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Numero do processo: 10909.002842/00-63
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PRAZO.
O prazo para a homologação de compensação requerida à Secretaria da Receita Federal tem sua contagem iniciada na data do protocolo do pedido de compensação convertido em declaração de compensação.
Recurso Especial do Procurador negado
Numero da decisão: 9303-004.927
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos (relator), Andrada Márcio Canuto Natal e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
(assinado digitalmente)
RODRIGO DA COSTA POSSAS - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Julio Cesar Alves Ramos - Relator.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Possas (Presidente em exercício).
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. O prazo para a homologação de compensação requerida à Secretaria da Receita Federal tem sua contagem iniciada na data do protocolo do pedido de compensação convertido em declaração de compensação. Recurso Especial do Procurador negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos (relator), Andrada Márcio Canuto Natal e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA POSSAS Presidente em exercício. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 28 42 /0 0- 63 Fl. 503DF CARF MF 2 Julio Cesar Alves Ramos Relator. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Possas (Presidente em exercício). Relatório Controverte a Fazenda Nacional decisão assim ementada: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Lei nº. 9.430/96, art. 74, § 4º. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito. DCOMP. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Lei nº. 9.430/96, art. 74, § 5º. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação (Dcomp), que não seja objeto de despacho decisório proferido, e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contado da data de seu protocolo. Aduz a representação fazendária que, nas declarações de compensação decorrentes de pedidos formulados antes da edição da Lei 10.637 a homologação tácita aí prevista tem como termo inicial de seu prazo o dia 30/10/2003, data em que editada a Medida Provisória 135, posteriormente convertida na Lei 10.833, que o fixou, posição defendida no paradigma. É o Relatório. Voto Vencido Fl. 504DF CARF MF Processo nº 10909.002842/0063 Acórdão n.º 9303004.927 CSRFT3 Fl. 504 3 Conselheiro Julio Cesar Alves Ramos, Relator O recurso foi bem admitido, na medida em que a decisão recorrida considerou que o prazo de cinco anos para homologação tácita das compensações comunicadas à SRF é a data de protocolização dos pedidos, mesmo em relação àqueles que se iniciaram antes da existência do próprio prazo. Já o paradigma advoga que, para tais casos, esse prazo somente pode se iniciar com a sua formal edição, ou seja, na data em que entra em vigor a Lei 10.833, que o definiu. Conheço, pois, do recurso. E lhe dou inteiro provimento, adotando as razões brilhantemente defendidas no acórdão paradigma, da lavra do i. exconselheiro Odassi Guerzoni, a quem rendo as minhas homenagens, transcrevendo na íntegra o seu excelente voto: Descumprimento do prazo de trinta dias para proferir a decisão x Homologação tácita da compensação Ainda que a irresignação da recorrente tenha se apoiado em dispositivo legal incorreto, fez, ao final, surgir uma questão das mais relevantes, qual seja, a ocorrência ou não da homologação tácita da compensação, por ter transcorrido o prazo de cinco anos entre a data da entrega do pedido de compensação e a data em que o mesmo foi decidido pela autoridade administrativa. Primeiramente, há que se afastar o dispositivo invocado o artigo 49 da Lei 9.784/99, e trazer à baila os que realmente se aplicam ao caso. Dispõe o artigo 49 da Lei 9.784/99: "Art. 49. Concluída a instrução de processo administrativo, a Administração tem o prazo de até trinta dias para decidir, salvo prorrogação por igual período expressamente motivada." Ora, a Lei n* 9.784/99 expressamente prevê sua aplicação subsidiária, ao definir, no seu artigo 69, que os procedimentos administrativos específicos ''continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselh.es apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei". Assim, havendo disposição específica, vale esta por conta do princípio da especialidade. A "leiprópria" a que se refere o dispositivo acima é o Decreto 70.235/72, que trata exclusivamente do Processo Administrativo Fiscal Tributário, e nele, não há mais qualquer menção ou delimitação de prazo para que a autoridade administrativa conclua seus julgamentos. Havia, de fato, na redação original do artigo 27, a determinação "O processo será julgado no prazo de trinta dias, a partir de sua entrada no órgão incumbido do julgamento". Porém, em face de seu difícil, senão impossível, cumprimento conseqüência da carência de recursos humanos suficientes para atender a demanda processual , desde 10 de dezembro de 1997, com a edição da Lei n° 9.532, passou a ser esta a sua redação: Fl. 505DF CARF MF 4 "Art. 27. Os processos remetidos para apreciação da autoridade julgadora de primeira instância de tercio ser qualificados e identificados, tendo prioridade no julgamento aqueles que estiverem presentes as circunstancias de crime contra a ordem tributária ou de elevado valor, este definido em ato do Ministro da Fazenda." Assim, as regras do PAF não mais impõem aquela camisa de força às atividades de julgamento de processo, de modo que este tema do presente processo não está no descumprimento do prazo de trinta dias e deve ser analisado sob o lume de outros dispositivos legais, notadamente os relacionados ao instituto da compensação. E sobre a compensação tributária, há que se destacar as alterações havidas nos últimos anos quanto aos procedimentos de sua execução, senão vejamos. O artigo 49 da Medida Provisória n° 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, deu no\a redação ao art. 74 da Lei n° 9.430/96, passando este a dispor que "o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão". Em outras palavras, com essa alteração foi instituída a Declaração de Compensação, procedida pelo próprio contribuinte, tendo a mesma o efeito de extinguir o crédito tributário sob condição resolutoria de sua ulterior homologação pela autoridade administrativa competente. Assim, dispõe o parágrafo Io do art. 74 da Lei n° 9430/96 (incluído pela Lei n° 10.637/2002), que a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração (DCOMP) na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. O parágrafo 2o, incluído pela Lei n° 10.637/2002, dá à compensação declarada à SRF o efeito de extinguir o crédito tributário sob condição resolutoria de sua ulterior homologação. O parágrafo 3o, incluído pela Lei n° 10.637/2002, trata das hipóteses em que os débitos ou créditos não podem ser objeto de compensação. O parágrafo 4o, incluído pela Lei n° 10.637/2002, merece sua reprodução literal, qual seja: "§ 4" Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo" (redação dada pelo artigo 49 da Lei 10.637, de 30/12/2002, conversão da MP 66, de 29/08/2002). Fl. 506DF CARF MF Processo nº 10909.002842/0063 Acórdão n.º 9303004.927 CSRFT3 Fl. 505 5 O alcance temporal desse novo dispositivo está previsto no artigo 68 da mesma lei, que diz: "Art. 68. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: / a partir de 1° de outubro de 2002, em relação aos arts. 29 e 49 (...)" (grifo meu) Assim, subsumindo os fatos do presente processo às regras acima descrita, temos que os pedidos de compensação entregues pela interessada nas datas de 19/11/1999, 10/12/1999, 10/01/2000, 12/02/2000, 10/07/2000 e 25/08/2000, ainda se encontravam pendentes de apreciação pela autoridade administrativa em 1710/2002, tendo, por força do citado § 4o acima reproduzido, sido convertidos em declarações de compensação (DCOMP). No ano seguinte, foram feitas novas alterações no artigo 74 da Lei n° 9.430/96, merecendo destaque para o presente caso a do parágrafo 5o, a saber: "§ 5° O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação" (redação dada pelo artigo 17 da Lei n" 10.833. de 29/12/2003, conversão da MP a" 135, de 30/10/2003). Até a edição desse ato legal, portanto, não havia prazo limite para que a administração tributária homologasse os pedidos de compensação então entregues pelos contribuintes, de maneira que toda DCOMP entregue anteriormente a 30/10/2003 e cuja análise ou apreciação pela autoridade administrativa tenha se dado em período superior a cinco anos, contado a partir da data de sua protocolização, não pode ser considerada , tenha sido homologada tacitamente, a teor do parágrafo § 5o acima reproduzido. Se, de um lado, o alcance temporal do § 4o acima mencionado está claramente delineado quando diz que "Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo (...)", o mesmo não se pode dizer, de outro, do § 5o, que deixa no ar uma ambigüidade por mim posta nos seguintes termos: retroagiria e alcançaria a todos pedidos de compensação convertidos em DCOMP entregues em data anterior a 30 de outubro de 2003, ou se aplicaria somente às DCOMP entregues após referida data. Essa minha suposição quanto à ambigüidade presente no referido. § 5o parece não existir se interpretados literalmente os enunciados dos artigos 29 e 70, da IN SRF 460, de 18/10/2004. que regulavam os procedimentos da autoridade administrativa para a análise das Declarações de Compensação, após as alterações acima mencionadas, senão vejamos: "Art. 29. A autoridade da SRF que nãohomologar a compensação cientificará o sujeito passivo e intimáloá a Fl. 507DF CARF MF 6 efetuar, no prazo de trinta dias. contados da ciência do despacho de nãohomologação, o pagamento dos débitos indevidamente compensados". "§ 2S O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensação" Ou seja, a própria Secretaria da Receita Federal admitiu o efeito retroativo do citado parágrafo 5o. Tenho comigo, porém, que a segunda das alternativas deve prevalecer, haja vista a aplicação do princípio da irretroatividade das leis, ou seja, em princípio, os fatos regulam se juridicamente pela lei em vigor na época de sua ocorrência. Em princípio, pois o Código Tributário Nacional trata das hipóteses em que é possível a aplicação de lei nova a fatos ocorridos em momento anterior ao de sua vigência. Tais hipóteses estão previstas no artigo 106, incisos I e II, quais sejam, quando as leis forem interpretativas, ou quando, se referindo a atos ou fatos não definitivamente julgados, deixar de definilos como infração; deixar de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão; e quando lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. E para o caso em que estamos debruçados nenhuma dessas hipóteses ocorreu. Invoco julgado do Superior Tribunal de Justiça em que, embora tenha tratado de matéria envolvendo a decadência de ato administrativo, bem pode servir de lume para o presente caso, senão vejamos a sua ementa: "MANDADO DE SEGURANÇA N' 9.115DF (2003/0101899 6). ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ATO ADMINISTRATIVO. REVOGAÇÃO. VANTAGEM FUNCIONAL DECADÊNCIA. LEI N" 9.784/99. DIREITO ADQUIRIDO. A Lei n° 9.784/99. que disciplina o processo administrativo, estabeleceu em seu art. 54, o prazo de cinco anos para que a Administração Pública possa revogar seus atos. Contudo, dentro de uma lógica interpretativa, esse lapso temporal há de ser contado da vigência do dispositivo, e não da data em que o ato foi praticado, sob pena de se emprestar efeito retroativo à citada Lei. (...)". (destaques meus) Dito isto, podese afirmar que o argumento da interessada, ainda que formulado mediante a indicação de dispositivo legal inapropriado, não procede, ou seja, aquele seu pedido de compensação entregue no dia 19/11/1999, por força de dispositivo legal convertido em DCOMP, não foi homologado tacitamente, ainda que entre a data de sua protocolização e a data de sua apreciação tenha transcorrido o prazo de cinco anos. Com essas considerações, que, creio, esgotam o assunto, voto pelo integral provimento do recurso da Fazenda Nacional. Fl. 508DF CARF MF Processo nº 10909.002842/0063 Acórdão n.º 9303004.927 CSRFT3 Fl. 506 7 É como voto. (assinado digitalmente) Julio Cesar Alves Ramos Voto Vencedor Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator. Discordamos do il. Relator. As razões do nosso convencimento são as seguintes: O PRIMEIRO: A homologação tácita das compensações é matéria de direito material – corpo de normas que disciplinam as relações jurídicas entre as pessoas, entre as pessoas e seus bens etc –, não de direito adjetivo, o qual se destina a determinar o modo pelo qual se dá o exercício da jurisdição, as ações que cabem ao demandante e como se dão as defesas do demandado. O SEGUNDO: O Art. 106 do CTN é norma cuja finalidade é dar segurança jurídica ao contribuinte, estabelecendo limites ao exercício da atividade legiferante do Estado (em total consonância com o que disciplina a própria Constituição Federal). Disciplina, também, a retroatividade benigna, a fim de que não se penalize diferentemente contribuintes diversos que cometeram a mesma falta. Não vemos como aplicálo para disciplinar os efeitos intertemporais das inovações legislativas quanto à homologação tácita das compensações. O TERCEIRO: O aresto do STJ citado no mesmo acórdão versa, tão somente, sobre o direito à compensação – modo de extinção de uma relação jurídica obrigacional mediante o confronto de créditos e débitos do Fisco e do contribuinte, que, no entendimento nele plasmado, regese pela legislação vigente à época em que requerida (ver o item 3 do aresto). Dele não se pode concluir que o prazo de cinco anos para que se dê a homologação tácita estabelecida na Lei nº 10.833, de 2003, só operaria efeitos futuros, ou seja, quanto às DCOMPs apresentadas somente depois do início de sua vigência, notadamente porque, se assim fosse, o legislador o teria dito expressamente. A propósito: por que, afinal, transformar os pedidos de compensação apresentados antes da Medida Provisória MP nº 135, de 2002, se não fosse para lhes aplicar toda a disciplina da novel Declaração de Compensação DCOMP? Por fim, o entendimento que ora vimos de expor é o mesmo adotado pela própria RFB, como se pode observar da ementa da Solução de Consulta Interna Cosit nº 1, de 04/01/2006: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Homologação tácita de compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO CONVERTIDO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO Fl. 509DF CARF MF 8 ANOS PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DA COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA PARA PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO NÃO CONVERTIDOS EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE EXAME DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CABIMENTO DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE CONTRA O NÃO RECONHECIMENTO DO CRÉDITO OBJETO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. O prazo para a homologação de compensação requerida à Secretaria da Receita Federal tem sua contagem iniciada na data do protocolo do pedido de compensação convertido em declaração de compensação. Será considerada tacitamente homologada, mediante despacho proferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal, a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito. Não foram convertidos em declaração de compensação os pedidos de compensação de créditos de terceiros, “crédito prêmio” instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 1969, título público, crédito decorrente de decisão judicial não transitada em julgado e crédito que não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Os pedidos de compensação não convertidos em Declaração de Compensação não estão sujeitos à homologação tácita e devem ser deferidos ou indeferidos pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal. Na hipótese de pedido de compensação convertido em declaração de compensação, a autoridade competente da Secretaria da Receita Federal, após reconhecer a homologação tácita da compensação declarada, deve se posicionar quanto à procedência e ao montante do crédito do sujeito passivo para com a União. Quando o crédito for reconhecido e tiver valor superior ao total do débito objeto da compensação tacitamente homologada, a autoridade competente da Secretaria da Receita Federal deverá promover a restituição do saldo creditório remanescente que foi objeto de pedido de restituição, desde que inexistam outros débitos a serem compensados com o referido crédito. Ainda que haja o reconhecimento da homologação tácita da compensação pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal, é cabível a apresentação de manifestação de inconformidade contra o nãoreconhecimento do direito creditório quando o crédito informado pelo sujeito passivo em seu pedido de compensação convertido em declaração de compensação não for integralmente reconhecido. A DRJ, ao apreciar manifestação de inconformidade contra o nãoreconhecimento do crédito objeto do pedido de restituição cumulado com pedido de compensação, pode reconhecer o exato Fl. 510DF CARF MF Processo nº 10909.002842/0063 Acórdão n.º 9303004.927 CSRFT3 Fl. 507 9 valor do crédito do sujeito passivo para com a União, bem como o exato valor do débito compensado. DISPOSITIVOS LEGAIS: Decretolei nº 491, de 1969, art. 1º; Decreto nº 70.235, de 1972, art. 59; Lei nº 8.748, de 1993, arts. 2º e 3º, inciso I, este com a redação determinada pelo art. 28 da Lei nº 10.522, de 2002; Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, com a redação determinada pelo art. 49 da Lei nº 10.637, de 2002 e pelo art. 17 da Lei nº 10.833, de 2003; Instrução Normativa SRF nº 460, de 2004, arts. 48, 69 e 70. Ante o exposto, nego provimento ao recurso especial. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 511DF CARF MF
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Numero do processo: 10805.722477/2011-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. COFINS. ÔNUS DA PROVA. Não comprovado pelo contribuinte a legitimidade do direito creditório pleiteado, apesar da oportunidade que lhe foi dada mediante diligência realizada, não é possível deferir-lhe o pleito.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-004.619
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
EDITADO EM: 07/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. COFINS. ÔNUS DA PROVA. Não comprovado pelo contribuinte a legitimidade do direito creditório pleiteado, apesar da oportunidade que lhe foi dada mediante diligência realizada, não é possível deferirlhe o pleito. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. EDITADO EM: 07/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 24 77 /2 01 1- 07 Fl. 14514DF CARF MF 2 Relatório A Recorrente apresentou os Pedidos de Restituição e Declarações de Compensação carreados às fls. 98257 e 13.48913.583, resumidamente relacionados às fls. 13.616, nos quais requer a restituição e/ou compensação de débitos com supostos créditos de Cofins. Os créditos são oriundos de pagamentos indevidos ou a maior da COFINS nos períodos de apuração de junho a outubro e dezembro de 2005, janeiro, fevereiro, agosto a outubro e dezembro de 2006 e fevereiro de 2007, onde se constatou que os DACON´s, na apuração dos valores devidos pela incidência nãocumulativa, foram assim retificados: a) redução dos débitos, pela transferência de parte da Receita da Revenda de Mercadorias, originalmente tributada a 7,6%, para Receitas Isentas, não alcançadas pela Incidência da Contribuição, com Suspensão ou Sujeitas a Alíquota Zero (art.28 da Medida Provisória n° 252, de 15.06.2005, Decreto n° 5.467, de 15.06.2005, art.28 da Lei n° 11.196, de 21.11.2005, Decreto n° 5.602, de 06.12.2005 e art.1°, § 3°, inciso I da Lei n° 10.833, de 29.12.2003); b) aumento dos créditos relativos às Despesas de Aluguéis de Prédios Locados de Pessoa Jurídica, em decorrência do aumento de tais despesas, conforme art.3°, inciso IV, da Lei n° 10.833, de 29.12.2003; c) redução dos créditos relativos à compra de bens para revenda (7,6%), bens que passam a ser considerados a Alíquotas Diferenciadas (4,6%). d) no caso da contribuição de dezembro de 2006, parte do direito creditório originouse, também, de pagamento a maior anterior. Através do despacho decisório de fls. 13.60713.616, a fiscalização houve por bem reconhecer parcialmente o direito creditório apurado pela Recorrente e homologar parcialmente os pedidos de compensação. Resumidamente, os créditos reconhecidos pela fiscalização dizem respeito as despesas de aluguéis de prédios (item b) e bens para revenda (item c), mantendose, integralmente a glosa em relação ao item "a", com base nos seguintes fundamentos: Foi solicitado ao interessado (fls.2863/2865) que fornecesse cópias das notas fiscais relacionadas no QUADRO III AMOSTRA DAS NOTAS FISCAIS DAS VENDAS SUJEITAS A ALÍQUOTA 0%. (...) A amostra, composta de notas fiscais escolhidas de forma aleatória, com o auxílio de tabela de números aleatórios, foi elaborada com a finalidade de se comprovar a veracidade estatística das notas fiscais de vendas sujeitas a alíquota zero componentes das listas fornecidas pela Via Varejo S/A. Mencionese que, dos 85 documentos solicitados no quadro III, o contribuinte apresentou 446 cópias de notas fiscais (fls.2885/3333), mas apenas uma única cópia referese às listadas no quadro acima (n° 572.255, emitida em 27.02.2006, de fls.2887), ainda assim sem comprovação, em seu corpo, de que a venda estivesse sujeita à alíquota zero. Das notas apresentadas, algumas informam códigos da TIPI não contemplados com alíquota zero do PIS e COFINS (fls.2889/2897). Também foram apresentados cupons fiscais que, além de difícil leitura, não mostram elementos probatórios da isenção fiscal (fls.3031/3033). Fl. 14515DF CARF MF Processo nº 10805.722477/201107 Acórdão n.º 3302004.619 S3C3T2 Fl. 3 3 Obviamente, a análise da amostra das notas fiscais apresentada não prova que as vendas listadas estejam contempladas com os benefícios do Programa de Inclusão Digital. Desta forma, não é possível reconhecer, ainda que menor que o solicitado, o direito creditório demonstrado no QUADRO II acima, proveniente da transferência de parte da Receita da Revenda de Mercadorias, originalmente tributada a 7,6%, para Receitas Isentas, não alcançadas pela Incidência da Contribuição, com Suspensão ou Sujeitas a Alíquota Zero (art.28 da Medida Provisória n° 252, de 15.06.2005, Decreto n° 5.467, de 15.06.2005, art.28 da Lei n° 11.196, de 21.11.2005, Decreto n° 5.602, de 06.12.2005 e art.1°, § 3°, inciso I da Lei n° 10.833, de 29.12.2003). Intimada do despacho decisório, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 13.77713.788), alegando, em síntese que: (i) não se pode admitir que o direito creditório seja glosado por mera presunção de sua inexistência; e subsidiariamente (ii) que sejam baixados aos autos em diligência para que a autoridade fiscal realize a análise por amostragem com base nas 446 NOF´s apresentadas pela Recorrente. Em 10 de março de 2015, por determinação do i. Julgadores de piso (fls.14.387), o processo foi convertido em diligência para que a "a autoridade administrativa procedendo as diligências que entender necessárias e usando as técnicas de sua livre escolha, informe quais dentre as 476 notas fiscais apresentadas pela manifestante tratam de venda a varejo de componentes ligados ao Programa de Inclusão Digital, cujas alíquotas da Cofins ficam reduzidas a 0 (zero), informando também, o respectivo valor da contribuição a ser deduzido do débito apurado inicialmente". O resultado da diligência propôs a ratificação do despacho decisão com base nas seguintes alegações (fls.14.40714.408): Relacionamos as 446 notas fiscais em planilha de fl. 14.399/14.405,chegando se ao seguinte resultado: 1) 125 (cento e vinte e cinco) notas fiscais, com a descrição do produto apresentada de forma abreviada o que dificulta a identificação do produto, além de não constar no corpo da nota fiscal campo para informação da TIPI. Sendo assim, é difícil afirmar que aquele produto esteja incluído no Programa de Inclusão Digital. Conforme a listagem apresentada pelo interessado de fl. 3.334/13.486, os produtos estariam incluídos no referido Programa. 2) 19 (Dezenove) notas fiscais, apresentadas com as mesmas características do item 1, não estariam incluídos no Programa, com base na listagem anteriormente referida e apresentada pelo interessado. Também, com base na Legislação do Programa de Inclusão Digital, conforme Quadro I, elaborado pelo AFRFB (fl. 13.609), os produtos não estariam incluídos no referido Programa; 3) 03 (três) cupons fiscais foram desconsiderados por estarem totalmente ilegíveis (fl. 3.031/3.033); 4) 299 (Duzentas e noventa e nove) notas fiscais (67% do total) não foram encontradas na listagem referida no item 1. Diante da análise efetuada, no universo de 446 notas fiscais, não há condições de concluir se os produtos vendidos estão incluídos no Programa de Inclusão Digital. Fl. 14516DF CARF MF 4 Também, mais uma vez, foi intimado o interessado a apresentar algumas das notas fiscais dentre as 85 (oitenta e cinco) solicitadas pelo Auditor Fiscal que analisou o processo. Requisitou prazo adicional de 10 (dez) dias para atendimento da intimação que se encerrou no dia 09.09.2015. Não apresentou as notas fiscais. Ato contínuo, foi proferido o acórdão de fls. 14.41514.419 que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme se verifica na ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. VERIFICAÇÃO POR AMOSTRAGEM. Se a empresa não apresenta as notas fiscais selecionadas para verificação por amostragem, o crédito não deve ser reconhecido. Intimada da decisão em 07.12.2015 (fls.14.422), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 06.01.2016 (fls. 14.42514.437), reproduzindo os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 07.12.2015 (fls.14.422) e protocolou Recurso Voluntário em 06.01.2016 (fls. 14.42514.437), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Questões de Mérito Conforme tecido no relatório acima, a Recorrente visa o reconhecimento de direito creditório da COFINS, sob o argumento de que parte da Receita da Revenda de Mercadorias, originalmente tributada a 7,6%, são receitas isentas, não alcançadas pela Incidência da Contribuição, nos termos do artigo 28 da Medida Provisória n° 252, de 15.06.2005, Decreto n° 5.467, de 15.06.2005, artigo 28 da Lei n° 11.196, de 21.11.2005, Decreto n° 5.602, de 06.12.2005 e artigo 1°, § 3°, inciso I da Lei n° 10.833, de 29.12.2003. Referidos preceitos normativos dispõem sobre os benefícios do denominado "Programa de Inclusão Social" que reduziu a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS para alguns produtos relacionados a tecnologia digital. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 14517DF CARF MF Processo nº 10805.722477/201107 Acórdão n.º 3302004.619 S3C3T2 Fl. 4 5 Inicialmente, a MP 252/2005 (vigente entre 16.06.2005/21.11.2005), previu a aplicação do benefício aos produtos classificados nos códigos 8471.50.10; 8471.60.53 e 8471.60.72, conforme consta do artigo 28 da referida MP: Art. 28. Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta de venda, a varejo, de unidades de processamento digital classificadas no código 8471.50.10 da Tabela de Incidência do IPI TIPI. § 1o A redução de alíquotas de que trata o caput alcança as receitas de vendas de unidades de entrada classificadas nos códigos 8471.60.52 (teclado) e 8471.60.53 (exclusivamente mouse), e a unidade de saída por vídeo classificada no código 8471.60.72 (monitor), todos da TIPI, quando vendidas juntamente com a unidade de processamento digital. § 2o Os produtos de que trata este artigo devem atender aos termos e condições estabelecidos em regulamento, inclusive quanto ao valor e especificações técnicas. A partir da data de 22.11.2005, foi instituída a Lei nº 11.196/2005 que ampliou o rol de produtos que seriam beneficiados com aplicação da alíquota zero, a saber: Art. 28. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta de venda a varejo: I de unidades de processamento digital classificadas no código 8471.50.10 da Tabela de Incidência do IPI TIPI; II de máquinas automáticas para processamento de dados, digitais, portáteis, de peso inferior a 3,5Kg (três quilos e meio), com tela (écran) de área superior a 140cm2 (cento e quarenta centímetros quadrados), classificadas nos códigos 8471.30.12, 8471.30.19 ou 8471.30.90 da Tipi; III de máquinas automáticas de processamento de dados, apresentadas sob a forma de sistemas, do código 8471.49 da Tipi, contendo exclusivamente 1 (uma) unidade de processamento digital, 1 (uma) unidade de saída por vídeo (monitor), 1 (um) teclado (unidade de entrada), 1 (um) mouse (unidade de entrada), classificados, respectivamente, nos códigos 8471.50.10, 8471.60.7, 8471.60.52 e 8471.60.53 da Tipi; IV de teclado (unidade de entrada) e de mouse (unidade de entrada) classificados, respectivamente, nos códigos 8471.60.52 e 8471.60.53 da Tipi, quando acompanharem a unidade de processamento digital classificada no código 8471.50.10 da Tipi. § 1º Os produtos de que trata este artigo atenderão aos termos e condições estabelecidos em regulamento, inclusive quanto ao valor e especificações técnicas. § 2º O disposto neste artigo aplicase também às aquisições realizadas por pessoas jurídicas de direito privado ou por órgãos e entidades da Administração Pública Federal, Estadual ou Municipal e do Distrito Federal, direta ou indireta, às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público e às demais organizações sob o controle direto ou indireto da União, dos Estados, dos Municípios ou do Distrito Federal. Fl. 14518DF CARF MF 6 § 3º O disposto no caput deste artigo aplicase igualmente nas vendas efetuadas às sociedades de arrendamento mercantil leasing. Paralelamente a instituição das referidas normas, foram veiculados os Decretos nºs 5.467/2005; 5.602/2005; e 6.023/2007 impondo a observância de requisitos para fruição dos benefícios, o quais destaco: (i) limites quantitativos para comercialização dos produtos; (ii) limites geográficos para usufruir do benefício, aplicável somente aos bens produzido no País, conforme PPB estabelecido com os órgãos competentes; e (iii) que a nota fiscal dos produtos comercializados seja devidamente preenchida, principalmente com a expressão "Produto fabricado conforme processo produtivo básico". Observada a legislação mencionada, resta analisar se o contribuinte faz jus ao benefício almejado. Inicialmente, destacase que a Recorrente procedeu a retificação dos DACON´s e apurou crédito passivo de restituição (vide planilhas de fls.3.33413.486), considerando, para tanto, a comercialização de produtos beneficiados pelo denominado "Programa de Inclusão Digital" e, supostamente lastreado por documentos hábeis à comprovar da origem do crédito. Intimada à fornecer e comprovar a origem dos créditos através de Notas Fiscais selecionadas pela fiscalização, já que a análise seria realizada por amostragem, a Recorrente deixou que cumprir tal intimação e, de forma totalmente diversa trouxe aos autos outras Notas Fiscais para tentar demonstrar seu direito. A fiscalização, por sua vez, analisou referidos documentos e concluiu que os mesmos não se prestam à comprovar o direito almejado pela Recorrente, conforme se destaca o trecho do despacho decisório abaixo: Das notas apresentadas, algumas informam códigos da TIPI não contemplados com alíquota zero do PIS e COFINS (fls.2889/2897). Também foram apresentados cupons fiscais que, além de difícil leitura, não mostram elementos probatórios da isenção fiscal (fls.3031/3033). Deste modo, não se pode afirmar que a fiscalização tenha glosado o crédito da Recorrente simplesmente pelo fato dela ter deixado de juntar as 85 Notas Fiscais solicitadas pela autoridade fiscal. Houve no presente caso, a devida análise dos documentos juntados pela Recorrente, contudo, tais documentos foram insuficientes para demonstrar o direito e a origem do crédito. Inclusive, a insuficiência de prova documental foi atestado na diligência realizada nos autos, onde, analisados novamente todo o suporte documental carreado pela Recorrente, restou confirmado que as Notas Fiscais não se prestam à comprovar o direito do contribuinte, na medida em que referidos documentos não foram devidamente preenchidos. Compulsandose os autos, não vejo que a glosa realizada pela autoridade fiscal mereça reparos, na medida em que os documentos colacionadas pela Recorrente não se prestam a comprovar ser pretenso direito. Isto porque, as Notas Fiscais carreadas às fls. 2.8873.333 não foram devidamente preenchidas, onde restou ausente a descrição correta do produto, código NCM, e principalmente a expressão "Produto fabricado conforme processo produtivo básico", conforme determinado nas legislações anteriormente citadas. Fl. 14519DF CARF MF Processo nº 10805.722477/201107 Acórdão n.º 3302004.619 S3C3T2 Fl. 5 7 Ausente estas informações e, não preenchido os requisitos básicos para fruição do benefício previsto em lei, resta correta a decisão da autoridade fiscal que glosou os créditos apurados pela Recorrente. Vale registrar, que em se tratando de ressarcimento ou compensação, o contribuinte possui o ônus de provar seu direito aos créditos apurados. Nesse sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Neste cenário, entendo que a glosa deve ser mantida na forma inicialmente instaurada. III Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Fl. 14520DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000454/2011-70
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2011
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA.
A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. Se o acórdão recorrido encontra fundamento em circunstância específica que não foi tratada pelos acórdãos paradigmas, e que nem mesmo podia estar presente no contexto jurídico examinado por essas outras decisões, fica prejudicada a caracterização de divergência na interpretação da lei. O fundamento encampado pelo acórdão recorrido, no sentido de que a Portaria RFB n° 11.371/2007 dispensava a emissão de MPF para os casos de revisão interna de DCOMP com lançamento de multa isolada, é suficiente, por si só, para a rejeição da preliminar de nulidade nos presentes autos. E em relação a esse fundamento, não houve comprovação de divergência.
