com vários cômodos. Tal imóvel acha-se cadastrado na Prefeitura de Catanduva sob n° 7.1.012.069.00061.01.001 (1789501-0), e já no exercício de 2005 com área do terreno de 539,50 m2 e área construída de 190,83 m2 (fls. 21/22). Que o imóvel n° 2, conforme Registro 1 da Matrícula 31.701 fora adquirido em 19 de fevereiro de 2005 (registro anterior: Transcrição n° 21.629 de 27 de maio de 1974), pelo impugnante, já com casa residencial construída com vários cômodos. Tal imóvel acha- se cadastrado na Prefeitura de Catanduva sob n° 71.12.69.0092.01.001 (1789601-0), e já no exercício de 2005 com área do terreno de 846,30m2 e área construída de 185,63 m2 (conforme carnê do IPTU 2006, ora anexado). Que o imóvel n° 3, possuía uma área construída há mais de 5 anos, de 77,10 m2. Que o Auditor descontou da área a regularizar a área construída alcançada pela decadência, mencionada no imóvel n° 1 acima: TOTAL DA OBRA DESCONTO AUTO DE INFRAÇÃO 881,74 m2 190,83 m2 690,91 m2 Que, da mesma forma, tratando-se de imóvel unificado, é legítimo que as construções também alcançadas pela decadência dos imóveis n° 2 (185,63 m?) e n° 3 (77,10 m2) também sejam excluídas da tributação. Mérito Fl. 108DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-007.137 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16004.001330/2010-01 Que, no presente Auto de Infração, para apuração da remuneração da mão de obra empregada na execução de obra de construção civil sob responsabilidade de pessoa física, utilizou-se a sistemática da "apuração indireta". Que, para apuração do valor da mão de obra empregada na execução de obra de construção civil, em se tratando de edificação, foi utilizada a tabela do Custo Unitário Básico - CUB - elaborada pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil - SINDUSCON. Que a presente obra foi enquadrada de ofício como "Acréscimo Comercial - Salas e Lojas" com o valor do CUB avaliado em R$ 902,63 o m2. Que, por se tratar de um Depósito de Materiais de Construção, com instalações rústicas, e acabamento simples, num único pavimento, obviamente que a avaliação do SINDUSCON para essa categoria geral resulta em superavaliação do custo de construção. Que, nesta oportunidade, desde já postula pela juntada “a posteriori" de novos elementos de prova para corroborar suas alegações, os quais, no prazo exíguo, não foram possíveis apresentar. Ao final requer a improcedência parcial da autuação. Em julgamento realizado em 20/08/2014, a impugnação foi julgada improcedente, sendo o crédito tributário totalmente mantido. O acórdão exarado apresenta a seguinte ementa: DILAÇÃO PROBATÓRIA A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão. DECADÊNCIA. CONTAGEM. TÉRMINO DA OBRA. COMPROVAÇÃO. Cabe ao contribuinte comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil, admitida pela legislação, o término da obra, a fim de estabelecer o termo de início do prazo decadencial e afastar a exigência fiscal sobre a área construída em período decadente. Irresignado com a decisão de piso, o contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 85/87), articulando os seguintes argumentos: 1. DOS FATOS. O cerne da discussão se estabeleceu, em virtude de entendimentos distanciados da realidade. O recorrente desde o primeiro momento de sua impugnação demonstrou, que é proprietário de três imóveis sob os n.ºs 32, 52 da Rua 15 de novembro, que se encontram pela face lateral com outro imóvel de sua propriedade sob n.º 5 da Rua Taufik Soubhia, todos na cidade de Catanduva, estado de São Paulo. Ainda demonstrou com clareza que sobre os três terrenos haviam edificações que foram aproveitadas para a reforma e construção de um único imóvel que edificado sobre a área dos três imóveis. Que junto a Prefeitura do Município por um lapso de cadastro os imóveis constam separadamente enquanto a obra claramente está amparada pelas áreas dos três imóveis. Como se depreende do Alvará de Construção, Habite-se e demais documentos juntados do AI, impossível que uma construção de 881,74 m2, contasse apenas do imóvel da Rua 15 de novembro n.2 32, que possui área total de 539,5 m2. 2. O Direito. 2.1. Preliminar. O recorrente não alega ignorância a legislação, apenas no prazo legal, vem interpor o presente Recurso Voluntário, na busca de demonstrar aos Nobres Julgadores, a inconsistência do que consta do AI, bem como da decisão de primeira instância. Fl. 109DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-007.137 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16004.001330/2010-01 Para tanto junta cópia das matrículas dos imóveis, que bem demonstram, que sobre os mesmos existiam áreas construídas, tão antigas que impossível a Prefeitura precisar as mesmas pois as referidas áreas construídas não constam de seus cadastros, portanto deve prevalecer o quantum que consta da planta inicial aprovada junto a municipalidade. 2.2. Do Mérito. As provas estão claras nas matrículas dos imóveis em questão, onde consta que sobre os mesmos existiam construções e que não declinaram as metragens construídas. Mais como poderia o recorrente construir uma área de 881,4 m2, em um imóvel com 539,5, exatamente o imóvel da rua 15 de novembro n.º 32, cuja certidão cartorária que ora se anexa. Cabe portanto a revisão da decisão guerreada, buscando-se aferir exatamente o "QUANTUM", que o recorrente é devedor junto a SRFB. 3. CONCLUSÃO. Por tudo que aqui se expôs, mais pelo cuidado que é inerente aos Nobres Julgadores, a improcedência da parcial da ação fiscal, é o que requer o recorrente no sentido de que, seja acolhido o presente recurso, para o fim de ser corrigido o débito fiscal que ora se discute. É o relatório. Voto Conselheiro Mário Hermes Soares Campos, Relator. O recorrente foi intimado da decisão de primeira instância, por via postal, em 28/08/2014, conforme Aviso de Recebimento (AR) de fl. 82. Tendo sido o recurso ora objeto de análise enviado por via postal, sendo postado em 29/09/2014, conforme atesta o selo dos Correios no envelope (fl. 101), considera-se tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Nos termos relatados, a única contestação apresentada pelo contribuinte em seu recurso, refere-se ao pedido de reconhecimento de que a obra objeto do presente lançamento teria sido realizada na área dos três terrenos por ele descritos, e não apenas no imóvel de nº 32 da rua 15 de novembro, de forma a se reconhecer a decadência das construções pré-existentes dos demais imóveis que compuseram a nova obra. Para tanto, informa ser proprietário de três imóveis sob os n.ºs 32 e 52 da rua 15 de novembro, que se encontram pela face lateral com outro imóvel de sua propriedade sob o n.º 5 da Rua Taufik Soubhia, todos na cidade de Catanduva, estado de São Paulo. Entende ter demonstrado com clareza que sobre os três terrenos haviam edificações que foram aproveitadas para a reforma e construção de um único imóvel, edificado sobre a área dos três imóveis. Apesar do fato de que, junto à Prefeitura do Município, por um lapso de cadastro, os imóveis constam separadamente, enquanto a obra claramente está amparada pelas áreas dos três imóveis. Requer assim a correção do lançamento, pois entende que, da mesma forma que a autoridade fiscal lançadora descontou a área construída atingida pela decadência do imóvel da rua 15 de novembro, nº 32, tratando-se de imóvel unificado é legítimo que as construções também alcançadas pela decadência dos imóveis da rua 15 de novembro nº 52 (com 185,63 m2) e da rua Taufik Soubhia, nº 5 (com 77,10 m2), também sejam excluídas da tributação. Fl. 110DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-007.137 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16004.001330/2010-01 Conforme apontado no julgamento de piso, analisando a documentação constante dos autos verifica-se que o autuado não logrou êxito em comprovar sua alegações, de que a obra de construção civil em apreço refere-se aos três imóveis citados. Destaque-se inicialmente o fato de não ter sido juntada cópia da matrícula de unificação/fusão desses três imóveis, os quais afirma ter sido realizada a construção, nos termos do art. 234 da Lei nº 6.015, de 31 de dezembro de 1973, que dispõe sobre os registros públicos, nem qualquer outra documentação que faça prova do alegado. Por outro lado, a Certidão relativa ao imóvel da rua 15 de novembro nº 52, apresentada juntamente com o recurso, não dá conta de qualquer tipo de obra realizada sob o mesmo, em que pese extraída em 17/12/2010, ou seja, após a emissão do “Habite-se” da construção, datado de 28/09/2009, não tendo sido sequer apresentada a Certidão do imóvel da rua Taufik Soubhia nº 5. Também é fato que, as Certidões apresentadas não podem atestar, efetivamente, a existência de quaisquer construções nos terrenos na data de ocorrência dos fatos geradores do presente lançamento. Apenas referenciam a existência de área construída em passado remoto, que tanto poderia ter sido aproveitada na obra nova, ou mesmo, demolida para execução da nova construção. Caberia assim ao interessado trazer elementos que evidenciassem a real situação ocorrida, ônus esse do qual não se desincumbiu Noutro giro, deve ser ratificado o registro constante do Acórdão recorrido, de que, mesmo que comprovada a unificação dos imóveis, caberia ainda ao contribuinte juntar aos autos documentos hábeis e idôneos para comprovar o término de cada obra nas datas que aponta, em conformidade com o que dispõe o artigo 390, §§ 3º, 4º e 6º da Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009., abaixo transcritos: Art. 390 (...) § 3º A comprovação do término da obra em período decadencial dar-se-á com a apresentação de um ou mais dos seguintes documentos: I - habite-se, Certidão de Conclusão de Obra (CCO); II - um dos respectivos comprovantes de pagamento de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), em que conste a área da edificação; III - certidão de lançamento tributário contendo o histórico do respectivo IPTU; IV - auto de regularização, auto de