Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,079)
- Primeira Turma Ordinária (16,582)
- Primeira Turma Ordinária (16,499)
- Primeira Turma Ordinária (16,374)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,098)
- Segunda Turma Ordinária d (14,576)
- Primeira Turma Ordinária (13,128)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,567)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (86,067)
- Terceira Câmara (68,611)
- Segunda Câmara (57,558)
- Primeira Câmara (21,900)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,369)
- 1ª SEÇÃO (6,889)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (129,102)
- Segunda Seção de Julgamen (116,246)
- Primeira Seção de Julgame (78,191)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,150)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,426)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,618)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,281)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- HELCIO LAFETA REIS (3,929)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,938)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,877)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,802)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,962)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,925)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,676)
- 2010 (18,059)
- 2026 (17,170)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (21,392)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 12448.727644/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
PERÍCIA E DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. SOLICITAÇÃO INDEFERIDA.
A perícia é reservada à análise técnica dos fatos, não cabendo realizá-la quando as informações contidas nos autos são suficientes ao convencimento do julgador, e a solução do litígio dela independe.
Ademais, foi realizada diligência em primeira instância para apuração da alegação do pagamento dos tributos em apreço.
PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
O indeferimento do pedido de perícia foi devidamente motivado na decisão da DRJ.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
REGIME DE COMPETÊNCIA. TRIBUTAÇÃO DA RECEITA NO MÊS DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS E NÃO NO DA EMISSÃO DO DOCUMENTO FISCAL.
A receita auferida, base de cálculo do PIS e da Cofins, é tributada no mês da prestação de serviços, e não no da emissão da nota fiscal ou escrituração fiscal e contábil.
NÃO-CUMULATIVIDADE. SERVIÇOS RECEBIDOS DISSOCIADOS DOS SERVIÇOS PRESTADOS. INSUMOS NÃO CARACTERIZADOS. CRÉDITOS NÃO ADMITIDOS.
A não-cumulatividade do PIS e Cofins exige que cada insumo, bem ou serviço, esteja relacionado a algum produto ou serviço final que originou a receita tributada.
NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS NÃO COMPROVADOS. CRÉDITOS NÃO ADMITIDOS.
Os gastos que geram créditos do PIS e Cofins precisam ser comprovados documentalmente pelo contribuinte.
NÃO-CUMULATIVIDADE. IMPORTAÇÃO DISSOCIADA DOS SERVIÇOS PRESTADOS. CRÉDITOS NÃO ADMITIDOS. CUSTEIO POR OUTRA EMPRESA.
Com ressalva dos tributos pagos na importação, os créditos, dissociados dos serviços prestados, não são admitidos.
JUROS DE MORA SELIC INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO VINCULADA A TRIBUTO. CABIMENTO.
Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício lançada, vinculada ao tributo.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
REGIME DE COMPETÊNCIA. TRIBUTAÇÃO DA RECEITA NO MÊS DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS E NÃO NO DA EMISSÃO DO DOCUMENTO FISCAL.
A receita auferida, base de cálculo do PIS e da Cofins, é tributada no mês da prestação de serviços, e não no da emissão da nota fiscal ou escrituração fiscal e contábil.
NÃO-CUMULATIVIDADE. SERVIÇOS RECEBIDOS DISSOCIADOS DOS SERVIÇOS PRESTADOS. INSUMOS NÃO CARACTERIZADOS. CRÉDITOS NÃO ADMITIDOS.
A não-cumulatividade do PIS e Cofins exige que cada insumo, bem ou serviço, esteja relacionado a algum produto ou serviço final que originou a receita tributada.
NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS NÃO COMPROVADOS. CRÉDITOS NÃO ADMITIDOS.
Os gastos que geram créditos do PIS e Cofins precisam ser comprovados documentalmente pelo contribuinte.
NÃO-CUMULATIVIDADE. IMPORTAÇÃO DISSOCIADA DOS SERVIÇOS PRESTADOS. CRÉDITOS NÃO ADMITIDOS. CUSTEIO POR OUTRA EMPRESA.
Com ressalva dos tributos pagos na importação, os créditos, dissociados dos serviços prestados, não são admitidos.
JUROS DE MORA SELIC INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO VINCULADA A TRIBUTO. CABIMENTO.
Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício lançada, vinculada ao tributo.
Numero da decisão: 3302-003.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares na Reunião de Julgamento realizada no mês de setembro de 2016.
Por maioria de votos, foi reconhecido o recolhimento a menor das Contribuições no 4º trimestre de 2008 (item 3.1 do Voto), vencidos o Conselheiro Domingos de Sá e a Conselheira Lenisa Prado, que davam provimento ao Recurso. Por maioria de votos, foram mantidas as glosas parciais referentes aos meses de novembro e dezembro de 2008 (item 3.2 do voto), vencidos os Conselheiros Domingos de Sá e Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado, que davam provimento ao Recurso.
Por maioria de votos, foi dado provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito de PIS/COFINS na importação de peças máquinas e equipamentos necessários à manutenção e operação da embarcação West Polaris após o início das operações (item 3.3 do voto), vencida a Conselheira Sarah Linhares, Relatora, designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Walker Araújo.
Por maioria de votos, foi negado provimento ao Recurso em relação à incidência de juros sobre a multa, vencida a Conselheira Sarah Linhares, Relatora, designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora
(assinatura digital)
Walker Araujo - Redator Designado
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Redator Designado
Participaram do julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 PERÍCIA E DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. SOLICITAÇÃO INDEFERIDA. A perícia é reservada à análise técnica dos fatos, não cabendo realizá-la quando as informações contidas nos autos são suficientes ao convencimento do julgador, e a solução do litígio dela independe. Ademais, foi realizada diligência em primeira instância para apuração da alegação do pagamento dos tributos em apreço. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. O indeferimento do pedido de perícia foi devidamente motivado na decisão da DRJ. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 REGIME DE COMPETÊNCIA. TRIBUTAÇÃO DA RECEITA NO MÊS DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS E NÃO NO DA EMISSÃO DO DOCUMENTO FISCAL. A receita auferida, base de cálculo do PIS e da Cofins, é tributada no mês da prestação de serviços, e não no da emissão da nota fiscal ou escrituração fiscal e contábil. NÃO-CUMULATIVIDADE. SERVIÇOS RECEBIDOS DISSOCIADOS DOS SERVIÇOS PRESTADOS. INSUMOS NÃO CARACTERIZADOS. CRÉDITOS NÃO ADMITIDOS. A não-cumulatividade do PIS e Cofins exige que cada insumo, bem ou serviço, esteja relacionado a algum produto ou serviço final que originou a receita tributada. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS NÃO COMPROVADOS. CRÉDITOS NÃO ADMITIDOS. Os gastos que geram créditos do PIS e Cofins precisam ser comprovados documentalmente pelo contribuinte. NÃO-CUMULATIVIDADE. IMPORTAÇÃO DISSOCIADA DOS SERVIÇOS PRESTADOS. CRÉDITOS NÃO ADMITIDOS. CUSTEIO POR OUTRA EMPRESA. Com ressalva dos tributos pagos na importação, os créditos, dissociados dos serviços prestados, não são admitidos. JUROS DE MORA SELIC INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO VINCULADA A TRIBUTO. CABIMENTO. Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício lançada, vinculada ao tributo. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 REGIME DE COMPETÊNCIA. TRIBUTAÇÃO DA RECEITA NO MÊS DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS E NÃO NO DA EMISSÃO DO DOCUMENTO FISCAL. A receita auferida, base de cálculo do PIS e da Cofins, é tributada no mês da prestação de serviços, e não no da emissão da nota fiscal ou escrituração fiscal e contábil. NÃO-CUMULATIVIDADE. SERVIÇOS RECEBIDOS DISSOCIADOS DOS SERVIÇOS PRESTADOS. INSUMOS NÃO CARACTERIZADOS. CRÉDITOS NÃO ADMITIDOS. A não-cumulatividade do PIS e Cofins exige que cada insumo, bem ou serviço, esteja relacionado a algum produto ou serviço final que originou a receita tributada. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS NÃO COMPROVADOS. CRÉDITOS NÃO ADMITIDOS. Os gastos que geram créditos do PIS e Cofins precisam ser comprovados documentalmente pelo contribuinte. NÃO-CUMULATIVIDADE. IMPORTAÇÃO DISSOCIADA DOS SERVIÇOS PRESTADOS. CRÉDITOS NÃO ADMITIDOS. CUSTEIO POR OUTRA EMPRESA. Com ressalva dos tributos pagos na importação, os créditos, dissociados dos serviços prestados, não são admitidos. JUROS DE MORA SELIC INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO VINCULADA A TRIBUTO. CABIMENTO. Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício lançada, vinculada ao tributo.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 02 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 12448.727644/2012-11
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5715667
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 02 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-003.726
nome_arquivo_s : Decisao_12448727644201211.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 12448727644201211_5715667.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares na Reunião de Julgamento realizada no mês de setembro de 2016. Por maioria de votos, foi reconhecido o recolhimento a menor das Contribuições no 4º trimestre de 2008 (item 3.1 do Voto), vencidos o Conselheiro Domingos de Sá e a Conselheira Lenisa Prado, que davam provimento ao Recurso. Por maioria de votos, foram mantidas as glosas parciais referentes aos meses de novembro e dezembro de 2008 (item 3.2 do voto), vencidos os Conselheiros Domingos de Sá e Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado, que davam provimento ao Recurso. Por maioria de votos, foi dado provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito de PIS/COFINS na importação de peças máquinas e equipamentos necessários à manutenção e operação da embarcação West Polaris após o início das operações (item 3.3 do voto), vencida a Conselheira Sarah Linhares, Relatora, designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Walker Araújo. Por maioria de votos, foi negado provimento ao Recurso em relação à incidência de juros sobre a multa, vencida a Conselheira Sarah Linhares, Relatora, designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa - Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora (assinatura digital) Walker Araujo - Redator Designado (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède - Redator Designado Participaram do julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
id : 6735996
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:58:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048948388659200
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 40; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1763; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.727644/201211 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.726 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de março de 2017 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO PIS/COFINS Recorrente SEADRILL SERVIÇOS DE PETRÓLEO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 PERÍCIA E DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. SOLICITAÇÃO INDEFERIDA. A perícia é reservada à análise técnica dos fatos, não cabendo realizála quando as informações contidas nos autos são suficientes ao convencimento do julgador, e a solução do litígio dela independe. Ademais, foi realizada diligência em primeira instância para apuração da alegação do pagamento dos tributos em apreço. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. O indeferimento do pedido de perícia foi devidamente motivado na decisão da DRJ. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 REGIME DE COMPETÊNCIA. TRIBUTAÇÃO DA RECEITA NO MÊS DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS E NÃO NO DA EMISSÃO DO DOCUMENTO FISCAL. A receita auferida, base de cálculo do PIS e da Cofins, é tributada no mês da prestação de serviços, e não no da emissão da nota fiscal ou escrituração fiscal e contábil. NÃOCUMULATIVIDADE. SERVIÇOS RECEBIDOS DISSOCIADOS DOS SERVIÇOS PRESTADOS. INSUMOS NÃO CARACTERIZADOS. CRÉDITOS NÃO ADMITIDOS. A nãocumulatividade do PIS e Cofins exige que cada insumo, bem ou serviço, esteja relacionado a algum produto ou serviço final que originou a receita tributada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 76 44 /2 01 2- 11 Fl. 2674DF CARF MF 2 NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS NÃO COMPROVADOS. CRÉDITOS NÃO ADMITIDOS. Os gastos que geram créditos do PIS e Cofins precisam ser comprovados documentalmente pelo contribuinte. NÃOCUMULATIVIDADE. IMPORTAÇÃO DISSOCIADA DOS SERVIÇOS PRESTADOS. CRÉDITOS NÃO ADMITIDOS. CUSTEIO POR OUTRA EMPRESA. Com ressalva dos tributos pagos na importação, os créditos, dissociados dos serviços prestados, não são admitidos. JUROS DE MORA SELIC INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO VINCULADA A TRIBUTO. CABIMENTO. Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício lançada, vinculada ao tributo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 REGIME DE COMPETÊNCIA. TRIBUTAÇÃO DA RECEITA NO MÊS DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS E NÃO NO DA EMISSÃO DO DOCUMENTO FISCAL. A receita auferida, base de cálculo do PIS e da Cofins, é tributada no mês da prestação de serviços, e não no da emissão da nota fiscal ou escrituração fiscal e contábil. NÃOCUMULATIVIDADE. SERVIÇOS RECEBIDOS DISSOCIADOS DOS SERVIÇOS PRESTADOS. INSUMOS NÃO CARACTERIZADOS. CRÉDITOS NÃO ADMITIDOS. A nãocumulatividade do PIS e Cofins exige que cada insumo, bem ou serviço, esteja relacionado a algum produto ou serviço final que originou a receita tributada. NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS NÃO COMPROVADOS. CRÉDITOS NÃO ADMITIDOS. Os gastos que geram créditos do PIS e Cofins precisam ser comprovados documentalmente pelo contribuinte. NÃOCUMULATIVIDADE. IMPORTAÇÃO DISSOCIADA DOS SERVIÇOS PRESTADOS. CRÉDITOS NÃO ADMITIDOS. CUSTEIO POR OUTRA EMPRESA. Com ressalva dos tributos pagos na importação, os créditos, dissociados dos serviços prestados, não são admitidos. JUROS DE MORA SELIC INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO VINCULADA A TRIBUTO. CABIMENTO. Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício lançada, vinculada ao tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 2675DF CARF MF Processo nº 12448.727644/201211 Acórdão n.º 3302003.726 S3C3T2 Fl. 3 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares na Reunião de Julgamento realizada no mês de setembro de 2016. Por maioria de votos, foi reconhecido o recolhimento a menor das Contribuições no 4º trimestre de 2008 (item 3.1 do Voto), vencidos o Conselheiro Domingos de Sá e a Conselheira Lenisa Prado, que davam provimento ao Recurso. Por maioria de votos, foram mantidas as glosas parciais referentes aos meses de novembro e dezembro de 2008 (item 3.2 do voto), vencidos os Conselheiros Domingos de Sá e Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado, que davam provimento ao Recurso. Por maioria de votos, foi dado provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito de PIS/COFINS na importação de peças máquinas e equipamentos necessários à manutenção e operação da embarcação West Polaris após o início das operações (item 3.3 do voto), vencida a Conselheira Sarah Linhares, Relatora, designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Walker Araújo. Por maioria de votos, foi negado provimento ao Recurso em relação à incidência de juros sobre a multa, vencida a Conselheira Sarah Linhares, Relatora, designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora (assinatura digital) Walker Araujo Redator Designado (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Redator Designado Participaram do julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. Relatório Tratase de auto de infração para a cobrança da contribuição para o PIS/Pasep e para a COFINS. Do relatório da DRJ/Recife, extraise, fls. 2566/25701: 1 Todas as páginas referenciadas no voto são correspondentes ao eprocesso. Fl. 2676DF CARF MF 4 Tratase de Impugnação contra dois Autos de Infração, relativos ao PIS e Cofins nãocumulativos, no valores totais de R$ 789.900,88 e R$ 3.638.331,34, respectivamente, incluindo multa de ofício de 75% e juros de mora. São três as infrações: 1 – insuficiência de recolhimento no mês de outubro de 2008 (R$ 374.467,09 de PIS e R$ 1.724.818,12 de Cofins, nos valores principais), apurada com base na receita de serviços reconhecida de forma incorreta pelo contribuinte no meses de outubro, novembro e dezembro de 2008; 2 – glosa de créditos nas aquisições no mercado interno, nos meses de novembro e dezembro de 2008; e 3 – glosa de créditos na importação, nos meses de novembro e dezembro de 2008. O Termo de Constatação de Infração Fiscal (único, para o Auto de Infração de IRPJ e CSLL, objeto do processo nº 12448.727645/201265, e estes de PIS e Cofins) informa no seu item 14 (fl. 2198) que no ano de 2008 a fonte de receita da Contribuinte, representada pelas notas fiscais de n° 001 a 008 (a de nº 004 cancelada) foi o contrato de prestação de serviços de perfuração firmado com a ESSO Exploração Santos Brasileira LTDA. Ao justificar as três infrações a fiscalização considera o que transcrevo abaixo, das folhas indicadas: Infração 1 (fls. 2199/2200) 17 Em se tratando do regime de competência para o reconhecimento das receitas podemos notar que o Contribuinte não observou a origem exata das receitas, haja vista que a constatação da descrição das notas fiscais e das medições dos serviços apresentadas indicam uma distribuição diversa das mesmas: (...) Infração 2 (fls. 2220/2224; a fiscalização glosou créditos de PIS e Cofins por considerar que dos valores constantes da memória de cálculo apresentada pela contribuinte em 16/03/2000 alguns não se relacionam com os serviços por ela prestados junto à empresa ESSO Exploração Santos Brasileira LTDA) III CUSTOS/DESPESAS NÃO DEDUTÍVEIS (...) IV – GLOSA DE CRÉDITOS PIS/COFINS (...) Infração 3 (fls. 2218/2221, com erro no original nos itens 43 a 45, duplicados; a fiscalização glosou valores de peças, componentes e suprimentos importados para o navio sonda por Fl. 2677DF CARF MF Processo nº 12448.727644/201211 Acórdão n.º 3302003.726 S3C3T2 Fl. 4 5 considerar que foram adquiridos pelo seu proprietário, e não pela autuada). Ainda do relatório da DRJ/Recife, extraise a síntese da impugnação apresentada pela Impugnante, ora Recorrente, fls. 2572/2576: Na Impugnação (fls. 2315/2367), tempestiva (fl. 2380), a contribuinte contesta, conjuntamente, as autuações de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Depois de sintetizar as premissas das autuações, reputandoas insustentáveis em razão, “ao que parece”, “do não conhecimento da estrutura operacional das atividades da Impugnante e da inadvertida falta de aprofundamento nos trabalhos investigativos” (fl. 2317), alega preliminarmente a nulidade dos Autos de Infração, por afronta à verdade material e manifesto erro na apuração da base de cálculo do PIS e Cofins. Argúi que o autuante, “por presunção e sem qualquer evidência”, valendose única e exclusivamente da leitura dos contratos firmados entre o Impugnante e a ESSO, errou ao considerar que as despesas incorridas não seriam condizentes com a sua atividade e, assim, não gerariam créditos para fins de PIS e COFINS nem seriam dedutíveis para fins do IRPJ e CSLL. Considera que, caso houvesse dúvida, deveria o autuante ter realizado diligências, e que houve violação à verdade material. Menciona, então, doutrina e jurisprudência do CARF, encerrando a primeira parte da preliminar de nulidade afirmando que os Autos “estão calcados em premissas fáticas não provadas”, pelo que não atendem aos princípios da motivação, da legalidade e da verdade material. Quanto ao erro na apuração da base de cálculo do PIS e Cofins, assevera que a autuação não levou em conta os pagamentos dessas duas Contribuições efetivamente realizados à época dos fatos geradores. (...) No mérito, trata inicialmente do reconhecimento das receitas de serviços (infração 1). Destaca trecho do Termo de Constatação de Infração Fiscal segundo o qual o total de receitas dos serviços no ano se mantém como declarado e escriturado (referência do item 18 do Termo, à fl. 2200) para argumentar que, se incorreto o procedimento adotado pela Impugnante, no máximo houve postergação de tributo devido, a acarretar a imputação dos valores pagos, como preceitua o art. 163 do CTN e corrobora jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes (menciona os Acórdãos nºs 1054050, DOU de 14/09/1990, e 10318937, sessão de 14/10/1997, ambos tratando de IRPJ). Em seguida defende os créditos glosados, alegando o seguinte, em resumo: Fl. 2678DF CARF MF 6 o navio sonda West Polaris foi entregue pela Seadril Offshore AS (empresa sediada na Noruega, que assumiu a condição de fretador ao ceder o bem) à ESSO (afretador, ao receber o bem), com quem celebrou contrato de fretamento a casco nu, e a esta cabia, inicialmente, todas as despesas associadas à operação e manutenção da unidade de produção, incluindo as despesas com aquisição, importação ou transporte de equipamentos; na mesma data do contrato de afretamento a ESSO contratou a Impugnante para a prestação de serviços de perfuração de poços e operação do West Polaris, incluindo sua manutenção e a do equipamento de perfuração, com o fornecimento, sempre que necessário, dos equipamentos, partes e peças requeridos pela manutenção preventiva. (...) em se tratando de contrato de afretamento a casco nu, a manutenção preventiva, previamente estipulada e destinada a preservar as características originais em face do desgaste decorrente do uso (diferente da manutenção corretiva porque esta decorre de quebras ou defeitos não relacionados com o desgaste normal do equipamento), é do afretador (ESSO) e/ou seus contratados; a obrigação de fornecimento de equipamentos e peças previstas no Anexo C do Contrato de Afretamento, citadas no Termo de Constatação, se refere ao inventário que a Seadrill AS se comprometeu a entregar à ESSO juntamente com a disponibilização da West Polaris, mas o fornecimento de equipamentos e peças necessárias às atividades de operação e manutenção da West Polaris e no decorrer da execução do Contrato de Afretamento é de responsabilidade da Impugnante e está expressamente prevista no Anexo C do Contrato de Serviços; no afretamento a casco nu o marco divisor das responsabilidades das partes é a disponibilização da embarcação, sendo plenamente possível que a responsabilidade pela manutenção e fornecimento de peças inerentes ao bem afretado seja atribuída a uma ou outra parte, dependendo da fase em que se encontra o bem o objeto do contrato; houve incompreensão, pelo autuante, dos limites das obrigações e responsabilidades assumidas pelas partes contratantes; conforme se observa do item 4.3 da Seção I do Anexo C do Contrato de Afretamento (transcrito pelo autuante em seu Termo de Constatação, à fl. 2217), a obrigação de reparar um equipamento é atribuída à Seadrill AS quando o defeito for identificado por ocasião da “Inspeção de Aceitação" que deverá ser realizada pela ESSO antes de receber a posse da West Polaris, mas depois desse marco qualquer outra atividade de reparo ou manutenção da unidade de perfuração deverá ser realizada pela Impugnante, conforme as especificações constantes do Contrato de Serviços, pelo que os custos e despesas inadvertidamente glosados em bloco pelo autuante são Fl. 2679DF CARF MF Processo nº 12448.727644/201211 Acórdão n.º 3302003.726 S3C3T2 Fl. 5 7 necessários e indispensáveis à manutenção da fonte produtora e ao cumprimento das obrigações assumidas pela Impugnante; como a Impugnante assume a posição de importadora, operadora e responsável pela manutenção da West Polaris, não há dúvida que cabe a ela, para manutenção da sua fonte produtora, viabilizar tais importações e demais despesas relacionadas à operação e à manutenção do West Polaris; além do mais, na relação dos itens importados objeto de glosa pelo autuante há vários deles que nem sequer se referem à sonda afretada, valendo ser lembrado que o afretamento celebrado entre a Seadrill AS e a ESSO era da modalidade “casco nu", que nada mais é do que mera locação de equipamento (relaciona na fls. 2332/2335 os itens, ao lado da DI e de uma coluna onde informa sua aplicabilidade nos serviços executados pela Impugnante); todas as notas fiscais e demais documentos de importação foram emitidos contra a própria Impugnante, fato esse que, salvo prova em contrário do autuante que reputa inexistente na espécie corrobora serem despesas e custos da própria Impugnante; (...) o autuante não detalhou, ainda que superficialmente, por que os materiais não seriam condizentes, essenciais e relacionados com os serviços executados pela Impugnante; sendo a importação ônus contratual da própria Impugnante, decerto que as despesas incorridas com despachantes aduaneiros, consultorias, licenças, registros, mão de obra, EPI e fretes, por exemplo, são evidentemente despesas essenciais e relacionadas às obrigações contratuais assumidas pela Impugnante e, como tal, representam típico insumo para fins de crédito do PIS e da COFINS; embora o autuante admita como seria de rigor que os "gastos com as licenças e o desembaraço possam ser suportados pelo Contribuinte", olvidouse de excluir essas despesas das glosas que realizou, fato este que bem demonstra a falta de critério e de zelo quando da confecção das autuações ora impugnadas; as despesas contabilizadas na conta “Serviços Prestados na Plataforma” não significam, tal como aparenta entender o autuante, despesas com a manutenção da própria sonda. Essas despesas são, em realidade, custos com o serviço de operação da sonda. O mesmo se diga com as despesas com a MS Logistics Aduaneira Ltda, cujos serviços prestados se relacionam ao despacho aduaneiro dos materiais importados, cuja obrigação de trazêlos ao Brasil, tal como já se demonstrou, era da própria Impugnante, assim como os custos com frete e transporte dos itens importados e as despesas com a Consultoria Naval e Offshore Ltda., National Oilwell, dentre tantas outras; Fl. 2680DF CARF MF 8 as sondas West Taurus e West Eminence já se encontravam em fase de mobilização quando ais (sic) despesas foram incorridas, pelo que são da Impugnante; o termo insumo, na nãocumulatividade do PIS e Cofins, representa o conjunto de bens e serviços essenciais e indispensáveis que serão utilizados direta ou indiretamente na prestação de um serviço ou produção de um bem, cabendo retirálo da legislação do Imposto sobre a Renda (menciona o arts. 290 e 299 DO RIR/99), haja vista a similitude entre as materialidades desses três tributos (receita x renda), mencionando em prol da sua interpretação jurisprudência do CARF (menciona o Acórdão nº 320200.226 e transcreve parte do voto do relator) e julgamento em andamento no STJ (REsp nº 1.246.317/MG) corroboram sua interpretação; Após a apresentação da impugnação, houve um despacho para a realização de uma diligência, fls. 2383/2394, colacionamse trechos importantes abaixo, in verbis: Não localizei neste processo dos Autos de Infração do PIS e Cofins os comprovantes de pagamentos referidos na Impugnação (“docs 03 e 04”). Todavia, verifiquei que no processo nº 12448.727645/201265, com os Autos de Infração do IRPJ e da CSLL (destaco que a peça impugnatória é única para os quatro lançamentos) constam dois “Comprovantes de Arrecadação” emitidos em 02/07/2012, ambos com o período de apuração 30/11/2008 e data de recolhimentos 24/12/2008, sendo um do PIS nãocumulativo, código da receita 6912 e valor R$ 170.450,83, e outro da Cofins nãocumulativa, código 5856 e valor R$ 785.106,72 (fls. 2360/2361 daquele processo). Assim, tem consistência a alegação posta na peça impugnatória, no sentido de que “sobre o valor da base de cálculo apurada pela Impugnante para outubro de 2008 R$ 6.712.325,91, esta realizou o pagamento do PIS e da COFINS devidos, conforme comprovam os documentos anexos (does. (sic) 03 e 04)”. (...) Não diz quais pagamentos teriam sido esses, apenas dando a entender que também haveria recolhimentos para os outros dois meses autuados (junto com a Impugnação foram juntados somente os dois Comprovantes de Arrecadação relativos a novembro de 2008), mas de todo tais recolhimentos, assim como as respectivas bases de cálculo adotadas pela Contribuinte ao efetuálos, precisam ser averiguados. Destaco que a infração 1, segundo a autuação, contempla “Valor apurado com base em Receita de Serviços, reconhecida de forma incorreta pela Contribuinte” (negritei), mas não esclarece se, ao computar em outubro receita das NFS emitidas em dezembro, excluiu da receita de dezembro algum valor declarado pela Contribuinte. Ao que tudo indica devia ter feito o ajuste, já que o Termo de Constatação de Infração Fiscal informa não ter havido alteração no total das receitas do ano, como se vê acima. Fl. 2681DF CARF MF Processo nº 12448.727644/201211 Acórdão n.º 3302003.726 S3C3T2 Fl. 6 9 Tudo leva a crer que possa mesmo ter havido algum erro na apuração da infração 1, especialmente porque ela decorre, segundo a autuação, de erros na adoção do regime de competência. Ou então a fiscalização entendeu que não precisa considerar os recolhimentos efetuados, entendimento que não me parece justificado nos Autos de Infração. Daí ser necessário esclarecer se a base cálculo adotada pela Contribuinte (ou o montante com base nos quais foram calculados os débitos das duas Contribuições, já que na infração 1 não há questionamentos acerca dos créditos) foi novamente considerada computada na autuação (em duplicidade, seria o caso). Teria o montante de R$ 6.712.325,91, tributadas segundo a autuação no período de apuração outubro de 2008, sido antes considerado pela Contribuinte ao efetuar os dois recolhimentos relativos ao período novembro de 2008? Se sim, penso que os valores autuados de PIS e Cofins, em novembro de 2008, devem ser modificados de modo a refletir os pagamentos efetuados (não haveria, então, saldo devedor, tampouco valores devidos de PIS e Cofins, porque nas autuações foi considerada base de cálculo menor, igual RS 6.090.969,74). Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem, se necessário intimando novamente a Contribuinte antes de se produzir o relatório conclusivo desta diligência: primeiro, confirme os recolhimentos a que se referem os dois Comprovantes de Arrecadação relativos ao período de apuração novembro de 2008 (às fls. 2360/2361 do processo nº 12448.727645/201265), verificando se continuam disponíveis ou foram alocados para o PIS e Cofins desse mês; segundo, verifique se há outros recolhimentos referentes aos períodos outubro e dezembro de 2008 e, em caso positivo, calcule as respectivas bases de cálculo; e terceiro, esclareça se nas bases de cálculo dos três períodos de apuração da infração 1 os montantes antes computados pela Contribuinte ao efetuar os recolhimentos foram considerados pela fiscalização, efetuando, caso considere necessárias, as modificações nos Autos de Infração do PIS e Cofins; e quarto, elabore demonstrativos contemplando as bases de cálculo dos períodos de apuração outubro, novembro e dezembro de 2008, os ajustes necessários nos lançamentos, caso alterados, os saldos das Contribuições a pagar ou a recolher e outros dados que considerar pertinentes. Do resultado da diligência, fls. 2480/2482, extraemse trechos do Relatório de Diligência Fiscal, in verbis: “primeiro, confirme os recolhimentos a que se referem os dois Comprovantes de Arrecadação relativos ao período de apuração novembro de 2008 (às fls. 2360/2361 do processo nº Fl. 2682DF CARF MF 10 12448.727645/201265), verificando se continuam disponíveis ou foram alocados para o PIS e Cofins desse mês;” 1 A DCTF 100.2008.2009.2030374492 original apresentada pelo Contribuinte permanece ativa com a vinculação de pagamentos de R$ 170.450,83 e de R$ 785.106,72 a título de PIS e COFINS relacionados ao período de apuração de 30/11/2008 (pág. 16 e 17 da DCTF); “segundo, verifique se há outros recolhimentos referentes aos períodos outubro e dezembro de 2008 e, em caso positivo, calcule as respectivas bases de cálculo;” 2 Não há recolhimentos nem débitos declarados (a pagar) para o PIS e COFINS relacionados aos períodos de outubro e dezembro de 2008; “terceiro, esclareça se nas bases de cálculo dos três períodos de apuração da infração 1 os montantes antes computados pela Contribuinte ao efetuar os recolhimentos foram considerados pela fiscalização, efetuando,caso considere necessárias, as modificações nos Autos de Infração do PIS e Cofins;” 3 O Contribuinte declarou as receitas de 2008 como constam das DACON de outubro/novembro/dezembro: Outubro 0,00 Novembro 15.982.649,37 Dezembro 6.712.325,91 “e quarto, elabore demonstrativos contemplando as bases de cálculo dos períodos de apuração outubro, novembro e dezembro de 2008, os ajustes necessários nos lançamentos, caso alterados, os saldos das Contribuções a pagar ou a recolher e outros dadosque considerar pertinentes.” 4 A apuração efetivada pela fiscalização alocou as receitas de 2008 em acordo com o regime de competência e deduziu os créditos válidos (considerando as glosas) e os recolhimentos encontrados: (...) Em resposta à diligência, a Recorrente manifestouse, fls. 2488/2494, esclarecendo que em relação ao primeiro quesito a resposta foi afirmativa. Em relação ao segundo quesito, contesta a alegação do auditor, demonstrando, no seu entender, que houve pagamento das contribuições em apreço nos meses de outubro e dezembro de 2008. Quanto ao terceiro quesito, afirma que ele não foi respondido pelo auditor, assim como em relação ao quarto. Sobreveio, então, o julgamento da DRJ/Recife, cuja ementa é colacionada abaixo: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 Fl. 2683DF CARF MF Processo nº 12448.727644/201211 Acórdão n.º 3302003.726 S3C3T2 Fl. 7 11 REGIME DE COMPETÊNCIA. TRIBUTAÇÃO DA RECEITA NO MÊS DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS E NÃO NO DA EMISSÃO DO DOCUMENTO FISCAL. A receita auferida, base de cálculo do PIS e Cofins, é tributada no mês da prestação de serviços, e não no da emissão da nota fiscal ou escrituração fiscal e contábil. NÃOCUMULATIVIDADE. SERVIÇOS RECEBIDOS DISSOCIADOS DOS SERVIÇOS PRESTADOS. INSUMOS NÃO CARACTERIZADOS. CRÉDITOS NÃO ADMITIDOS. A nãocumulatividade do PIS e Cofins exige que cada insumo, bem ou serviço relacionado a algum produto ou serviço final que originou a receita tributada. NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS NÃO COMPROVADOS. CRÉDITOS NÃO ADMITIDOS. Os gastos que geram créditos do PIS e Cofins precisam ser comprovados documentalmente pelo contribuinte. NÃOCUMULATIVIDADE. IMPORTAÇÃO DISSOCIADA DOS SERVIÇOS PRESTADOS. CRÉDITOS NÃO ADMITIDOS. Somente importações do próprio contribuinte, e desde que relacionadas com os serviços prestados, é que dão direito à apropriação dos créditos de PIS e Cofins. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 REGIME DE COMPETÊNCIA. TRIBUTAÇÃO DA RECEITA NO MÊS DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS E NÃO NO DA EMISSÃO DO DOCUMENTO FISCAL. A receita auferida, base de cálculo do PIS e Cofins, é tributada no mês da prestação de serviços, e não no da emissão da nota fiscal ou escrituração fiscal e contábil. NÃOCUMULATIVIDADE. SERVIÇOS RECEBIDOS DISSOCIADOS DOS SERVIÇOS PRESTADOS. INSUMOS NÃO CARACTERIZADOS. CRÉDITOS NÃO ADMITIDOS. A nãocumulatividade do PIS e Cofins exige que cada insumo, bem ou serviço relacionado a algum produto ou serviço final que originou a receita tributada. NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS NÃO COMPROVADOS. CRÉDITOS NÃO ADMITIDOS. Os gastos que geram créditos do PIS e Cofins precisam ser comprovados documentalmente pelo contribuinte. NÃOCUMULATIVIDADE. IMPORTAÇÃO DISSOCIADA DOS SERVIÇOS PRESTADOS. CRÉDITOS NÃO ADMITIDOS. Fl. 2684DF CARF MF 12 Somente importações do próprio contribuinte, e desde que relacionadas com os serviços prestados, é que dão direito à apropriação dos créditos de PIS e Cofins. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 AUTOS DE INFRAÇÃO CONTENDO IDENTIFICAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTADA E ENQUADRAMENTO LEGAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO. REJEIÇÃO DA NULIDADE ARGUIDA. Não caracterizam a preterição do direito de defesa, a suscitar a nulidade dos lançamentos, autos de infração que atendem ao disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, identificam a matéria tributada e contêm os enquadramentos legais correlatos, demonstrando com clareza as exigências. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. SOLICITAÇÃO INDEFERIDA. A perícia é reservada à análise técnica dos fatos, não cabendo realizála quando as informações contidas nos autos são suficientes ao convencimento do julgador e a solução do litígio dela independe. A contribuinte irresignada apresentou Recurso Voluntário, fls. 2599/2665, onde repisou a argumentação, apresentada em fase impugnatória. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 19 de março de 2015, fls. 2597, e o recurso foi protocolado em 02 de abril de 2015. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Preliminares 2.1. A ausência de diligência para apuração da regularidade e validade da origem dos créditos do PIS e da COFINS apropriados pela Recorrente A Recorrente alega que a decisão recorrida, ao justificar o indeferimento da totalidade dos pertinentes quesitos formulados por ela, distanciouse da busca da verdade material, que rege o processo administrativo fiscal, colacionando doutrina e precedente deste Egrégio Tribunal Administrativo, que embasa a sua fundamentação. Fl. 2685DF CARF MF Processo nº 12448.727644/201211 Acórdão n.