Numero da decisão: 9101-003.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2011 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. Se o acórdão recorrido encontra fundamento em circunstância específica que não foi tratada pelos acórdãos paradigmas, e que nem mesmo podia estar presente no contexto jurídico examinado por essas outras decisões, fica prejudicada a caracterização de divergência na interpretação da lei. O fundamento encampado pelo acórdão recorrido, no sentido de que a Portaria RFB n° 11.371/2007 dispensava a emissão de MPF para os casos de revisão interna de DCOMP com lançamento de multa isolada, é suficiente, por si só, para a rejeição da preliminar de nulidade nos presentes autos. E em relação a esse fundamento, não houve comprovação de divergência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 04 54 /2 01 1- 70 Fl. 756DF CARF MF Processo nº 19515.000454/201170 Acórdão n.º 9101003.041 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte acima identificada, fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto (1) ao não reconhecimento da nulidade do lançamento decorrente de segundo exame em relação a um mesmo período sem autorização expressa da autoridade competente; (2) ao não reconhecimento da nulidade do lançamento por falhas ou ausência na emissão do Mandado de Procedimento Fiscal MPF; e (3) à manutenção da multa isolada aplicada em razão da não homologação da compensação, considerada não declarada. Apenas a segunda divergência foi admitida no exame de admissibilidade do recurso especial. Houve negativa de seguimento do recurso em relação às outras duas divergências, conforme o despacho decisório exarado em 08/05/2015 pela Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento. E a negativa de seguimento do recurso em relação à primeira e terceira divergências foi confirmada pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em caráter definitivo, conforme o despacho de reexame de admissibilidade exarado em 11/05/2015. A recorrente insurgise contra o Acórdão nº 1301001.219, de 09/05/2013, por meio do qual a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF decidiu, por unanimidade de votos, entre outras questões, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento em razão da alegação de vícios no Mandado de Procedimento Fiscal MPF. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2010 DECADÊNCIA. Aplicandose as regras decadenciais previstas no art. 173, I do CTN, é de se reconhecer a decadência em relação aos fatos ocorridos antes de 01/01/2006. NOMEAÇÃO DE JULGADOR AD HOC. VALIDADE. A teor do que expressamente determinam as disposições do atual art. 308, inciso V da Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, perfeitamente legítima, verificase, é a nomeação ad hoc do julgador de primeira instância, Fl. 757DF CARF MF Processo nº 19515.000454/201170 Acórdão n.º 9101003.041 CSRFT1 Fl. 4 3 em decorrência da ausência justificada do julgador Milton Bellintani Junior AFRFB Matr. 63.767. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIOS NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. MPF. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento interno de planejamento e controle das atividades de fiscalização. Eventuais falhas nesses procedimentos, por si só, não ensejam a nulidade o lançamento decorrente da ação fiscal. MULTA ISOLADA. DESPROPORCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 02) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os Membros deste Colegiado, por uanimidade de votos, em NEGAR provimento aos Recursos de Ofício e Voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. No recurso especial, a contribuinte afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que foi dada em outros processos, relativamente às matérias acima mencionadas. Quanto à matéria admitida do recurso (não reconhecimento da nulidade do lançamento por falhas ou ausência na emissão do Mandado de Procedimento Fiscal MPF), a contribuinte desenvolve os argumentos apresentados a seguir: DA AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL o lançamento foi realizado mediante a instauração de RPF, quando o correto é ser autorizado por Mandado de Procedimento Fiscal; o Decreto n° 3.724/01, que regulamenta as atividades de fiscalização, determina em seu artigo 2º, §3º, que: [...]; mais adiante, o Decreto n° 3.724/01, em seu artigo 2º, §4º, determina ao Secretario da Receita Federal do Brasil que sejam relacionadas as hipóteses de dispensa ou situações em que seja necessário o início de procedimento de fiscalização antes da expedição do mandado de procedimento fiscal, verbis: [...]; de acordo com os dispositivos legais supra transcritos, evidente que o mandado de procedimento fiscal somente está dispensado nas hipóteses que forem relacionadas pelo Secretario da Receita Federal do Brasil, as quais necessariamente constituirão situações que culminarão em prejuízo à Fazenda Nacional, o que não é o caso da questão discutida nos presentes autos; neste ponto, cumpre destacar que a Portaria n° 11.371/07, que dispunha sobre as atividades de planejamento de fiscalização à época do lançamento, assim determinava: [...]; Fl. 758DF CARF MF Processo nº 19515.000454/201170 Acórdão n.º 9101003.041 CSRFT1 Fl. 5 4 constatase, pois, que os incisos I, II, III e VII do artigo 10 da Portaria n° 11.371/07 se referem a situações específicas de tributos relacionados ao comércio exterior, o que não é o caso; ademais, do confronto da Portaria RFB n° 11.371/07, com o Decreto n° 3.724/01, verificase que o legislador é claro ao fixar que todos os procedimentos fiscais devem ser instaurados por mandados de procedimentos fiscais, exceto na hipótese de fiscalização interna, de revisão aduaneira, cujas hipóteses foram detalhadas no artigo 10, inciso II, da Portaria RFB n° 11.371/07; da leitura harmoniosa do inciso II, §3º, do artigo 2º, do Decreto n° 3.724/01 com a referida Portaria, é cristalino que a dispensa do Mandado de Procedimento Fiscal só se aplica aos casos de lançamentos de multa isolada quando derivados de operações aduaneiras, o que não é o caso; demonstrada a imprescindibilidade da existência de Mandado de Procedimento Fiscal, nulos estão todos os atos do processo, desde seu nascedouro. Esse é o posicionamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: ACÓRDÃO N° 230100.079 MPF. AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO E DAS AUTUAÇÕES. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF confere aos lançamentos e autuações legitimidade de que decorreram dos motivos e informações nele declarados. É também instrumento de controle da atividade de fiscalização. A ausência de MPF torna nulo todo o procedimento. Processo Anulado. no julgamento supra transcrito, o Colendo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deixa claro que: · "Além dessa precípua finalidade, cumpre com a nobre missão de objetividade e transparência nos atos da Administração Pública, na medida em que dá conhecimento ao sujeito passivo dos elementos objetivos que foram priorizados pela Administração Tributária para início do procedimento de investigação, ao mesmo tempo em que exterioriza o conteúdo da ordem transmitida ao servidor subordinado, delimitando os quadrantes priorizados para a sua atuação" (fls. 07 do acórdão paradigma); · "O MPF constitui requisito de validade do lançamento fiscal ou da atuação e sua ausência no início da fiscalização constituise vício gerador de nulidade. Essa nulidade decorre de ausência de requisito formal indispensável para a sua prática, qual seja, a habilitação do agente para o exercido da competência" (fls. 07 do acórdão paradigma); · "Nesse sentido, o lançamento efetuado com ausência de MPF possui vício formal que acarreta sua nulidade" (fls. 08 do acórdão paradigma); · "Pelo exposto, acatando a preliminar de decadência até a competência 11/1998 inclusive, e por ser autoridade julgadora competente para a decretação da nulidade, Fl. 759DF CARF MF Processo nº 19515.000454/201170 Acórdão n.º 9101003.041 CSRFT1 Fl. 6 5 por estar claro que o procedimento fiscal possui vício, onde se demonstra preterido o direito de defesa da recorrente. Voto pela anulação do lançamento" (fls. 09 do acórdão paradigma); noutros termos, o aresto em análise corrobora com o entendimento da Recorrente de que o lançamento desprovido de mandado de procedimento fiscal como ato preparatório deve ser declarado nulo, sob pena de infringir as disposições perpetradas pelo Decreto n° 3.724/01, combinado com a Portaria n° 11.371/07; já o v. acórdão recorrido posicionase no sentido contrário, sustentando que "no que se refere à pretensa discussão a respeito da (in)validade da autuação em decorrência da ausência e/ ou irregularidade do MPF, é relevante destacar que, ao contrário do que por ela pretendido, é assente neste Conselho que as eventuais irregularidades da ausência da emissão do respectivo Mandado de Procedimento Fiscal — MPF em absolutamente nada afeta a validade do lançamento efetivado, possuindo aquele mandamento mera e exclusiva relevância interna" (fls. 17 do acórdão recorrido); entretanto, pelas razões já expostas pela Recorrente, restou arguida a prática de ilegalidade pelo Recorrido, a qual necessariamente deve ser reconhecida e, consequentemente, ser declarado nulo o lançamento em epígrafe, em consonância com o entendimento do Colendo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no aresto paradigma ora transcrito; ACÓRDÃO N° 20500.004 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Ausência de mandado de procedimento fiscal MPF. É nulo o lançamento não procedido de MPF. Processo anulado ab initio. de acordo com o entendimento esposado pelo 2º Conselho de Contribuintes, "o MPF é instrumento para início do procedimento fiscal, atribuindo condições de precedibilidade ao agente do Fisco competente para o exercido da auditoria fiscal, sendo, por conseguinte, ato preparatório e indispensável à produção de atos subseqüentes, como é exemplo o lançamento"; mais adiante, ao discorrer sobre a natureza do mandado de procedimento fiscal, a Câmara Julgadora pacifica o entendimento de que "o MPF cumpre com a nobre missão de objetividade e transparência nos atos da administração Pública, na medida em que dá conhecimento ao sujeito passivo dos elementos objetivos que foram priorizados pela Administração Tributária para início do procedimento de investigação, ao mesmo tempo em que exterioriza o conteúdo da ordem transmitida ao servidor subordinado, delimitando os quadrantes priorizados para a sua atuação"; por fim, conclui que "o MPF constitui requisito de validade do lançamento fiscal ou da atuação e, (...) é nulo o lançamento não precedido de MPF. Essa nulidade decorre de ausência de requisito formal indispensável para a sua prática, qual seja, a habilitação do agente para o exercício da competência"; já o acórdão recorrido contraria expressamente o referido entendimento, vez que trata o mandado de procedimento fiscal como mero expediente, reduzindo a sua importância a mera formalidade, cabendo a autoridade administrativa optar por instaurálo ou Fl. 760DF CARF MF Processo nº 19515.000454/201170 Acórdão n.º 9101003.041 CSRFT1 Fl. 7 6 não, fato este que contraria expressamente as diretrizes traçadas pelo princípio da legalidade, pois compete ao ente público observar todas as regras que disciplinam os atos administrativos; portanto, evidente que o acórdão recorrido deve ser reformado também neste ponto, já que o agente fiscal deixou de observar as normas relativas a indispensabilidade de instauração do mandado de procedimento fiscal. Como já mencionado, quando do exame de admissibilidade do recurso especial da contribuinte, a Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 08/05/2015, deu seguimento parcial ao recurso, apenas em relação à segunda divergência, que trata do não reconhecimento da nulidade do lançamento por falhas ou ausência na emissão do Mandado de Procedimento Fiscal MPF, nos seguintes termos: [...] No segundo ponto, a recorrente alega divergência quanto ao entendimento do acórdão recorrido que considerou que eventuais falhas ou ausência na emissão do Mandado de Procedimento Fiscal MPF não ensejam a nulidade do lançamento. Sustenta que o entendimento contraria a jurisprudência contida no Acórdão nº 230100.079, de 03/03/2009, proferido pela 1ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF e no Acórdão nº 20500.004, de 09/10/2007, proferido pela 5ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, cujas ementas transcrevo abaixo: [...] O acórdão recorrido, por sua vez traz a seguinte ementa sobre a matéria em apreço: [...] Verificase, pelo teor da própria ementa do acórdão recorrido, que a matéria foi devidamente prequestionada. Assim, examino a admissibilidade da divergência alegada. Examinando os acórdãos paradigmas em cotejo com o acórdão recorrido verificase que os mesmos examinam situações semelhantes, porém trazem entendimentos divergentes quanto aos efeitos de ausência ou eventuais vícios na emissão de MPF. Os acórdãos paradigmas trazem entendimento de que é nulo o procedimento fiscal não amparado por MPF. O acórdão recorrido, por sua vez, sustenta que eventuais falhas ou ausência na emissão do Mandado de Procedimento Fiscal MPF não ensejam a nulidade do lançamento. Assim, sendo divergentes as conclusões dos acórdãos cotejados, impõese admitir a análise do recurso especial pela CSRF, neste ponto. Em 26/05/2015, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do despacho que deu seguimento parcial ao recurso especial da contribuinte, e em 27/05/2015 o referido órgão apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, com os seguintes argumentos: Fl. 761DF CARF MF Processo nº 19515.000454/201170 Acórdão n.º 9101003.041 CSRFT1 Fl. 8 7 DAS RAZÕES PARA MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO a decisão ora recorrida negou provimento ao recurso voluntário, no que nos importa para o presente recurso, sustentando que eventuais falhas ou ausência na emissão do Mandado de Procedimento Fiscal MPF não ensejam a nulidade do lançamento; de acordo com a recorrente, o procedimento fiscal é nulo, pois eventuais falhas/ausência na emissão do Mandado de Procedimento Fiscal MPF ensejam a nulidade do lançamento. Cita como decisões divergentes os Acórdãos nº 230100.079 e 20500.004. Entretanto, a tese encampada pela Recorrente não merece prosperar; com a devida vênia, o Mandado de Procedimento Fiscal previsto em normas infralegais traduz mero instrumento de controle interno da Receita Federal do Brasil, não acarretando sua falta ou irregularidade qualquer nulidade no lançamento correspondente; o Mandado de Procedimento Fiscal foi instituído pela Portaria SRF nº 1.265, de 22 de novembro de 1999 com o objetivo de disciplinar os procedimentos fiscais relativamente aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal; esta portaria foi posteriormente revogada pela Portaria SRF nº 3.007, de 26 de novembro de 2001, que disciplinou a mesma matéria, com algumas alterações. O art. 2º da portaria nº 3.007, de 2001 assim dispõe: [...]; seguese a este dispositivo uma série de outros que tratam, entre outros assuntos, da competência para emissão do MPF, forma, conteúdo, prazos, hipóteses de dispensa de sua emissão, etc.; nos artigos 12 e 13, a portaria fixa os prazos de validades e as condições de sua renovação. Já os artigos 15 e 16 cuidam da extinção do MPF e seus efeitos; pela leitura dos dispositivos, é fácil perceber que toda essa disciplina diz respeito apenas ao acompanhamento interno das atividades dos agentes fiscais e jamais qualquer vício quanto a este procedimento, admitido aqui apenas para argumentar, poderia configurar cerceamento do direito de defesa; é pacífico o posicionamento, inclusive no âmbito do Conselho, de que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é instrumento interno da Administração Tributária, destinado ao controle e ao planejamento das atividades fiscalizatórias. Nesse sentido, citese: [...]; destarte, no que toca à nulidade pretendida pela recorrente em face da alegada ausência/irregularidades no MPF, a matéria já está bastante repisada e pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo no sentido de que o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, devidamente investido em suas funções, é competente para o exercício da atividade administrativa de lançamento, sendo o MPF Mandado de Procedimento Fiscal apenas um instrumento de controle administrativo interno e de informação ao contribuinte, da realização de procedimento fiscal contra si intentado, e independentemente de verificar a existência ou não das deficiências alegadas, em relação ao MPF, certo é que eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração; Fl. 762DF CARF MF Processo nº 19515.000454/201170 Acórdão n.º 9101003.041 CSRFT1 Fl. 9 8 tanto é assim que o MPF não tem previsão em lei, estando regulado apenas por normas de natureza infralegal. Salientese, por oportuno, que o art. 142 do CTN, ao tratar da fiscalização e do lançamento do crédito tributário, sequer prevê a emissão do MPF como requisito essencial à formalização daquele último ato administrativo. Nos termos do mencionado artigo, o lançamento constitui atividade vinculada e obrigatória cujo exercício independe da prévia expedição de MPF: [...]; ademais, os requisitos necessários do auto de infração encontramse previstos no art. 10 do Dec. 70.235: [...]; por sua vez, o art. 59, do mencionado Decreto, trata das causas de nulidade absoluta por vício no procedimento: [...]; já os arts. 60 e 61 abordam o tratamento a ser dado aos eventos que possam resultar em anulação do feito e a competência para o conhecimento: [...]; assim sendo, tratandose o MPF de documento interno de uso da própria Administração Tributária e não encontrando o referido documento previsão em lei, eventual irregularidade ou até sua ausência, não é capaz de ensejar a nulidade do Auto de Infração; além disso, não houve desatendimento a quaisquer garantias da empresa autuada nos presentes autos, que teve plenamente assegurado o seu direito ao contraditório e à ampla defesa, com todos os meios e recursos a ela inerentes, tendo se utilizado de todas as vias de impugnação previstas em lei, a saber: impugnação e recurso voluntário. Do mesmo modo, os princípios públicos basilares também restaram atendidos nos presentes autos, em obediência a todas as determinações legais; segundo resulta da disciplina dos arts. 59 c/c 60 do Decreto n.º 70.235/72, acima transcritos, a notificação e demais termos do processo administrativo fiscal somente serão declarados nulos na ocorrência de uma das seguintes hipóteses: a) quando se tratar de ato/decisão lavrado ou proferido por pessoa incompetente; b) resultar em inequívoco cerceamento de defesa à parte. Ora, o Auto de Infração foi lavrado por servidor competente e não ocorreu a hipótese de cerceamento do direito de defesa; dessa forma, o lançamento está em plena conformidade com o que estabelecem os arts. 142 do CTN e 10, 59 e 60 do Decreto 70.235. O exercício amplo e efetivo do direito de defesa foi propiciado à contribuinte, que, inclusive, apresenta longo e detalhado arrazoado; ora, como já citamos, a copiosa jurisprudência desta Câmara Superior tem firmado o entendimento que se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não somente preliminares, mas também razões de mérito, mostrase incabível a declaração de nulidade de lançamento por cerceamento de defesa, devendo prevalecer os princípios da instrumentalidade e economia processual em lugar do rigor das formas; na doutrina, é tranquila a prevalência desses princípios. Anotese: [...]; em conclusão, porque o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não se caracteriza como requisito de validade da autuação, mas mero instrumento interno da Administração Tributária, destinado ao controle e ao planejamento das atividades Fl. 763DF CARF MF Processo nº 19515.000454/201170 Acórdão n.º 9101003.041 CSRFT1 Fl. 10 9 fiscalizatórias, eventuais ausência/omissões/incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração; DO PEDIDO ante todo o exposto pugna a Fazenda Nacional que seja negado provimento ao recurso especial, mantendose o acórdão proferido pela e. Turma a quo, por seus próprios e jurídicos fundamentos. É o relatório. Fl. 764DF CARF MF Processo nº 19515.000454/201170 Acórdão n.º 9101003.041 CSRFT1 Fl. 11 10 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conforme relatado, o presente processo abrange lançamento para a aplicação de multa isolada à contribuinte, em razão de ela ter realizado compensações que foram consideradas como “não declaradas”. As compensações foram consideradas como não declaradas porque estavam fundadas em créditos decorrentes de títulos públicos e pertencentes a terceiros, e também em créditos de terceiros e que não se referiam a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal. A divergência suscitada pela contribuinte nessa fase de recurso especial e que chega a essa Câmara Superior de Recursos Fiscais diz respeito à parte do acórdão recorrido que não reconheceu a nulidade do lançamento por falta de emissão do Mandado de Procedimento Fiscal MPF. É importante destacar os fundamentos utilizados pelas decisões de primeira e segunda instâncias administrativas para rejeitar a referida preliminar de nulidade, que vem sendo suscitada pela contribuinte desde o início da fase contenciosa: Acórdão n.º 1634.873 (decisão de primeira instância administrativa) Voto [...] 8.2. RPF, em vez de MPF. 8.2.1. Aponta a autuada que a ausência do Mandado de Procedimento Fiscal só se aplica aos casos de lançamentos de multa isolada quando derivados de operações aduaneiras, o que não é o caso (subitem 3.17.), razão pela qual deve ser declarada a nulidade do presente auto. 8.2.2. Novamente laborou em equívoco a Impugnante. 8.2.3. A Impugnante baseia seu entendimento no previsto na Portaria RFB n° 11.371/2007, especificamente no art. 10, inciso II. Incluo abaixo, o inciso IV, a saber: “Art. 10. O MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização: (...) II interno, de formalização de exigência de crédito tributário constituído em termo de responsabilidade ou pelo descumprimento de regime aduaneiro especial, lançamento de multas isoladas, revisão Fl. 765DF CARF MF Processo nº 19515.000454/201170 Acórdão n.º 9101003.041 CSRFT1 Fl. 12 11 aduaneira e formalização de abandono ou apreensão de mercadorias realizada por outros órgãos;” (...) IV relativo à revisão interna das declarações, inclusive para aplicação de penalidade pela falta ou atraso na sua apresentação (malhas fiscais); (grifei e negritei). 8.2.4. Da leitura dos excertos acima, extraise que: (i) no inciso II estão indicadas quatro hipóteses em que o MPF não será exigido; dentre elas, o lançamento de multas isoladas (e não multas isoladas aduaneiras, como entendeu a Impugnante); e (ii) no inciso IV, observase que também nos casos de revisão interna de declarações (como as DCOMP), é possível o lançamento de penalidades sem a formalização de MPF. 8.2.5. Cabe ressaltar que a competência conferida ao AuditorFiscal para realizar os lançamentos tributários decorre de expressa previsão legal, nos termos do artigo 7° da Lei n° 2.354/1954, do Decretolei n° 2.225/1985, do artigo 926 do Decreto n° 3.000/1999 (RIR) e da Lei nº 10.593/2002, alterada pela Lei n° 11.457/2007. 8.2.6. Assim, é o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil o agente do Fisco competente para exercer a atividade de lançamento de créditos tributários federais, não podendo dela se eximir. 8.2.7. Por sua vez, o MPF é um instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela RFB. 8.2.8. O eventual descumprimento das normas que estabelecem as regras de emissão do MPF não retira quaisquer atributos do ato administrativo do lançamento, que são definidos pela lei, mas apenas pode ensejar a aplicação de penalidades disciplinares, se for o caso. 8.2.9. Sobre a matéria, mencionese os seguintes julgados do E. Primeiro Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais: “PRELIMINAR – MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – COMPETÊNCIA DO AFRF. A competência para constituição do crédito tributário é do Auditor Fiscal da Receita Federal, não podendo ser restringida por ato administrativo de menor hierarquia que a lei que lhe atribuiu tal competência” (Acórdão n° 10196616, de 06/03/2008). “MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF. O Mandado de Procedimento Fiscal instituído pela Port. SRF nº 1.265, de 22/11/99, é um instrumento de planejamento e controle das atividades de fiscalização, dispondo sobre a alocação da mãodeobra fiscal, segundo prioridades estabelecidas pelo órgão central. Não constitui ato essencial à validade do procedimento fiscal de sorte que a sua ausência ou falta da prorrogação do prazo nele fixado não retira a competência do auditor fiscal que é estabelecida em lei (art. 7° da Lei n° 2.354/54 c/c o Dec.lei n° 2.225, de 10/01/85) para fiscalizar e lavrar os competentes termos. A inobservância da mencionada portaria pode acarretar sanções disciplinares, mas não a nulidade dos atos por ele praticados em cumprimento ao disposto nos arts. 950, 951 e 960 do Fl. 766DF CARF MF Processo nº 19515.000454/201170 Acórdão n.º 9101003.041 CSRFT1 Fl. 13 12 RIR/94, 142 do Código Tributário Nacional (...)” (Acórdão CSRF/01 05.330, de 05/12/2005). 8.2.10. No mesmo sentido, vejase as seguintes ementas: 1 Acórdão nº 0222292, de 19 de Maio de 2009, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte: “PRELIMINAR DE NULIDADE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). Tendo a autoridade fiscal observado o cumprimento dos requisitos legais indispensáveis à validade do lançamento do crédito tributário, eventuais questionamentos acerca da emissão ou execução do MPF, por constituir essencialmente um instrumento de controle administrativo, não importam em nulidade do procedimento fiscal.” 2 Acórdão nº 165227, de 06 de Abril de 2004, da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo: “MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NULIDADE DE AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Constituindose o MPF em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo, eventual irregularidade formal nele detectada não enseja a nulidade do auto de infração, nem de quaisquer Termos Fiscais lavrados por agente fiscal competente para proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória nos termos da lei.” 8.2.11. Salientada a desvinculação da validade do lançamento à existência do MPF, é necessário consignar que o presente feito decorre de revisão interna de declarações de compensação, tendo sido observadas as regras estabelecidas pela portaria referida. Preliminar indeferida. Acórdão nº 1301001.219 (decisão de segunda instância administrativa acórdão ora recorrido) Voto [...] Além dessas considerações, verificase ainda que, no que se refere à pretensa discussão a respeito da (in)validade da autuação em decorrência da ausência e/ou irregularidade do MPF, é relevante destacar que, ao contrário do que por ela pretendido, é assente neste Conselho que as eventuais irregularidades decorrentes da ausência da emissão do respectivo Mandado de Procedimento Fiscal – MPF em absolutamente nada afeta a validade do lançamento efetivado, possuindo aquele mandamento mera e exclusiva relevância interna. A esse respeito, inclusive, inúmeros são os julgados colhidos da jurisprudência deste CARF, destacando, apenas a título de exemplificação, o seguinte aresto: [...] Fl. 767DF CARF MF Processo nº 19515.000454/201170 Acórdão n.º 9101003.041 CSRFT1 Fl. 14 13 Nº Acórdão 2201002.060 [...] Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2006 NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIOS NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. MPF. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento interno de planejamento e controle das atividades de fiscalização. Eventuais falhas nesses procedimentos, por si só, não ensejam a nulidade o lançamento decorrente da ação fiscal. Não fosse por essas considerações, importante ainda ressaltar que, na questão discutida nos presentes autos, não se estava a falar de instituição de providências específicas de fiscalização contra o contribuinte apontado, mas apenas, e tão somente, de verificação a respeito das Declarações de Compensação – DCOMP’s por ela apresentadas, cuja verificação decorre da atividade própria e específica dos agentes da fiscalização, não exigindo, inclusive, qualquer necessidade de emissão de ordem específica para esse intento. Apenas a título de destaque necessário, é importante salientar que, contra o direito da Fazenda Pública de verificar a regularidade da Compensação pretendida pelos contribuintes, corre o prazo decadencial (parcialmente reconhecido nestes autos, inclusive), sendo certo que, impor a obrigatoriedade de emissão de MPF ou de qualquer outro comando específico para essas atividades apenas representaria a criação de mais um obstáculo contra a atividade da fiscalização, sem que, para tanto, existisse qualquer mandamento legal a isso especificamente destinado. Por essas considerações, aliado, ainda, a todos os demais apontamentos contidos na r. decisão de origem, rejeito também esse apontamento que julgo preliminar, admitindo, assim, a completa inexistência de nulidade no lançamento realizado. (grifos acrescidos) Vêse que o acórdão recorrido, encampando os fundamentos da decisão de primeira instância, rejeitou a referida preliminar de nulidade por dois motivos: 1 o presente caso envolve uma circunstância específica (revisão interna de DCOMP com lançamento de multa isolada) que dispensa a emissão de MPF; e 2 eventuais falhas ou ausência da emissão do MPF não acarretam nulidade no lançamento. Em síntese, o entendimento manifestado foi no sentido de que não houve irregularidade em relação ao MPF, porque sua própria emissão estava dispensada no presente caso. Mas ainda que houvesse alguma irregularidade em relação ao MPF, ela não acarretaria a nulidade do lançamento. Os documentos constantes dos autos revelam que o procedimento foi instaurado após a emissão do "RPFREVISAO INTERNA n° 08.1.90.002010035183". Realmente, no caso do presente processo, não foi emitido um Mandado de Procedimento Fiscal MPF. Fl. 768DF CARF MF Processo nº 19515.000454/201170 Acórdão n.º 9101003.041 CSRFT1 Fl. 15 14 Desde o início da fase contenciosa, há um debate em torno da Portaria RFB n° 11.371/2007. Um dos fundamentos para a negativa da referida preliminar de nulidade é que no caso específico destes autos, abrangendo revisão interna de DCOMP com lançamento de multa isolada, a exigência de emissão de MPF estaria dispensada pela referida portaria. O lançamento constante deste processo foi formalizado em 2011. Em sua argumentação, a contribuinte contesta expressamente os dois pontos acima referidos, mas os paradigmas por ela apresentados para caracterizar a divergência jurisprudencial tratam especificamente do ponto número "2". Os paradigmas, Acórdãos nºs 230100.079 e 20500.004, não abordaram nenhuma questão sobre a Portaria RFB n° 11.371/2007, se ela dispensaria ou não a emissão de MPF em situações como a que está sendo aqui examinada, etc., até porque essa decisões trataram de lançamentos realizados em 2005 e 2002, respectivamente. Ou seja, esses acórdãos trataram de procedimentos fiscais realizados bem antes da edição da Portaria RFB n° 11.371/2007, de modo que não havia nem mesmo como se instaurar naqueles outros processos qualquer controvérsia semelhante à que se formou nos presentes autos, em torno da interpretação dos dispositivos da referida portaria. Se o acórdão recorrido encontra fundamento em circunstância específica que não foi tratada pelos acórdãos paradigmas, e que nem mesmo podia estar presente no contexto jurídico examinado por essas outras decisões, fica prejudicada a caracterização de divergência na interpretação da lei. O fundamento encampado pelo acórdão recorrido, no sentido de que a Portaria RFB n° 11.371/2007 dispensava a emissão de MPF para os casos de revisão interna de DCOMP com lançamento de multa isolada, é suficiente, por si só, para a rejeição da preliminar de nulidade nos presentes autos. E quanto a esse fundamento, não houve comprovação de divergência, como acima evidenciado, o que compromete a admissibilidade do recurso também para a parte em que ele trata da questão da nulidade do lançamento por falta de emissão de MPF. Desse modo, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da contribuinte. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 769DF CARF MF Processo nº 19515.000454/201170 Acórdão n.º 9101003.041 CSRFT1 Fl. 16 15 Fl. 770DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.005302/2008-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 06/07/2008
AGENTE MARÍTIMO. REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR MARÍTIMO ESTRANGEIRO. LEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDARIA.
0 Agente Marítimo, por ser o representante do transportador estrangeiro no Pais, é responsável por tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira, em razão de expressa determinação legal.
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 06/07/2008
MULTA. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO.
O desembarque de passageiros de navio, sem prévia autorização da
autoridade alfandegária, caracteriza embaraço à fiscalização aduaneira, ensejando aplicação de multa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-001.148
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por voto de qualidade, negar
provimento ao recurso voluntário.
Vencidos os Conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira, Daniel Mariz Gudino e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: Marcelo Ribeiro Nogueira
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 06/07/2008 AGENTE MARÍTIMO. REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR MARÍTIMO ESTRANGEIRO. LEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDARIA. 0 Agente Marítimo, por ser o representante do transportador estrangeiro no Pais, é responsável por tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira, em razão de expressa determinação legal. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 06/07/2008 MULTA. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. O desembarque de passageiros de navio, sem prévia autorização da autoridade alfandegária, caracteriza embaraço à fiscalização aduaneira, ensejando aplicação de multa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira, Daniel Mariz Gudifio e Luciano Lop s de Almeida Moraes Marco Aurelio Pereira Vdladdo - Presidente. ImaA/C-arcelo Ribeiro Nogueira - elator. /WM, Fl. 169DF CARF MF Documento de 8 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0917.10411.3HES. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n° 11128.005302/2008-10 Acórdão n.° 3201-000.148 Paulo Sergio Celani — Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurelio Pereira Valaddo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sergio Celani e Daniel Mariz Guditio. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Trata o presente processo de lançamento consubstanciado no Auto de Infração de fls. 01/05, que constituiu crédito tributário no valor de RS 5.000,00, correspondente a multa por embaraço a fiscalização, prevista pelo artigo 107, IV, "c", do Decreto-Lei n° 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/2003. Conforme relato da autoridade autuante, a agência marítima consignatária do navio COSTA VITÓRIA, responsável pela intermediação do citado navio e de seus passageiros no processo de liberação junto ãs autoridades intervenientes, se omitiu destas responsabilidades no desembarque de quatro passageiros ocorrido sem a devida autorização da autoridade alfandegária, conforme Termo de Ocorrência 66/2007 ff I. 08), incorrendo em claro embaraço à fiscalização. Cientificada do lançamento em 21/08/2008 21 verso), a interessada apresentou impugnação, em 18/09/2008 (lis. 22/43), alegando em síntese que: (a) é parte ilegítima, visto que a movimentação de passageiros é ato privativo do Operador Portuário, nos termos da Lei 8.636/93, a quem cabe a responsabilidade no desembarque de passageiros, devendo obter todas as autorizaçães exigidas na legislação; (b) na qualidade de agente marítimo, cabe a impugnante tão somente a representação do navio Costa Vitória no Brasil, não podendo ser responsabilizada pelos atos do armador, vez que age estritamente como mandatária; (c) no mérito, não há razão para aplicação da pena, vez que não houve nenhum embaraço, já que não compete a autoridade aduaneira regular o passageiro, mas sim sua bagagem, sendo esta atividade restrita a Policia Federal; (d) requer, assim, seja acatada a preliminar de ilegitimidade de parte para anular o auto de infração, ou que seja cancelado o presente no mérito. .42 Fl. 170DF CARF MF Documento de 8 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0917.10411.3HES. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n° 11128.005302/2008-10 Acórdão n.° 3201-000.148 Intimada a sonar os defeitos de representação verificados, por meio dos Termos 11 °S. 400/2008 45) e 460/2008 (/7. 63), foram apresentados os documentos de fls. 46/61 e 64/76. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 06/07/2008 Ementa: AGENTE MARiTIMO. REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR MARITIMO ESTRANGEIRO. LEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. O Agente Marítimo, por ser o representante do transportador estrangeiro no Pais, é responsável solidário com este, no tocante exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira, em razão de expressa determinação legal. Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 06/07/2008 Ementa: MULTA. EMBARAÇOA FISCALIZAÇÃO. 0 fait) de o transportador estrangeiro permitir o desembarque de passageiros sem prévia autorização da autoridade alfandegária, por caracterizar embaraço a ação da fiscalização aduaneira, implica a cobrança de multa no valor de RS 5.000,00 (cinco mil reais). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 0 contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira, Relator Entendo que o recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos legais, portanto, dele tomo conhecimento. Merece ser provido o presente recurso, pois não parece que houve embaraço à fiscalização, isto porque não é possível atribuir ao recorrente qualquer responsabilidade pela entrada e saída de pessoas da zona alfandegada. Além disso, a movimentação de passageiros é atribuição legalmente atribuida ao operador portuário, na forma dos incisos II e III do parágrafo primeiro do artigo primeiro da lei no 8.630/93, verbis: 3 Fl. 171DF CARF MF Documento de 8 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0917.10411.3HES. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n° 11128.005302/2008-10 Acórdão n.° 3201-000.148 Art. 1° Cabe el Unido explorar, diretamente ou mediante concessão, o porto organizado. sç I o Para os efeitos desta lei, consideram-se: - Operação Portuária: a de movimentação de passageiros ou a de movimentação ou armazenagem de mercadorias, destinados ou provenientes de transporte aquaviário, realizada no porto organizado por operadores portuários; III - Operador portuário: a pessoa jurídica pré-qualificada para a execução de operação portuária na área do porto organizado; Por estes motivos, VOTO para conhecer do recurso e dar-lhe provimento integral. CCVOL (IMO Marcelo Ribeiro Nogueira Voto Vencedor Conselheiro Paulo Sergio Celani, Redator Designado. A turma, contrariamente ao proposto pelo Conselheiro Relator, entendeu, com base, essencialmente, nas mesmas razões que fundamentaram a decisão recorrida, que não caberia dar provimento ao recurso voluntário. Razões estas que não foram superadas pelas alegações da recorrente e do relator. A alegação da recorrente de que é parte ilegítima, porque é simples representante do navio estrangeiro, não podendo ser responsabilizada pelos atos praticados pelo armador, e porque a responsabilidade pelo desembarque de passageiros é do Operador Portuário, nos termos da Lei 8.630/93, não pode ser acolhida. Conforme observado pela relatora da decisão recorrida "a liberação para desembarque de passageiros realiza-se sob ordem do transportador, no caso, o comandante do navio", o que foi reconhecido pela recorrente, em resposta à Intimação Fiscal n° 14/08 (fl. 11), quando, instada a esclarecer sobre o incidente ocorrido, assim se manifestou (fls. 12/13): "Pelo serviço de alto falantes do navio foram orientados os passageiros sobre a espera pela liberação para o desembarque como de praxe." Continua a julgadora de primeira instância: "É cediço que a tradição da informa cão para a liberação de desembarque de passageiros é a autoridade exarar a licença para o agente durante a visita aduaneira, este comunicar o oficial responsável do navio e este último passar adiante via rádio para o setor de 4 Fl. 172DF CARF MF Documento de 8 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0917.10411.3HES. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n° 11128.005302/2008-10 Acórdão n.° 3201-000.148 segurança do navio para que, em cumprimento às leis de imigração e aduaneiras do Brasil,' se proceda a liberação dos passageiros para o ingresso no território brasileiro." I Logo, o responsável pelo navio é responsável pela liberação do desembarque dos passageiros, o que somente poderia ocorrer após a devida autorização pela autoridade aduaneira.. A recorrente é representante do transportador, fazendo a ligação entre este e o usuário do navio e controlando operações de carga e descarga, logo é também responsável pelo desembarque indevido de passageiros do navio. Assim, aplica-se o artigo 32 do Decreto-Lei n° 37, de 18/11/1966, que prevê a responsabilidade do agente marítimo, na qualidade de representante do transportador estrangeiro no pais: "Art. 32. É responsável pelo imposto: (Redação dada pelo Decreto-Lei n°2.472, de 01/09/1988) 1 - o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; (Incluído pelo Decreto-Lei 11 ° 2.472. de 01/09/1988) (.) Parágrafo zmnico. É responsável solidário: (Redação dada pela Medida Provisória n°2158-35, de 2001) (I..) II - o representante, no Pais, do transportador estrankeiro; (Redação dada pela Medida Provisória n° 2158-35, de 2001)" (negritamos) Destaque-se, também, o artigo 95, I, do Decreto-Lei n° 37, de 1966, que dispõe que respondem pela infração quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática. Estas normas evidenciam não se aplicar ao caso a Súmula 192, de 1985, do TFR. No âmbito do CARF, a la Turma da la Camara da 3' Seção de Julgamento, no acórdão n° 3101-00.516, de 27/08/2010, decidiu que o agente marítimo responde como representante do armador no Brasil. Segue a ementa: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/0412008 REGISTRO NO SISCOMEX DOS DADOS DE EMBARQUE, PRAZO. 0 registro dos dados de embarque no Siscomex em prazo superior a 7 dias contados da data do efetivo embarque, para a via de transporte marítima, caracteriza a infração contida na alínea "e", inciso IV, do artigo 107 do Decreto-Lei n°. 37/66. Transcrição extraída do voto condutor da decisão recorrida. 5 Fl. 173DF CARF MF Documento de 8 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0917.10411.3HES. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n° 11128.005302/2008-10 Acnrcido n.° 3201-000.148 O amente marítimo responde como representante do armador no Brasil, (Bland() no exercício exclusivo e próprio, respondendo pelo transporte marítimo. Não há enquadramento a hipótese eni apreço em nenhuma das disposições do artigo 138 do CTN, bein como a infração cometida pela Recorrente é clara pois, deixou de prestar informações no prazo cominado em legislação vigente, tem finalidade de arrecadação e fiscalização na forma do artigo 113, § 2' do CTN. Recurso Voluntário Negado." Quanto a ter ocorrido embaraço à fiscalização, o desembarque, sem autorização da autoridade aduaneira, de quatro passageiros, que estavam a bordo do navio, sob a responsabilidade da recorrente, causa prejuízo ao controle aduaneiro, caracterizando-se, assim, embaraço A. fiscalização. Aplica-se então a multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea "c" do Decreto- lei n° 37, de 1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833, de 2003, que dispõe: "Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: IV- de RS 5.000,00 (cinco mil reais): c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não-apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal" Sobre a competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) no presente caso, transcrevo parte do voto condutor da decisão recorrida que bem a esclarece: "De pronto, convém desfazer o equivoco em que incorre a impugnante, quando afirma que a atividade da Receita Federal está limitada à "regulação de bagagem". Nos termos da legislação de regência, a disciplina da entrada, permanência, movimentação e saída de pessoas, veículos, unidades e carga e mercadorias, nas áreas de portos, aeroportos, pontos de fronteira e recintos alfandegados, compete sim A administração aduaneira, que goza inclusive de precedência sobre os demais órgãos que ali exercem suas atribuições. Outro não é o entendimento que se extrai do disposto no artigo 17 do Decreto no 4.543/2002, vigente A época dos fatos: "Art. 17. Nas áreas de portos, aeroportos, pontos de fronteira e recintos alfandegados, hem assim eni outras áreas nas quais se autorize carga e descarga de mercadorias, ou embarque e desembarque de passageiros, procedentes do exterior ou a ele destinados, a administração aduaneira tem precedência sobre os demais órgãos que all exercem suas atribuições (Decreto-Lei n° 37, de 1966, art. 35) (redação dada pelo Decreto n° 4.765, de 24.06.2003). e 6 Fl. 174DF CARF MF Documento de 8 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0917.10411.3HES. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n° 11128.005302/2008-10 AcórdElo n.° 3201-000.148 I°. A precedência de que trata o caput (redação dada pelo' Decreto n°4.765, de 24.06.2003) I — a obrigação, por parte dos demais órgãos, de prestar auxilio imediato, sempre que requisitado pela administração aduaneira, disponibilizando pessoas, equipamentos ou instalações necessários a ação fiscal; e (redação dada pelo Decreto n° 4.765, de 24.06.2003) — a competência da administração aduaneira, sem prejuízo das atribuições de outros órgãos, para disciplinar a entrada, a permanência, a movimentação e a saída de pessoas, veículos, unidades de carga e mercadorias nos locais referidos no caput, no que interessar â Fazenda Nacional. sçs 2°. 0 disposto neste artigo aplica-se igualmente a zona de vigilância aduaneira, devendo os demais órgãos prestar â administração aduaneira a colaboração que for solicitada. (redação dada pelo Decreto n° 4.765, de 24.06.2003)" (negrita/nos)" Acrescento que a precedência da RFB no controle aduaneiro está amparada na própria Constituição Federal de 1988, que dispõe: "Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: XVIII — a administração fazendriria e seus servidores fiscais terão, dentro de suas áreas de competência e jurisdição, precedência sobre os demais setores administrativos, na forma da lei." "Art. 237. A fiscalização e o controle sobre o comércio exterior, essenciais et defesa dos interesses fazenddrios nacionais, serão exercidos pelo Ministério da Fazenda." Pelo exposto, corn fundamento na legislação e precedente citados neste voto,nega-se provimento ao recurso voluntário. (g? • Paulo Sergio Celani 7 Fl. 175DF CARF MF Documento de 8 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0917.10411.3HES. Consulte a página de autenticação no final deste documento. unciondrio da Camara MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO-SEGUNDA CÂMARA Recurso = TERMO DE JUNTADA Nesta data, juntei ao presente processo o documento de folhas95a101 que passam a fazer parte do mesmo .Encaminha=se a, ALF=PORTO=SANTOS=SP EM,23.de..AGOSTO.de 2.013 RUY D ASTOS :. SIP Fl. 176DF CARF MF Documento de 8 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0917.10411.3HES. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento autenticado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Corresponde à fé pública do servidor, referente à igualdade entre as imagens digitalizadas e os respectivos documentos ORIGINAIS. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por RUY DE AZEVEDO BASTOS em 23/08/2013 07:25:39. Documento autenticado digitalmente por RUY DE AZEVEDO BASTOS em 23/08/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 08/09/2017. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP08.0917.10411.3HES Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 60E0C67EA931A0413AC943932CAAECE6D808F0D4 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 11128.005302/2008-10. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 11543.003093/2005-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
DESPACHO DECISÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO. INOVAÇÃO NO JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
No Processo Administrativo Fiscal (PAF), aprecia-se a legalidade ou não do despacho decisório, sendo vedado ao órgão julgador trazer nova fundamentação legal que não constava do despacho original. Deve-se anular a decisão da primeira instância para a realização de novo julgamento adstrita aos fundamentos trazidos no despacho decisório que decidiu pela homologação parcial do pedido de compensação.
Recurso voluntário Parcialmente Provido
Numero da decisão: 3201-003.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para anular a decisão da primeira instância e a realização de novo julgamento adstrito aos fundamentos constantes no despacho decisório.
