Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,276)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,704)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,062)
- Primeira Turma Ordinária (16,046)
- Primeira Turma Ordinária (16,020)
- Segunda Turma Ordinária d (15,770)
- Segunda Turma Ordinária d (14,393)
- Primeira Turma Ordinária (12,998)
- Primeira Turma Ordinária (12,361)
- Segunda Turma Ordinária d (12,352)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,404)
- Quarta Câmara (84,620)
- Terceira Câmara (67,201)
- Segunda Câmara (55,443)
- Primeira Câmara (19,959)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,266)
- 1ª SEÇÃO (6,825)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,384)
- Segunda Seção de Julgamen (114,111)
- Primeira Seção de Julgame (76,334)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,957)
- Câmara Superior de Recurs (37,862)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,618)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,405)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,749)
- HELCIO LAFETA REIS (3,622)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,217)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,724)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,481)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 15586.720113/2013-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO.
É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo.
Numero da decisão: 2402-005.938
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201708
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 15586.720113/2013-91
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5764014
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2402-005.938
nome_arquivo_s : Decisao_15586720113201391.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 15586720113201391_5764014.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
id : 6910266
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:05:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049467120254976
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1199; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.720113/201391 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402005.938 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de agosto de 2017 Matéria IRPF Recurso Intempestivo Recorrente MARCOS CORTELETTI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 01 13 /2 01 3- 91 Fl. 953DF CARF MF 2 Relatório Por bem retratar os fundamentos trazidos no auto de infração e as considerações veiculadas na impugnação, reproduzse trechos correspondentes do relatório do Acórdão nº 1262.085, da 20ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I /RJ (DRJ/RJ1), ora recorrido: Tratase de crédito tributário constituído por meio de Auto de Infração (fls. 574/579) lavrado em nome do sujeito passivo em epígrafe, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF do exercício 2010, no montante de R$ 495.562,26 assim composto: R$ 174.417,61 de imposto, R$ 59.518,23 de juros de mora (calculados até 03/2013) e R$ 261.626,42 de multa proporcional (passível de redução). O lançamento decorre da apuração de “Ganhos de Capital na Alienação de Bens e Direitos” e a descrição dos fatos encontrase detalhada no Relatório de Encerramento de Ação Fiscal (fls. 538/572), que é parte integrante e inseparável do presente Auto de Infração. De acordo com a autoridade lançadora, no ano calendário 2009 Marcos Corteletti e seu irmão Fernando Corteletti venderam três frações do terreno rural da Fazenda Santo Antônio, situada no Distrito de Calogi/Serra/ES, sem apuração do ganho de capital correspondente. As operações imobiliárias foram realizadas por intermédio da MF Participações Ltda, pessoa jurídica criada por eles exclusivamente para esse fim, e através de parceria com a Lazer Administração e Participação Ltda, sociedade empresária que teria assumido as operações imobiliárias. A Fazenda Santo Antônio consta matriculada junto ao Cartório de Registro Geral de Imóveis 1ª Zona – Serra/ES, Comarca da Capital, sob o nº 31.185. Em 08/04/2004 a área rural foi vendida para Marcos Corteletti e Fernando Corteletti pelo valor de R$ 2.600.000,00 conforme Escritura Pública lavrada no livro nº 1085, às fls. 113/128, pelo Tabelião Roberto Duia Castello, Tabelionato do 1º Ofício de Notas de Vitória. Em 14/09/2007 Marcos Corteletti e Fernando Corteletti resolveram desmembrar 50% da Fazenda Santo Antônio para incorporação ao capital social da empresa MF Participações Ltda, CNPJ 09.065.292/000115, com o objetivo de atividade imobiliária. Em 05/10/2007, apenas 20 dias após a constituição da empresa, e por intermédio de um instrumento particular celebrado com a sociedade empresária Lazer Administração e Participação Ltda, CNPJ 01.243.869/000120, os sócios da MF Participações Ltda acordaram em um “Contrato de Parceria em Negócio Imobiliário” que a Lazer assumiria as atividades imobiliárias da empresa recém constituída, ficando com 70% da receita bruta, restando apenas 30% para a proprietária do terreno, que anuiu com a operação. Diante dos fatos anteriormente narrados, a auditoria constatou a necessidade de examinar detalhadamente os documentos das empresas envolvidas nas operações imobiliárias. O resultado das diligências levadas a efeito nessas pessoas jurídicas e as conclusões obtidas pela fiscalização estão Fl. 954DF CARF MF Processo nº 15586.720113/201391 Acórdão n.º 2402005.938 S2C4T2 Fl. 3 3 expostos no Relatório de Encerramento de Ação Fiscal. No entanto, cabe relatar aqui algumas considerações descritas pelo Fisco. O contrato social de constituição da MF Participações Ltda, datado de 15/08/2007, foi registrado na Junta Comercial do Estado do Espírito Santo – JUCEES em 14/09/2007 com o seguinte objeto social declarado: loteamento e venda de imóveis próprios, corretagem na compra e venda e avaliação de imóveis; participação em capital social de outras empresas. O capital social de R$ 1.300.000,00 foi integralizado com o imóvel rural desmembrado (50% da Fazenda Santo Antônio) e o domicílio fiscal da empresa é o mesmo do terreno rural. Intimada a justificar e comprovar a motivação do contrato de parceria firmado em 05/10/2007 com a Lazer Administração e Participação Ltda e a motivação para, em sendo proprietária do terreno, acordar em receber apenas 30% da receita bruta auferida no empreendimento, conforme disposto na cláusula quinta do contrato de parceria, a MF Participações Ltda respondeu que o percentual de 30% do negócio a retribuiria adequadamente, sendo o percentual que usualmente se pactua no mercado imobiliário nas hipóteses em que uma das partes apenas cede o terreno para implantação de um determinado empreendimento. A fiscalização expõe que o acordo particular celebrado possui características de um contrato de prestação de serviços, onde a Lazer foi contratada para intermediar as vendas e não houve transferência da propriedade imóvel. No entanto, destaca que, de acordo com os registros contábeis da empresa, a MF Participações Ltda recebeu da Lazer nos meses de outubro e novembro de 2007 várias parcelas de numerário a título de “Adiantamento de Receita”, perfazendo o total de R$ 1.000.000,00. A motivação para o recebimento dos valores a título de adiantamento de receita não restou esclarecida e quase todos os valores recebidos foram sacados da empresa e não foram utilizados na manutenção de seu objeto social. Da análise dos registros contábeis da MF Participações Ltda, a autoridade lançadora constatou que o único imóvel adquirido pela empresa no período de 2007 a 2011 foi o utilizado na integralização de seu capital, entregue pelos sócios Marcos Corteletti e Fernando Corteletti, e as únicas receitas de “atividade operacional” contabilizadas nesse período foram as vendas de partes do referido imóvel. A exceção verificada foi a aquisição de uma pequena área adquirida por R$ 3.712,34 em 29/02/2008 e alienada em 06/07/2008 por R$ 8.000,00. A fiscalização constatou, ainda, que todo o resultado líquido apurado foi totalmente distribuído aos sócios, sem ser reinvestido qualquer valor na empresa. A distribuição de lucros e os volumosos empréstimos identificados nos registros contábeis da MF Participações Ltda não foram informados na Declaração de Ajuste Anual dos sócios. Com base no resultado das diligências realizadas, o auditor traça algumas considerações sobre as operações em comento: Ora, todos os fatos até aqui relatados apontam para uma única conclusão: a empresa MF PARTICIPAÇÕES LTDA. foi criada apenas para encobrir o real fato gerador da obrigação tributária e o verdadeiro vendedor dos imóveis com o objetivo único e exclusivo de pagamento a menor de tributos na alienação desses bens e conseqüente recebimento de valores a título de Fl. 955DF CARF MF 4 rendimentos ou receita isentos na forma de lucros distribuídos, conforme demonstrado no quadro anterior. A constituição e a integralização do capital da MF PARTICIPAÇÕES LTDA. pelos sócios com o terreno rural foi formalmente lícita, no entanto desprovida de qualquer substância e propósito negocial, uma vez que os únicos fatos contábeis realmente ocorridos foram vendas de áreas do terreno por outra sociedade empresária, a LAZER. As partes do terreno rural usado na integralização de capital que foram vendidas (partes do terreno rural) não serviram para que a empresa recém criada pudesse ser operacional, ou seja, manter um estoque de produtos/mercadorias, uma vez que todo o valor da venda que restou após os tributos foi distribuído aos sócios, seja como lucro distribuído ou como empréstimo, descapitalizando totalmente a empresa. Vale reprisar: Não houve nenhum investimento na empresa com o valor recebido ou qualquer reposição real de estoque, como demonstramos. A criação de uma empresa cuja integralização de capital foi feita apenas com imóveis que seriam em seguida vendidos e a classificação dessa venda como atividade operacional fez com que não houvesse ganho de capital para os proprietários pessoas físicas na operação de venda dos mesmos, mascarando o real fato gerador. (..) Por todo o exposto é evidente que a sociedade empresarial constituída não é real; já tivemos oportunidade de relatar o fato da pessoa jurídica não possuir sede social propriamente dita, pois seu domicílio fiscal é o mesmo do terreno desmembrado, na área rural do município de Serra/ES. Inclusive em requerimento dirigido à auditoria fiscal, datado de 15/10/2012, MF PARTICIPAÇÕES LTDA. solicita a alteração do seu endereço para correspondência, alegando que “está situada em zona rural de difícil acesso de correspondência” (fls. 148). A empresa também não tinha empregados registrados, como informou na carta de 16/08/2012 (fls. 37). A fiscalização constatou que MF PARTICIPAÇÕES LTDA. não cumpriu seu objeto social, pois não realizou nenhuma aquisição de imóvel nos anos de 2007, 2008 e 2009. Da mesma forma não efetuou nenhuma alienação nos anos de 2007, 2008, 2010 e 2011; as únicas constatadas são aquelas ocorridas no ano de 2009 e por intermédio de LAZER. Todos os fatos citados até aqui apontam para a inexistência da MF PARTICIPAÇÕES LTDA. no mundo real. A auditoria também realizou diligências fiscais nos contribuintes que adquiriram os imóveis em questão, com o intuito de obter documentos relacionados com os fatos narrados. As conclusões finais da autoridade lançadora foram expostas no item 5 do Relatório de Encerramento de Ação Fiscal, parcialmente reproduzido abaixo: No ato jurídico de constituição da sociedade empresária MF PARTICIPAÇÕES LTDA. os sócios Marcos e Fernando Corteletti, não tiveram o propósito negocial, ou seja, as partes não tiveram nenhum outro objeto senão o da redução de tributos. Essa falta de propósito negocial equivaleria a uma simulação, uma vez que se duas partes realizam um determinado negócio jurídico, devese presumir que elas quiseram contratar algo, assumindo direitos e obrigações. Assim, se faltou sinceridade no ato, ou o negócio nem se realizou ou houve uma falsidade na declaração. O planejamento dolosamente realizado pelo fiscalizado juntamente com seu irmão ficou evidenciado pelo fato de que a empresa constituída por eles, nos Fl. 956DF CARF MF Processo nº 15586.720113/201391 Acórdão n.º 2402005.938 S2C4T2 Fl. 4 5 termos do contrato social citado, não realizou operações no intervalo compreendido entre sua constituição em 14/09/2007 e a data de 19/03/2009. Nesse intervalo não houve registro de faturamento nos livros fiscais. Os fatos relatados constituem indícios contundentes que MARCOS CORTELETTI e seu irmão FERNANDO CORTELETTI constituíram a empresa MF PARTICIPAÇÕES LTDA. com o único objetivo de economia tributária. As pessoas físicas já identificadas utilizaramse da empresa citada, fazendo transitar os valores da operação de venda de partes da área rural por aquela pessoa jurídica e retiraram todo o numerário da empresa, seja sob a forma de lucros distribuídos ou “empréstimos”. A prática foi adotada, evidentemente, para “fugir” da tributação prevista na legislação vigente, em relação ao ganho de capital obtido. Este “Planejamento Tributário” consubstanciado no “Contrato de Parceria em Negócio Imobiliário” elaborado propiciou vantagens fiscais às pessoas físicas, que são as REAIS BENEFICIÁRIAS DA OPERAÇÃO DE VENDA DAS ÁREAS DE TERRA, como foi amplamente examinado no presente Relatório Fiscal. MARCOS CORTELETTI e FERNANDO CORTELETTI salientese eram como pessoas físicas os reais proprietários do terreno rural que foi utilizado, para subscrição de cotas de capital na empresa MF PARTICIPAÇÕES LTDA, conforme contrato celebrado em 14/09/2007. Destacamos ainda o fato de que menos de um mês após a constituição da empresa, em 05/10/2007, já celebrarem Contrato de Parceria em Negócio Imobiliário, transferindo 70% do faturamento a ser obtido com a venda de áreas do terreno para outra pessoa jurídica, a LAZER ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO LTDA. Não há explicação econômica que justifique tal acordo como demonstramos. Por todo o exposto e com base no conjunto de elementos probantes que foram trazidos aos autos, a autoridade fiscal apurou o efetivo ganho de capital proveniente da alienação de cada uma das áreas do terreno rural e procedeu ao lançamento de ofício considerando que 100% dos rendimentos decorrentes dos contratos firmados pela MF Participações Ltda com a Lazer Administração e Participação Ltda foram auferidos pelos sócios Marcos e Fernando Corteletti. De acordo com o auditor: “A tributação deve atingir o fato gerador efetivamente ocorrido, não a aparência simulada, pois o que deve prevalecer é a real operação, a essência do ato praticado, qual seja: alienação de bens imóveis por parte do contribuinte pessoa física para os adquirentes e não a dissimulada integralização do capital na MF PARTICIPAÇÕES LTDA. e a comercialização através da SCP Serra Norte.” A fiscalização aplicou multa qualificada de 150% e lavrou Representação Fiscal para Fins Penais pelos motivos expostos no Relatório de Encerramento de Ação Fiscal. Cientificado do lançamento, por via postal, em 18/03/2013 (fls. 580), o autuado ingressou com impugnação em 17/04/2013 (fls. 589/635), por intermédio de seu procurador (fls. 636/637), com os argumentos a seguir sintetizados. a) Preliminarmente discorre sobre os fatos ocorridos desde a compra do terreno rural denominado Fazenda Santo Antonio e até o contrato de parceria Fl. 957DF CARF MF 6 firmado com a Lazer Administração e Participação Ltda a fim de justificar os negócios realizados e evidenciar a ausência de simulação. b) Suscita a nulidade do lançamento por violação ao inciso LV dor art. 5º da Constituição Federal e ao art. 9º do Decreto 70.235/72. Alega que o Auto de Infração se baseou em diversos documentos e colheu diversos depoimentos, mas estes não foram disponibilizados na forma exigida pelo art. 9º do Decreto 70.235/72. Isto porque ao se tentar obter cópias do processo administrativo fiscal junto à Receita, tal diligência foi infrutífera visto que o sistema estava acometido de erros, o que prejudicou a elaboração da presente impugnação. Defende que não basta a ciência para garantir a obediência ao contraditório e a observância do art. 9º do Decreto 70.235/72, exigese também que o conhecimento do processo assegure o direito à obtenção de cópias para que os elementos embasadores do Auto de Infração sejam analisados detidamente, a fim de que o autuado possa produzir contraprovas e desconstituir as alegações do acusador. Requer seja declarada a nulidade do Auto por ter sido lavrado com preterição do direito de defesa ou, sucessivamente, seja reaberto o prazo para a impugnação com a possibilidade de sua reapresentação pelo autuado após a obtenção de cópia integral do processo administrativo fiscal. c) Alega a nulidade do lançamento devido à total ausência de fundamento legal para a desconsideração de inúmeros negócios jurídicos, documentos, transações bancárias e até mesmo lançamentos contábeis pela autoridade fiscal. Aduz que, embora haja expressa exigência legal acerca da indicação do dispositivo legal violado pelo contribuinte a fim de justificar a configuração da infração normativa e a aplicação da penalidade, o auditor, ao lavrar o presente Auto de Infração, descumpriu tal obrigação. Entende que a citação de inúmeros dispositivos não é o mesmo que identificar a norma descumprida. Reproduz doutrina e jurisprudência sobre o assunto. d) Sustenta que o lançamento se baseou em indícios e não em provas da ocorrência de simulação, razão pela qual violou o devido processo legal e não merece guarita. Expõe que, de acordo com o art. 167 do Código Civil de 2002, para que a administração pública realize a desconsideração de negócios jurídicos, é indispensável que tanto a forma quanto o conteúdo tenham sido desobedecidos. No entanto, de acordo com a própria auditora, a intenção dos autores não era simular as vendas, mas sim alterar o sujeito passivo da obrigação tributária objetivando a menor incidência sobre a operação por meio de uma pessoa jurídica criada para esse fim, o que sequer configura simulação. Defende que a intenção de economia tributária por parte do contribuinte não é ato ilegal, pois não se pode exigir que uma pessoa realize o caminho mais oneroso apenas para beneficiar o Fisco. Apresenta jurisprudência e doutrina sobre o tema e requer a nulidade do Auto de Infração por erro na quantificação da base de cálculo e na identificação do sujeito passivo nos termos do acórdão do Conselho de Contribuintes por ele transcrito. e) Alega a inexistência de qualquer dos requisitos necessários à aplicação da regra contida no inciso VII do art. 149 do CTN. Reitera que a lei exige a prova e não o indicio para demonstrar a simulação e acrescenta que não se pode exigir que uma pessoa somente explore suas atividades por meio da tributação de pessoa física. Discorre sobre o assunto e alega que o vetado é a utilização de meios ilegais para se obter a redução de tributo, o que não ocorreu no caso em exame. f) Da mesma forma, afirma que não se pode realizar a desconsideração e o reenquadramento dos negócios jurídicos com fundamento no parágrafo único do Fl. 958DF CARF MF Processo nº 15586.720113/201391 Acórdão n.º 2402005.938 S2C4T2 Fl. 5 7 art. 116 do CTN. Analisa o significado da palavra dissimulação e conclui que ela não ocorreu no caso em apreço, haja vista que o contribuinte em momento algum quis modificar a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. Assevera que a simples intenção de reduzir o tributo não configura ato voltado a ocultar nenhum fato, pois o tributo era devido por aquele que praticou o fato gerador, tendo sido dada toda publicidade ao negócio jurídico, com a lavratura das competentes escrituras indicando como vendedor a pessoa jurídica de MF Participações Ltda e não a pessoa do impugnante. Afirma que, de acordo com as tabelas 12, 13 e 14 elaboradas pela própria autoridade fiscal, os valores da venda dos terrenos foram recebidos pela MF Participações Ltda e pela Lazer Administração e Participação Ltda na proporção de 30% e 70%, respectivamente, não havendo qualquer dissimulação mas sim a estrita obediência das cláusulas contratuais entre as partes. Acrescenta que o valor de R$ 1.538.312,91 imputado pela fiscalização a cada sócio não se coaduna com as apurações de lucros distribuídos e de empréstimos indicados pela mesma no relatório fiscal. g) Alega que, como a empresa MF Participações Ltda recebeu o adiantamento de R$ 1.000.000,00 no ano calendário 2007, como indicado na tabela 3 do próprio relatório fiscal, tal valor se encontra abarcado pela decadência. Apresenta legislação e jurisprudência sobre o assunto. h) Sustenta que houve erro na indicação do critério temporal e da base de cálculo da hipótese de incidência no caso concreto. Expõe que o valor apurado no lançamento não está compatível com as tabelas 3, 6 e 7 elaboradas pela fiscalização, se levarmos em conta a data do pagamento da pessoa jurídica MF Participações Ltda aos sócios, nem com o somatório dos valores constantes das tabelas 3, 12, 13 e 14 como recebidos pela MF Participações Ltda. Entende que o valor total das alienações não pode servir de base para calcular qualquer imposto, pois não há prova do recebimento de 100% das vendas. i) Entende que o art. 21 da Lei 8.981/95 indicado pelo auditor não contempla a regra matriz de incidência tributária, mas apenas indica uma situação em que haverá a incidência de um tributo. Explica que apenas dizer que existe a obrigação de pagar um tributo não é suficiente para justificar a cobrança do mesmo. A hipótese de incidência normativa do imposto de renda em decorrência dos ganhos de capital está contida nos arts. 43 a 45 do CTN, razão pela qual o presente Auto de Infração está desprovido da competente motivação. j) Suscita a vedação ao bis in idem e ao enriquecimento sem causa e assevera que, ocorrendo a desconsideração dos negócios jurídicos entabulados e considerando a auditora que 100% do valor dos contratos de compra e venda foram recebidos pelos sócios Marcos e Fernando Corteletti, há que se ocorrer a dedução/compensação dos tributos pagos pelas demais pessoas envolvidas na negociação. Requer o aproveitamento de créditos dos tributos pagos mediante dedução/compensação dos tributos pagos pela empresa MF Participações Ltda, todos os seus parceiros outorgados em contrato de parceria de negócio imobiliário, em especial as empresas Lazer Administração e Participação Ltda e SN Empreendimentos Imobiliários Ltda, reduzindose proporcionalmente a multa aplicada com o valor dos tributos já pagos. k) Insurgese contra a multa qualificada aplicada alegando a inexistência de qualquer ato de simulação ou de abuso de direito, uma vez que apenas Fl. 959DF CARF MF 8 utilizou os meios legalmente disponíveis para constituir sua empresa, explorar a atividade que estabeleceu como objeto social e, assim, pagar tributos pela exploração dessa atividade. Afirma que não agiu com dolo de sonegar qualquer tributo, já que efetuou o pagamento do valor incidente sobre a operação de compra e venda dos terrenos conforme DIPJ da empresa MF Participações Ltda. Acrescenta que os fatos elencados no Auto de Infração não caracterizam os crimes tipificados nos incisos I e II do art. 71 e muito menos a fraude do art. 72, ambos da Lei 4.502/64, já que em nenhum momento teve o ônus de retardar ou impedir que a autoridade fazendária tomasse conhecimento do fato gerador. Defende que não configura fraude escolher explorar uma atividade econômica por intermédio de uma pessoa jurídica em detrimento da pessoa física. Em vista da solicitação constante da impugnação apresentada, o presente processo foi encaminhado à DRF Vitória para que fosse dada a vista do inteiro teor dos autos ao contribuinte, se assim o desejasse, com reabertura do prazo de 30 dias para aditamento de razões de defesa à sua contestação inicial (fls. 818, 822). Obtida a cópia integral do processo (fls. 830), o interessado apresentou manifestação (fls. 825/827) requerendo apenas a produção das seguintes provas: a) Depoimento pessoal de Vanderley Roque Totola, da empresa Lazer Administração e Participação Ltda, do representante legal da empresa CBL Desenvolvimento Urbano Ltda e do representante legal da empresa SN Empreendimentos Imobiliários Ltda; b) Expedição de ofício à Prefeitura do Município da Serra para que se possa realizar perícia visando apurar os gastos com o projeto de loteamento e com isto obter a correta remuneração dos vendedores conforme contrato, demonstrando a inexistência de máfé, conluio, simulação ou fraude; c) Realização de perícia para que se possa demonstrar que as partes detiveram intenção negocial, que pretendiam explorar primeiramente o imóvel da MP Participações Ltda, e que o empreendimento era suficiente grande, complexo e de enorme dificuldade para manter as empresas ocupadas por muitos meses ou anos. Posteriormente, em 12/02/2014, o contribuinte apresentou outra petição requerendo a juntada de documentos e o aditamento de novas razões de defesa (fls. 840/862). A DRJ/RJ1 considerou a impugnação improcedente, conforme se depreende da ementa da decisão recorrida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 GANHO DE CAPITAL. Estão sujeitas à apuração de ganho de capital as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. VALIDADE. Fl. 960DF CARF MF Processo nº 15586.720113/201391 Acórdão n.º 2402005.938 S2C4T2 Fl. 6 9 Além de aferir a licitude dos negócios jurídicos, é preciso perquirir a racionalidade econômica do planejamento, o propósito negocial que deu causa às operações, pois o planejamento tributário não deve ser utilizado com intuito único ou principal de redução de tributos.. MULTA QUALIFICADA. É cabível a aplicação da multa qualificada quando restar comprovado o intento doloso do contribuinte de reduzir indevidamente sua base de cálculo a fim de se eximir da cobrança do imposto de renda. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão a quo, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fl. 922/944) onde repisa questões suscitadas na impugnação e argui a nulidade do auto de infração sob alegação de: a) cerceamento de defesa; b) ausência de correto fundamento legal; c) inexistência de simulação; d) inexistência dos requisitos do inciso VII do art. 149 e do parágrafo único do art. 116 do Código Tributário Naciona (CTN). Reitera, por fim, os pedidos apresentados na impugnação. É o relatório. Fl. 961DF CARF MF 10 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Relator Quanto à tempestividade do recurso voluntário interposto, verificase que, ao revés do que afirma o recorrente, não houve cumprimento de tal requisito de admissibilidade. O contribuinte foi intimado da decisão de primeira instância em 23/04/2014, por via postal, com aviso de recebimento AR, conforme documento de fl. 920, abaixo reproduzido: Por sua vez, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário apresentando as alegações relatadas acima e, a respeito da tempestividade, limitouse a afirmar que: 2. Compulsando os autos, verificase que o Recorrente foi intimado acerca do acórdão mediante intimação postal com aviso de recebimento do dia 30 de abril de 2014. 3. Diante disso e, como sabido, o prazo para a interposição do recurso é de trinta (30) dia nos termos do Decreto nº 70.235/72, findando no dia 30 de maio de 2014. 4. Desta feita, é tempestiva a interposição do presente, pelo que se requer seu conhecimento. Reparese que o documento dos Correios (AR), reproduzido acima, demonstra o completo descabimento da informação contida em referida peça de que o recorrente teria sido intimado em 30/04/2014. A intimação, em verdade, repisese, ocorreu em 23/04/2014. Em decorrência dos elementos fáticos constantes nos autos, constatase que o recurso voluntário foi interposto em 29/05/2014. Tal informação pode ser facilmente comprovada a partir do carimbo aposto na folha de rosto da peça recursal (fl. 922). De acordo com o parágrafo único art. 5º do Decreto nº 70.235, de 1972 – diploma que trata do contencioso administrativo fiscal no âmbito federal – os prazos para a Fl. 962DF CARF MF Processo nº 15586.720113/201391 Acórdão n.º 2402005.938 S2C4T2 Fl. 7 11 interposição de recurso voluntário iniciamse e vencem em dia de expediente normal e são contados de forma contínua, excluindose da contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Vejamos Art. 5º. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Assim, na espécie, o recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 23/04/2014 (quartafeira). Dessa forma, levandose em consideração que os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão, nos exatos termos do parágrafo único do art. 5º do Decreto nº 70.235/1972, o prazo para interposição de recurso teve início em 24/04/2014 (quintafeira). O trigésimo dia ocorreu em 23/05/2014 (sextafeira). Entretanto o recurso somente foi apresentado em 29/05/2014 (quintafeira), portanto, fora do prazo recursal. Nesse sentido, resta claro que o contribuinte não verificou o prazo para apresentação do recurso, só vindo a apresentálo após o vencimento do interstício legal que se encerrou em 23/05/2014 e não o dia 29/05/2014 (data de apresentação da peça recursal). Em face desse quadro fático, impõese afirmar a ocorrência da intempestividade do apelo do contribuinte, não devendo prosperar o exame das demais alegações postuladas no recurso. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário em razão da sua intempestividade. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 963DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.002051/2007-16
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
DESPESAS. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. PERÍODOS ANTERIORES. REGIME DE COMPETÊNCIA. INDEDUTIBILIDADE.
As despesas com juros sobre o capital próprio (JCP) se submetem às regras gerais de contabilização de despesas, obedecendo o regime de competência: somente podem incorrer no mesmo exercício social em que as receitas correlacionadas - geradas com o uso do capital que os JCP remuneram - se produzem, formando o resultado daquele exercício. Não se admite a dedução de JCP calculados sobre as contas do patrimônio líquido de exercícios anteriores.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
LANÇAMENTOS REFLEXOS OU DECORRENTES.
Pela íntima relação de causa e efeito, aplica-se o decidido ao lançamento principal ou matriz de IRPJ também ao lançamento reflexo ou decorrente de CSLL.
