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Numero do processo: 13708.000823/2003-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Dec 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1999
PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÕES. INTERCONEXÃO DE REDES.
Por força das normas técnicas baixadas pela Anatel, os valores repassados a outras concessionárias a título de interconexão de redes devem ser contabilizados como receita própria da concessionária com a qual o assinante está contratualmente vinculado e, por tal motivo, não podem ser excluídos da base de cálculo da contribuição.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-002.800
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto, que deram provimento na íntegra. Sustentou pela recorrente o Dr. Donovan Lessa, OAB/RJ nº 121.282.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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BASE DE CÁLCULO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÕES. INTERCONEXÃO DE REDES. Por força das normas técnicas baixadas pela Anatel, os valores repassados a outras concessionárias a título de interconexão de redes devem ser contabilizados como receita própria da concessionária com a qual o assinante está contratualmente vinculado e, por tal motivo, não podem ser excluídos da base de cálculo da contribuição. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto, que deram provimento na íntegra. Sustentou pela recorrente o Dr. Donovan Lessa, OAB/RJ nº 121.282. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 8. 00 08 23 /2 00 3- 71 Fl. 558DF CARF MF Impresso em 21/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Tratase de declaração de compensação protocolada em 14/05/2002 por TELEMAR S/A, pleiteando a compensação de créditos por recolhimentos indevidos do PIS e da COFINS efetuados no período compreendido entre 15/03/1999 e 16/10/2000 por sua incorporada TELECOMUNICAÇÕES DE PERNAMBUCO S/A. Segundo a empresa, a origem do indébito ora pleiteado se refere ao recolhimento do PIS e da COFINS sobre receitas provenientes do serviço de interconexão de redes e também em relação a cobranças canceladas de usuários ("cancelamento 4ª Conta"), em face da inexistência de serviço prestado pela empresa (fls. 93). Por meio do Parecer Conclusivo nº 13/2008, de fls. 121/130, a autoridade administrativa entendeu que não existe o direito de crédito alegado, em razão dos seguintes motivos: a) por meio da Solução de Consulta Cosit nº 6, de 31/03/2004, interposta pela Associação Brasileira de Prestadoras de Serviço Telefônico Fixo Comutado ABRAFIX, a questão da exclusão dos valores repassados a terceiros a título de interconexão de redes foi decidida desfavoravelmente à Associação das prestadoras de serviço, ou seja, tais receitas não podem ser excluídas das bases de cálculo do PIS e da COFINS por falta de previsão legal; b) a IN SRF/STN/SFC nº 4/1997 alterada pela IN SRF/STN/SFC nº 3/1998 autoriza a dedução dos valores devidos a título de IRPJ, CSL, PIS E COFINS de percentuais preestabelecidos do IRRF retido por órgão público. Entretanto, no ano de 2000 a empresa deduziu da COFINS valores superiores aos estabelecidos na instrução normativa conjunta. Regularmente intimado do despacho decisório de não homologação da compensação em 22/04/2008, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 15/05/2008, alegando, em síntese, o seguinte: 1) Os créditos utilizados na compensação se referem a pagamentos efetuados pela Telecomunicações de Pernambuco, que indevidamente incluiu em sua base de cálculo do PIS e da COFINS os valores recebidos a título de interconexão de redes; 2) As receitas de interconexão de redes são aqueles valores recebidos pelas empresas prestadoras de serviços, mas que são repassados a terceiros, também prestadores de serviços, em virtude da utilização de rede telefônica destes, na prestação de seus serviços; 3) Neste contexto, o que se percebe é que há um ingresso para Telemar que na verdade se refere à receita da Telefônica (custo de interconexão), razão pela qual tal ingresso não deverá ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS (receita de terceiros); 4) Nenhuma empresa de telefonia detém rede própria de transmissão que cubra todo o País, e muito menos todo o globo, pretensão que se revelaria economicamente inviável, além de ocasionar desnecessária redundância de meios; 5) Assim, para completar parte de suas chamadas originadas de sua área de atuação, valese a recorrente (e sempre se valeram as suas sucedidas) da infraestrutura instalada das demais companhias telefônicas, por meio da integração das respectivas redes que é obrigatória por lei; 6) Tal sistemática recebe a denominação técnica de interconexão e está regulada pela Lei n° 9.472/97 (Lei Geral de Telecomunicações) e pela Norma n° 24/96 Fl. 559DF CARF MF Impresso em 21/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13708.000823/200371 Acórdão n.º 3402002.800 S3C4T2 Fl. 4 3 Remuneração pelo Uso das Redes de Serviço Móvel Celular e de Serviço Telefônico Público, aprovada pela Portaria n° 1.537/96 do Ministro das Comunicações; 8) Disse que a interconexão de redes é uma exigência do poder concedente do serviço; que os convênios sobre interconexão são elaborados mediante acordo livremente negociado entre as concessionárias; que a interconexão envolve duas prestações de serviço realizadas sucessivamente por cada uma das operadoras envolvidas em benefício do usuário final; que na primeira prestação o prestador é a companhia que origina a chamada, o tomador do serviço é o assinante desta e o preço é a tarifa cobrada em conta telefônica; que na segunda prestação o prestador do serviço é a empresa que termina a chamada, o tomador do serviço é a empresa que origina a chamada e o preço do serviço é a tarifa de interconexão (receita de interconexão para a primeira; repasse de interconexão para a segunda); 9) Não se trata nem de exclusão da base de cálculo, porque o valor da interconexão não é receita própria, mas sim um ingresso que está fora do campo de incidência da norma. Invocou o entendimento da CSRF firmado no processo nº 10166.000888/200131; 10) o art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718/98 é um preceito meramente declaratório e sua aplicação independe de regulamentação infralegal, mesmo diante da sua revogação pela MP 1.99118/99. A exclusão da receita de terceiros da base de cálculo das contribuições independe de autorização legal porque se trata de hipótese de não incidência; 11) o STJ tem vetado a tributação de receita de terceiros, a teor do RESP 777.717/MG; Por meio do Acórdão nº 25.943, de 16 de outubro de 2009, a 4ª Turma da DRJ Rio de Janeiro 2 julgou a manifestação de inconformidade improcedente. O julgado recebeu a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/08/2000 SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÕES. CUSTOS. INDEDUTIBILIDADE. A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins é o total do valor cobrado pela prestação de serviços de telecomunicação. Não podem ser deduzidos os custos de utilização, pela prestadora do serviço, de rede de telecomunicações de terceiros." Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância em 10/02/2010 (fl. 373), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 10/03/2010 (fl. 375), no qual, em síntese, reapresentou os fundamentos declinados na impugnação. Posteriormente, o recurso voluntário foi aditado com a citação de vários precedentes da CSRF referentes a situações semelhantes e juntados pareceres exarados pelo Prof. Paulo de Barros Carvalho e pelo Prof. Eliseu Martins. É o relatório. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 21/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Controvertese exclusivamente sobre matéria de direito. Tratase de qualificar juridicamente o valor recebido pela prestadora de serviços de telecomunicações de seu cliente e repassado a outra operadora para que a primeira prestadora possa completar a chamada originada em sua área de concessão. Não há como completar essa chamada sem a utilização da rede de outra operadora que detém a concessão na área do telefone chamado. O art. 146 da Lei Geral de Telecomunicações obriga as operadoras a celebrarem entre si contratos de interconexão para que os usuários finais possam completar suas chamadas ou utilizar serviços de outras redes. A situação versada neste processo é semelhante, se não for idêntica, ao chamado "roaming" no caso das operadoras de telefonia móvel, questão que já foi decidida pela CSRF nos Acórdãos CSRF/0202.218 e CSRF/0202.223 de forma favorável aos contribuintes. Na verdade, a única coisa que distingue o "roaming" da telefonia móvel da "interconexão" na telefonia fixa é o fato de na telefonia fixa do sinal trafegar por meio de cabos, enquanto que na telefonia móvel o sinal se propaga no espaço por meio de ondas eletromagnéticas (ondas de rádio). Fui relator vencido no Acórdão CSRF/0202.223, julgado em 24 de janeiro de 2006, cujos fundamentos adoto para o caso concreto como se aqui estivessem transcritos (art. 50, § 1º da Lei nº 9.784/99), pois mantenho meu entendimento no sentido de que tanto o valor do "roaming" quanto o valor devido a título de "interconexão" são receitas da operadora que presta o serviço ao assinante. Isto porque para poder prestar o serviço ao seu assinante, a operadora que origina a chamada é obrigada por lei (art. 146 da Lei nº 9.472/97) a contratar a operadora do local que completa a chamada. O valor do "roaming" ou da "interconexão de redes", nesta hipótese, é custo da operadora que origina a chamada e não receita de terceiro, como entende a recorrente. A remuneração pelo uso de redes de serviço móvel celular (SMC) e serviço de telefonia pública (STP) foi objeto de regulação por meio da Norma Anatel no 24, de 1996, nos seguintes termos: 3.1. Princípios Gerais 3.1.1. A remuneração às Entidades Credoras cujas Redes foram usadas na realização de uma Chamada Interredes será efetuada por Entidade Devedora. Fl. 561DF CARF MF Impresso em 21/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13708.000823/200371 Acórdão n.º 3402002.800 S3C4T2 Fl. 5 5 3.1.2. A remuneração às Entidades Credoras somente será exigível em decorrência da Chamada Interredes passível de ser faturada a Assinante ou Usuário do STP ou Assinante do SMC. 3.1.3. A remuneração devida pela Entidade Devedora à determinada Entidade Credora, será calculada com base no valor da Tarifa de Uso, na forma desta Norma, e no tempo de duração da Chamada Interredes faturada ao Assinante ou Usuário. (...) 3.3. Identificação da Entidade Devedora 3.3.1. Na realização de uma Chamada Interredes, a Entidade Devedora será aquela que emite a fatura do serviço, ao Assinante ou as Concessionárias de SMC de origem de assinantes visitantes, e registra, contabilmente, como receita, o valor correspondente a comunicação realizada. 3.3.1.1. Na prestação do Serviço Móvel Celular a Assinante vinculado a outra Concessionária de SMC, a Concessionária de SMC que prestou o serviço será considerada a Entidade Credora, devendo receber o valor correspondente à receita da comunicação realizada, da Concessionária de SMC do respectivo Assinante que, nestas situações, passa a ser a Entidade Devedora. As disposições da Norma no 24/96 deixam claro que a operadora com a qual o assinante mantém contrato é quem deve pagar pela utilização das redes das operadoras credoras e que cabe à concessionária ao qual o assinante está contratualmente vinculado, contabilizar como receita o valor correspondente à comunicação realizada. No mesmo sentido é a Resolução nº 588, de 7 de maio de 2012, que aprovou o regulamento de remuneração pelo uso de redes de prestadoras do serviço telefônico fixo comutado STFC. O art. 2º do referido regulamento, ao estabelecer definições, dispôs o seguinte: Art. 2º Para efeitos deste Regulamento aplicamse as seguintes definições, além daquelas previstas na regulamentação: (...) X Prestadora Credora: Prestadora de STFC à qual é devido valor pelo uso de sua Rede na realização de uma Chamada InterRedes. XI Prestadora Devedora: Prestadora de Serviços de Telecomunicações titular da receita de público, que deve valor à Prestadora Credora pelo uso de rede desta última na realização de uma Chamada InterRedes. A regulamentação baixada pela Anatel não deixa nenhuma dúvida: o titular da receita é a operadora devedora (no caso a Telemar ou sua incorporada a Telecomunicações Fl. 562DF CARF MF Impresso em 21/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 de Pernambuco) e essa operadora deve pagar às operadoras credoras, que cedem as suas redes, para que a chamada originada na área da operadora devedora possa ser completada. São duas cobranças autônomas: 1) o valor cobrado da operadora devedora pela operadora credora pelo uso de sua rede; e 2) o valor cobrado do assinante, pela operadora devedora, conforme o plano contratado pelo assinante. As cobranças e as obrigações contraídas são autônomas, pois mesmo na hipótese de inadimplência de seu assinante, a operadora devedora deverá pagar pelo uso da rede da operadora credora, fato que demonstra inequivocamente que não se trata de mera transferência de receita de terceiros, como quis fazer crer a recorrente. Sendo assim, se a Telemar (e sua antecessora) obteve a concessão do serviço nesses termos, ou seja, nos termos estipulados pelo Poder Concedente, não tem como deixar de se submeter a essas normas, alegando que a receita não é sua, mas sim da operadora credora. A receita é própria da Telemar (ou da sucedida Telecomunicações de Pernambuco), que a recebe e a contabiliza como sua, e, posteriormente, contrata o serviço da operadora credora para poder prestar o serviço de comunicação ao seu assinante. Tratandose de receita decorrente da prestação de serviços próprios, foi corretamente incluída na apuração do PIS e COFINS e devidamente tributada na forma da lei, tanto em face da Lei nº 9.718/98, quanto em face da legislação anterior, inexistindo o indébito alegado a esse título. Essa questão da tributação das receitas de interconexão foi levada ao conhecimento da Coordenação Geral do Sistema de Tributação da Receita Federal, que proferiu a Solução de Consulta nº 06/2004, em sentido diametralmente oposto à pretensão da recorrente. A questão discutida neste processo é eminentemente jurídica e depende da visão que se tem da relação entre o assinante e a operadora devedora e entre esta e a operadora credora. Na visão deste relator, as normas da Anatel definiram a priori de quem é a receita e quem presta o serviço a quem. Para obter a concessão do serviço, tanto a Telemar, quanto a sua antecessora, aceitaram e se submeteram às exigências do poder concedente, caso contrário não teriam sido contempladas com a concessão para explorarem o serviço de telecomunicações. Desse modo, não tem o menor cabimento que agora, anos após a aceitação da concessão do serviço e "das regras do jogo", venha o contribuinte alegar a existência de indébito, quando ele mesmo aceitou a regulamentação do setor que estabelece que ele é o titular da receita. Com esses fundamentos, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 563DF CARF MF Impresso em 21/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13708.000823/200371 Acórdão n.º 3402002.800 S3C4T2 Fl. 6 7 Fl. 564DF CARF MF Impresso em 21/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 19647.009419/2006-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2102-000.045
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Rubens Maurício Carvalho
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral o advogado do contribuinte, o Dr. Remis Almeida Estol, OABRJ 45.196. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 23/02/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Iniciado o julgamento do presente processo, após a leitura do relatório, o advogado do contribuinte, fez sustentação oral. Após as considerações do patrono do recorrente, tendose em consideração o disposto no art. 62A, caput e § 1º, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF) e por constar no Termo de Início de Fiscalização, fl. 24, que A(s) instituição(ões) financeira(s) abaixo relacionada(s) informou(aram) a Fl. 1DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19647.009419/200653 Resolução n.º 2102000.045 S2C1T2 Fl. 2 2 esta Receita Federal a seguinte movimentação financeira efetuada em nome do contribuinte, no ano calendário 2002, de acordo com o art. 5°, parágrafo 2°, da Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, e com o art. 11, parágrafos 2° e 3°, da Lei n° 9.311, de 24 de outubro de 1996, com nova redação dada pelo art. 1° da Lei n° 10.174, de 09 de janeiro de 2001, foi questionado ao patrono, o alcance das considerações postas no Recurso Voluntário ao fazer constar à fl. 452 o seguinte: Ressaltese que a mencionada fiscalização iniciouse em virtude de informações recebidas diretamente de instituições financeiras pela Receita Federal relativas à movimentação efetuada em nome do contribuinte naquele anocalendário. Em resposta, o advogado do contribuinte, confirmou na presença do colegiado que protestava expressamente pela inconstitucionalidade na quebra compulsória do sigilo bancário pela administração pública, sem autorização judicial. É o Relatório. Voto Diante dessa confirmação pelo defensor do contribuinte acerca da citada inconstitucionalidade, este Colegiado, discutiu e decidiu, por unanimidade, em sobrestar julgamento sobre a controvérsia da transferência compulsória do sigilo bancário para o fisco, com aplicação do art. 62A, caput e § 1º, do RICARF à espécie, cuja resultante dos argumentos da Turma, reduzo a seguir. Na forma do art. 62A, caput e § 1º, do Anexo II, do RICARF (As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º. Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B), sempre que a controvérsia tributária fosse admitida no rito da repercussão geral (art. 543B do CPC), deveriam as Turmas de Julgamento do CARF sobrestar o julgamento de matéria idêntica em recurso voluntário ou especial, aguardando a decisão definitiva da Suprema Corte. A interpretação conjunta da cabeça e do parágrafo primeiro do dispositivo regimental citado indicava que bastava o reconhecimento da repercussão geral para o sobrestamento do trâmite do recurso administrativo fiscal, não se fazendo maiores considerações sobre o procedimento de sobrestamento dos recursos extraordinários do próprio judiciário, como condicionante para o sobrestamento dos recursos da via administrativa. Essa era a interpretação das Turmas do CARF. Daí, no âmbito das Turmas de Julgamento da Primeira e Segunda Câmaras da Segunda Seção do CARF, as controvérsias sobre a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente e a incidente a partir da transferência compulsória do sigilo bancário dos contribuintes para o fisco (e aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001) vinham tendo o julgamento administrativo sobrestado, pois o STF havia reconhecido a repercussão geral em ambas as matérias, como se vê abaixo: Tema 225 Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a Fl. 2DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19647.009419/200653 Resolução n.º 2102000.045 S2C1T2 Fl. 3 3 exercícios anteriores ao de sua vigência. RE 601.314 – Relator o Min. Ricardo Lewandowski. Tema 228 Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. – RE 614.406 – Relatora a Min. Ellen Grace. Com a publicação da Portaria CARF nº 001/2012, que objetiva disciplinar os procedimentos do sobrestamento no âmbito do CARF, surgiram dúvidas sobre o cabimento do sobrestamento para o Tema 225, acima, em decorrência da redação do art. 1º, parágrafo único, da referida Portaria (O procedimento de sobrestamento de que trata o caput [rito do art. 543B do CPC] somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal – STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso), pois o STF não teria determinado o sobrestamento dos recursos extraordinários versando sobre a transferência compulsória do sigilo bancário para o fisco (e retroatividade da Lei nº 10.174/2001), como se poderia ver na decisão que reconheceu a repercussão geral para o tema, no RE 601.314. Para tentar aclarar a questão aqui em debate, colacionase abaixo o art. 543B do CPC, que regula o instituto da repercussão geral: Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo.(Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 1o Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte.(Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 2o Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos.(Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 3o Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse.(Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 4o Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada.(Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 5o O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral.(Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). (grifouse) Inicialmente, quando houver multiplicidade de recursos extraordinários RE com fundamento em idêntica controvérsia, vêse que caberá aos tribunais de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia (art. 543, § 1º, do CPC), enviandoos para Fl. 3DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19647.009419/200653 Resolução n.º 2102000.045 S2C1T2 Fl. 4 4 o Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais. Aqui o sobrestamento dos RE é feito em uma fase prévia ao reconhecimento da repercussão geral pelo STF, pelos tribunais de origem. E tanto assim o é que, negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos (art. 543, § 2º, do CPC), lembrando que a admissão dos RE é de competência dos tribunais de origem (arts. 541 e 542 do CPC), ou seja, o sobrestamento dos recursos extraordinários ocorre primeiramente nos tribunais de origem antes do reconhecimento, ou não, da repercussão geral pelo STF. Entretanto, por óbvio, o STF, por seus Ministros, deverá ter a mesma faculdade dos tribunais de origem para identificar a multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, sobrestandoos, inclusive porque o STF é o local mais apropriado para identificar tal multiplicidade dos recursos, por visualizar todo o contencioso deduzido nos RE oriundos dos tribunais do país, faculdade que é normatizada pelo art. 328 do RISTF, verbis: Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzirse em múltiplos feitos, a Presidência do Tribunal ou o(a) Relator(a), de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543B do Código de Processo Civil, podendo pedirlhes informações, que deverão ser prestadas em cinco dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a Presidência do Tribunal ou o(a) Relator(a) selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. Se parece claro que o sobrestamento dos recursos extraordinários pode ocorrer como fase prévia e preparatória ao reconhecimento da repercussão geral, vêse também que não faz sentido em falar em ausência de sobrestamento no caso de repercussão geral já reconhecida, pois somente se chegará ao instituto da repercussão com o sobrestamento prévio ou mesmo concomitante, aqui porque nada impede que o ministro do STF possa determinar o sobrestamento dos recursos extraordinários na própria decisão que reconhecer a repercussão geral, concomitantemente. Assim, sempre que houver o reconhecimento da repercussão geral para determinada matéria, ou já houve o prévio sobrestamento do recursos extraordinários, por aplicação do art. 543B, § 1º, do CPC (sobrestamento pelos tribunais de origem) e art. 328, parágrafo único, do RISTF (sobrestamento no STF), ou ocorrerá a partir da decisão reconhecedora da repercussão geral no STF (sobrestamento concomitante à repercussão). Neste ponto poderseia defender a existência do reconhecimento de repercussão geral sem sobrestamento, desde que a identificação da multiplicidade de recursos ocorresse no STF, sem haver ordem expressa de sobrestamento, quer de forma avulsa, quer no próprio acórdão que reconheceu a repercussão geral. Ora, o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por si só, tem como consectário lógico e inafastável o sobrestamento do julgamento de todos os recursos extraordinários sobre a mesma matéria, pois não se pode imaginar que o STF reconheça a repercussão geral e os RE possam continuar a tramitar, isso sem qualquer possibilidade de julgamento no STF, pois na Suprema Corte somente se apreciará o RE leading case. Assim, inviável defender a eventual ausência de ordem de sobrestamento de recurso extraordinário com matéria com repercussão geral já reconhecida. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19647.009419/200653 Resolução n.º 2102000.045 S2C1T2 Fl. 5 5 Na linha acima, eventual recurso extraordinário com matéria já sob repercussão geral que chegue ao STF será devolvido ao tribunal de origem, para aplicação das normas do art. 543B do CPC, pois não se pode conceber que os RE não estejam sobrestado, quando a repercussão geral já foi reconhecida. Como exemplo, vejase abaixo recente decisão do Ministro Luiz Fux, no RE nº 611.139, igualmente debatendo a transferência compulsória do sigilo bancário dos contribuintes para o fisco (e aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001) em recurso extraordinário, com determinação de devolução dos autos ao Tribunal de origem, para aguardar o julgamento do mérito pelo STF do RE leading case, ou seja, não há qualquer dúvida que os recursos extraordinários com a matéria em foco estão sobrestados, inclusive com devolução ao tribunal de origem, como determinado pelo art. 328, parágrafo único, do RISTF, o que implica também sobrestar o julgamento dos recursos administrativos sobre a mesma matéria neste CARF: RECURSO EXTRAORDINÁRIO 611.139 ORIGEM :AMS 200772000017815 TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4º REGIÃO PROCED. :SANTA CATARINA RELATOR :MIN. LUIZ FUX RECTE.(S) :EXPRESSO ESTRELA CATARINENSE LTDA ADV.(A/S) : JAILSON FERNANDES E OUTRO(A/S) RECDO.(A/S) : UNIÃO PROC.(A/S)(ES) :PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. TEMA Nº 225 DA GESTÃO POR TEMAS DA REPERCUSSÃO GERAL DO STF. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF). DECISÃO: O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto dos presentes autos, “em que se discute, à luz dos artigos 5º, X, XII, XXXVI, LIV, LV; 145, § 1º; e 150, III, a, da Constituição Federal, a constitucionalidade, ou não, do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial, bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência”. Tratase do Tema n.º 225 da Gestão por Temas da Repercussão Geral do Supremo Tribunal Federal, submetido à apreciação do Pleno nos autos do RE nº 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, e que se encontra pendente de julgamento. In casu, o acórdão recorrido assentou: “MANDADO DE SEGURANÇA. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. LEI Nº 10.174/2001. Instaurado procedimento administrativo, está autorizada a quebra do sigilo bancário, porquanto não é absoluto. Exegese da Lei Complementar nº 105, de 2001. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19647.009419/200653 Resolução n.º 2102000.045 S2C1T2 Fl. 6 6 Não há falar, assim, em inconstitucionalidade frente a uma possível discordância existente entre esses normativos e os princípios preconizados no art. 5º, incs. X e XII, da CF/1988. É que as informações sobre o patrimônio das pessoas não se inserem nas hipóteses do inc. X da CF/1988, uma vez que o patrimônio não se confunde com a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem. O próprio Código Tributário Nacional, em seu art. 197, inc. II, preconiza que os bancos são obrigados a prestar todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios e atividades de terceiros à autoridade administrativa. Ademais, tenho que há mera transferência do sigilo, da instituição financeira para o Fisco. Não há falar em retroação da lei quando a fiscalização recai sobre tributos relativos ao período compreendido entre os anos de 2003 e 2005, ou seja, cujos fatos geradores são posteriores à edição dos diplomas legais em questão” (fl. 147). Destarte, aplicando a decisão Plenária no RE nº 579.431, secundada, a posteriori pelo AI nº 503.064AgRAgR, Relator o Ministro CELSO DE MELLO; AI nº 811.626AgRAgR, Relator o Ministro RICARDO LEWANDOWSKI, e RE nº 513.473ED, Relator o Ministro CEZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (artigo 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 7 de fevereiro de 2012. Ministro LUIZ FUX Relator Documento assinado digitalmente Obviamente que não se pode interpretar o art. 1º, parágrafo único, da Portaria CARF nº 01/2002 como existindo a possibilidade de sobrestar os julgamentos administrativos sem que o STF tenha reconhecido a existência de repercussão geral na matéria controvertida, pois aí poderseia até trancar a via administrativa em matérias que sequer, posteriormente, tivessem a repercussão geral reconhecida. Ademais, o caput e § 1º do art. 62A, do Anexo II, do RICARF devem ser interpretados em conjunto, respeitando a regra hermenêutica que obriga os parágrafos a delimitar a cabeça dos artigos, e aqui se lembra que a cabeça versa sobre a reprodução das decisões de mérito proferida pelo STF, em repercussão geral, nos julgamentos do CARF; o parágrafo primeiro, por seu turno, determina o sobrestamento do julgamento administrativo, sempre que os recursos extraordinários da mesma matéria estejam também com julgamento sobrestados, pelo reconhecimento da repercussão geral, aguardando a decisão de mérito do STF. Ante o exposto, o Tema 225 (transferência compulsória do sigilo bancário dos contribuintes para o fisco e aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001) encontrase com repercussão geral reconhecida, inclusive havendo ordem de sobrestamento dos recursos extraordinários emitida por Ministro do STF, como acima se vê, devendo ser aplicado o sobrestamento administrativo no tocante ao processamento dos recursos voluntários do CARF sobre a mesma matéria, até que o STF decidida em definitiva a controvérsia. Dessa forma, VOTO NO SENTIDO DE SOBRESTAR JULGAMENTO, com aplicação do art. 62A, caput e § 1º, do RICARF. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19647.009419/200653 Resolução n.º 2102000.045 S2C1T2 Fl. 7 7 Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 13975.720399/2012-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2012
Ementa:
EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. REGULARIZAÇÃO DO CADASTRO FISCAL APÓS O DECURSO DO PRAZO LEGAL DE 30 (TRINTA) DIAS CONTADO A PARTIR DA CIÊNCIA DA COMUNICAÇÃO DA EXCLUSÃO.
Não será permitida a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples Nacional quando a regularização do cadastro fiscal ocorre após o prazo legal de 30 (trinta) dias, contado a partir da exclusão em virtude de inclusão de atividade econômica vedada à opção pelo Simples Nacional. (Inteligência do § 2º do artigo 31 da Lei Complementar nº 123/2006).