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Avila.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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FUNDAMENTAÇÃO. INOVAÇÃO NO JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. No Processo Administrativo Fiscal (PAF), apreciase a legalidade ou não do despacho decisório, sendo vedado ao órgão julgador trazer nova fundamentação legal que não constava do despacho original. Devese anular a decisão da primeira instância para a realização de novo julgamento adstrita aos fundamentos trazidos no despacho decisório que decidiu pela homologação parcial do pedido de compensação. Recurso voluntário Parcialmente Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para anular a decisão da primeira instância e a realização de novo julgamento adstrito aos fundamentos constantes no despacho decisório. Winderley Morais Pereira Presidente substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Avila. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 30 93 /2 00 5- 26 Fl. 3197DF CARF MF 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. Tratase de reconhecimento de direito creditório de PIS decorrente do regime de nãocumulatividade, no período de 01/07/05 a 30/09/05, no valor de R$893.360,90 (fl. 03), para fins de compensação. A autoridade fiscal decidiu (fl. 193) homologar parcialmente as compensações efetuadas, porque entendeu que a contribuinte não possuía o direito creditório no montante declarado. Reconheceu, no entanto, o valor de R$703.047,70, argumentando por meio do Parecer SEORT/DRF/VIT/ES nº 2.986/09 (fls. 174 e ss), em resumo, que: 1. a requerente tem por objeto social o comércio atacadista de café, comércio atacadista de algodão em pluma, fabricação de óleos vegetais e fiação de fibras de algodão, todas atividades com vendas no mercado interno e no mercado externo; 2. em razão da atividade desenvolvida e tendo em vista a apuração do IRPJ com base no lucro real no anocalendário 2005, neste ano ficou sujeita ao regime de incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep; 3. a contribuinte informou despesas (manutenção e reparos) não passíveis de aproveitamento de crédito, visto que não se enquadraram na definição de insumos esboçada pela legislação tributária, e em outras situações, não discriminou os serviços efetivamente incorridos; 4. há compras de mais de 200 diferentes fornecedores, porém uma amostragem de mais de 80% das compras de café acabou por definir análise da situação dos 29 maiores fornecedores; 5. aproximadamente 94% destes fornecedores analisados, enquadramse como pessoas jurídicas que se declararam à Receita Federal do Brasil em situação de inatividade, ou simplesmente estão omissas perante o órgão, outras ainda, quando prestaram tais informações, o fizeram de maneira irregular, eis que a receita declarada é totalmente incompatível com o valor das vendas realizadas, isto considerando apenas as operações mercantis com a requerente; 6. se tomados os valores de aquisição que foram declarados, das empresas analisadas, o percentual de aquisições que, em tese, sofreu a incidência do PIS/Pasep na etapa anterior é de impressionantes 9,18%, sublinhando que o levantamento se contentou em esquadrinhar apenas os valores declarados, independentemente do efetivo recolhimento de tais exações; 7. no caso examinado há presunção de que a abertura destas "pessoas jurídicas" era meramente casuística, indicando objetivos escusos, bastando verificar que aproximadamente 51,72% (trinta e três inteiros percentuais) destas "sociedades" analisadas iniciaram suas "operações" após 09/2002, quando foi publicada a Medida Provisória n° 66/2002, que instituiu a nãocumulatividade para a contribuição para o PIS/Pasep, o que reforça ainda mais as suspeitas; 8. assim, o que se verifica deste quadro é que, a bem da verdade, estas Fl. 3198DF CARF MF Processo nº 11543.003093/200526 Acórdão n.º 3201003.030 S3C2T1 Fl. 3 3 "pseudopessoas jurídicas" são apenas figuras formais, longa manus de pessoas inescrupulosas, que as utilizam em suas práticas ilegais, onde funcionam como intermediárias, com o único propósito de "fabricar" créditos da nãocumulatividade para as contribuições em comento; 9. não se está afirmando que a requerente agiu em conluio ou mesmo que tivesse conhecimento de tal situação, ao passo que não houve investigação neste sentido e não há prova que aponte tal realidade, pois não é este o escopo deste trabalho; 10. nesse contexto, a ausência de provas que unam a requerente aos seus fornecedores gera uma presunção de boafé em seu favor, todavia, em que pese tal circunstância, pressuposta inocência não pode lhe garantir o cômputo normal de tais créditos, justamente porque também foi vítima do procedimento ilegal; 11. não se concebe que a adquirente, neste ato requerente do crédito, possa transferir o seu pretenso prejuízo ao Estado, sob pena de se admitir a distribuição por toda a sociedade de um ônus individual; 12. nesta peça opinativa não se questiona a existência das operações de venda, mas sim, a inclusão das compras em debate no cálculo dos créditos a descontar dos valores devidos a título de PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos, haja vista que sendo Fisco e contribuinte vítimas de um mesmo golpe, não é possível a socialização do prejuízo sofrido pelo adquirente, exigindose que o Estado arque com um prejuízo dobrado, qual seja, além de nada receber ainda ter de ressarcir aquilo que deveria ter sido recolhido e não foi, ainda que o adquirente tenha agido de boafé; 13. com estes fundamentos foi providenciado o reenquadramento dessas compras, consideradas irregulares pela presente fiscalização, para aquisições de pessoas físicas garantindose o direito ao crédito presumido, de acordo com a planilha de apuração das contribuições nãocumulativas; 14. o sujeito passivo apurou créditos referentes a embalagens adquiridas, de acordo com o DACON/Demonstrativo Analítico de apuração do PIS, referidas aquisições estão enquadradas nos CFOP de n°s 1920 e 2920, os quais se referem à entrada de sacaria e vasilhame; 15. foram desconsideradas as entradas de mercadorias sob os CFOP de n°s 1122, 2122, 1125 e 2125, visto que referidas aquisições foram contempladas no item Compras Terceiros PJ, conforme declaração do próprio contribuinte às fls. 191/192; 16. verifica se, pelo somatório da documentação apresentada, que o contribuinte não logrou êxito em confirmar as despesas de aluguel informadas, razão pela qual essa diferença foi desconsiderada para fins de apuração dos créditos a descontar; 17. o contribuinte ofereceu à base de cálculo dos créditos despesas de condomínio, mas não há previsão no texto legal para a inclusão desta despesa no âmbito da despesa de aluguel, visto que possuem naturezas jurídicas distintas, desta forma, despesas de condomínio não foram consideradas como créditos passíveis de aproveitamento, tendo sido glosadas pela fiscalização; 18. procedeuse, então, à utilização dos créditos na dedução do débito do PIS apurado no mês, além dos créditos vinculados ao mercado interno, consumiram se, também, créditos atrelados ao mercado externo, de sorte que Fl. 3199DF CARF MF 4 restou saldo credor, a ser utilizado nas compensações de outros tributos ao final do 3º Trimestre de 2005 no montante de R$703.047,70. Cientificada da Decisão (fl. 207), em 19/03/10, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 210 e seguintes), em 07/04/10, onde alegou, em resumo, que: 1. o Parecer DRF/VIT/SEORT n° 2.980/2009 tem razões conexas aos Pareceres DRF/VIT/SEORT n.° 2.986/2009, mister se faz o apensamento dos autos correspondentes com vistas a que sejam julgados simultaneamente, evitandose, destarte, decisões conflitantes acerca da mesma matéria; 2. teve limitado seu direito a uma parcela do crédito pleiteado sem que tenham sido dados os fundamentos para a glosa, portanto, pleiteia a nulidade do processo; 3. as despesas pagas às pessoas jurídicas responsáveis pela manutenção e reparos de seus ativos se enquadram verdadeiramente no conceito de insumos albergado pela legislação fiscal de regência; 4. o direito ao crédito da contribuição nascerá em relação a toda e qualquer aquisição de bens e serviços, desde que: (i) tratemse de elementos sem os quais a receita de vendas não se realizaria; e, (ii) não haja vedação legal à apropriação de créditos calculados sobre tais dispêndios; 5. a Requerente esclarece que as tais despesas são registradas na conta 752.600 e referemse à utilização de serviços no beneficiamento do algodão, e que anexará notas fiscais posteriormente; 6. se o art. 3º, II da Lei n.° 10.637/02 (ou 10.833/03) não restringiu o direito ao crédito apenas para as hipóteses em que os serviços são aplicados ou consumidos na produção, o ato administrativo ora mencionado (IN nº 247/02 com redação dada pela IN º 358/03) não poderia criar este limite, sob pena de ofensa ao Princípio da legalidade, alçado a patamares constitucionais por força do art. 150, I da Constituição Federal; 7. em relação aos fornecedores inidôneos, a Requerente acosta notas fiscais, comprovantes de pagamentos e de entrada de mercadorias, que comprovam as transações elencadas pelo Sr. AFRF; 8. cumpre destacar que a Lei nº 10.637/2002 (ou 10.833/03) não condicionou a apropriação de créditos ao pagamento do produto adquirido, mas sim a sua aquisição; 9. exigir que a Requerente tome os créditos apenas de pessoas jurídicas que estejam em dia com suas obrigações tributárias (principais e acessórias) é no mínimo paradoxal, na medida em que a Requerente não dispõe do mesmo aparato que o Fisco detém para constatar irregularidades tributárias; 10. ainda que existisse regra condicionando o crédito ao pagamento na etapa anterior, tratarseia de dispositivo absolutamente inócuo, na medida em que em virtude do sigilo fiscal (arts. 198 e 199 do CTN) não há como a Requerente constatar se seus fornecedores estão em dia com o Fisco; 11. assim, solicita o cancelamento da glosa referente às aquisições de pessoas jurídicas inidôneas; 12. o Parecer equivocouse ao glosar o crédito pleiteado pela Requerente (registrado na linha 02 da ficha 04 do DACON), na medida em que as embalagens registradas nessa linha do DACON (contabilizadas na conta 755.000) referemse àquelas consumidas na industrialização do óleo de algodão, não guardando qualquer/relação com aquelas adquiridas, sob o CFOP n°s 1.122, 2122, 1125 e 2125; 13. as demais despesas com embalagens citadas referem se às aquisições de sacaria utilizada na exportação, de café (linha 01 do DACON); 14. não há registro em duplicidade e, Fl. 3200DF CARF MF Processo nº 11543.003093/200526 Acórdão n.º 3201003.030 S3C2T1 Fl. 4 5 consequentemente, não há valores à serem glosados; 15. não há como prosperar a glosa efetuada em relação à aluguel, pois todos os dispêndios encontramse devidamente suportados por recibos e comprovantes de pagamento que à Requerente anexará posteriormente; 16. os dispêndios de condomínio compõem o valor da própria despesa de aluguel e, dessa forma, também geram direito ao crédito. A Inconformada cita legislação e jurisprudência, requerendo, ao final, reconhecimento do direito de crédito e homologação das compensações efetuadas. O processo fora baixado em diligência (fl. 2.141) para a Unidade a quo examinar, em resumo, se há alguma repercussão, na controvérsia aqui instaurada e no crédito pleiteado, dos mesmos fatos apurados nas operações “Tempo de Colheita” e “Broca”, pedindo ainda esclarecimentos acerca de outros itens glosados. A Delegacia de origem no “Relatório Fiscal”, à fl. 2.469 e seguintes, responde positivamente a tal indagação, junta variados documentos, e, em síntese, justifica que: 1. a operação fiscal “TEMPO DE COLHEITA” foi deflagrada pela DRF/Vitória, em outubro de 2007, que resultou na operação BROCA parceria do Ministério Público, Polícia Federal, e Receita Federal, onde foram cumpridos mandados de busca e apreensão e prisão; 2. no rol de supostos fornecedores da contribuinte, é importante mencionar a ACÁDIA, COLÚMBIA, DO GRÃO, L&L, J.C. BINS e V. MUNALDI, hipotéticas atacadistas de café localizadas na cidade de COLATINA, norte do ES, uns dos principais alvos na “Operação Tempo de Colheita”, deflagrada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória – ES; 3. a motivação da operação Tempo de Colheita foi a flagrante divergência entre as movimentações financeiras de pessoas jurídicas atacadistas – na ordem de 3 bilhões de Reais nos anos de 2003 a 2006 – e os valores insignificantes das receitas declaradas; 4. dezenove (53%) das empresas atacadistas fiscalizadas foram criadas a partir de 2002, e passaram a ter movimentação financeira crescente e vultosa a partir do ano de 2003; 5. ao contrário dos tradicionais atacadistas, tais empresas ocupam salas pequenas e acanhadas, sem qualquer estrutura física ou logística, nem dispõem de funcionários para operar como atacadistas; 6. entre os documentos obtidos ao longo da operação “TEMPO DE COLHEITA” estão declarações de produtores rurais, maquinistas, corretores, sócios e pessoas ligadas às empresas de fachada, e, ainda, documentos relacionados a tais empresas; 7. do Ministério Público e da Polícia Federal a Fiscalização recebeu documentos fiscais e contábeis em papel e meio magnético, relativos às empresas de fachada; 8. com o objetivo de colher provas sobre o modus operandi do esquema, coletouse, durante as mencionadas operações, documentos, além de realizar diligências nas atacadistas e principais empresas exportadoras de café; 9. junto aos produtores rurais foi apurado que havia uma negociação direta, ou por meio de corretores, entre os produtores rurais e tradicionais maquinistas e empresas do ramo atacadistas, exportadoras ou indústrias, porém, nas notas fiscais apareciam como compradores pseudoatacadistas, tais como, Fl. 3201DF CARF MF 6 Colúmbia, Do Grão, V. Munaldi, JC Bins, e outras; 10. os produtores rurais, via de regra, não preenchiam as notas fiscais, sendo que as mesmas eram preenchidas nos escritórios dos corretores e/ou compradores; 11. os corretores de café convergiram para firmar os pontos levantados pelos produtores rurais, especialmente, no que tange à utilização das pseudoempresas jurídicas para intermediar a venda do café do produtor para a comercial atacadista, inclusive, do pleno conhecimento da empresa, ora autuada, de tais operações; 12. os corretores afirmaram que as próprias empresas tradicionais de exportação e industrialização do café passaram a dificultar a compra com nota fiscal do produtor rural, exigindo notas em nome de pessoas jurídicas; 13. os corretores afirmaram que algumas empresas foram constituídas com a única e exclusiva finalidade de vender notas fiscais, e, ainda, que as Exportadoras/Indústrias tinham pleno conhecimento do esquema fraudulento; 14. a migração para empresas laranjas foi um movimento orquestrado, onde exportadoras e indústrias caminharam no mesmo sentido, com exigência inclusive de que as notas fiscais anotassem ficticiamente a incidência do PIS/COFINS, bem como as mesmas cautelas adotadas de consultar os cadastros fiscais no momento do recebimento do café por meio de empresas laranjas na tentativa de evitar problemas futuros; 15. restou demonstrado que a EISA não só tinha pleno conhecimento do esquema fraudulento como dele se beneficiava, apropriandose de créditos fictícios sobre notas fiscais ideologicamente falsas gerados por empresas atacadistas de fachada. Intimada do resultado da diligência (fl. 3265), em 20/04/13, a contribuinte ratificou os termos de sua Manifestação de Inconformidade, adicionando (fls. 2633 e ss), em resumo, que: 1. nenhum dos sócios, administradores ou empregados da Requerente foi investigado no âmbito do Inquérito Policial nº 541/2008 DPF/ SR/ES ou denunciado nos autos do Processo Criminal n° 2008.50.05.0005383, ou em qualquer outro processo criminal oriundo das operações "Tempo de Colheita" e "Broca"; 2. ao revés, em momento algum das investigações ocorridas houve a vinculação da Requerente ao suposto sistema fraudulento; 3. assim, resta evidente a precariedade da acusação da d. autoridade fiscal de que a Requerente teria se utilizado de empresas laranjas como intermediárias fictícias na compra de café de produtores, com o intuito exclusivo de apropriação de créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS; 4. o volume de operações mantido com pessoas físicas pouco sofreu alterações com a instituição da nãocumulatividade das contribuições e previsão de direito ao crédito (anoscalendários 2002 e 2003), e com a mudança da legislação aplicável ao setor em 2012 (Lei n° 12.599/2012); 5. ainda que o nome do produtor rural, da fazenda de café e/ou da região fosse informado ao adquirente em referidas situações, como até hoje o é, este adquire o produto da empresa atacadista, que ao final é responsável pela entrega do produto em determinada quantidade, em boa qualidade e em determinado prazo e local; 6. as empresas atacadistas, comerciantes e exportadoras de café cru em grão não necessitam de estrutura física própria para operarem a não ser uma sala, onde localizado o estabelecimento comercial utilizado para a formalização da compra e venda do café, na medida em que Fl. 3202DF CARF MF Processo nº 11543.003093/200526 Acórdão n.º 3201003.030 S3C2T1 Fl. 5 7 referido produto, após adquirido, pode perfeitamente permanecer depositado em armazém geral até a ocasião da revenda; 7. em nenhum dos depoimentos constantes dos autos é feita menção à pessoa da Requerente ou de algum administrador/funcionário seu como participante do alegado esquema fraudulento; 8. em sendo inegável a boafé da Requerente, verificase a completa improcedência da glosa dos créditos apurados sobre aquisições de café cru em grão de pessoas jurídicas no período compreendido entre o 1º trimestre de 2004 e o 3° trimestre de 2005; 9. demonstrou a completa improcedência da glosa dos créditos originais das contribuições apurados pela Requerente sobre aquisições de café de pessoas jurídicas; 10. considerando a indiscutível boafé da empresa e nos termos do artigo 82, parágrafo único, da Lei n° 9.430/96, deve ser cancelada a glosa dos créditos levada a efeito em razão da suposta inidoneidade dos fornecedores da Requerente; 11. na remota hipótese da glosa em questão ser mantida, o que se admite apenas para fins de argumentação, há que ao mínimo se reconhecer o direito à apuração do crédito presumido de que trata a Lei n° 10.925/04, como fora inicialmente realizado pela d. autoridade fiscal; 12. ainda que não tivesse ocorrido a decadência para inovação dos fundamentos da glosa, apenas a título de argumentação, restará comprovado que a posição da 16ª Turma da DRJ/RJ1 quanto à apuração de crédito presumido de aquisições de café de produtores rurais não deve prosperar; 13. um dos requisitos para a apropriação do crédito presumido na aquisição de produto in natura consiste no fato de que o adquirente exerça a atividade agroindustrial, e a Requerente, na condição de encomendante, é considerada, para todos os fins fiscais, produtora de café e, por conseguinte, beneficiária do crédito presumido. Reitera, “com base nos argumentos constantes da Manifestação de Inconformidade apresentada, somados aos argumentos que aqui são apresentados”, pela reforma da decisão que não homologou os pedidos de compensação, a fim de que seja reconhecido o crédito pleiteado em sua integralidade." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório. A decisão foi assim ementada: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 Créditos a Descontar. Incidência nãoCumulativa. Não dá direito a crédito gastos ou despesas com bens ou serviços utilizados nas atividades da Empresa, quando não corresponderem ao conceito de insumo ou a outra expressa hipótese legal. Aquisições. Nãosujeitas ao PIS. Crédito Vedado. A Partir de 01/08/04. Fl. 3203DF CARF MF 8 A alteração promovida pela Lei nº 10.865, de 30 de abril 2004, na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no sentido de vedar o direito ao crédito da nãocumulatividade do PIS, nos casos de aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, passou a produzir efeitos a partir de 01/08/04. Fraude. Dissimulação. Desconsideração. Negócio Ilícito. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderandose os negócios fraudulentos. Uso de Interposta Pessoa. Inexistência de Finalidade Comercial. Dano ao Erário. Caracterizado. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva, sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública, rejeitandose peremptoriamente qualquer eufemismo de planejamento tributário. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Cientificada da decisão, a autuada interpôs recurso voluntário, alegando em sede preliminar que a decisão da primeira instância inovou a matéria discutida nos presentes autos, ao trazer argumentos para manutenção do lançamento resultante de diligência realizada, que trariam afirmações que a Recorrente teria participado de suposto esquema visando gerar, fraudulentamente, créditos da Contribuição ao PIS e da Cofins. No restante do recurso são repisadas as alegações já apresentadas na impugnação. Ao apreciar o recurso voluntário, a turma resolveu converter o julgamento em diligência, nos seguintes termos: Nos termos aqui expostos, entendo que os documentos e informações constantes dos autos não são suficientes para definir com exatidão quais são os insumos glosados pela Fiscalização e quais deles o contribuinte tenta pleitear seus créditos. Assim, fazse necessário a baixa dos autos em diligência para que seja determinada com acuracidade, quais são as aquisições de bens e as despesas de serviços que foram utilizadas a título de crédito pela Recorrente, quais foram glosadas pela Fiscalização e qual a implicação destes bens e serviços no processo produtivo. Diante do exposto, buscando os esclarecimentos necessários ao prosseguimento do julgamento, voto no sentido de converter o julgamento em diligência a fim de que unidade preparadora: a) Intime a Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias prorrogável uma vez por igual período, detalhar o seu processo produtivo e indicar de forma minuciosa qual a interferência de Fl. 3204DF CARF MF Processo nº 11543.003093/200526 Acórdão n.º 3201003.030 S3C2T1 Fl. 6 9 cada um dos bens e serviços que pretende aferir créditos para apuração do PIS e a COFINS não cumulativos; b) A Receita Federal, deverá elaborar relatório identificando quais dos bens e serviços utilizados que foram objeto de glosa, indicando os motivos para tal indeferimento. Com a possibilidade, se julgar necessário, de manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. A Unidade de Origem procedeu a diligência determinada pelo CARF, elaborando relatório fiscal. Informando que a Recorrente apresentou documentos referentes à glosa de despesas de manutenção e reparos e de aquisição de embalagens. A auditoria fiscal concluiu por manter a glosa referente a despesas com manutenção e reparo, por entender, que não estariam ligados a atividade de produção da Recorrente. Quanto as aquisições de embalagem, entendeu por acatar as alegações da Recorrente e afastar a glosa referente a este item. Cientificada da diligência, a Recorrente apresentou manifestação ,concordando com o afastamento da glosa sobre as aquisições de embalagem e afirmando que as despesas de manutenção e reparo estariam vinculados a atividade da empresa e portanto, também estariam aptas a serem utilizadas como créditos na apuração das contribuições. Com estas considerações, o processo retornou ao CARF para o prosseguimento do julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Os recursos são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Nos termos detalhados no relatório, em sede de recurso voluntário, a Recorrente alega a nulidade da decisão da primeira instância, sob o arrimo que o acórdão teria inovado nos fundamentos inicialmente citados no despacho negatório do pedido de compensação. Consultando a decisão da primeira instância é possível identificar o enfrentamento de matérias referentes a glosa de créditos, por entender que tais operação não estariam incluídas no conceito de insumo e outra discussão quanto a possibilidade de creditamento sobre operações realizadas com empresas que foram identificadas como inaptas ou inexistentes de fato. Para a segundo grupo de créditos glosados, a decisão recorrida trata de Fl. 3205DF CARF MF 10 dois fundamentos para negar os créditos. O primeiro seria a inexistência de recolhimento das contribuições na etapa anterior e o segundo a existência de fraude na criação e operação de empresas declaradas inexistentes de fato ou declaradas inaptas pela receita federal. O acórdão da primeira instância adotou como fundamento da decisão, a fraude nas operações realizadas com empresas, conforme pode ser verificado no trecho abaixo, extraído no voto condutor do Acórdão da DRJ. Assim, considerando os fatos descritos, e sustentados por conjunto probatório robusto constante dos autos, é imperativo concluir que as ‘compras’ efetuadas pelo contribuinte, ora recorrente, de pessoas jurídicas artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária no contexto da nãocumulatividade do PIS/Cofins, além de simular negócios de fato inexistentes para dissimular o negócio real entre o produtor rural/pessoa física e o contribuinte, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública. A análise exposta acima leva à rejeição peremptória de eventual alegação de planejamento tributário, pois demonstra que o autuado participou da criação ou utilizou de pessoas jurídicas de existência fantasmagórica, a fim de interpor elo fictício na cadeia produtiva e, assim, escapar do pagamento de tributo de sua responsabilidade, por meio de compensação de créditos inexistentes de fato, e ainda com vultosos valores de ressarcimento em dinheiro. O trabalho fiscal, por ocasião da diligência realizada, fundouse em amplo material probatório, permitindo o exercício do direito de defesa e ao contraditório. No Relatório é comprovado detalhadamente o acerto das glosas efetuadas. Neste contexto, perderam relevância as notas fiscais e comprovantes de pagamento. Na decisão recorrida é possível identificar claramente que o enfrentamento da matéria, que nega o direito creditório da recorrente, possui como fundamento a aquisição de produtos de pessoas jurídicas, quando na verdade tratariamse de pessoas físicas. A decisão da primeira instância considerou que os dois fundamentos teriam sido enfrentados no despacho decisório, tanto a questão da ausência de recolhimento das contribuições nas etapas anteriores, bem como, a existência de aquisições de "pseudoatacadistas". Quanto ao primeiro fundamento discutido na decisão da DRJ é inequívoco a sua utilização pelo despacho decisório, que consta de forma explicita na sua conclusão, conforme se depreende do trecho abaixo do despacho decisório, exarado pela Unidade de Origem. Em resumo: . Restou demonstrado que não houve incidência econômica dos tributos na maior parte das aquisições realizadas; . A ocorrência da incidência jurídica é duvidosa, uma vez que as pessoas jurídicas que poderiam realizar o aspecto material da hipótese de incidência (faturamento), aparentam ser meros instrumentos para realização de práticas ilegais; Fl. 3206DF CARF MF Processo nº 11543.003093/200526 Acórdão n.º 3201003.030 S3C2T1 Fl. 7 11 . Sob o ponto de vista econômica, não houve qualquer oneração da cadeia produtiva em relação a tais operações; . Em não havendo tal oneração perde o sentido o dualismo cumulatividade x nãocumulatividade que justificou o escopo da alteração da legislação; . Em conclusão, não ocorrendo a indesejada cumulutividade que ensejou a mudança da sistemática da apuração das contribuições em apreço não há que se falar em saldo credor possível de ressarcimento. Quanto ao segundo fundamento, a decisão da Delegacia de Julgamento da RFB afirma existir no despacho decisório menção ao fato de existir fraude na criação e operação dos atacadistas revendedores de café, cito trecho abaixo constante da decisão da DRJ, que detalha estes argumentos. 2º argumento: Compras de “pseudoatacadistas” Se a instrução processual se encerrasse neste ponto, dificilmente poderia prosperar a glosa procedida sub examen. Porém, com a diligência veio o relatório, onde se concluiu que parte dos créditos de PIS/Cofins reivindicados nos pedidos de ressarcimento e utilizados nas declarações de compensação foi gerada através de simulação de aquisições de pessoas jurídicas, quando realmente o foi de aquisições de produtores rurais pessoas físicas. Tratase agora da hipótese já contida Parecer DRF/VIT/SEORT (fls. 247 e ss) de considerar as compras, correspondentes aos fornecedores irregulares, transações fictícias: No caso em questão, aparentemente existiria a intermediação comercial por pessoa jurídica. Entretanto, se ditas "pessoas jurídicas" forem apenas instrumentos para práticas fraudulentas, acobertando vendas realizadas por outros sujeitos, muito provavelmente pessoas físicas, não haveria que se falar em hipótese de incidência de PIS/Pasep e Cofins não cumulativos e, muito menos, em créditos da não cumulatividade como ora pretendido. Entendese que a prova colacionada aos autos no âmbito da diligência lançou nova luz sobre os créditos relativos às compras de café pela contribuinte, que foram glosados pela Autoridade Fiscal. O quadro amplo traçado a partir das Operações Broca e Tempo de Colheita milita desfavoravelmente à contribuinte no que concerne a seu alegado direito de crédito. Além disso, há elementos nos autos que não permitem simplesmente entender pela completa “isenção” do contribuinte na frustração da Receita Federal em sua legítima pretensão de caráter constitucional de amealhar recursos ao Erário. Fl. 3207DF CARF MF 12 Quanto a este segundo fundamento para afastar os créditos referentes a aquisição das empresas atacadistas consideradas inidôneas, divirjo do entendimento da decisão da primeira instância. Apesar de existir a citação da existência de operações realizadas com empresas inidôneas, o despacho decisório é claro ao afirmar que matéria não esta sendo objeto de enfrentamento e discussão, conforme consta do trecho abaixo extraído do despacho decisório. 52. No caso examinado há uma presunção que a abertura destas "pessoas jurídicas" era meramente casuística, indicando objetivos escusos, bastando verificar que aproximadamente 33% (trinta e três inteiros percentuais) destas "sociedades" analisadas iniciaram suas "operações" após 09/2002 (fls. 210;219), quando foi publicada a Medida Provisória nº 66/2002 que instituiu a nãocumulatividade para a contribuição para o PIS/Pasep, o que reforça ainda mais as suspeitas. 53. Assim, o que se verifica deste quadro é que, a bem da verdade, estas "pseudopessoas jurídicas" são apenas figuras formais, longa manus de pessoas inescrupulosas que as utilizam em suas práticas ilegais, onde funcionam como intermediárias, com o único propósito de "fabricar" créditos da não cumulatividade para as contribuições em comento. 54. Deixese claro, neste interim, que não se está com isto afirmando que a requerente agiu em conluio ou mesmo que tivesse conhecimento de tal situação, ao passo que não houve nenhuma investigação neste sentido e não há prova que aponte tal realidade, pois não é este o escopo deste trabalho. De forma alguma. Até porque, se isto ocorreu ou vem ocorrendo, estar seia diante de um crime contra a ordem tributária. 55. Nesse contexto, a ausência de provas que una a requerente aos seus fornecedores gera uma presunção de boafé em seu favor. Todavia, em que pese tal circunstância, pressuposta inocência não pode lhe garantir o cômputo normal de tais créditos, justamente porque também foi vítima do procedimento ilegal. Demais disso, não se concebe que a adquirente, neste ato requerente do crédito, possa transferir o seu pretenso prejuízo ao Estado, sob pena de se admitir a distribuição por toda a sociedade de um ônus individual. 56. Frisese: nesta peça opinativa não se questiona a existência das operações de venda, mas sim, a inclusão das compras em um debate no cálculo dos créditos a descontar dos valores devidos a título de PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos, haja vista que sendo Fisco e contribuinte vítimas de um mesmo golpe, não é possível a socialização do prejuízo sofrido pelo adquirente, exigindose que o Estado arque com um prejuízo dobrado, qual seja, além de nada receber ainda ter de ressarcir aquilo que deveria ter sido recolhido e não foi, ainda que o adquirente tenha agido de boafé. Neste pormenor aplicase o princípio da prevalência dos interesses públicos sobre os particulares. 57. Como se pode extrair, a situação é paradoxal porquanto a Fazenda Nacional é instada a ressarcir um direito creditório que, como contrapartida, não possui o competente recolhimento dos tributos devidos na etapa imediatamente anterior. Fl. 3208DF CARF MF Processo nº 11543.003093/200526 Acórdão n.º 3201003.030 S3C2T1 Fl. 8 13 58. Diante do que descortinado, a plausível conclusão conduz à inadmissibilidade do pleito formulado integralmente, no que toca às ditas compras de PJ, sob pena de gerar um claro enriquecimento sem causa em detrimento dos cofres públicos, o que representaria uma cessão de interesses públicos.(grifo nosso) A leitura do despacho decisório deixa evidente que não existiu o aprofundamento da matéria referente a aquisição de empresas inidôneas, tampouco tal fato foi utilizado como fundamento para negar o creditamento das operações da Recorrente. O Processo Administrativo Fiscal tem seu desenvolvimento a partir da existência de um lançamento ou decisão fiscal, que é objeto de questionamento por parte do contribuinte, que utilizando dos instrumentos da impugnação ou da manifestação de inconformidade, define as matérias sobre a qual discorda da decisão da autoridade fiscal. A delimitação da lide, submetida a apreciação dos julgamentos administrativos, está restrita aos fundamentos e fatos arrolados no despacho decisório, delimitado pelos argumentos trazidos pelo contribuinte nos seus recursos. No caso em tela, ao meu sentir, restou claramente identificado como fundamento utilizado no despacho decisório para negar os créditos referentes a aquisição de empresas atacadistas consideradas inidôneas, o fato de não existir o recolhimento das contribuições nas etapas anteriores. Assim, entendo que existiu na decisão da primeira instância, a utilização de fundamentos que não constariam do despacho decisório, determinando que tal decisão seja cancelada para realização de um novo julgamento adstrito aos fundamentos constantes do despacho decisório. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para anular a decisão da primeira instância e a realização de um novo julgamento considerando unicamente os fundamentos constantes do despacho decisório. Winderley Morais Pereira Fl. 3209DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.900252/2013-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 13/09/2012
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.678
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/09/2012 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 02 52 /2 01 3- 44 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10830.900252/201344 Acórdão n.º 3301003.678 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.711, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10830.900252/201344 Acórdão n.º 3301003.678 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10830.900252/201344 Acórdão n.º 3301003.678 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10830.900252/201344 Acórdão n.º 3301003.678 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10830.900252/201344 Acórdão n.º 3301003.678 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10830.900252/201344 Acórdão n.º 3301003.678 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10830.900252/201344 Acórdão n.º 3301003.678 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10830.900252/201344 Acórdão n.º 3301003.678 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 178DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720163/2012-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. O fato de a sociedade ter perdurado por breve lapso de tempo não descaracteriza o propósito negocial do empreendimento, sendo indispensável analisar se há outros elementos que justifiquem a constituição da sociedade.
DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. Demonstrada a necessidade de segregação das atividades e bens de um empreendimento operacional visando sua posterior alienação, verifica-se que a sociedade foi constituída não apenas com o propósito de gerar ágio na sua aquisição, devendo ser reconhecida a sua personalidade jurídica.
PAGAMENTO DE ÁGIO EM OPERAÇÃO DE PERMUTA. POSSIBILIDADE. Integra o custo de aquisição do investimento o ágio correspondente ao valor pago que exceder o valor patrimonial do investimento, seja em operação de compra e venda, seja em operação de permuta.
AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. RECUPERAÇÃO FISCAL. A legislação tributária admite, ordinariamente, a recuperação do ágio quando da alienação do investimento que lhe deu origem, por meio de sua integração ao custo de aquisição.
AMORTIZAÇÃO FISCAL DE ÁGIO. NEUTRALIZAÇÃO. Admite-se a recuperação do ágio fundado em rentabilidade futura, mediante amortização fiscal na hipótese de incorporação da investida pela investidora, ou vice-versa, em que se dá a confusão patrimonial entre investidora e investimento, tornando-se inexequível a recuperação do capital investido na forma ordinária, ou seja, por meio de sua integração ao custo de aquisição.
Numero da decisão: 1302-002.096
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e de decadência suscitadas e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, votando os Conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado pelas conclusões. Os conselheiros Alberto Pinto Souza Junior e Luiz Tadeu Matosinho Machado solicitaram a apresentação de declaração de voto com relação ao mérito do recurso voluntário. O conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa declarou-se impedido, sendo substituído no colegiado pelo Conselheiro José Roberto Adelino da Silva (Suplente Convocado).
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). O conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa declarou-se impedido, sendo substituído no colegiado pelo Conselheiro José Roberto Adelino da Silva (Suplente Convocado). Ausente, momentaneamente o Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e de decadência suscitadas e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, votando os Conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado pelas conclusões. Os conselheiros Alberto Pinto Souza Junior e Luiz Tadeu Matosinho Machado solicitaram a apresentação de declaração de voto com relação ao mérito do recurso voluntário. O conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa declarou-se impedido, sendo substituído no colegiado pelo Conselheiro José Roberto Adelino da Silva (Suplente Convocado). (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). O conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa declarou-se impedido, sendo substituído no colegiado pelo Conselheiro José Roberto Adelino da Silva (Suplente Convocado). Ausente, momentaneamente o Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca.
