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4738484 #
Numero do processo: 10920.003712/2003-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário:1999 Ementa: OMISSÃO DE RECEITA. ELEMENTOS DE PROVA. CONEXÃO ENTRE IRPJ, COFINS E PIS. COMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO. De acordo com o art. 2º, IV, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, compete à Primeira Seção apreciar recursos de PIS e Cofins cuja exigência seja lastreada, no todo ou em parte, em elementos de prova que serviram ao lançamento do Imposto de Renda. Recurso não conhecido
Numero da decisão: 3403-000.789
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso e declinar da competência de julgamento à Primeira Seção do CARF, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1856; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T3  Fl. 1          1             S3­C4T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10920.003712/2003­11  Recurso nº  251.807   Voluntário  Acórdão nº  3403­000.789  –  4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária   Sessão de  3 de fevereiro de 2011  Matéria  COFINS   Recorrente  KG LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS SC  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social ­ Cofins  Ano­calendário: 1999  Ementa:  OMISSÃO  DE  RECEITA.  ELEMENTOS  DE  PROVA.  CONEXÃO  ENTRE  IRPJ,  COFINS  E  PIS.  COMPETÊNCIA  DA  PRIMEIRA SEÇÃO.  De acordo com o art. 2º,  IV, do Anexo  II do Regimento  Interno do CARF,  compete à Primeira Seção apreciar  recursos de PIS e Cofins  cuja exigência  seja lastreada, no todo ou em parte, em elementos de prova que serviram ao  lançamento do Imposto de Renda.  Recurso não conhecido    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  tomar conhecimento do recurso e declinar da competência de julgamento à Primeira Seção do  CARF, nos termos do voto do Relator.  Antonio Carlos Atulim – Presidente   Ivan Allegretti – Relator   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Antonio  Carlos  Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Winderley Morais Pereira, Ivan Allegretti  e Marcos Tranchesi Ortiz.   Relatório  Trata­se  de  auto  de  infração  (fls.  106/113)  lavrado  para  a  exigência  de  Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) em relação a fatos geradores  ocorridos entre 12/1998 e 10/2002.     Fl. 386DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0320.10379.LXEQ. Consulte a página de autenticação no final deste documento.     2 No Termo de Verificação Fiscal (fls. 96/105) se detalha a motivação do auto  de infração, explicando que a exigência decorre de “resultados operacionais não declarados”,  ou seja, por ter o contribuinte deixado de submeter parcela das receitas à tributação, de modo  que  “Em  decorre ncia  desta  omissão  de  receita,  foram  lanc ados  IRPJ,  CSLL,  PIS  e  COFINS, todos com multa de ofício de 75%” (fl. 98).  Ou seja, em decorrência desta mesma verificação foram exigidos IRPJ, CSLL  e PIS, além da presente autuação de Cofins.  O contribuinte apresentou impugnação (fls. 115/116), alegando que aderiu ao  Parcelamento Especial  – PAES, previsto na Lei  10.684/2003,  e que  todos os débitos  tinham  sido declarados em DCTF, razào pela qual não deveria ter havido a autuação, requerendo assim  a anulação do lançamento.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  de  Curitiba/PR  (DRJ),  por  meio do Acórdão nº 06­15.046, de 15 de agosto de 2007 (fls. 149/153), manteve integralmente  a exigência fiscal, resumindo seu entendimento na seguinte ementa:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Período  de  apuração:  01/12/1998  a  31/12/1998,  01/03/1999  a  31/03/1999,  01/06/1999  a  31/07/1999,  01/09/1999  a  31/10/1999,  01/01/2000  a  31/03/2000, 01/05/2000 a 31/05/2000, 01/10/2000 a 31/10/2000, 01/04/2001  a  31/05/2001,  01/07/2001  a  31/10/2001,  01/12/2001  a  31/12/2001,  01/03/2002 a 31/03/2002, 01/10/2002 a 31/10/2002  INCLUSÃO NO PROGRAMA DE PARCELAMENTO ESPECIAL ­ PAES.  A  apresentação,  após  o  início  do  procedimento  fiscal,  de  DCTF  antes  omitida ou de DCTF retificadora não é meio hábil para inclusão no PAES,  de  débitos  não  declarados  e  não  confessados,  relativos  a  períodos  de  apuração objeto  de ação  fiscal  por  parte  da  SRF,  não  concluída  até  o dia  28/11/2003.  Lançamento Procedente.  O contribuinte  interpôs  recurso voluntário  (fls.  156/152),  argumentando  em  síntese que “se em 31/07/03 houve a adesão, e esta permitia a inclusão de débitos constituídos  ou  não,  confessados  ou  não,  até  a  compete ncia  de  2003,  não  há  razão  para  excluir  as  compete ncias compreendidas no AI” (fl. 162).  É o relatório.  Voto             Conselheiro Ivan Allegretti, Relator.  A  exigência  fiscal  discutida  nestes  autos  decorreu  das  conclusões  da  Fiscalização de que teria ocorrido omissão de receita, com implicações não apenas em relação  à Cofins, mas  também  ao  IRPJ, CSLL  e  PIS,  conforme  consta  expressamente  do Termo  de  Verificação Fiscal (fl. 98).  Fl. 387DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0320.10379.LXEQ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10920.003712/2003­11  Acórdão n.º 3403­000.789  S3­C4T3  Fl. 2          3 Os fatos, portanto,  lastreiam a configuração  infração pertinente à  tributação  do IRPJ, com reflexo nas contribuições sociais.  Resta  configurada,  assim,  a  competência  da  Primeira  Seção,  conforme  descrito no art. 2º, IV do Anexo II do RI­CARF:  Art.  2°  À  Primeira  Seção  cabe  processar  e  julgar  recursos  de  ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem  sobre aplicação da legislação de:  (...)  IV  ­  demais  tributos,  quando  procedimentos  conexos,  decorrentes  ou  reflexos,  assim  compreendidos  os  referentes  às  exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu  para configurar a prática de  infração à  legislação pertinente à  tributação do IRPJ;  Por estas razões, voto no sentido de declinar a competência, determinando a  remessa dos autos à Primeira Seção.  É como voto.  Ivan Allegretti                                Fl. 388DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0320.10379.LXEQ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por IVAN ALLEGRETTI em 25/02/2011 09:39:06. Documento autenticado digitalmente por IVAN ALLEGRETTI em 25/02/2011. Documento assinado digitalmente por: ANTONIO CARLOS ATULIM em 25/02/2011 e IVAN ALLEGRETTI em 25/02/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 03/03/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP03.0320.10379.LXEQ Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 3A2361F4A94ABB58DA5AC13D394CAD9B6B520B7A Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10920.003712/2003-11. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.

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10884286 #
Numero do processo: 23034.008581/94-35
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/1991 a 31/08/1994 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICO-JURÍDICA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece o Recurso Especial de Divergência, objetivando uniformizar dissídio jurisprudencial, quando inexiste similitude fático-jurídica entre acórdão recorrido e paradigma, por configurar anacronismo.sa.
Numero da decisão: 9202-011.725
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Assinado Digitalmente Leonam Rocha de Medeiros – Relator Assinado Digitalmente Liziane Angelotti Meira – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Fernanda Melo Leal, José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro (substituto integral), Leonam Rocha de Medeiros, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausente o conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, substituído pelo conselheiro José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS

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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/1991 a 31/08/1994 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICO-JURÍDICA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece o Recurso Especial de Divergência, objetivando uniformizar dissídio jurisprudencial, quando inexiste similitude fático-jurídica entre acórdão recorrido e paradigma, por configurar anacronismo.sa. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Assinado Digitalmente Leonam Rocha de Medeiros – Relator Assinado Digitalmente Liziane Angelotti Meira – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Fernanda Melo Leal, José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro (substituto integral), Leonam Rocha de Medeiros, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausente o conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, substituído pelo conselheiro José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro. Fl. 1557DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.725 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 23034.008581/94-35 2 RELATÓRIO Cuida-se, o caso versando, de Recurso Especial de Divergência do Contribuinte (e- fls. 1.480/1.506) ― com fundamento legal no inciso II do § 2º do art. 37 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, estando suspenso o crédito tributário em relação a matéria admitida pela Presidência da Câmara em despacho prévio de admissibilidade (e-fls. 1.529/1.536) interposto pelo sujeito passivo, devidamente qualificado nos fólios processuais, sustentado em dissídio jurisprudencial no âmbito da competência deste Egrégio Conselho, inconformado com a interpretação da legislação tributária dada pela veneranda decisão de segunda instância proferida, em sessão de 6/10/2022, pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção, que negou provimento ao recurso voluntário para manter o lançamento, consubstanciada no Acórdão nº 2202-009.264 (e-fls. 1.345/1.350), complementado pelo acórdão nº 2202-010.326, de 14/9/2023 (e-fls. 1.465/1.469), que decidiu embargos de declaração do Contribuinte, sem efeitos infringentes, o qual, no ponto para rediscussão, tratou da matéria (i) “nulidade da decisão de primeira instância em razão de falta de adequada fundamentação”, cujas ementas e respectivos dispositivo no essencial seguem: EMENTA DO ACÓRDÃO RECORRIDO ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/12/1991 a 31/08/1994 CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF Nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS A TERCEIROS. FNDE. BASE DE CÁLCULO. CORRELAÇÃO ENTRE O PROCESSO EM QUE SE DISCUTE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS A TERCEIROS. Havendo relação direta entre a base de cálculo das contribuições previdenciárias e daquelas devidas por lei a outras entidades e fundos (terceiros), devem as decisões proferidas nos processos nos quais se discutem as contribuições previdenciárias serem observadas no processo em que se discute a obrigação devida ao FNDE. DISPOSITIVO: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, exceto das matérias: participação em resultados, reembolso seguro de vida em grupo, pagamento a autônomos desconsiderados como tais e bolsa de estudos; e na parte conhecida, negar-lhe provimento. Fl. 1558DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.725 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 23034.008581/94-35 3 EMENTA DOS ACLARATÓRIOS ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/12/1991 a 31/08/1994 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO SEM EFEITOS INFRINGENTES. NULIDADE. Verificada a existência de omissão no acórdão, devem ser acolhidos os embargos de declaração para sanar o vício apontado, sem, contudo, no caso concreto, atribuir-lhes efeitos infringentes. CERCEAMENTO DO DIREITO DEFESA. INOBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há falar em cerceamento do direito de defesa se o Relatório Fiscal e os demais anexos que compõem a Notificação Fiscal contêm os elementos necessários à identificação dos fatos geradores do crédito lançado e a legislação pertinente, possibilitando ao sujeito passivo o pleno exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não há que se falar em inobservância ao princípio da legalidade quando o lançamento observou a legislação que o fundamenta. DISPOSITIVO: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem a atribuição de efeitos infringentes, para sanar a omissão apontada. Em face do acórdão recorrido (nº 2202-009.264) foi interposto embargos de declaração pelo Contribuinte, que teve seguimento parcial (e-fls. 1.460/1.463), não se admitindo as matérias: a) omissão quanto à nulidade da decisão de primeira instância; b) contradição e erro material quanto à concomitância com ações judiciais; e c) omissão quanto a ilegitimidade na cobrança de salário-educação sobre as verbas discutidas. Para a matéria admitida nos embargos “d) omissão quanto aos argumentos de cerceamento do direito de defesa e violação ao princípio da legalidade”, sobreveio o acórdão nº 2202-010.326, cuja ementa foi acima refletida. Os embargos, como se vê, não tiveram efeitos infringentes. Para a temática “omissão quanto à nulidade da decisão de primeira instância”, que importa ao recurso especial, os embargos não tiveram seguimento porque se considerou que “[o] voto condutor do acórdão firmou posicionamento pela higidez da decisão de 1ª instância uma vez que o Parecer 22/94, utilizado como fundamento daquela decisão, discorre acerca da contribuição para o salário-educação, bem como sua incidência sobre diversas verbas, mesmo que não analise cada uma das verbas especificamente mencionadas pela embargante”. Assim, para este tema abordado, concluiu não haver omissão. Fl. 1559DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.725 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 23034.008581/94-35 4 Dos Acórdãos Paradigmas Objetivando demonstrar a alegada divergência jurisprudencial, o recorrente indicou como paradigma decisão da 6ª Câmara do Conselho de Contribuintes, consubstanciada no Acórdão nº 206-01.727, Processo nº 35710.003162/2003-29 (e-fls. 1.508/1.513), cujo aresto contém a seguinte ementa no essencial: Ementa do acórdão paradigma (1) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1991 a 31/01/1998 NORMAS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MOTIVAÇÃO E FUNDAMENTAÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRINCÍPIOS DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E AMPLA DEFESA. NULIDADE. É nula a decisão de primeira instância que, em detrimento ao disposto no artigo 50 da Lei nº 9.784/99, c/c artigo 31 do Decreto nº 70.235/72 e, bem assim, aos princípios do devido processo legal e da ampla defesa, é proferida sem a devida motivação e fundamentação legal clara e precisa, requisitos essenciais à sua validade. Processo Anulado. Também, indicou-se como paradigma decisão da 3ª Turma Especial da 2ª Seção, consubstanciada no Acórdão nº 2803-001.048, Processo nº 23034.030616/2004-55 (e-fls. 1.516/1.521), cujo precedente colaciona a seguinte ementa no essencial: Ementa do acórdão paradigma (2) ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/08/1996 a 31/12/1999 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. TERCEIROS. SALÁRIO-EDUCAÇÃO. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NA DECISÃO. NULIDADE. Na decisão de primeira instância administrativa não consta a fundamentação legal. Destarte, deve ser nula, pois acarreta cerceamento de defesa, nos termos do art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72. (...) Do resumo processual antecedente ao recurso especial O lançamento destes autos é de Terceiros (FNDE – Salário-educação), no período de apuração 12/1991 a 08/1994. Consta reportado ter havido um lançamento de ofício de contribuições previdenciárias patronal (principal) em processos principais autônomos, com as mesmas rubricas a título de base de cálculo integrante do salário-de-contribuição, julgados no âmbito da Receita Previdenciária à época na competência do INSS. O lançamento se efetivou ao tempo em que o Ministério da Educação cuidava das contribuições ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), salário-educação. Fl. 1560DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.725 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 23034.008581/94-35 5 Consta que o sujeito passivo não integrou ao salário-de-contribuição as seguintes rubricas, deixando de compor base de cálculo da contribuição destinada a Terceiros (FNDE): 1 – Participação em resultados (DEBCAD 31.974.041-2); 2 – Verba material escolar (DEBCAD 31.974.042-0); 3 – Reembolso seguro de vida em grupo (DEBCAD 31.974.054-4); 4 – desconsideração autônomos (DEBCAD 31.974.043-9); 5 – 1/3 férias (DEBCAD 31.974.034-0); 6 – verba representação (DEBCAD 31.974.040-4); e 7 – bolsa de estudo (DEBCAD 31.974.039-0). Como a fiscalização entende que se cuidam de rubricas que se caracterizam como salário-de-contribuição, houve o lançamento de ofício e, na segunda instância do contencioso, a decisão recorrida manteve o lançamento dos itens 2, 5 e 6 ao apreciar o mérito, enquanto não conheceu os itens 1, 3, 4 e 7, estes especialmente por força da Súmula CARF nº 1 ao considerar que o assunto havia sido levado ao Poder Judiciário e competiria ao órgão jurisdicional judicial se manifestar sobre o lançamento das mencionadas rubricas. Anteriormente, em decisão de primeira instância, ainda na competência do Ministério da Educação (custeio do FNDE), julgando-se impugnação apresentada (e-fls. 187/228), decidiu-se, em resumo, julgar improcedente o pedido deduzido na impugnação que pretendia o cancelamento do lançamento, mantendo-se a exigência fiscal. No que importa ao debate do recurso especial, a decisão de primeira instância, de forma objetiva (e-fl. 356) informa que adotou os fundamentos do Parecer nº 22/94 (e-fls. 341/355). O contribuinte foi notificado da adoção do parecer como razões de decidir (e-fl. 340), inclusive interpõe recurso (e-fls. 357/404). Após interposição de recurso pelo sujeito passivo (e-fls. 357/404), com natureza hodierna de recurso voluntário, sobreveio o acórdão recorrido do colegiado de segunda instância no CARF (já sobre nova competência jurisdicional administrativa para as contribuições ao FNDE). Essencialmente, no que importa ao debate do recurso especial, a decisão a quo do CARF entendeu não haver nulidade na decisão de primeira instância, a qual, de forma objetiva, adotou os fundamentos do Parecer nº 22/94. Motiva o ato ponderando que o Parecer, embora genérico, trata de todas as questões relativas ao salário-educação, com sua fundamentação legal para a exigibilidade do crédito tributário. Argumenta que a impugnação em momento algum questionou a cobrança do salário-educação, somente impugnando a base de cálculo composta por rubricas que o sujeito passivo pretendia qualificar como de caráter não remuneratório, não integrante do conceito de salário-de-contribuição, porém tais referidas rubricas compuseram a discussão principal (lançamento de contribuições previdenciárias patronal) no âmbito do INSS e seria dever observar o resultado proferido no processo principal, constando o sobrestamento Fl. 1561DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.725 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 23034.008581/94-35 6 deste feito, antes da cobrança, até o trânsito em julgado administrativo (e-fl. 411). Posteriormente, com a certificação dos resultados dos processos principais, o julgamento do mérito do recurso deste lançamento de Terceiros (FNDE, salário-educação) ocorreu com aplicação do resultado principal e apreciação de preliminares. Do contexto da análise de Admissão Prévia Em exercício de competência inicial em relação a admissão prévia, a Presidência da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF admitiu o recurso especial para a matéria preambularmente destacada com os paradigmas preteritamente citados, assim estando indicada a matéria para rediscussão e os precedentes quanto a correta interpretação da legislação tributária. A referida autoridade considera, em princípio, para o que foi admitido, ter sido demonstrado o dissídio jurisprudencial entre julgados. Na sequência, determinou-se o seguimento, inclusive com a apresentação de contrarrazões pela parte interessada. Doravante, competirá a este Colegiado decidir, em definitivo, pelo conhecimento, ou não do recurso, na forma regimental, para a matéria admitida, quando do voto. Do pedido de reforma e síntese da tese recursal admitida O recorrente requer que seja conhecido o seu recurso e, no mérito, que seja dado provimento para reformar o acórdão recorrido e reconhecer a nulidade da decisão de primeira instância do contencioso administrativo fiscal. Em recurso especial de divergência, com lastro nos paradigmas informados alhures, o recorrente pretende rediscutir a matéria (i) “nulidade da decisão de primeira instância em razão de falta de adequada fundamentação”. Argumenta, em apertadíssima síntese, que há equívoco na interpretação da legislação tributária, pois houve nulidade no processo, sendo nula a decisão de primeira instância. Pondera que em sua impugnação requereu o cancelamento da exação em razão de: (1º) em preliminar: a) entender pela prejudicialidade da cobrança, tendo em vista que estava em trâmite o contencioso administrativo em relação às contribuições previdenciárias supostamente devidas ao INSS (parte da empresa, quota patronal) e somente os débitos de contribuições previdenciárias devidas ao INSS devidamente inscritos ou confessados poderiam ser objeto de autuação para fins de recolhimento de salário-educação para o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (“FNDE”); Fl. 1562DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.725 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 23034.008581/94-35 7 b) entender pelo cerceamento de defesa com violação aos princípios da ampla defesa e do direito ao contraditório, previstos no art. 5º, LV, da Constituição Federal, na medida em que ausente o fundamento jurídico da autuação, bem como ausente a descrição do objeto da autuação; e c) entender pela violação ao princípio constitucional da legalidade, à medida em que, inexistiria legislação que determinasse o recolhimento de contribuições previdenciárias sobre as rubricas que seriam base de cálculo das contribuições de Terceiro do salário-educação. (2º) no mérito: - entender não haver que se falar em qualquer exigência de pagamento ao FNDE, na medida em que a legislação de regência afastaria, expressamente, a incidência de contribuição previdenciária sobre todas as rubricas apontadas pelo Fisco, deduzindo-se razões específicas para não tributação de cada uma delas (participação nos lucros e resultados; verba de material escolar; reembolso seguro vida em grupo; autônomos; terço constitucional de férias; verba de representação; e bolsa de estudos). Sustenta que a decisão de primeira instância, por sua vez, se limitou a adotar o Parecer nº 22/94, que é genérico e não enfrenta o caso concreto. Argumenta que, de acordo com precedentes paradigmáticos, tem direito em processo administro de ver seus argumentos autônomos e independentes analisados por decisão motivada e fundamentada (devido processo legal, ampla defesa e contraditório). Sustenta que no paradigma 206-01.727 houve nulidade da decisão de primeira instância na qual autoridade previdenciária, em contencioso administrativo fiscal de lançamento previdenciário-tributário, limitou-se a redigir 3 parágrafos para rechaçar a pretensão do contribuinte, sem sequer transcrever dispositivos legais que fundamentassem o entendimento. Sustenta que no paradigma 2803-001.048 houve nulidade da decisão de primeira instância, a qual também era do FNDE (ao tempo em que administrou o contencioso administrativo fiscal do salário-educação), tendo sido anulada por ausência de fundamentação legal que originou a notificação e ausência de fundamentação para desconsiderar os argumentos do contribuinte. Das contrarrazões Em contrarrazões (e-fls. 1.538/1.545) a parte interessada (Fazenda Nacional) se manifesta pelo não conhecimento do recurso por ausência de similitude fática. No mérito, requereu a manutenção do entendimento, sob argumento de que a fundamentação foi suficiente quanto a legalidade do lançamento, solucionando a causa de forma motivada, havendo a exigência do financiamento do FNDE pela contribuição devida ao salário-educação. Fl. 1563DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.725 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 23034.008581/94-35 8 Encaminhamento para julgamento Os autos foram sorteados e seguem com este relator para o julgamento. A patrona do contribuinte apresentou sustentação oral por vídeo no plenário virtual, além de ter apresentado memoriais reiterativo de sua tese. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando, primeiramente, o juízo de admissibilidade para conhecer ou não do recurso no que foi previamente admitido e, se superado este, enfrentar o juízo de mérito para, posteriormente, finalizar com o dispositivo. VOTO Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator. Da análise do conhecimento O recurso especial de divergência do Contribuinte, para reforma do Acórdão CARF nº 2202-009.264, complementado pelo acórdão nº 2202-010.326, que decidiu embargos de declaração, tem por finalidade hodierna rediscutir a matéria seguinte com os seus respectivos paradigmas: (i) Matéria: “Nulidade da decisão de primeira instância em razão de falta de adequada fundamentação” (i) Paradigma (1): Acórdão 206-01.727 (i) Paradigma (2): Acórdão 2803-001.048 O exame de admissibilidade exercido pela Presidência da Câmara foi prévio, competindo a este Colegiado a análise acurada e definitiva quanto ao conhecimento, ou não, do recurso especial de divergência interposto. O Decreto nº 70.235, de 1972, com força de lei ordinária, por recepção constitucional com referido status, normatiza em seu art. 37 que “[o] julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais far-se-á conforme dispuser o regimento interno. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009).” Neste sentido, importa observar o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). Dito isso, passo para a específica análise. Fl. 1564DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.725 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 23034.008581/94-35 9 O Recurso Especial de Divergência, para a matéria e precedentes previamente admitidos, a meu aviso, na análise definitiva de conhecimento que ora exerço e submeto ao Colegiado, NÃO atende a todos os pressupostos de admissibilidade. Em relação ao pressuposto extrínseco da tempestividade, o recurso até se apresenta tempestivo, como indicado no despacho de admissibilidade da Presidência da Câmara, que adoto apenas neste particular como integrativo (§ 1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999, com aplicação subsidiaria na forma do art. 69), tendo respeitado o prazo de 15 (quinze) dias, na forma exigida no § 2º do art. 37 do Decreto nº 70.235, de 1972, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal. Tem-se, ainda, uma adequada representação processual, inclusive contando com advogado regularmente habilitado, a despeito de ser necessário anotar que, conforme a Súmula CARF nº 110, no processo administrativo fiscal é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo, sendo a intimação destinada ao contribuinte/sujeito passivo. Porém, não há o pleno atendimento dos requisitos regimentais. Especialmente em relação a divergência jurisprudencial, ela não se demonstra. Veja-se. Os casos, recorrido e paradigmáticos, podem parecer semelhantes por um viés de análise de normas do processo administrativo fiscal com debate intrincado sobre nulidade por violação do devido processo legal, cerceamento de defesa, ampla defesa e contraditório, no entanto possuem bases fáticas bem distintas que ocasiona anacronismo, afastando a condição e qualificação de precedente aos paradigmas. Ora, para o caso concreto, objeto do acórdão recorrido, a decisão de primeira instância à época sob contencioso administrativo no âmbito do Ministério da Educação aplicou como motivação e fundamentação legal a adoção das razões postas no Parece nº 22/94. Bem ou mal houve decisão motivada, fundamentada, com base legal, sendo as razões de decidir o conteúdo do referido parecer, tem-se um ato jurídico perfeito, produzido ao tempo em que prolatado, de acordo com a prática da época. Ainda que criticável, tratava-se de prática corriqueira na Administração Pública Federal e com a positivação do §1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999, ficou mais nítida essa prática, eis que o dispositivo referenciado prescreve que: “A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato”. Por sua vez, o acórdão paradigma nº 206-01.727 (primeiro precedente indicado) trata de base fática na qual, aí sim, consta que inexistiu motivação na decisão recorrida, bem como inexistiu fundamentação legal. Anota-se que a decisão guerreada seria baseada em exclusivos 3 (três) parágrafos que não enfrentavam a pretensão do contribuinte. No caso do acórdão recorrido, a decisão primeva ao adotar o Parecer º 22/94 como motivação e fundamentação legal passa a ser integrada por conteúdo técnico não abreviado, não são míseros três parágrafos, mas peça com 15 páginas (e-fls. 341/355) que analisa a legalidade e a Fl. 1565DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.725 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 23034.008581/94-35 10 constitucionalidade do salário-educação, aborda a legitimidade da fiscalização para sua exigência, inclusive quanto à atuação do INSS e FNDE na época do procedimento fiscal, e, também, trata da base de cálculo da contribuição de Terceiros do salário-educação/FNDE, que guarda identidade e semelhança com as contribuições previdenciárias, a partir das disposições da Lei nº 8.212, analisando rubricas que devem compor base de cálculo. As situações são totalmente díspares, logo inexiste qualificação de precedente para o referido primeiro paradigma (206-01.727). Noutro vértice, quanto ao acórdão paradigma nº 2803-001.048 (segundo precedente indicado), tem-se outra base fática díspar. Ora, já na ementa se diz que “não consta a fundamentação legal” na decisão de primeira instância (caso paradigmático). Ocorre que, como se explicou acima, a decisão do caso recorrido contém fundamentação, que é representada pela motivação do Parecer nº 22/94 (e-fls. 341/355), que foi adotado como razões de decidir. No paradigmático (2803-001.048) consta, ainda, que a nulidade ocorreu porque: “... não consta a fundamentação legal que originou a notificação, a competência do órgão que emitiu a exação, o embasamento legal e a competência para desconsiderar o envio dos arquivos do contribuinte em tempo hábil, referente ao povoamento do relatório – RAI, e descredenciar à consecução do abatimento das deduções efetivada...” Pelo que se lê da transcrição do paradigmático (2803-001.048), para referido ponto, tal aspecto da nulidade não é necessariamente nulidade direta da decisão de primeira instância, mas nulidade do lançamento e como a decisão de primeira instância não reconheceu isso, então houve uma nulidade reflexa da decisão primeva. Adicionalmente, no paradigma consta, ainda, que a decisão de primeira instância seria nula porque não se explica se o lançamento se refere a obrigação principal ou a uma obrigação instrumental, porém não se tem essa dúvida quanto ao caso do acórdão recorrido que trata de obrigação de terceiro principal. Observa-se ausência de similitude fática entre os acórdãos cotejados, destarte os modelos adotados impossibilitam a comparação entre as respectivas conclusões. Desta forma, os apontados paradigmas apresentam anacronismo e não podem servir para tentativa de reforma do acórdão recorrido. Sendo assim, não reconheço o dissenso jurisprudencial e deixo de conhecer do recurso especial de divergência. Conclusão quanto ao Recurso Especial Em apreciação racional das alegadas divergências jurisprudenciais, motivado pelas normas da legislação tributária aplicáveis à espécie, conforme debate relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, em suma, não conheço do recurso especial de divergência do Contribuinte. Alfim, finalizo em sintético dispositivo. Fl. 1566DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.725 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 23034.008581/94-35 11 Dispositivo Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do Recurso Especial do Contribuinte. É como Voto. Assinado Digitalmente Leonam Rocha de Medeiros Fl. 1567DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 11080.901045/2012-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2009 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. PRODUÇÃO OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. No contexto da não cumulatividade das contribuições sociais, consideram-se insumos os bens e serviços adquiridos que sejam essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, observados os demais requisitos da lei. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE BENS PARA REVENDA. FRETE. Geram direito ao desconto de créditos das contribuições não cumulativas os bens adquiridos para revenda, abarcando o valor do frete pago pelo contribuinte nessa aquisição, mas desde que tal valor esteja incluído na nota fiscal de aquisição, não alcançando, entretanto, o serviço de transporte prestado, de forma autônoma, por transportador domiciliado no País. CRÉDITO. ARMAZENAGEM. GASTOS COM ALUGUEL DE PRÉDIOS. POSSIBILIDADE. Geram direito ao desconto de créditos das contribuições não cumulativas os gastos com aluguéis de prédios utilizados para armazenagem, na compra/importação, de grãos destinados à revenda, observados os demais requisitos da lei. CRÉDITO. FRETE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO TRIBUTADOS. POSSIBILIDADE. É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. (Súmula CARF nº 188) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 AUTOS DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Tendo os autos de infração sido lavrados por autoridade competente, devidamente fundamentados e com observância do amplo direito de defesa, afasta-se a alegação de nulidade do lançamento de ofício. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CRÉDITO UTILIZADO EM RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ABATIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Tratando-se de créditos utilizados em pedidos de ressarcimento e/ou em declarações de compensação, tratados em outros processos administrativos, eles não podem ser considerados para abater os débitos apurados em auditoria fiscal. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. Somente podem ser objeto de ressarcimento/compensação os créditos relacionados a operações no Mercado Interno Não Tributado e na Exportação, uma vez que, em relação às operações no Mercado Interno Tributado, os créditos correspondentes somente podem ser utilizados para o desconto dos débitos devidos no período na apuração escritural das contribuições, salvo se houver diferença de alíquota entre a importação e a revenda no mercado interno.
Numero da decisão: 3201-012.288
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, para reverter as glosas de créditos relativos a (i.1) bens e serviços adquiridos, devidamente tributados pelas contribuições, e utilizados como insumos na prestação de serviços, sendo que, que somente podem ser objeto de ressarcimento/compensação os créditos relacionados a operações no Mercado Interno Não Tributado e na Exportação, uma vez que, em relação às operações no Mercado Interno Tributado, os créditos correspondentes somente podem ser utilizados para o desconto dos débitos devidos no período na apuração escritural das contribuições, salvo se houver diferença de alíquota entre a importação e a revenda no mercado interno, (i.2) despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições, (i.3) frete pago na aquisição de bens para revenda incluído na nota fiscal de aquisição, e (i.4) gastos com aluguéis de prédios utilizados para armazenagem, na compra/importação, de grãos destinados à revenda, observados os demais requisitos da lei, mesmo se tratando de bem não sujeito à tributação; e (ii) por voto de qualidade, para manter a glosa de créditos relativos aos fretes na aquisição de bens adquiridos para revenda não incluídos nas notas fiscais de aquisição, vencidos, nesse item, os conselheiros Flávia Sales Campos Vale, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow e Fabiana Francisco de Miranda, que revertiam a glosa. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-012.281, de 31 de janeiro de 2025, prolatado no julgamento do processo 11080.901068/2012-23, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Enk de Aguiar, Flávia Sales Campos Vale, Luiz Carlos de Barros Pereira (substituto), Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco de Miranda e Hélcio Lafetá Reis (Presidente). Ausente a conselheira Bárbara Cristina de Oliveira Pialarissi, substituída pelo conselheiro Luiz Carlos de Barros Pereira.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2009 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. PRODUÇÃO OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. No contexto da não cumulatividade das contribuições sociais, consideram-se insumos os bens e serviços adquiridos que sejam essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, observados os demais requisitos da lei. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE BENS PARA REVENDA. FRETE. Geram direito ao desconto de créditos das contribuições não cumulativas os bens adquiridos para revenda, abarcando o valor do frete pago pelo contribuinte nessa aquisição, mas desde que tal valor esteja incluído na nota fiscal de aquisição, não alcançando, entretanto, o serviço de transporte prestado, de forma autônoma, por transportador domiciliado no País. CRÉDITO. ARMAZENAGEM. GASTOS COM ALUGUEL DE PRÉDIOS. POSSIBILIDADE. Geram direito ao desconto de créditos das contribuições não cumulativas os gastos com aluguéis de prédios utilizados para armazenagem, na compra/importação, de grãos destinados à revenda, observados os demais requisitos da lei. CRÉDITO. FRETE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO TRIBUTADOS. POSSIBILIDADE. É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. (Súmula CARF nº 188) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 AUTOS DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Tendo os autos de infração sido lavrados por autoridade competente, devidamente fundamentados e com observância do amplo direito de defesa, afasta-se a alegação de nulidade do lançamento de ofício. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CRÉDITO UTILIZADO EM RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ABATIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Tratando-se de créditos utilizados em pedidos de ressarcimento e/ou em declarações de compensação, tratados em outros processos administrativos, eles não podem ser considerados para abater os débitos apurados em auditoria fiscal. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. Somente podem ser objeto de ressarcimento/compensação os créditos relacionados a operações no Mercado Interno Não Tributado e na Exportação, uma vez que, em relação às operações no Mercado Interno Tributado, os créditos correspondentes somente podem ser utilizados para o desconto dos débitos devidos no período na apuração escritural das contribuições, salvo se houver diferença de alíquota entre a importação e a revenda no mercado interno.

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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, para reverter as glosas de créditos relativos a (i.1) bens e serviços adquiridos, devidamente tributados pelas contribuições, e utilizados como insumos na prestação de serviços, sendo que, que somente podem ser objeto de ressarcimento/compensação os créditos relacionados a operações no Mercado Interno Não Tributado e na Exportação, uma vez que, em relação às operações no Mercado Interno Tributado, os créditos correspondentes somente podem ser utilizados para o desconto dos débitos devidos no período na apuração escritural das contribuições, salvo se houver diferença de alíquota entre a importação e a revenda no mercado interno, (i.2) despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições, (i.3) frete pago na aquisição de bens para revenda incluído na nota fiscal de aquisição, e (i.4) gastos com aluguéis de prédios utilizados para armazenagem, na compra/importação, de grãos destinados à revenda, observados os demais requisitos da lei, mesmo se tratando de bem não sujeito à tributação; e (ii) por voto de qualidade, para manter a glosa de créditos relativos aos fretes na aquisição de bens adquiridos para revenda não incluídos nas notas fiscais de aquisição, vencidos, nesse item, os conselheiros Flávia Sales Campos Vale, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow e Fabiana Francisco de Miranda, que revertiam a glosa. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-012.281, de 31 de janeiro de 2025, prolatado no julgamento do processo 11080.901068/2012-23, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Enk de Aguiar, Flávia Sales Campos Vale, Luiz Carlos de Barros Pereira (substituto), Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco de Miranda e Hélcio Lafetá Reis (Presidente). Ausente a conselheira Bárbara Cristina de Oliveira Pialarissi, substituída pelo conselheiro Luiz Carlos de Barros Pereira.