Numero da decisão: 9101-003.065
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio. Encerrado o prazo regimental, a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio não apresentou declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Relatora e Presidente em Exercício
Participaram do presente julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Leonardo de Andrade Couto, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Gerson Macedo Guerra e Daniele Souto Rodrigues Amadio. Ausente justificadamente o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 DESPESAS. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. PERÍODOS ANTERIORES. REGIME DE COMPETÊNCIA. INDEDUTIBILIDADE. As despesas com juros sobre o capital próprio (JCP) se submetem às regras gerais de contabilização de despesas, obedecendo o regime de competência: somente podem incorrer no mesmo exercício social em que as receitas correlacionadas - geradas com o uso do capital que os JCP remuneram - se produzem, formando o resultado daquele exercício. Não se admite a dedução de JCP calculados sobre as contas do patrimônio líquido de exercícios anteriores. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2005 LANÇAMENTOS REFLEXOS OU DECORRENTES. Pela íntima relação de causa e efeito, aplica-se o decidido ao lançamento principal ou matriz de IRPJ também ao lançamento reflexo ou decorrente de CSLL.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16327.002051/2007-16
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5780896
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9101-003.065
nome_arquivo_s : Decisao_16327002051200716.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ADRIANA GOMES REGO
nome_arquivo_pdf_s : 16327002051200716_5780896.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio. Encerrado o prazo regimental, a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio não apresentou declaração de voto. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Relatora e Presidente em Exercício Participaram do presente julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Leonardo de Andrade Couto, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Gerson Macedo Guerra e Daniele Souto Rodrigues Amadio. Ausente justificadamente o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
id : 6964068
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:07:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049467126546432
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 35; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1934; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 673 1 672 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16327.002051/200716 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101003.065 – 1ª Turma Sessão de 13 de setembro de 2017 Matéria JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO Recorrente BANCO PINE S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 DESPESAS. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. PERÍODOS ANTERIORES. REGIME DE COMPETÊNCIA. INDEDUTIBILIDADE. As despesas com juros sobre o capital próprio (JCP) se submetem às regras gerais de contabilização de despesas, obedecendo o regime de competência: somente podem incorrer no mesmo exercício social em que as receitas correlacionadas geradas com o uso do capital que os JCP remuneram se produzem, formando o resultado daquele exercício. Não se admite a dedução de JCP calculados sobre as contas do patrimônio líquido de exercícios anteriores. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 LANÇAMENTOS REFLEXOS OU DECORRENTES. Pela íntima relação de causa e efeito, aplicase o decidido ao lançamento principal ou matriz de IRPJ também ao lançamento reflexo ou decorrente de CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio. Encerrado o prazo regimental, a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio não apresentou declaração de voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 20 51 /2 00 7- 16 Fl. 673DF CARF MF Processo nº 16327.002051/200716 Acórdão n.º 9101003.065 CSRFT1 Fl. 674 2 (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora e Presidente em Exercício Participaram do presente julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Leonardo de Andrade Couto, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Gerson Macedo Guerra e Daniele Souto Rodrigues Amadio. Ausente justificadamente o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório BANCO PINE S/A recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de efls. 349368, contra o acórdão nº 1101000.904, de 12 de junho de 2013 (efls. 331346), que, por unanimidade, negou provimento ao recurso voluntário e manteve o lançamento. Por bem resumir a autuação, transcrevese trecho do relatório do aresto recorrido (efl.333335): "O lançamento decorre de glosas de despesas com juros sobre o capital próprio, patrocínio e remuneração indireta, com efeitos na apuração do IRPJ e da CSLL. Além disso, caracterizado pagamento sem causa no caso de remuneração indireta, foi também exigido o IRRF. A autuada recolheu os débitos de IRRF, mas defendeu a dedução dos pagamentos na base de cálculo do IRPJ e CSLL, bem como se opôs às demais infrações. Cientificada em 29/07/2008 da decisão que manteve integralmente a exigência, a contribuinte apresentou recurso voluntário, tempestivamente, em 27/08/2008 (fls. 200/222), no qual defendeu a dedutibilidade de todos os valores glosados. Em 14/12/2009 a contribuinte apresentou desistência do recurso voluntário relativamente à glosa de gastos com patrocínio e de pagamentos sem causa (remuneração indireta), subsistindo o litígio acerca da glosa de juros sobre capital próprio, no valor de R$ 12.070.947,49, a qual ensejou a exigência de R$ 3.017.736,87 a titulo de IRPJ e R$ 1.086.385,27, acrescidos de multa de oficio de 75% e juros de mora (fls. 283/284). Promovida a alocação dos recolhimentos com os benefícios da Lei n° 11.941/2009, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação do recurso voluntário na parte ainda sob contestação (fls. 285/290). Relativamente à glosa de juros sobre o capital próprio, descreve a autoridade lançadora, às fls. 23/26 que a contribuinte deduziu, no anocalendário 2005, o montante de R$ 28.757.882,35, sendo a parcela de R$ 16.686.934,86 justificada pelos lucros disponíveis e dentro do limite legal com base na variação da TJLP naquele período, e o restante determinado em parecer de consultores, que quantificaram os juros correspondentes aos exercícios de 2000 a 2004. Disse a Fiscalização que os consultores invocaram as disposições do art. 6°, §5° do Decreto lei n° 1.598/77 acerca da inobservância do regime de competência, buscando justificar sua conduta em norma tributária de ordem geral. Fl. 674DF CARF MF Processo nº 16327.002051/200716 Acórdão n.º 9101003.065 CSRFT1 Fl. 675 3 Ressaltando que a figura dos juros sobre o capital próprio está definida em lei, e que seu pagamento é uma faculdade, reportouse aos limites relativos (art. 9°, §1 °, da Lei n° 9.249/95, com redação dada pelo art. 78 da Lei n° 9.430/96) como forma de evitar a total corrosão das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, assim argumentando: (...) Demonstrando que, embora o maior limite relativo no anocalendário 2005 corresponderia a R$ 44.380.338,38, a variação da TJLP naquele ano, aplicada sobre o patrimônio liquido ao final de 2004, resultaria em um conceitual de R$ 16.686.934,86, o fiscal autuante admitiu apenas a dedução desta parcela, e glosou o excedente de R$ 12.070.947,49". Pois bem, tendo sido mantida a exigência após a decisão proferida em sede de recurso voluntário, a contribuinte apresentou recurso especial, no qual apontou divergência em relação a uma única matéria: a possibilidade de deduzir despesa com o pagamento de juros sobre o capital próprio (JCP) referente a períodos pretéritos. Foi admitido por meio do Despacho de efls. 643648. Na matéria objeto da presente discussão, o acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário : 2005 JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. PERÍODOS ANTERIORES. REGIME DE COMPETÊNCIA. A dedução de juros a titulo de remuneração do capital próprio está limitada, dentre outros aspectos, à variação da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP verificada no período ao qual se referem os lucros destinados. Ao deixar de segregar o resultado comum de sua atividade daquele atribuível à utilização do capital dos sócios, a sociedade designa integralmente o lucro apurado como remuneração deste capital, e somente pode destinálos aos sócios mediante distribuição de dividendos. Inadmissível, portanto, a dedução posterior de juros sobre capital próprio tendo por referência a variação da TJLP em períodos passados. A Recorrente indicou os paradigmas nº 10196.751 e nº 1401000.902 para demonstrar a divergência jurisprudencial em relação aos juros sobre capital próprio de períodos pretéritos. Reconheceuse a divergência demonstrada em relação a ambos os paradigmas, cujas ementas estão assim redigidas na parte de interesse: Acórdão nº 10196.751: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anoscalendário: 2002 e 2006 Fl. 675DF CARF MF Processo nº 16327.002051/200716 Acórdão n.º 9101003.065 CSRFT1 Fl. 676 4 Ementa: JUROS S/CAPITAL PRÓPRIO — DEDUTIBILIDADE LIMITE TEMPORAL — O período de competência, para efeito de dedutibilidade dos juros sobre capital próprio da base de cálculo do imposto de renda, é aquele em que há deliberação de órgão ou pessoa competente sobre o pagamento ou crédito dos mesmos, podendo, inclusive, remunerar o capital tomando por base o valor existente em períodos pretéritos, desde que respeitado os critérios e limites previsto em lei na data da deliberação do pagamento ou crédito, ou seja, nada obsta a distribuição acumulada de JCP — desde que provada, ano a ano, ter esse sido passível de distribuição , levando em consideração os parâmetros existentes no anocalendário em que se deliberou sua distribuição. Acórdão nº 1401000.902: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 2006 JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO DEDUTIBILIDADE LIMITE TEMPORAL. O período de competência, para efeito de dedutibilidade dos juros sobre capital próprio da base de cálculo do imposto de renda, é aquele em que há deliberação de órgão ou pessoa competente sobre o seu pagamento ou crédito. Inclusive, a remuneração do capital próprio pode tomar por base o valor existente em períodos pretéritos, desde que respeitado os critérios e limites de dedutibilidade previstos em lei na data da deliberação do pagamento ou creditamento. RENÚNCIA. NECESSIDADE DE INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. Não há previsão legal sobre a configuração de renúncia de direito no caso de ausência da deliberação do pagamento dos JCP. A renúncia de direitos deve ser interpretada de forma restrita, não devendo o silêncio do acionista ser interpretado como ato volitivo de abdicação de direito, gerando efeitos tributários. As alegações da Recorrente são, em síntese, as seguintes: a) que os juros sobre o capital próprio constituem espécie de rendimento distribuído a partir dos lucros; b) que tributariamente é possível deduzir o JCP da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, desde que pagos ou creditados ao titular, sócio ou acionistas, observados os limites legais, que, no caso em espécie, foram observados; c) a legislação não impôs nenhuma restrição à possibilidade de deliberação sobre o pagamento de JCP relativo a períodos anteriores; Fl. 676DF CARF MF Processo nº 16327.002051/200716 Acórdão n.º 9101003.065 CSRFT1 Fl. 677 5 d) que consoante a legislação vigente, o pagamento ou crédito dos juros sobre o capital próprio fica unicamente condicionado a existência de lucros ou de lucros acumulados e reservas de lucros; e) que o momento da dedutibilidade é o momento do pagamento ou crédito dos juros sobre o capital próprio; f) que, na situação concreta, a dedução foi realizada no momento em que houve pagamento dos juros sobre o capital próprio, em perfeita consonância com a legislação vigente; g) que não existe qualquer vedação em Lei ou em qualquer ato administrativo editado pela autoridade fiscal à distribuição no anocalendário de juros sobre capital próprio que deixaram de ser distribuídos nos anos anteriores. Também no há dispositivo legal que estabeleça a perda do direito de distribuição de juros sobre o capital próprio não pagos ou creditados no passado; h) que o objetivo dos JCP é permitir a igualdade de tratamento tributário aplicável à remuneração do capital de terceiros àquele aplicável à remuneração do capital próprio, e imporse restrição à possibilidade de pagamento e dedução de JCP relativo a períodos anteriores implicaria ofensa à própria igualdade de tratamento almejada com a criação do instituto; i) citou acórdãos do CARF e o acórdão do STJ no RESP 1.086.752/PR, de 17/02/09; e j) que o pagamento e a dedução dos juros distribuídos nos períodos contestados pelas autoridades fiscais ocorreram unicamente no ano de 2005. Acrescenta que, levouse em consideração a TJLP e contas patrimoniais existentes naqueles anos (2000 a 2004), bem como os limites de dedução do exercício do pagamento ( 2005). Por fim, requereu a reforma do acórdão recorrido para tornar insubsistente o auto de infração. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls.650663), aduzindo, em essência, o que segue: a) que quanto aos exercícios sociais pretéritos (2000 a 2004), é certo que já houve a realização de assembléia, na qual foi externada a vontade social sobre a destinação dos lucros e a aprovação das demonstrações financeiras; b) que a remuneração dos sócios é uma faculdade conferida à empresa e que, se, em determinado período esta deliberou não pagar ou creditar JCP ou, ainda, deliberou sobre JCP abaixo do limite dedutível, significa dizer que a própria empresa renunciou a tal direito. Temse, então, ato jurídico perfeito, estando apto a produzir todos os seus efeitos; c) que os acionistas, em 2005, determinaram o pagamento de JCP acima do montante autorizado para fins de dedução. No intuito de aumentarem esse limite e deduzirem todo o valor, usam argumento de que uma parte do excesso decorre de ‘estoque’ não utilizado em anos anteriores; Fl. 677DF CARF MF Processo nº 16327.002051/200716 Acórdão n.º 9101003.065 CSRFT1 Fl. 678 6 d) que a empresa pode determinar o pagamento de juros sobre o capital próprio até mesmo acima dos limites trazidos pela Lei n° 9.249/95, porém, a parcela dedutível deve sempre obedecer aos requisitos indicados na legislação; e) que quando se delibera sobre JCP de exercícios passados, é certo que o lucro do respectivo período já teve a sua destinação, não estando mais disponível para fins de pagamento na forma pretendida; f) que se já foi dada destinação ao lucro dos exercícios encerrados, devese respeitar a vontade social externada na assembléia, não podendo ser modificada a qualquer tempo, como se ela não tivesse ocorrido; g) que se a empresa, por meio de seus sócios e no momento adequado, decidiu pela remuneração dos sócios por meio do pagamento de juros sobre capital próprio abaixo do limite dedutível ou não deliberou sobre o assunto, por óbvio, naquele exercício acabou renunciando à faculdade que lhe foi conferida, não sendo possível recuperar a dedutibilidade de despesas que, por determinação da própria empresa, não foi suportada em anos anteriores; h) que nos termos do art.177 da Lei nº 6.404/76, a regra geral é o registro das operações da pessoa jurídica pelo regime de competência e que a IN SRF nº 11/96 ratifica que a despesa de juros sobre o capital próprio deve observar o regime de competência; i) cita a Solução de Consulta SRRF 6ª RF Disit nº 63, de 24 de abril de 2001, que diz:“sob pena de infringir o regime de competência previsto na legislação própria, é vedado à pessoa jurídica computar em um exercício o montante dos juros sobre capital próprio de períodos anteriores"; e j) cita a Instrução Normativa SRF nº 41, de 22 de abril de 1998. Ao final, requer que seja negado provimento ao recurso especial interposto pela contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. A discussão cingese à possibilidade de a pessoa jurídica deduzir, na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL de determinado anocalendário, tão somente os juros sobre o capital próprio (JCP) calculados sobre os valores das contas do patrimônio líquido no exercício social correspondente ao anocalendário em questão (entendimento da Fiscalização) ou também em relação a exercícios sociais anteriores (entendimento da Contribuinte). Fl. 678DF CARF MF Processo nº 16327.002051/200716 Acórdão n.º 9101003.065 CSRFT1 Fl. 679 7 Como se extrai do Termo de Verificação de Infração n.01 (efls. 2528), no anocalendário 2005, a contribuinte deduziu despesas de juros sobre capital próprio no valor total de R$ 28.757.882,35. Desse total, o valor deduzido de R$ 12.070.947,49 corresponde aos JCP de períodos anteriores (AC 2000 a 2004) e, o valor de R$ 16.686.934,86, referese aos JCP do próprio anocalendário 2005. Isso porque a empresa, em seu cálculo, considerou possível o pagamento de JCP referentes a exercícios sociais anteriores. Conforme resta evidente pelos precedentes que a Contribuinte aponta, a matéria não se encontra pacificada no âmbito do CARF. As decisões mais recentes desta 1ª Turma da CSRF, no entanto, vão no sentido da indedutibilidade dos JCP em relação a períodos pretéritos. Com efeito, na sessão de 20 de janeiro de 2016, foram prolatados três acórdãos (de nºs 9101002.180, 9101002.181 e 9101002.182), todos de relatoria do Conselheiro Rafael Vidal de Araújo nessa linha. Em todas essas votações, acompanhei o Relator, por entender que: a) os Juros sobre o Capital Próprio representam uma remuneração dos sócios pelo capital investido; b) por serem juros pagos pelas pessoas jurídicas a seus sócios, têm a natureza contábil de despesas (contrapartida das receitas advindas do uso desse capital); c) por serem uma despesa, transitam pelo resultado; e d) por transitarem pelo resultado, não podem ser pagos ou creditados após o encerramento do período. Já na sessão de 1º de março de 2016, um processo de minha relatoria foi a julgamento, tendo esta Turma decidido que não se admite a dedução de JCP calculados sobre as contas do patrimônio líquido de exercícios anteriores (acórdão nº 9101002.248). Nesse contexto, trazse para o presente caso os argumentos expendidos na decisão em questão, dirimidas eventuais diferenças. Em primeiro lugar, registrese presente o fato de que a Lei nº 9.249/1995 visou estimular o investimento de capital nas empresas e desestimular o financiamento das atividades operacionais, mediante empréstimos, que caracterizavam uma subcapitalização. Constatase, também, que a lei não mencionou o momento em que tais juros devem ser pagos. Contudo, vislumbrase isso desnecessário, porque se a norma estabelece limites para fins de dedução do lucro real, é porque estamos falando de uma despesa contábil, que tem limites de dedutibilidade para fins de lucro real. Por oportuno, transcrevese trecho do acórdão nº 1102000.934, de 8 de outubro de 2013, da lavra do exConselheiro José Evande Carvalho Araújo: Contudo, pareceme evidente que, quando a lei permite que se deduza, para efeitos da apuração do lucro real, os JCP calculados pela aplicação pro rata dia da taxa TJLP sobre os valores das contas do patrimônio líquido, estáse limitando o cálculo para o mesmo período da apuração do lucro real. Fl. 679DF CARF MF Processo nº 16327.002051/200716 Acórdão n.º 9101003.065 CSRFT1 Fl. 680 8 Apesar de a doutrina afirmar que a natureza jurídica dos juros sobre o capital próprio é a de distribuição sui generis de lucro, não há dúvidas de que a lei fiscal lhes dá o tratamento de despesa financeira. E como despesa financeira, só podem ser apropriados no período a que competirem. Não é razoável se entender que a lei permitiu implicitamente a dedução de uma despesa calculada com base no patrimônio de períodos anteriores. Isso seria o mesmo que admitir, por exemplo, a dedução de juros sobre um empréstimo relativos ao anocalendário anterior. (Grifei) Antes da deliberação para o pagamento dos JCP não há que se falar em direito subjetivo dos sócios ao seu recebimento, nem em despesa incorrida. De fato, a despesa só surge após deliberação acerca do pagamento ou do creditamento dos juros e da sua correspondente contabilização. Para os exercícios pretéritos, não tendo havido pagamento da despesa ou apropriação da obrigação para pagar aos sócios em conta de passivo, não há que se falar em despesa incorrida. Consubstancia uma afronta ao regime de competência quando em 2005, a contribuinte decide apropriar uma despesa, cujos fatos geradores ocorreram entre 2000 e 2004. Neste sentido, trago à colação a lição de Hiromi Higuchi (HIGUCHI, Hiromi. Imposto de Renda das Empresas: Interpretação e Prática. 38ª ed. São Paulo: IR Publicações, 2013. p. 127.): Alguns tributaristas entendem que os juros sobre o capital próprio são dedutíveis na determinação do lucro real, ainda que não contabilizados no períodobase correspondente, desde que escriturados como exclusão no LALUR e sejam contabilizados no períodobase seguinte como ajuste de exercício anterior. Entendemos que a contabilização no períodobase correspondente é condição para a dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio por tratarse de opção do contribuinte. Sem o exercício da opção de contabilizar os juros não há despesa incorrida. É diferente de juros calculados sobre o empréstimo de terceiro porque neste há despesa incorrida, ainda que os juros sejam contabilizados só no pagamento. (Grifei) A Recorrente aduz que o acórdão recorrido, ao citar a doutrina de Edmar Oliveira Andrade Filho como fundamento a corroborar a tese da impossibilidade de dedução, comete “claro equívoco”. Isto porque o primeiro paradigma indicado pela contribuinte também faz menção ao Ilustre doutrinador, todavia apresenta entendimento contrário ao recorrido. Do paradigma, transcreveu trechos onde o autor defende que a remuneração do capital através de JCP é uma faculdade, que depende apenas de decisão de sócios ou acionistas por intermédio de deliberação, in verbis: Ou seja, é preciso segregar as implicações no âmbito da legislação comercial e das normas que regulam a dedutibilidade fiscal. Nesse sentido, Edmar Oliveira Andrade Filho diz o seguinte: Fl. 680DF CARF MF Processo nº 16327.002051/200716 Acórdão n.º 9101003.065 CSRFT1 Fl. 681 9 "De fato, a remuneração do capital dos sócios ou acionistas é uma faculdade que depende apenas da decisão formal deles próprios por intermédio de deliberação tomada em Assembléia de Acionistas ou Reunião de Quotistas, ou em virtude de cláusula estatutária ou contratual existente. Esta faculdade é garantida por um feixe de normas jurídicas que constituem a esfera particular de ações das pessoas, em que as ações são governadas pelos princípios da livre iniciativa e da autonomia da vontade, delimitados e orientados pelo ordenamento jurídico. Portanto, em principio, uma sociedade pode, no presente, deliberar sobre o pagamento de juros sobre o capital para períodos passados, ou seja, pode adotar como marco inicial para contagem de juros o momento em que a empresa passou a utilizálo ou outro momento qualquer". (Grifei) De fato, não se nega que o pagamento de JCP depende da deliberação dos sócios. Mas a sua dedutibilidade para fins de apuração dos tributos, depende ainda do reflexo que essa deliberação dos sócios venha a ter na contabilidade, seja através do efetivo pagamento, seja através do reconhecimento da obrigação em conta de passivo no respectivo ano em que houve a deliberação. Ainda do voto do paradigma, a Recorrente acrescenta o seguinte trecho também do autor: "Há de se ter presente, todavia, que uma coisa é a possibilidade jurídica do pagamento dos juros e outra, completamente diferente, é o tratamento fiscal que deverá ser dispensado a tais juros. De fato, a dedução dos juros sobre capital está sujeita 5 observância de limites quantitativos objetivos no momento em que eles vierem a diminuir o resultado do período que servirá de elemento para determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL". (Grifei) Veja que o autor considera a possibilidade de se deliberar sobre períodos passados, mas ressalta que a possibilidade jurídica de pagamentos de JCP é completamente diferente do tratamento fiscal que deverá ser dispensado a tais juros. Assim, dos citados trechos do Doutrinador, podese extrair o entendimento de que é possível aos sócios deliberarem sobre o pagamento de JCP de períodos passados, mas que este dispêndio é uma liberalidade dos sócios e acionistas e, como tal, para fins fiscais, não pode ser deduzido da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, porque está em descordo acordo com as Leis nº 9.249/1995, nº 6.404/76 e legislação complementar. Fl. 681DF CARF MF Processo nº 16327.002051/200716 Acórdão n.º 9101003.065 CSRFT1 Fl. 682 10 Desse mesmo autor (Edmar Oliveira Andrade Filho)1, podese extrair ainda os seguintes ensinamentos: Se em determinado exercício social passado não foram pagos ou creditados juros sobre o capital e se demonstrações contábeis já tiverem sido aprovadas pelos acionistas é lícito inferir que eles deliberaram pelo nãopagamento ou crédito dos juros. Se as pessoas que detinham competência para deliberar sobre o pagamento dos juros não o fizeram e aprovaram as demonstrações financeiras sem que tal obrigação fosse considerada, parece fora de dúvida que elas renunciaram à faculdade prevista em lei. Em decorrência dessa renúncia e considerando demonstrações contábeis, depois de aprovadas pelos sócios ou acionistas são consideradas "ato jurídico perfeito", impõese a conclusão de que elas só podem ser modificadas em caso de erro, dolo ou simulação. Portanto, lógica e juridicamente, não há como imputar a exercícios passados os efeitos de deliberação societária (sujeita a uma disciplina jurídica específica) tomada no presente. Essa imputação só poderá ocorrer se o Balanço vier a ser retificado por determinação dos sócios ou acionistas, mas tal retificação só poderia ser juridicamente justificada se demonstrada a anterior ocorrência de erro, dolo ou simulação. (Grifei) Nesse diapasão, o Autor conclui que a deliberação tomada no presente não pode produzir efeitos fiscais para exercícios passados, cujos balanços só podem ser retificados em caso de erro, dolo ou simulação. E é aqui que reside a questão: o momento que em o valor dos juros é imputado ao resultado do exercício. Como após a apuração do lucro, não há que se falar mais em pagamento ou reconhecimento da obrigação referentes às despesas de juros sobre o capital próprio, relativamente aos anoscalendário de 2000 a 2004, não se poderia mais pagar juros sobre capital próprio; daí porque o “períodobase correspondente”, como dito, necessariamente precisa ser o de apuração do lucro. No presente processo em relação aos anoscalendário 2000 a 2004, para os quais não houve deliberação para pagamento de JCP, nem se constituiu a obrigação de pagar os JCP correspondentes, não há que se falar em despesas incorridas. Poderseia argumentar que a lei autoriza o cálculo de JCP sobre os lucros acumulados de anos anteriores; contudo, a menção aos lucros acumulados trazida pela Lei nº 9.249, de 1995, diz respeito tão somente a um dos limites para fins de dedutibilidade do lucro real, senão vejamos: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do 1 (Disponível em <http://www.fiscosoft.com.br/a/2fac/irpjecslljurossobreocapitalpropriocalculadosobrea movimentacaodopatrimonioliquidoosfatoseaconsultaedmaroliveiraandradefilho>, acesso em 10/07/2017, às 15h58min ) Fl. 682DF CARF MF Processo nº 16327.002051/200716 Acórdão n.º 9101003.065 CSRFT1 Fl. 683 11 patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. § 1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) (Grifei) Além disso, ainda que a Recorrente tivesse absoluta liberdade para, no futuro, decidir pelo pagamento de valores relativos a juros sobre o capital que poderia ter deliberado efetuar em exercícios passados, verificase que tal possibilidade não tem o condão de subverter o regime de competência e tornar dedutível despesa não incorrida a seu tempo. É dizer, não tendo a despesa com JCP incorrido no exercício correspondente, não se pode deduzila na apuração do lucro real de exercício posterior. A imputação dessa despesa só poderia ser efetivada com retificação do balanço, e esta retificação só tem previsão nas hipóteses de ocorrência de erro, dolo ou simulação, o que não é o caso. Para se considerar despesa como efetivamente incorrida, são necessários dois requisitos: i) a deliberação acerca do pagamento ou creditamento dos JCP e ii) a devida contabilização do pagamento da despesa ou da apropriação da obrigação em conta de passivo. Dessa forma, a deliberação em 2005 para creditar aos sócios JCP incidentes sobre patrimônio líquido de exercícios anteriores (2000 a 2004) não tem validade para fins fiscais, pois se refere a despesas que não foram incorridas naqueles exercícios. De fato, a análise dos requisitos de dedutibilidade não pode ficar restrita à possibilidade de pagamento posterior dos juros do capital próprio, sob pena de se concluir, equivocadamente, que a legislação estipulou o regime de caixa para seu reconhecimento. Se a lei silencia, o regime a ser adotado é o de competência, estabelecido no art.177 da Lei nº 6.404/76 como regra geral, in verbis: Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. § 1º As demonstrações financeiras do exercício em que houver modificação de métodos ou critérios contábeis, de efeitos relevantes, deverão indicála em nota e ressaltar esses efeitos. (Grifei) Ou seja, a Lei nº 6.404/76 adotou o regime de competência como regra geral, devendo o regime de caixa ser aplicado excepcionalmente, para isso, deve estar previsto expressamente em lei. Nesse mesmo sentido, a citada lei, em seu art.187 que trata da demonstração do Resultado do Exercício, vincula as despesas, custos e encargos às receitas correspondentes do mesmo exercício, verbis: Fl. 683DF CARF MF Processo nº 16327.002051/200716 Acórdão n.º 9101003.065 CSRFT1 Fl. 684 12 Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: (...) § 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. Temse ainda a Instrução Normativa SRF nº 11/96, que em seu artigo 29 disciplina a possibilidade de dedução de juros sobre capital próprio, e ratifica a interpretação da Lei nº 6.404/76, verbis: Juros Sobre Capital Próprio Art. 29. Para efeito de apuração do lucro real, observado o regime de competência, poderão ser deduzidos os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração de capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pró rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo – TJLP. (Grifei) A matéria também se encontra regulamentada na IN SRF nº 41/98, nos seguintes termos: Art. 1º Para efeito do disposto no art. 9º da Lei Nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, considerase creditado, individualizadamente, o valor dos juros sobre o capital próprio, quando a despesa for registrada, na escrituração contábil da pessoa jurídica, em contrapartida a conta ou subconta de seu passivo exigível, representativa de direito de crédito do sócio ou acionista da sociedade ou do titular da empresa individual. (Grifei) O normativo acima esclarece que é possível o pagamento posterior de juros sobre capital próprio, mas desde que a despesa tenha sido reconhecida e devidamente registrada no anocalendário correspondente ao que foi utilizado para cômputo do JCP, em contrapartida à conta do passivo, que represente a obrigação perante os sócios para pagamento futuro. Quanto ao precedente do Superior Tribunal de Justiça STJ trazido pela Contribuinte [REsp nº 1.086.752PR (2008/01933882), 1ª Turma, Rel. Ministro Francisco Falcão, DJ 11/03/2009], observase que não se trata de decisão definitiva de mérito proferida pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C da Lei nº 5.869, de 1973 CPC). Não se aplica, portanto, o comando de vinculação de decisões veiculado no art. 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria nº 343, de 9 de junho de 2015. Acrescentese que este REsp nº 1.086.752 do STJ é um precedente isolado, não havendo outros no mesmo sentido. Além do que, seu entendimento contraria frontalmente Fl. 684DF CARF MF Processo nº 16327.002051/200716 Acórdão n.