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Numero do processo: 13804.000778/00-05
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1301-000.100
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima – Presidente (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 04 .0 00 77 8/ 00 -0 5 Fl. 934DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 04/ 01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 13804.000778/0005 Resolução nº 1301000.100 S1C3T1 Fl. 11 2 Relatório Tratase de inconformismo da contribuinte acima qualificada em face do deferimento parcial do pedido de restituição e da conseqüente homologação das compensações solicitadas no presente processo, limitadas, todavia, ao valor deferido. À fl. 01, consta dos autos o Pedido de Restituição do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), protocolizado em 29/03/2000, no montante de R$ 6.594.034,45 (R$ 6.345.909,39 + R$ 248.125,06 de atualização pela Selic até 03/2000), baseado nos valores informados na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ referente ao exercício 2000, anocalendário (AC) de 1999 original, alterado pelo pedido interposto em 17/06/2002, em que é solicitado novo Pedido de Restituição (em substituição ao primeiro) de saldo negativo de IRPJ, este no valor de R$ 13.343.436,97 (R$ 12.841.340,54 + R$ 502.096,43 de atualização pela Selic até 03/2000), em virtude da entrega de DIPJ/2000 retificadora, em 14/12/2001 (fl. 404). Foram juntados os Pedido de Compensação com débitos próprios (fls. 81, 102, alterado posteriormente), e de terceiros (Itausaga Corretora de Seguros Ltda, CNPJ 60.897.907/000127, fls. 27 e 54), e de formulário Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros integrante do processo administrativo n° 13804.001086/9933 (fl. 406). 0 contribuinte anexou ainda ao presente processo, demonstrativo do saldo credor (fl. 03), posteriormente alterado pelo de fl. 405; cópia de Darf relativos ao IRRF, por ela recolhido no código 3426 (fls. 04 a 07, repetidos às fls. 411 a 414); cópia de Darf relativo ao IR estimado, por ela recolhido no código 2362 (fl. 407); informes de rendimentos de aplicações financeiras com IRRF (fls. 08 a 10); cópia de Darf referente à parcela do IRPJestimativa (fl. 407); comprovante de IRRF (fl. 408) e cópia da DIPJ/2000, retificadora (fls. 415 a 459), entre outros documentos. A autoridade preparadora, por sua vez, juntou aos autos as pesquisas nos Sistemas PROFISC (fls. 612 a 618 e 637), IRPJ (fls. 619 a 625 e 639) e DIRF referente ao ano de retenção 1999 (fls. 626 e 627), DCTF Gerencial (fls. 628 a 633 e 636) Sinal 08 (fls. 634 a 635 e 640), Comprot (fl. 638) e telas de informações de apoio para emissão de certidão (fls. 641 a 643). A Autoridade Administrativa proferiu, em 05/12/2003, o Despacho Decisório de fls. 645 a 650, em que deferiu parcialmente o pedido de restituição e homologou as compensações declaradas até o limite do valor reconhecido. Em relação à legislação de regência, cita os artigos 165 e 168 do Código Tributário Nacional (CTN), os artigos 66 da Lei n° 8.383, de 30/12/1991 e 74 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, com a redação dada pelo art. 49 da Lei n° 10.637, de 30/12/2002. Acrescenta a autoridade administrativa: Fl. 935DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 04/ 01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 13804.000778/0005 Resolução nº 1301000.100 S1C3T1 Fl. 12 3 "0 pleito vestibular da interessada estava estribado, dentre outros elementos, na DIPJ/2000 original, processada sob o n° .0995048, a qual veio a ser cancelada por força da apresentação, em 14/12/2001, da DIPJ retificadora (cópia às fls. 415/459) recepcionada sob o n° de registro 1142003 (fls. 619 e 623/625), declaração essa que, nos termos do art. 1°, 2°, inciso I, da Instrução Normativa SRF n° 166, de 23 de dezembro de 1999, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente. Farseá, portanto, a análise da presente demanda com base nos dados constantes dessa última declaração, dos quais se verifica que a contribuinte procedeu, no ano de 1999, à apuração anual de seu resultado com a utilização, ao longo do período de balancetes mensais de redução/suspensão e, alternativamente (mês de fevereiro), do regime de estimativa. Em decorrência dos valores assim apurados e ora consolidados na DIPJ retificadora, a interessada elaborou as planilhas de fls. 403, 405 e 408, por meio das quais entende restar justificado o direito à restituição da importância de R$ 13.343.436,97, consignada no formulário de fls. 404. A divergência entre o montante requerido e aquele devidamente comprovado restringese ao valor de R$ 834.527,99, recolhido em 05/01/2000, a titulo de IRRF sobre aplicações financeiras, o qual, embora certificado pela pesquisa Sinal08 às fls. 635 in fine, não guarda qualquer consonância com o exercício em tela, pois, como se constata das telas extraídas do sistema DCTF Gerencial (fls. 632 in fine e 633), corresponde ao período de apuração 01/01/2000 e foi declarado na DCTF pertinente ao primeiro trimestre de 2000. Quanto aos demais valores componentes do pleito, indicados no demonstrativo de fls. 405, suas efetividades e exatidão restam suficientemente comprovadas à luz de todas as peças trazidas aos autos, quer pela interessada, quer pela administração do tributo na fase de instrução. Pequeno reparo cabe, ainda, quanto à indevida inclusão da variação da taxa Selic na formalização do Pedido de Restituição (fls. 404), posto que o campo Valor da Restituição daquele formulário, instituído pela então vigente Instrução Normativa SRF no 21/1997, deveria ter sido preenchido com o valor originário do tributo pago a maior. Elaborou, para melhor compreensão dos valores a que entende fazer jus a interessada e baseandose no documento de fls. 408 e na planilha de fls. 405. Isto posto, concluo pela procedência parcial do pleito da requerente e proponho o reconhecimento do direito creditório contra a Fazenda Nacional, da importância de R$ 12.006.812,55, correspondente ao saldo credor de IRPJ do anocalendário de 1999, observandose o disposto no art. 6°, inciso I, da instrução Normativa SRF n° 210/2002". A Autoridade Administrativa competente para decidir o pedido concordou com a proposição, ao dizer: "DEFIRO PARCIALMENTE o pedido de restituição constante do presente processo, limitandoo ao valor proposto, e, em conseqüência, RECONHEÇO, a titulo de saldo credor de IRPJ do anocalendário de 1999, o direito creditório no valor de RS 12.006.812,55, ao qual deverão ser acrescidos os juros equivalentes a taxa SELIC, conforme a legislação em vigor, observandose o disposto no art. 6°, inciso I, da Instrução Normativa SRF n° 210 de 2002. Fl. 936DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 04/ 01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 13804.000778/0005 Resolução nº 1301000.100 S1C3T1 Fl. 13 4 Outrossim, HOMOLOGO AS COMPENSAÇÕES COM DÉBITOS PRÓPRIOS, declaradas neste processo, conforme relação às fls. 616/618, bem como aquelas constantes dos processos apensados a este, até o limite desse valor; e, após,. AS COMPENSAÇÕES COM DÉBITOS DE TERCEIROS, declaradas ás fls. 27 e 54, e controladas no processo n° 13894.000111/0051, também juntado a este por apensação. 0 contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório em 15/04/2004 (fl. 697v). Em 14/05/2004 apresentou sua Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, após breve descrição dos fatos (fls. 702 a 706) : I DO DIREITO À PROCEDÊNCIA TOTAL DA RESTITUIÇÃO PRETENDIDA Ressalta que: "o pedido de restituição foi parcialmente deferido por entender o Sr. Auditor Fiscal que o valor de R$ 834.527,99 corresponde ao IRRF do anobase de 2000 e não de 1999, conforme considerado pela recorrente. Esse entendimento se originou tão somente do fato de a recorrente declarar tal valor na DCTF pertinente ao primeiro trimestre de 2000". Embora o DARF e a DCTF tenham sido corretamente preenchidos, o Sr. Auditor Fiscal equivocouse ao atribuir o valor em comento ao anocalendário de 2000. A despeito da informação constar na DCTF de 2000, isto não significa que o IRRF referese a esse anobase. Isto porque, ainda que no campo 02 (período de apuração) conste a data de 01 012000, o fato gerador ocorreu na semana anterior, mais especificamente no dia 29121999, conforme comprova a documentação anexa (fls. 723 a 727). No mais, as instruções de preenchimento constantes no verso do DARF permitem que o campo 02 seja preenchido com a data de ocorrência do fato gerador ou com a do encerramento do período base. No caso, a recorrente optou pelo preenchimento com a data de encerramento do período. Quanto à DCTF, o valor em questão foi lançado corretamente, pois, por se tratar de período semanal, os valores correspondentes a fatos geradores em que o inicio e o término do período de apuração recaírem em meses diferentes, como ocorreu no presente caso em que o período foi de 261299 a 01012000, deverão ser informados no mês a que o último dia do período de apuração pertencer. Isso justifica o preenchimento com o período de apuração referente ao mês de janeiro de 2000 ao invés de dezembro de 1999. Diante do exposto, ainda que as informações constantes na DCTF e na guia DARF sejam relativas ao período de apuração de 01012000, o valor ora em análise deve ser considerado como imposto retido no ano calendário de 1999, vez que o fato gerador, qual seja, a transferência de títulos, ocorreu em 29121999, consoante já comprovado. II DA COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA EQUIVOCADAMENTE Alega que, quando da homologação das compensações, o Sr. Auditor Fiscal "não considerou a petição de retificação apresentada pela recorrente em 15022001 (fls. 124 e 728), posteriormente ao pedido de restituição/compensação protocolado em 15012001. Na petição em questão, a recorrente solicitou que fossem considerados para fins de compensação dos débitos da COFINS e PIS (anobase 2000) os valores de R$ 1.943.465,72 e R$ 420.789,24, Fl. 937DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 04/ 01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 13804.000778/0005 Resolução nº 1301000.100 S1C3T1 Fl. 14 5 respectivamente, ao invés dos valores anteriormente apontados em 15012001, quais sejam, R$ 2.049.703,20 e R$ 444.024,03". Apresenta planilhas visando auxiliar na defesa de sua tese (fls. 729 a 733). Conclui nos seguintes termos : "Em razão do exposto, requer a recorrente seja acolhida a presente manifestação de inconformidade, a fim de que seja reformada a decisão ora atacada e deferida a restituição do valor relativo ao IRRF do anobase 1999 e a conseqüente compensação, inclusive com débitos de terceiros, assim como, seja retificada a compensação efetuada pela DERAT, nos termos do que fora alegado". Em 20/09/2004, o presente processo foi encaminhado a DRJ/SPOI para apreciação da Manifestação de Inconformidade (fl. 742). Em 29/11/2004, a DRJ/SPI recebeu Memorando da Derat/Diort/Ecrer/SP solicitando anexação de documentos trazidos pela recorrente, o que foi feito em 14/12/2004 (fls. 745 a 763). Tratase de novo Pedido de Compensação (Declaração de Compensação), protocolizado em 30/10/2002, do crédito objeto deste processo com débito próprio no valor de R$ 277.585,06, referente ao código 2484, período de apuração 30/09/2002. Tendo em vista que o Despacho Decisório foi exarado pela Autoridade Administrativa em 05/12/2003, portanto, mais de um ano após a protocolização da Declaração de Compensação, sem no entanto levála em consideração, esta DRJ encaminhou em 20/12/2004, o presente processo à Derat/Diort/Ecrer/SP (fls. 765 a 771) de modo a permitir que a Autoridade Administrativa se pronunciasse também sobre esta Declaração de Compensação (fl. 747). Retornando os autos a autoridade julgadora de primeira instância (DRJ/SPOI), decidiu a lide deferindo em parte a manifestação de inconformidade por meio do Acórdão 6.989, de 29/04/2005 (fls. 829/847), mantendo, portanto, a glosa, tendo sido lavrada a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE IRPJ. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. Comprovada, nos autos, a existência de direito creditório em favor do contribuinte, referentemente ao IRPJ, porém em montante inferior ao pleiteado, sendo, no entanto, suficiente para compensar todos os pedidos formulados no presente processo, remanescendo crédito em favor da requerente. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 938DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 04/ 01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 13804.000778/0005 Resolução nº 1301000.100 S1C3T1 Fl. 15 6 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário (fls. 866/926), é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Pelo que se verifica da análise do relatório, o cerne da questão está circunscrito ao indeferimento dos valores de IRRF, no montante de R$ 834.527,99, incidentes sobre aplicações financeiras transferidas em 29/12/1999 da ora recorrente para a empresa Itaú Capitalização por conta da dação em pagamentos de dividendos. Alega a autoridade julgadora que me precedeu: (I) o responsável pela retenção do IRFonte referente as aplicações financeiras é a pessoa jurídica que efetuar os pagamentos dos rendimentos, no caso, o Banco Itaú S/A (art. 733 do RIR/1999); (II) o imposto retido na fonte somente poderá ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora; (III) a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda pago ou retido na fonte incidente sobre as receitas computadas na determinação do lucro real. Nesta fase alega a ora recorrente: Primeiramente, a Recorrente informa que em conta de receita do ano de 1999 foram registrados, como rendimento de aplicações financeiras, os valores de R$ 10.678.146,97 e R$ 865.402,34 relativos às LFT e NTN, respectivamente. Todavia, como não há obrigatoriedade legal para que cada série de papéis seja contabilizada em uma conta especifica, a Recorrente encaminha os seguintes documentos para a comprovação da contabilização do ganho: • demonstrativo da transferência da titularidade no valor R$ 105.000.039,72 (doc. 03); • contas do Ativo, demonstrando o valor dos títulos, R$ 127.674.636,94 (doc. 04); • registro contábil do IRRF sobre as aplicações, no valor de R$ 834.527,99 (doc. 05); • contas de resultado, que demonstram os rendimentos nos valores de R$ 10.678.146,97 e R$ 865.402,34 (doc. 06); • registro contábil dos pagamentos dos dividendos nos valores de R$ 97.540.902,81 (LTF) e R$ 7.459.136,91 (NTN) (doc. 07); • planilhas de apoio utilizadas pela área contábil (doc. 08). Para comprovar a inclusão dos valores no cálculo do lucro real do ano base de 1999, seguem os seguintes documentos: • cópias das fichas da Demonstração do Resultado e do Lucro Real do ano calendário de 1999, comprovando que o valor de R$ 4.218.076,85, relativo à rentabilidade sobre a transferência de titularidade, está incluso nos valores de R$ 10.667.889,22 e R$ 865.402,34, que se referem aos rendimentos sobre aplicações financeiras. 0 valor total dessa conta é R$ 111.950.134,40 e está declarado nas linhas 20 e 24 da ficha de Demonstração do Resultado (doc. 09); • Copia da folha do balancete analítico em que se verifica que o total da conta de aplicações financeiras é R$ 111.950.134,40 (doc. 10). Fl. 939DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 04/ 01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 13804.000778/0005 Resolução nº 1301000.100 S1C3T1 Fl. 16 7 Assim, fica comprovado que os valores integraram o lucro real naquele ano calendário. Portanto, o IRRF incidente sobre tais valores deve ser considerado como antecipação, sendo passível de restituição/compensação. Para melhor compreensão, transcrevo os excertos abaixo referente as argumentações da autoridade julgadora de primeira instância: “Visando justificar a inserção do valor de R$ 834.527,99 no total de IRRF informado na DIPJ/2000, a recorrente anexa os seguintes documentos (fls. 723 a 727) : 21.1. Cópia de Reunião do Conselho de Administração, datada de 27/12/1999, em que o Conselho de Administração da recorrente delibera sobre a distribuição de dividendos, relativos ao exercício de 1999, dando conta que : "em 29/12/1999 serão pagos dividendos no montante de R$ 170.397.792,72 ... sem retenção de imposto de renda na fonte, a débito de lucros acumulados... "(fl. 723). 21.2. Em 29/12/1999, a requerente solicita e obtém a anuência do credor (Itaú Capitalização S.A., CNPJ 61.379.764/000124), de modo a solver o pagamento de dividendos por meio de dação em pagamento, mediante entrega de títulos, nos montantes de R$ 105.000.039,72 e R$ 1.999.730,58 (fls. 724 e 725). 21.2.1. Os títulos referidos acima — ambos títulos públicos federais de aplicação de renda fixa são : NTNS (Notas do Tesouro Nacional, são títulos de longo prazo com taxas pósfixadas emitidas por séries especificas com prazos de até 30 anos) e LFT (são títulos de médio e longo prazo emitido com taxas pósfixadas. Sua rentabilidade está indexada à Taxa Selic, divulgada pelo Banco Central). 21.3. Em 29/12/1999, em correspondência enviada ao Banco Itaú S/A, a recorrente solicita a transferência de títulos à Itaú Capitalização S.A., informando que o "recolhimento do IR fica sob nossa responsabilidade" (fls. 736 e 727). 21.4. Com isso, afirma comprovar a procedência de seu pleito. 22. Inicialmente há que se dizer que o responsável pela retenção do IRRF referente às aplicações financeiras é a pessoa jurídica que possui o compromisso de efetuar o pagamento dos rendimentos, ou seja, no caso em tela, o Banco Itaú (fls. 726 e 727), a teor do disposto no artigo 733 do Decreto 3000, de 26/03/1999 (RIR 99), in verbis : Art. 733. É responsável pela retenção do imposto (DecretoLei 2.394, de 21 de dezembro de 1987, art. 6o, e Lei 8.981, de 1995, art. 65, § 8o): I a pessoa jurídica que efetuar o pagamento dos rendimentos; II a pessoa jurídica que receber os recursos do cedente, nas operações de transferência de dividas; III as bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas, bem como outras entidades autorizadas pela legislação que, embora não sejam fonte pagadora original, façam o pagamento ou crédito dos rendimentos ao beneficiário final. Fl. 940DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 04/ 01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 13804.000778/0005 Resolução nº 1301000.100 S1C3T1 Fl. 17 8 Parágrafo único. As pessoas jurídicas que retiverem o imposto de que trata este Subtítulo deverão (DecretoLei No 2.394, de 1987, art. 6o, parágrafo único): I fornecer aos beneficiários comprovante dos rendimentos pagos e do imposto retido na fonte; II prestar as informações previstas neste Decreto. 22.1. Desse modo, o ônus legal não recai sobre a recorrente. Caso esta tenha assumido esta responsabilidade e não sendo mais a titular (beneficiária) das aplicações, não há como pleitear na DIPJ/2000, o valor do IRRF eventualmente recolhido nessas condições. 22.2. 0 Manual disponibilizado pela Secretaria da Receita Federal em sua página na Internet com as "Instruções de Preenchimento da DIPJ/2000" Majur/2000, assim dispõe quanto ao preenchimento da Ficha 13 (Calculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real) , Linha 13 (Imposto de Renda Retido na Fonte) : Linha 13/13 — Imposto de Renda Retido na Fonte Indicar o valor correspondente ao imposto de renda retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo do imposto devido. Informar, também, o valor do imposto pago ou retido na fonte no período, a titulo de antecipação, correspondente a rendimentos ou receitas que integram o lucro real. Imposto Compensável: Atenção: 2) 0 imposto retido na fonte somente poderá ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. (grifei) 22.2.1. No caso vertente, tratase de distribuição de dividendos operacionalizada via dação em pagamento pela transferência da titularidade de aplicações financeiras de renda fixa em que não se encontra comprovado o oferecimento à tributação das receitas que integraram a base de cálculo. 22.2.3. Verificase em consulta ao Sistema Dirf que a requerente não informou em sua Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte — DIRF, o valor acima referido de IRRF recolhido no código 3426 valor este que pretende aproveitar na DIPJ/2000 seja na referente ao anocalendário 1999 (fls. 804 e 805), seja na relativa ao AC 2000 (fls. 806 e 807). Também não aparece como beneficiária nas Dirf entregues pelas demais fontes pagadoras, seja no AC de 1999 (fls. 808 a 810), seja no AC 2000 (fls. 811 a 813), o mesmo se dando em relação à empresa Itaú Capitalização, CNPJ no 61.379.764/000124 (fls. 814 a 820). 22.3. Ressaltese ainda que a recorrente não preencheu a Ficha 42 A (Rendimentos de Dirigentes, Sócios ou Titulares) da DIPJ/2000 (fl. 458), o que deveria ter feito caso tenha havido, no anocalendário de 1999, o pagamento de lucros e dividendos, conforme se extrai das instruções de preenchimento do Majur/2000, abaixo reproduzidas: Fl. 941DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 04/ 01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 13804.000778/0005 Resolução nº 1301000.100 S1C3T1 Fl. 18 9 "Linha 42/01 — Lucros/Dividendos Informar, nesta linha, o valor dos lucros efetivamente pagos,. no anocalendário, a sócios ou titular de empresa individual, observado o seguinte: Lucro Real Os lucros e dividendos pagos ou creditados a sócios, acionistas ou titular de empresa individual são isentos do imposto de renda, desde que apurados em balanço. Linha 42/03 — Demais Rendimentos Informar, nesta linha, os demais rendimentos pagos ou creditados a sócios, acionistas ou titular de empresa individual, inclusive os lucros e dividendos não apurados em balanço e distribuídos. Linha 42/04 — Imposto de Renda Retido na Fonte Informar o valor do imposto de renda retido na fonte por ocasião do pagamento de lucros ou dividendos não abrigados pela isenção, bem assim os demais rendimentos pagos a sócios, acionistas ou a titular de empresa individual". 22.4. Ademais, a Lei n° 9.249/95 assim dispõe em seu art. 10, caput : Art. 10 Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa fisíca ou jurídica, domiciliado no Pais ou no exterior. (grifei) Pois bem. Compulsando a documentação apresentada, constatase que houve em 29/12/1999, transferência da titularidade de aplicações financeiras de renda fixa da empresa ora recorrente para Itaú Capitalização S/A (aplicação no Banco Itaú S/A) por conta da dação em pagamentos de dividendos. Nesta operação a recorrente informa que o "recolhimento do IR fica sob nossa responsabilidade" (doc. de fls. 724/725 e 727/736). Deixar claro que de acordo com o § 4.° do art.. 2o. da Lei 9.430, de 1996, para determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda pago ou retido na fonte incidente sobre as receitas computadas na determinação do lucro real. Eis a questão. Em primeiro lugar, constatase que o Despacho Decisório (fls. 645/650) fundamenta sua decisão nos seguintes termos: “A divergência entre o montante requerido e aquele devidamente comprovado restringese ao valor de R$ 834.527,99, recolhido em 05/01/2000, a titulo de IRRF sobre aplicações financeiras, o qual, embora certificado pela pesquisa Sinal08 às fls. 635 in fine, não guarda qualquer consonância com o exercício em tela, pois, como se constata das telas extraídas do sistema DCTF Gerencial (fls. 632 in fine e 633), corresponde ao período de apuração 01/01/2000 e foi declarado na DCTF pertinente ao primeiro trimestre de 2000. Quanto aos demais valores componentes do pleito, indicados no demonstrativo de fls. 405, suas efetividades e exatidão restam suficientemente comprovadas à luz de Fl. 942DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 04/ 01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 13804.000778/0005 Resolução nº 1301000.100 S1C3T1 Fl. 19 10 todas as peças trazidas aos autos, quer pela interessada, quer pela administração do tributo na fase de instrução.” Por sua vez a DRJ ultrapassando a questão fundamental do indeferimento, qual seja: divergência entre as datas da ocorrência do fato gerador, do recolhimento do IRFonte e da DCTF, fundamenta, em síntese, o julgamento em primeira instância, na questão do responsável pela retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte (art. 733 do RIR/1999), bem como na questão da comprovação do oferecimento à tributação das receitas que integraram a base de calculo do imposto. À vista dos documentos trazidos aos autos, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que a autoridade administrativa confirme perante os lançamentos contábeis da ora recorrente se os rendimentos das aplicações financeiras foram oferecidas à tributação. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 943DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 04/ 01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA
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Numero do processo: 10680.026932/99-92
Data da sessão: Fri Aug 14 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Aug 14 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Período de apuração: 01/01/1990 a 31/03/1992
FINSOCIAL. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE.