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CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. PRODUÇÃO OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. No contexto da não cumulatividade das contribuições sociais, consideram- se insumos os bens e serviços adquiridos que sejam essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, observados os demais requisitos da lei. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE BENS PARA REVENDA. FRETE. Geram direito ao desconto de créditos das contribuições não cumulativas os bens adquiridos para revenda, abarcando o valor do frete pago pelo contribuinte nessa aquisição, mas desde que tal valor esteja incluído na nota fiscal de aquisição, não alcançando, entretanto, o serviço de transporte prestado, de forma autônoma, por transportador domiciliado no País. CRÉDITO. ARMAZENAGEM. GASTOS COM ALUGUEL DE PRÉDIOS. POSSIBILIDADE. Geram direito ao desconto de créditos das contribuições não cumulativas os gastos com aluguéis de prédios utilizados para armazenagem, na compra/importação, de grãos destinados à revenda, observados os demais requisitos da lei. CRÉDITO. FRETE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO TRIBUTADOS. POSSIBILIDADE. É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, Fl. 139DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.288 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901045/2012-19 2 registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. (Súmula CARF nº 188) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 AUTOS DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Tendo os autos de infração sido lavrados por autoridade competente, devidamente fundamentados e com observância do amplo direito de defesa, afasta-se a alegação de nulidade do lançamento de ofício. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CRÉDITO UTILIZADO EM RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ABATIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Tratando-se de créditos utilizados em pedidos de ressarcimento e/ou em declarações de compensação, tratados em outros processos administrativos, eles não podem ser considerados para abater os débitos apurados em auditoria fiscal. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. Somente podem ser objeto de ressarcimento/compensação os créditos relacionados a operações no Mercado Interno Não Tributado e na Exportação, uma vez que, em relação às operações no Mercado Interno Tributado, os créditos correspondentes somente podem ser utilizados para o desconto dos débitos devidos no período na apuração escritural das contribuições, salvo se houver diferença de alíquota entre a importação e a revenda no mercado interno. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, para reverter as glosas de créditos relativos a (i.1) bens e serviços adquiridos, devidamente tributados pelas contribuições, e utilizados como insumos na prestação de serviços, sendo que, que somente podem ser objeto de ressarcimento/compensação os créditos relacionados a operações no Mercado Interno Não Tributado e na Exportação, uma vez que, em relação às operações no Mercado Interno Tributado, os créditos correspondentes somente podem ser utilizados para o desconto dos débitos devidos no período na apuração escritural das contribuições, salvo se houver diferença de alíquota entre a Fl. 140DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.288 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901045/2012-19 3 importação e a revenda no mercado interno, (i.2) despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições, (i.3) frete pago na aquisição de bens para revenda incluído na nota fiscal de aquisição, e (i.4) gastos com aluguéis de prédios utilizados para armazenagem, na compra/importação, de grãos destinados à revenda, observados os demais requisitos da lei, mesmo se tratando de bem não sujeito à tributação; e (ii) por voto de qualidade, para manter a glosa de créditos relativos aos fretes na aquisição de bens adquiridos para revenda não incluídos nas notas fiscais de aquisição, vencidos, nesse item, os conselheiros Flávia Sales Campos Vale, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow e Fabiana Francisco de Miranda, que revertiam a glosa. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-012.281, de 31 de janeiro de 2025, prolatado no julgamento do processo 11080.901068/2012-23, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Enk de Aguiar, Flávia Sales Campos Vale, Luiz Carlos de Barros Pereira (substituto), Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco de Miranda e Hélcio Lafetá Reis (Presidente). Ausente a conselheira Bárbara Cristina de Oliveira Pialarissi, substituída pelo conselheiro Luiz Carlos de Barros Pereira. RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que tratou do Pedido de Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao crédito de COFINS. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reiterou seu pedido, repisando os argumentos de defesa. Em seguida, por meio de Resolução, a turma julgadora converteu o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à repartição de origem, para que a autoridade fiscal juntasse, nestes autos, cópia do Relatório produzido no cumprimento da diligência no âmbito do processo Fl. 141DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.288 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901045/2012-19 4 de nº 11080.728406/2012-76, o que veio a ser efetivado na sequência, com manifestação do Recorrente acerca da medida. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo, atende os demais requisitos de admissibilidade e dele se toma conhecimento. Conforme acima relatado, trata-se de despacho decisório da repartição de origem, em que se reconheceu apenas parte do direito creditório pleiteado, relativo à Cofins não cumulativa – Mercado Interno Não Tributado e Exportação, bem como se homologou apenas parcialmente a compensação, até o limite do crédito deferido. Como bem apontado pelo Recorrente, o presente processo é vinculado ao processo nº 11080.728406/2012-76, no qual se controverte sobre os autos de infração das contribuições decorrentes de glosas de créditos da não cumulatividade, abrangendo o período de apuração destes autos, razão pela qual se reproduz, na sequência, a decisão ali tomada acerca do direito creditório pleiteado, nos termos solicitados pelo próprio Recorrente. Por outro lado, deve-se destacar que a reversão de glosas de créditos adotada no processo dos autos de infração somente impactará este processo nas hipóteses de créditos relacionados a operações no Mercado Interno Não Tributado e na Exportação, uma vez que, em relação às operações no Mercado Interno Tributado, os créditos correspondentes somente podem ser utilizados para o desconto dos débitos devidos no período na apuração escritural das contribuições, não podendo, portanto, ser objeto de ressarcimento/compensação. Reproduz-se, portanto, o voto exarado no processo nº 11080.728406/2012-76: Segundo a fiscalização, a empresa autuada atua na aquisição e comercialização de produtos agrícolas, tais como trigo, alpiste, arroz, feijão lentilha, dentre, sendo que parte da receita auferida se submete à alíquota zero das contribuições, outra parte é normalmente tributada nas vendas no mercado interno e parte do faturamento provém de vendas para o exterior. O Recorrente, por seu turno, aduz que atua no ramo de comercialização, importação, exportação de produtos agrícolas, prestação de serviços na condição de Operadora Portuária, prestação de serviços de armazenagem, carga e descarga de produtos, inclusive com beneficiamento para posterior comercialização. Fl. 142DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.288 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901045/2012-19 5 Consta da Alteração Contratual registrada em 30/01/2012, que a empresa tem como objeto social (i) a comercialização de produtos em geral, (ii) a exploração por conta própria do ramo de transporte de cargas via terrestre, fluvial e lacustre, (iii) navegação fluvial, marítima e de apoio portuário, (iv) corretagem de produtos agrícolas em geral, (v) importação e exportação de produtos em geral, (vi) armazenagem de cereais em geral, por conta própria e de terceiros, (vii) operadora portuária, (viii) carga e descarga de embarcações, trens e caminhões, (ix) participação em outras sociedades, nas quais tenha interesses comerciais ou simples investimento, (x) industrialização e/ou beneficiamento de grãos em geral, (xi) industrialização de adubos e fertilizantes, (xii) comércio de adubos e fertilizantes, corretivos e insumos agrícolas em geral, (xiii) importação de produtos destinados à alimentação animal e (xiv) locação de equipamentos. Segundo o Recorrente, as atividades por ele desenvolvidas, inclusive a prestação de serviços de Operador Portuário, exigem sua presença nos principais portos do sul do Brasil, com sofisticada e complexa infraestrutura de equipamentos e com exigência de grande capacidade de armazenagem, na maioria terceirizada, mediante o pagamento de aluguel. Aduz, também, “que os processos de importação e comercialização de produtos que opera, tanto em nome próprio como os de terceiros (em que atua apenas como Operadora Portuária), são acompanhados por rigorosos procedimentos de fiscalização e análise por parte das autoridades fiscalizadoras brasileiras, especialmente do Ministério da Agricultura, por se tratar de produtos de origem agrícola e por estes se destinarem, principalmente, à alimentação humana”, exigindo “constantes e rigorosos serviços de expurgo e limpeza nos locais de armazenagem, assim como nos meios de transporte, inclusive com uso de agentes químicos apropriados, com vistas a impedir a proliferação de roedores, ácaros, insetos, fungos e outros microrganismos capazes de deteriorar os produtos, condenando-os, em casos extremos, à imprestabilidade para o consumo humano ou mesmo animal.” Feitas essas considerações, passa-se à análise do Recurso Voluntário. I. Nulidade dos autos de infração. O Recorrente alega que a fiscalização, no procedimento de lançamento de ofício, corroborado pela Delegacia de Julgamento (DRJ), ignorou (i) que a empresa também atua na prestação de serviços, (ii) que a receita bruta por serviços auferidos pela empresa não é beneficiada por alíquota zero, (iii) que o art. 17 da Lei nº 11.033/2004 autoriza a manutenção dos créditos vinculados a operações de venda com alíquota zero, bem como (iv) não externou a fundamentação das glosas de créditos, mesmo tendo à sua disposição todas as informações necessárias à apuração, presentes nos documentos de fls. 195 a 225, razão pela qual devia-se reconhecer a nulidade dos autos de infração por cerceamento do direito de defesa. De pronto, deve-se ressaltar que a simples contrariedade do Recorrente em relação às constatações da fiscalização não acarreta, por si só, a nulidade do procedimento, uma vez que a ele se encontra assegurada e em exercício a plena defesa por meio do processo administrativo fiscal, tendo a autuação sido formalizada por Fl. 143DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.288 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901045/2012-19 6 autoridade competente para tal, em consonância com o art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. 1 Além disso, constam dos autos todas as informações em que se baseou a fiscalização para proceder à autuação, abrangendo os valores apurados, a base de cálculo, os acréscimos legais aplicados, o enquadramento legal e planilhas com identificação dos resultados da auditoria, tudo em conformidade com o art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), 2 encontrando-se o Recorrente discutindo neste processo, de forma plena e com respeito ao devido processo legal, a referida apuração, razão pela qual não se vislumbra a ocorrência de qualquer vício que possa inquinar de nulidade o procedimento. II. Crédito. Prestação de Serviços. O Recorrente alega que “os gastos não foram avaliados sob a ótica de custos da atividade de prestação de serviços, pois a autuação ignorou totalmente a existência desta atividade, razão pela qual considerou que todos os custos arrolados eram vinculados a mercadorias adquiridas para revenda, estas, na maior parte do período, sujeitas à alíquota zero.” Ele se contrapõe à seguinte conclusão da fiscalização: “13. Importante ainda ressaltar que estas despesas não estão relacionadas diretamente à fabricação ou produção de produtos destinados à venda, não podendo, portanto, ser consideradas insumos, uma vez que o contribuinte em questão sequer industrializa produtos, apenas compra e revende.” Esse entendimento do Recorrente encontra respaldo no inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, 3 em que se prevê que o desconto de créditos abrange, também, os insumos (bens ou serviços) aplicados na prestação de serviços, tendo sido em razão dessa constatação que a turma julgadora converteu o julgamento do Recurso Voluntário em diligência para que a fiscalização esclarecesse essa questão. Realizada a diligência, a fiscalização assim se pronunciou: (...) os créditos vinculados às receitas com revendas de mercadorias NÃO TRIBUTADAS no mercado interno correspondem a aproximadamente 90% do total de créditos apurados pelo contribuinte no período fiscalizado. 1 Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. 2 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 3 Art. 3 o Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 o da Lei n o 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; Fl. 144DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10485.htm#art2 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2002/D4542.htm#tabela D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.288 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901045/2012-19 7 Embora o contribuinte tenha receitas como operador portuário ou prestador de serviços essas receitas na maioria dos meses objetos de fiscalização não ultrapassam 10% das receitas apuradas, porém o contribuinte quer fazer crer que a fiscalização teria ignorado o fato de que a empresa aufere receitas como operador portuário ou prestador de serviços e que as glosas teriam ocorrido sem considerar essa atividade o que não é verdade pois foram aceitos diversos créditos sobre essas atividades em especial créditos com energia elétrica, aluguéis de prédios e e/ou maquinas e equipamentos, sobre bens do ativo imobilizado com base no valor de aquisição assim como encargos de amortização de edificações e benfeitorias tudo conforme especificado pelo contribuinte na Dacon. Diante disso é importante esclarecer que as glosas de créditos atingiram principalmente despesas com “serviços utilizados como insumos” em especial custos vinculados à aquisição de produtos adquiridos pelo contribuinte para revenda tais como fretes de aquisição de produtos em especial trigo, sendo que a venda de trigo foi a maior receita auferida pelo contribuinte durante o período fiscalizado, e conforme explicado tanto no relatório de ação fiscal com na decisão de Primeiro Grau proferida pela DRJ/RECIFE não há o que se falar em bens e serviços utilizados como insumos em relação a produtos que são simplesmente revendidos, não cabendo portanto qualquer crédito a este respeito. Não se ignorou, entretanto, que muitos contribuintes preenchiam errado a Dacon e colocavam indevidamente despesas integrantes do custo de aquisição de produtos adquiridos de terceiros cujos créditos eram legítimos, desde que estes produtos fossem tributados pelo Pis e Cofins e utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, nas linhas de Serviços utilizados como insumos, como se verifica no presente processo, pois as despesas com fretes de aquisição de produtos não tributados como trigo, arroz e ervilha foram indevidamente anotadas pelo contribuinte na linha de serviços utilizados como insumos da Dacon quando na realidade deveriam estar na linha de Bens Adquiridos para Revenda por fazer parte do custo de aquisição dos mesmos, tal erro por si só não levaria a glosa destes créditos entretanto além desse erro de preenchimento da Dacon constatou- se que estes serviços vinculados a aquisição de trigo referem-se a aquisição de produtos não tributados pelo Pis e Cofins, sendo que o produto sequer é industrializado pela empresa e sim revendido não havendo portanto o que se falar em insumos e por esse motivo o crédito foi glosado, pois referem-se a parcelas integrantes do custo de aquisição de bem para revenda não tributado. Importante ainda ressaltar que no período fiscalizado a revenda de produtos não tributados representava praticamente 90% das receitas auferidas pelo contribuinte que somada as revendas de produtos tributados chegam na maioria dos meses a ultrapassar 90% do total de receitas auferidas pela empresa. Com relação as receitas oriundas de operações diversas das operações comerciais como receitas com armazenagem para terceiros e operação portuária são inferiores a 10% total de receitas na maioria dos meses auditados. Fl. 145DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.288 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901045/2012-19 8 Não obstante isso o contribuinte em suas Dacons não relacionou nenhum crédito como sendo exclusivo das atividades de prestação de serviços uma vez que todos os créditos apurados possuem parcelas vinculadas às receitas não tributadas no mercado interno e de exportação nos meses em que ocorreram operações de exportação obviamente. Como a decisão de primeiro grau da DRJ/RECIFE abordou muito bem a questão do aproveitamento de créditos sobre bens e serviços utilizados como insumos à luz do Parecer Normativo COSIT/RFB nº 5, de 17/12/2018 que embora inexistisse na época da ação fiscal, que foi baseada em conceitos previstos nas Instruções Normativas SRF 247 e 404 vigentes à época, fica claro que as glosas ainda assim seriam suportadas pelo entendimento expressado no referido Parecer Normativo em função da atividade desenvolvida pela empresa ser meramente comercial e os produtos adquiridos para revenda principalmente o trigo não gerarem direito a créditos de Pis e Cofins. (...) Importante deixar registrado que dentre as despesas glosadas pela fiscalização encontram-se despesas com transporte interno de mercadorias, e despesas de armazenagem destes produtos o que ainda hoje é vedado pelo Parecer Normativo COSIT/RFB nº 5, de 17/12/2018 por se tratar de produtos acabados e não produtos em elaboração e terem natureza diversa das despesas com armazenagem e fretes nas operações de vendas essas integralmente aceitas pela fiscalização durante a auditoria fiscal. Não menos relevante é o fato de que as despesas que o contribuinte alega serem vinculadas a prestação de serviços foram rateadas na Dacon com vinculadas também a Receitas Não Tributadas no Mercado Interno e de Exportação, o que leva a crer que as mesmas não são vinculadas exclusivamente as receitas de prestação de serviço como quer fazer crer o contribuinte, uma vez que tais créditos foram classificados em parte como vinculados a Receitas Não Tributadas no Mercado Interno e inclusive constaram de pedidos de ressarcimento transmitidos pelo contribuinte e a analisados na mesma ação fiscal, ora se estas despesas fossem unicamente vinculadas à prestação de serviços os créditos não poderiam constar de Pedidos de Ressarcimento uma vez que as receitas de Prestação de Serviços auferidas pela autuada são tributadas pelo Pis e Cofins, portanto, durante a auditoria constatou-se que a despesa descrita como Serviços de Supervisão e Controle não são enquadráveis no conceito de insumos vinculados a revenda de bens e/ou vinculadas a receitas de prestação de serviços por não se enquadrarem no conceito de serviços utilizados como insumos previsto nas INs 247 e 404 vigentes à época que foi realizada a auditoria. Observa-se ainda que conforme Dacon apresentada pelo contribuinte essa despesa foi rateada entre os três tipos de receitas auferidas no período fiscalizado (Tributada, Não Tributada no Mercado Interno e Receita de exportação) o que leva a crer que eram créditos não exclusivos das receitas de prestação de serviços, o mesmo vale para Limpeza de Armazéns, Expurgo, serviços de armazenagem de diversos produtos como Trigo, Lentilha, Ervilha, Feijão Branco entre outros onde o Fl. 146DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.288 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901045/2012-19 9 contribuinte não especifica se esses produtos eram de sua propriedade e foram armazenados para revenda ou pertenciam a terceiros e foram armazenados na forma de prestação de serviço de armazenagem, porém em nenhum dos dois casos as INs 247 e 404 autorizavam o creditamento destas despesas por esse motivo foi realizada a glosa. Apesar de alegar que a atividade de prestação de serviços foi ignorada pela fiscalização o contribuinte omite o fato de que estas receitas correspondem a uma parcela ínfima das suas receitas totais (menos de 10% no período fiscalizado) e que quase a totalidade dos valores glosados dizem respeito a custos vinculados à aquisição de produtos sujeitos à alíquota zero das contribuições para o Pis e a Cofins principalmente trigo que era simplesmente revendido, e ainda que o contribuinte tivesse custos adicionais nessas operações o creditamento era vedado pela legislação fato que se manteve inclusive com o advento do Parecer Normativo Cosit nº 05/2018 elaborado com base no RESP 1.221.170/PR que atualmente serve de baliza para as análises de créditos de Pis e Cofins. (...) Desse modo, as despesas de fretes com o transporte de bens sujeitos à alíquota zero não são passíveis de creditamento, em conformidade com o inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, que impede o cálculo do crédito se não houve o pagamento da contribuição do bem adquirido. Fretes sobre movimentação interna e fretes após o desembaraço, entre o porto de Rio Grande e Porto Alegre, também não se caracterizam como insumos ou fretes na operação de venda, não fazendo o Contribuinte jus ao crédito não cumulativo. Portanto, devem ser mantidas as glosas dos créditos apurados sobre os fretes em questão. Por outro lado, inexiste previsão para aproveitamento de créditos apurados sobre despesas com armazenagem incorridas na aquisição de produtos. O art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833, de 2003, contempla a possibilidade de a pessoa jurídica utilizar créditos de armazenagem na operação de venda, o que foi integralmente aceito pela fiscalização durante a ação fiscal, uma vez que estas despesas são relacionadas em linhas específicas da Dacon sobre as quais sequer incidiram glosas. Diante da clara e evidente vedação legal ao aproveitamento destes créditos em relação as operações comerciais de revenda a empresa passou a alegar que estas despesas dizem respeito a prestação de serviços na condição de operador portuário omitindo o fato de que estas receitas correspondem a uma parcela muito pequena (menos de 10%) do seu faturamento no período fiscalizado sendo que os documentos entregues no curso da fiscalização e os Dacons transmitidos pelo próprio contribuinte em período anterior a ação fiscal e próximo a ocorrência das operações informaram que a maior parte destas despesas eram vinculadas a operações comerciais não tributadas pelo Pis e Cofins inclusive com diversos pedidos de ressarcimento destes créditos, ficando uma parcela inferior a 10% desses créditos como Fl. 147DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.288 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901045/2012-19 10 vinculados a receitas de prestação de serviços na qualidade de operador portuário, e mesmo assim a fiscalização aceitou todos os créditos vinculados a ambas as operações, comercial e de prestação de serviço como operador portuário, quando permitido pela legislação vigente à época. CONCLUSÃO Portanto fica esclarecido ao órgão julgador nos termos solicitados pela nº 3201-003.204 – 3ª Seção de Julgamento/ 2ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária que as glosas descritas no item 1 do Relatório de Ação Fiscal abrangem despesas incorridas tanto na condição de empresa comercial como de prestadora de serviços sendo que a grande maioria dos valores glosados dizem respeito a custos na aquisição de produtos destinados a revenda sobre os quais a legislação veda o creditamento, aproveita-se para esclarecer que as glosas sobre despesas com atividades de prestação de serviços foram ínfimas e que a grande maioria das despesas com prestação de serviços de operador portuário foram aceitas pela fiscalização em especial, aluguéis de maquinas, equipamentos e edificações, amortizações de benfeitorias, energia elétrica, combustíveis entre outras, porém como o contribuinte também realiza a importação e revenda de mercadorias deve- se considerar que estas despesas dizem respeito também a atividade comercial da empresa conforme pode ser observado nas Dacons preenchidas pelo próprio contribuinte, e caso prevaleça o entendimento de que uma ou outra glosa deva ser revertida em função da atividade desenvolvida pela autuada de prestação de serviços deve ser excluída a parcela das despesas vinculadas as operações com revenda, devendo ser considerada apenas a parte vinculada as operações tributadas conforme Dacons apresentadas pelo contribuinte. Não obstante isso e tendo em vista que o presente relatório deverá ser juntado também aos processos de Ressarcimento de Créditos de Pis e Cofins conforme a Resolução 3201- 003.169, de 25 de agosto de 2021, prolatada no julgamento do processo 11080.901068/2012-23, paradigma ao qual todos os demais processos de ressarcimento estão vinculados é importante esclarecer que o eventual reconhecimento de créditos vinculados a Receitas Tributadas auferidas pelo contribuinte na condição de Operador portuário, pelo órgão julgador, não tem nenhum efeito sobre os processos de ressarcimento uma vez que estes créditos possuem vedação legal de serem utilizados em pedidos de ressarcimento e/ou compensação por serem vinculados a Receitas Tributadas auferidas no mercado interno servido apenas e tão somente para desconto da contribuição apurada no período devendo, portanto, abater os valores lançados através dos Autos de Infração de Pis e Cofins. Constata-se também que as receitas de prestação de serviços, embora relevantes, correspondem a menos de 10% das receitas totais da empresa na maioria dos meses sendo que a revenda de bens corresponde ao restante, o que explica o fato de quase a totalidade das glosas terem sido operadas sobre as operações comerciais da empresa. Em última análise o contribuinte busca convencer o órgão julgador de que as despesas glosadas dizem respeito somente a atividades de prestação de Fl. 148DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.288 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901045/2012-19 11 serviço o que não corresponde à realidade dos autos uma vez que estas despesas são comuns, ou pelo menos o contribuinte assim as classificou em seus demonstrativos e nas Dacons entregues no período, às atividades comerciais da empresa que representam cerca de 90% das receitas auferidas no período fiscalizado e para corroborar com esta afirmação constatou-se ainda que parte destes créditos foram incluídos pelo contribuinte em pedidos de ressarcimento e/ou compensação de créditos vinculados unicamente a receitas não tributadas oriundas exclusivamente da atividade comercial da empresa o que sequer seria possível caso tais créditos fossem vinculados exclusivamente a atividade de operador portuário desenvolvida pela autuada. (g.n.) Do excerto do relatório de diligência supra, bem como dos documentos juntados aos autos durante a ação fiscal, extraem-se as seguintes conclusões: a) no relatório de diligência, a fiscalização passa a fazer alusão a créditos relacionados à atividade de prestação de serviços desempenhada pelo Recorrente, diferentemente do que ocorrera na autuação, quando a glosa de créditos se amparou apenas na não aplicação dos insumos na fabricação de bens destinados à venda; b) o fato de a prestação de serviços corresponder a apenas 10% das atividades do Recorrente, como alega o agente fiscal diligenciador, não justifica, por si só, que ela possa ser ignorada, devendo o crédito a que possa fazer jus o contribuinte ser reconhecido nos termos da norma jurídica, independentemente de sua extensão; c) nas planilhas apresentadas pelo Recorrente durante a ação fiscal, constam receitas de vendas de serviços (fls. 26 a 38), em valores relevantes; d) na planilha presente às fls. 39 a 87, também apresentada durante a auditoria, constam dispêndios com fretes sobre vendas, serviços prestados para pessoas jurídicas, dentre outros; e) na planilha de fls. 90 a 143, constam informações relativas a despesas com armazenagem, fretes nas compras e fretes nas vendas; f) em outros documentos apresentados pelo Recorrente à fiscalização, consta que, na ocasião, foram entregues os arquivos digitais das notas fiscais, bem documentos comprobatórios de aluguéis de máquinas e equipamentos, despesas de conservação, locação de imóveis, planilhas diferenciando os bens utilizados como insumos em relação aos bens destinados à revenda, planilhas discriminando os dispêndios com armazenagem e frete em operações de vendas etc. (fls. 160 a 169). Nota-se que a questão probatória não foi óbice à análise empreendida pela fiscalização, tendo a auditoria se orientado pela interpretação então dada ao conceito de insumo, tendo restringido o trabalho fiscal aos bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de bens destinados à venda, inexistindo nos autos de infração qualquer alusão a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços. Concorda-se com a fiscalização quando ela diz que o desconto de créditos na aquisição de insumos (bens ou serviços) não alcança os bens apenas revendidos, Fl. 149DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.288 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901045/2012-19 12 mas alcança, sim, os insumos aplicados na prestação de serviços, razão pela qual deve ser reconhecido o direito a crédito na aquisição de bens e serviços aplicados na prestação de serviços a terceiros, como, no dizer da fiscalização, “armazenagem para terceiros e operação portuária”, “transporte interno de mercadorias”, “serviços de supervisão e controle”, “limpeza de armazéns, expurgo, serviços de armazenagem de diversos produtos”, “fretes após o desembaraço”, “produtos químicos”, dentre outros. Caso não seja possível discriminar, com base nas notas fiscais, na escrita fiscal e nos demais documentos apresentados, os bens e serviços adquiridos, devidamente tributados, e utilizados como insumos na prestação de serviços, dos bens e serviços utilizados na revenda de mercadorias, a apropriação de créditos deverá se dar com base no critério da proporcionalidade das diferentes receitas, estas que, conforme apontado acima, se encontram identificadas pelo Recorrente de forma apartada (receitas de revenda, receitas de prestação de serviços etc.). Por outro lado, deve-se ressaltar que somente podem ser objeto de ressarcimento/compensação os créditos relacionados a operações no Mercado Interno Não Tributado e na Exportação, uma vez que, em relação às operações no Mercado Interno Tributado, os créditos correspondentes somente podem ser utilizados para o desconto dos débitos devidos no período na apuração escritural das contribuições, salvo se houver diferença de alíquota entre a importação e a revenda no mercado interno. Outro ponto a demandar decisão nesta instância se refere aos bens e serviços sujeitos à alíquota zero utilizados como insumos na prestação de serviços, pois, tratando-se de frete, o direito ao desconto de crédito encontra-se assegurado pela súmula CARF nº 188, verbis: Súmula CARF nº 188 É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. Nesse sentido, vota-se por dar parcial provimento ao recurso para reverter as glosas de créditos relativamente aos seguintes itens: (i) bens e serviços adquiridos, devidamente tributados pelas contribuições, e utilizados como insumos na prestação de serviços, sendo que, somente podem ser objeto de ressarcimento/compensação os créditos relacionados a operações no Mercado Interno Não Tributado e na Exportação, uma vez que, em relação às operações no Mercado Interno Tributado, os créditos correspondentes somente podem ser utilizados para o desconto dos débitos devidos no período na apuração escritural das contribuições, e (ii) despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. II. Crédito. Atividade comercial. Fl. 150DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.288 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901045/2012-19 13 O Recorrente alega que todos os gastos que são expressamente mencionados no art. 3º da Lei nº 10.833/2003 e da Lei nº 10.637/2002, bem como no art. 15, I, da Lei nº 10.865/2004, são suscetíveis a gerar créditos de PIS/Cofins, ainda que se tratando da hipótese de aquisições de bens para revenda prevista no inciso I do art. 3º das leis da não cumulatividade, verbis: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e b) nos §§ 1 o e 1 o -A do art. 2 o desta Lei; II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (g.n.) No mesmo sentido, tem-se o art. 15 da Lei nº 10.865/2004, verbis: Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nº s 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 200 3, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: I - bens adquiridos para revenda; II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; (g.n.) Verifica-se dos dispositivos supra que, tratando-se de revenda, as leis autorizam o desconto de créditos somente em relação aos bens adquiridos, sendo que, no caso de prestação de serviços ou de produção, os créditos decorrem dos insumos (bens e/ou serviços) aplicados na atividade, não havendo, a princípio, razão ao Recorrente neste item, pois, além do custo dos bens adquiridos, seja no mercado interno ou via importação, ele pretende se creditar, também, em relação a “gastos com descarga, frete, limpeza de armazéns portuários (entenda-se inclusive a necessária e exigida dedetização rotineira), os expurgos, os serviços de supervisão e controle do manuseio e armazenamento dos grãos, os gastos com classificação, pesagem e movimentação interna (dentro do porto de desembarque), os serviços marítimos, os serviços de classificação e vistoria de embarcações etc.” Dentre tais gastos, somente o frete pode ser considerado custo do bem adquirido para revenda, mas desde que incluído na nota fiscal de aquisição, excetuando-se, portanto, o serviço de transporte prestado, de forma autônoma, por transportador domiciliado no País. Fl. 151DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.288 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901045/2012-19 14 Tal entendimento encontra-se em consonância com as seguintes decisões desta turma de julgamento, em que o presente conselheiro atuou como relator, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/07/2016 a 30/09/2016 (...) NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. REVENDA. AQUISIÇÃO DE SERVIÇOS. IMPOSSIBILIDADE. Na aquisição de bens destinados à revenda, o direito ao crédito se restringe ao valor da mercadoria, inclusive do frete na hipótese de este compor o custo de aquisição, não alcançando os dispêndios com frete contratado junto a terceiros, uma vez que a possibilidade de desconto de crédito na aquisição de serviços utilizados como insumos se restringe àqueles utilizados no processo produtivo ou na prestação de serviços. (Acórdão 3201-010.859, j. 22/08/2023) [...] ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 (...) CRÉDITO. REVENDA. AQUISIÇÃO DE SERVIÇOS. IMPOSSIBILIDADE. Na aquisição de bens destinados à revenda, o direito ao crédito se restringe ao valor da mercadoria, inclusive do frete na hipótese de este compor o custo de aquisição, não alcançando os dispêndios com frete contratado junto a terceiros, uma vez que a possibilidade de desconto de crédito na aquisição de serviços utilizados como insumos se restringe àqueles utilizados no processo produtivo ou na prestação de serviços. (Acórdão 3201-010.152, j. 20/12/2022) Ressalte-se que a diferenciação de desconto de créditos previstos nos incisos I e II supra ocorre somente entre eles, pois, quanto aos demais incisos do art. 3º das Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002 e do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, eles se aplicam indistintamente a ambas as situações. Assim, em relação aos gastos com locação de depósito para armazenagem de grãos na compra/importação, há previsão legal de desconto de créditos no inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, verbis: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IV - aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; Fl. 152DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.288 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901045/2012-19 15 Ressalte-se que a previsão contida no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 4 se refere apenas a operações de venda, ou revenda, não alcançando, portanto, as aquisições de bens a serem vendidos/revendidos. Dessa forma, vota-se neste item no sentido de reconhecer o direito ao desconto de créditos das contribuições não cumulativas em relação ao seguinte: (i) frete pago na aquisição de bens para revenda, mas desde que incluído na nota fiscal de aquisição, e (ii) gastos com aluguéis de prédios utilizados para armazenagem, na compra/importação, de grãos destinados à revenda, observados os demais requisitos da lei. III. Crédito. Produtos sujeitos à alíquota zero. O Recorrente alega que as atividades por ele desenvolvidas na qualidade de operadora portuária, relativamente ao trigo importado por terceiros (seus clientes), independentemente da alíquota aplicável ao produto, representam custos de prestação de serviços, devidamente tributados, os quais ensejam o direito ao desconto de créditos das contribuições em questão. Essa matéria já foi analisada no item I deste voto, razão pela qual a ele se remete neste ponto. E quanto ao trigo importado pelo próprio Recorrente, na condição de comerciante de trigo, a despeito de sua venda estar sujeita à alíquota zero das contribuições, os créditos porventura existentes devem ser mantidos, em conformidade com o art. 17 da Lei nº 11.033, de 21/12/2004, verbis: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Efetivamente, a lei autoriza a manutenção de créditos nas hipóteses de as vendas não serem alcançadas pela tributação, mas, tratando-se de bens para revenda (inciso I do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003), excluem-se desse direito eventuais créditos decorrentes de aquisição de insumos aplicados na produção ou na prestação de serviços (inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003), conforme já abordado acima. Dessa forma, considerando-se o já decidido neste voto, geram desconto de créditos das contribuições, mesmo se tratando de bem não sujeito à tributação, os dispêndios com frete em sua aquisição, bem como os dispêndios com aluguel de prédios destinados à armazenagem dos produtos adquiridos, observadas as restrições indicadas no item II deste voto. IV. Créditos na importação. Aduz o Recorrente que, conforme planilhas presentes às fls. 191/192 (Cofins) e fls. 249/250 (PIS), relacionadas a “Créditos Vinculados a Operações de Importações”, coluna “Saldo Final”, ele acumulava saldos credores de créditos incidentes sobre a importação de bens, créditos esses que sempre se mostraram muito superiores às pretensas glosas, sendo, portanto, suficientes, com sobras, para liquidar as contribuições exigidas nos autos de infração. 4 IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Fl. 153DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.288 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901045/2012-19 16 Segundo ele, o próprio autuante efetivou a compensação dos débitos decorrentes das glosas por ele efetuadas com os seus créditos, o que, logicamente, reduziu o saldo de créditos e extinguiu o débito apurado, nos termos do art. 156, II, do CTN. Ainda de acordo com o Recorrente, “a compensação tanto foi eficiente que o Autuante que lavrou o auto de infração do período seguinte (processo nº 11080.731136.2015-23), de 2011 a 2013, partiu de um saldo de crédito já excluído o débito lançado, pois considerou que este já havia sido compensado pelo Autuante do presente processo. Assim, partiu do valor de R$ 1.038.821,30 (fl. 106 do processo nº 11080.731136.2015-23), resultado do “saldo final” dos créditos, em dez/2010, adotado pelo Autuante no presente processo, de R$ 1.187.002,59 (fl. 192), menos o débito lançado, de R$ 147.637,28 (fl. 170), pois o considerou já compensado na autuação ora combatida.” Esses argumentos já haviam sido aduzidos na primeira instância, vindo a Delegacia de Julgamento (DRJ) a assim se manifestar: 39. Não há reparos a serem feitos nos lançamentos. 40. Os saldos credores “remanescentes” de PIS e COFINS referendados pela impugnante foram objeto de inúmeros pedidos de ressarcimento e consequentes compensações analisados, inclusive, por esta turma de julgamento. 41. Não há como, portanto, dar duas utilizações para o mesmo crédito - ressarcimento/compensação de tributos e compensar débitos tributários originados em lançamento de ofício. Encontram-se sob julgamento na mesma sessão dois processos paradigmas e 35 processos repetitivos envolvendo o mesmo período de apuração destes autos, situação essa que aponta a verossimilhança da conclusão acima da DRJ, pois a identificação dos saldos de créditos na planilha da fiscalização baseou-se no Dacon elaborado pela próprio Recorrente. Além disso, há que se considerar que há restrições quanto ao ressarcimento compensação de créditos decorrentes da importação de bens para revenda, conforme se verifica da Solução de Consulta Cosit nº 208/2023, verbis: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep IMPORTAÇÃO DE BENS PARA REVENDA. CRÉDITO. COMPENSAÇÃO E RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO REMANESCENTE. Na importação de bens adquiridos para revenda, quando os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep-Importação não forem vinculados às vendas e às receitas dispostas nos incisos II a IV do art. 49 da Instrução Normativa RFB nº 2.055, de 2021, somente poderão ser objeto de ressarcimento ou de compensação se decorrentes da diferença da alíquota aplicada na importação do bem e da alíquota aplicada na sua revenda no mercado interno e apurados a partir de 1º de janeiro de 2023, consoante o § 2º-A do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004. Os créditos acumulados em data anterior, por ausência de previsão legal, não podem ser compensados ou restituídos, cabendo ao importador tão Fl. 154DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.288 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901045/2012-19 17 somente a faculdade de aproveitamento desses créditos nos meses subsequentes. Dispositivos legais: Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, art. 15, e Instrução Normativa RFB nº 2.055, de 6 de dezembro de 2021, arts. 48 e 49. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins IMPORTAÇÃO DE BENS PARA REVENDA. CRÉDITO. COMPENSAÇÃO E RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO REMANESCENTE. Na importação de bens adquiridos para revenda, quando os créditos da Cofins-Importação não forem vinculados às vendas e às receitas dispostas nos incisos II a IV do art. 49 da Instrução Normativa RFB nº 2.055, de 2021, somente poderão ser objeto de ressarcimento ou de compensação se decorrentes da diferença da alíquota aplicada na importação do bem e da alíquota aplicada na sua revenda no mercado interno e apurados a partir de 1º de janeiro de 2023, consoante o § 2º-A do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004. Os créditos acumulados em data anterior, por ausência de previsão legal, não podem ser compensados ou restituídos, cabendo ao importador tão somente a faculdade de aproveitamento desses créditos nos meses subsequentes. Dispositivos legais: Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, art. 15, e Instrução Normativa RFB nº 2.055, de 6 de dezembro de 2021, arts. 48 e 49. (destaques nossos) Por outro lado, após descontados os valores efetivamente solicitados pelo Recorrente nas diversas PER/DComps, havendo saldo credor passível de utilização para abater, ainda que parcialmente, os débitos apurados pela fiscalização, na parte mantida nestes autos, eles deverão ser considerados no momento da execução, na repartição de origem, da decisão definitiva a ser adotada neste processo. V. Conclusão. Diante do exposto, vota-se por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas de créditos relativos a: (i) bens e serviços adquiridos, devidamente tributados pelas contribuições, e utilizados como insumos na prestação de serviços, sendo que, que somente podem ser objeto de ressarcimento/compensação os créditos relacionados a operações no Mercado Interno Não Tributado e na Exportação, uma vez que, em relação às operações no Mercado Interno Tributado, os créditos correspondentes somente podem ser utilizados para o desconto dos débitos devidos no período na apuração escritural das contribuições, salvo se houver diferença de alíquota entre a importação e a revenda no mercado interno; (ii) despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de Fl. 155DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.288 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901045/2012-19 18 forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições; (iii) frete pago na aquisição de bens para revenda, mas desde que incluído na nota fiscal de aquisição; (iv) gastos com aluguéis de prédios utilizados para armazenagem, na compra/importação, de grãos destinados à revenda, observados os demais requisitos da lei, mesmo se tratando de bem não sujeito à tributação. Adotando-se, nestes autos, a mesma decisão supra, com a ressalva já apontada no introito deste voto de que a reversão de glosas de créditos adotada no processo dos autos de infração somente impactará este processo nas hipóteses de créditos relacionados a operações no Mercado Interno Não Tributado e na Exportação, uma vez que, em relação às operações no Mercado Interno Tributado, os créditos correspondentes somente podem ser utilizados para o desconto dos débitos devidos no período na apuração escritural das contribuições, não podendo, portanto, ser objeto de ressarcimento/compensação. Assim, vota-se por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas de créditos relativos a: (i) bens e serviços adquiridos, devidamente tributados pelas contribuições, e utilizados como insumos na prestação de serviços, sendo que, que somente podem ser objeto de ressarcimento/compensação os créditos relacionados a operações no Mercado Interno Não Tributado e na Exportação, uma vez que, em relação às operações no Mercado Interno Tributado, os créditos correspondentes somente podem ser utilizados para o desconto dos débitos devidos no período na apuração escritural das contribuições, salvo se houver diferença de alíquota entre a importação e a revenda no mercado interno; (ii) despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições; (iii) frete pago na aquisição de bens para revenda, mas desde que incluído na nota fiscal de aquisição; (iv) gastos com aluguéis de prédios utilizados para armazenagem, na compra/importação, de grãos destinados à revenda, observados os demais requisitos da lei, mesmo se tratando de bem não sujeito à tributação. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Fl. 156DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.288 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901045/2012-19 19 Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas de créditos relativos a: (i) bens e serviços adquiridos, devidamente tributados pelas contribuições, e utilizados como insumos na prestação de serviços, sendo que, que somente podem ser objeto de ressarcimento/compensação os créditos relacionados a operações no Mercado Interno Não Tributado e na Exportação, uma vez que, em relação às operações no Mercado Interno Tributado, os créditos correspondentes somente podem ser utilizados para o desconto dos débitos devidos no período na apuração escritural das contribuições, salvo se houver diferença de alíquota entre a importação e a revenda no mercado interno, (ii) despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições, (iii) frete pago na aquisição de bens para revenda incluído na nota fiscal de aquisição, e (iv) gastos com aluguéis de prédios utilizados para armazenagem, na compra/importação, de grãos destinados à revenda, observados os demais requisitos da lei, mesmo se tratando de bem não sujeito à tributação. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Fl. 157DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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4829797 #
Numero do processo: 11020.001817/91-01
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 1995
Data da publicação: Thu May 25 00:00:00 UTC 1995
Ementa: IPI - Art. 368 do RIPI/82 - A inobsevância do artigo 173 e §§ 1º, 3º, e 4º, pelos adquirentes e depositários de produtos mencionados no mesmo dispositivo sujeitá-los-à às mesmas penas cominadas ao industrial ou remetente, pela falta apurada. Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 203-02.207
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. Ausente o Conselheiro Sebastião Borges Taquary.
Nome do relator: SÉRGIO AFANASIEFF

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10885379 #
Numero do processo: 10855.000813/2005-15
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2002, 2003, 2004 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CARÁTER INFRINGENTE. É de se rejeitar embargos de declaração opostos não com o propósito de ver corrigido vícios de omissão, contradição ou obscuridade, mas de provocar a rediscussão da matéria já ventilada no recurso voluntário e suficientemente apreciada. Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3403-000.782
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IPI- ação fiscal - penalidades (multas isoladas)
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1431; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T3  Fl. 1          1             S3­C4T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10855.000813/2005­15  Recurso nº  243.201   Embargos  Acórdão nº  3403­00.782  –  4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária   Sessão de  2 de fevereiro de 2011  Matéria  DIF­PAPEL IMUNE  Embargante  GRÁFICA CISTIAM LTDA.  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Exercício: 2002, 2003, 2004  Ementa:  EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CARÁTER INFRINGENTE.  É de se rejeitar embargos de declaração opostos não com o propósito de ver  corrigido vícios de omissão, contradição ou obscuridade, mas de provocar a  rediscussão  da matéria  já  ventilada  no  recurso  voluntário  e  suficientemente  apreciada.  Embargos rejeitados.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso.    Antonio Carlos Atulim – Presidente    Marcos Tranchesi Ortiz – Relator     Participaram da  sessão de  julgamento os Conselheiros Robson  José Bayerl,  Domingos de Sá Filho, Winderley Morais Pereira,  Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e  Antonio Carlos Atulim.      Fl. 1DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0320.10253.RFL2. Consulte a página de autenticação no final deste documento.     2 Relatório  Por  meio  do  auto  de  infração  debatido  no  recurso  voluntário,  a  DRF­ Sorocaba/SP impôs à ora embargante a sanção prevista no artigo 57, I da MP no. 2.158­35/01  em  razão  da  entrega  extemporânea  da  Declaração  Especial  de  Informações  Relativas  ao  Controle do Papel Imune (DIF­Papel Imune) correspondente ao 2o, 3o e 4o trimestres de 2002,  1o,  2o  e  3o  trimestres  de  2003  e  1o  e  2o  trimestres  de  2004,  liquidando  a  penalidade  pelo  equivalente  a R$ 5.000,00 multiplicados pelo número de meses  em atraso,  contados desde  a  data prevista para a entrega de cada documento.  Depois  de  a  DRJ­Ribeirão  Preto/SP  ter  desprovido  a  impugnação,  o  Colegiado  acolheu  parcialmente  o  recurso  voluntário  a  fim  de  aplicar  retroativamente  à  hipótese em julgamento norma mais benigna contida no artigo 1o, §4o da Lei no. 11.945/09 e,  desta forma, reduzir a sanção pecuniária a uma única imposição de R$ 5.000,00 por cada DIF­ Papel  Imune apresentada a destempo, com  independência da duração da mora. Dos originais  R$ 790.000,00 a multa  restou reduzida para R$ 40.000,00, vez que oito  foram as obrigações  acessórias cujo descumprimento se constatou.  Agora,  pela  via  destes  embargos  de  declaração,  a  contribuinte  argüi  o  cometimento de contradição no aresto que decidiu seu recurso voluntário. Sustenta, em síntese,  que  é  “empresa  de  pequeno  porte”  e,  como  tal,  que  faria  jus  a  uma  redução  ainda  mais  significativa da multa imposta pelo auto de infração, em vista do próprio artigo 1o, §4o da Lei  no. 11.941/09, de acordo com o qual o infrator revestido desta condição se sujeitaria à metade  da pena imponível às demais pessoas jurídicas (fls. 117/120).  Este, em síntese, o relatório.    Voto             Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz  Os  embargos  de  declaração  em  julgamento  são  tempestivos  e,  porque  indicam a ocorrência de hipótese permissiva, constante do artigo 65 do Regimento Interno do  CARF, cumprem o suficiente à admissibilidade.  Superado isso, todavia, o recurso não prospera.  Inexiste, no caso, seja a apontada contradição, sejam quaisquer outros vícios  argüíveis pela via dos embargos de declaração.  Já no regime do artigo 57, da MP no. 2.158­35/01, a imposição da pena pelo  retardamento  na  satisfação  da obrigação  acessória  obedecia  a uma diferenciação  conforme  a  natureza da pessoa jurídica infratora. Enquanto as empresas em geral se sujeitavam à sanção de  R$ 5.000,00 por mês de duração do atraso  (inciso  I), microempresas e empresas de pequeno  porte  eram  sancionadas,  pelo mesmo  ilícito,  a R$  1.500,00,  ou  seja,  com  um  diferencial  de  70% (parágrafo único).  Noto que, por ocasião da lavratura deste auto de infração, a DRF de origem  liquidou a sanção imposta à ora embargante pelo maior valor, i.e., na pressuposição de se tratar  Fl. 2DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0320.10253.RFL2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.000813/2005­15  Acórdão n.º 3403­00.782  S3­C4T3  Fl. 2          3 de pessoa jurídica não enquadrada na condição de microempresa ou empresa de pequeno porte.  Basta verificar que, em relação à DIF­Papel Imune pertinente ao segundo trimestre de 2002, a  imposição totalizou R$ 155.000,00, a indicar o cômputo de exatos trinta e um meses de atraso  desde  o  vencimento,  em  31.07.2002,  até  a  efetiva  entrega,  em  fevereiro  de  2005.  Não  há  dúvida possível a respeito.  Sucede  que  a  embargante  impugnou  o  auto  de  infração  e,  depois,  interpôs  recurso  voluntário  do  acórdão  de  Primeira  Instância  e,  frise­se,  em  nenhuma  das  duas  oportunidades tratou desde suposto excesso. Embora já lhe fosse útil, mesmo sob a perspectiva  da  MP  no.  2.158­35/01,  aduzir  a  alegada  condição  de  “empresa  de  pequeno  porte”,  a  contribuinte  solenemente  silenciou  a  respeito.  Tanto  na  primeira  peça  como  na  segunda,  a  ênfase foi  toda posta na pretendida invalidade da sanção, à vista do artigo 150,  inciso IV, da  CF/88, e na suposta caracterização de hipótese de denúncia espontânea.  Daí  porque,  nem  a  DRJ  recorrida,  nem  este  Colegiado  de  Segundo  Grau,  poderiam ter conhecido da matéria. Por absoluta inércia da parte a quem a alegação interessaria  o tema está precluso, nos termos do artigo 17 do Decreto no. 70.235/72. Natural, portanto, que  ao  ter decidido pela aplicação  retroativa da Lei no. 11.945/09, esta Turma Julgadora o  tenha  feito  tendo como padrão de  referência o valor da  sanção  aplicável  às  empresas  em geral,  na  inexorável assunção de que a ora embargante não revestia a condição de microempresa ou de  empresa de pequeno porte.  Fato  é  que,  somente  agora,  como  anexo  às  suas  razões  de  embargos,  a  interessada  traz  aos  autos  comprovante  de  sua  situação  cadastral  perante  o  CNPJ,  na  expectativa  de  documentar  o  que,  também  só  agora,  afirma  (fls.  121).  Mesmo,  porém,  que  estivéssemos autorizados a superar aqui os efeitos da preclusão mencionada, nem assim seria  de  se  acolher  a  pretensão  à  modificação  do  julgado.  É  que  o  documento  em  questão  –  o  comprovante de situação cadastral em que a embargante aparece qualificada como “EPP” – foi  extraído recentemente, em julho de 2010, e, portanto, não se presta a demonstrar a condição da  interessada à época do cometimento dos ilícitos sancionados no auto de infração.  Não  se  sabe,  portanto,  se  quando  do  descumprimento  das  obrigações  acessórias em questão a contribuinte já ostentava a condição de “empresa de pequeno porte”. E  a corroborar com a incerteza, veja­se o extrato da posição consolidada da embargante junto à  RFB juntado às  fls. 19 dos autos, onde se lê que, no ano­calendário de 2003, durante o qual  parte  dos  ilícitos  foi  cometida,  a  pessoa  jurídica  se  submeteu  ao  imposto  de  renda  pela  sistemática do lucro presumido.  Em virtude destas considerações, deixo de reconhecer a apontada contradição  no acórdão objeto dos embargos e, em conclusão, voto por conhecê­los e, no mérito,  rejeitá­ los.    Marcos Tranchesi Ortiz                Fl. 3DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0320.10253.RFL2. Consulte a página de autenticação no final deste documento.     4                 Fl. 4DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0320.10253.RFL2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por MARCOS TRANCHESI ORTIZ em 23/02/2011 18:13:45. Documento autenticado digitalmente por MARCOS TRANCHESI ORTIZ em 23/02/2011. Documento assinado digitalmente por: ANTONIO CARLOS ATULIM em 25/02/2011 e MARCOS TRANCHESI ORTIZ em 23/02/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 03/03/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP03.0320.10253.RFL2 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 994BFCCC8AAC1737E9E146C0426EDA0A081423FC Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10855.000813/2005-15. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.