º 9101003.065 CSRFT1 Fl. 685 13 o art.177 da Lei nº 6.404/76, que estabelece a regra geral do regime de competência. Colacionase um excerto do RESP, trazido pela Recorrente, que demonstra tal contradição: II A legislação não impõe que a dedução dos juros sobre capital próprio deva ser feita no mesmo exercíciofinanceiro em que realizado o lucro da empresa. Ao contrário, permite que ela ocorra em anocalendário futuro, quando efetivamente ocorrer a realização do pagamento. III Tal conduta se dá em consonância com o regime de caixa, em que haverá permissão da efetivação dos dividendos quando esses foram de fato despendidos, não importando a época em que ocorrer, mesmo que seja em exercício distinto ao da apuração. (Grifei) Logo, data venia, resta equivocado o entendimento consignado neste RESP, e talvez por esta razão, não se encontrem outros julgados neste sentido. Resta claro que a legislação adota como regra geral o regime de competência para o registro das mutações patrimoniais e das receitas e despesas. As exceções devem vir explícitas na lei. Contudo, a Lei nº 9.249/95 não tratou de excepcionar a regra geral, razão pela qual seria um contrassenso calcular os JCP com base no patrimônio líquido de um determinado anocalendário, e apropriar essa despesa em um anocalendário distinto daquele que serviu como parâmetro para o cálculo dos JCP. Antes, é preciso compreender os juros sobre capital próprio como destinação do lucro formado a partir da aplicação do capital dos sócios, e uma destinação opcional, em substituição à distribuição de lucros, consoante expressa o art. 9º, §7º da Lei nº 9.249/95, ao permitir que o valor dos JCP seja "imputado ao valor dos dividendos" obrigatórios, "de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo" da retenção na fonte prevista no §2º daquele dispositivo. Ressaltese que o caput do art. 9º permite a dedução, para efeitos da apuração do lucro real, dos juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio. Por óbvio que o capital próprio a ser remunerado por juros ao final de cada ano é o capital dos sócios ou acionistas naquele anocalendário. Esse aspecto da legislação precisa ser observado, porque leva ao seguinte questionamento: ocorrendo a deliberação acerca do pagamento de JCP em 2005, referente a anoscalendários anteriores (2000 a 2004), os sócios/acionistas que receberam a remuneração dos juros foram individualizadamente aqueles constantes do quadro societário/acionistas de 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004? Ou foram os sócios/acionistas existentes em 2005? Poderia a Assembléia dos sócios/acionistas em 2005 rever as decisões tomadas pelos sócios/acionistas anteriores? Observese, portanto, que se a recorrente delibera em 2005 o pagamento de JCP dos anoscalendários 2000 a 2004, os sócios a serem remunerados deveriam ser aqueles constantes do quadro societário nos respectivos anoscalendários sobre o qual se calcula os JCP, e não os sócios existentes em 2005, sob pena de não se estar a remunerar o capital próprio, mas sim o capital de outrem. Certamente não é isso o que acontece. Uma Assembléia de acionistas não ia decidir, no presente, remunerar sócios/acionistas que não mais fazem parte da sociedade, quando poderia remunerar os sócios/acionistas atuais através de dividendos. Fl. 685DF CARF MF Processo nº 16327.002051/200716 Acórdão n.º 9101003.065 CSRFT1 Fl. 686 14 Remunerar os sócios atuais com juros sobre um capital de anoscalendários pretéritos, seria desvirtuar completamente o instituto do juros sobre capital próprio, pois estar seia a remunerar um capital que pertencia a outrem, logo, não haveria remuneração de capital próprio dos sócios. Por todo exposto, temse que as despesas com JCP somente podem incorrer, no mesmo exercício social em que as receitas correlacionadas (geradas com o uso do capital que os JCP remuneram) se produzem, formando o resultado daquele exercício. Ressaltese que despesas incorridas são aquelas efetivamente pagas ou apropriadas contabilmente como obrigação em conta de passivo. Não tendo incorrido no exercício correspondente, não se pode deduzilas na apuração do lucro real de exercício posterior. É dizer, não se admite a dedução de JCP calculados sobre as contas do patrimônio líquido de exercícios anteriores. Correta, portanto, a glosa levada a cabo pela Fiscalização do montante deduzido pela Recorrente como despesa com juros sobre capital próprio referente a períodos pretéritos, devendo ser mantido o lançamento. Conclusão Em face do exposto, conheço do recurso e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Declaração de Voto Conselheiro Luís Flávio Neto. Na reunião de setembro de 2017, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (doravante “CSRF”) analisou o recurso especial interposto pela BANCO PINE S/A (doravante “recorrente” ou “contribuinte”), no processo n. 16327.002051/200716. Com muito bem relatado pela i. Conselheira Relatora, em tal recurso, a contribuinte requer a reforma do acórdão recorrido, especialmente para ver reconhecida a dedutibilidade de Juros sobre o Capital Próprio (doravante “JCP”) efetivamente pagos ou creditados aos seus acionistas. Em brevíssima síntese, o contribuinte argumenta que a glosa empreendida pela fiscalização não possui fundamento legal de validade, devendo ser afastada, reconhecendose, assim, a legitimidade do pagamento ou creditamento de JCP apurados acumuladamente, com base em exercícios anteriores. Ocorre que a fiscalização considerou que o JCP pago ou creditado, para fins de dedutibilidade do IRPJ e da CSL, apenas poderia tomar Fl. 686DF CARF MF Processo nº 16327.002051/200716 Acórdão n.º 9101003.065 CSRFT1 Fl. 687 15 como base o capital mantido pelo acionista na mesma competência em que o pagamento ou credito tenha sido realizado. No recurso especial em análise, está em questão saber se esse argumento subsiste à legislação federal aplicável. Nesta declaração de voto, permissa venia, apresento os fundamentos que me fizeram votar pelo PROVIMENTO do recurso especial interposto pelo contribuinte, por compreender que a cobrança tributária em questão ofende as normas que tutelam a matéria, especialmente aquelas que decorrem do art. 9o da Lei n. 9.249/95. 1. O conceito de “Juros sobre Capital Próprio” (“JCP”). O JCP corresponde a um “mecanismo de integração” adotado pelo legislador brasileiro. Por meio dele, buscase amenizar o desestímulo reconhecido pela Ciência Econômica causado pela dupla tributação da renda, em que há tributação do lucro empresarial tanto na órbita da pessoa jurídica quanto nas mãos de seus sócios (pessoas físicas ou jurídicas)2, bem como induzir a preferência ao investimento de capital próprio dos sócios (participações permanentes) e não à capitalização da companhia com recursos de terceiros (“alavancagem”). Por se tratar de medida com reflexo em políticas econômicas amplas, cabe a cada país decidir, por meio de seus agentes competentes, qual método de integração será adotado para a tributação da renda da pessoa jurídica e de seus sócios ou, ainda, se não irá adotar algum deles. Assim, por exemplo, podem as leis de um país tributar apenas as pessoas físicas, deixando as pessoas jurídicas na zona de não incidência tributária. Outros, por sua vez, podem tributar a renda em ambos os níveis, mas conceder aos sócios o direito ao crédito do imposto pago pela pessoa jurídica. O certo é que os métodos de integração podem ser os mais variados. O Brasil adota em especial dois métodos de integração, vocacionados a amenizar ou afastar o indesejado fenômeno da dupla tributação da renda: ‐ Dividendos: Os lucros da empresa devem ser tributados no âmbito da pessoa jurídica, com alíquotas de IRPJ e CSL próximas a 34%. Por sua vez, os lucros distribuídos sob a forma de dividendos, observadas as regras vigentes, não devem ser tributados nas mãos dos sócios que os recebem e nem são dedutíveis para as empresas que os distribuem. Nesse caso, o método de integração consiste na isenção dos dividendos recebidos por quotistas ou acionistas. 2 Remonta aos primeiros registros de tributação da renda de pessoas jurídicas a preocupação dos Estados com a adoção de mecanismos de integração entre a empresa e os sócios, a fim de que a mesma renda não fosse duplamente tributada. Ocorre que o interesse arrecadatório do Estado é garantido não quando se arrecada muito de uma vez só, mas sim com a continuidade da atividade empresarial, que gere lucros perenes sujeitos à tributação razoável. Como a tributação do lucro empresarial tanto nas mãos da pessoa jurídica quanto na pessoa física de seus sócios pode gerar desestímulo à constituição e condução dos negócios por meio de pessoas jurídicas, à geração de emprego e ao desenvolvimento, os métodos de integração compõem as políticas econômicas dos Estados. Nesse sentido, vide: SANTOS, Ramon Tomazela. Aspectos controvertidos atuais dos juros sobre capital próprio (JCP): o impacto das mutações no patrimônio líquido, o pagamento acumulado e a sua qualificação nos acordos de bitributação, in Revista Dialética de Direito Tributário n. 214. São Paulo : Dialética, 2013, p. 109 e seg. Fl. 687DF CARF MF Processo nº 16327.002051/200716 Acórdão n.º 9101003.065 CSRFT1 Fl. 688 16 ‐ JCP: Os lucros da empresa devem ser tributados no âmbito da pessoa jurídica, com alíquotas de IRPJ e CSL próximas a 34%. O JCP pago ou creditado pela pessoa jurídica aos seus sócios poderá ser deduzida de seu lucro líquido, de forma a neutralizar proporcionalmente a tributação de IRPJ e CSL sobre tais porções. O JCP recebido pelo sócio, por sua vez, está sujeito ao imposto de renda, retido na fonte, à alíquota de 15% (tributação definitiva para as pessoas físicas e mera antecipação para as pessoas jurídicas). Tal como o regime de tributação dos dividendos, o JCP corresponde a um mecanismo de integração da empresa com o sócio, prescrito pelo legislador brasileiro para amenizar a dupla tributação nefasta à livre iniciativa e ao desenvolvimento econômico. A adoção pelo legislador brasileiro do JCP como método de integração tem o claro propósito de induzir o investimento e a manutenção de capital investido em pessoas jurídicas nacionais. Sob a perspectiva da empresa, há o incentivo à capitação de recursos dos sócios e não de terceiros, já que a remuneração de ambos se tornou igualmente dedutível. Somese a isso outras vantagens do JCP, a exemplo do fato de que a capitação de recursos dos sócios não influencia no nível de endividamento da companhia, bem como que estes são remunerados por índice geralmente menor que o de mercado, qual seja, a Taxa de Juros de Longo Prazo (doravante “TJLP”). Por sua vez, sob a perspectiva do acionista, a sistemática estabelecida pelo legislador para o JCP afeta o equacionamento de seu custo de oportunidade, fundamental para a decisão de onde e quanto investir. Especialmente no mercado brasileiro, entre os fatores que remerecem reflexão, o investidor deve comparar o resultado obtido em um determinado empreendimento com aquele que seria obtido com uma simples aplicação bancária, geralmente com menor risco. Dessa forma, a remuneração do capital investido pelo acionista em uma companhia brasileira por meio de JCP tem o condão de neutralizar o custo de oportunidade que, de outra forma, se mostraria mais pungente em face de outras opções de investimento. O legislador, por meio dessa medida, induz o incremento dos investimentos em companhias brasileiras. 2. A norma de dedutibilidade de JCP pago ou creditado. Caso se adote o sentido estrito da expressão “planejamento tributário” 3, o tema “JCP” estará fora dessa matéria. Ocorre que a regra expressa pelo art. 9o da Lei n. 9.249/95 está situada, em termos estritos, entre as “economias de opção” ou “opções fiscais”. Nas chamadas opções fiscais, o sistema jurídico tributário oferece ao contribuinte mais de uma sistemática para que submeta os seus signos de riqueza à tributação: 3 Em meio às muitas divergências que o tema suscita na doutrina nacional, alguns autores incluem no conceito de planejamento tributário a utilização de opções fiscais e de normas tributárias indutoras, já que o contribuinte, ao praticar os referidos atos, certamente teria realizado prévio estudo, planejandoos. Nesse sentido, vide: ANDRADE FILHO, Edmar Oliveira. Planejamento tributário. São Paulo : Saraiva, 2009, p. 02. Outros, por sua vez, as excluem “do âmbito do planejamento, pois correspondem a escolhas que o ordenamento positivo coloca à disposição do contribuinte, abrindo expressamente a possibilidade de escolha” Nesse sentido, vide: GRECO, Marco Aurélio. Planejamento tributário. São Paulo : Dialética, 2008, p. 100. BARRETO, Paulo Ayres. Elisão tributária limites normativos. Tese apresentada ao concurso de livre docência do Departamento de Direito Econômico e Financeiro da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. São Paulo : USP, 2008, p. 240. Fl. 688DF CARF MF Processo nº 16327.002051/200716 Acórdão n.º 9101003.065 CSRFT1 Fl. 689 17 é garantida ao contribuinte a liberdade para optar pelo caminho que lhe parecer mais adequado, seja por praticidade ou por lhe proporcionar menor ônus tributário. Explorando o exemplo da DIRPF4, com opção pela sistemática simplificada ou completa, verificase que o legislador prescreveu ao contribuinte uma fórmula procedimental básica a ser seguida pela pessoa física: no programa de computador fornecido pela Receita Federal, o contribuinte deve pura e simplesmente optar pelo modelo simplificado ou completo. O programa de computador calcula para o contribuinte qual opção lhe trará o menor custo de IRPF e, caso se opte pelo modelo mais oneroso, o sistema não prossegue até que o contribuinte confirme estar certo de que realmente irá optar por pagar mais (mensagem semelhante não aparece caso o contribuinte opte pelo caminho mais natural de poupar despesas tributárias). Neste exemplo, não estaria o contribuinte realizando um “planejamento tributário”, mas algo não apenas tolerado como regulado e incentivado pelo legislador: “opções fiscais” ou “economias de opção”. Outra economia de opção conhecida consiste nos regimes de tributação da renda pelo “lucro real”, “lucro presumido” ou, ainda, SIMPLES NACIONAL. Nestes, o legislador oferece caminhos diversos que podem ser adotados pelos contribuintes e que podem apresentar elevada variação na obrigação tributária que a União seria legitimada a exigir. A escolha de um desses caminhos, por si só, não corresponde a um planejamento tributário em sentido estrito, mas uma mera opção fiscal. O que se dá com o regime jurídico do JCP não é diferente. A norma jurídica, construída a partir do art. 9o, da Lei n. 9.249/95, estabelece uma opção à pessoa jurídica, que poderá destinar uma parte de seus lucros aos seus sócios qualificandoos como “JCP” e não como “dividendos“. O mesmo dispositivo prescreve as duas consequências jurídicotributárias do pagamento ou creditamento de JCP: (i) a pessoa jurídica que realiza o pagamento ou creditamento do JCP poderá deduzílo diretamente à conta de lucros acumulados da companhia, com a proporcional redução da base de cálculo do IRPJ e da CSL; (ii) a parte beneficiária do JCP (sócio da pessoa jurídica) está sujeita à tributação de imposto de renda, com retenção pela fonte pagadora à alíquota de 15% na data de seu pagamento ou creditamento. A norma prescreve uma fórmula de cálculo, com limites quantitativo e temporal. Há também um outro fator temporal prescrito pela Lei n. 9.249/95, mas que não se refere ou mesmo interfere no cálculo do JCP. Tratase da tutela do momento em que o JCP se torna dedutível à pessoa jurídica e tributável do sócio. O legislador foi claro e expresso em relação a esses elementos dessa fórmula, não autorizando a dedutibilidade de valores que com eles não se coadunem. Por outro lado, a clareza e o modo expresso com que o legislador tratou a questão também conferem segurança jurídica ao contribuinte, que encontra na lei ordinária a moldura dentro da qual o seu agir estará em conformidade com a economia de opção que lhe foi outorgada. Assim, se por um lado não é possível exigir do particular o cumprimento de requisitos ou a observância de limites não requeridos pelo legislador, por outro deve ser exigido do contribuinte o efetivo cumprimento 4 DIRPF Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física. Fl. 689DF CARF MF Processo nº 16327.002051/200716 Acórdão n.º 9101003.065 CSRFT1 Fl. 690 18 dos aludidos fatores prescritos em lei. Aludidos elementos serão analisados mais detidamente nos tópicos “3” e “4” da presente declaração de voto. A base jurídica para a apuração e identificação das consequências tributárias do JCP consiste no art. 9o da Lei 9.249, de 26.12.1995, que passou por alterações em 1996 (Lei 9.430/96), 2014 (Lei 12.973/14) e 2015 (Medida Provisória nº 694, de 30.09.2015, não convertida em lei até essa data). No presente caso, a autuação fiscal em discussão decorreu de pagamentos/creditamentos efetivamente realizados pelo contribuinte, a título de JCP, tomando se por base os exercícios anteriores. Dessa forma, interessa à solução dessa contenda a seguinte redação da Lei 9.249/95, art. 9o: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. § 1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados.5 § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. § 3º O imposto retido na fonte será considerado: I antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real; II tributação definitiva, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, inclusive isenta, ressalvado o disposto no § 4º; § 4º (Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996) § 5º No caso de beneficiário sociedade civil de prestação de serviços, submetida ao regime de tributação de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, o imposto poderá ser compensado com o retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos sócios beneficiários. § 6º No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto de que trata o § 2º poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. § 7º O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º. § 8º Para os fins de cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será 5 Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996. Em seu original: “§ 1º. O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados”. Fl. 690DF CARF MF Processo nº 16327.002051/200716 Acórdão n.º 9101003.065 CSRFT1 Fl. 691 19 considerado o valor de reserva de reavaliação de bens ou direitos da pessoa jurídica, exceto se esta for adicionada na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido. § 9º. (Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996) § 10. (Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996) 3. A fórmula de cálculo do JCP. A pessoa jurídica optante pelo lucro real poderá destinar aos seus acionistas ou quotistas JCP calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da TJLP (art. 9o, caput, da Lei n. 9.249/95). Como limites quantitativos à dedutibilidade do JCP, o seu valor deve ficar adstrito a um dos seguintes montantes: (i) 50% do lucro líquido do período em que for realizado o seu pagamento/crédito ou; (ii) 50% dos lucros acumulados e das reservas de lucros de períodos anteriores (art. 9o, § 1º, da Lei n. 9.249/95). Notese que a norma traz uma única limitação temporal, ao prescrever que o JCP deverá ser dedutível apenas sobre o período que o acionista manteve o seu capital investido na pessoa jurídica, devendo o seu cálculo ser realizado “pro rata dia”. Desse modo, o JCP “deverá ser calculado com base na TJLP do espaço temporal de manutenção, na pessoa jurídica, do capital próprio a ser remunerado, ou seja, aplicada a taxa sobre o respectivo patrimônio líquido, proporcionalmente aos respectivos dias, ou seja, ‘pro rata die’ para mais ou para menos, descontada apenas a reserva de reavaliação ainda não tributada” 6. Podese cogitar, por exemplo, que um particular, em 20X2, realize investimento em uma companhia que tenha deliberado e pago JCP pela última vez em 20X0. Caso a assembleia delibere, em 20X4, que serão pagos JCP aos acionistas sobre o capital mantido naquela sociedade desde o último pagamento realizado, o particular em questão não faria jus a qualquer valor atinente ao ano de 20X1, pois não manteve capital investido na sociedade nesse período. No caso, a regra expressa no art. 9o da Lei 9.249/95 apresenta dois efeitos: ‐ limita o pagamento de JCP à proporção temporal (“pro rata dia”) de manutenção do capital investido na pessoa jurídica. O particular, no exemplo citado, estaria limitado a receber JCP em relação aos anos de 20X2, 20X3 e 20X4. ‐ garante ao particular o direito receber JCP sobre todo o período (“pro rata dia”) que mantiver capital investido na pessoa jurídica, caso assim delibere a assembleia geral. O particular, no exemplo citado, teria garantido o direito de receber JCP em relação aos anos de 20X2, 20X3 e 20X4, submetendose, naturalmente ao imposto de renda na fonte, à alíquota de 15%, sobre todo o período. 6 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Juros sobre o Capital Próprio – momento de dedução da despesa, in Revista de Direito Tributário Atual n. 28. São Paulo : IBDT/Dialética, 2012, p. 318. Fl. 691DF CARF MF Processo nº 16327.002051/200716 Acórdão n.º 9101003.065 CSRFT1 Fl. 692 20 Como decorrência dessa delimitação temporal, se houver deliberação da assembleia geral, o investidor poderá ser remunerado por JCP em relação ao todo o período que mantiver o seu capital investido na pessoa jurídica, mas nem um dia a mais do que isso. 4. O momento em que o JCP se torna dedutível à pessoa jurídica e tributável do sócio: “regime de competência” e “regime de caixa”. No âmbito contábil, a adoção do regime de competência corresponde a um princípio fundamental de contabilidade. Notese o que prescreve o art. 177 da Lei n. 6.404/76: Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. (grifos acrescidos) O legislador foi enfático, pois entre os “princípios de contabilidade geralmente aceitos” (ou “princípios fundamentais de contabilidade”7) está justamente o princípio da competência. A adoção de tais princípios contábeis como regra geral para a apuração do resultado das companhias também foi prescrita pelo art. 187 da Lei n. 6.404/76: Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: (...) § 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. A Resolução CFC n. 750/93 também exprimiu ser decorrência necessária do princípio da competência a adoção do método (ou “princípio”) do confronto das receitas e despesas, como se observa do art. 9o da aludida norma contábil: Art. 9º. As receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento. § 1º O Princípio da COMPETÊNCIA determina quando as alterações no ativo ou no passivo resultam em aumento ou diminuição no patrimônio líquido, estabelecendo diretrizes para classificação das mutações patrimoniais, resultantes da observância do Princípio da OPORTUNIDADE. § 2º O reconhecimento simultâneo das receitas e despesas, quando correlatas, é conseqüência natural do respeito ao período em que ocorrer sua geração. Com as alterações introduzidas pela Resolução CFC n. 1.282/10, o aludido dispositivo passou a constar com outra redação, sem alterar em nada o princípio do emparelhamento das receitas e despesas. Como nem poderia ser diferente, a norma contábil reafirma o método do emparelhamento de receitas e despesas como pressuposto para a concretização do princípio da competência: 7 Vide: OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Fundamentos do imposto de renda. São Paulo : Quartier Latin, 2008, p. 1038 e seg. Fl. 692DF CARF MF Processo nº 16327.002051/200716 Acórdão n.º 9101003.065 CSRFT1 Fl. 693 21 Art. 9º. O Princípio da Competência determina que os efeitos das transações e outros eventos sejam reconhecidos nos períodos a que se referem, independentemente do recebimento ou pagamento. Parágrafo único. O Princípio da Competência pressupõe a simultaneidade da confrontação de receitas e de despesas correlatas. ELISEU MARTINS, ERNESTO RUBENS GELBCKE, ARIOSVALDO DOS SANTOS e SÉRGIO DE IUDÍCIBUS8 lecionam que, no regime de competência, “as receitas e despesas são apropriadas ao período em função de sua ocorrência e da vinculação da despesa à receita, independentemente de seus reflexos no caixa”. Para fins exclusivamente contábeis (e não tributários), apontam que a “Lei das Sociedades por Ações não admite exceções”. Noutro diapasão, no âmbito do Direito tributário, especialmente no que se refere à tributação da renda, o regime de caixa e o regime de competência convivem harmonicamente. Ou seja, para fins tributários, o legislador pode adotar tanto o regime de caixa quanto o regime de competência para a tributação da renda. Ocorre que Código Tributário Nacional (doravante “CTN”), ao exercer a competência atribuída ao legislador complementar pelo art. 146 da Constituição Federal, conferiu ao legislador ordinário a possibilidade de tributar a renda das pessoas físicas e jurídicas pelo regime de caixa ou pelo regime de competência. É o que se observa de seu art. 43: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Embora não seja ponto livre de debates doutrinários, é possível afirmar ser razoavelmente difundida a ideia de que a “aquisição da disponibilidade econômica”, referida no caput do art. 43 do CTN, corresponde ao “regime de caixa”, enquanto que a “aquisição da disponibilidade jurídica” conduz ao “regime de competência”. Nesse seguir, o legislador ordinário possui competência para adotar o regime de competência ou o regime de caixa no exercício de seu poder para tributar a renda. O legislador tributário possui, assim, autonomia em relação ao princípio contábil da competência, podendo adotálo (como o faz, em geral), afastálo (com a adoção do regime de caixa) ou, ainda, adequálo para as suas necessidades. A sua autonomia em relação à contabilidade permite ao legislador tributário não apenas adotar regime diverso ao regime de competência, de forma a tributar a renda apenas conforme o regime de caixa. O legislador também pode, por exemplo, adotar o regime de competência com ajustes, atribuindolhe feições diversas das verificadas exclusivamente sob a perspectiva contábil. Ocorre que, em relação a tal aspecto, o legislador encontra limites apenas na Constituição Federal e no CTN. Para a tutela do JCP, o legislador se valeu de tal autonomia, do seguinte modo: 8 MARTINS, Eliseu; GELBCKE, Ernesto Rubens; SANTOS, Ariosvaldo dos; IUDÍCIBUS, Sérgio de. Manual de Contabilidade Societária da FIPECAFI. São Paulo : Atlas, 2013, p. 4. Fl. 693DF CARF MF Processo nº 16327.002051/200716 Acórdão n.º 9101003.065 CSRFT1 Fl. 694 22 ‐ O legislador elegeu o JCP não como uma despesa propriamente dita, a qual pressupõe, para a sua dedutibilidade, contribuição para a manutenção das atividades da pessoa jurídica. Tratase de forma de remuneração do capital próprio investido pelos sócios na pessoa jurídica, dedutível, portanto, diretamente dos lucros desta, não se sujeitando às regras ordinárias aplicáveis às despesas em geral; ‐ O legislador elegeu o efetivo pagamento como evento relevante para a incidência da norma tributária de JCP (Lei n. 9.249/95, art. 9o, caput). Assim, o nascimento do direito à dedutibilidade do JCP pago e a obrigação tributária do sócio que o recebe se dá, nessa hipótese, pelo regime de caixa. A adoção do referido regime será analisada com mais detalhes no subtópico “4.1” abaixo; ‐ O legislador também elegeu o creditamento como evento relevante para a incidência da norma tributária de JCP (Lei n. 9.249/95, art. 9o, caput). Assim, o nascimento do direito à dedutibilidade da empresa que credita o JCP e a obrigação tributária do sócio que é creditado se dá, nessa hipótese, por um regime de competência, embora com distinções relevantes em relação ao princípio contábil da competência. A adoção do referido regime será analisada com mais detalhes no subtópico “4.2” abaixo; Os referidos regimes foram adotados pelo legislador tributário para estabelecer o período a que pertencem os JCP, isto é, quando estes podem ser deduzidos. No entanto – e isso é decisivo para a solução do presente caso – o legislador não se baseou nos aludidos regimes para a composição da fórmula de cálculo do JCP a ser pago ou creditado. Significa dizer que o fato do JCP passar a ser dedutível no momento em que apurado pelo regime de caixa ou de competência em nada interfere no seu montante ou em seu cálculo sobre exercícios anteriores. 4.1. O reconhecimento do JCP pelo regime de caixa: a hipótese de efetivo pagamento aos sócios. O legislador ordinário tradicionalmente tributa as pessoas físicas pelo regime de caixa e as pessoas jurídicas pelo regime de competência. No entanto, embora o regime de competência seja a regra para a tributação da renda das pessoas jurídicas, há uma série de exceções. Entre outros exemplos, é possível verificar que, na sistemática de tributação da renda pelo lucro presumido, o regime de caixa é uma opção em relação ao regime de competência. Muitas pessoas jurídicas podem, anualmente, manifestar a sua opção pela tributação conforme o regime de caixa, excepcionando a regra geral do regime de competência. O regime de apuração adotado (caixa ou competência) deverá ser consistente em relação ao Fl. 694DF CARF MF Processo nº 16327.002051/200716 Acórdão n.º 9101003.065 CSRFT1 Fl. 695 23 IRPJ, à CSL, à contribuição ao PIS e à COFINS durante todo o exercício fiscal atinente à opção.9 Entre as empresas tributadas pelo lucro real, o pagamento de JCP corresponde precisamente a uma hipótese em que o regime de competência pode dar lugar à adoção do regime de caixa para a apuração deste evento relevante ao IRPJ e à CSL. O art. 9o da Lei 9.249/95 prevê, para que a dedutibilidade do JCP seja regida pelo regime de caixa, dois fatos que devem estar necessariamente presentes: 1o fato: A deliberação da assembleia geral da companhia para que seja pago JCP aos acionistas, a partir do que este se considera “incorrido”, pois, a partir daí, os acionistas passam a ter direito ao pagamento ou creditamento de tais valores. Pelo regime de competência, aplicável em geral, seria desde já possível à pessoa jurídica deduzir aludidas despesas incorridas. A Lei n. 9.249/95, contudo, não autoriza a dedutibilidade do JCP meramente incorrido, exigindo o aperfeiçoamento do pagamento. 2o fato: O efetivo pagamento individualizado ao acionista nos moldes decididos na assembleia antecedente. Com o efetivo pagamento, evento típico do regime de caixa, a Lei n. 9.249/95 autoriza a dedutibilidade do JCP, o que não é permitido antes de tal evento. Desse modo, não vige na legislação do imposto de renda um regime de competência absoluto e inarredável. O JCP é apenas mais uma exceção àquela regra geral. E o JCP é, ele próprio, algo excepcional. Tratase de elemento enunciado no ordenamento jurídico em 1995 e com raros paralelos na legislação estrangeira. O seu arranjo foi introduzido pelo legislador em meio a esse seu caráter excepcional, sendo compreensível a adoção, portanto, de exceção à regra do regime de competência. 4.2. O reconhecimento do JCP pelo regime de competência: a hipótese de creditamento aos sócios. Conforme o princípio da competência, as mutações positivas e negativas devem ser apropriadas ao patrimônio da entidade, respectivamente, conforme a aquisição dos respectivos direitos (receitas e rendimentos) ou incorrimento das obrigações (custos, despesas e perdas).10 Assim, a receita deve ser reconhecida no período em que vier a ser obtido o título jurídico que lhe dê suporte em caráter definitivo e incondicional, independentemente do seu recebimento, enquanto que a despesa será apropriada no período em que for exigível o cumprimento da obrigação correspondente, independentemente do seu pagamento. Notese que, nos termos do Parecer Normativo CST 110/71, conforme o regime de competência, “permitese deduzir do lucro das pessoas jurídicas, para efeito do Imposto de Renda, as despesas pagas ou incorridas no anobase da declaração de 9 Vide: Solução de Divergência COSIT n. 37, de 5.12.2013. 10 Nesse sentido, vide: OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Juros sobre o Capital Próprio – momento de dedução da despesa, in Revista de Direito Tributário Atual n. 28. São Paulo : IBDT/Dialética, 2012, p. 318 e seg. Fl. 695DF CARF MF Processo nº 16327.002051/200716 Acórdão n.º 9101003.065 CSRFT1 Fl. 696 24 rendimentos, entendendose por incorridas as que embora realizadas e quantificadas não tenham sido pagas”. A noção de despesa incorrida é, portanto, fundamental à apuração do lucro real pelo regime de competência: devese considerar como dedutível da base de cálculo do IRPJ e da CSL as despesas que, independentemente de efetivo fluxo financeiro ou sacrifício para o seu adimplemento, possam ser consideradas como incorridas, ou seja, que já tenham caráter definitivo e incondicional, podendo ser juridicamente exigido pela parte credora. A sistemática adotada para o JCP não abriu um capítulo a parte à forma de apuração das despesas, pois de despesa não se trata. Tratase de forma de remuneração do capital próprio investido pelos sócios na pessoa jurídica, dedutível diretamente dos lucros desta e com regime próprio de apuração, não se sujeitando às regras ordinárias aplicáveis às despesas em geral. O art. 9o da Lei n. 9.249/95, além da possibilidade de adoção do regime de caixa para a dedutibilidade do JCP (subtópico “4.1”), também previu a adoção do regime de competência, embora com distinções relevantes em relação ao princípio contábil da competência: 1o fato: A deliberação da assembleia geral da companhia para que sejam pagos JCP aos acionistas, a partir do que já se poderia considerar a despesa como incorrida, já que, apenas a partir daí, os acionistas passam a ter direito ao recebimento de tais valores. Pelo regime de competência “puro” aplicável às despesas em geral, já seria possível à pessoa jurídica deduzílas quando incorridas. A Lei n. 9.249/95, contudo, não autoriza a dedutibilidade do JCP meramente incorrido, exigindo, ao menos, o aperfeiçoamento de seu “creditamento”. 