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. O fato de a sociedade ter perdurado por breve lapso de tempo não descaracteriza o propósito negocial do empreendimento, sendo indispensável analisar se há outros elementos que justifiquem a constituição da sociedade. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. Demonstrada a necessidade de segregação das atividades e bens de um empreendimento operacional visando sua posterior alienação, verificase que a sociedade foi constituída não apenas com o propósito de gerar ágio na sua aquisição, devendo ser reconhecida a sua personalidade jurídica. PAGAMENTO DE ÁGIO EM OPERAÇÃO DE PERMUTA. POSSIBILIDADE. Integra o custo de aquisição do investimento o ágio correspondente ao valor pago que exceder o valor patrimonial do investimento, seja em operação de compra e venda, seja em operação de permuta. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. RECUPERAÇÃO FISCAL. A legislação tributária admite, ordinariamente, a recuperação do ágio quando da alienação do investimento que lhe deu origem, por meio de sua integração ao custo de aquisição. AMORTIZAÇÃO FISCAL DE ÁGIO. NEUTRALIZAÇÃO. Admitese a recuperação do ágio fundado em rentabilidade futura, mediante amortização fiscal na hipótese de incorporação da investida pela investidora, ou vice versa, em que se dá a confusão patrimonial entre investidora e investimento, tornandose inexequível a recuperação do capital investido na forma ordinária, ou seja, por meio de sua integração ao custo de aquisição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 63 /2 01 2- 39 Fl. 5316DF CARF MF Processo nº 16561.720163/201239 Acórdão n.º 1302002.096 S1C3T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e de decadência suscitadas e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, votando os Conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado pelas conclusões. Os conselheiros Alberto Pinto Souza Junior e Luiz Tadeu Matosinho Machado solicitaram a apresentação de declaração de voto com relação ao mérito do recurso voluntário. O conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa declarouse impedido, sendo substituído no colegiado pelo Conselheiro José Roberto Adelino da Silva (Suplente Convocado). (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). O conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa declarouse impedido, sendo substituído no colegiado pelo Conselheiro José Roberto Adelino da Silva (Suplente Convocado). Ausente, momentaneamente o Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face ao Acórdão nº 1648.030, de 28/06/2013 da DRJ São Paulo I que, por maioria de votos, julgou procedente em parte a impugnação, para reduzir a multa aplicada ao percentual de 150% para 75% e manter integralmente o crédito tributário principal, nos termos do voto da relatora. Vencido o julgador Antonio Miguel Kalil, que declarou seu voto. O presente processo administrativo tem origem em procedimento de fiscalização sofrido pela Recorrente, que resultou na lavratura do auto de infração ora combatido (Auto de Infração), por meio do qual lhe está sendo exigido crédito tributário a titulo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), relativo ao anocalendário de 2007. O Auto de Infração referese a deduções de despesas de ágio fundamentado em expectativa de rentabilidade futura, pago por ocasião da aquisição de investimento na LA Celulose e Papel Ltda. (LA), deduzidas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL depois que a LA foi incorporada pela Recorrente. A autoridade lançadora aplicou multa majorada de 150% prevista no artigo 44, § 1o. da Lei n° 9.430/96, enquadrando o caso presente no artigo 72 (fraude) da Lei n° 4.502/64. Fl. 5317DF CARF MF Processo nº 16561.720163/201239 Acórdão n.º 1302002.096 S1C3T2 Fl. 4 3 Houve Impugnação, oportunidade em que buscou demonstrar a improcedência da exigência fiscal formulada. Por unanimidade, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) afastou a aplicação da multa majorada, reduzindo a penalidade para 75%. No que tange ao mérito, por maioria de votos, a DRJ manteve o Auto de Infração, em acórdão que recebeu a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. O fato de a sociedade ter perdurado por breve lapso de tempo não descaracteriza o propósito negocial do empreendimento, sendo indispensável analisar se há outros elementos que justifiquem a constituição da sociedade. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. Demonstrada a necessidade de segregação das atividades e bens de um empreendimento operacional com vistas a sua posterior alienação, verificase que a sociedade foi constituída não apenas com o propósito de gerar ágio na sua aquisição, devendo ser reconhecida a sua personalidade jurídica. PAGAMENTO DE ÁGIO EM OPERAÇÃO DE PERMUTA. POSSIBILIDADE. Integra o custo de aquisição do investimento o ágio correspondente ao valor pago que exceder o valor patrimonial do investimento, seja em operação de compra e venda, seja em operação de permuta. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. RECUPERAÇÃO FISCAL. A legislação tributária admite, ordinariamente, a recuperação do ágio quando da alienação do investimento que lhe deu origem, por meio de sua integração ao custo de aquisição. AMORTIZAÇÃO FISCAL DE ÁGIO. NEUTRALIZAÇÃO. Admitese a recuperação do ágio fundado em rentabilidade futura mediante amortização fiscal na hipótese de incorporação da investida pela investidora, ou vice versa, em que se dá a confusão patrimonial entre investidora e investimento, tornandose inexequível a recuperação do capital investido na forma ordinária, ou seja, por meio de sua integração ao custo de aquisição. AMORTIZAÇÃO FISCAL DE ÁGIO TRANSFERIDO EM SUBSCRIÇÃO DE CAPITAL MEDIANTE APORTE DE INVESTIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não se admite a amortização fiscal do ágio transferido mediante aporte de investimento proveniente da sociedade investidora, que efetivamente suportou o pagamento do ágio, por ausência de previsão legal e porque tal hipótese possibilitaria o duplo aproveitamento fiscal do ágio. DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO. TERMO INICIAL. O fato gerador do IRPJ, no regime de apuração do lucro real anual com recolhimento do imposto por estimativa mensal, ocorre em 31 de dezembro do respectivo ano calendário. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Não estando presentes os fatos caracterizadores de evidente intuito de fraude, como definido nos artigos 71 a 73 da Lei n" 4.502/64, reduzse a multa qualificada de 150% para o percentual de 75%. Fl. 5318DF CARF MF Processo nº 16561.720163/201239 Acórdão n.º 1302002.096 S1C3T2 Fl. 5 4 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A solução dada ao litígio principal, em relação ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, aplicase ao litígio decorrente ou reflexo relativo à Contribuição Social sobre o Lucro. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Tratandose de aspecto concernente à cobrança do crédito tributário, a autoridade julgadora não se manifesta a respeito de juros sobre multa de ofício. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. Acordam os membros da 5a Turma de Julgamento, por maioria de votos, considerar procedente em parte a impugnação, para reduzir a multa aplicada ao percentual de 150% para 75% e manter integralmente o crédito tributário principal, nos termos do voto da relatora. Vencido o julgador Antonio Miguel Kalil, que declarou seu voto." O acórdão recorrido, portanto, afastou os fundamentos utilizados pela DRF, mas manteve o Auto de Infração, com o entendimento de que não teriam sido atendidas as exigências do art. 386 do RIR/99. Recurso de Ofício Em virtude da exoneração de crédito tributário, a DRJ interpôs Recurso de Ofício, em cumprimento às disposições do art. 34, inc. I, Dec. n° 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/97, e art. 1º da Portaria do Ministro de Estado da Fazenda n.° 3, de 03/01/2008. O valor à época exonerado também excede o limite atual de R$2.500.000,00 (Portaria MF. nº 63, de 09/02/2017). Recurso Voluntário A recorrente foi intimada do Acórdão recorrido, em 16/07/2013 e interpôs Recurso Voluntário, em 31/07/2013. À época da subscrição do recurso, os advogados da recorrente estavam devidamente constituídos, porém a vigência do instrumento de mandato expirou em 19/11/2013 (fl. 72 do arquivo/recurso voluntário). O substabelecimento passado indicava vigência até o final do processo administrativo. Em 07/04/2017 a Recorrente peticionou apresentando razões para que esse processo não fosse tirado de pauta. Em 10/04/2017 juntou Instrumento Público de Procuração, outorgado em 09/03/2017 e substabelecimento outorgado em 10/04/2017. Observase que a procuração limitase aos poderes específicos da cláusula AD JUDICIA e não faz menção ao âmbito administrativo fiscal. A Recorrente ressalta que, a DRJ teria sido firme ao afastar uma a uma as acusações lançadas pela autoridade fiscal em seu Termo de Verificação Fiscal (TVF), deixando claro que a LA de fato correspondeu a um empreendimento societário cuja personalidade jurídica jamais poderia ter sido desconsiderada, reconhecendo também o absoluto propósito negocial de todas as operações questionadas pelo agente fiscal. Diante do afastamento das acusações que lastreavam o Auto de Infração lavrado, a Recorrente registrou que esperava que a DRJ decidiria pela total improcedência do lançamento. Fl. 5319DF CARF MF Processo nº 16561.720163/201239 Acórdão n.º 1302002.096 S1C3T2 Fl. 6 5 No entanto, ao manter o Auto de Infração com base em dispositivo legal que não constou da capitulação legal do lançamento, frisou a Recorrente que a DRJ teria incorrido em erro insanável: a inovação. Para a hipótese desta Preliminar de Inovação não ser acolhida, a Recorrente também adentrou às questões quanto ao enquadramento nas condições impostas pelo artigo 386 do RIR para a amortização do ágio para fins fiscais, já que houve perfeita confluência entre investidora e investida antes do inicio da amortização do ágio, exatamente como exigido pela legislação aplicável. Ressalta que esse entendimento foi acolhido em declaração de voto. Em suas razões a Recorrente concentrouse nas questões que restaram controvertidas, após a Decisão DRJ, reportandose a sua impugnação, em relação às acusações fiscais já afastadas em primeira instância administrativa, como os questionamentos acerca do contrato de permuta firmado ou em relação à personalidade jurídica da LA e ao propósito negocial das operações realizadas. A Recorrente também registra que não teria havido questionamento quanto à existência, validade, mensuração ou fundamentação econômica do ágio amortizado. Sendo assim, não teria justificativa para a lavratura do Auto de Infração, com base na suposta violação às regras relativas à amortização do ágio para fins fiscais. Sustenta que, toda a argumentação da autoridade lançadora teria se fundado em questões fáticas, as quais teriam sido integralmente refutadas pela DRJ. Alega, em linhas gerais, que a Fiscalização teria sustentado que o contrato de permuta firmado entre o Grupo International Paper ("Grupo IP") e o Grupo Votorantim Celulose e Papel ("Grupo VCP"), em verdade, correspondeu a um contrato de compra e venda por meio do qual o Grupo IP teria adquirido meros ativos do Grupo VCP, na medida que, segundo o agente fiscal, a LA não teria propósito negocial e sua personalidade jurídica deveria ser desconsiderada para fins fiscais. Exatamente por essa razão, conforme reconhece a Decisão da DRJ, seria que apenas o artigo 299 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR) figuraria como fundamento legal do lançamento. Dos Fatos Transcrevemse a seguir os fatos questionados nos presentes autos, na perspectiva da Recorrente. O conjunto de operações realizadas pela Recorrente que são objeto dos presentes autos tem sua origem no ano de 2005, momento em que o Grupo IP divulgou seu Plano de Transformação em nivel mundial com o objetivo de aumentar a geração de receitas operacionais por meio da concentração de suas atividades em duas grandes áreas estratégicas de negócios: papéis para imprimir e escrever ("uncoated papers") e embalagens industriais e para consumidores finais ("industrial and consumer packaging") (doe. 04 da Impugnação). Essas áreas estratégicas já representavam 70% das vendas do Grupo IP e a administração do Grupo avaliava que a concentração nessas atividades poderia trazer significativas reduções de custos e considerável aumento de rentabilidade , decisão que se mostrou acertada e que levou à expansão dos negócios do Grupo IP em todo o mundo, inclusive no Brasil. Fl. 5320DF CARF MF Processo nº 16561.720163/201239 Acórdão n.º 1302002.096 S1C3T2 Fl. 7 6 Seguindo o novo planejamento estratégico mundial do Grupo IP, a administração da Recorrente passou a reavaliar suas atividades com vistas a concentrarse na produção de papéis para imprimir e escrever, ampliando sua atuação nessa área e desfazendo se de investimentos que não estavam relacionados ao negócio de papéis para imprimir e escrever, incluindo aqueles investimentos para fornecimento de madeira ao mercado. As áreas florestais mantidas seriam apenas aquelas que tinham vinculação e que eram necessárias para a produção de papéis para imprimir e escrever. Nesse contexto é que se insere a operação de permuta de participação societária condenada pela autoridade fiscal, sendo esta apenas uma dentre as várias ações realizadas pelo Grupo IP no Brasil com vistas a concretizar o Plano de Transformação. No ano de 2006, o Grupo IP identificou importante oportunidade de negócio que lhe permitiria avançar na implementação de seu Plano de Transformação. Se de um lado o Grupo IP buscava ampliar sua atuação na área de produção de papéis para imprimir e escrever, de outro lado, um de seus maiores concorrentes, o Grupo VCP, passava a adotar planejamento estratégico exatamente em sentido contrário, pretendendo desfazerse de suas atividades vinculadas à produção de papéis para imprimir e escrever (no caso da VCP, referido plano estratégico foi denominado "Visão 2 02 0"). Além disso, o Grupo VCP buscava oportunidades para aumentar sua atividade no ramo de produção de celulose, justamente um daqueles que não mais interessavam ao Grupo IP. Foi esse antagonismo nos interesses de ambos os grupos empresariais que, paradoxalmente, os uniu e permitiu a realização do negócio objeto dos presentes autos. Entre as atividades desenvolvidas pelo Grupo VCP e que não faziam parte do plano Visão 2020, estava o empreendimento vinculado à produção de papéis de imprimir e escrever localizado na região do município paulista de Luiz Antônio, posteriormente alocado à LA. Ao contrário do quanto sugere a autoridade fiscal no TVF e conforme expressamente reconhecido pela Decisão DRJ , não se tratava de um simples ativo detido pelo Grupo VCP. As atividades em tela compunham verdadeira linha de negócios, empreendimento industrial e comercial cujo ponto central era a fábrica localizada em Luiz Antonio/SP, à qual estavam exclusivamente alocados funcionários, fornecedores, clientes, enfim, ativos e passivos vinculados à atividade de fabricação de papéis. De sua vez, o Grupo IP contava com investimento na Chamflora Três Lagoas Agroflorestal Ltda. ("Chamflora") , pessoa jurídica dedicada à atividade de fabricação de celulose constituída em 1991 e que pertencia ao Grupo IP desde 2001. Diante desse cenário, em que ambos os grupos empresariais detinham investimentos que lhes interessavam mutuamente, a opção natural eleita pelas administrações foi a celebração de um contrato de permuta, um dos negócios jurídicos mais primitivos e que acompanham o ser humano desde as suas origens, amplamente utilizado antes do surgimento da economia monetária. A despeito do grande espanto manifestado pelo agente fiscal ao se deparar com o contrato de permuta, o raciocínio é simples: considerando que ambos os contraentes detêm bens que lhes interessam mutuamente, as partes optam por se obrigarem a dar um bem Fl. 5321DF CARF MF Processo nº 16561.720163/201239 Acórdão n.º 1302002.096 S1C3T2 Fl. 8 7 em troca de outro. Digase, uma operação simples e eficiente que satisfaria com os interesses das partes envolvidas. O resultado da permuta foi exatamente equivalente à realização de duas compras e vendas simultâneas. Vale dizer que, no caso presente, o resultado teria sido exatamente o mesmo para a Recorrente se o Grupo IP optasse por adquirir o investimento na LA mediante pagamento em dinheiro e, de sua vez, o Grupo VCP decidisse adquirir o investimento na Chamflora em dinheiro. Ao final, exatamente como aconteceu no caso concreto, a LA pertenceria ao Grupo IP e a Chamflora pertenceria ao Grupo VCP, sendo o ágio pago pelo Grupo IP amortizável para fins fiscais da mesma forma como ocorreu no caso concreto. Ocorre que a transação demandava que algumas providências fossem adotadas para que pudesse ser implementada nos termos em que acordado pelas partes. Em relação ao Grupo VCP, era necessário que o acervo líquido correspondente ao empreendimento de produção de papel que estava em plena operação e que interessava ao Grupo IP fosse segregado em uma nova sociedade, como é praxe negocial em operações desse tipo. Assim é que o Grupo VCP constituiu a LA, contribuindo a essa pessoa jurídica todo o acervo líquido correspondente ao ramo de produção de papéis que outrora estava integrado a uma das sociedades integrantes do Grupo VCP, a VCP. O acervo líquido transferido à LA era composto por contas a receber, créditos fiscais a recuperar, 77 fazendas, 44 veículos florestais e 14 veículos industriais, além de passivos vinculados a fornecedores e a salários e outros encargos sociais devidos . Também foram transferidos à LA todos os mais de 800 funcionários exclusivamente dedicados à operação das atividades de produção de papéis para imprimir e escrever (doe. 05 da Impugnação). Se considerados também os funcionários terceirizados, chegase ao impressionante número de 1.900 colaboradores envolvidos nas atividades da LA. A figura abaixo ilustra esse momento da transação envolvendo os Grupos IP e VCP: A partir do recebimento desse acervo liquido, a LA passou a contar com 21 filiais, o que por si só denota o completo equivoco da autoridade fiscal de procurar sustentar tratarse de um mero ativo que foi alocado à LA exclusivamente com objetivos fiscais (doe. 06 da Impugnação). Nesse ponto, importa também registrar que, apesar da surpresa manifestada pelo agente fiscal em relação à segregação do empreendimento vinculado à planta de Luiz Antonio, a implementação de etapas preparatórias à realização de determinado negócio é recomendável e, muitas vezes, imprescindível . No caso presente, a operação poderia ser realizada das mais diversas maneiras, mas a constituição da LA era o caminho mais natural a ser adotado, na medida em que a permuta não envolveria um simples ativo detido pelo Grupo VCP, mas verdadeiro acervo liquido em operação representado por todos os ativos e passivos que estavam exclusivamente alocados à produção de papéis realizada no município de Luiz Antônio/SP. Uma vez realizadas as etapas preparatórias acima relatadas, implementouse a permuta das participações societárias, a partir da qual, de um lado, a IPH passou a deter investimento direto na LA e, de outro lado, a VCP passou a deter investimento na Chamflora, como ilustrado a seguir: Fl. 5322DF CARF MF Processo nº 16561.720163/201239 Acórdão n.º 1302002.096 S1C3T2 Fl. 9 8 O valor pelo qual o investimento na LA foi adquirido pela IPH correspondia, exatamente, ao montante do investimento estrangeiro anteriormente registrado pela IPH em relação à Chamflora, R$3.044.071.098,00. Depois de adquirido o investimento na LA, a IPH decidiu aumentar o capital social da Recorrente mediante contribuição das quotas da LA pelo exato valor que haviam sido adquiridas pela IPH. Nesse momento, considerando que a Recorrente adquirira novo investimento na LA, em atendimento ao artigo 385 do RIR desdobrou o custo de aquisição do investimento na LA em valor de patrimônio líquido e ágio. Considerando que à época o valor do patrimônio líquido da LA era R$1.004.999.278,39, a Recorrente registrou o valor de R$2.039.071.819,61 como ágio justificado economicamente na rentabilidade futura da LA, conforme laudo elaborado pela Ernst & Young Terco ("E&Y") constante dos autos (doe. 15 da Impugnação). Esses atos finais podem ser visualizados na ilustração abaixo: Por se tratar de empreendimento antes detido pelo Grupo VCP, concorrente do Grupo IP, a LA possuía processos de produção, manutenção, qualidade, suprimentos, informatização e gestão de recursos humanos próprios, além de manter cadeias de distribuição distintas daquelas utilizadas pelo Grupo IP. Por essa razão, a completa união das atividades então desenvolvidas pela Recorrente e pela LA somente poderia acontecer depois de elaborado e implementado um completo plano de alinhamento de todos esses elementos, os quais são críticos para o sucesso empresarial, bem como da padronização da qualidade dos produtos fabricados pela LA de acordo com os níveis de qualidade praticados pelo Grupo IP, harmonização e integração dos processos internos e de sistemas de informática (como a unificação de itens de produtos, matériasprimas e manutenção e reparo, implantação do mesmo sistema nas duas empresas etc). Com o objetivo de permitir a visualização da magnitude dessa tarefa de alinhamento entre os empreendimentos e total integração da LA ao Grupo IP, a Recorrente anexou à impugnação cronogramas e estudos internos relativos às mais diversas áreas cuja segregação e integração deveria ser implementada (does. 16 a 18 da Impugnação). Em razão das limitações impostas durante o negócio realizado com o Grupo VCP, somente depois de adquirido o investimento na LA é que foi possível desenvolver e implementar o plano de alinhamento pela Recorrente, com a definição clara das prioridades, responsabilidades e cronograma de implantação. Durante esse processo inicial, as atividades desenvolvidas pela Recorrente e pela LA tinham que necessariamente ser mantidas segregadas em pessoas jurídicas distintas, estendendose o processo de integração até um período em que as duas pessoas jurídicas já tivessem sido completamente unidas por meio do processo de incorporação da LA pela Recorrente. Superada essa etapa inicial da integração, a Recorrente incorporou a LA e a combinação das atividades passou a ser plena. A partir desse momento, obtiveramse significativos ganhos de rentabilidade, traduzidos na redução de custos administrativos, de pessoal e logísticos, em face da possibilidade de melhor planejamento e ampliação das opções quanto à fabricação de produtos específicos para o atendimento dos clientes a partir da alocação da produção às diferentes plantas geridas pela Recorrente, conforme sua localização geográfica, já que nesse momento todas as plantas já produziam os mesmos produtos com a mesma qualidade. Fl. 5323DF CARF MF Processo nº 16561.720163/201239 Acórdão n.º 1302002.096 S1C3T2 Fl. 10 9 Foi possível, ainda, uma melhor negociação dos custos de matériaprima com fornecedores, devido à maximização da capacidade operacional e aos ganhos de escala daí decorrentes. A combinação das áreas florestais das duas empresas também permitiu um melhor gerenciamento desses ativos, trazendo ganhos adicionais à Recorrente. Do ponto de vista de recursos humanos, a combinação das atividades da Recorrente e da LA teve um significativo impacto motivacional, pois permitiu a implantação de um plano de carreira mais amplo e com maiores possibilidades e opções de desenvolvimento, tendo em vista o maior número de cargos de supervisão e gerenciais após a integração das atividades. Por fim, nos exatos termos em que autorizados pelo artigo 386 do RIR, considerando que o ágio pago pela Recorrente na LA estava justificado na rentabilidade futura da investida, a incorporação também permitiu a amortização do ágio para fins fiscais, o que foi feito conservadoramente pela Recorrente no prazo de 10 anos, a despeito de a legislação permitir a amortização do ágio no prazo mínimo de 5 anos. Do Acórdão Recorrido Conforme mencionado no início das presentes razões recursais, a Decisão DRJ refutou todas as acusações lançadas pela autoridade fiscal que fundamentaram a lavratura do Auto de Infração. O trecho a seguir demonstra a firmeza da DRJ ao julgar improcedentes as acusações fiscais: "A informação de ter a sociedade perdurado como tal por apenas quatro meses não é suficiente para se concluir que à mesma faltava o atributo essencial denominado affectio societatis. Como um empreendimento surgido, de fato, dentro da própria VCP, a LA prescindia de autonomia empresarial para sua operacionalidade, o que se tornou necessário somente a partir do momento em que se decidiu transferir o empreendimento fabril para outro grupo empresarial, a International Paper, como forma de permitir a sua alienação no contexto da operação de permuta realizada entre o Grupo IP e o Grupo VCP. A complexidade do empreendimento, suportado por um acervo liquido composto por diversos elementos patrimoniais (plantações de eucalipto, instalações industriais, imóveis, licenças e solicitações ambientais, contas a receber, contas a pagar, estoques de matériaprima e estoque em processo, bens acabados, sistemas operacionais, direitos de propriedade biotecnológica e outros ativos circulantes e passivos circulantes relacionados ao empreendimento) e desdobrados em 21 (vinte e uma) filiais, bem como por funcionários dedicados exclusivamente a suas atividades, justifica e comprova a existência de uma sociedade de fato. Além disso, ao contrário do que afirmado pela autoridade fiscal, demonstrouse que a LA era uma sociedade operacional e lucrativa, conforme evidenciado pelos balanços e declarações apresentados no curso da fiscalização. Apesar de breve, a existência da LA Celulose como sociedade autônoma não pode ser considerada efêmera, porque enquanto durou, demonstrou ser um empreendimento operacional e lucrativo. (...) Fl. 5324DF CARF MF Processo nº 16561.720163/201239 Acórdão n.º 1302002.096 S1C3T2 Fl. 11 10 Por fim, cabe ressaltar que ao fisco não cabe analisar a eficácia da estratégia adotada, cumprindolhe somente verificar se há, e nesse caso, entendo que há, compatibilidade entre a causa apresentada e a estrutura adotada (constituição da LA). Havia, em tese, a necessidade de segregação das atividades do empreendimento como etapa preparatória à sua alienação. E, admitida a constituição de uma sociedade para referida segregação, não há distinção quanto a eventual pagamento de ágio, entre a forma de aquisição dessa sociedade permuta ou compra e venda." (g.n.) Apesar de ter julgado improcedentes todos os fundamentos do Auto de Infração, a DRJ acabou por manter o lançamento, por maioria de votos, ao argumento de que a Recorrente não teria cumprido as exigências do artigo 38 6 do RIR, alegando que não teria ocorrido a indispensável "confusão patrimonial entre a investida e a investidora". Além disso, com o objetivo de subsidiar sua tese, a DRJ alegou que a operação realizada permitira um famigerado "duplo aproveitamento do ágio" pela IPH e pela Recorrente. Apesar de todo o respeito que a Recorrente nutre pela DRJ, que acertadamente afastou as acusações fiscais, a linha de argumentação adotada para manter o Auto de Infração é absolutamente improcedente. Inicialmente, porque no caso sob análise não teria ocorrido a dita "transferência" do ágio supostamente apurado pela IPH na operação de permuta da Chamflora pela LA realizada com a VCP, para a Recorrente. Isso porque o ágio somente pode ser transferido de uma sociedade a outra nas hipóteses de fusão, incorporação ou cisão, o que não houve entre a IPH e a Recorrente. 0 ágio registrado pela Recorrente em relação à LA teve como referência a aquisição por ato oneroso por ela realizada, representada pela contribuição em aumento de capital realizada pela IPH. Fosse a IPH uma pessoa jurídica brasileira, o que se admite apenas para ilustrar o raciocínio, haveria a necessária "baixa" de eventual ágio por ela inicialmente registrado. Não houve transferência de ágio, mas registro de ágio em razão de um novo evento de aquisição de investimento realizado pela Recorrente. Nessas condições, não há como se negar que a amortização do ágio realizada pela Recorrente cumpriu todos os requisitos do artigo 386 do RIR. Além disso, jamais haveria que se cogitar do suposto "duplo aproveitamento do ágio", haja vista que a IPH é uma sociedade estrangeira e, portanto, não está sujeita ao registro do investimento com base no artigo 385 do RIR, sendo que o seu custo de aquisição em qualquer alienação será sempre o valor registrado junto ao Banco Central do Brasil. Houve, sim, transferência do investimento. Tanto é assim um dos limos. Julgadores de primeira instância fez questão de registrar declaração de voto em que manifestou sua opinião pelo integral provimento à Impugnação apresentada pela Recorrente, da qual se extraem relevantes elementos para a análise do caso concreto. Na mesma linha do sustentado pela Recorrente, a declaração de voto que integra a Decisão DRJ demonstrou com clareza que não há na operação sob análise Fl. 5325DF CARF MF Processo nº 16561.720163/201239 Acórdão n.º 1302002.096 S1C3T2 Fl. 12 11 transferência de ágio pago pela IPH para a IPB (Recorrente) , como quer fazer parecer a autoridade lançadora, destacando o equivoco técnicojuridico incorrido pelos demais julgadores . Também se reconheceu na declaração de voto apresentada que a Recorrente teria cumprido com todos os requisitos necessários para o aproveitamento do beneficio de amortização de ágio elencados pela autoridade lançadora . Com relação ao suposto duplo aproveitamento do ágio, foi consignado que a IPH recuperou todo o valor pago pela LA ao transferir a participação societária para a Recorrente. Assim, ainda que por hipótese se pudesse admitir que a IPH (sociedade holandesa) teria algum direito à amortização de ágio de maneira semelhante àquela prevista pela legislação brasileira (o que somente a análise da legislação holandesa poderia responder), a IPH teria deixado de ter direito a eventual benefício futuro de amortização de ágio. Logo, não haveria que se falar em duplo aproveitamento de valores a título de ágio uma vez que somente seria possível para a Recorrente amortizar fiscalmente esse ágio . Por fim, a declaração de voto apresentou situação hipotética que ilustra com extrema clareza a improcedência do raciocínio desenvolvido pelos demais julgadores da DRJ: assumindose que, em vez de a IPH adquirir a LA diretamente, essa sociedade tivesse injetado recursos na Recorrente via aumento de capital social para que a Recorrente adquirisse a LA, seria inegável que a Recorrente teria registrado diretamente o mesmo valor de ágio na operação, assim como o valor do investimento da IPH na Recorrente seria exatamente o mesmo que permaneceu registrado no caso concreto depois da alienação da LA à Recorrente! Como se pode observar, e que foi bem observado na declaração de voto que integra a Decisão DRJ, os efeitos patrimoniais e valorativos da operação para a IPH, para a Recorrente e para a LA seriam exatamente os mesmos se comparados àqueles da estrutura efetivamente implementada, evidenciando que a estrutura utilizada jamais teve cunho meramente fiscal e que jamais houve nem haverá o tal "duplo aproveitamento do ágio", haja vista que o direito à amortização do ágio estaria garantido em ambas as estruturas analisadas. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator O Recurso Voluntário é tempestivo (recorrente intimada, em 16/07/2013 e recurso interposto, em 31/07/2013). Todavia, quanto à representação processual, há a necessidade de regularização. À época da subscrição do recurso os advogados da recorrente estavam devidamente constituídos. Todavia, verificouse que a vigência do instrumento de mandato expirou em 19/11/2013 e não foi renovado (fl. 72 do arquivo/recurso voluntário). O fato de o Fl. 5326DF CARF MF Processo nº 16561.720163/201239 Acórdão n.º 1302002.096 S1C3T2 Fl. 13 12 substabelecimento passado indicar vigência até o final do processo administrativo, não supre tal necessidade. À véspera dessa sessão, 10/04/2017, a Recorrente juntou Instrumento Público de Procuração, outorgado por representante da Recorrente, em 09/03/2017. Também juntou substabelecimento outorgado em 10/04/2017. A procuração limitase aos poderes específicos da cláusula AD JUDICIA. Não obstante a ausência da cláusula ET EXTRA, considero regularizada a representação processual. Preliminar de Inovação Considerando a possibilidade de a Recorrente regularizar a representação processual no decurso das sessões de julgamento de abril/2007 e, assim, se passe ao julgamento do Recurso Voluntário, passamos à seguinte análise. Preliminarmente, a Recorrente alega: Inovação dos fundamentos utilizados para proceder à manutenção do Auto de Infração Após proceder à análise dos fatos e provas acostados pela Recorrente em sua impugnação, a decisão da DRJ reconheceu que a LA era uma sociedade plenamente operacional e dotada do chamado propósito negocial, reconhecendolhe a aplicação das regras do artigo 385 do RIR que determinam a segregação do custo de aquisição do investimento em patrimônio líquido e ágio . Não obstante, apesar de reconhecer improcedentes as acusações lançadas pela autoridade fiscal, o voto vencedor da Decisão DRJ fundamentou a manutenção do Auto de Infração na alegação de que o caso presente não preencheria os requisitos exigidos pelo artigo 386 do RIR para a amortização fiscal do ágio, haja vista que em sua opinião a Recorrente não teria adquirido o investimento na LA nas condições impostas pelo dispositivo em tela. Nesse ponto, a Recorrente ressaltou que não seria admissível que a DRJ afastasse uma a uma as acusações lançadas pela autoridade fiscal, as quais justificariam a aplicação do artigo 299 do RIR e, por outro lado, mantivesse o Auto de Infração com base em dispositivo que nem sequer constou da capitulação legal do lançamento. Frisou que, a DRJ inovou o fundamento do Auto de Infração e que tal conduta estaria evidenciada nas fls. 35 e 36 da decisão, passagem em que o órgão julgador teria abandonado o argumento de que a personalidade jurídica da LA deveria ser desconsiderada (o que justificaria a violação ao artigo 299 do RIR) e passa a justificar a manutenção do Auto de Infração, no fato de que a Recorrente não teria direito à amortização do ágio em razão de uma suposta falta de cumprimento dos requisitos do artigo 386 do RIR. Confirase: "Ocorre que a participação societária adquirida com ágio ou deságio a que alude o art. 386, III, do RIR de 1999, é aquela adquirida pela sociedade que venha a incorporála ou, conforme autorização do § 6° do mesmo artigo, pela sociedade venha a ser incorporada por sua própria investida. Se a participação societária tiver sido adquirida por uma pessoa jurídica que posteriormente transfira essa participação para outra pessoa jurídica, a esta última não se aplica a possibilidade de amortização fiscal prevista no artigo 386 do RIR/99. Fl. 5327DF CARF MF Processo nº 16561.720163/201239 Acórdão n.º 1302002.096 S1C3T2 Fl. 14 13 Poderse ia indagar se tal interpretação não seria injusta, ao argumento de que a incorporação do investimento adquirido com ágio, por determinar a extinção desse investimento, impossibilitaria a recuperação fiscal do ágio na sua forma ordinária, prevista no artigo 391 do RIR/99, qual seja, na integração ao custo de aquisição do investimento quando este for alienado ou liquidado. Na realidade, para que se aplique a disposição contida no artigo 386, é indispensável que ocorra a confusão patrimonial entre a investida e a investidora, sociedades que nem sempre correspondem à investida e àquela que detém o ágio sobre a investida." (g. n. ) A Recorrente registrou: se o fundamento do Auto de Infração é a desconsideração da personalidade jurídica da LA e a indedutibilidade das despesas por falta de preenchimento dos requisitos do artigo 299 do RIR, como poderia a Decisão DRJ manter a atuação com base em uma suposta falta de preenchimento das diretrizes do artigo 386 do RIR? Segue sua defesa nos seguintes termos: Ressaltese, nesse passo, que a alteração do fundamento da autuação vem em prejuízo da parte, uma vez que as acusações que foram rebatidas na fase inicial do processo e que foram objeto de prova não são mais aquelas que serão rebatidas em momento posterior. Dito em outras palavras, a mudança dos fundamentos de lançamento termina por restringir o direito de defesa, uma vez que enseja acusação nova no curso do processo administrativo, para qual a parte não pode mais produzir novas provas. Como esse suposto fundamento trazido pela C. Turma Julgadora não foi objeto das razões utilizadas pela autoridade lançadora, acaba a DRJ por violar flagrantemente todas as regras que regulam o lançamento do crédito tributário no Brasil, desde o artigo 142 do Código Tributário Nacional ("CTN"), que estabelece ser atividade privativa do agente fiscal a constituição do crédito tributário, até o artigo 146 do CTN, que veda a alteração no critério jurídico do lançamento . Ao analisar esse último dispositivo, Ives Gandra da Silva Martins assevera: "qualquer alteração no critério jurídico só pode valer para o futuro, jamais projetar efeitos para o passado, surpreendendo o cidadão ou a empresa que acreditaram agir respaldados em interpretação oficial da lei". Hugo de Brito Machado , tratando especificamente da possibilidade de alteração de fundamentação de uma autuação procedida pelo órgão administrativo julgador, destaca que: "6) Até que ponto pode o julgador ajustar o lançamento? Pode manter o lançamento sob motivação diversa da constante do Termo de Verificação Fiscal? O erro na capitulação legal enseja sempre a nulidade do lançamento? Ajustes que impliquem extinguir ou reduzir a exigência tributária podem ser feitos a qualquer tempo. Os que impliquem agravamento, só enquanto não extinto o direito de lançar. (...) O erro na capitulação legal do fato pode ensejar, ou não, a nulidade do lançamento. Implica nulidade quando a nova capitulação legal significa novas razões de fato e de direito a fundamentar a exigência tributária. Não implica nulidade quando se tratar de simples erro material, posto que existente no ordenamento jurídico regra que, diante dos fatos enunciados para a feitura do lançamento, o justificam. Nem quando sua correção implica suavização de penalidade." (g.n.) Fl. 5328DF CARF MF Processo nº 16561.720163/201239 Acórdão n.º 1302002.096 S1C3T2 Fl. 15 14 E é nessa linha que segue a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça ("STJ"), como exemplifica o voto proferido pelo Ministro José Delgado, merecendo destaque o seguinte trecho: Deduzse, pois, que o contribuinte merece ser protegido contra a mudança de critério adotado pelo Fisco na interpretação tributária. Ele não pode prejudicar, sobretudo punir, o contribuinte pelos fatos e atos anteriores à sua nova orientação. O princípio da segurança das relações jurídicas se sobrepõe para garantir a estabilidade necessária aos sujeitos das obrigações (Recurso Especial n° 162.616). Nesse sentido também tem caminhado a jurisprudência desse E. CARF, incluindo a sua Câmara Superior de Recursos Fiscais ("CSRF"), como demonstram as ementas a seguir: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DATA DO FATO GERADOR: 11/04/2006, 02/05/2006. AUTO DE INFRAÇÃO. ARBITRAMENTO DO VALOR ADUANEIRO. MULTA. PENA DE PERDIMENTO, ILEGITIMIDADE DE CRITÉRIO, ALTERAÇÃO PELA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE, MUDANÇA DO CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN. O reconhecimento da ilegitimidade do arbitramento do valor aduaneiro para fins de aplicação da multa substitutiva da pena de perdimento não autoriza que, em julgamento de 1ª instância, seja adotado um novo critério, diverso daquele apontado pela autoridade fiscal no auto de infração. Referida alteração configura mudança do critério jurídico, o que é vedado pelo artigo 146 do CTN, caracterizando inovação e aperfeiçoamento do lançamento. Fazse necessário, assim, para apuração de uma nova base de cálculo, a lavratura de novo auto de infração, o que não é da competência das instâncias julgadoras. afigurase incabível, portanto, o lançamento lastreado em arbitramento ilegítimo (...)" (Processo 12466004322200633 Recurso Voluntário n° 139.846 Acórdão n° 320200115 3a Seção de Julgamento. 2a Câmara. 