Aplica-se de imediato a Súmula Vinculante n° 08 do Supremo Tribunal
Federal para o crédito tributário constituído após o prazo de cinco anos, por ser considerado decadente.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3101-000.214
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 1ª turma ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Esteve presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional Rodrigo de Macedo Burgo. O Conselheiro Henrique Pinheiro Torres votou pelas conclusões.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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'. * . MINISTÉRIO DA FAZENDA . ..%-. - `mè . :. • ffe 4t. W ". ..... í°'' ,1 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAISo. Af.,---,,,k, • ' TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTOt.",....t.....,. - , . Processo n° 10680.026932/99-92 1 I Recurso n° 125.868 Voluntário 1 Acórdão n° 3101-00.214 - i a Câmara / P Turma Ordinária 1 1 Sessão de 14 de agosto de 2009 Matéria FINSOCIAL - FALTA DE RECOLHIMENTO Recorrente COMIM CONSTRUTORA LTDA. Recorrida DRJ-BELO HORIZONTE/MG , ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES 1 Período de apuração: 01/01/1990 a 31/03/1992 FINSOCIAL. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE. Aplica-se de imediato a Súmula Vinculante n° 08 do Supremo Tribunal Federal para o crédito tributário constituído após o prazo de cinco anos, por ser considerado decadente. Recurso Voluntário Provido. ACORDAM os membros da 1' câmara / 1' turma ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Esteve presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional Rodrigo de Macedo Burgo. O Conselheiro Henrique Pinheiro Torres votou pelas conclusões. ' , Q".......-19. , .„..,se.,-4- '' - e Q • . ' INH - kl, ` OR • - Presidente 4/111~ -- AÍ r / / LUIZ ROBE' O O e IVIINGO - Rela oc ..' c' EDITADO EM: 18 de setembro de 2009 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Tarásio Campelo Borges, Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro e Vanessa Albuquerque Valente. I- 1 Processo n° 10680.026932/99-92 S3-CIT1 Acórdão n.° 3101-00.214 Fl. 531 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário que sob a apreciação desta Câmara o julgamento foi convertido em diligência à repartição de origem para que subsidiasse o processo com informações e documentos para possibilitar o julgamento do presente feito. Adoto o relatório de fls. 202 por bem narrar os fatos e atos processuais até aquele momento. Retornam os autos para julgamento após cumprimento de diligência determinada pela Resolução n° 301-1.907, cujo objetivo era ser requisitado ao Poder Judiciário Federal cópias das peças processuais do MS n° 89.1257-6 que tramitou na l a Vara da Justiça Federal de Belo Horizonte. A diligência devidamente cumprida, trouxe aos autos a petição inicial, sentença, acórdãos prolatados, alvarás de levantamentos e petição de execução judicial. É o Relatório. Voto Conselheiro LUIZ ROBERTO DOMINGO, Relator Conheço do Recurso por ser tempestivo e conter matéria de competência deste Conselho. Trata-se de lançamento de FINSOCIAL relativamente aos períodos de apuração de janeiro/90 a março/92, cujo julgamento foi convertido em diligência na forma da Resolução 301-01.907 de 07/11/2007. A questão do feito encontra-se madura para solução da lide, em especial por conta da edição da Súmula Vinculante do STF n" 8. Inicialmente, independentemente da ocorrência da decadência, restou comprovado nos autos que a Recorrente levantou através de alvarás judiciais o excedente a 0,5% (meio por cento) depositado judicialmente a título de FINSOCIAL dos períodos de maio/89 a 04/92 (fls. 276/277), sendo que o restante (0,5%) foi convertido em renda da União para quitação da contribuição. Percebe-se que o período depositado judicialmente engloba o período objeto do presente lançamento. Ocorre, no entanto, que tenho entendimento de que a conversão dos depósitos em renda da União constitui extinção do crédito tributário relativamente ao período de apuração que se encontra submetido à tutela judicial, ou seja, quando da determinação da conversão, cabe às partes alegar eventual divergência nos valores para apreciação do Poder Judiciário. Daí, conclui-se que constitui descumprimento à decisão judicial transitada em julgado o Auto de Infração que pretenda constituir e exigir crédito tributário cuja extinção tenha sido declarada pelo juizo por meio da ordem de conversão do depósito em renda do ente tributante. 2 Processo n° 10680.026932/99-92 S3-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.214 Fl. 532 A conversão em renda da União dos depósitos judiciais realizados no curso do processo extingue o crédito tributário, não havendo possibilidade de o Fisco rediscutir a matéria no âmbito administrativo. Caberia à Procuradoria da Fazenda Nacional a função de conferir os valores depositados em face do objeto do litígio judicial para opor-se, se e quando for o caso, à eventual conversão a menor determinada pelo Juízo. Para tanto há meio processual próprio, nos autos daquele processo judicial, para tal providência. A par da discussão acerca dos efeitos da conversão dos depósitos judiciais em renda da União, é certo que o resultado da diligência e a recente Súmula Vinculante do STF n° 8 são bastantes e suficientes para solução da lide. Em 11/06/2008, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que previam, respectivamente, prazos decadencial e prescricional de 10 anos para as contribuições devidas à Seguridade Social, editando no dia seguinte a Súmula Vinculante n° 08, que determina, in verbis: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário." O fundamento da decisão foi que Lei Ordinária não pode dispor sobre prazos de decadência e prescrição dos tributos, questões reservadas à Lei Complementar, conforme determina o artigo 146, III, "b", da Constituição Federal. Portanto, para a decadência do direito à constituição dos créditos tributários, o prazo é de cinco anos contados do fato gerador, em consonância com o art. 150, § 4° do Código Tributário Nacional, até mesmo porque no caso em pauta não há dúvida que houve pagamento de parte dos respectivos créditos tributários, conforme reconhecido pela autuação. Há que ressaltar-se que as Súmulas são instrumentos de garantia da segurança jurídica, pois pacificam demandas judiciais que tenham o mesmo objeto e sua eficácia é imediata. Ademais, a própria Constituição Federal em seu artigo 103-A, dita que a Súmula vincula os demais órgãos do Poder Judiciário, incluídos todos os juízes, os Tribunais e até mesmo as Turmas do próprio STF, bem como a administração pública, direta ou indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Ademais, no caso em tela, não se mostra relevante se o termo inicial ocorreu da data do fato gerador (art. 150, § 4°, CTN) ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado (173, I, CTN), urna vez que em qualquer dos casos verifica-se a decadência. Diante do exposto, 0J, Pão IMENTO ao Recurso Voluntário, para reconhecer a decadêricia do Ia ameloo.‘ te s da Súmula Vinculante n° 8. //I LUIZ ROBERTO DOMINGO 3 Processo n° 10680.026932/99-92 S3-CIT1 Acórdão n.° 3101-00.214 Fl. 533 4
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Numero do processo: 11128.732186/2013-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2008
INFRAÇÃO ADUANEIRA. DANO. DESNECESSIDADE.
Salvo disposição legal em contrário, a infração aduaneira independe da demonstração de dano.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. SÚMULA CARF nº 11.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
Numero da decisão: 3401-009.910
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Carolina Machado Freire Martins. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronaldo Souza Dias. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Fernanda Vieira Kotzias e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-009.906, de 27 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10711.723448/2013-65, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Ronaldo Souza Dias Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luís Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Mauricio Pompeo da Silva, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente).
Nome do relator: Oswaldo Gonçalves de Castro Neto
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DANO. DESNECESSIDADE. Salvo disposição legal em contrário, a infração aduaneira independe da demonstração de dano. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. SÚMULA CARF nº 11. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Carolina Machado Freire Martins. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronaldo Souza Dias. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Fernanda Vieira Kotzias e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-009.906, de 27 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10711.723448/2013-65, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luís Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Mauricio Pompeo da Silva, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 73 21 86 /2 01 3- 72 Fl. 199DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-009.910 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.732186/2013-72 Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de auto de infração por informação extemporânea sobre carga transportada, ex vi artigo 107, inciso III, alínea ‘e’ do Decreto-Lei 37/66. Para tanto narra o auto de infração que a Recorrente vinculou os HBL(s) ao Manifesto. Intimada, a Recorrente apresentou Impugnação em que alega, em síntese: Desconsolidou as cargas no SISCARGA no tempo e na forma legal; Não houve dano à fiscalização; A responsabilidade deve ser afastada pela Denúncia Espontânea; A infração passou a ser aplicável apenas após 1° de abril de 2009; Está sendo punida duas vezes pelo mesmo fato: inclusão de HBL no MBL. A DRJ manteve o lançamento em acórdão com o seguinte fundamento, em síntese: Não há nulidade no lançamento ou cerceamento do direito de defesa uma vez que este descreve todos os fatos e direito aplicável; Ademais, a nulidade pleiteada está focada em fatos anteriores ao lançamento; “Expirado o prazo previsto para prestação das informações, restou configurado, em detrimento do controle aduaneiro, o desrespeito à obrigação de prestar tempestivamente as informações sobre carga, que devem ser verdadeiras e corretas”; A aplicação de penalidades em âmbito aduaneiro independe da intenção do agente; A denúncia espontânea não afasta a infração em voga; Salvo Precedentes Vinculantes por força de Lei, decisões administrativas e judiciais não vinculam a Autoridade Administrativa; A Autoridade Administrativa não é competente para se pronunciar sobre matéria constitucional; “Em face da existência nos autos de provas suficientes para o julgamento do processo torna-se prescindível a realização de diligência ou perícia” Fl. 200DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-009.910 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.732186/2013-72 “Regra de interpretação do artigo 112, CTN, somente se aplica em caso de dúvida, o que não existe no caso dos autos, pois clara a norma em exigir que as informações sejam prestadas de forma regular no prazo para que não se estimule o cumprimento apenas do prazo”; A intimação no âmbito do PAF é realizada no domicílio do contribuinte. Irresignada, a Recorrente busca guarida neste Conselho argumentando o seguinte: Prescrição intercorrente; Afastamento da Responsabilidade por denúncia espontânea; Violação ao princípio da isonomia e ao não confisco; Inexistência de dano à fiscalização. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: 1 No que pese o sempre bem lançado voto do Conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, peço vênia para discordar da aplicabilidade da prescrição intercorrente ao caso, mesmo restando claro que o relator reserva a incidência do instituto apenas ao procedimento administrativo, não ao processo administrativo fiscal. Preliminarmente observe-se que a própria Lei n° 9.873/99 dispõe, em seu art. 5°, que o prazo de prescrição intercorrente nela consignado não se aplica “aos processos e procedimentos de natureza tributária”: Art.1 o Prescreve em cinco anos a ação punitiva da Administração Pública Federal, direta e indireta, no exercício do poder de polícia, objetivando apurar infração à legislação em vigor, contados da data da prática do ato ou, no caso de infração permanente ou continuada, do dia em que tiver cessado. (...) Art.5 o O disposto nesta Lei não se aplica às infrações de natureza funcional e aos processos e procedimentos de natureza tributária. (...) Na sequencia este e outros pontos da controvérsia serão examinados. 1 Deixa-se de transcrever as declarações de voto apresentadas, que podem ser consultadas no acórdão paradigma desta decisão. Fl. 201DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-009.910 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.732186/2013-72 A matéria no âmbito deste tribunal fiscal encontra-se amplamente pacificada no sentido contrário à tese da aplicabilidade da prescrição intercorrente, sendo inclusive objeto de súmula (Súmula CARF nº 11), que, por força da Portaria MF nº 277/18, vincula toda a administração tributária federal, incluindo, por óbvio, o próprio julgamento administrativo fiscal, conforme abaixo: Portaria MF nº 277, de 07 de junho de 2018; DOU de 08/06/18 Atribui a súmulas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF efeito vinculante em relação à administração tributária federal. O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso das atribuições previstas no art. 87, parágrafo único, incisos I e II da Constituição Federal, e tendo em vista o disposto no art. 75 do Anexo II a Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, resolve: Art. 1º Fica atribuído às súmulas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, relacionadas no Anexo Único desta Portaria, efeito vinculante em relação à administração tributária federal. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. (...) Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 103-21113, de 05/12/2002 Acórdão nº 104-19410, de 12/06/2003 Acórdão nº 104-19980, de 13/05/2004 Acórdão nº 105-15025, de 13/04/2005 Acórdão nº 107-07733, de 11/08/2004 Acórdão nº 202-07929, de 22/08/1995 Acórdão nº 203-02815, de 23/10/1996 Acórdão nº 203-04404, de 11/05/1998 Acórdão nº 201-73615, de 24/02/2000 Acórdão nº 201-76985, de 11/06/2003 (...) Na verdade, as súmulas do CARF, quaisquer que sejam, são de observância obrigatória para todo o julgamento no CARF, conforme disciplina o Regimento Interno da Casa: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. O caso aqui em exame ajusta-se ao enunciado da súmula, pois se trata de processo administrativo fiscal, isto é, regido pelo Decreto 70.235/72. Tal decreto, que fora recepcionado pela CF/88 com força de lei, dispõe sobre processos fiscais de forma abrangente, incluindo contenciosos vinculados à exigência de créditos tributários, sejam originários de lançamento de tributos ou de aplicação de multas isoladas, no domínio da tributação interna ou do comércio exterior; ou, ainda, vinculados às medidas de controle, inclusive aduaneiro, de interesse do Fisco. Na verdade, “processo administrativo fiscal” é um nome de um rito e é identificado pelas regras do Decreto nº 70.235/72. Fl. 202DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-009.910 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.732186/2013-72 Apenas para exemplificar, o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72 incide nas mais diversas lides administrativas decorrentes da legislação de natureza tributária ou fiscal, como nos casos decorrentes de não-homologação de compensação, verbis: Lei nº 9.430/76 Art. 74 (...) § 9 o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7 o , apresentar manifestação de inconformidade contra a não-homologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9 o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (...) gn. Constata-se tal abrangência no próprio Regulamento Aduaneiro, Decreto nº 6.759/09, que determina a aplicação do rito estabelecido no Decreto nº 70.235/72. até mesmo no caso de direitos antidumping: Art. 788. O cumprimento das obrigações resultantes da aplicação dos direitos antidumping e dos direitos compensatórios, sejam definitivos ou provisórios, será condição para a introdução no comércio do País de produtos objeto de dumping ou de subsídios(Lei nº 9.019, de 1995, art. 7º, caput). §1 o Compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil a cobrança e, se for o caso, a restituição dos direitos antidumping e compensatórios, provisórios ou definitivos, quando se tratar de valor em dinheiro (Lei nº 9.019, de 1995, art. 7º, §1º). §2 o Os direitos antidumping e os direitos compensatórios são devidos na data do registro da declaração de importação (Lei nº 9.019, de 1995, art. 7º, §2º,com a redação dada pela Lei n o 10.833, de 2003, art. 79). §3 o A exigência de ofício de direitos antidumping ou de direitos compensatórios e decorrentes acréscimos moratórios e penalidades será formalizada em auto de infração lavrado por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, observado o disposto no Decreto n o 70.235, de 1972, e o prazo de cinco anos, contados da data de registro da declaração de importação (Lei nº 9.019, de 1995, art. 7º, §5º,com a redação dada pela Lei n o 10.833, de 2003, art. 79). Observe-se que o crédito decorrente de direito antidumping incontroversamente é crédito não tributário, mas, o processo de sua constituição e exigência segue ainda as regras do processo administrativo fiscal, i.e., o rito do Decreto nº 70.235/72. Assim, entende-se que a Súmula nº 11 do CARF é argumento bastante para rejeitar a tese da prescrição intercorrente no caso em exame, pois o uso da expressão “processo administrativo fiscal” na legislação federal tem por referência um rito estabelecido pelo Decreto nº 70.235/72. Fl. 203DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-009.910 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.732186/2013-72 Adicionalmente aponta-se que a decisão do e. STJ no REsp 1113959/RJ, de 15/12/09, firmou a jurisprudência daquela Corte no sentido de não reconhecer a prescrição intercorrente em sede de processo administrativo fiscal: 3. O recurso administrativo suspende a exigibilidade do crédito tributário, enquanto perdurar o contencioso administrativo, nos termos do art. 151, III do CTN, desde o lançamento (efetuado concomitantemente com auto de infração), momento em que não se cogita do prazo decadencial, até seu julgamento ou a revisão ex officio, sendo certo que somente a partir da notificação do resultado do recurso ou da sua revisão, tem início a contagem do prazo prescricional, afastando-se a incidência de prescrição intercorrente em sede de processo administrativo fiscal, pela ausência de previsão normativa específica. (gn) Desde a decisão do e. STJ no REsp 1113959/RJ, parte da ementa acima citada, aquela corte vem uniformemente e de forma estável mantendo o mesmo entendimento, prestigiando o princípio da segurança jurídica, considerando a inaplicabilidade da tese da prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal em razão da suspensão da exigibilidade do crédito tributário ou, de modo amplo, da obrigação: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. INSTAURAÇÃO DE PROCESSO ADMINISTRATIVO EX OFFICIO. SUSPENSÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 151, III, E 174 DO CTN. 1. O acórdão recorrido consignou: "O apelante alega que o lapso prescricional restou suspenso, em razão de processo administrativo; que o fato de o processo administrativo ter iniciado por iniciativa da Administração não tem o condão de descaracterizar a suspensão prevista no artigo 151, III, do Código Tributário Nacional; que o processo administrativo somente se encerrou em 09/02/2010, sendo certo que não se pode falar em prescrição, porque a execução fiscal foi ajuizada no ano de 2011. Pugna pelo provimento do recurso, para que seja afastada a prescrição. A questão se limita a definir se o processo administrativo, instaurado, de ofício, pela Administração, tem o condão de suspender o prazo prescricional. (...) Assim, é inequívoco que o processo administrativo instaurado pelo próprio apelante não suspendeu o prazo prescricional" (fls. 347-348, e-STJ). 2. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial 1.113.959/RJ, submetido ao rito do art. 543-C do CPC, firmou o entendimento de que "o recurso administrativo suspende a exigibilidade do crédito tributário, enquanto perdurar o contencioso administrativo, nos termos do art. 151, III do CTN, desde o lançamento (efetuado concomitantemente com auto de infração), momento em que não se cogita do prazo decadencial, até seu julgamento ou a revisão ex officio, sendo certo que somente a partir da notificação do resultado do recurso ou da sua revisão, tem início a contagem do prazo prescricional, afastando-se a incidência da prescrição intercorrente em sede de processo administrativo fiscal, pela ausência de previsão normativa específica" (REsp 1.113.959/RJ, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe de 11/03/2010). 3. O acórdão recorrido não está em dissonância com a jurisprudência do STJ. 4. Recurso Especial provido. (REsp 1769896/MG, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 13/11/2018, DJe 17/12/2018) (gn) Fl. 204DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-009.910 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.732186/2013-72 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO RECORRIDO QUE NÃO SOLVEU A LIDE À LUZ DOS DISPOSITIVOS DITOS POR VIOLADOS. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NÃO OCORRÊNCIA DE PRESCRIÇÃO ADMINISTRATIVA INTERCORRENTE. SUSPENSÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL DE CINCO ANOS ATÉ A DECISÃO DEFINITIVA DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA. AGRAVO INTERNO DA EMPRESA A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. É admitido o prequestionamento como requisito de admissibilidade para a abertura da instância especial não só na forma explícita, mas, também, implícita, o que não dispensa, nos dois casos, o necessário debate acerca da matéria controvertida, fato que não ocorreu. 2. No caso, verifica-se que inexistiu o prequestionamento da matéria relativa aos arts. 4o., 6o. e 140 do Código Fux, 4o. da LINDB, 1o. do Decreto 20.910/1932 e 1o., § 1o. da Lei 9.873/1999, de modo que não consta no acórdão recorrido qualquer menção a respeito de sua disciplina normativa, tampouco foram opostos Embargos de Declaração para tal fim. 3. Com efeito, o prequestionamento implícito é admitido para conhecimento do Recurso Especial apenas no casos em que demonstrada, inequivocamente, a apreciação da tese à luz da legislação federal indicada, o que, como visto, não ocorreu na espécie. 4. Outrossim, a conclusão levada a efeito pelo acórdão recorrido se alinha com a jurisprudência desta Corte Superior, segundo a qual o recurso administrativo suspende a exigibilidade do crédito tributário, enquanto perdurar o contencioso administrativo, nos termos do art. 151, III do CTN, desde o lançamento (efetuado concomitantemente com auto de infração), momento em que não se cogita do prazo decadencial, até seu julgamento ou a revisão ex officio, sendo certo que somente a partir da notificação do resultado do recurso ou da sua revisão, tem início a contagem do prazo prescricional, afastando-se a incidência prescrição intercorrente em sede de processo administrativo fiscal, pela ausência de previsão normativa específica (REsp. 1.113.959/RJ, Rel. Min. LUIZ FUX, DJe 11.3.2010). 5. É inadmissível o Recurso Especial que se fundamenta na existência de divergência jurisprudencial, mas se limita, para a demonstração da similitude fático-jurídica, à mera transcrição de ementas e de trechos de votos, assim como tampouco indica qual preceito legal fora interpretado de modo dissentâneo. Hipótese de incidência, por extensão, da Súmula 284/STF. 6. Agravo Interno da Empresa a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 1489571/SP, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 28/10/2019, DJe 18/11/2019) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO Nº 3 DO STJ. DEPÓSITO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. PRESCRIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. Fl. 205DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3401-009.910 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.732186/2013-72 1. No julgamento do Recurso Especial n. 1.113.959/RJ, submetido ao rito do art. 543-C do Código de Processo Civil de 1973, sob a relatoria do Exmo. Ministro Luiz Fux, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que: "[...] o recurso administrativo suspende a exigibilidade do crédito tributário, enquanto perdurar o contencioso administrativo, nos termos do art. 151, III do CTN, desde o lançamento (efetuado concomitantemente com auto de infração), sendo certo que somente a partir da notificação do resultado do recurso ou da sua revisão, tem início a contagem do prazo prescricional, afastando-se a incidência da prescrição intercorrente em sede de processo administrativo fiscal, pela ausência de previsão normativa específica." 2. Mesmo tendo sido constituído o crédito tributário pelo depósito, a existência do contencioso administrativo suspendeu a exigibilidade do crédito até sua decisão final, que ocorreu em 19/7/2004, conforme consignado no acórdão recorrido, não havendo que se falar em prescrição da execução ajuizada em 2008, dentro do lapso do art. 174 do CTN. 3. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 1304866/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/10/2018, DJe 30/10/2018) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ICMS. RENOVAÇÃO DE TERMO DE ACORDO CONCESSIVO DE BENEFÍCIO FISCAL. ANÁLISE DE LEI LOCAL. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 280/STF. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DATA DE LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. PRETENSÃO DE REEXAME DE PROVA. SÚMULA N. 7 DO STJ. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. I - Na hipótese dos autos, a parte autora objetiva a renovação de termo de acordo que lhe garante o benefício da redução da base de cálculo do ICMS. Assim, não se amolda à matéria cuja repercussão geral foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário n. 851.421/DF, Tema n. 817, no qual se discute: "Possibilidade de os Estados e o Distrito Federal, mediante consenso alcançado no CONFAZ, perdoar dívidas tributárias surgidas em decorrência do gozo de benefícios fiscais, implementados no âmbito da chamada guerra fiscal do ICMS, reconhecidos como inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal". II - O exame de normas de caráter local (Lei Estadual n. 13.025/2000) é inviável em recurso especial, em face da vedação prevista no enunciado n. 280 da Súmula do STF, segundo a qual "por ofensa a direito local não cabe recurso extraordinário", aplicável por analogia. III - No julgamento do Recurso Especial n. 1.113.959/RJ, submetido ao rito do art. 543-C do Código de Processo Civil de 1973, sob a relatoria do Exmo. Ministro Luiz Fux, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que: "[...] o recurso administrativo suspende a exigibilidade do crédito tributário, enquanto perdurar o contencioso administrativo, nos termos do art. 151, III do CTN, desde o lançamento (efetuado concomitantemente com auto de infração), momento em que não se cogita do prazo decadencial, até seu julgamento ou a revisão ex officio, sendo certo que somente a partir da notificação do resultado do recurso ou da sua revisão, tem Fl. 206DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3401-009.910 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.732186/2013-72 início a contagem do prazo prescricional, afastando-se a incidência da prescrição intercorrente em sede de processo administrativo fiscal, pela ausência de previsão normativa específica." IV - Todavia, analisar eventual ofensa ao art. 151, inciso III, do Código Tributário Nacional demandaria, necessariamente, o revolvimento do conjunto fático-probatório dos autos, uma vez que não ficou consignado, no acórdão regional recorrido, se a lavratura do auto de infração se deu durante a tramitação do processo administrativo de renovação do termo de acordo ou em momento anterior. V - Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp 936.761/CE, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/11/2017, DJe 22/11/2017) TRIBUTÁRIO E ADMINISTRATIVO. MANDADO DE SEGURANÇA. MULTA DO ART. 23, § 2º DA LEI 4.131/62. ARGÜIÇÃO DE PRESCRIÇÃO ADMINISTRATIVA INTERCORRENTE. NÃO OCORRÊNCIA. TERMO INICIAL. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ARTIGO 174, DO CTN. 1. Mandado de segurança, com pedido liminar, em face de ato do Delegado Regional no Rio de Janeiro da Divisão de Câmbio e do Diretor da Área Externa do Banco Central do Brasil, objetivando que as autoridades coatoras se abstivessem de inscrever o nome da impetrante no Cadastro da Dívida Ativa, ou praticar qualquer ato de cobrança no que se refere à exação da multa a ela imposta no montante de 983.333,01 UFIRs, com fundamento no § 2º do art. 23 da Lei 4.131/62. 2. Infração decorrente do fechamento de quatro contratos de câmbio, por intermédio do Banco Bradesco, com indícios de fraude, apurados e autuados pelo Banco Central do Brasil. 3. O requisito do prequestionamento é indispensável, por isso que inviável a apreciação, em sede de recurso especial, de matéria sobre a qual não se pronunciou o Tribunal de origem, incidindo, in casu sobre os arts. 107 e 109 do CP, 4º da LICC, 21 da lei 7.492/86, 287, II da Lei 6.404/76, 1º e 3º da Lei 6.838/80, 213, II, alínea "a" do Estatuto dos Servidores Públicos, 28 da Lei 8.884/94 e 44 da Lei 4.595/64, o óbice das Súmulas 282 e 356 do STF. 4. A insurgência especial, que se funda na verificação do enquadramento da recorrente na figura de corretor oficial ou instituição financeira, para o fim de aplicação da penalidade disposta no art. 23, § 2º da Lei 4.131/62, importa sindicar matéria fático-probatória, o que é vedado, em sede de recurso especial, ante o óbice inserto na Súmula 7/STJ. 5. É que o reexame do contexto fático-probatório deduzido nos autos é vedado às Cortes Superiores posto não atuarem como terceira instância revisora ou tribunal de apelação reiterada, a teor do verbete da Súmula 7 deste Superior Tribunal de Justiça ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"). Precedentes: AgRg no REsp 715.083/AL, DJU 31.08.06; e REsp 729.521/RJ, DJU 08.05.06). 