2o fato: efetivo crédito individualizado ao acionista nos moldes decididos na assembleia antecedente. A Lei n. 9.249/95 deslocou o evento relevante para o regime de competência, que geralmente poderia ser considerado como a assembleia geral de deliberação que tornou juridicamente obrigatório e incondicional o seu pagamento, para o momento do efetivo creditamento individualizado do JCP ao sócio. A questão é bem observada pela doutrina, como se observa deste trabalho acadêmico de RICARDO MARIZ DE OLIVEIRA11: “Realmente, apesar de a obrigação já ter sido constituída desde a deliberação, o parágrafo 1o do art. 9o da Lei 9.249 somente permite a dedução fiscal a partir do momento em que ela for cumprida no âmbito do direito privado mediante a efetivação do pagamento ou do crédito em conta individualizada do sócio ou acionista. Isso explica porque o regime de competência se constitui na regra geral acima descrita, mas nosso sistema legal relativo ao IRPJ e à CSL contém várias regras relacionadas à dedutibilidade de determinadas despesas ou custos, as quais estão inseridas no ordenamento jurídico a par da regra geral do regime de competência, 11 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Juros sobre o Capital Próprio – momento de dedução da despesa, in Revista de Direito Tributário Atual n. 28. São Paulo : IBDT/Dialética, 2012, p. 324. Fl. 696DF CARF MF Processo nº 16327.002051/200716 Acórdão n.º 9101003.065 CSRFT1 Fl. 697 25 sendo que algumas delas excepcionam, condicionam ou complementam tal norma geral. Assim, ao lado das regras que existem para declarar a indedutibilidade de determinadas despesas ou custos, ou para limitar o valor dedutível, ou para condicionar a dedução a esta ou àquela circunstância, há outras que, excepcionalmente, estabelecem o momento da dedução em momento distinto daquele em que o encargo já está incorrido.” O que se conclui é que o legislador não incorporou em sua integralidade o princípio contábil da competência, pois, conforme este, os valores em questão já deveriam ser reconhecidos desde a realização da assembleia geral da companhia em que o pagamento do JCP fosse aprovado. Tratase de um regime de competência ajustado. Assim, a Lei n. 9.249/95 adotou o regime de caixa e um regime de competência ajustado para estabelecer o momento em que o JCP se torna dedutível à empresa e o respectivo rendimento tributável em relação aos sócios. Significa dizer que o JCP pertence ao período em que o seu pagamento ou creditamento primeiro ocorrer. 5. A contabilidade: relevância para a apuração do JCP, com possíveis ajustes determinados pela lei fiscal; irrelevância para a tutela jurídicotributária das consequências fiscais do JCP pago ou creditado. Na sistemática do lucro real, a base de cálculo adotada pelo legislador corresponde ao “lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas” por lei. E o lucro líquido será apurado “com observância das disposições das leis comerciais”, ou seja, a partir da contabilidade da pessoa jurídica.12 Para a solução do recurso especial ora em análise, é necessário verificar e distinguir a relevância da contabilidade para a apuração do JCP e para a delimitação da incidência da norma de dedutibilidade do JCP. Há um íntimo relacionamento entre as searas contábil e tributária, marcada por uma recente revolução. Durante décadas, a contabilidade brasileira esteve vinculada às necessidades da legislação do imposto de renda, o que não ocorre mais desde a edição da Lei n. 11.638/2007. A importante missão da contabilidade de informar usuários internos e externos à entidade é atualmente cumprida com a adoção de padrões internacionais e não da legislação tributária. Ao se reportar à “promulgação das Leis n. 11.638/07 e 11.941/09 (MP 449/08) e a independência da contabilidade brasileira”, os autores do Manual de Contabilidade Societária da FIPECAFI, ELISEU MARTINS, ERNESTO RUBENS GELBCKE, ARIOSVALDO DOS SANTOS e SÉRGIO DE IUDÍCIBUS13, trazem mensagem bastante esclarecedora: “A partir dessas legislações passou a ser possível praticarse, de fato, Contabilidade no Brasil sem influências diretas ou indiretas de natureza fiscal, com a Secretaria da 12 Decreto 3000/00 (Regulamento do Imposto de Renda), art. 247; DecretoLei no 1.598, de 1977, art. 6; Lei no 8.981, de 1995, art. 37, §1. 13 MARTINS, Eliseu; GELBCKE, Ernesto Rubens; SANTOS, Ariosvaldo dos; IUDÍCIBUS, Sérgio de. Manual de Contabilidade Societária da FIPECAFI. São Paulo : Atlas, 2013, p. 21. Fl. 697DF CARF MF Processo nº 16327.002051/200716 Acórdão n.º 9101003.065 CSRFT1 Fl. 698 26 Receita Federal Brasileira passando a ser enorme parceira da evolução contábil. De agora em diante, trabalham juntas, as normas contábeis e as normas fiscais, cada um seguindo o seu caminho. Nenhuma norma contábil nova, convergente às internacionais, provoca qualquer efeito tributário, aumentando ou reduzindo tributos, sem que haja uma outra norma de natureza fiscal para fazêlo; não saindo essa nova norma tributária, prevalece o que existia anteriormente (até o final de 2013 ainda prevalecem as do final de 2007). Por outro lado, se o Fisco determinar uma nova forma de apropriação de receita ou despesa para fins próprios, isso não tem automática aplicação na Contabilidade, sem que saia uma nova norma contábil. E todas essas diferenças são controladas no Lalur, agora ELalur, no FCont etc. Devemos, os Contabilistas brasileiros, aplaudir estes momentos históricos que estamos vivendo e aproveitar para fazer valer a grande utilidade da nossa profissão: a de ajudar no processo de controle e no bem informar.” Até 2007, receitas e receitas seriam reconhecidas pela contabilidade de maneira formalística (forma jurídica sobre a substância), em obediência à legislação tributária ou à normas de Direito privado. Naquele estágio, a contabilidade estava presa às amarras do Direito tributário; mas o Direito tributário jamais teve amarras involuntárias nas normas contábeis. É premissa fundamental que a resposta para “o que gera o dever de pagar tributos” não pode ser construída imediatamente com base na contabilidade. A análise de relatórios financeiros, pura e simples, não é conclusiva para a definição do quantum debeatur. A decisão sobre “o que gera o dever de pagar tributos” e, ainda, “quanto deve ser pago”, demanda, no regime democrático brasileiro, a decisão do legislador competente. Os eventos contábeis adquirem importância para o Direito tributário na medida em que são acolhidos pelo legislador tributário competente. Também é preciso ter claro que não há comunicação necessária e indissociável entre a contabilidade e o Direito tributário. O legislador tributário pode, inclusive, se valer de conceitos próprios para capturar signos presuntivos de riqueza passíveis de tributação. Uma “receita” ou “despesa”, para fins societários e contábeis, pode não ter o mesmo sentido e tratamento para fins fiscais. Assim, tal como convergências conceituais da contabilidade e do Direito tributário podem ser facilmente encontradas no que tange ao IRPJ e à CSL, também não há dificuldade para se encontrar divergências, sem que isso represente qualquer ruído sistêmico. Nem a contabilidade e nem o Direito tributário ignoram tais possibilidades, antes as têm como naturais, de forma que cada qual possui as suas próprias soluções. Notese que, desde as Leis 11.638/07 e 11.941/09, a contabilidade brasileira ganhou independência em relação Direito tributário, mas este permanece, tal como antes, autônomo em relação àquela. A relação do Direito tributário com a contabilidade é de simbiose, quase parasitária, pois o legislador tributário se aproveita apenas daquilo que lhe interessa. O que não há, tal como nunca houve, é sujeição compulsória do legislador tributário às normas contábeis. No presente caso, o legislador tributário prevê que a contabilidade possui relevância para a apuração do JCP, com possíveis ajustes determinados pela lei fiscal para a deflagração das consequências tributárias. Tratase de um bom exemplo que o legislador Fl. 698DF CARF MF Processo nº 16327.002051/200716 Acórdão n.º 9101003.065 CSRFT1 Fl. 699 27 tributário, no pleno exercício de suas funções e dentro dos limites que lhe são imanentes, selecionou da contabilidade apenas aquilo que lhe interessou para a mensuração do JCP. A relevância da contabilidade para a apuração do JCP passível de dedução fiscal será tanto maior quanto a evidenciação, reconhecimento e mensuração contábeis se derem em consonância com a fórmula adotada no art. 9o da Lei n. 9.249/95. Quanto mais a contabilidade se afastar dessa fórmula, menos relevante será para a aplicação da norma de dedutibilidade do JCP pago ou creditado. Por sua vez, é necessário reconhecer que as normas contábeis são irrelevantes para a tutela jurídicotributária das consequências fiscais do JCP pago ou creditado. Ainda que o princípio contábil da competência possa orientar a escrituração contábil do JCP de uma determinada forma, isso em nada influencia para que se deflagre a sua dedutibilidade fiscal. Importa unicamente que se cumpram os elementos tal qual prescritos no art. 9o da Lei 9.249/95. Prova disso é que a legislação tributária prevê a solução a ser adotada caso a contabilidade reconheça um determinado JCP que, para fins tributários, (ainda) não possa ser considerado dedutível da base de cálculo do IRPJ e da CSL. Com a aplicação cumulativa do art. 9o e do art. 13, I, da Lei 9.249/95, na hipótese da contabilidade, por hipótese, evidenciar o JCP no ato da assembleia que determinar o seu pagamento, este deverá ser considerado, para fins fiscais, como mera provisão indedutível, devendo ser adicionada ao lucro líquido do período para apuração do lucro tributável respectivo. No futuro, quando de fato se concretizar o pagamento/creditamento individualizado exigido para fins de dedutibilidade fiscal, este será realizado a débito da provisão e não do lucro líquido desse período.14 Dessa forma, cumprese o disposto no art. 6o do Decretolei 1.598/7715. 5. O vício imputado pela fiscalização para a glosa da dedução de JCP efetivamente pagos aos acionistas. No presente caso, a autuação fiscal em discussão decorreu de pagamentos/creditamentos efetivamente realizados pelo contribuinte, a título de JCP, tomando se por base os exercícios anteriores. Não há, contudo, qualquer vício na conduta praticada pelo contribuinte. 5.1. O pagamento ou creditamento de JCP acumuladamente, com base em exercícios anteriores. O investimento no capital social de pessoas jurídicas é, por definição, uma “participação permanente”16, o que evidencia uma noção de continuidade, perenidade. Embora o liame societário em questão possa ser extinto (realização do investimento), há expectativa de 14 Nesse sentido, vide: OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Juros sobre o Capital Próprio – momento de dedução da despesa, in Revista de Direito Tributário Atual n. 28. São Paulo : IBDT/Dialética, 2012, p. 3256. 15 Decretolei 1.598/77, art 6º. Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. (…) § 4º Os valores que, por competirem a outro períodobase, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do exercício, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente. 16 Vide Lei n. 6.404/74, art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo. (…) III em investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa; Fl. 699DF CARF MF Processo nº 16327.002051/200716 Acórdão n.º 9101003.065 CSRFT1 Fl. 700 28 que o período de permanência do capital investido pelo acionista ou cotista perdure por mais de um exercício. Ao tutelar a remuneração do capital próprio investido pelos sócios (detentores dessa participação permanente), o legislador tributário precisou considerar tais fatores. O legislador precisou considerar tanto o pressuposto da continuidade do investimento mantido pelo sócio no capital social da pessoa jurídica investida, quanto a possibilidade legal de extinção desse liame societário a qualquer tempo. Quanto à possibilidade de extinção desse liame societário, o legislador prescreveu a única limitação temporal atinente ao JCP, analisada no tópico “3” acima: somente será considerado dedutível o JCP calculado sobre o período em que o sócio manteve o seu capital investido na pessoa jurídica, devendo, assim, ser calculado “pro rata dia”. Por sua vez, tendo em vista que o período de permanência do capital investido pelo sócio tende a perdurar por mais de um exercício, o legislador, de forma bastante técnica, prescreveu que o limite quantitativo aplicável (vide tópico “3” acima) pode ser tanto de 50% do lucro liquido do exercício, como de 50% dos lucros acumulados ou reservas de lucros, que se reportam justamente aos anos anteriores. Daí a correta assertiva doutrinaria de que, “não fosse assim, ou seja, fossem os JCP vinculados em seu cálculo exclusivamente aos presente períodobase, a lei teria limitado o seu valor apenas à metade do lucro líquido deste período”17. Assim fez o legislador, ao prescrever que o efetivo pagamento ou crédito do JCP fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução desses juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes o JCP a ser pago ou creditado (Lei 9.249/95, art. 9o, § 1). Além disso, prescreveu expressamente o legislador (Lei 9.249/95, art. 9o): § 7º. O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º. O dispositivo da Lei das S.A., a que faz referência a Lei 9.249/95, segue transcrito: Art. 20218. Os acionistas têm direito de receber como dividendo obrigatório, em cada exercício, a parcela dos lucros estabelecida no estatuto ou, se este for omisso, a 17 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Juros sobre o Capital Próprio – momento de dedução da despesa, in Revista de Direito Tributário Atual n. 28. São Paulo : IBDT/Dialética, 2012, p. 334. No mesmo sentido, vide: SANTOS, Ramon Tomazela. Aspectos controvertidos atuais dos juros sobre capital próprio (JCP): o impacto das mutações no patrimônio líquido, o pagamento acumulado e a sua qualificação nos acordos de bitributação, in Revista Dialética de Direito Tributário n. 214. São Paulo : Dialética, 2013, p. 114115. 18 Em sua redação original, alterada pela Lei nº 10.303, de 2001, o caput e os seus incisos I, II e III possuíam a redação a seguir: “Art. 202. Os acionistas têm direito de receber como dividendo obrigatório, em cada exercício, a parcela dos lucros estabelecida no estatuto, ou, se este for omisso, metade do lucro líquido do exercício diminuído ou acrescido dos seguintes valores: I quota destinada à constituição da reserva legal (artigo 193); II importância destinada à formação de reservas para contingências (artigo 195), e reversão das mesmas reservas formadas em exercícios anteriores; III lucros a realizar transferidos para a respectiva reserva (artigo 197), e lucros anteriormente registrados nessa reserva que tenham sido realizados no exercício.” Fl. 700DF CARF MF Processo nº 16327.002051/200716 Acórdão n.º 9101003.065 CSRFT1 Fl. 701 29 importância determinada de acordo com as seguintes normas: I metade do lucro líquido do exercício diminuído ou acrescido dos seguintes valores: a) importância destinada à constituição da reserva legal (art. 193); e b) importância destinada à formação da reserva para contingências (art. 195) e reversão da mesma reserva formada em exercícios anteriores; II o pagamento do dividendo determinado nos termos do inciso I poderá ser limitado ao montante do lucro líquido do exercício que tiver sido realizado, desde que a diferença seja registrada como reserva de lucros a realizar (art. 197); III os lucros registrados na reserva de lucros a realizar, quando realizados e se não tiverem sido absorvidos por prejuízos em exercícios subsequentes, deverão ser acrescidos ao primeiro dividendo declarado após a realização. (...) Conforme a norma societária, os acionistas têm direito a receber dividendo obrigatório, em cada exercício, equivalente à parcela dos lucros estabelecida no estatuto ou, se este for omisso, em conformidade com as regras estabelecidas em lei. Entre essas regras, prevê o legislador societário que os valores registrados em reservas de lucros ou lucros acumulados de exercícios anteriores devem, após a sua realização, ser distribuídos na primeira oportunidade a título de dividendos. O legislador tributário fez remissão expressa à lei societária, atraindo para o âmbito do JCP a norma societária originalmente aplicável apenas aos dividendos. Diante da referida remissão legal, constróise norma segundo a qual os lucros registrados na reserva de lucros a realizar, quando realizados e se não tiverem sido absorvidos por prejuízos em exercícios subsequentes, deverão ser acrescidos ao primeiro dividendo declarado após a realização, podendo, ainda, ser destinados ao pagamento de juros sobre capital próprio. O legislador tributário prescreveu que o JCP, por também ter a natureza de distribuição de resultados, poderá ser pago no lugar dos dividendos obrigatórios referidos pelo art. 202 da Lei 6.404/76, destinando, inclusive, 50% dos valores registrados em reservas de lucros ou lucros acumulados de exercícios anteriores. Por remissão expressa na Lei n. 9.249/95, o legislador, que é uno, prescreve que até 50% das reservas de lucros ou lucros acumulados referidos pela Lei das S.A. podem: (i) servir de limite para o cálculo do JCP, coerentemente com a possibilidade de cálculo deste em relação aos períodos anteriores (Lei 9.249/95, art. 9, § 1º) e, ainda; (ii) servir de fonte de recursos para o pagamento do JCP, que de outra forma se prestariam apenas à distribuição de dividendos (Lei n. 9.249/95, art. 9o, § 7º). A norma prescrita pela Lei n. 9.249/95 é clara. O legislador não apenas permitiu o pagamento de JCP relativos a períodos anteriores, como também editou mais do que um parágrafo para regular a utilização de reservas de lucros ou lucros acumulados de períodos anteriores para o cálculo e fonte de recursos. Dessa forma, o auto de infração lavrado em face do contribuinte padece de vício insanável quanto à compreensão da norma de dedutibilidade do JCP. A aplicação equivocada do art. 9o da Lei n. 9.249/95 conduziu a fiscalização ao equívoco de restringir a dedutibilidade desses valores, não obstante a assembleia geral ter deliberado o pagamento de Fl. 701DF CARF MF Processo nº 16327.002051/200716 Acórdão n.º 9101003.065 CSRFT1 Fl. 702 30 JCP relacionados a anos anteriores e que tais valores tenham sido efetivamente pagos ou creditados aos acionistas. 5.2. A equivocada qualificação do JCP como "despesa": ausência de impedimento à dedutibilidade de despesas de exercícios anteriores. Não se pode deixar de observar que sequer a equivocada qualificação do JCP como tendo natureza de juros comuns e, assim, como despesa, justificaria a glosa atinente aos exercícios anteriores.19 Ocorre que a relevância da autonomia e independência dos exercícios restou enfraquecida desde os idos de 1978, quando da introdução do Decretolei 1.598 ao sistema jurídico brasileiro. Até esse marco jurídico, as despesas atinentes a um exercício realmente não poderiam ser deduzidas em outro, qualquer que fosse o motivo. O Decretolei 1.598, contudo, expressamente passou a autorizar deduções extemporâneas, como se observa de seu art. 6º: Art 6º Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. § 1º O lucro líquido do exercício é a soma algébrica de lucro operacional (art. 11), dos resultados não operacionais, do saldo da conta de correção monetária (art. 51) e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial. § 2º Na determinação do lucro real serão adicionados ao lucro líquido do exercício: a) os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; b) os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária, devam ser computados na determinação do lucro real. § 3º Na determinação do lucro real poderão ser excluídos do lucro líquido do exercício: a) os valores cuja dedução seja autorizada pela legislação tributária e que não tenham sido computados na apuração do lucro líquido do exercício; b) os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária, não sejam computados no lucro real; c) os prejuízos de exercícios anteriores, observado o disposto no artigo 64. § 4º Os valores que, por competirem a outro períodobase, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do exercício, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente. § 5º A inexatidão quanto ao períodobase de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, correção monetária ou multa, se dela resultar: a) a postergação do pagamento do imposto para exercício posterior ao em que seria devido; ou b) a redução indevida do lucro real em qualquer períodobase. 19 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Juros sobre o Capital Próprio – momento de dedução da despesa, in Revista de Direito Tributário Atual n. 28. São Paulo : IBDT/Dialética, 2012, p. 334. Fl. 702DF CARF MF Processo nº 16327.002051/200716 Acórdão n.º 9101003.065 CSRFT1 Fl. 703 31 § 6º O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao períodobase de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro períodobase a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no § 4º. § 7º O disposto nos §§ 4º e 6º não exclui a cobrança de correção monetária e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência. Em seu art. 273, o RIR/99 incorporou tais normas, que permitem ao contribuinte a dedutibilidade de despesas pertencentes a períodos de apuração anteriores e que não tenham sido, conforme o regime de competência, apropriados no momento oportuno: Seção VIII Inobservância do Regime de Competência Art. 273. A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, atualização monetária, quando for o caso, ou multa, se dela resultar (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 5º): I a postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido; ou II a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. § 1º O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao período de apuração de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período de apuração a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no § 2º do art. 247 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 6º). § 2º O disposto no parágrafo anterior e no § 2º do art. 247 não exclui a cobrança de atualização monetária, quando for o caso, multa de mora e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 7º, e DecretoLei nº 1.967, de 23 de novembro de 1982, art. 16) Nesse cenário, realmente a glosa empreendida pela fiscalização não possui fundamento legal de validade, devendo ser afasta, reconhecendose, assim, aa dedutibilidade do JCP pago ou creditado acumuladamente, com base em exercícios. 5.3. A compatibilidade do art. 29, da IN 11/96, com a Lei 9.249/95. Embora seja fonte secundária do Direito tributário, é oportuno observar o que diz a Instrução Normativa n. 11, de 21.02.1996, especialmente o seu art. 29: Art. 29. Para efeito de apuração do lucro real, observado o regime de competência, poderão ser deduzidos os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração de capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio liquido e limitados à variação pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP). § 1º À opção da pessoa jurídica, o valor dos juros a que se refere este artigo poderá Fl. 703DF CARF MF Processo nº 16327.002051/200716 Acórdão n.º 9101003.065 CSRFT1 Fl. 704 32 ser incorporado ao capital social ou mantido em conta de reserva destinada a aumento de capital. § 2º Para os fins do cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será considerado, salvo se adicionado ao lucro líquido para determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, valor: a) da reserva de reavalição de bens e direitos da pessoa jurídica; b) da reserva especial de trata o art. 428 do RIR/94; c) da reserva de reavaliação capitalizada nos termos dos arts. 384 e 385 do RIR/94, em relação às parcelas não realizadas. § 3º O valor do juros pagos ou creditados, ainda que capitalizados, não poderá exceder, para efeitos de dedutibilidade como despesa financeira, a cinqüenta por cento de um dos seguintes valores: a) do lucro líquido correspondente ao períodobase do pagamento ou crédito dos juros, antes da provisão para o imposto de renda e da dedução dos referidos juros; ou b) dos saldos de lucros acumulados de períodos anteriores. § 4º Os juros a que se refere este artigo, inclusive quando exercida a opção de que trata o § 1º ou quando imputados aos dividendos, auferidos por beneficiário pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no: a) lucro real, serão registrados em conta de receita financeira e integrarão lucro real e a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro; b) lucro presumido ou arbitrado, serão computados na determinação da base de cálculo do adicional do imposto. § 5º Os juros serão computados nos balanços de suspensão ou redução (art. 10). § 6º Os juros remuneratórios ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito. § 7º O imposto de renda incidente na fonte: a) no caso de beneficiário pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, será considerado antecipação do devido na declaração de rendimentos ou compensado com o que houver retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração do capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. b) será considerado definitivo, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica não submetida ao regime de tributação com base no lucro real, inclusive isenta; c) no caso de beneficiária sociedade civil de prestação de serviços, submetida ao regime de tributação de que trata o art. 1º do Decretolei nº 2.397, de 1987, poderá ser compensado com o retido por ocasião do pagamento de rendimentos a seus sócios ; d) deverá ser pago até o terceiro dia útil da semana subsequente à do pagamento ou crédito dos juros. § 8º A pessoa jurídica que exercer a opção de que trata o § 1º assumirá o ônus do imposto incidente na fonte sobre os juros. § 9º O valor do imposto será determinado sem o reajuste da respectiva base de cálculo e não será dedutível para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro. Fl. 704DF CARF MF Processo nº 16327.002051/200716 Acórdão n.º 9101003.065 CSRFT1 Fl. 705 33 § 10. O imposto incidente na fonte, assumido pela pessoa jurídica, será recolhido no prazo de quinze dias contados do encerramento do períodobase em que tenha ocorrido a dedução dos juros, sendo considerado: a) definitivo, nos casos de beneficiário pessoa física ou jurídica não submetida ao regime de tributação com base no lucro real, inclusive isentas; b) como antecipação do devido na declaração, no caso de beneficiário pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real. § 11. Na hipótese da alínea "b" do § anterior, a pessoa jurídica beneficiária deverá registrar, como receita financeira, o valor dos juros capitalizados que lhe couber e o do imposto de renda na fonte a compensar. § 12. O valor do imposto registrado como receita poderá ser excluído do lucro líquido para determinação do lucro real. Logo em seu caput, o art. 29 fez referência à observância do regime de competência, o que pode ter dado origem a uma série de confusões e à questão ora submetida a esta CSRF. Ocorre que alguns compreendem que desse dispositivo que o JCP pago ou creditado, para fins de dedutibilidade do IRPJ e da CSL, apenas poderia tomar com base o capital mantido pelo acionista na mesma competência em que o pagamento ou credito tenha sido realizado. No entanto, não se trata de interpretação exclusiva que possa ser obtida imediatamente dos elementos textuais do art. 29, da IN 11/96. Pelo contrário, RAMON TOMAZELA SANTOS20 bem explicitou interpretação coerentemente obtida do aludido dispositivo, in verbis: “Na prática, significa dizer que a dedução da despesa deve ocorrer no momento em que a pessoa jurídica efetuar o pagamento do JCP em favor do sócio ou acionista, em caráter definitivo e incondicional, ainda que a deliberação societária determine que o prazo de cômputo deve abranger lapso temporal superior a um anocalendário, com o objetivo de remunerar o capital investido pelo sócio ou acionistas em períodos pretéritos.” A questão deve ser solucionada com vistas ao tema das fontes do Direito tributário: instruções normativas correspondem a fontes secundárias, do Direito, cuja função subalterna é de apenas explicitar normas enunciadas por fontes primárias, entres as quais tem destaque a lei ordinária. Assim, a interpretação do art. 29, da IN 11/96, deverá ser empreendida de tal forma que este seja consentâneo com a norma veiculada pelo art. 9o da Lei n. 9.249/95. Ocorre que, como se viu no subtópico “5.1”, o art. 9o da Lei n. 9.249/95 legitima o pagamento ou creditamento de JCP acumuladamente, com base em exercícios anteriores. O legislador não se baseou no regime de caixa ou de competência para a composição da fórmula de cálculo do JCP a ser pago ou creditado, mas apenas para marcar o momento em que este passa a ser dedutível. 20 SANTOS, Ramon Tomazela. Aspectos controvertidos atuais dos juros sobre capital próprio (JCP): o impacto das mutações no patrimônio líquido, o pagamento acumulado e a sua qualificação nos acordos de bitributação, in Revista Dialética de Direito Tributário n. 214. São Paulo : Dialética, 2013, p. 109 e seg. Fl. 705DF CARF MF Processo nº 16327.002051/200716 Acórdão n.º 9101003.065 CSRFT1 Fl. 706 34 5.4. Jurisprudência do STJ sobre o objeto do recurso especial em análise. A Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça analisou recurso especial aparentemente com o mesmo objeto do recurso administrativo ora em análise. A r. decisão restou assim ementada: MANDADO DE SEGURANÇA. DEDUÇÃO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO DISTRIBUÍDOS AOS SÓCIOS/ACIONISTAS. BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. EXERCÍCIOS ANTERIORES. POSSIBILIDADE. I Discutese, nos presentes autos, o direito ao reconhecimento da dedução dos juros sobre capital próprio transferidos a seus acionistas, quando da apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL no anocalendário de 2002, relativo aos anoscalendários de 1997 a 2000, sem que seja observado o regime de competência. II A legislação não impõe que a dedução dos juros sobre capital próprio deva ser feita no mesmo exercíciofinanceiro em que realizado o lucro da empresa. Ao contrário, permite que ela ocorra em anocalendário futuro, quando efetivamente ocorrer a realização do pagamento. III Tal conduta se dá em consonância com o regime de caixa, em que haverá permissão da efetivação dos dividendos quando esses foram de fato despendidos, não importando a época em que ocorrer, mesmo que seja em exercício distinto ao da apuração. IV "O entendimento preconizado pelo Fisco obrigaria as empresas a promover o creditamento dos juros a seus acionistas no mesmo exercício em que apurado o lucro, impondo ao contribuinte, de forma oblíqua, a época em que se deveria dar o exercício da prerrogativa concedida pela Lei 6.404/1976". V Recurso especial improvido. (STJ, REsp 1086752/PR, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 11/03/2009) Em seu voto, o i. Min. FRANCISCO FALCÃO consignou ser aplicável ao JCP o regime de caixa e não o regime de competência, como se observa do seguinte trecho: “Com efeito, a legislação não impõe que a dedução dos juros sobre capital próprio deva ser feita no mesmo exercíciofinanceiro em que realizado o lucro da empresa. Ao contrário, permite que ela ocorra em anocalendário futuro, quando efetivamente ocorrer a realização do pagamento. Tal conduta se dá em consonância com o regime de caixa, em que haverá permissão da efetivação dos dividendos quando esses foram despendidos, não importando a época em que ocorrer, mesmo que seja em exercício distinto ao da apuração”. Conforme exposto nesta declaração de voto, me alinho à conclusão dos Ministros da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça do STJ, no sentido de que “a legislação não impõe que a dedução dos juros sobre capital próprio deva ser feita no mesmo exercíciofinanceiro em que realizado o lucro da empresa”. No entanto, permissa venia, a r. decisão parece ter analisado apenas a hipótese em que há efetivo pagamento de JCP, em que o regime de caixa foi realmente acolhido pelo legislador. Conforme os fundamentos expostos no tópico “4.2” acima, o legislador tributário também elegeu o creditamento da JCP como elemento temporal para que este se torne dedutível, o que remete, então, a um regime de competência ajustado. Dessa ressalva decorre que a assertiva do i. Min. FRANCISCO FALCÃO deve, permissa venia, ser complementada do seguinte modo: “Ao contrário, permite que ela ocorra Fl. 706DF CARF MF Processo nº 16327.002051/200716 Acórdão n.º 9101003.065 CSRFT1 Fl. 707 35 em anocalendário futuro, quando efetivamente ocorrer a realização do pagamento” ou creditamento. 6. Conclusão. Por todo o exposto, voto para DAR PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte quanto à matéria analisada nesta declaração de voto. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Fl. 707DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.014958/2002-21
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1997
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO APLICÁVEL AO PLEITO.