2a Turma Ordinária Sessão de 24 de maio de 2010 g.n.) "AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO FUNDAMENTO DA AUTUAÇÃO ALTERADO IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. O fundamento do lançamento não pode ser alterado no decorrer do processo sob pena de nulidade do feito. Sendo o fundamento inicial derrubado pela defesa, deve o AI ser cancelado e não alterado o fundamento para manutenção da exação. Recurso Voluntário Provido" (Processo n° 11075.001790/200344 Recurso Voluntário n° 328.323 Acórdão n° 380100.393 Ia Turma Especial Sessão de 28 de abril de 2010). "NULIDADE LANÇAMENTO FALTA DE MOTIVO. Evidente a contradição ou a colisão entre os fundamentos fáticos e jurídicos do despacho decisório e o auto de infração que tem sua causa e suporte no despacho decisório. O fundamento do despacho decisório, no caso vertente, integra o auto de infração, que é consequência e continuismo ao que se pôs naquele. Inescondível a falta ou corrupção do motivo ao auto de infração. Não fosse por isso, o critério jurídico adotado no auto de infração esbarra no art. 146 do CTN, numa interpretação teleológica e construtiva do preceito. Vício substancial que fulmina o lançamento. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE Fl. 5329DF CARF MF Processo nº 16561.720163/201239 Acórdão n.º 1302002.096 S1C3T2 Fl. 16 15 ORIGEM. Para o juízo de procedência do lançamento, o órgão julgador a quo o inovou. Todavia, com arrimo no art. 59, § 3', do Decreto, deixase de decretar a nulidade do acórdão de origem, para se levar a termo o exame do feito" (Processo n° 16327.000218/200615 Recurso Voluntário n° 166.617 Acórdão n° 110.300.265 la. Seção 3a. Turma da la. Câmara Sessão de 08 de agosto de 2010 g.n.) "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 30/04/1997 a 31/12/1997 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO NULIDADE MOTIVAÇÃO DOS FATOS INSUBSISTENTE PROC JUD DE OUTRO CNPJ ALTERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS NO JULGAMENTO DE SEGUNDA INSTÂNCIA. Se a autuação torna como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial em nome do contribuinte, limitandose a indicar como dado concreto "PROC JUD DE OUTRO CNPJ", e o contribuinte demonstra a existência desta ação, bem como que figura no pólo ativo, devese reconhecer a nulidade do lançamento por absoluta falta de amparo fático. Não há como manter a exigência fiscal por outros fatos e fundamentos, senão aqueles constantes no ato do lançamento. Teoria dos motivos determinantes. Recurso Provido." (Processo n° 11516.001495/200271 Recursos Voluntário n° 253.737 Acórdão 340300.2493 3a. Seção 3a. Turma da 4a. Câmara Decisão CARF Sessão de 17 de março de 2010 g.n.) "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF. Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. RECEITAS PROVENIENTES DE ATIVIDADE RURAL. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. (...) Tratandose o órgão julgador de mero revisor do ato formal de lançamento, não compete a ele alterar os fundamentos do auto de infração lavrado em desconformidade com a atividade exercida pelo contribuinte. Recurso voluntário provido." (Processo Administrativo n° 18088.000037/200684 Recurso Voluntário n° 162.317 Acórdão n° 330100.048 3a. Seção / la. Turma da 3a. Câmara Sessão de 06 de maio de 2009 g.n.) "DIVERGÊNCIA PRESSUPOSTOS PREQUESTIONAMENTO Presentes os pressupostos de admissibilidade do recurso especial, em face de inequívoco prequestionamento e divergência de julgados, ê de se admitir o recurso interposto pelo sujeito passivo. IRF PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA INOVAÇÃO DO FEITO Não compete à segunda instância alterar o feito , aplicando legislação distinta daquela constante na autuação e apurando nova base de cálculo, ainda que a decisão seja parcialmente favorável ao sujeito passivo. Comprovado flagrante equívoco na aplicação da norma legal e consequente apuração de base de cálculo inadequada, incabível o lançamento assim constituído (...)" (Processo Administrativo n° 10880.027914/9179 RD/1060.392 Acórdão CSRF/0103.369 Câmara Superior de Recursos Fiscais Sessão de 23 de julho 2001 g.n.) "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA Na apreciação de recurso especial de divergência a Câmara deve cingirse à matéria de direito em litígio e de eventuais preliminares. Inadmissível o Fl. 5330DF CARF MF Processo nº 16561.720163/201239 Acórdão n.º 1302002.096 S1C3T2 Fl. 17 16 aperfeiçoamento ou inovação do lançamento, ainda que estes não importem em agravamento da exigência, mas caracterizam mudança de critérios jurídicos do lançamento. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA GANHO DE CAPITAL ARBITRAMENTO DO VALOR DE VENDA O arbitramento do valor de venda de imóvel, pela desconsideração do valor informado na escritura pública de compra e venda só é admissível mediante procedimento regular em que o fisco faça prova da aptidão do valor por ele atribuído à operação. Recurso especial provido." (Processo Administrativo n° 14052.004092/9214 Recurso Especial n° 102001.588 Acórdão n° 40104535 Câmara Superior de Recursos Fiscais Ia Turma Sessão de 09 de junho de 2003 g.n.) "IRPJ/IRF A mudança dos fundamentos legais que embasaram a exigência caracteriza inovação e aperfeiçoamento do lançamento, requerendo a lavratura de novo auto de infração ou notificação de lançamento suplementar, e ao Órgão julgador não foi dado esse poder. Recurso negado" (Processo Administrativo n° 10140.0011762/9897 Recurso Especial n° 1031.014 Acórdão n° 0104.490 Câmara Superior de Recursos Fiscais Ia Turma Sessão de 14 de abril 2003 g.n.) Analisandose os pontos de vista, é correto concluir que, a alteração de fundamentos do Auto de Infração realizada pela DRJ não se enquadra nos citados julgados. Pois, no presente caso a DRJ, assim como a DRF, manteve as glosas de despesas de amortização de ágio. Não há óbice a que seja superada a fundamentação adotada pela Fiscalização (artigo 299 do RIR), em razão dos argumentos e provas apresentados pela Recorrente. A DRJ manteve o Auto de Infração. O fato de haver concluído com base em novas razões e fundamentos, não foram ventilados pela autoridade lançadora, não constituise em aperfeiçoamento do auto de infração. Pelo exposto, voto no sentido rejeitar a alegação preliminar de inovação verificada no acórdão recorrido. Do Mérito No mérito a Recorrente apresentou as seguintes razões de recurso. Decadência de Parte do Crédito Tributário Amortização Mensal do Ágio A decisão da DRJ refutou os argumentos trazidos pela Recorrente de que parte do Auto de Infração teria sido atingida pelo instituto da decadência. Para tanto, conjuga os artigos 173, I e o 150, parágrafo 4o do CTN para concluir que: caso houvesse pagamento do tributo, ainda que de modo parcial, se aplicaria a regra do artigo 150, parágrafo 4° do CTN, a qual expressa que a decadência do direito de constituir o crédito tributário se dá em 5 anos a contar do fato gerador do tributo. Por outro lado, caso não se tenha o pagamento nem mesmo parcial do tributo, o direito de constituir o crédito se extingue em 5 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Dessa forma, como a Recorrente não teria realizado o pagamento do IRPJ e da CSLL supostamente devidos no ano calendário de 2007, deveria ser aplicado o disposto no artigo 173, I do CTN ao caso presente, o que levaria o prazo final da decadência para 01/01/2014. Ainda, a DRJ consignou que caso tivesse ocorrido pagamento do tributo, ainda que de modo parcial, o prazo final seria em 31/12/2012. Fl. 5331DF CARF MF Processo nº 16561.720163/201239 Acórdão n.º 1302002.096 S1C3T2 Fl. 18 17 Alega que essa não é, contudo, a melhor interpretação das regras constantes no CTN e dos julgados desse E. CARF a respeito das regras de decadência do direito de o Fisco constituir seus créditos tributários. O Auto de Infração questionado trata de despesas referentes a ágio deduzido pela Recorrente na apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL a partir do mês de maio de 2007, que foi o momento em que a Recorrente incorporou a LA. Alega que a jurisprudência do CARF é pacifica no sentido de que o prazo decadencial dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é regido pelo artigo 150, parágrafo 4°, do CTN, isto é, 5 anos contados da ocorrência do fato gerador. Do artigo 1°, da Lei 9.430/96, depreendemos que o IRPJ e a CSLL devem ser apurados pelo lucro real trimestral, pelo lucro presumido ou pelo lucro arbitrado. O artigo 2° da mesma Lei introduz alternativa à apuração trimestral do lucro real, consistente no pagamento do IRPJ e da CSLL mensalmente, mediante a aplicação dos percentuais estabelecidos pelo art. 15, da Lei 9.249/95, sobre a receita bruta apurada. Nesse caso, o lucro real deverá ser apurado em 31 de dezembro de cada ano calendário. Além das sistemáticas de apuração e recolhimento do IRPJ e da CSLL, as pessoas jurídicas, nos termos do art. 35, da Lei 8.981/95, podem optar pela suspensão ou redução do IRPJ e da CSLL caso os recolhimentos efetuados até então superem ou sejam equivalentes ao devido sobre o lucro real apurado no período. Em outras palavras, no âmbito dessa sistemática adotada pela Recorrente no anocalendário de 2007 a apuração do IRPJ e da CSLL ocorre mensalmente e não apenas em 31 de dezembro de cada anocalendário como acontece na apuração do lucro real anual com antecipações calculadas com base nas estimativas mensais. Sendo assim, o fato gerador do IRPJ e da CSLL para os contribuintes que apurem o lucro real mensal com base nos balancetes de suspensão e redução ocorre a cada mês, visto que, ao final de cada período mensal, ocorre a efetiva apuração do lucro tributável. Alega que, por essa razão esse CARF vem sustentando que a glosa das despesas de amortização de ágio registradas pela Recorrente mensalmente apenas poderia ter sido levada a efeito em até 5 anos contados de cada apuração mensal . Sustenta, assim, que todas as amortizações efetuadas até 31/11/2007 teriam sido objeto de homologação tácita pelo Fisco, restando inadmissível sua glosa por meio de Auto de Infração do qual a Recorrente foi notificada em dezembro de 2012, merecendo essa parte do Auto de Infração ser sumariamente cancelada, assim como a decisão da DRJ reformada nesse ponto. Diversamente, entendemos que ao caso aplicamse as disposições do art. 173, inc. I do CTN. Assim, não teria havido decadência. Do Mérito Considerações iniciais Razões da autoridade lançadora e da Decisão da DRJ Fl. 5332DF CARF MF Processo nº 16561.720163/201239 Acórdão n.º 1302002.096 S1C3T2 Fl. 19 18 A origem do descontentamento da autoridade lançadora com a amortização do ágio realizada pela Recorrente está, basicamente, fundada em dois pontos específicos, a saber: (i) o contrato de permuta celebrado entre o Grupo IP e o Grupo VCP, por meio do qual o investimento na LA foi adquirido pelo Grupo IP e (ii) a segregação do acervo líquido vinculado às atividades de produção de papéis desenvolvidas pela VCP e sua alocação na LA, posteriormente adquirida e incorporada pela Recorrente. Essa irresignação, no entanto, não foi ratificada pela DRJ, uma vez que os argumentos expostos pela Recorrente foram acatados pelos julgadores administrativos de 1ª Instância. Em sua análise, ficou claro e superado que a estrutura adotada pelas partes foi razoável e apta a atender os interesses de ambas as partes. Ainda, ficou consignado que a personalidade jurídica da LA não poderia ser desconsiderada, haja vista que a sociedade era plenamente operacional e atuante em seu mercado de atuação. A manutenção do Auto de Infração se deu, contudo, em razão de a DRJ ter concluído, equivocadamente, que IPB não teria direito à amortização do ágio inerente à operação em tela em razão de uma aparente falta de preenchimento de certos requisitos que a Recorrente deveria adimplir para poder se valer da amortização do ágio prevista no artigo 386 do RIR, que seriam : "(i) Uma pessoa jurídica (investidora) deve deter participação em outra (investida) ; (ii) Por ocasião de sua aquisição, tal participação na investida deve ter sido adquirida com ágio pela investidora, isto é, a investidora deve ter efetivamente arcado com o pagamento do ágio; (iii) Deve ocorrer a obrigatória absorção de patrimônio da investida pela investidora, ou viceversa (absorção de patrimônio da investidora pela investida), por meio de incorporação, fusão ou cisão; (iv) Deve haver o 'encontro' da participação societária adquirida e do ágio pago por tal participação em um mesmo patrimônio ('confusão patrimonial')." Aplicando esses requisitos ao caso concreto, a Decisão DRJ entendeu que "no caso em apreço, a confusão patrimonial deuse entre a investida (LA) e a sua controladora direta (IPB) que, no entanto, não foi quem efetivamente investiu, na aquisição da LA, o valor correspondente o patrimônio líquido dessa última mais o ágio pago na transação de permuta pactuada com a VCP". Em razão disso, a Recorrente não teria direito a proceder à amortização do ágio apurado na operação de permuta realizada, uma vez que esse direito seria exclusivo da IPH. Fl. 5333DF CARF MF Processo nº 16561.720163/201239 Acórdão n.º 1302002.096 S1C3T2 Fl. 20 19 Ademais, a Decisão DRJ consignou que o disposto nos artigos 7 e 8 da Lei 9.532/97 (que é a base legal dos artigos 385 e 386 do RIR) visaria a permitir a recuperação do ágio pago em determinado investimento "em que se torna impossível sua recuperação através do mecanismo ordinário previsto no artigo 391 do RIR/99, que determina o cômputo do ágio na avaliação do custo de aquisição para fins de apuração de ganho de capital" . Ainda segundo a DRJ, essas disposições não teriam como objeto conceder um favor fiscal para haver "duplo aproveitamento" do ágio. No caso presente, como o ágio em questão já comporia o custo do investimento da IPH na IPB (Recorrente) , tal valor não poderia compor o ágio registrado pela IPB e que seria passível de amortização nos termos do artigo 386 do RIR. Isso porque, segundo a DRJ, esse valor seria "recuperado" pela IPH no momento da alienação das quotas da IPB. Surpreendentemente, a DRJ reconheceu que a Recorrente agiu corretamente ao realizar a contabilização do investimento recebido na LA nos termos do artigo 385 do RIR, mas alegou que isso não geraria automaticamente direito para a Recorrente de realizar a amortização do ágio decorrente desse investimento nos termos do artigo 386 do RIR, uma vez que esse montante somente deveria afetar a apuração do IRPJ e da CSLL devidos pela IPH quando da alienação do investimento na IPB. De todo esse arrazoado, é importante notar que a DRJ não questionou em momento algum a validade do ágio registrado pela Recorrente nem tampouco o seu valor ou fundamento econômico, limitandose, sem qualquer fundamentação legal, a (i) impor uma suposta restrição à dita "transferência" do ágio da IPH para IPB, que teria ocorrido no momento de integralização ao capital social da Recorrente com a totalidade das ações da LA e (ii) a sustentar que o valor correspondente ao ágio somente poderia influenciar a apuração do IRPJ e da CSLL devidos pela IPH quando da alienação do investimento na IPB. Não obstante, essas conclusões da DRJ não estão em consonância com a melhor interpretação dos dispositivos legais supra citados, além de estarem em claro confronto com as mais recentes decisões desse E. CARF. Nesse contexto, para que se possa demonstrar a improcedência do Auto de Infração também quanto ao seu mérito, a Recorrente entende como necessário retomar alguns conceitos relativos ao registro e à amortização do ágio pago na aquisição de participações societárias, dada sua grande relevância para a análise da operação objeto de questionamento pela DRJ. Registro e Amortização do Ágio Ausência da "transferência do ágio" e preenchimento inequívoco de todos os requisitos elencados pela DRJ Como se sabe, a figura do ágio relacionado com investimentos em outras sociedades decorre da legislação societária (Lei n° 6.404/76), que determina a obrigatoriedade, em determinadas situações, de as demonstrações financeiras espelharem o valor dos investimentos pelo método da equivalência patrimonial. Apesar de derivar da legislação societária, o desmembramento do custo do investimento em valor de patrimônio líquido e ágio ou deságio foi determinada pela lei fiscal (Decretolei n° 1.598/77) e pela Comissão de Valores Mobiliários (Instrução CVM n° 1/78). Fl. 5334DF CARF MF Processo nº 16561.720163/201239 Acórdão n.º 1302002.096 S1C3T2 Fl. 21 20 Até a edição da Lei n° 9.532/97, as amortizações contábeis do ágio eram neutras para fins fiscais, por expressa determinação do artigo 25, §2° do Decretolei n° 1.598/77. A partir da Lei n° 9.532/97, cujas regras foram reproduzidas no artigo 386 do RIR, as amortizações de ágio passaram a ter impactos na apuração do IRPJ e da CSLL, desde que atendidos os requisitos ali indicados. O conceito é, portanto, bastante simples e direto: o ágio tem origem na aquisição de participação societária por valor superior ao valor patrimonial da participação adquirida . No momento da aquisição do investimento, cabe à sociedade adquirente desdobrar o custo de aquisição do investimento em valor de patrimônio líquido e ágio (ou deságio, quando for o caso ), devendo o lançamento contábil indicar o fundamento econômico do ágio: (i) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade ("Ágio MaisValia"); (ii) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros ("Ágio Rentabilidade"); ou (iii) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas ("Ágio Outras Razões"). É o que determina o artigo 20 do Decretolei n° 1.598/77, reproduzido no artigo 385 do RIR. De seu próprio conceito deriva a conclusão de que o ágio somente pode surgir quando ocorrer aquisição de participação societária. Mais ainda, considerando que os dispositivos aplicáveis não trazem qualquer restrição à modalidade de aquisição da participação societária que daria ensejo ao registro do ágio, devese entender que a aquisição mencionada pelo artigo 385 do RIR não abrange apenas as operações de compra e venda de participação societária, mas engloba quaisquer outras transações que resultem na aquisição de investimento em pessoa jurídica por outra, como as operações de permuta ou as situações em que determinada sociedade recebe, em integralização de capital, participação societária em outra empresa . Disso decorre a conclusão lógica que o ágio só pode ser transferido a outra sociedade em razão da sucessão por incorporação, fusão ou cisão, quando da transferência do patrimônio da sucedida pela sucessora. Daí o equívoco da DRJ em afirmar que o ágio amortizado pela Recorrente teria sido a ela "transferido" pela IPH . Ainda que a IPH tivesse registrado ágio na aquisição do investimento na LA (o que deveria ser confirmado após a análise das normas fiscais e contábeis vigentes na Holanda, já que naquele país vigoram regras tributárias e contábeis próprias), se a propriedade sobre a participação societária adquirida com ágio for transmitida a outra pessoa jurídica por qualquer outra operação societária, como, por exemplo, via integralização ao capital social, não há que se falar em transferência do ágio. Há, sim, transferência do investimento! Nessa situação, o ágio é integralmente baixado contabilmente na pessoa jurídica alienante e considerado na apuração do seu resultado não operacional. Ao adquirente, cabe comparar o custo de aquisição do investimento ao respectivo valor de patrimônio líquido e, em sendo aquele superior a este, o ágio deverá ser registrado nos exatos termos em que determinado pelo artigo 20 do Decretolei n° 1.598/77. Fl. 5335DF CARF MF Processo nº 16561.720163/201239 Acórdão n.º 1302002.096 S1C3T2 Fl. 22 21 Vale dizer, nesse momento deve o adquirente indicar o fundamento econômico para o pagamento do ágio (que pode perfeitamente ser distinto daquele indicado pelo alienante e antigo proprietário) , devendo arquivar demonstrativo que justifique o lançamento contábil realizado. Assim, a cada aquisição (i.e, compra e venda, permuta, integralização ao capital social, entre outras) de participação societária em que o valor da operação superar o valor patrimonial da participação adquirida, surgirá o ágio, que deve cumprir todos os requisitos previstos em lei, seja ela qual for a modalidade adotada entre as partes. E foi exatamente isso que ocorreu no presente caso. No momento em que adquiriu o investimento na LA na operação de integralização ao seu capital, a Recorrente desdobrou o valor do investimento (representado pelo valor aportado e cuja contraprestação foi a emissão e entrega à IPH de novas quotas representativas do capital da Recorrente) em patrimônio liquido e ágio, o qual foi fundamentado economicamente na rentabilidade futura da LA, conforme refletido no laudo elaborado pela Ernst&Young. Fosse IPH uma pessoa jurídica brasileira que tivesse registrado ágio na aquisição do investimento na LA, esse ágio seria baixado no momento da contribuição do investimento em aumento de capital da Recorrente. Não há, portanto, qualquer transferência de ágio, como quis sustentar a DRJ, nem tampouco uma suposta transferência de titularidade de ágio entre a IPH e a IPB. Os valores eventualmente contabilizados pela IPH a titulo de ágio teriam sido baixados na operação de integralização ao capital social da IPB com as quotas da LA. E mais. Nesse momento, a IPB teve o ônus financeiro, o que significa que pagou pelo ágio dessa operação com a emissão de suas quotas em favor da IPH, sendo que o investimento na LA foi contabilizado nos termos previstos no artigo 385 do RIR em atenção às normas tributárias vigentes à época da operação. Essa é a linha de entendimento que vem sendo adotada por esse CARF ao analisar essa matéria, merecendo destaque a decisão proferida no "Caso Vivo" (processo administrativo nr. 11080.011379/200651: "Assim, é possível que uma empresa "Investidora" possua ações de uma companhia ("Investida") e, desejando subscrever capital de uma empresa "Nova Investida", mediante conferência das ações da antiga "Investida". Nessa situação, a "Investidora" e passa a ser investidora direta da "Nova Investida". A "Nova Investida", por sua vez, passe a ser investidora direta da antiga "Investida". Nos termos dos arts. Io e 8° da Lei das S/A, o ativo recebido pela nova investida (participação societária) deve ser coerente com o valor do capital social realizado, conforme avaliação. Notese que a empresa "Nova Investida" (i) recebe ações da antiga "Investida" e (2) entrega, à "Investidora", ações (ou quotas de capital) de sua própria emissão. Caso o valor "pago" pela "Nova Investida" (representado pelo valor de seu capital, entregue à Investidora na forma de ações ou quotas de capital de sua emissão) seja maior do que o valor patrimonial da participação social adquirida (referente à antiga "Investida", entregue pela "Investidora" à empresa "Nova Investida"), nos termos do art. 385 do Decreto 3.000, de 1999, cabe o registro de ágio na aquisição de ações. Por outro lado, há que ser baixado o Fl. 5336DF CARF MF Processo nº 16561.720163/201239 Acórdão n.º 1302002.096 S1C3T2 Fl. 23 22 investimento anteriormente mantido pela "Investidora" na antiga "Investida" podendo, inclusive, ser gerado um ganho de capital para a "Investidora"." (g.n.) O trecho acima transcrito é extremamente didático e dispensa maiores considerações: diferentemente do quanto sustentado pela DRJ, o ágio somente é transferido a outra pessoa jurídica nas hipóteses de incorporação, fusão ou cisão de sociedades. Dessa forma, havendo aquisição do investimento por qualquer modalidade, inclusive por meio de integralização da participação societária em aumento de capital, surgirá ágio, que deverá respeitar os ditames do artigo 385 do RIR como toda e qualquer aquisição de participação societária em que a pessoa jurídica seja avaliada pelo método da equivalência patrimonial. Raciocínio similar foi utilizado recentemente pela C. Câmara Superior de Recursos Fiscais ("CSRF") desse E. CARF quando da análise de caso relevante sobre o tema ("Caso CPQ") (Acórdão 9101001.657). Nesse caso, a C. CSRF foi incisiva ao afirmar que o termo "aquisição" utilizado pelo artigo 385 do RIR deve ser interpretado em toda a sua plenitude, sendo vedado ao Fisco qualquer pretensão em restringir seu sentido com vistas a ilegalmente reduzir o campo de incidência da norma. Confirase a seguir o quanto pacificou a C. CSRF nesse relevante julgado: "A questão está em que o termo "aquisição", ressaltado nas normas, não pode ser restringido, em seu significado, apenas à compra e venda de ações, para possibilitar a amortização do ágio proveniente da aquisição da participação societária. Não há qualquer fundamento legal que enseje tal restrição, de modo a excluir a subscrição, debatida nos autos. O fundamento do voto vencido no acórdão de que a aquisição exige uma outra pessoa é, como o devido respeito, um entendimento diferente da previsão legal. A legislação possibilita que a aquisição de participação societária de uma companhia se dê por subscrição de novas ações, desde que respeitados os limites legais. (...) Na verdade entendo de forma totalmente diversa ao apresentando no voto vencido do acórdão recorrido, pois uma pessoa física ou jurídica, nos termos da legislação positiva, por "adquirir" participação societária por meio de uma operação de alienação, em que há uma aquisição da participação societária de outra pessoa física ou jurídica, ou, por meio de um aumento de capital em que há a emissão de novas ações que são subscritas pelo novo acionista, ou pelo acionista que quer aumentar a sua participação na Companhia. (...) Na verdade, os efeitos contábeis independem da forma como a investidora adquiriu o seu investimento, quer tenha sido por subscrição de capital com recursos financeiros ou mediante a conferência de bens ou em participações societárias. A Lei não discriminou nenhuma dessas alternativas de aquisição de participação societária e não negou, em nenhuma dessas hipóteses, a possibilidade da amortização do ágio nos casos de incorporação reversa. A origem dos recursos utilizados para aumento do capital social na empresa investidora (por exemplo, se recursos dos sócios, imóveis, subscrição de ações, contribuição de investimento em outra companhia) não é relevante no tocante a análise da dedutibilidade fiscal do ágio na empresa operacional quando esta incorpora sua investidora. Fl. 5337DF CARF MF Processo nº 16561.720163/201239 Acórdão n.º 1302002.096 S1C3T2 Fl. 24 23 Portanto, a subscrição de ações por aumento de capital é uma forma de aquisição. (...) De fato, não havendo distinção na lei, não cabe ao intérprete fazêlo. Por aquisição entendese forma de absorção a um patrimônio jurídico de algo novo, não tendo, tal absorção, por único meio uma compra e venda. Podese dar, como na hipótese, pela subscrição de ações novas, o qual se insere, indubitavelmente, no conceito de ^participação societária adquirida'. Não se vislumbra, portanto, a alegada violação ao artigo 20 do DecretoLei n° 1.598/77. Neste dispositivo, também, o termo aquisição não aponta para qualquer restrição do seu significado. Na mesma linha, o artigo 385 do RIR/99 esclarece o tratamento tributário que deve ser dado pelo contribuinte à participação societária adquirida, qualquer que seja a forma de aquisição, o que inclui a subscrição de capital. Uma vez que a controlada incorpore sua empresa controladora, aplicarseá o disposto na Lei 9.532/97 e o ágio será dedutível. Caso o legislador quisesse excluir cada um dessas formas de aquisição de participação societária do tratamento tributária disposto nos artigos 385 e 386 do RIR o teria feito na própria lei. Ocorre que é esperado que a regra legal alcance todas as hipóteses equivalentes de forma homogênea, garantindo um tratamento isonômico aos contribuintes a elas sujeitos. Não é relevante para a amortização do ágio a origem dos recursos investidos: se já estavam na empresa, ou se derivam de subscrição de capital, ou se decorrente de contribuição de bens e direito em aumento de capital. 0 que importa é que, em todas essas hipóteses de aquisição de participação societária, a posição patrimonial da investida e da investidora é equivalente e não há razão para não permitir a fruição do benefício de amortização do ágio após realizada a incorporação reversa. Desta forma, o termo aquisição abrange a subscrição de ações, ensejando, legitimamente, a amortização do ágio, reconhecendo a sua contrapartida como despesas dedutíveis." (g.n.) Nesse contexto, ainda que a IPH tivesse pago um "ágio" em relação à LA, o fato é que a contribuição dessas sociedades em aumento de capital da Recorrente não faria com que esse suposto ágio fosse "transferido" ou "internalizado" para a Recorrente Essa contribuição apenas faria, como de fato fez, com que a Recorrente se visse obrigada a avaliar a LA pelo método da equivalência patrimonial, a teor do artigo 248 da Lei das S.A. e, nesse momento, registrasse um ágio no Brasil em relação a essa sociedade, conforme o artigo 385 do RIR, assim como ocorreu no Caso Vivo e no Caso CPQ, entre tantos outros. Posteriormente, com a incorporação entre investidora (adquirente da participação societária) e investida (adquirida), nasce o direito à amortização do ágio para fins fiscais, conforme autorizado pelo artigo 386 do RIR, nos exatos termos em que realizado pela Recorrente no caso presente depois de ter incorporado a LA. Notese, por fim, que no caso presente jamais se cogitou de qualquer artificialidade nas operações realizadas, sendo que a DRJ reconheceu expressamente que a Recorrente efetivamente adquiriu o empreendimento industrial representado pela unidade industrial de Luiz Antônio, grande produtora de papel que, no contexto do Plano de Transformação implementado pelo Grupo IP, permitiu que a Recorrente incrementasse Fl. 5338DF CARF MF Processo nº 16561.720163/201239 Acórdão n.º 1302002.096 S1C3T2 Fl. 25 24 significativamente sua atividade produtiva e, consequentemente, sua capacidade de geração de empregos diretos e indiretos e pagamento de tributos no Pais. À luz de todos esses fatos, percebese que todos os itens enumerados pela DRJ foram preenchidos no caso em exame. Vejamos: (i) Uma pessoa jurídica (IPB) teve participação em outra (LA); (ii) A participação na LA foi adquirida pela IPB via emissão de suas próprias quotas (ônus financeiro); (iii) Houve incorporação da LA pela IPB; e (ív) Houve ^encontro' do patrimônio da LA e da IPB (^confusão patrimonial') . Desse modo, como houve a efetiva unificação de patrimônio (confusão patrimonial) da Recorrente e da LA, não se chega a outra conclusão senão a de que os valores escriturados a titulo de ágio pela Recorrente são válidos e legítimos, de modo que seu aproveitamento, inclusive para fins fiscais, não poderia ser glosado, como acabou ocorrendo no lançamento ora impugnado. Superada essa questão, passemos a analisar a questão inerente ao suposto "duploaproveitamento" do ágio. Inexistência do chamado "duploaproveitamento" do ágio A Decisão DRJ criou dois conceitos, o de "recuperação fiscal do ágio pela investida através da amortização" e o de "recuperação fiscal do ágio pela investidora na alienação", concluindo que "a Lei n° 9.532/97 não teve como objetivo conceder esse favor fiscal (duplo aproveitamento do ágio), mas sim permitir que o ágio seja recuperado naquelas situações em que se torna impossível sua recuperação na alienação do investimento" . Com base nessa construção sem qualquer respaldo na lei, a DRJ elabora raciocínio no sentido de que, no caso presente, a amortização do ágio pela Recorrente não seria permitida haja vista que haveria o "duplo aproveitamento do ágio" na medida em que a IPH manteria o direito ao que a Fiscalização denomina "recuperação fiscal do ágio pela investidora na alienação", além de a Recorrente valerse da "recuperação fiscal do ágio pela investida na amortização". Ao desenvolver seu raciocínio, esquecese a autoridade fiscal que a IPH é pessoa jurídica nãoresidente no Brasil, à qual não é aplicável a regra do artigo 385 do RIR que determina o registro do ágio e para quem, em qualquer alienação do investimento, o custo de aquisição será representado pelo valor do investimento estrangeiro registrado junto ao Banco Central do Brasil . Ou seja, ao contrário do quanto afirmado pela DRJ em surpreendente equívoco na interpretação dos fatos frente às normas aplicáveis, em nenhum momento a IPH registrou qualquer ágio em relação à LA ou em relação à Recorrente . Fl. 5339DF CARF MF Processo nº 16561.720163/201239 Acórdão n.º 1302002.096 S1C3T2 Fl. 26 25 Ademais, também se equivoca a DRJ ao sustentar que "nos termos do artigo 391 do RIR/99, a recuperação fiscal ordinária remanesce na adquirente original do investimento (no caso a IPH) que, ao alienar o investimento em IPB, no qual detém o controle integral e indireto sobre LA, poderá recuperar o ágio sem incorrer em ganho de capital". Isso porque o artigo 391 do RIR é absolutamente inaplicável à IPH, que é sociedade estrangeira residente no exterior! Seja qual fosse a operação realizada pela Recorrente ou por qualquer outra pessoa jurídica em que a IPH tivesse investimento, fato é que o valor a ser por ela considerado como custo de aquisição na apuração de eventual ganho de capital seria exatamente o mesmo, aquele registrado como investimento estrangeiro junto ao BACEN. Como bem destacou a declaração de voto que integra a Decisão DRJ, tivesse a IPH contribuido recursos ao capital da Recorrente para que essa adquirisse o investimento na LA com ágio, a posterior amortização do ágio pela Recorrente em nada alteraria o custo de aquisição da IPH em relação à Recorrente! Nessa situação, nem mesmo a autoridade fiscal ousaria sustentar que o custo de aquisição da IPH estaria contaminado por um supostamente indevido "duplo aproveitamento do ágio". Essa conclusão foi, inclusive, compartilhada na declaração de voto que integrou a Decisão DRJ, na qual fica claro que não haveria que se falar em um suposto duplo aproveitamento do ágio. Finalmente, seja como for, ainda que a DRJ estivesse correta ao afirmar que o Grupo IP estaria aproveitando o ágio duplamente (na amortização fiscal e em eventual alienação), o que se admite apenas para argumentar, devese considerar que a IPH jamais pretendeu se desfazer do investimento na Recorrente. Ou seja, a DRJ buscou penalizar a Recorrente por um alegado duplo aproveitamento do ágio, sendo que, até o momento, tal ágio somente foi aproveitado fiscalmente de uma forma: por meio da amortização fiscal pela Recorrente, efetuada em total conformidade com a lei. Nesse contexto, a Decisão DRJ estaria punindo a Recorrente por um evento futuro e incerto sobre cuja ocorrência não traz qualquer indício. Do exposto, o que se percebe é que uma grande confusão foi criada a partir de exemplos e construções que, além de não terem qualquer relação com o caso concreto, não encontram qualquer respaldo na legislação aplicável. O que se observa, em verdade, é que a única interpretação possível dos artigos 385, 386 e 391 do RIR é no sentido de que no presente caso a IPB tem direito à amortização do ágio nos termos que foi realizado, assim como a IPH tem direito a considerar o valor do investimento em sua integralidade em uma eventual alienação de seu investimento na IPB. A DRJ trouxe, ainda, elemento adicional para sustentar o questionamento levantado pela autoridade lançadora referente à possibilidade de amortização gerado na operação de permuta de linha de negócios entre os Grupos IP e VCP. Fl. 5340DF CARF MF Processo nº 16561.720163/201239 Acórdão n.º 1302002.096 S1C3T2 Fl. 27 26 A decisão inovou o ordenamento jurídico nacional para sustentar que o "fato de se aplicar referido dispositivo (artigo 385 do RIR/99) não confere à contribuinte a automática aplicação do artigo 386 do mesmo diploma pois, como visto, a situação disciplinada depende de requisitos específicos, dentre os quais ressalta o de que a confusão patrimonial deve alcançar o patrimônio da sociedade que efetivamente realizou o sacrifício referente ao ágio". Essa assertiva, além de atentar contra os princípios tributários da legalidade e da razoabilidade, apresenta um entrave à Recorrente totalmente improcedente. Ao interpretar os artigos 385 e 386, e até o 391 do RIR, não se extrai o conceito de que o ágio decorrente de uma operação somente pode ser amortizado pelo contribuinte que sacrificou recursos na aquisição de tal ativo. E mais. Ainda que essa exigência fosse considerada como legal por esse E. CARF, ela não obstaria o aproveitamento do ágio por parte da Recorrente. Isso porque a Recorrente efetivamente "pagou" por ágio impugnado. Como foi muito bem consignado durante todo o procedimento de fiscalização e pela própria DRJ, a Recorrente emitiu quotas em favor da IPH até o limite do valor total do investimento detido por essa sociedade na LA. O "pagamento" realizado pela Recorrente com suas quotas representaria também o sacrifício de ativos sofrido na aquisição da LA. Essa constatação lógica afasta categoricamente o argumento suscitado pela autoridade lançadora no item 183 do TVF de que no caso ora analisado não haveria ocorrido sacrifício de ativos da Recorrente, o que obstaria a possibilidade de contabilização de ágio na operação. Suposta restrição do direito à amortização de ágio artigos 385 e 386 do RIR A respeito do dito sacrifício de ativos, mencionase o artigo 1° da Resolução CFC 750/93, o qual admite o custo histórico como base de valor para a mensuração de ativos e passivos. Ademais, a esse respeito, confirase trecho da obra "Teoria da Contabilidade", dos professores Eldson S. Hendricksen e Michael F. Van Breda : "Para que a teoria da contabilidade proporcione as diretrizes adequadas visando o desenvolvimento do pensamento contábil e de princípios de contabilidade, justificase a preocupação com definições explícitas de ativos e passivos. (...) Mais recentemente, o Fasb definiu ativos, no SFAC 6, da seguinte maneira: Benefícios econômicos futuros prováveis, obtidos ou controlados por uma dada entidade em consequência de transações ou eventos passados." Desse conceito, extraise que para que um ativo seja reconhecido, deve ele trazer benefícios futuros, que foi justamente que ocorreu no caso ora analisado, haja vista que o ágio apurado é justamente o de rentabilidade futura, que consiste em um benefício futuro para a Recorrente. Fl. 5341DF CARF MF Processo nº 16561.720163/201239 Acórdão n.º 1302002.096 S1C3T2 Fl. 28 27 Além disso, deve o benefício ser mensurado. Normalmente, a forma de mensuração do ativo é pelo valor original de aquisição (ou custo histórico), que normalmente é representado por um sacrifício. É de se observar que o desembolso de caixa não é (e nunca foi) um requisito para o reconhecimento de ativos, ou melhor, não é a única forma em que se verifica a existência de um sacrifício. Nesse sentido, o mencionado artigo 7o da Resolução 750/93 trata do "Princípio do Registro pelo Valor Original". Tal dispositivo não estabelece que para haver "custo" seja necessária a presença de caixa (ou de saída de caixa) em determinada operação. Como exemplo, podemse enumerar os casos de permuta, de integralização de capital com bens, em que não existe efetivo fluxo de caixa, mas nem por isso em tais operações o custo é considerado como se inexistente fosse. Ou seja, é patente que houve ônus financeiro tanto pela IPB na aquisição do ágio impugnado, quanto pela IPH quando da permuta de linha de negócios efetuada com a VCP, o que leva à necessária conclusão de que todos os requisitos levantados pela DRJ para se possibilitar a amortização do ágio pela Recorrente restaram devidamente cumpridos. Por todas essas razões, o que se percebe é a total improcedência das acusações fiscais e a necessidade do imediato cancelamento do Auto de Infração, haja vista que o ágio amortizado pela Recorrente encontra total respaldo nos artigos 385 e 386 do RIR. Requisitos para a Amortização do Ágio Jurisprudência do CARF Conforme se verá a seguir, também sob a perspectiva da jurisprudência desse E. CARF não se sustenta o Auto de Infração lavrado. Interpretando as exigências previstas na legislação em relação à formação e amortização do ágio, esse E. CARF vem elegendo três requisitos básicos para que seja reconhecido o direito à amortização do ágio: (i) o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; (ii) a realização das operações originais entre partes não ligadas; (iii) a demonstração da fundamentação econômica do ágio pago com base na expectativa de rentabilidade futura. Esses requisitos são exigidos para se verificar se as operações societárias que deram origem ao ágio possuem significação econômica, ai incluído o próprio ágio. O efetivo pagamento, primeiro requisito, é exigido para que se comprove que a operação societária que deu origem ao ágio é onerosa . Não há dúvidas quanto ao preenchimento desse requisito no caso concreto, haja vista houve o reconhecimento que o pagamento pela participação societária na LA foi efetivamente realizado pela IPH no contexto do contrato de permuta firmado com o Grupo VCP , ao passo que a aquisição do investimento pela IPB também ocorreu de forma onerosa. Tratase, em verdade, de fato incontroverso nos presentes autos. Fl. 5342DF CARF MF Processo nº 16561.720163/201239 Acórdão n.