Numero da decisão: 1201-001.386
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marcelo Cuba Netto, João Carlos de Figueiredo Neto, João Otávio Oppermann Thome, Luis Fabiano Alves Penteado e Roberto Caparroz de Almeida.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2012 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. REGULARIZAÇÃO DO CADASTRO FISCAL APÓS O DECURSO DO PRAZO LEGAL DE 30 (TRINTA) DIAS CONTADO A PARTIR DA CIÊNCIA DA COMUNICAÇÃO DA EXCLUSÃO. Não será permitida a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples Nacional quando a regularização do cadastro fiscal ocorre após o prazo legal de 30 (trinta) dias, contado a partir da exclusão em virtude de inclusão de atividade econômica vedada à opção pelo Simples Nacional. (Inteligência do § 2º do artigo 31 da Lei Complementar nº 123/2006).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto - Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marcelo Cuba Netto, João Carlos de Figueiredo Neto, João Otávio Oppermann Thome, Luis Fabiano Alves Penteado e Roberto Caparroz de Almeida.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1979; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13975.720399/201215 Recurso nº 000.001 Voluntário Acórdão nº 1201001.386 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 2 de março de 2016 Matéria Exclusão do Simples Recorrente ALISON ALIMENTOS LTDA. ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2012 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. REGULARIZAÇÃO DO CADASTRO FISCAL APÓS O DECURSO DO PRAZO LEGAL DE 30 (TRINTA) DIAS CONTADO A PARTIR DA CIÊNCIA DA COMUNICAÇÃO DA EXCLUSÃO. Não será permitida a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples Nacional quando a regularização do cadastro fiscal ocorre após o prazo legal de 30 (trinta) dias, contado a partir da exclusão em virtude de inclusão de atividade econômica vedada à opção pelo Simples Nacional. (Inteligência do § 2º do artigo 31 da Lei Complementar nº 123/2006). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marcelo Cuba Netto, João Carlos de Figueiredo Neto, João Otávio Oppermann Thome, Luis Fabiano Alves Penteado e Roberto Caparroz de Almeida. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 5. 72 03 99 /2 01 2- 15 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13975.720399/201215 Acórdão n.º 1201001.386 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Por economia processual e considerar pertinente, adoto o Relatório da decisão recorrida que a seguir transcrevo: Tratase de Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte contra exclusão automática do Simples Nacional por comunicação de alteração do código CNAE, incluindo atividade econômica vedada (46354/ 99 – “Comércio Atacadista de Bebidas não Especificadas Anteriormente”). Em sua defesa a interessada alega: Que, não é fabricante de nem de bebidas alcoólicas, nem de refrigerantes e, nem tão pouco de preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida refrigerante, com capacidade de diluição de até 10 (dez) partes da bebida para cada parte do concentrado; Que, além da fabricação e comércio de massas alimentícias, doces e salgadas e de produtos alimentícios preparados, pratica o "COMÉRCIO DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS PREPARADOS" e o "COMÉRCIO DE SUCOS E BEBIDAS CONCENTRADO", incluída nesta atividade secundária tão somente a venda de "polpa de frutas congelada" para diluição em água, em volume infimamente pequeno em relação a sua atividade principal; Que, além de tratarse de atividade secundária, os produtos mencionados não se enquadram na proibição da citada Lei Complementar por trataremse, como já frisamos de "polpa de Frutas congelada" e não de "extratos ou concentrados"; Que, o que se percebe é sim um grande equívoco quando da descrição da atividade no CONTRATO SOCIAL DA ALISON ALIMENTOS LTDA e, outro equívoco maior quando do enquadramento da atividade no "Código CNAE", estando enquadrada como "46.354/ 99 Comércio atacadista de bebidas não especificadas anteriormente" quando a atividade secundária efetivamente realizada pela requerente tratase do "comércio, em pequeníssima escala de polpa de frutas congelada para diluição em água e consumida em forma de sucos naturais"; Que, após incansáveis pesquisas junto a tabela de códigos "CNAE", nada se verifica que dê guarida a mencionada atividade, nem tão pouco por semelhança; Que, a única certeza que se verifica em todo este episódio é que, a atividade secundária efetivamente exercida pela requerente, ou seja, "comércio em pequena escala de polpa de frutas congelada" em nenhum momento condiz com as proibições contidas no artigo 17 e seus parágrafos da Lei n° 123, do Simples Nacional; Que, estaremos num futuro bem próximo procedendo a todas as correções de expressões utilizadas nos Contratos da Sociedade, bem como das classificações equivocadas na tabela de códigos do "CNAE", possibilitando desta forma o esclarecimento de dúvidas que Fl. 49DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13975.720399/201215 Acórdão n.º 1201001.386 S1C2T1 Fl. 4 3 estão acarretando punições ao contribuinte por interpretações inadequadas e que não lhes são cabíveis. Assim sendo, diante da exposição de motivos e dos esclarecimentos prestados, requererse que V. Sa se digne: a) tornar sem efeito a exclusão do contribuinte retornandoo a situação anterior, possibilitandolhe o recolhimento dos impostos com o uso dos benefícios fiscais estabelecidos pela Lei Complementar n° 123, de 14 de Dezembro de 2006, por não estar o mesmo enquadrado em nenhuma das proibições que impeçam a sua inclusão; b) informe ao contribuinte qual o enquadramento adequado da atividade secundária do contribuinte que trata da "venda varejista de polpa de frutas congelada" para ser diluída em água e servida como suco natural. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1534.057, de 13 de novembro de 2013, assim ementado: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2012 EXCLUSÃO. ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. Mantémse a empresa excluída do Simples Nacional quando a atividade econômica informada à Receita Federal, ainda que secundária, constar do Anexo VI da Resolução CGSN nº 94, de 2011, do Comitê Gestor do Simples Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Enfim a DRJ não acolheu as razões da manifestação de inconformidade, determinando seja mantida a exclusão automática do regime do Simples Nacional, por comunicação (da pessoa jurídica) de alteração do código CNAE, incluindo atividade econômica vedada (46354/ 99 – “Comércio Atacadista de Bebidas não Especificadas Anteriormente”. A pessoa jurídica, foi cientificada da mencionada decisão em 21 de novembro de 2013, conforme Aviso de Recebimento, e, interpôs recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, protocolizado em 17/12/2013. Na peça recursal, no essencial, a Recorrente alega que: tinha como objeto a exploração do ramo de "FABRICAÇÃO E COMÉRCIO DE MASSAS ALIMENTÍCIAS, DOCES E SALGADAS, FABRICAÇÃO DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS PREPARADOS, COMÉRCIO ATACADISTA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS PREPARADOS E COMÉRCIO ATACADISTA DE SUCOS E BEBIDAS CONCENTRADO", conforme sétima alteração contratual já constante nos autos; não exerce atividade de produção ou venda no atacado de preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida refrigerante, com capacidade de diluição de até 10 (dez) partes da bebida para cada parte do Fl. 50DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13975.720399/201215 Acórdão n.º 1201001.386 S1C2T1 Fl. 5 4 concentrado, bem como não se enquadra na atividade econômica impeditiva do CNAE (4635 4/99 "Comércio Atacadista de Bebidas não Especificadas Anteriormente"); além da fabricação e comércio de massas alimentícias, doces e salgados e de produtos alimentícios preparados praticava como atividade secundária somente a venda de "polpa de frutas congelada", sólida, portanto, para diluição em água, em volume infimamente pequeno em relação a sua atividade principal e não a venda de "extratos ou sabores concentrados"; apesar de ser responsabilidade da pessoa jurídica recorrente o exercício da opção pela sua classificação no CNAE/FISCAL, bem como o preenchimento da ficha cadastral própria indicando no CNAE a atividade que mais se assemelha com aquelas que ele desenvolve, existe uma complexidade na legislação que pode levar o contribuinte a várias interpretações e equívocos; conforme registrou na sua Manifestação de Inconformidade, promoveu as correções de expressões utilizadas em seu Contrato Social, bem como as alterações das classificações equivocadas na tabela de códigos do CNAE, conforme o último contrato social, cadastro nacional da pessoa jurídica e os enquadramentos na opção pelo CNAE anexos; em sua oitava alteração contratual tem como objeto a "FABRICAÇÃO E COMÉRCIO DE MASSAS ALIMENTÍCIAS, DOCES E SALGADAS, FABRICAÇÃO DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS PREPARADOS E COMÉRCIO ATACADISTA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS PREPARADOS", bem como promoveu as alterações nos cadastros da Receita Federal e do enquadramento na opção no CNAE. Ao final requer que seja dado provimento ao presente recurso, para sua reinclusão no Simples Nacional com efeitos a partir de sua data de exclusão (30/06/2012), eis que, promoveu a alteração contratual ao objeto (atividade), bem como as alterações no Cadastro da Receita Federal e no enquadramento na opção no CNAE. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço. Conforme relatado, trata o presente processo de exclusão automática do contribuinte do regime do Simples Nacional, em virtude da comunicação (da pessoa jurídica) de alteração do código CNAE, incluindo atividade econômica vedada (46354/ 99 – “Comércio Atacadista de Bebidas não Especificadas Anteriormente”. Portanto, a exclusão do Simples Nacional ora em litígio foi automática, considerada a pedido da contribuinte ao comunicar à RFB alteração do código CNAE de sua atividade secundária. O art. 17 da Lei Complementar nºº 123, de 2006, relaciona diversas atividades, cujo exercício veda a opção ao Simples Nacional ou implica a exclusão desse Fl. 51DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13975.720399/201215 Acórdão n.º 1201001.386 S1C2T1 Fl. 6 5 regime de tributação. Dentre essas atividades, destacase a relacionada no inciso X, alínea "b", vejamos: Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006: ... Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: ... X que exerça atividade de produção ou venda no atacado de: ... b) bebidas a seguir descritas: 1 alcoólicas; 2 refrigerantes, inclusive águas saborizadas gaseificadas; 2. (Revogado);(Redação dada pela Lei Complementar nº 147, de 2014) 3 preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida refrigerante, com capacidade de diluição de até 10 (dez) partes da bebida para cada parte do concentrado; 3. (Revogado);(Redação dada pela Lei Complementar nº 147, de 2014) 4 cervejas sem álcool; ... XVI com ausência de inscrição ou com irregularidade em cadastro fiscal federal, municipal ou estadual, quando exigível. ......................................................................................................... Art. 28. A exclusão do Simples Nacional será feita de ofício ou mediante comunicação das empresas optantes. ........................................................................................................ Art. 30. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, darseá: I por opção; II obrigatoriamente, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação previstas nesta Lei Complementar; .... Fl. 52DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13975.720399/201215 Acórdão n.º 1201001.386 S1C2T1 Fl. 7 6 §3ºA alteração de dados no CNPJ, informada pela ME ou EPP à Secretaria da Receita Federal do Brasil, equivalerá à comunicação obrigatória de exclusão do Simples Nacional nas seguintes hipóteses: Ialteração de natureza jurídica para Sociedade Anônima, Sociedade Empresária em Comandita por Ações, Sociedade em Conta de Participação ou Estabelecimento, no Brasil, de Sociedade Estrangeira; II inclusão de atividade econômica vedada à opção pelo Simples Nacional; III inclusão de sócio pessoa jurídica; IV inclusão de sócio domiciliado no exterior; V cisão parcial; ou VI extinção da empresa. Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: ... II na hipótese do inciso II do caput do art. 30 desta Lei Complementar, a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva; ... § 2o Na hipótese dos incisos V e XVI do caput do art. 17, será permitida a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples Nacional mediante a comprovação da regularização do débito ou do cadastro fiscal no prazo de até 30 (trinta) dias contados a partir da ciência da comunicação da exclusão. (Grifei) Como se vê antes do advento da Lei Complementar nº 147, de 2014, estava impedida de optar pelo Simples a pessoa jurídica que exercesse a atividade de PRODUÇÃO OU VENDA NO ATACADO de...refrigerantes, inclusive águas saborizadas gaseificadas, preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida refrigerante, com capacidade de diluição de até dez partes da bebida para cada parte do concentrado... A Recorrente alega que não exerce atividade de produção ou venda no atacado de preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida refrigerante, com capacidade de diluição de até 10 (dez) partes da bebida para cada parte do concentrado, bem como não se enquadra na atividade econômica impeditiva do CNAE (46354/99 "Comércio Atacadista de Bebidas não Especificadas Anteriormente"). Fl. 53DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13975.720399/201215 Acórdão n.º 1201001.386 S1C2T1 Fl. 8 7 Argúi que, conforme registrou na sua Manifestação de Inconformidade, promoveu as correções de expressões utilizadas em seu Contrato Social, bem como as alterações das classificações equivocadas na tabela de códigos do CNAE, conforme o último contrato social, cadastro nacional da pessoa jurídica e os enquadramentos na opção pelo CNAE anexos. E que, em sua oitava alteração contratual tem como objeto a "FABRICAÇÃO E COMÉRCIO DE MASSAS ALIMENTÍCIAS, DOCES E SALGADAS, FABRICAÇÃO DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS PREPARADOS E COMÉRCIO ATACADISTA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS PREPARADOS", bem como promoveu as alterações nos cadastros da Receita Federal e do enquadramento na opção no CNAE. A fundamentação da decisão recorrida para julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade da interessada é a seguinte: ... Cabe à própria pessoa jurídica, representada perante o CNPJ por seu responsável, o exercício da opção pela sua classificação no CNAE/Fiscal, com base em seu julgamento quanto às atividades preponderantes que desempenha a empresa, requisito indispensável para a sua obrigatória inscrição no CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica),mediante o preenchimento da ficha cadastral própria para tal fim (FCPJ), de acordo com as orientações emanadas pela RFB. A escolha do código CNAE constitui ato volitivo da pessoa jurídica, ou seja, é ela quem opta pelas atividades que mais se assemelham àquelas que desenvolve. Embora a interessada alegue que não exerce a atividade relativa ao código CNAE impeditivo, vejase que até o momento não alterou seu cadastro junto à RFB. Em havendo no cadastro da empresa alguma atividade impeditiva, cujo código CNAE consta do anexo VI da Resolução CGSN nº 94, de 2011, ainda que secundária, estará impedida de optar por esse sistema diferenciado de tributação. ... A Recorrente foi cientificada da mencionada decisão em 21 de novembro de 2013 e a alteração do Contrato Social a que alude a interessada foi registrada na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina em 29/11/2013, conforme anexo ao recurso voluntário. Também juntou aos autos cópia do CNPJ com a alteração do cadastro junto à RFB, emitido em 12/12/2013 com o CNAE do seguinte modo: CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE ECONÔMICA PRINCIPAL 10.94500 Fabricação de massas alimentícias CÓDIGO E DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES ECONÔMICAS SECUNDARIAS 46.37105 Comércio atacadista de massas alimentícias Fl. 54DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13975.720399/201215 Acórdão n.º 1201001.386 S1C2T1 Fl. 9 8 46.39702 Comércio atacadista de produtos alimentícios em geral, com atividade de fracionamento e acondicionamento associada 10.99699 Fabricação de outros produtos alimentícios não especificados anteriormente É inegável que a empresa Recorrente promoveu a alteração do Contrato Social, bem como as alterações das classificações na tabela de códigos do CNAE, conforme o último contrato social, cadastro nacional da pessoa jurídica e os enquadramentos na opção pelo CNAE, somente em 2013 após a ciência da decisão recorrida em 21/11/2013. Ou seja, somente nessas datas é que o contribuinte excluiu tanto do Contrato Social quanto do CNAE a atividade impeditiva de "COMÉRCIO ATACADISTA DE SUCOS E BEBIDAS CONCENTRADO". Compulsandose os autos verificase que a empresa ingressou por opção no Simples Nacional com registro em 30/07/2007, com efeito em 01/07/2007, e a exclusão do Simples Nacional se deu por comunicado do contribuinte em 29/06/2012 da atividade econômica impeditiva do CNAE (46354/99 "Comércio Atacadista de Bebidas não Especificadas Anteriormente"). De acordo com o § 3º e seu inciso II do artigo 30 da Lei Complementar nº 123/2006, acima transcrito, a alteração de dados no CNPJ, informada pela ME ou EPP à Secretaria da Receita Federal do Brasil, equivalerá à comunicação obrigatória de exclusão do Simples Nacional, na hipótese de inclusão de atividade econômica vedada à opção pelo Simples Nacional. Ainda que seja considerado como equívocos do contribuinte tanto na sétima alteração do Contrato Social em que consta a atividade de COMÉRCIO ATACADISTA DE SUCOS E BEBIDAS CONCENTRADO quanto a classificação no CNAE/Fiscal (46354/99 "Comércio Atacadista de Bebidas não Especificadas Anteriormente"), extraise do inciso XVI e do caput do artigo 17 da Lei Complementar nº 123/2006 que: Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte com irregularidade em cadastro fiscal federal. E o § 2º do artigo 31 da mesma Lei Complementar nº 123/2006 prescreve que na hipótese da ME ou EPP com irregularidade em cadastro fiscal federal, será permitida a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples Nacional mediante a comprovação da regularização do cadastro fiscal no prazo de até 30 (trinta) dias contados a partir da ciência da comunicação da exclusão, vejamos Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: ... II na hipótese do inciso II do caput do art. 30 desta Lei Complementar, a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva; ... § 2o Na hipótese dos incisos V e XVI do caput do art. 17, será permitida a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Fl. 55DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13975.720399/201215 Acórdão n.º 1201001.386 S1C2T1 Fl. 10 9 Simples Nacional mediante a comprovação da regularização do débito ou do cadastro fiscal no prazo de até 30 (trinta) dias contados a partir da ciência da comunicação da exclusão. Com efeito, a lei estabeleceu o lapso temporal para a regularização do cadastro fiscal, após o comunicado do contribuinte em 29/06/2012 da atividade econômica impeditiva do CNAE (46354/99 "Comércio Atacadista de Bebidas não Especificadas Anteriormente"), como condição de permanência no Simples. Tratase de respeito ao princípio da legalidade. No caso, a exclusão por comunicado da atividade impeditiva do contribuinte se deu em 29/06/2012, o prazo para a regularização do cadastro fiscal é de 30 (trinta ) dias após, e a regularização do cadastro fiscal ocorreu apenas em 2013, pela alteração do Contrato Social (oitava alteração) a que alude a interessada registrada na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina em 29/11/2013, e a alteração do cadastro junto à RFB, conforme cópia do CNPJ emitida em 12/12/2013 com o CNAE alterado. Logo, a regularização do cadastro fiscal foi extemporânea, pelo que não há como deferir seu pedido de permanência no Simples Nacional, sob pena de afronta à clara expressão legal. Por todo o exposto, voto no sentido NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 56DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 13982.000231/2009-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
ARBITRAMENTO DO LUCRO. RECEITA CONHECIDA.
O procedimento de arbitramento do lucro previsto no art. 530 do RIR/99 não se confunde com o procedimento de arbitramento do valor ou preço de que trata o art. 148 do CTN, especialmente quando se tem como conhecida a receita para o fim de apurar o lucro tributável.
SIGILO BANCÁRIO. PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. SOLICITAÇÃO REGULAR.
Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais não constitui quebra do sigilo bancário. Há, na verdade, mera transferência da responsabilidade do sigilo, antes assegurado pela instituição financeira e agora mantido pelas autoridades administrativas.
SOCIEDADE. DISSOLUÇÃO IRREGULAR. SÓCIOS. RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS.
Presume-se dissolvida irregularmente a empresa que não for localizada no endereço cadastrado na Receita Federal do Brasil e/ou deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando lavratura do Termo de Sujeição Passiva Solidária em nome dos sócios.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA EMPRESA.
Os administradores, de direito ou de fato, da empresa dissolvida irregularmente são responsáveis pelos tributos exigidos da pessoa jurídica.
EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA, VIA DECADÊNCIA, DOS RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS ADEMIR FRISKE MENEGASSI, CELSO CELIAS VAZ E MILTON NERI STULP.
Em diligência foram arrolados novos responsáveis solidários aos autos, por meio da emissão do Termo de Sujeição Passiva Solidária. os Srs. Celso Selias Vaz, Milton Néri Stulp e Ademir Friske Menegassi que cientificados de forma pessoal, em 11.06.2012 e como o lançamento refere-se a 2005, o prazo de cinco anos para a Fazenda Pública constituir o crédito pelo lançamento de ofício foi alcançado pela decadência em relação a eles.
Numero da decisão: 1401-001.186
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso do Sr. Reginaldo Rovares, REJEITAR as preliminares de nulidade, e no mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL apenas para excluir a responsabilidade tributária, via decadência, dos responsáveis tributários Ademir Friske Menegassi, Celso Celias Vaz e Milton Neri Stulp. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz Gomes de Mattos (Relator) e Antonio Bezerra Neto. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira.
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização do Voto Vencedor
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator do Voto Vencido
Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 16.09.2015. Da mesma maneira, tendo em vista que o redator Alexandre Antonio Alkmim Teixeira não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do acórdão como Presidente e redator do voto vencedor.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Jorge Celso Freire da Silva (Presidente à Época do Julgamento).
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 ARBITRAMENTO DO LUCRO. RECEITA CONHECIDA. O procedimento de arbitramento do lucro previsto no art. 530 do RIR/99 não se confunde com o procedimento de arbitramento do valor ou preço de que trata o art. 148 do CTN, especialmente quando se tem como conhecida a receita para o fim de apurar o lucro tributável. SIGILO BANCÁRIO. PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. SOLICITAÇÃO REGULAR. Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais não constitui quebra do sigilo bancário. Há, na verdade, mera transferência da responsabilidade do sigilo, antes assegurado pela instituição financeira e agora mantido pelas autoridades administrativas. SOCIEDADE. DISSOLUÇÃO IRREGULAR. SÓCIOS. RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. Presume-se dissolvida irregularmente a empresa que não for localizada no endereço cadastrado na Receita Federal do Brasil e/ou deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando lavratura do Termo de Sujeição Passiva Solidária em nome dos sócios. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA EMPRESA. Os administradores, de direito ou de fato, da empresa dissolvida irregularmente são responsáveis pelos tributos exigidos da pessoa jurídica. EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA, VIA DECADÊNCIA, DOS RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS ADEMIR FRISKE MENEGASSI, CELSO CELIAS VAZ E MILTON NERI STULP. Em diligência foram arrolados novos responsáveis solidários aos autos, por meio da emissão do Termo de Sujeição Passiva Solidária. os Srs. Celso Selias Vaz, Milton Néri Stulp e Ademir Friske Menegassi que cientificados de forma pessoal, em 11.06.2012 e como o lançamento refere-se a 2005, o prazo de cinco anos para a Fazenda Pública constituir o crédito pelo lançamento de ofício foi alcançado pela decadência em relação a eles.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso do Sr. Reginaldo Rovares, REJEITAR as preliminares de nulidade, e no mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL apenas para excluir a responsabilidade tributária, via decadência, dos responsáveis tributários Ademir Friske Menegassi, Celso Celias Vaz e Milton Neri Stulp. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz Gomes de Mattos (Relator) e Antonio Bezerra Neto. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização do Voto Vencedor (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator do Voto Vencido Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 16.09.2015. Da mesma maneira, tendo em vista que o redator Alexandre Antonio Alkmim Teixeira não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do acórdão como Presidente e redator do voto vencedor. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Jorge Celso Freire da Silva (Presidente à Época do Julgamento).
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(RESPONSÁVEOS SOLIDÁRIOS: CELSO SELIAS VAZ, NILTON NÉRI STULP E ADEMIR FRISKE MENEGASSI; LEANDRO ROSA E REGINALDO ROVARIS) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 PRELIMINARES DE NULIDADE. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. DEVIDO PROCESSO LEGAL. LICITUDE DE PROVAS. REJEIÇÃO Rejeitamse as preliminares de nulidade, uma vez comprovado que a autoridade fiscal cumpriu todos os requisitos legais pertinentes à formalização do lançamento, inclusive no que respeita ao uso de provas obtidas de forma lícita, ao amparo da legislação pertinente. RECURSO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso apresentado por responsável solidário que não tenha apresentado impugnação ao Termo de Sujeição Passiva, posto que não se instaurou litígio em relação a este responsável. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 EXAME DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. A prática de atos que caracterizam embaraço à fiscalização (não fornecimento de informações sobre movimentação financeira), autoriza o exame de extratos e demais documentos bancários dos contribuintes. SIGILO BANCÁRIO. PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. SOLICITAÇÃO REGULAR. Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais não constitui quebra do sigilo bancário. Há, na verdade, mera transferência da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 02 31 /2 00 9- 03 Fl. 1278DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13982.000231/200903 Acórdão n.º 1401001.186 S1C4T1 Fl. 1.279 2 responsabilidade do sigilo, antes assegurado pela instituição financeira e agora mantido pelas autoridades administrativas. SOCIEDADE. DISSOLUÇÃO IRREGULAR. SÓCIOS. RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. Presumese dissolvida irregularmente a empresa que não for localizada no endereço cadastrado na Receita Federal do Brasil e/ou deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando lavratura do Termo de Sujeição Passiva Solidária em nome dos sócios. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA EMPRESA. Os administradores, de direito ou de fato, da empresa dissolvida irregularmente são responsáveis pelos tributos exigidos da pessoa jurídica. EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA, VIA DECADÊNCIA, DOS RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS ADEMIR FRISKE MENEGASSI, CELSO CELIAS VAZ E MILTON NERI STULP. Em diligência foram arrolados novos responsáveis solidários aos autos, por meio da emissão do Termo de Sujeição Passiva Solidária. os Srs. Celso Selias Vaz, Milton Néri Stulp e Ademir Friske Menegassi que cientificados de forma pessoal, em 11.06.2012 e como o lançamento referese a 2005, o prazo de cinco anos para a Fazenda Pública constituir o crédito pelo lançamento de ofício foi alcançado pela decadência em relação a eles. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 ARBITRAMENTO DO LUCRO. RECEITA CONHECIDA. O procedimento de arbitramento do lucro previsto no art. 530 do RIR/99 não se confunde com o procedimento de arbitramento do valor ou preço de que trata o art. 148 do CTN, especialmente quando se tem como conhecida a receita para o fim de apurar o lucro tributável. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso do Sr. Reginaldo Rovares, REJEITAR as preliminares de nulidade, e no mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL apenas para excluir a responsabilidade tributária, via decadência, dos responsáveis tributários Ademir Friske Menegassi, Celso Celias Vaz e Milton Neri Stulp. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz Gomes de Mattos (Relator) e Antonio Bezerra Neto. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Presidente e Redator para Formalização do Voto Vencedor Fl. 1279DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13982.000231/200903 Acórdão n.º 1401001.186 S1C4T1 Fl. 1.280 3 (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator do Voto Vencido Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 16.09.2015. Da mesma maneira, tendo em vista que o redator Alexandre Antonio Alkmim Teixeira não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do acórdão como Presidente e redator do voto vencedor. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Jorge Celso Freire da Silva (Presidente à Época do Julgamento). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo o relatório constante do Acórdão de piso, fls. 794815: Por meio dos Autos de Infração às folhas 02 a 31, foram exigidas da contribuinte acima qualificada as importâncias de R$ 613.622,71, R$ 286.930,21, R$ 172.689,44 e de R$ 797.028,38, a título, respectivamente, de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o PIS e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, acrescidas de multa de ofício de 150% e encargos legais devidos à época do pagamento, referentes à fatos geradores ocorridos nos trimestres e/ou meses de 2005. Em consulta à “Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)”, às folhas 04, verificase que a autuação se deu em razão de “Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte notificado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e termo (s) de intimação em anexo, deixou de apresentálos.” Como enquadramento legal, o inciso III do art.530 do RIR/99 (arbitramento de lucro). O arbitramento teve como base a receita bruta conhecida, no caso, a omissão de receitas por conta de depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do art.849 do RIR/99 (art.42 da Lei 9.430/96, mencionado no Auto a fl.05) e detalhadamente descrito no Termo de Verificação Fiscal – Auto de Infração de IRPJ e Reflexos, item 2. Da Movimentação bancária cuja origem não foi comprovada, às fls.260/263. Do referido Termo de Verificação Fiscal, extraise que o (i) contribuinte era optante do Lucro Presumido, relativamente ao anocalendário de 2005, (ii) que a Fl. 1280DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13982.000231/200903 Acórdão n.º 1401001.186 S1C4T1 Fl. 1.281 4 empresa não foi localizada no seu domicílio fiscal, com base no endereço cadastrado na RFB e (iii) que as autoridades fiscais, então, encaminharam o Termo de Início de Fiscalização para o endereço dos sócios da empresa, os srs. Márcio Antonio Guarda e Leandro da Rosa, sendo que a correspondência foi recebida somente pelo primeiro. De se reproduzir excertos do Termo Fiscal: A correspondência enviada ao senhor Leandro da Rosa retornou com a informação fornecida pela EBCT de que este não mais residia (“mudouse”) no domicílio informado à SRFB (fls.39). A correspondência enviada para o endereço do senhor Márcio Antonio Guarda foi recebida conforme aviso de recebimento a fls.38. Sendo assim, comprovada a ciência do Termo de Início de Fiscalização por um dos sócios da empresa Comércio de Cereais Santa Catarina Ltda., deuse o início do presente procedimento fiscal. No Termo (fls.37) adrede mencionado, o contribuinte foi instado a apresentar os Livros Razão e Diário do período de 01/2005 a 12/2005, bem como os extratos das contas bancárias de depósito, poupança e investimentos mantidas pela empresa Comércio de Cereais Santa Catarina Ltda. Da leitura do Termo, verificase que o Sr. Márcio Antonio Guarda, na qualidade de sócio da Contribuinte, foi intimado e reintimado a apresentar os livros contábeis e extratos bancários (v. Termos de Intimação Fiscal – TIF 001 a 004, fls.40 a 47) e, como nada foi apresentado, as autoridades fiscais solicitaram (fls.81 a 83) e encaminharam a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) às instituições financeiras (RMF às fls.84 a 92), as quais enviaram os extratos bancários. Continuando com o relato fiscal (fl.261): Compulsando os extratos bancários disponibilizados pelas instituições financeiras, verificouse que a empresa Comércio de Cereais Santa Catarina Ltda foi titular de expressiva movimentação financeira, em que pese ter apresentado a DIPJ relativa ao ano calendário de 2005 “em branco” (fls.216 a 236). Para o ano calendário em questão (2005), o regime de tributação escolhido pela autuada foi o Lucro Presumido (fls.217). Para tais empresas, assim assevera o artigo 527 do Decreto nº 3.000/99: Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei nº 8.981, de 1995, art.45): I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II – Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário; III – em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei nº 8.981, Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13982.000231/200903 Acórdão n.