Conforme a Súmula CARF 91, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 09 de junho de 2005 o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador, ao que se subsume o presente caso, uma vez que o pedido de restituição foi encaminhado em 29.08.2003 para a recuperação de valores relativos a 1997.
Numero da decisão: 9101-003.043
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de Origem.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201708
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1997 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO APLICÁVEL AO PLEITO. Conforme a Súmula CARF 91, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 09 de junho de 2005 o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador, ao que se subsume o presente caso, uma vez que o pedido de restituição foi encaminhado em 29.08.2003 para a recuperação de valores relativos a 1997.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11080.014958/2002-21
anomes_publicacao_s : 201709
conteudo_id_s : 5771623
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9101-003.043
nome_arquivo_s : Decisao_11080014958200221.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
nome_arquivo_pdf_s : 11080014958200221_5771623.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de Origem. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
id : 6937282
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:06:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049467164295168
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1338; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11080.014958/200221 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101003.043 – 1ª Turma Sessão de 10 de agosto de 2017 Matéria NORMAS GERAIS. DECADÊNCIA. Recorrente YARA BRASIL AGRONEGÓCIOS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1997 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO APLICÁVEL AO PLEITO. Conforme a Súmula CARF 91, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 09 de junho de 2005 o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador, ao que se subsume o presente caso, uma vez que o pedido de restituição foi encaminhado em 29.08.2003 para a recuperação de valores relativos a 1997. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de Origem. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 49 58 /2 00 2- 21 Fl. 519DF CARF MF Processo nº 11080.014958/200221 Acórdão n.º 9101003.043 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Relatório Conforme se verifica no Parecer DRP/P0A/SEORT N° 579, de 12 de agosto de 2004 (Efls. 314 ss.), a contribuinte requereu a compensação de diversos débitos com saldos negativos do IRPJ apurados nos anos calendário 1997, 1999 e 2000, e da CSLL relativa ao ano calendário de 1997, com pedido formulado em 29 de agosto de 2003. Os créditos pleiteados tiveram origem no IRRF sobre rendimentos da contribuinte, bem assim nas parcelas de antecipação recolhidas sob o regime de estimativa. Após o exame pela Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre (Efls. 314 ss.), no referido despacho decisório, restou concedido o direito creditório em relação aos anos calendário de 1999 e 2000, no total de R$ 574.857,50, no entanto, negouse o pedido relativo ao anocalendário de 1997, no valor total de R$101.136,57, com fundamento na decadência do direito de restituição dos tributos. Insurgindose, a Recorrente apresentou impugnação recebida como manifestação de inconformidade (Efls. 331 ss.) em que concluiu ser “possível a compensação em relação ao ano de 1997, contados 10 anos, posto que o IRPJ e CSSLL também se inserem na modalidade de lançamento por homologação. Pede seja acatada a presente manifestação de inconformidade e anulada a respectiva carta de cobrança e o despacho indeferitório da compensação.” Com o acórdão n. 1012.162, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre (Efls. 362 ss.) indeferiu o pleito do contribuinte, aplicando se o prazo decadencial de cinco anos, contado da data do pagamento indevido, não obstante concordasse sobre estar se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação. A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade (Efls. 371 ss.), renovando as razões postas para defender a inaplicabilidade da Lei Complementar n. 118/05, com o objetivo de afastar a decadência. A manifestação de inconformidade foi julgada pelo acórdão n. 10717.199 (Efls. 400 ss.), em que se que manteve o entendimento de que o pedido de restituição deveria ser formulado no prazo de cinco anos, contados da data do pagamento indevido, sem qualquer tratamento do crédito em questão. Fl. 520DF CARF MF Processo nº 11080.014958/200221 Acórdão n.º 9101003.043 CSRFT1 Fl. 4 3 A contribuinte interpôs então recurso especial (Efls. 417 ss.) requerendo a sua procedência “no sentido de reformar o Acórdão, da 5a Câmara do 1o CC, para reconhecer não havida a decadêcia para postular a restituição/compensação do crédito relativo ao anocalendário de 1997”, sem qualquer menção a eventual retorno dos autos. O recurso foi recepcionado por despacho de admissibilidade às Efls. 496 ss. e a Recorrida ofereceu contrarrazões às Efls. 507 ss. Passase à apreciação do recurso. Voto Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora O recurso é tempestivo e dele o conheço, nos termos do despacho de admissibilidade. Tratase de pedido de restituição encaminhado em 29/08/2003 com relação a débitos de 1997 (declaração de rendimentos de 29.04.1998), pleito este que, por formulado anteriormente à vigência da Lei Complementar n.118/05, deve observar o prazo decenal correspondente aos cinco anos decadenciais para o lançamento de ofício/homologação tácita do pagamento antecipado, somado de mais cinco anos prescricionais para o pedido de restituição, nos termos do que decidido pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 566.621, sob a sistemática do artigo 543B, §3º, do Código de Processo Civil: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia Fl. 521DF CARF MF Processo nº 11080.014958/200221 Acórdão n.º 9101003.043 CSRFT1 Fl. 5 4 e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Subsumese, portanto, a questão, à Súmula CARF 91, de obrigação vinculada deste colegiado, nos seguintes termos: “Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.” Assim sendo, votase por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da contribuinte, determinadose o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de Porto Alegre para a verificação da liquidez e certeza do crédito relativo ao ano calendário 1997, porque considerado não decaído por este colegiado. (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Fl. 522DF CARF MF Processo nº 11080.014958/200221 Acórdão n.º 9101003.043 CSRFT1 Fl. 6 5 Fl. 523DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15540.000244/2009-07
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 2006 COMPROVAÇÃO. As meras alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do exame da matéria. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BACÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS. CSLL. COFINS. INSS. Tratando-se de lançamentos decorrentes, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que os resultados do julgamento dos feitos reflexos acompanhem aqueles que foram dados ao lançamento principal de IRPJ. EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SIMPLES. Restando comprovado que foi ultrapassado o limite de receita bruta, a exclusão do Simples está correta pelo implemento da condição legal de exclusão. EFEITO RETROATIVO. A situação impeditiva da opção pelo Simples se encontra positivada no ordenamento jurídico e por esta razão o ato de exclusão tem natureza meramente declaratória e a legislação tributária permite a retroatividade de seus efeitos.
Numero da decisão: 1801-000.565
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201105
ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 2006 COMPROVAÇÃO. As meras alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do exame da matéria. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BACÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS. CSLL. COFINS. INSS. Tratando-se de lançamentos decorrentes, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que os resultados do julgamento dos feitos reflexos acompanhem aqueles que foram dados ao lançamento principal de IRPJ. EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SIMPLES. Restando comprovado que foi ultrapassado o limite de receita bruta, a exclusão do Simples está correta pelo implemento da condição legal de exclusão. EFEITO RETROATIVO. A situação impeditiva da opção pelo Simples se encontra positivada no ordenamento jurídico e por esta razão o ato de exclusão tem natureza meramente declaratória e a legislação tributária permite a retroatividade de seus efeitos.
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 15540.000244/2009-07
conteudo_id_s : 5780820
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1801-000.565
nome_arquivo_s : Decisao_15540000244200907.pdf
nome_relator_s : Carmen Ferreira Saraiva
nome_arquivo_pdf_s : 15540000244200907_5780820.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
dt_sessao_tdt : Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
id : 6961593
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:07:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049467175829504
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1970; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 440 1 439 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15540.000244/200907 Recurso nº 201.215 Voluntário Acórdão nº 180100.565 – 1ª Turma Especial Sessão de 24 de maio de 2011 Matéria SIMPLES Recorrente REDGEFIELD MANUTENÇÃO E REPAROS DE MÁQUINAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2006 COMPROVAÇÃO. As meras alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do exame da matéria. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BACÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS. CSLL. COFINS. INSS. Tratandose de lançamentos decorrentes, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que os resultados do julgamento dos feitos reflexos acompanhem aqueles que foram dados ao lançamento principal de IRPJ. EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SIMPLES. Restando comprovado que foi ultrapassado o limite de receita bruta, a exclusão do Simples está correta pelo implemento da condição legal de exclusão. EFEITO RETROATIVO. A situação impeditiva da opção pelo Simples se encontra positivada no ordenamento jurídico e por esta razão o ato de exclusão tem natureza meramente declaratória e a legislação tributária permite a retroatividade de seus efeitos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15540.000244/200907 Acórdão n.º 180100.565 S1TE01 Fl. 441 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório Autos de Infração I Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 04/13, com a exigência do crédito tributário no valor de R$59.805,94, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional, referente ao anocalendário de 2005, apurado no regime tributário do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), conforme as informações detalhadas no Relatório de Trabalho Fiscal, fls. 14/18. O lançamento fundamentase nas infrações que se seguem: Item 1 – Omissão de Receitas – Depósitos Bancários Não Escriturados – Apuração efetivada a partir dos valores creditados na conta corrente nº 1010182 da agência nº 05401 do Banco Bradesco S/A, fls. 112/278, em relação aos quais a Recorrente titular, regularmente intimada, não comprovou a origem dos recursos utilizados nessas operações mediante documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores. Item 2 – Insuficiência de Recolhimento – Em decorrência da omissão de receitas houve aplicação incorreta da alíquota incidente sobre a receita bruta, conforme dados informados na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples) do anocalendário de 2005, 73/90. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, § 2º do art. 2º, alínea “a” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15540.000244/200907 Acórdão n.º 180100.565 S1TE01 Fl. 442 3 de dezembro de 1996, art. 3º da Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998 e art. 186, art. 188 e art. 199 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II O Auto de Infração às fls. 33/42 com a exigência do crédito tributário no valor de R$59.805,94 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: alínea “b” do art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, parágrafo único do art. 1º da Lei Complementar nº 17, de 12 de dezembro de 1973, bem como o inciso I do art. 2º, art. 3º e art. 9º da Medida Provisória nº 1.249, de 14 de dezembro de 1995, § 2º do art. 2º, alínea “b” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. III – O Auto de Infração às fls. 42/52 com a exigência do crédito tributário no valor de R$97.005,85 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, bem como o § 2º do art. 2º, alínea “c” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. IV – O Auto de Infração às fls. 53/62 com a exigência do crédito tributário no valor de R$194.011,822 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, § 2º do art. 2º, alínea “d” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. V O Auto de Infração às fls. 63/72 com a exigência do crédito tributário no valor de R$384.847,66 a título de Contribuição para a Seguridade Social (INSS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: § 2º do art. 2º, alínea “f” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. Exclusão do Simples A Recorrente optante pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/Niterói/RJ nº 40, de 01 de junho de 2006, fl. 03 do Anexo I, com efeitos a partir de 01/01/2006, por ter ultrapassado a receita bruta no ano calendário de 2005 (Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996). Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15540.000244/200907 Acórdão n.º 180100.565 S1TE01 Fl. 443 4 Instauração do Litígio Cientificada em 02/06/2009, fls. 05, 34, 44, 54 e 64, bem com fl. 04 do Anexo I, a Recorrente apresentou a impugnação em 26/06/2009, fls. 329/376, com as alegações abaixo sintetizadas. Suscita que os valores creditados na conta corrente não compõem a receita bruta auferida, uma vez que representam custódia para aquisição de peças para reparos de máquinas de seus clientes. Defende que estas quantias pertencem a terceiros e que sua escrituração pode comprovar este fato. Argúi que como a atividade de comercialização de produtos não está inclusa no seu objeto social, estes valores não se incluem na base de cálculo dos tributos. Tece esclarecimentos sobre o poder de tributar e sobre os institutos da renda, do capital, do patrimônio e dos proventos, à luz dos dispositivos da Constituição Federal (CF), do Código Tributário Nacional (CTN) e da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. Discorda da incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic.e da aplicação da multa de ofício proporcional argumentando que o percentual correto seria de 20% (vinte por cento). Procura demonstrar que foi excluído do Simples indevidamente, já que a receita bruta anual não ultrapassou os legais. Procura demonstrar que se enquadra como empresa de pequeno porte. Expõe que os efeitos da exclusão somente podem surtir após a notificação válida. Com o objetivo de fundamentar seus argumentos interpreta a legislação que rege a questão litigiosa, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e cita entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado, bem como declarando inválido o ato que desconsiderou a empresa como microempresa e excluiu do simples. Em caso de manutenção da exigência fiscal, requerse a redução da multa para 20% (vinte por cento), nos termos do entendimento do Supremo Tribunal Federal, bem como seja adequada a taxa de juros de mora ao percentual estabelecido no art. 59 da Lei 8.383/91 (1% a. m.), taxa esta que deverá incidir até a data do efetivo pagamento, bem como declare o termo inicial dos efeitos da exclusão do simples a data da efetiva notificação do contribuinte do referido ato. Termos em que, Pede deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1227.373, de 27/11/2009, fls. 388/397: “Impugnação Improcedente”. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15540.000244/200907 Acórdão n.º 180100.565 S1TE01 Fl. 444 5 Restou ementado ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. Correto o lançamento fundado na ausência de comprovação da origem dos depósitos bancários, por constituir presunção legal de omissão de receitas, expressamente autorizada pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Apurada omissão de receitas, alteramse, por mudança de faixa da receita acumulada, os percentuais utilizados para cálculo dos tributos devidos pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples. Tal mudança de percentuais acarreta insuficiência de Ilk recolhimento, sendo devidas as diferenças lançadas. EXCLUSÃO DO SIMPLES. . Excluise do SIMPLES, a pessoa jurídica que no anocalendário imediatamente anterior, tenha auferido receita bruta superior ao limite legal previsto, produzindose os efeitos a partir do ano seguinte. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2005 MULTA DE OFÍCIO. ARGÜIÇÃO DE CONFISCO. Devendo o lançamento obrigatoriamente observar a lei aplicável, que goza de presunção de constitucionalidade, é cabível a aplicação da multa de 75% sendo defeso ao agente público imiscuirse em exame de aspectos constitucionais, cuja competência de apreciação é reservada ao poder judiciário. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC O CTN autoriza que lei determine a fixação da taxa de juros sobre débitos fiscais em atraso a taxa diferente de 1% ao mês. Notificada em 09/12/2009, fl. 403, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 07/01/2010, fls. 406/438, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Conclui À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, já que ficou cabalmente demonstrado que a movimentação bancária da recorrente, não pode ser tida como receita, já que os valores ali depositados não lhe pertenciam, mas sim aos seus clientes. . Nestas condições, aguarda e confia serenamente a recorrente que esse Colendo Conselho, haja por bem, reformar a decisão a quo, para julgar PROCEDENTE O PEDIDO, cancelandose o débito fiscal reclamado, bem como declarando inválido o ato que desconsiderou a empresa como microempresa e a excluiu do simples, por ser medida de inteira e cristalina justiça. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15540.000244/200907 Acórdão n.º 180100.565 S1TE01 Fl. 445 6 Em caso de manutenção da exigência fiscal, requerse a redução da multa para 20% (vinte por cento), nos termos do e entendimento do Supremo Tribunal Federal, bem como seja adequada a taxa de juros de mora ao percentual obedecido no art. 59 da Lei 8.383/91 (1% a. m.), taxa esta que deverá incidir até a data do efetivo pagamento, bem como declare o termo inicial dos efeitos da exclusão do simples a data da efetiva notificação da recorrente do referido ato. Termos em que, Espera deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. Autos de Infração A Recorrente argúi que os valores creditados na conta corrente não compõem a receita bruta auferida, uma vez que representam custódia para aquisição de peças para reparos de máquinas de seus clientes, de modo que estas quantias pertencem a terceiros e que sua escrituração pode comprovar este fato. Atinente à base de cálculo da omissão de receitas, a Lei nº 9.430, de 1997, prevê: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15540.000244/200907 Acórdão n.º 180100.565 S1TE01 Fl. 446 7 §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; [...] § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. O art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, positiva que, por presunção relativa, constitui omissão de receita os valores dos depósitos bancários de origem não comprovada. É regular o procedimento de fiscalização que, após a análise da escrituração contábil da Recorrente, examina os documentos referentes à sua movimentação financeira para verificar a compatibilidade entre estes valores. Constatada a disparidade não justificada a origem dos depósitos bancários pela Recorrente, é lícito proceder ao lançamento por presunção de receita omitida. Neste caso são cabíveis tãosomente as exclusões relativas às transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica. Cabe mencionar a jurisprudência administrativa sobre a questão (fonte: http://www.lexml.gov.br/busca/search?keyword=quebra+sigilo+banc%C3%A1rio+n%C3%A3 o+caracteriza+carf&f1tipoDocumento=, acesso em 15/04/2011): Autoridade Primeiro Conselho de Contribuintes. 2ª Câmara. Turma Ordinária Título Acórdão nº 10248883 do Processo 10925001705200416 Data 23/01/2008 Ementa [...] PRESUNÇÃO LEGAL DEPÓSITOS BANCÁRIOS Presumese a existência de renda omitida em montante compatível com depósitos e créditos bancários de origem não comprovada. Recurso negado. [...] Autoridade Primeiro Conselho de Contribuintes. 4ª Câmara. Turma OrdináriaTítulo Acórdão nº 10420234 do Processo 10166016945200284 Data 21/10/2004 Ementa [...] OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996 Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantidos junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Preliminar rejeitada. Recurso negado. [...] Autoridade Primeiro Conselho de Contribuintes. 2ª Câmara. Turma Ordinária Título Acórdão nº 10249163 do Processo Fl. 7DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15540.000244/200907 Acórdão n.º 180100.565 S1TE01 Fl. 447 8 10425000875200597 Data 26/06/2008 Ementa [...] PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. [...] Preliminar afastada. Recurso parcialmente provido. No presente caso, a omissão de receita foi apurada a partir dos valores creditados na conta corrente nº 1010182 da agência nº 05401 do Banco Bradesco S/A, fls 112/278, em relação aos quais a Recorrente titular, regularmente intimada, não comprovou a origem dos recursos utilizados nessas operações mediante documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores. Estes depósitos foram considerados omissão de receita em decorrência desta presunção legal que inverte o ônus da prova, ou seja, a autoridade fiscal fica desobrigada de comprovar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, cabendo à Recorrente desconstituir inequivocamente a relação jurídica presumida, o que não ocorreu nos autos. A referida presunção legal é resultado de uma norma com os atributos de ser abstrata, geral, imperativa e impessoal. Com base nos elementos disponíveis então por ela apresentados a autoridade fiscal apurou o ilícito tributário da omissão de receitas. Ademais somente podem ser excluídos do montante tributável as transferências entre contas da própria Recorrente. As provas do ilícito tributário constante nos autos foram exaustivamente analisadas pelas autoridades fiscais. Partindo do pressuposto legal de que a defesa deve comprovar todas as suas alegações na oportunidade própria (art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1996), a Recorrente não juntou novas provas aos autos mediante documentos hábeis e idôneos que demonstrem qualquer incorreção nos Autos de Infração e nos Demonstrativos anexados, fls. 04/72, nem no Termo de Verificação e Constatação Fiscal, fls. 14/18. A legislação pertinente ao processo administrativo fiscal estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar (art. 15 e inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972), precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas. Ela não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. Os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio (art.18 do Decreto nº 70.235, de 1972). Nos presentes autos não restou comprovado que os valores creditados na conta de depósito pertencem a terceiros decorrentes de custódia para aquisição de peças para reparos de máquinas de seus clientes, de modo que ausente a comprovação da origem dos depósitos, com identidade de data e valor, devese manter o lançamento. Em relação à base de cálculo do Simples, a Lei nº 9.317, de 1996, prevê: Art. 2º [...] § 2° Para os fins do disposto neste artigo, considerase receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. [..] Fl. 8DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15540.000244/200907 Acórdão n.º 180100.565 S1TE01 Fl. 448 9 Art. 7° A microempresa e a empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES apresentarão, anualmente, declaração simplificada que será entregue até o último dia útil do mês de maio do ano calendário subseqüente ao da ocorrência dos fatos geradores dos impostos e contribuições de que tratam os arts. 3° e 4° . § 1° A microempresa e a empresa de pequeno porte ficam dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham, em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes: a) Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária; b) Livro de Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término de cada ano calendário; c) todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração dos livros referidos nas alíneas anteriores. § 2° O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento, por parte da microempresa e empresa de pequeno porte, das obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária e trabalhista. [...] Art. 18. Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata esta Lei, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas.(grifos acrescentados) A Recorrente deve manter a escrituração com observância das leis comerciais e fiscais, que faz prova em seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis e idôneos, inclusive o Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária. As pessoas jurídicas optantes do Simples estão submetidas ao cálculo da receita bruta, cabíveis tãosomente as exclusões relativas às vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos. Verificase ainda que a legislação de regência não admite exceções à regra de que a opção exercida submete a optante à sistemática definitivamente para todo anocalendário. A legislação pertinente ao processo administrativo fiscal estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar (art. 15 e inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972), precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas. As provas constantes nos autos foram exaustivamente analisadas pelas autoridades fiscais. Os Autos de Infração foram lavrados por servidor competente que regularmente intimou a Recorrente para cumprilos ou impugnálos no prazo legal. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Ela foi previamente notificada do procedimento mediante a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal, fl. 01, do Fl. 9DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15540.000244/200907 Acórdão n.º 180100.565 S1TE01 Fl. 449 10 Termo de Início de Fiscalização, fl. 91, dos Termos de Intimação Fiscal, fls. 279/303 e 309/310 e dos Termos de Reintimação Fiscal, fls. 106 e 305 e finalizou em 02/06/2009 com a ciência válida dos Autos de Infração, fls. 05, 34, 44, 54 e 64. Foi oferecida à interessada a oportunidade de apresentar, no prazo legal, a peça de defesa acompanhada de todos os meios de prova a ela inerentes. Ademais, o enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e a indicação dos enquadramentos legais não propiciam a nulidade do ato em litígio. Com referência ao dever de lançar, esclareçase que a autoridade administrativa possuindo competência privativa efetuou o lançamento, cuja atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art 142 do Código Tributário Nacional). No presente caso o servidor competente verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal (art. 10 e art. 14 do Decreto 70.235, de 1972). No exercício da função pública, a autoridade administrativa corretamente lavrou os Autos de Infração com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. Foram asseguradas à Recorrente as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição da República Federativa do Brasil CR e Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). Ademais, no âmbito administrativo foi examinada a regularidade da apuração do ilícito tributário da omissão de receitas com utilização de prova obtida por meio lícito, a saber, com base nos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a Recorrente regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996). As suas meras alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade mediante a análise de todos os documentos que embasaram a escrituração não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do exame da matéria, tendo em vista que as provas já constantes nos autos constituem um conjunto probatório robusto de que o procedimento de ofício está correto nesta parte. Por conseguinte, este argumento não pode prosperar. A Recorrente se insurge contra a aplicação da multa de ofício proporcional. As multas tributárias se fundamentam no interesse público e têm como pressuposto a prática de infração especificada e ainda como função a sanção pelo descumprimento de obrigação legal. As leis pertinentes à matéria são editadas com base nos princípios constitucionais, entre eles, os da legalidade e da tipicidade (art. 150 da Constituição da República). Ademais, a exclusão da multa ou a sua redução somente ocorrem com suporte na legislação tributária. A Lei nº 9.430, de 1996, orienta expressamente no seguinte sentido: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; De acordo com o princípio da legalidade (art. 37 da Constituição da República) deve prevalecer a multa de ofício proporcional no percentual de 75% (setenta e Fl. 10DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15540.000244/200907 Acórdão n.º 180100.565 S1TE01 Fl. 450 11 cinco por cento) incidente sobre o tributo lançado do ofício em decorrência de infração à legislação tributária. Assim, não cabem reparos ao lançamento. A Recorrente discorda da incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic. Pelo fato desse argumento, o Código Tributário Nacional determina: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. A Lei nº 9.430, de 1996, prevê: Art.5º [...] §3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e CustódiaSELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. [...] Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Aplicando a legislação de regência ao presente caso, verificase que como a Recorrente não procedeu ao pagamento do crédito tributário até a data do vencimento, deve fazêlo acrescido de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic. Consta no Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: Fl. 11DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15540.000244/200907 Acórdão n.º 180100.565 S1TE01 Fl. 451 12 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, têm aplicação os entendimentos do STF e do STJ em decisões definitivas de mérito proferidas em repercussão geral e em recurso repetitivo, respectivamente, cujas matérias vinculam esta segunda instância de julgamento. Em relação à matéria, cabe mencionar a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ proferida em recurso especial representativo da controvérsia, cujo trânsito em julgado ocorreu em 09/09/2009 (fonte: https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=5338305&sR eg=200900188256&sData=20090701&sTipo=5&formato=PDF Acesso em 16/04/2011): RECURSO ESPECIAL Nº 1.111.175 SP (2009/00188256) RELATORA : MINISTRA DENISE ARRUDA RECORRENTE : SOFT SPUMA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA ADVOGADO: WALDEMAR CURY MALULY JUNIOR E OUTRO(S) RECORRIDO : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. Ainda em relação à matéria, vale transcrever os enunciados de súmulas do CARF n°s 4 e 5, as quais são de adoção obrigatória (art. 72 do Anexo II da Portaria n° 256, de Fl. 12DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15540.000244/200907 Acórdão n.º 180100.565 S1TE01 Fl. 452 13 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) que prevêem: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. [...] São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Cabe ressaltar o crédito tributário da União constituído não pago até a data do vencimento é acrescido de juros de mora equivalentes à Selic para títulos federais. Por conseguinte, os lançamentos estão corretos. No que se refere à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados na peça recursal, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso (art. 100 do Código Tributário Nacional). Em relação aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe transcrever o enunciado da Súmula CARF n° 2, que é de adoção obrigatória (art. 72 do Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF), e que assim determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Logo, este argumento não pode prosperar. Atinente ao PIS, à CSLL, ao COFINS e ao INSS, tratandose de lançamentos decorrentes, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que os resultados do julgamento dos feitos reflexos acompanhem aqueles que foram dados ao lançamento principal de IRPJ. Exclusão do Simples A Recorrente defende que a exclusão do Simples não procede e que devem ser aplicadas as disposições da Lei nº 11.196, de 2005, à exclusão do Simples, nos termos do art. 106 do CTN. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte relativo aos impostos e às contribuições Fl. 13DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15540.000244/200907 Acórdão n.º 180100.565 S1TE01 Fl. 453 14 estabelecido em cumprimento ao que determina o disposto no art. 179 da Constituição da República Federativa do Brasil (CR) de 1988 pode ser usufruído desde que as condições legais sejam preenchidas. A Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, determina: Art. 2° Para os fins do disposto nesta Lei, considerase: [...] II empresa de pequeno porte, a pessoa jurídica que tenha auferido, no ano calendário, receita bruta superior a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais) e igual ou inferior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais). (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.1998) [...] Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: [...] II na condição de empresa de pequeno porte, que tenha auferido, no ano calendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais); (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18949, de 2001) [...] Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: [...] II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9°; [...] Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: [...] IV a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9°; [...] Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Consta no Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça Fl. 14DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15540.000244/200907 Acórdão n.º 180100.565 S1TE01 Fl. 454 15 em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, têm aplicação os entendimentos do STJ e do STJ em decisões definitivas de mérito proferidas em repercussão geral e em recurso repetitivo, respectivamente, cujas matérias vinculam esta segunda instância de julgamento. Em relação à matéria, cabe mencionar a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ proferida em recurso especial representativo da controvérsia, cujo trânsito em julgado ocorreu em 16/06//2010 (https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=9771400&s Reg=200900296277&sData=20100506&sTipo=5&formato=PDF, acesso em 01/02/2011): RECURSO ESPECIAL Nº 1.124.507 MG (2009/00296277) RELATOR : MINISTRO BENEDITO GONÇALVES RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRIDO : MADEPLACAS LTDA ADVOGADO : HÉLCIO GERALDO DE OLIVEIRA CORRÊA E OUTRO(S) EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL.VIOLAÇÃO DOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. LEI 9.317/96. SIMPLES. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO. EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. INTELIGÊNCIA DO ART. 15, INCISO II, DA LEI 9.317/96. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a averiguação acerca da data em que começam a ser produzidos os efeitos do ato de exclusão do contribuinte do regime tributário denominado SIMPLES. Discutese se o ato de exclusão tem caráter meramente declaratório, de modo que seus efeitos retroagiriam à data da efetiva ocorrência da situação excludente; ou desconstitutivo, com efeitos gerados apenas após a notificação ao contribuinte a respeito da exclusão. [...] 5. O ato de exclusão de ofício, nas hipóteses previstas pela lei como impeditivas de ingresso ou permanência no sistema SIMPLES, em verdade, substitui obrigação do próprio contribuinte de comunicar ao fisco a superveniência de uma das situações excludentes. 6. Por se tratar de situação excludente, que já era ou deveria ser de conhecimento do contribuinte, é que a lei tratou o ato de exclusão como meramente declaratório, permitindo a retroação de seus efeitos à data de um mês após a ocorrência da circunstância ensejadora da exclusão. Fl. 15DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15540.000244/200907 Acórdão n.º 180100.565 S1TE01 Fl. 455 16 7. No momento em que opta pela adesão ao sistema de recolhimento de tributos diferenciado pressupõese que o contribuinte tenha conhecimento das situações que impedem sua adesão ou permanência nesse regime. Assim, admitirse que o ato de exclusão em razão da ocorrência de uma das hipóteses que poderia ter sido comunicada ao fisco pelo próprio contribuinte apenas produza efeitos após a notificação da pessoa jurídica seria permitir que ela se beneficie da própria torpeza, mormente porque em nosso ordenamento jurídico não se admite descumprir o comando legal com base em alegação de seu desconhecimento. 8. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. A situação impeditiva da opção pelo Simples se encontra positivada no ordenamento jurídico e por esta razão o ato de exclusão tem natureza meramente declaratória e a legislação tributária permite a retroatividade de seus efeitos. Neste sentido, a partir dos efeitos da exclusão, ou seja, 01/01/2006, ela fica sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, inclusive às obrigações tributárias principais e acessórias, uma vez que ultrapassou o limite da receita bruta global no anocalendário de 2006. Por conseguinte, o efeito retroativo da exclusão de ofício do Simples não pode ser alterado, uma vez foi aplicada regularmente a legislação de regência. Ficou comprovado nos autos que a Recorrente ultrapassou no anocalendário de 2006 o limite da receita bruta. A descrição da razão de fato indicada no ato de exclusão está demonstrada de forma inequívoca pelo implemento das condições legal de excludente. Cabe esclarecer que a opção pelo Simples é um direito da pessoa jurídica que preenche todos os requisitos legais. No presente caso a Recorrente incorreu em situação excludente e por esta razão deveria solicitar a exclusão. Como este procedimento não foi adotado voluntariamente, foi efetuada de forma regular a exclusão de ofício, no estrito cumprimento do dever legal (art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990). Além disso, a partir dos efeitos da exclusão, ou seja, 01/01/2006, ela fica sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, inclusive às obrigações tributárias principais e acessórias. Assim sendo, ato administrativo não contém incorreção. Em face do exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 16DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES
score : 1.0
Numero do processo: 13710.000297/2002-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
RECURSO ESPECIAL. DECISÃO RECORRIDA. SÚMULA CARF. CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso.