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Numero do processo: 10380.729500/2014-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do lançamento quando emitido por autoridade competente e observados os requisitos constitucionais, legais e, em especial, o quanto previsto na legislação que rege o processo administrativo-fiscal. LANÇAMENTO FISCAL. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. GARANTIA. O lançamento fiscal que contém a descrição do fato gerador da obrigação tributária exigida, informa o período do lançamento, especifica as bases de cálculo e sua forma de apuração, específica os documentos em que se fundamenta, que informa os fundamentos legais que autorizam a exigência do crédito tributário correspondente, bem como dispõe ao sujeito passivo o prazo para apresentação de defesa, atende aos princípios do contraditório e da ampla defesa. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E DE TERCEIROS OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações, e a recolher o produto arrecadado, assim como as contribuições a seu cargo, devidas à Seguridade Social e aos Terceiros, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos referidos segurados, nos prazos definidos em lei. AUTO DE INFRAÇÃO. EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS SEM FORMALIDADES LEGAIS OU COM INFORMAÇÃO DIVERSA DA REALIDADE. Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação pela empresa de documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INCORRETAS OU OMISSAS. Apresentar a empresa GFIP com informações incorretas ou omissas constitui infração à legislação previdenciária. JUROS. TAXA SELIC. SUMULA CARF 108. Sobre as contribuições sociais pagas com atraso, incidem juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia . Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. REVOGAÇÃO DA MULTA APLICADA PELA APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS E SISTEMAS DE INFORMAÇÕES EM MEIO DIGITAL COM INCORREÇÃO. SUMULA CARF Nº 181 No âmbito das contribuições previdenciárias, é incabível lançamento por descumprimento de obrigação acessória, relacionada à apresentação de informações e documentos exigidos, ainda que em meio digital, com fulcro no caput e parágrafos dos artigos 11 e 12, da Lei nº 8.218, de 1991.
Numero da decisão: 2102-003.633
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reputar nulo o auto de infração AI DEbcad 51.064.275-6, com amparo na Súmula CARF nº 181. Assinado Digitalmente Carlos Eduardo Fagundes de Paula – Relator Assinado Digitalmente Cleberson Alex Friess – Presidente Participaram da reunião assíncrona os conselheiros Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Carlos Marne Dias Alves, Debora Fofano dos Santos (substituto[a] integral), Vanessa Kaeda Bulara de Andrade, Yendis Rodrigues Costa, Cleberson Alex Friess (Presidente) Ausente(s) o conselheiro(a) Jose Marcio Bittes, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Debora Fofano dos Santos.
Nome do relator: CARLOS EDUARDO FAGUNDES DE PAULA

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MOREIRA ARAGAO LOCACAO DE MAO DE OBRA EFETIVA LTDA INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do lançamento quando emitido por autoridade competente e observados os requisitos constitucionais, legais e, em especial, o quanto previsto na legislação que rege o processo administrativo-fiscal. LANÇAMENTO FISCAL. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. GARANTIA. O lançamento fiscal que contém a descrição do fato gerador da obrigação tributária exigida, informa o período do lançamento, especifica as bases de cálculo e sua forma de apuração, específica os documentos em que se fundamenta, que informa os fundamentos legais que autorizam a exigência do crédito tributário correspondente, bem como dispõe ao sujeito passivo o prazo para apresentação de defesa, atende aos princípios do contraditório e da ampla defesa. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E DE TERCEIROS OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações, e a recolher o produto arrecadado, assim como as contribuições a seu cargo, devidas à Seguridade Social e aos Terceiros, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos referidos segurados, nos prazos definidos em lei. AUTO DE INFRAÇÃO. EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS SEM FORMALIDADES LEGAIS OU COM INFORMAÇÃO DIVERSA DA REALIDADE. Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação pela empresa de documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que Fl. 1087DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.633 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729500/2014-67 2 contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INCORRETAS OU OMISSAS. Apresentar a empresa GFIP com informações incorretas ou omissas constitui infração à legislação previdenciária. JUROS. TAXA SELIC. SUMULA CARF 108. Sobre as contribuições sociais pagas com atraso, incidem juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia . Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. REVOGAÇÃO DA MULTA APLICADA PELA APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS E SISTEMAS DE INFORMAÇÕES EM MEIO DIGITAL COM INCORREÇÃO. SUMULA CARF Nº 181 No âmbito das contribuições previdenciárias, é incabível lançamento por descumprimento de obrigação acessória, relacionada à apresentação de informações e documentos exigidos, ainda que em meio digital, com fulcro no caput e parágrafos dos artigos 11 e 12, da Lei nº 8.218, de 1991. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reputar nulo o auto de infração AI DEbcad 51.064.275-6, com amparo na Súmula CARF nº 181. Assinado Digitalmente Carlos Eduardo Fagundes de Paula – Relator Assinado Digitalmente Cleberson Alex Friess – Presidente Participaram da reunião assíncrona os conselheiros Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Carlos Marne Dias Alves, Debora Fofano dos Santos (substituto[a] integral), Vanessa Kaeda Fl. 1088DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.633 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729500/2014-67 3 Bulara de Andrade, Yendis Rodrigues Costa, Cleberson Alex Friess (Presidente) Ausente(s) o conselheiro(a) Jose Marcio Bittes, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Debora Fofano dos Santos. RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto contra acórdão nº 16-75.729 - 12ª Turma da DRJ/SPO, proferido pela DRJ nos autos nº 10380.729500/2014-67, instaurado em decorrência de autuação da Receita Federal do Brasil contra a empresa Fornecedora, Locação de Mão de Obra Efetiva Ltda., CNPJ 10.888.929/0001-52, envolvendo a exigência de contribuições sociais previdenciárias e a glosa de compensação indevida no período de 01/01/2010 a 31/12/2011. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SPO), por meio do Acórdão, proferiu decisão desfavorável ao contribuinte, considerando improcedentes as impugnações apresentadas e mantendo integralmente os créditos tributários exigidos nos Autos de Infração Debcad nº 51.064.266-7, nº 51.064.267-5, nº 51.064.268-3, nº 51.064.273-0, nº 51.064.274-8 e nº 51.064.275-6. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do lançamento quando emitido por autoridade competente e observados os requisitos constitucionais, legais e, em especial, o quanto previsto na legislação que rege o processo administrativo-fiscal. LANÇAMENTO FISCAL. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. GARANTIA. O lançamento fiscal que contém a descrição do fato gerador da obrigação tributária exigida, informa o período do lançamento, especifica as bases de cálculo e sua forma de apuração, específica os documentos em que se fundamenta, que informa os fundamentos legais que autorizam a exigência do crédito tributário correspondente, bem como dispõe ao sujeito passivo o prazo para apresentação de defesa, atende aos princípios do contraditório e da ampla defesa. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E DE TERCEIROS OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações, e a recolher o produto arrecadado, assim como as contribuições a seu cargo, devidas à Seguridade Social e aos Terceiros, incidentes sobre as remunerações pagas, Fl. 1089DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.633 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729500/2014-67 4 devidas ou creditadas, a qualquer título, aos referidos segurados, nos prazos definidos em lei. AUTO DE INFRAÇÃO. EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS SEM FORMALIDADES LEGAIS OU COM INFORMAÇÃO DIVERSA DA REALIDADE. Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação pela empresa de documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INCORRETAS OU OMISSAS. Apresentar a empresa GFIP com informações incorretas ou omissas constitui infração à legislação previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS E SISTEMAS DAS INFORMAÇÕES EM MEIO DIGITAL COM OMISSÃO OU INCORREÇÃO Constitui infração à legislação previdenciária apresentar a pessoa jurídica que utilizar sistemas de processamento eletrônico de dados para elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal informações em meio digital com omissão ou incorreção. JUROS. TAXA SELIC. Sobre as contribuições sociais pagas com atraso, incidem juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC. RELEVAÇÃO DA MULTA. INAPLICABILIDADE. A possibilidade de relevação da multa aplicada é inadmissível, após a revogação, pelo Decreto nº 6.727, de 12/01/2009, do art. 291 e parágrafo 1º do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, onde estavam previstas as circunstâncias atenuantes da penalidade, e os requisitos para sua relevação. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação, ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, cujo reconhecimento encontra-se na esfera de competência do Poder Judiciário. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Fl. 1090DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.633 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729500/2014-67 5 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A decisão administrativa afastou todas as alegações da empresa, entendendo que os lançamentos fiscais foram realizados conforme os requisitos legais, sem qualquer nulidade. No tocante à glosa de compensação indevida, a fiscalização demonstrou que os créditos utilizados pela empresa não atendiam aos requisitos legais, pois não houve comprovação suficiente de sua origem e liquidez. Por bem relatar a ação fiscal e os termos processuais até a interposição recursal, tomo de empréstimo o relatório constante no acórdão recorrido, o que faço com amparo no artigo 114, §12, I, do RICARF, a saber: Relatório DA AUTUAÇÃO Trata-se do processo nº 10380.729500/2014-67, relativo aos Autos de Infração lavrados em 12/12/2014, decorrentes do descumprimento de obrigação principal e obrigação acessória, a seguir discriminados: (...) O Relatório Fiscal apresenta, em síntese, as seguintes informações: Da síntese da empresa No cadastro nacional de pessoa jurídica (CNPJ) da Receita Federal do Brasil o contribuinte informou sua atividade econômica principal como: "Seleção e Agenciamento de Mão-de-obra (CNAE 78.108-00)" e como atividades econômicas secundárias: "Locação de Mão-de-obra Temporária (CNAE 78.205-00) e "Fornecimento gestão de recursos humanos para terceiros (CNAE 78.302-00). Realmente, conforme documentos apresentados (folhas de pagamentos, contratos de prestação de serviço, notas fiscais de serviços, outros) pelo contribuinte e analisados pela auditoria, trata-se de uma prestadora de serviço com cessão de mão-de-obra, que presta serviços a terceiros (pessoas jurídicas). Cabe lembrar que no período fiscalizado a prestação de serviços com cessão de mão-de-obra sujeita a empresa prestadora (cedente da mão-de-obra) à retenção obrigatória de 11% (onze por cento) para a Seguridade Social incidente sobre o valor dos serviços contidos em Notas Fiscais de Serviço - NFS ou Faturas emitidas contra empresa tomadora (contratante), conforme determinação do art. 31 da Lei n° 8.212/91, que se transcreve. Fl. 1091DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.633 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729500/2014-67 6 Além das obrigações impostas às empresas em geral, a legislação federal prescreve ainda obrigações acessórias para as empresas prestadoras de serviços com cessão de mão-de-obra (art. 32, incisos I a IV da Lei nº 8.212/91, art. 134, incisos I a III, art. 136 e art. 137 da Instrução Normativa RFB nº 971, de 13/11/1999). Dos objetos dos créditos tributários lançados neste processo Os objetos dos créditos tributários lançados decorrentes de obrigação tributária principal (falta de recolhimento de contribuição social devida) são os seguintes: contribuições a cargo das empresas em geral (quota patronal - alíquota 20%), conforme inciso I do art. 22 da Lei nº 8.212/91 (acrescentado pela Lei nº 9.876/99), incidentes sobre remunerações pagas aos segurados empregados da empresa. Essas contribuições foram lançadas através do AI DEBCAD 51.064.266-7; contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidente sobre remunerações pagas aos segurados empregados. Nas atividades executadas pelo sujeito passivo (locação de mão-de- obra) a alíquota é de 3,00% para o ano de 2010 e 2011. Esse percentual é definido de acordo com as atividades preponderantes e consequentes graus de riscos da Classificação Nacional de Atividades Econômicas - CNAE, constante do anexo V do Regulamento da Previdência Social - RPS aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Para o ano de 2010 e 2011, em face do Fator Acidentário de Prevenção - FAP instituído pela Lei nº 10.666 de 08/05/2003, a alíquota GILRAT do contribuinte foi ajustada ficando em 3,000% e 1,500%, respectivamente. Essas contribuições também foram lançadas através do AI DEBCAD 51.064.266-7; contribuições a cargo da empresa destinadas a Outras Entidades e Fundos: INCRA (0,2%), SESC (1,5%), SENAC (1,0%), SEBRAE (0,6%), além do Salário Educação (2,5%), incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados da empresa. Essas contribuições foram lançadas no AI DEBCAD 51.064.268-3; contribuição a cargo dos segurados empregados, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada pela empresa, em conformidade com o art. 20 da Lei nº 8.212/91, descontadas e não recolhidas pela empresa. Essas contribuições estão lançadas no AI DEBCAD 51.064.267-5. Já os lançamentos dos créditos tributários por descumprimento de obrigações tributárias acessórias (deixar de fazer), tiveram como objeto as seguintes condutas: a) apresentar declaração (GFIP) com informações incorretas ou omissas, em campos não relacionados a fatos geradores de contribuições sociais, infringindo o disposto no art. 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91 acrescentado pela Lei nº Fl. 1092DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.633 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729500/2014-67 7 9.528/97, com redação dada pela nº 11.941/2009: Auto de Infração DEBCAD 51.064.274-8; b) apresentar livro contábil (Diário em meio papel - Ano 2010) e Escrituração Contábil Digital (ECD/SPED - Ano 2011) sem as formalidades legais exigidas (não autenticados pela Junta Comercial do Estado do Ceará - JUCEC), bem como, apresentar os Livros Diário e Razão (ano 2010) com omissão de informação verdadeira (não contabilização de notas fiscais), em desacordo com a determinação prevista no art. 33, §§ 2º e 3º da Lei nº 8.212/91, combinado com o art. 233, parágrafo único, do Decreto nº 3.048, de 06.05.99 (RPS): Auto de Infração DEBCAD 51.064.273-4. c) apresentar Escrituração Contábil Digital (ECD/SPED e MANAD Contábil - Ano 2011) com omissão de informações verdadeiras (não contabilização de notas fiscais emitidas pela própria empresa), infringindo o disposto no art. 11 e no art. 12, inciso II e parágrafo único da Lei nº 8.218/91: Auto de Infração DEBCAD 51.064.275-6. Dos fatos geradores das contribuições devidas Os fatos geradores que serviram de base para o lançamento dos créditos tributários foram remunerações pagas aos empregados da empresa, constantes nas folhas de pagamentos mensais. Os valores pagos considerados para os lançamentos dos créditos não foram declarados pela empresa nas Guias do Fundo de Garantia e Informações à Previdência - GFIP. Todos os fatos geradores estão mencionados nos Relatórios de Lançamento - RL e em planilhas anexas. Dos fatos e dos procedimentos adotados pela auditoria Durante a ação fiscal no contribuinte, por determinação dada pelo Mandado de Procedimento Fiscal - MPF N° 0310100-2014-00032, a auditoria lavrou o Termo de Inicio do Procedimento Fiscal - TIPF (anexo), sendo este recebido pelo contribuinte em 03/02/2014, concedendo o prazo de 20 (vinte) dias para apresentação de documentos fiscais e esclarecimentos relacionados ao período fiscalizado de 01/2010 a 12/2011. Na data aprazada foi iniciado o exame da documentação apresentada pelo contribuinte. Na oportunidade, a auditoria verificou a falta de apresentação de diversos documentos solicitados no TIPF. No decorrer da ação fiscal foram lavrados ainda os Termos de Intimação Fiscal - TIF (anexos), datados de 27/02/2014, 28/03/2014, 11/08/2014 e 05/11/2014, reiterando a solicitação de documentos e esclarecimentos essenciais ao desenvolvimento da fiscalização. Foram também lavrados os Termos de Ciência da Continuidade do Procedimento Fiscal (doc. anexos), datados de 05/05/2014, 27/06/2014 e 08/09/2014. Analisando os documentos apresentados pelo sujeito passivo, entre eles: Contrato Social, folhas de pagamento de salários e seus resumos (meio papel e meio digital), Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - GFIP, Guias da Previdência Social - GPS, contrato de prestação de serviço (cessão de mão-de-obra), notas fiscais de Fl. 1093DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.633 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729500/2014-67 8 prestação de serviço, demonstrativos referentes às notas fiscais de serviços prestados, Livros Contábeis - Diário e Razão (meio papel), Escrituração Contábil Digital (ECD/SPED e MANAD - Contábil), além das informações constantes nos sistemas da Receita Federal do Brasil referentes a dados relativos à empresa (GFIP, extratos de mensais de recolhimentos - Conta corrente DATAPREV/RFB), a fiscalização constatou, dentre outras, as seguintes irregularidades:  divergências entre as remunerações dos empregados constantes das folhas de pagamento mensais e as remunerações dos mesmos declaradas pela empresa em GFIP, isto é, nas folhas de pagamento existem empregados com remunerações maiores que as informadas em GFIP, bem como, empregados constantes nas folhas de pagamento e não incluídos nas GFIP da empresa. As remunerações pagas a segurado empregado por serviço prestado a empresa é salário-de- contribuição, previsto no inciso I, art. 28 da Lei nº 8.212/91. A empresa tem a obrigação de informar todos esses fatos geradores e as respectivas contribuições sociais devidas em GFIP. A auditoria gerou a planilha anexa "DIVERGÊNCIA DE REMUNERAÇÃO - FOLHA DE PAGAMENTO x DECLARADO EM GFIP (SEGURADO EMPREGADO)", com as remunerações dos segurados não declaradas em GFIP. Essas remunerações fazem parte do levantamento "REMUNERAÇÃO FOLHA PAGTO SEM GFIP" utilizado para o calculo das contribuições sociais (Patronal, GILRAT e Terceiros) devidas e não recolhidas pelo sujeito passivo;  ainda em relação aos segurados empregados, verificou-se também que parte das contribuições a cargo destes segurados, apesar de terem sido descontadas pela empresa, conforme folhas de pagamento (anexas), não foram recolhidas nem informadas nas GFIP. Os valores descontados e omitidos das GFIP, encontram-se discriminadas em planilha anexa e fazem parte do levantamento "CONTRIBUIÇÃO SEGURADO FL PAGTO. SEM GFIP", utilizado para o calculo e atualização destas contribuições devidas e não recolhidas pela empresa;  a empresa, como prestadora de serviço, está obrigada a informar, no campo "Retenção Lei 9.711/98" da GFIP, o total de retenções destacadas nas Notas Fiscais/Faturas emitidas na competência, em relação a cada tomador/obra contratante dos serviços. Ocorre que o sujeito passivo informou em GFIP valores incorretos relativos às retenções (11% das NFS/Faturas) realizadas pelos seus tomadores de serviço (empresas Original Processo 10380.729500/2014-67 Acórdão n.º 16-75.729 DRJ/SPO Fls. 7 7 contratantes), conforme demonstrado em planilha anexa, ou seja, as GFIP das competências 01/2010 a 12/2011 foram apresentadas como informações incorretas no campo "Retenção Lei 9.711/98", infringindo o disposto no art. 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91 acrescentado pela Lei nº 9.528/97, com redação dada pela Lei nº 11.941/2009, razão pela qual foi lavrado o Auto de Infração DEBCAD 51.064.274-8;  com o intuito de verificar os controles da autuada em relação às retenções, inclusive quanto às deduções legalmente permitidas, e comparar o total de retenções destacadas nas NFS/Faturas de prestação de serviços em cada Fl. 1094DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.633 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729500/2014-67 9 competência com os valores lançados na contabilidade e declarado em GFIP, foi solicitado ao contribuinte: "Demonstrativo/Planilha com os dados de todas as notas fiscais emitidas durante o período fiscalizado, contendo as seguintes informações: número da nota fiscal, data de emissão, nome do tomador, CNPJ do tomador, tipo de serviço prestado, valor da nota e valor retido referente INSS (11%). Comparando os dados da contabilidade (Livros Diário/Razão ano 2010 e Escrituração Contábil Digital - ECD/SPED ano 2011 - nas contas utilizadas pelo contribuinte: "41101.0001 - Faturamento a Vista", "41105.0001 - Vendas a Vista", "11410.0003 - INSS a Compensar"' e "21302.0001 - INSS a Recolher") com os demonstrativos das NFS/faturas fornecidas pelas própria empresa, a auditoria encontrou inconsistências graves, conforme demonstrado na planilha anexa: "GFIP x DEMONSTRATIVO NFS x CONTABILIDADE x RECOLHIMENTOS EM GPS RETENÇÃO - INCONSISTÊNCIAS VERIFICADAS";  na planilha acima mencionada, há divergências significativas entre os totais das notas fiscais informados na contabilidade e no Demonstrativo Mensal das Notas Fiscais, ou seja, o Faturamento Anual (total das receitas) de prestação de serviço registrado na contabilidade da empresa no ano de 2010 foi de R$ 5.953.901.59 e no ano de 2011 foi de R$ 5.014.239,14. Entretanto, os demonstrativos apresentados pela empresa referentes as notas fiscais de serviços prestados no ano de 2010 consta o montante de R$8.148.540.70 e no ano de 2011 o montante de R$10.441.236.31. Portanto, existem divergências entre contabilidade e demonstrativo das notas fiscais no valor de R$ 2.194.639.11 para o ano de 2010 e no montante de R$ 5.426.997.17 para o ano de 2011, ou seja, esses valores não foram devidamente lançados na contabilidade da empresa. Intimado a apresentar esclarecimentos relativos as divergências encontradas entre as receitas contabilizadas e as notas fiscais emitidas, o contribuinte não se manifestou;  também não coincidem os valores retidos informados nos demonstrativos das notas fiscais com os valores lançados na contabilidade. Da mesma forma, não coincidem os valores informados nos demonstrativos das notas fiscais com os valores recolhidos em GPS (2631-Retenção) existentes no RELATÓRIO DATAPREV (Extrato de Recolhimento - Retenções - Anexo), conforme demonstrado na planilha anexa. O fato é que tais inconsistências impediram a auditoria de confirmar em documentos hábeis e idôneos a fidedignidade dos fatos contábeis e fiscais incorridos relativos às retenções sobre as notas fiscais. Motivo também pelo qual foram lavrados os Autos de Infração DEBCAD 51.064 .273- 0 e 51.064.275-6. Sendo assim, com base na legislação (art. 33, §§ 3º e 6º da Lei nº 8.212/91), para abater das contribuições sociais devidas pela empresa foram utilizados todos os recolhimentos existentes no sistema "conta-corrente" da DATAPREV, inclusive os com código de recolhimento 2631 (retenção), não sendo considerados como crédito os valores constantes no demonstrativo das notas fiscais e não recolhidos no CNPJ da autuada;  ademais, na documentação contábil apresentada pelo sujeito passivo (Livros Diário e Razão – Ano 2010, cópias anexas por amostragem), os valores Original Fl. 1095DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.633 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729500/2014-67 10 Processo 10380.729500/2014-67 Acórdão n.º 16-75.729 DRJ/SPO Fls. 8 8 supostamente retidos (retenção de 11% INSS) foram lançados diretamente a débito da conta "21302.0001 - INSS a Recolher", não havendo primeiramente lançamento em conta do Ativo Circulante. Em relação ao ano 2011, ainda foram realizados alguns poucos lançamentos na conta "11410.0003 - INSS a Compensar' do Ativo Circulante nos meses de 02/2011 a 06/2011, conforme demonstrado em planilha anexa. No período de 07/2011 a 12/2011 não foi registrado nenhum lançamento referente a retenção. Da mesma forma, não foi lançada na contabilidade nenhuma nota fiscal emitida no período de 07/2011 a 12/2011, o que demonstra, mais uma vez, o total descontrole da autuada em relação às retenções;  vale esclarecer que a contabilização da retenção de 11% destacada na Nota Fiscal/Fatura é realizada em contas patrimoniais, por representar uma antecipação do pagamento das contribuições previdenciárias devidas sobre a folha de pagamento da empresa prestadora de serviços, cujo vencimento ocorre no dia vinte do mês seguinte à prestação de serviços. Assim sendo, assume características de um direito compensável e como tal deve ser classificada no Ativo Circulante (Retenção para a Previdência Social a Recuperar, INSS a Recuperar, Retenção INSS a Recuperar ou nomenclatura similar). Deste modo, não há lançamentos que demonstrem a apropriação dos valores retidos como crédito na apuração contábil das contribuições previdenciárias a recolher referentes à folha de pagamento do mês da prestação de serviços;  além da planilha acima mencionada, a auditoria gerou também as seguintes planilhas que seguem anexas: I) DIVERGÊNCIAS ENTRE VALORES DA FOLHA DE PAGAMENTO E DECLARADOS EM GFIP PELA EMPRESA, que traz os valores totais mensais constantes nas folhas de pagamento, os valores declarados em GFIP e os valores não declarados em GFIP; II) RELAÇÃO DOS VALORES RECOLHIDOS E CONSIDERADOS PELA AUDITORIA, que traz todos os recolhimentos realizados pela própria empresa (GPS códigos 2003, 2100 e 2119 e DCG-Parcelamento) e realizados pelos tomadores de serviços em nome da empresa (GPS código 2631 - Retenção). Todos os valores recolhidos foram lançados como créditos da empresa, deduzindo dos valores devidos apurados pela auditoria na ação fiscal; III) VALORES RECOLHIDOS NO CÓDIGO GPS 2631 (RETENÇÃO 11%), que menciona em separado os valores recolhidos em cada competência no código GPS 2631, relativos às retenções de 11% sobre as notas fiscais de serviços emitidas para os tomadores (contratante); IV) DIVERGÊNCIAS ENTRE RETENÇÕES (INSS 11% NFS) EM GFIP E RETENÇÕES RECOLHIDAS EM GPS COMPENSAÇÃO INDEVIDA NA GFIP VALORES GLOSADOS PELA AUDITORIA FISCAL, que traz os valores informados pela empresa em GFIP relativos às retenções, os valores efetivamente recolhidos pelos tomadores dos serviços e as divergências entre os valores informados em GFIP e valores efetivamente recolhidos em GPS (2631); e V) GFIP x NFS x CONTABILIDADE x RELATÓRIO RECOLHIMENTOS DAS RETENÇÕES, que traz diversas inconsistências Fl. 1096DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.633 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729500/2014-67 11 verificadas pela auditoria e demonstra de forma clara o grau de desorganização da autuada em relação as retenções.  vale lembrar que o contribuinte foi informado sobre as divergências verificadas nos documentos analisados (GFIP, folha de pagamento, contabilidade, outros), conforme planilhas anexas aos termos fiscais (TIF), inclusive foram solicitados esclarecimentos por parte do sujeito passivo. Em relação à omissão de informações em GFIP o contribuinte informou (doc. anexo) o seguinte: "Venho através desta, informar que, por motivos de envio de retificações das GFIP's de alguns meses dos anos de 2010 e 2011, substituiu as informações enviadas anteriormente, e que as informações estão corretas conforme envio das RAIS destes referidos anos." No termo TIF 04, a fiscalização solicitou da autuada a apresentação de novas GFIP corrigindo os erros e omissões verificados na ação fiscal (demonstrado nas planilhas anexas ao termo). As novas GFIP tornavam-se necessárias inclusive para o aproveitamento dos valores recolhidos em GPS e para os quais não havia declaração correspondentes (omissão total em GFIP). Visando retificar as informações incorretas das GFIP, o contribuinte apresentou no fim da ação fiscal novas GFIP retificadoras, relativas ao período de 01/2010 até 12/2011. A entrega dessas GFIP retificadoras, apesar de não alterar as multas aplicadas, posto que ocorreram apenas após o inicio da ação fiscal, possibilitaram o aproveitamento dos valores recolhidos para os quais não havia declaração correspondente em GFIP. Dos Autos de Infração lavrados e incluídos no processo Auto de Infração Debcad nº 51.064.266-7: Este AI abrange as contribuições previdenciárias a cargo da empresa (patronal e GILRAT) incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados, em conformidade com o art. 22, incisos I e II da Lei nº 8.212/91. Trata-se de contribuições não recolhidas e nem declaradas em GFIP pela empresa. No levantamento "REMUNERAÇÃO FL.PAGTO.SEM GFIP" estão lançadas as remunerações pagas aos empregados, verificadas nas folhas de pagamento mensais e não declaradas em GFIP. Esse levantamento consta no relatório DD - Discriminativo do Débito e foi utilizado para o cálculo e atualização dos valores devidos pela autuada. Alíquota utilizada: 20% para o cálculo da contribuição patronal e 3% para calculo do GILRAT, sendo esta última ajustada para 3% (ano 2010) e 1,5% (ano 2011) pelo Fator Acidentário de Prevenção - FAP instituído pela Lei nº 10.666 de 08/05/2003; Auto de Infração Debcad nº 51.064.267-5: contribuições previdenciárias dos segurados empregados, incidentes sobre remunerações pagas através das folhas de pagamento mensais, porém não declaradas pela empresa em GFIP. No levantamento "CONTRIBUIÇÃO SEGURADO FL.PAGTO.SEM GFIP" estão lançadas as contribuições retidas dos empregados e não recolhidas pela empresa. Esse levantamento consta no relatório DD - Discriminativo do Débito e foi Fl. 1097DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.633 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729500/2014-67 12 utilizado para o cálculo e atualização dos valores devidos pela autuada. Alíquotas: 8%, 9% ou 11% de acordo com a remuneração recebida pelos segurados na competência, na forma prevista no art. 20 da Lei nº 8.212/91; Auto de Infração Debcad nº 51.064.268-3: contribuições sociais destinadas a Outras Entidades e Fundos incidentes sobre remunerações de segurados empregados. No levantamento "REMUNERAÇÃO FL.PAGTO.SEM GFIP" foram lançadas as remunerações pagas aos empregados, verificadas nas folhas de pagamento mensais e não declaradas em GFIP. Esse levantamento consta no relatório DD - Discriminativo do Débito e foi utilizado para o calculo dos valores devidos pela autuada. Alíquotas: 2,5% destinado ao FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) referente ao SALÁRIOEDUCAÇÃO; 0,2% destinado ao INCRA (Instituto Nacional de Colonização e reforma Agrária); 0,6% destinado ao SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas); 1% destinado ao SENAC (Serviço Nacional de Aprendizagem do Comércio); e 1,5% destinado ao SESC (Serviço Social do Comércio). A fundamentação legal destas contribuições consta no relatório "FLD - Fundamentos Legais do Débito" anexo deste Auto de Infração; Auto de Infração Debcad nº 51.064.274-8: Por apresentar GFIP com informações omissas ou incorretos em campos não relacionados a fatos geradores de contribuições previdenciárias. RELATÓRIO FISCAL DA INFRAÇÃO: Na ação fiscal ficou constatado que a empresa apresentou GFIP com os seguintes campos omissos ou preenchidos incorretamente: I) Valor salário-família; II) Alíquota RAT/GILRAT; III) Percentual do FAP; IV) Cadastro tomador serviço; V) Valor das notas fiscais emitidas por tomadores; e VI) Valor informado - Retenção Lei 9.711/98. A planilha anexa "Total de Campos Incorretos ou Omissos nas GFIP da Empresa" traz todos os campos da GFIP com informações incorretas ou omissas, inclusive o total de campos incorretos ou omissos em cada competência fiscalizada. Já a planilha anexa "Número de Tomadores de Serviços Não Declarado em GFIP" discrimina a quantidade total de tomadores de serviço da empresa, a quantidade de tomadores declarados em GFIP e a quantidade de tomadores não declarados em GFIP em cada competência fiscalizada, enquanto que as planilhas anexas "Notas Fiscais de Serviço - Ano 2010" e "Notas Fiscais de Serviço - Ano 2011" reportam-se às notas fiscais de serviços emitidas em cada competência para os tomadores de serviço (contratantes) e a quantidade de tomadores por competência. Portanto, a empresa apresentou mensalmente GFIP com campos omissos ou incorretos; infringindo o disposto no art. 32, inciso IV da Lei nº 8.212/91 acrescentado pela Lei nº 9.528/97, com redação dada pela Lei nº 11.941/2009, razão pela qual foi lavrado esse Auto de Infração. RELATÓRIO FISCAL DA APLICAÇÃO DA MULTA: Fl. 1098DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.633 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729500/2014-67 13 A planilha anexa "Total de Campos Incorretos/ Omissos em GFIP (AI 78)" discrimina os campos onde foram constatados erros ou omissões em GFIP, enquanto que a planilha "Multa por Campos com Incorreções / Omissões em GFIP (AI 78)", traz o valor da multa aplicada em cada competência, bem como, a multa total aplicada. Vale lembrar que de acordo com o inciso I do art.32 da Lei nº 8.212/91, a multa a ser aplicada é de R$ 20,00 (vinte reais) por cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omissas em GFIP. Entretanto, o §3°, II deste mesmo artigo informa que o valor mínimo da multa é de R$ 500,00 (quinhentos reais) por competência. Conforme demonstrado em planilha anexa, o valor da multa mínima a ser aplicada é de R$500,00 (quinhentos reais) em cada uma das 24 (vinte e quatro) competências fiscalizadas (01/2010 a 12/2011), totalizando o montante geral de R$ l2.000.00 (doze mil reais). Não ficaram configuradas as circunstâncias agravantes previstas no art. 290 do Regulamento da Previdência Social – RPS; Auto de Infração Debcad nº 51.064.273-0: Apresentar Livro Contábil (Diário ano 2010) e Escrituração Contábil Digital (ECD/SPED - ano 2011) sem as formalidades legais exigidas (não autenticados pela Junta Comercial do Estado do Ceará - JUCEC), bem como, apresentar os Livros Diário e Razão (ano 2010) com omissão de informação verdadeira (não contabilização de notas fiscais de serviços prestados), tudo em desacordo com a determinação contida no art. 33, §§ 2º e 3º da Lei nº 8.212/91, combinado com o art. 233, parágrafo único do Decreto nº 3.048, de 06.05.99 (RPS). RELATÓRIO FISCAL DA INFRAÇÃO: No ano de 2010 a autuada fez opção pela tributação com base no lucro presumido, conforme documento anexo (extrato IRPJ). A legislação tributária estabelece dispensa da apresentação dos livros Diário/Razão para optantes pelo Lucro Presumido, desde que mantenham Livro Caixa. A autuada foi intimada a apresentar os livros contábeis (Diário/Razão ou Caixa), conforme termos fiscais anexos. Em relação a 2010 o contribuinte optou pela apresentação dos livros Diário e Razão em meio papel, conforme cópias anexas (amostragem), apesar de ser-lhes facultativo a apresentação do livro Caixa. Ocorre que a contabilidade apresentada pelo sujeito passivo (Livro Diário e Razão - ano 2010) não registra o movimento real da empresa, conforme demonstrado pela auditoria em planilhas anexas, ou seja, a empresa deixou de lançar em sua contabilidade diversas notas fiscais referentes aos seus serviços prestados. O faturamento anual (total das receitas) relativo a prestação de serviço registrado na contabilidade da empresa no ano de 2010 foi de R$5.953.901.59, enquanto que as notas fiscais de serviços apresentadas somavam para o mesmo período o montante de R$8.148.540.70, ou seja, omissão de lançamentos de notas fiscais na contabilidade no valor de R$2.194.639.11 somente em 2010. Seguem anexas cópias de diversas notas fiscais não contabilizadas pela empresa. Intimada a apresentar esclarecimentos relativos Fl. 1099DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.633 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729500/2014-67 14 as divergências encontradas entre as receitas contabilizadas e as notas fiscais emitidas, o contribuinte não se manifestou. Para o ano de 2011 o contribuinte fez a opção pela tributação pelo Lucro Real (ver extrato IRPJ), ficando obrigado a apresentar Escrituração Contábil Digital (ECD/SPED). Verificando as formalidades legais dos documentos contábeis apresentados pela empresa, a auditoria constatou que tanto o Livro Diário (ano 2010) quanto a Escrituração Contábil Digital ECD/SPED (ano 2011) não estavam revestidos das formalidades legais exigidas, ou seja, não estavam devidamente autenticados pela Junta Comercial do Estado do Ceará -JUCEC. A falta de autenticação da JUCEC foi verificada para o ano de 2010 no próprio livro Diário, conforme cópias anexas, e para o ano 2011 no sistema "Receita BX" que contém as informações da escrituração contábil digital (ECD/SPED) enviada pela empresa. Neste sistema, consta na presente data que o arquivo (ECD/SPED) foi enviado/ recebido, porém não autenticado pela JUCEC-CE. Portanto, o sujeito passivo apresentou livros e documentos contábeis que não atendem as formalidades legais exigidas e que omitem informações verdadeiras, infringindo o disposto no art. 33, §§ 2º e 3º da Lei nº 8.212/91, combinado com o art. 233, parágrafo único do Decreto nº 3.048, de 06.05.99 (RPS). RELATÓRIO FISCAL DA APLICAÇÃO DA MULTA: Em decorrência da infração praticada, está sendo aplicada a multa mínima cabível nos termos dos art. 92 e 102 da Lei nº 8.212/91 e dos art. 283, inciso II, alínea "j" e art. 373, ambos do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, cujo valor corresponde a R$ 18.128,43 (dezoito mil cento e vinte e oito reais e quarenta e três centavos), em virtude da atualização prevista na Portaria Interministerial MF/MPS n° 19, de 10 de janeiro de 2014. Por fim cabe lembrar que, se a empresa apresentar contabilidade regular, mesmo estando dela desobrigada, e esta contabilidade apresentar incorreções, o Auto de Infração será sempre lavrado por descumprimento das regras aplicáveis à contabilidade regular, não sendo válido ao contribuinte arguir que estava dela desobrigado. Auto de Infração Debcad nº 51.064.275-6: Apresentar Escrituração Contábil Digital (ECD/SPED e MANAD Contábil - Ano 2011) com omissão de informações verdadeiras (não contabilização de notas fiscais emitidas pela própria empresa), infringindo o disposto no art.11 e no art.12, inciso II e parágrafo único da Lei nº 8.218/91. RELATÓRIO FISCAL DA INFRAÇÃO: Como já mencionado, o contribuinte fez a opção pela tributação pelo Lucro Real (ver extrato IRPJ) para o ano de 2011, ficando obrigado a apresentar Escrituração Contábil Digital (ECD/SPED). Intimada a apresentar sua escrituração contábil digital, conforme termos fiscais anexos, o contribuinte apresentou tanto no formato ECD/SPED quanto no formato MANAD-Contábil, ambos contendo as mesmas informações. Ocorre que analisando as informações constantes nos Fl. 1100DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.633 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729500/2014-67 15 arquivos contábeis digitais, a auditoria constatou que os mesmos não registram o movimento real da empresa, conforme demonstrado pela auditoria em planilhas anexas, ou seja, a empresa deixou de lançar em sua contabilidade digital diversas notas fiscais referentes aos seus serviços prestados. O faturamento anual (total das receitas) relativo a prestação de serviço registrado no ano de 2011 foi de R$ 5.014.239,14, enquanto que as notas fiscais de serviços apresentadas somavam para o mesmo período o montante de R$ 10.441.236,31, ou seja, omissão de lançamentos de notas fiscais na contabilidade no valor de R$ 5.426.997,17 somente em 2011. Seguem anexas cópias de diversas notas fiscais não contabilizadas pela empresa. Intimada a apresentar esclarecimentos relativos as divergências encontradas entre as receitas contabilizadas e as notas fiscais emitidas, o contribuinte não se manifestou. Deste modo, restou constatado que o contribuinte apresentou Escrituração Contábil Digital (ECD/SPED e MANAD Contábil - Ano 2011) com omissão de informações verdadeiras (não contabilização de notas fiscais emitidas pela própria empresa), infringindo o disposto no art.11 e no art.12, inciso II e parágrafo único da Lei nº 8.218/91. RELATÓRIO FISCAL DA APLICAÇÃO DA MULTA: Em decorrência da infração praticada, está sendo aplicada a multa cabível nos termos do art. 12, inciso II, parágrafo único da Lei nº 8.218/91, cujo valor total corresponde a R$ 104.412,36 (cento e quatro mil quatrocentos e doze oito reais e trinta e seis centavos). A planilha anexa "Cálculo da Multa por Omissão de Informações na Escrituração Contábil Digital Apresentada pela Empresa - Ano 2011", discrimina por competência o valor da multa, a multa total e a multa aplicada, em face do limitador de 1% sobre a receita bruta da empresa no período. Segundo o inciso II do art.12 da Lei 8.218/91, a multa é de 5% (cinco por cento) sobre o valor da operação correspondente à informação omitida, limitada a 1% (um por cento) da receita bruta da pessoa jurídica no período. Tendo em vista que a autuada informou em sua Declaração DIPJ 2011 o valor da Receita Bruta no período igual a ZERO, a auditoria considerou como Receita Bruta para aplicação do limite de 1% (limitador da multa) o total das notas fiscais de prestação de serviço emitidas pela empresa no ano de 2011, ou seja, R$ 10.441.236,31. Da fundamentação legal do lançamento dos créditos tributários Além da legislação citada neste relatório fiscal, o relatório "FLD - Fundamentos Legais do Débito" traz discriminadamente o embasamento legal dos créditos tributários lançados, por DEBCAD, fazendo referência, inclusive, à legislação aplicável em cada período. Dos juros de mora e multa de ofício Os juros de mora e a multa de ofício foram calculados como estabelecido nos artigos 35 e 35-A, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/09. Os valores mensais da multa e dos juros encontram-se lançados no relatório "Discriminativo do Débito", que traz a apuração de forma consolidada do débito Fl. 1101DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.633 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729500/2014-67 16 lançado. Os valores recolhidos pela empresa em Guias da Previdência Social - GPS, estão discriminados em anexos próprios dos Autos-de-Infração. Documentos de prova anexos Além do presente relatório, integram o processo os seguintes documentos que seguem anexos: a) Termo de Início de Procedimento Fiscal - TIPF; b) Termos de Intimação Fiscal - TIF; c) Mandado de Procedimento Fiscal - MPF; d) Termos de Continuidade do Procedimento Fiscal; e) Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal - TEPF; f) Cópias do contrato social da empresa; g) Cópias dos documentos de identidade dos representantes da empresa; h) Cópia dos esclarecimentos prestados pela empresa; i) Planilhas elaboradas pela auditoria citadas no corpo deste relatório fiscal; Original Processo 10380.729500/2014-67 Acórdão n.º 16-75.729 DRJ/SPO Fls. 13 13 j) Recibos de Autenticidade dos arquivos digitais (meio magnético - mídia não regravável - CD ROM) recebidos do contribuinte durante a ação fiscal; l) Recibos de Autenticidade dos arquivos digitais (meio magnético - mídia não regravável - CD ROM) entregues ao contribuinte durante a ação fiscal; k) Cópias por amostragem dos Livros Contábeis (Diário e Razão); m) Cópias dos extratos mensais das GFIP da empresa; n) Cópias por amostragem das folhas de pagamento mensais da empresa; e o) Demais documentos mencionados no corpo deste relatório fiscal. Os relatórios referentes aos débitos foram produzidos e autenticados em meio digital, gravados em CD-R e entregues ao contribuinte, conforme previsão legal do artigo 486 da Instrução Normativa RFB n° 971, de 13/11/2009. Também foram entregues para a empresa em meio papel todos os Autos de Infração lavrados que compõem o Processo Administrativo Fiscal COMPROT n° 10380.729500/2014-67, acompanhados dos seus respectivos anexos. Das considerações finais Por fim, esclarecemos que os fatos verificados no decorrer da ação fiscal que configuram, em tese, crimes previstos no Código Penal Brasileiro (crime de sonegação previdenciária) ou na Lei nº 8.137/90 (Crimes Contra a Ordem Tributária), serão objeto de Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP à autoridade competente para as providências cabíveis. DAS IMPUGNAÇÕES O contribuinte foi cientificado pessoalmente das autuações em 16/12/2014, e apresentou impugnações tempestivas em 12/01/2015, acompanhadas de cópias dos seguintes documentos: Contrato Social, Notificação de Penalidade, emitida em 19/12/2014 pela Prefeitura de Fortaleza e documento de identificação da sócia da empresa, alegando, em síntese, que: Em relação aos Autos de Infração de obrigação principal Debcad nº 51.064.266-7, nº 51.064.267-5 e nº 51064.268-3, a empresa apresenta as seguintes razões de defesa: Fl. 1102DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.633 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729500/2014-67 17 Da notificação Apresenta breve relato sobre os Autos de Infração e transcreve o Relatório Fiscal. Da fundamentação da notificação Na imensa quantidade de arquivos apresentados, consta o FLD - Fundamentos Legais do Débito, composto de três páginas, com uma imensidão de normas legais expressas, onde, segundo a auditoria, encontram-se as fundamentações para os lançamentos ora combatidos. Da impugnação Dos lançamentos e dos relatórios É cediço que a obrigação tributária existe somente com a ocorrência do fato gerador, sendo que o lançamento tem por finalidade precípua a constatação oficial da ocorrência desse fato gerador. Assim, para que a obrigação surja no mundo jurídico e qualifique-se com a nota da exigibilidade, é necessário que o crédito tributário se torne plenamente existente, válido e eficaz, por meio do lançamento e posterior notificação do contribuinte, fatos que não se verificaram no caso em apreço, estando a agravada a cobrar crédito previdenciário sem a existência de certeza e liquidez. O lançamento está legalmente definido no art. 142, do Código Tributário Nacional, que se transcreve. Para constituição do crédito, há, portanto, necessidade de que seja feita uma minuciosa verificação da situação definida em lei como fato gerador da contribuição, através de criteriosa análise dessa situação e devidamente esclarecida no Relatório Fiscal, havendo em seguida de ser expedida a regular notificação do sujeito passivo para o exercício de sua plena defesa. Nada disso, no entanto, verificou-se quando da lavratura dos débitos indicados nos instrumentos notificantes anexos, ocasionando graves lesões à empresa, que foram prejudicados por formalização de obrigações tributárias inexistentes, sem que tivesse havido a constatação dos fatos geradores das contribuições, e o pior, sem que tivesse tido a chance de contestá-los, por falta da devida clareza. Estamos, assim, in casu, diante de instrumentos de lançamento extremamente iníquos e desarrazoados, que ferem as regras da lógica e do nosso ordenamento jurídico e constitucional, razão pela qual nenhuma eficácia existe nas malfadadas notificações de dívidas em comento. Observa-se uma diversidade de fatos geradores constantes num mesmo AI, onde se constata falta de critérios na apuração das contribuições previdenciárias, confundindo as atividades da empresa e excluindo o direito de compensação de retenção por parte da empresa, etc. Ressalte-se, ainda, que no corpo do relatório fiscal, houve uma superposição de justificativas, ora referentes ao autos de infração de obrigações acessórias, ora de obrigações principais, tornando inviável uma análise lógica. Do direito de defesa Antes de qualquer argumento a ser esposado pela Impugnante, é preciso destacar que a ampla defesa e o contraditório foram totalmente alijados nos presentes autos. Diz-se isso porque os presentes AI são parte de um procedimento fiscal Fl. 1103DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.633 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729500/2014-67 18 extenso, e que resultou na lavratura e cientifícação ao contribuinte de 10 (dez) instrumentos de lançamento tributário, compostos de mais de 300 folhas. Afirmar que um contribuinte que tem de formular 06 defesas no prazo exíguo de 30 (trinta) dias é obstar que o contraditório seja exercitado em sua plenitude e que a defesa seja ampla. Não há a menor sombra de dúvida que no bojo de um processo administrativo, a pessoa, física ou jurídica, que litiga com os órgão estatal tem direito à ampla defesa (possibilidade de produção de defesa - autodefesa ou técnica; possibilidade de apresentar recurso) e ao contraditório (possibilidade de contraditar argumentos e provas da parte contrária - audiatur altera parte; torna a defesa efetiva). Sendo assim, por ser uma cláusula pétrea constitucional, imodificável mesmo por emenda à Carta Magna (conforme art. 60, § 4 o ), qualquer forma de cerceamento, como ocorre no presente caso, deve ser conhecido pelo julgador, seja ele órgão "judicante" da Administração seja órgão judicial. E se diz que a ampla defesa e o contraditório estão vendo vilipendiados nos presentes autos pelo claríssimo motivo de que para produzir defesa técnica sobre 10 (dez) instrumentos de lançamento tributário, colher documentos, averiguar as mais de 300 folhas que compreendem a totalidade do procedimento de fiscalização em que os presentes autos estão incluídos, é humanamente impossível, ainda que se envolva grande equipe de profissionais para isso. Portanto, se está claramente caracterizado o cerceamento de defesa pela situação fática, como ocorre nos presentes autos, todo o processo administrativo fica eivado de nulidade absoluta, a qual pode e deve ser conhecida, para anular-se todos os atos do processo, posto que contrários à Constituição Federal, o que requer a Impugnante desde já. Por outro lado, a defesa para ser bem arquitetada, se faz necessário que a acusação ou peça acusatória seja demonstrada de maneira bastante clara. Infelizmente, o antônimo é o que se pode concluir da leitura dos papéis, componentes dos combatidos AI, quando não expressa em nenhum momento os fundamentos legais dos malfadados lançamentos, apenas escreve uma relação de anexos, dentre eles, um composto de três páginas, contendo uma imensidão de referências legais, tornando impossível uma defesa melhor desenhada. Transcreve doutrina e jurisprudência. Não se pode deixar de ressaltar que o relatório fiscal, peça obrigatória do lançamento deve conter informações indispensáveis para a sua validade, tais como: contribuições exigíveis; hipóteses de incidência da contribuição; capitulação; etc, conforme previsto no art. 661 da IN 03/2005. Esse entendimento doutrinário e normativo, destacando a omissão administrativa, bem se relaciona ao exercício da ampla defesa, aqui prejudicado. Na verdade, nos textos corporais dos "documentos", comenta-se de forma generalizada, inexistindo detalhes sobre a fundamentação legal específica, não se conhece as contribuições exigíveis, as hipóteses de incidência, etc. Fl. 1104DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.633 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729500/2014-67 19 Assim sendo, mostrou-se que são lançamentos sem os requisitos de convencimento, qual seja, a informação e a fundamentação, portanto, absolutamente nulos de pleno direito, não produzindo nenhum efeito. Claro é, para que se exercite o contido no art. 5°, inciso LV da CF, mister se faz, que se conheça, com riqueza de detalhes, o inteiro teor do lançamento (o fato que constitui o lançamento), pois, se diferente for, torna-se difícil defender-se de uma acusação, que não se conhece o seu teor. O relatório fala de forma generalizada, fazendo referências apenas as atividades da empresa e consequente RAT, sobre compensações sobre a retenção dos 11% incidentes sobre as notas fiscais de serviço prestado pela impugnante, bem como de possíveis remunerações não declaradas. Ou seja, o relatório do Auto, não se baseia em fatos concretos, mas em possibilidades. Esses fatos, por si só, são suficientes para impedir que o defendente exerça os direitos que lhe são constitucionalmente garantidos, ao Contraditório e à Amplitude de Defesa, tornando-se impossível, no presente momento, de posse do Relatório e do Auto de Infração, bem como de todos os documentos que os instruíram, a ofertar defesa de forma plena e ampla, porquanto não tem todos os dados inerentes e necessários à defesa. Os lançamentos sem os componentes de convencimento, isto é, as informações e a fundamentação, são absolutamente nulos a não produzir nenhum efeito, devendo ser considerados insubsistentes os Autos de Infração lavrados. Dos acréscimos legais Inicialmente, ressalte-se que a inclusão da taxa SELIC, como juros moratórios, na cobrança das contribuições constantes das CDA's ou de qualquer instrumento de cobrança emanado pela Administração Pública não é possível, pois, a referida taxa não foi instituída por lei para que seja aplicada aos débitos tributários. Sobre o assunto, destacado o voto do Exmo. Ministro do Superior Tribunal de Justiça Franciulli Netto, no Recurso Especial n° 215881 (transcreve). Assim, vê-se inadmissível a incidência da malsinada taxa sobre as contribuições previdenciárias em questão, visto que, a falta de previsão legal que a institua para fins tributários acarreta a desobediência ao que determina a Constituição Federal de 1988. Do auxílio doença e auxílio acidente (primeiros quinze dias) É encargo previdenciário das empresas o pagamento do salário devido ao segurado empregado ou a remuneração do segurado empresário nos primeiros quinze dias de seu afastamento por motivo de invalidez ou de doença (art. 43, § 2° e art. 60, § 3 o , Lei 8.213/91). A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento de que a verba recebida pelo empregado a título de auxílio-doença, nos primeiros 15 (quinze) de afastamento tem caráter previdenciário, Não configurando, portanto, natureza salarial, decorrente de prestação de serviço, não há por que falar em incidência de contribuição previdenciária. Fl. 1105DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.633 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729500/2014-67 20 A mesma interpretação deve ser adotada quanto aos valores pagos a título de auxílio-acidente, nos primeiros 15 (quinze) dias de afastamento. Transcreve jurisprudência. Do cálculo e lançamento A auditoria, ao constatar que a notificada teria recolhido todas as suas contribuições previdenciárias, resolveu legislar com o objetivo de arrecadar, criando fatos geradores inexistentes. Se confrontarmos os levantamentos fiscais, suas justificativas e o contido no confuso relatório fiscal, facilmente se depreende diversos equívocos, irregularidades e inconsistências, logicamente, sempre contra a autuada. Afirma a auditoria no item 4.1 do relatório fiscal, que "Os fatos geradores que serviram de base para o lançamento dos créditos tributários foram remunerações pagas aos empregados da empresa, constantes nas folhas de pagamentos mensais. Os valores pagos considerados para os lançamentos dos créditos não foram declarados pela empresa nas Guias do Fundo de Garantia e Informações à Previdência - GFIP).... ", Enfim, a empresa entregou todas as GFIP com todos os fatos geradores da contribuições previdenciárias, não havendo razão para criação de fatos geradores fictícios, com o fim, apenas de arrecadar. Não se justifica, com base em novas normas criadas pelo notificante, pois a empresa está em situação regular perante o fisco, com todas as contribuições recolhidas, com todas as obrigações cumpridas, provoquem levantamentos de valores adicionais, com base em estimativas e erro de interpretação. Portanto, nota-se que foi um lançamento arbitrário ou equivocado, chegando a beirar o excesso de exação, tão repudiado no nosso direito tributário. Do pedido Desta forma, cremos ter sido açodada a interpretações dadas, efetuando lançamentos, ora equivocados, ora de fatos geradores não ocorridos, caracterizando, de maneira contundente, erro na Notificação desde sua edificação basilar indo até seu cálculo final, pois o mesmo depende de toda esta série de fatores que ao fim, apresenta erro lógico, independente de qualquer esforço matemático. Em preliminar, pois, requer-se: a) tornar insubsistentes os lançamentos, objeto dos AI n° 51.064.266-7; 51.064.267-5 e 51.064.268-3, por absoluta falta de fundamentação, de vez que inexistiu o detalhamento devido e necessário no relatório fiscal, com prejuízo ao oferecimento da defesa, para que outro seja produzido ao amparo da lei e que possa oferecer condições de defesa; b) que sejam compensados os valores recolhidos, incidentes sobre as remunerações relativas aos primeiros quinze dias de auxílio doença; c) requer, por fim, a produção no decorrer processual de todas as demais provas possíveis e Fl. 1106DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.633 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729500/2014-67 21 permitidas em direito, inclusive juntadas de documentos novos e, principalmente, perícia, no sentido de aferir se os cálculos estão corretos. Em relação aos Autos de Infração de obrigação acessória Debcad nº 51.064.273-0, nº 51.064.274-8 e nº 51.064.275-6, apresenta, em síntese, as seguintes alegações: Da notificação Apresenta breve relato sobre os Autos de Infração e transcreve o Relatório Fiscal. Da fundamentação da notificação Segundo o auditor, a falta de entrega de documentos constitui infração à Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, com a redação da MP n° 449, de 03/12/2008. Da impugnação Dos lançamentos e dos relatórios A amplitude da defesa, estendida ao processo administrativo pela Constituição de 1988, art. 5o , LV é, como não poderia ser diferente também, peça indissociável do processo administrativo. Como tal, nas contribuições providenciarias, é traço marcante, consoante dispõe o art. 2°, da Portaria n° 713/93. Vê-se, in casu, de fato, a intenção da Previdência em garantir aos interessados em processos administrativos, o exercício constitucional sagrado do amplo e irrestrito direito de defesa. Pois bem, para que tal exercício seja utilizado, mister se faz, se conheça, com riqueza de detalhes, o inteiro teor da acusação (o fato eu constitui à acusação), pois, se diferente for, torna-se difícil defender-se de uma acusação, que não se conhece o seu teor. Transcreve doutrina e jurisprudência. O relatório fala de forma generalizada, penalizando o contribuinte por possíveis informações incorretas ou omissas na GFIP, por apresentar livros contábeis e contabilidade digital sem as formalidades legais e por apresentar a mesma escrituração com omissão de informações. Ou seja, o relatório do Auto, não se baseia em fatos concretos, mas em possibilidades. Em outras palavras: os Autos de Infração carecem de um dos seus axiais requisitos, a fundamentação, cuja nulidade deve ser reconhecida. O relatório de lançamento sem os componentes de convencimento, isto é, a fundamentação, é absolutamente nulo a não produzir nenhum efeito. Transcreve jurisprudência. Assim, em função da falta de fundamentação da infração, pois, obscuros, omissos e defeituosos, o relatório, deve ser considerado insubsistente o Auto de Infração (AI) ora entelado. Do direito de defesa Antes de qualquer argumento a ser esposado pela Impugnante, é preciso destacar que a ampla defesa e o contraditório foram totalmente alijados nos presentes autos. Fl. 1107DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.633 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729500/2014-67 22 Diz-se isso porque o presente AI é parte de um procedimento fiscal extenso, e que resultou na lavratura e cientifícação ao contribuinte de 10 (dez) instrumentos de lançamento tributário, compostos de mais de 300 folhas. Afirmar que um contribuinte que tem de formular 10 defesas no prazo exíguo de 30 (trinta) dias é obstar que o contraditório seja exercitado em sua plenitude e que a defesa seja ampla. Não há a menor sombra de dúvida que no bojo de um processo administrativo, a pessoa, física ou jurídica, que litiga com os órgão estatal tem direito à ampla defesa (possibilidade de produção de defesa - autodefesa ou técnica; possibilidade de apresentar recurso) e ao contraditório (possibilidade de contraditar argumentos e provas da parte contrária - audiatur altera parte; torna a defesa efetiva). Sendo assim, por ser uma cláusula pétrea constitucional, imodificável mesmo por emenda à Carta Magna (conforme art. 60, § 4 o ), qualquer forma de cerceamento, como ocorre no presente caso, deve ser conhecido pelo julgador, seja ele órgão "judicante" da Administração seja órgão judicial. E se diz que a ampla defesa e o contraditório estão vendo vilipendiados nos presentes autos pelo claríssimo motivo de que para produzir defesa técnica sobre 10 (dez) instrumentos de lançamento tributário, colher documentos, averiguar as mais de 300 folhas que compreendem a totalidade do procedimento de fiscalização em que os presentes autos estão incluídos, é humanamente impossível, ainda que se envolva grande equipe de profissionais para isso. Portanto, se está claramente caracterizado o cerceamento de defesa pela situação fática, como ocorre nos presentes autos, todo o processo administrativo fica eivado de nulidade absoluta, a qual pode e deve ser conhecida, para anular-se todos os atos do processo, posto que contrários à Constituição Federal, o que requer a Impugnante desde já. Por outro lado, a defesa para ser bem arquitetada, se faz necessário que a acusação ou peça acusatória seja demonstrada de maneira bastante clara. Infelizmente, o antônimo é o que se pode concluir da leitura do arquivo digital do combatido AI, quando não expressa em nenhum momento os fundamentos legais do malfadado lançamento, apenas escreve uma relação de anexos, dentre eles, um composto de três páginas, contendo uma imensidão de referências legais, tornando impossível uma defesa melhor desenhada. Transcreve doutrina e jurisprudência. Não se pode deixar de ressaltar que o relatório fiscal, peça obrigatória do lançamento deve conter informações indispensáveis para a sua validade, tais como: contribuições exigíveis; hipóteses de incidência da contribuição; capitulação; etc, conforme previsto no art. 661 da IN 03/2005. Esse entendimento doutrinário e normativo, destacando a omissão administrativa, bem se relaciona ao exercício da ampla defesa, aqui prejudicado. Fl. 1108DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.633 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729500/2014-67 23 Na verdade, nos textos corporais dos "documentos", comenta-se de forma generalizada, inexistindo detalhes sobre a fundamentação legal específica, não se conhece as contribuições exigíveis, as hipóteses de incidência, etc. Assim sendo, mostrou-se que são lançamentos sem os requisitos de convencimento, qual seja, a informação e a fundamentação, portanto, absolutamente nulos de pleno direito, não produzindo nenhum efeito. Claro é, para que se exercite o contido no art. 5°, inciso LV da CF, mister se faz, que se conheça, com riqueza de detalhes, o inteiro teor do lançamento (o fato que constitui o lançamento), pois, se diferente for, torna-se difícil defender-se de uma acusação, que não se conhece o seu teor. Esses fatos, por si só, são suficientes para impedir que o defendente exerça os direitos que lhe são constitucionalmente garantidos, ao Contraditório e à Amplitude de Defesa, tornando-se impossível, no presente momento, de posse do Relatório e do Auto de Infração, bem como de todos os documentos que os instruíram, a ofertar defesa de forma plena e ampla, porquanto não tem todos os dados inerentes e necessários à defesa. Por essas razões, a ampla defesa do defendente encontra-se prejudicada, de modo, a necessitar os devidos e necessários esclarecimentos para que se possa ofertar, com precisão, o direito de defesa em toda sua amplitude. Da legislação Analisando o estabelecido pelo art. 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, e comparando-o com as conclusões expostas pelo auditor, conclui-se que não houve nenhuma ausência de GFIP, não havendo, portanto, desobediência ao dispositivo legal, ou seja, todos os fatos geradores foram informados em GFIP e contabilizados de maneira a atender a lei previdenciária, haja vista que todos os lançamentos foram efetuados. Não existiu falta de GFIP, não foi caracterizada a infração lançada no DEBCAD 51.064.274-8, salvo na legislação criada pelo sedento auditor. Destaque-se ainda, que o DEBCAD 51.064.275-6 menciona que houve omissão de informações na contabilidade, no entanto, esta própria contabilidade já houvera sido desconsiderada por omissões, sendo objeto do DEBCAD 51.064.273-4. Portanto, observa-se que o segundo lançamento ocorreu sobre uma possível infração de omissão de informações de contabilidade não mais válida, caracterizando um equívoco imperdoável e extremamente prejudicial à empresa. Consequentemente, não existem dispositivos legais para fundamentar as tais infrações, pois não estão tipificadas na legislação previdenciária. Relevação da multa A fiscalização foi efetivada em 2014, no entanto as possíveis infrações ocorreram entre 2010 e 2011, devendo-lhe, se for o caso, atrair a incidência das normas vigentes e previstas no Regulamento da Previdência Social, as quais estabelecem que a multa imposta ao defendente há de ser relevada, art. 291, caput e § 1º do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Fl. 1109DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.633 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729500/2014-67 24 Observa-se que quatro são as condições para que a multa aplicada ao defendente seja relevada, quais sejam: a) que seja requerido que a multa seja relevada, dentro do prazo de defesa; b) ser o "infrator" primário; c) ter o suposto infrator corrigido a falta apontada, e d) não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. A multa aplicada ao defendente há de ser relevada, haja vista o § 1º do art. 291 do Regulamento da Previdência Social, acima transcrito ser por demais mandamental, ou seja, o artigo transcrito é imperativo, ele determina que uma vez implementadas as condições trazidas em seu texto, ou seja, as quatro condições já relacionadas, a multa aplicada ao defendente há de ser relevada, observe-se que a legislação é por demais clara, ela não deixa que ao bel prazer da RFB o poder de relevar ou não a multa, ela impõe à RFB que a multa seja relevada caso preenchidas todas as condições. Ressalte-se que as penalidades contidas na legislação vigente na época da ocorrência das prováveis infrações, são mais benéficas ao autuado, por permitir a sua relevação com a correção da falha porventura existente. Assim, considerando que as GFIP foram refeitas, com todas as informações necessárias para apuração dos fatos geradores das contribuições previdenciárias, em cumprimento a exigência da Lei nº 8.212/91, sendo desnecessária a lavratura do presente Auto de Infração, e não sendo a defendente reincidente, nem, igualmente, tendo havido circunstância agravante, requer, no prazo legal, seja relevada a multa aplicada ao autuado. Do pedido Em face do exposto, com base nos fundamentos de fato e de direito expendidos, requer: a) tornar insubsistentes os Autos de Infração n° 51.064.274-8; 51.064.273- 4 e 51.064.275-6, por absoluta falta de fundamentação, de vez que inexistiu o detalhamento devido e necessário no relatório fiscal, com prejuízo ao oferecimento da defesa; b) acaso não se acolha a pretensão anterior, reconheça-se, pois, incidir sobre o caso, a disposição do art. 291, § 1º do art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, relevando a multa aplicada ao defendente, em função de estarem implementadas todas as quatro condições previstas no artigo citado; c) a nulidade também se justifica, por total incompatibilidade entre o descrito como infração, pelo auditor, e o estabelecido pelas normas legais; d) requer, por fim, a produção no decorrer processual de todas as demais provas possíveis e permitidas em direito, inclusive juntadas de documentos novos e perícia. Fl. 1110DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.633 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729500/2014-67 25 Irresignada, a empresa contribuinte interpôs recurso voluntário, arguindo, basicamente, as mesmas razões expostas em impugnação, sem apresentar documentos novos. Em síntese é o relatório. VOTO Conselheiro Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Relator Juízo de Admissibilidade Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, razão pela qual dele tomo conhecimento. - Considerações Iniciais Das Contribuições Incidentes sobre os Quinze Primeiros Dias Do Afastamento Por Auxílio-Doença Ou Auxílio-Acidente. O tema em apreço não merece maiores delongas, eis que já conhecido por este Colegiado. O item 2.4 do recurso voluntário interposto pelo contribuinte, limita-se a tratar sobre a não incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas de natureza indenizatória, em especial aquelas decorrentes dos quinze primeiros dias do afastamento por auxílio-doença ou auxílio-acidente. Ocorre que, conforme bem elucidado nos autos de infração, nos FLD (Fundamentos Legais do Débito – fls. 27 e ss) e, sobretudo, no acórdão de impugnação (fls. 1044/1045), não há sinais de que tais verbas compuseram o lançamento vergastado. Da mesma forma, o recorrente não fez tal demonstração. Assim, tomo de empréstimo a fundamentação da DRJ: (...) Da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Não comprovação da inclusão de valores pagos a título de auxílio doença e auxílio acidente nos primeiros quinze dias de afastamento do empregado Conforme visto, no levantamento “REMUNERAÇÃO FL PAGTO SEM GFIP” foram apuradas as diferenças de bases de cálculo de remunerações de segurados empregados constantes das folhas de pagamento e não declaradas em GFIP, nas competências 01/2010 a 07/2010; 11/2010 a 03/2011 e 05/2011 a 13/2011, de acordo com a planilha “Divergências de Folha de Pagamento e Declarados em GFIP pela Empresa – Divergências Mensais)”. Fl. 1111DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.633 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729500/2014-67 26 O contribuinte apresenta argumentação no sentido de que a jurisprudência do STF pacificou o entendimento de que a verba recebida pelo empregado a título de auxílio doença nos primeiros 15 (quinze) dias de afastamento tem caráter previdenciário, não configurando, portanto, natureza salarial decorrente de prestação de serviços, não havendo que se falar em incidência de contribuição previdenciária sobre os referidos valores, o mesmo se aplicando aos valores pagos a título de auxílio-acidente nos primeiros 15 (quinze) dias de afastamento. De pronto, cabe ressaltar que, em que pesem as alegações trazidas, a Impugnante não comprova que tais verbas encontram-se incluídas na base de cálculo apurada pela fiscalização. Neste ponto, é de se registrar que as alegações apresentadas em impugnação desacompanhadas de provas não produzem efeito em sede de processo administrativo-fiscal, sendo insuficientes para elidir o lançamento de ofício., razão pela qual, sobre tal prisma o recurso não merece ser conhecido. (...) De todo modo, a título elucidativo, mister sejam prestados esclarecimentos sobre o tema. Impende destacar que não incide contribuição previdenciária sobre o pagamento a funcionário nos primeiros 15 dias de afastamento decorrente de doença ou acidente, pois ele não tem natureza remuneratória. Tal matéria foi julgada pelo STJ no REsp 1.230.957/RS (julgado em 26/02/2014), sob o regime de repercussão geral, objeto do Tema 738, do qual se firmou a seguinte tese: Tema 738/STJ: Sobre a importância paga pelo empregador ao empregado durante os primeiros quinze dias de afastamento por motivo de doença não incide a contribuição previdenciária, por não se enquadrar na hipótese de incidência da exação, que exige verba de natureza remuneratória. Entendeu o STJ, com repercussão geral, que os pagamentos feitos a funcionário em razão de afastamentos para gozo de auxílio-doença ou auxílio-acidente, ainda que realizados pelo empregador, não têm natureza remuneratória, porquanto a incapacidade o acomete desde o evento que o impossibilitou ao exercício de suas funções. Assim, o valor pago não contempla natureza salarial, mas compensatória ou indenizatória. Eis a decisão daquela Corte Superior (grifou-se): PROCESSUAL CIVIL. RECURSOS ESPECIAIS. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. DISCUSSÃO A RESPEITO DA INCIDÊNCIA OU NÃO SOBRE AS SEGUINTES VERBAS: TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS; SALÁRIO MATERNIDADE; SALÁRIO DF CARF MF Fl. 1797 Original DOCUMENTO VALIDADO ACÓRDÃO 1402-007.068 – Fl. 1112DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.633 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729500/2014-67 27 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.721603/2011-81 26 PATERNIDADE; AVISO PRÉVIO INDENIZADO; IMPORTÂNCIA PAGA NOS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM O AUXÍLIO-DOENÇA. (...) 2.3 Importância paga nos quinze dias que antecedem o auxílio-doença. No que se refere ao segurado empregado, durante os primeiros quinze dias consecutivos ao do afastamento da atividade por motivo de doença, incumbe ao empregador efetuar o pagamento do seu salário integral (art. 60, § 3º, da Lei 8.213/91 com redação dada pela Lei 9.876/99). Não obstante nesse período haja o pagamento efetuado pelo empregador, a importância paga não é destinada a retribuir o trabalho, sobretudo porque no intervalo dos quinze dias consecutivos ocorre a interrupção do contrato de trabalho, ou seja, nenhum serviço é prestado pelo empregado. Nesse contexto, a orientação das Turmas que integram a Primeira Seção/STJ firmou-se no sentido de que sobre a importância paga pelo empregador ao empregado durante os primeiros quinze dias de afastamento por motivo de doença não incide a contribuição previdenciária, por não se enquadrar na hipótese de incidência da exação, que exige verba de natureza remuneratória. Nesse sentido: AgRg no REsp 1.100.424/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe 18.3.2010; AgRg no REsp 1074103/SP, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe 16.4.2009; AgRg no REsp 957.719/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 2.12.2009; REsp 836.531/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 17.8.2006. (Acórdão sujeito ao regime previsto no art. 543-C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 - Presidência/STJ, Rel. Ministro Campbell Marques, sessão de julgamento de 26/02/2014, publicado em 18/03/2014; sublinhas deste voto) Em razão de tal decisão, a PGFN editou o Parecer SEI nº 1446/2021/ME, em que reconhece tratar-se de matéria incontroversa, dispensando recursos judiciais sobre o objeto em discussão, a saber (grifou-se): Parecer SEI nº 1446/2021/ME Importância paga pelo empregador ao empregado nos 15 primeiros dias anteriores à incapacidade/auxílio-doença (verba). Inexigibilidade das contribuições previdenciárias, a cargo do empregador e do empregado, e inexigibilidade das contribuições destinadas aos terceiros sobre a dita verba. Tema com dispensa de contestar e de recorrer, à luz do que prevê o art. 2º, da Portaria PGFN Nº 502, de 2016, e o art. 19, VI, da Lei nº 10.522, de 2002. Nota PGFN/CRJ Nº 115/2017. Não incidência de contribuição previdenciária, a cargo do empregado, sobre a verba paga pelo empregador ao empregado nos quinze primeiros dias que antecedem o auxílio-doença. Inclusão do tema na lista de dispensa de contestar e de recorrer, com fulcro no art. 2º, VII, da Portaria PGFN Nº 502, de 2016. Ratificação do entendimento nas Notas PGFN/CRJ/Nº 520/2017 e Nº 981/2017. Ausência de vinculação da RFB ao aludido entendimento, enquanto ele não for subscrito pelo Procurador-Geral da Fazenda Nacional, ante a exigência contida no art. 19-A, caput e III, da Lei nº 10.522, de 2002. Fl. 1113DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.633 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729500/2014-67 28 Considerando que o entendimento está pacificado através do REsp 1.230.957/RS, com repercussão geral reconhecida nos termos do art. 543-C do CPC, tal posicionamento deve repercutir nos julgamentos do CARF, nos termos do regimento deste Tribunal, deve-se excluir da base de cálculo dos lançamentos os valores pagos pelo empregador aos empregados nos primeiros 15 dias de afastamento por auxílio-doença ou auxílio-acidente. Contudo, não há disposição expressa nos autos de infração e FLD respectivos de que tais verbas tenham sido objeto de lançamento nestes autos, não podendo esta Côrte administrativa trabalhar com presunções e sem provas nesse sentido. Por tal razão, deixo de tratar sobre o mérito da controvérsia aventada pelo recorrente. Preliminar Como questão preliminar, a recorrente requer a nulidade do auto de infração, tendo em vista que a fiscalização não produziu as provas imprescindíveis , violando os princípios do contraditório e ampla defesa e ainda defende que não teve tempo hábil a se defender. Pois bem! No presente caso, diferentemente do que sustenta o recorrente, a acusação fiscal está compreensível e devidamente estruturada, a despeito da exposição concisa. Entre outros aspectos, o Termo de Verificação Fiscal e seus anexos contêm a descrição dos fatos, identificação das bases de cálculo e o cálculo do montante do tributo devido. Não há que se falar, no caso em apreço, em vícios nos elementos constitutivos da obrigação tributária ou que atingem aspectos essenciais da relação jurídico-tributária, capaz de atrair a nulidade do lançamento. Tampouco há que se falar em cerceamento defesa, uma vez ter sido oportunizado à recorrente o direito de apresentar documentos e defesa no prazo legal. Ademais, saliento que o artigo 59, do Decreto nº 70.235/72 elenca as hipóteses de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal e, no caso, não vislumbro a presença de qualquer delas. Ao que se vê do mensurado artigo, seriam nulos se os atos e termos tivessem sido lavrados por pessoa incompetente, o que não é o caso. Verifico, nestes autos que a autoridade lançadora demonstrou de forma elucidativa e incontroversa os motivos pelos quais foi efetuado o lançamento, observados os ditames do artigo 142 do CTN. Complemento e saliento que os requisitos de validade do auto de infração e da notificação de lançamento previstos nos artigos 10 e 11, do Decreto nº 70.235/72 foram observados, razão pela qual improcedem as arguições preliminares. Assim, rejeito as preliminares de nulidade suscitadas na peça recursal. Mérito Fl. 1114DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.633 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729500/2014-67 29 No caso concreto, considerando que as razões recursais se identificam com as fundamentações da impugnação e tendo em vista que não foram juntados mais quaisquer documentos pelo recorrente, tomo por razão de decidir, os fundamentos exarados no acórdão, o que faço com fincas no artigo 114,§ 12, I, do RICARF, a saber: Do cálculo e do lançamento das contribuições previdenciárias e de Terceiros A Impugnante alega que a fiscalização, ao constatar que a empresa teria recolhido todas as contribuições previdenciárias por ela devidas, resolveu legislar, com o objetivo de arrecadar, criando fatos geradores inexistentes. Afirma que entregou todas as GFIP’s com todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, não havendo razão para criação de fatos geradores fictícios, com o fim de arrecadar. Não é o que se verifica nos autos. De acordo com o Relatório Fiscal, analisando os documentos apresentados pelo sujeito passivo, a fiscalização constatou, dentre outras, as seguintes irregularidades:  divergências entre as remunerações dos empregados constantes das folhas de pagamento mensais e as remunerações dos mesmos declaradas pela empresa em GFIP, isto é, nas folhas de pagamento existem empregados com remunerações maiores que as informadas em GFIP, bem como, empregados constantes nas folhas de pagamento e não incluídos nas GFIP da empresa;  ainda em relação aos segurados empregados, verificou-se que parte das contribuições a cargo destes segurados, apesar de terem sido descontadas pela empresa, conforme folhas de pagamento (anexas), não foram recolhidas nem informadas nas GFIP;  o contribuinte foi informado sobre as divergências verificadas nos documentos analisados (GFIP, folha de pagamento, contabilidade, outros), conforme planilhas anexas aos Termos de Intimação Fiscal - TIF, tendo sido solicitados esclarecimentos por parte do sujeito passivo. Em relação à omissão de informações em GFIP o contribuinte informou o seguinte: "Venho através desta, informar que, por motivos de envio de retificações das GFIP's de alguns meses dos anos de 2010 e 2011, substituiu as informações enviadas anteriormente, e que as informações estão corretas conforme envio das RAIS destes referidos anos.";  no TIF nº 04, a fiscalização solicitou da Autuada a apresentação de novas GFIP corrigindo os erros e omissões verificados na ação fiscal (demonstrado nas planilhas anexas ao termo). As novas GFIP tornavam-se necessárias inclusive para o aproveitamento dos valores recolhidos em GPS e para os quais não havia declaração correspondente (omissão total em GFIP). Visando retificar as informações incorretas das GFIP, o contribuinte apresentou ao final da ação fiscal novas GFIP retificadoras, relativas ao período de 01/2010 até 12/2011. Fl. 1115DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.633 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729500/2014-67 30 A entrega dessas GFIP retificadoras, apesar de não alterar as multas aplicadas, posto que ocorreram apenas após o inicio da ação fiscal, possibilitaram o aproveitamento dos valores recolhidos para os quais não havia declaração correspondente em GFIP. Do exposto no Relatório Fiscal, e de acordo com os anexos dos Autos de Infração e documentos anexados pela fiscalização, verifica-se estar correto o procedimento da fiscalização, vez que as GFIP’s informando os fatos geradores omitidos nas GFIP’s constantes do sistema informatizado da Receita Federal do Brasil no início da ação fiscal foram entregues pelo contribuinte somente no final da referida ação fiscal, ocorrendo, portanto, perda da espontaneidade, tendo sido aproveitados os recolhimentos efetuados pelo contribuinte para os quais não havia a correspondente declaração em GFIP, porém sendo exigidas as multas previstas na legislação. Da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Não comprovação da inclusão de valores pagos a título de auxílio doença e auxílio acidente nos primeiros quinze dias de afastamento do empregado Conforme visto, no levantamento “REMUNERAÇÃO FL PAGTO SEM GFIP” foram apuradas as diferenças de bases de cálculo de remunerações de segurados empregados constantes das folhas de pagamento e não declaradas em GFIP, nas competências 01/2010 a 07/2010; 11/2010 a 03/2011 e 05/2011 a 13/2011, de acordo com a planilha “Divergências de Folha de Pagamento e Declarados em GFIP pela Empresa – Divergências Mensais)”. O contribuinte apresenta argumentação no sentido de que a jurisprudência do STF pacificou o entendimento de que a verba recebida pelo empregado a título de auxílio doença nos primeiros 15 (quinze) dias de afastamento tem caráter previdenciário, não configurando, portanto, natureza salarial decorrente de prestação de serviços, não havendo que se falar em incidência de contribuição previdenciária sobre os referidos valores, o mesmo se aplicando aos valores pagos a título de auxílio-acidente nos primeiros 15 (quinze) dias de afastamento. De pronto, cabe ressaltar que, em que pesem as alegações trazidas, a Impugnante não comprova que tais verbas encontram-se incluídas na base de cálculo apurada pela fiscalização. Neste ponto, é de se registrar que as alegações apresentadas em impugnação desacompanhadas de provas não produzem efeito em sede de processo administrativo-fiscal, sendo insuficientes para elidir o lançamento de ofício. Ademais, deve-se destacar que as contribuições para a Seguridade Social têm sua base imponível definida na Constituição da República de 1988, nos seguintes termos: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes Fl. 1116DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.633 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729500/2014-67 31 contribuições sociais: I - do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) (grifei) Em consonância com o dispositivo constitucional, o inciso I do artigo 28 da Lei nº 8.212/91 apresenta o conceito legal de salário-de-contribuição para os segurados empregados: Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: I - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) (grifei) Por sua vez, o artigo 22, incisos I, da Lei no 8.212/91, prescreve a incidência de contribuições previdenciárias, a cargo do empregador, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados que lhe prestem serviços, dispondo em seu § 2º: “Não integram a remuneração as parcelas de que trata o § 9º do art. 28”. Via de regra, portanto, todos os rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, são considerados salário-de-contribuição, somente ficando afastada esta incidência nas hipóteses previstas no § 9º, do artigo 28, da Lei nº 8.212/91, dentre as quais não se encontram as verbas citadas pela Impugnante, ou seja, ainda que o contribuinte tivesse comprovado que as mesmas estão incluídas no salário-de-contribuição apurado nos AI’s, não haveria qualquer alteração a ser feita no lançamento fiscal. Das obrigações acessórias Em relação ao Auto de Infração Debcad nº 51.064.274-8, a empresa alega que não foi caracterizada a infração lançada, vez que não houve ausência de GFIP e todos os fatos geradores foram informados nas mesmas, não havendo, portanto, desobediência ao art. 32, inciso IV da Lei nº 8.212/91, conforme alegado pela fiscalização. Observa-se, no entanto, que o Relatório Fiscal discrimina claramente que o referido AI foi lavrado pelo fato da empresa ter apresentado GFIP com os seguintes campos omissos ou preenchidos incorretamente: Fl. 1117DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.633 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729500/2014-67 32 Valor salário-família; II) Alíquota RAT/GILRAT; III) Percentual do FAP; IV) Cadastro tomador serviço; V) Valor das notas fiscais emitidas por tomadores; e VI) Valor informado - Retenção Lei 9.711/98, infringindo o disposto no art. 32, inciso IV da Lei nº 8.212/91, acrescentado pela Lei nº 9.528/97, com redação dada pela Lei nº 11.941/2009: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS;(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) Note-se que a planilha anexa "Total de Campos Incorretos ou Omissos nas GFIP da Empresa" discrimina todos os campos da GFIP com informações incorretas ou omissas, inclusive o total de campos incorretos ou omissos em cada competência fiscalizada. Já a planilha anexa "Número de Tomadores de Serviços Não Declarado em GFIP" discrimina a quantidade total de tomadores de serviço da empresa, a quantidade de tomadores declarados em GFIP e a quantidade de tomadores não declarados em GFIP em cada competência fiscalizada, enquanto que as planilhas anexas "Notas Fiscais de Serviço - Ano 2010" e "Notas Fiscais de Serviço - Ano 2011" reportam-se às notas fiscais de serviços emitidas em cada competência para os tomadores de serviço (contratantes) e a quantidade de tomadores por competência. Destaque-se ainda que a fiscalização anexou aos autos extrato das GFIP’s nas quais foram constatadas as irregularidades discriminadas no Relatório Fiscal da Infração e nas planilhas acima citadas. Portanto, ao contrário do alegado, houve o descumprimento, pela empresa, do disposto no art. inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, acrescentado pela Lei nº 9.528/97, com redação dada pela Lei nº 11.941/2009, razão pela qual não merecem prosperar as alegações por ela trazidas na defesa. Em relação ao AI Debcad nº 51.064.275-6, a Impugnante alega que a fiscalização menciona que houve omissão de informações na contabilidade, no entanto esta mesma contabilidade já havia sido desconsiderada por omissões, sendo objeto do AI Debcad nº 51.064.273-4 e não é mais válida. No entanto, também não procedem tais alegações, ressaltando-se que não houve, no caso, qualquer afirmação do Auditor Fiscal no sentido de que estaria desconsiderando a contabilidade da empresa. O AI Debcad nº 51.064.273-0 foi lavrado por infração ao art. 33, §§ 2º e 3º da Lei nº 8.212/91, combinado com o art. 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. transcritos a seguir: Lei nº 8.212/91: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à Fl. 1118DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.633 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729500/2014-67 33 arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99: Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considera-se deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. (grifei) De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, a empresa foi autuada pelos seguintes motivos: a) apresentar o Livro Diário do ano de 2010 e Escrituração Contábil Digital (ECD/SPED - ano 2011) sem as formalidades legais exigidas, ou seja, não autenticados pela Junta Comercial do Estado do Ceará - JUCEC); b) apresentar os Livros Diário e Razão referentes ao ano de 2010 com omissão de informação verdadeira (não contabilização de notas fiscais de serviços prestados). Esclarece a fiscalização que, no ano de 2010. a empresa fez opção pela tributação com base no lucro presumido, estando dispensada, pela legislação tributária, da apresentação dos livros Diário/Razão desde que mantivesse Livro Caixa escriturado. A autuada foi intimada a apresentar os livros contábeis (Diário/Razão ou Caixa), sendo que, em relação ao ano de 2010 optou pela apresentação dos livros Diário e Razão em meio papel, nos quais, no entanto, não foi registrado o movimento real da empresa, conforme demonstrado pela fiscalização nas planilhas anexas. Ou seja, a empresa deixou de lançar em sua contabilidade diversas notas fiscais referentes aos seus serviços prestados. O faturamento anual (total das receitas) relativo a prestação de serviço registrado na contabilidade da empresa no ano de 2010 foi de R$5.953.901.59, enquanto que as notas fiscais de serviços apresentadas somavam para o mesmo período o Fl. 1119DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.633 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729500/2014-67 34 montante de R$8.148.540.70, ou seja, omissão de lançamentos de notas fiscais na contabilidade no valor de R$2.194.639.11. Para o ano de 2011 o contribuinte fez a opção pela tributação pelo Lucro Real, ficando obrigado a apresentar Escrituração Contábil Digital (ECD/SPED). Verificando as formalidades legais dos documentos contábeis apresentados pela empresa, a fiscalização constatou que tanto o Livro Diário (ano 2010) quanto a Escrituração Contábil Digital ECD/SPED (ano 2011) não estavam revestidos das formalidades legais exigidas, ou seja, não estavam devidamente autenticados pela Junta Comercial do Estado do Ceará - JUCEC. A falta de autenticação da JUCEC foi verificada para o ano de 2010 no próprio livro Diário, e para o ano 2011 no sistema "Receita BX" que contém as informações da escrituração contábil digital (ECD/SPED) enviada pela empresa. Por outro lado, o AI Debcad nº 51.064.275-6 foi lavrado por infração ao disposto no art. 11, §§ 3º e 4º da Lei nº 8.218/91, a seguir transcrito: Art.11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2158-35, de 2001) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (...) §3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. .(Incluído pela Medida Provisória nº 2158-35, de 2001) §4º Os atos a que se refere o § 3o poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. .(Incluído pela Medida Provisória nº 2158-35, de 2001) (grifos nossos) De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, para o ano de 2011, o contribuinte fez a opção pela tributação pelo Lucro Real, ficando obrigado a apresentar Escrituração Contábil Digital (ECD/SPED). Intimado a apresentar sua escrituração contábil digital, o contribuinte apresentou tanto no formato ECD/SPED quanto no formato MANADContábil, ambos contendo as mesmas informações. Ocorre que analisando as informações constantes nos arquivos contábeis digitais, a fiscalização constatou que os mesmos não registram o movimento real da empresa, conforme demonstrado em planilhas anexas, ou seja, a empresa deixou de lançar em sua contabilidade digital diversas notas fiscais referentes aos seus serviços prestados. O faturamento anual (total das receitas) relativo a prestação de serviço registrado no ano de 2011 foi de R$ 5.014.239,14, enquanto que as notas fiscais de serviços apresentadas somavam para o mesmo período o montante de R$10.441.236,31, Fl. 1120DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.633 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729500/2014-67 35 ou seja, omissão de lançamentos de notas fiscais na contabilidade no valor de R$5.426.997,17. Conforme visto, os Autos de Infração Debcad nº 51.064.273-0 e nº 51.064.275-6 foram corretamente lavrados, em virtude de descumprimento de obrigações acessórias previstas em dispositivos legais distintos (art. 33, §§ 2º e 3º da Lei nº 8.212/91 c/c art. 233, parágrafo único do RPS – AI Debcad nº 51.064.273-0 e art. 11, §§ 3º e 4º da Lei nº 8.218/91 – AI Debcad nº 51.064.275-6) e referem-se a períodos distintos (ano de 2010 – AI Debcad nº 51.064.273-0 e ano de 2011 – AI Debcad nº 51.064.275-6), não havendo o alegado prejuízo ao contribuinte, cabendo ressaltar mais uma vez que a contabilidade apresentada pelo contribuinte não foi desconsiderada pelo Auditor Fiscal. Da taxa SELIC O contribuinte insurge-se contra a incidência dos juros moratórios com base na Taxa SELIC. Cumpre esclarecer, de início, que não é a administrativa a esfera competente para a discussão acerca da natureza da taxa SELIC ou da constitucionalidade de sua previsão legal, ou modo de cálculo, ficando o agente público, no exercício de suas funções, inteiramente preso ao enunciado de lei, em todas as suas especificações, sendo a declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais uma prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. A propósito, na forma do artigo 26-A do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, e do artigo 59 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, a seguir transcritos, é vedado aos órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação de norma legal, sob fundamento de inconstitucionalidade. Decreto nº 70.235/72: Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) Decreto nº 7.574/2011: Art. 59. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (Decreto n o 70.235, de 1972, art. 26-A, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25). (...) É de se registrar que, ao contrário do que entende a impugnante, a legislação autoriza o cálculo dos juros moratórios considerando a taxa SELIC. Vejamos o que dispõem as regras aplicáveis à matéria: Código Tributário Nacional (CTN): Fl. 1121DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.633 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729500/2014-67 36 Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (...) (grifos nossos) Isto significa dizer que a taxa de juros de mora a ser exigida sobre os débitos fiscais de qualquer natureza para com a Fazenda Pública pode ser em percentual determinado por uma lei ordinária. E as Leis nº 8.212/91 e nº 9.430/96, no caso, dispõem de modo diverso daquele previsto no parágrafo 1º do art. 161 do CTN, determinando a aplicação da taxa SELIC para fins de cálculo dos juros de mora: Lei nº 8.212/91: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Lei nº 9.430/96: Art. 5º (...) (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (...) (grifos nossos) Portanto, a atividade da autoridade administrativa encontra-se vinculada à legislação que prevê a utilização da taxa SELIC como juros sobre os valores lançados nos Autos de Infração integrantes deste processo administrativo, encontrando-se esta discriminada no anexo “FLD – Fundamentos Legais do Débito”, não podendo afastá-la e/ou reduzi-la. Da doutrina e jurisprudência apresentada pela Impugnante Note-se, aqui, que a doutrina e a jurisprudência citada pela empresa, em sua defesa, referente a processos dos quais não tenha participado ou que não apresentem eficácia erga omnes, servem apenas de reforço aos seus argumentos, não vinculando a Administração àquelas interpretações, vez que não têm eficácia normativa. Do pedido para relevação da multa. Impossibilidade Fl. 1122DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.633 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729500/2014-67 37 A impugnante requer a relevação da multa aplicada no Auto de Infração Debcad nº 51.064.274-8, alegando ter cumprido todos os requisitos previstos no artigo 291, §1º do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, o qual, embora revogado, encontrava-se vigente à época das possíveis infrações (2010 e 2011), ressaltando que as penalidades vigentes à época da ocorrência das prováveis infrações lhe são mais benéficas, por permitir sua relevação com a eventual correção da falta. A relevação da multa encontrava-se prevista no §1º do art. 291 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, na redação dada pelo Decreto nº 6.032/2007, nos seguintes termos: Art. 291 Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. § 1º A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. (...) Ocorre que referido dispositivo legal foi revogado pelo Decreto nº 6.727, de 12 de janeiro de 2009, que passou a vigorar em 13/01/2009, data de sua publicação no DOU: Art. 1o Ficam revogados a alínea “f” do inciso V do § 9o do art. 214, o art. 291 e o inciso V do art. 292 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto no 3.048, de 6 de maio de 1999. Assim, com a revogação do art. 291, §1º do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, desapareceu do mundo jurídico a possibilidade de relevação da multa, sendo, portanto, de todo irrelevante que o infrator tenha cumprido, como afirma, todos os requisitos nele enunciados, vez que a autuação foi lavrada em 12/12/2014, e cientificada ao contribuinte em 16/12/2014, não se aplicando, portanto, as disposições do art. 291, §1ºdo RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Ademais, cabe observar que, ainda que a alegação relativa à aplicação da retroatividade benigna da lei tributária ao artigo 291 do RPS, fosse suscetível de acolhimento, no caso em análise, as infrações foram cometidas no período de 01/2010 a 13/2011, portanto, posteriormente à revogação do referido dispositivo legal pelo Decreto nº 6.727/2009, sendo, portanto, descabida a pretensão do contribuinte. Da juntada de documentos. Indeferimento Conforme disposto no anexo IPC - Instruções para o Contribuinte, recebido o Auto de Infração, o contribuinte tem o prazo de 30 (trinta) dias da data da ciência para apresentar impugnação, sendo um dos elementos essenciais à sua instrução, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Fl. 1123DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.633 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729500/2014-67 38 A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o Impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refira-se a fato ou a direito superveniente; ou, destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, tudo na forma dos artigos 15 e 16 do Decreto 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Desta forma, considerando que a Impugnante não comprovou a ocorrência de nenhuma das situações previstas no art. 16, inciso III, §4º, alíneas “a”, “b” e “c”, indefiro o pedido para posterior juntada de documentos. Do pedido de perícia. Indeferimento. Em relação ao pedido para realização de perícia, o Decreto nº 70.235/72 assim estabelece: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (...) § 1º Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (...) Art.18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (grifei) Assim, considero não formulado o pedido de perícia, vez que a Impugnante não atendeu aos requisitos previstos no art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72, Fl. 1124DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.633 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729500/2014-67 39 acima transcrito, deixando de formular os quesitos referentes aos exames desejados e de indicar o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. Ademais, cabe ressaltar que a realização de diligências e perícias tem por finalidade a elucidação de questões que suscitem dúvidas para o julgamento e, portanto, tais procedimentos visam à formação de convicção do julgador. Ressalte-se, ainda, que só há perícia se o fato depender de conhecimento especial, o que não é o caso do presente processo. A Impugnante requer a realização de perícia a fim de aferir se os cálculos estão corretos. Cabe ressaltar, no entanto, que os valores apurados foram extraídos dos documentos elaborados e apresentados pela própria Impugnante, estando devidamente demonstrado nos Autos de Infração e seus anexos, inclusive planilhas elaboradas pela fiscalização, todo o procedimento de cálculo utilizado na apuração do crédito, motivo pelo qual entendo que o processo está instruído e o julgamento prescinde de outras verificações, devendo ser indeferido o pedido de perícia. Reproduzidos os fundamentos da decisão recorrida, como razão de decidir, complemento minha fundamentação, apenas para ressalvar o que preconiza a súmula CARF n. 108, a saber: - Dos Juros incidentes sobre a multa O caso já se encontra pacificado no âmbito deste CARF, conforme preconiza a Súmula CARF nº 108, senão vejamos: Súmula CARF nº 108 Aprovada pelo Pleno em 03/09/2018 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Portanto, não assiste razão a recorrente em seus argumentos visto, não bastasse o tema já estar sumulado perante o CARF, a aplicação de juros de mora decorre de previsão legal, conforme bem delineado no acórdão recorrido que justificou a taxa aplicada no artigo 161 do CTN - Quanto à multa A recorrente, na esfera recursal, se insurge contra a multa aplicada, pugnando pela relevação. No caso, se insurge contra as multas aplicadas nos autos de infração Debcad nº 51.064.273-0 e Debcad nº 51.064.275-6, sendo o primeiro decorrente do descumprimento de obrigação acessória referente à falta de apresentação de livros e documentos relacionados com as contribuições previdenciárias sem as formalidades exigidas e/ou com omissão de informação verdadeira. Fl. 1125DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.633 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729500/2014-67 40 Já o segundo decorreu da apresentação de arquivos e sistemas de informações em meio digital com incorreção. Ao que se perlustra dos autos, a empresa recorrente não tratou da referida matéria na seara da impugnação, não podendo, portanto, ser trazida à discussão na esfera recursal, sob pena de supressão de instância Sobre o tema, advirto que a apreciação da matéria em segunda instância, sem que tenha sido apreciada em primeira instância, caracteriza supressão de instância, o que não se admite no direito processual administrativo tributário. Com efeito, a matéria encontra-se preclusa. De todo modo, no que concerne ao objeto do Auto de Infração DEbcad nº 51.064.275-6, aplico de ofício, o que preconiza a Súmula CARF nº 181, e afasto a aplicação da multa nele prevista, senão vejamos: Súmula CARF nº 181 Aprovada pela 2ª Turma da CSRF em sessão de 06/08/2021 – vigência em 16/08/2021 No âmbito das contribuições previdenciárias, é incabível lançamento por descumprimento de obrigação acessória, relacionada à apresentação de informações e documentos exigidos, ainda que em meio digital, com fulcro no caput e parágrafos dos artigos 11 e 12, da Lei nº 8.218, de 1991. Acórdãos Precedentes: 2401-003.530, 9202-008.351, 2402-008.124; 9202- 008.985 e 2202-007.201. Assim, torno nulo o auto de infração mencionado, qual seja o AI DEbcad 51.064.275-6 e mantenho as demais cominações. - Conclusão: Ante o exposto, conheço do recurso voluntário, para rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, dar-lhe parcial provimento para reputar nulo o auto de infração AI DEbcad 51.064.275-6, com amparo na Súmula CARF nº 181. Assinado Digitalmente Carlos Eduardo Fagundes de Paula Fl. 1126DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10980.004964/2007-79
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 28/02/2001 a 31/12/2002, 30/04/2004 a 31/10/2004, 30/09/2005 a 31/12/2006 OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. CONCORRÊNCIA DE PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL COM O MESMO OBJETO DE DISCUSSÃO. CONCOMITÂNCIA. CONFIGURAÇÃO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial onde se alterca a mesma matéria veiculada em processo administrativo, a qualquer tempo, antes ou após a inauguração da fase litigiosa administrativa, conforme o caso, importa em renúncia ao direito de recorrer ou desistência do recurso interposto, em observância ao princípio da unidade de jurisdição. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. VALORES INFORMADOS EM DCTF. INSCRIÇÃO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. LANÇAMENTO. Consoante ato normativo baixado pela própria RFB, as diferenças apuradas em informações prestadas em DCTF, atinentes a compensações indevidas ou não comprovadas, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União, com os acréscimos moratórios devidos, portanto, sem aplicação da multa de ofício, ressalvada a qualificada, quando cabível, nos termos do art. 18 da Lei nº 10.833/03, sem necessidade de lançamento. Todavia, a sua realização não é vedada, desde que contemple apenas o valor dos tributos devidos e os acréscimos moratórios e que sejam adotadas cautelas tendentes a evitar a cobrança em duplicidade. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3403-000.771
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso na parte em que existe concomitância com o processo judicial e, na parte conhecida, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para excluir a multa de ofício. Os Conselheiros Marcos Tranchesi Ortiz e Domingos de Sá Filho votaram pelas conclusões.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL

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Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período  de  apuração:  28/02/2001  a  31/12/2002,  30/04/2004  a  31/10/2004,  30/09/2005 a 31/12/2006  OPÇÃO  PELA  VIA  JUDICIAL.  CONCORRÊNCIA  DE  PROCESSOS  ADMINISTRATIVO  E  JUDICIAL  COM  O  MESMO  OBJETO  DE  DISCUSSÃO. CONCOMITÂNCIA. CONFIGURAÇÃO.  A  propositura  pelo  contribuinte  de  ação  judicial  onde  se  alterca  a  mesma  matéria  veiculada  em  processo  administrativo,  a  qualquer  tempo,  antes  ou  após a inauguração da fase litigiosa administrativa, conforme o caso, importa  em  renúncia  ao direito de  recorrer ou desistência do  recurso  interposto,  em  observância ao princípio da unidade de jurisdição.  COMPENSAÇÃO  INDEVIDA.  VALORES  INFORMADOS  EM  DCTF.  INSCRIÇÃO  EM  DÍVIDA  ATIVA  DA  UNIÃO.  MULTA  DE  OFÍCIO.  INAPLICABILIDADE. LANÇAMENTO.  Consoante ato normativo baixado pela própria RFB,  as diferenças apuradas  em informações prestadas em DCTF, atinentes a compensações indevidas ou  não comprovadas, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União,  com os acréscimos moratórios devidos, portanto, sem aplicação da multa de  ofício, ressalvada a qualificada, quando cabível, nos termos do art. 18 da Lei  nº 10.833/03, sem necessidade de lançamento. Todavia, a sua realização não  é  vedada,  desde  que  contemple  apenas  o  valor  dos  tributos  devidos  e  os  acréscimos  moratórios  e  que  sejam  adotadas  cautelas  tendentes  a  evitar  a  cobrança em duplicidade.  Recurso Voluntário Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     Fl. 393DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por ROBSON JOSE BAYERL Assinado digitalmente em 17/02/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 16/02/2011 por ROBSON JOSE BAYERL     2 Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  tomar conhecimento do recurso na parte em que existe concomitância com o processo judicial  e, na parte conhecida, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para excluir a multa  de  ofício.  Os  Conselheiros Marcos  Tranchesi  Ortiz  e  Domingos  de  Sá  Filho  votaram  pelas  conclusões.    Antonio Carlos Atulim – Presidente    Robson José Bayerl ­ Relator  Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim,  Robson  José  Bayerl,  Domingos  de  Sá  Filho,  Winderley  Morais  Pereira,  Ivan  Allegretti  e  Marcos Tranchesi Ortiz.    Relatório  Cuida­se, na espécie, de auto de infração lavrado para exigir crédito tributário  originário  de  compensação  e/ou  suspensão  da  exigibilidade  indevidamente  consideradas  no  período fevereiro/2000 a dezembro/2006.  Segundo  a  autuação,  o  contribuinte  vinculou  aos  débitos  constantes  das  DCTF ações  judiciais que não  teriam o  condão de  extinguir,  sob  forma de  compensação, ou  suspender  a  exigibilidade  do  crédito  tributário  pertinente,  pelas  seguintes  razões:  i)  para  os  períodos  02/2001  a  12/2002,  10/2004,  09/2005  e  10/2005,  rubrica  “outras  compensações  e  deduções”,  e  02/2006,  04/2006,  05/2006  e  07/2006  a  12/2006,  rubrica  “suspensão”,  a  ação  ordinária 2001.35.00.006898­2, que cuida do direito de crédito de apólices da dívida pública,  porquanto  a  tutela  antecipada  deferida  em  12/12/2001  conferiu  apenas  o  direito  ao  uso  dos  créditos como garantia de dívidas perante a União,  suas autarquias e  instituições  financeiras,  públicas ou privadas,  e  como aporte de  capital,  não  sendo  contemplada  a compensação com  tributos  federais,  de modo que não há qualquer  decisão  judicial  que  ampare o procedimento  adotado  pelo  contribuinte,  demais  disso  as  aludidas  decisões  ainda  pendem  de  trânsito  em  julgado, o que atrairia a vedação do art. 170­A do Código Tributário Nacional e do art. 74 da  Lei nº 9.430/96,  com a  redação dada pelas Leis nºs 10.637/02, 10.833/03 e 11.051/04;  e,  ii)  para  os  períodos  04/2004  a  09/2004,  rubrica  “outras  compensações  e  deduções”,  a  ação  ordinária 2004.34.00.021301­0, onde se requer o reconhecimento do “acertamento” da relação  jurídica  compulsória  existente  entre  a  Fazenda  Nacional  e  o  contribuinte  e  a  compensação  realizada com  respaldo na ação ordinária 2001.35.00.006898­2, porque a consulta processual  retornou  informação  de  sua  extinção  com  julgamento  de  mérito,  em  11/05/2006,  pela  prescrição/decadência.  Em conclusão os agentes fiscais autuantes afirmaram que inexistia qualquer  comando  judicial  que  autorizasse  a  compensação  realizada,  portanto,  feita  por  conta  e  risco  próprio  do  contribuinte,  eis  que  não  dotado  o  crédito  de  certeza  e  liquidez  necessários  a  tal  forma de extinção do crédito tributário, o que motivou sua glosa e o lançamento com aplicação  de  multa  qualificada  (150%)  e  representação  fiscal  para  fins  penais,  ao  argumento  de  Fl. 394DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por ROBSON JOSE BAYERL Assinado digitalmente em 17/02/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 16/02/2011 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10980.004964/2007­79  Acórdão n.º 3403­00.771  S3­C4T3  Fl. 2          3 intencional  conduta  de  iludir  a  Fazenda Federal  pela prestação  de  informação  inverídica nas  DCTF apresentadas.  Devidamente  cientificado,  o  contribuinte  apresentou  alentada  impugnação  onde manifesta  sua  contrariedade  à  autuação, momento  em  que  peço  vênia  para  transcrever  excerto do relatório da decisão de primeiro grau, pela minúcia de sua exposição:  “Inicialmente,  em  face  da  interposição  da  impugnação,  reclama  pela  suspensão da exigibilidade do lançamento, nos termos do art. 151, III, do CTN.  Alega, no item “Preliminarmente – Nulidade do auto de infração”, ser nulo o  auto  de  infração  “em  face  da  sua  manifesta  impropriedade,  especialmente  por  inexistência  de  justa  causa  para  sua  lavratura  contra  a  impugnante,  por  inocorrência  de  qualquer  ilicitude, muito menos  a  irrogada na  peça  acusatória”;  fala  que  “não  vulnerou  os  dispositivos  legais  inseridos  no  auto  de  infração”,  e,  ainda, que “a impropriedade é gritante, já que como consta do auto, não exsurge o  ânimo  sancionatório  exigido  na  exação  sob  contestação,  o  que  também  por  esse  prisma, marca de nulidade a pretensão do fiscal autuante”.  Contestando a  conclusão exposta no Termo de Verificação  e Encerramento  (fl.  702),  comenta  que,  no  tocante  à  ação  judicial  n.º  2001.35.00.006898­2/GO,  haveria o reconhecimento de seu direito de compensar créditos representados por  apólices da dívida pública (custodiadas na Caixa Econômica Federal, e validadas  em decisão judicial) com tributos federais; transcreve trecho de decisão judicial que  conteria  tal mandamento  (fl.  703,  onde  constaria  o  deferimento  à  contribuinte  de  antecipação de tutela,  tão­só para o fim de utilizarem as apólices como aporte ou  integralização de capital), e considera ser natural a utilização do ativo  financeiro  para  fins  de  aporte  de  capital  em  sua  contabilidade;  ante  o  referido  aporte  de  capital,  e  judicialmente  autorizado  para  pagamento  de  quaisquer  tributos,  teria  passado a exercer todos os direitos que emanam do provimento judicial noticiado,  inclusive  o  de  proceder  à  compensação  dos  tributos  por  autolançamento;  no  seguimento, às  fls. 704/705,  reproduz mais  trechos dessa decisão  judicial, que diz  amparar suas alegações. Prosseguindo, diz que em 12/12/2002, no citado processo  foi  prolatada  sentença,  da  qual  destaca  o  seguinte  trecho  (fl.  705):  “...  a  plena  validade  e  eficácia,  inclusive  imobiliária,  das  apólices  da  dívida  pública  federal  fundada  interna,  identificadas  nesta  sentença,  de  sorte  a  que  os  autores  possam,  livremente,  afastada  qualquer  alegação  de  prescrição,  usufruir  dos  direitos  de  crédito que delas emergem, principalmente o de  receberem os  respectivos  valores  através de precatório contra a União Federal”; afirma que a Secretaria do Tesouro  Nacional, consultada sobre a  liquidação voluntária de ativos,  teria informado que  os  títulos  referidos  são  pagáveis  (principal  e  juros),  mediante  apresentação  ao  agente pagador, em Londres, pelo que os  títulos utilizados pela empresa, além de  ter  reconhecida  sua  validade  no  âmbito  judicial,  tiveram  seu  reconhecimento  expresso pelo Ministério da Fazenda, após a prolação da sentença, razão pela qual  seria desnecessária a discussão sobre sua oponibilidade. Falando que tais fatos, de  per si, fariam cair por terra a alegação de prescrição, razão pela qual, diz (fl. 706):  “reporta­se  a  impugnante,  na  íntegra,  aos  termos  dos  embargos  de  declaração  opostos na ação judicial n.º 2001.35.00.006898­2/GO, máxime quanto ao item III.1,  no  que  concerne  a  omissão  da  Corte  Regional  de  Apreciação  aos  Ofícios  do  Tesouro Nacional reconhecendo que as apólices nele referidas são ‘pagáveis’, logo,  por  óbvio,  não  estão  prescritas,  e,  conseqüentemente,  a  negativa  de  vigência  do  Decreto­Lei n.º 6.019 – de 23 de novembro de 1943, e dos artigos 334, I e 348 do  vigente  Código  de  Processo  Civil.”.  Comenta  que  se  pode  perceber  que  a  compensação  noticiada  se  fundaria  em  outros  institutos,  não  se  confundindo,  Fl. 395DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por ROBSON JOSE BAYERL Assinado digitalmente em 17/02/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 16/02/2011 por ROBSON JOSE BAYERL     4 necessariamente,  com  a  ação  ordinária  2001.35.00.006898­2/GO,  que  teria  como  objetivo  único  o  reconhecimento  da  validade  dos  títulos  nela  colacionados;  argumenta que o amparo legal estaria no Código Civil (Lei n.º 10.406, de 2002) e  construção analógica da legislação que trata da matéria.  No  título  “Do  Pagamento  com  Títulos  da  Dívida  Externa  Mediante  Compensação”, alega que atendendo normas emanadas da Resolução do Conselho  Federal de Contabilidade n.º 686, de 1990, procedeu em sua escrituração contábil o  aporte de  títulos  reconhecidos  como pagáveis pelo Tesouro Nacional,  e  em razão  desse  aporte  de  capital,  que  constituir­se­ia  em  crédito,  passou  a  proceder  à  compensação,  conforme  autorização  contida  no  art.  368  e  seguintes,  do  atual  Código Civil, bem como nos arts. 150 e 170 do Código Tributário Nacional (CTN),  além  da  legislação  que  rege  a  escrituração  comercial  e  tributária.  Fala  que  a  compensação  teria  sido  feita  mediante  autolançamento,  a  qual  equivaleria  ao  pagamento, nos termos do art. 156 do CTN, com o que teria havido a extinção dos  débitos  fiscais  de  PIS  reclamados  pelo  fisco.  Tece  considerações  sobre  ser  o  pagamento  uma  das  formas  de  extinção  da  obrigação,  e  diz  que  uma  vez  assim  extinta a obrigação, é direito do devedor exigir a regular quitação, sob pena de se  configurar  o  locupletamento  ilícito  do  já  pseudocredor.  Considera,  ainda,  que  o  direito  de  compensar  e  de  alegar  a  compensação  é  da  categoria  dos  direitos  potestativos,  em  virtude  do  que  estaria  investido  no  poder  de  exercer  sobre  seus  direitos  toda  ação  que  lhe  é  assegurada  pela  lei,  no  caso,  utilizar­se  de  ativos  financeiros  aportados  ao  seu  capital,  mediante  autorização  judicial;  finalizando  esse item, reafirma que com a compensação informada, equivalente ao pagamento,  teria  ocorrido  o  cumprimento  da  obrigação  e,  por  conseqüência,  a  extinção  da  relação jurídica obrigacional em tela.  A seguir, nos itens “O Crédito Utilizado para Proceder a Compensação. Da  Declaração Emitida pelo Ministério da Fazenda – Secretaria do Tesouro Nacional  Informando que  o Título é Pagável  (Ofício  n.º  4.353/CODIP/STN)”, “O Texto de  Emissão  da  Apólice  Prevê  que  os  Títulos  Retirados  Assim  Como  os  Cupons  Vencidos  Deverão  Ser  Aceitos  pelo  Estado  para  Pagamento  de  Impostos”,  “Da  Cotação na Bolsa de Valores do Estado de São Paulo – Bovespa” e “Da Previsão  de  Pagamento  no  Orçamento  da  União”,  faz  diversos  comentários  sobre  seu  suposto crédito, que seria representado por apólices da dívida externa brasileira, e  sustenta  que  tais  títulos  “deverão  ser  aceitos  pelo  Estado  como  dinheiro  para  o  pagamento de impostos”.  Por  seu  turno, no  item “A Previsão Legal da Compensação Noticiada”, no  que  diz  respeito  à  compensação  em  causa,  sustenta  que  a  doutrina  e  a  jurisprudência  evidenciam  dois  posicionamentos:  (a)  uns  entenderiam  que  a  lei  é  omissa;  (b)  outros  sustentariam  que  a  integração  analógica  da  lei  admitiria  concluir  que  é  permitida  a  utilização  de  ativos  financeiros  com  débitos  fiscais.  Prossegue  afirmando  que  a  posição  favorável  terminou  por  se  ver  triunfante  e  contemplada no art. 374 do Código Civil vigente, que teria passado a regulamentar  a compensação legal, ou seja, aquela que independeria do concurso da vontade das  partes  envolvidas,  inovação  que  consagraria  o  direito  potestativo  que  os  contribuintes e credores teriam de compensar o seu crédito.  Acrescenta que a possibilidade de pagamento de quaisquer tributos por meio  de ativos financeiros oriundos da dívida pública “normatizou­se em vários institutos  legais”, dentre os quais cita o art. 6º da Lei n.º 10.179, de 2001, e complementa,  com apoio no princípio da  isonomia  (art.  5º,  caput da Constituição Federal),  que  não mais  se  poderia  falar  na  impossibilidade  da  compensação  ou  pagamento  de  tributos com tais créditos, mesmo que decorrentes de apólices da República Velha,  posto que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”, não  se  podendo,  assim,  distinguir  entre  credores  antigos  (detentores  de  apólices  da  Fl. 396DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por ROBSON JOSE BAYERL Assinado digitalmente em 17/02/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 16/02/2011 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10980.004964/2007­79  Acórdão n.º 3403­00.771  S3­C4T3  Fl. 3          5 dívida pública) e credores novos (detentores de NTN), tendo, tanto um como outro,  poder liberatório para pagamento dos tributos federais.  Mencionando  o  art.  170  do  CTN,  fala  que  os  créditos  dos  contribuintes  podem ser  líquidos  e  certos,  vencidos ou  vincendos,  e que  ficaria  claro que  esses  créditos  não  são  tributários,  porque  não  existiria  crédito  tributário  vincendo,  agregando  que  os  únicos  créditos  ‘vincendos’  oponíveis  à  Fazenda  Pública  constituem­se  exatamente  naqueles  que  decorrem  da  dívida  pública,  ou  seja,  as  apólices dessa dívida.  Reafirmando  que  o  art.  374  do  atual  Código  Civil  contém  a  disciplina  da  compensação  das  dívidas  fiscais  e  parafiscais,  diz  que  “inexiste  desde  então,  qualquer  impeço  legal  para  a  exclusão  das  dívidas  fiscais  do  instituto  da  compensação regulado pelo Código Civil. A compensação é uma só, quer  seja de  dívidas privadas, quer seja do indébito tributário, sendo efetuada diretamente pelo  contribuinte  e,  no  caso,  dos  débitos  fiscais,  posteriormente,  comunicada  à  autoridade  fazendária.”  (fl.  712/713);  entende,  assim,  que  a  administração  fazendária  não  pode,  em  hipótese  alguma,  limitar,  restringir  ou  negar  ao  contribuinte o pleno direito à compensação sempre que este for credor da Fazenda  Pública, e que esse direito é corolário lógico do próprio direito de propriedade, não  havendo  que  se  remeter  à  legislação  especial,  mais  precisamente,  à  legislação  tributária,  a  definição  dos  limites  ao  direito  à  compensação,  quando  a  Fazenda  Pública for a devedora; agrega que esse ente (Fazenda Pública), por lhe ser mais  confortável,  embora  sem base  legal, “prefere  limitar a angulação da matéria aos  limites  restritos  e  uma  exegese  restritiva  do  artigo  170  do  Código  Tributário  Nacional, olvidando toda atuação legiferante sobre o tema, notadamente o ingresso  no  direito  positivo  pátrio  do  novo  Código  Civil  Brasileiro,  que  deu  íntegro  tratamento  à  questão,  fazendo  plasmar  no  título  que  trata  da  extinção  das  obrigações  os  novos  rumos  para  aplicação  do  instituto  jurídico  da  compensação  aos débitos fiscais e parafiscais” (fl. 713). Na seqüência, prosseguindo no tema, faz  extenso  arrazoado  (fls.  713/721)  no  sentido  de  defender  o  direito  de  efetuar  a  compensação pretendida tendo por base legal o art. 374 do Código Civil em vigor.  Em  item  seguinte,  denominado  “Das  Ações  Declaratórias  N.ºs  2001.34.00.026190­7,  2002.34.00.009434­3,  2003.34.00.036660­9  e  2004.34.00.021301­0, em Curso Perante a Seção Judiciária do Distrito Federal. Da  Suspensão  da  Exigibilidade  Administrativa  por  Força  da  Doutrina  Processual  –  Artigo 38 da Lei n.º 6.838/80.”, afirma que a interposição das ações judiciais tem  natureza jurídica de declaração espontânea dos passivos tributários perante o fisco  federal,  ou  seja,  confissão  de  débitos  para  todos  os  fins  legais,  submetendo  ao  Judiciário  o  pronunciamento  definitivo  acerca  da  extinção  dos  tributos  lá  informados,  objetos  de  compensação.  Em  razão  de  o  ajuizamento  das  ações  declaratórias  ter  se dado em data anterior aos procedimentos de auditoria  fiscal,  alega  que  teria  encerrado  a  competência  do  fisco  para  se  manifestar  sobre  a  excussão dos débitos aqui relacionados, tornando­se o Juízo de Brasília de fato e de  direito  competente  para  o  exercício  da  jurisdição  invocada  em  virtude  da  prevenção, devendo­se  aguardar o  trânsito  em  julgado da  ação de  conhecimento.  No seguimento, tece considerações, valendo­se da doutrina, sobre a impossibilidade  de  o  fisco  efetuar  o  lançamento  em  causa,  em  face  da  existência  de  discussão  judicial; acrescenta que tendo se antecipado aos fatos e às possíveis atitudes que o  fisco federal porventura pudesse, ou possa tomar, mostrou ao Poder Judiciário, e à  própria  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional,  exatamente  como  vem  promovendo  suas  compensações,  demonstrando  sua mais  lídima boa­fé;  fala que não há como  negar que a própria administração já teria reconhecido que havendo ação judicial  em curso, até por razoabilidade e economia processuais, dever­se­ia suspender os  Fl. 397DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por ROBSON JOSE BAYERL Assinado digitalmente em 17/02/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 16/02/2011 por ROBSON JOSE BAYERL     6 procedimentos administrativos até deslinde final da ação proposta, sob pena de se  violar a unidade de jurisdição; assim, entende que deve o órgão da Receita Federal  determinar  a  suspensão  da  exigibilidade  dos  créditos  porventura  ainda  existentes  entre o fisco e a interessada.  Sob  o  título  “Da  Inconstitucionalidade  pela  Imposição  de  Multa  em  Percentuais Exorbitantes  e  de Forma Cumulativa”,  contesta  a multa  de  ofício no  percentual  de  150%,  dizendo  que  a  alegação  do  fisco  de  que  as  informações  prestadas pela interessada constituir­se­iam em ação dolosa para excluir ou reduzir  o  montante  do  imposto  devido  e/ou  evitar  ou  diferir  o  seu  pagamento  não  corresponderiam à  verdade,  posto  que  as  informações  de  compensação prestadas  nos campos ‘antecipação de tutela e suspensão’ somente ocorreram por não existir  outra forma de prestar a informação, já que não existem campos na DCTF para tal,  o que seria uma forma de o fisco não conhecer da informação de compensação, e  depois autuar a empresa com a aplicação de multas que considera expropriatórias,  além  de  outras  exigências.  Entende  que  não  há  dolo,  já  que  compareceu  antecipadamente em juízo, declarando a compensação realizada, encontrando­se no  aguardo de decisão judicial definitiva, não se podendo, assim, falar em ação dolosa.  Diz,  ainda,  que  não  há  dúvida  que  se  deve  ‘responder  à  obrigação  acessória’,  consistente na aplicação de penalidade pecuniária, por não ter pagado o tributo no  tempo  devido,  entretanto,  tal  qual  o  império  no  trato  com  as  questões  civis  e  comerciais, a primeira (civil) com multas no máximo a 10%, e a outra (comercial) a  2%, o  fisco,  sujeito que está ao albergue dos princípios constitucionais, não pode  submeter  os  contribuintes a multas  ‘exorbitantes’,  que, muitas  vezes,  superam  em  muito  o  valor  original  do  tributo.  No  seguimento,  falando  em  ferimento  aos  princípios  constitucionais  da  isonomia,  capacidade  contributiva  e  vedação  ao  confisco, tece considerações sobre tais princípios, ficando claro, de seu arrazoado,  que, caso seja aplicada multa, ela não deveria ultrapassar o percentual de 10%, e  nem ser aplicada de forma cumulativa.  No  item  “Da  Aplicação  de  Juros  Exorbitantes”,  questiona  a  exigência  de  juros  de  mora  com  base  na  taxa  Selic  na  exigência  fiscal;  depois  de  fazer  comentários  sobre  o  panorama  legislativo  brasileiro,  com  o  qual  não  concorda,  volta ao tema dos juros de mora, alegando que no regime privado os juros são de  6%  ao  ano,  o  que  se  afiguraria  como  justo  e  normal,  pedindo  que  no  caso  da  autuação, observe­se tal percentual, em homenagem ao princípio constitucional da  isonomia. Argumenta, ainda, que os juros de mora somente poderiam ser exigidos a  partir da inscrição da dívida, citando, quanto a isso, ementa de julgado (fl. 730).  Já, no título “Do Auditor Fiscal como Agente do Estado”, argumenta que, no  caso,  teria  havido  a  cobrança  de  ‘tributo’  inexistente,  pelo  que  deveria  o Estado  adotar as medidas adequadas em face de um alegado ferimento do art. 316, § 1º, do  Código Penal (crime de excesso de exação) por parte de seu agente.  Por fim, pelas razões alegadas, pede que se reconheça a total improcedência  do lançamento.”  A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR, por  maioria  de  votos,  julgou  o  lançamento  parcialmente  procedente  rebatendo  sua  nulidade  por  falta  de  motivação,  uma  vez  que  os  fatos  ensejadores  de  sua  realização  foram  claramente  expostos no auto de  infração. No mérito,  após  análise das petições e decisões proferidas nas  ações  judiciais  em  epígrafe,  reafirmou  a  inexistência  de  provimento  judicial  que  escorasse  a  compensação  realizada,  ao  passo  que,  na  ação  2001.35.00.006898­2,  a  sentença  pela  procedência do pedido fora objeto de remessa oficial e recurso de apelação, providos integral e  parcialmente,  respectivamente,  em 03/04/2007 pelo Tribunal Regional  Federal  da  1ª Região,  encontrando­se  pendente  de  julgamento  os  embargos  declaratórios  interpostos,  e,  na  ação  declaratória  2004.34.00.021301­0,  houve  sentença  de  primeira  instância,  proferida  em  Fl. 398DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por ROBSON JOSE BAYERL Assinado digitalmente em 17/02/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 16/02/2011 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10980.004964/2007­79  Acórdão n.º 3403­00.771  S3­C4T3  Fl. 4          7 11/05/2006,  com  exame  de  mérito  e  pronúncia  da  prescrição/decadência  do  direito,  e,  em  01/06/2007, consta a emissão de decisão rejeitando os embargos de declaração apresentados,  ainda pendente de eventual recurso, faltando, portanto, requisito básico para o processamento  da  compensação  –  decisão  judicial  transitada  em  julgado.  Na  seqüência,  analisou  o  que  cognominou  mecanismo  da  compensação  e  sua  normatização,  historiando  a  legislação  de  regência  do  instituto,  para  concluir  que,  na  ausência  de  qualquer  formulário  de  pedido  de  compensação, exigido até o advento da Lei nº 10.637/02, e declaração de compensação, a partir  de então, ou mesmo a falta de comprovação da existência de compensação fundada no art. 66  da  Lei  nº  8.383/91,  não  houve  a  implementação  de  compensação  alguma,  eis  que  a  mera  informação  em  DCTF  não  tem  o  condão  de  suprir  as  providências  necessárias  para  operacionalização da compensação, nos termos das instruções normativas baixadas pela RFB,  todavia, em razão das disposições do art. 9º, § 1º da  IN SRF 482/2004, que prevê a  remessa  para inscrição em Dívida Ativa União das diferenças apuradas em procedimento de auditoria  interna  de  DCTF,  entendeu  pelo  cancelamento  do  lançamento  referente  ao  período  compreendido  entre  09/2005  a  dezembro/2006  e  respectivos  consectários;  averbou  que  às  instâncias  administrativas  não  foi  conferida  competência  para  examinar  aspectos  de  constitucionalidade  de  normas  legais,  tais  como  a  natureza  confiscatória  da  multa  aplicada,  bem  assim,  que  a  jurisprudência  judicial  e  administrativa  citada  não  possuiria  eficácia  normativa extensiva ao contribuinte, porquanto não figurava como litigante nestes processos;  asseverou  que  a  taxa  selic  encontra  amparo  legal  no  art.  161  do CTN  c/c  art.  61  da  Lei  nº  9.430/96; e, por derradeiro, reduziu a multa qualificada para o percentual ordinário (75%) por  inadequada caracterização das figuras previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64.  Em  recurso  voluntário  o  contribuinte  sustentou  que  o  Tesouro  Nacional  reconheceu  que  os  títulos  da  dívida  pública  externa  de  sua  propriedade  são  efetivamente  válidos,  líquidos,  certos  e  exigíveis;  que  existe  relação  jurídica  pré­constituída  entre  ele  e  a  União; que a União pura e simplesmente não quer “pagar o que deve” e tampouco cumprir o  que contratou, externando o que chamou de um “mau­exemplo” à sociedade; que os títulos que  detêm devem  ser  recebidos  como dinheiro,  particularmente  para  quitação  de  tributos;  e,  que  não haveria argumento válido contra o que denominou de “ato jurídico perfeito” existente entre  ele e a União.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Robson José Bayerl, Relator  O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos  de admissibilidade, entretanto, seu exame ficará adstrito à matéria não submetida ao Judiciário,  como adiante se demonstrará.  No  caso  vertente,  o  principal  assunto  devolvido  pela  peça  recursal  a  este  Conselho  Administrativo  repousa  no  debate  a  respeito  da  liquidez  e  certeza  do  crédito  consubstanciado  nas  apólices  da  dívida  pública  de  propriedade  do  recorrente,  seu  poder  liberatório  como  moeda  e  utilização  para  quitação  de  tributos  administrados  pela  Receita  Federal do Brasil.  Fl. 399DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por ROBSON JOSE BAYERL Assinado digitalmente em 17/02/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 16/02/2011 por ROBSON JOSE BAYERL     8 Como  noticiam  os  autos,  por  intermédio  da  ação  ordinária  2001.35.00.006898­2 o recorrente buscou o reconhecimento judicial, dentre outros efeitos, da  plena  validade  das  apólices  da  dívida  pública  que  compunham  o  feito,  da  divisibilidade,  transferibilidade  e  endosso  dos  créditos  respectivos,  da  plena  eficácia  desses  papéis,  de  sua  validade, a utilização destes títulos como garantia de dívidas contraídas perante a União e suas  autarquias, bem como,  instituições  financeiras públicas e privadas, pagamento pelo seu valor  de  face  mediante  precatório,  utilização  como  moeda  de  privatização  e  a  possibilidade  de  compensação com tributos federais, inclusive de natureza previdenciária.  Como  se  verifica,  o  objeto  da  demanda  é  amplíssimo,  abrangendo  por  continência  os  temas  aqui  propostos,  de  modo  que  sua  dedução  perante  o  Poder  Judiciário  esgotou  por  completo  esta  questão,  esvaziando  nesta  medida  o  contencioso  administrativo,  cumprindo agora à Administração Tributária simplesmente observar o que lá decidido.  No  sistema  jurídico  positivo  pátrio  impera  o  princípio  da  unidade  de  jurisdição, o poder de dizer o direito, como palavra final, prerrogativa esta exclusiva do Poder  Judiciário,  a  teor  do  art.  5º,  XXXV  da  Carta Magna  de  1988,  de  tal  sorte  que  a  opção  do  recorrente pela via judicial importa em renúncia ao direito de recorrer ou desistência do recurso  administrativo acaso apresentado, como se extrai do art. 1º, § 2º do Decreto­Lei nº 1.737/79,  verbis:  “Art 1º ­ Serão obrigatoriamente efetuados na Caixa Econômica Federal, em  dinheiro ou em Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional ­ ORTN, ao portador,  os depósitos:    I ­ relacionados com feitos de competência da Justiça Federal;    II ­ em garantia de execução fiscal proposta pela Fazenda Nacional;    III ­ em garantia de crédito da Fazenda Nacional, vinculado à propositura de  ação anulatória ou declaratória de nulidade do débito;    IV  ­  em  garantia,  na  licitação  perante  órgão  da  administração  pública  federal direta ou autárquica ou em garantia da execução de contrato celebrado com  tais órgãos.    §  1º  ­  O  depósito  a  que  se  refere  o  inciso  III,  do  artigo  1º,  suspende  a  exigibilidade  do  crédito  da  Fazenda  Nacional  e  elide  a  respectiva  inscrição  de  Dívida Ativa.    § 2º ­ A propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória  da nulidade do  crédito da Fazenda Nacional  importa em renúncia ao direito de  recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto.” (destaquei)  Não discrepa, quanto a substância, o teor do art. 38, parágrafo único da Lei nº  6.830/80:  “Art.  38  ­  A  discussão  judicial  da  Dívida  Ativa  da  Fazenda  Pública  só  é  admissível  em  execução,  na  forma  desta  Lei,  salvo  as  hipóteses  de  mandado  de  segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da  dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente  corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos.   Parágrafo Único ­ A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste  artigo  importa  em  renúncia  ao  poder  de  recorrer  na  esfera  administrativa  e  desistência do recurso acaso interposto.” (destaquei)  Fl. 400DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por ROBSON JOSE BAYERL Assinado digitalmente em 17/02/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 16/02/2011 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10980.004964/2007­79  Acórdão n.º 3403­00.771  S3­C4T3  Fl. 5          9 Desta Casa Julgadora, cito o verbete da súmula CARF nº 1 (Importa renúncia  às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer  modalidade  processual,  antes  ou  depois  do  lançamento  de  ofício,  com  o  mesmo  objeto  do  processo  administrativo,  sendo  cabível  apenas  a  apreciação,  pelo  órgão  de  julgamento  administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial) e o art. 78, § 2º, in fine  do seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, que reproduzo:  “Art.  78.  Em  qualquer  fase  processual  o  recorrente  poderá  desistir  do  recurso em tramitação.  (...)  § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção  sem ressalva do débito, por qualquer de  suas modalidades, ou a propositura pelo  contribuinte,  contra  a  Fazenda  Nacional,  de  ação  judicial  com  o  mesmo  objeto,  importa a desistência do recurso.  (...)” (destaquei)  Da  leitura dos  excertos  coligidos,  infere­se  sem maiores  dificuldades  que  a  legislação  de  regência  afastou  qualquer  possibilidade  de  discussão  paralela  de  assunto  submetido  tanto  à Administração quanto  ao  Judiciário,  prevalecendo,  sempre  este último em  vista do já aventado monopólio da jurisdição.  Pouco  importa  que  a  opção  pela  via  judicial  tenha  se  dado  em  momento  anterior  à  prática do  ato  jurídico  tributário  da  compensação,  quando ocorreria  a  renúncia  ao  direito  de  recorrer  administrativamente,  ou  posteriormente  à  inauguração  do  contencioso  administrativo,  quando  se  interpretaria  tal  atitude,  i.e.,  a  submissão  da  causa  ao  Poder  Judiciário, como desistência do recurso acaso patrocinado.  De  outra  banda,  não  compete  a  este  sodalício  debater  questões  de  ordem  financeira acerca da dívida pública da União e a sua natureza, mesmo porque também isto está  submetido ao crivo judicial, da mesma forma a pretensa relação jurídica entre o recorrente e a  União e a forma de sua resolução.  Portanto, nesta parte o recurso não será conhecido em razão da opção pela via  judicial.  Na sequência, examinando os consectários aplicados ao lançamento, verifico  que  a  autuação  decorreu  da  análise  dos  créditos  vinculados  às  Declarações  de  Débitos  e  Créditos Tributários Federais – DCTF, atinentes ao PIS/Pasep, no período 02/2000 a 12/2006.  Segundo o lançamento, confrontados os valores declarados à RFB os mesmos  se  mostraram  consistentes,  de  modo  que  a  sua  exigibilidade  se  restringe  aos  valores  cujos  créditos  vinculados  e/ou  causas  de  suspensão  se  mostraram  improcedentes,  ou  seja,  o  lançamento alcança os valores informados em DCTF.  Diante  da  impugnação  apresentada  a  DRJ  Curitiba/PR  concluiu  pelo  não  cabimento da multa qualificada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), tendo em  conta  a  não  configuração  de  quaisquer  das  figuras  dos  arts.  71  a  73  da  Lei  nº  4.502/64,  reduzindo­a para o percentual ordinário de 75% (setenta e cinco por cento).  Fl. 401DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por ROBSON JOSE BAYERL Assinado digitalmente em 17/02/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 16/02/2011 por ROBSON JOSE BAYERL     10 No que toca à manutenção do lançamento, sob o ângulo da superveniência do  art. 18 da Lei nº 10.833/03, assim se manifestou:  “Assim, com a edição da MP n.º 135, de 30 de outubro de 2003  (posteriormente  convalidada na  forma da Lei 10.833,  de 29  de  dezembro  de  2003),  a  um  só  tempo,  as  declarações  de  compensação  (Dcomp)  passaram  a  estar  legalmente  investidas  dos  atributos  de  uma  confissão  de  dívida,  e  a  realização  do  lançamento,  por  esta mesma  razão,  ficou  limitada  à  imposição  de multa  isolada sobre diferenças decorrentes de  compensação  indevida,  nos  termos,  a  partir  daí,  fixados  pelo  art.  18  do  mencionado diploma legal. No mesmo passo, vale dizer também  que, do ponto de vista normativo, foi só depois das mencionadas  alterações  legislativas  que  o  Secretário  da  Receita  Federal  editou a IN SRF n.º 482, de 21 de dezembro de 2004, cujo art. 9º,  em seu § 1º, passou a determinar a inscrição em dívida ativa da  União,  com  os  acréscimos  moratórios  devidos,  os  valores  das  diferenças  apuradas  em  procedimentos  de  auditoria  interna,  relativos  às  informações  indevidas  ou  não  comprovadas  prestadas  na  DCTF,  sobre  pagamento,  parcelamento,  compensação ou suspensão de exigibilidade.  Feito  esse  breve  relato,  cabe  notar  que  relativamente  aos  períodos de apuração havidos até a entrada em efeito do art. 49  da Lei n.º 10.637, de 2002, que veio a ocorrer em 01/10/2002, a  compensação, no âmbito administrativo, de créditos advindos de  discussão  judicial  dependia  da  protocolização  do  formulário  “pedido  de  compensação”.  Não  consta  dos  autos  que  tenha  havido a protocolização de pedido dessa natureza; além disso, a  interessada  não  comprovou  que  tivesse  procedido  à  compensação por  sua  própria  iniciativa,  nos  termos  do  art.  66  da Lei n.º 8.383, de 1991, o que, convém notar, em função do que  estipulava  a  citada  norma,  esse  tipo  de  compensação  somente  podia  abarcar  indébitos  advindos  de  tributos  ou  contribuições,  administrados  pela  então  Secretaria  da  Receita  Federal,  com  tributos  ou  contribuições  da  mesma  espécie  e  destinação  constitucional.  Por  sua  vez,  a  simples  indicação  em  DCTF  não  configura  a  declaração de compensação  introduzida pela Lei n.º 10.637, de  2002.  Tal  declaração,  conforme  os  dispositivos  legais  antes  referidos,  é  aquela  derivada  da  regulamentação  pela  SRF,  conforme previsão do § 5º do art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996,  introduzido pela Lei n.º 10.637, de 2002, e que foi aprovada pelo  art.  44  da  IN  SRF  n.º  210,  de  2002.  Essa  declaração  de  compensação,  inclusive,  conforme  o  §  2º  do  art.  74  da  Lei  n.º  9.430, de 1996, também introduzido pela Lei n.º 10.637, de 2002,  tem  efeitos  jurídicos  próprios,  qual  seja,  de  extinguir  o  crédito  tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação.  Também,  quanto  a  essa  declaração,  providência  obrigatória  para  a  implementação  da  compensação,  não  consta  dos  autos  que tenha sido entregue.  Assim,  no  âmbito  administrativo,  tem­se  que  a  interessada não  implementou compensação de espécie alguma, apenas havendo  indicação,  feita  nas  DCTF,  de  que  pretendia  compensar,  no  caso,  débitos  fiscais  de  PIS,  tendo  por  base  o  que  teria  sido  decidido  em  ações  judiciais.  Conforme  já  ficou  estabelecido  Fl. 402DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por ROBSON JOSE BAYERL Assinado digitalmente em 17/02/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 16/02/2011 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10980.004964/2007­79  Acórdão n.º 3403­00.771  S3­C4T3  Fl. 6          11 neste voto, inexiste decisão judicial que albergue essa pretensão  da contribuinte.  Por outro lado, veja­se que o atributo de confissão de dívida das  informações  postas  em DCTF  (nos  termos  do  art.  5º,  §  1º,  do  Decreto­Lei  n.º  2.124,  de  1984)  somente  se  aplica  àqueles  valores declarados como “Saldos a Pagar”; no caso, por  ter a  interessada  inserido,  em  tais  declarações,  a  informação  de  “Saldo a Pagar” igual a zero (R$ 0,00), cabível, em princípio a  constituição  de  ofício  da  contribuição  ao  PIS  que  restou  não  paga e nem extinta por outra via.  Com  efeito,  como  bem  destacado  pela  decisão  recorrida,  a  realização  da  compensação na forma do art. 74 da Lei nº 9.430/96, deve obedecer à sistemática estabelecida  pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, sem o qual não é possível admitir o procedimento  como válido, não o substituindo a simples informação na DCTF correspondente.  Entretanto  o  art.  9º,  §  1º  da  IN SRF 482/04,  por  seu  turno  e  sem qualquer  ressalva,  prescreveu  que  as  informações  constantes  das  DCTF,  irregulares  ou  não,  seriam  encaminhadas  diretamente  para  inscrição  em  Dívida  Ativa  da  União,  sem  necessidade  de  lançamento e sem aplicação de multa de ofício, nestes termos:  “Art. 9o Todos os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento  de auditoria interna.  § 1º Os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição, informados  na  DCTF,  bem  assim  os  valores  das  diferenças  apuradas  em  procedimentos  de  auditoria  interna,  relativos  às  informações  indevidas  ou  não  comprovadas  prestadas  na DCTF,  sobre  pagamento,  parcelamento,  compensação  ou  suspensão  de exigibilidade, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União, com os  acréscimos moratórios devidos  (...)”.  Como  se  observa  e  considerando  tratar­se  de  regra  eminentemente  procedimental,  sua  eficácia  alcança  todas  as  auditorias  e  procedimentos  ainda  em  curso  ou  vindouros, como o caso dos autos, ou, ainda que não se entenda ostentar tal natureza, incidiria  na hipótese o disposto no art. 144 do Código Tributário Nacional, haja vista a redação do art.  18 da Lei nº 10.833/03, vigente por ocasião dos fatos, de tal sorte que, afastada a qualificação  da multa de ofício, tampouco caberia a ordinária de 75% (setenta e cinco por cento), mas tão  somente  a  multa  moratória  de  20%  (vinte  por  cento),  nos  moldes  do  precitado  dispositivo  normativo.  Registro, por oportuno, que o afastamento/inaplicabilidade da multa de ofício  não  foi  objeto  do  recurso  voluntário,  porém,  em minha  opinião,  cuidando­se  de  matéria  de  ordem de pública, em função do efeito translativo próprio dos recursos em geral, aí incluídos  os  administrativos,  pode  e  deve  ser  conhecido  em  qualquer  fase  processual  ou  grau  de  jurisdição.  Por  fim,  quanto  à  mantença  apenas  do  valor  do  crédito  tributário,  tenho  defendido  que,  nestes  casos,  o  lançamento  não  deve  ser  cancelado  por  duas  razões,  a  uma,  porque  atende  aos  requisitos  do  art.  10  do  Decreto  nº  70.235/72  e  não  incide,  na  hipótese,  qualquer das situações previstas no art. 59 do mesmo diploma, e, a duas, porque a declaração  Fl. 403DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por ROBSON JOSE BAYERL Assinado digitalmente em 17/02/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 16/02/2011 por ROBSON JOSE BAYERL     12 prestada  pelo  contribuinte  com  efeito  de  confissão  de  dívida,  por  si  só,  não  é  óbice  à  constituição do crédito tributário, apenas o dispensando, mas não vedando.  Destarte,  a  natureza  de  confissão  de  dívida  atribuída  à  DCTF  tem  por  pressuposto legal o art. 5º do Decreto­Lei nº 2.124/84, verbis:  “Art.  5º  O  Ministro  da  Fazenda  poderá  eliminar  ou  instituir  obrigações  acessórias  relativas  a  tributos  federais  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal.  §  1º  O  documento  que  formalizar  o  cumprimento  de  obrigação  acessória,  comunicando  a  existência  de  crédito  tributário,  constituirá  confissão  de  dívida  e  instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito.  §  2º  Não  pago  no  prazo  estabelecido  pela  legislação  o  crédito,  corrigido  monetariamente  e  acrescido  da  multa  de  vinte  por  cento  e  dos  juros  de  mora  devidos, poderá ser imediatamente inscrito em dívida ativa, para efeito de cobrança  executiva, observado o disposto no § 2º do artigo 7º do Decreto­lei nº 2.065, de 26  de outubro de 1983.  §  3º  Sem  prejuízo  das  penalidades  aplicáveis  pela  inobservância  da  obrigação  principal,  o  não  cumprimento  da  obrigação  acessória  na  forma  da  legislação sujeitará o infrator à multa de que tratam os §§ 2º, 3º e 4º do artigo 11  do Decreto­lei  nº  1.968,  de  23  de  novembro  de  1982,  com  a  redação  que  lhe  foi  dada pelo Decreto­lei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983.”  Como se extrai do texto reproduzido, a inscrição em dívida ativa do crédito  tributário porventura não liquidado na data aprazada, desde que informado em documento que  ostente os requisitos do parágrafo primeiro, pode ser efetivada imediatamente, por ser aquele  instrumento hábil e suficiente à exigência.   Assim,  a  informação  prestada  pelo  contribuinte  em  DCTF  é  apropriada  a  dispensar a constituição dos valores ali  indicados,  funcionando como exceção ao disposto no  art. 142 do Código Tributário Nacional.  Contudo, volto a sustentar que o fato de haver confissão de dívida integral em  relação  a  determinado  período  de  apuração  não  obstaculiza,  por  si  só,  a  realização  do  lançamento, devendo ser adotadas as cautelas necessárias para que não ocorra a cobrança em  duplicidade  dos  valores  coincidentes,  considerando,  ainda,  que  a  declaração  formalizada  espontaneamente pelo contribuinte, antes de iniciado qualquer procedimento tendente a apurar  o crédito tributário, impede a inflição da multa de ofício, como ora decidido.  Com estas considerações, voto no sentido de conhecer em parte do recurso e,  na parte conhecida, dar parcial provimento para que seja excluída a multa de ofício.    Robson José Bayerl                            Fl. 404DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por ROBSON JOSE BAYERL Assinado digitalmente em 17/02/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 16/02/2011 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10980.004964/2007­79  Acórdão n.º 3403­00.771  S3­C4T3  Fl. 7          13     Fl. 405DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por ROBSON JOSE BAYERL Assinado digitalmente em 17/02/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 16/02/2011 por ROBSON JOSE BAYERL