conclusão, auto de conservação ou certidão expedida pela prefeitura municipal que se reporte ao cadastro imobiliário da época ou registro equivalente, desde que conste o respectivo número no cadastro, lançados em período abrangido pela decadência, em que conste a área construída, passível de verificação pela RFB; V - termo de recebimento de obra, no caso de contratação com órgão público, lavrado em período decadencial; VI - escritura de compra e venda do imóvel, em que conste a sua área, lavrada em período decadencial; VII - contrato de locação com reconhecimento de firma em cartório em data compreendida no período decadencial, onde conste a descrição do imóvel e a área construída. § 4º A comprovação de que trata o § 3º dar-se-á também com a apresentação de, no mínimo, 3 (três) dos seguintes documentos: Fl. 111DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-007.137 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16004.001330/2010-01 I - correspondência bancária para o endereço da edificação, emitida em período decadencial; II - contas de telefone ou de luz, de unidades situadas no último pavimento, emitidas em período decadencial; III - declaração de Imposto sobre a Renda comprovadamente entregue em época própria à RFB, relativa ao exercício pertinente a período decadencial, na qual conste a discriminação do imóvel, com endereço e área; IV - vistoria do corpo de bombeiros, na qual conste a área do imóvel, expedida em período decadencial; V - planta aerofotogramétrica do período abrangido pela decadência, acompanhada de laudo técnico constando a área do imóvel e a respectiva ART no Crea. V - planta aerofotogramétrica do período abrangido pela decadência, acompanhada de laudo técnico constando a área do imóvel e a respectiva ART no Crea, ou RRT no CAU. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1477, de 03 de julho de 2014) (...) § 6º A falta dos documentos relacionados nos §§ 3º e 4º, poderá ser suprida pela apresentação de documento expedido por órgão oficial ou documento particular registrado em cartório, desde que seja contemporâneo à decadência alegada e nele conste a área do imóvel. Sendo a atividade administrativa do lançamento vinculada e obrigatória, uma vez caracterizada a ocorrência do fato gerador cabe à autoridade tributária proceder ao respectivo lançamento, não havendo previsão legal que autorize a sua dispensa em decorrência de eventuais alegações desprovidas de elementos probatórios. Deveria o autuado, desde a impugnação, ter instruído sua defesa com os documentos e provas que entendesse fundamentar e respaldar suas alegações. É o que disciplina os dispositivos legais pertinentes à matéria, artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, bem como o disposto no inciso I, do art. 373 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015), aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal. Meras alegações, desacompanhadas de provas, não são suficientes para desconstituir o trabalho de auditoria fiscal realizado, correta, portanto, a autuação. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso e no mérito negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Mário Hermes Soares Campos Fl. 112DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10166.907977/2009-67
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2004
Ementa: COMPENSAÇÃO. FORMALISMO MODERADO.
RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À
REPETIÇÃO DO INDÉBITO.
A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3803-003.040
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004 Ementa: COMPENSAÇÃO. FORMALISMO MODERADO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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FORMALISMO MODERADO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Alexandre Kern Presidente. [assinado digitalmente] Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues. Fl. 34DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Relatório Tratase de declaração de compensação transmitida em 14/11/2006, onde busca a contribuinte compensar crédito, código de receita 2172, do período de apuração de outubro de 2004, decorrente de pagamento a maior ou indevido. A DRF em Brasília não homologou a compensação tendo em vista que o DARF discriminado no Per/Dcomp foi integralmente utilizado para quitar débitos da contribuinte não restando saldo credor para compensar a dívida declarada. Cientificada em 18/06/2009, apresentou manifestação de inconformidade em 20/07/2009, na qual alega que De janeiro de 2004 a fevereiro de 2006 pagou a Cofins e o Pis sobre a totalidade da venda de mercadorias, sem a exclusão da base de cálculo dos produtos monofásicos. Sendo a atividade da empresa Bar e Restaurante, com grande volume de venda de Chopp, cervejas e refrigerantes, foram pagos um valor maior, tendo em vista a não observância do tratamento tributário adequado. Tomando conhecimento do erro na apuração dos impostos, fez DIRPJ retificadora do período, corrrigindo as informações referentes ao PIS e Cofins, passando a compensar os valores pagos a maior na quitação do PIS e Cofins dos meses seguintes a partir de março/2006, através do PER/Dcomp. Ao tomar conhecimento dos Despachos Decisórios, procurou o Plantão Fiscal, apresentando todos os documentos a respeito do assunto. O Fiscal de Plantão informou a necessidade de apresentar as DCTF retificadoras, alterando o valor devido e informando o valor pago a maior, para que a Receita possa apurar o valor do crédito que posteriormente seria compensado através de Dcomp. Assim, retificou a DCTF para que a receita possa, processando as informações contidas nas DCTF retificadoras, baixar os débitos referentes aos Despachos Decisórios. A DRJ em Brasília manteve o despacho decisório por entender que o contribuinte não trouxe aos autos os documentos contábeis e fiscais que comprovassem a liquidez e certeza do crédito, ou seja, do pagamento supostamente realizado a maior. Consignou, ainda que a competência para apreciar declarações retificadoras (DCTF, DIPJ, Dcomp, etc) é do Delegado da Receita Federal de jurisdição do sujeito passivo, não cabendo a esta Turma de Julgamento se manifestar a respeito, por falta de previsão legal. Eis a ementa do julgado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário:2004 Compensação – Impossibilidade Necessidade da Liquidez e Certeza do Crédito do Sujeito Passivo. A lei somente autoriza a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo. No caso, o crédito do contribuinte resultaria de suposto pagamento a maior, o qual foi totalmente utilizado para quitar contribuição devida e declarada, portanto, inexistente. Retificação de Declaração – Admissibilidade e Competência para Apreciar. Fl. 35DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10166.907977/200967 Acórdão n.º 3803003.040 S3TE03 Fl. 2 3 A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. A competência para apreciar declarações retificadoras é do Delegado da Receita Federal de jurisdição do sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, após ciência do acórdão retro (26/12/2011), apresentou Pedido de Revisão de Ofício em 11/01/2012, o qual pelo princípio do formalismo moderado e pela instrumentalidade das formas será aceito como se recurso voluntário fosse, na qual repisa os argumentos da manifestação de inconformidade e requer a homologação da compensação apresentada. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. A defesa da ARMAZEM DO FERREIRA BAR E RESTAURANTE LTDA fundamentase na ocorrência de erro de fato no preenchimento da DCTF tendo em vista que calculou o recolhimento da Cofins e do PIS sobre a totalidade da venda de mercadorias, sem a exclusão da base de cálculo dos produtos monofásicos, o que representaria boa parte de suas receitas. Diante disso, apresentou DCOMP, acreditando na existência de crédito tributário a seu favor em decorrência deste erro. No caso em tela, observase que o contribuinte somente retificou a DCTF em 14/07/2009, após a ciência do despacho decisório –passados quase três anos após a transmissão da Dcomp. Eis a controvérsia que ora se analisa. Salientamos que não existe norma na legislação de regência condicionando a apresentação do Per/Dcomp à prévia retificação da DCTF, apesar de este ser um procedimento lógico. O comando empregado pela decisão a quo para rejeitar o pedido consubstanciado na manifestação de inconformidade, qual seja, o inciso III do § 2º do art. 11 da IN RFB nº 786/2007, abaixo reproduzido, se refere ao início do procedimento fiscal strictu sensu, ou seja, aquele que visa constituir o crédito tributário, o que não é o caso, uma vez que o tributo já foi pago pelo contribuinte: Art . 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. Fl. 36DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN 4 §1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração origináriamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. §2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada sobre o início de procedimento fiscal. (grifei) Desta feita, não há impedimento legal algum para a retificação da DCTF em qualquer fase do pedido de compensação, porém, o mesmo somente será deferido após a retificação da DCTF de ofício ou por iniciativa do contribuinte. Este também é o entendimento partilhado pela 3ª SJ/3ª C/ 3ª TO deste Conselho.1 Através da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, o contribuinte presta as informações relativas a valores de débitos de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal bem como o respectivos valores dos créditos, tais como pagamentos, parcelamentos ou compensações. Tendo em vista o caráter de confissão de dívida característico do documento, não há o que repreender no despacho que não homologou a compensação se quando do encontro de constas a autoridade fiscal constatou que o DARF indicado na declaração de compensação já havia sido integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo credor para compensar. Isto porque a Receita Federal não tinha conhecimento do equívoco cometido pela Recorrente na apuração da contribuição objeto do pedido de compensação à época. O mesmo não se pode falar da DRJ que, ao tomar conhecimento do equívoco cometido pela Interessada, a qual transmitiu a DCTF retificadora, sob a justificativa de haver recolhido o PIS/Pasep e a COFINS sobre a totalidade das vendas, sem a exclusão dos produtos monofásicos, tinha o dever de verificar o alegado, mormente ante o princípio da verdade material, mas não o fez sob o pretexto de que não detinha a competência para a análise de DCTFs retificadoras. Salutar destacar que os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela Administração, desde que não lesem o interesse público nem causem prejuízo a terceiros2. 