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Numero do processo: 13971.001811/2002-62
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997
DCTF. REVISÃO INTERNA. COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE.
A compensação de créditos tributários depende comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional.
Numero da decisão: 3802-000.990
Decisão: DCTF. REVISÃO INTERNA. COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE.
A compensação de créditos tributários depende comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional.
Impugnação Improcedente.
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 2ª Turma Especial da TERCEIRA SEÇÃO, por unanimidade de votos, CONHECER DO RECURSO e NEGAR-LHE PROVIMENTO.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram, ainda, da presente Sessão de Julgamento, os conselheiros, José Fernandes do Nascimento, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: Relator Cláudio Augusto Gonçalves Pereira
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997 DCTF. REVISÃO INTERNA. COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE. A compensação de créditos tributários depende comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional.
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decisao_txt : DCTF. REVISÃO INTERNA. COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE. A compensação de créditos tributários depende comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 2ª Turma Especial da TERCEIRA SEÇÃO, por unanimidade de votos, CONHECER DO RECURSO e NEGAR-LHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente em exercício (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator. Participaram, ainda, da presente Sessão de Julgamento, os conselheiros, José Fernandes do Nascimento, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn e Tatiana Midori Migiyama.
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Compensação. Requisito de Validade. Período 01/10/1997 a 31/12/1997. . Recorrente Auto Viação Rainha Ltda Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997 DCTF. REVISÃO INTERNA. COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE. A compensação de créditos tributários depende comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. DCTF. REVISÃO INTERNA. COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE. A compensação de créditos tributários depende comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 2ª Turma Especial da TERCEIRA SEÇÃO, por unanimidade de votos, CONHECER DO RECURSO e NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim – Presidente em exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 18 11 /2 00 2- 62 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram, ainda, da presente Sessão de Julgamento, os conselheiros, José Fernandes do Nascimento, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4a Turma da DRJ/FNS, a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, de modo a manter o crédito tributário de que trata o auto de infração ora combatido, nos termos do Acórdão assim ementado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997. DCTF. REVISÃO INTERNA. COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE. A compensação de créditos tributários depende comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido O processo decorre de lançamento fiscal em virtude da apuração de falta de recolhimento da contribuição ao Programa de Integração Social PIS, relativa aos fatos geradores ocorridos nos períodos de apuração de outubro de 1997 a dezembro de 1997, declarados na DCTF, porém não localizados, razão pela qual foi lavrado o auto de infração n. 0001474, formandose o crédito tributário (contribuição + multa + juros de mora), com enquadramento legal indicados na fls. 06 dos autos. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte alega que ingressou no Poder Judiciário, por intermédio de mandado de segurança, no ano de 1996, com o objetivo de haver reconhecido seu direito de compensação dos valores de PIS recolhidos a maior, cuja decisão lhe foi favorável em 1998. Alega ainda que somente no ano de 2010 a Fazenda Federal indeferiu a compensação pretendida, cuja data transpassava em dois anos o reconhecimento judicial de seu pleito. Informa que não houve o lançamento dos créditos tributários de PIS. Entende que a autoridade fiscal descumpriu a norma contida no artigo 9º do Decreto 70.235/72. Trouxe, em conjunto com seus argumentos, julgados do STF e do STJ autorizadores da realização da compensação pretendida. Por fim, pretende a não incidência da multa constante no auto de infração ou a sua redução. Para tanto, fundamenta suas convicções nas disposições contidas no artigo 165 do Código Tributário Nacional e em outros julgamentos realizados pelas Cortes Superiores. É o relatório. Voto Fl. 176DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13971.001811/200262 Acórdão n.º 3802000.990 S3TE02 Fl. 112 3 Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Admissibilidade do recurso Preenchidos os requisitos formais de admissibilidade, conheço do presente recurso. Voto Dá análise dos documentos trazidos ao feito, nenhum reparo merece a decisão proferida pela 4ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Florianópolis, já que à época em que a DCTF foi apresentada ao Fisco (anocalendário 1997), a decisão do mandado de segurança de n. 97.20065451, noticiado e interposto pela recorrente, não havia sido transitada em julgado. Notese, naquele momento, o seu direito de compensação não se coadunava com as disposições contidas no artigo 170 do Código Tributário Nacional que determina que: “a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública”. Conforme entendimento exposto na decisão a quo de fls. 93, o qual será aqui reproduzido somente a parte que interessa, temse que, quando se procedeu a compensação informada na DCTF, a interessada ainda não detinha decisão judicial transitada em julgado (nem mesmo a decisão de primeira instância) que lhe assegurasse, de forma líquida, certa e definitiva, o crédito contra a Fazenda Nacional. Com isso, adotou conduta dissonante com a retro citada previsão legal, o que torna irregular a compensação promovida, independentemente de, posteriormente, ter a contribuinte acabado por ver reconhecido seu direito creditório via judicial. Nesse sentido, tendo em vista a não existência dos requisitos específicos da liquidez e certeza do crédito, não há como se proceder à compensação pleiteada. O artigo 146, III, letra b, da Constituição Federal, dispõe que somente a lei complementar pode tratar de obrigação, lançamento e crédito tributários. O artigo 170 do Código Tributário Nacional, ao exigir liquidez e certeza para ser efetivada a compensação, é lei complementar e, portanto, fixa pressuposto nuclear a ser cumprido pelas partes, não dispensável por lei ordinária. O direito de compensar crédito tributário indevidamente pago, conforme permitido em lei, exigese que se apure previamente, por via administrativa ou judicial, a sua liquidez e certeza, em homenagem ao devido processo legal. Precedentes do STJ – REsp n. 111.034/AL – REsp 76.230/PE – REsp 78.493 – REsp 98.197/RS. Posto isto, voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO e NEGOLHE PROVIMENTO, mantendo o auto de infração ora impugnado. Sala de Sessões, em 25 de abril de 2012. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 177DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 16045.000016/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
IPI. VALOR TRIBUÁVEL MÍNIMO. REMESSAS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS OU EQUIPARADOS. INAPLICABILIDADE.
Nas transferências de partes, peças, componentes, insumos ou produtos semielaborados entre estabelecimentos industriais ou entre estabelecimentos equiparados a industrial, dentro da linha de produção entre unidades sob um mesmo controle ou com relação de interdependência, não se submetem ao método do valor mínimo tributável, pois que o ilícito que se objetiva atingir com referido mecanismo (quebra da cadeia do IPI), não se mostra presente nessa operação. Aplicabilidade da Instrução Normativa SRF n° 87, de 21 de agosto de 1989, para cancelar a exigência fiscal.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 3402-002.540
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho e Fenelon Moscoso de Almeida. Designado conselheiro João Carlos Cassuli Junior para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral dr Carlos Henrique C Delgado OAB/SP 172700.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Substituto), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 IPI. VALOR TRIBUÁVEL MÍNIMO. REMESSAS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS OU EQUIPARADOS. INAPLICABILIDADE. Nas transferências de partes, peças, componentes, insumos ou produtos semielaborados entre estabelecimentos industriais ou entre estabelecimentos equiparados a industrial, dentro da linha de produção entre unidades sob um mesmo controle ou com relação de interdependência, não se submetem ao método do valor mínimo tributável, pois que o ilícito que se objetiva atingir com referido mecanismo (quebra da cadeia do IPI), não se mostra presente nessa operação. Aplicabilidade da Instrução Normativa SRF n° 87, de 21 de agosto de 1989, para cancelar a exigência fiscal. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho e Fenelon Moscoso de Almeida. Designado conselheiro João Carlos Cassuli Junior para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral dr Carlos Henrique C Delgado OAB/SP 172700. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Substituto), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
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VALOR TRIBUÁVEL MÍNIMO. REMESSAS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS OU EQUIPARADOS. INAPLICABILIDADE. Nas transferências de partes, peças, componentes, insumos ou produtos semielaborados entre estabelecimentos industriais ou entre estabelecimentos “equiparados a industrial”, dentro da linha de produção entre unidades sob um mesmo controle ou com relação de interdependência, não se submetem ao método do valor mínimo tributável, pois que o ilícito que se objetiva atingir com referido mecanismo (“quebra da cadeia do IPI”), não se mostra presente nessa operação. Aplicabilidade da Instrução Normativa SRF n° 87, de 21 de agosto de 1989, para cancelar a exigência fiscal. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho e Fenelon Moscoso de Almeida. Designado conselheiro João Carlos Cassuli Junior para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral dr Carlos Henrique C Delgado OAB/SP 172700. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 5. 00 00 16 /2 00 7- 11 Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Substituto), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 16045.000016/200711 Acórdão n.º 3402002.540 S3C4T2 Fl. 1001 3 Relatório Como forma de elucidar os fatos reproduzo o relatório da Resolução nº 3402 000.584, de 22/0/2013: Tratase de recurso tempestivamente ofertado contra a decisão da DRJ Ribeirão Preto que considerou parcialmente procedente autuação lavrada contra a recorrente. O lançamento diz respeito a diferenças de IPI apuradas pela fiscalização sobre saídas para filial ou empresa interdependente, nas quais, entendeu a autoridade, não se observou a contento a figura do valor tributável mínimo. O lançamento se resume à multa devida sobre a falta de destaque, uma vez que a empresa apresenta saldos credores de IPI em todos os meses. Ela foi inicialmente exigida no percentual de 112,5% do imposto que se entendeu não destacado. O agravamento teria decorrido do desatendimento a intimações da autoridade fiscal, mas já foi afastado em primeira instância, não cabendo recurso de oficio por ser o valor inferior ao limite de alçada. A discussão se resume, portanto, à necessidade de observância do valor mínimo tributável em saídas promovidas para filial atacadista ou empresas interdependentes, nos termo do art. 123 c/c 124 do Regulamento do IPI baixado pelo Decreto 2.637/98 e possibilidade da exigência de multa mesmo que o imposto não seja devido, que são os dois argumentos da defesa. Desde a impugnação tempestivamente ofertada a empresa defende a inaplicabilidade do dispositivo regulamentar que exige tal observância porque os produtos autuados são tubos que, ou constituem matérias primas para o processo industrial do estabelecimento filial recebedor, não possuindo, por isso, preço atacadista, ou são remetidos a empresa interdependente para testes e ajuste da linha de produção da autuada. Defende ela que, por não serem eles comercializados na praça do estabelecimento remetente, não teria aplicação a regra do art. 123. Já no que tange à observância do disposto no art. 124 (custos de fabricação e demais parcelas) entende que a fiscalização laborou em equívoco. E que a fiscalização adotou valores informados pela própria empresa (fl. 52) em resposta a intimação fiscal (fl. 38). Defende ela, agora, que tais valores não poderiam ser adotados como satisfazendo as exigências do art. 124, pois não se refeririam aos custos de fabricação do próprio produto que se estava dando saída (tubos) mas sim a valores do produto que viria a ser com eles fabricado (tanques). Esse argumento não foi, porém, aceito pelas autoridades julgadoras de primeiro grau que afirmaram não fazer ele sentido. Isto é, segundo as autoridades julgadoras, a empresa Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 fora intimada a informar exatamente quais seriam os valores a adotar como valor tributável mínimo para os tubos, se afigurando um contrassenso aceitar que tenha ela informado valores dos tanques. No recurso ora em análise a empresa insiste, primeiro, em que não poderia haver sequer a exigência de tributação, dado que não houve venda, não havendo valor da operação para se apurar o imposto. Segundo ela, o CTN apenas prevê para valor tributável o valor da operação. Subsidiariamente, afirma que "a autoridade fiscal adotou o valor dos tanques para imputar o valor mínimo tributável dos tubos que integram aqueles", o que configuraria arbitramento. Aduz ainda que teria informado já na fase fiscalizatória — e reiterado na impugnação apresentada que os valores não se prestavam à caracterização do valor tributável mínimo previsto na legislação. Como prova, transcreve trecho da resposta apresentada, em que consta: "Informamos que os tubos utilizados na fabricação de tanques não são vendidos, pois são matériasprimas do processo de produção de tanques industriais. Porém os números informados abaixo são referenciais, considerando que não há venda desses produtos". Quanto às saídas para empresa interdependente, defende – em complemento à apontada impossibilidade, por força da disposição do CTN, de tomarse como base de cálculo valor outro que não o da operação que a própria SRF já teria dispensado os contribuintes da observância de valor tributável mínimo. Tratarseia da IN SRF 87/89. Esse argumento foi refutado pela instância de piso ao fundamento de que a IN apenas trata de produtos específicos tributados na forma da Lei 7.798/89 e quando remetidos a estabelecimento equiparado. No caso, o destinatário seria estabelecimento industrial. Insiste em seu recurso a empresa transcrevendo o artigo 4º da IN que, ao dispensar o remetente da observância do valor tributável mínimo, fala em "equiparação a contribuinte do imposto, decorrente da aplicação ou não do art. 7° da Lei 7.798/89". Segundo ela, isso significa que em qualquer saída para equiparado não há que se observar valor tributável mínimo. E completa aduzindo que mesmo uma outra empresa seria tratada, in casu, como equiparado a contribuinte, transcrevendo jurisprudência que considera tratar do assunto. Pugna, ao fim, que ao menos se defira a realização de diligência em que se apure o verdadeiro valor tributável nas operações, em respeito ao principio da verdade material. Como dito alhures, a 2ª Turma da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF converteu o julgamento em diligência para que fosse apurado o valor de venda de tubos similares na Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 16045.000016/200711 Acórdão n.º 3402002.540 S3C4T2 Fl. 1002 5 praça do recorrente e, caso inexistente tal valor, que fosse apurado o valor tributável na forma do art. 124, I, do RIPI/98. A Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Taubaté (SP) emitiu o relatório fiscal fl. 450, cujas conclusões reproduzo: “1. em 28 de abril de 2006, acordo com fls. 24, Intimação n° 36, item 1, foi solicitado a Confab justificativas com relação a disparidade de valores das transferências de "TUBO...p/TQ", conforme exemplificado em fls. 25/26, coluna "R$/un"; 2. em 10 de maio de 2006, fls. 27, mesmo item 1, in fine, Confab declara que "Quanto a diversidade de valores para o mesmo produto, estamos em fase de identificação e informaremos oportunamente."; 3. em 12 de julho de 2006, fls. 28, item 3, em acréscimo ao que lhe fora solicitado em 28 de abril, Confab informa que "...por um lapso, alguns produtos dentre os constantes na listagem apresentada estão com valor tributável inferior ao que dispõe o Regulamento do IPI"; 4. em 12 de julho de 2006, de acordo com fls. 29, em item 4, solicitamos bancos de dados com valores verazes para as transferências então em debate; 5. atendimento em 21 de julho de 2006, fls. 30, listagem exemplificada do novo banco de dados em fls. 31 a 37; 6. em 25 de agosto de 2006, através de Intimação de no 40, item 3, alínea 3, fls. 38, solicitamos que nos fosse fornecido o valor comercial médio para "TUBO...p/TQ" "...se semelhante critério, no entender da Fiscalizada, atender às normas regulamentares que regem o assunto"; 7. no dia 1º de setembro de 2006, em item 1, alínea b, em Intimação n° 41, fls. 45, reiteramos a mesma solicitação recém transcrita; 8. em 14 de setembro de 2006, fls. 52, em item 3, "3.b.", Confab, ressalvando que "...os tubos.. .não são vendidos...", informa que os declarados então "...são referenciais..." reiterando, subseqüentemente tais tubos não eram vendidos; 9. que, em fls. 03 do processo fiscal em tela, está indicado que um dos amparos legais para a cobrança seria o art. 124, parágrafo único, inciso II do Decreto n° 2.637/98, denominado, RIPI/98, regulamento então vigente à época dos fatos ora em registro; 10. que tal ditame legal assim estabelece: Art. 124. Para efeito de aplicação do disposto nos incisos I, II e IV do artigo anterior,... . Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 Parágrafo único. Inexistindo o prego corrente no mercado atacadista, para aplicação do disposto neste artigo, tomarseá por base de cálculo: I (...) II no caso de produto nacional, o custo de fabricação, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem assim do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação, ainda que os produtos hajam sido recebidos de outro estabelecimento da mesma firma que os tenha industrializado." 11. que, atendendo ao solicitado em Int. no 1, item único, alínea "c", 13 de agosto do presente ano, Confab apresentou a planilha de custo do tubo para tanque comercializado através da Nf. no 46.547, de 22 de fevereiro de 2002 com as seguintes informações "FÁBRICA 3...Descricão: Tubo Nu (Biselado) TOTAL CUSTO DIRETO Metro 862, 76"; ressalve se que, em razão de tal planilha se referir ao custo para o tubo no ano de 2004 (dezembro) Confab declara que apresentará planilha de custo com valores referentes ao período objeto de autuação; 12. o subscritor deste Termo, por parte de Confab, atesta a veracidade do que aqui está consignado." O sujeito passivo tomou ciência do relatório fiscal em 31/02/2010 e não apresentou manifestação sobre as constatações fiscais. Ao analisar o termo de constatação, resultado da diligência proposta e acima mencionada, o Colegiado entendeu que o processo continuava sem possibilidade de análise de mérito e converteu, novamente, o julgamento em diligência. A diligência foi realizada pela Unidade de Origem, que apresentou a Informação Fiscal de fls. 951/959, numeração eletrônica. O recorrente teve ciência do teor do resultado da diligência e apresentou suas considerações. É o relatório. Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 16045.000016/200711 Acórdão n.º 3402002.540 S3C4T2 Fl. 1003 7 Voto Vencido Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Na recurso voluntário, o recorrente afirma que suas operações não estavam sujeitas ao valor tributável mínimo e que a fiscalização utilizou o custo de produção dos tanques, ao invés de utilizar o custo de produção dos tubos para calcular o valor mínimo tributável. Assim sendo, entendo que a lide é composta por duas questões: a obrigatoriedade de observância de valor tributável mínimo nas operações de transferências de produtos para suas filiais e sociedades interdependentes e a exatidão do valor utilizado pela fiscalização como valor mínimo tributável. Vejamos as regras sobre o valor tributável mínimo. Os artigos 123 e 124 do RIPI/1998 regula o assunto: Art. 123. O valor tributável não poderá ser inferior: I ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente: a) quando o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência (Lei n.º 4.502, de 1964, art. 15, inciso I, e Decretolei n.º 34, de 1966, art. 2º , alteração 5ª ); (...) Art. 124. Para efeito de aplicação do disposto nos incisos I, II e IV do artigo anterior, será considerada a média ponderada dos preços de cada produto, vigorantes no mês precedente ao da saída do estabelecimento remetente, ou, na sua falta, a correspondente ao mês imediatamente anterior àquele. Parágrafo único. Inexistindo o preço corrente no mercado atacadista, para aplicação do disposto neste artigo, tomarseá por base de cálculo: I no caso de produto importado, o valor que serviu de base ao Imposto de Importação, acrescido desse tributo e demais elementos componentes do custo do produto, inclusive a margem de lucro normal; Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 8 II no caso de produto nacional, o custo de fabricação, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem assim do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação, ainda que os produtos hajam sido recebidos de outro estabelecimento da mesma firma que os tenha industrializado. Pelos fundamentos legais acima transcritos, o industrial deve observar o valor tributável mínimo nas operações de transferências de seus produtos para suas filias e para as sociedades que possuam interdependência. Diante desta regra, a primeira questão está resolvida, pois é obrigatório o destaque do valor mínimo tributável nas transferências de produtos industrializados entre matriz e filial, filial e filial e empresas interdependentes. A segunda questão diz respeito ao valor considerado pela fiscalização como “mínimo tributável”. A legislação prevê “fórmulas” para o cálculo do valor tributável mínimo dependendo da situação em que se encontra a sociedade industrial. O Colegiado baixou os autos em diligência para obter o valor de tubos similares comercializados na praça do recorrente. Segundo a fiscalização o produto que transitava pelos estabelecimentos/sociedades eram tubos. Não havia como estipular o valor do tubo considerando produtos similares, portanto a autuação teve como base o valor do custo de produção. A fiscalização intimou o recorrente a apresentar os custos dos tubos que serviriam de base para o cálculo do valor mínimo tributável. Os valores foram apresentados pelo sujeito passivo e o fisco reconstituiu a escrita fiscal do IPI. Nesta operação, foi constatado que havia créditos de IPI a favor do recorrente, fato que levou o lançamento ser apenas da multa pela diferença entre o valor destacado nas notas e o valor tributário mínimo. Posteriormente, reclama o recorrente que os valores utilizados pela fiscalização para determinar o valor tributável mínimo estavam errados, pois diziam respeito ao produto final, tanques, e não aos tubos. Contudo, em nenhum momento o sujeito passivo apresentou documentos probantes de sua alegação. Reproduzo trecho apresentado pelo recorrente nas considerações sobre o resultado da última diligência, que ilustra a falta de vontade de participar da instrução processual e provar suas alegações: Em razão do encaminhamento dos autos para julgamento, os autos foram incluídos em pauta para julgamento no dia 22.08.2013, e em análise o i. relator verificou que a diligência solicitada retornou incompleta, razão pela qual converteu novamente o julgamento em diligência. Diante desse novo pedido de diligência, a Autoridade Fiscal, intimou novamente a Requerente para que apresentasse os valores mínimos tributáveis no tocante às operações abrangidas pelo processo administrativo em questão, nos termos do artigo 124, I, do RIPI/98. Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 16045.000016/200711 Acórdão n.º 3402002.540 S3C4T2 Fl. 1004 9 Novamente, a Requerente pacientemente esclareceu que não teria como atender o solicitado, uma vez que as operações que embasam a autuação fiscal pela natureza não estão sujeitas a tais valores mínimos. Não há como aplicar tais valores. Conforme já se esclareceu, a Requerente neste caso específico não efetua vendas, mas tão somente operações de transferências de produtos (tubos) para destinatários que são suas filiais ou estabelecimentos interdependentes. Tais produtos servem de matériaprima para a fabricação de tanques de combustíveis, estes sim os produtos finais que serão vendidos no mercado e não os tubos transferidos, pura e simplesmente. Conforme alegado na defesa, não se pode atribuir aos tubos valor tributário mínimo, a partir do produto final, por serem produtos diversos e com realidades de mercado igualmente diferentes. É de meridiana obviedade que a questão da quantificação do valor mínimo tributável é fática e depende de provas. Sabemos que o momento apropriado para apresentação das provas que comprovem suas alegações é na propositura da impugnação. Temos conhecimento, também, que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo Legislador Nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 333 do Código de Processo Civil, in verbis: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para a autoridade Fiscal quando realiza o lançamento tributário. Contudo, o ônus é invertido quando o contribuinte alega fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do fisco. Exatamente o que aconteceu nestes autos. O sujeito passivo não nega as saídas dos produtos industrializados, retruca o valor adotado para o cálculo do IPI, o que me permite a concluir que cabe ao recorrente provar que as planilhas por ele apresentadas não refletiam o custo de produção dos tubos e sim dos tanques. Definida a regra que direciona o onus probandi no âmbito do processo administrativo fiscal, resta estabelecer o conceito de prova, sua finalidade e seu objeto. O conceito de prova retirado dos ensinamentos de Moacir Amaral Santos: No sentido objetivo, como os meios destinados a fornecer ao julgador o conhecimento da verdade dos fatos. Mas a prova no sentido subjetivo é aquela que se forma no espírito do julgador, seu principal destinatário, quanto à verdade desse fatos. A Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 10 prova, então, consiste na convicção que as provas produzidas no processo geram no espírito do julgador quanto à existência ou inexistência dos fatos. Compreendida como um todo, reunindo seus dois caracteres, objetivo e subjetivo, que se completam e não podem ser tomados separadamente, apreciada como fato e como indução lógica, ou como meio com que se estabelece a existência positiva ou negativa do fato probando e com a própria certeza dessa existência. Para Carnelutti: As provas são fatos presentes sobre os quais se constrói a probabilidade da existência ou inexistência de um fato passado. A certeza resolvese, a rigor, em uma máxima probabilidade. Dinamarco define o objeto da prova: ....conjunto das alegações controvertidas das partes em relação a fatos relevantes para todos os julgamentos a serem feitos no processo. Fazem parte dela as alegações relativas a esses fatos e não os fatos em si mesmos. Sabido que o vocábulo prova vem do adjetivo latino probus, que significa bom, correto, verdadeiro, seguese que provar é demonstrar que uma alegação é boa, correta e portanto condizente com a verdade. O fato existe ou inexiste, aconteceu ou não aconteceu, sendo portanto insuscetível dessas adjetivações ou qualificações. Não há fatos bons, corretos e verdadeiros nem maus, incorretos mendazes. As legações, sim, é que podes ser verazes ou mentirosas e daí a pertinência de proválas, ou seja, demonstrar que são boas e verazes. Já a finalidade da prova é a formação da convicção do julgador quanto à existência dos fatos. Em outras linhas, um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência Em virtude dessas considerações, é importante relembrar alguns preceitos que norteiam a busca da verdade real por meio de provas materiais. Dinamarco afirma: Todo o direito opera em torno de certezas, probabilidades e riscos, sendo que as próprias certezas não passam de probabilidades muito qualificadas e jamais são absolutas porque o espírito humano não é capaz de captar com fidelidade e segurança todos os aspectos das realidades que o circulam. O risco de errar ao presumir dimensionase na razão inversa à do grau de probabilidade de que a relação entre a ocorrência de um fato e a de outro se mantenha sempre. Quanto maior a probabilidade, menor o risco; menor a probabilidade, maior o risco a assumir. Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 16045.000016/200711 Acórdão n.º 3402002.540 S3C4T2 Fl. 1005 11 Para entender melhor o instituto “probabilidade” mencionado professor Dinamarco, aduzo importante distinção feita por Calamandrei entre verossimilhança e probabilidade: É verossimil algo que se assemelha a uma realidade já conhecida, que tem a aparência de ser verdadeiro. A verossimilhança indica o grau de capacidade representativa de uma descrição acerca da realidade. A verossimilhança não tem nenhuma relação com a veracidade da asserção, não surge como resultante do esforço probatório, mas sim com referência à ordem normal das coisas. A probabilidade está relacionada à existência de elementos que justifiquem a crença na veracidade da asserção. A definição do provável vinculase ao seu grau de fundamentação, de credibilidade e aceitabilidade, com base nos elementos de prova disponíveis em um contexto dado., resulta da consideração dos elementos postos à disposição do julgador para a formação de um juízo sobre a veracidade da asserção. Desse modo, a certeza vai se formando através dos elementos da ocorrência do fato que são colocados pelas partes interessadas na solução da lide. Mas não basta ter certeza, o julgador tem que estar convencido para que sua visão do fato esteja a mais próxima possível da verdade. Como o julgador sempre tem que decidir, ele deve ter bom senso na busca pela verdade, evitando a obsessão que pode prejudicar a justiça célere. Mas a impossibilidade de conhecer a verdade absoluta não significa que ela deixe de ser perseguida como um relevante objetivo da atividade probatória. Quanto ao exame da prova, defende Dinamarco: (...) o exame da prova é atividade intelectual consistente em buscar, nos elementos probatórios resultantes da instrução processual, pontos que permitam tirar conclusões sobre os fatos de interesse para o julgamento. Já Francesco Carnelutti compara a atividade de julgar com a atividade de um historiador: (...) o historiador indaga no passado para saber como as coisas ocorreram. O juízo que pronuncia é reflexo da realidade ou mais exatamente juízo de existência. Já o julgador encontrase ante uma hipótese e quando decide converte a hipótese em tese, adquirindo a certeza de que tenha ocorrido ou não o fato. Estar certo de um fato quer dizer conhecêlo como se houvesse visto. No mesmo sentido, o professor Moacir Amaral Santos afirma que a prova dos fatos fazse por meios adequados a fixálos em juízo. Por esses meios, ou instrumentos, os fatos deverão ser transportados para o processo, seja pela sua reconstrução histórica, ou sua representação. Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 12 Assim sendo, a verdade encontrase ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar probabilidade às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador. Regressando aos autos, como já mencionado, o recorrente não apresentou indícios mínimos de seu direito, de sorte que me sinto na obrigação de julgar com os dados constantes no processo. Neste contexto, não vislumbro razões para reformar a decisão de primeira instância uma vez que sua decisão foi baseada nos fundamentos jurídicos constantes dos autos e a consequente subsunção aos fundamentos legais que regiam a matéria à época dos fatos geradores Forte nestes argumentos, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 12 de novembro de 2014. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho. Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 16045.000016/200711 Acórdão n.º 3402002.540 S3C4T2 Fl. 1006 13 Voto Vencedor Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Redator Designado. Tendo o Colegiado, em sua maioria, entendido que o lançamento tributário deveria ser cancelado, coubeme a honrosa tarefa de redigir o voto vencedor, para o que, com permissa vênia do Culto Relator, Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, adoto na íntegra seu brilhante e irrefutável relatório. Como bem ponderou o Conselheiro Relator original, a questão a ser desenrolada nesses autos, passa por duas matérias, a primeira quanto à submissão das remessas feitas pela Recorrente a filiais e empresas interdependentes ao método do “valor tributável mínimo”, e a segunda, desdobramento da primeira, em se aquilatar qual o preço que deveria servir de base para essa remessa. Tenho, porém, que embora não haja dúvida do respeito que se deve atribuir ao método do “valor tributável mínimo”, e que sem dúvida o industrial deve observar o valor tributável mínimo nas operações de transferências de seus produtos para suas filias e para as sociedades que possuam interdependência, no caso em concreto estamos diante de circunstâncias que dispensam esse regramento, de modo que a matéria acaba sendo resolvida pela sua “prejudicial”. E isto porque, restou comprovado que as remessas realizadas pela Recorrente veiculavam “tubos para tanques”, ou seja, tratavamse de remessas de partes, peças ou componentes de um outro produto, dentro de uma linha de produção desenvolvida entre mais de um estabelecimento, todos eles industriais. Observese que a decisão da DRJ deixou de aplicar a IN SRF n° 87, de 21 de agosto de 1989, ao entendimento de que as remessas não estava se operando entre estabelecimentos “equiparados a industrial”, e sim entre estabelecimentos industriais propriamente ditos, reconhecendo que tratavamse de INDÚSTRIAS, tanto o remetente quanto o destinatário. Desta realidade desponta uma circunstância que reputase fundamental, que pode afetar todos os circuitos produtivos em cadeia no país, assoberbando de obrigações acessórias praticamente toda nossa produção industrial, qual seja: necessidade de se observar o valor mínimo tributável dentro de uma linha industrial de montagem. Devemos rememorar que o instituto do valor mínimo tributável foi concebido para se evitar fraudes de manipulações de preços para se “quebrar” a cadeia do IPI, de modo a evitar que um estabelecimento industrial se utilize de comerciais atacadistas ou de empresas interdependentes para vender por preços manipulados, para com isso reduzir a base de incidência do IPI, para que o produto possa ser revendido nas etapas subsequentes por preço inferior ao que se demandou no processo produtivo. Tratase, claramente, de uma medida “antielisão”, ou mesmo “antievasão” tributária. Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 14 Porém, quando estamos diante de estabelecimento industriais, tanto na remessa quando no destino, os quais destacam IPI sobre essa operação, o qual, por seu turno, representa débito para o remetente e crédito do imposto para o destinatário, temse que o efeito pretendido anteriormente, de coibir a “quebra” da cadeia do IPI, não está presente, em face de que o valor agregado pelo destinatário na industrialização do produto final acabado, será todo ele sujeito a incidência do IPI, sobre todo o valor agregado. O máximo que se poderia impingir aos contribuintes, seria a transferência de créditos mediante aumento do valor base de transferência, com efeitos meramente de se antecipar ou de diferir o momento da incidência do IPI, o que, no entanto, não é objeto de acusação no caso concreto sob análise, sendo inclusive incompatível com a autuação (foi acusado justamente o contrário). Assim, tenho que nas transferências de partes, peças, componentes, insumos ou produtos semielaborados entre estabelecimentos industriais ou entre estabelecimentos “equiparados a industrial”, dentro da linha de produção entre estabelecimentos sob um mesmo controle ou com relação de interdependência, não se submetem ao método do valor mínimo tributável, pois que o ilícito que se objetiva atingir com referido mecanismo (“quebra da cadeia do IPI”), não se mostra possível nessa operação. Daí porque entendo plenamente aplicável ao caso, o preceito do item 4, da Instrução Normativa SRF n° 87, de 21 de agosto de 1989, que assim pontua: 4. A equiparação a contribuinte do imposto, decorrente da aplicação ou não do disposto no artigo 7º da Lei nº 7.798/89, desobriga o estabelecimento industrial remetente dos produtos a atender os limites mínimos estabelecidos no artigo 68, I "a" do RIPI/82, cujo valor tributável será o preço da operação de que decorrer o fato gerador, salvo quanto aos produtos incluídos no regime de que tratam os artigos 1º e 3º da referida Lei nº 7.798/89. Neste sentido, já decidiu este Conselho: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Exercício: 2008 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Todos os fatos observados pelo Fisco foram cuidadosamente relatados no Termo de Verificação Fiscal construído como parte integrante do auto de infração do qual tomou ciência a autuada por meio de sua procuradora. IPI. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. Eventual direito à compensação de IPI deve ser apreciado em procedimento administrativo próprio, não sendo possível a compensação de ofício por meio de Auto de Infração. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. OBRIGATORIEDADE. A partir da alteração do artigo 74 da Lei 9.430/96 pelo artigo 49 da Medida Provisória nº 66, de Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 16045.000016/200711 Acórdão n.º 3402002.540 S3C4T2 Fl. 1007 15 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002 a compensação somente se efetua mediante a entrega, pelo sujeito passivo, da Declaração de Compensação DCOMP, na qual devem constar informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. IPI. FILIAL ATACADISTA. EQUIPARAÇÃO A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. INEXIGIBILIDADE PARA DETERMINADOS PRODUTOS. À exceção dos produtos classificados na posição NCM 3401, as saídas para filiais atacadistas como também para todos os estabelecimentos equiparados não se sujeitam ao valor tributável mínimo por força no disposto no item 4 da IN SRF nº 87/89. RO Provido em Parte e RV Negado (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF – 3ª Seção 2A CAMARA / 1A TURMA ORDINARIA ACÓRDÃO: 3201001.540) “LANÇAMENTO DE OFÍCIO – 1) O estabelecimento fabricante de produtos tributados pelo imposto que tenda suspendido, provisoriamente suas atividades fabris, ainda que por longo período, não perde a condição de estabelecimento industrial durante esse período e, como tal, a de contribuinte , sobretudo, quando nessa fase procede à aquisição de insumos, seja mediante importação ou por compra no mercado interno e os transfere para outro estabelecimento da própria empresa, que os destina a emprego da produção de produtos sujeitos ao IPI. 2) Não se caracteriza como lançamento indevido do IPI nas notas fiscais, o lançamento procedido por estabelecimento industrial nas transferências de produtos por ele produzidos, e/ou de insumos, para estabelecimentos da própria empresa que tenha provisoriamente suspendido suas atividades de também fabricante de produtos sujeitos ao imposto. 3) O disposto no art. 68, item I, do RIPI/82 (valor tributável mínimo) não se aplica nas saídas de produtos sujeitos ao IPI, quando o destinatário seja estabelecimento contribuinte do imposto, em relação a estes produtos, ainda que se trate de estabelecimento interdependente, ou do próprio remetente. Recurso provido.” (Ac. Nº. 20166.775, de 05/12/90, do 2º Conselho de Contribuintes – DOU 08/06/95). (grifos nossos). “IPI – NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS – Embora consideradas inidôneas pela Fiscalização, é inaplicável a multa descrita no auto de infração, dado que o adquirente logrou comprovar não só o efetivo recebimento das mercadorias, mas o seu regular pagamento. Aplicável o disposto no art. 82, parágrafo único, da Lei nº 9.430/96. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO – A equiparação a contribuinte do imposto desobriga o estabelecimento industrial remetente dos produtos a atender os limites mínimos fixados no art. 68, I, do RIPI/82. Precedentes do Colegiado. Recurso voluntário provido.” (Acórdão nº 201 Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 16 75.615, Primeira Câmara, Sessão de 3/12/2001, destaques nossos.). (grifos nossos). Assim sendo, tenho que no caso em concreto, por referirse a remessas de partes, peças e componentes, dentro de uma linha de montagem de estabelecimentos sob controle comum, na fase de produção ainda, por não produzir o efeito de “quebra da cadeia do IPI”, não aplicase o “valor tributável mínimo”, de modo que deve ser afastada a exigência tributária aqui contemplada. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, para cancelar a exigência tributária. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Redator Designado. Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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Numero do processo: 10850.906013/2011-06
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/1999 a 31/05/1999
ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE.