º 3302003.726 S3C3T2 Fl. 8 13 Ademais, mostrase irresignada em relação ao indeferimento do pedido de perícia no que se refere às glosas dos "custos com importações". E aduz, trecho in verbis, fls. 2609: Neste sentido, é válido destacar que o pedido de perícia formulado pela Recorrente para corroborar a pertinência das despesas incorridas com as embarcações West Taurus e West Eminence nem sequer foi analisado pela decisão recorrida, demonstrando, por si só, flagrante preterição do direito de defesa da Recorrente. Do acórdão da DRJ/Recife, extraise trecho que analisa pedido similar na impugnação em relação à busca da verdade material, fls. 2579: Quanto à preliminar de nulidade dos Autos de Infração, por suposta afronta à verdade material e erro na apuração da base de cálculo das duas Contribuições, não merece acolhida. As autuações não se basearam em presunção, como argúi a contribuinte, mas na análise detalhada de 8 (oito) Notas Fiscais de Serviço (NFS) emitidas no último trimestre de 2008, todas tendo como destinatária a empresa a ESSO Exploração Santos Brasileira LTDA, da efetiva prestação dos serviços, observando se o aspecto temporal, e das despesas e custos nela incorridos. O Termo de Constatação de Infração Fiscal que integra os lançamentos do PIS e Cofins, objeto do presente, bem como os de IRPJ e CSSL, estes integrando o processo nº 12448.727645/201265, é bastante detalhado. Tanto assim que trata, uma a uma, das referidas NFS, ao descrever e justificar a infração 1, e em seguida cuida com o mesmo nível de detalhes das glosas que caracterizaram as infrações 2 e 3, referindose a diversas Notas Fiscais dos fornecedores da autuada e às contas analisadas. Tanto os valores de PIS e Cofins (saldos devedores) lançados no mês de outubro de 2008 quanto as glosas dos créditos nos meses de novembro e dezembro do mesmo ano foram apuradas levandose em conta o contrato n° A2114995, firmado com a ESSO Exploração Santos Brasileira LTDA e origem das receitas no ano de 2008. A fiscalização, atenta à verdade material, depois de receber da contribuinte a memória de cálculo para a apuração do PIS e Cofins, apurou os valores de débitos e créditos do PIS e Cofins e discriminou todas as glosas encontradas, separandoas entre as aquisições no mercado interno (infração 2) e as de importação (infração 3). Longe de afastarse da verdade material, valerse apenas da leitura dos contratos firmados com a ESSO Exploração Santos Brasileira LTDA, como erroneamente afirma a Impugnante, a fiscalização elaborou um trabalho detalhado e comprovou as infrações, cujos valores devem ser mantidos como demonstrado adiante, na análise do mérito. A motivação assentada no Termo de Constatação de Infração Fiscal nada contempla de ilegal e não implicou em qualquer ofensa à defesa do contribuinte. Fl. 2686DF CARF MF 14 Os dois Autos de Infração, além do mais, atendem plenamente ao disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235/72. Foram lavrados por servidor competente, possuem todos os elementos exigidos, identificam a matéria tributada e contêm o enquadramento legal correlato. Quando a DRJ deixa claro que "ao descrever e justificar a infração 1, e em seguida cuida com o mesmo nível de detalhes das glosas que caracterizaram as infrações 2 e 3, referindose a diversas Notas Fiscais dos fornecedores da autuada e às contas analisadas.", ela está analisando, ainda que de forma indireta, a questão da West Taurus e West Eminence que estão embutidas na infração de número 2, não procedendo, portanto, a alegação da Recorrente de nulidade da decisão. Ademais, houve análise da documentação durante a fiscalização, fornecida pela própria Recorrente, sendo que foram realizadas uma série de intimações fiscais, não procedendo a alegação de que não foi apurada a verdade material no caso em análise. Em relação ao deferimento da perícia, este não se mostra obrigatório em todos os casos que são pleiteados pelos contribuintes. Importante analisar o que a legislação prevê em relação à perícia: Decreto nº 70.235/1972 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. O acórdão da DRJ/Recife deixou fundamentando o porquê do indeferimento do pedido de perícia, fls. 2579/2580: Também rejeito a perícia, requerida no final do tópico “Os Custos com Importações” para responder aos seguintes quesitos (transcrevo da Impugnação, às fls. 2336 e 2343): (...) Todos os quesitos parecem relacionados com a infração 3, referente à glosa nas importações. De todo modo, dos quatro quesitos acima os dois últimos tratam de questões sobre as quais a fiscalização não levantou dúvidas, já que as autuações não se basearam na circunstância de que custos e despesas não teriam sido emitidos contra a Impugnante ou teriam deixado de ser contabilizados. Quanto aos dois primeiros quesitos, que tratam da utilidade dos materiais, suas respostas não importam à solução do litígio porque a infração 3 foi fundamentada na ausência de importação por parte da Impugnante. Segundo afirma a fiscalização no item 40 do Termo de Constatação de Infração Fiscal, “O Contribuinte não adquiriu nenhuma das partes, peças, suprimentos, etc. importadas, todas as importações chegaram sem cobertura cambial, com fretes e seguros pagos.” (...) Fl. 2687DF CARF MF Processo nº 12448.727644/201211 Acórdão n.º 3302003.726 S3C3T2 Fl. 9 15 Como se sabe, perícia é reservada à análise técnica dos fatos e descabe realizála quando as informações contidas nos autos são suficientes ao convencimento do julgador e a solução do litígio dela independe. É o que acontece no presente processo, à vista do exposto acima. Portanto, acertada a decisão da DRJ/Recife, sendo desnecessária a perícia no caso em análise. Houve um cuidado pelo julgador de primeira instância, pois, antes mesmo de proferir a decisão, converteu o feito em diligência, conforme demonstrado no transcorrer do relatório, a fim de buscar a verdade material e esclarecer os fatos em questão. Rejeitase, portanto, a preliminar arguida de nulidade por ausência de diligência e perícia. 2.2. Preterição do direito de defesa A Recorrente alega preterição do direito de defesa, pois, ao seu modo de ver, a decisão recorrida ao indeferir ou deixar de analisar sem a devida fundamentação os pedidos de diligência, formulados pela Recorrente, causou verdadeira preterição do direito de defesa da Recorrente. Mais uma vez, alega a questão das glosas e das despesas nas embarcações West Taurus e West Eminence, repetindo, praticamente, os argumentos do item da ausência de diligência para apuração da regularidade e validade da origem dos créditos do PIS e da COFINS apropriados pela Recorrente, incorrendo em tautologia. Conforme demonstrado no item acima, não houve falta de fundamentação nos pedidos de diligência, sendo que, inclusive, houve conversão do feito em diligência, antes do acórdão da DRJ/Recife, para verificar alguns pontos controvertidos da lide. Há precedente deste Egrégio Tribunal Administrativo, que demonstra que o indeferimento da perícia não acarreta, automaticamente, preterição do direito de defesa: PAF NORMAS PROCESSUAIS NULIDADE INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE PERÍCIA A realização da perícia não constitui direito subjetivo do autuado, podendo o julgador, considerandoa prescindível, indeferila, desde que motive sua decisão. Rejeitada a preliminar de nulidade. NULIDADE CERCEAMENTO DE DEFESA Não caracterizada preterição do direito de defesa por ausência de apreciação dos argumentos do impugnante, rejeitase a preliminar de nulidade da decisão. IRPJ ARBITRAMENTO DO LUCRO Se o contribuinte, optante pela tributação com base no lucro presumido, não escritura o livro caixa e sua escrituração contábil não satisfaz as condições exigidas pela legislação, legítimo o arbitramento do lucro. COEFICIENTES DE ARBITRAMENTO A Câmara Superior de Recursos Fiscais uniformizou a jurisprudência no sentido de que é incabível o agravamento do percentual de arbitramento do lucro na hipótese de arbitramento em períodos sucessivos, quer pela aplicação da Portaria MF 22/79, quer pela Portaria MF 524/93. IRRF A presunção legal de distribuição do lucro arbitrado é absoluta, não admitindo, sequer, prova em contrário. Recurso voluntário a que se dá provimento parcial. (Primeiro Conselho de Contribuintes; 1ª Câmara; Turma Ordinária; Acórdão 10194073; Data: 29.01.2003) Fl. 2688DF CARF MF 16 No caso em análise, o julgador da primeira instância fundamentou o porquê do indeferimento do pedido de perícia, conforme demonstrado no tópico anterior, motivo pelo qual se afasta a presente preliminar de nulidade, arguida pela Recorrente. 3. Do mérito 3.1. Infração 1 o reconhecimento das receitas e a irregularidade da base de cálculo apurada para a cobrança do PIS e da COFINS Alega a Recorrente que o recolhimento postergado de estimativas durante o 4° trimestre de 2008 não trouxe qualquer prejuízo ao Erário em decorrência, por exemplo, do reconhecimento de receitas de outubro de 2008 em dezembro do mesmo ano. E afirma que a decisão recorrida entendeu que em virtude da simples postergação no reconhecimento de receitas e, consequentemente, dos valores devidamente recolhidos por estimativa no 4º trimestre de 2008, em que pese repitase ao final do exercício não ter havido qualquer falta ou insuficiência no recolhimento dos demais tributos devidos no referido exercício, teria a Recorrente descumprido as regras do regime de competência aplicadas às contribuições em questão, acarretando o não reconhecimento das receitas (e, consequentemente, dos respectivos recolhimentos dos tributos incidentes), contabilizadas, posteriormente, ao período de medição dos serviços prestados. A decisão da DRJ/Recife não se pautou tão somente no não cumprimento do regime de competência por parte da Recorrente, mas também pela insuficiência no recolhimento das contribuições em apreço, que foram, inclusive, confirmadas no resultado da diligência. Vejase trecho da decisão, fls. 2580/2581: Na infração 1 a fiscalização apurou insuficiência de recolhimentos porque tributou a receita levando em conta o mês em que houve a prestação de serviços, e não a data de emissão das 7 (sete) Notas Fiscais de Serviços (NFS) que têm como destinatária a ESSO Exploração Santos Brasileira LTDA e possuem os números de 001 a 003 e de 005 a 008 (como já informado, a de nº 004 foi cancelada). (...) O resultado da diligência evidenciou que os únicos recolhimentos de PIS e Cofins são os referentes ao período de apuração novembro de 2008, os quais foram devidamente computados pela fiscalização, como já visto no início deste voto. Da análise da DCTF, fls. 2400/2477, observase que somente houve recolhimento no que se refere aos meses de novembro de 2008, no valor de R$ 170.450,83 referente à contribuição para o PIS/Pasep e R$ 785.106,72 referente à COFINS, exatamente, como demonstrou o resultado da diligência, fls. 2480. Os DARFs demonstrados no corpo do Recurso Voluntário, fls. 2621, são exatamente os valores referenciados. Portanto, a argumentação de que somente houve postergação no pagamento é improcedente. Ultrapassada a referida questão, retirase do Termo de Constatação Fiscal, o tema atinente ao regime de competência, fls. 2199 a 2202: 15 O Contribuinte optou pela tributação com base no Lucro Real, estando sujeito ao regime de competência, tendo oferecido o seguinte quadro para a apuração do lucro tributável, conforme constante de seus balancetes, do LALUR e da DIPJ: Fl. 2689DF CARF MF Processo nº 12448.727644/201211 Acórdão n.º 3302003.726 S3C3T2 Fl. 10 17 (...) 17 Em se tratando do regime de competência para o reconhecimento das receitas podemos notar que o Contribuinte não observou a origem exata das receitas, haja vista que a constatação da descrição das notas fiscais e das medições dos serviços apresentadas indicam uma distribuição diversa das mesmas: a) em outubro temos receitas de serviços de RS 22.694.975,28, resultado da NFS 001 de R$ 15.982.649.37 (mobilização conforme contrato), com emissão em 21/11 e contabilizada em novembro, relacionada ao relatório de medição de outubro; da NFS 002 de R$ 6.594.657.01 (medição de 13 de outubro a 31 de outubro) com emissão em 01/12 e contabilizada em dezembro com reversão da provisão contabilizada em outubro; e da NFS 003 de R$ 117.668,90 (medição conforme contrato de 1 a 31 de outubro) com emissão em 01/12 e contabilizada em dezembro com reversão da provisão contabilizada em outubro. Importante salientar que a mobilização é o primeiro ato da prestação do serviço contratado, quer no contrato de afretamento quer no de serviços, representando a colocação de pessoal e da sonda no local da perfuração, se coadunando com a medição apresentada e com respaldo na 1a NFS emitida, a despeito de não descriminar o período; b) em novembro temos receitas de serviços de R$ 6.090.969,74, resultado das NFS 005 e 006, ambas com descrição dos serviços de 01 a 30 de novembro, relacionadas a relatórios de medições idem, emitidas em 09/01 e 23/01/2009 e contabilizadas em dezembro com valores discretamente diferentes, sendo que a 005 está com histórico de PROVISÃO PROFORMA INVOICE e a 006 faz par com uma reversão de novembro; c) em dezembro temos receitas de R$ 4.390.623,68, resultado das NFS 007 e 008, ambas com descrição dos serviços de 1 a 31 de dezembro, relacionadas a relatórios de medições idem, emitidas em 02/02/2009. contabilizadas em dezembro também com valores discretamente diferentes; (...) 21 O Contribuinte ainda vem a cometer equívocos quanto ao reconhecimento das receitas em relação ao PIS e a COFINS, nesse caso nem mesmo considerando o quadro exposto no item 15 retro, afrontando a regra geral que é o regime de competência, onde serão computados as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda, não se encaixando em nenhuma das exceções que permitiriam diferente. Cabe lembrar que o cliente ESSO é uma pessoa jurídica de direito privado. De acordo com o Termo de Constatação Fiscal, a Recorrente não se encaixa nas exceções ao regime de competência, pois sua base de tratativas é com a ESSO, pessoa jurídica de direito privado. Fl. 2690DF CARF MF 18 O acórdão da DRJ/Recife foi claro quanto à atuação da fiscalização no que concerne ao regime de competência, fls. 2581: Quanto ao regime de tributação do PIS e Cofins, indubitavelmente considera o mês da prestação de serviços, e não o da emissão dos documentos fiscais ou da escrituração fiscal e contábil. A receita auferida, base de cálculo das duas Contribuições, é tributada segundo o regime de competência, que leva em conta o mês em que são prestados os serviços ou são vendidas as mercadorias, e não aquele em que emitida a nota fiscal. Por isso as receitas representadas pelas sete NFS são tributadas tendose em vista as medições dos serviços prestados, tal como explicitado no item 17 do Termo de Constatação de Infração Fiscal. As datas (ou meses) da prestação de serviços não são contestadas na Impugnação, não havendo dúvidas neste ponto especialmente porque nas referidas NFS há informações quanto às medições (ver fls. 180/187). Apenas na NFS nº 001, onde consta a expressão “MOBILIZAÇÃO CONFORME CONTRATO A2114995”, não há menção à medição. As seguintes contêm anotações que informam com precisão os períodos de medição, sendo que as de nºs 002 e 003 já se referem à prestação dos serviços em outubro de 2008 (respectivamente, de 13 a 30 de outubro de 2008 e de 1 a 30 de outubro de 2008). Como todas as sete NFS em questão foram emitidas pela Impugnante tendo como cliente a Esso Exploração Santos Brasileira LTDA, descabe cogitar da exceção ao regime de competência que vigora nos contratos de construção por empreitada ou de fornecimento a preço predeterminado de bens ou serviços, contratados por pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, hipótese em que o pagamento do PIS e Cofins pode ser diferido, pelo contratado ou subcontratado, até a data do recebimento do preço. Esse diferimento, autorizado pelo art. 7º da Lei nº 9.718, de 1998, e aplicável nos contratos com a Petrobrás, por exemplo, não é adotado na situação destes autos porque todas as 7 NFS se referem a contrato com a empresa privada Esso Exploração Santos Brasileira LTDA (durante a ação fiscal a autuada alegou que o diferimento seria prática comum no setor onde atua, mas não justificou devidamente o erro por ela cometido). Da análise das notas fiscais, fls. 180/188, percebese que todas são referentes a contratos com a Esso Exploração Santos Brasileira Ltda., sendo que não se enquadra nas exceções para o diferimento. Portanto, mantémse a receita reconhecida pelo Termo de Constatação Fiscal de R$ 33.176.568,70, para apuração das contribuições para o PIS/Pasep e da COFINS. 3.2. Infração 2 as glosas parciais referentes aos meses de novembro e dezembro de 2008 A Recorrente inicia sua argumentação, analisando o regime da não cumulatividade na contribuição para o PIS/Pasep e na COFINS. Fl. 2691DF CARF MF Processo nº 12448.727644/201211 Acórdão n.º 3302003.726 S3C3T2 Fl. 11 19 Para melhor compreensão das glosas realizadas nos meses de novembro de dezembro de 2008, importante transcrever trechos do Termo de Constatação Fiscal, fls. 2215 e seguintes: 32 No Anexo "C" desse Contrato de Afretamento, anexo que vem a ser uma matriz de responsabilidades, se confirma que a obrigação do fornecimento de equipamentos e peças da Unidade de Perfuração é, via de regra, da Proprietária da Sonda e, em alguns casos, da Contratante ESSO, nunca da Parte Interveniente SEADRILL LTDA, ora fiscalizada, cujo Anexo "C" do contrato de serviços se mostra bem diferente desse, apesar de redundâncias, (até com mais obrigações da ESSO); (...) 40 O Contribuinte não adquiriu nenhuma das partes, peças, suprimentos, etc. importadas, todas as importações chegaram sem cobertura cambial, com fretes e seguros pagos. A única operação com o exterior se deu com um contrato de mútuo em moeda estrangeira com o controlador SEADRILL OFFSHORE AS. Proprietária da Sonda; (...) 45 Em atenção ao item 7 do TIF n° 0005 o Contribuinte, em 15/05/2012, apresentou resposta informando que "no ano de 2008 as sondas Eminence e West Taurus ainda não haviam entrado em operação.", acrescentando a existência de um custo em valor íntimo relacionado a apenas parte de uma única nota fiscal; 43 (sic) Examinados os documentos de suporte aos lançamentos nas contas 3.1.03.01.08 SERVIÇOS PRESTADOS NA PLATAFORMA e 3.2.06.09 SERV PRESTADOS P JURÍDICAS, constatamos a ocorrência de diversas notas fiscais relacionadas às plataformas ainda não operantes WEST TAURUS e WEST EMINENCE. nos valores de RS 4.388.565,94 e RS 2.777.722,57, respectivamente às contas; 44 Tais plataformas não estavam em operação em 2008 não estando, portanto, a serviço da ESSO: 45 Os valores lançados na conta 3.1.03.01.08 foram considerados pelo Contribuinte como custos e levados integralmente à conta de RESULTADO. Os da conta 3.2.06.09 foram considerados despesas operacionais e, da mesma forma, integralmente apropriados ao RESULTADO; 46 De toda forma, tais GASTOS, desatrelados de quaisquer receitas de serviços, não podem ser considerados deduções da receita de serviços desvinculada (ESSO), para fins de apuração dos impostos, representando, portanto, mais uma infração; (...) Fl. 2692DF CARF MF 20 50 Os créditos de PIS e COFINS apropriados no DACON, nas Fichas 06A e 16A. Aquisições no Mercado Interno, consideraram como insumos Bens e Serviços, em novembro, no valor de RS 1.238.851.46 que proporcionariam R$ 20.441.05 a descontar de PIS e R$ 94.152,71 de COFINS; (...) 52 Na primeira linha da planilha consta uma base de R$ 442.108,50, onde estão incluídas as NFS de Five Star de n° 813 R$ 230.270.50 e de nº 182 de R$ 5.095,65, ambas vinculadas à conta 3.1.03.01.08 SERVIÇOS PRESTADOS NA PLATAFORMA, uma relacionada a serviços na plataforma West Eminence e outra na West Taurus. que já vimos serem gastos não relacionados às receitas em questão, não podendo servir para essa apuração de créditos; 53 Nas linhas seguintes, a totalizar um valor de R$ 796.742.96 que com o primeiro, compõe o total de R$ 1.238.851,46, encontramos oito lançamentos (conta 3.1.03.01.08) relacionados às Notas Fiscais 038244, 038243, 38472, 38242, 038293, 038292, 038291 e 38384 de MS LOGÍSTICA ADUANEIRA referentes a honorários pelo desembaraço das Declarações de Importações, que também já vimos serem gastos com origem no Contrato de Afretamento que. embora possam ser suportados pelo Contribuinte, não representam insumos para os serviços prestados. O total das notas é de RS 21.240,98; 54 Por fim, os penúltimos lançamentos, estão relacionados às contas 3.1.03.01.15 CUSTO COM FRETES e 3.1.03.01.11 CUSTO COM TRANSPORTE, nos valores de R$ 3.156.60. R$ 4,710,56 e R$ 6.709.74, representando deslocamentos dos materiais importados de ponto a ponto, o que, além de serem responsabilidade da Proprietária da Sonda conforme contrato, não representam insumos para a prestação dos serviços: 55 Assim, em novembro, os bens e insumos que permitiriam a apropriação de créditos, resultariam de R$ 1.238.851,46 menos RS 271.184,03 (230.270.50 + 5.095,65 + 21.240,98 + 3.156,60 + 4.710,56 + 6.709,74) = RS 967.667,43. que proporcionariam RS 15.966,51 de PIS a descontar e RS 73.542,72 da COFINS a descontar, e não os valores que o Contribuinte assumiu conforme item 50 retro, representando glosas de R$ 4.474,54 c RS 20.609,99. respectivamente; 56 No mesmo sentido, os créditos de PIS e COFINS apropriados no DACON, nas Fichas 06A e I6A, Aquisições no Mercado Interno, consideraram como insumos Bens e Serviços, em dezembro, no valor de R$ 10.013.814,70 que proporcionariam RS 165.227.94 a descontar de PIS e RS 761.049,92 de COFINS; 57 Na memória de cálculo apresentada na mesma resposta de 16/03/2011, nas primeiras planilhas com R$ 874.641,36, não podem ser aproveitadas as NFS de nº 174, 175 e 176 de Consultoria Naval e Offshore Ltda. R$ 107.116.80. R$ 41.042,40 e RS 53.558.40, totalizando R$ 201.717.60, porque vinculadas à plataforma WEST TAURUS e NFS 185 de CDS Consultoria, R$ Fl. 2693DF CARF MF Processo nº 12448.727644/201211 Acórdão n.º 3302003.726 S3C3T2 Fl. 12 21 214.233,60, vinculada a WEST EMINENCE, todas da conta 3.1.03.01.08 como já visto, resultando em RS 415.951,20; 58 Na planilha seguinte com R$ 855.849.88, não podem ser aproveitadas NFS 124 de Inlet Ambiental R$ 11.700,00 (West Taurus 3.1.03.01.08), todas de MS Logistic RS 390.901.10 (3.1.03.01.08), NF 154 National Oilwell R$ 379.108,39 (3.1.03.01.08 05/12), não localizada na conta, nem nos documento a ela pertinentes apresentados, Star Visas NF 1914 R$ 13.500,00 (West Eminence 3.1.03.01.08), Fretes R$ 27.146,88 (3.1.03.01.15) e Unitor Ships NF 5639 R$4.744.00 (3.2.03.03) não localizada na conta, sendo utilizada na planilha seguinte na conta 3.1.03.01.16. O total não aproveitado é de RS 827.100,37; 59 Na outra planilha com total de R$ 3.543,844,08. não podem ser aproveitadas as NFS de Five Star n° 170, 802, 816, 827, 828, 848, 851, 862 e 861, porque vinculadas às plataformas WEST TAURUS e WEST EMINENCE (3.1.03.01.08). num total de R$ 2.274.752,35: 60 Na última planilha com R$ 4.332.957,13, não podem ser aproveitadas as NFS de Five Star n° 890, 891 (WE e WT), 889, 895 e 892, porque vinculadas às plataformas WEST TAURUS e WEST EMINENCE (3.1.03.01.08), num total de R$ 1.428.522,26; 61 Assim, em dezembro, os bens e insumos que permitiriam a apropriação de créditos, resultariam de R$ 10.013.814,70 menos R$ 4.946.326,18 (415.951.20 + 827.100,37 + 2.274.752.35 + 1.428.522.26) = RS 5.067.488.52. que proporcionariam R$ 83.613,56 de PIS a descontar e R$ 385.129,13 de COF1NS a descontar, e não os valores que o Contribuinte assumiu conforme item 56 retro, representando glosas de R$ 81.614,38 e R$ 375.920,79. respectivamente; A Recorrente alega que não é o fato de as embarcações não estarem em operação no último trimestre de 2008, que comprovaria que a Recorrente ainda não estaria prestando serviços (geradores de receita) para a preparação das embarcações e que os custos incorridos com a mobilização das unidades não existiriam ou seriam à elas vinculados. Ainda argumenta que, antes da efetiva utilização das embarcações contratadas por seus clientes (West Taurus e West Eminence), é certo que diversos atos preparatórios como o comissionamento dos equipamentos de bordo para o início das atividades de perfuração, são necessários para que a Recorrente possa atender aos compromissos assumidos junto a seus clientes, mormente sabendose que tais embarcações são oriundas do exterior. Alega que realizou tratativas com a Petrobrás em 2008, conforme prova da correspondência, tendo os contratos com o início da operação sido assinados em 12 de janeiro de 2009 doc. 07 da impugnação . Assim, em novembro e dezembro de 2009, era necessário que a Recorrente assumisse obrigações, como aquisição de bens e serviços de terceiros para que pudesse, como de rigor, preparar o comissionamento dessas embarcações, sob pena de, no Fl. 2694DF CARF MF 22 marco zero da obrigação contratual assumida junto à sua cliente, a Petrobrás, a Recorrente não estar em condições de atender ao quanto pactuou. Em relação a tal glosa, importante esclarecer o conceito de insumo na contribuição para o PIS/Pasep e na COFINS. No que tange ao conceito de “insumos”, ele é polissêmico e não deve ser considerado como um termo de âmbito fechado, tampouco extremamente amplo; a sua interpretação há que se balizada pela proporcionalidade e razoabilidade, além do dever de observarse o contexto em que o determinado bem ou serviço está inserido, para, então, poder se configurar como despesas atinentes ao processo produtivo ou à prestação de serviço, havendo, assim, uma orientação própria na interpretação do conceito “insumo” a fim de observar o princípio da nãocumulatividade, presente na contribuição para o PIS/Pasep e para a COFINS. Há que se observar o contrato de prestação de serviço da Recorrente e verificarse se o insumo enquadrase no conceito de custo na execução de um serviço. Da doutrina contábil, extraise: d) Custo gasto relativo a bem ou serviço utilizado na produção de outros bens ou serviços. Custo é também um gasto, só que reconhecido como tal, isto é, como custo, no momento da utilização dos fatores de produção (bens e serviços), para a fabricação de um produto ou execução de um serviço2 Da legislação, extraise: Lei 10.637/2002 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; Lei 10.833/2003 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao 2 MARTINS, Eliseu. Contabilidade de custos. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2010, p. 25. Fl. 2695DF CARF MF Processo nº 12448.727644/201211 Acórdão n.º 3302003.726 S3C3T2 Fl. 13 23 concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; No caso das despesas com os navios West Taurus e West Eminence, mantém se a glosa, pois se trata de despesas em uma fase préoperacional, ou seja, antes mesmo da execução do serviço, pois, conforme demonstra a Recorrente, o contrato somente foi assinado em 12 de janeiro de 2009. Outra glosa dos créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS realizada foi no sentido de que os custos com as importações não se relacionariam com os serviços executados pela Recorrente, logo, a fiscalização entendeu que a Recorrente não seria responsável pela importação e que gastos tais como honorários pelo desembaraço aduaneiro dos materiais não gerariam os referidos créditos. A Recorrente alega que, nos contratos fornecidos ao autuante e acostados aos autos, consta expressamente ser obrigação contratual da Recorrente a realização das importações dos equipamentos essenciais à execução dos compromissos assumidos junto a seus clientes. Ela defende que o conceito de insumo sob o critério da essencialidade e alega que dúvidas não podem haver de que as despesas com despachantes aduaneiros, licenças, transportes, registros, encargos, etc, incorridas pela Recorrente para a importação dos equipamentos são essenciais e indispensáveis aos serviços de perfuração de poços para os quais a Recorrente fora contratada, pois, conforme consta dos contratos firmados com seus clientes, era a Recorrente a responsável pelas importações dos materiais necessários à viabilização a consecução das atividades contratadas pelos clientes a bordo das embarcações. Importante realizar uma análise de tais custos com as importações seriam de responsabilidade da Recorrente. Do Termo de Constatação Fiscal, item 26, fls. 2203, retirase: 26 Segundo registro no S1SCOMEX, o naviosonda foi desembaraçado conforme DI do dia 03/10/2008 e, ato contínuo, a partir de 10/10/2008. foram registradas e desembaraçadas diversas DI (declaração de importação) com máquinas e partes e peças de máquinas e equipamentos (listagem e exemplos de DI tributadas em anexo); 27 Em resposta ao termo de Intimação Fiscal TIF n° 0005, em 15/05/2012, o Contribuinte esclareceu que não elaborou ou auxiliou na elaboração do Cronograma de Importação previsto na cláusula 21.0 do Contrato de Afretamento e que tal cronograma sequer teria sido apresentado a ESSO; O cronograma de importação, previsto no contrato de afretamento, que deveria ter sido apresentado a ESSO é importante, pois se a importação não for concluída, há previsão no contrato de que a ESSO reembolsa à Recorrente, que no caso é parte interveniente no contrato, as referidas despesas. Do acórdão da DRJ/Recife, extraise o fundamento para a manutenção da glosa em questão, fls. 2582/2583: Fl. 2696DF CARF MF 24 (...) segundo, a Impugnante não realizou as importações a que se referem os honorários pelo desembaraço aduaneiro e o Contrato A2114995, firmado entre ela e a Esso Exploração Santos Brasileira LTDA (ver tradução juramentada às fls. 774/1219) para a prestação de serviços de perfuração usando o navio sonda West Polaris não alberga tais despesas, tampouco os gastos com fretes e transportes, que além do que não geram créditos do PIS e Cofins nãocumulativos independentemente do contrato; e terceiro, porque parte dos valores com base nos quais foram aproveitados os créditos das duas Contribuições não possui prova documental. Ainda no que concerne a tal glosa, retirase do Termo de Constatação Fiscal, fls. 2218: 35 A conjugação dessa cláusula com a 21.0, também replicada no Contrato de Serviços, estando exposta no item 27 retro, em especial com os itens "b", "d", "e", "f i e ii" e "i 1", esclarecem que na formação do preço do Contrato de Afretamento as importações tributadas de equipamentos e materiais para o naviosonda não foram consideradas e que, quando necessárias, seriam objeto de reembolso dos tributos por parte da ESSO e que os materiais consumíveis não elegíveis à suspensão teriam os tributos por conta proprietária da sonda (Anexo C 7.1 e 7.5), ou seja, os custos com importação estão diretamente ligados ao Contrato de Afretamento, sem o qual não existiria o Contrato de Serviços, sendo pois gastos desnecessários ao mesmo e, portanto, não são dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL (contas 3.1.03.01.14 e 3.1.03.02.07 CUSTO COM IMPORTAÇÃO) e, por conseguinte, não geram créditos para o PIS e a COFINS, sendo objeto de glosas de custos e créditos, representando infrações; (...) 38 Cabe atentar também para a letra "n" da cláusula 21.0 retratada no item 27 retro, que atribui a responsabilidade a Proprietária da Sonda pelo custo do transporte de materiais, equipamentos e outras mercadorias do porto/aeroporto até a Unidade de Perfuração, como excludente de apropriação de tais gastos pelo Contribuinte, ensejando a glosa dos fretes correspondentes; Portanto, concluise que não houve as referidas importações, logo, não há direito a crédito por parte da Recorrente no que concerne a despesas com os custos referentes à atividade de importação. Ademais, a Recorrente faz alegação genérica no recurso voluntário com base nos contratos, mas não prova com efetividade os referidos gastos. Quanto às despesas com fretes, observase que tais custos são suportados pela proprietária da Sonda. Por conseguinte, mantémse a glosa. Logo, mantémse as glosas atinentes à infração 2. Fl. 2697DF CARF MF Processo nº 12448.727644/201211 Acórdão n.º 3302003.726 S3C3T2 Fl. 14 25 3.3. Infração 3 importação dos bens glosados e a validade dos créditos de PIS e COFINS decorrentes dos custos com importações de peças, máquinas e equipamentos necessários à manutenção e operação da embarcação West Polaris após o início das operações A Recorrente insurgese contra as glosas, realizadas pela fiscalização, e explica seu modelo de contrato com a concessionária de exploração, detentora dos direitos de exploração e de produção de campos de petróleo e gás no País no caso a ESSO . O modelo de contratação adotado pelas concessionárias no País é o da contratação bipartida, que consiste na celebração de dois contratos negócios jurídicos distintos, com pessoas jurídicas distintas, cada qual responsável por acobertar diferentes obrigações, como de rigor. Um contrato é o de afretamento, celebrados com empresas domiciliadas no exterior, e o outro é o para a realização dos serviços de perfuração a serem executados de acordo com as premissas e orientações previstas no programa de perfuração definido pela própria concessionária. Posteriormente, discorre sobre o regime de admissão temporária no REPETRO, fundamentando em suas premissas a importação temporária sem cobertura cambial de "máquinas, aparelhos, instrumentos, ferramentas, equipamentos e a outras partes ou peças, incluídos os sobressalentes, destinados a garantir a operacionalidade dos bens admitidos no REPETRO" e afirma que se trata de um contrato coligado, alegando que embora contratada para prestar serviços a bordo das embarcações, também consta como interveniente no coligado contrato de afretamento, assumindo responsabilidades junto à concessionária contratante, de gestão e manutenção da embarcação afretada para garantir a sua operacionalidade, durante todo o tempo de execução dos contratos seja de afretamento, seja de serviços , uma vez que a proprietáriafretadora no exterior não possui representatividade no País para assumir tais obrigações, cabendo à Recorrente atuar como sua longa manus na operação. Para melhor compreensão das glosas realizadas, importante transcrever trechos do Termo de Constatação Fiscal, fls. 2215/2220: 32 No Anexo "C" desse Contrato de Afretamento, anexo que vem a ser uma matriz de responsabilidades, se confirma que a obrigação do fornecimento de equipamentos e peças da Unidade de Perfuração é, via de regra, da Proprietária da Sonda e, em alguns casos, da Contratante ESSO, nunca da Parte Interveniente SEADRILL LTDA, ora fiscalizada, cujo Anexo "C" do contrato de serviços se mostra bem diferente desse, apesar de redundâncias, (até com mais obrigações da ESSO); (...) 35 A conjugação dessa cláusula com a 21.0, também replicada no Contrato de Serviços, estando exposta no item 27 retro, em especial com os itens "b", "d", "e", "f i e ii" e "i 1", esclarecem que na formação do preço do Contrato de Afretamento as importações tributadas de equipamentos e materiais para o naviosonda não foram consideradas e que, quando necessárias, seriam objeto de reembolso dos tributos por parte da ESSO e Fl. 2698DF CARF MF 26 que os materiais consumíveis não elegíveis à suspensão teriam os tributos por conta proprietária da sonda (Anexo C 7.1 e 7.5), ou seja, os custos com importação estão diretamente ligados ao Contrato de Afretamento, sem o qual não existiria o Contrato de Serviços, sendo pois gastos desnecessários ao mesmo e, portanto, não são dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL (contas 3.1.03.01.14 e 3.1.03.02.07 CUSTO COM IMPORTAÇÃO) e, por conseguinte, não geram créditos para o PIS e a COFINS. sendo objeto de glosas de custos e créditos, representando infrações; 36 A inércia do Contribuinte em proceder aos meios para evitar esse custo ou mesmo obter o seu reembolso, não caracteriza a necessidade do mesmo. O custo é da Proprietária da Sonda (inclusive aos consumíveis que forneceu) ou da ESSO; (...) 39 As peças, componentes e suprimentos encaminhados para o Brasil, para serem agregadas ao naviosonda, são da Proprietária da Sonda, cabendo ao Contribuinte, como longa manus aqui, cuidar da sua liberação, admitindose que os gastos com as licenças e o desembaraço possam ser suportados pelo Contribuinte; 40 O Contribuinte não adquiriu nenhuma das partes, peças, suprimentos, etc. importadas, todas as importações chegaram sem cobertura cambial, com fretes e seguros pagos. A única operação com o exterior se deu com um contrato de mútuo em moeda estrangeira com o controlador SEADRILL OFFSHORE AS Proprietária da Sonda; 41 Nas faturas e descritivos das importações (comercial invoice e packing l i s t ) constam expressamente a destinação do material para a plataforma West Polaris, o naviosonda. consistindo em polias, corrente de arraste, anéis, uniões, cabos, sensores, mangueiras, cilindros, peças sobressalentes para equipamento de manipulação de tubos do sistema de perfuração, haste de acionamento das válvulas de escape e admissão, roda dentada, conjunto de plugue da porta de controle, torneiras, válvulas, inclinômetros, árvores de transmissão, manômetros, molas, rolamentos, motores hidráulicos, por ex., tudo partes, peças, suprimentos ou mesmo máquinas: 42 Importante registrar que no ativo imobilizado do Contribuinte constam apenas R$ 286.927,07 relacionados a Máquinas e Equipamentos de um total de R$ 354.467,93, e ainda, que não existem contas de estoques, corroborando a destinação do material importado; 43 Apenas a título de reforço à impossibilidade de aproveitamento dos créditos do PIS/COFINS a Lei n° 10.865/2004 admitiu o crédito na importação dos bens adquiridos, o que já vedaria, pois não houve aquisição, para revenda, ou para utilização como insumos ou para incorporação ao ativo imobilizado para a prestação dos serviços (nesse caso Fl. 2699DF CARF MF Processo nº 12448.727644/201211 Acórdão n.