º 1401001.186 S1C4T1 Fl. 1.282 5 de 1995, art.45, parágrafo único). [grifo é do original] Frente ao dispositivo legal supra transcrito, e frente à elevada movimentação bancária bem como a ausência de informações na DIPJ respectiva, mister se fazia verificar a escrituração do contribuinte a fim de constatar o motivo desta discrepância. Por meio do Termo de Intimação Fiscal n. 003 (fls.44/45) e pelo Termo de Intimação Fiscal n. 004 (fls.46/47) a autuada foi reintimada a apresentar sua escrita contábil. Quanto a estas intimações, bem como em relação às demais, o contribuinte quedouse inerte. Por meio do Termo de Intimação Fiscal n. 005 (fls.50 a 61) a autuada foi intimada a comprovar a origem dos recursos creditados nas contas bancárias de sua titularidade. Consta do Termo de Intimação Fiscal n. 05, os ANEXOS I, II, III e IV (fls.51 a 58), nos quais estão relacionados os depósitos bancários para os quais o contribuinte foi instado a justificar e comprovar a sua origem. Do mesmo modo que os Termos anteriores e pelas razões já aduzidas, o Termo de Intimação Fiscal n. 05 foi encaminhado ao endereço do senhor Márcio Antonio Guarda. Acontece que, diferentemente dos demais casos, esta correspondência foi recusada, conforme informação da ECT a fls.48/49. Frente à recusa de recebimento do Termo de Intimação Fiscal n.05, procedemos à intimação da autuada por Edital, conforme fls.59 a 61. Até a presente data, o contribuinte não respondeu e nem comprovou a origem dos recursos creditados em sua conta bancária, depósitos estes que estão relacionados nos ANEXOS I, II, III e IV do Termo de Intimação Fiscal n. 005, o qual foi cientificado ao contribuinte pela via editalícia, conforme fls.59 a 61. A não comprovação pela autuada, mesmo após regularmente intimada, da origem dos recursos creditados em suas contas bancárias, se subsume ao disposto no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, que assim assevera: [...]... Diante do exposto, os recursos creditados nas contas correntes mantidas pela empresa COMÉRCIO DE CEREAIS SANTA CATARINA LTDA., relacionados nos Anexos do Termo de Intimação Fiscal n. 05, e que estão na planilha (fls.63 a 69), cuja origem não foi comprovada, foram considerados receitas omitidas e tiveram o tratamento a seguir detalhado. 3. DO ARBITRAMENTO Quanto às hipóteses em que o lucro da pessoa jurídica deverá ser arbitrado, prevê o artigo 530 do Decreto nº 3.000/99: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art.47, e Lei nº 9.430, de 1996, art.1º). [...]II – a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou determinar o lucro real; III – o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV – o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; [...]Sendo assim, da leitura das normas acima transcritas se infere que a omissão do contribuinte em disponibilizar a estas autoridades fiscais seus livros contábeis e fiscais, impedindo Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13982.000231/200903 Acórdão n.º 1401001.186 S1C4T1 Fl. 1.283 6 assim a verificação de sua real movimentação econômicofinanceira, inclusive bancária, justifica que o resultado da empresa Comércio de Cereais Santa Catarina Ltda., no período de 01/2005 a 12/2005, seja apurado com base no lucro arbitrado. [...] 5. DA MULTA DE OFÍCIO A multa de ofício considerada na presente autuação foi a de 150%, haja vista a conduta adotada pelo contribuinte a qual teve por desidrato impedir o conhecimento por parte da administração tributária do total das receitas auferidas pelo mesmo, mediante as seguintes ações/omissões: a) O contribuinte omitiu receitas não as declarando na DIPJ respectiva (fls.216 a 236), ocultando das autoridades tributárias rendimentos passíveis de tributação. b) O contribuinte manteve contas bancárias (fls.97 a 215) a margem de sua escrituração contábil, contas estas nas quais foi movimentada expressiva importância financeira. c) A empresa Comércio de Cereais Santa Catarina Ltda. não existe de fato, sendo que tal circunstância foi verificada in loco por estes agentes fiscais. d) Mesmo depois de intimado, o sócio da empresa Comércio de Cereais Santa Catarina Ltda. não atendeu ao solicitado por esta fiscalização, se furtando de apresentar sua escrita contábil e fiscal bem como os extratos das contas bancárias. Do mesmo modo, ainda que encaminhada ao seu domicílio tributário, o sócio Marcio Antonio Guarda se recusou a receber as intimações lavradas pela fiscalização. (Termo de Intimação Fiscal n.05, fls.48/49). e) Por tudo o exposto, concluise que o autuado incorreu no disposto nos artigos 71 e 72 da Lei n.4.502, de 30 de novembro de 1964, os quais definem a conduta de sonegação e fraude. [...] Ao incorrer na prática de sonegação e fraude, o contribuinte se sujeita à multa prevista no §1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 11.488/2007, que assim assevera: [...] 8. DA RESPONSABILIDADE PASSIVA SOLIDÁRIA A responsabilidade passiva solidária imputada aos sócios da empresa Comércio de Cereais Santa Catarina Ltda. encontra guarida no disposto no inciso II do artigo 124 do Código Tributário Nacional, que assim assevera: Art.124. São solidariamente obrigadas: I – as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II – as pessoas expressamente designadas por lei. (grifos nossos). Por sua vez, o artigo 13 da Lei n. 8.620/93 assim dispõe: Fl. 1283DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13982.000231/200903 Acórdão n.º 1401001.186 S1C4T1 Fl. 1.284 7 Art.13.O titular da firma individual e os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada respondem solidariamente, com seus bens pessoais, pelos débitos junto à Seguridade Social. Parágrafo único. Os acionistas controladores, os administradores, os gerentes e os diretores respondem solidariamente e subsidiariamente, com seus bens pessoais, quanto ao inadimplemento das obrigações para com a Seguridade Social, por dolo ou culpa. Sendo assim, em relação à norma adrede transcrita, e quanto às contribuições sociais lançadas na presente autuação, mister se faz a responsabilização solidária dos sócios da empresa Comércio de Cereais Santa Catarina Ltda. quanto a estes débitos. Da mesma forma quanto às demais exações exigidas na presente autuação, visto que, neste sentido assim dispõe o artigo 135 do CTN: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I – [...] II – [...] III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. O crédito tributário constituído pela presente autuação decorreu de atos praticados com infração de Lei pelos seus responsáveis visto que: a) O arbitramento do resultado se fez necessário tendo em vista que o contribuinte não apresentou a esta fiscalização os livros e documentos contábeis/fiscais relativos a suas atividades. Agindo desta forma, incorreu o contribuinte no parágrafo único do artigo 919 do Decreto nº 3.000/99. b) O fato de o contribuinte apresentar a DIPJ com informações falsas ou inexatas à SRFB. Isto caracteriza a conduta prevista no inciso I do artigo 1º da Lei n.8.137/90. c) A apresentação de DIPJ sem movimento, embora tendo auferido receitas expressivas pela prestação de serviços, se coaduna com a conduta prevista no artigo 71 da Lei n.4.502/64, já adrede transcrito, pois impediu que a administração tributária tomasse conhecimento da ocorrência dos fatos geradores. d) A empresa Comércio de Cereais Santa Catarina Ltda. não existe de fato no endereço indicado à SRFB. Sendo assim, houve a dissolução irregular da sociedade fato este que é tido como suficiente para a responsabilização dos sócios pelos créditos tributários devidos pela pessoa jurídica. e) O não atendimento ou a recusa de recebimento de solicitações encaminhadas pela fiscalização se subsume ao disposto no inciso V e no parágrafo único do artigo 1º da Lei n. 8.137/90. Os instrumentos contratuais não foram apresentados pela empresa, desta forma anexamos (fls.70 a 74) as informações constantes dos cadastros da Receita Federal do Brasil, e que dão conta do quadro societário da empresa Comércio de Cereais Santa Catarina, sendo este assim constituído: Fl. 1284DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13982.000231/200903 Acórdão n.º 1401001.186 S1C4T1 Fl. 1.285 8 LEANDRO DA ROSA, SÓCIO ADMINISTRADOR MARCIO ANTONIO GUARDA, SÓCIO Para fins de garantir o contraditório e a ampla defesa, as pessoas aqui mencionadas foram cientificadas sobre a responsabilidade solidária lhes imputada, consoante Termo de Sujeição Passiva Solidária as fls.76 a 79. [...] grifos todos do original Cientificada do auto de infração e do Termo de Sujeição Passiva Solidário, a Interessada Comércio de Cereais Santa Catarina Ltda. e o Sócio Marcio Antonio Guarda apresentam uma única impugnação (fls.286 a 341), a seguir resumida: após descrever os fatos, alega em preliminar, que (I): Notificação por Edital Cerceamento de Defesa: que o fisco, por inúmeras vezes mandou AR para o mesmo endereço do notificado, e sempre obteve respostas; acontece que na última vez em que determinou o envio de AR, o qual não era em MÃOS PRÓPRIAS (M.P), este foi recusado, não pelo contribuinte, o qual estava viajando; a intimação via AR, emitida uma única vez, sem na resposta haver qualquer menção de quem o recusou; que o art.23 do decreto 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, diz que a intimação por edital (inciso III) só é permitida quando as tentativas de intimação pessoal, com a assinatura do sujeito passivo (inciso I) ou por via postal ou telegráfica (inciso II), resultarem infrutíferas; in casu, a única tentativa feita foi a intimação via AR; cita e transcreve excertos de decisões judiciais referentes ao assunto (fls.289 a 300), onde arremata, ao final, “[...] entendemos que a NOTIFICAÇÃO FEITA VIA EDITAL, não tem validade, eis que deveria ter sido tentada, primeiramente a intimação pessoal, depois a por AR (entregue em mãos próprias) e por último a por EDITAL. Requer, a nulidade de todos os atos, bem como de todo o processo administrativo, retornando aquela fase e renovandose a intimação pessoalmente para que o ora notificado possa justificar os depósitos bancários existentes em sua conta corrente.” em outra questão preliminar (II): Nulidade Lançamento Fiscal – Cerceamento de Defesa: que, apesar de constar como sócio o Sr. LEANDRO DA ROSA, incluído no pólo passivo da autuação, este não fora intimado dos demais atos subseqüentes; nem mesmo por edital fora citado, o que acarreta nulidade absoluta; “Requerse, a NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO TODO, eis que confeccionado sem a intimação do outro sócio da empresa, o que se constitui em ato NULO, INSANÁVEL.” ainda em questão preliminar (III): Quebra Sigilo Bancário: das fls.302 a 315 defende a tese de que a Receita Federal teria quebrado seu sigilo bancário sem a devida autorização judicial; no item III – O fundamento da responsabilidade do administrador, alega que o mero exercício da administração não implica automaticamente responsabilidade do administrador pelos débitos fiscais da sociedade; que o fisco deve provar que ele praticou um ato ilícito e sua responsabilidade decorre desse ato ilícito que ensejou o não pagamento do tributo e não do simples inadimplemento da obrigação tributária da sociedade; a imputação da responsabilidade ao terceiro deriva, portanto, da presença de provas diretas ou indiretas quanto a ele ter agido maliciosamente com o propósito de prejudicar o fisco ou, ao menos, com a previsão de que, ao praticar o ato significativo de excesso de poderes, de infração de lei ou do contrato social, poderia tornar a sociedade inadimplente com respeito às obrigações tributárias; transcreve excertos doutrinários, fls.316 a 320, para concluir que “...não houve qualquer dolo do notificado, pois, conforme se sabe existiam dois sócios e o Fl. 1285DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13982.000231/200903 Acórdão n.º 1401001.186 S1C4T1 Fl. 1.286 9 suplicante não era o administrador gerente da empresa, mas simplesmente sócio desta. Requer, seja excluído do pólo passivo do respectivo processo administrativo fiscal, por ser parte ilegítima para assim figurar.”; no item IV – Da afronta ao princípio da moralidade administrativa: que a notificada sofreu mega operação policial e vários órgãos, onde foram apreendidos documentos, com prisão do notificado, enfim, foi feita uma devassa na empresa e levaram todos os documentos; que “a notificada alegou que os documentos não foram enviados, em vista de estarem os mesmos apreendidos, por ordem judicial da MM. Juíza da Vara Criminal da Comarca de União da Vitória, PR, auto...”; que a empresa teve sua sede arrombada por duas “grandes operações” que contou com centenas de policiais, de forma totalmente desorganizada, ilegal e abusiva; a notificada quer saber deste Fisco, onde estão as comprovações e a segurança de que efetivamente esses documentos não foram levados pelos policiais?; tece longo arrazoado acerca das operações policiais, etc; indaga: Onde estão os termos de apreensão desses documentos que estão apreendidos naqueles autos e que foram assinados pelo notificado ou seu qualquer procurador da empresa? Responde: NÃO EXISTE; porque a operação foi feita de forma ilegal; que a suplicante não tem os documentos, estão em poder da polícia ou de ladrões, requer que o Fisco procure junto a ela, onde conclui que “...é impossível se comprovar licitamente e através de documentos fiscais a licitude dos depósitos encontrados na conta bancária da notificada, vez que foram apreendidos pelas polícias catarinense e paranaense, estando, possivelmente nos autos dos processos acima aludidos.”; no item V – NULIDADES DOS AUTOS DE INFRAÇÃO: Do cerceamento de defesa – Afronta aos princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa: isto porque, da descrição elaborada pelo Fiscal, não se permite ao contribuinte identificar a origem do suposto crédito tributário ora exigido; ainda, o simples fato de ter encontrado valores em conta bancária, estando toda a documentação comprobatória de que as operações são legais, apreendidas por policiais estaduais do NURCE DO PARANÁ e DEIC de Santa Catarina, mediante ordens judiciais já epigrafadas, não tem como contribuinte se defender de respectivos autos; no item VI – Da afronta ao devido processo legal e a ilicitude das Provas: que a irregularidade das provas que embasaram a presente autuação, não fora obtido legalmente mas sim, através de uma atuação inadequada, abusiva e ilícita, de uma quebra de sigilo bancário sem qualquer autorização judicial; no item VII – Da ilegitimidade passiva do coobrigado: que o notificado é parte ilegítima para figurar nesse procedimento administrativo fiscal, eis que nenhuma prova, nenhum documento, nada faz crer ou presumir (por quaisquer meios de prova) que tenha participado ilicitamente ou acima dos poderes que teria; nos itens VIII – Nulidade dos autos de infração, IX – Dos fundamentos jurídicos e X – Excesso de exação, repete, apesar de com outras palavras, sua irresignação com a ilegalidade dos autos de infração, apelando para o art.112 do CTN; Despacho de Diligência O julgamento do presente processo foi convertido em diligências, conforme Despacho de Diligência (fls.404 a 410) proposto por esta Turma de Julgamento, por maioria de votos, vencido o Relator, em 26 de março de 2012, à DRF em Joaçaba/SC, para, em face das situações apontadas no Despacho, as seguintes providências: 1. Juntar aos autos cópia do Contrato Social (e alterações, se houver) de constituição da sociedade empresária COMÉRCIO DE CEREAIS SANTA CATARINA LTDA; Fl. 1286DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13982.000231/200903 Acórdão n.º 1401001.186 S1C4T1 Fl. 1.287 10 2. Diligenciar no sentido de estabelecer, se for o caso, a responsabilidade solidária do sócioadministrador oculto e, em tal hipótese, sua formalização mediante Termo de Sujeição Passiva Solidária, e abertura de prazo de trinta dias para impugnála, se assim deliberar; 3. Intimar da presente diligência a pessoa jurídica autuada, bem como seus dois sócios formais, que poderão falar nos autos, no trintídio, exclusivamente a respeito das matérias aqui tratadas; 4. Instruir os autos com declaração formal da Prefeitura de Romelândia SC (Secretaria Municipal da Fazenda) sobre a inexistência de fato da pessoa jurídica (f. 260); 5. Juntar aos autos cópias dos cartões de assinaturas depositados nas agências bancárias em que a pessoa jurídica operava. 6. Esclarecer se a firma (assinatura) declaradamente pertencente a LEANDRO DA ROSA, à f. 280, efetivamente é sua, em vista de que o número de inscrição no CPF 008.613.30986 não lhe pertence mas a REGINALDO ROVARIS (formalmente autorizado a retirar as cópias de documentos), que consta no sistema corporativo CPF, Consulta, residir à Rua Prefeito Baldissera, 56, casa 4, Morada do Sol, em Maravilha SC. A diligência foi atendida, cujo resultado encontrase detalhado no Termo de Encerramento de Diligência às fls.413 a 416, e que assim pode ser resumido: Com relação ao item 1: Obtido da Junta Comercial do Estado de Santa Catarina, cópia do Contrato Social da fiscalizada e alterações posteriores (acostados às fls.447 a 467). Com relação ao item 2 e item 5: As instituições financeiras, mencionadas no referido Termo, que detinham contas bancárias da Fiscalizada, foram intimadas a apresentar as cópias dos cartões de assinatura e de eventuais procurações outorgadas para movimentação de contas, ocasião em que informaram o seguinte: Banco do Brasil (c/c 14.8954): procuração outorgada pela Fiscalizada à Celso Selias Vaz, para gerir e administrar a conta (procuração e cartões de assinatura às fls.424 a 431). BESC (c/c 21.605.3): procuração outorgada pela Fiscalizada, em 28/02/2005, à Ademir Friske Menegassi, para gerir e administrar a conta, com substabelecimento, em 04/03/2005, para Reginaldo Rovaris, sendo informado que os cartões de assinatura não foram localizados (docs. às fls.432 a 439). Cooperativa de Crédito Rural Sudeste Paraná (c/c 13.8053): procuração outorgada pela Fiscalizada, em 28/02/2005, à Ademir Friske Menegassi, para gerir e administrar a conta, com substabelecimento, em 18/05/2005, para Nilton Néri Stulp, (cartão de assinatura e docs. Às fls.468 a 473). Cooperativa de Crédito de Livre Admissão Centro Sul do Paraná (c/c 14.2700): procuração outorgada pela Fiscalizada, em 28/02/2005, à Ademir Friske Menegassi, para gerir e administrar a conta, com substabelecimento, em 17/05/2005, para Werner Stulp, (cartão de assinatura e docs. Às fls.440 a 446). Fl. 1287DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13982.000231/200903 Acórdão n.º 1401001.186 S1C4T1 Fl. 1.288 11 Conclusão da diligência quanto a este item 2: Considerando as novas informações compulsadas junto às instituições financeiras acima descritas, informações estas que justificam a atribuição da responsabilidade tributária prevista no inciso III do artigo 135 do Código Tributário Nacional a pessoas que antes não haviam sido qualificadas como tal, lavramos os Termos de Sujeição Passiva Solidária em anexo. Com relação ao item 4: A Prefeitura Municipal de Romelândia declara a inexistência de cadastro no Setor de Tributação do município, da fiscalizada (docs. às fls.421 a 423). Com relação ao item 6: Conclusão da diligência quanto a este item: [...] Considerando que nos documentos ora carreados por esta diligência (cartões de assinatura dos bancos, contrato social, etc) a assinatura do Sr. Leandro da Rosa não diverge da constante do documento denominado de Formulário Solicitação de cópia de Documentos, bem como as providências acima mencionadas e que devem ter sido respeitadas pela IRF em São Miguel do Oeste, S.M.J,, não há reparos a se fazer quanto a autenticidade da assinatura de fls.280. As autoridades fiscais arrolaram, então, novos responsáveis solidários aos autos, por meio da emissão do Termo de Sujeição Passiva Solidária aos srs. Reginaldo Rovaris (fls.475 a 478), que foi cientificado das peças fiscais pelo Edital 019/2012, afixado em 26/06/2012 (fls.479 a 481), Celso Selias Vaz (fls.482 a 485), Nilton Néri Stulp (fls.486 a 489) e Ademir Friske Menegassi (fls.490 a 493), sendo estes três últimos cientificados de forma pessoal, em 11 de junho de 2012. Devidamente cientificados das peças fiscais, apresentaram impugnação os Srs. Nilton Néri Stulp (fls.497 a 594), Ademir Friske Menegassi (fls.595 a 691) e Celso Selias Vaz (fls.692 a 788), representados pelo mesmo advogado, protocolizadas na agência da RFB em Joaçaba/SC no dia 11 de julho de 2012. O Sr. Reginaldo Rovaris, notificado por Edital, não apresentou impugnação. Nas impugnações apresentadas (quase idênticas), requerem a nulidade dos lançamentos, inicialmente por conta da decadência estabelecida no art.173 do CTN, além de outras questões preliminares e de mérito. Da Impugnação relativa ao Sr. Nilton Néri Stulp: Após relatar o procedimento fiscal que culminou no lançamento contra a Fiscalizada, alega, então, o seguinte, em resumo: A TERCEIRA TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM FLORIANÓPOLIS SC, no dia 27.03.2012, converteu o julgamento em diligência, determinando a Receita Federal que investigasse a possível existência de sóciooculto, anexando, inclusive, cópias de jornais e dados processuais dando conta de que os dois sócios da empresa, poderiam, na verdade, ser apenas "laranja"; Em vista dessa determinação, os fiscais, então, diligenciaram e entenderam em exarar decisão, no dia 17.06.2009, pelo auditorfiscal da Receita Federal do Brasil Humberto de Oliveira Machado, na qual incluiu outras pessoas como responsáveis solidários pela empresa autuada; Fl. 1288DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13982.000231/200903 Acórdão n.º 1401001.186 S1C4T1 Fl. 1.289 12 A surpresa do contribuinte, ora impugnante, está no fato de que, neste dia 11.06.2012, fora notificado neste procedimento administrativo fiscal para que pudesse impugnálo, vez que, teria sido considerado responsável solidário pelas dívidas da empresa COMÉRCIO DE CEREAIS SANTA CATARINA LTDA (autuada), em virtude de que, no dia 18.03.2005, o Sr. Ademir Friske Menegassi, procurador da empresa, substabeleceu os poderes para o suplicante, cujos documentos se encontram no anexo BANCO SUDESTE DO PARANÁ 13805, da mesma forma quanto aos cartões de assinatura; Após discorrer sobre o instituto da decadência, fazendo remissão a doutrina, jurisprudência e artigos do CTN, conclui: No caso da autuada, o tributo não foi declarado e nem pago, naturalmente que não há declaração para constituir o crédito (integral ou parcialmente) nem pagamento para a aplicação do art.150, § 4°, do CTN. Dessa forma, aplicase a regra de decadência do art. 173, do Código, qual seja, 05 anos a partir do 1° dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu o fato gerador. Se nesse período a Administração lavrou o auto de infração, contase a partir dele (se não houver recurso) ou da decisão administrativa final (se houver recurso), o prazo de 05 anos de prescrição (art.174, do CTN); Vejam, Srs. Fiscais, que no caso dos autos, o fato gerador ocorreu em 2005, iniciandose o prazo dia 01.01.2006 exaurindose em janeiro de 2004 (sic), sendo que no caso acima o lançamento tributário deuse em abril de 2005 e no caso do autor, em 30.12.2004 (sic); Portanto, operouse a decadência dia 01.01.2011, sendo que o contribuinte somente foi incluído como sujeito passivo solidário da autuada, quando recebeu a notificação, ou seja, dia 11.06.2012, já passados muito mais de cinco anos do fato gerador, tendo ocorrido a decadência do direito de constituir o crédito tributário em relação ao impugnante; DA INFRAÇÃO FISCAL; Srs. Fiscais, a título de não faltar com a verdade, e sempre em busca de esclarecer verdadeiramente os fatos, é que alega o impugnante, em sua defesa prévia, que os verdadeiros proprietários dessa empresa são seus sócios LEANDRO DA ROSA e MÁRCIO ANTONIO GUARDA e não o suplicante, na qualidade de sujeito passivo dessa obrigação tributária; A empresa é de propriedade de seus sócios, constantes no contrato social e nada tem a ver com o notificado o qual está sendo atribuída essas infrações fiscais; O notificado NILTON NERI STULP (CPF sob n.46914544972), além de não ser sócio, proprietário, administrador, dono e/ou empregado, era apenas "COMPRADOR COMISSIONADO" dessa empresa; Os depósitos para a compra de fumo, eram feitos na conta bancária da empresa, e o notificado NILTON NERI STULP, apenas sacava o dinheiro dessa conta para pagar os fornecedores (AGRICULTORES) pela compra do fumo da empresa notificada; O suplicante nunca foi proprietário, administrador, gerente, nunca emitiu qualquer nota fiscal da empresa, nada. Apenas tinham substabelecimento com poderes para movimentar esta conta bancária, por poucos meses, para efetuar saques da empresa com a única e estrita finalidade de comprar fumo de agricultores e efetuar o pagamento aos mesmos, com dinheiro da empresa notificada, mediante pequena comissão sobre a compra; Fl. 1289DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13982.000231/200903 Acórdão n.º 1401001.186 S1C4T1 Fl. 1.290 13 DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS/DEPÓSITOS BANCÁRIOS; Inicialmente, pecou os Srs. Fiscais a não mencionar qual foi a causa do lançamento de oficio, se foi por ter deixado de prestar esclarecimentos, por ter se recusado a prestálos ou se não foram satisfatórios; Isso cerceou a defesa do contribuinte, devendo ser anulado o lançamento de oficio, e motivada a decisão com relação a esta decisão, pois não diz em que consistiu o lançamento, ou seja, qual foi o motivo que levou a autoridade fiscal a optar pelo lançamento de oficio; Neste tópico, tece longo arrazoado acerca da tributação por presunção estabelecida no art. 42 da lei 9.430/96, com argumentações variadas tipo (i) movimentação bancária não corporifica fato gerador do Imposto de Renda (ii) que a Súmula 182 do extinto TFR declarou ilegítima a tributação com base em extratos bancários e (iii) que tal presunção não prevalece, não há nexo causal entre depósito bancário e rendimento omitido. Ainda neste tópico, alegou: Os depósitos para a compra de fumo, eram feitos na conta bancária da empresa COMÉRCIO DE CEREAIS SANTA CATARINA LTDA e esta, por sua vez, efetuava a procuração ou, como no caso do impugnante, substabelecimento, e este, apenas sacava o dinheiro de uma única conta bancária, pagava os fornecedores (AGRICULTORES) pela compra do fumo para a empresa acima aludida (COMÉRCIO DE CEREAIS SANTA CATARINA LTDA); O impugnante efetuava saques, como representante e sócio da empresa COMÉRCIO DE CEREAIS SANTA CATARINA LTDA, com a única e estrita, finalidade de comprar fumo de agricultores e efetuar o pagamento aos mesmos, com dinheiro destas empresas acima nominadas, mediante pequena comissão recebida; O suplicante, efetuava os saques, para adimplir a compra e venda de fumo dessa empresa para os agricultores, jamais foi sequer uma forma de receita, mas sim, uma mera movimentação do dinheiro do cliente para o fornecedor. No intuito de controlar com eficiência este sistema de repasse de pagamentos e recebimentos, o impugnante teve que trabalhar com as denominadas de "contas transitórias" onde toda esta movimentação financeira era para o pagamento a fornecedores; Nessas contas transitórias, que foram chamadas de contas de remessa de antecipação, foram alocados tão somente os valores pertinentes ao recebimento das empresas para o repasse aos fornecedores (agricultores que revendiam o fumo), ou seja, a movimentação financeira inerente ao exercício da atividade de comprador de fumo; Estas contas apenas faziam mero repasse desses valores não podendo determinálos como receita da impugnante; Portanto, há provas materiais da existência destas contas de remessas de antecipação, e de que estes valores não compõem sequer as receitas do ora impugnante, quanto mais poderiam ter sido considerados como receitas omitidas; Concluindo, meros depósitos em conta corrente não podem ser, aqui neste caso, suficientes para descaracterizar o exercício da representação comercial ou de comprador comissionado do impugnante mediante os repasses de valores ocorridos da empresa citada para os fornecedores e viceversa. Os depósitos foram tomados como um indício de omissão de receita e ao se esbaterem com as provas aqui acostadas, não consegue formar uma situação suficiente de presunção de omissão de receita; Fl. 1290DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13982.000231/200903 Acórdão n.º 1401001.186 S1C4T1 Fl. 1.291 14 SIGILO FISCAL E BANCÁRIO – SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL; A autoridade fiscal determinou a quebra do sigilo fiscal e bancário da empresa COMÉRCIO DE CEREAIS SANTA CATARINA LTDA e do ora impugnante, sem qualquer autorização judicial; Transformar a investigação administrativa em um conjunto de arbitrariedades, com violações de preceitos constitucionais e infraconstitucionais, objetivando denegrir a imagem da contribuinte investigada é nocivo à sociedade e fere a dignidade e a moral da mesma, merecendo severa reprimenda e repúdio por parte de todos, principalmente dos operadores do Direito, tendo em conta que os valores de segurança jurídica e de respeito aos direitos fundamentais são supremos e devem imperar num país cujo fundamento é o Estado Democrático de Direito; Aliás, o STF (Supremo Tribunal Federal) modificou seu entendimento, em recente decisão na qual ordenou e entendeu que a Receita Federal só pode ter acesso a dados bancários sigilosos de contribuintes investigados com a devida autorização judicial; O comando do art. 42 da Lei n° 9.430/96, pelo qual ocorre verdadeira inversão do ônus da prova (em favor do fisco) após a intimação do contribuinte para prestar esclarecimentos sobre a origem dos créditos existentes nos extratos bancários. Ou seja, ainda que não seja o titular dos recursos creditados, o contribuinte sofrerá a cobrança dos tributos devidos caso não consiga demonstrar efetivamente de quem são estes valores; esta inversão da prova ofende o art.142 do CTN e o art. 146, III, "b" da Constituição Federal. Da interpretação do art.142 do CTN e possível concluir com segurança que o ônus da prova da ocorrência do fato gerador, e conseqüentemente do nascimento da obrigação tributária, é sempre do fisco, não sendo válida a sua transferência para o contribuinte, ainda que após a intimação para prestar esclarecimentos; diante do evidente recrudescimento advindo com o art. 42 da Lei n° 9.430/96, é cristalino que esta presunção deve ser mantida apenas quando o contribuinte não faz qualquer tipo de prova sobre a origem dos recursos. A contrario sensu, a presunção não pode ser mantida apenas porque as provas existentes não demonstram especificadamente a origem individualizada de todos os créditos bancários. Ou seja, o equilíbrio de forças na relação tributária exige que paralelamente ao expressivo aumento da força jurídica da presunção de omissão de rendimentos em favor do fisco esta presunção seja afastada na presença de quaisquer elementos de prova que indiquem a existência de recursos de titularidade de terceiros; que a Receita Federal, tendo a sua disposição as duas opções para efetuar o lançamento por arbitramento com base na movimentação bancária (art. 42 da Lei n° 9.430/96) ou com base nos sinais exteriores de riqueza (art. 6º da Lei n° 8.021/90) deverá levar a efeito aquela que mais favoreça o contribuinte, com o que cumprirá seu dever de aplicar o art. 6º , § 6º da Lei n° 8.021/90; Por outro lado, a Receita Federal há tempos obtém os dados bancários sem prévia autorização judicial. Inicialmente com o cruzamento de dados e, após a extinção desta contribuição, através do envio às instituições financeiras das malsinadas "requisições de informações sobre movimentação financeira", as chamadas RMF's, pelas quais o banco fica obrigado a fornecer os extratos bancários do contribuinte fiscalizado, com fundamento na Lei Complementar n° 105/2001; Em que pese a existência da precitada lei complementar, entendemos que este diploma é incompatível com a garantia constitucional do sigilo bancário, a qual resulta dos incisos X e XII do art. 5 da CF/88; Fl. 1291DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13982.000231/200903 Acórdão n.º 1401001.186 S1C4T1 Fl. 1.292 15 Em conclusão, os autos de infração que se basearam em extratos bancários fornecidos sem prévia autorização judicial deverão ser declarados nulos, seja na esfera administrativa ou na judicial, salvo se o lançamento tiver por fundamento outra prova do fato gerador, suficiente em si mesma (autônoma) para legitimar a exigência do crédito tributário; VII – ILEGALIDADE FIXAÇÃO PRÉVIA TRIBUTAÇÃO: O impugnante sustenta, ainda, a ilegalidade do termo de intimação fiscal para defesa prévia, por impossibilidade de fixação prévia e unilateral da base de cálculo do imposto devido por parte do Fisco. O recorrente entende que a imposição da Fazenda, fere os artigos 150, inciso I, e 170 da Constituição Federal; Houve, também, vulneração aos princípios do contraditório e da ampla defesa (art. 5º , LV, CF), além do disposto no art.148 do CTN (arbitramento fiscal), na medida em que, unilateralmente e antes de qualquer processo de investigação fiscal com participação do contribuinte, impõe na Termo de responsabilização a base de cálculo do imposto que entende devido. É o que se requer; VIII – FALTA DE PUBLICAÇÃO DOS ATOS DECLARATÓRIOS DE INIDONEIDADE DAS NOTAS FISCAIS; Não existe nestes autos, até a presente data, o respectivo ATO DECLARATÓRIO DE INIDONEIDADE DAS NOTAS FISCAIS constantes dos autos, as quais deveriam, por força de lei, serem publicados no Diário Oficial da União, o que não ocorreu, eivando de vício os atos infracionais, com sua conseqüente nulidade absoluta; Cumpre destacar que o procedimento de fiscalização que culminou na lavratura do Auto de Infração se iniciou antes da publicação dos atos declaratórios, os quais, até a presente não existem.publicação dos atos; Efetivamente os atos declaratórios tornam público um vício preexistente nos documentos fiscais e, no caso em tela, não foram publicados, o que torna nulo todo o procedimento fiscal; IX NULIDADES DOS AUTOS DE INFRAÇÃO; do cerceamento de defesa, da afronta ao devido processo legal e a ilicitude das provas; Os autos infracionais foram exarados, apoiados única e exclusivamente em depósitos encontrados na conta corrente da empresa autuada e sua responsabilidade solidária, unicamente, por ter recebido substabelecimento, durante o período de pouco mais de dois meses, para efetuar saques da conta da empresa autuada e pagar os agricultores (fornecedores de "fumo em folha"); Essa peça acusatória, oriunda de quebra de sigilo bancário, sem autorização judicial, sem qualquer direito do contribuinte notificado de se defender, ou seja, feito unilateralmente, não tem o condão de responsabilizar o coobrigado e incluir no pólo passivo da respectiva obrigação tributária em relação a empresa investigada; Essa prova utilizada é nula, ineficaz, bem como a forma de utilizarse dela para incluir o contribuinte no pólo passivo, também o é. É o que se requer, ou seja, a exclusão do contribuinte como sujeito passivo solidário da empresas infratora, pelos motivos acima ; Como alhures explicitado, o procedimento quebra de sigilo bancário e o fato de encontrar depósitos bancários na conta corrente da empresa é que foram a base para os lançamentos fiscais, os quais, "data venia", ocorreram de maneira ilícita, através de quebra de sigilo fiscal sem autorização judicial e o lançamento de Fl. 1292DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13982.000231/200903 Acórdão n.