A contribuição instituída pela Lei nº 9.718/1998 incide sobre o faturamento da pessoa jurídica, não alcançando as demais receitas auferidas. O Supremo Tribunal Federal (STF) já decidiu pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição instituído anteriormente à Emenda Constitucional nº 20/1998.
Numero da decisão: 3803-006.757
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes e Jacques Maurício F. Veloso de Melo.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/1999 a 31/05/1999 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. A contribuição instituída pela Lei nº 9.718/1998 incide sobre o faturamento da pessoa jurídica, não alcançando as demais receitas auferidas. O Supremo Tribunal Federal (STF) já decidiu pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição instituído anteriormente à Emenda Constitucional nº 20/1998.
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APLICAÇÃO NO CARF. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática da repercussão geral deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/1999 a 31/05/1999 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. A contribuição instituída pela Lei nº 9.718/1998 incide sobre o faturamento da pessoa jurídica, não alcançando as demais receitas auferidas. O Supremo Tribunal Federal (STF) já decidiu pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição instituído anteriormente à Emenda Constitucional nº 20/1998. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 60 13 /2 01 1- 06 Fl. 384DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.906013/201106 Acórdão n.º 3803006.757 S3TE03 Fl. 385 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes e Jacques Maurício F. Veloso de Melo. Relatório Tratase de retorno dos autos da repartição de origem com os resultados da diligência determinada por esta 3ª Turma Especial quando da apreciação do Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência do não reconhecimento do direito creditório pleiteado por meio de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu a plena restituição, alegando tratarse de indébito decorrente da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, dispositivo esse que promovera o alargamento da base de cálculo da contribuição para além do faturamento. A DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório, considerando a inexistência de saldo credor, a inocorrência de retificação da DCTF, a ausência de efeitos erga omnes da decisão do STF e a falta de prova do alegado recolhimento a maior. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do direito à plena restituição da contribuição calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, argüindo que a retificação de declaração não podia se sobrepor ao direito substantivo, direito esse devidamente comprovado por meio de documentação idônea, e que as decisões de inconstitucionalidade proferidas em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal deviam ser observadas pelo Fisco. Ao apreciar o Recurso Voluntário, esta 3ª Turma Especial decidiu por converter o julgamento em diligência à repartição de origem para que a autoridade administrativa auditasse a escrituração contábilfiscal da pessoa jurídica, assim como os documentos fiscais que a lastreiam, com vistas a se apurarem o faturamento e as demais receitas auferidas no período, bem como a contribuição devida, tendose em conta a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição. Cumprida a diligência, concluiu a repartição de origem que as receitas escrituradas pelo Recorrente não eram decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, tratandose, em sua totalidade, de receitas de origem financeira, receitas essas estranhas ao objeto social da pessoa jurídica. Ressaltou a autoridade administrativa que caso o crédito objeto do presente Pedido de Restituição (PER) viesse a ser deferido, deverseia considerar que ele já havia sido parcialmente utilizado na Declaração de Compensação (DCOMP) nº 12383.44195.241108.1.3.046782, conforme demonstrava o cálculo efetuado no Sistema de Apoio Operacional (SAPO). Foi apensado ao presente o processo nº 10850.722402/201415, que cuida da Declaração de Compensação do respectivo crédito. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.906013/201106 Acórdão n.º 3803006.757 S3TE03 Fl. 386 3 Cientificado dos resultados da diligência, o Recorrente destacou o reconhecimento do crédito pela própria Fiscalização, o que, segundo ele, viabilizava a homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos acerca do pedido de restituição e de declaração de compensação relativos à contribuição apurada sobre receitas que extrapolam o conceito de faturamento, com fundamento na inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. A referida inconstitucionalidade foi proferida pelo STF1 em julgamento definitivo submetido à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil CPC), cujo teor deve ser, obrigatoriamente, observado por este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. A Lei n° 9.718, decorrente da conversão da Medida Provisória nº 1.724, de 29 de outubro de 1998, foi publicada em novembro de 1998, quando vigia a redação original do art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, em que se previa apenas o faturamento como hipótese de incidência da contribuição social, não constando a possibilidade de alcançar outras receitas auferidas pela pessoa jurídica, o que veio a ocorrer somente em dezembro do mesmo ano por meio da Emenda Constitucional n° 20. De acordo com o entendimento do STF2, o alargamento posterior da base de cálculo das contribuições de “faturamento” para “receita e faturamento”, operada por meio da Emenda Constitucional n° 20/1998, não teve o condão de convalidar legislação anterior que previa a incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS sobre a totalidade das receitas da pessoa jurídica. Não se pode olvidar que o termo faturamento referese ao somatório das receitas decorrentes de vendas de mercadorias ou serviços, conforme se depreende do contido no art. 2° da Lei Complementar n° 70, de 1970, in verbis: Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim 1 Em 27 de novembro de 2008, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário nº 585.235, cujo mérito da repercussão geral foi julgado em 10 de setembro de 2008, pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, cujo teor passou, desde então, a vincular os demais órgãos judiciais e o CARF. 2 REs nº 585.235, 346.084, 357.950, 358.273, 390.840, dentre outros. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.906013/201106 Acórdão n.º 3803006.757 S3TE03 Fl. 387 4 considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. (grifei) Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. O fato de o Supremo Tribunal Federal ter considerado o conceito de faturamento equivalente ao de “receita bruta” não pode ser interpretado como dilatação autorizada do alcance de tais institutos, pois o termo “receita bruta” foi considerado como coincidente com o de faturamento, ou seja, a totalidade das receitas provenientes da venda de mercadorias e serviços. A possibilidade de se tributarem outras receitas somente passou a vigorar após a vigência da Emenda Constitucional n° 20, de 1998, quando se incluiu, dentre as hipóteses de fatos geradores das contribuições sociais, a “receita” genericamente considerada. Dessa forma, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que estipula que as decisões definitivas do STF proferidas na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento de recursos no âmbito do CARF, concluise pelo direito do contribuinte de obter a restituição de recolhimentos relativos à contribuição apurada sobre as receitas não abrangidas pelo conceito de faturamento. Tendo a repartição de origem confirmado, em sede de diligência, que a totalidade do valor do crédito pleiteado neste processo decorria da apuração da contribuição sobre receitas financeiras, receitas essas estranhas ao objeto social da pessoa jurídica, temse por comprovado o direito creditório pleiteado. Destaquese que referido crédito já foi parcialmente utilizado na Declaração de Compensação identificada na planilha de cálculo efetuado no Sistema de Apoio Operacional (fls. 324 a 326), declaração essa controvertida no âmbito do processo administrativo nº 10850.722402/201415, processo esse apensado ao presente. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso, para reconhecer o direito creditório decorrente da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pela art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 387DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.906013/201106 Acórdão n.º 3803006.757 S3TE03 Fl. 388 5 Fl. 388DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10880.677988/2009-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3302-000.482
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède e Antonio Mário de Abreu Pinto.
RELATÓRIO
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède e Antonio Mário de Abreu Pinto. RELATÓRIO Trata o presente de declaração de compensação, relativa a crédito de agosto/2004 indeferida pela autoridade administrativa sob o fundamento de que o DARF informado como origem do crédito fora utilizado para quitação de outros débitos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 77 98 8/ 20 09 -3 1 Fl. 288DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677988/200931 Resolução nº 3302000.482 S3C3T2 Fl. 289 2 A recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando que: 1. A maior parte das receitas decorrem da prestação do serviço de transmissão de energia elétrica de acordo com contrato firmado em 13/09/1999 (CONTRATO CPST Nº 006/1999), firmado com o Operador Nacional do Sistema Elétrico ONS; 2. Estas receitas estariam sujeitas à incidência cumulativa da Lei nº 9.718/98, por decorrerem de contratos de longo prazo, a preço predeterminado e firmado anteriormente a 31/10/2003, por disposição prevista no inciso XI, alíneas "b" e "c", do art. 10 da Lei nº 10.833/2003; 3. A Nota Técnica nº 224/2006, expedida pela SFF/ANEEL, apresentou entendimento sobre o tema, concluindo que as receitas decorrentes dos Contratos de Prestação de Serviço de Trasmissão CPST, firmados anteriormente a 31/10/2003, e reajustados anualmente pelo IGPM, se sujeitam à incidência cumulativa das contribuições prevista na Lei nº 9718/98; 4. Recolheu, equivocadamente, as contribuições para o PIS e Cofins no regime nãocumulativo, não separando as sujeitas ao regime cumulativo, e, posteriormente, transmitiu várias DCOMPs para aproveitar o crédito originado do pagamento indevido; 5. Estava providenciando a retificação das DCTF e Dacons, quando foi surpreendida com a ciência dos despachos decisórios, não homologando as compensações; 6. Foi necessária a retificação dos Dacons e das DCTF, após a ciência dos despachos decisórios, para corrigir o erro de fato cometido e que as DCOMPs não foram retificadas em razão da intimação para ciência dos despachos decisórios, de acordo com a vedação constante nos artigos 77 e 95 da IN RFB nº 900/2008; 7. Os erros cometidos no preenchimento dos DARFs, DCTFs, Dacons e DCOMP não causaram prejuízo ao erário e devem ser reconhecidos pela Administração Tributária, nos termos do art. 147 do CTN e em atendimento ao princípio da verdade material; 8. Poderá disponibilizar os documentos como Diário, Razão, Faturas, Balancetes, Contratos, normas da ANEEL para realização de diligência, caso seja necessária; A Terceira Turma da DRJ/BEL em Belém proferiu decisão nos termos da ementa que abaixo transcrevese: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2004 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Em sede de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. DCTF E DACON RETIFICADORES. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677988/200931 Resolução nº 3302000.482 S3C3T2 Fl. 290 3 A DCTF e o DACON Retificadores, na condição de documentos confeccionados pelo próprio interessado, não exprimem nem materializam, por si só, o indébito fiscal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente interpôs tempestivamente recurso voluntário, alegando resumidamente que: 1. O IGPM deve ser considerado índice que reflete a variação ponderada dos custos e, portanto, enquadrado no art. 109 da Lei nº 11.196/2005; 2. Ainda que se negue a inclusão do IGPM no art. 109 da Lei n 11.196/2005, tal índice é mero reajuste do preço contratado, e não modificação deste preço, e que se o art. 109 da Lei nº 11.196/2005 estipulou que a variação dos custos não descaracteriza o preço predeterminado, com maior razão, um índice geral de correção não deveria descaracterizálo; 3. As IN SRF 468/2004 e 658/2006 consistem em flagrante ofensa ao princípio da legalidade insculpido no art. 150, inciso I da Constituição Federal; 4. O indébito decorre de erro na aplicação da alíquota; 5. Não disponibilizou toda a documentação, como Diário, Razão, Faturas, Balancetes, normas da ANEEL em razão do grande volume, vez que foram apresentadas 51 defesas administrativas; 6. Em momento algum, afirmou que a retificação do DACON e da DCTF constituem o direito creditório líquido e oponível à RFB, mas que pretendeu apenas cumprir os deveres instrumentais quanto ao erro alegado e que tais informações estão consubstanciadas em sua escrituração contábil; Cita, ainda, jurisprudência deste Conselho e do STJ e apresenta cópia do balancete, demonstrativos das receitas, indicação da conta contábil, de modo a corroborar suas alegações. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. VOTO Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A autoridade administrativa indeferiu a homologação pelo fato de o DARF apontado como origem do crédito pleiteado estava alocado a débitos em DCTF. Após a ciência do despacho, a recorrente providenciou a retificação do Dacon e da DCTF, demonstrando os valores alegados como corretos. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677988/200931 Resolução nº 3302000.482 S3C3T2 Fl. 291 4 A DRJ considerou a manifestação de inconformidade improcedente, sob os argumentos de que o contrato CPST 006/1999, apresentado pela recorrente, não era apto a demonstrar que não houve após 31/10/2003 a implementação de quaisquer das ocorrências que descaracterizassem o preço predeterminado; que a Cláusula 53 assegurava às partes a prerrogativa de solicitar a revisão das cláusulas e condições avençadas; que a competência da ANEEL não alcança a interpretação da legislação tributária; que o IGPM não constitui índice que reflete a variação dos custos de produção nem reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; que a desconstituição dos créditos confessados não se efetiva com a apresentação da DCTF e Dacon retificadores, mas com a apresentação da escrita fiscal e contábil e respectiva documentação de suporte. Por sua vez, a recorrente, em recurso voluntário, alega que o reajuste pelo IGP M não descaracteriza o preço determinado, e apresenta cópias dos balancetes e demonstrativos de forma a comprovar seu direito. Vêse que a lide gira se refere ao alcance da expressão "preço predeterminado", e, consequentemente, da sujeição das receitas auferidas à incidência nãocumulativa ou cumulativa das contribuições. Passase, assim, à análise dos requisitos para exclusão das receitas em questão da incidência nãocumulativa das contribuições e da definição de preço predeterminado. As receitas decorrentes de determinados contratos firmados antes de 31/10/2003 foram excluídas da incidência nãocumulativa das contribuições, a partir da vigência do inciso XI do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, aplicado ao PIS/Pasep pelo art. 15 da referida lei: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (Produção de efeito) [...]XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: a) com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; [...]Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]V no art. 10, incisos VI, IX e XI a XXI desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 291DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677988/200931 Resolução nº 3302000.482 S3C3T2 Fl. 292 5 V nos incisos VI, IX a XXV do caput e no § 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Regulamentando o dispositivo, a RFB editou a IN SRF 468/2004, que, em seu art.2º, estipulou que a implementação do primeiro reajuste ou a revisão para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro dos contratos, após 31/10/2003, descaracterizariam o preço predeterminado, nos seguintes termos: Art. 2o Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1 o Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2 o Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art. 1 o . § 3 º Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei n º 8.666, de 21 de junho de 1993, o caráter predeterminado do preço subsiste até a eventual implementação da primeira alteração nela fundada após a data mencionada no art. 1 º . Posteriormente, a Lei nº 11.196/2005, em seu art. 109, dispôs que o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos não será considerado para fins de descaracterização do preço determinado: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003. Novamente, regulamentando a matéria, a RFB editou a IN SRF nº 658/2006, revogando a IN SRF nº 468/2004 e incorporando as disposições do art. 109 acima mencionado, nos seguintes termos: Do Preço Predeterminado Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677988/200931 Resolução nº 3302000.482 S3C3T2 Fl. 293 6 § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º1, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado.(grifo não original) Art. 4º Na hipótese de pactuada, a qualquer título, a prorrogação do contrato, as receitas auferidas depois de vencido o prazo contratual vigente em 31 de outubro de 2003 sujeitarseão à incidência não cumulativa das contribuições. Verificase que a Receita Federal considerou que as hipóteses de reajuste e de revisão dos contratos administrativos, destinados à manutenção do equilíbrio econômico financeiro, expressos no art. 55, inciso III, 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666/93, descaracterizariam o preço predeterminado, excetuando o reajuste não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. A revisão contratual decorre de fatos imprevisíveis, ou previsíveis, porém de conseqüências incalculáveis, retardadores ou impeditivos da execução do ajustado, ou, ainda, em caso de força maior, caso fortuito ou fato do príncipe, configurando álea econômica extraordinária e extracontratual2. Já o reajuste é cláusula necessária nos contratos administrativos3 e "objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômicos". A legislação distingue as duas figuras, como se observa na Lei nº 8.987/95, que, dispondo sobre o regime de concessão de serviços públicos, especifica em seu art. 9º, §3º4, a 1 A data é 31/10/2003. 2 Art. 65, inciso II, alínea "d" da Lei nº 8.666/93 3 Art. 55, inciso III da Lei nº 8.666/93 4 Lei 8.987/95: Art. 9o A tarifa do serviço público concedido será fixada pelo preço da proposta vencedora da licitação e preservada pelas regras de revisão previstas nesta Lei, no edital e no contrato. [..~] § 2o Os contratos poderão prever mecanismos de revisão das tarifas, a fim de manterse o equilíbrio econômicofinanceiro. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677988/200931 Resolução nº 3302000.482 S3C3T2 Fl. 294 7 possibilidade de revisão da tarifa decorrente da criação ou alteração de tributos. Já o artigo 18 da referida lei dispõe que o edital de licitação deverá prever os critérios de reajuste e revisão da tarifa, também ocorrendo a referida distinção nos artigos 23 e 29. A situação aqui tratada referese a reajuste e não a revisão contratual e se o procedimento altera o preço predeterminado. A definição desta expressão adotada pela RFB era a disposta na IN SRF nº 21/79: 3 Produção em Longo Prazo O contrato de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens e serviços a serem produzidos, com prazo de execução física superior a 12 (doze) meses, terá seu resultado apurado, em cada períodobase, segundo o progresso dessa execução: 3.1 Preço predeterminado é aquele fixado contratualmente, sujeito ou não a reajustamento, para execução global; no caso de construções, bens ou serviços divisíveis, o preço predeterminado é o fixado contratualmente para cada unidade. A instrução normativa acima foi utilizada como fundamento em diversas soluções de consulta da RFB, após a edição do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. O entendimento era pacífico neste sentido até a edição da IN SRF 468/2004. Porém a RFB editou a referida instrução, modificando o entendimento sobre a definição de preço predeterminado, sem que qualquer lei tenha sido publicada alterando tal definição. Foi meramente nova interpretação normativa que suscitou rebates por parte dos contribuintes, tendo o STJ se pronunciado sobre a ilegalidade da IN SRF 468/2004: AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.310.284 PR (2012/00355487) EMENTA TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 557 DO CPC. INEXISTÊNCIA. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. A eventual nulidade da decisão monocrática calcada no art. 557 do CPC fica superada com a reapreciação do recurso pelo órgão colegiado, na via de agravo regimental, como bem analisado no REsp 824.406/RS de Relatoria do Min. Teori Albino Zavascki, em 18.5.2006. § 3o Ressalvados os impostos sobre a renda, a criação, alteração ou extinção de quaisquer tributos ou encargos legais, após a apresentação da proposta, quando comprovado seu impacto, implicará a revisão da tarifa, para mais ou para menos, conforme o caso. [...] Art. 23. São cláusulas essenciais do contrato de concessão as relativas: [...] IV ao preço do serviço e aos critérios e procedimentos para o reajuste e a revisão das tarifas; Art. 29. Incumbe ao poder concedente: [...] V homologar reajustes e proceder à revisão das tarifas na forma desta Lei, das normas pertinentes e do contrato; Fl. 294DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677988/200931 Resolução nº 3302000.482 S3C3T2 Fl. 295 8 2. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços" e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 3. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. Precedentes: REsp 1.089.998RJ, DJe 30/11/2011; REsp 1.109.034 PR, DJe 6/5/2009; e REsp 872.169RS, Dje 13/5/2009. RECURSO ESPECIAL Nº 1.169.088 MT (2009/02357184) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. INTIMAÇÃO PESSOAL DA FAZENDA. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. NATUREZA PREVENTIVA. SÚMULA 7/STJ. ART. 10, XI, "B' DA LEI 10.833/03. CONCEITO DE PREÇO PREDETERMINADO. IN SRF 468/04. ILEGALIDADE. PRECEDENTE. ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. MULTA. AFASTAMENTO. SÚMULA 98/STJ. [...]4. O preço predeterminado em contrato, previsto no art. 10, XI, "b", da Lei 10.833/03, não perde sua natureza simplesmente por conter cláusula de reajuste decorrente da correção monetária. Ilegalidade da IN n.º 468/04. Precedente. 5. A multa fixada com base no art. 538, parágrafo único, do CPC, deve ser afastada quando notório o propósito de prequestionamento dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 98/STJ. 6. Recurso especial conhecido em parte e provido também em parte. RECURSO ESPECIAL Nº 1.089.998 RJ (2008/02056082) EMENTA TRIBUTÁRIO. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Cuidase de recurso especial interposto pelo contribuinte, questionando o poder regulamentar da Secretaria da Receita Federal, na edição da Instrução Normativa n. 468/04, que regulamentou o art. 10 da Lei n. 10.833/03. 2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833/03 determina que os contratos de prestação de serviço firmados a preço determinado antes de 31.10.2003, e com prazo superior a 1 (um) ano, permanecem sujeitos ao regime tributário da cumulatividade para a incidência da COFINS. (Grifo meu.) 3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa n. 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a Fl. 295DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677988/200931 Resolução nº 3302000.482 S3C3T2 Fl. 296 9 implementação da primeira alteração de preços " e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 4. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. 5. No mesmo sentido do voto que eu proferi, o Ministério Público Federal entendeu que houve ilegalidade na regulamentação da lei pela Secretaria da Receita Federal, pois "a simples aplicação da cláusula de reajuste prevista em contrato firmado anteriormente a 31.10.2003 não configura, por si só, causa de indeterminação de preço, uma vez que não muda a natureza do valor inicialmente fixado, mas tão somente repõe, com fim na preservação do equilíbrio econômico financeiro entre as partes, a desvalorização da moeda frente à inflação ." (Fls. 335, grifo meu.) Mantenho o voto apresentado, no sentido de dar provimento ao recurso especial. De fato, a IN SRF nº 468/2004 extrapolou a legislação vigente ao estipular que o reajuste implicaria em descaracterização do preço predeterminado. Entretanto, o advento do art. 109 da Lei nº 11.196/2005 alterou a configuração legislativa sobre a matéria. O art. 109 mencionou expressamente que "o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069/95, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado". Se a intenção da modificação era permitir que o reajuste não descaracterizasse o preço predeterminado, não foi o que restou publicado. O art. 109 faz referência à Lei 9.069/95, conversão das MPs que criaram o Plano Real, na qual estipulava que a correção monetária, em virtude de estipulação legal ou em negócio jurídico, deveria darse pelo Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr, de acordo com o art. 27 da Lei nº 9.069/95, mas ressalvadas as hipóteses de seu parágrafo primeiro: § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I às operações e contratos de que tratam o Decretolei nº 857, de 11 de setembro de 1969, e o art. 6º da Lei nº 8.880, de 27 de maio de 1994; II aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; III às hipóteses tratadas em lei especial. Foi justamente sobre o inciso II do §1º que o art. 109 fez a ressalva quanto ao reajuste não descaracterizar o preço predeterminado e não sobre o IPCr. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677988/200931 Resolução nº 3302000.482 S3C3T2 Fl. 297 10 Salientase que a Lei nº 10.192/2001, conversão de MPs que se originaram da MP nº 1.503/95, extinguiu o IPCr em seu art. 8º: Art. 8o A partir de 1o de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1o Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1o de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. § 2o Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, deverá ser utilizada média de índices de preços de abrangência nacional, na forma de regulamentação a ser baixada pelo Poder Executivo. A mesma lei, em seu artigo 2º, dispôs que: Art. 1o As estipulações de pagamento de obrigações pecuniárias exeqüíveis no território nacional deverão ser feitas em Real, pelo seu valor nominal. Parágrafo único. São vedadas, sob pena de nulidade, quaisquer estipulações de: I pagamento expressas em, ou vinculadas a ouro ou moeda estrangeira, ressalvado o disposto nos arts. 2o e 3o do DecretoLei no 857, de 11 de setembro de 1969, e na parte final do art. 6o da Lei no 8.880, de 27 de maio de 1994; II reajuste ou correção monetária expressas em, ou vinculadas a unidade monetária de conta de qualquer natureza; III correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados, ressalvado o disposto no artigo seguinte. Art. 2o É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano. § 1o É nula de pleno direito qualquer estipulação de reajuste ou correção monetária de periodicidade inferior a um ano. § 2o Em caso de revisão contratual, o termo inicial do período de correção monetária ou reajuste, ou de nova revisão, será a data em que a anterior revisão tiver ocorrido. § 3o Ressalvado o disposto no § 7o do art. 28 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, e no parágrafo seguinte, são nulos de pleno direito quaisquer expedientes que, na apuração do índice de reajuste, produzam efeitos financeiros equivalentes aos de reajuste de periodicidade inferior à anual. O Decreto nº 1.544/95 estipulou que, na hipótese de não existir previsão de índice para substituir o IPCr e na falta de acordo entre as partes, deveria ser utilizada a média Fl. 297DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677988/200931 Resolução nº 3302000.482 S3C3T2 Fl. 298 11 aritmética entre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor INPC do IBGE e o Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna IGPDI da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Art. 1º Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, a média de índices de preços de abrangência nacional a ser utilizada nas obrigações e contratos anteriormente estipulados com reajustamentos pelo IPCr, a partir de 1º de julho de 1995, será a média aritmética simples dos seguintes índices: I Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); II Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGPDI), da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Observase que a própria legislação, já em 1995, cuidou de diferenciar o reajuste em função de índices gerais ou setoriais do reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, inicialmente no art. 27 da Lei 9.069/95 e posteriormente nos artigos 1º e 2º da Lei nº 10.192/2001 (na realidade, a diferença temporal entre as disposições é de apenas 10 dias). O art. 109, ao se referir apenas ao reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, acabou inovando a definição de preço predeterminado, estabelecendo uma distinção até então inexistente. Quisesse apenas referirse a reajuste em geral, bastaria têlo feito nos termos do art. 2º da Lei nº 10.192/2001. Reforçam este entendimento, as emendas feitas à MP 252/2005, citadas na Nota Técnica 224/2006 SFFANEEL: Emendas n° 224 (Dep. Eduardo Gomes), 225 (Dep. Eduardo Sciarra), e 353 (Dep. Max Rosenmann): EMENDA ART. 44A. O art. 10, inciso XI,da Lei nº 10.833, de 2003, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 10........................................................................... ........................................................................................ XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, independentemente de a eles serem aplicados reajustamentos previstos em cláusulas contratuais." JUSTIFICATIVA: a redação proposta , com adição da locução "independentemente de a eles serem aplicados reajustamentos previstos em cláusulas contratuais" fazse necessária, visto que o Poder Executivo através da Instrução Normativa nº 468/2004, da SRF, mudou a interpretação do conceito de "preço predeterminado" passando a impedir que os contratos abrigados pela Lei nº 10.833/2003, deixem de usufruir o direito de permanecer sob o regime da cumulatividade. A IN em questão entende que o simples reajuste de preço por índices oficiais já caracteriza uma mudança da base do preço e desta forma afasta a eficácia do dispositivo legal. No fundo o que a IN faz é, na prática, Fl. 298DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677988/200931 Resolução nº 3302000.482 S3C3T2 Fl. 299 12 equiparar o conceito de preço predeterminado " ao conceito de preço fixo, uma vez que praticamente não existe contrato com prazo superior a um ano sem previsão de reajustamento. Tivesse sido assim publicado o artigo 109, a interpretação forçosamente retornaria ao texto da IN SRF nº 21/79, mas não foi o ocorrido. Todavia, a redação da IN SRF 658/2006 modificou, sutilmente, a redação do art. 109, ao dispor no §3º do art. 3º: § 3 º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1 º do art. 27 da Lei n º 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. A redação da lei que era "reajuste de preços em função do" foi regulamentada como "reajuste de preços em percentual não superior". Esta redação não exclui, a priori, a utilização de qualquer índice, desde que ele não ultrapasse o acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Assim, se a fórmula de reajuste utilizada não ultrapassar aqueles limites, deve tal fórmula de reajuste não descaracterizar o preço predeterminado. Ressaltase que o art. 109 está em consonância com o fundamento econômico para o reajuste que é a variação dos custos, como dispõe o inciso XI do art. 40 da Lei nº 8.666/93 e o inciso XVIII do art. 3º da Lei nº 9.427/96, que instituiu a Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL: Lei nº 8.666/93: Art. 40. O edital conterá no preâmbulo o número de ordem em série anual, o nome da repartição interessada e de seu setor, a modalidade, o regime de execução e o tipo da licitação, a menção de que será regida por esta Lei, o local, dia e hora para recebimento da documentação e proposta, bem como para início da abertura dos envelopes, e indicará, obrigatoriamente, o seguinte: [...]XI critério de reajuste, que deverá retratar a variação efetiva do custo de produção, admitida a adoção de índices específicos ou setoriais, desde a data prevista para apresentação da proposta, ou do orçamento a que essa proposta se referir, até a data do adimplemento de cada parcela; (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994) Lei nº 9.427/96: Art. 3o Além das atribuições previstas nos incisos II, III, V, VI, VII, X, XI e XII do art. 29 e no art. 30 da Lei no 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, de outras incumbências expressamente previstas em lei e observado o disposto no § 1o, compete à ANEEL: (Redação dada pela Lei nº 10.848, de 2004) (Vide Decreto nº 6.802, de 2009). [...]XVIII definir as tarifas de uso dos sistemas de transmissão e distribuição, sendo que as de transmissão devem ser baseadas nas seguintes diretrizes: (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) Fl. 299DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677988/200931 Resolução nº 3302000.482 S3C3T2 Fl. 300 13 a) assegurar arrecadação de recursos suficientes para cobertura dos custos dos sistemas de transmissão; e (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) a) assegurar arrecadação de recursos suficientes para a cobertura dos custos dos sistemas de transmissão, inclusive das interligações internacionais conectadas à rede básica; (Redação dada pela Lei nº 12.111, de 2009) b) utilizar sinal locacional visando a assegurar maiores encargos para os agentes que mais onerem o sistema de transmissão; (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) Estabelecidas as condições para a definição de preço predeterminado, passase à análise do contrato apresentado. A recorrente auferiu receitas decorrentes da prestação de serviço de transmissão de energia elétrica, regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL instituída pela Lei nº 9.427/1996, e pelo contrato firmado com o Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS em 13/09/1999, intitulado Contrato de Prestação de Serviço de Transmissão de Energia Elétrica (CONTRATO CPST Nº 006/1999). O ONS é entidade de direito privado sem fins lucrativos, cabendolhe, dentre outras atribuições, a de contratar e administrar os serviços de transmissão de energia elétrica e respectivas condições de acesso, bem como dos serviços ancilares, nos termos do art. 13, parágrafo único, alínea “d” da Lei nº 9.648/98, sob fiscalização e regulação da ANEEL (Resolução nº 351/98 e Decreto nº 2.655/98). O contrato celebrado denominase CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE TRANSMISSÃO e tem por objeto regular as condições de administração e coordenação por parte da ONS, da prestação de serviço de transmissão pela Transmissora (recorrente). Seu prazo de vigência é a partir de 13/09/1999 e permanece até a extinção da concessão da transmissora. A claúsula 36º dispõe que a recorrente teria direito a receber dos usuários, mediante os Contratos de Uso do Sistema de Transmissão, um duodécimo da receita anual permitida, e seu parágrafo 1º dispôs que os serviços de operação de rede básica, serviços de telecomunicações e serviços ancilares seriam remunerados pela RAP até a assinatura de contratos específicos, a serem assinados até 30/06/2000 e 31/12/2002. A cláusula 37º menciona ainda a existência de Contrato de Concessão de Serviço Público de Transmissão de Energia Elétrica. A cláusula 40º estipula que o pagamento mensal à transmissora será realizado de acordo com as datas e condições definidas nos Contratos de Uso do Sistema de Transmissão. Cláusula 40º O pagamento mensal, definido na Cláusula 36*, devido pelos USUÁRIOS à TRANSMISSORA pela Prestação dos Serviços de Transmissão, será realizado em 3 (três) vencimentos, cada um equivalente a 1/3 (um terço) do valor global devido, nas datas e condições definidas nos CONTRATOS DE USO DO SISTEMA DE TRANSMISSÃO. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677988/200931 Resolução nº 3302000.482 S3C3T2 Fl. 301 14 Verificase que o contrato apresentado é entre o ONS e a recorrente e destinase a regular as condições de administração e coordenação por parte da ONS, da prestação de serviço de transmissão, mas não corresponde aos contratos dos quais decorrem as receitas auferidas. Assim, nestes contratos é que estão previstos as condições que permitem aferir sua caracterização como de longo prazo e do preço predeterminado, como: data de assinatura, prazo de vigência, data em que ocorreu o primeiro reajuste, fórmula estabelecida para cálculo do reajuste, e outros. Por outro lado, a Nota Técnica nº 224/2006, elaborada pela Superintendência de Fiscalização Econômica e Financeira – SFF/ANEEL, apresenta os modelos de contratos utilizados na concessão do serviço público de transmissão, contratos de prestação de serviços de transmissão CPST e contratos de uso do sistema de transmissão CUST. Da análise das cláusulas dos modelos apresentados, são necessários alguns esclarecimentos por parte da recorrente para melhor compreendêlos, bem como detalhar a receita auferida, vinculando cada parcela ao contrato que lhe deu origem. Diante do exposto, voto para converter o presente julgamento em resolução para que a autoridade administrativa intime a recorrente a: 1. Relacionar as receitas auferidas ao contrato do qual decorrem; 2. Apresentar o Contrato de Concessão do Serviço Público de Transmissão, especificando a data de assinatura, o prazo de vigência, as condições contratadas para o reajustamento fórmula e datas de reajuste; 3. Identificar o primeiro reajustamento ocorrido após 31/10/2003, relativamente às receitas auferidas; 4. Esclarecer se houve alguma revisão do contrato visando a manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro; 5. Apresentar as resoluções da ANEEL relativas a novos acréscimos ao preço originalmente contrato Receita Anual Permitida identificando a origem destes acréscimos; 6. Esclarecer se na receita auferida constam revisões de que trata a cláusula abaixo reproduzida: Oitava Subcláusula A ANEEL procederá, anualmente, à revisão da RECEITA ANUAL PERMITIDA do SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSMISSÃO, pela execução de modificações, reforços e ampliações nas INSTALAÇÕES DE TRANSMISSÃO, inclusive as decorrentes de novos padrões de desempenho técnico determinados peia ANEEL, conforme procedimentos definidos na Oitava Subcláusula da Cláusula Quarta deste CONTRA TO DE CONCESSÃO 7. Esclarecer se na receita auferida há parcela recebida devida à ultrapassagem do sistema de transmissão e da sobrecarga; 8. Informar a existência de Contratos de Conexão à Transmissão firmados após 31/10/2003, de acordo com a Resolução nº 489/2002; Fl. 301DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677988/200931 Resolução nº 3302000.482 S3C3T2 Fl. 302 15 9. Se houve parcela de ajuste na Receita Anual Permitida, relacionada com a majoração das alíquotas de PIS e Cofins, nos termos do disposto no item 69 da Nota Técnica 224/2006: PA (PIS/COFINS) = parcela a ser adicionada a PA de cada concessionária de serviço público de transmissão de energia elétrica, resultante do impacto financeiro decorrente da majoração das alíquotas do PIS/PASEP e da COFINS 10. Esclarecer se consta receita auferida de novas instalações de transmissão, de acordo com o item 70 da Nota Técnica 224/2006 e a data em que foram autorizadas pela ANEEL: Dessa forma, é possível, e freqüentemente ocorre, a necessidade da realização de obras visando a implantação de novas instalações de transmissão de energia elétrica integrantes da Rede Básica do Sistema Interligado Nacional SIN. Tais obras são então autorizadas por esta ANEEL, mediante a publicação de Resoluções Autorizativas, nas quais é fixada respectiva receita.. 11. Esclarecer se existe algum índice setorial que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; 12. Elaborar comparativo entre a evolução dos custos da prestação do serviço e da variação do índice mencionado no item anterior e o reajuste adotado, relativo ao período correspondente ao reajuste ocorrido imediatamente anterior a 31/10/2003 e os ocorridos até a competência do crédito objeto da DCOMP. Após concluída a resposta à intimação, elaborar relatório fiscal, separando as receitas que entender sujeitas à incidência nãocumulativa das sujeitas à incidência cumulativa, a partir das premissas contidas nesta resolução, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre as conclusões obtidas, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 302DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Numero do processo: 10517.720001/2012-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 13/11/2007 a 19/10/2011
PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM MULTA PECUNIÁRIA. EXIGÊNCIA CONCOMITANTE COM TRIBUTOS. FATOS GERADORES POSTERIORES AO INÍCIO DA VIGÊNCIA DA MEDIDA PROVISÓRIA 135/2003.