6. In casu, o Tribunal de origem consignou: "1. Aplicação de multa fiscal, em razão da infração tipificada no § 2º do artigo 23 da Lei 4.131/1962, consistente na 'declaração de falsa identidade no formulário que, em número de vias e segundo o modelo determinado Superintendência da Moeda e do Crédito, será Fl. 207DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3401-009.910 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.732186/2013-72 exigido em cada operação, assinado pelo cliente e visado pelo estabelecimento bancário e pelo corredor que nela intervirem'. 2. A ação incriminada é imputável ao estabelecimento bancário, ao corretor e ao cliente, punível com multa equivalente ao triplo do valor da operação para cada um dos co-partícipes. Respondem os dois primeiros pela identidade do cliente, assim como pela correta classificação das informações prestadas, segundo normas fixadas pela SUMOC, que foi substituída pelo Conselho Monetário Nacional." 7. O recurso administrativo suspende a exigibilidade do crédito tributário, enquanto perdurar o contencioso administrativo, nos termos do art. 151, III do CTN, desde o lançamento (efetuado concomitantemente com auto de infração), momento em que não se cogita do prazo decadencial, até seu julgamento ou a revisão ex officio, sendo certo que somente a partir da notificação do resultado do recurso ou da sua revisão, tem início a contagem do prazo prescricional, afastando-se a incidência prescrição intercorrente em sede de processo administrativo fiscal, pela ausência de previsão normativa específica. 8. A natureza tributária do crédito, reconhecida na sentença e no acórdão recorrido, advém da Lei 4.131/62, que estabelece procedimentos para a fiscalização das operações cambiais no mercado de taxa livre, utilizado na tributação da renda obtida nas diferenças cambiais positivas - ganho de capital. 9. A multa fiscal subsume-se aos prazos de prescrição estabelecidos pelo direito tributário, restando inaplicável o art. 114, I do Código Penal, pois a sua natureza jurídica não está ligada ao crime. 10. In casu, os fatos que originaram a multa fiscal vinculada a nenhum ilícito penal, nos termos do art. 23, § 2º da Lei 4.131/62, ocorreram em 1978, a instauração do processo administrativo para apurar o evento se deu em 23.04.80 e a notificação da penalização fiscal sucedeu-se em 26.11.90, recorrendo a empresa, administrativamente, em 14.01.91. Entretanto, considerando-se que, no lapso temporal que permeia o lançamento e a solução administrativa não corre o prazo prescricional, ficando suspensa a exigibilidade do crédito até a notificação da decisão administrativa, ocorrida em 07.08.96, exsurge, inequivocamente, a inocorrência da prescrição, porquanto a empresa recorrente, impetrou o mandado de segurança em 25.11.96, suprindo a necessidade da ação fiscal. 11. A título de argumento obiter dictum impõe-se esclarecer: a) é que em princípio a norma encerraria técnica de natureza de fiscalização cambial. Entretanto, essa informação também é utilizada para fins de verificação de ganhos de capital por parte das contratantes brasileiras (imposto de renda na fonte), decorrente da diferença positiva do câmbio. Tanto a sentença, quanto o acórdão recorrido reconheceram natureza tributária à multa, merce de que a Lei 4.131/62 conta com diversos dispositivos tributários, motivo pelo qual baseei o voto nessa premissa; b) tratando-se de multa tributária, conforme o entendimento já exposto no voto, não se poderia aduzir à prescrição intercorrente, pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário, porquanto não há como se prescrever algo que não se pode executar, sendo certo que o PAF (Decreto 70.235/72) nunca aventou a possibilidade de prescrição intercorrente; e c) ad argumentandum tantum, ainda que se pretenda considerar a multa com a natureza administrativa, também haveria um vácuo legislativo, uma vez que somente com o advento da Lei 9.873 de 23.11.99 foi prevista a prescrição do processo administrativo, no mesmo sentido do art. 4º do Decreto 20.910/32, o que impediria a fluência do lapso prescricional. Fl. 208DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3401-009.910 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.732186/2013-72 12. Recurso especial desprovido. (REsp 840.111/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 02/06/2009, DJe 01/07/2009) RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PENDÊNCIA DE RECURSO ADMINISTRATIVO. RECURSO PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA PARTE, DESPROVIDO. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia" (Súmula 284/STF). 3. A discussão acerca de haver a Certidão da Dívida Ativa - CDA preenchido todos os requisitos previstos no art. 2º, § 5º, da Lei de Execuções Fiscais, além de gozar de presunção de legitimidade, esbarra no óbice da Súmula 7/STJ. 4. O Código Tributário Nacional estabelece três fases acerca da fruição dos prazos prescricional e decadencial referentes aos créditos tributários. A primeira fase estende-se até a notificação do auto de infração ou do lançamento ao sujeito passivo - período em que há o decurso do prazo decadencial (art. 173 do CTN); a segunda fase flui dessa notificação até a decisão final no processo administrativo - em tal período encontra-se suspensa a exigibilidade do crédito tributário (art. 151, III, do CTN) e, por conseguinte, não há o transcurso do prazo decadencial, nem do prescricional; por fim, na terceira fase, com a decisão final do processo administrativo, constitui-se definitivamente o crédito tributário, dando-se início ao prazo prescricional de cinco (5) anos para que a Fazenda Pública proceda à devida cobrança, segundo o que dispõe o art. 174 do CTN, a saber: "A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em 5 (cinco) anos, contados da data da sua constituição definitiva." Precedentes. 5. Enquanto há pendência de recurso administrativo, não correm os prazos prescricional e decadencial. Somente a partir da data em que o contribuinte é notificado do resultado do recurso é que tem início a contagem do prazo de prescrição previsto no art. 174 do CTN. Destarte, não há falar em prescrição intercorrente em sede de processo administrativo fiscal. 6. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, desprovido. (REsp 718.139/SP, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/03/2008, DJe 23/04/2008) RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. PRAZO PRESCRICIONAL. PENDÊNCIA DE RECURSO ADMINISTRATIVO. CITAÇÃO POR EDITAL. INTERRUPÇÃO. POSSIBILIDADE. RECURSO PROVIDO. RETORNO DOS AUTOS AO JUÍZO DE ORIGEM. Fl. 209DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3401-009.910 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.732186/2013-72 1. O Código Tributário Nacional estabelece três fases acerca da fruição dos prazos prescricional e decadencial referentes aos créditos tributários. A primeira fase estende-se até a notificação do auto de infração ou do lançamento ao sujeito passivo - período em que há o decurso do prazo decadencial (art. 173 do CTN); a segunda fase flui dessa notificação até a decisão final no processo administrativo - em tal período encontra-se suspensa a exigibilidade do crédito tributário (art. 151, III, do CTN) e, por conseguinte, não há o transcurso do prazo decadencial, nem do prescricional; por fim, na terceira fase, com a decisão final do processo administrativo, constitui-se definitivamente o crédito tributário, dando-se início ao prazo prescricional de cinco (5) anos para que a Fazenda Pública proceda à devida cobrança, conforme o que dispõe o art. 174 do CTN, a saber: "A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em 5 (cinco) anos, contados da data da sua constituição definitiva." Precedentes. 2. Enquanto há pendência de recurso administrativo, não correm os prazos prescricional e decadencial. Somente a partir da data em que o contribuinte é notificado do resultado do recurso é que tem início a contagem do prazo de prescrição previsto no art. 174 do CTN. Destarte, não há falar em prescrição intercorrente em sede de processo administrativo fiscal. 3. O Superior Tribunal de Justiça possui entendimento pacificado no sentido de que a citação editalícia, em sede de execução fiscal, também tem o condão de interromper a prescrição intercorrente. Isso, porque o Código Tributário Nacional e a Lei de Execuções Fiscais (art. 8º, III) permitem essa modalidade de ato processual, de maneira que, se não encontrado o devedor, após diversas tentativas frustradas, a citação deve ser realizada por meio de edital, interrompendo-se, assim, o lapso prescricional. 4. Definitivamente constituído o crédito tributário, inicia-se o prazo prescricional para sua cobrança, ou seja, o Fisco possui o lapso temporal de cinco anos para o ajuizamento da execução fiscal e, após, para a citação válida do executado, consoante previsto no art. 174 do CTN. 5. Na hipótese dos autos, o lançamento ocorreu dentro do prazo de cinco anos em relação aos fatos geradores questionados, não decorrendo, pois, o prazo decadencial previsto no art. 173 do CTN. Em seguida, a contribuinte foi notificada do auto de infração, impugnando o lançamento do crédito tributário. Após, foi proferida decisão administrativa às fls. 73/75, e, posteriormente, acórdão pelo Tribunal Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 82/84 e 89/92), tendo sido a contribuinte notificada da decisão em 9 de agosto de 1999 (fl. 94). A partir dessa data, então, o crédito tributário foi definitivamente constituído, iniciando-se, portanto, a contagem do prazo prescricional previsto no art. 174 do CTN. Por sua vez, a execução fiscal foi ajuizada em 24 de janeiro de 2001 e a citação da empresa por edital ocorreu em 23 de outubro de 2003 (fl. 245). Assim, não se implementou a prescrição. 6. Recurso especial provido, determinando-se o retorno dos autos ao Juízo de origem. (REsp 784.353/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/03/2008, DJe 24/04/2008) O fundamento do entendimento do Tribunal da Cidadania, i.e., a ratio decidendi nas decisões uniformemente exaradas, conforme demonstrado na pequena amostra acima, encontra-se na disciplina restritiva que o art. 151, inciso III, do CTN impõe à exigibilidade do crédito tributário (“Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito Fl. 210DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3401-009.910 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.732186/2013-72 tributário: (...) III - as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo (...)”). Por exemplo, a eminente Ministra Denise Arruda sintetiza em seus julgados (e.g. REsp 784.353/RS) o percurso pelo qual passa o crédito tributário, do lançamento inicial até sua constituição definitiva, para concluir pela impossibilidade de prescrição intercorrente no âmbito administrativo fiscal: 1. O Código Tributário Nacional estabelece três fases acerca da fruição dos prazos prescricional e decadencial referentes aos créditos tributários. A primeira fase estende-se até a notificação do auto de infração ou do lançamento ao sujeito passivo - período em que há o decurso do prazo decadencial (art. 173 do CTN); a segunda fase flui dessa notificação até a decisão final no processo administrativo - em tal período encontra-se suspensa a exigibilidade do crédito tributário (art. 151, III, do CTN) e, por conseguinte, não há o transcurso do prazo decadencial, nem do prescricional; por fim, na terceira fase, com a decisão final do processo administrativo, constitui-se definitivamente o crédito tributário, dando-se início ao prazo prescricional de cinco (5) anos para que a Fazenda Pública proceda à devida cobrança, conforme o que dispõe o art. 174 do CTN, a saber: "A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em 5 (cinco) anos, contados da data da sua constituição definitiva." Precedentes. 2. Enquanto há pendência de recurso administrativo, não correm os prazos prescricional e decadencial. Somente a partir da data em que o contribuinte é notificado do resultado do recurso é que tem início a contagem do prazo de prescrição previsto no art. 174 do CTN. Destarte, não há falar em prescrição intercorrente em sede de processo administrativo fiscal. (REsp 784.353/RS) A lógica adotada, na verdade, é a mesma considerada, quando das decisões consideradas como precedentes para a expedição da Súmula CARF nº 11. Os acórdãos qualificados como precedentes quando da expedição da súmula são os seguintes: (1) Acórdão nº 103-21113, de 05/12/2002; (2) Acórdão nº 104-19410, de 12/06/2003; (3) Acórdão nº 104-19980, de 13/05/2004; (4) Acórdão nº 105-15025, de 13/04/2005; (5) Acórdão nº 107-07733, de 11/08/2004; (6) Acórdão nº 202-07929, de 22/08/1995; (7) Acórdão nº 203-02815, de 23/10/1996; (8) Acórdão nº 203-04404, de 11/05/1998; (9) Acórdão nº 201-73615, de 24/02/2000; e (10) Acórdão nº 201-76985, de 11/06/2003. Na sequencia, o resumo da fundamentação de cada precedente citado demonstra que a ratio decidendi gravita sempre em torno da suspensão da exigibilidade do crédito tributário (art. 151, III, CTN): 1 103-21.113 EMENTA PRELIMINAR DE PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Em prestígio ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, bem assim à isonomia na relação jurídico-tributária não é admissivel a prescrição intercorrente no Processo Administrativo Fiscal. Havendo a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não ocorre a prescrição. O prazo prescricional começa a fluir a partir da constituição definitiva da crédito tributário, que ocorre quando não cabe recurso ou ainda pelo transcurso do prazo. 2 104-19.410 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — PRELIMINAR — PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE - No Processo Administrativo Fiscal, Fl. 211DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 3401-009.910 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.732186/2013-72 não se configura a prescrição intercorrente. Se o crédito está suspenso nos termos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional, não há de se falar em prescrição. O prazo prescricional conta-se da constituição definitiva do crédito tributário, e esta só ocorre quando não cabe recurso ou pelo transcurso do prazo. No voto, o Relator argumenta em síntese que: Com efeito, constituído o crédito tributário passa a fluir, em princípio, prazo prescricional, que fica em suspenso, até que sejam decididos os recursos administrativos. Há julgados no sentido de que instaurada a lide com a apresentação de impugnação, não correm prazos prescricionais, até decisão da mesma. A verdade é que não se admite a prescrição intercorrente no Processo Administrativo Fiscal. A suspensão da exigência de cobrança imediata do crédito, nos termos do art. 151, inciso III do CTN, não permite que se alegre prescrição e mais, não há qualquer prejuízo a ser indicado. A apreciação da lide tributária na via administrativa, como forma de ser exercido o controle da legalidade é argumento a afastar a alegação de prescrição intercorrente. 3 104-19.980 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE - Em decorrência do devido processo legal e do princípio da isonomia na relação jurídico- tributária, não é admissível a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Dando-se a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não há que se argüir. No voto, o Relator argumenta em síntese que: Ademais, em decorrência do devido processo legal e do princípio da isonomia na relação jurídico-tributária, não é admissível a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Isto porque, havendo a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não ocorre a prescrição. Impõe-se observar que a própria interposição da peça defensória suspende a exigibilidade do crédito tributário, não sendo plausível, portanto, a argüição de prescrição intercorrente. 4 105-15.025 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE - Não ocorre a prescrição intercorrente quando houver a interposição de impugnação no prazo legal - A impugnação e o recurso suspendem a exigibilidade do crédito tributário - Desta forma, não ocorre a prescrição, mesmo que entre a impugnação e o recurso e as respectivas decisões, haja um prazo superior a 5 (cinco) anos. No voto, o Relator argumenta em síntese que: É pacifico o entendimento — administrativo e judicial — que enquanto não julgado o lançamento em caráter definitivo, não transcorre nenhum prazo de caducidade, pelo que afasto de pronto a suposta prescrição intercorrente. 5 107-07.733 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE - LEI N.°9.873/99 - INAPLICABILIDADE. A jurisprudência do e. Conselho de Contribuintes entende que não se tem como admitir a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Ademais, a Lei n° 9.873/99, utilizada Fl. 212DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 3401-009.910 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.732186/2013-72 como argumento pela Recorrente, explicitamente, dispõe, em seu art. 5°, que o prazo de prescrição intercorrente nela consignado não se aplica aos processos administrativos fiscais. No voto, o Relator argumenta em síntese que: A alegação preliminar de prescrição é descabida, não só porque não se tem admitido a chamada prescrição intercorrente no âmbito do processo administrativo (do que, particularmente e em algumas situações, discordo), como, também, porque a lei utilizada pela Recorrente — Lei n.° 9873/99 - como supedâneo para a sua pretensão é taxativa ao dizer que suas disposições não se aplicam à matéria tributária: "Art. 5º O disposto nesta Lei não se aplica às infrações de natureza funcional e aos processos e procedimentos de natureza tributária". 6 201-73.615 EMENTA: Não existe prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal, uma vez constituído o crédito tributários dentro do iter legal. No voto, o Relator argumenta em síntese que: De outra banda, já assentado nesta Câmara que não existe prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal federal à míngua de legislação que regre a matéria nos termos do que existe hoje no direito penal. E o próprio lançamento ora guerreado, é um bom exemplo de que tal instituto seria penoso à Fazenda, uma vez que, como na hipótese versada nos autos, houve, via Lei n° 8.022/90, uma transferência de competência do ITR, passando sua administração, cobrança e lançamento do INCRA para a Receita Federal. Face a tal, até que a máquina burocrática desses órgãos pudesse implementar a citada legislação, houve demanda de tempo, tempo este que não poderia fulminar o direito subjetivo dos entes públicos de cobrar os tributos que lhe são devidos, mormente quando já devidamente constituídos como no presente caso. Assim, afasto a alegação de prescrição intercorrente. 7 201-76.985 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Nos termos do que dispõe o art. 174 do Código Tributário Nacional, a ação para a cobrança do crédito tributário prescreve após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de constituição definitiva do crédito tributário. Neste sentido, estando suspensa a exigibilidade do crédito em decorrência da interposição tempestiva de impugnação, não há que se falar em prescrição intercorrente. No voto, o Relator argumenta em síntese que: A outra alegação da recorrente diz respeito à prescrição intercorrente. Diz ela que tendo tomado ciência do auto de infração em 28 de junho de 1996 e ciência do julgamento de primeira instância somente em 25 de abril de 2002, transcorreram os cinco anos previstos no art. 174, c/c art. 150, § 4º do CTN. Discordo de tal entendimento. Para que ocorra a prescrição é necessário que o Fisco possa agir. Ora, uma vez apresentada impugnação à exigência, esta ficou suspensa nos termos do art. 151, III, do CTN como se vê da transcrição, a seguir: 8 202-07.929 Fl. 213DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 3401-009.910 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.732186/2013-72 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE - Inadmissível em face da inocorrência comprovada de omissão das autoridades preparadoras, conforme reiterada jurisprudência deste e dos demais Conselhos. No voto, o Relator argumenta em síntese que: No que diz respeito à preliminar da ocorrência da prescrição intercorrente, perfilando a reiterada jurisprudência deste e dos demais Conselhos, entendo-a inadmissível, especialmente em face da não-comprovação da omissão da autoridade administrativa, invocando dita jurisprudência, entre outras decisões, a do Acórdão n° 202-03.600. 9 203-02.815 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE - Inadmissível em face da inocorrência comprovada de omissão das autoridades preparadoras, conforme reiterada jurisprudência deste e dos demais Conselhos. No voto, o Relator argumenta em síntese que: Preliminarmente, seguindo a já reiterada jurisprudência deste e dos demais Conselhos, entendo como inadmissível a alegação de ocorrência da prescrição intercorrente, especialmente em face da não-comprovação da omissão da autoridade administrativa. 10 203-04.404 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE - INOCORRÊNCIA. Estando suspensa a exigibilidade do crédito tributário, em decorrência de impugnação ao lançamento fiscal, inocorre, até o trânsito em julgado administrativo, a fluência de prazo prescricional No voto, o Relator argumenta em síntese que: Todavia, segundo a inteligência da súmula n° 153, do extinto Tribunal de Recursos — TER, não se inicia fluência de prazo prescricional, entre a data da lavratura de Auto de Infração e o trânsito em julgado administrativo, em face do crédito tributário encontrar-se suspenso. Da análise dos acórdãos qualificados como precedentes, citados expressamente com a expedição da Súmula CARF nº 11, constata-se que a ratio decidendi para afastar a aplicação da prescrição intercorrente do processo administrativo fiscal, em nenhum caso pautou-se na natureza da matéria discutida, sendo irrelevante para decidir a preliminar, se se tratava de tributos internos ou incidente no comércio exterior, se o processo originava-se de auto de infração ou notificação de lançamento, se procedia de aplicação de multa ou de lançamento de tributo, se o ponto de partida era aplicação de multa isolada ou constituição de tributo com multa de ofício, se a causa determinante do contencioso residia em violação de obrigação acessória ou principal, nem se cogitara de distinção entre matéria aduaneira ou tributária. Em uma palavra, a matéria não importou, mas o rito, que tem por sua vez a suspensão da exigibilidade da obrigação enquanto durar o contencioso. Nesta linha de entendimento, o pleno do CARF aprovou o enunciado da Súmula 11 para fins de aplicação em todo o CARF, inclusive na seção dotada de competência para julgamento de questões aduaneiras, pois, como se observou, o que importou em cada um dos precedentes, onde a preliminar de prescrição intercorrente fora apreciada, Fl. 214DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 3401-009.910 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.732186/2013-72 foi a suspensão da exigibilidade da obrigação, sem ter relevância a natureza jurídica da obrigação. A propósito, a Nota Técnica SEI nº 15067/2021/ME traz um histórico detalhado de todo o procedimento adotado, da qual se extrai alguns excertos: (...) 5. Não obstante a previsão regimental de observância obrigatória das Súmulas dos antigos Conselhos pelos membros do CARF, o Pleno e as Turmas da CSRF foram convocados, por meio da Portaria CARF nº 97, de 24/11/2009, para que, no período de 08/12/2009 a 10/12/2009, procedessem à análise e votação de enunciados de novas súmulas CARF, bem como votassem, de forma global e nominal, a consolidação e renumeração das súmulas dos extintos Conselhos de Contribuintes. 6. Registre-se que no Anexo II, da Portaria CARF nº 97, constam os enunciados das súmulas dos antigos Conselhos de Contribuintes, submetidos à aprovação consolidada por parte do Pleno da CSRF, o que foi levado a cabo na sessão de 08/12/2009. 7. Na sequência da realização do Pleno, em 21/12/2009, foi publicada a Portaria CARF nº 106, que além de divulgar os novos enunciados de súmulas aprovados, consolidou e renumerou os enunciados dos antigos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes como Súmulas CARF, conforme fora aprovado na sessão do Pleno da CSRF, realizada em 08/12/2009. 8. Desta forma, resta claro que a conversão das súmulas dos antigos Conselhos de Contribuintes para súmulas CARF ocorreu mediante aprovação do Pleno da CSRF, conforme o rito regimental previsto no § 1º, do art. 72, do primeiro Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256, de 2009, Anexo II), vigente à época e reiterado no atual RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015 (art. 72, do Anexo II). (gn) (...) O ponto crucial para estabelecimento da súmula é que o prazo prescricional efetivamente se inicia quando esgotados os recursos na esfera administrativa, isto é, com a definitividade da decisão administrativa. Em outros termos, a suspensão da exigibilidade do crédito nos termos do art. 151, inciso III, do CTN, é o princípio segundo o qual não se aplica a prescrição intercorrente no âmbito do processo administrativo fiscal, consubstanciando a ratio decidendi dos precedentes. O caso que ora se examina refere-se à aplicação de penalidade nos termos do art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decreto-Lei n° 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/03. O rito seguido para constituição da multa e de sua exigência fora o do Processo Administrativo Fiscal, estabelecido no Decreto nº 70.235/72, por disposição expressa do próprio Regulamento Aduaneiro, Decreto 6.759/2009, verbis: Art. 768. A determinação e a exigência dos créditos tributários decorrentes de infração às normas deste Decreto serão apuradas mediante processo administrativo fiscal, na forma do Decreto nº 70.235, de 1972 (Decreto-Lei nº 822, de 5 de setembro de 1969, art. 2º; e Lei nº 10.336, de 2001, art. 13, parágrafo único). § 1º O disposto no caput aplica-se inclusive à multa referida no § 1º do art. 689. § 2º O procedimento referido no § 2º do art. 570 poderá ser aplicado ainda a outros casos, na forma estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Fl. 215DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 3401-009.910 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.732186/2013-72 Observe-se que o art. 2º do Decreto-Lei nº 822, de 5 de setembro de 1969, a base legal citada no art. 768 do RA, é o mesmo fundamento invocado (“O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, usando das atribuições que lhe confere o artigo 81, item III, da Constituição e tendo em vista o disposto no artigo 2° do Decreto-Lei n. 822, de 5 de setembro de 1969, decreta ...) quando da instituição das normas regentes do processo administrativo fiscal (Decreto nº 70.235/72): Decreto-Lei nº 822, de 5 de setembro de 1969 Art 2º O Poder Executivo regulará o processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários federais, penalidades, empréstimos compulsórios e o de consulta. Por sua vez, o Decreto nº 70.235/72, de fato, disciplina não apenas o procedimento para exigência de crédito tributário stricto sensu (tributos com multa e juros) mas também a pura aplicação de penalidade: Art. 9 o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Assim, no caso em exame, a exigibilidade do crédito correspondente à multa aplicada restou suspensa por força do art. 151, III, CTN, em razão dos recursos administrativos – impugnação e recurso voluntário - interpostos pelo contribuinte. Daí se conclui que o principio motivador (a ratio decidendi) da Súmula 11 está presente neste caso específico, sendo sua aplicação inafastável. Por outro ângulo, ad argumentandum tantum, a Lei n° 9.873/99, único argumento invocado pela Recorrente a favor de sua tese, dispõe, em seu art. 5°, que o prazo de prescrição intercorrente nela consignado não se aplica “aos processos e procedimentos de natureza tributária”: Art.1 o Prescreve em cinco anos a ação punitiva da Administração Pública Federal, direta e indireta, no exercício do poder de polícia, objetivando apurar infração à legislação em vigor, contados da data da prática do ato ou, no caso de infração permanente ou continuada, do dia em que tiver cessado. (...) Art.5 o O disposto nesta Lei não se aplica às infrações de natureza funcional e aos processos e procedimentos de natureza tributária. (...) Aqui a expressão “processos e procedimentos de natureza tributária” não comporta interpretação restritiva no sentido de reduzi-la a processos de exigência de créditos decorrentes de tributos stricto sensu. A expressão ao incluir procedimentos ampliou para a fase anterior ao litígio a disciplina do artigo 5º da Lei nº 9.873/99, porque resulta da combinação dos artigos 7 e 14 do Decreto nº 70.235/72 que a fase litigiosa do procedimento começa com a impugnação da exigência: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I - o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II - a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; Fl. 216DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 19 do Acórdão n.º 3401-009.910 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.732186/2013-72 III - o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. (...) Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Qualquer exigência, não necessariamente referente a tributo, durante a fase não litigiosa decorrente das normas de fiscalização poderia redundar em processo administrativo fiscal, desde que um auto de infração fosse lavrado e, na sequencia, impugnado. Portanto, quando a lei registra “processos e procedimentos de natureza tributária”, não denota apenas processos de exigência de tributos, o que se corrobora com o uso da expressão “de natureza tributária”, ao invés de simplesmente “tributários”. Em interpretação teleológica pode–se razoavelmente concluir que “processos e procedimentos de natureza tributária” inclui processos tipicamente de exigência de tributos e consectários legais, mas também aqueles vinculados ao controle exercido pela administração tributária, seja em casos aduaneiro ou de fiscalização interna. No sentido aqui defendido, o procedimento/processo de aplicação e exigência de multa aduaneira é um processo de natureza tributária, daí ser naturalmente aplicável o rito utilizado do Decreto nº 70.235/72, e daí não se aplicar a prescrição intercorrente por força da própria Lei nº 9.873/99. Além disso tudo, quando o Regulamento Aduaneiro refere-se a crédito tributário abrange sistematicamente o crédito decorrente de penalidade, por exemplo: Art.766. A exigência de crédito tributário apurado em procedimento posterior à apresentação do termo de responsabilidade, em decorrência de aplicação de penalidade ou de ajuste no cálculo de tributo devido, será formalizada em auto de infração, lavrado por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, observado o disposto no Decreto n o 70.235, de 1972. Por este exemplo, constata-se que o sentido de crédito tributário abrange crédito decorrente de aplicação de penalidade, e sua constituição e exigência segue o PAF (D. 70.235/72), conforme o já citado art. 768 do RA (“A determinação e a exigência dos créditos tributários decorrentes de infração às normas deste Decreto serão apuradas mediante processo administrativo fiscal, na forma do Decreto nº 70.235, de 1972”). No Regulamento Aduaneiro constitui infração “deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil”. Tal hipótese de infração, tipificada no DL 37/66, constante do Regulamento Aduaneiro, entendeu a Autoridade Fiscal cometida. Art. 728. Aplicam-se ainda as seguintes multas (Decreto-Lei nº 37, de 1966, art. 107, incisos I a VI, VII, alínea “a” e “c” a “g”, VIII, IX, X, alíneas “a” e “b”, e XI, com a redação dada pela Lei n o 10.833, de 2003, art. 77): (...) IV - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga; e Fl. 217DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 20 do Acórdão n.