Súmula nº 20 do CARF: não há direito aos créditos do IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.
Numero da decisão: 9303-005.432
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Vanessa Marini Cecconello, sem convocação de suplente para substituí-la.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 RECURSO ESPECIAL. DECISÃO RECORRIDA. SÚMULA CARF. CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Súmula nº 20 do CARF: não há direito aos créditos do IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13710.000297/2002-19
anomes_publicacao_s : 201709
conteudo_id_s : 5771065
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-005.432
nome_arquivo_s : Decisao_13710000297200219.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
nome_arquivo_pdf_s : 13710000297200219_5771065.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Vanessa Marini Cecconello, sem convocação de suplente para substituí-la. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas e Érika Costa Camargos Autran.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
id : 6934222
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:06:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049467184218112
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1718; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13710.000297/200219 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303005.432 – 3ª Turma Sessão de 25 de julho de 2017 Matéria Pedido de Compensação IPI Recorrente COMPANHIA BRASILEIRA DE PETRÓLEO IPIRANGA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 RECURSO ESPECIAL. DECISÃO RECORRIDA. SÚMULA CARF. CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Súmula nº 20 do CARF: não há direito aos créditos do IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Vanessa Marini Cecconello, sem convocação de suplente para substituíla. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas e Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 71 0. 00 02 97 /2 00 2- 19 Fl. 849DF CARF MF Processo nº 13710.000297/200219 Acórdão n.º 9303005.432 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte contra decisão tomada no Acórdão nº 20218.617, de 12/12/2007 (efolhas 597 e segs), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Períoodo de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 RESSARCIMENTO. PRODUTO FINAL IMUNE OU NT. INSUMOS TRIBUTADOS. ESTORNO. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS. Nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779/99, é facultada a manutenção e a utilização, inclusive mediante ressarcimento, dos créditos decorrentes do IPI pago por insumos entrados a partir de 1º de janeiro de 1999 no estabelecimento industrial ou equiparado, quando destinados a industrialização de produtos tributados pelo imposto, incluídos os isentos e os sujeitos alíquota zero, bem como os imunes se a imunidade decorrer de exportação. Tal regra não se aplica aos produtos finais NT, tampouco aos imunes, em função do art. 155, § 3º, da Constituição Federal, que trata de imunidade objetiva, aplicável aos derivados de petróleo. Recurso negado. A divergência suscitada no recurso especial (efolhas 639 e segs) diz respeito ao direito de apropriação de créditos básicos do IPI nas aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos NT. A recorrente faz menção a inaplicabilidade da multa de 75% imposta no auto de infração apenso ao processo, mas não faz pedido específico a esse respeito. O Recurso especial foi admitido, conforme despacho de admissibilidade de e folhas 829 e segs, em relação ao direito de apropriação de crédito básico do IPI na aquisição de insumos aplicados na fabricação de produtos NT. Fl. 850DF CARF MF Processo nº 13710.000297/200219 Acórdão n.º 9303005.432 CSRFT3 Fl. 4 3 Contrarrazões da Fazenda Nacional às efolhas 833 e segs. requer que seja negado seguimento ao recurso e, se assim não for, que, no mérito, lhe seja negado provimento. É o Relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. Quanto ao conhecimento do recurso especial, entendo que nenhum dos acórdãos paradigmas apresentados pela contribuinte está em condições de garantir o prosseguimento do recurso. Processo nº 10830.005266/9989, acórdão nº 20309.978, de 22 de fevereiro de 2005: IPI. RESSARCIMENTO. INSUMO TRIBUTADO. PRODUTO FINAL ISENTO. As entradas de produtos tributados pelo IPI ensejam a incorporação dos respectivos créditos pelo contribuinte, ainda que se refiram a insumos aplicados na confecção de produto isento ou não sujeitado ao aludido tributo. DIREITO A COMPENSAÇÃO DO VALOR DO CRÉDITO DE IPI INCORPORADO COM O MESMO, OU OUTRO TRIBUTO, OU AINDA AO RECEBIMENTO DO VALOR CORRESPONDENTE EM ESPÉCIE. INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 11 DA LEI N°9.779/99. Os créditos incorporados podem ser utilizados pelo contribuinte para compensar débitos do próprio IPI, decorrentes de outras operações, bem como outros tributos administrados pela Secretaria Receita Federal, ou ainda serem objeto de pleito de ressarcimento o valor correspondente, na conformidade do artigo 11 da Lei n° 9.779/99, que se trata de norma meramente interpretativa, projetando seus termos para antes da vigência do diploma referido. Recurso provido. Embora a ementa faça menção a produto isento ou não sujeito ao aludido tributo (IPI), fato é que a controvérsia travada no processo do acórdão paradigma era bem diferente da que neste se apresenta para decisão. Discutiase exclusivamente a possibilidade de Fl. 851DF CARF MF Processo nº 13710.000297/200219 Acórdão n.º 9303005.432 CSRFT3 Fl. 5 4 apropriação de créditos no caso de produtos sujeitos à alíquota zero, se não vejamos (excerto do relatório do acórdão paradigma): A matéria controvertida nos presentes autos referese à possibilidade ou não da contribuinte manter ou não na escrita fiscal créditos oriundos de insumos destinados industrialização de produtos saídos sem destaque do IPI, por tratarse de produtos sujeitos à alíquota zero. E mais, o debate girava em torno da possibilidade de que os créditos decorrentes da aquisição dos insumos aplicados na fabricação de bens tributados à alíquota zero fossem admitidos antes da entrada em vigor da Lei 9.779/99. Observemse os fundamentos do voto vencedor. Apesar do entendimento contrário manifestado na oportunidade do julgamento do Recurso Voluntário n° 123.495, no qual figurei como ConselheiroRelator, recuo exclusivamente em decorrência da análise da matéria feita no seio do STJ, retratada no acórdão prolatado no Recurso Especial nº 435783/AL: "CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IPI INSUMOS. ISENÇÃO. CREDITAMENTO. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. LEI N°9.779/99. 1. Até que seja totalmente implementada a Reforma Tributária e criado o IVA — Imposto sobre o Valor Agregado (o que ocorrerá somente em 2007), valerá a regra da nãocumulatividade, que encontra assento constitucional. 2. A Lei n° 9.779/99, por força do assento constitucional do principio da nãocumulatividade, tem caráter meramente elucidativo e explicitador. Apresenta nítida feição interpretativa, podendo operar efeitos retroativos para atingir a operações anteriores ao seu advento, em conformidade com o que preceitua o artigo 106, inciso I, do Código Tributário Nacional, segundo o qual "a lei se aplica a ato ou fato pretérito" sempre que apresentar conteúdo interpretativo. Fl. 852DF CARF MF Processo nº 13710.000297/200219 Acórdão n.º 9303005.432 CSRFT3 Fl. 6 5 3. Se a Lei n°9.779/99 apenas explicita uma norma constitucional que é autoaplicável (principio da não cumulatividade) não há razão lógica, nem jurídica, que justifique tratamento diferenciado entre situações fáticas absolutamente idênticas, só porque concretizada uma antes e outra depois da lei. 4. Recurso especial improvido." Turma. Rel. Min. João Otávio de Noronha. Min. Rel p/ acórdão Castro Mcira. Julgado an 19/02/2004. DM 03/05/2004) Se isso já não fosse suficiente, acrescentase que o paradigma foi reformado pelo acórdão nº CSRF/0202.788, de 03 de julho de 2007, antes, portanto, da interposição do recurso especial. IPI — Glosa de Créditos — O direito ao aproveitamento dos créditos de IPI, bem como do saldo credor decorrentes da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem utilizados na industrialização de produtos tributados à aliquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos pelo estabelecimento contribuinte a partir de 1º de janeiro de 1999. Os créditos referente a tais produtos, até 31 de dezembro de 1998, deveriam ser estornados. Em relação aos processos nº 13710.003220/200209 e 13710.000879/2003 86, embora os mesmos tenham sido reformados, respectivamente, pelos acórdãos nº 9303 001.446 e nº 9303002.3061, ambos proferidos depois da interposição do recurso especial, fato 1 Acórdão nº 9303001.446, de 30 de maio de 2011. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ementa: CRÉDITO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NT. Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Acórdão nº 9303002.306, de 20 de junho de 2013. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 01/03/2003 NORMAS PROCESSUAIS. OBSERVÂNCIA DE SÚMULA. Nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, é obrigatória a observância pelos Conselheiros membros deste Órgão das Súmulas aprovadas pelo seu Pleno bem como daquelas baixadas pelos antigos Conselhos de Contribuintes. IPI. CREDITAMENTO. PRODUTOS NT. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULAS 13 DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES E 20 DO CARF. Nos termos da Súmula nº 13 do antigo Segundo Conselho de Contribuintes ratificada pelo Pleno do CARF como Súmula nº 20: "Não há direito aos créditos do IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT" Fl. 853DF CARF MF Processo nº 13710.000297/200219 Acórdão n.º 9303005.432 CSRFT3 Fl. 7 6 é que, a toda evidência, eles e o próprio recurso contrariam o disposto no § 3º do artigo 67 do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015: § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. E, de fato, conforme dispõe a Súmula nº 202 do CARF, não há direito aos créditos do IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Diante do exposto, voto por não conhecer o recurso especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. 2 Súmula nº 20: Não há direito aos créditos do IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Fl. 854DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13016.000119/2005-78
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004
NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-005.373
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004 NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Procurador Negado.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13016.000119/2005-78
anomes_publicacao_s : 201709
conteudo_id_s : 5779139
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-005.373
nome_arquivo_s : Decisao_13016000119200578.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 13016000119200578_5779139.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
id : 6957677
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:06:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049467190509568
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1850; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13016.000119/200578 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303005.373 – 3ª Turma Sessão de 25 de julho de 2017 Matéria PIS/COFINS. INCIDÊNCIA. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. EXPORTAÇÃO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MADEM SA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MADEIRAS E EMBALAGENS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004 NÃOCUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da nãoincidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Procurador Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 6. 00 01 19 /2 00 5- 78 Fl. 191DF CARF MF Processo nº 13016.000119/200578 Acórdão n.º 9303005.373 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão 380300.864. Na parte de interesse ao presente litígio, o colegiado a quo decidiu que a cessão onerosa de créditos do ICMS não compõe a base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. A Fazenda Nacional requer a reforma do acórdão argumentando, em síntese, que a cessão onerosa de créditos de ICMS é uma operação que equiparase a verdadeira alienação de direitos a titulo oneroso, originando receita tributável, devendo compor a base de cálculo da PIS/ COFINS, conforme dispõe o art. 1° §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/2002, bem como o art. 1° da Lei nº 10.833/2003. Mediante Despacho do Presidente da Câmara competente, foi dado seguimento ao recurso interposto. O contribuinte apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.319, de 25/07/2017, proferido no julgamento do processo 13016.000004/200401, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.319): "Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram cumpridos e foram respeitadas as formalidades regimentalmente previstas. A matéria tratada no presente litígio restringese ao fato de se as receitas decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS, acumulados em razão de exportação para o exterior, devem, ou não, ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. O tema não é mais passível de discussão no CARF, haja vista que o Supremo Tribunal Federal já decidiu a questão posta, com a devida declaração de repercussão geral, nos termos do artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 13016.000119/200578 Acórdão n.º 9303005.373 CSRFT3 Fl. 4 3 O Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que considerou inconstitucional a inclusão, na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas, dos valores dos créditos do ICMS provenientes de exportação que fossem cedidos onerosamente a terceiros. Em julgamento realizado pelo pleno do STF, em 22/05/2013, sob a relatoria da Ministra Rosa Weber, foi julgado o mérito, cuja decisão possui a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. (...) VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. (...) Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. O acórdão foi publicado em 25/11/2013 e o trânsito em julgado deu se em 05/12/2013. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 13016.000119/200578 Acórdão n.º 9303005.373 CSRFT3 Fl. 5 4 Por força da disposição, a seguir transcrita, do § 2º do art. 62 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, a mencionada decisão do STF deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.486/2013 (...) 2. Em razão de os referidos julgados terem repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, estas CRJ examina, infra, os itens referidos no parágrafo anterior, realizando a delimitação do tema ali tratado, nos seguintes termos: (...) 98 – RE 606.107/RS (...) Resumo: não incide PIS e COFINS sobre a cessão a terceiros do crédito presumido do ICMS decorrente de exportação. Data da inclusão:13/12/2013 DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: as verbas referentes à cessão a terceiro de crédito presumido do ICMS decorrente de exportação não constituem base para incidência do PIS e da COFINS. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte." Fl. 194DF CARF MF Processo nº 13016.000119/200578 Acórdão n.º 9303005.373 CSRFT3 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 195DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.900276/2013-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/09/2012
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.700
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 14/09/2012 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10830.900276/2013-01
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5758125
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3301-003.700
nome_arquivo_s : Decisao_10830900276201301.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
nome_arquivo_pdf_s : 10830900276201301_5758125.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
id : 6894272
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:05:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049467199946752
conteudo_txt : Metadados => date: 2017-08-11T17:47:19Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-08-11T17:47:19Z; Last-Modified: 2017-08-11T17:47:19Z; dcterms:modified: 2017-08-11T17:47:19Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2017-08-11T17:47:19Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-08-11T17:47:19Z; meta:save-date: 2017-08-11T17:47:19Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-08-11T17:47:19Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-08-11T17:47:19Z; created: 2017-08-11T17:47:19Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2017-08-11T17:47:19Z; pdf:charsPerPage: 1798; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-08-11T17:47:19Z | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.900276/201301 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301003.700 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de junho de 2017 Matéria Restituição. Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/09/2012 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 02 76 /2 01 3- 01 Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10830.900276/201301 Acórdão n.º 3301003.700 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.734, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10830.900276/201301 Acórdão n.º 3301003.700 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10830.900276/201301 Acórdão n.º 3301003.700 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10830.900276/201301 Acórdão n.º 3301003.700 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10830.900276/201301 Acórdão n.º 3301003.700 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10830.900276/201301 Acórdão n.º 3301003.700 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10830.900276/201301 Acórdão n.º 3301003.700 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10830.900276/201301 Acórdão n.º 3301003.700 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 203DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.901594/2012-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/08/2006
PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE.
A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA.