Em relação aos fatos geradores ocorridos posteriormente ao início da vigência da Medida Provisória - MP n.º 135/2003, que introduziu o § 4º ao art. 1º do Decreto-lei n.º 37/1966, passou a ser possível a exigência concomitante da multa de conversão da pena de perdimento com os tributos devidos por irregularidades na importação.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.422
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres de Oliveira - Presidente.
Charles Mayer de Castro Souza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres de Oliveira (presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres de Oliveira - Presidente. Charles Mayer de Castro Souza - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres de Oliveira (presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 13/11/2007 a 19/10/2011 PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM MULTA PECUNIÁRIA. EXIGÊNCIA CONCOMITANTE COM TRIBUTOS. FATOS GERADORES POSTERIORES AO INÍCIO DA VIGÊNCIA DA MEDIDA PROVISÓRIA 135/2003. Em relação aos fatos geradores ocorridos posteriormente ao início da vigência da Medida Provisória MP n.º 135/2003, que introduziu o § 4º ao art. 1º do Decretolei n.º 37/1966, passou a ser possível a exigência concomitante da multa de conversão da pena de perdimento com os tributos devidos por irregularidades na importação. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres de Oliveira Presidente. Charles Mayer de Castro Souza Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 7. 72 00 01 /2 01 2- 50 Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres de Oliveira (presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito tributário decorrente do Imposto de Importação – II, do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, da Contribuição para o Programa de integração Social PIS, referente a fatos geradores ocorridos nos anos de 2007 a 2011, no valor total de R$ 6.793.193,70, incluídos multa proporcional de 150% e juros de mora, além de multa isolada, no valor de R$ 3.242.535,74. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Tratase de lançamentos no valor total de R$ 6.793.193,70 (fls. 02), referentes aos autos de infração de fls. 0205 e 791807, lavrados em 29/10/2012, através dos quais a fiscalização, segundo declarado no Relatório Fiscal, constatou subfaturamento e ocultação do real adquirente das mercadorias, em relação a onze declarações de importação registradas de 2007 a 2011 (fls. 836840), tendo formalizado exigências relativas a diferenças de tributos (imposto sobre as importações, IPI, PIS/Pasep e COFINSimportação, acrescidos de juros de mora e multa de ofício (150%), além de conversão da pena de perdimento em multa, por impossibilidade de apreensão das mercadorias. Segundo o Relatório Fiscal (fls 817843), parte integrante dos autos de infração acima referenciados, em seu item 1, os lançamentos tiveram, como origem, fiscalização iniciada em virtude da análise de documentos e arquivos magnéticos apreendidos na denominada Operação Hércules, realizada pela Polícia Federal do Rio Grande do Sul, em meados de 2009, cuja finalidade era combater crimes contra o sistema financeiro em duas casas de câmbio de Porto Alegre. Da análise da referida documentação, constatouse que a empresa APEX, acima referida, assim como diversas outras empresas, era cliente desses operadores de câmbio indiciados, e promovia, por meio deles, remessas clandestinas de divisas para pagamento de mercadorias estrangeiras, especificamente, de filmes plásticos adesivos. Em 11 outubro de 2011, a partir de análise e investigação realizadas pela Inspetoria da Receita Federal e pela Polícia Federal do Rio Grande do Sul, foi deflagrada a denominada Operação Heráclidas, cujos alvos foram empresas clientes dos "doleiros" indiciados em decorrência da citada Operação Hércules. Em cumprimento a Mandado de Busca e Apreensão, em 12 de setembro de 2012, uma equipe da Polícia Federal juntamente com uma equipe da Receita Federal estiveram no endereço da Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10517.720001/201250 Acórdão n.º 3202001.422 S3C2T2 Fl. 1.176 3 empresa APEX, em São Paulo, onde foi lavrado pela autoridade policial o competente Auto Circunstanciado de Busca e Arrecadação, tendo sido convertido em seguida para Auto de Apreensão. Os documentos apreendidos e os arquivos magnéticos copiados foram disponibilizados à fiscalização aduaneira da IRF Porto Alegre, com a devida autorização do Juiz Federal, tendo sido instaurada ação fiscal com vistas a identificar as irregularidades praticadas pela empresa em suas operações de comércio internacional. Analisando os documentos e arquivos apreendidos na APEX, assim como o material apreendido nos estabelecimentos dos operadores ilegais de câmbio (Operação Hércules) a fiscalização constatou que essa empresa opera no comércio internacional comprando de fornecedores estrangeiros filmes e películas automotivas e outros artigos, mas vinha declarando, de forma contumaz, preços inferiores aos efetivamente praticados. Além disso, ficou também evidente, segundo os autuantes, que a APEX, em algumas operações registradas por outras empresas importadoras, permaneceu oculta, não obstante fosse a real adquirente das mercadorias estrangeiras. Analisando os dados cadastrais e o histórico do quadro societário, tanto da APEX, quanto da empresa DSK, assim como o endereço cadastral dos sócios, a fiscalização conclui que a relação entre essas duas empresas é mais do que uma relação comercial ou de serviços, mas sim uma relação de parentesco ou afinidade entre seus sócios. Além disso, conforme a fiscalização, tanto a APEX como a DSK possuem o mesmo contador. Conforme os auditores, a empresa APEX tem capital social registrado de R$ 50.000,00 e declarou receita bruta no ano calendário de 2008 no valor de R$ 545.941,87, observandose que, nas declarações de movimentação financeira (DCPMF e DIMOF), os volumes de recursos movimentados são bastante superiores aos valores declarados como faturamento. Em 2008, por exemplo, houve movimentação bancária de aproximadamente R$ 3,3 milhões. Informa, ainda, a fiscalização, que, de 2007 a 2011, a APEX registrou diretamente em seu nome 15 DI´s, cujo valor total declarado foi de US$ 151.395,47. No item 3 do Relatório de Fiscalização, são destacados os procedimentos da ação fiscal. Intimada a apresentar diversos documentos e esclarecimentos, inclusive sobre sua relação com a DSK, a APEX informou apenas que nunca realizou nenhuma operação comercial com esta empresa e que não tinha com ela qualquer relação. Salienta, no entanto, a fiscalização, que foram encontrados documentos, inclusive uma relação de senhas APEX/DSK, no estabelecimento da APEX que revelam que a DSK era, sim, utilizada para realização de algumas de suas importações. Em seguida, a fiscalização informa que, tendo em vista que os documentos apreendidos revelaram que a APEX utilizouse de Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 outras empresas importadoras para efetivar suas operações, procedeuse também à intimação das empresas DSK DISTRIBUIÇÃO E COMERCIO LTDA., JCP IMP. E EXP. LTDA., KIPPLEN IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. e PRÓSPERA TRADING IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. a apresentarem cópias das notas fiscais de saídas efetuadas para a APEX ou por sua conta e ordem. De acordo com os autuantes, a empresa PRÓSPERA TRADING respondeu à intimação informando que não localizou em seus registros qualquer operação com as empresas APEX e DSK; a empresa DSK respondeu que não teve nenhuma relação comercial com a empresa APEX durante o período de 2007 a 2011; a empresa KIPPLEN enviou uma única nota fiscal de saída para a DSK, emitida em 23/09/2011, a qual se refere à remessa de mercadoria por conta e ordem de terceiros, que teria sido importada pela DI 11/18010320. Segundo os autuantes, no mesmo envelope de resposta, a empresa enviou cópia da intimação que foi remetida pela fiscalização à empresa DSK. A DI indicada na resposta realmente foi registrada pela KIPPLEN por conta e ordem da DSK. No entanto, há outra DI registrada dessa mesma forma, para a qual a empresa não apresentou nenhuma nota fiscal de saída. Já a empresa JCP não apresentou resposta. No item 5 do Relatório de Fiscalização (por lapso, não há o item 4), a fiscalização passa à análise dos dados obtidos na empresa, assim como na Operação Hércules. Dentre os documentos apreendidos no endereço da empresa, vários, segundo a fiscalização, demonstram que a APEX utilizava para suas importações outras empresas como a DSK, KIPPLEN, JCP e PRÓSPERA. Como exemplos, cita faturas comerciais; documento chamado FATURAMENTO IMPORTAÇÃO, emitido pela empresa ÉPOCA ASSESSORIA E CONSULTORIA, com controle de numerários referente à DI 10/20950007, citando a KIPPLEN, a DSK e APEX; documentos denominados estimativas de custos, citando a KIPPLEN e a APEX. Também foram encontrados, segundo a fiscalização, documentos que revelam a prática de subfaturamento nas importações registradas pela APEX ou por sua conta e ordem. A fatura comercial MR 1103244, que apresenta as mesmas mercadorias declaradas na DI 11/15224800 (118 rolos de filme de poliéster), registrada em nome da KIPPLEN, por conta e ordem da JCP. Essas mercadorias foram declaradas pelo valor total de US$ 26.575,00, no entanto, o valor que consta nesta fatura comercial é de US$ 120.500,00, ou seja, quase cinco vezes superior ao valor declarado. O mesmo ocorreu em relação à proforma invoice MR1106211, que se refere às mesmas mercadorias declaradas na DI 11/19820741, entretanto comprova que o preço efetivamente praticado é quase cinco vezes superior ao declarado. A referida DI foi registrada também em nome de KIPPLEN, tendo como adquirente a JCP. Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10517.720001/201250 Acórdão n.º 3202001.422 S3C2T2 Fl. 1.177 5 A fiscalização cita também a fatura comercial KIE11108001, de valor bem maior do que outra, de mesma numeração, utilizada para instruir a DI 11/18010320; e a fatura comercial KIE11009030, de valor bem superior à utilizada para instruir a DI 10/20950007. Esses documentos, segundo a fiscalização, não deixam dúvida de que as importações da APEX vem sendo declaradas com subfaturamento dos preços. O fato de terem sido encontrados, no escritório da APEX, documentos que se referem a operações registradas por outras empresas e considerando que se trata de produtos que são comercializados pela própria APEX deixa evidente que além do subfaturamento, as operações são realizadas também com ocultação do real adquirente. Diversos documentos encontrados junto aos doleiros, por ocasião da realização da Operação Hércules, demonstram que a APEX era um cliente assíduo das remessas clandestinas de recursos ao exterior. Além disso, foram encontrados também documentos internos das casas de câmbio que revelam remessas efetuadas pela APEX do Brasil, para a APEX da Coréia, sempre vinculadas a pagamentos de mercadorias. Junto aos doleiros foram encontrados, também, extratos das contas da APEX, cliente identificado pelo número 042, controladas no sistema TRADEMAX V1.09, sendo que, em uma das contas, verificouse que houve uma movimentação de mais de US$ 1.600.000,00. De acordo com a fiscalização, o arquivo magnético "8308.xls" demonstra que as transferências efetuadas pela APEX tinham como origem o Brasil e como destino a Coreia e se referiam a compra de mercadorias PELÍCULAS ADHE. Os autuantes revelam que diversas mensagens trocadas entre os operadores de câmbio deixam ainda mais evidente que a APEX utilizavase dessas remessas clandestinas para pagar suas importações. São apresentados fragmentos de mensagens que, segundo eles, indicam o relacionamento da APEX com os doleiros, sendo que Rodinei Pereira, que aparece em mensagens transcritas, é, segundo os fiscais, um dos operadores de câmbio que atuava intermediando remessas clandestinas que eram realizadas pelos "doleiros" investigados na Operação Hércules. Dando continuidade, os auditores informam que, das práticas de subfaturamento dos preços das importações, decorria a necessidade de utilização dos serviços prestados pelos doleiros para efetivar suas remessas clandestinas de recursos para o exterior, com vistas aos pagamentos das parcelas não declaradas nas respectivas declarações de importação. Segundo os fiscais, uma outra mensagem encontrada demonstra clara intenção de manipulação de informações com vistas a iludir o fisco federal, referindose a mensagem, transcrita, em que Kali Nardino, com cópia para Cammila e Karina, ambas da APEX, solicita a um amigo seu, de nome EDGAR, que lhe envie Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 6 uma informação indicando um preço subfaturado de filme plástico adesivo no México. Esta mensagem diz respeito à DI 07/06188963, que foi selecionada para o canal cinza e que se encontrava sob procedimento especial de controle aduaneiro, motivo pelo qual a fiscalização havia intimado a APEX a apresentar uma série de documentos. Uma comunicação entre duas pessoas integrantes da APEX, revela, de acordo com os auditores, que os preços reais dos rolos de 610 metros de filmes varia entre US$ 1.180,00 e US$ 2.100,00. Apesar de serem de 2006, dão boa ideia do custo real destes produtos, corroborando com os dados constantes nos documentos apresentados anteriormente, demonstrando que os preços reais são bem superiores aos preços normalmente declarados em suas importações, que se situam entre US$ 200,00 e US$ 300,00 por rolo. Desse modo, utilizandose como exemplo apenas duas DI registradas pela APEX, as de nºs 07/06188963 e 08/11186266, referentes a importação de filmes em rolos identificados como de 610 metros, comparandose os preços declarados com o menor dos preços constantes na mensagem acima, já se pode perceber o nível de subfaturamento praticado pelo importador. Vêse que o preço declarado fica em torno de 10% do preço real. A manipulação de preços para efeito de despacho aduaneiro é evidenciada, segundo a fiscalização, por diversas mensagens em que a APEX solicita, a vários operadores de importação por conta e ordem, a previsão de numerários referentes a determinadas operações. Nessas solicitações são informados arbitrariamente alguns preços unitários por Kg de produto para que sejam feitas as simulações. Os auditores informam que, em diversas outras mensagens dessa mesma natureza, aparecem preços que vão de US$ 0,38 até US$ 1,15, por quilograma de películas. Pelas informações obtidas dos documentos apreendidos, eles deduzem que a APEX funcionava como uma espécie de distribuidora de películas e que realizava suas importações para atender pedidos de uma rede de lojas espalhadas pelo território nacional. Cada lote importado já vinha previamente distribuído entre as lojas, consideradas em seus controles como filiais. A planilha "PEDIDO PARA SP FILM RIBEIRÃO 1112 2006.XLS", encontrada dentre os documentos apreendidos na empresa, embora se refira à uma operação mais antiga, demonstra, segundo os autuantes, que os preços, por rolo de película, são bastante superiores aos preços que costumam ser declarados pelo importador. No item 6, a fiscalização discorre sobre o Valor Aduaneiro. Afirma que este é calculado com base no Acordo Sobre a Implementação do Artigo VII do GATT (Acordo de Valoração AduaneiraAVA). Nos termos do Acordo, o valor aduaneiro será determinado pela aplicação de seis métodos de valoração. Aduz que, de acordo com o art. 77 do Regulamento Aduaneiro de 2009 (RA/2009), devem ser incluídos os custos de transporte e seguro internacional. Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10517.720001/201250 Acórdão n.º 3202001.422 S3C2T2 Fl. 1.178 7 A fiscalização informa que, para a aplicação do Primeiro Método de Valoração, partiu dos preços efetivamente pagos ou a pagar pelo comprador em benefício do vendedor. Desde que sejam identificados estes elementos, preços efetivos, comprador e vendedor, independente de quem tenha figurado como importador ou como exportador, e desde que não estejam presentes outros elementos que sejam impeditivos, estão satisfeitas as condições para a aplicação dos Primeiro Método. Segundo a fiscalização, independente da empresa utilizada para formalização do registro da operação, ficou evidente, pela documentação encontrada, que a APEX era o verdadeiro comprador das mercadorias estrangeiras, ainda que as mercadorias, antes mesmo da importação, já estivessem previamente destinadas aos seus clientes. O controle exercido pela empresa, revelado pelas diversas mensagens eletrônicas e pela posse dos documentos que evidenciam os elementos das operações e a reiterada prática de remessas clandestinas ao exterior, demonstra que a APEX era o verdadeiro adquirente das mercadorias estrangeiras em questão. Para as DI 10/20950007, 11/18010320, 11/15224800 e 11/19820741, foi possível preservar a aplicação do Primeiro Método de Valoração Aduaneira, pois os documentos que comprovam os preços efetivamente praticados foram encontrados no estabelecimento da APEX, embora essas quatro DI’s tenham sido registradas pela empresa KIPPLEN IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., como se tivessem ocorrido, as duas primeiras, por conta e ordem da DSK DISTRIBUIÇÃO E COMERCIO LTDA. EPP, e as duas outras, da J.C.P. IMP. E EXP. LTDA. Assim, para essas operações, os auditores reconstituíram o valor aduaneiro, tendo por base os preços efetivamente praticados, determinados a partir da documentação encontrada no estabelecimento da APEX. Um quadro, às fls. 836837, apresenta a identificação dos preços unitários e totais. Para as DI 07/15711720, 08/00533008, 08/04911821, 08/17038668 e 09/06146083, registradas em nome da APEX, e para as DI 10/22658486, 11/08184997, registradas pela KIPPLEN, tendo como adquirente declarado a J.C.P, não foram encontrados os documentos específicos de cada operação. Por essa razão, segundo a fiscalização, tendo em vista a evidente prática de fraude e sonegação, ela procedeu ao arbitramento dos preços das mercadorias, utilizando como critério o preço de exportação, para o País, de mercadoria idêntica ou similar, de acordo com o inciso I do artigo 88, da MP nº 2.15835/2001. Os preços utilizados como parâmetro para o arbitramento, nos casos das importações cujo fornecedor foi MR FILM TECHNOLOGY, foram, segundo os auditores, os próprios preços efetivamente pagos ou a pagar, e que foram comprovados nas DI’s nºs 11/15224800 e 11/19820741, cujo exportador era a mesma empresa. Quando não foi possível identificar, pela descrição das mercadorias, qual a referência dos produtos, foi Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 8 utilizado como parâmetro o menor preço praticado com o mesmo fornecedor. Para as demais DI em que não foi possível identificar mercadorias idênticas ou similares, tendo em vista a forma extremamente sucinta utilizada na descrição das mercadorias, foi utilizado, como critério para arbitramento, segundo a fiscalização, o menor preço por quilograma de películas praticado pelo próprio importador, tomandose como paradigma apenas aquelas quatro operações para as quais foram encontrados documentos que permitiram identificar os preços efetivamente pagos ou a pagar pelas mercadorias importadas. Afirmam ainda, os auditores, que, para fins de valoração aduaneira, foram acrescentados, aos preços efetivamente praticados e aos preços arbitrados, os custos referentes ao transporte internacional e seguro, constantes nas próprias declarações de importação. A PLANILHA II (fls. 815 a 816) apresenta um demonstrativo consolidado dos cálculos do Valor Aduaneiro de cada uma das adições das respectivas declarações de importação. No item 7, a fiscalização passa a discorrer sobre as infrações e penalidades. No item 7.1, trata da sujeição passiva. Após citar o art. 104 do RA/2009 e o art. 124 do CTN, os auditores mencionam o art. 32, alínea “c”, do Decretolei nº 37/1966, com redação dada pelo art. 77 da MP nº 2.15835/2001, que considera responsável solidário o adquirente de mercadoria importada por sua conta e ordem. Aduzem, os fiscais, que não resta dúvida de que, tanto nas importações registradas pela APEX, como naquelas que foram registradas por sua conta e ordem, e naquelas que foram registradas por outras empresas, inclusive formalmente por conta e ordem de terceiros, mas cujos documentos e controles internos encontrados na APEX revelaram ser esta a verdadeira responsável pelas importações, é ela o sujeito passivo das obrigações tributárias, seja como contribuinte, seja como responsável solidária. Portanto, tanto na condição de importadora, como na condição de real adquirente, ficou perfeitamente demonstrado, de acordo com fiscalização, que a APEX foi a responsável pelas infrações praticadas, das quais resultou recolhimento a menor de tributos incidentes nas importações e a ocultação do real adquirente, razão por que, os autos de infração foram contra ela lavrados, sem prejuízo da responsabilidade que cabe a cada uma das outras empresas que se prestaram a disponibilizar seus nomes para acobertar operações da autuada. No item 7.2, a fiscalização informa que o primeiro efeito decorrente dos procedimentos ilícitos praticados pelo importador é a falta de pagamento do Imposto de Importação – II, do Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI vinculado às importações e das contribuições PIS/PASEPImportação e COFINSImportação, que decorre da declaração inexata do valor das mercadorias importadas, nas importações em que o Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10517.720001/201250 Acórdão n.º 3202001.422 S3C2T2 Fl. 1.179 9 preço efetivamente pago ou a pagar foi declarado a menor, mediante prática de subfaturamento. Segundo os autuantes, o importador registrou algumas importações em seu nome, bem como se utilizou de outros importadores para promover a entrada de mercadorias estrangeiras, por ele adquiridas, mas registradas com preços inferiores aos efetivamente pagos ou a pagar. Tal prática se deu com vistas a elidir o pagamento dos tributos incidentes na importação. Embora a intenção do agente não seja relevante para a caracterização da infração, o é para a graduação da penalidade a ser aplicada. A partir de então, os fiscais, tratando de multa de ofício qualificada, transcrevem o art,. 44, inciso I, e § 1º da Lei nº 9.430/1996, e o art. 80, § 6º, inciso II, da Lei nº 4.502/1964. Além disso, transcrevem os arts. 71, 72 e 73 dessa última lei, os quais definem fraude, sonegação e conluio. Afirmam, os autuantes, que no caso concreto fica evidente que a declaração inexata quanto ao preço declarado, da qual decorreu a falta de pagamento dos tributos, é fruto de ações praticadas com dolo, pelas pessoas envolvidas nas negociações que, intencionalmente, promoveram modificações das características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal. Os documentos apresentados no despacho aduaneiro não apresentavam os elementos essenciais das negociações. Estão presentes, segundo a fiscalização, nos atos praticados pelo importador, a sonegação e a fraude, uma vez que os elementos do fato gerador foram alterados, casos em que os preços foram minorados intencionalmente. Dessa forma, demonstrado o evidente intuito de fraude referente à declaração inexata, com consequente falta de pagamento dos tributos, foi aplicada a penalidade de 150% sobre a diferença apurada do Imposto de Importação, do PIS/PASEPImportação e da COFINS Importação, prevista no § 1º do inciso I do Artigo 44 da Lei n° 9.430/96, com redação dada pela Lei 11.488/2007, e de 150% sobre a diferença do IPI vinculado, nos termos do que dispõe o Artigo 80, §6º, inciso II, da Lei 4.502/64. No item 7.3, trata, a fiscalização, do Dano ao Erário. Afirma que, segundo o art. 689 do RA/2009, cabe o perdimento das mercadorias, por dano ao erário, quando se trata de mercadoria estrangeira, já desembaraçada cujos tributos aduaneiros tenham sido pagos apenas em parte mediante artifício doloso (inciso XI) e também no caso de ocultação fraudulenta do real adquirente na importação (inciso XXII). Concluem, os autuantes, que, tanto nos casos em que houve declaração de preço inferior ao efetivamente praticado, como nos casos em que a APEX permaneceu oculta em importações realizadas por terceiros, ocorreu infração que caracteriza dano ao erário, sujeita, portanto, à aplicação da pena de perdimento das mercadorias. No entanto, sabendose que tais bens foram comercializados Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 10 pelo importador, cabe a aplicação do § 3º do art. 23 do Decreto Lei 1.455/1976, com redação dada pela Lei 12.350/2010, o qual determina que, no caso de as mercadorias não serem localizadas, terem sido consumidas ou revendidas, as infrações previstas devem ser punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro. Continuando, a fiscalização afirma que, ainda que este dispositivo seja posterior a alguns fatos ocorridos, o mesmo se aplica ao caso por tratarse de previsão mais benéfica. Antes do advento da Lei 12.350/2010, havia a previsão de conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, quando não fosse localizada ou que tivesse sido consumida, cuja aplicação poderia se dar cumulativamente com a multa de 100% da diferença entre o preço efetivamente praticado e o preço declarado ou entre o preço arbitrado e o preço declarado. Assim, propõem os fiscais a aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro das referidas mercadorias importadas, conforme Planilha II (fls. 815816). Da impugnação Cientificada dos lançamentos em 08/11/2012, pelos Correios, com Aviso de Recebimento (fl. 846), a autuada insurgiuse contra as exigências, tendo apresentado, em 07/12/2012, a impugnação de fls. 853880, em que alega: o auto de infração violou o princípio da estrita legalidade, havendo deficiência da fundamentação legal adotada por fazer referência apenas a normas de caráter secundário na imposição de penalidades; para fundamentar o auto de infração não basta menção aos dispositivos do Regulamento Aduaneiro; o auto de infração feriu o art. 5º, inciso II, da CF/1988, o 97, V do CTN, e o art. 10, IV, do Decreto nº 70.235/1972; cita o art. 2º da Lei nº 9.784/1999 e o § único, incisos I e VIII deste artigo; cita doutrina de Celso Antônio Bandeira de Mello e de Hely Lopes Meirelles sobre o princípio da legalidade; diz que a fundamentação legal utilizada para a infração “DECLARAÇÃO INEXATA”, fl. 794, está viciada por referirse ao Decreto nº 4.543/2002, já revogado pelo Decreto nº 6.759/2009. O mesmo ocorre com a infração referente à “PENA DE PERDIMENTO”; os dispositivos da Lei nº 10.833/2003 mencionados versam sobre a conversão da pena de perdimento em multa, mas não há referência acerca de quais dispositivos legais estão amparando a decretação do perdimento; cita jurisprudência administrativa da DRJ/Ribeirão Preto e aduz que todo o lançamento fiscal depende da fundamentação apontada no enquadramento legal mencionado às fls. 794795, que cita apenas o Regulamento Aduaneiro, que não se presta sozinho a amparar imposição de penalidades nem identificar a ocorrência de infrações, sem apontar o fundamento legal; Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10517.720001/201250 Acórdão n.