º 3401-009.910 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.732186/2013-72 Portanto, o processo de aplicação e exigência desta multa segue o Decreto nº 70.235/72 e sobre ele não incide o §1º do art. 1º da Lei nº 9.873/99. Por outro ponto de vista, e ainda para argumentar, pesquisa nas decisões do CARF permite concluir que todas as turmas, inclusive esta, e todos os conselheiros desta turma vêm aplicando de forma uniforme a Súmula CARF nº 11 a multas aduaneiras. A Lei nº 9.873/99, que veio estabelecer a prescrição intercorrente no domínio da Administração Pública Federal, direta e indireta – conta com mais de 20 anos e nunca foi óbice para a sua aplicação. E o caso em exame não possui qualquer particularidade que motive a existência de formulação de distinguishing, termo que doravante será aqui traduzido como distinção. O presente caso não é exatamente o melhor exemplo para a aplicação da teoria dos precedentes. Em primeiro lugar, não se trata aqui de seguir um precedente, ou não segui-lo mediante distinção, porque nesse caso se trata de linha de precedentes sintetizada em um enunciado de súmula, expedida por uma Autoridade legítima, e que, portanto, tem forca normativa por si só, nos termos do art. 100, inciso I, do CTN: CTN Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I - os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; (...) Quando se alude a uma autoridade legítima estamos nos referindo ao pleno do CARF, que expediu a súmula e, ainda, ao Ministro da Fazenda, que lhe deu eficácia normativa, vinculante de toda a Administração Pública Federal (Portaria MF 277/18: “Art. 1º Fica atribuído às súmulas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, relacionadas no Anexo Único desta Portaria, efeito vinculante em relação à administração tributária federal”). Nesta linha de entendimento, o que se discute não é simplesmente fazer distinção em precedente, mas reinterpretar uma norma complementar para excepcionar um caso específico de sua incidência. Em segundo lugar, observe-se que o inciso V, §1º do art. 489 do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, encontra-se devidamente respeitado no caso presente, uma vez que o fundamento determinante da linha de precedentes e da própria súmula, dela originada, é como visto a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, na forma do art. 151, III, do CTN, que no caso incidiu. Art. 489. São elementos essenciais da sentença: (...) § 1º Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: (...) V - se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; Fl. 218DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 21 do Acórdão n.º 3401-009.910 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.732186/2013-72 O caso em julgamento, portanto, se ajusta ao fundamento determinante da súmula., entendendo-se por esta expressão do Codex processual o princípio motivador da súmula, ou a ratio decidendi dos precedentes. Em terceiro lugar, a pretensão de excluir da incidência da Súmula CARF nº 11 as multas de controle aduaneiro dificilmente pode ser alcançada pela via estreita da técnica da distinção. Na verdade, a distinção para se legitimar como tal submete-se a condicionamentos incontornáveis, pois, dele deve resultar um princípio modificado (fundamento determinante da súmula) em virtude de atributos factuais próprios do caso em análise. Neste sentido, a distinção é motivada quando um caso concreto e específico se apresenta com características factuais inéditas a que a regra anterior não abrangeria, por tal razão deve ser estreitada para não incidir no caso presente. Porém, a regra modificada – quando se trata de distinção! - deve continuar aplicável aos casos anteriormente tratados. Sem tais condicionamentos, a pretensão não poderá ser qualificada como distinção (distinguishing) mas superação (overruling) do precedente (ou da súmula). De qualquer forma, quem pretende afastar a incidência da súmula, assume o ônus argumentativo de demonstrar a existência da distinção ou da superação, na forma do inciso VI, do §1º do art. 489 do CPC: Art. 489. São elementos essenciais da sentença: (...) § 1º Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: (...) VI - deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. (...) Entende-se que a superação (overruling), ao contrário da distinção (distinguishing), não seria instrumento disponível às turmas do CARF, mas ao seu pleno, porque a primeira implicaria “revogação” da súmula, ao passo que na segunda hipótese há apenas um estreitamento do campo de incidência do seu fundamento determinante. A doutrina analisa as situações: Para que se compreenda o instituto, é preciso perceber que o entendimento novo não tem por objeto a exata questão de direito de que trata o posicionamento núcleo do precedente judicial, mas nela influencia, pois reduz as hipóteses fáticas de sua incidência. No overruling, por outro lado, a alteração é da própria ratio decidendi, que é superada, construindo-se uma nova norma jurisprudencial, para substituí-la. (…) O overriding não implica a substituição da norma contida no precedente, entretanto, um novo posicionamento restringe sua incidência.(…) Há aproximação, porém não identidade; trata-se de técnicas distintas. Verifica-se que, ao passo que no distinguishing, uma questão de fato impede a incidência da norma, no overriding é uma questão de direito (no caso, um novo posicionamento) que restringe o suporte fático. Ou seja, no primeiro são os fatos materialmente relevantes do novo caso concreto que afastam o precedente, por não terem sido considerados quando da sua formação, enquanto que, no segundo, o afastamento é decorrente de um novo entendimento; portanto, de um elemento externo à relação jurídica discutida. (gn) Fl. 219DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 22 do Acórdão n.º 3401-009.910 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.732186/2013-72 DIDIER JR., Fredie; BRAGA, Paula S.; OLIVEIRA, Rafael A. Curso de direito processual civil: teoria da prova, direito probatório, ações probatórias, decisão, precedente, coisa julgada e antecipação dos efeitos da tutela. 10ª ed. Salvador: JusPODIVM, 2015. v.2, p. 507. Na verdade, nada há de factualmente novo no caso em tela que suscite distinção, lembrando que a ratio decidendi dos precedentes, ou o fundamento determinante da súmula, é a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Por outro lado, a invocação de um novo entendimento a respeito do direito aplicável ao caso situaria a pretensão no campo da superação (overriding ou overruling). Assim, de qualquer ângulo que se analise, alcança-se a conclusão pela rejeição da aplicação da prescrição intercorrente ao caso, e, portanto, pela negativa de provimento ao recurso voluntário. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Fl. 220DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10972.000025/2010-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1301-000.055
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, sobrestar o julgamento dos autos, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: WiILSON FERNANDES GUIMARÃES
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ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, sobrestar o julgamento dos autos, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. “documento assinado digitalmente” Alberto Pinto Souza Junior Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alberto Pinto da Souza Junior, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 674DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10972.000025/201050 Resolução n.º 1301000.055 S1C3T1 Fl. 675 2 RELATÓRIO CRISTAL JÓIAS LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora, Minas Gerais, que manteve, na íntegra, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS), relativas aos anoscalendário de 2006 e 2007, formalizadas a partir da imputação de omissão de receitas. Por bem sintetizar os fatos apurados e as razões de defesa trazidas pela fiscalizada em sede de impugnação, reproduzo excerto do relatório feito em primeira instância. ... Consta, em síntese, do Relatório de Ação Fiscal de fls. 62/77: a) que a fiscalização teve início na pessoa física Hélio Lombardi, CPF n° 248.743.37600 por movimentação financeira incompatível nos valores de R$ 16.152.143,57 e R$ 20.930.885,39, nos anos de 2006 e 2007, respectivamente, sendo que este apresentou declarações de isento à RFB; b) no curso do procedimento concluiuse que suas contas bancárias foram utilizadas para movimentar recursos pertencentes à empresa Cristal Jóias LtdaME, figurando o titular das contas como interposta pessoa da empresa; c) com o início da fiscalização na empresa e tendo em vista a negativa em apresentar seus extratos bancários, foram regularmente expedidas Requisições de Informações Sobre Movimentação Financeira — RMF; d) após a conciliação dos extratos bancários, foi a empresa Cristal Jóias Ltda., intimada a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados nas contas bancárias analisadas; e) foi efetuado o lançamento por depósitos bancários de origem não comprovada e receita de prestação de serviços indevidamente declarada em DIPJ como sujeita aos coeficientes de 8% para IRPJ e 12% para a CSLL, quando o percentual correto seria 32% para ambos os tributos, além da tributação reflexa; f) por utilização de contas bancárias de interposta pessoa foram considerados passivos solidários os sócios Haig Hovsepian, CPF n° 361.477.29691, e Maria Rita de Souza, CPF n° 082.498.81672, e multa agravada de 150%. Intimados em 26/02/2010 e 05/03/2010 (fls. 558/560), os interessados apresentaram impugnação única em 24/03/2010 (fls. 562/592), na qual alegam, em síntese, o seguinte: a) que a fiscalização apresenta meras presunções e suposições para provar que a empresa Cristal Jóias Ltda. utilizou as contas bancárias do Sr. Hélio para movimentar recursos não havendo provas concretas de tais fatos; Fl. 675DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10972.000025/201050 Resolução n.º 1301000.055 S1C3T1 Fl. 676 3 b) que não concordou com a quebra do sigilo bancário realizada durante o procedimento de fiscalização, sem autorização judicial, pois é desprovida de respaldo legal, violando direito constitucional; c) que nem todo ingresso financeiro constitui em acréscimo patrimonial, sendo necessário verificar cada caso concreto; d) que as multas aplicadas são desproporcionais e confiscatórias e infringem o princípio constitucional da proibição de aplicação de tributo com efeito confiscatório. e) que a taxa Selic extrapola totalmente o bom senso, tornando inviável e ilegal; f) que a sócia Maria Rita nunca exerceu cargo de gerência ou qualquer outro cargo de administração e, por isso, não pode figurar como responsável solidária, g) requer que todas as intimações sejam feitas em nome dos procuradores. A já citada 1a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora, analisando os feitos fiscais e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 09 29.629, de 27 de maio de 2010, pela procedência dos lançamentos. O referido julgado restou assim ementado: OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INTERPOSTA PESSOA. Caracterizamse como omissão de receitas os valores creditados em contas mantidas em instituições financeiras, em nome de interposta pessoa, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA AGRAVADA. Devidamente respaldado na legislação tributária o agravamento do percentual da multa de oficio, imposta sobre os tributos devidos, em virtude da utilização de contas bancárias de interpostas pessoas. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais (Súmula 2° CC n° 3). LANÇAMENTOS REFLEXOS. A decisão proferida em relação ao lançamento de IRPJ se aplica, no que couber, às exigências dele decorrentes. INTIMAÇÕES NO ESCRITÓRIO DO PROCURADOR. IMPOSSIBILIDADE. As intimações e notificações, no processo administrativo fiscal, devem obedecer às disposições do Decreto n° 70.235/72, devendo ser endereçadas ao domicílio fiscal do sujeito passivo. CONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. Fl. 676DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10972.000025/201050 Resolução n.º 1301000.055 S1C3T1 Fl. 677 4 Falece competência à autoridade julgadora de instancia administrativa para a apreciação de aspectos relacionados com a constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias, tarefa privativa do Poder Judiciário. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. A demonstração do interesse comum, entre a pessoa jurídica e a responsabilizada, na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal e a indicação da previsão legal específica para a responsabilização solidária, é cabível a responsabilização efetuada com fundamento no artigo 124 e 135 do CTN. Irresignada, a contribuinte, representada por HAIG HOVSEPIAN e MARIA ZITA DE SOUZA, interpôs o recurso de folhas 618/659, por meio do qual sustenta: que não existem provas concretas de haver qualquer ligação entre a Empresa Cristal, seus sócios, o Sr. Hélio Lombardi e o Sr. Valdeir; que o Fisco se utiliza de prova indireta e pessoa interposta para realizar o lançamento tributário em terceira pessoa distinta; que não existem provas concretas, e sim meras presunções dos auditores fiscais, quando alegaram ter sido utilizadas contas bancárias do Sr. Valdeir Ortiz e Sr. Hélio Lombardi para movimentar recursos pertencentes à empresa Cristal Jóias Ltda.; que os motivos que ensejaram o lançamento tributário em face da empresa Cristal não são baseados em provas e sim em presunções; que a empresa Cristal não concordou com a quebra de sigilo bancário, realizada durante o procedimento de fiscalização sem autorização judicial, pois é desprovida de respaldo legal, violando direito constitucional, previsto nos artigo 5º, inciso XII, visto que é imprescindível a existência de motivo justificável e autorização judicial, que justifique a mitigação da privacidade e intimidade, em face de circunstâncias fáticas; que no procedimento fiscal tributário, para haver a autuação com base em depósito bancário, nos termos do artigo 42, da Lei nº 9.430/96, não basta a simples presunção legal de que os depósitos constituem renda tributável, é imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza, visto que, por si só, depósitos bancários não constituem fato gerador do imposto de renda, pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos; que o lançamento assim constituído só é admissível quando ficar comprovado o nexo causal entre o depósito e o fato que represente omissão de rendimentos; que as multas aplicadas são desproporcionais, confiscatórias e infringem o princípio constitucional da proibição de aplicação de tributo com efeito confiscatório (artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal); que é inaplicável a Taxa Selic para fins de cálculo dos juros de mora tributários; que não há que falar em responsabilidade tributária solidária da Sra. Maria Zita, pois ela não se enquadra no rol do artigo 135, III, do CTN; Fl. 677DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10972.000025/201050 Resolução n.º 1301000.055 S1C3T1 Fl. 678 5 que o Fisco, em total desrespeito aos direitos fundamentais dos cidadãos e à legislação, coloca como sujeito passivo administradores e até sócios sem gerência administrativa, sem o cuidado de demonstrar a culpa ou dolo na atuação do dirigente da sociedade, tornando de imediato seus bens indisponíveis, por meio do arrolamento de bens realizado em face dos sócios e impetrantes, Sr. Haig e Sra. Maria Zita; que a melhor doutrina, em especial a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, tem defendido que não se pode responsabilizar terceiros pela obrigação tributária se não restar demonstrado cabalmente a infração à lei, ao contrato social ou ao estatutos. É o Relatório. Fl. 678DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10972.000025/201050 Resolução n.º 1301000.055 S1C3T1 Fl. 679 6 VOTO Diante da natureza da argumentação expendida pela recorrente e de disposições regimentais vigentes, aprecio, em primeiro lugar, a possibilidade de prosseguimento do julgamento submetido a este Colegiado. Para tanto, sirvome do laborioso estudo efetuado pelo ilustre Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, o qual transcrevo a seguir. Dentre as matérias afetas ao julgamento do presente processo, no que diz respeito ao princípio da legalidade do qual a autoridade administrativa não pode se afastar, está questão inerente ao acesso dos dados bancários, sem ordem judicial, por parte da autoridade fiscal. Em 15 de dezembro de 2010, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, por maioria, proferiu decisão que pode ser sintetizada na ementa abaixo transcrita, publicada no DJe086 em 10052011. Ementa SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. À luz do artigo 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a seguir transcrito, os Conselheiros do Carf somente podem deixar de aplicar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade após o Supremo Tribunal Federal, por seu Plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). .... § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 679DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10972.000025/201050 Resolução n.º 1301000.055 S1C3T1 Fl. 680 7 Ocorre que o acórdão exarado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, com a ementa acima transcrita, foi desafiado por embargos de declaração, com pedido de modificação da decisão. Pelo que apurei em pesquisa realizada em 28/01/2012, os citados embargos foram recebidos por despacho datado de 07/10/2011 e ainda encontramse pendentes de julgamento. Assim, por estarmos diante de acórdão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que não transitou em julgado, com base na decisão resultante do RE 389.808/PR, não é possível, nesta instância administrativa, deixar de aplicar as disposições constantes na Lei Complementar nº 105, de 2001 e na Lei nº 10.174, de 2001. A questão relacionada à alegação de impossibilidade de acesso aos dados bancários também está em pauta no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG. Em 20/11/2009, ao examinar o Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, relatado pelo Ministro Ricardo Lewandowski, o Supremo Tribunal Federal reconheceu, quanto à matéria, a existência de repercussão geral, nos termos do artigo 542B, do Código de Processo Civil. Neste sentido, segue a ementa da decisão: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001). Possibilidade de aplicação da lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. existência de repercussão geral. O tratamento a ser dispensado aos processos com repercussão geral encontrase no artigo 543B, do CPC, o qual transcrevo: Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (acrescentado pela Lei 11.418, de 2006). § 1º Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (grifei). § 2º Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. § 3º Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. § 4º Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. Fl. 680DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10972.000025/201050 Resolução n.º 1301000.055 S1C3T1 Fl. 681 8 § 5º O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. Observo que reconhecida a repercussão geral, à luz do parágrafo único do artigo 543B, do CPC, cabe ao tribunal de origem, isto é, aos tribunais “a quo”, sobrestar os demais processos. O fato dos tribunais estaduais ou regionais poderem remeter ao STF um ou mais processo representativo da situação de repercussão geral não quer dizer que em relação aos demais exista necessidade de ato específico para que sejam sobrestados. O sobrestamento decorre da lei. Não se pode confundir o ato de selecionar processos representativos da controvérsia, para que o STF tenha pleno conhecimento da matéria, com o ato de sobrestamento dos demais processos. São duas situações distintas tratadas no parágrafo único do artigo 543B. O sobrestamento dos processos pendentes de julgamento nos tribunais estaduais ou regionais decorre da lei, isto é, no caso do STF, do artigo 543B, parágrafo único e, no caso do STJ, do art. 543C, parágrafo único, do CPC. Conforme observado anteriormente, cabe aos tribunais de origem suspender o processamento dos recursos especiais ou extraordinários quando versarem sobre matéria com repercussão geral reconhecida. Porém, não adotada tal providência, o relator poderá determinar formalmente que se a observe. Isto que está previsto no § 2o. do artigo 543C, que se refere ao STJ, mas igualmente adotado pelo STF que já expediu atos neste sentido. Do Regimento Interno do STF Quando da entrada em vigor dos artigos 543B e 543C, ambos do CPC, existia pendente de julgamento no STF e no STJ processos já admitidos pelos tribunais de origem. Em relação a estes processos ou a todos quanto chegarem ao STF tratando de matéria em relação a qual for reconhecida repercussão geral, aplicase o disposto no artigo 328 do Regimento Interno, a seguir transcrito: Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzirse em múltiplos feitos, o Presidente do Tribunal ou o Relator, de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543B do Código de Processo Civil, podendo pedirlhes informações, que deverão ser prestadas em 5 (cinco) dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, o Presidente do Tribunal ou o Relator selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. (grifei). Quando do reconhecimento de repercussão geral no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, não identifiquei pronunciamento do relator ou do Presidente da Corte determinando a devolução de processos com a mesma matéria para que aguardassem o desfecho do citado Recurso Extraordinário. Quanto ao sobrestamento, na origem, dos processos com a mesma matéria, esta decorre do disposto na segunda parte do § 1o., do artigo 543B, CPC, que ao se reportar aos tribunais de origem usa as expressões Fl. 681DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10972.000025/201050 Resolução n.º 1301000.055 S1C3T1 Fl. 682 9 “sobrestando os demais processos até o pronunciamento definitivo da corte.” (grifei). Há que se perceber a diferença entre: a) sobrestar os demais processos na origem (art. 543B, parágrafo único, do CPC) e; b) determinar a devolução dos demais aos tribunais de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil (art. 328, parágrafo único, do Regimento Interno do STF). O sobrestamento na origem diz respeito aos processos que ainda não foram remetidos ao STF. A devolução de que trata o Regimento Interno do STF dáse quando os processos já estiverem no STF e este entender que eles devam ser devolvidos à origem até decisão daquele em relação ao qual foi reconhecida repercussão geral. Importante observar que o sobrestamento é para os processos ainda não remetidos ao STF. Quanto aos processos que se encontram no STF podem ocorrer duas situações: devolução à origem ou julgamento pela Corte. Foi o que aconteceu, por exemplo, com o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, que inobstante tratar sobre matéria para a qual já havia sido reconhecido repercussão geral (RE 601.314/MG), foi julgado pela em 15122010. Ainda sobre o tema, o Ministro Ricardo Lewandowski, relator do processo acerca do sigilo bancário em relação ao qual foi reconhecida repercussão geral, em 19/10/2010, quando do exame do Agravo de Instrumento nº 765.714, proferiu decisão com o seguinte conteúdo: “Tratase de agravo de instrumento contra decisão que negou seguimento a recurso extraordinário interposto de acórdão, cuja ementa segue transcrita: “TRIBUTÁRIO. SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO DA LEI 9.311/96 (ART. 11, § 3º). APROVEITAMENTO DE DADOS PARA CONSTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. A Lei 4.595/64 permitia o acesso aos agentes fiscais tributários de documentos, livros e registros de contas de depósitos quando houvesse processo instaurado e quando tais documentos fossem considerados indispensáveis pela autoridade competente. A jurisprudência se manifestou, afirmando que o processo seria o judicial e a autoridade competente seria a judiciária. 2. Em 2001, essa matéria foi alterada, tendo sido editada a Lei Complementar 105. Não há inconstitucionalidade nessa legislação, pois, na coexistência de dois bens ou valores protegidos constitucionalmente, devese sobrepor o que visa atender ao interesse público e não ao interesse privado. Os direitos fundamentais não são absolutos e podem sofrer abalo se colocados em conflito com outro valor que deva ter preferência. 3. A fiscalização pela autoridade administrativa é instrumento de arrecadação tributária pelo Estado, que, por sua vez, visa atender ao princípio da capacidade contributiva (tributando quem capacidade detém) e ao da isonomia (tributando todos aqueles que podem ser Fl. 682DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10972.000025/201050 Resolução n.º 1301000.055 S1C3T1 Fl. 683 10 tributados), corolários dos objetivos da República de construção de uma sociedade justa e solidária e de redução das desigualdades sociais. 4. Diante do princípio da irretroatividade das leis, a utilização dos dados da CPMF para apuração de eventual crédito tributário relativo a tributos diversos é vedada para anos anteriores ao de 2001. Fatos ocorridos e já consumados não se regem por lei nova, mas sim pelas leis que vigoravam no seu tempo. Leis novas valem para o futuro. 5. Na redação original do art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96, o legislador impunha à Secretaria da Receita Federal “o sigilo das informações prestadas” e vedava sua utilização para a constituição de crédito relativo a outros tributos. Tratavase de norma que impunha o sigilo e vedava a constituição de outros tributos com a utilização dos dados da CPMF, resguardando um direito do contribuinte, e sendo, portanto, norma material ou substantiva e não processual ou adjetiva sobre a qual se aplicaria o art. 144, § 1º, do Código Tributário Nacional. 6. Apelação provida em parte” (fls. 4950). No RE, fundado no art. 102, III, a, da Constituição, alegouse ofensa, em suma, ao art. 5º, X e XII, da mesma Carta. No caso, o recurso extraordinário versa sobre matéria sigilo bancário, quebra. Fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes diretamente ao Fisco, sem autorização judicial (Lei complementar 105/2001, art. 6º). Aplicação retroativa da Lei 10.174/2001, que alterou o art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96 e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência cuja repercussão geral já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (RE 601.314RG/SP, de minha relatoria). Isso posto, preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, dou provimento ao agravo de instrumento para admitir o recurso extraordinário e, com fundamento no art. 328, parágrafo único, do RISTF, determino a devolução destes autos ao Tribunal de origem para que seja observado o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso extraordinário discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314RG/SP. (grifei). A devolução dos autos ao Tribunal de origem para que se aguarde a decisão do RE 601.314/MG, nos termos do 543B, do CPC, nada mais é do que o sobrestamento, atribuição que nos termos do artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, é do relator ou do Presidente da Corte. Quanto ao processamento e julgamento junto ao Carf, o artigo 62A, § 1º e 2º, do Regimento Interno, assim dispõe: Art. 62 ...... § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários Fl. 683DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10972.000025/201050 Resolução n.º 1301000.055 S1C3T1 Fl. 684 11 da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B, do CPC. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. O artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, prevê que nos casos em que se verificar a subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, tanto o relator quanto o Presidente do Tribunal podem determinar a devolução dos demais processos aos tribunais de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. No caso do AI 765714/SP, o relator do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, processado pelo regime da repercussão geral, determinou o retorno à origem para que os autos do AI 765714/SP ficasse sobrestado, observandose o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314 RG/SP. No momento em que o Ministrorelator do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, com repercussão geral, no A.I. 765.714/SP determinou o retorno dos autos à origem para observarse o disposto no artigo 543B, do CPC, a conclusão a que chego é que tal procedimento corresponde ao sobrestamento previsto no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do Carf. Acolhendo, por inteiro, a conclusão esposada no estudo acima reproduzido, conduzo meu voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento dos presentes autos, nos termos do disposto nos parágrafos 1º e 2º do art. 62 A do Regimento Interno. Sala das Sessões, em 08 de maio de 2012 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 684DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR
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Numero do processo: 35318.000039/2007-12
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/08/2000 a 30/03/2003
DECADÊNCIA. CUSTEIO.DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO INFORMAÇÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal - STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ”,determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. A apresentação de GFIP com dados que não correspondam à totalidade dos fatos geradores das contribuições previdenciárias caracteriza infração, ensejando a lavratura de Auto de Infração para cominação da multa cabível.