º 3302003.726 S3C3T2 Fl. 15 27 na forma de depreciação). Ainda que se queira entender desnecessária a aquisição para a utilização como insumo, eles também não o foram, foram agregados à plataforma de outrem não do Contribuinte; 44 Ademais, o Contribuinte sequer prestou os serviços per si, pois subcontratou a empresa Five Star de Macaé Serviços de Petróleo Ltda, não possuindo ainda pessoal próprio contratado; No que concerne à Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, ela prevê o seguinte: Lei nº 10.865/2004 Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda; II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; Diante do Termo de Constatação Fiscal, percebese que as importações não foram custeadas pela Recorrente, mas pela Seadrill Offshore AS. Além disso, a Recorrente não prestou os serviços, ela subcontratou a empresa Five Star de Macaé Serviços de Petróleo Ltda. Do contrato de afretamento, extraise a seguinte cláusula: 2.1 FORNECIMENTO DOS EQUIPAMENTOS DO AFRETAMENTO A Proprietária da Sonda fornecerá Unidade de Perfuração e outros equipamentos, máquinas, ferramentas, materiais e suprimentos l istados no Anexo C como fornecidos pela Proprietária da Sonda, assim como quaisquer peças sobressalentes e suprimentos para a Unidade de Perfuração e os equipamentos do Anexo C a serem normalmente fornecidos pela Proprietária da Sonda em cumprimento ao Afretamento aqui previsto; todos os quais são doravante colet ivamente denominados "Equipamentos do Afretamento" Assim, concluise que a responsável pelo fornecimento e pagamento das peças no contrato é a empresa norueguesa, no caso, a Seadrill Offshore AS. A empresa brasileira, no caso, a Seadrill Ltda funciona como uma mera intermediária entre a empresa norueguesa e a Esso, fazendo este canal de comunicação entre as duas empresas, sendo que a responsabilidade por fornecimento de peças e o custeio do envio é realizado pela empresa da Fl. 2700DF CARF MF 28 Noruega. No caso, como se viu, ela sequer prestou os serviços diretamente, houve uma subcontratação, demonstrando, mais uma vez, a sua função de ser apenas uma intermediária da comunicação. Do acórdão da DRJ/Recife, fls. 2587/2588, extraise: Somente importações do próprio contribuinte lhe dão direito à apropriação dos créditos de PIS e Cofins vinculados à importação. Mas a Impugnante não assumiu a condição de importadora. Ainda que tenha atuado nas importações relatadas, visando ao recebimento dos equipamentos e averiguando o seu estado, é certo que a importação não foi realizada por ela. Os bens foram importados sem cobertura cambial e a Impugnante não efetuou qualquer pagamento à sociedade estrangeira Seadril Offshore AS. Além do mais, nenhum dos bens importados consta do ativo imobilizado ou dos estoques da Impugnante. (...) O que se vê, conforme os dois contratos é que a Impugnante atua em conjunto com a Seadril Offshore AS visando à importação e fornecimento dos equipamentos, mas sem que assuma, em nenhum momento, a condição de importadora ou de fornecedora à Esso. Não assume, pois, o ônus do PIS e Cofins devidos na importação, pelo que é descabida a pretensão de aproveitamento dos créditos das duas Contribuições e a glosa da infração 3 há de ser mantida. Da leitura dos contratos e do termo de constatação fiscal, percebese que existe um regime de admissão temporária, pela qual a Recorrente deve apresentar um cronograma de importação, que ao ser questionada pela fiscalização, ela afirmou que não realizou, fls. 1635. Contudo, há algumas DI's nos autos, que demonstram que a Recorrente arcou com os tributos, incidentes na aduana, ocorre que, conforme informação do termo de constatação fiscal, algumas cláusulas "esclarecem que na formação do preço do Contrato de Afretamento as importações tributadas de equipamentos e materiais para o naviosonda não foram consideradas e que, quando necessárias, seriam objeto de reembolso dos tributos por parte da ESSO". As referidas DI's, que há pagamento de tributos, referemse à sonda West Polaris, e que, segundo informação da Recorrente, as peças e componentes, bem como o custo com a importação, para a referida sonda não foi reembolsado. Ocorre que da leitura do contrato de prestação de serviços, na cláusula 7, fls. 854 e seguintes, em especial, no item 7.2., pagamento, que "a Contratada faturará e a Contratante pagará à Contratada as taxas e valores ou a soma total especificados no Anexo A". Da leitura do Anexo A, encontrase a sonda West Polaris. Por tais motivos, percebese que a Recorrente obteve reembolso dos custos tributários aduaneiros. Por todas as razões acima demonstradas, mantémse as glosas da infração 3. 3.4. Do juros sobre a multa de ofício Fl. 2701DF CARF MF Processo nº 12448.727644/201211 Acórdão n.º 3302003.726 S3C3T2 Fl. 16 29 A Recorrente pleiteia pela não incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício aplicada, vez que a multa não tem caráter de tributação, mas de penalidade. Observase, primeiramente, o que o Código Tributário Nacional versa sobre a aplicação dos juros de mora: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. A legislação deixa claro que caso não haja legislação sobre o percentual dos juros de mora será aplicada a taxa de um por cento ao mês. No que concerne à legislação infraconstitucional, observase que o art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996, dispõe que: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Realizase uma remissão, então, ao art. 5º, § 3º, da Lei 9.430/1996: Art. 5º. (...) (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. A legislação prevê a incidência da taxa Selic, que no caso é o juros de mora, sobre a impontualidade do pagamento, mas não em relação à multa. Assim, já decidiu este Tribunal Administrativo: JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Não existe amparo legal para a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. (Acórdão no 3403001.541, Rel. Cons. Antonio Carlos Atulim, unanimidade em relação ao tema, sessão de 24.abr.2012) Nesse sentido, deve ser retirada a incidência do juros de mora sobre a multa de ofício por falta de fundamento legal. Fl. 2702DF CARF MF 30 4. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, rejeitando as preliminares e concedendo provimento parcial tão somente para retirar a incidência dos juros sobre a multa de ofício. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Voto Vencedor Conselheiro Walker Araujo, Redator Designado. Em que pese as razões arroladas pela ilustre Relatora, peço licença para divergir quanto a manutenção da glosa de créditos de PIS/COFINS atinente ao item "3.3. Infração 3 importação dos bens glosados e a validade dos créditos de PIS e COFINS decorrentes dos custos com importações de peças, máquinas e equipamentos necessários à manutenção e operação da embarcação West Polaris após o início das operações". Resumidamente, a premissa adotada pela nobre Relatora para manter o lançamento fiscal em relação a denominada "infração 3" anteriormente citada, partiu do pressuposto de que os custos decorrentes da importações de peças, máquinas e equipamentos necessários à manutenção e operação da embarcação West Polaris foram reembolsáveis pela sociedade à proprietária da Sonda ou à Parte Interveniente por expressa previsão contratual, a saber: Da leitura dos contratos e do termo de constatação fiscal, percebese que existe um regime de admissão temporária, pela qual a Recorrente deve apresentar um cronograma de importação, que ao ser questionada pela fiscalização, ela afirmou que não realizou, fls. 1635. Contudo, há algumas DI's nos autos, que demonstram que a Recorrente arcou com os tributos, incidentes na aduana, ocorre que, conforme informação do termo de constatação fiscal, algumas cláusulas "esclarecem que na formação do preço do Contrato de Afretamento as importações tributadas de equipamentos e materiais para o naviosonda não foram consideradas e que, quando necessárias, seriam objeto de reembolso dos tributos por parte da ESSO". As referidas DI's, que há pagamento de tributos, referemse à sonda West Polaris, e que, segundo informação da Recorrente, as peças e componentes, bem como o custo com a importação, para a referida sonda não foi reembolsado. Ocorre que da leitura do contrato de prestação de serviços, na cláusula 7, fls. 854 e seguintes, em especial, no item 7.2., pagamento, que "a Contratada faturará e a Contratante pagará à Contratada as taxas e valores ou a soma total especificados no Anexo A". Da leitura do Anexo A, encontrase a sonda West Polaris. Por tais motivos, percebese que a Recorrente obteve reembolso dos custos tributários aduaneiros. Por todas as razões acima demonstradas, mantémse as glosas da infração 3. Por sua vez, a Recorrente alegou que "...embora houvesse previsão no contrato de afretamento de que algumas destas despesas poderiam ser reembolsadas pela Fl. 2703DF CARF MF Processo nº 12448.727644/201211 Acórdão n.º 3302003.726 S3C3T2 Fl. 17 31 contratanteconcessionária à Recorrente, fato é que caso de fato ocorresse tais reembolsos, os valores recebidos à título de reembolso seriam sido levados à tributação pela Recorrente, chancelando, assim, a tomada do crédito no desembolso das referidas despesas". E completa: "...não há nem sequer prova nos autos produzida pelo autuante, de que parte destas despesas teriam sido, de fato, reembolsadas à Recorrente esvaziando por completo o que sugere a decisão recorrida". Ao contrário do entendimento explicitado pela i. Relatora, para este Conselheiro a simples existência de cláusula contratual prevendo possível reembolso dos custos, sem a efetiva demonstração de recebimento destas receitas, não é suficiente para afastar o direito de crédito apurado pela Recorrente. Com efeito, analisando os livros fiscais e contábeis carreados aos autos, verificase inexistir qualquer registro a título de reembolso envolvendo a Recorrente e a empresa situada no exterior, sendo que, os únicos registros contabilizados pela contribuinte dizem respeito aos negócios realizados com a empresa Five Star. Neste ponto, ressaltase que nos termos do artigo 26, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011 (abaixo), a escrituração contábil faz prova a favor do contribuinte, salvo se autoridade fiscal comprovar a inveracidade dos registros, o que não é o caso dos autos, haja vista que a fiscalização em nenhum momento questionou os registros contábeis da Recorrente. Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9o, § 1o). Parágrafo único. Cabe à autoridade fiscal a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no caput (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 2º). Aliás, se há nos autos documentos que comprovem que os custos foram arcados pela Recorrente, como bem explicitou a i. ilustre Relatora e, que não há comprovação de que referidos custos foram de fato reembolsados, nada justifica a manutenção das glosas de créditos apurados pela Recorrente. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para reverter a glosa de créditos de PIS/COFINS, objeto de análise do item "3.3. Infração 3 importação dos bens glosados e a validade dos créditos de PIS e COFINS decorrentes dos custos com importações de peças, máquinas e equipamentos necessários à manutenção e operação da embarcação West Polaris após o início das operações". É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Redator designado. Voto Vencedor Fl. 2704DF CARF MF 32 Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, redator designado. Com o devido respeito aos argumentos da ilustre relatora, divirjo de seu entendimento quanto à incidência de juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício lançada. Analisase, inicialmente, a possibilidade de incidência de juros de mora sobre multas. O artigo 161 do CTN dispõe: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. O crédito tributário decorre da obrigação principal e possui a mesma natureza desta, conforme disposto no art. 139 do Código. Esta, por sua vez, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente (artigos 113, §1º e 139 do CTN). Depreendese, assim, que o crédito tributário mencionado no artigo 161 do CTN abrange os tributos e as penalidades pecuniárias, sujeitandose à incidência dos juros de mora. A respeito, citase o Recurso Especial 1.129.990 PR (2009/00543162), julgado em 01/09/2009, de relatoria do Ministro Castro Meira: EMENTA TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, dar provimento ao recurso nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques e Eliana Calmon votaram com o Sr. Ministro Relator. Brasília, 1º de setembro de 2009(data do julgamento). Transcrevese, ainda, excerto do voto condutor, esclarecedor da questão: Fl. 2705DF CARF MF Processo nº 12448.727644/201211 Acórdão n.º 3302003.726 S3C3T2 Fl. 18 33 “Da sistemática instituída pelo art. 113, caput e parágrafos, do Código Tributário NacionalCTN, extraise que o objetivo do legislador foi estabelecer um regime único de cobrança para as exações e as penalidades pecuniárias, as quais caracterizam e definem a obrigação tributária principal, de cunho essencialmente patrimonialista, que dá origem ao crédito tributário e suas conhecidas prerrogativas, como, a título de exemplo, cobrança por meio de execução distinta fundada em Certidão de Dívida AtivaCDA. A expressão "crédito tributário" é mais ampla do que o conceito de tributo, pois abrange também as penalidades decorrentes do descumprimento das obrigações acessórias. Em sede doutrinária, ensina o Desembargador Federal Luiz Alberto Gurgel de Faria que, "havendo descumprimento da obrigação acessória, ela se converte em principal relativamente à penalidade pecuniária (§ 3º), o que significa dizer que a sanção imposta ao inadimplente é uma multa, que, como tal, constitui uma obrigação principal, sendo exigida e cobrada através dos mesmos mecanismos aplicados aos tributos " (Código Tributário Nacional Comentado: Doutrina e Jurisprudência, Artigo por Artigo. Coord.: Vladimir Passos de Freitas. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2ª ed., 2004, p. 546). De maneira simplificada, os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, advém a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento. Em suma, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. Rematando, confirase a lição de Bruno Fajerstajn, encampada por Leandro Paulsen (Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 9ª ed., 2007, p. 1.0271.028): "A partir da redação do dispositivo, fica evidente que os tributos não podem corresponder à aplicação de sanção pela prática de ato ilícito, diferentemente da penalidade, a qual, em sua essência, representa uma sanção decorrente do descumprimento de uma obrigação. A despeito das diferenças existentes entre os dois institutos, ambos são prestações pecuniárias devidas ao Estado. E no caso em estudo, as penalidades decorrem justamente do descumprimento de obrigação de recolher tributos. Fl. 2706DF CARF MF 34 Diante disso, ainda que inconfundíveis, o tributo e a penalidade dele decorrente são figuras intimamente relacionadas. Ciente disso, o Código Tributário Nacional, ao definir o crédito tributário e a respectiva obrigação, incluiu nesses conceitos tanto os tributos como as penalidades.(grifos não originais) Com efeito, o art. 139 do Código Tributário Nacional define crédito tributário nos seguintes termos: 'Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta'. Já a obrigação principal é definida no art. 113 e no parágrafo 1º. Vejase: 'Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente'. Como se vê, o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis. No entanto, essa equiparação, muito útil para fins de arrecadação e administração fiscal, não identifica a natureza jurídica dos institutos. (...) O Código Tributário Nacional tratou da incidência de juros de mora em seu art. 161. Confirase: 'Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito' A redação deste dispositivo permite concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre 'crédito' não integralmente recolhido no vencimento. Ao se referir ao crédito, evidentemente, o dispositivo está tratando do crédito tributário. E conforme demonstrado no item anterior, o crédito tributário decorre da obrigação principal, na qual estão incluídos tanto o valor do tributo devido como a penalidade dele decorrente. (grifos não originais) Sendo assim, considerando o disposto no caput do art. 161 acima transcrito, é possível concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre as multas" Fl. 2707DF CARF MF Processo nº 12448.727644/201211 Acórdão n.º 3302003.726 S3C3T2 Fl. 19 35 (Exigência de Juros de Mora sobre as Multas de Ofício no Âmbito da Secretaria da Receita Federal. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, n. 132, p. 29, setembro de 2006). Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial Na mesma direção, ensina Hugo de Brito Machado3: “A denominada multa de ofício caracterizase pela inafastável necessidade de ação fiscal para que se considere devida. Assim, mesmo em face da jurisprudência que tem predominado, em se tratando de multa de ofício não se pode falar da existência de uma obrigação que a tenha como conteúdo, antes de regularmente constituído o crédito tributário. Assim, somente com a lavratura do auto de infração é que se pode considerar devida a multa de ofício. E como em face do auto de infração o contribuinte é notificado a fazer o correspondente pagamento, é a partir daí que se pode cogitar da configuração da mora, , em conseqüência, do início da incidência de juros de mora correspondentes” Inferese, de fato, que a multa de ofício é constituída na lavratura do auto de infração e vence no prazo de trinta dias para a apresentação da impugnação ao lançamento. Após este prazo, considerase devida e, portanto, sujeita a juros de mora, não fazendo sentido algum permanecer seu montante imutável ao longo do tempo até que se ultime sua extinção. Assim, o artigo 161, §1º do CTN, determina que se a lei não dispuser de modo diverso, os juros serão calculados à taxa de um por cento ao mês. Destarte, ultrapassada a questão da pertinência da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, resta verificar se a taxa Selic, aqui em discussão, deve ser utilizada como os juros de mora a que se refere o artigo 161. Sobre a legitimidade da Selic como juros moratórios, descabem maiores considerações, conforme decidido no REsp 879.844/MG, julgado em 11/11/2009 (recursos repetitivos), e no RE 582.461/SP, submetido à repercussão geral, julgado em 18/05/2011, e de acordo com o enunciado da Súmula CARF nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Cabe frisar que no julgamento dos recursos especial e extraordinário, acima referidos, a discussão girou em torno da isonomia entre a aplicação da Selic na repetição de indébito como na atualização dos débitos: “Forçoso esclarecer que os debates nesta Corte gravitaram em torno da aplicação da taxa SELIC em sede de repetição de indébito. Nada obstante, impõese, mutatis mutandis, a 3 MACHADO, Hugo de Brito. Juros de Mora sobre Multas Tributárias. RDDT 180/82, set/2010, apud PAULSEN, Leandro. Direto Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência / Leandro Paulsen. 14º ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE: 2012. Fl. 2708DF CARF MF 36 incidência da referida taxa nos cálculos dos débitos que os contribuintes tenham para com as Fazendas Municipal, Estadual e Federal. Aliás, raciocínio diverso importaria tratamento antiisonômico, porquanto a Fazenda restaria obrigada a reembolsar os contribuintes por esta taxa SELIC, ao passo que, no desembolso, os cidadãos exonerarseiam desse critério, gerando desequilíbrio nas receitas fazendárias.”(REsp 879.844/MG) Assim, sob este aspecto abordado nos julgamentos dos recursos especial e extraordinário, é legítima a incidência da taxa Selic sobre a multa de ofício após seu vencimento, pois que eventual indébito referente à multa paga a maior que a devida, necessariamente seria corrigido pela referida taxa. Por outro lado, diversos diplomas legais trataram da Selic como juros de mora incidentes sobre os débitos para com a Fazenda Nacional. Assim, citamse: Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995: Art. 84 – Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1° de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I – juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; ............................. § 8o O disposto neste artigo aplicase aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional.(Incluído pela Lei nº 10.522, de 2002) (grifei) Art. 91. O parcelamento dos débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, autorizado pelo art. 11 do DecretoLei nº 352, de 17 de junho de 1968, com a redação dada pelo DecretoLei nº 623, de 11 de junho de 1969, pelo inciso II, do art. 10 do DecretoLei nº 2.049, de 01 de agosto de 1983, e pelo inciso II, do art. 11 do DecretoLei nº 2.052, de 03 de agosto de 1983, com as modificações que lhes foram introduzidas, poderá ser autorizado em até trinta prestações mensais. Parágrafo único. O débito que for objeto de parcelamento, nos termos deste artigo, será consolidado na data da concessão e terá o seguinte tratamento: a) se autorizado em até quinze prestações: a.1) o montante apurado na consolidação será dividido pelo número de prestações concedidas; a.2) o valor de cada parcela mensal, por ocasião do pagamento, será acrescido de juros equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna, calculados a partir da data do deferimento até o mês anterior ao do pagamento, e de um por cento relativamente ao mês em que o pagamento estiver sendo efetuado; (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) Fl. 2709DF CARF MF Processo nº 12448.727644/201211 Acórdão n.º 3302003.726 S3C3T2 Fl. 20 37 b) se autorizado em mais de quinze prestações mensais: b.1) o montante apurado na consolidação será acrescido de encargo adicional, correspondente ao número de meses que exceder a quinze, calculado à razão de dois por cento ao mês, e dividido pelo número de prestações concedidas; b.2) sobre o valor de cada prestação incidirão, ainda, os juros de que trata a alínea a.2 deste artigo.(Revogado pela Lei nº 10.522, de 19.7.2002) Lei nº 9.065, de 1995: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Produção de efeito (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. ... Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Fl. 2710DF CARF MF 38 ......................................... Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002: Art. 17. Fica acrescentado o seguinte parágrafo ao art. 84 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995: "Art. 84. ......................................................... § 8o O disposto neste artigo aplicase aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional." (NR) (grifei) ... Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de UFIR, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1° de janeiro de 1997. (grifei) § 1° A partir de 1° de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2° Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3° Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – UFIR, instituída pelo art. 1° da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1° de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. (g.n) (grifei) Destacase que o artigo 30 da Lei nº 10.522/2002, expressamente prevê a incidência dos juros de mora à taxa Selic, a partir de1º/01/1997, relativamente aos débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional referidos no artigo 29, cujos fatos geradores tivessem ocorridos até 31/12/1994. Já a mesma lei acrescentou ao artigo 84 da Lei nº 8.981/95, o §8º, a disposição de que aos demais créditos da Fazenda Nacional, aplicamse as disposições do artigo 84, o que determina a aplicação dos juros de mora aos tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorressem a partir de 1º/01/1995. § 8o O disposto neste artigo aplicase aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa Fl. 2711DF CARF MF Processo nº 12448.727644/201211 Acórdão n.º 3302003.726 S3C3T2 Fl. 21 39 da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional." (NR) A Lei nº 10.522/2002, é conversão da MP nº 2.17679/2001, fruto da reedição de sucessivas medidas provisórias, desde a original de nº 1.110, de 30 de agosto de 1995. A inclusão do §8º no artigo 84 da Lei nº 8.981/95, pela MP nº 1.110/95, bem como a inclusão dos artigos 29 e 30 pela MP nº 1.542/96 (nove dias antes da publicação da Lei nº 9.430/96) estabeleceram, expressamente, a incidência da taxa Selic sobre quaisquer débitos da Fazenda Nacional (até 1994 pelo artigo 30 e após 1º/01/1995, pelo §8º do artigo 84). Constatase que, por sua vez, a Lei nº 9.430/96, ao prever a aplicação da Selic em seus artigos 43 e 61 convalidou o que já estava sendo previsto pela MP nº 1.542/96 (atual Lei nº 10.522/2002). Concluise, portanto, que é legítima a incidência da taxa de juros Selic sobre a multa de ofício vinculada ao tributo. Neste sentido, citamse, recentes decisões da CSRF: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (CSRF, 3ª Turma, Processo nº 10835.001034/0016, Sessão de 15/08/2013, Acórdão nº 9303002400. Relator Joel Miyazaki). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (CSRF, 1ª Turma, Processo nº 13839.001516/200664, Sessão de 15/05/2013, Acórdão nº9101001657. Relator designado Valmir Sandri). Isto posto, voto no sentido de negar provimento à pretensão da recorrente, mantendo a incidência dos juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício lançada. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 2712DF CARF MF 40 Fl. 2713DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.720127/2007-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2003
ÁREA TOTAL DO IMÓVEL
Para fins de apuração do valor do Imposto Rural, devem ser excluídas as áreas objeto de esbulho possessório.
VALOR DA TERRA NUA. SIPT
Não sendo inequivocamente demonstrado de modo diverso, é correto o procedimento fiscal que arbitre o Valor da Terra Nua com base no Sistema de Preços de Terras desenvolvido pela Receita Federal do Brasil para este fim relativo ao Município declarado.
Numero da decisão: 2201-003.458
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento aos recursos voluntário e de ofício.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201702
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2003 ÁREA TOTAL DO IMÓVEL Para fins de apuração do valor do Imposto Rural, devem ser excluídas as áreas objeto de esbulho possessório. VALOR DA TERRA NUA. SIPT Não sendo inequivocamente demonstrado de modo diverso, é correto o procedimento fiscal que arbitre o Valor da Terra Nua com base no Sistema de Preços de Terras desenvolvido pela Receita Federal do Brasil para este fim relativo ao Município declarado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 10183.720127/2007-86
conteudo_id_s : 5694049
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2201-003.458
nome_arquivo_s : Decisao_10183720127200786.pdf
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
nome_arquivo_pdf_s : 10183720127200786_5694049.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntário e de ofício.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2017
id : 6674337
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:57:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048948401242112
conteudo_txt : Metadados => date: 2017-02-24T15:41:45Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: TAUFICK MIGUEL.pdf; xmp:CreatorTool: PDFCreator Version 1.4.2; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CARF; dcterms:created: 2017-02-24T15:41:45Z; Last-Modified: 2017-02-24T15:41:45Z; dcterms:modified: 2017-02-24T15:41:45Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: TAUFICK MIGUEL.pdf; xmpMM:DocumentID: uuid:3ffe1515-fd03-11e6-0000-2e5e1ae16bf4; Last-Save-Date: 2017-02-24T15:41:45Z; pdf:docinfo:creator_tool: PDFCreator Version 1.4.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2017-02-24T15:41:45Z; meta:save-date: 2017-02-24T15:41:45Z; pdf:encrypted: true; dc:title: TAUFICK MIGUEL.pdf; modified: 2017-02-24T15:41:45Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CARF; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CARF; meta:author: CARF; dc:subject: ; meta:creation-date: 2017-02-24T15:41:45Z; created: 2017-02-24T15:41:45Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2017-02-24T15:41:45Z; pdf:charsPerPage: 1853; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CARF; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-02-24T15:41:45Z | Conteúdo => S2-C2T1 Fl. 755 1 754 S2-C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.720127/2007-86 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2201-003.458 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de fevereiro de 2017 Matéria ITR Recorrente TAUFICK MIGUEL CHEDICK Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2003 ÁREA TOTAL DO IMÓVEL Para fins de apuração do valor do Imposto Rural, devem ser excluídas as áreas objeto de esbulho possessório. VALOR DA TERRA NUA. SIPT Não sendo inequivocamente demonstrado de modo diverso, é correto o procedimento fiscal que arbitre o Valor da Terra Nua com base no Sistema de Preços de Terras desenvolvido pela Receita Federal do Brasil para este fim relativo ao Município declarado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntário e de ofício. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator. EDITADO EM: 24/02/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. A C Ó R D Ã O G E R A D O N O P G D -C A R F PR O C E SS O 1 01 83 .7 20 12 7/ 20 07 -8 6 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS De Ofício e Voluntário 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária vereiro de 2017 vereiro de 2017 TAUFICK MIGUEL CHEDICK TAUFICK MIGUEL CHEDICK FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL AA Fl. 755DF CARF MF 2 Relatório O presente processo trata da Notificação de Lançamento nº 01301/00026/2007 de fl. 3 a 6, pela qual a autoridade fiscal lançou crédito tributário relativo a Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural no valor originário de R$ 1.500.619,32, com Multa de Ofício de R$ 1.125.464,49 e juros de mora de R$ 842.147,56 (calculados até 31/05/2007), perfazendo o total apurado de R$ 3.468.231,37. O lançamento é relativo aos exercícios de 2003 e o imóvel rural em questão está identificado na Receita Federal do Brasil pelo nome de Fazenda Monte Líbano, cadastrado sob o número 6.104.064-9. Atesta a Fiscalização, na Descrição dos Fatos de fl. 4, que, regulamente intimado, o contribuinte não comprovou o Valor da Terra Nua Declarado mediante apresentação de documento hábil com os rigores científicos mínimos previstos na NBR 14.653, da Associação Brasileira de Normas Técnicas, o que levou ao arbitramento do Valor da Terra Nua - VTN a partir das informações contidas no Sistema de Preços de Terras - SIPT para o Município de Primavera do Leste (R$ 628,90/ha). Ademais, a fiscalização não acatou solicitação do contribuinte de retificação da área do imóvel, que alegou estar discutindo judicialmente a posse de faixa de 30.000,00 hectares desde o ano de 1987. Ciente do lançamento em 25 de junho de 2007, fl 19/20, o contribuinte apresentou a impugnação de fl. 21 a 32, em 13 de julho de 2007, a qual foi julgada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS, cujas conclusões encontram-se expressas no Acórdão de fl. 263 a 268, acatado por unanimidade pela Turma de Julgamento, e que foi objeto de Recurso de Ofício, nos seguintes termos: Cabe razão em parte ao contribuinte, considerando que o laudo pericial judicial identifica efetivamente que a área objeto do lançamento em sua grande maioria não está na posse do contribuinte, e, indica os nomes dos possuidores, que em grande parte também possuem títulos de domínio. Indevida, porém, a afirmação de que o contribuinte não está de posse nem da área titulada nem da área de posse, pois, o laudo pericial embora não seja conclusivo em relação ao total da área ocupada pelo contribuinte, deixa claro em fls.116 e 117 a ocupação em área não invadida do lado direito da rodovia MT 130 na altura do Km 95, sem quantificar a área e do outro lado da rodovia à esquerda lado oeste, uma área de 4.750 hectares. À vista do exposto no parágrafo anterior, é de se aceitar como de posse do contribuinte, e, conseqüentemente de sua responsabilidade, o pagamento do ITR referente a área que já vinha sendo declarada, por ele até 2002, fls. 34 a 38, ou seja, 9.884 hectares com as correspondentes áreas de reserva legal, preservação permanente, áreas ocupadas com benfeitorias, e área de pastagens, considerando que a autoridade fiscal não efetuou qualquer alteração na DITR original objeto do lançamento em relação a essas áreas. Fl. 756DF CARF MF Processo nº 10183.720127/2007-86 Acórdão n.º 2201-003.458 S2-C2T1 Fl. 756 3 Não obstante o acima exposto, em relação à área total, áreas isentas e utilizadas pela atividade rural, o VTN a ser utilizado na apuração do ITR é o do município de Primavera do Leste-MT, considerado na DITR do contribuinte e também conforme apurado pela autoridade fiscal, sem que o contribuinte tivesse apresentado qualquer laudo técnico com a avaliação do imóvel, embora alegue que o imóvel encontre-se localizado parte em Primavera do Leste - MT e parte em Novo São Joaquim - MT. Ciente do Acórdão da DRJ em 16 de junho de 2008, fl. 268, ainda inconformado, o contribuinte apresentou, em 15 de julho de 2008, o Recurso Voluntário de fl. 272 a 285, no qual reiterou suas razões e fundamentos legais que entende amparar o pedido de reforma total da decisão que manteve parcialmente o lançamento. Submetida ao Colegiado de 2ª Instância, a Turma de Julgamento resolveu converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora: - investigasse e certificasse quanto da área do imóvel se encontra de posse do contribuinte fiscalizado; - juntar aos autos a Tabela SIPT dos Municípios de localização do imóvel eventualmente diversos de Primavera do Leste; - concluídos os procedimentos, produzir relatório, dando ciência ao contribuinte para manifestação. Após juntar documentos aos autos, a unidade preparadora produziu a Informação Fiscal de fl. 375/377, cujo teor foi cientificado ao contribuinte em 29 de julho de 2014, que apresentou as contrarrazões de fls. 380 e seguintes. É o relatório necessário Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Em razão de ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade, conheço do presente Recurso Voluntário. O recorrente inicia seu Recurso afirmando ausência total da posse do imóvel objeto do lançamento, que teria sido invadido por terceiros, estando impedido de entrar no imóvel sequer para elaborar novo Laudo Técnico Pericial, restando-lhe, apenas, aguardar lide judicial de reintegração de posse então em curso. Alega que detém o Titulo Definitivo de Compra e Venda de 9.884 ha, devidamente registrado no Segundo Serviço Notarial e Registral da 1ª Circunscrição Imobiliária da Comarca de Cuiabá/MT e cadastrado na Receita Federal Do Brasil pelo NIRF objeto do lançamento ora em discussão. Fl. 757DF CARF MF 4 Que sobre tal área, em tese, não teria nenhuma dúvida sobre os efeitos tributários para fins de Imposto Sobre a Propriedade Rural, tanto que vinha apresentando suas DITR de maneira regular em conformidade com tal Título Definitivo. Alega que, além dos 9.884 ha, há uma área contínua de mais 30.000ha, cuja posse era exercida pelo menos desde o ano de 1956. Que a área total teria sido invadida, onde sequer pode entrar, razão pela qual vale-se de Laudo Técnico Pericial elaborado por Perito arrolado nos autos judiciais de reintegração de posse, Moisés Alves do Nascimento, Engenheiro Florestal, que atesta que a posse do imóvel em apreço não estaria sendo exercida pelo recorrente. O recorrente alega "estranhar" o fato da DRJ reconhecer o esbulho possessório da área de 30.000ha e, paradoxalmente rejeitar o mesmo feito em relação à área contígua de 9.884ha, também esbulhada. Em fl. 276/277, apresenta, ainda, apuração supostamente efetuada pela DRJ que será desconsiderada na presente análise, pelo evidente equívoco do contribuinte em relação aos cálculos efetuados no julgamento de 1ª Instância administrativa. Nos cálculos efetuados pelo contribuinte, aparece um Imposto Suplementar de 687.779,51, quando os cálculos da DRJ apontam para um valor bem menor, de R$ 88.205,32, fl. 267. Na sequência, o recorrente traz suas considerações sobre a improcedência de tributação do ITR para áreas invadidas, demonstrando entender que sua legitimidade passiva só será restabelecida quando da reintegração definitiva. Aduz, ainda, que o Laudo Técnico Pericial juntado à Impugnação prova, de maneira irrefutável, que não tem acesso, também, a nenhuma parte dos 9.884 ha. Por fim, sustenta que não concorda com o valor do VTN fixado com base no Município de Primavera do Lesta, já que o imóvel pertenceria ao Município de Novo São Joaquim, fazendo divisa com o Município de Santo Antônio do Leste. Ademais, entende que a Tabela do SIPT só poderia ser utilizada se a área estivesse plenamente livre e desembaraçada, sem o quê não se poderia utilizar os valores do SIPT. Conclui o Recurso requerendo que a DRF Cuiabá apure os fatos alegados, mediante diligência ao local, no que, ressalte-se, foi atendido quando da conversão do julgamento em diligência citada no relatório. Ora, como se vê, o cerne da celeuma fiscal encontra-se na identificação da área do imóvel rural sobre a qual tenha ocorrido o fato gerador do Imposto Rural, além de questionamento sobre a localização do imóvel para fins de definição da média controlada pelo sistema SIPT a ser utilizada. Da área do Imóvel (Recurso Voluntário e de Ofício) Embora o contribuinte tenha declarado 39.884 ha de área total, solicitou a retificação de tal informação, já que, segundo afirma, toda propriedade teria sido ocupada por invasores, situação que busca reversão em lide judicial formalizada ainda nos anos 80. Dos tais 39.884 ha, 9.884 decorrem de Título de Compra e Venda, já os outros 30.000 ha são áreas de posse. A questão da incidência do ITR sobre áreas invadidas não pode ser considerada uma novidade, sendo razoável que o contribuinte que se veja tolhido em seu Fl. 758DF CARF MF Processo nº 10183.720127/2007-86 Acórdão n.º 2201-003.458 S2-C2T1 Fl. 757 5 direito de propriedade não seja instado a recolher tributo cujo fato gerador decorre exatamente da propriedade. Entender de forma diversa, seria aceitar que o Estado se beneficiasse da própria ineficiência, já que não foi capaz de garantir tal direito constitucional. Neste sentido verificamos algumas manifestações jurisprudenciais: TRIBUTÁRIO. ITR. INCIDÊNCIA SOBRE IMÓVEL. INVASÃO DO MOVIMENTO "SEM TERRA". PERDA DO DOMÍNIO E DOS DIREITOS INERENTES À PROPRIEDADE. IMPOSSIBILIDADE DA SUBSISTÊNCIA DA EXAÇÃO TRIBUTÁRIA. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. RECURSO ESPECIAL NÃO PROVIDO. 1. Conforme salientado no acórdão recorrido, o Tribunal a quo, no exame da matéria fática e probatória constante nos autos, explicitou que a recorrida não se encontraria na posse dos bens de sua propriedade desde 1987. 2. Verifica-se que houve a efetiva violação ao dever constitucional do Estado em garantir a propriedade da impetrante, configurando-se uma grave omissão do seu dever de garantir a observância dos direitos fundamentais da Constituição. 3. Ofende os princípios básicos da razoabilidade e da justiça o fato do Estado violar o direito de garantia de propriedade e, concomitantemente, exercer a sua prerrogativa de constituir ônus tributário sobre imóvel expropriado por particulares (proibição do venire contra factum proprium). 4. A propriedade plena pressupõe o domínio, que se subdivide nos poderes de usar, gozar, dispor e reinvidicar a coisa. Em que pese ser a propriedade um dos fatos geradores do ITR, essa propriedade não é plena quando o imóvel encontra-se invadido, pois o proprietário é tolhido das faculdades inerentes ao domínio sobre o imóvel. 