º 1302002.096 S1C3T2 Fl. 29 28 Quanto ao segundo requisito, exigese que as operações originais sejam realizadas entre partes não relacionadas, resguardandose que a negociação seja realizada entre partes independentes e em condições de mercado. O cumprimento desse requisito no caso presente também é fato incontroverso, tendo em vista que o Grupo VCP (alienante) é concorrente direto do Grupo IP (adquirente) no ramo de papéis e celulose. Se a participação societária é transferida de uma a outra pessoa jurídica pelo valor contábil do investimento registrado pela alienante (a um veículo de investimento, por exemplo), admitese a validade do ágio registrado por aquele que adquiriu o investimento de pessoa ligada, desde que o investimento tenha sido originalmente adquirido de terceiros em transação em condições de mercado. Dai ser inatacável o direito da Recorrente de registrar o ágio a partir da contribuição da LA em aumento de capital realizada pela IPH, haja vista que o custo de aquisição registrado pela Recorrente no momento do recebimento da participação societária na LA era exatamente o mesmo inicialmente pago pela IPH ao Grupo VCP, inexistindo a criação de qualquer riqueza intragrupo. Avançando para o terceiro requisito, a existência de demonstração do fundamento econômico do ágio registrado contabilmente, tratase de comando expresso do artigo 385 do RIR que tem como objetivo refletir a razão econômica pela qual o adquirente pagou pelo investimento um valor superior ao seu patrimônio líquido. A fundamentação econômica do ágio pago em relação ao investimento na LA também jamais foi colocada sob dúvida pela autoridade fiscal no caso presente, de modo que também figura como fato incontroverso o cumprimento desse terceiro requisito pela Recorrente. Toda a discordância da DRJ recai sobre o fato de o investimento na LA ter sido originalmente adquirido pela IPH e, em momento subsequente, ter sido contribuído em aumento de capital da Recorrente. Fato é que esse E. CARF já analisou inúmeras operações nas quais houve aquisição direta por estrangeiros, manifestandose de modo favorável à possibilidade de utilização da participação societária adquirida para a integralização de capital de subsidiária brasileira, que passa a registrar o ágio e amortizálo, após sua incorporação. Em tais casos, exatamente como ocorreu no caso presente, a sociedade estrangeira adquire o investimento e realiza aumento de capital de uma subsidiária brasileira no mesmo valor de aquisição da sociedadealvo. Tal aumento de capital é subscrito e integralizado com a própria participação societária adquirida. Depois de referido aporte, ocorre o desdobramento do custo de aquisição em patrimônio líquido e ágio, passando a ser a nova adquirente da operação. Notese que naqueles casos havia a utilização de veículos de investimento pelos adquirentes das participações societárias, o que foi tido como válido por esse E. CARF. No caso presente, no entanto, nem mesmo há a utilização de veículo de investimento, já que a adquirente (Recorrente) é empresa operacional e responsável por todas as atividades do Grupo IP no Brasil, com capacidade para produzir mais de 1 milhão de toneladas de papel por ano. Voltando à análise da jurisprudência, como citado acima, em caso notório sobre o tema ("Caso Vivo" acórdão 110100.354), esse E. CARF entendeu que, cumpridas as premissas básicas acima apontadas, resta confirmado o direito do contribuinte de deduzir as Fl. 5343DF CARF MF Processo nº 16561.720163/201239 Acórdão n.º 1302002.096 S1C3T2 Fl. 30 29 despesas de ágio nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL a partir do momento em que se verificar uma das operações societárias elencadas pelo artigo 386 do RIR (incorporação, fusão ou cisão). Nesse caso, a aquisição da participação societária na operadora de telefonia fixa e celular CRT foi realizada diretamente por companhias estrangeiras, tais como a TI Telefônica Internacional de España S/A (na Espanha), a Telefônica de Argentina S/A (na Argentina) e a Companhia de Telecomunicaciones de Chile (no Chile). Posteriormente à aquisição, referida participação societária foi aportada no capital da empresa brasileira TBH, que passou a deter o investimento com ágio . Por fim, vale mencionar que mesmo nos casos em que houve a aquisição de participação societária com ágio por empresas nacionais, também a C. CSRF desse E. CARF adotou essa mesma linha de raciocinio e declarou a validade da amortização fiscal do ágio, merecendo destaque o "Caso CPQ" (Acórdão 9101001.657), além de diversos outros acórdãos proferidos pelas Turmas Ordinárias desse E. CARF, como no "Caso CELPE" (Acórdão 1201 00.689) e no "Caso Telemar" (Acórdão 1301000.711), entre tantos outros. Enfim, os Tribunais Administrativos vêm reafirmando que os requisitos e condições para o aproveitamento do ágio são somente aqueles veiculados pelo artigo 7o da Lei n° 9.532/97 e rechaçando a tentativa de criar condições inexistentes na legislação, legislandose por autos de infração , motivo pelo qual a Recorrente está convicta de que o Auto de Infração será integralmente cancelado por esta C. Turma. A validade e o propósito negocial da aquisição do investimento na LA pelo Grupo IP as diversas estruturas possíveis Demonstrada a validade da amortização do ágio realizada pela Recorrente frente à legislação aplicável (artigos 385 e 386 do RIR) e também em relação à jurisprudência desse E. CARF sobre a matéria, elementos que são suficientes para que seja determinado o cancelamento do Auto de Infração, a seguir passase a reforçar também a validade da operação e a improcedência das alegações fiscais de que a operação não seria oponível ao Fisco. Não obstante, é importante ressaltar que esse ponto foi, por unanimidade, acatado pela DRJ em sua análise , como se observa no trecho destacado a seguir: "Por fim, cabe ressaltar que ao fisco não cabe analisar a eficácia da estratégia adotada, cumprindolhe somente verificar se há, e nesse caso, entendo que há, compatibilidade entre a causa apresentada e a estrutura adotada (constituição da LA) . Havia, em tese, a necessidade de segregação das atividades do empreendimento como etapa preparatória à sua alienação. E, admitida a constituição de uma sociedade para referida segregação, não há distinção quanto a eventual pagamento de ágio, entre a forma de aquisição dessa sociedade — permuta ou compra e venda." (g.n.) Dessa forma, a questão do propósito negocial da operação, assim como do questionamento da estrutura de permuta que foi utilizada, já foi afastada pela DRJ e não é mais controvertida nos presentes autos. Seja como for, apenas para reforçar a lisura do procedimento adotado, a Recorrente apresentará a seguir, objetivamente, as razões pelas quais está convicta de que as Fl. 5344DF CARF MF Processo nº 16561.720163/201239 Acórdão n.º 1302002.096 S1C3T2 Fl. 31 30 operações realizadas são absolutamente legais e oponíveis ao Fisco, as quais já foram minuciosamente expostas na impugnação apresentada. Embora a operação de permuta tivesse um evidente propósito negocial e a sua estrutura tivesse sido utilizada em razão de melhor adequar os interesse mútuos das partes, a autoridade lançadora procurou desqualificar a operação sob o argumento de que a operação foi realizada por meio da permuta de participação societária somente para possibilitar uma economia de tributos para as partes. Contudo, a Recorrente demonstrou claramente que independentemente da estrutura que fosse utilizada, o resultado fiscal (valor do ágio amortizável para fins fiscais) seria exatamente o mesmo35, seja por meio de compras e vendas simultâneas, seja por meio de permuta da participação societária das sociedades. Fato é que em qualquer uma dessas hipóteses, a Recorrente desdobraria o custo de aquisição da participação societária na LA em patrimônio líquido e ágio, sendo este passível de amortização dedutível depois de incorporada a LA exatamente da forma como aconteceu no caso concreto. Logo, se a operação não foi realizada na forma de uma compra e venda direta pela Recorrente, outras eram as razões, que não relacionadas à amortização do ágio, que levaram à sua implementação pelo Grupo IP tal como praticada, diferentemente do quanto sustentado pela autoridade lançadora. Seja como for, frisese que jamais houve obstáculos à realização da operação de forma a que o ágio pago em relação à LA pudesse ser amortizado pela Recorrente, evidenciando que a opção do Grupo IP foi norteada por outras razões que não a amortização fiscal do ágio. A única maneira pela qual o Grupo IP poderia adquirir um empreendimento em operação de seu concorrente seria a sua segregação em uma nova sociedade, a fim de possibilitar que todas as ações de transição e alinhamento pudessem ser implementadas de maneira satisfatória, uma vez que essa parametrização era em verdade indispensável ao sucesso da reunião de dois empreendimentos detidos por grupos concorrentes e que possuíam diferenças abissais em todos os aspectos operacionais, desde os sistemas de informática, controles de qualidade, processos de produção e logística, chegando até mesmo aos valores encampados pelo Grupo no desenvolvimento de suas atividades. Caso contrário, as operações de produção de papel a partir da planta de Luiz Antônio teriam que ser paralisadas até que toda a transição fosse implementada, o que geraria um latente prejuízo para a Recorrente haja vista que o faturamento da LA no período de mais de R$260 milhões e o lucro operacional de R$33 milhões deixariam de ser auferidos pela Recorrente. Nessa linha, da qual compartilha Marco Aurélio Greco , por não ter o Fisco demonstrado que a adoção da estrutura teve como única finalidade o aproveitamento fiscal do ágio, mostrase totalmente incabível a desqualificação das operações no caso presente. Ante o exposto, há que se manter o entendimento já consignado pela DRJ para reconhecer a validade da estrutura negocial utilizada pela Recorrente. Fl. 5345DF CARF MF Processo nº 16561.720163/201239 Acórdão n.º 1302002.096 S1C3T2 Fl. 32 31 Subsidiariamente A amortização do ágio e seus reflexos em relação à CSLL Especificamente no que concerne à CSLL, a amortização do ágio não suscita grandes problemas. Isso porque, contrariamente ao que se verifica com relação ao IRPJ, para o qual a lei (consolidada nos artigos 389, § I , e 391 do RIR) veda a dedutibilidade do ágio, inexiste disposição legal que imponha qualquer vedação para fins de apuração da CSLL. Assim, não havendo qualquer disposição legal que impeça a dedutibilidade do ágio da base de cálculo da CSLL, tampouco qualquer norma que estenda a esta contribuição as disposições relativas ao IRPJ , resta concluir que não existe qualquer óbice ou limitação quanto à amortização do ágio para a dedutibilidade dos valores pagos a título de ágio quanto à contribuição em tela. É este, inclusive, o entendimento do CARF: "AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO INAPLICABILIDADE DO ART. 57 LEI N° 8.981/1995 Inexiste previsão legal para que se exija a adição à base de cálculo da CSLL da amortização do ágio pago na aquisição de investimento avaliado pela equivalência patrimonial. Inaplicabilidade, ao caso, do art. 57 da Lei n° 8.981/1995, posto que tal dispositivo não determina que haja identidade com a base de cálculo do IRPJ." (Io CC, 3a C, acórdão 10322749, sessão de 06/12/2006) "CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO BASE DE CÁLCULO ADIÇÕES ILEGALIDADE ART. 57 LEI N. ° 8.981/95 INAPLICABILIDADE. A adição à base de cálculo da CSSL do valor da amortização do ágio na aquisição de investimentos avaliados pela equivalência patrimonial não encontra previsão legal, não podendo ser exigida do contribuinte. Não se aplica à presente questão o art. 57 da Lei n.° 8.981/95, pois tal dispositivo não determina que a base de cálculo da CSSL seja idêntica à base de cálculo do IRPJ, nem que as adições devem ser as mesmas." (1o. CC, 7a C, acórdão 10707315, sessão de 09/09/2003) De qualquer maneira, ainda que se entenda serem as normas do IRPJ extensíveis à CSLL, o que se admite somente para argumentar, a Instrução Normativa n° 390/04, que compila as normas relativas à contribuição, traz em seu artigo 75 disposição que, a exemplo do inciso III do artigo 386 do RIR, autoriza a amortização do ágio pago na hipótese de incorporação da sociedade investidora pela investida. Neste caso, nos termos do artigo 75 da Instrução Normativa n° 390/04, o ágio pago seria amortizável à razão de 1/60 por mês, aplicandose à CSLL, reflexamente, todos os argumentos anteriormente expostos. Alinhado às conclusões da Recorrente, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nesse tópico. Da multa de 150% A DRJ entendeu, por unanimidade, que o presente caso não seria hipótese de aplicação dessa imposição majorada e reduziu a penalidade para 75% por entender que não houve qualquer intuito fraudulento na operação envolvendo os Grupos IP e VCP. Destacamos: Fl. 5346DF CARF MF Processo nº 16561.720163/201239 Acórdão n.º 1302002.096 S1C3T2 Fl. 33 32 "O que não se admitiu, linhas atrás, foi a amortização fiscal no termos do artigo 386 do RIR/99 pela impugnante, por esta não ser a sociedade que efetivamente suportou o pagamento do ágio. E esse conclusão, de que a impugnante não poderia ser valer da dedutibilidade fiscal do ágio em comento, não decorre do fato de terem as partes celebrado um contrato de permuta. Mesmo na permuta, se o bem recebido tiver um valor superior ao bem entregue, há que se reconhecer um sobrepreço que, no caso de investimentos societários, denominase ágio. Dessarte, entendo que os autos retratam somente um planejamento tributário fundado em equivocada interpretação dada pela impugnante ao concreto alcance das normas legais que regem a amortização do ágio na aquisição de investimentos, não sendo cabível a aplicação da multa qualificada ao percentual de 150%, prevista para as hipóteses de fraude tributária." (p. 38 da Decisão DRJ). Dessa forma, ainda que o Auto de Infração não seja cancelado, esse entendimento da DRJ merece ser mantido. Contudo, uma vez que a Decisão DRJ está sujeita, nos termos do artigo 34, I do Decreto 70.235/72, ao julgamento do recurso de ofício interposto pela autoridade de primeira instância administrativa, a Recorrente apresentará de forma objetiva os argumentos apresentados em sua impugnação e que levaram a DRJ a reduzir a multa majorada de 150% em razão de o comportamento da Recorrente não ter sido dotado de qualquer intuito fraudulento. No entendimento da autoridade lançadora, a operação de incorporação da LA se enquadraria na situação prevista pelo artigo 44, II da Lei n° 9.430/96 e no artigo 72 da Lei n° 4.502/64. João Francisco Bianco , ao analisar as hipóteses de majoração da multa na legislação federal, ensina que o dolo exigido pelos dispositivos em tela é o dolo penal, definido como a vontade ou intenção de praticar um ato previsto como crime, isto é, a plena consciência de que o ato praticado irá ocasionar o resultado delituoso. E conclui: "Assim, se considerarmos que a expressão fraude dolosa está se referindo ao dolo do Direito Civil, a sua interpretação resultaria em uma impropriedade técnica tão incongruente e contraditória quanto as expressões penhor anticrético ou mútuo comodante, pois fraude e dolo civil também são espécies de um mesmo gênero (defeitos dos negócios jurídicos). É por isso que o dolo de que trata o artigo 72 da Lei n° 4.502/1964 não pode ser entendido como o dolo civil. O resultado dessa interpretação seria ilógico. Ora, se o dolo constante da definição de fraude fiscal não é aquele definido pelo Direito Civil, a única conclusão possível é que o dolo de que trata o artigo 72 é aquele regido pelo Direito Penal. Necessariamente, portanto, a fraude fiscal é aquela caracterizada. pela prática de uma ação ou omissão intencionalmente criminosa, tendente a impedir a ocorrência do fato gerador do tributo. É a falsificação de documento, é a emissão de nota fiscal espelhada ou calçada, é a prestação de informação falsa às autoridades fazendárias, é a venda de mercadorias sem documentação fiscal etc." Assim, para verificar a ocorrência da fraude, devese analisar o comportamento do contribuinte, ou seja, se o contribuinte modificou ou excluiu elementos do fato gerador ou retardou ou impediu sua ocorrência mediante a adoção de ações intencionalmente criminosas tendentes a enganar a fiscalização. Fl. 5347DF CARF MF Processo nº 16561.720163/201239 Acórdão n.º 1302002.096 S1C3T2 Fl. 34 33 Analisandose algumas decisões emanadas do CARF, depreendese que os comportamentos ou circunstâncias fáticas aptos a caracterizar a ação ou omissão dolosa caracterizada como fraude são os seguintes: • adulteração de documentos fiscais (Ac. 1052.984/88); • utilização de conta bancária fictícia e de contacorrente fantasma (Ac. 103 12.17 8/92 Ac. 10240.853/96 Ac. 10192.245/98); • utilização de documento falso e de documento ideologicamente falso (Ac. 105 4.060/90 Ac. 10318.019/96 Ac. 10414.960/97 Ac. 10174.402/83 Ac. 106 2.759/90 Ac. CSRF/01928/89); • utilização de documento não idôneo e de documento de empresa fantasma (Ac. 10191.654/97 Ac. 107233/93 Ac. 10227.594/92 Ac. 10319.731/98 Ac. 108 04.916/98); • emissão de notas fiscais paralelas (Ac. 10185.896/93 Ac. 10185.902/93); • emissão de notas fiscais calçadas (Ac. 10306.377/84 Ac. 10174.233/83 Ac. 1052.984/88). Pela sua relevância, importante transcrever entendimento consolidado da C. Câmara Superior de Recursos Fiscais: "IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA PRESUNÇÃO LEGAL MULTA QUALIFICADA. Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada prevista, à época do lançamento em apreço, no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n" 4.502/64. O evidente intuito de fraude não se presume e deve ser demonstrado pela fiscalização (...)." (Acórdão n° 920200.910, da 2a Turma da 2a Câmara da CSRF; Rei. Cons. Gonçalo Bonet Allage; sessão de 16.8.2010) "MULTA QUALIFICADA DE 150%. A aplicação da multa qualificada pressupõe a comprovação inequívoca do evidente intuito de fraude. O fato de o contribuinte ter apresentado Declaração com valor inferior ao apurado pela fiscalização não é, por si só, motivo para a qualificação da penalidade. A hipótese prevista no artigo 44, inciso II, da Lei 9430/96, deve ser interpretada restritivamente, e aplicada somente nos casos de fraude, em que tenha ficado demonstrado pela fiscalização que o contribuinte agiu dolosamente. Para aplicarse a multa qualificada de 150%, a fiscalização deve instruir com documentos que comprovem a acusação." (Acórdão n° 910100.298, da Ia Turma da CSRF; Rei. Cons. Karem Jureidini Dias; sessão de 24.8.2009) Notese que a ação ou omissão dolosa sempre é acompanhada da adjetivação adulterada, fictícia, inidônea, falsa, ideologicamente falsa, nota calçada, nota paralela, empresa fantasma, etc. identificadora de comportamento delituoso. No presente caso, não houve qualquer comportamento delituoso ou ato ilicito emissão de documentos falsos, inidôneos, alterados, constituição de empresas fantasmas visando a alterar o fato gerador e reduzir o valor de imposto a pagar. Fl. 5348DF CARF MF Processo nº 16561.720163/201239 Acórdão n.º 1302002.096 S1C3T2 Fl. 35 34 Tanto é verdade que em nenhum momento a autoridade lançadora questiona a legalidade e legitimidade dos atos societários praticados pela Recorrente. Conforme já foi dito, a acusação fiscal reconhece que não há vício nos procedimentos de criação ou aquisição da LA, ou dos atos de incorporação realizados em momento posterior. De fato, a autoridade lançadora apenas não aceita os efeitos fiscais de tais atos, mas em nenhum momento refuta a regularidade dos mesmos. Ademais, a fraude pressupõe que os atos realizados pelo contribuinte tenham como objetivo final impedir ou retardar o fato gerador, de maneira a reduzir o valor do tributo devido. Isto é, os atos devem ser praticados com o objetivo de mitigar o impacto da carga tributária. A própria autoridade fiscal expressamente validou o registro, mensuração e fundamentação econômica do ágio amortizado, o que resulta na conclusão lógica de que inexistiu a redução dolosa do tributo mencionada no art. 72 da Lei n° 4.502/64, assim como inexistiu a intenção de prejudicar o Fisco ou de obter vantagem indevida. A impossibilidade de majoração da multa no caso presente fica ainda mais evidente ao se notar que a controvérsia aqui posta reside em mera divergência quanto à interpretação das normas aplicáveis, já que o procedimento adotado pela Recorrente já foi corroborado pela jurisprudência desse E. CARF em situações análogas. Nessas situações esse E. CARF também tem afastado a majoração da multa : "PENALIDADE QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE INOCORRÊNCIA SIMULAÇÃO RELATIVA A evidência da intenção dolosa, exigida na lei para agravamento da penalidade aplicada, há que aflorar na instrução processual, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal. O atendimento a todas as solicitações do Fisco e observância da legislação societária, com a divulgação e registro nos órgãos públicos competentes, inclusive com o cumprimento das formalidades devidas junto à Receita Federal, ensejam a intenção de obter economia de impostos, por meios supostamente elisívos, mas não evidenciam máfé, inerente à prática de atos fraudulentos." (Acórdão 10809.037, Relatora Karem Jureidini Dias Designada. No mesmo sentido, vide: Acórdão 108 09.227, Relator Margil Mourão Gil Nunes Designado) Por fim, devese, ainda, apresentar que, segundo entendimento doutrinário e jurisprudencial dominante, ao dispor sobre a aplicação de sanções tributárias, o CTN encampa a chamada "teoria da imputação subjetiva", segundo a qual a aplicação de penalidade deve levar em consideração a conduta do contribuinte diante de um risco novo e injusto, e não apenas sob a perspectiva da mera ação materialmente realizada. Em outras palavras, para que reste configurada a hipótese de aplicação de uma penalidade, as autoridades fiscais devem demonstrar a ocorrência de aspectos objetivos e subjetivos na conduta do contribuinte, sendo que somente após essa avaliação, podese decidir pela aplicação ou não da penalidade, conforme já decidido pela C. Câmara Superior de Recursos Fiscais: "MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Para a aplicação da multa qualificada de 150%, é indispensável a plena caracterização e comprovação da prática de uma conduta fraudulenta por parte do contribuinte, ou seja, é absolutamente necessário restar demonstrada a materialidade dessa conduta, ou que fique configurado o dolo específico do agente evidenciando não somente a intenção mas também o seu objetivo." (Acórdão n° 910100.48 9, da Ia Turma da CSRF; Rei. Cons. Ivete Malaguias Pessoa Monteiro; sessão de 25.1.2010) Fl. 5349DF CARF MF Processo nº 16561.720163/201239 Acórdão n.º 1302002.096 S1C3T2 Fl. 36 35 "MULTA QUALIFICADA. Presentes os elementos subjetivos dolo (consciência) e elemento subjetivo do injusto (finalidade) pagar menos imposto, correta é a multa qualificada" (Acórdão n° 0105.947, da Ia Turma da CSRF; Rei. Cons. Mario Sergio Fernandes Barroso; sessão de 11.8.2008) Portanto, sob o ponto de vista da "teoria da imputação subjetiva" resta claro que a Recorrente não incorreu em nenhum dos aspectos de ordem objetiva e subjetiva que permitissem a aplicação da penalidade qualificada. Ora, em momento algum a Recorrente agiu de forma a sonegar tributos, fraudar documentos ou evitar dolosamente tributos mediante conluio, conforme disposto nos artigos 71 a 73 da Lei 4.502/64. E também não agiu mediante simulação, dolo, ou abuso de direito, de forma que quaisquer elementos de natureza objetiva que pudessem ser imputados à Recorrente não ocorreram no presente caso. Sob o aspecto subjetivo, ficou claro também que a Recorrente não teve nenhuma intenção de omitir, ocultar, ou disfarçar a ocorrência de quaisquer fatos geradores de obrigações tributárias que a ela pudessem ser imputados, ou de impedir de qualquer forma o trabalho da D. Fiscalização. E, ainda que assim não se entendesse, o que se admite apenas para argumentar, o artigo 112 do CTN dispõe expressamente que a norma tributária que comine penalidades deverá ser interpretada e aplicada da maneira mais favorável ao contribuinte em casos de dúvida a respeito da capitulação legal do fato e da natureza ou das circunstâncias materiais do fato. Sobre esse dispositivo, o Professor Marco Aurélio Greco esclarece a definição do que seja dúvida a respeito da capitulação legal do fato e da natureza ou das circunstâncias materiais do fato: "Dúvida quanto à capitulação legal do fato (inciso I) não se dá apenas quando o mesmo fato pode ser entendido como configurando duas infrações distintas. Ocorre também quando o fato pode ser considerado como configurando uma infração e uma não infração. Ou seja, em que o mesmo evento concreto pode ser compreendido e qualificado juridicamente como infração ou como não infração a depender do relevo e da tônica que se dê a alguma de suas características. Neste caso, o artigo 112 determina que se conclua que o caso é de não infração (mais favorável ao contribuinte). Dúvida quanto às circunstâncias materiais do fato (inciso II) atine, por exemplo, à existência de boafé e lisura de comportamento do contribuinte na prática da conduta questionada, hipótese em que, por exemplo, podem se configurar casos de erro de tipo ou erro de proibição. Neste caso, o ditame do artigo 112 aponta na direção da não aplicação da penalidade ou, quando menos, no seu não agravamento." Diante do exposto, alinhado às conclusões anteriores, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, nesse tópico. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Fl. 5350DF CARF MF Processo nº 16561.720163/201239 Acórdão n.º 1302002.096 S1C3T2 Fl. 37 36 Recurso de Ofício Em face da exoneração parcial do crédito pelo acórdão recorrido foi interposto recurso de ofício pelo colegiado a quo. O recurso de ofício deve ser conhecido, pois o valor exonerado extrapola o limite fixado pelo Ministro da Fazenda, por meio da Portaria MF. nº 63, de 09/02/2017 (créditos de tributos e encargos de multa superior a R$ 2.500.000,00). A autoridade lançadora aplicou multa majorada de 150% prevista no artigo 44, § 1o. da Lei n° 9.430/96, enquadrando o caso presente no artigo 72 (fraude) da Lei n° 4.502/64. Houve Impugnação, oportunidade em que buscouse demonstrar a improcedência da exigência fiscal formulada. Por unanimidade, a DRJ afastou a aplicação da multa majorada, reduzindo a penalidade para 75%. A respeito, o acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Não estando presentes os fatos caracterizadores de evidente intuito de fraude, como definido nos artigos 71 a 73 da Lei n" 4.502/64, reduzse a multa qualificada de 150% para o percentual de 75%. Não há reparos à fazer à decisão recorrida neste ponto. Tendo sido afastadas as razões formuladas pela DRF. Assim, voto por negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Declaração de Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Em que pese o bem fundamentado voto do i. Relator, que deu provimento ao recurso voluntário para afastar a glosa de amortização do ágio pela recorrente, os elementos trazidos ao autos me conduziram a conclusão diversa. Tratase de uma operação de aquisição de investimento por uma empresa estrangeira (IPH), que mediante permuta de ativos com o grupo VCP, passou a deter a participação societária da recémcriada empresa LA Celulose, mediante o desmembramento de Fl. 5351DF CARF MF Processo nº 16561.720163/201239 Acórdão n.º 1302002.096 S1C3T2 Fl. 38 37 parte do acervo da empresa VCP, entregando em troca a participação societária que detinha na empresa Chamflora. Em que pese esta operação tenha sido realizada entre parte independentes, mediante a permuta de ativos reais, verificase que o eventual ágio gerado nesta operação somente podia ser reconhecido pela empresa investidora, IPH, cuja sede fica na Holanda. Ocorre que, após adquiri o investimento, a empresa sediada no exterior (IPH) houve por bem transferir o controle societário da empresa LA Celulose para a sua controlada no Brasil, IPB (ora recorrente). Tal transferência, segundo o item 43 do TVF, se deu por meio de aumento de capital na IPB, efetuado pela IPH, mediante a subscrição das ações detidas por ela na empresa LA Celulose, passando este de R$ 601.100.228,00 para R$ 3.645.171.326,00, sendo neste momento reconhecido um ágio, pela IPB, em face da participação societária da LA Celulose, no valor de R$ 2.039.071.819,61. O valor atribuído às quotas da LA Celulose, de cerca de R$ 3,04 bilhões corresponde exatamente ao valor pelo qual fora adquirido pela empresa IPH. Na sequência das operações, a empresa IPB incorporou a sua controlada LACelulose, passando a amortizar o ágio reconhecido para fins fiscais. Notase claramente que, se existe um ágio a ser reconhecido nestas operações, este devia ser feito tão somente pela empresa IPH, com sede na Holanda, por ocasião da aquisição da empresa LA Celulose. Todas as operações subsequentes tem cunho interno ao grupo IPH e tem como única motivação a geração e reconhecimento de um ágio não suportado pela sua controlada brasileira (IPB), com vistas à sua dedução fiscal no Brasil. Com a devida vênia, penso que tal ágio não pode ser reconhecido para fins de sua amortização no Brasil. A mera transferência do controle societário da empresa LA Celulose da controladora estrangeira (IPH) para sua controlada no Brasil (IPH) não tem o condâo de gerar um novo ágio passível de ser reconhecido e deduzido com base no art. 386 do RIR/99. Não tem razão a recorrente quando alega que a autoridade fiscal teria baseado o lançamento unicamente com fundamento nas normas de dedutibilidade das despesas (art. 299 do RIR), porquanto se vêem, claramente citados no Termo de Verificação Fiscal e no auto de infração do IRPJ, os arts. 385 e 386 do RIR e os arts 7ª e 8º da Lei nº 9.532/1997. Além do mais a imputação feita no TVF aponta claramente a motivação da glosa da dedução do ágio em face do não cumprimento aos requisitos de sua dedutibilidade, situação plenamente compreendida pela recorrente, como revelam sua impugnação e recurso. Não obstante, penso que além do atendimento aos requisitos do art. 386 do RIR/99, a dedutibilidade também passa pela necessidade da despesa para a manutenção e geração da fonte produtora dos rendimentos. A recorrente alega que é equivocado o entendimento da fiscalização quando esta fundamenta a indedutibilidade do ágio com base no conceito de despesas necessárias estabelecido no art. 299 do RIR/99 uma vez que existe regra específica de dedutibilidade das Fl. 5352DF CARF MF Processo nº 16561.720163/201239 Acórdão n.º 1302002.096 S1C3T2 Fl. 39 38 despesas com amortização de ágio (art. 386, inc. III, § 2ºdo RIR/99), pois que, diferente da condição geral imposta pelo artigo 299 do RIR/99, a norma específica acima transcrita não estabelece, como requisito para a dedutibilidade da amortização do ágio, que a despesa seja necessária ou incorrida, como indevidamente sustentouse na decisão recorrida. Embora tenha sido apontado no TVF e no auto de infração que as operações que deram ensejo ao ágio não encontram amparo nas regras de dedutilibilidade previstas no art. 386, inc. III, §2º do RIR/99), que tratam especificamente da dedução da amortização do ágio, estas não estão, e nem poderiam estar dissociadas dos conceitos legais as normas gerais de dedutibilidade das despesas previstos no art. 299 do RIR/1999, amparado no art. 47 da Lei 4.506/1964. Quando a lei define como "necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa" está a indicar a presença de dois elementos essenciais para a dedutibilidade de qualquer despesa: 1) serem pagas ou incorridas e, 2) serem necessárias a realização das atividades da empresa. Obviamente, a lei poderá estabelecer a dedutibilidade de despesas que não são imprescindíveis à atividade da empresa, como ocorre, p. ex., com os juros sobre o capital próprio. Mas, certamente em nenhum caso se admite que a despesa não seja paga ou ao menos incorrida para fins de sua dedutibilidade. Penso que se trata de um princípio geral de dedutibilidade de despesas e que, no mínimo, reforçam a necessidade de que o ágio dedutível é aquele que foi suportado por um dispêndio (sacrifício patrimonial) efetivo. Tal norma se faz mais importante quando se denota que a empresa controlada brasileira não despendeu nenhum esforço patrimonial para a aquisição do investimento que supostamente teria gerado o ágio, sendo mera receptora do investimento feito por sua controlada no exterior, não havendo que se cogitar, no caso, de qualquer dispêndio necessário à consecução de suas atividades. Melhor sorte não tem a dedutibilidade do referido ágio sob as normas especiais que dele tratam (art. 385 e 386 do RIR/99) e arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997. Ocorre que a dedutibilidade do ágio, além de passar necessariamente pela efetividade do dispêndio na aquisição do investimento por parte da empresa que passa a deter o investimento, exige a necessária confusão patrimonial entre investidora e investida, para que se admita sua dedução. Tal não ocorre no presente caso. A real investidora (IPH) continua a existir e a deter o controle sobre sua controlada recebeu a transferência da participação societária por ela adquirida (LA Celulose) e efetuou sua incorporação. Não houve extinção do investimento, mas mera absorção, mediante incorporação ao patrimônio de sua controlada direta (IPB) A 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais em decisões bastante recentes (Acórdãos nº 9101002.186 e 9101002.187), analisou a questão da transferência do ágio pago e entendeu que a dedutibilidade do ágio fica prejudicada, neste caso, por não se Fl. 5353DF CARF MF Processo nº 16561.720163/201239 Acórdão n.º 1302002.096 S1C3T2 Fl. 40 39 subsumir à hipótese descrita nos art. 385 e 386 do RIR/99, conforme espelhado na seguinte ementa: TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. IMPOSSIBILIDADE. A subsunção aos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, assim como aos artigos 385 e 386 do RIR/99, exige a satisfação dos aspectos temporal, pessoal e material. Exclusivamente no caso em que a investida adquire a investidora original (ou adquire diretamente a investidora de fato) é que haverá o atendimento a esses aspectos, tendo em vista a ausência de normatização própria que amplie os aspectos pessoal e material a outras pessoas jurídicas ou que preveja a possibilidade de intermediação ou de interposição por meio de outras pessoas jurídicas. Não há previsão legal, no contexto dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 e dos artigos 385 e 386 do RIR/99, para transferência de ágio por meio de interposta pessoa jurídica da pessoa jurídica que pagou o ágio para a pessoa jurídica que o amortizar, que foi o caso dos autos, sendo indevida a amortização do ágio pela recorrida. Transcrevo, por oportuno, fragmentos do voto condutor do Acórdão nº 9101 002.186, da CSRF, contendo os seus fundamentos, verbis: Para o julgamento de mérito sobre a despesa de amortização de ágio e seus reflexos tributários, da mesma forma como fiz para o processo nº 19647.01051/200783, adoto a recente jurisprudência do CARF que considero mais adequada e que restou cinzelada no Acórdão nº 1103001.170, de 04/02/2015, da relatoria do nobre Conselheiro André Mendes de Moura. Seguem trechos do voto condutor: "[...] O investimento adquirido com ágio pode ser alienado, liquidado, ou mesmo ser objeto de uma transformação societária. Passam a ser tratadas as situações específicas, como se pode verificar nos arts. 391 e 426 do RIR/99: [...] Verificase que o aproveitamento do ágio ocorre no momento em que o investimento que lhe deu causa for objeto de alienação ou liquidação, oportunidade em que o ágio irá compor a apuração do custo de aquisição a ser considerado no ganho de capital auferido pelo alienante. Por sua vez, em eventos de transformação societária, quando investidora absorve o patrimônio da investida (ou vice versa), adquirido com ágio ou deságio, em razão de cisão, fusão ou incorporação, resolveu o legislador disciplinar a situação no art. 386 do RIR/99: [...] Fica evidente que os arts. 385 e 386 do RIR/99 guardam conexão indissociável, constituindose em norma tributária permissiva do Fl. 5354DF CARF MF Processo nº 16561.720163/201239 Acórdão n.º 1302002.096 S1C3T2 Fl. 41 40 aproveitamento do ágio nos casos de incorporação, fusão ou cisão envolvendo o investimento objeto da mais valia. A norma em debate tem repercussão direta na base de cálculo do tributo, o que permite a sua análise sob a perspectiva da hipótese de incidência tributária delineada pela melhor doutrina (Geraldo Ataliba, Hipótese de Incidência Tributária). Esclarece o doutrinador que a hipótese de incidência se apresenta sob variados aspectos, cuja reunião lhe dá entidade. Ao se apreciar o aspecto pessoal, merecem relevo as palavras da doutrina, ao determinar que se trata da qualidade que determina os sujeitos da obrigação tributária. E a norma em debate se dirige à investidora, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição, sendo ela, e apenas ela a destinatária da prerrogativa de amortização do sobrepreço. A partir do momento em que o ágio é transferido ou repassado para outras pessoas (de A para B, de B para C, de C para D e assim sucessivamente), pessoas jurídicas distintas da investidora, a subsunção ao art. 386 do RIR/99 tornase impossível, vez que o fato imponível (suporte fático, situado no plano concreto) deixa de ser amoldar à hipótese de incidência da norma (plano abstrato), por incompatibilidade do aspecto pessoal. A respeito do aspecto temporal, cabe verificar o momento em que o contribuinte aproveitase da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, evento que provoca impacto direto na apuração da base de cálculo tributável. Sobre o aspecto material, há que se observar que apenas o ágio com fundamento econômico no valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros é que tem a amortização autorizada em sessenta parcelas. Ainda, há que se consumar a confusão de patrimônio entre investidora e investida, a que faz alusão o caput do art. 386 do RIR (A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio...), ou seja, o lucro e o investimento que lhe deu causa passam a se comunicar diretamente. Compartilhando o mesmo patrimônio investidora e investida, consolidase cenário no qual a mesma pessoa jurídica que adquiriu o investimento com mais valia (ágio) baseado na expectativa de rentabilidade futura, passa a ser tributada pelos lucros percebidos nesse investimento." Naquela assentada, tratavase de caso em que a incorporação se deu conforme o caput do art. 386 do RIR/99. Já no caso dos autos, tratase de incorporação nos Fl. 5355DF CARF MF Processo nº 16561.720163/201239 Acórdão n.º 1302002.096 S1C3T2 Fl. 42 41 moldes do §6º do art. 386 do RIR/99 (que é comumente conhecida como incorporação "às avessas"). Embora isso não vá impactar nas premissas de exegese da norma, fazse necessário tecer comentários adicionais quantos aos aspectos pessoal e material, de forma a adequálos a esse modelo de incorporação: [...] O §6º do art. 386 do RIR/99, na realidade o art. 8º da Lei nº 9.532/97 (do qual este é mera cópia), se utilizou de uma técnica legislativa que faz uso da propriedade transitiva, assim o que vale para o caput do art. 386 do RIR/99 vale para o §6º do mesmo artigo, fazendose apenas a adaptação para contemplar a situação prevista. Portanto, o §6º do art. 386 do RIR/99, sob o significado pessoal, se dirige à investida que incorporar a investidora que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição da participação societária (tanto o valor do principal quanto o valor do ágio). Ou seja, quando ocorre a incorporação, pela investida, da investidora "original" ou investidora stricto sensu (no sentido de que a originalidade está indissociavelmente ligada a pessoa jurídica que paga o ágio e, por isso mesmo, tem confiança na rentabilidade futura, pois é quem assume o risco) é que se dá a subsunção do fato à norma e surge a prerrogativa de amortização do sobrepreço. Analisando as situações possíveis, sob a ótica dos dois tipos de incorporações, a partir do momento em que o ágio é transferido ou repassado para outras pessoas (de A para B, de B para C, de C para D e assim sucessivamente), pessoas jurídicas distintas da investidora original (para, ao fim, incorporar a investida ou ser incorporada pela investida), a subsunção ao caput do art. 386 do RIR/99 ou ao §6º do mesmo artigo tornase impossível, vez que o fato imponível (suporte fático, situado no plano concreto) deixa de ser amoldar à hipótese de incidência da norma (plano abstrato), por incompatibilidade do aspecto pessoal (seja no caso de a investidora que tiver incorporado a investida seja outra investidora que não a original, seja no caso de a investida estar incorporando uma investidora que não a original). Da mesma forma que no aspecto pessoal, a confusão de patrimônios, principal item do aspecto material, para fins de enquadramento no §6º do art. 386 do RIR/99, consumase quando, na investida, o lucro futuro e o investimento original com expectativa desse lucro (aquele que foi sobreavaliado) passam a se comunicar diretamente (os riscos se fundem: o risco do investimento assim entendido os recursos aportados e o risco do empreendimento). Compartilhando o mesmo patrimônio a investida e a investidora original, consolidase cenário no qual a mesma pessoa jurídica que honrará a rentabilidade futura passa a ser detentora da mais valia (ágio) do investimento baseado na expectativa dessa rentabilidade. [...] Em síntese, a subsunção aos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, assim como aos artigos 385 e 386 do RIR/99, exige a satisfação dos aspectos temporal, pessoal e material. Na atual redação destes dispositivos e para o caso de incorporação "às avessas", exclusivamente no caso em que a investida adquire a investidora original (ou adquire diretamente a investidora, nessa linha de raciocínio as intermediárias não seriam investidoras de fato, apenas de direito) é que haverá o Fl. 5356DF CARF MF Processo nº 16561.720163/201239 Acórdão n.