Numero da decisão: 2403-000.325
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado por maioria de votos, em acatar a
preliminar de decadência até a competência 11/2001, inclusive, nos termos do Art. 150, § 4º, CTN. Votou pelas conclusões Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Vencido Carlos Alberto Mees Stringari que Votou com base no Art. 173 do CTN. No mérito, por unanimidade de votos, determinar o recálculo da multa com base no Art. 32A
da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, com a prevalência da multa mais benéfica ao contribuinte.
Nome do relator: IVANCIR JÚLIO DE SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/08/2000 a 30/03/2003 DECADÊNCIA. CUSTEIO.DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO INFORMAÇÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ”,determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. A apresentação de GFIP com dados que não correspondam à totalidade dos fatos geradores das contribuições previdenciárias caracteriza infração, ensejando a lavratura de Auto de Infração para cominação da multa cabível. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado por maioria de votos, em acatar a preliminar de decadência até a competência 11/2001, inclusive, nos termos do Art. 150, § 4º, CTN. Votou pelas conclusões Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Vencido Carlos Alberto Mees Stringari que Votou com base no Art. 173 do CTN. No mérito, por unanimidade de votos, determinar o recálculo da multa com base no Art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, com a prevalência da multa mais benéfica ao contribuinte. Fl. 669DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 10/03/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 2 Carlos Alberto Mess Stringari Presidente Ivacir Júlio de Souza Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 670DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 10/03/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 35318.000039/200712 Acórdão n.º 240300.325 S2C4T3 Fl. 649 3 Relatório O Auto de InfraçãoAI em pauta foi lavrado em virtude do descumprimento da obrigação acessória de apresentar a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social GFIP com os dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV,§ 5°. Conforme consignado no Relatório Fiscal da Infração, às fls. 16/17, fora constatado durante a ação fiscal que o Contribuinte apresentou a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social GFIP relativa ao período de 08/2000 a 03/2003, com incorreções. Os valores das contribuições previdenciárias referentes aos fatos geradores não informados nas correspondentes competências, os nomes dos segurados e a metodologia de cálculo da penalidade aplicada encontramse relacionadas no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, às fls. 18/19 e nos documentos de às fls. 20/537. O valor da penalidade aplicada é de R$ 387.578,25 (trezentos e oitenta e sete mil, quinhentos e setenta e oito reais e vinte e cinco centavos). . Notificado em 26.12.2006, o Autuado apresentou requerimento tempestivo às fls. 590/591, em que informa que entregara a GFIP referente à competência 08/2000 e solicita dilação de prazo para entrega das demais GFIP. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, a Delegacia da Receita Previdenciária em Niterói Rio de Janeiro – RJ, emitiu DECISÃONOTIFICAÇÃO n° 17.423.4/0055/2007, mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Irresignada, a Recorrente que em sede de impugnação houvera confessado em sua defesa de fls. 595 que de fato não apresentara as GFIPs, pedindo inclusive dilatação de prazo para fazêlo, interpôs Recurso Voluntário onde não reiterou as alegações que fizera em instancia “ad quod ”. Não tendo feito em sede de impugnação por não ter providenciado, inovou e juntou a este recurso os protocolos de envio de arquivos das GFIPs do período de agosto de 2000 a abril de 2003, todos datados em 2007, posteriormente ao encerramento da ação fiscal reclamando de que nenhum dos arquivos protocolados fora apreciado na esfera administrativa. É o Relatório. Fl. 671DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 10/03/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 4 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fls.645, o Recurso é tempestivo. Portanto, dele tomo conhecimento. DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Tomandose como certo o entendimento de que ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado, em preliminar, quedome a observar hipótese decadencial face a edição da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal – STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ”: SÚMULA VINCULANTE DO STF N° 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. A súmula n° 8 passou a produzir efeitos a partir de 20 de junho de 2008, conforme ata da vigésima segunda sessão plenária do STF, do dia 12.06.2008, cuja íntegra do debate foi publicado no Diário de Justiça do dia 11.09.2008. O material está no site do tribunal. Consolidando o sumulado, se observa a Lei complementar n° 128, de 19 de dezembro de 2008, artigo 13, I, “a ” : “ Lei Complementar n°128, de 19 de dezembro de 2008 (...) Art. 13. Ficam revogados: I – a partir da data de publicação desta Lei Complementar: Os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 ” A Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007 através do artigo 2°, § 4°, extinguiu a então Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social promovendo a unificação das receitas dando origem a atual Receita Federal do Brasil. Assume grande importância saber que a partir da Lei nº 9.528/97 é que se introduziu a obrigatoriedade de os sujeitos passivos das contribuições previdenciárias apresentarem a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. Então, somente da competência janeiro de 1999 em diante, todas as pessoas físicas ou jurídicas sujeitas ao recolhimento do FGTS, conforme estabelece a lei nº 8.036/90 e legislação Fl. 672DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 10/03/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 35318.000039/200712 Acórdão n.º 240300.325 S2C4T3 Fl. 650 5 posterior, bem como às contribuições e/ou informações à Previdência Social, conforme disposto nas leis nº 8.212/91 e 8.213/91 e legislação posterior, estão obrigadas ao cumprimento desta obrigação. Na referida GFIP, deverão ser informados os dados da empresa e dos trabalhadores, os fatos geradores de contribuições previdenciárias e valores devidos ao INSS, bem como as remunerações dos trabalhadores e valor a ser recolhido ao FGTS. As empresas estão obrigadas à entrega da GFIP ainda que não haja recolhimento para o FGTS, caso em que esta GFIP será declaratória, contendo todas as informações cadastrais e financeiras de interesse da Previdência Social. Desse modo, com a introdução da GFIP na legislação previdenciária, se institui para os contribuintes o dever que não existia antes de janeiro de 1999 de declarar, e , espontaneamente, antes de eventual ação fiscal que lhe exija, antecipar os pagamentos, os valores que entendam devidos à Previdência Social e proceder a demais obrigações acessórias. Obrigado a isso, a legislação das contribuições previdenciárias submeteu o sujeito passivo o dever de efetuar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, pagamento este, por analogia, também sujeito a ulterior homologação. Logo, inserido na dicção do artigo 150. Segundo leciona Hugo Brito Machado, em Curso de Direito Tributário e Finanças Públicas, Editora Saraiva, Edição exclusiva ANFIP, pg. 847: “ Por homologação é o lançamento feito quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa no que concerne à sua determinação. Operase pelo ato em que a autoridade, tomando conhecimento da determinação feita pelo sujeito passivo, expressamente a homologa( CTN, art. 150), ou então, mediante homologação tácita, que se opera pelo decurso de prazo de decadência do direito de constituir o crédito tributário, pelo lançamento.(CTN, art. 150, § 4°) ”. Nestas condições as contribuições para a Previdência Social e suas obrigações principais e acessórias se subsumem à lançamentos por homologação expressa ou tácita. Também é relevante saber que os recolhimentos das contribuições previdenciárias, antes da atual Guia da previdência Social – GPS, eram efetuados mediante as denominadas Guias de Recolhimento da Previdência Social GRPS, vigentes até a edição da Resolução Nº 657, de 17 de dezembro de 1998, que institui a atual GPS. Naquelas guias denominadas GRPS, segregados em campos próprios, se informavam os pagamentos que estavam sendo recolhidos bem como a que título, se vinculados aos segurados, às empresas ou para terceiros. Muito embora segregados, tais recolhimentos não representavam “dinheiro carimbado”, permitindose assim eventuais remanejamentos/retificações daquelas destinações, até porque os ingressos daqueles valores afluíam de um mesmo contribuinte para o mesmo cofre público. Fl. 673DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 10/03/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 6 Atualmente, na forma do leiaute das Guias da Previdência Social – GPS, a exceção da rubrica outras entidades, não se vislumbra, de imediato, tampouco de forma mais detida, de modo claro e efetivo, quais os fatos geradores ou quais rubricas estão sendo contemplados com tal pagamento. Eis porque a necessidade de ações e procedimentos fiscais, considerados os prazos decadenciais, para corroborar ou não, de forma expressa os auto lançamentos e eventuais recolhimentos produzidos pelos contribuintes. Por tudo isso, entendo que qualquer eventual recolhimento na forma difusa como é procedido atualmente, bem como no modo como o fora no passado, tem o condão de alcançar qualquer rubrica de modo integral ou parcial. Apresentado tal contexto, inserido nele é que estarei conduzindo minha análise. É muito relevante notar que, isto posto, de forma alguma o legislador condicionou a homologação, nos termos do artigo 150, à antecipações de pagamento até porque na dicção do artigo 160, parágrafo único, em ocorrendo antecipação de pagamento, o sujeito passivo pode ser contemplado com desconto: “ Art. 160. Quando a legislação tributária não fixar o tempo do pagamento, o vencimento do crédito ocorre trinta dias depois da data em que se considera o sujeito passivo notificado do lançamento. Parágrafo único. A legislação tributária pode conceder desconto pela antecipação do pagamento, nas condições que estabeleça. ” Relevante notar que: “o objeto da homologação é a atividade de apuração, e não o pagamento do tributo. (Cf. Zuudi Sakakihara, em Código Tributário Nacional Comentado, coord. de Vladimir Passos de Freitas, Editora Revista dos Tribunais, São Paulo, 1999, p.584)”.(grifei) Destarte, não sendo o objeto da homologação o pagamento, mas a atividade que em face de determinada situação de fato afirma existir um tributo e lhe apura o montante, ou nega a existência desse tributo a ser apurado, não é razoável concluir que a ausência do pagamento influencie a homologação. Entendo, ainda, que a ausência de pagamento aliada ao fato de a autoridade administrativa não ter cumprido seu mister, não desnatura a condição de lançamento do por homologação, neste caso tácita. À exceção do prazo qüinqüenal legal, o legislador não condicionou , e nem poderia, nenhuma outra hipótese para reconhecer a decadência tanto no que se refere às obrigações principais quanto às acessórias. Entretanto saber se houve ou não o lançamento, é dado importante para definir se foi expressa ou tácita a homologação. Neste sentido, é fundamental o entendimento sobre o que venha a ser o denominado lançamento posto que sendo este um ato vinculado e obrigatório da autoridade administrativa, é a existência dele que vai determinar se foi expressa a homologação das obrigações principais e acessórias ou tácita. Fl. 674DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 10/03/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 35318.000039/200712 Acórdão n.º 240300.325 S2C4T3 Fl. 651 7 Tendo a Autoridade Administrativa procedido ao lançamento expressamente, vencido o prazo qüinqüenal este restará homologado incluindo aí eventuais pagamentos e como conseqüência a decadência sobre hipotéticas diferenças não apontadas tempestivamente. Em não existindo lançamentos e nem autolançamentos mediante GFIPs, bem como pagamentos e demais obrigações adimplidas, vencido prazo qüinqüenal, tal circunstância restará tacitamente homologada e como conseqüência o instituto da decadência fulmina o direito do fisco de proceder ao lançamento para garantir a cobrança do crédito tributário e quaisquer outras exigências vinculadas. Assim, resumidamente, no que concerne às obrigações principais e acessórias, convém lembrar que tratandose de lançamento por homologação, o que restará homologado tacitamente é a circunstância existente à época cumpridas ou não, adimplidas parcial ou integralmente e até mesmo inadimplidas as obrigações . O contribuinte é sabedor de que deve efetuar o recolhimento em época própria , de modo espontâneo, isto é antes da presença do fisco, e eis aí a antecipação de que nos fala a dicção do artigo 150, caput, do CTN. Partindo do entendimento que decadência não se concede mas sim se reconhece em razão de ter ocorrido a homologação tácita das circunstâncias decaídas, o legislador, em tempo algum, pretendeu reconhecer a decadência de forma menos ou mais gravosa Se assim o fosse, o legislador estaria estimulando a que o contribuinte efetuasse um planejamento fiscal que contemplasse “antecipações” ainda que irrisórias somente com o fito de se prevalecer do beneficio de uma tipificação menos severa quando do reconhecimento de eventual decadência sobre suas obrigações tributárias. Portanto aplicandose forma menos severa tal tratamento se constituiria em prêmio ao contribuinte inadimplente que porventura à época do termo do prazo qüinqüenal tivesse efetuado algum “pagamento antecipado” assegurando tal hipotético “direito” para ser compulsado em hipótese decadencial. À decadência, se constatada, não cabe condicionamento nem mesmo renúncia. É compulsório seu reconhecimento. Então qual a razão do legislador mencionar pagamentos antecipados no § 1º do artigo 150 do CTN ? Para definir e caracterizar o que seria lançamento por homologação e informar que mesmo tendo sido efetuado o pagamento, espontaneamente, antes da ação do fisco, a extinção do crédito referente àquele pagamento só se daria com a condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Pagamento antecipado não se trata pois de condição para reconhecimento de decadência. Cabe lembrar, por relevante, que no artigo 150 do CTN, legislador se refere genericamente à ulterior homologação sem taxar se expressa ou tácita. Fl. 675DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 10/03/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 8 Art. 150 CTN : (...) “ § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento.” Ainda sobre o referido artigo 150 do CTN , a leitura atenta logo nas primeiras palavras do caput , se evidencia que o que o legislador pretendeu foi conceituar a modalidade de lançamento a que se refere o artigo, neste caso lançamento por homologação, e não condicionar direitos: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Releva observar que para análise em comento, as expressões nucleares do artigo acima são: lançamento por homologação; dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa ; atividade; expressamente a homologa; ( referindose à atividade define que o que se homologa é atividade); condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento; será ele de cinco anos; e considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito. Fl. 676DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 10/03/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 35318.000039/200712 Acórdão n.º 240300.325 S2C4T3 Fl. 652 9 Entendo que tais expressões constituem a espinha dorsal que estrutura o texto na sua totalidade. A leitura feita assim, de forma indutiva, do particular para o geral e depois integrando as partes e relendo de forma dedutiva, do geral para o particular, permite , sem dúvida, compreender que o que a autoridade administrativa homologa é a ATIVIDADE conforme se extraí do caput, parte final : “ ...sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa”. Manifestandose sobre a decadência o legislador foi econômico e objetivo definindo na forma do artigo 150 § 4º que : “ Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação”. Por outro aspecto, na forma do artigo 173, sem mencionar homologação mas sim o direito de a fazenda constituir o crédito tributário: “ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. É de se reparar que para os tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, isto é para aqueles sob lançamento por homologação, o legislador foi explícito preceituando que a decadência se observa na forma do artigo 150 § 4º : “ Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação” Fl. 677DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 10/03/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 10 Ao passo que sob a ótica do artigo 173, a decadência se observa conforme o § único : “ Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Resumidamente, artigo 150 invoca o lançamento e sua homologação ao passo que o artigo 173 não exorta a homologação, sendo lícito, portanto, inferir que para o reconhecimento da decadência a aplicação do artigo 173 é regra geral e no que se refere aos tributos submetidos aos lançamentos por homologação é especifica a aplicação do artigo 150 § 4º salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Corroborando tal entendimento, consta decisão do STJ nos embargos de Divergência n° 413.265SC( 2004/01609837), onde a Primeira Seção firmou entendimento preciso e atual sobre a interpretação das normas jurídicas que regem a decadência do direito do fisco no Código Tributário Nacional – CTN. Ficou assente no julgado , por unanimidade, à luz da relatoria da Min. Denise Arruda, que a decadência do direito do fisco no CTN é tratada mediante uma REGRA GERAL e uma REGRA ESPECÍFICA. A regra geral está prevista no artigo 173, I do CTN, aplicase a todos os tributos; já a específica consta do 150, § 4° do CTN, e aplicase aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Sobre a decadência, registrase ainda o contido no artigo 156, V, da Lei 5.172/66, que a decadência extingue o crédito tributário. O artigo 107 do CTN determina que : “ A legislação tributária será interpretada conforme o disposto neste Capítulo”. Logo em seguida o artigo 108 preceitua que : “ Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada : I a analogia;” Assim, na forma do artigo 107 e 108 do CTN , por analogia, resta tomar emprestado o conceito de decadência conforme a definição noutros ramos do direito. Em obediência à máxima “Dormientibus non sucurrit jus” que admite ser traduzida como o direito não socorre aos que dormem, decadência pode ser definida como a perda do direito ou da faculdade pela inércia de seu titular em exercêlo. Em direito civil, decadência é a perda de um direito potestativo pelo seu não exercício, durante o prazo fixado em lei ou eleito e fixado pelas partes. Nesse instituto extinguese o direito potestativo de poder, condição que torna a execução contratual dependente duma covenção que se acha subordinada à vontade ou ao arbítrio de uma ou outra das partes. Não procedem eventuais contestações. O direito é outorgado para ser exercido dentro de determinado prazo, se não exercido, extinguese. Fl. 678DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 10/03/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 35318.000039/200712 Acórdão n.º 240300.325 S2C4T3 Fl. 653 11 Na decadência o prazo não se interrompe, nem se suspende, corre indefectivelmente contra todos e é fatal, peremptório , termina sempre no dia préestabelecido. Destarte, a decadência : Extingue direito potestativo; O prazo pode ser legal ou convencional; Supõe uma ação cuja origem seria idêntica da do direito; Corre contra todos; Decorrente de prazo legal pode ser julgado de ofício pelo juiz independentemente de argüição do interessado; Resultante de prazo legal não pode ser renunciado; e A ação tem natureza constitutiva. No Código Penal Brasileiro – CPB , a decadência é prevista na art. 107, IV causa de extinção da punibilidade. Nestes termos o cerne da questão é a decadência da exigência de tributo cujo lançamento é por homologação observando que esta não se resume à mera questão pecuniária, sobre se houve ou não recolhimento antecipado. Homologase a, na hipótese de ocorrência tácita, modalidade do caso em comento, a perda do direito potestativo, ainda que inadimplidas as obrigações. Claro que as condutas ilícitas, por constituírem crimes, estão excepcionadas desta análise. Entretanto, mesmo essas, em fórum próprio, têm regramento legal e são, também alcançadas pelos institutos da decadência/prescrição. DA DECADÊNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Conforme os § § 2º 3º do artigo 113 do Código Tributário Nacional CTN: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória”. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Como se observa, obrigações acessórias são prestações positivas ou negativas que “convertemse” em principais relativamente à penalidade pecuniária. É cediço que as obrigações principais do tributo em comento são regidas pelos pressupostos do denominado lançamento por homologação. Fl. 679DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 10/03/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 12 Assim, POR COERÊNCIA, se a obrigação é acessória de uma principal que é sujeita ao lançamento por homologação, seguese à obrigação acessória a MESMA regra estabelecida para a principal. Se por exemplo em uma mesma ação fiscal sobre tributos submetidos à lançamentos por homologação, que ao final se demonstre intempestiva, tiver o contribuinte sido autuado por descumprimento de obrigação principal e concomitante obrigação acessória, não me parece coerente reconhecer a decadência mediante artigos distintos. No caso presente, por tratarse de tributo sujeito ao lançamento por homologação, adotamos o mesmo critério às obrigações acessórias para aplicação do instituto da decadência. Assim consoante a tudo que foi exposto, considerando o período da ocorrência da infração definido pelas competências 08/2000 a 03/2003 conforme Relatório Fiscal de folhas 16 e ainda que a empresa fora notificada em 26/12/2006, na forma do artigo 150, §4° do Código Tributário Nacional CTN, encontramse fulminadas pelo instituto da decadência a competência 11/2001 e anteriores. DO MÉRITO. A Empresa apresentou as GFIPs nas competências 08/2000 A 03/2003 com informações não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias conforme consignado no Relatório Fiscal da Infração. Desse modo, incorreu em infração ao dispositivo legal que estabelece a obrigação acessória, no caso especifico, o § 5°, Inciso IV, do Art. 32 da Lei 8.212 de 24 de julho de 1991, com redação dada pela Lei 9.528 de 10/12/97. Caracterizada a infração por descumprimento da obrigação acessória foi lavrado o auto de infração, nos termos do artigo 33 da Lei 8.212, de 24/07/91, e do artigo 293 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99 que analisado se reveste dos requisitos legais indispensáveis à sua validade. A Recorrente já tivera sido informada na forma da DECISÃO NOTIFICAÇÃO n° 17.423.4/0055/2007 de que : “A Administração Pública submetese em sua atuação ao principio da legalidade, dentre outros. Como corolário deste principio os agentes da Administração cingemse aos estreitos limites impostos pelo que a lei determina, de maneira que é defeso aos agentes da Administração praticar qualquer ato que não esteja previsto em lei. Portanto, será indeferida a dilação de prazo solicitada pela Autuada, para que possa promover a correção da falta com a entrega das respectivas GFIP, uma vez que carece de amparo legal, pois o prazo para a apresentação de documentos que instruem a defesa é de quinze dias, conforme previsto no § 1°, do artigo 293, do RPS Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06.05.99.” Muito embora devidamente notificada da decisão, a Recorrente insiste em proceder a entrega em sede de recurso. Fl. 680DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 10/03/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 35318.000039/200712 Acórdão n.º 240300.325 S2C4T3 Fl. 654 13 A empresa que já houvera confessado em sua defesa de fls. 596 que de fato não apresentara as GFIPs, pedindo inclusive dilatação de prazo para fazêlo, prazo este negado conforme foi visto, inovou e não reiterou as alegações que fizera em instancia “ad quod ”. Não tendo feito em sede de impugnação por não ter providenciado, reclamando de que nenhum dos arquivos protocolados fora apreciado na esfera administrativa, juntou a este recurso, intempestivamente, os protocolos de envio de arquivos das GFIPs do período de agosto de 2000 a abril de 2003, todos datados em 2007. É relevante notar que os documentos foram protocolizados posteriormente ao encerramento da ação fiscal efetivada em 26/12/2006 sendo legítima e procedente, portanto, a autuação ora em comento. Como se observa é insustentável o procedimento da Recorrente não lhe assistindo , pois, razão em sua argumentação. DA MULTA Obedecendo aos preceitos legais vigentes , o valor da multa foi apurado na forma do artigo. 284, inciso II do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99 e Art. 32, inciso IV, § 5°, da Lei 8.212/91, que foi aplicada de acordo com a metodologia de cálculo descrita no Relatório Fiscal Da Aplicação Da Multa às fls. 18/19. DA MULTA MAIS BENÉFICA O auto de infração em apreço, foi lavrado por ofensa a legislação vigente preceituada no § 5° ,artigo 32 da Lei 8.212, inciso IV: “ Lei 8.212, inciso IV, § 5° (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (... ) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). ” Ocorre que o § 5o foi revogado conforme redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009 e o novo comando se expressa na forma do § 9o da Lei nº 11.941, de 2009 : “A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV do caput deste artigo ainda que não ocorram fatos Fl. 681DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 10/03/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 14 geradores de contribuição previdenciária, aplicandose, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A desta Lei. (...) Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” O artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Visto deste prisma, impõese o recálculo da multa com base no artigo 32A da Lei nº 11.941/ 2009 em razão do novo comando expressado na forma do § 9o da Lei nº 11.941/2009 para comparálo com o valor da multa aplicada com base na redação anterior do artigo 32 da Lei 8.212/91 para determinação e prevalência da multa mais benéfica. “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Fl. 682DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 10/03/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 35318.000039/200712 Acórdão n.º 240300.325 S2C4T3 Fl. 655 15 II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Desse modo, pelo exposto, é pertinente o recálculo da multa. CONCLUSÃO Assim, por tudo que foi exposto, voto por conhecer do recurso e em PRELIMINAR reconhecer decadência das competência 11/2001(inclusive) e anteriores, com base no artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional CTN e , no , MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL determinando o recálculo da multa de mora de acordo com a redação do artigo 32A da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, fazendo prevalecer a multa mais benéfica para o contribuinte. Ivacir Júlio de Souza Fl. 683DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 10/03/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI
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Numero do processo: 18490.000078/2010-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1301-000.074
Decisão: Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior – Presidente (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18490.000078/201003 Resolução n.º 1301000.074 S1C3T1 Fl. 2 2 Relatório Por bem relatar os fatos adoto o relatório da decisão recorrida: “Versa o presente processo sobre declarações de compensação n°s 35281.75113.120608.1.3.036331 (fls.2/7), 38862.57754.140708.1.3.037949 (fls.8/11) e 30917.74722.120808.1.3.032204 (fls.12/15) em que o contribuinte indica crédito de saldo negativo CSLL exercício 1993, anocalendário 1992 no montante de R$ 13.674.623,70 para compensar débitos próprios. Ainda segundo consta das DCOMP's, o crédito em questão teria sido pleiteado via processo administrativo 13204.000099/200780. Por intermédio do Parecer SEORT/DRF/BEL n° 0447 e respectivo Despacho Decisório de 10/05/2010 (fls.20/24), o direito creditório não foi reconhecido e as compensações, não homologadas. Como fundamento para o não reconhecimento do direito creditório, a unidade de origem se ampara nos termos do Parecer SEORT/DRF/BEL n° 0197 e respectivo Despacho Decisório de 03/03/2010 (fls.16/19), proferidos no processo administrativo n° 13204.000099/200780. Nesse último, a unidade de origem considerou não formulado o pedido de restituição de saldo negativo CSLL anocalendário 2002 pelo fato do contribuinte ter se utilizado de formulário em papel para requerer a restituição, enquanto que a legislação (§§2° a 4 o do art.76 da IN SRF600/2005) determinaria que o pleito fosse efetuado via programa PER/DCOMP. Além disso, afirmou que o pleito estaria alcançado pela decadência. Ainda em relação ao processo administrativo n° 13204.000099/200780, pelo fato do pedido ter sido considerado não formulado, não foi permitida a apresentação de manifestação de inconformidade para a DRJ/BEL ao amparo do §13 do art.74 da Lei 9.430/96, todavia, foi admitida a apresentação de recurso à Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil com fundamento nos arts.56 a 65 da Lei 9.784/99. Tendo tomado ciência do Parecer SEORT/DRF/BEL n° 0447 e respectivo Despacho Decisório em 11/10/2010 (fl.30), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 10/11/2010 (fls.32/64), via procurador (fls.65/92), alegando em síntese que: 1. A origem da presente discussão remonta a auto de infração lavrado contra a requerente em 1996, do qual fora formalmente notificada em 13/12/1996, instandoa a recolher aos cofres da requerida o valor, à época, de 15.558.794,58 UFIR, relativo à CSLL dos meses de janeiro a abril/1992; 2. Os valores exigidos logo reduziramse aos meses de janeiro, fevereiro e março e uma pequena parcela de abril, já que grande parte da exação de abril/1992 foi excluída pelo fato da autoridade administrativa reconhecer o pagamento; 3. A razão da autuação repousara em pretensa desobediência ao art.87, §2° da Lei 8.383/1991, porquanto desde janeiro de 1992 a CSLL teria de ser recolhida mês a mês, de acordo com o resultado de cada exercício mensal, deixando de viger o regime anual; 4. A requerente não recolheu a CSLL de janeiro a março/1992 por entender que deveria ser aplicada a anterioridade nonagesimal, constante do art.195, §6° da CF/88; 5. A autora ostentava prejuízos acumulados a compensar, os quais em sendo realizados, extinguiriam os pretensos lucros dos ditos meses de janeiro a março/1992 (vide Balanço e Demonstrações Financeiras da declaração de rendimentos dos anos calendário 1990 e 1991); Fl. 456DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18490.000078/201003 Resolução n.º 1301000.074 S1C3T1 Fl. 3 3 6. Considerando a não vigência da lei 8.383/91 para o 1o. trimestre/1992, a apuração do lucro desses meses restaria submetida ao balanço anual, cujo resultado fora de prejuízo, inexistindo enfim base positiva/lucro para a tributação pela CSLL; 7. Através do Acórdão n° 10193.406 foi denegada a pretensão de compensação dos prejuízos dos anoscalendário 1990 e 1991, mas se registrou que a legislação permitira tal quitação compensatória para o anocalendário de 1992 em diante; 8. Como a ALBRAS apurou prejuízo ao final do anocalendário 1992, caso houvesse pago CSLL nos meses de janeiro a março/1992, faria jus, por óbvio, à compensação do prejuízo daquele com resultados anteriores; 9. Em suma , a requerente foi instada a pagar e posteriormente compensar o que pagou e, ainda, pagar sobre o prejuízo, já que não houve lucro algum em 1992; 10. Em Recurso Especial, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, em 14/03/2005, decidiu que a compensação dos prejuízos acumulados poderia ocorrer do anocalendário 1992 em diante; (transcreve trechos do acórdão); 11. Sendo comunicada da decisão administrativa final que negara a anterioridade nonagesimal e a compensação dos prejuízos acumulados nos anos de 1990 e 1991, a requerente procedeu ao pagamento via PER/DCOMP n° 07663.20813.140605.1.3.02 4465 em 14/06/2005 com crédito do IRPJ 2005, anocalendário 2004; 12. Como demonstrado e comprovado, não havia CSLL a pagar em 1992 e a empresa até poderia ter pedido o ressarcimento logo em seguida à compensação ainda em 2005 para recuperar os créditos de IRPJ utilizados para quitação da CSLL, mas o fez dois anos depois em 31/10/2007, quando ainda havia prazo para tanto pois o prazo qüinqüenal para pedir a restituição começa a contar do pagamento indevido, que ocorrera em 14/06/2005; 13. Logo, não poderia pleitear a restituição já que a CSLL 1992 somente tornou se exigível em 2005, quando finalmente encerrouse o processo administrativo fiscal onde a mesma fora cobrada; 14. Nas próprias ementas, tanto do Conselho de Contribuintes quanto da Câmara Superior de Recursos Fiscais, é explicitamente mencionado que a compensação de prejuízos passou a ser permitida para o anocalendário 1992 em diante; 15. Em resposta ao pedido de restituição da CSLL 1992, paga com juros e demais encargos com crédito e IRPJ anocalendário 2004, no valor histórico original, sobreveio o surpreendente despacho decisório homologando o aludido Parecer SEORT /DRF/BEL n° 0197/2010, indeferindo o pleito porque padeceria de extemporaneidade; 16. O vertente Despacho Decisório que homologou o Parecer SEORT/DRF/BEL n° 0447 de 10/05/2010, adotando como fundamentação para a não homologação do crédito apresentado as razões constantes do Parecer SEORT /DRF/BEL n° 0197/2010, há que ser revisto; 17. 0 referido Despacho Decisório no presente processo 18490.000078/201003, referindose ao exercício de 1993, ano calendário 1992, informa ter ocorrido a decadência do direito de pleitear a restituição eis que formulado em 31/10/2007; (transcreve trechos do Parecer SEORT /DRF/BEL n° 0197/2010); 18. Resta evidenciado que a requerente fora autuada indevidamente, por CSLL em um ano onde apurou prejuízo, durando a discussão administrativa quase dez anos, após os quais fora compelida a pagar a exação sabidamente indevida, pedindo em Fl. 457DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18490.000078/201003 Resolução n.º 1301000.074 S1C3T1 Fl. 4 4 seguida a compensação de tal pagamento indevido, seguindo orientação do próprio órgão fazendário; 19. 0 pedido de restituição efetuado em 31/10/2007 está dentro do prazo legal de cinco anos, mesmo considerando os cinco anos pela aplicação da Lei Complementar n° 118/2005; (transcreve artigos 207, 173, 199, 109 e 110 do CTN, doutrina e jurisprudência do STJ a respeito); 20. Enquanto a decisão administrativa em face do auto de infração de CSLL 1993/1992 não fora proferida, o prazo não havia se vencido, pendia condição suspensiva, de modo que seria impensável argüir consumação da prescrição ou decadência; 21. Consumado o pagamento indevido em 2005, exsurgiu a pretensão e/ou direito potestativo à compensação/restituição que fora enfim realizada em 2007, de modo que a decisão administrativa definitiva do Ministério da Fazenda constituírase até aquele momento, condição indispensável ao exercício do direito à restituição, (transcreve doutrina a respeito e exemplo de caso envolvendo pagamento indevido de PIS e COFINS); 22. Em que Instrução Normativa, Decreto, Lei Ordinária, Complementar ou preceito constitucional baseouse a autoridade fazendária para solenemente afirmar que a compensação realizada pelo contribuinte em 31/10/2007 em face de um débito de CSLL do exercício 1993, anocalendário 1992, que até 2005 não era sequer líquido, certo e tampouco exigível, sucedera extemporaneamente?; 23. Consoante o art.165 do CTN, o sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, no caso de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; 24. No mesmo sentido, o art.74 da Lei 9.430/96, estabelece que o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Receita Federal, passível de restituição ou ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão; 25. Não há como opor invalidade ao Pedido de Restituição/Declaração de Compensação de saldo negativo CSLL exercício 1993, ano calendário 1992, vez que tal procedimento fora feito dentro da mais estrita legalidade; 26. Na ocasião em que fora, enfim, realizado o julgamento do processo 13204.000003/9688, mais de nove anos depois, o sistema utilizado já era eletrônico não permitindo que fosse feito por essa via, pedido relativo a crédito de 1992; 27. Requer o reconhecimento do direito creditório referente a saldo negativo CSLL anocalendário 1992 no valor de R$ 13.674.623,71 e a homologação das compensações. Constam ainda dos autos os seguintes documentos que merecem destaque: despacho SEORT/DRF/BEL n° 978/2006 processo 13204.000003/9688 (fl.206), Acórdão CSRF n° 0105.184 de 14/03/2005 processo 13204.000003/9688 (fls.217/223), demonstrativo de débito (fl.225), cópia DIPJ/2005 anocalendário 2004 (fls.230/232 e 275/277), demonstrativo atualização CSLL janeiro a março/1992 (fl.249), Acórdão I o CC n° 10193.406 de 22/03/2001 (fls.280/288), Decisão DRJ/BLM n° 153/9722.01 (fls.312/317), cópia declaração rendimentos exercício 1993 anocalendário 1992 (fls.348/358), despacho (fl.382) e tela do COMPROT (fl.383). Fl. 458DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18490.000078/201003 Resolução n.º 1301000.074 S1C3T1 Fl. 5 5 Foi juntado a este, por apensação, o processo administrativo 10280.720796/2010 55, o qual trata das declarações de compensação já sendo analisadas no processo administrativo n° 18490.000078/201003.” A autoridade julgadora de primeira instancia (DRJ/BELÉM) decidiu a matéria por meio do Acórdão 0121.658, de 12/05/2011 (fls. 390), tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1992 JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. INAPLICABILIDADE. São improfícuas as jurisprudências administrativas trazidas pelo sujeito passivo, porque essas decisões, mesmo que proferidas por órgãos colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. O mesmo ocorre com as decisões judiciais citadas, com aplicação restrita às partes envolvidas naqueles litígios. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDEFERIMENTO. DECISÃO DEFINITIVA. COMPENSAÇÃO. NÃOHOMOLOGAÇÃO. Tendo sido o crédito indicado para fins de compensação analisado em processo administrativo diverso e ocorrendo decisão definitiva acerca do não reconhecimento, as correspondentes compensações consideram se não homologadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido É o relatório. Passo a seguir ao voto. Fl. 459DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18490.000078/201003 Resolução n.º 1301000.074 S1C3T1 Fl. 6 6 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas Trata o presente processo sobre declarações de compensação (DCOMPs) apresentadas em 12/06/2008, em que a ora recorrente indica crédito de saldo negativo CSLL, exercício 1993, anocalendário 1992, no montante de R$ 13.674.623,70 para compensar débitos próprios. Ainda segundo consta das DCOMP's, o crédito em questão teria sido pleiteado via processo administrativo 13204.000099/200780. Nesta fase recursal a interessada repete com algumas variações as argumentações iniciais, citando vasta doutrina e jurisprudência a respeito da matéria, em especial, a Lei Complementar 118, de 2005 e, finaliza sua defesa com o seguinte pedido: “Seja CONHECIDO e PROVIDO integralmente o presente RECURSO VOLUNTÁRIO, porque regular e tempestivamente apresentado, a fim de considerar HOMOLOGADAS as PER/DCOMPs 35281.75113.120608.1.3.036331, 38862.57754.140708.1.3.037949 e 30917.74722.120808.1.3.032204, reconhecendo o direito creditório referente ao Saldo Negativo da CSLL ano calendário 1992 constante do processo administrativo 13204.000099/200780.” De início, constatase o direito creditório conforme pleiteado de fato fora analisado no processo administrativo 13204.000099/200780 e considerado NÃO FORMULADOS, conseqüentemente não declarados, pois não observados as disposições dos §§ 2° a 4° do art. 76 e art. 31 da Instrução Normativa SRF 600, de 2005, ou seja, não utilizou o Programa PER/DCOMP para formular o pedido de restituição. Nos autos do presente processo, então a Unidade de origem bem como a Turma de Julgamento em primeira instancia, decidiram pela não homologação das compensações haja vista que o crédito indicado já foi objeto de análise em processo administrativo diverso (13204.000099/200780), tendo, inclusive, a decisão definitiva na esfera administrativa. Alega a recorrente que a origem da demanda remonta ao auto de infração lavrado no ano de 1996, relativo a CSLL dos meses de janeiro a abril de 1992 (processo administrativo 13204.000003/9688) e, cujo deslinde se deu somente em 14 março de 2005 (Acórdão CSRF/0105.184), logo, entende, que os créditos tributários tornaramse exigíveis após esta data. Daí, ter efetuado o pagamento da CSLL dos meses de janeiro a abril de 1992 (após decisão final que lhe foi desfavorável), com crédito de imposto de renda do ano calendário de 2004, por intermédio da PER/DCOMP 07663.20813.140605.1.3.024465 transmitida em 14/06/2005. No presente processo (18490.000078/201003), como visto, o indeferimento das compensações pleiteadas pelas autoridades administrativas que me precederam tem como fundamentos (i) a unidade de origem considerou não formulado o pedido de restituição de saldo negativo CSLL anocalendário 1992 pelo fato do contribuinte ter se utilizado de formulário em papel para requerer a restituição e, (ii) alegam ter ocorrido a decadência do direito de pleitear a restituição eis que formulado em 31/10/2007, (Parecer SEORT /DRF/BEL n° 0197/2010). Fl. 460DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18490.000078/201003 Resolução n.º 1301000.074 S1C3T1 Fl. 7 7 Pois bem, no caso, a questão que se coloca é o pagamento da CSLL do ano calendário de 1992 (meses de janeiro a abril) através do PER/DCOMP 07663.20813.140605.1.3.024465, transmitida em 14/06/2005, (processo administrativo 10280.003347/200581 conforme alegado pela recorrente, pois se de fato confirmado o pagamento e o pedido de restituição do presente processo deuse em 31/10/2007 não há o que se falar em decadência do direito de pleitear. Diante dos fatos expostos, entendendo que o presente processo ainda não se encontra em condições de ser julgado, conduzo meu voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a unidade administrativa de jurisdição da contribuinte (DRF/BELÉM) adote as providências no sentido de apensar a este, o processo administrativo 10280.003347/200581 em que foi analisado a PER/DCOMP 07663.20813.140605.1.3.024465, transmitida em 14/06/2005 e, objeto do pagamento da CSLL dos meses de janeiro a abril do ano calendário de 1992. Cumprida a diligência, intimese a recorrente para que, querendo, sobre esta se manifeste. Oportunamente, retornem os autos a este Colendo Colegiado. É como voto preliminarmente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 461DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 14751.002674/2008-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1302-000.149
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 1ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, baixar o processo em diligência nos termos do voto do relator.