5. Com a invasão do movimento "sem terra", o direito da recorrida ficou tolhido de praticamente todos seus elementos: não há mais posse, possibilidade de uso ou fruição do bem; consequentemente, não havendo a exploração do imóvel, não há, a partir dele, qualquer tipo de geração de renda ou de benefícios para a proprietária. 6. Ocorre que a função social da propriedade se caracteriza pelo fato do proprietário condicionar o uso e a exploração do imóvel não só de acordo com os seus interesses particulares e egoísticos, mas pressupõe o condicionamento do direito de propriedade à satisfação de objetivos para com a sociedade, tais como a obtenção de um grau de produtividade, o respeito ao meio ambiente, o pagamento de impostos etc. 7. Sobreleva nesse ponto, desde o advento da Emenda Constitucional n. 42/2003, o pagamento do ITR como questão inerente à função social da propriedade. O proprietário, por possuir o domínio sobre o imóvel, deve atender aos objetivos da função social da propriedade; por conseguinte, se não há um efetivo exercício de domínio, não seria razoável exigir desse proprietário o cumprimento da sua função social, o que se inclui aí a exigência de pagamento dos impostos reais. 8. Na peculiar situação dos autos, ao considerar-se a privação antecipada da posse e o esvaziamento dos elementos de propriedade sem o devido êxito do processo de desapropriação, é inexigível o ITR diante do desaparecimento da base material do fato gerador e da violação Fl. 759DF CARF MF 6 dos referidos princípios da propriedade, da função social e da proporcionalidade. 9. Recurso especial não provido. (STJ - REsp: 1144982 PR 2009/0114749-3, Relator: Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Data de Julgamento: 13/10/2009, T2 - SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: <!-- DTPB: 20091015</br> --> DJe 15/10/2009) Analisando as informações contidas na inicial do processo judicial nº 622/87, nota-se que o contribuinte formalizou sua lide judicial em face de Agropecuária Kuluene S/C LTDA, Aníbal Antônio Bianchinni, Dalier Galo e Mauri Antunes Macedo, objetivando reaver áreas invadidas, assim resumidas: Réus Área invadida em ha Agropecuária Kuluene (fl. 68/70 e ratificado em fl. 98) 6.884,00 Aníbal Bianchini ( fl. 70/71 e ratificado em fl. 98 2.547,00 Dalier Gallo ( fl. 71 e ratificado em fl. 99) 2.546,00 Mauri Antunes (fl. 71 e ratificado em fl. 99). 1.428,00 TOTAL 13.405,00 Ou seja, pelas informações da peça inicial da ação de reintegração de posse, do total do imóvel declarado pelo contribuinte, 39.884 ha, apenas 13.405 ha estariam invadidos. Em fl. 100; ainda na inicial citada, o autor atesta que "com todo o sofrimento...continua na posse da propriedade, embora com a presença dos requeridos nas áreas esbulhadas violentamente, pois mantém um Posto de Gasolina e serviços em pleno funcionamento... áreas de lavoura, maquinários, empregados, inclusive familiares...". Em laudo técnico elaborado pelo Perito Moisés Alves do Nascimento nomeado nos autos judiciais para tal, inserido às fl. 108 e seguintes, cujo teor serviu para movimentar a máquina judicial e merece desta Casa o mesmo crédito, podemos constatar: - Fl. 110. O Sr. Taufick Miguel não ocupa área de 9.884 ha da qual possui domínio representada pelo título constantes dos autos (1670 ha estão ocupadas pelos Irmãos Garcia e 8.214 ha ocupadas por Elói Vitório Marchetti; - Fl 116/117 - O Perito afirma que a área correta identificada após a mensuração é de 37.068,26, que não é o total da posse do autor. E que o requerente desenvolvia atos possessórios em considerável parte da área. Cita uma série de benfeitorias, além de área 4750 ha do outro lado da Rodovia à Esquerda lado Oeste da área total, na qual estaria incluída área de 500 ha arrendada ao Sr. Nilson Daroud; - Fl. 126 - Especificando as benfeitorias do autor na parte não invadida, o perito, mais uma vez, reporta-se às informações já contidas no item anterior; - Fl. 128 - O Perito afirma que o autor encontra-se em parte da área maior de 39.884 ha, mas não na área de 9.884 da qual possui título, que estaria ocupada pelo sucessor da Agropecuária Kuluene, Sr. Elói Vitorino Marchetti (8.214 ha) e Irmãos Garcia ( 1.670 ha); - Fl. 128 - O Perito atesta a existência de Certidão do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, onde consta o cadastro em nome do autor de 39.884 ha; Fl. 760DF CARF MF Processo nº 10183.720127/2007-86 Acórdão n.º 2201-003.458 S2-C2T1 Fl. 758 7 - Fl. 172 - Por fim, vale destacar que o Perito aponta as áreas dos outros requeridos judicialmente, além de dois outros ocupantes na área de 37.068,26 ha, um em uma área de 1.500 ha e outro em uma área de 702 ha. Depois de levantadas algumas informações sobre a lide judicial, convém destacarmos, agora, detalhes relativos ao lançamento. Inicialmente, o contribuinte, por vontade própria, declara-se possuidor de uma área de 39.884 ha. Ao ser autuado, em sede de impugnação, solicita a retificação da área, alegando erro de fato, afirmando que a declaração decorreu da intenção de judicialmente comprovar e perquirir o seu direito de posse. Momento posterior, a DRJ conclui, analisando os documentos relativos ao processo judicial de reintegração, que parte do imóvel declarado não estaria de posse do requerente, razão pela qual alterou a área para o montante que vinha sendo declarado em exercícios anteriores a 2003 pelo contribuinte (9.884,ha). Convertido o julgamento em diligência, a Autoridade Fiscal emitiu a Informação de fl. 375 a 377, na qual, fazendo menção aos documentos juntados aos autos, conclui que o contribuinte, em 2003, tinha a posse de uma área equivalente ao total correspondente ao seu título dominial, 9.884 ha. Ciente da diligência, o contribuinte apresentou a manifestação de fl. 380, na qual buscou demonstrar a incorreção das conclusões da diligência fiscal, em particular em razão das reiteradas conclusões da perícia de que o autor do processo judicial não ocupava a área registrada de 9.884 ha, a qual, conforme dito acima, havia sido invadida em porções de 8.214 e 1.670 ha. E mais, junta ao processo 10183.720130/2007-08, que trata do ITR 2005, informações relativas ao efetivo cumprimento de Mandado de Reintegração de Posse, em particular Auto de Reintegração de Posse e Certidão Circunstanciada, lavrados em novembro de 2014. No Auto de Reintegração, o Oficial de Justiça afirma a reintegração na posse de 27.658,4647 ha, ao passo que, na Certidão Circunstanciada, a área reintegrada seria de 23.342,2786. Além disso, fica evidente que o neste último documento, o que é corroborado por instrumento particular, que o Sr. Eloi Vitorino Marchet, sucessor da Agropecuária Kuluene, voluntariamente, teria devolvido a posse das áreas invadidas ao autor. Ocorre que, ao especificar a área, o Oficial atestou que a mesma foi de 23.342,2766. Por sua vez, no instrumento particular de entrega, não ficou evidente a área devolvida. Como se vê de tudo o que foi até agora exposto, estamos diante de uma espécie de quebra cabeças que não se completa. Veja que o objeto da ação judicial foi a retomada de uma área de pouco mais de 13.000 ha. Agora, tal área invadida retorna superior a 23.000 ha ou, quem sabe, 27.000 ha. Embora o contribuinte tenha apresentado argumentos contrários às conclusões da Fiscalização, é certo que o Agente Fiscal não atestou que o contribuinte estaria de posse da área objeto de título dominial, mas de uma área equivalente em tamanho e inserida no total da área em discussão judicial. Nota-se que o Fiscal identificou a informação do Perito de que o autor encontrava-se na área maior, mas não na área da qual possuía título de domínio. Fl. 761DF CARF MF 8 A conclusão final do Fiscal decorreu das informações contidas em fl.. 316/317, onde consta um Mandado de Cumprimento de Liminar para que o autor fosse mantido em área de 9.884 ha, em cujo cumprimento, dois Oficiais de Justiça asseveraram que o autor já se mantinha na posse de área aproximada de 9.000 ha. Portanto: a) considerando a informação do próprio requerente nos autos judiciais de que se mantém de posse, pelo menos em parte, do imóvel em questão, onde tem um posto de gasolina, lavouras, instalações diversas, empregando pessoas, inclusive parentes; b) considerando a informação do Perito judicial de que o contribuinte desenvolvia atos possessórios em considerável parte da área e que esta não seria o total de sua posse; c) considerando a conclusão expressa pela Autoridade lançadora sobre a posse de área equivalente, em tamanho, à área objeto de Título de Domínio (9.884 ha); d) considerando a informação dos Oficiais de Justiça sobre o fato do autor já estar de posse de área equivalente à objeto da Liminar concedida (9.884 ha); e) considerando que a área de 9884 ha vinha sendo declarada regulamente em exercícios anteriores a 2003; f) considerando o desencontro do tamanho das áreas inicialmente requeridas nos autos judiciais com as que foram identificadas no Laudo Pericial, bem assim na Certidão de cumprimento do Mandado de Reintegração de Posse, nego provimento aos Recursos Voluntário e de Ofício para manter a nova apuração efetuada pela DRJ, considerando como área total do imóvel 9.884 ha, que frise-se, não se confunde com a área do mesmo tamanho registrada em Título de Domínio, mas apenas uma área equivalente dentro da área maior de 39.884 ha. Do VTN O contribuinte discorda do VTN arbitrado pelo valor constante do Sistema de Preços de Terras para o município de Primavera do Lesta, R$ 628,90, afirmando que o imóvel em questão estaria inserido no Município de Novo São Joaquim. Sustenta que a valor estabelecido no SIPT é relativo a terra nua plenamente livre e desembaraçada e de forma mansa e pacífica, desprovida de invasores. Em relação à alegação de que o valor de tabela SIPT só deveria ser utilizado para terras livres e desembaraçadas, temos que, nos autos, já foram retirados do campo de incidência do tributo a parte da propriedade invadida. Assim, a parte remanescente pode e deve ser tributada a partir dos valores constantes do Sistema de Preços de Terras, a menos que o contribuinte comprovasse, mediante laudo de avaliação, que suas terras divergem da média apurada na região, o que não foi feito. Com relação ao Município de localização do imóvel, a Informação Fiscal, em fl. 377, foi categórica ao afirmar que a propriedade estaria contida no município de Primavera do Leste, em particular por conta de ter como referencial a MT-130, no sentido Primavera do Leste / Paranatinga. Fl. 762DF CARF MF Processo nº 10183.720127/2007-86 Acórdão n.º 2201-003.458 S2-C2T1 Fl. 759 9 Ademais o próprio Perito, em fl. 116/117, afirma que a área ocupada do imóvel pelo autor está à direita da MT-130, no km. 95, contando, ainda, com 4750 ha do outro lado da Rodovia, à Esquerda, lado Oeste da área total, na qual estaria incluída área de 500 ha arrendada ao Sr. Nilson Daroud. Cotejando-se o mapa de fl. 374 com o de fl. 747, nota-se que tal conclusão da autoridade fiscal é absolutamente verossímil. Assim, entendo pertinentes às conclusões da DRJ em manter o VTN médio aplicado às propriedades do município de Primavera do Leste, pelo quê, em relação ao Valor da Terra Nua, nego provimento ao Recurso Voluntário. Conclusão: Portanto, por todo o acima exposto, conheço do Recurso Voluntário e de Ofício e, no mérito, nego-lhes provimento, mantendo e a exigência nos exatos termos já expressos na Decisão de 1ª Instância. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator Fl. 763DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.900933/2009-54
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/07/2005
PIS. COFINS. CONTRATO DE PREÇO PREDETERMINADO. APLICAÇÃO DO IGPM. REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA.
O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins.
A utilização do IGPM, não descaracteriza o contrato como de preço predeterminado somente se ficar comprovado que a utilização do índice resultou em correção menor ou igual ao custo de produção ou à variação ponderada dos custos dos insumos utilizados.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-004.462
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201612
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 15/07/2005 PIS. COFINS. CONTRATO DE PREÇO PREDETERMINADO. APLICAÇÃO DO IGPM. REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins. A utilização do IGPM, não descaracteriza o contrato como de preço predeterminado somente se ficar comprovado que a utilização do índice resultou em correção menor ou igual ao custo de produção ou à variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Recurso Especial do Procurador Provido.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 20 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10730.900933/2009-54
anomes_publicacao_s : 201703
conteudo_id_s : 5700341
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 24 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-004.462
nome_arquivo_s : Decisao_10730900933200954.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 10730900933200954_5700341.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2016
id : 6688600
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:57:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048948404387840
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1919; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10730.900933/200954 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303004.462 – 3ª Turma Sessão de 7 de dezembro de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÕES. PREÇO PREDETERMINADO. CORREÇÃO. IGPM. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CIEN COMPANHIA DE INTERCONEXÃO ENERGÉTICA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/07/2005 PIS. COFINS. CONTRATO DE PREÇO PREDETERMINADO. APLICAÇÃO DO IGPM. REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins. A utilização do IGPM, não descaracteriza o contrato como de preço predeterminado somente se ficar comprovado que a utilização do índice resultou em correção menor ou igual ao custo de produção ou à variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 90 09 33 /2 00 9- 54 Fl. 541DF CARF MF Processo nº 10730.900933/200954 Acórdão n.º 9303004.462 CSRFT3 Fl. 3 2 Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3402001.889, que deu provimento parcial ao recurso voluntário interposto pela contribuinte. Em síntese, o colegiado a quo entendeu que o preço predeterminado constante de contrato não perde sua natureza pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária com base no IGPM. Insatisfeita com a decisão acima apontada a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, requerendo a reforma do acórdão recorrido, trazendo, em apertada síntese, os seguintes argumentos: · Pela própria definição e composição do IGPM, fica evidente que não se trata de “índice que reflita a variação dos custos de produção” e nem de “índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados”; · O reajuste estipulado no contrato não descaracteriza o preço predeterminado apenas se for equivalente ao custo da produção ou se utilizar índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1° do art. 27 da Lei 9.069/95, cabendo ao sujeito passivo trazer laudo técnico que demonstrasse os custos que ela tem, os insumos utilizados, bem como memoriais de reajustes dos preços desses bens; · Por outro lado, se o reajuste não refletir a variação dos custos e insumos, a consequência será a tributação pela regra geral, ou seja, sistemática nãocumulativa do PIS e da COFINS, pois não estará mais caracterizado o preço predeterminado. O apelo da Fazenda Nacional foi admitido integralmente, nos termos do despacho de exame de admissibilidade do Presidente da Câmara competente. O sujeito passivo, então, apresentou contrarrazões requerendo a negativa de provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda, reafirmando suas alegações com menções a jurisprudências de tribunais. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.452, de Fl. 542DF CARF MF Processo nº 10730.900933/200954 Acórdão n.º 9303004.462 CSRFT3 Fl. 4 3 07/12/2016, proferido no julgamento do processo 10730.900910/200940, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.452), quanto à admissibilidade do recurso e quanto o mérito. Voto Vencido Deixase de transcrever a íntegra do voto vencido apresentado pela Conselheira Tatiana Midori Migiyama, por ter sido apresentado no Acórdão 9303004.452 (processo paradigma). Transcrevese, tãosomente, a parte relativa à admissibilidade do recurso, que foi acatada pelo Colegiado por unanimidade, e, no mérito, fragmentos do voto vencido, que resumem o entendimento adotado por parte dos integrantes do Colegiado, que votaram por negar provimento ao recurso da Fazenda: "O Recurso é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pelo conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. O que concordo com a análise feita através do Despacho de fls. 509 511 apreciado pelo Presidente da 3ª Câmara da 3º Seção desse Conselho em exercício à época, eis que o confronto das decisões comprova a divergência. O acórdão recorrido decidiu que a correção dos valores de contratos pelo IGPM não descaracteriza o preço prédeterminado, do que resultou manter a contribuinte no regime cumulativo das contribuições. E os arestos indicados se direcionam em sentido contrário. Passo a analisar o cerne da lide trazida em recurso especial, qual seja, se o reajuste estipulado no contrato descaracteriza o preço predeterminado, nos termos do inciso art. 27, § 1º, inciso II, da Lei 9.069/95, pois, conforme alega a Fazenda Nacional, caso não reflita a variação dos custos e insumos, o sujeito passivo deveria observar a sistemática nãocumulativa do PIS e da COFINS, pois não restará mais caracterizado o preço predeterminado. (...) Ademais, cabe trazer ainda que o sujeito passivo apresentou Ofício 1431/2006 – SFF/Aneel – afirmando que os índices por ela aprovados ou homologados, bem como nos contratos celebrados nos moldes dos examinados nesse processo “visam exatamente refletir as variação ponderada dos custos dos insumos utilizados”. Para desconsiderar esse ofício, a autoridade fazendária deveria, de acordo com o art. 79, § 1º, do Decretolei 5.844/43, produzir contraprova demonstrando que os índices dos contratos eram superiores a esses, atestando eventual falsidade ou inexatidão desse Ofício. Ante todo o exposto, entendo que o reajuste de preços efetuado nas condições descritas no artigo 27 da Lei n° 9.069/95, independentemente do índice utilizado, não descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei n° 9.718/98. Frisese tal entendimento a Solução de Consulta da 8ª Região 390 de 2006 Os reajustes de preço de venda de energia elétrica determinados ou autorizados pela ANEEL, conforme procedimento previsto em cláusula de contrato de venda de energia, os quais expressem exclusivamente a variação de custos do Fl. 543DF CARF MF Processo nº 10730.900933/200954 Acórdão n.º 9303004.462 CSRFT3 Fl. 5 4 gerador/vendedor, reconhecida por aquela agência, são aceitáveis para efeito do que dispõe o art. 109 da Lei 11.196/05, não descaracterizando o fornecimento a preço predeterminado." Quanto ao voto vencedor transcrevese sua íntegra, pois traz o entendimento que prevaleceu no Acórdão 9303004.452 (paradigma), e que deve ser adotado na solução deste litígio: Voto Vencedor "Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, peço licença para discordar de suas conclusões. Passo à discussão da matéria, em relação a qual foi comprovada e demonstrada a divergência de interpretação da norma tributária, que se resume à questão sobre a descaracterização de preço predeterminado pela utilização do IGPM em contrato de energia elétrica, para fins de aplicação do regime cumulativo ou nãocumulativo na incidência da Contribuição para o PIS/Pasep. Precedentes recentes da CSRF Observo que fui redator do voto vencedor do Acórdão de número 3301 002.196, de 25/02/2014, processo nº 16349.720019/201136, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 COFINS. APURAÇÃO NÃOCUMULATIVA. CONTRATOS DE LONGO PRAZO. FORNECIMENTO DE BENS E SERVIÇOS. IGPM. PREÇO PREDETERMINADO. CARACTERIZAÇÃO. A utilização do IGPM como índice de atualização implica em descaracterizar o contrato como sendo de preço predeterminado. Disposição expressa do art. 109 da Lei nº 11.196/2005, pois o IGPM não é índice que reflete a variação dos custos de produção. Não sendo o contrato de preço predeterminado aplica se a apuração nãocumulativa da Cofins. (...) Este acórdão foi objeto de recurso especial da contribuinte, que foi provido em julgamento realizado em 24/2/2016. Eis a ementa do Acórdão nº 9303003.470, por meio do qual se reformou referida decisão: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CLÁUSULA DE REAJUSTE. PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. As receitas originárias de contratos de fornecimento de serviços firmados até 31/10/2003 submetemse à incidência cumulativa, desde que observados os termos e condições consolidados pela IN SRF 658/06. A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS." Fl. 544DF CARF MF Processo nº 10730.900933/200954 Acórdão n.º 9303004.462 CSRFT3 Fl. 6 5 Apesar dessa decisão ter sido reformada, a razão que levou esta 3ª Turma da CSRF a proceder à reforma não se encontra presente nos autos de que ora se cuida. Naquele processo, relatado pelo então Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, encontravase Laudo Técnico que comprovava que o índice de atualização monetária, naquele caso, fora inferior ao aumento de custos. Na ocasião, foram utilizadas como razões de decidir as que constaram do voto de outro Acórdão desta Turma, o de número 9303003.373 (PAF 19515.722154/201145), de 11/12/2015, relatado pelo Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, cuja ementa ficou assim redigida: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONHECIMENTO. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. Para comprovação da divergência jurisprudencial, o recorrente deve demonstrar que outro colegiado do CARF tenha julgado situação análoga à versada no acórdão vergastado e tenha decidido a questão de forma distinta da que decidiu o colegiado recorrido, o que é o caso sob exame. "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 REGIME DE INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. REQUISITOS. O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como sendo de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins.(grifei) (...) No Acórdão nº 9303003.373 ficou claro que o IGPM não poderia ser aceito como índice da variação do custo da produção da energia elétrica ou do custo dos insumos empregados nessa produção. Para assim concluir, o Colegiado tratou do conceito de "preço predeterminado", reconhecendo especial importância às instruções normativas, notas técnicas e pareceres da Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB e da Procuradoria Geral da Fazenda NacionalPGFN1, em detrimento de notas técnicas e resoluções da Agência Nacional de Energia ElétricaANEEL, pois, a esta compete a regulação de questões inerentes à geração e à distribuição de energia elétrica e às atividades correlatas, enquanto que à RFB e à PGFN compete o pronunciamento sobre questões tributárias. Naquele Acórdão, reconheceuse que a interpretação dada pela Administração Tributária, em especial por meio da Instrução Normativa SRF nº 658, de 2006, estava de acordo com as leis: art. 27, §1º, II, da Lei nº 9.069, de 1995; art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005. 1 IN SRF nº 658, de 4/7/2006; Nota Técnica Cosit nº 1, de 16/2/2007; Parecer PGNF/CAT nº 1.610, de 2007. Fl. 545DF CARF MF Processo nº 10730.900933/200954 Acórdão n.º 9303004.462 CSRFT3 Fl. 7 6 Rendome às conclusões do Ilustre Conselheiro Gílson, no voto proferido no Acórdão nº 9303003470, quando o colegiado decidiu por acatar o recurso especial do contribuinte, no sentido de que apesar de o IGPM não representar a variação das custos de produção da energia elétrica, estando comprovado nos autos que sua utilização resultou em reajuste inferior à variação desses custos, penso que não há razão para retirar do contrato a característica de "predeterminado" que exige a Lei para permanência do contribuinte no regime cumulativo. Nesse sentido transcrevo o seguinte trecho do citado acórdão: (...) Por derradeiro, gostaria de pontuar que não vejo problemas na utilização de índices propostos em contrato, como por exemplo o IGPM, para correção do preço. Contudo, se o contribuinte optasse por se manter no regime cumulativo, caberia a demonstração de que a correção pelo índice eleito levaria a um resultado igual ou menor do que o resultado do reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. (...) Porém, ao contrário daquele, no presente processo, a contribuinte não provou que o resultado da correção pelo IGPM seria igual ou menor do que obtido pelo reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que refletisse a variação ponderada dos custos do insumos utilizados. À luz do que determina o art. 333 do Código de Processo Civil, caberia à contribuinte, e não ao Fisco, esta prova, pois é ela que está a alegar um direito, ainda mais quanto se está diante de pedido de restituição e compensação, para o quê se exige a certeza e liquidez do crédito pleiteado, conforme arts. 165 e 170 do CTN. Na linha dos precedentes mais recentes desta Câmara Superior, não vejo razões para mudar meu entendimento, expresso no voto vencedor do Acórdão nº 3301002.196, que repito a seguir: 'O voto de nosso eminente Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, na análise de mérito, foi direto ao único assunto controverso que é se a utilização do IGPM, como índice de correção dos contratos firmados pela recorrente, descaracteriza ou não estes contratos como de preços predeterminados. A sua conclusão é que a “utilização do IGPM ou de qualquer índice, como IGPDI, INPC, INCC, não retira do contrato a natureza de “preço predeterminado”, vez que esses índices expressam tão somente a variação do padrão monetário nacional, medida essa indispensável para a garantia do equilíbrio contratual”. Com todo respeito ao ilustre relator, ouso discordar de sua conclusão. Inicialmente vejamos o que dispõe o inc. XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (Produção de efeito) (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...); Fl. 546DF CARF MF Processo nº 10730.900933/200954 Acórdão n.º 9303004.462 CSRFT3 Fl. 8 7 b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; Ou seja, da letra clara da lei, somente poderia continuar no regime de apuração cumulativa os contratos que fossem firmados em data anterior a 31/10/2003 e que respeitasse as condições cumulativas constantes da alínea “b”, acima transcrita. No caso dos presentes autos a única controvérsia é se a aplicação do IGPM descaracterizaria a condição de terem sido firmados a preço predeterminado. Oportuno ressaltar que todas as conclusões a serem aqui estabelecidas abrangem também o PIS por força do disposto no art. 15 deste mesmo diploma legal. Posteriormente, como bem alinhavado pelo relator e pela recorrente, foi editado o art. 109 da Lei nº 11.196/2005, que assim dispôs: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. (grifei) Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. O dispositivo legal deixou claro que a utilização de reajuste de preços em função do custo de produção, ou de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, não descaracteriza o preço predeterminado de que trata a alínea “b” do inc. XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. Observese aqui que o dispositivo legal não fez referência a qualquer índice que reflita a variação do padrão monetário nacional como concluiu o relator e como pretende a recorrente. Poderia têlo feito mas não o fez. Deixou expressamente detalhado que o índice utilizado, para não descaracterizar o preço predeterminado, teria que ser em função do custo de produção ou que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. O IGPM, como informado pela própria recorrente em sua manifestação de inconformidade e no seu recurso voluntário, não tem esta característica. Transcrevo abaixo o item 53 da Manifestação de Inconformidade e 59 do Recurso Voluntário: “Nesse sentido, vale destacar que o IGPM é meramente um índice de correção monetária. Tratase de uma das versões do Índice Geral de Preços (IGP). É medido pela FGV e registra a inflação de preços desde matérias primas agrícolas e industriais até bens e serviços finais.” (grifei) Por oportuno transcrevo abaixo trecho da Nota Técnica Cosit nº 01/2007, a qual utilizo como razão de decidir, pois concordo com as suas conclusões: 27. A fim de esclarecer qualquer dúvida, fazse necessário distinguir “índices de preços setoriais” de “índices de custos setoriais”. Índice de preços setoriais reflete a inflação a que foi submetido um determinado setor. Já índice de Fl. 547DF CARF MF Processo nº 10730.900933/200954 Acórdão n.º 9303004.462 CSRFT3 Fl. 9 8 custos setoriais, como o próprio nome indica, reflete os custos envolvidos na atividade de um dado setor. 29. Segundo informações constantes do sítio da FGV na internet (www.fgv.br), o IGPM, principiou a ser calculado a partir de junho de 1989, por solicitação de um grupo de entidades de classe do setor financeiro, liderado pela Confederação Nacional das Instituições Financeiras, em decorrência das constantes mudanças ocorridas nos indicadores da correção monetária e da inflação oficial. Esse índice originase da média ponderada do Índice de Preços por Atacado (IPAM; 60%), do Índice de Preços ao Consumidor (IPCM; 30%) e do Índice Nacional de Custos da Construção (INCCM; 10%). 30. É desnecessário apresentar maiores detalhes acerca das características do IGPM para verificar que este não se trata de “índice que reflita a variação dos custos de produção” e nem de “índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados” – a sua própria denominação e a dos índices que o compõem é suficientemente elucidativa.' Em resumo, o Acórdão recorrido bem como o voto da ilustre relatora, fundamentamse no entendimento de que o conceito de "preço determinado" não exclui a possibilidade de o preço ser reajustado com base em outros índices que não os admitidos pelo art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, em especial pelo IGPM. Entendo que nenhum dos fundamentos lançados no voto condutor do acórdão recorrido bem como no voto da ilustre relatora, afastam o entendimento exposto na seção precedente. Nestes autos e em outros que cuidam do mesmo assunto, temse reconhecido que não há um conceito técnico e determinado do que seja "preço predeterminado". Por causa disto, procurase elucidar este conceito, às vezes recorrendo a atos, normativos ou não, expedidos por agências reguladoras das atividades desempenhadas pelas contribuintes, às vezes a pareceres expedidos por órgãos incumbidos de tratar de processos de licitação e de contratos celebrados com a Administração Pública, às vezes, recorrendo aos atos expedidos pela RFB e pela PGFN. Por estarmos diante de questão tributária, os atos emanados dos órgãos competentes para tratar desta matéria devem ser os guias para a elucidação que se pretende. Resoluções ou notas técnicas da ANEEL ou mesmo pareceres e orientações normativas da AGU que tratem de preços contratados e das variações de preços admitidas na formalização dos contratos com a Administração Pública não têm primazia sobre as normas tributárias emanadas da RFB e da PGFN, órgãos competentes para tratar de matérias tributárias. Não obstante isto, para a solução da divergência jurisprudencial que se apresenta, não é necessário grande esforço hermenêutico. Não é necessário encontrar ou construir uma definição para a expressão "preço prederminado", pois para se decidir se o reajuste com base no IGPM descaracteriza a condição do preço predeterminado, basta que se analise com cuidado os dispositivos legais em discussão. Fl. 548DF CARF MF Processo nº 10730.900933/200954 Acórdão n.º 9303004.462 CSRFT3 Fl. 10 9 A interpretação da norma legal, disposta no art. 10, inc. XI, "b", da Lei nº 10.833, de 2003, e no art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, combinada com o art. 27, §1º, II, da Lei nº 9.069, de 1995, é suficiente para assentar que se enquadram no conceito de "preço predeterminado", para os fins de incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, nos casos de contratos pelos quais a empresa se obriga a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, as situações em que o reajuste de preço seja em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos insumos utilizados. Admitindose que a lei não contém palavras inúteis, a existência do art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, só se justifica se, sem ele, o conceito de "preço predeterrminado" ficasse descaracterizado pelo reajuste de preços baseado no custo de produção ou na variação que refletisse a variação ponderada dos insumos utilizados. Esta variação é a mais razoável a se considerar como capaz de retratar a variação efetiva do custo do objeto contratual: é a que mais se aproxima de um índice setorial ou específico. Apesar disto, destaquese, apesar de ser a variação mais próxima de um índice setorial ou específico para os casos de contratos pelos quais a empresa se obriga a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, foi necessária uma disposição legal específica para que este caso não descaracterizasse o "preço predeterminado". Diante disto, não se pode admitir que outro índice de reajuste de preços qualquer, que não guarde esta proximidade com o índice setorial ou específico, não descaracterize o "preço predeterminado", sem que haja disposição legal específica neste sentido. Assim, a Instrução Normativa SRF nº 650, de 2006, a Nota Técnica Cosit nº 1, de 2007, e o Parecer PGFN/CAT nº 1.610, de 2007, limitaramse a regular o que já estava previsto em lei. Não houve modificação do conceito de "preço predeterminado" por estes atos infralegais. Conforme afirmamos acima o IGPM não reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pela contribuinte, nem expressa a variação específica dos custos de sua produção. A este respeito, vejamse os seguintes excertos do voto vencedor do Acórdão nº 9303003.373, já citado acima, que aprovo e adoto neste voto: 'Para que não paire qualquer dúvida de que o IGPM não reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pelas distribuidoras de energia, basta analisar o grupo de produtos que compõem cada um dos índices integrantes do IGPM. Nesse índice, entram, além de outros componentes, os preços de legumes e frutas, bebidas e fumo, remédios, embalagens, aluguel, condomínio, empregada doméstica, transportes, educação, leitura e recreação, vestuário e despesas diversas (cartório, loteria, correio, mensalidade de Internet e cigarro, entre outros). Como dito anteriormente, o IGPM é composto de 3 índices, o IPAM, O IPCM e o INCCM. Fl. 549DF CARF MF Processo nº 10730.900933/200954 Acórdão n.º 9303004.462 CSRFT3 Fl. 11 10 O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPAM),que responde por 60% do IGPM, é sistematizado segundo a origem dos produtos agropecuários e industriais e segundo o estágio de processamento bens finais, bens intermediários e matériasprimas brutas. No total, são pesquisados 340 produtos, distribuídos em grupos. Veja, a seguir, a estrutura desse índice. (...) De acordo com a metodologia de cálculo da FGV para esse índice, os produtos de origem agropecuários representam 28,9738% do IPAM e o de origem industrial os outros 71,0262%, sendo que os subitens relativos às máquinas, aparelhos e materiais elétricos correspondem a minguados 1,7674% do IPAM. Partindose da premissa que outros subitens da indústria possam ser utilizados como insumos do setor elétrico eliminando os do setor alimentício, fumo, bebidas, agropecuário, eletrodoméstico, celulose, etc., que não são aplicáveis ao setor de distribuição de energia elétrica vêse que a participação dos insumos do setor elétrico no IPAM é insignificante, muito insignificante. Já em relação ao IPCM, nenhum item está diretamente relacionado a insumos utilizados pelo setor de distribuição de energia elétrica, haja vista que os produtos que compões esse índice, é específico para o consumo das famílias. A seu turno, o INCC, por óbvio, não reflete os custos do insumo do setor elétrico, haja vista que é especifico para medir a variação do setor da construção civil. Ora, mergulhandose na metodologia de cálculo do IGPM e analisando os produtos que o integra, concluise, sem a menor dúvida, que esse índice nem de longe reflete de forma específica a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pela contribuinte, tampouco expressa a variação específica dos custos de sua produção.' Quanto ao ato jurídico perfeito, protegido pela Constituição Federal de 1988, este não foi violado, uma vez que o art. 109 da Lei nº 11.196 de 2005, resguarda a possibilidade de reajuste do preço contratado, sem que isto descaracterize o preço predeterminado. E o faz, definindo o limite da variação de preço aceitável, que deve guardar correspondência com os custos dos insumos e da produção. Por outro lado, a proteção ao ato jurídico perfeito não assegura à contribuinte um direito a não ser tributada, de modo a permitirlhe que não sofra incidência tributária regularmente instituída por lei, em obediência às regras de competência e de vigência e às limitações para imposição tributária, previstas constitucionalmente. Conclusão. Por todo exposto, em especial, por entender que o reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado; que a contribuinte não comprovou que o resultado da variação pelo IGPM foi igual ou inferior ao resultado da variação em função do custo de produção ou da variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; que o ônus da prova recai sobre quem alega um direito, por aplicação do art. 333 Fl. 550DF CARF MF Processo nº 10730.900933/200954 Acórdão n.º 9303004.462 CSRFT3 Fl. 12 11 do CPC; concluo que no presente caso a Contribuição para o PIS/Pasep deve incidir no regime nãocumulativo, motivo pelo qual voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. O que foi decidido aqui tem validade também para os processos da Cofins, com os mesmos fundamentos. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 551DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.009532/2004-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: REGIMES ADUANEIROS
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2002
DRAWBACK SUSPENSÃO. PRINCIPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA.