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Numero do processo: 10680.725064/2010-49
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE. TEMÁTICA DE PAGAMENTO DE PLR PARA DIRETORES NÃO EMPREGADOS. SÚMULA CARF Nº 195. CONHECIMENTO E PROVIMENTO. Não se conhece recurso especial de divergência de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Tendo a decisão recorrida aplicado entendimento posteriormente objeto da Súmula CARF nº 195, o recurso especial de divergência baseado em acórdão paradigma anterior ao enunciado não deve ser conhecido. Súmula CARF nº 195. Os valores pagos aos diretores não empregados a título de participação nos lucros ou nos resultados estão sujeitos à incidência de contribuições previdenciárias. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE. GRUPO ECONÔMICO. NÃO CONFIGURAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA LEGAL. SÚMULA 210. NÃO CONHECIMENTO. Verificada a existência de grupo econômico legalmente constituído, o conjunto de empresas que o integram responde solidariamente pelo cumprimento das obrigações previstas na legislação previdenciária, com base no art. 30, IX, da Lei n. 8.212, de 1991, não havendo necessidade de demonstração de interesse comum na realização do fato gerador. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações previstas na legislação previdenciária, nos termos do art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/1991, c/c o art. 124, inciso II, do CTN, sem necessidade de o fisco demonstrar o interesse comum a que alude o art. 124, inciso I, do CTN PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO NO FIM DO PERÍODO DE APURAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS. A Lei nº 10.101/2000 estabelece que os programas de metas e resultados devem estar pactuados antes do período de aferição de tais critérios para a fixação da PLR atribuída a cada empregado, pois o objetivo da PLR, como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e incentivo à produtividade, é motivar o alcance dos resultados pactuados previamente. Não cumpre os requisitos legais da regra isentiva o acordo pactuado já no fim do período-base para apuração do valor de PLR, pois não estimulam esforço adicional do trabalhador a aumentar sua produtividade. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. RETROATIVIDADE BENIGNA. De acordo com a jurisprudência pacificada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, após as alterações promovidas na Lei nº 8.212/1991 pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, em se tratando de obrigações previdenciárias principais, a retroatividade benigna deve ser aplicada considerando-se a nova redação do art. 35 da Lei 8.212/1991, que fixa o percentual máximo de 20% para a multa moratória. Em consequência disso, em se tratando do descumprimento de obrigação acessória, em virtude da falta de informação de fatos geradores de contribuições previdenciárias em GFIP, a retroatividade benigna deve ser aplicada mediante a comparação entre as multas previstas na legislação revogada (§§ 4º ou 5º da Lei nº 8.212/1991) e aquela estabelecida no art. 32-A da mesma lei, acrescido pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Sumula CARF 196: No caso de multas por descumprimento de obrigação principal, bem como de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória nº 449/2008, a retroatividade benigna deve ser aferida da seguinte forma: (i) em relação à obrigação principal, os valores lançados sob amparo da antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 deverão ser comparados com o que seria devido nos termos da nova redação dada ao mesmo art. 35 pela Medida Provisória nº 449/2008, sendo a multa limitada a 20%; e (ii) em relação à multa por descumprimento de obrigação acessória, os valores lançados nos termos do art. 32, IV, §§ 4º e 5º, da Lei nº 8.212/1991, de forma isolada ou não, deverão ser comparados com o que seria devido nos termos do que dispõe o art. 32-A da mesma Lei nº 8.212/1991. Acórdãos Precedentes: 9202-010.951; 9202-010.923; 9202.010.872; 9202.010.666; 9202- 010.633
Numero da decisão: 9202-011.668
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, e no mérito, por maioria de votos dar-lhe provimento. Vencidos os conselheiros Fernanda Melo Leal (relatora) e Leonam Rocha de Medeiros, que negavam provimento à matéria “Data de assinatura do acordo para pagamento de PLR”. Votou pelas conclusões e manifestou intenção em apresentar declaração de voto a conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial da Contribuinte, apenas em relação à matéria “Retroatividade benigna – revisão de penalidade aplicada – impossibilidade de cumulação das penalidades previstas na Lei nº 8.212/91 com a Lei nº 11.941/99”, e no mérito, na parte conhecida, dar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Fernanda Melo Leal – Relator Assinado Digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim – Redator designado Assinado Digitalmente Liziane Angelotti Meira – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Sheila Aires Cartaxo Gomes, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (substituto integral), Leonam Rocha de Medeiros, Marcos Roberto da Silva, Fernanda Melo Leal, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira e Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausente o conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, substituído pelo conselheiro Marco Aurelio de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL

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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE. TEMÁTICA DE PAGAMENTO DE PLR PARA DIRETORES NÃO EMPREGADOS. SÚMULA CARF Nº 195. CONHECIMENTO E PROVIMENTO. Não se conhece recurso especial de divergência de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Tendo a decisão recorrida aplicado entendimento posteriormente objeto da Súmula CARF nº 195, o recurso especial de divergência baseado em acórdão paradigma anterior ao enunciado não deve ser conhecido. Súmula CARF nº 195. Os valores pagos aos diretores não empregados a título de participação nos lucros ou nos resultados estão sujeitos à incidência de contribuições previdenciárias. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE. GRUPO ECONÔMICO. NÃO CONFIGURAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA LEGAL. SÚMULA 210. NÃO CONHECIMENTO. Verificada a existência de grupo econômico legalmente constituído, o conjunto de empresas que o integram responde solidariamente pelo cumprimento das obrigações previstas na legislação previdenciária, com base no art. 30, IX, da Lei n. 8.212, de 1991, não havendo necessidade de demonstração de interesse comum na realização do fato gerador. Fl. 1639DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.668 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 10680.725064/2010-49 2 As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações previstas na legislação previdenciária, nos termos do art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/1991, c/c o art. 124, inciso II, do CTN, sem necessidade de o fisco demonstrar o interesse comum a que alude o art. 124, inciso I, do CTN PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO NO FIM DO PERÍODO DE APURAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS. A Lei nº 10.101/2000 estabelece que os programas de metas e resultados devem estar pactuados antes do período de aferição de tais critérios para a fixação da PLR atribuída a cada empregado, pois o objetivo da PLR, como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e incentivo à produtividade, é motivar o alcance dos resultados pactuados previamente. Não cumpre os requisitos legais da regra isentiva o acordo pactuado já no fim do período-base para apuração do valor de PLR, pois não estimulam esforço adicional do trabalhador a aumentar sua produtividade. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. RETROATIVIDADE BENIGNA. De acordo com a jurisprudência pacificada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, após as alterações promovidas na Lei nº 8.212/1991 pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, em se tratando de obrigações previdenciárias principais, a retroatividade benigna deve ser aplicada considerando-se a nova redação do art. 35 da Lei 8.212/1991, que fixa o percentual máximo de 20% para a multa moratória. Em consequência disso, em se tratando do descumprimento de obrigação acessória, em virtude da falta de informação de fatos geradores de contribuições previdenciárias em GFIP, a retroatividade benigna deve ser aplicada mediante a comparação entre as multas previstas na legislação revogada (§§ 4º ou 5º da Lei nº 8.212/1991) e aquela estabelecida no art. 32-A da mesma lei, acrescido pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Sumula CARF 196: No caso de multas por descumprimento de obrigação principal, bem como de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória nº 449/2008, a retroatividade benigna deve ser aferida da Fl. 1640DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.668 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 10680.725064/2010-49 3 seguinte forma: (i) em relação à obrigação principal, os valores lançados sob amparo da antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 deverão ser comparados com o que seria devido nos termos da nova redação dada ao mesmo art. 35 pela Medida Provisória nº 449/2008, sendo a multa limitada a 20%; e (ii) em relação à multa por descumprimento de obrigação acessória, os valores lançados nos termos do art. 32, IV, §§ 4º e 5º, da Lei nº 8.212/1991, de forma isolada ou não, deverão ser comparados com o que seria devido nos termos do que dispõe o art. 32-A da mesma Lei nº 8.212/1991. Acórdãos Precedentes: 9202-010.951; 9202-010.923; 9202.010.872; 9202.010.666; 9202- 010.633 ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, e no mérito, por maioria de votos dar-lhe provimento. Vencidos os conselheiros Fernanda Melo Leal (relatora) e Leonam Rocha de Medeiros, que negavam provimento à matéria “Data de assinatura do acordo para pagamento de PLR”. Votou pelas conclusões e manifestou intenção em apresentar declaração de voto a conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial da Contribuinte, apenas em relação à matéria “Retroatividade benigna – revisão de penalidade aplicada – impossibilidade de cumulação das penalidades previstas na Lei nº 8.212/91 com a Lei nº 11.941/99”, e no mérito, na parte conhecida, dar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Fernanda Melo Leal – Relator Assinado Digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim – Redator designado Assinado Digitalmente Liziane Angelotti Meira – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Sheila Aires Cartaxo Gomes, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (substituto integral), Leonam Rocha de Medeiros, Marcos Roberto da Silva, Fernanda Melo Leal, Ludmila Mara Fl. 1641DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.668 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 10680.725064/2010-49 4 Monteiro de Oliveira e Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausente o conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, substituído pelo conselheiro Marco Aurelio de Oliveira Barbosa. RELATÓRIO Trata-se de Recurso Especial de Divergência, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN e Contribuinte em face do Acórdão n.º 2301-005.638 às e-fls.1.233 a 1.255, e embargos posteriores. Segue abaixo ementa: Acórdão n.º 2301-005.638 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 DECADÊNCIA Nos termos da Súmula CARF nº 99, para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA. Os valores pagos a título de participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa em desacordo com a Lei nº 10.101/2000 sofrem a incidência de contribuições sociais previdenciárias. MULTA PREVIDENCIÁRIA MAIS BENÉFICA. Nos termos da Súmula CARF n. 119, no caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 O Contribuinte e PGFN tomaram ciência da decisão e apresentaram Recurso Especial tempestivo. Fl. 1642DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.668 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 10680.725064/2010-49 5 Com relação ao Recurso Especial da PGFN visa à rediscussão de algumas matérias, mas somente foram admitidas as seguintes: PLR – Administradores não empregados e Data de assinatura do acordo para pagamento de PLR. PLR – Administradores não empregados Indica como paradigma o Acórdão n.º 9202-004.347, do qual transcreve a ementa e excerto do voto. A recorrente alega que o Colegiado afastou a incidência da contribuição previdenciária sobre os valores pagos ou creditados aos administradores não empregados, admitindo que embora tenham vínculos de natureza societária, com relação ao PLR, podem se albergar no que dispõe a Lei n.º 10.101/2000, art. 2º, consoante o que dispõe a Lei n.º 6.404/76, não havendo interpretação restritiva da isenção ou da não incidência das contribuições apenas no que se refere ao pagamento de PLR aos empregados. O acórdão relacionado como paradigma consta do sítio do CARF e não foi reformado na CSRF até a presente data, prestando-se, portanto, para o exame da divergência em relação à matéria suscitada. Do exame dos acórdãos recorridos n.º 2301-005.638 e Acórdão de Embargos n.º 2301-006.801 (que mantém hígida a decisão proferida no acórdão primitivo), vê-se que a Turma julgadora se posicionou no sentido de afastar a exigência da contribuição previdenciária sobre a rubrica PLR paga aos administradores não empregados da sociedade empresária, argumentando que o art. 2º da Lei n.º 10.101/2000, se refere a empregados, porque para os mesmos há requisitos a serem cumpridos, mas para os trabalhadores não empregados não há. A seguir colaciona-se trecho do voto vencido no Acórdão n.º 2301-005.638, mas vencedor na matéria, que demonstra este posicionamento: Ementa: PARTICIPAÇÃO DE DIRETORES NÃO EMPREGADOS NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA. NÃO INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PLR ADMINISTRADORES NÃO EMPREGADOS. PROVIMENTO. Os diretores não estatutários, apesar de possuírem vínculos de natureza societária com a empresa, para fins do efeito da isenção ou não incidência sobre contribuição previdenciária incidente sobre pagamentos a título de participação e distribuição de lucros ou resultados (PLR administradores/diretores não empregados) podem ser enquadrados ao que dispõe da Lei n° 10.101/2000, art. 2º, consoante o disposto da Lei n° 6.404/76, não havendo como impor interpretação restritiva da isenção ou não incidência das contribuições somente ao pagamento de PLR empregados, já que a Constituição Federal de 1988, em seu art. 150, inciso II, veda que um contribuinte seja tratado de forma desigual a outros em situações equivalentes, pelo princípio da igualdade tributária. Voto [...] Fl. 1643DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.668 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 10680.725064/2010-49 6 Em primeiro lugar, note-se que o artigo 1º regula a PLR dos trabalhadores, sendo que há trabalhadores empregados e trabalhadores não empregados. Ademais, o artigo 2º somente se refere a empregados, de modo que há requisitos a serem cumpridos quando do pagamento para empregados, no entanto, não há requisitos a serem cumpridos quando do pagamento de PLR para trabalhadores não empregados, dentre os quais se incluem os administradores, de forma que ao tratar expressamente somente dos empregados, a referida lei não trouxe requisitos para o pagamento de PLR para administradores. [...] De outro lado, o paradigma acostado tratando de matéria similar, qual seja o pagamento de valores a título de PLR a administradores/diretores não empregados, decidiu que não há que se falar da exclusão de valores da base de cálculo pela aplicação da Lei n.º 10.101/2000 (PLR), porque tal lei apenas é aplicável aos empregados, na forma como disposto no seu art.2º. Assim, entende o despacho de admissibilidade o que restou demonstrada a divergência na interpretação da legislação tributária frente à similar situação fática. Data de assinatura do acordo para pagamento de PLR. A fim de comprovar a alegada divergência, o Recorrente apresenta como paradigmas os acórdãos n.º 9202-004.307 e 2401-00545 que constam no sítio do CARF e não foram reformados pela Câmara Superior de Recursos Fiscais até a data da interposição do presente recurso. Analisando-se os acórdãos recorrido e paradigmas, verifica-se a divergência jurisprudencial suscitada. Do exame do acórdão recorrido, se vê que o Colegiado entendeu que a Lei n.º 10.101/2000, apenas refere que os programas e metas devem ser pactuados previamente, mas não define se é previamente à assinatura do acordo, ou ao pagamento da PLR. Assim, decidiu que os requisitos trazidos pela legislação vigente foram cumpridos, eis que houve um programas de metas anterior ao pagamento da PLR, conforme se observa do voto vencido, mas vencedor na matéria: “No tocante ao momento do pagamento, destaco que entendo que a questão de fixação das regras para distribuição dos lucros para antes do início do ano que servirá de base pode ser flexibilizada, na medida que deve ser privilegiada a integração entre o capital e o trabalho. Nesse sentido, o artigo 2º, §1º, II, da Lei n. 10.101/00 somente diz que os programas de metas, resultados e prazos devem ser pactuados previamente, não definindo se é previamente à assinatura do acordo ou do pagamento da PLR. Ante o exposto, onde o legislador não trouxe distinção, não cabe ao intérprete distinguir, de modo que, ainda que seja entendido que deve ser aplicado o artigo Fl. 1644DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.668 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 10680.725064/2010-49 7 2º, §1º, II, da Lei n. 10.101/00, houve cumprimento dos referidos requisitos visto que houve programa de metas anterior ao pagamento da PLR.” De outro viés, o primeiro paradigma apresentado, Acórdão n.º 9202-004.307, ao se manifestar sobre a formalização dos acordos de PLR disse que devem ser assinados antes de iniciar período a que se referem, a fim de que o trabalhador saiba em quanto deveria aumentar o seu esforço para alcançar metas e o que receberia com isso, como se vê dos excertos transcritos pela recorrente acima e que trago especificamente o seguinte: (...) Com efeito, entendo que a assinatura do acordo em data posterior à do período de apuração dos lucros ou resultados a serem distribuídos, retira da verba paga uma de suas características essenciais, a recompensa pelo esforço conjunto entre o capital e o trabalho, para alcance de metas (...) Confirmando tal entendimento, o segundo paradigma apresentado, Acórdão n.º 2401-00545, decidiu que a assinatura do plano de PLR deve ser prévia ao período de cumprimento de tal plano, nas seguintes palavras: (...) inexistia acordo prévio ao exercícios em que se fundavam (exercício de 2001 (acordo de 10/01/2002), exercício de 2002 (acordo de 18/12/2002) e exercício de 2003 (acordo de 12/11/2003)). Ademais, ainda descreve a autoridade que não houve indicação/discrininação/comprovação das metas descritas nos acordos. Como é sabido, o grande objetivo do pagamento de participação nos lucros e resultados e a participação do empregado no capital da empresa, de forma que esse se sinta estimulado a trabalhar em prol do empreendimento, tendo em vista que o seu engajamento, resultará em sua participação (na forma de distribuição dos lucros alcançados). Assim, como falar em engajamento do empregado na empresa, se o mesmo não tem conhecimento prévio do quanto a sua dedicação irá refletir em termos de participação. É nesse sentido, que entendo que a lei exigiu não apenas o acordo prévio ao trabalho do empregado, ou seja, no início do exercício, bem como o conhecimento por parte do trabalhador de quais as regas (ou mesmo metas) que deverá alcançar para fazer jus ao pagamento. (destaquei) (...) Assim, ao descumprir os preceitos legais e efetuar pagamentos de participação nos lucros, sem a existência de acordo prévio e estabelecimento de metas, o recorrente assumiu o risco de não se beneficiar pela possibilidade de que tais valores estariam desvinculados do salário. Do exposto, o despacho de admissibilidade conclui que a PGFN demonstrou a divergência jurisprudencial, quanto à data de assinatura dos acordos de PLR, porque para a decisão recorrida a assinatura do acordo para pagamento de PLR pode se dar no curso do período Fl. 1645DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.668 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 10680.725064/2010-49 8 a que se refere, enquanto para os paradigmas o acordo deve ser assinado antes do período a que se refere a PLR. Com relação ao Recurso Especial da contribuinte, suscita interpretação divergente em 4 matérias, dentre as quais tiveram seguimento as seguintes: a - Incidência de contribuições sociais sobre Participação nos Lucros e/ou Resultados (PLR) – desnecessidade de fixação de metas e objetivos; b - Responsabilidade solidária – necessidade de comprovação do interesse comum; c - Retroatividade benigna – revisão de penalidade aplicada – impossibilidade de cumulação das penalidades previstas na Lei nº 8.212/91 com a Lei nº 11.941/99. a - Incidência de contribuições sociais sobre Participação nos Lucros e/ou Resultados (PLR) – desnecessidade de fixação de metas e objetivos; Para comprovar a divergência foram apresentados como paradigmas os Acórdãos nºs 2202-003.608 e 2202-005.193, os quais constam do sítio do Carf na internet e até a data da interposição do especial não tinham sido reformados. Ao defender a ocorrência de dissídio interpretativo a Contribuinte transcreveu as ementas dos paradigmas, e trechos dos votos condutores dos acórdãos recorrido e paradigmas, com os destaques que entendeu cabível, dos quais extraio o que interessa à análise do especial: Recorrido: “Com a devida vênia, divirjo do Relator nas seguintes questões: fixação de objetivos e metas para o pagamento de PLR e responsabilidade solidária. No que concerne à primeira divergência, entendo que a ausência de metas estipuladas previamente ao pagamento da participação nos lucros caracteriza descumprimento da legislação de regência, resultando na incidência de contribuição previdenciária sobre a referida verba. O plano de participação nos lucros tem como finalidade incentivar a produtividade do trabalhador, fazendo com que ele aumente seu desempenho para fazer jus ao recebimento de um incremento à sua remuneração. Dessa forma, faz-se necessário que a empresa indique de forma precisa as metas que o trabalhador precisa atingir para ter direito a essa contrapartida. A inexistência de regramento claro e objetivo desvirtua a natureza da rubrica”. Paradigma 1 (Acórdão nº 2202-003.608): Acórdão (paradigma): nº 2202-003.608 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 30/09/2005 Fl. 1646DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.668 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 10680.725064/2010-49 9 DECADÊNCIA PARCIAL. RECONHECIMENTO. ART. 150 § 4º DO CTN. SÚMULA CARF Nº 99. Nos termos da Súmula CARF nº 99, para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO. O § 1º do art. 2º da Lei nº 10.101/2000 ao referir que podem ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente; tratou de possibilidade e não de uma obrigatoriedade legal. (...)” Voto condutor: “Merece destaque que o §1º do art. 2º da lei 10.101/2000 determina que ‘Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente’. Portanto, trata-se de possibilidade e não de obrigatoriedade. (...) Ante o exposto, entendo por acolher a preliminar de decadência parcial, reconhecendo a decadência em relação as competências 01/2003 e 03/2003 e, no mérito, dar provimento ao recurso da contribuinte” (trechos do Voto Vencedor). Em relação ao primeiro paradigma (Acórdão nº 2202-003.608), verifica-se demonstrada a divergência suscitada. Enquanto no paradigma, entendeu-se que o estabelecimento de metas e resultados para pagamento de PLR é uma possibilidade e não obrigatoriedade; no recorrido, o Colegiado entendeu que a ausência de metas estipuladas previamente ao pagamento da PLR desvirtua a natureza da rubrica e caracteriza descumprimento da Lei de regência. Portanto, o primeiro paradigma demonstra a divergência suscitada. Em relação ao segundo paradigma (Acórdão nº 2202-005.193), não se verificou demonstrada a divergência suscitada. Fl. 1647DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.668 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 10680.725064/2010-49 10 Assim, foi dado seguimento com relação ao primeiro paradigma. b - Responsabilidade solidária – necessidade de comprovação do interesse comum Para comprovar a divergência foi apresentado como paradigma o Acórdão nº 2402- 010.353, o qual consta do sítio do Carf na internet e até a data da interposição do especial não tinha sido reformado. Ao defender a ocorrência de dissídio interpretativo a Contribuinte transcreveu a ementa do paradigma, e trechos dos votos condutores dos acórdãos recorrido e paradigma, com os destaques que entendeu cabível, dos quais extraio o que interessa à análise do especial: Recorrido: “Com a devida vênia, divirjo do Relator nas seguintes questões: fixação de objetivos e metas para o pagamento de PLR e responsabilidade solidária. (...) Quanto à segunda divergência, entendo que não cabe o afastamento da responsabilidade solidária entre as empresas integrantes do grupo econômico, uma vez que esta decorre de expressa previsão legal no âmbito previdenciário, conforme disposto no art. 30, IX, da Lei nº 8.212/91: (...) Importa salientar que em nenhum momento a recorrente questiona a existência do grupo econômico Cemig, limitando-se a alegar que a fiscalização deixou de demonstrar qual seria o interesse comum que justificaria a caracterização da responsabilidade solidária. Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário em relação ao PLR dos empregados e à responsabilidade solidária das empresas integrantes do grupo econômico”. Paradigma: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR DE DESCONTAR E ARRECADAR. CONTRIBUIÇÕES DO SEGURADO. MULTA. Constitui infração deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados a seu serviço, sujeitando o infrator à pena administrativa de multa. O descumprimento de obrigação tributária acessória é hipótese que se submete ao prazo decadencial descrito no inciso I do artigo 173 do CTN. Fl. 1648DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.668 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 10680.725064/2010-49 11 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. MULTA. PRAZO. DECADÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 148. É de cinco anos o prazo para a Fazenda Pública efetuar o lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória, sendo contado esse prazo a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Inteligência da Súmula CARF nº 148. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. REALIZAÇÃO DO FATO GERADOR. INTERESSE JURÍDICO COMUM. A aplicação do art. 30, IX, da Lei n. 8.212/1991 restringe-se às hipóteses em que a empresa integrante do grupo econômico tenha participado da ocorrência do fato gerador (interesse jurídico comum) Voto condutor: Com efeito, constata-se que o art. 124 do CTN dispõe sobre espécie de responsabilidade tributária, visto que ao dispor sobre solidariedade passiva tributária, nada mais faz que imputar, sem benefício de ordem, ônus aos coobrigados em face da relação jurídico-tributária constituída: (...) Em relação a esse dispositivo, impende esclarecer que o interesse comum indicado no inciso I diz respeito exclusivamente àquele de natureza jurídica na realização do fato gerador, ou seja, ao interesse jurídico comum. (...) Noutro giro, o art. 128 do CTN, ao inaugurar o capítulo da responsabilidade tributária, estabelece os limites a serem observados: (...) Nessa perspectiva, permito-me deduzir que a aferição da solidariedade prevista no art. 30, IX, da Lei n. 8.212/1991, não se dá isoladamente pelo art. 124, II, do CTN, como assim procedeu a autoridade lançadora, mas, sim, observando-se, também, o disposto no art. 124, I, do CTN, que determina que são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse jurídico comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Destarte, é forçoso reconhecer que a circunstância específica de uma empresa integrar grupo econômico de qualquer natureza, não atrai, por si só, a solidariedade passiva tributária das demais empresas integrantes, reclamando a existência de interesse jurídico comum na situação que constituiu o fato gerador, vez que ser integrante de grupo econômico não é requisito de imputação de responsabilidade tributária, inclusive na espécie solidariedade, a teor da inteligência do Código Tributário Nacional. Fl. 1649DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.668 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 10680.725064/2010-49 12 Conclui-se, assim, que a aplicação do art. 30, IX, da Lei n. 8.212/1991 requer interpretações sistemática e teleológica à luz do que dispõe o CTN sobre responsabilidade tributária, inclusive na espécie solidariedade, não podendo ser interpretado, exclusivamente, em combinação com o art. 124, II, do Código Tributário Nacional. (...) Entretanto, constata-se, na espécie, que a autoridade fiscal não comprovou a existência de interesse jurídico comum das empresas integrantes do grupo econômico na realização do fato gerador às quais se atribuiu a solidariedade passiva tributária, limitando-se a impor-lhes, indistintamente, a responsabilidade objetiva prevista no art. 30, IX, da Lei n. 8.212/1991. (...) Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário das responsáveis solidárias (com exceção, apenas, da empresa MINAS BRASIL SEGURADORA VIDA E PREVIDÊNCIA S/A, em relação à qual o recurso voluntário não foi conhecido, uma vez que esta não chegou a apresentar impugnação), cancelando-se o lançamento fiscal em relação a estas. Compulsando as íntegras dos acórdãos cotejados, verifica-se demonstrada a divergência suscitada. Enquanto a Turma recorrida manteve a responsabilidade solidária no entendimento de que ela decorre da previsão legal do art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91, considerando a existência de grupo econômico, que não foi refutada pela Contribuinte; no paradigma, a Turma entendeu que a responsabilidade solidária prevista no art. 30, IX, da Lei nº 8.212/91 não pode se dá isoladamente pelo art. 124, II, do CTN, mas também pelo art. 124, I, do CTN, exigindo a demonstração de interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Assim, o paradigma demonstra a divergência suscitada, de sorte que a matéria do item “b” – responsabilidade solidária – necessidade de comprovação do interesse comum pode ter seguimento à Instância Especial. c - Retroatividade benigna – revisão de penalidade aplicada – impossibilidade de cumulação das penalidades previstas na Lei nº 8.212/91 com a Lei nº 11.941/99. Para comprovar a divergência foram apresentados como paradigmas os Acórdãos nºs 2201-010.343 e 2202-010.196, os quais constam do sítio do Carf na internet e até a data da interposição do especial não tinham sido reformados. Fl. 1650DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.668 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 10680.725064/2010-49 13 Ao defender a ocorrência de dissídio interpretativo a Contribuinte transcreveu as ementas dos paradigmas, e trechos dos votos condutores dos acórdãos recorrido e paradigmas, com os destaques que entendeu cabível. Compulsando as íntegras dos acórdãos cotejados, verifica-se demonstrada a divergência suscitada. Enquanto no recorrido, a Turma entendeu que a retroatividade benigna deveria ser aplicada, comparando o somatório das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, nos termos da Súmula Carf nº 119, já revogada; as Turmas paradigmáticas entenderam que a retroatividade benigna deveria ser aplicada mediante a comparação individualizada do quantum devido à época da ocorrência dos fatos geradores com o regramento contido no atual artigo 32-A da Lei nº 8.212/91. Assim, de acordo com o despacho, os paradigmas demonstram a divergência suscitada, de sorte que a matéria retroatividade benigna – revisão de penalidade aplicada – impossibilidade de cumulação das penalidades previstas na Lei nº 8.212/91 com a Lei nº 11.941/99 pode ter seguimento à Instância Especial. Este é o relatório do essencial. VOTO VENCIDO Conselheira Fernanda Melo Leal – Relatora 1 CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL Quanto ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, ele é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo legal de quinze dias (art. 68, caput, do Regimento Interno do CARF - RICARF). 1.1 PLR – Administradores não empregados 2301-005.637 Acórdão n.º 9202-004.347 PARTICIPAÇÃO DE DIRETORES NÃO EMPREGADOS NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA. Os diretores não estatutários possuem vínculos de natureza societária com a empresa, não estando albergados pelo PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS DIRETORES ESTATUTÁRIOS AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO Tratando-se de valores pagos aos diretores estatutários, não há que se falar em exclusão da base de cálculo pela aplicação da lei 10.101/2000, porque essa só é aplicável aos Fl. 1651DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.668 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 10680.725064/2010-49 14 conceito de trabalhadores para efeito de isenção da contribuição previdenciária incidente sobre pagamentos a título de distribuição de lucros ou resultados. [...] Em primeiro lugar, note-se que o artigo 1º regula a PLR dos trabalhadores, sendo que há trabalhadores empregados e trabalhadores não empregados. Ademais, o artigo 2º somente se refere a empregados, de modo que há requisitos a serem cumpridos quando do pagamento para empregados, no entanto, não há requisitos a serem cumpridos quando do pagamento de PLR para trabalhadores não empregados, dentre os quais se incluem os administradores, de forma que ao tratar expressamente somente dos empregados, a referida lei não trouxe requisitos para o pagamento de PLR para administradores. [...] empregados. Da mesma forma, inaplicável a regra do art. 158 da lei 6404/76, quando não apresenta a empresa resultado positivo a ser distribuído Portanto, concluímos que a participação dos administradores no resultado é valor pago pela companhia pelo trabalho do administrador e, assim, por sua natureza, se subsume ao conceito geral de salário-de-contribuição. Considerando que as participações pagas a administradores subsumem-se ao conceito geral de salário-de-contribuição, resta necessária a análise de suas características, para verificação de sua eventual classificação entre as exceções ao conceito de salário-decontribuição, previstas no § 9º do art. 28 da Lei n° 8.212, de 1991. Para isso, partimos do dispositivo antes citado: (...) Pois bem, a participação nos lucros ou resultados da empresa somente não integra o salário de contribuição quando paga ou creditada de acordo com lei específica. De plano, podemos afastar a Lei n° 6.404, de 1976, como lei específica prevendo esse pagamento, porque ela trata da organização da companhia e sua relação em geral com terceiros e, portanto, não se destinou a regular a exceção de que trata a alínea "j" do § 9º da Lei n° 8.212, de 1991. Aliás, nesse sentido, o próprio STF já decidiu, no RE 398284/RJ. Assim, resta perquirir se essa participação estaria albergada pela Lei n° 10.101, de 2000, esta sim específica, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa. Entendo que a resposta para essa questão esteja na redação do art. 2º da Lei n° 10.101, de 2000, que define a participação nos lucros ou resultados como sendo aquela objeto de negociação entre a empresa e seus empregados. Ora, administradores não são empregados. Com base nas premissas acima, concluímos que a participação de diretores não empregados no lucro das companhias não se enquadra nas hipóteses previstas em lei específica. O Recurso Especial de Divergência, para os paradigmas previamente admitidos, na análise definitiva de conhecimento atende a todos os pressupostos de admissibilidade. Fl. 1652DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.668 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 10680.725064/2010-49 15 O dissídio jurisprudencial está posto para conhecimento, apesar de na pratica, quando da análise de mérito, verificar não mais existir litígio eis que a questão já é objeto de súmula. O entendimento exposado no recorrido foi superado pela aprovação da Súmula CARF nº 195, que assenta: Os valores pagos aos diretores não empregados a título de participação nos lucros ou nos resultados estão sujeitos à incidência de contribuições previdenciárias. Aprovada pela 2ª Turma da CSRF em sessão de 21/06/2024 – vigência em 27/06/2024. Acórdãos Precedentes: 9202-011.036; 9202.010.258; 9202-009.919. Portanto, o tema atualmente se encontra sumulado. Adicionalmente, apenas para acrescentar, por amor ao debate, o RE 636.899 AgR- assinalou que o instituto da PLR de que trata o art. 7º, XI, da Constituição da República, a Lei nº 10.101 e o art. 28, § 9º, alínea “j”, não se confunde com a distribuição de lucros aos sócios e administradores autorizada no art. 152 da Lei nº 6.404. Já no RE nº 569.441 (Tema 344 da Repercussão Geral/STF, com tese firmada e consolidada), o STF indicou a Lei nº 10.101 como a única regulamentadora da norma. Por conseguinte, reconheço o dissídio jurisprudencial e já aprioristicamente DOU provimento ao manejo da PGFN neste ponto por força da Súmula CARF n.º 195. 1.2 Data de assinatura do acordo para pagamento de PLR. 2301-005.637 Acórdão n.º 9202-004.307 Acórdão n.º 2401-00545 No tocante ao momento do pagamento, destaco que entendo que a questão de fixação das regras para distribuição dos lucros para antes do início do ano que servirá de base pode ser flexibilizada, na medida que deve ser privilegiada a integração entre o capital e o trabalho. Nesse sentido, o artigo 2º, §1º, II, da Lei n. 10.101/00 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS - REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. As regras para percepção da PLR devem constituir-se incentivo à produtividade. Regras estabelecidas no decorrer do período de aferição não estimulam esforço adicional. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO - PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS - PARCELA INTEGRANTE DO SALÁRIO-DECONTRIBUIÇÃO - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - DESCUMPRIMENTO DAS REGRAS DA LEI 10.101/2000. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, Fl. 1653DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.668 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 10680.725064/2010-49 16 somente diz que os programas de metas, resultados e prazos devem ser pactuados previamente, não definindo se é previamente à assinatura do acordo ou do pagamento da PLR. Ante o exposto, onde o legislador não trouxe distinção, não cabe ao intérprete distinguir, de modo que, ainda que seja entendido que deve ser aplicado o artigo 2º, §1º, II, da Lei n. 10.101/00, houve cumprimento dos referidos requisitos visto que houve programa de metas anterior ao pagamento da PLR.” Com relação à data de assinatura do PLR, acompanho o entendimento do voto do relator da decisão recorrida. Com efeito, entendo que a assinatura do acordo em data posterior à do período de apuração dos lucros ou resultados a serem distribuídos, retira da verba paga uma de suas características essenciais, a recompensa pelo esforço conjunto entre o capital e o trabalho, para alcance de metas, o que traria competitividade à empresa e, em última análise ao país”. para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. O pagamento de participação nos lucros e resultados em desacordo com os dispositivos legais da lei 10.101/00, quais sejam, existência de acordo prévio ao exercício, bem como a existência de regras previamente ajustadas, enseja a incidência de contribuições previdenciárias, posto a não aplicação da regra do art. 28, §9º, “j” da Lei 8.212/91. No caso em questão a autoridade fiscal, conforme descrito no relatório fiscal, fls. 51, procedeu ao lançamento de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos feitos à título de participação nos lucros uma vez que inexistia acordo prévio ao exercícios em que se fundavam (exercício de 2001 (acordo de 10/01/2002), exercício de 2002 (acordo de 18/12/2002) e exercício de 2003 (acordo de 12/11/2003)). Ademais, ainda descreve a autoridade que não houve indicação - comprovação das metas descritas nos acordos. Como é sabido, o grande objetivo do pagamento de participação nos lucros e resultados e a participação do empregado no capital da empresa, de forma que esse se sinta estimulado a trabalhar em prol do Fl. 1654DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.668 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 10680.725064/2010-49 17 empreendimento, tendo em vista que o seu engajamento, resultará em sua participação (na forma de distribuição dos lucros alcançados). Assim, como falar em engajamento do empregado na empresa, se o mesmo não tem conhecimento prévio do quanto a sua dedicação irá refletir em termos de participação. É nesse sentido, que entendo que a lei exigiu não apenas o acordo prévio ao trabalho do empregado, ou seja, no início do exercício, bem como o conhecimento por parte do trabalhador de quais as regas (ou mesmo metas) que deverá alcançar para fazer jus ao pagamento. (...) Assim, ao descumprir os preceitos legais e efetuar pagamentos de participação nos lucros, sem a existência de acordo prévio e estabelecimento de metas, o recorrente assumiu o risco de não se beneficiar pela possibilidade de que tais valores estariam desvinculados do salário. A inteligência albergada pela decisão recorrida é a de que a assinatura do acordo para pagamento de PLR pode se dar no curso do período a que se refere, enquanto para os paradigmas o acordo deve ser assinado antes do período a que se refere a PLR. Verifica-se que o primeiro paradigma apresentado, Acórdão n.º 9202-004.307, ao se manifestar sobre a formalização dos acordos de PLR disse que devem ser assinados antes de iniciar período a que se referem, a fim de que o trabalhador saiba em quanto deveria aumentar o seu esforço para alcançar metas e o que receberia com isso Fl. 1655DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.668 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 10680.725064/2010-49 18 O segundo paradigma apresentado, Acórdão n.º 2401-00545, decidiu que a assinatura do plano de PLR deve ser prévia ao período de cumprimento de tal plano. De forma objetiva, sem enleios, advém de forma clara a similitude das discussões dos acórdãos, sob prisma fático e jurídico, e decisões dispares. Assim, chancelo o conhecimento do recurso também neste ponto. Quanto ao mérito, adiante analiso os fundamentos. 2 CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE Quanto ao Recurso Especial da contribuinte, ele é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo legal de quinze dias (art. 68, caput, do Regimento Interno do CARF - RICARF). 2.1 - Incidência de contribuições sociais sobre Participação nos Lucros e/ou Resultados (PLR) – desnecessidade de fixação de metas e objetivos; Considerando a perda de utilidade da análise deste ponto em decorrência da tese vencedora, deve ser afastado o conhecimento da matéria, ainda que o entendimento desta relatora tenha sido em sentido diverso (foi admitido anteriormente pela relatora por reconhecer dissídio). Assim, não deve ser conhecido o recurso especial de divergência no presente ponto. 2.2 - Responsabilidade solidária – necessidade de comprovação do interesse comum Neste ponto, o Acórdão nº 2402- 010.353 foi apontado como o paradigma apto a comprovar divergência. Exprime racional de que a aplicação do art. 30, IX, da Lei n. 8.212/1991 restringe-se às hipóteses em que a empresa integrante do grupo econômico tenha participado da ocorrência do fato gerador (interesse jurídico comum). Mais. Aduz que a aferição da solidariedade prevista no art. 30, IX, da Lei n. 8.212/1991, não se dá isoladamente pelo art. 124, II, do CTN, como assim procedeu a autoridade lançadora, mas, sim, observando-se, também, o disposto no art. 124, I, do CTN, que determina que são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse jurídico comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. O recorrido, por seu turno, expressa que não cabe o afastamento da responsabilidade solidária entre as empresas integrantes do grupo econômico, uma vez que esta decorre de expressa previsão legal no âmbito previdenciário, conforme disposto no art. 30, IX, da Lei nº 8.212/91. Compulsando os acórdãos cotejados, me parece que não deve ser chancelada a divergência suscitada tão somente por conta da súmula 210. Vejamos: As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações previstas na legislação previdenciária, nos termos do art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/1991, c/c o art. Fl. 1656DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.668 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 10680.725064/2010-49 19 124, inciso II, do CTN, sem necessidade de o fisco demonstrar o interesse comum a que alude o art. 124, inciso I, do CTN. Portanto, o tema atualmente se encontra sumulado. O RICARF disciplina – nos termos do art. 118, § 3º, do Anexo único – não caber recurso especial de divergência de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso Assim, não conheço do recurso especial de divergência neste ponto. 2.3 - Retroatividade benigna – revisão de penalidade aplicada – impossibilidade de cumulação das penalidades previstas na Lei nº 8.212/91 com a Lei nº 11.941/99. Para comprovar a divergência foram apresentados como paradigmas os Acórdãos nºs 2201-010.343 e 2202-010.196, os quais constam do sítio do Carf na internet e até a data da interposição do especial não tinham sido reformados. Ao defender a ocorrência de dissídio interpretativo a Contribuinte transcreveu as ementas dos paradigmas, e trechos dos votos condutores dos acórdãos recorrido e paradigmas, com os destaques que entendeu cabível. Compulsando as íntegras dos acórdãos cotejados, verifica-se demonstrada a divergência suscitada. Enquanto no recorrido, a Turma entendeu que a retroatividade benigna deveria ser aplicada, comparando o somatório das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, nos termos da Súmula Carf nº 119, já revogada; as Turmas paradigmáticas entenderam que a retroatividade benigna deveria ser aplicada mediante a comparação individualizada do quantum devido à época da ocorrência dos fatos geradores com o regramento contido no atual artigo 32-A da Lei nº 8.212/91. Assim, de acordo com o despacho, os paradigmas demonstram a divergência suscitada, de sorte que a matéria retroatividade benigna – revisão de penalidade aplicada – impossibilidade de cumulação das penalidades previstas na Lei nº 8.212/91 com a Lei nº 11.941/99 pode ter seguimento à Instância Especial. Para os paradigmas que foram analisados e admitidos - Acórdãos nº 2201-010.343 e 2202-010.196, confirmo existir clara de similitude fática com o recorrido. Explico. Todos os arestos tratam do mesmo tema, qual seja a aplicação da retroatividade benigna. No recorrido a Turma entendeu que a retroatividade benigna deveria ser aplicada, comparando o somatório das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, nos termos da Súmula Carf nº 119, já revogada; as Turmas paradigmáticas entenderam que a retroatividade benigna deveria ser aplicada mediante a Fl. 1657DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.668 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 10680.725064/2010-49 20 comparação individualizada do quantum devido à época da ocorrência dos fatos geradores com o regramento contido no atual artigo 32-A da Lei nº 8.212/91. Clara está a demanda em se conhecer do recurso especial de divergência manejado pela contribuinte para pacificar o ponto em dissidio. 3 MÉRITO – RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL 3.1 Data de assinatura do acordo para pagamento de PLR O ponto nodal do presente recurso reside na possibilidade de ser ou não pactuado previamente, e o quanto seria esse “prévio”. A Fazenda Nacional tece considerações sobre a eficácia limitada do art. 7.º, XI, da Constituição Federal – inclusive explicando que originalmente não se aplicava a norma, isto até que sobreviesse lei específica para lhe dar total eficácia –, ponderando que a Lei n.º 10.101 deve ser observada com plenitude para que estejam as verbas pagas a título de PLR imunes à tributação. Compactuo do entendimento de que desvirtuar pactos de PLR de forma literal, com rigoroso e rígido controle, quando houver margem ponderada e razoável de demonstração de que o pacto de PLR atingiu sua finalidade e tem consistência para ser mantido hígido, pode ensejar desestímulo para que o empregador promova e queira continuar a promover a distribuição de seus ganhos ou resultados. Sendo imunidade, a interpretação que se deveria adotar é a teleológica. Vale dizer, diferentemente das normas de isenção, não deve ser aplicada a regra de interpretação restritiva do inciso II do art. 111 do Código Tributário Nacional. Discute-se, no ponto da pactuação previa, qual a melhor interpretação para o art. 2.º, § 1.º, parte final do inciso II, da Lei n.º 10.101, que trata do momento que deve ser firmado o acordo de PLR para se atender ao requisito das metas, resultados e prazos, previamente pactuados. Se o acordo de PLR é pactuado ao longo do exercício ou, ainda, nas proximidades do fim do exercício ou até depois do fim do exercício, mas antes do pagamento, entendo que não fica descaracterizado o acordo. Parte da jurisprudência entende que descaracteriza o acordo de PLR ser o instrumento assinado durante o exercício ou próximo ao fim do exercício, enquanto a outra parte chancela que pode ser pactuado a qualquer tempo, desde que antes do pagamento. Corroboro a interpretação pautada na razoabilidade entendendo como prévio o ajuste de acordos com base em “resultados” (inciso II do § 1.º do art. 2.º) pode firmado no transcorrer do período aquisitivo. Fl. 1658DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.668 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 10680.725064/2010-49 21 Descortinada a controvérsia pela Lei n.º 14.020, de 2020, a qual assenta que é prévio o ajuste, pactuado antes que ocorra o pagamento - seja para tratar de acordos com base em resultados (inciso II do § 1.º do art. 2.º) ou de acordos com base em lucros (inciso I do § 1.º do art. 2.º). Mais ainda. Para afastar a subjetividade de quão prévio ao pagamento deve ser o pacto firmado, a Lei n.º 14.020, de 2020, definiu critérios, na forma dos incisos I e II do § 7.º do art. 2.º da Lei n.º 10.101, incluído pela Lei n.º 14.020, de 2020. Apesar de entender que tal lei não tem caráter interpretativo, sempre pactuei de tal racional e vejo que tal norma acabou por indicar como mais acertada a corrente que aceita como ajuste prévio o pacto firmado antes do pagamento. Ora, como no caso dos autos, sob o regime anterior ao da Lei n.º 14.020, não consta que tenha ocorrido qualquer pagamento antes que já assinado o pacto de PLR, então, pelo critério de ajuste prévio, para se atender ao requisito de pactuação prévia das metas, resultados e prazos, não teria sido violada a Lei n.º 10.101, mantendo-se sob o enfoque desse critério a legalidade do PLR. Assim sendo, meu posicionamento é no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, pois repita-se, de acordo com a fundamentação que adoto, compactuo que não houve descumprimento de pactuação previa, haja vista que o pagamento se seu após assinatura dos acordos. 4 RECURSO ESPECIAL CONTRIBUINTE 4.3 - Retroatividade benigna – revisão de penalidade aplicada – impossibilidade de cumulação das penalidades previstas na Lei nº 8.212/91 com a Lei nº 11.941/99. No presente caso, me filio ao entendimento desta Câmara Superior exposto no Acórdão 9202-010.638, que é exatamente o entendimento exarado nos acórdãos paradigmas apresentados. Vejamos. Considerando que a própria representação da Fazenda Nacional já se manifestou pela dispensa de apresentação de contestação, oferecimento de contrarrazões e interposição de recursos, deve-se aplicar, para os casos ainda não definitivamente julgados, os termos já delineados pela jurisprudência pacífica do STJ e, assim, apurar a retroatividade benigna a partir da comparação do quantum devido à época da ocorrência dos fatos geradores com o regramento contido no atual artigo 35 da lei .8.212/91, que fixa o percentual máximo de multa moratória em 20%, mesmo em se tratando de lançamentos de ofício. Devendo-se aplicar a penalidade que alude art. 35-A da Lei nº 8.212, de 1991, que prevê a multa de, pelo menos, 75%, apenas aos fatos geradores posteriores ao início de sua vigência. Fl. 1659DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.668 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 10680.725064/2010-49 22 Cabe ressaltar que, na vigência da legislação anterior, havia previsão de duas penalidades, uma de mora, esta já tratada no parágrafo precedente, e outra decorrente de descumprimento de obrigação acessória, esta prevista no art. 32, inciso IV, §§ 4º e 5º, em razão da não apresentação de GFIP ou apresentação com dados não correspondentes aos fatos geradores, imposições que, a depender o caso concreto, poderiam alcançar a alíquota de 100%, sendo certo que tal penalidade não foi expressamente tratada no citado Parecer SEI 11315/2020. Como se viu, na nova legislação, que tem origem na MP 449/08, o art. 35 da lei 8.212/91 continuou a tratar de multa de mora pelo recolhimento em atraso, passando a exigir para as contribuições previdenciárias a mesma penalidade moratória prevista para os tributos fazendários (art. 61 da Lei 9.430/96). Por outro lado, a mesma MP 449 inseriu o art. 35-A na Lei 8.212/91, e, assim, da mesma forma, passou a prever, tal qual já ocorria para tributos fazendários, penalidade a ser imputada nos casos de lançamento de ofício, em percentual básico de 75% (art. 44 da Lei 9.430/96). Como a tese encampada pelo STJ é pela inexistência de multas de ofício na redação anterior do art. 35 da Lei 8.212/91, resta superado o entendimento deste Conselho Administrativo sobre a natureza de multa de ofício de tal exigência. Por outro lado, não sendo aplicável aos períodos anteriores à vigência da lei 11.941/09 o preceito contido no art. 35-A, a multa pelo descumprimento da obrigação acessória relativo à apresentação da GFIP com dados não correspondentes (declaração inexata), já não pode ser considerada incluída na nova penalidade de ofício, do que emerge a necessidade de seu tratamento de forma autônoma. Assim, temos as seguintes situações: - os valores lançados, de ofício, a título de multa de mora, sob amparo da antiga redação do art. 35 da lei 8.212/91, incidentes sobre contribuições previdenciárias declaradas ou não em GFIP e, ainda, aquela incidente sobre valores devidos a outras entidades e fundos (terceiros), para fins de aplicação da norma mais benéfica, deverão ser comparados com o que seria devido pela nova redação dada ao mesmo art. 35 pela Lei 11.941/09; - os valores lançados, de forma isolada ou não, a título da multa por descumprimento de obrigação acessória a que alude os §§ 4º e 5º, inciso IV, do art. 32 da Lei 8.212/91, para fins de aplicação da norma mais benéfica, deverão ser comparados com o que seria devido pelo que dispõe o art. o art. 32-A da mesma Lei; Portanto, no caso em apreço, impõe-se afastar a aplicação do art. 35-A da Lei nº 8.212/91, devendo ser aplicada a retroatividade benigna a partir da comparação da multa por descumprimento de obrigação acessória a que alude os §§ 4º e 5º, inciso IV, do art. 32 da Lei 8.212/91 com a que seria devida com base no art. art. 32-A da mesma Lei 8.212/91. Fl. 1660DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.668 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 10680.725064/2010-49 23 Por fim, mas não menos importante, frisemos que o tema já restou pacificado pela Súmula CARF 196, aprovada pela 2ª Turma da CSRF em sessão de 21/06/2024 – vigência em 27/06/2024. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal, bem como de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória nº 449/2008, a retroatividade benigna deve ser aferida da seguinte forma: (i) em relação à obrigação principal, os valores lançados sob amparo da antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 deverão ser comparados com o que seria devido nos termos da nova redação dada ao mesmo art. 35 pela Medida Provisória nº 449/2008, sendo a multa limitada a 20%; e (ii) em relação à multa por descumprimento de obrigação acessória, os valores lançados nos termos do art. 32, IV, §§ 4º e 5º, da Lei nº 8.212/1991, de forma isolada ou não, deverão ser comparados com o que seria devido nos termos do que dispõe o art. 32-A da mesma Lei nº 8.212/1991. Acórdãos Precedentes: 9202-010.951; 9202-010.923; 9202.010.872; 9202.010.666; 9202- 010.633 Diante do exposto, voto por DAR provimento ao Recurso da contribuinte neste ponto. 5 CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso especial da Fazenda Nacional e dar-lhe provimento parcial. Quanto ao Recurso especial da contribuinte, voto por conhecer parcialmente, e na parte conhecida dar provimento, aplicando a retroatividade benigna, conforme sumula CARF 196. Assinado Digitalmente Fernanda Melo Leal – Relatora VOTO VENCEDOR Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Redator Designado Inicialmente, congratulo a Ilustre Relatora pelo sempre brilhante voto. Porém, em que pese os lógicos argumentos expostos em seu voto, com a devida vênia, ouso dela discordar Fl. 1661DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.668 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 10680.725064/2010-49 24 tão-somente em relação ao mérito do recurso especial da Fazenda Nacional, especificamente na matéria “Data de assinatura do acordo para pagamento de PLR”. Antes de adentrarmos no mérito do caso concreto, entendo ser necessária uma explanação sobre a incidência tributária no caso das verbas pagas a título de PLR. Para tanto, valho-me de trechos do voto vencedor proferido pelo Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, no acórdão nº 2201-003.723, a conferir: Como regra geral, as contribuições previdenciárias têm por base de cálculo a remuneração percebida pela pessoa física pelo exercício do trabalho. É dizer: toda pessoa física que trabalha e recebe remuneração decorrente desse labor é segurado obrigatório da previdência social e dela contribuinte, em face do caráter contributivo e da compulsoriedade do sistema previdenciário pátrio. De tal assertiva, decorre que a base de cálculo da contribuição previdenciária é a remuneração percebida pelo segurado obrigatório em decorrência de seu trabalho. Nesse sentido caminha a doutrina. Eduardo Newman de Mattera Gomes e Karina Alessandra de Mattera Gomes (Delimitação Constitucional da base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias ‘in’ I Prêmio CARF de Monografias em Direito Tributário 2010, Brasília: Edições Valentim, 2011. p. 483.), entendem que: “...não se deve descurar que, nos estritos termos previstos no art. 22, inciso I, da Lei nº 8.212/91, apenas as verbas remuneratórias, ou seja, aquelas destinadas a retribuir o trabalho, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo disponibilizado ao empregador, é que ensejam a incidência da contribuição previdenciária em análise” (grifos originais) Academicamente (OLIVEIRA, Carlos Henrique de. Contribuições Previdenciárias e Tributação na Saúde ‘in’ HARET, Florence; MENDES, Guilherme Adolfo. Tributação da Saúde, Ribeirão Preto: Edições Altai, 2013. p. 234.), já tivemos oportunidade de nos manifestar no mesmo sentido quando analisávamos o artigo 214, inciso I do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, que trata do salário de contribuição: “O dispositivo regulamentar acima transcrito, quando bem interpretado, já delimita o salário de contribuição de maneira definitiva, ao prescrever que é composto pela totalidade dos rendimentos pagos como retribuição do trabalho. É dizer: a base de cálculo do fato gerador tributário previdenciário, ou seja, o trabalho remunerado do empregado, é o total da sua remuneração pelo seu labor” (grifos originais) O final da dessa última frase ajuda-nos a construir o conceito que entendemos atual de remuneração. A doutrina clássica, apoiada no texto legal, define remuneração como sendo a contraprestação pelo trabalho, apresentando o que entendemos ser o conceito aplicável à origem do direito do trabalho, quando o Fl. 1662DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.668 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 10680.725064/2010-49 25 sinalagma da relação de trabalho era totalmente aplicável, pois, nos primórdios do emprego, só havia salário se houvesse trabalho. Com a evolução dos direitos laborais, surge o dever de pagamento de salários não só como decorrência do trabalho prestado, mas também quando o empregado "está de braços cruzados à espera da matéria-prima, que se atrasou, ou do próximo cliente, que tarda em chegar", como recorda Homero Batista (Homero Mateus Batista da Silva. Curso de Direito do Trabalho Aplicado, vol 5: Livro da Remuneração.Rio de Janeiro, Elsevier. 2009. pg. 7). O dever de o empregador pagar pelo tempo à disposição, ainda segundo Homero, decorre da própria assunção do risco da atividade econômica, que é inerente ao empregador. Ainda assim, cabe o recebimento de salários em outras situações. Numa terceira fase do direito do trabalho, a lei passa a impor o recebimento do trabalho em situações em que não há prestação de serviços e nem mesmo o empregado se encontra ao dispor do empregador. São as situações contempladas pelos casos de interrupção do contrato de trabalho, como, por exemplo, nas férias e nos descansos semanais. Há efetiva responsabilização do empregador, quando ao dever de remunerar, nos casos em que, sem culpa do empregado e normalmente como decorrência de necessidade de preservação da saúde física e mental do trabalhador, ou para cumprimento de obrigação civil, não existe trabalho. Assim, temos salários como contraprestação, pelo tempo à disposição e por força de dispositivos legais. Não obstante, outras situações há em que seja necessário o pagamento de salários A convenção entre as partes pode atribuir ao empregador o dever de pagar determinadas quantias, que, pela repetição ou pela expectativa criada pelo empregado em recebê-las, assumem natureza salarial. Típico é o caso de uma gratificação paga quando do cumprimento de determinado ajuste, que se repete ao longo dos anos, assim, insere-se no contrato de trabalho como dever do empregador, ou determinado acréscimo salarial, pago por liberalidade, ou quando habitual. Nesse sentido, entendemos ter a verba natureza remuneratória quando presentes o caráter contraprestacional, o pagamento pelo tempo à disposição do empregador, haver interrupção do contrato de trabalho, ou dever legal ou contratual do pagamento. Assentados no entendimento sobre a base de cálculo das contribuições previdenciárias, vejamos agora qual a natureza jurídica da verba paga como participação nos lucros e resultados. O artigo 7º da Carta da República, versando sobre os direitos dos trabalhadores, estabelece: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) Fl. 1663DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.668 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 10680.725064/2010-49 26 XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; De plano, é forçoso observar que os lucros e resultados decorrem do atingimento eficaz do desiderato social da empresa, ou seja, tanto o lucro como qualquer outro resultado pretendido pela empresa necessariamente só pode ser alcançado quando todos os meios e métodos reunidos em prol do objetivo social da pessoa jurídica foram empregados e geridos com competência, sendo que entre esses estão, sem sombra de dúvida, os recursos humanos. Nesse sentido, encontramos de maneira cristalina que a obtenção dos resultados pretendidos e do conseqüente lucro foi objeto do esforço do trabalhador e portanto, a retribuição ofertada pelo empregador decorre dos serviços prestados por esse trabalhador, com nítida contraprestação, ou seja, com natureza remuneratória. Esse mesmo raciocínio embasa a tributação das verbas pagas a título de prêmios ou gratificações vinculadas ao desempenho do trabalhador, consoante a disposição do artigo 57, inciso I, da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, explicitada em Solução de Consulta formulada junto à 5ªRF (SC nº 28 – SRRF05/Disit), assim ementada: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias PRÊMIOS DE INCENTIVO. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. Os prêmios de incentivo decorrentes do trabalho prestado e pagos aos funcionários que cumpram condições pré-estabelecidas integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias e do PIS incidente sobre a folha de salários. Dispositivos Legais: Constituição Federal, de 1988, art. 195, I, a; CLT art. 457, §1º; Lei nº 8.212, de 1991, art. 28, I, III e §9º; Decreto nº 3.048, de 1999, art. 214, §10; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 2º, 9º e 50. (grifamos) Porém, não só a Carta Fundamental como também a Lei nº 10.101, de 2000, que disciplinou a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), textualmente em seu artigo 3º determinam que a verba paga a título de participação, disciplinada na forma do artigo 2º da Lei, “não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade” o que afasta peremptoriamente a natureza salarial da mencionada verba. Ora, analisemos as inferências até aqui construídas. De um lado, concluímos que as verbas pagas como obtenção de metas alcançadas tem nítido caráter remuneratório uma vez que decorrem da prestação pessoal de serviços por parte dos empregados da empresa. Por outro, vimos que a Constituição e Lei que instituiu a PLR afastam – textualmente – o caráter remuneratório da mesma, no Fl. 1664DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.668 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 10680.725064/2010-49 27 que foi seguida pela Lei de Custeio da Previdência Social, Lei nº 8.212, de 1991, que na alínea ‘j’ do inciso 9 do parágrafo 1º do artigo 28, assevera que não integra o salário de contribuição a parcela paga a título de “participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica” A legislação e a doutrina tributária bem conhecem essa situação. Para uns, verdadeira imunidade pois prevista na Norma Ápice, para outros isenção, reconhecendo ser a forma pela qual a lei de caráter tributário, como é o caso da Lei de Custeio, afasta determinada situação fática da exação. Não entendo ser o comando constitucional uma imunidade, posto que esta é definida pela doutrina como sendo um limite dirigido ao legislador competente. Tácio Lacerda Gama (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, Ed. Quartier Latin, pg. 167), explica: "As imunidades são enunciados constitucionais que integram a norma de competência tributária, restringindo a possibilidade de criar tributos" Ao recordar o comando esculpido no artigo 7º, inciso XI da Carta da República não observo um comando que limite a competência do legislador ordinário, ao reverso, vejo a criação de um direito dos trabalhadores limitado por lei. Superando a controvérsia doutrinária e assumindo o caráter isentivo em face da expressa disposição da Lei de Custeio da Previdência, mister algumas considerações. Superando a controvérsia doutrinária e assumindo o caráter isentivo em face da expressa disposição da Lei de Custeio da Previdência, mister algumas considerações. Nesse sentido, Luis Eduardo Schoueri (Direito Tributário 3ªed. São Paulo: Ed Saraiva. 2013. p.649), citando Jose Souto Maior Borges, diz que a isenção é uma hipótese de não incidência legalmente qualificada. Nesse sentido, devemos atentar para o alerta do professor titular da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, que recorda que a isenção é vista pelo Código Tributário Nacional como uma exceção, uma vez que a regra é que: da incidência, surja o dever de pagar o tributo. Tal situação, nos obriga a lembrar que as regras excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. Paulo de Barros Carvalho, coerente com sua posição sobre a influência da lógica semântica sobre o estudo do direito aliada a necessária aplicação da lógica jurídica, ensina que as normas de isenção são regras de estrutura e não regras de comportamento, ou seja, essas se dirigem diretamente à conduta das pessoas, enquanto aquelas, as de estrutura, prescrevem o relacionamento que as normas de conduta devem manter entre si, incluindo a própria expulsão dessas regras do sistema (ab-rogação). Por ser regra de estrutura a norma de isenção “introduz modificações no âmbito da regra matriz de incidência tributária, esta sim, norma de conduta” (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 25ª ed. São Paulo: Ed. Saraiva, 2013. Fl. 1665DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.668 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 10680.725064/2010-49 28 p. 450), modificações estas que fulminam algum aspecto da hipótese de incidência, ou seja, um dos elementos do antecedente normativo (critérios material, espacial ou temporal), ou do conseqüente (critérios pessoal ou quantitativo). Podemos entender, pelas lições de Paulo de Barros, que a norma isentiva é uma escolha da pessoa política competente para a imposição tributária que repercute na própria existência da obrigação tributária principal uma vez que ela, como dito por escolha do poder tributante competente, deixa de existir. Tal constatação pode, por outros critérios jurídicos, ser obtida ao se analisar o Código Tributário Nacional, que em seu artigo 175 trata a isenção como forma de extinção do crédito tributário. Voltando uma vez mais às lições do Professor Barros Carvalho, e observando a exata dicção da Lei de Custeio da Previdência Social, encontraremos a exigência de que a verba paga a título de participação nos lucros e resultados “quando paga ou creditada de acordo com lei específica” não integra o salário de contribuição, ou seja, a base de cálculo da exação previdenciária. Ora, por ser uma regra de estrutura, portanto condicionante da norma de conduta, para que essa norma atinja sua finalidade, ou seja impedir a exação, a exigência constante de seu antecedente lógico – que a verba seja paga em concordância com a lei que regula a PLR – deve ser totalmente cumprida. Objetivando que tal determinação seja fielmente cumprida, ao tratar das formas de interpretação da legislação tributária, o Código Tributário Nacional em seu artigo 111 preceitua que se interprete literalmente as normas de tratem de outorga de isenção, como no caso em comento. Importante ressaltar, como nos ensina André Franco Montoro, no clássico Introdução à Ciência do Direito (24ªed., Ed. Revista dos Tribunais, p. 373), que a: “interpretação literal ou filológica, é a que toma por base o significado das palavras da lei e sua função gramatical. (...). É sem dúvida o primeiro passo a dar na interpretação de um texto. Mas, por si só é insuficiente, porque não considera a unidade que constitui o ordenamento jurídico e sua adequação à realidade social. É necessário, por isso, colocar seus resultados em confronto com outras espécies de interpretação”. (grifos nossos) Nesse diapasão, nos vemos obrigados a entender que a verba paga à título de PLR não integrará a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias se tal verba for paga com total e integral respeito à Lei nº 10.101, de 2000, que dispõe sobre o instituto de participação do trabalhador no resultado da empresa previsto na Constituição Federal. Isso porque: i) o pagamento de verba que esteja relacionada com o resultado da empresa tem inegável cunho remuneratório em face de nítida contraprestação que há entre o fruto do trabalho da pessoa física e a o motivo ensejador do pagamento, ou seja, o alcance de determinada meta; ii) para afastar essa Fl. 1666DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.668 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 10680.725064/2010-49 29 imposição tributária a lei tributária isentiva exige o cumprimento de requisitos específicos dispostos na norma que disciplina o favor constitucional. Logo, imprescindível o cumprimento dos requisitos da Lei nº 10.101 para que o valor pago a título de PLR não integre o salário de contribuição do trabalhador. Vejamos quais esses requisitos. Dispõe textualmente a Lei nº 10.101/00: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I - comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II - convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I - índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II - programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. ... Art. 3º ... (...) § 2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em mais de 2 (duas) vezes no mesmo ano civil e em periodicidade inferior a 1 (um) trimestre civil. (grifamos) Da transcrição legal podemos deduzir que a Lei da PLR condiciona, como condição de validade do pagamento: i) a existência de negociação prévia sobre a participação; ii) a participação do sindicato em comissão paritária escolhida pelas partes para a determinação das metas ou resultados a serem alcançados ou que isso seja determinado por convenção ou acordo coletivo; iii) o impedimento de que tais metas ou resultados se relacionem à saúde ou segurança no trabalho; iv) que dos instrumentos finais obtidos constem regras claras e objetivas, inclusive com mecanismos de aferição, sobre os resultados a serem alcançados e a fixação dos direitos dos trabalhadores; v) a vedação Fl. 1667DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.668 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 10680.725064/2010-49 30 expressa do pagamento em mais de duas parcelas ou com intervalo entre elas menor que um trimestre civil. Esses requisitos é que devemos interpretar literalmente, ou como preferem alguns, restritivamente. O alcance de um programa de PLR, ao reverso, não pode - sob o prisma do intérprete do direito - discriminar determinados tipos de trabalhadores, ou categorias de segurados. Não pode o Fisco valorar o programa de metas, ou seja, entender que as metas são boas ou ruins, ou mesmo emitir juízo sobre a participação sindical, devendo simplesmente verificar se as metas são claras e objetivas e se houve a participação sindical. A autoridade lançadora deve sim, verificar o cumprimento dos ditames da Lei nº 10.101/00. Da lição apresentada, conclui-se que o ordenamento jurídico tributário outorgou isenção para as verbas pagas ao título de PLR, desde que cumprido os requisitos legais estabelecidos pela Lei nº 10.101/2000, dentre os quais, destaca-se “i) a existência de negociação prévia sobre a participação; ii) a participação do sindicato em comissão paritária escolhida pelas partes para a determinação das metas ou resultados a serem alcançados ou que isso seja determinado por convenção ou acordo coletivo; iii) o impedimento de que tais metas ou resultados se relacionem à saúde ou segurança no trabalho; iv) que dos instrumentos finais obtidos constem regras claras e objetivas, inclusive com mecanismos de aferição, sobre os resultados a serem alcançados e a fixação dos direitos dos trabalhadores; v) a vedação expressa do pagamento em mais de duas parcelas ou com intervalo entre elas menor que um trimestre civil”. Destaca-se que todos os requisitos mencionados devem ser obedecidos cumulativamente, bastando que um deles esteja ausente para impossibilitar a utilização da isenção ao pagamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre tais verbas. A Lei nº 10.101/2000 disciplina o seguinte: Art.1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Participação nos lucros e prêmios Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I - comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II - convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e Fl. 1668DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.668 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 10680.725064/2010-49 31 prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I - índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II - programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. (...) Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. De acordo com a legislação supracitada, percebe-se que o art. 2º, incisos I e II da Lei nº 10.101/2000, dispõe acerca da obrigação da existência de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante comissão paritária, convenção ou acordo coletivo. Tem-se, ainda, como requisitos, ter regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: i) índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; ii) programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. De fato, constata-se que não há determinação na Lei 10.101/00 sobre quão prévio deve ser o ajuste e, principalmente, prévio a quê. Por outro lado, entendo que a anterioridade que se espera de um programa de PLR não está relacionado ao art. 2º, §1º, inciso II da Lei nº 10.101/2000, mas sim ao seu art. 1º, o qual aponta o instituto como instrumento de incentivo à produtividade: Art.1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7º, inciso XI, da Constituição. Desta forma, é evidente que os programas de metas e resultados devem estar pactuados antes do período de aferição dos critérios para a fixação da PLR atribuída a cada empregado. Isto porque a norma estabelecida pelo art. 1º da Lei º 10.101/2000 dispõe a “participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7º inciso XI, da Constituição”. Ou seja, é essencial que a verba de PLR seja uma recompensa pelo esforço conjunto entre o capital e o trabalho para o alcance do critério previamente estabelecido, uma vez que o objetivo dessa remuneração é motivar o trabalhador a aumentar sua produtividade, superando o nível habitual ou ordinário. Caso não fosse assim, os empregados não teriam conhecimento do esforço necessário para fazer jus a verba, nem de quanto esta seria. Portanto, não há como atender às disposições da Lei 10.101/2000, e apurar os valores a serem pagos a título de PLR, sem a prévia formalização do acordo. Fl. 1669DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.668 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 10680.725064/2010-49 32 Ou seja, é de rigor que a celebração de acordo sobre PLR preceda aos fatos que se propõe a regular. Isto porque o objetivo da PLR é incentivar o alcance dos resultados pactuados previamente. Portanto, somente há amparo jurídico para o pagamento dessa PLR com isenção se o respectivo acordo for celebrado antes do início do período de apuração a que se refere. Do contrário, corre-se o risco de caracterizar tais pagamentos como uma bonificação pelo cumprimento de metas específicas. Ademais, convém destacar que a formalização do acordo se dá com sua assinatura, sendo incabível sustentar que o conteúdo posteriormente estabelecido já era de conhecimento prévio dos empregados ou algo com que estavam familiarizados. Isso se deve à evidente fragilidade de tal argumento, especialmente considerando que não há garantia de que as regras serão, realmente, repetidas todos os anos. No caso dos autos, extrai-se do Voto Vencido do acórdão recorrido (vencedor da tese acerca da pactuação prévia), que foi dado provimento ao pleito do contribuinte neste quesito pelo fato de o programa de metas ter sido anterior ao pagamento da PLR (fls. 1233/1234): No tocante ao momento do pagamento, destaco que entendo que a questão de fixação das regras para distribuição dos lucros para antes do início do ano que servirá de base pode ser flexibilizada, na medida que deve ser privilegiada a integração entre o capital e o trabalho. Nesse sentido, o artigo 2º, §1º, II, da Lei n. 10.101/00 somente diz que os programas de metas, resultados e prazos devem ser pactuados previamente, não definindo se é previamente à assinatura do acordo ou do pagamento da PLR. Ante o exposto, onde o legislador não trouxe distinção, não cabe ao intérprete distinguir, de modo que, ainda que seja entendido que deve ser aplicado o artigo 2º, §1º, II, da Lei n. 10.101/00, houve cumprimento dos referidos requisitos visto que houve programa de metas anterior ao pagamento da PLR. (destaques nossos) Ou seja, para dar provimento ao pleito do contribuinte, constata-se que o acórdão recorrido utilizou como fundamentação o argumento de que a assinatura dos acordos ocorreu antes do pagamento da PLR, o que atestaria a higidez dos planos de PLR. Contudo, conforme argumentos acima apresentados, não me parece ser essa a melhor interpretação da Lei nº 10.101/2000. O lançamento refere-se à PLR paga em razão do Acordo Coletivo 2005/2006 (fls. 61/104) e do Acordo Coletivo 2006/2007 (fls. 108/147). O ACT que previa o pagamento de PLR relativa ao ano base 2005 foi assinado já no final do período de aquisição a que se referia, especificamente em 01/11/2005 (fl. 103). A cláusula 78ª do ACT 2005/2006 admitia a proximidade do fim do período aquisitivo, bem como a ausência de pactuação de metas a serem atingidas (fl. 100): Fl. 1670DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.668 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 10680.725064/2010-49 33 Considerando que o ano de 2005 é um ano praticamente findo, e que para o mesmo não foram pactuadas metas a serem atingidas pelos empregados, a CEMIG efetuará a seguinte distribuição relativa ao ano base de 2005 para pagamento em 2006: Ademais, a cláusula 80ª do mesmo ACT 2005/2006 (fls. 101/102) previa o pagamento de uma “Participação nos Resultados Extraordinária – PRE, (...) equivalente a 4 (quatro) remunerações vigentes no mês de pagamento”, sendo que o parágrafo primeiro de tal cláusula estabelecia o pagamento de 03 (três) remunerações a título de PRE já em 04/11/2005, ou seja, 3 dias após a assinatura do ACT 2005/2006. Situação semelhante é observada no ACT 2006/2007, assinado em 30/11/2006 (fl. 146), mas que previa o pagamento da PLR com base nos resultados obtidos até dezembro/2006 (cláusula quarta – fls. 114/115). De igual forma, previa o pagamento de uma “Participação nos Lucros ou Resultados Extraordinária – PLRE, (...) equivalente a 2,80 (dois inteiros e oitenta centésimos) remunerações”, com pagamento previsto para ocorrer já em 06/12/2006, ou seja, 06 dias após a assinatura do ACT 2006/2007 (cláusula quinta – fl. 116). Ou seja, quando assinados os planos de PLR, já se sabia (ou ao menos já se tinha uma boa ideia) qual era a parcela do lucro a ser distribuído, sem que houvesse qualquer esforço adicional dos empregados na contribuição do lucro alcançado, mesmo que o valor so viesse a ser pago até maio do ano subsequente, pois este era o período para que a CVM divulgasse os resultados do exercício correspondente. Outrossim, o pagamento de uma parcela “extraordinária” da PLR dias após a data de assinatura dos respectivos acordos evidencia que, de fato, não houve qualquer esforço adicional, ou integração entre o capital e o trabalho, a fim de atingir o resultado já obtido quando da data de assinatura dos ACTs. Sobre os acordos, o Relatório Fiscal constata o seguinte (fls. 21/23): Pois bem, segundo o “Acordo Coletivo de Trabalho 2005/2006” apresentado pelo contribuinte (cópia em anexo), em 01/11/2005 foram ajustadas as cláusulas entre a empresa fiscalizada e seus trabalhadores. (...) A cláusula septuagésima oitava do referido Acordo, intitulada “Participação nos Resultados Referentes a 2005 – Pagamento em 2006” inicia-se com os seguintes termos: Considerando-se que o ano de 2005 é ano praticamente findo, e que para o mesmo não foram pactuadas metas a serem atingidas pelos empregados, a CEMIG efetuará a seguinte distribuição relativa ao ano base de 2005 para pagamento em 2006: Em seguida, nas alíneas de “a” até “f”, encontram-se estabelecidas algumas determinações, tais como valor a ser distribuído, mês do pagamento, forma e fórmulas para determinação dos valores individuais, habilitação, etc. Pela análise das mesmas, pode-se observar que não existe nenhuma meta ou objetivo Fl. 1671DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.668 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 10680.725064/2010-49 34 proposto como condição para pagamento da denominada participação, apenas estipulou-se um percentual fixo (3%) do Resultado Operacional da empresa como “Montante a ser Distribuído” e estabeleceu-se um valor mínimo para o mesmo de trinta e dois milhões de reais. Considerando-se que o acordo ocorreu em 01/11/2005, praticamente transcorrido todo o ano de 2005, fato admitido pelo próprio texto da cláusula septuagésima oitava do documento ao registrar que o ano de 2005 era “praticamente findo”, o mesmo evidentemente não se prestaria a estabelecer eventuais regras visando-se incentivar a produtividade, cujos motivos encontram- se fartamente dispostos nos parágrafos anteriores. Além disso, o próprio texto da referida cláusula literalmente confirma a inexistência de “metas a serem atingidas pelos empregados”. Dessa forma, os pagamentos efetuados nos termos dessa cláusula encontram-se em desacordo com a Lei 10.101/2000, que estabelece, conforme exposições anteriores, que os mesmos devem ocorrer previamente, ou seja, antes do início do ano de 2005 e não depois de “praticamente findo” o mesmo, conforme registro do próprio texto do acordo. Ao estabelecer valores e critérios após decorrido o ano S não havendo como se alegar que incentivaria a produtividade referente ao mesmo S, a rubrica em questão, embora intitulada como PLR, poderia ser caracterizada como qualquer outra componente da remuneração dos segurados empregados, integrando dessa forma o salário-de-contribuição para todos os fins e efeitos. Na cláusula septuagésima nona intitulada “Participação nos Resultados – distribuição Extraordinária - PRE” a situação descrita anteriormente fica ainda mais latente. Referindo-se ao que chamou de “excelente desempenho empresarial” para justificar o pagamento, seu texto diz o seguinte: (...) Nesse caso, estabeleceu-se que os pagamentos seriam efetuados ainda no ano de 2005, sendo 3 (três) remunerações em novembro e 1 (uma) em dezembro de 2005. Pelas datas registradas no próprio Acordo, previa-se o pagamento da primeira parcela em menos de 10 (dez) dias após assinatura do mesmo. A justificativa utilizada para o pagamento(excelente desempenho empresarial verificado até a presente data) é claramente subjetiva, além de referir-se novamente a um período já transcorrido, anterior à negociação, não afetando, pelos motivos já descritos, a produtividade. Em 30/11/2006 foram ajustadas as cláusulas do “Acordo Coletivo de Trabalho 2006/2007”, também entre a empresa fiscalizada e seus trabalhadores, ainda segundo os documentos apresentados pelo contribuinte, cuja cópia se encontra em anexo. Esse novo Acordo foi assinado pelos mesmos representantes do de 2005/2006 por parte da empresa e dos trabalhadores. Fl. 1672DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.668 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 10680.725064/2010-49 35 Nesse Acordo, em sua cláusula quinta denominada “Participação nos Lucros ou Resultados – distribuição Extraordinária - PLRE”, o texto é basicamente o mesmo, muito parecido ao do ano anterior (2005/2006) e com poucas alterações, como se pode constatar de sua transcrição a seguir: (...) Da mesma forma que o do ano anterior, ficou estabelecido que os pagamentos seriam efetuados em sua totalidade ainda no ano de 2006 (dezembro). Por se referir também a um período já transcorrido, nos mesmo moldes do Acordo de 2005/2006, cabemlhe as mesmas análises e argumentos. Ao estabelecer critérios após a ocorrência dos fatos, com os resultados já consumados, as tratativas obviamente não influenciaram a produtividade ou ganhos porventura alcançados. Basta imaginar que mesmo que não se estipulasse nada ou que nem houvesse negociações ou quaisquer acordos, não haveria qualquer mudança nos fatos transcorridos – e consequentemente na produtividade. Reputo irretocável a constatação da autoridade fiscal. Desta forma, nota-se que os acordos foram firmados após decorrido praticamente todo o período-base, de modo que não se pode admitir o cumprimento da regra de pactuacão prévia, pois os acordos foram firmados quando já se conhecia boa parte dos índices que serviram de base para a apuração da PLR. Destarte, por estar-se tratando de uma ferramenta de incentivo à produtividade por meio de regras do instrumento de negociação, por questão lógica, devem ser estabelecidas previamente ao exercício a que se referem, caso contrário não estimulariam tal esforço adicional, descumprindo o real intuito da PLR, disposto em legislação. Assim, descumpriu-se a regra de pactuação prévia, pois os acordos não foram firmados antes do período que serviram de base para a apuração da PLR. Portanto, merece razão a Fazenda Nacional, devendo ser provido seu recurso especial quanto a matéria “Data de assinatura do acordo para pagamento de PLR” e, consequentemente, ser reestabelecido o lançamento neste ponto. Sendo este meu único ponto de divergência, acompanho a eminente Relatora quanto às demais questões. CONCLUSÃO Diante do exposto, no mérito, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. Assinado Digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Fl. 1673DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.668 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 10680.725064/2010-49 36 DECLARAÇÃO DE VOTO Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Inicialmente congratulo a em. Relatora pelo seu judicioso voto; mas, peço vênia para acompanhar a divergência inaugurada pela Cons.ª Sheila Aires Cartaxo Gomes, pelos motivos que passo a declinar, uma vez que o fiz apenas pelas conclusões. Consabido que a Carta de 1988, pródiga em contemplar uma série de direitos para promoção e resguardo da dignidade da pessoa humana, conferiu ao trabalhador e à trabalhadora o direito social de perceber montantes a título de participação nos lucros ou resultados, desvinculada da remuneração – ex vi do inc. XI do art. 7º. Sempre prudente lembrar que tais direitos fundamentais albergam não só uma proibição de intervenção, mas ainda uma vedação da proteção insuficiente. Daí porque certo afirmar que a Constituição procurou estabelecer limites ao poder de conformação do legislador e dos próprios contratantes na conformação do contrato de trabalho. O constituinte definiu a estrutura básica do modelo jurídico da relação de emprego com efeitos diretos sobre cada situação concreta. A disciplina normativa mostra-se apta, em muitos casos, a constituir direito subjetivo do empregado em face do empregador, ainda que, em algumas configurações, a matéria venha a ser objeto de legislação específica.1 Não obstante seja um direito social que visa promover a tão necessária integração capital-trabalho, me parece não encartar a norma constitucional uma imunidade. A uma porque a imunidade tributária é norma constitucional que decepa a competência – isto é, retira dos entes tributantes a possibilidade de instituição de exação para gravar certas situações e objetos. Daí o porquê a imunidade é sempre expressa, delimitando direta e escancaradamente a situação ou objeto sobre o qual resta proibida a instituição de tributos.2 Com a devida vênia aos que entendem de forma diversa, o inc. XI do art. 7º da CRFB/88 em momento algum caçou a competência da União para tributar planos de PLR – isto é, “a mencionada norma não traz um comando que limite a competência do legislador ordinário.”3 A duas porque o inc. XI do art. 7º da nossa Constituição relegou à lei ordinária estabelecer os critérios de instituição da PLR. Se estivéssemos diante de uma imunidade, por força do disposto no inc. II do art. 146 da CRFB/88, tal tarefa caberia à lei complementar, eis que responsável por “regular as limitações constitucionais ao poder de tributar.” 1 MENDES, Gilmar Ferreira; BRANCO, Paulo Gustavo Gonet. Curso de Direito Constitucional. São Paulo: Saraiva Educação, 2018 [e-book] 2 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. São Paulo: Saraiva, 2011, p. 237. 3 CARF. Acórdão nº 2201-009.478, Cons. Rel. RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM, sessão de 01 dez. 2021. Fl. 1674DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.668 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 10680.725064/2010-49 37 Assim, “ao recordar o comando esculpido no artigo 7º, inciso XI da Carta da República não observo um comando que limite a competência do legislador ordinário, ao reverso, vejo a criação de um direito dos trabalhadores limitado por lei.”4 Firmada a natureza jurídica da norma, passo à análise do que determinava a Lei nº 10.101/2001, com a redação vigente à época dos fatos geradores. Peço vênia para fazer a transcrição do regramento, no que importa: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (...) § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I - índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II - programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Evidenciado que a lei não esclarece a que se refere a pactuação prévia, inexistindo, à época, qualquer referência quanto a limites temporais, cabe a esta julgadora fazê-lo. O Direito, por não ser ciência isolada, deve estar atento aos contextos sociais, de modo a melhor espelhar não só a realidade fática, mas ainda os anseios da sociedade a qual está subordinado. A Lei nº 10.101/2000 fixa como requisito inarredável à higidez da convenção coletiva ou do acordo particular relativos à participação dos empregados nos lucros e/ou resultados a pactuação prévia, de forma que o obreiro saiba, desde o início, como se portar para lograr o benefício avençado. Ainda que entenda ser despicienda a assinatura da avença antes do exercício ao que se refere o plano, certo que, no presente caso, além de inexistir justificativa para a excessiva mora na elaboração do plano, tal falha pode ser atribuída exclusivamente à recorrente, eis que o instrumento eleito para colocá-lo a termo foi um Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). Anoto ainda que sequer há comprovação de que os planos guardariam identidade com aqueles pregressamente avençados, o que, a meu sentir, poderia chancelar a higidez da PLR, caso tivesse sido demonstrado que já tinham os colaboradores ciência da expectativa quanto ao modo de se portar para o recebimento de valores em pecúnia. 4 CARF. Acórdão nº 2201-004.060, Cons. Rel. CARLOS DE HENRIQUE DE OLIVEIRA, sessão de 05 fev. 2018. Fl. 1675DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.668 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 10680.725064/2010-49 38 Por essas razões, pedindo vênia à em. Relatora, acompanho a divergência para dar provimento ao recurso especial fazendário quanto à matéria data de assinatura do acordo para pagamento de PLR. Assinado Digitalmente Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Fl. 1676DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Vencido 1 Conhecimento do recurso especial DA FAZENDA NACIONAL 2 CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE 3 MÉRITO – Recurso Especial da fazenda Nacional 4 recurso especial contribuinte 5 Conclusão Voto Vencedor Declaração de Voto