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2005 e 2006 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 1ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, baixar o processo em diligência nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello Presidente (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Marcos Rodrigues Mello. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 25/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 14751.002674/200826 Resolução n.º 1302000.149 S1C3T1 Fl. 1.447 2 Relatório ENERGISA PARAÍBA DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S/A (anteriormente denominada SOCIEDADE ANÔNIMA DE ELETRIFICAÇÃO DA PARAÍBA SAELPA), já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão da 3ª Turma da DRJ Recife/PE, recorre a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Contra a empresa supra qualificada foram lavrados, Autos de Infração para exigência de crédito tributário de IRPJ e CSLL de R$ 13.458.277,85, já incluidos principal, juros e multa, referentes aos fatos geradores ocorridos em 31 de dezembro de 2006, cujos enquadramentos legais encontramse discriminados nos respectivos autos de infração. Os lançamentos têm por fundamento compensação indevida de prejuízos fiscais (IRPJ), e de base de cálculo negativa (CSLL), ambos acumulados de períodos anteriores. Segundo a o Relatório Fiscal da revisão das DIPJ´s 2006 e 2007 a fiscalização identificou que a contribuinte compensaou indevidamente prejuízo fiscal no anocalendário de 2006 e a base de cálculo negativa na apuração da CSLL dos anoscalendários de 2005 e 2006, sem respeitar o saldo existente. Da Revisão da Declaração foi intimado o contribuinte para justificar e apresentar documentação comprobatória para as compensações realizadas nos anoscalendário 2005 e 2006. O contribuinte apresentou documentação informando que fez as devidas compensações baseadas em sua escrituração fiscal e contábil, respeitando a legislação e o limite a ser compensado, anexando demonstrativos, cópia dos balancetes mensais do Livro de Apuração do Lucro real e da base de Cálculo da CSLL, das fichas DIPJ's e DCTF's, e respectivos DARF's de recolhimentos, sem atacar o problema principal que foi a insuficiência de saldo das compensações. De acordo com o SAPLI (fls. 137) do contribuinte fica evidente que ele só tinha saldo de R$ 14.156.552,04 de saldo de prejuízo fiscal para compensar, porém na sua D1PJ 2007 pleiteia a compensação de R$ 43.468.130,91. Do mesmo modo, o demonstrativo da base de cálculo negativa da CSLL mostra compensações indevidas pois no anocalendário 2005 o contribuinte pleiteia compensação de R$ 29.362.254,06, quando tinha saldo de R$ 23.045.438,21 e no anocalendário 2006 pleiteia compensação de R$ 43.060.859,18, quando tinha saldo R$ 0,00. A partir destes demonstrativos foram listadas as inconsistências das declarações do contribuinte referentes ao IRPJ e CSLL. Os problemas apresentados são consequências dos autos de infração de IRPJ e CSLL do processo administrativo nº 14751000142/200510, pois o contribuinte não alterou o seu LALUR com os dados da fiscalização, conforme dados existentes no FAPLI FORMULÁRIO DE ALTERAÇÃO DO PREJUÍZO FISCAL E DO LUCRO INFLACIONÁRIO e do FACS FORMULÁRIO DE ALTERAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Fl. 2DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 25/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 14751.002674/200826 Resolução n.º 1302000.149 S1C3T1 Fl. 1.448 3 O contribuinte optou pelo Lucro Real nos anoscalendário 2005 e 2006 e os lançamentos de ofícío consideraram os dados informados pelo contribuinte nas DIPJ 2006 e 2007, utilizando os saldos existentes no SAPLI para os prejuízos fiscais e para a base de cálculo negativa. Inconformada com os autos de infração a contribuinte apresentou, tempestivamente, impugnação por meio da qual alega em síntese o seguinte: Preliminarmente a independência dos lançamentos deste processo em relação ao de nº 14751000142/200510. que as divergências apresentadas aqui são consequência das inconsistências dos autos de IRPJ e CSLL do processo de final 200510. que como se discute a questão do prejuízo fiscal acumulado, o lucro inflacionário e a base de cálculo negativa da contribuição social utilizados nos períodos fiscalizados naquele auto de infração, e que geraram reflexos nos exercícios seguintes, fazse necessário ratificar em todos os termos as razões na presente defesa. Isso porque o saldo apontado como inexistente, na verdade, tem origem nos valores desconsiderados pela fiscalização naquele procedimento e devidamente justificados na defesa. que por esse motivo tornase imprescindível demonstrar os argumentos utilizados na defesa daquele processo e anexar os mesmos documentos juntados anteriormente. A 3ª Turma da DRJ em Recife/PE recebeu a impugnação apresentada pela contribuinte como tempestiva mas por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento, sob os seguintes argumentos: Fica evidente nos autos a interdependência do presente lançamento com o existente no processo n° 14751.000142/200510, ressaltada tanto pela autoridade autuante como pelo contribuinte. As glosas de despesas/custos de 2000 e 2001 tratadas no citado processo e mantidas por essa instância administrativa de julgamento alteraram os saldos de prejuízos acumulados e da base de cálculo negativa do SAPLI, em comparação com o LALUR. No entanto, quanto à parte do lançamento considerada improcedente no acórdão não se verificou repercussão no presente lançamento. Assim reitero os argumentos expedidos no Acórdão n° 25.428, tendo em vista a existência dos mesmos argumentos constantes da impugnação ao processo nº 14751.000142/200510. Quanto à alegação de que a multa de 75% tem caráter confiscatório e ofende o princípio constitucional, é inócuo, suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois não se pode, sob pena de responsabilidade funcional, desatender textos legais, em observância ao que prescreve o art. 142, parágrafo único, do CTN. À autoridade administrativa tributária compete simplesmente executar e fazer executar a lei nos termos em que é editada. Recai no mesmo erro o contribuinte ao intentar a aplicação da multa de mora no patamar de 20%, em substituição da multa de ofício de 75%, uma vez que a autoridade julgadora deve observar estritamente os atos expedidos pela Secretaria da Receita Federal. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 25/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 14751.002674/200826 Resolução n.º 1302000.149 S1C3T1 Fl. 1.449 4 No item que trata da infração por não adição ao LALUR da fatura complementar de energia, relativa ao período de abril à novembro de 2001, no valor de R$ 10.434.423,05, a impugnante requer, a fim de melhor comprovar o alegado, e sob pena de cerceamento de defesa, que se procedam diligências. Porém a autoridade julgadora só determina a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis e no presente auto não há qualquer ponto obscuro para a solução da lide, consoante observaremos a seguir. DA GLOSA DA VARIAÇÃO MONETÁRIA DO PARCELAMENTO DO ICMS R$ 10.359.592,48. Nesta parte o lançamento, referente a fato gerador de 31/12/2000, baseiase na contabilização pela empresa de despesa de atualização monetária de débitos de ICMS parcelados com o Estado da Paraíba sem levar em consideração os descontos oferecidos por aquele estado dos juros e multa no valor de R$ 10.359.592,48, não adicionando também ao lucro líquido do exercício na apuração do lucro real. Quanto a não observância pelo fiscal do princípio da competência, não trouxe impugnante maiores esclarecimentos acerca do alegado, nem houve inobservância pelo fiscal do regime de competência sobre valores contabilizados como despesa (atualizações monetárias) que o Estado da Paraiba declara não ter sido cobrada. No que diz respeito à aplicação de outro índice de atualização monetária aos débitos de ICMS para com a Fazenda da Paraíba, também, não apresentou o contribuinte nenhuma prova que não por ela mesmo produzida. Este item do Lançamento se baseia em provas materiais robustas, que são os Ofícios proferidos pela Secretaria de Finanças do Estado da Paraíba. Já a impugnante, limitouse a meras alegações, desacompanhadas das necessárias e suficientes contraprovas. DA NÃO ADICÃO DO DISPÊNDIO COM O PESSOAL CEDIDO (R$ 1.690.105,00) E DA NÃO ADIÇÃO DA DESPESA COM PROVISÃO POR PERDAS COM SERVIÇOS PRESTADOS A TERCEIROS — ODS (R$ 161.806,19). Em relação ao pessoal cedido, a contribuinte alega que são custos de natureza salarial, relativos a faturas de reembolso não quitadas pelos órgãos do Estado e Prefeituras sobre os salários de empregados da SAELPA a eles cedidos. Já quanto a não adição da provisão por perdas com serviços prestados à terceiros, a impugnante destaca o apego da autoridade autuante as notas fiscais dos serviços não apresentadas, desconsiderando todos os outros documentos que dão respaldo à execução dos serviços, além de ter demonstrado que os valores não foram recebidos. A apresentação das notas fiscais de serviço é indispensável para que a despesa possa ser considerada dedutível. Sobre o tema é oportuno ressaltar o posicionamento incontroverso da jurisprudência administrativa, no sentido de que a dedutibilidade dos dispêndios realizados a titulo de custos e despesas operacionais requer a prova documental hábil e idônea das respectivas \operações e de sua necessidade às atividades da empresa ou à respectiva fonte pagadora. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 25/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 14751.002674/200826 Resolução n.º 1302000.149 S1C3T1 Fl. 1.450 5 Assim, quanto aos dispêndios com o pessoal cedido, a contribuinte não apresentou qualquer prova de que estavam desempenhando trabalhos para SAELPA nos órgãos que os recepcionaram. Logo, a luz da legislação do Imposto de Renda, as despesas com gratificações a qualquer titulo pagas a empregados cedidos a outros órgãos quando não comprovada a necessidade à atividade da empresa é indedutível, devendo a mesma ser adicionada ao LLE, na apuração do Lucro Real. Já, quanto a não adição da despesa com provisão por perdas com serviços prestados a terceiros, primeiramente não apresentou quaisquer provas relativas às suas alegações. Mais, ainda, a representação de um serviço contratado se perfaz, para o contratado, pelo contrato celebrado e notas fiscais emitidas, e a efetividade de sua prestação, pela apresentação do(s) produto (s) a eles referentes. Assim, com fundamento no art. 29 do Decreto 70.235/72, que faculta à autoridade julgadora formar livremente sua convicção na apreciação das provas, entendo que não está provado que os valores lançados, consubstanciados no auto de infração, correspondam à custos ou despesas operacionais dedutiveis, motivo pelo qual deve ser adicionada a provisão na apuração do Lucro Real. DA GLOSA DE CUSTOS FATURAMENTO COMPLEMENTAR (R$ 10.434.423,05 abr à dez/2001) Baseiase a fiscalização, para glosa dos custos, que a Nota Fiscal emitida pela CHESF n° 5342 no valor de [R$ 10.908.181,17 R$ 473.758,12(estorno)], pelos depósitos/créditos bancários efetuados pela SAELPA, referente ao FATURAMENTO COMPLEMENTAR, segundo acordo do setor elétrico, não é energia de fato fornecida pela CHESF, não sendo custo em 2001, e sim direito a recuperar (ativo circulante ou realizável a longo prazo), conforme determina o Parecer COSIT n° 26/2002 (Fundamentação Legal: art.249, I, 251 e §único, 290, I e 300, do RIR/99). Já, a impugnante, alega que o mercado de energia operava rigidamente por meio de contratos de compra e venda, sendo que qualquer excedente era comercializado no mercado atacadista de energia. Com o início do racionamento o Governo determinou a redução dos contratos iniciais de fornecimento de energia elétrica, sendo que, durante aquele período, a SAELPA pagou os contratos obedecendo a essa redução, e a CHESF, da mesma forma, emitiu faturas de cobrança com essa redução, originandose um débito de compra e energia da SAELPA para com a CHESF, oriundo dessa diferença de percentual. O assunto em tela já foi objeto de análise por parte da Coordenação Geral de Tributação da Secretaria da Receita Federal, através do Parecer Cosit n° 26/2002, como também, para o próprio contribuinte na Solução de Consulta SRRF/4a RF/DIST n° 7, de 29/01/2003. Ficou ainda estipulado que a concessionária interessada deveria apurar o valor da recomposição tarifária extraordinária e submetêlo à homologação da Agência Nacional de Energia Elétrica Aneel. Essa homologação está condicionada a pedido do interessado e à certeza, correção e consistência das informações a serem prestadas à Aneel. Partindose da premissa citada pela própria contribuinte que energia é custo para a Energisa, da mesma forma que a receita gerada pela aplicação da sobretarifa, de que trata o §1 do art. 40 da Medida Provisória n° 14, 2001, para compensar as perdas das concessionárias, em virtude do racionamento de energia, deverá compor a apuração das bases de cálculo do imposto sobre a renda, da Fl. 5DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 25/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 14751.002674/200826 Resolução n.º 1302000.149 S1C3T1 Fl. 1.451 6 CSLL, da COFINS e PIS, somente nos períodos em que ocorrer o efetivo consumo de energia sobre o qual incidiu a cobrança da sobretarifa, à medida e na proporção de sua efetivação, o valor da energia não consumida pelo Contribuinte referente ao FATMIMENTO COMPLEMENTAR é, em 2001, um direito a recuperar da empresa (ativo circulante ou realizável a longo prazo) e somente deverá compor a apuração das bases de cálculo dos tributos já mencionados, nos períodos em que ocorrer o efetivo consumo de energia, o que implica na improcedência da alegação da contribuinte. DA GLOSA DE CUSTOS PROVISIONAMENTO DA COMPRA E ENERGIA NO MERCADO ATACADISTA NO ANO CALENDÁRIO DE 2001 DIFERENCA ENTRE A IMPLEMENTAÇÃO DO ACORDO E O EFETIVAMENTE RECEBIDO DO MERCADO ATACADISTA R$ 70.342.053,18. (PROCEDENTE EM PARTE REPERCUSSÃO APENAS NO PROCESSO 14751.000142/200510) Baseiase a fiscalização, para glosa dos custos, na contabilização pela SAELPA, em 31/12/2001, de vários lançamentos contábeis, a título do provisionamento da compra de energia no Mercado Atacadista de Energia, do ano calendário de 2001, na subconta 4103 – Energia Comprada C.Prazo, no montante de R$ 70.342.053,18 (fls. 194,0195 e 240 do Diário n° 127, fls. 3.835, 3.836 e 3,838), tendo como contrapartida a conta SUPRIMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA SUBCONTA ENERGIA DE CURTO PRAZO, onde esse custo foi levado a apuração do resultado do exercício, não sendo adicionado o mesmo na apuração do Lucro Real. Já, a impugnante, alega que, tendo como premissa que energia é custo para SAELPA, lançou, seguindose criteriosamente o princípio da competência de acordo com o extrato emitido pelo MAE, os valores correspondentes à diferença entre o efetivamente recebido e os valores devidos após a implementação do Acordo Geral do Setor Elétrico, requerendo, sob pena de cerceamento de defesa, que sejam feitas diligências e pedidos de esclarecimentos à ANEEL e a CHESF acerca das operações de compra e venda de energia e demanda contratada do setor energético. Ainda, que se não houvesse sido lançada a referida despesa/custo, estarseia majorando fraudulentamente o lucro do exercício. Mais, que o fiscal levou em consideração o levantamento apresentado pelo CCEE, em resposta ao termo de intimação, equivocandose quanto ao termo 1 de "provisionamento" utilizado pelo superintendente do CCEE para o valor de R$ 70.342.0$3,18 e não como custo/despesa dedutível, também não vendo, para a interpretação que deu á, esse fato, ilegalidade no ato da contribuinte ter levado à tributação o valor de R$ 6.036.832,43. Primeiramente, compulsandose o livro Diário n° 127 (fls. 3.835, 3.836 e 3.838) constatase o provisionamento da compra de energia no mercado atacadista no ano calendário de 2001, no valor de R$ 70.270.656,92, e não R$ 70.342.053,18. R$ 71.396,26 que corresponde à diferença, referese ao ajuste MAE compra "jan/2000". Em se tratando de provisionamentos com base na implementação do acordo tarifário, consoante explicitado no item anterior, somente devem compor as bases de cálculo do IRPJ, da CSLL, da COFINS e do PIS/PASEP nos respectivos períodos de apuração em que ocorrer o efetivo consumo de energia sobre o qual incidiu a cobrança da sobretarifa, na medida e proporção de sua efetivação (Parecer Normativo n.° 26/2002), devendo, portanto, serem excluídas da apuração do Lucro Real. Quanto ao pedido e que sejam feitas diligência e esclarecimentos à ANEEL e a CHESF acerca das operações de compra e venda de energia e demanda contratada d setor energético, Fl. 6DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 25/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 14751.002674/200826 Resolução n.º 1302000.149 S1C3T1 Fl. 1.452 7 reportome as razões apresentadas nos itens 21 a 24 deste mesmo voto, para considerálas prescindíveis. Já quanto à possível divergência de procedimento da autoridade fiscal, ao glosar o valor de R$ 70.342.053,18, não o acatando como custo/despesa dedutível, mas aceitando o fato do contribuinte ter levado à tributação o valor de R$ 6.036.832,43, mesmo não se tratando de ilegalidade no procedimento pelos motivos já expostos, no máximo um erro, não apresentou provas a contribuinte que referido valor, composto das parcelas de janeiro, abril e maio de 2001 (fl. 3589) coluna "Montante Financeiro Mensal", foi levado à tributação em 2001. DA GLOSA DE CUSTOS NÃO ADICÃO DE R$ 2.871.961,74 (SOMATÓRIO DOS ESTORNOS REALIZADOS PELA CHESF) ENERGIA COMPRADA EM DEZEMBRO/2001 NA APURACÃO DO LUCRO REAL Baseiase a fiscalização, para glosa dos custos, na diferença apurada entre os dois lançamentos contábeis na conta 615.03.3.5.4.1 subconta 4101 ENERGIA COMPRADA INICIAL (DÉBITO), nos valores de R$ 12.084.922,43 e R$ 11.096.782,02, respectivamente, custos levado à apuração do resultado do exercício, e os valores comprovados pela CHESF, através das notas fiscais 5324 e 5342, nos montantes de (R$ 11.973.825,10 R$ 2.098.505,44) e (R$ 10.908.181,17 R$ 473.758,12), também, respectivamente. Já, a impugnante, alega que não merecem acatamento as glosas dos valores estornados da NF n° 5324 (R$ 2.098.505,44), da diferença entre o valor contabilizado e o constante da nota no valor de R$ 111.097,33, bem como o estorno da NF n° 5342, no valor de i R$ 473.758,12 e a diferença entre o valor contabilizado e o constante da nota no valor de R$ 188.600,85, totalizando R$ 2.871.961,74, pois essas despesas fundamentamse no que ' determinam os contratos iniciais e a legislação vigente no período de racionamento (regras e princípios contábeis) e ,ainda, de acordo com os fatores econômicos efetivos. Ainda, que o valor glosado corresponde à variação parcela de redução de demanda de todos os contratos (2,1% para 2,341%) em função do racionamento de energia em 2001, e que à época dos lançamentos não tinham sido enviadas as notas fiscais nem eram de conhecimento as mesmas da SAELPA. Não obstante os argumentos já expostos nesse voto sobre provisionamento e reconhecimento de receita/despesa com base na implementação do acordo tarifário, que somente deverá acontecer nos respectivos períodos de apuração em que ocorrer o efetivo consumo de energia sobre o qual incidiu a cobrança da sobretarifa, na medida e proporção de sua efetivação (Parecer Normativo — PN n.° 26, de 26/09/2002), somente são dedutíveis na apuração do lucro real os custos e despesas efetivamente realizados e apoiados em documentação hábil e idônea. DA GLOSA DE CUSTOS — PROVISÕES CONSTITUÍDAS EM 2000 E REPETIDAS EM 2001 — DIFERENCA DE PROVISÃO 2000/2001— R$ 13.452.296,34. Fundamentase a autuação na existência de 904.370 registros de títulos provisionados com o mesmo número de matrícula e a mesma data de vencimento, onde, somando esses registros, temse R$ 58.121.067,24 e R$ 44.673.929,56, em 2000 e 2001, respectivamente, ou seja, um título foi provisionado em 2000 por X e provisionado em 2001 por X — Y, implicando em majoração indevida dos valores provisionados em 2000. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 25/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 14751.002674/200826 Resolução n.º 1302000.149 S1C3T1 Fl. 1.453 8 De importância, alega a impugnante que a diferença apurada resulta de eventos comuns a qualquer empresa (por exemplo, o pagamento parcial de débitos por seus devedores), não apresentando, no entanto, provas do que alega (pagamento parcial de títulos que compuseram a provisão). Consoante já exposto, com fundamento no art 16 do PAF, as alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. DA GLOSA DE CUSTOS DIFERENCA ENTRE OS VALORES PROVISIONADOS E ADICIONADOS NO ANO CALENDÁRIO DE 2000 (R$ 4.813.022,08) A fiscalização constatou que das provisões constituídas em 2000, vários títulos foram adicionados ao lucro líquido na apuração do lucro real por um valor menor que o provisionado (120.123 registros), totalizando R$ 4.813.022,08. A impugnante, sem apresentar qualquer prova, alega que a diferença corresponde exatamente às faturas pagas, o que implica ser o montante, em 2001, menor que o de 2000. Conforme o item anteriormente analisado, as alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. DAS ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO 1 REAL CUSTO/DESPESA INDEDUTWEL R$ 7.936.588,47 (31/12/2001 PROVISÃO DE CRÉDITO DE LIQUIDAÇÃO DUVIDOSA A TITULO JUDICIAL) A fiscalização constatou: a) Que a SAELPA não observou as regras da legislação do IRPJ para contabilização das perdas de títulos de liquidação duvidosa "A SAELPA não emitiu a fatura complementar referente ao aumento questionado judicialmente (20%) No caso de empresas mercantis, a operação será . caracterizada pela emissão da fatura, mesmo que englobe mais de uma nota fiscal IN SRF,n° 93/1997, art. 24, § 5"; e b) Não correspondência dos valores de alguns títulos provisionados com os i constantes nas respectivas faturas, além de inconsistências entre os títulos constantes do arquivo JUDICIAL.XLS e o arquivo TITULOS A RECEBER EM 2001 Títulos provisionados referente a ações judiciais que não constam na relação de títulos a receber T fls. (75 a 77). A impugnação limitase à alegação a seguir relatada e as provas constantes às folhas 3943 a 4131: "contabili as faturas dos clientes que haviam ajuizado ações na justiça utilizando a tarifa total (cheia e original), sem considerar a redução de 20% nas tarifas de energia elétrica determinada pelas decisões judiciais, muito embora fizesse a emissão das notas fiscais/contas de energia elétrica para os clientes pelo valor reduzido. .1 Desta maneira restaram para a impugnante valores a receber daqueles clientes em um montante de R$ 7.936.588,47. ... Os valores complementares, da ordem, portanto, de 20%, pendentes no Contas a , Receber, foram objeto de provisão pela Impugnante Fl. 8DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 25/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 14751.002674/200826 Resolução n.º 1302000.149 S1C3T1 Fl. 1.454 9 conforme parâmetros para a constituição de provisão para Devedores Duvidosos, definidos pela ANEEL. Apresenta como provas do que alega cópia do CE n° 016/2001 DFIN,pela qual a SAELPA solicita à SEFIN do Estado da Paraíba compensação do ICMS recolhido sobre os 20% dos faturamentos e cópias das Notas Fiscais dos consumidores citados pela fiscalização para comprovar que continuavam pendentes até 30/12/2001" Com efeito, temse, mais uma vez, a falta de comprovação da alegação por parte da SAELPA: 1°) Não caracterizou a operação, nos termos da IN SRF n° 93/1997, art. 24, § 5", contendose apenas em justificar o seu procedimento; e 2°) Não contraditou as inconsistências entre os títulos constantes do arquivo JUDICIAL.XLS e o arquivo TÍTULOS A RECEBER EM 2001 (fls. 75 a 77). Assim, consoante já exposto, com fundamento no art 16 do PAF, sua alegação não será apreciada, tendo em vista permanecer desacompanhada das provas documentais correspondentes. DAS EXCLUSÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL R$ 7.896.751,95 (f.g. 31/12/2001) — Valor revertido de provisão constituída no i ano calendário de 2001. Segundo a fiscalização, a SAELPA foi intimada a informar os títulos recebidos que compuseram a exclusão efetuada (R$ 7.896.751,95) e o ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil que a autorizou a fazer a exclusão do lucro real, não os apresentando, , contendose apenas em justificar o cálculo do valor. Mais uma vez, como é constante nesse processo, a impugnação, do que importa relatar, limitouse aos argumentos apresentados durante o procedimento fiscal: a) Que a reversão da provisão foi o resultado apurado referente à movimentação ocorrida no exercício de 2001; b) Que calculou provisão para crédito de liquidação duvidosa mensalmente, em conformidade com as regras definidas pela ANEEL contidas no Manual de Contabilidade do Serviço Público de Energia Elétrica, para fazer face a eventuais perdas na realização de créditos considerados de difícil recebimento e que mensalmente são feitas reversões do saldo da provisão constituída no mês anterior, apurandose em Dez/2001 o montante de R$ 73.942.388,66, valor esse inferior em R$ 7.896.751,95 àquele apurado até Dez/2000, que era de R$ 81.839.140,61; e c) Que os R$ 73.942.388,66 correspondem a Provisão constituída em Dez/2000 (R$ 81.839.140,61), menos contas baixadas em 2001 de R$ 0,01 a R$ 5.000,00 vencidas até Dez/1997 (R$ 29.878.752,27), mais contas incluídas em 2001 (R$ 34.833.228,65), menos contas corrigidas em 2001 que se encontravam na provisão em 2000 (R$ 12.851.228,33). Assim, consoante já exposto, com fundamento no art 16 do PAF, sua alegação , não será apreciada, tendo em vista permanecer desacompanhada das provas documentais correspondentes. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 25/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 14751.002674/200826 Resolução n.º 1302000.149 S1C3T1 Fl. 1.455 10 Ante o exposto, voto no sentido de considerar procedente o lançamento, para manter o crédito tributário exigido no presente processo Ciente da decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário onde repete os argumentos trazidos na fase impugnatória. É o Relatório. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 25/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 14751.002674/200826 Resolução n.º 1302000.149 S1C3T1 Fl. 1.456 11 Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva O recurso é tempestivo e dele conheço. Resta evidente que a manutenção ou não do presente lançamento depende diretamente do que for decidido no Processo Administrativo nº 14751.000142/200510, já que daquela autuação geraram reflexos em exercícios posteriores, que justificarão ou não a presente autuação. Diante do exposto, determino que se apense o presente processo ao de nº 14751 000142/200510 e tendo em vista que foi deferida diligência naquele, que se produza neste também, conforme requerido pelo contribuinte nos termos seguintes: a) pedidos de esclarecimento acerca das operações de compra e Venda de Energia junto à CCEE Câmara de Comercialização Energia Elétrica (nova denominação do Mercado Atacadista de Energia), com endereço na Alameda Santos, 745 9' Andar, Cerqueira César São Paulo SP, CEP: 01419001, com os seguintes quesitos: (i) Os valores contidos no documento "Resultados do Provisionamento 2001 (doc.32 anexo) possuem natureza de Recomposição Tarifária Extraordinária RTE? (ii) Os valores contidos no documento "Resultados do Provisionamento 2001são relativos à energia comprada e utilizada no ano de 2001 pela SAELPA, ou relativos a despesas/custos de exercícios futuros (2002 em diante) , provisionados em 2001? (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Fl. 11DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 25/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 19515.002777/2007-11
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1302-000.240