O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.943
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/08/2006 PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13116.901594/2012-64
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5757599
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3201-002.943
nome_arquivo_s : Decisao_13116901594201264.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13116901594201264_5757599.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
id : 6890620
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049467207286784
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1798; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13116.901594/201264 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201002.943 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de junho de 2017 Matéria RESTITUIÇÃO Recorrente UNIÃO BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/08/2006 PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 15 94 /2 01 2- 64 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13116.901594/201264 Acórdão n.º 3201002.943 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório UNIÃO BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição para o PIS. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o Pedido de Restituição, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição pleiteada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório tinha por fundamento a isenção da contribuição para o PIS decorrente da adesão ao Programa Universidade para Todos ProUni, nos termos da Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009, em que se reafirmou o direito à isenção durante o período de vigência do Termo de Adesão (art. 5º da Medida Provisória nº 213/2004). Nos termos do Acórdão nº 14053.575, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de inexistir comprovação, por meio de documentação contábil e fiscal, do direito creditório pleiteado e por não ter havido a comprovação da adesão da instituição ao ProUni, nos termos do art. 8º da Lei nº 11.096/2005. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando a existência a seu favor de solução de consulta da Receita Federal assegurando o direito à isenção, o que, segundo ela, tornava "legalmente desnecessária" a exigência de comprovação de sua adesão ao programa. Argumenta, ainda, que, nos casos da espécie, é "faticamente impossível" a apresentação de documentos, por se tratar o pedido de restituição de procedimento eletrônico. Na sequência, sustenta a absoluta desnecessidade dos elementos de prova exigidos pela Delegacia de Julgamento, quais sejam, folhas de salário e contabilidade, por se tratar de questão aperfeiçoada e superada ante a homologação da base de cálculo da contribuição por parte da Fiscalização, tendo em vista que constou do despacho decisório que o valor declarado encontravase exato e perfeito. Supletivamente, pugna, caso o CARF entenda necessário, pela realização de diligência junto à repartição de origem, para que a autoridade administrativa oficie o Ministério da Educação com vistas a elucidar os termos no quais se manteve a sua adesão ao ProUni no período sob comento. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13116.901594/201264 Acórdão n.º 3201002.943 S3C2T1 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.885, de 28/06/2017, proferido no julgamento do processo nº 13116.900001/201412, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.885): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O dispositivo legal que trata da isenção de impostos e contribuições às instituições de ensino que aderirem ao Prouni é o art. 8º da Lei nº 11.096/2005, reproduzido no que se aplica ao caso (grifei): Art. 8o A instituição que aderir ao ProUni ficará isenta dos seguintes impostos e contribuições no período de vigência do termo de adesão: (Vide Lei nº 11.128, de 2005) (...) III Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social, instituída pela Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; e IV Contribuição para o Programa de Integração Social, instituída pela Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970. § 1° A isenção de que trata o caput deste artigo recairá sobre o lucro nas hipóteses dos incisos I e II do caput deste artigo, e sobre a receita auferida, nas hipóteses dos incisos III e IV do caput deste artigo, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2° A Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda disciplinará o disposto neste artigo no prazo de 30 (trinta) dias. § 3° A isenção de que trata este artigo será calculada na proporção da ocupação efetiva das bolsas devidas. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). A Lei foi regulamentada pelo Decreto nº 5.493, de 18/07/2005, com os dispositivos que se aplicam ao caso transcritos (grifei): Art. 1o O Programa Universidade para Todos PROUNI, de que trata a Lei no 11.096, de 13 de janeiro de 2005, destinase à concessão de bolsas de estudo integrais e bolsas de estudo parciais de cinqüenta por cento ou de vinte e cinco por cento, para estudantes de cursos de graduação ou seqüenciais de formação específica, em instituições privadas de ensino superior, com ou sem fins lucrativos, que tenham aderido ao PROUNI nos termos da legislação aplicável e do disposto neste Decreto. Parágrafo único. O termo de adesão não poderá abranger, para fins de gozo de benefícios fiscais, cursos que exijam formação prévia em nível superior como requisito para a matrícula. Art. 2o O PROUNI será implementado por intermédio da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13116.901594/201264 Acórdão n.º 3201002.943 S3C2T1 Fl. 5 4 § 1o A instituição de ensino superior interessada em aderir ao PROUNI firmará, em ato de sua mantenedora, termo de adesão junto ao Ministério da Educação. (...) Art. 12. Havendo indícios de descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão, será instaurado procedimento administrativo para aferir a responsabilidade da instituição de ensino superior envolvida, aplicandose, se for o caso, as penalidades previstas. (...) A Secretaria da Receita Federal em cumprimento ao disposto no § 2º do art. 8º acima, editou a Instrução Normativa SRF nº 456/2004, posteriormente revogada pela IN RFB nº 1.394/2013, que dispunha, no que se aplica ao caso (grifei): Art. 1º A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (ProUni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, das seguintes contribuições e imposto: I Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); II Contribuição para o PIS/Pasep; (...) § 1º A isenção de que trata o caput recairá sobre o lucro na hipótese dos incisos III e IV, e sobre o valor da receita auferida na hipótese dos incisos I e II, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2º Para fins do disposto nos incisos III e IV do caput a instituição de ensino deverá apurar o lucro da exploração referente às atividades sobre as quais recaia a isenção, observado o disposto no art. 2º e na legislação do imposto de renda. (...) Art. 3º Para usufruir da isenção, a instituição de ensino deverá demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção segregados das demais atividades. (...) O termo de adesão foi previsto no art. 5º da Lei nº 11.096/2005, in verbis (grifei): Art. 5o A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, poderá aderir ao Prouni mediante assinatura de termo de adesão, cumprindolhe (...) § 1o O termo de adesão terá prazo de vigência de 10 (dez) anos, contado da data de sua assinatura, renovável por iguais períodos e observado o disposto nesta Lei. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13116.901594/201264 Acórdão n.º 3201002.943 S3C2T1 Fl. 6 5 (...) Art. 7o As obrigações a serem cumpridas pela instituição de ensino superior serão previstas no termo de adesão ao Prouni, no qual deverão constar as seguintes cláusulas necessárias: (...) Art. 9o O descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão sujeita a instituição às seguintes penalidades: (...) Art. 16. O processo de deferimento do termo de adesão pelo Ministério da Educação, nos termos do art. 5o desta Lei, será instruído com a estimativa da renúncia fiscal, no exercício de deferimento e nos 2 (dois) subseqüentes, a serusufruída pela respectiva instituição, na forma do art. 9o desta Lei, bem como o demonstrativo da compensação da referida renúncia, do crescimento da arrecadação de impostos e contribuições federais no mesmo segmento econômico ou da prévia redução de despesas de caráter continuado A recorrente alega a desnecessidade de apresentação de qualquer documento que comprove sua regular adesão ao Prouni sob o fundamento de que o documento é totalmente eletrônico e a própria Lei nº 11.096/2005 em seu art. 11, § 1º, remete a competência para tais verificações e exigências ao Ministério da Educação. Não é o que se extrai da leitura dos dispositivos acima. O termo de adesão é documento a ser firmado no qual se inserem requisitos de participação no referido Programa. Os diversos dispositivos transcritos (Lei, Decreto e Instrução Normativa) apontam para vários elementos a serem inseridos no Termo que permitiram não somente a adesão da instituição de ensino, mas o controle de sua permanência, enquanto regular e vigente, a aplicação de penalidade, e, principalmente ao que interessa ao presente litígio, a isenção de contribuições. Dessa forma, a exibição do documento "Termo de Adesão" é essencial ao gozo do benefício fiscal de isenção das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins Ao contrário do que alega a recorrente, o termo de Adesão, ainda que eletrônico, prevê o ato de sua assinatura, para que se dê a devida validade e autenticidade. Realmente é emitido no âmbito do Ministério da Educação, o que demonstra não estar nos sistemas internos (informatizados) da Secretaria da Receita Federal; e, se de fato materializado apenas em formato eletrônico em razão de sua essencialidade, é de se presumir a possibilidade de sua impressão, típica das emitidas por órgãos públicos, com chave de segurança para confirmação da autenticidade. Ademais, documento oficial, que confere benefícios tributários de outra ordem, e firmado entre partes Ministério da Educação e instituição de ensino privada há de ser mantido pela parte interessada para o gozo dos benefícios previstos no Termo. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13116.901594/201264 Acórdão n.º 3201002.943 S3C2T1 Fl. 7 6 Nada obstante, o que a recorrente argumenta para a não apresentação do Termo de adesão ao Prouni outros recorrentes em situação idêntica não se escusaram do cumprimento de singelo mister. Vejase exemplo de julgado proferidos neste Conselho em que se demonstrou a possibilidade fática de apresentar e comprovar a adesão e mantença no Programa (grifei): Autoridade Julgadora de 1ª Instância bem observou ainda que o contribuinte em questão comprovou nos autos (fls. 3.325) a adesão ao Programa Universidade para Todos, trecho que merece ser reproduzido por ser de extrema valia: "60. Para comprovar a adesão ao PROUNI o contribuinte anexou aos autos cópia do correio eletrônico do MEC (fls. 3.118) e cópia do Termo de Adesão (fls. 3.119 a 3.273). (Acórdão nº 3402001.704, processo nº 19515.000260/200879, relatoria do cons. João Carlos Cassuli Junior, sessão de 22/03/2012) Não se pode concluir de outra forma, senão a que a recorrente não se dignou a comprovar a existência e aposição de assinatura no Termo de Adesão e a regular fruição do Programa que aderiu. Tenho que este fundamento é suficiente para negar provimento ao recurso voluntário; contudo, há de se tecer ainda argumentos pertinentes ao ônus probatório a cargo a de quem pleiteia direito seu. Antes, porém, analisase as demais teses suscitadas no recurso voluntário que visam seu provimento Sustenta ainda a desnecessidade de apresentação das folhas de salário e respectivamente contabilidade pois entende que no despacho decisório há o reconhecimento expresso de que a base de cálculo encontrase "exata e perfeita", além de "devidamente homologada". Quanto à exigência de apresentação de documentos fiscais e contábeis, assentou o voto condutor do acórdão recorrido que deveria também ter juntado a folha de salários, a fim de demonstrar a base de cálculo do PIS, e os livros fiscais que demonstrassem os lançamentos relativos a ela. Ora, em que pese a ressaltava da DRJ, com a qual concordo, que a isenção do PIS prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 não alcança a parcela que incide sobre a folha de salários, a Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009 proferiu entendimento cuja interpretação errônea da contribuinte adiante será enfrentado lhe é favorável quanto à isenção do PISfolha de salários. Ad argumentandum tantum, justamente firmada no entendimento favorável que extraiu do ato expedido pela autoridade, a recorrente pleiteia a restituição do PISfolha de salários, código de receita "8301". Se há o entendimento de que faz jus à esta isenção deveras tem o ônus de fazer prova documental de seu pretenso direito, qual seja, a apresentação dos documentos e livros atinentes à rubrica "salários" para que se comprove qual sua dimensão (quantificação) na base de cálculo. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13116.901594/201264 Acórdão n.º 3201002.943 S3C2T1 Fl. 8 7 Por fim, assevera que a controvérsia quanto ao direito à isenção está superado pela conclusão da indigitada Solução de Consulta, que entende terlhe assegurado a isenção do PIS sobre folha de salários. Mais uma vez, sem razão a contribuinte. A Solução de Consulta expressamente consignou que a isenção alcança a Contribuição para o PIS, nada dispondo acerca do PIS folha de salários. Digase que na elaboração da peça a consulente, ora recorrente, apenas informou ter realizada a adesão ao Prouni, sem qualquer comprovação naquele autos de consulta, e apresenta seu entendimento de que a isenção alcançaria o PIS folha de salários, para ao final requerer a manifestação do Órgão quanto ao seu entendimento. Eis a cartaconsulta: Entendo que ao fundamentar a solução da consulta, a autoridade que a proferiu fez constar em seus fundamentos a legislação que trata da incidência do PIS sobre a folha de salários, à alíquota de 1%, deixando assente a tributação sobre esta rubrica, com a transcrição do art. 13 e incisos III e IV, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Colacionou os dispositivos que tratam da isenção do PIS sobre a receita auferida pela instituição de educação que aderir e assim se mantém no Prouni. Transcreveu os arts. 8º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º da Lei nº 11.096/2005; arts. 1º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º, e 3º caput e parágrafo único da IN SRF nº 456/2004, para em seguida enunciar no mesmo tópico "fundamentos" que: " 5. Ante os dispositivos acima expostos, verificase que a instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória n° 213, de 2004, Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13116.901594/201264 Acórdão n.º 3201002.943 S3C2T1 Fl. 9 8 ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS." Conclui a solução da consulta com o enunciado: Conclusão 6. Em face do exposto, concluise que a instituição privada de ensino superior com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao programa Universidade para Todos (prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Completase os fatos com a apresentação da ementa da Solução de Consulta SRRF/1ªRF/Disit nº 86, de 2 de junho de 2009: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: PIS. PROUNI. INCIDÊNCIA. A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5o da Medida Provisória nº 213. de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Dispositivos Legais: art.13 da Medida Provisória n° 2.15835/2001; art.8° da Lei n° 11.096/2005; arts. 1º e 3o da Instrução Normativa nü 456/2004. Não vislumbro imprecisão no Ato que poderia dar a interpretação de que toda e qualquer incidência do PIS a que se sujeitam as entidades aderentes ao Prouni estaria isenta. A uma, os dispositivos legais da ementa da solução de consulta informam a legislação aplicada, primeiro, a que dispõe acerca do Pis folha de salários tributado à alíquota de 1% e após, a que trata do PIS alcançado pela isenção; a duas, porque nos fundamentos, a autoridade trouxe a legislação que faz distinção entre PISfolha de salário tributada à alíquota de 1%, e o PIS sobre receitas isentos nos termos e requisitos das legislação; a três, a omissão do termo "PIS sobre folha de salários" não tem o condão de fazêlo incluir na isenção pelo motivo a seguir; a quatro, nos termos do art. 111 caput e inciso II do CTN, "interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção"; a cinco, não caberia a autoridade fiscal ou administrativa contrariar preceito legal. Por fim, sacramentando o entendimento do não alcance da isenção ao PIS sobre folha de salários, o Órgão Central da Secretaria da Receita Federal editou a Solução de Divergência Cosit nº 1, de 2015, publicada no D.O.U de 24/12/2015, com a ementa: SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 1, DE 10 DE FEVEREIRO DE 2015. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR. PROUNI. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE A FOLHA Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13116.901594/201264 Acórdão n.º 3201002.943 S3C2T1 Fl. 10 9 DE SALÁRIOS. A isenção de que trata o art. 8º da Lei nº 11.096, de 2005, não se aplica à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de pagamentos da pessoa jurídica que adere ao Prouni. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.532, de 1997, art. 12; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 9º e 46; Lei nº 11.096, de 2005, art. 8º; DecretoLei nº 5.172 (CTN), de 1966, art. 111,II; Instrução Normativa RFB nº 1.394, de 2013 e Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 2001. O último argumento da recorrente referese à eventual realização de diligência, oficiandose ao Ministério da Educação acerca da sua manutenção no Prouni, acaso não seja superada os fundamentos ante aduzidos que entende suficiente ao direito à restituição pleiteada decorrente do pagamento indevido da Contribuição. Primeiramente, desnecessária a providência pois como assentado neste voto os fundamentos antecedentes são suficientes para negar provimento ao recurso. Não há dúvidas intransponíveis nos autos que necessitam de serem completadas para decidir o litígio. Nos processos, como o presente, que tratam de solicitação de restituição e compensação, a comprovação do direito aos créditos incumbe ao postulante. É seu dever carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, em especial quando necessário à fruição de benefício tributário de isenção. Caso essa comprovação houvesse sido feita, e ainda restasse dúvida ao julgador quanto a permanência regular e temporal no Programa, cabível seria a diligência. Assim, incabível a solicitação de diligência dirigida ao Ministério da Educação para apresentação do Termo de Adesão, documento primário e essencial ao compromisso assumido e firmado pela instituição educacional que requer o gozo dos benefícios do Prouni e que não se dignou a apresentar aos autos. Até esse ponto, restou assente que a recorrente não apresentou o Termo de Adesão ao Prouni, folhas de salário e escrituração contábil; e não permaneceu silente quanto às exigências. Em todas as peças recursais impugnação e recurso voluntário sustentou a desnecessidade desse dever, pois entendeu que o despacho decisório e a solução de consulta reconheceram expressamente seu direito à isenção do PIS relativo ao Programa, sem colacionar qualquer documento seu aos autos. A ausência de elementos probantes viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 373, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Lei nº 13.105/2015 CPC Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13116.901594/201264 Acórdão n.º 3201002.943 S3C2T1 Fl. 11 10 "Art. 373. 0 ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. As Declarações (DCTF, DCOMP e DACON, PER/DCOMP), os documentos fiscais e contábeis e aqueles pertinentes a benefícios tributários, celebrados com órgãos públicos, são produzidos e celebrados pelo próprio contribuinte ou com sua participação, de sorte que, havendo inconsistências ou omissões, impõe a obrigação da recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, sustentada em documentos, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional/CTN). Conclusão Por todo o exposto a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o alegado direito líquido e certo, decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido de PIS. Assim, não encontro razão para modificar a decisão a quo e VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO e NÃO RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.017231/2009-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2402-000.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Fernanda Melo Leal, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Mauricio Nogueira Righetti.
Relatório
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201708
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 15504.017231/2009-03
anomes_publicacao_s : 201709
conteudo_id_s : 5778486
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2402-000.629
nome_arquivo_s : Decisao_15504017231200903.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
nome_arquivo_pdf_s : 15504017231200903_5778486.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Fernanda Melo Leal, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Mauricio Nogueira Righetti. Relatório
dt_sessao_tdt : Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
id : 6951838
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:06:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049467214626816
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1030; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.017231/200903 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2402000.629 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 09 de agosto de 2017 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente ELIANE GARCIA PORCARO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Fernanda Melo Leal, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Mauricio Nogueira Righetti. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .0 17 23 1/ 20 09 -0 3 Fl. 426DF CARF MF Processo nº 15504.017231/200903 Resolução nº 2402000.629 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 381/415) em face do Acórdão n. 0241.314 9ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) DRJ/BHE (fls. 341/364), que julgou procedente em parte a impugnação de fls. 296/339, mantendo em parte o crédito tributário consignado no lançamento constituído mediante o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF AnosCalendário 2004; 2005; 2006; 2007 e 2008 no montante de R$ 2.747.524,49 (fls. 05/37) sendo R$ 1.267.569,29 de imposto (Cód. Receita 2904); R$ 529.278,42 de juros de mora calculados até 31/08/2009 e R$ 950.676,78 de multa proporcional calculada sobre o principal com fulcro em apuração de omissão de ganhos de capital obtidos na alienação das ações da Cia. São Geraldo de Viação CNPJ 19.315.118/000137 e da Viação Nacional S/A CNPJ 61.898.813/000135. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal TVF (fls. 38/64) parte integrante do Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF (fls. 05/37), a fiscalização teve como objeto a operação de alienação da participação societária que a contribuinte ELIANE GARCIA PORCARO CPF 520.609.69620 detinha junto à Cia. São Geraldo de Viação CNPJ 19.315.118/000137 e à Viação Nacional S/A CNPJ 61.898.813/000135 à pessoa jurídica Gontijo Participações S/A CNPJ 25.583.659/000149 , bem assim à pessoa jurídica BH Parking S/A (BH Holding S/A) CNPJ 71.109.268/000104 , respectivamente. As ações da Cia. São Geraldo de Viação CNPJ 19.315.118/000137 foram alienadas em 02/02/2004 para a Gontijo Participações S/A CNPJ 25.583.659/000149 e eram de titularidade de: a) cinco pessoas físicas, denominadas no contrato de Família Porcaro, as quais possuíam 10%, cada uma, das ações representativas do capital da empresa alienada. Entre aquelas pessoas físicas consta a contribuinte ELIANE GARCIA PORCARO CPF 520.609.69620; b) Empresa e Participações Augusto Braga Filho Ltda. CNPJ 25.612.300/0001 52, que era titular de 25% (vinte e cinco por cento) de ações representativas do capital social da empresa alienada; c) Empresa e Administração Paula Maciel Ltda. CNPJ 21.622.428/000146, que igualmente era titular de 25% (vinte e cinco por cento) de ações representativas do capital social da empresa alienada. O preço livremente pactuado entre as partes, incluído a totalidade das participações societárias, foi fixado em R$ 154.000.000,00 a ser pago pela Gontijo Participações S/A CNPJ 25.583.659/000149 nas seguintes condições: i) sinal: R$ 10.000.000,00; ii) complementação do sinal: R$ 10.365.000,00 até o dia 05/05/2004; Fl. 427DF CARF MF Processo nº 15504.017231/200903 Resolução nº 2402000.629 S2C4T2 Fl. 4 3 iii) saldo de R$ 133.635.000,00 em 59 parcelas com vencimentos mensais e sucessivos, sendo a primeira no dia 20/02/2004, proporcionalmente à quantidade de ações e quotas de titularidade de cada um dos alienantes. As parcelas serão corrigidas pelo IGP(M) da FGV e INPC do IBGE desde 20/12/2003 até a data de vencimento de cada uma delas. Cada parcela totaliza R$ 2.265.000,00. Por sua vez, as ações da Viação Nacional S/A CNPJ 61.898.813/000135 também foram alienadas em 02/02/2004 para a BH Parking S/A (BH Holding S/A) CNPJ 71.109.268/000104 e eram de titularidade de: a) cinco pessoas físicas, denominadas no contrato de Família Porcaro, as quais possuíam 50% das ações representativas do capital da empresa alienada. Entre aquelas pessoas físicas consta a contribuinte ELIANE GARCIA PORCARO CPF 520.609.69620; b) Família Braga, os quais possuíam 25% das ações representativas do capital social da empresa alienada; c) dos quotistas da Empresa e Administração Paula Maciel Ltda. CNPJ 21.622.428/000146, que possuíam 25% de ações representativas do capital social da empresa alienada. O preço livremente pactuado entre as partes, incluído a totalidade das participações societárias, foi fixado em R$ 6.000.000,00 a ser pago pela BH Parking nas seguintes condições: i) sinal: R$ 572.000,00 a ser pago até o dia 05/05/2004; ii) saldo de R$ 5.428.000,00 em 59 parcelas com vencimentos mensais e sucessivos, sendo a primeira no dia 20/02/2004, proporcionalmente à quantidade de ações e quotas de titularidade de cada um dos alienantes. As parcelas serão corrigidas pelo IGP (M) da FGV e INPC do IBGE desde 20/12/2003 até a data de vencimento de cada uma delas. Cada parcela totaliza R$ 92.000,00. De acordo com os instrumentos particulares de compra e venda de participações societárias e seus anexos, em 02/02/2004 a contribuinte era titular de ações representativas de 10% do capital social da Cia. São Geraldo de Viação CNPJ 19.315.118/000137 que à época era de R$ 41.960.000,00 , bem como era titular dos mesmos 10% do capital social da Viação Nacional S/A CNPJ 61.898.813/000135 que à época era de R$ 260.000,00. Na data de 02/02/2004, a contribuinte vendeu a totalidade de suas ações do capital social da Cia. São Geraldo de Viação CNPJ 19.315.118/000137 para Gontijo Participações S/A CNPJ 25.583.659/000149. Na mesma data, a contribuinte vendeu também a totalidade de suas ações do capital social da Viação Nacional S/A CNPJ 61.898.813/0001 35 para a BH Parking S/A (BH Holding S/A) CNPJ 71.109.268/000104. Em ambas transações foi estipulada, nos termos do art. 125 do Código Civil Lei n. 10.406/2002 , condição suspensiva de eficácia dos referidos instrumentos à obtenção prévia da Agencia Nacional de Transportes Terrestres – ANTT, em conformidade com os contratos de compra e venda de participações societárias e outras avenças (fls. 78/102 e 103/123). Fl. 428DF CARF MF Processo nº 15504.017231/200903 Resolução nº 2402000.629 S2C4T2 Fl. 5 4 Considerando que a Cia. São Geraldo de Viação CNPJ 19.315.118/000137 foi vendida por R$ 154.000.000,00 coube à contribuinte receber a quantia de R$ 15.400.000,00 (10%). Por sua vez, como a Viação Nacional S/A CNPJ 61.898.813/000135 foi vendida por R$ 6.000.000,00 coube à contribuinte receber a quantia de R$ 600.000,00 (10%). Desta forma, verificouse que a contribuinte auferiu ganho de capital nas vendas das participações societárias sob exame correspondente à diferença positiva entre o valor de alienação das citadas quotas e o respectivo custo, conforme discriminado abaixo: Ações Vendidas Valor da Venda (R$) Custo de Aquisição (R$) Ganho de Capital (R$) Cia. São Geraldo 15.400.000,00 4.196.000,00 11.204.000,00 Viação Nacional 600.000,00 260.000,00 340.000,00 O custo de aquisição das ações em apreço foram obtidos conforme o regramento do § 2º. do art. 16 da Instrução Normativa SRF n. 84/2001. Nas alienações em tela, os percentuais resultantes da relação entre o ganho de capital total e o total da alienação correspondem a 72,75325% referentes à alienação das ações da Cia. São Geraldo e 56,66667% à alienação das ações da Viação Nacional. Tais percentuais devem ser aplicados aos valores de cada parcela recebida nos anoscalendário 2004; 2005; 2006; 2007; e 2008 pelas vendas das participações societárias. O efetivo recebimento das parcelas, por parte da contribuinte, foi comprovado pela documentação bancária fornecida pelas empresas pagadoras. Considerando que, conforme disposição contratual, os preços de aquisições das participações societárias em apreço seriam pagos em parcelas corrigidas e sujeitas a ajustes de acréscimos e reduções de preço, os montantes correspondentes à correção mensal pela média aritmética do IGPM e do INPC deveriam ter sido tributados na fonte pelas empresas, mediante aplicação de alíquotas progressivas, consoante tabelas de cálculo de IRPF vigentes à época dos fatos, e informados pela contribuinte em suas respectivas DIRPF a título de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica, vez que a tributação de tais montantes deveria ter sido realizada em separado da tributação do ganho de capital apurado nas alienações em tela. A Fiscalização da RFB verificou que a contribuinte omitiu, nos anos calendário 2004; 2005; 2006; 2007; e 2008, os ganhos de capital apurados em cada pagamento recebido da Gontijo Participações Ltda. e da BH Parking (BH Holding S/A) obtidos mediante incidência dos percentuais de 72,75% e de 56,66%, respectivamente sujeitos à incidência de IRPF à alíquota de 15% decorrendo, destarte, o lançamento de ofício conforme discriminado no Auto de Infração IRPF (fls. 05/37), observandose as tabelas elaboradas pela fiscalização “Demonstrativo dos Valores Recebidos pela Alienação das Ações do Capital Social da Cia São Geraldo” e “Demonstrativo dos Valores Recebidos pela Alienação das Ações do Capital Social da Viação Nacional”, indicam o valor total, os juros, a parcela que gera incidência do imposto e o ganho de capital efetivo calculado de acordo com a Instrução Normativa n. 84/2001. Em oposição ao fato de a contribuinte ter indicado nas respectivas DIRPF 2005; 2006; 2007; 2008; e 2009, no campo rendimentos isentos e não tributáveis, o artigo 4º, “d” do DecretoLei n. 1.510/1976, que trata da isenção do imposto de renda nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da Fl. 429DF CARF MF Processo nº 15504.017231/200903 Resolução nº 2402000.629 S2C4T2 Fl. 6 5 participação, a autoridade lançadora não considerou tal pretensão, pois o fato gerador ocorreu já na vigência da Lei n. 7.713/88, que revogou a isenção pretendida. Por fim, a Fiscalização da RFB discorre sobre o lançamento por homologação e sustenta que, na ausência do pagamento previsto no § 1º. do art. 150 do Código Tributário Nacional, aplicase a regra contida no inciso I do artigo 173 do referido Codex. Cientificada do lançamento em 20/10/2009 (fl. 07), a contribuinte, inconformada, apresentou, em 18/11/2009, por meio do seu representante legal, a impugnação de fls. 296/339, aduzindo, em síntese: 1. Preliminar de decadência: 1.1 A tributação relativa aos fatos geradores ocorridos em meses anteriores a outubro de 2004, inclusive, foi alcançada pela decadência. 2. No mérito: 2.1 Isenção do DecretoLei n. 1.510/76 Direito Adquirido: as isenções concedidas sob condição onerosa não podem ser livremente suprimidas. 2.2 Condição Suspensiva: Nos termos da Cláusula 4 dos contratos de alienação das participações societárias da Viação São Geraldo para a Gontijo Participações e da Viação Nacional para a BH Holding, foi estabelecida a condição segundo a qual a eficácia dos contratos de transferência das participações societárias estava subordinada à autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres – ANTT. Conforme documentos apresentados à 306 e seguintes, as autorizações somente ocorreram em 21/6/2004 e 2/5/2004, com a publicação dos atos no Diário Oficial da União. Alega que nos termos do artigo 116 do CTN, não ocorre fato gerador da obrigação tributária enquanto pendente condição suspensiva. Com isto requer a exclusão dos valores que se refiram a fatos geradores anteriores as datas de 21/6/2004 e 02/05/2004. 2.3 Apuração do Percentual do Ganho de Capital: i) A autoridade lançadora equivocouse quanto à apuração dos valores a serem submetidos à tributação, pois o preço da alienação não é determinado, mas reduzido de acordo com os passivos não conhecidos das empresas alienadas. Ainda que fosse determinado, existe passivo conhecido e quantificado e nos contratos consta disposição expressa para redução. Cita as cláusulas 3.7.2 e 3.6.2 dos contratos de alienação das empresas, para afirmar que de acordo com os anexos “passivos excluídos das negociações”, na empresa Viação São Geraldo havia passivo de R$52.441.476,00 e na Viação Nacional R$5.669.510,00, o que não foi considerado pela fiscalização; ii) Destaca que com a aplicação da redução dos preços, o valor de venda da Viação São Geraldo passaria de R$154.000.000,00 para R$101.558.524,00 e o da Viação Nacional passaria de R$6.000.000,00 para R$330.490,00. Como sua participação era de 10% em ambas as empresas, o ganho de capital ocorreria somente com a alienação da Viação São Geraldo, no percentual de 58,6839% (a Fiscalização da RFB apurou 72,75325%), ocorrendo perda de capital na venda da Viação Nacional; iv) Adverte que mesmo o preço de venda sendo indeterminado, sofrendo reduções por aqueles débitos previstos contratualmente, na data do lançamento, ainda que de forma não definitiva, o valor recebido e objeto de tributação é conhecido. Conforme apurou a própria fiscalização, os valores recebidos foram de R$ 7.467.678,53 (Cia São Geraldo) e de R$ 195.864,09 (Viação Nacional); v) Prossegue no raciocínio e afirma que por faltarem seis parcelas de valor nominal de R$ 226.500,00 totalizando R$1.359.000,00 o que representa 8,82% do preço original (sem considerar as reduções) de R$15.400.000,00 já teria sido liquidado o Fl. 430DF CARF MF Processo nº 15504.017231/200903 Resolução nº 2402000.629 S2C4T2 Fl. 7 6 equivalente a 91,18%, percentual este que deveria ser considerado no custo para apurar o ganho de capital; vi) A tese apresentada serve também para a Viação Nacional, pois como faltam seis parcelas de R$9.200,00, totalizando R$ 55.200,00, ou 9,20% do preço original, já que 90,80% foi liquidado, este percentual deveria ser utilizado no custo para apuração do ganho de capital; vii) Lembra da planilha apresentada em atendimento à intimação, de onde a fiscalização extraiu somente o que lhe interessou, que houve redução do preço no montante de R$6.714.860,08 (Viação São Geraldo) e de R$346.105,76 (Viação Nacional) o que comprova total equívoco da autoridade lançadora; viii) Observa que das 59 parcelas do preço, 6 faltam ser pagas e que os pagamentos foram suspensos em junho de 2008, por mútuo consenso entre as partes, certamente porque os débitos redutores do preço, já naquela data, teriam superado o valor das parcelas restantes. 