º 1401001.186 S1C4T1 Fl. 1.293 16 impostos e multas devidos com base, tão somente, nos depósitos bancários encontrados na conta corrente da empresa infratora. Os documentos que embasam as presentes autuações, não foram obtidos legalmente mas sim, através de uma atuação inadequada, abusiva e ilícita, tanto por parte deste fisco; O presente processo administrativo se embasa única e exclusivamente em prova obtida por meio ilícito, que o torna eivado de vício insanável e, portanto, nulo de pleno direito; DA ILEGITIMIDADE PASSIVA DO COOBRIGADO, falta de justa causa dos autos de infração; De plano cumpre esclarecer que o sujeito passivo descrito nos autos de infração NILTON NERI STULP, é parte ilegítima para figurar nesse procedimento administrativo fiscal, eis que nenhuma prova, nenhum documento, nada faz crer ou presumir (por quaisquer meios de prova) que tenha participado de qualquer forma das empresas sob processo administrativo; Portanto, pelas provas que o isentam, ou pelo menos não comprovam de qualquer maneira seu envolvimento na empresa citada, nem mesmo o fato de ter sido encontrado um substabelecimento pelo período de pouco mais de dois meses (validade), demonstra, com provas (da não participação na sociedade) qualquer responsabilidade do mesmo, devendo ser excluído do pólo passivo dos autos infracionais. É o que se requer; O defendente não vulnerou os dispositivos legais inseridos no auto de infração, que deve ser anulado desde seu nascedouro em face da sua impropriedade como lançamento; Tanto é que os respectivos autos de infração são baseados apenas no substabelecimento no qual o procurador da empresa teria passado para o coobrigado, pelo período de pouco mais de dois meses, sem o contraditório e a ampla defesa, o que não permite, só por esse fato, enquadrar a notificada como coobrigada no procedimento fiscal; transcreve o art.112 do CTN; XI – PERÍCIA CONTÁBIL; O "fisco" entendeu, com fulcro no art. 18 da Lei Complementar Federal n. 87/96, bem como com base no art. 148 do Código Tributário Nacional (Lei n. 5172/66), a proceder o arbitramento; com fulcro nesse mesmo dispositivo de lei, ou seja, art. 18 da Lei Complementar Federal n. 87/96, parte final, é que requer seja autorizado uma AVALIAÇÃO CONTRADITÓRIA desses valores, feitas por auditores particulares e contratados pelo notificado para que possam aferir os valores tributáveis (se devidos) e os critérios determinantes da base de cálculo utilizados para que se chegasse aos percentuais, as isenções e Substituições Tributária; requer seja concedido prazo de no mínimo 90 (noventa) dias para que possa xerocopiar todo o processado, enviar para auditores contábeis de sua confiança, para que possam ratificar ou divergir dos valores encontrados por esta digna e respeitável autoridade fiscal; XII DIFERENÇAS TRIBUTÁVEIS O impugnante, apesar de nada ter a ver com a empresa infratora, sempre está em desvantagem, seja na diferença de prazo dado ao fisco em relação ao notificado, seja na conduta do processo administrativo, seja nos valores obtidos como sonegados, sempre haverá essa diferença avassaladora em detrimento dos direitos e Fl. 1293DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13982.000231/200903 Acórdão n.º 1401001.186 S1C4T1 Fl. 1.294 17 garantias da empresa; os valores são totalmente irreais, fora de qualquer realidade e se assim persistir, o autuado, que nada tem a ver com a empresa citada, a não ser o fato de ter sacado, de uma única conta, durante pouco mais de dois meses, valores para pagar os fornecedores da empresa, mediante pequena comissão, será mais um dos que irão falir por não suportarem a 3ª maior cobradora de Impostos a nível mundial, que é a Fazenda Nacional (Brasil); XIII – FALTA INDICAÇÃO LEGISLAÇÃO ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA; Requer afinal o cancelamento total do Termo de Responsabilização, para que outro seja efetuado, se assim o entender, explicitando os artigos de lei correspondentes à atualização monetária e como se chegou aos exorbitantes valores atribuídos ao notificado; XIV – DO EXCESSO DE EXAÇÃO; As lesões aos direitos do impugnante serão regiamente reivindicados pela via própria, nos termos do artigo 5o , inciso XXXV, da Constituição do Brasil, por estar sendo obrigado a defenderse de uma infração que não cometeu; XV– DO DIREITO FEDERAL APLICÁVEL: motivos inexistentes inidôneos; Os meios empregados para formalizar as respectivas infrações a que se referem a notificação, o processo administrativo, são todos inexistentes e inidôneos, porque a peça básica da autuação foi confeccionada fora do estabelecimento da autuada e, conseqüentemente, porque os agentes fiscais não provaram em momento algum que são contadores habilitados, mas também porque todo e qualquer ato fiscal é sempre regrado e vinculado a expressa previsão da lei, não havendo espaços para atos discricionários da Fazenda Nacional(Código Tributário Nacional, artigo 97, 113, § 1º , 114; 116, 142 e seu parágrafo único, CF, artigo 5º , II, 37, caput, 150, I ); XVI – DO MÉRITO O SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, através da de sua Primeira Seção, em decisão recente, entendeu que a responsabilidade pelas dívidas tributárias de uma empresa só pode ser imposta ao sóciogerente, ao administrador, diretor ou equivalente, quando houver dissolução irregular da sociedade ou ficar comprovada infração à lei penal praticada pelo dirigente, ou este agir com excesso de poderes; Logo, a solidariedade do sócio pela dívida da sociedade só se manifesta quando comprovado que, no exercício de sua administração, praticou os atos eivados das irregularidades enumeradas no caput do art. 135, do CTN. Até porque aqueles que representam a sociedade e agem de máfé merecem, por inteiro, o peso da responsabilidade tributária decorrente de atos praticados sob essas circunstâncias, e a pessoa jurídica, com responsabilidade própria, não pode ser confundida com a pessoa de seus sócios; No caso em tela, os únicos indícios de provas que vinculam o impugnante NILTON NERI STULP com a empresa investigada COMÉRCIO DE CEREAIS SANTA CATARINA LTDA, seria o fato de ter recebido substabelecimento de uma procuração para sacar valores em nome da empresa, de uma ÚNICA CONTA BANCÁRIA, durante pouco mais de dois meses, com a única e estrita finalidade de "comprar fumo" dos agricultores, mediante pequena comissão. A quebra de sigilo bancário da empresa, sem autorização judicial, fora efetuada de forma abusiva e contra a lei, feitos ao arrepio de qualquer legislação vigente e que certamente Fl. 1294DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13982.000231/200903 Acórdão n.º 1401001.186 S1C4T1 Fl. 1.295 18 quedarão aos enfrentamentos judiciais em esferas superiores NADA CITA A INFRAÇÃO FISCAL DE QUALQUER DESVIO DE CONDUTA. QUALQUER IRREGULARIDADE, QUALQUER EMISSÃO DE NOTAS, SONEGAÇÃO, SUPRESSÃO OU OMISSÃO DE TRIBUTOS EM RELAÇÃO AO IMPUGNANTE; Ademais, além de ter sido efetuado o Auto de Infração de IRPJ e Reflexos, através do Termo de Verificação Fiscal, esse, em nenhum momento, citou O NOME DO IMPUGNANTE, NÃO HÁ QUALQUER PROVA QUE CONSTATE QUE O IMPUGNANTE SERIA O VERDADEIRO PROPRIETÁRIO, GERENTE, SÓCIO OCULTO, DIRETOR OU ADMINISTRADOR DESSA EMPRESA; Em nenhum dos documentos encontrados pelo fisco há provas que confirmem, provem, sem qualquer sombras de dúvidas que o impugnante seria o verdadeiro "mandante", diretor, gerente, proprietário ou responsável pela empresa investigada COMÉRCIO DE CEREAIS SANTA CATARINA LTDA.; As provas que foram utilizadas, ou seja, movimentações bancárias em nome da empresa e o substabelecimento no qual permitia ao impugnante, pelo período de pouco mais de dois meses, efetuar saques para pagar fornecedores (agricultores) da empresa infratora, nada confirmam que o mesmo seria o responsável legal ou oculto por esta empresa COMÉRCIO DE CEREAIS SANTA CATARINA LTDA. Ao contrário, NEM CITAM QUALQUER IRREGULARIDADE COMETIDA PELO IMPUGNANTE; que o Fisco equivocouse ao alegar que existem provas do envolvimento do suplicante com essa empresa. As provas, segundo as quais, incriminariam o mesmo seria um substabelecimento, de uma única conta corrente, de um único banco, por pouco mais de dois meses, pura e simples, sem o princípio do contraditório e da ampla defesa, a qual sequer MENCIONA SEU NOME; Essas provas, utilizadas pela "União – Fazenda Nacional" com o intuito de ensejar créditos tributários a favor deste erário foram obtidas clandestinamente, cujo inquérito o notificado ainda não teve qualquer acesso, não participou, não teve qualquer possibilidade de defesa, tendo ocorrido cerceamento de defesa, ferindo os princípios do contraditório e da ampla defesa. Mesmo assim, a representação ou o inquérito, não cita qualquer trecho, frase, menção, que identifique qualquer irregularidade do notificado, a não ser pura e simplesmente ter sido procurador BANCÁRIO para efetuar saques dessa empresa com a finalidade de pagamento de fornecedores. E só. Ponto final; As provas pelas quais se baseia para emitir o Auto Infracional, foram fundamentadas única e exclusivamente na procuração existente na qual fora outorgado, as quais em nada comprometem o notificado, sendo o respectivo processo feito sem o crivo do contraditório e da ampla defesa, de forma ilegal, abusiva, arbitrária e sem fundamentação motivada. Foram feitos, também, se forma a macular a legislação federal; No tópico XVIII – DA RESPONSABILIDADE DO PROCURADOR PERANTE SECRETARIA DA RECEITA ESTADUAL E FEDERAL, discorre sobre os direitos e obrigações do procurador nestas instituições (mandatário) onde arremata que: quando o detentor do comando efetivo da empresa age com abuso de poder, excesso de mandato, infração à lei ou ao estatuto, e terceira pessoa, jurídica ou física, sofre prejuízos ou danos, responde (detentor do comando da pessoa jurídica), pessoalmente, pelos prejuízos que causar; Fl. 1295DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13982.000231/200903 Acórdão n.º 1401001.186 S1C4T1 Fl. 1.296 19 Não é o caso dos autos, ou seja, o procurador substabelecido e ora impugnante, pelo período de pouco mais de dois meses, sacou valores de uma, das inúmeras contas bancárias da empresa, agindo dentro dos estritos mandamentos do instrumento de substabelecimento que recebera e quem responde pela dívida são os sócios e não este. REQUER a exclusão de seu nome como um dos devedores solidários desta empresa; DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA; interpretando sistematicamente a estrutura jurídica nacional como um conjunto lógico e consistente de normas, considerase o não recolhimento a contento do tributo apenas uma mora da empresa, tendo como requisito imprescindível da imposição da norma especificamente de responsabilidade por substituição insculpida no art. 135 do CTN, o abuso de poder, excesso de mandato, o ilícito prévio ou concomitante ao surgimento da obrigação tributária; Portanto, o impugnante agiu de acordo com instrumento de substabelecimento que recebeu, pelo período de pouco mais de dois meses, em uma única conta, dentre as diversas que a empresa tinha, que recebeu de um procurador da empresa, o qual havia recebido poderes da empresa, não cometeu qualquer ilícito penal ou tributário e não pode integrar esse procedimento fiscal como co responsável pelos débitos de nenhuma das empresas as quais são atribuídas infrações fiscais; XIX – DA EXCLUSÃO DA MULTA; XX – MULTA CONFISCATÓRIA O princípio da capacidade econômica do contribuinte e a vedação do confisco hoje são princípios constitucionais expressos em matéria tributária (§ I o , do art. 145, e art. 150, e art. 150, IV da CF de 1988). Embora dirigidos literalmente aos impostos (capacidade contributiva) e aos tributos (utilizálos com efeito de confisco), tais postulados se espraiam por todo o sistema tributário, atingindo por inteiro o crédito tributário na sua acepção mais lata, como conceituado pelo art. 113 e seus parágrafos do CTN. Quer dizer, numa palavra: eles atingem as penas fiscais tanto quanto os tributos." "Devemos deixar claro, que não apenas os tributos, mas também as penalidades fiscais, quando excessivas ou confiscatórias, estão sujeitas ao mesmo tipo de controle jurisdicional; Como vemos, impõese afirmar a inconstitucionalidade da multa de 150 %, aplicada nas infrações fiscais em lide, por ter caráter confíscatório e, portanto, malferir o disposto no inciso IV, do artigo 150, da Lei Maior; XXIII – NOVO PRAZO PARA DEFESA: a fim de que se evite futuras alegações de nulidades e desrespeito aos princípios da igualdade das partes no processo administrativo, é que requer sejam concedidos, no mínimo, mais 30 (trinta) dias para que possa buscar documentos, provas, testemunhas e outras que o eximam de qualquer responsabilidade nesse sentido. É o que se requer; XXIV DO PEDIDO; a) requer, seja recebida a presente impugnação e julgado improcedente os presentes procedimentos fiscais iniciado contra o ora impugnante, declarandoo nulo, por faltarlhe, no seu aspecto formal, legitimidade deste para responder sob qualquer aspecto pela empresa sob fiscalização e pelos atos infracionais a elas atribuídos; Fl. 1296DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13982.000231/200903 Acórdão n.º 1401001.186 S1C4T1 Fl. 1.297 20 b) requer sejam deferidas as seguintes provas: juntada aos autos de todas as Notas Fiscais emitidas pela empresa investigada COMÉRCIO DE CEREAIS SANTA CATARINA LTDA que originaram todos esses atos infracionais, a fim de que se proceda a uma perícia grafotécnica para saber se o impugnante preencheu alguma dessas notas; c) Requer, por fim, sejam deferidas as provas periciais, testemunhais (as quais serão arroladas em momento oportuno, caso venha a ser definitivamente envolvido nestas infrações tributárias), requisições de informações a instituições públicas, financeiras, as quais serão indicadas e produzidas no momento processual adequado. d) requer, seja tornado nulo ou insubsistente os auto de infração que ora se ataca, tornandoos sem efeito o imposto exigido, bem assim a multa pretendida, com a competente baixa dos seus registros nesse órgão, por não estar legitimada a pretensão do agente do fisco; e) Requer, outrossim, a realização de diligências, aquelas necessárias à plena elucidação das questões ora suscitadas, inclusive a realização de perícias, para a qual protesta pela indicação do seu perito assistente, formulação de quesitos, e suplementação de provas; ou, até mesmo, que o julgador, diante das circunstâncias, de ofício determine a diligência ou perícia, que porventura julgar necessárias com referências aos documentos acima aludidos; f) requer, ante a falta de comprovação material o ilícito fiscal constante do auto de infração, o seu arquivamento com relação ao impugnante; g) a imprevalência (sic) do crédito tributário pretendido, por inocorrente e incomprovada a ilicitude indicada na autuação sob hostilidade; h) a comprovada condição de ilegitimidade da autuação, através da qual o autuante quer receber tributos sem o fato gerador que justifique seu nascedouro; i) a indevida instauração da ação fiscal, já que inexistente a obrigação principal, o apenamento não tem qualquer valor; j) Requer juntada de documentos apreendidos e que comprovem que se algum documento dessa empresa ou alguma medida judicial fora efetuada em desfavor do impugnante, com referência a empresas citada; k) REQUER seja concedido prazo de 90 (noventa) dias, pelos motivos acima aludidos, para que possa apresentar IMPUGNAÇÃO, pelos motivos acima alinhavados, o que, em caso de negativa, poderá ofender princípios do contraditório, da ampla defesa e da igualdade das partes; 1) Requer, seja declarada a ilegitimidade do coobrigado para responder pela empresa COMÉRCIO DE CEREAIS SANTA CATARINA LTDA, eis que conforme existe nos autos, não é sócio e nem tem poderes, via contrato social, para representála, enviando estes documentos para os sócios da empresa e não para o ora reclamante. Da Impugnação do Sr. Ademir Friske Menegassi: A impugnação apresentada é praticamente a mesma da ora relatoriada, com as seguintes alterações, em relação àquela: DA INFRAÇÃO FISCAL; Fl. 1297DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13982.000231/200903 Acórdão n.º 1401001.186 S1C4T1 Fl. 1.298 21 alegam (os Fiscais) que o Impugnante teria procuração pública para movimentar três contas bancárias da empresa COMÉRCIO DE CEREAIS SANTA CATARINA LTDA e que por isso, seria o sujeito passivo solidário das obrigações tributárias devidas pela empresa investigada; O notificado ADEMIR FRISKE MENEGASSI (CPF sob nº 86163434900), além de não ser sócio, proprietário, administrador, dono e/ou empregado, era apenas "COMPRADOR COMISSIONADO" dessa empresa; Os depósitos para a compra de fumo, eram feitos na conta bancária da empresa, e o impugnante, apenas sacava o dinheiro dessa conta para pagar os fornecedores (AGRICULTORES) pela compra do fumo da empresa notificada; Os depósitos para a compra de fumo, eram feitos na conta bancária da empresa COMÉRCIO DE CEREAIS SANTA CATARINA LTDA e esta, por sua vez, efetuava a procuração ou, como no caso do impugnante, o mesmo substabeleceu todos os poderes que recebeu, imediatamente e logo em seguida, para os compradores de fumo, os quais sacavam o dinheiro, pagavam os fornecedores (AGRICULTORES) pela compra do fumo para a empresa acima aludida (COMÉRCIO DE CEREAIS SANTA CATARINA LTDA); O impugnante efetuava saques, como representante e não como sócio da empresa COMÉRCIO DE CEREAIS SANTA CATARINA LTDA, com a única e estrita, finalidade de comprar fumo de agricultores e efetuar o pagamento aos mesmos, com dinheiro destas empresas acima nominadas, mediante pequena comissão recebida; O suplicante, efetuava os saques, para adimplir a compra e venda de fumo dessa empresa para os agricultores, jamais foi sequer uma forma de receita, mas sim, uma mera movimentação do dinheiro do cliente para o fornecedor. DA ILEGITIMIDADE PASSIVA DO COOBRIGADO, falta de justa causa dos autos de infração; De plano cumpre esclarecer que o sujeito passivo descrito nos autos de infração ADEMIR FRISKE MENEGASSI, é parte ilegítima para figurar nesse procedimento administrativo fiscal, eis que nenhuma prova, nenhum documento, nada faz crer ou presumir (por quaisquer meios de prova) que tenha participado de qualquer forma das empresas sob processo administrativo; XVI – DO MÉRITO No caso em tela, os únicos indícios de provas que vinculam o impugnante ADEMIR FRISKE MENEGASSI com a empresa investigada COMÉRCIO DE CEREAIS SANTA CATARINA LTDA, seria o fato de ter recebido procuração para movimentar contas bancárias e logo em seguida, substabelecido a outras pessoas, as quais sacaram valores em nome da empresa, com a única e estrita finalidade de "comprar fumo" dos agricultores, mediante pequena comissão. A quebra de sigilo bancário da empresa, sem autorização judicial, fora efetuada de forma abusiva e contra a lei, feitos ao arrepio de qualquer legislação vigente e que certamente quedarão aos enfrentamentos judiciais em esferas superiores NADA CITA A INFRAÇÃO FISCAL DE QUALQUER DESVIO DE CONDUTA. QUALQUER IRREGULARIDADE, QUALQUER EMISSÃO DE NOTAS, SONEGAÇÃO, SUPRESSÃO OU OMISSÃO DE TRIBUTOS EM RELAÇÃO AO IMPUGNANTE; As provas que foram utilizadas, ou seja, movimentações bancárias em nome da empresa e as procurações públicas que foram substabelecidas a terceiros, logo em seguida para terceiras pessoas, efetuarem saques para pagar fornecedores (agricultores) da empresa infratora, nada confirmam que o mesmo seria o responsável legal ou oculto por esta empresa COMÉRCIO DE CEREAIS SANTA Fl. 1298DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13982.000231/200903 Acórdão n.º 1401001.186 S1C4T1 Fl. 1.299 22 CATARINA LTDA. Ao contrário, NEM CITAM QUALQUER IRREGULARIDADE COMETIDA PELO IMPUGNANTE; que o Fisco equivocouse ao alegar que existem provas do envolvimento do suplicante com essa empresa. As provas, segundo as quais, incriminariam o mesmo seria AS PROCURAÇÕES PÚBLICAS AS QUAIS SUBSTABELECEU A TERCEIROS, sem o princípio do contraditório e da ampla defesa, a qual sequer MENCIONA SEU NOME; Essas provas, utilizadas pela "União Fazenda Nacional" com o intuito de ensejar créditos tributários a favor deste erário foram obtidas clandestinamente, cujo inquérito o notificado ainda não teve qualquer acesso, não participou, não teve qualquer possibilidade de defesa, tendo ocorrido cerceamento de defesa, ferindo os princípios do contraditório e da ampla defesa. Mesmo assim, a representação ou o inquérito, não cita qualquer trecho, frase, menção, que identifique qualquer irregularidade do notificado, a não ser pura e simplesmente ter sido procurador BANCÁRIO para efetuar saques dessa empresa com a finalidade de pagamento de fornecedores, cujos poderes, imediatamente, substabeleceu a terceiros. E só. Ponto final; Da Impugnação do Sr. Celso Selias Vaz: A impugnação apresentada é praticamente a mesma das apresentadas por aqueles senhores, com as seguintes alterações, em relação àquelas: DA INFRAÇÃO FISCAL; alegam (os Fiscais) que o Impugnante teria procuração pública para movimentar a conta bancária da empresa COMÉRCIO DE CEREAIS SANTA CATARINA LTDA. junto ao Banco do Brasil S/A, c/c 148954 e que por isso, seria o sujeito passivo solidário das obrigações tributárias devidas pela empresa investigada; O notificado CELSO SELIAS VAZ (CPF sob n. 802.332.79920), além de não ser sócio, proprietário, administrador, dono e/ou empregado, era apenas "COMPRADOR COMISSIONADO" dessa empresa; Os depósitos para a compra de fumo, eram feitos na conta bancária da empresa, e o impugnante, apenas sacava o dinheiro dessa conta para pagar os fornecedores (AGRICULTORES) pela compra do fumo da empresa notificada; Os depósitos para a compra de fumo, eram feitos na conta bancária da empresa COMÉRCIO DE CEREAIS SANTA CATARINA LTDA e esta, por sua vez, efetuou uma procuração dando poderes para efetuar compras de fumo, o qual sacava o dinheiro, pagava os fornecedores (AGRICULTORES) pela compra do fumo para a empresa acima aludida (COMÉRCIO DE CEREAIS SANTA CATARINA LTDA); O impugnante efetuava saques, como representante e não como sócio da empresa COMÉRCIO DE CEREAIS SANTA CATARINA LTDA, com a única e estrita finalidade de comprar fumo de agricultores e efetuar o pagamento aos mesmos, com dinheiro destas empresas acima nominadas, mediante pequena comissão recebida; O suplicante, efetuava os saques, para adimplir a compra e venda de fumo dessa empresa para os agricultores, jamais foi sequer uma forma de receita, mas sim, uma mera movimentação do dinheiro do cliente para o fornecedor. DA ILEGITIMIDADE PASSIVA DO COOBRIGADO, falta de justa causa dos autos de infração; Fl. 1299DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13982.000231/200903 Acórdão n.º 1401001.186 S1C4T1 Fl. 1.300 23 De plano cumpre esclarecer que o sujeito passivo descrito nos autos de infração CELSO SELIAS VAZ, é parte ilegítima para figurar nesse procedimento administrativo fiscal, eis que nenhuma prova, nenhum documento, nada faz crer ou presumir (por quaisquer meios de prova) que tenha participado de qualquer forma das empresas sob processo administrativo; XVI – DO MÉRITO No caso em tela, os únicos indícios de provas que vinculam o impugnante CELSO SELIAS VAZ com a empresa investigada COMÉRCIO DE CEREAIS SANTA CATARINA LTDA, seria o fato de ter recebido procuração para movimentar uma única conta bancária, o qual sacava os valores em nome da empresa, com a única e estrita finalidade de "comprar fumo" dos agricultores, mediante pequena comissão. A quebra de sigilo bancário da empresa, sem autorização judicial, fora efetuada de forma abusiva e contra a lei, feitos ao arrepio de qualquer legislação vigente e que certamente quedarão aos enfrentamentos judiciais em esferas superiores NADA CITA A INFRAÇÃO FISCAL DE QUALQUER DESVIO DE CONDUTA. QUALQUER IRREGULARIDADE, QUALQUER EMISSÃO DE NOTAS, SONEGAÇÃO, SUPRESSÃO OU OMISSÃO DE TRIBUTOS EM RELAÇÃO AO IMPUGNANTE; As provas que foram utilizadas, ou seja, movimentações bancárias em nome da empresa e a procuração pública para efetuar saques e para pagar fornecedores (agricultores) da empresa infratora, nada confirmam que o mesmo seria o responsável legal ou oculto por esta empresa COMÉRCIO DE CEREAIS SANTA CATARINA LTDA. Ao contrário, NEM CITAM QUALQUER IRREGULARIDADE COMETIDA PELO IMPUGNANTE; que o Fisco equivocouse ao alegar que existem provas do envolvimento do suplicante com essa empresa. As provas, segundo as quais, incriminariam o mesmo seria A PROCURAÇÃO PÚBLICA e a infração fiscal, sem o princípio do contraditório e da ampla defesa, a qual sequer MENCIONA SEU NOME; Relativamente ao Sr. Reginaldo Rovaris, também arrolado como sujeito passivo solidário, não consta que tenha apresentado impugnação. A 3ª Turma da DRJ/FNS, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela Interessada e seu sócio, mantendo integralmente o crédito tributário, mas com a exclusão do Sr. Marcio Antonio Guarda do pólo passivo. Quanto aos demais responsáveis solidários, por maioria de votos, foram julgadas improcedentes as impugnações. Resultaram, então: (i) rejeitadas as preliminares de nulidades dos autos de infração; (ii) excluída a imputação de responsabilidade solidária pelo crédito tributário ao Sr. Marcio Antonio Guarda; (iii) Reconhecida a responsabilidade solidária pelo crédito tributário dos Srs. Celso Selias Vaz, Nilton Néri Stulp e Ademir Friske Menegassi; (iv) Considerada não impugnada a imputação de responsabilidade solidária pelo crédito tributário aos Srs. Leandro Rosa e Reginaldo Rovaris; Fl. 1300DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13982.000231/200903 Acórdão n.º 1401001.186 S1C4T1 Fl. 1.301 24 (v) Mantidas integralmente as exigências do IRPJ, do PIS, da Cofins e da CSLL consubstanciadas nos autos de infração, acrescidas de multa de ofício de 150% e dos juros de mora pertinentes. O acórdão da DRJ FNS recebeu a seguinte ementa, fls. 791792: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 INTIMAÇÃO POR EDITAL. LEGITIMIDADE DO PROCEDIMENTO. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, para a adoção da intimação por edital, basta que reste improfícuo um dos meios de intimação previstos na legislação de regência. In casu, restou comprovada a impossibilidade da ciência pessoal ou por via postal, em virtude da devolução pela agência do correio da intimação regularmente expedida, motivada pela nãolocalização da contribuinte no endereço informado perante o cadastro da SRF. SÓCIOADMINISTRADOR. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. VALIDADE. Considerase válida a intimação por via postal desde que haja prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 EXAME DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. Por força do inciso VII do art. 3º do Decreto nº 3.724, de 2001, que regulamenta o art. 6º da LC nº 105, de 2001, a prática de atos que caracterizam embaraço à fiscalização (não fornecimento de informações sobre movimentação financeira), devidamente conceituados no art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o exame de extratos e demais documentos bancários dos contribuintes. SIGILO BANCÁRIO. PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. SOLICITAÇÃO REGULAR. Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário, haja vista prestarse apenas a possível constituição de crédito tributário e eventual apuração de ilícito penal, havendo, na verdade, mera transferência da responsabilidade do sigilo, antes Fl. 1301DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13982.000231/200903 Acórdão n.º 1401001.186 S1C4T1 Fl. 1.302 25 assegurado pela instituição financeira e agora mantido pelas autoridades administrativas. SOCIEDADE. DISSOLUÇÃO IRREGULAR. SÓCIOS. RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. Presumese dissolvida irregularmente a empresa que não for localizada no endereço cadastrado na Receita Federal do Brasil e/ou deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando lavratura do Termo de Sujeição Passiva Solidária em nome dos sócios, com base no previsto artigo 135, inciso III da Lei nº 5.172/66. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN. DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA EMPRESA. Os administradores, de direito ou de fato, da empresa dissolvida irregularmente são responsáveis pelos tributos exigidos da pessoa jurídica. PRAZO DE DECADÊNCIA. INCLUSÃO DE RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS NO POLO PASSIVO. ART. 135, III, DO CTN. INAPLICABILIDADE. Os prazos de decadência previstos nos arts 150 e 173 do CTN aplicamse na constituição do crédito tributário em face do contribuinte, mas não em relação à identificação dos responsáveis solidários de que trata o inciso III, do art. 135 do CTN. O vínculo do responsável solidário pelo crédito tributário caracterizase por ser uma relação jurídica de garantia. Assim, não há que se falar em decadência, mas sim em prescrição da pretensão para com o responsável, o qual ocorre no mesmo momento em que prescreve a pretensão para com o contribuinte. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 PRELIMINAR DE NULIDADE. LICITUDE DAS PROVAS. Há de se rejeitar a preliminar de nulidade quando comprovado que a autoridade fiscal cumpriu todos os requisitos legais pertinentes à formalização do lançamento, inclusive no que respeita ao uso de provas obtidas de forma lícita, ao amparo da legislação pertinente. ARBITRAMENTO DO LUCRO. RECEITA CONHECIDA. ART. 530 DO RIR/99. ART. 148 DO CTN. O procedimento de arbitramento do lucro previsto no art. 530 do RIR/99 não se confunde com o procedimento de arbitramento do valor ou preço de que trata o art. 148 do CTN, mormente quando se tem como conhecida a receita para o fim de apurar o lucro tributável. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS e CSLL. Os lançamentos reflexos devem observar o mesmo procedimento adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. O contribuinte originário e os responsáveis solidários foram devidamente cientificados do aludido Acórdão, conforme relatado às fls. 1276. O devedor principal (Comércio de Cereais Santa Catarina Ltda.) e o responsável solidário Leandro Rosa não apresentaram recurso voluntário. Recorreram tempestivamente os responsáveis solidários Ademir Friske Menegassi (fls. 10611158), Celso Selias Vaz (fls. 862959), Nilton Neri Stulp Fl. 1302DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13982.000231/200903 Acórdão n.º 1401001.186 S1C4T1 Fl. 1.303 26 (fls. 11591256) e Reginaldo Rovaris (fls. 9601060), conforme análise de fls. 1076. Todos os recorrentes reiteraram as alegações apresentadas na fase impugnatória. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos, Relator do Voto Vencido Os recursos apresentados pelos responsáveis solidários Ademir Friske Menegassi (fls. 10611158), Celso Selias Vaz (fls. 862959) e Nilton Neri Stulp (fls. 1159 1256) atendem aos requisitos legais, razão pela qual devem ser conhecidos. Deixo de conhecer do recurso apresentado pelo responsável solidário Reginaldo Rovaris (fls. 9601060), posto que o mesmo não apresentou impugnação ao Termo de Sujeição Passiva, razão pela qual em relação a este responsável não se instaurou litígio. Assim como ocorreu na fase impugnatória, os recorrentes também apresentaram peças recursais muito semelhantes. Assim sendo, todos os tópicos do presente voto vão se referir aos três recursos conjuntamente, salvo quando houver expressa referência em sentido contrário. PRELIMINARES Argüição de decadência Reiterando o que foi alegado na fase impugnatória, os recorrentes alegaram decadência do direito de o Fisco incluílos no polo passivo da obrigação tributária, com fundamento no art. 173 do CTN. No entanto, conforme bem referido pelo voto condutor do acórdão de piso, o aludido prazo referese apenas à constituição do crédito tributário em face do contribuinte originário, mas não em relação à identificação dos responsáveis solidários, de que trata o art. 135, III do CTN. Sobre o tema, manifestouse com muita propriedade a decisão recorrida, fls. 813: Com efeito, a jurisprudência admite o redirecionamento da execução fiscal quando já se passaram mais de cinco anos do ato ilícito que ensejou a responsabilização do administrador. Como já se disse, o vínculo do responsável solidário pelo crédito tributário caracterizase por ser uma relação jurídica de garantia. Assim, não há que se falar em decadência, mas sim em prescrição da pretensão para com o responsável, o qual ocorre no mesmo momento em que prescreve a pretensão para com o contribuinte. Entretanto, como no caso em análise o crédito tributário encontrase em discussão administrativa e com a exigibilidade suspensa, nem mesmo teve início o prazo de prescrição. Fl. 1303DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13982.000231/200903 Acórdão n.