º 3202001.422 S3C2T2 Fl. 1.180 11 há incompatibilidade legal entre a multa por subfaturamento (art. 703 do RA), com a prática de Dano ao Erário (art. 689, inc. XI e XXII, do RA), caracterizadora da pena de perdimento, pois se aplicada a segunda, não ocorre a incidência do Imposto de Importação; comparandose os textos das infrações (fls. 793 – declaração inexata) e 844 (dano ao erário – conversão do perdimento), transcritos, seria aplicável a multa por subfaturamento e diferença de tributos, enquanto a redação do auto de infração é taxativa em atribuir à conduta da empresa impugnante, a prática de dano ao erário, cuja infração caracteriza a pena de perdimento; de acordo com o art. 108, § único, do Decretolei nº 37/1966 e art. 88 da MP nº 2.15835/2001, e art. 703 do RA/2009, a multa pecuniária somente é aplicada sobre a diferença entre o preço declarado e o efetivamente pago ou arbitrado; a dúvida e indecisão da fiscalização são corroboradas quando esta, no item 6.2 do Relatório de Fiscalização, fl. 838, afirma que, por ter havido fraude e sonegação, procedia ao arbitramento; a fiscalização descumpriu o artigo 9º do Decreto nº 70.235/1972, o qual exige que o crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade; há incompetência do auditor fiscal para aplicar diretamente a pena de perdimento, que é prerrogativa exclusiva dos Inspetores e Delegados da Receita Federal do Brasil, conforme art. 27 do Decretolei nº 1.455/1976 e Portaria MF nº 203/2012, art. 302, inciso IV; cita jurisprudência administrativa da DRJ/Belém; sendo o domicílio fiscal da empresa impugnante abrangido pela jurisdição fiscal da Unidade da RFB em São Paulo SP, é dela a competência para apreciar e julgar o Auto de Infração que propõe a aplicação da Pena de Perdimento contra as mercadorias importadas; a alegada interposição fraudulenta somente é alcançada mediante a presunção de ocultação do real adquirente das mercadorias, na medida em que a sócia Karina também teve uma participação societária na empresa DSK e o endereço da residência dos atuais sócios ter pertencido no passado aos sócios da APEX; a impugnante solicitou perante a unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que detém jurisdição sobre seu domicílio fiscal, a habilitação no Siscomex, apresentando os documentos solicitados e cumprindo as exigências para comprovar a origem dos recursos financeiros disponíveis para as operações de importação, cujo controle do limite financeiro é Fl. 1185DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 12 efetuado pela própria Receita Federal, através de estimativas e previsões de operações semestrais; utilizar a proximidade entre pessoas de famílias de origem Coreana, como forma de apontar uma interposição fraudulenta, em razão dos laços familiares, é impor uma condição não prevista em lei; as importações da empresa Impugnante APEX, foram realizadas através da modalidade de importação denominada “POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO”, onde a empresa KIPPLEN atuava como sendo “PRESTADORA DE SERVIÇOS”, na condição de importadora; as alegações da fiscalização tentam induzir ao pensamento que todas as demais empresas, KIPPLEN, DSK, PROSPERA, JCP, ocultam a impugnante. Todavia, todas elas estavam aptas a operar no Comércio Exterior, já que regularmente credenciadas perante o “RADAR” da Secretaria da Receita Federal; portanto, salvo a alegada suspeita acerca do subfaturamento, a mera proximidade entre as empresas que atuam no mesmo ramo de importação de mercadorias não pode ser entendida como ocultação do real adquirente; os valores declarados como preço efetivamente pago pelas mercadorias constantes na Faturas Comerciais correspondem fielmente ao valor da transação internacional mantida com o Exportador das mercadorias para aquisição dos produtos importados; diante disso, não pode concordar com a exigência de diferença de tributos por subfaturamento; no subfaturamento, a apuração do novo valor aduaneiro deve ser precedida de motivação e fundamentação específica, fixando de forma pormenorizada os critérios sequencialmente utilizados, justificandose, inclusive, os motivos que o levaram a descartar ou preterir outros métodos substitutivos e sequenciais do sistema de valoração; admitir o contrário, estarseia menosprezando todo um arcabouço jurídico de proteção ao administrado, em especial o sujeito passivo da relação fiscocontribuinte e olvidando que a Administração Pública deve pautar seus atos atenta aos princípios da estrita legalidade, da segurança jurídica, da razoabilidade e proporcionalidade; não basta a alfândega comparar o preço de uma importação com outra empresa, e, com isto, simplesmente, desqualificar o valor atribuído pela impugnante como sendo "subfaturamento " por ser ele mais baixo que aqueles identificados em outras faturas. por presunção o AuditorFiscal passou a atribuir às faturas comerciais que ampararam outras Declarações de Importação registradas em nome outras empresas como sendo o real valor aduaneiro das mercadorias, passando a aplicar a multa por subfaturamento; Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10517.720001/201250 Acórdão n.º 3202001.422 S3C2T2 Fl. 1.181 13 ainda que as alegações da fiscalização se sustentem em indícios de subfaturamento, quando comparados a outras cotações de produtos semelhantes no mercado internacional, tal assertiva não pode se converter na imputação de "fraude ou falsidade" das faturas comerciais que é, na verdade, coisa muito diferente; para comprovar “fraude ou falsidade” é necessário que a fiscalização disponha de provas contundentes; transcreve o art. 85 do RA/2002, que trata de apuração do valor aduaneiro por método substitutivo ao valor de transação; transcreve jurisprudência administrativa nesse sentido; a ocorrência de subfaturamento não pode ser presumida; há de estar o fato satisfatório e concretamente comprovado através da instauração do respectivo processo administrativo específico de valoração aduaneira; eventual crédito tributário deve ser precedido da necessária instauração do exame conclusivo do valor aduaneiro, sendo que a fiscalização não aponta a determinação de realização desse exame, o qual se constitui em condição “sine qua non” para a apuração do novo valor das mercadorias; portanto, o cotejo analítico do texto leva a concluir pela ausência do pressuposto para prosperar a fixação do novo valor aduaneiro. O Auto de Infração não está tratando, pois, de documento forjado ou adulterado, mas de uma constatação de uma diferença de preços em documentos distintos daqueles que envolve a empresa impugnante, cujos elementos indicativos dão conta da possibilidade concreta de divergência entre os valores declarados; para desconsiderar o valor de transação com base no art. 88 da MP n°. 2.15835/2001, deve a Autoridade Aduaneira, obrigatoriamente, provar a ocorrência de uma daquelas situações (fraude, sonegação ou conluio), previstas no dispositivo apontado, ou seja, deve provar a ocorrência inequívoca da "fraude relacionada à falsidade", que por sua vez, não pode ser meramente presumida; a legislação vigente adota diversos critérios e circunstâncias específicas para a desconsideração do “valor aduaneiro de transação internacional”, sem os quais não cabe a aplicação direta do arbitramento, sob pena de violação aos dispositivos vigentes na legislação relativa à valoração; o art. 88 da MP n°. 2.15835/2001 é imperativo em fixar os critérios substitutivos e sequenciais para aplicação do "arbitramento", cuja desobediência macula de completa nulidade o lançamento fiscal em questão, por violação a forma prescrita em Lei; a fraude, por comportar o elemento subjetivo do dolo específico, não pode ser presumida. Há que ser provada, seja com provas materiais diretas ou com provas indiciárias que Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 14 possam demonstrar, de forma inequívoca, a sua ocorrência no caso em questão. “Perguntase então: no caso concreto, em que consistiu a fraude, sonegação ou conluio?” ; haveria fraude se estivesse sendo atribuído à impugnante atos tendenciosos à, sorrateiramente, alterar ou modificar informações ou dados lançados pelo Exportador nas Faturas Comerciais. Só que isto, verdadeiramente, não ocorreu; se as suspeitas de fraude da fiscalização estão relacionadas ao fato de os preços declarados estarem abaixo daqueles praticados no mercado, isso não é suficiente para aplicação direta do arbitramento, sem antes, discorrer sobre os motivos pelos quais estão sendo preteridos os “métodos substitutivos e sequenciais de valoração aduaneira”, sob pena de violação de expressa disposição de lei (forma prescrita em lei), bem como resultar na impossibilidade do regular exercício da ampla defesa e do pleno contraditório; segundo a legislação, é o valor de transação que constitui a “base primeira de valoração aduaneira”, e em casos específicos de sua impossibilidade, devem ser aplicados os demais “métodos substitutivos e sequenciais”, o que não fez a fiscalização, ao aplicar diretamente o arbitramento; transcreve diversas ementas referentes a jurisprudência administrativa sobre valoração aduaneira; Com base nas alegações acima relatadas, requer: o recebimento da impugnação, que é tempestiva, conhecendoa e conferindolhe integral provimento para os fins de julgar improcedente o Auto de Infração, haja vista que foram inegavelmente preteridos os dispositivos legais e vigentes por conta da usurpação de função, porque a aplicação da Pena de Perdimento é prerrogativa dos Delegados e Inspetores da Receita Federal do Brasil, sem a qual não poderiam os AuditoresFiscais procederem com a direta conversão da pena de perdimento em multa, sob alegação de que as mercadorias não foram localizadas ou consumidas; seja reconhecida a improcedência do Lançamento Fiscal, uma vez que analisandose a fundamentação legal apontada no enquadramento legal mencionado às fls. 794 e 795 do Auto de Infração, vêse que a norma tida por violada possui caráter secundário, pois o Regulamento Aduaneiro não se presta sozinho a amparar a imposição de penalidade nem identificar a ocorrência de infrações administrativas/tributárias, sem indicar sua fundamentação através de norma legal em sentido estrito, hierarquicamente superior, caracterizando, assim, o vício formal, por desrespeitar o art. 10, inc. IV, do Decreto n°. 70.235/72, e o Princípio da Legalidade previsto constitucionalmente; seja reconhecido que a aplicação direta do arbitramento por parte da fiscalização, no auto de infração, como forma de apuração do valor aduaneiro das mercadorias importadas, violou os Princípios da Legalidade, da Proporcionalidade e da Razoabilidade, na medida em que deixou de adotar os critérios Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10517.720001/201250 Acórdão n.º 3202001.422 S3C2T2 Fl. 1.182 15 referidos no art. 88 da MP n°. 2.15835/2001, furtandose de apresentar parecer fundamentando a impossibilidade de aplicação do primeiro método, forma prevista pelos arts. 82 e 84 ambos do Regulamento Aduaneiro, bem como não declarando, de forma coerente e pormenorizada, as razões que o levaram a preterir os métodos substitutivos e sequenciais legalmente previstos; seja reconhecido que foram inegavelmente preteridos os dispositivos legais e vigentes relativos ao “exame conclusivo de valoração aduaneira”, bem como aplicada uma fundamentação legal com base nos dispositivos do Decreto n°. 6.759/2009, para a apuração de irregularidades ou infrações administrativas vinculadas ao preço declarado e pago pelas mercadorias importadas; protesta, outrossim, pela juntada posterior de documentos que julgar necessários para o melhor esclarecimento do presente processo. É o relatório. A 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/FOR n.º 0826.460, de 27/8/2013 (fls. 921 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 13/11/2007 a 19/10/2011 PRODUÇÃO DE PROVA. PROTESTO GENÉRICO. APRESENTAÇÃO “A POSTERIORI”. INADMISSIBILIDADE. O protesto genérico pela produção de todos os meios de prova em direito admitidos não produz efeitos no processo administrativo fiscal. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, salvo nos casos expressamente admitidos em lei. Em caso de obtenção de provas por meio de diligências ou perícias, estas devem ser expressamente solicitadas, especificando o seu objeto e atendendose os requisitos previstos em lei, sob pena de considerarse não formulado o pedido. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. DEFICIÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. VIOLAÇÃO DA ESTRITA LEGALIDADE. DESCABIMENTO. Estando a disposição legal infringida e a penalidade aplicável devidamente caracterizadas, descabe a alegação de nulidade por vício na fundamentação legal e violação à estrita legalidade. Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 16 ARGUIÇÃO DE NULIDADE. PROCESSOS DISTINTOS PARA CADA TRIBUTO. DESCABIMENTO. Quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova, é possível a formalização de único processo contendo vários autos de infração de diversos tributos. MULTA SUBSTITUTIVA DA PENA DE PERDIMENTO. LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA. Compete ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil a lavratura de auto de infração para aplicação da multa substitutiva da pena de perdimento, devendo se processado no rito previsto no Decreto nº 70.235/1972. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 13/11/2007 a 19/10/2011 VALOR ADUANEIRO. SUBFATURAMENTO. Comprovado, por meio de documentação relativa à transação comercial que o valor aduaneiro indicado na fatura e declarado ao órgão aduaneiro não representa o preço efetivamente pago pelas mercadorias importadas, fica configurado o subfaturamento, sendo cabível a exigência das diferenças de tributos que deixaram de ser recolhidas, acrescidas dos juros de mora e das multas aplicáveis. VALOR ADUANEIRO. FRAUDE. SUBFATURAMENTO. APURAÇÃO DO PREÇO EFETIVAMENTE PRATICADO NA IMPORTAÇÃO. ARBITRAMENTO. TRIBUTOS. MULTAS. Comprovada a fraude na declaração do valor aduaneiro e não sendo conhecido o preço efetivamente praticado na importação, devese proceder ao arbitramento do preço da mercadoria em conformidade com os métodos previstos no art. 88 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, para efeito de determinação da base de cálculo dos tributos aduaneiros. TRIBUTOS. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. Em caso de infração praticada mediante fraude, aplicamse as multas qualificadas por insuficiência de recolhimento, no percentual de 150% sobre as diferenças de tributos, sem prejuízo de outras penalidades cabíveis. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 13/11/2007 a 19/10/2011 DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM MULTA. Consideramse dano ao Erário a ocultação do real adquirente, sujeito passivo na operação de importação, assim como o desembaraço de mercadorias estrangeiras cujos tributos tenham sido pagos apenas em parte mediante artifício doloso, infrações puníveis com a pena de perdimento, que é convertida em multa Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10517.720001/201250 Acórdão n.º 3202001.422 S3C2T2 Fl. 1.183 17 equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 13/11/2007 a 19/10/2011 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA LEGAL. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. A instância administrativa não possui competência para afastar a aplicação da norma sob fundamento de inconstitucionalidade, uma vez que tal apreciação é exclusiva do Poder Judiciário, nos termos dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 1068/1143, por meio do qual aduz, em síntese, depois de relatar os fatos, os mesmos argumentos já delineados em sua impugnação. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. O lançamento constitui crédito tributário decorrente do II, IPI, PIS e Cofins devidos na importação de produtos importados, além de conversão de pena de perdimento, prevista no art. 618, § 1º, do Decreto n.º 4.543, de 2002 (Regulamento Aduaneiro então vigente – RA/2002) –, referente a importações realizadas até 06/02/2009, data da publicação do Decreto n.º 6.759, de 2009 (RA/2009), e no art. 689, § 1º, deste diploma regulamentar, a partir de então. Assevera a fiscalização que a Recorrente importou filmes e películas automotivas e outros artigos, mas declarara preços inferiores aos efetivamente praticados, bem como que permanecera oculta em algumas operações registradas por outras empresas importadoras, não obstante ser a real adquirente das mercadorias estrangeiras. Em sua defesa, a Recorrente alega, preliminarmente, defeito de fundamentação jurídica dos autos de infração, uma vez que a fiscalização apenas referiu dispositivos regulamentares. Ora, além de este fato não refletir a realidade das informações encartadas nos autos (o Relatório de Fiscalização, parte integrante dos autos de infração, traz referência aos dispositivos legais aplicáveis), sabese que o Regulamento, permitase o truísmo, apenas Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 18 regulamenta, daí porque faz, entre parêntesis, referência aos diplomas legais em que se fundamentam cada um de seus dispositivos. Igualmente incabível a alegação de que os AuditoresFiscais que assinaram os autos de infração são incompetentes para aplicar diretamente a multa de conversão da pena de perdimento, uma vez que, como já destacado na decisão recorrida, o art. 23, § 3º, do Decretolei nº 1.455, de 1976, preconiza que, na exigência da multa de conversão, devese obedecer ao rito e às competências estabelecidos no Decreto n.º 70.235, de 1972, não havendo, portanto, necessidade de aplicação anterior da pena de perdimento por Inspetor ou Delegado da RFB. Não há confundir a competência para julgar, em instância única, os autos de infração por meio dos quais se aplica a pena de perdimento – esta, sim, atribuída aos Inspetores ou Delegados –, com a competência para lançar tributos ou multas, atribuída em caráter exclusivo ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil. Rejeitadas as preliminares, passamos à análise do mérito. Em tais razões de defesa, a Recorrente basicamente limitase a sustentar: a) que haveria uma incompatibilidade entre as penalidades aplicadas no lançamento – a decorrente do subfaturamento e a referente ao dano ao Erário; e b) que desconsiderouse o valor da transação, sem a comprovação da sonegação, fraude ou conluio (somada a uma alegada “ausência de realização dos procedimentos específicos de valoração aduaneira”). Portanto, sequer contestou uma das inúmeras provas carreadas aos autos pela fiscalização, que, cumpre ressaltar, baseouse em minucioso trabalho de investigação, com origem em operação realizada pela Polícia Federal, a partir da qual, com apoio em documentos apreendidos em cumprimento a Mandados de Busca e Apreensão (documentos apreendidos no estabelecimento da Recorrente e em operadores ilegais de câmbio), constatouse que a Recorrente subfaturou a importação de produtos estrangeiros, bem como mantevese oculto em operações realizadas por outros contribuintes. Embora não tenham sido diretamente contestados, passamos a transcrever, apenas para situar os integrantes deste Colegiado sobre os motivos que levaram à autuação, os seguintes parágrafos da decisão recorrida: Da existência de ocultação do real adquirente e do subfaturamento de preços na importação (falsidade da fatura – declaração inexata) De acordo com o Relatório de Auditoria Fiscal anexo aos autos de infração (fls. 817845), há diversos indícios em que se pode evidenciar a efetiva ocorrência de ocultação do real adquirente nas importações objeto de autuação, assim como o subfaturamento. Um indício de ocultação referese ao parentesco, afinidade e coincidência de endereços cadastrais, entre os sócios e da APEX e da empresa DSK. Com base no contrato social da APEX e oito alterações (fls. 67114), podese verificar que o seu quadro societário é constituído por IN HYON YU, e MI HWA YU. Até janeiro de 2011, KARINA IN SUN YU era sócia da APEX, tendo sido substituída pela citada MI HWA YU. KARINA foi sócia, até 2010, da empresa DSK, cujo endereço fica ao lado da APEX, e é uma das empresas que figura como adquirente de importações realizadas pela Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10517.720001/201250 Acórdão n.º 3202001.422 S3C2T2 Fl. 1.184 19 APEX, mas registradas por outra empresa de nome KIPPLEN. A APEX foi constituída em 1996, em nome de IN HYON YU e YUNG HOON KIM. Mas este, já em 1997, foi substituído por KARINA. MI HWA YU, que é mãe de KARINA, entrou na sociedade em maio de 2011, substituindo a filha. Em março de 2010, KARINA e RAPHAEL JUN TAE KIM, constituíram a sociedade DSK DISTRIBUIÇÃO E COMERCIO LTDA EPP. Tanto KARINA, quanto IN HYON YU e RAPHAEL, possuíam o mesmo endereço residencial cadastrado no CPF, sendo que, mais recentemente, os endereços cadastrais dos sócios foram alterados e KARINA, exsócia da APEX e da DSK, passou a residir com a mãe. IN HYON YU, sócia fundadora da APEX, tem o mesmo endereço cadastral de RAPHAEL e seu irmão ADRIANO, ambos atuais sócios da DSK. Portanto, não se pode negar que a relação entre estas duas empresas é mais do que uma relação comercial, sendo, na verdade, uma relação entre parentes ou de afinidade entre os sócios. Além disso, tanto a APEX como a DSK utilizam os serviços do mesmo contador. Um indício de que a APEX pratica subfaturamento é o fato de a empresa ter capital social registrado de apenas R$ 50.000,00, ter declarado como receita bruta, no ano calendário de 2008, o valor de R$ 545.941,87, sendo que, nas declarações de movimentação financeira (DCPMF e DIMOF), os volumes de recursos movimentados são bastante superiores, chegando, em 2008, por exemplo, a aproximadamente R$ 3,3 milhões. No entanto, de 2007 a 2011, a APEX registrou diretamente em seu nome 15 DI´s, cujo valor total declarado foi de apenas US$ 151.395,47. Além das citadas proximidade física das duas empresas e a coincidência no quadro societário, outro indício de ligação das empresas, e ocultação, surgiu quando, durante operação conduzida pela Polícia Federal (operação Heráclidas), foram encontrados documentos no estabelecimento da APEX que revelam que a DSK era utilizada para realização de algumas de suas importações. Um destes documentos apresenta uma relação de senhas da APEX e da DSK, revelando que o controle de ambas as empresas se dava diretamente pela APEX (fls. 116). Dentre os documentos apreendidos no endereço da empresa, vários deles demonstram que a APEX utilizava para suas importações outras empresas como a DSK, KIPPLEN, JCP e PRÓSPERA. Como exemplos, podese citar: “ Fatura comercial MR 1103244 emitida por MR FILM TECHNOLOGY em nome do Importador KIPPLEN IMP. EXP. Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 20 LTD, mas identificando como adquirente a empresa JCP IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO (fls. 134 a 135). Fatura proforma MR 1106211 emitida por MR FILM TECHNOLOGY para empresa PRÓSPERA TRADING IMP. E EXP. LTDA, (fl 136). Fatura comercial KIE 11009030, emitida por FOC para o importador KIPPLEN, tendo como adquirente a empresa DSK DISTRIBUIÇÃO E COMÉRCIO, (fls. 141 a 148). Fatura comercial KIE 11108001, emitida por FOC para o importador KIPPLEN, tendo como adquirente a empresa DSK DISTRIBUIÇÃO E COMÉRCIO, acompanhada do respectivo packing list e conhecimento de transporte (fls. 137 a 140). Documento denominado FATURAMENTO IMPORTAÇÃO, emitido pela empresa ÉPOCA ASSESSORIA E CONSULTORIA, com controle de numerários referente à DI 10/20950007 registrada em nome do importador KIPPLEN por conta e ordem do adquirente DSK. Este documento identifica como cliente da empresa de Assessoria a empresa APEX, deixando evidente, ser ela a verdadeira adquirente dos produtos importados (fls. 149 a 168). Documentos denominados ESTIMATIVA DE CUSTOS emitidos pela ÉPOCA, referemse a operações que seriam realizadas em nome do importador KIPPLEN, mas identificam a APEX como cliente (fls 169 a 177). Pode ser mencionado, como indício de ocultação e prova direta de subfaturamento nas importações registradas pela APEX, ou por sua conta e ordem, por exemplo, a fatura comercial MR 1103244, citada acima, a qual apresenta as mesmas mercadorias declaradas na DI 11/15224800 (118 rolos de filme de poliéster), registrada em nome da KIPPLEN por conta e ordem da JCP. Estas mercadorias foram declaradas pelo valor total de US$ 26.575,00, no entanto, o valor que consta nesta fatura comercial é de US$ 120.500,00, ou seja, quase cinco vezes superior ao valor declarado (fls. 134). Da mesma forma, a também já mencionada proforma invoice MR1106211 referese às mesmas mercadorias declaradas na DI 11/19820741, entretanto comprova que o preço efetivamente praticado é quase cinco vezes superior ao declarado. A referida DI foi registrada também em nome de KIPPLEN, tendo como adquirente a JCP, pelo valor total de US$ 28.534,00, enquanto a proforma, emitida em nome de PRÓSPERA TRADING, demonstra que o preço efetivo foi de US$ 129.000,00 (fls. 136). A Fatura comercial KIE11108001 emitida por FOC, tendo como importador a KIPPLEN, referese à importação de 186 rolos de filme de adesivo plástico, pelo preço total de US$ 164.119,21 (fls. 179 a 182). Foi encontrada também outra fatura com este mesmo número, mas emitida pelo valor total de US$ 32.193,62, e que foi utilizada para instruir a DI 11/18010320, registrada em nome de KIPPLEN, tendo como adquirente a DSK. Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10517.720001/201250 Acórdão n.º 3202001.422 S3C2T2 Fl. 1.185 21 Ressaltese que, enquanto a fatura original discrimina todos os itens importados com preços unitários por rolo de película, a fatura utilizada para instruir o despacho foi emitida com um único item ao preço unitário de US$ 2,00 por Kg. Da mesma forma, a DI 10/20950007, registrada em nome de KIPPLEN, tendo como adquirente a DSK, referese às mesmas mercadorias constantes na fatura comercial KIE11009030, cujo valor total efetivo foi de US$ 112.377,16 (fls. 178). O valor declarado no despacho aduaneiro, no entanto, foi de US$ 19.520,16. Esses documentos não deixam dúvida de que as importações da APEX vem sendo declaradas com subfaturamento dos preços. Os demais indícios citados e o fato de terem sido encontrados no escritório da APEX documentos que se referem a operações registradas por outras empresas e considerando que se trata de produtos que são comercializados pela própria APEX deixam evidente que, além do subfaturamento, as operações são realizadas também com ocultação do real adquirente. Muitos documentos encontrados junto aos doleiros, por ocasião da realização da Operação Hércules, demonstram que a APEX era um cliente assíduo das remessas clandestinas de recursos ao exterior. Isso fica evidente, por exemplo, na fatura SW0060721, utilizada para amparar uma remessa de US$ 100.050,00 à empresa homônima APEX INTERNATIONAL, da Coréia, referente a uma compra de Filme de Adesivo Plástico, que teria sido realizada em novembro de 2008, mas que não aparece em nenhuma das DI registradas pela APEX. A empresa coreana APEX INTERNATIONAL não figura como exportador em nenhuma DI registrada pela empresa fiscalizada, o que permite deduzir que ela operava como agente negociador. As remessas a ela efetuadas eram, portanto, destinadas ao pagamento dos efetivos fornecedores estrangeiros (fls. 184 a 186). Alguns documentos internos das casas de câmbio revelam remessas efetuadas pela APEX do Brasil para a APEX da Coréia, vinculadas a pagamentos de mercadorias. Um destes documentos, assinado por MIDOTEX FLORIDA LLC, foi emitido em 06 de maio de 2009, e referese a uma remessa de US$ 72.000,00 (fls. 183). Foram encontrados junto aos doleiros, também, extratos das contas da APEX, cliente identificado pelo número 042, controladas no sistema TRADEMAX V1.09. Uma destas contas, de número 1.220.50, referese à movimentação em dólares norteamericanos realizada no período de 10/03/2006 a 21/05/2009. Verificase, pelos lançamentos, que houve mais de US$ 1.600.000,00 em movimentação por esta conta (fls. 187 a 189). O arquivo magnético "8308.xls" demonstra que as transferências efetuadas pela APEX tinham como origem o Brasil e como destino a Coreia e se referiam a compra de mercadorias Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 22 PELÍCULAS ADHE (fls. 190 a 192). O código de referência TT SPC415011, que consta nesta planilha, referese a uma transferência de US$ 30.000,00 e é semelhante ao código que aparece no documento denominado "Business Internet Banking" (fls. 184), no campo "TT Reference No". Este documento revela a ocorrência de outra transferência de US$ 50.000,00 da APEX do Brasil para a APEX da Coréia, e que se refere à uma suposta fatura comercial de número SW0060609, cuja identificação de fatura tem o mesmo formato daquelas emitidas pela empresa exportadora AHIL CO. LT, constante em várias DI registradas pela APEX ou por sua conta e ordem; porém, este número especificamente não aparece em nenhuma delas (PLANILHA I fls. 808 a 814). O valor de US$ 30.000,00 acima citado, transferido no dia 05/12/2008, do Brasil para a Coréia, identificado na planilha retromencionada como sendo para pagamento de mercadorias consta lançado, no dia 04/12/2008, a crédito da conta número 1.220.50, mantida em dólares junto às casas de câmbio. Diversas mensagens trocadas entre os operadores de câmbio (fls. 193 a 773) deixam ainda mais evidente que a APEX utilizavase dessas remessas clandestinas para pagar suas importações (fls. 268). O valor de US$ 35.085,00, que aparece em mensagem envolvendo a APEX, datada de 30/03/2009, transcrita à fl. 826, pode ser confirmado por lançamento na conta 1.220.50, de mesma data (fls. 187 a 189). Há outros fragmentos de mensagens que indicam o relacionamento da APEX com os doleiros. Rodinei Pereira, que aparece nas mensagens transcritas às fls. 826827, é um dos operadores de câmbio que atuava intermediando remessas clandestinas que eram realizadas pelos "doleiros" investigados na Operação Hércules. Dentre os documentos apreendidos na APEX foi encontrada uma mensagem, transcrita à fl. 827, datada de 11/07/2007, que revela a existência de relação entre a empresa e Rodinei, pois o mesmo é indicado pelo remetente a pedido de Cammila, que é da APEX. Embora o nome que conste na mensagem seja diferente, os endereços e telefones indicados coincidem com os dados apurados naquela operação da Polícia Federal (fls. 774). Podese observar, portanto, que a necessidade de utilização dos serviços prestados pelos doleiros decorria das práticas de subfaturamento dos preços das importações pela APEX, com o fim de efetivar suas remessas clandestinas de recursos para o exterior, para pagamentos das parcelas não informadas nas respectivas declarações de importação. Há um elemento encontrado demonstra uma clara intenção de manipulação de informações com vistas a iludir o fisco federal. Tratase da mensagem, transcrita à fl. 828, datada de 11/07/2007, em que Kali Nardino, com cópia para Cammila e Karina, ambas da APEX, solicita a um amigo seu, de nome EDGAR, que lhe envie uma informação indicando que o preço de filme plástico adesivo no México é de US$ 1,15/Kg. Na própria comunicação consta a indicação de como deveria ser a Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10517.720001/201250 Acórdão n.