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Numero do processo: 11516.000787/2009-62
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.417
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .0 00 78 7/ 20 09 -6 2 Fl. 576DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000787/200962 Resolução nº 3801000.417 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento – PER de créditos da contribuição ao PIS de incidência nãocumulativa apurados no mercado interno no quarto trimestre do anocalendário 2005. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis – DRF/FNS proferiu Despacho Decisório no qual indeferiu o Pedido de Ressarcimento, em vista de que, apesar de reiteradamente intimada, a contribuinte não apresentou arquivos digitais representativos dos documentos fiscais, previstos na Instrução Normativa SRF nº 86/2011 e no Ato Declaratório Executivo Cofis ADE n° 15/2001 passíveis de aproveitamento. Fundamenta a autoridade fiscal que as inconsistências nos arquivos digitais e nos arquivos do SINCO Notas Fiscais, principalmente em relação aos créditos e débitos relativos aos itens das notas fiscais, não permitiram a corroboração dos valores informados nos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais DACON, tornando qualquer verificação do crédito pleiteado igualmente inconsistente. Inconformada com o indeferimento do pedido, a contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade na qual alega que: conforme despacho decisório houve somente alguns arquivos digitais apresentados com supostas inconsistências; em atenção às diversas intimações, apresentou inúmeras vezes os arquivos digitais requisitados, elaborados de acordo com os parâmetros estipulados pelo ADE Cofins nº 15/2001 e seus anexos; os arquivos digitais apresentados foram devidamente validados mediante Sistema Validador e Autenticador de Arquivos Digitais – SVA, bem como passados pelo SINCO, não contendo nenhuma ressalva ou problema; os arquivos digitais abriram de forma integral e sem apresentar nenhuma falha ou inconsistência nos computadores da empresa, indicando alguma incompatibilidade com os equipamentos utilizados pelo agente fiscalizador; apresentou todas as informações requisitadas, estando os arquivos devidamente validados e respeitando os parâmetros do ADE nº 15/01, assim, caberia à autoridade fiscal procurar verificar se seus equipamentos se encontram atualizados e compatíveis, ou ainda, requisitar os arquivos digitais em outros formatos, ou mesmo a apresentação dos documentos físicos para verificação do crédito; Fl. 577DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000787/200962 Resolução nº 3801000.417 S3TE01 Fl. 4 3 o ADE nº 15/01 e a Instrução Normativa nº 86/01 não informam qual a extensão do arquivo a ser apresentado ou mesmo a versão do programa; a falta de indicação da classificação das mercadorias em alguns arquivos digitais não poderia representar óbice ao reconhecimento dos créditos requeridos, uma vez que o direito de crédito está constitucional e legalmente assegurado, não podendo ser negado quando configuradas as hipóteses previstas na legislação e muito menos ser preterido em função de supostas inconsistências na visualização de arquivos digitais validamente apresentados; por força do princípio da verdade material, se os créditos existem, a autoridade fiscal não pode se furtar em reconhecêlos, uma vez que os documentos apresentados comprovam de forma cabal a existência dos créditos requeridos. E conclui: Lembrese: todas as informações necessárias para a verificação da existência dos créditos requeridos pela empresa estavam à disposição do agente fiscalizador. Problemas de compatibilidade entre alguns dos arquivos digitais apresentados pela empresa e os equipamentos da fiscalização não poderiam servir de óbice ao reconhecimento dos créditos requeridos, especialmente porque a cooperativa dispõe de todos os documentos físicos (livros devidamente escriturados, notas fiscais, entre outros) para a verificação dos créditos. A DRJ em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DOCUMENTOS. NÃO APRESENTAÇÃO. INDEFERIMENTO. O postulante de direito creditório deve apresentar todos os livros fiscais e contábeis, arquivos digitais e demais documentos ou esclarecimentos solicitados pelo Fisco, necessários à análise do direito creditório postulado, sob pena de indeferimento do pleito. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário com as seguintes alegações: a decisão de primeira instância possui grave contradição em suas próprias conclusões; a recorrente apresentou vários arquivos magnéticos em resposta às intimações efetuadas; Fl. 578DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000787/200962 Resolução nº 3801000.417 S3TE01 Fl. 5 4 apenas alguns desses arquivos apresentaram pequenas inconsistências, em grande parte geradas por conflito entre os formatos dos arquivos; se apenas parte dos arquivos não pode ser verificada por apresentar inconsistências (geradas apenas por erros de leitura dos arquivos), seria indispensável a realização de diligência para verificar tais informações; somente em questões pontuais a fiscalização ficou em dúvida; é desproporcional e desarrazoado indeferir a totalidade do crédito quando apenas uma pequena parte suscitou dúvidas à fiscalização; a escrita fiscal da recorrente está e sempre esteve inteiramente à disposição da fiscalização, e possui todas as informações necessárias a comprovação do crédito requerido; quanto à suposta impossibilidade de análise dos arquivos magnéticos, por estes estarem supostamente em desacordo com a legislação, a decisão de primeira instância deixou de levar em consideração os ditames do próprio art. 65 da IN SRF 900/08; cumpriu rigorosamente o requisito formal estabelecido no art. 65 da IN SRF 900/08, uma vez que todos os arquivos digitais apresentados forma validados através do SVA, e demonstram de forma clara e precisa a origem do crédito requerido; o direito a crédito dos contribuintes, especificamente no caso dos tributos nãocumulativos, é garantido constitucionalmente e legalmente; junta ao presente recurso dois DVDS que contém todas as informações necessárias para a verificação do crédito, nas extensões específicas requeridas pela fiscalização; o indeferimento do Pedido de Restituição não é cabível quando o motivo é a não apresentação de documentos requeridos, ensejando apenas o arquivamento do pedido nos termos do art. 40 da Lei 9.784/99 e no art. 103 do Decreto 7.574/11; o arquivamento do Pedido de Ressarcimento até o cumprimento das exigências fiscais é medida que se impõe a Administração, por força de Lei. Colaciona jurisprudência administrativa. Por fim, requereu que o recurso fosse conhecido e provido para: a) reconhecer o crédito pleiteado no presente pedido de ressarcimento; b) seja determinada a realização de diligência para verificar a existência do crédito. Em complemento as razões do recurso voluntário, a recorrente apresentou petição com os seguintes argumentos: Fl. 579DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000787/200962 Resolução nº 3801000.417 S3TE01 Fl. 6 5 os prazos constantes das intimações fiscais para a apresentação dos documentos não permitiram à empresa a conversão de todos os arquivos digitais que comprovam os créditos para o formato exigido pelo agente fiscalizador; a COREC determinou que o prazo hábil para a apresentação dos arquivos magnéticos deve ser de 110 dias, nos termos do Ato Declaratório Executivo nº 03/2012, publicado no DOU em 15/08/2012; sendo norma procedimental que beneficia a empresa, deve ser aplicada retroativamente em respeito ao art. 106, II, “b” do CTN; consequentemente, os documentos magnéticos para a comprovação dos créditos poderiam ser apresentados em até 110 dias. Por último, requereu que fosse aplicado o ADE 3/2012 ao presente processo. É o relatório. Fl. 580DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000787/200962 Resolução nº 3801000.417 S3TE01 Fl. 7 6 Voto O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Tenhase presente que após a Emenda Constitucional 42/2003 a não cumulatividade das contribuições PIS e Cofins foi assegurada constitucionalmente. As Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com as alterações posteriores, disciplinam o regime da nãocumulatividade das contribuições PIS e Cofins, respectivamente. Para o exercício da nãocumulatividade das contribuições essas leis asseguram ao sujeito passivo o direito de descontar créditos sobre custos e despesas enumerados nos respectivos atos legais citados. A Instrução Normativa RFB nº 900, de30 de dezembro de 2008, estabelecia: Art. 27. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados no desconto de débitos das respectivas contribuições, poderão ser objeto de ressarcimento, somente após o encerramento do trimestrecalendário, se decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados: I às receitas resultantes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; ou II às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou nãoincidência. (...) Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. (...) (grifouse) Posto, em tese, o direito do contribuinte, passase ao exame da situação fática probatória. Do exame dos autos administrativos, constatase que por diversas vezes a recorrente foi intimada a comprovar o seu direito creditório. Em atendimento às diversas Fl. 581DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000787/200962 Resolução nº 3801000.417 S3TE01 Fl. 8 7 intimações apresentou uma série de arquivos magnéticos, conforme recibo de entrega de arquivos digitais. Por seu turno, a autoridade fiscal ao examinar os arquivos digitais identificou uma série de inconsistência e/ou formato incompatíveis com o ADE COFIS 15/2001. É fato que a recorrente sempre atendeu as intimações da autoridade fiscal, ainda que de forma deficiente, situação admitida em seu recurso voluntário. O indeferimento do pedido de ressarcimento com a justificativa de inconsistências nos arquivos digitais apresenta se desproporcional ao direito da contribuinte. Convém ressaltar que eventuais erros na apresentação dos arquivos digitais não são elementos suficientes para afastar o direito de ressarcimento/compensação previsto na lei de regência, pois o Estado não deve se enriquecer ilicitamente. A questão relevante é que a recorrente de forma sistemática procurou comprovar o seu direito creditório, inclusive a fiscalização admitiu que parte dos arquivos digitais estavam corretos. Por pertinente, transcrevese o seguinte excerto da informação fiscal: “Na ocasião foi lavrado o Termo de Diligência Fiscal, Solicitação de Documentos (fls. 305/306), tendo o interessado disponibilizado a maior parte dos documentos solicitados. (grifouse) Além do mais, apresentou novos arquivos digitais supostamente sem inconsistências, conforme consta em seu recurso voluntário. De sorte que não se compartilha com a tese de indeferimento do ressarcimento por eventuais inconsistências nos arquivos magnéticos, mormente quando ficou comprovado que a recorrente reiteradamente procurou solucionálas. Quanto ao argumento de que o prazo hábil para a apresentação dos arquivos magnéticos deve ser de 110 dias, nos termos do Ato Declaratório Executivo nº 03/2012, publicado no DOU em 15/08/2012, não assiste razão à recorrente. Este ato Declaratório foi emitido para o atendimento de uma situação específica, qual seja, o atendimento de intimações eletrônicas. Assim, este dispositivo legal não produz quaisquer efeitos em relação às intimações das autoridades fiscais, não eletrônicas. Ademais, não se trata de norma procedimental, pois alcança um universo específico de contribuintes, logo não se aplica o princípio da retroatividade benigna disposto no art. 106, inciso II, alínea “b”, do Código Tributário Nacional. Destarte, na solução deste litígio adotase como prazo para a apresentação dos arquivos digitais e sistemas utilizados por parte da recorrente o disposto no art. 2º da Instrução Normativa SRF nº 86, de 22 de outubro de 2001 (DOU de 23/10/2001, pág. 18), in verbis: Art. 2o As pessoas jurídicas especificadas no art. 1o, quando intimadas pelos AuditoresFiscais da Receita Federal, apresentarão, no prazo de vinte dias, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras.(grifouse) Fl. 582DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000787/200962 Resolução nº 3801000.417 S3TE01 Fl. 9 8 Com efeito, é incontroverso o bom direito da recorrente, visto que esse litígio administrativo tem como objeto principal o ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep ou da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar os créditos da contribuição. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) receba os arquivos apresentados no recurso voluntário, efetue sua autenticação e validação nos sistemas da RFB; b) caso constate inconsistências nos arquivos magnéticos, intime o contribuinte para no prazo de 20 (vinte) dias a solucionálas; c) a partir dos arquivos magnéticos e com base na escrituração fiscal e contábil, não havendo inconsistências impeditivas, apure eventual valor passível de ressarcimento com base na legislação de regência; d) cientifique a interessada quanto ao teor da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de vinte dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 583DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10880.034080/94-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/12/1993
SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO.
Ocorrendo alguma das hipóteses do art. 151 do CTN, ficará o Fisco impedido de mover eventual execução fiscal contra o contribuinte a fim de cobrar o crédito tributário, mas não de efetuar o lançamento para fins de decadência, nos termos do art. 63 da Lei 9.430.
Numero da decisão: 3401-002.124
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Ângela Sartori - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Adriana Oliveira e Ribeiro.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/09/1989 a 31/12/1993 SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO. Ocorrendo alguma das hipóteses do art. 151 do CTN, ficará o Fisco impedido de mover eventual execução fiscal contra o contribuinte a fim de cobrar o crédito tributário, mas não de efetuar o lançamento para fins de decadência, nos termos do art. 63 da Lei 9.430.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Júlio César Alves Ramos Presidente Ângela Sartori - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Adriana Oliveira e Ribeiro.