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Numero do processo: 13857.000311/97-09
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO. IPI. RESSARCIMENTO. Incorre em nulidade a decisão recorrida quando há recusa em examinar provas que documentariam suposto direito de crédito reclamado pelo sujeito passivo do tributo, ainda que referidos documentos hajam sido produzido apenas por ocasião da interposição da manifestação de inconformidade. Precedentes. Recurso provido para anular o acórdão de Primeira Instância.
Numero da decisão: 3403-000.814
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular o processo a partir da decisão de Primeira Instância.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ

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Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0320.15106.6NAP. Consulte a página de autenticação no final deste documento.     2   Relatório  Trata­se  de  pedido  de  compensação  por  meio  do  qual  a  ora  recorrente  pretende  extinguir  obrigações  tributárias  federais  oferecendo,  em  contrapartida,  alegados  créditos presumidos do IPI, apurados de conformidade com o regime da Lei no. 9.363/96.  Da primeira vez em que os autos vieram ao Colegiado de Segunda Instância  administrativa,  a  motivação  do  recurso  voluntário  interposto  pela  interessada  fora  o  indeferimento do pleito com fundamento restrito na inexistência de apresentação de pedido de  ressarcimento do mesmo crédito presumido de IPI, anterior ou simultaneamente à formalização  do  pedido  de  compensação.  Na  ocasião,  o  então  Segundo  Conselho  de  Contribuintes  deu  provimento  ao  apelo,  determinando  que  os  autos  retornassem  à  origem  para  exame  da  existência e quantificação dos créditos apresentados em compensação,  independentemente do  pedido requerimento de ressarcimento (fls. 68/75).  O órgão preparador, então, empreendeu fiscalização sobre a pessoa jurídica,  objetivando, justamente, averiguar as dimensões do alegado direito creditório. No relatório de  atividade fiscal acostado às fls. 162/166 dos autos, narra a autoridade ter procedido a uma série  de  verificações  até  que,  enfim,  intimou  a ora  recorrente  a  lhe  apresentar  determinadas  notas  fiscais relativas aos insumos (MP, PI e ME) adquiridos no período, a fim de confrontá­las com  os dados constantes do arquivo magnético apresentado à fiscalização.  Tendo  obtido  como  resposta  a  notícia  de  que  a  empresa  não  localizara  o  documentário fiscal em questão e, ainda, considerando­o indispensável à aferição definitiva da  existência do direito, a autoridade propôs o indeferimento do pedido de compensação, no que  foi acatada pelo despacho decisório de fls. 167 e ss.  Na  manifestação  de  inconformidade  de  fls.  179/180,  a  recorrente,  afinal,  trouxe  aos  autos  as  notas  fiscais  que  a  fiscalização  lhe  havia  requisitado,  noticiando  tê­las  encontrado.  A  DRJ­Ribeirão  Preto,  a  quem  competiu  o  julgamento  em  Primeiro  Grau,  manteve  o  indeferimento  do  pedido  sustentando,  em  primeiro  lugar,  caber  ao  contribuinte  o  ônus  probatório  do  direito  creditório  pretendido  e,  em  segundo,  a  extemporaneidade  da  produção da prova (fls. 253/256).  A interposição do recurso voluntário de fls. 259/284 é o que traz os autos a  exame deste Colegiado.  Este, em síntese, o relatório.    Voto             Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz  O  recurso  é  tempestivo  e  está  bem  formado,  preenchendo,  pois,  os  pressupostos de admissibilidade.  Fl. 2DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0320.15106.6NAP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13857.000311/97­09  Acórdão n.º 3403­00.814  S3­C4T3  Fl. 2          3 Tenho notícia de que, em ao menos duas outras oportunidades, órgãos deste  Conselho Administrativo de Recursos Fiscais se depararam com recursos análogos ao presente,  aviados  pelo mesmo  sujeito  passivo  tributário  e  construídos  sob  fundamentação  idêntica,  eis  que  associados  à  compensação  de  crédito­presumido  do  IPI  objeto  do  mesmo  relatório  de  atividade fiscal que culminou no recurso voluntário aqui posto em julgamento.  E,  nestas  duas  ocasiões,  decidiu­se  rigorosamente  no  mesmo  sentido,  conforme,  aliás,  deve  ser.  Numa  destas  situações,  o  recurso  voluntário  da  contribuinte  foi  distribuído  à  Primeira  Turma Ordinária  desta  Quarta  Câmara,  para  relatoria  do  Conselheiro  Dalton  Cesar  Cordeiro  de Miranda.  Eis  a  ementa  do  acórdão  a  que  chegou  o  Colegiado,  à  unanimidade:  “IPI. RESSARCIMENTO.  É  de  se  anular  a  decisão  recorrida  quando  há  recusa  em  apreciar documentação que embasaria suposto direito creditório  reclamado pela contribuinte, mesmo que tais documentos tenham  sido  apresentados  somente  com  a  manifestação  de  inconformidade.  Precedentes”  (Acórdão  no.  3401­00.294,  j.  18.09.2009)   Na  outra  oportunidade  a  que  referi,  o  recurso  voluntário  foi  decidido  pela  Terceira Turma Especial da Segunda Seção, sob relatoria do Conselheiro Alexandre Kern, de  cujo voto tomo de empréstimo as seguintes bem colocadas asserções. Veja­se:  “Circunscreve­se  o  litígio  à  discussão  a  respeito  da  possibilidade  de  comprovação  dos  créditos  no  momento  processual da reclamação.  (...)  De acordo com as normas processuais, é na impugnação que a  lide é demarcada e o processo administrativo propriamente dito  tem  início,  com  a  instauração  do  litígio,  não  se  permitindo,  a  partir daí, a abertura de novas teses de defesa ou a apresentação  de  novas  provas,  a  não  ser  nas  situações  legalmente  excepcionadas. A este respeito, Marcos Vinícius Neder de Lima e  Maria  Tereza  Martínez  Lopez  asseveram  que  ‘a  inicial  e  a  impugnação fixam os limites da controvérsia, integrando o objeto  da  defesa  as  afirmações  contidas  na  petição  inicial  e  na  documentação que a acompanha’ (Processo administrativo fiscal  federal comentado. São Paulo: Dialética, 2002, p. 67)  Portanto, ao contrário do sugerido na  tese recursal, com o seu  arrevesado  entendimento  do  princípio  processual  da  verdade  material,  há  evidente  limite  temporal  para  a  apresentação  de  provas  no  rito  instituído  pelo Decreto  no.  70.235,  de  1972Ç  o  momento processual da apresentação da reclamação.  (...)  Entendo  que  os  documentos  que  instruem  a  Manifestação  de  Inconformidade – e somente eles – merecem ser conhecidos, não  pela  incidência  do  princípio  da  verdade  material,  tão­ levianamente  invocado pelo  recorrente, mas  em  face da dicção  Fl. 3DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0320.15106.6NAP. Consulte a página de autenticação no final deste documento.     4 do art. 16, inc. III e §4o, do Decreto no. 70.235, de 1972, acima  transcrito.”  Pelos  motivos  expostos,  voto  no  sentido  do  provimento  do  recurso  voluntário,  anulando­se  o  acórdão  14­17.302,  de  17  de  outubro  de  2007,  a  fim  de  que  a  Segunda  Turma  da  DRJ/POR  conheça  da  prova  tempestivamente  produzida  para,  então,  prolatar novo acórdão.    Marcos Tranchesi Ortiz                                Fl. 4DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0320.15106.6NAP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por MARCOS TRANCHESI ORTIZ em 23/02/2011 18:21:11. Documento autenticado digitalmente por MARCOS TRANCHESI ORTIZ em 23/02/2011. Documento assinado digitalmente por: ANTONIO CARLOS ATULIM em 25/02/2011 e MARCOS TRANCHESI ORTIZ em 23/02/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 03/03/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP03.0320.15106.6NAP Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 0350293AD6A617C1C10D19077229ABB99FEEE332 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 13857.000311/97-09. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.