º 3202001.422 S3C2T2 Fl. 1.186 23 mensagem com o preço e a justificativa de que se referia à dificuldade para a liberação de cargas na Aduana (fls. 775). Essa mensagem acima diz respeito à DI 07/06188963, que foi selecionada para o canal cinza e que se encontrava sob procedimento especial de controle, motivo pelo qual a fiscalização aduaneira havia intimado a APEX a apresentar uma série de documentos que pudessem comprovar o preço efetivamente pago pelas mercadorias importadas (fls. 776 a 777), conforme documento encontrado dentre os arquivos magnéticos. Ressaltese que o preço unitário declarado naquela DI foi de US$ 1,05/Kg. Há uma comunicação entre Cammila e Karina, ambas da APEX (fls. 778), que revela que os preços dos rolos de 610 metros de filmes variam entre US$ 1.180,00 e US$ 2.100,00. Embora seja de 2006, essa mensagem dá uma boa indicação do custo destes produtos e corrobora os dados constantes nos documentos apresentados anteriormente, demonstrando que os preços reais são bem superiores aos preços, entre US$ 200,00 e US$ 300,00 por rolo, que são normalmente declarados em suas importações. Utilizandose, como exemplo, apenas duas DI registradas pela APEX, referentes a importação de filmes em rolos identificados como de 610 metros, fazendose uma comparação dos preços declarados com o menor dos preços constantes na mensagem acima, já se pode perceber o nível de subfaturamento praticado pelo importador. Na DI 07/06188963, que se refere à importação de 98 rolos de filmes de 610 metros de comprimento, o importador declarou como preço unitário US$ 1,05 por quilograma, totalizando US$ 11.667,74, por toda a carga. Pelo menor preço por rolo (US$ 1.180,00), o valor total desta carga chegaria a US$ 115.640,00, o que demonstra um subfaturamento próximo a 90%. Na DI 08/11186266, que se refere à importação de 204 rolos de filme com 610 metros, o importador declarou preço unitário de US$ 0,75/Kg, totalizando US$ 14.497,69. Novamente, comparando com o menor preço citado na mensagem acima, o valor total desta carga seria de US$ 240.720,00, demonstrando um subfaturamento realmente bastante relevante, tendo o importador declarado menos de 10% do preço efetivamente praticado. A manipulação de preços para efeito de despacho aduaneiro é evidenciada por diversas mensagens em que a APEX solicita, a vários operadores de importação por conta e ordem, a previsão de numerários referentes a determinadas operações (fls. 779). Nestas solicitações, a exemplo da mensagem transcrita à fl. 830, datada de 09/07/2007, são informados arbitrariamente alguns preços unitários por Kg de produto, para que sejam feitas as simulações. No exemplo citado, fica evidente que estes preços são fictícios, mas nas declarações de importação são preços dessa ordem que são declarados. Em diversas outras mensagens dessa mesma natureza aparecem preços que vão de US$ 0,38 até US$ 1,15 por quilograma de Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 24 películas (fls. 780 a 781). Pelas informações obtidas dos documentos apreendidos, podese concluir que a APEX funcionava como uma espécie de distribuidora de películas e que realizava suas importações para atender pedidos de uma rede de lojas espalhadas pelo território nacional. Cada lote importado já vinha previamente distribuído entre as lojas, consideradas em seus controles como filiais. Um exemplo disso pode ser observado na mensagem de Karina para Cammila, de 17 de julho de 2008, transcrita às fls. 832 833, que se refere à "Divisão de Films Lote 24", que enviava em anexo a planilha "Divisão de Films 102408.xls" (fls. 782 a 790). Nessa planilha podese observar que o lote 24, que estava sendo importado, já havia sido destinado previamente a cinco empresas. Essa prática de importação por encomenda pode ser observada na mensagem transcrita à fl. 833, datada de 30/05/2008, em que a empresa CL Film solicita a importação de determinado tipo de material. A planilha "PEDIDO PARA SP FILM RIBEIRÃO 1112 2006.XLS", (fls. 786787) encontrada dentre os documentos apreendidos na APEX, embora se refira à uma operação mais antiga, demonstra claramente que os preços por rolo de película são bastante superiores aos preços que costumam ser declarados pelo importador. Nessa planilha os preços do rolo vão de US$ 970,00 a US$ 1.665,00. Enquanto isso os preços por rolo de película eram costumeiramente declarados por valores que não ultrapassavam a US$ 300,00. Portanto, entendo que, com relação ao subfaturamento, no que se refere às DI 10/20950007, 11/18010320, 11/15224800 e 11/19820741, foram descobertos, conforme já destacado, documentos que comprovam diretamente a fraude, representados pelas faturas comerciais verdadeiras, que ampararam a aquisição das mercadorias, cujos valores foram omitidos pelo importador e que, cotejados com os valores declarados a menor, revelam de forma direta o subfaturamento na importação. Em relação às demais DI’s, o subfaturamento encontrase demonstrado por meio do conjunto probatório acostado aos autos, composto dos diversos indícios citados. Da mesma forma, como já salientado, o conjunto de indícios citados, tal como a afinidade e proximidade com a DSK; o fato de terem sido encontrados no escritório da APEX documentos e controles internos que se referem a importações registradas por outras empresas e considerando que se trata de produtos que são comercializados pela própria APEX; o fato de ser uma distribuidora; tudo isso deixa evidente que, além do subfaturamento, as operações, salvo as registradas pela própria APEX, eram realizadas também com ocultação do real adquirente, sendo que esta empresa era a verdadeira compradora das mercadorias estrangeiras, ainda que estas, antes mesmo da importação, já estivessem previamente destinadas aos seus clientes. Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10517.720001/201250 Acórdão n.º 3202001.422 S3C2T2 Fl. 1.187 25 Dessa feita, os fatos relatados na decisão recorrida, além de não contestados pela Recorrente, configuram fundamento suficiente para manter a autuação. Agora, se o lançamento podia ou não se dar da forma como se deu – exigência concomitante dos tributos aduaneiros, com os consectários legais, e da multa de conversão da pena de perdimento – isso é coisa que se enfrentará adiante. Antes, porém, cabe registrar, quanto às bases de cálculo utilizadas no lançamento, que, comprovada a fraude, como no caso (e, como se verá, também nos casos em que há sonegação ou conluio), é de serem aplicadas as regras encartadas no art. 88 da Medida Provisória – MP n.º 2.15835, de 2001, segundo o qual, quando não seja possível apuração do valor efetivamente praticado na importação, as referidas bases de cálculo devem ser determinadas mediante o arbitramento, na forma seguinte: Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; II preço no mercado internacional, apurado: a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; b) de acordo com o método previsto no Artigo 7 do Acordo para Implementação do Artigo VII do GATT/1994, aprovado pelo Decreto Legislativo no 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto no 1.355, de 30 de dezembro de 1994, observados os dados disponíveis e o princípio da razoabilidade; ou c) mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado. Sendo isto o que foi feito no lançamento, absolutamente correta a fiscalização. Por fim, com relação à cumulação de penalidades, sabese que o legislador, segundo consignou na exposição de Motivos da MP n.º 135, de 2003, posteriormente convertida na Lei n° 10.833, de 2003, promoveu a inclusão do § 4º do art. 1º do Decretolei n° 37, de 1966, prevendo a possibilidade de serem exigidos os tributos aduaneiros concomitantemente à pena de perdimento, quando a mercadoria não seja localizada, tenha sido consumida ou revendida: Art.1º O Imposto sobre a Importação incide sobre mercadoria estrangeira e tem como fato gerador sua entrada no Território Nacional. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 26 (...) § 4º O imposto não incide sobre mercadoria estrangeira: (Incluído pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) I destruída sob controle aduaneiro, sem ônus para a Fazenda Nacional, antes de desembaraçada; (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010) II em trânsito aduaneiro de passagem, acidentalmente destruída; ou (Incluído pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) III que tenha sido objeto de pena de perdimento, exceto na hipótese em que não seja localizada, tenha sido consumida ou revendida. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Conforme se revelou na Exposição de Motivos da MP n.º 135, de 2003, buscou o legislador “aperfeiçoar a norma basilar que rege as importações, o Decretolei no 37, de 18 de novembro de 1966, adaptandoo à nova realidade do comércio exterior, no art. 61 (por meio do qual se introduziu o § 4º ao art. 1º), e dissipar conflitos de interpretação”. Bom, o fato é que, se dúvida havia, restou dirimida com a introdução do § 4º no art. 1º do Decretolei n.º 37, de 1966, de modo que, havendo, como no caso, o recolhimento a menor de tributo, em decorrência do subfaturamento, e a simultânea ocultação do real adquirente, cabem tanto a exigência dos tributos aduaneiros quanto a multa de conversão da pena de perdimento. Afinal, se o imposto não incide sobre a mercadoria estrangeira objeto da pena de perdimento, mas pode incidir se não localizada, consumida ou revendida, presentes tais situações e restando configurada qualquer das circunstâncias em que a lei considera ter havido dano ao Erário, a pena de conversão, na impossibilidade do perdimento, pode, sim, ser cumulada com a exigência dos tributos aduaneiros, pois, do contrário, razão nenhuma haveria para a exceção. Prova de que a ideia do legislador foi a exigência concomitante é o fato de que este é o entendimento da própria RFB, que, como se sabe, de ordinário orienta as alterações promovidas na legislação tributária aplicável ao tributos de competência da União: PERDIMENTO É a penalidade mais grave aplicável a veículos e a mercadorias, e decorre de infrações consideradas em lei como dano ao Erário, conforme disposições do DecretoLei nº 1.455/1976. O RA disciplina os procedimentos cabíveis nas hipóteses de perdimento em decorrência de dano ao Erário (com fundamento no art. 23 do DecretoLei nº 1.455/1976), e no art. 65 da Lei nº 9.069, de 1995, distinguindoos dos aplicáveis aos casos de simples abandono de mercadorias, tutelados pela legislação civil (Código Civil Brasileiro, art. 1.275, III). A penalidade de perdimento de bem estabelecida no DecretoLei nº 1.455/1976, pode ser convertida em multa de valor equivalente ao de tal bem, no caso de transporte multimodal, se provada a responsabilidade do Operador de Transporte Multimodal, sem prejuízo da responsabilidade que possa ser imputável ao transportador (Lei no 9.611/1998, art. 29). No caso de pena de perdimento de veículo, a conversão em multa não Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10517.720001/201250 Acórdão n.º 3202001.422 S3C2T2 Fl. 1.188 27 poderá ultrapassar três vezes o valor da mercadoria transportada, à qual se vincule a infração. A pena de perdimento também pode ser convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro nos casos em que a mercadoria não seja localizada ou que tenha sido consumida, devendo a fiscalização caracterizar na autuação a impossibilidade de apreensão. Essa conversão, cujo rito é estabelecido no art. 73 da Lei nº 10.833/2003, não impede a posterior apreensão da mercadoria eventualmente localizada, nos casos: (DecretoLei nº 1.455/1976, art. 23, §§ 3o e 4o, com a redação dada pelo art. 59 da Lei no 10.637/2002) De importação ao desamparo de licença de importação ou documento de efeito equivalente, quando sua emissão estiver vedada ou suspensa; ou Em que for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional. Em relação à conversão da pena de perdimento, concomitantemente à sua aplicação, é cabível a formalização, quando for o caso, da exigência de tributos eventualmente não recolhidos. (g.n.) (http://www.receita.fazenda.gov.br/manuaisweb/transito/topicos/ infracoespenalidades/tabela.htm, consulta em 8/12/2014). Notese que os fatos geradores objeto do lançamento ocorreram após a introdução do § 4º ao art. 1º do Decretolei n° 37, de 1966, pela MP n.º 135, de 2003, diferentemente do caso levado à apreciação da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta Terceira Seção do CARF, que, a contrario sensu, firmou o mesmo entendimento, mas sustentando a impossibilidade da exigência concomitante quanto aos fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da referida MP: PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM MULTA PECUNIÁRIA. EXIGÊNCIA CONCOMITANTE COM TRIBUTOS. FATOS GERADORES ANTERIOR A PUBLICAÇÃO DA LEI N° 10.833/2003. Em relação aos fatos geradores anteriores a 30/12/2003, a norma de regência não previa a possibilidade de cumular a pena de perdimento, convertida em pena pecuniária, com os tributos devidos por irregularidades na importação, haja vista o disposto no art. 71, inciso III, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002. Na impossibilidade dessa cobrança conjunta, deve prevalecer a cobrança dos tributos, acrescidos da multa de oficio e dos juros, bem como da multa por infração administrativa ao controle das importações, em detrimento da aplicação da multa de perdimento, uma vez que os fatos que justificariam a pena de perdimento forma "atividade meio" para obter os benefícios ilícitos constados na importação Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 28 subfaturada. Ademais, o recolhimento das multas administrativas e tributos com os acréscimos legais confere regularidade para as mercadorias importadas que já se encontram no mercado interno, pois não mais localizadas a tutela dos responsáveis pelas importações. (Acórdão n.º 3101 00.123, de 17/06/2009, rel. Conselheiro Luiz Roberto Domingo) (grifamos). Ante o exposto, rejeito as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 14485.003387/2007-40
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2004
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO COMPLETA DO FATO E SUAS FONTES. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL.
Fulcro nos artigos 33, da Lei n. 8.212/1991, qualquer lançamento de crédito tributário deve conter todos os motivos fáticos e legais, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para apuração do crédito tributário, sob pena de nulidade por vício material obedecendo o art. 142 do CTN.
Recurso Voluntário Provido - Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2803-003.074
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior votam pelas conclusões.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato , Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO COMPLETA DO FATO E SUAS FONTES. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. Fulcro nos artigos 33, da Lei n. 8.212/1991, qualquer lançamento de crédito tributário deve conter todos os motivos fáticos e legais, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para apuração do crédito tributário, sob pena de nulidade por vício material obedecendo o art. 142 do CTN. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior votam pelas conclusões. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato , Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 33 87 /2 00 7- 40 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14485.003387/200740 Acórdão n.º 2803003.074 S2TE03 Fl. 187 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário que busca a reforma de decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento que manteve integralmente o lançamento do crédito tributário oriundo Auto de Infração (AI) debcad n° 37.018.4793 lavrado pela fiscalização, contra a empresa em epígrafe, por infração ao disposto no artigo 32, inc. II, da Lei n° 8.212/91 combinado com o art. 255, II e parágrafos 13° a 17° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3048/99, tendo em vista que, de acordo com o Relatório Fiscal da Infração, ela deixou de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma, discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, ou seja, foram contabilizadas, os valores referentes à remuneração dos serviços prestados pagos a titulo de Participação nos Lucros e Resultados em duas contas do passivo: 61017 — nome da conta: Participação nos Resultados e a partir de 2004 na contas: 6104011 — nome da conta Participação no Resultados — Diretos e na conta 6104012 — de nome Participação nos Resultados — Indiretos. No entanto, a empresa deveria lançar os valores da remuneração dos segurados em conta especifica de remuneração. A ciência do lançamento deuse em 11.10.2006. O recurso foi tempestivo, e alegou a nulidade do lançamento por não especificar avaliação ou decisão contrária ao PRL da contribuinte, natureza dos pagamentos em PRL, impossibilidade de inovação de fundamentos. Os autos vieram a presente 3ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARFMF para apreciação e julgamento do recurso voluntário. Esse é o relatório. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14485.003387/200740 Acórdão n.º 2803003.074 S2TE03 Fl. 188 3 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato I O recurso foi apresentado tempestivamente, conforme supra relatado, atendido os pressupostos de admissibilidade, assim deve o mesmo ser conhecido. II Entendo que a decisão a quo e a autoridade lançadora equivocaramse pois, nem no relatório fiscal nem em outros documentos dos autos, há indicação das efetivas diferenças de informação, acusadas para a aplicação da sanção. Efetivamente, no auto de infração, nem em seu relatório fiscal, há qualquer referência de como foi descaracterizado o PRL da empresa como verba não remuneratória (art. 28, §9º, j, da Lei n. 8.212/1991, c/c Lei n. 10.101/2000), para fins de considerála de natureza remuneratória devendo ser contabilizada em conta e rúbrica contábil com finalidade de registro de tais tipos de verba. E a razão está na própria preterição ao direito de defesa da Recorrente. Conforme o que dispõe o art. 142, do CTN, c/c art. 33 e 37 da Lei n. 8.212/2010, o lançamento tributário deve ser demonstrar claramente quais são os seus fundamentos fáticos e jurídicos, sob pena de nulidade. Isso inclui o ônus probatório da Administração em trazer elementos probantes e legais que subsidiem a constituição do crédito tributário, para em um segundo momento demonstrar de forma clara o fenômeno da subsunção da norma aos eventos por eles representados (art. 9º, do Dec. 70.235/172). O lançamento objeto da decisão recorrida deve preenche os requisitos da legalidade impostos pelo art. 142, do CTN, bem como da legislação ordinária, em especial o art. 33 e 37 da Lei n. 8.212/1991 e Decreto n. 70.235/1971. Tais determinações são necessárias inclusive para que haja o real respeito à garantia de contraditório e ampla defesa e ao devido processo legal (art. 5, LV da CF/1988) “sendo, o lançamento, o ato através do qual se identifica a ocorrência do fato gerador, determinase a matéria tributável, calculase o montante devido, identificase o sujeito passivo e, em sendo o caso, aplicase a penalidade cabível, nos termos da redação do art. 142 do CTN, certo é que do documento que formaliza o lançamento deve constar referência clara a todos estes elementos, fazendose necessário, ainda, a indicação inequívoca e precisa da norma tributária impositiva incidente” (PAUSEN, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. 3ª ed., Porto Alegre : Livraria do Advogado, 2001, p. 706 ). Revendo posicionamentos anteriores, pelas razões acima, observase que a norma individual e concreta em que não demonstra todas as suas facetas, prejudica a sua aplicação e a possibilidade de defesa do contribuinte perante o Fisco (art. 59, I, do Dec. 70.235/1972). A deficitária construção da norma individual e concreta do tributo ou da sanção, algo além da mera formalidade extrínseca do ato de constituição do crédito, afetando o seu âmago. Conforme jurisprudência do Conselho de Contribuintes: Fl. 187DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14485.003387/200740 Acórdão n.º 2803003.074 S2TE03 Fl. 189 4 "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO EX OFFICIO — É nulo o Ato Administrativo de Lançamento, formalizado com inegável insuficiência na descrição dos fatos, não permitindo que o sujeito passivo pudesse exercitar, como lhe outorga o ordenamento jurídico, o amplo direito de defesa, notadamente por desconhecer, com a necessária nitidez, o conteúdo do ilícito que lhe está sendo imputado. ratase, no caso, de nulidade por vício material, na medida em que alta conteúdo ao ato, o que implica inocorrência da hipótese reincidência." (1° Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, Recurso nº132.213 — Acórdão n°10194049, Sessão de 06/12/2002, unânime) Dessa forma, está claro que com meras alegações circunstanciais, e com os documentos probantes na forma apresentada nos autos, não se poderia constituir o crédito tributário impugnado contra a Recorrente. Tal matéria representa um vício material. Conforme, o arts. 17, 18, 19, do Decreto n. 70235, a possibilidade de inovação no lançamento somente pode ser realizada antes do julgamento em primeira instância administrativa, nem pode ser incrementada pelo julgador de primeiro grau, restando apenas a decretação de nulidade. Isso posto, meu voto é para CONHECER O RECURSO VOLUNTÁRIO, CONCEDENDO TOTAL PROVIMENTO, no sentido de reformar a decisão a quo e decretar a nulidade do lançamento por vicio material. (Assinado Digtalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 188DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10675.905568/2009-86
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 9303-000.035
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Nanci Gama - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: Não se aplica
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1899; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 259 1 258 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10675.905568/200986 Recurso nº Especial do Contribuinte Resolução nº 9303000.035 – 3ª Turma Data 13 de novembro de 2013 Assunto Repercurssão Geral sobrestamento Recorrente BANCO TRIÂNGULO S/A Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Nanci Gama Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de pedido de restituição de PIS ancorada em ação judicial proposta pela contribuinte, transitada em julgado, na qual foi reconhecida a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Contra a decisão da DRJ de origem, que negou provimento ao recurso, a contribuinte interpôs recurso voluntário, que por sua vez foi julgado improcedente pela Câmara a quo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .9 05 56 8/ 20 09 -8 6 Fl. 259DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por NANCI GAMA Processo nº 10675.905568/200986 Resolução nº 9303000.035 CSRFT3 Fl. 260 2 Nessa oportunidade, a Recorrente interpôs recurso especial e sustentou que a decisão recorrida interpretou equivocadamente a decisão prolatada pelo eg. Supremo Tribunal Federal no RE 401.348/MG, devendo ser reformada para que a base de cálculo do PIS limitese à receita bruta das vendas de mercadoria e da prestação de serviços, sem a inclusão da receita financeira decorrente das operações bancárias. O i. Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso especial por considerar que restou comprovada a divergência jurisprudencial. Pede a Fazenda Nacional, em suas contrarrazões, para que seja mantida a decisão guerreada. É o Relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora Conforme se verifica nos autos, a questão central neste processo é definir a base de cálculo da contribuição para as financeiras. Ainda que o pedido de restituição de PIS esteja ancorado em ação judicial proposta pela contribuinte, transitada em julgado, esta, reconheceu, tão somente a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Então tudo continua na mesma, pois sendo uma empresa financeira, fica a critério dos aplicadores do direito interpretar se as receitas financeiras (remuneração decorrente do pagamento de empréstimos bancários, spreads, prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização etc) integram ou não o faturamento. A questão das receitas que devem integrar a base de cálculo da contribuição devida por instituições financeiras é objeto do RE nº 609.096 (Tema 372), em relação ao qual o Supremo Tribunal Federal decidiu que existe repercussão geral e sobrestou os demais feitos judiciais em andamento, conforme se depreende do despacho do Ministro Ricardo Lewandowski, que transcrevo a seguir: “RE 609096/RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI Julgamento: 10/06/2011 Publicação DJe115 DIVULG 15/06/2011 PUBLIC 16/06/2011 Partes Fl. 260DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por NANCI GAMA Processo nº 10675.905568/200986 Resolução nº 9303000.035 CSRFT3 Fl. 261 3 RECTE.(S) : MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROC.(A/S)(ES) : PROCURADORGERAL DA REPÚBLICA RECTE.(S) : UNIÃO PROC.(A/S)(ES): PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECDO.(A/S) : BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A ADV.(A/S):MARCOS JOAQUIM GONCALVES ALVES E OUTRO(A/S) Decisão LibreOffice Petição 73745/2010STF. Federação Brasileira dos Bancos – FEBRABAN requer seu ingresso neste recurso extraordinário na condição de amicus curiae, bem como “a suspensão de todos os processos que tramitam em primeiro e segundo graus de jurisdição, que versem sobre a questão constitucional debatida nestes autos” (fl. 666). No caso, tratase de recursos extraordinários interpostos pela União e pelo Ministério Público Federal contra acórdão que entendeu que as receitas financeiras das instituições financeiras não se enquadram no conceito de faturamento para fins de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS. Esta Corte reconheceu a existência de repercussão geral do tema versado neste recurso. Transcrevo a ementa: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. COFINS E CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. INCIDÊNCIA. RECEITAS FINANCEIRAS DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. CONCEITO DE FATURAMENTO. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL” (fl. 1.054). É o breve relatório. Decido. De acordo com o § 6º do art. 543A do Código de Processo Civil: “O Relator poderá admitir, na análise da repercussão geral, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal”. Por sua vez, o § 2º do art. 323 do RISTF assim disciplinou a matéria: “Mediante decisão irrecorrível, poderá o(a) Relator(a) admitir de ofício ou a requerimento, em prazo que fixar, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, sobre a questão da repercussão geral”. A esse respeito, assim se manifestou o eminente Min. Celso de Mello, Relator, no julgamento da ADI 3.045/DF: “a intervenção do amicus curiae, para legitimarse, deve apoiarse em razões que tornem desejável e útil a sua atuação processual na causa, em ordem a proporcionar meios que viabilizem uma adequada resolução do litígio constitucional”. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por NANCI GAMA Processo nº 10675.905568/200986 Resolução nº 9303000.035 CSRFT3 Fl. 262 4 Verifico que a requerente atende aos requisitos necessários para participar desta ação na qualidade de amicus curiae. Quanto ao pedido de suspensão dos processos que tratam da mesma matéria versada nesses autos que tramitam em primeiro e segundo graus, entendo que não merece acolhida. É que os arts. 543B do CPC e 328 do RISTF tratam do sobrestamento de recursos extraordinários interpostos em razão do reconhecimento da repercussão geral da matéria neles discutida, e não de ações que ainda não se encontram nessa fase processual. Além disso, uma vez que esta Corte já reconheceu a repercussão geral da matéria aqui debatida, os recursos extraordinários que versam sobre o mesmo assunto ficarão sobrestados, na origem, por força do próprio art. 543B do CPC. Isso posto, defiro o pedido de ingresso da FEBRABAN na qualidade de amicus curiae e indefiro o pedido de suspensão requerido. Publiquese. Brasília, 10 de junho de 2011. Ministro RICARDO LEWANDOWSKI” (Grifei) Considerando que houve determinação de sobrestamento por parte do STF dos demais feitos relativos à mesma questão que tramitam no Judiciário, voto no sentido de que este E. Colegiado aplique o art. 62A do Regimento Interno do CARF para sobrestar o julgamento do recurso voluntário até que sobrevenha decisão definitiva do STF no RE nº 609.096 (Tema 372). Nanci Gama Fl. 262DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por NANCI GAMA
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Numero do processo: 10880.677970/2009-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3302-000.468
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède e Antonio Mário de Abreu Pinto.