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POSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO. Ocorrendo alguma das hipóteses do art. 151 do CTN, ficará o Fisco impedido de mover eventual execução fiscal contra o contribuinte a fim de cobrar o crédito tributário, mas não de efetuar o lançamento para fins de decadência, nos termos do art. 63 da Lei 9.430. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Júlio César Alves Ramos – Presidente Ângela Sartori Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 03 40 80 /9 4- 55 Fl. 408DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Adriana Oliveira e Ribeiro. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10880.034080/9455 Acórdão n.º 3401002.124 S3C4T1 Fl. 6 3 Relatório Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração de fls. 103/106 para a exigência do IPI, do período de apuração de setembro de 1989 a dezembro de 1993, no valor de 1.887.828,04 UFIR. Consoante descrição fática do auto e termo de verificação (fl. 74), houve falta de lançamento de IPI, no período em apuração, pela saída de embalagens de metal de apresentação com erro de classificação fiscal e alíquota inferior. No entender da contribuinte, seu produto estaria classificado no código 7310.21.0100 da TIPI/89, com alíquota de 4%, destinado a embalagens de transporte, quando, no entender da fiscalização, o correto seria o código 7310.219900, com alíquota de 10%, conforme Despacho Homologatório CST n. 172/92, referente à consulta sobre classificação de mercadorias feita pelo Sindicato das Indústrias de Estamparia de Metais do Estado de São Paulo. Consta também que os valores foram lançados em relação aos fatos geradores ocorridos até a data da protocolização da consulta pelo Sindicado (06/09/1991), e aos fatos geradores ocorridos a partir da data em que o consulente foi notificado da decisão (15/04/1992), em respeito ao DecretoLei n. 2.227/85, que dispõe sobre consulta sobre a classificação fiscal. O contribuinte obteve liminar em medida cautelar, no processo n. 92.00103421, expedido pela 4ª Vara da Justiça Federal do DF, o qual lhe assegurou o recolhimento sob a alíquota de 4%. Inconformado, o sujeito passivo apresentou impugnação (fls. 110/117). A DRJ em Ribeirão Preto (fls. 324/329), no acórdão n. 1428.771, proveu em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/09/1989 a 31/12/1993 PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. Não há falar em nulidade do procedimento, enquanto atividade vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, mesmo estando o contribuinte beneficiado por medida liminar judicial. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. As decisões do Poder Judiciário prevalecem sobre o entendimento da esfera administrativa, assim, não se discute na esfera administrativa a mesma matéria discutida em processo judicial. MULTA. LIMINAR. MEDIDA CAUTELAR. O deferimento de liminar nos autos de Medida Cautelar suspende a exigibilidade do crédito tributário e exclui a imposição de penalidade. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 410DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Em suma, os julgadores aplicaram a concomitância no o mérito da questão, e não conheceram a impugnação na parte que tratava da alíquota aplicável para a saída de embalagens de metal do estabelecimento do contribuinte, e cancelaram a multa de ofício em razão da suspensão da exigibilidade do crédito pela existência de medida liminar suportando o direito do interessado. Cientificada em 18/08/11 (fls. 336/v) apresentou recurso voluntário para este conselho, por meio do qual pleiteia o conhecimento do presente e a nulidade do auto de infração, bem como, alega em síntese: nulidade do auto de infração tendo em vista que, conforme afirmação do v. acórdão, a atitude do ora recorrente estava amparado por medida liminar, que assegurou o direito de promover a saída de seus produtos com alíquota do IPI de 4%. O crédito tributário jamais poderia ser lançado e constituído, vez que já foi judicialmente considerado inexistente e ilegítimo; a ordem judicial afastou o pagamento da diferença de 6% exigida pelo Fisco. O presente lançamento, ainda que reconhecida a suspensão de sua exigibilidade, configura verdadeira desobediência à ordem judicial que está, por sua vez, em plena vigência; cita o art. 62 do Decreto n. 70.235/72 argumentando que o dispositivo é claro ao vedar ao Fisco a instauração de qualquer procedimento fiscal que tenha por objeto a persecução de créditos tributários já afastados pelo Poder Judiciário. É o relatório. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10880.034080/9455 Acórdão n.º 3401002.124 S3C4T1 Fl. 7 5 Voto Conselheira Ângela Sartori, Relatora. O recurso é tempestivo, e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. De início cabe esclarecer que a matéria que ora se analisa limitase a arguição de nulidade do auto de infração, haja vista que a DRJ identificou a concomitância entre as demandas no que se cinge ao mérito da causa. Da mesma forma, o ora recorrente conformouse com a decisão neste ponto e deixou de impugnála. Por outro lado, o cancelamento da multa de ofício em razão da existência de liminar favorável aos interesses do sujeito passivo, matéria esta diversa daquela discutida nos autos do processo judicial, foi deferido quando da análise da impugnação por aqueles eméritos julgadores, de modo que não há interesse de agir neste ponto e o contribuinte não voltou a levantar a questão sem seu recurso voluntário. Como relatado alhures, a TAPON CORONA METAL PLÁSTICO LTDA repisa em sede de recurso voluntário que o lançamento desrespeitou de forma evidente a decisão judicial que lhe assegurou o recolhimento do IPI, sob as embalagens de metal que saem de seu estabelecimento, pela alíquota de 4% até decisão final. Referida sentença, cuja conlusão se encontra acostada aos autos em fl. 157, determinou que a Fazenda Nacional se abstivesse, nesse tempo, de qualquer ato tendente à exigência das diferenças tributárias decorrentes da nova classificação, impugnada naquela assentada. Todavia, não vislumbro qualquer nulidade apta a ensejar a anulação do lançamento tributário. Isto porque, as hipóteses de nulidade estão previstas no art. 59 do Decreto n. 70.235/72: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Assim, sabendo que no presente caso o auto de infração foi lavrado pela autoridade administrativa competente, e que nenhuma decisão proferida até o presente momento preteriu o direito de defesa da recorrente, não há que se falar em nulidade do auto de infração. Também não há que se falar em vício por ilegalidade do auto de infração uma vez que o art. 63 da Lei 9.430 prevê o lançamento para prevenção da decadência, despido da exigência da multa de ofício: Art.63.Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº5.172, de 25 de outubro de 1966,não caberá Fl. 412DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 lançamento de multa de ofício.(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Portanto, a decisão judicial que suspende liminarmente a exigibilidade do crédito tributário não tem o condão de impedir seu lançamento para fins de evitar decadência, mas sim de impedir que o Fisco inscreva o contribuinte em divida ativa ou mova ação de execução fiscal contra este, visando o recebimento do seu crédito. CONCLUSÃO: Ante o exposto, voto no sentido de conhecer o recurso voluntário e, no mérito, negar provimento. Ângela Sartori (assinado digitalmente) Fl. 413DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10680.015940/2008-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. IRRELEVÂNCIA DA INTENÇÃO.
A responsabilidade tributária independe da intenção do agente. A alegação de desconhecimento da lei não exonera o contribuinte do pagamento do tributo, tampouco, o dispensa dos acréscimos legais previsto na legislação.
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Recibos emitidos por profissionais da área de saúde são documentos hábeis para comprovar a dedução de despesas médicas. Contudo, não se admite a dedução de despesas médicas, quando presente a existência de indícios de que os serviços a que se referem os recibos não foram de fato executados e o contribuinte intimado deixa de carrear aos autos a prova do pagamento e da efetividade da prestação dos serviços.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-002.496
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Giovanni Christian Nunes Campos Presidente
Assinado digitalmente
Núbia Matos Moura Relatora
EDITADO EM: 18/03/2013
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Ausente justificadamente a Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. IRRELEVÂNCIA DA INTENÇÃO. A responsabilidade tributária independe da intenção do agente. A alegação de desconhecimento da lei não exonera o contribuinte do pagamento do tributo, tampouco, o dispensa dos acréscimos legais previsto na legislação. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde são documentos hábeis para comprovar a dedução de despesas médicas. Contudo, não se admite a dedução de despesas médicas, quando presente a existência de indícios de que os serviços a que se referem os recibos não foram de fato executados e o contribuinte intimado deixa de carrear aos autos a prova do pagamento e da efetividade da prestação dos serviços. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora EDITADO EM: 18/03/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Ausente justificadamente a Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi.
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RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. IRRELEVÂNCIA DA INTENÇÃO. A responsabilidade tributária independe da intenção do agente. A alegação de desconhecimento da lei não exonera o contribuinte do pagamento do tributo, tampouco, o dispensa dos acréscimos legais previsto na legislação. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde são documentos hábeis para comprovar a dedução de despesas médicas. Contudo, não se admite a dedução de despesas médicas, quando presente a existência de indícios de que os serviços a que se referem os recibos não foram de fato executados e o contribuinte intimado deixa de carrear aos autos a prova do pagamento e da efetividade da prestação dos serviços. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 59 40 /2 00 8- 19 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10680.015940/200819 Acórdão n.º 2102002.496 S2C1T2 Fl. 128 2 EDITADO EM: 18/03/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Ausente justificadamente a Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi. Relatório Contra ANTONIO ROBERTO RETTORE MATTA foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 04/07, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2004, exercício 2005, no valor total de R$ 24.867,17, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 28/11/2008. As infrações apuradas pela autoridade fiscal foram: dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 29.300,00 e omissão de rendimentos recebidos da Prefeitura Municipal de Igarapé (rendimentos do trabalho) e da Administradora de Condomínios Ltda (rendimentos de aluguel), nos valores de R$ 5.085,46 e R$ 6.149,80, respectivamente. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 01/03, que foi considerada improcedente, por unanimidade, conforme Acórdão DRJ/BHE nº 0228.603, de 13/09/2010, fls. 41/45. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 18/10/2010, Aviso de Recebimento (AR), fls. 48, o contribuinte apresentou, em 16/11/2010, recurso voluntário, fls. 49/56, trazendo, em síntese, as seguintes alegações: que reconhece as omissões de rendimentos, no entendo não é razoável punirse um contribuinte que descumpre a lei por desconhecêla; que o contribuinte efetuou os pagamentos em moeda corrente, o que restou definitivamente comprovado pela juntada dos contracheques de recebimentos do salário e pela planilha apresentada. É o Relatório. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10680.015940/200819 Acórdão n.º 2102002.496 S2C1T2 Fl. 129 3 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. O lançamento imputou ao recorrente duas infrações, a saber: omissão de rendimentos e dedução indevida de despesas médicas. No recurso, o contribuinte reconhece a infração de omissão de rendimentos, no entanto, afirma não ser razoável punirse um contribuinte que descumpre a lei por desconhecêla. Nesse aspecto, cumpre esclarecer que a responsabilidade por infrações tributárias independe da intenção do agente, conforme disposto no art. 136 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Nestes termos, temse que a alegação de desconhecimento da lei não pode exonerar o contribuinte do pagamento do tributo, tampouco, dispensálo dos acréscimos legais previsto na legislação, de sorte que deve ser mantida a infração de omissão de rendimentos, nos termos em que consubstanciada no lançamento. No que concerne à infração de dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 29.300,00, representada pelos recibos emitidos pelos seguintes profissionais/pessoa jurídica: Simone Ferraz Braga de Oliveira (R$ 5.000,00), Cristiane Gabriel (R$ 12.000,00), Juliana do Prada Cardoso(R$ 5.000,00), Edirlaine Gilberto Carneiro (R$ 4.800,00) e ProGente Psicologia e Desenvolvimento Humano Ltda (R$ 2.500,00), temse que a autoridade fiscal não acatou as referidas despesas por entender não comprovado e efetivo pagamentos das quantias referidas nos respectivos recibos. Para a análise das alegações trazidas pela defesa, trazse a seguir a legislação tributária que regula a matéria: Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 Art.8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: Fl. 129DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10680.015940/200819 Acórdão n.º 2102002.496 S2C1T2 Fl. 130 4 a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Conforme se depreende dos dispositivos acima, cabe ao contribuinte que pleiteou a dedução provar que realmente efetuou os pagamentos nos valores e nas datas constantes nos comprovantes, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução, no período assinalado. Em princípio, admitese como prova idônea de pagamentos, os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado. Entretanto, existindo dúvida quanto à idoneidade do documento por parte da autoridade fiscal, pode esta solicitar provas não só da efetividade do pagamento, mas também da efetividade dos serviços prestados pelos profissionais. E este é o caso dos autos. A dedução de despesas médicas pleiteada pelo contribuinte foi de R$ 29.300,00, que corresponde a 37% do seu rendimento líquido (rendimento declarado de R$ 92.132,37, deduzido da despesa de previdência oficial de R$ 3.322,05 e do imposto de renda retido na fonte de R$ 10.057,93). Temse, portanto, que a dedução pleiteada é exagerada em relação aos rendimentos declarados, de sorte que está plenamente justificada a conduta da autoridade fiscal em solicitar a comprovação do efetivo pagamento das quantias especificadas nos recibos apresentados pelo contribuinte. E mais, não se pode esquecer que o recorrente também incorreu na infração de omissão de rendimentos. Por seu turno, o recorrente afirma no recurso que efetuou os pagamentos em moeda corrente, o que restou definitivamente comprovado pela juntada dos contracheques de recebimentos do salário e pela planilha apresentada. Ocorre que os contracheques e a planilha, apresentados pelo contribuinte, demonstram apenas a disponibilidade financeira de recurso para fazer frente aos pagamentos dos valores consignados nos recibos. Entretanto, não comprovam a efetividade dos pagamentos, ou seja, as provas apresentadas pela defesa não se prestam para comprovar a transferência dos recursos para os profissionais, que emitiram os recibos médicos. E mais, não é razoável admitirse que um contribuinte que tem conta bancária faça pagamentos da ordem de R$ 4.000,00 em dinheiro, quando poderia usufruir da facilidade de pagamento em cheques ou ordens bancárias, que são os meios mais usuais e seguros. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10680.015940/200819 Acórdão n.º 2102002.496 S2C1T2 Fl. 131 5 Assim, pelas razões acima expostas, devese manter a glosa da dedução de despesas médicas, tendo em vista que o contribuinte não logrou comprovar, durante o procedimento fiscal, tampouco nas fases de impugnação e recursal, a efetividade dos pagamentos apontados nos recibos de despesas médicas. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 131DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10660.901553/2009-16
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
Reconhecimento do Direito Creditório. Análise Interrompida em Aspectos Prejudiciais.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a autoridade julgadora da DRJ não analisa todas as razões de defesa expressas na manifestação de inconformidade, por ter se restringido a aspectos prejudiciais superados na análise do recurso voluntário. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada a questão prejudicial, depende da análise, pela autoridade julgadora a quo que jurisdiciona a contribuinte, da existência, suficiência e disponibilidade do crédito, além da possibilidade de sua utilização na compensação pretendida
Numero da decisão: 1801-001.322
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de 1ª instância, para se pronunciar a respeito do mérito do litígio, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 Reconhecimento do Direito Creditório. Análise Interrompida em Aspectos Prejudiciais. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a autoridade julgadora da DRJ não analisa todas as razões de defesa expressas na manifestação de inconformidade, por ter se restringido a aspectos prejudiciais superados na análise do recurso voluntário. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada a questão prejudicial, depende da análise, pela autoridade julgadora a quo que jurisdiciona a contribuinte, da existência, suficiência e disponibilidade do crédito, além da possibilidade de sua utilização na compensação pretendida