º 1401001.186 S1C4T1 Fl. 1.304 27 Acerca do assunto, vale a pena destacar o entendimento exposto pelo eminente processualista Humberto Theodoro Júnior (in “Lei de execução fiscal: comentários e jurisprudência”, 10ª ed, São Paulo: Saraiva, 2007, p. 61): O redirecionamento pode acontecer a qualquer tempo, enquanto a execução fiscal estiver pendente. Há, contudo, de respeitar o prazo de prescrição da obrigação tributária em relação àquele que não figura ainda como parte no processo. Assim, a Fazenda tem, segundo jurisprudência do STJ, o prazo de cinco anos, contados da citação da pessoa jurídica devedora, para promover o redirecionamento da execução fiscal contra os responsáveis tributários relacionados no art. 135, III, do CTN (STJ, 2ª T., Resp 205.887/RS, Rel. Min. João Otávio de Noronha, ac. De 1942005, RSTJ, 196:170; STJ, 1ª Seção, Emb. Div. no Resp 41.958/SP, Rel. p/ acórdão Min. Peçanha Martins, ac. De 6121999, DJU, 28 ago, 2000, p. 51; STJ, 2ª T., Resp 142.397/SP, Rel. Min. Ari Pargendler, ac. De 1691997, DJU, 6 out. 1997, p. 49955). Com base nestas considerações, considero que não merecem prosperar as argüições de decadência apresentadas pelos recorrentes. Argüição de cerceamento de direito de defesa Os recorrentes argüiram afronta aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, pelo fato de os presentes autos de infração não permitirem a correta identificação da origem do suposto crédito tributário ora exigido. Não assiste razão aos recorrentes. Sobre o tema, manifestouse de forma muito concisa e clara o acórdão de piso, razão pela qual adoto e transcrevo as suas razões de decidir (fls. 822): O que se tem, de fato, nos autos, é que a empresa, ora Impugnante, apresentou uma movimentação financeira (entenda créditos bancários) da ordem de R$ 26.567.614,15 (vinte e seis milhões...), conforme OMISSÃO DE RECEITAS – SOMATÓRIO MENSAL (fl.69) no ano de 2005, nada declarou em sua DIPJ correspondente (cópia às fls.217 a 225) e nem foi localizada em seu endereço cadastrado na Receita Federal. Como facilmente se percebe, encontrase claramente identificada a origem do crédito tributário ora em análise, razão pela qual não merece prosperar a presente argüição de nulidade. Argüição de afronta ao devido processo legal e de ilicitude das provas Os recorrentes, com fundamento nos incisos LV e LVI do art. 5º da Constituição Federal, questionaram a formalização do presente lançamento, o qual se baseou na movimentação bancária da contribuinte, obtida sem autorização judicial. Também em relação a estas alegações não assiste razão às recorrentes. Ao contrário do que foi alegado, os procedimentos que culminaram na formalização dos presentes lançamentos, bem como na atribuição de responsabilidade solidária a algumas pessoas físicas, observaram integralmente o devido processo legal. Fl. 1304DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13982.000231/200903 Acórdão n.º 1401001.186 S1C4T1 Fl. 1.305 28 Conforme bem evidenciado pela decisão de piso, fls. 821822, no presente caso foram observadas todas as determinações prescritas pela Lei Complementar nº 105 de 2001 (entre as quais a do art. 6º, parágrafo único, regulamentado pelo Decreto nº 3.724, de 10/01/2001), com vistas a garantir a inviolabilidade, por terceiros, dos dados bancários da interessada. Os elementos constantes dos autos demonstram, com clareza, que a as autoridades fiscais agiram rigorosamente dentro da lei para obtenção das informações bancárias. A empresa, contribuinte principal dos tributos objeto do presente processo, foi intimada e reintimada a apresentar seus extratos bancários, mas abstevese de se pronunciar acerca do solicitado. Não restou, assim, outra alternativa que não fosse a solicitação às instituições financeiras, como corretamente procederam as autoridades fiscais, nos termos da legislação vigente, como restou demonstrado. Diante do exposto, merecem ser rejeitadas as presentes preliminares de nulidade. Arguição de ilegitimidade passiva dos coobrigados Assim como fizeram na fase impugnatória, os recorrentes alegaram que não são partes ilegítimas para figurarem como responsáveis solidários no presente processo, pois não haveria provas de qualquer participação na empresa autuada. Afirmaram, outrossim, que as procurações com curto prazo de validade seriam insuficientes para provar o envolvimento com a pessoa jurídica autuada. Os recorrentes insistiram na tese que exerceram apenas a função de “compradores comissionados”, afirmando que nunca exerceram o papel de sócios, proprietários, administradores ou empregados da pessoa jurídica. Mais uma vez, não assiste razão aos recorrentes. A decisão de piso demonstrou claramente que cada um dos responsáveis solidários exerceu a função de administrador da empresa, razão pela qual a sua inclusão no pólo passivo, na condição de responsável solidário, encontra fundamento no art. 135, III do CTN. Em relação a este tema, reconhecendo a clareza e objetividade do voto condutor da decisão recorrida, adoto e transcrevo suas razões de decidir, fls. 836837: b.1) Nilton Néri Stulp Em atendimento a intimação fiscal, a Cooperativa de Crédito Rural Sudeste Paraná forneceu cópias da procuração pública de f. 470 e 472, do instrumento público de substabelecimento de procuração de f. 471, e do cartão de assinaturas de f. 473. Por meio da procuração pública, firmada em 28/02/2005, a contribuinte constituiu como seu procurador o Sr. Ademir Friske Menegassi conferindo “amplos, gerais e ilimitados poderes para o fim especial de ampla gerência e administração; podendo tratar de todos os negócios da outorgante; admitir e demitir empregados [...]”. Em 18/05/2005, a procuração foi substabelecida para o Sr. Nilton Néri Stulp, Fl. 1305DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13982.000231/200903 Acórdão n.º 1401001.186 S1C4T1 Fl. 1.306 29 por meio do instrumento público de f. 471, com todos os poderes já conferidos ao substabelecente, com “reserva de iguais para si”. À f. 473 encontrase o cartão com assinaturas apostas pelo Sr. Nilton Néri Stulp. A partir dos instrumentos públicos de procuração e substabelecimento, constatase que foram conferidos amplos poderes de gerência e administração a Nilton Néri Stulp, de modo que este senhor não pode negar sua posição de administrador da empresa, poder que não se limitava a simples encarregado de compras, como alega sem provar, ou para tãosomente movimentar a conta bancária. Outrossim, não consta que estes amplos poderes tenham cessado com lapso de dois meses como alega o impugnante. Caracterizada, assim, a função de administrador da empresa, o impugnante não pode ser excluído do polo passivo, nos termos do inciso III, do art. 135, do CTN. b.2) Ademir Friske Menegassi Em atendimento a intimação fiscal, a Cooperativa de Crédito de Livre Admissão do Centro Sul do Paraná forneceu cópias da procuração pública de f. 443 a 444, do instrumento público de substabelecimento de procuração de f. 445 e dos cartões de assinaturas de f. 446 e 447. Por meio da procuração pública, firmada em 28/02/2005, a contribuinte constituiu como seu procurador o Sr. Ademir Friske Menegassi conferindo “amplos, gerais e ilimitados poderes para o fim especial de ampla gerência e administração; podendo tratar de todos os negócios da outorgante; transigir livremente em Juízo ou fora dele; pagar; receber; firmar recibos; dar e receber quitação; comprar mercadorias dentro do ramo de negócio da outorgante; admitir e demitir empregados [...] abrir e movimentar quaisquer contas correntes, em qualquer agência bancária [...]”. Em 17/05/2005, somente PARTE dos poderes da procuração foi substabelecida para o Sr. Werner Stulp, por meio do instrumento público de f. 445, “com fim especial de representálo junto à COOPERATIVA DE CRÉDITO RURAL DO CENTRO SUL DO PARANÁ – SICREDI CENTRO SUL, com reserva de iguais poderes”. À f. 446 encontrase o cartão com assinaturas apostas pelo Srs. Werner Stulp e Ademir Friske Menegassi. A partir dos instrumentos públicos de procuração e substabelecimento acima, constatase que foram conferidos amplos poderes de gerência e administração a Ademir Friske Menegassi, de modo que este senhor não pode negar sua posição de administrador da empresa, poder que não se limitava a simples encarregado de compras, como alega sem provar, ou para tãosomente movimentar a conta bancária. O instrumento de substabelecimento transferiu apenas parte dos poderes para o Sr. Werner Stulp, quais sejam, aqueles com o fim de representação perante a cooperativa de crédito, ou seja, abrir e movimentar quaisquer contas correntes, em qualquer agência bancária, como consta da procuração. Entretanto, esses poderes não foram simplesmente transferidos para o Sr. Werner, pois consta que houve reserva dos mesmos poderes para o Sr. Ademir. O mesmo ocorreu em relação ao substabelecimento firmado junto ao Sr. Nilton Néri Stulp, pois os mesmos poderes ficaram reservados ao substabelecente, ou seja, ao Sr. Ademir. Deste modo, o Sr. Ademir Friske Menegassi recebeu amplos poderes de administrador da empresa, por meio destas duas procurações, poderes estes que não cessaram com o lapso de dois meses como alega o impugnante, mas perduraram mesmo com os substabelecimentos que fez. Fl. 1306DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13982.000231/200903 Acórdão n.º 1401001.186 S1C4T1 Fl. 1.307 30 À evidência, o Sr. Ademir Friske Menegassi continuou autorizado a movimentar a conta bancária junto à Cooperativa de Crédito de Livre Admissão do Centro Sul do Paraná, conforme cartões de assinaturas apresentados pela cooperativa (f. 446). O Banco do Brasil S/A também forneceu cópias dos instrumentos de procuração e substabelecimento (f. 435 a 437) apresentados junto ao Banco do Estado de Santa Catarina S/A, que foi incorporado por aquele banco. Da mesma forma já vista, em 28/02/2005, a contribuinte conferiu ao Sr. Ademir Friske Menegassi amplos poderes de gerência e administração da empresa; em 04/03/2005, este senhor substabeleceu todos os poderes ao Sr. Reginaldo Rovaris (que não apresentou impugnação), com reserva de iguais poderes. Caracterizada, assim, amplamente a função de administrador da empresa, o impugnante não pode ser excluído do polo passivo, nos termos do inciso III, do art. 135, do CTN. b.3) Celso Selias Vaz Em atendimento a intimação fiscal, o Banco do Brasil S/A forneceu cópias da procuração pública de f. 427 e dos cartões de assinaturas de f. 428 a 431. Por meio da procuração pública, firmada em 15/04/2004, a contribuinte constituiu como seu procurador o Sr. Celso Selias Vaz para o “fim especial de gerir e administrar a empresa outorgante em todos os seus desdobramentos [...]”. A partir do instrumento público de procuração, constatase que foram conferidos amplos poderes de gerência e administração a Celso Selias Vaz, de modo que este senhor não pode negar sua posição de administrador da empresa, poder que não se limitava a simples encarregado de compras, como alega sem provar, ou para tãosomente movimentar a conta bancária. Outrossim, não consta que estes amplos poderes tenham cessado com lapso de dois meses como alega o impugnante. Caracterizada, assim, a função de administrador da empresa, o impugnante não pode ser excluído do polo passivo, nos termos do inciso III, do art. 135, do CTN. Com base nestes fatos, voto por rejeitar as preliminares de ilegitimidade passiva, referente a todos os responsáveis solidários. Argüição de falta de justa causa dos autos de infração Os recorrentes sustentam que, no caso em apreço, inexiste justa causa para a lavratura dos autos de infração. Tal fato, em sua opinião, eiva de nulidade absoluta os presentes lançamentos. Não assiste razão aos recorrentes. A análise acerca da existência ou não de justa causa para a formalização dos presentes lançamentos, bem como para a formalização dos Termos de Sujeição Passiva Solidária, constituem matéria de mérito e não questão preliminar, conforme indevidamente considerado pelos recorrentes. Em outras palavras, temos que uma eventual ausência de justa causa para a formalização dos presentes autos de infração não seria causa de nulidade dos aludidos lançamentos, mas sim de simples improcedência dos mesmos. Fl. 1307DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13982.000231/200903 Acórdão n.º 1401001.186 S1C4T1 Fl. 1.308 31 Da mesma forma, uma eventual ausência de justa causa para a formalização dos Termos de Sujeição Passiva também não ensejaria a nulidade dos autos de infração, mas apenas a retirada de algumas pessoas físicas do rol de responsáveis pelo crédito tributário objeto do presente processo. Assim sendo, postergo para a fase de mérito a análise dos argumentos dos recorrentes acerca de eventual ausência de justa causa para a formalização dos presentes autos de infração. Pelas razões expostas, também voto pela rejeição das presente preliminar. Pleito de novo prazo para defesa e pedido de diligência/perícia Os recorrentes, repetindo o procedimento adotado na fase impugnatória, requereram um prazo adicional de 30 dias para apresentação de recurso. Pleitearam, ainda, a realização de diligência/perícia visando “a plena elucidação das questões ora suscitadas”. A meu ver, inexistem motivos que justifiquem a renovação do prazo recursal. Os recorrentes lograram apresentar alentadas peças recursais, com quase 100 páginas cada uma, o que demonstra que o prazo legal de 30 dias foi suficiente para o pleno exercício do contraditório. Da mesma forma, considero desnecessária a realização de nova diligência uma vez que os elementos constantes dos autos são amplamente suficientes para a formação de convicção deste relator acerca da higidez dos lançamentos e responsabilidade tributária pelo crédito tributário. Além disso, as provas requeridas poderiam ser produzidas mediante a simples juntada de documentação, cuja guarda e conservação compete à própria interessada. No tocante ao pedido de perícia, considero que o presente caso não requer conhecimentos técnicos especializados para o deslinde da questão. Além disso, os recorrentes não indicaram os seus peritos nem os quesitos desejados, em desacordo com o disposto no Decreto n.º 70.235/72. Por estas razões, indefiro os pleitos formulados pelos recorrentes. Mérito Alegação de quebra de sigilo bancário Os recorrentes, com fundamento nos incisos X e XII da Constituição Federal, questionaram a legitimidade da quebra do sigilo bancário da contribuinte. Devese ter em conta, porém, que a mesma Constituição Federal, em seu art. 145, consagra os princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva. Para conferir efetividade a esses objetivos, fica a administração tributária autorizada a identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, nos termos da lei e respeitados os direitos e garantias individuais. Regulando essa matéria, o Código Tributário Nacional (CTN, Lei nº 5.172/69), que foi recepcionado pela Constituição Federal com status de lei complementar, Fl. 1308DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13982.000231/200903 Acórdão n.º 1401001.186 S1C4T1 Fl. 1.309 32 disciplinou as formas de acesso da Administração Tributária aos bancos de dados dos agentes econômicos, salvaguardando a inviolabilidade da informação fornecida ao Fisco (sigilo fiscal). Assim sendo, as informações obtidas pela Autoridade Tributária junto às instituições bancárias, não configuram quebra de sigilo e independem de autorização judicial, quando já instaurado o procedimento administrativo. O repasse dos dados à Receita Federal por instituições financeiras não infringe o dever de sigilo bancário, configurandose apenas a transferência desse sigilo para quem de direito (administração tributária). Uma vez instaurado procedimento administrativofiscal, somente tem acesso às informações obtidas, os agentes do Fisco e o próprio contribuinte ou pessoas por ele autorizadas. Os agentes fazendários, assim como os empregados dos estabelecimentos bancários, permanecem sujeitos ao dever de resguardar as informações bancárias, em função do sigilo fiscal previsto no art. 198 do Código Tributário Nacional (CTN). A Lei Complementar nº 105/01, que dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras, introduziu significativas modificações no instituto do sigilo bancário. Com fundamento no art. 6º da referida lei complementar, pode a autoridade fiscal, em procedimento de fiscalização, solicitar às instituições bancárias extratos das contas de depósito do interessado, sem que isso caracterizasse quebra de sigilo bancário. Sobre o tema, manifestouse com muita propriedade o acórdão de piso, fls. 821: A empresa, ora Impugnante, foi intimada e reintimada a apresentar seus extratos bancários, sem que sequer se pronunciasse acerca do solicitado. Não restava, então, alternativa a não ser a solicitação às instituições financeiras, como corretamente procedeu a autoridade fiscal, nos termos da legislação vigente, como demonstrado. Reiterese, portanto, que não há, na legislação vigente, qualquer dispositivo capaz de macular o feito da autoridade lançadora. Notese que o autuante procedeu conforme determinação do Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou a Lei Complementar nº 105/2001: [...] Este é o entendimento exarado em acórdãos do Conselho de Contribuintes, por elucidativos, os abaixo transcritos: SIGILO BANCÁRIO – [...] Não configura quebra de sigilo, o fornecimento ao Fisco, de informações sobre a movimentação bancária do contribuinte, as quais permanecem protegidas sob o manto do sigilo fiscal. Inteligência dos artigos 197, inciso II, e 198, ambos do CTN. (Ac. 1º CC 10513223 – Sessão de 12/07/2000). QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO – Tendo a autoridade administrativa procedido em conformidade com o exposto no art. 197, II, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional) e estando esta plenamente Fl. 1309DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13982.000231/200903 Acórdão n.º 1401001.186 S1C4T1 Fl. 1.310 33 recepcionada pela Constituição Federal de 1988, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. (Ac. 1º CC 10417152 – Sessão de 17/08/1999) Ainda quanto ao assunto em foco é importante frisar que todas as determinações prescritas pela Lei Complementar nº 105 de 2001 (entre as quais a do art. 6º, parágrafo único, regulamentado pelo Decreto nº 3.724, de 10/01/2001), com vistas a garantir a inviolabilidade, por terceiros, dos dados bancários da interessada, foram e estão sendo observadas no curso do presente processo fiscal. [...]É oportuno ressaltar a doutrina do ilustre Professor Hugo de Brito Machado, sobre a relatividade do direito individual ao sigilo ou à intimidade, quando confrontado com o exercício da Administração Tributária: Não tivesse a Administração a faculdade de identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, não poderia tributar, a não ser na medida em que os contribuintes, espontaneamente, declarassem ao fisco os fatos tributáveis. O tributo deixaria de ser uma prestação pecuniária compulsória, para ser uma prestação voluntária, simples colaboração do contribuinte, prestada ao Tesouro Público. Certamente a questão da compatibilidade dessa faculdade com aqueles direitos individuais é das mais delicadas. É difícil, na verdade, determinar até que ponto pode o Fisco penetrar na intimidade do contribuinte. Não se pode todavia, admitir posição extremada dos que sustentam a impossibilidade de identificação dos elementos necessários à cobrança do tributo, a pretexto de preservar o direito individual ao sigilo ou à intimidade. Diante do exposto, considero que, em relação ao presente tema, o recurso dos responsáveis não merece provimento. Argüição de impossibilidade de inclusão de responsáveis solidários no polo passivo do lançamento Os recorrentes renovaram o questionamento, previamente apresentado na fase impugnatória, acerca da possibilidade de inclusão de seus nomes como responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído em face da contribuinte principal. Sobre o tema, posicionouse com muita clareza o voto condutor do acórdão recorrido, fls. 831833, razão pela qual transcrevo e adoto parcialmente as suas razões de decidir: A responsabilidade tributária dos administradores, prevista no inciso III do art. 135, do CTN, já transcrito no voto vencido, tem natureza jurídica de garantia do crédito tributário, e distinguese bastante da obrigação do contribuinte (no caso, a pessoa jurídica). Este entendimento foi exemplarmente exposto no Parecer PGFN/CRJ/CAT nº 55, de 2009, do qual transcrevo os seguintes trechos: [...]Como se vê, não estamos diante de relação obrigacional unitária com pluralidade de sujeitos passivos (solidariedade perfeita), mas sim diante de relações obrigacionais distintas, do contribuinte e do responsável tributário, ligadas, no entanto, pelo vínculo de solidariedade (solidariedade imperfeita). A obrigação do administradorinfrator, que não tem natureza estritamente tributária, não está sujeita às normas de constituição de crédito contidas no CTN, bastando que sua obrigação seja declarada pela autoridade administrativa do Fisco, Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13982.000231/200903 Acórdão n.º 1401001.186 S1C4T1 Fl. 1.311 34 ou pelo Procurador da Fazenda ou pela autoridade judicial. Neste sentido, consta a seguinte orientação na Portaria PGFN nº 180, de 2010: [...]Embora haja a possibilidade do redirecionamento da execução aos administradoresinfratores que não constam da CDA, é medida acautelatória a identificação dos responsáveis tributários já no curso da ação fiscal, pois isso facilita a cobrança do crédito tributário, propicia a adoção de medidas para salvaguardar o patrimônio dos envolvidos para satisfação do crédito tributário, e evita que haja o decurso de longo lapso temporal desde a ocorrência do fato ilícito, o que tenderia a prejudicar o levantamento de provas. Deste modo, não se trata de hipótese de lançamento complementar, ou inovação na constituição do crédito tributário, mas de adoção de medida que visa garantir o adimplemento do crédito tributário ao mesmo tempo em que propicia o exercício do direito de defesa dos acusados ainda na fase processual administrativa. Então, em face de informações do possível envolvimento de terceiros não arrolados no polo passivo, obtidas a partir de ações policial e judicial citadas na própria impugnação, esta Turma de Julgamento não poderia furtarse ao dever de demandar a realização de diligência para investigações. Resultou daí a emissão de novos Termos de Sujeição Passiva Solidária e a possibilidade de os acusados apresentarem defesa, ainda nesta fase administrativa. Os recorrentes, em relação a este tema, apresentaram diversos outros argumentos de defesa, alguns genéricos, alguns explícitos e outros apenas implícitos. Diante da clareza dos fatos até aqui expostos, considero desnecessário proceder uma análise minuciosa de cada argumento trazido pelo recorrentes. A meu ver, a fundamentação até aqui exposta se revela amplamente suficiente para decidir a controvérsia sob análise. Para embasar este meu procedimento, ressalto que o STJ já firmou entendimento no sentido da desnecessidade de a decisão conter referência expressa a cada um dos argumentos relacionados pela interessada, desde que adotada fundamentação suficiente para decidir plenamente a controvérsia, como se evidencia por meio do seguinte julgado: Não viola os artigos 165, 458, II, e 535, II, do CPC, nem importa negativa de prestação jurisdicional, o acórdão que, mesmo sem ter examinado individualmente cada um dos argumentos trazidos pelo vencido, adotou, entretanto, fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia posta. (Recurso Especial n° 687.417 RS, Recurso Especial 2005/00119829, Relator: Ministro Teori Albino Zavaski) Tal entendimento também encontra eco no STF, conforme demonstra o seguinte voto, da lavra da Exma. Ministra Eliana Calmon: O Tribunal não está obrigado a responder questionários formulados pelas partes, tendo por finalidade os declaratórios dirimir dúvidas, obscuridades, contradições ou omissões realmente existentes, pois existindo fundamentação suficiente para a composição do litígio, dispensase a análise de todas as razões adstritas ao mesmo fim, uma vez que o objetivo da jurisdição é compor a lide e não discutir as teses jurídicas nos Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13982.000231/200903 Acórdão n.º 1401001.186 S1C4T1 Fl. 1.312 35 moldes expostos pelas partes. (EDcl na Ação Rescisória n°770 DF 1998/00354239) Diante do exposto, considero que o acórdão recorrido não merece quaisquer reparos, em relação ao presente tema. Questionamento acerca da multa de ofício Os recorrentes consideraram inconstitucional a multa de ofício de 150%, por apresentar caráter confIscatório, em desacordo com o disposto no artigo 150, IV da Constituição Federal. Cumpre registrar que a apreciação de tal argüição foge à alçada das autoridades administrativas de qualquer instância. De acordo com o ordenamento jurídico pátrio, a apreciação de assuntos dessa natureza é de competência exclusiva do Poder Judiciário. Neste sentido é o posicionamento do CARF, conforme súmula nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Lançamentos Decorrentes Os demais lançamento (CSLL, Contribuição para o Pis/Pasep e COFINS), são meras exigências da fiscalização do IRPJ. Por possuírem os mesmos fundamentos fáticos, a decisão prolatada com relação ao Auto de Infração do IRPJ faz coisa julgada em relação aos lançamentos decorrentes, tendo em vista a íntima relação de causa e efeito. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e negar provimento aos recursos voluntários. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos, Relator do Voto Vencido Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator para Formalização do Voto Vencedor Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, e tendo em vista que o redator designado Alexandre Antonio Alkmim Teixeira não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, encontrome na posição de Redator, nos termos dos arts. 17 e 18, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF). Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13982.000231/200903 Acórdão n.º 1401001.186 S1C4T1 Fl. 1.313 36 Informo que, na condição de Redator, não me encontro vinculado: (1) ao relato dos fatos apresentado; (2) a nenhum dos fundamentos adotados para a apreciação das matérias em discussão; e (3) a nenhuma das conclusões da decisão incluindose a parte dispositiva e a ementa. A seguir, a reprodução do voto. Segundo se extrai do relatório constante do voto, a inclusão dos responsáveis solidários Ademir Friske Menegassi, Celso Celias Vaz e Nilton Neri Stulp decorreu de diligência formalizada no curso do julgamento perante a DRJ/FNS que determinou o retorno dos autos à Delegacia Receita Federal para identificar a eventual existência de outros responsáveis, nos seguintes termos: O julgamento do presente processo foi convertido em diligências, conforme Despacho de Diligência (fls.404 a 410) proposto por esta Turma de Julgamento, por maioria de votos, vencido o Relator, em 26 de março de 2012, à DRF em Joaçaba/SC, para, em face das situações apontadas no Despacho, as seguintes providências: 1. Juntar aos autos cópia do Contrato Social (e alterações, se houver) de constituição da sociedade empresária COMÉRCIO DE CEREAIS SANTA CATARINA LTDA; 2. Diligenciar no sentido de estabelecer, se for o caso, a responsabilidade solidária do sócioadministrador oculto e, em tal hipótese, sua formalização mediante Termo de Sujeição Passiva Solidária, e abertura de prazo de trinta dias para impugnála, se assim deliberar; Como decorrência de referida diligência, a DRF em Joaçaba identificou o seguinte: Com relação ao item 2 e item 5: As instituições financeiras, mencionadas no referido Termo, que detinham contas bancárias da Fiscalizada, foram intimadas a apresentar as cópias dos cartões de assinatura e de eventuais procurações outorgadas para movimentação de contas, ocasião em que informaram o seguinte: Banco do Brasil (c/c 14.8954): procuração outorgada pela Fiscalizada à Celso Selias Vaz, para gerir e administrar a conta (procuração e cartões de assinatura às fls.424 a 431). BESC (c/c 21.605.3): procuração outorgada pela Fiscalizada, em 28/02/2005, à Ademir Friske Menegassi, para gerir e administrar a conta, com substabelecimento, em 04/03/2005, para Reginaldo Rovaris, sendo informado que os cartões de assinatura não foram localizados (docs. às fls.432 a 439). Cooperativa de Crédito Rural Sudeste Paraná (c/c 13.8053): procuração outorgada pela Fiscalizada, em 28/02/2005, à Ademir Friske Menegassi, para gerir e administrar a conta, com substabelecimento, em 18/05/2005, para Nilton Néri Stulp, (cartão de assinatura e docs. Às fls.468 a 473). Cooperativa de Crédito de Livre Admissão Centro Sul do Paraná (c/c 14.2700): procuração outorgada pela Fiscalizada, em 28/02/2005, à Ademir Friske Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13982.000231/200903 Acórdão n.º 1401001.186 S1C4T1 Fl. 1.314 37 Menegassi, para gerir e administrar a conta, com substabelecimento, em 17/05/2005, para Werner Stulp, (cartão de assinatura e docs. Às fls.440 a 446). Conclusão da diligência quanto a este item 2: Considerando as novas informações compulsadas junto às instituições financeiras acima descritas, informações estas que justificam a atribuição da responsabilidade tributária prevista no inciso III do artigo 135 do Código Tributário Nacional a pessoas que antes não haviam sido qualificadas como tal, lavramos os Termos de Sujeição Passiva Solidária em anexo. Em decorrência de referida diligência, promoveuse a responsabilização, conforme descrito: As autoridades fiscais arrolaram, então, novos responsáveis solidários aos autos, por meio da emissão do Termo de Sujeição Passiva Solidária aos srs. Reginaldo Rovaris (fls.475 a 478), que foi cientificado das peças fiscais pelo Edital 019/2012, afixado em 26/06/2012 (fls.479 a 481), Celso Selias Vaz (fls.482 a 485), Nilton Néri Stulp (fls.486 a 489) e Ademir Friske Menegassi (fls.490 a 493), sendo estes três últimos cientificados de forma pessoal, em 11 de junho de 2012. Em julgamento perante o CARF, os responsáveis incluídos por força da diligência sustentaram não observância do prazo decadencial para inclusão dos responsáveis tributários, uma vez que o fruto da diligência foi notificado após o prazo previsto no art. 173, I, do CTN. De fato, a relação jurídico tributário deve ser descrita pela norma individual e concreta de tributação,abarcado todos os elementos componentes dessa relação, inclusive de sujeição passiva. Nesse sentido, o responsável tributário está dentro do sujeito passivo nos termos do art. 121 do CTN. Vejase o dispositivo: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Na mesma esteira, a notificação do lançamento deve ser feita, dentro do prazo decadencial, ao contribuinte e aos responsáveis eventualmente identificados pela Fiscalização. Leiase o disposto no art. 145 do CTN: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13982.000231/200903 Acórdão n.º 1401001.186 S1C4T1 Fl. 1.315 38 II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. Nesse sentido, se a Autoridade Fiscal pretende incluir responsáveis solidários pela dívida, e os mesmos se caracterizam, nos termos do art. 121 como sujeito passivo da obrigação tributária (inciso II), devese observar o prazo decadencial aplicável, no caso, o art. 173, inciso I do CTN. Trata, o artigo 173, inciso I do CTN, de prazo pra notificação válida do lançamento. No caso dos autos, os termos de sujeição passiva solidária foram lavrados e notificados posteriormente ao prazo de cinco anos, contados segundo o art. 173, inciso I do CTN, por força de diligência realizada no curso do processo administrativo fiscal. . Analogamente, em caso de lançamento complementar, deve ser observado o prazo decadencial para a exigência de valores não alcançados pelo lançamento original. Vejase a jurisprudência administrativa: LANÇAMENTO COMPLEMENTAR. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para lançamento da multa de ofício coincide com o prazo para constituir a obrigação tributária principal, eis que dela é acessória. (Acórdão nº 20401973 do Processo 10675003549200247 ) AUTO DE INFRAÇÃO COMPLEMENTAR CABIMENTO PRAZO PARA O LANÇAMENTO Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à parte modificada (§ 3o, do art. 18, do Dec. nº 70.235, de 1972, com a redação dada pelo artigo 1o da Lei no 8.748, de 1993). No entanto, o aperfeiçoamento do lançamento de ofício limitase temporalmente, vez que somente pode ocorrer enquanto não ultrapassado o prazo determinado para que a Fazenda Pública efetue o lançamento, conforme exposto no parágrafo único, do artigo 149 do CTN (Acórdão nº 10614542 do Processo 11020003565200388) Convém ressaltar que eventual ausência de referida responsabilização no ato de formalização da relação jurídico tributária não impede que o Poder Judiciário promova eventual redirecionamento da ação de execução, fazendo incluir responsáveis tributários que não constam do lançamento originário, como bem dispõe a jurisprudência colacionada pelo voto proferido pelo Relator. Vejase: O redirecionamento pode acontecer a qualquer tempo, enquanto a execução fiscal estiver pendente. Há, contudo, de respeitar o prazo de prescrição da obrigação tributária em relação àquele que não figura ainda como parte no processo. Assim, a Fazenda tem, segundo jurisprudência do STJ, o prazo de cinco anos, contados da citação da pessoa jurídica devedora, para promover o redirecionamento da execução fiscal contra os responsáveis tributários relacionados no art. 135, III, do CTN (STJ, Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13982.000231/200903 Acórdão n.º 1401001.186 S1C4T1 Fl. 1.316 39 2ª T., Resp 205.887/RS, Rel. Min. João Otávio de Noronha, ac. De 1942005, RSTJ, 196:170; STJ, 1ª Seção, Emb. Div. no Resp 41.958/SP, Rel. p/ acórdão Min. Peçanha Martins, ac. De 6121999, DJU, 28 ago, 2000, p. 51; STJ, 2ª T., Resp 142.397/SP, Rel. Min. Ari Pargendler, ac. De 1691997, DJU, 6 out. 1997, p. 49955). Trata, referido julgado, de prazo prescricional aplicável à ação de execução fiscal, e não ao prazo decadencial de formalização da relação jurídico tributária de lançamento, discutida no presente processo. Resumindo: em diligência foram arrolados novos responsáveis solidários aos autos, por meio da emissão do Termo de Sujeição Passiva Solidária. os Srs. Celso Selias Vaz, Milton Néri Stulp e Ademir Friske Menegassi que cientificados de forma pessoal, em 11.06.2012 e como o lançamento referese a 2005, o prazo de cinco anos para a Fazenda Pública constituir o crédito pelo lançamento de ofício foi alcançado pela decadência em relação a eles. Diante do exposto, o entendimento majoritário da Turma Julgadora foi no sentido de entender aplicável o artigo 173, inciso I do CTN ao redirecionamento pretendido na diligência, sem prejuízo de que o Poder Judiciário promove referida responsabilização. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator para Formalização do Voto Vencedor Fl. 1316DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10768.720811/2007-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2004
SOLUÇÃO DE CONSULTA. EFEITOS.