O regime aduaneiro especial de drawback suspensão, consoante os termos da Lei 11.774/2008, não exige a comprovação da vinculação física entre insumos importados e os produtos finais exportados utilizados para comprovação dos termos avençados no ato concessório, desde que atendidos certos quesitos a que norma se refere. Tampouco exige contabilidade segregada para insumos importados sob essa modalidade.
Recurso de ofício não conhecido e recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3402-003.872
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. Fez sustentação oral o Dr. Victor Bovarotti Lopes, OAB/SP nº 247.161, advogado da Visteon Sistemas Automotivos Ltda.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201702
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2002 DRAWBACK SUSPENSÃO. PRINCIPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA. O regime aduaneiro especial de drawback suspensão, consoante os termos da Lei 11.774/2008, não exige a comprovação da vinculação física entre insumos importados e os produtos finais exportados utilizados para comprovação dos termos avençados no ato concessório, desde que atendidos certos quesitos a que norma se refere. Tampouco exige contabilidade segregada para insumos importados sob essa modalidade. Recurso de ofício não conhecido e recurso voluntário provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 10314.009532/2004-64
conteudo_id_s : 5688757
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3402-003.872
nome_arquivo_s : Decisao_10314009532200464.pdf
nome_relator_s : JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
nome_arquivo_pdf_s : 10314009532200464_5688757.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. Fez sustentação oral o Dr. Victor Bovarotti Lopes, OAB/SP nº 247.161, advogado da Visteon Sistemas Automotivos Ltda.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
id : 6664964
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:56:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048948447379456
conteudo_txt : Metadados => date: 2017-02-27T14:10:07Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2017-02-27T14:10:07Z; Last-Modified: 2017-02-27T14:10:07Z; dcterms:modified: 2017-02-27T14:10:07Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2017-02-27T14:10:07Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-02-27T14:10:07Z; meta:save-date: 2017-02-27T14:10:07Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-02-27T14:10:07Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2017-02-27T14:10:07Z; created: 2017-02-27T14:10:07Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2017-02-27T14:10:07Z; pdf:charsPerPage: 1524; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-02-27T14:10:07Z | Conteúdo => S3-C4T2 Fl. 9.151 1 9.150 S3-C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10314.009532/2004-64 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 3402-003.872 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de fevereiro de 2017 Matéria DRAWBACK SUSPENSÃO Recorrente VISTEON SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2002 DRAWBACK SUSPENSÃO. PRINCIPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA. O regime aduaneiro especial de drawback suspensão, consoante os termos da Lei 11.774/2008, não exige a comprovação da vinculação física entre insumos importados e os produtos finais exportados utilizados para comprovação dos termos avençados no ato concessório, desde que atendidos certos quesitos a que norma se refere. Tampouco exige contabilidade segregada para insumos importados sob essa modalidade. Recurso de ofício não conhecido e recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. Fez sustentação oral o Dr. Victor Bovarotti Lopes, OAB/SP nº 247.161, advogado da Visteon Sistemas Automotivos Ltda. assinado digitalmente Antônio Carlos Atulim - Presidente. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire - Relator. Fl. 9151DF CARF MF Processo nº 10314.009532/2004-64 Acórdão n.º 3402-003.872 S3-C4T2 Fl. 9.152 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório A empresa VISTEON SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA. protocolou os processos administrativos de números 10314.004954/2001-09, 10314.004948/2001-43, 10314.004950/2001-12, 10314.004947/2001-07, 10314.004953/2001-56, 10314.004949/2001- 98 e 10314.004946/2001-54, requerendo a nacionalização de mercadorias originalmente importadas através do regime de tributação de drawback suspensão. Em 30/09/03, teve início auditoria-fiscal sobre o Ato Concessório de Drawback n° 2000-00/000022-2, de 20/01/2000. As importações desse regime foram realizadas nos anos de 2000 a 2002. Ao cabo do procedimento fiscalizatório, consoante o relato fiscal (fls. 8542/8581), concluiu o Fisco ter a empresa incorrido em duas irregularidades: Infração 1: Descumprimento do regime de drawback, inclusive com violação do princípio da vinculação física. Infração 2: Recolhimento a menor de impostos na nacionalização de mercadorias importadas originalmente pelo regime de drawback pela utilização da redução de 40% do Imposto de Importação prevista pelo regime automotivo no art. 5° da Lei n° 10.182/2001. Intimada do Auto de Infração em 10/12/2004, a empresa impugnou-o (fls. 8668/8687) em 11/01/2005, alegando o seguinte: 1. Que houve cerceamento do direito de defesa, pois a fiscalização não explicitou os cálculos que embasaram a autuação no tocante às nacionalizações (infração 2). Assevera que em função de seus próprios cálculos apurou diferença entre os valores lançados e os valores por ela calculados. Apresentou seus cálculos às fls. 5854 a 5861; 2. Que houve erro no cálculo dos tributos referentes à mercadoria "bomba de combustível". Alegou também que a fiscalização considerou uma perda de 5% no processo produtivo, devendo ser considerado o quantitativo de 3.897 peças importadas com suspensão de tributos. Por outro lado, aduz que a fiscalização não levou em conta tal perda, considerando o quantitativo de 4.102 peças (planilha 9); 3. Que faz jus ao beneficio da redução de 40% do imposto de importação, o qual não se confunde com o regime drawback solicitado nas importações. Esclarece que devido a erro em seus controles, tais declarações foram registradas como sendo de drawback, quando em verdade, deveriam ser registradas corno importações em regime comum. Entende que basta a habilitação junto ao SECEX para que a empresa usufrua os benefícios da redução a que alude a Lei 10.182/2001; Fl. 9152DF CARF MF Processo nº 10314.009532/2004-64 Acórdão n.º 3402-003.872 S3-C4T2 Fl. 9.153 3 4. Que não há previsão legal que suporte o entendimento da fiscalização com relação ao principio da vinculação física. Tece argumentos sobre a inviabilidade do controle segregado de produtos. Alega que não há exigência de vinculação temporal entre os bens importados e exportados. Cita jurisprudência administrativa e judicial sobre o tema. Reconhece como devidos os débitos relativos ao excesso de importações, sem considerar o princípio da identidade física, e efetuou recolhimentos A DRJ São Paulo II, em 10/12/2008, julgou (fls. 8856/8865) o lançamento parcialmente procedente (fls. 8856/8865), exonerando-o dos valores em relação ao imputado recolhimento a menor de impostos na nacionalização de mercadorias importadas originalmente pelo regime de drawback pela utilização da redução de 40% do imposto de importação prevista pelo regime automotivo no art. 5° da Lei n° 10.182/2001 (infração 2), por entender que a empresa, nos termos do ofício SECEX (fl. 8851), estava devidamente habilitada no SISCOMEX, portanto fazendo jus à concessão do benefício da redução daquele imposto aduaneiro. À fl. 8865, demonstrativo do crédito tributário em reais (R$) elaborado pela DRJ ao final de sua decisão, onde consta o resumo dos valores lançados, exonerados e mantidos. Tendo o valor exonerado superado o limite de alçada, foi interposto recurso de ofício. Irresignada com a r. decisão, a empresa interpôs recurso voluntário (fls. 9050/9064), em 20/07/2009, no qual, alega: 1 - que é equivocado o entendimento do Fisco de que deve haver vinculação física entre os insumos importados sob o regime de drawback e aquele que vai compor o produto exportado, que a fiscalização chamou de "princípio da vinculação física". Se opõe à interpretação da autoridade fiscal que entende que os insumos importados, após entrada no estabelecimento, devam ser mantidos em estoque segregado para fins de comprovação de que os insumos importados sob as DI vinculadas ao regime aduaneiro especial em análise sejam eles próprios, e não outros por ventura existentes em estoque, utilizados na industrialização dos produtos exportados por meio dos RE vinculados ao mesmo drawback. Em resumo, para a recorrente "o que se exige é que sejam fielmente observados os termos, limites e condições do ato concessório, de tal sorte que desde que o beneficiário comprove a utilização dos insumos importados com suspensão dos impostos na industrialização de produtos exportados, com observância dos prazos, quantidades e valores previstos no ato concessório, pouco importa e não traz qualquer prejuízo para a Fazenda Pública que os insumo importado através daquela DI vinculada ao drawback tenha sido substituída por outro idêntico". E, no ponto, conclui, acostando arestos do CARF e judicial sobre a desnecessidade de vinculação física, os quais, contudo, tratam de produtos fungíveis: Consigna ser impossível a segregação e controle, exemplificando em relação a produtos químicos. Fl. 9153DF CARF MF Processo nº 10314.009532/2004-64 Acórdão n.º 3402-003.872 S3-C4T2 Fl. 9.154 4 Por fim, insurge-se contra a aplicação da multa de ofício, acostando escólio do CARF no sentido de que ela não caberia nos casos de descumprimento de drawback. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator. RECURSO DE OFÍCIO Tendo em vista que o valor exonerado pela decisão a quo foi inferior (R$ 1.660.918,36) ao valor de alçada, o qual, consoante a Portaria MF 63, de 09/02/2017 (DOU 10/02/2017), foi estabelecido em R$ 2.500.000, não conheço do recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO Emerge do relatado que a matéria devolvida a este Colegiado no recurso voluntário restringe-se exclusivamente à questão de se há necessidade de vinculação física da mercadoria importada com suspensão de impostos com espeque no regime aduaneiro especial na modalidade drawback suspensão com aquele produto exportado utilizado para comprovar os termos do ato concessório daquele regime, assim como se deve haver controle de estoque segregado dessas mercadorias importadas. Ou, nas palavras do Fisco, se há necessidade da vinculação física entre o produto importado e o exportado. Assim se manifestou a fiscalização ao motivar o lançamento nesse tópico: "Portanto, para que o regime de DRAWBACK seja dado como cumprido, é indispensável a vinculação entre a mercadoria importada e a mercadoria exportada. Daí, não há que se falar em cumprimento das condições estabelecidas no regime de DRAWBACK se o insumo importado não foi utilizado, em sua integralidade, na produção de bens exportados, no período em que o Ato Concessório vigorava." O procedimento fiscal baseou-se na análise de 8 insumos: 2 modelos de alternadores, sensor para temperatura, 2 modelos de mecanismo de bomba de combustível, compressor de pistão e válvula rotativa com pinhão (item 3.3 do relato fiscal). A autuada, como se conclui da impugnação, e coerente com toda sua defesa, reconheceu "a procedência das parcelas do auto de infração referente ao descumprimento dos compromissos assumidos por ocasião da emissão do ato concessório de drawback em razão de haver exportações de produtos finais (com utilização dos insumos importados) em quantidade inferior à que foi efetivamente importada (planilhas fiscais 04, 08 e 11). Diante disso, recolheu os valores a eles referentes dentro do trintídio para impugnar, com redução da multa de ofício. Assim, o que está em discussão é o caso das planilhas 03, 06 e 13, onde o compromisso de exportação foi cumprido de acordo com os termos concessivos, mas que, pelo fundamento fiscal, não teria se concretizado a chamada vinculação física. Fl. 9154DF CARF MF Processo nº 10314.009532/2004-64 Acórdão n.º 3402-003.872 S3-C4T2 Fl. 9.155 5 A matriz legal do Regime de Drawback é o Decreto-Lei nº 37/66. Ele delimitou o campo de incidência do Imposto de importação, identificando o momento da ocorrência do fato gerador, delineando o regime especial no artigo78: "Poderá ser concedida, nos termos e condições estabelecidos no regulamento: II - Suspensão do pagamento dos tributos incidentes sobre a - importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; De sua feita, o Decreto 3.904/01, que versou sobre o regime em comento, delegou competência ao SECEX para conceder o regime, estatuiu em seu art. 3º: "As mercadorias submetidas a despacho aduaneiro ao amparo do regime drawback deverão ser integralmente utilizadas no processo produtivo ou na embalagem, acondicionamento ou apresentação das mercadorias a serem exportadas". Parágrafo Único: O excedente de mercadorias produzidas ao amparo do regime, em quantidade ou valor relativamente ao compromisso de exportação estabelecido no respectivo Ato Concessório, somente poderá ser consumido no mercado interno após o pagamento dos impostos suspensos dos correspondentes insumos ou produtos importados, com acréscimos legais devidos." Tal quaestio sempre foi controvertida, sendo sempre a convicção da RFB no sentido esposado no relatório fiscal. Contudo, houve por bem o legislador colocar uma pá de cal sobre a divergência, definindo a contenda por meio da Lei 11.774, de 17/09/2008. Vejamos: Art. 17. Para efeitos de adimplemento do compromisso de exportação nos regimes aduaneiros suspensivos, destinados à industrialização para exportação, os produtos importados ou adquiridos no mercado interno com suspensão do pagamento dos tributos incidentes podem ser substituídos por outros produtos, nacionais ou importados, da mesma espécie, qualidade e quantidade, importados ou adquiridos no mercado interno sem suspensão do pagamento dos tributos incidentes, nos termos, limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo.(Redação dada pelo art. 32 da Lei nº 12.350, de 2010) ... § 2 o A Secretaria da Receita Federal do Brasil e a Secretaria de Comércio Exterior disciplinarão em ato conjunto o disposto neste artigo.(Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) Da leitura da transcrita norma, já se pode concluir que o legislador afastou o entendimento de que nos regimes aduaneiros de suspensão e isenção (art. 17, § 1º) seja pressuposto do cumprimento do ato concessório a vinculação física, uma vez assentar às explícitas que os produtos importados sob aqueles regimes podem ser substituídos por outros Fl. 9155DF CARF MF Processo nº 10314.009532/2004-64 Acórdão n.º 3402-003.872 S3-C4T2 Fl. 9.156 6 nacionais e mesmo importados sem suspensão de tributo, desde que da mesma espécie, qualidade e quantidade. A mim já basta a definição legal para desconstituir o lançamento, eis que sua motivação não questionou que o produto importado com suspensão não teria sido substituído por outro de mesma qualidade e quantidade, mas exclusivamente pela questão da falta de vinculação física. Em reforço e em regulamentação a referida Lei, a Portaria Conjunta RFB/SECEX nº 467/2010, de 25/03/2010 (DOU de 26/03), com a redação vigente dada pela Portaria Conjunta RFB/SECEX 1618, de 02/09/2014, estabelece que: ... “Art. 5º- A Para efeitos de adimplemento do compromisso de exportação no regime de que trata o art. 1º, as mercadorias importadas ou adquiridas no mercado interno com suspensão do pagamento dos tributos incidentes podem ser substituídas por outras, idênticas ou equivalentes, nacionais ou importadas, da mesma espécie, qualidade e quantidade, importadas ou adquiridas no mercado interno sem suspensão do pagamento dos tributos incidentes. § 1º Poderão ser reconhecidas como equivalentes, em espécie e qualidade, as mercadorias que, cumulativamente: I - sejam classificáveis no mesmo código da NCM; II - realizem as mesmas funções; III - sejam obtidas a partir dos mesmos materiais; IV - sejam comercializadas a preços equivalentes; e V - possuam as mesmas especificações (dimensões, características e propriedades físicas, entre outras especificações), que as tornem aptas ao emprego ou consumo na industrialização de produto final exportado informado. § 2ºO disposto no caput: I - não alcança a hipótese de empréstimo de mercadorias com suspensão do pagamento dos tributos incidentes entre pessoas jurídicas distintas; II - admite-se também nos casos de sucessão legal, nos termos da legislação pertinente; III - poderá ocorrer, total ou parcialmente, até o limite da quantidade admitida sob o amparo do regime, apurada de acordo com a unidade de medida estatística da NCM prevista para cada mercadoria. § 3º Ficam dispensados, para fins de verificação de adimplemento do compromisso de exportação, controles segregados de estoque das mercadorias fungíveis referidas no caput, sem prejuízo dos controles contábeis previstos na legislação. Constata-se, pois, que há desnecessidade de vinculação física, atendidos os preceitos da lei e regulamento, fato não objeto da motivação do lançamento. Demais disso, Fl. 9156DF CARF MF Processo nº 10314.009532/2004-64 Acórdão n.º 3402-003.872 S3-C4T2 Fl. 9.157 7 igualmente, afasta a necessidade de controle segregado de estoque das mercadorias que possam ser substituídas por outras, como entendo ser o caso dos autos. Dessarte, entendo incidir à espécie o art. 106, II, b do Digesto Tributário, pelo que é de ser dado provimento ao recurso voluntário para cancelar a exigência fiscal remanescente. Diante do exposto, não conheço do recurso de ofício e dou provimento ao recurso voluntário. É como voto. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 9157DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.910533/2012-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO.
O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-003.696
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201702
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 27 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10480.910533/2012-41
anomes_publicacao_s : 201703
conteudo_id_s : 5701404
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 27 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-003.696
nome_arquivo_s : Decisao_10480910533201241.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10480910533201241_5701404.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
id : 6690384
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:57:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048948449476608
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1456; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.910533/201241 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.696 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de fevereiro de 2017 Matéria PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Recorrente ARMAZÉM CORAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 05 33 /2 01 2- 41 Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10480.910533/201241 Acórdão n.º 3302003.696 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP em que a Contribuinte informa ter efetuado recolhimento a maior que o devido. A DRF/Recife proferiu Despacho Decisório indeferindo o pleito sob o fundamento de que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi localizado, mas encontrase integralmente utilizado para quitação de débitos declarados do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição/compensação. Cientificada da decisão, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que houve mera falha em não retificar a DCTF, mas que devem ser reconhecidas as informações de sua DIPJ retificadora, que atesta a ocorrência de pagamento a maior. Em análise dos argumentos apresentados pela Recorrente, a DRJ/Recife julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 11049.562. O Colegiado a quo entendeu que a Contribuinte não havia comprovado o suposto pagamento a maior. Cientificada da decisão de piso, a Recorrente interpôs recurso voluntário sustentando, em síntese: (i) que o erro cometido pela Recorrente de não retificar as DCTFs não anula a existência dos créditos, vez que decorrem da realização de pagamento efetuados a maior; e (ii) que a existência de pagamento a maior é constatada pela simples verificação das DIPJs retificadoras, onde constam os ajustes necessários para atestar a existência do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.657, de 22 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10480.910482/201258, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.657): "I Tempestividade Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10480.910533/201241 Acórdão n.º 3302003.696 S3C3T2 Fl. 4 3 A Recorrente foi intimada da decisão de piso 25.06.2013 e protocolou Recurso Voluntário em 01.07.2013, dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Questões de Mérito Conforme exposto anteriormente, a Recorrente alega (i) que o erro cometido pela Recorrente de não retificar as DCTFs não anula a existência dos créditos, vez que decorrem da realização de pagamento efetuados a maior; e (ii) que a existência de pagamento a maior é constatada pela simples verificação das DIPJs retificadoras, onde constam os ajustes necessários para atestar a existência do crédito pleiteado. Com todo respeito aos argumentos explicitados pela Recorrente, não concordo com suas alegações. Isto porque, a alegação de que a existência do crédito poderia ser facilmente comprovado por meio das Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ) em nada socorre a Recorrente, posto que além da DIPJ não se constituir em confissão de dívida como é o caso da DCTF, não consta dos autos qualquer documento, a exemplo de livros e documentos fiscais e contábeis, que viesse evidenciar a apuração da contribuinte na sua DIPJ retificadora. Com efeito, a DIPJ contêm dados e informações declarados pelo próprio contribuinte que devem ser lastreados com a correspondente documentação fiscal que comprove os lançamentos contábeis, do contrário, o direito ao crédito não deve ser reconhecido. Ora, a simples apresentação de cópias das referidas declarações são insuficientes para comprovar a origem do pretenso crédito almejado pela Recorrente, inviabilizando a confirmação dos valores registrados nas declarações. Não bastasse isso, os argumentos apresentados pela Recorrente não fazem prova de crédito algum, sequer demonstram qual a composição e/ou origem do crédito que ela alegar possuir. Mais uma vez, repitase, que é necessário que sejam colacionados aos autos excertos da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, lastreados em documentação idônea que dê suporte a tais lançamentos. Logo, dúvida não há quanto a inexistência do direito creditório perseguido pela Recorrente. Diante deste cenário, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." No que diz respeito à tempestividade, o recurso apresentado neste processo também é tempestivo (ciência em 24/04/2015, apresentação do RV em 21/05/2015). E, da mesma forma que no processo paradigma, a Contribuinte também não juntou nestes autos "excertos da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, lastreados em documentação idônea" capaz de comprovar a legalidade e materialidade do direito creditório alegado. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10480.910533/201241 Acórdão n.º 3302003.696 S3C3T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 220DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.913818/2011-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.065
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201701
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10480.913818/2011-53
anomes_publicacao_s : 201703
conteudo_id_s : 5688947
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3401-001.065
nome_arquivo_s : Decisao_10480913818201153.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ROBSON JOSE BAYERL
nome_arquivo_pdf_s : 10480913818201153_5688947.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
id : 6665869
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:56:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048948450525184
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1706; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.913818/201153 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401001.065 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 25 de janeiro de 2017 Assunto PIS E COFINS. COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 13 81 8/ 20 11 -5 3 Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10480.913818/201153 Resolução nº 3401001.065 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.781. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10480.913818/201153 Resolução nº 3401001.065 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10480.913818/201153 Resolução nº 3401001.065 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 215DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.733577/2011-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO.
Acolhem-se os embargos declaratórios para corrigir o vício apontado, sem atribuir-lhes efeitos modificativos, para o fim de sanar as omissões e contradições apontadas, com alteração da ementa, do dispositivo e da conclusão do acórdão embargado.
Numero da decisão: 2401-004.738
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer dos embargos declaratórios. Por maioria, dar-lhe provimento parcial, sem efeitos infringentes, para sanar as omissões e contradições apontadas, com alteração da ementa, do dispositivo e da conclusão do acórdão embargado, nos termos do voto. Vencido o conselheiro Cleberson Alex Friess que acolhia os embargos em maior extensão, para corrigir o vício de omissão quanto às parcelas pagas a título de abonos.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente.
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. Acolhem-se os embargos declaratórios para corrigir o vício apontado, sem atribuir-lhes efeitos modificativos, para o fim de sanar as omissões e contradições apontadas, com alteração da ementa, do dispositivo e da conclusão do acórdão embargado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 02 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10580.733577/2011-32
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5715672
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 02 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2401-004.738
nome_arquivo_s : Decisao_10580733577201132.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
nome_arquivo_pdf_s : 10580733577201132_5715672.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer dos embargos declaratórios. Por maioria, dar-lhe provimento parcial, sem efeitos infringentes, para sanar as omissões e contradições apontadas, com alteração da ementa, do dispositivo e da conclusão do acórdão embargado, nos termos do voto. Vencido o conselheiro Cleberson Alex Friess que acolhia os embargos em maior extensão, para corrigir o vício de omissão quanto às parcelas pagas a título de abonos. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
id : 6736404
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:58:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048948454719488
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 916; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.733577/201132 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2401004.738 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 4 de abril de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado SUZANO PAPEL E CELULOSE S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. Acolhemse os embargos declaratórios para corrigir o vício apontado, sem atribuirlhes efeitos modificativos, para o fim de sanar as omissões e contradições apontadas, com alteração da ementa, do dispositivo e da conclusão do acórdão embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 35 77 /2 01 1- 32 Fl. 2756DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer dos embargos declaratórios. Por maioria, darlhe provimento parcial, sem efeitos infringentes, para sanar as omissões e contradições apontadas, com alteração da ementa, do dispositivo e da conclusão do acórdão embargado, nos termos do voto. Vencido o conselheiro Cleberson Alex Friess que acolhia os embargos em maior extensão, para corrigir o vício de omissão quanto às parcelas pagas a título de abonos. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 2757DF CARF MF Processo nº 10580.733577/201132 Acórdão n.º 2401004.738 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional (fls. 2722/2735) em face de decisão prolatada no Acórdão nº 2403002.951 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária da 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em sessão realizada no dia 10 de março de 2015 (fls. 2680/2720), que possui a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE DE CALCULO. A base de cálculo das contribuições previdenciárias corresponde à totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que' seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços. As verbas não sujeitas à tributação devem são especificadas em lei. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nova Lei limitou a multa de mora a 20%. A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO MULTA DE OFÍCIO – EXCLUSÃO O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Se à época dos fatos geradores a multa de oficio não existia para o tributo em questão, ela deve ser excluída do lançamento. ABONO.NÃO INCIDÊNCIA. Sobre abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária. Fl. 2758DF CARF MF 4 Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. A embargante alega que o acórdão embargado foi omisso sobre questão essencial ao deslinde da controvérsia e incorreu, também, no vício da contradição e da obscuridade, sob os seguintes argumentos: 1. Assevera que restou evidenciada a omissão, pois no acórdão e na ementa do julgado não há qualquer referência à matéria “PLR empregados”, muito embora tenha sido objeto de exame pelo Conselheiro Relator que manteve a tributação sobre a rubrica; 2. Aduz que o Colegiado exonerou a cobrança relacionada ao abono eventual e indenizatório, por concluir falta de interesse à Fazenda Nacional para apresentar defesa administrativa, em face do Parecer PGFN/CRJ nº 2114/2011, que resultou na edição do Ato Declaratório nº 16/2011, não tendo, no entanto, procedido à análise dos requisitos para a aplicação do citado Ato Declaratório, caracterizado omissão no julgado, além de contradição, por vislumbrar que o caso sob análise não se amolda aos requisitos previstos no citado ato declaratório da PGFN; 3. Alega contradição, pois, nas razões do julgado o Relator manteve a tributação sobre as verbas pagas a título de “GANHO EVENTUAL LEI 9711”, porém na conclusão do voto e no texto do acórdão consta resultado diverso, no sentido de exclusão dessa rubrica do lançamento; 4. Afirma a existência de omissão e obscuridade pois o Conselheiro redator designado assentou em seu voto que o lançamento é falho quanto ao ILP, todavia, não traz outras informações que possam demonstrar o entendimento da Turma quanto ao assunto, não sendo possível identificar se esse argumento conduziria à nulidade do lançamento no ponto e que tal argumento foi superado nos termos do artigo 59, parágrafo 3º, do Decreto n. 70.235/722, ou se consistiria em outro fundamento, autônomo, apto a conduzir à improcedência (e não nulidade) do lançamento. Em despacho de admissibilidade de fls. 2747/2752, datado de 31/01/2017, foram admitidos os embargos e incluídos em pauta de julgamento para apreciação e saneamento das omissões, contradições e obscuridade apontadas. Em face da renúncia do Conselheiro Relator o processo foi redistribuído para a relatoria desta Conselheira. É o relatório Fl. 2759DF CARF MF Processo nº 10580.733577/201132 Acórdão n.º 2401004.738 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade Conheço dos Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, pois presentes os requisitos de admissibilidade. Passo ao exame do mérito. 1. Omissão PLR No que tange à matéria “PLR empregados”, alega a embargante que muito embora tenha sido objeto de exame pelo Conselheiro Relator que manteve a tributação sobre a citada rubrica, não há qualquer referência no Acórdão e na ementa. Quanto à PLR empregados, verifico que prevaleceu o entendimento firmado pelo Relator no sentido de que a falta do representante do sindicato na comissão configura motivo suficiente para considerar o pagamento de PLR empregados sujeito à tributação por entender que feriu determinação estabelecida na Lei nº 10.101/2000. Transcrevo: PLR EMPREGADOS A PLR aqui tributada é exclusivamente a paga aos empregados nos estabelecimentos da Bahia. Para as demais unidades da empresa, a fiscalização considerou a PLR em harmonia com a Lei 10.101/00. Entendo, para o objeto do lançamento, comprovado que não houve participação de representante indicado pelo sindicato da categoria e os acordos não foram devidamente arquivados nos entes representativos. A argumentação de que dirigentes sindicais, empregados da empresa, compunham a comissão, não é suficiente. A Lei exige "um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria". Registra o Relatório Fiscal a participação de comissão dos empregados em todos os acordos. Quanto aos representantes dos sindicatos, a não participação se limita à Bahia. (...) Fl. 2760DF CARF MF 6 Entendo que a falta do representante do sindicato na comissão fere o estabelecido na Lei 10.101/2000, e é motivo suficiente para considerar tal rubrica como sujeita a Tributação. Acontece que a ementa do Acórdão nº 2403002.951 não evidencia o posicionamento do colegiado que manteve a tributação incidente do PLR empregados. Assim, impõese considerar os aclaratórios opostos pela Fazenda Nacional, nessa matéria específica, como recurso de saneamento e integração relativamente ao acórdão embargado, cujo propósito consiste na eliminação da omissão contida na ementa. Nesse sentido devem ser acolhidos os Embargos de Declaração para suprir a omissão apontada, e incluir na ementa do Acórdão o seguinte trecho: PLR EMPREGADOS A falta do representante do sindicato na comissão fere o estabelecido na Lei nº 10.101/2000, sendo motivo suficiente para considerar referida rubrica como sujeita à tributação. PLR DE DIRETORES E GERENTES O fato de haver cláusula expressa permitindo à empresa estabelecer planos específicos para funcionários que exerçam cargo de confiança, chefia e executiva, é suficiente para caracterizálo como PLR nos termos da Lei nº 10.101/2000. Deve ser excluída a tributação incidente sobre PLR de Diretores e Gerentes. Deve ainda ser alterado o dispositivo do Acórdão para constar a seguinte redação: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: (i) determinar a exclusão da tributação incidente sobre PLR de Diretores e Gerentes. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari(relator) O conselheiro Ivacir Júlio de Souza votou pelas conclusões (ii) determinar a exclusão da tributação do Incentivo de Longo Prazo ILP. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari(relator), (iii) determinar, até a competência 11/2008, a exclusão da multa de oficio e o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao art. 35 da Lei 8.212/91 prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão das multas. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar a exclusão da tributação incidente sobre Ganho Eventual, Acordo Coletivo Noturno, Abono Eventual e Abono Indenizatório. Pelo voto de qualidade, em manter a tributação do Auxilio Filho Excepcional. Vencidos os conselheiros Ivacir Julio de Souza e Ewan Teles Aguiar e Marcelo Magalhães Peixoto. Por unanimidade de votos, em manter o lançamento do PLR empregados Bahia. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto. Cabe esclarecer que os aclaratórios interpostos pela Fazenda são acolhidos sem efeitos modificativos quanto ao resultado do julgamento, porquanto há manutenção do crédito tributário quanto à cobrança incidente sobre PLR empregados (Bahia). Fl. 2761DF CARF MF Processo nº 10580.733577/201132 Acórdão n.º 2401004.738 S2C4T1 Fl. 5 7 2. Omissão e Obscuridade Incentivo de Longo Prazo ILP Segundo os Embargos apresentados pela Fazenda, a omissão e obscuridade ressai configurada no presente caso, pois o Conselheiro Redator designado assentou em seu voto que o lançamento é falho quanto ao ILP, todavia, não traz outras informações que possam demonstrar o entendimento da Turma, não sendo possível identificar se esse argumento conduziria à nulidade do lançamento nos termos do artigo 59, parágrafo 3º, do Decreto n. 70.235/722, ou se consistiria em fundamento autônomo, apto a conduzir à improcedência (e não nulidade) do lançamento, observando ainda que sendo julgado nulo o lançamento, seria necessária a indicação da natureza do vício que o ensejou, se material ou formal. O voto do Redator, quanto à matéria vencedora, diz respeito ao PLR de Diretores e Gerentes e a exclusão da tributação do Incentivo de Longo Prazo – ILP. No que tange ao ILP Incentivo de Longo Prazo, entendeu que, por tratar de parcela de PLR de Diretores e Gerentes, também há de se exonerar este pagamento da incidência de contribuição previdenciária. O convencimento firmado pela maioria do colegiado encontrase consignado no voto vencedor com os seguintes fundamentos: A respeito do pagamento de PLR a Diretores e Gerentes e do Plano Incentivo de Longo Prazo (item 4 do Relatório Fiscal), a autoridade fiscal afirma que a empresa pagou PLR de forma diferenciada para os seus empregados com cargos executivos (de direção e gerencia), inclusive aos diretores estatutários, os quais foram definidos de forma unilateral e não teria havido a participação de empregados ou de qualquer sindicato na elaboração destes planos. (item 4.1.1 e 4.1.2. do REFISC) Afirma também a fiscalização que a "estratégia" utilizada pela empresa foi a de acrescentar uma cláusula, no Acordo de PLR firmado com a comissão, autorizando a empregadora a elaborar planos específicos e diferenciados para aqueles que exercem certos cargos de gestão ou confiança e que em todos os acordos firmados com a comissão de empregados e sindicatos existem uma cláusula prevendo a possibilidade da criação deste plano à parte para dirigentes. (item 4.1.3. do REFISC). (...) No entanto, discordo da conclusão fiscal. O fato de haver no contrato cláusula expressa determinando que a empresa poderá estabelecer "planos" específicos para os funcionários que exercem cargo de confiança, chefia e executiva, é suficiente para caracterizálo como PLR nos termos da Lei 10.101/2000, acaso preenchidas as outras disposições legais, que foi o que ocorreu. Houve a participação da comissão de empregados, bem como sindical para previsão da referida cláusula. O fato destes empregados e do sindicato não participar da forma pela qual será paga e o estabelecimento das suas metas em nada fere a legislação própria, a Lei 10.101/2000, uma vez que o que Fl. 2762DF CARF MF 8 busca a legislação é estabelecer uma liberdade de negociação dos empregados e seu empregador. (...) O ILP Incentivo de Longo Prazo, está previsto no documento de fls.1509 e seguinte dos autos e tem como objetivo promover a retenção e atração de executivos e membros chaves da organização e é pago como complemento a parcela de participação nos lucros e resultados, conforme se percebe do item 10 da Política Corporativa, na fl. 1514. Dessa forma, por tratar de parcela de Participação nos Lucros e Resultados (com cálculo diferenciado), entendo também que há de se exonerar este pagamento da incidência de contribuição previdenciária, pelos termos acima expostos. Não obstante esse fato cumpre destacar que o lançamento, no que toca ao ILP, é falho. Percebese do Discriminativo de Débito que não há uma rubrica própria para esse item do lançamento, procedimento que deveria ter sido realizado (como o foi para todas as demais rubricas) à fim de dar fundamentação e consequente transparência ao contribuinte da base de cálculo da contribuição apurada, ou seja, do lançamento neste item, o que denota afronta ao art. 142 do CTN. Nestes termos, entendo que deve ser dado provimento parcial ao recurso voluntário para determinar a exclusão da tributação incidente sobre PLR de Diretores e Gerentes, bem como a exclusão da tributação do Incentivo de Longo Prazo ILP. Conforme se destaca do Voto condutor do julgado, existem dois fundamentos que conduziram para a exclusão da tributação do Incentivo de Longo Prazo – ILP. O Redator traz argumentos afirmando que o ILP é pago como complemento à parcela de participação nos lucros e resultados (com cálculo diferenciado), motivo porque também há de se exonerar este pagamento da incidência de contribuição previdenciária, pelos mesmos termos expostos quanto ao PLR para Diretores e Gerentes. Assim, restou firmado entendimento de que houve a participação da comissão de empregados, bem como a participação sindical, para a previsão de cláusula expressa no acordo de PLR no sentido de que a empresa possa estabelecer "planos" específicos para os funcionários que exerçam cargo de confiança, chefia e executiva, o que ressai motivo suficiente para caracterizálo como PLR, por restarem atendidas as disposições inseridas na Lei nº 10.101/2000. Referido fundamento enseja a improcedência do lançamento de ILP. Não obstante a improcedência sob os mesmos fundamentos do PLR para Diretores e Gerentes, ainda se destaca a falha do lançamento, posto que, no Discriminativo de Débito, não existe rubrica própria para o item ILP, o que demonstra deficiência na acusação fiscal por falha na identificação da matéria e base tributável, afrontando o art. 142 do CTN. Nesse ponto, o ato administrativo revela vício material. Nestes termos, em face dos dois fundamentos no voto, o colegiado decidiu pela improcedência do lançamento, para determinar a exclusão da tributação do Incentivo de Longo Prazo ILP. Fl. 2763DF CARF MF Processo nº 10580.733577/201132 Acórdão n.º 2401004.738 S2C4T1 Fl. 6 9 Dadas às conclusões do voto, acima expostas, deve ser adequado o Acórdão nestes termos e incluir na ementa o seguinte trecho: INCENTIVO DE LONGO PRAZO – ILP O ILP é pago como complemento à parcela de participação nos lucros e resultados (com cálculo diferenciado), motivo porque, também há de se exonerar este pagamento da incidência de contribuição previdenciária, pelos mesmos motivos expostos quanto ao PLR para Diretores e Gerentes. Existe falha intrínseca no lançamento por deficiência na identificação da matéria e base tributável, afrontando o art. 142 do CTN, o que revela a existência de vício material no ato administrativo. Deve ser julgado improcedente o lançamento, para determinar a exclusão da tributação do Incentivo de Longo Prazo – ILP. 3. Omissão e contradição – Ganho Eventual, Acordo Coletivo Noturno, Abono Eventual e Abono Indenizatório Em sua peça recursal, aduz a Recorrente que o Colegiado exonerou a cobrança relacionada ao abono eventual e indenizatório com base no Ato Declaratório nº 16/2011, não tendo, no entanto, procedido à análise dos requisitos para a aplicação do citado Ato Declaratório, caracterizado omissão no julgado, além de contradição, por vislumbrar que o caso sob análise não se amolda aos requisitos previstos no citado ato declaratório da PGFN. Assevera ainda contradição entre as razões do julgado, em que o Relator manteve a tributação sobre as verbas pagas a título de “GANHO EVENTUAL LEI 9711”, porém na conclusão do voto e no texto do acórdão consta resultado diverso, no sentido de exclusão dessa rubrica do lançamento. Como se pode verificar do Acórdão, os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso para determinar a exclusão da tributação incidente sobre Ganho Eventual, Acordo Coletivo Noturno, Abono Eventual e Abono Indenizatório. Em análise do voto do Relator, verificase que houve distinção entre GANHOEVENTUAL LE19711 GE, cujo lançamento foi mantido no Acórdão nº 2403 002.951, GANHO EV AC COL TURNO – GT e EVENTUAL E ABONO INDENIZATÓRIO AE E AI (fls. 2711/2714). A decisão embargada esclarece o que foi alegado pela recorrente, no sentido de que as verbas relativas ao ganho eventual são pagas por liberalidade do empregador, em caráter eventual, e que os Ganhos Eventuais Acordo Coletivo Noturno e o Abono Indenizatório indenizam o trabalhador em razão da condição de trabalho, e enfatiza que o relatório fiscal registra que tais verbas estão previstas em convenção. Conclui que, Com base no Ato Declaratório n° 1612011, da PGFN, referidas verbas devem ser excluídas da tributação. Nesse sentido, reproduzo trechos do Acórdão ora embargado: A recorrente alega que as verbas não objetivam retribuir o trabalho, não incidindo contribuições previdenciárias sobre os Fl. 2764DF CARF MF 10 tais valores, que o Abono Eventual é pago por mera liberalidade do empregador, em caráter eventual, que os Ganhos Eventuais Acordo Coletivo Noturno GT e o Abono Indenizatório compensam uma perda relativa, indenizando o trabalhador em razão de uma condição especial do trabalho. Registra o Relatório Fiscal que essas verbas estão previstas em convenção. 5.2 GANHO EV AC COL TURNO GT 5.2.1 Este ganho também não foi oferecido à tributação. A empresa entendeu que esta verba teria caráter eventual, contudo, tal parcela foi verificada na convenção de trabalho apresentada. 5.2.2 Na convenção está previsto o pagamento de uma parcela fixa e anual aos trabalhadores de Turno. Conforme dados extraídos da folha, os pagamentos foram efetuados todos anos de modo consecutivo e habitual. Como não há previsão legal para afastar a incidência de contribuição previdenciária, todos os pagamentos efetuados foram considerados como base de cálculo. EVENTUAL E ABONO INDENIZATÓRIO AE E AI 5.3.1 Estes abonos estão previstos em acordos e convenções de trabalho. São verbas fixadas nos acordos e convenções coletivas, tem valor fixo e são pagas anualmente. São, portanto, proventos vinculados ao trabalho. 5.3.2 A lei 9711 só afasta a incidência da contribuição previdenciária dos Abonos que são desvinculados expressamente do salário. tem os acordos e convenções o poder de isentar estes anos. somente a lei. 5.3.3 Estas verbas têm relação com o trabalho desenvolvido, estão previstas em acordos e convenções de trabalho, são pagas com habitualidade e, portanto, devem sofrer a incidência da contribuição previdenciária. Com base no Ato Declaratório n° 1612011, da PGFN, entendo que as verbas devem ser excluídas da tributação. A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso 11do art. 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5° do Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJIN° 2114/2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 09/12/201 1, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária". Fl. 2765DF CARF MF Processo nº 10580.733577/201132 Acórdão n.º 2401004.738 S2C4T1 Fl. 7 11 Pois bem. Não existe a contradição apontada pela embargante. O Colegiado entendeu pela aplicação do Parecer PGFN/CRJIN° 2114/2011 e excluiu a incidência da contribuição previdenciária por terem sidos preenchidos os requisitos do Ato Declaratório n° 1612011, da PGFN. No presente caso, após a análise do processo, a unanimidade dos Conselheiros excluiu da tributação as verbas incidentes sobre Ganho Eventual, Acordo Coletivo Noturno, Abono Eventual e Abono Indenizatório com base no Ato Declaratório n° 1612011, da PGFN, entendendo a sua pertinência com o caso concreto. O inconformismo com os fundamentos adotados no julgamento não significa a existência de omissão no acórdão. Como consequência, descabe acolher o vício de omissão apontado pela Fazenda Nacional. Quanto à contradição entre os fundamentos adotados e a conclusão do voto, entendo que assiste razão a embargante, devendo a conclusão do voto ter a seguinte redação: À vista do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando, a manutenção da tributação incidente sobre "GANHO EVENTUAL LEI 9711"e a exclusão da TRIBUTAÇÃO ACORDO COLETIVO NOTURNO, ABONO EVENTUAL E ABONO INDENIZATÓRIO; até a competência 11/2008, a exclusão da multa de oficio e o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER dos embargos de declaração e, no mérito, DARLHES PARCIAL PROVIMENTO, sem efeitos modificativos, para sanar as omissões/contradição existentes no Acórdão, para tão somente proporcionar o saneamento e a integração do acórdão. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 2766DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.725996/2012-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS E/OU COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. PROCEDÊNCIA PARCIAL.