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10886147 #
Numero do processo: 11080.901071/2012-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2010 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. PRODUÇÃO OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. No contexto da não cumulatividade das contribuições sociais, consideram-se insumos os bens e serviços adquiridos que sejam essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, observados os demais requisitos da lei. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE BENS PARA REVENDA. FRETE. Geram direito ao desconto de créditos das contribuições não cumulativas os bens adquiridos para revenda, abarcando o valor do frete pago pelo contribuinte nessa aquisição, mas desde que tal valor esteja incluído na nota fiscal de aquisição, não alcançando, entretanto, o serviço de transporte prestado, de forma autônoma, por transportador domiciliado no País. CRÉDITO. ARMAZENAGEM. GASTOS COM ALUGUEL DE PRÉDIOS. POSSIBILIDADE. Geram direito ao desconto de créditos das contribuições não cumulativas os gastos com aluguéis de prédios utilizados para armazenagem, na compra/importação, de grãos destinados à revenda, observados os demais requisitos da lei. CRÉDITO. FRETE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO TRIBUTADOS. POSSIBILIDADE. É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. (Súmula CARF nº 188) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2010 AUTOS DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Tendo os autos de infração sido lavrados por autoridade competente, devidamente fundamentados e com observância do amplo direito de defesa, afasta-se a alegação de nulidade do lançamento de ofício. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CRÉDITO UTILIZADO EM RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ABATIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Tratando-se de créditos utilizados em pedidos de ressarcimento e/ou em declarações de compensação, tratados em outros processos administrativos, eles não podem ser considerados para abater os débitos apurados em auditoria fiscal. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. Somente podem ser objeto de ressarcimento/compensação os créditos relacionados a operações no Mercado Interno Não Tributado e na Exportação, uma vez que, em relação às operações no Mercado Interno Tributado, os créditos correspondentes somente podem ser utilizados para o desconto dos débitos devidos no período na apuração escritural das contribuições, salvo se houver diferença de alíquota entre a importação e a revenda no mercado interno.
Numero da decisão: 3201-012.279
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, para reverter as glosas de créditos relativos a (i.1) bens e serviços adquiridos, devidamente tributados pelas contribuições, e utilizados como insumos na prestação de serviços, sendo que, que somente podem ser objeto de ressarcimento/compensação os créditos relacionados a operações no Mercado Interno Não Tributado e na Exportação, uma vez que, em relação às operações no Mercado Interno Tributado, os créditos correspondentes somente podem ser utilizados para o desconto dos débitos devidos no período na apuração escritural das contribuições, salvo se houver diferença de alíquota entre a importação e a revenda no mercado interno, (i.2) despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições, (i.3) frete pago na aquisição de bens para revenda incluído na nota fiscal de aquisição, e (i.4) gastos com aluguéis de prédios utilizados para armazenagem, na compra/importação, de grãos destinados à revenda, observados os demais requisitos da lei, mesmo se tratando de bem não sujeito à tributação; e (ii) por voto de qualidade, para manter a glosa de créditos relativos aos fretes na aquisição de bens adquiridos para revenda não incluídos nas notas fiscais de aquisição, vencidos, nesse item, os conselheiros Flávia Sales Campos Vale, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow e Fabiana Francisco de Miranda, que revertiam a glosa. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-012.263, de 31 de janeiro de 2025, prolatado no julgamento do processo 11080.901058/2012-98, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Enk de Aguiar, Flávia Sales Campos Vale, Luiz Carlos de Barros Pereira (substituto), Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco de Miranda e Hélcio Lafetá Reis (Presidente). Ausente a conselheira Bárbara Cristina de Oliveira Pialarissi, substituída pelo conselheiro Luiz Carlos de Barros Pereira.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2010 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. PRODUÇÃO OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. No contexto da não cumulatividade das contribuições sociais, consideram-se insumos os bens e serviços adquiridos que sejam essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, observados os demais requisitos da lei. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE BENS PARA REVENDA. FRETE. Geram direito ao desconto de créditos das contribuições não cumulativas os bens adquiridos para revenda, abarcando o valor do frete pago pelo contribuinte nessa aquisição, mas desde que tal valor esteja incluído na nota fiscal de aquisição, não alcançando, entretanto, o serviço de transporte prestado, de forma autônoma, por transportador domiciliado no País. CRÉDITO. ARMAZENAGEM. GASTOS COM ALUGUEL DE PRÉDIOS. POSSIBILIDADE. Geram direito ao desconto de créditos das contribuições não cumulativas os gastos com aluguéis de prédios utilizados para armazenagem, na compra/importação, de grãos destinados à revenda, observados os demais requisitos da lei. CRÉDITO. FRETE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO TRIBUTADOS. POSSIBILIDADE. É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. (Súmula CARF nº 188) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2010 AUTOS DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Tendo os autos de infração sido lavrados por autoridade competente, devidamente fundamentados e com observância do amplo direito de defesa, afasta-se a alegação de nulidade do lançamento de ofício. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CRÉDITO UTILIZADO EM RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ABATIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Tratando-se de créditos utilizados em pedidos de ressarcimento e/ou em declarações de compensação, tratados em outros processos administrativos, eles não podem ser considerados para abater os débitos apurados em auditoria fiscal. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. Somente podem ser objeto de ressarcimento/compensação os créditos relacionados a operações no Mercado Interno Não Tributado e na Exportação, uma vez que, em relação às operações no Mercado Interno Tributado, os créditos correspondentes somente podem ser utilizados para o desconto dos débitos devidos no período na apuração escritural das contribuições, salvo se houver diferença de alíquota entre a importação e a revenda no mercado interno.

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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, para reverter as glosas de créditos relativos a (i.1) bens e serviços adquiridos, devidamente tributados pelas contribuições, e utilizados como insumos na prestação de serviços, sendo que, que somente podem ser objeto de ressarcimento/compensação os créditos relacionados a operações no Mercado Interno Não Tributado e na Exportação, uma vez que, em relação às operações no Mercado Interno Tributado, os créditos correspondentes somente podem ser utilizados para o desconto dos débitos devidos no período na apuração escritural das contribuições, salvo se houver diferença de alíquota entre a importação e a revenda no mercado interno, (i.2) despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições, (i.3) frete pago na aquisição de bens para revenda incluído na nota fiscal de aquisição, e (i.4) gastos com aluguéis de prédios utilizados para armazenagem, na compra/importação, de grãos destinados à revenda, observados os demais requisitos da lei, mesmo se tratando de bem não sujeito à tributação; e (ii) por voto de qualidade, para manter a glosa de créditos relativos aos fretes na aquisição de bens adquiridos para revenda não incluídos nas notas fiscais de aquisição, vencidos, nesse item, os conselheiros Flávia Sales Campos Vale, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow e Fabiana Francisco de Miranda, que revertiam a glosa. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-012.263, de 31 de janeiro de 2025, prolatado no julgamento do processo 11080.901058/2012-98, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Enk de Aguiar, Flávia Sales Campos Vale, Luiz Carlos de Barros Pereira (substituto), Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco de Miranda e Hélcio Lafetá Reis (Presidente). Ausente a conselheira Bárbara Cristina de Oliveira Pialarissi, substituída pelo conselheiro Luiz Carlos de Barros Pereira.

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CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. PRODUÇÃO OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. No contexto da não cumulatividade das contribuições sociais, consideram- se insumos os bens e serviços adquiridos que sejam essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, observados os demais requisitos da lei. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE BENS PARA REVENDA. FRETE. Geram direito ao desconto de créditos das contribuições não cumulativas os bens adquiridos para revenda, abarcando o valor do frete pago pelo contribuinte nessa aquisição, mas desde que tal valor esteja incluído na nota fiscal de aquisição, não alcançando, entretanto, o serviço de transporte prestado, de forma autônoma, por transportador domiciliado no País. CRÉDITO. ARMAZENAGEM. GASTOS COM ALUGUEL DE PRÉDIOS. POSSIBILIDADE. Geram direito ao desconto de créditos das contribuições não cumulativas os gastos com aluguéis de prédios utilizados para armazenagem, na compra/importação, de grãos destinados à revenda, observados os demais requisitos da lei. CRÉDITO. FRETE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO TRIBUTADOS. POSSIBILIDADE. É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, Fl. 131DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.279 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901071/2012-47 2 registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. (Súmula CARF nº 188) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2010 AUTOS DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Tendo os autos de infração sido lavrados por autoridade competente, devidamente fundamentados e com observância do amplo direito de defesa, afasta-se a alegação de nulidade do lançamento de ofício. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CRÉDITO UTILIZADO EM RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ABATIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Tratando-se de créditos utilizados em pedidos de ressarcimento e/ou em declarações de compensação, tratados em outros processos administrativos, eles não podem ser considerados para abater os débitos apurados em auditoria fiscal. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. Somente podem ser objeto de ressarcimento/compensação os créditos relacionados a operações no Mercado Interno Não Tributado e na Exportação, uma vez que, em relação às operações no Mercado Interno Tributado, os créditos correspondentes somente podem ser utilizados para o desconto dos débitos devidos no período na apuração escritural das contribuições, salvo se houver diferença de alíquota entre a importação e a revenda no mercado interno. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, para reverter as glosas de créditos relativos a (i.1) bens e serviços adquiridos, devidamente tributados pelas contribuições, e utilizados como insumos na prestação de serviços, sendo que, que somente podem ser objeto de ressarcimento/compensação os créditos relacionados a operações no Mercado Interno Não Tributado e na Exportação, uma vez que, em relação às operações no Mercado Interno Tributado, os créditos correspondentes somente podem ser utilizados para o desconto dos débitos devidos no período na apuração escritural das contribuições, salvo se houver diferença de alíquota entre a Fl. 132DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.279 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901071/2012-47 3 importação e a revenda no mercado interno, (i.2) despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições, (i.3) frete pago na aquisição de bens para revenda incluído na nota fiscal de aquisição, e (i.4) gastos com aluguéis de prédios utilizados para armazenagem, na compra/importação, de grãos destinados à revenda, observados os demais requisitos da lei, mesmo se tratando de bem não sujeito à tributação; e (ii) por voto de qualidade, para manter a glosa de créditos relativos aos fretes na aquisição de bens adquiridos para revenda não incluídos nas notas fiscais de aquisição, vencidos, nesse item, os conselheiros Flávia Sales Campos Vale, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow e Fabiana Francisco de Miranda, que revertiam a glosa. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-012.263, de 31 de janeiro de 2025, prolatado no julgamento do processo 11080.901058/2012-98, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Enk de Aguiar, Flávia Sales Campos Vale, Luiz Carlos de Barros Pereira (substituto), Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco de Miranda e Hélcio Lafetá Reis (Presidente). Ausente a conselheira Bárbara Cristina de Oliveira Pialarissi, substituída pelo conselheiro Luiz Carlos de Barros Pereira. RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que tratou do Pedido de Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao crédito de COFINS. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reiterou seu pedido, repisando os argumentos de defesa. Em seguida, por meio de Resolução, a turma julgadora converteu o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à repartição de origem, para que a autoridade fiscal juntasse, nestes autos, cópia do Relatório produzido no cumprimento da diligência no âmbito do processo Fl. 133DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.279 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901071/2012-47 4 de nº 11080.728406/2012-76, o que veio a ser efetivado na sequência, com manifestação do Recorrente acerca da medida. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo, atende os demais requisitos de admissibilidade e dele se toma conhecimento. Conforme acima relatado, trata-se de despacho decisório da repartição de origem, em que se reconheceu apenas parte do direito creditório pleiteado, relativo à Cofins não cumulativa – Mercado Interno Não Tributado e Exportação, bem como se homologou apenas parcialmente a compensação, até o limite do crédito deferido. Como bem apontado pelo Recorrente, o presente processo é vinculado ao processo nº 11080.728406/2012-76, no qual se controverte sobre os autos de infração das contribuições decorrentes de glosas de créditos da não cumulatividade, abrangendo o período de apuração destes autos, razão pela qual se reproduz, na sequência, a decisão ali tomada acerca do direito creditório pleiteado, nos termos solicitados pelo próprio Recorrente. Por outro lado, deve-se destacar que a reversão de glosas de créditos adotada no processo dos autos de infração somente impactará este processo nas hipóteses de créditos relacionados a operações no Mercado Interno Não Tributado e na Exportação, uma vez que, em relação às operações no Mercado Interno Tributado, os créditos correspondentes somente podem ser utilizados para o desconto dos débitos devidos no período na apuração escritural das contribuições, não podendo, portanto, ser objeto de ressarcimento/compensação. Reproduz-se, portanto, o voto exarado no processo nº 11080.728406/2012-76: Segundo a fiscalização, a empresa autuada atua na aquisição e comercialização de produtos agrícolas, tais como trigo, alpiste, arroz, feijão lentilha, dentre, sendo que parte da receita auferida se submete à alíquota zero das contribuições, outra parte é normalmente tributada nas vendas no mercado interno e parte do faturamento provém de vendas para o exterior. O Recorrente, por seu turno, aduz que atua no ramo de comercialização, importação, exportação de produtos agrícolas, prestação de serviços na condição de Operadora Portuária, prestação de serviços de armazenagem, carga e descarga de produtos, inclusive com beneficiamento para posterior comercialização. Fl. 134DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.279 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901071/2012-47 5 Consta da Alteração Contratual registrada em 30/01/2012, que a empresa tem como objeto social (i) a comercialização de produtos em geral, (ii) a exploração por conta própria do ramo de transporte de cargas via terrestre, fluvial e lacustre, (iii) navegação fluvial, marítima e de apoio portuário, (iv) corretagem de produtos agrícolas em geral, (v) importação e exportação de produtos em geral, (vi) armazenagem de cereais em geral, por conta própria e de terceiros, (vii) operadora portuária, (viii) carga e descarga de embarcações, trens e caminhões, (ix) participação em outras sociedades, nas quais tenha interesses comerciais ou simples investimento, (x) industrialização e/ou beneficiamento de grãos em geral, (xi) industrialização de adubos e fertilizantes, (xii) comércio de adubos e fertilizantes, corretivos e insumos agrícolas em geral, (xiii) importação de produtos destinados à alimentação animal e (xiv) locação de equipamentos. Segundo o Recorrente, as atividades por ele desenvolvidas, inclusive a prestação de serviços de Operador Portuário, exigem sua presença nos principais portos do sul do Brasil, com sofisticada e complexa infraestrutura de equipamentos e com exigência de grande capacidade de armazenagem, na maioria terceirizada, mediante o pagamento de aluguel. Aduz, também, “que os processos de importação e comercialização de produtos que opera, tanto em nome próprio como os de terceiros (em que atua apenas como Operadora Portuária), são acompanhados por rigorosos procedimentos de fiscalização e análise por parte das autoridades fiscalizadoras brasileiras, especialmente do Ministério da Agricultura, por se tratar de produtos de origem agrícola e por estes se destinarem, principalmente, à alimentação humana”, exigindo “constantes e rigorosos serviços de expurgo e limpeza nos locais de armazenagem, assim como nos meios de transporte, inclusive com uso de agentes químicos apropriados, com vistas a impedir a proliferação de roedores, ácaros, insetos, fungos e outros microrganismos capazes de deteriorar os produtos, condenando-os, em casos extremos, à imprestabilidade para o consumo humano ou mesmo animal.” Feitas essas considerações, passa-se à análise do Recurso Voluntário. I. Nulidade dos autos de infração. O Recorrente alega que a fiscalização, no procedimento de lançamento de ofício, corroborado pela Delegacia de Julgamento (DRJ), ignorou (i) que a empresa também atua na prestação de serviços, (ii) que a receita bruta por serviços auferidos pela empresa não é beneficiada por alíquota zero, (iii) que o art. 17 da Lei nº 11.033/2004 autoriza a manutenção dos créditos vinculados a operações de venda com alíquota zero, bem como (iv) não externou a fundamentação das glosas de créditos, mesmo tendo à sua disposição todas as informações necessárias à apuração, presentes nos documentos de fls. 195 a 225, razão pela qual devia-se reconhecer a nulidade dos autos de infração por cerceamento do direito de defesa. De pronto, deve-se ressaltar que a simples contrariedade do Recorrente em relação às constatações da fiscalização não acarreta, por si só, a nulidade do procedimento, uma vez que a ele se encontra assegurada e em exercício a plena defesa por meio do processo administrativo fiscal, tendo a autuação sido formalizada por Fl. 135DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.279 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901071/2012-47 6 autoridade competente para tal, em consonância com o art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. 1 Além disso, constam dos autos todas as informações em que se baseou a fiscalização para proceder à autuação, abrangendo os valores apurados, a base de cálculo, os acréscimos legais aplicados, o enquadramento legal e planilhas com identificação dos resultados da auditoria, tudo em conformidade com o art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), 2 encontrando-se o Recorrente discutindo neste processo, de forma plena e com respeito ao devido processo legal, a referida apuração, razão pela qual não se vislumbra a ocorrência de qualquer vício que possa inquinar de nulidade o procedimento. II. Crédito. Prestação de Serviços. O Recorrente alega que “os gastos não foram avaliados sob a ótica de custos da atividade de prestação de serviços, pois a autuação ignorou totalmente a existência desta atividade, razão pela qual considerou que todos os custos arrolados eram vinculados a mercadorias adquiridas para revenda, estas, na maior parte do período, sujeitas à alíquota zero.” Ele se contrapõe à seguinte conclusão da fiscalização: “13. Importante ainda ressaltar que estas despesas não estão relacionadas diretamente à fabricação ou produção de produtos destinados à venda, não podendo, portanto, ser consideradas insumos, uma vez que o contribuinte em questão sequer industrializa produtos, apenas compra e revende.” Esse entendimento do Recorrente encontra respaldo no inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, 3 em que se prevê que o desconto de créditos abrange, também, os insumos (bens ou serviços) aplicados na prestação de serviços, tendo sido em razão dessa constatação que a turma julgadora converteu o julgamento do Recurso Voluntário em diligência para que a fiscalização esclarecesse essa questão. Realizada a diligência, a fiscalização assim se pronunciou: (...) os créditos vinculados às receitas com revendas de mercadorias NÃO TRIBUTADAS no mercado interno correspondem a aproximadamente 90% do total de créditos apurados pelo contribuinte no período fiscalizado. 1 Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. 2 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 3 Art. 3 o Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 o da Lei n o 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; Fl. 136DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10485.htm#art2 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2002/D4542.htm#tabela D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.279 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901071/2012-47 7 Embora o contribuinte tenha receitas como operador portuário ou prestador de serviços essas receitas na maioria dos meses objetos de fiscalização não ultrapassam 10% das receitas apuradas, porém o contribuinte quer fazer crer que a fiscalização teria ignorado o fato de que a empresa aufere receitas como operador portuário ou prestador de serviços e que as glosas teriam ocorrido sem considerar essa atividade o que não é verdade pois foram aceitos diversos créditos sobre essas atividades em especial créditos com energia elétrica, aluguéis de prédios e e/ou maquinas e equipamentos, sobre bens do ativo imobilizado com base no valor de aquisição assim como encargos de amortização de edificações e benfeitorias tudo conforme especificado pelo contribuinte na Dacon. Diante disso é importante esclarecer que as glosas de créditos atingiram principalmente despesas com “serviços utilizados como insumos” em especial custos vinculados à aquisição de produtos adquiridos pelo contribuinte para revenda tais como fretes de aquisição de produtos em especial trigo, sendo que a venda de trigo foi a maior receita auferida pelo contribuinte durante o período fiscalizado, e conforme explicado tanto no relatório de ação fiscal com na decisão de Primeiro Grau proferida pela DRJ/RECIFE não há o que se falar em bens e serviços utilizados como insumos em relação a produtos que são simplesmente revendidos, não cabendo portanto qualquer crédito a este respeito. Não se ignorou, entretanto, que muitos contribuintes preenchiam errado a Dacon e colocavam indevidamente despesas integrantes do custo de aquisição de produtos adquiridos de terceiros cujos créditos eram legítimos, desde que estes produtos fossem tributados pelo Pis e Cofins e utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, nas linhas de Serviços utilizados como insumos, como se verifica no presente processo, pois as despesas com fretes de aquisição de produtos não tributados como trigo, arroz e ervilha foram indevidamente anotadas pelo contribuinte na linha de serviços utilizados como insumos da Dacon quando na realidade deveriam estar na linha de Bens Adquiridos para Revenda por fazer parte do custo de aquisição dos mesmos, tal erro por si só não levaria a glosa destes créditos entretanto além desse erro de preenchimento da Dacon constatou- se que estes serviços vinculados a aquisição de trigo referem-se a aquisição de produtos não tributados pelo Pis e Cofins, sendo que o produto sequer é industrializado pela empresa e sim revendido não havendo portanto o que se falar em insumos e por esse motivo o crédito foi glosado, pois referem-se a parcelas integrantes do custo de aquisição de bem para revenda não tributado. Importante ainda ressaltar que no período fiscalizado a revenda de produtos não tributados representava praticamente 90% das receitas auferidas pelo contribuinte que somada as revendas de produtos tributados chegam na maioria dos meses a ultrapassar 90% do total de receitas auferidas pela empresa. Com relação as receitas oriundas de operações diversas das operações comerciais como receitas com armazenagem para terceiros e operação portuária são inferiores a 10% total de receitas na maioria dos meses auditados. Fl. 137DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.279 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901071/2012-47 8 Não obstante isso o contribuinte em suas Dacons não relacionou nenhum crédito como sendo exclusivo das atividades de prestação de serviços uma vez que todos os créditos apurados possuem parcelas vinculadas às receitas não tributadas no mercado interno e de exportação nos meses em que ocorreram operações de exportação obviamente. Como a decisão de primeiro grau da DRJ/RECIFE abordou muito bem a questão do aproveitamento de créditos sobre bens e serviços utilizados como insumos à luz do Parecer Normativo COSIT/RFB nº 5, de 17/12/2018 que embora inexistisse na época da ação fiscal, que foi baseada em conceitos previstos nas Instruções Normativas SRF 247 e 404 vigentes à época, fica claro que as glosas ainda assim seriam suportadas pelo entendimento expressado no referido Parecer Normativo em função da atividade desenvolvida pela empresa ser meramente comercial e os produtos adquiridos para revenda principalmente o trigo não gerarem direito a créditos de Pis e Cofins. (...) Importante deixar registrado que dentre as despesas glosadas pela fiscalização encontram-se despesas com transporte interno de mercadorias, e despesas de armazenagem destes produtos o que ainda hoje é vedado pelo Parecer Normativo COSIT/RFB nº 5, de 17/12/2018 por se tratar de produtos acabados e não produtos em elaboração e terem natureza diversa das despesas com armazenagem e fretes nas operações de vendas essas integralmente aceitas pela fiscalização durante a auditoria fiscal. Não menos relevante é o fato de que as despesas que o contribuinte alega serem vinculadas a prestação de serviços foram rateadas na Dacon com vinculadas também a Receitas Não Tributadas no Mercado Interno e de Exportação, o que leva a crer que as mesmas não são vinculadas exclusivamente as receitas de prestação de serviço como quer fazer crer o contribuinte, uma vez que tais créditos foram classificados em parte como vinculados a Receitas Não Tributadas no Mercado Interno e inclusive constaram de pedidos de ressarcimento transmitidos pelo contribuinte e a analisados na mesma ação fiscal, ora se estas despesas fossem unicamente vinculadas à prestação de serviços os créditos não poderiam constar de Pedidos de Ressarcimento uma vez que as receitas de Prestação de Serviços auferidas pela autuada são tributadas pelo Pis e Cofins, portanto, durante a auditoria constatou-se que a despesa descrita como Serviços de Supervisão e Controle não são enquadráveis no conceito de insumos vinculados a revenda de bens e/ou vinculadas a receitas de prestação de serviços por não se enquadrarem no conceito de serviços utilizados como insumos previsto nas INs 247 e 404 vigentes à época que foi realizada a auditoria. Observa-se ainda que conforme Dacon apresentada pelo contribuinte essa despesa foi rateada entre os três tipos de receitas auferidas no período fiscalizado (Tributada, Não Tributada no Mercado Interno e Receita de exportação) o que leva a crer que eram créditos não exclusivos das receitas de prestação de serviços, o mesmo vale para Limpeza de Armazéns, Expurgo, serviços de armazenagem de diversos produtos como Trigo, Lentilha, Ervilha, Feijão Branco entre outros onde o Fl. 138DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.279 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901071/2012-47 9 contribuinte não especifica se esses produtos eram de sua propriedade e foram armazenados para revenda ou pertenciam a terceiros e foram armazenados na forma de prestação de serviço de armazenagem, porém em nenhum dos dois casos as INs 247 e 404 autorizavam o creditamento destas despesas por esse motivo foi realizada a glosa. Apesar de alegar que a atividade de prestação de serviços foi ignorada pela fiscalização o contribuinte omite o fato de que estas receitas correspondem a uma parcela ínfima das suas receitas totais (menos de 10% no período fiscalizado) e que quase a totalidade dos valores glosados dizem respeito a custos vinculados à aquisição de produtos sujeitos à alíquota zero das contribuições para o Pis e a Cofins principalmente trigo que era simplesmente revendido, e ainda que o contribuinte tivesse custos adicionais nessas operações o creditamento era vedado pela legislação fato que se manteve inclusive com o advento do Parecer Normativo Cosit nº 05/2018 elaborado com base no RESP 1.221.170/PR que atualmente serve de baliza para as análises de créditos de Pis e Cofins. (...) Desse modo, as despesas de fretes com o transporte de bens sujeitos à alíquota zero não são passíveis de creditamento, em conformidade com o inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, que impede o cálculo do crédito se não houve o pagamento da contribuição do bem adquirido. Fretes sobre movimentação interna e fretes após o desembaraço, entre o porto de Rio Grande e Porto Alegre, também não se caracterizam como insumos ou fretes na operação de venda, não fazendo o Contribuinte jus ao crédito não cumulativo. Portanto, devem ser mantidas as glosas dos créditos apurados sobre os fretes em questão. Por outro lado, inexiste previsão para aproveitamento de créditos apurados sobre despesas com armazenagem incorridas na aquisição de produtos. O art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833, de 2003, contempla a possibilidade de a pessoa jurídica utilizar créditos de armazenagem na operação de venda, o que foi integralmente aceito pela fiscalização durante a ação fiscal, uma vez que estas despesas são relacionadas em linhas específicas da Dacon sobre as quais sequer incidiram glosas. Diante da clara e evidente vedação legal ao aproveitamento destes créditos em relação as operações comerciais de revenda a empresa passou a alegar que estas despesas dizem respeito a prestação de serviços na condição de operador portuário omitindo o fato de que estas receitas correspondem a uma parcela muito pequena (menos de 10%) do seu faturamento no período fiscalizado sendo que os documentos entregues no curso da fiscalização e os Dacons transmitidos pelo próprio contribuinte em período anterior a ação fiscal e próximo a ocorrência das operações informaram que a maior parte destas despesas eram vinculadas a operações comerciais não tributadas pelo Pis e Cofins inclusive com diversos pedidos de ressarcimento destes créditos, ficando uma parcela inferior a 10% desses créditos como Fl. 139DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.279 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901071/2012-47 10 vinculados a receitas de prestação de serviços na qualidade de operador portuário, e mesmo assim a fiscalização aceitou todos os créditos vinculados a ambas as operações, comercial e de prestação de serviço como operador portuário, quando permitido pela legislação vigente à época. CONCLUSÃO Portanto fica esclarecido ao órgão julgador nos termos solicitados pela nº 3201-003.204 – 3ª Seção de Julgamento/ 2ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária que as glosas descritas no item 1 do Relatório de Ação Fiscal abrangem despesas incorridas tanto na condição de empresa comercial como de prestadora de serviços sendo que a grande maioria dos valores glosados dizem respeito a custos na aquisição de produtos destinados a revenda sobre os quais a legislação veda o creditamento, aproveita-se para esclarecer que as glosas sobre despesas com atividades de prestação de serviços foram ínfimas e que a grande maioria das despesas com prestação de serviços de operador portuário foram aceitas pela fiscalização em especial, aluguéis de maquinas, equipamentos e edificações, amortizações de benfeitorias, energia elétrica, combustíveis entre outras, porém como o contribuinte também realiza a importação e revenda de mercadorias deve- se considerar que estas despesas dizem respeito também a atividade comercial da empresa conforme pode ser observado nas Dacons preenchidas pelo próprio contribuinte, e caso prevaleça o entendimento de que uma ou outra glosa deva ser revertida em função da atividade desenvolvida pela autuada de prestação de serviços deve ser excluída a parcela das despesas vinculadas as operações com revenda, devendo ser considerada apenas a parte vinculada as operações tributadas conforme Dacons apresentadas pelo contribuinte. Não obstante isso e tendo em vista que o presente relatório deverá ser juntado também aos processos de Ressarcimento de Créditos de Pis e Cofins conforme a Resolução 3201- 003.169, de 25 de agosto de 2021, prolatada no julgamento do processo 11080.901068/2012-23, paradigma ao qual todos os demais processos de ressarcimento estão vinculados é importante esclarecer que o eventual reconhecimento de créditos vinculados a Receitas Tributadas auferidas pelo contribuinte na condição de Operador portuário, pelo órgão julgador, não tem nenhum efeito sobre os processos de ressarcimento uma vez que estes créditos possuem vedação legal de serem utilizados em pedidos de ressarcimento e/ou compensação por serem vinculados a Receitas Tributadas auferidas no mercado interno servido apenas e tão somente para desconto da contribuição apurada no período devendo, portanto, abater os valores lançados através dos Autos de Infração de Pis e Cofins. Constata-se também que as receitas de prestação de serviços, embora relevantes, correspondem a menos de 10% das receitas totais da empresa na maioria dos meses sendo que a revenda de bens corresponde ao restante, o que explica o fato de quase a totalidade das glosas terem sido operadas sobre as operações comerciais da empresa. Em última análise o contribuinte busca convencer o órgão julgador de que as despesas glosadas dizem respeito somente a atividades de prestação de Fl. 140DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.279 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901071/2012-47 11 serviço o que não corresponde à realidade dos autos uma vez que estas despesas são comuns, ou pelo menos o contribuinte assim as classificou em seus demonstrativos e nas Dacons entregues no período, às atividades comerciais da empresa que representam cerca de 90% das receitas auferidas no período fiscalizado e para corroborar com esta afirmação constatou-se ainda que parte destes créditos foram incluídos pelo contribuinte em pedidos de ressarcimento e/ou compensação de créditos vinculados unicamente a receitas não tributadas oriundas exclusivamente da atividade comercial da empresa o que sequer seria possível caso tais créditos fossem vinculados exclusivamente a atividade de operador portuário desenvolvida pela autuada. (g.n.) Do excerto do relatório de diligência supra, bem como dos documentos juntados aos autos durante a ação fiscal, extraem-se as seguintes conclusões: a) no relatório de diligência, a fiscalização passa a fazer alusão a créditos relacionados à atividade de prestação de serviços desempenhada pelo Recorrente, diferentemente do que ocorrera na autuação, quando a glosa de créditos se amparou apenas na não aplicação dos insumos na fabricação de bens destinados à venda; b) o fato de a prestação de serviços corresponder a apenas 10% das atividades do Recorrente, como alega o agente fiscal diligenciador, não justifica, por si só, que ela possa ser ignorada, devendo o crédito a que possa fazer jus o contribuinte ser reconhecido nos termos da norma jurídica, independentemente de sua extensão; c) nas planilhas apresentadas pelo Recorrente durante a ação fiscal, constam receitas de vendas de serviços (fls. 26 a 38), em valores relevantes; d) na planilha presente às fls. 39 a 87, também apresentada durante a auditoria, constam dispêndios com fretes sobre vendas, serviços prestados para pessoas jurídicas, dentre outros; e) na planilha de fls. 90 a 143, constam informações relativas a despesas com armazenagem, fretes nas compras e fretes nas vendas; f) em outros documentos apresentados pelo Recorrente à fiscalização, consta que, na ocasião, foram entregues os arquivos digitais das notas fiscais, bem documentos comprobatórios de aluguéis de máquinas e equipamentos, despesas de conservação, locação de imóveis, planilhas diferenciando os bens utilizados como insumos em relação aos bens destinados à revenda, planilhas discriminando os dispêndios com armazenagem e frete em operações de vendas etc. (fls. 160 a 169). Nota-se que a questão probatória não foi óbice à análise empreendida pela fiscalização, tendo a auditoria se orientado pela interpretação então dada ao conceito de insumo, tendo restringido o trabalho fiscal aos bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de bens destinados à venda, inexistindo nos autos de infração qualquer alusão a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços. Concorda-se com a fiscalização quando ela diz que o desconto de créditos na aquisição de insumos (bens ou serviços) não alcança os bens apenas revendidos, Fl. 141DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.279 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901071/2012-47 12 mas alcança, sim, os insumos aplicados na prestação de serviços, razão pela qual deve ser reconhecido o direito a crédito na aquisição de bens e serviços aplicados na prestação de serviços a terceiros, como, no dizer da fiscalização, “armazenagem para terceiros e operação portuária”, “transporte interno de mercadorias”, “serviços de supervisão e controle”, “limpeza de armazéns, expurgo, serviços de armazenagem de diversos produtos”, “fretes após o desembaraço”, “produtos químicos”, dentre outros. Caso não seja possível discriminar, com base nas notas fiscais, na escrita fiscal e nos demais documentos apresentados, os bens e serviços adquiridos, devidamente tributados, e utilizados como insumos na prestação de serviços, dos bens e serviços utilizados na revenda de mercadorias, a apropriação de créditos deverá se dar com base no critério da proporcionalidade das diferentes receitas, estas que, conforme apontado acima, se encontram identificadas pelo Recorrente de forma apartada (receitas de revenda, receitas de prestação de serviços etc.). Por outro lado, deve-se ressaltar que somente podem ser objeto de ressarcimento/compensação os créditos relacionados a operações no Mercado Interno Não Tributado e na Exportação, uma vez que, em relação às operações no Mercado Interno Tributado, os créditos correspondentes somente podem ser utilizados para o desconto dos débitos devidos no período na apuração escritural das contribuições, salvo se houver diferença de alíquota entre a importação e a revenda no mercado interno. Outro ponto a demandar decisão nesta instância se refere aos bens e serviços sujeitos à alíquota zero utilizados como insumos na prestação de serviços, pois, tratando-se de frete, o direito ao desconto de crédito encontra-se assegurado pela súmula CARF nº 188, verbis: Súmula CARF nº 188 É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. Nesse sentido, vota-se por dar parcial provimento ao recurso para reverter as glosas de créditos relativamente aos seguintes itens: (i) bens e serviços adquiridos, devidamente tributados pelas contribuições, e utilizados como insumos na prestação de serviços, sendo que, somente podem ser objeto de ressarcimento/compensação os créditos relacionados a operações no Mercado Interno Não Tributado e na Exportação, uma vez que, em relação às operações no Mercado Interno Tributado, os créditos correspondentes somente podem ser utilizados para o desconto dos débitos devidos no período na apuração escritural das contribuições, e (ii) despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. II. Crédito. Atividade comercial. Fl. 142DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.279 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901071/2012-47 13 O Recorrente alega que todos os gastos que são expressamente mencionados no art. 3º da Lei nº 10.833/2003 e da Lei nº 10.637/2002, bem como no art. 15, I, da Lei nº 10.865/2004, são suscetíveis a gerar créditos de PIS/Cofins, ainda que se tratando da hipótese de aquisições de bens para revenda prevista no inciso I do art. 3º das leis da não cumulatividade, verbis: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e b) nos §§ 1 o e 1 o -A do art. 2 o desta Lei; II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (g.n.) No mesmo sentido, tem-se o art. 15 da Lei nº 10.865/2004, verbis: Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nº s 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 200 3, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: I - bens adquiridos para revenda; II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; (g.n.) Verifica-se dos dispositivos supra que, tratando-se de revenda, as leis autorizam o desconto de créditos somente em relação aos bens adquiridos, sendo que, no caso de prestação de serviços ou de produção, os créditos decorrem dos insumos (bens e/ou serviços) aplicados na atividade, não havendo, a princípio, razão ao Recorrente neste item, pois, além do custo dos bens adquiridos, seja no mercado interno ou via importação, ele pretende se creditar, também, em relação a “gastos com descarga, frete, limpeza de armazéns portuários (entenda-se inclusive a necessária e exigida dedetização rotineira), os expurgos, os serviços de supervisão e controle do manuseio e armazenamento dos grãos, os gastos com classificação, pesagem e movimentação interna (dentro do porto de desembarque), os serviços marítimos, os serviços de classificação e vistoria de embarcações etc.” Dentre tais gastos, somente o frete pode ser considerado custo do bem adquirido para revenda, mas desde que incluído na nota fiscal de aquisição, excetuando-se, portanto, o serviço de transporte prestado, de forma autônoma, por transportador domiciliado no País. Fl. 143DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.279 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901071/2012-47 14 Tal entendimento encontra-se em consonância com as seguintes decisões desta turma de julgamento, em que o presente conselheiro atuou como relator, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/07/2016 a 30/09/2016 (...) NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. REVENDA. AQUISIÇÃO DE SERVIÇOS. IMPOSSIBILIDADE. Na aquisição de bens destinados à revenda, o direito ao crédito se restringe ao valor da mercadoria, inclusive do frete na hipótese de este compor o custo de aquisição, não alcançando os dispêndios com frete contratado junto a terceiros, uma vez que a possibilidade de desconto de crédito na aquisição de serviços utilizados como insumos se restringe àqueles utilizados no processo produtivo ou na prestação de serviços. (Acórdão 3201-010.859, j. 22/08/2023) [...] ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 (...) CRÉDITO. REVENDA. AQUISIÇÃO DE SERVIÇOS. IMPOSSIBILIDADE. Na aquisição de bens destinados à revenda, o direito ao crédito se restringe ao valor da mercadoria, inclusive do frete na hipótese de este compor o custo de aquisição, não alcançando os dispêndios com frete contratado junto a terceiros, uma vez que a possibilidade de desconto de crédito na aquisição de serviços utilizados como insumos se restringe àqueles utilizados no processo produtivo ou na prestação de serviços. (Acórdão 3201-010.152, j. 20/12/2022) Ressalte-se que a diferenciação de desconto de créditos previstos nos incisos I e II supra ocorre somente entre eles, pois, quanto aos demais incisos do art. 3º das Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002 e do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, eles se aplicam indistintamente a ambas as situações. Assim, em relação aos gastos com locação de depósito para armazenagem de grãos na compra/importação, há previsão legal de desconto de créditos no inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, verbis: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IV - aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; Fl. 144DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.279 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901071/2012-47 15 Ressalte-se que a previsão contida no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 4 se refere apenas a operações de venda, ou revenda, não alcançando, portanto, as aquisições de bens a serem vendidos/revendidos. Dessa forma, vota-se neste item no sentido de reconhecer o direito ao desconto de créditos das contribuições não cumulativas em relação ao seguinte: (i) frete pago na aquisição de bens para revenda, mas desde que incluído na nota fiscal de aquisição, e (ii) gastos com aluguéis de prédios utilizados para armazenagem, na compra/importação, de grãos destinados à revenda, observados os demais requisitos da lei. III. Crédito. Produtos sujeitos à alíquota zero. O Recorrente alega que as atividades por ele desenvolvidas na qualidade de operadora portuária, relativamente ao trigo importado por terceiros (seus clientes), independentemente da alíquota aplicável ao produto, representam custos de prestação de serviços, devidamente tributados, os quais ensejam o direito ao desconto de créditos das contribuições em questão. Essa matéria já foi analisada no item I deste voto, razão pela qual a ele se remete neste ponto. E quanto ao trigo importado pelo próprio Recorrente, na condição de comerciante de trigo, a despeito de sua venda estar sujeita à alíquota zero das contribuições, os créditos porventura existentes devem ser mantidos, em conformidade com o art. 17 da Lei nº 11.033, de 21/12/2004, verbis: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Efetivamente, a lei autoriza a manutenção de créditos nas hipóteses de as vendas não serem alcançadas pela tributação, mas, tratando-se de bens para revenda (inciso I do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003), excluem-se desse direito eventuais créditos decorrentes de aquisição de insumos aplicados na produção ou na prestação de serviços (inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003), conforme já abordado acima. Dessa forma, considerando-se o já decidido neste voto, geram desconto de créditos das contribuições, mesmo se tratando de bem não sujeito à tributação, os dispêndios com frete em sua aquisição, bem como os dispêndios com aluguel de prédios destinados à armazenagem dos produtos adquiridos, observadas as restrições indicadas no item II deste voto. IV. Créditos na importação. Aduz o Recorrente que, conforme planilhas presentes às fls. 191/192 (Cofins) e fls. 249/250 (PIS), relacionadas a “Créditos Vinculados a Operações de Importações”, coluna “Saldo Final”, ele acumulava saldos credores de créditos incidentes sobre a importação de bens, créditos esses que sempre se mostraram muito superiores às pretensas glosas, sendo, portanto, suficientes, com sobras, para liquidar as contribuições exigidas nos autos de infração. 4 IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Fl. 145DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.279 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901071/2012-47 16 Segundo ele, o próprio autuante efetivou a compensação dos débitos decorrentes das glosas por ele efetuadas com os seus créditos, o que, logicamente, reduziu o saldo de créditos e extinguiu o débito apurado, nos termos do art. 156, II, do CTN. Ainda de acordo com o Recorrente, “a compensação tanto foi eficiente que o Autuante que lavrou o auto de infração do período seguinte (processo nº 11080.731136.2015-23), de 2011 a 2013, partiu de um saldo de crédito já excluído o débito lançado, pois considerou que este já havia sido compensado pelo Autuante do presente processo. Assim, partiu do valor de R$ 1.038.821,30 (fl. 106 do processo nº 11080.731136.2015-23), resultado do “saldo final” dos créditos, em dez/2010, adotado pelo Autuante no presente processo, de R$ 1.187.002,59 (fl. 192), menos o débito lançado, de R$ 147.637,28 (fl. 170), pois o considerou já compensado na autuação ora combatida.” Esses argumentos já haviam sido aduzidos na primeira instância, vindo a Delegacia de Julgamento (DRJ) a assim se manifestar: 39. Não há reparos a serem feitos nos lançamentos. 40. Os saldos credores “remanescentes” de PIS e COFINS referendados pela impugnante foram objeto de inúmeros pedidos de ressarcimento e consequentes compensações analisados, inclusive, por esta turma de julgamento. 41. Não há como, portanto, dar duas utilizações para o mesmo crédito - ressarcimento/compensação de tributos e compensar débitos tributários originados em lançamento de ofício. Encontram-se sob julgamento na mesma sessão dois processos paradigmas e 35 processos repetitivos envolvendo o mesmo período de apuração destes autos, situação essa que aponta a verossimilhança da conclusão acima da DRJ, pois a identificação dos saldos de créditos na planilha da fiscalização baseou-se no Dacon elaborado pela próprio Recorrente. Além disso, há que se considerar que há restrições quanto ao ressarcimento compensação de créditos decorrentes da importação de bens para revenda, conforme se verifica da Solução de Consulta Cosit nº 208/2023, verbis: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep IMPORTAÇÃO DE BENS PARA REVENDA. CRÉDITO. COMPENSAÇÃO E RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO REMANESCENTE. Na importação de bens adquiridos para revenda, quando os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep-Importação não forem vinculados às vendas e às receitas dispostas nos incisos II a IV do art. 49 da Instrução Normativa RFB nº 2.055, de 2021, somente poderão ser objeto de ressarcimento ou de compensação se decorrentes da diferença da alíquota aplicada na importação do bem e da alíquota aplicada na sua revenda no mercado interno e apurados a partir de 1º de janeiro de 2023, consoante o § 2º-A do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004. Os créditos acumulados em data anterior, por ausência de previsão legal, não podem ser compensados ou restituídos, cabendo ao importador tão Fl. 146DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.279 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901071/2012-47 17 somente a faculdade de aproveitamento desses créditos nos meses subsequentes. Dispositivos legais: Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, art. 15, e Instrução Normativa RFB nº 2.055, de 6 de dezembro de 2021, arts. 48 e 49. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins IMPORTAÇÃO DE BENS PARA REVENDA. CRÉDITO. COMPENSAÇÃO E RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO REMANESCENTE. Na importação de bens adquiridos para revenda, quando os créditos da Cofins-Importação não forem vinculados às vendas e às receitas dispostas nos incisos II a IV do art. 49 da Instrução Normativa RFB nº 2.055, de 2021, somente poderão ser objeto de ressarcimento ou de compensação se decorrentes da diferença da alíquota aplicada na importação do bem e da alíquota aplicada na sua revenda no mercado interno e apurados a partir de 1º de janeiro de 2023, consoante o § 2º-A do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004. Os créditos acumulados em data anterior, por ausência de previsão legal, não podem ser compensados ou restituídos, cabendo ao importador tão somente a faculdade de aproveitamento desses créditos nos meses subsequentes. Dispositivos legais: Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, art. 15, e Instrução Normativa RFB nº 2.055, de 6 de dezembro de 2021, arts. 48 e 49. (destaques nossos) Por outro lado, após descontados os valores efetivamente solicitados pelo Recorrente nas diversas PER/DComps, havendo saldo credor passível de utilização para abater, ainda que parcialmente, os débitos apurados pela fiscalização, na parte mantida nestes autos, eles deverão ser considerados no momento da execução, na repartição de origem, da decisão definitiva a ser adotada neste processo. V. Conclusão. Diante do exposto, vota-se por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas de créditos relativos a: (i) bens e serviços adquiridos, devidamente tributados pelas contribuições, e utilizados como insumos na prestação de serviços, sendo que, que somente podem ser objeto de ressarcimento/compensação os créditos relacionados a operações no Mercado Interno Não Tributado e na Exportação, uma vez que, em relação às operações no Mercado Interno Tributado, os créditos correspondentes somente podem ser utilizados para o desconto dos débitos devidos no período na apuração escritural das contribuições, salvo se houver diferença de alíquota entre a importação e a revenda no mercado interno; (ii) despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de Fl. 147DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.279 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901071/2012-47 18 forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições; (iii) frete pago na aquisição de bens para revenda, mas desde que incluído na nota fiscal de aquisição; (iv)gastos com aluguéis de prédios utilizados para armazenagem, na compra/importação, de grãos destinados à revenda, observados os demais requisitos da lei, mesmo se tratando de bem não sujeito à tributação. Adotando-se, nestes autos, a mesma decisão supra, com a ressalva já apontada no introito deste voto de que a reversão de glosas de créditos adotada no processo dos autos de infração somente impactará este processo nas hipóteses de créditos relacionados a operações no Mercado Interno Não Tributado e na Exportação, uma vez que, em relação às operações no Mercado Interno Tributado, os créditos correspondentes somente podem ser utilizados para o desconto dos débitos devidos no período na apuração escritural das contribuições, não podendo, portanto, ser objeto de ressarcimento/compensação. Assim, vota-se por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas de créditos relativos a: (i) bens e serviços adquiridos, devidamente tributados pelas contribuições, e utilizados como insumos na prestação de serviços, sendo que, que somente podem ser objeto de ressarcimento/compensação os créditos relacionados a operações no Mercado Interno Não Tributado e na Exportação, uma vez que, em relação às operações no Mercado Interno Tributado, os créditos correspondentes somente podem ser utilizados para o desconto dos débitos devidos no período na apuração escritural das contribuições, salvo se houver diferença de alíquota entre a importação e a revenda no mercado interno; (ii) despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições; (iii) frete pago na aquisição de bens para revenda, mas desde que incluído na nota fiscal de aquisição; (iv) gastos com aluguéis de prédios utilizados para armazenagem, na compra/importação, de grãos destinados à revenda, observados os demais requisitos da lei, mesmo se tratando de bem não sujeito à tributação. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Fl. 148DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.279 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901071/2012-47 19 Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas de créditos relativos a (i.1) bens e serviços adquiridos, devidamente tributados pelas contribuições, e utilizados como insumos na prestação de serviços, sendo que, que somente podem ser objeto de ressarcimento/compensação os créditos relacionados a operações no Mercado Interno Não Tributado e na Exportação, uma vez que, em relação às operações no Mercado Interno Tributado, os créditos correspondentes somente podem ser utilizados para o desconto dos débitos devidos no período na apuração escritural das contribuições, salvo se houver diferença de alíquota entre a importação e a revenda no mercado interno, (i.2) despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições, (i.3) frete pago na aquisição de bens para revenda incluído na nota fiscal de aquisição, e (i.4) gastos com aluguéis de prédios utilizados para armazenagem, na compra/importação, de grãos destinados à revenda, observados os demais requisitos da lei, mesmo se tratando de bem não sujeito à tributação. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Fl. 149DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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