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PREJUDICIAIS. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a autoridade julgadora da DRJ não analisa todas as razões de defesa expressas na manifestação de inconformidade, por ter se restringido a aspectos prejudiciais superados na análise do recurso voluntário. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada a questão prejudicial, depende da análise, pela autoridade julgadora “a quo” que jurisdiciona a contribuinte, da existência, suficiência e disponibilidade do crédito, além da possibilidade de sua utilização na compensação pretendida Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de 1ª instância, para se pronunciar a respeito do mérito do litígio, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 15 53 /2 00 9- 16 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.901553/200916 Acórdão n.º 1801001.322 S1TE01 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o acórdão n º 0936.363, de 16/08/2011, da 2a. Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG (fls. 26/28) que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório da DRF em Varginha/MG, que não homologou as compensações declaradas em DCOMP. Histórico Trata o presente processo de Declaração de Compensação transmitida eletronicamente em 28/06/2006 (fls. 18/23) que informa direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL relativa ao mês de agosto de 2005 (recolhimento em setembro/2005), no valor de R$ 8.572,30, para utilização na compensação de débito de estimativa de IRPJ do mês de agosto de 2005, no mesmo valor do indébito informado. Pelo Despacho Decisório Eletrônico da DRF em Varginha/MG, emitido em 25/03/2009 (fl. 11) não houve reconhecimento do direito creditório pleiteado pois o DARF indicado no PERDCOMP para comprovação do indébito já teria sido alocado a outro pagamento e, assim, não haveria a disponibilidade do crédito. Foi apresentada manifestação de inconformidade (fls. 01/04) na qual alega, a interessada, que teria direito ao indébito pois procedera ao recolhimento, no curso do ano calendário 2005, de estimativas de CSLL nos seguintes valores: Meses Valores Janeiro 6.121,36 Fevereiro 3.247,07 Março 2.502,26 Abril 2.265,22 Maio 2.934,05 Junho 5.583,43 Julho 9.611,00 Agosto 8.572,30 Setembro 100,00 Outubro 10.064,45 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.901553/200916 Acórdão n.º 1801001.322 S1TE01 Fl. 4 3 Novembro 8.334,68 Dezembro 0,00 Total 59.255,74 Alega que, de acordo com a Ficha 17 da DIPJ/2006 o valor apurado como devido da CSLL ao final do anocalendário 2005 montou em R$ 29.256,37 que, diminuído dos valores recolhidos a título de estimativa mensal, resultaria num saldo a compensar de R$ 29.999,37. Analisando o pedido a 2a. Turma Julgadora da DRJ em Juiz de Fora/MG indeferiu o pleito ao argumento de que, nos termos da IN SRF n º 660/2005, pagamentos efetuados a título de estimativa de CSLL não podem ser utilizados como indébito, em compensação, e somente podem ser aproveitados para dedução da contribuição anual devida ou na composição do saldo negativo respectivo (fls. 26/28). Notificada da decisão, em 22/09/2011, como demonstra a cópia do AR (fl. 37 processo digital) apresentou, a interessada, em 17/10/2011, recurso voluntário. Nas razões de defesa aduz que instruções normativas poderiam estabelecer formas e procedimentos para realização de compensações mas jamais restringir o direito à compensação previsto em lei. Argumenta, ainda, ter ocorrido um mero erro formal no preenchimento da declaração eletrônica de compensação, no campo “tipo do crédito”, preenchido com a informação “pagamento indevido ou a maior”, quando o correto seria “saldo negativo de CSLL”. Pede, assim, em respeito ao princípio da verdade material, que seja reconhecido o direito creditório a título de saldo negativo de CSLL e homologada a compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. A Turma Julgadora de 1a. instância indeferiu o pleito ao único argumento de que, nos termos da IN/SRF n º 600, de 2005, seria vedada a utilização de estimativas mensais recolhidas no curso do anocalendário como direito creditório em compensações. A questão quanto a possibilidade de haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL no curso do anocalendário gerando um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação, encontrase Fl. 56DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.901553/200916 Acórdão n.º 1801001.322 S1TE01 Fl. 5 4 superada, inclusive no que diz respeito à legislação complementar. As justificativas encontram se pormenorizadas no Acórdão n º 18010000.486, desta 1a. Turma Especial da 3a. Câmara – 1a. Seção do CARF, de relatoria desta Conselheira. Entretanto, a interessada, na manifestação de inconformidade, já dera indícios de que pleiteava como indébito, em verdade, o saldo negativo de CSLL do anocalendário 2005, para fazer frente à desejada compensação. Vejamos suas alegações à fl. 03: Conforme consta da Ficha 17 da DIPJ/2006 a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido devida, relativa ao ano de 2005, importou em R$ 29.256,37 1 (vinte e nove mil, duzentos e cinqüenta e seis reais e trinta e sete centavos), depois de compensados os valores retidos na fonte. Disso resulta um saldo a compensar de R$ 29.999,37 (Vinte e nove mil, novecentos e noventa e nove reais e trinta e sete centavos), ou seja R$ 59.255,74 (cinqüenta e nove mil, duzentos e cinqüenta e cinco reais e setenta e quatro centavos) menos R$ 29.256,37 (vinte e nove mil, duzentos e cinqüenta e seis reais e trinta e sete centavos). A Turma Julgadora de 1a. instância, contudo, não apreciou as alegações da defesa a respeito da ocorrência de erro no preenchimento da Declaração de Compensação Eletrônica, no tipo de crédito indicado. Desta feita, nas razões de defesa deduzidas no recurso voluntário, a interessada reprisa que teria errado no preenchimento da referida DCOMP e que o indébito pleiteado é o saldo negativo de CSLL apurado ao final do anocalendário 2005. Entretanto, esta Turma Julgadora do CARF não pode analisar as razões meritórias de defesa, não analisadas pela autoridade julgadora “a quo”. A autoridade julgadora “a quo”. centrou sua decisão em questão prejudicial e assim não analisou integralmente os argumentos da defesa, no que toca à ocorrência de erro no preenchimento da DCOMP, assim como também não analisou a efetiva existência e procedência do crédito. É necessária a apreciação do mérito pela autoridade julgadora competente, quanto aos demais aspectos das argüições de defesa, para homologação das compensações, além do que é imperiosa a análise da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado e da possibilidade de sua utilização na compensação de débitos de estimativa de IRPJ apuradas como devidas no curso do anocalendário 2005. Cumpre registrar inclusive que, enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova oportunidade de apresentar recurso voluntário, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação na segunda instância administrativa de julgamento. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, mas sem homologar as compensações, por ausência de análise do mérito pela autoridade julgadora da DRJ Juiz de Fora/MG, com o conseqüente retorno dos autos àquela repartição, para verificação dos demais argumentos de defesa relativos ao erro no preenchimento da DCOMP, à existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido, pronunciandose, no mérito, a respeito das compensações declaradas pela recorrente. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.901553/200916 Acórdão n.º 1801001.322 S1TE01 Fl. 6 5 (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 58DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10380.008934/2005-39
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL.
Exercício: 2001
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO — COMPENSAÇÃO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS NA SUCESSÃO — Até o advento da Medida Provisória n.1.858-6, de 1999, não existia qualquer impedimento legal para que a sociedade sucessora por incorporação, fusão ou cisão pudesse compensar a base de cálculo negativa da CSLL, apurada pela sucedida, a partir de janeiro de 1992.
Numero da decisão: 9101-001.515
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, CONHECER do recurso. Vencido o Conselheiro João Carlos de Lima Júnior. 2) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional.
Matéria: CSL- glosa compens. bases negativas de períodos anteriores
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1813; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10380.008934/200539 Recurso nº 164.096 Especial do Procurador Acórdão nº 9101001.515 – 1ª Turma Sessão de 20 de novembro de 2012. Matéria CSLL Recorrente Fazenda Nacional Interessado Cia Energética do Ceará COELCE Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL. Exercício: 2001 Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO — COMPENSAÇÃO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS NA SUCESSÃO — Até o advento da Medida Provisória n.1.8586, de 1999, não existia qualquer impedimento legal para que a sociedade sucessora por incorporação, fusão ou cisão pudesse compensar a base de cálculo negativa da CSLL, apurada pela sucedida, a partir de janeiro de 1992. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, CONHECER do recurso. Vencido o Conselheiro João Carlos de Lima Júnior. 2) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional. (documento assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (suplente convocado), Fl. 452DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por VALMIR SANDRI 2 Plínio Rodrigues de Lima, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva e Suzy Gomes Hoffmann. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10380.008934/200539 Acórdão n.º 9101001.515 CSRFT1 Fl. 2 3 Relatório Em sessão plenária realizada em 14 de maio de 2009, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF julgou o Recurso Voluntário n° 164.096 e, por unanimidade de votos, decidiu, dar provimento ao recurso. Na revisão da declaração da interessada, foi constatada a seguinte irregularidade: “compensação a maior de base” de cálculo negativa da CSLL do ano de 2000, no montante de R$ 207.243,94, tendo em vista a inexistência de saldo compensável, conforme "Demonstrativo da Base de Cálculo Negativa da CSLL" (SAPLI — 1992 a 2000) que segue, em anexo, devidamente atualizado pelas alterações promovidas "de oficio". Mantida a exigência em primeira instância, sobreveio recurso voluntário com decisão favorável à interessada, conforme Acórdão n° 130100.094, com a ementa a seguir: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL. Exercido: 2001 Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO — COMPENSAÇÃO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS NA SUCESSÃO — Até o advento da Medida Provisória n.1.8586, de 1.999, inexistia qualquer impedimento legal para que a sociedade sucessora por incorporação, fusão ou cisão pudesse compensar a base de cálculo negativa da CSLL, apurada pela sucedida, a partir de janeiro de 1992. Improcedente a glosa da compensação efetuada naquele sentido. Cientificada da decisão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, alegando que a decisão deu a lei tributária interpretação divergente da que lhe foi dada por outra Câmara, invocando como paradigma o acórdão nº 10323.404, cuja ementa vai a seguir transcrita: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercício: 2001 Ementa: CSLL. COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS. INCORPORAÇÃO. Conforme expressa disposição legal (Medida Provisória n. 18586, de 1999, sucedida pela Medida Provisória n. 2.15825, de 2001), a pessoa jurídica sucessora por incorporação não poderá compensar bases negativas apuradas pela empresa incorporada. Recurso voluntário não provido. O Presidente da Terceira Câmara deu seguimento ao recurso, ao entendimento de que: “Do exame dos acórdãos trazidos para confronto, verificase, de fato, a divergência de decisões entre as turmas/câmaras deste órgão colegiado sobre a mesma matéria, ou seja, os efeitos da Medida Provisória n° 18586, artigo 20, sobre as incorporações ocorridas em datas anteriores e compensações das bases de cálculo negativas, pelo que a questão deve ser levada a reapreciação pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. É o relatório. Fl. 454DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por VALMIR SANDRI 4 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O recurso atende os pressupostos que o legitimam. Dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme se depreende dos autos, enquanto o acórdão recorrido decidiu pelo provimento do recurso do contribuinte, ao entendimento de que até o advento da Medida Provisória n.1.8586, de 1.999, inexistia qualquer impedimento legal para que a sociedade sucessora por incorporação, fusão ou cisão pudesse compensar a base de cálculo negativa da CSLL, apurada pela sucedida, o acórdão paradigma trilhou outro caminho, ou seja, entendeu que mesmo diante de contexto no qual o autuado promoveu incorporação de outra pessoa jurídica em data anterior ao advento da MP n. 1.8586 de 29/06/1999 e publicada em 30/06/1999 (incorporação em 30/01/1998), ainda assim, cabia a proibição de que a sociedade sucessora por incorporação, fusão ou cisão pudesse compensar a base de cálculo negativa da CSLL, apurada pela sucedida.". Como visto, a norma sobre cuja interpretação se controverte foi introduzida pela Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, publicada no DOU de 30/06/99, in verbis: Art.20. Aplicase à base de cálculo negativa da CSLL o disposto nos arts. 32 e 33 do DecretoLei no 2.341, de 29 de junho de 1987. (...) Art.22. Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação. A possibilidade de a pessoa jurídica compensar suas próprias bases negativas de CSLL de períodos anteriores passou a existir a partir de 1992, introduzida que foi na legislação pela Lei nº 8.383, de 1991. Com essa norma surgiu também à possibilidade de compensar as bases negativas recebidas de outras pessoas jurídicas em decorrência de incorporação fusão ou cisão. É que, com o evento societário, as bases negativas da sociedade incorporada, fusionada ou cindida passam a compor o patrimônio da sucessora (não são bases negativas de terceiros), e havendo lei permitindo a compensação (Lei nº 8.383/91), apenas por norma expressa poderia ser criada a exceção para as bases negativas recebidas por algum daqueles eventos. Por sua vez, a norma excludente foi introduzida no sistema jurídico pelo art. 20 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999. Por isso, a jurisprudência amplamente dominante no sentido de que até o advento da Medida Provisória n.1.8586, de 1999, inexistia qualquer impedimento legal para que a sociedade sucessora por incorporação, fusão ou cisão pudesse compensar a base de cálculo negativa da CSLL, apurada pela sucedida, a partir de janeiro de 1992, no mesmo sentido do acórdão vergastado. Por seu turno, a Fazenda Nacional postula pela reforma da decisão, reportandose aos argumentos da fiscalização (aplicação das normas do IRPJ à CSLL por força do art. 57 da Lei 8.981/91; preexistência da proibição, nos termos do art. 33 do DL 2.341/97; Fl. 455DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10380.008934/200539 Acórdão n.º 9101001.515 CSRFT1 Fl. 3 5 caráter interpretativo do art. 20 da MP 1.8586; não impedimento da eficácia imediata da norma contida no art. 20 da MP em função da anterioridade nonagesimal). Como tem sido invariavelmente decidido pelos órgãos julgadores de 2ª instância e de instância especial, o art. 59 da Lei nº 8.981/91 (“aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei n° 7.689, de 1988), as mesmas normas de apuração e pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas”), normas de apuração e pagamento a que se refere o artigo são as que definem a tributação segundo o lucro real (anual ou trimestral), presumido e arbitrado, e aos conceitos utilizados na legislação do imposto de renda, não tendo a elasticidade de alcançar todas as normas que influenciam a determinação da base de cálculo. Tanto é assim que o próprio dispositivo faz referência expressa, na sua parte final que ficam mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor. A proibição existente antes da MP 1.8586, portanto, aplicavase exclusivamente ao imposto de renda, e a nova norma legal não tem caráter meramente interpretativo, conforme entende a D. Procuradoria. Os efeitos da anterioridade nonagesimal foram assim enfrentados no voto condutor do acórdão recorrido: “A MP no 1.8586 de 29 de junho de 1.999, foi publicada no DOU do dia 30 de Junho de 1.999, e trouxe no seu artigo 20 a proibição de compensação de bases negativas de CSLL, apurada pela sucedida, pela sucessora. A incorporação foi autorizada pela ANEEL através da Resolução n° 269 de 15 de setembro de 1999, publicada no DOU de 16.09.1.99, fl. 055, como já dito ocorreu no dia 27 de setembro de 1999, conforme Ata da Assembléia Geral Extraordinária de folhas 49 a 51. Tendo a MP entrado em vigor em 30 de junho de 1.999, seu artigo 20 já produziria efeito a partir dessa data ou teria que aguardar a noventena prevista no artigo 195 § 6° da Constituição Federal promulgada em 05.10.1.988? A decisão recorrida entendeu que a MP produziu efeito imediato também em relação ao seu artigo 20, pois não modificou quaisquer os elementos constitutivos da correspondente obrigação tributária a teor do que prescrevem o CTN e a Lei instituidora da exação (Lei 7.689/88, com suas alterações posteriores.) Ouso divergir do acórdão recorrido pois não há nenhuma dúvida de que a norma que vedou a utilização de bases negativas da CSLL apurada pela sucedida, pela sucessora, modificou uma situação jurídica até então existente levando a exigência de CSLL sobre uma base apurada no futuro, (após a incorporação), que antes da MP não seria objeto de tributação, visto o direito à. compensação. A incorporação foi realizada na véspera da entrada em vigor da norma vedadora 270999, logo quando o artigo 20 da MP 1.8586 entrou em vigor 280999, já não havia o que falar em Fl. 456DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por VALMIR SANDRI 6 base de cálculo da sucedida, visto naquela data como houve a sucessão universal por parte da COELCE, havia somente base negativa integrada das duas companhias em uma só. Havia, portanto um direito adquirido antes da entrada em vigor da norma vedadora de compensação, com qual com certeza a incorporadora contou para realizar a incorporação, não podendo norma superveniente modificar situação jurídica já consolidada.”. Argumenta a PFN que “a aplicação temporal da norma deve se reger pela época da compensação e não da incorporação. Se as bases negativas da incorporada foram compensadas pela incorporadora após 1999, aplicase a Medida Provisória n° 18586/1999 a hipótese. Este e o caso dos autos, onde se verifica que o autuado realizou a compensação indevida no ano calendário de 2000, quando já estava em vigor a proibição legal veiculada na aludida Medida Provisória, que fundamentou a autuação questionada pelo contribuinte.” O princípio da anterioridade destinase a prevenir a surpresa, e tem por foco a segurança jurídica. A respeito do tema, e especificamente sobre a anterioridade de que trata o § 6º do art. 195 da Constituição, Leandro Paulsen1 comenta o significado do termo “exigidas”, esclarecendo: “Com a anterioridade especial, garantese que a lei que institui ou modifica uma contribuição social são incidirá senão sobre fatos geradores ocorridos a partir de 90 dias da edição da lei.” E mais adiante: “No caso de fatos geradores complexivos, temos que só haverá observância do princípio da anterioridade especial se os noventa dias precederem aos fatos econômicos que servem à incidência da norma tributária.” Logo, não encontrei, quer no acórdão paradigma, quer nas considerações da Douta PFN, qualquer argumento convincente no sentido de alterar a consagrada jurisprudência amplamente dominante deste tribunal administrativo, razão porque, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. É como voto. Sala de Sessões, em 20 de novembro de 2012. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri, Relator. 1 Direito Tributário: Constituição e Código Tributário Nacional à. luz da doutrina e da jurisprudência. 5 ed. rev.atual.l. Porto Alegre: Livraria do Advogado: ESMAFE, 2003. pg. 496 Fl. 457DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10380.008934/200539 Acórdão n.º 9101001.515 CSRFT1 Fl. 4 7 Fl. 458DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 10120.007330/2005-36
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Ano-calendário: 2000
IRRF PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS OU SEM CAUSA COMPROVADA DECADÊNCIA.