RELATÓRIO
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède e Antonio Mário de Abreu Pinto. RELATÓRIO
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Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède e Antonio Mário de Abreu Pinto. RELATÓRIO Trata o presente de declaração de compensação, relativa a crédito de março/2004 indeferida pela autoridade administrativa sob o fundamento de que o DARF informado como origem do crédito fora utilizado para quitação de outros débitos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 77 97 0/ 20 09 -3 0 Fl. 284DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677970/200930 Resolução nº 3302000.468 S3C3T2 Fl. 285 2 A recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando que: 1. A maior parte das receitas decorrem da prestação do serviço de transmissão de energia elétrica de acordo com contrato firmado em 13/09/1999 (CONTRATO CPST Nº 006/1999), firmado com o Operador Nacional do Sistema Elétrico ONS; 2. Estas receitas estariam sujeitas à incidência cumulativa da Lei nº 9.718/98, por decorrerem de contratos de longo prazo, a preço predeterminado e firmado anteriormente a 31/10/2003, por disposição prevista no inciso XI, alíneas "b" e "c", do art. 10 da Lei nº 10.833/2003; 3. A Nota Técnica nº 224/2006, expedida pela SFF/ANEEL, apresentou entendimento sobre o tema, concluindo que as receitas decorrentes dos Contratos de Prestação de Serviço de Trasmissão CPST, firmados anteriormente a 31/10/2003, e reajustados anualmente pelo IGPM, se sujeitam à incidência cumulativa das contribuições prevista na Lei nº 9718/98; 4. Recolheu, equivocadamente, as contribuições para o PIS e Cofins no regime nãocumulativo, não separando as sujeitas ao regime cumulativo, e, posteriormente, transmitiu várias DCOMPs para aproveitar o crédito originado do pagamento indevido; 5. Estava providenciando a retificação das DCTF e Dacons, quando foi surpreendida com a ciência dos despachos decisórios, não homologando as compensações; 6. Foi necessária a retificação dos Dacons e das DCTF, após a ciência dos despachos decisórios, para corrigir o erro de fato cometido e que as DCOMPs não foram retificadas em razão da intimação para ciência dos despachos decisórios, de acordo com a vedação constante nos artigos 77 e 95 da IN RFB nº 900/2008; 7. Os erros cometidos no preenchimento dos DARFs, DCTFs, Dacons e DCOMP não causaram prejuízo ao erário e devem ser reconhecidos pela Administração Tributária, nos termos do art. 147 do CTN e em atendimento ao princípio da verdade material; 8. Poderá disponibilizar os documentos como Diário, Razão, Faturas, Balancetes, Contratos, normas da ANEEL para realização de diligência, caso seja necessária; A Terceira Turma da DRJ/BEL em Belém proferiu decisão nos termos da ementa que abaixo transcrevese: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2004 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Em sede de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. DCTF E DACON RETIFICADORES. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677970/200930 Resolução nº 3302000.468 S3C3T2 Fl. 286 3 A DCTF e o DACON Retificadores, na condição de documentos confeccionados pelo próprio interessado, não exprimem nem materializam, por si só, o indébito fiscal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente interpôs tempestivamente recurso voluntário, alegando resumidamente que: 1. O IGPM deve ser considerado índice que reflete a variação ponderada dos custos e, portanto, enquadrado no art. 109 da Lei nº 11.196/2005; 2. Ainda que se negue a inclusão do IGPM no art. 109 da Lei n 11.196/2005, tal índice é mero reajuste do preço contratado, e não modificação deste preço, e que se o art. 109 da Lei nº 11.196/2005 estipulou que a variação dos custos não descaracteriza o preço predeterminado, com maior razão, um índice geral de correção não deveria descaracterizálo; 3. As IN SRF 468/2004 e 658/2006 consistem em flagrante ofensa ao princípio da legalidade insculpido no art. 150, inciso I da Constituição Federal; 4. O indébito decorre de erro na aplicação da alíquota; 5. Não disponibilizou toda a documentação, como Diário, Razão, Faturas, Balancetes, normas da ANEEL em razão do grande volume, vez que foram apresentadas 51 defesas administrativas; 6. Em momento algum, afirmou que a retificação do DACON e da DCTF constituem o direito creditório líquido e oponível à RFB, mas que pretendeu apenas cumprir os deveres instrumentais quanto ao erro alegado e que tais informações estão consubstanciadas em sua escrituração contábil; Cita, ainda, jurisprudência deste Conselho e do STJ e apresenta cópia do balancete, demonstrativos das receitas, indicação da conta contábil, de modo a corroborar suas alegações. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. VOTO Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A autoridade administrativa indeferiu a homologação pelo fato de o DARF apontado como origem do crédito pleiteado estava alocado a débitos em DCTF. Após a ciência do despacho, a recorrente providenciou a retificação do Dacon e da DCTF, demonstrando os valores alegados como corretos. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677970/200930 Resolução nº 3302000.468 S3C3T2 Fl. 287 4 A DRJ considerou a manifestação de inconformidade improcedente, sob os argumentos de que o contrato CPST 006/1999, apresentado pela recorrente, não era apto a demonstrar que não houve após 31/10/2003 a implementação de quaisquer das ocorrências que descaracterizassem o preço predeterminado; que a Cláusula 53 assegurava às partes a prerrogativa de solicitar a revisão das cláusulas e condições avençadas; que a competência da ANEEL não alcança a interpretação da legislação tributária; que o IGPM não constitui índice que reflete a variação dos custos de produção nem reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; que a desconstituição dos créditos confessados não se efetiva com a apresentação da DCTF e Dacon retificadores, mas com a apresentação da escrita fiscal e contábil e respectiva documentação de suporte. Por sua vez, a recorrente, em recurso voluntário, alega que o reajuste pelo IGP M não descaracteriza o preço determinado, apresenta cópias dos balancetes e demonstrativos de forma a comprovar seu direito. Vêse que a lide se refere ao alcance da expressão "preço predeterminado", e, consequentemente, da sujeição das receitas auferidas à incidência nãocumulativa ou cumulativa das contribuições. Passase, assim, à análise dos requisitos para exclusão das receitas em questão da incidência nãocumulativa das contribuições e da definição de preço predeterminado. As receitas decorrentes de determinados contratos firmados antes de 31/10/2003 foram excluídas da incidência nãocumulativa das contribuições, a partir da vigência do inciso XI do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, aplicado ao PIS/Pasep pelo art. 15 da referida lei: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (Produção de efeito) [...]XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: a) com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; [...]Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]V no art. 10, incisos VI, IX e XI a XXI desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 287DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677970/200930 Resolução nº 3302000.468 S3C3T2 Fl. 288 5 V nos incisos VI, IX a XXV do caput e no § 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Regulamentando o dispositivo, a RFB editou a IN SRF 468/2004, que, em seu art.2º, estipulou que a implementação do primeiro reajuste ou a revisão para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro dos contratos, após 31/10/2003, descaracterizariam o preço predeterminado, nos seguintes termos: Art. 2o Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1 o Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2 o Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art. 1 o . § 3 º Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei n º 8.666, de 21 de junho de 1993, o caráter predeterminado do preço subsiste até a eventual implementação da primeira alteração nela fundada após a data mencionada no art. 1 º . Posteriormente, a Lei nº 11.196/2005, em seu art. 109, dispôs que o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos não será considerado para fins de descaracterização do preço determinado: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003. Novamente, regulamentando a matéria, a RFB editou a IN SRF nº 658/2006, revogando a IN SRF nº 468/2004 e incorporando as disposições do art. 109 acima mencionado, nos seguintes termos: Do Preço Predeterminado Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677970/200930 Resolução nº 3302000.468 S3C3T2 Fl. 289 6 § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º1, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado.(grifo não original) Art. 4º Na hipótese de pactuada, a qualquer título, a prorrogação do contrato, as receitas auferidas depois de vencido o prazo contratual vigente em 31 de outubro de 2003 sujeitarseão à incidência não cumulativa das contribuições. Verificase que a Receita Federal considerou que as hipóteses de reajuste e de revisão dos contratos administrativos, destinados à manutenção do equilíbrio econômico financeiro, expressos no art. 55, inciso III, 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666/93, descaracterizariam o preço predeterminado, excetuando o reajuste não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. A revisão contratual decorre de fatos imprevisíveis, ou previsíveis, porém de conseqüências incalculáveis, retardadores ou impeditivos da execução do ajustado, ou, ainda, em caso de força maior, caso fortuito ou fato do príncipe, configurando álea econômica extraordinária e extracontratual2. Já o reajuste é cláusula necessária nos contratos administrativos3 e "objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômicos". A legislação distingue as duas figuras, como se observa na Lei nº 8.987/95, que, dispondo sobre o regime de concessão de serviços públicos, especifica em seu art. 9º, §3º4, a 1 A data é 31/10/2003. 2 Art. 65, inciso II, alínea "d" da Lei nº 8.666/93 3 Art. 55, inciso III da Lei nº 8.666/93 4 Lei 8.987/95: Art. 9o A tarifa do serviço público concedido será fixada pelo preço da proposta vencedora da licitação e preservada pelas regras de revisão previstas nesta Lei, no edital e no contrato. [..~] § 2o Os contratos poderão prever mecanismos de revisão das tarifas, a fim de manterse o equilíbrio econômicofinanceiro. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677970/200930 Resolução nº 3302000.468 S3C3T2 Fl. 290 7 possibilidade de revisão da tarifa decorrente da criação ou alteração de tributos. Já o artigo 18 da referida lei dispõe que o edital de licitação deverá prever os critérios de reajuste e revisão da tarifa, também ocorrendo a referida distinção nos artigos 23 e 29. A situação aqui tratada referese a reajuste e não a revisão contratual e se o procedimento altera o preço predeterminado. A definição desta expressão adotada pela RFB era a disposta na IN SRF nº 21/79: 3 Produção em Longo Prazo O contrato de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens e serviços a serem produzidos, com prazo de execução física superior a 12 (doze) meses, terá seu resultado apurado, em cada períodobase, segundo o progresso dessa execução: 3.1 Preço predeterminado é aquele fixado contratualmente, sujeito ou não a reajustamento, para execução global; no caso de construções, bens ou serviços divisíveis, o preço predeterminado é o fixado contratualmente para cada unidade. A instrução normativa acima foi utilizada como fundamento em diversas soluções de consulta da RFB, após a edição do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. O entendimento era pacífico neste sentido até a edição da IN SRF 468/2004. Porém a RFB editou a referida instrução, modificando o entendimento sobre a definição de preço predeterminado, sem que qualquer lei tenha sido publicada alterando tal definição. Foi meramente nova interpretação normativa que suscitou rebates por parte dos contribuintes, tendo o STJ se pronunciado sobre a ilegalidade da IN SRF 468/2004: AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.310.284 PR (2012/00355487) EMENTA TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 557 DO CPC. INEXISTÊNCIA. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. A eventual nulidade da decisão monocrática calcada no art. 557 do CPC fica superada com a reapreciação do recurso pelo órgão colegiado, na via de agravo regimental, como bem analisado no REsp 824.406/RS de Relatoria do Min. Teori Albino Zavascki, em 18.5.2006. § 3o Ressalvados os impostos sobre a renda, a criação, alteração ou extinção de quaisquer tributos ou encargos legais, após a apresentação da proposta, quando comprovado seu impacto, implicará a revisão da tarifa, para mais ou para menos, conforme o caso. [...] Art. 23. São cláusulas essenciais do contrato de concessão as relativas: [...] IV ao preço do serviço e aos critérios e procedimentos para o reajuste e a revisão das tarifas; Art. 29. Incumbe ao poder concedente: [...] V homologar reajustes e proceder à revisão das tarifas na forma desta Lei, das normas pertinentes e do contrato; Fl. 290DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677970/200930 Resolução nº 3302000.468 S3C3T2 Fl. 291 8 2. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços" e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 3. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. Precedentes: REsp 1.089.998RJ, DJe 30/11/2011; REsp 1.109.034 PR, DJe 6/5/2009; e REsp 872.169RS, Dje 13/5/2009. RECURSO ESPECIAL Nº 1.169.088 MT (2009/02357184) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. INTIMAÇÃO PESSOAL DA FAZENDA. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. NATUREZA PREVENTIVA. SÚMULA 7/STJ. ART. 10, XI, "B' DA LEI 10.833/03. CONCEITO DE PREÇO PREDETERMINADO. IN SRF 468/04. ILEGALIDADE. PRECEDENTE. ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. MULTA. AFASTAMENTO. SÚMULA 98/STJ. [...]4. O preço predeterminado em contrato, previsto no art. 10, XI, "b", da Lei 10.833/03, não perde sua natureza simplesmente por conter cláusula de reajuste decorrente da correção monetária. Ilegalidade da IN n.º 468/04. Precedente. 5. A multa fixada com base no art. 538, parágrafo único, do CPC, deve ser afastada quando notório o propósito de prequestionamento dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 98/STJ. 6. Recurso especial conhecido em parte e provido também em parte. RECURSO ESPECIAL Nº 1.089.998 RJ (2008/02056082) EMENTA TRIBUTÁRIO. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Cuidase de recurso especial interposto pelo contribuinte, questionando o poder regulamentar da Secretaria da Receita Federal, na edição da Instrução Normativa n. 468/04, que regulamentou o art. 10 da Lei n. 10.833/03. 2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833/03 determina que os contratos de prestação de serviço firmados a preço determinado antes de 31.10.2003, e com prazo superior a 1 (um) ano, permanecem sujeitos ao regime tributário da cumulatividade para a incidência da COFINS. (Grifo meu.) 3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa n. 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a Fl. 291DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677970/200930 Resolução nº 3302000.468 S3C3T2 Fl. 292 9 implementação da primeira alteração de preços " e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 4. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. 5. No mesmo sentido do voto que eu proferi, o Ministério Público Federal entendeu que houve ilegalidade na regulamentação da lei pela Secretaria da Receita Federal, pois "a simples aplicação da cláusula de reajuste prevista em contrato firmado anteriormente a 31.10.2003 não configura, por si só, causa de indeterminação de preço, uma vez que não muda a natureza do valor inicialmente fixado, mas tão somente repõe, com fim na preservação do equilíbrio econômico financeiro entre as partes, a desvalorização da moeda frente à inflação ." (Fls. 335, grifo meu.) Mantenho o voto apresentado, no sentido de dar provimento ao recurso especial. De fato, a IN SRF nº 468/2004 extrapolou a legislação vigente ao estipular que o reajuste implicaria em descaracterização do preço predeterminado. Entretanto, o advento do art. 109 da Lei nº 11.196/2005 alterou a configuração legislativa sobre a matéria. O art. 109 mencionou expressamente que "o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069/95, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado". Se a intenção da modificação era permitir que o reajuste não descaracterizasse o preço predeterminado, não foi o que restou publicado. O art. 109 faz referência à Lei 9.069/95, conversão das MPs que criaram o Plano Real, na qual estipulava que a correção monetária, em virtude de estipulação legal ou em negócio jurídico, deveria darse pelo Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr, de acordo com o art. 27 da Lei nº 9.069/95, mas ressalvadas as hipóteses de seu parágrafo primeiro: § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I às operações e contratos de que tratam o Decretolei nº 857, de 11 de setembro de 1969, e o art. 6º da Lei nº 8.880, de 27 de maio de 1994; II aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; III às hipóteses tratadas em lei especial. Foi justamente sobre o inciso II do §1º que o art. 109 fez a ressalva quanto ao reajuste não descaracterizar o preço predeterminado e não sobre o IPCr. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677970/200930 Resolução nº 3302000.468 S3C3T2 Fl. 293 10 Salientase que a Lei nº 10.192/2001, conversão de MPs que se originaram da MP nº 1.503/95, extinguiu o IPCr em seu art. 8º: Art. 8o A partir de 1o de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1o Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1o de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. § 2o Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, deverá ser utilizada média de índices de preços de abrangência nacional, na forma de regulamentação a ser baixada pelo Poder Executivo. A mesma lei, em seu artigo 2º, dispôs que: Art. 1o As estipulações de pagamento de obrigações pecuniárias exeqüíveis no território nacional deverão ser feitas em Real, pelo seu valor nominal. Parágrafo único. São vedadas, sob pena de nulidade, quaisquer estipulações de: I pagamento expressas em, ou vinculadas a ouro ou moeda estrangeira, ressalvado o disposto nos arts. 2o e 3o do DecretoLei no 857, de 11 de setembro de 1969, e na parte final do art. 6o da Lei no 8.880, de 27 de maio de 1994; II reajuste ou correção monetária expressas em, ou vinculadas a unidade monetária de conta de qualquer natureza; III correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados, ressalvado o disposto no artigo seguinte. Art. 2o É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano. § 1o É nula de pleno direito qualquer estipulação de reajuste ou correção monetária de periodicidade inferior a um ano. § 2o Em caso de revisão contratual, o termo inicial do período de correção monetária ou reajuste, ou de nova revisão, será a data em que a anterior revisão tiver ocorrido. § 3o Ressalvado o disposto no § 7o do art. 28 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, e no parágrafo seguinte, são nulos de pleno direito quaisquer expedientes que, na apuração do índice de reajuste, produzam efeitos financeiros equivalentes aos de reajuste de periodicidade inferior à anual. O Decreto nº 1.544/95 estipulou que, na hipótese de não existir previsão de índice para substituir o IPCr e na falta de acordo entre as partes, deveria ser utilizada a média Fl. 293DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677970/200930 Resolução nº 3302000.468 S3C3T2 Fl. 294 11 aritmética entre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor INPC do IBGE e o Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna IGPDI da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Art. 1º Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, a média de índices de preços de abrangência nacional a ser utilizada nas obrigações e contratos anteriormente estipulados com reajustamentos pelo IPCr, a partir de 1º de julho de 1995, será a média aritmética simples dos seguintes índices: I Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); II Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGPDI), da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Observase que a própria legislação, já em 1995, cuidou de diferenciar o reajuste em função de índices gerais ou setoriais do reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, inicialmente no art. 27 da Lei 9.069/95 e posteriormente nos artigos 1º e 2º da Lei nº 10.192/2001 (na realidade, a diferença temporal entre as disposições é de apenas 10 dias). O art. 109, ao se referir apenas ao reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, acabou inovando a definição de preço predeterminado, estabelecendo uma distinção até então inexistente. Quisesse apenas referirse a reajuste em geral, bastaria têlo feito nos termos do art. 2º da Lei nº 10.192/2001. Reforçam este entendimento, as emendas feitas à MP 252/2005, citadas na Nota Técnica 224/2006 SFFANEEL: Emendas n° 224 (Dep. Eduardo Gomes), 225 (Dep. Eduardo Sciarra), e 353 (Dep. Max Rosenmann): EMENDA ART. 44A. O art. 10, inciso XI,da Lei nº 10.833, de 2003, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 10........................................................................... ........................................................................................ XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, independentemente de a eles serem aplicados reajustamentos previstos em cláusulas contratuais." JUSTIFICATIVA: a redação proposta , com adição da locução "independentemente de a eles serem aplicados reajustamentos previstos em cláusulas contratuais" fazse necessária, visto que o Poder Executivo através da Instrução Normativa nº 468/2004, da SRF, mudou a interpretação do conceito de "preço predeterminado" passando a impedir que os contratos abrigados pela Lei nº 10.833/2003, deixem de usufruir o direito de permanecer sob o regime da cumulatividade. A IN em questão entende que o simples reajuste de preço por índices oficiais já caracteriza uma mudança da base do preço e desta forma afasta a eficácia do dispositivo legal. No fundo o que a IN faz é, na prática, Fl. 294DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677970/200930 Resolução nº 3302000.468 S3C3T2 Fl. 295 12 equiparar o conceito de preço predeterminado " ao conceito de preço fixo, uma vez que praticamente não existe contrato com prazo superior a um ano sem previsão de reajustamento. Tivesse sido assim publicado o artigo 109, a interpretação forçosamente retornaria ao texto da IN SRF nº 21/79, mas não foi o ocorrido. Todavia, a redação da IN SRF 658/2006 modificou, sutilmente, a redação do art. 109, ao dispor no §3º do art. 3º: § 3 º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1 º do art. 27 da Lei n º 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. A redação da lei que era "reajuste de preços em função do" foi regulamentada como "reajuste de preços em percentual não superior". Esta redação não exclui, a priori, a utilização de qualquer índice, desde que ele não ultrapasse o acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Assim, se a fórmula de reajuste utilizada não ultrapassar aqueles limites, deve tal fórmula de reajuste não descaracterizar o preço predeterminado. Ressaltase que o art. 109 está em consonância com o fundamento econômico para o reajuste que é a variação dos custos, como dispõe o inciso XI do art. 40 da Lei nº 8.666/93 e o inciso XVIII do art. 3º da Lei nº 9.427/96, que instituiu a Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL: Lei nº 8.666/93: Art. 40. O edital conterá no preâmbulo o número de ordem em série anual, o nome da repartição interessada e de seu setor, a modalidade, o regime de execução e o tipo da licitação, a menção de que será regida por esta Lei, o local, dia e hora para recebimento da documentação e proposta, bem como para início da abertura dos envelopes, e indicará, obrigatoriamente, o seguinte: [...]XI critério de reajuste, que deverá retratar a variação efetiva do custo de produção, admitida a adoção de índices específicos ou setoriais, desde a data prevista para apresentação da proposta, ou do orçamento a que essa proposta se referir, até a data do adimplemento de cada parcela; (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994) Lei nº 9.427/96: Art. 3o Além das atribuições previstas nos incisos II, III, V, VI, VII, X, XI e XII do art. 29 e no art. 30 da Lei no 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, de outras incumbências expressamente previstas em lei e observado o disposto no § 1o, compete à ANEEL: (Redação dada pela Lei nº 10.848, de 2004) (Vide Decreto nº 6.802, de 2009). [...]XVIII definir as tarifas de uso dos sistemas de transmissão e distribuição, sendo que as de transmissão devem ser baseadas nas seguintes diretrizes: (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) Fl. 295DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677970/200930 Resolução nº 3302000.468 S3C3T2 Fl. 296 13 a) assegurar arrecadação de recursos suficientes para cobertura dos custos dos sistemas de transmissão; e (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) a) assegurar arrecadação de recursos suficientes para a cobertura dos custos dos sistemas de transmissão, inclusive das interligações internacionais conectadas à rede básica; (Redação dada pela Lei nº 12.111, de 2009) b) utilizar sinal locacional visando a assegurar maiores encargos para os agentes que mais onerem o sistema de transmissão; (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) Estabelecidas as condições para a definição de preço predeterminado, passase à análise do contrato apresentado. A recorrente auferiu receitas decorrentes da prestação de serviço de transmissão de energia elétrica, regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL instituída pela Lei nº 9.427/1996, e pelo contrato firmado com o Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS em 13/09/1999, intitulado Contrato de Prestação de Serviço de Transmissão de Energia Elétrica (CONTRATO CPST Nº 006/1999). O ONS é entidade de direito privado sem fins lucrativos, cabendolhe, dentre outras atribuições, a de contratar e administrar os serviços de transmissão de energia elétrica e respectivas condições de acesso, bem como dos serviços ancilares, nos termos do art. 13, parágrafo único, alínea “d” da Lei nº 9.648/98, sob fiscalização e regulação da ANEEL (Resolução nº 351/98 e Decreto nº 2.655/98). O contrato celebrado denominase CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE TRANSMISSÃO e tem por objeto regular as condições de administração e coordenação por parte da ONS, da prestação de serviço de transmissão pela Transmissora (recorrente). Seu prazo de vigência é a partir de 13/09/1999 e permanece até a extinção da concessão da transmissora. A claúsula 36º dispõe que a recorrente teria direito a receber dos usuários, mediante os Contratos de Uso do Sistema de Transmissão, um duodécimo da receita anual permitida, e seu parágrafo 1º dispôs que os serviços de operação de rede básica, serviços de telecomunicações e serviços ancilares seriam remunerados pela RAP até a assinatura de contratos específicos, a serem assinados até 30/06/2000 e 31/12/2002. A cláusula 37º menciona ainda a existência de Contrato de Concessão de Serviço Público de Transmissão de Energia Elétrica. A cláusula 40º estipula que o pagamento mensal à transmissora será realizado de acordo com as datas e condições definidas nos Contratos de Uso do Sistema de Transmissão. Cláusula 40º O pagamento mensal, definido na Cláusula 36*, devido pelos USUÁRIOS à TRANSMISSORA pela Prestação dos Serviços de Transmissão, será realizado em 3 (três) vencimentos, cada um equivalente a 1/3 (um terço) do valor global devido, nas datas e condições definidas nos CONTRATOS DE USO DO SISTEMA DE TRANSMISSÃO. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677970/200930 Resolução nº 3302000.468 S3C3T2 Fl. 297 14 Verificase que o contrato apresentado é entre o ONS e a recorrente e destinase a regular as condições de administração e coordenação por parte da ONS, da prestação de serviço de transmissão, mas não corresponde aos contratos dos quais decorrem as receitas auferidas. Assim, nestes contratos é que estão previstos as condições que permitem aferir sua caracterização como de longo prazo e do preço predeterminado, como: data de assinatura, prazo de vigência, data em que ocorreu o primeiro reajuste, fórmula estabelecida para cálculo do reajuste, e outros. Por outro lado, a Nota Técnica nº 224/2006, elaborada pela Superintendência de Fiscalização Econômica e Financeira – SFF/ANEEL, apresenta os modelos de contratos utilizados na concessão do serviço público de transmissão, contratos de prestação de serviços de transmissão CPST e contratos de uso do sistema de transmissão CUST. Da análise das cláusulas dos modelos apresentados, são necessários alguns esclarecimentos por parte da recorrente para melhor compreendêlos, bem como detalhar a receita auferida, vinculando cada parcela ao contrato que lhe deu origem. Diante do exposto, voto para converter o presente julgamento em resolução para que a autoridade administrativa intime a recorrente a: 1. Relacionar as receitas auferidas ao contrato do qual decorrem; 2. Apresentar o Contrato de Concessão do Serviço Público de Transmissão, especificando a data de assinatura, o prazo de vigência, as condições contratadas para o reajustamento fórmula e datas de reajuste; 3. Identificar o primeiro reajustamento ocorrido após 31/10/2003, relativamente às receitas auferidas; 4. Esclarecer se houve alguma revisão do contrato visando a manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro; 5. Apresentar as resoluções da ANEEL relativas a novos acréscimos ao preço originalmente contrato Receita Anual Permitida identificando a origem destes acréscimos; 6. Esclarecer se na receita auferida constam revisões de que trata a cláusula abaixo reproduzida: Oitava Subcláusula A ANEEL procederá, anualmente, à revisão da RECEITA ANUAL PERMITIDA do SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSMISSÃO, pela execução de modificações, reforços e ampliações nas INSTALAÇÕES DE TRANSMISSÃO, inclusive as decorrentes de novos padrões de desempenho técnico determinados peia ANEEL, conforme procedimentos definidos na Oitava Subcláusula da Cláusula Quarta deste CONTRA TO DE CONCESSÃO 7. Esclarecer se na receita auferida há parcela recebida devida à ultrapassagem do sistema de transmissão e da sobrecarga; 8. Informar a existência de Contratos de Conexão à Transmissão firmados após 31/10/2003, de acordo com a Resolução nº 489/2002; Fl. 297DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677970/200930 Resolução nº 3302000.468 S3C3T2 Fl. 298 15 9. Se houve parcela de ajuste na Receita Anual Permitida, relacionada com a majoração das alíquotas de PIS e Cofins, nos termos do disposto no item 69 da Nota Técnica 224/2006: PA (PIS/COFINS) = parcela a ser adicionada a PA de cada concessionária de serviço público de transmissão de energia elétrica, resultante do impacto financeiro decorrente da majoração das alíquotas do PIS/PASEP e da COFINS 10. Esclarecer se consta receita auferida de novas instalações de transmissão, de acordo com o item 70 da Nota Técnica 224/2006 e a data em que foram autorizadas pela ANEEL: Dessa forma, é possível, e freqüentemente ocorre, a necessidade da realização de obras visando a implantação de novas instalações de transmissão de energia elétrica integrantes da Rede Básica do Sistema Interligado Nacional SIN. Tais obras são então autorizadas por esta ANEEL, mediante a publicação de Resoluções Autorizativas, nas quais é fixada respectiva receita.. 11. Esclarecer se existe algum índice setorial que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; 12. Elaborar comparativo entre a evolução dos custos da prestação do serviço e da variação do índice mencionado no item anterior e o reajuste adotado, relativo ao período correspondente ao reajuste ocorrido imediatamente anterior a 31/10/2003 e os ocorridos até a competência do crédito objeto da DCOMP. Após concluída a resposta à intimação, elaborar relatório fiscal, separando as receitas que entender sujeitas à incidência nãocumulativa das sujeitas à incidência cumulativa, a partir das premissas contidas nesta resolução, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre as conclusões obtidas, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 298DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Numero do processo: 10380.720195/2007-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2002
DILIGÊNCIA/PERÍCIA FISCAL. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE DA DECISÃO. IMPOSSIBILIDADE.
A determinação de realização de diligências e/ou perícias compete à autoridade julgadora de Primeira Instância, podendo a mesma ser de ofício ou a requerimento do impugnante. A sua falta não acarreta a nulidade do processo administrativo fiscal.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. DESCABIMENTO.
Descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. Por outro lado, as perícias devem limitar-se ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. Assim, a perícia técnica destina-se a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitando-se ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação.
DEDUÇÕES A TÍTULO DE INCENTIVOS FISCAIS. LIMITES.
As deduções feitas diretamente do imposto de renda devido a título de incentivos fiscais (Programa de Alimentação do Trabalhador, Doações aos Fundos da Criança e do Adolescente, Atividades Culturais ou Artísticas e Atividade Audiovisual) estão sujeitas a limites percentuais, estabelecidos pela legislação de regência, calculados em relação ao imposto devido.
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA. RECONHECIMENTO DE COMPENSAÇÃO EFETUADA ANTERIORMENTE. LIMITADO AO VALOR ALOCADO NO SISTEMA.
Reconhece-se o crédito relativo a compensação de débito, por pagamento indevido ou a maior, efetuada anteriormente, somente quando tal compensação já está alocada pelo sistema e pelo valor ali constante.
SALDO NEGATIVO DE IRPJ. REQUISITOS DE DEDUTIBILIDADE DA RETENÇÃO NA FONTE.
A retenção na fonte sobre rendimentos declarados somente poderá ser compensado na declaração da pessoa jurídica se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Não apresentados os comprovantes é plausível a apuração do valor retido mediante pesquisa em DIRF. O saldo negativo de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica apurado em Declaração de Rendimentos, decorrente de retenção na fonte, só pode ser reconhecido como direito creditório, até o montante efetivamente confirmado, se comprovado que as receitas que lhe deram origem foram oferecidas à tributação.