1 Acórdão nº 330200811 do Processo 10530901535200821; Acórdão nº 330200810 do Processo 10530901534200886; Acórdão nº 330200812 do Processo 10530901536200875; Acórdão nº 330200809 do Processo 10530901533200831. 2 art. 55 da Lei nº 9.784/99. Fl. 37DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10166.907977/200967 Acórdão n.º 3803003.040 S3TE03 Fl. 3 5 Em contradição ao princípio da verdade formal, aclamado e inerente ao processo judicial, temos que no processo administrativo fiscal deve o julgador se pautar pela verdade material, princípio segundo o qual a autoridade administrativa competente não limita seu exame ao que foi alegado pelas partes, podendo e devendo buscar todos os elementos que possam influir no seu convencimento. Nos dizeres de Odete Medauar: 3 O princípio da verdade material ou real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar as decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos. Para tanto, tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Assim, no tocante a provas, desde que obtidas por meios lícitos (como impõe o inciso LVI do art. 5º da CF), a Administração detém liberdade plena de produzilas. Aliado ao princípio retro mencionado, apontamos o formalismo moderado dos atos a serem praticados pelo administrado, princípio este cristalizado no final do artigo 2º, inciso IX, da Lei 9.784/99: “...adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado graus de certeza e respeito aos direitos dos administrados”. O quase informalismo evidenciado no PAF, tem o fito de facilitar o acesso do contribuinte ao processo sem, contudo, lançar mão dos ritos e formas inerentes a todos os procedimentos para garantir o mínimo de segurança jurídica às partes. O processo administrativo deve ser simples, despido de exigências formais excessivas, tanto mais que a defesa pode ficar a cargo do próprio contribuinte, nem sempre familiarizado com os meandros processuais. Quanto ao montante do crédito a que tem direito a ora Recorrente, fica ressalvado o direito de a RFB determinar a base de cálculo do período de apuração de outubro de 2004, apurar o tributo devido, e verificar se o valor pleiteado está correto. Apesar de ter se omitido na apresentação dos documentos e lançamentos contábeis que permitissem à autoridade competente identificar a ocorrência do fato gerador, a base de cálculo sujeita à tributação e o correspondente tributo devido, observamos que tal direito não lhe foi oportunizado haja vista que o que determinou o indeferimento do seu pleito foi entrega da DCTF retificadora posteriormente ao despacho decisório, realidade esta que não podemos aceitar. Superado o óbice, há que se determinar o retorno dos autos para que seja oportunizado ao mesmo a entrega da escrituração fiscal e contábil aptas a demonstrar o valor eventualmente recolhido a maior. Ante o exposto, voto por reformar o acórdão proferido pela DRJ em Brasília, que não adentrou o mérito, e determinar o retorno dos autos àquela Autoridade Julgadora, para proferição de nova decisão, arredandose o óbice erigido (a necessidade de prévia retificação da DCTF como condição para análise de declaração de compensação de indébitos), em face das alegações recursais de erro na declaração. [assinado digitalmente] 3 A Processualidade do Direito Administrativo, São Paulo, RT, 2ª edição, 2008, Pág. 131. Fl. 38DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN 6 Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 39DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000479/2007-68
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO.
Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indefere-se o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
APURAÇÃO. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DOS
ESTABELECIMENTOS.
À luz do princípio da autonomia dos estabelecimentos, insculpido no regulamento do imposto, cada estabelecimento industrial de uma mesma firma deve apurar o imposto devido e cumprir separadamente suas obrigações tributárias.
RESSARCIMENTO. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO.
A decisão sobre o pedido de ressarcimento de créditos do IPI caberá ao titular da repartição fiscal que, à data do reconhecimento do direito creditório, tenha jurisdição sobre o domicílio fiscal do estabelecimento industrial que apurou referidos créditos.
RESSARCIMENTO. REQUISITOS.
A concessão de qualquer ressarcimento ou compensação está subordinada ao preenchimento dos requisitos e condições determinados pela legislação tributária de regência.
RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO.
Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará o indeferimento do pleito.
RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA.
É ônus processual do interessado fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação e não da data do pedido de ressarcimento ou restituição.
Numero da decisão: 3803-001.595
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indefere-se o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 APURAÇÃO. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. À luz do princípio da autonomia dos estabelecimentos, insculpido no regulamento do imposto, cada estabelecimento industrial de uma mesma firma deve apurar o imposto devido e cumprir separadamente suas obrigações tributárias. RESSARCIMENTO. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. A decisão sobre o pedido de ressarcimento de créditos do IPI caberá ao titular da repartição fiscal que, à data do reconhecimento do direito creditório, tenha jurisdição sobre o domicílio fiscal do estabelecimento industrial que apurou referidos créditos. RESSARCIMENTO. REQUISITOS. A concessão de qualquer ressarcimento ou compensação está subordinada ao preenchimento dos requisitos e condições determinados pela legislação tributária de regência. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará o indeferimento do pleito. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual do interessado fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação e não da data do pedido de ressarcimento ou restituição.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 APURAÇÃO. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. À luz do princípio da autonomia dos estabelecimentos, insculpido no regulamento do imposto, cada estabelecimento industrial de uma mesma firma deve apurar o imposto devido e cumprir separadamente suas obrigações tributárias. RESSARCIMENTO. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. A decisão sobre o pedido de ressarcimento de créditos do IPI caberá ao titular da repartição fiscal que, à data do reconhecimento do direito creditório, tenha jurisdição sobre o domicílio fiscal do estabelecimento industrial que apurou referidos créditos. RESSARCIMENTO. REQUISITOS. A concessão de qualquer ressarcimento ou compensação está subordinada ao preenchimento dos requisitos e condições determinados pela legislação tributária de regência. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 07/05/2011 por ALEXANDRE KERN 2 Administração para a respectiva apresentação implicará o indeferimento do pleito. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual do interessado fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação e não da data do pedido de ressarcimento ou restituição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Relator Participaram ainda do presente julgamento os Conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Andréa Medrado Darzé, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de pedido de reconhecimento de direito creditório oriundo do saldo credor do IPI de que trata o artigo 11 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, regulamentado pela Instrução Normativa – SRF nº 33, de 4 de março de 1999. A autoridade competente para examinar o pleito indeferiu o pedido de ressarcimento, sem análise do mérito, em razão de o interessado, depois de intimado, ter deixado de apresentar os documentos solicitados com o fim de comprovar a certeza e liquidez do direito creditório requerido e não homologou as compensações declaradas O Despacho Decisório deu conta ainda de que o interessado declarou que, nos anos de 2001 e 2002, creditouse de valores de IPI referente a créditoprêmio, por força de medida liminar em mandado de segurança, revogada em 2005, com efeito "extunc", de forma que tais valores não poderiam constar do saldo credor em questão. Sobreveio reclamação. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/RPO2ª Turma. O Acórdão nº 1421.103, de 22 de outubro de 2008, Fls. 461 a 476, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 APURAÇÃO DO IPI. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. MATRIZ E FILIAL. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 07/05/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 16349.000479/200768 Acórdão n.º 380301.595 S3TE03 Fl. 512 3 À luz do princípio da autonomia dos estabelecimentos, insculpido no regulamento do imposto, cada um dos estabelecimentos de uma mesma empresa deve apurar o imposto devido e cumprir separadamente suas obrigações tributárias. RESSARCIMENTO DE IPI. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. A decisão sobre o pedido de ressarcimento de créditos do IPI caberá ao titular da DRF, Derat ou IRFClasse Especial que, à data do reconhecimento do direito creditório, tenha jurisdição sobre o domicílio fiscal do estabelecimento da pessoa jurídica que apurou referidos créditos. RESSARCIMENTO DE IPI. REQUISITOS. A concessão de qualquer ressarcimento ou compensação está subordinada ao preenchimento dos requisitos e condições determinados pela legislação tributária de regência. RESSARCIMENTO DE IPI. COMPROVAÇÃO. Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará o indeferimento do pleito. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação e não da data do pedido de ressarcimento ou restituição. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Solicitação Indeferida Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 2ª Turma da DRJ/RPO. O arrazoado de fls. 481 a 508, após resumo dos fatos, em sede de preliminar, interpõe as seguintes argüições, na ordem em que constam do recurso: a) de incompetência da DRF para apreciar o pedido original; b) de irregularidade do desmembramento do pedido original; c) de incompetência da autoridade que subscreveu o Despacho Decisório; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 07/05/2011 por ALEXANDRE KERN 4 d) de incompetência dos agentes que empreenderam o procedimento fiscal; e) de extrapolação dos limites da fiscalização definidos no Termo de Informação Fiscal da DIFIS/SP; f) de ausência de expressa autorização para realização do procedimento, que deveria ter sido precedido de Portaria autorizatória expedida pelo Delegado da Receita Federal que jurisdiciona a Recorrente; g) de nulidade do procedimento por inobservância dos limites definidos na Representação Fiscal que ensejou a fiscalização; h) de cerceamento do direito de defesa, ao deixar de apreciar diversos documentos que foram franqueados pelo interessado; i) de descumprimento da formalidade inscrita no art. 49 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999; j) de carência de base legal a amparar o indeferimento pelo motivo alegado no despacho decisório; k) de carência e de erro de motivação do despacho decisório, que desconsiderou o Informação Fiscal elaborado pela DIFIS/SP; l) de nulidade por cerceamento do direito de defesa, na medida em que o Despacho Decisório não permitiu a compreensão de como pode ter sido desconsiderada totalmente a fiscalização realizada pela DIFIS/SP e não analisados os documentos que já haviam sido apresentados pela empresa como prova do direito creditório pleiteado; m) de que o Acórdão recorrido deve ser reformado porque o Despacho Decisório merece ser cancelado para ser determinada à Fiscalização a apreciação dos documentos apresentados pela Recorrente e a eventual solicitação de informações ou dados eventualmente faltantes para a apreciação do pedido de ressarcimento, tudo em nome do princípio da verdade material; n) de que o recurso também merece se provido para cancelar o Despacho Decisório porque o levantamento fiscal realizado pelos servidores vinculados à DRF foi realizado de forma precária, não podendo ser considerado como válido para ser utilizado como fundamento na apreciação do pedido de ressarcimento; o) de que o Acórdão também deve ser reformado por ofender os princípios da proporcionalidade e razoabilidade ao negar o direito de ressarcimento da Recorrente; p) de que o suporte documental relacionado ao direito creditório foi apresentado à DIFIS/SP e se encontra juntado no processo administrativo originário, sendo de conhecimento não apenas da fiscalização mas do próprio julgador que expediu o Despacho Decisório recorrido e a Recorrente afirmou na Manifestação de Inconformidade estarem disponíveis para análise, e; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 07/05/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 16349.000479/200768 Acórdão n.º 380301.595 S3TE03 Fl. 513 5 q) de que deixou de apresentar os documentos requisitados pela Fiscalização em razão do curto prazo para a sua apresentação e porque abrangiam um longo período de tempo. No que pretende ser abordagem do mérito do pedido, reitera seu direito ao ressarcimento e pugna pelo julgamento em conjunto de todos os processos desmembrados do pedido original, haja vista que o crédito foi apurado pelo estabelecimentomatriz e o desmembramento foi irregular. Alternativamente, pede que se reconheça o direito ao ressarcimento em nome do estabelecimentofilial. Retoma o pedido de reunião dos processos desmembrados para nova apreciação pela DERAT/SP. Alternativamente, que a DRF profira novo Despacho Decisório, após a realização de todas as verificações fiscais necessárias para a apuração do direito creditório da Recorrente. Dizse desobrigado da guarda do documentário fiscal por prazo superior ao de decadência, nos termos da legislação. Na hipótese de a Fiscalização necessitar verificar outros documentos ou atestar a veracidade dos já anexados, informa terem sido localizados no seu arquivo morto diversos materiais relacionados a apuração do direito creditório, estando à disposição da fiscalização ou de eventual perícia e diligência. Diz ainda ser impertinente a matéria atinente ao CréditoPrêmio. Pede a declaração da homologação tácita das compensações declaradas. Pede a nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa ao indeferirlhe o pedido de perícia/diligência. Aduz que as providências requeridas... “...se justificam para a análise dos documentos relacionados ao direito creditório e existentes no estabelecimento da Recorrente os quais, por serem em grande volume, não estão sendo anexados na presente Manifestação de Inconformidade.” Conclui, requerendo provimento, para que seja reformado o Acórdão recorrido com o cancelamento do Despacho Decisório, para que se realize o julgamento conjunto de todos os Pedidos de Ressarcimento objeto deste Recurso originados do desmembramento do processo administrativo original, abrangendo o crédito do IPI de 01/01/2002 a 31/03/2002, e se reconheça o direito creditório pleiteado pelo estabelecimento matriz da Recorrente nos termos do Pedido de Ressarcimento protocolado, com base no Termo de Informação Fiscal da DIFIS/SP e nos documentos apresentados, ou, ao menos, sucessivamente, o valor com a glosa realizada conforme o Termo de Informação Fiscal da DIFIS/SP. Alternativa e sucessivamente: a) caso se entenda somente ser possível reconhecer o direito creditório relativo ao estabelecimento filial, ora Recorrente, da empresa Bracol Holding Ltda., que ao menos reconheça com fundamento no Termo de Informação Fiscal da DIFIS/SP, nos documentos apresentados e no Parecer SAORT, o direito creditório desta filial; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 07/05/2011 por ALEXANDRE KERN 6 b) Na hipótese de se entender não ser possível reconhecer o direito creditório do IPI conforme acima requerido, que ao menos se cancele Despacho Decisório e se reforme o Acórdão recorrido diante dos vícios demonstrados neste Recurso para: i. reconhecer a competência da autoridade fiscal com jurisdição sobre o estabelecimentomatriz da Recorrente para apreciar o Pedido de Ressarcimento, com a conseqüente reunião de todos os processos administrativos originados do desmembramento do processo original abrangendo o crédito do IPI de 01/01/2002 a 31/03/2002, para serem encaminhados para o DERAT/SP com o fim de ser proferido novo Despacho Decisório analisando o Pedido de Ressarcimento relacionado a este período e ao crédito originado de todos os estabelecimentos da empresa Bracol Holding Ltda. como pleiteado no Pedido de Ressarcimento; ou ii. sucessivamente, caso se entenda ser competente para apreciar o Pedido de Ressarcimento a autoridade que emitiu o Despacho Decisório, que ao menos cancele esta decisão e determine a realização de novas verificações fiscais nos documentos apresentados pela empresa, nos anexados no processo administrativo original, no Termo de Informação Fiscal da DIFIS/SP e em outros a serem solicitados pela autoridade com a possibilidade de sua apresentação pela Recorrente, tudo para fins de emissão de um novo Despacho Decisório contendo todas as análises e os elementos cuja falta geraram a sua nulidade; iii. e, ainda, sucessivamente, na hipótese de se também entender não ser possível conceder os pedidos formulados nos tópicos anteriores, ao menos dê provimento ao presente Recurso para cancelar o Acórdão recorrido por ter negado o direito da Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 07/05/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 16349.000479/200768 Acórdão n.º 380301.595 S3TE03 Fl. 514 7 Recorrente à realização de perícia e diligência cerceando seu direito de defesa, para que seja a decisão recorrida cancelada com o retorno dos autos para a primeira instância para a realização da perícia e diligência nos termos solicitados na Manifestação de Inconformidade. c) Requer, também, em relação a decisão não homologatória das compensações realizadas com o direito creditório, a reforma do Acórdão e do Despacho Decisório para ser reconhecida a homologação das compensações declaradas a RFB no período igual ou superior a 5 (cinco) anos contados anteriormente a data da ciência do Despacho Decisório pela Recorrente, por ter ocorrido, em relação a tais casos, a homologação tácita e extinção definitiva do crédito tributário dos débitos compensados, nos termos do artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e artigo 29, §2° da IN SRF n° 600, de 28 de outubro de 2005, a homologação das compensações com os créditos eventualmente reconhecidos neste juízo administrativo e o reconhecimento da suspensão da exigibilidade dos débitos compensados até a publicação da decisão final neste contencioso administrativo. d) Requer, outrossim, o reconhecimento da incidência da taxa SELIC sobre o valor dos créditos do IPI pleiteados, bem como a homologação das compensações realizadas até o montante do crédito cujo ressarcimento for reconhecido administrativamente. e) Requer, ainda, por serem causas conexas, o julgamento conjunto das manifestações de inconformidade apresentadas nos processos administrativos derivados do desmembramento do processo administrativo original. f) Requer, por fim, que também seja intimado de todas as decisões proferidas nestes autos o advogado signatário no endereço mencionado no rodapé desta petição, o qual protesta pela realização de sustentação oral perante este Conselho. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 07/05/2011 por ALEXANDRE KERN 8 Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 481 a 508 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJRPO2ª Turma nº 1421.103, de 22 de outubro de 2008. Pedido de direcionamento das intimações para o endereço dos procuradores Com relação ao requerimento para que as notificações e intimações relativas ao presente processo sejam enviadas ao endereço do patrono da causa, indefirase. Na atual fase do procedimento, todos os atos administrativos são, via de regra, feitos por meio postal e o Decreto nº 70.235, de 6 de março 1972 PAF, art. 23, II, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 67, determina que, nesta modalidade, sejam endereçados ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Não há portanto como deferir a solicitação para que as intimações sejam encaminhadas ao domicílio dos procuradores da sociedade. Indefiro. Pedido de julgamento conjunto de outros processos O pedido de julgamento conjunto das manifestações de inconformidade não pode ser deferido em face da incompetência desta Turma de Julgamento, que se resume no julgamento de recursos voluntários de decisões de primeira instância, ex vi o art. 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF. Se o pedido pretendia referirse ao julgamento conjunto dos recursos voluntário, saiba o recorrente que o RI/CARF tem regras próprias de distribuição e sorteio de processos. Não se tratando de casos de reunião obrigatória de processos para julgamento, nos termos da legislação de regência, o regramento regimental se sobrepõe à conveniência do patrono da causa e mesmo à do contribuinte. Indefiro. Matéria litigiosa O recorrente tacitamente conformouse com o resultado do julgamento de primeira instância relativamente ao CréditoPrêmio, ao omitirse em controverter a matéria, entendendoa impertinente. Preliminares COMPETÊNCIA DA DRF PARA APRECIAR O PEDIDO Nos termos do art. 32 da Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, de aplicação retroativa aos casos ainda não definitivamente julgados, em face do caráter procedimental de suas normas, a competência para a verificação, análise e deferimento de solicitações quanto ao saldo credor de IPI apurado em livro fiscal, decorrente do artigo 11 da Lei n° 9.779, de 1999, é da Delegacia da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona o estabelecimento industrial que apurou o crédito. Pouco afeito às regras do IPI, informado pelo princípio do estabelecimento, o recorrente insiste, improcedentemente, em ser o matriz o estabelecimento que apurou o crédito. Ao contrário, quem o apurou foi justamente o estabelecimento dito industrial, que a realizou o aspecto material da hipótese de incidência – a Fl. 8DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 07/05/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 16349.000479/200768 Acórdão n.º 380301.595 S3TE03 Fl. 515 9 industrialização – e deu saída ao produto industrializado, realizando o fato gerador, que não se confunde com estabelecimentomatriz, legalmente obrigado a centralizar o pedido de ressarcimento. REGULARIDADE DO DESDOBRAMENTO DO PROCESSO ORIGINAL – COMPETÊNCIA DOS AGENTES FISCAIS QUE EMPREENDERAM A VERIFICAÇÃO Assim, tanto a diligência efetuada pela DRF para verificação da efetividade do crédito quanto o despacho decisório proferido foram efetivados por autoridade competente para tanto. Via de conseqüência dessa regra de competência, necessário e correto o desdobramento do processo original, formulado centralizadamente pelo estabelecimento matriz, em representações fiscais direcionadas às unidades jurisdicionantes dos estabelecimentos que apuraram os créditos, procedido pela DERAT/SP. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO AOS TERMOS DA VERIFICAÇÃO Tratandose de competência originária da DRF para apreciar o pleito, é inconcebível qualquer vinculação do exame aos termos da representação fiscal feita pela DERAT/SP que pudesse representar restrição ao âmbitos dos exames necessários à realização de seu mister regimental. Também como conseqüência da competência originária da DRF, é incabível a cogitação de que fosse necessária portaria autorizatória da DERAT para ampliação dos exames. Tampouco se trata de revisão de lançamento ou de fiscalização já efetuada anteriormente. A diligência empreendida pode ser efetuada a qualquer momento, inclusive durante a fase processual, para ajudar na convicção do julgador, já ainda não houvera a prolação de decisão administrativa, este sim, ato que poderia reconhecer o direito à contribuinte, desde que proferido por autoridade competente e de acordo com as normas legais. APRECIAÇÃO DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS PELO INTERESSADO O processo foi instruído com as cópias de todos os documentos apresentados no processo original referentes ao estabelecimento que apurou o crédito, inclusive da informação fiscal da DIFIS/SP. No relatório do Parecer SAORT, consta a existência de tal verificação e que esta foi tida como sustentáculo da nova verificação, inclusive com os argumentos da imprescindibilidade: inclusão de créditos de filiais; competência da DRF da jurisdição dos estabelecimentos que apuraram o crédito; verificação por amostragem; não verificação de insumos utilizados na produção de produtos não tributados (não industrializados) constantes da relação apresentada pelo interessado; inexistência de cópia do Livro de Apuração do IPI e de listagem dos insumos utilizados na industrialização dos produtos para o crédito em questão; nem cópias de notas fiscais de aquisição e vendas. Cabe ressaltar que a DRF não desconsiderou os documentos apresentados à DIFIS/SP, apenas não os considerou suficientes para a verificação do montante do crédito a ser ressarcido, ou melhor, não sendo suficientes para apurar a liquidez e certeza do crédito solicitado. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 07/05/2011 por ALEXANDRE KERN 10 DESNECESSIDADE DE INTIMAÇÃO DO FIM DA INSTRUÇÃO As normas da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, são de aplicação subsidiária às instituídas pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março 1972 – PAF, que dispensa qualquer notificação do interessado pelo final da instrução previamente ao Despacho Decisório. Aliás, a intimação dos termos do Despacho Decisório, marco do encerramento da instrução, supre plenamente essa exigência. BASE LEGAL E MOTIVAÇÃO DO INDEFERIMENTO O recorrente, falaciosamente, argumenta que o motivo que levou ao indeferimento de seu pleito não está contemplado no legislação de regência. Ora, implícito no art. 11 da Lei no 9.779, de 1999, e na Instrução Normativa no 33, de 1999, que o regulamenta (e mesmo no art. 179 do CTN), o ressarcimento só é deferido a quem comprove a ele fazer jus. E o recorrente não logrou fazêlo. Considero que o despacho decisório está corretamente motivado e fundamentado. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO Quanto à insinuação de cerceamento do direito de defesa por parte do Despacho Decisório, não há falar em contraditório e ampla defesa durante a fase inquisitorial do procedimento. Somente com a instauração da relação processual é que se exige a estrita observância desses princípios. No caso concreto, não houve qualquer violação do devido processo legal. Repitase, em face da competência originária da DRF para apreciar o pleito, não há falar em vinculação aos termos da representação fiscal da DERAT/SP ou mesmo à verificação prévia procedida por outro órgão. JUSTIFICATIVAS PARA A NÃO APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS REQUISITADOS PELA FISCALIZAÇÃO O recorrente atribui ao grande volume dos documentos e à exigüidade do prazo dado para atendimento da intimação. Se a alegaçãojustifica a razão, não explica porque o interessado, enquanto manifestante, também deixou de apresentálos em sua peça de reclamação. Transcorrida essa oportunidade processual, precluiu a possibilidade de fazêlo em sede de recurso voluntário. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA PELO INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA O pedido genérico de perícia não mereceria conhecimento porque não foram atendidos os requisitos do PAF (formulação de quesitos, indicação de perito e sua qualificação). Quanto ao pedido de diligência, a providência é discricionariedade da autoridade julgadora a quo, e fundamentadamente desprezada. Não vislumbrei qualquer prejuízo à defesa. Aliás, o interessado que, desidiosamente, deixou de comprovar o seu direito, não pode esperar que a Administração o faça. Mérito No mérito, restou cabalmente demonstrado nos autos que o interessado omitiuse em produzir a prova que lhe cabia, segundo as regras de distribuição do ônus probatório do PAF. Prejuízo seu. Não o fazendo, teve seu pleito corretamente indeferido. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 07/05/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 16349.000479/200768 Acórdão n.