Caracteriza omissão de receitas a existência de créditos bancários cuja origem não houver sido comprovada. Constatada que a origem dos depósitos se refere a transferências bancárias de mesma titularidade, exonera-se o lançamento
Numero da decisão: 1401-001.720
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao RECURSO DE OFÍCIO.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Júlio Lima Souza Martins, Aurora Tomazini de Carvalho, Lívia de Carli e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS E/OU COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. PROCEDÊNCIA PARCIAL. Caracteriza omissão de receitas a existência de créditos bancários cuja origem não houver sido comprovada. Constatada que a origem dos depósitos se refere a transferências bancárias de mesma titularidade, exonera-se o lançamento
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 05 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 18470.725996/2012-31
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5716989
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 05 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1401-001.720
nome_arquivo_s : Decisao_18470725996201231.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
nome_arquivo_pdf_s : 18470725996201231_5716989.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao RECURSO DE OFÍCIO. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Júlio Lima Souza Martins, Aurora Tomazini de Carvalho, Lívia de Carli e Antonio Bezerra Neto.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 14 00:00:00 UTC 2016
id : 6742407
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:59:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048948470448128
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1501; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 531 1 530 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18470.725996/201231 Recurso nº 999.999 De Ofício Acórdão nº 1401001.720 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de setembro de 2016 Matéria IRPJ/REFLEXOS Recorrente BRASKILL COM. DE BEBIDAS LTDA ( EXPAND GROUP BRASIL S.A.), OTÁVIO PIVA ALBUQUERQUE, CPF N° 535.354.05815 E TARCÍSIO DE CÁSSIA DAYRELL, CPF N° 046.181.49868. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS E/OU COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. PROCEDÊNCIA PARCIAL. Caracteriza omissão de receitas a existência de créditos bancários cuja origem não houver sido comprovada. Constatada que a origem dos depósitos se refere a transferências bancárias de mesma titularidade, exonerase o lançamento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao RECURSO DE OFÍCIO. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Júlio Lima Souza Martins, Aurora Tomazini de Carvalho, Lívia de Carli e Antonio Bezerra Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 59 96 /2 01 2- 31 Fl. 3313DF CARF MF Processo nº 18470.725996/201231 Acórdão n.º 1401001.720 S1C4T1 Fl. 532 2 Relatório Tratase de recurso de ofício contra o Acórdão nº 1264.341 da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro IRJ. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: O presente processo tem origem nos autos de infração de fls. 1.637/1.643, 1.644/1.651, 1.652/1.657 e 1658/1.666, lavrados pela DRF Rio de Janeiro dos quais a interessada acima identificada foi cientificada em 10/08/2012, conforme faz prova o AR(aviso de recepção) de fls. 1.686/1.688, consubstanciando exigência do imposto sobre a renda da pessoa jurídica no valor de R$ 21.680.245,07; da contribuição para o PIS, R$ 1.403.763,87; da contribuição para o financiamento da seguridade social, R$ 6.465.821,58, e da contribuição social sobre o lucro líquido, R$ 7.813.528,22, acrescidos da multa de ofício no percentual de 225% e dos juros moratórios. 2. No pólo passivo da obrigação tributária, foram incluídos, por solidariedade, os Srs. OTÁVIO PIVA ALBUQUERQUE, CPF N° 535.354.05815 E TARCÍSIO DE CÁSSIA DAYRELL, CPF N° 046.181.49868, mediante lavratura de termos de sujeição passiva, fls. 1.548/1.560 com ciência em 10/08/2012, fls. 1.684/1.685 e 1.689/1/692. 3. A fiscalização levada a efeito pela Delegacia da Receita Federal do Brasil Rio de Janeiro II, ao amparo do mandado de procedimento fiscal MPF 07.1.90.00.2009017709, apurou, em face da descrição nos autos de infração e do termo de constatação de fls. 1.667/1.683: omissão de receita caracterizada pela não contabilização e comprovação da origem de depósitos bancários, nos valores elencados em fls. 1.641/1.642, individualizados em fls. 990/1.281. A base para o lançamento foi o art. 24 da Lei n° 9.249/95; 42 da Lei e arts 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 279, 282, 287 e 288 do RIR/99; diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago, pois o valor registrado em Dipj não havia sido confessado em DCTF. A fundamentação legal foi o art. 247 e o art. 841 do RIR/99. com base nas omissões de receita apuradas, efetuou, também os lançamentos da contribuição para o PIS, da Cofins e CSLL. 3. Os enquadramentos legais para os lançamentos estão descritos nos respectivos autos de infração constante dos autos. 4. Descreve o autuante em seu Termo de Constatação, fls. 1.667/1.683, em síntese: 4.1. em 22/05/2009, iniciouse a ação fiscal com a intimação para a apresentação de livros comerciais e fiscais; 4.2. o contribuinte foi intimado a apresentar seus extratos bancários, não tendo os apresentado; 4.3. por meio de RMF foram obtidos os extratos bancários. Foi feita a relação dos valores de sua movimentação bancária e, em 13/02/2012, foi entregue cópia ao contribuinte para a comprovação da origem dos créditos bancários; Fl. 3314DF CARF MF Processo nº 18470.725996/201231 Acórdão n.º 1401001.720 S1C4T1 Fl. 533 3 4.4. em 29/03/2012, o contribuinte foi novamente intimado a comprovar a origem; 4.5. em pesquisa à Jucerja, em 12/06/2012, foi verificado que o contribuinte arquivou Ata Geral Extraordinária, transformando a sociedade Expand Group Brasil S.A em sociedade limitada. No mesmo ato, houve alteração da Razão Social e dos sócios. A empresa passou a ter o nome Braskill Com de Bebidas S.A e os sócios Catskill LLC, sociedade limitada constituída pelas leis do estado de Delaware, EUA, cujo procurador é o Sr. Tarcísio de Cássia Dayrell, o qual é o sócio da empresa fruto da transformação; 4.6. considera que está presente de uma atitude dolosa com o específico fim de afastar a possibilidade de cobrança do crédito tributário da pessoa jurídica Expand Group S.A , pois se excluiu o sócio principal e o sócio que entra tem domicílio nos EUA com tributação favorecida. A ato é praticado durante a ação fiscal e sem a informação à RFB. Assim, entende o autuante que resta claro que o contribuinte será autuado com a multa qualificada nos termos da Lei n° 9.430/1996, c/c Lei n° 4.5002/1964; 4.7. Além do exposto, verificou que o contribuinte de forma contumaz deixou de responder às intimações enquadrandose na figura de embaraço à fiscalização nos termos do art. 33 da Lei n° 9.430/1996; 4.8. os fatos apurados tiveram o objetivo de "blindar" o exsócio (Otávio Piva Albuquerque), sócio quotista à época dos fatos, pois o capital é de valor expressivo e necessariamente seus bens responderiam pelo tributos devidos, bem como eximir a pessoa jurídica do pagamento dos tributos; 4.9. a fim de evitar a nulidade do procedimento, em 01/07/2012, ciência em 04/07/2012, lavrou termo de intimação à pessoa jurídica não extinta na Jucerja; em 01/07/2012, com ciência em 05/07/2012, lavrou termo de intimação dando ênfase na pessoa jurídica da pessoa jurídica não extinta na Jucerja, nas pessoas de seus ex sócios Otávio Piva de Albuquerque e Tarcísio de Cassia Dayrell para prestar os esclarecimentos quanto aos créditos relacionados nas planilhas de todos os bancos envolvidos; 4.10. após consultas na Jucerja, e considerando por descuido do contribuinte, foi encaminhada cópia do Ato de Transformação, retida para fins processuais; 4.11. em pesquisa a meios adjacentes, considera o Sr. Otávio o mentor da transformação, pois era gestor antes e continuou após a transformação; 4.12. relaciona várias empresas com o objetivo de demonstrar que várias empresas de distribuição de vinho seriam uma só empresa e que os ilícitos tributários já relatados foram observados, também, nestas empresas, o que agrava o procedimento da expand; 4.13. quanto à multa: o contribuinte agiu com dolo no momento em que se omite de responder sistematicamente às intimações, condição esta agravada pela transformação da sociedade não comunicada à RFB, com a alteração do sócio em país com tributação mais favorecida; no anocalendário o contribuinte valeuse do sigilo bancário para omitir renda, visando retardar a ocorrência do fato gerador e furtarse dos pagamentos dos tributos devidos; os seus atos praticados tem o intuito de embaraçar a fiscalização; Fl. 3315DF CARF MF Processo nº 18470.725996/201231 Acórdão n.º 1401001.720 S1C4T1 Fl. 534 4 por meio de RMF foram obtidos os extratos bancários. Foram analisados os créditos bancários e, quando possível, excluídos aqueles que seriam de mesma titularidade e aqueles que não se configurava operação de venda. Foram consolidados os créditos por mês com a exclusão das receitas declaradas; verificou que os valores apurados de IRPJ e CSLL na declaração foram registrados em DCTF e não foram localizados os pagamentos, assim foi feito o lançamento sem o agravamento e a qualificação da multa; lavrou termo de sujeição passiva, fls. 1.548/1.560, com ciência, 10/08/2012, fls. 1586/1589, no sentido de ampliar a garantia na cobrança do crédito, arrolando o Sr. Otávio Piva de Albuquerque e Tarcísio de Cassia Dayrell, que receberam cópia e ciência dos autos de infração e termo de constatação; em fl. 1.683, há a relação dos créditos por mês e banco, com as exclusões promovidas pelo autuante. 5. O autuante com o objetivo de fazer prova, juntou aos autos os documentos de fls. 19/2.645. 6. Inconformada com o lançamento, a empresa interessada, em 06/09/2012, apresentou as impugnações de fls. 2.310/2.361, 2.697/2.749, 2.752/2.804, 2.807/2.858 e 2.861/2.912 e arguindo, em síntese: 6.1. Em preliminar, que: 6.1.1. o auto de infração está eivado de nulidade na medida em que está fundamentado em prova ilícita, obtida de forma ilegal, diretamente das instituições financeiras os extratos bancários, o que já decidiu o STF pela inconstitucionalidade, pois é imprescindível que haja decisão judicial autorizando a obtenção das informações, que seria a de seu sigilo bancário. Como fundamento legal cita e transcreve o inciso XII do art. 5° da CF/88 , e a nulidade com base no art. 30 da Lei n° 9.784/99; 6.1.2. o art. 6° da LC n° 105/2001 é inconstitucional, não cabendo a este órgão analisar a constitucionalidade da referida lei pois o STF já decidiu, cabendo somente aplicar o referido entendimento, RE n° 389.808/PR 6.1.3 os fatos geradores destas obrigações tributárias seguem o previsto no art. 43 do CTN. Logo, tendo sido notificado dos lançamentos em 10/08/2012, os fatos geradores ocorridos até 09/08/2007 estão fulminados pela decadência em face §4° do art. 150 do CTN. Ressalta que não cabe a aplicação do art. 173 do CTN pois provará que não cometeu fraude e que pelo próprio termo de constatação podese presumir a existência de pagamento antecipado. Assim, estão decadentes os fatos geradores de janeiro a julho de 2007; 6.1.4 o autuante incluiu valores que não configuram receitas tais como transferência de mesma titularidade e valores de vendas canceladas. Assim, fica evidente que o autuante utilizou valores de bases de cálculo indevidos, o que evidencia que o auto de infração padece de vício insanável de nulidade, nos termos do art. 142 do CTN, pois é requisito essencial a correta identificação do tributo devido e do inciso II do art. 11 do Decreto n° 70.235/1972; 6.1.5. "para que um determinado auto de infração tenha validade e produza efeitos no mundo jurídico, deve necessariamente conter todos os elementos que lhe forem essenciais, sob pena de impossibilitar, inclusive o exercício do direito à ampla defesa e ao contraditório; 6.1.6. que as intimações e avisos sejam enviados para o endereço informado em fl. 2.804; Fl. 3316DF CARF MF Processo nº 18470.725996/201231 Acórdão n.º 1401001.720 S1C4T1 Fl. 535 5 6.2. No mérito, aduziu que: 6.2.1. os valores considerados omissão de receita estão registrados nos livros contábeis da empresa, descaracterizando a omissão apurada. Em seu Razão estão registrados os valores que transitaram por suas contas correntes no total de R$ 204.583.989,44. A mera falta de recolhimento de tributo não é fato para configurar omissão de receita e, consequentemente, aplicar a multa qualificada; 6.2.2. não foram excluídos valores relativos a empréstimos, vendas canceladas, estornos e valores debitados; 6.2.3. o autuante utilizou valores diversos dos efetivamente registrados na Dacom, pois somente levou em consideração as receitas provenientes de bens e serviços, não incluídos as outras receitas; 6.2.4. a autoridade errou no cálculo do adicional, pois não excluiu a quantia de R$ 20.000,00 mensais da base de cálculo de IRPJ estabelecida no art. 228 do Decreto n° 3.000/1999; 6.2.5. a alegada omissão de receita não foi devidamente comprovada, pois não houve por parte do autuante uma investigação para verificar os valores creditados foram contabilizados; 6.2.6. de fato foi intimada para comprovar os créditos, mas devido ao lapso temporal entre os fatos geradores e a presente data não foi possível localizar tais documentos na época da intimação, tanto que pediu concessão de prazo para localizar os documentos, que foi negado. Conclui que não se omitiu em apresentar os documentos, sempre esteve disposta a apresentálos, razão pela qual não há que se falar em omissão de receita e muito menos dolo; 6.2.7. o único documento que não apresentou foi o extrato bancário, que amparada por decisão do STF, só é cabível com decisão judicial; 6.2.8. é impossível utilizar depósito bancário para presumir a omissão de rendimentos sem a comprovação do nexo causal entre o fato que representa a omissão e o depósito; 6.2.9. entender que o art. 42 da Lei n° 9.430/1996 inverteu o ônus da prova quanto à demonstração da efetiva ocorrência do fato gerador, o que seria um atentado à nossa CF/88 e ao CTN; 6.2.10. "na realidade, desde a vigência do RIR/80 que a pretensão fiscal de efetuar o lançamento fundado exclusivamente em depósito bancário vem sendo afastada pela doutrina e jurisprudência (vide súmula 182 do extinto TFR) e, não há qualquer motivo razoável para que este entendimento seja alterado em face da Lei n° 9.430/1996"; 6.2.11. é impossível a presunção de renda por intermédio dos extratos bancários, após a edição da LC n° 105/2001, pois o autuante tem com as informações constantes dos extratos todos os meios para fazer a prova, não cabendo se falar após a LC n° 105/2001 de inversão do ônus da prova; 6.2.12. o ônus da prova é do autuante; 6.2.13. é imprescindível que se comprove que o valor não foi registrado em documento fiscal ou contábil; 6.2.14. o requerimento de concessão de mais prazo para atender há intimação demonstra sua boafé em colaborar com a fiscalização; Fl. 3317DF CARF MF Processo nº 18470.725996/201231 Acórdão n.º 1401001.720 S1C4T1 Fl. 536 6 6.2.15. "falta de condição essencial para prosseguimento da representação fiscal para fins penais Falta de comprovação da existência de crime contra a ordem tributária"; 6.2.16. procedeu a alteração na Junta Comercial do RJ, bem como manteve CNPJ e endereço da Sede. Também, o seu cartão CNPJ foi devidamente alterado, o que demonstra que adotou as medidas para cientificar a alteração de sua razão social; 6.2.17. a impugnante apresentou ao autuante sua alteração contratual; 6.2.18. não há impedimento legal da participação em seu capital de empresa localizada no exterior, a Catskill é empresa domiciliada nos EUA porém está cadastrada no CNPJ e está representada no Brasil, logo não cabe a alegação de intenção de fraudar ou sonegar tributos; 6.2.19. a alegação de que o empréstimo a empresas citadas configuraria a formação de um grupo econômico, com a intenção de sonegar e blindar o Sr. Otávio, não está previsto na legislação, pois não configura o fato como crime de fraude ou sonegação. Cita o art. 170 da CF/88 e o art. 13 da Lei n° 9.779/99, que estabelece o contrário do entendimento acima; 6.2.20. o fato das pessoas jurídicas referidas terem sócio/diretores em comum não comprova a ocorrência de confusão patrimonial, muito menos sonegação, tanto que não foi provado por fato concreto tal envolvimento; 6.2.21. quanto à blindagem, não há prova de tal alegação, pelo contrário, se fosse feita pesquisa se verificaria que os bens já foram dados em garantia a outros débitos da empresa, não tendo mais o que ser blindado; 6.2.22. conforme disciplinam os arts. 1° e 2° da Lei n° 8.137/90 é imprescindível a prática dolosa. O autuante apenas relatou a omissão de receita sem comprovar, o que afasta o crime; 6.2.23. o autuante indicou como responsável o Sr. Jonatan Machado pessoa estranha à impugnante e aos autos, sendo nula a representação; 6.2.24. o autuante classificou como omissão de receita valores que haviam sido declarados em Dipj mas não em DCTF. Estes valores foram informados ao fisco logo não há que se falar em omissão ou sonegação; 6.2.25. quanto à multa qualificada, não foi provado prática de ato doloso por administradores com o objetivo de suprimir tributo, os valores estão escriturados na sua contabilidade, não foi provada a prática de fraude, sonegação, simulação ou conluio; 6.2.26. deve ser mantida a redução da multa mesmo com a apresentação da impugnação pois é direito assegurado pelos incisos LIV e LV da CF/88. 7. O Sr. Tarcísio de Cássia Dayrell, apresentou a impugnação de fls. 2.433/2.466, em 06/09/2012, arguindo, em síntese: 7.1. ao lavrar os autos de infração e o termo de sujeição passiva solidária o autuante não especificou quais foram os atos praticados pelo impugnante com excesso de poder, infração à lei ou ao contrato social, tendente a reduzir o montante dos tributos devidos pela empresa autuada, como não comprovou a prática destes atos pelo impugnante. Ao contrário, os documentos acostados aos autos, como as alegações do autuante corroboram pela inexistência da prática destes atos pelo Fl. 3318DF CARF MF Processo nº 18470.725996/201231 Acórdão n.º 1401001.720 S1C4T1 Fl. 537 7 impugnante que justifique a sua responsabilidade pelos supostos débitos tributários. O autuante limitase a aduzir que o impugnante era diretor e por essa razão deveria ser responsabilizado. Porém não há a individualização de qual suposta fraude justificaria a solidariedade; 7.2. em face do art. 124 do CTN, fazse necessária a devida comprovação do interesse comum entre a empresa e a impugnante, o que não restou demonstrado em momento algum; 7.3. caberia ao fisco provar que teve participação nas supostas infrações; 7.4. deve ser afastada a imputação de prática de crime contra a ordem tributária previstos nos arts. 1° e 2° da Lei n° 8.137/1990, tendo em vista que não ficou comprovada a existência de qualquer conduta dolosa, muito menos a prática de crime; 7.5. "Salienta, ainda, que os autos de infração deararam a responsabilização do impugnante possuem diversas irregularidades e ilegalidades, tais como, a fundamentação baseada em prova ilícita (extratos bancários sem autorização judicial), valores extintos pela decadência, inexistência de omissão de receita e, por fim, apuração incorreta dos valores supostamente devidos pela empresa autuada, o que reforça ainda mais a necessidade de cancelamento do Termo de Sujeição Passiva Solidária atribuído ao ora impugnante"; 7.6. a responsabilidade prevista no art. 124, I do CTN não se aplica ao impugnante, pois a legislação prevê duas pessoas como sujeito passivo, como ocorre no IPTU, quando há copropriedade do imóvel, sendo que, no presente caso, a atribuição de responsabilidade se deu pelo suposto cometimento de infração à lei. Não sendo sujeito passivo do IRPJ, CSLL, PIS E COFINS sobre a receita apurada pela Braskill, o dispositivo não se aplica para fins de se justificar a sua sujeição passiva. O interesse comum de que trata o art.124 do CTN ocorre quando o contribuinte e o solidário encontramse no mesmo pólo da relação jurídicatributária, quando deram causa em conjunto para a ocorrência do fato gerador; 7.7. caso se entenda pela aplicação do dispositivo, caberia ao autuante provar o interesse comum. "Como se vê, não basta a tentativa do Fisco de tentar relacionar as parte, pois ainda que por absurda hipótese a fiscalização tivesse razão, ainda assim, o interesse supostamente seria meramente de fato, e não jurídico"; 7.8. Também, não cabe a responsabilização do art. 135 do CTN, pois a previsão do inciso III é direta e exclusiva de terceiros, trazendo a regra da exceção, na medida em que a regra é a responsabilidade da pessoa jurídica por obrigações tributárias. Teria que estar provado o ato com excesso de poder ou infração à lei ou ao contrato, objetivando, com dolo, não recolher tributo; 7.9. o autuante responsabilizou o impugnante pelos valores não recolhidos sob o fundamento de pessoa interposta, em razão da participação em outra empresa e a blindagem patrimonial; 7.10. a alteração societária não configura crime. O ato foi arquivado na Jucerja e alterado no CNPJ; 7.11. não cabe a afirmação de blindagem do Sr. Otávio, por falta de prova e os seus bens já foram dados em garantia; 7.12. inexiste crime contra a ordem tributária, por falta de prova, devendo ser afastada a condita criminal indevidamente imputada. 7.13. há nulidade dos autos de infração pois os lançamentos foram constituídos por prova ilícita, há decadência, pois não houve omissão de receita e por haver vários erros de cálculo dos valores lançados; Fl. 3319DF CARF MF Processo nº 18470.725996/201231 Acórdão n.º 1401001.720 S1C4T1 Fl. 538 8 7.14. a suspensão da exigibilidade dos valores lançados nos termos do art. 151, III do CTN, até que a impugnação seja analisada e julgada; 7.15. conclui, arguindo a nulidade desta solidariedade, solicitando a desconstituição do termo de sujeição passiva e a sua exclusão do proceso administrativo, contudo todos os fatos são permitidos pela legilação brasileira; 7.16. que as intimações e avisos sejam encaminhados para o endereço registrado em fl. 2.466 deste processo. 8. O Sr. Otávio Piva de Albuquerque apresentou a sua impugnação de fls. 2.541/2.574, em 06/09/2012, aduzindo os mesmos fatos e questionamentos já relatados no item anterior (item 7). 9. Consoante fls. 2.914/2.915, esta Turma de Julgamento converteu o julgamento em diligência para que, em face do questionamento da interessada, fossem excluídos, caso comprovados, créditos de mesma titularidade e valores que não representavam receitas. 10. A diligência foi realizada, fls. 3.078/3.101, com as conclusões de fls. 3.078/3.079, valores considerados comprovados, fls. 3.080/3.084 e novas demonstrativos de tributos lançados, fls. 3.085/3.094. 11. A empresa interessada e os considerados pelo autuante responsáveis solidários foram cientificados da diligência em 01/11/2013, fls. 3.102/3.105. 12. A empresa interessada, em 02/12/2013, fls. 3.109/3.121, apresentou sua defesa quanto à conclusão da diligência. Em síntese apresentou as seguintes alegações: 12.1. o autuante deixou de excluir valores, relacionando e motivando, fls. 3.111/3.119 e 3.120; 12.2. conclui que está claro que a base de cálculo considerada pelo autuante não representa a real renda auferida, sendo certo que os autos padecem de vício de nulidade ao adotar bases incorretas. 12.3. Com a petição, a empresa interessada juntou aos autos o Razão para o nãocalendário de 2007, fls. 3.175/3.214. A DRJ MANTEVE EM PARTE o lançamento, nos termos da ementa abaixo, RECORRENDO DE OFÍCIO DA PARTE CANCELADA: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 NULIDADE. AUSÊNCIA. PROVA ILÍCITA. Deve ser afastada a alegação de nulidade quando, em análise aos lançamentos, se observa que os mesmos estão em conformidade com o art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, com o art. 142 do CTN e ao contribuinte foi concedida defesa e de forma plena. Também, pelo fato dos lançamentos atenderem aos requisitos legais e constitucionais para a sua constituição, baseados em provas colhidas dentro de legislação vigente à época do lançamento. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO. Fl. 3320DF CARF MF Processo nº 18470.725996/201231 Acórdão n.º 1401001.720 S1C4T1 Fl. 539 9 Aplicase o art. 173 do CTN para a contagem do prazo decadencial quando não há a aferição ou comprovação de pagamento como antecipação do tributo devido. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. A requisição de informações às instituições financeiras está autorizada em lei, independe de autorização judicial e não caracteriza violação de sigilo bancário. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS E/OU COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. PROCEDÊNCIA PARCIAL. Caracteriza omissão de receitas a existência de créditos bancários cuja origem não houver sido comprovada. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2007 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. CSLL. COFINS. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. PROCEDÊNCIA EM PARTE. Aplicase aos lançamentos reflexos o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, pois as omissões de receita apuradas neste são base de cálculo das contribuições referidas. MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO ILÍCITO TRIBUTÁRIO PREVISTO NA NORMA APLICÁVEL. Cabe à autoridade tributária a comprovação da sonegação, da fraude ou do conluio. Caso os ilícitos tributários não estejam perfeitamente comprovados, não há como qualificar a multa. MULTA AGRAVADA. O não atendimento à intimação fiscal de forma persistente e não motivada enseja o agravamento da penalidade. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. É de se excluir o administrador ou os sócios da responsabilidade solidária quando não está comprovada a infração à lei ou ao contrato, ou haja a caracterização do ato praticado com excesso de poderes. Também, faltou a demonstração da relação dos administradores ou sócios com um ilícito tributário à época do fato gerador lançado. Nenhum dos interessados recorreram da parte mantida. Em função do cancelamento de parte da autuação em valor superior ao limite de alçada estabelecido, a DRJ submeteu a sua decisão à revisão do CARF por meio de recurso de ofício. É o relatório Fl. 3321DF CARF MF Processo nº 18470.725996/201231 Acórdão n.º 1401001.720 S1C4T1 Fl. 540 10 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Os recurso de ofício preenche os requisitos de admissibilidade, inclusive o valor exonerado pela decisão de piso supera o previsto no artigo 2º da Portaria MF nº 375/2001, alterado pela Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008 (tributos e encargos de multa superior a R$ 1.000.000,00), motivo pelo qual o recurso de ofício deve ser conhecido. RECURSO DE OFÍCIO DA OMISSÃO DE RECEITA Conforme relatado, o autuante intimou a interessada, fls. 88/92, a comprovar a origem dos créditos bancários individualizados em planilhas oferecidas ao contribuinte. Na ausência de comprovação, considerou os créditos bancários omissões de receita, com base na presunção legal do art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Os créditos considerados não comprovados constam da fls. 990/1.281 e totalizados nas fls. 1.160. Para o que interessa a este RO, a interessada alegou em sua defesa que não foram excluídas as transferências de mesma titularidade. Dessa forma o julgamento foi convertido em diligência para que fosse feita o exame das transferências e caso se tratassem de valores indevidamente incluídos na base de cálculo que fossem excluídos. Eis os termos da DRJ: 1 Em face de questionamento da interessada e segundo os documentos juntados aos autos com o título "planilhas de crédito bancários após filtro", fls. 990/1.281, que seriam os valores (créditos) que resultaram nas omissões de receita apuradas, foram registradas várias transferências com o título: "TED TRANSF ELET DISP REMET EXPAND GROUP BRASIL LTDA"; TED TRANSF ELET DISP REMET EXPAND GROUP BRASIL SA; TED TRANSF ELET DISP REMET EXPAND GROUP BRASIL", dentre outas transferências sem a especificação da sua natureza. Assim, caso verificado que o valor (crédito bancário) decorra de transferência de outra conta da própria interessada, com fulcro no inciso I do §3° do art. 42 da Lei n° 9.430/1996, solicito a confecção de nova planinha com a exclusão dos valores das transferências de mesma titularidade. Saliento que sejam observadas as terminações das TED (Ltda/S.A) referidas para a certificação que são referente a operações de mesma titularidade. (...) O resultado de diligência veio parcialmente favorável ao Recorrente neste aspecto. Eis os termos da diligência, no que é de relevante: Da análise do processo concluímos, ainda no ato da Intimação de 04/02/2013, que de fato alguns valores foram mantidos, ainda que inadvertidamente, na composição da Base de Cálculo até então apurada. Desta forma compilamos e filtramos valores em planilha anexa à Intimação demonstrando mês a mês valores que deveriam ser expurgados, conforme resumo que segue: (...) Ainda na intimação de 04/02/2013 encaminhamos em anexo a "Planilha Todos os Bancos" onde constam as transferências para que o contribuinte pudesse se manifestar com argumentos a seu favor. Fl. 3322DF CARF MF Processo nº 18470.725996/201231 Acórdão n.º 1401001.720 S1C4T1 Fl. 541 11 Em 15/03/2013 o contribuinte responde complementarmente o Termo de Intimação e indica diversas ponderações. A seu favor indica várias transferências em sua planilha inominada. Diligentemente todos os argumentos do contribuinte foram analisados. Dos dados verificados quase todos já haviam sido objeto de expurgo conforme planilha encaminhada conforme acima demonstrado cujas glosas montam o valor de R$ 41.774.868,74. Dos demais.dados indicados concordamos serem indevidos valores comprovadamente originados do mesmo titular. Assim confeccionamos nova planilha ora nominada de Planilha Ponderações do Contribuinte cuja ciência se dará ao contribuinte concomitantemente com esta informação fiscal. Os valores estão ali indicados por banco, dia e valor. Montam a importância de R$ 3.943.568,66. Dando prosseguimento atualizamos a Planilha de Bases de Cálculo Mensal Consolidada onde chegamos as novas Bases de Cálculo. De posse das novas bases tributáveis passamos enfim para a demonstração dos novos valores que efetivamente devem compor o lançamento tributável estando os mesmos demonstrados individualizadamente por imposto quais sejam: IRPJ, PIS, COFINS e CSLL. O que se vê é que o Fiscal nada mais fez do que adequar o lançamento ao mandamento do inciso I, § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, que impede a tributação de evento que não representa qualquer acréscimo patrimonial como é o caso de transferência de valores entre contas da própria empresa: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; (...) Revisados os autos, constato, portanto, a correção da conclusão da diligência, fls. 3.078/3101, com a redução, ainda, do crédito bancário no valor de R$ 50.000,00, data 01/03/07, decorrente da análise da petição da interessada pela DRJ, onde se provou através de documento hábil (extrato de fls. 774) que se tratava também de transferência entre contas da mesma empresa. Por todo o exposto, NEGO provimento ao Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 3323DF CARF MF Processo nº 18470.725996/201231 Acórdão n.º 1401001.720 S1C4T1 Fl. 542 12 Fl. 3324DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10074.000802/2010-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 14/03/2007 a 30/11/2008
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO
As possibilidades de nulidade do auto de infração são as descritas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72 e as violações ao art. 10 (do mesmo diploma legal) não importam em nulidade e serão sanadas apenas quando implicarem cerceamento ao direito de defesa, nos termos do art. 60 do mesmo Decreto, o que não quedou-se demonstrado nos presentes autos.