Cancela-se a glosa do ressarcimento quando comprovado que o contribuinte agiu seguindo orientação dada em solução de consulta eficaz, relativa ao próprio contribuinte.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 3402-002.719
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente o Dr. Thiago Barbosa Wanderley, OAB/SP nº 307.046-A.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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EFEITOS. Cancelase a glosa do ressarcimento quando comprovado que o contribuinte agiu seguindo orientação dada em solução de consulta eficaz, relativa ao próprio contribuinte. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente o Dr. Thiago Barbosa Wanderley, OAB/SP nº 307.046A. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 72 08 11 /2 00 7- 97 Fl. 532DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Tratase de pedido de ressarcimento do saldo credor de escrita do IPI, formulado com base no art. 11 da Lei nº 9.779/99. A autoridade administrativa efetuou diligência para verificação da legitimidade dos créditos. Glosou os créditos aplicados na fabricação de lubrificantes, porque esses produtos não são alcançados pela imunidade constitucional e são classificados na TIPI como NT. A escrita fiscal foi reconstituída e, após a glosa, os saldos passaram a ser devedores tendo sido lançados de ofício no auto de infração albergado no processo nº 12897.000354/200932. Por meio do despacho decisório, a autoridade administrativa negou o direito creditório, sob o fundamento de que a lei só garante o direito de crédito a produtos imunes, quando a imunidade decorra de exportações. Entende a autoridade administrativa que a imunidade dos derivados de petróleo não dá direito à manutenção do crédito. Em sede de manifestação de inconformidade, o contribuinte alegou, em síntese, o seguinte: a) o crédito do IPI utilizado na DCOMP objeto deste processo, relativo ao 2° trimestre de 2005, foi objeto de lançamento de oficio formalizado por intermédio do processo nº 12897.000354/200932. Concluiu que o crédito tributário exigido neste e naquele processo é o mesmo, o que enseja o cancelamento da cobrança consubstanciando ainda lançamento em duplicidade; b) que “a Requerente comercializa óleo lubrificante derivado do petróleo cuja operação de saída é desonerada do IPI em decorrência da Imunidade Constitucional, e, óleo lubrificante não derivado do petróleo em que a operação de saída é normalmente tributada pelo aludido imposto”; c) que a redação do art. 11 da Lei nº 9.779/99 e do art. 4° da IN SRF nº 33/99 permitiram a utilização dos créditos do IPI decorrentes das aquisições de insumos aplicados na fabricação dos produtos imunes, isentos, ou tributados à alíquota zero; d) que, apesar da clareza da redação dos dispositivos mencionados, a empresa formalizou, em 15/10/2003, processo de Consulta à Legislação Tributária perante a 7ª Região Fiscal (processo nº 13707.002630/200364 cópia às fls. 233 a 238), consulta essa que foi decidida favoravelmente à interessada em 10/12/2003, sendolhe afirmado o direito ao crédito do IPI, a partir de 01/01/1999, nas aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos imunes (fls. 226 a 232); e) que a notação NT conferida na TIPI aos óleos lubrificantes das posições 2710.1931 e 2710.1932 decorre da imunidade conferida pelo art. 155, § 3°, da CF/88; f) que o ADI SRF nº 05/2006 é inconstitucional e ilegal, mas, ainda que legal fosse, não poderia ser aplicado retroativamente, em razão de a Impugnante encontrarse protegida por solução de consulta decidida a seu favor. A DRJ Juiz de Fora julgou procedente a impugnação que o contribuinte apresentou contra o auto de infração albergado no processo nº 12897.000354/200932, pois Fl. 533DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10768.720811/200797 Acórdão n.º 3402002.719 S3C4T2 Fl. 5 3 entendeu que a Solução de Consulta específica garantiu à empresa o direito ao crédito de IPI sobre os produtos imunes. Entretanto, a ilustre relatora do processo em primeira instância, a então julgadora Mônica Monteiro Garcia de los Rios, hoje integrante do CARF, entendeu que naquele momento não poderia repercutir o teor daquela decisão no presente processo de ressarcimento, pelos seguintes motivos: a) o art. 19 da IN nº SRF 210/2002 impede o ressarcimento na pendência de processo judicial ou administrativo cujo resultado possa alterar o valor a ser ressarcido; b) a decisão do auto de infração albergado no processo nº 12897.000354/200932, embora prejudicial a este pedido de ressarcimento, não pode ser aplicada de imediato a este processo, pois está sujeita a recurso de ofício ao CARF. Regularmente notificado da decisão de primeira instância em 16/12/2010, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 06/11/2011, no qual reprisou as alegações de primeira instância e contestou pontos específicos do voto da relatora. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. É evidente que o contribuinte está amparado por solução de consulta por ele formulada, a qual lhe garantiu o direito aos créditos de IPI e ao ressarcimento solicitado nestes autos. Eis a conclusão da Solução de Consulta 7ªRF/DISIT/ 394/2003: (...) 12. Isto posto, soluciono a presente consulta de forma favorável à consulente para esclarecer que as indústrias de produtos imunes, pelas entradas de insumos ocorridas a partir de 1° de janeiro de 1999, passaram a ter direito ao creditamento do IPI. O saldo de créditos excedentes pode, em cada trimestre, ser utilizado para compensação de dívidas próprias relativas a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. A compensação é efetuada pelo próprio contribuinte em sua escrita e formalizada mediante declaração, seja por meio eletrônico nas hipóteses do art. 2°, V, da IN 230/2003; seja por formulário nas demais." Fl. 534DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 A leitura do excerto acima não deixa nenhuma dúvida: a Administração Tributária respondeu ao contribuinte que ele tinha o direito de se creditar do IPI em relação a insumos aplicados na fabricação de produtos imunes, sem nenhuma ressalva. Nesse passo, não restou outra solução à DRJ Juiz de Fora a não ser cancelar o auto de infração lavrado contra o contribuinte, o que foi feito por meio do Acórdão nº 09 26.988 de 09 de novembro de 2009. Tendo em vista que o referido julgado estava sujeito ao recurso de ofício, a "Sra. Relatora" não tinha mesmo como repercutir tal decisão no presente processo de ressarcimento, pois o CARF poderia muito bem prover o recurso de ofício. Além disso, o art. 19 da IN nº SRF 210/2002, também impedia o ressarcimento no caso concreto. Entretanto, o recurso de ofício no processo nº 12897.000354/200932 foi negado por meio do Acórdão nº 330301.429, que recebeu a seguinte ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração:15/07/2004 a 30/09/2005 RECURSO DE OFÍCIO. EXONERAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Correta a exoneração de crédito tributário decorrente de glosa de créditos escriturais de IPI cuja escrituração e aproveitamento foram efetuados com amparo em solução de consulta efetuada pelo próprio contribuinte. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO. É inequívoco que a sorte deste processo de ressarcimento está umbilicalmente vinculada ao resultado do lançamento de ofício albergado no processo 12897.00354/200932. Portanto, se o lançamento de ofício foi julgado improcedente pelas instâncias administrativas de julgamento, a apuração original do contribuinte deve ser considerada correta, fato do qual decorre a improcedência da glosa do ressarcimento efetuada neste processo. Com esses fundamentos, voto no sentido de dar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 535DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10768.720811/200797 Acórdão n.º 3402002.719 S3C4T2 Fl. 6 5 Fl. 536DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000451/2005-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002, 01/10/2002 a 31/12/2002, 01/01/2003 a 31/03/2003, 01/04/2003 a 30/06/2003, 01/07/2003 a 30/09/2003, 01/10/2003 a 31/12/2003, 01/01/2004 a 31/03/2004, 01/04/2004 a 30/06/2004
MULTA DE OFÍCIO DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NOVA REDAÇÃO DA NORMA COMINANDO PENALIDADE MENOS SEVERA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA.
Diante de litígio não definitivamente julgado, deverá ser aplicada retroativamente a norma que "comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática" (Código Tributário Nacional, artigo 106, inciso II, "c").
Recurso ao qual se dá parcial provimento.
Numero da decisão: 3301-002.714
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002, 01/10/2002 a 31/12/2002, 01/01/2003 a 31/03/2003, 01/04/2003 a 30/06/2003, 01/07/2003 a 30/09/2003, 01/10/2003 a 31/12/2003, 01/01/2004 a 31/03/2004, 01/04/2004 a 30/06/2004 DIF PAPEL IMUNE. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DE NOVA SANÇÃO ESPECÍFICA E MENOS GRAVOSA. LEGITIMIDADE. É legítima a formalização de auto de infração para exigência de multa pela inexistência de apresentação ou pela apresentação em atraso da DIF Papel Imune. Não obstante, tratandose de ato não definitivamente julgado, e considerando a edição de nova norma menos severa que trata especificamente da sanção em comento, deverá ser aplicada, retroativamente, a nova penalidade capitulada no § 4º do artigo 1º da Lei nº 11.945, de 04/11/2009. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002, 01/10/2002 a 31/12/2002, 01/01/2003 a 31/03/2003, 01/04/2003 a 30/06/2003, 01/07/2003 a 30/09/2003, 01/10/2003 a 31/12/2003, 01/01/2004 a 31/03/2004, 01/04/2004 a 30/06/2004 MULTA DE OFÍCIO DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NOVA REDAÇÃO DA NORMA COMINANDO PENALIDADE MENOS SEVERA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. Diante de litígio não definitivamente julgado, deverá ser aplicada retroativamente a norma que "comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática" (Código Tributário Nacional, artigo 106, inciso II, "c"). Recurso ao qual se dá parcial provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 04 51 /2 00 5- 98 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3ª Turma da DRJ Juiz de Fora (fls. 64/69 da cópia digitalizada do eprocesso doravante utilizada como padrão de referência), a qual, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração lavrado contra a interessada, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002, 01/10/2002 a 31/12/2002, 01/01/2003 a 31/03/2003, 01/04/2003 a 30/06/2003, 01/07/2003 a 30/09/2003, 01/10/2003 a 31/12/2003, 01/01/2004 a 31/03/2004, 01/04/2004 a 30/06/2004 DIFPAPEL IMUNE. FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A nãoapresentação ou a apresentação da DIFPapel Imune após os prazos estabelecidos para a entrega dessa declaração, sujeita o contribuinte à imposição da multa prevista no artigo 57 da MP 2.15835. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Contra o contribuinte retro qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 04/10 para exigência de Multa no valor de R$ 246.000,00, decorrente da falta ou atraso na entrega da Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIFPapel Imune), relativamente aos trimestres 3º e 4º/2002, 1º ao 4º/2003, 1º e 2º/2004. O lançamento foi amparado nos dispositivos legais relacionados na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do Auto de Infração (fl. 05), merecendo destaque o art. 16 da Lei nº 9.779/99 e o art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, bem como os arts. 212 e 505 do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI/2002) e os arts. 1º e 10 da IN SRF Nº 71/2001. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 14041.000451/200598 Acórdão n.º 3301002.714 S3C3T1 Fl. 83 3 Após ciência do Auto de Infração por via postal, em 09/06/2005 (fl. 10 v) e inconformado com o lançamento, apresentou o contribuinte, em 07/07/2005, a impugnação de fl. 14, na qual, argumenta, em síntese que: 1º) é empresa optante pelo Simples; 2º) todas as declarações foram entregues em tempo hábil; 3º) a multa aplicada é descomunal a seu faturamento, não sendo possível satisfazer economicamente tal exigência. Cientificada do indeferimento de seu pleito em 02/05/2008 uma sextafeira (v. fls. 70 e 72), a autuada, em 02/06/2008, apresentou o recurso voluntário de fls. 73 onde reitera os argumentos aduzidos em sua impugnação. Diante do exposto, requer seja dado provimento ao seu recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso é tempestivo e merece ser conhecido por preencher os demais requisitos necessários à sua admissibilidade. Conforme relatado, vêse que a ação fiscal foi instaurada para a verificação do cumprimento de obrigações acessórias relativas à apresentação da DIF Papel Imune. Constatada a entrega de declarações fora dos prazos estabelecidos (último dia útil dos meses de abril, julho, outubro e janeiro, referentes aos 1º, 2º, 3º e 4º trimestres, respectivamente), a fiscalização lavrou o correspondente auto de infração, tendo já considerado, na apuração do montante exigido, a redução de 70% prevista no parágrafo único do artigo 57 da Medida Provisória nº 2.15835, por se tratar de empresa optante do SIMPLES (redução de R$ 5.000,00 para R$ 1.500,00 por mês calendário de atraso). Pelas razões expostas de forma minudente na decisão recorrida, resta evidente que a multa aplicada contra o sujeito passivo é devida, em vista do efetivo descumprimento do prazo para apresentação de obrigação acessória. No mais, relativamente à alegada desproporcionalidade da exação, vale lembrar que o aplicador da lei, diante da norma existente no mundo jurídico, deverá aplicála obrigatoriamente por força do art. 116, inciso III, da Lei 8.112/90, preceito o qual se repete no artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22/06/2009. Não obstante, a realidade fática demonstra haver espaço para aplicação da retroatividade benigna capitulada no artigo 106, inciso II, "c" do CTN, o qual, diante de ato não definitivamente julgado, determina a aplicação retroativa da norma que "comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática". Conforme relatado, a multa foi calculada considerandose a redação então vigente do parágrafo único do artigo 57 da Medida Provisória nº 2.15835, que reduzia em 70% Fl. 84DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 4 a multa de R$ 5.000,00 na hipótese de a pessoa jurídica ser optante pelo SIMPLES. Assim, a multa de R$ 5.000,00 passou a ser de R$ 1.500,00, por mês calendário. Todavia, o preceito em comento foi alterado contemplando a redução das multas pelo mesmo disciplinadas, no seguinte sentido: Art. 57. O sujeito passivo que deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 19991, ou que as cumprir com incorreções ou omissões será intimado para cumprilas ou para prestar esclarecimentos relativos a elas nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) I por apresentação extemporânea: (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que estiverem em início de atividade ou que sejam imunes ou isentas ou que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido ou pelo Simples Nacional; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às demais pessoas jurídicas; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) c) R$ 100,00 (cem reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas físicas; (Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013) II por não cumprimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil para cumprir obrigação acessória ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela autoridade fiscal: R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) III por cumprimento de obrigação acessória com informações inexatas, incompletas ou omitidas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) a) 3% (três por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta; (Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013) b) 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento), não inferior a R$ 50,00 (cinquenta reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa física ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. (Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013) § 1º Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional, os valores e o percentual referidos nos incisos II e III deste artigo serão reduzidos em 70% (setenta por cento). (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) 1 Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 14041.000451/200598 Acórdão n.º 3301002.714 S3C3T1 Fl. 84 5 § 2º Para fins do disposto no inciso I, em relação às pessoas jurídicas que, na última declaração, tenham utilizado mais de uma forma de apuração do lucro, ou tenham realizado algum evento de reorganização societária, deverá ser aplicada a multa de que trata a alínea b do inciso I do caput. (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) § 3º A multa prevista no inciso I do caput será reduzida à metade, quando a obrigação acessória for cumprida antes de qualquer procedimento de ofício. (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) § 4º Na hipótese de pessoa jurídica de direito público, serão aplicadas as multas previstas na alínea a do inciso I, no inciso II e na alínea b do inciso III. (Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013) (grifos nossos) Como se vê, a multa inerente à apresentação extemporânea de obrigação acessória foi reduzida para R$ 500,00, por mêscalendário, para as pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES (bem como para aquelas tributadas com base no lucro presumido) inciso I, alínea "a", do artigo 57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Portanto, poderia se cogitar do recálculo da multa objeto do lançamento considerando a nova redação objeto do inciso I, alínea "a", do artigo 57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, equivalente ao valor mensal de R$ 500,00 por mêscalendário de atraso, de sorte que o crédito tributário a ser mantido, segundo a nova redação do preceito em evidência, corresponderia a R$ 82.000,00, conforme demonstrado abaixo: Período Meses em atraso Valor lançado Recálculo em vista da retroatividade benigna (crédito mantido) Valor exonerado 3º trim/2002 31 46.500,00 15.500,00 31.000,00 4º trim/2002 28 42.000,00 14.000,00 28.000,00 1º trim/2003 25 37.500,00 12.500,00 25.000,00 2º trim/2003 22 33.000,00 11.000,00 22.000,00 3º trim/2003 19 28.500,00 9.500,00 19.000,00 4º trim/2003 16 24.000,00 8.000,00 16.000,00 1º trim/2004 13 19.500,00 6.500,00 13.000,00 2º trim/2004 10 15.000,00 5.000,00 10.000,00 Totais 246.000,00 82.000,00 164.000,00 Não obstante, cumpre destacar que já em 2008, com a edição da Medida Provisória nº 451, de 15/12/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.945, de 04/11/2009, a conduta, anteriormente sancionada com base na sistemática geral preconizada pela MP nº 2.15835, passou a ser tratada de forma específica, já que, mediante a citada Lei nº 11.945/09, a União começou a tratar de forma especial do registro de atividades de comercialização e importação de papel, inclusive com a cominação de uma sanção exclusiva para o caso da não apresentação da correspondente declaração. Nesse sentido, o artigo 1º da norma em evidência: Art. 1º Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: Fl. 86DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 6 I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. § 1º A comercialização do papel a detentores do Registro Especial de que trata o caput deste artigo faz prova da regularidade da sua destinação, sem prejuízo da responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que, tendo adquirido o papel beneficiado com imunidade, desviar sua finalidade constitucional. § 2º O disposto no § 1º deste artigo aplicase também para efeito do disposto no § 2º do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no § 2º do art. 2º e no § 15 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e no § 10 do art. 8º da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. § 3º Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4º O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3º deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. § 5º Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4º deste artigo será reduzida à metade. Como se vê, no caso das micro e pequenas empresas, a nova multa a ser aplicada corresponde a R$ 2.500,00 por declaração prestada fora do prazo legal, sujeita ainda à redução em 50% no caso de informação apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§ 5º do artigo 1º da Lei nº 11.945/09). Portanto, considerando a nova sistemática preconizada pela Lei nº 11.945/09, temse, no caso presente onde o auto de infração abrange 8 (oito) declarações prestadas com atraso , que o crédito tributário a ser mantido corresponde a R$ 20.000,00 (vinte mil reais). Conforme adiantado linhas acima, no que concerne ao prosseguimento da exigência de penalidade cuja fundamentação legal não mais se encontre em vigência, ou Fl. 87DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 14041.000451/200598 Acórdão n.º 3301002.714 S3C3T1 Fl. 85 7 alteração legislativa posterior tenha reduzido a sua gravidade, dispõe o artigo 106 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional), a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desse modo, tratandose a espécie dos autos de ato não definitivamente julgado, cuja conduta a lei nova passou a cominar penalidade menos severa, penso que a multa lavrada contra o sujeito passivo, no montante de R$ 246.000,00, deverá ser reduzida para R$ 20.000,00, pelas razões acima desenvolvidas. Da conclusão Por todo o exposto, voto para dar parcial provimento ao recurso, para manter a multa objeto dos autos no montante de R$ 20.000,00 (vinte mil reais). Sala de sessões, em 09 de dezembro de 2015. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 88DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Numero do processo: 16349.720102/2011-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO.
A multa isolada aplicada é consequência do julgamento do pedido de compensação, entendido pela autoridade fiscal como não declarado. Nos termos do artigo 4º, inciso I, do RICARF compete à Terceira Seção do CARF julgar recurso de ofício contra penalidade decorrente de compensação envolvendo créditos de PIS.
DECLINADA COMPETÊNCIA À TERCEIRA SEÇÃO.
Numero da decisão: 1103-001.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, declinar competência para a Terceira Seção de Julgamento.
ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA - Presidente.
BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: Breno Ferreira Martins Vasconcelos
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO. A multa isolada aplicada é consequência do julgamento do pedido de compensação, entendido pela autoridade fiscal como não declarado. Nos termos do artigo 4º, inciso I, do RICARF compete à Terceira Seção do CARF julgar recurso de ofício contra penalidade decorrente de compensação envolvendo créditos de PIS. DECLINADA COMPETÊNCIA À TERCEIRA SEÇÃO.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1818; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 201 1 200 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16349.720102/201113 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 1103001.095 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 26 de agosto de 2014 Matéria MULTA ISOLADA DCOMP CRÉDITOS DE DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SUPERMERCADOS BERGAMINI LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO. A multa isolada aplicada é consequência do julgamento do pedido de compensação, entendido pela autoridade fiscal como não declarado. Nos termos do artigo 4º, inciso I, do RICARF compete à Terceira Seção do CARF julgar recurso de ofício contra penalidade decorrente de compensação envolvendo créditos de PIS. DECLINADA COMPETÊNCIA À TERCEIRA SEÇÃO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, declinar competência para a Terceira Seção de Julgamento. ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Presidente. BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 72 01 02 /2 01 1- 13 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 30/10/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALO YSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16349.720102/201113 Acórdão n.º 1103001.095 S1C1T3 Fl. 202 2 Relatório LANÇAMENTO O presente processo administrativo fiscal decorre de auto de infração lavrado para a imposição de multa isolada, com fundamento no artigo 18, §4º, da Lei nº 10.833/03. Em 02/07/2009, a recorrente deu início ao processo administrativo fiscal nº 12157.000401/200910 visando o controle de débitos de IRPJ, CSLL e Cofins compreendidos no período de 01/2004 a 01/2008, indicados pelo contribuinte em DCTF com a exigibilidade suspensa em razão de crédito de contribuição ao PIS a compensar. O crédito de contribuição ao PIS, por sua vez, decorria do Mandado de Segurança nº 2000.61.00.04.15055, cuja decisão judicial à época não havia transitado em julgado. Na mesma data, a Equipe de Análise e Acompanhamento de Medidas Judiciais e Controle do Crédito Tributário Sub Judice da DERAT/SPO proferiu o despacho de fls. 64, em que propôs a expedição de carta cobrança dos débitos controlados no PAF, porque (i) não identificado provimento judicial que embasasse a suspensão da exigibilidade dos débitos, os quais (ii) não poderiam ser compensados com o crédito de contribuição ao PIS objeto do Mandado de Segurança por limitação expressa da sentença, que permitia sua compensação apenas com débitos da mesma exação. A carta cobrança foi emitida em 02/07/2009 (fls. 77). Em 07/08/2009, o contribuinte protocolou pedido de restituição, via formulário, do crédito de PIS reconhecido no âmbito do Mandado de Segurança, originando o PAF nº 11610.007253/200999 (fls. 184 a 192). Ato seguinte, no dia 10/08/2009 apresentou a declaração de compensação eletrônica PER/DCOMP nº 24885.09750.100809.1.3.047770 (fls. 82 a 87), intentando a compensação do crédito objeto do pedido de restituição protocolado em 07/08/2009 com os débitos de IRPJ, CSLL e Cofins controlados no PAF nº 12157.000401/200910. Após o vencimento da carta cobrança emitida no âmbito do PAF nº 12157.000401/2009 10, os débitos controlados de IRPJ, CSLL e Cofins (vencimento de 01/2004 a 01/2008) foram inscritos em dívida ativa no dia 24/08/2009 (CDAs nºs 80.6.09.027.36563, 80.6.09.09.02736482, às fls. 88 a 95). Os débitos inscritos em dívida foram incluídos no parcelamento da Lei nº 11.941/09, conforme pedido de parcelamento protocolado em 16/08/2010 (PAF nº 11610.006385/201037 às fls. 96 a 152). Em 28/07/2010 foi proferido o Despacho Decisório de fls. 09 a 13 no PAF nº 11610.007253/200999, por meio do qual a DERAT/SPO julgou o pedido de restituição não formulado e a declaração de compensação eletrônica (PER/DCOMP nº 24885.09750.100809.1.3.047770) não declarada, sob o fundamento de não terem sido Fl. 203DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 30/10/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALO YSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16349.720102/201113 Acórdão n.º 1103001.095 S1C1T3 Fl. 203 3 preenchidos os requisitos legais exigidos para a apresentação de pedido de restituição e de declaração de compensação que tenham por objeto créditos reconhecidos em provimento judicial, quais sejam, (i) a habilitação do crédito perante a Receita Federal, mediante Pedido de Habilitação de Crédito Decorrente de Decisão Judicial Transitada em Julgado, submetido após (ii) o trânsito em julgado da decisão que o reconheceu. O contribuinte apresentou pedido de arquivamento do PAF nº 11610.007253/200999 (originado pelo pedido de restituição) em 21/09/2010, sustentando que o processo administrativo teria perdido seu objeto em face da inscrição em dívida ativa dos débitos a compensar (débitos controlados no PAF nº 12157.000401/200910), após a análise do pedido de restituição, e posterior inclusão em programa de parcelamento. Em decorrência do Despacho Decisório proferido no PAF nº 11610.007253/200999, que julgou a Declaração de Compensação (PER/DCOMP nº 24885.09750.100809.1.3.047770) como não declarada, a autoridade fiscal lavrou o Auto de Infração e Imposição de Multa originário do presente processo administrativo fiscal, para a cobrança de penalidade que tem como pressuposto a compensação considerada não declarada, conforme disposição do artigo 18, §4º, da Lei nº 10.833/03, in verbis: Lei nº 10.833/03 Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. § 4º Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1º, quando for o caso. Lei nº 9.430/96 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: II em que o crédito: d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou Conforme Aviso de Recebimento às fls. 15, o contribuinte foi cientificado do Auto de Infração em 29/11/2011. Em 27/12/2011 o contribuinte apresentou sua impugnação sustentando a improcedência da autuação, alegando, em síntese, que (i) a declaração de compensação não teria produzido efeitos, pois os débitos que visava compensar foram inscritos em dívida ativa, (ii) é equivocada a fundamentação da penalidade, pois no despacho decisório proferido no PAF nº Fl. 204DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 30/10/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALO YSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16349.720102/201113 Acórdão n.º 1103001.095 S1C1T3 Fl. 204 4 12157.000401/200910 (controle de débitos de IRPJ, CSLL e Cofins), acostado aos autos às fls. 64, há a informação de que a decisão [proferida no Mandado de Segurança nº 2000.61.00.04.15055] transitou em julgado para o contribuinte em 16/08/2006, não havendo que se falar em compensação não declarada com fundamento no artigo 74, §12, II, “d”, da Lei nº 9.430/96 e (iii) a manutenção da multa aplicada viola os princípios da proporcionalidade e da finalidade. ACÓRDÃO DA DRJ A 5ª Turma da DRJ/SP1 proferiu o Acórdão nº 1640.919, em que julgou a defesa do contribuinte procedente para cancelar a autuação nos seguintes termos: (...) Em 07/08/2009, o contribuinte, por entender que tinha direito de compensar os créditos de PIS na forma do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, solicitou administrativamente, através do no processo nº 11610.007253/200999, a restituição do “CREDITO DECORRENTE DE RECOLHIMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DO PIS EXIGIDO POR FORÇA DOS DECRETOS 2.445/88 E 2.449/88 CUJA AUTORIZAÇÃO PARA RESTITUIÇÃO RESTOU CONSIGNADA NOS AUTOS DO PROCESSO NUMERO 2000.61.00.0415055 QUE DETERMINOU A CORREÇÃO DOS VALORES PELOS ÍNDICES OFICIAIS DETERMINADOS PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL”. Em 10/08/2009, a interessada transmitiu a DCOMP nº 24885.09750.100809.1.3.047770 com a finalidade de compensar os débitos exigidos no processo nº 12157.000401/200910 com o crédito solicitado no processo nº 11610.007253/200999. Neste ponto cumpre observar que o contribuinte não informou de forma correta os débitos controlados no processo nº 12157.000401/200910. Como pode ser verificado às fls. 84 e 85 os débitos compensados correspondem ao IRPJ, COFINS e CSLL, apurados respectivamente no 2º trimestre de 2009, julho de 2009 e 2º trimestre de 2009. É verdade que a interessada vincula os débitos em tela ao processo nº 12157.000401/200910, que controla débitos de IRPJ, COFINS e CSLL, relativos aos períodos de apuração compreendidos entre 01/2004 e 01/2008. No entanto a forma como os débitos foram informados, torna a DCOMP ineficaz, visto que, a falta de individualização impossibilita a suspensão da exigibilidade dos débitos controlados no processo nº 12157.000401/200910. Tanto é verdade que, em 24/08/2009, os mesmos foram inscritos na Dívida Ativa da União (Doc. 6 fls. 87 a 94). Na mesma esteira a DCOMP também não se presta para fins de inscrição dos débitos na Dívida Ativa da União, visto que, os débitos correspondentes ao ano de 2009 não existem e em prevalecendo a informação de que seriam os débitos do processo nº Fl. 205DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 30/10/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALO YSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16349.720102/201113 Acórdão n.º 1103001.095 S1C1T3 Fl. 205 5 12157.000401/200910, os mesmos não seriam admitidos por configurar duplicidade de execução. Assim considerando que o débito confessado pelo contribuinte na DCOMP nº 24885.09750.100809.1.3.047770 não possui os atributos de liquidez e certeza não é possível aplicar a multa prevista no artigo 18, § da Lei 10.833/2003, com redação dada pelo artigo 18 da Lei nº 11.488/2007. Art. 18 da Lei 10.8338/2003 (...) § 4º Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1º, quando for o caso. Por fim deve ser observado, ainda, que a leitura da petição que acompanhou o pedido de restituição formulado no processo nº 11610.007253/200999, cuja cópia anexo às fls. 183 a 191, dá margem a dúvida quanto à real intenção do contribuinte. É possível inferir que em face da limitação imposta pela sentença judicial o contribuinte estaria solicitando a restituição pela via administrativa o que descaracterizaria a motivação do lançamento (DCOMP calcada em decisão judicial não transitada em julgado). Neste caso o pedido de restituição seria considerado Procedente ou Improcedente e a DCOMP Homologada ou Não Homologada. Diante do exposto, voto no sentido de considerar a impugnação PROCEDENTE e por conseqüência exonerar na integra o crédito tributário exigido. (grifamos) De acordo com os artigos 34 do Decreto 70.235/72 e 1º da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, esse acórdão foi desafiado por recurso de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos Estando presente a hipótese descrita pelo art. 34, I do Decreto nº 70.235/72 e pela Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, pois a decisão da DRJ exonerou a recorrida do pagamento de crédito tributário em valor total superior a R$1.000.000,00, conheço do recurso de ofício. A numeração de fls. indicada neste voto é a do eprocesso. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 30/10/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALO YSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16349.720102/201113 Acórdão n.º 1103001.095 S1C1T3 Fl. 206 6 Como relatado, a autuação fiscal objeto do presente processo administrativo foi lavrada visando a imposição de multa isolada decorrente de compensação eletrônica de créditos de PIS com débitos de IRPJ, CSLL e Cofins, considerada não declarada pela autoridade fiscal. Figurando como norma disciplinadora de competência, o artigo 7º, §1º, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho (Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009 RICARF) prevê que será competente para o julgamento dos processos administrativos que versem sobre compensação a Seção que detenha a competência para apreciar litígios afetos ao crédito alegado. Senão vejamos: Art. 7° Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. § 1° A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção (grifamos) Não obstante a ausência de previsão expressa no Regimento para os processos que compreendam apenas o lançamento de multa isolada, em esforço interpretativo concluise que, sendo a sanção imposta desdobramento da declaração de compensação, a definição da competência para a sua apreciação seguirá a mesma regra estabelecida para os processos administrativos de compensação. Com efeito, a regra sancionatória configura norma secundária, que em uma relação de antecedente e consequente é extraída do descumprimento da norma primária, prescritora de um ato ou fato de possível concretização. Vale dizer: a norma primária tem em sua hipótese a conotação de um fato de possível ocorrência, ao passo que a hipótese da norma secundária descreve a inobservância da conduta prescrita na consequência da primeira (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. São Paulo, Ed. Saraiva, 22ª Edição, 2010, pág. 581). Nessa toada, a penalidade aplicada sob a capitulação indicada no Auto é verdadeira consequência do julgamento do pedido de compensação, entendido pela autoridade fiscal como não declarado. Dessa forma, a decisão sobre a manutenção ou não da autuação não se esgota no exame do processo sancionatório, sendo necessário, antes, analisar o processo de compensação a fim de verificar se a norma primária foi ou não descumprida. Nesse sentido é a decisão lavrada pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção deste Conselho Administrativo, no processo administrativo nº 15578.720005/201156, caso análogo ao presente: Apesar de a multa isolada em questão ser apurada com base nos valores dos débitos informados nas DCOMP, o julgamento sobre o direito creditório é que norteará a procedência (ou não) dessa penalidade: se reconhecido o crédito e homologada a compensação, a multa isolada será cancelada; do contrário, a penalidade subsistirá. Daí caber atribuir a competência à mesma seção habilitada ao julgamento do crédito, apesar de o RICARF não prevê, Fl. 207DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 30/10/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALO YSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16349.720102/201113 Acórdão n.º 1103001.095 S1C1T3 Fl. 207 7 expressamente, a hipótese do julgamento em tela (de auto de infração pela multa isolada decorrente de compensação indevida, em processo apartado das DCOMP que originou autuação). (Acórdão nº 3401002.198, Rel. Cons. Emanuel Carlos Dantas de Assis, sessão de julgamento de 20 de março de 2013) Entendo, portanto, que o julgamento da multa isolada colhida pelo presente processo deve ser realizado pela Terceira Seção, competente para a apreciação do crédito de PIS cuja compensação foi pretendida no PAF nº 11610.007253/200999 e no PERD/DCOMP nº 24885.09750.100809.1.3.047770, nos termos do artigo 4º, inciso I, do RICARF. Pelo exposto, voto por DECLINAR a competência para julgamento do recurso de ofício à Terceira Seção. Conclusão Em face das razões acima expostas, declino a competência para julgamento do recurso de ofício à Terceira Seção. Breno Ferreira Martins Vasconcelos Relator Fl. 208DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 30/10/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALO YSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 11634.000206/2009-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
Ementa:
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ARTIGO 62, §2º, DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Não havendo antecipação do pagamento, o prazo de decadência tem como termo "a quo" o primeiro dia do exercício seguinte (artigo 173, I, do CTN), e não do fato gerador (artigo 150, §4º, do CTN).
NULIDADE. LANÇAMENTO. BASE DE CÁLCULO.
Eventual equívoco na apuração da base de cálculo não nulifica o lançamento, posto que se trata de matéria de mérito sujeita à apreciação em julgamento administrativo.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-003.100
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir da base de cálculo da CIDE o Imposto de Renda retido pela empresa, vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Araújo e Ricardo Paulo Rosa que negavam provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
EDITADO EM: 22/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2011; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11634.000206/200946 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.100 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de março de 2016 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO CIDE Recorrente VIVO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Ementa: CIDEREMESSAS. REMESSA PARA RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR. INCIDÊNCIA. O pagamento, o creditamento, a entrega, o emprego ou a remessa de royalties, a qualquer título, a residentes ou domiciliados no exterior corresponde à hipótese de incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico criada pela Lei 10.168/2000, com as alterações da Lei 10.332/2001. CIDE. BASE DE CÁLCULO. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. Nos termos do art. 2º da Lei nº. 10.168/2000, a base de cálculo da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE corresponde exclusivamente à quantia efetivamente remetida ao exterior a título de remuneração, o que não inclui os valores recolhidos a título de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Ementa: DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ARTIGO 62, §2º, DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Não havendo antecipação do pagamento, o prazo de decadência tem como termo "a quo" o primeiro dia do exercício seguinte (artigo 173, I, do CTN), e não do fato gerador (artigo 150, §4º, do CTN). NULIDADE. LANÇAMENTO. BASE DE CÁLCULO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 02 06 /2 00 9- 46 Fl. 3520DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO 2 Eventual equívoco na apuração da base de cálculo não nulifica o lançamento, posto que se trata de matéria de mérito sujeita à apreciação em julgamento administrativo. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir da base de cálculo da CIDE o Imposto de Renda retido pela empresa, vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Araújo e Ricardo Paulo Rosa que negavam provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. EDITADO EM: 22/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcreve o relatório do acórdão de piso nº 0623.734: "Em decorrência de ação fiscal desenvolvida junto à empresa qualificada, foi lavrado o auto de infração de fls. 3089/3096, que exige o recolhimento de R$ 8.235.812,43 de Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico Remessas ao Exterior (CIDERemessas, e R$ 6.176.859,27 de multa de ofício, além dos encargos legais, consoante descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 3092 e 3095, demonstrativo de apuração de fls. 3089/3090, demonstrativo de multa e juros de mora de fls. 3091/3092 e Termo de Verificação Fiscal de fls. 3062/3088. A autuação, cientificada em 13/05/2009, ocorreu devido à falta/insuficiência de recolhimento da CIDE Remessas, relativa aos períodos de apuração 01/2004 a 12/2004. De acordo com o "Termo de Verificação Fiscal TVF", parte integrante do auto de infração, fls. 3062/3088, a contribuinte (que, em 2006, incorporou as empresas listadas na ´tabela 1´de fl. 3063), foi intimada a apresentar uma relação dos valores mensais pagos, creditados, entregues ou remetidos a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, sujeitos à incidência da CIDE Remessas, Fl. 3521DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 11634.000206/200946 Acórdão n.º 3302003.100 S3C3T2 Fl. 3 3 nos termos da Lei nº 10.168, de 2000, da Lei nº 10.332, de 2001, e do Decreto nº 4.195, de 2002. Consta do TVF, também, que, atendendo a nova solicitação fiscal, a contribuinte entregou os documentos de fls. 141/160, relacionando parte das remessas feitas ao exterior. Posteriormente, a contribuinte apresentou os documentos de fls. 161/181, relacionando novamente parte das remessas feitas ao exterior, além de remessas que já haviam sido tributadas pela CIDE Remessas por meio de outro Auto de Infração. Segundo o TVF, em face da não disponibilização, pela contribuinte, de todas as informações relativas às remessas efetuadas, a empresa foi reintimada, tendo atendido em parte, a solicitação. Consoante esclarecido no TVF, em relação aos fatos geradores de 2003 foi constituído, por lançamento fiscal, crédito tributário, no montante de R$ 8.76.238.93, nos termos do processo administrativo nº 11634.001065/200806 ( em relação ao IRRF, também houve constituição de crédito tributário, consoante processo administrativo nº 11634.00066/200842). Posteriormente, em decorrência de novas intimações e reintimações, o contribuinte apresentou novos documento, inclusive relativos a ações judiciais e depósitos judiciais (fls. 3029/3064). Às fls. 3066/3067, na ´tabela 2´, a relação dos contratos analisados e a sua localização no processo. Ás fls. 805 a 3018, foram juntados contratos e comprovantes de remessas internacionais, apresentados pelo contribuinte. No subitem 3.1 do TVF consta que uma parte da exigência, relacionada a contratos firmados pela incorporada Telerj Celular S/A, foi constituído no âmbito de outro processo administrativo (a ´tabela 3´discrimina os contratos respectivos). No subitem 3.2, por sua vez, estão relacionados os contratos (na tabela 5) que serviram de base para o presente lançamento. No subitem seguinte (3.2) e respectivos subitens, estão relacionados os contratos firmados pela incorporado Telesp Celular S/A que serviram de base para o presente e para outros lançamentos. O mesmo ocorre em relação ao subitem 3.3, que se reporta à incorporada Celular CRT S/A, ao subitem 3.4, que se refere às incorporadas Telesergipe Celular S/A e Telebahia Celular S/A, ao subitem 3.5, que se reporta às incorporadas Norte Brasil Telecom S/A, Tele Centro Oeste Cel. Part. S/A, Teleacre Celular S/A, Telegóias Celular S/A, Telemat Celular S/A, Telems Celular S/A e Teleron Celular S/A, e ao subitem 3.6, que se refere à incorporada Telest Celular S/A. O subitem 3.7 cuida da consolidação do crédito tributário, discriminando as parcelas constituídas em outro procedimento (tabela 15), com suspensão de exigibilidade, e as parcelas constantes do presente auto de infração. À fl.3088, o autor do feito informa que, em face da continuidade do procedimento, a fiscalização estaria sendo encerrada parcialmente. Em 26/05/2009, a interessada solicitou cópia integral dos autos, tendo sido atendida em 03/06/2009 (fls.3098). Em 12/06/2009, a contribuinte, por intermédio de procurador habilitado (procurações e cópias de documentos pessoais dos mandatários às fls. 3139/3146), interpôs a impugnação de fls. 3111/3137, instruída com os documentos de fls. Fl. 3522DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO 4 3148/3199 e 3202/3220 (cópia do auto de infração e de seus anexos, e cópia de contratos), cujo teor é sintetizado a seguir. Primeiramente, após discorrer sucintamente sobre os fatos havidos no processo, defende a nulidade do lançamento, por vício substancial insanável, já que, segundo alega, a autuação referese a período já fiscalizado e exigido em outro processo administrativo fiscal, no caso, o processo nº 11634.000513/200846, em fase de julgamento perante esta DRJ em Curitiba. Diz que não restou demonstrada nenhuma causa para a revisão do lançamento (nos termos do art. 149 do CTN) e que, segundo o art. 906 do RIR/99, o segundo exame, em relação ao mesmo exercício, só seria possível mediante ordem escrita de autoridade da Receita Federal. Transcreve a posição do Conselho de Contribuintes e insiste na nulidade do feito. Discorre, ainda, sobre possíveis inconsistências na apuração da base de cálculo da contribuição. Sobre o assunto afirma que no "Demonstrativo dos valores mensais da CIDE a recolher, a fiscalização não logrou êxito em demonstrar os critérios utilizados para apuração das bases. Ocorre que ao invés de considerar o valor líquido das remessas (entendase após a retenção na fonte de IR e demais custos), houve verdadeira majoração da base imponível, sob a rubrica "VR. AJUST. BC; REAIS CIDE RE", de onde se depreende o acréscimo de 17% em média, até 33% em alguns casos. Requer a nulidade do lançamento. A seguir, diz que ocorreu a decadência do direito da Fazenda de exigir débitos de CIDE Remessas anteriores a 13/05/2004. Argumenta que se trata de lançamento por homologação e que a decadência do direito de lançar eventuais diferenças operase em cinco anos contados do fato gerador (art.150, §4º do CTN), estando, a teor do art. 156 do CTN, extinto o crédito tributário. Afirma que os débitos relativos aos períodos de apuração de 01/2004 a 05/2004 teriam sido alcançados pela decadência. Transcreve, a respeito, jurisprudência administrativa. No item seguinte, disserta sobre o aspecto material e sobre a base de cálculo da CIDE Remessas. Transcreve os dispositivos da Lei nº 10.618, de 2000, na redação da Lei nº 10.332, de 2001, e diz restar evidente que a legislação, ao tratar da base de cálculo, "em momento algum se referiu de forma genérica à remessa de quaisquer valores ao exterior, mas deixa patente a necessidade de tais remessas se relacionarem intimamente à transferência de tecnologia ou uso contínuo de marcas (royalties)." Nos subitens seguintes analisa os contratos firmados, e afirma que em nenhum deles a remessa teria sido vinculada à transferência de tecnologia ou ao pagamento de royalties. Salienta, inclusive, que alguns contratos se referem à licença de uso de software, hipótese que estaria expressamente afastada, pela legislação, da incidência da CIDE Remessas (chama a atenção para o disposto no §1º A do art. 2º da Lei nº 10.168, de 200, e afirma que tal dispositivo teria esclarecido o âmbito de validade material da norma instituidora da CIDE Remessas). Ao final, pede a nulidade do auto de infração. Sucessivamente, requer a improcedência do lançamento. Posteriormente, em 10/08/2009, a impugnante apresentou os esclarecimentos adicionais de fls. 3222/3238, onde discorre sobre vários contratos e as remessas internacionais correspondentes e insiste na afirmação de não incidência da CIDE Remessas. Às fls. 3242/3245, juntouse cópia do Termo de Verificação Fiscal relativo ao processo administrativo nº 11634.000513/200846. Fl. 3523DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 11634.000206/200946 Acórdão n.º 3302003.100 S3C3T2 Fl. 4 5 É o relatório" A Delegacia Regional de Julgamento julgou improcedente a impugnação, mantendose o crédito tributário exigido com base nos seguintes fundamentos: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 NULIDADES. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO. REGRA. Nos termos do art. 150, §4º do Código Tributário Nacional, existindo pagamento suscetível de ser homologado, o prazo decadencial deve ser contado a partir da ocorrência do fato gerador, contudo, em não havendo pagamento, a contagem deve ocorrer segundo a regra do art. 173, I, do CTN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO DO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CIDE REMESSAS. BASE DE CÁLCULO. A CIDE Remessas incide sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, por fontes pagadoras domiciliadas no Brasil, a residentes ou domiciliados no exterior, inclusive, quando aplicável, sobre o pertinente valor retido a título de imposto de renda (IRRF), relativamente a contratos que tenham por objeto o fornecimento de tecnologia, a prestação de assistência técnica, a cessão e licença de uso de marcas e a cessão e licença de exploração de patentes. Inconformada com a decisão de piso, a Recorrente intimada em 25.09.2009, interpôs recurso voluntário em 22.10.2009 (fls.3.2603.311), reproduzindo as alegações apresentadas em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Fl. 3524DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO 6 Em síntese apartada, pretende a Recorrente a reforma da decisão de primeira instância com base nos seguintes fundamentos: (i) o lançamento é nulo, posto que (i.1) a autuação referese a período já fiscalizado e exigido em outro processo administrativo fiscal, no caso, o processo nº 11634.000513/200846; e (i.2) a fiscalização não logrou êxito em demonstrar os critérios utilizados para apuração da base de cálculo; (ii) ocorreu a decadência do direito do Fisco de exigir o crédito tributário; (iii) é indispensável a transferência de tecnologia para autorizar a incidência da CIDERoyalties, o que não é o caso dos autos; (iv) não incide CIDERoyalties sobre licença de uso de softwares, nos termos do artigo 2º, da Lei nº 10.168/00; e (v) não há autorização legal para incluir na base de cálculo da CIDEroyalties, valores recolhidos à título de IRRF. Em resumo, são esses os pontos que devem ser analisados. I Preliminar de nulidades I.1 Revisão de lançamento e duplicidade de cobrança Preliminarmente, alega a Recorrente que o lançamento é nulo por ter ocorrido revisão do lançamento. Segundo a Recorrente, nos autos do PAF nº 11634.000513/200846 o fisco já procedera a análise exaustiva acerca da CIDE, levantando as supostas infrações cometidas pela contribuinte, não tendo ali indicado as infrações capituladas nos presentes autos. Argumenta, ainda, que não há pressupostos materiais para revisitação da autoridade fazendária de fatos apurados e já suportados pela incidência do tributo objurgado, pois os fatos autuados já foram convalidados pelo Fisco, que não aventou nenhuma irregularidade quando do primeiro auto de infração. Por fim, discorre sobre as hipóteses de revisão de ofício prevista no artigo 149, do Código Tributário Nacional e sobre a necessidade de ordem escrita da autoridade competente para realização de segundo exame relativo a um mesmo exercício, nos termos do artigo 906, do RIR/99. Sem razão à Recorrente. Ao contrário do que explicitou a Recorrente, o procedimento adotado pela fiscalização para exigência dos débitos aqui discutidos não foram originários de revisão de lançamento, tampouco se confundem com os débitos tratados nos autos do PAF nº 11634.000513/200846. Com efeito, o M.P.F. nº 09.1.02.0020060060286 utilizado pela fiscalização para apuração dos lançamentos realizados pela Recorrente, foi encerrado parcialmente para primeiro constituir os débitos exigidos no processo nº 11634.000513/2008 46 (débitos estes que não se confundem com os aqui tratados, posto que originários de outros contratos); e posteriormente finalizado para constituição dos débitos objeto do presente processo. É o que se extrai do Termo de Verificação Fiscal de fls. 3.245: "4. ENCERRAMENTO PARCIAL DA FISCALIZAÇÃO Procedese, nesta data, ao encerramento parcial da presente fiscalização, em relação à operação CIDE, no contribuinte acima identificado, ressaltando a continuidade do procedimento fiscal em relação ao demais itens objeto da presente Fl. 3525DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 11634.000206/200946 Acórdão n.º 3302003.100 S3C3T2 Fl. 5 7 auditoria, bem como o direito da Fazenda Nacional executar procedimentos tributários relativos a esta mesma exação, sendo que da presente ação fiscal resultou a apuração e constituição do crédito tributário relativo a CIDE, acrescido de multa e juros, no montante de R$ 3.979.636,2, nos termos do processo administrativo fiscal nº 11634.000513/200846." Portanto, não há que falar em atendimento aos preceitos legais previstos no artigo 149, do Código de Tributário Nacional e no artigo 906, do RIR/99, na medida em que o procedimento adotado pela fiscalização não foi originário de revisão de lançamento. I.2 Inconsistência na apuração da base de cálculo da CIDERoyalties Neste ponto, a Recorrente requer seja decretada a nulidade do lançamento com base nos seguintes fundamentos: (i) que no Demonstrativo dos valores mensais da CIDE a recolher, a fiscalização não logrou êxito em demonstrar os critérios utilizados para apuração das bases, posto que ao invés de considerar o valor líquido das remessas (entendase após a retenção na fonte de IR e demais custos), houve verdadeira majoração da base imponível, sob a rubrica VR. AJUST. BC. REAIS. CIDERE, de onde depreende o acréscimo de 17% em média, até 33% em alguns casos; (ii) não há previsão legal para incluir na base de cálculo da CIDE os valores recolhidos a título de IRRF. Primeiramente, as irregularidades apontadas pela Recorrente relativas à ausência de critérios para apuração das bases de cálculos da CIDE não merecem respaldo, uma vez que a fiscalização apontou corretamente os métodos quantitativos utilizados para exigência dos critérios tributários (vide planilhas apresentadas no TVF). Tal fato foi devidamente confirmado pela Recorrente em sede de impugnação, quando afirmou que "ao invés de considerar o valor líquido das remessas (entendase após a retenção na fonte de IR e demais custos), houve verdadeira majoração da base imponível, sob a rubrica VR. AJUST. BC. REAIS. CIDERE´, de onde depreende o acréscimo de 17% em média, até 33% em alguns casos." Ora, se realmente tivesse ocorrido alguma omissão por parte da fiscalização quanto a forma de apuração dos créditos tributários, a Recorrente não teria apresentado qualquer insurgência em relação a base de cálculo da CIDE, tampouco identificado sua composição. Já em relação ao ponto envolvendo a inclusão do IRRF na base de cálculo da CIDE, a qual será tratada em tópico posterior, não macula nulidade a autuação, devendo, se o caso, ser excluída da exigência. A discussão sobre a base de cálculo é matéria de mérito, não cabendo, assim, requerimento de anulação do auto de infração, a teor do que prescrevem os artigos 59 e 60, do Decreto nº 70.235/1972: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 3526DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO 8 § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) *** Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Nos termos dos referidos dispositivos, a notificação e demais termos do processo administrativo fiscal somente serão declarados nulos quando ocorrer uma das seguintes hipóteses: a) quando se tratar de ato/decisão lavrado ou proferido por pessoa incompetente; e b) resultar em inequívoco cerceamento de defesa à parte. Nenhum desses vícios é verificado no presente processo, que foi conduzido por autoridade competente e com total observância ao direito de defesa do fiscalizado. Portanto, verificase que o lançamento não esta eivado de nulidades. II Mérito II.1 Prazo Decadencial Consta do Auto de Infração que (i) o tributo é sujeito ao lançamento por homologação; (ii) os fatos geradores autuados se deram entre 01/01/2004 a 31/12/2004; (iii) não houve pagamento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE; e (iv) o contribuinte foi cientificado da autuação em 13.05.2009. Considerando tais fatos, entendo que não deve ser reconhecida a decadência do direito do Fisco de exigir os créditos tributários em discussão, posto que, não havendo antecipação do pagamento, o prazo de decadência tem como termo "a quo" o primeiro dia do exercício seguinte (artigo 173, I, do CTN), e não do fato gerador (artigo 150, §4º, do CTN), como pretende a Recorrente. O Superior Tribunal de Justiça, por ocasião do julgamento do Recurso Especial repetitivo 973.733/SC, firmou o seguinte entendimento em relação a matéria em debate: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, Fl. 3527DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 11634.000206/200946 Acórdão n.