Pedido de Perícia/ Diligência Negado
Numero da decisão: 1402-001.841
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
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INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE DA DECISÃO. IMPOSSIBILIDADE. A determinação de realização de diligências e/ou perícias compete à autoridade julgadora de Primeira Instância, podendo a mesma ser de ofício ou a requerimento do impugnante. A sua falta não acarreta a nulidade do processo administrativo fiscal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. DESCABIMENTO. Descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. Por outro lado, as perícias devem limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. Assim, a perícia técnica destinase a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. DEDUÇÕES A TÍTULO DE INCENTIVOS FISCAIS. LIMITES. As deduções feitas diretamente do imposto de renda devido a título de incentivos fiscais (Programa de Alimentação do Trabalhador, Doações aos Fundos da Criança e do Adolescente, Atividades Culturais ou Artísticas e Atividade Audiovisual) estão sujeitas a limites percentuais, estabelecidos pela legislação de regência, calculados em relação ao imposto devido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 01 95 /2 00 7- 19 Fl. 499DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 2 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA. RECONHECIMENTO DE COMPENSAÇÃO EFETUADA ANTERIORMENTE. LIMITADO AO VALOR ALOCADO NO SISTEMA. Reconhecese o crédito relativo a compensação de débito, por pagamento indevido ou a maior, efetuada anteriormente, somente quando tal compensação já está alocada pelo sistema e pelo valor ali constante. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. REQUISITOS DE DEDUTIBILIDADE DA RETENÇÃO NA FONTE. A retenção na fonte sobre rendimentos declarados somente poderá ser compensado na declaração da pessoa jurídica se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Não apresentados os comprovantes é plausível a apuração do valor retido mediante pesquisa em DIRF. O saldo negativo de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica apurado em Declaração de Rendimentos, decorrente de retenção na fonte, só pode ser reconhecido como direito creditório, até o montante efetivamente confirmado, se comprovado que as receitas que lhe deram origem foram oferecidas à tributação. Pedido de Perícia/ Diligência Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10380.720195/200719 Acórdão n.º 1402001.841 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório COMPANHIA ENERGÉTICA DO CEARÁ, contribuinte inscrita no CNPJ/MF 07.047.251/000170, com domicílio fiscal na cidade do Fortaleza, Estado do Ceara, à Av. Barão de Studart, nº 2917, Bairro Aldeota, jurisdicionada a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza, inconformada com a decisão de Primeira Instância (fls. 429/446), prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro RJ recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 453/475. A requerente transmitiu, em 17/09/2003, os Pedidos de Compensações DCOMPs nºs 11990.78763.170903.1.3.021512, 01120.42206.151003.1.3.023580, 30632.06898.150604.1.7.020993 e n° 10602.11209.150604.1.3.029271, cujo crédito referese a saldo negativo de IRPJ, do anocalendário de 2002, no valor de R$ 23.949.839,67. De acordo com o art. 168 da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional) e inciso II do § 1° do art. 6° e 74, da Lei nº 9.430, de 1996, combinado com a Portaria SRF n°. 4.980, de 1994, a Delegacia da Receita Federal do Brasil, através do Despacho Decisório (fls. 165/170), apreciou e concluiu, em 23/05/2008, que o presente pedido de compensação é parcialmente procedente, com base, em síntese, nas seguintes argumentações: que o presente processo tem como objetivo a análise dos Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declarações de Compensação; que, nesses PER/DCOMP o interessado pretende compensar débitos no montante total de R$ 29.927.697,09 (vinte e nove milhões, novecentos e vinte e sete mil, seiscentos e noventa e sete reais e nove centavos), com suposto crédito de R$ 23.949.839,37 (vinte e três milhões, novecentos e quarenta e nove mil, oitocentos e trinta e nove reais e trinta e sete centavos); que o demonstrativo do cálculo do imposto de renda sobre o lucro real extraído da declaração de informações econômicofiscais da pessoa jurídica — DIPJ apresentada pelo interessado em 30/06/2003 referente ao ano calendário de 2002, fls.26/46, mostra que a apuração do ajuste anual do imposto de renda feita pelo contribuinte gerou saldo negativo de IRPJ no montante de R$ 25.339.854,11; que passamos doravante a conduzir o exame do pedido realizando a conferência dos dados que compuseram o saldo negativo pleiteado como crédito nos PER/DCOMP. Assim, faremos a análise do requerido partindo do principio que as informações prestadas pelo contribuinte em DIPJ e DCTF constituem a expressão da verdade, ressalvando o direito à realização de verificações posteriores visando confirmar a exatidão dessas informações; que, primeiramente, fizemos a conferência dos valores de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF utilizados no cálculo do ajuste anual; para tanto consultamos o sistema SIEFDIRF, extratos de fls. 47/130, onde não confirmamos as retenções de n° 01 e 02 do Fl. 501DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 4 citado PER/DCOMP de n° 11990.78763.170903.1.3.021512 de fls. 03/05, decorrentes de aplicações financeiras feitas pela empresa. Assim, concluímos que o valor de imposto de renda retido na fonte IRRF utilizável no cálculo do ajuste anual do IRPJ deverá ser deduzido de R$ 59.190,07 (R$56.722,26 + R$ 2.467,81); que as estimativas mensais declaradas na DIPJ de fls. 33/37, e parte da DCTF referente ao mesmo período, verificamos que o contribuinte utilizou o valor total de R$ 2.972.919,16 como dedução relativa a incentivos fiscais (Programa de Alimentação do Trabalhador, Doações aos Fundos da Criança e do Adolescente, Atividade Culturais ou Artísticas, e Atividade Audiovisual) não consta informação de incentivos fiscais na DIPJ/2002; que, portanto, foi solicitado ao contribuinte, através da Intimação Fiscal de fl. 138, a comprovação dos valores referentes aos incentivos fiscais (Programa de Alimentação do Trabalhador, Doações aos Fundos da Criança e do Adolescente, Atividades Culturais ou Artísticas e Atividade Audiovisual), relacionados à Ficha 11, linha 05 (estimativas mensais). No entanto, o contribuinte não apresentou a documentação solicitada; que tampouco nos foi informado(s) a(s) portarias(s) de redução e/ou isenção do imposto de renda a que teria direito à dedução, haja vista esta possibilidade, uma vez que as estimativas apuradas foram calculadas com base nos balancetes de suspensão/redução. Acrescentese o fato de que o contribuinte não preencheu a Ficha 30 – Atividades Incentivadas, onde apresentaria a redução e/ou isenção do imposto de renda a que teria direito; que o valor de R$1.272.504,78 foi utilizado para compensar parte do IRPJ declarado de junho/2002, conforme cópia da DCTF de f1. 135, e referese a pagamentos 011/ indevidos ou a maior efetuados no ano calendário 2000 e 2001, código da receita 2362 IRPJ Estimativa Mensal. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real que efetuar pagamento a maior de IRPJ a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago na dedução do IRPJ devido ao final do período de apuração em que houve o pagamento a maior ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. Portanto, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento a maior de estimativa não poderá requerer a restituição ou compensação de pagamento a maior, podendo requerer somente na hipótese de a empresa apresentar saldo negativo no final do períodobase; que, pelo relatado anteriormente, concluise que no imposto de renda mensal pago por estimativa, linha 12A/16 da DIPJ apresentada pelo contribuinte, foi utilizada dedução de incentivos fiscais sem comprovação e compensação com pagamento indevido ou a maior, perfazendo um total de R$ 4.245.423,94 (R$2.972.919,16. + R$ 1.272.504,78) este valor será glosado da estimativa apurada (R$ 17.960.861,17 — 4.245.423,94=13.715.437,23); que, no calendário 2002, saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 21.862.939,75. Em resumo, segue abaixo o valor remanescente do saldo negativo apurado de IRPJ anocalendário 2002, portanto, o valor do saldo negativo de IRPJ anocalendário 2002 a ser utilizado R$ 21.862.939,75. Cientificado da decisão da Autoridade Administrativa, em 27/05/2008, conforme Termo constante à fl. 174, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em tempo hábil (26/06/2008), a sua Manifestação de Inconformidade de fls. 193/213, instruído pelos documentos de fls. 214/389, no qual demonstra irresignação contra a decisão, baseado, em síntese, nas seguintes considerações: que da tempestividade da presente manifestação de inconformidade, de acordo com a Lei n° 9.430/96, que regula o processo administrativo federal, o prazo para Fl. 502DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10380.720195/200719 Acórdão n.º 1402001.841 S1C4T2 Fl. 4 5 apresentar Manifestação de Inconformidade em processo de restituição/compensação será de 30 dias; que a COELCE foi intimada do Despacho Decisório por A.R em 27/05/2005, resta constatado a obediência do prazo legal pela Impugnante nesta data (26/06/2008); que da suspensão da exigibilidade do crédito com a apresentação da manifestação de inconformidade, portanto, por meio do Despacho Decisório ora atacado, a Delegada da Receita Federal em FortalezaCE, com pretenso fundamento no art. 52 da IN SRF n° 600/2005, reconheceu parcialmente o crédito tributário e por conseqüência homologou, nos termos do art. 74 da Lei n° 9.430/96, ressalvando, todavia, à Impugnante, o seu direito de interpor a competente Manifestação de Inconformidade à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza contra o referido Despacho; que, assim, diante da clareza das normas invocadas, quais sejam, o art. 74, §11 da Lei n° 9.430/96 c/c com o art. 151, III, do CTN, bem assim como no art. 485 da IN SRF n° 600/2005, art. 68, § 1°, requerse a imediata paralisação de quaisquer procedimentos tendentes a cobrança dos débitos albergados no presente processo de restituição/compensação, face á expressa determinação da suspensão da exigibilidade dos créditos referenciados; que, além disso, por força dos mesmos dispositivos legais, que o presente processo passe a constar como "exigibilidade suspensa" nos sistemas informáticos da Receita Federal, de forma a que seja deferida Certidão Positiva de Débitos com Efeitos de Negativa CPDEN, nos termos dos arts. 205 e 2066 do CTN; que indevida glosa de deduções relativas a incentivos fiscais (programa de alimentação do trabalhador PAT, doações aos fundos da criança e do adolescente, atividades culturais ou artísticas, e atividade audiovisual), NESTE SENTIDO, insigne julgador da delegacia da receita de julgamento em fortaleza, propugnase através da presente manifestação de inconformidade, a revisão de oficio da homologação parcial do crédito tributário albergado no presente processo administrativo, tudo na forma do art. 149 do CTN; que, ora Nobre Julgador, é que a Auditora da RFB, ao concluir que no cálculo do imposto de renda mensal pago por estimativa foi utilizado dedução de incentivos fiscais (Programa de Alimentação do Trabalhador, Doações aos Fundos da Criança e do Adolescente, Atividades Culturais ou Artísticas, e Atividade Audiovisual) sem comprovação, da monta de R$ 2.972.919,16, valor este que foi glosado da estimativa, equivocouse completamente; que a realização da perícia/diligência requestada será comprovado perante este Douto Órgão Julgador que há a necessidade de alteração do Despacho Decisório ora impugnado, tudo com base nos art.s 145 e 149 do CTN; que indevida glosa da compensação com pagamento indevido ou a maior suposta inexistência de saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2001, ou seja, nobre julgador da DRJ, como se pode perceber ao compulsar a Informação Fiscal que subsidiou o Despacho Decisório ora Impugnado, a Auditora Fiscal da RFB glosou da estimativa apurada para a composição do Saldo Negativo do IRPJ anocalendário 2002 a monta de R$ 1.272.504,78; Fl. 503DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 6 que a Auditora da RFB afirmou que a compensação do valor de R$ 1.272.504,78, pago indevidamente ou a maior no anocalendário de 2001, no código de receita 2362 IRPJ Estimativa Mensal, e que foi utilizado para compensar parte do IRPJ declarado de junho de 2002, conforme cópia da 41, DCTF de fl. 135 dos presentes autos e que segue novamente anexa (Doc. 05), ocorreu de forma indevida; que, para chegar à mencionada conclusão, afirmou o óbvio, que a pessoa jurídica tributada pelo lucro real a qual efetuar pagamento a maior de IRPJ devido ao final do período de apuração em que houve o pagamento a maior de IRPJ a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago na dedução do IRPJ devido ao final do período de apuração em que houve o pagamento a maior ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período; que a referida conclusão partiu de uma premissa completamente equivoca por parte da Auditora da RFB; que a COELCE, no AnoCalendário de 2001, apurou Saldo Negativo de Imposto de Renda a pagar no montante de 15.372.215,32 (R$ 16.607.334,62 após retificação da DIPJ2002 AC 2001), o que se pode comprovar através da DIPJ 2002 (AnoCalendário 2001), anexa ao presente (Doc. 06), a qual tem à ficha 12A, linha 18, composição negativa do Imposto de Renda a pagar; que o referido valor tinha sido confirmado na Informação Fiscal referente ao Processo Administrativo Federal n° 10380.901169/2006 17, anexa ao (Doc. 07), motivo pelo qual não há o que se falar em compensação indevida por parte da COELCE; que há a necessidade de que o Douto Órgão Julgador altere o Despacho Decisório ora Impugnado, tudo com base nos ditames dos já citados arts. 145 e 149 do CTN; que a inexatidão do procedimento de homologação das compensações necessária revisão de ofícios na forma do art. 149, V do CTN, portanto, é de ser rechaçada os moldes da conferência dos valores de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF utilizados no cálculo do ajuste anual feita pela Auditora da RFB; que, entretanto, Douto Julgador há na contabilidade da ora Impugnante o lançamento no Livro Razão referente a março de 2002, as folhas 86, 234, 236 e 884; bem como no Livro Diário também de março de 2002, às folhas 3.656 e 3.673, o lançamento do valor referente a R$ 2.468,81, devendo ser, portanto, reformulado o referido cálculo, de oficio, tudo na forma dos arts. 145 e 149 do CTN. Após resumir os fatos constantes do pedido de compensação e as razões apresentadas pela recorrente em sua Manifestação de Inconformidade, em 18/10/2003, a 4° Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro – RJ autoridade julgadora revisora resolveu julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade, com base, em síntese, nas seguintes considerações (fls. 429/446): que versa o presente processo sobre o PERDCOMP de nº 11990.78763.170903.1.3.021512 (fls.02/11), transmitido em 17/09/2003, através do qual a interessada declarou compensações efetuadas com crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ, do exercício de 2003 (AC 2002), cujo valor original apurado fora de R$ 23.949.839,67; que, posteriormente, novas compensações foram declaradas com o saldo remanescente do mesmo crédito, através dos PER/DCOMP de nºs; Fl. 504DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10380.720195/200719 Acórdão n.º 1402001.841 S1C4T2 Fl. 5 7 01120.42206.151003.1.3.023580; 30632.06898.150604.1.7.020993; e 10602.11209.150604.1.3.029271; que através de Despacho Decisório de fl.173, a Delegada da DRF/Fortaleza homologou as compensações declaradas no limite do crédito reconhecido de R$ 21.862.939,75, acrescido dos juros SELIC, na forma do art.52 da IN SRF nº 600/2005; que do Pedido de Realização de Perícia/ Diligência Fiscal, a interessada requer, na sua manifestação, a realização de perícia/diligência fiscal para que possa ser efetuado levantamento de todos os comprovantes relativos às deduções indevidamente glosadas; que a interessada, já durante o período da análise manual das compensações em foco, efetuada pela DRF/FOR/SEORT, teve a oportunidade de apresentar a documentação pertinente à comprovação das deduções glosadas, em face da Intimação nº 67/2008 (fl.139) e, também, durante o período de apresentação da manifestação de inconformidade que ora se analisa; que na forma do art.18 já reproduzido, indefiro o pedido de realização de perícia/diligência fiscal formulado pela interessada; que do Reconhecimento da Retificação da DIPJ/2002, a interessada pleiteia o reconhecimento da retificação da DIPJ/2002 (AC 2001), transmitida em 30/06/2008; que essa solicitação foi objeto de análise no Processo nº 10380.901169/200617, sendo que, através do correspondente Acórdão, proferido por esta Turma de Julgamento (cópia anexa), e tendo em vista as razões ali expostas, tal retificação não foi considerada válida; que da Suspensão da Exigibilidade, assim dispõe o §11 do art.74 da Lei nº 9.430/1996, incluído pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003 (oriunda da Medida Provisória nº 135/2003); que o mesmo não se dá em relação ao débito de R$ 194.314,68, transferido para o Processo nº 10380008.651/ 200830, uma vez que, como relatado, esse valor corresponde à parcela do PIS, de agosto/2003, confessada em DCTF, mas que não foi incluída em PER/DCOMP e, também, não foi extinta/suspensa por nenhuma das modalidades previstas na legislação, devendo ser, portanto, objeto de cobrança imediata; que a presente lide envolve a não homologação de compensações efetuadas com crédito oriundo do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002, informado no PER/DCOMP nº 11990.78763.170903.1.3.021512 (fls.02/11), no valor original de R$ R$ 23.949.839,67; que as divergências verificadas são relativas ao Imposto de Renda Retido na Fonte e ao Imposto de Renda Mensal por Estimativa; que das Glosas Relativas ao Imposto de Renda na Fonte, o procedimento ocorreu em face de tais retenções não terem sido confirmadas pelos dados constantes dos arquivos da RFB, que controlam as informações apresentadas através das Declarações de Fl. 505DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 8 Imposto de Renda na Fonte – DIRF, entregues pelas fontes pagadoras, em consonância com as disposições do art.929 do Decreto nº 3.000/1999 (RIR/1999); que em suma, não constando dos sistemas da RFB os valores de IRRF cujo direito creditório a interessada pleiteia, e não tendo sido trazidos aos autos os respectivos comprovantes de retenção, mantenho o entendimento da DRF/FOR de não reconhecer o direito creditório relativo às retenções de fonte em análise; que do Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa, portanto, quanto ao Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa, somente foi validada a importância de R$ 13.715.437,23, em face de não terem sido reconhecidas as parcelas a seguir enumeradas; Incentivos Fiscais; e Estimativa de IRPJ de jun/2002, compensada com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior de R$ 1.272.504,78; que reconheço, portanto, como efetuada, a compensação da parcela da estimativa de junho/2002 no valor de R$ 948.844,68 (241.380,61 + 707.464,07) e, em consequência, o valor creditório correspondente. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE APRESENTADA TEMPESTIVAMENTE. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO DÉBITO. SITUAÇÃO DO DÉBITO NÃO OBJETO DE PER/DCOMP. Após a entrada em vigor da Medida Provisória 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, a manifestação de inconformidade contra a não homologação de compensação declarada, apresentada tempestivamente, suspende a exigibilidade do débito objeto dessa compensação. Essa medida é tomada automaticamente pela Administração Tributária, não havendo necessidade de solicitação a respeito. Já o débito confessado em DCTF que não foi objeto de PER/DCOMP, ou de quaisquer das modalidades previstas na legislação, não tem sua exigibilidade suspensa, devendo ser objeto de cobrança imediata. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 DEDUÇÕES A TÍTULO DE INCENTIVOS FISCAIS. LIMITES. As deduções feitas diretamente do imposto de renda devido a título de incentivos fiscais (Programa de Alimentação do Trabalhador, Doações aos Fundos da Criança e do Adolescente, Atividades Culturais ou Artísticas e Atividade Audiovisual) estão sujeitas a limites percentuais, estabelecidos pela legislação de regência, calculados em relação ao imposto devido. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10380.720195/200719 Acórdão n.º 1402001.841 S1C4T2 Fl. 6 9 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA. RECONHECIMENTO DE COMPENSAÇÃO EFETUADA ANTERIORMENTE. Reconhecese o crédito relativo a compensação de débito, por pagamento indevido ou a maior, efetuada anteriormente, quando tal compensação já está alocada pelo sistema. CRÉDITO RELATIVO A IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. O crédito relativo a imposto de renda retida na fonte somente pode ser considerado válido, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido, em seu nome, pela fonte pagadora. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 07/01/2014, conforme Termo constante à fl. 451, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em tempo hábil (18/02/2014), o recurso voluntário de fls. 453/475, instruído pelos documentos de fls. 476/494, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que, no que diz respeito a indevida glosa de deduções relativas a incentivos fiscais (programa de alimentação do trabalhador PAT, doações aos fundos da criança e do adolescente, atividades culturais ou artísticas, e atividade audiovisual), e imprescindibilidade de perícia/diligência fiscal, até mesmo ex officio, para comprovar as verdades invocadas pela requerente os documentos alegados pela requerente estão todos acostados ao processo, há que se ressaltar que sempre o Procedimento Administrativo deve obedecer ao princípio da verdade material, consectário do princípio da legalidade e corolário da justiça fiscal; que a auditora da RFB equivocouse ao concluir que no calculo do imposto de renda mensal pago por estimativa foi utilizado dedução de incentivos fiscais sem comprovação da monta de R$ 2.972.919,16, valor este que foi glosado da estimativa; que a referida conclusão deuse após a analise das estimativas mensais declaradas na DIPJ de fls. 33/37 do presente processo, bem como de parte da DCTF referente ao mesmo período; que a insistência da recorrente quanto a realização da pericia/diligencia requestada, dáse, pois será comprovado por meio desta perante este órgão julgador que há a necessidade de alteração do acórdão ora recorrido; que, no que diz respeito a indevida glosa da compensação com pagamento indevido ou a maior na suposta inexistência de saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2001, ressaltamos como se pode perceber ao compulsar a informação fiscal que subsidiou o despacho decisório ora impugnado, a auditora fiscal da RFB glosou da estimativa apurada para a composição do Saldo Negativo do IRPJ anocalendário 2002 a monta de R$ 1.272.504,78; Fl. 507DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 10 que a auditora da RFB afirmou que a compensação do valor de R$ 1.272.504,78, pago indevidamente ou a maior no anocalendario de 2001, no código de receita 2362 – IRPJ Estimativa Mensal, e que foi utilizado para compensar parte do IRPJ declarado de junho 2002, conforme DCTF de fl. 135 dos presentes autos e que segue novamente anexa, ocorreu de forma indevida; que para chegar a mencionada conclusão, afirmou o obvio, que a pessoa jurídica tributada pelo lucro real a qual efetuar pagamento a maior de IRPJ devido ao final do período de apuração em que houve o pagamento a maior de IRPJ a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago na dedução do IRPJ devido ao final do período de apuração em que houve o pagamento a maior ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período; que ainda conclui: “(...). Portanto, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento a maior de estimativa não poderá requerer a restituição ou compensação de pagamento a maior, podendo requerer somente na hipótese de a empresa apresentar saldo negativo de IRPJ do períodobase”; que ocorre referida conclusão partiu de uma premissa completamente equivocada por parte da auditora da RFB; que dizse isso porque a COELCE, no anocalendario de 2001, apurou saldo negativo de IRPJ a pagar no montante de R$ 15.372.215,32 (R$ 16.607.334,62 após retificação da DIPJ 2002/2001), o que se pode comprovar através da DIPJ 2002, anexa ao presente; que a DRJ reconheceu a compensação da parcela da estimativa de jun/2002 no valor de R$ 948.844,68, entretanto a compensação deveria ser no valor de R$ 1.272.504,78, pago indevidamente ou a maior no anocalendario de 2001; que a necessidade de que o Douto Órgão Julgador altere o Acórdão ora Recorrente, tudo com base nos ditames dos já citados arts. 145 e 149 do CTN e em perícia/ diligência técnica que acreditase seja deferida para explicitar a verdade material; que, no que diz respeito a inexatidão do procedimento de homologação das compensações e da necessária revisão de ofícios na forma do art. 149, v do CTN, e de se dizer que de acordo com audiência da RFB, não foram confirmadas as retenções de n° 01. e 02 do PER/DCOMP de n° 11990.78763.170903.1.3.021512 de fls. 03/05, de correntes de aplicações financeiras feitas pela COELCE, tendo concluído a Nobre Auditora da Receita Federal do Brasil que o valor de imposto de renda retido na fonte IRRF utilizável no cálculo do ajuste anual do IRPJ deverá ser deduzido de R$ 59.190,07 (R$ 56.722,26 + R$ 2.467,81); que, deste modo a Recorrente anexou em sua manifestação de inconformidade, o lançamento no Livro Razão referente a março de 2002, às folhas 86, 234, 236 e 884; bem como no Livro Diário também de março de 2002, às folhas 3.656 e 3.673, o lançamento do valor referente a R$ 2.468,81 devendo ser, portanto, reformulado o referido cálculo, de oficio, tudo na forma dos arts. 145 e 149 do CTN; que a douta relatoria da DRJ/RJ1, encravada na pretensa formalidade que ato normativo lhe vincula, não quis reconhecer a documentação acostada, posto que não condizia com o formato da exigência infralegal, o que não se pode asilar ante ao princípio exaustivamente arrazoado nos presentes autos da verdade material e da efetividade do princípio da justiça tributaria; Fl. 508DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10380.720195/200719 Acórdão n.º 1402001.841 S1C4T2 Fl. 7 11 que tudo isso desemboca, mais uma vez, na imprescindibilidade da perícia técnicocontábil tantas vezes requerida, e mais uma vez suplicada no presente petitório. É o relatório. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 12 Fl. 510DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10380.720195/200719 Acórdão n.º 1402001.841 S1C4T2 Fl. 8 13 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Não argüição de qualquer preliminar. Da análise dos autos, constatase que tem como objeto o presente processo o PERDCOMP de nº 11990.78763.170903.1.3.021512 (fls.02/11), transmitido em 17/09/2003, através do qual a interessada declarou compensações efetuadas com crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ, do exercício de 2003 (AC 2002), cujo valor original apurado fora de R$ 23.949.839,67. Posteriormente, novas compensações foram declaradas com o saldo remanescente do mesmo crédito, através dos PER/DCOMP de nºs; 01120.42206.151003.1.3.023580; 30632.06898.150604.1.7.020993; e 10602.11209.150604.1.3.029271. Observase, ainda, que através de Despacho Decisório de fl.173, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza homologou as compensações declaradas no limite do crédito reconhecido de R$ 21.862.939,75, acrescido dos juros SELIC, na forma do art.52 da IN SRF nº 600/2005. Inconformada, de forma parcial, com a decisão da autoridade administrativa jurisdicionada a contribuinte apresenta a sua Manifestação de Inconformidade para a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro – RJ a qual decide, por sua vez, reconhecer a compensação parcial da parcela da estimativa de junho/2002 no valor de R$ 948.844,68 (241.380,61 + 707.464,07) e, em consequência, o valor creditório correspondente. Irresignada com a decisão de Primeira Instância a contribuinte apresenta a sua peça recursal para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais motivada pelas seguintes questões: 1 indevida glosa de R$ 2.972.919,24 de deduções relativas a incentivos fiscais (programa de alimentação do trabalhador PAT, doações aos fundos da criança e do adolescente, atividades culturais ou artísticas, e atividade audiovisual), e imprescindibilidade de perícia/diligência fiscal, até mesmo ex officio, para comprovar as verdades invocadas pela requerente os documentos alegados pela requerente estão todos acostados ao processo; 2 indevida glosa da compensação com pagamento indevido ou a maior na suposta inexistência de saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2001. Houve somente a homologação de R$ 948.844,68 ou invés de R$ 1.272.504,78; Fl. 511DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 14 3 inexatidão do procedimento de homologação das compensações e da necessária revisão de ofícios na forma do art. 149, V do Código Tributário Nacional. De se dizer que de acordo com audiência da RFB, não foram confirmadas as retenções de n° 01. e 02 do PER/DCOMP de n° 11990.78763.170903.1.3.021512 de fls. 03/05, de correntes de aplicações financeiras feitas pela COELCE, tendo concluído a Nobre Auditora da Receita Federal do Brasil que o valor de imposto de renda retido na fonte IRRF utilizável no cálculo do ajuste anual do IRPJ deverá ser deduzido de R$ 59.190,07 (R$ 56.722,26 + R$ 2.467,81). Inicialmente se faz necessário se manifestar sobre o pedido de perícia técnica ou diligência. Resta claro, que a decisão de Primeira Instância, através do voto do relator da matéria, entendeu que não merece ser acolhida às alegações apresentadas, sob o argumento de que ainda que a interessada tenha formulado os quesitos a serem respondidos, não houve a devida indicação do seu perito, conforme estabelece a legislação pertinente. Além disso, a realização de perícia pressupõe que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador, ou seja, a perícia somente se justifica quando a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes. Esta não é a situação dos presentes autos, uma vez que se trata, na realidade, de matéria de prova a ser feita mediante a mera juntada de documentação e escrituração, cuja guarda e conservação competem à interessada. Assim, entendeu a autoridade julgadora, que é incabível o pedido de realização de perícia técnica ou diligência para análise de documentos, pois tais análises ou verificações não requerem conhecimento técnico especial. Por fim, entendeu a autoridade julgadora que a própria contribuinte poderia, durante o procedimento de verificação do pedido, ter apresentado todos os seus esclarecimentos e documentos aos fiscais responsáveis pelo procedimento, notadamente em relação à comprovação das operações realizadas que originaram o presente pedido e não o fez, ficando no mero terreno abstrato das alegações sem prova. Ou seja, que a interessada, já durante o período da análise manual das compensações em foco, efetuada pela DRF/FOR/SEORT, teve a oportunidade de apresentar a documentação pertinente à comprovação das deduções glosadas, em face da Intimação nº 67/2008 (fl.139) e, também, durante o período de apresentação da manifestação de inconformidade. Ora, como visto, a autoridade julgadora fundamentou com rigor a negativa da perícia técnica ou diligência solicitada, com fundamentos convincentes. É de se alertar de que para um pedido de perícia seja deferido é necessário que existam dúvidas de ordem técnica que exijam a manifestação de um profissional capacitado a esclarecêlas, bem como entende que o ônus da prova recai sobre o contribuinte, responsável pela comprovação dos valores contestados e demais documentos. Só posso confirmar a negativa da autoridade de primeira instância, já que, a princípio, a responsabilidade pela apresentação das provas do alegado compete ao contribuinte que praticou a irregularidade fiscal, não cabendo a determinação de diligência ou perícia de ofício para a busca de provas em favor do contribuinte. Ademais, a solução das questões trazidas não demanda conhecimento técnico especializado e complementar, sendo que as informações que o contribuinte pretende sejam prestadas por perito são as que cabem a ele produzir. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10380.720195/200719 Acórdão n.º 1402001.841 S1C4T2 Fl. 9 15 Ora, o Decreto n.º 72.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº. 8.748, de 1993 Processo Administrativo Fiscal diz: Art. 16 – A impugnação mencionará: [...] IV – as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. § 1º. Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. [...] Art. 18 A autoridade julgadora de Primeira Instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. § 1º. Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício, sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados. Como se verifica do dispositivo legal, acima mencionado, o colegiado que proferiu a decisão tem a competência para decidir sobre o pedido de diligência ou perícia, e é a própria lei que atribui à autoridade julgadora de primeira instância o poder discricionário para deferir ou indeferir os pedidos de diligência ou perícia, quando prescindíveis ou impossíveis, devendo o indeferimento constar da própria decisão proferida. É de se ressaltar, que o poder discricionário para indeferir pedidos de diligência e perícia não foi concedido ao agente público para que ele disponha segundo sua conveniência pessoal, mas sim para atingir a finalidade traçada pelo ordenamento do sistema, que, em última análise, consiste em fazer aflorar a verdade material com o propósito de certificar a legitimidade do lançamento. Já se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância no sentido de que as perícias destinamse à formação da convicção do julgador, devendo limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também já incluídos nos autos. Jamais poderão as perícias estenderse à produção de novas provas ou à reabertura, por via indireta, da ação fiscal. Ademais, descabe o pedido de perícia técnica quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. As perícias devem limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já Fl. 513DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 16 incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal e busca de provas que são de competência exclusiva da recorrente. Quanto ao mérito, como se sabe, o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) da recorrente, no ano de 2002, correspondente ao exercício de 2003, estava submetido à modalidade de lançamento por homologação, em que cabe ao sujeito passivo realizar todos os procedimentos de apuração, formalização e liquidação das obrigações tributárias, principais e acessórias. Não há dúvidas de que nessa modalidade de lançamento, cabe ao Fisco exercer o controle da legalidade do ato praticado (ou mesmo omitido) pelo contribuinte, a fim de determinar se foram obedecidas as diretrizes que determinam a apuração correta do resultado tributável do exercício. O controle de legalidade envolve a averiguação, entre outras coisas, do cômputo correto e adequado das receitas tributáveis, das despesas incorridas e do resultado final do exercício. Caso o Fisco detecte qualquer divergência na apuração do resultado tributável, a menor ou mesmo a maior que o correto, tem o dever de exigir que o contribuinte faça as correções necessárias. Se for o caso, deve providenciar o lançamento de ofício do imposto que eventualmente não foi apurado ou recolhido corretamente. Assim como o contribuinte está sujeito a datas e procedimentos determinados para realizar a tarefa prevista em lei, o Fisco também está sujeito a prazos e procedimentos para verificar se o contribuinte cumpriu o que a lei determina. Resta claro, que o Código Tributário Nacional se refere ao lançamento por homologação como a “atividade” exercida pelo contribuinte, que é realizada quando o objeto da “atividade” é um tributo que deve ser apurado e recolhido pelo próprio contribuinte, caso do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). Realizada a atividade, compete à autoridade fazendária “homologar” o procedimento, dandoo por bom, quando o seja, ou refazendoo através de correções ou de lançamento de ofício. Assim, o prazo de homologação previsto no Código Tributário Nacional diz respeito ao pagamento, que corresponde, pois, a uma forma de extinção do vínculo obrigacional entre o Estado (como sujeito ativo de um direito) e o particular (como sujeito passivo). Nesta linha de raciocínio passo a analisar a matéria de mérito. 1 – Quanto à alegação de indevida glosa de R$ 2.972.919,24 de deduções relativas a incentivos fiscais (programa de alimentação do trabalhador PAT, doações aos fundos da criança e do adolescente, atividades culturais ou artísticas, e atividade audiovisual), e imprescindibilidade de perícia/diligência fiscal, até mesmo ex officio, para comprovar as verdades invocadas pela requerente os documentos alegados pela requerente estão todos acostados ao processo. Alega em sua defesa, que no entendimento da auditora da RFB, sufragado que foi pela DRJ, a recorrente não fez constar informações de incentivos na DIPJ/2002, haja vista, que não teria havido comprovação dos valores referentes aos incentivos fiscais relacionados na ficha 11, linha 5 (estimativas mensais), bem como que não teria sido informado as portarias de redução e/ou isenção do imposto de renda a que teria direito a Fl. 514DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10380.720195/200719 Acórdão n.