º 1302002.096 S1C3T2 Fl. 43 42 atendimento a esses aspectos, tendo em vista a ausência de normatização própria que amplie os aspectos pessoal e material a outras pessoas jurídicas ou que preveja a possibilidade de intermediação ou de interposição por meio de outras pessoas jurídicas. No caso dos autos, esses aspectos não foram satisfeitos, em especial dos aspectos pessoal e material, vejamos: A utilização de uma pessoa jurídica interposta (Leicester Comercial S.A) para transferência do ágio, que veio a ser adquirida pela investida (CELPE), mas que não era a investidora original (investidora de fato, a que pagou o ágio), implica no desatendimento dos aspectos pessoal e material e, conseqüentemente, na descaracterização da aplicação dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 e dos artigos 385 e 386 do RIR/99, que resulta na impossibilidade da amortização do ágio. A amortização do ágio seria devida apenas se a empresa investida (CELPE) tivesse incorporado a investidora original (investidora strico sensu), pois somente essa se enquadra nos aspectos pessoal e material. Pouco importa terem havido motivos de ordem societária, técnica ou mercadológica que impediam a CELPE de incorporar a real investidora: são as situações que devem se moldar à lei, para fins de aplicação da norma, e não a lei que tem que se moldar às situações, o que implicaria em substituir a coercitividade da regra pela conveniência dos regrados. Na linha dos fundamentos trazidos no acórdão citado, o aproveitamento do ágio somente seria possível, no presente caso, se a empresa LA Celulose tivesse incorporado a IPH (e não incorporada pela IPB), pois somente assim haveria a confusão patrimonial, consumandose, na investida, o lucro futuro e o investimento original com expectativa desse lucro (aquele que foi sobrevalorizado) passam a se comunicar diretamente. Situação que não se verifica no presente caso, inviabilizando os aspectos pessoais e materiais da hipótese de incidência. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Declaração de Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. Não obstante acompanhe o voto do I. Relator, para cancelar os lançamentos em tela, solicitei a apresentação desta declaração de voto, para expor algumas considerações sobre pontos da matéria que ora se examina. A Ementa do acórdão de primeira instância sustenta que: "AMORTIZAÇÃO FISCAL DE ÁGIO TRANSFERIDO EM SUBSCRIÇÃO DE CAPITAL MEDIANTE APORTE DE INVESTIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não se admite a amortização fiscal do ágio transferido mediante aporte de investimento proveniente da sociedade investidora, que efetivamente suportou o pagamento do ágio, por ausência de Fl. 5357DF CARF MF Processo nº 16561.720163/201239 Acórdão n.º 1302002.096 S1C3T2 Fl. 44 43 previsão legal e porque tal hipótese possibilitaria o duplo aproveitamento fiscal do ágio.". Esse entendimento reflete o que vem se repetindo em várias autuações que tem sido objeto de julgamento por esta Tuma, as quais refletem muito mais um inconformismo do Fisco com as normas insculpidas nos arts. 7° e 8° da Lei 9.532/97 do que com os fatos apurados nas fiscalizações. Tratase do que, vulgarmente, passouse a denominar de "transferência de ágio". O I. Presidente desta Turma traz, em seu voto vista, jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual vale ser novamente transcrita: "TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. IMPOSSIBILIDADE. A subsunção aos artigos 7° e 8° da Lei n° 9.532/1997, assim como aos artigos 385 e 386 do RIR/99, exige a satisfação dos aspectos temporal, pessoal e material. Exclusivamente no caso em que a investida adquire a investidora original (ou adquire diretamente a investidora de fato) é que haverá o atendimento a esses aspectos, tendo em vista a ausência de normatização própria que amplie os aspectos pessoal e material a outras pessoas jurídicas ou que preveja a possibilidade de intermediação ou de interposição por meio de outras pessoas jurídicas. Não há previsão legal, no contexto dos artigos 7° e 8° da Lei n° 9.532/1997 e dos artigos 385 e 386 do RIR/99, para transferência de ágio por meio de interposta pessoa jurídica da pessoa jurídica que pagou o ágio para a pessoa jurídica que o amortizar, que foi o caso dos autos, sendo indevida a amortização do ágio pela recorrida.". Com a devida vênia dos seus defensores, a meu ver, tal entendimento redunda de um rotundo equívoco jurídico e contábil, se não vejamos o que se segue. No caso de uma subscrição de capital com ágio, este (o ágio) é apenas a diferença entre o custo de aquisição e o valor patrimonial líquido da participação adquirida, como dispunha o inciso II do art. 20 do DL 1598/77, na sua redação vigente à época dos fatos. Assim, por óbvio, a investidora deverá registrar um investimento, cujo custo de aquisição será a soma das subcontas referentes ao valor patrimonial líquido da participação e ao ágio. Ora, se porventura esse investimento for dado na aquisição de participação de uma outra sociedade (integralização de capital) de valor superior ao dele (ao do investimento dado em pagamento), surgirá um outro ágio dessa operação, a ser registrado na contabilidade da sociedade que recebeu a integralização, já que o investimento foi recebido (em integralização de capital) por valor superior ao do seu acervo líquido contábil. Repitase, se aquele primeiro ágio estava registrado na pessoa jurídica subscritora, este outro ágio será registrado na pessoa jurídica que recebeu o investimento em integralização de capital e, não necessariamente, eles terão o mesmo valor, mas, mesmo que assim seja, não significa que tenha ocorrido uma transferência de um mesmo ágio da investidora para a investida. Aliás, lembrese que, se na hipótese descrita, se há ágio a ser registrado na investida, houve ganho de capital na investidora, esse sim deveria ser objeto de uma maior atenção do Fisco, mesmo porque há previsão de tributação no país de ganho de capital auferido no Brasil por domiciliado no exterior (art. 26 da Lei n° 10.833/03). Como, então, pode o julgador falar que estaríamos, nesta situação, diante de um mesmo ágio? Só há três possíveis respostas. Primeiro, um conhecimento superficial da legislação que Fl. 5358DF CARF MF Processo nº 16561.720163/201239 Acórdão n.º 1302002.096 S1C3T2 Fl. 45 44 rege a matéria, especialmente o método da equivalência patrimonial, hipótese que descarto de plano, por serem os julgadores administrativos profundos conhecedores da matéria. Segundo, se houvesse, nos autos, demonstração cabal da ocorrência de fraude/simulação na operação de integralização de participação com a dação de participação em outra pessoa jurídica, hipótese que também descarto, por tudo que já foi sustentado na decisão de primeira instância e por esta Turma, ao negar provimento ao recurso de ofício. Resta, então, a única resposta viável, estamos realmente diante de mais um lançamento tributário que revela apenas o inconformismo da Fiscalização com os arts. 7° e 8° da Lei 9.532/97, razão pela qual esta autuação não se sustenta. Por último, vale registrar que, ao que parece, esse inconformismo tomou conta também da D. Procuradoria da Fazenda Nacional, pois, do púlpito, o I. Procurador tentou desqualificar o laudo de avaliação, por entender que o cálculo do ágio com base na rentabilidade futura deveria levar em conta a avaliação das "ações" de uma investida da sociedade avaliada, em vez de, com fez o laudo, de avaliar o fluxo de caixa descontado dos ativos de tal investida. Tal argumento também só pode decorrer daquele mesmo inconformismo ao disposto nos citados arts. 7° e 8°. Quem gera caixa são os ativos de uma sociedade, logo, se estamos calculando a rentabilidade futura com base no fluxo de caixa descontado de uma sociedade cujo único ativo é a participação em uma sociedade operacional, devem ser levados em conta o fluxo de caixa dessa sociedade operacional, pois será a sua capacidade de geração de caixa que irá impactar o fluxo de caixa na investidora, pelo recebimento de lucros por aquela distribuídos. Feitas essas breves observações, reafirmo que voto por acompanhar o voto do I. Relator, para dar provimento ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Fl. 5359DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.916808/2011-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.550
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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PIS/COFINS. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. Recorrente SANPLAST INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PERDCOMP) eletrônico por meio da qual a contribuinte objetivava quitar débitos tributários/solicitar restituição de valor utilizandose de créditos de COFINS, que teria sido indevidamente recolhido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 68 08 /2 01 1- 39 Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10980.916808/201139 Acórdão n.º 3302004.550 S3C3T2 Fl. 3 2 A justificativa apresentada pela autoridade fiscal para não homologar a compensação/indeferir o pedido de restituição foi que o DARF discriminado na PERDCOMP havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. Cientificada sobre o teor do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega que o pedido de compensação/restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela instância de origem, nos termos do Acórdão 06040.434. Irresignada a contribuinte interpôs recurso voluntário, o que motivou a subida dos autos a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.500, de 25 de julho de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.900996/201183, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.500) 1: "Em que pese as razões arroladas pela ilustre Relatora, peço licença para divergir dos fundamentos e do resultado dado ao presente o processo administrativo. Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente que os créditos são decorrentes de pagamentos a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação dos RE´s 240.7852/MS e 574.706. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e, afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto e adoto como fundamento as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302004.158): 1 Deixo de transcrever o voto vencido, que pode ser facilmente consultado no Acórdão paradigma, mantendo apenas o entendimento predominante da Turma expresso no voto vencedor. Fl. 40DF CARF MF Processo nº 10980.916808/201139 Acórdão n.º 3302004.550 S3C3T2 Fl. 4 3 A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10980.916808/201139 Acórdão n.º 3302004.550 S3C3T2 Fl. 5 4 salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na Fl. 42DF CARF MF Processo nº 10980.916808/201139 Acórdão n.º 3302004.550 S3C3T2 Fl. 6 5 base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS inclui se na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158 35, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". Fl. 43DF CARF MF Processo nº 10980.916808/201139 Acórdão n.º 3302004.550 S3C3T2 Fl. 7 6 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese Fl. 44DF CARF MF Processo nº 10980.916808/201139 Acórdão n.º 3302004.550 S3C3T2 Fl. 8 7 observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o litígio resumese ao direito a créditos decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 45DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.907211/2011-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.518
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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PIS/COFINS. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. Recorrente SANPLAST INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PERDCOMP) eletrônico por meio da qual a contribuinte objetivava quitar débitos tributários/solicitar restituição de valor utilizandose de créditos de COFINS, que teria sido indevidamente recolhido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 72 11 /2 01 1- 01 Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10980.907211/201101 Acórdão n.º 3302004.518 S3C3T2 Fl. 3 2 A justificativa apresentada pela autoridade fiscal para não homologar a compensação/indeferir o pedido de restituição foi que o DARF discriminado na PERDCOMP havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. Cientificada sobre o teor do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega que o pedido de compensação/restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela instância de origem, nos termos do Acórdão 06040.418. Irresignada a contribuinte interpôs recurso voluntário, o que motivou a subida dos autos a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.500, de 25 de julho de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.900996/201183, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.500) 1: "Em que pese as razões arroladas pela ilustre Relatora, peço licença para divergir dos fundamentos e do resultado dado ao presente o processo administrativo. Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente que os créditos são decorrentes de pagamentos a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação dos RE´s 240.7852/MS e 574.706. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e, afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto e adoto como fundamento as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302004.158): 1 Deixo de transcrever o voto vencido, que pode ser facilmente consultado no Acórdão paradigma, mantendo apenas o entendimento predominante da Turma expresso no voto vencedor. Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10980.907211/201101 Acórdão n.º 3302004.518 S3C3T2 Fl. 4 3 A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10980.907211/201101 Acórdão n.º 3302004.518 S3C3T2 Fl. 5 4 salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10980.907211/201101 Acórdão n.º 3302004.518 S3C3T2 Fl. 6 5 base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS inclui se na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158 35, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10980.907211/201101 Acórdão n.º 3302004.518 S3C3T2 Fl. 7 6 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.907211/201101 Acórdão n.º 3302004.518 S3C3T2 Fl. 8 7 observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o litígio resumese ao direito a créditos decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 51DF CARF MF
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Numero do processo: 16004.720517/2012-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
INTIMAÇÃO SUBSIDIÁRIA VIA EDITAL. DEMONSTRAÇÃO DE TENTATIVA IMPROFÍCUA PELOS MEIOS PRIMÁRIOS DE INTIMAÇÃO. CABIMENTO.
Se restar comprovado que a Delegacia de controle tentou, sem sucesso, por via postal, intimar a empresa sobre resultado de julgamento de primeira instância, correto é o procedimento de intimação via Edital.
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Não há nulidade por cerceamento de defesa quando os meios utilizados pela fiscalização para a autuação fiscal permitiram à autuada entender o que lhe fora imputado, comprovado pelas razões constantes em sua peça recursal.
RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. INTEMPESTIVIDADE DE RECURSO.
O recurso apresentado além fora do prazo recursal de 30 (trinta) dias, contados da ciência da intimação da decisão de instância a quo, não deve ser conhecido por sua intempestividade.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INDEFERIMENTO.
Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo serem afastados os pedidos que não apresentam este desígnio.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
LUCRO ARBITRADO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS CONTÁBEIS.
A falta de apresentação dos livros comerciais exigidos pela legislação deve ensejar ao arbitramento do lucro, nos termos do art. 530, III, do RIR/1999.
DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO QUE SE CONVERTE EM OMISSÃO.
Aos depósitos bancários creditados nas contas correntes da empresa, aplica-se a presunção de omissão de receitas conforme disposto no caput do art. 42, da Lei nº 9.430/1996. Em não se comprovando os depósitos, converte-se tal presunção em omissão de receitas, passíveis de tributação.
DEPÓSITOS DE ORIGEM COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS.
Os depósitos cujas origens são comprovadamente decorrentes do desenvolvimento da atividade comercial da empresa ensejam a tributação específica da atividade por omissão de receitas, conforme § 1º do art. 42, da Lei nº 9.430/1996, não havendo que se falar na presunção legal do caput do mesmo dispositivo legal.
MULTA QUALIFICADA.
Comprovada a intenção dolosa da empresa em deixar de declarar e tributar os impostos obrigatórios e inerentes à sua atividade mercantil, mormente pela prática reiterada de omitir informações durante 3 (três) anos consecutivos, impõe-se a qualificação da multa de ofício, por subsunção da prática do sujeito passivo com o disposto no §1º do art. 44, da Lei nº 9.430/1996.
CSLL, PIS E COFINS. REFLEXOS.
Pela íntima relação de causa e efeito, o lançamento do IRPJ aplica-se à CSLL, ao PIS e à COFINS.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
SOLIDARIEDADE. RECURSO QUE NÃO TRATA DA ATRIBUIÇÃO DA SOLIDARIEDADE EM SI. DECISÃO SOBRE A RECORRENTE QUE SE APLICA NA ÍNTEGRA SOBRE O RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO.
O vínculo de solidariedade não combatido na peça recursal proposta pelo responsável solidário deságua em decisão reflexa da que foi expedida em desfavor da recorrente. Sendo a autuação mantida integralmente em relação à recorrente, deverá também ser replicada nos mesmos moldes para o responsável solidário, por este não trazer elementos que afastem a atribuição da solidariedade a ele imputada.
Numero da decisão: 1401-002.029
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário proposto pelo responsável solidário Reginaldo Aparecido Furlan, por ser intempestivo. Por unanimidade do votos, em negar o pedido de diligência, afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário da empresa recorrente e do responsável solidário Alcyr Ribeiro Junior.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 INTIMAÇÃO SUBSIDIÁRIA VIA EDITAL. DEMONSTRAÇÃO DE TENTATIVA IMPROFÍCUA PELOS MEIOS PRIMÁRIOS DE INTIMAÇÃO. CABIMENTO. Se restar comprovado que a Delegacia de controle tentou, sem sucesso, por via postal, intimar a empresa sobre resultado de julgamento de primeira instância, correto é o procedimento de intimação via Edital. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há nulidade por cerceamento de defesa quando os meios utilizados pela fiscalização para a autuação fiscal permitiram à autuada entender o que lhe fora imputado, comprovado pelas razões constantes em sua peça recursal. RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. INTEMPESTIVIDADE DE RECURSO. O recurso apresentado além fora do prazo recursal de 30 (trinta) dias, contados da ciência da intimação da decisão de instância a quo, não deve ser conhecido por sua intempestividade. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INDEFERIMENTO. Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo serem afastados os pedidos que não apresentam este desígnio. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 LUCRO ARBITRADO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS CONTÁBEIS. A falta de apresentação dos livros comerciais exigidos pela legislação deve ensejar ao arbitramento do lucro, nos termos do art. 530, III, do RIR/1999. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO QUE SE CONVERTE EM OMISSÃO. Aos depósitos bancários creditados nas contas correntes da empresa, aplica-se a presunção de omissão de receitas conforme disposto no caput do art. 42, da Lei nº 9.430/1996. Em não se comprovando os depósitos, converte-se tal presunção em omissão de receitas, passíveis de tributação. DEPÓSITOS DE ORIGEM COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS. Os depósitos cujas origens são comprovadamente decorrentes do desenvolvimento da atividade comercial da empresa ensejam a tributação específica da atividade por omissão de receitas, conforme § 1º do art. 42, da Lei nº 9.430/1996, não havendo que se falar na presunção legal do caput do mesmo dispositivo legal. MULTA QUALIFICADA. Comprovada a intenção dolosa da empresa em deixar de declarar e tributar os impostos obrigatórios e inerentes à sua atividade mercantil, mormente pela prática reiterada de omitir informações durante 3 (três) anos consecutivos, impõe-se a qualificação da multa de ofício, por subsunção da prática do sujeito passivo com o disposto no §1º do art. 44, da Lei nº 9.430/1996. CSLL, PIS E COFINS. REFLEXOS. Pela íntima relação de causa e efeito, o lançamento do IRPJ aplica-se à CSLL, ao PIS e à COFINS. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 SOLIDARIEDADE. RECURSO QUE NÃO TRATA DA ATRIBUIÇÃO DA SOLIDARIEDADE EM SI. DECISÃO SOBRE A RECORRENTE QUE SE APLICA NA ÍNTEGRA SOBRE O RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. O vínculo de solidariedade não combatido na peça recursal proposta pelo responsável solidário deságua em decisão reflexa da que foi expedida em desfavor da recorrente. Sendo a autuação mantida integralmente em relação à recorrente, deverá também ser replicada nos mesmos moldes para o responsável solidário, por este não trazer elementos que afastem a atribuição da solidariedade a ele imputada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário proposto pelo responsável solidário Reginaldo Aparecido Furlan, por ser intempestivo. Por unanimidade do votos, em negar o pedido de diligência, afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário da empresa recorrente e do responsável solidário Alcyr Ribeiro Junior. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva.
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DEMONSTRAÇÃO DE TENTATIVA IMPROFÍCUA PELOS MEIOS PRIMÁRIOS DE INTIMAÇÃO. CABIMENTO. Se restar comprovado que a Delegacia de controle tentou, sem sucesso, por via postal, intimar a empresa sobre resultado de julgamento de primeira instância, correto é o procedimento de intimação via Edital. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há nulidade por cerceamento de defesa quando os meios utilizados pela fiscalização para a autuação fiscal permitiram à autuada entender o que lhe fora imputado, comprovado pelas razões constantes em sua peça recursal. RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. INTEMPESTIVIDADE DE RECURSO. O recurso apresentado além fora do prazo recursal de 30 (trinta) dias, contados da ciência da intimação da decisão de instância a quo, não deve ser conhecido por sua intempestividade. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INDEFERIMENTO. Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo serem afastados os pedidos que não apresentam este desígnio. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 LUCRO ARBITRADO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS CONTÁBEIS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 05 17 /2 01 2- 61 Fl. 2348DF CARF MF 2 A falta de apresentação dos livros comerciais exigidos pela legislação deve ensejar ao arbitramento do lucro, nos termos do art. 530, III, do RIR/1999. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO QUE SE CONVERTE EM OMISSÃO. Aos depósitos bancários creditados nas contas correntes da empresa, aplica se a presunção de omissão de receitas conforme disposto no caput do art. 42, da Lei nº 9.430/1996. Em não se comprovando os depósitos, convertese tal presunção em omissão de receitas, passíveis de tributação. DEPÓSITOS DE ORIGEM COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS. Os depósitos cujas origens são comprovadamente decorrentes do desenvolvimento da atividade comercial da empresa ensejam a tributação específica da atividade por omissão de receitas, conforme § 1º do art. 42, da Lei nº 9.430/1996, não havendo que se falar na presunção legal do caput do mesmo dispositivo legal. MULTA QUALIFICADA. Comprovada a intenção dolosa da empresa em deixar de declarar e tributar os impostos obrigatórios e inerentes à sua atividade mercantil, mormente pela prática reiterada de omitir informações durante 3 (três) anos consecutivos, impõese a qualificação da multa de ofício, por subsunção da prática do sujeito passivo com o disposto no §1º do art. 44, da Lei nº 9.430/1996. CSLL, PIS E COFINS. REFLEXOS. Pela íntima relação de causa e efeito, o lançamento do IRPJ aplicase à CSLL, ao PIS e à COFINS. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008, 2009 SOLIDARIEDADE. RECURSO QUE NÃO TRATA DA ATRIBUIÇÃO DA SOLIDARIEDADE EM SI. DECISÃO SOBRE A RECORRENTE QUE SE APLICA NA ÍNTEGRA SOBRE O RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. O vínculo de solidariedade não combatido na peça recursal proposta pelo responsável solidário deságua em decisão reflexa da que foi expedida em desfavor da recorrente. Sendo a autuação mantida integralmente em relação à recorrente, deverá também ser replicada nos mesmos moldes para o responsável solidário, por este não trazer elementos que afastem a atribuição da solidariedade a ele imputada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário proposto pelo responsável solidário Reginaldo Aparecido Furlan, por ser intempestivo. Por unanimidade do votos, em negar o pedido de diligência, afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário da empresa recorrente e do responsável solidário Alcyr Ribeiro Junior. Fl. 2349DF CARF MF Processo nº 16004.720517/201261 Acórdão n.º 1401002.029 S1C4T1 Fl. 2.349 3 (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), que, por meio do Acórdão 1441.615, de 26 de abril de 2013, julgou improcedente a impugnação da empresa em epígrafe e dos responsáveis solidários Alcyr Ribeiro Junior, CPF 036.000.74814, e Reginaldo Aparecido Furlan, CPF 535.046.58991. O crédito tributário lançado se refere à exigência do IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e COFINS) IR e CS pelo lucro arbitrado e Pis e Cofins pelo regime cumulativo devidos nos anoscalendário 2007, 2008 e 2009, em decorrência de movimentação financeira incompatível com a receita declarada, cujo montante, na época dos fatos, atingiu a R$ 11.122.628,46, incluídos multa qualificada de 150% e juros de mora. Por economia processual e por bem delineado, reproduzo relatório do acórdão da DRJ/RPO: (início da transcrição do relatório constante no acórdão da DRJ/RPO) Contra a contribuinte acima identificada foram lavrados autos de infração (ciência em 26/11/2008) exigindolhe o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 1.213.448,63, Contribuição para o PIS no valor de R$ 343.578,19, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de R$ 570.868,37, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) de R$ 1.585.745,49, acrescidos de juros de mora e multa de ofício, perfazendo o crédito tributário de R$ 11.122.628,46, em virtude de omissão de receita não escriturada e omissão de receita caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Em procedimento de diligência, a empresa HEXACON ENGENHARIA DE OBRAS CIVIS E INCORPORADORA LTDA foi intimada, por meio do Termo de Início de fls. 03 e 04, em 15/04/2011, a apresentar, de imediato, a escrituração contábil (Livros Diário) e Livro de Registro de Entrada e Saída de Mercadorias e, no prazo de 20 (vinte) dias, o contrato social e alterações, comprovantes de matrícula e empreitadas de obras de construção civil, contratos de prestação de serviços celebrados com terceiros, folhas e recibos de pagamento de todos os segurados, Fl. 2350DF CARF MF 4 notas fiscais e recibos de serviços prestados, relação das obras de construção civil e dos imóveis integrantes do Ativo Imobilizado. Na mesma data foram retidos os livros e documentos de que trata o Termo de Retenção de Documentos nº 01 de 15/04/2011 (fl. 07). Em 20/05/2011 foi a empresa intimada a apresentar os extratos de suas contas correntes e aplicações. Em 26/05/2011 foi lavrado o TERMO DE CONSTATAÇÃO E INTIMAÇÃO FISCAL nº 02 26/05/2011, no qual a autoridade fiscal relatou as irregularidades constatadas nos livros apresentados (anos 2007 e 2008) e intimou a apresentar os livros regularizados e registrados e também a apresentação da escrituração contábil (2007 e 2008) em meio digital, e ainda o livro contábil referente ao ano de 2009. Na mesma data procedeuse a devolução do Livro Diário e Razão (ano 2007), conforme Termo de fl. 12. A ciência do referido Termo foi dada à Sra Maria José Ribeiro CPF 589.770.90849, outorgada procuradora através de documento apresentado em 26/05/2011. Novamente intimada (fl. 17), em 20/07/2011, a apresentar os extratos bancários, a empresa apresentou resposta (fl. 191) em 29/06/2011 alegando dificuldade na consecução dos documentos. Em 20/07/2011 foi emitido novo Termo de Constatação e Intimação Fiscal (fl. 22) visando a apresentação da mesma documentação constante no Termo de 26/05/2011, e foi esclarecido de que a não apresentação da escrituração contábil ensejaria o arbitramento do lucro, conforme dispõe o artigo 530, III do Regulamento do Imposto de Renda RIR (Decreto n. 3000/99). Em 10/08/2011 a empresa apresentou, entre outros documentos, os extratos bancários tãosomente em relação ao Banco Bradesco, referentes ao período de janeiro/2007 a 13/11/2008 e, segundo informações do Sistema Informatizado interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a empresa mantinha contas nos Bancos BRADESCO, UNIBANCO (atual ITAUNIBANCO), Banco SAFRA e SANTANDER. O procedimento de diligência foi então transformado em procedimento de fiscalização (MPF n. 081070020111277), e, por meio do Termo de Início do Procedimento Fiscal de fl. 317, a empresa foi cientificada em 29/08/2011 deste fato (fl. 320) e intimada a apresentar a reescrituração contábil contendo a totalidade dos fatos contábeis, inclusive movimentação financeira bancária, e alertou que a não apresentação implicaria no arbitramento do lucro, em conformidade com o Regulamento do Imposto de Renda. Em 25/11/2011 foi a contribuinte intimada (Termo de Intimação Fiscal de fl. 321) a comprovar a origem dos valores creditados em conta bancária (extratos apresentados do Banco Bradesco) por meio de documentação hábil, idônea e coincidentes em datas e valores. Em 06/12/2011 o contribuinte requereu prorrogação de 30 ( trinta) dias – fl. 338, a qual foi concedida pelo Termo de 07/12/2011 (fl. 339) com ciência realizada em 13/12/2011 (fl. 341). Em 05/12/2011 concluiuse a devolução total dos documentos retidos em 15/04/2011, conforme Termo de Devolução de Documentos nº 02. Em 18/01/2012, a empresa apresentou os documentos relacionados à fl. 342, atendendo parcialmente a intimação de 21/11/2011, pois, segundo a fiscalização não foi remetida a totalidade dos documentos comprobatórios dos créditos bancários (Banco Bradesco). Tendo em vista que a contribuinte apresentou apenas parte dos extratos bancários, a fiscalização procedeu a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira, em 28/02/2012, cujas informações e documentos originários das instituições bancárias foram recebidas nas datas de 03/05/2012 Fl. 2351DF CARF MF Processo nº 16004.720517/201261 Acórdão n.º 1401002.029 S1C4T1 Fl. 2.350 5 (BRADESC0), 17/04/2012 (UNIBANCO), 14/05/2012 (SAFRA) e 05/05/012 (SANTANDER). De posse dos extratos bancários, a fiscalização procedeu a uma análise dos mesmos e intimou a empresa (Termo de Intimação Fiscal de 31/05/2012) a comprovar a origem dos créditos bancários das instituições acima mencionadas, sendo que, em relação ao Banco BRADESCO, após conferência efetuada, foi enviada relação complementar na intimação, posto que parte destes documentos já haviam sido anteriormente solicitados em intimação. Encaminhado ao contribuinte através de registro postal o Termo de Ciência e Continuação do Procedimento Fiscal em 14/05/2012, este foi devolvido com a informação " mudouse" (imóvel vazio), razão pela qual foi a empresa intimada por meio do Edital DRF/SJR/SAFIS/ nº 0026/2012 do Termo de Intimação Fiscal de 31/05/2012, não tendo ela se manifestado. A fiscalização constatou que apesar da empresa não ter apresentado Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (DIPJ) relativa ao anocalendário 2007 e nos anos calendários de 2008 e 2009 ter apresentado a declaração com valores zerados, ela realizou atividades mercantis, conforme extratos bancários e Notas Fiscais de Prestação de Serviço, fato este que teria ficado comprovado por meio de documentos colhidos nas diligências realizadas em diversas empresas, cujos documentos (Contrato celebrado entre as empresas, cópias das Notas Fiscais /Prestação de serviços e documentos comprobatórios dos pagamentos) foram juntados aos autos e referemse a prestação de serviços de construção civil, atividade esta preponderante da empresa fiscalizada. Da omissão de receita Após análise da documentação apresentada pela contribuinte, a fiscalização excluiu os valores relativos a cheques devolvidos, estornos, empréstimos comprovados e aqueles resultantes de transferências bancárias, e relacionou no Anexo I (fls. 2122/2142) aqueles créditos cuja origem foi comprovada e no Anexo II (fls. 2143/2150) os créditos de origem não comprovada. Dos créditos com origem comprovada pelo contribuinte A empresa fiscalizada apresentou as Notas Fiscais de Prestação de Serviço e elaborou uma planilha demonstrativa dos créditos e respectivos documentos comprobatórios. Verificouse que do montante dos créditos bancários, R$ 37.215.042,20 (Anexo I – fls. 2122/2142) teriam origem em receita conhecida, embora não declarada. Tais valores foram levados à tributação como receita omitida. Dos créditos de origem não comprovada pelo contribuinte Por outro lado, verificouse que os depósitos/créditos relacionados no Anexo II não tiveram sua origem conhecida. Tratamse de valores de créditos em contas bancárias realizados nos anos calendário de 2007 a 2009, nas seguintes instituições financeiras: Banco BRADESCO S.A agência 00230 conta 175.2111; Banco ITAÚ S.A {atual ITAUNIBANCO) agência 171 conta 2143682; Banco SAFRA S.A AG 001211 conta 0037189 e Banco SANTANDER S.A agência 0037 conta 130092100, cujas origens não foram comprovadas pelo contribuinte, razão pela qual Fl. 2352DF CARF MF 6 tais valores foram levados à tributação com fulcro no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, entre outros dispositivos legais. Do arbitramento do lucro Tendo em vista que a escrituração contábil do período de 01 a 12/2007 foi apresentada apenas em meio papel, desprovida da assinatura do representante legal e responsável contábil, além de estar sem registro no órgão competente, e a escrituração do período de 01 a 12/2008 foi apresentada somente em meio digital (CD), estando a mídia em desacordo com o Ato Declaratório Executivo COFIS nº 15, de 23 de outubro de 2.001 e alterações posteriores, e em relação ao período de 01 a 12/2009, o contribuinte não apresentou a escrituração contábil, a fiscalização procedeuse ao arbitramento do lucro nos termos do art. 530 do RIR (Regulamento do Imposto de Renda Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999). Do agravamento da multa de ofício Sobre os tributos e contribuições foi aplicada a multa qualificada de 150%, com fulcro no art. 44, §1º da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, por entender a fiscalização que estaria flagrantemente caracterizado o evidente intuito de fraudar a Fazenda Pública Federal. Da sujeição passiva solidária dos sócios Foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária em nome dos sócios Alcyr Ribeiro Júnior e Reginaldo Aparecido Furlan, com fulcro nos artigos 121 e 124, I, do CTN, por entender que eles tiveram interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias, interesses esses que teriam ficado evidenciados nos extratos bancários da Hexacon Engenharia de Obras Civis e Incorporadora Ltda mediante transferências de conta corrente da empresa para os sócios. Ademais, segundo a fiscalização, a inconsistência dos valores informados nas declarações apresentadas à RFB (DIPJ), valores de Receita zerados, e a não apresentação da escrituração contábil, seriam suficientes para caracterizar como ilegal sua conduta, pois os atos da empresa são sempre praticados por meio da vontade de seus sócios. Da representação fiscal para fins penais De acordo com o artigo 1º da Portaria SRF nº 2.439, de 21/12/2010, foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais. Das Impugnações ALCYR RIBEIRO JÚNIOR e HEXACON ENGENHARIA DE OBRAS CIVIS E INCORPORADORA LTDA, por seus advogados devidamente constituídos, apresentaram impugnação alegando, PRELIMINARMENTE, que o procedimento fiscal está eivado de vícios que tornam imprestável no aspecto processual, pelas seguintes razões: Fl. 2353DF CARF MF Processo nº 16004.720517/201261 Acórdão n.