º 3302003.100 S3C3T2 Fl. 6 9 DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.” (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Por conta disso, devese aplicar ao presente caso o §2º, do artigo 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual prescreve a necessidade de reprodução, pelos Conselheiros, das decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática dos recursos repetitivos, a saber: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Desta forma, o prazo decadencial deve ser verificado de acordo com a regra do artigo 173, I, do CTN. No caso dos autos, considerando que o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado seria 01/01/2005, o Fisco teria até o dia 31.12.2009 para constituir o crédito pelo lançamento. Neste contexto, não operouse a decadência do direito do Fisco de efetuar o lançamento fiscal. II.2 A incidência da CIDERoyalties Conforme consta do relatório, a exigência fiscal tem por objeto valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos a residentes ou domiciliados no exterior, por conta de pagamento de royalties, que configurariam a hipótese de incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE – estabelecida no parágrafo 2º do art. 2º da Lei nº 10.168, de 2000. A recorrente contesta a autuação, apresentando como principal argumento de sua defesa o entendimento de que os contratos objeto de fiscalização não dizem respeito a remessa vinculada à transferência de tecnologia ou pagamento de royalties. Salienta, ainda, que Fl. 3528DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO 10 alguns contratos se referem à licença de uso de software, hipótese que estaria expressamente afastada, pela legislação, da incidência da CIDE Remessas. A despeito dos diversos argumentos tecidos pelas partes, entendo que a questão deve ser dirimida pela exegese da norma que estabelece a incidência da CIDE, previstos nos artigos 2° e 3° da Lei n°10.168/2000, com as alterações promovidas pela Lei n° 10.332/2001, e do Decreto n°4.195, de 2002. Como cediço, a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE, foi instituída pelo artigo 2º, da Lei nº 10.168, de 2000, e exigida em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2001, sendo devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. De acordo com o § 1º, do artigo 2º da referida norma, consideramse contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. A partir de 1º de janeiro de 2002, com as alterações instituídas pela Lei nº 10.332/2001, a contribuição (CIDE) passou a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto os demais serviços técnicos (sem transferência de tecnologia) e os de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem como pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. Deste modo, considerando as alterações promovidas pela Lei nº 10.332/2001, temos que a contribuição incide sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações acima indicadas, mediante a aplicação da alíquota de 10% (dez por cento). Veja a redação atual do art. 2º da Lei nº 10.168, de 2000: Art. 2º Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. § 1º Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 1ºA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. (Incluído pela Lei nº 11.452, de 2007) § 2º A partir de 1o de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas Fl. 3529DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 11634.000206/200946 Acórdão n.º 3302003.100 S3C3T2 Fl. 7 11 jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. (Redação da pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) § 3º A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2º deste artigo. (Redação da pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) § 4º A alíquota da contribuição será de 10% (dez por cento). (Redação da pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) § 5º O pagamento da contribuição será efetuado até o último dia útil da quinzena subseqüente ao mês de ocorrência do fato gerador. (Parágrafo incluído pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) § 6º Não se aplica a Contribuição de que trata o caput quando o contratante for órgão ou entidade da administração direta, autárquica e fundacional da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e o contratado for instituição de ensino ou pesquisa situada no exterior, para o oferecimento de curso ou atividade de treinamento ou qualificação profissional a servidores civis ou militares do respectivo ente estatal, órgão ou entidade. (Incluído pela Lei nº 12.402, de 2011) Por sua vez, o Decreto n.º 4.195, de 11 de abril de 2002, ao regulamentar a Lei n.º 10.168, de 2000, e, em especifico, o artigo 2º já transcrito, assim delimitou o seu objeto: Art. 10. A contribuição de que trata o art. 2º da Lei nº 10.168, de 2000, incidirá sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties ou remuneração, previstos nos respectivos contratos, que tenham por objeto: I fornecimento de tecnologia; II prestação de assistência técnica: a) serviços de assistência técnica; b) serviços técnicos especializados; III serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes; IV cessão e licença de uso de marcas; e V cessão e licença de exploração de patentes. Referida preceito normativo, objetivou afirmar que, após as alterações promovidas pela Lei nº 10.332/2001, também sujeitamse a CIDE todas as remunerações pagas em decorrência de serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem Fl. 3530DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO 12 prestados por residentes ou domiciliados no exterior (artigo 2º, §2º da Lei nº 10.168/2000), inclusive aqueles onde não ocorre a transferência de tecnologia. Como as operações realizadas pela Recorrente, se referem a serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes, bem como remessa decorrentes de licenciamento de uso de softwares (vide detalhamento dos contratos abaixo), ainda que não ocorra a transferência de tecnologia, a exigência deve ser mantida. 1) Fls. 259274 : CIBERNET plc X TELERJ CEKUKAR S/A Contrato Sistema de Acerto Financeiro Acordo de Participante. Objeto: Acordo de Serviço de "roaming" significa um acordo entre Participante e outro provedor de serviços de telecomunicações referente à prestação de serviços de telecomunicações a clientes de cada um deles na área de serviço do outro e o respectivo pagamento. 2) Fls.276284 CIBERNET plc X TELERJ CEKUKAR S/A Contrato de Licenciamento do Registro CIBER. Objeto: Registro de bilhetagem para Centrais de Roaming de Interportadoras Celulares ou Registro CIBER, significa o conjunto de protocolos proprietários para intercâmbio de informações de bilhetagem entre as empresas de telecomunicações sem fio, provedoras de serviços de bilhetagem, câmaras de compensação, bancos de compensação e a CIBERNET Corporation, desenvolvidos, mantidos e atualizados pela CIBERNET Corporation. 3) Fls. 291302 AMDOCS (BRAZIL) LIMITADA (AMDOCS BRAZIL) X TELESP CELULAR Contrato de Prestação de Serviços Objeto: Execução dos Serviços de Desenvolvimento do Sistema para o Projeto de Baixa de Valores Inadimplentes (acima de 90 dias) para as Operadoras de Longa Distância, através da baixa destes valores nso Billings e no CAR VIVO (contas a Receber) e envio de arquivos com as chamadas para Operadoras de Longa Distância (LD´S). 4) Fls.309 VIVO S/A X ATOS ORIGIN SERVIÇOS SERVIÇOS DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO DO BRASIL LTDA Contrato de Suporte de SOFTWARE nº DF 6300037D. 5) Fls.311328 BLOOMBER L.P Contrato Boomberg. Objeto: Os serviços prestados por meio deste contrato (serviços) consistem em uma licença não exclusivo e intransferível para uso de software, dados e equipamentos da THE BOOMBERG. 6) Fls. 329342 CELULAR CRT S/A X BUCKHORN COMMUNICATION S/A Objeto: licença de uso de software. 7) Fls.361368 TELERJ CELULAR x BUCKHORN COMMUNICATION S/A Contrato de Prestação de Serviços Fl. 3531DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 11634.000206/200946 Acórdão n.º 3302003.100 S3C3T2 Fl. 8 13 Técnicos e Manutenção de Plataforma Computacional e Software. 8) Fls.371382 CELULAR CRT S/A X BEARINGPOINT BUSINESS CONSULTING ESPANA Objeto: Prestação de Serviços de Consultoria, suporte e evolução do modelo do sistema MARE (modelo de Análise de Rentabilidade). 9) Fls.383394 TELERJ CELULAR X BEARINGPOINT BUSINESS CONSULTING ESPANA Objeto: Prestação de Serviços de Consultoria, suporte e evolução do modelo do sistema MARE (modelo de Análise de Rentabilidade). 10) FLs. 424431 TELESP CELULAR S/A X INTELLSYNC CORPORATION Contrato de Fornecimento e Prestação de Serviços Objeto: Fornecimento de programas e/ou licenças de uso de software e prestação de serviços. 11) Fls. 438 TELERJ CELULAR S/A X MICROSOFT DO BRASIL LTDA Contrato de Prestação de Serviços Objeto: 450 horas de suporte através dos serviços do "microsoft Premier Support" em regime de atendimento 24 horas por dia, 7 dias por semana. Somase a isso, que os contratos de câmbio juntados aos autos (fls. 811812; 826827; 841842; 852853; 867868; 884885; 896897), descrevem a remessa de numerário à título de "Serviços Técnicos Profissionais", evidenciando, ainda mais, a licitude da cobrança da CIDE. Portanto, considerando que à época do fatos gerados ocorridos no exercício de 2004 a CIDE estava sob a vigência da Lei 10.168/2000, com a alterações feitas pela Lei nº 10.332/2001, temos que a contribuição é devida pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem como pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. Outro ponto que merece ser analisado, diz respeito ao alcance da nova redação dada pelo artigo 20, da Lei 11.452, de 2007 ao artigo 2º da Lei 10.168, de 2000, que assim preceitua: “Art. 20. O art. 2º da Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2000, alterado pela Lei no 10.332, de 19 de dezembro de 2001, passa a vigorar acrescido do seguinte § 1oA: (...) § 1ºA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de Fl. 3532DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO 14 comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. Art. 21. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos em relação ao disposto no art. 20 a partir de 1o de janeiro de 2006. Como se vê, a partir da produção de efeitos desta norma, estabelecida para a data de 01/01/2006, exigese para a incidência da CIDE que a remuneração pela licença de uso de programa de computador seja acompanhada de transferência de tecnologia. Todavia, antes da inclusão do citado §1ºA não havia qualquer restrição ou vinculação do pagamento dos royalties a contratos de tecnologia, definindo a incidência da contribuição sobre o pagamento de royalties a qualquer título. Portanto, diante da inovação na legislação pátria trazida pelo §1ºA do artigo 2º da Lei nº 10.168/2000, o dispositivo em comento não pode ser considerado como de caráter interpretativo, impedindo sua aplicação a fatos pretéritos, anteriores a data definida pela Lei nº 11.452/2007 para a produção de seus efeitos. Por fim, impende destacar que o alargamento do campo de incidência da CIDE instituído pela Lei nº 10.332/2001, ocorreu conjuntamente com a redução de alíquota do Imposto de Renda incidente na Fonte (IRRF), de 25% para 15%, incidentes sobre “as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior a título de remuneração de serviços técnicos e de assistência técnica”, por meio do artigo 3º da Medida Provisória nº 2.15970, de 24 de agosto de 2001. Art. 3º Fica reduzida para quinze por cento a alíquota do imposto de renda incidente na fonte sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior a título de remuneração de serviços técnicos e de assistência técnica, e a título de royalties, de qualquer natureza, a partir do início da cobrança da contribuição instituída pela Lei no 10.168, de 29 de dezembro de 2000. De se ver, que a redução da alíquota do IRRF aplicável sobre tais importâncias de 25% (regra geral para prestação de serviços por pessoa física ou jurídica residentes no exterior) para 15%, corresponde a diferença à alíquota da CIDE (de 10%). Neste ponto, esclarece que a Recorrente passou a recolher o IRRF incidentes sobre as importâncias remetidas ao exterior a título de remuneração de serviços técnicos e de assistência técnica, utilizando o benefício da alíquota reduzida de 15%, instituída pela Medida Provisória nº 2.15970, de 24 de agosto de 2001. É o que se verifica na planilha juntada às fls. 3.044. Entretanto, para a hipótese de incidência da CIDE, a Recorrente alega que suas operações não devem suportar a cobrança da referida contribuição. Com efeito, é patente a identidade entre as hipóteses de incidência da CIDE e o IRRF. A contribuição, objeto de discussão, incide “sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrentes das obrigações” originadas “de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes” (art. 2º da Lei nº 10.168, de 2000, e o § 2º do mesmo artigo), já o IRRF incide “sobre as importâncias pagas, Fl. 3533DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 11634.000206/200946 Acórdão n.º 3302003.100 S3C3T2 Fl. 9 15 creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior a título de remuneração de serviços técnicos e de assistência técnica” (art. 3º da MP nº 2.15970, de 2001). Em suma, resta comprovado que a Recorrente adotou critérios distintos para idêntica hipótese de incidência entre a CIDE e o IRRF. Assim, considerando os esclarecimentos anteriormente apresentados, entendo devida a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico discutida nestes autos, por total imposição da Lei 10.168/2000, com a alterações feitas pela Lei nº 10.332/2010. II.3 A base de cálculo da CIDERoyalties Neste ponto a decisão de primeira instância deve ser reformada. Isto porque, depreendese que o artigo 2º, §3º, da Lei nº 10.168/2000, com a redação dada pela Lei nº 10.332/2001, determina que a CIDE terá como base de cálculo os valores, pagos, creditados, entregues, empregados, ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados nos exterior como remuneração das obrigações, a saber: Art. 2º. Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. (...) §3º A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês , a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no §2º deste artigo. No presente caso, verificase no Termo de Verificação Fiscal que a fiscalização utilizou na composição da base de cálculo da CIDE, os valores relativos ao IRRF incidente nas operações realizadas pela Recorrente, o qual, por total inexistência de previsão legal, não se insere no conceito de "valores pagos, creditados, entregues, empregados, ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados nos exterior como remuneração das obrigações". Com efeito, o IRRF suportado pela Recorrente na remessa de valores ao exterior não se coaduna com o conceito de valores pagos a residente ou domiciliado no exterior, considerando que o tributo recolhido é destinado ao Erário e não é transferido ao exterior. A própria Secretaria da Receita Federal já se posicionou no sentido de ser indevido o reajustamento da base de cálculo deste tributo, conforme se verifica da decisão proferida no Processo de Consulta nº 357/2007: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico Cide INCIDÊNCIA Fl. 3534DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO 16 A empresa que pagar, creditar, entregar, empregar, ou remeter importâncias ao exterior a título de royalties, está sujeita ao pagamento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico Cide, instituída pela Lei nº 10.168, de 2000. BASE DE CÁLCULO A contribuição deve ser apurada com base no valor bruto a ser pago, creditado, entregue, empregado ou remetido ao exterior. Neste caso, pelo fato de esta contribuição ser devida pela empresa que pagar, creditar, entregar, empregar, ou remeter importâncias ao exterior a título de royalties, não ocorre o reajustamento da base de cálculo (grifado) Portanto, não subsiste a autuação neste ponto, posto que indevida a inclusão do IRRF na base de cálculo da CIDE. Pelo exposto, dou parcial provimento ao recurso voluntário, apenas para excluir da base de cálculo da CIDE os valores suportados pela Recorrente a título de IRRF. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Fl. 3535DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO
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Numero do processo: 10675.001899/96-88
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
IRPF ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO CRITÉRIOS DE APURAÇÃO.
A variação patrimonial do contribuinte pode ser levantada através de fluxo financeiro onde se discriminem, mês a mês, as origens e as aplicações de recursos. Tributam-se na declaração de ajuste anual os acréscimos patrimoniais a descoberto apontados na apuração mensal, conforme interpretação sistemática dos enunciados das Leis nos 7.713/88 e 8.134/90. Tal sistemática não é incompatível com o exercício da atividade rural pelo contribuinte.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.687
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator e Presidente em exercício
EDITADO EM: 04/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 IRPF ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO CRITÉRIOS DE APURAÇÃO. A variação patrimonial do contribuinte pode ser levantada através de fluxo financeiro onde se discriminem, mês a mês, as origens e as aplicações de recursos. Tributam-se na declaração de ajuste anual os acréscimos patrimoniais a descoberto apontados na apuração mensal, conforme interpretação sistemática dos enunciados das Leis nos 7.713/88 e 8.134/90. Tal sistemática não é incompatível com o exercício da atividade rural pelo contribuinte. Recurso especial provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator e Presidente em exercício EDITADO EM: 04/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
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A variação patrimonial do contribuinte pode ser levantada através de fluxo financeiro onde se discriminem, mês a mês, as origens e as aplicações de recursos. Tributamse na declaração de ajuste anual os acréscimos patrimoniais a descoberto apontados na apuração mensal, conforme interpretação sistemática dos enunciados das Leis nos 7.713/88 e 8.134/90. Tal sistemática não é incompatível com o exercício da atividade rural pelo contribuinte. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator e Presidente em exercício EDITADO EM: 04/02/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 18 99 /9 6- 88 Fl. 372DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10675.001899/9688 Acórdão n.º 9202003.687 CSRFT2 Fl. 372 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório O Acórdão nº 10247.065, julgado pela 2a. Câmara do então 1o. Conselho de Contribuintes na sessão plenária de 12 de setembro de 2005 (efls. 245 a 269), deu provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir da exigência o acréscimo patrimonial a descoberto constatado, na forma da seguinte Ementa: ATIVIDADE RURAL. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. APURAÇÃO ANUAL. O cálculo de apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, em relação a rendimentos exclusivamente da atividade rural, há de ser feito anualmente, nos termos da legislação de regência (Lei n° 8.023, de 1990). Ciente do recurso, a Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) opôs embargos (efls. 271 a 274), que foram rejeitados pelo Despacho nº 1020.061/ 2007 (efls. 275 a 277). Em seguida, a PFN interpôs Recurso Especial (efls. 281 a 289), alegando que a decisão fora contrária à lei, sendo dado seguimento ao pleito por meio do despacho de admissibilidade nº 329, de 17 de abril de 2008 (efls. 290 a 292). Ciente do resultado, o contribuinte apresentou os embargos de declaração à decisão (efls. 298 e 299), que foram admitidos pelo despacho de 18 de junho de 2010 (efls. 308 e 309). Os autos foram postos novamente em pauta na sessão de julgamento de 13 de março de 2013 para apreciar os embargos, resultando no Acórdão nº 2101002.115 (efls. 310/311), que acrescentou a parte relacionada à omissão de rendimentos da atividade rural, não produzindo a decisão, todavia, efeitos infringentes, tendo a nova Ementa a seguinte redação: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário:2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RERRATIFICAÇÃO DO ACÓRDÃO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a Câmara. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. RECEITA NÃO OFERECIDA À TRIBUTAÇÃO. Devese manter Fl. 373DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10675.001899/9688 Acórdão n.º 9202003.687 CSRFT2 Fl. 373 3 o lançamento, tal como efetuado pela fiscalização, quando o sujeito passivo não logrou êxito em infirmar as falhas apontadas na apuração do resultado da atividade rural. Embargos Acolhidos. Cientificado do teor da decisão em 01/07/2013 (efl. 318), o contribuinte ingressou com Recurso Especial de efls. 321 a 349, que teve seu seguimento negado, na forma de despacho de efls. 356 a 358. Quanto ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, o contribuinte houvera ofertado contrarrazões de efls. 303 a 305. Sobem, assim, os autos a esta Câmara Superior, para fins de apreciação do Recurso Especial de iniciativa da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Alega a Fazenda Nacional contrariedade do Acórdão recorrido em relação ao disposto nos arts. 2o., 3o, §1o. e 8o., todos da Lei no. 7.713, de 22 de dezembro de 1988, no art. 6o. da Lei no. 8.021, de 12 de abril de 1990 e nos arts. 1o, 2o. e 4o., inciso I da Lei no. 8.134, de 27 de dezembro de 1990, que fizeram com que tanto a apuração dos rendimentos como a ocorrência do fato gerador do IRPF continuassem a ser mensais, permitindo assim uma apuração mensal do acréscimo patrimonial a descoberto na forma realizada pela autoridade lançadora e sustentada pela autoridade julgadora de 1a. instância. Entendo assistir razão à recorrente. A jurisprudência desta Turma aponta no sentido da apuração de acréscimo patrimonial a descoberto (APD) pode ser feita mensalmente, uma vez que sob tal periodicidade são apuradas as bases de cálculo da antecipação do IRPF devido ao final do período, tanto na forma de retenção do imposto na fonte, como na forma de recolhimento do carnêleão ou do mensalão, tudo isso consoante o disposto no art. 2o., da Lei no. 7.713, de 1988. Contrariamente ao alegado pelo autuado em sede de contrarrazões, entendo que a supressão do advérbio “mensalmente” no âmbito do art. 2o. da Lei no. 8.134, de 1990, em comparação com o disposto na Lei n° 7.713, de 1988, não teve o condão de alterar tal sistemática. O que a Lei nº 8.134, de 1990 fez foi estabelecer a característica de antecipação tanto para a retenção na fonte ou como para os pagamentos espontâneos e obrigatórios efetuados a partir das bases de cálculo assim mensalmente apuradas, sendo que o imposto definitivo passou a ser apurado quando da apresentação da Declaração de Ajuste Anual, a teor dos artigos 9º e 11 daquele diploma e, posteriormente, dos arts. 12 e 13 da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10675.001899/9688 Acórdão n.º 9202003.687 CSRFT2 Fl. 374 4 Logo, é no encerramento de cada anocalendário que o fato gerador do imposto de renda estará concluído, ou seja, em 31 de dezembro de cada ano, sendo que os arts. 4o. e 5o. da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, aplicáveis no caso de exercício de atividade rural pelo contribuinte, estão a se referir, no entendimento deste Relator, a esta apuração anual do imposto devido (e não a apuração mensal de bases de cálculo), não restando assim incompatível o exercício da atividade rural com a sistemática de apuração de bases de cálculo mensais para a infração de acréscimo patrimonial a descoberto, contrariamente ao que quer fazer crer o voto vencedor do recorrido. Assim, voto por dar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, restabelecendose assim o teor da decisão de 1a. instância. É como voto. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 375DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10932.000016/2005-78
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Sep 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2001 a 31/07/2004
PIS. SEGURO DE CARGAS.INSUMO.
Nos termos da Lei 10.637/2002, o seguro obrigatório de cargas contratado por empresa transportadora é considerado insumo para fins de apuração de crédito do PIS.
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: 9303-003.308
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator) e Joel Miyazaki. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. A Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo participou do julgamento em substituição à Conselheira Nanci Gama, ausente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Relator
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). A Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo participou do julgamento em substituição à Conselheira Nanci Gama, ausente.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado Transzero Transportadora de Veículos Ltda. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2001 a 31/07/2004 PIS. SEGURO DE CARGAS.INSUMO. Nos termos da Lei 10.637/2002, o seguro obrigatório de cargas contratado por empresa transportadora é considerado insumo para fins de apuração de crédito do PIS. Recurso Especial do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator) e Joel Miyazaki. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. A Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo participou do julgamento em substituição à Conselheira Nanci Gama, ausente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Relator (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 00 16 /2 00 5- 78 Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, A ssinado digitalmente em 16/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10932.000016/200578 Acórdão n.º 9303003.308 CSRFT3 Fl. 603 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). A Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo participou do julgamento em substituição à Conselheira Nanci Gama, ausente. Relatório Os fatos foram assim descritos no relatório do acórdão recorrido: Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão da DRJ/CPS que julgou procedente o lançamento levado a feito contra a interessada, que consubstancia exigência do PIS para o período de apuração abril de 2001 a julho de 2004. A interessada se insurge contra a manutenção do aludido lançamento, argumentando, em apertada síntese (i) ser possível a exclusão da base de cálculo do PIS as receitas transferidas a terceiros, in casu, terceiros subcontratados para transportes de cargas; (ii) ser possível a exclusão da base de cálculo do PIS as despesas efetuadas com pedágios; e, (iii) ser possível os descontos de créditos oriundos do PIS nãocumulatividade, referentes à contratação de seguros que promove para o atendimento de sua atividade fim (transporte de veículos e cargas). Julgando o feito, a Câmara recorrida deu provimento parcial ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado. PIS. REGIME CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. SUBCONTRATAÇÃO. VALORES REPASSADOS. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO. No regime cumulativo do PIS/Faturamento, em que não é vedada a incidência bis in idem, o faturamento corresponde à soma dos valores recebidos pela venda de mercadorias e prestação de serviços, sem dedução das importâncias repassadas a terceiros em virtude de subcontratação, descabendo cogitar da aplicação do inciso III do § 2º do art. 3º da Lei n° 9.718, de 1998, porque esse dispositivo não teve eficácia já que revogado antes da regulamentação prevista. DESPESAS COM PEDÁGIOS. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. IRRETROATIVIDADE BENIGNA. As despesas com pedágios efetuadas antes da vigência da MP n° 2.024/00, instituidora do valepedágio, não podem ser excluídas da base de cálculo para o PIS. REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. DESCONTOS COM SEGUROS. Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, A ssinado digitalmente em 16/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10932.000016/200578 Acórdão n.º 9303003.308 CSRFT3 Fl. 604 3 Na apuração do PIS nãocumulativo podem ser descontados créditos calculados sobre as despesas decorrentes da contratação de seguros, essenciais para a atividade fim desenvolvida pela recorrente, pois estes se caracterizam sim como ‘insumos’ previstos na legislação do IRPJ. Recurso provido em parte. Inconformada com essa decisão, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial, onde pugnou pelo restabelecimento da decisão de primeira instância e, por conseguinte, com base na contrariadade da decisão impugnada ao disposto no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, requer o reconhecimento da impossibilidade de creditamento sobre os valores relativos à contratação de seguro sobre cargas pelo sujeito passivo. O especial fazendário foi admitido pelo presidente da câmara recorrida. Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou contrarrazões, em 07/08/2009, onde, em preliminar, requer o não conhecimento do recurso especial interposto pela Fazenda, alegando a ausência de votovencido quanto à matéria recorrida e no mérito, defende a manutenção do procedimento adotado pelo acórdão recorrido, quanto ao aproveitamento de créditos de PIS em relação aos custos/despesas oriundos de contratos de seguro. Posteriormente, a informação de fls. 931/933 avisa que o contribuinte, utilizandose da prerrogativa concedida pelo art. 1º da Lei n°. 11.941/2009, e em atendimento às condições estabelecidas pelo art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB n°. 06/2009, manifestouse pela desistência parcial do recurso voluntário interposto contra a decisão proferida pela DRJ em CAMPINAS/SP. Em seu requerimento, o contribuinte informa que sua desistência não abrange os valores resultantes da glosa dos créditos relativos às despesas/custos referentes a seguros, sendo que o Recurso Especial da Fazenda Nacional combate exatamente o reconhecimento dos créditos da PIS nãocumulativo sobre as despesas decorrentes de contratação de seguros, admitidos nos termos do Acórdão recorrido. Destarte, o litígio continua apenas em relação às despesas/custos com seguros, agora em sede de Especial. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator. O especial fazendário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, a matéria controvertida diz respeito à possibilidade do contribuinte apurar créditos de PIS relativos à despesas advindas da contratação de seguros de carga. Quanto à preliminar argüida nas contrarrazões apresentadas pelo sujeito passivo, entendo que não assiste razão ao argumento de suposta ausência de votovencido Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, A ssinado digitalmente em 16/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10932.000016/200578 Acórdão n.º 9303003.308 CSRFT3 Fl. 605 4 quanto à matéria recorrida. Tratase de recurso especial interposto contra "decisão não unânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidencia de prova", nos termos do disposto no inciso I do art. 7º do RICSRF vigente à época. Neste ponto, transcrevo em seguida o acórdão da decisão recorrida (grifei): " ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, em dar provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: I) por maioria de votos, negouse provimento, para não reconhecer as exclusões feitas sobre receitas de terceiros. Vencido o Conselheiro Dalton César Cordeiro dc Miranda (Relator). Designado o Conselheiro Emanuel Carlos Dantas dc Assis para redigir o voto vencedor; II) por unanimidade de votos, negouse provimento, para não reconhecer as exclusões com despesas com pedágio; e III) por maioria de votos, deuse provimento, para reconhecer o direito ao creditamento do PIS não cumulativo, referente às despesas com contratação de seguros de cargas. Vencidos os Conselheiros Odassi Guerzoni Filho e José Adão Vitorino de Morais. " Pelo acima transcrito, fica evidente que a decisão expressamente aponta que a matéria aqui recorrida (creditamento sobre despesas com contratação de seguros) foi provida por maioria de votos, chegando a nominar os conselheiros vencidos. Portanto, ao contrário do que argumenta o contribuinte, foram atendidos os requisitos presentes no inciso I do art. 7º do RICSRF, independente de que o teor dos votos (vencido e vencedor) possa demonstrar divergência apenas quanto à fundamentação legal para reconhecer o creditamento. Cabe, ainda, destacar que a única matéria onde ocorreu unanimidade foi aquela relativa ao não reconhecimento das exclusões com despesas com pedágio. Neste ponto, transcrevo em parte o Art. 63 do RICARF, com as alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010 (grifei): Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. ... § 1° Vencido o relator, na preliminar ou no mérito, o presidente designará para redigir o voto da matéria vencedora e a ementa correspondente um dos conselheiros que o adotar, o qual deverá ser formalizado no prazo de 30 (trinta) dias, contado da movimentação dos autos ao redator designado. ... § 9º Na hipótese em que a maioria dos conselheiros acolher apenas a conclusão do voto do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros. ... Conforme o que determina o Art. 63 do RICARF e vide o texto do acórdão da decisão recorrida, acima transcritos, verificase que a discordância dos conselheiros vencidos não ocorreu apenas quanto à fundamentação dos votos ao abordar a matéria relativa ao reconhecimento do direito aos créditos relativos às despesas com contratos de seguros. Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, A ssinado digitalmente em 16/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10932.000016/200578 Acórdão n.º 9303003.308 CSRFT3 Fl. 606 5 De acordo com o caput do Art. 63 do RICARF, existindo divergência, será consignado no acórdão quais conselheiros foram vencidos e em relação à quais matérias, exatamente como está especificado na decisão recorrida. No caso, se não houvesse voto vencido quanto à matéria, conforme afirma o recorrente, ou seja, todos tivessem concordado em reconhecer o creditamento em questão, divergindo apenas quanto aos fundamentos do resultado, a decisão deveria consignar que os conselheiros acolheram o voto vencedor apenas pelas conclusões, o que não ocorreu. Quanto ao mérito, com razão a Fazenda Nacional. Em que pese a existência de disposição legal que obrigue a contratação de seguro sobre cargas pela empresa transportadora, tal fato não é suficiente para que os referidos seguros possam se enquadrar no conceito de insumos "aplicados ou consumidos na prestação do serviço". Na verdade, como já ressaltado no acórdão da DRJ, tratamse de "contratos que tem por objeto a preservação da integridade de seu patrimônio e da carga", o que, por si só, não dá suporte ao enquadramento como insumos, nos termos do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: ... II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) ... O contrato de seguro possui natureza bilateral, onerosa e fundamentalmente aleatória, tem o risco como seu elemento essencial, a ponto de ser possível afirmar que faltaria objeto ao mesmo caso a coisa ou interesse não estivesse sujeito a qualquer tipo de perigo, incerto mas previsível. Ainda, no contrato de seguro não existe qualquer relação de equivalência entre a prestação que o segurador eventualmente fornecerá e a que recebe no momento da contratação. Assim, independentemente da empresa transportadora, como é o caso em análise, arcar com a integralidade dos custos referentes ao prêmios pactuados, o recebimento de eventuais indenizações ficará obrigatoriamente subordinado ao advento dos riscos cobertos pelos contratos de segurn o de cargas. Como se vê, tais características impossibilitam uma equiparação das despesas com a contratação dos seguros como se fossem aquisições de bens e serviços, dentro do conceito de insumo, conforme tanto defende o recorrente. Portanto, não pode ser aplicada a hipótese de creditamento prevista no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002. Nem todo custo, despesa ou encargo que concorra para a obtenção do faturamento mensal, base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep ou da Cofins, poderá ser considerado crédito a deduzir, pois a admissibilidade de aproveitamento de créditos há de estar apoiada, indubitavelmente, nos custos, despesas e encargos expressamente classificados nos incisos do art. 3º da Lei nº 10.637/2002. Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, A ssinado digitalmente em 16/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10932.000016/200578 Acórdão n.º 9303003.308 CSRFT3 Fl. 607 6 Examinandose os referidos dispositivos legais, concluise que as despesas com as contratações de seguros de cargas não podem ser caracterizadas como gastos com insumos aplicados ou consumidos na prestação de serviços de transporte, razão pela qual não há como se admitir a apuração de créditos sobre esses dispêndios. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial da fazenda Nacional para restabelecer a decisão de primeira instância, no tocante à matéria aqui recorrida. (assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Voto Vencedor Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas Discordo do nobre relator no caso em tela. O seguro contratado por transportadora de cargas se enquadra perfeitamente no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). Uma das atividades mais difíceis para quem lida com as normas da Cofins é a determinação exata do que seja considerado insumo, quais os limites normativos. Ocorre que seguro obrigatório de cargas é um típico insumo utilizado na prestação de serviços. Esse é exatamente o fato típico descrito na norma e enquadrado no fato ora praticado. Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, A ssinado digitalmente em 16/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10932.000016/200578 Acórdão n.º 9303003.308 CSRFT3 Fl. 608 7 Assim não há como deixar de aplicar o referido artigo 3ª Lei 10.637/2002 e considerar o seguro de cargas como um serviço utilizado como insumo na prestação de serviços. Ademais o seguro é contratado para esse fim específico e se exaure com o final da prestação do serviço, argumento usado apenas para reforçar a condição de insumo do seguro obrigatório de cargas. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, A ssinado digitalmente em 16/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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