º 380301.595 S3TE03 Fl. 516 11 Desconfio, no entanto, que o contribuinte, ora recorrente, satisfezse com a dilação temporal do processo. Por fim, quanto ao pedido de correção do valor do ressarcimento pela taxa Selic, o mesmo queda prejudicado, porquanto o contribuinte não será ressarcido de valor algum. PEDIDO DE DECLARAÇÃO DA TÁCITA HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO DECLARADA Da análise dos documentos juntados aos autos vêse que Declaração de Compensação Dcomp n 36149.22117.300503.1.3.013556, foi transmitida em 30/05/2003, portanto, a autoridade administrativa teria até 29/05/2008 para apreciar a compensação declarada em tal instrumento, momento em que transcorreria o prazo do § 5 do artigo 74 da Lei no. 9430, de 27 de dezembro 1996. O despacho decisório foi proferido em 19/05/2008 e o interessado foi dele intimado em 20/05/2008 (doc fl. 181). Sendo assim, não há falar em homologação tácita. Conclusão A decisão recorrida mantémse por seus próprios fundamentos: i) o desdobramento do pedido original foi correto, posto que os créditos foram apurados por múltiplos estabelecimentos, jurisdicionados por diferentes autoridades administrativas; ii) as autoridades administrativas competentes para a apreciação dos pedidos desmembrados não estavam vinculadas aos termos da representação fiscal, podendo diligenciar as verificações que entendessem necessárias e suficientes; iii) os despachos decisórios proferidos pelas autoridades competentes estão hígidos; iv) incabível a reunião dos processos desmembrados em atendimento às conveniências do recorrente ou do patrono da causa e em detrimento das regras regimentais de distribuição e sorteio de processos para julgamento; v) toca ao interessado a prova do direito que alega ter; vi) no indeferimento do pedido genérico de perícia e do pedido de diligência não redundou em cerceamento do direito de defesa; vii) o termo inicial do prazo de homologação tácita das compensações declaradas é a data de transmissão da declaração e não a data de protocolo do pedido de ressarcimento; viii) as Turmas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não têm competência originária para o julgamento de manifestações de inconformidade. Com essas considerações e com os fundamentos da decisão recorrida que, forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, adoto como razão de decidir e passam a fazer parte integrante desse voto, nego provimento ao recurso. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 07/05/2011 por ALEXANDRE KERN 12 Sala das Sessões, em 4 de maio de 2011 Alexandre Kern Fl. 12DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 07/05/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 16349.000479/200768 Acórdão n.º 380301.595 S3TE03 Fl. 517 13 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 16349.000479/200768 Interessada: BERTIN LTDA. Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 380301.595, de 4 de maio de 2011, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 4 de maio de 2011. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 13DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 07/05/2011 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 44021.000363/2007-57
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 08/05/2007
ARTIGO 30, I DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 283, I, “g” DO RPS,
APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 OMISSÃO NOS DESCONTOS DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS PELOS SEGURADOS EMPREGADOS.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a fiscalização na administração tributária.
Não se confundem o descumprimento da obrigação principal do
descumprimento de obrigação acessória.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-000.513
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EM GERAL Recorrente COMÉRCIO DE VEÍCULOS BIGUAÇU LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 08/05/2007 ARTIGO 30, I DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 283, I, “g” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 OMISSÃO NOS DESCONTOS DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS PELOS SEGURADOS EMPREGADOS. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a fiscalização na administração tributária. Não se confundem o descumprimento da obrigação principal do descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR 2 (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade e Amílcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR Processo nº 44021.000363/200757 Acórdão n.º 280300.513 S2TE03 Fl. 426 3 Relatório Tratase de Auto de Infração — AI lavrado em 08/05/2007 devido à infringência ao disposto no artigo 30, inciso I, alínea "a" da Lei n° 8.212/91, uma vez que a empresa deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições devidas pelos seus segurados empregados. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração (fls. 02), no período de 08/2001 a 12/2006 a empresa efetuou o pagamento de prêmios aos seus trabalhadores através de cartões de premiação. Tais pagamentos foram efetuados com a intermediação da empresa "SPIRIT Incentivo e Fidelização Ltda". O Contribuinte, devidamente notificado, apresentou defesa tempestiva em 11 de junho de 2007 (fls. 123). A impugnação foi julgada em 11 de outubro de 2007 (fls. 350), ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2001 a 31/12/2006 Documento Original: AI n° 37.064.1574, de 08/05/2007. NÃO ARRECADAÇAO DAS CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS EMPREGADOS. Constitui infração ao art. 30, inciso I, alínea "a" da Lei 8212/91, e art. 40, caput, da Lei 10.666/03, deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto na remuneração dos segurados empregados, as contribuições sociais. Lançamento Procedente Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Que é indevido o depósito recursal de 30% (trinta por cento); A C. Turma deixou de se pronunciar acerca da alegação de ocorrência do prazo decadencial para a Seguridade diante do lapso temporal de mais de cinco anos; Tudo que se discute em relação ao período de agosto de 2001 a final de dezembro de 2001, está prejudicado em face de ocorrência da decadência; A Recorrente, no período compreendido entre dezembro de 1998 a setembro de 2004, utilizouse de serviços de associados das Cooperativas, COOPBRASIL — Fl. 3DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR 4 COOPERATIVA MISTA DE TRABALHOS MÚLTIPLOS DO BRASIL e da COOPERATIVA DE TRABALHO E SERVIÇOS DE INFRAESTRUTURA EMPRESARIAL COOPEROESTE, conforme se depreende dos contratos e respectivos aditamentos juntados à impugnação; Resta evidente que as multas cobradas pelo Fisco é absurda, chegando a possuir CARÁTER CONFISCATÓRIO, o que é vedado pela Constituição Federal, conforme preceitua o seu artigo 150, inciso IV, não podendo o argumento da MM 9° Turma ser acatado por este Digníssimo Conselho, posto que a inconstitucionalidade quando flagrante deve ser atacada de ofício pela autoridade julgadora; Aguarda a Recorrente seja reconhecida a preliminar de cabimento do recurso independentemente do depósito recursal, bem como da ocorrência da decadência argüida e a ilegitimidade da parte, tornando prejudicada a análise do período compreendido entre agosto de 2001 e setembro de 2004, o que por si só motivam a reforma do V. Acórdão n° 1721. 095, proferido pela 9ª Turma da DRJ/SPOII e por conseqüência a nulidade do auto de infração. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR Processo nº 44021.000363/200757 Acórdão n.º 280300.513 S2TE03 Fl. 427 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. O contribuinte foi penalizado por deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos e do contribuinte individual a seu serviço, conforme previsto na lei nº 8.212/91, art. 30, I, alínea “a”, e alterações posteriores e na Lei nº 10.666/03, art. 4º, caput, e no RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, art. 216, inciso I, alínea “a”. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, os pagamentos objetos do lançamento ocorreram no período de agosto de 2001 a dezembro de 2006 e foram feitos mediante a intermediação da empresa: Spirit Incentivo e Fidelização Ltda. Ainda de acordo com Relatório Fiscal da Infração, embora a empresa não tenha apresentado relação nominal dos beneficiários dos pagamentos, a ausência dos descontos pôde ser constatada pela não inclusão do valor do prêmio em folha de pagamento. (A não inclusão dos prêmios nas folhas de pagamento e a não apresentação de relação nominal dos beneficiários ensejaram a lavratura dos autos de infração 37.064.1558 e 37.064.1566). Conforme se verificou nos autos, durante o período abrangido pelo lançamento, o contribuinte manteve contrato com a empresa Spirit – Incentivo e Fidelização Ltda (fls. 203), com o seguinte objeto: Constitui o objeto do presente contrato a prestação de serviços para a condução de programa de marketing de incentivo pela SPIRIT, para a premiação dos funcionários, prepostos ou parceiros comerciais indicados pela EMPRESA, de acordo com os critérios por ela estabelecidos, utilizando para a premiação o SPIRIT CARD, desenvolvido pela SPIRIT. A estratégia do programa de premiação está descrita nos documentos de fls. 205 (ano 2001), 210 (ano 2002), 215 (ano 2003), 220 (ano 2004), 225 (ano 2005) e 230 (ano 2006). Nos referidos períodos, o contribuinte definiu que participariam do programa de marketing de incentivo, os seguintes trabalhadores: Em 2001, todos os colaboradores da empresa Comércio de Veículos Biguaçu Ltda, bem como os integrantes da Cooperativa Mista de Trabalho Múltiplos do Brasil – COOPBRASIL que prestem serviços à empresa já citada. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR 6 Em 2002, todos os colaboradores da empresa Comércio de Veículos Biguaçu Ltda. Em 2003, todos os colaboradores da empresa Comércio de Veículos Biguaçu Ltda, bem como os integrantes da Cooperativa Mista de Trabalho Múltiplos do Brasil – COOPBRASIL que prestem serviços à empresa já citada. Em 2004, todos os colaboradores da empresa Comércio de Veículos Biguaçu Ltda, bem como os integrantes da Cooperativa Mista de Trabalho Múltiplos do Brasil – COOPBRASIL que prestem serviços à empresa já citada. Em 2005, todos os colaboradores da Biguaçu. Em 2006, todos os colaboradores da empresa Comércio de Veículos Biguaçu Ltda. Vêse, pois, que participaram do programa, tanto os empregados da empresa Comércio de Veículos Biguaçu Ltda, como também contribuintes individuais vinculados à Cooperativa Mista de Trabalhos Múltiplos do Brasil – COOPBRASIL. Com efeito, independentemente da forma em que o vínculo foi estabelecido, a empresa terá responsabilidades tributárias na condição de contribuinte ou de responsável. Portanto, se o contribuinte deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e dos contribuintes individuais que lhe prestaram serviços, não há como refutar o enquadramento legal levado a efeito pela fiscalização. A alínea “a” do inciso I do art. 30 da lei nº 8.212/91, dispõe que: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem as seguintes normas: I – a empresa é obrigada a: a) Arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração. No que diz respeito às contribuições que devem ser arrecadas pela empresa quando da contratação de cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, ela, na condição de responsável, terá que observar (e não observou) as disposições do art. 4º da Lei nº 10.666/03, verbis: Art. 4o Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 20 (vinte) do mês seguinte ao da competência, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia. § 1o As cooperativas de trabalho arrecadarão a contribuição social dos seus associados como contribuinte individual e recolherão o valor arrecadado até o dia 20 Fl. 6DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR Processo nº 44021.000363/200757 Acórdão n.º 280300.513 S2TE03 Fl. 428 7 (vinte) do mês subsequente ao de competência a que se referir, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia. § 2o A cooperativa de trabalho e a pessoa jurídica são obrigadas a efetuar a inscrição no Instituto Nacional do Seguro Social INSS dos seus cooperados e contratados, respectivamente, como contribuintes individuais, se ainda não inscritos. § 3o O disposto neste artigo não se aplica ao contribuinte individual, quando contratado por outro contribuinte individual equiparado a empresa ou por produtor rural pessoa física ou por missão diplomática e repartição consular de carreira estrangeiras, e nem ao brasileiro civil que trabalha no exterior para organismo oficial internacional do qual o Brasil é membro efetivo. Nada obstante ao correto enquadramento legal feito pela fiscalização, para o deslinde da questão, in casu, é imprescindível a análise do campo de incidência das contribuições previdenciárias. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Pelo exposto, o campo de incidência é delimitado pelo conceito remuneração. Remunerar significa retribuir o trabalho realizado. Desse modo, qualquer valor em pecúnia ou em utilidade que seja pago a uma pessoa natural em decorrência de um trabalho executado ou de um serviço prestado, ou até mesmo por ter ficado à disposição do empregador, está sujeito à incidência de contribuição previdenciária. Cabe destacar nesse ponto, que os conceitos de salário e de remuneração não se confundem. Enquanto o primeiro é restrito à contraprestação do serviço devida e paga diretamente pelo empregador ao empregado, em virtude da relação de emprego; a remuneração é mais ampla, abrangendo o salário, com todos os componentes, e as gorjetas, pagas por Fl. 7DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR 8 terceiros. Nesse sentido é a lição de Alice Monteiro de Barros, na obra Curso de Direito do Trabalho, Editora LTR, 3ª edição, página 730. O salário pode ser pago em dinheiro, bem como em utilidades, como alimentação, vestuário, habitação, ou outras prestações in natura. Logo, a verba paga no presente caso não se enquadra no conceito utilidade, pois dinheiro não se subsume ao conceito de utilidade para fins do conceito salarial. Desse modo, a questão da habitualidade para fins de incidência de contribuições previdenciárias somente é relevante quando a parcela paga não for a dinheiro. O dinheiro é a ferramenta de troca universal, e logicamente por meio de tal recurso, o beneficiário conseguirá satisfazer as suas necessidades básicas; conforme a disponibilidade financeira escolherá o bem que lhe convier. O pagamento para o trabalho não acarreta um rendimento para o trabalhador, um ganho ou uma vantagem para o mesmo. São valores despendidos pelo empregador e utilizados pelo trabalhador como imprescindíveis para a realização do trabalho. Não há provas nos autos de que os valores foram pagos para que o trabalho fosse possível. Pelo contrário, há provas de que os segurados receberam os valores, obtendo assim um ganho econômico, uma vantagem financeira, em função de serviços que foram prestados à recorrente. Portanto, foram valores pagos pelo trabalho realizado, sendo uma retribuição pelos mesmos. Não há provas nos autos de que o pagamento da premiação estava desatrelado do cumprimento de qualquer condição imposta pelo contribuinte; situação que, em tese, afastaria a natureza salarial do prêmio. Ademais, o critério que a sociedade empresária utilizou para pagar a verba a seus segurados é irrelevante para o deslinde da questão. Os prêmios se caracterizam por atendimento a determinadas condições impostas pelo empregador, possuindo natureza remuneratória, integrando o saláriodecontribuição. Agora, caso a empresa tenha pago os valores sem observar as condições, tais verbas não deixam de ter natureza remuneratória, passando a ser indenizatória. Como já analisado a empresa não demonstrou que as verbas foram pagas para o trabalho e não pelo trabalho. Além do mais, o nome dado à verba é irrelevante, o que interessa é saber se a mesma remunerou ou não o trabalho realizado. No presente caso, estou convencido, a partir das provas colacionadas, de que a verba foi paga pelo trabalho. Portanto, não resta dúvida que houve prestação de serviços à sociedade empresária pelos segurados, e os valores pagos pela prestação de serviços estão no campo de incidência tributária, por remunerarem tal serviço. Uma vez que a empresa remunerou segurados, deveria efetuar o recolhimento à Previdência Social. Não efetuando o recolhimento, ela passa a ter a responsabilidade sobre o mesmo. O fato de os valores serem repassados a uma interposta empresa, no caso a Spirit Incentivo e Fidelização Ltda, não desnatura o fato gerador de contribuições previdenciárias em relação à recorrente. O encargo financeiro foi suportado pela recorrente, conforme demonstram as notas fiscais juntadas pela fiscalização; a Spirit Incentivo e Fidelização Ltda simplesmente cumpria as determinações da recorrente, que informava os valores que deveriam ser disponibilizados aos segurados, bem como a relação nominal dos mesmos. Os valores percebidos pelos segurados surgiram em função do vínculo com a recorrente e não de vinculação com a Spirit. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR Processo nº 44021.000363/200757 Acórdão n.º 280300.513 S2TE03 Fl. 429 9 Pelo exposto, ocorrendo o fato gerador das contribuições, os mesmos devem ser contabilizados em títulos próprios. O pagamento de remuneração aos empregados é fato gerador de contribuições, e logicamente acarretará a necessidade de cumprimento de obrigações acessórias. Tais obrigações acessórias incluem a necessidade de informar em GFIP, contabilizar em títulos próprios e preparar folhas de pagamento. O presente auto de infração teve como fundamento o não desconto da contribuição previdenciária sobre os valores pagos aos segurados. A responsabilidade pela infração é objetiva, independe da culpa ou da intenção do agente para que surja a imposição do auto de infração. Assim, o fato de trazer ou não prejuízo ao Fisco é irrelevante, pois a obrigação sendo instrumental, qualquer descumprimento por presunção legal, acarreta dificuldade na ação fiscal. Conforme disposto no art. 136 do CTN, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, a não ser que haja disposição em contrário. Deve ficar claro que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é cediço, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. Mesmo não efetuando os referidos descontos a responsabilidade, perante a Previdência Social, sempre será da entidade contratante, conforme previsto no art. 33, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art. 33 (...) §5ºO desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente Fl. 9DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR 10 pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. O auto de infração ora guerreado não é pela ausência de informações, mas sim em razão de não ter sido possível verificar nos dados fornecidos pelo contribuinte, os descontos das contribuições previdenciárias sobre os valores pagos aos segurados a seu serviço. Uma vez que a sociedade empresária remunerou segurados, caberia não somente recolher o tributo, mas também cumprir com as obrigações instrumentais. Se a recorrente não elaborou de forma detalhada a relação de segurados beneficiados, tampouco apresentou à fiscalização, deveres que competiam ao sujeito passivo, como exigir que o Fisco elabore tal relação. Assim, a penalidade aplicada está perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico vigente. A aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória constante da Lei n.º 8.212/91, está dentro dos pressupostos legais e constitucionais, não foi inquinada de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, estando totalmente válida e devendo ser obedecida pela via administrativa. Por fim, a autuação objeto do presente recurso, foi executada de acordo com os preceitos legais e o Auto de Infração lavrado, contém todos os elementos essenciais à sua validade, descritos no art. 10 do Decreto n.º 70.235, de 06/03/1972, devendo ser mantido na sua integralidade, já que a recorrente não comprovou a correção da falta. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Fl. 10DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10120.720068/2009-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 06 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2005
SÚMULA CARF Nº 122:
A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA).
IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E APRESENTAÇÃO DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL A PARTIR DE LEI 10.165/00.
A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornou se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17 O, §1º, da Lei n.º 6.938/81. Restando demonstrada a apresentação do ADA antes do início da ação fiscal, possível a exclusão da área de APP e consequente redução da base de cálculo do ITR
Numero da decisão: 2301-007.767
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo da matéria preclusa, e na parte conhecida dar-lhe provimento, para que sejam canceladas as glosas das áreas de reserva legal de 607,4 ha e de preservação permanente de 768,9 ha.
(documento assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Cleber Ferreira Nunes Leite - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernanda Melo Leal, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Leticia Lacerda de Castro, Thiago Duca Amoni, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente)
Nome do relator: CLEBER FERREIRA NUNES LEITE
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IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E APRESENTAÇÃO DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL A PARTIR DE LEI 10.165/00. A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornou se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17 O, §1º, da Lei n.º 6.938/81. Restando demonstrada a apresentação do ADA antes do início da ação fiscal, possível a exclusão da área de APP e consequente redução da base de cálculo do ITR Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo da matéria preclusa, e na parte conhecida dar-lhe provimento, para que sejam canceladas as glosas das áreas de reserva legal de 607,4 ha e de preservação permanente de 768,9 ha. (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente (documento assinado digitalmente) Cleber Ferreira Nunes Leite - Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 00 68 /2 00 9- 42 Fl. 120DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-007.767 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720068/2009-42 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernanda Melo Leal, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Leticia Lacerda de Castro, Thiago Duca Amoni, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente) Relatório Trata-se de Notificação de Lançamento, referente ao Imposto Territorial Rural – ITR, exercício 2005, em revisão de DITR, na qual foram glosadas integralmente as áreas declaradas de preservação permanente e de reserva legal, bem como, foi arbitrado pelo SIPT o Valor da Terra Nua – VTN, o que resultou em imposto suplementar a pagar. Cientificado, o contribuinte apresenta impugnação onde alega o seguinte, de acordo com o relatório do acórdão recorrido: Cientificado do lançamento, em 14/05/2009 (extrato/Sucop de fls. 13), o interessado protocolou sua impugnação, em 15/06/2009, anexada às fls. 16, acompanhada dos documentos de fls. 17/20, 21/29, 30/37, 38, 39, 40, 41/49 e 50. Em síntese, alega e requer o seguinte: - faz um breve relato dos fatos; - informa que está anexando os documentos relacionados, para fazer prova a favor da comprovação das áreas de preservação permanente e de reserva legal; - pede o restabelecimento dessas áreas e o Grau de Utilização de 100% para efeito de aplicação da respectiva alíquota de cálculo, admitindo a tributação do imóvel com base no valor apontado no SIPT, e - por fim, indica o endereço para fins de ciência/intimação, a saber: Praça Dep. Jose Assis n° 036, Centro, em Mineiros - GO, CEP - 75830-000. A DRJ julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário com as seguintes alegações: Preliminarmente, que a notificação está eivado de nulidades e que o lançamento deve ser cancelado. No mérito reitera as alegações apresentadas na impugnação e aduz que não deve ser prejudicado, referindo-se ao ADA, por um documento que não é exigido por lei. Requer a utilização do valor da terra nua, conforme informado na DIAT 2006, cujo VTN declarado foi de R$ 100.000,00, no valor de R$ 32,93 por hectare É o relatório. Voto Conselheiro Cleber Ferreira Nunes Leite, Relator. Fl. 121DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-007.767 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720068/2009-42 O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade Da Área de Reserva Legal Da análise dos documentos apresentados, verifica-se que foi comprovada a averbação tempestiva da área de reserva legal declarada (607,4 ha) à margem da matrícula do imóvel, em 28/09/1988 (AV-9-807), doc./cópia de fls. 17/20. No entanto, essa área, juntamente com a área declarada como de preservação permanente (768,9 ha), não foram objeto de Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolado tempestivamente no IBAMA. A matéria já foi objeto de sumula CARF, conforme abaixo: Súmula CARF nº 122: A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA). Portanto, deve ser cancelada a glosa da área de reserva legal declarada, tem em vista a averbação da tempestiva da área na matricula do imóvel. Da Área de Preservação Permanente No julgamento da impugnação, a DRJ manteve a glosa da APP por não ter o contribuinte apresentado ADA do ano relativo ao exercício, da seguinte forma: No presente caso, o requerente instruiu a sua defesa com o Ato Declaratório Ambiental - Exercício de 2008 (às fls. 50), transmitido e recepcionado no IBAMA em 22/09/2008, que somente constitui documento hábil para comprovar as áreas ambientais nele informados, para efeito de exclusão do ITR/2008, não podendo os seus efeitos retroagirem, por falta de previsão legal, para justificar a exclusão dessas áreas do ITR/2005, como pretendido. No entanto, a jurisprudência do CARF, tem admitido que a apresentação do ADA antes da ação fiscal, mesmo que posterior ao exercício a que se refere o tributo, supre a exigência para comprovação da APP, conforme julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que tratam sobre a exclusão de APP, abaixo: Acórdão nº 9202007.313 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E APRESENTAÇÃO DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL A PARTIR DE LEI 10.165/00. A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornou se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17, §1º, da Lei n.º 6.938/81. Restando demonstrada a apresentação do ADA antes do início da ação fiscal, possível a exclusão da área de APP e consequente redução da base de cálculo do ITR Portanto, como houve a apresentação do ADA antes do inicio da ação fiscal, mesmo que referente a um exercício posterior ao do lançamento, no qual consta declarada a Área de Preservação Permanente – APP, a mesma deverá ser declarada isenta da tributação do ITR. Fl. 122DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-007.767 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720068/2009-42 Do Valor da Terra Nua – VTN Quanto à esta matéria, assim manifestou-se a DRJ No que se refere à rejeição do VTN Declarado (R$ 120.000,00 ou R$ 39,51/ha), arbitrado pelo valor de RS 2.097.686,27, com base no VTN médio, por hectare, de RS 690,71/ha, constante do SIPT e obtido com base no universo das DITR/2005, referentes aos imóveis rurais localizados no município de Mineiros - GO, não há contestação expressa da matéria. Assim, considera-se não impugnada essa matéria, vez que não foi expressamente contestada, conforme preceitua o art. 17 do PAF, com redação dos arts. 1°, da Lei n° 8.748/1993, e 67, da Lei n° 9.532/1997. Portanto, como a matéria não foi impugnada, não se conhece da mesma por preclusa Do exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo da matéria preclusa, e na parte conhecida dar-lhe provimento, para que sejam canceladas as glosas das áreas de reserva legal de 607,4 ha e de preservação permanente de 768,9 ha. (documento assinado digitalmente) Cleber Ferreira Nunes Leite Fl. 123DF CARF MF Documento nato-digital
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