Pelo entendimento pessoal do relator, o imposto de renda na fonte é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, nos casos do artigo 61 da Lei n° 8.981/95, ocorre no dia dos referidos pagamentos. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN.
Contudo, por força do artigo 62-A do RICARF, este Colegiado deve
reproduzir a decisão proferida pelo Egrégio STJ nos autos do REsp n° 973.733/SC, ou seja, “O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.”
No caso, estão juntados aos autos diversos DARF pagos pela empresa com códigos de receita 8045 (IRRF Outros Rendimentos), 1708 (IRRF Remuneração Serviços Prestados por Pessoa Jurídica), 0588 (IRRF Rendimento do Trabalho sem Vínculo Empregatício) e 0561 (IRRF Rendimento do Trabalho Assalariado), de situações consideradas pela fiscalização como pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado, sendo o recolhimento mais antigo de 19/01/2000 e o mais recente de 20/12/2000. Os fatos geradores lançados ocorreram entre 05/01/2000 e 21/12/2000.
Houve, portanto, pagamento antecipado de imposto de renda na fonte no período em questão, sendo aplicável ao caso a regra do artigo 150, § 4°, do CTN.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.327
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Gustavo Lian Haddad e Pedro Paulo Pereira Barbosa que votaram por converter o julgamento em diligência. Votou pelas conclusões o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: GONCALO BONET ALLAGE
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2000 IRRF PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS OU SEM CAUSA COMPROVADA DECADÊNCIA. Pelo entendimento pessoal do relator, o imposto de renda na fonte é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, nos casos do artigo 61 da Lei n° 8.981/95, ocorre no dia dos referidos pagamentos. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício, operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Contudo, por força do artigo 62A do RICARF, este Colegiado deve reproduzir a decisão proferida pelo Egrégio STJ nos autos do REsp n° 973.733/SC, ou seja, “O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.” No caso, estão juntados aos autos diversos DARF pagos pela empresa com códigos de receita 8045 (IRRF Outros Rendimentos), 1708 (IRRF Remuneração Serviços Prestados por Pessoa Jurídica), 0588 (IRRF Rendimento do Trabalho sem Vínculo Empregatício) e 0561 (IRRF Rendimento do Trabalho Assalariado), de situações consideradas pela fiscalização como pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado, sendo o recolhimento mais antigo de 19/01/2000 e o mais recente de Fl. 1DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10120.007330/200536 Acórdão n.º 920202.327 CSRFT2 Fl. 1.333 2 20/12/2000. Os fatos geradores lançados ocorreram entre 05/01/2000 e 21/12/2000. Houve, portanto, pagamento antecipado de imposto de renda na fonte no período em questão, sendo aplicável ao caso a regra do artigo 150, § 4°, do CTN. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Gustavo Lian Haddad e Pedro Paulo Pereira Barbosa que votaram por converter o julgamento em diligência. Votou pelas conclusões o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes. (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator EDITADO EM: 26/09/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Pedro Anan Junior, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10120.007330/200536 Acórdão n.º 920202.327 CSRFT2 Fl. 1.334 3 Relatório Em face de GSA Gama Sucos e Alimentos Ltda., CNPJ n° 00.774.265/0001 47, foi lavrado o auto de infração de fls. 122152, para a exigência de imposto de renda na fonte incidente sobre pagamentos sem causa e de operação não comprovada, quanto a fatos ocorridos entre 05/01/2000 e 27/12/2000, com multa de ofício qualificada e agravada para o patamar de 225%. A ciência do lançamento se deu em 22/12/2005 (fls. 152). A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF) considerou o lançamento procedente em parte, excluindo do lançamento diversos valores e desqualificando a multa relativamente aos pagamentos a beneficiários não identificados (para esta infração a penalidade restou reduzida de 225% para 112,5%, conforme acórdão de fls. 569591, Volume III). Por sua vez, a Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, apreciando o recurso de ofício apresentado pela DRJ e o recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, proferiu o acórdão n° 330100.070, que se encontra às fls. 1.2301.250 (Volume VI), cuja ementa é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2000 PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO — MULTA QUALIFICADA AFASTADA PELA DRJ — RECURSO DE OFÍCIO NEGADO. 1. A realização de pagamento sem identificação do beneficiário é hipótese de incidência prevista no artigo 61 da Lei n° 8.981, de 1990, sem que isto, por si só, possa ser caracterizado como fraude fiscal para ensejar a qualificadora da multa. Recurso de ofício negado. IRRF LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO AUSÊNCIA DA COMPROVAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE – PRAZO DECADENCIAL NA FORMA DO ART. 150, § 4°, DO CTN. 2. O fato gerador referente à exigência de crédito tributário correspondente a pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, de que trata o art. 61 da Lei n° 8.981/95, considera se ocorrido na data do pagamento. Para esse tipo de lançamento, o qüinqüênio do prazo decadencial tem seu início na data do fato gerador, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando tem aplicação o art. 173, I, do CTN. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10120.007330/200536 Acórdão n.º 920202.327 CSRFT2 Fl. 1.335 4 3. Reconhecida a inexistência de fraude, dolo ou simulação, não prospera a exigência de crédito tributário extinto pela decadência (art. 150, § 4°, do CTN). PAGAMENTO EFETUADO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE — INOCORRÊNCIA. 4. A não comprovação da causa do pagamento permite a exigência de Imposto de Renda com alíquota de 35% e base de cálculo reajustada, nos termos do art. 61 da Lei n° 8.981, de 1990, sem que isto possa ser caracterizado como fraude fiscal para justificar a exigência de multa qualificada. 5. A não comprovação da operação ou da causa do pagamento efetuado, caracteriza falta simples de pagamentos sem causa, porém não caracteriza evidente intuito de fraude. Como anotação do resultado do julgamento está consignado que “ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos: 1) em NEGAR provimento ao recurso De Ofício; 2) acolher a decadência para os fatos geradores ocorridos de janeiro até 21 de dezembro de 2000, suscitada pelo Relator (item 01 do AIIM); 3) quanto ao item 02 do auto de infração, 3.1) desqualificar a multa, o que implica em declarar decadente os fatos geradores ocorridos de 01 de janeiro até 21 de dezembro de 2000; 3.2) quanto ao mérito, em DAR provimento ao recurso.” (fls. 1.231, Volume VI). Em face deste julgado a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração às fls. 1.5231.525, os quais restaram rejeitados, mas com correção de inexatidão material relativa a datas de fatos geradores, nos termos da informação de fls. 1.257 (Volume VI). Intimada, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência às fls. 1.2621.273, acompanhado dos documentos de fls. 1.2741.292 (Volume VII), cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) O v. Acórdão proferido pela Colenda lª Turma Ordinária da 3a Câmara da 3a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda entendeu de aplicar a regra do artigo 150, par. 4°, do CTN, acolhendo a decadência para os fatos geradores: a) ocorridos até 21 de dezembro de 2000 (no tocante ao item 01 do auto de infração); b) ocorridos de l° de janeiro a 21 de dezembro de 2000 (com relação ao item 02 do auto de infração); b) Ao assim decidir, o v. Acórdão ora recorrido acabou por DIVERGIR FRONTALMENTE do acórdão n° 10614.715 que, analisando situação similar a presente (acusação de pagamentos sem causa), entendeu que a regra decadencial a ser aplicada é a do artigo 173, inciso I, do CTN, não havendo pagamento prévio, situação também verificada no presente feito; c) No mesmo sentido o acórdão n° 910100.460; Fl. 4DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10120.007330/200536 Acórdão n.º 920202.327 CSRFT2 Fl. 1.336 5 d) Só se pode identificar lançamento por homologação quando existir um pagamento prévio, ou que somente se sujeitam as normas aplicáveis ao lançamento por homologação os créditos Tributários já satisfeitos, bem que parcialmente, por via do pagamento; e) O art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional (CTN) pressupõe um pagamento prévio e, em contrapartida, estabelece um prazo mais curto, a contar da ocorrência do fato gerador, isto é, o último dia do período de apuração do imposto; já o art. 173 do CTN, ao revés, pressupõe não ter havido pagamento prévio , e, em contrapartida, alonga o prazo para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, com a ressalva de seu parágrafo único; f) Temse que o pagamento antecipado pelo obrigado extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento (art. 150, § 1°); assim, o ato administrativo de homologação do lançamento é condição para que o pagamento antecipado produza o efeito que lhe é peculiar: extinguir o credito Tributário (art. 156, I); viceversa, o pagamento antecipado é pressuposto de existência do ato administrativo de homologação do lançamento (art. 150, § 4°); g) Assim, se o sujeito passivo não efetua nenhum pagamento, a hipótese não mais é de homologação, pelo simples motivo de que não há nada a ser homologado; inexistindo qualquer pagamento, a hipótese passa a ser de lançamento de ofício, qualquer que seja o tributo e sua disciplina originária; h) Não tendo havido antecipação de pagamento, não há que se falar em fato homologável, e o prazo decadencial para constituição do crédito Tributário obedece, nesse caso, ao disposto no art. 173, I, do CTN, sendo de 5 (cinco) anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; i) Trazendo tais premissas para o caso em tela, considerando que a notificação do lançamento se efetivou em 22 de dezembro de 2005 (fls. 152) e os tributos cobrados são do anocalendário de 2000, não há de se falar em DECADÊNCIA; j) Requer seja conhecido e provido o presente Recurso Especial apresentado, a fim de REFORMANDO o v. acórdão ora recorrido, ser afastada a preliminar de decadência. Admitido o recurso por intermédio do despacho n° 220100.078 (fls. 1.293 1.295), o contribuinte foi intimado e, devidamente representado, apresentou contrarrazões às fls. 1.3191.327, onde defendeu, fundamentalmente, a necessidade de manutenção da decisão recorrida. É o Relatório. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10120.007330/200536 Acórdão n.º 920202.327 CSRFT2 Fl. 1.337 6 Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso de ofício, desqualificou a multa para as exigências relativas a pagamentos sem causa, reconheceu a decadência no que se refere aos fatos ocorridos até 21/12/2000 e, no mérito, deu provimento ao recurso. A questão devolvida à apreciação deste Colegiado está relacionada à decadência. Segundo a recorrente, como não houve pagamento parcial, aplicase ao caso a regra decadencial prevista no artigo 173, inciso I, do CTN, de modo que a decadência não atingiu os fatos geradores ocorridos entre 05/01/2000 e 21/12/2000, pois a ciência do lançamento só ocorreu em 22/12/2005. Eis a matéria em litígio. O imposto de renda na fonte incidente sobre pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa comprovada tem matriz legal no artigo 61 da Lei n° 8.981/95 (reproduzida no artigo 674 do RIR/99), nos seguintes termos: Art. 61. Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35% (trinta e cinco por cento), todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1°. A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2°, do art. 74 da Lei n° 8.383, de 1991. § 2°. Considerase vencido o imposto de renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3°. O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. De acordo com este dispositivo legal, surge o fato gerador do imposto de renda na fonte com relação a pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa Fl. 6DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10120.007330/200536 Acórdão n.º 920202.327 CSRFT2 Fl. 1.338 7 comprovada no dia dos referidos pagamentos, sendo que o tributo é devido pela fonte pagadora, de forma exclusiva e definitiva. Segundo penso, o imposto de renda retido na fonte, inclusive este previsto no artigo 61 da Lei n° 8.981/95, é tributo sujeito ao regime do chamado lançamento por homologação, já que cabe às fontes pagadoras a apuração da base de cálculo do imposto e o recolhimento do montante devido, a título de antecipação ou em caráter definitivo, submetendo, posteriormente, esse procedimento à autoridade administrativa, que deverá, homologar ou não, expressa ou tacitamente, a atividade exercida pelo obrigado. A natureza de tributo sujeito ao lançamento por homologação, do imposto de renda retido na fonte previsto no artigo 61 da Lei n° 8.981/95, é indicada, inclusive, pela existência de código de receita específico, qual seja, “5217 IRRF PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO”. A homologação expressa, para tais tributos, deve se dar no prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador. Ultrapassado esse prazo, sem ter sido lavrado lançamento de ofício pela autoridade administrativa, considerase homologada tacitamente a atividade exercida pelo contribuinte e extinto o crédito tributário, nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN, que prevê: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4°. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O decurso do prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, implica na homologação tácita da atividade exercida pelo contribuinte e, em razão do instituto da decadência, previsto no artigo 156, inciso V, do CTN, extingue o crédito tributário. Considerando que os fatos geradores do imposto de renda retido na fonte ocorreram, no caso em julgamento, entre 05/01/2000 e 21/12/2000 e diante do fato de que o sujeito passivo da obrigação tributária tomou ciência do auto de infração em 22/12/2005 (fls. 152), concluo que a manifestação da Fazenda Nacional não merece prosperar, pois, efetivamente, a decadência impede a manutenção do lançamento. Na visão deste julgador, como houve a desqualificação da penalidade (parte pela decisão de primeira instância e parte pelo acórdão recorrido), que restou reduzida de 225% para 112,5% (matéria que sequer foi objeto de recurso), não se está diante de dolo, fraude ou simulação e, portanto, inexiste fundamento legal que justifique a contagem do prazo decadencial da forma prevista no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10120.007330/200536 Acórdão n.º 920202.327 CSRFT2 Fl. 1.339 8 Contudo, por força do que determina o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, não posso deixar de reproduzir aqui o julgamento proferido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça – STJ nos autos do REsp n° 973.733/SC, cuja ementa tem o seguinte teor: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Fl. 8DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10120.007330/200536 Acórdão n.º 920202.327 CSRFT2 Fl. 1.340 9 Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ, Primeira Seção, REsp n° 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, DJE de 18/09/2009) Portanto, segundo o Egrégio STJ, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quando inexistir pagamento antecipado o prazo decadencial qüinqüenal contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, sendo que “O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o ‘primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, ...”. Dessa forma, tornase importante analisar a comprovação quanto à existência ou não de pagamento do tributo sujeito ao lançamento por homologação, no caso, de imposto de renda na fonte, que tem como uma de suas espécies a exigência prevista no artigo 61 da Lei n° 8.981/95, para aplicação ao caso da regra prevista no artigo 150, § 4° (tal qual fez o acórdão recorrido) ou no artigo 173, inciso I, ambos do CTN (da forma defendida pela recorrente). Analisando os autos, é possível verificar a existência de diversos DARF pagos pela interessada, com códigos de receita 8045 (IRRF – Outros Rendimentos), 1708 (IRRF – Remuneração Serviços Prestados por Pessoa Jurídica), 0588 (IRRF – Rendimento do Trabalho sem Vínculo Empregatício) e 0561 (IRRF – Rendimento do Trabalho Assalariado), às fls. 240, 277 (Volume II), 496, 504 (Volume III), 687, 688, 701, 710, 711, 723, 729, 730, 735, 736, 741, 751, 752, 759, 760, 771, 772, 779, 785 (Volume IV) e 883 (Volume V), além de diversos documentos de arrecadação juntados em duplicidade, sendo o recolhimento mais antigo de 19/01/2000 e o mais recente de 20/12/2000, devendose destacar que os fatos geradores apurados pela fiscalização ocorreram entre 05/01/2000 e 21/12/2000. Concluo, pois, que houve pagamento antecipado de imposto de renda na fonte no período em questão. Assim, ainda que direcionado pelo artigo 62A do RICARF, mas seguindo a orientação acima descrita, entendo que se aplica ao caso a regra decadencial prevista no artigo Fl. 9DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10120.007330/200536 Acórdão n.º 920202.327 CSRFT2 Fl. 1.341 10 150, § 4°, do CTN, de modo que a decadência fulminou os fatos geradores ocorridos entre 05/01/2000 e 21/12/2000, pois a ciência do lançamento se deu em 22/12/2005. A decisão recorrida merece ser confirmada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 10DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por GONCALO BONET ALLAGE
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Numero do processo: 13607.000710/2003-11
Turma: Oitava Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1998
COISA JULGADA - PROCESSO DECORRENTE.