2.4 Apuração dos juros: i) Também neste aspecto, a defesa alega que houve erro da fiscalização. Em atendimento à intimação foi apresentada planilha demonstrando a data prevista para recebimento, a data do efetivo recebimento, o valor original da prestação, a correção prevista, o ajuste provisório do preço e o valor efetivamente recebido. No documento, somente os valores efetivamente recebidos eram definitivos; ii) A correção era mera previsão, pois havendo a redução de preço, na coluna denominada ajuste provisório, com a consequente diminuição do valor original da prestação, haveria também redução da correção prevista; iii) Critica a metodologia utilizada pela fiscalização ao considerar como juros o valor dos encargos incidentes sobre as parcelas inicialmente contratadas, pois em alguns meses houve pagamentos apenas de juros, sem principal. Cita os meses 04/2008, 06/2008 (Viação São Geraldo) e 09/2006 e 07/2007 para afirmar que a autoridade fiscal cometeu grave equívoco; iv) Ressalta que há impropriedade do procedimento fiscal, pois a correção acumulada dos índices de 02/2004 e 06/2008 se situa na casa dos 29,62% e, em diversos meses de ambas as planilhas da fiscalização trazem juros apurados em valor maior que o valor das parcelas sem juros, o que somente poderia ocorrer se a variação combinada dos índices fosse superior a 100%; v) No seu entendimento, deve haver a decomposição do valor recebido em correção/juros e principal, mediante ajuste para obtenção do valor principal que, acrescido dos índices, resulte no valor recebido. Elabora as fórmulas “Valor Principal=Valor Recebido/(100+Taxa de Correção) e Valor Correção=(Valor Principal x Taxa de Correção)/100”, para apurar os valores que reputa corretos de juros/correção, conforme demonstra às fls. 263/264, que seriam de R$831.429,81 (Cia São Geraldo) e R$25.961,16 (Viação Nacional), contrariamente aos valores de R$1.616.320,56 e de R$62.226,60 apurados no lançamento; vi) Requer, com fundamento no artigo 142 do CTN, o cancelamento do crédito tributário, por evidente erro insanável, pois não houve a correta quantificação do crédito tributário. Ensina que não são todos os erros ou equívocos que podem determinar o cancelamento do auto de infração, mas aqueles evidentes, principalmente ocorridos na mensuração da base imponível, como ocorre no caso em análise; vii) Alocar parte dos juros lançados para ganhos de capital e recalcular o ganho a partir de novos percentuais equivale a fazer novo lançamento, o que é defeso à autoridade julgadora, por este motivo reforça a necessidade de cancelamento do lançamento. 2.5 Redução do Valor do Auto de Infração: Caso esta DRJ entenda ser possível o refazimento do lançamento, requer, pelo princípio da eventualidade, a redução do valor do auto de infração, pela aplicação da metodologia correta demonstrada nos itens anteriores, tanto na apuração do percentual do ganho de capital, quanto no tocante ao cálculo da atualização monetária das parcelas recebidas. Fl. 431DF CARF MF Processo nº 15504.017231/200903 Resolução nº 2402000.629 S2C4T2 Fl. 8 7 O crédito tributário foi mantido em parte no julgamento de primeiro grau consubstanciada no Acórdão n. 0241.314 (fls. 341/364), que sumarizou seu entendimento conforme emenda abaixo reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 GANHO DE CAPITAL. DECADÊNCIA QUINQUENAL. Diante da ausência de qualquer pagamento prévio, a contagem do prazo decadencial se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que a constituição do crédito tributário poderia ter sido efetuada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. GANHO DE CAPITAL.PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ALIENAÇÃO. ISENÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO. A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, nos termos do art. 178 do Código Tributário Nacional, pode ser revogada ou modificada a qualquer tempo, sem que gere direito adquirido ao contribuinte.As vendas de ações efetuadas por pessoas físicas após 1º de janeiro de 1989 estão sujeitas ao imposto de renda sobre o lucro auferido, ainda que, na data da alienação, a participação societária já conte com mais de cinco anos no domínio do alienante. Inaplicável a isenção contida no artigo. 4º do Decretolei nº 1.510, de 1976, por se encontrar revogada no momento da ocorrência do fato gerador. MOMENTO DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. APLICAÇÃO DE LEI VIGENTE. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO A PRAZO. Na alienação a prazo, o ganho de capital deve ser apurado como se a venda fosse à vista e o imposto deve ser pago periodicamente, na proporção da parcela do preço recebida. IMPLEMENTO DE CONDIÇÃO SUSPENSIVA. FATO GERADOR. FLUÊNCIA DE JUROS. Na alienação sob condição suspensiva, em que a eficácia do negócio jurídico está condicionada à aprovação de órgão governamental, reputase ocorrido o fato gerador (alienação) na data da homologação. Os pagamentos recebidos em data anterior, inclusive parcela referente a sinal, devem ser considerados para fins fiscais na data do implemento da condição suspensiva, momento em que se inicia a fluência de juros moratórios. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. JUROS RECEBIDOS A TÍTULO DE REAJUSTE DE PARCELA. Os juros incidentes sobre as parcelas de alienação de ações são tributados mediante a aplicação de alíquotas progressiva do IRPF do ano respectivo em que for recebido. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 432DF CARF MF Processo nº 15504.017231/200903 Resolução nº 2402000.629 S2C4T2 Fl. 9 8 A contribuinte foi cientificada do Acórdão n. 0241.314 (fls. 341/364) em 11/01/2013 (fls. 379/380) e, irresignada, interpôs Recurso Voluntário em 07/02/2013 (fls. 381/415), tempestivo, portanto, oportunidade em que repisa, em linhas gerais, os mesmos argumentos apresentados quando da impugnação (fls. 296/339), inclusive no que diz respeito à preliminar de decadência e às questões de mérito. É o relatório. Fl. 433DF CARF MF Processo nº 15504.017231/200903 Resolução nº 2402000.629 S2C4T2 Fl. 10 9 Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima, Relator O Recurso Voluntário (fls. 381/415) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto dele CONHEÇO. A recorrente, em sua peça recursal de fls. 381/415, enfrenta o Acórdão n. 02 41.314 (fls. 341/364) nas seguintes questões: i) Preliminar de decadência ii) Isenção do DecretoLei n. 1.510/76 Direito Adquirido iii) Condição suspensiva iv) Apuração do percentual do ganho de capital v) Apuração dos juros Não obstante a preliminar de decadência suscitada pela recorrente, impõese, antes mesmo de qualquer pronunciamento no âmbito deste processo, um maior aprofundamento no que tange à irresignação da recorrente especificamente quanto à apuração de juros. Muito bem. Na apreciação do questionamento relativo à apuração de juros, a DRJ/BHE entendeu, conforme sumarizado na ementa do Acórdão n. 0241.314 (fls. 341/364), que os juros incidentes sobre as parcelas de alienação de ações são tributados mediante a aplicação de alíquotas progressiva do IRPF do ano respectivo em que for recebido. "OMISSÃO DE RENDIMENTOS. JUROS RECEBIDOS A TÍTULO DE REAJUSTE DE PARCELA. Os juros incidentes sobre as parcelas de alienação de ações são tributados mediante a aplicação de alíquotas progressiva do IRPF do ano respectivo em que for recebido." Na peça recursal de fls. 381/415, a recorrente aponta impropriedades da Fiscalização da RFB ao proceder à apuração de juros, considerando como tal valores correspondentes à correção prevista para as parcelas originariamente contratadas que não incluem as reduções em função dos débitos apurados, incidindo ganho de capital. Outrossim, sinaliza, também, equívoco da Fiscalização da RFB ao considerar que a correção acumulada de 02/2004 a 06/2008 situouse na casa dos 29,62%, mas em diversos meses os juros superam esse percentual. Fl. 434DF CARF MF Processo nº 15504.017231/200903 Resolução nº 2402000.629 S2C4T2 Fl. 11 10 Também entende a recorrente que se deve decompor o valor recebido em correção/juros e principal, mediante ajuste no qual obtenhase valor de principal que, acrescido da variação dos índices, resulte no valor recebido. A recorrente afirma também que nunca, jamais houve pagamento de juros. Entretanto, as empresas adquirentes Gontijo Participações S/A CNPJ 25.583.659/000149 e BH Holding CNPJ 71.109.268/000104 , quando intimadas pela Fiscalização da RFB informaram a ocorrência de pagamentos aos vendedores de parcela a título de juros. Com efeito, a Gontijo Participações S/A CNPJ 25.583.659/000149 assim esclarece no Termo de Resposta à Intimação Fiscal n. 198/2009 (fls. 188/192): "Desta forma é importante ressaltar que o valor efetivamente pago contém uma parcela de principal e uma parcela de encargos financeiros, que não correspondem necessariamente ao valor original da prestação e nem o valor da correção monetária sobre ele calculado. Os valores definitivos somente serão conhecidos após a quitação final do preço." (grifei) De igual teor, ipsis litteris, foram os esclarecimentos prestados pela BH Holding CNPJ 71.109.268/000104 mediante o Termo de Resposta à Intimação Fiscal n. 197/2009 (fls. 197/221), in verbis: "Desta forma é importante ressaltar que o valor efetivamente pago contém uma parcela de principal e uma parcela de encargos financeiros, que não correspondem necessariamente ao valor original da prestação e nem o valor da correção monetária sobre ele calculado. Os valores definitivos somente serão conhecidos após a quitação final do preço." (grifei) Desta forma, não há outra conclusão possível que não seja pela existência sim, de pagamento de juros aos vendedores das empresas alienadas, entre eles, a recorrente. Por sua vez, a DRJ/BHE, com base nos documentos acostados aos autos, afirma que: i) Quanto ao valor da correção recebida, os argumentos da defesa vão de encontro ao elementos constantes dos autos. Alega o contribuinte que a fiscalização considerou como juros o valor do encargo incidente sobre as parcelas originalmente contratadas e que a correção acumulada de 2/2004 a 6/2008 situou se na casa dos 29,62%, mas em diversos meses os juros superam esse percentual. ii) Não há razão nos fundamentos esposados pela defesa. Ainda que nos contratos tenha sido firmado que a incidência de juros ocorreria com base na média aritmética dos índices IGPM e INPC acumulados de 12/2003 até a data de vencimento de cada parcela, o fato de o contribuinte ter recebido parcela de correção em percentual superior ao pactuado não é capaz de elidir o lançamento fiscal. iii) Não tendo o impugnante provado que eventual excesso de juros recebidos em descompasso com o contrato tenha sido devolvido às empresas adquirentes, reputa se ocorrido o fato gerador do imposto pelo auferimento de renda nos exatos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional. Fl. 435DF CARF MF Processo nº 15504.017231/200903 Resolução nº 2402000.629 S2C4T2 Fl. 12 11 iv) No documento de fls. 132/135, apresentado pela defesa, do qual constam planilhas com os valores lançados pela fiscalização, o contribuinte adverte que são definitivos “as datas previstas para recebimento, as datas dos recebimentos, o valor original da parcela e o valor efetivamente recebido”. Entretanto, para se chegar ao valor efetivamente recebido de cada empresa foi considerado um valor original, a correção prevista e o ajuste provisório (redução do preço). Não há nenhum elemento nos autos que demonstrem o recebimento de juros em valores inferiores ao contido nas planilhas. v) Observese que nas planilhas elaboradas pela fiscalização, do valor total recebido e reconhecido pelo contribuinte, foram separados aqueles inerentes ao ganho de capital e os correspondentes aos juros. vi) O Regulamento do Imposto de Renda (RIR – Decreto n° 3.000/1999) em seu artigo 123, §6º, estabelece: "Art.123. Considerase valor de alienação (Lei nº 7.713, de 1988, art. 19 e parágrafo único): Io preço efetivo da operação, nos termos do § 4º do art. 117; (...) §6º Os juros recebidos não compõem o valor de alienação, devendo ser tributados na forma dos arts. 106 e 620, conforme o caso." vii) Assim, os rendimentos recebidos a título de juros/reajuste não integram o valor da alienação, sendo corretamente tributados mediante a aplicação de alíquotas progressiva do IRPF do ano respectivo em que for recebido. O Decreto n. 3.000/1999 RIR/99 , em seu artigo 123, § 6º., estipula que considerase valor de alienação o preço efetivo da operação, nos termos do art. 117, § 4°., e que os juros recebidos não compõem o valor da alienação, devendo ser tributados na forma dos arts. 106 e 620, conforme o caso. Deduzse assim que os rendimentos recebidos a título de juros, bem assim de reajuste de parcelas (correção), não integram o valor da alienação, sendo corretamente tributados mediante a aplicação de alíquotas progressivas do IRPF do ano respectivo em que for recebido. Entretanto, a Fiscalização da RFB verificou a inexistência de tributação, na fonte, dos juros auferidos pela recorrente, a cargo das pessoas jurídicas adquirentes, bem assim na Declaração de Ajuste Anual. Em decorrência dessa omissão, a Fiscalização da RFB procedeu ao lançamento de IRPF mediante o Auto de Infração de fls. 05/37, observando as alíquotas progressivas. Nesse sentido, assim estabelece o art. 19, § 3°. da Instrução Normativa SRF n. 84/2001, in verbis: "Art. 19 (omissis) § 1°. e 2°. (omissis) § 3°. Os valores recebidos a título de reajuste, no caso de pagamento parcelado, qualquer que seja a sua designação, a exemplo de juros e reajuste de parcelas, não compõem o valor de alienação, devendo ser tributados à medida de seu recebimento, na fonte ou mediante o recolhimento mensal obrigatório (Carnê Fl. 436DF CARF MF Processo nº 15504.017231/200903 Resolução nº 2402000.629 S2C4T2 Fl. 13 12 Leão), quando a alienação for para pessoa jurídica ou para pessoa física, respectivamente, e na Declaração de Ajuste Anual. (grifei) § 4o. (omissis)" A seu turno, a recorrente questiona os valores apurados a título de juros/correção lançados pela Fiscalização, bem assim os cálculos da correção dos recebimentos relativos à alienação da Cia. São Geraldo de Viação CNPJ 19.315.118/000137 e da Viação Nacional S/A CNPJ 61.898.813/000135. Para o mister, apresenta as planilhas de fls. 409/411, consignadas no Recurso Voluntário de fls. 381/415, nas quais evidencia significativas diferenças entre os valores relativos à correção dos recebimentos da Cia. São Geraldo de Viação CNPJ 19.315.118/0001 37 e da Viação Nacional S/A CNPJ 61.898.813/000135 por ela demonstrados, nos valores de R$ 831.429,81 e de R$ 25.961,16, respectivamente que totalizam R$ 857.390,97 e aqueles considerados pela Fiscalização da RFB, nos valores de R$ 1.616.320,56 e de R$ 62.226,60, respectivamente que totalizam R$ 1.678.547,16 (fls. 61/64 do TVF). Isto posto, resta caracterizado que a análise levada a efeito pela DRJ/BHE, acima reproduzida, não se pronunciou, de forma específica, quanto aos valores apresentados nas planilhas de fls. 409/411 questionados pela recorrente desde a impugnação de fls. 296/339 que denunciam relevantes diferenças de valores relativos à correção (reajuste de parcelas) dos recebimentos em relação àqueles apurados pela Fiscalização da RFB. Entendo que, pela sua relevância, a ausência de pronunciamento do julgador de 1ª. instância, de forma específica, quanto à pertinência (ou não) dos valores apresentados pela recorrente nas planilhas de fls. 409/411, constituise lacuna que macula a apreciação do Recurso Voluntário em tela, uma vez a sua repercussão na apuração do crédito tributário em lide. Lateralmente, o teor do Termo de Resposta à Intimação Fiscal n. 198/2009 (fls. 188/192), bem assim do Termo de Resposta à Intimação Fiscal n. 197/2009 (fls. 197/221), conspiram ainda mais para estabelecer, de vez, estado de perplexidade prejudicial à formação de convicção para a análise ampla do Recurso Voluntário (fls. 381/415), impondose a necessidade da conversão deste julgamento em diligência junto à autoridade lançadora, no sentido de que esta pronunciese, de forma detalhada, circunstanciada e por período de apuração, especificamente no que tange à diferença de valores apurados (juros/correção) sujeitos à tabela progressiva (Ajuste Anual) no montante de R$ 1.678.547,16 (fls. 61/64 do TVF), em face das planilhas apresentadas pela recorrente consignadas às fls. 409/411 do Recurso Voluntário em apreço, onde demonstra valores significativamente diferentes no total de R$ 857.390,97. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (fls. 381/415) e CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA junto à autoridade lançadora, no sentido de esclarecer, de forma detalhada, circunstanciada e por período de apuração, as diferenças entre os valores apurados a título de juros/correção nas planilhas de fls. 61/64 do TVF parte integrante do Auto de Infração de fls. 05/37 e aqueles informados pela recorrente nas planilhas de fls. 409/411 do Recurso Voluntário em apreço. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 437DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.003172/2003-77
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon May 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano calendário:2002
SIMPLES REPRESENTAÇÃO COMERCIAL ATIVIDADE IMPEDITIVA QUE NÃO É EFETIVAMENTE EXERCIDA PELA EMPRESA INCLUSÃO RETROATIVA
Quando o objeto social da empresa é composto por diversas atividades e uma delas é vedada ao Simples, restando comprovado que as receitas auferidas decorreram exclusivamente das atividades compatíveis com o Simples, inexiste óbice legal para o enquadramento do contribuinte nesse regime de tributação. Verificado que a empresa, de forma inequívoca, quis se enquadrar
no Simples, apresentando as declarações nesse regime de tributação e pagando os tributos também nessa modalidade, deve ser admitido o seu enquadramento de forma retroativa.
Numero da decisão: 1802-000.871
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: José de Oliveira Ferraz Corrêa
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201105
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário:2002 SIMPLES REPRESENTAÇÃO COMERCIAL ATIVIDADE IMPEDITIVA QUE NÃO É EFETIVAMENTE EXERCIDA PELA EMPRESA INCLUSÃO RETROATIVA Quando o objeto social da empresa é composto por diversas atividades e uma delas é vedada ao Simples, restando comprovado que as receitas auferidas decorreram exclusivamente das atividades compatíveis com o Simples, inexiste óbice legal para o enquadramento do contribuinte nesse regime de tributação. Verificado que a empresa, de forma inequívoca, quis se enquadrar no Simples, apresentando as declarações nesse regime de tributação e pagando os tributos também nessa modalidade, deve ser admitido o seu enquadramento de forma retroativa.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 10830.003172/2003-77
conteudo_id_s : 5753296
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 07 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1802-000.871
nome_arquivo_s : Decisao_10830003172200377.pdf
nome_relator_s : José de Oliveira Ferraz Corrêa
nome_arquivo_pdf_s : 10830003172200377_5753296.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Mon May 23 00:00:00 UTC 2011
id : 6877917
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049467234549760
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1738; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2.146 1 1.146 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.003172/200377 Recurso nº 344.042 Voluntário Acórdão nº 180200.871 – 2ª Turma Especial Sessão de 23 de maio de 2011 Matéria SIMPLES Recorrente MTT & CARD AUTOMAÇÃO COMERCIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 SIMPLES REPRESENTAÇÃO COMERCIAL ATIVIDADE IMPEDITIVA QUE NÃO É EFETIVAMENTE EXERCIDA PELA EMPRESA INCLUSÃO RETROATIVA Quando o objeto social da empresa é composto por diversas atividades e uma delas é vedada ao Simples, restando comprovado que as receitas auferidas decorreram exclusivamente das atividades compatíveis com o Simples, inexiste óbice legal para o enquadramento do contribuinte nesse regime de tributação. Verificado que a empresa, de forma inequívoca, quis se enquadrar no Simples, apresentando as declarações nesse regime de tributação e pagando os tributos também nessa modalidade, deve ser admitido o seu enquadramento de forma retroativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.003172/200377 Acórdão n.º 180200.871 S1TE02 Fl. 3.146 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, André Almeida Blanco, Nelso Kichel, Marcelo Assis Guerra e Marco Antônio Castilho. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.003172/200377 Acórdão n.º 180200.871 S1TE02 Fl. 4.146 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, que manteve a negativa em relação a pedido de enquadramento retroativo no Simples, conforme já havia decidido a Delegacia de origem, e, via de consequência, confirmou o ato de exclusão do Simples ADE DRF/CPS/ SEORT n° 06, de 07 de fevereiro de 2008 (fl. 92), com efeitos a partir de 01/01/2005, à vista do processamento de nova opção feita em janeiro/2005 (fl. 71). O pedido de enquadramento retroativo ao anocalendário de 2002 foi apresentado em 23/05/2003 (fl. 1), e a decisão sobre ele foi comunicada à Contribuinte em 18/02/2008 (fl. 93), juntamente com a ciência do referido Ato Declaratório de Exclusão nº 06/2008. A negativa em relação ao enquadramento no Simples está relacionada à atividade econômica desenvolvida pela empresa: “preparo de software para utilização, venda ou locação, assessoria e análise de sistemas”, que é vedada pelo art. 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317, de 1996. Instaurada a fase litigiosa, com a manifestação de inconformidade de fls. 94 a 100, a Contribuinte alegou que efetivamente não exercia a atividade impeditiva do Simples, embora ela estivesse constando em seu ato constitutivo por um erro de fato. Invocou também julgados administrativos que cuidariam de casos semelhantes ao seu, os quais já teriam sido resolvidos favoravelmente aos interessados (processos nº 10830.003142/0019 e nº 10830.007907/200170). Como já mencionado, a DRJ Campinas/SP, por meio do Acórdão 0523.192 (fls. 174/175), manteve a negativa em relação ao enquadramento no Simples, do mesmo modo que havia decidido a Delegacia de origem, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2002 CIRCUNSTÂNCIAS IMPEDITIVAS DE INGRESSO E/OU PERMANÊNCIA NO SIMPLES FEDERAL. O exercício de atividade de analista de sistemas é circunstância que impede o ingresso ou a permanência no Simples Federal. Solicitação Indeferida Em sua decisão, a DRJ registrou que, ao menos em princípio, a atividade econômica da Contribuinte é aquela descrita nos seus atos constitutivos (contrato social, estatuto social, requerimento de empresário individual), chamando atenção para o extrato da ficha cadastral junto à Jucesp (fls. 72 a 78), de onde se extrai que o objeto social, pelo menos Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.003172/200377 Acórdão n.º 180200.871 S1TE02 Fl. 5.146 4 até a alteração nele promovida em 26/09/2007, estava descrito como “PREPARO DE SOFTWARE PARA UTILIZAÇÃO, VENDA OU LOCAÇÃO, ASSESSORIA E ANÁLISE DE SISTEMAS”. O voto que orientou a decisão de primeira instância trouxe ainda os seguintes fundamentos: Adiantese, outrossim, que não é o caso de o Contribuinte restar indefinidamente atrelado à declaração de vontade lançada nos seus atos constitutivos (contrato ou estatuto social, declaração de firma individual). Não. Como todo fato jurídico, tal declaração de vontade pode muito bem ser desconstituída por outra de igual ou superior força. Exemplo: declaração de vontade que altera o objeto social; declaração de vontade veiculada em notas fiscais (seqüenciais e que acobertem largo intervalo de tempo). Vejase que tais declarações são tão ou mais robustas que a primeira (que fala da atividade econômica originalmente declarada), certo que, em todas elas, concorre a manifestação de vontade de terceiro desinteressado (do órgão competente do Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins ou do Registro Civil de Pessoas Jurídicas, no caso de ato constitutivo; ou do adquirente do produto/serviço vendido pelo Contribuinte, na hipótese de notas fiscais, conforme estampado nos canhotos de ditas notas fiscais). Presentemente, sem que o Contribuinte faça a juntada de outros instrumentos probatórios (tais os já citados: alterações de contrato social ou estatuto, de declaração de firma individual, notas fiscais de venda de produtos, mercadorias e/ou serviços; e, observese que a alteração de objeto social noticiada por meio de cópia do instrumento de alteração contratual juntado às fls. 113/121, só tem valência para 26/09/2007 em diante), não se pode, pura e simplesmente, à força de simples alegação, ter por desconstituída (ou até restringida) a declaração de vontade impressa em seus atos constitutivos. Inconformada com esse pronunciamento, do qual tomou ciência em 08/10/2008, a Contribuinte apresentou em 03/11/2008 o recurso voluntário de fls. 178 a 183, onde reitera as mesmas razões de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores, acrescentando os seguintes argumentos: 1. considerado o conteúdo da decisão de primeira instância aqui recorrida, que fez constar, de seu texto, que seria suficiente, para efeitos de reversão do ato de exclusão da recorrente do Simples ora questionado nos autos, a apresentação de "notas fiscais (seqüenciais e que acobertem largo intervalo de tempo)" demonstrando a inexistência de desenvolvimento efetivo, pela empresa, de atividade vedada à adesão ao regime de tributação da Lei n° 9.317/96, dúvidas não devem existir de que, in casu, à vista do farto material probatório agora apresentado a esse Colendo Conselho de Contribuintes, verdadeiramente merece, a postulante, ver inteiramente acolhido e provido o presente recurso voluntário; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.003172/200377 Acórdão n.º 180200.871 S1TE02 Fl. 6.146 5 2. tendo em consideração o postulado da verdade material aplicado ao processo administrativo fiscal, prestigiandose a prevalência do conteúdo sobre a forma, também não deve haver, na hipótese em tela, qualquer restrição à juntada oportuna, aos autos do presente processo administrativo, dos fartos elementos de prova que dão sustentação ao pedido formulado ao final, demonstrando que a ora recorrente realmente não presta qualquer serviço que implique vedação à formalização de opção pelo regime simplificado de tributação previsto na Lei n° 9.317/96. Este é o Relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.003172/200377 Acórdão n.º 180200.871 S1TE02 Fl. 7.146 6 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a matéria em litígio diz respeito à possibilidade ou não de a Contribuinte optar pelo regime de tributação simplificada Simples. Em 23/05/2003, a Contribuinte percebeu que o cadastro da Receita Federal não estava registrando sua opção pelo Simples. Por esta razão, apresentou o pedido de inclusão retroativa a 2002 (fl. 1), registrando, naquela ocasião, que não tinha descumprido qualquer obrigação principal ou acessória relativas ao regime de tributação simplificada, e também que não havia efetuado pedido de desenquadramento. Posteriormente, como não havia resposta em relação a seu pedido, ela fez nova opção pelo Simples, em janeiro de 2005. Analisando as duas situações conjuntamente, ou seja, o pedido de inclusão retroativa e a nova opção feita em 2005, a DRF de origem manifestouse nos seguintes termos (fls. 90/91): Senhor Chefe, O presente processo solicita a “inclusão no SIMPLES para o anocalendário de 2002”. Há registro do evento 301 — inclusão por opção da empresa — com data de efeito a partir de 01/01/1997 (fls. 69). Há evento de exclusão registrado nos Históricos do Cadastro CNPJ através do evento 306 — exclusão por exercício de atividade vedada, ADE 114.887 (fls. 69). AR 160726654 para ciência do ADE não foi devolvido ao remetente (fls. 67). Foi dada a ciência do Ato através do Edital 10830/01/1999 (fls. 81 a 83). Não há registro de processo cadastrado no COMPROT questionando SIMPLES FEDERAL (fls. 84). Exclusão mantida (fls. 66). Em 01/01/2005 retornou ao SIMPLES, através do evento 301 — Inclusão por opção do contribuinte , DBE 2941870923 (fls. 71). Desde o anocalendário de 1997 a interessada vem apresentando as Declarações no regime SIMPLES (fls. 71). Conforme pesquisa JUCESP, somente em 26/09/2007 que foi alterado da sede o objeto social para: “COMÉRCIO VAREJISTA ESPECIALIZADO DE EQUIPAMENTOS E SUPRIMENTOS DE INFORMÁTICA, PORTAIS, PROVEDORES DE CONTEÚDO E OUTROS SERVIÇOS DE INFORMÁTICA NA INTERNET”, até então constava dentre outras a atividade de “PREPARO DE SOFTWARE PARA Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.003172/200377 Acórdão n.º 180200.871 S1TE02 Fl. 8.146 7 UTILIZAÇÃO, VENDA OU LOCAÇÃO, ASSESSORIA E ANÁLISE DE SISTEMAS” (fls. 72 a 77). Quanto à simulação da Pesquisa Prévia Automatizada PPA no SIVEXWEB, conforme Nota Técnica CORAT n° 044/2006, foi identificada a vedação para este CNPJ: CNAEFiscal não permitida para o Simples: 6204 0/00 (fls.89). Descrição do CNAE às folhas 85 a 87. Considerando que há um processo já julgado e arquivado, tratando do mesmo assunto, e que as razões impeditivas ao SIMPLES (as mesmas para ambos processos) ainda não foram alteradas proponho o arquivamento do presente processo. Ante o exposto, encaminho o presente processo a Vossa Senhoria para manifestação e despacho. (...) De acordo com os procedimentos adotados. Arquivese o presente processo por cinco anos (ARQGRA/SP). Dêse ciência deste Despacho à interessada e da necessidade de substituir todas Declarações Simples apresentadas a partir do anocalendário de 1999. Cancelese estas Declarações. Prepare se Ato Declaratório Executivo (ADE) para a exclusão do contribuinte por exercício de atividade vedada a partir de 01/01/2005. Na seqüência, foi elaborado o ato de exclusão ADE DRF/CPS/SEORT n° 06, de 07 de fevereiro de 2008 (fl. 92), tudo cientificado ao Contribuinte em 18/02/2008 (fl. 93). Vêse que houve problemas na ciência do primeiro ato de exclusão. A uma porque não consta qualquer informação sobre os antecedentes que levaram à ciência pelo Edital afixado em 11/02/1999 (fl. 81 a 83), e o § 1º do art. 23 do Decreto 70.235/1972 – PAF estabelece que a ciência por Edital se dará quando resultar improfícuo um dos outros meios previstos anteriormente naquele mesmo artigo. Nesse sentido, cabe registrar que o relatório interno de consulta de postagem à fl. 67, relativamente ao AR mencionado no Despacho da Delegacia de origem, indica como data de emissão o dia “04/05/2000”, o que não atende as exigência do PAF, uma vez que, nesse caso, a tentativa de ciência via postal seria posterior ao Edital. Além disso, o mesmo relatório não especifica sequer a data da postagem da referida correspondência, e como reconhecido pela Delegacia de origem, este suposto AR não foi devolvido à Receita Federal, o que compromete ainda mais a efetiva ciência do primeiro ato de exclusão, de modo que tudo será novamente aqui examinado. Realmente, o art. 9º, XIII, da Lei 9.317/1996 veda a opção pelo Simples para as pessoas jurídicas que prestem serviços profissionais de analista de sistemas ou assemelhados: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.003172/200377 Acórdão n.º 180200.871 S1TE02 Fl. 9.146 8 XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; Ocorre que a Contribuinte vem afirmando desde o início que não exerce essa atividade, embora ela estivesse constando de seu contrato social, segundo alega, por um erro de fato. Em sede de recurso voluntário, e diante das considerações feitas na decisão de primeira instância, a Contribuinte trouxe cópias das notas fiscais emitidas nos anos calendário de 2002 a 2004, com a seguinte numeração: Notas Fiscais de Serviços – 328 a 471 (fls. 194 a 347); e Notas Fiscais de Vendas – 568 a 971(fls. 348 a 1.144). Considero importante registrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre no processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. Assim, em nome do princípio da verdade material, entendo que devo apreciar o conteúdo destes documentos, embora tenham sido apresentados somente na fase recursal. As notas fiscais emitidas ao longo de três anos consecutivos (2002 a 2004) demonstram que a Contribuinte não auferiu receitas com a atividade de “analista de sistema”, mas sim com locação e manutenção de equipamentos, serviços de geração de bilhetes indutivos, vendas de bilhetes indutivos (que é a principal fonte de receitas), vendas de peças e equipamentos (placas, unidades leitoras, sensores, etc.), e algumas taxas de instalação de software, mas nada que caracterize o exercício da profissão de analista de sistemas. A legislação do Simples, que se encontrava detalhada nos manuais de orientação chamados “perguntas e respostas”, admitia a opção mesmo que constasse do Contrato Social alguma atividade impeditiva, desde que o Contribuinte efetivamente não exercesse essa atividade, fato que ficou comprovado nos autos. Trago também à baila as disposições contidas no Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 16, de 02 de outubro de 2002: Artigo único. O Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de oficio tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas Fl. 8DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.003172/200377 Acórdão n.º 180200.871 S1TE02 Fl. 10.146 9 jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples. Parágrafo único. São instrumentos hábeis para se comprovar a intenção de aderir ao Simples os pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (Darf Simples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada. Vale novamente registrar que desde o anocalendário de 1997 a interessada vem apresentando as Declarações no SIMPLES (fls. 71), e que também constam dos autos uma grande quantidade de comprovantes de pagamento nesse regime tributário (fls. 18 a 64). Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 9DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