NULIDADE. DECISÃO RECORRIDA. NÃO CABIMENTO
Não procede a alegações de nulidade da decisão recorrida quando os argumentos alegados foram todos rebatidos e fundamentados pelo órgão julgador de 1ª instância.
IMPORTAÇÃO DE MERCADORIAS. FALTA DE LI. PENALIDADE
Na importação de "lâmpadas fluorescentes compactas com reator integrado" para a qual se exigia emissão previa de Licença de Importação. Penalidade no valor de 30% do valor aduaneiro.
DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. DESCRIÇÃO DA MERCADORIA. PENALIDADE DISTINTA. CABIMENTO
Descrição não contém elementos que permitem a sua precisa identificação e classificação. Penalidade no valor de 1% do valor aduaneiro. O fato da fiscalização identificar adequadamente o produto importado - a par da descrição incompleta - não funciona como excludente da infração.
Tratam-se de duas infrações dispares, tendo suporte fáticos distintos. Cada infração tem um propósito próprio, protegendo um interesse específico, não podendo ser tomadas como concomitantes.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3402-003.878
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro que propôs diligência. Vencidas as Conselheiras Thais de Laurentiis Galkowicz e Maysa de Sá Pittondo Deligne que deram provimento parcial para que a multa incidisse apenas sobre o valor da mercadoria e não sobre o valor aduaneiro. Vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto que deu provimento integral.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 14/03/2007 a 30/11/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO As possibilidades de nulidade do auto de infração são as descritas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72 e as violações ao art. 10 (do mesmo diploma legal) não importam em nulidade e serão sanadas apenas quando implicarem cerceamento ao direito de defesa, nos termos do art. 60 do mesmo Decreto, o que não quedou-se demonstrado nos presentes autos. NULIDADE. DECISÃO RECORRIDA. NÃO CABIMENTO Não procede a alegações de nulidade da decisão recorrida quando os argumentos alegados foram todos rebatidos e fundamentados pelo órgão julgador de 1ª instância. IMPORTAÇÃO DE MERCADORIAS. FALTA DE LI. PENALIDADE Na importação de "lâmpadas fluorescentes compactas com reator integrado" para a qual se exigia emissão previa de Licença de Importação. Penalidade no valor de 30% do valor aduaneiro. DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. DESCRIÇÃO DA MERCADORIA. PENALIDADE DISTINTA. CABIMENTO Descrição não contém elementos que permitem a sua precisa identificação e classificação. Penalidade no valor de 1% do valor aduaneiro. O fato da fiscalização identificar adequadamente o produto importado - a par da descrição incompleta - não funciona como excludente da infração. Tratam-se de duas infrações dispares, tendo suporte fáticos distintos. Cada infração tem um propósito próprio, protegendo um interesse específico, não podendo ser tomadas como concomitantes. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10074.000802/2010-90
anomes_publicacao_s : 201704
conteudo_id_s : 5707081
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3402-003.878
nome_arquivo_s : Decisao_10074000802201090.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 10074000802201090_5707081.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro que propôs diligência. Vencidas as Conselheiras Thais de Laurentiis Galkowicz e Maysa de Sá Pittondo Deligne que deram provimento parcial para que a multa incidisse apenas sobre o valor da mercadoria e não sobre o valor aduaneiro. Vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto que deu provimento integral. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
id : 6703284
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:58:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048948491419648
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1972; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 3.776 1 3.775 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10074.000802/201090 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402003.878 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de março de 2017 Matéria II/IPI Calssificação Fiscal Recorrente GENERAL ELECTRIC DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 14/03/2007 a 30/11/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO As possibilidades de nulidade do auto de infração são as descritas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72 e as violações ao art. 10 (do mesmo diploma legal) não importam em nulidade e serão sanadas apenas quando implicarem cerceamento ao direito de defesa, nos termos do art. 60 do mesmo Decreto, o que não quedouse demonstrado nos presentes autos. NULIDADE. DECISÃO RECORRIDA. NÃO CABIMENTO Não procede a alegações de nulidade da decisão recorrida quando os argumentos alegados foram todos rebatidos e fundamentados pelo órgão julgador de 1ª instância. IMPORTAÇÃO DE MERCADORIAS. FALTA DE LI. PENALIDADE Na importação de "lâmpadas fluorescentes compactas com reator integrado" para a qual se exigia emissão previa de Licença de Importação. Penalidade no valor de 30% do valor aduaneiro. DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. DESCRIÇÃO DA MERCADORIA. PENALIDADE DISTINTA. CABIMENTO Descrição não contém elementos que permitem a sua precisa identificação e classificação. Penalidade no valor de 1% do valor aduaneiro. O fato da fiscalização identificar adequadamente o produto importado a par da descrição incompleta não funciona como excludente da infração. Tratamse de duas infrações dispares, tendo suporte fáticos distintos. Cada infração tem um propósito próprio, protegendo um interesse específico, não podendo ser tomadas como concomitantes. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 00 08 02 /2 01 0- 90 Fl. 3776DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro que propôs diligência. Vencidas as Conselheiras Thais de Laurentiis Galkowicz e Maysa de Sá Pittondo Deligne que deram provimento parcial para que a multa incidisse apenas sobre o valor da mercadoria e não sobre o valor aduaneiro. Vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto que deu provimento integral. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Trata o presente de Auto de Infração lavrado contra a Recorrente em epígrafe, na data de 01/07/2010, para exigência de multa do controle administrativo das importações (período de 03/2007 a 11/2008) e multa regulamentar, no valor de R$ 5.507.086,62, em virtude dos fatos a seguir descritos: (i) a Recorrente realizou importação de mercadoria para a qual se exigia emissão previa de Licença de Importação (LI) ao desamparo da mesma, e sua conduta se adequou ao tipo infracional previsto no art. 706 do Decreto 6.759, de 2009 Regulamento Aduaneiro, com base legal no art.169, inciso I, alínea "h", que enseja a aplicação de penalidade no valor de 30% do valor aduaneiro das mercadorias; e (ii) considerando que a descrição não contém elementos que permitem a sua precisa identificação e classificação, sendo necessário inferir sua correta identidade, houve infração administrativa ao controle das importações, por descrição deficiente da mercadoria, nos termos do art. 711 do Decreto 6.759, de 2009 (RA), que possui por base legal o art. 84 da Medida provisória 2.15835, de 2001, que enseja a aplicação de penalidade no valor de 1% do valor aduaneiro da mercadoria. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida de nº 1661.005, prolatada pela 23ª Turma da DRJ em São Paulo (SP), que a seguir transcrevo seus principais trechos (fls. 3.677/3.717): "(...) Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 08/07/2010 (fls. 68), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 09/08/2010, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574/2011, de fls. 3.316 à 3351, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. O impugnante alegou que: Fl. 3777DF CARF MF Processo nº 10074.000802/201090 Acórdão n.º 3402003.878 S3C4T2 Fl. 3.777 3 A GE BRASIL NÃO PODE SER MULTADA COM BASE EM LEGISLAÇÃO EQUIVOCADA E EDITADA POSTERIORMENTE As IMPORTAÇÕES (DECRETO No 6.759/09) Analisando detidamente o Auto de Infração ora impugnado, percebese que a cobrança das duas Multas de Controle Administrativo (30% e 1% do valor aduaneiro das importações) foi feita pela RFB com base nos artigos 706 e 711 do Decreto no 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro). Estes dispositivos foram expressamente citados e transcritos no Auto de Infração e, nas palavras do próprio Fiscal autuante, prevêem o "tipo infracional" (conduta que teria sido praticada pela GE BRASIL) e a "penalidade correspondente" (sanção pela prática desta conduta). (...). A LEI APLICÁVEL AO CASO PREVÊ MULTA APENAS PARA A FALTA DE "GUIA DE IMPORTAÇÃO", E NÃO PARA A FALTA DE "LICENÇA DE IMPORTAÇÃO", DOCUMENTOS DIFERENTES E QUE NÃO SE CONFUNDEM Transcreve o artigo 169, inciso I, § 6º, do DecretoLei nº 37/66. Ou seja, esta muito claro pela redação dos dispositivos legais aplicados no caso concreto e citados no Auto de Infração que o que constitui infração administrativa ao controle das importações e, consequentemente, gera imposição de Multa, é a falta de GUIA DE IMPORTAÇÃO (ou documento equivalente), e não a falta de "LICENÇA DE IMPORTAÇÃO". (...). NÃO SE PODE PRESUMIR COM BASE EM "PARCAS" INFORMAÇÃO DA INTERNET QUE AS LÂMPADAS IMPORTADAS SÃO DO TIPO "FLUORESCENTES COMPACTAS COM REATOR INTEGRADO" Como se pode depreender da leitura atenta do Auto de Infração, o Fiscal da RFB presumiu, sem auxilio de perícia ou conhecimento técnico (já que não é engenheiro eletrônico, expert em lâmpadas), que uma série de mercadorias importadas pela GE BRASIL precisariam de LI por se caracterizarem como "Lâmpadas Fluorescentes Compactas com Reator Integrado". (...). A BASE DE CALCULO UTILIZADA PARA INCIDÊNCIA DA MULTA DE 30% FOI INDEVIDAMENTE INFLADA E NÃO ENCONTRA RESPALDO NA LEGISLAÇÃO QUE O PRÓPRIO FISCAL APLICOU Enquanto que o artigo 706 do Decreto no 6.759/2009 (inaplicável por ter sido editado posteriormente às importações) prevê que a Multa deve incidir sobre o "valor aduaneiro"; o artigo 169, I, b, do DL no 37/66, com redação dada pelo art. 2 0 da Lei no Fl. 3778DF CARF MF 4 6.562/78 (legislação contemporânea indicada pelo Fiscal, que trata da falta de Guia de Importação) prevê que a Multa deve incidir sobre o "valor da mercadoria", grandeza consideravelmente menor. (...). A MULTA DE 30% NÃO PODE RECAIR SOBRE AS DI'S No 07/03711398 E No 07/03772591 z POR NÃO HAVER OBRIGATORIEDADE DE LI VINCULADA NA ÉPOCA EM QUE FORAM REGISTRADAS Alega o Fiscal da RFB que desde 28/03/2007 há necessidade de concessão de Licença de Importação (LI) junto ao INMETRO nos casos de importação de "Lâmpadas Fluorescentes Compactas com Reator Integrado". (...). O FISCAL INCLUIU NO CALCULO DA MULTA DE 30% 59 DI'S QUE NÃO NECESSITAVAM DE CONCESSÃO DE LI Segundo se colhe da legislação colacionada pelo Fiscal e dos próprios fundamentos do Auto de Infração, haveria necessidade de obtenção prévia de Licença de Importação (LI) apenas nos casos de importação de "Lâmpadas Fluorescentes Compactas com Reator Integrado". (...). O FISCAL INCLUIU NO CALCULO DA MULTA DE 30% 11 DI'S QUE POSSUÍAM, APENAS DESCRIÇÃO DEFICIENTE DAS MERCADORIAS ARTIGO 711 DO RA), CUM MULTA É DE 1% Uma das sanções aplicadas pela RFB foi a Multa pela descrição deficiente na DI de mercadorias importadas pela GE BRASIL (falta de elementos que permitissem a precisa identificação da lâmpada importada). (...). O PROCEDIMENTO DA GE BRASIL DEVE SER ENCARADO COMO "INFRAÇÃO CONTINUADA", 0 QUE ENSEJA A APLICAÇÃO DE UMA ÚNICA SANÇÃO, E NÃO DE 233 MULTAS DIFERENTES Pode parecer absurdo (e certamente 6), mas foram aplicadas exatamente 233 MULTAS na GE BRASIL pela mesmíssima infração: Importação de "Lâmpadas Fluorescentes Compactas com Reator Integrado" sem a obtenção de LI e descrição deficiente das Lâmpadas importadas. (...). A MULTA DE 30% DO VALOR DA OPERAÇÃO É DESPROPORCIONAL, CONFISCATÓRIA E NÃO CONDIZ COM A INFRAÇÃO COMETIDA A cobrança de Multa nesse patamar mais elevado (30% do valor da operação) afigurase CONFISCATÓRIA, causando ofensa aos Fl. 3779DF CARF MF Processo nº 10074.000802/201090 Acórdão n.º 3402003.878 S3C4T2 Fl. 3.778 5 artigos 5 ° , XXII e 150, IV da CF/88, que preconizam justamente o Principio do NãoConfisco no âmbito tributário. O DESCABIMENTO DA MULTA DE CONTROLE ADMINISTRATIVO DE 30%: SIMPLES DESATENDIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. (...). Requer, por último, a produção de todos os meios de prova em direito admitidos. A 23ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em São Paulo decidiu baixar os presentes autos em diligência, através da Resolução nº 16.000.409, de 26 de fevereiro de 2014, indagando à autoridade preparadora o seguinte: 1) Procede a alegação de duplicidade de autuação do impugnante em relação às 59 DIs para a multa de 30% do valor aduaneiro? 2) Procede a alegação de duplicidade de autuação do impugnante em relação às 11 DIs para a multa de 1% do valor aduaneiro? 3) Se a resposta for afirmativa, para qualquer um dos casos, ou até mesmo para ambos os casos, que a autoridade preparadora refaça os cálculos do crédito tributário exigido. (...). É o Relatório. A 23ª Turma da DRJ/SPO julgou a Impugnação procedente em parte, cancelando a exigência do crédito tributário no valor de R$ 127.904,47, constante do demonstrativo elaborado no corpo da decisão (quadro demonstrativo à fl. 3.717), que teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 14/03/2007 Importação de lâmpadas fluorescentes compactas com reator integrado para a qual se exigia emissão previa de Licença de Importação. Penalidade no valor de 30% do valor aduaneiro. Duplicidade de autuação do impugnante em relação a 59 Declarações de Importação. Descrição não contém elementos que permitem a sua precisa identificação e classificação. Penalidade no valor de 1% do valor aduaneiro. O fato da fiscalização identificar adequadamente o produto importado – a par da descrição incompleta – não funciona como excludente da infração. Tratamse de duas infrações dispares, tendo suporte fáticos distintos. cada infração tem um propósito próprio, protegendo um interesse específico, não podendo ser tomadas como concomitantes. Fl. 3780DF CARF MF 6 Não se trata de Lei tributária posterior ao fato gerador. À época das importações a matéria já estava regulamentada. Com base no código indicativo declarado pelo próprio importador, a fiscalização realizou pesquisa no sítio da empresa internet. Não houve presunção e sim constatação. Não se trata de infração continuada. A ação fiscal tem por objeto 233 importações, portanto 233 procedimentos autônomos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em 22/09/2014 (fl. 3.728) a empresa tomou ciência da decisão DRJ e em 22/10/2014 apresentou o Recurso Voluntário contra a decisão da DRJ, conforme fls. 3.728/3.759, repisando os termos da impugnação que se encontra desta forma sintetizados: que a GE BRASIL é uma empresa do Grupo Norte Americano GENERAL ELECTRIC, que se encontra instalada no Brasil desde 1919 (há quase 100 anos) e que atua, dentre outras áreas, na fabricação e na venda de lâmpadas; que importa de países estrangeiros (sobretudo EUA, Hungria e China) insumos e também alguns tipos de lâmpadas; que entre 03/2007 e 11/2008 (período discutido no Auto de Infração) realizou importações de vários tipos de lâmpadas e insumos; em 2010, a empresa recebeu a visita do Fisco (RFB), que lhe exigiu prova da emissão prévia de Licença de Importação (LI), com anuência do INMETRO para a importação de Lâmpadas Fluorescentes Compactas com Reator Integrado LFC (classificadas nas NCMs 8539.31.00 e 8539.39.00) e explicações sobre as descrições de mercadorias feitas nas DI's; que no Auto de Infração, a RFB cobra a Multa de Controle administrativo de 30% sobre o valor aduaneiro das operações de importação de lâmpadas realizadas entre 03/2007 e 11/2008, pela ausência de LI, e fundamentou equivocadamente esta cobrança no artigo 706 do Decreto n° 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro), fazendo remissão, também, ao artigo 169, I, b e §6º do DL nº 37/66, com redação dada pelo art. 2º da Lei n° 6.562/78. Além disso, cobra multa de 1% sobre o valor aduaneiro de mercadorias importadas, com alegada descrição deficiente, e também fundamentou equivocadamente esta cobrança, no artigo 711 do Decreto 6.759/2009 (RA), fazendo remissão ao artigo 84 da MP nº 2.158, de 2001 e art. 69 da Lei n° 10.833, de 2003. Inconformada, a GE BRASIL ofereceu a impugnação, onde apresenta 11 (onze) argumentos distintos demonstrando os vícios, ilegalidades, e equívocos incorridos pela RFB quando da lavratura do Auto de Infração, e formulou, 11 (onze) pedidos de anulação/minoração da cobrança contra ela aviada. Na decisão de 1ª Instância, a DRJ acolheu os "tópicos 08 e 09" da Impugnação, reduzindo o crédito tributário em R$ 127.904,47, mas rejeitou todos os demais equívocos, vícios e ilegalidades apontados nos outros tópicos. Não se inconformada, a Recorrente interpõe o presente Recurso Voluntário, resumidamente, com base nos seguintes fundamentos: (1) preliminarmente, seja decretada a nulidade do acórdão exarado pela DRJ, com a conseqüente devolução dos autos ao Órgão Preparador, para que ele corrija os erros Fl. 3781DF CARF MF Processo nº 10074.000802/201090 Acórdão n.º 3402003.878 S3C4T2 Fl. 3.779 7 apontados pelo Contribuinte na 1ª diligência e promova a Diligência Complementar necessária para o correto deslinde da controvérsia (conforme petição de fls. 3.653/3.658), sendo proferida nova decisão de 1ª instância após o término desta fase; (2) caso entenda ser possível enfrentar a matéria, sem auxílio do Órgão Preparador, e entenda ser caso de reforma, e não de anulação do acórdão da DRJ, requerse a correção dos equívocos incorridos na diligência (Resolução 16.000.409), em especial no que se refere à inaplicabilidade da Multa de 30% sobre a DI nº 08/15000540 (ad. 004); (3) sucessivamente, caso o CARF não vislumbre a nulidade arguida, requerse a reforma do acórdão da DRJ, para que seja decretada a anulação do Auto de Infração pela violação ao artigo 10, inciso IV do Decreto n° 70.235/72, na medida em que houve ERRO na indicação de TODA sua fundamentação, pois tanto a "disposição legal infringida" (ou o "tipo infracional", como disse o Fiscal), quanto a "penalidade aplicável" (ou a "penalidade correspondente", como também disse o Fiscal) foram apontadas de modo equivocado, citando legislação inaplicável e superveniente; (4) ainda em ordem sucessiva, seja reformado o acórdão da DRJ para julgar improcedente o lançamento porque a Lei indicada e efetivamente aplicada pelo Fiscal ao caso concreto prevê Multa apenas para a falta de "Guia de Importação", e não para a falta de "Licença de Importação", documentos DIFERENTES e que não se confundem; (5) na remota hipótese de não ser integralmente anulado o Auto de Infração e de subsistir algum débito, requerse a improcedência parcial do lançamento para que sejam canceladas as Multas de 30% que recaíram sobre os tipos de lâmpada enumerados nos tópicos 7.3 e 7.11, que NÃO eram "Fluorescentes Compactas com Reator Integrado", e para as quais houve mera e equivocada "presunção" da fiscalização, haja vista que para elas não havia "código indicativo" na internet e as informações eram "parcas" e/ou "genéricas", sendo impossível afirmar que a sua importação exigia obtenção de LI; (6) na mesma linha, deve ser imposta a reforma parcial do acórdão da DRJ para que o lançamento seja julgado improcedente, em parte, de modo a coibir a utilização de base de cálculo inflada para apuração das Multas, sendo certo que estas, se devidas fossem, teriam que incidir sobre o "valor »d mercadoria" (artigo 169, I, b, do DL n° 37/66, com redação dada pelo art. 2o da Lei n° 6.562/78 legislação indicada pelo Fiscal e que serviu de fundamento legal da autuação), e não sobre o "valor aduaneiro", grandeza diversa prevista no Decreto n° 6.759/2009 (inaplicável por ter sido editado posteriormente às importações, como reconheceu a DRJ); 7) idem para que haja improcedência parcial do lançamento e a exclusão da Multa de 30% que recaiu sobre a Dl n° 07/03711398 (registrada em 22/03/2007) e sobre a Dl n° 07/03772591 (registrada em 23/03/2007), por não haver obrigatoriedade de LI vinculada nesta época, mas apenas a partir de 28/03/2007, como afirmado expressamente pelo Fiscal (fls. 68 e 71) e pela própria DRJ (fls. 3.700, primeiro parágrafo); 8) e, por último, a improcedência parcial do lançamento para que não haja a concomitância de multas verificada nas 12 DI's listadas no "tópico 10" (Multa de Controle Administrativo de 30% e Multa de Controle Administrativo de 1%), devendo ser cancelada, pelo menos, uma delas (a de 30% ou, sucessivamente, a de 1%), já que ambas não podem coexistir na mesma DI. Fl. 3782DF CARF MF 8 Diante de todos os fatos e fundamentos jurídicos narrados, requer a este CARF o provimento do presente Recurso Voluntário, com a conseqüente anulação ou reforma da decisão administrativa proferida pela DRJ. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra – Relator 1 Da Admissibilidade do RECURSO VOLUNTÁRIO Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 3.728/3.760, é tempestiva e merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão nº 1661.005, da 23ª Turma da DRJ/SPO, datado de 27 de agosto de 2014. 2. PRELIMINAR NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA Aduz a Recorrente em seu recurso que "a Diligência Complementar requerida pela GE BRASIL às fls. 3.653/3.658, não foi realizada e os erros apontados não foram sanados e solicita a nulidade do Acórdão recorrido, para correção dos equívocos incorridos pela Autoridade preparadora na diligência, em especial no que se refere à inaplicabilidade da multa de 30% sobre a DI nº 08/15000540 (adição 004), e sobre a impossibilidade de haver concomitância de multas sobre as 12 (doze) DI's listadas no "tópico 10 da Impugnação", abaixo relacionadas (fl. 3.340): Informa ainda que "na requisição de realização de Diligência Complementar para apurar e corrigir os equívocos apontados nos "Tópicos 05 e 07" da Impugnação, isto é, excluir a Multa de 30%, que recaiu sobre as DI's 07/03711398 e 07/03772591 (que são anteriores à Portaria INMETRO n° 289/2006); excluir a Multa de 30% que recaiu Sobre a DI nº 07/12560453 (por meio da qual foram importadas lâmpadas HALÓGENAS e a base de XENON HLX e NÃO lâmpadas "Fluorescentes Compactas com Reator Integrado" FLC), e excluir a Multa de 30% imposta na importação de diversas lâmpadas que não são do tipo "Fluorescentes Compactas com Reator Integrado" e para as quais não havia exigência de LI". Entendo que não assiste razão à Recorrente. Senão vejamos. O Acórdão Recorrido, se pronunciou sobre todas as questões acima abordadas, conforme pode ser verificado no trecho abaixo reproduzido (fl. 3.707) grifouse: "(...) O argumento de que a multa de 30%não pode recais sobre as DIs nº 07/03711398 e nº 07/03772591 por não haver obrigatoriedade de LI vinculada na época em que foram registradas. A Declaração de Importação nº 07/03711398 tem seu registro em 22/03/2007. A Declaração de Importação nº 07/03772591 tem o seu registro em 23/03/2007. Fl. 3783DF CARF MF Processo nº 10074.000802/201090 Acórdão n.º 3402003.878 S3C4T2 Fl. 3.780 9 A Portaria Interministerial nº.132 que materializou a previsão do decreto, ao proceder com o regulamentação especifica para lâmpadas fluorescentes compactas é de 12 de junho de 2006. Portanto, de edição anterior ao registro das Declarações de Importação. Portanto, descabido o argumento." Já, em relação a excluir a multa de 30% que recaiu sobre a Dl nº 07/1256045 3, vejase o analisado pelo Acórdão (fl. 3.703): "(...) D.I. 07/12560453 (ad.001 e 002) folhas 87/88 do processo digital Esta D.I. foi registrada em 17/09/2007, não possuía L.I. vinculada e continha nas suas adições 001 a 004 a NCM 8539.31.00, com as descrições abaixo. PACK HLX 25W 40K 120127V 2PK e PACK HLX 13W 40K 120127V 4PK O sitio da GE na Internet traz descrição para este código, INFORMANDO QUE SE TRATA DE LÂMPADA FLUORESCENTE COMPACTA COM REATOR INTEGRADO. Portanto, não houve observância ao disposto na Lei 10.259/2001, regulamentada pelo Decreto 4.059/2001 e pela Portaria Interministerial 136/2006, que fixou a exigência de Licença de Importação, mediante anuência do Inmetro. Considerando que a descrição NÃO CONTÉM elementos que permitem a sua precisa identificação e classificação, sendo necessário inferir sua correta identidade, houve prestação inexata ou incompleta de informação relevante". No que tange sobre a impossibilidade de haver concomitância de multas sobre as 12 (doze) DI's listadas no Tópico 10 da Impugnação, vejase o analisado: "No item 10.4 da impugnação, o impugnante alega que: 10.4 Ora, se o Fiscal conseguiu depreender que as mercadorias destas 12 DI's eram "Lâmpadas Fluorescentes Compactas com Reator Integrado", não poderia jamais ter imposto a multa de 1%. Não procede. O fato da fiscalização identificar adequadamente o produto importado – a par da descrição incompleta – não funciona como EXCLUDENTE da infração. E prossegue no item 10.5 da impugnação: 10.5 E se a descrição era falha, ou o Fiscal só poderia exigir a multa de 1% (jamais a de 30%), ou ele poderia impor uma multa por falta de licenciamento direto, penalidade mais grave que absorve a mais branda. Não procede. A começar pelo fato de que a descrição falha se relaciona com a incidência da multa de 1% cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria e não com a multa de 30%. Não obstante, como já salientado, as duas infrações dizem respeito a interesses (bens juridicamente tutelados) distintos. Portanto, não há qualquer espaço para o Princípio da ‘Consunção’ ou ‘da Absorção’ de penas, pois não está a se lidar com a sucessão de condutas. No que se refere à inaplicabilidade da multa de 30% sobre a DI nº 08/15000540 (adição 004) (fl. 3.708): Fl. 3784DF CARF MF 10 "(...) D.I. 08/15000540, de 24/09/2008, consta do cálculo de multas de 30% do auto de infração, e a infração correspondente foi constatada quando da motivação do auto, ver fl.s 119 a 121, estando correto o seu tratamento, ou seja, não deve constar da Tabela A, e efetivamente ali não consta. Consta também, no Despacho da fiscalização à fl. 3.660, a seguinte informação sobre a DI nº 08/15000540: "(...) Cumpre informar que o único argumento apresentado pelo contribuinte no âmbito dos itens da diligência definidos pela DRJ, se refere à D.I. 08/15000540, a qual, diferentemente do que afirma o contribuinte, efetivamente consta da tabela A, ou seja, o contribuinte solicitou a inclusão de D.I. que já consta da tabela referida". Ressaltase que quanto a análise dos argumentos aludidos no pedido de Diligência complementar, a DRJ entendeu ser suficiente para deslinde da questão o resultado da diligência solicitada e realizada pelo órgão preparador (fls. 3.647/3.651). Naquela oportunidade, após a conclusão do Relatório da Fiscalização, foi oferecido a Recorrente em 06/06/2014, oportunidade de proceder suas contrarrazões (fl. 3.652), o que foi feito pela GE em 15/07/2014, conforme documento de fls. 3.653/3.658. Portanto, sem razão a Recorrente. Entendo, no entanto, que ela pode não concordar com o resultado do acórdão recorrido, porém é fato que a DRJ analisou todas as alegações do contribuinte que poderiam ser decisivas para o julgamento, não havendo espaço para se falar imprecisão. Cumpre ressaltar que o julgador não tem a obrigação de analisar todos os argumentos trazidos pelas partes para alcançar a convicção necessária para julgamento do processo, na esteira da jurisprudência do STJ (REsp nº 874.793/CE e REsp nº 876.271). Assim, não há que se falar em nulidade da decisão, motivado por não ter sido atendido o pleito de nova diligência. Posto isto, afasto a preliminar de nulidade apresentadas pela Recorrente. 3. DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Alega a Recorrente que "caso o CARF não vislumbre a nulidade arguida, requerse a reforma do acórdão da DRJ, para que seja decretada a anulação do Auto de Infração pela violação ao artigo 10, inciso IV do Decreto n° 70.235/72, na medida em que houve ERRO na indicação de TODA sua fundamentação, pois tanto a "disposição legal infringida" (ou o "tipo infracional", como disse o Fiscal), quanto a "penalidade aplicável" (ou a "penalidade correspondente", como também disse o Fiscal) foram apontadas de modo equivocado, citando legislação inaplicável e superveniente". Pois bem. O Auto de Infração lavrado (fls. 3/230), ao invocar a fundamentação legal, às folhas 208/209, faz a seguinte referência (grifo nosso): "(...) A realização de importação de mercadoria para a qual se exige emissão prévia de Licença de Importação ao desamparo da mesma, constitui infração ao controle das importações. O tipo infracional e a penalidade correspondente estão previstas no art. 706 do Decreto 6.759/2009, o Regulamento Aduaneiro, com base legal no art.169, inc. I, alínea (h) e par. 6º. do DecretoLei no.37/66, com a redação dada pelo art.2o. da Lei no.6.562/78". E prossegue, mais adiante, às folhas 209: "(...) Em adição, o ato de descrever deficientemente a mercadoria submetida a despacho constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do art. Fl. 3785DF CARF MF Processo nº 10074.000802/201090 Acórdão n.º 3402003.878 S3C4T2 Fl. 3.781 11 711 do Decreto 6.759/2009, que aprovou o Regulamento Aduaneiro, e que possui por base legal o art.84 da Medida provisória 2.158 35/2001 e o art.69 da Lei 10.833/2003". Os artigos acima ressaltados, assim dispõem (Decreto n° 6.759, de 2009 Regulamento Aduaneiro): Art. 706. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (DecretoLei no 37, de 1966, art. 169, caput e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 1978, art. 2o): I de trinta por cento sobre o valor aduaneiro: a) pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, inclusive no caso de remessa postal internacional e de bens conduzidos por viajante, desembaraçados no regime comum de importação (DecretoLei no 37, de 1966, art. 169, inciso I, alínea “b”, e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 1978, art. 2º); e (...). Art. 711. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 84, caput; e Lei no 10.833, de 2003, art. 69, § 1º): (...). Como restou muito bem asseverado pela decisão a quo, o Decreto nº 6.759, de 2009, entrou em vigor em 05 de fevereiro de 2009 e as Declarações de Importação, objeto da presente ação fiscal, se referem aos anos de 2007 e 2008. Contudo, ao contrário do que argumenta a Recorrente, havia sim legislação que disciplinava essas mesmas matérias em discussão, à época das importações, quais sejam: o Artigo 633, do Decreto n° 4.543/2002, de 26 de dezembro de 2002 e o art. 69 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Portanto, à época das importações objeto da presente ação fiscal, nos anos de 2007 e 2008, a matéria já se encontrava regulamentada, tal qual se encontra nos artigos 706 e 711, do Decreto n° 6.759, de 2009 Regulamento Aduaneiro. Assim, não se trata do caso de Lei tributária posterior ao fato gerador que retroage no tempo, como o alegado. Mesmo porque não se trata de matéria tributária estabelecendo um fato gerador, mas sim matéria aduaneira disciplinando penalidades. A questão deixa de ser a ausência de previsão legal para as penalidades à época das importações, (anos de 2007 e 2008), e passa a ser o equivoco cometido pela fiscalização em se valer de um fulcro legal atemporal para fundamentar a exigência das duas penalidades existentes. Quanto a alegada ocorrência de nulidade por cerceamento do direito de defesa, quando não é indicada com clareza, no auto de infração, a disposição legal infringida teria por base o art. 59, II do Decreto nº 70.235, de 1972, o que não implica na nulidade do processo administrativo fiscal. O que houve foi somente uma falta de sintonia entre os dispositivos e a autuação fiscal. Fl. 3786DF CARF MF 12 Quanto ao Auto de Infração, o mesmo teve origem em auditoria realizada pela fiscalização da Receita Federal, que foi fartamente detalhada em relatório fiscal (folha de continuação ao Auto de Infração fls. 69/230), onde consta a motivação para o lançamento e as provas que conduziram a autoridade fazendária a lavratura do auto de infração. A Recorrente foi cientificada da exigência fiscal e apresentou impugnação que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância. Irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, a Recorrente protocolou recurso voluntário, rebatendo as posições adotadas no acórdão recorrido, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, portanto, as motivações para o lançamento, bem como, as do julgamento na primeira instância foram claramente identificadas. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância, todo o procedimento previsto no Decreto 70.235/72 foi observado, tanto o lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo fiscal. Desta forma, como vem sendo decidido por este CARF, não configura de nulidade o auto de infração com eventual impropriedade na indicação do enquadramento legal, ou mesmo a referência a artigo do Regulamento Aduaneiro, quando a descrição dos fatos das infrações nele contida for exata, possibilitando ao sujeito passivo defenderse de forma ampla das imputações que lhe foram feitas. As possibilidades de nulidade do auto de infração são as descritas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72 . Já as violações ao art. 10 (do mesmo diploma legal) não importam em nulidade e serão sanadas apenas quando implicarem cerceamento ao direito de defesa, nos termos do art. 60 do mesmo Decreto, o que não quedouse demonstrado nos presentes autos. Assim, afasto a preliminar de nulidade apresentada pela Recorrente. 4. DA LEI APLICÁVEL AO CASO MULTA PARA A FALTA DE "GUIA DE IMPORTAÇÃO" E NÃO PARA A FALTA DE "LICENÇA DE IMPORTAÇÃO" Aduz a Recorrente para que seja reformado o acórdão da DRJ para julgar improcedente o lançamento porque a Lei indicada e efetivamente aplicada pelo Fiscal ao caso concreto prevê multa apenas para a falta de "Guia de Importação", e não para a falta de "Licença de Importação", documentos DIFERENTES e que NÃO se confundem. Vejase que o dispositivo indicado pelo Fisco no Auto de Infração, foi o art. 706 do RA (Decreto nº 6.759/2009), que teve sua base legal no artigo 169, I, b e § 6º do DL n° 37/66, com redação dada pelo art. 2° da Lei n° 6.562/78. "(...) O contribuinte realizou importação de mercadoria para a qual se exigia emissão prévia de Licença de Importação ao desamparo da mesma, e sua conduta se adequou ao tipo infracional previsto no art. 706 do Decreto 6.759/2009, o Regulamento Aduaneiro, com base legal no art.169, inc.I, alínea b) e par.6o., com a redação dada pelo art.2º. da Lei nº 6.562/78, que enseja a aplicação de penalidade no valor de 30% do valor aduaneiro". No entanto alega a Recorrente que "o Decreto n° 4.543/2002 (RA), mencionado no acórdão da DRJ, como aplicável ao caso (fls. 3.697), NÃO foi sequer citado pelo Auditor Fiscal que lavrou o Auto de Infração, e muito menos serviu de fundamento para a imposição da multa de 30%". Fl. 3787DF CARF MF Processo nº 10074.000802/201090 Acórdão n.º 3402003.878 S3C4T2 Fl. 3.782 13 No caso, o artigo citado pela DRJ, tratase do 633, II, "a", do Decreto n° 4.543/2002, de 2002, vigente à época, e que corresponde ao art. 706 do Decreto nº 6.759, de 2009 citado pela fiscalização (já reproduzido neste voto), e que assim dispunha (grifei): Art. 633. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decretolei nº 37, de 1966, art. 169 e § 6º, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2º): (...) II de trinta por cento sobre o valor aduaneiro: a) pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, inclusive no caso de remessa postal internacional e de bens conduzidos por viajante, desembaraçados no regime comum de importação (Decretolei no 37, de 1966, art. 169, inciso I, alínea "b" e § 6o, com a redação dada pela Lei nº 6.562, de 1978, art. 2º). Verificase que o citado art. 633 do Decreto nº 4.543/2002 (Regulamento Aduaneiro, que opera com status de lei), bem como o art. 706 do Decreto nº 6.759/2009 (RA), apenas reproduz o comando do art. 169 do Decreto Lei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 2° da Lei n° 6.562/78, sendo o mesmo explícito em citar o termo, importação de mercadoria sem a LICENÇA DE IMPORTAÇÃO ou documento de efeito equivalente. Desta forma, não assiste razão a Recorrente em seus argumentos. 5. DA MULTA DE 30% EM MERCADORIAS NOS TÓPICOS 7.3 e 7.11 Argumenta a Recorrente que "na remota hipótese de não ser integralmente anulado o Auto de Infração e de subsistir algum débito, requerse a improcedência parcial do lançamento para que sejam canceladas as Multas de 30% que recaíram sobre os tipos de lâmpada enumerados nos tópicos 7.3 e 7.11, que NÃO eram "Fluorescentes Compactas com Reator Integrado", e para as quais houve mera e equivocada "presunção" da fiscalização, haja vista que para elas não havia "código indicativo" na internet e as informações eram "parcas" e/ou "genéricas", sendo impossível afirmar que sua importação exigia LI". No item 7. 3 de seu recurso (fl. 3.747), temos que "Isto pode ser provado concretamente se atentarmos para a "constatação" (?/?