Decisão: Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade – Presidente (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Márcio Rodrigo Frizzo, Alberto Pinto Souza. Junior, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Cristiane Silva Costa e Luiz Tadeu Matosinho. Conselheiro Alberto Pinto S. Jr. Versa o presente processo sobre recurso voluntário interposto pelo contribuinte em face do Acórdão n˚ 1618.163 da 6ª Turma da DRJ/SPO1, cuja ementa assim dispõe: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 02 77 7/ 20 07 -1 1 Processo nº 19515.002777/200711 Resolução nº 1302000.240 S1C3T2 Fl. 2.390 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 NULIDADE. As causas de nulidade são aquelas previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há que se falar em cerceamento de defesa quando é facultado ao contribuinte pleno acesso à documentação que instruiu o procedimento de fiscalização, inclusive com a possibilidade de extração de cópias. MPF. MPF é instrumento de controle interno da administração, qualquer irregularidade formal apurada não é causa de nulidade. GLOSA DE DESPESAS. Comprovado que inexistiu operação de exportação, despesas contabilizadas pelo contribuinte relacionadas a este evento, devem ser consideradas não necessárias. PROVISÃO PARA DEVEDORES DUVIDOSOS. O contribuinte que deduzir do lucro líquido valores a título de provisão para devedores duvidosos, deverá adicionar estes montantes, para fins de apuração do lucro real. CSLL. O decidido quanto ao lançamento do IRPJ deve nortear a decisão do lançamento decorrente, tendo em vista que se origina dos mesmos elementos de prova. Lançamento Procedente. A recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 12/09/2008 (AR a fls. 1513) e interpôs recurso voluntário em 25/09/2008, no qual alega as seguintes razões de defesa: a) que o único documento que foi entregue juntamente com o auto de infração, foi tão somente os livros fiscais da recorrente; b) que a lei determina de forma enfática que o auto de infração deve vir acompanhado com toda a documentação que o embasa; c) que houve preterição do direito de defesa, devendo ser nulo o auto de infração uma vez que o contribuinte não teve o acesso a documentação em tempo hábil, que lhe era de direito para apresentar sua defesa, por culpa exclusivamente da fiscalização, uma vez que a mesma sob o pretexto de "preencher " as lacunas deixadas no auto de infração retardou ao máximo, cerca de 20 ( vinte ) dias o auto de infração de forma completa para a dificultosa apresentação da defesa em 10 dias; d) que o julgador ainda tenta fls 1638, informar que da data da ciência do auto de infração até a prolação desta decisão correram mais de 10 meses e que neste tempo o contribuinte poderia retirar cópia dos autos; e) que artigo 9º do Decreto 70235/72, descreve de forma categórica que o auto de infração deve vir quando da sua entrega ao contribuinte de toda documentação que lhe deu suporte, justamente para que o contribuinte possa refutar os entendimentos praticados nos relatórios do auto de infração; f) que, depois de feita e protocolada a defesa, não interessa mais, em tese, a retirada de cópia do processo, pois todo o raciocínio jurídico foi esposado quando da defesa protocolada; g) que, no julgamento realizado pela DRJ/SP, não houve o enfrentamento de todas as matérias trazidas pela defesa em sua argumentação; h) que sempre realizou as operações em virtude da Delegacia da Receita Estadual de Poços de Caldas, aprovar as operações e que junto a fls. 699/776 todas as autorizações realizadas pela Secretaria da Fazenda Mineira para a utilização do crédito de ICMS; Processo nº 19515.002777/200711 Resolução nº 1302000.240 S1C3T2 Fl. 2.391 3 i) que é nulo o julgamento da DRJ/SP, primeiro porque houve preterição do direito de defesa conforma amplamente demonstrado e segundo porque o julgador não enfrentou todas as matérias de fato e de direito a que estava obrigado; j) que as autoridades da Secretaria da Receita Estadual de Minas Gerais que acompanharam de perto e realizaram todo o procedimento administrativo que culminou no auto de infração na esfera Estadual alegam de forma enfática que as operações anteriores à exportação existiram, logo, não pode o julgadores da DRJ/SPI, que não acompanhou de, perto todo o processo fiscalizatória Local, ou seja, em Machado — MG, alegar de forma serena que as toda a operação não existiu; l) que a autoridade fiscal estadual mineira assim se pronunciou: "O Fisco não utilizou a base de cálculo pretendida pela autuada — estornos dos créditos apropriados pela aquisição da matéria — prima — uma vez que os Estados de origem das mercadorias não declararam a inidoneidade dos documentos de venda dos grãos de soja e assim, até prova em contrário, AS OPERAÇÕES OCORRERAM, SE OCORRAM, O CONTRIBUINTE TEM DIREITO AO APROVEITAMENTO DO CRÉDITO DE ICMS PELA AQUISIÇÕES EFETUADAS O Fisco poderá iniciar novo procedimento fiscal para recuperar a diferença entre o imposto creditado pela aquisição da soja e o incidente pela não comprovação das operações de exportação, tão logo a inidoneidade fique provada. O auto de infração foi EMBASADO NAS PROVAS EXISTENTES. CASO O IFSCO TIVESSE PROVAS SUFICIENTES DE QUE TODAS AS OPERAÇÕES ANTERIORES NÃO OCORRERAM, COM CERTEZA teria efetuado os estornos, uma vez que eles totalizam valores superiores aos que foram objeto de autuação" ( grifamos ) m) que maliciosamente, as notas fiscais nº 285478, 315393, 348378, 387492, 425098, 463161 e 497683 foram juntadas sem o canhoto, mas que agora a recorrente prova que tinham canhotos assinados pelas empresas compradoras da mercadoria, pois se assim não agisse, o Fisco não tinha como argumentar que as operações não existiram; n) que, se as operações existiram, conforme prova as declarações do Fisco mineiro e os canhotos das nota fiscais assinados pelos compradores, a responsabilidade por não terem sido realizadas as exportações são das tradings exportadoras, conforme dispõe o art. 7º da Lei 10.637/02 e art. 9º da Lei nº 10.833/03, logo houve erro na idendtificação do sujeito passivo; o) que resta mais que evidente que o contribuinte em tela, agindo em conformidade com as disposições e práticas reiteradas da Administração Fazendária Mineira, jamais poderia em virtude da aplicação do paágrafo único do art. 100 do CTN, ser compelida ao pagamento de todas as espécies de multas e juros; p) que o Sr. Agente Fiscal delimita a conduta que entende fraudulenta apontando os "assessores tributários" do contribuinte e não o contribuinte como responsáveis e o julgador vem falar em equívoco, logo nenhuma conduta fraudulenta foi imputada pelo Agente Fiscal ao contribuinte e sim aos assessores, razão pela qual fica evidente que a verdadeira intenção do autuante era impor a multa de 75%; Processo nº 19515.002777/200711 Resolução nº 1302000.240 S1C3T2 Fl. 2.392 4 q) que não existe a capitulação legal da multa de ofício; r) que, na defesa apresentada do processo do PIS, requer a aplicação do princípio da isonomia, bem como a aplicação do artigo 146 do Código Tributário Nacional, uma vez que houve mudança de critério jurídico do Estado Fiscalização; s) que resta cristalino o entendimento do Estado de Minas Gerais, que se partíssemos do entendimento que a exportação não tivesse existido, a causa não teria sido dada pela recorrente e sim pelos "mentores do negócio", que teriam realizado operações de fornecimento, remessa p/ industrialização e venda à Trading para exportação; t) que “o fato de estar contabilizado o valor à título de provisão para devedores duvidosos na contabilidade da empresa, não enseja o dever de aprofundamento e investigação para assegurar a prova por parte do Estado”[sic]; u) que não há participação física da autuada, de contato com os produtos (até mesmo porque os contratos assim dispunham) tanto na compra e venda da soja, na industrialização/beneficiamento, quanto na exportação da soja já industrializada; v) que se aplica ao caso o art. 112 do CTN, pois, diante dos fatos narrados, resta provado que a recorrente sempre tomou as medidas exigíveis para configurar a boafé a que sempre se manteve em todas as operações realizadas, e que diante desses fatos, em caso de eventual comprovação de inexistência do processo de exportação, a multa aplicada em face da recorrente jamais deve subsistir, bem como qualquer ação penal; x) que a taxa Selic é ilegal; z) que requer sucessivamente: a nulidade do lançamento por preterição do direito de defesa; improcedência do lançamento por erro na identificação dos sujeito passivo; nulidade do julgamento de primeira instância por não ter abordado todas as matérias de defesa; a aplicação do art. 100, parágrafo único do CTN para anular a multa por ter obedecido a prática reitierada da Fazenda Estadual Mineira; e a aplicação do art. 112 do CTN em razão das declarações do Fisco mineiro. Em 05 de junho de 2013, a recorrente apresenta Memorial, no qual sustenta o seguinte: “[...] Ou seja, em verdade, houve por parte da Autoridade Fiscal e da DRJ presunção de que a Recorrente teria mantido no ano de 2002 os critérios de constituição e dedução da antiga provisão para perdas com devedores duvidosos “PDD”, os quais não se baseavam na observância de critérios objetivos de incorrência nas perdas, conforme os que foram introduzidos na legislação fiscal a partir de 01 de janeiro de 1997, com a vigência da Lei 9.430/96, especificamente os artigos 9 e seguintes. Como dito, houve uma presunção, já que em seu procedimento, a autoridade fiscal não efetuou qualquer análise acerca da natureza das perdas com créditos, registradas contabilmente pela Recorrente frente às novas regras de dedutibilidade estabelecidas pela art. 9º e seguintes Processo nº 19515.002777/200711 Resolução nº 1302000.240 S1C3T2 Fl. 2.393 5 da própria Lei nº 9.430/1996, tendo a DRJ também ignorado tais comandos. No caso, a Recorrente efetuou, mensalmente, a análise das perdas no recebimento de créditos que estavam sendo registradas contabilmente e identificou aquelas passíveis de dedução, na apuração do IRPJ, de acordo com os critérios estabelecidos na Lei nº 9.430/1996. ............................................................................................................... Temse, pois, que parte da presente autuação se refere a valores decorrentes de duplicatas não pagas à Recorrente, de valores abaixo de “R$ 5.000,00 (cinco mil reais), por operação, vencidos há mais de seis meses”, o que se encaixa perfeitamente no comando do art. 9º, inciso II, reproduzido acima em rodapé. Destacase que este perfil de títulos a receber de valores reduzidos e pulverizados por diversos devedores é situação típica do negócio da Recorrente, entre outros, comércio atacadista de massas alimentícias, chocolates, confeitos, balas, produtos de higiene e limpeza etc. [...]” É o relatório. O recurso voluntário é tempestivo, razão pela qual dele conheço. Tanto na impugnação como no recurso voluntário interpostos, a recorrente sempre sustentou que não teria havido um aprofundamento dos lançamentos relativos a despesa com provisão para devedores duvidosos, se não vejamos com a DRJ se pronunciou no seu acórdão sobre a questão: “319. Com relação a este tópico o impugnante traz as seguintes questões: Porque o Fisco não procedeu ao levantamento detalhado desta conta? Porque não fez a análise analítica no razão e diário da autuada? Porque não analisou do que efetivamente se trata, uma vez que a autuada faz deduções decorrentes de receitas realmente inadimplidas? Porque não verificou realmente quais as receitas não foram adimplidas? Porque não comparou as baixas efetuadas decorrentes das provisões para devedores duvidosos? Qual critério que foi adotado? Houve requisição ao setor contábil da empresa para esclarecer do que se tratava estes saldos nestes meses? Houve indagação ao setor contábil se estes valores se tratavam realmente de provisão para devedores duvidosos ou a baixa de decorrente desta provisão em virtude de inadimplemento de clientes? Porque o fisco ausentouse adotar este procedimento, uma vez que o processo administrativo fiscal se baseia na verdade material e real? Processo nº 19515.002777/200711 Resolução nº 1302000.240 S1C3T2 Fl. 2.394 6 320. A contabilização de Provisão para Devedores Duvidosos foi apurada na própria escrita contábil da pessoa jurídica, assim caberia ao contribuinte demonstrar que incidiu em erro ao efetuar este lançamento. Destaquese que a constituição de Provisão para Devedores Duvidosos não se verificou apenas em um mês, mas em todos os meses do ano calendário de 2002. Cabe também ressaltar que decorridos mais de quatro anos entre a ocorrência do evento e a realização da fiscalização não constava nenhum estorno contábil relativo a estas provisões. 321. Desta forma, não era necessário à fiscalização aprofundar seu exame, tendo em vista que a própria escrituração da empresa apontava para a constituição indevida de Provisão para Devedores Duvidosos. 322. Apesar de inexistir nos autos prova de que esta provisão tenha sido constituída de forma indevida, ao impugnante era facultado apresentar provas neste sentido, na fase de impugnação. Assim, caberia a defesa comprovar que perdas efetivas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica compunham esta provisão. Melhor explicando, o contribuinte deveria "abrir" o valor de cada uma das Provisões para Devedores Duvidosos demonstrando sua composição.”. Agora, no Memorial de 05 de junho de 2013, sustenta que os lançamentos que fazia a débito de despesa com PDD era, na verdade, perdas no recebimento de créditos de valores até R$ 5.000,00 que observavam a condição de dedutibilidade prevista no art. 9º, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.430/96 (mais de seis meses de vencidos) e junta relação das duplicatas em aberto que ocasionaram os lançamentos, ou seja, fazia um crédito em provisão 9conta redutora do ativo) e um débito em despesa com PDD. De plano, há que se ressaltar que, ainda que se comprove verdadeira a alegação da recorrente, ela não atendeu ao disposto no art. 10 da Lei nº 9.430/96, o qual assim dispõe: “Art. 10. Os registros contábeis das perdas admitidas nesta Lei serão efetuados a débito de conta de resultado e a crédito: I da conta que registra o crédito de que trata a alínea a do inciso II do § 1º do artigo anterior; [...]” Não obstante, antes de debatermos se o disposto na norma acima transcrita é ou não condição de dedutibilidade das perdas no recebimento de crédito de que trata o art. 9º, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.430/96, há que se verificar a veracidade do que fora alegado pela recorrente. Incialmente, proponho a juntada aos autos do referido Memorial e dos seus anexos, para, então, converter o julgamento em diligência, retornando os autos à Unidade de origem, para: Processo nº 19515.002777/200711 Resolução nº 1302000.240 S1C3T2 Fl. 2.395 7 1) que seja a recorrente intimada a apresentar, no prazo máximo de 30 dias, o lastro documental que comprove a veracidade do que fora alegado, em especial, da “Relação de Duplicatas em Aberto p/Duplicatas”; 2) que a Unidade de origem emita relatório sobre a idoneidade dos documentos apresentados e se os lançamentos contábeis na escrituração da recorrente suportam o que fora alegado; 3) que seja dada ciência à recorrente do Relatório de diligência e aberto prazo para que se pronuncie sobre ele; Após cumpridas as providências acima, os autos devem retornar ao CARF, para prosseguimento do feito.
score : 1.0
Numero do processo: 13864.000270/2007-87
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/1999 a 31/05/2004
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional.
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA.
ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Numero da decisão: 2403-000.363
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Nas preliminares, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência até a competência 08/2002,
inclusive, com base nos termos do Art. 150, § 4º, CTN; votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza e Cid Marconi Gurgel de Souza. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso determinando o recalculo da multa de mora de acordo com o no Art. 35, caput, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009 prevalecendo o mais benéfico ao contribuinte. Vencido na questão de multa de mora o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Nas preliminares, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência até a competência 08/2002, inclusive, com base nos termos do Art. 150, § 4º, CTN; votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza e Cid Marconi Gurgel de Souza. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso determinando o recalculo da multa de mora de acordo com o no Art. 35, caput, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009 prevalecendo o mais benéfico ao contribuinte. Vencido na questão de multa de mora o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Carlos Alberto Mees Stringari Relator Participaram, do presente julgamento os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Carlos Alberto Mees Stringari e Cid Marconi Gurgel de Souza. Ausentes os Conselheiros Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Marcelo Magalhães Peixoto. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte, Acórdão 0217.352 7ª Turma, que julgou procedente o lançamento. De acordo com o relatório fiscal de fls. 41 a 43, trata o lançamento da contribuição destinada à Seguridade Social, parte dos segurados, calculada a menor na folha de pagamento no período de 05/1999 a 05/2004. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese que ocorreu a decadência. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões levantadas pela recorrente. Decadência O lançamento fundamentouse no artigo 45 da Lei 8.212/91. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade desse artigo, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13864.000270/200787 Acórdão n.º 240300.363 S2C4T3 Fl. 146 3 Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional (CTN), o art. 173 ou o art. 150 (este último diz respeito ao lançamento por homologação). Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto Fl. 3DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador. Essas interpretações estão em sintonia com decisões do Poder Judiciário e com a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, deste CARF. “Ementa: .... II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) ... “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. .... .... Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO LANÇAR TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Restando configurado que o sujeito passivo não efetuou recolhimentos, o prazo decadencial do direito do Fisco constituir o crédito tributário deve observar a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Precedentes no STJ, nos termos do RESP nº 973.733 – SC, submetido ao regime do art. 543 – C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.( Recurso 140.076, Acórdão 9101 da 1ª Turma da CSRF) Portanto, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado seja o I, art. 173 ou o § 4°, art. 150, ambos do CTN devemos identificar a ocorrência, ou não, de pagamentos parciais, pois só assim poderemos declarar os efeitos da decadência no lançamento. O Relatório de Documentos Apresentados – RDA, folhas 10 a 17, apresenta guias de recolhimento e parcelamento para o período do débito. Esses documentos evidenciam a existência de pagamentos parciais e nos levam a aplicar a regra do § 4° do art. 150 do CTN, isto é, 5 anos da ocorrência do fato gerador. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13864.000270/200787 Acórdão n.º 240300.363 S2C4T3 Fl. 147 5 O período do lançamento é de 05/1999 a 05/2004. A ciência do lançamento acorreu em 13/09/2007. Concluo que ocorreu a decadência para as competências até 09/2002, inclusive. Multa de mora Por dever de ofício passo a analisar a questão da multa de mora. A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Conclusão À vista do exposto, voto por, nas preliminares, reconhecer a decadência até a competência 09/2002, com base na regra do § 4° do art. 150 do CTN e no mérito, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na Fl. 5DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 6DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10120.904792/2009-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1302-000.207
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator, vencidos os Conselheiros Eduardo de Andrade e Luiz Tadeu Matozinho Machado, que negavam provimento.
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator, vencidos os Conselheiros Eduardo de Andrade e Luiz Tadeu Matozinho Machado, que negavam provimento. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva Eduardo de Andrade, Luiz Tadeu Matozinho Machado, Paulo Roberto Cortez e Eduardo de Andrade Fl. 99DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 10120.904792/200927 Resolução n.º 1302000.207 S1C3T2 Fl. 2 2 RELATÓRIO Trata o processo de manifestação de inconformidade em face de despacho decisório de não homologação de declaração de compensação. A DCOMP não homologada tem por objeto a compensação de débito do sujeito passivo, com base em suposto direito creditório oriundo de ‘pagamento indevido ou a maior’ de IRPJ, código 5993, no valor de R$ 141.688,01, do período de apuração 30/06/2005, com data de arrecadação em 29/07/2005. Transmitida em 16/01/2006, a DCOMP recebeu da DRF de origem o Despacho Decisório de ‘não homologação’ da compensação, emitido em 20/04/2009, cujas razões de negação se fundam na utilização integral do pagamento discriminado para a quitação do débito de código 5993, do PA 30/06/2005, portanto, sem crédito disponível para a compensação em comento. Cientificada desse despacho em 29/04/2009, a interessada apresentou, em 28/05/2009, manifestação de inconformidade na qual alega, em síntese, que “efetuou recolhimentos a maior conforme apurado na DIPJ 2006 transmitida em 29/06/2006”, sob o “regime de tributação com base em balancete de suspensão ou redução do imposto”. Pede revisão do despacho decisório (fls. 01/02de 66d). A 4ª Turma da DRJ/BSB através do acórdão nº 0345.535, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, unanimemente, alegando basicamente o seguinte: que na linha disciplinada pelos artigos 2º, 6º, e 28 a 30 da Lei nº 9.430/1996; artigo 6º, parágrafo único, da Lei nº 7.689/1988; e artigos 221 a 232 do Decreto nº 3.000/99, os valores pagos a título de estimativa de imposto de renda e contribuição social sobre o lucro líquido não podem ser considerados crédito em favor do contribuinte, sob a qualificação de “pagamento indevido ou a maior’, uma vez que nesta sistemática de tributação a pessoa jurídica fica obrigada a antecipar ao Fisco, mensalmente, parte desse tributo, calculado com base em sua receita bruta, e aplicação de um percentual prédefinido com vistas ao cálculo do lucro real, com a faculdade aberta à pessoa jurídica para suspender ou reduzir o pagamento do tributo devido por estimativa, desde que demonstre, mediante balancetes mensais, que o valor acumulado já pago até o mês anterior excede o valor do tributo, inclusive adicional (no caso do IRPJ), calculado com base no lucro real auferido até aquele mês. que essa opção somente pode ser exercida até o vencimento do tributo, ou seja, não é facultado ao contribuinte efetuar o pagamento de uma estimativa e, depois, elaborar balancete, concluindo que poderia pagar valor menor ou, até mesmo, não pagar nada. Isso decorre da própria definição do instituto e da sua essência. Por isso, o balancete de suspensão ou redução não pode servir de base para que o contribuinte, tendo recolhido sua estimativa com base na receita bruta, venha a alegar ter sido indevido ou a maior esse pagamento. que o fato gerador do IRPJ (ou CSLL) abrange todas as situações ocorridas durante o anocalendário, sendo que o tributo devido é apurado no encerramento desse período. na apuração segundo a sistemática do lucro real anual, no fim do ano calendário, para se calcular o tributo efetivamente devido, cujo fato gerador é, então, anual, subtraemse do IRPJ (ou CSLL) apurado para todo o ano as deduções legalmente previstas, entre elas as antecipações feitas durante o período, como as decorrentes de retenções na fonte, Fl. 100DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 10120.904792/200927 Resolução n.º 1302000.207 S1C3T2 Fl. 3 3 e a título de pagamentos de estimativa mensal. Caso o resultado dessa operação matemática seja positivo, tem o interessado o dever de recolher o valor encontrado; caso seja negativo, ter seá caracterizado o saldo negativo de IRPJ (ou CSLL), o que significa direito creditório em favor do contribuinte. Nesse último caso, o referido valor constitui crédito em favor do contribuinte, repisase, na forma de saldo negativo de IRPJ (ou CSLL) apurado no período, porém, jamais na condição de pagamento indevido ou a maior. Intimado da decisão da DRJ em 16/12/2011, apresentou recurso voluntário tempestivo, em 23/12/2011 alegando basicamente o seguinte: a origem dos créditos compensados por meio do PER/DCOMP advém dos recolhimentos do IRPJ e da CSLL, do exercício de 2006, ano calendário 2005, recolhidos a maior conforme apurado na DIPJ 2006 (anexa) transmitida em 29.06.2006, originando, portanto, o direito a compensação com os demais tributos. ‐ os valores foram compensados nos recolhimentos do PIS e do COFINS, conforme demonstrado. ‐ verificou‐se com base no acórdão, que a origem dos créditos tributários, a serem compensados, fora informada de maneira indevida. ‐ onde deveria ser assinalado créditos de "saldo negativo de CSLL e saldo negativo de IRPJ", fora preenchido "pagamento indevido ou a maior." Único fator que amparou a decisão em desfavor do contribuinte. ‐ pugna pelo reconhecimento do direito creditório tolhido em razão da equivocada 'denominação' do referido crédito, mero erro formal, quando em contrapartida verificase, claramente, a correta origem do saldo negativo. É o relatório. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 10120.904792/200927 Resolução n.º 1302000.207 S1C3T2 Fl. 4 4 VOTO Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva O recurso voluntário apresentado pela recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, razão porque dele conheço. Conforme relatado, pelo despacho decisório, foi negado o direito creditório da Recorrente, sob o fundamento de que não teria sido confirmada a existência do crédito informado, pois o respectivo DARF vinculado à DCOMP teria sido integralmente utilizado para a quitação do débito. A 4ª Turma da DRJ/BSB, não homologou as compensações pleiteadas, pelo argumento de que é inadmissível a utilização de pagamentos a título de estimativa mensal para fins de compensação tributária. Visto que a DRJ de Brasília não se pronunciou propriamente sobre o crédito, se posicionando simplesmente sobre a impossibilidade da compensação por falta de previsão legal, passo a discorrer sobre esta possibilidade. Cito jurisprudência deste E. Conselho, no caso, o Acórdão Acórdão n° 1801 000.530, de 29/03/2011, em que foi Relatora a conselheira Maria de Lourdes Ramirez e do qual participei do julgamento. Naquela ocasião decidimos que, relativamente aos indébitos de estimativas, não há como tratar a restrição inserta a partir da Instrução Normativa SRF nº. 460/2004 como procedimental. No nosso entendimento não se vislumbra espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Peço permissão para reproduzir as palavras proferidas naquele voto, pela Ilustre Conselheira, que há muito tempo vem estudando o tema com profundidade. “...... Logo, o pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. Neste sentido, aliás, já se manifestou a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Divisão de Tributação da 9a Região Fiscal, ao publicar a Solução de Consulta no 285/2009, em resposta ao questionamento formulado nos autos do processo administrativo no 10909.000244/200969. ........ Fl. 102DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 10120.904792/200927 Resolução n.º 1302000.207 S1C3T2 Fl. 5 5 No presente caso, a contribuinte alega que errou ao apurar e pagar a estimativa de CSLL relativa ao mês de janeiro de 2003, em valor maior que o devido, e assim apontou o indébito de R$ 3.328,31, para compensações com outros tributos, posteriormente, inclusive, à apuração do ajuste anual em 31/12/2003, já que a DCOMP foi formalizada em janeiro de 2004. Entretanto, há notícias nos autos que os recolhimentos a maior a título de estimativas (de IRPJ e de CSLL), cujo indébito é pleiteado nestes autos a título de direito creditório – especificamente nestes autos o indébito de estimativa de CSLL foram aproveitados como dedução e compuseram o saldo final do tributo – IRPJ ou CSLL – apurado, ao final do período de apuração, em 31/12/2003, em procedimento fiscal de revisão de ofício de lançamento. Dito de outra forma, o valor aqui pleiteado já teria sido reconhecido pela auditoria fiscal, na revisão de ofício, e aproveitado nas antecipações a título de estimativas, servindo como dedução ou compondo o tributo ao final apurado. Por relevante, transcrevo o teor do item “6” do Relatório de Informação Fiscal relativo ao processo n° 19647.009690/200699, cuja cópia encontrase acostada às fls. 97 a 101: “6. Os pagamentos de estimativa mensal de IRPJ e da CSLL indevidos ou a maior foram aproveitados (nesta revisão) no ajuste anual, respectivamente, para dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devidos no anocalendário em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo do período, conforme art. 10 da IN N."600/2005....” Imperioso, portanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido, seja na apuração da estimativa com base em receita bruta, seja com base em balancete de suspensão/redução, a sua adequação para a formação do indébito de R$ 3.328,31 e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação da CSLL devida no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, em verdade, o fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento. Por todo o exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para que se juntem as provas documentais que comprovem a existência ou não do crédito pleiteado. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 10120.904792/200927 Resolução n.º 1302000.207 S1C3T2 Fl. 6 6 Das informações ora requeridas e juntadas aos autos, à recorrente deve ser dada a devida ciência e concedido prazo regulamentar para, desejando, se manifestar a respeito. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 104DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE
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