º 1401002.029 S1C4T1 Fl. 2.351 7 Ausência de notificação pessoal da empresa contribuinte ou de seus representantes legais Inicialmente, alegou que todo procedimento ou processo judicial e administrativo deve respeitar o princípio agasalhado em nosso ordenamento positivo, do "devido processo legal", originado do princípio anglonorte americano de direito do "due process of law". É também por demais conhecido em direito que o princípio acima indicado abrange também o contraditório, por sinal expresso em cláusula pétrea da nossa lei maior, contidas no inciso LIV, do precioso art. 5º, da Carta Política vigente. Do cerceamento do direito de defesa Alegou que, em que pese a legislação tributária considerar válida a notificação da forma ocorrida, por edital, tratase, sem dúvida, de extremo prejuízo para a defesa contrariando a regra da ampla defesa consagrada em nosso ordenamento jurídico, pois, no caso, o contribuinte somente tomou conhecimento dos fatos, ao final do prazo para defesa, e, por ser exíguo, não foi capaz de analisar todos os documentos necessários à sua defesa ou de apreciar a totalidade do extenso trabalho fiscal composto de mais de 2000 (dois mil) documentos. Requereu, com fulcro no art. 38 da Lei nº 9.784/99, que lhe seja deferido emendar a impugnação apresentada. NO MÉRITO Alegou que a mera análise perfunctória do trabalho fiscal já se vislumbra erro, a exemplo do valor de R$ 1.500.000,00, levado a crédito da conta corrente nº 175.2111, da agência 0230, do Banco Bradesco em 24/01/2007, conforme documento acostado aos autos do processo à fl. 37 do doc. 01, (fl. 342 do extrato emitido pelo banco aos 09/09/2009), consta a expressão TEDTRANF ELET DISPON REMET CIA. BRAS. DISTRIBUIÇÃO documento nº 6846706 estando, portanto, demonstrada a origem do crédito e, no entanto, referido valor consta no trabalho fiscal anexo II, CRÉDITOS NÃO COMPROVADOS, (conforme fl. 2143) e utilizado à fl. 2006 no cálculo da multa de 150%. Alegou que, conforme se observa no "extrato bancário" citado, o crédito está perfeitamente identificado, tendo como remetente a Cia Brasileira de Distribuição, conforme consta no campo "histórico" não podendo tal valor ser considerado como não tendo sido comprovada sua origem. Tratase de contrato de empreitada para construção de um supermercado "Compre Bem" no município de Embu, cujo valor contratado inclui todos os custos da construção e legalização do imóvel, não se tratando de receita da empresa autuada, mas sim de adiantamento previsto contratualmente para fazer frente às despesas iniciais da construção, o que apesar de já estar comprovado pelo extrato bancário, também se comprova pela cópia parcial do contrato de empreitada. E reiterese NÃO SE TRATA DE RECEITA. Acrescentou que ocorrências idênticas se verificam no mesmo relatório de fls. 2143 a 2150, onde todos as TED's têm identificado sua origem nos extratos bancários, sendo perfeitamente visível ao Fisco o nome do remetente, pelo que se impugna todos e quaisquer arbitramentos resultantes dos valores inseridos no relatório DE CRÉDITOS NÃO COMPROVADOS, BEM COMO DE TODAS AS PENALIDADES DELES RESULTANTES que foram objeto de lançamento de ofício no auto de infração ora combatido. Fl. 2354DF CARF MF 8 Também o Fisco, na ânsia de arrecadar, fez vistas grossas ao fato de que todas as notas fiscais apresentadas contemplam o valor dos serviços e o custo do material aplicado. Assim, a maior parte dos valores que transitaram pelas contas da ora impugnante, referemse ao custo da obra, não se configurando como lucro ou receita e como tal não pode ser tributada. Tratase, em tese, de excesso de exação, cuja tipificação está prevista no artigo 316 § 1º do Código Penal, inserido pela lei nº 8.137/90, assim dispondo: "Se o funcionário exige tributo ou contribuição social que sabe ou deveria saber indevido, ou,quando devido, emprega na cobrança meio vexatório ou gravoso, que a lei não autoriza: Pena reclusão,, de 3 (três) de 8 (oito) anos, e multa". Impugnou os lançamentos decorrentes do arbitramento de lucro sobre "RECEITA BRUTA NA VENDA DE PRODUTOS DE FABRICAÇÃO PRÓPRIA", onde quer que conste no trabalho fiscal, a exemplo das fls. 2031 a 2041, por não existir tal receita no desenvolvimento da atividade da impugnante. Esclareceu que presta serviços de engenharia civil, sendo contratada para a construção, principalmente, de lojas e postos de gasolina, recebendo numerários iniciais para suportar a aquisição de materiais utilizados na obra, a exemplo do demonstrado no caso de R$ 1.500.000,00 remetidos pela Cia Brasileira de Distribuição, já comentado, numerários parciais de acordo com a medição da obra e numerários finais, que evidentemente, não representam venda de produto ou lucro, sendo que a mão de obra é sempre discriminada nas notas fiscais e que também não representam lucros mas sim receita que é absorvida em grande parte pela contratação de trabalhadores e encargos a eles relativos. Pelo exposto também se impugna o lucro arbitrado com base nos depósitos ou TED's efetuados nas contas bancárias da impugnante. Concluiu que, por tal amostragem, já se comprova que o trabalho fiscal merece ser JULGADO IMPROCEDENTE e, não o sendo, que seja convertido em diligência objetivando seu saneamento. Contestou a não aceitação da documentação/escrituração apresentada pelo contribuinte sem assinaturas, alegando tratase de falha processual sanável e que bastaria o Fisco determinar a assinatura dos mesmos, e que deveria o Fisco apreciar seu conteúdo e não sua forma, pois a ele, Fisco, cabe apresentar as provas do ilícito fiscal de forma clara e objetiva. Segundo a impugnante, a inversão do ônus da prova é INCABÍVEL no processo administrativo tributário e não haveria prova nos autos da ocorrência de acréscimo patrimonial do contribuinte em questão, o que também configura nulidade do AIIM por vício formal. Isso porque, lançamentos fundados exclusivamente em depósitos bancários mantidos pelos contribuintes, sem qualquer prova da existência de sinais exteriores de riqueza que atestem a efetiva existência de acréscimos patrimoniais que pudessem se transformar em renda consumida, são integralmente nulos de pleno direito. Após citar o Código Tributário Nacional, art. 43, que prevê que o fato gerador do imposto de renda é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos e de proventos de qualquer natureza assim entendidos os ACRÉSCIMOS PATRIMONIAIS não compreendidos no conceito anterior, alegou que o Fisco teve a oportunidade de verificar quão deficitária eram as finanças da empresa e que o fantasioso lucro arbitrado só pode ser considerado como imaginário e não pode gerar tributos e contribuições, na ordem pretendida pela agente autuante. Lançamentos bancários, a toda evidência, não são, em si e por si mesmos, sinais exteriores de riqueza. Podem ser, apenas, indícios de riqueza. Cumpre ao Fl. 2355DF CARF MF Processo nº 16004.720517/201261 Acórdão n.º 1401002.029 S1C4T1 Fl. 2.352 9 Fisco apurar se há, por de trás deles, a riqueza suspeitada. Não sendo confirmados por elevação patrimonial ou por consumo excessivo em relação à renda declarada e havendo explicação plausível para os depósitos bancários, faltará respaldo para a suspicácia, o que desautorizará lançamento ex ofício de Imposto de Renda, à título de tributar renda omitida na declaração." Imperioso destacar os termos da Súmula 14 do CARF que corrobora a nulidade do presente AIIM ante a ausência de comprovação de intuito fraudulento do contribuinte: Súmula CARF nº 14: "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo." Nesta esteira, o extinto Tribunal Federal de Recursos TFR afastou por inúmeras vezes a pretensão fiscal de transformar meros depósitos bancários em renda tributável, tanto é que acabou sumulando o entendimento através da Súmula 182 que assim rezava: "É, ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários". Com efeito, a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF cancelou inúmeros lançamentos que, apesar de fundados no art. 6º, §5º da Lei nº 8.021/90, não obedeceram ao dever de prova quanto à renda consumida em sinais exteriores de riqueza. Requereu que seja em preliminar reconhecida a NULIDADE ABSOLUTA por vício formal e material, haja vista sua manifesta impropriedade ou, na remota hipótese de assim Vossa Senhoria não entender/seja o julgamento convertido em diligência, haja vista a existência de evidentes erros no trabalho fiscal, de modo a buscar os dados e circunstâncias que servirão de base à decisão de IMPROCEDÊNCIA deste AIIM. Requereu também nessa hipótese seja atribuído efeito suspensivo, em conformidade com o artigo 61, parágrafo único da Lei 9.784/99 referente a suposta exigibilidade do débito até ulterior julgamento e decisão da presente ação fiscal, e, que, convertido o julgamento em diligência (art. 39 LGPAF e art. 16, §4º, b, do Decreto 70.235/72), requer: oficiar TODAS as empresas tomadoras dos serviços que constam como remetente das TEDs descritas para os documentos de fls. 2143 a 2.150, a comprovarem a transferência de numerário à fiscalizada e sua motivação; a realização de perícia contábil da fiscalizada e demais envolvidos na movimentação financeira sob enfoque; e ainda seja reaberto prazo razoável para que a ora impugnante apresente conciliação dos documentos coligidos pelo Fisco no curso da fiscalização, incluindo os que posteriormente sejam obtidos de terceiros. REGINALDO APARECIDO FURLAN apresentou a impugnação de fls. 2172/2174 alegando, em síntese, que nada obstante ainda integrar o quadro societário da referida pessoa jurídica, o impugnante encontrase oficialmente afastado dela desde 19/03/2008. Nos termos do art. 1029 do Código Civil, o que se comprova por Intermédio da anexa notificação extrajudicial por ele elaborada à época (doc. nº 503.199 do Oficial de Registro de Títulos e Documentos da Comarca Fl. 2356DF CARF MF 10 de São José do Rio Preto), a qual, consoante o seu respectivo recibo de notificação (doe. nº 503.199 do Oficial de Registro de Títulos e Documentos da Comarca de São José do Rio Preto), foi recebida pelo SR. ALCYR RIBEIRO JÚNIOR, seu sócio, no do dia 26/03/2008. Esclareceu que, desde esta referida data, qual seja, 19/03/2008, encontrase o impugnante alheio a todos os atos de gestão envolvendo a empresa HEXAGON ENGENHARIA DE OBRAS CIVIS E INCORPORADORA LTDA, a qual, desde então, veio sendo gerida e administrada exclusivamente pelo seu sócio, o SR. ALCYR RIBEIRO JÚNIOR. Alegou que desde a aludida notificação diversas foram as investidas do ora impugnante objetivando seu desligamento oficial do quadro societário da empresa em voga, inclusive demanda judicial por ele ajuizada processo nº 576.01.2008.0688272 da 3ª Vara Cível do Fórum de São José do Rio Preto , julgada improcedente, por falta de interesse processual, justamente em razão do quanto previsto no inciso III, da cláusula décima do contrato social ajustado, a qual prevê a constituição de Juízo Arbitral na hipótese de divergência entre os sócios. Requereu, por fim, que seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. (término da transcrição do relatório constante no acórdão da DRJ/RPO) Em julgamento, a DRJ/RPO, por meio do Acórdão 1441.615, de 26 de abril de 2013, julgou improcedentes as impugnações da recorrente e dos responsáveis solidários Alcyr Ribeiro Junior e Reginaldo Aparecido Furlan, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 INTIMAÇÃO POSTAL. IMPOSSIBILIDADE. INTIMAÇÃO POR EDITAL. VALIDADE. É válida a intimação por edital da contribuinte e do responsável tributário cujas intimações postais revelaramse improfícuas. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Tributase como omissão de receita os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. Os valores dos depósitos cuja origem houver sido comprovada e que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente. Entretanto, caso o contribuinte faça a prova da origem após a fase da autuação, a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 somente pode será elidida se o contribuinte comprovar que os valores não deveriam ter sido ordinariamente tributados. ESCRITURAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Fl. 2357DF CARF MF Processo nº 16004.720517/201261 Acórdão n.º 1401002.029 S1C4T1 Fl. 2.353 11 A não apresentação de livros obrigatórios para o regime adotado de apuração do lucro, revestidos das formalidades intrínsecas e extrínsecas, autoriza o Fisco a promover o arbitramento do lucro com base nas receitas conhecidas. MULTA QUALIFICADA DE 150%. DOLO. Em lançamento de ofício é devida multa qualificada de 150% calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago ou recolhido quando demonstrada a presença de dolo na ação ou omissão do contribuinte. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE. Os administradores, mandatários, prepostos e empregados são responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, bem assim as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. (art. 153 e 124, I, do CTN). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da decisão em 11/06/2013 via Edital (efl. 2311) , após devolução de correspondência de efl. 2308, com informação no AR de "mudouse", e insatisfeita com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário em 07/06/2013 (efl. 2313 a 2324), em que apresenta os seguintes argumentos: a) Pugna pela nulidade do lançamento fiscal, uma vez que a fiscalização não comprovou o insucesso da tentativa de intimação pessoal da recorrente, o que não valida a opção direta pela citação por Edital. b) No mérito, alega que a presunção só pode ser aplicada quando não há outros meios úteis à comprovação dos fatos, pois o que deve prevalecer é a verdade material. c) Faz menção a suposta incorreção da fiscalização quanto ao valor de R$ 1.500.000,00, que foi apresentado no Anexo II do auto de infração, que trata de créditos não comprovados, quando na verdade deveria estar no Anexo I, que refere a créditos comprovados, pois decorre de depósito comprovadamente efetuado pela Companhia Brasileira de Distribuição. Em razão disso, alega que houve erro na tipificação do fato gerador. E, por fim, que o valor depositado não representa lucro. d) O acórdão recorrido define a presunção como tudo ou nada, ferindo legalidade, razoabilidade, devido processo legal e segurança jurídica, pois se a recorrente identificou a origem dos depósitos, a fiscalização não poderia desconsiderálos e considerálos como receitas omitidas. Por isso assiste razão quando pede investigação a cada depositante. e) Alega que houve cerceamento do direito de defesa uma vez que houve desprezo por suas argumentações quanto à origem dos recursos, em prol de uma presunção legal totalmente imotivada. f) Quanto aos recursos que tiveram origem comprovada, não houve argumentação plausível da DRJ sobre a alegação de que tais valores decorriam de serviços que Fl. 2358DF CARF MF 12 possuíam custos de materiais empregados nas obras. Assim, qualquer análise dos documentos provará que não houve lucro. Desta forma, o auto de infração se reveste de nulidade. g) A nomenclatura "Receita Bruta na venda de produtos de fabricação própria", utilizada no lançamento, tratase de fato inexistente, pois a recorrente não fabrica e não comercializa produtos, apenas presta serviços de engenharia. h) Alega que não houve ato doloso que pudesse ensejar a qualificação da multa de ofício. i) Alega que a tributação reflexa é insubsistente. j) Pede diligência para investigar os depósitos identificados nos TEDs. k) Quanto ao responsável solidário, não há menção em relação ao 124, I, mas tão somente às alegações da própria recorrente quanto aos pontos levantados pelo fisco. Cientificado da decisão em 08/05/2013 via ARECF (efl. 2309) e insatisfeito com a decisão, o responsável solidário Alcyr Ribeiro Junior apresentou recurso voluntário 07/06/2013 (efl. 2313 a 2324), na mesma peça de recurso da empresa recorrente, em que apresenta o seguinte argumento adicional: a) Pugna pela nulidade do lançamento fiscal, uma vez que a fiscalização não comprovou o insucesso da tentativa de intimação postal ou pessoal da recorrente, para que a intimação se desse via Edital, violando com isso a imposição contida no §1º do art. 23 do Decreto 70.235/1972. Cientificado da decisão em 08/05/2013 via ARECF (efl. 2310) e insatisfeito com a decisão, o responsável solidário Reginaldo Aparecido Furlan apresentou intempestivamente recurso voluntário em 12/06/2013 (efl. 2328 a 2332). No CARF, o processo foi distribuído, cabendo a mim sua relatoria. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Intempestividade De início, convém observar que a ciência do acórdão da DRJ ao responsável solidário Reginaldo Aparecido Furlan se deu via ARECF na data de 08/05/2013, quartafeira (efl. 2310). Logo, o início do prazo para interposição de recurso voluntário se deu em 09/05/2013 (quintafeira dia útil). Fl. 2359DF CARF MF Processo nº 16004.720517/201261 Acórdão n.º 1401002.029 S1C4T1 Fl. 2.354 13 O caput do art. 33 do Decreto 70.235/1972 determina o prazo para interposição de recurso voluntário: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.(negritei) Da leitura do dispositivo acima, vêse que o recurso voluntário deveria ter sido protocolado até a data de 07/06/2013. Uma vez que o recurso voluntário proposto pelo responsável solidário Reginaldo Aparecido Furlan foi apresentado em 12/06/2013 (conforme protocolo de efl. 2328), temse que o recurso voluntário foi proposto intempestivamente, razão pela qual não deve ser conhecido. Diante disso, voto por manter a responsabilidade solidária atribuída a Reginaldo Aparecido Furlan, CPF 535.046.58991. Demais recursos Os recursos da recorrente e do responsável solidário Alcyr Ribeiro Junior são tempestivos e preenchem os requisitos de admissibilidade, devendo pois serem conhecidos. NULIDADE A recorrente pugna pela nulidade do lançamento fiscal, justificada pela falta de demonstração, por parte da fiscalização, do insucesso na tentativa de intimação pessoal, para que fosse permitida, subsidiariamente, a intimação via Edital. Não tem razão a recorrente. O art. 23 do Decreto 70.235/1972 disciplina as formas de intimação: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua Fl. 2360DF CARF MF 14 inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (negritei) I no endereço da administração tributária na internet; II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (...) Desta forma, a intimação por Edital deve ser efetuada subsidiariamente às intimações pessoal, postal ou eletrônica. A fiscalização encaminhou o auto de infração e seus anexos por via postal. Como a tentativa da intimação postal restou improfícua, em razão da informação de "mudou se", aposta no ARECF de efl. 2152, não restou alternativa ao fisco a não ser afixar o Edital DRF/SJR/SAFIS/Nº 055/2012 (efl. 2153) nas repartições da delegacia de fiscalização. Concluise, portanto, que a recorrente foi devidamente intimada. Desta forma, deve ser rejeitada a preliminar de nulidade proposta pela recorrente. MÉRITO Do Arbitramento do Lucro A fiscalização efetuou o arbitramento do lucro do período de 2007, 2008 e 2009, tendo em vista que: i) a escrituração contábil do período de 01 a 12/2007 foi apresentada apenas em meio papel, desprovida da assinatura do representante legal e responsável contábil, além de estar sem registro no órgão competente; ii) a escrituração do período de 01 a 12/2008 foi apresentada somente em meio digital (CD), estando a mídia em desacordo com o Ato Declaratório Executivo COFIS nº 15, de 23 de outubro de 2.001 e alterações posteriores, bem como a falta de apresentação dos livros físicos devidamente registrados; e iii) o contribuinte não apresentou a escrituração contábil referente ao período de 01 a 12/2009. Por meio dos Termos de Constatação e Intimação Fiscal (nº 02) de 26/05/2011 (efl. 13) e de 20/07/2011 (efl. 21) e do Termo de Início do Procedimento Fiscal de 24/08/2011 (efl. 317), a fiscalização constatou que a empresa havia apresentado os livros contábeis de 2007 e 2008 de forma deficiente e que não havia apresentado o livro contábil do ano de 2009, e que, assim, deveria apresentálos devidamente formalizados, no prazo de 20 (vinte) dias. Ainda, observou que a não apresentação da escrituração contábil acarretaria o arbitramento do lucro com base no inciso III, do art. 530, do RIR/99 (base legal art. 47 da Lei nº 8.981/1995), abaixo in verbis: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando: (...) Fl. 2361DF CARF MF Processo nº 16004.720517/201261 Acórdão n.º 1401002.029 S1C4T1 Fl. 2.355 15 III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; Excepcionalmente, a empresa poderia ter apresentado o livro caixa, conforme permissão legal contida no parágrafo único do art. 527 do RIR/99 (base legal art. 45 da Lei nº 8.981/1995), abaixo: Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter: I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; (...) Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Entretanto, como a recorrente não apresentou os livros contábeis, tampouco apresentou subsidiariamente o livro caixa, correta a tributação pelo lucro arbitrado. Assim, como o lucro arbitrado parte de base de presunção, como se verá adiante, incorreta as alegações da recorrente que tentam demonstrar que os depósitos recebidos por ela não representam lucro da atividade. Nesse momento, mister trazer um suposto equívoco cometido pela recorrente ao longo de sua peça recursal. É que a recorrente alega que a indicação de alguns depósitos em suas contas correntes poderia de certa forma alterar o lançamento fiscal, ou, como quer, poderia anular o lançamento. Isto porque a fiscalização teria lançado mão indevidamente da presunção de omissão de receitas contida no caput do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 para efetuar lançamento de depósitos de origem comprovada. Assim, em se identificando os depósitos, não caberia a tributação pela presunção de omissão de receitas contida no caput do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, devendo ser aplicado o teor do § 2º do referido artigo, que determina que a tributação deve recair sobre a regra específica de tributação do desenvolvimento da atividade do sujeito passivo: § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Pois bem. A partir da análise do relatório fiscal e da descrição da fundamentação legal contida no auto de infração, percebo que a fiscalização segregou e tipificou corretamente os ingressos de numerários decorrentes de depósitos identificados pela recorrente e aqueles que não tiveram seus ingressos identificados. Fl. 2362DF CARF MF 16 O art. 42 da Lei nº 9.430/1996 caracteriza como omissão de receitas os depósitos de origem não comprovadas: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (negrejei) O cerne do dispositivo legal acima é a definição da expressão "ORIGEM DOS RECURSOS", pois tal conceito servirá para se saber se a conduta da fiscalização está equivocada ou não. Desta forma, é de se indagar: será simplesmente identificar o depositante ou devese perquirir a razão/causa do ingresso do recurso? Caso se deva buscar a causa, a quem cabe o ônus probante: ao fisco ou ao contribuinte? Entendo que a simples identificação do depositante não elide, por si só, a tributação da omissão de receitas com base na presunção contida no artigo supracitado. Para se afastar a aplicação de tal dispositivo e, eventualmente, "cair" na regra específica de tributação a que se submete o sujeito passivo, deve haver também a comprovação da operação, com juntada de documentação hábil e idônea, e, principalmente, devese comprovar a sua causa. E isso não representa a convicção somente deste relator. No mesmo sentido, caminhou a decisão contida no acórdão nº 10323.051, da 3ª Câmara do antigo Conselho de Contribuintes, resultante de julgamento na sessão de 13 de junho de 2007. A indicação pura e simples do motivo do depósito é insuficiente para desconstituir a presunção de omissão de receitas instituída pelo referido art. 42 da Lei 9.430/96, cujo ônus recai sobre o sujeito passivo por se tratar de presunção legal relativa. Comprovar a origem pressupõe identificar clara e inequivocamente a operação que deu causa aos depósitos, de forma devidamente documentada e respaldada nos registros contábeis da pessoa jurídica. Em resumo, fazse necessária a prova de que o valor creditado tem origem nas movimentações patrimoniais reconhecidas na escrituração contábil regular. Revistos os autos, constatase que documentação acostada revela aparência de verdade nas alegações da recorrente, em especial a coincidência de valores debitado na conta da recorrente e creditado na conta da Textília S/A, R$ 173.953.417,61, em 27/06/2000, conforme extratos às fls. 496/497. Por outro lado, falta o elo capaz de transformar tal verossimilhança em verdade processual, qual seja, a exibição da contabilidade da pessoa jurídica na qual estejam registrados os fatos relatados. Ao final, permanece injustificada a origem do depósito, o que autoriza a tributação do seu valor como receita omitida. Demonstrado isto, mas comprovada pelo fisco a não tributação do rendimento, a tributação recai sobre a regra específica, que dependerá do enquadramento a ser estabelecido pela autoridade fiscal, após perquirir a atividade desenvolvida pelo sujeito passivo. Ou seja, é dever do fisco comprovar a falta de tributação e efetuar o correto enquadramento do rendimento comprovado, a partir de provas levantadas por ele. Ressalto, por oportuno, que esta tributação não tem qualquer pertinência com a forma de apuração do lucro (real, presumido e arbitrado), mas sim da aplicação da alíquota compatível com a atividade comprovadamente realizada. A forma de tributação depende de outras condições totalmente díspares àquelas referentes ao depósito devidamente comprovado, como, por exemplo, a manutenção em boa guarda dos livros contábeis (ou livro caixa), o faturamento anual, o auferimento de lucros no exterior, a atividade desenvolvida pelo sujeito Fl. 2363DF CARF MF Processo nº 16004.720517/201261 Acórdão n.º 1401002.029 S1C4T1 Fl. 2.356 17 passivo, etc.. No caso concreto, por exemplo, o lucro arbitrado deverá ser mantido em razão da falta de apresentação dos livros contábeis da recorrente. Como exemplo de um caso da tributação específica, se as notasfiscais demonstrassem que a empresa exercera outra atividade, que não a de construção civil, a fiscalização deveria tributar (mesmo que pelo lucro arbitrado) o rendimento conforme previsão disposta para essa outra atividade, e não aplicar a tributação da regra geral da atividade informada pela recorrente de construção civil. O lucro não foi arbitrado pela falta de comprovação de depósitos, mas sim pela falta de apresentação, ou apresentação deficiente, de seus livros comerciais. E mesmo que tais registros contábeis fossem apresentados após a autuação fiscal, a Súmula CARF nº 59 declara que referida apresentação não pode invalidar a forma de tributação utilizada pelo fisco. Súmula CARF nº 59: A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. No caso concreto, a fiscalização faz menção, no Anexo I do auto de infração, a depósitos comprovados pela empresa, o que me parece, na visão da fiscalização, que efetivamente os depósitos foram comprovados. Mesmo que este relator não entenda desta forma, pois compreendo que somente notasfiscais de serviço não comprovam efetivamente a causa dos depósitos, farei referência aos valores contidos no Anexo I como decorrentes de depósitos de origem comprovada. No relatório fiscal do auto de infração, constatei que a fiscalização fundamentou o lançamento referente a depósitos de origem não comprovada constantes no Anexo II do auto de infração com base no caput do artigo 42 da Lei nº 9.430/1996. É o que se verifica no item 9 (efl. 2113 e 2114) do Termo de Constatação e Descrição dos Fatos. Em relação às receitas omitidas decorrentes de depósitos de origem comprovada, constante no item 8 (efl. 2112 e 2113) do Termo de Constatação e Descrição dos Fatos, a fiscalização apenas descreveu que as receitas ali presentes eram conhecidas em razão da apresentação de notasfiscais de prestação de serviços. Entretanto, no auto de infração, a fiscalização apresentou a fundamentação legal da presente rubrica com fulcro no art. 532 do RIR/99 (efl. 2009), vejase: Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). Ou seja, a fiscalização também descreveu a fundamentação referente à autuação dos depósitos de origem identificada. Além disso, tenho afirmado em meus votos que a fundamentação legal não se estabelece somente pela indicação do dispositivo legal a que se refere. Ela também compreende a descrição do fato imponível, daquele que retrata a ocorrência do fato gerador da obrigação Fl. 2364DF CARF MF 18 correspondente, que, a meu ver, é de mais alto relevo do que a própria descrição legal, pois permite à outra parte o perfeito conhecimento do que lhe está sendo arrogado. Entender que a falta de dispositivo legal, não obstante a descrição pormenorizada dos fatos apurados, pode ocasionar prima facie o cerceamento do direito de defesa, nos levaria a padecer a um retrocesso que tanto se combate ao buscarmos o enriquecimento da hermenêutica jurídica. É óbvio que não se está aqui a militar em favor da completa falta de fundamentação legal de um ato jurídico, o que não se pode admitir, mas tão somente tenho em mente que deve ser sopesada tal ausência com o prejuízo causado à parte que a alega. No caso concreto, não vislumbro prejuízo à recorrente, uma vez que a recorrente entendeu perfeitamente o que lhe fora imputado, conforme se observa em suas peças recursais de impugnação e recurso voluntário. Ou seja, a fundamentação legal da tributação específica decorrente da omissão de receitas está contida no auto de infração. Aliás, pela forma de argumentar, parece que a recorrente se esquece de que a origem comprovada também deve ser tributada, a não ser que se trate de ingresso de numerários de que a lei permite a não tributação. Diante disso, não subsiste nenhuma alegação da recorrente quanto à suposta violação à legalidade, razoabilidade, devido processo legal e segurança jurídica, tampouco houve cerceamento do direito de defesa. Além disso, o que se poderia argumentar em relação à tributação específica da omissão de receitas decorrentes de depósitos de origem comprovada, é se a fiscalização deveria seguir o regime de competência, em detrimento da aplicação específica do regime de caixa, o qual, em princípio, é inerente aos depósitos de origem não comprovada, nos termos do teor do § 1º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Pois bem. Nas DIPJs dos anoscalendário de 2008 e 2009, a recorrente informou que sua forma de tributação era pelo lucro presumido. Conforme redação do caput e parágrafo único do art. 14 da IN SRF 247/2002, a empresa optante pelo lucro presumido pode eleger a tributação do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS pelo regime de caixa: Art. 14. As pessoas jurídicas optantes pelo regime de tributação do Imposto de Renda com base no lucro presumido poderão adotar o regime de caixa para fins da incidência do PIS/Pasep e da Cofins. Parágrafo único. A adoção do regime de caixa, de acordo com o caput, está condicionada à adoção do mesmo critério em relação ao Imposto de Renda e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Ou seja, a recorrente poderia ter apuração de seus tributos conforme regime de caixa. Desta forma, como a empresa não afastou a tributação pelo regime de caixa com apresentação de descrição dos fatos geradores pelo regime de competência, correta a autuação fiscal que manteve como fato gerador o período correspondente ao ingresso dos numerários decorrentes de depósitos de origem comprovada. Fl. 2365DF CARF MF Processo nº 16004.720517/201261 Acórdão n.º 1401002.029 S1C4T1 Fl. 2.357 19 Nesse raciocínio, também entendo que merece ser afastado o argumento da recorrente em relação à suposta incorreção da fiscalização quanto ao valor de R$ 1.500.000,00. Segundo a recorrente o referido valor foi apresentado no Anexo II do auto de infração, que trata de créditos não comprovados, quando na verdade deveria estar no Anexo I, que se refere a créditos comprovados, por decorrer (o valor) de depósito comprovadamente efetuado pela Companhia Brasileira de Distribuição. Em razão disso, alega que houve erro na tipificação do fato gerador. Alega, também, que o valor depositado não representa lucro. Pois bem. A autuação tanto dos depósitos de origem comprovada (Anexo I) quanto aos depósitos de origem não comprovada (Anexo II) foram efetuadas com base nos mesmos elementos, permitindo assim paridade, em ambos os anexos, no período de apuração, base de presunção e alíquota de presunção dos tributos lançados. Além disso, a multa qualificada foi aplicada aos valores contidos também em ambos os anexos. Assim, esta inobservância da fiscalização não causou efeito algum ao lançamento, não se comprovando, portanto, o suposto erro na tipificação do fato gerador. Em relação ao argumento do regime de tributação (caixa ou competência) do valor de R$ 1.500.000,00, tenho que reconhecer que os depósitos de origem comprovadas devem seguir a regra geral de tributação pelo regime de competência. Entretanto, apesar de ter apresentado o contrato de prestação de serviços, não se pode concluir quais são os valores que representam os fatos geradores, destacados mensal e trimestralmente, dos tributos aqui lançados em seguimento ao regime de competência. Esse é o ponto crucial para se entender que o lançamento fiscal foi executado com correção, não havendo outrossim cerceado a defesa da recorrente. Quanto à base de presunção e a alíquota do lucro arbitrado, cabe tecer alguns comentários: A regra para a base de cálculo do lucro presumido está disposta no art. 518 do RIR/99, sendo que as exceções estão dispostas nos parágrafos do art. 519 do mesmo regulamento: Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7º do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, inciso I). Art. 519. (...) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, § 1º): (...) Fl. 2366DF CARF MF 20 III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; A recorrente informou nas DIPJs ac 2008 (efl. 1820) e 2009 (efl. 1807) que a CNAEFiscal (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) é 41.204/00, que é própria de atividade de construção de edifícios. A receita federal se manifestou sobre o enquadramento na alíquota do lucro presumido em relação às empresas do setor de construção, no ADN Cosit nº 6, de 1997. Na referida norma, definiuse que as empresas prestadoras de serviços de construção civil, que tivessem emprego unicamente de mãodeobra seriam consideradas somente como prestadoras de serviços, devendo tributar o lucro com a alíquota presumida de 32%. Por outro lado, as empresas que tivessem, além da mão de obra, o fornecimento de material, a alíquota aplicável seria de 8%. Na solução de consulta 135/2008, da 7ª RF, a RFB aparentemente foi mais rígida em relação à manutenção da tributação na base de presunção de 8% (oito por cento) das prestadoras de serviços de construção civil, por empreitada global, ao somente permitir o enquadramento neste patamar de alíquota empresas que forneçam todos os materiais indispensáveis à execução da obra de construção civil. SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 135 de 23 de Dezembro de 2008 7ª Região Fiscal ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ EMENTA: EMPREITADA. CONSTRUÇÃO CIVIL. LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL. RECEITA BRUTA. O percentual a ser aplicado na apuração da base de cálculo do imposto no lucro presumido é de 8 % (oito por cento) sobre a receita bruta relativa à empreitada para a execução de obras de construção civil somente quando, nessa contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, o empreiteiro fornecer todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. Na hipótese de o material ser fornecido, em parte ou no todo, pelo contratante da obra, o percentual a ser aplicado será de 32% (trinta e dois por cento). Pela CNAE adotada pela recorrente, verificase que a fiscalização efetuou o correto enquadramento na alíquota de 8%, para posteriormente aplicar o adicional do lucro arbitrado de 20% sobre a base do lucro presumido, conforme redação do art. 532 do RIR/99: Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). O que percebo é que a recorrente foi beneficiada com a autuação fiscal. Poderia, inclusive, ter sido tributada, em relação a alguns lançamentos, à alíquota de 32%, pois várias notasfiscais demonstram que, em relação a alguns contratos, não houve fornecimento de materiais. A fiscalização, entretanto, efetuou o lançamento mais benéfico para a empresa, mas que não deixou de ser correto, pois o fisco se serviu da atividade informada pela recorrente. Fl. 2367DF CARF MF Processo nº 16004.720517/201261 Acórdão n.º 1401002.029 S1C4T1 Fl. 2.358 21 Outro argumento, é que a recorrente alega que a presunção só pode ser aplicada quando não há outros meios úteis à comprovação dos fatos. Mas foi justamente isto que a fiscalização fez. A fiscalização se utilizou da base legal da presunção da omissão de receitas art. 42, da Lei nº 9.430/1996 , nas hipóteses em que os depósitos não foram identificados. Por fim, a recorrente argumenta que a nomenclatura "Receita Bruta na venda de produtos de fabricação própria", utilizada no lançamento decorrente de depósitos de origem comprovada, tratase de fato inexistente, pois a recorrente não fabrica e não comercializa produtos, apenas presta serviços de engenharia. Independentemente de vender ou não produtos de fabricação própria, entendo que a nomenclatura utilizada pela fiscalização não interfere no lançamento fiscal. Além disso, a execução da construção civil não deixa de corresponder a um produto fabricado pela própria empresa, pois, além da mão de obra, a recorrente também emprega materiais no desenvolvimento de sua atividade. O que percebo é que a recorrente não apresenta argumentos convincentes em relação a pontos mais relevantes da autuação fiscal e tenta se agarrar a pequenos equívocos com fins de descredibilizar o lançamento fiscal, o que deve ser refutado veementemente. Desta forma, correta a autuação efetuada pela fiscalização. Pedido de Diligência A recorrente pede que o processo seja baixado em diligência para que a fiscalização efetue uma investigação a cada depositante, pois como houve identificação de parte da origem dos depósitos a fiscalização não deveria ignorar tal informação e considerar os depósitos como omissão de receitas. Pois bem. A requisição de diligência, por parte da autoridade julgadora, está vinculada à sua imprescindibilidade. O caput do art. 18 do Decreto 70.235/1972 assim dispõe: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Entretanto, não vejo nos autos motivo para baixar o processo em diligência. A identificação dos depósitos por parte da recorrente comprova que o lançamento fiscal não possui mácula alguma; pelo contrário, apenas corrobora a omissão contumaz de receitas por parte da recorrente, conforme se observa nas notas fiscais anexadas ao processo. Fl. 2368DF CARF MF 22 O questionamento que faço é o seguinte: o que agregaria ao julgamento da lide baixar o processo em diligência? Respondo: Nada. Pois, como já dito alhures, o lucro foi arbitrado em razão da inutilidade da escrita fiscal da recorrente. Apresentar demais esclarecimentos sobre os serviços prestados por ela não lhe trará nenhum benefício, uma vez que o lançamento deverá ser mantido na mesma configuração já apresentada lucro arbitrado , principalmente pelo respaldo da Súmula CARF nº 59, já citada anteriormente. Desta forma, afasto o pedido de diligência, por ser improfícuo ao julgamento deste processo. Da Multa Qualificada A recorrente alega que não houve ato doloso capaz de ensejar a aplicação da multa de ofício qualificada de 150%. Não entendo que tal argumento mereça ser acolhido. A fundamentação para aplicação da multa de ofício qualificada está contida no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, com a alteração promovida pela Lei 11.488/2007, mas que remete à mesma base legal de conduta a ser perquirida, qual seja, arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964: Lei nº 9.430/1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1962, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Lei nº 4.502/1964 Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Fl. 2369DF CARF MF Processo nº 16004.720517/201261 Acórdão n.º 1401002.029 S1C4T1 Fl. 2.359 23 II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Como visto, a recorrente não declarou valores a tributar durante 3 (três) anos calendário consecutivos. Além disso, grande parte dos ingressos nas contascorrentes da recorrente decorriam de recebimento por serviços prestados em razão do desenvolvimento de sua atividade de construção civil, o que afasta qualquer argumento da recorrente de que não tenha configurado conduta dolosa de sua parte. Esta prática somente foi percebida em razão da movimentação financeira incompatível com a renda declarada pela recorrente. Assim, tal conduta subsumese ao conceito de sonegação, estampado no art. 71 da Lei 4.502/1964, devendo ser mantida a multa de ofício qualificada de 150%. Da tributação reflexa CSLL, PIS e COFINS Por decorrerem dos mesmos elementos de prova, o lançamento do IRPJ aplicase integralmente à CSLL, ao PIS e à COFINS. Da Responsabilidade Solidária A fiscalização entendeu que a conduta dos sócios configuraram interesse comum, conforme arts. 124, I e 121 do CTN. Quanto ao sócio Reginaldo Aparecido Furlan, a autuação deve ser mantida conforme os termos deste acórdão, em razão da intempestividade de seu recurso. Em relação ao sócio Alcyr Ribeiro Junior, segue contraargumentação de suas alegações: NULIDADE Quanto ao argumento de que a intimação via Edital não poderia ter sido efetuada, pela falta de comprovação da fiscalização de tentativa de intimação postal ou pessoal do recorrente, entendo que não merece guarida tal argumento. Fl. 2370DF CARF MF 24 A fiscalização encaminhou o auto de infração e seus anexos por via postal. Como a tentativa da intimação postal restou improfícua, em razão da informação de "ausente", aposta no ARECF de efl. 2155, não restou alternativa ao fisco a não ser afixar o Edital DRF/SJR/SAFIS/Nº 059/2012 (efl. 2156) nas repartições da delegacia de fiscalização. Concluise, portanto, que o recorrente foi devidamente intimado. Desta forma, deve ser rejeitada a preliminar de nulidade proposta pelo responsável solidário Alcyr Ribeiro Junior. MÉRITO Verifiquei que não há argumentação do referido responsável solidário quanto ao interesse comum atribuído pela fiscalização a ele, nos termos do art. 124, I, do CTN; tampouco há argumentação quanto à atribuição de responsabilidade solidária feita pela fiscalização. Tão somente existe por parte do responsável solidário as alegações pertinentes ao próprio lançamento fiscal, matérias estas que foram trazidas também pela recorrente. Desta forma, a responsabilidade solidária deve ser mantida nos mesmos moldes da manutenção da autuação fiscal, conforme já esposado neste voto. Conclusão Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário proposto pelo responsável solidário Reginaldo Aparecido Furlan, por intempestivo, e, na parte conhecida, voto por NEGAR o pedido de diligência, voto por AFASTAR a preliminar de nulidade e, no mérito, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário da empresa recorrente e do responsável solidário Alcyr Ribeiro Junior, pelas razões acima aduzidas. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 2371DF CARF MF Processo nº 16004.720517/201261 Acórdão n.º 1401002.029 S1C4T1 Fl. 2.360 25 Fl. 2372DF CARF MF
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