O decidido no julgamento do processo que apreciou a compensação faz coisa julgada no processo decorrente em que se apreciou o lançamento do débito objeto da compensação, ante a íntima relação de causa e feito entre eles existente.
COMPENSAÇÃO - NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
É cabível o lançamento de ofício para constituição de crédito tributário quando a compensação efetuada em DCTF afeta o seu saldo devedor e não há confissão de dívida por PER/DCOMP protocolada na vigência da Lei nº 10.833/03.
Numero da decisão: 1401-000.885
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Karem Jureidini Dias - Relator.
EDITADO EM: 20/12/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (presidente da turma), Mauricio Pereira Faro, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira.
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1998 COISA JULGADA - PROCESSO DECORRENTE. O decidido no julgamento do processo que apreciou a compensação faz coisa julgada no processo decorrente em que se apreciou o lançamento do débito objeto da compensação, ante a íntima relação de causa e feito entre eles existente. COMPENSAÇÃO - NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. É cabível o lançamento de ofício para constituição de crédito tributário quando a compensação efetuada em DCTF afeta o seu saldo devedor e não há confissão de dívida por PER/DCOMP protocolada na vigência da Lei nº 10.833/03.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Jorge Celso Freire da Silva - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias - Relator. EDITADO EM: 20/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (presidente da turma), Mauricio Pereira Faro, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira.
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Recorrida 3ª TURMA/DRJBELO HORIZONTEMG ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1998 COISA JULGADA PROCESSO DECORRENTE. O decidido no julgamento do processo que apreciou a compensação faz coisa julgada no processo decorrente em que se apreciou o lançamento do débito objeto da compensação, ante a íntima relação de causa e feito entre eles existente. COMPENSAÇÃO NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. É cabível o lançamento de ofício para constituição de crédito tributário quando a compensação efetuada em DCTF afeta o seu saldo devedor e não há confissão de dívida por PER/DCOMP protocolada na vigência da Lei nº 10.833/03. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Relator. EDITADO EM: 20/12/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 7. 00 07 10 /2 00 3- 11 Fl. 272DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (presidente da turma), Mauricio Pereira Faro, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira. Relatório Tratase de retorno de diligência determinada pela Oitava Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes. Para fins de economia processual, utilizome do relatório do acórdão que determinou a diligência. Cuidase de Auto de Infração lavrado em 16.06.2003 – cuja ciência se deu por via postal em 07.07.03 –, contra DOURO S.A., a fim de cobrar débito supostamente devido a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (06 a 13), no montante de R$ 732.456,07 (setecentos e trinta e dois mil, quatrocentos e cinqüenta e seis reais e sete centavos). A autuação é baseada em uma possível insuficiência de recolhimento de valores relativos ao tributo em questão, devido a compensações efetuadas pelo Contribuinte consideradas irregulares pela Fiscalização. Uma vez intimado da lavratura do Auto de Infração, o Contribuinte, em 06.08.03, apresentou Impugnação (fls. 01 a 03), alegando basicamente que: (i) A Impugnação é tempestiva; (ii) Foi efetuada compensação dos valores devidos a título de CSLL referentes aos meses de Junho a Dezembro de 1998, tendo sido utilizados para tal fim valores recolhidos a maior e indevidamente no períodobase de 1992, exercício de 1993, referentes ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica/92 e PIS/DEDUÇÃO/92; e (iii) Tal compensação foi devidamente autorizada no decorrer dos processos administrativos nºs 10680.006977/9897 e 10680.006978/9850. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte / MG, ao apreciar a Impugnação apresentada, houve por bem julgar procedente em parte o lançamento em Acórdão assim ementado: “Assunto: Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido – CSLL Anocalendário: 1998 Ementa: COMPENSAÇÃO A compensação é opção que pode ser exercida pelo contribuinte, diante da liquidez e certeza do indébito, desde que atendidas as determinações previstas em lei. ATO PERFEITO Considerase “ato perfeito” o lançamento efetuado em conformidade com a legislação vigente, entretanto a legislação prevê ainda a aplicação de Fl. 273DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13607.000710/200311 Acórdão n.º 1401000.885 S1C4T1 Fl. 3 3 lei superveniente quando lhe impõe penalidade menos severa que a prevista ao tempo de sua prática. Lançamento Procedente em Parte.”. Acertadamente, a r. decisão recorrida acolheu em parte a Impugnação para exonerar o Contribuinte da multa de oficio, em razão da retroatividade benigna, uma vez que, quando do julgamento, a multa ficou limitada à espécie isolada unicamente nas hipóteses de o crédito ou débito não ser passivo de compensação por expressa disposição legal, por não ser o crédito de natureza não tributária, ou quando caracterizada a prática de dolo, fraude ou simulação, o que não é o caso. Inconformado com tal decisão, na parte em que manteve o lançamento, o Contribuinte, em 25.08.05, apresentou Recurso Voluntário alegando basicamente que: (i) É indevida a argumentação de que os valores alegados pela Recorrente não podem ser considerados líquidos e certos, vez que apenas com a decisão administrativa não passível de recurso é que tais características podem ser rebatidas. (ii) Nas decisões administrativas de primeira instância referentes aos processos nºs 10680.006978/9850 e 10680.006977/9897 constam que caducou o direito da ora Recorrente pleitear a restituição de créditos contra a Fazenda Nacional. Tal decisão não deve ser mantida uma vez que não existe prazo prescricional para hipótese da obrigatoriedade de recolhimento a maior, e, assim sendo, pelo princípio da legalidade ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer senão em virtude de Lei. (iii) O prazo a ser adotado para restituição é de dez anos, contados 5 (cinco) anos para homologação da declaração do contribuinte e mais 5 (cinco) anos para cobrança do FISCO. (iv) Em relação aos valores que envolvem o PIS/REPIQUE, esclarece a ora Recorrente que não decaiu seu direito de se creditar dos valores pagos, pois o prazo para tal só passou a correr após a publicação da Resolução do Senado Federal nº 49, de 10.10.95, a qual estendeu erga omnes o entendimento do Supremo Tribunal Federal a respeito da inconstitucionalidade dos Decretos nºs 2.445/88 e 2.449/88. Assim, os valores recolhidos com base nos citados Decretos devem ser restituídos a partir da Resolução do Senado Federal. (v) Apesar de à época do processamento do feito não existir legislação que atribuísse aos recursos efeito suspensivo, devese adotar o princípio da retroatividade da lei mais benéfica no Direito Tributário, devendose, pois, adotar o disposto na Lei nº 10.637/02. Após a distribuição dos autos para esta Relatora, em 17.06.05 foi proferido despacho propondo que este processo fosse julgado tão logo fosse noticiada a decisão Fl. 274DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS 4 administrativa definitiva nos autos dos processos administrativos nºs 10680.006978/9850 e 10680.006977/9897. Posteriormente, foi proferido novo despacho (fls. 171/176) para converter o julgamento em diligência, a fim de que fossem juntadas as decisões finais proferidas nos processos administrativos nº 10680.006978/9850 e nº 10680.006977/9897. Tal pedido foi reiterado no despacho proferido às fls. 186/191. Arrolamento às fl. 141/143. Em retorno de diligência foram juntadas as decisões finais dos processos administrativos nº 10680.006978/9850 e nº 10680.006977/9897. Quanto ao processo nº 10680.006977/9897, conforme se verifica às fls. 197, a solicitação de compensação foi indeferida pela Delegacia Regional de Julgamento – DRJ – Belo Horizonte/MG, sendo certo que foi interposto Recurso Voluntário (nº 134.091), ao qual foi negado provimento por maioria pela 8ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes. Ato contínuo, foi interposto Recurso Especial, ao qual foi negado seguimento, conforme despacho nº 108070/2005 (fls. 215/217). Quanto ao processo nº 10680.006978/9850, conforme informado pela Delegacia da Receita Federal em Sete Lagoas, a tela obtida através do site do “COMPROT”, fls. 194, mostra que os autos estão na representação do Conselho de Contribuintes às fls. 219. Verificase que se trata de matéria de restituição/compensação de PIS, no qual deuse provimento aos Embargos de Declaração (20217076) para anular o processo a partir do acórdão nº 20215.868, inclusive, e declinar da competência de julgamento ao 1º Conselho de Contribuintes em face da matéria. Ainda, à época, constou do relatório que às fls. 247, foi informado que o processo aguardava formalização de acórdão. Portanto, em razão de haver decisão final à época apenas no processo nº 10680.006977/9897, sendo certo que o processo nº 10680.006978/9850 ainda seria julgado pelo então Primeiro Conselho de Contribuintes, o julgamento foi novamente convertido em diligência para que este processo fosse encaminhado à repartição de origem e lá anexada, quando proferida, a decisão administrava final no processo nº 10680.006978/9850. A diligência foi cumprida e juntado aos presentes autos o acórdão nº1301 00.569, proferido no processo administrativo nº10680.006978/9850. É o relatório Voto Conselheira Karem Jureidini Dias Fl. 275DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13607.000710/200311 Acórdão n.º 1401000.885 S1C4T1 Fl. 4 5 Conforme se extrai dos autos, a autuação é baseada em uma possível insuficiência de recolhimento de valores relativos à CSLL, devido a compensações efetuadas pelo Contribuinte e consideradas irregulares pela Fiscalização. As compensações foram apreciadas nos processos administrativos nºs 10680.006977/9897 e 10680.006978/9850, razão pela qual o julgamento foi convertido em diligência, a fim de que se aguardasse a decisão final nos referidos processos administrativos. Quanto ao processo nº 10680.006977/9897, conforme se verifica às fls. 197, a solicitação de compensação foi indeferida pela Delegacia Regional de Julgamento – DRJ – Belo Horizonte/MG, sendo certo que foi interposto Recurso Voluntário (nº 134.091), ao qual foi negado provimento por maioria pela 8ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes: RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário arts. 165,I e 168,I da Lei 5172 de 25 de outubro de 1966 (CTN) AD/SRF 096, de 26/02/1999. Recurso negado. Ato contínuo, foi interposto Recurso Especial, ao qual foi negado seguimento, conforme despacho nº 108070/2005 (fls. 215/217). Ou seja, ainda que a discussão tenha girado em torno do prazo para pedido de restituição que hoje observa, por força regimental, o quanto determinado no STF (Recurso Extraordinário nº 566.621), para os pedidos de restituição até 09/06/2005, de se aplicar a “tese dos 5 + 5”, fato é que no referido processo transitou em julgado decisão desfavorável ao contribuinte, indeferindo o pedido de restituição/compensação em razão da decadência. No tocante ao processo nº 10680.006978/9850, houve inicialmente anulação de acórdão proferido pelo então Segundo Conselho de Contribuintes, para que a matéria fosse julgada pelo então Primeiro Conselho de Contribuintes em razão da matéria. Foi proferido então o acórdão nº 130100.569, o qual negou provimento ao recurso voluntário do contribuinte, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1993 MATÉRIA JÁ DECIDIDA EM OUTRO PROCESSO. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA. Ao restar comprovada a identidade de litígio entre o presente processo e outro, já decidido definitivamente em sede administrativa, descabe a reabertura da discussão. Correta a decisão de primeira instância ao considerar a inexistência, neste processo, de litígio passível de apreciação administrativa, posto que a matéria já havia sido apreciada e decidida em outro processo. Não há, assim, cerceamento ao direito da interessada à ampla defesa e ao contraditório, nem qualquer nulidade a macular a decisão recorrida. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS 6 Verificou o voto condutor do citado acórdão que os créditos trazidos à compensação no processo nº 10680.006978/9850, são os mesmos trazidos no processo nº 10680.006977/9897, razão pela qual concluiu ser incabível proferir decisão sobre matéria já decidida em outro processo. Não há notícia de Recurso. Feitas as considerações sobre os processos nº 10680.006978/9850 e nº 10680.006977/9897, passo à análise do presente processo, de nº 13607.000710/200311. Conforme relatado, o presente processo trata de Auto de Infração em que se exige Contribuição Social sobre o Lucro Líquido decorrente de compensações efetuadas pelo Contribuinte consideradas irregulares pela Fiscalização. Em sua defesa, alega o contribuinte que tais compensações foram autorizadas nos processos administrativos nºs 10680.006977/98 97 e 10680.006978/9850. Ocorre que, com o decurso do tempo os processos foram objeto de decisão, conforme se verifica após a realização da diligência. Anexados os acórdãos proferidos em ambos os processos de compensação, constato que foi indeferido o direito de o contribuinte pleitear a restituição em razão da decadência. Se indeferido o crédito pleiteado, é certo que o débito exigido no presente processo não foi extinto, devendo ser mantido o auto de infração. De se ressaltar que, no caso concreto, tendo em vista que as DCTF`s apresentaram saldo zerado, na medida da compensação, a fiscalização procedeu corretamente ao efetuar o lançamento de ofício, nos termos do artigo 90 da MP 2.15835/01, vez que constatou “diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida”. É certo também que o artigo 18 da Lei nº 10.833/03 prevê que os lançamentos com base no artigo 90 da MP 2.15835 limitarseão à imposição de multa isolada em razão de não homologação. No presente caso, não houve expressa não homologação (não no presente processo que trata de auto de infração), uma vez que tampouco houve apresentação de pedido de compensação. Entretanto, se de um lado é correto o lançamento de ofício para as compensações efetuadas até a vigência da Lei nº 10.833/03, de outro lado, os procedimentos de compensação foram substancialmente alterados, mormente a partir da vigência da Lei 10.833/03, não havendo mais que se falar em multa de ofício a partir de então, senão, quando o caso, de imputação de multa isolada. Ainda, esclareço que em seu Recurso Voluntário, o contribuinte afirma que deve ser reformada a decisão que reconheceu a decadência do direito de o contribuinte pleitear a restituição. Entretanto, ainda que o contribuinte tivesse razão quanto à contagem do prazo decadencial, não possui esta Câmara competência para reformar decisão já transitada em julgado, em outro processo. Pelo exposto, considerando o resultado dos processos nºs. 10680.006977/98 97 e 10680.006978/9850, em que foi indeferido o pedido de restituição/compensação do contribuinte, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantida a exigência fiscal sem a multa, conforme feição já atribuída pela DRJ. (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias – Relatora. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13607.000710/200311 Acórdão n.º 1401000.885 S1C4T1 Fl. 5 7 Fl. 278DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS
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Numero do processo: 10835.720132/2008-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2003
ITR. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4º, DO CTN.