/) que o Fiscal fez ao analisar a descrição das lâmpadas da DI n° 07/12560453 (PACK HLX 25W 40K 120127 2PK e PACK HLX 13W40K 120127 4PK). Sobre esse tipo de lâmpada o Fiscal afirmou no Auto de Infração o seguinte: "O sítio da GE na Internet FORNECE PARCAS informações, permitindo inferir se tratar de conjunto (PACK) de lâmpadas tipo HLX, tipicamente fluorescentes compactas, com reator integrado" . Em seguida, o Fiscal "concluiu" que haveria necessidade de obtenção de LI para a importação destas lâmpadas e lavrou Multa de R$ 23.472,75 (30% do valor aduaneiro). A Recorrente se insurge contra o procedimento adotado pela fiscalização que buscou informações dos produtos importados no sítio da internet da GE BRASIL. Para se ter adequada compreensão deste procedimento efetuado pelo Fisco, trazse a lume, de modo Fl. 3788DF CARF MF 14 resumido, o relato contido no Relatório Fiscal (folha de continuação do AI fls. 87/88), referente a citada DI n° 07/12560453 (grifei): "(...) D.I. 07/12560453 (ad.001 e 002) folhas 87/88 do processo digital. Esta D.I. foi registrada em 17/09/2007, não possuía L.I. vinculada e continha nas suas adições 001 a 004 a NCM 8539.31.00, com as descrições abaixo. PACK HLX 25W 40K 120127V 2PK PACK HLX 13W 40K 120127V 4PK O sitio da GE na Internet traz descrição para este código, INFORMANDO QUE SE TRATA DE LÂMPADA FLUORESCENTE COMPACTA COM REATOR INTEGRADO. Portanto, não houve observância ao disposto na Lei nº 10.259/2001, regulamentada pelo Decreto 4.059/2001 e pela Portaria Interministerial 136/2006, que fixou a exigência de Licença de Importação, mediante anuência do Inmetro". Já quanto ao item 7.11 assim dispõe em seu recurso: "O mesmo se aplica a outros tipos de Lâmpadas que o Fiscal simplesmente presumiu que se enquadrariam nas características previstas na Portaria (MME/MCT/MDIC) n° 132/2006, tais como: LAMP SPIRAL 23W 127V 65K E27 F LÂMPADA CFL TBX 23 W LAMP SPIRAL T2 11W 127V 65K E2 LAMP MIN TBX 9W 127V 27K E27 F LAMP VELA 8W 127V27KE27 BOX LAMP GLOBO 15W 220V 27K E27 BO". No item 7.12, afirma que "Para esses tipos de lâmpadas o procedimento adotado pelo Fiscal foi o mesmo. Como não sabia o tal "código indicativo" do produto,não examinou a mercadoria, e não conhecia o assunto, tentou buscar as características destas lâmpadas no site da GE BRASIL na internet, mas este não forneceu dados técnicos da natureza e do alcance que o Fiscal estava procurando". No entanto, da mesma forma, para se ter adequada compreensão do procedimento efetuado pelo Fisco, trazse a lume, de modo resumido, o contido no Relatório Fiscal (folha de continuação do AI fl. 91/120 ), referente aos citados produtos: LAMP SPIRAL 23W 127V 65K E27 F; LÂMPADA CFL TBX 23 W; LAMP SPIRAL T2 11W 127V 65K E2; LAMP MIN TBX 9W 127V 27K E27 F; LAMP VELA 8W 127V27KE27 BOX e LAMP GLOBO 15W 220V 27K E27 BO", (grifei): "(...) LAMP SPIRAL 23W127V 65K E27 F Somente após pesquisa no sitio da GE na Internet permitiu se inferir tratarse de lâmpada fluorescente compacta com reator integrado. Assim sendo, não houve observância ao disposto na Lei 10.259/2001, regulamentada pelo Decreto 4.059/2001 e pela Portaria Interministerial 136/2006, que fixou a exigência de Licença de Importação, anteriormente ao embarque, mediante a anuência do Inmetro". "(...) LAMPADA CFL TBX 23W Somente após pesquisa no sitio da GE na Internet permitiu se inferir tratarse de lâmpada fluorescente compacta com reator integrado". Assim, verificase no mencionado Relatório elaborado pelo Fisco (fls. 90/120), que todas os demais produtos listados pela Recorrente neste tópico, foram pesquisados pela fiscalização (no sitio da própria GE) e, diferentemente do alegado pela empresa, foi possível inferir se tratar de "lâmpada fluorescente compacta com reator integrado". Fl. 3789DF CARF MF Processo nº 10074.000802/201090 Acórdão n.º 3402003.878 S3C4T2 Fl. 3.783 15 O Decreto nº 4.059/2001, ao regulamentar a Lei nº 10.259/2001, estabeleceu o seguinte: (...)Art. 8º Durante o processo de importação, os importadores de máquinas e aparelhos consumidores de energia deverão comprovar o atendimento dos níveis máximos de consumo de energia ou mínimos de eficiência energética estabelecidos em regulamentação especifica. Parágrafo único. Para a concessão da Licença de Importação, deverá ser obtida a anuência do INMETRO, previamente ao embarque no exterior. Como se vê, fixouse assim a necessidade de Licença de Importação (LI), previamente ao embarque, a ser obtida mediante anuência do Inmetro. Nesse sentido, a Portaria Interministerial (MME/MCT/MDIC) nº. 132/2006, materializou a previsão do Decreto, ao proceder com o regulamentação especifica para lâmpadas fluorescentes compactas, nos termos do seu anexo. Art. 1º Os produtos objeto desta regulamentação correspondem às lâmpadas fluorescentes compactas LFC, com reator integrado, de fabricação nacional ou importadas, para comercialização ou uso no Brasil. (...). Art.10. No processo de importação das LFC objeto desta regulamentação, deverá haver a anuência do Inmetro para concessão de Licença de Importação, obtida previamente ao embarque no exterior. Pela redação dos dispositivos transcritos acima, resulta que a L.I. é obrigatória para importações de LÂMPADAS FLUORESCENTES COMPACTAS LFC, desde 28/03/2007, devendo ser obtida a partir de anuência do INMETRO, previamente ao embarque no exterior Consta dos autos que o procedimento utilizado pela fiscalização foi o de verificar o código indicativo do produto contido na descrição efetuada pelo importador na DI; pesquisou o código do produto no sítio da empresa GE BRASIL na internet; para o produto em que a informação no sítio da empresa na internet indica que se trata de lâmpadas fluorescentes compactas – LFC com reator integrado, verificou se sua importação estava amparada pela Licença de Importação do INMETRO, em obediência à Lei 10.259/2001, regulamentada pelo Decreto 4.059/2001 e pela Portaria Interministerial 136/2006; verificouse também se a descrição efetuada na DI, continha os elementos necessários que possibilitavam a sua precisa identificação e classificação, em especial "lâmpada fluorescente compacta". Portanto, como asseverado pela decisão recorrida, não houve qualquer presunção como o alegado pela Recorrente. Com base em informação declarada pelo próprio importador, ao descrever cada produto na respectiva DI usou um código indicativo. Vejase que em pesquisa no sítio da empresa GE na internet, a fiscalização constatou que esse mesmo código indicativo se referia a lâmpadas fluorescentes compactas – LFC, com reator integrado. Portanto, não se está diante de uma presunção e sim de uma CONSTATAÇÃO. Fl. 3790DF CARF MF 16 A fiscalização toma como idôneas tanto as informações contidas no campo “descrição da mercadoria” das DI's objeto da presente ação fiscal quanto as informações contidas no sítio da empresa GE na internet. Neste diapasão, a fiscalização adotou a correlação entre o código indicativo presente no campo “descrição da mercadoria” para se referir ao produto importado e o mesmo código constante no sítio da empresa. Dai que surte a certeza e a segurança do Fisco para chegar a conclusão, pois o código indicativo presente no campo “descrição da mercadoria”, ao indicar que o respectivo produto importado se trata de LÂMPADA FLUORESCENTE COMPACTA COM REATOR INTEGRADO, em consulta ao sítio da própria empresa GE. Nessa esteira, trazse à colação às seguintes informações constantes às fls. 235/236 dos autos: Assim, verificase no mencionado Relatório elaborado pelo Fisco (fls. 90/120) que todos os produtos listados pela Recorrente nos itens 7.3 e 7.11 do seu recurso, foram pesquisados pela fiscalização (no sitio da própria GE) e, diferentemente do alegado pela empresa, foi possível inferir se tratar de "lâmpada fluorescente compacta com reator integrado" e portanto, sujeito a anuência do INMETRO e da competente Licença de Importação. E, na ausência da Licença de Importação do INMETRO, a fiscalização efetuou o lançamento referente à multa de 30% do valor aduaneiro das mercadorias e no caso da descrição não conter elementos que permitem a sua precisa identificação e classificação a fiscalização efetuou o lançamento referente à multa tipificada no Artigo 69, da Lei 10.833, de 2003. 6. DA MULTA 30% DO VALOR DA MERCADORIA OU VALOR ADUANEIRO Aduz a Recorrente que "deve ser imposta a reforma parcial do acórdão da DRJ para que o lançamento seja julgado improcedente, em parte, de modo a coibir a utilização de base de cálculo inflada para apuração das Multas, sendo certo que estas, se devidas fossem, teriam que incidir sobre o "valor da mercadoria" (artigo 169, I, b, do DL n° 37/66, com redação dada pelo art. 2º da Lei n° 6.562/78 legislação indicada pelo Fiscal e que serviu de fundamento legal da autuação), e não sobre o "valor aduaneiro", grandeza diversa prevista no Decreto n° 6.759/2009 (inaplicável por ter sido editado posteriormente às importações, como reconheceu a DRJ)". "(...) Isto porque, enquanto que o artigo 706 do Decreto n° 6.759/2009 (inaplicável por ter sido editado posteriormente às importações) prevê que a Multa deve Fl. 3791DF CARF MF Processo nº 10074.000802/201090 Acórdão n.º 3402003.878 S3C4T2 Fl. 3.784 17 incidir sobre o "valor aduaneiro"; o artigo 169, I, b, do DL n° 37/66, com redação dada pelo art. 2º da Lei n° 6.562/78 (dispositivo legal indicado pelo Fiscal e que serviu de fundamento para a imposição da multa de 30%) prevê que a Multa deve incidir sobre o "valor da mercadoria", grandeza consideravelmente menor". Como já relatado, o ordenamento jurídico que regulamentava à matéria aplicável à época das importações, no caso o artigo citado pela DRJ, tratase do 633, II, "a", do Decreto n° 4.543/2002, de 2002, Regulamento Aduaneiro vigente à época, e que corresponde ao art. 706 do Decreto nº 6.759, de 2009, o citado pela fiscalização (já reproduzido neste voto e que opera com status de lei), e que assim dispunha (grifei): Art. 633. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decretolei no 37, de 1966, art. 169 e § 6o, com a redação dada pela Lei nº 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2º): (...) II de trinta por cento sobre o valor aduaneiro: a) pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, inclusive no caso de remessa postal internacional e de bens conduzidos por viajante, desembaraçados no regime comum de importação (Decretolei no 37, de 1966, art. 169, inciso I, alínea "b" e § 6o, com a redação dada pela Lei nº 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2º); e (Grifo Nosso) Portanto, o dispositivo legal indicado pelo Fisco e que serviu de fundamento para a imposição da multa de 30%, encontrase de acordo com a redação do artigo acima referenciado, em vigor desde 27 de dezembro de 2002, que já previa expressamente o VALOR ADUANEIRO das mercadorias (como permaneceu no atual RA art. 706, I, "a" do Decreto nº 6.759, de 2009, que procede da mesma forma quanto a redação de outras multas dos artigos, tais como: 706, I, "b" e item II e III, 711, I, II e III), não havendo, portanto, qualquer margem para as infundadas alegações trazidas pela Recorrente em seu recurso. 7. DA MULTA DE 30% SOBRE AS DI'S Nº 07/03711398 E Nº 07/03772591 Argumenta a Recorrente que "para que haja improcedência parcial do lançamento e a exclusão da Multa de 30% que recaiu sobre a Dl n° 07/03711398 (registrada em 22/03/2007) e sobre a Dl n° 07/03772591 (registrada em 23/03/2007), por não haver obrigatoriedade de LI vinculada nesta época, mas apenas a partir de 28/03/2007, como afirmado expressamente pelo Fiscal (fls. 68 e 71) e pela própria DRJ (fls. 3.700, primeiro parágrafo)". De fato. Vejase abaixo, trecho reproduzido no Relatório da Fiscalização de fls. 69 e 72, respectivamente grifei: "(...) O foco do presente procedimento também foi fixado no âmbito do dossiê do Sepel, quando este Ultimo mencionou que a sua pesquisa original objetivava a verificação do cumprimento pelos contribuintes jurisdicionados por esta IRF/RJO do estabelecido na 410 Portaria Inmetro nº 289/2006, em vigor desde 28/03/2007". Fl. 3792DF CARF MF 18 "(...) Resulta então que a L.I. é obrigatória para importações de lâmpadas fluorescentes compactas, desde 28/03/2007 (ver fl.... , Siscomex), devendo ser obtida a partir de anuência do Inmetro, previamente ao embarque no exterior". No mesmo sentido, consta do Acórdão da DRJ (fl. 3700), grifei: "(...) Pela redação dos dispositivos transcritos, resulta que a L.I. é obrigatória para importações de LÂMPADAS FLUORESCENTES COMPACTAS LFC, desde 28/03/2007, devendo ser obtida a partir de anuência do Inmetro, previamente ao embarque no exterior". A Declaração de Importação nº 07/03711398, tem seu registro em 22/03/2007 e a Declaração de Importação nº 07/03772591, tem o seu registro em 23/03/2007. A Portaria Interministerial nº 132, de 12 de junho de 2006 (publicada no DOU de 13/06/2006) que materializou a previsão do Decreto, ao proceder com o regulamentação especifica para lâmpadas fluorescentes compactas é de 13 de junho de 2006. Portanto, de edição anterior ao registro das Declarações de Importação e deve as importações estarem sujeitas a anuência prévia do INMETRO. Vejase: Art. 9º As empresas importadoras das LFC objeto desta regulamentação devem comprovar o atendimento aos índices mínimos de eficiência energética durante o processo de obtenção da licença de importação. Art. 10. No processo de importação das LFC objeto desta regulamentação, deverá haver a anuência do INMETRO para concessão da Licença de Importação, obtida previamente ao embarque no exterior. A Recorrente aponta em seu recurso (item 9.8), que "Acontece que em 22/03/2007 e 23/03/2007 ainda não havia obrigatoriedade destas duas DIs possuírem LI vinculada, pois a Portaria que criou tal exigência ainda não estava em vigor". No entanto, a Portaria dispõe de forma diversa: Art. 1º Aprovar a Regulamentação Específica de lâmpadas fluorescentes compactas na forma constante dos Anexos à presente Portaria. Art. 2º. Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Por fim, verificase que a citada Portaria do Inmetro nº 289, de 2006, foi publicada em 16 de novembro de 2006, portanto em vigor quando do registro das DI's. Em sendo a Portaria Interministerial nº 132/2006, publicada no DOU de 13/06/2006, entendo, portanto, ser descabido os argumentos da Recorrente. 8. DA CONCOMITÂNCIA DE MULTAS VERIFICADAS EM 10 DI's TÓPICO 10. Aduz a Recorrente que, "por último, a improcedência parcial do lançamento para que não haja a concomitância de multas verificada nas 12 DI's listadas no "tópico 10" (Multa de Controle Administrativo de 30% e Multa de Controle Administrativo de 1%), devendo ser cancelada, pelo menos, uma delas (a de 30% ou, sucessivamente, a de 1%), já que ambas não podem coexistir na mesma DI". Fl. 3793DF CARF MF Processo nº 10074.000802/201090 Acórdão n.º 3402003.878 S3C4T2 Fl. 3.785 19 Vejamos, então, o rol das 12 DI's sobre as quais houve incidência de duas Multas simultâneas: 07/12560453 07/14860322 08/01495231 08/03603244 08/04873970 08/04874160 08/12965684 08/16529951 08/08557534 08/08576237 08/09094848 08/00009643 Informa em seu recurso que "Com relação a estas 12 DI's, o Fiscal entendeu que as mercadorias importadas eram "Lâmpadas Fluorescentes Compactas com Reator Integrado" e por isso multou a GE BRASIL em 30% do valor da operação pela ausência de LI, e, ao mesmo tempo, ele multou a GE BRASIL em 1% por descrição deficiente da mesma mercadoria (falta de elementos que permitissem a precisa identificação da lâmpada importada). Ora, se o Fiscal conseguiu depreender que as mercadorias destas 12 DI's eram "Lâmpadas Fluorescentes Compactas com Reator Integrado", não poderia jamais ter imposto a multa de 1%". A respeito da concomitância de multas (multa de 30% pela falta de LI e multa de 1% por descrição deficiente dos bens), é fundamental para o deslinde dessa questão, reproduzir o texto de cada uma dessas infrações: 8.1. da multa de 1% por descrição deficiente do bem: Vejase a Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou II quantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O valor da multa prevista neste artigo será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior. § 2º A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis. Da Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003 (grifouse): Art. 69. A multa prevista no art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, não poderá ser superior a 10% (dez por cento) do valor total das mercadorias constantes da declaração de importação. § 1º A multa a que se refere o caput aplicase também ao importador, exportador ou beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial Fl. 3794DF CARF MF 20 necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. § 2º As informações referidas no § 1º, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo: I identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na transação:importador/exportador; adquirente (comprador)/fornecedor (vendedor), fabricante, agente de compra ou de venda e representante comercial; II destinação da mercadoria importada: industrialização ou consumo, incorporação ao ativo, revenda ou outra finalidade; III descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal que confiram sua identidade comercial; IV países de origem, de procedência e de aquisição; e V portos de embarque e de desembarque. 8.2. da multa de 30% pela falta de Licença de Importação. Decreto n° 4.543, de 2002 (grifouse): Art. 633. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decretolei no 37, de 1966, art. 169 e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o): (...). II de trinta por cento sobre o valor aduaneiro: b) pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, inclusive no caso de remessa postal internacional e de bens conduzidos por viajante, desembaraçados no regime comum de importação (Decretolei no 37, de 1966, art. 169, inciso I, alínea "b" e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de setembro de 1978, art. 2o). Nesta linha, subscrevo as considerações tecidas na decisão recorrida, adotandoas como razão de decidir, com forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 1999, passando as mesmas a fazer parte integrante desse voto. Tratamse de duas infrações dispares, tendo suporte fáticos distintos: Incidência da multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria – referente a descrição completa da mercadoria que tem por objetivo impedir (punir) uma descrição incompleta ou insuficiente de modo a prejudicar a fiscalização em efetuar a adequada classificação fiscal da mercadoria, no exercício dos controles aduaneiros pertinentes; Incidência da multa de 30% pela falta de Licença de Importação –referente a importação de produtos sem a anuência do órgão responsável, conforme previsão legal. Tem Fl. 3795DF CARF MF Processo nº 10074.000802/201090 Acórdão n.º 3402003.878 S3C4T2 Fl. 3.786 21 por objetivo impedir (punir) o importador que ignora o controle aduaneiro exercido por órgãos anuentes responsáveis pelo controle aduaneiro. Essa distinção se torna mais palpável ao considerar as infrações cometidas no caso em questão: A Portaria Interministerial nº 132/2006, em seu artigo 10, com fulcro no Decreto nº 4.059/2001 e na Lei nº 10.259/200 exigiu a anuência do INMETRO para concessão de Licença de Importação, obtida previamente ao embarque no exterior para a importação de lâmpadas fluorescentes compactas LFC, com reator integrado. A Importação de lâmpadas fluorescentes compactas LFC sem a correspondente Licença de Importação enseja a incidência da multa de 30%, por desrespeito ao controle aduaneiro exercido pelo INMETRO; O inciso III, do artigo 69, da Lei nº 10.833, de 2003, é explicito em elencar a descrição completa da mercadoria como informação de natureza administrativotributária necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. A descrição incompleta da mercadoria importada ou a omissão de característica específica e essencial dificulta/prejudica a função da fiscalização aduaneira na adequada classificação fiscal do produto. Portanto, cada infração tem um propósito próprio, protegendo um interesse específico, não podendo ser tomadas como CONCOMITANTES. Não procede o argumento de o fato da fiscalização identificar adequadamente o produto importado a par da descrição incompleta não funciona como EXCLUDENTE da infração O fato de que a descrição falha se relaciona com a incidência da multa de 1% cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria e não com a multa de 30%, não procede. Não obstante, como já salientado, as duas infrações dizem respeito a interesses (bens juridicamente tutelados) distintos. Portanto, não há qualquer espaço para o Princípio da ‘Consunção’ ou ‘da Absorção’ de penas, pois não está a se lidar com a sucessão de condutas. Nesse sentido o artigo 99 do DecretoLei nº 37/66 (grifouse): Art. 99 Apurandose, no mesmo processo, a prática de duas ou mais infrações pela mesma pessoa natural ou jurídica, aplicam se cumulativamente, no grau correspondente, quando for o caso, as penas a elas cominadas, se as infrações não forem idênticas. 9. DA REALIZAÇÃO DA DILIGÊNCIA SOLICITADA Aduz que "preliminarmente (...), promova a Diligência Complementar necessária para o correto deslinde da controvérsia (conforme petição de fls. 3.653/3.658), sendo proferida nova decisão de 1ª instância após o término desta fase". Com relação ao pedido de produção de provas em diligência, o artigo 16, §4º do Decreto 70.235, de 1972, expressamente coloca que a produção de prova documental deve Fl. 3796DF CARF MF 22 ocorrer no momento da impugnação ao lançamento tributário. Diligências e perícias somente terão lugar no processo administrativo para sanar eventuais dúvidas das autoridades julgadoras, mas não para suprir a o trabalho o contribuinte de trazer prova aos autos do direito que alega ter. Destarte, o Auto de Infração deve ser mantido também nesse ponto, sendo a providência da segunda diligência requerida pela Recorrente (Diligência Complementar), totalmente prescindível para o deslinde do presente litígio, de modo que a indefiro, conforme autorização que me é conferida pela legislação para tanto, estampada no artigo 18 do Decreto nº 70.235/72. 10 CONCLUSÃO Posto isto, voto no sentido de conhecer do Recurso Voluntário e NEGAR LHE provimento, mantendose integralmente a decisão recorrida. É como voto. (Assinatura Digital) Waldir Navarro Bezerra Relator. Fl. 3797DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.905506/2009-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 22/03/2002
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS
Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido.
Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 22/03/2002
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. VIDROS DE SEGURANÇA APLICADOS EM VEÍCULOS AUTOMÓVEIS.
O produto denominado vidros de segurança não emoldurados utilizados como pára-brisas e nas janelas dos veículos automóveis, classifica-se na posição 7007 da TIPI.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 22/03/2002
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA
Não padece de nulidade o despacho decisório, proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.184
Decisão:
ACORDAM os membros da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201702
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 22/03/2002 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido. Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 22/03/2002 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. VIDROS DE SEGURANÇA APLICADOS EM VEÍCULOS AUTOMÓVEIS. O produto denominado vidros de segurança não emoldurados utilizados como pára-brisas e nas janelas dos veículos automóveis, classifica-se na posição 7007 da TIPI. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 22/03/2002 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA Não padece de nulidade o despacho decisório, proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13839.905506/2009-42
anomes_publicacao_s : 201703
conteudo_id_s : 5700492
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 24 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3301-003.184
nome_arquivo_s : Decisao_13839905506200942.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
nome_arquivo_pdf_s : 13839905506200942_5700492.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
dt_sessao_tdt : Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
id : 6688751
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:57:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048948511342592
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1623; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13839.905506/200942 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301003.184 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de fevereiro de 2017 Matéria IPI. COMPENSAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Recorrente VITROTEC VIDROS DE SEGURANÇA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 22/03/2002 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 22/03/2002 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. VIDROS DE SEGURANÇA APLICADOS EM VEÍCULOS AUTOMÓVEIS. O produto denominado vidros de segurança não emoldurados utilizados como párabrisas e nas janelas dos veículos automóveis, classificase na posição 7007 da TIPI. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 22/03/2002 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA Não padece de nulidade o despacho decisório, proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 55 06 /2 00 9- 42 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13839.905506/200942 Acórdão n.º 3301003.184 S3C3T1 Fl. 3 2 ACORDAM os membros da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário contra o Acórdão 1429.670, exarado pela 2ª Turma da DRJ/RPO em face de Despacho Decisório que denegou restituição pleiteada e, conseqüentemente, não homologou as compensações declaradas. A recorrente formalizou PER/DComp objetivando a compensação de pretensa diferença recolhida a maior relativa ao IPI. A fiscalização, a partir das características do DARF discriminado no PER/DComp, constatou que o crédito alegado como indevidamente pago foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação pretendida. O interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva, onde alegou, em sede preliminar, que a fundamentação legal genérica do Despacho Decisório implicou cerceamento do seu direito de defesa. No mérito, sustentou que o direito à restituição decorre de recolhimento a maior de IPI face a erro de classificação de seus produtos (vidros não emoldurados destinados exclusivamente para serem utilizados no párabrisas e nas janelas dos veículos automotores das posições 8701 a 8705). Os mesmos foram classificados na posição 7007 (Vidros de Segurança), com alíquota de 15% de IPI, quando o correto, segundo motivos, julgados e princípio da seletividade, deveria ser na posição 8708 da TIPI (partes e acessórios dos veículos automóveis das posições 8701 a 8705), com alíquota de 5%. Ao analisar a Manifestação de Inconformidade, a DRJ/RPO julgoua IMPROCEDENTE, nos termos do Acórdão 1429.670, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 22/03/2002 NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. Somente são nulos os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com comprovada preterição do direito de defesa. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13839.905506/200942 Acórdão n.º 3301003.184 S3C3T1 Fl. 4 3 RESTITUIÇÃO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. VIDROS DE SEGURANÇA APLICADOS EM VEÍCULOS AUTOMÓVEIS. Inexiste erro de classificação fiscal se contribuinte lançou nos documentos fiscais e recolheu com a respectiva alíquota os vidros, utilizados como pára brisas e nas janelas dos veículos automóveis, classificados na posição 7007 da TIPI. Conseqüentemente, inexiste recolhimento indevido ou maior que o devido que se enquadre como crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado o contribuinte apresentou Recurso Voluntário replicando as alegações da Manifestação de Inconformidade. É o relatório, em sua essência. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.171, de 20 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 13839.904308/200961, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.171): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. As indicações de folhas no presente voto, não havendo informação contrária, referemse à numeração constante no eprocesso. 1 Da Preliminar de Nulidade A recorrente alega que houve preterição do direito de defesa, ensejando a nulidade do despacho Decisório, por indicação inespecífica de dispositivo legal, nos seguintes termos: No despacho decisório que não homologou a compensação em tela constam como enquadramento legal: "Artigo 165 e 170, da Lei n°5.172 (CTN); Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. " Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13839.905506/200942 Acórdão n.º 3301003.184 S3C3T1 Fl. 5 4 Ocorre que os artigos contém parágrafos e incisos QUE NÃO FORAM DEVIDAMENTE ESPECIFICADOS, o que resultou na impossibilidade de a recorrente identificar qual deles fundamenta a decisão não homologatória da compensação, ou seja, EVIDENCIASE INDICAÇÃO INESPECÍFICA QUE CARACTERIZA FORMALIZAÇÃO INCORRETA, em flagrante contrariedade ao que dispõe a legislação que rege a matéria e que prevê a indicação clara e precisa dos dispositivos legais supostamente infringidos , o que não ocorreu no caso. Tal fato resulta em flagrante prejuízo à defesa do contribuinte, resultando em vício insanável que enseja a nulidade do despacho decisório". Não vislumbro nos autos qualquer preterição do direito de defesa. O Acórdão recorrido não merece reparos, nesse pormenor. O despacho Decisório encontrase suficientemente fundamentado e o enquadramento legal está adequado aos fatos apurados. Não há, na espécie, motivo para que a autoridade fiscal indicasse os incisos ou alíneas em que se subdividiam os artigos elencados. Andou bem o julgador de primeira instância, vejamos parte dos fundamentos de seu voto que: [...] "Contudo, o que constato é que, para um pedido genérico lastreado num DARF, regularmente utilizado, para a integral quitação de débitos, mormente por inexistir qualquer retificação do DARF e da DCTF, nenhuma outra capitulação legal seria possível, aliás, creio que foi até exaustiva no caso, pois, bastaria citar o artigo 171 do CTN, ou seja, que a compensação só se faz com créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional." [...] O excerto acima transcrito é suficientemente didático. Não há coerência lógica nos argumentos trazidos pela recorrente, senão o intuito de dar sobrevida ao litígio. Com o exposto, não se verifica qualquer cerceamento do direito de defesa, tampouco algum ato ou fato que ampare, ainda que de longe, a nulidade do Despacho Decisório. 2 Do Mérito O cerne do litígio está centrado da [in]existência do crédito disponível para restituição, submetido à PER/DComp, i.é., [in]existência de pagamento a maior de IPI por parte do contribuinte. A fiscalização, em procedimento de análise de PER/DComp, detectou que o crédito alegado como indevidamente pago fora integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação pretendida. O recorrente, por sua vez, alega que efetuou recolhimento de IPI a maior em face de equívoco na classificação fiscal de vidros não emoldurados destinados para uso nos párabrisas e janelas de veículos automotores das posições 8701 a 8705 da Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13839.905506/200942 Acórdão n.º 3301003.184 S3C3T1 Fl. 6 5 TIPI. Originariamente efetuou os recolhimento do IPI com base na posição da TIPI 7007, alíquota de 15%, conquanto, no seu entender, deveria ter recolhido com base na posição 8708, alíquota de 5%. Sustenta que tem o direito de classificar os vidros não emoldurados nas subposições 8708.29.19 ou 8708.29.99 da TIPI. Tece comentários sobre a metodologia do sistema de classificação fiscal e procura demonstrar a correção da classificação utilizada. Adentra em comentários acerca do princípio da seletividade do IPI sustentando que os princípios constitucionais devem ser considerados prioritariamente para fim de classificar um produto na TIPI, em detrimento às regras do Sistema harmonizado. Em resumo temos que o recorrente sustenta que cometeu erro na classificação de vidros não emoldurados destinados para uso nos párabrisas e janelas de veículos automotores, de sua fabricação e, como conseqüência, recolheu IPI a maior. É nessa matéria, classificação fiscal, que se limita a peça recursal. Outrossim, a exigência fiscal emerge da constatação por parte da fiscalização de que o crédito alegado como indevidamente pago fora integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação pretendida. Essa é a matéria posta originariamente pela fiscalização. Sobre ela nada falou o recorrente. Apressome a afirmar: ainda que o recorrente tenha êxito quanto a classificação por ele pretendida, fazse necessária a comprovação de que eventual pagamento a maior do IPI fora devidamente escriturado, bem assim que as obrigações acessórias tenham sido alteradas para contemplar os valores efetivamente devido do tributo, tornadoo liquido e certo. Portanto temos dois pontos a serem apreciados: (i) a liquidez e certeza do crédito alegadamente pago a maior e (ii) a correta classificação do produto. 2.1 A LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ALEGADAMENTE PAGO A MAIOR É notoriamente sabido que, nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido. Essa é a dicção do art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 373 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; [...] Disso não se desincumbiu o contribuinte. Do compulsar dos autos não se vislumbra nenhum elemento apresentado pela recorrente que tenha o condão de afastar as alegações da fiscalização que alicerçaram a negativa relativa ao pedido de restituição. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13839.905506/200942 Acórdão n.º 3301003.184 S3C3T1 Fl. 7 6 Noutra esteira, a fiscalização demonstrou que, relativamente ao crédito que se pretende ser indevido, há débitos a ele originariamente vinculados, portanto não disponíveis para restituição e, conseqüentemente, não servindo para custear compensação. Dessarte, depreendese que os valores de IPI que o recorrente pretende considerar indevidamente recolhidos para fins de fruição de restituição não se encontram devidamente comprovados, portanto não revestidos de certeza e liquidez. 2.2 A CORRETA CLASSIFICAÇÃO DO PRODUTO Passo a apreciar a classificação fiscal adotada pelo contribuinte para o produto vidro não emoldurados destinados para uso nos párabrisas e janelas de veículos automotores. Ressaltese que a classificação fiscal, no caso concreto, não influenciará diretamente na decisão quanto ao direito à restituição, posto que, isoladamente, eventual erro na classificação não é suficiente para dotar de liquidez e certeza o crédito pago a maior,. O recorrente sustenta que tem o direito de classificar os vidros não emoldurados nas subposições 8708.29.19 ou 8708.29.99 da TIPI. Tece comentários sobre a metodologia do sistema de classificação fiscal e procura demonstrar a correção da classificação utilizada. Adentra em comentários acerca do princípio da seletividade do IPI sustentando que os princípios constitucionais devem ser considerados prioritariamente para fim de classificar um produto na TIPI, em detrimento às regras do Sistema harmonizado. O Julgador a quo, em seu voto, constante do Acórdão recorrido, fundamenta exaustivamente as razões para descaracterizar a pretensa classificação dos vidros na posição 8708 e a necessária e correta classificação na posição 7007. vejamos excerto do voto: [...] Quanto ao mérito, nenhuma razão assiste ao interessado, sendo que a classificação fiscal do produto em questão já é pacificada na Receita Federal do Brasil desde 1998, quando, mediante o DEC SRRF 8ª RF nº 155/98, publicado no DOU em 06/08/98, classificou na posição 7007 da TIPI os vidros a serem utilizados como párabrisas e nas janelas dos veículos automóveis. [...] Não vislumbro razão para o aprofundamento da análise da presente matéria, a uma, pelo brilhante voto constante do Acórdão recorrido, não merecendo reparos, a duas, em face da publicação da Solução de Consulta do Centro de Classificação de Mercadorias da RFB, SC 56/2014, 1ª Turma, com a qual concordo e a utilizo como fundamento de minha decisão. Sua ementa é suficientemente esclarecedora: 7007.21.00 Vidro de segurança não emoldurado, formado por folhas contracoladas (vidro laminado), de espessuras que variam de 1 mm até mais de 6,5 mm, acompanhado de guarnição de borracha para vedação, destinado a uso como parabrisa de automóveis SC 296/2015 1ª Turma Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13839.905506/200942 Acórdão n.º 3301003.184 S3C3T1 Fl. 8 7 Como se vê o produto denominado vidro de segurança não emoldurado, destinado a uso como parabrisa de automóveis tem definida e consolidada sua classificação fiscal na posição 7007. Dispositivo Ante o exposto, considerando que (i) os créditos de IPI que se pretende considerar indevidamente recolhidos para fins de fruição de restituição, não se encontram devidamente comprovados, portanto não revestidos de certeza e liquidez e que (ii) o produto denominado vidro de segurança não emoldurado, destinado a uso como parabrisa de automóveis deve ser classificado fiscal na posição 7007, da TIPI, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 62DF CARF MF
score : 1.0