º 1402001.841 S1C4T2 Fl. 10 17 dedução, uma vez que as estimativas apuradas foram calculadas com base nos balancetes de suspensão / redução. Alega, ainda, que quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, descreveuse o Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ apurado com base no resultado (Balanço de Suspensão / Redução) de janeiro a dezembro de 2002 para cada um dos incentivos fiscais dos quais a recorrente se beneficiara, e que outrora foram devidamente incluídas na DIPJ/2003, conforme declaração retificadora anexada aos autos. Esta matéria já foi amplamente discutida pela decisão recorrida, razão pela qual solicito vênia para a relatora para adotar os seus fundamentos, conforme os excertos abaixo transcritos: Dos Incentivos Fiscais Inicialmente, fazse necessário observar que, conforme orientações contidas no MAJUR/2003, somente poderiam compor a Linha 12A/16 (Imposto de Renda Pago por Estimativa) os valores de estimativa efetivamente pagos, relativos ao ano calendário correspondente. Nas mencionadas orientações, consta, também, que se considera efetivamente pago por estimativa o crédito tributário extinto por meio de: dedução do imposto de renda retido ou pago sobre as receitas que integram a base de cálculo, compensação de pagamento a maior e/ou indevido, compensação do saldo negativo de IRPJ de períodos anteriores, compensação solicitada por meio de processo administrativo, compensação autorizada por Medida Judicial e valores pagos por meio de Darf. Também são incluídos os valores recolhidos mensalmente aos fundos Finor, Finam e Funres, até o limite permitido no ajuste anual e de acordo com as condições estabelecidas pela legislação de regência. [...] Dessa forma, tornase claro que a inclusão do valor dos incentivos fiscais na Linha do Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa constituiuse em equívoco cometido pela interessada. Esses incentivos, neste caso, deveriam ter sido, em sua totalidade, incluídos nas Linhas 04, 05 e 08 da Ficha 12A. Ainda assim, em atenção ao princípio da busca da verdade material, os correspondentes valores declarados/pleiteados pela interessada (que já foram analisados pela DRF/Fortaleza) serão mais uma vez analisados, tendo como foco as condições e limites inerentes à sua natureza e os termos da manifestação de inconformidade de que se trata, juntamente com os documentos trazidos aos autos nessa oportunidade. Passemos à análise da dedução relativa aos incentivos fiscais pleiteados. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 18 Os quadros demonstrativos integrantes da manifestação de inconformidade apresentada discriminam, como relatado, mês a mês, os valores relativos a incentivos fiscais, que totalizam: Incentivo Fiscal Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT : R$ 1.321.297,44; Operações de Caráter Cultural e Artístico : R$ 1.321.297,44; e Doações Fundos Diretos – Criança/Adolescente: R$ 330.324,36 Em relação ao PAT, vale observar que, embora os dispêndios com a execução do Programa de Alimentação do Trabalhador sejam dedutíveis como despesas de custeio, o incentivo que permite a dedução diretamente do imposto de renda devido (que é o aspecto que ora se analisa) está condicionado, além das limitações de valor (em relação ao total das despesas e ao valor do imposto de renda devido), a projeto previamente aprovado pelo Ministério do Trabalho, conforme disciplinado pelo RIR/1999, em seus arts. 581 a 589. A interessada não trouxe aos autos qualquer comprovação das despesas efetuadas (ainda que por amostragem), que deveriam ser, obrigatoriamente, acompanhadas da correspondente escrituração. Tampouco apresentou a comprovação de sua habilitação ao PAT e o demonstrativo do cálculo efetuado. Relativamente às Operações de Caráter Cultural e Artístico, devese ressaltar que a pessoa jurídica que tivesse efetuado doações ou patrocínios de projetos culturais, poderia deduzir do imposto devido o valor calculado desse incentivo, observando a legislação de concessão dos projetos e os limites legais estabelecidos, conforme arts. 18, 25 e 26 da Lei nº 8.313/1991. Assim, já de pronto, podese ressaltar que a interessada está equivocada ao afirmar que “aos investidores é permitido, por sua vez, deduzir do imposto de renda o valor repassado”. O que ocorre é que, sem prejuízo da dedução do imposto devido, nos limites previstos, a pessoa jurídica pode deduzir integralmente, como despesa operacional, o valor das doações e patrocínios, o que não é objeto de análise neste processo. Entretanto, antes de verificarse os limites legais estabelecidos (limites individuais e coletivos) para esse tipo de incentivo, vale analisar a documentação apresentada juntamente com a manifestação de inconformidade. A título de comprovação, a interessada traz aos autos (fls.295/320, 346), como alegado em sua defesa, documentos referentes à sua participação nos incentivos da Lei Rouanet (Lei nº 8.313/1991) Pronac/ Mecenato, correspondente a projetos como Turnê Gen Verde (Fortaleza, Recife, Aracaju e Salvador), Orquestra Filarmônica do Ceará, Natal Cênico Popular (Natal de Luz), Brasil 500 Anos Artes Visuais, etc., incentivos esses efetuados nas formas de doação e patrocínio, previstas nos arts. 18 e 26 da mesma Lei nº 8.313,1991. A documentação apresentada, relativa a 2002, compõese de recibos de comunicação de Mecenato e das Portarias Ministeriais de Aprovação de cada projeto. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10380.720195/200719 Acórdão n.º 1402001.841 S1C4T2 Fl. 11 19 Pela análise dos recibos apresentados, podese constatar que: b) a data do recebimento não consta em alguns deles (fls.295 e 317); c) foram apresentados dois recibos com o nº 126/02: um deles datado de 27/03/02 e outro, sem data (fls.314 e 317); e d) em alguns, a data da assinatura é anterior à data do recebimento indicado (fls. 303, 318 e 319). Através dessa mesma análise, verificase, também, que: a) em nenhum deles existe a indicação da forma de incentivo, a especificação da doação/patrocínio ou a forma de avaliação da doação/patrocínio (quadros 07, 08 e 09 dos formulários); e b) em todos os recibos são discriminados, além da importância, o banco, o nº da agência e o nº da conta corrente da entidade beneficiária. Esses elementos levam à convicção de que as doações e os patrocínios em foco tenham sido efetuados em dinheiro e, nesse caso, os recibos apresentados são insuficientes para a necessária comprovação, uma vez que, em consonância com a legislação de regência, abaixo transcrita, tais recibos deveriam vir acompanhados dos respectivos comprovantes de depósito bancário, o que não aconteceu neste caso: [...] Quanto às deduções decorrentes de doações ao Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente devese ressaltar que: a) as pessoas jurídicas podem considerar, como dedução direta do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, o total o total das doações efetuadas aos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente nacional, estaduais ou municipais, devidamente comprovadas, até o limite de 1% (um por cento), em cada período de apuração, do imposto devido. (Leis nº 8.069/1990, 8.242/1991 e Decreto nº 794/1993); b) as contribuições efetuadas diretamente aos fundos controlados pelos Conselhos Municipais, Estaduais e Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente devem ser comprovadas por documento emitido pelos conselhos; e c) as doações, quando em dinheiro, serão feitas mediante crédito em conta corrente bancária, diretamente em nome da entidade beneficiária (art.13, § 2º, III, “a”, da Lei nº 9.249/1995). Compulsandose os documentos que instruem a manifestação de inconformidade (fls.328/338), verificase que apenas os recibos abaixo relacionados vêm acompanhados dos respectivos comprovantes de depósito: Fl. 517DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 20 Fls.333/334, Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente de Fortaleza, recibo nº 10/02, R$ 20.000,00; e Fls.335/336, Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente de GuaramirangaCE, recibo 01/02, R$ 20.000,00. Dentre estes, apenas o conjunto de fls.335/336, a meu ver, poderia, a princípio, ser considerado apto à comprovação em foco, uma vez que, além de conter o comprovante de depósito, o recibo 01/02 apresenta a necessária indicação dos dados bancários. Entretanto, é necessário relembrar, que a dedução direta do IRPJ do total das doações efetuadas aos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente nacional, estaduais ou municipais, devidamente comprovadas, está limitada a 1% (um por cento), em cada período de apuração, do imposto devido. In casu, tratandose da apuração do ajuste anual do AC 2002 (Ficha 12A), o valor da dedução está limitado a 1% do imposto devido, que é de R$ 24,88, valor que, aliás já utilizado pela interessada na apuração contida na DIPJ/2003 (Linha 12/08). Portanto, ainda que o valor de R$20.000,00 pudesse ser considerado como devidamente comprovado, o limite estabelecido pela legislação de regência impede a pleiteada dedução. A mesma observação pode ser feita quanto às deduções relativas ao PAT e às Operações de Caráter Cultural (cuja comprovação foi considerada insuficiente), uma vez que a interessada já se utilizara do limite individual de 4% relativo a cada uma delas (Linhas 12/05 e 12/04 da DIPJ/2003). Ao que tudo indica, essa situação ocorreu em face das aludidas modificações, efetuadas pela interessada, em seu resultado, provenientes da ocorrência de recomposição tarifária extraordinária. Podese acrescentar, que, de uma maneira geral, mesmo que a interessada não tenha podido beneficiarse das deduções pleiteadas, não teve prejudicado o direito de deduzir os valores gastos (de acordo com as disposições legais pertinentes), como despesa operacional. Assim sendo, não reconheço o direito creditório em foco, relativo aos incentivos fiscais invocados pela interessada. Na fase recursal nada mais foi apresentado que pudesse modificar a situação da recorrente, razão pela qual não reconheço o direito creditório pleiteado. 2 – Quanto a alegação da indevida glosa da compensação com pagamento indevido ou a maior na suposta inexistência de saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2001. Houve somente a homologação de R$ 948.844,68 ou invés de R$ 1.272.504,78. Alega a recorrente que a auditora RFB que subsidiou o Despacho Decisório glosou da estimativa apurada para a composição do saldo negativo do IRPJ anocalendário de Fl. 518DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10380.720195/200719 Acórdão n.º 1402001.841 S1C4T2 Fl. 12 21 2001, no código de receita 2362 e que foi utilizado para compensar parte do IRPJ declarado de junho 2002, conforme copia da DCTF de fls. 135 ocorreu de forma indevida. Alega, ainda, que a DRJ reconheceu a compensação da parcela da estimativa de junho/2002 no valor de R$ 948.844,68 e que na verdade a compensação deveria ser de R$ 1.272.504,78. De fato, inicialmente o valor da parcela da estimativa de jun/2002 não reconhecida foi de R$ 1.272.504,78. Por sua vez, essa estimativa se compõe das seguintes parcelas: R$ 1.031.124,17 e R$ 241.380,61. Entretanto, a decisão recorrida reconheceu como efetuada a compensação da parcela da estimativa de junho/2002 no valor de R$ 948.844,68 (241.380,61 + 707.464,07), restando na discussão o valor de R$ 323.660,10 (1.031.124,17 – 707.464,07). Como visto a recorrente, concorda com o posicionamento adotado na Informação Fiscal de fls.168/172, no sentido de que a pessoa jurídica, tributada pelo lucro real, que efetuar pagamento indevido ou a maior de estimativa, somente poderá utilizar o valor pago na dedução do IRPJ devido ao final do período de apuração em que houve esse pagamento, ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. Com base nesse entendimento, a recorrente acrescenta que o valor do saldo negativo de IRPJ do AC 2001 (de que trata o Proc. nº 10380.901169/200617) é maior do que o indicado inicialmente e que o valor glosado já fora confirmado na Informação Fiscal relativa ao mesmo processo. A parcela de R$ 241.380,61 foi totalmente reconhecida pela decisão recorrida. A parcela de R$ 1.031.124,17 foi reconhecida de forma parcial pelo valor de R$ 707.464,07, já que parcelas desse pagamento já haviam sido alocadas a outro débito, conforme explicação contida na fls. 445. Não restando mais credito tributário a ser compensado. Assim, somente se torna possível o reconhecimento de crédito relativo a compensação de débito, por pagamento indevido ou a maior, efetuada anteriormente, quando tal compensação já está alocada pelo sistema e pelo valor ali constante. Ou seja, a recorrente, nesta parte, não mais possuía credito tributário para compensar o valor de R$ 323.660,10. 3 – Quanto a alegação da inexatidão do procedimento de homologação das compensações e da necessária revisão de ofícios na forma do art. 149, V do Código Tributário Nacional. Alega a recorrente que de acordo com audiência da RFB, não foram confirmadas as retenções de n° 01. e 02 do PER/DCOMP de n° 11990.78763.170903.1.3.02 1512 de fls. 03/05, de correntes de aplicações financeiras feitas pela COELCE, tendo concluído a Nobre Auditora da Receita Federal do Brasil que o valor de imposto de renda retido na fonte IRRF utilizável no cálculo do ajuste anual do IRPJ deverá ser deduzido de R$ 59.190,07 (R$ 56.722,26 + R$ 2.467,81). Fl. 519DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 22 De fato, do quantum indicado na Linha 12A/13, foi deduzido o valor de R$ 59.190,07, correspondente às seguintes retenções (relacionadas no PER/DCOMP de nº final 1512, fl.04): CNPJ: 00.000.000/428973 Operações de Swap R$ 56.722,26 CNPJ: 00.068.305/000135 Apl. Fin. em Fundos de Inv. R$ 2.467,81 Esse procedimento ocorreu em face de tais retenções não terem sido confirmadas pelos dados constantes dos arquivos da RFB, que controlam as informações apresentadas através das Declarações de Imposto de Renda na Fonte – DIRF, entregues pelas fontes pagadoras. Ora, às retenções na fonte informadas pela recorrente não seguiu as determinações legais existentes. Verificase que a mesma não apresentou o Comprovante de Rendimentos e de Retenção na Fonte, em descumprimento ao exigido pelo artigo 815 do Decreto 3.000/99 (RIR/99). A recorrente não apresentou o comprovante de retenção. A responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento compete a fonte pagadora, de acordo com o artigo 717 do Decreto 3.000/99 e AD COSAR Nº 20/1995, assim, no caso de imposto retido o DARF é recolhido no CNPJ da responsável pela retenção/recolhimento. Dessa forma, para que a recorrente lograsse fazer prova das retenções na fonte não confirmadas, deveria ter trazido aos autos os comprovantes de retenção, de emissão obrigatória, pelas instituições financeiras, uma vez que os alegados lançamentos contábeis não fazem a prova necessária, exigida pela legislação tributária. Incumbe à recorrente comprovar a existência e a exatidão dos seus créditos tributários a compensar. Não cabe à Secretaria da Receita Federal o ônus da prova quando se trata de solicitação de reconhecimentos de créditos para fins de compensação de tributos ou contribuições. Em regra, o sujeito passivo deve guardar os documentos não juntados às declarações entregues à Secretaria da Receita Federal, pelo prazo previsto em lei para que a Fazenda Pública efetue o lançamento, que é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado ou da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 173, inciso I ou 150, § 4º, do Código tributário Nacional. Entretanto, sempre que os documentos a serem guardados refiramse a situações que repercutem em exercícios futuros, o prazo de cinco anos deve ser contado em relação aos exercícios atingidos por aquelas situações. É o caso, por exemplo, da compensação de prejuízos fiscais ou de saldo negativo de IRPJ ou CSLL, cujos documentos comprobatórios devem ser mantidos. Assim, caberia à recorrente apresentar o comprovante de rendimentos recebidos e de retenção na fonte e comprovar a tributação da receita respectiva para confirmar a dedução informada. Em suma, não constando dos sistemas da RFB os valores de IRRF cujo direito creditório a recorrente pleiteia, e não tendo sido trazidos aos autos os respectivos comprovantes de retenção, é de se manter os entendimentos anteriormente formados de não reconhecer o direito creditório relativo às retenções de fonte em análise. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10380.720195/200719 Acórdão n.º 1402001.841 S1C4T2 Fl. 13 23 Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido de indeferir o pedido de perícia/diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 521DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ
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Numero do processo: 15374.963925/2009-39
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005
NÃO-CUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. DIREITOS AUTORAIS.
Os direitos autorais pagos pela indústria fonográfica só dão direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas se tiverem se sujeitado ao pagamento da Cofins-importação e da Contribuição para o PIS/Pasep importação.
NÃO-CUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. CUSTOS DE GRAVAÇÃO. INSUMO. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Custos de gravação da indústria fonográfica que não se caracterizem gastos com bens e serviços efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação de obras fonográficas destinadas à venda, na prestação de serviços fonográficos ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para a Cofins ou PIS/Pasep não cumulativas.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA.
É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito informado em declaração de compensação, o que não se limita a, simplesmente, juntar documentos aos autos, no caso em que há inúmeros registros associados a inúmeros documentos.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA CONTÁBIL. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
Devem ser indeferidos os pedidos de perícia e de diligência, quando formulados como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pela parte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3801-003.625
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório referente apenas aos gastos com serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes, afinação de instrumentos; efetuados junto a pessoas jurídicas domiciliadas no país, cujas aquisições tenham se submetido ao pagamento da contribuição, com base nos documentos acostados aos autos, resguardando-se à RFB a apuração da idoneidade destes documentos. Vencidos os Conselheiros, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração do direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. Após vista de mesa, o julgamento foi realizado no dia 24 de julho no período matutino. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. DIREITOS AUTORAIS. Os direitos autorais pagos pela indústria fonográfica só dão direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas se tiverem se sujeitado ao pagamento da Cofinsimportação e da Contribuição para o PIS/Pasep importação. NÃOCUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. CUSTOS DE GRAVAÇÃO. INSUMO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Custos de gravação da indústria fonográfica que não se caracterizem gastos com bens e serviços efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação de obras fonográficas destinadas à venda, na prestação de serviços fonográficos ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para a Cofins ou PIS/Pasep não cumulativas. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito informado em declaração de compensação, o que não se limita a, simplesmente, juntar documentos aos autos, no caso em que há inúmeros registros associados a inúmeros documentos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA CONTÁBIL. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Devem ser indeferidos os pedidos de perícia e de diligência, quando formulados como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pela parte. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 96 39 25 /2 00 9- 39 Fl. 1289DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963925/200939 Acórdão n.º 3801003.625 S3TE01 Fl. 15 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório referente apenas aos gastos com serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes, afinação de instrumentos; efetuados junto a pessoas jurídicas domiciliadas no país, cujas aquisições tenham se submetido ao pagamento da contribuição, com base nos documentos acostados aos autos, resguardandose à RFB a apuração da idoneidade destes documentos. Vencidos os Conselheiros, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração do direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. Após vista de mesa, o julgamento foi realizado no dia 24 de julho no período matutino. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 1290DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963925/200939 Acórdão n.º 3801003.625 S3TE01 Fl. 16 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado na sessão de 18 de julho de 2013, pela 16ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento do Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), referente ao processo administrativo, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, sendo indeferida a compensação pleiteada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo do PER/DCOMP nº 20711.11820.190908.1.3.040934 (fls. 02 a 06), transmitido em 19/09/2008 pelo contribuinte acima identificado, no qual solicita a compensação da Cofins relativa ao período de apuração 08/2008. Informa como origem do direito creditório o pagamento referente ao COFINS, relativo ao período 08/2005, no valor total de R$ 559.336,75, pretendendo utilizar para fins desta compensação apenas R$ 165.540,37. À fl. 07 consta despacho decisório, o qual concluiu pela improcedência do crédito original informado no PER/DCOMP, sob o fundamento de que o pagamento relacionado havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado desta decisão em 31/08/2009 (fl. 194), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 17/11/2009 (fls. 08 a 22), alegando, em resumo, que: Foi intimada acerca da decisçao atacada por correspondência com aviso de recebimento, recebida em 19/10/2009, sendo a presente manifestação tempestiva; A impugnante somente teve acesso a tal despacho quando checou eventuais pendências para obtenção de certidão negativa; Em observância ao princípio da economia processual, uma vez instaurado o processo, não deve ele ser considerado nulo diante da nulidade da citação, devendo ser aceita a presente manifestação, sanando o vício apontado; A impugnante, na apuração do valor recolhido por meio do DARF incluído na DCOMP em análise, observou que não havia se aproveitado dos créditos decorrentes de despesas, procedendo à revisão de sua escrita fiscal; Fl. 1291DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963925/200939 Acórdão n.º 3801003.625 S3TE01 Fl. 17 4 A empresa apurou valor devido menor que o recolhido, utilizando o crédito resultante para a presente compensação, retificando a DCTF e o DACON correspondentes; A decisão questionada foi proferida juntamente com 82 outras, tornando evidente que a impugnante não teve tempo hábil para exercer de forma ampla seu direito de defesa; Desde já requer a produção de prova documental e pericial para que a defesa da impugnante não seja prejudicada; As despesas que geraram os créditos objeto da compensação são decorrentes dos custos com gravação e dos pagamentos de direitos autorais, conforme já manifestado por meio da Solução de Consulta nº 33/05, da 2ª Região Fiscal; Sobre a questão tratam ainda as Leis nºs 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.865/2004; A prova pericial pretendida tem por finalidade evidenciar a existência do crédito, apresentandose os correspondentes quesitos; A impugnante está apresentando 83 manifestações de inconformidade, o que evidencia hipótese excepcional constante do art. 16, § 4º, “a”, do Decreto nº 70.235/72; Com base nos princípios da verdade material, moralidade, eficiência, devido processo legal e ampla defesa, requer o deferimento de posterior juntada de documentação. É o relatório.” A manifestação de inconformidade foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/RJ1 conta com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2005 a 01/08/2005 DESPACHO DECISÓRIO CIÊNCIA AO CONTRIBUINTE COMPROVAÇÃO Não restando comprovada documentalmente nos autos a ciência ao contribuinte na data informada pela ECT, deve ser considerada tempestiva a manifestação de inconformidade. PERÍCIA CONTÁBIL/DILIGÊNCIA INDEFERIMENTO Deve ser indeferido o pedido de perícia contábil/diligência formulado, quando os documentos comprobatórios do direito alegado estejam na posse do contribuinte, sendo dele o ônus de sua apresentação. DCOMP DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE ÔNUS DA PROVA É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito creditório informado em declaração de compensação. Fl. 1292DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963925/200939 Acórdão n.º 3801003.625 S3TE01 Fl. 18 5 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs recurso voluntário, onde em suas razões, requer “seja reconhecido o direito creditório e, por conseguinte, homologada a totalidade da compensação declarada nos autos”. Em pedido subsidiário, requer a contribuinte “a conversão do julgamento em diligência para que a unidade competente da Secretaria da Receita Federal analise a documentação acostada ao presente recurso, em conjunto com os demonstrativos que instruíram a manifestação de inconformidade apresentada nestes autos, para que corrobore a liquidez e certeza dos créditos”. Anexa a contribuinte ao recurso voluntário 972 páginas com documentos para provar o seu direito. É o relatório. Fl. 1293DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963925/200939 Acórdão n.º 3801003.625 S3TE01 Fl. 19 6 Voto Vencido Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário, foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. A recorrente apresenta no recurso voluntário as suas razões já expostas na manifestação de inconformidade, contudo apresenta desta vez documentos necessários para comprovar seu direito, quais sejam, 972 páginas com documento, incluindo livro razão, comprovantes de pagamento e outros. Analisandose os documentos juntados, verificase que com os documentos juntados em recurso voluntário se analisados em conjunto com os já apresentados pela contribuinte em manifestação de inconformidade são ao meu entender suficientes para averiguar a existência de crédito, sem prejuízo é claro de que outros documentos possam vir a ser necessários no decorrer do cálculo. Deste modo, conforme a jurisprudência deste Egrégio Conselho necessário que a contribuinte apresente a documentação adequada e suficiente para provar a certeza e a liquidez de seu crédito, sob pena de ser indeferido o seu pedido. Neste sentido, temos jurisprudência sedimentada deste Conselho, consoante se verifica pelo aresto abaixo: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2005 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DCTF E DACON RETIFICADORAS. EFEITOS. A DCTF e DACON quando retificadas após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não são suficientes para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável sua comprovação através da escrita fiscal e contábil do contribuinte. (Acórdão nº 3803004.284 – 3ª Turma Especial. Sessão de 26 de junho de 2013, grifouse) Diante disto, perante a extensa documentação juntada pela contribuinte, pelo princípio da verdade material, os documentos juntados em recurso voluntário devem ser recebidos como prova do alegado, devendo, contudo, ser convertido o julgamento em Fl. 1294DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963925/200939 Acórdão n.º 3801003.625 S3TE01 Fl. 20 7 diligência para que seja apurada pela unidade de origem a certeza e liquidez dos créditos, sem prejuízo à unidade de origem que esta venha intimar a contribuinte para apresentar outros documentos que se fizerem necessários para realizar a apuração devida. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, nos termos da fundamentação. Após o processo deve retornar a esse CARF para julgamento. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator. Fl. 1295DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963925/200939 Acórdão n.º 3801003.625 S3TE01 Fl. 21 8 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Sergio Celani, Redator Designado. A recorrente afirma que os créditos que pleiteia decorrem de: i) pagamento de royalties relativos à cessão de direitos autorais; ii) custos de gravação. Direitos autorais Quanto aos direitos autorais, amparome na Solução de Divergência nº 14 da Cosit, de 28/04/2010, para assentar que os pagamentos efetuados a pessoas jurídicas em operações internas de aquisição de direitos autorais para a produção de obras fonográficas não dão direito a crédito na determinação da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Apesar de esta solução de divergência tratar de direitos autorais relativos a produção de livros, as partes que abaixo transcrevo, com grifos no original, aplicamse ao presente caso: “14. Como se constata, o legislador adotou para fins de utilização de crédito na modalidade não cumulativa, o critério de listar de forma exaustiva os bens, serviços e despesas capazes de gerar crédito e os atrelou a determinada atividade, assim como ao modo de produção no que respeita à questão do insumo. (...) 15.8. Ressaltese, ademais, que outro ponto que confirma a descaracterização de plano dos direitos autorais como insumo para efeitos de apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, encontrase no disposto no §6º do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, que determina que a configuração como insumo dos direitos autorais alcança tão somente àqueles pagos pela indústria fonográfica e desde que referidos direitos tenham se sujeitado ao pagamento da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da Cofins Importação. 15.9. Ora, se os direitos autorais já estivessem contidos no conceito de insumo não haveria necessidade de citação expressa no §6º do art. 15 da Lei supracitada e nem mesmo restringirseia tal conceito apenas aos direitos autorais da indústria fonográfica. Resta evidente, portanto, que o referido dispositivo legal visou conceder um benefício tão somente para a indústria fonográfica, possibilitando o cálculo de créditos sobre o pagamento de direitos autorais que sofreram a tributação das citadas contribuições, na importação e não no mercado interno.” Fl. 1296DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963925/200939 Acórdão n.º 3801003.625 S3TE01 Fl. 22 9 A Cosit concluiu que não há amparo legal para apuração de créditos sobre valores pagos pela cessão de direitos autorais para a edição e produção de livros; que tais direitos não se enquadram no conceito restrito de insumo previsto no art. 66, §5º, inciso I, letra “a”, da IN SRF nº 247, de 2002, com suas alterações posteriores, e no art. 8º, §4º, inciso I, letra “a”, da IN SRF nº 404, de 2004, que, respectivamente, regulamentam a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, nem em qualquer outra hipótese de crédito prevista na legislação tributária. Assim também no caso presente. Apenas os direitos autorais pagos pela indústria fonográfica em relação a importações sujeitas ao pagamento destas contribuições são alcançados pela permissão legal de aproveitamento de crédito tal como disposto no parágrafo 6º do artigo 15 da Lei nº 10.865, de 2004. Este parágrafo 6º, ao contrário do que afirma a recorrente, não diz que os direitos autorais constituem insumo da indústria fonográfica, e, porque o caput do art. 15 trata de importações, não se aplica a operações de mercado interno. Acrescentemse que os direitos autorais não se consomem no processo de fabricação dos produtos fonográficos. Também por este motivo não podem ser considerados bens ou serviços utilizados como insumos. Por estas razões, devese negar provimento ao recurso voluntário em relação ao pagamento de royalties relativos à cessão de direitos autorais. Custos de gravação Quanto aos custos de gravação, a recorrente não discorre sobre cada gasto efetuado, limitandose a afirmar ter apresentado: lançamentos no livro Razão; demonstrativo em forma de planilha com os pagamentos relativos a estes custos; cópias dos recibos e notas fiscais de pagamentos; exemplo da correlação de documentos para demonstração dos créditos de PIS e Cofins. De fato, muitos documentos foram juntados aos autos. Mas, nenhum argumento ou esclarecimento foi apresentado a favor da possibilidade de estes chamados custos de gravação serem aproveitados como créditos. Segundo o AFRFB Gilson Wessler Michels, julgador da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em FlorianópolisDRJ/FNS, documentos comprobatórios são aqueles que atestam, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito. Transcrevo excertos do voto condutor do Acórdão nº 0713.480, de 15/8/2008 no processo nº 13986.000025/200611, da 4ª Turma da DRJ/FNS, proferido por aquele julgador. “Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do Fl. 1297DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963925/200939 Acórdão n.º 3801003.625 S3TE01 Fl. 23 10 contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. (...) (...), em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prérequisito ao conhecimento do pleito. (...) Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio (...) A atividade de "provar" não se limita, no mais das vezes, a simplesmente juntar documentos aos autos; nos casos em que se tem inúmeros registros associados a inúmeros documentos, provar significa associar registros e documentos de forma individualizada, do mesmo modo que, no caso das provas indiciárias, exigese a contextualização dos fatos por via do cruzamento dos indícios. Não é tarefa do julgador contextualizar os elementos de prova trazidos pelo contribuinte no caso de um pedido de restituição, compensação ou ressarcimento, tanto quanto não é contextualizar os elementos de prova trazidos pela autoridade fiscal no âmbito de um lançamento de ofício (...) Não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de ofício, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valerse das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador (...) De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo princípio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido Fl. 1298DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963925/200939 Acórdão n.º 3801003.625 S3TE01 Fl. 24 11 princípio destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu onus probandi. Em outras palavras, o princípio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. Por fim, da mesma forma que não se pode usar as diligências como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pelas partes, também não se pode exigir que o julgador da questão controversa promova, ele próprio, a contextualização dos elementos de prova juntados ao processo. Por exemplo, usando se o caso já acima referido, se o contribuinte, para consubstanciar seu pleito repetitório, limitase a fornecer um demonstrativo de créditos em que não aparecem individualmente associados registros e documentos, não cabe ao julgador deter se sobre a massa de documentos e buscar, ele próprio, fazer aquilo que o contribuinte deveria ter feito. Ao julgador não cabe fazer a associação dos, não raramente, inúmeros registros e documentos; a ele deve ser oferecido o registro vinculado ao documento que o respalda, para que verifique se aquela operação específica dá ou não direito ao crédito pleiteado (esta é a sua função: apresentados os documentos que instrumentam um registro, analisar a natureza da operação para fins de deferimento ou não do pleito).” Estas palavras se aplicam ao caso em discussão. A relatora do acórdão recorrido, AFRFB Magda Cotta Cardozo, ao apreciar pedido de perícia formulado na manifestação de inconformidade, assentou que “No presente caso, tratandose de demanda iniciada pelo contribuinte, por meio da apresentação do PER/DCOMP que ora se analisa, é dele o ônus de demonstrar documentalmente o direito informado em tal documento, o que efetivamente não fez”. Fl. 1299DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963925/200939 Acórdão n.º 3801003.625 S3TE01 Fl. 25 12 Ciente disto, a recorrente juntou muitos documentos, por exemplo, ordens de compra; requisições, faturas, recibos, notas fiscais de serviços, porém não associou registros e documentos de forma individualizada e não contextualizou os elementos de prova. Demonstrar documentalmente não é apenas juntar documentos. Para os direitos autorais, que no presente caso não dá direito crédito, conforme seção específica acima, foi apresentado demonstrativo com informações sobre o registro contábil (data, valor, conta contábil), descrição do pagamento, CNPJ do favorecido, número do recibo, totalizado valores a recuperar de Cofins e contribuição para o PIS/Pasep. Porém, para os custos de gravação, demonstração semelhante não foi apresentada. Analisando os documentos contidos nos autos, com fundamento no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e tendo em vista interpretação restrita do conceito de insumo, que é a que prevalece nesta Turma Especial, por voto de qualidade, podese afirmar que os seguintes gastos não poderiam dar direito ao crédito pleiteado: Agência Brasileira de Comércio e Turismo; empresas de remessa expressa; reembolso de despesas com hotel, transporte e refeição de pessoas; locação de carros; pessoas físicas (músicos); pagamentos de INSS de autônomos; afinação de instrumentos. Outros gastos, em princípio, poderiam ensejar o direito ao crédito, desde que prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no país e utilizados na produção de obras fonográficas destinadas à venda. São eles: serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes e de afinação de instrumentos. Quanto aos seguintes gastos, não se pode afirmar com certeza que se enquadram entre aqueles que possibilitam o direito ao crédito: serviços de supervisor, auxiliar técnico e produção executiva; serviços de arregimentação de coro e assistência de produção; tradução de áudio. Conclusão Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito referente apenas aos gastos com: serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes, afinação de instrumentos; efetuados junto a pessoas jurídicas domiciliadas no país, desde que as aquisições tenham se submetido ao pagamento da contribuição, com base nos documentos acostados aos autos, resguardandose à RFB a apuração da idoneidade destes documentos. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Redator Desinado. Fl. 1300DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963925/200939 Acórdão n.º 3801003.625 S3TE01 Fl. 26 13 Fl. 1301DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI
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