O art. 62-A
do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC,
decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4º, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações.
No presente caso, houve pagamento antecipado na forma de imposto pago apurado na apurado da Declaração do ITR do exercício de 2003, e não houve a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador.
Como o fato gerador do ITR ocorre em 1º de janeiro de cada ano, nos termos do art. 1º da Lei nº 9.393, de 1996, para o ano de 2003 ele se iniciou em 01/01/2003 e terminou em 01/01/2008. Como o lançamento se deu apenas em 05/11/2008, o crédito tributário já havia sido fulminado pela decadência.
Preliminar de decadência acolhida.
Numero da decisão: 2101-001.778
Decisão: Afastada, por maioria de votos, a preliminar de conversão do julgamento em diligência, vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, no mérito, por unanimidade de votos, acordam os membros do colegiado em dar provimento ao recurso, para acolher a preliminar de decadência.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 ITR. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4º, DO CTN. O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4º, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No presente caso, houve pagamento antecipado na forma de imposto pago apurado na apurado da Declaração do ITR do exercício de 2003, e não houve a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Como o fato gerador do ITR ocorre em 1º de janeiro de cada ano, nos termos do art. 1º da Lei nº 9.393, de 1996, para o ano de 2003 ele se iniciou em 01/01/2003 e terminou em 01/01/2008. Como o lançamento se deu apenas em 05/11/2008, o crédito tributário já havia sido fulminado pela decadência. Preliminar de decadência acolhida.
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decisao_txt : Afastada, por maioria de votos, a preliminar de conversão do julgamento em diligência, vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, no mérito, por unanimidade de votos, acordam os membros do colegiado em dar provimento ao recurso, para acolher a preliminar de decadência.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2289; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 213 1 212 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10835.720132/200858 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2101001.778 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de julho de 2012 Matéria ITR Recorrente MARLENE OLIVEIRA DE CAMPOS MACHADO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 ITR. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No presente caso, houve pagamento antecipado na forma de imposto pago apurado na apurado da Declaração do ITR do exercício de 2003, e não houve a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Como o fato gerador do ITR ocorre em 1o de janeiro de cada ano, nos termos do art. 1o da Lei nº 9.393, de 1996, para o ano de 2003 ele se iniciou em 01/01/2003 e terminou em 01/01/2008. Como o lançamento se deu apenas em 05/11/2008, o crédito tributário já havia sido fulminado pela decadência. Preliminar de decadência acolhida. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Afastada, por maioria de votos, a preliminar de conversão do julgamento em diligência, vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, no mérito, por Fl. 241DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10835.720132/200858 Acórdão n.º 2101001.778 S2C1T1 Fl. 214 2 unanimidade de votos, acordam os membros do colegiado em dar provimento ao recurso, para acolher a preliminar de decadência. (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Célia Maria de Souza Murphy, Alexandre Naoki Nishioka. Ausente justificadamente o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. Relatório AUTUAÇÃO Contra a contribuinte acima identificada, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 1 a 6, referente a Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2003, para glosar a dedução de áreas de preservação permanente e de utilização limitada da base de cálculo do ITR por falta de comprovação, bem como para arbitrar o Valor da Terra Nua – VTN, relativo ao imóvel rural denominado “Fazenda Simoni”, com área de 774,4 ha, NIRF 2.952.8666, localizado no município de Ribeirão dos Índios/SP, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$36.775,42, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 36 a 55), acatada como tempestiva. Alegou, consoante relatório do acórdão de primeira instância (fls. 123 a 124), que: • Conforme Certidão de Escritura de Venda e Compra celebrada aos 25/11/1998, adquiriu 50% da área do imóvel de propriedade do Sr. Edvaldo Felix Barbosa e sua esposa, a outra parte da área restante coube aos Srs. Faustino Ferreira e Antônio Luiz Rodrigues na proporção de 31% e 19%, respectivamente; • A multa aplicada não deve recair sobre os 774,4 hectares, porque em 18/10/2004, alienou 50% da área para o Sr. Wilhen Marques Dib, conforme Escritura de Venda e Compra; • Em observância ao teor do artigo 150, § 4º do CTN, a jurisprudência e lição doutrinária transcrita, a obrigação não subsiste, pois já configurou sua decadência; Fl. 242DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10835.720132/200858 Acórdão n.º 2101001.778 S2C1T1 Fl. 215 3 • A exigência do Fisco de comprovação da entrega do Ato Declaratório Ambiental, para obtenção da isenção do ITR é equivocada, uma vez que o art. 10 da Lei nº 9.393/96, alterado pela MP nº 2.16667/2001, não impõe que a declaração seja sujeita a prévia comprovação, sendo dispensável o ADA; • Para justificar seu entendimento sobre a matéria citou jurisprudência e doutrina; • A DITR/2003 foi elaborada com base na área de 774,4 ha, tendo em vista que a área de 50% pertencente à interessada não foi desmembrada na matrícula do imóvel, inclusive esta situação perdura até a presente data; • O VTN tributável apurado decorre da inobservância da legislação do ITR, excluindo as áreas isentas e, aplicando uma alíquota não admissível, sendo que o Fisco ao empregar o art. 14 da Lei nº 9.393/96, não foi observado a apuração dos dados em procedimento de fiscalização, pois se assim tivesse feito, não ocorreria a sub avaliação do VTN; • A autoridade fiscal não se desincumbiu do seu ônus de legitimidade do ato administrativo, conforme previsto no art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil; • Pretende provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, em especial a realização de perícia, sendo nomeado o perito, com a elaboração dos quesitos, oitiva de testemunhas, posterior juntada de documentos, e de outros que se fizerem necessários sem exceção de nenhum; • Por último, demonstrada a insubsistência da ação fiscal, espera acolhimento da impugnação e cancelamento do débito fiscal. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 121 a 132): Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2003 Homologação Requisitos Decadência De acordo com a lei o lançamento por homologação, expressa ou tacitamente, ocorre no prazo de cinco anos, a contar da data do fato gerador, desde que o sujeito passivo tenha declarado e antecipado o pagamento do crédito tributário, sem prévio exame da autoridade administrativa. Na ausência de comprovante de pagamento antecipado não há o que homologar. Neste caso a Fazenda Pública tem o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Não havendo manifestação da Administração nesse prazo ocorre a decadência. Perícia. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10835.720132/200858 Acórdão n.º 2101001.778 S2C1T1 Fl. 216 4 A perícia técnica destinase a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas já incluídas nos autos. Áreas de Preservação Permanente/Utilização Limitada. ADA. As áreas de preservação permanente e de utilização limitada, para fins de exclusão do ITR, devem ser, por expressa disposição legal, reconhecidas como de interesse ambiental mediante protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA) perante o Ibama, além da averbação tempestiva à margem de inscrição da matrícula da área pretendida como reserva legal. Valor da Terra Nua VTN A base de cálculo do imposto será o valor da terra nua apurado pela fiscalização, como previsto em Lei, se não existir comprovação que justifique reconhecer valor menor. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificada da decisão de primeira instância em 14/03/2011 (fl. 138), a contribuinte apresentou, em 5/4/2011, o recurso de fls. 157 a 172, onde: a) argúi a decadência do lançamento, com a aplicação da regra do art. 150, §4o, do Código Tributário Nacional – CTN em face da homologação do pagamento antecipado do imposto no valor de R$184,55, inclusive deduzido na autuação; b) afirma que não tem a obrigação de comprovar as áreas não tributáveis, nos termos do art. 10 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, alterado pela MP nº 2.16667, de 23 de agosto de 2001, sendo portanto descabidas as exigências de averbação na margem da matrícula do imóvel e de apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA; c) esclarece que só possuía 50% da área tributável em 2003, e que mesmo essa parte foi alienada em 18/10/2004, sendo de responsabilidade dos adquirentes o ITR devido; d) defende que é incabível a alteração do Valor da Terra Nua – VTN pela fiscalização, pois esta não realizou qualquer procedimento de fiscalização para comprovar o novo valor. Alternativamente, solicita a realização de perícia para comprovar o fato, indicando perito; e) requer que os adquirentes do imóvel, no seu entender responsáveis pelos tributos, sejam intimados para integrar o pólo passivo da autuação, facultandolhes prazo para apresentação de defesa; Fl. 244DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10835.720132/200858 Acórdão n.º 2101001.778 S2C1T1 Fl. 217 5 f) informa pretender provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, em especial realização de perícia, oitiva de testemunhas, posterior juntada de documentos, e de outros que se fizerem necessários. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 211, contendo ainda a fl. 212, sem numeração, que trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Preliminarmente, a recorrente argúi a decadência do lançamento. Tratase de lançamento de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR do exercício 2003 (fls. 1 a 6), cientificado à contribuinte em 05/11/2008 (fl. 118). Sabese que a discussão da decadência dos tributos lançados por homologação é questão tormentosa, que vem dividindo a jurisprudência administrativa e judicial há tempos. No âmbito dos antigos Conselhos de Contribuintes, e agora no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, praticamente todas as interpretações possíveis já tiveram seu espaço. É notório que as inúmeras teses que versam sobre o assunto surgiram do fato do nosso Código Tributário Nacional CTN possuir duas regras de decadência, uma para o direito de constituir o crédito tributário (art. 173), e outra para o direito de não homologar o pagamento antecipado de certos tributos previstos em lei (art. 150, §4o). Apesar de serem situações distintas, o efeito atingido é o mesmo, pois, uma vez homologado tacitamente o pagamento, o crédito tributário estará definitivamente extinto, não se permitindo novo lançamento, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Na verdade, a celeuma não está no prazo da decadência, que é de cinco anos nas duas situações, mas na data de início de sua contagem. Enquanto o art. 173 fixa essa data no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou no dia em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o art. 150, §4o, determina o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Pacificando essa discussão, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, órgão máximo de interpretação das leis federais, firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/0176994 0), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: Fl. 245DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10835.720132/200858 Acórdão n.º 2101001.778 S2C1T1 Fl. 218 6 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) Fl. 246DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10835.720132/200858 Acórdão n.º 2101001.778 S2C1T1 Fl. 219 7 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Como essa decisão foi submetida ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, ela deve obrigatoriamente ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Desta forma, este CARF forçosamente deve abraçar a interpretação do Recurso Especial nº 973.733 – SC, de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Foi esse também o entendimento do julgador de 1a instância, que, entretanto, considerou inexistirem nos autos provas de recolhimento antecipado de ITR (fls. 124 e 125). Contudo, verifico que, de fato, ocorreu pagamento antecipado de ITR na forma de imposto a pagar apurado da Declaração do ITR do exercício de 2003 no valor de R$ 184,55 (fl. 11), quantia inclusive considerada pela autoridade lançadora, que a deduziu do imposto devido apurado na autuação (fl. 1). Assim, tendo ocorrido pagamento antecipado, e não tendo havido a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, devese iniciar a contagem do prazo decadencial a partir do fato gerador, que, no caso do ITR, ocorre em 1o de janeiro de cada ano, nos termos do art. 1o da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996. Para o ano de 2003, ele se iniciou em 01/01/2003 e terminou em 01/01/2008. Como o lançamento se deu apenas em 05/11/2008 (fl. 118), o crédito tributário já havia sido fulminado pela decadência. Reconhecida a decadência, deixase de se analisar os demais argumentos do recurso. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso para acolher a preliminar de decadência. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 247DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10835.720132/200858 Acórdão n.º 2101001.778 S2C1T1 Fl. 220 8 Fl. 248DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10680.900007/2009-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
FORMULÁRIO. PER/DECOMP. AUTORIA.
Ficando comprovada a autoria da DCTF, que vinculou créditos tributários ali declarados ao formulário PER/DECOMP cuja autoria é negada, conclui-se que também restou comprovada a autoria deste último, notadamente quando todos os indícios existentes apontam para essa conclusão.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3403-002.014
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 FORMULÁRIO. PER/DECOMP. AUTORIA. Ficando comprovada a autoria da DCTF, que vinculou créditos tributários ali declarados ao formulário PER/DECOMP cuja autoria é negada, conclui-se que também restou comprovada a autoria deste último, notadamente quando todos os indícios existentes apontam para essa conclusão. Recurso voluntário negado.
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PER/DECOMP. AUTORIA. Ficando comprovada a autoria da DCTF, que vinculou créditos tributários ali declarados ao formulário PER/DECOMP cuja autoria é negada, concluise que também restou comprovada a autoria deste último, notadamente quando todos os indícios existentes apontam para essa conclusão. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 00 07 /2 00 9- 11 Fl. 461DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratase de pedido de ressarcimento eletrônico do saldo credor de IPI relativo ao 2º Trimestre de 2005, cumulado com declaração de compensação, transmitido em 29/09/2005, para compensar débitos de IRRF do anocalendário de 2004 e de PIS e COFINS do ano calendário de 2004 e janeiro de 2005. Por meio do despacho decisório eletrônico emitido em 07/07/2009 e recebido pelo contribuinte em 13/07/2009, o ressarcimento foi indeferido em razão de os créditos terem sido integralmente glosados em procedimento fiscal. As compensações não foram homologadas. Regularmente notificado do despacho decisório, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 13/08/2009, alegando, em síntese, que não transmitiu o PER/Decomp e nem as DCTF retificadoras que fizeram referência ao citado PER/Decomp. Disse que foi vítima de um escritório de advocacia inescrupuloso, que tentou lhe vender créditos de IPI de origem duvidosa e que ao desistir do negócio, esse escritório teria enviado o PER/Decomp. Juntou os recibos de transmissão das DCTF originais e retificadoras que reconhece serem de sua autoria (fls. 61/75). Alegou que os valores ora exigidos estão em duplicidade com autos de infração lavrados em relação aos tributos compensados. Requereu a utilização da prova juntada aos processos de auto de infração, pois lá teria sido anexado um laudo preliminar que seria capaz de comprovar suas alegações. Disse que o fato de os débitos terem sido pagos, seria mais um indício que comprovaria a negativa de autoria da transmissão do PER/Decomp e das DCTF retificadoras. Requereu a realização de perícia na intenção de demonstrar que o formulário eletrônico foi enviado de uma máquina que não é a comumente usada para a transmissão de suas DCTF e que o perito responda a seguinte pergunta: “O expert pode afirmar que o banco de dados da Secretaria da Receita Federal é inviolável e que somente pode ser acessado mediante o fornecimento de senha e/ou dados sigilosos do contribuinte, sendo imune a ataque de um “hacker”?” Requereu que o perito informasse, em relação aos débitos indicados no PER/Decomp, o valor total destes e se algum deles foi extinto por pagamento ou compensação. Solicitou que o perito informasse também qual seria o valor total dos créditos de IPI compensados e, com base nessa resposta, que o perito informasse se o crédito tributário aqui exigido não é objeto dos autos de infração contidos nos processos nº 15504.100082/200934; 15504.100094/200969; 15504.100080/200945; 15504.100081/209 90 e 15504.100084/200923. Por meio do Acórdão 35.588, de 17 de junho de 2011, a 3ª Turma da DRJ – Juiz de Fora julgou a manifestação de inconformidade improcedente. A turma de piso constatou que não foi instaurado nenhum litígio quanto ao direito de crédito. O pedido de perícia foi negado pelo fato da providência ser desnecessária, pois os questionamentos efetuados ao perito ou são irrelevantes para a solução do caso concreto, ou podem ser respondidos consultando os documentos que instruem o processo. Além disso, um perito “contabilista” não tem qualificação técnica para se pronunciar sobre o nível de segurança dos sistemas de grande porte da Receita Federal e tampouco para localizar o endereço IP da máquina que transmitiu o PER/Decomp. No mérito, a turma de julgamento concluiu que os elementos juntados aos autos comprovam que foi a recorrente ou alguém a seu serviço quem de fato transmitiu as DCTF retificadoras e o PER/Decomp. Também ficou decidido que não existe duplicidade entre os valores exigidos em decorrência da não homologação do PER/Decomp e os valores lançados nos autos de infração nos processos elencados pela defesa. A DRJ percebeu a existência de pagamentos parciais relativos aos débitos que estão sendo cobrados e determinou à autoridade administrativa que tais pagamentos sejam abatidos do débito. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância em 27/10/2011, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 29/11/2011, no qual reafirmou não ter Fl. 462DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10680.900007/200911 Acórdão n.º 3403002.014 S3C4T3 Fl. 5 3 transmitido as DCTF retificadoras e o PER/Decomp; que foi envolvida em uma manobra ardilosa e fraudulenta engendrada por um escritório de advocacia, na qual foi proposta a aquisição de créditos de IPI para compensação; por não concordar com a postura do escritório de advocacia a recorrente rescindiu o contrato de assessoria jurídica firmado, dando por desfeito o negócio da cessão de créditos, não pagando mais nada e nem assinando quaisquer documentos; no curso da ação fiscalizadora, foi surpreendida pela fraude perpetrada por terceiros, consistente no envio de pedidos de compensação e DCTF retificadoras; disse que não tem como precisar as datas dos eventos ocorridos porque o escritório não lhe forneceu nenhum documento; alegou que se fosse deferido o pedido de perícia seria possível rastrear o IP da máquina que fez as transmissões, o que comprovaria que foram utilizados os computadores do referido escritório de advocacia; disse que não há como concluir que foi a autora do envio dos formulários e reafirmou a necessidade da produção de prova pericial. Alegou a ilegalidade da aplicação da taxa Selic para a correção dos débitos ora exigidos. Requereu o acolhimento de suas razões para o fim de cancelar a exigência e, se isso não for possível, que seja reduzida a multa ao menor patamar legalmente possível. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme se verifica no relatório, a recorrente não trouxe nada de novo no recurso voluntário. A recorrente limitouse mais uma vez a alegar sem nada provar. Sendo assim, valhome do art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/98 para adotar como fundamento deste voto a mesma fundamentação lançada no voto condutor do Acórdão 35.587, de 17/06/2011, in verbis: “(...) De início, devemos mencionar que não foi instaurado qualquer litígio atinente ao direito creditório. Ao contrário, a manifestação de inconformidade tem como ponto central a negativa da autoria do formulário PER/DCOMP Nº 08144.72210.290905.1.3.015530. De se mencionar que, conforme requerimento da manifestante, foram juntados a este processo o Laudo Pericial Preliminar ( fls. 296/322), sendo que as conclusões ali apresentadas foram consideradas para efeito de solução do litígio. Antes de adentrar no mérito das alegações feitas pela manifestante, vamos analisar a necessidade e viabilidade da realização da perícia solicitada pela manifestante. Para tanto vamos analisar cada quesito separadamente, tendo sempre em mente que o perito indicado pela manifestante é por ela qualificado como “Contabilista”, tendo registro no respectivo órgão de classe (CRC/MG 78.924/O). Fl. 463DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 No primeiro quesito quer a manifestante que o perito informe ”quais os números de identificação e datas de envio das DCTFs e PER/DCOMP utilizadas pelo Fisco para proceder ao lançamento fiscal”. Desnecessário levar tal quesito á análise de perito. A manifestante deve ter percebido que o Laudo Pericial Preliminar (fls. 296/322), juntado aos autos a pedido da manifestante, informa que os lançamentos fiscais a que faz referência decorreram de diferença entre os valores escriturados em seus livros Diário/Razão e os declarados em DCTF’s. Portanto, ao contrário do que alega a manifestante, os lançamentos não decorrem da não homologação da Declaração de Compensação, mas sim da diferença que foi apontada pelo Fisco. Assim, é de se concluir que, para solução do litígio envolvendo o PER/DCOMP nº 08144.72210.290905.1.3.015530, não é relevante sabermos qual o nº de identificação e data de envio das DCTF’s tomadas como base para lavratura dos autos de infração. Devemos repetir ainda que as informações do PER/DCOMP não foi utilizada na lavratura do auto de infração. No segundo e terceiro quesitos quer a manifestante que o perito informe o IP da máquina através da qual foi feito o envio de cada um dos documentos mencionados no quesito primeiro, bem como, que o perito informe se a identificação da máquina corresponde àquela comumente usada pela Requerente. Pelas mesmas razões já mencionadas acima, quando da análise da necessidade de perícia para resposta ao quesito primeiro, fica também caracterizada a desnecessidade de ocupar o perito com a verificação de informações que em nada ajudarão na solução do presente litígio. Há que se acrescentar ainda que a informação do IP da máquina de onde foi enviado o formulário eletrônico, seja do PER/DCOMP seja da DCTF, considerada isoladamente, não tem o condão de comprovar a autoria do referido formulário pois a informação pode ter sido enviada de um computador que pertence ao tal escritório de advocacia, ou outro computador qualquer, mas sob a ordem da manifestante, que, ao que tudo indica, foi o que aconteceu. No quarto quesito a manifestante pretende que o perito, um “Contabilista”, informe se “o banco de dados da Secretaria da Receita Federal é inviolável e que somente pode ser acessado mediante o fornecimento de senha e/ou dados sigilosos do contribuinte, sendo imune a ataque por um “haker””. Ora, pretender que a opinião de um “contabilista”, em matéria afeta à segurança de um sistema informatizado dessa magnitude, seja ouvida e considerada para efeito de decisão no âmbito deste processo me parece totalmente impossível. A manifestante deveria ter indicado um perito que tivesse qualificação técnica condizente com o nível de complexidade que a questão exige, no caso, pelo menos que o perito fosse um especialista comprovado em segurança de sistemas de informação de grande porte. O fato de o contabilista utilizar os programas da Receita Federal para transmitir informações relativas aos contribuintes que assiste não o habilita a emitir, com a devida fundamentação técnica, parecer sobre o tema proposto. Além do que, devo dizer que tal informação não é relevante para solução da questão posta já que o que deve ser comprovado, e isto é encargo de quem alega, é que Fl. 464DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10680.900007/200911 Acórdão n.º 3403002.014 S3C4T3 Fl. 6 5 as declarações não são de fato de sua autoria, questão esta que não tem ligação com a segurança do banco de dados da Receita Federal e sim com a seriedade e segurança com que a empresa trata o seu documentário fiscal e contábil, tema que será tratado na análise de mérito. A resposta ao quesito de número cinco fará parte da análise de mérito já que uma das alegações da manifestante é justamente a existência de pagamentos relativos aos débitos inseridos na PER/DCOMP analisada. No sexto quesito a manifestante quer que seja informado o valor total dos créditos de IPI compensados através da PER/DCOMP. A resposta a este quesito é bastante simples e direta: 0 (zero). Se todo o crédito foi indeferido, naturalmente nenhum crédito foi utilizado na compensação. Por outro lado, se a manifestante queria saber qual o valor total de créditos estavam sendo solicitados no PER/DCOMP, na tentativa de se efetuar a compensação declarada, a resposta também é bastante simples: R$ 345.085,94. Esta informação está estampada no despacho decisório eletrônico juntado ás fls. 25 pela própria manifestante. Por fim, como último quesito, pretende a manifestante que o perito informe se o “crédito tributário aqui exigido já não foi exigido nos Autos de Infração nºs 15504.100082/200934; 15504.100094/200969; 15504.100080/200945; 15504.100081/200990 e 15504.100084/200923”. Essa questão já foi respondida quando da análise do quesito primeiro, acima, e a resposta é negativa, pelos motivos já expostos. Assim devo concluir que é totalmente desnecessária a realização da perícia solicitada, e resolvo por indeferir tal solicitação. No mérito, nos é trazida de início pela manifestação de inconformidade a questão relativa á autoria do formulário PER/DCOMP objeto do presente processo. Esta questão já foi objeto de avaliação pela fiscalização, como menciona a própria manifestante, que concluiu, pelos elementos trazidos pela então fiscalizada, que o referido formulário fora enviado pela manifestante. As alegações trazidas na manifestação de inconformidade são exatamente as mesmas que foram oferecidas para a fiscalização: simplesmente vem a manifestante alegar que foi vítima de um advogado inescrupuloso e que existiriam indícios que apontariam tal advogado como autor do envio do mencionado formulário e de diversas DCTF’s retificadoras. Após leitura e releitura de todo o processo não encontrei um único indício que possa conduzir á conclusão que o autor do envio dos formulários não seja a própria manifestante ou alguém a seu serviço, como ficará demonstrado a seguir. O fundamento da manifestante para imputar a autoria do formulário PER/DCOMP a uma terceira pessoa seria uma suposta tentativa de venda de crédito de IPI, levada a efeito pelo escritório de advocacia “BADY E CURI ADVOGADOS ASSOCIADOS”, Fl. 465DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 que foi frustrada devido à negativa da manifestante em concordar com a realização do negócio. Um fato curioso é que a manifestante sequer sabe precisar a época em que tal reunião ocorreu, limitandose a dizer que em “certa oportunidade, na qualidade de representantes legais das empresas qualificadas no preâmbulo desta carta, fomos convidados pelo escritório de advocacia “BADY E CURI ADVOGADOS ASSOCIADOS”, pela pessoa do seu diretor presidente Bady Elias Curi Neto, para comparecer em vosso escritório para uma reunião”. Seria até compreensível que os representantes da manifestante não pudessem precisar a data exata de tal reunião, mas não saber sequer precisar a época em que evento tão marcante ocorreu já soa totalmente improvável. Continuando na leitura da representação juntada pela manifestante às fls. 31/38 pudemos localizar no tempo a época em que esta suposta reunião teria ocorrido. Levantamos dúvida quando à existência de tal reunião pelo fato de não existir uma única comprovação que de fato tenha ocorrido, mas vamos continuar nossa análise supondo que realmente tenha existido e verificar, ao fim, se as alegações da manifestante têm alguma coerência cronológica. Vejamos então a cronologia dos fatos narrados pela manifestante na tal representação: primeiro encontro ocorrido em “certa oportunidade” (fl. 38, primeiro parágrafo); segundo, e derradeiro, encontro ocorrido alguns dias após o primeiro (fls. 38, último parágrafo); a fiscalização foi iniciada alguns dias depois deste segundo encontro, como afirma a manifestante (fl. 39, último parágrafo). Sendo assim, para se determinar a época da suposta ocorrência de tais encontros, bastaria verificarmos a data do início da fiscalização e retroargir no tempo por alguns dias. Como se pode constatar no documento juntados à fl. 323/324, o início da fiscalização se deu em 09/02/2009, o que nos leva a concluir que as supostas reuniões teriam ocorrido entre o final do ano de 2008 e início de 2009, já que a própria manifestante informa o transcurso de apenas alguns dias entre um evento e outro. Ora, mesmo se considerássemos como verdadeira a alegação de que tais pessoas tivessem transmitido algum documento fiscal em nome da manifestante, seria impossível que a transmissão do formulário PER/DCOMP nº 08144.72210.290905.1.3.01 5530 tivesse sido feita por essas pessoas, já que tal transmissão foi realizada em 29/09/2005, ou seja, mais de três anos antes da ocorrência da suposta reunião inicial. Portanto, pelo que foi até aqui exposto, entendo estar completamente demonstrado que o formulário PER/DCOMP de nº 08144.72210.290905.1.3.015530 não foi enviado por pessoas ligadas ao escritório de advocacia citado, o que, por si só, já afasta a alegação de negativa de autoria. Está demonstrado que são totalmente inconsistentes os argumentos da manifestante no sentido de se furtar da sua responsabilidade pela autoria do envio de tal documento. Apesar da conclusão a que chegamos, fizemos algumas análises que, a despeito da discrepância de datas acima demonstrada, também seriam capazes de nos conduzir ao mesmo resultado, como vai a seguir demonstrado. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10680.900007/200911 Acórdão n.º 3403002.014 S3C4T3 Fl. 7 7 O primeiro ponto relevante é o fato que para transmissão da DCTF retificadora (declaração que vincula o envio do PER/DCOMP em análise), que a manifestante alegava não ser de sua autoria, era necessário que fosse informado o número do recibo da DCTF anterior, que no presente caso era a DCTF original. Tal informação somente pode ser obtida com a pessoa que transmitiu a DCTF original, no caso a própria manifestante, e não há notícia nos autos de que tenha ocorrido nenhum furto no estabelecimento da manifestante em data próxima á do envio dessa declaração retificadora, para que se possa supor tenha havido o envio por um terceiro. E mais. A própria manifestante reconhece como sendo de sua autoria as DCTF’s retificadoras transmitidas em 08/08/2006 (relativas aos 1º, 2º e 3º trimestres de 2004). Tais retificadoras foram transmitidas com a utilização do número do recibo das DCTF’s anteriores, que no caso eram as retificadoras que a manifestante nega a autoria. Ora, se a manifestante tinha em mãos os números do recibo das DCTF’s transmitidas em 06/10/2005 (DCTF’s que alega não serem de sua autoria) é de se concluir que estas também eram de sua autoria ou foram enviadas por alguém a seu serviço. Concluir de forma diversa seria admitir a absurda situação em que o agente que praticou o “suposto” ato ilegal com a intenção de prejudicar a manifestante e com o qual, segundo alega, não tem qualquer tipo de relacionamento tenha a ela repassado, por puro ato de bondade, a informação necessária para que desfizesse tal ato. É óbvio que foi a própria manifestante, ou alguém a seu serviço, que enviou todas as DCTF’s relativas aos fatos geradores ocorridos no ano de 2004, bem como da PER/DCOMP em análise. Outra informação relevante a ser considerada é o fato de a manifestante ter, em 08/08/2006, retificado as DCTF’s que diz não serem de sua autoria e somente no ano de 2009, após início de procedimento de fiscalização, vir com essa alegação de que tais formulários não são de sua autoria. Ora, se já em 2006 tinha conhecimento da existência das retificadoras e, por conseqüência, da PER/DCOMP, por que somente em 2009 veio a fazer tal representação? A resposta a tal questionamento me parece bastante óbvia: não denunciou antes pelo simples fato de tais formulários serem de sua autoria e vem agora com esse argumento estapafúrdio somente por estar novamente mal assessorada, seja contábil seja juridicamente. O segundo ponto, também de igual relevância, é o fato de as informações inseridas nas DCTF’s retificadoras estarem em total convergência com os valores declarados pela manifestante nas DCTF’s originais. E mais, tais valores também levam em consideração os valores recolhidos pela manifestante no período abrangido, como se pode claramente verificar no extrato do conta corrente juntado à fl. 344, referente á COFINS. Á época dos fatos, ano de 2004, a empresa declarou o valor total do débito e realizou o pagamento de uma pequena parte, ficando o restante em aberto. Percebese com facilidade que o valor inserido na DCTF retificadora é o da DCTF original diminuído dos pagamentos parciais existentes. O que se quer demonstrar com é que o valor do imposto/contribuição inserido nas DCTF’s retificadoras, cuja autoria é negada, eram exatamente aqueles que estavam em aberto, informação que somente a manifestante detinha, mais ninguém. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 E surge então uma última questão a ser respondida: quem se beneficiou da transmissão das referidas DCTF’s retificadoras (e também da PER/DCOMP)? A resposta é bastante óbvia: a própria manifestante, pois, com a utilização deste expediente condenável, estes débitos ficariam em aberto, como ainda ocorre com os débitos do 4º trimestre de 2004. Devemos mencionar que o que foi constatado nos débitos de COFINS também ocorreu nos débitos do PIS. Estes dois últimos pontos levantados nos levam à conclusão que as DCTF’s retificadoras foram realmente transmitidas pela manifestante, ou por alguém a seu serviço. E como o formulário PER/DCOMP em análise foi mencionado nas DCTF’s retificadoras, não há qualquer dúvida de que também são de autoria da manifestante. O único ponto em que devo dar razão á manifestante se refere á existência de pagamentos que parecem não ter sido aproveitados pelo Fisco para amortizar os débitos, bem como a cobrança/controle de débitos em mais de um sistema, como é o caso dos débitos que foram transferidos para o processo 18208.667506/200717 e também estão sendo cobrados no PER/DCOMP em análise. Esta situação deve ser verificada pela unidade de origem, pois está diretamente ligada com a cobrança dos débitos inseridos na Declaração de Compensação que não foi homologada. De tudo que foi exposto, voto no sentido de se considerar totalmente improcedente a manifestação de inconformidade de fls. 01/18, mantendose não homologada a compensação declarada no formulário PER/DCOMP nº 08144.72210.290905.1.3.015530, devendo a unidade de origem se atentar para a existência de pagamentos parciais relativos aos débitos que estão sendo cobrados e para a possibilidade de haver cobrança dos mesmos débitos em mais de um processo. Antonio Carlos Lombello Braga – Relator AFRF Matrícula :63019” Relativamente à taxa Selic, a matéria é objeto do enunciado nº 4 da Súmula de Jurisprudência do CARF, in verbis: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais.” No que tange à redução da multa, o caso concreto não versa sobre auto de infração, mas sim sobre não homologação de compensação, que por ser objeto de declaração está sujeita à multa de mora definida no art. 61 da Lei nº 9.430/96. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Fl. 468DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10680.900007/200911 Acórdão n.º 3403002.014 S3C4T3 Fl. 8 9 Fl. 469DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 11070.001752/2009-27
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA.
Existe concomitância quando no processo administrativo se discutir o mesmo objeto da ação judicial, hipótese em que a autoridade administrativa julgadora não deve conhecer o mérito do litígio, nos termos da Súmula CARF n.º 1.
Numero da decisão: 3803-003.669
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Presidente (assinado digitalmente) Juliano Lirani - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira.
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CONCOMITÂNCIA. Existe concomitância quando no processo administrativo se discutir o mesmo objeto da ação judicial, hipótese em que a autoridade administrativa julgadora não deve conhecer o mérito do litígio, nos termos da Súmula CARF n.º 1. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o indeferimento do Pedido de Ressarcimento e de Declaração de Compensação em relação a crédito de COFINS referente ao terceiro trimestre/2005. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 17 52 /2 00 9- 27 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN 2 As fls. 99/100 sobreveio Despacho Decisório, por meio do qual o pleito foi indeferido com fundamento de ausência de previsão legal para o creditamento, uma vez que os créditos nas operações com substituição tributária no regime de tributação da não cumulatividade é vedado pelo art. 30, inciso I, alínea “a” da Lei n.º 10.833/2003. Assim, para os julgadores “a quo”, embora o art. 17 da Lei n.º 11.033/2004 tenha autorizado créditos em relação a vendas realizadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS e COFINS, por outro lado o art. 16 da Lei n.º 11.116/2005 ditou a regra de que a apuração dos créditos, nos termos do art. 17 da Lei n.º 11.033/2004, necessariamente precisam seguir a regra do art. 3º das Leis n.sº 10.637/2002 e 10.833/2003, razão pela qual há vedação do creditamento quando o produto adquirido estiver sob regime de substituição tributária e cuja saída esteja com suspensão das contribuições. Irresignado com a decisão, apresentou Manifestação de Inconformidade às fls. 102/104, sob os seguintes argumentos: · Em se tratando do regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, se apura o crédito em razão da aquisição de insumos e bens para revenda, por meio da aplicação das alíquotas das contribuições sobre os valores de aquisição destes bens. Neste mesmo sentido, apura o débito mediante a aplicação das alíquotas das contribuições sobre o valor de venda das mercadorias que produz ou revende; · Com a edição da Medida Provisória n° 206/2004, art. 16, atualmente artigo art. 17 da Lei n° 11.033/04, os contribuintes cujas operações de venda são isentas, não tributadas, tributadas com alíquota zero, ou com suspensão, tem direito a manutenção dos créditos de PIS e COFINS decorrente da aquisição de insumos; · Alertou que o regime não cumulativo do PIS e a COFINS não é idêntico ao previsto para o IPI e ICMS, onde lá a sistemática de apuração daqueles tributos é feita pela técnica imposto contra imposto, onde o imposto pago na operação anterior serve para ser abatido do imposto gerado na operação presente; · Na não cumulatividade do PIS e da COFINS, não se perquire se houve ou não tributação da etapa anterior para fins de direito de crédito. Além do que deve ser observado o § 12 do art. 195 da CF, o qual prevê que as contribuições em exame serão não cumulativas, sem qualquer restrição ao creditamento. Às fls. 115/117 a DRJ de Porto Alegre proferiu o Acórdão n.º 1035.3542ª Turma, com o seguinte teor: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 INCONSTITUCIONALIDADE. LEGISLAÇÃO REGULARMENTE EDITADA. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de Fl. 169DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11070.001752/200927 Acórdão n.º 3803003.669 S3TE03 Fl. 111 3 ilegalidade de dispositivos normativos, bem como a legislação regularmente editada goza de presunção de constitucionalidade e de legalidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. PRODUTOS. AQUISIÇÃO. DISTRIBUIDOR/COMERCIANTE. REVENDA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL. No regime da nãocumulatividade da COFINS, a aquisição de produtos sujeitos à tributação concentrada não gera créditos para o comerciante na revenda/distribuição dos mesmos por expressa vedação legal, não se aplicando A hipótese a disposição contida no art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Com efeito, a DRJ manifestouse pelo indeferimento do pedido com fundamento na impossibilidade do reconhecimento, na esfera administrativa, da inconstitucionalidade do art. 30, inciso I, alínea “a” da Lei n.º 10.833/2003, que vedou a apuração de créditos em relação à operações sujeitas a substituição tributária. A DRJ ainda utilizou como argumento para indeferir o pleito, o fato de que não consta no contrato social da empresa a atividade de industrialização de qualquer dos bens objetos do pedido. Apontou ainda que as aquisições para as quais a empresa requer os créditos para o PIS e COFINS estão relacionadas no artigo 43 da Medida Provisória n° 2158 35 de 24 de agosto/2001 e na Lei n° 10.485/2.002, que por sua vez estão sujeitos aos regimes de substituição tributária e tributação monofásica respectivamente. Em outras palavras, entende a DRJ que as vendas realizadas pelo Recorrente, que por sua vez é comerciantes, fica desonerada da incidência das contribuições, já que diante da substituição tributária a obrigação pelo pagamento do tributo, se dá em relação as operações praticadas pelos fabricantes ou importadores. Deste modo, o art. 1° da Lei n° 10.485/2002 reduziu para zero as alíquotas das contribuições em relação à receita bruta auferida por comerciante, com a venda dos produtos para os quais se desejam os créditos e por esse motivo o creditamente é indevido. Os julgadores de primeiro grau, adotaram ainda a tese em relação a inexistência de direito aos créditos, ainda que o art. 17 da Lei n.º 11.033/2004 tenha dito caber créditos para as vendas realizadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência das contribuições, uma vez que o art. 16 da Lei n.º 11.116/2005 determina que a sua apuração segue a regra disposta no art. 3º das Leis n.sº 10.637/2002 e 10.833/2003, que por sua vez proíbem créditos em relação as operações com substituição tributária. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN 4 Inconformado com a decisão da DRJ, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário e basicamente repetiu seus argumentos já trazidos na Manifestação de Inconformidade e reforçou o seu direito aos créditos com fundamento no art. 17 da Lei n.º 11.033/2004, bem como no art. 195 da Constituição Federal, sob o argumento de que a norma constitucional não impôs qualquer restrição aos créditos. Por fim, requer que seu recurso seja conhecido e ao final que o seu direito creditório seja reconhecido. É o relatório. Em que pese a DRJ ter ingressado ao mérito e negado o pedido, cumpre informar que o Recorrente optou por discutir a matéria no Poder Judiciário, conforme citado às fl. 02. Voto Conselheiro Juliano Lirani O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Conforme se observa do contrato social, a Recorrente tem por objeto a revenda de máquinas agrícolas e a distribuição de peças, sendo que adquire os produtos das indústrias para posterior distribuição. Cumpre informar que estes produtos são vendidos sem a incidência do PIS e COFINS. O cerne da questão está em se apurar se há créditos em relação as vendas de produtos com suspensão do pagamento das contribuições, quando a lei estabelece o regime de substituição tributária. Alega o Recorrente que embora as vendas das máquinas e peças agrícolas estejam com a suspensão do pagamento do PIS e COFINS, ainda assim o art. 17 da Lei n.º 11.033/2004 confere o direito creditório e por essa razão tornase pertinente reproduzir a redação desta norma: Lei n.º 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Em que pese a discussão de mérito, analisando os autos, constatei que a matéria aventada no presente Recurso Voluntário está sendo tratada na esfera judicial, conforme mencionado às fl. 02, tendo por objeto igual pretensão pleiteada administrativamente, qual seja, crédito referente ao PIS e CONFINS. Reputase idênticas 2 (duas) ações que possuam as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido, como determinam os §§ 1º e 2º do art. 301, do CPC: Art. 301: “§ 1º Verificase a litispendência ou a coisa julgada, quando se reproduz ação anteriormente ajuizada. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11070.001752/200927 Acórdão n.º 3803003.669 S3TE03 Fl. 112 5 § 2º Uma ação é idêntica à outra quando tem as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido.” Sobre a litispendência, leciona Nelson Nery Junior: “Ocorre a litispendência quando se reproduz ação idêntica a outra que já está em curso. As ações são idênticas quanto têm os mesmos elementos, ou seja, quando têm as mesmas partes, a mesma causa de pedir (próxima e remota) e o mesmo pedido (mediato e imediato). A citação válida é que determina o momento em que ocorre a litispendência (CPC 219 caput). Como a primeira já fora anteriormente ajuizada, a segunda ação, onde se verificou a litispendência, não poderá prosseguir, devendo ser extinto o processo sem julgamento do mérito (CPC 267 V).” (Código de Processo Civil Comentado, 6ª edição, RT, p. 655). Deste modo, optando a Recorrente pela via judicial ocasiona impedimento da manifestação do CARF a respeito na matéria em razão da concomitância verificada. Assim, aplicase a Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso quanto à matéria apreciada pelo Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Fl. 172DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN
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